Diário da Cuesta ANO V
Nº 1817
QUINTA-FEIRA, 3 DE SETEMBRO DE 2026
NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE E DA CIDADANIA EM BOTUCATU
Acompanhe as edições anteriores em: www.diariodacuesta.com.br
60 Anos do jornal universitário:
“a realidade” 1966 - 2026
No “caldeirão político” da Sociologia... Páginas 3 e 4
“a realidade”: 60 Anos de Juventude, Cidadania e Participação No Editorial, sessenta anos depois, “a realidade” continua falando... Página 2
BANDA MUNICIPAL DE BOTUCATU é CAMPEÃ!!! Sob a batuta do competente “Bolinha” este é o 2º Concurso de Bandas neste ano que a nossa banda é vencedora Página 5
2
EDITORIAL
Diário da Cuesta
“a realidade”: 60 ANOS DE JUVENTUDE, CIDADANIA E PARTICIPAÇÃO Há 60 anos, em 1966, um grupo de jovens universitários partiu para viabilizar um jornal: órgão oficial do Diretório Acadêmico. Chamava-se simplesmente “a realidade”. Éramos alunos da tradicional Escola de Sociologia e Política de São Paulo, instituição que formou e reuniu, ao longo de sua história, intelectuais, jornalistas, professores, políticos e estudiosos que tiveram participação marcante na vida brasileira. Vivíamos um momento especialmente difícil da História do Brasil. O Regime Militar, instalado em 1964, completava seus primeiros anos. O ambiente político se tornava cada vez mais tenso. Cresciam os protestos estudantis, aprofundava-se a radicalização ideológica e começavam a se organizar grupos que, posteriormente, optariam pela luta armada contra o regime. Era um verdadeiro caldeirão político. E foi exatamente naquele ambiente que nasceu “a realidade”, cuja primeira edição circulou em 31 de março de 1966. Não pretendíamos criar um jornal de partido, de facção ou de corrente ideológica. Queríamos criar um espaço para que os próprios estudantes pudessem pensar, escrever, discutir, discordar e participar. O Editorial daquele primeiro número deixava isso muito claro: “Retratar o pensamento do estudante e acadêmico; promover suas atividades literárias; dar apoio ao desenvolvimento e aprimoramento de sua profissão; escrever coisas certas sobre certas coisas…” E acrescentava um princípio que, seis décadas depois, continua merecendo reflexão: “Está lançada a ideia: não há partidarização.”
Era uma proposta ambiciosa para jovens universitários vivendo um período de tamanha efervescência. Na diretoria, eu era o único calouro. Meus outros três companheiros já estavam em anos mais adiantados. Éramos jovens, naturalmente inquietos, tentando compreender aquele Brasil e, ao mesmo tempo, procurando participar de sua construção. Sessenta anos depois, posso olhar para aquela página amarelada pelo tempo com legítimo orgulho. Não porque tivéssemos todas as respostas — certamente não tínhamos. Mas porque tivemos algo indispensável em qualquer democracia: a disposição de participar. A juventude não pode ser apenas espectadora da História. Precisa estudá-la, questioná-la, debatê-la e, principalmente, ajudar a escrevê-la. Pela Sociologia e Política passaram brasileiros de grande projeção nas mais diferentes áreas do pensamento e da vida nacional, nomes como Darcy Ribeiro, Herbert Levy, Boris Casoy, Florestan Fernandes e Hernâni Donato, entre tantos outros. Era uma escola em que Sociologia e Política não eram apenas matérias acadêmicas: faziam parte do cotidiano, das conversas nos corredores, dos debates e das inquietações de uma geração inteira. O Brasil daquele tempo também era muito diferente. Fernando Henrique Cardoso ainda representava, para muitos jovens e intelectuais, uma esperança de renovação política. O Partido dos Trabalhadores sequer existia — surgiria somente em 1980 — e ninguém poderia prever os caminhos que os partidos, as lideranças e a própria democracia brasileira percorreriam nas décadas seguintes. Mas existe algo que atravessa todas essas transformações.
A cidadania. Governos passam. Partidos surgem, crescem, mudam e desaparecem. Ideologias se transformam. Lideranças são consagradas e depois contestadas. Mas uma sociedade somente permanece verdadeiramente livre quando seus cidadãos estão dispostos a participar de seu destino. Por isso, recordar os 60 ANOS DE “a realidade” não significa apenas celebrar uma experiência universitária de nossa juventude. Significa deixar um testemunho para os jovens de hoje. Em 1966 não tínhamos internet, redes sociais ou telefones celulares. Para expressar nossas ideias, precisávamos escrever, datilografar, mimeografar ou imprimir um jornal e fazê-lo circular de mão em mão. Hoje, qualquer jovem pode alcançar milhares de pessoas em poucos segundos. Mas a facilidade tecnológica não diminuiu a responsabilidade da palavra. Ao contrário: aumentou-a. É preciso estudar antes de opinar. Conhecer antes de julgar. Ouvir antes de condenar. E ter coragem para defender ideias, respeitando igualmente o direito daqueles que pensam diferente. Talvez essa seja a principal mensagem daquela velha folha de papel de 1966. Sessenta anos se passaram. O jovem calouro envelheceu. O Brasil mudou. A política mudou. Os meios de comunicação mudaram. O mundo mudou. Mas aquela convicção permanece extraordinariamente atual: a juventude precisa participar. Participar da escola, da universidade, da comunidade, da imprensa, das instituições e da política. Participar não necessariamente através de partidos, mas através do exercício permanente e responsável da cidadania. Porque uma democracia não se sustenta apenas com eleições. Sustenta-se com cidadãos. E, olhando hoje para aquela primeira página de “a realidade”, publicada em 31 de março de 1966, fica a satisfação de saber que, naquele turbulento momento da História brasileira, nós também estivemos presentes. Pensamos. Debatemos. Escrevemos. Participamos. E deixamos registrada a nossa REALIDADE. Que os jovens de hoje tenham a coragem de fazer o mesmo. AVANTE! A Direção.
Armando M. Delmanto no lançamento do livro de Carlos Lacerda de apoio à Frente Ampla (1966)
3
Diário da Cuesta
No “túnel do tempo” dos sonhos universitários...
A imagem da primeira edição, datada de 1966, mostra uma força especial: não se trata apenas de recordar um jornal estudantil, mas de recuperar um documento de juventude, cidadania e participação política. E a presença da socióloga Maria Lúcia Froes Carrara de Sambuy, trazendo a sua mensagem em comemoração dos 60 anos do jornal “a realidade” é gratificante. Nestes sessenta anos, Maria Lúcia (Malu) tem exercido sua cidadania no setor público, como Secretária de Turismo de São Roque, culminando com a conquista do patamar de Estância Turística para o município e, da mesma forma, atuando como Executiva Financeira em importantes empresas do setor industrial.
1967
Texto: Meu caro Armando, Foi com enorme alegria que recebi sua mensagem sobre a matéria que você pretende fazer mencionando nosso jornalzinho
2020
universitário “a realidade”. Ele nasceu em 1966 e já se passaram 60 anos... Incrível como o tempo passa! Éramos 4 jovens idealistas iniciantes na política e com a cabeça burilando de ideias. Pretendíamos ser a voz dos alunos em geral, quaisquer que fossem suas crenças e ideais políticos. Era uma forma de dar espaço a todos aqueles que quisessem se manifestar. O jornal pretendia ser neutro e receber diferentes opiniões. Chegaram artigos sobre política, crônicas, mensagens, críticas, etc. Tudo era feito de modo muito precário, mas com muito entusiasmo. Recebíamos as matérias, fazíamos a diagramação, imprimíamos em mimeógrafo e distribuíamos entre os alunos. Tenho acompanhado suas matérias e são muito interessantes e com bastante conteúdo. Parabéns por suas publicações!!! Te desejo muito sucesso e realizações! Em tempo: Foi muito legal essa volta a um momento universitário que passamos juntos.: Armando, Ingrid, Cristina e Malu. Grande abraço. 31/08/2026
4
Diário da Cuesta
Sociologia & Política, um Caldeirão Político: surgia, há 60 anos, um jornal universitário...
2026 Já havia tido uma experiência jornalística no curso secundário, quando foi lançado o “TRIBUNA DO ESTUDANTE”, órgão oficial do Colégio Arquidiocesano La Salle, de Botucatu, em 1963 e do qual fui diretor. Mas, em 1966, cursando a SOCIOLOGIA & POLÍTICA o cenário era muito mais amplo e mais desafiador, ao participar do lançamento do jornal universitário “A Realidade”, órgão oficial do Diretório Acadêmico da Faculdade. Na direção do jornal eu era o único calouro, as outras 3 diretoras já cursavam anos adiantados. Éramos 4: Maria Lúcia B. Froes, Ingrid M. Surmann, Maria Cristina Parisi e Armando M. Delmanto. O CALDEIRÃO POLÍTICO! A Escola de Sociologia & Política de São Paulo, agregada à USP, representava na segunda metade dos anos 60, um “caldeirão político” onde lideranças de nosso futuro político estavam sendo talhadas. Nesse ano de 1966, o nosso norte eram os sociólogos Florestam Fernandes, Otávio Ianni e Fernando Henrique Cardoso. Passeatas contra o Regime Militar, o lançamento de jornal acadêmico (A Realidade), a criação do Grupo Autônomo a salvo das tendências dominantes principalmente entre os calouros e a disputadíssima eleição para o Centro Acadêmico... Na Sociologia, na minha chegada, eu já conhecia um professor de Antropologia (o folclorista Alceu Maynard de Araújo) e conhecia um aluno que presidia o Centro Acadêmico, o Márcio Toledo. O Márcio, eu o conhecia desde Botucatu, na sala do professor Agostinho Minicucci, então diretor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (ITE), no ano de 1963. Assim, fui bem recebido na Faculdade. Lá comecei a manter contatos políticos no meio universitário e de apoiamento à então criada Frente Ampla, por Carlos Lacerda, Juscelino Kubischeck e João Goilart, com objetivo de devolver ao país o Estado de Direito. Aqui abro um parêntese. O Márcio Toledo em que pese a sua origem familiar (Instituição Toledo de Ensino) inserida no “status quo” da sociedade brasileira, era um rapaz inquieto, preocupado e participante do movimento estudantil. Ele e sua namorada, Maria Inês, também colega na Sociologia, estavam engajados como a grande maioria na luta pela volta ao Estado de Direito. Márcio, porém, seguiu um caminho mais radical e integrou-se à Aliança Libertadora Nacional - ALN - grupo guerrilheiro que optou pela luta armada contra o Regime Militar. Esteve por 2 anos em Cuba recebendo todo tipo de treinamento e, após sua volta, passou a executar tarefas do grupo. Em escritos do próprio Márcio, foram encontradas evidências de que estaria reestudando a sua opção pela luta armada, talvez tarde demais... Não andava concordando com as decisões dos dirigentes em São Paulo. Pedira reunião com a Executiva Nacional quando expôs as suas dúvidas e discordâncias.... Resumindo: foi executado pelos próprios companheiros em uma emboscada. Alegação: traição. Será? Para sempre irá pairar a dúvida. A Guerrilha realmente fracassou...Quem sabe, com sua experiência e visão futurista, teria Márcio um caminho menos difícil para o término dos atritos e o reencontro da Nação com seu pleno Estado de Direito?!? Fecho o parêntese. Esse o cenário político na Sociologia & Política. Fa-
mosa por ter entre seus ex-alunos personalidades da vida brasileira: Darcy Ribeiro, Herbert Levy, Boris Casoy, Florestam Fernandes entre tantos outros e, para Botucatu, os nomes de Hernâni Donato e Oracy Nogueira e do já citado mestre Alceu Maynard de Araújo. Na vivência política tenho cruzado com muitos ex-colegas da faculdade, Bons tempos. Inesquecíveis lembranças. Na Sociologia havia verdadeira formação de cidadãos preparados para a prática política. Apenas para exemplificar, vou citar dois colegas que eram quartanistas quando entrei em 1966: a Lola (Maria Helena) Berlinck e o Vicente Carlos Y Plá Trevas. A Lola, tempos depois, secretariou o então Senador Fernando Henrique Cardoso quando era presidente estadual do PMDB e, ao depois, quando se elegeu Presidente da República, levou a Lola para exercer importante papel no assessoramento de Dona Ruth Cardoso na Coordenação da Associação de Apoio ao Programa de Capacitação Solidária (AAPCS) que mudou o antigo conceito de Assistência Social da LBA, que fora extinta. Em sua fase política tivemos encontros constantes. O Vicente era o teórico da AP e o maior e melhor orador da Faculdade. Encantava os calouros. Era preciso. Convencia. Natural da Paraíba, Vicente tinha, na AP, o espírito mais aguerrido que a turma do sul e do sudeste. O pessoal do nordeste tinha mais urgência nas mudanças... Vicente Trevas passou a ser homem de decisão e aconselhamento em seu novo caminho no PT. Nos 8 anos de Lula ocupou cargos chaves, sempre tendo a discrição como seu perfil profissional... Claro que tudo isso ocorreu quando ainda se esperava que FHC fizesse as grandes mudanças na sociedade brasileira e o PT de Lula ainda não tinha se transformado na triste realidade atual... Como resultado da atuação política da minha geração e como mostra da importância do jornal que lançamos, na Sociologia batalhei pela eleição de Eduardo Carlos Alves para a presidência do Diretório Acadêmico. Vencemos. Ele era da AP - Ação Popular e derrotou a aliança dos comunistas com o pessoal da direita (já naquela época...). Importante desta-
car a campanha da qual participamos a favor do TEATRO OFICINA, promovendo a adesão de sócios permanentes em prol da recuperação e ampliação do teatro. O artigo “A Messalina e o Beato”, que escrevi para a campanha política e foi fartamente distribuído, nos dá a dimensão da política acadêmica no meio universitário: “A MESSALINA E O BEATO A união entre a ala prostituída e despersonificada da esquerda com os beatos alienados da direita castelista evidência, na Escola de Sociologia e Política, uma pitoresca piada de mau gosto, verdadeiro humor negro. É a luta entre a verdade e a mentira: ou eles são uns sábios ou nós, como querem e como um deles, conterrâneo de Castelo, disse com toda sua cultura de áxilas, somos todos, simplesmente, «burros». Iniciaram um novo processo de tática eleitoral: fizeram da coerência de princípios uma hipocrisia; substituíram o idealismo pelo oportunismo; da burrificação de estudantes, estruturaram o porta-estandarte de sua macabra luta. A chapa da contradição é composta, como é óbvio, pela união de dois extremados grupos: um grupo faz do Papa um ferrenho comunista, o outro - em toda a sua alienação - faz de Castelo Branco um Papa. Engulam essa! Mas, analisemos friamente a chapa da «coerência» por intermédio da análise sincera e objetiva de seu presidente: de onde tiraram a sua candidatura; o que se esconde atrás de sua apatia; o que pretende fazer; o que defende; o que representa. Bem, a sua candidatura é produto do laboratório da frustração a serviço de escusos interesses. O presidente, assim como toda chapa, não é contra nem a favor de coisa alguma, muito pelo contrário... É o confundido meninão, ao qual disseram que tem todas características de presidente de D.A. Eles, apesar e além de tudo, são infalíveis gozadores.... As cartas estão lançadas, os “burros” dirão, infalivelmente, quem está com a verdade e com quem a mentira ficou. Aguardemos. Jornal “A Realidade”, nº 01/GRUPO AUTÔNOMO/66.” (AMD – Armando Moraes Delmanto)
5
Diário da Cuesta
MARIA DE LOURDES CAMILO SOUZA
“BMB - Banda Municipal de Botucatu”
Hoje celebramos com muita alegria que a nossa gloriosa BMB - Banda Municipal de Botucatu saiu vitoriosa em novo concurso de bandas na cidade de Itararé! Este é o 2° Concurso de Bandas este ano que a nossa banda sob a batuta do querido “Bolinha” é vencedora. Parabéns á Prefeitura Municipal de Botucatu, à Secretaria da Cultura, aos jovens integrantes da BMB, parabéns ao Bolinha. Quero dar um destaque especial ao amigo José Carlos Gardin que desenhou o belo novo uniforme que a Banda hoje se apresenta. Parabéns !!! O uniforme ficou muito original, devo confessar que lembrou-me um pouco o uniforme dos integrantes do exército da Rainha Má do Mundo de Oz. Ficou perfeito nas cores amarelo, azul e branco da bandeira de Botucatu, numa confecção perfeita que permite a mobilidade dos músicos e das balizas. As bandeiras multicoloridas dão uma imponência única, na entrada triunfante aonde a BMB se apresenta! E a escolha das músicas apresentadas fecha o conjunto.
Não podemos deixar de comentar o aprumo e galhardia dos componentes nas apresentações que fazem as plateias vibrarem e aplaudirem! O resultado não podia ser diferente! “ BMB campeã ! “ Não há volta no tempo da Banda do glorioso Colégio Arquidiocesano, mas uma formulação moderna, novo toque, novo uniforme (belíssimo), novas músicas e, como é inevitável, muito novas e merecidas vitórias que muito orgulham o povo botucatuense!