DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA EM BOTUCATU
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DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA EM BOTUCATU
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Botucatu comemorou o CENTENÁRIO DE FRANCISCO MARINS ocorrido no dia 23 de novembro de 2023. Intelectual de destaque e escritor que marcou gerações, Marins hoje tem uma Escola Municipal no Distrito de Rubião Junior que leva seu nome. Junto a Hernâni Donato, Marins sempre elevou a cultura de Botucatu, prestigiando as entidades culturais da cidade e divulgando a tradição de nossa região com o Ciclo do Café. O sonhado Hospital do Câncer de Botucatu tembém foi uma prioridade na ação social de Francisco Marins. Relembre a atuação de FRANCISCO MARINS nas publicações desta edição.





Olavo Pinheiro Godoy
O próximo dia 23 de novembro, marca a comemoração do centenário de nascimento do escritor botucatuense Francisco Ferrari Marins. Homem do interior, oriundo de Vila da Prata, na época, munícipio de Botucatu, o escritor Francisco Marins cresceu em permanente contato com a sua terra. Hauriu, desde a infância, os eflúvios sadios das matas e das plantações de café. Impregnou-se de força telúrica. Escutou, atento, as “estórias” daqueles lugares, transmitidas pela tradição oral.
Antes de tudo, acima de tudo, Francisco Marins foi um panteísta. A sua trilogia “Clarão na Serra”, “Grotão do Café Amarelo” e “E a Porteira Bateu. . .” é a odisseia dos atrevidos pioneiros que se internaram no sertão bruto, à cata de riquezas e aventuras. Mas também esta história plena de movimento, de ação, de lutas, constitui uma rapsódia, a rapsódia das energias jovens, da mocidade que se levanta para a conquista da vida e do amor .
A terra, na concepção de Francisco Marins , não é uma entidade meramente simbólica, mas sim uma criatura viva, palpitante e pura. Quem lê as obras de Francisco Marins , sente que o autor amou os costumes rústicos, as plantações ondulantes de cafezais, a natureza livre, viçosa, em estado selvagem.
Já no tempo em que era redator da “Folha de Botucatu”, Francisco Marins começou a escrever, neste jornal, uma série de “Contos Sertanejos”, narrativas ainda um pouco ingênuas e algo romanescas, que revelavam, entretanto, um prosador espontâneo, correto e agradável.
Aos seus primeiros estudos críticos, publicados no mesmo órgão, ele forneceu o título de “Pitangas e Gabirobas”, que bem reflete a feição nacionalista de sua alma brasileira.
Francisco Marins apanhou diretamente da realidade as figuras que andam pelos seus livros. Seguiu o processo de Dickens, inspirando-se em sua infância para escrever “David Copperfield”. Aliás, são inúmeros os ficcionistas que insuflaram, desta maneira, sangue e nervos aos seus personagens.
Os tipos criados pelo escritor, foram colhidos da própria vida. O autor confessou-nos que ouviu, da boca do seu pai, muitas histórias que decorrem entre os rios Tietê
EXPEDIENTE
e Paranapanema, na região que começa pelas vertentes da Serra de Botucatu.
Isto, acrescenta-lhe maior valor, pois misturando a ficção com a realidade é possível criar obras impressionantes, duradouras, como fez Dostoievski com as suas “Recordações da Casa dos Mortos”, Raul Pompéia com o “Ateneu” e Lima Barreto com as “Recordações do Escrivão Isaias Caminha”.
A obra desse valoroso escritor patrício, no fundo, é uma obra épica, um largo painel onde se retrata toda a pujança de um povo másculo, tenaz, idealista, corajoso, que sempre achou que as dificuldades nasceram para serem vencidas e não para nos vencerem.

DIRETOR: Armando Moraes Delmanto
EDITORAÇÃO E DIAGRAMAÇÃO: Gráfica Diagrama/ Edil Gomes

O Diário da Cuesta não se responsabiliza por ideias e conceitos emitidos em artigos ou matérias assinadas, que expressem apenas o pensamento dos autores, não representando necessariamente a opinião da direção do jornal. A publicação se reserva o direito, por motivos de espaço e clareza, de resumir cartas, artigos e ensaios.

Faleceu, nesta madrugada, na Misericórdia Botucatuense, o escritor botucatuense FRANCISCO MARINS. Casado com Dona Elvira Bandeira de Mello Marins, deixa filho, netos e bisnetos.
Nascido em Botucatu (Distrito de Pratânia), Francisco Marins formou-se em nossa Escola Normal. Na capital, estudou e se formou pela Faculdade de Direito da USP. Fez carreira na conceituada editora MELHORAMENTOS, onde se projetou como livreiro experiente e inovador. Sempre ligado à literatura desde os bancos escolares, Marins tem obra dedicada à juventude e à saga do café.

(revista PEABIRU nº 31, de março/abril de 2011)

(revista PEABIRU nº 28, de novembro/dezembro de 2009)
Duas vezes presidente da Academia Paulista de Letras, era atualmente seu Presidente Emérito. Na ABL, com Hernâni Donato e Alceu Maynard de Araújo formou o trio de Patronos vivos. Botucatu prestou e reverenciou, sempre, seus escritores. Na posse de Marins, como presidente da APL e de Hernâni como secretário, o “VANGUARDA DE BOTUCATU” registrou o grande acontecimento:

Preocupado com a incidência do câncer que ceifava tantas vítimas, trazendo o luto para as famílias, idealizou o HOSPITAL PREVENTIVO DO CÂNCER DE BOTUCATU, ocasião em que trouxe o Diretor do Hospital do Câncer de Barretos, Henrique Prata para que explanasse sua experiência na implantação do hospital do câncer de Barretos. Foi o início. Ao depois, fomos a Barretos à convite de Henrique Prata e pudemos conhecer a grandiosidade que goza, hoje, de fama mundial, graças à alta tecnologia e à competência com que trata seus pacientes.




Na parte cultural, Francisco Marins promoveu, juntamente com Hernâni Donato, a realização da 1ª Reunião Ordinária da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS, fora da capital, juntamente com a ABL – ACADEMIA BOTUCATUENSE DE LETRAS.

A revista PEABIRU presta suas homenagens ao Dr. Francisco Marins e estende, à toda a sua família, os sentimentos de pesar, na certeza de representar o sentimento de toda a cidade de Botucatu.




Eliane Aparecida Biasetto
Vida e obras de Francisco Marins


histórica. Em vários momentos, as obras se complementam, reforçando a relação entre história, literatura e ensino.

roviário, trazendo modificações expressivas na paisagem de Santana. A historiografia reafirma o que o romance expressa.
Francisco Marins nasceu em 1922 na cidade de Botucatu, Distrito de Pratania, no Estado de São Paulo. Viveu toda a sua juventude em uma propriedade rural, de onde sairia a sua inspiração para relatar nos seus romances as histórias do interior paulista. A sua vasta produção literária também percorre o campo da literatura infanto-juvenil, que igualmente aos romances, busca apresentar a paisagem física e social do interior do Brasil na época do seu desbravamento.
Francisco Marins inicia a publicação da “Saga do Café” em meados dos anos 60, com o lançamento do primeiro romance, Clarão da Serra; em seguida vieram Grotão do café amarelo,... E a porteira bateu! e Atalhos sem fim, este último publicado nos anos 1980. Já relacionando memória, história e literatura, pergunta-se o que levou Marins a produzir a sua última narrativa sobre o “ciclo do café” paulista somente vinte anos após o primeiro volume da série.
Ao analisarmos essa coleção de romances, percebemos que o autor segue uma ordem cronológica em relação aos elementos históricos que moldaram o processo de transformação da paisagem do oeste paulista. No primeiro livro, de 1963, Marins mostra ao leitor, através das brigas por terra entre os personagens protagonistas, José Gomes e Espiridão Correia, como se iniciou o desenvolvimento da cultura cafeeira no oeste paulista e como se deu a ocupação desse espaço. Em meio a esses fenômenos históricos, o autor também faz menção à abolição da escravatura, em 1888, que vai acarretar na vinda de imigrantes para o país e as consequências políticas, econômicas e sociais do período regencial do Brasil. O trabalho de Lucia Luppi Oliveira (2001) “O Brasil dos imigrantes”, nos ajuda a ter uma visão histórica da situação do Brasil após a abolição. Quando relacionado o estudo dela com a de Francisco Marins, percebemos o quanto o nosso literário buscou fazer do seu romance uma fonte
No caso brasileiro, durante o século XIX, a entrada de imigrantes aconteceu voltada para dois focos: a pequena propriedade agrícola principalmente nos estados do Sul, e as fazendas de café no Oeste paulista, onde eram empregados como mão-de-obra.
No segundo livro, de 1964, o autor mostra as primeiras consequências que a produção do café na região estava proporcionando à fictícia vila de Santana e ao país. Santana começa a urbanizar-se lentamente, com a construção de mais casas e comércios, pois a vila tinha que apresentar estrutura para poder comercializar o produto que se tornara a base da economia brasileira. As principais discussões nesse período permeavam o fim da escravidão no país, a consolidação da República, o auge da economia cafeeira e a ampliação da rede ferroviária. Marins procura inserir os seus personagens nas discussões políticas, sociais e econômicas do período, como também expressa em números à produção do café da época. É dessa forma que nos deparamos com políticos, jornalistas, revolucionários e outros que se preocupavam com o futuro da nação.

A última obra da coleção, de 2004, aborda o impacto da decadência do café no Brasil e o aparecimento de outros recursos econômicos. O autor vai esboçando as alterações que as crises políticas e sociais acarretaram no país, dando origem à Revolução de 1924. Neste livro, o escritor também faz menção ao papel político e social do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP), onde podemos perceber que o autor indiretamente fala da sua própria produção. Antonio Celso Ferreira, na sua obra “A epopéia bandeirante”, nos ajuda a entender o contexto literário em que Francisco Marins escreve. Ferreira, ao contar a história da formação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e em seguida a formação do IHGSP, nos proporciona um olhar sobre quem eram os letrados paulistas e suas produções. Percebemos que as produções literárias do IHGBSP tinham como objetivo retratar as histórias do interior paulista, seu regionalismo, os tropeiros, os bandeirantes. É clara a busca desses letrados por uma identidade regional e nacional
No terceiro livro da coleção, de 1968, temos uma alusão maior da construção da rede ferroviária no interior de São Paulo, percebemos que sua constituição estava atrelada à expansão cafeeira, assim como à definição de suas rotas. A linha ferroviária apresentou grandes dificuldades para a permanência dos índios nas suas regiões de origem, pois muitas matas foram devastadas para que as redes ferroviárias fossem construídas. Isso provocou constantes conflitos entre as tribos indígenas e os operários que trabalhavam na construção. Marins nos mostra o quanto que a população do interior paulista aumentou significativamente após a instalação do transporte fer-
As obras de Francisco Marins possibilitam que o leitor navegue tanto nas águas da literatura quanto nas águas da história. O seu objetivo é transformar o espaço e o tempo das personagens em elementos verdadeiros, por isso o uso de fontes históricas que permitem que o leitor tenha conhecimento da vida e dos costumes daqueles que colonizaram o oeste paulista. Este contato com a realidade da história muitas vezes proporciona ao leitor se reconhecer no tempo, no espaço ou até mesmo na personalidade de alguns personagens, pois o processo de colonização que o autor aborda é semelhante daquele que aconteceu em várias partes do Brasil.