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Edição 476

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Diário da Cuesta NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA EM BOTUCATU ANO II Nº 476 QUARTA-FEIRA, 18 MAIO DE 2022

Gari é demitido, comove Botucatu e tem final feliz...

cato, o “coletor foi dispensado de forma absolutamente injusta e arbitrária”. Vitor ficou nacionalmente conhecido após um vídeo dele trabalhando dele descontraído, que simula que está escoltando o colega de trabalho, que recolhe os sacos de lixo das calçadas na Avenida Leonardo Villas Boas, sentido a Avenida Dante Delmanto. A reintegração foi acatada pela empresa Corpus nesta segunda e foi devidamen-

te acompanhada pelos representantes do SIEMACO Sr. Marcelo e advogada Dra. Fabíola. Assim que o vídeo viralizou, diversas pessoas se manifestaram em apoio ao coletor. Foram feitas campanhas nas redes sociais. O Prefeito Mário Pardini, assim que soube do ocorrido, entrou em contato com Vitor e depois com a empresa, em busca de uma solução. (Fonte: Notícias Botucatu)

DIÁRIO DA CUESTA

A demissão do Gari Vitor Henrique Celestino, de 30 anos, que trabalha na coleta de lixo na cidade de Botucatu, ganhou um novo desfecho nesta segunda-feira 16 de maio, dia em que é comemorado o “Dia do Gari”. Através de uma ação movida pelo Sindicado Espe�cio dos Empregados de Limpeza Urbana, Áreas Verdes, Limpeza e Conservação (SIEMACO), Vitor foi readmitido pela empresa CORPUS. De acordo com o Sindi-


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Diário da Cuesta

Gesiel Jr./ABL – Academia Botucatuense de Letras

EXPEDIENTE NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA EM BOTUCATU WEBJORNALISMO DIÁRIO

DIRETOR: Armando Moraes Delmanto EDITORAÇÃO E DIAGRAMAÇÃO: Gráfica Diagrama/ Edil Gomes Contato@diariodacuesta.com.br Tels: 14.99745.6604 - 14. 991929689

O Diário da Cuesta não se responsabiliza por ideias e conceitos emitidos em artigos ou matérias assinadas, que expressem apenas o pensamento dos autores, não representando necessariamente a opinião da direção do jornal. A publicação se reserva o direito, por motivos de espaço e clareza, de resumir cartas, artigos e ensaios.


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Diário da Cuesta

GERAÇÕES DA CIDADANIA BOTUCATUENSE

HOMENS QUE FIZERAM BOTUCATU!

DANTE DELMANTO

O homenageado é filho do imigrante italiano, Pedro Delmanto (Pietro Del Manto) e de Maria Varoli Delmanto, botucatuense e filha de imigrantes italianos. Teve seis irmãos: Aleixo, Antonio e Orlando, Berval, Wanda e Imaculada Conceição (Peggy). Cursou a Escola Botucatuense e formou-se na primeira turma da Escola de Comércio “Nossa Senhora de Lourdes”, indo posteriormente para São Paulo onde se formou advogado pela tradicional Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. No último ano do curso de direito, em concurso realizado entre todas as Faculdades de Direito para aluno que tivesse a melhor nota na matéria de Direito Internacional, ganhou bolsa de estudos, de um ano, na Faculdade de Direito Internacional de Haia, na Holanda. O curso tinha convênio com o Itamaraty, sendo que após o seu término, o diplomado poderia ter ingresso direto na carreira de Diplomata. No entanto, Dante Delmanto, que desde o início de seu curso jurídico atuava em escritório de advocacia, preferiu dedicar-se à advocacia criminal, o grande sonho de sua juventude. Na introdução de seu livro “Defesas que fiz no Júri”, o próprio Dante explica: “Em Botucatu, onde nascemos, presenciamos, na mocidade, um importante julgamento perante o Tribunal do Júri, de que participaram dois consagrados tribunos de São Paulo, os drs. Antônio Augusto Covelo e Alfredo Pujol. Ele nos impressionou profundamente e despertou grande interesse pela advocacia criminal.” Como advogado criminal, Dante Delmanto conseguiu renome nacional. Por seu escritório passaram clientes famosos como o Dr. Júlio de Mesquita Filho, do jornal “O Estado de S. Paulo”, o Conde Francisco Matarazzo e seus filhos, os ex-governadores Adhemar Pereira de Barros e Jânio da Silva Quadros, o ex-senador Auro de Moura Andrade e inúmeros empresários e pessoas de destaque na sociedade paulista. A Editora Saraiva, em 1978, na apresentação de seu livro, destacou: “O autor deste livro dispensa apresentação, pois é, reconhecidamente, um dos mais renomados criminalistas que o Brasil tem. Pode-se dizer, do Dr. Dante Delmanto, que ele possui a verdadeira alma do advogado criminal. É o profissional que não se descuida nem dos pontos de prova aparentemente mais insignificantes do processo; é o técnico, sempre pronto a recorrer aos seus conhecimentos de anatomia, balística, psiquiatria, toxiologia e dos mais variados ramos da ciência, para chegar ao esclarecimento do caso; é o advogado ágil e experimentado, que consegue antever as provas que poderão levar ao sucesso; é, enfim, o debatedor seguro, que, plenamente, sabedor dos pontos favoráveis e contrários da causa, usa todo seu poder de argumentação e convicção. Somente a verdadeira vocação e a grande paixão podem conduzir o advogado a seme-

lhante maestria. E nada afastou o Dr. Dante Delmanto do seu pendor para o Direito Penal ou conseguiu arrefecer seu amor à causa que sempre abraçou. Nem o aceno da Diplomacia, quando ainda acadêmico, recebeu bolsa de estudos da Fundação Carnegie e cursou a Faculdade de Direito Internacional de Haia, na Holanda; nem a política, ao ser eleito, ainda bem moço, o deputado estadual mais votado no Estado de São Paulo.” Ainda com referência ao seu livro que havia saído sem prefácio, apenas com a apresentação da Editora Saraiva, ocorreu fato inédito: em julho de 1986, colegas seus na advocacia criminal fizeram prefácio coletivo como homenagem póstuma. Assim, A. Evaristo de Moraes Filho, Ariovaldo de Campos Pires, Carlos Araújo Lima, Evandro Lins e Silva, George Tavares, José Aranha, Otto Cyrilo Lechmann, Paulo Sérgio Leite Fernandes, Raimundo Pascoal Barbosa, René Ariel Dotti e Waldyr Troncoso Peres (em ordem alfabética) fizeram o seguinte prefácio: “Defesa que fiz no Júri”, em 4ª edição, não precisa de prefácio. Dante Delmanto, um dos maiores advogados criminais brasileiros, tem no próprio nome o convite à leitura atenta. Além disso, três edições esgotadas transformaram o livro em fonte obrigatória de consulta. Meio século no plenário do Júri é privilégio reservado a poucos. Método, energia, obstinação, cultura, paciência, qualidades raramente concentradas num só advogado, entrelaçam a personalidade do admirável tribuno, modelo de elegância e de inimitável síntese. Dante Delmanto sempre se manteve em absoluta discrição. Humildade na grandeza, reservado, infenso a honrárias, permitiu-se só uma vez, há alguns anos, usar as vestes

talares fora do recinto do Tribunal do Júri. A Ordem dos Advogados do Brasil lhe outorgara um diploma coroando-lhe a dedicação à advocacia criminal. Delmanto recebeu o laurel no Salão Nobre da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. A seu lado, envergando também as togas, poucos irmãos partilhavam o privilégio. O auditório estavA repleto, Os colegas, especialistas ou não, quiseram testemunhar-lhe respeito e afeto. Aquela homenagem foi extremamente significativa. Concretizada em pleno apogeu de um regime político felizmente ultrapassado, demonstrava o profundo amor dos criminalistas pelo tribunal do povo, cem vezes ameaçado de extinção a cada golpe do poder contra as liberdades públicas. O Júri resistiu. Atravessou intacto outro negro período da história do Brasil. Os criminalistas, cada um a seu modo, contribuíram valentemente para a intocabilidade da instituição. Dentro e fora do plenário fez-se ouvir sempre, sem peias, fosse qual fosse o regime político, a voz do defensor. O ilustre colega aguardava solitário prefácio. Amigos seus, todos companheiros fiéis na difícil atividade, decidiram unir-se na apresentação. Fazem-no com entusiasmo e devotamento pelo companheiro que soube como poucos sustentar o sagrado direito ao contraditório, engrandecendo a advocacia criminal e legando aos jovens, com sua conduta, o certo exemplo a seguir.” Dante Delmanto participou como Tenente da Revolução Constitucionalista de 1932, tendo sido indicado candidato a Deputado Estadual Constituinte, em 1933, pelo Partido Constitucionalista, sendo eleito com a maior votação de todo Estado. Na ocasião, Delmanto tinha 28 anos de idade. Teve atuação de destaque a nível estadual e, para Botucatu, conseguiu várias conquistas expressivas, como a Escola Profissional (Industrial) e a desapropriação da Fazenda Lageado, transformando-a em Instituto Brasileiro do Café – IBC (hoje, campus da UNESP). Durante os anos de 1932/33/34,presidiu o Palestra Itália (Palmeiras), dando ao alviverde o seu único Tricampeonato Paulista e o 1º título de Campeão do Torneio “Roberto Gomes Pedrosa (Rio/São Paulo). Em 1936, Dante Delmanto casou-se com a professora Cecília Tôrres Delmanto, filha do saudoso advogado de Botucatu, Dr. Mário Rodrigues Tôrres, líder do PRP na região. Teve três filhos: Celso, Roberto e Maria Cecília. Deixou os netos: Eduardo Dante, Luís Álvaro, Roberto Jr, Jorge, Renata, Fábio, Marcelo e Graziela. A “Folha de Botucatu” que tem pautado a sua atuação em busca da valorização da história de Botucatu e na divulgação de seus filhos diletos registra com satisfação a homenagem que lhe foi prestada pelos poderes constituídos do município dando seu nome a uma de suas principais avenidas: Avenida Deputado Dante Delmanto. (FOLHA DE BOTUCATU - 04/09/1989).


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“O vestidinho rosa”

Diário da Cuesta

Maria De Lourdes Camilo Souza

Quando tivemos a notícia tão aguardada, que veio alegrar imensamente os nossos corações : viria um novo bisneto! Ficamos torcendo descaradamente para ser a primeira menina e já tínhamos um nome guardado nos nossos corações para ela: Beatriz. Enquanto aguardávamos a gestação íamos levando a vida, sempre visitando a querida mamãe, e acompanhando as notícias de perto. Eles ainda moravam aqui em Botucatu, em uma casa antiga com grandes janelas e um imenso quintal com muitas árvores frutíferas: acerola, jaboticabeira, mexeriqueira, limoeiro. A mãezinha feliz decorou um quartinho para a chegada da princesinha, com cortinas e adereços para o antigo bercinho que nos serviu e a muitos bebês da família por gerações. Minha mãe já sonhava com aquele pequeno ser em seus braços. Uma alegria leve e suave em compasso de espera pairava no nosso cotidiano. Minha mãe comprou já uns metros de tecido fino e já desenhava a primeira camisinha que o bebê iria usar. Com suas mãos cortou o tecido, costurou com linha delicada em pontos quase invisíveis e depois bordou com minúsculas flores delicadas, fez também com o mesmo tecido uma pequena blusinha sem mangas para usar por baixo do casaquinho, já pensando na proteção da pele do bebê, por causa do bordado. Ficou uma beleza. Não nos cansávamos de admirar e nem o tocávamos, depois de lavado e passado e envolto num papel de seda azul claro. Guardado entre saches perfumados no gavetão do seu guarda roupa a sete chaves. Aguardamos curiosamente para saber o sexo, mas, naquela torcida para ser menina. E finalmente março chegou e para a nossa alegria veio a menina. O nome não foi o que gostaríamos, mas, escolheram um nome para homenagear o avô. Interessante que se criou entre eles um laço mais forte que o nome. Mesmo depois que mudaram para outra cidade, ela ficou uma linda moça, eles tinham longas e frequentes conversas pelo telefone celular. Enquanto conversavam ela ia dando voltas e mais voltas pelo jardim da casa, ao redor da piscina, e falando, falando, e falando... A menina sabia nos encantar com seus grandes e lindos olhos escuros. E quando chorava vertia gordas lágrimas colocando todos a sua volta para consolar. Conforme foi crescendo minha mãe resolveu fazer para ela um vestidinho. Comprou uns metros de tecido rosa, cor preferida das meninas, desenhou o modelo, cortou o tecido e costurou com muito carinho. Ficou um encanto depois de pronto. Nem preciso dizer que é guardado até hoje cuidadosamente como relíquia de família para uso das novas integrantes. Estes dias próximos ao Dia das Mães encontrei essa bela foto da minha YoYô, ao lado dos amores perfeitos. Na verdade nem sabia muito o que ia escrever e se ia homenageá-la. Não queria dizer as mesmas velhas palavras, até que por acaso dei com a foto do casaquinho bordado, o bebê com o vestidinho rosa e a homenagem veio dizer do seu grande amor pela família, sua delicadeza de alma, sua presença continua entre nós.


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