Diário da Cuesta
ano II Nº 374
NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA EM BOTUCATU
QUARTA-FEIRA, 19 de JANEIRO de 2022
ÍTALO ROSSI:
Botucatuense que brilhou na TV PÁGINA 3
NO ARTIGO SOBRE PAULO FRANCIS – O MAIS POLÊMICO JORNALISTA DO SÉCULO XX ! – A REFERÊNCIA AO ATOR DA GLOBO, O BOTUCATUENSES ÍTALO ROSSI. PÁGINA 3
PAULO FRANCIS E BOTUCATU O maior e mais polêmico jornalista brasileiro do final do século XX. No livro “MEMÓRIAS DE BOTUCATU 2” tinha a abertura do livro com uma citação de Paulo Francis: “Para mim, uma cidade sem passado, sem lembrança concreta de seus antepassados, sem as impressões digitais de sua história, me confrange... “ Página 3
LEITURA DINÂMICA Notícias de Botucatu e sua gente
Moderno como você!
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ARTIGO
“Sem rumo...“
José Maria Benedito Leonel
Nao tenho receita, nem roteiro Sou andarilho, forasteiro Ando por aí sem trilha, à toa, canoa no rio, vazio de mochila não procuro porto,nem ilha me recolho onde escolho e olho a lua cheia ou minguante, errante no deserto da praia. Vida que vai e vem, bem ou mal como as ondas que crescem e morrem no oceano como nossos amores e planos. Assim como eu, o amor se foi Eu sem ela, ela sem eu Não entendeu? Nem eu! É só mais um poema que morreu sem ser inteiro, passageiro. Aprendiz de ser feliz Rasgo o que escrevo, nego o que sinto minto que procuro a luz no escuro. Não faz sentido o que digo mas eu não ligo. Daqui a pouco o sol se esconde e não sei onde... Não queira me entender sou cigano e engano o bem-te -vi que me viu só o barqueiro sabe as curvas do rio e o aboio pertence ao vaqueiro e o adeus ao forasteiro.
DIRETOR: Armando Moraes Delmanto
EXPEDIENTE NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA EM BOTUCATU WEBJORNALISMO DIÁRIO
EDITORAÇÃO E DIAGRAMAÇÃO: Gráfica Diagrama/ Edil Gomes Contato@diariodacuesta.com.br Tels: 14.99745.6604 - 14. 991929689
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a r t i g o PAULO FRANCIS Desde o lançamento do Diário da Cuesta que estava programada uma homenagem ao jornalista Paulo Francis, o maior e mais polêmico jornalista brasileiro do final do século XX. O aguerrido intelectual brasileiro “deu seu adeus às armas” na cidade de Nova York. Perda irreparável... Com 66 anos de idade, Paulo Francis estava no auge de sua vitoriosa carreira. Tendo atingido o “estado de graça” no exercício da cidadania, Paulo Francis era dos raros brasileiros que podia se dar ao luxo de dizer, sempre, o que pensava. As suas críticas e as suas observações iam do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, passavam por intelectuais “politicamente corretos” como Antônio Houaiss e “peneiravam” políticos como Lula da Silva e Mário Covas. Não precisava agradar a ninguém. O seu sucesso estava, exatamente, em dizer o que todos gostaríamos de dizer... Nós. particularmente, sempre fomos admiradores dos escritos de Paulo Francis. Ele faz parte de uma galeria de brasileiros que fizeram do jornalismo a porta principal na defesa da cidadania, tão necessária a este país. Com David Nasser. Carlos Lacerda, Samuel Wainer. Nelson Rodrigues e poucos mais, Paulo Francis foi modelo de profissional competente e vencedor. Durante 25 anos, em Nova York, ele fazia o contraponto da política e da cultura brasileiras. Uma citação famosa de Paulo Francis era lapidar : “...a imprensa brasileira devia ter mais personalidade, mais opinião... “ Muito culto, escritor, ator e crítico teatral, estudioso, não se deixava “encantar pelo sucesso passageiro”. Foi um guerreiro. Um vencedor. Em 1993, no lançamento do 2° volume do “MEMÓRIAS DE BOTUCATU” , fazíamos a abertura do livro com uma citação de Paulo Francis : “Para mim, uma cidade sem passado, sem lembrança concreta de seus antepassados, sem as impressões digitais de sua história, me confrange... “ Brilhante! Diz tudo... Em 1991, tínhamos uma coluna, “RECADO URGENTE’ , no Jornal de Botucatu e, em 04/01/91, escrevíamos o artigo “Paulo Francis, Ítalo Rossi, Luthero Maynard e outros...” Nesse artigo, fruto de “garimpagem beneditina” na grande imprensa de tudo que era relacionado a Botucatu. fazíamos a sugestão de que
o Poder Público fizesse um trabalho dirigido objetivando a divulgação positiva de nossa cidade. Com certeza, a própria sonorização da palavra BOTUCATU propiciou a que fosse usada como referencial pouco sério... Dois momentos de Paulo Francis no espaço de praticamente 20 anos... Vamos ao artigo : “É extremamente importante que se busque - caso a caso - o resgate da imagem de Botucatu. A imprensa brasileira tem trazido citações de pessoas famosas que denigrem a imagem de Botucatu. São citações que tomam Botucatu como referencial negativo, como mau exemplo. Três dessas citações tínhamos arquivadas para estudo e posterior análise: a do ator botucatuense ITALO ROSSI, que em entrevista à revista “Manchete “ (de 4/6/77), sobre o sucesso de sua carreira, ao dizer que era botucatuense o fez de forma pouco elogiosa à cidade; a do jornalista Luthero Maynard (sobrinho do Prof. Alceu Maynard de Araújo, botucatuense de coração e Patrono da Academia Botucatuense de Letras) que em sua coluna “Definições”, no jornal “Folha da Tarde “,de 12/12/90, de forma gratuita fez a seguinte afirmação: “O inferno existe. E é pior que Botucatu “, e a do jornalista brasileiro mais agressivo, culto, idolatrado e bem pago do momento: PAULO FRANCIS. Temos dois registros de Paulo Francis referentes à Botucatu. O primeiro, data de 13/12/73, quando em sua coluna no jornal carioca “Tribuna da Imprensa “, referindose à eleição do Presidente Ford pelo Congresso Americano em substituição a Nixon que renunciara, dizia que «... o Congresso, seguindo a vigésima-quinta emenda da Constituição “elegeu” Ford, mas lugar de executivo é em próprio executivo e não legislativo. Ford fez todos os ruídos apropriados de lealdade a Nixon, por certo. Deve o diabo a Nixon. Chega a vice-presidente da nação mais poderosa do mundo, tendo um nível de competência de vereador de Botucatu. É tão chato que ninguém se dá ao trabalho de acatá-lo. Mas não bate carteira. Já é alguma coisa nos Estados Unidos de hoje “. O segundo registro, nos traz o consagrado jornalista em sua coluna do jornal “Folha de São Paulo”, de 26/01/89, analisando o Presidente Bush, recém eleito, e sua mulher Barbara : «...Ela tinha 16 anos quando
conheceu Bush, foi o primeiro e, presumivelmente, o último que beijou na boca, porque foi amor a primeira vista. Sabe-se que ela prefere mil vezes ficar em Kennebunkport, o palácio da família , no Maine, mas o que fazer ? Toda mulher inteligente sabe que os homens são essencialmente infantis toda a sua vida e precisam fazer alguma coisa que os faça sentir realizados, já que não podem, como Barbara, ser mãe, avó e “with a litle bit of luck”, bisavó . Há 42 pessoas da família Bush com quem ela convive. Basta como “realização “. Mas não para George. Sabe-se que Barbara odeia Washington, que acha. corretamente, provinciana, Botucatu-sur-mer, e , nunca disse, mas imagino que considere o Texas uma aberração da natureza, mas foi lá que Bush, financiado pelo Tio, brincou de empresário e começou sua carreira política. “ Dá para formar um quadro crítico ? Botucatu tem sido usada como referencial negativo, como exemplo do que há de pior. Que fazer ? Lançar artigos agressivos contra esses notáveis ? Fazer Moções indignadas através da Câmara Municipal ? Que fazer?’’ Talvez um trabalho de relações públicas direcionado e de alto nível surta melhor resultado ou algum resultado. O importante é que as autoridades constituídas e as forças culturais da cidade realizem um trabalho profissional que busque a divulgação junto a essas pessoas e à mídia em geral de que Botucatu tem, sim, os seus defeitos, como qualquer cidade, de qualquer Estado, de qualquer país, mas que tem também as suas coisas boas, que são muitas, tem um povo bom, mesclado de tantas raças quanto o próprio Brasil e que esse mesmo povo, através dos tempos, a tem colocado em destaque perante a história paulista e nacional. “ Luthero Maynard e Paulo Francis esclareceram que não citaram Botucatu com “animus injuriandi”, muito pelo contrário... Os dois volumes do “MEMÓRIAS DE BOTUCATU” e este artigo transcrito chegaram às mãos de Paulo Francis, através do malote que o jornal “O ESTADO DE SÃO PAULO” enviava regularmente àquele seu jornalista. A imprensa brasileira e nós todos brasileiros participantes - prestamos nossa homenagem a esse excelente profissional. O Brasil, com certeza, perde um de seus mais positivos referenciais do correto exercício da cidadania. PAULO FRANCIS honrou o jornalismo brasileiro. Enfrentou com destemor os “politicamente corretos” e os “mansamente engajados’’. Foi poderoso. Foi vencedor. (A.M.D)
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ARTIGO
“Coelho marinado no vinho” Maria De Lourdes Camilo Souza Na época do meu trabalho no Banco Itaú, tínhamos um colega, o Toninho, que vendia carne de coelho, ele entregava limpo e embalado em sacos plásticos. Um dia comprei uns dois coelhos e resolvi prepará-los e fazer um jantar com amigos e colegas em casa. Não fui pesquisar receitas no Google ou na Internet , comprei umas garrafas de vinho tinto seco, e inventei a receita. No dia do jantar, coloquei os coelhos numa vasilha grande com uma vinha d’alho acrescentei um maço de ervas no molho e no decorrer do dia fui virando para incorporar os temperos. No finalzinho da tarde comecei os preparativos para o jantar. Resolvi abrir uma das garrafas de vinho, acrescentei um copo do vinho ao molho dos coelhos, passei os bichos para assadeiras grandes, colocando uma folha de papel alumínio, acendi o forno e coloquei dentro as assadeiras e deixei assar em fogo brando. Enquanto assavam preparei saladas e arroz, enquanto bebericava uma taça de vinho. Para sobremesa tinha sorvetes de sabores de fruta. Fui ajeitando a mesa da sala de jantar, enquanto tomava outra taça de vinho ouvindo música alegre. A essa altura dos preparativos eu já estava mais alegre que a música que soava e já dançava abraçada com a vassoura pela sala de estar. O aroma do assado se expandia por toda a casa. Nessa época eu morava sózinha numa casa muito gostosa nos fundos da casa do Dr. Noé e sua esposa, minha muito querida Nilze, na Rua João Passos. Fui checar o assado no forno ali pelas 19.30 hs e como estava meio sem molho, acrescentei mais um copo de vinho em cada assadeira e mais uma dose a minha taça já vazia. Retirei as folhas de papel alumínio para dar uma corada. A essa altura a carne do coelho já estava rosada na cor do vinho. Verifiquei se tudo ia bem com o arroz que já estava começando a secar, retirei a tampa da panela fumegante para ver se seria necessário acrescentar mais um pouco de água, mas ficando ótimo.
Desliguei a boca e fui preparar os legumes com azeite e ervas. E tocou a campainha, o primeiro convidado estava chegando e fui recebê-lo enquanto tirava o avental e dava uma ajeitada nos cabelos. Logo em seguida chegaram os outros e fomos animados entrando casa adentro enquanto comentavam que o cheiro estava muito bom. Servi-lhes as bebidas e uns aperitivos enquanto fui verificar a quantas andava o assado. Como ainda precisava de uns minutos a mais voltei para junto do pessoal e acrescentei um pouco mais de vinho á minha taça. Na sala de estar a conversa seguia animada, abaixei o som para não atrapalhar. Convidei-os para a sala de jantar e coloquei sobre a mesa a salada e o arroz, e por último voltei triunfante com o coelho. Como dizem os mexicanos “Estava de se chupar os dedos”. Nem preciso comentar que eu estava mais marinada que os coelhos, e a sala de jantar já ameaçava dançar ao som da rumba. Respirei fundo e tomei um pouco de água e desfrutei do jantar e da companhia. Nem preciso comentar que fez sucesso o meu coelho marinado.