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Edição 1022

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SEXTA-FEIRA, 16 DE FEVEREIRO DE 2024

De 13 a 22 de fevereiro é comemorada a SEMANA DE ARTE MODERNA DE SAO PAULO. Então, nada mais apropriado do que focarmos a realidade de São Paulo na década que antecedeu ao grande evento e na década seguinte. Página 4

Semana de Arte Moderna e os Italianos de São Paulo!

Acompanhe as edições anteriores em: www.diariodacuesta.com.br

NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA EM BOTUCATU

Nº 1022

Diário da Cuesta ANO IV


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Diário da Cuesta

UM REGISTRO HISTÓRICO DA IMPORTÂNCIA DAS REUNIÕES DA COLÔNIA ITALIANA EM ALAMBARI (PIAPARA) “...Pino Filliponi, que trabalhava na chave da estrada sorocabana, animava as festas de Pietro Aloísi, com sua chorosa e romântica sanfona. Ela falava, no seu gemido, muito da saudade da Itália. - Vamos, Pino, o sole mio... Os italianos de Botucatu estavam chegando, eram os Martin, os Pedretti, os Delmanto, os Minicucci, os Guadanini, os Alfredi, os Tortorela, os Simonetti, os Losi, os Lunardi, os Blasi, os Bacchi, os Pompiani, os Molini, os Mori, os Monteferrante. Cada encontro era saudado com gritos, palavrões, corteses gesticulações napolitanas, esbravejamentos calabreses e risadas de Campobasso. A comida farta e generosa, regada pelo melhor vinho, esquentava os ânimos, esparramava alegria, esfuziava gestos, explodia gargalhadas. Alambari revivia a Itália. Esses almoços em Alambari, constituíam um prolongamento dos encontros italianos na conhecida “Pensão Franchino” em Botucatu (baixada), famosa pela qualidade de suas massas e de propriedade de Francesco Aloisi, “fratello” de Pietro.

E falava-se de tudo, desde Vitório Emanuelle até Il Duce, da Revolução de 24 ao Prefeito Cardosinho de Botucatu. Era proibido falar italiano, pois a diversidade de dialetos impedia o entendimento. Também não se podia falar o português. Mas todos se entendiam na alegria, no vinho, nos abraços e nos apetitosos quitutes de Dona Antônia e suas filhas que não paravam o dia todo na faina de bem servir. Vado Tonin, com sua máquina fotográfica, tipo caixão, comprada no Progresso Garcia, ia imortalizando as cenas daquela província da Itália, chamada Alambari. - Qui é la própria Itália... Qualquer giorno, o Vesúvio começa a vomitar brasa ali... E mostrava a Serra de Botucatu... Guarda, Dr. Aleixo, não parece próprio a nostra Itália?!? A festa ia pela madrugada afora...” ( “As Boiadas Passam...As Lembranças Ficam...”, 1992, págs. 83/85, de Agostinho Minicucci e ilustrações de Benedito Vinício Aloise).

Um retrato das confraternizações dos oriundi em Alambari (Piapara) no século passado: “Qui é la própria Itália... Qualquer giorno, o Vesúvio começa a vomitar brasa ali... E mostrava a Serra de Botucatu... Guarda, Dr. Aleixo, não parece a nostra Itália?!?”

EXPEDIENTE NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA EM BOTUCATU WEBJORNALISMO DIÁRIO

DIRETOR: Armando Moraes Delmanto EDITORAÇÃO E DIAGRAMAÇÃO: Gráfica Diagrama/ Edil Gomes Contato@diariodacuesta.com.br Tels: 14.99745.6604 - 14. 991929689

O Diário da Cuesta não se responsabiliza por ideias e conceitos emitidos em artigos ou matérias assinadas, que expressem apenas o pensamento dos autores, não representando necessariamente a opinião da direção do jornal. A publicação se reserva o direito, por motivos de espaço e clareza, de resumir cartas, artigos e ensaios.


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Diário da Cuesta

O interior também era “una piccola Italia...”

O pesquisador e historiador botucatuense, Trajano Carlos de Figueiredo Pupo (revista “Peabiru”, nº 13/1999), registrou que em 1914, eram grandes a importância das Bandas para as comunidades interioranas e também a movimentação popular a favor da ajuda oficial para essas bandas. E um pequeno jornal, ”O Riso”, em 1914, publica o desabafo de Juó Laranjére, representando a vontade da colônia italiana que era muito expressiva e atuante: “Signor Preffeto. Salute e figli maschi. Io vegno intó apidi in nomi delle signori-

ni fitêre di facer la bandigna dello Lazigno vegna una altra volta atocá nu giardino uns dumingo. Io credo Signor Preffeto chi si o signor inda anamurasse dava tutos os fiorins da Câmera pra u Lasigno atocá. Má, esta falta di miglioramento é pur causa dus giornale. U “Curreio” é vostro, u “butucatuenze” ta cum mico na caxola purque illo qué una altra volta ristaurá amunarchia nisto Brasile chiinho di Hermeses i di Pigneroses i di Ruyses. U “Curreio Du Sud” é mezimo um cureio só parla di prete frate vescove e tutta a bella compagnia. Ma in tuttos caso noi no abbiamo musica nu giardino. Nu carnavale us moços chiriam afazê uma vacca pra cumpra um rigalegio é i atucá nu giardino. Ma a vacca num dêo lette i si dessi ficava feígno pro Preffeto. Io pido agora pru signore no si azangá perchê nu papele e na tinta inda num chegô a crisi. Di Vostra Excellenza, Criadino. Juó Laranjére.” E junto com os dois escritores, um antes e o outro durante e após a Semana de Arte Moderna, temos a figura ousada, criativa e brilhante de Oswaldo de Andrade. Assim, ao registrarem o “dialeto macarrônico ítalo-paulista”, tanto Alexandre Ribeiro Machado (Juó Bananére) quanto Antônio de Alcântara Machado, estavam traçando, com perfeição, o per-

fil dos imigrantes italianos que vieram para o Brasil em busca de seus sonhos e, carregados de esperanças e com muito trabalho, souberam realizar a grandeza da nossa Paulicéia. Juó Laranjére é o Juó Bananére de Botucatu... A referência no texto ao personagem Juó Laranjére, que faz com humor e de forma típica autênticas reivindicações da população às autoridades da época, é mostra indiscutível da influência cultural da Capital nas cidades do interior. O personagem Juó Laranjére era inspirado no famoso Juó Bananére – popular morador do Bexiga ! – criação do poeta e jornalista Alexandre Ribeiro Machado que veio de Pindamonhangaba para estudar engenharia na Escola Politécnica da Capital. Chegando a São Paulo, notou que era muito expressiva a presença dos imigrantes italianos que trouxeram toda a sua alegria e entusiasmo para a nova Pátria... Notou também que tinham grande dificuldade para se fazerem entender em português e, nesse esforço, criaram um inusitado dialeto. Esse personagem criado era “CAV.UFF.ON JUÓ BANANÉRE: poeta, barbiére i giurnaliste. Membaro da Gamedia Baulista di Letteras i Socio da Palestra Intália...” Em seu vocabulário próprio, Juó Bananére chamava São Paulo de Zan Baolo e a Pátria saudosa passava de Itália para Intália... Botucatu, como a Capital, possuía nos primeiros anos deste século uma das maiores e mais expressivas colônias italianas do interior, possuindo também o 5º parque industrial (formado principalmente pelos pioneiros imigrantes). Tinha o Teatro Santa Cruz (Espéria), a Società Italiana, a Escola Dante Alighiere, a Loja Maçônica Italiana e, entre outras atividades, a Banda Italiana... Juó Laranjére, com seu inusitado dialeto, fazia sucesso na Botucatu do início do século passado, e banda virava bandigna, o maestro Lazinho virava Lazigno, tudo isso registrado no “Curreio” (jornal “O Correio de Botucatu”) e no Butucatuense (jornal “O Botucatuense”). (AMD)

É bom saber. O artista plástico e conhecido webdesigner botucatuense Marco Antonio Spernega, foi quem idealizou a Cuesta de Botucatu estilizada e com todo o seu simbolismo: a escarpa, o verde representando as nossas matas e o azul do céu... A criação do Spernega valorizou a nossa CUESTA que teve, em sua estilização, o impacto que as obras dos grandes artistas tem. Vejam no Expediente o logotipo do Diário da Cuesta! Marco Spernega tem exposto seus trabalhos em concorridas exposições. Esta ilustração é uma obra de arte e de simbolismo histórico!


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Diário da Cuesta

Semana de Arte Moderna e os Italianos de São Paulo!

Juó Bananére e “Brás, Bexiga e Barra Funda” crônicas do cotidiano com o pseudônimo de Annibale Scipione. “Migna terra tê parmeras / Che ganta inzima o sabiá”... A italianidade de uma São Paulo em grande transformação urbana foi, com os chamados ítalo-paulistas (interior) e os ítalopaulistanos (capital), nas primeiras décadas do Século XX, fontes de inspiração para dois jovens escritores do Modernismo no Brasil:

MIGNA TERRA (Juó Bananére) Migna terra tê parmeras, Che ganta inzima o sabiá, As aves che stó aqui, Tambê tuttos sabi gorgeá. A abobora celestia tambê, Chi tê lá na mia terra, Tê moltos millió di strella Chi non tê na Ingraterra. Os rios lá sô maise grandi Dus rio di tuttas naçó; I os matto si perdi di vista, Nu meio da imensidó.

Estamos comemorando os 100 Anos da SEMANA DE ARTE MODERNA DE SÃO PAULO (1922/2022). Então, nada mais apropriado do que focarmos a realidade de São Paulo na década que antecedeu ao grande evento e na década seguinte. E era na revista dirigida por um dos principais organizadores da Semana de Arte Moderna, Oswaldo de Andrade, que era retratada a sociedade paulistana – com um percentual de 35% de imigrantes ou descendentes de italianos – além, claro, dos imigrantes de outras nacionalidades, que dariam vida aos “arquétipos populares”, como o português da padaria, o espanhol do ferro-velho, o sírio das prestações, o japonês da tinturaria... A revista era “O Pirralho” (1911/1917), onde Oswaldo de Andrade escrevia

Na migna terra tê parmeras, Dove ganta a galligna dangolla; Na migna terra tê o Vapr’elli, Chi só anda di gartolla. O personagem Juó Bananére ficou famoso e muito popular, afinal mostrava, com bom humor e criatividade, a aculturação dos imigrantes italianos que se expressavam, tanto na linguagem falada como na escrita, misturando as duas culturas, a italiana e a brasileira.

Alexandre Ribeiro Machado, em 1915 (“La Divina Increnca”) que se firmou com pseudônimo de Juó Bananére, e Antônio de Alcântara Machado, em 1927, por seu livro “Brás, Bexiga e Barra Funda”. Ambos se dedicaram a retratar os imigrantes italianos. “Juó Bananére”, apresentado como “poeta, barbieri e soldato”, que escrevia sátiras famosas de obras famosas. A “Canção do Exílio”, por exemplo, de Gonçalves Dias ganha, em uma língua macarrônica, grande popularidade:

Para esse sucesso, a criação artística do personagem era indispensável. E foi o ilustrador e chargista João Paulo Lemmo Lemmi (1884/1926) – imortalizado como VOLTOLINO ! – que criou a imagem de Juó Bananére. Seria dele, também, as primeiras charges do pai da boneca Emília, Monteiro Lobato, que datam da década de 1910. (AMD)


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