ANO VI Nº 1687 SÁBADO E DOMINGO, 04/05 DE ABRIL DE 2026
Diário da Cuesta
O JORNAL DE BOTUCATU
NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA
“A mãe-pátria é a nossa cidade, no sentido de que elas, as cidades, as vilas, as fazendas compõem o país. Quem ama o seu torrão natal é um grande patriota, que idolatra o seu berço para enaltecer a grandiosidade da nação... Antes de vivermos para nós mesmos é preciso que vivamos para a nossa Pátria e ela se chama Botucatu”. Agostinho Minicucci.
“...Mas o objetivo ainda estava por vir. O objetivo era Botucatu: sua gente, suas coisas, seus problemas, suas perspectivas... Mas só Botucatu, ou antes e melhor, sempre Botucatu...” AMD

A SÉRIE DE EDIÇÕES DO DIÁRIO DA CUESTA PARA AS COMEMORAÇÕES DO 171º ANIVERSÁRIO DE BOTUCATU É UM ESFORÇO CIDADÃO PARA PRESERVAR E DIVULGAR FATOS E EVENTOS IMPORTANTES PARA A HISTÓRIA DE BOTUCATU. DE 03 DE ABRIL A 30 DE ABRIL, NUM TRABALHO JORNALÍSTICO, O DIÁRIO DA CUESTA ESTARÁ APRESENTANDO EDIÇÕES HISTÓRICAS SOBRE BOTUCATU E SUA GENTE. A DIREÇÃO.

MINHA HOMENAGEM

BAHIGE FADEL
‘Nunca esquecerei de ti, oh minha terra, berço onde o amor nasceu...’. Os versos do poeta são reais pra mim. E pensando em seu aniversário, sinto-me feliz como um aniversariante. Feliz por viver aqui. Feliz por ter conquistado aqui o que sou hoje. Sinto-me parte desta cidade encrustada na cuesta e, por isso, recebendo constantemente uma brisa agradável
Moro em Botucatu desde os onze anos de idade. Foi quando saí de Pardinho para morar na Pensão Santana , do Máximo Sanches . Meu pai queria que eu estudasse, e em Pardinho só havia o Grupo Escolar Napoleão Corule. Mas o primeiro contato com Botucatu , pra valer, foi um pouco antes. Eu tinha apenas oito anos e para cá vim para participar do desfile cívico em comemoração ao centenário da cidade. Naquele tempo, se não me falha a memória, Pardinho era, ainda, distrito de Botucatu. E os alunos do distrito foram convidados a participar da festa da cidade. Depois, meus pais se mudaram para cá, pois não queriam ficar longe dos filhos Fomos morar na rua Amando de Barros , onde tínhamos uma loja: a Casa São João . Aliás, por causa do nome da loja, todos achavam que o nome de meu pai era João No início, ele explicava que era Ramez. Quando viu que não adiantava, resolveu deixar pra lá.
Aqui em Botucatu realizei quase todos os meus estudos Aqui me tornei professor, profissão que exerço até agora . E cada dia na sala de aula é um dia de felicidade . Fui e sou professor de boa parte da cidade . Costumo dizer que metade de Botucatu é de pessoas que foram ou são meus alunos e a outra metade é de pais ou avós de meus alunos . Aqui também, por orientação
do amigo Progresso Garcia , tive minha curta experiência política. Foi o período de redemocratização do país. Foram seis anos de trabalho na Câmara Municipal , da qual fui presidente. Aqui também me tornei radialista. Pelas mãos de Plínio Paganini entrei na F-8. Por sugestão do amigo Elias Francisco me tornei Fadel Júnior , já que o Plínio havia dito que não contrataria nenhum radialista com o nome de Bahige . Seria necessário um nome artístico. Foi em Botucatu que me tornei Cidadão Botucatuense . Foi uma gentileza do amigo e vereador José Varoli , que apresentou o projeto de lei. E a boa vontade dos demais vereadores, que aprovaram, por unanimidade, o projeto.
Mas não é só por isso que amo tanto esta cidade . Foi aqui que conheci a Mari Neusa , minha companheira desde os meus dezessete anos e a mãe de meus três filhos, que em Botucatu nasceram. Não me imagino vivendo sem ela. Somos apaixonados um pelo outro. Aceitamos os defeitos que cada um possui e procuramos aperfeiçoar nossas virtudes. Principalmente nossa capacidade de vencer dificuldades e permanecer juntos.
Conheci Botucatu quando a cidade tinha quarenta mil habitantes e era conhecida como a cidade dos ferroviários. A Estrada de Ferro Sorocabana era a que mais empregava. Não havia ainda a UNESP Os botucatuenses eram obrigados a sair daqui, se quisessem fazer faculdade. Não peguei o apogeu das grandes indústrias do passado. Vi todo desenvolvimento acontecer. Vi chegarem as indústrias de agora. Tivemos sorte de ter grandes administradores. Assim, Botucatu se transformou no que é. Tranquila e desenvolvida. Moderna sem deixar de preservar as tradições. Lugar ideal para a gente usufruir dos bons ares e ser feliz.
Parabéns, Botucatu! Parabéns botucatuenses!

Meu Anjo da Guarda
Meu pai dizia, “mais vale a fé do que o pau da barca” e minha mãe falava que eu tinha um anjo da guarda e me ensinou sua reza,”Santo anjo, do Senhor, meu zeloso guardador... “
Assim aprendi e acreditei a vida inteira. Tenho fé e tenho meu anjo da guarda. A fé que tenho e o anjo que me guarda eu não explico. Não, não é egoísmo não. É que eu também não entendo. É certo que acredito em um criador do universo, até porque minha inteligência finita exige uma causa primeira de tudo que existe.
Mas não explico minha fé, mas a tenho. Sem fé o sertanejo não planta, o cirurgião não opera, o peão não joga o laço.
Nas horas duras da vida minha fé esteve comigo E meu anjo da guarda também Na ante sala da UTI, antes de estar nela, senti que ele, meu anjo, estava ali, cuidando de mim, como dizia minha mãe. E tudo deu certo!
Quando o cavalo pampa rodô comigo lá no pasto sujo do seu Zé Carlos quem ajeitô pra ele não pranchá em cima de mim? Não, não foi a sorte. Foi meu anjo da guarda.
Ora, pode ser ingênuo, simplório, acreditar em anjos da guarda, mas eu acredito. De outra parte foi um anjo que anunciou a Maria que ela seria a mãe de Jesus.
Há quem diga que sou esquisito, mas que não seja porque tenho fé e acredito em anjos. Até já conheci, me valendo de minha fé, alguns anjos por aí, disfarçados de gente.
Eu só queria contá que tenho fé e que acredito em anjos.


“Destruir, Criar, Restaurar ...”

MARIA DE LOURDES CAMILO SOUZA
Ontem pela manhã escutei um estrondo na garagem, a Mindy entrou voando pela porta da sala aterrorizada.
Levantei assustada e saí correndo perguntando o que tinha acontecido para a mulher do birote que nas quintas feiras vem fazer a faxina.
Vi todo o peso que tinha colocado sobre uma mesa que já estava capenga no chão.
Vasos de suculentas que criei estavam intactos sobre o banco ao lado.
Respirei aliviada ao ver que entre “mortos e feridos todos se salvaram”.
Apenas a mesa jazia quebrada no chão.
Olhei para ela penalizada.
E a mulher do birote saiu com esta máxima: “agora é só comprar outra!”
Ao que eu respondi: “Não é bem assim, vamos colocar ali perto da parede da garagem, que depois vejo o que fazer. E falei: “comprar uma nova agora não é opção! Isto não é artigo de primeira necessidade.”
E fui ajudá-la com a mesa, pois é pesada.
Aproveitando que a mesa estava de pernas para o ar, verifiquei que encaixando o pé solto no seu lugar e dando umas marteladas nele para fortalecer, a mesa podia ficar em pé.
Fiquei avaliando o estrago, mas achei solução em seguida, colocando a cadeira que a Mindy roeu como suporte, junto a parede.
Com uma limpeza e arrumação ganhou nova vida.
E a garagem ficou mais ampla.

Ás vezes precisamos de uma chacoalhada, quebrar algo, para vermos a situação de frente, avaliar os danos, mudar o que precisa.
Muitas vezes o primeiro impulso é jogar o quebrado fora e comprar um novo.
Visão simplista, imediatista.
Achamos que tudo pode ser substituído pelo novo.
Nem tudo, nem sempre...
Vou mais longe ainda.
Hoje temos uma guerra acontecendo entre dois países lá do outro lado do mundo entre Rússia e Ucrânia
Não consigo entender isso.
O que pode valer a vida de seres humanos inocentes?
Sim, porque são os inocentes que pagam pelo erro dos governantes.
Muita gente pensa que isso não nos afetará em nada, e segue o baile.
Não é bem assim...
O que acontece?
Essa guerra já nos causa dano aqui em Botucatu.
E sabem porque?
A empresa onde o marido da mulher do birote trabalha já está tendo problemas para receber as peças de reposição que não estão chegando lá do outro lado do mundo.
Estão precisando parar a sua produção por falta de peças, e os homens ficando sem trabalho.
Acontece lá do outro lado do mundo...
Mas tem países que já sentem falta de abastecimento do mais básico.
Que Deus nos proteja a todos.
Vamos orar muito!
Deus nos ajude e que acabe já essa guerra insensata!
RELEMBRANDO
Botucatu em Versos, de Progresso Garcia.
Político faz versos também?!?
Faz, sim senhor!
E o ex-vereador Progresso Garcia é a prova provada disso. Bom orador que tinha muita criatividade e humor em suas falas era, também, um poeta...
“BOTUCATU EM VERSOS” foi publicado, pela primeira vez, pela FOLHA DE BOTUCATU, de 19/04/1961 e também foi publicado pelo jornal VANGUARDA DE BOTUCATU, de abril de 1981. É um poema cívico e, como os seus similares, é longo mas mostra a caminhada de Botucatu pela visão do poeta.
Progresso Garcia foi vereador, vice-prefeito e chegou a substituir o prefeito João Queiroz Reis em suas férias. Fotógrafo de profissão teve efetiva participação na vida (AMD)
comunitária botucatuense.
BOTUCATU EM VERSOS
Progresso Garcia
Botucatu Parece velha
Porém és jovem, menina crescida, um colosso de cidade,
Que cravada numa serra
Viraste uma grande terra Distribuindo virtudes
Assim como manda Deus.
Botucatu centenária
Botucatu legendária
Menina dos olhos meus.
Cento e seis anos passaram Velozes, rápidos como o vento E antes...que eras tu? Sertão, exuberante matagal.
Paraíso das serpentes De espinhaços reluzentes Que andavam por aqui, Qual senhoras do lugar.
Botucatu soberana
Botucatu de Santana Soubeste fazer amar. Entraram os machadeiros Pan-pan-pan daqui pra li Abrindo picadas, abrindo caminhos, erguendo choupanas.
Vieram mineiros ricos Vieram ricos fazendeiros E caboclos boiadeiros
Louvando para ti hosanas.
Botucatu da esperança, Botucatu da aliança
O céu e a terra tu irmanas.
Foste tão cobiçada
Por ricaços estrangeiros Por patrícios brasileiros, que queriam dominar seus bens.
Viveste teus duros dias
Pinheiro Machado doou-te
A terra tão necessária Pra construir tua freguesia.
Botucatu da saudade
Botucatu da verdade
Soberana e Luzidia.
Das queimadas
Que abriram claros
Nasceram cafezais, alinhados, verdinhos e amarelados.
Trazendo tanta riqueza
Trazendo tanta beleza
Tanto dinheiro veio Trazendo tudo pra cá.
Botucatu pioneira
Botucatu do cruzeiro Encanto maior não há.
Construíram-se casinhas
Com telhados de sapé Paredes de barrote, piso de chão duro, vermelho como que.
Apareceram escolas
Sobradinhos arrojados
De construção colonial Enfeitando sua feição.
Botucatu da cultura
Botucatu da candura
Tens alma, tens coração.
Veio a Santa Padroeira Colocaram lampiões Pelas ruas bem traçadas, alinhadas, muito largas e arejadas.
Surgiram daí escritores Trovadores, toureiros
Poesia dos Brasileiros Irradiando seus amores
Botucatu dos bons ventos
Botucatu dos alentos
Perfumados de suas flores.
Foi chegando de mansinho
O trem de ferro fumegante
Alarmando a caboclada que corria, com medo, assustada.
O trem antigo, cansado Subindo esta ramparia
Rasgando a serra bravia Trazendo o progresso pra cá.
Botucatu religiosa Botucatu carinhosa Perfume de manacá.
Surgiu a pequena indústria Surgiu a Igreja e o Bispado Vieram professores, doutores, policiais e magistrados.
O algodão foi plantado
Com suor na terra pura Riqueza cheia de alvura Com lindos flocos ao léu.
Botucatu do calor
Botucatu do amor Presente que vem do céu.

Nasceu a Escola Normal Para marcar a tua vida. Formando mestres para ti, para todos, para a pátria estremecida.
Modificou tua história Essa escola abençoada Fazendo-te respeitada Por todo o Brasil em fora.
Botucatu das lareiras Botucatu das fruteiras Majestade tens agora.
Teus filhos se esforçaram Trabalharam, não cansaram Para fazer de ti uma grande cidade, querida, respeitada.
Trouxeram a luz elétrica Pavimentaram as ruas Por isso é que hoje atuas Qual pequena capital.
Botucatu do respeito Botucatu do conceito De carinho manancial.
Cento e seis anos se passaram
Teus filhos muito te honraram
Tens cientistas, mestres, engenheiros, industriais e advogados.
Teu nome hoje é lembrado
Teu nome é tão difundido
Tudo feito e construído Pelo amor dos filhos teus. Botucatu legendária
Botucatu centenária
Menina dos olhos meus.