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Diário Diário da da Cuesta Cuesta

ANO III Nº 1792 QUARTA-FEIRA, 05 DE AGOSTO DE 2026 ANO V Nº 1821 TERÇA-FEIRA, 8 DE SETEMBRO DE 2026

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TERIA NASCIDO EM BOTUCATU O SENADOR PINHEIRO MACHADO, O TODO PODEROSO DA 1ª REPÚBLICA ?!? É uma dúvida que intriga até hoje os botucatuenses. O Benfeitor de Botucatu – Capitão José Gomes Pinheiro – constituiu família em Itapetininga e Botucatu. Casado com Anna Florisbella Machado, foi o Patriarca da Família Pinheiro Machado. Doador de terras para a criação da Freguesia de Sant’Anna de Botucatu, seria também ascendente do famoso Senador Pinheiro Machado, expoente do ramo da família Pinheiro Machado que se constituiu no Rio Grande do Sul?!? Página 2

08/05/1851 08/09/1915

MONUMENTO DE PINHEIRO MACHADO NO RIO DE JANEIRO

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Diário da Cuesta

É BOTUCATUENSE OU NÃO O FAMOSO SENADOR PINHEIRO MACHADO?!?

No dia 10 de agosto de 1993, recebia carta do conceituado advogado e jurista Dr. Carlos Eduardo de Camargo Aranha, ex-Secretário dos Negócios Jurídicos da Prefeitura de São Paulo e ex-Chefe da Casa Civil do Governo do Estado. Descendente (neto) de Américo Brasiliense, o saudoso Dr. Camargo Aranha sempre fora ligado aos assuntos históricos. Nessa carta, o levantamento da dúvida: “Prezado Armando. Recebi seu livro, gostei muito, pois como tenho fazenda em Avaré, me sinto atraído por Botucatu. Gostaria, nesta oportunidade, de levar a você um fato que eu acho muito interessante e, você poderá, com a sua competência, estuda-lo a fundo, que é o seguinte: o ilustre saudoso Desembargador Pinheiro Machado, certa vez me contou que o Senador Pinheiro Machado teria nascido em Botucatu e com menos de um ano foi levado para o Sul, onde foi registrado em uma pequena paróquia daquele Estado, mas na verdade era filho desta grande cidade que é Botucatu. Este é um tema que você, como historiador, poderá desenvolver e tirar esta dúvida histórica. Um grande abraço e felicitações pelo livro. Atenciosamente. Carlos Eduardo de Camargo Aranha”. Recebida a correspondência, tirei cópias e enviei, tempos depois, para Hernâni Donato, historiador botucatuense. Com a sua sempre gentil atenção, Hernâni nos respondeu (18/09/95) a carta e, entre outros assuntos, escreveu: “...Bem: e o fascinante assunto do “General”

EXPEDIENTE NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA EM BOTUCATU WEBJORNALISMO DIÁRIO

Pinheiro Machado! Sabia do fato, ouvido, há decênios pela primeira vez, exatamente do Desembargador Pinheiro Machado. O Adolfo e o Jorge, perguntados, não sabiam nada positivo. Aquelas professoras que por quase ½ século habitaram a casa fronteira ao Convívio do Francisco Marins, tinham “ouvido dizer”. Não lhes senti consistência. Já agora, disperso o clã (ainda há Pinheiro Machado em Botucatu?) fica difícil o levantamento. Mas se há alguém talhado e posicionado para tal pesquisa, é você. Faça-a. De mim – que me havia desligado por completo, prometo reler biografias do Senador. Quaisquer referências são úteis, nessas procuras...”. DIRETOR: Armando Moraes Delmanto EDITORAÇÃO E DIAGRAMAÇÃO: Gráfica Diagrama/ Edil Gomes Contato@diariodacuesta.com.br Tels: 14.99745.6604 - 14. 991929689

Fica o desafio a todos: vamos pesquisar? Vamos conseguir dados que comprovem ou, ao menos, nos tragam indícios de que o Senador Pinheiro Machado é botucatuense?!? A verdade é que, com o passar do tempo, as verdades “guardadas” ou os “segredos” assumidos dificilmente são completamente desvendados. Mas que fique o desafio. Nada é impossível quando se quer, se pesquisa e se vai em busca da comprovação do fato objeto da dúvida. Fica o desafio aos pesquisadores e interessados na história de Botucatu e no registro e destaque de seus filhos mais ilustres. (AMD)

O Diário da Cuesta não se responsabiliza por ideias e conceitos emitidos em artigos ou matérias assinadas, que expressem apenas o pensamento dos autores, não representando necessariamente a opinião da direção do jornal. A publicação se reserva o direito, por motivos de espaço e clareza, de resumir cartas, artigos e ensaios.


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CHEFÃO SECRETO DA REPÚBLICA VELHA

Influente e implacável, o senador, assassinado em 1915, mantém o título de homem mais poderoso da República

Claudia Giudice

Francisco Manço de Paiva, 33 anos, entrou desapercebido pela porta da frente do Hotel dos Estrangeiros, localizado na Praça José de Alencar, Lapa, no Rio de Janeiro. Inaugurado em 1849, o hotel era considerado o melhor da cidade, logo, do Brasil. Foi um dos primeiros a ter banheiros com ducha, lavanderia, restaurante e telefone com linha exclusiva para os hóspedes ilustres. Rapidamente, se tornou ponto de encontro de empresários e políticos da capital federal. Por esse motivo, inclusive, Paiva estava lá, esperando. Escondido. Naquela manhã de 8 de setembro, Pinheiro Machado não teve um dia bom. Estava frustrado porque não conseguiu quórum na sessão que confirmaria o expresidente Hermes da Fonseca, seu candidato, como senador pelo Rio Grande do Sul. Depois do almoço, deixou o Palácio do Conde dos Arcos, sede do Senado Federal, no campo de Santana, para se reunir com o adversário político e ex-presidente paulista Albuquerque Lins. Às 16 horas e 30 minutos, conforme o combinado, chegou ao saguão do Hotel dos Estrangeiros fazendo barulho. Estava em casa. Lá era seu endereço preferido para encontros de política. Segurava o senador Rubião Júnior, do PRP (Parti-

do Republicano Paulista) de São Paulo, pelo braço e era seguido de perto pelos deputados paulistas, Cardoso de Almeida e Bueno de Andrade. O vai e vem dos hóspedes parou quando ouviu-se o grito: “Ah, canalha. Fui apunhalado pelas costas”. A frase era literal. Aos 63 anos, conhecido por ser a eminência parda da República Velha e um dos mais poderosos políticos do país, o senador gaúcho José Gomes Pinheiro Machado foi ferido de morte pelo jovem Paiva, um padeiro desempregado, desertor do Exército e ex-cabo da polícia, natural do Rio Grande do Sul. O assassino confesso não fugiu nem tentou se livrar da culpa. Entregou a faca suja de sangue nas mãos de Cardoso de Almeida e esperou a polícia. Foi condenado a 30 anos de prisão e indultado pelo presidente Getúlio Vargas em 1935. Até a morte, na década de 1960, declarou ter agido por conta própria, e não a mando de alguém. v O assassino justificou o crime como a salvação do Brasil e se disse inspirado pela leitura de um artigo publicado naquele dia no jornal Gazeta de Notícias. Nele, Pinheiro Machado era acusado de ter braço longo e de querer mandar em todos os assuntos da República. O padeiro afirmou também que pretendia se vingar do fato de o senador ter sido responsável pela morte de um estudante em Porto Alegre que protestara contra a decisão dele, Machado, de eleger Hermes da Fonseca para o Senado. Faz 103 anos que essa cena aconteceu.

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Faz 103 anos, também, que o advogado, general e senador previu a própria morte. Escreveu uma carta-testamento, entregue à sobrinha e afilhada Maria José Azambuja, na qual previa um fim trágico para si. Meses depois, declarou ao jornalista João do Rio, um dos mais influentes de sua época, a seguinte frase: “Morro na luta. Matam-me pelas costas, são uns pernas finas. Pena que não seja no Senado, como César”. Sim, ele era odiado porque tinha poder demais. Era famoso por fazer presidentes, realizar acordos de bastidores impublicáveis e por ser implacável com seus desafetos. Desde a proclamação da República, nenhum outro senador ou deputado teve, por tanto tempo, igual domínio sobre a política brasileira. O ex-senador gaúcho e fundador do PMDB Pedro Simon, autor da coletânea Discursos de Pinheiro Machado, de 2005, da Editora do Senado, registra: “José Gomes Pinheiro Machado era um político afastado dos holofotes, mais voltado para a atividade de gabinete e totalmente interessado nas manobras de bastidores e na costura dos grandes acordos políticos. Era uma eminência parda. Rui Barbosa foi o nosso grande patrono no Senado, mas como político foi um homem de derrotas. Perdeu duas vezes a eleição para presidente da República e não tinha influência no governo. Quem mandava e elegia presidentes era o Machado, um dos mais influentes políticos da República, de quem hoje ninguém fala.”


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TRAVESSIA DA ESPERANÇA

Conheço o Brasil político desde 1945 quando, ao dez anos de idade, ainda menino de calças curtas ajudava meu pai, dono de loja de secos e molhados em Paulópolis-SP; ele era o líder da UDN na época, organizando o Comitê e distribuir panfletos na pequena cidade, em campanha para a eleição do Brigadeiro Eduardo Gomes à Presidência da República. Nada entendia de eleições e pedia ao pai suas explicações : ele observando a curiosidade e o interesse do pequeno, pacientemente dizia que as eleições do dia 2 de dezembro de 1945 seria muito importante para o Brasil porque o país havia saído de uma ditadura – governo forte, por 15 anos e agora, o que se pretendia era um Presidente que governasse democraticamente – governo do povo e para o povo e o candidato que atendia esses objetivos era o Brigadeiro, uma alta patente da Aeronáutica, muito respeitado e muito digno para receber votos. Apurados os votos, o candidato do meu pai perdeu e foi eleito o General Eurico Gaspar Dutra, ex-Ministro da Guerra, apoiado pelo ex-ditador; já na condição de Presidente eleito convocou uma Assembleia Nacional Constituinte para elaborar uma nova Constituição que foi lida, achada conforme e promulgada em 18 de setembro de 1946 e o Brasil redemocratizado com algumas limita- ções. A partir dessa época apurei meu interesse por política e fui eleitor em todas que se sucederam até o momento em que a própria Constituição disse que eu estava dispensado facultativamente de votar por ter completado 70 anos, mesmo assim ainda participei de algumas. No momento em que escrevo este artigo não estou desiludido com os governos democráticos mas sim, apreensivo... até mesmo porquê no próximo mês de outubro/2026 novamente o Brasil vai às urnas escolher um, entre vários candidatos à Presidência da República. O acompanhamento que faço à distância, de partidos políticos e dos políticos nos últimos 20 anos não é por falta de entusiasmo, ao contrário, é de frustração ao ver alguns candidatos que se apresentam em vestimentas de cordeiros são, no eventual cargo se eleito for, transformados em espertas e robustas raposas do erário público. Um país que preza não pode admitir isso. Desde a renúncia de Jânio Quadros em 25 de agosto de 1961 a bandeira brasileira/democrática tremula no mastro em Brasília açoitada, dia e noite por tremenda ventania política/democrática. Com a renúncia de Jânio, a prática governamental de João Goulart não agrada ao alto comando das Forças Armadas e o povo na rua através da “Marcha da Família com Deus pela Liberdade” pedia a intervenção armada para derrubada do governo que se mostrava ideologicamente contrário ao sistema democrático. Após o movimento militar de 31 de março de 1964, o que era trágico, transformou-se em comemorações. Faixas saudando os militares, defensores da democracia e da família brasileira, ocuparam as avenidas dos centros da cidade. Ironicamente, foi uma das últimas manifestações de ruas livres que o país veria, pois a partir dai o governo forte dos militares passou a reprimir impiedosamente as passeatas e qualquer demonstração de insatisfação com o governo. Em 1º de abril de 1964 com os militares assumindo o poder, encerrando a 4ª República, e iniciando o mais longo período de governo forte que perdurou por 21 anos, com revezamentos de militares/generais na Presidência da República governando inicialmente com atos institucionais e mãos fortes (decretos de exceção) o Congresso nacional foi fechado e um grande expurgo de políticos foi feito, através de cassação de mandatos.

Em 24 de janeiro de 1967 foi promulgada uma “Constituição” para institucionalizar o regime militar no Brasil, marcando eleições indiretas através de Colégio Eleitoral e não por voto popular; imposição de restrições de direitos de liberdade individual, e de imprensa e greves trabalhistas e criou o bipartidarismo: ARENA- Aliança Renovadora Nacional e MDB-Movimento Democrático Brasileiro – situação e oposição. Em 17 de outubro de 1969 uma Emenda Constitucional nº 1 à Constituição de 1967, editada pelos Ministros militares permaneceu vigente por 19 anos até ser substituída pela Constituição Federal de 5 de outubro de 1988 com o restabelecimento da “democracia” em solo brasileiro. Para se chegar à essa Democracia relativa em 1988 foram necessários o povo nas ruas – quando digo povo nas ruas podemos imaginar mais de l milhão de pessoas nas capitais e grandes cidades. Pernambuco, São Paulo e Rio de Janeiro e o povo pedindo eleições Diretas-Já. Infelizmente, em 25 de abril de 1984 a Câmara dos Deputados rejeitou a proposta que pedia eleições diretas para Presidente; Houve explícita pressão por parte dos militares. Prevaleceu então a eleição indireta feita pelo Congresso. Em 1979/1985 assume a Presidência o último militar general João Baptista Figueiredo , conduzindo a fase final da transição do regime militar para a democracia, assina a Lei de Anistia, prometendo eleições ainda que indiretas, ou seja, pelo Colegiado ARENA e MDB. Como é que se resolve um país saindo de um regime militar forte para um país democrático e livre? – solução: eleições indiretas ! Eleito Tancredo Neves em 15 de janeiro de 1985 e, tendo adoecido gravemente em 14 de março, véspera de sua posse, morreu no dia 21 de abril. Seu vice José Sarney tomou posse na Presidência 1985/1990 com a incumbência de resgatar as esperanças democráticas do povo. Sarney assina, em 5 de outubro de 1988 a nova Constituição chamada “Cidadã” por Ulysses Guimarães. À ele, segue-se Fernando Collor de Mello, primeiro Presidente eleito pelo voto direto e o primeiro Presidente a ter seu mandato cassado em razão de “Impeachment” por corrupção. O vocábulo Corrupção foi incorporado ao vocabulário político/popular e uma nuvem negra, anunciando tempestade de granizo ameaça toda uma nação desde aqueles tempos. Todos os governos após Fernando Collor/Itamar Franco, este teve a seu favor o Plano Real, consolidado por Fernando H. Cardoso em 1994. Seu governo foi marcado por 45 escândalos por conivência ou omissão. A partir do afastamento de Collor o Brasil tentou o exercício de uma democracia razoavelmente pacífica com a eleição de Fernando Henrique Cardoso de 1995 até 2003; passou por Luiz Inácio Lula da Silva e mudou a estrutura política do Brasil ficando no cargo por 8 anos 2003/2011; Dilma Roussef 2011/2016, cassada em processo de “Impeachment” por corrupção; Michel Temer 2016/2019; Jair Messias Bolsonaro 2019/2023 que, excepcionalmente deu um basta na corrupção e nos corruptos e novamente Luiz Inácio Lula da Silva de 2023/2026 por omissão ou conivência diz que tudo está bem, a nossa democracia é “relativa”, corrupção corre solta novamente, atingindo os três Poderes da República, admira e apoia governos tirânicos pelo mundo e aguarda ser eleito novamente. O Brasil e seu povo, pacífico e paciente encontra-se na fase de uma “Travessia da Esperança” para que se restaure a dignidade, o orgulho, a coragem e a resiliência que caracterizam a identidade e a atitude dos cidadãos brasileiros. EXCERTO:Wikipédia.


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