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Diário da Cuesta

O JORNAL DE BOTUCATU

Muito além da copa: a volta das figurinhas!

Trocar figurinhas virou verdadeira escola de amizade, negociação e cidadania. Fenômeno nacional une gerações, estimula a convivência e ajuda no desenvolvimento das crianças.

O tema tem mesmo uma força especial porque une três aspectos que o Diário da Cuesta sempre valorizou: família, convivência e formação da juventude.

Em uma época marcada pelo excesso de telas, ver crianças reunidas em torno de um álbum de figurinhas é quase um resgate de valores que pareciam adormecidos.

Talvez a mensagem central seja justamente esta: Enquanto completam um álbum, as crianças também completam experiências de vida...

Trocam figurinhas, mas também trocam ideias, amizades, aprendizados e memórias que irão carregar por décadas – exatamente como aconteceu com nossas gerações.

E convenhamos: poucas “febres” modernas conseguem reunir pais, filhos e avós em torno da mesma paixão. As figurinhas da Copa continuam realizando esse pequeno milagre.

A Direção.

A Febre das Figurinhas: muito mais que uma brincadeira

Em tempos em que celulares, redes sociais e jogos eletrônicos dominam a atenção de crianças e adolescentes, um fenômeno aparentemente simples voltou a conquistar o Brasil de ponta a ponta: a tradicional troca de figurinhas dos álbuns da Copa do Mundo.

A cena registrada na fotografia é reveladora. Meninos e meninas reunidos, sentados no chão, concentrados, negociando, comparando e organizando suas figurinhas. Não estão isolados diante de uma tela. Estão convivendo. Estão interagindo. Estão aprendendo.

A chamada “febre das figurinhas” vai muito além do colecionismo. Ela desperta o espírito de organização, a perseverança para completar um álbum que chega a ter quase mil espaços e, principalmente, desenvolve habilidades sociais fundamentais. A criança aprende a conversar, argumentar, negociar, fazer concessões e respeitar acordos. Aprende, na prática, noções de valor, troca e convivência.

Mais interessante ainda é perceber que essa tradição atravessa gerações. Pais e avós observam seus filhos e netos repetindo exatamente os mesmos gestos que marcaram suas próprias infâncias. Quem não se lembra da emoção de abrir um pacote de figurinhas? Ou da alegria de encontrar aquela peça rara que faltava para completar uma página?

E há ainda o lendário “bafo”, brincadeira que atravessou décadas e permanece viva em muitos lugares. Com habilidade e sorte, os participantes tentam virar as figurinhas espa-

lhadas no chão, conquistando aquelas que conseguem virar. Uma prática simples, divertida e profundamente socializadora.

Sob o olhar da Sociologia, trata-se de um fenômeno fascinante. Em uma época frequentemente marcada pelo individualismo e pela comunicação virtual, as figurinhas promovem encontros reais, conversas presenciais e a construção de amizades. Elas criam pontos de encontro nas escolas, nas praças, nos clubes e até nos ambientes familiares

Talvez por isso essa “febre” retorne com tanta força a cada Copa do Mundo. Ela toca algo essencial na natureza humana: o prazer de compartilhar experiências, de construir objetivos em comum e de celebrar pequenas conquistas.

Num mundo que muitas vezes parece caminhar para o isolamento, a simples troca de figurinhas nos lembra que a convivência continua sendo uma das mais importantes ferramentas para a formação de cidadãos equilibrados, sociáveis e felizes.

Que venham os álbuns, as figurinhas repetidas, as negociações intermináveis e os animados jogos de “bafo”. Afinal, algumas das melhores lições da vida continuam sendo aprendidas brincando.

AVANTE!

A DIREÇÃO.

EDITORAÇÃO E DIAGRAMAÇÃO: Gráfica Diagrama/ Edil Gomes

O Diário da Cuesta não se responsabiliza por ideias e conceitos emitidos em artigos ou matérias assinadas, que expressem apenas o pensamento dos autores, não representando necessariamente a opinião da direção do jornal. A publicação se reserva o direito, por motivos de espaço e clareza, de resumir cartas, artigos e ensaios.

DIRETOR: Armando Moraes Delmanto

“Santuário das borboletas”

Nestes dias que se fala tanto do meio ambiente, uma linda e majestosa lembrança surgiu em minha mente.

Meu primo Beto, gentilmente, nos levou ao Zoológico de Brasília, que conta com um grande espaço dedicado às borboletas.

Esse lindo Borboletário, inaugurado em 2005, conta com mais de 40 espécies de borboletas, em quase 200 metros quadrados.

Abrigam-se ali até 500 borboletas.

Desde a Caligo Beltrao(olho de coruja), a Danaus Plexippus( monarca), a Dryas

Julia, é a Ascia Monuste.

Entrar ali dá uma extraordinária sensação de como teria sido o Jardim do Éden.

Até o ar que se respira é muito puro, suave.

Uma vibrante flora que preenche todo o espaço, coberto com uma estrutura de tela metálica com um sombrite que ajuda a manter a temperatura e impede a fuga, em formato ovalado.

Sua estrutura paisagística foi toda elaborada para reviver o ambiente ideal para elas.

Ocultas entre toda a ramagem estão as moradoras em suas vibrantes cores: verdes, azuis, lilás, vermelhas, brancas, cinza, com suas asas lindamente desenhadas pelo Criador.

Se reproduziram ali 3 tipos de microclimas, um de área brejosa, área seca e de mata fechada.

Impossível não ficar extasiado diante de tanta beleza.

Fiquei ali contendo a respiração, enquanto olhava tudo, e andava com passos cuidadosos para não assustar as mora-

doras, porque elas são muito sensíveis á movimentação humana.

Há que se ter muito cuidado para não atrapalhar o seu processo de metamorfose.

Tem horário certo para as visitas.

De cada caramanchão de repente, saiam algumas em um voo em busca do pólen das flores.

Um leve barulho de folhas que se movia e lá surgiam em revoada multicolorida.

Algumas podem viver apenas semanas, outras meses.

Irresistível sensação de paz e harmonia me encheu a alma durante a visita a esse Santuário das Borboletas

Historiando

ANDRÉ VIDAL DE NEGREIROS

“Insurreição Pernambucana”

Vez por outra, como em um sonho, volta à memória os bons tempos em que o professor de “Estudo de Problemas Brasileiros” (matéria obrigatória para todos os cursos superiores) de pouco interesse para alguns alunos, ele falava empolgado sobre a Insurreição Pernambucana acontecida no período de 1645 até 1654 contra o domínio holandês na Capitania de Salvador, Pernambuco. O próprio nome “insurreição” assustava os mais desatentos. O que é isso professor? – pacientemente o professor explicava se tratar de uma insubordinação de alguns grupos contra uma força de ocupação considerada ilegítima. Serenado o ambiente com os alunos agora atentos, prosseguimos com a aula. Como sabemos o Brasil, desde o seu descobrimento em 1500 até 1822 viveu sob ordens do império português (éramos considerados Colônia) e o país dividido em 15 regiões administrativas (capitanias hereditárias) sendo Pernambuco uma delas, sob “propriedade” do fidalgo e capitão-donatário, Duarte Coelho Pereira, fundador de Olinda. Instalou-se em Pernambuco a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, fundada em 1621, monopolizando o lucrativo comércio de açucar, controlando todo o Nordeste por quase 25 anos e os centros produtores, bem como e o tráfico de escravizados da África, sob a administração do Conde João Mauricio de Nassau de 1637/1644. Nassau não era brasileiro mas foi assim considerado “o Brasileiro”, era alemão-neerlandês, falando a mesma língua alemã/holandesa. Sob o seu governo o nordeste brasileiro conheceu uma época de ouro: a “Nova Holanda”. Mandou construir pontes, palácios, iniciou a urbanização da capital pernambucana, incentivou as artes e as ciências; foi tolerante com os senhores de engenho, devedores da Companhia Holandesa; foi igualmente tolerante com o judaísmo e o catolicismo, liberando culto de todas religiões. Preferia não penhorar engenhos nem sufocar revoltas com crueldade. No início de 1640, uma frota luso-espanhola falhou o desembarque em Pernambuco, sendo destruída perto da Ilha de Itamaracá. No Nordeste do Brasil, os engenhos de cana de açúcar viviam dificuldades num ano de pragas e seca. A Companhia passou a cobrar a liquidação das dívidas e confiscar os engenhos dos inadimplentes. Essa conjuntura levou à eclosão da Insurreição Pernambucana. campainha/Intervalo... Após, reiniciando a aula surge a figura do Homem Forte da tal Insurreição: André Vidal de Negreiros: nascido no engenho de São João, na Capitania da Paraíba (1606) era filho de Francisco Vidal, natural de Lisboa e Catarina Ferreira, natural de Madeira, foi um militar e governador colonial luso-brasileiro e, quando soube que forças holandesas (ligados à Companhia) estavam se preparando para combates,

enviou comandantes militares para acabar com focos de rebelião. Mobilizou recursos e gentes do sertão nordestino, índios e escravos para lutar ao lado das tropas portuguesas. Um dos melhores militares de seu tempo, tomou parte com grande bravura em quase todos os combates contra os holandeses. Em 3 de agosto de 1645 os dois exércitos confrontaram-se na batalha do Monte das Tabocas; o Coronel Comandante holandês Hendrick van Haus, acreditando que iria dar combate a soldados amadores, homens sem experiências militar acabou sendo atraído para uma emboscada que resultou na derrota das tropas holandesas. Outras batalhas se sucederam; a primeira, travada em 18/4/1648 no Monte dos Guararapes ocupado por 2.400 soldados luso-nordestinos, com 54 horas de combate. A segunda Batalha de Guararapes foi travada em 19/2/1649 quando os luso-nordestinos cercaram os holandeses e, ao final, o Comandante Coronel John van den Brinck foi morto e seus soldados, 90 homens foram aprisionados; do lado luso-nordestino as baixas foram de 454 mortos e 200 feridos. No dia 15 de janeiro de 1654 os luso-nordestinos, comandados por André Vital de Negreiros, atacaram os restantes de holandeses no Recife e no dia 23 fizeram, uma proposta de paz que foi aceita. Em 26 de janeiro de 1654 os líderes holandeses assinaram a rendição. A notícia da rendição chegou a Portugal no dia 19 de março, dia do aniversário de D. João IV. A expulsão dos holandeses de Pernambuco em 1654, não significou o encerramento da questão, que, de fato, só começaria a ser resolvida a partir de 1661,pela via diplomática, mediante a assinatura do Tratado de Haia. Nos termos desse acordo a “Nova Holanda” foi “vendida” a Portugal por oito milhões de florins, quantia equivalente a cerca de 4,5 toneladas de ouro e pelo Tratado de Paz, Aliança e Comércio, firmado em julho de 1669. O nome de Vidal de Negreiros e de outros consta no Livro de Heróis da Pátria, pela Lei Federal 12.701 de 6 de agosto de 2012. Vidal de Negreiros era solteiro mas deixou filhos naturais de três mulheres, dotando-os com bens materiais, no seu testamento. É Patrono do 15º Batalhão de Infantaria Motorizado do Exército, localizado em João Pessoa, capital da Paraíba. “Regimento Vidal de Negreiros”. No horário de 22:30 horas nova campainha e, em sala de aulas uma salva de palmas pelos alunos. Pasmo, perguntei... pelo conteúdo...? não professor pelo término, preciso sair correndo para o ônibus. O último a sair, agradeceu a aula... tchau professor, foi meu pagamento.

EXCERTO: Wikipédia livre; MELLO, Evaldo Cabral de. “Olinda Restaurada: Guerra e Açucar no Nordeste, 1630/1654.SP EDUSP, 1975. Ver menos

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