Diário da Cuesta NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA EM BOTUCATU
ano I Nº 63
QUINTA-FEIRA, 21 de janeiro de 2021
“BOCATATU É A VÓ !” PÁGINA 3
EVITE AGLOMERAÇÃO FAÇA DISTANCIAMENTO SOCIAL
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Diário da Cuesta
ABORTO
ARTIGO Elda Moscogliato Agora que a Imprensa de todo o País agita o momentoso assunto do aborto, abrindo-se a polêmica Pró e Contra, sentimo-nos no dever cristão de meditar com nossos leitores sobre o assunto, mais diretamente dirigido às mulheres. São alguns comentários a fatos que conhecemos e que nos foram trazidos a seu tempo, pelas próprias dramáticas personagens. Não se trata de ficção, não! Estejam certos os que nos lêem. São lições de Vida! Sobre cujos resultados não incidem as leis humanas, não se aplicam as questões sociais, não se resolvem os problemas demográficos. São dramas vividos e que se afogam na irreversibilidade do fato consumado. Nos nossos já longos trinta e cinco anos de magistério particular vimos partirem legiões e legiões de crianças que nos voltaram um dia – mercê de uma afetuosa amizade – trazendo muitas delas, na fisionomia adulta, as marcas nem sempre otimistas da vitória e da conquista. Desse estranho e complexo macrocosmo extraímos hoje esta crônica. De uma dessas antigas crianças – uma menina inteligente, viva, ambiciosa, organizada – acompanhamos mais de perto sua ascensão social. Casou-se muito bem e planejou a vida familiar. Três filhos, cada qual a seu tempo, sadios, lindos, perfeitos. O marido, profissional capacíssimo, trabalhador e próspero. Só havia uma falha. O sentimento religioso do casal era problema de somenos. Quando se tem vinte e tantos anos, a for-
tuna sorri, a vida decorre agradavelmente. Deus ainda está distante. É fator secundário. Para eles. O importante mesmo, para ambos, era uma viagem de há muito sonhada, para a Europa. Nada podia impedir. Esquiação nas montanhas alpinas, passeio pelos lagos suíços e um cruzeiro pelo litoral grego. Isso era importante como subsídio cultural. Estava nos imperativos do “status” de que gozavam. Mas a jovem esposa engravidou surpreendentemente. Extra-programa. Mais dramático do que isso, não poderia acontecer para o casal. E agora? Quatro filhos? De jeito nenhum! O esposo indignado, revoltou-se. À esposa cabia a iniciativa. Ele de forma alguma admitia o fato. A pobre moça entrou em pânico. Os dias decorriam e a solução imposta pelo esposo tinha que ser dada. Surgiu-lhe na consciência um trágico dilema : aceitar a nova maternidade e perder a paz familiar com a revolta do esposo, ou ficar com ele e rejeitar a criança. Sentia-a já no ventre. As desinteligências amargavam a vida no lar, até então tranquila. Resolveu
a jovem consultar uma amiga. Essa amiga levou-a ao médico. Numa manhã , clandestinamente, um bebê a mais, foi rejeitado pela própria mãe. Um detalhe: ela pode ver a criança. Era um menino perfeito, feiçõezinhas regulares, sadio. Fizeram a viagem à Europa. Esquiaram na Suíça , viram os lagos já lidos em Lamartine, e puderam percorrer à noite, sob a luz da lua, a Acrópole. Como convém a um casal rico, jovem e belo. Cheio de saúde. Cheio de saúde, não. Nunca mais a jovem dormiu tranquila. Começaram as insônias, os pesadelos, as angustias. A saúde não foi mais a mesma. A operação apressada deixara marcas. Que se foram avolumando. Ameaçando-lhe os traços regulares de jovem bonita. Emagreceu. O espírito foi-se conturbando. Traçando-lhe nos momentos a sós, um trágico vazio. Na mesa havia um espaço vago para a cadeirinha de bebê. No carro de luxo, a mesma coisa. O berço já inútil fora relegado para o quarto de despejo. Nas suas insônias flutuava-lhe ao redor, no negror das noites, um gélido feto jogado ao lado. O mal se agravou. Pouco tempo depois, havia uma casa rica, vazia e silenciosa. Três orfãozinhos eram entregues aos cuidados da vovó. Acervo Peabiru
VOCÊ SABIA?
Que teria sido brasileiro o famoso herói inglês que marcou presença na Primeira Grande Guerra Mundial? Teria sido botucatuense esse herói? Teria nascido na Cuesta de Botucatu esse herói que encantou gerações com sua bravura e idealismo? A Revista Peabiru apresentou minucioso estudo sobre a trajetória desse herói mundial. Na história ou na “lenda” de Lawrence da Arábia, temos como berço natal do herói a Cuesta de Botucatu, mais precisamente, a Fazenda do Conde de Serra Negra, localizada em Vitoriana. Verdade ou lenda ?!? Segredo guardado ou sonho “botucudo” surgido antes da virada do século passado?!? Mas fica – com certeza! – a imagem positiva e heroica de Lawrence da Arábia: um brasileiro nascido na CUESTA DE BOTUCATU. DIRETOR: Armando Moraes Delmanto
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“BOCATATU É A VÓ !”
“Bocatatu é a vó !”, serviria se o erro fosse proposital e cometido por pessoa de conhecida má-fé. Não é o caso. A então primeira-dama do país, Dona Rosane Collor de Mello mandou um abraço para a população de Botucatu e, desacostumada, pronunciou “Bocatatu”. Lembro-me de uma solenidade no Palácio dos Bandeirantes na qual, o então Governador Franco Montoro, em final de discurso, com o homenageado presente, prestou suas homenagens à postura democrática de Dante Alighieri (referia-se ao autor da emenda das eleições diretas, Deputado Dante de Oliveira). Botucatuenses!”- desarmem os espíritos e tentem buscar o lado bom. Não houve o “animus injuriandi” e isso é certeza de absolvição em nossos tribunais... Com milhares de municípios em todo o Brasil, a verdade é que a nossa jovem e bonita primeira-dama mandou seu abraço sincero para o povo de Botucatu. Com a pronúncia certa - BOTUCATU vamos também enviar o nosso abraço à primeira-dama. E, de quebra, o convite para nos visitar mais uma vez. E que traga o Presidente e, se possível, nos garanta um CIAC (centro educacional e esportivo, inspirado nos CIEPs que o Governador Brizola construiu de forma pioneira no Rio de Janeiro).” (Jornal de Botucatu – 17/01/1992) A imprensa de todo o Brasil deu cobertura ao fato. Tornou-se folclórica a “gafe” da primeira-dama. Entre as muitas manifestações, registramos a do consagrado escritor mineiro Otto Lara Resende. O Brasil tem orgulho de seus intelectuais que vieram das Minas Gerais para enriquecer a cultura nacional. O quarteto mineiro é nacionalmente conhecido :Hélio Pelegrino, Otto Lara Resende, Paulo Mendes Campos e Fernando Sabino. A consagração e registro definitivo dessa “confraria literária” veio no livro “Os 4 Mineiros”, editado em 1980. Otto Lara Resende, com sua “prosa” envolvente nos trouxe, em artigo publi-
cado em 14/01/92, na Folha de São Paulo, página 2, com o título de “Boca, tatu e siri”, este artigo : “Sem querer bancar o enxerido, acho que não se pode ser tão rigoroso com a primeira-dama porque errou o nome de Botucatu. Deu um viva a “Bocatatu”. Uma vergonha, disse um. Falta de consideração e de cultura, disse outro. Devia ir capinar em Canapi, disse, trocadilhesco, um terceiro. Só o bravo militante do PRN se mostrou compreensivo. E normal, muitos erram, disse ele. Nada como o bálsamo de um correligionário. Botucatu significa “bons ares”.
Otto Lara Resende
Consta que é também cidade de bom coração. Cá entre nós, esses nomes indígenas são mesmo compli-
cados. Imaginem se fosse Pindamonhangaba. Na entrega do Prêmio Nobel a Garcia Marquez, ninguém sabia dizer o nome de sua cidade natal: Aracaíaca. Até o rei da Suécia ficou encalacrado. Não se tratando de palavra familiar, esses lapsos são muito frequentes. Qualquer um de nós já passou por isto. Outro dia eu queria dizer que uma amiga apareceu viva em sonho e disse acordada. É o desejo inconsciente de eliminar essa intrusa, a morte. Em certas circunstâncias, pode ser uma gafe. Em gafe o melhor é não tentar consertar. Senão piora. Se a dona Rosane não sabia pronunciar Botucatu, ficasse calada, disse um botucatuense. Ora, podia saber e errar. O erro acontece por antecipação ou contaminação e é sempre uma cilada. Um “lapsus linguae”. Freud estudou o tema a partir dos seus próprios equívocos. E era o Freud l Marechal e candidato, o presidente Dutra foi em 1945 ao Paraná. Saudou lá a terra das “araucárias “. Discurso de “ghost writer “, cometeu uma cacoépia ou silabada de amargar. Nem por isto perdeu a eleição. No caso da dona Rosane, a simples dificuldade de articulação pode explicar o deslize. Mas logo se pergunta o que é que está por trás da distração. E as interpretações mergulham fundo na busca de motivos inconscientes. Desdentado dasipodídeo de hábitos notívagos, o tatu encantou Kipling quando esteve no Brasil. Até pediu um e levou com ele. Ao dizer “Botu”, que se pronuncia “boto”, a primeira-dama juntou dois bichos brasileiríssimos. O boto e o tatu. Tímido, o tatu só quer a intimidade da sua toca. Detesta aparecer. Quem sabe há no lapso de dona Rosane um símbolo inconsciente contra o excesso de exposição. Boca e tatu, puxa, quanto pano para manga ! O melhor é fazer boca de siri. Mas Botucatu que me desculpe, dona Rosane a meu ver está absolvida. “ Este é o registro do fato. Corremos todo o noticiário nacional e ganhamos uma bem humorada crônica de Otto Lara Resende... (AMD).
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ACONTECÊNCIAS
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DICAS E RECADOS Beatriz Soares
ENTREVISTA
Esta é a família Bertolini - Antonio Bertolini, 80 anos, ferroviário aposentado e Cleonice Pagnin Bertolini, 76 anos, do lar. Pais de Marco Bertolini e Julio Bertolini, 02 netos. O que mais gostam de fazer : Ele : ficar em casa no aconchego e paz do lar, curtindo a família, ouvindo música sertaneja raiz e futebol. Ela: gosta muito de conversar, curtir os netos e navegar na internet, inclusive possui seu próprio canal no youtube “ Vovó Apaixonada”. Gosta de músicas românticas e filmes policiais. Ele, com seus 80 anos de idade, dirige normalmente. Toda essa felicidade de um casal de 60 anos de convivência desde quando começaram a namorar, é fruto de uma rotina diária feliz, recebendo a visita de seus filhos e netos para um café da manhã. Em tempos normais, vão ao mercado juntos e visitam parentes. Quando se conheceram, os jovens frequentavam quermesses, parques de diversões e passeios na rua. O melhor conselho para a juventude é para que se respeitem, procurando cada um conhecer as características e defeitos uns dos outros. Este é o casal Bertolini no auge de sua felicidade aos 60 anos de casados. Parabéns!
Estamos vendo muitos acidentes envolvendo motos e carros em nossa cidade. Confira sempre a manutenção dos veículos e preste muita atenção no trânsito, inclusive dando setas. Anote aí!
OLHO NO DIREITO
Tenho uma tatuagem, posso prestar concurso? Sim! O STF decidiu em 2016 que é inconstitucional a proibição de candidatos com tatuagens a cargo público. Sempre houve um impasse a esse respeito, mas se deu repercussão geral (válida para todo o país) através de um caso de um policial militar que tem uma tatuagem na perna e foi se socorrer até o Supremo (RE 898450) para ver seu caso solucionado, em um concurso público para soldado de 2º classe. Então, fixou-se entendimento de que não se pode proibir candidatos de prestarem concurso só porque possuem tatuagem. É óbvio que essa tatuagem não pode ser algo com conteúdo que viole valores constitucionais. Ex. tatuagem de símbolo nazista. Na época, quem foi o relator do caso, o Sr. Fux entendeu que proibir tatuagens, fere os princípios
constitucionais da isonomia e razoabilidade. Destacou que o simples fato de ter tatuagem, por si só, não pode ser considerado atentatório aos bons costumes. Segundo ele, a tatuagem passou a ser considerada como uma liberdade de manifestação do indivíduo e por isso não pode ser punido! Conforme suas palavras no voto, “um policial não se torna melhor ou pior em suas funções apenas por ter tatuagem”. Ressaltou também que um policial não pode por exemplo ter tatuagens que façam apologia ao crime ou que indiquem organizações criminosas. Então, se você tem tatuagem, fique tranquilo(a) que pode sim prestar concurso público e tomar posse! É direito seu! Fique de olho!
SOCIAL A equipe da Tattoo Wave já começou 2021 a toda! Sucesso!
Dr. Carlos Julião e equipe, desejo um excelente começo de 2021! Dr. Josias Martins de Almeia Junior, juiz de direito de Botucatu, que 2021 seja um ano repleto de muito sucesso!
Hipica Monte Olimpo Botucatu, de propriedade da Ingrid Wirtz, já está em plena atividade! Sucesso!
PERSONALIDADES A Dra. Sandra Gutierres, jovem Advogada da OAB/SP, exímia profissional, Seção de Botucatu, já retornou com suas atividades profissionais na cidade. Avante, Dra.!