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Edição 20

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Diário da Cuesta NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA EM BOTUCATU

ano I Nº 20

QUARTA-FEIRA 02 de dezembro de 2020

UM ATENTADO À VIDA DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA DO BRASIL PELO CRIMINOSO BISPO... Leia página 2

NA EXPANSÃO URBANA, AS GRANDES AVENIDAS!

As obras na Avenida Nicola Zaponi, na Região Oeste de Botucatu, já estão em fase final de implantação. A via, que será uma importante ligação entre a Vila Real e o Jardim Riviera, atrás do Shopping Bo-

tucatu, está recebendo os últimos quarteirões de asfalto. Desde o início das obras, a Avenida Nicola Zaponi já recebeu a implantação de galerias de águas pluviais, guias, sarjetas e pavimentação. As duas pistas

da Avenida também receberam calçadas, que estão quase prontas e em breve receberão o trabalho de arborização. Para maior segurança de pedestres e motoristas, a Nicola Zaponi será iluminada

com luminárias de LED, que já começaram a ser instaladas. A obra é realizada através de uma parceria entre a Prefeitura de Botucatu e as empresas MRV e Moura Leite. (Acontece Botucatu)

NATAL RENOVA OTIMISMO DO COMÉRCIO

A Prefeitura de Botucatu reforça a expectativa positiva para o período natalino. Com a antecipação do pagamento do funcionalismo público, praticamente 3 mil servidores e aposentados serão beneficiados. Também, o vale compra/alimentos será creditado, em dobro, no primei-

ro dia do mês de dezembro. E complementando esse “pacote do bem”, o 13º salário será feito, de uma só vez, no dia 4 de dezembro. A soma de tudo isso está próxima de R$ 20 milhões. Várias empresas e indústrias locais também estão com programação que be-

O GIGANTE DEITADO (ilustração de Vinício Aloise ao pé do Gigante, as Três Pedras)

neficia seus funcionários. E, somado a isso, o Auxílio Emergencial pago pelo Go-

verno Federal para os trabalhadores informais que tem o objetivo fornecer proteção emergencial no período de enfrentamento à crise causada pela pandemia do Coronavírus – COVID 19, representa um reforço para que as famílias mais carentes também possam usufruir do Natal.


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editorial

A nossa história esta a nos mostrar, com fatos, que é pura fantasia a afirmação de que o brasileiro é passivo e pacífico... O primeiro ATENTADO A UM PRESIDENTE DA REPÚBLICA, a Guerra de Canudos e a Revolução Constitucionalista de 1932, fora outras revoltas e rebeliões são a prova provada de que tudo tem um limite e que a Pátria Amada não suporta

Diário da Cuesta desaforos e traições... E será mera coincidência a tentativa de morte a um Presidente da República e a tentativa de morte a um praticamente eleito Presidente da República?!? E, em ambos os crimes, o nome do autor ser BISPO?!? A Direção.

artigo

Um atentado à vida do Presidente da República do Brasil pelo criminoso Bispo... SIM, tentaram matar o Presidente da República do Brasil! O criminoso tem o nome de BISPO! Foi o Adélio Bispo de Oliveira?!? NÃO... Também a vítima não foi o candidato à presidência da República, Jair Messias Bolsonaro! Esse crime político ainda está sem solução, mas a verdade prevalecerá... “Um atentado à vida do Presidente da República do Brasil pelo criminoso BISPO” remonta ao início da República Brasileira... Foi contra o primeiro civil eleito Presidente da República e o primeiro eleito em eleição direta, em 1897. Após ter sido também o primeiro Presidente (Governador) eleito de São

EXPEDIENTE NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA EM BOTUCATU WEBJORNALISMO DIÁRIO DIRETOR: Armando Moraes Delmanto

EDITORAÇÃO E DIAGRAMAÇÃO: Gráfica Diagrama/ Edil Gomes Contato@diariodacuesta.com.br Tels: 14.99745.6604 - 14. 991929689 O Diário da Cuesta não se responsabiliza por ideias e conceitos emitidos em artigos ou matérias assinadas, que expressem apenas o pensamento dos autores, não representando necessariamente a opinião da direção do jornal. A publicação se reserva o direito, por motivos de espaço e clareza, de resumir cartas, artigos e ensaios.

Paulo e após presidir o Congresso Nacional e ter promulgado a 1ª CONSTITUIÇAO DA REPÚBLICA DO BRASIL, elaborada pelo Jurista e Senador Ruy Barbosa e aprovada pelo Congresso. O Presidente da República do Brasil que sofreu um atentado de morte foi PRUDENTE JOSÉ DE MORAES BARROS. E o criminoso BISPO foi o soldado MARCELINO BISPO DE MELO, durante uma cerimônia militar na qual o Presidente da República recepcionaria dois Batalhões do Exército Brasileiro que retornavam da Guerra de Canudos. O criminoso encostou uma pistola no peito de Prudente de Moraes. O Presidente da República foi rápido e, com a cartola, conseguiu afastar a arma. O soldado BISPO, então, sacou um punhal e matou o Ministro da Guerra, o Marechal Carlos Machado de Bittencourt, que saíra em defesa de Prudente, que saiu ileso. Ficou também ferido o Coronel Luiz Mendes de Moraes, Chefe da Casa Militar, na defesa do Presidente. Prudente, então, decreta Estado de Sítio e diante da tentativa de linchamento do assassino BISPO, o Presidente da República declarou com firmeza: ele pertence à Justiça! Dois meses depois, o criminoso foi encontrado enforcado com um lençol na cela em que estava preso.

PRUDENTE: 1º Governador Eleito de São Paulo Thereza Rocque da Motta

Foto tirada na época do governo de Prudente em São Paulo, logo depois da Proclamação da República, em 15/11/1889. Aparecem o Dr. Antônio Caetano de Campos (18441891), diretor da Escola Normal e reformador do ensino público; Antônio Mercado (Antônio Maria Honorato Mercado, 1853-1937), Secretário do Governo; Engenheiro Paula Souza (Antônio Francisco de Paula Souza, 18431917) diretor da Escola Politécnica e da Superintendência de Obras Públicas; Prudente José de Moraes Barros (1841-1902), Governador da Província de São Paulo e depois Presidente da República; Bernardino de Campos (Bernardino José de Campos Júnior, 1841-1915), chefe da Polícia; Peixoto Gomide, na época Presidente do Conselho da Caixa Econômica do Estado, e Coronel Lisboa (João Nepomuceno Pereira Lisboa, 1852-1917) Comandante da Força Pública (acervo do Dr. Modesto Carvalhosa). No século 19, era costume não olhar diretamente para a câmera. Embora a maioria esteja com os olhos voltados para o fotógrafo, Prudente e Bernardino de Campos olham para a esquerda. Prudente não se demorou no governo de SP, por ter sido eleito para o Senado, e para lá ele foi assumir a 1a. Legislatura, como presidente da Assembleia Constituinte de 1891 que se formava, dois anos após a Proclamação da República. Por mais que eu seja avessa à forma como a República se instalou (mais para uma quartelada do que uma mudança adequada de forma de governo), Prudente seguiu o que ele acreditava fosse o melhor caminho para o Brasil. Porém, passados sete meses da Constituinte, chamando à atenção os colegas deputados e senadores que se demoravam para terminar os trabalhos, Prudente, para urgir a conclusão do texto, disse que iria chamar de volta D. Pedro II e devolver-lhe o trono, já que não conseguiam ultimar a redação a 1a. Constituição do Brasil. É como lembrar que a Constituição anterior, a Carta Outorgada, de 25 de março de 1824, foi feita de próprio punho por D. Pedro I, justamente porque os então deputados haviam se demorado para concluí-la. Tantas Constituições depois, ainda nos perguntamos se será a última.


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“Prudente, O Pacificador”

Em 4 de outubro de 1841, no mesmo ano da coroação de Pedro II, nasceu Prudente José de Moraes Barros, meu tataravô, que em 1894 assumiu a presidência da República por 4 longos anos, sofreu um atentado e foi salvo pelo seu amigo e Ministro da Guerra, Marechal Bittencourt. Ano que vem serão 180 anos do seu nascimento. Para isso estou me munindo de todos os livros, fotos, e documentos possíveis para concluir sua biografia, para narrar um lado mais humano,

menos político da carreira de Prudente, um homem acima de tudo fiel à sua proposta de vida: manter a verdade a qualquer custo. Rodrigo Octavio Filho fez neste pequeno livro uma apresentação lida no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, na sessão de 4/10/1941, comemorando o 1o. centenário do nascimento de Prudente de Moraes. Seu pai, Rodrigo Octavio, foi secretário do presidente, como um tipo de chefe da Casa Civil. Era o primeiro governo eleito

por voto direto, era o primeiro presidente civil, que antagonizou os florianistas, e por isso chegava ao Rio pouco acreditado. Diz Rodrigo Octavio: “Quando Prudente José de Moraes Barros, no dia 15 de novembro de 1894, assumiu a Presidência da República, era tão agitado o ambiente político, que poucos brasileiros havia que acreditassem pudesse ele se manter no governo”. E para desfazer essa descrença, saiu do governo carregado pelo povo, pois devolveu a paz

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que havia sido sublevada nos primeiros anos da República, e por isso recebeu o nome de “Prudente, o Pacificador”. Consegui num sebo o livro autografado pelo avô de minha amiga Rita Moutinho, que trabalhou na Academia Brasileira de Letras, para a qual ele foi eleito para a cadeira de seu pai, em 1944. Parabéns a Prudente, e a todos os descendentes de sua numerosa família. Thereza Rocque da Motta Editora de Livros e Poetisa

BOTUCATU NA CONSOLIDAÇÃO DA REPÚBLICA A Republica, em 1889, nasceu de maneira assaz curiosa, muito simples mesmo, quasi de surpresa. Ninguém esperava. Os boatos alarmantes de uma conspiração de Oficiais do Exército liderados pelo Marechal Deodoro da Fonseca, anoavam na boca do povo, desde muito tempo. No dia anterior ao da proclamação da República, estalava o movimento: sublevavam-se o 1ºRegimento de Cavalaria e, logo em seguida, o 2º Regimento de Campanha, os alunos da Escola Militar da Praia Vermelha, da Escola Superior do Exército, marcharam todos para o Campo de Santana. Tudo isto, na calada da noite, enquanto a cidade indiferente ao movimento dormia. O nosso Imperador veraneava, a esse tempo, com a sua família em Petrópolis, entregue aos seus livros, preso aos seus estudos, longe do bulício da política, gozando as delícias

do clima ameno, indiferente ao que se passava na Corte. Em São Paulo os sentimentos republicanos eram antigos. A famosa ‘CONVENÇÃO REPUBLICANA em Itu já havia consolidado os alicerces do famoso PRP em 1873. Eram ao todo 136 delegados, entre eles: Bernardo Augusto Rodrigues da Silva, Domingos Soares de Barros e José Rodrigues Cesar representavam Botucatu. Já nessa época o sentimento republicano na cidade era forte. A cidade pequenina movimentava-se, agitava-se, criava vida, justamente por ocasião das propagandas abolicionistas e republicanas, que trouxe para estas paragens, o famoso caifaz Dr. Antônio Bento, formando-se, desde a famosa CONVENÇÃO, uma verdadeira legião de proselidos. Dois partidos dividiam a pequena povoação serrana: monarquistas e republicanos. Dissenções po-

liticas se tornaram constantes na cidade. Em abril de 1889 o Movimento Republicano Botucatuense através de a “TRIBUNA” – órgão da imprensa republicana – publicava um manifesto contrário à visita do Conde D’EU, genro de Dom Pedro II. Raiava a madrugada de 15 de Novembro. Resolveram os Ministros do Império então se reunir no Quartel do Exército, no Campo de Santana. Já era tarde. Estavam todos cercados e presos. A praça regorgitava de tropa revoltada. A festa era geral. Deodoro, embora combalido pela doença, à frente da Tropa, exigiu a demissão imediata do Ministério Ouro Preto. Realmente, naquele instante histórico. Deodoro, sob aclamações da tropa e do povo que ali acorrera, proclamava a Republica Brasileira. Eram 9 horas da manhã de15 de novembro de 1889. Hernâni Donato em seu “ACHEGAS” relata que a chegada, pelo telégrafo, da notí-

cia da Proclamação encontrou uma multidão fremente de botucatuenses nas ruas. E logo nos ares, beijada pela brisa suave da serra às auras perfumadas de Botucatu, a bandeira republicana. O Delegado de Polícia, Pedro Egídio, monarquista convicto, acompanhado de forte contingente de força armada, mandou fechar a principal via, a tradicional rua do Comércio (hoje Amando de Barros). De nada adiantou. Os soldados aderiram ao movimento popular confraternizaram todos. E, a Câmara Municipal tendo como Presidente José Pires de Camargo Rocha redigiu uma Ata, verdadeira manifestação de apoio ao novo governo, que foi assinada por todos os vereadores e cidadãos da cidade. Foi, portanto, ativa a participação de botucatuenses na consolidação da República, “não de quinze de novembro para cá, mas de muito antes”. Olavo Pinheiro Godoy do Centro Cultural de Botucatu


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“Tonica”- Um Menino da Terra dos Bons Ares Cláudio de Almeida Martins

Escondida, por entre as árvores de Paus d’alho, Ipês, Angicos, Jatobás e outras de grande porte, encontrava-se a casinha de Tonica, nos recôncavos da Serra de Botucatu. Tonica, um negrinho magricela e arreliento, gostava de provocar situações embaraçosas para todos aqueles que conviviam com ele. Mesmo com todas as artes que fazia era bem quisto, não por todos é claro, aqueles que sofriam por suas travessuras, mais queriam era vê-lo longe,porque o que ele aprontava, causava estragos mesmo. Numa manhã, Tonica estava sentado na soleira da porta de sua casa, quando algo lhe chamou a atenção... Passava à sua frente, uns dez metros adiante do terreiro, um bando de frangos carijós, propriedade de Nhô Ambrósio, vizinho de casa. Tonica estava terminando de por a corda de embira num arco. Por quê não experimentá-lo naqueles “penosos” ? Como não era de muito refletir, passou da idéia para a ação rapidamente. Juntando uma flecha, feita de “Alecrim do campo”, com ponta de osso de costela de leitoa, foi para trás de um pé de Cambará, e ali arrumou sua arma. Agora estava pronto para testar sua arma! Olhou...mediu..., e viu que o mais apropriado era um frango, um tanto desajeitado, que parou à sua frente para ciscar. Colocou a flexa no arco... retesou... mirou... e...capimba...! Lá ficou o frango atingido pela arma de Tonica. O que o menino não esperava, é que o frango desembestasse a correr, principalmente em direção à porta de sua casa. Não é que o bendito frango fêz isso! Para aumentar o seu desespero estava por ali sua mãe! Esta, encontrava-se sentada na escada da casa debulhando milho para tratar os porcos. Sem esperar o resultado de sua travessura, Tonica fez como o frango, saiu em desembestada carreira rumo à mata mais próxima, evidentemente, para se esconder e não ser pego com a mão na botija, ou melhor, no arco. Como acontece com a maioria das crianças, a sua fantasia corria mais rápido que a realidade. Já imaginava que seria punido com rigor e severidade pelos pais e pelo dono do frango. Tinha que fugir! Tinha que se esconder! Ali, onde se encontrava, é que não podia ficar! Nesse instante, passava, pela estradinha à sua frente, o “Nezinho”, um colega de travessuras. Tonica não teve dúvidas..., deu um assobio fino e longo, muito conhecido pelo amigo. Na hora Nezinho estacou e começou a procurar de onde vinha o assobio que sabia pertencer ao amigo. Assim que viu o braço de Tonica balançando, lá no meio do bambuzal, dirigiu-se para lá. - Ei Tonica...! Que é que tá fazen-

do aí? - Vem cá Nezinho...rápido! Não dexa ninguém vê ! - Tá bom...tá bom...! Nezinho, tomando o cuidado de olhar para todos os lados, esgueirou-se até a moita de Bambu, onde Tonica estava escondido. - Que é que aconteceu Tonica, perguntou Nezinho? - Fui experimentá o arco que tava fazendo e acertei um dos “carijá” do Nhô Ambrosio ! O pior, é que o “bendito” não morreu e, além de tudo correu para perto da minha mãe! Advinhe o que está me esperando? Nezinho, acocorado perto de Tonica, coçou seu queixo e caiu num silêncio profundo... Passaram-se alguns minutos..., mais alguns..., e Tonica já começava a se desesperar com a situação. Nezinho, colocou-se de pé e, com os braços cruzados às costas, começou a girar em torno de Tonica. - Sabe Tonica só tem uma forma de escapá da surra que tá prá chegá! - Só uma Nezinho...? Então tô perdido! - Calma aí Tonica ! Minha idéia é boa! - Tomara! E qual é? - Precisamos corre prá sua mãe e dize que tamos atrás de um frango que tava ameaçando nóis e, por isso, tivemo que atacá! - Oh...Nezinho! Você acha que ela vai cai numa história de frango loco? Sai dessa meu! - Tonica...! Ou nóis deixamo o frango loco, ou loco vai ficá você! - Não sei não...isso não vai dar certo..., e eu vou apnhá duas vezes, uma por ter frechado o frango e outra por tentá ser o maior mentiroso do mundo! - Tudo bem Tonica...! Isso vai acontecer se nóis não fizé as coisas direito! - Como assim? - Pense bem...! Vamos armá uma cena para assustá sua mãe! Primeiro vamo arranhá suas perna, um pouquinho só, o necessário para impressioná! Daí, vamo até sua casa gritando e dizendo que você tá passando mal porque um frango loco te ataco! Assim eu tive que intervi tentando matá, e que, naquele momento, não consegui! Tonica coçou a cabeça pixaim...e, olhando para o amigo, falou: - É pode se que isso “cole” !

Passaram à parte prática. Rasgaram um pouco as pernas da calça de Tonica e com espinhos de Juázeiro feriram um pouco só as pernas. Preparada a “vítima”, dirigiram-se à casa de Tonica. A casinha de Tonica, ficava nos contrafortes da Igreja de São Cristovão, no topo da Serra de Botucatu, por sinal um lugar privilegiado por Deus. Contornaram o Cambará, que crescia ao lado da casinha e, passando pelo carro de boi, encostado na trave da porteira do curral, ganharam o terreiro da casa. Já entraram alí fazendo um alrido enorme. - Dona Ozímia! Dona Ozímia! Pelo amor de Deus onde tá a Senhora? - Aconteceu uma desgraça...! - Dona Ozímia...! É o Tonica ele foi ferido por um bico loco! Nezinho, mais empurrando do que carregando, conduzia Tonica, que se esforçava por demonstrar sofrimento. Até que não era má a sua representação! Chegaram à porta da casa e ali estava tudo quieto. - Ué...! Onde tá a Dona Ozímia, perguntou Nezinho? - Acho que foi atráis de mim com vara de marmelo! Só pode ser isso, afirmou Tonica! Lá do fundo veio uma voz rouca, que não deixava dúvida ser de Dona Ozímia! - O que foi ? O que é que tá acontecendo por aí? Por quê esse gritero? Eu to aqui no barracão! Dona Ozímia estava no barracão que se localizava numa área do quintal. Para lá se dirigiram os dois, evidentemente, continuando a farsa. Surpresa! À frente dos dois, surgiu a figura de Dona Ozímia! Estava de avental longo e completamente molhado. Nas mãos segurava um frango depenado. Quando Dona Ozímia viu o filho todo arranhado largou o frango e correu para ver o que tinha acontecido. - Deus do céu! O que foi que aconteceu? Nezinho e Tonica não sabiam se continuavam a farsa ou esperavam. Dona Ozímia, apalpando Tonica observou:

- Ara...! São só arranhão de Juazeiro meninos! Por quê tanto barulho? Com isso, tirou toda a encenação de Nezino e Tonica. Para sorte deles Dona Ozímia emendou: - Sabe Tonica! Já fazia tempo que eu queria achá este carijó, mas ele tinha sumido! Sabia que ele devia tá no ponto de i prá panela! Pensei que ele tinha se misturado com as galinhas de Nhô Ambrósio! Não é que de repente ele apereceu, aqui na cozinha! Tava machucado! Alguma coisa mordeu! Mais isso pouco interessa agora...! Ele vai é prá panela! Passa o álcool com guiné que esses riscos na perna somem, vão lá! Os dois, Nezinho e Tonica, foram saindo, saindo, e, fora das vistas de Dona Ozímia, andaram rápido indo para o terreiro. Sentados sobre sacos de café, que ali se encontravam, começaram a trocar idéias. - Sabe Nezinho, quase nóis entregamos o ôro, não acha? - Isso mesmo Tonica! Mas, onde ficô a frecha? - Como vô sabe? - Acho que a frecha caiu aí pelo terrero, afirmou Nezinho! - Bom, depois dessa vou pensá melhor antes de faze alguma coisa! - Acho melhor mesmo Tonica! E o arco que você fez? - Tá lá no mato, mas vo dá um sumiço nele já. - Vou com você! Os dois sairam rapidinho e se dirigiram ao capão de mato. Não demorou muito e os dois estavam no terreiro brincando, alegremente, de jogar pião. Pela janela de tábuas, da casinha de Tonica, um par de olhos observava tudo. O coração de mãe é maior que todas as espertezas deste mundo. Ele, o coração materno, é sábio, e como tal, não se engrandece pelo feito. O mundo é descrito pelos fatos contados e não pelos atos realizados. Tonica foi um negrinho que ajudou fazer a nossa infância alegre e feliz. Tonica, brincou quando tinha que brincar... Usou sua infância para ser criança e passou a se preocupar em ser adulto quando cansou de brincar. Tudo isso se passou numa terra onde “Deus” abençoou com uma beleza imensa e deixou seu sopro eterno em forma de “Bons Ares”. Por isso, no tempo do Tonica, ali em Botucatu, valeu a pena ser criança... Botucatu foi o berço de infância feliz... Botucatu, é o sonho de “Nezinho”... Botucatu, é a terra de “Tonica”... Botucatu, é a terra de Lendas..., e os “Bons Ares”ainda continuam a soprar por aqui. Observação importante: Tonica existe, Nezinho existe, Botucatu existe, Dona Ozímia já partiu daqui, hoje vive nas Serras dos campos do “Senhor”. Conto de “Bytu”. (Acervo Peabiru)


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