Divulgando e Prestigiando Botucatu: O lançamento do prestigioso CÓDIGO PENAL COMENTADO, pela Editora Saraiva, eleva e destaca Botucatu em todo o mundo jurídico nacional e em todos os Estados brasileiros. Com tiragem acima de 100 mil exemplares e uma publicação que atinge um público diferenciado. E a obra de arte que ilustra a capa da 10% edição dessa obra jurídica, de autoria da artista plástica Alexia de Oliveira, expressa toda a grandiosidade do antigo Fórum de Botucatuhoje, a 1ª PINACOTECA DO INTERIOR !
O ENGENHEIRO DO JÚRI
Roberto Delmanto
No início do século passado houve um grande júri em Botucatu, no interior de São Paulo, onde se defrontaram dois famosos criminalistas: Antonio Covelo e Alfredo Pujol.
Meu pai Dante Delmanto, que lá nasceu e cresceu, não pôde entrar por ser menor de idade, tendo de assistir da rua os debates. Mas foi o suficiente para se apaixonar por aquela que, a meu ver, é a mais bela das especialidades da advocacia – a criminal – e por seu momento maior – o julgamento popular – onde triunfaria durante cinco décadas.
Vários episódios de sua vida não o desviaram da carreira que escolhera. Ainda em Botucatu, apoiado pelo pai, o imigrante italiano Pedro Delmanto, teve um pequeno jornal em sociedade com um veterano jornalista.
Ingressando em 1925 na Faculdade de Direito do Lago de São Francisco, então ainda ocupando um anexo do Convento dos Franciscanos, trabalhou como jornalista no Diário da Noite, atuando como comentarista político.
Muito contundente nas suas críticas às mazelas da República Velha, que perdurou até 1930, o editor-chefe, que gostava daquele talentoso jovem, o transferiu para o setor de cinema. Motivo: em virtude de seus comentários, o jornal vinha sofrendo processos indenizatórios.
Na nova função, assistia os principais filmes e os comentava, agora sem risco de processos...
Trabalhou depois, como datilógrafo, no escritório do Prof. Vicente Ráo, Catedrático de Direito Civil das Arcadas. Convidado a continuar após formado, optou por sair, pois lá não havia área criminal.
Na Faculdade de Direito fez parte do Partido da Juventude, uma filial do Partido Democrata, de oposição do Governo Federal, chefiado pelo eminente criminalista Marrey Júnior. Com ele viria a trabalhar por vários anos até abrir, em 1935, seu próprio escritório, a “Delmanto Advocacia”, hoje o mais antigo do país na especialidade.
Ainda estudante, a política partidária já o havia “cortejado”. Quando o gaúcho Assis Brasil, que percorria o Brasil em uma caravana pregando os ideais democráticos de 1930, esteve em São Paulo, convidou dois estudantes do Largo de São Francisco, bons oradores, para acompanhá-lo em uma viagem ao Nordeste. Um dos escolhidos foi meu pai, que discursou em praça pública nas principais cidades nordestinas.
Também “flertou” com a diplomacia. Por ter obtido a maior nota na disciplina de Direito Internacional Público, ganhou uma bolsa de estudos em Haia, na Holanda. A qual lhe dava o direito de ingressar, sem concurso, no Itamarati, como Secretário de Embaixada. Aos 25 anos de idade foi o mais jovem presidente do Palmeiras, à época Palestra Itália, que conquistou o tricampenonato paulista – 32, 33 e 34 – e venceu o torneio Rio – São Paulo.
Em 1934, foi eleito Deputado Constituinte Paulista, sendo o mais jovem, com apenas 28 anos, e o mais votado, como integrante do Partido Constitucionalista que, após a Revolução de 32, reunira o Partido Democrata e uma dissidência do Partido Republicano Paulista, cuja maioria apoiava o Governo Federal
Com o Golpe do Estado Novo de 1937, quando Getúlio Vargas fechou o Congresso, destituiu os governadores, nomeando interventores, e extinguiu as Assembleias Estaduais, abandonou a vida pública, continuando a trilhar sua verdadeira vocação: a advocacia criminal.
Demonstrando já seu enorme talento, Dante, após exibir aos jurados a fotografia da vítima constante dos autos, argumentou que, sendo ela belíssima, mesmo com a lesão sofrida certamente não ficava incapacitada de “trabalhar” por 30 dias. Os jurados riram da ousadia do jovem advogado e desclassificaram o delito para lesão leve. Redistribuído o processo a uma Vara Comum, acabou prescrevendo. Suas atuações eram memoráveis. Preparava-se, como afinco, para os julgamentos. Quando contratado logo após os fatos, acompanhava o caso desde o inquérito policial, a instrução judicial e, por fim, o júri. Dizia que o criminalista, antes de tudo, devia produzir provas em favor de seu cliente.
Antes do júri, se necessário, instruía a defesa ou a acusação com pareceres técnicos ou jurídicos que dariam sustentação à sua tese. Na defesa, preparava o acusado, com todos os pormenores, para o interrogatório a que seria submetido em plenário. Dizia que o advogado ao ir ao júri precisava conhecer o processo com a palma da mão, não podendo, por desconhecimento dos autos, ser surpreendido pela parte contrária.
Sua argumentação, sempre baseada na prova, aliada a um enorme poder de comunicação e a uma simpatia contagiante, era quase impossível de ser contestada. Preferia atuar na defesa do que na assistência da acusação, na qual também logrou grandes vitórias.
Para defender, seus limites éticos eram a própria consciência e jamais prejudicar terceiros inocentes. Já para acusar, era mais rigoroso, necessitando ter certeza da culpa do acusado.
Assisti mais de uma dezena de júris seus, os últimos de sua carreira.
Em muitos, após ouvir a Promotoria, o caso parecia indefensável.
Aí, começava sua fala. Sempre mencionando os bons antecedentes que o acusado tivesse, como um engenheiro ia construindo a defesa como se fosse um prédio, etapa por etapa: a terraplenagem, as fundações, o primeiro andar, os seguintes, e assim por diante, até que a construção chegava ao topo. Nessa altura, quem desmoronara era a acusação...
Era conhecida sua ética no trato com colegas, promotores, juízes, serventuários e familiares dos envolvidos no processo. Achava que tanto a família da vítima quanto a do acusado sofriam muito, a primeira apenas mais do que a última.
Em um histórico julgamento no interior de São Paulo, defendia um jovem passional que matara a tiros a noiva que com ele rompera, filha de um ex-prefeito. Pouco antes do júri, vieram lhe trazer documentos que comprometeriam sua administração. Dante recusou-os de imediato, dizendo que não poderia impor mais sofrimento a quem já tivera a dor maior de perder a própria filha. Desclassificada a acusação de homicídio doloso para simples e condenado a 6 anos, depois de solto, o acusado suicidou-se.
Durante o Estado Novo, defendeu dezenas de acusados de subversão perante o Tribunal de Segurança Nacional, uma Corte de exceção, sediado no Rio de Janeiro, então Capital Federal. Ia para lá no trem noturno da Central do Brasil, fazia suas defesas e retornava no dia seguinte. Tendo atuado como advogado criminalista também durante a posterior Ditadura Militar, dizia que a Ditadura Getulista não fôra menos violenta do que ela.
Porém seu maior sucesso, que lhe deu fama nacional, foi no Tribunal do Júri. Houve um tempo em que este julgava não só os crimes dolosos contra a vida, como atualmente, mas também as lesões corporais graves.
Em uma de suas primeiras atuações defendeu um estudante das Arcadas que, enciumado, ferira no rosto uma jovem prostituta. Em virtude do ferimento, o legista que a examinou considerou-a incapacitada para o trabalho por mais de 30 dias, o que transformara a lesão em grave, da competência do júri.
Mas o pai da vítima, sabedor da atitude de meu pai, fez questão de tornar-se seu amigo.
Sabia aliar à sua incomparável técnica, a emoção, contida, mas sincera, quando ela brotava em sua alma. Ao término daquele julgamento, presidido pelo Juiz Joaquim de Sylos Cintra, que mais tarde se tornaria Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, este lhe disse: “Dr. Dante. O senhor não me convenceu, mas me comoveu. Houve momentos na tribuna em que o senhor se transfigurou...” Em geral saía vencedor nos júris de que participava. Mas quando, na sala secreta, a votação lhe era desfavorável, não retornava à sua tribuna no plenário. Ela não era abandonada, mesmo porque sua atuação já se encerrara, mas deixada vaga, em um protesto simbólico e silencioso contra uma decisão considerada injusta. Aos 70 anos abandonou os julgamentos populares. Falava que preferia deixá-lo no auge, do que fazer como o célebre jogador de futebol Friedenreich, da primeira metade do século passado, que jogando até os 45 anos nos últimos tempos só aguentava atuar meia partida.
Deixou um único livro: “Defesas que Fiz no Júri”, em que narra não só os casos famosos em que atuou, mas também outros, muitos do início da carreira que o marcaram pelo lado técnico e, principalmente, humano.
Como filho, tive o privilégio de poder revê-lo e atualizá-lo na sua 8ª edição, lançada no ano passado, pela Saraivajur.
No antigo Tribunal do Júri de São Paulo, onde realizou a maioria de suas defesas e acusações, e que, por sua beleza, é a “Capela Sistina” do Tribunal de Justiça, magnífico prédio de Ramos de Azevedo, há dois bustos: o de notável Promotor Ibrahim Nobre, de uma geração anterior à sua, e o seu, onde está escrito: “Príncipe dos Advogados Criminais...”
Artigo do advogado criminalista, Antonio Claudio Mariz de Oliveira (ex-presidente da OAB/SP e ex-Secretário da Justiça e da Segurança Pública de São Paulo), sobre DANTE DELMANTO, presidente do Palestra Itália e advogado criminalista.
O príncipe dos advogados criminais
Um exame da carreira dos grandes advogados criminais nos mostra o despontar da vocação para a advocacia penal logo nos primórdios da carreira, mesmo já durante a Faculdade ou até antes de nela ingressar.
Nenhuma outra motivação, nenhum outro fator, nenhuma circunstância externa impeliu esses bacharéis a abraçar o Direito Penal e a optar pelo árduo caminho da defesa, íngreme, por vezes tortuoso, mas sempre iluminado pela busca da liberdade e da dignidade pessoal.
Razões, as mais diversas, conduzem os recém-formados a optar por alguns dos ramos da advocacia. Influência de algum advogado mais antigo, oportunidade para trabalhar em um escritório especializado em algum setor, trabalho interno em pessoa jurídica. Enfim, todas razões externas, na maioria dos casos, alheias à vontade do bacharel, que nem sequer fizera a sua escolha.
o cuidado, o esmero, a dedicação religiosa a cada caso. Sua entrega ao minucioso estudo dos processos era absoluta e tornou-se notória e lendária.
Já na área penal, prepondera a vocação, a chamada interior para o exercício da defesa daqueles levados às barras dos tribunais criminais.
No caso de Dante Delmanto foi exatamente esse insuperável chamamento que o levou a trabalhar com um grande expoente da advocacia criminal da época, primoroso orador, que foi Adriano Marrey
Na verdade, sua inata inclinação pela defesa, aflorou quando assistiu a um júri em Botucatu, sua cidade natal, no qual trabalharam Antonio Augusto Covelo e Alfredo Pujol, dois expoentes do Tribunal Popular da época. Nem sequer era estudante de Direito
Sua vocação levou-o a recusar a carreira diplomática. Uma bolsa patrocinada pela Fundação Carnegie, para estudar na Holanda, especificamente em Haia, depois de concluída, outorgou-lhe o direito de ingressar no Itamaraty como 3º secretário Preferiu advogar.
Tal como um refinado artesão, a matéria prima de seu trabalho, o processo, era examinado, esmiuçado, prospectado até estar sob o seu domínio absoluto, para em seguida e a partir daí serem construídas as teses de defesa, elaboradas as primorosas razões, todas elas emolduradas por pertinentes citações doutrinárias que davam supedâneo a alegações e argumentos irrespondíveis, calcados nos elementos probatórios constantes dos autos.
Conhecedor de cada folha, certidão ou carimbo do processo, Dante jamais cometeu um engano, uma falha, uma omissão no exame das provas, pois expunha com precisão todas e delas extraía argumentos valiosos para a defesa. Aliás, também foi e ainda é considerado o mais temível e eficiente argumentador dos que pontificaram na advocacia criminal.
Não se pense que Delmanto tivesse os seus interesses, a sua cultura e a sua inteligência exclusivamente voltados para a advocacia. Não, era um homem do mundo e talvez a sua permanente sintonia com os fatos da vida tenha constituído um dos fatores de sua proeminência na advocacia criminal. Dotado de extraordinária sensibilidade para entender o homem e os fatores humanos, não tinha uma visão maniqueísta da vida, pois como todo advogado vocacionado, possuía plena consciência das inevitáveis contradições que nos marcam e sabia aceitá-las com olhar compreensível, complacente e solidário.
Trabalhou durante nove anos no escritório do notável criminalista Adriano Marrey, um dos grandes da época, onde adquiriu valiosa experiência que aliada ao seu estilo próprio, com marcas e aspectos peculiares, que foram se aprimorando e sedimentando com o correr dos anos, tornou-se um dos maiores advogados criminais de todos os tempos.
O fato marcante da conduta profissional de Dante
Em sua trajetória de vida, da advocacia à política, passando pelo futebol, Dante Delmanto deixou marcas indeléveis, de caráter, competência e dedicação plena.
Lutou em 1932, na Epopeia Paulista, já formado em Direito. Aficionado pelo Palmeiras, com vinte e cinco anos, foi eleito seu presidente. Nesse período, o então Palestra Itália, obteve notáveis feitos.
Na política, cerrou fileiras em torno do partido Constitucionalista, tendo sido eleito, em 1935, deputado estadual constituinte, como o candidato mais votado.
No curso de sua vida profissional, Delmanto demonstrou de forma permanente e significativa o seu respeito e acatamento pela dignidade e pelos direitos alheios, fossem adversários da tribuna, réus ou vítimas.
Certa feita recusou-se a utilizar documentos que comprometiam um ex-prefeito, pai de uma moça morta por um seu cliente. A justificativa para não valer-se dos documentos, foi plena do sentido ético que sempre norteou sua vida profissional e pessoal: não seria moral e ético infligir mais dores a quem já as tinha de sobejo pela perda da filha.
Assim se conduzia Dante Delmanto, o “Príncipe dos Advogados Criminais”, exemplo para todos nós, velhos e jovens advogados criminais.
Delmanto foi
Relembrando
Diário da Cuesta
“AS DEFESAS QUE FIZ NO JÚRI Dante Delmanto
Elda Moscogliato
Com uma atenciosa dedicatória - o que muito nos desvaneceu e honrou - vimos de receber do Dr. Dante Delmanto, um exemplar de seu livro “DEFESAS QUE FIZ NO JÚRI”, lançado pela Saraiva, em princípios de Outubro último, cuja repercussão impressionou entusiasticamente os meios jurídicos do País, eis que a obra é um paciente trabalho de dois anos em que o Autor selecionou de seus centenares de processos vitoriosos, trinta e oito casos de brilhantes lutas na esfera criminal, através dos quais sobreleva sua profunda cultura humanística sedimentando uma vida profissional admirável. Tão grande foi o êxito do livro, que em menos de um mês de lançamento, tornou-se o campeão de vendagem na Feira do Livro de Ipanema patrocinada pela Prefeitura do Rio de Janeiro. Concomitantemente eram vendidos em São Paulo-Capital, mil e cem exemplares em menos de quinze dias. Leitura sedutora, acessível mesmo aos leigos, tocou-nos profundamente a frase inicial do Preâmbulo assim expressa : “ Em Botucatu, onde nascemos...” Depois do tributo à esposa e filhos, o Autor se volta para a terra-mãe, ao berço que lhe propiciou com os estudos preliminares, o primeiro encontro com o raciocínio dialético, no Fórum local.
Palmilhando suas páginas voltamo-nos ao passado, revivendo cena antiga, em que acompanhando nossa mãe, uma vez mais, ao venerável sobradão da rua Amando de Barros, lá onde se encontra hoje a Pensão São José (hoje, o Magazine Luiza) que conserva ainda dos velhos tempos, a escadaria de mármore e as gradinatas rendilhadas de ferro batido das remanescentes sacadas, lá encontramos tímida e esquiva, um jovem egresso das Arcadas da São Francisco agora em retorno de sua primeira viagem à Europa. Loquaz, comunicativo, entre um carinho à mãe amorosa e terna, e um abraço ao velho pai, orgulhoso, dava o jovem aos circunstantes suas impressões da Itália, da Holanda e da Bél-
gica, enquanto de mão em mão passavam as fotografias que evidenciavam sua presença nas praças, nos interiores, nas ruas e “duomos” da velha Itália. Numa delas, num barco turístico, lá estava o jovem advogado a caminho de Capri. Os tempos correram. Optando pelo Direito Penal, o jovem, exuberante de vitalidade, inteligência e talento, transformou-se dentro em pouco, no maior criminalista de São Paulo. Uma invejável cultura humanística , enriquecida através dos anos, sedimentou-lhe a sabia e respeitável vida profissional que hoje atrai a admiração com que é seu nome conhecido. Dante Delmanto emergiu num dos centros culturais mais expressivos do País, onde, a seu tempo. Antônio Augusto Covelo, Alfredo Pujol e Adriano Marrey Júnior haviam pontificado já como luminares do Foro da Capital. Seu livro agora, vem de consagrar-lhe os quarenta anos de vida forense, dando-nos - bem o diríamos - uma visão de terna e evocativa memória. Dando maior ênfase à passionalidade, cita, de Ivair Nogueira Itagiba: “A paixão nasce, aviva, intensa, e conduz ao delito. Na sua violência embrutece o juízo”... Abre-nos à sequência, o emocionante “O Passional Russo”. Interessantíssimo, em que intuímos, através de sua argumentação brilhante, o duelista da palavra, o espírito ciceroniano da réplica vivaz, arguta, precisa. Sobretudo, o defensor sincero e humano que devolve ao réu, a dignidade perdida. Mais urna vez, Dante Delmanto nos conquista. Sem que se lhe diminuam os atributos de causídico irretorquível, surge-nos agora, o mestre. Sua exposição clara, cursiva, sua oralidade envolvente, transmuda-o no catedrático, no sutil pedagogo do passado, tomando pelas mãos e guiando sereno, nossos jovens e inseguros egressos das Faculdades”.
(“A Gazeta de Botucatu” - 10/11/1978)
Nota da Redação: A saudosa escritora Elda Moscogliato é considerada a «CRONISTA DE BOTUCATU», tendo sido Secretária da Academia Botucatuense de Letras desde a sua fundação Professora e educadora botucatuense está eternizada em crayon sobre tela pela artista plástica e também Acadêmica da ABL Profa. Maria Amélia Blasi de Toledo Piza.
DIRETOR: Armando Moraes Delmanto EDITORAÇÃO E DIAGRAMAÇÃO: Gráfica Diagrama/ Edil Gomes Contato@diariodacuesta com br Tels: 14.99745.6604 - 14. 991929689
Diário da Cuesta
Vanguarda de Botucatu, outubro de 1978
Diário da Cuesta
Diário da Cuesta
Os Delmantos, a Folha Dobrada & as ARCADAS...
Foi extremamente honroso para mim a inclusão de meu nome na matéria sobre os membros da Família Delmanto que passaram pelas ARCADAS DA SÃO FRANCISCO. O texto é de responsabilidade do decano dos advogados da família formados naquela tradicional e sempre nova Academia, o meu primo Roberto Delmanto, advogado criminalista que mantém a tradição do escritório “DELMANTO ADVOCACIA CRIMINAL”, inaugurado em 1937, por seu pai, DANTE DELMANTO, considerado o “príncipe dos advogados criminalistas”. A matéria saiu na revista “FOLHA DOBRADA”, nº 48, da Associação dos Antigos Alunos da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). O destaque foi dado a DANTE DELMANTO, que se formou em 1929, com especialização no Tribunal de Haia/Holanda. Durante o seu curso, Dante trabalhou no escritório de MARREY JUNIOR que tinha o melhor escritório de Direito Criminal na época e era considerado o melhor criminalista do Brasil. O CÓDIGO PENAL COMENTADO (Saraiva), de autoria de Celso Delmanto, Roberto Delmanto, Roberto Delmanto Júnior e Fábio de Almeida Delmanto, é considerado, em suas sucessivas edições, o preferido por profissionais e por acadêmicos de direito.
deve saber sobre a Assembléia Nacional Constituinte”, Edições Populares, que foi o precursor da Assembléia Nacional Constituinte de 1988.
Abaixo, transcrevo a matéria publicada na FOLHA DOBRADA e, complemento a minha ligação com a tradicional Faculdade do Largo de São Francisco, destacando, com muita honra, que meu tataravô materno, SENADOR MANOEL DE MORAES BARROS, formou-se em 1857, pela Faculdade de Direito e seu irmão – o primeiro presidente civil do Brasil – PRUDENTE JOSÉ DE MORAES BARROS, formou-se na turma de 1863, dessa Academia, tendo presidido a 1ª Constituinte da República
Meu tio Dante foi o grande incentivador para que eu desse prioridade ao curso de direito, eis que fazia também o curso de sociologia e política. Fiz carreira, como advogado, no campo empresarial do setor público, com destaque na primeira privatização positiva do governo paulista, na gestão do governador Paulo Egydio Martins: a FRUTESP – indústria de suco de laranja – que foi privatizada, via Assembléia Legislativa, para a Cooperativa dos Produtores de Laranja (Coopercitrus) da região de Bebedouro/ SP. Da mesma forma, a minha participação na elaboração do formato legal que possibilitou a unificação das empresas de energia de São Paulo (CESP, ELETROPAULO, CPFL E COMGÁS), no governo de Franco Montoro, quando foi criada a ENERGIA DE SÃO PAULO, sob a presidência unificada do prof. José Goldemberg.
Na produção jurídico-literária, coordenei a edição da “CLT – Consolidação das Leis Trabalhistas” – Coleção de Leis Rideel, de 1996/97/98 e, em 1981, com o livro “CONSTITUINTE – O que todo Brasileiro
E, de meu arquivo pessoal, o registro dos irmãos Moraes Barros, sendo o senador Manoel de Moraes Barros avô do meu avô Manoel de Camargo Moraes. É REGISTRO HISTÓRICO.
errata: onde se lê bisavô, leia-se avô e onde se lê bisavós, leia-se avós. (BLOG DO DELMANTO, 11/10/2013)
comentários:
Delmanto disse...
É sempre difícil falar de si mesmo ou de seus familiares Mas é tão gratificante que não dá para que não se dê o devido destaque. A começar por Dante Delmanto, botucatuense que brilhou na política, nos esportes e na advocacia. Foi eleito deputado estadual, por Botucatu, com 28 anos de idade e com a maior votação de todo o estado: era advogado criminalista do escritório de Marrey Junior, considerado o melhor criminalista de sua época e líder da maçonaria; Dante, nas eleições de 1934, conseguira o Tricampeonato Paulista para o Palestra-Itália (Palmeiras) e representava Botucatu e grande parte do interior paulista que havia se mobilizado pela Revolução Constitucionalista de 1932.
É toda uma história de vida...
E com a minha modesta participação, sinto-me extremamente honrado por fazer parte de um clã de destaque na área jurídica e poder comemorar a postura de todos nós sempre dentro da ética e da formação cidadã que nos foi dada por nossos antepassados.
11 de outubro de 2013 às 16:38
- Prezado Colega Armando, Primeiro, agradeço suas palavras elogiosas, imerecidas, mas que constituem incentivo e estimulo às nossas atividades. O texto, interessante e oportuno, complementa a matéria já divulgada. Estaremos divulgando-a através do nosso site www. arcadas.org.br, destaque em Noticias e conteúdo em Reminiscências. A partir de 4 de Novembro. Abraço forte e as Saudações Acadêmicas Madia (José Carlos Madia de Souza – Presidente da Associação dos Antigos Alunos da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo – FDUSP)
Leitura Dinâmica
1– O imigrante empreendedor, PEDRO DELMANTO, tinha um sonho: formar todos os seus filhos. E conseguiu: 3 médicos e 2 advogados... As 2 filhas, professoras.
2– Em 1928, Pedro Delmanto inaugurava a Casa de Saúde “Sul Paulista”,
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moso PRP. Houve, portanto, um casamento político também...
O casal Dante e Cecília Torres Delmanto tiveram os filhos Celso Delmanto, Roberto Delmanto e Maria Cecília Delmanto, tiveram netos e bisnetos.
um pequeno hospital regional. Na inauguração festiva, presentes autoridades e o representante do Rei da Itália. Pela diretoria da Casa de Saúde falou Dante Delmanto agradecendo a colaboração de todos e a presença festiva da população e autoridades presentes.
– Dante Delmanto tinha sido eleito com a maior votação para Deputado Estadual na Constituinte Estadual de 1934 e, também, sendo o mais novo deputado eleito. Em 1936, a cidade de Botucatu presenciava um evento social expressivo para a comunidade:
“Foi um acontecimento social marcante na sociedade botucatuense: o casamento celebrado pelo novo Bispo Diocesano, Dom Carlos Duarte Costa, no Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, com orquestra regida pelo professor Aécio de Souza Salvador e a presença de amigos, parentes, políticos, conhecidos e companheiros da Capital e de cidades da região.
O noivo, Advogado DANTE DELMANTO era
o DEPUTADO ESTADUAL CONSTITUINTE (1934/37), representando O PARTIDO CONSTITUCIONALISTA e havia obtido a maior votação de todo o Estado de São Paulo, sendo também o parlamentar mais jovem eleito: 28 anos.
A noiva, professora Cecília Rodrigues Torres, era filha do DR. MÁRIO RODRIGUES TORRES - Chefe Político do PARTIDO
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Já em 1937, com o Golpe de Estado dado por Getúlio Vargas,
implantou-se o Estado Novo que duraria até 1945. Dante Delmanto afastou-se da política e dedicou-se à Advocacia Criminal, transformando-se em um dos maiores Advogados Criminalistas do Brasil. Seus filhos, Celso e Roberto o ajudaram no escritório de advocacia. Hoje, ROBERTO DELMANTO E SEUS FILHOS ROBERTO DELMANTO JUNIOR E FABIO DE ALMEIDA MACHADO DELMANTO, estão à frente do escritório “DELMANTO ADVOCACIA CRIMINAL”.
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– Eleito Deputado Estadual Constituinte, Dante Delmanto conseguiu grandes benefícios para Botucatu. Eleito com a maior votação do Estado em dobradinha com Antonio Carlos de Abreu Sodré, promotor e Vereador em Botucatu, também eleito com a maior votação do Estado, compuseram com Cantídio de Moura Campos, primeiro botucatuense formado em Medicina e Secretário Estadual da Saúde e Educação, o “trio de ouro” de Botucatu que nos garantiu grandes conquistas: a desapropriação pelo Governo Federal da Fazenda Lageado, A instalação da Escola Profissional (ao depois Escola Industrial) e a construção do GrupoEscolar “Raphael de Moura Campos” e do Grupo Escolar “Dom Lúcio Antunes de Souza”, além do Grupo Escolar do Lageado.
Com a Ditadura Getulista – O Golpe do Estado Novo de 1937 – Dante Delmanto se dedicou à advocacia criminal, obtendo sucesso e reconhecimento.
Porém seu maior sucesso, que lhe deu fama nacional, foi no Tribunal do Júri
No antigo Tribunal do Júri de São Paulo, onde realizou a maioria de suas defesas e acusações, e
que, por sua beleza, é a “Capela Sistina” do Tribunal de Justiça, magnífico prédio de Ramos de Azevedo, há dois bustos: o de notável Promotor Ibrahim Nobre, de uma geração anterior à sua, e o seu, onde está escrito: “Príncipe dos Advogados Criminais...”
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– Ã frente do Palestra Itália/Sociedade Esportiva Palmeiras, obteve o TRICAMPEONATO PAULISTA 1932/33/34, APÓS 90 ANOS NOVAMENTE TRICAMPEÃO PAULISTA 2022/23/24
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– O ADVOGADO ROBERTO DELMANTO E A ARTISTA PLÁSTICA ALEXIA DE OLIVEIRA, AUTORA DO QUADRO DO ANTIGO FÓRUM DE BOTUCATU, AGORA 1ª. PINACOTECE PAULISTA DO INTERIOR.
Leitura Dinâmica
1– Importante registrar a atuação parlamentar e política de Dante Delmanto. Primeiramente para Botucatu: com a Escola Industrial e os Grupos Escolares “Raphael de Moura Campos”e “Dom Lucio Antunes de Souza”, além do Grupo Escolar do Lageado. O trabalho de Dante Delmanto, como ex-deputado, advogado e amigo do Governador Carvalho Pinto na conquista da nossa Faculdade de Medicina: o ex-deputado estadual constituinte Dante Delmanto e os deputados estaduais Abreu Sodré, Jaime de Almeida Pinto e Ciro Albuquerque foram os grandes defensosres da criação da FMB –Faculdade de Medicina de Botucatu.
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– A criação da Escola Profissional (ESCOLA INDUSTRIAL) no governo de Armando de Salles Oliveira. Trabalho do deputado Dante Delmanto junto ao botucatuense, o prof. Cantídio de Moura Campos, Secretario da Saúde e Educação.
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– Ficou registrada a grande manifestação dos botucatuenses à presença do Governador Armando Salles de Oliveira e seus partidários na concentração defronte ao Teatro Espéria e na Estação Sorocabana
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– A conquista da desapropriação da FAZENDA LAGEADO pelo Governo Federal foi fundamental para o futuro de Botucatu. Trabalho político de Dante Delmanto junto ao Ministro da Justiça, Vicente Ráo com quem trabalhou no escritório de advocacia em São Paulo, Instalado o IBC – Instituto Brasileiro de Café, atuando na pesquisa e desenvolvimento dessa cultura.
Hoje, o LAGEADO abriga as faculdades da UNESP.
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– Dante Delmanto teve grande atuação na expansão das cidades pelo centro oeste paulista: de Avaré a Presidente Prudente. Em 1936, Delmanto participou da instalação da Câmara Municipal de Avaré.
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– REGENTE FEIJÓ: MUNICÍPIO PAULISTA
! Após a Revolução Constitucionalista de 1932, São Paulo retomou o comando de seu destino com a Assembléia Constituinte Paulista de 1934 e com a eleição, em 1935, do EngºArmando de Salles Oliveira para o Governo de São Paulo Nesse período democrático e de grande desenvolvimento para o Estado de São Paulo, a conquista do oeste, com a expansão da Estrada de Ferro Sorocabana - EFS, foi uma realidade e muitos novos municípios foram criados. Especial trabalho foi desenvolvido pelos deputados Dante Delmanto, Antonio Carlos de Abreu Sodré, além de Luiz Piza Sobrinho na condição de Secretário da Agricultura, na emancipação administrativa e instalação do município de Regente Feijó, no ano de 1935. Os partidários do Partido Constitucionalista, na região de Presidente Prudente, desde a Revolução Constitucionalista de 1932, mantinham contínuos encontros partidários com esses três parlamentares. A idéia de se prestigiar o grande brasileiro e líder maçon, Padre Diogo Antonio Feijó, foi se consoli-
dando. Feijó havia sido Vereador, Deputado, Senador e Regente do Império, além de grande líder e dirigente da Maçonaria. Pertencente ao município de Presidente Prudente, os partidários do Partido Constitucionalista tinham muita influência no Distrito da Memória. E foi feita a transformação desse próspero distrito em município, com alteração de sua denominação para REGENTE FEIJÓ! O governador Armando de Salles Oliveira, através do Decreto nº 7.262, de 28/06/1935, cria, na Comarca de Presidente Prudente, o Município de Regente Feijó. Discurso do Prefeito de Regente Feijó, Sr. Augusto César Pires: “estaes todos certos de que, há um anno, estamos sustentando a batalha, todos nós, desde quando por inspiração do nosso grande amigo, Dr. Tito Lyvio Brasil, tomamos e formamos a Frente Única de Regente Feijó, para conseguirmos o nosso município. Depois a Frente Única se transformou no Partido Constitucionalista e que continuou firme pelo mesmo ideal. Nessa lucta contamos com o apoio decidido dos Drs. Deputados Abreu Sodré, Luiz Piza Sobrinho e Dante Delmanto, por fim o grande estadista Dr. Armando de Salles Oliveira que reconheceu a justiça de nossa causa e assignou o Decreto número 7,262, que emancipou Regente Feijó, Indiana e José Theodoro dos nossos irmãos de Presidente Prudente, dando-nos plena autonomia...” (jornal “Folha da Sorocabana”, de 07/07/1935)
Estátua de Diogo Antonio Feijó, parte integrande do Monumento à Independência, Ipiranga/São Paulo.