ed1565

Page 1


Diário da Cuesta

NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE

Acompanhe as edições anteriores em: www.diariodacuesta.com.br

O escritor modernista

Manoel de Barros

(19/12/1916 – 13/11/2014)

Manoel de Barros foi um escritor modernista brasileiro pertencente à terceira geração modernista, chamada de “Geração de 45”. É considerado um dos maiores poetas brasileiros, o qual foi agraciado com diversos prêmios literários. Destaca-se o “Prêmio Jabuti” que recebeu duas vezes com as obras: O guardador de águas (1989) e O fazedor de amanhecer (2002). Chegou a morar em outros países: Bolívia, Peru e Nova York. Nos Estados Unidos, fez um curso de artes plásticas e de cinema. Viveu um ano por lá e ao retornar conheceu sua futura esposa, Stella. Casaram-se em 1947 e com ela teve três filhos: Pedro, João e Marta. Manoel de Barros faleceu em Campo Grande.

FEIRA DE SAÚDE NA PRAÇA DO BOSQUE

A Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB/Unesp), em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde, realizará no dia 15 de novembro, às 9h, a XIII Feira de Saúde. O evento, gratuito e aberto a toda a população, acontecerá na Praça Emílio Pedutti (Praça do Bosque). A iniciativa busca fortalecer o vínculo entre a universidade e a comunidade, promovendo ações voltadas à conscientização sobre temas de saúde, prevenção de doenças e incentivo ao autocuidado.

Durante toda a manhã, alunos e professores da FMB estarão no local conduzindo diversas atividades, entre elas aferição de glicemia e pressão arterial, teste do reflexo vermelho, avaliações de saúde mental, entre outras ações educativas e preventivas.

A Feira de Saúde é uma iniciativa de extensão universitária que busca estimular o aprendizado coletivo e a promoção da qualidade de vida, reforçando o papel social da universidade no cuidado com a população. ( Acontece Botucatu)

Exposição “Legado Vivo – Narrativas do Porvir” chega à Pinacoteca Fórum

das Artes em Botucatu

De 20 de novembro de 2025 a 1º de fevereiro de 2026, a Pinacoteca Fórum das Artes, em Botucatu, será palco da exposição “Legado Vivo – Narrativas do Porvir”, uma celebração à herança afrodescendente e à potência criativa que atravessa gerações. A mostra reúne 26 artistas brasileiros e portugueses – entre escultores, ceramistas, pintores, artistas têxteis, ilustradores e um escritor – que exploram, a partir de diferentes linguagens, a ancestralidade como força transformadora do presente e semeadora de futuros possíveis. Página 5

e d i t o r i a l

É emblemático� Isso mesmo. Certas datas, certas fotos, certos fatos, certas palavras, certas tarefas, certas oportunidades são tão representativas em nossa vida que assumem proporções mágicas...

É assim o que está acontecendo com a comemoração do 5º aniversário do DIÁRIO DA CUESTA. É uma realização

É Emblemático!

profissional e pessoal...

Eu não imaginava ter - por obra e graça Dele ! - uma oportunidade tão grande e tão satisfatória em minha vida. Com humildade e respeito a Ele, o meu mais sincero e fraternal agradecimento!

Muitas descobertas, desafios vencidos, amigos novos, colaboradores motivados e criativos...

Tudo é entusiasmante e gratificante.

JORNALISMO MODERNO

O meu obrigado a todos que confiaram em nossa proposta de dar um DIÁRIO ONLINE, POCKET e MODERNO a BOTUCATU. O DIÁRIO DA CUESTA quer ser, no webjornalismo, a VOZ FORTE de BOTUCATU na busca de suas conquistas. Quer ser o RETRATO DE BOTUCATU, o seu PERFIL CIDADÃO!

AVANTE!

A Direção.

Diário da Cuesta

O “DIÁRIO DA CUESTA” apresenta algumas de suas principais capas que trouxeram uma nova maneira de abordar a notícia. Quem disse que jornalismo é estático? Se existe um segmento que deva ser inovador, ousado, moderno sem nunca perder a seriedade, esse segmento é o da comunicação. Quer seja imprensa impressa, falada ou televisada, aí se encontra o vetor propício às mudanças em qualquer sociedade. Esse o papel que o “Diário da Cuesta” tem procurado exercer na comunidade botucatuense. Fazer um jornalismo moderno sem deixar as raízes históricas do município; pautar temas substanciosos em linguagem acessível e com diagramação agradável, enfim, fazer a sua parte na construção da cidadania municipal. Conseguimos? Acreditamos que sim? Caminhamos com determinação buscando alcançar a luz das estrelas...sem nunca tirarmos os pés do chão... Caminhamos na certeza de que na própria caminhada já estaríamos construindo a parte que nos era devida no jornalismo cidadão.

A Direção.

EXPEDIENTE

DIRETOR: Armando Moraes Delmanto

EDITORAÇÃO E DIAGRAMAÇÃO: Gráfica Diagrama/ Edil Gomes Contato@diariodacuesta com br Tels: 14.99745.6604 - 14. 991929689

O Diário da Cuesta não se responsabiliza por ideias e conceitos emitidos em artigos ou matérias assinadas, que expressem apenas o pensamento dos autores, não representando necessariamente a opinião da direção do jornal. A publicação se reserva o direito, por motivos de espaço e clareza, de resumir cartas, artigos e ensaios.

ARTIGO

Manoel de Barros

“Na ponta do meu lápis tem apenas nascimento”

“Tenho o privilégio de não saber quase tudo E isso explica O resto”.

“Menino do Mato” na II parte “ Caderno do Aprendiz “

São Paulo Editora LeYa 2010

“Os bens do poeta : um fazedor de inutensílios, um travador do amanhecer, uma teologia do traste, uma folha de assobiar, um alicate cremoso, uma escória de brilhante, um parafuso de veludo e um lado primaveril.”

XII “Sábia com trevas “ Livro “Arranjos para assobio -1980

Manoel Wenceslau Leite de Barros ( 1916 - 2014)

Nascido em Cuiabá no Estado do Mato Grosso. Ontem completaria 105 anos de vida.

Escreveu para nós brasileiros, céus poéticos, rios eivados de brumas de palavras.

Teceu nuvens em formatos de bichos etéreos. Encantou nossas mentes com estórias de palavras contraditórias mas com tanto sentido. Só nos resta agradecer por tantos mundos fundados em páginas de livros.

Gratidão Manoel lá do Mato Grosso, hoje tem parabéns lá nos mundão de meu Deus, cantado e tocado pelos anjos! Não sei muito da sua vida mas um pouco do seu mundo planetário.

Seu jeito meio tímido e roceiro, o riso aberto do seu coração brasileiro.

Salve Manoel de Cuiabá, Deus o tenha em boa companhia de todos os menestréis tecedores das tramas das palavras contidas em versos de outrora e tão atuais.

Deixou registrada em prosa e verso sua alma alva e lindinha para nos ajudar a voar no papagaio dos sonhos. Assobiar com as folhas como crianças levadas.

Salve Manoel do sorriso contido, olhos cerrados mas abertos para o rico interior do seu mundo!

Salve!

Três Mentiras Verdadeiras

Sábado.

Dia de verão, ensolarado, muito quente, estafante.

O silêncio da mata é quebrado pelo murmurinho das águas do rio em corredeira. Logo acima, troncos de árvores abatidas pelo vento, mergulhados, represam o rio formando um remanso - um poço.

À margem e à sombra das árvores do mato, sobre bancos de areia límpida, nos instalamos para pescar lambaris, piavas, mandiuvas, etc. A água turva e o rio pré-anunciavam boa pescaria.

Não foi fácil chegar a esse lugar. A trilha dos pescadores, outrora bem batida, apresentava um verdadeiro emaranhado de enroscos: ramagens recém brotadas, galhos de agarra-compadre, cipós pendentes, ofereciam obstáculos à nossa passagem em diversos lugares. As pontas das varas, a mochila, o chapéu e até nossa camisa, nos espinhos se prendiam. Além disso, as fortes chuvas caídas em fevereiro, acumularam no meio do mato, águas estagnadas em buracos, verdadeiros criadouros de pernilongos. Certamente ao entardecer, iríamos sentir na pele a presença deles.

Pescar onde? Na corredeira? No poço?

Depois de bater vara aqui e ali resolvemos cevar o poço com quirera de milho, pão amanhecido e esfarelado. Logo, alguns lambaris foram fisgados tanto na corredeira como no poço, onde meu filho esperava pelas piavas.

O tempo mudou. Trovões rolavam no horizonte ao longe. O céu escureceu indicando chuva iminente. Mas, não choveu. O céu silenciou. O vento também não apareceu. Que mormaço!

Os peixes começaram a pular fora d’água. Ficaram alvoroçados. Seguidamente eram fisgados. A ceva valeu. Estavam comendo.

Num dado momento, um puxão forte. A vara vergou bastante. Parecia um peixe grande.

Que surpresa! Um belo tambiú ( lambari do rabo amarelo) bem grande preso pela metade do corpo. Mostrei a meu filho. Precisava de uma testemunha ocular. O anzol se enroscou na linha formando um laço que apertou a barriga e a nadadeira dorsal do peixe. Saiu fora d’água na horizontal como se estivesse nadando no ar.

Mais tarde, chegaram dois

rapazes na margem oposta do rio, à nossa frente. Foram benvindos. Sempre há lugar para mais um, desde que se faça mudo e guarde silêncio.

Como de costume, quando conversava com meus botões, ao lançar o anzol iscado no rio, fui surpreendido por um vulto negro que cruzou o espaço a minha frente; atingido, raspou-se no anzol, esticou energicamente a linha, perdeu penas e quase cai n’água. Graças a velocidade com que vinha e perícia, a ave, talvez algum anu-preto, alçou vôo novamente e foi embora!

Ora que coisa inacreditável! Acabara de fisgar um pássaro e na presença de alguns pescadores

Continuei a pescar com vara telescópica de nailon e linha bem comprida para pegar os peixes na corredeira. Por várias vezes, saí de um enrosco no meio do rio até que o anzol se prendeu muito bem, talvez num galho mais resistente mergulhado n’água. Tentei alcançar a linha e puxar para abrir o anzol. Não conseguindo isso forcejei pelo cabo da vara. Nesse instante, a ponta da vara saltou para dentro do rio.

Como poderia ter acontecido com um material importado? Um presente de minha filha e que muito estimava. Chorei reclamações.

Mas o que fazer? Eu sabia que a ponta da vara estava presa à linha, esticada pela correnteza, perdida.

Desisti de recuperar. Agora tinha uma vara incompleta e inútil.

Usei outra e voltei a pescar. Após algumas lançadas de anzol na água, acidentalmente pesquei uma linha, e nela ainda se achava presa a ponta de minha vara de nailon. Que sorte! Jamais pensei que isso poderia acontecer. E tudo aos olhos de meus companheiros. A pescaria foi ótima. Pegamos muitos peixes. Mais de 50, em média, cada um.

A tarde agonizava depressa e um chuvisco transmudara-se em grossos pingos, em chuva forte, que nos acompanhou até chegarmos ao automóvel, todos molhados.

Rapidamente partimos deixando para trás o Rio Alambari na Fazenda do senhor Mané Teixeira.

José Antônio SartoriAcervo Peabiru

Exposição “Legado Vivo – Narrativas do Porvir” chega à Pinacoteca Fórum das Artes em Botucatu

Mostra celebra a força da ancestralidade afrodescendente e traz obras de 26 artistas brasileiros e portugueses sob curadoria de Adriana Scartaris e mentoria de Chris Acyoli

De 20 de novembro de 2025 a 1º de fevereiro de 2026, a Pinacoteca Fórum das Artes, em Botucatu, será palco da exposição “Legado Vivo – Narrativas do Porvir”, uma celebração à herança afrodescendente e à potência criativa que atravessa gerações. A mostra reúne 26 artistas brasileiros e portugueses – entre escultores, ceramistas, pintores, artistas têxteis, ilustradores e um escritor – que exploram, a partir de diferentes linguagens, a ancestralidade como força transformadora do presente e semeadora de futuros possíveis

Uma experiência imersiva em arte, memória e futuro

Com curadoria da artista e designer Adriana Scartaris e mentoria do psicólogo e escultor Chris Acyoli, a mostra propõe uma experiência sensorial em três dimensões: o passado como inspiração, o presente como campo de transformação e o futuro como território de possibilidades. O público será convidado a percorrer um caminho de reflexão sobre identidade, pertencimento e reconstrução simbólica da herança preta

Segundo Adriana Scartaris, fundadora do Clube de Artistas e referência na integração entre arte, design e pensamento contemporâneo, a exposição é também um gesto de continuidade. “Em Legado Vivo, a curadoria nasceu como um gesto de travessia, criando um caminho que uniu tempos, linguagens e vozes diferentes, onde cada artista se tornou um elo vivo entre o que fomos e o que ainda podemos ser. O meu papel como curadora foi sustentar esse fio para que essas vozes seguissem ecoando múltiplas, potentes e absolutamente livres. Tudo foi conduzido pelo afeto como ferramenta curatorial, política, estética e espiritual. É ele, o afeto, que dá sentido à palavra vivo e faz deste projeto um território de movimento e permanência”, enfatiza

A mentoria de Chris Acyoli: fé, identidade e resistência

Mentor da exposição, o artista Chris Acyoli é reconhecido por uma produção marcada pela espiritualidade e pela reflexão social. Psicólogo de formação e escultor por vocação, ele atua como articulador de diálogos e referência intelectual para o coletivo de artistas que integra o projeto. Em “Legado Vivo”, Acyoli apresenta as obras “Es-cravos” e “Do Sangue Deste Justo”, nas quais propõe uma profunda reflexão sobre memória e consciência social, transformando a dor ancestral em potência estética e espiritual

“O que mais me move como mentor deste projeto é ver uma diversidade de artistas compreendendo que o legado não é o passado. Na verdade, é o que fazemos agora, com consciência e propósito. O legado vivo é a prova de que o nosso povo sempre transformou dor em criação”, enfatiza.

Acyoli conduz o elenco de artistas a um exercício de escuta ativa e empatia, estimulando o reconhecimento da herança afro-brasileira como força estruturante da cultura contemporânea.

Destaques e interações com o público

Além das obras expostas, o evento contará com ações inte-

rativas, como grandes quebra-cabeças que reproduzem telas da mostra, voltados especialmente ao público infantojuvenil. Entre os destaques está a performance do artista urbano Hope, que pintará ao vivo um painel de 21 m² intitulado “Nunca Desista dos Teus Sonhos”, um diálogo simbólico entre a arte de rua e o espaço museológico

Uma homenagem à arte que transforma

“Legado Vivo – Narrativas do Porvir” reforça a arte como guardiã da memória e catalisadora de futuros. Em cada obra, a mostra celebra a resistência, a espiritualidade e a beleza das histórias que moldaram – e continuam moldando – o imaginário coletivo. O projeto reafirma o papel da arte como um legado em movimento, vivo e transformador, que transcende o tempo e inspira novas formas de ver e existir no mundo.

Artistas participantes e estrutura curatorial

Ao todo, 26 artistas brasileiros e portugueses integram “Legado Vivo – Narrativas do Porvir”, entre escultores, pintores, ceramistas, artistas têxteis, ilustradores e um escritor.

O conjunto apresenta olhares diversos sobre a ancestralidade e o porvir, distribuídos em três eixos curatoriais – Raízes e Memórias, Transformações Cotidianas e Horizontes Imaginados – que se entrelaçam em uma narrativa única sobre o legado afrodescendente como força viva, coletiva e transformadora.

Artistas

Adriana Gambarinni . Adriana Scartaris . Ana de Andrade . André Barretto . Andy Hope . Angela Canabrava B . Carla Fatio . Carlos Evangelista . Chris Acyoli . Clau Gimmenez . Cristtina . Dudi Neri . Iolanda Teixeira . Jayme Guerra . Juné Ferreira . Licia Vallim Monica Batitucci . Olinda Mota . René Agostinho . Sandra Becker Tania Martins . Thony Guedes . Virgilio Mota . Vitória Barros Wanderley Barranco . Yara Delafiori

Serviço

Exposição: Legado Vivo – Narrativas do Porvir

Artista mentor: Chris Acyoli

Curadoria: Adriana Scartaris

Projeto: Clube de Artistas

Local: Pinacoteca Fórum das Artes – Piso Pina, Sala 02

Rua: General Telles, 1040 – Centro, Botucatu – SP

Período de visitação: de 20 de novembro de 2025 a 1º de fevereiro de 2026

Horários: quarta a sexta, das 8h30 às 17h; sábados e domingos, das 11h às 17h

Entrada gratuita

Por – Leandro Rocha/Tribuna de Botucatu)

Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Issuu converts static files into: digital portfolios, online yearbooks, online catalogs, digital photo albums and more. Sign up and create your flipbook.