Diário da Cuesta
ano I Nº 38
NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA EM BOTUCATU
QUARTA-FEIRA, 23 de dezembro de 2020
Silvio Santos vem aí!!! É uma unanimidade nacional! Reconhecido pelo Presidente da República e pelo brasileiro comum que o admira e o tem como um referencial sempre positivo na televisão brasileira! SALVE SENOR ABRAVANEL! SALVE SILVIO SANTOS !!!
Do artista plástico Eduardo Fonseca (Vista Alegre/Portugal)
“A CANDEIA”
“O Candeeiro” é a esperança em tempos escuros ou de dúvidas”, resume Eduardo Fonseca sua inspiração ao retratar o nascimento do Menino Jesus...em ano em que estamos suplantando com expectativas e muita resiliência...
FELIZ NATAL !
DIPLOMADOS OS ELEITOS Foram diplomados os eleitos de Botucatu, Itatinga e Pardinho. O evento na Câmara Municipal não teve público.
FORMADOS NA UNESP LANÇAM OBRA SOBRE A FAUNA DA CUESTA DE BOTUCATU
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Rico em imagens, “Herpetofauna da cuesta paulista” destaca an�bios e répteis da região. Animais, pesquisa, fotografia e ilustração. Essas paixões uniram quatro amigos biólogos, que investiram sete anos de trabalho na produção de uma obra que fala sobre a rica natureza da Cuesta de Botucatu.
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Diário da Cuesta
FORMADOS NA UNESP LANÇAM OBRA SOBRE A FAUNA DA CUESTA DE BOTUCATU Formados da Unesp lançam obra sobre fauna da Cuesta de Botucatu
Rico em imagens, “Herpetofauna da cuesta paulista” destaca anfíbios e répteis da região Animais, pesquisa, fotografia e ilustração. Essas paixões uniram quatro amigos biólogos, que investiram sete anos de trabalho na produção de uma obra que fala sobre a rica natureza da Cuesta de Botucatu. O livro “Herpetofauna da cuesta paulista” (Anolis Books Editora / 2020) foi dividido em dois volumes. O primeiro, intitulado “Conceitos: cuesta e fauna”, traz informações sobre a região da cuesta, além de dados sobre anfíbios e répteis em perspectiva global. O segundo, “Guia de campo”, descreve as espécies da região por meio de textos de fácil compreensão, fotografias, ilustrações científicas de altíssima qualidade e chaves de identificação para répteis, anfíbios e girinos. Caracterizada por mesclar fragmen-
tos de dois tipo de biomas (Mata Atlântica e Cerrado) em uma geografia de relevos assimétricos, a Cuesta de Botucatu reúne 71 espécies de répteis e 53 espécies de anfíbios. Todas relatadas no livro. Algumas delas estão criticamente ameaçadas de extinção devido à perda de habitat como é o caso do “sapo da terra” (Proceratophrys moratoi), descrito pela primeira vez em 1981 pelo também pesquisador da UNESP Botucatu, Jorge Jim.
O projeto envolveu Gabriel Jorgewich Cohen, Vanessa Seiko Sugihara e Rafael Carlos Bene� Paredero, formados pelo Instituto de Biociências da Unesp Botucatu. Completa o time o também biólogo André Kanasiro, graduado pela Universidade de São Paulo (USP). O objetivo deste grupo é que a obra possa ser referência a pesquisadores, consultores ambientais, estudantes de biologia ou mesmo pessoas leigas, mas interessadas em répteis e an�bios.
Que a Embaúba é uma árvore típica do cimo da Cuesta de Botucatu? Pois é, a Embaúba que também é conhecida por Umbaúba, Ambaíba, Ambaúba, Imbaúva ou Imbaúba, é árvore da família das Moráceas (cecropia palmata); é árvore de tronco indiviso. Embaubal é o bosque de embaúbas. Também é chamada de árvore-dos-macacos ou árvore-da-preguiça ou torém. O antigo traçado férreo da Sorocabana passava por Vitória (Vitoriana), Lageado e...Embaúba... Sim, Embaúba é uma pequena Vila pertencente a Botucatu que até hoje é procurada pelos amantes da pesca por ser um local ideal e piscoso. Hoje, o descuido e o desrespeito à natureza reduziu muito o número de Embaúbas em nossa região, mas podem ser encontradas na Cuesta e em vários pontos verdes de nossa cidade.
O GIGANTE DEITADO
(ilustração de Vinício Aloise ao pé do Gigante, as Três Pedras)
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Diário da Cuesta
artigo
“GOMES PINHEIRO” UMA ESCOLA RISONHA E FRANCA
Olavo Pinheiro Godoy do Centro Cultural de Botucatu
atuante da Profa. Zuleika Benedita Pavão, que durante mais de 40 anos marcou, com sua figura ímpar de educadora, a história desse estabelecimento de ensino. Fui seu aluno na década de 1960. Com exceção de Geografia que se ministrava em mapas murais, as disciplinas ministradas por essa saudosa mestra, eram exclusivamente, assistindo o aluno em suas mais profundas dificuldades. Além das matérias curriculares, havia os trabalhos manuais. Estes se resumiam em acessórios para o lar, madeira a cargo dos meninos e “bordado” para as meninas. Mas, assim mesmo, davam-lhe bastante aplicação em roupinhas de criança, toalhinhas para ornamentos de casa entre outras. No fim do ano, havia exposição dos mesmos que guarneciam com forros de papel de seda, de cor, para lhes dar maior realce. Os alunos estudavam as lições ministradas durante as horas de aula, em voz alta, simultaneamente, formando um verdadeiro coro, sendo de notar, ainda que a cartilha “Caminho Suave” de autoria de Branca Alves de Lima, era soletrada e a taboada era entoada. Passaram pelo exercício da gestão desse estabelecimento de ensino, além do já mencionado 1º Diretor, os seguintes Professores: Norberto de Almeida,Elias Fer-
Um dos estabelecimentos de ensino de nossa cidade existente desde 1921, funcionou num edi�cio da rua Major Matheus, nº 125 e denominava-se “ESCOLAS REUNIDAS DE BOTUCATU”. Era exclusivamente uma escola primária e o Diretor por essa ocasião era o Prof. Paulo Antunes, nomeado em 21 de julho de 1921. Cumpre evoca-lo, pois por ele passou grande número de filhos das famílias botucatuenses. Até o ano de 1933, tendo já passado a possuir a denominação de “Grupo Escolar da Vila dos Lavradores”, possuía por esse tempo oito classes, onde havia alunos de diversos adiantamentos. O seu mobiliário, o mais rudimentar possível, consistia em duas mesas, uma pequena e simples, destinada à professora e outra tosca e longa, ladeada de bancos igualmente toscos, ao redor da qual se sentavam os alunos. Completava-o, um quadro negro, tendo por suporte, um cavalete. O material didático era também escasso, apenas uma cartilha e uma brochura com seu respectivo lápis, onde faziam todas as lições. A partir de setembro de 1950, data em que a escola se transferiu para prédio próprio, especialmente construído à Avenida Santana ao lado do Posto de Saúde, já estava oficialmente denominada de “Grupo Escolar José Gomes Pinheiro” por Decreto de 15 de junho de 1937, perpetuando-se, dessa maneira, o nome do fundador da cidade. Destaca-se, nessa época, a presença
rari, Alfredo Salles, Gilberto Pereira Machado ( Poeta e autor do hino da escola ), Miguel de Góis Vieira, Odyla Stephanini e muitos outros mais, destacando-se, atualmente, a presença da Profa. Nelly Cassetari. Renomado foi seu corpo docente, onde se destacavam professores de escol como Esther Di Murro, Esther Spirandelli Mori, Laura Silveira Prado, Regina S.De Marchi, Dalila de Campos Gurgel, Olga Rensi,Lurdinha Ferrari, Leonina Sant’Anna e muitas mais que marcaram indelével a história do “GOMES PINHEIRO”. A nota pitoresca da escola era a obrigação imposta aos discípulos, ao terminar a aula, da limpeza da sala e do quadro negro, sendo para isso, escalado um deles, diariamente. Alguns, entretanto, não estando pelos autos, procuravam fugir a esse serviço tão alheio às obrigações de um colegial!
Estátua de Raul Torres na
Praça do Bosque (Botucatu)
você sabia? Que teria sido brasileiro o famoso herói inglês que marcou presença na Primeira Grande Guerra Mundial? Teria sido botucatuense esse herói? Teria nascido na Cuesta de Botucatu esse herói que encantou gerações com sua bravura e idealismo? A Revista Peabiru apresentou minucioso estudo sobre a trajetória desse herói mundial. Na história ou na “lenda” de Lawrence da Arábia, temos como berço natal do herói a Cuesta de Botucatu, mais precisamente, a Fazenda do Conde de Serra Negra, localizada Vitoriana. em
Verdade ou lenda ?!? Segredo guardado ou sonho “botucudo” surgido antes virada do século passado?!? da Mas fica – com certeza! – a imagem positiva e heroica Lawrence da Arábia: um de brasileiro nascido na CUESTA DE BOTUCATU.
MEIO AMBIEN
ue a sua reePardini conseg ipal de O prefeito Mário à Prefeitura Munic i leição (2020/2024) início da campanha, Pardin o Botucatu. Desde na preferência do eleitorado vinha despontando vo da SABESP, teve destaExecuti frente 35 mubotucatuense. à va positi dade que por sua capaci to, Pardini enfren te seu manda tu Duran s. nicípio ram em Botuca ções que ocorre tou as inunda os generalizados pontes e estrag com queda de tar a pandemia teve que enfren o e, em sequência, tu acompanhou ... Ufa... Botuca tada capaci do vírus chinês equipe frente de uma OU a sua conseu trabalho à Municipais, RENOV e, nas Eleições ELEITO ! O É ELE fiança!
ano I Nº 26
E E DA CIDADANIA EM BOTUCAT
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QUARTA-FEI RA 09 de dezembro de 2020
EMERSON FITTIPALDI
GRANDE CAMPEÃO DA F 1 - foi o primeiro/abriu o caminho!!! Emerson Fittipaldi foi o primeiro brasileiro a se tornar campeão mundial de Fórmula 1. Foi bicampeão em 1972 e 1974, campeão (Fórmula Indy), em 1989 da CART e bicampeão das 500 milhas de Indianápolis em 1989 e 1993! Leia “Clã Fittipaldi: uma família que tem carros de corrida e motor nas veias” - Página 4
Felipe Massa & O Tsunami do Azar...
Felipe Massa e o grande Pentacampeão da Fórmula 1, Schumaker, no Vale do Sol. PÁGINA 2
INI – Na pági– DINUCCI & PARD RO DE BOTUCATU família PARDINI com Botucatu. ORES DO FUTU da OS CONSTRUT profundas raízes ico que traz as em uma na 3, leia o histór sua folha mãe
Fotos: Rodrigo Scalla
que busca da”) um pingo d’água “Cuesta Rasga tica através de na quarta página Uma viagem fantás Cuesta de Botucatu... (leia da Embaúba no cume
AS LOJAS DO COMÉRCIO ENFEI TAM SUAS VITRINES PARA O NATAL !
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Ele é o Eleito! NA DEFESA DO
Diário da Cuesta
NA DEFESA DO MEIO AMBIENT
a & Anfiteatro: VA
Nº 06 SEGUNDA-FEIRA de 2020 16 de novembro
BOTUCATU
Concha Acústic
ELE IÇÕ ES MU NIC IPAI S
Amanhã, 15 de novembro, é dia de Eleição Municipal e é, também, feriado da Proclamação da República. Em Botucatu são 321 seções eleitorais no Município de Botucatu e são 101.025 eleitores. O Chefe do Cartório Eleitoral da Comarca de Botucatu, Igor Ignácio, destacou algumas recomendações para o dia de amanhã: o horário de votação tem 1 hora a mais, começa h. e vai até as 17h., sendo às 7 que os eleitores com mais de 60 anos terão preferência nas 3 primeiras horas. Essa preferência é por todo o dia das eleições. res doentes, deficientes Eleitoou grávidas também terão preferência. Será seguido o Protocolo to social e o uso de álcool de Segurança, com distanciamengel obrigatórios em todas além do uso de máscara. O TRE recomenda que cada as seções, portador de sua própria eleitor seja caneta para assinatura e até para teclar os números na urna. Recomenda também que o leitor leve cumento com foto. doO TSE lembra que o voto é obrigatório. Só não é para os analfabetos, os maiores de 70 anos e nem obrigatório para os maiores de 16 e menores de 18 anos. Quem não puder votar deverá justificar no mesmo eleição, podendo fazê-lo dia da pelo aplicativo e-Título, tendo também 60 dias para fazer a sua justificativa.
NIA EM TE E DA CIDADA
BOTUCATU DANIA EM o de 2020 ano I Nº 31 de dezembr E E DA CIDA TERÇA-F EIRA 15 AMBIENT DO MEIO
RAUL TORRES é um orgulho para Botucatu. Faz parte do TRIO DA MÚSICA RAIZ: ANGELINO DE OLIVEIRA, RAUL TORRES E SERRINHA. Praticament e região a CAPITAL DA MÚSICA e, fazendo de Botucatu CAIPIRA ou MÚSICA RAIZ! Com estátua na Praça do Bosque, Raul Torres tem resgatado o seu OUTRO LADO MUSICAL: do SAMBA RURAL ou SAMBA DO INTERIOR. O original e excelente TRIO GATO COM FOME, resgata com muito brilho dez sambas de Raul Torres, no álbum EM BUSCA DOS SAMBAS DE RAUL TORRES. Botucatu não poderia ficar desconhecendo esse lado musical de Raul Torres e com o também. Ver matéria completa qual fez muito sucesso, na página 2
Diário da Cuesta
NA DEFESA
RAUL TORRES E O SAMBA RURAL
Nº 05
SÁBADO DOMINGO 14/15 de novembro de 2020
MO VOCÊ!
E DA CIDADANIA EM BOTUCATU
a Diário da Cuest
NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE
uesta
Diário da Cuesta
EMBAÚBA
JORNALISMO MODERNO
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a r t i g o O Cenobita do Peabiru
José Sebastião Pires Mendes Bancário, Professor e Artista Plástico. eu amigo sempre foi um excêntrico. Enquanto distribuia vulgar ciência a seus alunos, subia até as alturas estelares para contemplar o outro lado do Universo. E ele era assim mesmo: um homem de baixa estatura, mais idoso do que jovem, sujeito às gripes de uma forma alérgica. Mas conseguia esticar o pescoço e mergulhar a branca cabeleira para fora das nuvens de nossa profana mediocridade. Lá ele respirava uma atmosfera mais pura, e por isso mesmo, mais fantástica. Era exatamente a pessoa a quem costumo dizer: “Quem quer andar firme com os pés no chão, anda também com a cabeça nas nuvens”. E foi assim, nessa atmosfera nebulosa, que meu amigo certa feita revelou-me um sonho. Talvez não fosse um sonho, fosse sim uma daquelas fantásticas experiências que, conforme os entendidos, o eu corpóreo penetra em outros estados de consciência, da mesma forma que um submarino rasga as profundezas oceânicas. Nessa ocasião, nosso personagem havia lido sobre os antigos jesuítas, preocupado em redescobrir um caminho natural, que os teria levado do baixo vale de Piratininga até as alturas dos chapadões do interior. Havia um, descoberto e pisado pelos índios, que o chamavam de “peuá-boró”, isto é, pesado chapadão. Singular caminho aberto em picadas na selva, aproveitando os valos e aclives do terreno, que ziguezagueavam por entre as rochas, até atingir o topo da serra e demandar os recônditos inexplorados do interior. Em sua experiência psíquica, meu amigo arvorou-se em guia dos veneráveis padres, desejosos que estavam de encontrar-se com as comunidades indígenas para os altos de “tuitu-catu”, isto é, o vento bom, que soprava sobre as serras. Ele já tinha ouvido falar de um serpenteante caminho chamado pelos seus contemporâneos de “caminho do peabiru”, nome que se tornou célebre na literatura regional. “Caminhavamos em meio à chuva narrou ele - e parecia-me que um dos padres, a quem chamavam de cenobita, porque levava vida de monge, trazia consigo uma velha arca. Podia-se avaliar o seu peso pela força que o monge fazia ao transportá-la. Uma voz sussurava ao meu ouvido que naquela arca havia um precioso tesouro. Como num filme, passei de protagonista a espectador, e vi com interesse quando os padres, após escalar
a serra isnópita, descansaram numa gruta natural. Alí, o estranho monge escondeu o seu tesouro e tudo acabou”. Habituado como estava às mirabolantes narrativas de meu amigo, não dei importância a essa. Mas ele tornou-se com o tempo taciturno e já não ministrava bem suas aulas. Para ajudá-lo, dei asas à sua imaginação e pedí-lhe novas histórias oníricas. Mas ele não queria mais falar no assunto e segredou-me que uma última experiência fora de uma tal vivacidade que lhe havia afetado os nervos. Passou-se o tempo. Um belo dia o professor veio procurar-me bastante afli-
to, dizendo que tinha a certeza de poder reencontrar o caminho perdido dos índios. “Para que?” respondi-lhe eu. Ao que ele, sacudindo nervosamente seus cabelos brancos, retrucou: “Para acharmos o tesouro do monge jesuíta !” Bem, confesso que não esperava por essa resposta, já que nunca havia pensado que meu amigo, tão absorto às idéias do fantástico, pudesse alimentar pensamentos de cobiça. Além disso, acreditar em sonhos não era lá do meu feitio. “Mas tenho a certeza de que podemos achar esse tesouro”, garantiu, e mostrou-me um traçado antigo que rebuscara em livros de topografia. Ali estava delineado um sinuoso caminho que, segundo a lenda, seria o tão famoso caminho do peabiru. Da persuasão de uma idéia à aventura de uma pesquisa não houve muito tempo, pois, apesar de incrédulo, sempre me atrairam assuntos de arqueologia. Decidi-me pois, a acompanhá-lo. Mochila às costas, lá fomos num domingo de verão, em busca de indícios da tal caverna. A cuesta terminava em intrincados sulcos e aparentes caminhos naturais, provocados talvez pela erosão, que
Diário da Cuesta
se perdiam penhasco abaixo, onde outrora vinham quebrar as ondas de um oceano antidiluviano. Realmente, à vista do grande vale além, descortinava-se diante de nós o que mais parecia um oceano interminável, de onde se elevavam massas de ar quente, confundindo o violáceo do horizonte com o tênue azul do céu. E a procura do tesouro terminou em cansativo passeio, ainda que pitoresco. Mas o professor não desanimou, e depois de vários dias de silêncio, interpretados por mim como cética desistência, comunicou-me ele que o cenobita lhe havia aparecido novamente e lhe indicara o local exato onde escondera o tesouro. Passaram-se meses e diante de minha recusa em tomar parte em tão insólito empreendimento, ele acabou por arrefecer nossa amizade. Mas continuou sozinho com suas buscas, das quais voltava sempre extenuado. Dizia-me que constantemente tinha visões nas quais distinguia uma caverna escondida no bojo da cuesta e que dentro dela jazia um vulto deitado sobre uma pedra. A seu lado, a arca do tesouro. Perante tal dicotomia da realidade, cheguei a temer pela saúde mental de meu amigo, e depois de aconselhá-lo inutilmente, achei melhor afastar-me. “Quem não ajuda não atrapalha”, pensei eu, e fiz uma oportuna viagem de férias. Quando voltei, soube que o velho professor havia morrido. Indagando a causa, disseram-me que ele havia sido acometido de moléstia de processo tão rápido quanto fatal. Um quadro estarrecedor, porquanto nos últimos dias de vida ele não cansara de falar de uma tal gruta do tesouro, e que só eu poderia encontrá-la. Mas eu estivera ausente, e tanto era a sua insistência, que pessoas curiosas foram verificar o local. Mas nada encontraram senão vestígios de picadas no mato, escavações toscas no arenito dos barrancos, tentativas de abertura nas rochas hostís, e uma desolada paisagem de galhos retorcidos, cascalhos e ferramentas quebradas e abandonadas. Não me contive, e movido por um inesperado impulso emocional, fui até lá. Realmente, não encontrei gruta alguma, mas fiquei muito surpreso ao descobrir, escondida sob as folhagens, uma rocha de grandes proporções. Ao examiná-la em detalhes, não pude conter um susto: gravadas em profundos caracteres latinos, tão antigos quanto o local, estavam estas nítidas palavras, desafiando o tempo e a razão: “NIPA ITA”, que na língua dos índios significa pedra ôca. O cenobita guardião havia deixado sua indelével marca.