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Diário da Cuesta

O JORNAL DE BOTUCATU

10 de Maio

Dia das Mães

Dia das Mães: como surgiu a comemoração no Brasil

Data foi oficializada no Brasil em 1932 e ganhou forte apelo comercial décadas mais tarde

NO BRASIL, O DIA DAS MÃES FOI INSTITUÍDO EM 1932 PELO ENTÃO PRESIDENTE GETÚLIO VARGAS, MAS A DATA SÓ SE CONSOLIDOU ANOS DEPOIS, DURANTE O REGIME MILITAR

“O segundo domingo de maio é consagrado às mães, em comemoração aos sentimentos e virtudes que o amor materno concorre para despertar e desenvolver no coração humano, contribuindo para seu aperfeiçoamento no sentido da bondade e da solidariedade humana. Página 2

PRIMEIRO TRANSPLANTE

DE CORAÇÃO

REGISTRO HISTÓRICO! BRASIL NA ELITE MUNDIAL DA CIÊNCIA/1968

Diário da Cuesta

DIA DAS MÃES

Dia das Mães: como surgiu a comemoração no Brasil

ELDA MOSCOGLIATO

Contam as antigas crônicas que a rainha Helena, ao ser-lhe tirado dos braços o filho recém-nascido para que a ama o alimentasse, volveu-se no leito, ainda gemente e débil, e num gesto de extremo sacrifício tomou-o de novo em seu seio, exclamando exaltada:- “É filho de minhas entranhas! Eu só, hei de amamentá-lo!” Essa criança, mais tarde, foi o grande São Luís, rei de França.

Mais do que os laços da carne, a interação mãe-filho tem algo de misterioso e divino que a linguagem humana não alcança traduzir. O amor materno preenche a literatura de todos os tempos e desde a Bíblia, as narrativas ilustram as páginas mais comoventes da humanidade.

A sublimidade do amor materno concentra-se na figura admirável de Maria – “que tudo guardava em seu coração!” E a grandeza do amor filial se perpetuou na frase dorida do alto do Calvário: “Eis aí, tua mãe !” Por isso, o mês de Maio exalta afigura da Mãe

Velha crônica nos fala de Beatrice Snipes. Criminosa confessa, guardava na penitenciária americana o termo de sua gravidez para em seguida sofrer a pena condenatória da cadeira elétrica. Comoveu-se a sociedade estadunidense e com ela, o mundo inteiro. Uma onda de ternura envolveu o pequenino ser que nasceria já órfão. Houve apelos de todos os países. Em favor do bebê, a pena foi comutada. O filho salvou a mãe.

Naquela manhã, a introdução materna despertara a velha duquesa tornando-a mais triste e alquebrada. No exílio voluntário do severo e vetusto castelo, ela recusou, com o semblante trespassado de tristeza e de dor, o carinhoso desvelo da criadagem fiel. O filho, o Duque D’Aosta, lutava na África. O dia todo, ela o passou na solidão da capela, frente ao S. Sacramento.

À tarde, um telegrama fatídico chegou ao castelo. Coube ao mordomo levá-lo. Ela ainda rezava. Recusou abrí-lo, dizendo simplesmente: - Pode lê-lo, meu caro. Meu filho está morto! E voltou à oração.

Há na história romana, a narrativa admirável de Coriolano. O herói, banido de Roma, jurou vingar-se. Fora dos muros, arregimentou um aguerrido exército e marchou contra a cidade, ameaçada de total destruição. Nem dele-

EXPEDIENTE

gação de paz, nem emissário neutro lograram demovê-lo. Sua vitória era iminente.

Eis que surge à sua frente, a figura admirável de Veturia. A eloquência materna fê-lo levantar o cerco. Roma estava salva.

Há muitos anos atrás, incendiou-se de forma trágica, a famosa barca de Niterói, que levava em seu limitado bojo, número excessivo de passageiros. Ao primeiro sinal de fogo, estabeleceu-se o pânico. Houve muita morte.

Uma pobre senhora grávida, sem que o percebesse, foi atirada às águas. Não sabia nadar e no auge do desespero, desmaiou. Quando deu acordo de si, estava num leito de hospital. O ventre enorme dos oito meses de gestação, serviu-lhe de bóia. Ao seu lado, agora, estava o recém-nascido.

Mais uma vez, o bebe salvara a mãe.

Uma das mais trágicas e emocionantes reportagens dos tempos modernos foi há pouco tempo divulgada através de uma foto dramática: Aterradas pela miséria e pela fome, as populações etíopes demandavam outras plagas à procura de abrigo e pão, varando as inóspitas regiões africanas.

Em meio, a figura sofrida e silenciosa de uma mãe, jovem, bela e humilde, aguentando em seu mísero regaço, um esquálido bebê moribundo. O trágico desse grupo comoveu o mundo inteiro.

( A Gazeta de Botucatu - 09/05/1986 )

DIRETOR: Armando Moraes Delmanto

EDITORAÇÃO E DIAGRAMAÇÃO: Gráfica Diagrama/ Edil Gomes

com br Tels: 14.99745.6604 - 14. 991929689

O Diário da Cuesta não se responsabiliza por ideias e conceitos emitidos em artigos ou matérias assinadas, que expressem apenas o pensamento dos autores, não representando necessariamente a opinião da direção do jornal. A publicação se reserva o direito, por motivos de espaço e clareza, de resumir cartas, artigos e ensaios.

Realizado no Brasil, em 1968, no Hospital das Clínicas de São Paulo, o 1º Transplante de Coração no Brasil

NA IMAGEM, EQUIPE QUE PARTICIPOU DO PRIMEIRO TRANSPLANTE DE CORAÇÃO NO BRASIL, EM 1968, NA OCASIÃO FORAM CUMPRIMENTADOS PELO ENTÃO GOVERNADOR DE SÃO PAULO, ABREU SODRÉ.

O primeiro transplante de coração realizado no Brasil foi conduzido pelo médico Euryclides de Jesus Zerbini. A cirurgia histórica aconteceu em 26 de maio de 1968, no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, na cidade de São Paulo.

Esse feito ocorreu poucos meses após o primeiro transplante cardíaco da história, realizado em 1967 pelo cirurgião sul-africano Christiaan Barnard, na Cidade do Cabo, na África do Sul.

A operação liderada por Zerbini representou um marco importante para a medicina brasileira, colocando o país entre os pioneiros na realização desse tipo de procedimento altamente complexo naquela época. O avanço demonstrou a capacidade técnica das equipes médicas brasileiras e marcou um momento histórico para a cirurgia cardíaca no país.

EURYCLIDES DE JESUS ZERBINI

“operar é divertido, é uma arte, é ciência e faz bem aos outros”(EJZ)

O nosso memorizado Dr. Euryclides de Jesus Zerbini é natural de Guaratinguetá-Sp onde nasceu em modesta casa na zona rural no dia 10 de maio de 1912. Seu nascimento foi prematuro e de tão pequeno se acomodava muito bem numa caixa de sapato. Cresceu numa família de cinco filhos e o pai italiano, professor do curso primário foi o responsável pela decisão de cursar Medicina na USP em 1933, na Santa Casa e Misericórdia. Graduou-se em Medicina em 1935 e se especializou em cirurgia geral. A intervenção cardíaca era ainda algo muito raro na Medicina e o coração era tabu dos cirurgiões. Teve no Dr. Alipio Correia Neto(1898-1988) como seu mentor e inspirador em toda sua carreira, sendo seu primeiro assistente da disciplina e chefe da Divisão Médica da USP. Realizou a sua primeira cirurgia cardíaca, num pequeno paciente de seis anos de idade, em estado de choque. O caso mereceu publicação no Journal of Cardiac Surgery, em 1943, tendo sido uma grande contribuição naquela época. Com o desenvolvimento da máquina coração-pulmão artificial por Clarence Walton Lillehei (1918-1999) considerado o “Pai da Cirurgia Cardíaca Aberta”, Dr. Zerbini juntamente com sua esposa Dra. Dirce Costa Zerbini e os estudantes Adib Jatene (1929-2014) e outros seguem para Minneapólis,EUA, para visitar o serviço

do Dr. Lillehei e aprender sobre os primeiros passos da cirurgia com circulação extracorpórea. Zerbini inicia o uso da máquina coração-pulmão artificial somente um ano após o trabalho pioneiro do Dr. Hugo João Felipozzi (1922-2004) “inventor do primeiro marca-passo cardíaco na Am.Latina e a primeira prótese cardiológica”, realizando em 1956 a primeira cirurgia com circulação extracorpórea no Brasil. Em 1968 Dr Zerbini já colecionava uma experiência de 480 pacientes operados. No início de 1960, surgiram as primeiras válvulas cardíacas-artificiais por iniciativa do Dr. Jatene desde 1951 já participava da equipe do Dr. Zerbini. Ainda em 1960, o mundo recebia notícia de grande impacto referente ao primeiro transplante do coração realizado na África do Sul, após o feito magistral do Dr. Christiaan Neethling Barnard (1922-2001) nascido em Beaufort West, primeiro cirurgião cardíaco sul-africano ao realizar em 1967, operação de transplante do coração de pessoa para pessoa no Hospital Groote Shuur, na cidade do Cabo. Escreveu sua 2ª autobiografia em 1993. Logo após, somente cinco meses do feito magistral do Dr. Barnard em 25 de maio de 1968, Dr Zerbini realizava o 17º transplante de coração do mundo e no dia 26 de setembro do mesmo ano realizava também com sucesso, o 2º transplante. Teve grande reconhecimento da sociedade brasileira, tornando-se um verdadeiro ídolo, vindo a ser homenageado pelos governos em diversos níveis, sociedades médicas e a própria população Axiomático dizer que seu nome correu o mundo e atraiu para o Brasil diversas personalidades e profissionais da medicina para conhecer o trabalho pioneiro e avassalador empreendido pelo Dr. Zerbini e sua excelente Equipe Isso levou também a um desenvolvimento interno, sendo Recife e Curitiba as duas cidades brasileiras a realizar cirurgia cardíaca aberta com circulação extracorpórea. Também facilitou a interiorização e em Botucatu a UNESP no ano de 1965 criou o Departamento de Cirurgia e o mesmo foi reestruturado em 1977 para cirurgias cardiovascular e pulmonar além de outras, bem como adquiriu em setembro de 2023 a moderníssima máquina “coração-pulmão” para circulação extracorpórea, cuja a aquisição do equipamento visava a melhoria na qualidade e segurança dos pacientes Hoje, Botucatu é centro de transplantes do coração, atendendo vasta região, inclusive de outros Estados

Roque Roberto Pires de Carvalho roquerpcarvalho@gmail.com

FONTE: Wikipédia; SciELO/Brasil; J. Acontece Botucatu 16/XI/2023

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