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Diário da Cuesta ANO V

Nº 1841

QUINTA-FEIRA, 01 DE OUTUBRO DE 2026

NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA EM BOTUCATU

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A celebração dos 40 anos da Orquestra Sinfônica Municipal de Botucatu (OSMB) ganhou um capítulo especial no último sábado, 26 de setembro. Diante de um público de mais de mil pessoas, os músicos botucatuenses ocuparam o palco da Sala São Paulo para um concerto que marcou as quatro décadas de história da Orquestra. Página 2


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Diário da Cuesta

A celebração dos 40 anos da Orquestra Sinfônica Municipal de Botucatu (OSMB) ganhou um capítulo especial no último sábado, 26 de setembro. Diante de um público de mais de mil pessoas, os músicos botucatuenses ocuparam o palco da Sala São Paulo para um concerto que marcou as quatro décadas de história da Orquestra. A apresentação, realizada dentro da programação da série Matinais, foi um sucesso e levou a música produzida em Botucatu a um dos mais importantes espaços da música de concerto brasileira. Sob regência do maestro Fernando Ortiz de Villate, a OSMB apresentou um programa inteiramente dedicado ao compositor brasileiro Edmundo Villani-Côrtes, com a participação da pianista Karin Fernandes como solista. O repertório reuniu as obras “Caetê Jururê”, “Concerto nº 1 para piano e orquestra” e “Djopoi [Oferenda]”. O concerto representou a trajetória construída pela Orquestra desde 1986. Ao longo dessas quatro décadas, diferentes gerações de músicos passaram pela OSMB, levando a música de concerto a palcos, igrejas, escolas, universidades e espaços

públicos, dentro e fora do Município. A apresentação na Capital também reforçou a presença da Orquestra em importantes espaços culturais. A OSMB já havia se apresentado anteriormente na Sala São Paulo e, em 2024, integrou a programação do tradicional Festival de Inverno de Campos do Jordão. Reconhecida oficialmente como Patrimônio Cultural Imaterial de Botucatu desde 2023, a Orquestra chega aos 40 anos mantendo seu papel na formação de público, na valorização dos músicos e na ampliação do acesso à música clássica e popular. Diante de mais de mil pessoas na Sala São Paulo, a apresentação marcou não apenas uma celebração da história da OSMB, mas também a continuidade de um trabalho que atravessa gerações e faz parte da identidade cultural de Botucatu. Quatro décadas depois de sua primeira apresentação, a Orquestra Sinfônica Municipal segue levando o nome e a música de Botucatu para novos públicos e novos palcos. (PMB)


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ARTIGO

NOS REFOLHOS DA HISTÓRIA Elda Moscogliato Aquele que nos anais históricos da monarquia se inscreveu como Pedro II, Imperador do Brasil, recebeu na pia batismal o nome de Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bebiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Bragança. Os acontecimentos políticos de 1831 levaram –no as honras antecipadas de Imperador, aclamado unanimemente, com apenas cinco anos de idade. Com a abdicação de D.Pedro I, já de retorno imediato a Portugal, ficava sob a tutela desvelada de José Bonifácio, o menino que até então brincara feliz e descuidado pelos corredores do palácio imperial, sob os cuidados da amazelosa, D. Mariana Carlota de Magalhães Coutinho, que dele recebia o apelido amoroso de Dadama. Fora ela sua dedicada mestra das primeiras letras. Assim, navegando em pleno oceano, D.Pedro I já tinha para ele endereçada a primeira cartinha cheia de saudades que o filho pequenino, deixado para sempre no Brasil, lhe enviava num desafogo de mágoa infantil. Órfão de pais muito cedo, presa ainda na infância aos rigores que lhe impunha a condição de herdeiro da monarquia, o jovem conheceu bem no íntimo a tristeza da solidão. O estudo foi a porta ampla que lhe devassou um mundo admirável onde o espírito podia cavalgar livremente nas rédias de sua natureza meditativa e sonha- dora. Teve na adolescência, os melhores mestres da época, selecionados cuidadosamente pelo sábio tutor: para caligrafia e geografia, Luís Aléxis Boulanger; para os conhecimentos elementares de francês, Pedro Renato Boiret; para desenho, Simplício Rodrigues de Sá; para a dança, Lourenço Lacombe, e para a música, foi seu mestre Fortunato Mazziotti. O gosto pelo estudo, acompanhou – o pela vida inteira. Prestes a ser coroado, com apenas quinze anos de idade, Pedro II já traduzia e falava fluentemente os idiomas francês e inglês.Seus estudos iam diariamente até pelas 22 horas, engolfado nas leituras clássicas, de caráter filosófico. D.Pedro II foi um grande incentivador e amigo das ciências e da arte. Durante seu longo reinado, tornaram – se tradicionais as visitas que fazia aos colégios do Rio de Janeiro e quando em viagem pelo império, era para as escolas a visita que constava ao Colégio Pedro II, na Capital do país. São de Carlos de Laet, as memórias dos tempos de estudo naquele grande e tradicional estabelecimento de ensino. Naquelas visitas, fazia o imperador questão de argüir o melhor e o pior alunos da turma. Ao primeiro, finda a interpelação, felicitava com valor e entusiasmo. Ao outro, o monarca encaminhava as perguntas de tal forma que fáceis se tornavam ao discípulo va-

dio, as respostas sugeridas. Ainda no Colégio, admiravam os alunos a facilidade com que o soberano mantinha diálogo em francês, com o Sr. Albout; em inglês, com o Dr. Motta, em italiano, com os drs. Schiefler, Goldschmidt e Tautphoeus. O imperador poliglota arguia os alunos em todas as matérias. Diante dele se curvavam as autoridades escolares, pois tinham ante seus olhos um mestre autêntico: sábio, humano, justo e bom. É de Pedro II uma frase histórica através da qual é por ele exaltada o papel do professor primário:”Se eu não fosse imperador, queria ser mestre escola. Não conheço missão mais nobre do que essa: dirigir as inteligências moças e preparar os homens do futuro”. A direção do Hotel Bedford, em Paris, havia diligentemente providenciado para que tanto no interior da casa com nas ceracan as – ruas e travessas – houvesse naquele entardecer sombrio o máximo silêncio. Era a diferente homenagem – entre tantas – que o peculiar

cavalheirismo francês tributava ao ilustre hóspede. Numa das suítes do Hotel um venerável ancião lutava em seus últimos alentos. D. Pedro II agonizava. Respiração arquejante, porém, lúcido, doridamente lúcido, passavam – lhe pela mente sofredora doces memó- rias, enternecedoras imagens, cenas queridas do Paço de São Cristóvão, lá longe, as doçuras campestres dos verões na Serra e a amorosa dedicação de seu bom povo, sobretudo, o humilde povo negro por quem perdera ele o trono. A tarde se aproxima. Leve brisa drapeja a seda leve dos reposteiros arrepanhados nos caixilhos. Lá fora a noite chega. Aqui dentro, sem queixume, sem um lamento, corre pelas augustas faces a última lágrima. D.PedroII está morto. Atento e vigilante, o governo francês – sem ferir as primeiras manifestações do Brasil republicano – tomava a si, numa admirável

demonstração de alto e exemplar civismo, de solidariedade e de respeito à família imperial exilada, o encargo das últimas homenagens ao soberano. D.Pedro II estava morto. Desenvolveram – se imediatamente as providências oficiais. O interior do templo da Magdalena revestiu – se solenemente do negro luto dos veludos resplandescentes em brocados dourados. No centro da nave o lampadário de cristal e os altos círios iluminaram o catafalco imperial. As colunas de estilo grego do famoso templo emolduraram pela última vez, a fronte do grande sábio, fervoroso cultor do helenismo e do clássico. Ali, na calada da noite, levado em pequeno préstito, em esquife real, foi depositado em uniforme militar e dragonas de general o corpo venerando de D.Pedro II. Sua cabeça de perfil sereno repousava agora – conso- ante melancólico testamento – em almofada verde – amarela contendo um punhado de terra do Brasil. A natureza de França prestava seu tributo ao sábio e ilustre hóspede. As exéquias, presididas pelo Cardeal Arcebispo de Paris, desenvolveram – se ao som do grave órgão desferindo melodias de Gounod. A ela estive- ram presentes a sociedade e a elite cultural da França. Ao se aproximar a hora, os mais históricos batalhões do Exército Francês postaram – se nas imediações do templo. O esquife recoberto pela antiga bandeira do Brasil trazia apenas um lindo ramalhete de flores: homenagem expressiva da rainha Vitória, da Inglaterra. Ao assomar a escadaria do Magdalena, soou o clarim e imediata- mente ouviu – se uma voz marcial: —— Portez armes! Presentez armes! A França inclinava – se numa derradeira homenagem ao grande soberano. Movimentou – se o préstito. Um frêmito de emoção sacudiu a massa parisiense que rendia seu tributo: ao lado do esquife, entre as autoridades civis e militares, e as mais expressivas inteligências da França, destacava – se um homem de cor preta, cabelos brancos de neve, corretamente encasacado. Era brasileiro, vivia em Paris e fora antigo criado do Imperador. Acompanhavam o esquife, em seu habitvert – uniforme da Academia Francesa de Letras, solenes e emoci- onados Lecomte de Lisle, François Coppée, Sardou, Bertrand, Charcot, Alexandre Dumas Filho, Ambroise Thomas, Gounod e, mais próximo à carreta, o grande amigo do morto: Pasteur. Os embaixadores do Espírito, da Cultura e da Ciência de França, rendiam reverentes sua homenagem ao vulto que partia. Já na gare, ao se aproximar o esquife, a figura mais brilhante de Portugal em Paris, juntou – se ao séqüito, cabisbaixa e respeitosa. Era Eça de Queiroz.


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MARIA DE LOURDES CAMILO SOUZA

“ESTÁ FALTANDO UM PEDAÇO” Os anos passam, e dia após dia a vida escorre por entre meus dedos como a areia na ampulheta. Grão a grão, segundos, minutos, horas, dias anos, escoando, escoando como água. Para onde vão todas essas horas perdidas? Era manhã, virou noite: cadê a tarde? Um turbilhão de luas vermelhas e azuis, sóis, e das estrelas caídas um fogo diamantino de rabo de cometa, e sobre o buraco negro? Passagem de um buraco de minhoca saindo de uma ruela de Ouro Preto de Minas para o Japão. Ou seria para o Jalapão? E no meio disso tudo, parei na esquina: atravesso ou viro a rua para o amanhã? Voltar não dá mais. É avançar ou ficar aqui estancada, estacionada... Fecho os olhos e arrisco o seguinte passo. Quero o amanhã, quero seguir a vida e quero mais, muito mais! Quero uma sequência de dias plenos de sol, jardins floridos, crianças nascendo saudáveis e lindas com o código genético de deuses. Os carros voadores descendo dos céus e trazendo muitas novidades como as naus outrora cruzavam mares. E no programa da primeira viagem vou descer em Dubai, nem que seja no tapete do Aladim. E ver a águia do Prínce Fazza voar do Palácio de sonhos, e sobrevoar seu carro último tipo cor de ouro, voando para pousar suave em sua luva de couro, para ganhar um punhado de carne. Seguindo a viagem descer na Acrópole da Grécia. Estudar a descendência greco-romana da décima geração. Passar por Maastricht ver o show de André Rieu e sua orquestra tomando espumante na praça.

Passar por Londres para emprestar o chapéu da Rainha Elizabeth, um daqueles bem coloridos. Descer de balão na Torre Eiffel e passear pelo Rio Sena. Comer um cachorro quente á francesa numa baguete com mostarda de Dijon, ao lado da Notre Dame. Estarei de volta num átimo, e trarei na mala, num frasco muito bem tampado todo o pedaço que faltou.


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