Diário da Cuesta ANO IV
Nº 1605
TERÇA-FEIRA, 30 DE DEZEMBRO DE 2025
NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA EM BOTUCATU Acompanhe as edições anteriores em: www.diariodacuesta.com.br
1º ANIVERSÁRIO DO PARQUE LINEAR DO LAVAPÉS
No dia 29 de dezembro de 2024 a Prefeitura Municipal de Botucatu entregava à população botucatuense esse importante equipamento público de infraestrutura, lazer e turismo. Além da recuperação das margens e calha do Ribeirão Lavapés, o empreendimento implantou ciclovia, playground, academias ao ar livre, paisagismo e outras melhorias. AVANTE!
RELEMBRANDO - Diário da Cuesta de 02 de janeiro de 2025
PARQUE DO POVO
Foi oficialmente entregue pela Prefeitura Municipal esse importante equipamento público com cerca de 800 metros margeando o Ribeirão Lavapés, desde a região da Cohab 1, passando pelo bairro do Lavapés, percorrendo o centro urbano de Botucatu nas divisas com o Bairro Alto, a Boa Vista e a Vila Jahu. Projeto urbanístico com área verde, quadras esportivas, ciclovia, deck de madeira, alargamento do leito do ribeirão e pista de caminhada. Página 2
2
Diário da Cuesta
Relembrando
Secretaria de Infraestrutura e Habitação entrega Parque Linear do Ribeirão Lavapés nesse domingo
Evento de inauguração teve atrações musicais, competições esportivas e ações para animais de estimação, entre outras atividades No domingo, 29 de dezembro, a Prefeitura de Botucatu, através da Secretaria de Infraestrutura e Habitação, entregou as obras do Parque Linear, às margens do Ribeirão Lavapés. A obra consiste numa solução de drenagem para a região que margeia o Ribeirão Lavapés, com o alteamento de quatro pontes e a revitalização de aproximadamente 800 metros de margem do rio, com a instalação de pista de caminhada e ciclovia, quadra poliesportiva e campo de grama sintética, centro receptivo, pista de skate, academia ao ar livre e playground, decks de madeira sobre o rio, além de paisagismo e espaço para food trucks.
Para a inauguração, a Prefeitura realizou apresentações musicais no Centro Receptivo, competições esportivas nas quadras de basquete, campo de futebol e pista de skate. Também ocorreu a vacinação e microchipagem de cães e gatos ao lado do Parquinho PET. O Parque Linear do Lavapés – o Parque do Povo! - recebeu o nome de “Vereador Oswaldo Moreira Pagani”. Além do Parque, outros equipamentos também receberão nomes como o Centro Receptivo “Charbel Cury Gabriel”, a Pista de Skate “Mauro Cesar Teixeira” e o Campo de Futebol Society “Manoel Batista da Silva”. (Fonte: PMB)
EXPEDIENTE
DIRETOR: Armando Moraes Delmanto
NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA EM BOTUCATU
EDITORAÇÃO E DIAGRAMAÇÃO: Gráfica Diagrama/ Edil Gomes
WEBJORNALISMO DIÁRIO
Contato@diariodacuesta.com.br Tels: 14.99745.6604 - 14. 991929689
O Diário da Cuesta não se responsabiliza por ideias e conceitos emitidos em artigos ou matérias assinadas, que expressem apenas o pensamento dos autores, não representando necessariamente a opinião da direção do jornal. A publicação se reserva o direito, por motivos de espaço e clareza, de resumir cartas, artigos e ensaios.
3
Diário da Cuesta
Lavapés - Meu Rio Primeiro
Quim Marques
A chuva cai forte, pesada, densificando o ar com um som aconchegante, desses que nos fazem enrodilhar-nos no sofá, dentro de casa, bebendo chá ou outra bebida quente, acarinhando a alma. Lá fora, no fundo do quintal, além da cerca, um barulho-turbilhão. O rio Lavapés passa, cheio e rápido, lavando seu leito, fuçando suas margens, suas mágoas, e carregando todo o lixo que lhe foi jogado na estação das secas. Do lado de cá, através da janela, contemplo-o, e sua sarabanda vai revolvendo também o meu rio de memórias. E rápido, em movimento contrário, meus pensamentos-peixes, feito piracema, fuçam meu passado, para a desova de meus sentimentos. Lá, onde as manhãs eram sempre luminosas e o lixo não corria ainda nas veias do homem. Então, me vejo outra vez menino, brincando em suas águas com outros meninos, quando ainda éramos nus e sabíamos andar pelo rio descalços e sem medo, empenhando-nos em descobrir os segredos do seu leito. Nós, crianças, o amávamos e o entendíamos, sempre atentos ao seu sonho de lonjuras e amplidões. Foi quando ganhei essa alma viajante, que busca sempre alcançar, num corredor contínuo e intenso, os mistérios e segredos do mar onde desemboca esse rio primeiro. Ah, meu rio de infância Lavapés! Disseram-me que lhe deram esse nome pela mania que tinha de acolher os peregrinos das estradas, lavando-lhes os pés da poeira e do cansaço, num arremate de conforto para esses viajantes. Hoje, você está doente, cansado, sujo, enfurecido, e ruge, nas cheias, buscando arrancar de seu caminho a ingratidão que lhe jogam pelas margens! A vida é outra. São outros os peregrinos que agora atravessam suas pontes, sentados em seus veículos, vaidosos de suas máquinas e surdos para a música-marulho de sua voz. Naqueles tempos, suas águas eram claras e límpidas. Em seu curso viam-se animais e pássaros saciando a sede. Pelas manhãs, as lavadeiras, descendo tagarelas pelas ruas da cidade, vinham alvejar o tempo. O rio, escutando o rumorejar das conversas, ficava sabendo da vida
entretecida em nossa cidade. Às tardes, vinham os tropeiros encher os corotes de água, para seguir com seus animais o transporte de todos os rebanhos. E você cantava, alegremente, junto com os bem-te-vis, os fogo apagou, as saracuras e os quero-queros. Pelas suas margens nasciam as glórias-da-manhã e os lírios-do-brejo, os hamerocális. Os lambaris e os cascudos dançavam, nos recantos ribeirinhos entre os juncos e as taboas. Época de muito respeito e gratidão. O rio emprestava a todos da cidade a sua força, para mover os moinhos na feitura da farinha para o sagrado pão. Lembro-me do moinho do salgueiro, o do Chicuta, e do som ritmado das correias da roda cantante movida pelas suas águas. Da fumaça da farinha enevoando o moleiro, deixando-o empoado como um ator de comédia popular... Às suas margens aprendi não só a lição de sua generosidade, mas também a de liberdade e determinação. Em seu leito, exercitei-me para a arte, e construí asas para todas as naturezas de voo. Uma pedra grande, como uma ilha plantada em suas águas, era minha casa, meu castelo, minha fortaleza, meu porto e meu barco, de onde me aventurava por rotas e continentes, particulares à minha mágica geografia, transcendendo-me além de todas as fronteiras. E o rio corria... Todos os quintais o visitavam em seu caminho. E caminhando em seu leito, eu visitava todos os quintais, no delicioso risco de apanhar frutos proibidos, coniventes
e dadivosos, que se deixavam apanhar pela infância irreverente. O rio era a própria vida cantante, embalando a vida de nossa cidade. Quando os dias estavam quentes, minha família e outras tantas da vizinhança aproveitávamos o frescor das tardes e sentávamos nos bancos sob as paineiras do antigo Chafariz da Boa Vista. O perfume das flores, misturados aos lilases, rosas e azuis derramados do céu, naquele momento tão solene, de crepúsculo, nos faziam sentir plenos e em paz com o mundo. O rio fazia sonoplastia perfeita para esta cena. Nós, crianças, corríamos pelo gramado brincando de pega-pega. Os adultos faziam a prosa do cotidiano. Depois, cansados de tanto brincar, sentávamos nós, também, e fazíamos colares de flor-de-maravilha para presentear nossas mães. O rio nos permitia um jogo eterno de brincadeiras e atiçava nossa imaginação, permitindo o realizar todos os nossos sonhos. Através dele nos tornávamos aventureiros, piratas, bandeirantes, bandidos e mocinhos de cinema, engenheiros, peixes e animais, reis e povos de países imaginários. Às vezes o percorríamos todo, desde a sua nascente até as proximidades do Lageado. Íamos demarcando pontos geográficos, com a terminologia própria de nossas observações: A Curva do Alemão, o Barranco da Figueira Grande, a Cachoeira da Chácara, A Represa do Moinho, o Barranco do Deslize, o Tanque do Salgueiro. Lugares únicos e mágicos que ficaram para sempre nos caminhos da alma. Com esses pontos inventávamos mapas e tesouros;
simulando lutas e guerras para encontrá-los. Forjávamos aventuras e nos sentíamos heróis. Os tesouros eram latas vazias de bolacha, repletas das sobras de colares e brincos de nossas tias; restos de vidros coloridos quebrados e cristais encontrados no fundo das águas do rio. O tempo passou... A cidade foi crescendo. E o rio Lavapés foi ficando cada vez mais distante da infância. Poucas crianças chegavam às suas margens, proibidas pelos pais, que temiam a contaminação de seus filhos. Ele se tornara depositário de todos os esgotos, de todos as sobras, lixo e entulho... Está doente e pobre. Mal cheiroso. Ameaçado. Falam em enterrá-lo. Querem colocá-lo numa caixa, espremido entre duas vias marginais. É a vontade do progresso, de um progresso distanciado de valores humanos. Por que não construir novos logradouros, construindo a memória, onde as pessoas possam se encontrar nos fins de tarde, deixando um pouco o isolamento em que a televisão as coloca? Então, sentar novamente sob as árvores e ouvir o correr de suas águas despoluídas, a sua música quando passa. Ah, meu rio Lavapés! Meu rio primeiro, meu rio de infância! Quisera tanto vê-lo novamente alegre, forte e saudável! Não morra, rio! Saiba que o amamos. Possa você, Lavapés, lavar ainda os pés, a alma e a memória de todos os que compartilham seu canto, seu rumo, sua beleza. Dá-nos olhos lavados de ver, de novo, sua vida resguardada e plena, a correr livre, agora, pelos caminhos do futuro. Acervo Peabiru
4
Historiando
JOANA ANGÉLICA DE JESUS - MÁRTIR DA INDEPENDÊNCIA DA BAHIA Como sabemos, Salvador (1549), capital da Província, uma das cidades mais importantes do Reino do Brasil/Algarves aderiu a revolução Liberal do Porto, de 1820. Afinal a família real já se encontrava no Brasil desde 1808 e havia interesse de portugueses aqui radicados e brasileiros na libertação do jugo Português; manifestações do Dia do Fico por Dom Pedro I, os movimentos revolucionários portugueses se intensificaram com combates nas ruas, a invasão da Casa das Pólvora, Palma e agressões no Convento da Lapa bem como a ocupação do Forte de São Pedro. A desordem em Salvador só foi encerrada quando em maio de 1823, chegou às costas da Província a esquadra do Almirante Thomas Cochrane (1775-1860), escocês e comandante da recém-criada Marinha Imperial Brasileira para participar do bloqueio marítimo à Salvador, imobilizou o exército comandado pelo Tenente Coronel Inácio Luiz Madeira de Melo (1775-1834) derrotando exército e marinha portuguesa/invasora, no dia 2 de julho de 1823 e esta é a data festiva da
www.diariodacuesta.com.br Roque Roberto Pires de Carvalho email:roquerpcarvalho@gmail.com
inserção da Província baiana na unidade nacional, consolidando-se assim a independência do Brasil em 7 de setembro de 1822 A Bahia não estava sozinha. Valeu-se da ajuda de outros estados do Nordeste. Acima, houve citação da invasão do Mosteiro da Lapa e aqui surge a figura humana, heroica e retratada JOANA ANGÉLICA DE JESUS e quem seria ela para merecer estar no quadro de honra de ser declarada Heroína da Pátria Brasileira, pela Lei federal nº 13.697 de 26/7/2018 ?. Vejamos: Nascida em Salvador em 12 de dezembro de (1761/1822), foi uma religiosa pertencente à Ordem das Reformadas de Nossa Senhora da Conceição e mártir da Independência da Bahia e do Brasil. Segundo afirmava, em vida, o médium Divaldo Pereira Franco, (1927-2025), Joana Angélica seria a última encarnação de seu Espírito mentor, Joana de Ângelis. Era filha de José Tavares de Almeida, Capitão do Exército Português e Catarina Maria da Silva. Tinha 20 anos quando foi aceita, em caráter de exceção para o noviciado no Convento de Nossa Senhora da Conceição da Lapa, em 1782. Permaneceu nesse Convento por 20 anos galgando o cargo de Abadessa até a data de sua morte trágica, em defesa do Convento e das demais Irmãs. A Bahia, como visto e em especial a cidade de Salvador guarda documentos da época relatando que nos “tormentosos dias 19 e 20 de fevereiro de 1822, nenhum, impressionou mais fundo a alma da Bahia do que o selvagem ataque dos soldados contra o indefeso Convento de Nossa Senhora da Conceição da Lapa, onde morreu nobremente atingida por um golpe de baioneta quando resistia à invasão pelas tropas portuguesas”. Joana Angélica de Jesus tornou-se a primeira heroína da Independência do Brasil. Há uma frase atribuída à ela, sem confirmação histórica:“ Para trás, bandidos! Respeitai a casa de Deus! Só entrarão passando por cima do meu cadáver”. Conhecida principalmente pelo ato de bravura ao final de sua vida, Sóror Angélica tem hoje sua imagem reconstruída por historiadores que pontuam sua importância como mártir da fé. A porta do Convento existente até hoje testemunha o fato de sua coragem e de sua breve vida, 61 anos. A Igreja Católica Apostólica Romana só a reconhece como mártir. EXCERTO: Wikipédia e Centro Cultural da Câmara dos Deputados