Diário Diário da da Cuesta Cuesta ANO III ANO V
Nº 1792 QUARTA-FEIRA, 05 DE AGOSTO DE 2026 Nº 1838 SEGUNDA-FEIRA, 28 DE SETEMBRO DE 2026
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O consagrado ator e comediante Ronald Golias ( 4/5/1929 – 27/9/2005), imortalizou personagens em sua vida artística. Página 2
Golias e Carlos Alberto entre tantos outros artistas passavam finais de semana em Botucatu na casa do Dr. Fernando José de Nóbrega Que bela e precisa lembrança histórica! Essa relação de amizade de fato existiu e movimentava os finais de semana no interior paulista. O Dr. Fernando José de Nóbrega foi um dos mais renomados pediatras do país. Em 1968, ele foi convidado a criar e organizar o Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina de Botucatu (hoje ligada à UNESP), onde atuou como dirigente e professor. Ele era, com efeito, o irmão mais novo do icônico radialista, humorista e empresário Manuel de Nóbrega
Casa adquirida por Dr. Fernando Nóbrega
(criador da Praça da Alegria), que fez história na rádio e na televisão — incluindo passagens marcantes na antiga TV Record. Como Manuel de Nóbrega foi o grande mentor, padrinho artístico e amigo de Ronald Golias, o comediante acabou estreitando um vínculo fraternal muito forte com toda a família. Golias e Carlos Alberto de Nóbrega viajavam frequentemente para Botucatu para descansar e passar os finais de semana na casa do Dr. Fernando, unindo o carinho pela família Nóbrega à tranquilidade da cidade.
Carlos Alberto e seu tio
Carlos Alberto e Ronald Golias
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Ronald Golias
Filho de Arlindo Golias, filho de imigrantes portugueses, e de Conceição Bragato, filha de imigrantes italianos, ambos os pais provinham de famílias de poucas posses. Seu pai era fã do ator Ronald Colman e resolveu homenageá-lo ao registrar o o filho de Ronald. Golias estreou nos palcos aos oito anos de idade na Escola Dante Alighieri em São Carlos. Mudou-se para São Paulo em 1940. Trabalhando como alfaiate e funileiro, começou a praticar natação no Clube Regatas Tietê, onde posteriormente entraria para o grupo Acqua Loucos, um dos precursores em espetáculos aquáticos no Brasil. Por sugestão de Golias, as apresentações passaram a ter uma parte com diálogos; suas performances com a trupe acabaram por levá-lo a participar do programa Calouros em Cena, da Rádio Cultura.
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Na década de 1950, com o fim dos programas produzidos pela emissora, Golias passou a integrar a equipe de artistas da Rádio Nacional. Foi então que conheceu Manuel de Nóbrega, que em 1957 o convidou a participar do humorístico A Praça da Alegria, que estreara naquele mesmo ano pela TV Paulista. Cinema e consagração na TV Golias despontou para a fama a partir de seu trabalho na Praça da Alegria. Interpretando o inquieto Pacífico (do bordão “Ô Cride, fala pra mãe...”), ele acabou tornando-se uma das estrelas da ainda incipiente televisão brasileira. “Cride” no caso era seu amigo em São Carlos, Euclides Gomes dos Santos, que declarou que Golias criou a frase imitando o modo como era chamado por sua mãe para voltar para casa. Com o sucesso na TV, ele foi convencido por Herbert Richers a entrar para o cinema. A iniciativa a princípio foi complicada, com agenda ocupada na televisão o humorista enfrentou dificuldades em conciliar as gravações. Seu primeiro filme foi a comédia Um Marido Barra-Limpa, de Luís Sérgio Person e produzido em 1957, que contudo, acabou finalizado por outro diretor e lançado apenas em 1967. Participou também de Os Três Cangaceiros (1959), de Victor Lima, quando contracenou com Ankito e Grande Otelo. Entre seus últimos trabalhos cinematográficos estão O Dono da Bola (1961) e Golias contra o Homem das Bolinhas (1969). Golias dedicou-se a maior parte de sua carreira para a televisão. Trouxe consigo das telas o personagem Carlos Bronco Dinossauro, que acabaria tornando-se um dos destaques da Família Trapo, programa exibido pela TV Record entre 1967 e 1971. Contracenando com Jô Soares, Ricardo Corte-Real, Cidinha Campos, Renata Fronzi e Otelo Zeloni, Golias consagrou-se definitivamente como um dos mais célebres humoristas do Brasil.
DIRETOR: Armando Moraes Delmanto EDITORAÇÃO E DIAGRAMAÇÃO: Gráfica Diagrama/ Edil Gomes Contato@diariodacuesta.com.br Tels: 14.99745.6604 - 14. 991929689
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MARIA DE LOURDES CAMILO SOUZA
“O canto da cigarra”
Acordei com um barulho estranho. Vinha da galharia da árvore atrás de casa. Virei-me na cama, ainda preguiçosa. E fechei os olhos novamente e esticando as pernas deitei-me de lado. Mas escutei aquele barulho estridente de novo. Resmunguei, e ajeitei o travesseiro suspirando. E quando o escutei pela terceira vez, um alerta se fez no meu cérebro: sinal de chuva? Tomara! E sorri agradecida:- Obrigado Deus! Precisamos de uma boa e abençoada chuva. Aí senti um arzinho fresco entrando pelas frestas da janela. E logo começaram a cair aqueles pingos gordos, um cá outro acolá. Não demorou mundo e começaram a aumentar paulatinamente e subiu aquele cheiro de terra molhada, aspirei fundo, sorrindo e me sentindo ali embaixo daquela chuva que refrigerava o corpo e a alma. Em sonho abri os braços sentindo o aguaceiro caindo morno, como aquela gostosa chuva de verão.
Limpando o ar, lavando as telhas, e as calçadas. Um rumor de trovão ameaçou. Estremeci, mas logo me acalmei pensando: deixa vir, deixa cair, molhar o chão, a terra seca para brotar a semente. Gosto de sonhar que cocrio essa chuva. Principalmente nesses momentos em que ela se faz tão necessária. E se de repente cai alguma esparsa e rala mentalmente me repreendo: tem que ser com mais força. E quem sabe se mais algumas pessoas se juntarem a mim nesse pensamento forte? Lembrei-me de ter ouvido mais vezes aquele canto nas noites anteriores, mas era propaganda enganosa, a chuva só veio no meu sonho. Ah Dona Cigarra ! Cante sim a vinda da chuva, mas que ela venha muito boa e abundante regar nossos campos ressequidos.
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LEITURA DINÂMICA
Essa casa foi da Família Delmanto, cons-
do Rádio e da TV, Manuel de Nóbrega. Entre
truída em 1944/45 pelo conceituado cons-
as ilustres visitas, a de Ronald Golias e Carlos
trutor Lourenço Carmelo a pedido do Dr.
Alberto de Nóbrega eram as mais constantes.
Antônio Delmanto. Em meados dos anos 60
Golias teve em Manuel de Nóbrega seu padri-
foi adquirida pelo Dr. Fernando José de Nó-
nho e orientador na vida artística.
brega, professor da Faculdade de Medicina
Posteriormente, o Diretório Acadêmico da
de Botucatu. Nesse período, Botucatu rece-
Faculdade de Medicina se instalou na casa do
bia visitas semanais de inúmeros artistas da
Largo do Paratodos até a aquisição feita pelo
TV Record, eis que o Dr. Fernando era o ir-
dentista Dr. Saliba, onde residiu por muitos
mão mais novo do conceituado comunicador
anos com a família. É Registro Histórico.