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Diário da Cuesta

O JORNAL DE BOTUCATU SALVADORDALÍ

Considerado o Mestre do Surrealismo, Salvador Dalí é uma das figuras mais importantes da história da arte do Século XX. Nascido em 11 de maio de 1904, Salvador Dalí i Domènech, 1º Marquês de Dalí de Púbol foi um importante pintor espanhol, conhecido pelo seu trabalho surrealista. O trabalho de Dalí chama a atenção pela incrível combinação de imagens bizarras, oníricas, com excelente qualidade plástica. Dalí foi influenciado pelos mestres do classicismo.

O dramaturgo e autor de novelas Alcides Nogueira falou com exclusividade ao jornalista Fernando Bruder, da Rede Alpha, sobre a situação envolvendo o tradicional Cine Teatro Nelli, em Botucatu. Em seu depoimento, o escritor lamentou o cenário atual do espaço cultural e classificou o problema como consequência de anos de “má gestão”.

Segundo Alcides, o teatro foi criado por Armando Joel Nelli e Dona Alice Nelli, casal que lutou para transformar o local em uma importante referência cultural da cidade. Ele relembrou que, em determinado período, o grupo Pedutti ajudou na conclusão e estruturação do espaço, permitindo a convivência entre cinema e teatro. Com o passar dos anos, porém, o cinema teria assumido maior protagonismo dentro do local, enquanto o setor teatral perdeu espaço.

Durante a entrevista exclusiva concedida à Rede Alpha, o dramaturgo afirmou acreditar que a atual situação do Cine Teatro Nelli é resultado de sucessivas administrações problemáticas.

“Não há dúvida de que as últimas diretorias tiveram muita culpa nisso. Má gestão, má gestão”, declarou. Para ele, o patrimônio cultural foi sendo “dilapidado” ao longo do tempo, prejudicando diretamente a cultura botucatuense.

Alcides também destacou a importância histórica do teatro para o circuito cultural paulista. Segundo ele, Botucatu fazia parte do corredor cultural do Estado de São Paulo, recebendo grandes companhias teatrais no palco do Nelli. O dramaturgo relembrou ainda um comentário da atriz Cacilda Becker, que teria classificado o espaço como “uma das salas mais bem equipadas e confortáveis da época, inclusive em comparação com teatros da capital paulista.”

Autor de peças apresentadas no local, Alcides Nogueira recordou sua ligação pessoal com o teatro, citando montagens como “Feliz Ano Velho” e “Gertrude Stein”, que passaram pelo palco botucatuense com grande participação do público.

Ao final da entrevista, o dramaturgo defendeu que a população busque respostas sobre o que aconteceu com o espaço cultural.

“Mais uma vez quem sofre é o ambiente cultural. A cultura sempre é jogada de lado”, concluiu. (Alpha Notícias)

Nem tente me entendê...

Sô complicado demais. Pareço de um jeito, mas sô de outro . Pareço estudado e até sô um pouquinho, mas pouco sei e sei que pouco sei. Conheço muita gente, sô bem tratado onde chego, mas reconheço, sô meio arredio, meio envergonhado.

Sei onde me caibo. Sei de onde vim, conheço a palmo as estradas e os atalhos, os carreadô e os trieiros, as águas e as vazantes dos rios. Tô na cidade mas o meu jeito é do mato e eu sei por quê.

Conheço o jeito do gado, os entrevero, as andaduras da tropa, as cantigas da Irmandade do Divino Espírito Santo, as “Recomendas”, as modas véias, as afinação da viola em “ Rio abaixo “,” Cebolão”ou “Boiadeira”. Conheço cururu, cateretê, pagode, toadas, arrasta pé, guarania e moda de viola.

Às vezes choro! Assim é! Vidas diferentes,emoções e valores diferentes. Tenho minhas crenças e minhas dúvidas, mas elas são minhas. Assim, como tenho as minhas, aceito as alheias com serenidade. Eu me assumo e gosto da minha melancolia. Ela vem de boas lembranças e de saudades doces

.

E foi assim, cismando a vida que aprendi a querê menos e aceitá bem o prato raso. O que não tenho não me faz falta. Quem me faz falta e falta faz, já os tive por inteiro.

Como quero menos e tenho os afagos e afetos que preciso, vivo bem do meu jeito e no meu canto. Então, serenamente, me resta cantar “a nós descei Divina luz...”

DIRETOR: Armando Moraes Delmanto

O Diário da Cuesta não se responsabiliza por ideias e conceitos emitidos em artigos ou matérias assinadas, que expressem apenas o pensamento dos autores, não representando necessariamente a opinião da direção do jornal. A publicação se reserva o direito, por motivos de espaço e clareza, de resumir cartas, artigos e ensaios.

LÍNGUA VIVA

Vamos lá. O que é uma língua viva? É a língua falada por pelo menos uma pessoa. E acreditem: no Brasil há uma língua falada por uma pessoa só. É aí que eu não entendo. Se a língua existe para a comunicação entre as pessoas, como pode existir uma língua de uma pessoa só? Só se o cara falar com ele mesmo. Mas vamos voltar ao leito do rio, ou ao assunto da crônica. O português, portanto, é uma língua viva. Falada por quase trezentos milhões de pessoas. Os brasileiros contribuem com a maior parte: mais de duzentos milhões de falantes. Uns falam bem e outros, mal. Uns assassinam a língua, o que é um crime de lesa-pátria.

Todas as línguas vivas estão sujeitas a mutações. Às vezes, são mudanças simples. Outras vezes, as mudanças são tão grandes, que se criam dialetos. Segundo os especialistas, no Brasil há doze dialetos. Arreda pra lá, sô. Tem espaço pra todo mundo. Esse é o dialeto caipira. As línguas mortas, não. O latim, por exemplo, depois que deixou de ser língua oficial, permanece o mesmo. É usado na igreja católica e em outras situações específicas. Quando criança, assisti a muitas missas celebradas em latim. A parte mais esperada era quando o padre falava ‘Ite, missa est’. E a gente dizia ‘Deo gratias!’. E saía correndo pra brincar. A gente, que é mais velho, tem que tomar cuidado com as mudanças da língua. Se você não estiver atualizado, pode ter sérios problemas. Um dia, indo para a sala de aula, vi um menino e uma menina conversando no corredor. Isso foi no século passado. Sorrindo, disse a eles: O que vocês estão transando aí? Vamos pra sala de aula. Vi que os alunos não retribuíram ao sorriso. No dia seguinte, os pais foram reclamar com o diretor da escola, dizendo que eu os tinha ofendido. Eu queria saber o que eles estavam combinando, acertando, naquele canto do corredor. Eles acharam que eu estava dando uma conotação sexual, que eu nem conhecia, na época. Quem mandou estar desa-

tualizado?

Ainda assim, acho mais fácil atualizar-se do que entender o português mais antigo. Já pensaram se alguém diz: Aquele homem é um sacripanta azêmola. Tem uma birosca na periferia, só vende cacarecos e posa de janota, como se fosse muito importante. Gostaram? Entenderam alguma coisa? Escrevi um monte de palavras corretamente, mas que estão em completo desuso. Quem fala desse jeito não comete um despautério, mas não tem o meu beneplácito. Estou exagerando, né?

Um dia me perguntaram: Falar difícil é falar bem? Eu disse que não. Falar difícil é só falar difícil. Falar bem é falar com correção e clareza. Parafraseando Camões, digo que para se falar bem, deve haver engenho e arte. A arte é a intuição, a beleza, a elegância. E o engenho é a técnica, é a obediência às normas estabelecidas. Dessa forma, você será compreendido pelo seu interlocutor e preservará o seu idioma, já que ele é um patrimônio do povo e do país.

VOCÊ SABIA ?!?

A Persistência da Memória: detalhes e técnica

Primeiramente vale observar que falamos de um quadro relativamente pequeno, apenas 24 x 33cm. Ele traz uma paleta de cores com grande presença de tons ocre e marrom, buscando trazer uma sensação de paisagem árida para que o observa. Para pintá-lo, Salvador Dalí valeu-se de uma técnica bastante peculiar, chamada “método crítico-paranoico”. Criada pelo pintor, baseia-se em paranoias e alucinações autoinduzidas para facilitar a criação de uma obra de arte. Ele desenvolveu essa técnica em 1930, em meio a uma corrente dentro do surrealismo que explorava ideias de automatismo e autoconsciência. Bem como essa vertente, todo movimento surrealista tinha forte influência da psicanálise (especialmente de Freud), sendo inclusive base para técnica criada por Dalí. Enfim, vamos falar mais a fundo da obra propriamente dita.

Simbolismos presentes na obra

Importante destacar em primeiro lugar, que as obras surrealistas, dão margem para variadas interpretações, então algumas coisas podem ter significados diferentes, até mesmo do que o próprio pintor pensava. Para começar, o que chama mais atenção na obra são os relógios derretidos. Isso acontece porque como o próprio Dali destacou sobre a técnica, a ideia era ter “fotografias de sonho pintadas à mão”. Sendo assim, temos eles mostrando que o tempo passa de forma diferente nos sonhos. Porém, nem todos os relógios estão derretidos como podem ver.

Um deles está inteiro, virado de ponta cabeça e repleto de formigas em cima. Era conhecido que Dali não gostava muito de formigas e as associava a putrefação em suas obras, que é reforçada com outros elementos dentro da pintura. Na Persistência da Memória temos uma mosca sobre um dos relógios e outro pendurado sobre uma árvore seca. Tem-se aí uma relação sobre a passagem de tempo, como ele passa (e termina) diferente para cada um. Por fim, o último dos relógios está sobre uma figura curiosa: uma caricatura do próprio autor! Ele já se colocou em outras obras e especificamente nesta, traz novamente a relação do tempo e dos sonhos, pois a figura aparece dormindo.

A Persistência da Memória: realismo e curiosidades

Apesar de falarmos de um quadro com forte relação com o mundo dos so-

nhos, a paisagem ao fundo destoa de todo resto. Isso porque falamos de um cenário real: trata-se da visão que Salvador Dalí tinha da sua casa em Barcelona. Tal qual a Oliveira, a árvore seca e característica da região da Catalunha, isso serve para mostrar o resquício do realismo enquanto sonhamos. Por fim, vale destacar algumas curiosidades sobre a obra:

Ela foi pintada em apenas cinco horas, em um dia que Salvador Dali sentiu-se indisposto para ir ao cinema com sua mulher e amigos.

Apenas um ano depois, em 1932, que a obra foi exposta no Julien Levy Gallery, em Nova York, momento em que ele ganhou projeção no mundo da arte.

Atualmente exposta no MoMa, a Persistência da Memória chegou lá através de um patrono anônimo, que comprou e doou ao museu. A obra é elemento recorrente da cultura pop, recebendo referência em programas como Simpsons, Dr Who, Futurama, entre outros

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