Diário da Cuesta NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA EM BOTUCATU
ano I Nº 14
QUARTA-FEIRA 25 de novembro de 2020
HC/MEDICINA BOTUCATU tem o 3º melhor desempenho do Estado O Hospital das Clínicas (HC) de Botucatu ocupa o terceiro lugar em um ranking divulgado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) que leva em conta a quantidade de procedimentos realizados em 193 hospitais públicos paulistas - estaduais e municipais - no primeiro semestre de 2019. Segundo o levantamento, que está disponível no Painel da Saúde ferramenta desenvolvida pela Corte para mostrar um panorama da assistência hospitalar pública prestada aos cidadãos, nos seis primeiros meses do ano passado, o HC totalizou 1,9 milhão de procedimentos, entre consultas, tratamentos, cirurgias, exames e atendimentos ambulatoriais. O hospital universitário de Botucatu só ficou atrás do Hospital das Clínicas (HC) da FMUSP, na Capital, que lidera o ranking com 4,3 milhões de atendimentos, o que representa 7,5% do total do Estado, e do Hospital das Clínicas (HC) da Unicamp, em Campi-
nas, que ficou na segunda colocação no Estado com pouco mais de 2 milhões de procedimentos. O HC de Botucatu também está entre os hospitais públicos com o maior número de internações no primeiro semestre de 2019, ocupando o quarto lugar no Estado. De acordo com o TCE, 13.986 pacientes ficaram internados na unidade neste período. Com 481 leitos, o HC também está entre os seis hospitais com o maior número de vagas no Estado. O superintendente do HC de Botucatu, André Luís Balbi, ressalta que o hospital busca sempre aprimorar seus princípios e valores. “A cada atendimento, o hospital prioriza o foco no paciente, o respeito pela sua dignidade e a promoção das boas práticas profissionais. Todas essas ações são
realizadas para a melhoria contínua da qualidade do nosso atendimento”, diz. NO ESTADO - Em todo o Estado de São Paulo, segundo o TCE, mais de 57 milhões de procedimentos - entre consultas, tratamentos, cirurgias, exames e atendimentos ambulatoriais - foram realizados nos 193 hospitais públicos, estaduais e municipais, no primeiro semestre de 2019. A amostra representa 31.115 leitos existentes e
uma rede de atendimento que conta com um corpo de 28.179 médicos cadastrados no sistema. O levantamento foi extraído a partir das bases de dados e informações colhidas junto ao Ministério da Saúde e às pastas estaduais da Saúde e Fazenda e abrange 193 hospitais administrados diretamente pelo Estado e/ou municípios. Não estão incluídos no Painel da Saúde os hospitais de entidades sem fins lucrativos ou filantrópicas, como as Santas Casas. Do total, 102 hospitais (52,85%) estão sob gestão municipal e 91 sob a responsabilidade do Estado (47,15%). Destes, 59 são considerados de pequeno porte (até 50 leitos); 68 de nível médio (51 a 150 leitos); 63 de nível grande (de 151 a 500 leitos) e 3 de porte especial (acima de 500 leitos). 53 unidades ficam na Capital e 140 em 95 cidades. (HC/ Divulgação)
Mais de 5 mil candidatos não recebem nem um voto sequer Em Avaré, segundo rumores, um partido estaria com intenção de denunciar possíveis candidaturas laranja à Justiça Eleitoral Mais de 5 mil candidatos não receberam nem um voto sequer nas eleições municipais de 2020, segundo levantamento com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Desse total, 65% são mulheres. Isso aconteceu apesar de as candidaturas femininas representarem apenas 33% do total de candidatos. Especialistas afirmam que não ter nem o próprio voto é um indício de ‘candidatura laranja’, aquela feita apenas para cumprir o mínimo obrigatório por lei. Caso seja comprovada, a fraude na cota de gênero pode levar à cas-
sação de toda a chapa, segundo o TSE. EM AVARÉ - Segundo rumores, um partido estaria com intenção de denunciar possíveis candidaturas laranja à Justiça Eleitoral, já que pelo menos dois candidatos de uma determinada legenda tiveram votações suspeitas. Um teria recebido apenas um voto e o outro, nenhum. Até a tarde de quinta-feira (19), nenhuma denuncia oficial havia sido registrada no Ministério Público Eleitoral. Segundo o jurista e ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Henrique Neves, o fato de não ter recebido voto não configura irregularidade, mas a grande proporção de mulheres é um indício. “O normal seria seguir a mesma proporção do registro de can-
didaturas. Se 1% teve problema, é normal que 70% sejam homens e 30%, mulheres. Se é o inverso, isso é um indício (de que há algo errado).” Os partidos começaram a aumentar o número de candidaturas de mulheres após a minirreforma eleitoral de 2009. A emenda tornou obrigatória a cota de, no mínimo, 30% para candidaturas de mulheres em eleições proporcionais (como a de vereador). Antes disso, uma lei previa a reserva de 30% das vagas para as
mulheres, mas os partidos deixavam essas vagas vazias. A COMARCA DE AVARÉ/ Da Redação com Assessoria
EVENTO NO PARQUE TECNOLÓGICO DE BOTUCATU
O Parque Tecnológico Botucatu promoverá de 8 a 10 de dezembro a 4ª Rodada de Empreendedorismo e Inovação 2020. Por conta das restrições sanitárias que estamos passando, esta quarta edição será totalmente online e gratuita. As consequências econômicas e sociais provocadas mundialmente pela pandemia nortearão os temas que serão discutidos no evento, com a participação de autoridades governa-
mentais, entidades que representam empresas e instituições envolvidas com tecnologia, empreendedorismo e inovação. A ideia é provocar debates
em torno dos desafios, oportunidades e expectativas geradas a partir do momento adverso que estamos vivendo. O evento ainda marcará o encerramento do programa Desafio Empreenda Botucatu / Escola de Inovadores 2020. Também irá contar com exposição de banner de trabalhos técnicos científicos e estandes virtuais voltados a empresas e instituições locais e regionais que queiram apresentar seus produtos ou serviços.
As inscrições de trabalhos em banners ocorrerão de 16 a 25 de novembro, e a solicitação de estandes de 23 de novembro a 7 de dezembro. Já as inscrições para acompanhar a 4ª Rodada de Empreendedorismo e Inovação acontecerão de 30 de novembro a 10 de dezembro. Editais e link de inscrições poderão ser acessados pelo site: parquebtu.org.br. (ACONTECE BOTUCATU)
Prestigie o Comércio de Botucatu
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artigo NOSSA CUESTA Moacir Bernardo A expressão “serra”, bastante utilizada no Brasil, é uma espécie de muralha, com montanhas que apresentam vários picos ou anfractuosidades. Falando de morros mais simples, pode-se dizer que uma “serra” verdadeira implicaria em uma subida íngreme, de um dos lados do relevo, compensada por outra descida íngreme do outro lado. Aqui em nossa região, entretanto, temos uma formação por muito tempo chamada de “serra” que não corresponde à realidade. Em tempos modernos, esclarecido geólogo de renome internacional e grande pensador, o francês Emmanuel De Martonne, ao examinar o solo de nossa região e a formação “sui generis” chegou à conclusão de não tratar-se de uma Serra, mas sim de uma Cuesta, terreno que eleva abruptamente de uma planície, formando a seguir extenso planalto. Na Cuesta, a subida íngreme existe em um dos lados ; o lado contrário (chamado reverso) corresponde a uma descida suave e normalmente longa, o que é o típico caso do relevo de nossa região. Quem vem de São Paulo pela rodovia Castelo Branco ou pela rodovia Marechal Rondon, na altura do município de Bofete, já tem uma visão da nossa magnífica Cuesta passando de altitudes de 300 metros para mais de 700. Se continuar a viagem, caminhando para oeste, o viajante vai encontrar uma descida suave, que só vai se completar a mais de 500 quilômetros, já nas alturas da calha do rio Paraná. É todo esse conjunto que compõe a “Cuesta”. Essa denominação aparentemente estranha, devemos ao geógrafo francês já citado que na defesa de sua tese de doutorado junto a uma Universidade Francesa, esta forma de relevo no Nordeste da Espanha, que é uma subida íngreme, voltada para o litoral, essa sugerida visão da costa litorânea foi denominada de “Cuesta”. Essa denominação passou a ser oficializada para designar essa forma característica de relevo. Esse mesmo geógrafo francês, fez parte do grupo de professores responsáveis pela implantação do curso de Geografia na Universidade de São Paulo. No final da década de 1930, De Martonne realizou algumas viagens pela nossa região, em busca de elementos para sua tese no Brasil, e para subsídios sobre seu trabalho de reserva intitulado “Brasil Tropical Atlântico e sua Geomorfologia”. Ao penetrar em nossa região, viajando de trem, utilizando a então Estrada de Ferro Sorocabana, verificou que a partir de Botucatu, se delineava o mesmo tipo de relevo que houvera estudado na Espanha. Chamou a essa unidade de relevo de “Cuesta de Botucatu”.
Diário da Cuesta No entanto, além do geógrafo De Martonne ter posto em destaque a região de Botucatu, a imponência desta forma de relevo na nossa região justifica plenamente que este nome seja utilizado para todo o setor ocupado por esta unidade de relevo. O trabalho de De Martonne foi publicado na “Revista Brasileira de Geografia”, do IBGE em 1943 e a unidade de relevo desta área do Estado de São Paulo foi efetivamente chamada de “Cuesta de Botucatu”. Além dessa formação geográfica da nossa região, e da estudada de Emmanuel De Martonne no Nordeste da Espanha, temos áreas de relevo de “Cuestas” na África do Sul, no Canadá e na Austrália. A de Botucatu, entretanto, ressalta algumas particularidades que a tornam absolutamente especial, como veremos a seguir. 1 – A muralha de cerca de 300 metros que separa o planalto da Baixada ostenta um panorama de inegável beleza, capaz de atrair o passageiro ou visitante que a transpõem, pois do seu topo descortina-se uma ampla área cortada por rios e ponteada por cidades e áreas rurais de rara beleza. 2 – A linha de separação entre o topo da Cuesta e a baixada estende-se por mais de 80 Km, constituindo-se, por isso mesmo, na mais extensa área de contato entre o topo e o “front” da Cuesta em todo o mundo. 3 – Recoberta originalmente por uma vegetação de mata natural, em parte ainda preservada, pela pequena presença humana nas áreas mais íngremes, a “Cuesta de Botucatu” apresenta uma riqueza inigualável, mesmo porque a diversidade da flora das matas tropicais é uma realidade presente no ambiente do “front” da “Cuesta de Botucatu” que no entanto, não é registrado em nenhuma das formações de cuestas em qualquer local do mundo. Finalmente é importante lembrar que embora a “Cuesta de Botucatu” corresponda a todo um território que se inicia nos limites do nosso município e se estende até o extremo oeste do Estado de São Paulo, continuando em situação invertida mesmo no Estado de Mato Grosso do Sul. A importância estratégica de área frontal é tão grande que o nome “Cuesta de Botucatu” prevalece na literatura especializada para designar esta formação geográfica. É, portanto, indiscutivelmente um patrimônio natural de grande valia para nosso município. Esta crônica é um trabalho retirado de estudos realizados pelos renomados professores botucatuense: João Queiroz Marques, Gastão Dal Farra, Julierme de Abreu Castro e Álvaro José de Souza. A eles que já não se encontram entre nós, rendo minhas homenagens. Moacir Bernardo - Presidente do Centro Cultural de Botucatu
EXPEDIENTE NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA EM BOTUCATU
Novos Hospitais
Hospital Estadual de Botucatu/HCFMB Inaugurado em abril de 2014. Faz parte do Complexo Hospitalar do HC da FMB. Hospital de pequeno porte, realizando cirurgias eletivas de pequena e média complexidade. Tem área de 23.500m2 , com 80 leitos e 4 salas de cirurgias. Hospital da UNIMED - Segunda Unidade Hospitalar da UNIMED/BOTUCATU. Inaugurado em 21/03/2020, com 11.000m2 , 7 pavimentos, 70 leitos de internação + 10 leitos de UTI, com o mais completo Centro de Diagnóstico por Imagens do interior do Estado de São Paulo.
WEBJORNALISMO DIÁRIO DIRETOR: Armando Moraes Delmanto
EDITORAÇÃO E DIAGRAMAÇÃO: Gráfica Diagrama/ Edil Gomes Contato@diariodacuesta.com.br Tels: 14.99745.6604 - 14. 991929689 O Diário da Cuesta não se responsabiliza por ideias e conceitos emitidos em artigos ou matérias assinadas, que expressem apenas o pensamento dos autores, não representando necessariamente a opinião da direção do jornal. A publicação se reserva o direito, por motivos de espaço e clareza, de resumir cartas, artigos e ensaios.
Diário da Cuesta
O CABRITO ITINERANTE
Mário Costa Novo Todos os botucatuenses, “vilenses”, principalmente, que como nós são jovens há mais tempo, recordam-se com saudade do aconchegante Bar do Urbas, ou Bar do Bôrtolo, como era mais conhecido, situado na Rua Major Matheus, bem em frente à entrada principal das indústrias Lunardi. O seu proprietário, o austríaco Bartholomeu Urbas, já madurão nos idos dos anos trinta, era casado com sua patrícia, dona Maria, com quem teve os filhos José, Maria, Antoninha e Alberto e, com exceção de Antoninha, todos de saudosa memória. O Bartôlo – homem alegre, brincalhão e educado, era querido e admirado por todos – transforma-se em ponto de encontro das pessoas VIPS e não VIPS da “vila”. Misto de bar e restaurante, muitos, como o pessoal itinerante dos trens de passageiros que vinham de São Paulo, faziam ali suas refeições dada a fama de excelente cozinheira de dona Maria Urbas. O Bar do Urbas contava também com uma bem cuidada cancha de bochas, uma mesa de bilhar, saleta para jogos, sala de refeições e o principal, o cuidado, a higiene e o carinho com que eram atendidos todos os seus frequentadores. Naquele tempo, em que a
colônia italiana dava cartas e jogava de mão, todas as tardes ali se reuniam para o jogo de bisca, truco, trêssete e patronesoto e outros jogos trazidos da velha pátria, a fina flor dos vilenses. Ali, como dissemos, ombreavam-se nobres e plebeus na maior camaradagem possível. Viam-se então os irmãos Cavaglieri, Virgínio Lunardi, dono de uma finura que encantava, Mansueto Lunardi, seu sócio, com seu eterno charuto toscano no canto da boca, o poderoso comerciante Matheus Giacóia, chefe do clã composto por homens e mulheres de uma ombridade ímpar, o sério e eficiente marceneiro Basílio Robega – sogro do Dito Almeida – com seus filhos também profissionais de marcenaria, Antonio (Casca) e o Picale (ruim de bola como ele só), o Signore Angelo Milanesi, o Maitã, o Pacharon, os maquinistas da Sorocabana Alfredo Bueno, João Marçal...e o Titon que com sua “oito baixos” alegrava o ambiente. Enfim, a gente era feliz e não sabia... Nós, como amigo da família e colega de diversões do Albertinho Urbas, que nos deixou muito cedo, vivíamos naquele mundo de gente decente, boa, alegre e sem maldade. Certa vez, nos recordamos, o Cav. Virgínio Lunardi, jogava uma partida de truco, tendocomo parceiro o Maitã. Distraidamente, o Maitã fez uma jogada errada e a dupla perdeu a partida. O “signore” Virgínio Lunardi olhou para o parceiro e disse: “Ma tu sei uno farabuto, achifosso”. E o Maitã vermelho como um pimentão maduro levantou-se e disse: “Pera ai cavalieri. Não é porque o senhor é rico que pode me xingar só porque eu errei uma jogada”. - “Tuto bene, Maitan, tuto bene. Calma qui siamo nel braccilei. E joga, vá!” Era assim que as
O GIGANTE DEITADO (ilustração de Vinício Aloise ao pé do Gigante, as Três Pedras)
rugas terminavam. Certa vez, não estamos certos que tenha sido o “signore De Sancti”, entrou no grupo de amigos e foi logo dizendo: “Má ganhei um cabrito, que vô conta pra vocês, vai vale a pena questa festa defim de ano”. Dias depois, a mesma pessoa chega na mesma roda de amigos, bufando de raiva, dizendo que o cabrito dele havia sido roubado: “Tiraram o bicho do quintal da minha casa”. Ninguém respondeu, mas, furtivamente todos os olhares foram dirigidos para o Matheus Giacóia, useiro e vezeiro em aprontar com os amigos. Todos já haviam esquecido do caso, quando certa noite o Matheus disse que havia comprado um cabrito, já o havia esfolado, cortado e que o “Bito” estava mergulhado numa bela vinha d’alhos. Ninguém comentou nada, mesmo porque o antigo reclamante não se encontrava presente. Um sai outro chega e um sai e...Matheus Giacóia que tinha ido para casa, voltou furibundo: “Ma quê? Agora aqui sono tuti ladri de cabrito? O mio cabrito sumiu com assadeira e tuto. Io quero sabe
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quenhé il ladri”. Ninguém se manifestou. Mas, na noite seguinte, alguém comentou que alguém pertencente àquela roda de amigos, estava assando um cabrito num forno a lenha, situado no quintal de sua casa. Um grupo foi até a casa de quem estava assando o cabrito, com parte de cumprimentar a família, enquanto outros amigos abriam o portão que dava para a rua e surrupiavam o cabrito assado. O cabrito foi levado para o Bar do Urbas que já estava com a mesa pronta, com direito aos vinhos da casa. Os amigos que estavam cumprimentando a família, depois de terem a certeza de que o cabrito já estava surrupiado, gentilmente convidaram a todos da casa para comerem um cabrito no Bar do Urbas. Num primeiro repente o “convidado” correu para o quintal e viu então que o ditado é velho mas verdadeiro: “Ladrão que rouba ladrão...” E as peripécias do cabrito terminaram em gostosas gargalhadas... Mário Costa Novo (Acervo Peabiru)
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Diário da Cuesta
BOTUCATU: PORTA DE ENTRADA PARA O OESTE Álvaro José de Souza
Surgido com o desmembramento sucessivo de terras pertencentes a municípios situados mais a leste, no Estado de São Paulo, o município de Botucatu apresenta hoje um dos maiores territórios em extensão entre os 645 municípios paulistas. A História de suas origens político-administrativas nos dá uma ideia clara de que o seu crescimento resultou de uma autêntica “marcha para o oeste”, sendo que o município teve papel preponderante como ponto referencial na ocupação da parte ocidental do Estado Paulista. Com efeito, identificado pelos historiadores da marcha do povoamento paulista, impulsionada pela ferrovia e pelo avanço dos cafezais, Botucatu tem sido reconhecido como uma autêntica “Boca do Sertão”, a partir da segunda metade do século passado e, particularmente, com a chegada dos trilhos da Estrada de Ferro Sorocabana. Esta vocação de “porta para o oeste”, no entanto, tem raízes muito mais antigas e que transcendem a própria estrutura político-administrativa, tanto do Império (período de sua elevação a vila e município) quanto do período colonial. Trata-se, na realidade, de uma questão a ser melhor estudada e dissecada pelos nossos historiadores, para os quais não falta competência e gabarito. Acerca desse primeiro elemento histórico, gostaríamos apenas de fazer menção a dos fatos essenciais: o caminho do Peabiru, ao que tudo indica, passava por esta área e colocava terras de nossa região em contato não só com o oeste paulista, mas com uma vasta região que transpunha as fronteiras do nosso atual Estado de São Paulo como até mesmo as da futura Nação Brasileira. Este caminho, trilhado por índios e quiçá por portugueses, já antecipava este contato amplo, este “comando” exercido por nossa região sobre o oeste paulista. Além do Peabiru, quem analisa a configuração do relevo paulista, a partir do topo da “cuesta”, pode perceber com clareza que a suavidade do seu reverso, declinando suavemente até as barrancas do Paraná, numa extensão de quase 500 quilômetros, é também um elemento vital de contato de nossa região com o extremo ocidental do Estado: a partir dessa configuração do relevo, os rios que nascem na parte mais elevada do reverso da “cuesta”, descem suavemente na direção da calha do Paraná, somente ocorrendo rupturas
significativas no contato entre rochas de diferente constituição e resistência, formando os chamados “saltos”. Mas, nesse contexto, sobressai o rio Tietê que, oriundo dos contrafortes da chamada “Serra do Mar”, atravessa a linha da cuesta como único rio paulista a fazê-lo: neste sentido, é o único traço da rede hidrográfica paulista que corta o Estado no sentido leste-oeste desde as proximidades da Capital; e o local onde a “cuesta” é ultrapassada, está exatamente no território do município de Botucatu, a norte. Ora, o Tietê sempre teve papel de grande importância no processo de penetração do Território Paulista, como ponto de passagem na direção das prováveis minas de ouro e jazidas de pedras preciosas do interior do país, durante o período colonial. E mesmo que os obstáculos oferecidos pelas quedas d`água tenham impedido os pioneiros de o utilizarem integralmente, não se deve esquecer que, ao longo de seu vale, os terrenos de pouca declividade e com poucas saliências formam também uma verdadeira estrada natural que, em tempos remotos, foi de inestimável valia para essa penetração. Não é por acaso que muitas rodovias construídas neste Estado aproveitaram largos trechos dos vales dos rios e o Tietê não foi exceção, bastando recordar todo o traçado inicial da rodovia Marechal Rondon. Mas, se esses dois elementos - o Peabiru e o Tietê – explicam as relações mais distantes no tempo entre o território de Botucatu e o oeste paulista, uma análise mais recente pode mostrar-se também extremamente elucidativa com relação à ferrovia e à rodovia. Com efeito, situadas cada uma delas em sua respectiva época, esses meios de acesso também marcaram – agora mais nitidamente – a inquestionável situação de “porta de acesso ao oeste” por parte de Botucatu. A partir do momento em que os trilhos da Estrada de Ferro Sorocabana atingiram o “Alto da Serra” e, por consequência, o território de Botucatu, este município passou a ter um importante papel de comando no avanço dos trilhos e das plantações de café rumo ao oeste do Estado. Se verificarmos ainda hoje a efetiva influência exercida por Botucatu no oeste paulista e particularmente no setor mais ao sul (região sorocabana), ficaremos com a nítida impressão de que ficamos marcantes. A análise de algumas situações de jurisdição administrativa, pública ou não, mostra-nos isso com clareza. Somente para exemplificarmos, bastaríamos nos referir às áreas jurisdicionais à Arquidiocese de Botucatu e à região influenciada pela situação de Botucatu como polo de Saúde ou como polo educacional. Atualmente, mesmo com
o surgimento e a evolução de núcleos urbanos de maior porte e dotados de maior estrutura na parte ocidental do Estado, a posição de Botucatu, em termos de influência, é ainda muito grande, transcendendo inclusive aquilo que se poderia esperar de uma cidade do porte da nossa. Mas, se a era da ferrovia lamentavelmente passou – até por conta do desleixo que tivemos no transporte ferroviário neste país. Durante algum tempo, pudemos substituí-la pela rodovia Marechal Rondon, que também demandava o oeste mas que, ao contrário de outras rodovias que penetravam para o oeste, não se iniciava na Capital Paulista, propulsor econômico do Estado. Posteriormente, a construção da rodovia Castelo Branco pareceu não alterar substancialmente nossa posição, mesmo porque ficamos um largo período sem um acesso mais direto à mesma. Porém, a construção e posterior duplicação da “Castelinho”, a rodovia João Hipólito Martins, além de dar novo alento à nossa articulação com o leste do Estado pode firmar nosso desenvolvimento interno, preparando-nos para uma nova investida rumo ao oeste do Estado. Uma nova organização político-administrativa do Estado permitiu que Botucatu se tornasse o polo de uma região ainda que de pequenas dimensões. Mas, sem dúvida, o crescimento do equipamento urbano foi capaz de nos mostrar que melhores dias estavam próximos. Depois de muitos percalços, marchamos agora para a duplicação da rodovia Marechal Rondon até o extremo-oeste do Estado. O que pouca gente notou é que se trata de uma situação peculiar e ímpar para Botucatu, uma cidade para a qual esta rodovia já está se transformando numa verdadeira avenida, em função da expansão urbana. Com ela, estaremos restabelecendo o nosso papel de comando sobre o oeste do Estado, na medida em que ficaremos às margens de um eixo rodoviário duplicado, portanto, uma auto-estrada, a maior da América Latina, pois o mesmo se prolonga para Leste através das rodovias Castelo Branco e Presidente Dutra, atingindo o Rio de Janeiro. Do Rio de Janeiro até Mato Grosso do Sul serão mais de 1000 quilômetros de pistas duplas, ligando o litoral ao centro geográfico da América do Sul. Um caminho aberto para que a nossa cidade reviva as suas tradições e assuma novamente a sua vocação de “porta para o oeste”. Álvaro José de Souza – Acervo Peabiru