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Revista de Natal DB 2015

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Nat�� ��� f��� , laço� �� ��e��i�!

Esta revista faz parte integrante do Diário as Beiras de Dezembro de 2015 e não pode ser vendida separadamente


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O equipa do Diário as Beiras deseja a todos

os seus leitores, clientes

e amigos, um Feliz Natal

e um próspero Ano Novo! António Madeira Teixeira, José Carlos Madeira de Jesus, Pedro Miguel da Silva Teixeira, Rosinda da Silva Teixeira, Patrícia Sofia Batista Pereira Forte, Ivo Magalhães; Agostinho Franklin, Eduarda Macário, Dora Loureiro, Paulo Marques, António Alves,,António Rosado, Carlos Jorge Monteiro, Cláudia Trindade, Jot’Alves, Joana Santos, José Armando Torres, Bruno Gonçalves, Lídia Pereira, Luís Carregã, Patrícia Cruz Almeida, Rute Melo, Carla Fonseca, Alfredo José, Ana Vendeiro, Rui Semedo, Victor Rodrigues, Ana Paula Ramos, Ana Nunes, Cidália Santos, Cristina Mota, Luís Cristóvão Margarida Fernandes, Mónica Quintela, Rosa Pereira, Rui Francisco e Samuel Costa


4 | DIÁRIOASBEIRAS natal sem fome , laços de alegria!

índice

editorial

Económica dá de 06 Cozinha comer a quem tem fome e

companhia a quem está só

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Centro de apoio aos sem-abrigo da Figueira da Foz evita desperdício de 26 toneladas de alimentos em 2014

14

A menina a quem a guerra roubou a magia do Natal

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À janela para ver o Pai Natal

18

Ah, ah, ah

20 Decorações de Natal 22

Era manhã de Natal e tudo parecia certo

24

A noite mais longa do ano

26

O “teu” primeiro Natal

28 Natal dos hospitais tempo 30 No dos rebuçados de carvão

32

40o ao sol e na praia

34 Um Natal de tradições 36 À espera do Pai Natal dia vou 38 Um gostar do Natal

a equipa deseja-lhe um bom Natal PROPRIEDADE Sojormedia Beiras SA

Um Natal sem silêncios

A

Agostinho Franklin diretor

celebração do Natal, em 2015, afigura-se como ato cristão de demonstração solidária e preocupada com o outro sofredor ou frágil. Esta é a matriz da cultura ocidental, influenciada pelos cânones cristãos e que, consequência das nossas sociedades mercantis, é assumida como o mês das prendinhas e da oferta viral de prendas de todos a todos ... porque é Natal. Sendo um pressuposto bondoso e, a todos os títulos, apreciável — quanto mais não seja, porque indutor de relações humanas mais afetivas, o Natal deveria igualmente ser momento de reflexão e análise mais alargada — igualmente na sequência da matriz cristã que a todos nos enforma. Ou seja: descentrar a preocupação natalícia do nosso pequeno-próximo mundo de darlhe maior latitude e abrangência. Que pode ser de maior ou menor proximidade mas, sempre, alargando-se do nosso pequeno umbigo inteletual. E os media, neste particular, também poderiam ajudar. É o tempo do frio na nossa Europa... mas de um momento para o outro a informação sobre os refugiados esfumou-se, como se deixassem de ter existido. Pelo silêncio registado, poder-se-á quase inferir que a sua integração foi conseguida com sucesso? Ou, em contrário, a informação sobre esta

temática não é ‘consumível’ pela época que atravessamos? É o tempo do frio e da crise na nossa Europa, mas a emergência e urgência de concidadãos nossos — mais próximos ou mais afastados — que não têm condições mínimas de sociabilidade, de alimentação, de habitação... que levantamento está feito e tornado evidente para que se proceda à sua correção? Este tempo de Natal, sendo bondoso, pode, nesta perspectiva, ser significativamente preocupante, pelos silêncios e omissões que produz. Aos media também incumbe a tarefa de contribuir para que a cidadania de pleno direito seja cada vez mais universal. Esta Revista que hoje lhe oferecemos, sendo natalícia, é o nosso contributo para duas instituições: Cozinha económica, em Coimbra e Centro de apoio aos sem-abrigo da Figueira da Foz, instituições solidárias e que merecem todo o nosso apoio. A Revista tem ainda uma virtualidade: apresenta “narrativas” pessoais de cada um dos jornalistas do Diário As Beiras que se disponibilizaram a abrir as suas vivências desta época. É a sua oferta natalícia. O Diário As Beiras deseja a todos os seus leitores e anunciantes um santo e feliz Natal. Solidário.

ASSEMBLEIA GERAL António Madeira Teixeira (presidente); José Carlos Madeira de Jesus (secretário)

DIREÇÃO Diretor agostinho.franklin@asbeiras.pt Subdiretora eduarda.macario@asbeiras.pt

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO Pedro Miguel da Silva Teixeira (presidente); Rosinda da Silva Teixeira (vice-presidente); Patrícia Sofia Batista Pereira Forte (vogal)

REDAÇÃO Chefe de Redação Dora Loureiro, António Alves, António Rosado, Bernardo Neto Parra, Bruno Gonçalves, Carlos Jorge Monteiro, Cláudia Trindade Joana Santos, José Armando Torres, Jot’Alves, Lídia Pereira, Luís Carregã , Paulo Marques, Patrícia Cruz Almeida e Rute Melo

Comissão executiva Ivo Magalhães (presidente)

DEPARTAMENTO GRÁFICO Coordenadora Carla Fonseca Alfredo José, Ana Vendeiro, Rui Semedo e Victor Rodrigues

Departamento COMERCIAL e administrativO Ana Nunes, Ana Paula Ramos, Cidália Santos, Cristina Mota, Margarida Fernandes, Rosa Pereira, Rui Francisco e Sílvia Ferreira direção FINANCEIRa Diretor Carlos Fernandes Coordenação Informática Samuel Costa


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A Câmara Municipal de Soure

Deseja um Feliz Natal e Próspero Ano Novo a todos os Munícipes.


6 | DIÁRIOASBEIRAS nat�� ��� f��� , laço� �� ��e��i�!

C����h� Ec�n��ic� d� � ��� f��� � c��p���i� �

D�����r� � ����ro� �����nt��e� sã� a� ���n��p�i� �e�es�ida�e� d� C����h� Ec�n��ic�, �� C����r�. C �u�ra� �e�posta� so�i�i� � �m� �r��j� d� p���laçã� ��� nã� ��� (�ua��) nad� n� �id�. F�n�i�n� �� �e

A

Associação das Cozinhas Económicas da Rainha Santa Isabel foi criada a 4 de julho de 1933, pela mão de um grupo de senhoras de Coimbra preocupadas com a situação de pobreza no pós-guerra. Assim, começam por criar um refeitório que servia os mais necessitados que, pagando um preço simbólico sentiam que eram tratados com dignidade... já que passar fome e viver em condições desumanas já era “drama” suficiente. Mas um projeto desta natureza não era possível de manter só com voluntariado. E o referido movimento decide pedir ajuda ao bispo de então que, para evitar o fecho das portas, chama as Irmãs do Amor de Deus, que vieram de Espanha e aqui ficam durante três anos. A sua partida leva à intervenção, de novo do bispo de Coimbra, que decide chamar as Criaditas dos Pobres. Uma outra instituição que acabava de ser criada também com o objetivo de ajudar os pobres da cidade de Coimbra. As irmãs Criaditas dos Pobres permaneceram na Cozinha Económica até 8 de dezembro do ano passado. Princípios e problemas mantêm-se 72 anos depois Com sede social no edifício Paço do Conde,

no número 7 da rua Terreiro do Mendonça, – onde nasceu e onde se mantém – esta IPSS desenvolveu o seu trabalho numa zona com grandes bolsas de pobreza, habitação muito degradada e sem o mínimo de condições de habitabilidade e sanitárias, desemprego, fome, doença, alcoolismo. Situações que, aliadas à inexistência de políticas de proteção social, deixavam pessoas e famílias inteiras em situação de grande exclusão.

Uma realidade que, mais de sete décadas passadas, continua a ser o dia-a-dia dos moradores nesta zona da Baixinha de Coimbra. E o número de refeições que a Cozinha Económica serve, bem como o número de idosos ou pessoas a viverem sozinhas que acompanha, quer no centro de dia quer no apoio domiciliário, são bem a prova disso, O centro de dia, criado em 1978, é frequentado por 50 utentes que, com a parceria da câma-

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GALA - FIGUEIRA DA FOZ | T. 233 412 780


nat�� ��� f��� , laço� �� ��e��i�! DIÁRIOASBEIRAS | 7

d� �� c���� � ���� � � ���� est� s�

C����r�. C�� ��ito� ��igo� � só�io� ��� pag�� a� ��ota�, ����� cad� ��� m�i� �e��iç�e� g�r�n��nd� �i�n� �� �e��nd� � ��xt�, da� 08H30 à� 20H�0, � po�� ��� c���e�id� n� �n����e� � n� Fa��bo��

ra municipal, frequentam a natação e outras iniciativas lúdicas e de lazer. Mas também comem e fazem a sua higiene pessoal dentro da instituição porque a maioria não tem essas condições na casa ou no quarto onde vivem. O apoio domiciliário, criado mais tarde, é hoje adaptado à realidade de cada utente. Os que precisam de alimentação, de tratamento da roupa, da higiene pessoal e da casa, até aos que precisam de apoio na toma dos medica-

mentos, no acompanhamento ao centro de saúde ou outras unidades de saúde. “E não apoiamos mais pessoas no domicílio porque não temos capacidade para tal”, lamenta Ana Maria Cristóvão. Mais de 500 refeições por dia A Cozinha Económica é hoje é uma Instituição Particular de Solidariedade Social que continua a concretizar os objetivos que estiveram na sua fundação. Também porque... a evolução dos tempos não melhorou a vida às pessoas que dela necessitam. Bem pelo contrário. A crise – que nos últimos anos se abateu sobre o país e, duma forma geral, sobre o mundo, veio realçar o valor do trabalho desenvolvido pela instituição. No refeitório são diariamente servidas mais de 500 refeições, 57 por cento almoços e 43 por cento jantares. Nos últimos anos a procura tem vindo a registar uma subida anual de cerca de 20 por cento. “Tem sido evidente o aumento progressivo de solicitações na prestação de serviços, não só ao nível de refeições, mas também no acompanhamento psicossocial, cedência temporária de endereço postal – que serve para toda a correspondência pessoal –, distribuição de vestuário e artigos de higiene, entre outros apoios, como a ligação aos serviços

de saúde – marcação de consultas, receitas médicas, transportes, entre outros serviços – que tiveram claramente uma maior procura”, explicou Ana Maria Cristóvão (diretora técnica) ao DIÁRIO AS BEIRAS, durante uma conversa em que marcaram presença Maria Helena Lucena Figueiredo (da direção) e Lúcia Duarte (assistente social). E para dar resposta a esse aumento, a instituição tem vindo a realizar obras no velhinho edifício para se adequar às exigências legais, como as medidas de higiene e segurança alimentar, higiene e segurança no trabalho, o plano e segurança contra incêndios que exige a colocação em prática das medidas de autoproteção. E tudo isto, além das obras no edifício, da compra de equipamento e da carrinha que avariou, implica custos que a instituição tem vindo a assumir ao longo dos anos com uma gestão ao cêntimo. “A nossa gestão é feita ao cêntimo e não há compras, nem ações sem serem programadas”, reforça, sublinhando o empenho e o espírito das pessoas que ali trabalham, da atual e de todas as direções anteriores, como “mostra de generosidade e de rigor muito muito grande” Reconhecendo que há regras que a instituição não poderá cumprir sob pena de ser obrigada a deslocalizar-se para outra zona 

Rua da Sofia 59, Coimbra | Tel. 239 823 571

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DB-Fotos de Carlos Jorge Monteiro


8 | DIÁRIOASBEIRAS nat�� ��� f��� , laço� �� ��e��i�!

A�so�iaçã� da� C����ha� Ec�n��ica� d� R���h� S�nt� Is����

Ana Maria Cristóvão (diretora técnica), Lúcia Duarte (assistente social) e Maria Helena Lucena Figueiredo (direção, que é presidida por Ana Maria Medeiros)

 da cidade e perder os princípios para que

foi criada, aquela responsável enaltece a dedicação dos sócios e dos amigos para que o sonho não acabe e continue a reforçar-se entre a população que ajuda. “É aqui, nesta zona da cidade, que as pessoas precisam de nós”, acrescenta Lúcia Duarte que conhece bem os utentes da casa e todos os casos que acompanham. Maioria de utentes não tem 1,40 euros A comparticipação do utente por refeição é de 1.40 euros, mas a maioria não tem capacidade para comparticipar, chegando já referenciados por serviços de atendimento social, nomeadamente, pela Segurança Social. Pessoas ou famílias em situação aguda de desemprego, doença ou outras, como divórcio, rendimentos baixos e insuficientes, pessoas em situação de risco ou mesmo já de pobreza. Pessoas em situação de semabrigo ou a viver em quartos alugados, encontrando-se isolados e sem apoio familiar de retaguarda. A grande maioria é de pessoas oriundas de famílias social e economicamente desfavorecidas, que subsistem com prestações sociais, como o rendimento social de inserção, pensões de invalidez, velhice, subsídio de desemprego. São mais homens do que mulheres, a maioria de idade adulta, porém cada vez vão chegando mais jovens e famílias. E, para além das drogas e do alcoolismo, cada vez são mais

expressivos os casos de patologia mental, da mais ligeira à mais severa. Instituição precisa de mais apoios A entidade tem atualmente 21 funcionárias e vai tendo alguns voluntários conforme os eventos e as alturas do ano. Com regularidade, há oito voluntários que se mantêm fiéis à instituição. E também os jesuítas são voluntários e asseguram serviços quer na copa quer no acompanhamento ao refeitório. Amigos que ajudam a equipa a manter as respostas ativas e com mais solidariedade. Ana Maria Cristóvão sublinha a importância da resposta que a instituição assegura na zona em que se encontra instalada mas reconhece, ao mesmo tempo, as dificuldades de uma casa desta natureza que sobrevive das quotas dos sócios, do apoio da Segurança Social, dos donativos de empresas e privados. Apoios que, infelizmente, já são insuficientes para o número de utentes que acompanha. No entanto, como reforçou Lúcia Duarte, “nunca ninguém saiu da Cozinha Económica sem comer”. Sublinhando o aumento gradual do número de utentes, a assistente social conhece bem a realidade das pessoas que procuram a instituição e cuja maioria nem consegue pagar 1,40 euros pela refeição. Reconhecendo que muitas famílias frequentam a Cozinha Económica nos momentos de crise e que a instituição pretende, acima de tudo,

a autonomia desses agregados”, esta responsável adianta que a direção considera fundamental o trabalho que é desenvolvido em rede com outras instituições da cidade que dão respostas a essa autonomização das famílias que podem cozinhar ou comer em casa, por exemplo. Dinheiro e produtos alimentares Quanto ao centro de dia, que é comparticipado de acordo com a legislação em vigor, e ao apoio domiciliário, a instituição privilegia a zona envolvente que por si só tem carências aos mais diversos níveis como já se sublinhou. Uma zona de grande pobreza e grandes carências ao nível habitacional. Como Ana Maria Cristóvão sublinha, os moradores têm 80 e 90 anos e a habitação é, na grande maioria dos casos, ainda aquela em que nasceram com pouquíssimas ou nenhumas adaptações. “Neste momento há bastantes idosos a viverem isolados em prédios porque os primeiros andares, que eram destinados a comércio e armazéns, estão fechados, outros moradores já faleceram ou mudaram de casa. E os que restam ficam isolados porque a idades já não lhes permite muitas vezes virem à rua”, sublinha. Direção solidária... e voluntária A direção é composta por voluntários que são, como sublinha Ana Maria Cristóvão, “duma enorme generosidade” e com uma visão muito atualizada de quem vive com


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grandes dificuldades e também muito interventiva. Assim como os sócios que têm as quotas em dia conscientes de que elas são uma ajuda para a sobrevivência da própria instituição. E por isso está a decorrer uma campanha de angariação de novos sócios. A quota mínima é simbólica pois custa apenas 12 euros por ano. Ou seja, um euro por mês. Por isso, quando se fala em necessidades, é claro que dinheiro aparece em primeiro lugar para fazer face a todas as necessida-

des das pessoas que a procuram. Mas não só. Produtos para confecionar as refeições e “sócios com boas quotas e em dia”, como refere Maria Helena Lucena Figueiredo. “Felizmente, a Cozinha Económica tem muitos amigos”, sublinha satisfeita. Ao longo do ano, a instituição realiza um conjunto de eventos solidários que lhes permite arranjar algumas verbas para o seu funcionamento. Há almoços de grupos, de empresas e outras entidades que se lembram

do papel da Cozinha Económica na cidade de Coimbra. Fazem a consoada, que este ano será substituída pelo almoço de Natal para que as funcionárias também tenham direito à sua consoada em família. Têm uma venda de Natal na Almedina, na Baixa, e prepara um concerto para janeiro. E a cidade está convidada para marcar presença nestes eventos e mostrar que o espírito solidário está (bem) vivo entre os que ainda podem ajudar os que nada têm. | Eduarda Macário

Tabela total de refeições por tipos de acesso Como podemos verificar, foram já servidas em 2015, até ao mês de Outubro, um total de 122.730 refeições. Destas, 102.601 foram maioritariamente servidas a pessoas encaminhadas com credencial emitida por serviços de atendimento social; já a pessoas que acederam ao refeitório por sua própria iniciativa e comparticiparam no valor da refeição, foram servidas um total de 19627 refeições e 502 àqueles que a solicitaram gratuitamente Média mensal = 12273 refeições Média diária em 213 dias = 576 refeições Previsão Total 2015 = 12260 x 2 meses = 24546 refeições+122730 = 147276 refeições

Gráfico total de refeições - comparativos dos 5 últimos anos

Mulheres Homens


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C�n�r� �� Ap�i� ao� S��-A��ig ��it� �e���r�í�i� �� 26 t���lad

Ap�i�� m�i� �� 3�0 �e�soa� ��� �n� �is������nd� c��id� � �ro�uto� ��� �ec����� �� �est��r�n�e� � DB-Fotos de Luís Carregã

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N

ão deixe que a pobreza se transforme em paisagem. Esta mensagem “pintada” no painel do Centro de Apoio aos Sem-Abrigo (CASA), na Figueira da Foz, é bem o slogan de uma instituição pensada para ajudar quem mais precisa. Uma delegação do CASA de Lisboa. Um centro de apoio que está espalhado um pouco por todo o mundo. O CASA abriu na Figueira da Foz em outubro de 2011 para apoiar pessoas e famílias carenciadas aos mais diversos níveis. E apoia com uma refeição diária durante a semana, ao jantar (das 19H00 às 20H00). Refeição que podem levar para casa ou que podem comer no próprio centro se não tiverem condições em casa para o fazer. A ajuda a estas famílias concretiza, em simultâneo, um outro objetivo fundamental que está na fundação do centro e que é o combate ao desperdício alimentar. A comida que é distribuída ao grupo de pessoas que ali vai diariamente e às outras que, têm uma frequência semanal, resulta das quebras dos restaurantes e dos três supermercados Pingo Doce existentes na cidade da Figueira da Foz. “Nós todos os dias – com exceção dos dias de Natal e de Ano Novo – temos três equipas na rua que fazem a recolha das quebras nos três supermercados”, explicou Célia


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��ig� d� Fi����r� d� F�� �lada� �� �����nto� �� 2014

t��r�n�e� � n� P�ng� Do��. O� ��u� �e�p�ns���i� gost��i�� �� ��� ��es��� � ����r� �� a����n�e� Lopes, apontando o sucesso desta iniciativa bem visível na recolha de 26 toneladas de alimentos, num valor de 78 mil euros, em 2014. E com a salvaguarda de que num dos supermercados aderentes, a parceria só arrancou em agosto de 2014. Números que deverão repetir-se este ano de 2015 tendo em conta que os donativos se mantiveram.

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Cativar mais restaurantes e supermercados Quanto à adesão dos restaurantes, a coordenadora do CASA reconhece que podia ser maior se não fosse o receio pelas regras impostas, nomeadamente pela ASAE, que também exige às instituições equipamentos que têm custos muito elevados e quase inviabilizam qualquer ação de solidariedade. Mas o centro assume toda a responsabilidade perante os restaurantes e o próprio Pingo Doce pois o principal objetivo é evitar o desperdício e ajudar famílias que não têm nada – ou praticamente nada. A esta refeição diária, junta-se um outro tipo de ajuda a seis famílias, também diariamente, num total de seis dezenas semanalmente, e que recebem as sobras que são recolhidas ao fecho do Pingo Doce, por volta das 21H00. E, ainda, a cerca de 51 famílias que ali vão quinzenalmente buscar um ca-

baz de produtos que estão em armazém. Para além das recolhas diárias, quer nos supermercados quer nos restaurantes, o centro faz duas recolhas anuais no Pingo Doce, que lhe permite encher um armazém de produtos com os quais vai ajudando as famílias ao longo do ano. Com uma resposta suficiente para a procura, o certo é que há produtos em falta que davam muito jeito, como é o caso dos produtos de higiene pessoal, do azeite, das bolachas, açúcar e farinha. Centro “nasceu” na rua Conscientes de que havia pessoas e famílias a precisar de ajuda, os fundadores desta delegação do CASA nem esperaram pelas burocracias habituais que representa a procura de um espaço para trabalhar. Assim, arregaçaram as mangas e começaram a trabalhar na rua, tal como a grande maioria das famílias que precisavam de ajuda. Eram, na altura, cerca de 80 sem-abrigo sinalizados pela rede social da Câmara da Figueira da Foz. A grande maioria está a viver em casas abandonadas que não têm, muitas delas, as mínimas condições de habitabilidade. “Mas a nossa atividade é vocacionada não tanto para os sem-abrigo, como em Lisboa, no Porto ou em Coimbra, mas para as famílias carenciadas que estão menos

protegidas”, explicou Célia Lopes ao DIÁRIO AS BEIRAS. 300 famílias ajudadas em 2014 Os números apontados falam por si. O CASA apoiou cerca de 300 pessoas em 2014, número que, como sublinhou Joaquim Jorge, aumentou durante o ano de 2015. Porque o CASA trabalha em rede com outras instituições existentes no concelho, não há duplicação de casos e cada uma tem a sua vocação. “Nós temos constantemente pessoas que nos são enviadas pelos parceiros com quem trabalhamos”, reconhece Célia Lopes, sublinhando que o centro integra o CLAS – Conselho Local de Ação Social – e a NPISA – Núcleo de Planeamento de Implementação dos Sem-Abrigo e as comissões sociais das freguesias de Buarcos e de Tavarede. Instituições que costumam enviar famílias e indivíduos por elas sinalizados e que por vezes não têm capacidade para apoiar ou porque estão mais dentro dos objetivos do próprio CASA. O centro trabalha só com voluntários. No final de 2014 havia 73 voluntários que estavam fundamentalmente na recolha dos bens alimentares. O número baixou em 2015, mas mesmo assim, há três equipas diariamente a fazer a recolhas das quebras 

A Brasileira de Coimbra Visite-nos

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12 | DIÁRIOASBEIRAS nat�� ��� f��� , laço� �� ��e��i�! C�n�r� �� Ap�i� ao� S��-A��ig� d� Fi����r� d� F��

Na conversa com o DIÁRIO AS BEIRAS participaram Herculano Rocha, Renato Martins (voluntário), Joaquim Jorge e Célia Lopes (coordenadora)

 e mais tarde a distribuir pelas famílias que

os aguardam no centro. Célia Lopes enaltece a dedicação de todos os voluntários, reconhecendo que se trata de um trabalho de grandes desgaste porque é feito ao final do dia depois de muitas horas de trabalho e, por vezes, à mesma hora do jantar das suas famílias que vão ficando em segundo plano. Câmara cede espaço para o CASA Tudo é hoje um pouco mais fácil porque a Câmara Municipal da Figueira da Foz cedeu ao CASA o antigo quartel da PSP que tem espaço suficiente para a concretização de todas as valências que o centro decidiu abraçar. “Se não fosse a câmara, nós não estaríamos aqui e provavelmente continuaríamos a trabalhar na rua”, reconheceu a coordenadora do centro, adiantando que também recebem o apoio das juntas de Buarcos e

S. Julião. Aliás, a primeira junta a ajudar a atividade do centro foi mesmo a de S. Julião, onde estava Herculano Rocha que atualmente faz parte dos órgãos do CASA. No início, foi aquela junta que abriu as suas portas para que os voluntários pudessem fazer a distribuição dos alimentos pelas famílias. O Centro têm ainda o apoio de empresas locais, quer em voluntariado, com os seus funcionários a colaborar nas obras, por exemplo, dos trabalhos de recuperação do edifício já que o CASA assumiu a responsabilidade de ir recuperando. “Este edifício é antigo e encontrava-se em muito mau estado. O nosso protocolo com a câmara foi de o irmos recuperando e melhorando com o tempo e é o que temos feito, mas não tem sido fácil pois para tudo é preciso dinheiro que não temos”, reforçou Célia Lopes, adiantando já recuperar algumas salas, com verbas disponibilizadas

por empresas ou até feitas pelos colaboradores dessas empresas e, ainda, na própria cozinha”. “Mas há muito mais para fazer”, reconhece. Uma carrinha e obras no edifício Quando se fala em grandes necessidades, a resposta não se faz esperar. “Necessitamos urgentemente de uma carrinha que nos permita fazer as recolhas diárias dos bens alimentares que são realizada scom os carros dos próprios voluntários”, sublinha Célia Lopes, reconhecendo que essa carrinha permitirá, também, uma melhor gestão dos recursos humanos, neste caso dos voluntários. Um trabalho que é reforçado, pontualmente, com pessoas que para ali são encaminhados para cumprir trabalho comunitário e com as próprias famílias que recebem ajuda (embora poucas) que aceitaram o

Rua dos Pescadores, 104 Buarcos | 3080-325 Figueira da Foz | Tel. 233 421 346 | Tlm. 964 333 451 (Pedro) | 924 362 904 (Eduarda) www.restaurantecasamota.com | info@restaurantecasamota.com

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RESTAURANTE | CHURRASQUEIRA | TABERNA TÍPICA | TAKE-AWAY


nat�� ��� f��� , laço� �� ��e��i�! DIÁRIOASBEIRAS | 13

desafio para serem voluntárias. Mas Joaquim Jorge reconhece que é difícil convencê-los a serem voluntários, embora não desistam de o fazer. “É preciso sensibilizá-las para a importância de se ajudarem também a eles próprios e aos outros que como eles precisam do apoio do centro”, reforça Célia Lopes. Como não há outros apoios, a instituição promove ao longo do ano alguns eventos que lhes permite angariar fundos para o seu funcionamento e despesas. Para janeiro do próximo ano, está já prevista a realização de uma gala de solidariedade. A primeira decorreu em janeiro deste ano no casino e a segunda está já marcada para 29 de janeiro de 2016, no CAE.

Projetos paralelos O CASA da Figueira da Foz possui muitos outros projetos que permitem alargar as respostas a quem procura ajuda. Tem, por exemplo, uma sala onde desenvolvem formação, têm psicoterapia, uma sala de apoio ao estudo, um espaço onde é possível desenvolver permacultura para reforçar a resposta em termos produtos agrícolas aos utentes. E estes já tiveram oportunidade de apreciar abóbora, pepinos, tomates, ervas aromáticas cultivados naquele espaço. Mas como sublinha Renato Martins, tratando-se de uma área que dá muito trabalho que é garantido pelos voluntários e por alguns utentes, “claro que não é suficiente para o funcionamento do centro”, mas é uma ajuda. Há psicoterapia, onde há jovens a fazer estágios de Psicologia; têm um projeto de música que pretende integrar os utentes, o que não tem sido fácil de concretizar. Há um espaço de explicações de português e matemática, uma sala de roupa para criança e outra para adultos, uma casa de banho onde quem precisar pode tomar banho e fazer a sua higiene diária. Respostas que vão procurando melhorar a vida de um vasto número de pessoas residentes na Figueira da Foz e que desde 2014 passaram a ter uma “CASA” e uma equipa que se preocupa com a sua sobrevivência. |Eduarda Macário

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Reforçar a capacidade de resposta Ter condições para continuar a fazer o trabalho para que foram criados faz parte dos desejos para 2015. E, para isso, reconhecem, o CASA gostava de ter adesão de um maior número de restaurantes e mais supermercados a contribuir para este combate ao desperdício que permite ajudar os outros que mais precisam. “Se nós estamos a falar de supermercados de pequena e média dimensão e conseguimos recuperar tantas toneladas de produtos, então imagine-se o que acontece com os de maior dimensão. E se esses aderissem quantas mais pessoas se poderiam ajudar e até de forma mais completa?”, questiona Célia Lopes, reconhecendo que a barreira da ASAE que eles apresentam não é fácil de ultrapassar. Ainda que, felizmente, os que estão interessados em ultrapassar as dificuldades, até o conseguem. Como é exemplo o funcionamento do próprio centro que começa por ajudar e só depois se preocupa com as questões burocráticas. Reconhecendo que pretendem ser uma ajuda pontual para uma emergência, Célia Lopes sublinha que o centro é contra a dependência das famílias destas ajudas e por isso há um trabalho em rede que permite comparar informações e saber quem ajuda quem e quem se pode autonomizar.


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A ����n� � ���� � ����r� r��

No� ido� �� 1972, � �id� c�r�i� �r�n���l� �� S��v� P�rt�, �ida�� d� �n���i�� �� Ang�l�. Si�uad� n� z c�n�r��i� d� ��� ac�n�e�i� n�u�ra� �r���n�ia� d� �n�ig� c�l��i� p��u��es� Acompanhada da mãe e da irmã, a menina que vivia na província do Bié só deixou de acreditar no Pai natal quando chegou à metrópole. Ai percebeu que nem todos os natais tinham brinquedos, calor e sorrisos de alegria

as cores, era ali que se queria fazer mulher. Dois anos e meio depois haveria de ser obrigada a integrar a ponte aérea para a metrópole, em fuga da guerra colonial, aterrando no Portugal europeu, onde, todavia, nunca se sentiu completamente adaptada, tal foi o choque de culturas que sentiu.

Mas antes, naquele dezembro de 1972, tudo fazia sentido. Foi uma das melhores alunas do 1.º período, na turma da 3.ª classe do colégio. As boas notas deram-lhe acesso direto ao grupo dos alunos premiados, com direito a semear um canteiro (só dela e com um metro quadrado de área) no recreio

Deseja

Boas Festas 233 946 399 GPS N: 40.10759º W: -8.83788º Largo dos Armazéns de Lavos - Figueira da Foz | 3090-457 Lavos info@rainhadasenguias.com | www.rainhadasenguias.com

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F

oi o ano do mais feliz Natal desta menina de sete anos, que nascera em terras africanas, embora fosse de tez muito clara, filha de portugueses da metrópole que rumaram àquelas paragens. Na companhia dos pais, da irmã e de meninos amigos de todas


nat�� ��� f��� , laço� �� ��e��i�! DIÁRIOASBEIRAS | 15

r��b�� � ma�i� d� Nat��

i�uad� n� z�n� d� B��, � s�� do� �i�p�ro� d� ����r� c�l��i�� ��nd� nã� �� ���i�� na� �ua�, a� Todavia, já antes o seu universo infantil se tinha desmoronado, desde que, durante o verão de 1975 em Angola, tinha ficado retida, durante duas semanas, na casa de banho da moradia de família, em Silva Porto, para se abrigar dos disparos das tropas da UNITA, MPLA e FNLA. Era o “absurdo” de uma guerra civil, poucos meses antes da assinatura da declaração de independência de Angola, a 11 de novembro desse ano. Os tons cinzentos da metrópole À chegada a Portugal, o estigma lançado sobre os “retornados” pelos portugueses da metrópole – numa época em que o conceito de hospitalidade era palavra vã – dificultou ainda mais os primeiros meses após o regresso, agora já sem a companhia das bonecas e do peluche recebido naquele “Natal perfeito”. Esse e outros brinquedos perderam-se com o extravio do contentor que seguira de barco, a partir de Luanda, com os bens da família.

Para aquela menina, de um dia para o outro, as cores de África foram substituídas pelos tons de cinzento e negro do Portugal provinciano que acabara de sair das décadas do fascismo. As roupas leves e práticas do calor africano transformaram-se em casacos pesados e incómodos do inverno europeu. Os risos das crianças no recreio do colégio passaram a ser conversas barulhentas sob o alpendre da escola onde se abrigava da chuva. Outros e outros natais se sucederam. O sol voltou a brilhar no verão e o calor da lareira trouxe mais conforto aos dias de inverno. Tudo mudou, só as memórias não se apagaram. E se aquele pequeno arbusto plantado no canteiro do colégio de Silva Porto em 1972 vingou, resistiu à guerra e se desenvolveu até se tornar uma árvore viçosa? Para lá das recordações, estará lá o testemunho vivo daquele “Natal perfeito”! | António Rosado

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da escola: “A melhor prenda de Natal que alguma vez recebi”, recorda. Plantou rosas e uma árvore, de que já não recorda a espécie, até porque não teve tempo de a ver crescer. Em casa também recebeu muitos brinquedos no Natal: várias bonecas, que partilhava com a irmã, e um cão de peluche. Foram os pais que lhe deram as prendas na noite de consoada, mas acreditava que tinha sido o Pai Natal a trazer os presentes. Nem podia ser de outra forma: as prendas coincidiam com aquilo que tinha pedido na carta que as professoras – freiras portuguesas – tinham mandado escrever, para enviar para a Lapónia. Sempre acreditou no Pai Natal enquanto viveu em Angola. Só perdeu a ingenuidade natural da infância quando chegou a Portugal em setembro de 1975 e, três meses depois, num Natal muito frio, vivido no interior de Viseu, lhe disseram que o velhinho de barbas brancas não existia. Foi aí que terminou a magia no Natal.


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À j���l� p�r� ��� � P�� Na N� n�i�� �� Nat�� � �es�fi� �r� ������ ��� � P�� Nat�� ��l� j���l�. E� 1986 v�l��� � nã� c�n�e���� ��-l� ma� � Nat�� ���� � �e�m� ma�i� �� ������

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noite era fria. Típica de uma noite de Natal. Na viagem de carro, em 1986, deu para fazer desenhos nos vidros. Mas poucos desenhos que a viagem foi curta. Talvez cinco minutos e já contando com o tempo de nos sentarmos e tudo estar pronto e o vidro da frente desembaciado. Nas janelas laterais fazíamos desenhos, no fundo, com o objetivo de procurar no meio das estrelas o fumo que as renas deixavam. Este ia ser, e foi, mais um Natal em família, todos juntos, e com muita emoção. Os primos tinham bem ensaiados os cânticos e as medalhas para os vencedores dos jogos tinham sido preparadas a preceito. Entretanto, chegámos a casa dos meus tios. Tudo preparado. Um imenso calor humano e uma lareira com belas labaredas. Não era preciso perguntar porque a ementa há muito que estava definida: bacalhau com todos. Com a família toda reunida à mesa, os pais

pequenos, onde eu me incluía, sentiam um nervoso miudinho. Será que íamos receber todos os presentes que queríamos? Era mesmo aquilo que se desejava? Estas e outras perguntas ecoavam nas nossas cabeças. Não que tenhamos perguntado uns aos outros se era isto que ia nas cabeças de cada um. Mas de certeza que era. Para que as prendas não faltassem o sapatinho era bem colocado junto à lareira e à chaminé do fogão. Não sabíamos ao certo por onde ia descer o Pai Natal e, na dúvida, o melhor era deixar os dois sapatos. Acreditávamos tanto que ele existia que era melhor prevenir do que depois ficar com a dúvida. A excitação própria da idade levava, igualmente, a que se ouvissem uns ralhetes. Os cabelos que tinham sido tão bem penteados já estavam agora alinhados de forma desordeira e as camisolas, reservadas para aquela noite, já tinham, certamente, umas nódoas. Já para não falar das meias. Se os sapatos estavam nas chaminés andávamos todos de

meias. E claro, ouvia-se: “não andes no frio, olha que te constipas”. Do alto dos meus seis anos terei pensado que na noite de Natal ninguém se constipa e por isso podia continuar descalça. Mas isto, com os ralhetes incluídos, fazia parte da alegria própria da nossa noite de Natal. Até que chegasse o momento mais aguardado havia muita animação. E emoção. Muita emoção mesmo. Até que, de repetente, e por magia apareciam as prendas. O Pai Natal esse, lembro muito bem, nunca o consegui ver. Mas o fumo das renas que se espalhava no meio das estrelas, viu-o sempre muito bem. E quando não o estava a ver na perfeição, que bem que me lembro disto, os meus pais estavam comigo, à janela da sala, com o vidro embaciado devido ao calor do nosso corpo, a mostrar-me as renas. O meu pai dizia: “Olha o Pai Natal, olha o Pai Natal”. De facto, nunca o consegui ver. Quando olhava, naquele que pensava ser o momento


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Nat�� quele dia podia passar a trabalhar a sua madeira. E assim foi. Enquanto houve torno houve trabalhos manuais. Um torno foi assim a prenda desejada. Com um embrulho ainda mais especial. Jamais esquecerei a quinta dos animais de um conhecida marca de brinquedos. Como outros presentes – tantos outros – que tive o privilégio de receber. Estas são algumas das memórias que me ficam. Mas, as que guardo a cada ano que passa, porque se repetem sempre, são as do calor humano que a família unida provoca e que faz embaciar o vidro das janelas. Talvez se espreitar, este ano vou tentar fazê-lo, consiga ver o fumo das renas e o Pai Natal que nunca cheguei a conseguir ver. | Rute Melo

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certo, “ele”, o homem das barbas já tinha passado. Recordo o Natal sempre com uma alegria imensa. Mesmo quando percebi que já não havia renas nas estrelas, nem fumo nem Pai Natal. Nunca a magia deixou de fazer parte desta quadra festiva. Em 1986, como em todos os outros natais, recebi tudo aquilo que fui desejando, na certeza, que o desembrulhar das prendas me proporcionou um brilho nos olhos que só descobri quando, adulta, a família voltou a ter crianças. Não me esqueço também do Natal, em que o meu primo, eterno carpinteiro, pedreiro, ou melhor, um perfeito arranjador, pulou de alegria porque nos presentes, embrulhado em papel pardo, estava um torno. A partir da-


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A� , �� , �� O P�� Nat�� ��nd� nã� ���h� �id� ��p�rtad� d� A���ic� � �r� � M���n� Je�u� ��� p�vo�v� �

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aqueles tempos, o Natal costumava ser pintado de branco, com a neve a anunciar um longo e rigoroso inverno. Os lobos, que desciam dos montes, serras e florestas vizinhas, também se juntavam às celebrações, mas ficavam à porta, porque, apesar da mesa ser mais farta, naquela noite quase mágica, não havia lugar para uma alcateia esfomeada. De noite, ou quando a bruma que emanava das barragens do Rabagão e do Cávado, as crianças não andavam sozinhas na rua, não fossem eles atacar, como se temia por aqueles lados. Naqueles tempos, numa aldeia transmontana do Portugal profundo e profun-

damente deprimido e deprimente, nos anos 60 e 70 do século passado, ainda não se acreditava no Pai Natal, uma modernice inventada no outro lado do Atlântico por uma marca de refrigerantes, que também era proibida. Mas acreditávamos no Menino Jesus. Esse, sim, conhecíamo-lo bem… das imagens que decoravam o altar e os livros da catequese. Nós, as crianças, gostávamos dele, era o nosso herói do Natal, apesar de nunca termos tido o prazer de confraternizar com ele: era ele que nos deixava as prendas na base da lareira. Era platónico. Dizem que as deixava cair pela chaminé. Contudo, eu achava estranho que os embrulhos estivessem imaculados, ao contrário do gato que uma vez se intro-

duziu na cozinha através dela, que antes era branco e ficou preto, ao ponto de lhe mostrarmos a porta da saída, por não nos ter passado pela cabeça que era o nosso. Desde aquele dia, passou a chamar-se farrusco. Rezava que o Menino Jesus não se esquecesse de mim, como acontecera no Natal anterior, que se esquecera que a noite de entregar as prendas fora na semana anterior. Mas como mais vale tarde que nunca, e porque um descuido qualquer um tem, não lhe levei a mal. Desta vez, porém, ouviu as minhas preces e, quando acordei, lá estava a prova da generosidade daquele amigo imaginário. Não era como o rapaz lá da aldeia homónimo do filho de Maria


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p�vo�v� � �ma��n��i� �nf�n���

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e José, que era tão sovina, que nem os bons dias dava, com medo de ficar sem eles. Bem o ensinara a família… “Outra vez meias de lã?!”, reclamei. Bem, mas a verdade é que o inverno era frio e longo. Por sua vez, o calçado devia ter sido fabricado para havaianos…. Por isso, havia dias em que tinha de usar dois pares. E, mais uma vez, não lhe levei a mal pela falta de imaginação ou pelo sentido de oportunidade de ter comprado as prendas nas promoções de Natal. A confeção das filhoses, aletria e o polvo com couves e batatas cozidas não tinham intervenção divina, era obra e graça da minha mãe, que naquela noite se esmerava particularmente na cozinha. Os irmãos, todos eles mais velhos - muito

mais velhos, parecia-me, na altura – raramente se juntavam à festa da santíssima trindade caseira: pai, mãe e filho mais novo, à volta da lareira, sem luz elétrica, porque a eletricidade que se produzia nas barragens da região, a mesma que era transportada para as cidades e vilas através do poste de alta tensão que estava encostado à minha casa, só nos idos anos 70 se lembrou que ali também havia gente. E então fez-se luz, e o Natal nunca mais foi o mesmo. Eles, os meus irmãos, só não se juntavam a nós porque a distância nem sempre lhes permitia completar a prole nesta quadra do ano, que era numerosa: uns estavam no outro lado da Serra do Gerês, outros haviam migrado para a capital e havia

um, o mais velho, mesmo muito mais velho que eu, combatia em África para preservar o que restava do último império. O Natal não era pois marcado pela troca de presentes, coisa que naqueles tempos não existia, mas sim pelos ausentes, que faziam dele uma noite soturna, que acabava, invariavelmente, a rezar-se o terço. Anos mais tarde, constatei que passei ao lado de uma promissora carreira de artista de televisão, tal era a minha perícia em fazer play-back, mas às vezes abusava do meu talento e esquecia-me que o meu pai era um dedicado melómano e um observador empenhado. “Reza o terço, rapaz, não faças de conta que estás a rezar!”. E assim o trio deixava de ser duo. | Jot’Alves


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Dec�raç�e� �� Nat��

A ��v��� �� Nat�� � � �����nt� �ec�ra��v� ���, p�� es�e� �ia�, est� ��e��n�� �� todo� o� l��e�. A m�nta� � �� m���nt� �� �r�n�� ���maçã� � ���eta��v� p�r�, n� �n�� , po��� ��� a� g���i��ra� a�esa�

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embrulhos a engrossar. Lá em casa, nós sempre fizemos a montagem da árvore de Natal no início do mês de dezembro para a aproveitar o máximo de tempo possível. Nos últimos anos, a árvore é colocada em cima de uma mesinha que existe num dos cantos da sala para evitar que os gatos a ataquem. Junto à árvore, são colocadas as três principais figuras do presépio, que foram oferecidas por uma pessoa muito especial e que fazemos questão de as manter à vista até ao Dia de Reis (6 de janeiro). Árvore de Natal ecológica Olhando para trás, vejo que, neste caso, muita coisa mudou nos últimos anos. Recordo-me que quando era mais nova, antes de aparecerem à venda as árvores de Natal artificiais, o primeiro domingo do mês de dezembro era único e exclusivamente dedicado à árvore de Natal. Saíamos de casa de manhã cedo em direção a um pinhal que

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pertencia aos meus avós para escolhermos o pinheiro que seria, mais tarde, adornado com os enfeites típicos. A alegria e ansiedade, lembro-me, não cabia em mim ao ver que o momento estava a aproximar-se. A escolha do melhor pinheiro demorava algum tempo e era bastante criteriosa. Os ramos tinham que ser bem fortes para poderem carregar as bolas e as fitas coloridas. Para mim, também era importante que a árvore fosse grande e que tivesse o mínimo de ramos secos para que, naquela primeira fase, o verde fosse a cor predominante. Após a eleger aquele que nós considerávamos ser o melhor, o pinheiro era colocado na carrinha para podemos levar para casa. Já em casa, depois do almoço, começava a segunda parte desta importante tarefa. Embora a escolha do pinheiro fosse importante e divertida, porque era quase como se fôssemos passear, a fase de decorar a árvore era a mais criativa e estimulante.

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o início do mês de dezembro nós já estávamos habituados ao tempo frio e cinzento que tinha começado há já algumas semanas. A lareira estava farta de queimar lenha e os aquecedores já tinham saído das caixas, assim como as mantas coloridas enroladas nos sofás da sala. Muita coisa mudou em poucos anos, principalmente o estado do tempo que teima em não querer entrar em modo inverno. O Natal está a aproximar-se e é tempo de entrar no espírito com a montagem das decorações típicas desta época festiva que dão um ambiente único às nossas casas. Uns com mais, outros com menos, casas mais iluminadas ou não… o facto é que a árvore de Natal é um elemento decorativo que está, por estes dias, presente em praticamente todos os lares e que faz as delícias dos mais novos que anseiam em ver o volume de


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. A m�nta��� � ������z���nt� d� ������r� a�esa�

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Os adereços estavam guardados no interior de uma caixa que só era aberta nesta época do ano. Bolas de todas as cores e feitios, laços, anjos, estrelas, fitas coloridas e gambiarras começavam a ser colocados nos ramos verdes do pinheiro. Estes eram dias especiais que demoravam horas a fio e que, no final, terminavam com uma grande alegria ao ver as gambiarras acesas. À medida que fui crescendo, as novidades foram aparecendo no mercado e alguma da magia da árvore de Natal foi acabando, como os pinheiros artificiais, árvores de Natal já decoradas, entre outras modernices. Embora as árvores de Natal artificiais sejam, por um lado, mais amigas do ambiente não proporcionam toda a magia que ir buscar uma árvore ao pinhal - quase como um ritual anual - proporcionava. De resto, o mais importante nesta época de Natal é o aconchego da família reunida. | Joana Santos

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Er� m��h� �� Nat�� � �ud� p��e�i� ��rt� J� n� i���j�, ��p�i� �� �m� c����had� ��� p��e�i� ��� �� a�� a� ��e���i�, � ���j� ����nt�� n� �� d� ����n� ��� ��i� c�� � �i�sã� ���ns� �� s��v�� � ��nd�. Entã�, �r� Nat��

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contagiante da montagem do presépio, desde que a grande gaveta se abria e desvendava, um ano mais, as pequenas e belas figurinhas de barro, pouco depois já em crescendo dramático até à manjedoura a servir de despojada alcova ao filho de Deus nascido menino. Nesse tempo de advento, a alegria suprema acontecia sempre numa certa tarde em que, chegadas da escola, a casa toda rescendia a filhós acabadinhas de fritar. Era a surpresa que todos os anos nos abria o caminho para o Natal e que a avó preparava com cuidados e ternuras que só ela sabia ter. Para nós duas, mais do que a surpresa e o momento mágico de gulodice antecipado no grande prato já cheio de filhós douradas, quentinhas e generosamente polvilhadas de açúcar amarelo, contava o ritual que a avó conduzia.

Sentada numa pequena cadeira de madeira e assento empalhado, a avó, figura frágil mas sempre animada por uma inexplicável energia, oficiava em frente à lareira a cerimónia da fritura. E explicava os segredos do doce que, já com a fofa massa amarela a escassear na grande tigela de barro vermelho, tomava como por magia a forma das letras iniciais dos nossos nomes. E lá surgia um E e, logo a seguir, um L e um M. Com mais ou menos arte, assim a moldagem ficasse a cargo da avó ou de cada uma de nós, sempre ansiosas por demonstrar uma habilidade maior do que a destreza que nos permitia a idade. Até que, enfim, a noite grande chegava, com a família toda, o calor da casa, a ansiedade que só se desfazia no adro da igreja, na admiração desmesurada por 49240

s noites grandes e frias passadas ao aconchego da lareira, com a avó a mimar-nos com histórias de cabaças e pipocas doces a lembrarem os flocos de neve que se amontoavam lá fora para transformarem o breu em alvura a perder de vista. É assim que, para sempre, o Natal se fará anunciar. Mesmo que os anos e a distância o desmintam, hão de ficar para sempre a aventura imensa da curta viagem à encosta da serra em busca do mais lindo pinheiro manso, junto à “casa do guarda”, que nos facilitava a procura e ajudava o pai na tarefa. E a demanda do musgo macio no muro que marcava o caminho para o rio, espécie de fronteira entre o território da brincadeira permitida e das aventuras mais clandestinas. E, claro, o alvoroço

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nat�� ��� f��� , laço� �� ��e��i�! DIÁRIOASBEIRAS | 23

que veio com a missão imensa de salvar o mundo. Então, era Natal. E ficava mais fácil, muito mais fácil, a espera que ainda tínhamos pela frente até à surpresa sempre renovada das prendas

caprichadas que o Menino Jesus, generoso como mais ninguém, nos deixava nos sapatitos “esquecidos” junto à chaminé. Era manhã e era Natal. E tudo parecia certo. Para sempre. | Lídia Pereira

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uma fogueira sempre maior e mais brilhante na noite fria. E, já na igreja, depois de uma caminhada que parecia sem fim até ao belo presépio montado junto ao altar, o beijo redentor no pé do menino

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24 | DIÁRIOASBEIRAS nat�� ��� f��� , laço� �� ��e��i�!

A n�i�� m�i� l�ng� d� �n�

D� �i� m�i� ��rt� � m�i� l�ng� n�i�� d� �n�, a� nas����nt� �� Je�u� � a� �����raç�e� d� s�ls�í�i� �� ��

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e em cada um de nós procurarmos as mais antigas recordações do Natal, provavelmente a lembrança mais comum será a da imensa espera pelo desembrulhar dos presentes. A noite mais longa do ano, para muitos, sem autorização para ficarem acordados até à chegada do Pai Natal, que só pela manhã podiam rasgar os embrulhos. E a verdade é que esta é mesmo uma das noites mais longas do ano… Há semanas que, pelas ruas, nos shoppings e por muitas casas do planeta, já se “sente” o Natal. Uma festa de quase todos, atribuída pelos cristãos às celebrações do nascimento de Cristo, mas a verdade é que o Natal nem sempre foi assim. Aliás, só no século IV, por volta do ano 336 depois de Cristo, se começou a comemorar o Natal a 25 de dezembro. É, pelo menos, o que consta do Calendário Philocaliano, datado de 354 d.C., da autoria de Philocalus (autor incerto). “Natalis Solis Invicti”, o “Nascimento do Sol Invencível”, era uma festa pagã, “cristianizada” pelos romanos, para celebrar outro nascimento: o do Deus menino. Uma celebração ao deus-sol, Mitra, que, no hemisfério norte, muitas vezes coincidia com o solstício de inverno, o dia mais pequeno do ano – o que faz da noite, por oposição, a maior do ano –, altura em que os povos antigos celebravam o fim das colheitas.

Não é consensual para os historiadores o dia exato do nascimento de Cristo, até porque os próprios Evangelhos não lhe fazem referência, pelo que parece que foi o culto pagão a ter influência na escolha do dia das celebrações. Um pinheiro controverso Também toda a panóplia de tradições atribuídas ao Natal, como a decoração do pinheiro ou do presépio, parece ter origens ancestrais, muito anteriores ao cristianismo. Algumas referências à mitologia babilónica falam, por exemplo, da história de Ninrode (neto de Noé), que gostaria de receber presentes debaixo de uma árvore depois de morto. Voltando ao solstício de inverno, diz-se que os povos pagãos dos países bálticos cortavam pinheiros, que levavam para casa e enfeitavam. Essa tradição foi passada pelos povos germânicos e acredita-se também que Martinho Lutero foi outro dos precursores da árvore de Natal, quando, em 1530, na Alemanha, passeava à noite pela floresta e ficou impressionado pela beleza dos pinheiros cobertos de neve sob o brilho das estrelas, algo que reproduziu em sua casa com algodão, para simular a neve. Mas a cidade de Riga, na Letónia, reclama o título da mais antiga árvore de Natal, enfeitada em 1510.

São Francisco, São Nicolau e os reis magos Também o presépio remonta apenas ao século XIII. Fontes históricas afirmam que São Francisco de Assis montou o primeiro presépio em 1223, na floresta de Greccio, em Itália, para mostrar às pessoas mais simples o significado e a representação de Jesus Cristo. Já o Pai Natal, lendária figura de barbas fartas e brancas, tem origem, na maior parte dos relatos, em São Nicolau, bispo de Mira, na Turquia, que, no século IV, distribuía presentes pelos mais necessitados. Na Holanda, por exemplo, é na véspera

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s�í�i� �� �����n�. O pagã� � � ���i�ios� �� �m� da� �ist��ia� m�i� c���e�ida� d� ��nd�

Mas, no que toca à distribuição das prendas, há outros que não o fazem no dia 25, mas no dia 6… de janeiro, como

a vizinha Espanha, que associa a tradição aos presentes levados pelos reis magos ao menino Jesus. | Bruno Gonçalves

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da comemoração do dia de São Nicolau (6 de dezembro) que se distribuem as prendas.

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26 | DIÁRIOASBEIRAS nat�� ��� f��� , laço� �� ��e��i�!

O “���” ������r� Nat�� A “ma�i�” d� Nat�� f��-�� ��n��� � cad� rasg�� d� f��h� �� ������h�

F

oi o “teu” primeiro Natal. Não me lembro como se fosse hoje, até porque já se passaram 11 anos, mas recordo que foi a noite onde, também eu, voltei a sentir a magia daquele período festivo. O primeiro sinal foi a construção da árvore no início do mês. As luzes, as bolas coloridas, os bonecos. Tudo, para ti, foi uma imensa novidade. De tal forma que, se bem me lembro, a árvore teve de ficar a alguma altura do solo para evitar problemas. Afinal, todo aquele aparato, e ainda mais ali mesmo à mão de semear, era uma enorme tentação. Tudo correu bem, apesar dos naturais percalços associados à novidade que eram as decorações colocadas naquela estrutura verde. Até à noite de Consoada, que teve lugar a 200 quilómetros de distância de Coimbra, lembro-me da loucura que foi tu veres as prendas colocadas debaixo da árvore e da

“vontade” que tinhas em pegar nelas e começar a desfazer os papéis dos embrulhos. Até eu tinha vontade de o fazer, apesar de saber aquilo que lá se encontrava. E mesmo tendo a idade que tinha na altura… Neste período, dei por mim, várias vezes, a sonhar com aquilo que seria a loucura da abertura das prendas. E cheguei mesmo a questionar: “Será que vai gostar?”. Pergunta tola, posso dizer com toda a certeza nos dias de hoje. Afinal, éramos nós que tínhamos de escolher as tuas prendas pois com apenas oito meses de idade entoavas palavras tão simples como o “gugu” ou o “dadá”. Na noite da Consoada, o “Jota”, como ainda é carinhosamente chamado, estava tão excitado que nem o “soninho” da tarde quis fazer. Afinal, durante todo o dia 24 de dezembro foram-te dizendo que nessa mesma noite vinha “o Pai Natal” cheio de prendas. O homem das barbas brancas que tinhas conhecido pouco tempo antes num

centro comercial da cidade e onde chegaste a chorar “de medo”. Só que, logo a seguir ao jantar (mais cedo do que o normal), o cansaço foi mais forte e houve tempo para dormir uma pequena “sesta” noturna. Quando se pensava que apenas haveria “festa” na manhã do dia seguinte, eis que “acordas” extremamente bem disposto e pronto para fazer as “delícias” dos pais, avós, padrinho e tios. A paleta de prendas era de tal maneira vasta que o difícil foi mesmo começar. Dar início ao tradicional rasgar do papel das prendas. Puxa daqui, puxa dali e, ao fim de pouco tempo, o canto da sala já estava repleto de laços e papéis das mais variadas cores. Os olhos aumentavam de brilho a cada prenda que desembrulhavas. A excitação era tal – não sei se já nesta altura se pode chamar adrenalina – que o mais difícil foi mesmo colocar-te de novo a dormir. | António Alves

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Nat�� do� ho��it�i� Lid�� c�� � d��nç� � �� do� m���nto� m�i� �n��mo� �� cad� �� �� nó�. U� �n���n���nt� ho��it�l�� �n����-��, p�� m�i��i� �� r�zã�, ��m� es��r� ��nd� m�i� �e�so�� , ma� � t����� �m� �������n�i� �� �id� ��� po�� ��� p����had�. Ar�isc� p�� e�� c����h�.

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ção televisiva do dia e optei por ver, no portátil, toda a coleção de CD’s da série “Esmiúça os Sufrágios”, verdadeiro sucesso desse ano dos Gato Fedorento. É nestes momentos que damos verdadeiro valor ao humor inteligente. A partir desse dia, iria suceder-se a semana mais difícil do internamento, não só devido ao estado de saúde, mas também pela angústia do aproximar da noite de 24 de dezembro, sabendo que a alta hospitalar não iria chegar até lá e imaginando a família longe, em casa, com os filhos a abrir os presentes após a consoada. Todavia, atendendo ao contexto, os dias 24 e 25 de dezembro desse ano acabaram por ser felizes. Embora internado no Departamento de Doenças Infecciosas – onde fiquei devido a um erro inicial de diagnóstico na admissão

(gripe A) – o meu filho mais novo, ao fim de duas semanas e meia, pôde acompanhar os irmãos e fazer uma visita ao pai, para lhe dar uma prenda especial. Por volta das 18H00 do dia 24, já com o pessoal médico e de enfermagem em saída apressada para ir ter com a família, foi reconfortante receber a visita do diretor do serviço, Saraiva da Cunha, para desejar um Bom Natal. Uma hora depois, ao contrário de restantes refeições anteriores, o bacalhau com batatas e ovo servido aos doentes não soube a comida do hospital. Até a noite foi bem dormida. No dia seguinte, a família veio fazer uma festa à tarde, porque o Natal é para ser vivido rodeado dos mais próximos. Seria necessário esperar mais 12 dias para regressar a casa, em convalescença, mas a lição de vida ficou para sempre. | António Rosado

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or causa de uma pneumonia - agravada por complicações renais devido à administração hospitalar de antibiótico de largo espectro – passei a noite da consoada numa cama de hospital. Foi nessa noite, mas também noutras 29, desde o início desse mês frio de dezembro e até ao Dia dos Reis do ano seguinte. Ou seja, há meia dúzia de anos, bem contados, vivi por dentro esse hábito televisivo que é o Natal dos Hospitais. Quando era criança ainda apreciava os “verdadeiros artistas” a cantar, uns a seguir aos outros, ao longo de oito penosas horas no pequeno ecrã, mas anos depois já tinha dado para aquele peditório, nunca esperando que um dia iria ser apanhado no hospital (HUC), a viver por dentro tal experiência. Tive que arranjar alternativa à programa-

União de Freguesias de S. Martinho do Bispo e Ribeira de Frades deseja um Feliz Natal e um próspero Ano Novo


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N� ���p� do� ���uçado� �

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A ���i�ida�� ���r�i� �u�nd� ��h�v�mo� p�r� � �����es� �� �m� ���nd� f�ls� ma� ��it� c�� ��m�� � mas nós não conseguíamos perceber — embora também pouco nos interessasse. É que na manhãzinha de Natal, mal nos levantávamos, era uma corrida enorme para o sítio da lareira, à procura dos sapatos velhos que lá estavam colocados — e, sem percebermos porquê, não estavam lá na noite anterior! Lógica esta a das crianças que não os lá tinham colocado. Mas também não nos importávamos com isso. Antes sim com o que lá estava nos sapatos. Eram prendas, claro. Na altura mais modestas, as possíveis: umas meiazinhas, por vezes uns bombons, ainda mais raramente uns carritos de brincar: carritos, mesmo que pequeninos, eram coisa do além ou invenção muito recente, importada do Japão, e não chegavam às lojas da minha terra. Mas havia lá sempre algo que, por menor valor que tivesse, era sofregamente procurado por mim e pela minha irmã: calhava-nos sempre, um pouco como no Preço Certo, uns rebuçados, sempre muito bem embrulhados

em papéis brilhantes e barulhentos. Aquilo enchia o ramo das prendas com brilhos e barulhos únicos! Mas o problema não estava aí. O que acontecia é que nós sabíamos que tinha que haver um deles que fosse uma prenda falsa — era um bocado de carvão também embrulhado em papel brilhante multicolor. E os primeiros momentos do encontro das prendas do menino Jesus, ao contrário do que seria esperável, não era ver o que é que tinha calhado a cada um e comparar com as outras. Nah, isso era banal de mais: era a procura do rebuçado de carvão de cada um, e ver se era grande ou pequeno e como estava embrulhado. E a felicidade emergia quando olhávamos para a surpresa de uma prenda falsa mas feita com humor e boa disposição — o rebuçadinho de carvão. A felicidade das crianças é muito mais simples e barata de produzir! | Agostinho Franklin

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ra o tempo em que a televisão a preto e branco fazia com que o tempo andasse mais devagar, sem extensão, quase. Era o tempo em que as estradas ainda se faziam de macadam e nós brincávamos, felizes, com sapatos gastos ou rotos de buracos, aguardando pelo dia de Natal por uns novos, de verniz, que só se podiam usar ao domingo, na missa. E o tempo era passado a correr com um pau atrás de um arco retirado de uma bicicleta, como se de uma playstation se tratasse. Natal era o tempo do frio, o tempo em que se parava o sofrimento da escola e os dias eram compridos, esticados pelas mais imaginativas brindadeiras, com os colegas da rua. Natal era também o tempo em que antes do almoço de Natal havia o momento mágico, logicamente incompreensível, para nós, da noite de Natal. E porquê? É que os adultos bem tentavam explicar, inventar um processo qualquer para dar sequência compreensível à coisa...

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o hemisfério sul são os rigores do verão austral que emolduram a quadra natalícia. Encaixada esta diferença, eram iguais os dias de alegria e de fraternidade que uniam as famílias. No mês do Natal, em todas as casas, os mais pequenos ajudavam a enfeitar com entusiasmo a árvore de Natal, onde farrapitos brancos simulavam flocos de neve fofos como o algodão. Era o mês das histórias dos natais brancos e do trenó do Pai Natal, carregado de prendas, que, fazendo jus às gravuras e ilustrações dos livros de contos, os petizes imaginavam a voar, puxados pelas renas, sobre montanhas e paisagens de neve. No sul de Moçambique, uma das celebrações religiosas mais fidelizadas na noite de consoada era a Missa do Galo. No regresso a casa, seguia-se o mágico momento de deixar os pequenos desembrulhar as desejadas prendas, que imaginavam oferecidas por um Pai Natal vindo da Lapónia, terra de neves eternas, e ainda agasalhado até às orelhas. Um ritual que se cumpria de olhos brilhantes de alegria, pois o Pai Natal mantinha o dom de conseguir satisfazer todos os pedidos, apresar de tudo modestos. No dia seguinte, o Natal, as famílias e os amigos reuniam-se num almoço fraterno. As ementas de Natal tinham importado

também muitas das tradições da metrópole, alheias às dificuldades de digerir rabanadas, presuntos, pratos de bacalhau ou cabrito num calor húmido que se fixava entre os trinta e muitos e os quarenta e poucos graus, apenas refrescado, de quando em vez, por uma trovoada tropical que deixava no ar o cheiro a terra molhada e a flores. Com as escolas fechadas cerca de um mês – em dezembro, o mais quente do ano e com gloriosos dias de sol, não havia aulas –, a quadra natalícia era habitualmente preenchida com passeios e praia. Por isso, muitas vezes, logo a seguir ao dia de Natal, aos primeiros raios de sol, instalava-se a azáfama de reunir as toalhas de praia, os chapéus e os chinelos. Os miúdos rapidamente substituíam a neve fria pela espuma das ondas quentes e conciliavam bem as rabanadas com os sorvetes. Mais recentemente, os muitos anos de guerra em Moçambique quase apagaram o Natal do calendário. Hoje, graças ao esforço dos missionários, a quadra já se volta a celebrar, embora sem grandes festejos nem enfeites. Cumpre-se a tradição da ceia e, nos centros católicos, a da Missa do Galo. Mas há outras diferenças, mais dolorosas: muitas crianças órfãs, que constroem, elas próprias, as figuras do presépio e os seus poucos brinquedos, feitos com uma madeira macia. | Dora Loureiro

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A Associação de Futebol de Coimbra deseja a toda a comunidade desportiva do nosso distrito um feliz natal e um bom Ano Novo

Estádio Municipal Sérgio Conceição Rua de S.Lourenço - Quinta do Relógio 3045 - 478 TAVEIRO Telefone: 239 853 680 | Fax: 239 853 699 e-mail: afcoimbra@afcoimbra.com


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U� Nat�� �� �ra�iç�e� Est� �� m�i� �� Nat�� . T��p� �� �est�, ����iã� � s��id���eda��, �i� �� ���iad� ���i�ios�, ma� ���l���n�� �����rad� p�� ��ito� nã� cat��ico�

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a tradição a marca maior desta quadra festiva, toda ela carregada de costumes seculares, enraizados nas populações e transmitidos a cada geração. Do presépio, à coroa de Natal, passando pela tão célebre árvore e respetivos enfeites, onde alto se distingue a estrela, tudo conjugado e bem vivo, festejado a cada ano. Um momento aguardado por muitos, em especial pelos mais pequenos, também eles habituados já à tradição da troca de prendas, à figura do Pai Natal ou do Menino Jesus. Mais recentemente, outros hábitos surgem associados à quadra, enriquecendo dias já de si especiais, numa altura de inegável impacto económico, com registo de crescimento a cada ano nas mais variadas regiões do mundo. As ruas “vestem-se” a preceito e a todo o momento a atmosfera é inundada de sons tão próprios desta quadra. A música está em todo o lado e invade-nos um sentimento especial, que faz com que esqueçamos tantas das agruras que preenchem o nosso quotidiano. Tradição à mesa Também por estes tempos a tradição faz parte da mesa das famílias. São dias em que se esquecem os cuidados com a forma f ísica e se cede à tentação das muitas iguarias que “desfilam” pelas casas de cada um. Bem enraizada nos hábitos natalícios, a gastronomia surge como elemento indissociável dos festejos, com momentos bem vincados, seja na consoada da véspera ou no almoço do dia de Natal. A acompanhar, não falta o (bom) vinho, produto de excelência nacional, e os tantos e variados doces típicos desta quadra, irresistíveis e tão presentes nas comemorações. Reunião das famílias O Natal é um dos momentos do ano aproveitado por muitas famílias para o reencontro. Separados ao longo do ano pelas mais variadas razões, por estes dias muitos regressam “a casa” e juntam gerações, partilhando histórias e recordando tempos idos Prolongam-se os tempos dedicados às refeições, sem pressas e com boa disposição, criando memórias que hão de durar até ao ano seguinte, mas que ficam para toda a vida. | José Armando Torres

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À e���r� d� P�� Nat��

A ma�i� d� Nat��! U� ����n� do��, �� s�r�is� m�l�n�r�, ��� a�u�rd� c�� s�uda�� � ��egad� d� ���

H 49402

á dois anos iniciei um papel que muito me honra: sou o Pai Natal. Lá em casa, a família junta-se na noite da consoada para comer o bacalhau, as batatas, as couves e os ovos. Tudo cozido. A lareira está acesa e a árvore de Natal brilha, através das suas luzes cintilantes. Sobre o musgo está o presépio com o José, a Maria, o menino Jesus, o burrinho, a vaquinha e os três Reis Magos. Não há nenhum presente. É aqui que entra o Pai Natal, com a missão de trazer as prendas. Acontece por volta da meia-noite. Até lá ainda faltam umas horas, mas o Dinis, de quatro anos, sabe que ele vem. Prometeu-lhe que voltaria sempre que ele

se portasse bem. Enquanto se aguarda a chegada do velhote de barbas brancas, é tempo de encetar a “fuga”. Como desaparecer sem ele dar conta?! Não é tarefa fácil, mas o entusiasmo e a vontade que tem de estar com o Pai Natal é tão grande que acaba por nem se aperceber da minha ausência. O pai tem a missão de o distrair. Subo as escadas, para o 1.º andar, e no quarto, em cima da cama, está o fato vermelho e branco. Começo por vestir as calças, a camisola, o casaco. Espera: O Pai Natal tem uma barriga grande? Ora, umas almofadas resolvem na perfeição. Nos pés enfio umas botas pretas. Coloco o barrete na cabeça, aplico as longas barbas brancas e ponho os óculos. Para terminar, as luvas.

O saco com as prendas já está preparado. É preto, não muito grande. O Pai Natal é velhinho e não pode carregar muito peso, depois tem de ser rápido porque ainda faltam muitos meninos e meninas para visitar. Saio de casa. Desço as escadas (exteriores) e ali estou eu pronta para encarnar o velhinho de barba branca. Ouve-se a bater à porta: truz, truz, truz! Com um sorriso malandro, mas tão encantador, o pequenote dá as boas-vindas ao Pai Natal. Dinis – Vieste como prometeste. Entra, aqui está mais quentinho. Eu ajudo-te a levar o saco. Pai Natal – Sim, estou aqui. Venho muito cansadinho. A minha casa fica muito longe.


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gad� d� ������h� �� b��ba� �r�nca� Olha lá pequeno, portaste-te bem como me prometeste? Dinis – Portei sim, muito bem. Pai Natal – Tenho aqui umas prendinhas. Não foram todas as que pediste, porque tenho muitas para entregar. Dinis – Não faz mal. Sabes Pai Natal, tinha saudades tuas. Gosto muito das tuas botas e dos teus óculos. Posso dar-te um abracinho? Pai Natal – Claro. (abraçam-se)

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Feliz Natal! Segue-se a entrega das prendas e as despedidas, tudo num curto espaço de tempo. No ar fica a promessa do regresso. HO! HO! HO! Até para o ano. | Cláudia Trindade


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A�nd� ��� �� a�h�� �raç� �

D� �e���n�, ����r�-�� ��� �� toda� a� c�isa� �� Nat�� ��� o� ��m�i� �� ����r��. D� ���p� �� ����ba ��� � ����í�i� da����� �i� � a� �n�ús�ia� da���l� n�i��. D�p�i� nas��� � ��� ��h�...

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coisa natalícia. A carta do meu filho é uma surpresa. Um a um, lá estão os presentes que quer neste Natal: uns quantos jogos para a consola, a camisola encarnada do irreversível vício clubístico que herdou da mãe e um telescópio… Tudo com nomes detalhados, preço em euros e até a loja onde estão à venda. O meu filho tem sete anos e há sete anos que o Natal voltou a fazer parte da minha vida. Já quase não me lembro do tempo e do

modo de Natal sem natalices. Um desses anos de suplício por ser Natal um político nortenho marcou comigo uma entrevista. Foi difícil escolher o dia. Ele não podia hoje, amanhã não podia eu… Acabámos por acertar para 24 de dezembro, pela manhã, ali para os lados de Oliveira de Azeméis. Um domingo! Lembro-me vagamente da rotina noturna da véspera: charla de copos e fumo no Tropical, depois no Urbanidades… Acordar cedo não foi fácil. Nunca era. O sol radioso da manhã não logrou derreter o caramelo no cordel da roupa. Por esses anos de celibatário, eu habitava um oitavo andar, na Elísio de Moura. Lembro-me que o elevador tinha um letreiro a pedir para não fumar. O primeiro cigarro,

portanto, acendia-o no imenso terraço exterior do prédio enorme. Já escrevi que fazia frio? Muito, por sinal. Lembro-me de desembaciar os vidros do carro a bater os pés e os dentes. Antes das nove da manhã, num domingo que é véspera de Natal, esta parte da cidade parece deserta. Devia seguir pela circular, mas meto pelo miolo da cidade. Nunca entendo por que isto acontece. Vou perder tempo, vou andar a hesitar se corto aqui ou ali. Sei que vou parar algures, para o café, para fumar outro cigarro e para ler o jornal. Já que aqui estou, vou encher o depósito. A estação de serviço, ainda Idemitsu, está cheia. Carros e mais carros, a brilhar de lavados. O altifalante toca o jingle bells. 49242

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meu filho escreveu uma carta ao Pai Natal. Ele já não acredita no barbudo mas dá-lhe jeito fazer de conta para me envolver na


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� � est� c�is�

p� �� ����bat��i� ���it�n�� oc����-�� p�uc� m�i� d�

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Há um pai natal com risinhos desajeitados a distribuir publicidade. Há luzinhas a cintilar nas ilhas de gasóleo e gasolina e até as mangueiras têm uma espécie de manga de papel grosso com enfeites de Natal. Na Solum e cercanias, os burgueses acham-se com patine. No Patrol, à minha frente, a Mariah Carey canta um hit natalício. Nada divertidos, os dois putos do banco de trás entretêm-se a mirar-me. Acendo um cigarro. Não devia fumar numa bomba de gasolina, mas os miúdos irritam-me quase tanto quanto o Natal. Pronto, o pai já pagou e o jipe vai-se embora. Talvez leve a família à missa, ou à praia, ou à terra. Ou, quem sabe, a um desses restaurantes da Mealhada. Pago com cartão. Quase maquinalmente, peço para incluir o jornal e um SG Gigante. A rapariga da caixa tem um gorro vermelho e sorri. Passa-me o talão e um cartão de boas festas. De repente, fico a pensar se algum dia vou ter a minha família para passar a ter Natal... | Paulo Marques

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