Diário da Cuesta NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA EM BOTUCATU
ano I Nº 246
SEGUNDA-FEIRA, 23 de AGOSTO de 2021
NELSON RODRIGUES “O Anjo Pornográfico”
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Nova geração do Apache VIP da CAIO para empresas de São Paulo No último mês de julho, a quinta geração do Apache VIP foi apresentada ao mercado e fez sucesso em todo o cenário do transporte urbano brasileiro. Como já é próprio da Caio, o lançamento traz inovação e tecnologia ao mercado, sem perder a tradicional qualidade dos produtos da marca. Em São Paulo, diversas empresas já confirmaram a aquisição do modelo com as novas atualizações. Ao todo, são 48 unidades destinadas às concessionárias Tietê, Divena, Dibracam e Adivel, podendo ser utilizadas pelas empresas que atendem ao sistema municipal de São Paulo. “Por meio dos diversos estudos, realizados pelas equipes da Caio, garantimos segurança, conforto e modernidade em nossos produtos. Sempre nos aprimoramos e entregamos as soluções que nossos clientes necessitam”, comenta o diretor comercial e de marketing, Paulo Ruas. Os novos modelos de lançamento da Caio podem ser montados sobre chassis de quaisquer empresas, o que possibilita uma maior diversidade de produtos e a garantia de uma oferta que atenda ao maior número de usuários possível”. O novo modelo alia tanto as inovações necessárias quanto a tradição e qualidade dos produtos Caio, mantendo a originalidade da marca e enaltecendo sua capacidade de evolução no cenário do transporte urbano, ressalta o gerente de design, Roberto Barduco.
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POLÊMICA COMO PRINCÍPIO Chamado de reacionário – o que em sentido típico indica alguém contrário a demandas progressistas –, Nelson absorveu o rótulo e o pôs como título de seu último livro, O Reacionário (1977), que reúne crônicas e memórias. Na orelha da edição de 2008, o resenhista diz: com isso, Nelson “resumiu toda a sua história de polemista, daquele que não teme ir contra a opinião geral”. Essa conclusão é reafirmada pelo próprio Nelson. Em entrevista a Otto Lara Resende, Nelson definiu o que significava para si o termo “reacionário”: “A reação a tudo o que não presta, na minha opinião”. Contundente, polêmico, combativo – suas peças desagradaram à esquerda e à direita. Aos primeiros, por não se propor causas sociais; aos segundos, por serem “obscenas”. Ainda: de um lado, por perturbar o conservadorismo; de outro, por criticar o marxismo. E a ambos por apontar contradições na moral convencional. Por conta da doença, precisou se afastar da redação para se tratar em um sanatório em Campos do Jordão, em São Paulo. O tratamento foi todo custea-
DIRETOR: Armando Moraes Delmanto
EXPEDIENTE NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA EM BOTUCATU WEBJORNALISMO DIÁRIO
do por Roberto Marinho. Após se curar, Nelson Rodrigues voltou ao Rio para assumir a seção cultural de O Globo. Posteriormente, editou o suplemento juvenil do periódico e chegou a roteirizar histórias em quadrinhos para o caderno. A partir da década de 1940, o contato de Nelson com a ficção se intensificou. Ele passou a se dividir entre o emprego de editor no jornal com a elaboração de peças teatrais, atividade que o alçaria à posição de um dos principais dramaturgos do país. Em 1941, escreveu sua primeira peça A mulher Sem Pecado, que teve pouco êxito. Logo, fez Vestido de Noiva, que estreou no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e se tornou seu primeiro grande sucesso teatral. Ao todo, Nelson escreveu 17 peças entre 1941 e 1978, entre algumas das mais emblemáticas estão O beijo no asfalto, Bonitinha, mas ordinária e Toda a nudez será castigada. Em 1945, Nelson Rodrigues deixou o Globo para trabalhar nos Diários Associados, de Assis Chateaubriand. Em O Jornal passou a escrever folhetins sob o pseudônimo de Suzana Flag. Tanto nos folhetins como nas peças teatrais, o erotismo e as críticas aos padrões e instituições da sociedade da época marcavam o teor das narrativas, algo revolucionário até então. Suas obras eram consideradas vulgares, obscenas e imorais por seus críticos. Ainda que assinasse textos recheados de erotismo e que quebrassem paradigmas em relação aos costumes daquela época, Nelson se autodenominava como um “reacionário” no aspecto político, mostrava-se um crítico ferrenho da esquerda e na década de 1960 chegou a apoiar abertamente a ditadura militar brasileira.
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Centenário de Nelson Rodrigues 1912/2012
“Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico(desde menino).” - Nelson Rodrigues - Nas comemorações do Centenário de nascimento de Nelson Rodrigues (Recife, 23 de agosto de 1912 — Rio de Janeiro, 21 de dezembro de 1980). O maior dramaturgo brasileiro, criativo, revolucionário, suas peças teatrais eram romanceadas, fortes, contundentes. Mas Nelson Rodrigues brilhou também como cronista esportivo, sendo que só Armando Nogueira, tempos depois, fez trabalho jornalístico do mesmo nível. Seu irmão, Mário Filho teve seu nome dado ao Maracanã: Estádio Mário Filho! Apaixonado pelo Fluminense, sabia ser imparcial em seus comentários. Produziu romances, crônicas e, na política, foi um vencedor ao tratar com coragem temas difíceis e ao dar o perfil – sem maquiagem! - de políticos e religiosos famosos. Vamos ver um pequeno trecho de Nelson Rodrigues: “A partir do momento em que uma imagem aparece e desaparece, ela perde para a linguagem escrita que perdura. Esse é um aspecto fundamental do problema, que deveria colaborar para tornar os dois gêneros coexistentes. Fazendo um jogo de palavras, diria que a leitura é sobretudo a releitura. Reli muitas vezes “Crime e Castigo”, “Os irmãos Karamazov”, “Ana Karerina”, Machado de Assis,porque apenas a leitura não basta. É preciso a releitura, para que haja uma relação mais profunda entre o leitor e o que ele lê. Com a televisão, com a imagem, isso não é possível. A leitura é mais inteligente, porque estabelece não só uma relação mais profunda, como também uma intimidade maior entre o leitor e o livro. O texto literário continuará existindo daqui a 1200 anos. Ele não morre, porque se ele morrer o mundo começará a morrer junto.” Criticado por seus textos fortes, chamados de pornográficos, ele reagia dando à sua coluna no jornal o título de “A VIDA COMO ELA É...” Mostrando, assim, a seus críticos que apenas descrevia os fatos com sua própria e cruel realidade. Famoso pela frase “O ÓBVIO ULULANTE”, Nelsonrepetia e repetia e repetia que era o óbvio ululante a realidade da vida e da ação das pessoas o que muita gente procurava não ver...ou esconder! Recentemente foi encontrado um vídeo nos Estados Unidos sobre Nelson Rodrigues que merece ser visto. Em uma parte, aparece Nelson fazendo palestra e embevecido, um jovem intelectual fazia perguntas: era o escritor Paulo Coelho, à época, de cabelos pretos, sem barba e de bigode...É Registro Histórico!
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zende; lToda Nudez Será Castigada; lA serpente Romances lMeu destino é pecar - 1944; lEscravas do amor - 1944; lMinha vida - 1944; lNúpcias de fogo - 1948; lA mulher que amou demais - 1949; lO homem proibido 1959; lA mentira - 1953; lAsfalto selvagem - 1959 (também conhecido como Engraçadinha); lO casamento - 1966 Contos lCem contos escolhidos - A vida como ela é... 1972; lElas gostam de apanhar - 1974; lA vida como ela é - O homem fiel e outros contos - 1992; lA dama do lotação e outros contos e crônicas 1992; lA coroa de orquídeas - 1992
Particularmente, para mim, Nelson Rodrigues, sempre foi um norte, em termos de jornalismo dinâmico, objetivo, sempre indo ao cerne dos problemas e, sempre, dando a sua opinião corajosa e contundente. Em 1970, ao lançar o meu primeiro livro dedicado à participação do jovem na política e no exercício da cidadania, “A JUVENTUDE: PARTICIPAÇÃO OU OMISSÃO”, fazia de um trecho de artigo de Nelson Rodrigues, a página de abertura. Olhem que texto inteligente e, já àquela época, corajoso e contundente:
O escritor e biógrafo Ruy Castro é o autor do livro “O ANJO PORNOGRÁFICO”, que mostra toda a trajetória de Nelson Rodrigues, sua família, seus sonhos e suas frustrações: “Em “O Anjo Pornográfico”, Ruy Castro deixa claro que não quer analisar a obra do escritor, dramaturgo e jornalista Nelson Rodrigues. Ele irá, sim, contar histórias. Banido qualquer julgamento ou descrição de lugares ou personagens, ele se prestou a destrinchar, detalhar, esquadrinhar, relatar fatos com precisão e riqueza de detalhes. Esta é uma homenagem singela a esse grande jornalista, escritor, cronista esportivo e dramaturgo brasileiro. Que se reeditem seus livros e que encenem suas peças teatrais que marcaram definitivamente a História do Teatro Brasileiro. Abaixo, uma relação de suas obras: Obra literária de Nelson Rodrigues lPeças psicológicas; lA mulher sem pecado; lVestido de noiva; lValsa nº 6; lViúva, porém honesta; lAnti-Nélson Rodrigues; lPeças míticas; lÁlbum de família; lAnjo negro; lSenhora dos Afogados; lDoroteia; lTragédias Cariocas I; lA falecida; lPerdoa-me por me traíres; lOs Sete Gatinhos; lBoca de ouro; lTragédias Cariocas II; lO beijo no asfalto; lBonitinha, mas ordinária ou Otto Lara Re-
Crônicas lMemórias de Nélson Rodrigues - 1967; lO óbvio ululante: primeiras confissões - 1968; lA cabra vadia - 1970; lO reacionário: memórias e confissões- 1977; lFla-Flu...e as multidões despertaram- 1987; lO remador de Ben-Hur - 1992; lA cabra vadia - Novas confissões - 1992; lA pátria sem chuteiras - Novas Crônicas de Futebol - 1992; lA menina sem estrela - memórias - 1992; lÀ sombra das chuteiras imortais - Crônicas de Futebol - 1992; lA mulher do próximo - 1992; lNélson Rodrigues, o Profeta Tricolor - 2002; lO Berro impresso nas Manchetes - 2007; lO quadrúpede de vinte e oito l patas. Telenovelas lBaseadas na obra de Nélson Rodrigues; lA morta sem espelho - TV Rio - 1963; lSonho de amor - TV Rio - 1964; lO desconhecido - TV Rio 1964; lO homem proibido - TV Globo - 1982; lMeu Destino É Pecar - TV Globo - 1984; lEngraçadinha... Seus Amores e Seus Pecados - TV Globo - 1995; lA Vida Como Ela É - TV Globo - 1996. Filmes lBaseados na obra de Nélson Rodrigues; lSomos dois -1950 -Direção: Milton Rodrigues; lMeu destino é pecar-1952-Direção: Manuel Pelufo; lMulheres e milhões-1961-Direção: Jorge Ileli; lBoca de ouro-1963 Direção: Nelson Pereira dos Santos; lMeu nome é Pelé-1963-Direção: Carlos Hugo Christensen; lBonitinha mas ordinária- 1963 - Direção: J.P. de Carvalho; lAsfalto selvagem- 1964 -Direção: J.B. Tanko; lA falecida -1965- Direção: Leon Hirzman; lO beijo - 1966 -Direção: Flávio Tambellini; lEngraçadinha depois dos trinta - 1966 -Direção: J.B. Tanko; lToda nudez será castigada -1973 -Direção:Arnaldo Jabor; lO casamento - 1975 -Direção: Arnaldo Jabor; lA dama do lotação -1978 -Direção: Neville d’Almeida; lOs sete gatinhos -1980 - Direção: Neville d’Almeida; lO beijo no asfalto - 1980 -Direção: Bruno Barreto lBonitinha mas Ordinária ou Otto Lara Rezende -1981 -Direção: Braz Chediak; lÁlbum de família -1981 -Direção: Braz Chediak; lEngraçadinha-1981 -Direção: Haroldo Marinho Barbosa; lPerdoa-me por me traíres -1983 -Direção: Braz Chediak; lBoca de ouro -1990 -Direção: Walter Avancini; lTraição 1998 -Direcão: Arthur Fontes, Cláudio Torres e José Henrique Fonseca; lGêmeas-1999-Direção: Andrucha Waddington; lVestido de noiva -2006 - Direção de Joffre Rodrigues; lBonitinha mas Ordinária ou Otto Lara Rezende-2009; (Wikipedia)
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ARTIGO
“A Rosa refulgente” Maria De Lourdes Camilo Souza Seguia o passeio matinal pelo jardim da praça, absorta tentando manter um passo mais tranquilo, nesse primeiro passeio após tantos dias em casa. Ainda pensava que estava indo bem, pois achava que não conseguiria andar um quarteirão inteiro. A vontade era sair correndo, mas não havia pressa. Era apenas um passeio. O jardim não era muito trabalhado. Podia-se encontrar ali entre um pé de pitangas, um limoeiro onde se via uns limõezinhos crescendo, e mais abaixo um pé de boldo, se expandindo, perto dos aparelhos para exercicios no lado sul, junto a um banco. Notou que todos os aparelhos para exercicios instalados para uso de idosos estavam desfalcados, faltando peças. O que a fez pensar, quem poderia fazer esse tipo de coisa? Arrancar peças de aparelhos para ginástica de uma praça pública? Continuou caminhando após uma parada para cumprimentar o dono da banca de revistas, onde comprava seus livros de palavras cruzadas. Ele como amava os animais, tinha instalado ao lado da banca um bebedouro para animais: cães, gatos que por ali passeiam com seus donos. Parou um tempo junto a fonte, que jorrava alegre, ficou ali olhando as carpas coloridas que nadavam nas águas límpidas, num bailado sincronizado em alguns momentos. Deu passagem a uma mãe que empurrava o carrinho do seu bebê para apanhar o sol da manhã. E logo depois, passaram dois rapazes fazendo sua corrida, seguidos por um cão que parou para cheirar a grama. Seguiu até um canteiro um pouco mais florido, e o colorido vibrante chamou sua atenção. Respirou fundo, e reteve o ar puro expirando lentamente, e sentou-se num banco ao lado do canteiro florido de azaleias. E foi quando viu entre a grama , crescia uma roseira que espalhava seus galhos cheios de folhas de um verde escuro, entre eles no meio de botões fechados ainda uma rosa que entreabria suas pétalas, de um carmim aveludado e mantinha as gotículas do orvalho da noite entre elas. E um raio de sol caiu em cheio sobre ela que refulgiu
soberana. Era de uma beleza radiante, o que a fez querer eternizar aquela imagem numa foto. Pegou o celular para tirar a foto, e tirou logo três fotos de ângulos diferentes. Mirando as fotos tiradas logo depois, para ver se tinha conseguido captar o momento em que o raio de sol tinha pairado sobre a rosa e o orvalho que brilhava em suas pétalas como pequenos diamantes. Sorriu satisfeita. Sua rosa refulgente estava ali imortalizada.