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EDIÇÃO HISTÓRICA

Diário da Cuesta

O JORNAL DE BOTUCATU

O FAMOSO TRIPÉ EDUCACIONAL DE BOTUCATU

1912

Colégio dos

Anjos /Santa Marcelina

É o famoso TRIPÉ EDUCACIONAL que possibilitou a que Botucatu merecesse o slogan: “Cidade dos Bons Ares e das Boas Escolas”. O famoso “Tripé Educacional” proporcionou a que conquistássemos, anos depois, a FCMBB - hoje UNESP! E na construção dessa realidade educacional, dois nomes se destacam: Monsenhor Paschoal Ferrari e Dom Lúcio Antunes de Souza! Página 3

1910/1911

Escola Normal

“Dr. Cardoso de Almeida”

Ato Cívico e desfile na Amando de Barros marcam os 171 anos de Botucatu

Rua Amando, tradicional local do Desfile Cívico, ficou lotada durante apresentações

A Prefeitura realizou, na manhã de terça-feira (14), o Ato Cívico em comemoração aos 171 anos de Botucatu. A cerimônia ocorreu em frente ao Paço Municipal, na Praça Pedro Torres, no Centro.

O evento contou com discurso do prefeito Fábio Leite e a presença de autoridades municipais, representantes do Tiro de Guerra, Grupo de Escoteiros, Banda Sinfônica Municipal e público em geral.

Na sequência, teve início o tradicional Desfile Cívico, reunindo mais de 50 instituições, entre escolas municipais e particulares, projetos, entidades do município e forças de segurança.

O desfile começou às 9 horas, na Rua Amando de Barros, com o palanque oficial instalado em frente à Praça Emílio Pedutti (Praça do Bosque). A concentração foi organizada entre as ruas Prefeito Tonico de Barros e Major Leônidas Cardoso, com dispersão no cruzamento com a Rua Siqueira Campos até a Rua Coronel Fonseca.

O Tiro de Guerra 02-048 abriu o desfile, seguido pela Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Polícia Civil, Guarda Civil Municipal e SAMU Na sequência, participaram a Banda Sinfônica Municipal, escolas e demais entidades do município. (Acontece Botucatu)

O FAMOSO TRIPÉ EDUCACIONAL DE BOTUCATU

É o famoso TRIPÉ EDUCACIONAL que possibilitou a que Botucatu merecesse o slogan: “Cidade dos Bons Ares e das Boas Escolas”. O famoso “Tripé Educacional” proporcionou a que conquistássemos, anos depois, a FCMBB - hoje UNESP!

E na construção dessa realidade educacional, dois nomes se destacam:

Monsenhor Paschoal Ferrari e Dom Lúcio Antunes de Souza!

1) 1910/1911 - ESCOLA NORMAL “Dr. Cardoso de Almeida”

2) 1912 - Colégio dos Anjos/Santa Marcelina 3) 1913 – Colégio Diocesano”Nossa Senhora de Lourdes/La Salle

No início do século XX, Botucatu já se constituía em importante pólo irradiador de cultura e “boca do sertão”. As paralelas poderosas da Estrada de Ferro Sorocabana já haviam chegado à cidade, vencendo a Cuesta de Botucatu Na segunda metade de 1880, a imigração dos norte-americanos do sul, derrotados na Guerra Civil, propiciou a que Botucatu passasse a ser importante sede do Protestantismo, inclusive com escolas, as melhores, criadas para atenderem à exigente clientela que vinha vindo de outra cultura e de outra realidade. A presença na cidade (1895) do médico Vital Brazil, quando iniciou seus estudos sobre o soro antiofídico, é a melhor prova do protestantismo em Botucatu.

Mesmo com a diminuição da presença física dos norte-americanos que partiram para outras cidades do Estado, em 1900, a cidade de Botucatu continuava com a presença forte dos protestantes e sua influência. Esse, acreditamos, o motivo principal da criação da DIOCESE DE BOTUCATU, que teve no Monsenhor Paschoal Ferrari o seu grande batalhador. Em 1908, foi criada a Diocese de Botucatu, por sua santidade o Papa Pio X; seu território abrangia 50% do Estado de São Paulo.

Com a criação da DIOCESE DE BOTUCATU, foi designado como seu 1º Bispo Diocesano, Dom Lúcio Antunes de Souza, sagrado em Roma, em 15/11/1908, tomando posse em 20 de fevereiro de 1909, sendo que Monsenhor Ferrari governou a Diocese em seus primeiros dias, preparou a chegada do novo Bispo e as acomodações necessárias.

TRIPÉ EDUCACIONAL DE BOTUCATU

PRIMEIRA CONQUISTA

No ano de 1910, a cidade de Botucatu conseguia a criação de sua Escola Complementar, através de emenda à lei orçamentária do Estado, votada a 31 de dezembro de 1910, sob número 1245. Era uma antiga aspiração dos políticos botucatuenses que o Coronel Amando de Barros conseguiu junto ao Deputado Freitas Val-

le com expressiva atuação a favor da educação e da cultura no Estado. Inaugurada a 16 de maio de 1911, sendo seu primeiro Diretor, o Prof. Martinho Nogueira.

Escola Normal “Dr. Cardoso de Almeida”, posteriormente IECA - Instituto de Educação “Dr. Cardoso de Almeida”.

SEGUNDA CONQUISTA

Como consequência da criação da DIOCESE DE BOTUCATU, em 1908 - que tinha o maior território de todo Estado! - o seu 1º Bispo, Dom Lúcio, passou a trabalhar para consolidá-la e para dotar Botucatu, tanto para a educação das meninas como para os meninos, de Congregações Religiosas que além da catequese à cidade que nascia, tivessem por precípua finalidade a educação da juventude.

Assim, em 2012, o COLÉGIO DOS ANJOS passava a ser uma realidade com as Irmãs Marcelinas.Trouxe o COLÉGIO DOS ANJOS que se transformou nesse magnífico e modelar COLÉGIO SANTA MARCELINA.

TERCEIRA CONQUISTA

Em 1913, Dom Lúcio consegue do Papa Pio X a autorização e a ordem para que a Congregação dos Padres Lazaristas viessem para cuidar do Seminário Diocesano. Com a vinda dos padres lazaristas, foi designado

como Reitor o experiente Padre Isidoro Monteiro que já exercera idêntica função nos Seminários do Rio Comprido/RJ e Santa Maria/Bahia. A criação do GINÁSIO DIOCESANO “NOSSA SENHORA DE LOURDES”, posteriormente COLÉGIO ARQUIDIOCESANO, hoje, COLÉGIO LA SALLE.

REGISTRO HISTÓRICO: MONSENHOR PASCHOAL FERRARI O Monsenhor Ferrari, por ser o pioneiro da fé católica em Botucatu e região, muito deve a ele a nossa Arquidiocese. Foi um sacerdote invulgar que aliou à sua missão sacerdotal o muito do desbravador de larga visão e de grande alcance para o futuro de Botucatu Ao depois, Monsenhor Ferrari haveria de marcar com entusiástica dedicação a sua passagem por Botucatu: foram 33 anos dedicados à Igreja Católica. Em 1907, recebeu de Dom Duarte Leopoldo e Silva, a nomeação de Camareiro Secreto e, em 1908, foi agraciado pelo Papa Pio X, com o título de Monsenhor. Idealizou e batalhou pela criação da Diocese de Botucatu. Monsenhor Paschoal Ferrari foi, indiscutivelmente, o grande paladino de criação da Diocese em nossa cidade. Na ocasião, Botucatu disputou com Itu essa primazia. Respondeu pelo Bispado (criado em 07/06/1908 e oficialmente instalado em 15/10/1908) até a posse de nosso 1º Bispo Diocesano, Dom Lúcio Antunes de Souza, em 20/02/1909. Criado o Seminário Diocesano, em 25/03/1911, foi seu 1º Reitor.

DOM LÚCIO ANTUNES DE SOUZA

Dom Lúcio Antunes de Souza foi um grande realizador, ao consolidar a sua Diocese que era a maior, territorialmente, do Estado de São Paulo. Era chamado de o BISPO CABOCLO, por sua extrema simplicidade e apesar de sua cultura notável. Criou novas paróquias e construiu novas igrejas. Construiu o Seminário (o prédio é onde está o Colégio La Salle) e o Palácio Episcopal. Trouxe o Colégio dos Anjos que se transformou nesse magnífico e modelar Colégio Santa Marcelina e, em seguida, o Ginásio Diocesano (La Salle). No início do Século XX, Botucatu se transformou em importante centro educacional com Internatos para meninas (Santa Marcelina) e para meninos (Ginásio Diocesano), atendendo os Estados de São Paulo, Paraná e Mato Grosso. Por justiça, a cidade lhe prestou homenagens: dando seu nome a uma Vila, a uma de suas principais avenidas e a um de seus Grupos Escolares. (AMD)

No Aniversário de Botucatu...

No aniversário de Botucatu, fiquei pensando na minha relação com a cidade. O primeiro contato foi no centenário. Eu tinha oito anos, vivia em Pardinho, distrito de Botucatu, ainda, e estudava no Grupo Escolar Napoleão Corule. E a escola veio participar do desfile. Nossa, que orgulho! Por pouco, não estourei de emoção. Ainda mais que eu era meio gordinho. Depois, foi aos onze anos. Vim para Botucatu para fazer o ginásio, já que em Pardinho só havia o primário. Foi uma vida difícil. Fiquei na Pensão Santana, do Máximo Sanches Foi um ano de muitas dificuldades. Imaginem uma criança tímida vivendo numa pensão. A cidade era acolhedora. E eu sobrevivi.

No ano seguinte, mudamos para Botucatu . Enquanto viveram, meus pais sempre moraram na Rua Amando de Barros. Meu pai tinha uma loja - Casa São João - o que fez com que as pessoas pensassem que ele se chamava João. Seu nome era Ramez . Solteiro, sempre vivi, portanto, na Rua Amando .

Em Botucatu , realizei praticamente todos os meus estudos. O ginásio, fiz no Ginásio Diocesano ; Vieram as dificuldades financeiras, e fui fazer o científico no IECA . A faculdade foi na ITE , atual UNIFAC . Virei professor de português.

Meu primeiro emprego, foi na F-8. Meu primeiro patrão foi o Plínio Paganini. Depois, fui para a rádio Municipalista, para ser empregado da família Peduti

Como o dinheiro do rádio não era suficiente para os estudos, pedi para o professor Pedro Torres me ajudar a arranjar emprego como professor. Eu tinha passado para o segundo ano da faculdade. Ele conseguiu-me aulas de inglês no SENAC , cujo diretor era João Ribeiro , que se tornaria, alguns anos depois, meu padrinho de casamento.

Em Botucatu, casei com a Mari

Neusa, que conheci quando estudávamos no IECA. Eu a conheci quando tinha dezessete anos. Estamos juntos até hoje, felizes e com três filhos, que nasceram aqui. Na época da redemocratização do país, embrenhei-me na política, levado pelas mãos do amigo Progresso Garcia . Fui vereador e presidente da Câmara Municipal.

Fiz vários concursos na Educação . Fui diretor de escola, supervisor de ensino . Tive também a função de Dirigente Regional de Ensino , durante dois anos, após os quais me aposentei. Tudo em Botucatu.

Tenho orgulho de ser Cidadão Botucatuense , por vontade dos vereadores locais.

Hoje, ainda vivo em Botucatu , usufruindo da aposentadoria, após sessenta e um anos de trabalho, dos quais, cinquenta e quatro na educação.

Minha relação com Botucatu tem, portanto, sessenta e nove anos.

Fiz esse pequeno balanço, para mostrar a importância que Botucatu teve em minha vida e o orgulho que sinto por viver nessa cidade. Parabéns, Botucatu!

Viagens # Fé

Visita à igreja de São Joaquim in Prati, refúgio romano na 2ª Guerra Mundial

Localizada na Piazza Gaetano, no coração do centro histórico de Nápoles, no sul da Itália, a Basílica de São Paulo Maior (San Paolo Maggiore) guarda a sepultura de São Caetano de Thiene (1480-1547), o fundador dos Clérigos Regulares, mais conhecidos como teatinos.

Visitei-a, na companhia de Regina Célia, em 2006 e 2012, acompanhado, respectivamente, dos padres Gabriel Darida e Luigi De Micco, inesquecíveis amigos teatinos. Erguida em estilo barroco, o templo situa-se onde ficavam as ruínas do templo dos Dióscuros, do século I. A sua parte frontal, incluindo seis colunas e um tímpano triangular, era visível até 1688, quando foi destruída por um terremoto.

Atualmente a igreja tem duas colunas coríntias do antigo edifício. Elas se erguem desajeitadamente na frente, ligadas por uma viga frágil que se projeta da fachada, obras feitas nos séculos VIII e IX, quando foi dedicada ao Apóstolo Paulo para celebrar uma vitória em 574 do Ducado de Nápoles contra os sarracenos saqueadores.

a construção avançava, a igreja foi decorada e embelezada, notadamente pelo artista plástico Massimo Stanzione (1585-1656), que pintou o teto da nave com uma série de telas retratando eventos da vida de São Paulo.

Em 1538, o edifício foi cedido a São Caetano e à sua ordem dos Teatinos. O santo de Thiene estava em Nápoles havia seis anos, trabalhando na construção de sua congregação. Coube ao padre arquiteto Francesco Grimaldi (1543-1613) projetar a casa adjacente, segundo os traços indicados pelo fundador teatino.

No início da década de 1580, iniciou-se a reconstrução geral da igreja com a construção do transepto e da abside poligonal. Seguiu-se a construção da nave, por Gian Battista Cavagni (1545 –1613). Datam de 1625 as naves laterais, projetadas por Giovan Giacomo di Conforto (1569-1630).

O interior tem planta em cruz latina. À medida que

A decoração prosseguiu no século XVIII com, entre outros, Domenico Antonio Vaccaro (1678-1745) e Francesco Solimena (1657-1747), os quais reutilizaram elementos de mármore do antigo edifício para o novo pavimento e os pilares da nave.

A igreja foi severamente danificada por um bombardeio aliado em 1943, durante a 2ª Guerra Mundial, que causou a destruição quase total dos afrescos de Stanzione. Em 1951 ela foi elevada a basílica menor pelo Papa Pio XII (1876-1958).

Cronista e pesquisador, membro da Academia Botucatuense de Letras, é autor de 64 livros (dentre os quais 8 e-books) sobre história regional e espiritualidade.

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