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Diário da Cuesta

Acompanhe as edições anteriores em: www.diariodacuesta.com.br

Serviço público de excelência!!!

A Educação Patrimonial é um instrumento de “alfabetização cultural” que possibilita ao indivíduo fazer a leitura do mundo que o rodeia...” Essa política desenvolvida pela Prefeitura da Estância Turística de Botucatu destaca o nível cultural do qual Botucatu tanto se orgulha e promove, efetivamente, uma ação sócio-cultural positiva e cidadã. O mesmo deverá ocorrer com o projeto da inclusão do Cine Nelli – restaurado – na política de “alfabetização cultural” levada a efeito na gestão do Prefeito Fábio Leite.

Estação do Tempo! Já imaginou viajar no tempo... sem sair de Botucatu?!? Veja à página 2, as fotos desse passeio na ESTAÇÃO DA EFS – ESTRADA DE FERRO SOROCABANA. Renata Corvino

O

Ciclo do Café

Roteiro na região de Botucatu/São Manuel

Importante trabalho histórico-cultural sobre a chegada do “ouro verde” em nossa região, no livro “O Menino e o cachorro no cafezal”, da historiadora Maria Joana Tonon, do Centro Cultural de Botucatu. Página 3

O “CICLO DO CAFÉ” teve destaque, à época, em todo o Brasil e, de modo especial, na região de Botucatu/São Manuel: na pesquisa e desenvolvimento do café. Era a presença do IBC – Instituto Brasileiro do Café localizado na FAZENDA LAGEADO após a desapropriação feita pelo Governo Federal. O CAFÉ AMARELO DE BOTUCATU fez muito sucesso, sendo abordado com destaque nas obras do escritor botucatuennse, Francisco Marins.

Estação do Tempo! Já imaginou viajar no tempo... sem sair de Botucatu?

O Estação do Tempo é um projeto lúdico e pedagógico voltado para as crianças do Ensino Fundamental I da rede municipal, que transforma a história da nossa ferrovia em uma verdadeira aventura de descobertas.

Entre trilhos, histórias e curiosidades, os pequenos aprendem como o trem ajudou a construir Botucatu.

É história viva, contada de um jeito divertido, que desperta curiosidade, orgulho e pertencimento nas novas gerações.

Porque conhecer o passado é o primeiro passo para construir o futuro. E

• Projeto da Secretaria de Turismo, com apoio da Prefeitura da Estância Turística de Botucatu.

O Ciclo do Café O café amarelo de Botucatu

Em seu livro “O Menino e o cachorro no cafezal”, a autora, Maria Joana Tonon, procura retratar a importância e as circunstâncias que transformaram a região de Botucatu e São Manuel em importante centro cafeeiro. No roteiro do café através das terras férteis paulistas, a autora registra a sua origem: provavelmente dos lugares mais quentes da Abissínia (atual Etiópia), o café...chegou ao Brasil onde foi aclimatado e cultivado no Pará, ganhando, tempos depois, uma cultura pouco mais extensiva no Maranhão, Ceará e Bahia... Entretanto, as primeiras mudas, a serem transportadas para o sudeste do Brasil: do nordeste o café chegou no Rio de Janeiro e aos poucos foi se revelando, passando a ser o produto mais importante da economia brasileira. A “onda verde” conforme designava Monteiro Lobato já dominava a paisagem, se estendendo em direção a São Paulo pelos confortes da Serra do Mar, atingindo as cidades de Cruzeiro, Cachoeira Paulista, Lorena, Guaratinguetá, Taubaté e outras, no litoral de São Paulo, fraldas da Mantigueira e Zona da Mata Mineira, entre 1825 e 1850.

Do Vale do Paraíba, o café ganhou o interior de São Paulo: Jundiaí, Campinas, no que chamavam “Oeste de São Paulo”, aproveitando antigas fazendas açucareiras... Sempre no encalço de novas terras pelo interior da província, denominada terra rossa (vermelha) pelos italianos.

Com esse deslocamento gradativo, os cafezais prosseguiram “em duas direções: rumo oeste para Limeira, Rio Claro e São Carlos, atingindo o ponto extremo desabitado dos campos de Araraquara, e rumo norte, atingindo Casa Branca e Mococa.

municípios de Avaré, Botucatu, São Manuel e Bofete, possuía em 1886, uma população de 33.680 habitantes, o dobro do que tinha no início da década de 1870, enquanto sua população escrava era de apenas 820 indivíduos. Como importante centro agrícola, Botucatu contava com quase vinte distritos e vilas, ocasião em que os mais progressistas tinham concretizado ou estavam iniciando seus processos de emancipação: Lençóis Paulista (1865); Avaré (1875); Bofete (1885), São Manuel (1885) e, posteriormente, Pirambóia (1890) (DELMANTO,1995, p. 18-25),45 (FIG. N° 8, 9, 10 e 11)

Em busca de terras virgens, de novas frentes pioneiras, os cafeicultores se motivaram mais, adentrando o interior, com o propósito de explorar áreas que chamaram de Novo Oeste, constituído pelas regiões onde estavam localizadas: Lins, Bauru, Botucatu, São Manuel, Araçatuba, São José do Rio Preto, Assis e Presidente Prudente. E citando Hutter, a autora destaca: “o oeste paulista, do ponto de vista geográfico, é a região constituída pelas enormes áreas dos chapadões arenítico-balsáticos que se estendem a partir da denominada “Cuesta de Botucatu” até o rio Paraná”, que muito rapidamente transformou-se em uma das áreas mais dinâmicas do Brasil. Mostrando a importância da conquista do oeste paulista, a autora destaca o caminhar do “trem de ferro” vencendo o degrau abrupto da escarpa da Cuesta de Botucatu, citando Júlio Ribeiro:

“A máqina, arfando, em carreira vertiginosa (...), arrastando a loga cauda de carros, triunfanem rumurosa, sobe, galga, vence, domina, salva o declive áspero, rola em terreno plano...”

Antes mesmo da chegada da ferrovia, a cidadezinha de Botucatu já contava com diversos fatores estratégicos: os cafezais estavam protegidos das geadas, devido a localização nos altos ou em meia encosta, e as estradas eram mantidas em razoáveis condições para o escoamento da produção feitos em jacás nos lombos dos burros ou em carroças, destaca a autora. Entre as grandes fazendas instaladas naqueles anos, estavam: Lageado, que, ao expandir suas terras, incorporou as fazendas vizinhas de: Salto (1884), Terreiro da Pedra (1885) e partes da fazenda Terceira Água (1886), conhecidas hoje como fazendas Lageado e Edgardia.43 Contava com 600.000 pés de café; outra grande fazenda produtora de café, localizada no atual distrito de Vitoriana, era do Conde de Serra Negra, que mantinha um conjunto de três fazendas: Villa, Chalet e Villa Victoria, com 615.000 pés de café Também foram unidades produtoras cafeeiras, de grande destaque no município, as fazendas: Morrinhos, Morro Vermelho e Monte Selvagem, da Companhia Agrícola, São Bento, Araquá, Santa Maria, Bella Vista, Santo Antonio e Santa Maria, Capivara, São João, Morro Azul, Santa Rosa entre tantas outras* (BOTUCATU..., 2007, p. 80-88; FREITAS, 2008, p. 77; DELMANTO, 2000, 106).

Comenta PIZA (2007, p. 42) que a área compreendida entre os atuais

Em São Manuel, como em grande parte das regiões de São Paulo, a economia baseava-se no latifúndio, como sistema de propriedade agrícola, produtiva e lucrativa de monocultura do café, com grande número de cafezais, variando entre o tipo comum, o amarelo de Botucatu, o maragogipe e o buorbon que dominavam a maioria das plantações. (SANCHES, 1996, p. 23).

A CHEGADA DOS ESTRANGEIROS

A autora nos mostra a importância da vinda de seguidas levas de estrangeiros: depois dos americanos se instalarem em Botucatu, foi a vez dos portugueses se fixarem nestas terras, por volta de 1870. A partir daí, outros imigrantes foram chegando na cidade, em busca de novas oportunidades: franceses, suíços, espanhóis, árabes (turcos, libaneses, sírios), israelitas, armênios, austríacos, japoneses, belgas, alemães e italianos. De todos, o grupo italiano foi o mais significativo na época, pela substituição massiva da mão de obra rural, especialmente no interior de São Paulo, alavancando a economia brasileira.

Enquanto alguns poucos traziam dinheiro para comprar terras, outros administravam e, a grande maioria trabalhava duro na condição de contadini, nas fazendas cafeicultoras.

A partir de 1890, deu início a urbanização da cidade, com o registro da abertura de muitas firmas comerciais e de artesanato, localizados, principalmente nas ruas da: Estação (Floriano Peixoto), Curuzu, e na parte mais avançada da Riachuelo (atual Rua Amando de Barros) nas bandas do Lavapés. Os imigrantes continuaram a se sobressair na indústria, no comércio, nas áreas: social, religiosa, cultural etc., colaborando sobremaneira, com o desenvolvimento do município (PUPO, 2002, passim).

Em São Manuel não foi diferente Por ser um dos lugares mais pujantes do Estado de São Paulo, os italianos dinamizaram a cidade, com o estabelecimento de várias casas comerciais e de pequenas indústrias manufatureiras.

Para se ter uma ideia, muitos pesquisadores como ALVIN (1986), SAPIENZA (1991) e HUTTER (1972) estudaram a entradas dos imigrantes no Brasil e destacaram que, dos 480.896 estrangeiros que aqui aportaram até 1985, 353.139 eram italianos.

Mas, por que escolheram a América, especialmente o interior do Estado de São Paulo (Brasil), para se estabelecerem?

Esse o caminho que a autora segue, procurando esclarecer muitas dúvidas e destacando a importância da cafeicultura para o desenvolvimento do Estado de São Paulo.

E em sua análise fruto de muito estudo e pesquisa, a autora concentra seu relato no cenário rural que abriga a FAZENDA SÃO VICENTE, tradicional polo onde se desenvolveu a cafeicultura em São Manuel.

A AUTORA: Maria Joana Tonon é formada em História pela UNIFAC, com Mestrado na UNICAMP. Em 2015, ao vir morar em Botucatu, encerrou seu doutorado no mesmo ano, passando a dedicar-se às pesquisas e ao estudo sobre as famílias italianas Como historiadora, integrou a Coordenadoria Setorial do Patrimônio Cultural, da Prefeitura de Campinas, por 10 anos. À partir de 2017, passa a fazer parte, como voluntária, do CENTRO CULTURAL DE BOTUCATU, onde vem realizando importante trabalho na organização do acervo da Entidade. (AMD)

20 de março- Dia Mundial da Felicidade

“A felicidade é uma coisa boa

E tão delicada também

Tem flores e amores

De todas as cores

Tem ninhos de passarinhos

Tudo de bom ela tem

E é por ela ser assim tão delicada Que eu trato dela sempre muito bem”

Vinicius de Morais

Como definir a Felicidade?

Se ela tem definição, acho que sempre será um sincero sentimento de plenitude que nada de palpável pode preencher.

Não é aquela sensação de possuir algo que o dinheiro compra, por que isso passa, mas uma sensação sutil que nada substitui.

Vejo amigas que se tornaram avós.

Ficam completamente maravilhadas com aquele seu pacotinho terno, envolto em panos.

Não ficaram tão embasbacadas após dar á luz a um filho seu.

Mas o netinho...Esse é o diamante caído dos céus.

Dias atrás vi uma avó que falava ao telefone com a família que vive longe.

Momento a momento vinha alguém saudá-la.

E a netinha menor brincava distraída pelos cantos da pequena casa, e nem veio cumprimentar a vovó.

Como já era de praxe, a pequena só faz o que quer e no momento que menos se espera vem mostrar algo e no seu tatibitate dos 3 anos solta uma ou duas palavrinhas.

Mesmo assim é aquele encantamento vê-la, nem que seja num momento daquele mau humor que precede o sono.

Já se despediam com muitos envios de beijos quando a pequenina surgiu do nada e gritou: “Amo você, vovó”.

A avó surpresa respondeu “eu também te amo”.

Desligou o telefone e ficou ali...sorrindo aquele sorriso bobo de quem ganhou na loteria.

Os olhos brilhantes de lágrimas fitando ainda aquela imagem que se desvanece na distância.

Pigarrei, pois me emocionei também e disfarcei olhando para outro lado.

Acho que aí reside a tão aclamada Felicidade!

Parafraseando o nosso Poetinha, me pego muitas vezes, olhando o céu azul anil, as flores Pink e brancas recém nascidas das minhas buganvilias, os passarinhos que vem chilrear em seus galhos.

Borboletas vagueando pelos vasos, ou o olhar cor de mel de puro amor da minha salsichona Mindy, respiro fundo e agradeço esses momentos de genuína felicidade.

Historiando

AUTA DE SOUZA

O nome dessa moça ouço falar desde 1956 quando, no quartel, um capitão espontaneamente, era responsável pela venda de um carnê de obras assistenciais com o nome de Auta de Souza, porém, não perguntei de quem se tratava, apenas fiz pequeno aporte com a intenção de colaborar. Registrado o nome no computador da memória, passados 70 anos eis que estou aqui escrevendo e até mesmo atribuindo aos longevos como eu o privilégio de testemunhar e, quando possível, divulgar a importância de certos fatos, como este...- Auta de Souza nasceu em 12 de setembro de 1876 na cidade de Macaiba, Estado do Rio Grande do norte, filha de Elói Castriciano de Souza e de Henriqueta Leopoldina Rodrigues, irmã de políticos influentes no Estado potiguar.Ficou órfã aos três anos, com a morte de sua mãe por tuberculose, e no ano seguinte faleceu seu pai pela mesma doença, ambos eram muito jovens. Desde a infância vivenciou grandes lições do sofrimento humano, Após a morte de seus pais ela e seus irmãos foram criados pela sua avó materna Silvina Maria da Conceição de Paula Rodrigues em uma chácara no Recife onde foi alfabetizada por professores particulares. A avó, apesar de analfabeta, conseguiu proporcionar boa educação para seus netos. Aos sete anos sabendo ler e escrever, Auta lia para as crianças pobres e filhos de escravos as primeiras lições de religião. Aos onze anos, foi matriculada no Colégio São Vicente de Paula, dirigido por freiras vicentinas francesas, e onde aprendeu Francês, Inglês, Literatura (inclusive muita literatura religiosa), Música e Desenho. Lia no original as obras de Victor Hugo (1802-1885),Lamartine (1790-1869), Chateubriand (1768-1848) e Fénelon (1651-1715); estudava, recitava, sendo muito influenciada por eles em sua alma poética. Lamentavelmente, aos 14 anos, a tuberculose mal conhecida e, na época, como “dama de branco”, começa a ação devastadora e, mesmo atingida pela doença implacável Auta se mantém firme;

Roque Roberto Pires de Carvalho

com seu talento e perseverança venceu a resistência dos círculos literários, cujo ambiente era predominantemente masculino. Mesmo com essas dificuldades, conseguiu publicar seus poemas, vencendo os adversários, inclusive, ganhou o respeito e admiração de Olavo Bilac(1865-1918), poeta renomado que, a seu pedido, escreveu o prefácio da 1ª Edição seu único livro “Horto” de poesias. Assim se expressou o notável poeta: “Encontrar entre os livros de versos (tantos, Santo Deus!) que por ahi se publicam, um livro como este, de uma tão simples e ingênua sinceridade, é coisa que surpreende e encanta. Não há nas estrofes do HORTO o labor pertinaz de um artista, transformando as suas ideias, as suas torturas, as suas esperanças, os seus desenganos em pequeninas joias; aqui a alma vibra em liberdade, sem a preocupação dos efeitos da Forma, livre da complicada teia de artifícios. Ingenuamente, comovida e meiga, essa alma de mulher vae traduzindo em versos os mundos de sensações, agora ardentes, agora tristes, que o espetáculo da vida lhes vai sugerindo. Às vezes, é um aspecto da Natureza. Mas... não convém privar o leitor das surpresa que encontrará, de página em página, neste formoso volume, que vem revelar uma poetisa de raro merecimento. HORTO será, para os que amam a linguagem divina do verso, um desses raros livro que se leem e relem com um encanto crescente.” (Olavo Bilac). Outros escritores como Chico Xavier, Câmara Cascudo, registraram para a posteridade o nome da poetisa que faleceu no dia 7 de fevereiro de 1901, aos 24 anos de idade. Sua trajetória inspirou dissertações de mestrados e teses de doutorados, sendo tema de campanhas humanistas e de auxilio aos menos favorecidos.

FONTE: Wikisource; Instagram; Biblioteca Espírita.

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