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Diário Diário da da Cuesta Cuesta ANO III ANO V

Nº 1792 Nº 1834

QUARTA-FEIRA, 05 DE AGOSTO DE 2026 QUARTA-FEIRA, 23 DE SETEMBRO DE 2026

NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA EM BOTUCATU NA DEFESAAcompanhe DO MEIOasAMBIENTE E DA em: CIDADANIA EM BOTUCATU edições anteriores www.diariodacuesta.com.br

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CARLOS LACERDA:

O Blog do Delmanto tem feito trabalhos jornalísticos sobre Lacerda: a “Frente Ampla”, “Lacerda, Já! Lacerda, Urgente”, de 15/09/2017, “Chamem o Lacerda!!!”, de 05/06/2012, todos num cenário nacional de corrupção grave necessitando de um “Defensor da Pátria”... Veja o histórico desse político que esteve em Botucatu em 1935, como foragido da Ditadura e, em 1964, como Governador da Guanabara e Paraninfo na ESCOLA NORMAL. No mês de outubro, a conceituada “BRASIL PARALELO” estará lançando o documentário “Carlos Lacerda: a voz que abalou o Brasil”, numa biografia detalhada do jornalista e político que marcou a história do Brasil. PÁGINA 3

“O Brasil não precisa de Salvadores da Pátria. Precisa de DEFENSORES DA PÁTRIA. Milhões deles.”


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EDITORIAL

O BRASIL PRECISA NOVAMENTE LEVANTAR A VOZ Há momentos na História em que o silêncio deixa de representar prudência e passa a significar conformismo. O Brasil vive um desses momentos. As sucessivas denúncias, suspeitas e controvérsias envolvendo o exercício do poder, somadas à percepção de que princípios éticos e limites institucionais são frequentemente submetidos a interpretações conflitantes, alimentam na população uma perigosa descrença nas instituições. E uma Democracia não pode sobreviver sem confiança. É justamente nesses períodos que cresce a responsabilidade da imprensa, dos homens públicos e, principalmente, dos cidadãos. O BLOG DO DELMANTO tem procurado resgatar episódios e personagens de nossa História para estimular essa reflexão. Entre eles está CARLOS LACERDA, jornalista, escritor, parlamentar e governador da antiga Guanabara, uma das personalidades mais marcantes — e também mais controvertidas — da política brasileira do século XX. Lacerda fez da palavra sua principal arma política. Na imprensa e na tribuna parlamentar, denunciou aquilo que considerava corrupção, abuso do poder e desmandos administrativos. Sua atuação despertava paixões: era admirado por muitos e combatido por outros tantos. Sua trajetória também teve contradições que pertencem à História e não devem ser apagadas. Apoiou a ruptura de 1964, rompeu posteriormente com o regime que dela nasceu, participou da criação da FRENTE AMPLA, ao lado de antigos adversários políticos, e acabou preso e com seus direitos políticos cassados. Talvez exatamente por isso sua biografia continue merecendo ser estudada. Carlos Lacerda demonstra a extraordinária força que a PALAVRA, A IMPRENSA E A PARTICIPAÇÃO POLÍTICA podem exercer sobre a vida de uma Nação. Nesse sentido, merece atenção o anúncio do documentário da BRASIL PARALELO, “CARLOS LACERDA: A VOZ QUE ABALOU O BRASIL”, dedicado à trajetória desse personagem que marcou profundamente a política e o jornalismo nacionais. Mais do que concordar ou discordar de Lacerda, interessa compreender o significado histórico de uma personalidade que jamais aceitou exercer silenciosamente a atividade pública. O Brasil de hoje precisa recuperar algo que ultrapassa partidos, governos e ideologias: A VIGILÂNCIA CÍVICA DA SOCIEDADE. Não podemos aceitar a corrupção como inevitável. Não podemos considerar normal que qualquer autoridade — seja do Executivo, do Legislativo ou do Judiciário — esteja acima da Constituição, das leis, dos controles institucionais e dos princípios éticos inerentes ao exercício da função pública. Em uma DEMOCRACIA PLENA, não existem poderes absolutos.

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Existem poderes independentes, mas igualmente submetidos à Constituição. E existe, acima de governos e governantes, a soberania popular exercida dentro das regras democráticas. É através da liberdade de imprensa, da fiscalização das instituições, do direito de manifestação, da participação política e, sobretudo, do VOTO LIVRE E CONSCIENTE que uma sociedade pode corrigir seus próprios rumos. A reação de que o Brasil necessita deve ser, portanto, uma reação CÍVICA, DEMOCRÁTICA E CONSTITUCIONAL. Precisamos novamente discutir o País. Precisamos cobrar transparência. Precisamos exigir responsabilidade dos homens públicos. Precisamos ensinar às novas gerações que cidadania não consiste apenas em reclamar do Brasil, mas em PARTICIPAR DO BRASIL. A História de Carlos Lacerda pode provocar concordâncias e discordâncias. Isso faz parte da Democracia. Mas deixa uma lição que merece reflexão: uma sociedade livre necessita de cidadãos dispostos a fiscalizar o poder e de uma imprensa que não tenha medo de fazer perguntas. O Brasil não precisa de salvadores da Pátria. Precisa de DEFENSORES DA PÁTRIA. Milhões deles. Brasileiros conscientes de que nenhuma autoridade é maior do que a Lei e de que nenhuma Nação está condenada quando seu povo decide exercer plenamente a cidadania. Que a História nos ajude a compreender o presente. E que o presente nos dê coragem para construir o futuro. O BRASIL PRECISA REAGIR — PELA LEI, PELA ÉTICA E PELA DEMOCRACIA. AVANTE!!!

DIRETOR: Armando Moraes Delmanto EDITORAÇÃO E DIAGRAMAÇÃO: Gráfica Diagrama/ Edil Gomes Contato@diariodacuesta.com.br Tels: 14.99745.6604 - 14. 991929689

O Diário da Cuesta não se responsabiliza por ideias e conceitos emitidos em artigos ou matérias assinadas, que expressem apenas o pensamento dos autores, não representando necessariamente a opinião da direção do jornal. A publicação se reserva o direito, por motivos de espaço e clareza, de resumir cartas, artigos e ensaios.


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“Carlos Lacerda: a voz que abalou o Brasil” O novo documentário da Brasil Paralelo chama-se “Carlos Lacerda: a voz que abalou o Brasil” e tem sua estreia oficial agendada para o dia 6 de outubro de 2026. A produção promete trazer uma biografia detalhada do jornalista e político que marcou a história do país por enfrentar governos autoritários e se tornar um dos maiores críticos de presidentes como Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e Jânio Quadros. Abaixo estão os principais detalhes sobre o lançamento: Conteúdo do Documentário: A obra reúne arquivos de época, entrevistas com especialistas e trechos do próprio Carlos Lacerda narrando sua própria trajetória. Período de Pré-venda: A Brasil Paralelo abriu uma pré-venda com condições e bônus exclusivos por tempo limitado. Quem adquire o acesso antecipado recebe também o pacote “O Mínimo Sobre Política”, que inclui cursos e um livro reunindo os principais discursos de Lacerda. Onde Assistir: O documentário estará disponível diretamente no Aplicativo da Brasil Paralelo para os assinantes da plataforma. O DIÁRIO DA CUESTA e o Blog do Delmanto tem feito matérias jornalísticas sobre a trajetória desse importante político brasileiro: a “Frente Ampla”, “Lacerda, Já! Lacerda, Urgente”, de 15/09/2017, “Chamem o Lacerda!!!”, de 05/06/2012, todos num cenário nacional de corrupção grave necessitando de um “Defensor da Pátria”... Assim, trazemos o trabalho da Chapt/IA sobre os trabalhos realizados pelo Diário e pelo Blog: “A expressão “Socorro, chamem o Lacerda!” é uma referência histórica e folclórica da política brasileira, frequentemente resgatada na literatura e em crônicas de memória regional, como as publicadas no Blog do Delmanto, do advogado, jornalista e escritor botucatuense Armando M. Delmanto.

O Contexto Histórico da Expressão

A frase remete à figura de Carlos Lacerda, um dos políticos e jornalistas mais polêmicos, influentes e combativos do Brasil em meados do século XX. Ele era conhecido por sua oratória afiada, sua postura de oposição ferrenha (especialmente contra Getúlio Vargas , Juscelino Kubitschek e Jânio Quadros) e sua capacidade de mobilização. No imaginário popular da época, recorrer a Lacerda significava convocar a “metralhadora verbal” da oposição para denunciar crises, escândalos ou desmandos.

A Conexão com Botucatu e o Blog do Delmanto

O Blog do Delmanto é um espaço dedicado ao resgate histórico, cultural e político do interior paulista, com foco em Botucatu. Armando M. Delmanto costuma relembrar passagens marcantes do século XX, incluindo a influência de grandes líderes nacionais na região: Carlos Lacerda em Botucatu: O político esteve na cidade em momentos cruciais. Na década de 1930, quando ainda era jovem e esteve foragido da polícia política, e mais tarde, em 1964, quando foi escolhido como Paraninfo das formandas da tradicional Escola Normal de Botucatu, época em que governava o estado da Guanabara. Memória Política: Em seus textos, Delmanto contextualiza o clima político das décadas de 1950 e 1960, onde frases de efeito e jargões políticos como este eram amplamente utilizados pela população e pela imprensa local. (Chapt/IA)

REGISTRO HISTÓRICO:

Carlos Lacerda durante sua vida, por duas vezes esteve em Botucatu. A primeira vez, nos idos de 1935, quando procurado pela polícia, após sua participação no grande evento que foi o lançamento do Manifesto Comunista por Luís Carlos Prestes, quando Lacerda fora o Orador Oficial. Nessa ocasião, Lacerda abrigou-se por uns dias na Fazenda do Sr. José Augusto Rodrigues, conforme depoimento do mesmo. Na segunda vez, em 1964, já então Governador do Estado da Guanabara (Rio de Janeiro), Lacerda veio paraninfar as Professorandas do Instituto de Educação «Dr. Cardoso de Almeida». A notícia da solenidade, publicada no jornal «O ESTADO DE S. PAULO», de 22/12/1964, nos dá uma idéia de sua presença entre nós, ciceroneado por Antonio Delmanto (presidente municipal da UDN) e pelo Deputado Estadual Roberto de Abreu Sodré (presidente regional da UDN). Além da solenidade de formatura, Lacerda tivera encontro, à tarde, com lideranças sindicais e políticas, no Círculo Operário, onde o debate foi aberto aos presentes.

Herbert Levy, Carlos Lacerda, Abreu Sodré e Antônio Delmanto

Lacerda lê o Manifesto Comunista de 1935 A seguir, algumas opiniões de botucatuenses a respeito do grande político brasileiro, relembrando, já após seu falecimento, a visita que fizera a Botucatu: Ex-Prefeito Amaral de Barros:”Eu era Prefeito de Botucatu quando o então Governador do Estado da Guanabara, Carlos Lacerda, aqui veio paraninfar as formandas de nossa Escola Normal, em 1964. Juntamente com Antônio Delmanto, proporcionei-lhe uma magnífica recepção. Mais de 140 carros foram esperá-lo no Aeroporto. Quando o avião chegou, dele desceu o alto comando da UDN: Carlos Lacerda, Abreu Sodré, Herbert Levy e Padre Godinho. E eu um político do PSP. A verdade é que como Prefeito de Botucatu, como sua autoridade maior só poderia ter esse procedimento. E o fiz com prazer. Nunca confundi posições político-partidárias com o desempenho da função pública. Na ocasião, Carlos Lacerda brindou-nos com uma magnífica palestra cívica”. Ex-Presidente do Diretório da UDN, Dr. Antônio Delmanto: «Pude conhecer de perto esse grande líder. Carlos Lacerda representa, tanto quanto Ruy Barbosa e Armando de Salles Oliveira, a inteligência, a cultura e a política brasileira. Ele foi o grande líder nacional após a queda da Ditadura de Getúlio Vargas. Era um homem boníssimo. Fiz várias campanhas com ele, juntamente com Sodré, o Herbert e o Padre Godinho. Com ele participei do Diretório Nacional da UDN. Como ele, comecei na UDN e nela continuei até a extinção dos partidos políticos. Eu como Delegado da UDN de Botucatu, e o meu filho Armando, como Delegado da UDN de Pardinho, em 1965, votamos na Convenção Nacional do partido, em Carlos Lacerda como candidato oficial da UDN à Presidência da República. Lacerda teria sido o maior Presidente do Brasil de todos os tempos. É uma perda irreparável». José Augusto Rodrigues (produtor agropecuário):”De Carlos Lacerda eu fui amigo. Politicamente sempre segui a UDN. Mas eu não sou político, por isso sempre tive mais relações de amizade do que contatos políticos com ele. Tínhamos amigos comuns. Uma vez preparei a Fazenda Monte Alegre para hospedá-lo. Ele sempre me enviava seus livros e seus discos autografados. Foi um grande brasileiro. Eu o admirava muito.” Lourenço Ferrari (produtor agropecuário): «Quando Carlos Lacerda esteve em Botucatu, oficialmente como Governador da Guanabara, em 1964, eu tive a honra de hospedá-lo em minha casa. A ele e a sua comitiva. Nessa época, o Antoninho Delmanto era meu vizinho. Correligionário de Carlos Lacerda e seu admirador, lembro com saudades os momentos que ele proporcionou a mim e a minha família.» (do livro “Memórias de Botucatu 2”, de 1993/ Blog do Delmanto, de 15/09/2017) .


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“Quem troca a liberdade por um pouco de segurança, não merece liberdade e nem consegue segurança”. Desde Benjamin Franklin nos EUA e destacada por Carlos Lacerda como lema do “TRIBUNA DA IMPRENSA” (1949), repercutindo por todo o Brasil democrático, sendo lema de um jornal estudantil nos idos de 1963...

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RELEMBRANDO


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LEITURA DINÂMICA

A “trincheira” no Palácio da Guanabara, sede do governo do Rio de Janeiro, nos dias 31 de março e 1º de abril de 1964. Naquela data, o então governador entrincheirou-se na sede do governo com aliados políticos, incluindo o deputado paulista Abreu Sodré (que futuramente seria governador de São Paulo). Eles montaram barricadas com sacos de areia e caminhões de lixo contra um possível ataque das forças leais a João Goulart. A METRALHADORA NA MESA: A imagem mais famosa do episódio, registrada pelo fotógrafo Carlos Leonam (do Jornal do Brasil), mostra Carlos Lacerda sentado em sua mesa de trabalho com uma arma (metralhadora) apoiada à mesa durante os momentos de tensão do golpe civil-militar. Lacerda mandou instalar alto-falantes na entrada do Palácio, criando um cenário de forte mobilização performática e de guerra na Zona Sul do Rio de Janeiro. É Registro Histórico.


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