Skip to main content

Edição 633

Page 1

Diário da Cuesta NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA EM BOTUCATU

ANO II

Nº 633

QUINTA-FEIRA, 17 DE NOVEMBRO DE 2022

O BRASIL TODO SE MOBILIZOU. O POVO À FRENTE DO QUARTÉIS, EM TODAS CIDADES DO PAÍS. BRASÍLIA FICOU EMBLEMÁTICA NA LUTA CONTRA A FRAUDE ELEITORAL E NA DEFESA DA DEMOCRACIA


2

Diário da Cuesta

EXPEDIENTE

DIRETOR: Armando Moraes Delmanto

NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA EM BOTUCATU

EDITORAÇÃO E DIAGRAMAÇÃO: Gráfica Diagrama/ Edil Gomes

WEBJORNALISMO DIÁRIO

Contato@diariodacuesta.com.br Tels: 14.99745.6604 - 14. 991929689

O Diário da Cuesta não se responsabiliza por ideias e conceitos emitidos em artigos ou matérias assinadas, que expressem apenas o pensamento dos autores, não representando necessariamente a opinião da direção do jornal. A publicação se reserva o direito, por motivos de espaço e clareza, de resumir cartas, artigos e ensaios.


Diário da Cuesta

3

Artigo de J. R. Guzzo publicado no jornal Gazeta do Povo em 14 de novembro de 2022) Seis ministros do STF, nada menos que seis, e tudo de uma vez só, estão participando de um dos mais constrangedores momentos jamais vividos pela suprema corte do Brasil – uma boca livre explícita, na base do “tudo pago”, em Nova York. A coisa se chama “O Brasil e o Respeito à Democracia e a Liberdade”; são umas palestras dos ministros para elogiar a si próprios e cantar os seus atos de heroísmo na guerra que movem há quatro anos contra o governo de Jair Bolsonaro e a favor da volta de Lula à presidência da República. É coisa de dar vergonha – se ainda houvesse alguém capaz de sentir vergonha nessa história toda. Os ministros, muito simplesmente, estão participando de um empreendimento comercial, armado pela empresa de eventos do ex-governador João Doria – especializada em vender para grandes empresas cotas de “par�cipação” em seminários e coisas assim. Não pode. Não é apenas um desastre moral, com os ministros se beneficiando de uma viagem para Nova York, com acompanhante e bandos de seguranças. É contra a lei, que veda aos magistrados brasileiros a participação em atividades de cunho lucrativo. Mas quem é que se preocupa com a lei no STF de hoje? O piquenique internacional Doria-Supremo é um desses momentos, cada vez mais frequentes, em que os juízes do STF se mostram como aquilo que realmente são – pequenos chefetes de república bananeira, que fazem cara de “Primeiro Mundo” civilizado e são apenas um caso de subdesenvolvimento que não tem cura. O “evento” é em Nova York, mas as palestras são em português. O apresentador contratado é brasileiro. A plateia

também – ou seja, todos poderiam perfeitamente ficar por aqui mesmo para ouvir os manifestos de Suas Excelências, mas peixe gordo de Terceiro Mundo nunca resiste a este tipo de festa na laje. De mais a mais, as empresas que pagaram o passeio dos ministros ficam prontas a lembrar, caso tenham amanhã alguma causa no STF (amanhã ou hoje mesmo) que foram elas que permitiram a festa. É uma coisa grosseira. Passa na cabeça de alguém que magistrados das cortes supremas de alguma nação séria deste mundo aceitem participar de um negócio como esse? Os ministros, enfiados em suas roupas de brasileiro que viaja para os Estados Unidos em época de frio, foram chamados de “bandido”, “ladrão” e “vagabundo” às portas do hotel, em bares e nas ruas de Nova York, para onde foram já no fim se semana; estão hoje, seguramente, entre as figuras mais detestadas da vida pública nacional. Se pensavam que isso se limita ao Brasil, estão enganados – os manifestantes brasileiros, capazes de reunir milhares de pessoas num protesto em pleno Times Square, não lhes deram sossego. (Em Nova York o ministro Alexandre de Moraes não pode mandar que a polícia impeça manifestações contra “as ins�tuições democrá�cas”; ninguém lá entendeu, também, que diabo uns juízes brasileiros estariam fazendo na sua cidade. Por que não ficam no Brasil?) É um prenúncio do que vai acontecer na próxima vez que estiverem lá, ou em outro grande centro internacional. Os ministros do STF não podem, já há muito tempo, andar nas ruas de seu próprio país – estão sempre cercados por vaias, xingatório e manifestações de desprezo. Estão vendo, agora, que também em Nova York a vida não está fácil.


Diário da Cuesta

INFELICIDADE

4

BAHIGE FADEL

Tomara que eu esteja errado, mas as pessoas não estão felizes. Não estão. Nem vencedores nem vencidos. A gente vê na expressão do rosto. Não há felicidade. A pessoa verdadeiramente feliz não quer ou pede vingança. A pessoa verdadeiramente feliz não quer a infelicidade do outro. A pessoa verdadeiramente feliz quer compartilhar sua felicidade. Assim, ela precisa de outras pessoas felizes. Ninguém se sente bem na tristeza. Ninguém pode ter felicidade em meio ao ódio. E o que a gente vê? Ódio. Ódio com motivo e ódio sem motivo. Ódio pelo prazer de odiar. Ódio pelo desejo de que a outra pessoa se sinta menor. Ódio disfarçado. Ódio camuflado. Ódio escondido atrás de sorrisos forçados. Ódio oculto na sombra de atitudes aparentemente ingênuas. Outro dia, um grupo de pessoas estava zombando de uma outra pessoa. Disse a elas que aquilo não era bom, que aquilo estava humilhando a vítima. Em meio a sorrisos, o grupo de pessoas me disse que eu não sabia de nada, que a vítima era um amigo, que eles estavam apenas brincando. E eu argumentei que a vítima, que era, segundo eles, um amigo, não estava se divertindo, que não estava se sentindo confortável. O grupo zombador me disse que eu não entendia nada dos dias atuais, que eles sabiam o que estavam fazendo. Ante tal afirmação, calei-me e fui embora. Não queria continuar presenciando aquela cena: um grupo se divertindo às custas de uma pessoa. Faz sentido? Claro que não. Se era um amigo, teria que estar divertindo-se junto. Um amigo não pode ser vítima da diversão de outros amigos. É humilhante. É desrespeitoso. E as pessoas que precisam humilhar para se sentirem felizes têm algo de errado. E esse erro está relacionado ao ódio, à infelicidade. Só que isso está sendo visto como normal. ´É pra enturmar, professor!’. Pra enturmar, uma ova! Isso é pra espantar. Não se enturma humilhando alguém. Quando você humilha, está demonstrando ódio, desprezo, desejo de afastar a pessoa. Como escrevi no início da crônica, tomara que eu esteja errado. Tomara que o que ando vendo na sociedade não passe de ilusão. Tomara que as pessoas estejam, de fato, procurando amar-se, procurando valorizar os outros, procurando fazer com que os outros se sintam felizes. Tomara que o ódio manifestado na campanha eleitoral seja apenas encenação, seja apenas disfarce. Tomara que seja tudo o contrário do que aparentou ser. Tomara que todos desejem a paz, a tranquilidade, a fraternidade. Tomara que todos estejam dispostos a fazer o que estiver ao seu alcance para a felicidade coletiva. Tomara. Assim, terei prazer em perceber que estou errado e serei feliz por isso.


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Edição 633 by diariodacuesta - Issuu