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Edição 292

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Diário da Cuesta NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA EM BOTUCATU

Dia 15 de outubro comemora-se o Dia do Professor, em todo o Brasil. Mas você sabe qual o motivo da comemoração nesta data específica? A resposta vem do Brasil Imperial. No dia 15 de outubro de 1827 (dia consagrado à educadora Santa Teresa de Ávila), Pedro I, Imperador do Brasil baixou um Decreto Imperial que criou o Ensino Elementar no Brasil. Pelo decreto, “todas as cidades, vilas e lugarejos tivessem suas escolas de primeiras letras”. Esse decreto falava basicamente da descentralização do ensino, do salário dos professores, das matérias básicas que todos os alunos deveriam aprender e até sobre como os professores deveriam ser contratados.

Cento e vinte anos depois do decreto, em 1947, um professor paulista teve a ideia de transformar a data em feriado e iniciou a tradição de homenagear os professores no dia 15 de outubro, em referência ao decreto de D. Pedro I. A ideia surgiu porque o período letivo do segundo semestre escolar era muito longo, ia de 1 de junho a 15 de dezembro, com apenas dez dias de férias em todo o período. Cansados, literalmente, um pequeno grupo de quatro educadores, liderados por Samuel Becker, teve a ideia de organizar um dia de folga, para amenizar a estafa. O dia também serviria como uma data para se analisar os rumos do restante do ano letivo.

ano I Nº 292

SEXTA-FEIRA, 15 de outubro de 2021

Foi então que o professor Becker sugeriu que esse encontro acontecesse no dia 15 de outubro. A sugestão foi aceita e a comemoração teve presença maciça de professores e alunos, que levavam doces de casa, para uma pequena confraternização. O discurso do professor Becker, além de ratificar a ideia de se manter na data um encontro anual, ficou famoso pela frase “Professor é profissão. Educador é missão”. A celebração, que se mostrou um sucesso, espalhou-se pela cidade e pelo país nos anos seguintes, até ser oficializada nacionalmente como feriado escolar pelo Decreto Federal 52.682, de 14 de outubro de 1963.

ESCOLA NORMAL

Foi extraordinária a influência educacional e cultural da nossa ESCOLA NORMAL. Abrangendo a maior parte do Estado de São Paulo, era o destino certo das candidatas e dos candidatos a serem professores – profissão muito valorizada à época! – dos Estados do Mato Grosso e do Paraná. A ESCOLA NORMAL formou turmas e turmas de jovens que partiram para o exercício da profissão em todo o estado, inclusive e com

Ilustração do prof.Vinicio Aloise

destaque, na ocupação de cargos de direção do magistério paulista. Justíssimas as publicações referentes ao CENTENÁRIO DA ESCOLA NORMAL. Agora, com orgulho, in-

cluímos o artigo do prof. Sebastião de Almeida Pinto à página 4 Salve Meiga Escola ! ESCOLA NORMAL DE BOTUCATU !


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Diário da Cuesta

ARTIGO

O PREÇO DA GASOLINA Bahige Fadel Não está fácil andar de carro hoje. Como diziam os mais antigos, o preço da gasolina está ‘os olhos da cara’. Nunca entendi direito essa expressão, mas deve ter alguma relação com o fato de que a gente não vende os olhos nem que seja por um preço muito alto. E para pessoas que costumam utilizar o carro para ir da sala ao banheiro, as despesas aumentaram barbaridade. Se quiserem economizar, vão ter que ir a pé ou de bicicleta. Se continuarem indo de carro, as necessidades fisiológicas e a higiene pessoal ficarão caras demais. Mas por que o preço da gasolina está tão alto? Será que o preço no Brasil é o mais alto do mundo? Em primeiro lugar, o preço do petróleo sai dos países produtores com o mesmo preço. Quando chega ao país comprador, sofre os acréscimos dos impostos locais. Por exemplo, no estado de São Paulo, o ICMS da gasolina é de 25% E não é o mais alto do Brasil. No Rio de Janeiro, é de 34%. Parece que o governo estadual quer majorá-lo para 31%. Nesse tempo de crise, o cara quer encher o caixa do governo, jogando mais imposto na cara e no bolso do povo. Tomara que não dê certo. Outro problema é a dolarização. Aumenta o preço do dólar, aumenta o preço do combustível. Assim, o negócio é realizar uma política eficaz de redução do preço do dólar. Não deve ser fácil de fazer. Se fosse, o ministro Guedes já teria conseguido. E outra: não vão pensar que está todo mundo torcendo pela redução do preço do dólar. Tem gente ganhando

muito dinheiro com isso. Com a palavra, os exportadores, que recebem tudo em dólar. Está bom demais para eles. Mas o alto preço dos combustíveis não é problema apenas para o Brasil. A coisa estourou no mundo inteiro. Se no Brasil o preço da gasolina ultrapassou os R$ 6,00 o litro, imaginem em outros países, excetuando, claro, os países produtores. Os EUA são uma exceção. Lá o litro da gasolina tem preço inferior ao do Brasil. Pouco mais de R$ 5,00. Por outro lado, vejam alguns países: Hong Kong – mais de R$ 14,00; Países Baixos – quase R$ 12,00; Itália – mais de R$ 10,00; Portugal – quase R$ 11,00. Claro que isso não resolve o problema do Brasil. Cada um sabe onde é que o calo aperta e tem que resolver o problema, para que a dor não aumente. Para lhes ser franco, não acho quer o problema seja o elevado preço dos combustíveis, mas os baixos salários. Se os salários acompanhassem os preços, não haveria mal nenhum. Só que isso não acontece. Por exemplo, os funcionários públicos estaduais não recebem aumento salarial há cinco anos. Não bastasse isso, o governador resolveu decretar um aumento de descontos nos salários dos aposentados. Quer dizer: os preços aumentam, os descontos salariais aumentam e não há aumento salarial. Nem mesmo reposição salarial. Fica mais difícil. Para alguns mandatários, o negócio é fazer caixa. O povo que se vire.

EXPEDIENTE

DIRETOR: Armando Moraes Delmanto

NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA EM BOTUCATU

EDITORAÇÃO E DIAGRAMAÇÃO: Gráfica Diagrama/ Edil Gomes

WEBJORNALISMO DIÁRIO

Contato@diariodacuesta.com.br Tels: 14.99745.6604 - 14. 991929689

O Diário da Cuesta não se responsabiliza por ideias e conceitos emitidos em artigos ou matérias assinadas, que expressem apenas o pensamento dos autores, não representando necessariamente a opinião da direção do jornal. A publicação se reserva o direito, por motivos de espaço e clareza, de resumir cartas, artigos e ensaios.


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ARTIGO

Um poeta filósofo, viajou hoje! Eduardo J.R. Santos Universidade de Coimbra

Na sua língua de nascimento, uma canção bonita, sobre essa noite sem final que é a vida. Boa semana, amem-se.. Amor à Vista Entras como um punhal até à minha vida. Rasgas de estrelas e de sal a carne da ferida. Instala-te nas minas. Dinamita e devora. Porque quem assassinas é um monstro de lágrimas que adora. Dá-me um beijo ou a morte. Anda. Avança. Deixa lá a esperança para quem a suporte. Mas o mar e os montes... isso, sim. Não te amedrontes. Atira-os sobre mim.

ARTIGO

Atira-os de espada. Porque ficas vencida ou desta minha vida não fica nada. Mar e montes teus beijos, meu amor, sobre os meus férreos dentes. Mar e montes esperados com terror de que te ausentes. Mar e montes teus beijos, meu amor!... Fernando Echevarría

“O tempo/A vida”

José Maria Benedito Leonel

-----Zé, ocê tá feliz com sua vida ou tá vivendo resignado? ---- Calma parceiro! Essa perguntinha aí exige cuidado, pra não errá feio. Nóis precisamos entendê melhor a vida pra falá da felicidade e da resignação. Se felicidade é a finalidade das ações humanas (Aristóteles), então é o que busco no transcorrer do tempo, ou seja, na vida. Vejo a vida como um pacote que tem nascimento e morte. Se nasceu vai morrê um dia. Como foi criança tem um tempo de infância, bom ou mau, pra ser lembrado. O mesmo se dá na juventude. E na vida adulta assim também é. Tudo no seu tempo, o verdadeiro dono do baralho. Quantas vezes quis cartas melhores, mas não vieram e eu perdi; outras vieram e eu ganhei, alternando dias tristes e felizes. Mas no balanço de perdas e ganhos, já disse aqui, gosto de visitá o meu passado.

É resignar-se entender o que o tempo nos traz? Os cabelos estão brancos, os passos estão lerdos, há vazios na memória, há espaços na mesa, há tropa vadiando no pasto, violas penduradas nas paredes. Entendo que se assim é, é porque assim há de ser. Resignar-se é aceitar com maturidade as mudanças. Elas virão, questionadas ou não, aceitas ou não. Sei lá...parece que entendendo o tempo me defendo de depressão, amenizo os desencontros e não adubo tristezas nos pedaços da vida. A resignação é mais que aceitação. Não sei explicá. Parece-me que é vestir a conformidade serenamente, sem melancolia. Não me vejo, no pacote da vida, como vítima e, se tá esquisito, “segue a varsa”, mesmo que o braço não dê o galeio no laço e o abraço, antes apertado, seja terno e doce. E nesse trecho todo que é a vida, ainda tem as surpresas do destino que as vezes escangaiá com a gente, com as nossas verdades. Porque penso assim, sinto-me feliz, até resignado. Quando o pacote fechá, certamente haverá desculpas.


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Diário da Cuesta Inaugurada a 16 de maio de 1911, sendo seu primeiro Diretor, o Prof. Martinho Nogueira. A revista Peabiru, em seu nº 03, de maio/ junho de 1997, publicou reportagem completa sobre o histórico da ESCOLA NORMAL. Complementando a matéria, trazemos o artigo do professor Sebastião de Almeida Pinto:

A Escola Normal

Sebastião de Almeida Pinto «A criação de uma Escola Normal, uma escola para formar professores primários, foi sempre um sonho da nossa gente, foi sempre uma idéia dos homens bons do passado. Foi sempre um objetivo dos políticos do velho Botucatu. Eles viam o progresso de Itapetininga e de Piracicaba, dotadas de escolas complementares, que também formavam professores e almejavam o mesmo para a cidade dos bons ares. E trabalharam e lutaram. Pelo artigo 55, da lei estadual nº 1.245, de 30/12/1910, foi criada uma escola complementar em Botucatu. Antes de ser instalada, o decreto estadual nº 2.025, de 29/03/1911, transformou-a em Escola Normal Primária de Botucatu. O citado decreto foi aprovado pela Lei nº 1.311, de 02/01/1912. A organização da Escola era a seguinte: 1 curso normal, de 4 anos, para formação de professores de cursos preliminares; um grupo escolar modêlo, destinado à prática do ensino dos alunos normalistas. A notícia da criação da Escola Normal, foi um estouro na praça. A cidade quase veio abaixo, tal o barulho, o foguetório, o entusiasmo do povo. Passeatas, discurseiras, manifestações aos políticos da terra, cervejada, etc., como era costume da época, as festas duraram uma semana. Grande conquista, merecia grande repercussão. Não havia prédio próprio para a instalação da Escola Normal. E havia necessidade de fazer funcionar logo o estabelecimento. O corpo docente e o pessoal administrativo já estavam nomeados. Os exames de admissão já estavam marcados. Como fazer ? O problema foi resolvido com a cooperação do Bispado. A secção masculina foi localizada no edifício daCaridade Portuguesa Maria Pia, onde hoje funciona a Câmara Municipal. A secção feminina começou a funcionar no prédio da Conferência Vicentina, que existiu ali onde está o ESTUDO do Seminário. Era um prédio velho, mais tarde demolido. Solução boa, no momento. Realizados os exames de admissão, com a presença de muitos candidatos de fora, entrou em funcionamento a Escola Normal Primária de Botucatu. A primeira aula foi dada no dia 16 de maio de 1911. Por isso é que o antigo grêmio estudantino tinha o nome de Grêmio Normalista “16 de maio”. O primeiro diretor, organizador e orientador da Escola Normal de Botucatu foi Martinho Nogueira. Grande educador. Ótimo administrador. Figura de relêvo no Magistério Paulista. Deixou nome, pela sua austeridade, capacidade de trabalho,e , sobre tudo, amor ao Ensino. Botucatu, reconhecido às suas excelsas qualidades de mestre, deu seu nome a uma das praças da cidade e a um dos Grupos Escolares, o do Bairro Alto. Era secretário-arquivista do estabelecimento, o velho Francisco Braz da Cunha. Porteiro era José de Arruda Campos, o velho Juca Mono. Como contínuos, aperreavam os alunos, o Virgílio de Oliveira (Virgilião), e Paulo Pinheiro Machado. Os serventes eram Lélia do Amaral, e o Noé de Moura Campos. Como se vê, pequeno era o pessoal administrativo...” Mais adiante, Tião Pinto nos traz a relação completa dos 28 professores componentes da primeira turma da nossa Escola

Normal (1914): “...Abílio Baptista Abranches Fontes, Othoniel de Almeida Moraes, Romeu do Amaral, Sebastião Pedroso Junior, Adelaide Paes de Almeida, Anália de Camargo Souza, Arminda Pellegrini, Augusta de Moraes Fleury, Benedicta Fuzzaro, Benedicta Pinheiro da Silva, Blanca Zwicker, Edth Dias, Eliza de Barros, Etelvina Santos, Eugênia de Camargo Souza, Floriza Fontes, Gabriela Pinheiro Machado, Hermínia de Barros, Izolina Teixeira, Josephina Pinheiro Machado, Lucinda de Barros, Margarida Monteiro de Campos, Maria Eliza Alves, Maria de Lourdes Sampaio, Olga Ferraz, Rosina Alves, Sebastiana Rodrigues e Sylvia Alves. Foi de espavento a festa de formatura da primeira turma. Uma coisa louca. Ali no velho casino, comprimia-se a nata da terra, gente de fora, altas autoridades com o Exmo. Sr. Secretário do Interior à frente, o mui ilustre Dr. Altino Arantes, que depois foi Presidente do Estado de São Paulo. A banda de música da Fôrça Pública, no saguão, abrilhantava a solenidade. Depois da entrega dos diplomas, solenidade puxada à fraque e sobre-casaca, vestidos de cauda, etc., teve lugar o bailão de formatura. Foi cantado até em moda de viola. A velha Escola Normal foi instalada em prédios alugados, no dia 27 de abril de 1911, somente passou a funcionar no seu prédio próprio no dia 24 de maio de 1916. Nesse dia, com uma grande festa popular, que repercutiu na zona toda, foi inaugurado o monumental prédio próprio, que ainda é, apesar de envelhecido, o prédio mais bonito da cidade. Depois, a escola foi crescendo, foi ficando afamada, grangeando renome até tornar-se nessa formidável instituição que é o INSTITUTO DE EDUCAÇÃO “DR. CARDOSO DE ALMEIDA” , legítimo orgulho de todos os botucatuenses. Milhares de professores já foram diplomados pela nossa querida Escola Normal. Professores de renome em todos os setores educacionais, passaram pelos bancos da Escola do alto da colina. A civilização brasileira muito deve ao grande educandário botucatuense, sem favor, uma das glórias do magistério paulista, onde forjaram os bandeirantes da luz e saber. Botucatu é o que é, pode-se dizer, em virtude da sua Escola Normal. Com a instalação no longínquo1911, dessa Escola Normal, a cidadezinha boca de sertão, poeirenta e turbulenta, com hábitos caboclos e aspectos rudes, tornou-se a cidade civilizada, bonita, educada, a princesa da serra, com nível cultural que causa assombro as pessoas que a visitam pela primeira vez Botucatu deve muito à sua Escola Normal. Devemos honrar a memória daqueles homens bons, que tudo fizeram para criá-la em nossa cidade. No salão nobre do estabelecimento estão os retratos de alguns desses cidadãos, dignos do nosso respeito e admiração. Foram eles,Cardoso de Almeida, Amando de Barros, Rafael de Moura Campos, Rubião Junior, Altino Arantes, Oscar Rodrigues Alves e Paulo Moraes Barros De minha parte, na qualidade de antigo aluno da velha Escola Normal, onde depois fui professor e diretor, quero externar minhas homenagens e minha gratidão aos velhos mestres e aos homens bons do velho Botucatu. A eles e à Escola, devo muito do que sou e do que consegui na vida”.


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A PROFESSORA BONDADE E O RECANTO DA SAUDADE Para homenagear as PROFESSORAS e os PROFESSORES pelo seu dia - 15 de outubro! - lembrei-me da visita que a minha classe do Grupo Escolar “Dr. Cardoso de Almeida” fez, no início dos anos 50, ao Asilo. Aquela visita impressionou-me positivamente e, em 1976, inclui no meu segundo livro, “Crônicas da Minha Cidade”, o artigo “Recanto da Saudade” que havia escrito para o jornal “Vanguarda de Botucatu” de junho de 1976. Hoje, fazendo a releitura e editando no blog, estou fazendo pela terceira vez essa visita. É inesquecível... Já voltei, com a família, várias vezes ao Asilo levando doações. Mas nada se compara aos meus 7 ou 8 anos fazendo aquela visita... A classe animada e a PROFESSORA BONDADE a nos orientar... Foi bom, muito bom! Na perspectiva do tempo é que vemos como somos pequenos diante das adversidades do mundo e do tão pouco que efetivamente podemos fazer para melhorar o “irmão” desprovido de qualidade de vida e de amor fraternal... É isso. E tudo aconteceu, exatamente, pela ação cidadã da professora da escola - a Professora Bondade ! Abaixo, reproduzo esse artigo:

RECANTO DA SAUDADE

Nós íamos em fila. Toda a classe estava compenetrada de sua importância. Era bom sentirmo-nos úteis. Era bom, muito bom aquele momento. Não me recordo do que levava. Talvez fosse um pacote de açúcar, ou de arroz? Talvez fosse queijo e goiabada... O Certo é que todos, na medida de suas posses, levavam alguma coisa. O importante era participar. Uma caixa de fósforo? Não faz mal... Uma caixa de fósforo nunca é pouco quando se dá com amor e quando o que se dá é de grande importância para nós. A professora havia feito com a antecedência devida uma visita àquele recanto da saudade e ficara sabendo das coisas mais úteis que deveríamos levar. Depois, em classe, apresentou-nos uma lista dos gêneros necessitados e colocou-nos à vontade para que pudéssemos fazer a escolha. Foi uma verdadeira assembleia. Todos participaram. A professora agia como uma mediadora, mas a decisão final era nossa. Às vezes fico a pensar na importância dessa professora. Fico a pensar e penitencio-me por não me recordar de seu nome. Mas pelo que fez e pela lição de civismo e de amor ao próximo que nos deu, ela bem que poderia chamar-se Professora Bondade. Sim, é isso, vamos chamá-la de Professora Bondade.

São muitos os botucatuenses que estudaram no Grupo Escolar “Dr. Cardoso de Almeida”. Dos nomes das professoras de meu tempo alguns ainda permanecem em minha memória: Dª Elvira, minha primeira professora, Dª Alice, Dª Olga e muitas outras Fadas do Saber que exerciam com dedicação o seu magistério no Grupo Escolar “Dr. Cardoso de Almeida”. Mas, como dizia, a escolha do presente que cada um iria dar foi disputadíssima. Por fim, após tudo acertado, a Professora Bondade marcou a data em que a classe iria fazer a sua visita e dar a sua colaboração e conhecer os velhinhos do Asilo Padre Euclides. Mãos à obra. Tudo estava pronto. Cada um com sua contribuição, aguardávamos o grande momento. Fomos em fila e – pasmem! – fomos em ordem! Naquele tempo ainda se tinha o bom costume de andar... Fomos do Grupo ao Asilo e ninguém ficou cansado. O primeiro contato foi emotivo. O Asilo Padre Euclides é um recanto que nos transmite paz; é um lugar convidativo à meditação. Os velhinhos que lá residem parecem personagens celestiais. Essa foi a impressão que me causaram. Neles eu não vi, e creio que não há, qualquer revolta por lá se encontrarem. Passamos a manhã toda no Asilo. Lá tomamos o nosso lanche e corremos por todo canto e convivemos com aqueles nossos irmãos, ou melhor, com todos aqueles vovôs e com todas vovós de todos nós. Será que hoje em dia ainda há o costume de programar visitas como essas? Será que hoje as Professoras Bondade estão preocupadas em auxiliar os nossos irmãos menos favorecidos pela sorte ao mesmo tempo em que dão lição de civismo e de amor ao próximo aos seus alunos? Temos a certeza que sim. Acreditamos firmemente que em cada Grupo Escolar de nossa cidade existe uma Professora Bondade que planeja visitas ao Asilo Padre Euclides; ou uma tarde com as Meninas do Orfanato; ou um passeio à Vila dos Meninos; ou uma coleta de gêneros alimentícios e roupas usadas para o Albergue; ou uma visita para conhecer a obra magnífica que é a APAE. Essas visitas são muito importantes. Elas ensinam o que nunca mais se esquece. Elas ensinam a sentirmo-nos úteis. Elas ensinam às crianças a importância da bondade, da solidariedade humana e da produtividade de uma convergência de esforços para uma mesma finalidade. Da caixa de fósforo de um, do pacote de macarrão de outro, do queijo, da goiabada, do pacote de arroz, do quilo de feijão, formou-se um estoque razoável que acredito tenha sido de muita utilidade para o Asilo, pois para nós foi de grande e inesquecível importância. Nós íamos em fila... Cada um levava o seu pequeno tesouro, a sua pequena oferenda. A Professora Bondade nos liderava. Era bom sentirmonos úteis. Era bom, muito bom aquele momento. (AMD)


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ARTIGO

Diário da Cuesta

“Gato por lebre”

Maria De Lourdes Camilo Souza Neste Dia das Crianças, lembrei-me de um Natal da minha infância, em que eu queria muito ganhar uma boneca que andasse e falasse. Era daquelas que tinha que apertar a barriga da boneca para ela falar Papai ou Mamãe. Naquele tempo, minha irmã tinha uma que tinha as perninhas móveis, a Cecília. A gente podia fazer com que desse uns passinhos. Sempre com a cantilena que acompanhava, “vamos dandá pra ganhar papá” E eu tinha um boneco chamado Paulinho, que vivia enfaixado e vestido com as roupinhas de bebê que foram nossas. Contei o meu desejo naquelas cartinhas que escrevíamos ao Papai Noel, e fiquei aguardando a chegada do Natal e o tão esperado presente. No dia seguinte ao Natal ao ver ao lado da árvore, uma caixinha pequena, pensava que era presente para minha irmã e esperava que o meu fosse uma surpresa e estivesse escondido em algum lugar da casa. Naquela caixinha vinha uma bonequinha bonitinha, mas não andava nem falava e mais se parecia ao Pequeno Polegar. Mal consegui esconder a minha decepção. E naquele tempo nem tinha ideia da crise financeira pela qual a família passava. Meu pai disse que na fábrica de brinquedos do Papai Noel, a Fada Azul estava muito ocupada, e não tinha podido passar

para transformar a Polegarzinho, como fez com o Pinóquio, boneco de pau do Gepeto. E a minha reação de decepção deve ter causado tristeza aos meus pais. E a Pequeno Polegar era tudo o que eles puderam me dar naquele Natal. Minha tristeza logo foi compensada com uma ida á matinê no cinema para ver um faroeste do Roy Rogers, com um sorvete depois. E a Polegarzinha ficou meio que relegada ao esquecimento. E na vida foi o primeiro, mas não foi o último “Gato por lebre” que levei, afinal faz parte. Coisas da vida.


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