DIGESTO
PRODUTOS QUÍMICOS PARA INDÚSTRIA FARMACjÍUTICA. da BORRACHA. ETC,
MATÉRIAS- PLÁSTICAS • DROGAS EM GERAJ-
ECONOMlCO
(onux
PRODUTOS PARA AMACIAMENTO DESENGORDURAMENTO — TINGIMENTO
SOB OS AUSPÍCIOS DO ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE SÃO PAULO E DO FEDERAÇÃO DO COMERCIO DO ESTADO DE SÃO PAULO
ACABAMENTO. ETC
S U M il R I o
NAPHTANILIDS — BASES —• SAIS — CORANTES
Pág.
RONAGENES — HIDROSSULFITOS
furos, — Rlchardminerais Lewinsohn Taxas- rfa_eo ju na América Lalina — Glycon de Paiva
S' 10'
A política d® cruzeiro e dôiar
Jí28-^
UíRizaç^o de
^
Azevedo Teixeira
__
O Relatório EUen
^
Economistas bras
. j,. d®. Responsabilidade
Francisco Sá --
Modiíicaçao das lax Escassez de dólares
Abreu
15-
Vieira
Silva Lisboa, Visconde de Cairú —
Basilio de MagalMes
W^/
elitesGontijo — Roland Corbisier de Carvalho
tv'/t 6Q>y
juros — Roberto Pinto de Sousa
Luiz de Almeida Nogueira Porto
^ __
egV
"
Amorim
7-»?-
Emigração J"""-_^mia do Menezes I.B.G.E. A proposilo® de econo de transportes ^ e circulação ^ ^— Os trabalhos Djacir
CORANTES AO CROMO E "INDIGOSOIS' PARA TINTURARIA E ESTAMPARIA
— Geraldo Ca perigos jdos .«orTÓeios negocios de o^e compensação __ Villas-Boas
As dividas de ~ industrial Policuliura o expansao^m^^^^
Banaskiwitz
— Bezerra de Freitas
A sêca e as variaço_es chma^^
;
!!!!! i i i
A Rberdade L imprensa no Brasil - Octávio Tarquínio de Sousa
ini 101/
' iJ?/
O mais velho documentário paulista de escrituração mercantil Afonso e bancária — de Taunay
REPRESENTAÇÕES PARA O BRASIL DE
■Ui ec«i
11 ii)*J
II • tio oe/«MIRO
BiRMTOKOtlCLRRS, «11 (iURtlOa -"í/f''
I
m fAilfiiniftimiíiiiniiiP"^-
■
J
/
■ • - v
N.o 71 — OUTUBRO DE 1950 — ANO VI
128/^ 132-^
o DIGESTO ECONOMICO .r
ESTA À VENDA
nos principais pontos de jornais no Brasil, ao preço de Cr$ 5,00.
Os nossos agentes da relação abaixo estão aptos a suprir qualquer encomenda, bem como a receber pedidos de assinaturas, ao preço de CrS 50,00 anuais.
Agente geral para o Brasil FERNANDO CHINAGLIA
Avenida Presidente Vargas, 502, 19.o ândar Rio de Janeiro
Alagoas: Manoel Espíndola, Praça Pe dro H. 49. Maceió.
Amazonas: Agência Freitas, Rua Joa
Paraná: .1. Gliingnone, Rua 15 de No vembro, 423. Curitiba.
quim Sarmento, 29, Manaus.
Pernambuco: Fernando ChinagUa, Rua do Imperador, 221, 3.o andar.
Alfredo J. de Souza & Cia., R. Saldanha da Gama, 6. Salvador,
Piauí: Cláudio M. Tote, Tereslna.
Ceará: J. Alaor de Albuquerque C. Cia. praça do Ferreira, 621, Fortaleza.
Espírito Santo: Viuva Copolilo & Fl-
VUória ^ Jerônimo Monteiro, 361,
Recife.
Rio de Janeiro: Fernando Chinaglia, Av. Pro.sidenle
Vargas, 502, 19.o
andar.
Rio Grande do Norte: Luis RornSo. Avenida Tavares Lira. 48, Natal.
Goiás: João Manarino. Rua Setenta A, Rio Grande do Sul: Sòmente para Por to Alegre: Octavio Sagebin, Rua
Goiânia.
Maranhão:
Livraria Universal, Ru.t
João Lisboa, 114, Sâo Luiz.
7 de Setembro. 789, Porto Alegre. Para locais fora de Pôrto Alegre: Fernando Chinaglia, R. de Janeiro.
Mato Grosso: Carvalho, Pinheiro & Cia., Pça. da República. 20, Cuiabá.
Santa Catarina: Pedro Xavier & Cia , Rua Felipe Schmidt, 8, Florianóp.
Minas Gerais: Joaquim Moss Velloso, Avenida dos Andradas, 330, Beio Horizonte.
Pará: Albano H. Martins & Cia Tra vessa Campos Sales, 85/89, Belém Paraíba: Loja das Revistas, Rua Ba rão do Triunfo, 510-A, João Pessoa.
Snquanto a população aumenta acen tuando o nosso índice de vitalidade, as
São Paulo: A Intelectual, Ltda., Via
duto Santa Efigênia, 281, S. Paulo.
construções aceleram seu ritmo, desde
a pequenina casa longínqua do operário Sergipe: Livraria
Regina
Ltda., Rua
João Pessoa. 137, Aracaju. Território do Acre: Diógenes de Oli veira. Rio Branco.
até o imponente arranha-céu. Nossos técnicos, artistas e operários têm con tribuído em
todos os
setores
dessa
construção, contribuinHr.
aec=r e aformosear a cl Estamos aptos a constr,,'" ^ ° °
ponto do território nacionaT
DACIO II. DE MQRoes S B
expansão, contando-se por centenas os
Engenharia - Arqai,n,„„
edifícios de classe de nossa autoria e
R„a llto. B.darMS8 .,S,,.
^
''«ním-i8.oo4
o DIGESTO ECONOMICO .r
ESTA À VENDA
nos principais pontos de jornais no Brasil, ao preço de Cr$ 5,00.
Os nossos agentes da relação abaixo estão aptos a suprir qualquer encomenda, bem como a receber pedidos de assinaturas, ao preço de CrS 50,00 anuais.
Agente geral para o Brasil FERNANDO CHINAGLIA
Avenida Presidente Vargas, 502, 19.o ândar Rio de Janeiro
Alagoas: Manoel Espíndola, Praça Pe dro H. 49. Maceió.
Amazonas: Agência Freitas, Rua Joa
Paraná: .1. Gliingnone, Rua 15 de No vembro, 423. Curitiba.
quim Sarmento, 29, Manaus.
Pernambuco: Fernando ChinagUa, Rua do Imperador, 221, 3.o andar.
Alfredo J. de Souza & Cia., R. Saldanha da Gama, 6. Salvador,
Piauí: Cláudio M. Tote, Tereslna.
Ceará: J. Alaor de Albuquerque C. Cia. praça do Ferreira, 621, Fortaleza.
Espírito Santo: Viuva Copolilo & Fl-
VUória ^ Jerônimo Monteiro, 361,
Recife.
Rio de Janeiro: Fernando Chinaglia, Av. Pro.sidenle
Vargas, 502, 19.o
andar.
Rio Grande do Norte: Luis RornSo. Avenida Tavares Lira. 48, Natal.
Goiás: João Manarino. Rua Setenta A, Rio Grande do Sul: Sòmente para Por to Alegre: Octavio Sagebin, Rua
Goiânia.
Maranhão:
Livraria Universal, Ru.t
João Lisboa, 114, Sâo Luiz.
7 de Setembro. 789, Porto Alegre. Para locais fora de Pôrto Alegre: Fernando Chinaglia, R. de Janeiro.
Mato Grosso: Carvalho, Pinheiro & Cia., Pça. da República. 20, Cuiabá.
Santa Catarina: Pedro Xavier & Cia , Rua Felipe Schmidt, 8, Florianóp.
Minas Gerais: Joaquim Moss Velloso, Avenida dos Andradas, 330, Beio Horizonte.
Pará: Albano H. Martins & Cia Tra vessa Campos Sales, 85/89, Belém Paraíba: Loja das Revistas, Rua Ba rão do Triunfo, 510-A, João Pessoa.
Snquanto a população aumenta acen tuando o nosso índice de vitalidade, as
São Paulo: A Intelectual, Ltda., Via
duto Santa Efigênia, 281, S. Paulo.
construções aceleram seu ritmo, desde
a pequenina casa longínqua do operário Sergipe: Livraria
Regina
Ltda., Rua
João Pessoa. 137, Aracaju. Território do Acre: Diógenes de Oli veira. Rio Branco.
até o imponente arranha-céu. Nossos técnicos, artistas e operários têm con tribuído em
todos os
setores
dessa
construção, contribuinHr.
aec=r e aformosear a cl Estamos aptos a constr,,'" ^ ° °
ponto do território nacionaT
DACIO II. DE MQRoes S B
expansão, contando-se por centenas os
Engenharia - Arqai,n,„„
edifícios de classe de nossa autoria e
R„a llto. B.darMS8 .,S,,.
^
''«ním-i8.oo4
fls Correias PORQUE O SR. DEVE ANUNCIAR NO
GOOD^EAR transmitem tôda a força dos motores As Correias Goodyear são prc-distendidas na vulcanização, não se distendem em serviço, não deslizam nas polias. Por isso, proporcionam o má ximo de rendimento e evita.m perda de
DI«ESTO
ECONOMICO CORREIAS GOODYEAR MULTIV
tempo com reajustes. Em nossa loja, temos estoque completo de Correias Goodyear. Consulte nossos técnicos sô» bre quaisquer problemas de transmissão.
Construídas com grande precisSo técnica, garantem trabalho econômico e seguro.
Preciso nas informações, sóbrio e objetivo nos comentários, cômodo e elegante na apresenta ção, o Dicesto Econômico, dando aos seus
leitores um panorama mensal do mundo dos
negócios, circula numa classe de alto poder aquisitivo e elevado padrão de vida. Por essas razões, os anúncios inseridos no Digesto Eco-
NÓMico são lidos, invariàvelmente, por um provável comprador.
Esta revista é publicada mensalmente pela Edi■ tôra Comercial Ltda., sob os auspícios da Asso ciação Comercial de São Paulo e da Federação do Comércio do Estado de São Paulo.
MANGUEIRAS
CORREIAS PLANAS
GOODYEAR
para todos os fins
GOODYEAR
RIO DE JANEIRO Rua Teóf:Io Otoiti, 81
Cíia
IoSustos CCAléRCiO E INDÚSTRIA
SÃO PAULO Rua Flc-r. de Abreu, 828 BELO HDR ZONTE Rua Tupinambás, 364 PORTO ALEGRE
Av.Júlio de Castilbos.SO
í EDITORA
COMERCIAL
HUA BOA VISTA, M, 9.0 ANDAR _ TEL. S-U„ _
LIMITA"T)A
19 - SAO PAUDO
fls Correias PORQUE O SR. DEVE ANUNCIAR NO
GOOD^EAR transmitem tôda a força dos motores As Correias Goodyear são prc-distendidas na vulcanização, não se distendem em serviço, não deslizam nas polias. Por isso, proporcionam o má ximo de rendimento e evita.m perda de
DI«ESTO
ECONOMICO CORREIAS GOODYEAR MULTIV
tempo com reajustes. Em nossa loja, temos estoque completo de Correias Goodyear. Consulte nossos técnicos sô» bre quaisquer problemas de transmissão.
Construídas com grande precisSo técnica, garantem trabalho econômico e seguro.
Preciso nas informações, sóbrio e objetivo nos comentários, cômodo e elegante na apresenta ção, o Dicesto Econômico, dando aos seus
leitores um panorama mensal do mundo dos
negócios, circula numa classe de alto poder aquisitivo e elevado padrão de vida. Por essas razões, os anúncios inseridos no Digesto Eco-
NÓMico são lidos, invariàvelmente, por um provável comprador.
Esta revista é publicada mensalmente pela Edi■ tôra Comercial Ltda., sob os auspícios da Asso ciação Comercial de São Paulo e da Federação do Comércio do Estado de São Paulo.
MANGUEIRAS
CORREIAS PLANAS
GOODYEAR
para todos os fins
GOODYEAR
RIO DE JANEIRO Rua Teóf:Io Otoiti, 81
Cíia
IoSustos CCAléRCiO E INDÚSTRIA
SÃO PAULO Rua Flc-r. de Abreu, 828 BELO HDR ZONTE Rua Tupinambás, 364 PORTO ALEGRE
Av.Júlio de Castilbos.SO
í EDITORA
COMERCIAL
HUA BOA VISTA, M, 9.0 ANDAR _ TEL. S-U„ _
LIMITA"T)A
19 - SAO PAUDO
DiGESTo emdiHico
Taxas de Juros
I lURDQ DOS RE6ÚCI0S RUM PIRimu fublitado sqM e« Qugplclot da
Richard Lewinsohn
iSSOCinCtO COMERCIUDE SlO FftUlO FEDERAClO DO COMERCIO 00 ESTADO OE SlO PAULO
O Digesto Econômico publicará no próximo número:
Superintendência da Moeda e do Crédito, ECONOMISTAS
HRASILEIUOS
-
JOSE HONIEACnO - Basílio cio Ma-piretoT «uperlnlend»!!!** Marílm A£foiuo Xavier da sÚvaUa
A limitação das taxas de juros sobre depósitos, pela recente instrução da
galliãc.s.
chamou a atenção sôbre um assunto cuja importância para toda a vida econômica ninguém ignora. Trata-se de um proble ma dos mais complexos. As discussões
sobre o princípio dos juros e a altura Diretor:
Anlonlo Oontijo de Carvalho
PREVISÃO EM
ECONOMIA - Ro
berto Pinto cie Sousa.
♦
admissível das taxas ascendem às épocas mais remotas da história. Enquanto anti
gamente considerações filosóficas e sociais
para um plano mais técnico, baseando-se
presa como empréstimo, obterá sua parte
sobretudo em.argumentos práticos e psi
do rendimento sob a forma de juros. Em préstimos para outros fins, seja ao Estado
cológicos.
Mas evidenciou-se que essa
MINÉRIOS DO BRASIL - Pimuiitel
ção,
Não existe teoria alguma que con
corde perfeitamente com os fatos reais. Deixamos do lado as doutrinas histó
ricas, como por exemplo a famosa teoria ECONOMIA E CRIME - Roberto
de Aristóteles, que, confundindo moeda e capital, considerava os juros como in
Lira Filho
justos, pois o dinheiro — nb sentido
Aceita-se intercâmbio com nubii-
AlIXlfATURAI: Digeilo Econdmiee Ano (simples) ..,
"
(registrado)
Número do mês:
Atrasado:
VELHOS PLANOS —'Nelson Werncck Sodré.
?rVnrj=.r
Crf 50,00 Crt 58,00 Cr$ 5,0Q Cr| 8.00
O MAIS VELHO DOCUMENTÁRIO
PAULISTA
DE ESCRITURAÇÃO
MERCANTIL
E
Afonso de Taunay.
BANCÁRIA
-
aristotélico a moeda metálica — é apenas
um meio de circulação, e não reprodutivo; por conseguinte, não pode "produzir" um lucro em favor de seu proprietário. É óbvio que as idéias sôbre juros lícitos e ilícitos sofreram, com a evolução técnica, econômica e social, grandes alterações.
Limitamo-nos, portanto, a uma breve aná lise das principais teorias hoje em voga. Rendimento fixo e variável
Redação • Administração:
de participar do rendimento do processo de produção. Se o proprietário do capital o explora numa empresa que lhe pertence ex clusivamente, êle tirará um lucro direto; se o capital da empresa fôr reunido por vários associados, o rendimento será distribuído sob a denominação de dividendos, e se
CADO INTERNACIONAL - Dori
Gomes.
Na transcrição de artigos nede-a.
capital tem, consequentemente, o direito
PRODUTOS BRASILEIROS NO MER
forma de tratamento não facilita a solu
«««5
Adam Smith e de seus discípulos, o traba
lho, mas o capital não é senão um estoque de trabalho acumulado, e quem dispõe de
dominavam os debates, os economistas modernos tentaram transpor a 'questão
val Teixeira Vieira.
devidamente citadas ç.nc,«o. enatlaS-S
fonte de produtividade é, na opinião de
o capitalista entregar seu capital à em
seja a particulares, nada mudam no prin
cípio: a última fonte dos juros é sempre a produção.
Assim, Adam Smith chegou à conclusão de, que a taxa usual de juros deve variar para cima e para baixo, com o lucro
ordinário das empresas. Em outras pala vras, a taxa de juros é a média do lucro. Decerto, essa média está sujeita, em cada
país, às condições específicas da produção e da conjuntura, e sobretudo às modalidades legais. O próprio Adam Smith era partidário de uma limitação geral da taxa de juros a 4 ou 5 %, mas o lucro distribuido e a taxa-padrão de juros não podem distanciar-se muito entre elas, pois se a taxa de juros ultrapassar muito a do lucro, ninguém inverterá mais suas disponibili dades em ações, e na hipótese oposta nin guém dará mais seu dinheiro como em
TIadute Boa Vlsia, 17 - 7.0 andar
No grande público predomina ainda o
TeL 1-7411 — Caixa Postal, 140-B
conceito dos clássicos da escola inglesa,
préstimo.
que consideram os juros como uma forma,
À primeira vista, essa teoria parece ló gica e plausível, mas nada diz sôbre a diferenciação dos juros segundo o prazo,
fie Paulo
entre outras, do lucro oriundo da aplicação
produtiva do capital.
A última e única
DiGESTo emdiHico
Taxas de Juros
I lURDQ DOS RE6ÚCI0S RUM PIRimu fublitado sqM e« Qugplclot da
Richard Lewinsohn
iSSOCinCtO COMERCIUDE SlO FftUlO FEDERAClO DO COMERCIO 00 ESTADO OE SlO PAULO
O Digesto Econômico publicará no próximo número:
Superintendência da Moeda e do Crédito, ECONOMISTAS
HRASILEIUOS
-
JOSE HONIEACnO - Basílio cio Ma-piretoT «uperlnlend»!!!** Marílm A£foiuo Xavier da sÚvaUa
A limitação das taxas de juros sobre depósitos, pela recente instrução da
galliãc.s.
chamou a atenção sôbre um assunto cuja importância para toda a vida econômica ninguém ignora. Trata-se de um proble ma dos mais complexos. As discussões
sobre o princípio dos juros e a altura Diretor:
Anlonlo Oontijo de Carvalho
PREVISÃO EM
ECONOMIA - Ro
berto Pinto cie Sousa.
♦
admissível das taxas ascendem às épocas mais remotas da história. Enquanto anti
gamente considerações filosóficas e sociais
para um plano mais técnico, baseando-se
presa como empréstimo, obterá sua parte
sobretudo em.argumentos práticos e psi
do rendimento sob a forma de juros. Em préstimos para outros fins, seja ao Estado
cológicos.
Mas evidenciou-se que essa
MINÉRIOS DO BRASIL - Pimuiitel
ção,
Não existe teoria alguma que con
corde perfeitamente com os fatos reais. Deixamos do lado as doutrinas histó
ricas, como por exemplo a famosa teoria ECONOMIA E CRIME - Roberto
de Aristóteles, que, confundindo moeda e capital, considerava os juros como in
Lira Filho
justos, pois o dinheiro — nb sentido
Aceita-se intercâmbio com nubii-
AlIXlfATURAI: Digeilo Econdmiee Ano (simples) ..,
"
(registrado)
Número do mês:
Atrasado:
VELHOS PLANOS —'Nelson Werncck Sodré.
?rVnrj=.r
Crf 50,00 Crt 58,00 Cr$ 5,0Q Cr| 8.00
O MAIS VELHO DOCUMENTÁRIO
PAULISTA
DE ESCRITURAÇÃO
MERCANTIL
E
Afonso de Taunay.
BANCÁRIA
-
aristotélico a moeda metálica — é apenas
um meio de circulação, e não reprodutivo; por conseguinte, não pode "produzir" um lucro em favor de seu proprietário. É óbvio que as idéias sôbre juros lícitos e ilícitos sofreram, com a evolução técnica, econômica e social, grandes alterações.
Limitamo-nos, portanto, a uma breve aná lise das principais teorias hoje em voga. Rendimento fixo e variável
Redação • Administração:
de participar do rendimento do processo de produção. Se o proprietário do capital o explora numa empresa que lhe pertence ex clusivamente, êle tirará um lucro direto; se o capital da empresa fôr reunido por vários associados, o rendimento será distribuído sob a denominação de dividendos, e se
CADO INTERNACIONAL - Dori
Gomes.
Na transcrição de artigos nede-a.
capital tem, consequentemente, o direito
PRODUTOS BRASILEIROS NO MER
forma de tratamento não facilita a solu
«««5
Adam Smith e de seus discípulos, o traba
lho, mas o capital não é senão um estoque de trabalho acumulado, e quem dispõe de
dominavam os debates, os economistas modernos tentaram transpor a 'questão
val Teixeira Vieira.
devidamente citadas ç.nc,«o. enatlaS-S
fonte de produtividade é, na opinião de
o capitalista entregar seu capital à em
seja a particulares, nada mudam no prin
cípio: a última fonte dos juros é sempre a produção.
Assim, Adam Smith chegou à conclusão de, que a taxa usual de juros deve variar para cima e para baixo, com o lucro
ordinário das empresas. Em outras pala vras, a taxa de juros é a média do lucro. Decerto, essa média está sujeita, em cada
país, às condições específicas da produção e da conjuntura, e sobretudo às modalidades legais. O próprio Adam Smith era partidário de uma limitação geral da taxa de juros a 4 ou 5 %, mas o lucro distribuido e a taxa-padrão de juros não podem distanciar-se muito entre elas, pois se a taxa de juros ultrapassar muito a do lucro, ninguém inverterá mais suas disponibili dades em ações, e na hipótese oposta nin guém dará mais seu dinheiro como em
TIadute Boa Vlsia, 17 - 7.0 andar
No grande público predomina ainda o
TeL 1-7411 — Caixa Postal, 140-B
conceito dos clássicos da escola inglesa,
préstimo.
que consideram os juros como uma forma,
À primeira vista, essa teoria parece ló gica e plausível, mas nada diz sôbre a diferenciação dos juros segundo o prazo,
fie Paulo
entre outras, do lucro oriundo da aplicação
produtiva do capital.
A última e única
HPHfPFF DicnsTO Econômico
nem sôbre as influências monetárias, nem
sobre a repercussão das finanças públicas e da taxa que o Governo oferece aos seus
devedores. Êsses fatores mostram-se, po rém, cada vez mais decisivos para o nível
dos juros e determinam grandes divergên cias em relação aos lucros distribuídos
como dividendos. Observamos hoje qué nos Estados Unidos, os dividendos distri buídos por grandes companhias são de tres a quatro vezes mais elevados que as
de juros pagos pelo Governo para timlos da dívida pública e ainda duas
vezes piores que os juros de debêntures e de hipotecas. Se existe certa tendência
para a adaptação mútua das diversas for-
^ de rendimento, o processo é mo lento
e suave que sua significação é mínima em comparaçao com outros fatores que deminam a decisão do investidor.
Valor presente e valor futuro
As imperfeições da teoria clássica já conduziam, desde a primeira metade do século XIX, vários economistas a atacarem o problema de um outro lado. Renuncia vam eles a critérios objetivos — tais o lucro da empresa e a taxa de dividendos e examinavam primeiro a questão sob
o angulo psicológico: por que o credor
uma espécie de lucro. Segundo BoehmBawerk, o critério decisivo é o fator do tempo. Os homens preferem o presente
que, tendo assim uma função semelhante à do meio circulante, agiu no mesmo sen
ção dos juros é, segundo Keynes. irrele
tido.
ao futuro.
nal. Trata-se de uma depreciação psicoló
de 1933, dos Estados Unidos, interditou aos bancos comerciais ligados ao sistema dos Bancos Federais — quer dizer, a todos os bancos importantes — o paga mento de juros sôbre depósitos a vista.
não no caso individual, nocivas para a economia em seu corfjunto e, em suas re
gica. independente de uma possível redu
A lei bancária de 1935 manteve êsse dis
ção do valor aquisitivo da moeda.
positivo, que ficou até hoje em vigor,
É evidente que o raciocinio de BoehmBawerk é bem fraco em face dos merca
sem que se verificasse, por isso, uma re
O credor recebe, portanto,
apenas um ágio, que contrabalança a des vantagem de trocar um valor atual contra
um valor futuro da mesma quantia nomi
dos de títulos, que permitem ao credor
e uma pena que merece uma compensação, mesmo se a operação de crédito não im plicar risco algum.
dução dos depósitos a vista. Por razões que ainda examinaremos, os depósitos a vista tendem no mundo inteiro a aumen
mento e transformar assim o valor futuro
tar, em relação aos depósitos a prazo, seja
num valor presente. Mas a teoria atual explica melhor que a clássica a diferen
qual fôr a taxa de juros.
ciação das taxas de juros bancários e de outros empréstimos em dinheiro segundo
o prazo. Via de regra, créditos a prazo longo são mais caros que os a prazo curto. Entretanto, mesmo essa regra conhece mui tas exceções. No Brasil, por exemplo, para empréstimos comerciais com risco
ínfimo paga-se a mesma taxa de juros que para hipotecas a longo prazo, e entre estes a taxa de juros é freqüentemente in
versa à duração. Observamos que hipo tecas de um ano. dadas por particulares, custam ate 12 %\ hipotecas de 6 a 15 anos, concedidas por companhias investi
doras, 10%; e hipotecas de 20 anos e vedor a paga? O economista inglês" mais, apenas 7-8 %, quando os beneficia Nassau Semor encontrou uma fórmula dos sao associados de um instituto ou de
O credor priva-se. por um prazo deter minado, da livre disposição do seu capi tal; deverá esperar até o resgate, e esperar
O resultado foi que a lei bancária
realizar seu investimento a qualquer mo
exige uma remuneração, e por que o de-
magica na noção do "waiting" — esperar.
Digesto Econômico
uma caixa de previdência social.
A teoria baseada na "preferência do
tempo" encontrou, aliás, uma aplicação que seu autor certamente não tinha previs
to nem desejado. Boehm-Bawerk era um defensor dos juros, mas seu argumento de que o valor presente de um capital é mais elevado que o futuro reforçou, sobretudo nos países anglo-saxônicos, a tendência de reduzir e até suprimir os juros sôbre de
inversões sem juros
Mau grado suas diferenças metodológi cas, os clássicos e os representantes da es
cola psicológica concor dam em que os juros são indispensáveis como in centivo para investimen tos. Sem uma compen sação, sob forma de ju ros, ninguém fará eco nomias, e
a
falta
vante.
Taxas de juros elevadas são, se
percussões, um perigo para os próprios investimentos, cujo valor cairá.
Essa última tese já foi defendida pelos economistas liberais dos séculos XVIII e
XIX, que recomendavam, quase todos, juros baixos para facilitar o circuito do capital. Mas Keynes ia muito mais longe. Na sua "Teoria geral de desemprego, ju ros e moeda", publicada em 1936, êle pretendia qué num país tècnicaraente bem equipado e onde a população não cresce rapidamente — condições que não se re ferem a países como o Brasil a for mação do capital e o desenvolvimento da economia seriam perfeitamente possíveis mesmo se a taxa de juros caísse a zero. Qual seria, nessa hi
pótese, o incentivo? Por que os capitalistas fa
riam ainda investimen tos, em vez de consu
mir todas as suas dispo nibilidades? Responde Keynes que o elemento
de
formação de capital pre
da expectativa, a espe
judicará
rança de que o capital valerá no futuro mais do que no rnomento da inversão, será suficiente
o
desenvolvi
mento econômico.
John Maynard Keynes
contestou
a
vali-
dez universal deste axÍo-
como estímulo para fa
ma.
zer* economias e inver-
Contrariamente a
i
Boehm-Bawerk, Keynes acreditava que o "inves tidor" normalmente considera o valor futuro
'
como mais elevado que o valor presente.
A expectativa de uma valorização é a con dição essencial do investimento. Se tal esperança faltar, o capitalista preferirá
A idéia foi ainda mais elaborada no fim do século passado, pelo economista austríaco Boehm-Bawerlc, que la até negar
pósitos a vista. O fato de que êsses de
a tese comum de que os juros constituem
guardar suas disponibilidades sob forma líquida, esperando melhor ocasião. Para
pósitos servem para pagamentos por che
a grande maioria dos investidores, a atra-
te-las. A fim de dar à sua tese uma expressão
'•riii"''"
mais imponente,
Key
nes ousou formular o
prognóstico de que "dentro de uma só geração a redução da taxa de juros passa ria aproximadamente a zero, quer dizer, a sua completa abolição poderia ser rea
lizada sem pôr em perigo a prosperidade do país' e sem abandonar os outros ptincípios da economia capitalista.
j
HPHfPFF DicnsTO Econômico
nem sôbre as influências monetárias, nem
sobre a repercussão das finanças públicas e da taxa que o Governo oferece aos seus
devedores. Êsses fatores mostram-se, po rém, cada vez mais decisivos para o nível
dos juros e determinam grandes divergên cias em relação aos lucros distribuídos
como dividendos. Observamos hoje qué nos Estados Unidos, os dividendos distri buídos por grandes companhias são de tres a quatro vezes mais elevados que as
de juros pagos pelo Governo para timlos da dívida pública e ainda duas
vezes piores que os juros de debêntures e de hipotecas. Se existe certa tendência
para a adaptação mútua das diversas for-
^ de rendimento, o processo é mo lento
e suave que sua significação é mínima em comparaçao com outros fatores que deminam a decisão do investidor.
Valor presente e valor futuro
As imperfeições da teoria clássica já conduziam, desde a primeira metade do século XIX, vários economistas a atacarem o problema de um outro lado. Renuncia vam eles a critérios objetivos — tais o lucro da empresa e a taxa de dividendos e examinavam primeiro a questão sob
o angulo psicológico: por que o credor
uma espécie de lucro. Segundo BoehmBawerk, o critério decisivo é o fator do tempo. Os homens preferem o presente
que, tendo assim uma função semelhante à do meio circulante, agiu no mesmo sen
ção dos juros é, segundo Keynes. irrele
tido.
ao futuro.
nal. Trata-se de uma depreciação psicoló
de 1933, dos Estados Unidos, interditou aos bancos comerciais ligados ao sistema dos Bancos Federais — quer dizer, a todos os bancos importantes — o paga mento de juros sôbre depósitos a vista.
não no caso individual, nocivas para a economia em seu corfjunto e, em suas re
gica. independente de uma possível redu
A lei bancária de 1935 manteve êsse dis
ção do valor aquisitivo da moeda.
positivo, que ficou até hoje em vigor,
É evidente que o raciocinio de BoehmBawerk é bem fraco em face dos merca
sem que se verificasse, por isso, uma re
O credor recebe, portanto,
apenas um ágio, que contrabalança a des vantagem de trocar um valor atual contra
um valor futuro da mesma quantia nomi
dos de títulos, que permitem ao credor
e uma pena que merece uma compensação, mesmo se a operação de crédito não im plicar risco algum.
dução dos depósitos a vista. Por razões que ainda examinaremos, os depósitos a vista tendem no mundo inteiro a aumen
mento e transformar assim o valor futuro
tar, em relação aos depósitos a prazo, seja
num valor presente. Mas a teoria atual explica melhor que a clássica a diferen
qual fôr a taxa de juros.
ciação das taxas de juros bancários e de outros empréstimos em dinheiro segundo
o prazo. Via de regra, créditos a prazo longo são mais caros que os a prazo curto. Entretanto, mesmo essa regra conhece mui tas exceções. No Brasil, por exemplo, para empréstimos comerciais com risco
ínfimo paga-se a mesma taxa de juros que para hipotecas a longo prazo, e entre estes a taxa de juros é freqüentemente in
versa à duração. Observamos que hipo tecas de um ano. dadas por particulares, custam ate 12 %\ hipotecas de 6 a 15 anos, concedidas por companhias investi
doras, 10%; e hipotecas de 20 anos e vedor a paga? O economista inglês" mais, apenas 7-8 %, quando os beneficia Nassau Semor encontrou uma fórmula dos sao associados de um instituto ou de
O credor priva-se. por um prazo deter minado, da livre disposição do seu capi tal; deverá esperar até o resgate, e esperar
O resultado foi que a lei bancária
realizar seu investimento a qualquer mo
exige uma remuneração, e por que o de-
magica na noção do "waiting" — esperar.
Digesto Econômico
uma caixa de previdência social.
A teoria baseada na "preferência do
tempo" encontrou, aliás, uma aplicação que seu autor certamente não tinha previs
to nem desejado. Boehm-Bawerk era um defensor dos juros, mas seu argumento de que o valor presente de um capital é mais elevado que o futuro reforçou, sobretudo nos países anglo-saxônicos, a tendência de reduzir e até suprimir os juros sôbre de
inversões sem juros
Mau grado suas diferenças metodológi cas, os clássicos e os representantes da es
cola psicológica concor dam em que os juros são indispensáveis como in centivo para investimen tos. Sem uma compen sação, sob forma de ju ros, ninguém fará eco nomias, e
a
falta
vante.
Taxas de juros elevadas são, se
percussões, um perigo para os próprios investimentos, cujo valor cairá.
Essa última tese já foi defendida pelos economistas liberais dos séculos XVIII e
XIX, que recomendavam, quase todos, juros baixos para facilitar o circuito do capital. Mas Keynes ia muito mais longe. Na sua "Teoria geral de desemprego, ju ros e moeda", publicada em 1936, êle pretendia qué num país tècnicaraente bem equipado e onde a população não cresce rapidamente — condições que não se re ferem a países como o Brasil a for mação do capital e o desenvolvimento da economia seriam perfeitamente possíveis mesmo se a taxa de juros caísse a zero. Qual seria, nessa hi
pótese, o incentivo? Por que os capitalistas fa
riam ainda investimen tos, em vez de consu
mir todas as suas dispo nibilidades? Responde Keynes que o elemento
de
formação de capital pre
da expectativa, a espe
judicará
rança de que o capital valerá no futuro mais do que no rnomento da inversão, será suficiente
o
desenvolvi
mento econômico.
John Maynard Keynes
contestou
a
vali-
dez universal deste axÍo-
como estímulo para fa
ma.
zer* economias e inver-
Contrariamente a
i
Boehm-Bawerk, Keynes acreditava que o "inves tidor" normalmente considera o valor futuro
'
como mais elevado que o valor presente.
A expectativa de uma valorização é a con dição essencial do investimento. Se tal esperança faltar, o capitalista preferirá
A idéia foi ainda mais elaborada no fim do século passado, pelo economista austríaco Boehm-Bawerlc, que la até negar
pósitos a vista. O fato de que êsses de
a tese comum de que os juros constituem
guardar suas disponibilidades sob forma líquida, esperando melhor ocasião. Para
pósitos servem para pagamentos por che
a grande maioria dos investidores, a atra-
te-las. A fim de dar à sua tese uma expressão
'•riii"''"
mais imponente,
Key
nes ousou formular o
prognóstico de que "dentro de uma só geração a redução da taxa de juros passa ria aproximadamente a zero, quer dizer, a sua completa abolição poderia ser rea
lizada sem pôr em perigo a prosperidade do país' e sem abandonar os outros ptincípios da economia capitalista.
j
Dighsto Econômico
A tese revolucionária do famoso eco
nomista inglês e, sobretudo, sua previsão
de que, num espaço de tempo relativa mente curto de uns trinta anos, o proble ma milenar dos juros poderia ser defini
tivamente resolvido, faziam sensação. Grande número de economistas, sociólogos e políticos congratulou-se com Keynes pela sua descoberta, ou melhor, pela coragem de ter dito claramente que não há linha de demarcaçao entre esi>eculação e investi mento, e que a valorização do capital in
teressa à maioria dos investidores mais que a obtenção de uma renda fixa.
Não há provas absolutas para demons trar ou refutar a base psicológica da teoria de Keynes. Certamente, a era do "rentier"
do homem que vive exclusivamente de
rendimentos fixos de seu capital, já pas
sou, rnesmo na França, o clássico país
importância dos juros vai decrescendo, c
90
que poderíamos chegar, num futuro não
média, de um ano para outro, de 5,5 %.
muito distante, à taxa zero. Já se passa
Conscguintemente, todas as taxas-de ju
ram catorze anos desde que ésse prognós
ros abaixo de 5,5 % representavam para o investidor perdas reais, contanto que
tico sóbre o desaparecimento dos juros
êle não aplicasse imediatamente o rendi
visto para a grande mudança. Nu reali dade, as modificações, no que diz res
a Noruega — verifica-se uma redução das taxas; em outros países, em particular
mento de seu capital em bens de consu mo ou bens de produção resistentes contra a depreciação. Enrrotanto, mesmo as pessoas que pre feriam reinvestir seus rendimentos sempre da mesma maneira, em depósitos nos
na Inglaterra e nos Estados Unidos, um ligeiro aumento. Parece que, como acon
bancos ou em hipotecas ou debêntures, ou em títulos da divida pública, conse
peito aos juros, foram pequenas.
Em
alguns países — como a Austrália, a Suíça,
teceu também em outros assuntos, Keynes deduziu precipitadamente conclusões ge
'I
intensidade da poupança popular. Tam bém as flutuações das taxas não influem muito nos habites e nas decisões indivi
duais. Sao raras as pessoas que renunciam a uma despesa de consumo, digamos a viagem de turismo, quando as taxas
de ,uros aumentam, e gastam mais quando as taxas de juros sofrem uma redução A repercussão, porém, é diferente quan to as instituições investidoras que admi nistram hoje grande parte do capital na
cional: bancos, companhias de seguro e dc capitalização etc. Para tais organiza-
sem duvida um incentivo no sentido positivo ou negativo, e diferenças nas taxas de juros são freqüentemente degisivas para a seleção dos investimentos. Parece duvido so se esse estímulo e critério pode ser substituído por reflexões especulativas so bre o valor posterior do capital. Em todo caso, não se confirmou, até •
,
^
«ilS-
agora, a profecia de Keynes de que a
guiram — graças ás taxas altas e em
conseqüência da baixa dos preços dos
rais de certos fenômenos que se manifes
títulos que lhes proporcionavam para as
taram na Inglaterra após a revalorização cia libra em 1925 e durante a grande
reinversões rendimentos mais elevados —
não somente conservar o poder de com
pra de seu capital inicial, mas multipli-
crise na América do Norte.
ros nao tem grande influência sobre a
o que significa uma depreciação
foi feito — quase metade do prazo pre
com Keynes, que a altura das taxas de ju
' I çoes, modificações das taxas constituem
1
Digosto econômico
cá-lo.
Depreciação e nível de juros
Como evidencia o estudo acima
citado, só os depósitos a vista, que pra
A tendência decrescente dos juros foi contrariada pelas desvalorizações e mais ainda pela depreciação interna de tòdas as moedas do mundo. Em comparação com
o decréscimo do valor aquisitivo, o acrés cimo dos juros parece muito módico. Se tomarmos em consideração ésse fator, ve
rificaremos que, a partir de 1933' e'ni tôda parte a taxa real dos juros quer dizer, a taxa medida em poder de comp-u
•i"-
ticamente todas as empresas industriais e comerciais devem permanentemente man ter como fundo de movimento, sofreram
uma redução do valor real.
formação do capital, diante da deprecia ção da moeda, ainda para um período O? documentos relativos à
construção da cidade do Salvador mostram que, em meados do século XVI, os traba lhadores e servidores das obras recebiam
—■ experimentou uma baixa consíderávi,-! c, em muitos países, as taxas tornaram-se
um salário mensal entre 1$200 e 2$000
negativas.
(Ministério da Educação e Saúde, "Do
Em países de inflação crônica o alto nível dos juros é, até certo ponto, a con seqüência da depreciação
moeda.
contínua
da
Parte da taxa representa apenas
um prêmio de compensação contra fu
turas depreciações do capital e dos juros. Recente escudo de "Conjuntura Econômi ca" mostra que no Brasil, desde 1912 ano a partir do qual existe um índice
oficial do custo da vida — o valor aqui sitivo da nossa moeda baixou quase de
cumentos Históricos", Vol.
derando as remunerações da população operária como índice do custo da vida, podemos dizer que de 1550 a 1950 o poder aquisitivo da nossa moeda baixou a um milésimo. Em tais condições, todo capital dado como empréstimo parece ani quilado.
Mas não é.
Suponhamos que, em 1550, teria sido
investido um capital à taxa fixa de 5 cg de juros ao ano, e que os rendimentos acumulados teriam sido aplicados sempre da mesma maneira, durante quatro sé culos. Um capital emprestado- à taxa anual de 5 % de juros, pagáveis semes
tralmente, dobra, com juros compostos, em 14 anos. Em 100 anos já atinge 14O
vêzes o capital inicial; em 200 anos 20.164 vêzes; em 300 anos, 2.863.288 vêzes; c, no fim do quarto século, 406.586.896 vêzes o valor nominal da inversão original.
Embora, neste interva
lo, o poder aquisitivo da moeda tenha caído a 0,1 %, ficaria, no ano de 1950
aos felizes sucessores do primeiro investi-' dor, um valor real 406.586.896 vezes su
Podemos exemplificar o processo da mai;; longo.
XXXVIII. Rio de Janeiro, 1937). Consi
XXXVII
e
perior ao capital inicial.
Escusado dizer que, na realidade, o
fisco teria exigido sua parte na valorização
e que inúmeros outros fatores teriam afe
tado a acumulação. Não obstante, o exemplo mostra que mesmo uma taxa de iuros relativamente módica permitia a
defesa contra os efeitos da depreciação
szr''
Dighsto Econômico
A tese revolucionária do famoso eco
nomista inglês e, sobretudo, sua previsão
de que, num espaço de tempo relativa mente curto de uns trinta anos, o proble ma milenar dos juros poderia ser defini
tivamente resolvido, faziam sensação. Grande número de economistas, sociólogos e políticos congratulou-se com Keynes pela sua descoberta, ou melhor, pela coragem de ter dito claramente que não há linha de demarcaçao entre esi>eculação e investi mento, e que a valorização do capital in
teressa à maioria dos investidores mais que a obtenção de uma renda fixa.
Não há provas absolutas para demons trar ou refutar a base psicológica da teoria de Keynes. Certamente, a era do "rentier"
do homem que vive exclusivamente de
rendimentos fixos de seu capital, já pas
sou, rnesmo na França, o clássico país
importância dos juros vai decrescendo, c
90
que poderíamos chegar, num futuro não
média, de um ano para outro, de 5,5 %.
muito distante, à taxa zero. Já se passa
Conscguintemente, todas as taxas-de ju
ram catorze anos desde que ésse prognós
ros abaixo de 5,5 % representavam para o investidor perdas reais, contanto que
tico sóbre o desaparecimento dos juros
êle não aplicasse imediatamente o rendi
visto para a grande mudança. Nu reali dade, as modificações, no que diz res
a Noruega — verifica-se uma redução das taxas; em outros países, em particular
mento de seu capital em bens de consu mo ou bens de produção resistentes contra a depreciação. Enrrotanto, mesmo as pessoas que pre feriam reinvestir seus rendimentos sempre da mesma maneira, em depósitos nos
na Inglaterra e nos Estados Unidos, um ligeiro aumento. Parece que, como acon
bancos ou em hipotecas ou debêntures, ou em títulos da divida pública, conse
peito aos juros, foram pequenas.
Em
alguns países — como a Austrália, a Suíça,
teceu também em outros assuntos, Keynes deduziu precipitadamente conclusões ge
'I
intensidade da poupança popular. Tam bém as flutuações das taxas não influem muito nos habites e nas decisões indivi
duais. Sao raras as pessoas que renunciam a uma despesa de consumo, digamos a viagem de turismo, quando as taxas
de ,uros aumentam, e gastam mais quando as taxas de juros sofrem uma redução A repercussão, porém, é diferente quan to as instituições investidoras que admi nistram hoje grande parte do capital na
cional: bancos, companhias de seguro e dc capitalização etc. Para tais organiza-
sem duvida um incentivo no sentido positivo ou negativo, e diferenças nas taxas de juros são freqüentemente degisivas para a seleção dos investimentos. Parece duvido so se esse estímulo e critério pode ser substituído por reflexões especulativas so bre o valor posterior do capital. Em todo caso, não se confirmou, até •
,
^
«ilS-
agora, a profecia de Keynes de que a
guiram — graças ás taxas altas e em
conseqüência da baixa dos preços dos
rais de certos fenômenos que se manifes
títulos que lhes proporcionavam para as
taram na Inglaterra após a revalorização cia libra em 1925 e durante a grande
reinversões rendimentos mais elevados —
não somente conservar o poder de com
pra de seu capital inicial, mas multipli-
crise na América do Norte.
ros nao tem grande influência sobre a
o que significa uma depreciação
foi feito — quase metade do prazo pre
com Keynes, que a altura das taxas de ju
' I çoes, modificações das taxas constituem
1
Digosto econômico
cá-lo.
Depreciação e nível de juros
Como evidencia o estudo acima
citado, só os depósitos a vista, que pra
A tendência decrescente dos juros foi contrariada pelas desvalorizações e mais ainda pela depreciação interna de tòdas as moedas do mundo. Em comparação com
o decréscimo do valor aquisitivo, o acrés cimo dos juros parece muito módico. Se tomarmos em consideração ésse fator, ve
rificaremos que, a partir de 1933' e'ni tôda parte a taxa real dos juros quer dizer, a taxa medida em poder de comp-u
•i"-
ticamente todas as empresas industriais e comerciais devem permanentemente man ter como fundo de movimento, sofreram
uma redução do valor real.
formação do capital, diante da deprecia ção da moeda, ainda para um período O? documentos relativos à
construção da cidade do Salvador mostram que, em meados do século XVI, os traba lhadores e servidores das obras recebiam
—■ experimentou uma baixa consíderávi,-! c, em muitos países, as taxas tornaram-se
um salário mensal entre 1$200 e 2$000
negativas.
(Ministério da Educação e Saúde, "Do
Em países de inflação crônica o alto nível dos juros é, até certo ponto, a con seqüência da depreciação
moeda.
contínua
da
Parte da taxa representa apenas
um prêmio de compensação contra fu
turas depreciações do capital e dos juros. Recente escudo de "Conjuntura Econômi ca" mostra que no Brasil, desde 1912 ano a partir do qual existe um índice
oficial do custo da vida — o valor aqui sitivo da nossa moeda baixou quase de
cumentos Históricos", Vol.
derando as remunerações da população operária como índice do custo da vida, podemos dizer que de 1550 a 1950 o poder aquisitivo da nossa moeda baixou a um milésimo. Em tais condições, todo capital dado como empréstimo parece ani quilado.
Mas não é.
Suponhamos que, em 1550, teria sido
investido um capital à taxa fixa de 5 cg de juros ao ano, e que os rendimentos acumulados teriam sido aplicados sempre da mesma maneira, durante quatro sé culos. Um capital emprestado- à taxa anual de 5 % de juros, pagáveis semes
tralmente, dobra, com juros compostos, em 14 anos. Em 100 anos já atinge 14O
vêzes o capital inicial; em 200 anos 20.164 vêzes; em 300 anos, 2.863.288 vêzes; c, no fim do quarto século, 406.586.896 vêzes o valor nominal da inversão original.
Embora, neste interva
lo, o poder aquisitivo da moeda tenha caído a 0,1 %, ficaria, no ano de 1950
aos felizes sucessores do primeiro investi-' dor, um valor real 406.586.896 vezes su
Podemos exemplificar o processo da mai;; longo.
XXXVIII. Rio de Janeiro, 1937). Consi
XXXVII
e
perior ao capital inicial.
Escusado dizer que, na realidade, o
fisco teria exigido sua parte na valorização
e que inúmeros outros fatores teriam afe
tado a acumulação. Não obstante, o exemplo mostra que mesmo uma taxa de iuros relativamente módica permitia a
defesa contra os efeitos da depreciação
szr''
A' /
Digesto Econômico
(Toneladas métricas)
UtIliza$So de fertilizantes minerais na América Latina
Ácido Países
Azôto
(N)
Glycon de Paiva
¥ Tma das entidades não governamentais da ONU, a F.A.O (Food and Agriculiure Organization of the United Na-
As principais conclusões do relatório
preliminar da FAO foram as seguintes 1 a) as fontes naturais de fósforo da
tions), procedeu, no ano passado, ao le
América Latina são em geral de baixo
vantamento preliminar da situação da América Latina quanto a fertilizantes.
teor è as reservas são insuficientes;
Essa investigação será o ponto de partida para os debates dos especialistas que pela FAO serão encarregados de projetar dire trizes para a expansão da produção e da
América Latina, antes de efetiva aplicação,
utilização de adubos no continente sulamericano.
b) os longos e dispendiosos transportes internos a que se sujeitam os adubos na
não recomendam a utilização de produtos
fosfatados contendo somente 18 a 20 % de ácido fosfórico, teor habitual na Euro
Argentina Brasil Chile Colômbia Costa Rica
5.630 9.030 8.000 1.720 820
Cuba República Dominicana
Equador El Salvador
tituição destes, no mercado dos superfos-
mentos minerais das plantas é alarmante
fatos da América Latina, pelo fosfato de amônio e o superfosfato triplo, ou outros tipos de
mo que apenas se levem em conta os minerais nor
sejam, realmente, nutrimentos de plantas;
procedentes da erosão. As
as fontes de potássio solú
sim, a Argentina perde, trigo e de milho exporta dos, o equivalente a . .. . 250.000 toneladas de azôtó e a 127.000 toneladas
220 800
220 5.000
6.340
7.200
850
, 13.800
15.800 1.500 450
4.800
48.510
620
1.690 2.170
1.100
550
1.650
99.610
35.830
210.190
740
840
27.910
1.100
total
74.750
QUADRO 2
(Em toneladas métricas e em kg por hectare)
na
1948 — 1949
América
lentamente com a média americana de 17,3 quilos pela mesma unidade de área. Os três quadros seguintes são particular
solos virgens de onde procederam.
mente expressivos.
E B ^
■c -O
■
g
•
m
s «5 § e.a
S-
A.
~
0 c ei ® Cm ^
CO
az .e
Sa.
o.
1—
c 0
9
fi.
s
Canadá e U. A.
211,3
895.830
63,1
74.750
4,24 1.772.000
8,39 976.000
4,62 3.643.930
1,18
1,58
0,57
17,25
Repúbli
QUADRO 1
1949.
7.770
parac"^""^° e consumo por hectare fertilizantes na América Latina, em comÇao com íotal o consumo no Canadá e nosdeEstados Unidos.
3,33 quilos por hectare, número que contrasta vio
junho de
11.440
vel na América Latina. O
potassa. A perda anual de azôto nos solos brasileiros cultivados é estimada em 40 % do teor original desse elemento nos
Gínsumo de fertilizantes, na Amé rica Latina por países, entre 30 de
1.500
suprimento adequado de penderá, fundamentalmen te, de importação; d) o consumo médio de fertilizantes
de 25.000 toneladas de
4.920
3.000
1.620
190
Venezuela Outros países
Latina é pequeno, cerca de
de ácido fosfórico, além
29.600
13.730 39.030 42.520 6.220 820 29.480 880 150
840
c) são muito limitadas
anualmente, por mera in corporação aos grãos de
1.600 8.000
540 1.620 5.750 ~
que 40 a 50 % do pêso
malmente dele retirados pelas safras e se não computem os prejuízos anuais
Total
22.000
I50 300
Guatemala Honduras México
Potássio
(K20)
6.500
10.270 880
pa e nos E. U. A. Faz-se mister a subs
A depleção do solo arável em nutrina América Latina, mes
fosfórico (P205)
1948 a 30 de junho de
cas latinoamericanas
99.610
35.830
210.190
3,33
A' /
Digesto Econômico
(Toneladas métricas)
UtIliza$So de fertilizantes minerais na América Latina
Ácido Países
Azôto
(N)
Glycon de Paiva
¥ Tma das entidades não governamentais da ONU, a F.A.O (Food and Agriculiure Organization of the United Na-
As principais conclusões do relatório
preliminar da FAO foram as seguintes 1 a) as fontes naturais de fósforo da
tions), procedeu, no ano passado, ao le
América Latina são em geral de baixo
vantamento preliminar da situação da América Latina quanto a fertilizantes.
teor è as reservas são insuficientes;
Essa investigação será o ponto de partida para os debates dos especialistas que pela FAO serão encarregados de projetar dire trizes para a expansão da produção e da
América Latina, antes de efetiva aplicação,
utilização de adubos no continente sulamericano.
b) os longos e dispendiosos transportes internos a que se sujeitam os adubos na
não recomendam a utilização de produtos
fosfatados contendo somente 18 a 20 % de ácido fosfórico, teor habitual na Euro
Argentina Brasil Chile Colômbia Costa Rica
5.630 9.030 8.000 1.720 820
Cuba República Dominicana
Equador El Salvador
tituição destes, no mercado dos superfos-
mentos minerais das plantas é alarmante
fatos da América Latina, pelo fosfato de amônio e o superfosfato triplo, ou outros tipos de
mo que apenas se levem em conta os minerais nor
sejam, realmente, nutrimentos de plantas;
procedentes da erosão. As
as fontes de potássio solú
sim, a Argentina perde, trigo e de milho exporta dos, o equivalente a . .. . 250.000 toneladas de azôtó e a 127.000 toneladas
220 800
220 5.000
6.340
7.200
850
, 13.800
15.800 1.500 450
4.800
48.510
620
1.690 2.170
1.100
550
1.650
99.610
35.830
210.190
740
840
27.910
1.100
total
74.750
QUADRO 2
(Em toneladas métricas e em kg por hectare)
na
1948 — 1949
América
lentamente com a média americana de 17,3 quilos pela mesma unidade de área. Os três quadros seguintes são particular
solos virgens de onde procederam.
mente expressivos.
E B ^
■c -O
■
g
•
m
s «5 § e.a
S-
A.
~
0 c ei ® Cm ^
CO
az .e
Sa.
o.
1—
c 0
9
fi.
s
Canadá e U. A.
211,3
895.830
63,1
74.750
4,24 1.772.000
8,39 976.000
4,62 3.643.930
1,18
1,58
0,57
17,25
Repúbli
QUADRO 1
1949.
7.770
parac"^""^° e consumo por hectare fertilizantes na América Latina, em comÇao com íotal o consumo no Canadá e nosdeEstados Unidos.
3,33 quilos por hectare, número que contrasta vio
junho de
11.440
vel na América Latina. O
potassa. A perda anual de azôto nos solos brasileiros cultivados é estimada em 40 % do teor original desse elemento nos
Gínsumo de fertilizantes, na Amé rica Latina por países, entre 30 de
1.500
suprimento adequado de penderá, fundamentalmen te, de importação; d) o consumo médio de fertilizantes
de 25.000 toneladas de
4.920
3.000
1.620
190
Venezuela Outros países
Latina é pequeno, cerca de
de ácido fosfórico, além
29.600
13.730 39.030 42.520 6.220 820 29.480 880 150
840
c) são muito limitadas
anualmente, por mera in corporação aos grãos de
1.600 8.000
540 1.620 5.750 ~
que 40 a 50 % do pêso
malmente dele retirados pelas safras e se não computem os prejuízos anuais
Total
22.000
I50 300
Guatemala Honduras México
Potássio
(K20)
6.500
10.270 880
pa e nos E. U. A. Faz-se mister a subs
A depleção do solo arável em nutrina América Latina, mes
fosfórico (P205)
1948 a 30 de junho de
cas latinoamericanas
99.610
35.830
210.190
3,33
Digesto
Econômico
DiGHSTO Econômico 3 — o consumo específico de adubos po tássicos é I /6 do consumo ame
QUADRO 3
Utilização média de fertilizantes
PAÍSES
(Ha.)
%:
P205
K20 0,07 0,02 0,52 0,55
Argentina
23.232, 000 342. 000 15.360. 000
0,24 0,06
0,28
Bolívia Brasil
0,59
1.43
2.709, 000
0,63
430, 000
1,63
1.970, 000
2.043. 000 732, 000
5,21
1,11 0,70 5,81
3.92
2,41
000
0,39
0,28
0,28
000
0,54
0,81
5,04
Colômbia
..
Costa Rica
Cuba
Chile Equador
.. ;
EI Salvador Guatemala
■
773 992
0,14
I
Honduras
aon 000
1,84
Nicaragua
7.394: 000 500 000 122 000
0,78 0,01
Panamá
Paraguai
'*
Republica Dominicana .. Venezuela
33^
0,29 0,07
0,62
ao americano: 32 quilos por hecta re cultivado;
2 — o Peru, Cuba e o Brasil são os maio res consumidores de adubos azotados entre as nações latino-americanas; o Chile é o maior consumidor de adubos fosfatados, seguindo-se-lhe o Brasil e o Peru;
3,17
1,51
ruano é quase duas vezes superior
3
10,42 1,35
realidade, o consumo específico pe-
terceiro quadro verifica-se o se
1 — o exagerado consumo de adubos azo
tes países;
18,41
000
Em
Do guinte:
2,41
1,64
0,29
63.139. 000
do-se-lhe o Chile e o Brasil.
deficiência de nutrimentos minerais para as plantas.
o subconsumo de azôto dos restan
0,82
0,29
adubos da América. Latina, seguin-
dc utilização de fertilizantes.
3.94
1,64
0.13
✓ 1 —■ o Peru, proporcionalmente a áreas cultivadas, é o maior consumidor de
graves problemas de suprimento e
produção agrícola do nosso continente;
tados no Peru, dada a abundância local de guano, em contraste com
2,37 0,12
000
No primeiro quadro, verifica-se o se
motivos do elevado preço de custo da
0,93
2,37 0.97
1.480. 000
guinte:
rica Latina revelam a existência de
2
• o alto consumo de adubos fosfa tados no Peru, em contraste com o subconsumo da maioria dos restan tes países, inclusive o Brasil; 3 — o modesto consumo de sais potássi
1,18
1,58
mas brasileiros.
Nosso intento, neste artigo, é pór à
disposição de nossos economistas elemen
tos para exame mais aprofundado da ques tão. Vamos encerrá-lo com o quadro n.° 4,
com o qual o relatório da FAO procura descrever a situação brasileira de produção de adubos do comércio, a atual e a prevista.
Situação da produção de fosfates no Brasil
0.85
0,57
Do levantamento citado no início desta
exposição, foi publicado um relatório mimeografado, cujo digesto acaba de ser feito para divulgação em nosso meio, dada a crucial importância da adubação sisremática na solução de importantes proble
QUADRO 4
000
1.516 000
680
Total
0,14
420^ 000
Estas três conclusões explicam um dos
produtividade específica muito baixa, por
Quilogramas por fjectare N
com exceção do Peru. Cuba e Chile,
todos os restantes países da Amé
1948—1949
Ãrea cuUwada
exceção de Cuba: 4 —
ricano.
Consumo de fertilizantes, em quilos por hectare, na América Latina — por países.
cos em tôda a América Latina, com
Localização 3,33
4—0 Brasil c o maior consumidor de adubos potássicos da América La tina, seguindo-se-lhe Cuba e Gua
Situação
■Capacidade
quanto à
máxima de
atual e
produção
produção
prevista'
Em operação
47.000
Produção
São Caetano
(S. Paulo)
20.000
A apa-
tita é lavrada, moída e con centrada na mina, retiran
5 — contrariamente ao que se poderia esperar, a Argentina é fraca consu
do-se 0 ferro com separador eletromagnético. Esse ma terial é empregado para fa
midora de adubos.
Do segundo quadro verifica-se o se
zer fosfato calcinado.
guinte :
O en
xofre necessário provém dos
1 —-o consumo específico de adubos azotados na América Latina é 1/4 2 —^ o consumo específico de adubos fos fatados é 1/5 do consumo ame
Superfosfato feito com apa, tita de Jacupiranga.
temala;
do consumo específico americano;
Observações
Estados Unidos.
São Paulo
(SP)
Era operação
47.000
20.000
Superfosfato feito com mi nério da África do Norte e enxofre dos Estados Unidos.
ricano; - vi
Digesto
Econômico
DiGHSTO Econômico 3 — o consumo específico de adubos po tássicos é I /6 do consumo ame
QUADRO 3
Utilização média de fertilizantes
PAÍSES
(Ha.)
%:
P205
K20 0,07 0,02 0,52 0,55
Argentina
23.232, 000 342. 000 15.360. 000
0,24 0,06
0,28
Bolívia Brasil
0,59
1.43
2.709, 000
0,63
430, 000
1,63
1.970, 000
2.043. 000 732, 000
5,21
1,11 0,70 5,81
3.92
2,41
000
0,39
0,28
0,28
000
0,54
0,81
5,04
Colômbia
..
Costa Rica
Cuba
Chile Equador
.. ;
EI Salvador Guatemala
■
773 992
0,14
I
Honduras
aon 000
1,84
Nicaragua
7.394: 000 500 000 122 000
0,78 0,01
Panamá
Paraguai
'*
Republica Dominicana .. Venezuela
33^
0,29 0,07
0,62
ao americano: 32 quilos por hecta re cultivado;
2 — o Peru, Cuba e o Brasil são os maio res consumidores de adubos azotados entre as nações latino-americanas; o Chile é o maior consumidor de adubos fosfatados, seguindo-se-lhe o Brasil e o Peru;
3,17
1,51
ruano é quase duas vezes superior
3
10,42 1,35
realidade, o consumo específico pe-
terceiro quadro verifica-se o se
1 — o exagerado consumo de adubos azo
tes países;
18,41
000
Em
Do guinte:
2,41
1,64
0,29
63.139. 000
do-se-lhe o Chile e o Brasil.
deficiência de nutrimentos minerais para as plantas.
o subconsumo de azôto dos restan
0,82
0,29
adubos da América. Latina, seguin-
dc utilização de fertilizantes.
3.94
1,64
0.13
✓ 1 —■ o Peru, proporcionalmente a áreas cultivadas, é o maior consumidor de
graves problemas de suprimento e
produção agrícola do nosso continente;
tados no Peru, dada a abundância local de guano, em contraste com
2,37 0,12
000
No primeiro quadro, verifica-se o se
motivos do elevado preço de custo da
0,93
2,37 0.97
1.480. 000
guinte:
rica Latina revelam a existência de
2
• o alto consumo de adubos fosfa tados no Peru, em contraste com o subconsumo da maioria dos restan tes países, inclusive o Brasil; 3 — o modesto consumo de sais potássi
1,18
1,58
mas brasileiros.
Nosso intento, neste artigo, é pór à
disposição de nossos economistas elemen
tos para exame mais aprofundado da ques tão. Vamos encerrá-lo com o quadro n.° 4,
com o qual o relatório da FAO procura descrever a situação brasileira de produção de adubos do comércio, a atual e a prevista.
Situação da produção de fosfates no Brasil
0.85
0,57
Do levantamento citado no início desta
exposição, foi publicado um relatório mimeografado, cujo digesto acaba de ser feito para divulgação em nosso meio, dada a crucial importância da adubação sisremática na solução de importantes proble
QUADRO 4
000
1.516 000
680
Total
0,14
420^ 000
Estas três conclusões explicam um dos
produtividade específica muito baixa, por
Quilogramas por fjectare N
com exceção do Peru. Cuba e Chile,
todos os restantes países da Amé
1948—1949
Ãrea cuUwada
exceção de Cuba: 4 —
ricano.
Consumo de fertilizantes, em quilos por hectare, na América Latina — por países.
cos em tôda a América Latina, com
Localização 3,33
4—0 Brasil c o maior consumidor de adubos potássicos da América La tina, seguindo-se-lhe Cuba e Gua
Situação
■Capacidade
quanto à
máxima de
atual e
produção
produção
prevista'
Em operação
47.000
Produção
São Caetano
(S. Paulo)
20.000
A apa-
tita é lavrada, moída e con centrada na mina, retiran
5 — contrariamente ao que se poderia esperar, a Argentina é fraca consu
do-se 0 ferro com separador eletromagnético. Esse ma terial é empregado para fa
midora de adubos.
Do segundo quadro verifica-se o se
zer fosfato calcinado.
guinte :
O en
xofre necessário provém dos
1 —-o consumo específico de adubos azotados na América Latina é 1/4 2 —^ o consumo específico de adubos fos fatados é 1/5 do consumo ame
Superfosfato feito com apa, tita de Jacupiranga.
temala;
do consumo específico americano;
Observações
Estados Unidos.
São Paulo
(SP)
Era operação
47.000
20.000
Superfosfato feito com mi nério da África do Norte e enxofre dos Estados Unidos.
ricano; - vi
14
DiGiiSTo Econômico
A política do manganês no Brasil Localização
Rio
Situação
Capacidade
quanto à
máxima de
atual e
produção
produção
prevista
Em operação
47.000
Produção
Observações
Grande
do Sul
15.000
Superfosfato feito com mi nério da Flórida e enxofre dos Estados Unidos.
S. Ftoés Abreu
MANGANÊS é um do6 recursos mine-
grande valor, que estão sendo àvidamente
rais que possuímos em condições de
cobiçados pelas nações estrangeiras. Superestima-se o que o Brasil possui e
competir no mercado internacional e obter
Belo Hori
divisas para comprar petróleo a fim de transpor com rapidez as grandes distân
zonte
cias que separam os núcleos de trabalho
(MG)
Em construção
(Pb)
Em operaçã®
6.000
de engrandecer a terra, mas nunca se dá conta da dependência em que vivemos das
no Brasil.
nações a quem compramos a metade do
apatita de Araxá; defluorização mediante vapor sob
A maior parte dos nossos recursos mi nerais já explorados tem somente aplica
carvão necessário para manter a siderurgia
pressão. Desconhecem-se os efeitos desse adubo nas cul turas brasileiras.
ções internas porque encontra dificul-, dades para competir com os produtos de outras regiões, onde as minas são mais
tróleo consumido no País, para só falar nos produtos minerais indispensáveis à
Superfosfato feito com apa tita de Aiagoa do Montei
fartas e a mão-de-obra mais barata. Com a mão-de-obra cara devido ao alto custo da vida — conseqüência das condi
É necessário que se desenvolva, cada vez mais, uma política de justas relações ^
ro, no Estado da Paraíba. O minério tem 30 % de
ções adversas em vista do relevo aciden
P205, mas o frete ferroviá rio é superior ao frete ma
produtos valorizados por aqueles que não possuímos e de que tanto necessitamos
— não é possível produzir certos miné
para manter o nível de progresso a que
rios a preços que possam concorrer, no
chegamos com muito esforço e pertinácia
mercado internacional, com similares pro
Nunca devemos esquecer que esse gran de parque industriai brasileiro vive e cres ce na dependência da importação de ener gia sob as formas de carvão e petróleo
Fosfato Renánia, feito com
Recife
alguns chegam a mentir com a intenção
rítimo relativo ao minério
da África do Norte.
tado, do clima tropical e da herança étnica
duzidos em larga escala através de maqui
naria possante ou de trabalho a preço vil. Nesse caso estão a cassiterita, os fosfatos de veias de apatita, o rutilo, o cao-
lim, a fluorita, a gipsita, a cromita, os
feldspatos, e outros produtos que só en contram aplicação no mercado interno. Felizmente, temos alguns minérios em
condições favoráveis de exploração e que podem ser objeto de exportação em larga escala. Desses devemos tirar partido a fim de poder conseguir as enormes quan
tidades de petróleo e mesmo carvão de qualidade, que adquirimos anualmente no estrangeiro. Ao invés de enveredarmos por uma po
lítica de conquista de mercados externos, o
a coque, a quem compramos 95 % dó pe
manutenção do nosso progresso.
comerciais, visando a troca dos nossos
e que para assegurarmos esse fluxo de
energia para o País devemos criar tam
bém para o exterior uma caudal de pro dutos que interessem às outras nações. Na última reunião da Seção do Rio de Jarieiro do American Institute of Mining and Metalurgical Engineers, sob a presb dencia do Cel. Edmundo de Macedo Soa res e Silva, atual Governador do Estado
do Rio de Janeiro, o sr. Harvey Hakala, da Comp. Meridional de Mineração, fêz uma exposição sôbre a situação mundial
do mercado 3e manganês.
que se nota nos últimos tempos é um
Aproveitando um quadro de produção
surto de nacionalismo intransigente, cal
cado numa falsa concepção de que o Brasil
apresentado pelo conferencista, desejamos aqui fazer alguns breves comentários, O
é um país muito rico em minerais de
assunto interessa muito de perco ao Brasil,
Jk
14
DiGiiSTo Econômico
A política do manganês no Brasil Localização
Rio
Situação
Capacidade
quanto à
máxima de
atual e
produção
produção
prevista
Em operação
47.000
Produção
Observações
Grande
do Sul
15.000
Superfosfato feito com mi nério da Flórida e enxofre dos Estados Unidos.
S. Ftoés Abreu
MANGANÊS é um do6 recursos mine-
grande valor, que estão sendo àvidamente
rais que possuímos em condições de
cobiçados pelas nações estrangeiras. Superestima-se o que o Brasil possui e
competir no mercado internacional e obter
Belo Hori
divisas para comprar petróleo a fim de transpor com rapidez as grandes distân
zonte
cias que separam os núcleos de trabalho
(MG)
Em construção
(Pb)
Em operaçã®
6.000
de engrandecer a terra, mas nunca se dá conta da dependência em que vivemos das
no Brasil.
nações a quem compramos a metade do
apatita de Araxá; defluorização mediante vapor sob
A maior parte dos nossos recursos mi nerais já explorados tem somente aplica
carvão necessário para manter a siderurgia
pressão. Desconhecem-se os efeitos desse adubo nas cul turas brasileiras.
ções internas porque encontra dificul-, dades para competir com os produtos de outras regiões, onde as minas são mais
tróleo consumido no País, para só falar nos produtos minerais indispensáveis à
Superfosfato feito com apa tita de Aiagoa do Montei
fartas e a mão-de-obra mais barata. Com a mão-de-obra cara devido ao alto custo da vida — conseqüência das condi
É necessário que se desenvolva, cada vez mais, uma política de justas relações ^
ro, no Estado da Paraíba. O minério tem 30 % de
ções adversas em vista do relevo aciden
P205, mas o frete ferroviá rio é superior ao frete ma
produtos valorizados por aqueles que não possuímos e de que tanto necessitamos
— não é possível produzir certos miné
para manter o nível de progresso a que
rios a preços que possam concorrer, no
chegamos com muito esforço e pertinácia
mercado internacional, com similares pro
Nunca devemos esquecer que esse gran de parque industriai brasileiro vive e cres ce na dependência da importação de ener gia sob as formas de carvão e petróleo
Fosfato Renánia, feito com
Recife
alguns chegam a mentir com a intenção
rítimo relativo ao minério
da África do Norte.
tado, do clima tropical e da herança étnica
duzidos em larga escala através de maqui
naria possante ou de trabalho a preço vil. Nesse caso estão a cassiterita, os fosfatos de veias de apatita, o rutilo, o cao-
lim, a fluorita, a gipsita, a cromita, os
feldspatos, e outros produtos que só en contram aplicação no mercado interno. Felizmente, temos alguns minérios em
condições favoráveis de exploração e que podem ser objeto de exportação em larga escala. Desses devemos tirar partido a fim de poder conseguir as enormes quan
tidades de petróleo e mesmo carvão de qualidade, que adquirimos anualmente no estrangeiro. Ao invés de enveredarmos por uma po
lítica de conquista de mercados externos, o
a coque, a quem compramos 95 % dó pe
manutenção do nosso progresso.
comerciais, visando a troca dos nossos
e que para assegurarmos esse fluxo de
energia para o País devemos criar tam
bém para o exterior uma caudal de pro dutos que interessem às outras nações. Na última reunião da Seção do Rio de Jarieiro do American Institute of Mining and Metalurgical Engineers, sob a presb dencia do Cel. Edmundo de Macedo Soa res e Silva, atual Governador do Estado
do Rio de Janeiro, o sr. Harvey Hakala, da Comp. Meridional de Mineração, fêz uma exposição sôbre a situação mundial
do mercado 3e manganês.
que se nota nos últimos tempos é um
Aproveitando um quadro de produção
surto de nacionalismo intransigente, cal
cado numa falsa concepção de que o Brasil
apresentado pelo conferencista, desejamos aqui fazer alguns breves comentários, O
é um país muito rico em minerais de
assunto interessa muito de perco ao Brasil,
Jk
.V 77^
1(3
». », w
PT-
. DIGI-STO liCONÓMlCO O
ui •4
o:
&
pois o manganês é um dos minérios com que nos podemos apresentar no mercado internacional em condições de lutar com fortes concorrentes.
D?, nossa organização interna, do pla
o
influência que podem ter ccrta.s idéias
<
ct
5 •í
o manto diáfano da fantasia", tudo ao
2
internacional.
A exposição do sr. Harvey Hakala na reunião mensal do A. I. M. E. não se
referiu ao Brasil; o problema foi consi derado em seu conjunto, com um caráter internacional, mostrando apenas tendên cias e rumos possíveis do mercado.
Neste breve comentário desejamos ago ra oca izar o caso brasileiro, mostrando a
<
%
Brasil Cuba México Estados Unidos
do Brasil, no caso em apreço, c melhor nos prepararmos para a dura competição econômica entre as nações do mundo. O quadro numérico a seguir traduz a situação do mercado de manganês em 1945 e 1949.
1949
%
245.000
5.8
7.000
0.2
198.000
4.7
52.000
1.2
165.000
3.9
54.000 1.1 54.000 l.l 112.000 - 2.3
214.000
5.1 2.4
546.000
11.1
304.000
6.2 30.9
Asiit
índia Outros
África (total) ... Europa
U.R.S.S. Outros
Total
...
102.000
878.000 2.251.000 106.000
ei
r
O
S
Z
z
u
iia
i/>
< ú O <
z < O o <
5
>A <
D
uj
O
m
Q
Oc
Q
O 2 < QT
O
vi
O
O u
O
õ
'Ái
nês para bem compreendermos a situação
Acréscimo
DecrésciniB
'i.HmkÁi-
América do Sal Chile Américí', do Norte
5 P 0
E indispensável conhecer o panorama internacional no que se refere ao manga
estimativa da produção mundial de manganês (EM TONELADAS) Í94.5
2 <
O
O
mento dos recursos naturais do País, "sem gosto dos autores de livros didáticos e dos
<
O
nejamento adequado da nossa produção,
oradores de comícios populares.
u
o:
do custo unitário do nosso minério c* do
o sucesso da nossa produção no mercado
O o
VI
O
que não refletem doutrinas de Repartições ou Sociedades e que resultam do conheci
beneficiamento que lhe dermos depende
<
<
sòbrc o futuro da nossa produção de man ganês. São conceitos extritamente pessoais,
d a
m
150.000 7.000
20.8 1.513.000
53.4 2.100.000 2.5 60.000
95.000
3.1 0.1
144.000, 2.000 53.000 332.000 202.000
.
635.000
—
.
42.9
151.000
1.2
46.000
AkV ^
1
4.218.000 100.0 4.900.000 100.0 1.171 .0001489.000
O quadro mostra um aumento da pro dução mundial de 682.000 toneladas, ou seja, um aumento da ordem de 16%. Êsse acréscimo se deve ao desenvolvimen
acréscimo foi de 202.000; na África foi
to da produção no Oriente e na África.
quanto isso ocorre, na U. R. S. S. a pro
Na índia a produção subiu de- 332.000
dução baixa de 151.000 toneladas; em
toneladas; em outras zonas da Ásia, o de 635-000, devido ao considerável au
mento na produção da África do Sul. En
i.
.V 77^
1(3
». », w
PT-
. DIGI-STO liCONÓMlCO O
ui •4
o:
&
pois o manganês é um dos minérios com que nos podemos apresentar no mercado internacional em condições de lutar com fortes concorrentes.
D?, nossa organização interna, do pla
o
influência que podem ter ccrta.s idéias
<
ct
5 •í
o manto diáfano da fantasia", tudo ao
2
internacional.
A exposição do sr. Harvey Hakala na reunião mensal do A. I. M. E. não se
referiu ao Brasil; o problema foi consi derado em seu conjunto, com um caráter internacional, mostrando apenas tendên cias e rumos possíveis do mercado.
Neste breve comentário desejamos ago ra oca izar o caso brasileiro, mostrando a
<
%
Brasil Cuba México Estados Unidos
do Brasil, no caso em apreço, c melhor nos prepararmos para a dura competição econômica entre as nações do mundo. O quadro numérico a seguir traduz a situação do mercado de manganês em 1945 e 1949.
1949
%
245.000
5.8
7.000
0.2
198.000
4.7
52.000
1.2
165.000
3.9
54.000 1.1 54.000 l.l 112.000 - 2.3
214.000
5.1 2.4
546.000
11.1
304.000
6.2 30.9
Asiit
índia Outros
África (total) ... Europa
U.R.S.S. Outros
Total
...
102.000
878.000 2.251.000 106.000
ei
r
O
S
Z
z
u
iia
i/>
< ú O <
z < O o <
5
>A <
D
uj
O
m
Q
Oc
Q
O 2 < QT
O
vi
O
O u
O
õ
'Ái
nês para bem compreendermos a situação
Acréscimo
DecrésciniB
'i.HmkÁi-
América do Sal Chile Américí', do Norte
5 P 0
E indispensável conhecer o panorama internacional no que se refere ao manga
estimativa da produção mundial de manganês (EM TONELADAS) Í94.5
2 <
O
O
mento dos recursos naturais do País, "sem gosto dos autores de livros didáticos e dos
<
O
nejamento adequado da nossa produção,
oradores de comícios populares.
u
o:
do custo unitário do nosso minério c* do
o sucesso da nossa produção no mercado
O o
VI
O
que não refletem doutrinas de Repartições ou Sociedades e que resultam do conheci
beneficiamento que lhe dermos depende
<
<
sòbrc o futuro da nossa produção de man ganês. São conceitos extritamente pessoais,
d a
m
150.000 7.000
20.8 1.513.000
53.4 2.100.000 2.5 60.000
95.000
3.1 0.1
144.000, 2.000 53.000 332.000 202.000
.
635.000
—
.
42.9
151.000
1.2
46.000
AkV ^
1
4.218.000 100.0 4.900.000 100.0 1.171 .0001489.000
O quadro mostra um aumento da pro dução mundial de 682.000 toneladas, ou seja, um aumento da ordem de 16%. Êsse acréscimo se deve ao desenvolvimen
acréscimo foi de 202.000; na África foi
to da produção no Oriente e na África.
quanto isso ocorre, na U. R. S. S. a pro
Na índia a produção subiu de- 332.000
dução baixa de 151.000 toneladas; em
toneladas; em outras zonas da Ásia, o de 635-000, devido ao considerável au
mento na produção da África do Sul. En
i.
DlCibslU
IB
L((.)NOMIÍi>
Cuba, decresce de 144.000; no Brasil, de
cm 1945, como conseqüência dum gran
95.000; nos Estados Unidos, de 53.000; c em vários países da Europa o decrésci mo atinge 46.000 toneladas.
de esforço a produção de mincri«>s estratégicos, os Estados Unidos chegaram
A Índia é
um
forte
concorrente
do
Brasil no mercado de manganês devido ao volume das jazidas de alto teor e devido
ao fato de dispor de mão-de-obra a preço baixo e de estarem as jazidas em boas Con dições para a exportação.
a produzir 165.000 toneladas de minério de manganês, isto é, /fiais do qttg nos produzimos em 1949! Nossa produção baixou de 245-000 to neladas, em 1945. para 150.000 em 1949; c de fornecedores de 5.8 Çó da produção nacional, passamos a contribuir apenas
A Costa do Ouro tem reservas grandes, mas o minério é um tanto baixo, as jazi
com 3,1 %.
das não estão distantes do litoral e faz-se
razão de estarmos baixando nossa produ
um beneficiamento adequado, de modo <iuc íica cm condições de ser negociado inm vaníagem.
No Marrocos a produção quintuplicou nos últimos anos, não obstante a difi culdade no transporte, pois as mi
rescrvils dc niangaiiís no ürasil, conio as
boa qualidade, e, devido ao regimem lá os mercados do exterior e inundá-los com
mméno bom e barato, desorganizando a
produção dos outros fornecedores.
Em
bora essa possibilidade seja muito pro blemática e encontre oposição da parte das nações de regimem não-comunista. ela podara ser efetivada devido aos fatôres naturais e ao regimem de trabalho existente na Rússia.
Para o Brasil o mercado norte-ameri cano é muito interessante, já por ser êsse
país um comprador tradicional dos prin cipais produtos brasileiros, já porque de vemos ter com éle relações econômicas cada vez mais estreitas, em beneficio do
nosso próprio desenvolvimento. O quadro apresentado nos mostra que
tonelada's de manganês por ano (em
geográfica, pois esrão muito no interior do
1949) para vender no estrangeiro, esta mos exaurindo o solo dos nossos vizinhos
— Venezuela, Trinidad e Estados Unidos
Continente. O manganês de Urucum pode-
ra sair pelo rio Paraguai e rio da Prata até o porto dc- Montevidéu, ou. por via cerres tre. pelas estradas Noroeste e Sorocabana ate o porto de Santos. A primeira via pa' rece a mais aconselhável, porém exige uma
grande frota do alvnren.uá.s adequadas m, no o quç representa um ^r.inde cdpltaj imobilizado. A segunda via não encon tra nas estradas de ferro capacidade de
mamente propícia à exportação para con
de.alguns países, era petróleo e carvão, de maior tonelagem que tôda a
transporte suficiente; o percurso
exportação nacional para o exte
ferroviário c da ordem de 1.4oo
O destino natural do
manganês do Amapá c o mercado
na América do Norte que as jazi
estabelecido, êsse país poderá invadir
deve ser invocado, porque nós, que des falcamos o patrimônio nacional de 150.000
fadadas a abastecer os mercados da Amé rica do Norte; e as dc Urucum, em Mato Grosso — as de maior volume no Brasil c dentre as de maior volume no mundo encontram certos obstáculos na posição
sumo no exterior.
transpor.
be-se que lá se encontram colossais reser
c não longe da foz do Amazonas, estão
Brasil está esgotando anualmente o solo
externo, pois êle está muito mais próximo dos centros dc consumo
vas de minério de manganês de muito
no fato de ser o manganês uma riqueza
Pinto (•) em conferência recente, o
do Amapá, cuja posição geográfica é su
19
natural não renovável; o que é retirado vai desfalcar definitivamente o patrimônio nacional. Êsse princípio, entretanto, não
petróleo anualmente, para nos podermos expandir industrialmente. Como pô.s cm evidencia n dr. Mario
ção justamente qu.-inclo se descobrem nov;cs
costa por montanhas difíceis de
desse pais seja muito, precário, sa
ncoNòMiro
— em mais de 3.000.000 de toneladas de
Seria muito útil que se esclarecesse a
nas ficam no interior, separadas da Sobre a Rússia, embora o conheamento sobre as condições internas
Digesto
das de Minas Gerais, e está longe dos nossos centros metalúrgicos de Minas, Rio e São Paulo. Pessoas ilc responsabilidade, mal infor madas, e os estudantes ainda sem um co
nhecimento das condições reais do País, admitem que a exportação de minério de manganês seja um atentado ao patrimônio da Nação. Considerando as reservas já co nhecidas, localizadas cm
Minas Gerais,
Mato Grosso. Bahia c Amapá — já não falando nas menores ocorrências de miné
rios mais pobres, em jazidas ainda não prospectadas em Santa Catarina, São Paulo. Sergipe, Ceará, Maranhão e Amazonas —• chega-se à conclusão de que temos, ju-stamente no manganês, uma das poucas re
servas minerais de grande vulto, capaz de satisfazer às necessidades da nossa crescen
te indústria metalúrgica e sobrar ainda para uma intensa exportação — fonte de divisas para compra de petróleo, trigo e carvão.
rior. Ora. uma nação que recebe
km., apenas pouco mais que o
mais do que dá e que precisa im portar energia sob as formas de carvão c petróleo não deve pug nar por uma política dc restrições
trajeto das minas .sul-africanas ao
à exportação de produtos que possui em Nas reuniões da Missão Abbink os a.s-
pectos nacional e internacional do proble
cm grande escala e numa fronreira inter
ma do manganês foram amplamente Jis-
nacional.
cutido.s, com a colaboração eficaz cios bra
Infelizmente, u campanira contra a ex portaçao dos minérios de manganês não
sileiros mais a par do assunto, e. posterior mente. no Conselho Nacional de Minas c
yisa o inte^resse do Brasil, mas apenas
Metalurgia, o tema tem sido considerado com. muita atenção, visando o interêsse
qualquer medida que,
nacional.
Atualmente as idéias se con
gregam para se considerar as reservas de
manganês de alto teor de Minas Gerais,
interesse
de
combu-fT
v •
ao nosso país, de qualquer modo'Ton"stiEntrctantü"seTôT
ficando as grandes reservas de Amapá c
^por9U^áo. sem deform::^^: ideias preconcebidas, chegar-se-á for-
de Mato Grosso destinadas especialmente
■
para a exportação.
As de Amapá, sobre a linha equatorial
mentar o mais possível as nossas exporta ções de manganês do Amapá e do Uru-
C) Diretor do Departamento Nacioiaal
cum, resguardando paja a siderurgia na cional os melhores depósitos de Minas
destinadas ao uso pela siderurgia nacional,
carregado de coordenar as medidas em
J
Ê do interesse nacional e dc boa geopolítica procurar exportar
o manganês do Urucum, de reservas muitas vezes maiores que as de Minas Gerais, si tuado numa zona longínqua, sem indústria
quantidades alem daquilo de que necessita.
da Produção Mineral e atualmente en
A única restrição a fazer seria baseada
porto de Durban.
benefício da produção nacional de carvão.
mente a conclusão de que se deve fo
Gerais.
Para nós, brasileiros, a expansão das
DlCibslU
IB
L((.)NOMIÍi>
Cuba, decresce de 144.000; no Brasil, de
cm 1945, como conseqüência dum gran
95.000; nos Estados Unidos, de 53.000; c em vários países da Europa o decrésci mo atinge 46.000 toneladas.
de esforço a produção de mincri«>s estratégicos, os Estados Unidos chegaram
A Índia é
um
forte
concorrente
do
Brasil no mercado de manganês devido ao volume das jazidas de alto teor e devido
ao fato de dispor de mão-de-obra a preço baixo e de estarem as jazidas em boas Con dições para a exportação.
a produzir 165.000 toneladas de minério de manganês, isto é, /fiais do qttg nos produzimos em 1949! Nossa produção baixou de 245-000 to neladas, em 1945. para 150.000 em 1949; c de fornecedores de 5.8 Çó da produção nacional, passamos a contribuir apenas
A Costa do Ouro tem reservas grandes, mas o minério é um tanto baixo, as jazi
com 3,1 %.
das não estão distantes do litoral e faz-se
razão de estarmos baixando nossa produ
um beneficiamento adequado, de modo <iuc íica cm condições de ser negociado inm vaníagem.
No Marrocos a produção quintuplicou nos últimos anos, não obstante a difi culdade no transporte, pois as mi
rescrvils dc niangaiiís no ürasil, conio as
boa qualidade, e, devido ao regimem lá os mercados do exterior e inundá-los com
mméno bom e barato, desorganizando a
produção dos outros fornecedores.
Em
bora essa possibilidade seja muito pro blemática e encontre oposição da parte das nações de regimem não-comunista. ela podara ser efetivada devido aos fatôres naturais e ao regimem de trabalho existente na Rússia.
Para o Brasil o mercado norte-ameri cano é muito interessante, já por ser êsse
país um comprador tradicional dos prin cipais produtos brasileiros, já porque de vemos ter com éle relações econômicas cada vez mais estreitas, em beneficio do
nosso próprio desenvolvimento. O quadro apresentado nos mostra que
tonelada's de manganês por ano (em
geográfica, pois esrão muito no interior do
1949) para vender no estrangeiro, esta mos exaurindo o solo dos nossos vizinhos
— Venezuela, Trinidad e Estados Unidos
Continente. O manganês de Urucum pode-
ra sair pelo rio Paraguai e rio da Prata até o porto dc- Montevidéu, ou. por via cerres tre. pelas estradas Noroeste e Sorocabana ate o porto de Santos. A primeira via pa' rece a mais aconselhável, porém exige uma
grande frota do alvnren.uá.s adequadas m, no o quç representa um ^r.inde cdpltaj imobilizado. A segunda via não encon tra nas estradas de ferro capacidade de
mamente propícia à exportação para con
de.alguns países, era petróleo e carvão, de maior tonelagem que tôda a
transporte suficiente; o percurso
exportação nacional para o exte
ferroviário c da ordem de 1.4oo
O destino natural do
manganês do Amapá c o mercado
na América do Norte que as jazi
estabelecido, êsse país poderá invadir
deve ser invocado, porque nós, que des falcamos o patrimônio nacional de 150.000
fadadas a abastecer os mercados da Amé rica do Norte; e as dc Urucum, em Mato Grosso — as de maior volume no Brasil c dentre as de maior volume no mundo encontram certos obstáculos na posição
sumo no exterior.
transpor.
be-se que lá se encontram colossais reser
c não longe da foz do Amazonas, estão
Brasil está esgotando anualmente o solo
externo, pois êle está muito mais próximo dos centros dc consumo
vas de minério de manganês de muito
no fato de ser o manganês uma riqueza
Pinto (•) em conferência recente, o
do Amapá, cuja posição geográfica é su
19
natural não renovável; o que é retirado vai desfalcar definitivamente o patrimônio nacional. Êsse princípio, entretanto, não
petróleo anualmente, para nos podermos expandir industrialmente. Como pô.s cm evidencia n dr. Mario
ção justamente qu.-inclo se descobrem nov;cs
costa por montanhas difíceis de
desse pais seja muito, precário, sa
ncoNòMiro
— em mais de 3.000.000 de toneladas de
Seria muito útil que se esclarecesse a
nas ficam no interior, separadas da Sobre a Rússia, embora o conheamento sobre as condições internas
Digesto
das de Minas Gerais, e está longe dos nossos centros metalúrgicos de Minas, Rio e São Paulo. Pessoas ilc responsabilidade, mal infor madas, e os estudantes ainda sem um co
nhecimento das condições reais do País, admitem que a exportação de minério de manganês seja um atentado ao patrimônio da Nação. Considerando as reservas já co nhecidas, localizadas cm
Minas Gerais,
Mato Grosso. Bahia c Amapá — já não falando nas menores ocorrências de miné
rios mais pobres, em jazidas ainda não prospectadas em Santa Catarina, São Paulo. Sergipe, Ceará, Maranhão e Amazonas —• chega-se à conclusão de que temos, ju-stamente no manganês, uma das poucas re
servas minerais de grande vulto, capaz de satisfazer às necessidades da nossa crescen
te indústria metalúrgica e sobrar ainda para uma intensa exportação — fonte de divisas para compra de petróleo, trigo e carvão.
rior. Ora. uma nação que recebe
km., apenas pouco mais que o
mais do que dá e que precisa im portar energia sob as formas de carvão c petróleo não deve pug nar por uma política dc restrições
trajeto das minas .sul-africanas ao
à exportação de produtos que possui em Nas reuniões da Missão Abbink os a.s-
pectos nacional e internacional do proble
cm grande escala e numa fronreira inter
ma do manganês foram amplamente Jis-
nacional.
cutido.s, com a colaboração eficaz cios bra
Infelizmente, u campanira contra a ex portaçao dos minérios de manganês não
sileiros mais a par do assunto, e. posterior mente. no Conselho Nacional de Minas c
yisa o inte^resse do Brasil, mas apenas
Metalurgia, o tema tem sido considerado com. muita atenção, visando o interêsse
qualquer medida que,
nacional.
Atualmente as idéias se con
gregam para se considerar as reservas de
manganês de alto teor de Minas Gerais,
interesse
de
combu-fT
v •
ao nosso país, de qualquer modo'Ton"stiEntrctantü"seTôT
ficando as grandes reservas de Amapá c
^por9U^áo. sem deform::^^: ideias preconcebidas, chegar-se-á for-
de Mato Grosso destinadas especialmente
■
para a exportação.
As de Amapá, sobre a linha equatorial
mentar o mais possível as nossas exporta ções de manganês do Amapá e do Uru-
C) Diretor do Departamento Nacioiaal
cum, resguardando paja a siderurgia na cional os melhores depósitos de Minas
destinadas ao uso pela siderurgia nacional,
carregado de coordenar as medidas em
J
Ê do interesse nacional e dc boa geopolítica procurar exportar
o manganês do Urucum, de reservas muitas vezes maiores que as de Minas Gerais, si tuado numa zona longínqua, sem indústria
quantidades alem daquilo de que necessita.
da Produção Mineral e atualmente en
A única restrição a fazer seria baseada
porto de Durban.
benefício da produção nacional de carvão.
mente a conclusão de que se deve fo
Gerais.
Para nós, brasileiros, a expansão das
DicnsTO Econômico
20
Cruzeiro
explorações na Índia c na África do Sul
esforço, çssc minério poderá satisfazer a
vem diminuir as possibilidades de forne
grande parte das necessidades do país.
cimentos grandes a preços vantajosos. No
Como o desenvolvimento da técnica é pro
vas minas em exploração farão necessaria
gressivo e não pode ser estacado por in
mente baixar os preços, em função da lei da oferta e da procura. De outro lado, o desenvolvimento da técnica de beneficiamento de minérios
teresses regionais, mormente de países de
\/OLTAM os meios financeiros e econó-
pouca projeção internacional, e como as
micos brasileiros a preocupar-se com
pobres, nos Estados Unidos, tende a aumentar a produção própria de man ganês
no
maior
centro
de
consumo.
Há muito que o U. S. Bureau of Mi
nes, nas suas estações experimentais, se empenha em beneficiar economicamente
os rninérios baixos. Os ensaios com os minérios do Tennessee têm sido numero sos e no Estado de Montana, onde há enormes reservas de minério muito pobre
ja se beneficia em escala industrial, pro duzindo um minério mais rico que o importado e muito procurado pelos con sumidores.
O elevado índice de produção interna de manganês nos Estados Unidos,'em 1945, mostra que, mediante um grande
o problema da paridade cambial do cru
necessidades do mercado, qualquer restri ção que se faça, aqui no Brasil, à expor tação de manganês de alto teor, tende a apressar a mise au poiiil de métodos de
zeiro cm relação ao dólar americano. Co
câmbio atualmente vigente se elevam e
beneficiamento dos minérios pobres, e,'
se espraiam até alcançar os meios oficiais,
consequentemente, tende a desvalorizar os
que reagem c desmentem qualquer pro jeto nesse sentido. Os argumentadorcs
mo ondas periódicas, as opiniões que fa vorecem a idéia de quebrar o padrão de
Essas considerações devem ser postas cm evidência para que se conduza a bom
que defendem essa tese da redução cam
termo a nossa política econômica, no que
tes.
diz respeito ao manganês, visando o nosso interesse, com o perfeito conliccimcnto
tável saber c prestígio, sustentam a cam
do panorama internacional.
O Brasil não é o único país que tem
Dólar
Aldo M. Azevedo
pesquisas são sempre fomentadas pelas
minérios ricos do Brasil.
e
bial do cruzeiro são prolixos e persisten
Alguns deles, homens de incontes
panha com honestidade, encarando a questão nos seus diversos aspectos, com destaque daqueles que mais afirmam as
manganês e precisa ter as simpatias das
vantagens da desvalorização cambial. Ea-
outras nações pata receber o petróleo c
zcm-no, é certo, nã' maior boa-fé, sem co
o carvão, de que tanto necessita para a manutenção dum elevado padrão industrial.
gitar dos reflexos possíveis nos seus pró prios negócios. Diante de homens dessa envergadura, confesso-me constrangido ao
vir opor minha desvaliosa opinião e meus argumentos. Se o faço, é unicamente porque tenho certeza de que meus dignos contendores
também reconhecem minha
perfeita boa-fé, o meu absoluto alheamen-
to de qualquer conseqüência de ordem
ro ao dólar norte-americano é uma deci
são relativamente recente, tomada após a grande crise de 1929-I9.Í3, quando o ca fé, juntamente com outros produtos mun- •
dialmente cotados, teve seus preços des moronados repentinamente. A situação do café na economia brasileira era de tal ordem que um dos nossos mais inteligen tes jornalistàs chegou a declarar que a" revoluç<ão de 1930 fôra ganha pelo "Gene ral Café". Êsse período crítico da eco nomia brasileira marca realmente um di visor de águas, cada vez mais caracteriza do pelo predomínio da influência nõrteannericana, no nosso comércio externo, em detrimento dos negócios europeus. Pas sou o Brasil, muito logicamente, a aferir sua moeda não mais pela libra esterlina (que, então, já havia sofrido uma grande desvalorização) mas pelo dólar. A úl tima guerra mundial veio consolidar defi nitivamente essa aliança monetária.
Segundo as últimas estatísticas oficiais 60 % de nossas exportações de 1949 se destinaram às áreas das moedas conversí veis, vale "dizer, dólar, escudo e franco loio" T'""' de 1949, a metade se exportações vendeu para totais os Esta
igualmente de boa-fé; não são conseqüen
dos Unidos da América do Norte, 'dq lado da importação, as relações são um pouco diferentes: ^ um pouquinho me nos de 60% provieram das áreas das
tes de minha situação particular no mun do dos negócios; nem de longe influen
Estados Unidos cerca de 40 %
ciados por motivos de ordem material.
corrente de 1950, a proporção se modifi-
particular no decidir tão importante ques
tão. Meus argumentos poderiam ser ofe recidos por qualquer outro brasileiro
Àntes, porém, de apresentar a questão
moedas fortes, sendo que recebemos dos ' No ano
cou ainda mais a favor das exportações
do valor cruzeiro-dólar, é preciso relem
para os Estados Unidos, devido à alta de
brar alguns fatos históricos. Como é sa
preços do café.
bido, desde os tempos imperiais, a moe-
mos esperar um saído de moedas conver
"da brasileira tinha como referência a li
bra esterlina.
Por conseguinte, deve
síveis superior ao do ano passado.
A "ancoragem" do.cruzei rtdiWihi-' -"i
DicnsTO Econômico
20
Cruzeiro
explorações na Índia c na África do Sul
esforço, çssc minério poderá satisfazer a
vem diminuir as possibilidades de forne
grande parte das necessidades do país.
cimentos grandes a preços vantajosos. No
Como o desenvolvimento da técnica é pro
vas minas em exploração farão necessaria
gressivo e não pode ser estacado por in
mente baixar os preços, em função da lei da oferta e da procura. De outro lado, o desenvolvimento da técnica de beneficiamento de minérios
teresses regionais, mormente de países de
\/OLTAM os meios financeiros e econó-
pouca projeção internacional, e como as
micos brasileiros a preocupar-se com
pobres, nos Estados Unidos, tende a aumentar a produção própria de man ganês
no
maior
centro
de
consumo.
Há muito que o U. S. Bureau of Mi
nes, nas suas estações experimentais, se empenha em beneficiar economicamente
os rninérios baixos. Os ensaios com os minérios do Tennessee têm sido numero sos e no Estado de Montana, onde há enormes reservas de minério muito pobre
ja se beneficia em escala industrial, pro duzindo um minério mais rico que o importado e muito procurado pelos con sumidores.
O elevado índice de produção interna de manganês nos Estados Unidos,'em 1945, mostra que, mediante um grande
o problema da paridade cambial do cru
necessidades do mercado, qualquer restri ção que se faça, aqui no Brasil, à expor tação de manganês de alto teor, tende a apressar a mise au poiiil de métodos de
zeiro cm relação ao dólar americano. Co
câmbio atualmente vigente se elevam e
beneficiamento dos minérios pobres, e,'
se espraiam até alcançar os meios oficiais,
consequentemente, tende a desvalorizar os
que reagem c desmentem qualquer pro jeto nesse sentido. Os argumentadorcs
mo ondas periódicas, as opiniões que fa vorecem a idéia de quebrar o padrão de
Essas considerações devem ser postas cm evidência para que se conduza a bom
que defendem essa tese da redução cam
termo a nossa política econômica, no que
tes.
diz respeito ao manganês, visando o nosso interesse, com o perfeito conliccimcnto
tável saber c prestígio, sustentam a cam
do panorama internacional.
O Brasil não é o único país que tem
Dólar
Aldo M. Azevedo
pesquisas são sempre fomentadas pelas
minérios ricos do Brasil.
e
bial do cruzeiro são prolixos e persisten
Alguns deles, homens de incontes
panha com honestidade, encarando a questão nos seus diversos aspectos, com destaque daqueles que mais afirmam as
manganês e precisa ter as simpatias das
vantagens da desvalorização cambial. Ea-
outras nações pata receber o petróleo c
zcm-no, é certo, nã' maior boa-fé, sem co
o carvão, de que tanto necessita para a manutenção dum elevado padrão industrial.
gitar dos reflexos possíveis nos seus pró prios negócios. Diante de homens dessa envergadura, confesso-me constrangido ao
vir opor minha desvaliosa opinião e meus argumentos. Se o faço, é unicamente porque tenho certeza de que meus dignos contendores
também reconhecem minha
perfeita boa-fé, o meu absoluto alheamen-
to de qualquer conseqüência de ordem
ro ao dólar norte-americano é uma deci
são relativamente recente, tomada após a grande crise de 1929-I9.Í3, quando o ca fé, juntamente com outros produtos mun- •
dialmente cotados, teve seus preços des moronados repentinamente. A situação do café na economia brasileira era de tal ordem que um dos nossos mais inteligen tes jornalistàs chegou a declarar que a" revoluç<ão de 1930 fôra ganha pelo "Gene ral Café". Êsse período crítico da eco nomia brasileira marca realmente um di visor de águas, cada vez mais caracteriza do pelo predomínio da influência nõrteannericana, no nosso comércio externo, em detrimento dos negócios europeus. Pas sou o Brasil, muito logicamente, a aferir sua moeda não mais pela libra esterlina (que, então, já havia sofrido uma grande desvalorização) mas pelo dólar. A úl tima guerra mundial veio consolidar defi nitivamente essa aliança monetária.
Segundo as últimas estatísticas oficiais 60 % de nossas exportações de 1949 se destinaram às áreas das moedas conversí veis, vale "dizer, dólar, escudo e franco loio" T'""' de 1949, a metade se exportações vendeu para totais os Esta
igualmente de boa-fé; não são conseqüen
dos Unidos da América do Norte, 'dq lado da importação, as relações são um pouco diferentes: ^ um pouquinho me nos de 60% provieram das áreas das
tes de minha situação particular no mun do dos negócios; nem de longe influen
Estados Unidos cerca de 40 %
ciados por motivos de ordem material.
corrente de 1950, a proporção se modifi-
particular no decidir tão importante ques
tão. Meus argumentos poderiam ser ofe recidos por qualquer outro brasileiro
Àntes, porém, de apresentar a questão
moedas fortes, sendo que recebemos dos ' No ano
cou ainda mais a favor das exportações
do valor cruzeiro-dólar, é preciso relem
para os Estados Unidos, devido à alta de
brar alguns fatos históricos. Como é sa
preços do café.
bido, desde os tempos imperiais, a moe-
mos esperar um saído de moedas conver
"da brasileira tinha como referência a li
bra esterlina.
Por conseguinte, deve
síveis superior ao do ano passado.
A "ancoragem" do.cruzei rtdiWihi-' -"i
wmmmn DIGESTO I-f-ONÓMlCO
22
Os argumentos que procuram justificar
a alteração da relação cruzeíro/dólar po dem ser resumidos assim:
incluindo ou não os artigos importados
cora isenção aduaneira.) ; — o dólar é vendido no "i.iercado
DIGHSTO
ECONÓMIt.O
gar que o cruzeiro não perdeu valor no
creio que não há melhor índice para a comparado do valor das moedas do que
mercado interno.
o preço de um homem-hora de trabalho.
1° — Seria perfeitamente ridículo ne Basta olhar para os ín
1 — o cruzeiro perdeu no. mercado interno cerca de 70 % de seu valor de
negro", abertamente, por 30 ou 34 cruzei ros, conforme a época. Esse "fato in
1939; enquanto que o dólar teve uma per da de apenas 40 % no mesmo período decenal. Por conseguinte — dizem os
contestável" serve para dar uma "idéia real" do valor do cfuzeiro em relaç'o ao dólar. Os jornais publicam frequmtc-
que defendem a tese da quebra do padrão
menre as cotações das moedas no mei.ado
cambial — o dólar deveria valer o dôbro
1939 para 19-19. Do mesmo modo, nin guém poderia negar, em face dos índices
do que valia antes. Matemàticamcnte. o
livre de Zurich, onde o cruzeiro ap3''ece
americanos, que o próprio dólar — a moe
quase sempre com perda de 35 a 4P %
raciocínio se expressa assim: — o' cru
do seu valor oficial;
da mais sólida do mundo — perdeu va lor durante aquele período de tempo.
zeiro vale agora 30 % do que valia e o
dólar vale 60 % de seu valor" anterior; 2.° — devido à perda de valor da moeda brasileira
5-° — como o principal produto da cxportação brasileira é o café, e há atual mente
uma
deficiência
da
produção mundial, a mu dança da taxa do câmbio
no mercado interno, os sa
dices de preços, ou de custo da vida e dos salários, para concluir sem a menor dú vida: — houve uma depreciação real de cerca de 70 % na moeda brasileira, de
Mas, é aqui que está o ponto fraco do ar
gumento dos
"desvalorízadores do cru
zeiro" : — como afirmar que o ano base — 1939 — representa verdadeiramente
Se as moedas têm cotação diferente num e noutro país, numa ou noutra época
homens são sempre homens, com suas ne cessidades de alimentação, vestuário, habitaçao e família. Por que, então, per gunto eu, nao partir do valor dos salários
para obter a paridade entre duas moedas^
Dirao : — a produtividade de um operá
rio americano e muitíssimo superior à
nossa... Nao há dúvida. Mas, enrão o remedio é melhorar a nossa produtivida de.. . (O IDORTesráaí há quase vinte anos clamando pela racionalização da pro
um período de "paridade" das duas moe
dução brasileira, ..) Por conseguinte, ês-
não reduzirá o valor-dólar
das ? Quem provou que os índices 100
se argumento dos altos salários (?) bra
de nossa famosa rubiácea.
da economia brasileira correspondiam de
sileiros é válido apenas para concluir •
fato aos índices 100 da economia norte-
devemos aumentar a produtividade "per
americana
países em que a deprecia
Por conseguinte, passando o dólar a valer Cr$ 37,00 (o dôbro da atual cotação ofi
ção monetária foi menos
cial) iria a .saca de café va
acentuada. Isso tem impedido que o Bra-
ler
Cr$ 2.500,00, desde
estamos fazendo uma afirmação relativa a uma referência certa, que é o valor bra
capita" do brasileiro, em todos os seto res... Essa providência, que implica em múltiplas medidas que não cabe agora re latar, forçará a baixa do custo de nossa
lários no Brasil subiram muito, aumentando assim consideravelmente o custo
da produção nacional em
confronto com a de outros
1 exporte seus produtos pelos preços do
Quando dizemos que a moe
da brasileira perdeu 70 % de seu valor,
Que pressupomos"^não haver modificado
sileiro básico. Do mesmo modo, quando
produção. Aliás, paralelamente, é preciso
mercado internacional;
de sua cotação na Bôlsa de Nova York.
dizemos que o dólar perdeu 40 % de seu
que os nossos dirigentes de emprêsas
3." — com a elevação do valor do dóiar em_ unidades de nossa moeda, as im portações de artigos supérfluos — devido
Por outras palavras, continuaríamos a re ceber o mesmo número de dólares por sa ca de café exportado, como presentemente;
valor, estamo-nos referindo ao valor do
aprendam a trabalhar com margem de lu
dólar anterior. Considero um abuso ou
cro pequena: _ ela reduz o preço das coisas e e um permanente estímulo para
ao encarecimento em cruzeiros
seriam
reduzidas automaticamente. Criaríamos
assim, por intermédio da moeda, uma bar-' retra as importações, já que as nossas ta
rifas alfandegarias, na maioria dos casos incidentes especificamente em cruzeiros 'nada representam em relação aó valor das mercadorias. De fato, os direitos cobrados nas aduanas, que tradicionalmente eram superiores a 25 % do valor dos pro dutos importados, hoje estão bem abaixo de 20 %, chegando alguns a afirmar que não chegam a 10%. (Essa divergência de percentagens é explicada devido à for
ma de calcular os direitos globalmente,
— o custo da vida brasileiro não
seria afetado sensivelmente, porque a im portância dos produtos de importação na formação desse custo não é significativa. Ademais, se se desse uma elevação desse custo da vida, não seria imediatamente,
mas dar-se-ia a longo prazo. Outros argumentos porventura esque cidos nessa síntese não são preponderantes.
Vejamos imparcialmente tudo, analisan
do um por um e contrapondo os argu mentos daqueles que, como eu, vêm de fendendo a política da manutenção da atual taxa cambial cruzeiro/dólar.
uma inadvertência comparar os dois índi ces e fazer interpolações com eles. Ca
da um só serve de referência para o seu caso particular, isto é, úm para o Brasil e outro para os Estados Unidos. Agora, se
fòsse possível provar — e duvido que o façam — que no ano de 1939 havia rigo rosa paridade cambial entre o cruzeiro e
o dólar, então o argumento dos índices de
manter afiada a organização. Se comoa rarmos o salano médio de nm americano, de cêrca de USSl.OO 00^""° com o nosso, verificaremos que 1 atual paridade cambial «ando menos da metade do que^°'
srduaip^rr^^/f^^-irs;
poder aquisitivo interno das respectivas moedas teria realmente algum valor. (1).
2.° — Os que argumentam cora a ele vação "exagerada" dos salários no Brasil, para justificar' a quebra do padrão cam
bial vigente, não gostam de lembrar-se de comparar os salários brasileiros e ameri canos para iguais funções.. .
grande falha de seu raciocínio,
E' uma
porque
americano seria remunerado mais alta mente do que o brasileiro em cerca de cinco vêzes. . . (Então, teríamos a paridade cambial das duas moedas !. ..) Outro ponto : — a questão da expor tação dos produtos brasileiros. Evidente-
wmmmn DIGESTO I-f-ONÓMlCO
22
Os argumentos que procuram justificar
a alteração da relação cruzeíro/dólar po dem ser resumidos assim:
incluindo ou não os artigos importados
cora isenção aduaneira.) ; — o dólar é vendido no "i.iercado
DIGHSTO
ECONÓMIt.O
gar que o cruzeiro não perdeu valor no
creio que não há melhor índice para a comparado do valor das moedas do que
mercado interno.
o preço de um homem-hora de trabalho.
1° — Seria perfeitamente ridículo ne Basta olhar para os ín
1 — o cruzeiro perdeu no. mercado interno cerca de 70 % de seu valor de
negro", abertamente, por 30 ou 34 cruzei ros, conforme a época. Esse "fato in
1939; enquanto que o dólar teve uma per da de apenas 40 % no mesmo período decenal. Por conseguinte — dizem os
contestável" serve para dar uma "idéia real" do valor do cfuzeiro em relaç'o ao dólar. Os jornais publicam frequmtc-
que defendem a tese da quebra do padrão
menre as cotações das moedas no mei.ado
cambial — o dólar deveria valer o dôbro
1939 para 19-19. Do mesmo modo, nin guém poderia negar, em face dos índices
do que valia antes. Matemàticamcnte. o
livre de Zurich, onde o cruzeiro ap3''ece
americanos, que o próprio dólar — a moe
quase sempre com perda de 35 a 4P %
raciocínio se expressa assim: — o' cru
do seu valor oficial;
da mais sólida do mundo — perdeu va lor durante aquele período de tempo.
zeiro vale agora 30 % do que valia e o
dólar vale 60 % de seu valor" anterior; 2.° — devido à perda de valor da moeda brasileira
5-° — como o principal produto da cxportação brasileira é o café, e há atual mente
uma
deficiência
da
produção mundial, a mu dança da taxa do câmbio
no mercado interno, os sa
dices de preços, ou de custo da vida e dos salários, para concluir sem a menor dú vida: — houve uma depreciação real de cerca de 70 % na moeda brasileira, de
Mas, é aqui que está o ponto fraco do ar
gumento dos
"desvalorízadores do cru
zeiro" : — como afirmar que o ano base — 1939 — representa verdadeiramente
Se as moedas têm cotação diferente num e noutro país, numa ou noutra época
homens são sempre homens, com suas ne cessidades de alimentação, vestuário, habitaçao e família. Por que, então, per gunto eu, nao partir do valor dos salários
para obter a paridade entre duas moedas^
Dirao : — a produtividade de um operá
rio americano e muitíssimo superior à
nossa... Nao há dúvida. Mas, enrão o remedio é melhorar a nossa produtivida de.. . (O IDORTesráaí há quase vinte anos clamando pela racionalização da pro
um período de "paridade" das duas moe
dução brasileira, ..) Por conseguinte, ês-
não reduzirá o valor-dólar
das ? Quem provou que os índices 100
se argumento dos altos salários (?) bra
de nossa famosa rubiácea.
da economia brasileira correspondiam de
sileiros é válido apenas para concluir •
fato aos índices 100 da economia norte-
devemos aumentar a produtividade "per
americana
países em que a deprecia
Por conseguinte, passando o dólar a valer Cr$ 37,00 (o dôbro da atual cotação ofi
ção monetária foi menos
cial) iria a .saca de café va
acentuada. Isso tem impedido que o Bra-
ler
Cr$ 2.500,00, desde
estamos fazendo uma afirmação relativa a uma referência certa, que é o valor bra
capita" do brasileiro, em todos os seto res... Essa providência, que implica em múltiplas medidas que não cabe agora re latar, forçará a baixa do custo de nossa
lários no Brasil subiram muito, aumentando assim consideravelmente o custo
da produção nacional em
confronto com a de outros
1 exporte seus produtos pelos preços do
Quando dizemos que a moe
da brasileira perdeu 70 % de seu valor,
Que pressupomos"^não haver modificado
sileiro básico. Do mesmo modo, quando
produção. Aliás, paralelamente, é preciso
mercado internacional;
de sua cotação na Bôlsa de Nova York.
dizemos que o dólar perdeu 40 % de seu
que os nossos dirigentes de emprêsas
3." — com a elevação do valor do dóiar em_ unidades de nossa moeda, as im portações de artigos supérfluos — devido
Por outras palavras, continuaríamos a re ceber o mesmo número de dólares por sa ca de café exportado, como presentemente;
valor, estamo-nos referindo ao valor do
aprendam a trabalhar com margem de lu
dólar anterior. Considero um abuso ou
cro pequena: _ ela reduz o preço das coisas e e um permanente estímulo para
ao encarecimento em cruzeiros
seriam
reduzidas automaticamente. Criaríamos
assim, por intermédio da moeda, uma bar-' retra as importações, já que as nossas ta
rifas alfandegarias, na maioria dos casos incidentes especificamente em cruzeiros 'nada representam em relação aó valor das mercadorias. De fato, os direitos cobrados nas aduanas, que tradicionalmente eram superiores a 25 % do valor dos pro dutos importados, hoje estão bem abaixo de 20 %, chegando alguns a afirmar que não chegam a 10%. (Essa divergência de percentagens é explicada devido à for
ma de calcular os direitos globalmente,
— o custo da vida brasileiro não
seria afetado sensivelmente, porque a im portância dos produtos de importação na formação desse custo não é significativa. Ademais, se se desse uma elevação desse custo da vida, não seria imediatamente,
mas dar-se-ia a longo prazo. Outros argumentos porventura esque cidos nessa síntese não são preponderantes.
Vejamos imparcialmente tudo, analisan
do um por um e contrapondo os argu mentos daqueles que, como eu, vêm de fendendo a política da manutenção da atual taxa cambial cruzeiro/dólar.
uma inadvertência comparar os dois índi ces e fazer interpolações com eles. Ca
da um só serve de referência para o seu caso particular, isto é, úm para o Brasil e outro para os Estados Unidos. Agora, se
fòsse possível provar — e duvido que o façam — que no ano de 1939 havia rigo rosa paridade cambial entre o cruzeiro e
o dólar, então o argumento dos índices de
manter afiada a organização. Se comoa rarmos o salano médio de nm americano, de cêrca de USSl.OO 00^""° com o nosso, verificaremos que 1 atual paridade cambial «ando menos da metade do que^°'
srduaip^rr^^/f^^-irs;
poder aquisitivo interno das respectivas moedas teria realmente algum valor. (1).
2.° — Os que argumentam cora a ele vação "exagerada" dos salários no Brasil, para justificar' a quebra do padrão cam
bial vigente, não gostam de lembrar-se de comparar os salários brasileiros e ameri canos para iguais funções.. .
grande falha de seu raciocínio,
E' uma
porque
americano seria remunerado mais alta mente do que o brasileiro em cerca de cinco vêzes. . . (Então, teríamos a paridade cambial das duas moedas !. ..) Outro ponto : — a questão da expor tação dos produtos brasileiros. Evidente-
Dir.i;"íTf) rto.NoNUro
24
DicnsTo
mente, se mcxlificarmos a taxa cambiai de
•modo que o dólar passe a custar oficial mente CrS 57,00, muitos arti^tos da pro dução brasileira poderiam alcançar os mer cados internacionais,
rendendo unidades
monetárias de nossa moeda em quantida de suficiente para pai;ar os atuais salários
e dar boa margem de lucro. Mas e isso parece ser esquecido — essas mes
mas mercadorias dariam ao Brasil e aos
brasileiros menos dólares do que elas real mente custaram, vale dizer, menos mer
cadorias de importação. Ora, o comércio
internacional — isso é tão elementar que me constrange mencionar — é feito m'^-
diante permuta de produtos,
produtos
provenientes do trabalho nacional de ca
tia promover uma revisão de nossas fari
as aduaneiras obsoletas c anacrônicas... Por outro lado, a modificação da taxa de câmbio incidiria sobre todos os artigos de
importação, inclusive matérias-primas, má quinas c combustíveis, o que provocaria gravíssimas repercussiães na economia na cional. Pensemos somente na gasolina ao
preço de CrS 4,00 por litro, um caminhão a CrS 150.000,00. uma locomotiva a CrS 5.000.000,00 e por aí afora... E os tratores, os fusos, os adubos fosfatados e
salitre...
E' incrível que haja homens
sabidamente sensatos que preconizem tal calamidade.
Nesse ponto, ainda cabe desenvolver o
da pais. Quando permutamos mais mer-
mesmo argumento de oposição à desva lorização referido anteriormente : —
nas estrangeiras - como seria o caso l
quando pagamos um preço mais elevado
cadonas brasileiras por menos mercado-
dendo°"^T° ~ realmente permais trabalho brasileiro- em troca de menos trabalho dos demais povos".
ainda por cima, que isso é que deve ser, que e bom negócio...) Nes sa questão, além disso., há a interrogação de saber como agirão as demais nações diante de uma desvalorização cambial' do cruzeiro; Os que argumentam a favor da
desvalorização de nossa moeda nos mer cados internacionais se esquecem ou fin
pelo produto estrangeiro
—
vale dizer,
pelo trabalho alheio — estamos deprecian
do o "nosso trabalho", isto é, a fonte de
nossa produção, que é remunerada na ba se da "nossa moeda". Se exportarmos mais produtos brasileiros (mais traballio
brasileiro) por menos dólares, por outro lado, importamos menos produtos estran geiros por mais cruzeiros... (E dizem
que é um "bom negócio"!..) (2).
A parcela de
gem ignomr que a era do liberalismo eco-
moeda trocada
nomico ,a esta ultrapassada, que os paí ses hoje em dia regulam seu comércio ex-
comparação com o volume de nosso co
terior (como nós o fazemos) c têm as respectivas moedas fixadas em valores ar bitrários (tal e qual como nós) A eco
no mercado negro, cm
mércio internacional,
é ridícula.
Ora,
ninguém de bom-senso poderia adotar co mo base do câmbio brasileiro, cm relação
ao dólar, a cotação
do mercado livre,
mais de 99 % das transações cam nomia é um processo "orgânico", cujos re-' quando biais se fazem pela taxa oficial. As co flexos e reações são parcialmente determi
nados pela vontade dos homens, coletiva mente.
3.° — O argumento é certamente váli do. Mas, se desejamos criar uma "barrei
rações do mercado livre de moedas são
determinadas
pelas maiores procuras ou
ofertas ocasionais, segundo o afluxo de turistas de uma ou outra nação. De mo
ra" às importações de artigos supérfluos
do que seria insensato seguir essa tabela de flutuações, que, às vezes, chegam a
ou de Juxo, deveríamos antes de mais na-
mais de 10 % de um dia para outro, con
25
forme as circunstâncias. . . Por ocasião do
mio" que a desvalorização daria aos pro
campeonato mundial de futebol, o cru zeiro teve sua cotação melhorada de 15 Çc ã vista da grande procura de turistas que vieram ao Brasil. . . Cotar a nossa moeda,
dutores nacionais, em detrimento da pró pria economia brasileira, como já vimos e como ainda será acentuado sob outros as
pectos não mencionados nos argumentos
base fundamental dc nossa economia, ao
dos que pretendem modificar a'paridade
sabor das flutuações do mercado negro de câmbio, seria uma perfeita insânia. (3). 5." — A afirmação de que, atualmente, a mudança de taxa do cruzeiro não aferava o valor em dólar do café, pode pre
cambial de nossa moeda. (4) contrário do que se afirma, o custo da vida seria grandemente afeta do logo apos a modificação da taxa dc
valecer, sem dúvida. Mas, a história da economia cafeeira demonstra cabalmente
que a baixa do câmbio brasileiro é sem pre seguida (outras condições mantidas) da baixa da cotação do café em dólares.
Supondo, entretanto, que na atua! con
juntura a cotação do café em Nova York seja mantida, verificaremos uma extraor
câmbio. Não só pelo reflexo dos preços das mercadorias de exportação (café em especial), como também pela inclusão de novos artigos exportáveis (tecidos açú car, madeiras etc.) à taxa desvalorizada cujos preços seriam elevados no mercado interno. Se se argumenta a favor da de preciação cambial justamente para favo recer a exportação de certos produtos na
cionais que não podem concorrer presen
dinária elevação de seus preços no merca do interno. Em teoria, eles duplicariam. Ora, se isso acontecesse, teríamos uma
temente no campo internacional
verdadeira convulsão no mercado interno
provoque uma elevação dos preços inter
dc trabalho, pois os agricultores de café poderiam elevar desmedidamente os sa lários agrícolas, desviando braços de ou tras lavouras para a cafeicultura. Tal mo vimento ocasionaria fatalmente uma alta
geral dos preços
— O argumento "mercado negro"
só tem valor psicológico.
Econômico
internos dos produtos
agrícolas, com reflexos certos nos preços dos artigos industriais e... alta do custo da vida. Ora, uma nova c acentuada al ta do custo da vida no Brasil corresponde realmente a uma nova desvalorização do cruzeiro no mercado interno, o que, por
•É /
•
-
«
• •
ç-r;.. Id,
ilogico nao admitir que essa exportação nos desses artigos. Por conseguinte a
elevação do custo da vida se daria pela açao conjugada de três fatores; —
mento dos preços dos artigos de importa çao, muitos dos quais essenciais à noss-i
economia: pela alta dos salários internos-
c pelo aumento dos preços dos aTtigos que ja exportamos ou que viremos a *
Mas, há outros aspectos, proposital ou
sua vez, e para sermos coerentes e lógi inconscientemente esquecidos como pas cos, deveria provocar nova desvalorização' saremos a observar Há • ? mn caso cio movimento ■ mo de 'Importantíssi da taxa cambial. .. "Ec si cette chanson capitais e de seus rendimentos de vous embête, nous allons Ia recommencef. .." Na verdade, se os preços do ca- '
ç- L
fé sofreram no ano próximo uma redu
ríamos afirmar, depois de realizada a alta
cruzei depreciaçãoprevaleceriam cambial do cruzeiro, duas condições sem duvida a influenciar esse movimento : l.ii — os capitais estrangeiros aqui aplicados — inclusive os empréstimos ex
dos salários agrícolas, com forçosos refle xos nos salários industriais. Eis o "prê
(em moeda estrangeira), ou ficariam com
ção, ela poderá ser suportada pelos pro dutores nacionais.
O mesmo não pode
Pims para outro,
ternos — teriam um rendimento menor
Dir.i;"íTf) rto.NoNUro
24
DicnsTo
mente, se mcxlificarmos a taxa cambiai de
•modo que o dólar passe a custar oficial mente CrS 57,00, muitos arti^tos da pro dução brasileira poderiam alcançar os mer cados internacionais,
rendendo unidades
monetárias de nossa moeda em quantida de suficiente para pai;ar os atuais salários
e dar boa margem de lucro. Mas e isso parece ser esquecido — essas mes
mas mercadorias dariam ao Brasil e aos
brasileiros menos dólares do que elas real mente custaram, vale dizer, menos mer
cadorias de importação. Ora, o comércio
internacional — isso é tão elementar que me constrange mencionar — é feito m'^-
diante permuta de produtos,
produtos
provenientes do trabalho nacional de ca
tia promover uma revisão de nossas fari
as aduaneiras obsoletas c anacrônicas... Por outro lado, a modificação da taxa de câmbio incidiria sobre todos os artigos de
importação, inclusive matérias-primas, má quinas c combustíveis, o que provocaria gravíssimas repercussiães na economia na cional. Pensemos somente na gasolina ao
preço de CrS 4,00 por litro, um caminhão a CrS 150.000,00. uma locomotiva a CrS 5.000.000,00 e por aí afora... E os tratores, os fusos, os adubos fosfatados e
salitre...
E' incrível que haja homens
sabidamente sensatos que preconizem tal calamidade.
Nesse ponto, ainda cabe desenvolver o
da pais. Quando permutamos mais mer-
mesmo argumento de oposição à desva lorização referido anteriormente : —
nas estrangeiras - como seria o caso l
quando pagamos um preço mais elevado
cadonas brasileiras por menos mercado-
dendo°"^T° ~ realmente permais trabalho brasileiro- em troca de menos trabalho dos demais povos".
ainda por cima, que isso é que deve ser, que e bom negócio...) Nes sa questão, além disso., há a interrogação de saber como agirão as demais nações diante de uma desvalorização cambial' do cruzeiro; Os que argumentam a favor da
desvalorização de nossa moeda nos mer cados internacionais se esquecem ou fin
pelo produto estrangeiro
—
vale dizer,
pelo trabalho alheio — estamos deprecian
do o "nosso trabalho", isto é, a fonte de
nossa produção, que é remunerada na ba se da "nossa moeda". Se exportarmos mais produtos brasileiros (mais traballio
brasileiro) por menos dólares, por outro lado, importamos menos produtos estran geiros por mais cruzeiros... (E dizem
que é um "bom negócio"!..) (2).
A parcela de
gem ignomr que a era do liberalismo eco-
moeda trocada
nomico ,a esta ultrapassada, que os paí ses hoje em dia regulam seu comércio ex-
comparação com o volume de nosso co
terior (como nós o fazemos) c têm as respectivas moedas fixadas em valores ar bitrários (tal e qual como nós) A eco
no mercado negro, cm
mércio internacional,
é ridícula.
Ora,
ninguém de bom-senso poderia adotar co mo base do câmbio brasileiro, cm relação
ao dólar, a cotação
do mercado livre,
mais de 99 % das transações cam nomia é um processo "orgânico", cujos re-' quando biais se fazem pela taxa oficial. As co flexos e reações são parcialmente determi
nados pela vontade dos homens, coletiva mente.
3.° — O argumento é certamente váli do. Mas, se desejamos criar uma "barrei
rações do mercado livre de moedas são
determinadas
pelas maiores procuras ou
ofertas ocasionais, segundo o afluxo de turistas de uma ou outra nação. De mo
ra" às importações de artigos supérfluos
do que seria insensato seguir essa tabela de flutuações, que, às vezes, chegam a
ou de Juxo, deveríamos antes de mais na-
mais de 10 % de um dia para outro, con
25
forme as circunstâncias. . . Por ocasião do
mio" que a desvalorização daria aos pro
campeonato mundial de futebol, o cru zeiro teve sua cotação melhorada de 15 Çc ã vista da grande procura de turistas que vieram ao Brasil. . . Cotar a nossa moeda,
dutores nacionais, em detrimento da pró pria economia brasileira, como já vimos e como ainda será acentuado sob outros as
pectos não mencionados nos argumentos
base fundamental dc nossa economia, ao
dos que pretendem modificar a'paridade
sabor das flutuações do mercado negro de câmbio, seria uma perfeita insânia. (3). 5." — A afirmação de que, atualmente, a mudança de taxa do cruzeiro não aferava o valor em dólar do café, pode pre
cambial de nossa moeda. (4) contrário do que se afirma, o custo da vida seria grandemente afeta do logo apos a modificação da taxa dc
valecer, sem dúvida. Mas, a história da economia cafeeira demonstra cabalmente
que a baixa do câmbio brasileiro é sem pre seguida (outras condições mantidas) da baixa da cotação do café em dólares.
Supondo, entretanto, que na atua! con
juntura a cotação do café em Nova York seja mantida, verificaremos uma extraor
câmbio. Não só pelo reflexo dos preços das mercadorias de exportação (café em especial), como também pela inclusão de novos artigos exportáveis (tecidos açú car, madeiras etc.) à taxa desvalorizada cujos preços seriam elevados no mercado interno. Se se argumenta a favor da de preciação cambial justamente para favo recer a exportação de certos produtos na
cionais que não podem concorrer presen
dinária elevação de seus preços no merca do interno. Em teoria, eles duplicariam. Ora, se isso acontecesse, teríamos uma
temente no campo internacional
verdadeira convulsão no mercado interno
provoque uma elevação dos preços inter
dc trabalho, pois os agricultores de café poderiam elevar desmedidamente os sa lários agrícolas, desviando braços de ou tras lavouras para a cafeicultura. Tal mo vimento ocasionaria fatalmente uma alta
geral dos preços
— O argumento "mercado negro"
só tem valor psicológico.
Econômico
internos dos produtos
agrícolas, com reflexos certos nos preços dos artigos industriais e... alta do custo da vida. Ora, uma nova c acentuada al ta do custo da vida no Brasil corresponde realmente a uma nova desvalorização do cruzeiro no mercado interno, o que, por
•É /
•
-
«
• •
ç-r;.. Id,
ilogico nao admitir que essa exportação nos desses artigos. Por conseguinte a
elevação do custo da vida se daria pela açao conjugada de três fatores; —
mento dos preços dos artigos de importa çao, muitos dos quais essenciais à noss-i
economia: pela alta dos salários internos-
c pelo aumento dos preços dos aTtigos que ja exportamos ou que viremos a *
Mas, há outros aspectos, proposital ou
sua vez, e para sermos coerentes e lógi inconscientemente esquecidos como pas cos, deveria provocar nova desvalorização' saremos a observar Há • ? mn caso cio movimento ■ mo de 'Importantíssi da taxa cambial. .. "Ec si cette chanson capitais e de seus rendimentos de vous embête, nous allons Ia recommencef. .." Na verdade, se os preços do ca- '
ç- L
fé sofreram no ano próximo uma redu
ríamos afirmar, depois de realizada a alta
cruzei depreciaçãoprevaleceriam cambial do cruzeiro, duas condições sem duvida a influenciar esse movimento : l.ii — os capitais estrangeiros aqui aplicados — inclusive os empréstimos ex
dos salários agrícolas, com forçosos refle xos nos salários industriais. Eis o "prê
(em moeda estrangeira), ou ficariam com
ção, ela poderá ser suportada pelos pro dutores nacionais.
O mesmo não pode
Pims para outro,
ternos — teriam um rendimento menor
DIGESTO ECONÓMIC»
26
um serviço de juros e amortização insu
portável (em cruzeiros) . Cumpre lem brar aqui o que tem acontecido aos gover
nos brasileiros,
bem como às empresas
particulares (por exemplo, o caso da Com
panhia Mojiana)
em conseqüência das
contínuas desvalorizações monetárias so
fridas no decorrer dos anos passados; 2.''* — os novos capitais
que não temessem
emigrar para o Brasil viriam adquirir aqui, a preço de pechincha, propriedades brasileiras, fazendas, fábricas etc. Em am
bos os casos, a economia nacional seria profundamente prejudicada. Êsse as pecto do problema ainda pode ser exami
nado a luz da desigualdade a que fica submetido o capitalista brasileiro, ao ter roaquinismos por uma quan-
duzidos, inclusive os salários, que são a fonte propulsora das inflações, em fase di nâmica. Ora, uma depreciação do cru zeiro em relação ao dólar americano, em hora crucial como esta, viria acelerar a in flação monetária, ao invés de refreá-la. .. Os sintomas do novo surto inflacionário
são bem evidentes já. e se pretendemos opor-llie algum obstáculo deveremo.s- agir imediatamente.
Mas.
se,
ao contrário,
desejamos colaborar na sua obra de des truição econômica, então desvalorizemos o
cruzeiro em relação ao dólar. . . Vende remos o trabalho brasileiro a preços ín fimos nos mercados internacionais, e vol
taremos, dentro de pouco tempo, às emo cionantes espirais de preços, com conse
DlGHSTO
ECONÔMICO
em 1912, a taxa do dólar deveria ser re duzida de CrS 18.50 a CrS 11,90 — altera
que estéve na Argentina (julho de 1950)
ção que ninguém aconselhará, mas que
rir dólares a CrS 22.00 no mercado livre de lá. Essa anomalia serve para mos trar que o mercado de câmbio livre não
mosira o equi .^oco das sugestões no sen tido oposto". (2) — A C( mpensação no comércio exterior brasileiro veio mostrar ao vivo
o
que acontace com
a
desvalorização
cambial da moeda. Cada vez que um exportador brasileiro adquire aqui ma cionais por um valor cambial menor, critd rcclrr.c .to quebrando o padrão es tabelecido, i)ara pagar a mercadoria es trangeira p.)!- mais cruzeiros, cu, se quiserem, para receber pela mercado ria brasileiia menos unidades monetá
rias do que seria recebido pela taxa de câmbio ofichl,
Uma parte considerável
da exportação brasileira para países de moedas fraca.; (bloco esterlino) está sen
do feita nessa base de compensação, me diante a expoi tação "barata" de produ tos "caros", COMO tecidos, arroz, madei
ra etc.
Na verdade, porém_. o que esta-
qüentes reajustamentos de salários. . . Tu
mds fazendo 6 un;a transaçao desfavorá
do como em 1943 e anos seguintes.
vel, uma troca de produtos, dando ao outro uma "verta", ci-mo diz o caipirp.
aqui viesse com dólares no bolso.
Sinceramente, não acredito .que seja es se o desejo daqueles que defendem a que
*
❖
*
A atual conjuntura mundial (e espe cialmente brasileira) é de novo surto Z
flacionano. Creio que devemos tudo fasas condições monetárias, agora, como nos anos da ultima guerra, inclinadas às emis^er para contrariar essa tendência de nos
bra do padrão monetário brasileiro. ■ fl) — Como é sabido, cada moeda va
ie sòmente em função do que ela pode adquirir no próprio país. Essa afirma ção é um dos mais fortes argumentos da corrente que pleiteia a quebra do atual padrão cambial. No caso do Brasil, co mo veremos mais adiante, seu comércio
exterior é principalmente
fundado na
exportação de café, mercadoria que va
necessidades do Banco
le, para os americanos, o suficiente pa
jLr ^^"isição cambiais em dólares, eu,os' saldos vêm denum crescendo
cada saca. ou sejam USS 62.50. O ame
impressionante), ou para cobrir os "de-
fic.ts do orçamento, cuja previsão ofi cial anda acima de 5 biiiões de cruzeiros. Em tal emergência, é dever de todos nos colaborar com o Govêrno da União no sentido de refrear tanto quanto possí vel a tendência a novo ciclo de inflação cuja força já é sensível em todos os meios! Para colaborar efetivamente para um tão
patriótico objetivo — que visa precipua-
ra que ôles a adquiram por Cr$ 1.250.00 ricano "sente" o valor do cruzeiro em função das mercadorias brasileiras que o próprio cruzeiro compra. "Mutatis mulandis" se verifica cm relação ao dó lar, como o sente o brasileiro, isto é. tendo em vista o que o dólar pode ad quirir
nos Estados Unidos.
Ora. sendo
assim, 6 dificílimo, se não impossível, querer estabelecer uma "paridade" real
entre moedas que são referidas a pon tos diversos, ou melhor, a diferentes estalões.
Já estava sendo impresso êste artigo quando a
CONJUNTURA
ECONÔMICA,
de setembro último, publicou um traba lho
intitulado "RENDIMENTO
DO
CA
mente defender a economia brasileira de males irreparáveis — cada qual deve agir
PITAL E DEPRECIAÇÃO DA MOEDA",
para que os preços sejam mantidos ou re-«
tuir, por exemplo, a paridade do poder
que assim conclui: —- "A fim de resiide compra das
duos
moedas
existente
e argumento.
A circunstância de haver
J^irn de H °^<^rtas de na dólares e grande pro cura cruzeu-os Argentina provocou
essa^ cotaçao favorável à moed^a bíasU
deira o a vende nos mercados interna
to com o capitalista estrangeiro que para
idade dupla de cruzeiros... em confron
s"»"P»eso, que poderia adqui
(3) — Há pouco tempo um
bras'!eiro
espalhafatoso do benadoi Gillette provocou forte reanSr,
cou demonstrado que o no^o
obstante a taxa cambial
'í
menlo de preço maior (êm moeí^^am"" ricana) do que a maior ?aiS dos íí tados Unidos. Eis umraf^VmLf 'essante. porque ela vem demSn^rf,•lue:- l.o) não estamos cobrando gos de alimentação produzido»!
masiadamente pelo nosso princiOAi
duto, em dólares ;
2.0) a taxn
atual é bem indicada. considerSído que o preço do café em cruzeiros ?emn
nera bem os produtores e que o cSé I o principal produto de exportação os Estados Unidos.
Para
DIGESTO ECONÓMIC»
26
um serviço de juros e amortização insu
portável (em cruzeiros) . Cumpre lem brar aqui o que tem acontecido aos gover
nos brasileiros,
bem como às empresas
particulares (por exemplo, o caso da Com
panhia Mojiana)
em conseqüência das
contínuas desvalorizações monetárias so
fridas no decorrer dos anos passados; 2.''* — os novos capitais
que não temessem
emigrar para o Brasil viriam adquirir aqui, a preço de pechincha, propriedades brasileiras, fazendas, fábricas etc. Em am
bos os casos, a economia nacional seria profundamente prejudicada. Êsse as pecto do problema ainda pode ser exami
nado a luz da desigualdade a que fica submetido o capitalista brasileiro, ao ter roaquinismos por uma quan-
duzidos, inclusive os salários, que são a fonte propulsora das inflações, em fase di nâmica. Ora, uma depreciação do cru zeiro em relação ao dólar americano, em hora crucial como esta, viria acelerar a in flação monetária, ao invés de refreá-la. .. Os sintomas do novo surto inflacionário
são bem evidentes já. e se pretendemos opor-llie algum obstáculo deveremo.s- agir imediatamente.
Mas.
se,
ao contrário,
desejamos colaborar na sua obra de des truição econômica, então desvalorizemos o
cruzeiro em relação ao dólar. . . Vende remos o trabalho brasileiro a preços ín fimos nos mercados internacionais, e vol
taremos, dentro de pouco tempo, às emo cionantes espirais de preços, com conse
DlGHSTO
ECONÔMICO
em 1912, a taxa do dólar deveria ser re duzida de CrS 18.50 a CrS 11,90 — altera
que estéve na Argentina (julho de 1950)
ção que ninguém aconselhará, mas que
rir dólares a CrS 22.00 no mercado livre de lá. Essa anomalia serve para mos trar que o mercado de câmbio livre não
mosira o equi .^oco das sugestões no sen tido oposto". (2) — A C( mpensação no comércio exterior brasileiro veio mostrar ao vivo
o
que acontace com
a
desvalorização
cambial da moeda. Cada vez que um exportador brasileiro adquire aqui ma cionais por um valor cambial menor, critd rcclrr.c .to quebrando o padrão es tabelecido, i)ara pagar a mercadoria es trangeira p.)!- mais cruzeiros, cu, se quiserem, para receber pela mercado ria brasileiia menos unidades monetá
rias do que seria recebido pela taxa de câmbio ofichl,
Uma parte considerável
da exportação brasileira para países de moedas fraca.; (bloco esterlino) está sen
do feita nessa base de compensação, me diante a expoi tação "barata" de produ tos "caros", COMO tecidos, arroz, madei
ra etc.
Na verdade, porém_. o que esta-
qüentes reajustamentos de salários. . . Tu
mds fazendo 6 un;a transaçao desfavorá
do como em 1943 e anos seguintes.
vel, uma troca de produtos, dando ao outro uma "verta", ci-mo diz o caipirp.
aqui viesse com dólares no bolso.
Sinceramente, não acredito .que seja es se o desejo daqueles que defendem a que
*
❖
*
A atual conjuntura mundial (e espe cialmente brasileira) é de novo surto Z
flacionano. Creio que devemos tudo fasas condições monetárias, agora, como nos anos da ultima guerra, inclinadas às emis^er para contrariar essa tendência de nos
bra do padrão monetário brasileiro. ■ fl) — Como é sabido, cada moeda va
ie sòmente em função do que ela pode adquirir no próprio país. Essa afirma ção é um dos mais fortes argumentos da corrente que pleiteia a quebra do atual padrão cambial. No caso do Brasil, co mo veremos mais adiante, seu comércio
exterior é principalmente
fundado na
exportação de café, mercadoria que va
necessidades do Banco
le, para os americanos, o suficiente pa
jLr ^^"isição cambiais em dólares, eu,os' saldos vêm denum crescendo
cada saca. ou sejam USS 62.50. O ame
impressionante), ou para cobrir os "de-
fic.ts do orçamento, cuja previsão ofi cial anda acima de 5 biiiões de cruzeiros. Em tal emergência, é dever de todos nos colaborar com o Govêrno da União no sentido de refrear tanto quanto possí vel a tendência a novo ciclo de inflação cuja força já é sensível em todos os meios! Para colaborar efetivamente para um tão
patriótico objetivo — que visa precipua-
ra que ôles a adquiram por Cr$ 1.250.00 ricano "sente" o valor do cruzeiro em função das mercadorias brasileiras que o próprio cruzeiro compra. "Mutatis mulandis" se verifica cm relação ao dó lar, como o sente o brasileiro, isto é. tendo em vista o que o dólar pode ad quirir
nos Estados Unidos.
Ora. sendo
assim, 6 dificílimo, se não impossível, querer estabelecer uma "paridade" real
entre moedas que são referidas a pon tos diversos, ou melhor, a diferentes estalões.
Já estava sendo impresso êste artigo quando a
CONJUNTURA
ECONÔMICA,
de setembro último, publicou um traba lho
intitulado "RENDIMENTO
DO
CA
mente defender a economia brasileira de males irreparáveis — cada qual deve agir
PITAL E DEPRECIAÇÃO DA MOEDA",
para que os preços sejam mantidos ou re-«
tuir, por exemplo, a paridade do poder
que assim conclui: —- "A fim de resiide compra das
duos
moedas
existente
e argumento.
A circunstância de haver
J^irn de H °^<^rtas de na dólares e grande pro cura cruzeu-os Argentina provocou
essa^ cotaçao favorável à moed^a bíasU
deira o a vende nos mercados interna
to com o capitalista estrangeiro que para
idade dupla de cruzeiros... em confron
s"»"P»eso, que poderia adqui
(3) — Há pouco tempo um
bras'!eiro
espalhafatoso do benadoi Gillette provocou forte reanSr,
cou demonstrado que o no^o
obstante a taxa cambial
'í
menlo de preço maior (êm moeí^^am"" ricana) do que a maior ?aiS dos íí tados Unidos. Eis umraf^VmLf 'essante. porque ela vem demSn^rf,•lue:- l.o) não estamos cobrando gos de alimentação produzido»!
masiadamente pelo nosso princiOAi
duto, em dólares ;
2.0) a taxn
atual é bem indicada. considerSído que o preço do café em cruzeiros ?emn
nera bem os produtores e que o cSé I o principal produto de exportação os Estados Unidos.
Para
DIGPSTO r-rONÓMir.O 'f-f
a proibir, por decreto, o emprego contí
a 1 de dezembro de 1949 e 31 de março
Escassez de ddiares
nuo dos contratos D e S, porque tais con tratos constituem uma restrição exagera
de 1950, especialmente para uso da Sub comissão;
Dorival Thixí-jra Vihira
da ao comércio de café e tendem a criar dificuldades não razoáveis ;
dutores de café que criem departamentos
teresse do consumidor; aceitou que a Bol
3. — que seja recomendado à Bôlsa de Café e Açúcar de Nova York que ponha
armazenamentos de café disponíveis, tan
sa de Café e Açúcar de Nova York tem
cm vigor, imediatamente, regulamentos
to nos entrepostos como em todo o país,
prevendo para os futuros contratos a ter
e que avaliem as colheitas, as superfícies plantadas e o número de cafeeiros; 10. que, em consideração às reitera das declarações dos representantes das na ções produtoras de café do hemisfério
Logo após a publicação das conclusões J_ .. do Relatório ^-11. Gillette e as críticas
contra o mesmo dirigidas, noticiou-se que éie deveria sofrer uma revisão de redação e que o seu conteúdo teria motivado o
afastamento do Senador Gillette da Sub comissão de Agricultura do Senado. Es
tando em trabalho de impressão o estudo
sóbrc o "Inquérito Gillette, a Produção e o Comércio de Café", por nós realizado a pedido do Instituto de Economia da As-
. sociai^o Comercial de São Paulo e da Fe. deraçâo do Comércio do Estado de São Paulo chegou ao nosso conhecimento o conteúdo das conclusões a que o novo re-
latono da Comissão de Agricultura do Se nado chegara. Convém notar que. na rÍIdade, nao houve uma revisão apenas mo-
nvada pela reação causada ante a publicl
çao do Relatorio Gillette; o que ocorreu foi uma tramitaçao normal do processo. O Relatório fora aprovado por uma subco
missão e passava às mãos da Comissão correspondente. a qual tinha o direito e o
dever de revc-lo e acrescentar-lhe altera
ções, suprimindo partes ou introduzindo acréscimos. Não houve, portanto, um afastamento do Senador Gillette e sua substituição pelo Senador Allen J Ellen der, e, sim, a passagem natural do relató rio das mãos do presidente da subcomis são para as do presidente da Comissão Não eram, pois, de se esperar grandes mo dificações.
Com efeito, o Relatório Eilender acei
tou o conteúdo do Inquérito Gillette, ape nas amenizando a linguagem em certos Trechos. Continuou a por em relevo a
psônios e oligopólios, em prejuízo do in
desrespeitado regulamentos em vigor e tem
beneficiado com isso a especulação, res ponsável pela grande elevação de preços. Aceitou que. ultimamente, os esjjcculadores estrangeiros muito lucraram. Concor
dou que. no momento, o consumo tende a exceder a produção e acrescentou que os
agricultores dos países fornecedores de café pouco se beneficiaram com a grande
elevação de preços, o que prova o cará ter de especulação indesejável, motivador
da alta.
Reafirmou que o consumidor
norte-americano deve ser defendido e que
deve tornar-se agente ativo dessa defesa. E, por fim, concordou com os termos do
Relatório anterior, de que a procura aca bara caindo ao nível-da oferta, graças a uma atuação eficiente do Govêriio norte-
americano, com a colaboração do próprio consumidor. Por tudo isso, as conclusões
não poderiam sofrer alteração substancial, como de fato não sofreram. Para nos convencermos de tal fato, bas
tará analisar o conteúdo das recomenda ções do atual relatório. Eis suas 14 reco mendações :
1 • — que a Bolsa de Café e Açúcar de
Nova York jibandone o uso dos contratos futuros D e S, substituindo-os pelo con
trato U, de acordo com o qual as entregas de café, se estiverem conforme a qualida
de,desejada. poderão ser feitas por qual quer país produtor ou de qualquer pôcto dc exportação; 2. — que, no caso de a Bolsa-de Café
organização do comércio cafeeiro norteamericano e reafirmou que os preços na
e Açúcar de Nova York não adotar ime
quele mercado são manobrados por oligo-
geral dos Estados Unidos seja autorizado
diatamente esta sugestão, o Procurador-
mo de café, margem de 50 % do valor corrente da mercadoria objeto do con trato ;
4. — que o Congresso elabore rapida mente uma legislação colocando o comér cio de café sob a competência do Commo-
dity Exchange Act; 5. — que o Procurador-geral dos Esta
dos Unidos seja incumbido de examinar
um pedido de inquérito sobre as práticas de venda e armazenamento, em entrepos
tos da Federação Nacional dos Produtores
de Café da Colômbia e de outros países interessados, e que êsse mesmo Procura
dor-geral tome as medidas previstas pela legislação norte-americana contra os trastes; 6. — que a legislação relativa ao im posto sôbre a renda dos Estados Unidos
sofra emendas para taxação dos lucros al cançados pelos interessados estrangeiros nas Bòlsas de Mercadorias dos Estados
Unidos, e isso para conter a especulação indesejável que prevalece atualmente no mercado a termo de café;
7. — que ura representante dos Estados Unidos, familiarizado com as cláusulas das leis anti-trustes, esteja presente a tôdas
as reuniões que realizar, no futuro, a Co missão Especial do Café, do Conselho Econômico
e
Social
Interamericano
ou
qualquer reunião de suas Comissões de que participem os Estados Unidos; 8. — que o Serviço de Recenseamentó dos Estados Unidos» redija relatórios tri
9. — que seja pedido aos países pro que levantem estatísticas exatas sôbre os
ocidental, segundo as quais o consumo do cafe supera agora a produção, os Estados Unidos tomem medidas para melhorar e desenvolver a cultura do café em Pôrto Rico, continue a prestar sua assistência técnica às nações da América Central e do Sul e ofereça tal assistência a outras nações amigas, que desejem desenvolver sua produção cafeeira;
11. — que, levando em conta que a economia de alguns países da América Central e do Sul depende largamente da exportação cafeeira, é ainda muito cedo
para determinar até que ponto o consumo de cafe continuará a declinar de modo permanente, por causa da alta dos preços
e que a diminuição permanente, tal como a que houve durante os 4 primeiros ses deste ano. cedo ou tarde abalark a posição financeira dêsses países. - Lia levada ao conhecimento dessas nações bem como das agencias do Govêrno dos StadS Unidos, em contacto com os pa ses pro
dutores de café. a possibilidade de [ll
ocorrência;
12. — que as fôrças armadas norteamericanas comprem café todos os meses, nestes 6 ou 8 próximos meses, e modifi
e torrado disponíveis nos armazéns, rela
quem as cláusulas dos contratos atuais de Compra, a fim de permitir a entrega de qualquer qualidade igual ou superior ao
tórios esses semelhantes àqueles redigidos
café Santos, tipo 4;
mestrais sôbre a existência de café cru
DIGPSTO r-rONÓMir.O 'f-f
a proibir, por decreto, o emprego contí
a 1 de dezembro de 1949 e 31 de março
Escassez de ddiares
nuo dos contratos D e S, porque tais con tratos constituem uma restrição exagera
de 1950, especialmente para uso da Sub comissão;
Dorival Thixí-jra Vihira
da ao comércio de café e tendem a criar dificuldades não razoáveis ;
dutores de café que criem departamentos
teresse do consumidor; aceitou que a Bol
3. — que seja recomendado à Bôlsa de Café e Açúcar de Nova York que ponha
armazenamentos de café disponíveis, tan
sa de Café e Açúcar de Nova York tem
cm vigor, imediatamente, regulamentos
to nos entrepostos como em todo o país,
prevendo para os futuros contratos a ter
e que avaliem as colheitas, as superfícies plantadas e o número de cafeeiros; 10. que, em consideração às reitera das declarações dos representantes das na ções produtoras de café do hemisfério
Logo após a publicação das conclusões J_ .. do Relatório ^-11. Gillette e as críticas
contra o mesmo dirigidas, noticiou-se que éie deveria sofrer uma revisão de redação e que o seu conteúdo teria motivado o
afastamento do Senador Gillette da Sub comissão de Agricultura do Senado. Es
tando em trabalho de impressão o estudo
sóbrc o "Inquérito Gillette, a Produção e o Comércio de Café", por nós realizado a pedido do Instituto de Economia da As-
. sociai^o Comercial de São Paulo e da Fe. deraçâo do Comércio do Estado de São Paulo chegou ao nosso conhecimento o conteúdo das conclusões a que o novo re-
latono da Comissão de Agricultura do Se nado chegara. Convém notar que. na rÍIdade, nao houve uma revisão apenas mo-
nvada pela reação causada ante a publicl
çao do Relatorio Gillette; o que ocorreu foi uma tramitaçao normal do processo. O Relatório fora aprovado por uma subco
missão e passava às mãos da Comissão correspondente. a qual tinha o direito e o
dever de revc-lo e acrescentar-lhe altera
ções, suprimindo partes ou introduzindo acréscimos. Não houve, portanto, um afastamento do Senador Gillette e sua substituição pelo Senador Allen J Ellen der, e, sim, a passagem natural do relató rio das mãos do presidente da subcomis são para as do presidente da Comissão Não eram, pois, de se esperar grandes mo dificações.
Com efeito, o Relatório Eilender acei
tou o conteúdo do Inquérito Gillette, ape nas amenizando a linguagem em certos Trechos. Continuou a por em relevo a
psônios e oligopólios, em prejuízo do in
desrespeitado regulamentos em vigor e tem
beneficiado com isso a especulação, res ponsável pela grande elevação de preços. Aceitou que. ultimamente, os esjjcculadores estrangeiros muito lucraram. Concor
dou que. no momento, o consumo tende a exceder a produção e acrescentou que os
agricultores dos países fornecedores de café pouco se beneficiaram com a grande
elevação de preços, o que prova o cará ter de especulação indesejável, motivador
da alta.
Reafirmou que o consumidor
norte-americano deve ser defendido e que
deve tornar-se agente ativo dessa defesa. E, por fim, concordou com os termos do
Relatório anterior, de que a procura aca bara caindo ao nível-da oferta, graças a uma atuação eficiente do Govêriio norte-
americano, com a colaboração do próprio consumidor. Por tudo isso, as conclusões
não poderiam sofrer alteração substancial, como de fato não sofreram. Para nos convencermos de tal fato, bas
tará analisar o conteúdo das recomenda ções do atual relatório. Eis suas 14 reco mendações :
1 • — que a Bolsa de Café e Açúcar de
Nova York jibandone o uso dos contratos futuros D e S, substituindo-os pelo con
trato U, de acordo com o qual as entregas de café, se estiverem conforme a qualida
de,desejada. poderão ser feitas por qual quer país produtor ou de qualquer pôcto dc exportação; 2. — que, no caso de a Bolsa-de Café
organização do comércio cafeeiro norteamericano e reafirmou que os preços na
e Açúcar de Nova York não adotar ime
quele mercado são manobrados por oligo-
geral dos Estados Unidos seja autorizado
diatamente esta sugestão, o Procurador-
mo de café, margem de 50 % do valor corrente da mercadoria objeto do con trato ;
4. — que o Congresso elabore rapida mente uma legislação colocando o comér cio de café sob a competência do Commo-
dity Exchange Act; 5. — que o Procurador-geral dos Esta
dos Unidos seja incumbido de examinar
um pedido de inquérito sobre as práticas de venda e armazenamento, em entrepos
tos da Federação Nacional dos Produtores
de Café da Colômbia e de outros países interessados, e que êsse mesmo Procura
dor-geral tome as medidas previstas pela legislação norte-americana contra os trastes; 6. — que a legislação relativa ao im posto sôbre a renda dos Estados Unidos
sofra emendas para taxação dos lucros al cançados pelos interessados estrangeiros nas Bòlsas de Mercadorias dos Estados
Unidos, e isso para conter a especulação indesejável que prevalece atualmente no mercado a termo de café;
7. — que ura representante dos Estados Unidos, familiarizado com as cláusulas das leis anti-trustes, esteja presente a tôdas
as reuniões que realizar, no futuro, a Co missão Especial do Café, do Conselho Econômico
e
Social
Interamericano
ou
qualquer reunião de suas Comissões de que participem os Estados Unidos; 8. — que o Serviço de Recenseamentó dos Estados Unidos» redija relatórios tri
9. — que seja pedido aos países pro que levantem estatísticas exatas sôbre os
ocidental, segundo as quais o consumo do cafe supera agora a produção, os Estados Unidos tomem medidas para melhorar e desenvolver a cultura do café em Pôrto Rico, continue a prestar sua assistência técnica às nações da América Central e do Sul e ofereça tal assistência a outras nações amigas, que desejem desenvolver sua produção cafeeira;
11. — que, levando em conta que a economia de alguns países da América Central e do Sul depende largamente da exportação cafeeira, é ainda muito cedo
para determinar até que ponto o consumo de cafe continuará a declinar de modo permanente, por causa da alta dos preços
e que a diminuição permanente, tal como a que houve durante os 4 primeiros ses deste ano. cedo ou tarde abalark a posição financeira dêsses países. - Lia levada ao conhecimento dessas nações bem como das agencias do Govêrno dos StadS Unidos, em contacto com os pa ses pro
dutores de café. a possibilidade de [ll
ocorrência;
12. — que as fôrças armadas norteamericanas comprem café todos os meses, nestes 6 ou 8 próximos meses, e modifi
e torrado disponíveis nos armazéns, rela
quem as cláusulas dos contratos atuais de Compra, a fim de permitir a entrega de qualquer qualidade igual ou superior ao
tórios esses semelhantes àqueles redigidos
café Santos, tipo 4;
mestrais sôbre a existência de café cru
DlGlLvru
■Vü
L( oNOMh IJ
13. — que o Procurador-geral dos Esia-
continua sendo preocupação do Legislativo
dos Unidos abra um inquérito sóbre os
ianque, pernianetcmlu l> propósito de uma
pormcnorcs
íUís
Gc-orgc V.
Robbins, da divisão Maxwell
t;tjini>ras
ile
taK-
por
Housc, da firma General Foods Corporation, ao Departamento Nacional do Café
do Brasil, durante o ano de 19dK, a fim
de verificar sc as leis íederals foram vio ladas: e
14. — que o consumidor norte-ameri
cano siga as recomendações da American
Home Economic Association sòbre a pre
paração do café e continue na prática
atual de nao desperdiçar, até que os arma zenamentos de café acumulados sejam li
berados pelos países produtores ou che
gue nova produção.
intervenção direta do Gtivcrnu.
A reco
DioHSTo
Econômico
geiro situado em zona produtora de café.
ceira desses países.
fl pedido e em cooperação com o Govêr-
importante, a vosso ver. foi a relativa «o
no do país cm questão.
mendação n. 12 não só conserva a idéia de o Departamento de Defesa Nacional dos Estados Unidos quebrar o poderio
Para esta liltima
medida solicitou verba inicial de 300.000 dólares, a fim de acorrer às despesas de
dos tru.ste.s distribuidores e regularizar u
criação dos necessários serviços iniciais, até junho dc 1951.
mercado mediante compra do café cm base mensal c revenda a torradores e va
Continua o Senado no firme propósito dc controlar a política comercial cios paí
rejistas, como vai mais longe, admitindo que o mesmo provoque a modificação das
ses produtores, o que se torna visível na recomendação n. 7; apenas se substiruiu a expressão "representante do Departa mento de Justiça dos Estados Unidos" por "um representante dos Estados Unidos",
cláusulas dos contratos, atuais de compra.
A idéia do enfraquecimento dos oligopó lios de produção, mediante a prática de se propor ajuda técnica a outras nações amigas que desejem
intensificar a
mas
sua
acresccntando-se
"familiarizado
com
as cláusulas das leis anti-trustes", o que
A única "supressão
rcajustamcnto das moedas dos países ca
feicultores, em relação ao dólar, pois o Departamento de Estado fizera ver ao Se
nado a vulnerabilidade e a inconveniên-
1
ções dos dois relatórios, conforme se pode analisar no quadro.ccmparativo anexo, venfica-se que as emendas foram mais de forma que de fundo, e naquelas onde se pode notar uma alteração substancial "a mesma se fêz no sentido de adoçar arestas permitindo, porém, maior generalização' tornando ate, às vezes, o novo texto obs-
• ' ^ < "•
cia de semelhante proposta. Comparada a redação das recomenda
produção cafeeira, não só permaneceu de
mostra claramente a idéia dc combate à
curo e dando maior liberdade nas interpre
pé como está .sendo acompanhada de ou
atual organização comercial do café.
tras medidas paralelas, do -Legislativo norte-americano. Ê verdade que na re
foi afastada a preocupação de um contròlc
as quais o coméício 1 café f'i
comendação n. 10 acrescentou-se a possi bilidade de assistência técnica às nações
controle esse realizado quer pela exigên
tações futuras e. em conseqüência, nas normas práticas, que daí possam decorrer. Por isso. o segundo relatório se apresenta mais
cafeicultoras da América do Sul, mas afir
cia de 50 % da cobertura do valor das operações, como garantia para os contra
terna e, portanto, à legiskcin . .
mando especificamente o auxílio a Porto
tos futuros, quer pela uniformização dos
A Idéia de se aplicar imediatamente a
ra nas recomendações 4 5 e u
jeito à mesma legislação comedil É verdade que foi suprimida a recoren' daçao segundo a qual se pedia
aos países produtores que dis-
püsessem imediatamente dos cafés em estoque e renunciassem à prá tica de manter reservas fora do mercado. Tal recomendação, po rém, podia perfeitamente desapa recer sem que isso implicasse na im possibilidade da adoção de medidas con ducentes a esse fim. Com efeito, a quin ta recomendação, ao pretender que se realize um inquérito sobre as práticas de venda e armazenamento e que se po nham em execução as medidas previstas a ésse respeito pela legislação anti-truste, conduzirá inevitàvelmente à proibição de se manterem reservas de café fora mercado,
nos
entrepostos
situados
do nos
Estados Unidos.
A regularização du mercado consumidor
rigoroso do movimento de especulação,
Rico e às nações da América Central. O
como
deputado
norte-americano
H.
Não
contratos D c S em um único contrato,
G.
quer ainda pela tributação da renda dos
Burnside apresentou, na mesma ocasião em que o Senado aprovava
operadores alienígenas. O novo relató rio é ainda mais drástico porque na reco
o novo Relatório (23 de agosto
de 1950), um projeto de lei à
mendação n. 2 prevê que o Govêrno dos Estados Unidos proíba o emprego dos con
Camara dos Deputados, que se destinará a estimular a produção
tratos D e S, se a Bôlsa não o fizer espon taneamente. Aliás, a Bolsa de Café e
cafeeira, tanto na América Latina
Açúcar dc Nova York já introduziu o
na
Indonésia
ou
noutros
locais,
danoso para a nossa economia que q pj-j. . meiro, mais hostil sob cerros aspectos, embora possua uma aparência menos áspera è uma forma diplomaticamente mais aceita ' vel. Preferimos, no entanto, a linguagem ema. .a franqueza mele do Relatório , Gilletto, as sutilezas enganadoras do
'
latório Ellender.
.;
Diante da gravidade das possíveis re ' percussões do relatório revisto para a ee •'
nomia brasileira, será lídto indagat-se dos
, seus efeitos sobre a opinião pública e df
t :
contrato U, em adição aos já existentes,
pois o aumento da produção da rubiácea constituirá a única solução para o pro
'
primeiro passo para acatar as futuras exi gências governamentais.
blema da crescente procura mundial de café, e esse objetivo poderia ser também alcançado graças ao fomento da produção
Se o Relatório Ellender não menciona
explicitamente o fato de o Govêrno norteamericano poder negar empréstimos a paí
no Extremo Oriente, com a ajuda dos Es
ses cafeicultores, é verdade, porém, que a
tados Unidos; o representante democrata afirma a necessidade de se autorizar o
Executivo ianque a ejtabelecer estações ex
!i "
menor_ que o resultante da primeira apre- '
sentaçao do relatório sobre o café-Ti ■
ameaça continua implícita na recomenda ção n. 11, uma vez que aconselha o Go
gamos esse ponto de vista demasiado oti- '
vêrno norte-ameiicano a levar ao conhe
Há quem afirme que o Govêrno norteamericano mostrou-se contrário às medidas '
perimentais de investigação de café em qualquer território óu possessão dos Es
cimento das nações cafeicultoras a possibi
tados Unidos, ou em qualquer país estran-
que cedo ou tarde abalaria a posição finan
lidade de uma crise no mercado cafeeiro,
Jl
esperavam e que o
mista.
•
preconizadas pelo relatório. Os que assim
„
pensam apóiam-se principalmenrc na nn- j niii tii
DlGlLvru
■Vü
L( oNOMh IJ
13. — que o Procurador-geral dos Esia-
continua sendo preocupação do Legislativo
dos Unidos abra um inquérito sóbre os
ianque, pernianetcmlu l> propósito de uma
pormcnorcs
íUís
Gc-orgc V.
Robbins, da divisão Maxwell
t;tjini>ras
ile
taK-
por
Housc, da firma General Foods Corporation, ao Departamento Nacional do Café
do Brasil, durante o ano de 19dK, a fim
de verificar sc as leis íederals foram vio ladas: e
14. — que o consumidor norte-ameri
cano siga as recomendações da American
Home Economic Association sòbre a pre
paração do café e continue na prática
atual de nao desperdiçar, até que os arma zenamentos de café acumulados sejam li
berados pelos países produtores ou che
gue nova produção.
intervenção direta do Gtivcrnu.
A reco
DioHSTo
Econômico
geiro situado em zona produtora de café.
ceira desses países.
fl pedido e em cooperação com o Govêr-
importante, a vosso ver. foi a relativa «o
no do país cm questão.
mendação n. 12 não só conserva a idéia de o Departamento de Defesa Nacional dos Estados Unidos quebrar o poderio
Para esta liltima
medida solicitou verba inicial de 300.000 dólares, a fim de acorrer às despesas de
dos tru.ste.s distribuidores e regularizar u
criação dos necessários serviços iniciais, até junho dc 1951.
mercado mediante compra do café cm base mensal c revenda a torradores e va
Continua o Senado no firme propósito dc controlar a política comercial cios paí
rejistas, como vai mais longe, admitindo que o mesmo provoque a modificação das
ses produtores, o que se torna visível na recomendação n. 7; apenas se substiruiu a expressão "representante do Departa mento de Justiça dos Estados Unidos" por "um representante dos Estados Unidos",
cláusulas dos contratos, atuais de compra.
A idéia do enfraquecimento dos oligopó lios de produção, mediante a prática de se propor ajuda técnica a outras nações amigas que desejem
intensificar a
mas
sua
acresccntando-se
"familiarizado
com
as cláusulas das leis anti-trustes", o que
A única "supressão
rcajustamcnto das moedas dos países ca
feicultores, em relação ao dólar, pois o Departamento de Estado fizera ver ao Se
nado a vulnerabilidade e a inconveniên-
1
ções dos dois relatórios, conforme se pode analisar no quadro.ccmparativo anexo, venfica-se que as emendas foram mais de forma que de fundo, e naquelas onde se pode notar uma alteração substancial "a mesma se fêz no sentido de adoçar arestas permitindo, porém, maior generalização' tornando ate, às vezes, o novo texto obs-
• ' ^ < "•
cia de semelhante proposta. Comparada a redação das recomenda
produção cafeeira, não só permaneceu de
mostra claramente a idéia dc combate à
curo e dando maior liberdade nas interpre
pé como está .sendo acompanhada de ou
atual organização comercial do café.
tras medidas paralelas, do -Legislativo norte-americano. Ê verdade que na re
foi afastada a preocupação de um contròlc
as quais o coméício 1 café f'i
comendação n. 10 acrescentou-se a possi bilidade de assistência técnica às nações
controle esse realizado quer pela exigên
tações futuras e. em conseqüência, nas normas práticas, que daí possam decorrer. Por isso. o segundo relatório se apresenta mais
cafeicultoras da América do Sul, mas afir
cia de 50 % da cobertura do valor das operações, como garantia para os contra
terna e, portanto, à legiskcin . .
mando especificamente o auxílio a Porto
tos futuros, quer pela uniformização dos
A Idéia de se aplicar imediatamente a
ra nas recomendações 4 5 e u
jeito à mesma legislação comedil É verdade que foi suprimida a recoren' daçao segundo a qual se pedia
aos países produtores que dis-
püsessem imediatamente dos cafés em estoque e renunciassem à prá tica de manter reservas fora do mercado. Tal recomendação, po rém, podia perfeitamente desapa recer sem que isso implicasse na im possibilidade da adoção de medidas con ducentes a esse fim. Com efeito, a quin ta recomendação, ao pretender que se realize um inquérito sobre as práticas de venda e armazenamento e que se po nham em execução as medidas previstas a ésse respeito pela legislação anti-truste, conduzirá inevitàvelmente à proibição de se manterem reservas de café fora mercado,
nos
entrepostos
situados
do nos
Estados Unidos.
A regularização du mercado consumidor
rigoroso do movimento de especulação,
Rico e às nações da América Central. O
como
deputado
norte-americano
H.
Não
contratos D c S em um único contrato,
G.
quer ainda pela tributação da renda dos
Burnside apresentou, na mesma ocasião em que o Senado aprovava
operadores alienígenas. O novo relató rio é ainda mais drástico porque na reco
o novo Relatório (23 de agosto
de 1950), um projeto de lei à
mendação n. 2 prevê que o Govêrno dos Estados Unidos proíba o emprego dos con
Camara dos Deputados, que se destinará a estimular a produção
tratos D e S, se a Bôlsa não o fizer espon taneamente. Aliás, a Bolsa de Café e
cafeeira, tanto na América Latina
Açúcar dc Nova York já introduziu o
na
Indonésia
ou
noutros
locais,
danoso para a nossa economia que q pj-j. . meiro, mais hostil sob cerros aspectos, embora possua uma aparência menos áspera è uma forma diplomaticamente mais aceita ' vel. Preferimos, no entanto, a linguagem ema. .a franqueza mele do Relatório , Gilletto, as sutilezas enganadoras do
'
latório Ellender.
.;
Diante da gravidade das possíveis re ' percussões do relatório revisto para a ee •'
nomia brasileira, será lídto indagat-se dos
, seus efeitos sobre a opinião pública e df
t :
contrato U, em adição aos já existentes,
pois o aumento da produção da rubiácea constituirá a única solução para o pro
'
primeiro passo para acatar as futuras exi gências governamentais.
blema da crescente procura mundial de café, e esse objetivo poderia ser também alcançado graças ao fomento da produção
Se o Relatório Ellender não menciona
explicitamente o fato de o Govêrno norteamericano poder negar empréstimos a paí
no Extremo Oriente, com a ajuda dos Es
ses cafeicultores, é verdade, porém, que a
tados Unidos; o representante democrata afirma a necessidade de se autorizar o
Executivo ianque a ejtabelecer estações ex
!i "
menor_ que o resultante da primeira apre- '
sentaçao do relatório sobre o café-Ti ■
ameaça continua implícita na recomenda ção n. 11, uma vez que aconselha o Go
gamos esse ponto de vista demasiado oti- '
vêrno norte-ameiicano a levar ao conhe
Há quem afirme que o Govêrno norteamericano mostrou-se contrário às medidas '
perimentais de investigação de café em qualquer território óu possessão dos Es
cimento das nações cafeicultoras a possibi
tados Unidos, ou em qualquer país estran-
que cedo ou tarde abalaria a posição finan
lidade de uma crise no mercado cafeeiro,
Jl
esperavam e que o
mista.
•
preconizadas pelo relatório. Os que assim
„
pensam apóiam-se principalmenrc na nn- j niii tii
DiGESTO
Econômico
DicnsTo Econômico
3.^
I
tícia, veiculada pelos jornais, dc que o De
gerir as alterações ao Relatório Gillctte,
partamento de Estado dos E. U. A. con
em síntese, afirmou apenas: "duvidamos da conveniência de publicar um relatório sobre algo que ocorreu há quase um ano,
denara aquele documento, pela voz do sr. Dean Acheson, Secretário de Estado. Quem, no entanto, examinar com maior
cuidado a declaração distribuída à im prensa, verificará que aquele secretário apenas lamentou o fato de a Comissão de Agricultura do Senado, embora aceitando
algumas das modificações sugeridas, não haver aprovado outras também recomen
dadas pelo Departamento, as quais teriam
dissipado totalmente as dúvidas provoca das pelo relatório, na América Latina, a respeito da política básica dos E. TJ. A O
st. Acheson, porém, acrescentou: "As mo
dificações sugeridas, que não teriam impe-
Ss r ourí
das acu^a-
mercado, refenam-se principalmen te a determinadas partes do relatóno
que não pareciam ter
nada a ver com a questão dos pre ços mas que no entanto, foram
mal interpretadas pelos nossos ami
gos de outros países da América, como hostis aos seus legítimos interesses eco^ Como se vê, a preocupado do Depar tamento de Estado nao era a de testabelecet a verdade sobre a situação da prorr\ir/\c' micos
duçao e do comercio do café, e anular assim, a acusaçao categòticamenee formu
lada pela Comissão Glllette; a revisão proposta por aquele órgão permitiria que se investigassem completamente as acusações
sobre as manobras altistas e se referia a partes que não pareciam ter nada a ver com a questão dos preços. A nossa convic ção mais se fortifica quando lemos as de
clarações do Secretário de Estado Adjun to, sr. Edward Miller Júnior. Êsse repre.senrante do Governo norte-americano que,
centros estatísticos, numa sugestão indi reta dc que as estatísticas expedidas por esses países são falsas; e protestou, por fim. contra o faro de o relatório sugerir
biácea no mercado internacional, muito embora se tenha pronunciado contra o Re latório Giilerte e, posteriormente, conde
quando, desde a data em que compareci
aos Estados Unidos o oferecimento a ou
nado com veemência o Relatório Ellender
perante a Comissão de Agricultura do
tras nações amigas de ajuda técnica para ampliar a produção de café, pois isso re
Senado, em junho último, surgiu um fator completamente novo na situação: a
presentaria uma guerra econômica,
Pa-.
crise coreana e o novo aumento dos pre
rece-nos que o problema foi mal encami
ços . O problema colocado pelo Depar
nhado, pois que os mais importantes as pectos — a gênese do problema, a corresponsabilidade dos Estados Unidos, a re
tamento de Estado é, portanto, o da in
conveniência da divulgação e não a con denação do conteúdo do relatório. E cum
pre observar ainda que o Secretário Adjun to acrescentou:
"Estou certo de que a
Comissão do Senado não teve o propósito de expressar-se de modo inamistoso sõbre os nossos amigos da América Latina, e
confio que o relatório não terá efeito pre judicial para as economias daque les países".
O mais importante, porem, a
ponderar, é que os projetos de lei contendo medidas prejudiciais à economia dos países cafeelros, ins
pirados, segundo tudo faz crer, nas reações provocadas pelos que combatem a atual situação do café nos Estados Unidos e apresentados paralelamente ao relatório,
sao de autoria de deputados democratas. Anunciou-se também que a Comissão Especial do Café do Conselho Econômico e Social Interamericano repudiou o Relató rio Ellender; mas não nos parece que as criticas tivessem sido enérgicas e as mais pertinentes. Aquele organismo protestou contra o fato de se recomendar que o co
mércio do café fique sob a jurisdição da
percussão das medidas propostas sobre as economias nacionais, as conseqüências para o pan-amèricanismo — não foram atacados.
No "que se refere aos nossos represen tantes junto ao Governo norte-americano, a imprensa informou que o nosso embai xador em Washington, st. Maurício Na-
buco, embora tenha reconhecido que se riam necessários muitos anos para repa rar os danos causados pelos dois relató
rios sobre o café às relações entre os Es tados Unidos e América Latina, acrescen tou conformadamente que, apesar disso, "nada mais podemos fazer". O represen tante brasileiro junto à Comissão Especial
feeiros e defensor da posi^o da nossa ru-
para nossa surpresa, discordando de
outros membros da Comissão, chegou a declarar que, pessoalmente, era favorávela proposta de le. Burnside, não acreditan
do que ela pudesse ser transformada em instrumento de guerra econômica. Além disso, mostra-se convicto de que o Dc
partamento de Estado se encontra em opo* siçâo ao Senado e que, por uma questão dc amor-própno, êste se fez surdo às te^
comendações daquele. Não achamos, po rém, que exista de fato uma divergêncii fundamental entre o Legislativo e o Exo cutivo norte-americano, no que se refeie ao problema cafeeiro.
Entre um otimismo que desconhece a realidade e um conformismo que conduz à aceitação passiva de um provável desa-trc, não é possível permanecer indiferente quando chegamos à conclusão de que
afirmações contidas em nosso estudo "O Inquérito Gillettc, a Produção e o Comér
do Café, do Conselho Econômico e Social Interamericano, sr. Teófilo de Andrade,
cio do Café" continuam válidas e
conhecedor profundo dos problemas ca-
persistem.
- os peiU gos. por nos apontados mais- -que nunca
QUADRO COMPARATIVO DAS RECOMENDAÇÕES do Relatório Gillette 1
Que a Bolsa de Café e Açúcar de Nova York
do Relatório Ellender
Observações Que a Bolsa de Café
e Açúcar de Nova York
lei de intercâmbio de artigos de consumo
abandone
dos
abandone o uso dos
e que se ordene uma investigação nos
contratos D e- S pata
contratos futuros D e
negócios de café, porque essa declaração
S, substicuindo-os pelo
o
uso
segundo a própria declaração do sr. Ache son, foi encarregado de acompanhar ps
contra o fato de o Governo norte-ameri
entregas futuras de ca fé e os substitua pelo contrato U, ou tipo universal de contrato, para futuras liberações
trabalhos da Comissão do Senado e su
cano pedir aos países cafeeiros que criem
de café, de qualidade
constitui uma sugestão direta, de que os representantes oficiais dos países produto res estão violando a lei; protestou ainda
"uuca
contrato lU, de , acordo
com o qual as entregas de cafe, se estiverem
de acordo com a qua lidade desejada, pode-
Revisão
de
conservando-se
teúdo.
redação, . o
con-
DiGESTO
Econômico
DicnsTo Econômico
3.^
I
tícia, veiculada pelos jornais, dc que o De
gerir as alterações ao Relatório Gillctte,
partamento de Estado dos E. U. A. con
em síntese, afirmou apenas: "duvidamos da conveniência de publicar um relatório sobre algo que ocorreu há quase um ano,
denara aquele documento, pela voz do sr. Dean Acheson, Secretário de Estado. Quem, no entanto, examinar com maior
cuidado a declaração distribuída à im prensa, verificará que aquele secretário apenas lamentou o fato de a Comissão de Agricultura do Senado, embora aceitando
algumas das modificações sugeridas, não haver aprovado outras também recomen
dadas pelo Departamento, as quais teriam
dissipado totalmente as dúvidas provoca das pelo relatório, na América Latina, a respeito da política básica dos E. TJ. A O
st. Acheson, porém, acrescentou: "As mo
dificações sugeridas, que não teriam impe-
Ss r ourí
das acu^a-
mercado, refenam-se principalmen te a determinadas partes do relatóno
que não pareciam ter
nada a ver com a questão dos pre ços mas que no entanto, foram
mal interpretadas pelos nossos ami
gos de outros países da América, como hostis aos seus legítimos interesses eco^ Como se vê, a preocupado do Depar tamento de Estado nao era a de testabelecet a verdade sobre a situação da prorr\ir/\c' micos
duçao e do comercio do café, e anular assim, a acusaçao categòticamenee formu
lada pela Comissão Glllette; a revisão proposta por aquele órgão permitiria que se investigassem completamente as acusações
sobre as manobras altistas e se referia a partes que não pareciam ter nada a ver com a questão dos preços. A nossa convic ção mais se fortifica quando lemos as de
clarações do Secretário de Estado Adjun to, sr. Edward Miller Júnior. Êsse repre.senrante do Governo norte-americano que,
centros estatísticos, numa sugestão indi reta dc que as estatísticas expedidas por esses países são falsas; e protestou, por fim. contra o faro de o relatório sugerir
biácea no mercado internacional, muito embora se tenha pronunciado contra o Re latório Giilerte e, posteriormente, conde
quando, desde a data em que compareci
aos Estados Unidos o oferecimento a ou
nado com veemência o Relatório Ellender
perante a Comissão de Agricultura do
tras nações amigas de ajuda técnica para ampliar a produção de café, pois isso re
Senado, em junho último, surgiu um fator completamente novo na situação: a
presentaria uma guerra econômica,
Pa-.
crise coreana e o novo aumento dos pre
rece-nos que o problema foi mal encami
ços . O problema colocado pelo Depar
nhado, pois que os mais importantes as pectos — a gênese do problema, a corresponsabilidade dos Estados Unidos, a re
tamento de Estado é, portanto, o da in
conveniência da divulgação e não a con denação do conteúdo do relatório. E cum
pre observar ainda que o Secretário Adjun to acrescentou:
"Estou certo de que a
Comissão do Senado não teve o propósito de expressar-se de modo inamistoso sõbre os nossos amigos da América Latina, e
confio que o relatório não terá efeito pre judicial para as economias daque les países".
O mais importante, porem, a
ponderar, é que os projetos de lei contendo medidas prejudiciais à economia dos países cafeelros, ins
pirados, segundo tudo faz crer, nas reações provocadas pelos que combatem a atual situação do café nos Estados Unidos e apresentados paralelamente ao relatório,
sao de autoria de deputados democratas. Anunciou-se também que a Comissão Especial do Café do Conselho Econômico e Social Interamericano repudiou o Relató rio Ellender; mas não nos parece que as criticas tivessem sido enérgicas e as mais pertinentes. Aquele organismo protestou contra o fato de se recomendar que o co
mércio do café fique sob a jurisdição da
percussão das medidas propostas sobre as economias nacionais, as conseqüências para o pan-amèricanismo — não foram atacados.
No "que se refere aos nossos represen tantes junto ao Governo norte-americano, a imprensa informou que o nosso embai xador em Washington, st. Maurício Na-
buco, embora tenha reconhecido que se riam necessários muitos anos para repa rar os danos causados pelos dois relató
rios sobre o café às relações entre os Es tados Unidos e América Latina, acrescen tou conformadamente que, apesar disso, "nada mais podemos fazer". O represen tante brasileiro junto à Comissão Especial
feeiros e defensor da posi^o da nossa ru-
para nossa surpresa, discordando de
outros membros da Comissão, chegou a declarar que, pessoalmente, era favorávela proposta de le. Burnside, não acreditan
do que ela pudesse ser transformada em instrumento de guerra econômica. Além disso, mostra-se convicto de que o Dc
partamento de Estado se encontra em opo* siçâo ao Senado e que, por uma questão dc amor-própno, êste se fez surdo às te^
comendações daquele. Não achamos, po rém, que exista de fato uma divergêncii fundamental entre o Legislativo e o Exo cutivo norte-americano, no que se refeie ao problema cafeeiro.
Entre um otimismo que desconhece a realidade e um conformismo que conduz à aceitação passiva de um provável desa-trc, não é possível permanecer indiferente quando chegamos à conclusão de que
afirmações contidas em nosso estudo "O Inquérito Gillettc, a Produção e o Comér
do Café, do Conselho Econômico e Social Interamericano, sr. Teófilo de Andrade,
cio do Café" continuam válidas e
conhecedor profundo dos problemas ca-
persistem.
- os peiU gos. por nos apontados mais- -que nunca
QUADRO COMPARATIVO DAS RECOMENDAÇÕES do Relatório Gillette 1
Que a Bolsa de Café e Açúcar de Nova York
do Relatório Ellender
Observações Que a Bolsa de Café
e Açúcar de Nova York
lei de intercâmbio de artigos de consumo
abandone
dos
abandone o uso dos
e que se ordene uma investigação nos
contratos D e- S pata
contratos futuros D e
negócios de café, porque essa declaração
S, substicuindo-os pelo
o
uso
segundo a própria declaração do sr. Ache son, foi encarregado de acompanhar ps
contra o fato de o Governo norte-ameri
entregas futuras de ca fé e os substitua pelo contrato U, ou tipo universal de contrato, para futuras liberações
trabalhos da Comissão do Senado e su
cano pedir aos países cafeeiros que criem
de café, de qualidade
constitui uma sugestão direta, de que os representantes oficiais dos países produto res estão violando a lei; protestou ainda
"uuca
contrato lU, de , acordo
com o qual as entregas de cafe, se estiverem
de acordo com a qua lidade desejada, pode-
Revisão
de
conservando-se
teúdo.
redação, . o
con-
DfGBSTO ECONÔMICO
34 do Relaíórto Ellonder
do ReUttórú) GiUette uniforme desejável, que
possa incluir café de
qualquer país produtor ou de qualquer porto
do
Obsertações
Económ ico
Relatório
râo ser feitas por qual quer país produtor ou
provir de qualquer porto de exportação.
do Relatório EUettder
repre
sentante nos H. U. A.,
to sôbre as práticas de venda e armazenamen to em entrepostos da
sentante
2. Pela revisão, transfor
que
detenha
Federação Nacional dos
café pertencente à Fe deração ou sob seu controle, que disponha
Plantadores de Café da
sa de Café e Açúcar de
sa de Café e Açúcar
mou-se a recomendação
Nova York não exe
de tais estoques ime
dc Nova York não adotar imediatamente
em proibição categóri ca; além disso, qualifi
diatamente e, no futu
esta sugestão, o Pro
ca-se de exagerada a
prática de reter esto--
curador-geral dos E. U. A. seja autorizado a
restrição c se substitui
^lues de café fora do
a palavra "contrôlc.s"
mercado e em
proibir, por decreto, o
por "dificuldades", dan
ijéns nos E. U. A.
emprego contínuo dos
do-lhe
contratos D e S, por
tude.-
cutar
prontamente
es
ta sugestão, possa o Procurador-geral dos E. U. A. tomar medi
das contra o uso con
tinuado dos contratos e S atuais, devido aos mesmos restringi rem o comércio do ca
fé e ^tenderem a criar controles desarrazoados.
3. Que a Bôlsa de Café e Açúcar de Nova York seja intimada a exe cutar imediatamente o que preceitua o seu re
gulamento, no que se refere à exigência do depósito de 50 % do valor das transações so bre contratos futuros de café, para margem de gartintin.
não
continue
na
le prontamente de ma neira a colocar o co
mércio do café sob o "Commodity Exchange Act".
norte-americana
os
contra
trustes.
b. Que o café existente
6. Que a
legislação do
6. Recomendação
supri-
em estoque nos arma
impôsto sôbre a renda,
mida; mas implicita
zéns, nos E. U. A., por interessados estrangei
nos
mente conservada.
emendas para taxado
e tendem a criar difi
ros ou em consignação
dos
culdades desarrazoadas.
de proprietários estran
pelos
que
estes
constituem
uma restrição exagera
da ao comércio do café
-3 • Que seja recomendado a Bôlsa de Café e Açú car de Nova York que ponha em vigor, ime diatamente, regulamen
3. Revisão
de
redação,
sem prejuízo do con
da
trangeiros, nas Bolsas
de Mercadorias dos E. U. A., isto para con ter a especulação "in
culação comerciai.
desejável" que prevale cado a têrmo de café.
^ • Que, se a Federação Nacional dos Plantado res de Café da Colôm-
mercadoria
bore rapidamente uma
bio ou outros interes dispuserem cios seus es
4. Pràficamente inalterada.
ríodo - razoável,
competência do "Com
cumbido de examinar,
nos
E. U.
A., dentro de um pe
comercio de café sob a
Plantadores de Café da
toques de café cru, ar mazenados
legislação colocando o
de
auferidos
interessado* es
ce atualmente no mer
objetn clc contrato.
4 • Que o Congresso ela
lucros
geiros, seja imediata-
teúdo.
futuros contratos a têrmo de café, margem de 50 % do valor cor rente
E. U. A., sofra
niente devolvido à cir
tos prevendo para- os
5. Que o Procurador-geral dos E. U. A. seja in
Nacional
países interessados e que tome as medidas previstas pela legislação
ampli
tal
modity Exchange Act".
5. Que se solicite à Fe
Colômbia e de outros
arma-
sados estrangeiros não
4. Que o Congresso legis
deração
maior
ro,
Observações
um pedido de inquéri
sr. Andrcs Uribe, ou
qualquer outro repre
barcado.
2. Que, no caso de a Bôl
GUlettb
Colômbia, seu
em que possa ser em
Que, no caso de a Bol
DIG Esro
fato
7. Que um representante dos E. U. A., familiari zado com as cláusulas cias lei.s anti-trustes, es teja presente a todas as
reuniões que realizar, no futuro, a Comissão Especial do Café do Conselho Econômico e
seja
Social Interamericano.
considerado
ou qualquer reunião de
como um esforço pa
suas comissões, de que participem os E. U. A,
mida; conservada im
ra romper a tendên cia normal da oferta e
plicitamente, porém.
da procura de c.£ifé cru
5. Recomendação
supri
7. Recomendação mais Ia conica; contém, no en
fanto, as duas anterio «3
ainda a parte
primlda da recomenda yo n. 7. pois as me didas contra os ttus
tes implicara na proi bição de serem retidos estoques fora do mer
cado, para manipula ção de preços.
....
DfGBSTO ECONÔMICO
34 do Relaíórto Ellonder
do ReUttórú) GiUette uniforme desejável, que
possa incluir café de
qualquer país produtor ou de qualquer porto
do
Obsertações
Económ ico
Relatório
râo ser feitas por qual quer país produtor ou
provir de qualquer porto de exportação.
do Relatório EUettder
repre
sentante nos H. U. A.,
to sôbre as práticas de venda e armazenamen to em entrepostos da
sentante
2. Pela revisão, transfor
que
detenha
Federação Nacional dos
café pertencente à Fe deração ou sob seu controle, que disponha
Plantadores de Café da
sa de Café e Açúcar de
sa de Café e Açúcar
mou-se a recomendação
Nova York não exe
de tais estoques ime
dc Nova York não adotar imediatamente
em proibição categóri ca; além disso, qualifi
diatamente e, no futu
esta sugestão, o Pro
ca-se de exagerada a
prática de reter esto--
curador-geral dos E. U. A. seja autorizado a
restrição c se substitui
^lues de café fora do
a palavra "contrôlc.s"
mercado e em
proibir, por decreto, o
por "dificuldades", dan
ijéns nos E. U. A.
emprego contínuo dos
do-lhe
contratos D e S, por
tude.-
cutar
prontamente
es
ta sugestão, possa o Procurador-geral dos E. U. A. tomar medi
das contra o uso con
tinuado dos contratos e S atuais, devido aos mesmos restringi rem o comércio do ca
fé e ^tenderem a criar controles desarrazoados.
3. Que a Bôlsa de Café e Açúcar de Nova York seja intimada a exe cutar imediatamente o que preceitua o seu re
gulamento, no que se refere à exigência do depósito de 50 % do valor das transações so bre contratos futuros de café, para margem de gartintin.
não
continue
na
le prontamente de ma neira a colocar o co
mércio do café sob o "Commodity Exchange Act".
norte-americana
os
contra
trustes.
b. Que o café existente
6. Que a
legislação do
6. Recomendação
supri-
em estoque nos arma
impôsto sôbre a renda,
mida; mas implicita
zéns, nos E. U. A., por interessados estrangei
nos
mente conservada.
emendas para taxado
e tendem a criar difi
ros ou em consignação
dos
culdades desarrazoadas.
de proprietários estran
pelos
que
estes
constituem
uma restrição exagera
da ao comércio do café
-3 • Que seja recomendado a Bôlsa de Café e Açú car de Nova York que ponha em vigor, ime diatamente, regulamen
3. Revisão
de
redação,
sem prejuízo do con
da
trangeiros, nas Bolsas
de Mercadorias dos E. U. A., isto para con ter a especulação "in
culação comerciai.
desejável" que prevale cado a têrmo de café.
^ • Que, se a Federação Nacional dos Plantado res de Café da Colôm-
mercadoria
bore rapidamente uma
bio ou outros interes dispuserem cios seus es
4. Pràficamente inalterada.
ríodo - razoável,
competência do "Com
cumbido de examinar,
nos
E. U.
A., dentro de um pe
comercio de café sob a
Plantadores de Café da
toques de café cru, ar mazenados
legislação colocando o
de
auferidos
interessado* es
ce atualmente no mer
objetn clc contrato.
4 • Que o Congresso ela
lucros
geiros, seja imediata-
teúdo.
futuros contratos a têrmo de café, margem de 50 % do valor cor rente
E. U. A., sofra
niente devolvido à cir
tos prevendo para- os
5. Que o Procurador-geral dos E. U. A. seja in
Nacional
países interessados e que tome as medidas previstas pela legislação
ampli
tal
modity Exchange Act".
5. Que se solicite à Fe
Colômbia e de outros
arma-
sados estrangeiros não
4. Que o Congresso legis
deração
maior
ro,
Observações
um pedido de inquéri
sr. Andrcs Uribe, ou
qualquer outro repre
barcado.
2. Que, no caso de a Bôl
GUlettb
Colômbia, seu
em que possa ser em
Que, no caso de a Bol
DIG Esro
fato
7. Que um representante dos E. U. A., familiari zado com as cláusulas cias lei.s anti-trustes, es teja presente a todas as
reuniões que realizar, no futuro, a Comissão Especial do Café do Conselho Econômico e
seja
Social Interamericano.
considerado
ou qualquer reunião de
como um esforço pa
suas comissões, de que participem os E. U. A,
mida; conservada im
ra romper a tendên cia normal da oferta e
plicitamente, porém.
da procura de c.£ifé cru
5. Recomendação
supri
7. Recomendação mais Ia conica; contém, no en
fanto, as duas anterio «3
ainda a parte
primlda da recomenda yo n. 7. pois as me didas contra os ttus
tes implicara na proi bição de serem retidos estoques fora do mer
cado, para manipula ção de preços.
....
DicinííTO l"rf)Nó.Miro
36
Observações
do Relatório EUender
do Relatório Gilhtlc
DionsTo Económjco do Relatório
ti do Relatório lUlviider
Cillellc
Observações
e que o Pcocucador-ge-
COS aos preparailos em
quais o consumo do c.t-
ral dos E. U. A. seja
fe agora supera a pro
autorizado a colocá-los
1/12/1949 e 31/3/ 1950, especialmente pa
sob a competência da lei anti-truste, compe-
ra a Subcomissão.
dução, os E. U. A. to
mem medidas para me lhorar e desenvolver a
"lindo-os a vender e im
cultura cafeeira em Porto Rico, continuem
pedindo, que, no fu turo, se formem novos
, a prestar assistência téc
estoques com idêntica
nica iis nações da Amé
finalidade.
Que a legislação do im
H. Que o Serviço de Re-
rica Central e do Sul. e ofereçam tal assistên
8. Redução ampliada para
posto sobre a renda,
censeamcnto dos E. U..
nos E. U. A., seja alte rada de modo a tribu
A. redija relatórios tri
mente
mestrais sobre a exis
Mercadorias c para de
amigas que desejem desenvolver sua produ
tência de café cru e
nunciar a existência de
ção cafeeira.
torrado disponíveis nos
especulação indesejável
armazéns, semelhantes
no mercado cafeciro.
tar os lucros auferidos por
estrangeiros, em
operações de bolsa ali realizadas.
mencionar as
Bolsas
de
aos redigidos èm 1/12/ 19-19 e 31/3/1950, es pecialmente para uso
9. Que seja pedido aos
pecial do Café do Con
café que criem depar-
quaisquer de suas co
missões, realizadas nos
E. U. A., ou de que es tes participem, esteja presente um represen
tante do Departamento
de Justiça dos E, IJ. A.,
11
países
produtores
de
outras
nações
Que, levando em conta 11 . Recomendação
exportação cafeeira. que é ainda muito cedo pa ra determinar até que
ses a ajustarem as suas taxas oficiais de câm
tante, tornando claro o propósito da interven
bio do cruzeiro e do
ponto o consumo do
peso aos certificados de
café continuará a decli
estatísticas exatas sôbre
ção direta, para contro
câmbio
nar de modo perma
os armazenamentos de
lar o comércio de café
real daquelas moedas.
• tamcntos que levantem
café disponível, tanto
e alterar-lhe a estrutu
nos
ra.
entrepostos como
ou
ao
supri-
mida.
guns países da Améri ca Central c do Sul de pende largamente da
Colômbia, de maneira
9. Redação alterada para qualificar o represen
a
que a economia de al
suas vias diplomáticas, ofereça assistência aos
a auxiliar aqueles paí
9. Que nas futuras reu niões da Comissão Es
cial Interamericano, ou
. Que i>.s E. U. A., por
governos do Brasil c da
da Subcomissão.
selho Econômico e So
cia
explicita
valor
nente,
por
causa
da
alta dos preços, e que a
redução
permanen
te, tal como a que houve durante os qua
em todo o país, e que avaliam as colheitas, as
tro primeiros meses deste ano, cedo ou tar
superfícies plantadas e o número de cafeeiros.
especialmente designa do pelo Procurador-ge
de abalaria sua posição financeira, seja tal fato levado ao conheci
ral.
mento dessas nações íh ]0. Que o Serviço de Recenseamento dos E. U. A.
bem como das agências
do Govêtno dos E. U.
organize relatórios tri
dos representantes das
A., em contacto cora
mestrais sobre os esto
nações produtoras de
os países cafeicultorcs.
ques
café do hemisfério oci
disponíveis
de
café e torrado, idênti-
K:'--
10. Que, em consideração 10. Redação conservada. às reiteradas declarações
dental,
segundo
as
12. Que os governos dos 'países produtores de
12
Que as "forças armadas 12. Reda^o alterada para norte-americanas" com-
' " qualificarem — " não se os
DicinííTO l"rf)Nó.Miro
36
Observações
do Relatório EUender
do Relatório Gilhtlc
DionsTo Económjco do Relatório
ti do Relatório lUlviider
Cillellc
Observações
e que o Pcocucador-ge-
COS aos preparailos em
quais o consumo do c.t-
ral dos E. U. A. seja
fe agora supera a pro
autorizado a colocá-los
1/12/1949 e 31/3/ 1950, especialmente pa
sob a competência da lei anti-truste, compe-
ra a Subcomissão.
dução, os E. U. A. to
mem medidas para me lhorar e desenvolver a
"lindo-os a vender e im
cultura cafeeira em Porto Rico, continuem
pedindo, que, no fu turo, se formem novos
, a prestar assistência téc
estoques com idêntica
nica iis nações da Amé
finalidade.
Que a legislação do im
H. Que o Serviço de Re-
rica Central e do Sul. e ofereçam tal assistên
8. Redução ampliada para
posto sobre a renda,
censeamcnto dos E. U..
nos E. U. A., seja alte rada de modo a tribu
A. redija relatórios tri
mente
mestrais sobre a exis
Mercadorias c para de
amigas que desejem desenvolver sua produ
tência de café cru e
nunciar a existência de
ção cafeeira.
torrado disponíveis nos
especulação indesejável
armazéns, semelhantes
no mercado cafeciro.
tar os lucros auferidos por
estrangeiros, em
operações de bolsa ali realizadas.
mencionar as
Bolsas
de
aos redigidos èm 1/12/ 19-19 e 31/3/1950, es pecialmente para uso
9. Que seja pedido aos
pecial do Café do Con
café que criem depar-
quaisquer de suas co
missões, realizadas nos
E. U. A., ou de que es tes participem, esteja presente um represen
tante do Departamento
de Justiça dos E, IJ. A.,
11
países
produtores
de
outras
nações
Que, levando em conta 11 . Recomendação
exportação cafeeira. que é ainda muito cedo pa ra determinar até que
ses a ajustarem as suas taxas oficiais de câm
tante, tornando claro o propósito da interven
bio do cruzeiro e do
ponto o consumo do
peso aos certificados de
café continuará a decli
estatísticas exatas sôbre
ção direta, para contro
câmbio
nar de modo perma
os armazenamentos de
lar o comércio de café
real daquelas moedas.
• tamcntos que levantem
café disponível, tanto
e alterar-lhe a estrutu
nos
ra.
entrepostos como
ou
ao
supri-
mida.
guns países da Améri ca Central c do Sul de pende largamente da
Colômbia, de maneira
9. Redação alterada para qualificar o represen
a
que a economia de al
suas vias diplomáticas, ofereça assistência aos
a auxiliar aqueles paí
9. Que nas futuras reu niões da Comissão Es
cial Interamericano, ou
. Que i>.s E. U. A., por
governos do Brasil c da
da Subcomissão.
selho Econômico e So
cia
explicita
valor
nente,
por
causa
da
alta dos preços, e que a
redução
permanen
te, tal como a que houve durante os qua
em todo o país, e que avaliam as colheitas, as
tro primeiros meses deste ano, cedo ou tar
superfícies plantadas e o número de cafeeiros.
especialmente designa do pelo Procurador-ge
de abalaria sua posição financeira, seja tal fato levado ao conheci
ral.
mento dessas nações íh ]0. Que o Serviço de Recenseamento dos E. U. A.
bem como das agências
do Govêtno dos E. U.
organize relatórios tri
dos representantes das
A., em contacto cora
mestrais sobre os esto
nações produtoras de
os países cafeicultorcs.
ques
café do hemisfério oci
disponíveis
de
café e torrado, idênti-
K:'--
10. Que, em consideração 10. Redação conservada. às reiteradas declarações
dental,
segundo
as
12. Que os governos dos 'países produtores de
12
Que as "forças armadas 12. Reda^o alterada para norte-americanas" com-
' " qualificarem — " não se os
r
DlGP-STÜ
58 do
Relatório
café sejam
Gillette
do
Ohscrvaçõei
do Relatório Elletide:
aconselha
prem café mensalmen
dos d estabelecer orga
te, nestes 6 ou 8 pró
nizações estatísticas efi
ximos meses, e modifi
cientes que possam for
quem as cláusulas dos
departamentos i.le cst.itística. substituindo, poiém, a expressão "cstatísi'Ciis completas" por
necer estatísticas com
contratos
"estatística* exatas".
atuais
de
pletas sôbre os esto ques de café existen
compra,
tes tanto nos armazéns
de qualquer qualida de igual ou superior au café Santos, Tipo 4.
gerais quanto no inte rior, estimativas de sa
fras, áreas cultivadas,
a
permitir
fim
a
DIGESTO
ht tíNÒNtl(.<l
]
econômico
Relatório
fé, SC
presentantes dos prin
cipais países cafeeiros do hemisfério ociden tal de que hoje o con sumo do café excede a produção, os E. U. A
ofereçam assistência téc
ao
cuidadosa
mente quaisquer novos
de
empréstimos a conce der a êsses paíse.s.
entrega
15. Que a Administração da Cooperação Econô
13. Que o Procurador-geral 13 Redação ampliada, pu'
qualquer futuro
para a compra do café.
ra serem incluídos Pôr-
inquérito sôbre os por-
to Rico e nações du
menores das compras
América Centra! e do
de
compre
de café por George V.
Sul que
Robbins,
da
assistência
Maxwell
House,
firma
divisão
já
recebiam
Defesa
Nacional
café
da
que exclui o Brasil,
General Foods
" ximos ó ou 8 meses, e
visto não necessitarmos
que altere suas especi ficações de compra de
ano de 1948, a fim de
mesma.
do Brasil durante o
modo a permitir o for
verificar se as leis fe
ripo igual ou melhor que o Santos i Supe
\A. Que, devido ao fato de 14. Que o consumidor nor- 14 Redação ligeiramente a economia de determi te-americano siga as alterada quanto à for nados países da Amé recomendações da As ma; perigosamente am rica Central e do Sul sociação Americana de pliada, porém, ao se depender estreitamente
n. Que o Procurador-geral
pras de café realizadas
de ainda ser muito cedo para se determi nar até que ponto o consumo do café decli
nará em virtude dos preços atuais e de que
uma queda
contínua,
como a que se verificou nos quatro primeiros meses de 1950, tarde
Doméstica
substituir a expressão
sôbre a preparação do café e continue na prá
"provocará crise nos preços do café" por
tica atual de não des
perdiçar, até que os
"abalaria sua posição financeira". Além dis
armazenamentos de ca
so
fé acumulados sejam li berados pelos produto res
ou
chegue
produção.
nova
nas quanto à forma.
necimento de qualquer
derais foram violadas.
Economia
16. Redação alterada ape-
mensal
mente, durante os pró-
da
técnica,
1 ó. Que o Departamento
o
amigas que desejem expandir sua produção
devido também ao fato
supri
mida.
empréstimo de dólares
dos E. U. A. abra um
Corporation, ao DNC
da exportação cafeeira.
15 . Recomendação
mica SC rccusc a auto
nica a outras nações
cafeeira.
recomende
Govêrno dos E. U. A.
rizar
das declarações dos re
Observações
ou cedo provocará uma crise nos preços do ca
examinar
número de cafeeiros etc. 13. Que diante das reitera
do Relatório EUender
Gillotte
tornou-se
obscura,
rior.
17. Redação conservada-.
dos E. U. A. investigue os
detalhes
pelo
sr.
das
George
com
V.
Robbins, da divisão Maxwell House, da fir ma General Foods Cor
sem deixar de sugerir
poration, junto ao DNC do Brasil, no ano
a possibilidade de res trições de crédito.
terminar se foram vio
de 1948, a fim de de
ladas quaisquer leis fe derais.
Que até que os e.sto
18. Redação conservada; jf.
^
'
r
DlGP-STÜ
58 do
Relatório
café sejam
Gillette
do
Ohscrvaçõei
do Relatório Elletide:
aconselha
prem café mensalmen
dos d estabelecer orga
te, nestes 6 ou 8 pró
nizações estatísticas efi
ximos meses, e modifi
cientes que possam for
quem as cláusulas dos
departamentos i.le cst.itística. substituindo, poiém, a expressão "cstatísi'Ciis completas" por
necer estatísticas com
contratos
"estatística* exatas".
atuais
de
pletas sôbre os esto ques de café existen
compra,
tes tanto nos armazéns
de qualquer qualida de igual ou superior au café Santos, Tipo 4.
gerais quanto no inte rior, estimativas de sa
fras, áreas cultivadas,
a
permitir
fim
a
DIGESTO
ht tíNÒNtl(.<l
]
econômico
Relatório
fé, SC
presentantes dos prin
cipais países cafeeiros do hemisfério ociden tal de que hoje o con sumo do café excede a produção, os E. U. A
ofereçam assistência téc
ao
cuidadosa
mente quaisquer novos
de
empréstimos a conce der a êsses paíse.s.
entrega
15. Que a Administração da Cooperação Econô
13. Que o Procurador-geral 13 Redação ampliada, pu'
qualquer futuro
para a compra do café.
ra serem incluídos Pôr-
inquérito sôbre os por-
to Rico e nações du
menores das compras
América Centra! e do
de
compre
de café por George V.
Sul que
Robbins,
da
assistência
Maxwell
House,
firma
divisão
já
recebiam
Defesa
Nacional
café
da
que exclui o Brasil,
General Foods
" ximos ó ou 8 meses, e
visto não necessitarmos
que altere suas especi ficações de compra de
ano de 1948, a fim de
mesma.
do Brasil durante o
modo a permitir o for
verificar se as leis fe
ripo igual ou melhor que o Santos i Supe
\A. Que, devido ao fato de 14. Que o consumidor nor- 14 Redação ligeiramente a economia de determi te-americano siga as alterada quanto à for nados países da Amé recomendações da As ma; perigosamente am rica Central e do Sul sociação Americana de pliada, porém, ao se depender estreitamente
n. Que o Procurador-geral
pras de café realizadas
de ainda ser muito cedo para se determi nar até que ponto o consumo do café decli
nará em virtude dos preços atuais e de que
uma queda
contínua,
como a que se verificou nos quatro primeiros meses de 1950, tarde
Doméstica
substituir a expressão
sôbre a preparação do café e continue na prá
"provocará crise nos preços do café" por
tica atual de não des
perdiçar, até que os
"abalaria sua posição financeira". Além dis
armazenamentos de ca
so
fé acumulados sejam li berados pelos produto res
ou
chegue
produção.
nova
nas quanto à forma.
necimento de qualquer
derais foram violadas.
Economia
16. Redação alterada ape-
mensal
mente, durante os pró-
da
técnica,
1 ó. Que o Departamento
o
amigas que desejem expandir sua produção
devido também ao fato
supri
mida.
empréstimo de dólares
dos E. U. A. abra um
Corporation, ao DNC
da exportação cafeeira.
15 . Recomendação
mica SC rccusc a auto
nica a outras nações
cafeeira.
recomende
Govêrno dos E. U. A.
rizar
das declarações dos re
Observações
ou cedo provocará uma crise nos preços do ca
examinar
número de cafeeiros etc. 13. Que diante das reitera
do Relatório EUender
Gillotte
tornou-se
obscura,
rior.
17. Redação conservada-.
dos E. U. A. investigue os
detalhes
pelo
sr.
das
George
com
V.
Robbins, da divisão Maxwell House, da fir ma General Foods Cor
sem deixar de sugerir
poration, junto ao DNC do Brasil, no ano
a possibilidade de res trições de crédito.
terminar se foram vio
de 1948, a fim de de
ladas quaisquer leis fe derais.
Que até que os e.sto
18. Redação conservada; jf.
^
'
DiccsTO Econômico "
40
do Relatório GiUetie
do Reliitórin lílictider
Observações
ques acumulados dc ca
i;cira alteração da for-
fé sejam liberados pe
ma.
'J
Economistas
•IwMi'» fia Silva l.,ÍMl>oa. VI.<«fonfle cie Cairii
los países produtores, ou que novas produ
BASILIO DIj Magalhãos
ções afluam de outras
I^ASCIDO em 1756 na cidade do Salva
áreas, os consumidores sisam
ções
as
da
Americana
dor e,destinado pela família à,carrei
recomenda
ra eclesiástica (da qüal se escapuliu opor tunamente), José da Silva Lisboa aprofun
Associação de
Econo
mia Domestica para o
dou-se no conhecimento do Latim, do Gre
preparo do café e con
go e do Hebraico, tendo sido professor
tinuem na prática de não desperdiçar café.
dessas duas últimas linguas em Coimbra e na Bahia.
Bacharelou-se em Direito
Canônico e em Filosofia naquela univer 19. Que
os torradores e
varejistas de café de
vem abolir seu sistema
de cálculo percentual de lucro sobre o custo
do café e aplicar uma taxa de retribuição com
base na unidade libra-
pêso, idêntica à que percebiam na primeira metade de 1949.
brasileiros
19. Recomendação mida.
supri
sidade lusitana ( 1779), então reforma da e reiterada pelo preclaro fluminense
Asemlendo a uma solicitação do D/Vetof do "Digesto Econômico", o preclaro historiador Easilio de Magalhães aceitou a
incumbência de escrever uma série de per' fis de economistas e financistas brasileiros. Em números anteriores, já foram publi cados os de Alexandre de Gusmão e Aze redo Coutinho. Nos ntimeros de novem-' bro e dezembro a nossa Revista divulgará os de José Bonifácio, o Patriarca, e Sebas tião Ferreira Soares.
D. Francisco de Lemos de Faria Pereira
Coutinho, Conde de .Arganii. De regresso à terra natal (onde logo Constituiu família), entregou-se exclusi
lhor da sua aprimorada inteligência pa
vamente ao ensino do Gre.go e do He
sociais dos insignes escritores inglêseg que, dos fins do século XVIII para o primeiro quartel do chamado "das lu
braico (a título interino c durante um lustro), assim como de Filosofia Racio nal e Moral (cadeira que regeu dezoito anos),
Jubilado em 1797, trocou o ma
gistério, no mesmo ano, pelo mandato deputado, acrescido da função de se cretário da Mesa de Inspeção das Rcn•Jíis da Cidaile da Bahia. Se o longo exercício do professorado
lhe apurou as tendências dialéticas e es peculativas (//> fabricatido faber),
o
novo cargo, em que prestou relevantes serviços ao comércio e à agricultura da sua capitania natal, o impulsionou, sem
ra o aproveitamento das elevadas idéias
zes", criaram a autêntica "economia polírica", expressão atribuída a Antoine de Montchrestien, em começos do século XVII, segundo Saintsbury ("French 1" tcrature", pág. 289).
Foi indubitavelmente em nosso míc
que Jose da Silva Lisboa se familiarizou com obras de Adam Smith, Malthus l Ricardo, por cie denominados "triúnvi ros da economia política". Além de
Siderar o primeiro dos citados pensadores" britânicos o maior economista da Eu
perda de tempo, a altos estudos de as
topa e "o homem que faltava à terra
suntos sociais e a escritos de fôlego que o haviam de imortalizar.
para por em ordem os negócios da so
A influência da Grã-Bretanha na "in versão brasileira" deve ter concorrido in
tensamente para que José da Silva Lis
ciedade e dar aos impérios sua firmeza e esplendor , ainda aparelhou iiteràriamente o filho . (Bento da Silva Lisboa
depois 2.° Barão de Cairú), então um
boa, contrário à grande Revolução Fran
rapaz de 18 anos, a traduzir e publicar
cesa de 1789 e à orgia de sangue'de Bo-
o "Compêndio da obra Riqueza das Na
naparte, volvesse carinhosamente o me-
ções de Adani Smitit" (Rio, 1811-1812)
%
i
DiccsTO Econômico "
40
do Relatório GiUetie
do Reliitórin lílictider
Observações
ques acumulados dc ca
i;cira alteração da for-
fé sejam liberados pe
ma.
'J
Economistas
•IwMi'» fia Silva l.,ÍMl>oa. VI.<«fonfle cie Cairii
los países produtores, ou que novas produ
BASILIO DIj Magalhãos
ções afluam de outras
I^ASCIDO em 1756 na cidade do Salva
áreas, os consumidores sisam
ções
as
da
Americana
dor e,destinado pela família à,carrei
recomenda
ra eclesiástica (da qüal se escapuliu opor tunamente), José da Silva Lisboa aprofun
Associação de
Econo
mia Domestica para o
dou-se no conhecimento do Latim, do Gre
preparo do café e con
go e do Hebraico, tendo sido professor
tinuem na prática de não desperdiçar café.
dessas duas últimas linguas em Coimbra e na Bahia.
Bacharelou-se em Direito
Canônico e em Filosofia naquela univer 19. Que
os torradores e
varejistas de café de
vem abolir seu sistema
de cálculo percentual de lucro sobre o custo
do café e aplicar uma taxa de retribuição com
base na unidade libra-
pêso, idêntica à que percebiam na primeira metade de 1949.
brasileiros
19. Recomendação mida.
supri
sidade lusitana ( 1779), então reforma da e reiterada pelo preclaro fluminense
Asemlendo a uma solicitação do D/Vetof do "Digesto Econômico", o preclaro historiador Easilio de Magalhães aceitou a
incumbência de escrever uma série de per' fis de economistas e financistas brasileiros. Em números anteriores, já foram publi cados os de Alexandre de Gusmão e Aze redo Coutinho. Nos ntimeros de novem-' bro e dezembro a nossa Revista divulgará os de José Bonifácio, o Patriarca, e Sebas tião Ferreira Soares.
D. Francisco de Lemos de Faria Pereira
Coutinho, Conde de .Arganii. De regresso à terra natal (onde logo Constituiu família), entregou-se exclusi
lhor da sua aprimorada inteligência pa
vamente ao ensino do Gre.go e do He
sociais dos insignes escritores inglêseg que, dos fins do século XVIII para o primeiro quartel do chamado "das lu
braico (a título interino c durante um lustro), assim como de Filosofia Racio nal e Moral (cadeira que regeu dezoito anos),
Jubilado em 1797, trocou o ma
gistério, no mesmo ano, pelo mandato deputado, acrescido da função de se cretário da Mesa de Inspeção das Rcn•Jíis da Cidaile da Bahia. Se o longo exercício do professorado
lhe apurou as tendências dialéticas e es peculativas (//> fabricatido faber),
o
novo cargo, em que prestou relevantes serviços ao comércio e à agricultura da sua capitania natal, o impulsionou, sem
ra o aproveitamento das elevadas idéias
zes", criaram a autêntica "economia polírica", expressão atribuída a Antoine de Montchrestien, em começos do século XVII, segundo Saintsbury ("French 1" tcrature", pág. 289).
Foi indubitavelmente em nosso míc
que Jose da Silva Lisboa se familiarizou com obras de Adam Smith, Malthus l Ricardo, por cie denominados "triúnvi ros da economia política". Além de
Siderar o primeiro dos citados pensadores" britânicos o maior economista da Eu
perda de tempo, a altos estudos de as
topa e "o homem que faltava à terra
suntos sociais e a escritos de fôlego que o haviam de imortalizar.
para por em ordem os negócios da so
A influência da Grã-Bretanha na "in versão brasileira" deve ter concorrido in
tensamente para que José da Silva Lis
ciedade e dar aos impérios sua firmeza e esplendor , ainda aparelhou iiteràriamente o filho . (Bento da Silva Lisboa
depois 2.° Barão de Cairú), então um
boa, contrário à grande Revolução Fran
rapaz de 18 anos, a traduzir e publicar
cesa de 1789 e à orgia de sangue'de Bo-
o "Compêndio da obra Riqueza das Na
naparte, volvesse carinhosamente o me-
ções de Adani Smitit" (Rio, 1811-1812)
%
i
42
DiGBSrO
HCONOMUO
Digbsto Econômico
4?
mo se depreende de seus próprios escritos
dos figurões da corte emigrada,
príncipe-regeme, depois D. João VI.
e de afirmações categóricas do velho Me
pasmaram de vir encontrar na colônia va
primeiro.'» intitularam-se "'Observações so
Antes da chegada da família real por tuguesa às nossas plagas, já o erudito
lo Morais e do Conselheiro Pereira da Sil
bre a franqueza da indústria e estabeleci mento dc fábricas no Brasil" e "Obser
baiano havia eiocubrado duas obras de
janeiro de 1808 ? Na cidade fund.nda por
rão de tão elevados ideais c profunda ilus tração cm ciências políticas e econômicas. Rendendo homenagem aos seus indiscutí veis méritos, nomeou-o n príncipe, por decreto de 23 de fevereiro de 1808. re gente dc uma cadeira e aula pública de
em três
tomos e com dedicatória
ao
suma importância, que o exalçaram em
nossa língua, aquém e além-Atlántico, à inegável glória de "fundador do Direi to Mercantil", como ponderou o Conse
lheiro Pereira da Silva, em "Os varões ilustres do Brasil". Os "Princípios de Direito Mercantil e
leis
de
va, o sugestionador do decreto de 28 de Tomé dc Sousa não havia então nenlium outro homem," senão cie, para compreen der bem todo o alcance da "inversão bra
sileira", forçada pelas baionetas napolcônicas; ninguém conhecia ali, como é dc crer, as vantagens do m-^rc lihcrum. pre
conizadas por Grocius desde
marinha" apareceram na capi-
i609; c talvez só êle compul-
^tal lusitana em 1798. limitados
a dois tomos, que se desdobra
sasse ali. com
ram em seis na reimpressão de
noturna, os tratados dos gran
1801-1803, seguida de repubhcaçoes parciais. A primeira edição brasileira (Rio, 1874) em dois grossos volumes, de-
des economistas britânicos. Só
''ti'':notícia
. que
com excelente
a
éJe, por conseguinte, é que po
dia, apreciando a ainda então combatida providência da aber tura dos nossos portos às na ções amigas, qualificar a car-
enriqueceu
blobi-
ta-régia, firmada pelo principe-
bliografica do autor e nma
regente a 28 de janeiro de
smopse da história do comércio nniversai
fuvTLlb Silva L sboa intitulara ■ r''"Regras - oPÚscuios da praça" Reflexões sobre o comércio de segu
ros . O outro trabalho do colendo baiano teve o comprido nome de "Princípios
de Economia Política _ Pata se„ir de introdução à tentativa econômica do auto:
dos Prmc,p,os de Direito Mercantil" (t°
boa. 1804)^ Acredita Biake ter
causa esta obra, inspirada na de Adam
Srniüi, a nomeaçac de Silva Lisboa para miciar na capiral brasileira o ensino púbilco de Economia Política, (l)
Teria sido o culto professor baiano co-
mão diurna e
1808, como "o sólido e profun
do alicerce ou, para melhor dizer, a pedra
resultou "A criação dos cursos jurídicos no Brasil" (veja-se êsse trabalho às págs 299-341 do vol. 155 da "Rev. do Inst. Hist. e Geogr. Brás."), dêle afirmou o culto espírito de Alfredo Valadão que, corn oa "Princípios de Direito Mercantil", man-
Economia Política, criada especialmente no Rio para êsse fim. com o ordenado de •ÍOOSOOO anuais, conservados os dois lu
gares de deputado c secretário da Mesa de Inspeção da Agricultura e Comércio da Bahia, que exercia ; c convídou-o a acom panhá-lo ao Rio de Janeiro, onde o cumu
lou de dignidades.
Teve. posteriormen
te, em 1825 e 1826, os títulos nobiliár9tiicos de I.° Barão e Visconde de Cairu".
Inocêncio Francisco da Silva, o grande
bibliógrafo, observou que a pena de José
riados objetos políticos e filosóficos, li terários e até religiosos". (2). Darei pre
mindo-se assim em sua primeira obra im
À defesa da abertura dos nossos portos
pressa em nossa pátria, "Observações so
pela obra acima citada seguiram-se cinco
bre o comércio franco do Brasil" (Rio,
livros, aparecidos no mesmo ano, dois logo
1808-1809), dividida em três partes e
destinada a defender aquêle benfazejo
reeditados, e que comprovam quanto O «nsigne baiano se preocupava com o pro-
ato do filho de D.'* Maria 1.
Sresso da nossa nacionalidade e como as
suas
idéias
adiantadas
repercutiam
no
"História administrativa do Brasil", (2) — Ninguém tributou mais íntegra justiça ao Visconde de Cairu do que o
sumindo tudo quanto o nosso egrégio pa trício mereceu logo de D. João e dos seus
exigente Sílvio Romei'o
mais esclarecidos auxiliares : "Silva Lis
principais,
(págs. 158-165
"Compêndio de história da literatura uradleira"), que, elogiando-lhe as obras
por ser "obra única no vernáculo, de enorme valor, servindo, na época, de
Código Comercial, de indispensável au toridade em todos os domínios da mo narquia portuguêsa, como proclamava Ferreira Borges".
contra o comércio inglês — Extraída de
escritores eminentes" (Rio. 1810). em duas partes, e "Reflexões sôbre o comér cio dos seguros" (Rio, 1810). contendo o cálculo de Condorcet, traduzido da "En ciclopédia metódica". A quinta mono grafia, também impressa em 1810, é de" molde a ser comentada em destaque.
Redigira Mariano Moreno, em 1809. a "Representación de los hacendados", a qual, impedida pelo vice-rei de ser dada
dita obra "La revolución de mayo y Ma riano. Moreno", assim se referiu ao nosso eminente patrício: "La brillante prosa
de Da Silva Lisboa, su sólida Informa cmn, Ia ardiente fé que profesa a los prin
aptos Iiberales de Ia economia de "s Estados. Ia seguridad y empuje con que a remete contra los viejos perjuicios, desacan su personalidad como uno de^bs
luchadores más representativos de Z emancipacion econômica emancipación económirs de Af América"
a
exposição das
memória da lavra do culto professor
eo da Inglaterra, no tempo de Malthus
zoes dos lavradores do Vice-Reinado de
pela lúcida
lóéii s capitais "do liberalismo económi-
e Ricardo", assim sintetiza o seu juízo :
dou "a lição do Brasil para Coimbra",
Bahia em 1811). Dois outros foram os
denominados Refutação das declamàções
por meio de cópias, tendo chegado desse modo ao conhecimento do futuro Viscon de de .Cairu. Êste apreciou logo o rele vante assunto de maneira cabal, dando-lhe transcendência americana". Foi como opinou Ricardo Levene, que, em sua eru
ferência, por enquanto, ao que êle pro
Max Fleiuss prestou tributo à verdade, re
vações sôbre a propriedade do E:;tado pelos liberais princípios da nova legislação do Brasil (Rio, 1810, com reedição na
à estampa na capital platina, foi divulgada
duziu no setor econômico.
sua
Os dois
so", dela saindo constantemente -'memótias interessantes acêrca de muitos e va
império, que declarou vir criar", expri-
Às páginas 65-66 da segunda edição de
Vice-Reino do Rio da Prata.
da Silva Li.sboa "'nunca conheceu o repou
angular do edifício da civilização, o novo
boa foi alvo da maior admiração por parte
,tomou -Silva Discorrendo a parte Lisboa sobre no debate de que que
que se
Não é autor de sistema filosófico, cien
tifico ou social novo; seu grande título e haver sido o primeiro a pregar entre
riós as teorias inglêsas sôbre o comércio
livre, a indústria livre, sôbre a Economia Política, sôbre o govêrno representativo P vinte outras matérias conexas".
_ no saiu com o comprido título: "Ra. uenos Aires para a franqueza do co
mércio com os ingleses contra a repre sentação de alguns comerciantes e reso
lução do govêrno — Com apêndice de observações e exame dos efeitos do novo ..
.... A. . X.-,..»
L
.■
J
42
DiGBSrO
HCONOMUO
Digbsto Econômico
4?
mo se depreende de seus próprios escritos
dos figurões da corte emigrada,
príncipe-regeme, depois D. João VI.
e de afirmações categóricas do velho Me
pasmaram de vir encontrar na colônia va
primeiro.'» intitularam-se "'Observações so
Antes da chegada da família real por tuguesa às nossas plagas, já o erudito
lo Morais e do Conselheiro Pereira da Sil
bre a franqueza da indústria e estabeleci mento dc fábricas no Brasil" e "Obser
baiano havia eiocubrado duas obras de
janeiro de 1808 ? Na cidade fund.nda por
rão de tão elevados ideais c profunda ilus tração cm ciências políticas e econômicas. Rendendo homenagem aos seus indiscutí veis méritos, nomeou-o n príncipe, por decreto de 23 de fevereiro de 1808. re gente dc uma cadeira e aula pública de
em três
tomos e com dedicatória
ao
suma importância, que o exalçaram em
nossa língua, aquém e além-Atlántico, à inegável glória de "fundador do Direi to Mercantil", como ponderou o Conse
lheiro Pereira da Silva, em "Os varões ilustres do Brasil". Os "Princípios de Direito Mercantil e
leis
de
va, o sugestionador do decreto de 28 de Tomé dc Sousa não havia então nenlium outro homem," senão cie, para compreen der bem todo o alcance da "inversão bra
sileira", forçada pelas baionetas napolcônicas; ninguém conhecia ali, como é dc crer, as vantagens do m-^rc lihcrum. pre
conizadas por Grocius desde
marinha" apareceram na capi-
i609; c talvez só êle compul-
^tal lusitana em 1798. limitados
a dois tomos, que se desdobra
sasse ali. com
ram em seis na reimpressão de
noturna, os tratados dos gran
1801-1803, seguida de repubhcaçoes parciais. A primeira edição brasileira (Rio, 1874) em dois grossos volumes, de-
des economistas britânicos. Só
''ti'':notícia
. que
com excelente
a
éJe, por conseguinte, é que po
dia, apreciando a ainda então combatida providência da aber tura dos nossos portos às na ções amigas, qualificar a car-
enriqueceu
blobi-
ta-régia, firmada pelo principe-
bliografica do autor e nma
regente a 28 de janeiro de
smopse da história do comércio nniversai
fuvTLlb Silva L sboa intitulara ■ r''"Regras - oPÚscuios da praça" Reflexões sobre o comércio de segu
ros . O outro trabalho do colendo baiano teve o comprido nome de "Princípios
de Economia Política _ Pata se„ir de introdução à tentativa econômica do auto:
dos Prmc,p,os de Direito Mercantil" (t°
boa. 1804)^ Acredita Biake ter
causa esta obra, inspirada na de Adam
Srniüi, a nomeaçac de Silva Lisboa para miciar na capiral brasileira o ensino púbilco de Economia Política, (l)
Teria sido o culto professor baiano co-
mão diurna e
1808, como "o sólido e profun
do alicerce ou, para melhor dizer, a pedra
resultou "A criação dos cursos jurídicos no Brasil" (veja-se êsse trabalho às págs 299-341 do vol. 155 da "Rev. do Inst. Hist. e Geogr. Brás."), dêle afirmou o culto espírito de Alfredo Valadão que, corn oa "Princípios de Direito Mercantil", man-
Economia Política, criada especialmente no Rio para êsse fim. com o ordenado de •ÍOOSOOO anuais, conservados os dois lu
gares de deputado c secretário da Mesa de Inspeção da Agricultura e Comércio da Bahia, que exercia ; c convídou-o a acom panhá-lo ao Rio de Janeiro, onde o cumu
lou de dignidades.
Teve. posteriormen
te, em 1825 e 1826, os títulos nobiliár9tiicos de I.° Barão e Visconde de Cairu".
Inocêncio Francisco da Silva, o grande
bibliógrafo, observou que a pena de José
riados objetos políticos e filosóficos, li terários e até religiosos". (2). Darei pre
mindo-se assim em sua primeira obra im
À defesa da abertura dos nossos portos
pressa em nossa pátria, "Observações so
pela obra acima citada seguiram-se cinco
bre o comércio franco do Brasil" (Rio,
livros, aparecidos no mesmo ano, dois logo
1808-1809), dividida em três partes e
destinada a defender aquêle benfazejo
reeditados, e que comprovam quanto O «nsigne baiano se preocupava com o pro-
ato do filho de D.'* Maria 1.
Sresso da nossa nacionalidade e como as
suas
idéias
adiantadas
repercutiam
no
"História administrativa do Brasil", (2) — Ninguém tributou mais íntegra justiça ao Visconde de Cairu do que o
sumindo tudo quanto o nosso egrégio pa trício mereceu logo de D. João e dos seus
exigente Sílvio Romei'o
mais esclarecidos auxiliares : "Silva Lis
principais,
(págs. 158-165
"Compêndio de história da literatura uradleira"), que, elogiando-lhe as obras
por ser "obra única no vernáculo, de enorme valor, servindo, na época, de
Código Comercial, de indispensável au toridade em todos os domínios da mo narquia portuguêsa, como proclamava Ferreira Borges".
contra o comércio inglês — Extraída de
escritores eminentes" (Rio. 1810). em duas partes, e "Reflexões sôbre o comér cio dos seguros" (Rio, 1810). contendo o cálculo de Condorcet, traduzido da "En ciclopédia metódica". A quinta mono grafia, também impressa em 1810, é de" molde a ser comentada em destaque.
Redigira Mariano Moreno, em 1809. a "Representación de los hacendados", a qual, impedida pelo vice-rei de ser dada
dita obra "La revolución de mayo y Ma riano. Moreno", assim se referiu ao nosso eminente patrício: "La brillante prosa
de Da Silva Lisboa, su sólida Informa cmn, Ia ardiente fé que profesa a los prin
aptos Iiberales de Ia economia de "s Estados. Ia seguridad y empuje con que a remete contra los viejos perjuicios, desacan su personalidad como uno de^bs
luchadores más representativos de Z emancipacion econômica emancipación económirs de Af América"
a
exposição das
memória da lavra do culto professor
eo da Inglaterra, no tempo de Malthus
zoes dos lavradores do Vice-Reinado de
pela lúcida
lóéii s capitais "do liberalismo económi-
e Ricardo", assim sintetiza o seu juízo :
dou "a lição do Brasil para Coimbra",
Bahia em 1811). Dois outros foram os
denominados Refutação das declamàções
por meio de cópias, tendo chegado desse modo ao conhecimento do futuro Viscon de de .Cairu. Êste apreciou logo o rele vante assunto de maneira cabal, dando-lhe transcendência americana". Foi como opinou Ricardo Levene, que, em sua eru
ferência, por enquanto, ao que êle pro
Max Fleiuss prestou tributo à verdade, re
vações sôbre a propriedade do E:;tado pelos liberais princípios da nova legislação do Brasil (Rio, 1810, com reedição na
à estampa na capital platina, foi divulgada
duziu no setor econômico.
sua
Os dois
so", dela saindo constantemente -'memótias interessantes acêrca de muitos e va
império, que declarou vir criar", expri-
Às páginas 65-66 da segunda edição de
Vice-Reino do Rio da Prata.
da Silva Li.sboa "'nunca conheceu o repou
angular do edifício da civilização, o novo
boa foi alvo da maior admiração por parte
,tomou -Silva Discorrendo a parte Lisboa sobre no debate de que que
que se
Não é autor de sistema filosófico, cien
tifico ou social novo; seu grande título e haver sido o primeiro a pregar entre
riós as teorias inglêsas sôbre o comércio
livre, a indústria livre, sôbre a Economia Política, sôbre o govêrno representativo P vinte outras matérias conexas".
_ no saiu com o comprido título: "Ra. uenos Aires para a franqueza do co
mércio com os ingleses contra a repre sentação de alguns comerciantes e reso
lução do govêrno — Com apêndice de observações e exame dos efeitos do novo ..
.... A. . X.-,..»
L
.■
J
DrcnsTO Econômico
44
rcí;ulamenio nos inrc-rcsses comerciais do Brasil"
<Rlo, IBlOj. in-4." de
55-5H
págs. A segunda parte do volume trouxe: a) "Observações sòbre o comércio de Es
panha com as suas colônias, no tempo da guerra, pcjr um espanhol europeu, ocasio
nadas pelo decreto de 20 de abril de 1799,
que excluiu os navios neutros dos portos da América espanhola, derrogando a or-
, dem de IS de novembro de 1797, que os tinha admitido durante a presente guerra"; b) "Observações sobre o regulamento do comercio de Buenos Aires, de 6 de no vembro de 1809"; c) "Reflexões sobre a
mfluenc-a do comércio franco das coló-
n.as de Espanha no Estado do Brasil"; dí Regulamento do comércio de Bue nos Aires . (3j. ,ra-
»1, deu a estampa, no Ri„, „
sobre o estabeleclmenro dos bancos para o nlrTlSlu' ' n^^io, ç ' ^ Memória econômica sô-
d";ô::r uLí rrVtobras p_oliôcas e econômicas de eLuÍô
Burke
Traduzidos do inglês" (1812)
, em dois tomos (de 164 e 136 págs ) è um Apendice (de 58 ná/.c i
j-
i
■ em Lisboa (1822), com exclusiol aS-
dice. O nosso compatríclo c o notável es,. tadista irlandês da segunda metade do sé culo XVIII nutriam idéias congeniais nas transcendentes esferas da economia e d-i política. (4).
(3) — Se remo o o "Estado governa
do por um rei- e "remado" o "temp? íue um rei governa", não pode deiSar de
existir essa mesma distinção entre "vi
■ ce-reino" e "vice-reinado". No caso dã obra de Süva Lisboa. o* correto seria "Vice-Reino do Rio da Prata", cuja sede era Buenos Aires e compreendia a Ar gentina, o Uruguai e o Paraguai. (4) — As obras principais de Edmund Burke (1729-1797) foram as seguintes : "A vindlcation of natural society" (1756); "Thoughts on the causes of the present
DionsTO Econômico
Dcpt)ís dc uma cstir.ni.i:i c eloqüente homenagem ao vencedor tlc Napolcão Bonaparte, "Meniorias da vida pública de Lord Wellington . .." (Rio. 1S15), gros
de Lisboa) preferiu continuar fora do Congresso Legislativo a sua ardorosa cam panha de "Sentinela da Liberdade" (de
— Com oporcuníis modificações de estatu
nominação dos periódicos que redigiu aqui
so volume dc 733 pá.fs. c bom retrato do Duque da Vitória, volveu a matéria ila sua particular afeição, dando aos prelos da Impressão Régia três tibras monumen
e alhures), mesmo quando encarcerado
tais: "Memórias dos benefícios políticos do governo de el-rei nosso senhor D. João VI" (1818); "Sinopse da Íegis!.içãü prin cipal do scnhtfr Dom João VI, pela ordem
Barão de Cairu em 12 de outubro de 1825, elevando-o a visconde um ano mais tarde, precisamente no cm que o nomeou
legislativas , deixou-as interminadas, ale gando que o Governo havia então no meado uma comissão destinada a elabo rar o projeto do nosso Código Comer cial. (5). Note-se que Silva Lisboa havia redigido um "Plano de Código do Co
por suspeito de idéias republicanas. Quem
o substituiu foi José da Silva Lisboa, a quem Pedro I agraciou com o título de
senador pela província da Bahia. Da sua atuação na Câmara vitalícia resultaram
dos ramos da economia do Estado" (1818); "Estudos do bem comum e eco
três folhetos contendo discursos seus a
nomia política ou ciência das leis nitii-
propósito da reforma da constituição do
tos e usos das nações civilizadas" (Rio, 1832), apesar de "só doutrinais e não
mércio" apresentado ao Príncipe-Regente D. João. que o encarregara de atender ft consulta formulada pela Real Junta do Comercio em 27 de julho de 1809. Exis
te no Arquivo Público êsse trabalho (6), enriquecendo o acervo de manuscritos do " Instituto Histórico e Geográfico Brasilei
rai.s e civis de animar e dirigir a geral
Império (autorização constante da lei de 12
indústria e promover a riqueza naciotial
dc outubro de 18.32), coroados pelo "Ma
ro outro produto da mesma sábia pena
c a prosperidade do Estado" ( 1819-1821 ;,
nual dc política ortodoxa" (RÍo, 1832).
o "Parecer acerca de vários quesitos rela
divididos em quatro partes, a última com
Havia-o escolhido o
nosso
primeiro
o título seguinte: "Espirito dc Vieira ou
imperador para, auxiliado por Frei Fran
seleta de pensamentos econômicos, po
cisco de Santa Teresa de Jesús Sampaio e
líticos, morais e literários, com a
bio
grafia deste célebre escritor — Apêndice
\
aos Estudos do bem comum".
r
Foi copiosa a sua produção intelectual,
pelo Brigadeiro Domingos Alves Brajico Moniz Barreto, compendiar tudo quanto
dissesse respeito à evolução da nossa na cionalidade, "a contar do dia 26 de fe
em opúscuios e periódicos (a maior parte
vereiro dc 1821". Não teve Silva Lisboa
com pseudônimos ou sem autoria expres sa), por ocasião dos acontecimentos que antecederam e sucederam imediatamente
coadjuvação alguma e traçou ã obra de
á declaração de 7 de .setembro de 1822 e
masiada extensão, de sorte que a deixou
inacabada. Dela apenas se publicaram a "Inrrodução" (Rio, 1825) e a "História dos principais sucessos políticos do Im
tivos às moedas de Portugal e do Brasil e da quantidade da moeda existente nestes dois países", datado de "Rio de Janeiro a 26' de agosto de 1816".
'
Há ainda, no tocante às ciências sociais tres outros lavores da fecunda capacidade do Visconde de Cairu, publicados após o seu falecimento Saíram na "Minerva
Brasihense (vols. II e III, 1844 e 1845)
as suas "Considerações sòbre as dcuírinas econômicas de Mr. João Batista Siv"- e na revista "Guanabara": "Ensaio econômi
pre vigilante era defesa da pátria, não só enristou a pena contra os que a atacavam do outro lado do Atlântico, mas também
Pedro I" (Rio, -1826-1830), em quatro
co sobre o influxo da inteligência humína na riqueza e prosperidadí» A e "Da liberdade do trXit,"
volumes, um da parte I e três da parte X.
51 e 91-98 do tomo I
contra o "Tífis Pernambucano" de Frei
Por haver ficado incompleta, vale esta
Caneca c os separatistas da inalograda Confederação do Equador (182-1), assim como em prol dos direitos do Bra,sil à
obra sobretudo pelos documentos autên
ao tratado.de 29 de agosto de 1823. Sem
pério do Brasil — Dedicada ao Sr. D.
informa Blakc,
dc Economia Política ou Direito Econômi
ganizar o Pro?ètÕ"Pie"códSl? r?'"'*'' 8': =P^eía)™e 5"""íS
co, conforme a constituição social e garan
Antônio Lisbor P
primeira Assembléia Constituinte, Cipfia-
tias da Constituição do Império do Brasil
no José Barata de Almeida (destemido
— Dedicadas à mocidade brasileira" (Rio, 1827), em dois tomos. As "Regras da praça ou bases de regulamento comercial conforme os novos códigos de comércio da França e Espanha e a legislação pátria
Apresentaclíem o traba]ho"Ti^° a om 1834 A temporária ie??u^ h
Província Clsplatina.
Eleito deputado pela Bahia à nossa
representante de sua terra natal nas cortes discontents" (1770): "Speech on conciliation witli Amcrica" (1775); e "Reflections
on the vevolulion in France" (1790). -4..A-;.
ticos que encerra. Saíram sem o seu nome as "Leituras
Ratton. José
transformar-se na lèi n 556
junho de 1850.
Gamara
^5 dc
s/ake existir também n^^ArquivfPúbli co ou^o manuscrito de Cairú, um "Pro16 fôlhas
° Comercial", in-folio de
DrcnsTO Econômico
44
rcí;ulamenio nos inrc-rcsses comerciais do Brasil"
<Rlo, IBlOj. in-4." de
55-5H
págs. A segunda parte do volume trouxe: a) "Observações sòbre o comércio de Es
panha com as suas colônias, no tempo da guerra, pcjr um espanhol europeu, ocasio
nadas pelo decreto de 20 de abril de 1799,
que excluiu os navios neutros dos portos da América espanhola, derrogando a or-
, dem de IS de novembro de 1797, que os tinha admitido durante a presente guerra"; b) "Observações sobre o regulamento do comercio de Buenos Aires, de 6 de no vembro de 1809"; c) "Reflexões sobre a
mfluenc-a do comércio franco das coló-
n.as de Espanha no Estado do Brasil"; dí Regulamento do comércio de Bue nos Aires . (3j. ,ra-
»1, deu a estampa, no Ri„, „
sobre o estabeleclmenro dos bancos para o nlrTlSlu' ' n^^io, ç ' ^ Memória econômica sô-
d";ô::r uLí rrVtobras p_oliôcas e econômicas de eLuÍô
Burke
Traduzidos do inglês" (1812)
, em dois tomos (de 164 e 136 págs ) è um Apendice (de 58 ná/.c i
j-
i
■ em Lisboa (1822), com exclusiol aS-
dice. O nosso compatríclo c o notável es,. tadista irlandês da segunda metade do sé culo XVIII nutriam idéias congeniais nas transcendentes esferas da economia e d-i política. (4).
(3) — Se remo o o "Estado governa
do por um rei- e "remado" o "temp? íue um rei governa", não pode deiSar de
existir essa mesma distinção entre "vi
■ ce-reino" e "vice-reinado". No caso dã obra de Süva Lisboa. o* correto seria "Vice-Reino do Rio da Prata", cuja sede era Buenos Aires e compreendia a Ar gentina, o Uruguai e o Paraguai. (4) — As obras principais de Edmund Burke (1729-1797) foram as seguintes : "A vindlcation of natural society" (1756); "Thoughts on the causes of the present
DionsTO Econômico
Dcpt)ís dc uma cstir.ni.i:i c eloqüente homenagem ao vencedor tlc Napolcão Bonaparte, "Meniorias da vida pública de Lord Wellington . .." (Rio. 1S15), gros
de Lisboa) preferiu continuar fora do Congresso Legislativo a sua ardorosa cam panha de "Sentinela da Liberdade" (de
— Com oporcuníis modificações de estatu
nominação dos periódicos que redigiu aqui
so volume dc 733 pá.fs. c bom retrato do Duque da Vitória, volveu a matéria ila sua particular afeição, dando aos prelos da Impressão Régia três tibras monumen
e alhures), mesmo quando encarcerado
tais: "Memórias dos benefícios políticos do governo de el-rei nosso senhor D. João VI" (1818); "Sinopse da Íegis!.içãü prin cipal do scnhtfr Dom João VI, pela ordem
Barão de Cairu em 12 de outubro de 1825, elevando-o a visconde um ano mais tarde, precisamente no cm que o nomeou
legislativas , deixou-as interminadas, ale gando que o Governo havia então no meado uma comissão destinada a elabo rar o projeto do nosso Código Comer cial. (5). Note-se que Silva Lisboa havia redigido um "Plano de Código do Co
por suspeito de idéias republicanas. Quem
o substituiu foi José da Silva Lisboa, a quem Pedro I agraciou com o título de
senador pela província da Bahia. Da sua atuação na Câmara vitalícia resultaram
dos ramos da economia do Estado" (1818); "Estudos do bem comum e eco
três folhetos contendo discursos seus a
nomia política ou ciência das leis nitii-
propósito da reforma da constituição do
tos e usos das nações civilizadas" (Rio, 1832), apesar de "só doutrinais e não
mércio" apresentado ao Príncipe-Regente D. João. que o encarregara de atender ft consulta formulada pela Real Junta do Comercio em 27 de julho de 1809. Exis
te no Arquivo Público êsse trabalho (6), enriquecendo o acervo de manuscritos do " Instituto Histórico e Geográfico Brasilei
rai.s e civis de animar e dirigir a geral
Império (autorização constante da lei de 12
indústria e promover a riqueza naciotial
dc outubro de 18.32), coroados pelo "Ma
ro outro produto da mesma sábia pena
c a prosperidade do Estado" ( 1819-1821 ;,
nual dc política ortodoxa" (RÍo, 1832).
o "Parecer acerca de vários quesitos rela
divididos em quatro partes, a última com
Havia-o escolhido o
nosso
primeiro
o título seguinte: "Espirito dc Vieira ou
imperador para, auxiliado por Frei Fran
seleta de pensamentos econômicos, po
cisco de Santa Teresa de Jesús Sampaio e
líticos, morais e literários, com a
bio
grafia deste célebre escritor — Apêndice
\
aos Estudos do bem comum".
r
Foi copiosa a sua produção intelectual,
pelo Brigadeiro Domingos Alves Brajico Moniz Barreto, compendiar tudo quanto
dissesse respeito à evolução da nossa na cionalidade, "a contar do dia 26 de fe
em opúscuios e periódicos (a maior parte
vereiro dc 1821". Não teve Silva Lisboa
com pseudônimos ou sem autoria expres sa), por ocasião dos acontecimentos que antecederam e sucederam imediatamente
coadjuvação alguma e traçou ã obra de
á declaração de 7 de .setembro de 1822 e
masiada extensão, de sorte que a deixou
inacabada. Dela apenas se publicaram a "Inrrodução" (Rio, 1825) e a "História dos principais sucessos políticos do Im
tivos às moedas de Portugal e do Brasil e da quantidade da moeda existente nestes dois países", datado de "Rio de Janeiro a 26' de agosto de 1816".
'
Há ainda, no tocante às ciências sociais tres outros lavores da fecunda capacidade do Visconde de Cairu, publicados após o seu falecimento Saíram na "Minerva
Brasihense (vols. II e III, 1844 e 1845)
as suas "Considerações sòbre as dcuírinas econômicas de Mr. João Batista Siv"- e na revista "Guanabara": "Ensaio econômi
pre vigilante era defesa da pátria, não só enristou a pena contra os que a atacavam do outro lado do Atlântico, mas também
Pedro I" (Rio, -1826-1830), em quatro
co sobre o influxo da inteligência humína na riqueza e prosperidadí» A e "Da liberdade do trXit,"
volumes, um da parte I e três da parte X.
51 e 91-98 do tomo I
contra o "Tífis Pernambucano" de Frei
Por haver ficado incompleta, vale esta
Caneca c os separatistas da inalograda Confederação do Equador (182-1), assim como em prol dos direitos do Bra,sil à
obra sobretudo pelos documentos autên
ao tratado.de 29 de agosto de 1823. Sem
pério do Brasil — Dedicada ao Sr. D.
informa Blakc,
dc Economia Política ou Direito Econômi
ganizar o Pro?ètÕ"Pie"códSl? r?'"'*'' 8': =P^eía)™e 5"""íS
co, conforme a constituição social e garan
Antônio Lisbor P
primeira Assembléia Constituinte, Cipfia-
tias da Constituição do Império do Brasil
no José Barata de Almeida (destemido
— Dedicadas à mocidade brasileira" (Rio, 1827), em dois tomos. As "Regras da praça ou bases de regulamento comercial conforme os novos códigos de comércio da França e Espanha e a legislação pátria
Apresentaclíem o traba]ho"Ti^° a om 1834 A temporária ie??u^ h
Província Clsplatina.
Eleito deputado pela Bahia à nossa
representante de sua terra natal nas cortes discontents" (1770): "Speech on conciliation witli Amcrica" (1775); e "Reflections
on the vevolulion in France" (1790). -4..A-;.
ticos que encerra. Saíram sem o seu nome as "Leituras
Ratton. José
transformar-se na lèi n 556
junho de 1850.
Gamara
^5 dc
s/ake existir também n^^ArquivfPúbli co ou^o manuscrito de Cairú, um "Pro16 fôlhas
° Comercial", in-folio de
m
!ü
DrcesTo ncoNòMira*
46
nizar o "Regimento dos- cônsules", publi cado em 1826 e remetido pelo Governo às
e "Defesa contra o ataque do Padre Feijó ao Velho canonista'' (Rio, 1828). Quando, a 20 de agosto de K835, ex pirou o ab.alizado escritor, era núncio da
legações brasileiras.
Santa Sé no Brasil o Cardeal Scipione ^
foi Silva Lisboa o relator da comissão da
.junta do Comércio encarregada de orga
Aí fica tudo quanto produziu a culta mentalidade do jurisconsuito baiano no vasto c complexo setor econômico.
Mas
não se limitou a isso a sua atividade es piritual. Além de diversos folhetos em
prol dos interesses da pátria, fez-se árdego panfletário, pouco antes e depois do eis. ma da nossa separação de Portugal, como
ev.dencam a, epífirafes dos seguintes peeditou então: „ Concdiadtjr do Reino Unido" e "O Bem .ar dos Atntgos do Betn Comutn" (1821-
82t'e^r e "Atalaia", em de ÍnsuI,o?7a A °=-'ton,ada (1828 :in Astreia Espadachina"
-EscandauL/o"',."'" °
^e
Pot essa época, já se entregava a es-
cnttts que disseminassem o ensino do
catolicismo em nosso país, elevado objeti vo das seguintes produções suas: "1^01 bras.Ie.ra ou instru^o útil a tôda a classes - Exttaida da Sagrada Escrútim
para uso da mocidade" (Rio, ]827) em do,s tomos; Cartilha da Escola BrasileiZ — Para instrução elementar da religião
no BrasT ,1831); "Catecismo da S
trma cnsta Conforme ao código ecle•siastico da Igreja Nacionàl" (1832)- e
Fabbrini, que, encarregando-se de traçar o epitáfio de José da Silva Lisboa, não va cilou em o proclamar "religionis monar-
chiae constitutionis parrlae scriptis concionibus strenuus propugnator". isto é, »
lores pretéritos) colocar-nos dentro do seu tempo e de suas condições culturais".
E, logo adiante, pôs em foco a inabalável predileção do nosso patrício pelos econo mistas britânicos.
Conhccia-os bem Silva
Da vida e obras do Visconde de Cairu
trataram consagrados patrícios nossos, al
guns dos quais cm opúsculos esclarecedo res e fidedignos, quais seu digno filho Bento da Silva Lisboa (2.° Barão de
Cairu). cujo trabalho é de 1839, Alfredo do Vale Cabral (1881) e Alberto Carlos
de Araújo Guimarãe.s (págs. 683-^64 do vol. III dos "Anais do Segundo Congresso
de História Nacional"). (7).
A êle sc
referiram com simpatia e justiça quatro economistas portugueses: José Frederico Laranjo, Marnoco e Sousa, Vicente de Al
meida de Eça e Mo.ses Bensabat Amza-
lak, sendo que este último déie fez um bom estudo crítico e biobibliográfico. vin do a lume em 1942.
Em nosso país, de alguns anos para cá. têm aparecido opiniões extremadas a propósitó de Cairu, não faltando quem o haja encarado como retrógrado ou como
Rébatendo tão ingrata acusação, Afon
so Arinos (o moço), pelo "Digesto Eco
nômico" de março, de 1947, disse, com insofismável acerto, que, "para localizar(7) — Não devem ser esquecidos, en
robusta os seus volurhes: "Causa da reli gião e disciplina eclesiástica do celibato
tre outros escritores baianos que enalte
clerical — Defendida da inconstitucional
Carvalho Filho (vejam-se os ns. 5, 31 e
tentativa do Padre Diogo Antônio Feíjó"
62 da "Rev, do Inst. Geogr, e Hist. da
ceram a benemerência de Cairu, os no
mes de Antônio Calmop Bahia").
e
Aloísio de
Apesar dos serviços que lhe deve esta
privilegiada porção do Novo Mundo, "ne
nhuma estátua, nenhuma placa comemo rativa existe, que desperte nos brasileiros a gratidão sincera por èsse vulto venerá-
vel, que tanto contribuiu para a formação da nossa nacionalidade e que tanto tra
Lisboa, que também lia os franceses de
balhou para o progresso da nossa -pátria",
merecimento real. como revelou em seus
clama Araújo Guimarães, deplorando tam bém o fato de nem sequer ter-lhe sido levantado o busto, que há mais de um século lhe mandou fundir a Assembléia Provincial da Bahia (lei n. 46 de 1838).
escritos; aceitou e pregou sempre a dou pou encômios entusiásticos e efusivos.
nos a quem serviu.
távèl 'daquela época. Disso dão prova
mos com justiça a Cairu, devemos (.como é, aliás, elementar nessas revisões de va
quia e da constituição da p.átria, quer por escrito, quer da tribuna pública".
do homem, e da mulher, seguidos do dever de justiça" (publicação póstuma, sem armas, embora sob a máscara do pseudo-
4''
trina de Adam Smith, a quem não pou
simples bajulador dos príncipes braganti-
nimato, com o sacerdote político mais no-
Hc:on6micü
"devotado defensor tia reli.gião, da monar
"Preceitos da vida humana ou obrigações" data). É explicável, portanto, terçasse
DiGEsra
Ora, como chocalharam os seus críticos
lusitanos, foi graças à convicç-âo. que nu
tria, das vantagens do free-trade preconi zado pelos escritores da Grã-Bretanha, que o inolvidável filho da
Terra de Santa
Cruz sugeriu e obteve, em começos do século XIX, a abertura dos nossos portos às nações amigas. Conciliando tais prin cípios com a realidade brasileira do seu tempo, éle, nos seus diversos ensaips, gran
A estátua de José da Silva Lisboa consoante o imperativo do respeito às
nossas tradições — deve ser erguida entre as duas figuras simbólicas do monumento da Praia do Russel, bem defronte da entra da da barra da baía de Guanabara, come morativo do decreto de 28 de janeiro de 1808. Só o que imploro, caso lhe venha
dos princípios, defendendo não só a fran
enfim, a sér rendida essa merecida è tardia homenagem, é que não enfarpelem
quia do comc. cio, da indústria e da agri cultura. como também a dignidade da
em toga romana a esse baiano dos quatro costados, brasileiro até à medula dos
labura humana (veja-se o seu opúsculo
ossos.
des e pequenos, apostolou os mais i eleva
Liberdade do trabalho"). (8). (8) — Erudito e bem argumentado o artigo de D.^ Zenith Mendes da Silveira, "Originalidade do liberalismo econômico
patrício da pecha ri»
brasileiro" (inserto em "O Estado de São Paulo" do 8 de julho do corrente ano).
a douta professora aceitar nc
Explicando
quívocos aplausos,
cabalrpente
"o milagre de
Adam Smith. Malthus
grande
Queira uieus ine-
m
!ü
DrcesTo ncoNòMira*
46
nizar o "Regimento dos- cônsules", publi cado em 1826 e remetido pelo Governo às
e "Defesa contra o ataque do Padre Feijó ao Velho canonista'' (Rio, 1828). Quando, a 20 de agosto de K835, ex pirou o ab.alizado escritor, era núncio da
legações brasileiras.
Santa Sé no Brasil o Cardeal Scipione ^
foi Silva Lisboa o relator da comissão da
.junta do Comércio encarregada de orga
Aí fica tudo quanto produziu a culta mentalidade do jurisconsuito baiano no vasto c complexo setor econômico.
Mas
não se limitou a isso a sua atividade es piritual. Além de diversos folhetos em
prol dos interesses da pátria, fez-se árdego panfletário, pouco antes e depois do eis. ma da nossa separação de Portugal, como
ev.dencam a, epífirafes dos seguintes peeditou então: „ Concdiadtjr do Reino Unido" e "O Bem .ar dos Atntgos do Betn Comutn" (1821-
82t'e^r e "Atalaia", em de ÍnsuI,o?7a A °=-'ton,ada (1828 :in Astreia Espadachina"
-EscandauL/o"',."'" °
^e
Pot essa época, já se entregava a es-
cnttts que disseminassem o ensino do
catolicismo em nosso país, elevado objeti vo das seguintes produções suas: "1^01 bras.Ie.ra ou instru^o útil a tôda a classes - Exttaida da Sagrada Escrútim
para uso da mocidade" (Rio, ]827) em do,s tomos; Cartilha da Escola BrasileiZ — Para instrução elementar da religião
no BrasT ,1831); "Catecismo da S
trma cnsta Conforme ao código ecle•siastico da Igreja Nacionàl" (1832)- e
Fabbrini, que, encarregando-se de traçar o epitáfio de José da Silva Lisboa, não va cilou em o proclamar "religionis monar-
chiae constitutionis parrlae scriptis concionibus strenuus propugnator". isto é, »
lores pretéritos) colocar-nos dentro do seu tempo e de suas condições culturais".
E, logo adiante, pôs em foco a inabalável predileção do nosso patrício pelos econo mistas britânicos.
Conhccia-os bem Silva
Da vida e obras do Visconde de Cairu
trataram consagrados patrícios nossos, al
guns dos quais cm opúsculos esclarecedo res e fidedignos, quais seu digno filho Bento da Silva Lisboa (2.° Barão de
Cairu). cujo trabalho é de 1839, Alfredo do Vale Cabral (1881) e Alberto Carlos
de Araújo Guimarãe.s (págs. 683-^64 do vol. III dos "Anais do Segundo Congresso
de História Nacional"). (7).
A êle sc
referiram com simpatia e justiça quatro economistas portugueses: José Frederico Laranjo, Marnoco e Sousa, Vicente de Al
meida de Eça e Mo.ses Bensabat Amza-
lak, sendo que este último déie fez um bom estudo crítico e biobibliográfico. vin do a lume em 1942.
Em nosso país, de alguns anos para cá. têm aparecido opiniões extremadas a propósitó de Cairu, não faltando quem o haja encarado como retrógrado ou como
Rébatendo tão ingrata acusação, Afon
so Arinos (o moço), pelo "Digesto Eco
nômico" de março, de 1947, disse, com insofismável acerto, que, "para localizar(7) — Não devem ser esquecidos, en
robusta os seus volurhes: "Causa da reli gião e disciplina eclesiástica do celibato
tre outros escritores baianos que enalte
clerical — Defendida da inconstitucional
Carvalho Filho (vejam-se os ns. 5, 31 e
tentativa do Padre Diogo Antônio Feíjó"
62 da "Rev, do Inst. Geogr, e Hist. da
ceram a benemerência de Cairu, os no
mes de Antônio Calmop Bahia").
e
Aloísio de
Apesar dos serviços que lhe deve esta
privilegiada porção do Novo Mundo, "ne
nhuma estátua, nenhuma placa comemo rativa existe, que desperte nos brasileiros a gratidão sincera por èsse vulto venerá-
vel, que tanto contribuiu para a formação da nossa nacionalidade e que tanto tra
Lisboa, que também lia os franceses de
balhou para o progresso da nossa -pátria",
merecimento real. como revelou em seus
clama Araújo Guimarães, deplorando tam bém o fato de nem sequer ter-lhe sido levantado o busto, que há mais de um século lhe mandou fundir a Assembléia Provincial da Bahia (lei n. 46 de 1838).
escritos; aceitou e pregou sempre a dou pou encômios entusiásticos e efusivos.
nos a quem serviu.
távèl 'daquela época. Disso dão prova
mos com justiça a Cairu, devemos (.como é, aliás, elementar nessas revisões de va
quia e da constituição da p.átria, quer por escrito, quer da tribuna pública".
do homem, e da mulher, seguidos do dever de justiça" (publicação póstuma, sem armas, embora sob a máscara do pseudo-
4''
trina de Adam Smith, a quem não pou
simples bajulador dos príncipes braganti-
nimato, com o sacerdote político mais no-
Hc:on6micü
"devotado defensor tia reli.gião, da monar
"Preceitos da vida humana ou obrigações" data). É explicável, portanto, terçasse
DiGEsra
Ora, como chocalharam os seus críticos
lusitanos, foi graças à convicç-âo. que nu
tria, das vantagens do free-trade preconi zado pelos escritores da Grã-Bretanha, que o inolvidável filho da
Terra de Santa
Cruz sugeriu e obteve, em começos do século XIX, a abertura dos nossos portos às nações amigas. Conciliando tais prin cípios com a realidade brasileira do seu tempo, éle, nos seus diversos ensaips, gran
A estátua de José da Silva Lisboa consoante o imperativo do respeito às
nossas tradições — deve ser erguida entre as duas figuras simbólicas do monumento da Praia do Russel, bem defronte da entra da da barra da baía de Guanabara, come morativo do decreto de 28 de janeiro de 1808. Só o que imploro, caso lhe venha
dos princípios, defendendo não só a fran
enfim, a sér rendida essa merecida è tardia homenagem, é que não enfarpelem
quia do comc. cio, da indústria e da agri cultura. como também a dignidade da
em toga romana a esse baiano dos quatro costados, brasileiro até à medula dos
labura humana (veja-se o seu opúsculo
ossos.
des e pequenos, apostolou os mais i eleva
Liberdade do trabalho"). (8). (8) — Erudito e bem argumentado o artigo de D.^ Zenith Mendes da Silveira, "Originalidade do liberalismo econômico
patrício da pecha ri»
brasileiro" (inserto em "O Estado de São Paulo" do 8 de julho do corrente ano).
a douta professora aceitar nc
Explicando
quívocos aplausos,
cabalrpente
"o milagre de
Adam Smith. Malthus
grande
Queira uieus ine-
DicnsTO
Hesponsabilidade das elites
mens
«los panfletos ou das confissões. A situa rão do mundo e de nossa terra está-se tor
nando de uma tamanha gravidade, que já nao nos e possível considerá-la de longe, como observadores indiferentes e distan-
nVnA' or?endn°'-"'?' n^slvel
presente como se^fe Tml
<iuer da HíírA •
sôbre os honão é mais
momento qua -
ímmanidadc está m próximos e tão
j tornaram-se tão
nhar. Pouco importa que a nossa voz se perca, desfazendo-se no grande mar da in diferença ou da incompreensão. Já vive mos o bastante para saber que os sucessos e as vitórias nunca dependem apenas de
nós, mas também já vivemos o bastante para saber que é sempre possível lutar, mesmo quando a tentação do desespero nos ronda, insistente, quase irresistível. Mesmo quando tódas as vozes se fazem
ouvir, eloqüentes, persuasivas, convidantlo-nos a ensarilhar as armas, oferecendonos insidiosamente as soluções fáceis do compromisso e da abdicação. Mesmo quando os outros caminhos se abrem, os
•Io se confun? ^'^rmantes, e de tal mo vidas, irreme^pí" nossas próprias om sua liberdade'^'^ mente comprometidas
caminhos sem pedras, desimpedidos e lar,gos, da aceitação do mundo, dos seus pres
nossos destinos indiv-j • . ^««regar os
vadem, tornando quase impossível qual quer movimento de entusiasmo, impedin
p..p.rsr5a Íp/c-f
uma loucura, a justiça e a honra
mais distantes e mais perdidas do que nunca, o nosso próprio fervor desaproveirado e escarnecido, os ímpetos de ge
ROLAND CORÍHSIÜR
importa que estas páginas assuP'OUÇO mam o tom veemente e apaixonado
nr.oNóMiCf)
tígios e das suas glórias. Mesmo quando o cansaço, o tédio c a repugnância nos in
nerosidade e de amor tornando-se ridícu
los aos nossos próprios olhos, o desejo, a necessidade de melhorar a vida esbarran
deiidades. Não abjuramos, não renega mos nada. Não pertencemos à raça dos que se esquecem de si mesmos, à raça dos que se despedaçam ao longo da vida. à
raça dos transfugas, à raça dos homens sem memória e sem passado. Entregamos ao tenipo, ao desgaste do tempo, apenas a
do na aridez, no vício, na cegueira dos ho
escoria, somente aquilo que não era es
mens. Mesmo quando a atmosfera se tor na rarefeita, tão pobre de caridade, tão vazia de qualquer estímulo ou de qual quer amparo, mesmo quando todos aque les que nos cercam se tornam irreconhe cíveis V estranhos, recusando-nos qual quer gesto de fra ternidade, mesmo quando aqueles que deveriam ser os mais próximos nos hosti
sencial aos nossos sonhos. O cerne, o re pertório de princípios, o conjunto de con vicções profundas, de afinidades e de repugnâncias, que nos configuram e nos de finem, êsse permanece intocado e vivo.
lizam
ou
não
nos
importa
jam outras e que a altura dos tempos já não seja a mesma. Os ventos e as tem
pestades
arrancam,
carregam as folhas e os ramos frágeis. As
compreendem mais, mesmo quando nos sentimos abandona
dos, perdidos,
Pouco
que as palavras se
raízes, porém, essas que são a fonte do
nas
espírito,
as
raízes
sentido pascaliano da cxwe
""
na aventura
^
do, paralisando qualquer gesto de con fiança e de simpatia humana. Mesmo quando a experiência nos diz, a experiên
dolotosa das
cia que se alimenta do nosso sangue, que
acender a chama da esperança, é possível
cia, essas permanecem ocultas e mergu-
erível ::b™'rren::f:'aT^' das espetanças e dasTu,as7á%*rt
é inútil insistir, que não vale a pena ten tar, que é mais prudente fechar o coração
e necessário ainda lutar.
ao apelo do ideal, ao chamamento do so nho, à quixotesca sedução da vida herói-
lhadas na mesma terra. Nessa terra que é o nosso passado e a nossa infância, os anos ao longo dos quais se desenhou a
vivendo. Precisariam ter "refrigerado as
nossa face, os anos ao longo dos quais nos
rdST^d"' o dtre.to de recusar, por egoistno ou co
ca.
nossas entranhgs", na expressão de Nietz-
íormamos para sempre.
com a nossa própria fraqueza, e falamos
sche, para permanecermos • frios e objeti
a nós mesmos como se fôssemos velhos,
vos em face da sitviação do mundo. Pre
entregando-iios ao que há em nós de esclerosado e morto, ao que há em nós de
cisaríamos ser outros, diferentes do que somos, para ficarmos alheios ao que se
Abjurar o que, se continuamos a amar e a detestar as mesmas coisas ? Se o de senrolar da História não fêz senão confir
antecipada velhice, ao amargo sabor das
passa no Brasil.
melancolias do inverno, à trisreza do olhar
mentos não puderam destruir a nossa so
retrospectivo e ausente, à decepção e à
licitude, não puderam reduzir o nosso ím
ironia dos que pressentem o fim e vêem
peto, não conseguiram abater a nossa es perança. Permanecemos fiéis a nós mes mos, permanecemos fiéis à nossa adoles cência, aos sonhos da nossa adolescência,
Nous sommes emb-ir '^P metafídr
nossas exist/n
prta hutuan.dade, J5 n5„
P™
vardia, a nossa participaçSo e a nossa interferenca nos negócios da nossa terra evitando, por cálculo e conveniência as palavras que possam ferir ou escandalizar as atitudes que possam abrir os nossos fJancos, expondo-nos à perfídia e ao ata que dos inimigos. Queremos trazer, pública e sinceramen te, o nosso testemunho, pois não estamos aqui para outra coisa senão para testemu
Mesmo quando nos acumpliciamos
as suas mãos vazias.
Mesmo quando tudo nos parece insu portável,
o entendimento entre os ho-
longas noites de ir
remediável
que- se afundam na , terra e que drenam
solidão,
c possível ainda re
a seiva e a substân
Há uma desmesurada grandeza, há um patético irresistível no drama que estamos
As desilusões e os sofri
continuamos presos às nossas essenciais fi-
■ ■■ =
• ..•< iÍl.*.I. Vb#-
- > JL í. ^
I I IÉÉ \
mar os nossos pressentimentos, mostran-
o-nos, enfim, com a evidência cegante dos fatos, que não estávamos errados nas grandes linhas, nas direções gerais do nos so pensamento? Abjurar o que, se o que
dizíamos era apenas uma refração da Verdade que não é nossa, da Verdade que não é privilégio de ninguém, da palavra e do apelo que, do fundo da sua agonia,
DicnsTO
Hesponsabilidade das elites
mens
«los panfletos ou das confissões. A situa rão do mundo e de nossa terra está-se tor
nando de uma tamanha gravidade, que já nao nos e possível considerá-la de longe, como observadores indiferentes e distan-
nVnA' or?endn°'-"'?' n^slvel
presente como se^fe Tml
<iuer da HíírA •
sôbre os honão é mais
momento qua -
ímmanidadc está m próximos e tão
j tornaram-se tão
nhar. Pouco importa que a nossa voz se perca, desfazendo-se no grande mar da in diferença ou da incompreensão. Já vive mos o bastante para saber que os sucessos e as vitórias nunca dependem apenas de
nós, mas também já vivemos o bastante para saber que é sempre possível lutar, mesmo quando a tentação do desespero nos ronda, insistente, quase irresistível. Mesmo quando tódas as vozes se fazem
ouvir, eloqüentes, persuasivas, convidantlo-nos a ensarilhar as armas, oferecendonos insidiosamente as soluções fáceis do compromisso e da abdicação. Mesmo quando os outros caminhos se abrem, os
•Io se confun? ^'^rmantes, e de tal mo vidas, irreme^pí" nossas próprias om sua liberdade'^'^ mente comprometidas
caminhos sem pedras, desimpedidos e lar,gos, da aceitação do mundo, dos seus pres
nossos destinos indiv-j • . ^««regar os
vadem, tornando quase impossível qual quer movimento de entusiasmo, impedin
p..p.rsr5a Íp/c-f
uma loucura, a justiça e a honra
mais distantes e mais perdidas do que nunca, o nosso próprio fervor desaproveirado e escarnecido, os ímpetos de ge
ROLAND CORÍHSIÜR
importa que estas páginas assuP'OUÇO mam o tom veemente e apaixonado
nr.oNóMiCf)
tígios e das suas glórias. Mesmo quando o cansaço, o tédio c a repugnância nos in
nerosidade e de amor tornando-se ridícu
los aos nossos próprios olhos, o desejo, a necessidade de melhorar a vida esbarran
deiidades. Não abjuramos, não renega mos nada. Não pertencemos à raça dos que se esquecem de si mesmos, à raça dos que se despedaçam ao longo da vida. à
raça dos transfugas, à raça dos homens sem memória e sem passado. Entregamos ao tenipo, ao desgaste do tempo, apenas a
do na aridez, no vício, na cegueira dos ho
escoria, somente aquilo que não era es
mens. Mesmo quando a atmosfera se tor na rarefeita, tão pobre de caridade, tão vazia de qualquer estímulo ou de qual quer amparo, mesmo quando todos aque les que nos cercam se tornam irreconhe cíveis V estranhos, recusando-nos qual quer gesto de fra ternidade, mesmo quando aqueles que deveriam ser os mais próximos nos hosti
sencial aos nossos sonhos. O cerne, o re pertório de princípios, o conjunto de con vicções profundas, de afinidades e de repugnâncias, que nos configuram e nos de finem, êsse permanece intocado e vivo.
lizam
ou
não
nos
importa
jam outras e que a altura dos tempos já não seja a mesma. Os ventos e as tem
pestades
arrancam,
carregam as folhas e os ramos frágeis. As
compreendem mais, mesmo quando nos sentimos abandona
dos, perdidos,
Pouco
que as palavras se
raízes, porém, essas que são a fonte do
nas
espírito,
as
raízes
sentido pascaliano da cxwe
""
na aventura
^
do, paralisando qualquer gesto de con fiança e de simpatia humana. Mesmo quando a experiência nos diz, a experiên
dolotosa das
cia que se alimenta do nosso sangue, que
acender a chama da esperança, é possível
cia, essas permanecem ocultas e mergu-
erível ::b™'rren::f:'aT^' das espetanças e dasTu,as7á%*rt
é inútil insistir, que não vale a pena ten tar, que é mais prudente fechar o coração
e necessário ainda lutar.
ao apelo do ideal, ao chamamento do so nho, à quixotesca sedução da vida herói-
lhadas na mesma terra. Nessa terra que é o nosso passado e a nossa infância, os anos ao longo dos quais se desenhou a
vivendo. Precisariam ter "refrigerado as
nossa face, os anos ao longo dos quais nos
rdST^d"' o dtre.to de recusar, por egoistno ou co
ca.
nossas entranhgs", na expressão de Nietz-
íormamos para sempre.
com a nossa própria fraqueza, e falamos
sche, para permanecermos • frios e objeti
a nós mesmos como se fôssemos velhos,
vos em face da sitviação do mundo. Pre
entregando-iios ao que há em nós de esclerosado e morto, ao que há em nós de
cisaríamos ser outros, diferentes do que somos, para ficarmos alheios ao que se
Abjurar o que, se continuamos a amar e a detestar as mesmas coisas ? Se o de senrolar da História não fêz senão confir
antecipada velhice, ao amargo sabor das
passa no Brasil.
melancolias do inverno, à trisreza do olhar
mentos não puderam destruir a nossa so
retrospectivo e ausente, à decepção e à
licitude, não puderam reduzir o nosso ím
ironia dos que pressentem o fim e vêem
peto, não conseguiram abater a nossa es perança. Permanecemos fiéis a nós mes mos, permanecemos fiéis à nossa adoles cência, aos sonhos da nossa adolescência,
Nous sommes emb-ir '^P metafídr
nossas exist/n
prta hutuan.dade, J5 n5„
P™
vardia, a nossa participaçSo e a nossa interferenca nos negócios da nossa terra evitando, por cálculo e conveniência as palavras que possam ferir ou escandalizar as atitudes que possam abrir os nossos fJancos, expondo-nos à perfídia e ao ata que dos inimigos. Queremos trazer, pública e sinceramen te, o nosso testemunho, pois não estamos aqui para outra coisa senão para testemu
Mesmo quando nos acumpliciamos
as suas mãos vazias.
Mesmo quando tudo nos parece insu portável,
o entendimento entre os ho-
longas noites de ir
remediável
que- se afundam na , terra e que drenam
solidão,
c possível ainda re
a seiva e a substân
Há uma desmesurada grandeza, há um patético irresistível no drama que estamos
As desilusões e os sofri
continuamos presos às nossas essenciais fi-
■ ■■ =
• ..•< iÍl.*.I. Vb#-
- > JL í. ^
I I IÉÉ \
mar os nossos pressentimentos, mostran-
o-nos, enfim, com a evidência cegante dos fatos, que não estávamos errados nas grandes linhas, nas direções gerais do nos so pensamento? Abjurar o que, se o que
dizíamos era apenas uma refração da Verdade que não é nossa, da Verdade que não é privilégio de ninguém, da palavra e do apelo que, do fundo da sua agonia,
I >199^ DlOnSTO ncONÓMKQ •5U
DlGliSlO
o Cristo está eternamente dirigindu aos homens ?
Abjurar o que, se sempre nos inscreve
mos numa tradição milenar, que é a úni
ca luz ardendo dentro das trevas, a única
fonte de esperança, a única sabedoria au
têntica, o único caminho que não leva ao
ódio e à destruição, a única tábua em que se podem agarrar os homens miseráveis, os homens desarvorados, os náufragos de uma existência absurda, os homens que se
dilaceram.e se destroem na contradição, na loucura, no mistério ? Há muito, há anos que vivemos sufo cados pela intriga e pela má-fé, há mui to que vivemos sufocados pelo farisaismo
parece que ,a e tempo de reasir, de ten-
res há um que nos parece fundamental, pois não só exprime uma exigência de constituição, um dado da própria nature za, como também c um dos aspectos mais agudos e mais graves da crise contempo
íí à ou-al"'-""'
1"-
o qie tes-
como nação e Zslre
chefes, traçam planos, tomam iniciativas,
que os honiens nunca foram e nunca se
Se nos quiséssemos exprimir em lin guagem aristotélica, indagando qual é a "matéria-prima" e a "forma substanciar* das sociedades humanas, deveríamos res
massa dos empregados. Nas repartições públicas, nas forças armadas, nos sindica
subversão e de desordem que, há séculos,
mo nesses agrupamentos efêmeros, de me
Não há sociedade
ou
grupo humano que, vivendo de modo or ganizado, não apresente essa discrimina ção fundamental entre a massa, ou maior
número de dirigentes. Essa dicotomia en tre muitos
que obedecem e poucos que
qualquer debate sôbre aristocracia e de mocracia. ha um problema mais profundo
e mais serio, que e o da própria Lstitul-
em função de um consentimento tácito, a liderança do grupo, o comando dos outros.
Porque, se os homens são iguais diante cic Deus, na medida cm que têm todos
pontaneamente, como um imperativo de natureza e. de coexistência. Desde o mo mento em que os homens se unem para
são, com certeza, se os considerarmos den tro do plano da natureza, que c também o plano do tempo, o plano da diversida de dos temperamentos, dos caracteres c das vocações . NEo podemos aceitar, por tanto, e rejeitamos como uma mentira, o
comparável à lei física da densidade dos corpos, a maioria indifcrenciada sofre ime
Ha um problema prévio, que antecede
ninos que brincam nas ruas e nos terre nos baldios, a mesma discriminação se opera, o mais forte, o mais valente, o mais intrépido, assumindo, naturalmente,
sas preferencias ou opções em favor dêste ou daquele regimem político. Resulta es
^ven-
*
os patrões, os
uma autoridade.
prios homens, e a "forma substancial" a
tureiros. *
nas fábricas,
sua articulação orgânica sob o influxo de
ponder que a "matéria-prima" s5o os pró-
viver em comum, obedecendo a uma lei
*
escritórios,
tos e corporações de trabalho, nos parti dos políticos, na própria Igreja, são sem pre alguns, é sempre o menor número, é sempre uma elite de chefes que toma o encargo do comando c da direção. E mes
^«1°" "
'
um destino eterno c transcendente, não o
que se encontram as consciências, incapa
zes de discernir as verdades mais elemen tares, as evidências mais gritantes; não fôsse ü est;ido limite de confusão e de
desnorteamento em que nos encontramos, seria quase ridículo querer chamar a aten ção para coisas tão claras, querer insistir em verdades tão simples.
No entanto, parece que essa revisão dc valores, que todos sentem tão necessária c tao urgente, deverá começar pelo comêço. isto c. por um esforço tendente a pôr ordem no pensamento. Nada poderemos
empreender de útil e de fecundo enquanto nao nos dispusermos a romper com ês
se mundo de mitos e de falsos dogmas" que oprimem e desfiguram as consciên
cias. .Nada poderemos fazer enquanto
anonimato da indistinção, assumem uma posição de eminência e de liderança, articalando os membros do grupo em funçiu
vel se aceitarmos a idéia de Deus,
função da qual se poderia estabelecer a
das suas respectivas densidades vitais.
têntica. Desvincular o dogma da igual
vos intolerantes e secr^^;/^e. i
ções agnósticas, de falsas nas e caricaturais,
Essa
igualdade só tem sentido, só é concebíem
única fraternidade humana realmente au
dade do seu suporte metafísico e religioso
regimens e os sistemas são contingentes e variaveis, substituindo-se uns aos outros ao longo do tempo, segundo leis que ca
sociologia para chegar a essa conclusão.
é transformá-lo num mito, numa impos tura, que nos torna cegos e nos impede
nos permitam reconhecê-las e classificálas como sociedades. Entre esses caracte
vem ameaçando o próprio destino da ci
vilização e da cultura: não fôsse a pertur bação extrema dos espíritos, o caos em
(.logma da igualdade dos homens.
Não é necessário ler compêndios de
sua estrutura essencial, devem apresentar traços permanentes, caracteres estáveis que
rão iguais ? Não fôsse a grande onda de
diatamente a ação das minorias mais enér gicas e mais capazes que, emergindo do
çao, da própria essencia da sociedade Os
be aos filósofos da História revelar e de finir. As sociedades humanas, porém, em
trelas solitárias, os gênios, os heróis e os
santos não nos estão mostrando, do fundo
assumem responsabilidades e dirigem a
merado de sonTmC""'^" mercê da aud^rde
de todos os demagogos í tod
da História, brilhando como grandes es
rânea.
comandam nada tem a ver com as nos
ae/uildrdeTSle*'" a de dignidade
escolas, um reduzido número de profcssóres orienta, educa, forma, dentro da dis ciplina c da obediência, o corpo de alu nos numericamente muito superior. Nos
do seu martírio e da sua excepcicnalidade, com uma eloqüência que só os surdos, que só os loucos não conseguem ouvir,
número de dirigidos, e a elite, ou menor
l-ita para pira a"" essa a qualiT fomos feitos. Eirtar, Ou chefia.
51
ECONÓMK.O
Basta
observar
qualquer
agrupamento,
qualquer sociedade humana.
Desde as
de ver a realidade como de fato é.
mais simples e elementares até as mais complexas e perfeitas, desde a família em
Se Deus não existe, em relação a que poderiam os homens ser iguais ? Se Pas
que os filhos, normalmente mais numero
sos, obedecem à autoridade dos pais, até
cal redescobre a geometria aos onze anos, se Mozart começa a compor aos quatro,
as nações, os Estados, em que o povo to
se Napoleão é general, cônsul e impera
do é dirigido por um número proporcio
dor com trinta e cinco anos ? Ao longt)
nalmente insignificante de chefes.
Nas
permanecermos acovardados diante dêsses
tabus, dessas ideias intocáveis
-
inconscienee repertório de crenças d"" "
les que, embora se proclama,» 4
livres, não passam, na realldad^, doíléT P"'»'
Nao aceitamos,
impostrtra, como um veneno pir.to e para a vida, o falso dosma da
tguadade humana. Só admitimos essa Igualdade no plano metafísico e religioso, no plano, precisamente, cuja existência eles contestam e negam. E só podemos admitir, como única forma de democra-
I >199^ DlOnSTO ncONÓMKQ •5U
DlGliSlO
o Cristo está eternamente dirigindu aos homens ?
Abjurar o que, se sempre nos inscreve
mos numa tradição milenar, que é a úni
ca luz ardendo dentro das trevas, a única
fonte de esperança, a única sabedoria au
têntica, o único caminho que não leva ao
ódio e à destruição, a única tábua em que se podem agarrar os homens miseráveis, os homens desarvorados, os náufragos de uma existência absurda, os homens que se
dilaceram.e se destroem na contradição, na loucura, no mistério ? Há muito, há anos que vivemos sufo cados pela intriga e pela má-fé, há mui to que vivemos sufocados pelo farisaismo
parece que ,a e tempo de reasir, de ten-
res há um que nos parece fundamental, pois não só exprime uma exigência de constituição, um dado da própria nature za, como também c um dos aspectos mais agudos e mais graves da crise contempo
íí à ou-al"'-""'
1"-
o qie tes-
como nação e Zslre
chefes, traçam planos, tomam iniciativas,
que os honiens nunca foram e nunca se
Se nos quiséssemos exprimir em lin guagem aristotélica, indagando qual é a "matéria-prima" e a "forma substanciar* das sociedades humanas, deveríamos res
massa dos empregados. Nas repartições públicas, nas forças armadas, nos sindica
subversão e de desordem que, há séculos,
mo nesses agrupamentos efêmeros, de me
Não há sociedade
ou
grupo humano que, vivendo de modo or ganizado, não apresente essa discrimina ção fundamental entre a massa, ou maior
número de dirigentes. Essa dicotomia en tre muitos
que obedecem e poucos que
qualquer debate sôbre aristocracia e de mocracia. ha um problema mais profundo
e mais serio, que e o da própria Lstitul-
em função de um consentimento tácito, a liderança do grupo, o comando dos outros.
Porque, se os homens são iguais diante cic Deus, na medida cm que têm todos
pontaneamente, como um imperativo de natureza e. de coexistência. Desde o mo mento em que os homens se unem para
são, com certeza, se os considerarmos den tro do plano da natureza, que c também o plano do tempo, o plano da diversida de dos temperamentos, dos caracteres c das vocações . NEo podemos aceitar, por tanto, e rejeitamos como uma mentira, o
comparável à lei física da densidade dos corpos, a maioria indifcrenciada sofre ime
Ha um problema prévio, que antecede
ninos que brincam nas ruas e nos terre nos baldios, a mesma discriminação se opera, o mais forte, o mais valente, o mais intrépido, assumindo, naturalmente,
sas preferencias ou opções em favor dêste ou daquele regimem político. Resulta es
^ven-
*
os patrões, os
uma autoridade.
prios homens, e a "forma substancial" a
tureiros. *
nas fábricas,
sua articulação orgânica sob o influxo de
ponder que a "matéria-prima" s5o os pró-
viver em comum, obedecendo a uma lei
*
escritórios,
tos e corporações de trabalho, nos parti dos políticos, na própria Igreja, são sem pre alguns, é sempre o menor número, é sempre uma elite de chefes que toma o encargo do comando c da direção. E mes
^«1°" "
'
um destino eterno c transcendente, não o
que se encontram as consciências, incapa
zes de discernir as verdades mais elemen tares, as evidências mais gritantes; não fôsse ü est;ido limite de confusão e de
desnorteamento em que nos encontramos, seria quase ridículo querer chamar a aten ção para coisas tão claras, querer insistir em verdades tão simples.
No entanto, parece que essa revisão dc valores, que todos sentem tão necessária c tao urgente, deverá começar pelo comêço. isto c. por um esforço tendente a pôr ordem no pensamento. Nada poderemos
empreender de útil e de fecundo enquanto nao nos dispusermos a romper com ês
se mundo de mitos e de falsos dogmas" que oprimem e desfiguram as consciên
cias. .Nada poderemos fazer enquanto
anonimato da indistinção, assumem uma posição de eminência e de liderança, articalando os membros do grupo em funçiu
vel se aceitarmos a idéia de Deus,
função da qual se poderia estabelecer a
das suas respectivas densidades vitais.
têntica. Desvincular o dogma da igual
vos intolerantes e secr^^;/^e. i
ções agnósticas, de falsas nas e caricaturais,
Essa
igualdade só tem sentido, só é concebíem
única fraternidade humana realmente au
dade do seu suporte metafísico e religioso
regimens e os sistemas são contingentes e variaveis, substituindo-se uns aos outros ao longo do tempo, segundo leis que ca
sociologia para chegar a essa conclusão.
é transformá-lo num mito, numa impos tura, que nos torna cegos e nos impede
nos permitam reconhecê-las e classificálas como sociedades. Entre esses caracte
vem ameaçando o próprio destino da ci
vilização e da cultura: não fôsse a pertur bação extrema dos espíritos, o caos em
(.logma da igualdade dos homens.
Não é necessário ler compêndios de
sua estrutura essencial, devem apresentar traços permanentes, caracteres estáveis que
rão iguais ? Não fôsse a grande onda de
diatamente a ação das minorias mais enér gicas e mais capazes que, emergindo do
çao, da própria essencia da sociedade Os
be aos filósofos da História revelar e de finir. As sociedades humanas, porém, em
trelas solitárias, os gênios, os heróis e os
santos não nos estão mostrando, do fundo
assumem responsabilidades e dirigem a
merado de sonTmC""'^" mercê da aud^rde
de todos os demagogos í tod
da História, brilhando como grandes es
rânea.
comandam nada tem a ver com as nos
ae/uildrdeTSle*'" a de dignidade
escolas, um reduzido número de profcssóres orienta, educa, forma, dentro da dis ciplina c da obediência, o corpo de alu nos numericamente muito superior. Nos
do seu martírio e da sua excepcicnalidade, com uma eloqüência que só os surdos, que só os loucos não conseguem ouvir,
número de dirigidos, e a elite, ou menor
l-ita para pira a"" essa a qualiT fomos feitos. Eirtar, Ou chefia.
51
ECONÓMK.O
Basta
observar
qualquer
agrupamento,
qualquer sociedade humana.
Desde as
de ver a realidade como de fato é.
mais simples e elementares até as mais complexas e perfeitas, desde a família em
Se Deus não existe, em relação a que poderiam os homens ser iguais ? Se Pas
que os filhos, normalmente mais numero
sos, obedecem à autoridade dos pais, até
cal redescobre a geometria aos onze anos, se Mozart começa a compor aos quatro,
as nações, os Estados, em que o povo to
se Napoleão é general, cônsul e impera
do é dirigido por um número proporcio
dor com trinta e cinco anos ? Ao longt)
nalmente insignificante de chefes.
Nas
permanecermos acovardados diante dêsses
tabus, dessas ideias intocáveis
-
inconscienee repertório de crenças d"" "
les que, embora se proclama,» 4
livres, não passam, na realldad^, doíléT P"'»'
Nao aceitamos,
impostrtra, como um veneno pir.to e para a vida, o falso dosma da
tguadade humana. Só admitimos essa Igualdade no plano metafísico e religioso, no plano, precisamente, cuja existência eles contestam e negam. E só podemos admitir, como única forma de democra-
DicESTo Econômico
52
cia, a ipualdaclc de tratamento jurídico e a iííualdade de oportunidades que deve ser oferecida a todos, a fim de que todos
DronsTo Econômico
como os
mens que encarnam c representam o es
. campeões do igualitarismo, mesmo esses
pírito. sejam êles hcnWs como César," gê
mo aqueles que se apresentam
menos que são, na expressão de Goethc.
• protofcnômenos, isto é, acontecimentos, I
nios como Shakespcare, ou santds como
C .1 1 • . . . fatos, com .. o valor de sintomas, cuja signi-
í
se possam afirmar em suas diferenças, rea
negam, por sua atitude, pela afirmação da sua diferença c da sua superioridade, os
Francisco dc Assis.
ficaçáo não se esgota nèles mesmos, los,
I
lizando livremente as suas diversas voca ções. Afirmamos que as sociedades hu
princípios que defendem. Se o processo
envolve tôda a categoria ou espécie a que ú
mas
histórico fosse regido por um rigoroso
Nenhuma demagogia, nenhuma propa ganda, nem as catástrofes, nem as revolu
manas só existem como sociedades porque consistem numa maioria articulada por
determinismo, se obetleccsse a leis seme
ções, poderão abolir, ou sequer diminuir,
do aqueles que, pela sua condição de re- '
lhantes às leis da natureza, a interferên
pfesentantes da classe dirigente, se de-
uma minoria, numa massa amorfa organi
cia das minorias que procuram desviar o
zada por uma elite.
seu curso ou acelerá-lo não ficaria total
pertencem. Assim, na vida social. Quan- 1
bém que a. História não é um processo
mente excluída, é claro, mas seriam in
cego e fatal, desencadeado pelas forças eco nômicas, mas um tecido coerente de acon
compreensíveis o desespero e a angústia de certos chefes diante do malogro dos
a distância que separa o homem medío cre. o homem comum, do homem excep cional, do homem superior. Dentro dc uma visão cristã, essa diferença não será absoluta e essencial, mas apenas de grau, de maior ou menor riqueza vital e par-
tecimentos, em que a liberdade do espíri to e a interferência dos homens superio
seus planos ou diante do fracasso de suas
• ticipação no espírito. Se a diferença fôsse
mentò dos outros, então rompe-se o equi- '
tentativas de assalto ao poder. Na pior das hipóteses, poderia haver um adiamen
absoluta, não haveria comunicação possí
líbrio social e criam-se as circunstâncias .! que tornam inevitáveis as revoluções. A ■
to, uma protelação da vitória, mas a par
nhum contato, nenhum entendimento se poderia estabelecer entre elas. Mas, embora não sendo essencial, essa diferença existe, c porque a reconhece mos e accitamo.s é que aceitamos também
cólera dos oprimidos é sempre o resulrado do escândalo das elites, e, na revolta
a responsabilidade que pesa sôbre todos
seus próprios pecados.
aqueles que, cm qualquer plano, represen
O egoísmo e a irresponsabilidade dos •i que deveriam ser os guias, os chefes, o ^
E sustentamos tam
res e das elites desempenham uma função decisiva, o papel mais importante. Dessa insubstituível função das elites decorre, como conseqüência necessária a sua responsabilidade. Se a vida vulgar se
desenrola sob o signo da inércia e de um mmimo de obrigações, a vida nobre está, ao contrário, .sob o signo do esforço, da ascesc, do máximo de encargos e de res
ponsabilidades. O povo, as massas, as multidões nunca são, nunca podem ser responsáveis.
Os seus movimentos são
sempre reflexos, limitando-se a traduzir, em termos de imitação ou de revolta vio
lenta, as idéias, as atitudes, o comporta mento das elites. Mesmo aqueles que, pa ra e eitos demagógicos e subversivos, su perestimam e cortejam as "massas" em nmento as elites, mesmo êsses sabem
perfeitamente que as "massas" só se põem
em movimento e só são utilizáveis revoucionariamente depois de longamente
hipnotizadas pela propaganda, pela dou trinação intensiva, pela exacerbação metó dica dos seus ressentimentos, e só se de sencadeiam e atacam depois de terem sido "cientificamente" organizadas, segundo todas as receitas do partido, sob a infle
xível autoridade dos chefes, dos líderes, dos cabeças. Impossível fugir a essa exigência. Mes
tida estaria antecipadamente ganlui. A fatalidade histórica" garantiria, com matemática certeza, o êxito do que êles
chamam -de "revolução".
A necessidade de agir, porém, tão poderosa e tão irresis tível em certas naturezas, a consciência que tem certos homens de coincidir às
vezes com o destino, e o desastre que po de significar a morte de um líder, com prometendo com seu desaparecimento a
própria sorte da causa abraçada, o que significam senão que a História é um te cido permeável aos gestos humanos, uma trama que se altera e se decompõe de acordo com a força da pressão que sóbre ela exercemos ?
E o que é a vida, o que c a História, senão o permanente esforço do espírito, senão a luta eterna do espírito, procuran
do inserir-se na natureza, na sua própria natureza, a fim de modificá-la, a fim dc reformá-la, de a tornar humana, de fazêla coincidir com o ideal ? Essa luta do
espírito, porém, não se trava no abstrato, não se fere no mundo platônico das idéias puras e desencarnadas, mas se desenrola
vel entre as duas categorias humanas, ne
tam c encarnam a causa do espírito. Sc a educação consiste menos em sermões c em discursos do que no exemplo, na
"silenciosa eloqüência do ser", para usar a expressão de Kierkegaard; se o povo está sempre para as elites na mesma relação cm que os filhos estão para os pais. es
nunciando a qualquer sacrifício, entregan
do-se à fruição egoísta do que é o rèsul- rado do trabalho, do èsfôrço e do sofri-
dos que são vítimas da injustiça, as aristocracias corrompidas não deveriam ver ^
outra coisa senão o reflexo, a imagem dos \
d
exemplo, contaminam como um veneno -
todo o organismo social, comprometendo a confiança na autoridade, destruindo o sen- 1 so da hierarquia, fecundando os ressenti- '
mentos, justificando os protestos, alimen- '• tando os rancores e os ódios, provocando
perando dêles a palavra de orientação, o
as insurreições violentas. A revolta contra
gesto que possam acompanhar, a atitude que lhes sirva de modêlo, então é fácil compreender que nos desastres da Histó
acumula no coraçáo dos homens, levan-
ria a responsabilidade das elites deve ser terrível, deve ser quase total. ■
Em que consiste o fenômeno da deca-' dência, da crise social, senão na decadên
cia é na corrupção das classes dirigentes, que se demitem dos seus deveres e obriga
ções e se tornam indignas das posições que ocupam, usando de suas situações de
a. injupça e como um explosivo que se
do-os da humilhação ao descpêro, do so- »
fnmento ccm^o, sufocado, aS s«.os re- ■ pa aderes da destruição e da vinlança. A rs, el "
°
" culpa maior, i
s5o elas ei queT denunciadas, sao devem comparecer ao tribu- ' : nal da acusaçao e do julgamento. 1 Ai
privilégio em benefício próprio, consu
em plena espessura da existência concreta,
mindo apenas c nada produzindo, rece
entre sêres de carne e osso. E nessa luta,
bendo sem nada restituir, convertendo-se em parasitas do corpo social? Há fenô
que é a vida e que é a História, há ho
mttem de seus deveres e responsabilidades,
atribuindo-se apenas regalias e direitos, re- j
Entendemos por elite o conjunto dos
mais aptos, dos mais capazes, dos supe riores, dos melhores, seja qual fôr a classe
DicESTo Econômico
52
cia, a ipualdaclc de tratamento jurídico e a iííualdade de oportunidades que deve ser oferecida a todos, a fim de que todos
DronsTo Econômico
como os
mens que encarnam c representam o es
. campeões do igualitarismo, mesmo esses
pírito. sejam êles hcnWs como César," gê
mo aqueles que se apresentam
menos que são, na expressão de Goethc.
• protofcnômenos, isto é, acontecimentos, I
nios como Shakespcare, ou santds como
C .1 1 • . . . fatos, com .. o valor de sintomas, cuja signi-
í
se possam afirmar em suas diferenças, rea
negam, por sua atitude, pela afirmação da sua diferença c da sua superioridade, os
Francisco dc Assis.
ficaçáo não se esgota nèles mesmos, los,
I
lizando livremente as suas diversas voca ções. Afirmamos que as sociedades hu
princípios que defendem. Se o processo
envolve tôda a categoria ou espécie a que ú
mas
histórico fosse regido por um rigoroso
Nenhuma demagogia, nenhuma propa ganda, nem as catástrofes, nem as revolu
manas só existem como sociedades porque consistem numa maioria articulada por
determinismo, se obetleccsse a leis seme
ções, poderão abolir, ou sequer diminuir,
do aqueles que, pela sua condição de re- '
lhantes às leis da natureza, a interferên
pfesentantes da classe dirigente, se de-
uma minoria, numa massa amorfa organi
cia das minorias que procuram desviar o
zada por uma elite.
seu curso ou acelerá-lo não ficaria total
pertencem. Assim, na vida social. Quan- 1
bém que a. História não é um processo
mente excluída, é claro, mas seriam in
cego e fatal, desencadeado pelas forças eco nômicas, mas um tecido coerente de acon
compreensíveis o desespero e a angústia de certos chefes diante do malogro dos
a distância que separa o homem medío cre. o homem comum, do homem excep cional, do homem superior. Dentro dc uma visão cristã, essa diferença não será absoluta e essencial, mas apenas de grau, de maior ou menor riqueza vital e par-
tecimentos, em que a liberdade do espíri to e a interferência dos homens superio
seus planos ou diante do fracasso de suas
• ticipação no espírito. Se a diferença fôsse
mentò dos outros, então rompe-se o equi- '
tentativas de assalto ao poder. Na pior das hipóteses, poderia haver um adiamen
absoluta, não haveria comunicação possí
líbrio social e criam-se as circunstâncias .! que tornam inevitáveis as revoluções. A ■
to, uma protelação da vitória, mas a par
nhum contato, nenhum entendimento se poderia estabelecer entre elas. Mas, embora não sendo essencial, essa diferença existe, c porque a reconhece mos e accitamo.s é que aceitamos também
cólera dos oprimidos é sempre o resulrado do escândalo das elites, e, na revolta
a responsabilidade que pesa sôbre todos
seus próprios pecados.
aqueles que, cm qualquer plano, represen
O egoísmo e a irresponsabilidade dos •i que deveriam ser os guias, os chefes, o ^
E sustentamos tam
res e das elites desempenham uma função decisiva, o papel mais importante. Dessa insubstituível função das elites decorre, como conseqüência necessária a sua responsabilidade. Se a vida vulgar se
desenrola sob o signo da inércia e de um mmimo de obrigações, a vida nobre está, ao contrário, .sob o signo do esforço, da ascesc, do máximo de encargos e de res
ponsabilidades. O povo, as massas, as multidões nunca são, nunca podem ser responsáveis.
Os seus movimentos são
sempre reflexos, limitando-se a traduzir, em termos de imitação ou de revolta vio
lenta, as idéias, as atitudes, o comporta mento das elites. Mesmo aqueles que, pa ra e eitos demagógicos e subversivos, su perestimam e cortejam as "massas" em nmento as elites, mesmo êsses sabem
perfeitamente que as "massas" só se põem
em movimento e só são utilizáveis revoucionariamente depois de longamente
hipnotizadas pela propaganda, pela dou trinação intensiva, pela exacerbação metó dica dos seus ressentimentos, e só se de sencadeiam e atacam depois de terem sido "cientificamente" organizadas, segundo todas as receitas do partido, sob a infle
xível autoridade dos chefes, dos líderes, dos cabeças. Impossível fugir a essa exigência. Mes
tida estaria antecipadamente ganlui. A fatalidade histórica" garantiria, com matemática certeza, o êxito do que êles
chamam -de "revolução".
A necessidade de agir, porém, tão poderosa e tão irresis tível em certas naturezas, a consciência que tem certos homens de coincidir às
vezes com o destino, e o desastre que po de significar a morte de um líder, com prometendo com seu desaparecimento a
própria sorte da causa abraçada, o que significam senão que a História é um te cido permeável aos gestos humanos, uma trama que se altera e se decompõe de acordo com a força da pressão que sóbre ela exercemos ?
E o que é a vida, o que c a História, senão o permanente esforço do espírito, senão a luta eterna do espírito, procuran
do inserir-se na natureza, na sua própria natureza, a fim de modificá-la, a fim dc reformá-la, de a tornar humana, de fazêla coincidir com o ideal ? Essa luta do
espírito, porém, não se trava no abstrato, não se fere no mundo platônico das idéias puras e desencarnadas, mas se desenrola
vel entre as duas categorias humanas, ne
tam c encarnam a causa do espírito. Sc a educação consiste menos em sermões c em discursos do que no exemplo, na
"silenciosa eloqüência do ser", para usar a expressão de Kierkegaard; se o povo está sempre para as elites na mesma relação cm que os filhos estão para os pais. es
nunciando a qualquer sacrifício, entregan
do-se à fruição egoísta do que é o rèsul- rado do trabalho, do èsfôrço e do sofri-
dos que são vítimas da injustiça, as aristocracias corrompidas não deveriam ver ^
outra coisa senão o reflexo, a imagem dos \
d
exemplo, contaminam como um veneno -
todo o organismo social, comprometendo a confiança na autoridade, destruindo o sen- 1 so da hierarquia, fecundando os ressenti- '
mentos, justificando os protestos, alimen- '• tando os rancores e os ódios, provocando
perando dêles a palavra de orientação, o
as insurreições violentas. A revolta contra
gesto que possam acompanhar, a atitude que lhes sirva de modêlo, então é fácil compreender que nos desastres da Histó
acumula no coraçáo dos homens, levan-
ria a responsabilidade das elites deve ser terrível, deve ser quase total. ■
Em que consiste o fenômeno da deca-' dência, da crise social, senão na decadên
cia é na corrupção das classes dirigentes, que se demitem dos seus deveres e obriga
ções e se tornam indignas das posições que ocupam, usando de suas situações de
a. injupça e como um explosivo que se
do-os da humilhação ao descpêro, do so- »
fnmento ccm^o, sufocado, aS s«.os re- ■ pa aderes da destruição e da vinlança. A rs, el "
°
" culpa maior, i
s5o elas ei queT denunciadas, sao devem comparecer ao tribu- ' : nal da acusaçao e do julgamento. 1 Ai
privilégio em benefício próprio, consu
em plena espessura da existência concreta,
mindo apenas c nada produzindo, rece
entre sêres de carne e osso. E nessa luta,
bendo sem nada restituir, convertendo-se em parasitas do corpo social? Há fenô
que é a vida e que é a História, há ho
mttem de seus deveres e responsabilidades,
atribuindo-se apenas regalias e direitos, re- j
Entendemos por elite o conjunto dos
mais aptos, dos mais capazes, dos supe riores, dos melhores, seja qual fôr a classe
,1. * «4
DiGRSTo Econômico
54
a que pertençam, seja qual fôr a sua pro cedência ou origem.
Pois não confundi
mos a elite com as aristocracias de sangue e de privilégios hereditários, e entre as elites distinguimos as técnicas, as sociais, as políticas e as intelectuais.
Se voltarmos os olhos para a nossa
terra, se considerarmos o Brasil, não jx)deremos deixar de reconhecer que um dos aspectos, talvez o mais grave da crise na
cional, é a carência e a frustração das elites brasileiras. Num país com um mínimo de tradição, em que o passado
é tão vazio e tão pobre, povoado por al guns grandes vultos isolados que não che gam a assumir as proporções de gênios
e de heróis; num país em que o tempo anterior não é uma substância densa e rica em que nos possamos inserir para nos
alimentar; num país em que os raros exemplos de grandeza autêntica não che gam a se propagar, criando uma atmos
fera que impregnasse a vida comum; num pais tao esquecido de si mesmo e do
pouco de que se poderiam lembrar- num pais que se lança nas mais desastradas
DlGBSlo
preendimentos e as iniciativas se desman cham e desaparecem sem deixar vestígios, ao sopro dos menores ventos: num país em que só poderemos fugir ao desespe
bt.ONOMlCO
cuja concepção implica a consciência de
zando os requintes literários e os gran des gestos de elegância política. "No Par
pre subordinadas a planos de conjunto,
interesses e ncccs.sidades mais amplos e
lamento está a verdadeira literatura brasi
ro se o amarmos não como uma realida
que constitui pròpriamente a "política".
de presente mas como uma esperança, co mo uma imagem futura; num país assim,
Não nos faltam técnicos, não nos falra a
leira desse período imperial da nossa his tória", escreve Trismo de Ataíde. Figu
capacidade «.le pro<.luzi-los ou Je impor tá-los, e mesmo que houvesse dificuldades
buco. Ouro Preto, emprestam à vida polí
não pode deixar de ser decisiva, funda
mental, a interferência e a participação
em fazer uma coisa ou outra, esse seria
das elites.
.sempre um aspecto secumlário da
A função animadora e vivi-
ficante, o esforço no sentido de esclarecer,
(de definir, de decifrar o resolver os pro
blemas, o esforço tendente a configurar e criar o que ainda não cxi.ste e precisa. existir, o trabalho, o.ingente trabalho de estruturação nacional, esse não poderá
ser feito de baixo para cima. como as er vas que nascem espontaneamente do chão.
fissc trabalho é o destino e a missão das elites brasileiras.
Não nos referimos de modo e.special aos técnicos que, por definição, vivem confinados em suas especialidades. O téc nico, enquanto tal, é o homem que delibe-
raclamente circunscreve e limita o campo
nossa
crise.
O aspecto mais importante, que está modificando a própria fisionomia da nos sa vida. é o que resulta, como tibserva
Sérgio Buarque de Holanda,
da única
deslocamento do eixo da vida brasileira
triarcal em que" repousava a vida.econô mica do Império.
O equilíbrio da sua balança comercial é assegurado pelas grandes exportações de café.
O fenômeno, porém, o novo sen
executa a sua tarefa. 0.s técnicos podem ■ser produzidos em série, nos estabeleci
mo com a lei de 13 de Maio,
pais em que as palavras e os gestos não comprometem e não têm nenhuma importancia. porque se perdera sempre no
faltam e não se encontram, também po
imediato esquecimento; num país que ainda hesita à procura da sua própria fisionomia; num pais ainda incerto a res
peito da sua própria alma; num país que a rigor ainda não existe como unidade, senão virtual e latente; num país em qi-e tudo está por fazer, em que quase tudo deve ser inventado e criado; num país amorfo e disponível, tentado pelas oaixões passivas do relaxamento e da pmguiça; num país em que as coisas parecem pão poder tomar forma, em que os em
dem ser importados,
E quando
pois c indiferente
•montar uma máquina ou fabricar anilinas
no sul da África ou no planalto de São Paulo.
A- função do técnico se reduz a
ajudar os homens a dominar a natureza e a produzir objetos úteis e necessários. Só
a insensatez da nossa época c que poderia inventar o absunlo d-a "tecnocracia",
o
absurdo de uma sociedade governada por aqueles que, não tendo visão de conjunto, não tendo consciência
da totalidade dos
problemas, só podem ser aplicados como instrumentos, na visão e na execução do detalhe. As funções técnicas estão sem-
lítica autêntica, cuja formação se tornara
do campo para as cidades, da agricultura para a indústria. Durante a primeira re pública, apesar tias tentativas incipientes de industrialização, a economia do Paí.s continua a repousar sobre a agricultura.
conseguiu ainda constituir uma experiên cia nacional, uma memória de povo; num
mentos de ensino adequados.
problemas nacionais, êsses homens eram
as expressões mais altas de uma elite po possível graças à estrutura agrícola e pa
tido do nosso desenvolvimento já se acu sa com perfeita nitidez.
do riso às lágrimas; num país que não
tica do Segundo Império uma grandeza e uma dignidade que não conseguimos mais alcançar. Modelos de patriotismo, de es pirito, público, de lúcida compreensão dos
verdadeira revolução da nossa história, do
da sua consciência. A responsabilidade que lhe cabe está apenas em proporção com o critério e a honestidade com que
aventuras com a mconsciência das crianças, que passam das lágrimas ao riso e
ras como Paraná, Caxias, Rio Branco. Na-
O Império, que se sacrificara a si mes tinha na
estrutura agrícola, patriarcal e escravocra
ta, a sua base econômica de sustentação, a fórmula do seu prestígio e da sua força. Os grandes vultos da política imperial são todos, ou 'quase todos, aristocratas rurais, senhores cie engenho que aprenderam la tim e humanidades, nas próprias "casas
grandes", adquirindo a formação supe rior, freqüentemente, nas escolas e univer
sidades.européias. A elite social, ao tem po do Império, era também a elite polí tica e, não raro, a sua elite intelectual.
O
Parlamento era um resumo e um espelho da nossa vida, um cenáculo em que se fa ziam ouvir as vozes mais representativas da Nação. A atmosfera romântica do fim do sécu
lo favorecia o gosto, pela oratória, valori
Do ponto de vista étnico, ainda éramos
o resultado da fusão das três raças, do ín
dio natural do País, do colonizador por tuguês e do escravo africano. A nossa psicologia, resultado dessa fusão, assumira
formas relativamente estáveis que se refle tiam na literatura e em nosso comporta mento político e social.
Essa maneira de
ser, em que começava a se configurar uma
alma originai, encontra a sua expressão mais fiel em algumas obras da nossa lite ratura e, de modo especial,* na de Macha
do de Assis. Embora marcada, do ponto de vista político, pela influência inglesa, e. do ponto de vista literário, pela inluencia francesa, a atmosfera do Segundo Império e profundamente brasileira, ab sorvendo e transformando em valores na cionais, em gestos e em criações tipica
mente
nossos,
aquelas
influências es
tranhas.
Com a abolição da escravatura e com a proclamação da República, inaugura-se um novo período em nossa história.
A trans
formação não é apenas política, mas tam bém econômica e principalmente social. A supressão do trabalho servi],
compro
metendo a estabilidade da estrutura agrá ria e patriarcal, determina a nova política
,1. * «4
DiGRSTo Econômico
54
a que pertençam, seja qual fôr a sua pro cedência ou origem.
Pois não confundi
mos a elite com as aristocracias de sangue e de privilégios hereditários, e entre as elites distinguimos as técnicas, as sociais, as políticas e as intelectuais.
Se voltarmos os olhos para a nossa
terra, se considerarmos o Brasil, não jx)deremos deixar de reconhecer que um dos aspectos, talvez o mais grave da crise na
cional, é a carência e a frustração das elites brasileiras. Num país com um mínimo de tradição, em que o passado
é tão vazio e tão pobre, povoado por al guns grandes vultos isolados que não che gam a assumir as proporções de gênios
e de heróis; num país em que o tempo anterior não é uma substância densa e rica em que nos possamos inserir para nos
alimentar; num país em que os raros exemplos de grandeza autêntica não che gam a se propagar, criando uma atmos
fera que impregnasse a vida comum; num pais tao esquecido de si mesmo e do
pouco de que se poderiam lembrar- num pais que se lança nas mais desastradas
DlGBSlo
preendimentos e as iniciativas se desman cham e desaparecem sem deixar vestígios, ao sopro dos menores ventos: num país em que só poderemos fugir ao desespe
bt.ONOMlCO
cuja concepção implica a consciência de
zando os requintes literários e os gran des gestos de elegância política. "No Par
pre subordinadas a planos de conjunto,
interesses e ncccs.sidades mais amplos e
lamento está a verdadeira literatura brasi
ro se o amarmos não como uma realida
que constitui pròpriamente a "política".
de presente mas como uma esperança, co mo uma imagem futura; num país assim,
Não nos faltam técnicos, não nos falra a
leira desse período imperial da nossa his tória", escreve Trismo de Ataíde. Figu
capacidade «.le pro<.luzi-los ou Je impor tá-los, e mesmo que houvesse dificuldades
buco. Ouro Preto, emprestam à vida polí
não pode deixar de ser decisiva, funda
mental, a interferência e a participação
em fazer uma coisa ou outra, esse seria
das elites.
.sempre um aspecto secumlário da
A função animadora e vivi-
ficante, o esforço no sentido de esclarecer,
(de definir, de decifrar o resolver os pro
blemas, o esforço tendente a configurar e criar o que ainda não cxi.ste e precisa. existir, o trabalho, o.ingente trabalho de estruturação nacional, esse não poderá
ser feito de baixo para cima. como as er vas que nascem espontaneamente do chão.
fissc trabalho é o destino e a missão das elites brasileiras.
Não nos referimos de modo e.special aos técnicos que, por definição, vivem confinados em suas especialidades. O téc nico, enquanto tal, é o homem que delibe-
raclamente circunscreve e limita o campo
nossa
crise.
O aspecto mais importante, que está modificando a própria fisionomia da nos sa vida. é o que resulta, como tibserva
Sérgio Buarque de Holanda,
da única
deslocamento do eixo da vida brasileira
triarcal em que" repousava a vida.econô mica do Império.
O equilíbrio da sua balança comercial é assegurado pelas grandes exportações de café.
O fenômeno, porém, o novo sen
executa a sua tarefa. 0.s técnicos podem ■ser produzidos em série, nos estabeleci
mo com a lei de 13 de Maio,
pais em que as palavras e os gestos não comprometem e não têm nenhuma importancia. porque se perdera sempre no
faltam e não se encontram, também po
imediato esquecimento; num país que ainda hesita à procura da sua própria fisionomia; num pais ainda incerto a res
peito da sua própria alma; num país que a rigor ainda não existe como unidade, senão virtual e latente; num país em qi-e tudo está por fazer, em que quase tudo deve ser inventado e criado; num país amorfo e disponível, tentado pelas oaixões passivas do relaxamento e da pmguiça; num país em que as coisas parecem pão poder tomar forma, em que os em
dem ser importados,
E quando
pois c indiferente
•montar uma máquina ou fabricar anilinas
no sul da África ou no planalto de São Paulo.
A- função do técnico se reduz a
ajudar os homens a dominar a natureza e a produzir objetos úteis e necessários. Só
a insensatez da nossa época c que poderia inventar o absunlo d-a "tecnocracia",
o
absurdo de uma sociedade governada por aqueles que, não tendo visão de conjunto, não tendo consciência
da totalidade dos
problemas, só podem ser aplicados como instrumentos, na visão e na execução do detalhe. As funções técnicas estão sem-
lítica autêntica, cuja formação se tornara
do campo para as cidades, da agricultura para a indústria. Durante a primeira re pública, apesar tias tentativas incipientes de industrialização, a economia do Paí.s continua a repousar sobre a agricultura.
conseguiu ainda constituir uma experiên cia nacional, uma memória de povo; num
mentos de ensino adequados.
problemas nacionais, êsses homens eram
as expressões mais altas de uma elite po possível graças à estrutura agrícola e pa
tido do nosso desenvolvimento já se acu sa com perfeita nitidez.
do riso às lágrimas; num país que não
tica do Segundo Império uma grandeza e uma dignidade que não conseguimos mais alcançar. Modelos de patriotismo, de es pirito, público, de lúcida compreensão dos
verdadeira revolução da nossa história, do
da sua consciência. A responsabilidade que lhe cabe está apenas em proporção com o critério e a honestidade com que
aventuras com a mconsciência das crianças, que passam das lágrimas ao riso e
ras como Paraná, Caxias, Rio Branco. Na-
O Império, que se sacrificara a si mes tinha na
estrutura agrícola, patriarcal e escravocra
ta, a sua base econômica de sustentação, a fórmula do seu prestígio e da sua força. Os grandes vultos da política imperial são todos, ou 'quase todos, aristocratas rurais, senhores cie engenho que aprenderam la tim e humanidades, nas próprias "casas
grandes", adquirindo a formação supe rior, freqüentemente, nas escolas e univer
sidades.européias. A elite social, ao tem po do Império, era também a elite polí tica e, não raro, a sua elite intelectual.
O
Parlamento era um resumo e um espelho da nossa vida, um cenáculo em que se fa ziam ouvir as vozes mais representativas da Nação. A atmosfera romântica do fim do sécu
lo favorecia o gosto, pela oratória, valori
Do ponto de vista étnico, ainda éramos
o resultado da fusão das três raças, do ín
dio natural do País, do colonizador por tuguês e do escravo africano. A nossa psicologia, resultado dessa fusão, assumira
formas relativamente estáveis que se refle tiam na literatura e em nosso comporta mento político e social.
Essa maneira de
ser, em que começava a se configurar uma
alma originai, encontra a sua expressão mais fiel em algumas obras da nossa lite ratura e, de modo especial,* na de Macha
do de Assis. Embora marcada, do ponto de vista político, pela influência inglesa, e. do ponto de vista literário, pela inluencia francesa, a atmosfera do Segundo Império e profundamente brasileira, ab sorvendo e transformando em valores na cionais, em gestos e em criações tipica
mente
nossos,
aquelas
influências es
tranhas.
Com a abolição da escravatura e com a proclamação da República, inaugura-se um novo período em nossa história.
A trans
formação não é apenas política, mas tam bém econômica e principalmente social. A supressão do trabalho servi],
compro
metendo a estabilidade da estrutura agrá ria e patriarcal, determina a nova política
DiGESTo Econômico DIG BSTO ÜC-C)NÓ N11(:0
í
temos o dever dc conservar c defender.
do seio dessas .classes que saíam, até al- '
guns anos atrás, os nossos homens públi-
branco e europeu, necessário à substitui-
colonial, povoada pelos índios e pelos portugueses, que viveu, durante os pri
tar a decadência
^o do escravo africano libertado.
meiros séculos da nossa história, à sombra
nais c condenar o advento da nova bur
eleitoral da mediocridade, da incompe
imigratória e a importação do trabalhador A eco
Seria ingênuo e inconseqüente lamen das estruturas tradicio
COS.
O advento espetacular, triunfo c5pciu*.uiar, o o triunio -»
j_
>•_ _
• 1
1
nomia se desloca, de um modo geral, do
da solicitude e do zelo aposcolar dos je
Nordeste para o Sul,
guesia urbana ainda não assimilada i>elo
tência e da falta de escrúpulos, foi, para %
suítas, resume, em seu progresso c em seu
nosso meio.
as antigas elites brasileiras, menos uma
extraordinário
to, de uma realidade que é preciso apenas
dos engenhos de
açúcar para as fazendas de café. E surge uma segunda aristocracia rural, ainda edu
cada nas tradições e na atmosfera do Im
pério, e da qual são legítimas expressões os grandes presidentes paulistas, Campos Sales, Prudente de Morais e Rodrigues Alves. Das famílias tradicionais, com ra ras exceções, ainda saem os nossos homens
públicos, embora a política republicana não apresente mais, como observa Olivei
ra Viana, a grandeza e a dignidade dos últimos anos do Império.
A nova linha de desenvolvimento já esta, porém, perfeitamente marcada.
A
industrializado coincide com a vinda de grandes correntes de imigrantes europeus que trazem para o Brasil o hábito do tra
desenvolvimento,
essa
transformação característica da nossa vida contemporânea. A concentração indus
formação pela qual estamos passando nes sa conversão da nossa vida econômica das suas antigas formas agrárias às novas for mas industriais e urbanas. Coincidindo também com essa transformação, com a ruína e a decadência de muitas das anti gas famílias rurais, processou-se o cresci mento das grandes cidades e a formação de uma nova burguesia cosmopolita e ur
<
*: ' ' ' ^
política. As antigas elites políticas, oriun das da aristocracia rural c cafeeira, se des
imolação.
modo particularmente agudo, não só no
Não houve, porém, durante os anos de rtfgimem ditatorial, a possibilidade de se
gos brasileiros para as mãos dos novos
os anos dc cancelamento da nossa vida
terreno social como também
no terreno
.político.
Além daqueles que se identificaram co nosco, incorporando-se à comunhão na
cional, ajudando-nos a promover o nosso progres-so, além dos que se tornaram real
zível de recém-chegados, uma onda flu tuante de desenraizados, trazendo a''psico-
pria capacidade de luta, constituíram os
A nossa mais recente experiência demo-
tes, provocou um desequilíbrio, uma crise cujas conseqüências se fazem sentir de ,
tou, tornando-se ainda mais nítido duran
cessidade de se afirmarem e vencer Li bertos de qualquer orgulho ancestral de qualquer preconceito aristocrático em' re lação ao trabalho, precisando afirmar-se imigrantes um fator decisivo nessa trans
humilhação do que ura merecido castigo, í
brasileiros, imigrantes c seus descenden
e romancistas, êsse fenômeno se precipi
trial e urbana, a transferência de muitas das grandes fortunas das mãos dos anti
mente brasileiros e que são, sem dúvida, o maior número, uma massa não despre
através do seu próprio valor, da sua pró-
Assinalado por sociólogos
crática tem o valor de uma lição de coisas, mostrando-nos que úada é possível azer, nada e possível conseguir sem esforço e sem trabalho, sem espírito de sacrifício. sem capacidade de renúncia e de
balho organizado, o senso da economia
o espirito de iniciativa e o desejo, a ne
compreender.
E.stamos diante de um fa
logia do aventureiro sem escrúpulos, que precisa 'vencer" a todo transe, que pre cisa fazer a América", está ameaçando a nossa própria fisionomia de povo, crian do uma atmosfera que não é a nossa, criando a mentalidade do "arrivismo", da
te os anos da guerra, que foram também
gastaram c envelheceram no ostracismo.
constituírem novas elites que se poderiam ter formado no livre jôgo da política de mocrática.
E se homens que não nos parecem cre
denciados se tornaram líderes e se apre
postos de governo, não teria sentido re criminá-los, pois não fizeram senão ten
duzmdo os mais medíocres à 1,,^
tar a sua "chance", trazendo para a polí
tica o meshio espírito dc aventura e de
jôgo com que empreendem seus negócios, beneficiando-se da inépcia, do sectarismo e da vaidade daqueles que, considerando-
ae os representantes da classe até então di rigente, não conseguiram ou não se qui
econômico como única forma válida de
nos em função do passado do que em fun ção do futuro, se somos um país em que quase tudo ainda está por fazer, em que quase tudo deve sec inventado e criado,
nem por isso nos devemos entregar pas
çao, condenou os moços ao desespero con ^ ?'
dinheiro pelo nao ê.l.osenoresiimtca:„p\'« fiSo ' nal. Ose que sacrifícío, os que não se conform"^ ^
essa abdicação, permaneceram dos, sem nada poder dizer der fazer, esforçando-se
nadar, em sobreviver ao que os devorava, perrl^
'
sa atual vida política, deveriam êstes re
bito de usar a liberdade
^^sim o há-
conhecer e aceitar a sua parte de respon
foi restituída, pelac Brasileiro, já não
Na miséria da nos
sabilidade, indagando o que faziam en quanto os aventureiros e os demagogos
gá-Ia, já não sabíamosT°^
trabalhavam na organização dos seus par
Os outros haviam usa.q«
tidos e na conquista do eleitorado. Misturadas e impuras, entregues a uma
vida leviana e irresponsável, as nossas "eli
bana, sem raízes na terra, que, pela rapi
sivamente a essa nova e perigosa influên
dez com que se constituiu, ainda não teve
tes sociais" de há muito se demitiram de
cia, que nos poderia arrancar dgs nossas
tempo de se vincular ao nosso passado e de se incorporar à nossa atmosfera e à nossa psicologia. A cidade em que nascemos, a vilazinha
próprias raízes, fazendo-nos esquecer os • traços do nosso próprio caráter, a tradi
seus encargos e devores, e já nada mais significam senão corrupção e decadência. E essa decadência não é apenas social e econômica, mas também política, pois é
ção que, embora pobre, ainda é a nossa, ainda é uma herança, um patrimônio que
mos, de programas, de chefes O " ' mem ditatorial, interrompendo « o!^^' vida política, fechando todos os cam* í
tornando impossível qualquer paríi"^^
seram unir e vencer.
Se somos um país que deve viver me
a,o, d,ante da ausência de partidos, de m' '
sentaram como candidatos aos mais altos
obcessão do negócio e do lucro, do êxito consagração social.
Verifiamos, então, que estávnmos sem ' ehtes pclutcãs, que as antigas se mostra ram decadentes e imprestáveis, e verifica mos também que estávamos diante do va i
dade havia subsistido e enriquecer; nós sofrei
mo quem f casse ÍÍT'
ela nos Exército
negoc.os
resDirar ee, J respirar ao mesmo subitamente tempo, sem não conse poder guisse morrer.
Sentíamo-nos ridículos e inúteis, sem sa mocldade, do nosso jovem ardor, do ^
DiGESTo Econômico DIG BSTO ÜC-C)NÓ N11(:0
í
temos o dever dc conservar c defender.
do seio dessas .classes que saíam, até al- '
guns anos atrás, os nossos homens públi-
branco e europeu, necessário à substitui-
colonial, povoada pelos índios e pelos portugueses, que viveu, durante os pri
tar a decadência
^o do escravo africano libertado.
meiros séculos da nossa história, à sombra
nais c condenar o advento da nova bur
eleitoral da mediocridade, da incompe
imigratória e a importação do trabalhador A eco
Seria ingênuo e inconseqüente lamen das estruturas tradicio
COS.
O advento espetacular, triunfo c5pciu*.uiar, o o triunio -»
j_
>•_ _
• 1
1
nomia se desloca, de um modo geral, do
da solicitude e do zelo aposcolar dos je
Nordeste para o Sul,
guesia urbana ainda não assimilada i>elo
tência e da falta de escrúpulos, foi, para %
suítas, resume, em seu progresso c em seu
nosso meio.
as antigas elites brasileiras, menos uma
extraordinário
to, de uma realidade que é preciso apenas
dos engenhos de
açúcar para as fazendas de café. E surge uma segunda aristocracia rural, ainda edu
cada nas tradições e na atmosfera do Im
pério, e da qual são legítimas expressões os grandes presidentes paulistas, Campos Sales, Prudente de Morais e Rodrigues Alves. Das famílias tradicionais, com ra ras exceções, ainda saem os nossos homens
públicos, embora a política republicana não apresente mais, como observa Olivei
ra Viana, a grandeza e a dignidade dos últimos anos do Império.
A nova linha de desenvolvimento já esta, porém, perfeitamente marcada.
A
industrializado coincide com a vinda de grandes correntes de imigrantes europeus que trazem para o Brasil o hábito do tra
desenvolvimento,
essa
transformação característica da nossa vida contemporânea. A concentração indus
formação pela qual estamos passando nes sa conversão da nossa vida econômica das suas antigas formas agrárias às novas for mas industriais e urbanas. Coincidindo também com essa transformação, com a ruína e a decadência de muitas das anti gas famílias rurais, processou-se o cresci mento das grandes cidades e a formação de uma nova burguesia cosmopolita e ur
<
*: ' ' ' ^
política. As antigas elites políticas, oriun das da aristocracia rural c cafeeira, se des
imolação.
modo particularmente agudo, não só no
Não houve, porém, durante os anos de rtfgimem ditatorial, a possibilidade de se
gos brasileiros para as mãos dos novos
os anos dc cancelamento da nossa vida
terreno social como também
no terreno
.político.
Além daqueles que se identificaram co nosco, incorporando-se à comunhão na
cional, ajudando-nos a promover o nosso progres-so, além dos que se tornaram real
zível de recém-chegados, uma onda flu tuante de desenraizados, trazendo a''psico-
pria capacidade de luta, constituíram os
A nossa mais recente experiência demo-
tes, provocou um desequilíbrio, uma crise cujas conseqüências se fazem sentir de ,
tou, tornando-se ainda mais nítido duran
cessidade de se afirmarem e vencer Li bertos de qualquer orgulho ancestral de qualquer preconceito aristocrático em' re lação ao trabalho, precisando afirmar-se imigrantes um fator decisivo nessa trans
humilhação do que ura merecido castigo, í
brasileiros, imigrantes c seus descenden
e romancistas, êsse fenômeno se precipi
trial e urbana, a transferência de muitas das grandes fortunas das mãos dos anti
mente brasileiros e que são, sem dúvida, o maior número, uma massa não despre
através do seu próprio valor, da sua pró-
Assinalado por sociólogos
crática tem o valor de uma lição de coisas, mostrando-nos que úada é possível azer, nada e possível conseguir sem esforço e sem trabalho, sem espírito de sacrifício. sem capacidade de renúncia e de
balho organizado, o senso da economia
o espirito de iniciativa e o desejo, a ne
compreender.
E.stamos diante de um fa
logia do aventureiro sem escrúpulos, que precisa 'vencer" a todo transe, que pre cisa fazer a América", está ameaçando a nossa própria fisionomia de povo, crian do uma atmosfera que não é a nossa, criando a mentalidade do "arrivismo", da
te os anos da guerra, que foram também
gastaram c envelheceram no ostracismo.
constituírem novas elites que se poderiam ter formado no livre jôgo da política de mocrática.
E se homens que não nos parecem cre
denciados se tornaram líderes e se apre
postos de governo, não teria sentido re criminá-los, pois não fizeram senão ten
duzmdo os mais medíocres à 1,,^
tar a sua "chance", trazendo para a polí
tica o meshio espírito dc aventura e de
jôgo com que empreendem seus negócios, beneficiando-se da inépcia, do sectarismo e da vaidade daqueles que, considerando-
ae os representantes da classe até então di rigente, não conseguiram ou não se qui
econômico como única forma válida de
nos em função do passado do que em fun ção do futuro, se somos um país em que quase tudo ainda está por fazer, em que quase tudo deve sec inventado e criado,
nem por isso nos devemos entregar pas
çao, condenou os moços ao desespero con ^ ?'
dinheiro pelo nao ê.l.osenoresiimtca:„p\'« fiSo ' nal. Ose que sacrifícío, os que não se conform"^ ^
essa abdicação, permaneceram dos, sem nada poder dizer der fazer, esforçando-se
nadar, em sobreviver ao que os devorava, perrl^
'
sa atual vida política, deveriam êstes re
bito de usar a liberdade
^^sim o há-
conhecer e aceitar a sua parte de respon
foi restituída, pelac Brasileiro, já não
Na miséria da nos
sabilidade, indagando o que faziam en quanto os aventureiros e os demagogos
gá-Ia, já não sabíamosT°^
trabalhavam na organização dos seus par
Os outros haviam usa.q«
tidos e na conquista do eleitorado. Misturadas e impuras, entregues a uma
vida leviana e irresponsável, as nossas "eli
bana, sem raízes na terra, que, pela rapi
sivamente a essa nova e perigosa influên
dez com que se constituiu, ainda não teve
tes sociais" de há muito se demitiram de
cia, que nos poderia arrancar dgs nossas
tempo de se vincular ao nosso passado e de se incorporar à nossa atmosfera e à nossa psicologia. A cidade em que nascemos, a vilazinha
próprias raízes, fazendo-nos esquecer os • traços do nosso próprio caráter, a tradi
seus encargos e devores, e já nada mais significam senão corrupção e decadência. E essa decadência não é apenas social e econômica, mas também política, pois é
ção que, embora pobre, ainda é a nossa, ainda é uma herança, um patrimônio que
mos, de programas, de chefes O " ' mem ditatorial, interrompendo « o!^^' vida política, fechando todos os cam* í
tornando impossível qualquer paríi"^^
seram unir e vencer.
Se somos um país que deve viver me
a,o, d,ante da ausência de partidos, de m' '
sentaram como candidatos aos mais altos
obcessão do negócio e do lucro, do êxito consagração social.
Verifiamos, então, que estávnmos sem ' ehtes pclutcãs, que as antigas se mostra ram decadentes e imprestáveis, e verifica mos também que estávamos diante do va i
dade havia subsistido e enriquecer; nós sofrei
mo quem f casse ÍÍT'
ela nos Exército
negoc.os
resDirar ee, J respirar ao mesmo subitamente tempo, sem não conse poder guisse morrer.
Sentíamo-nos ridículos e inúteis, sem sa mocldade, do nosso jovem ardor, do ^
~
58
Digbsto FroNÒM iro
nosso desejo de parricipação, da nossa ne cessidade de ideal e de grandeza. Com a
há uma espécie de embotamcnro geral da
sensibilidade.
Nada mais nos impressio
restituição da liberdade veio o desafogo, mas veio também a decepção, pois nada havia de subterrâneo, forças incontamina-
graves que, num povo acordado o vivo.
das e ocultas que, na impossibilidade de
deveriam provocar sublcvações, movimen
agir, tivessem permanecido organizadas, vivendo a vida clandestina e heróica das
catacumbas, dos encontros e das confabulações secretas. Não havia nenhuma "re
sistência" pronta para transbordar e em polgar o País quando se rompessem as comportas da ditadura. Não havia nada
Havia o desbarato das antigas elites, a
perplexidade dos intelectnals, a falsa pros peridade do cambio negro e dos lucros
extraordinários. E havia também o s" frimento inutil o desespéro dos melhores e dos mais lúcidos.
"lores
Não tendo compreendido que os tem
ToZSr"erl ° dahLtransformação social, da^dícrdlda"^^
na, nos escandaliza.
alucinação,
Numa atmosfera de
de pesadelo,
as coisas mais
tos populares, pronunciamentos enérgicos por parte dos responsáveis. as coisas
na fòrça e na fecundldade do ?
nosso próprio espírito.
na mesma frente de combate, lutando to
dos contra a injustiça, lutando todos pela defesa dos valores do espírito, pela afir honra, da sua vida e da sua liberdade.
produzem nenhuma conseqüência, parece
que detonam no vácuo e são pelo vácuii
faira entusiasmo, ardor, vontade dc lutar,
da esperança, a cruzada do entusiasmo, da
devorados, deixando-nos frios, aturdidos c
c se nos tornamos incapazes de lutar é
fé em nós mesmos e na nossa terra, a cru
indiferentes. Não chegamos a tomar bem consciência das coisas, que acontecem co
porque não acreditamos mais em nada, é porque não acreditaníos mais em nós
zada urgente c quixotesca de redenção do
terna do País, os maiores escândalos não
mo se não acontecessem, pois não reper cutem, não provocam nenhum eco, e de saparecem tragadas pelo instantâneo es quecimento.
Não podemos, porém, continuar assim indefinidamente. Os itinerários dc fuga e de evasão que se abrem diante de nós, como soluções fáceis, como caminhos mais
comodos ao longo dos quais evitaríamos o
dever da participação, esses, nós jamais os seguiremos.
Diante da imensa desola
ção da vida brasileira, torna-se inadiável
Nenhuma revolução se fez na História, nenhum grande movimento político se desencadeou, sem uma prévia e longa pre
do rodos os setores, todos os ramos da vi da nacional. Existem partidos, as assem bléias estão funcionando, há liberdade de
consciências. Os homens de ação, os po
pensamento, mas tudo se passa como se
líticos puros, não fazem senão tentar en
paração dos espíritos, sem um trabalho anterior de catequese e de conversão das
carnar em fatos, em realidades, a medita
ção e o pensamento dos ideólogos, dos
teóricos, dos intelectuais. Do ponto de vista 'da criação de novos climas históri cos, os enciclopedistas não foram menos
questões essenciais sejam .sistemàticamen-
eficazes dó que Napoleão, pois as idéias
re evitadas.
são gestos em estado potencial, origem c fermento de todas as transformações ç movimentos humanos.
*
Não deveríamos estar uns contra os ou- õ rros, mas uns ao lado dos outros, unidos
justiça, de defemicr o homem c a sua dig
das elites intelectuais.
Fsramos diante do deserto, do vazio. V.
mesmos,
nidade." Sc não conseguimos agir. evi tando o triunfo da incompetência, da me diocridade e da impostuna, é porque nos
o dever tutelar das elites, e especialmente
a covardia e o medo fazem com que as
Aos intelectuais, portanto, que repre sentam o espírito, cabe essa tarefa insubs tituível c decisiva, de preparar as atmos feras, de agir sôbrc as consciências, de es clarecer os espíritos, dc apontar rumos, de procurar aa soluções, de lutar contra a in
mais graves, envolvendo a honra dos ho
rior a revolução de 30.
nada disso existisse, pois não é possível militar nos partidos, as assembléias não corresponderam às nossas esperanças, e a liberdade de pensamento é inútil, porque
Econômico
mens públicos e a própria dignidade ex
antigas estmmras e da ascensão da nov^ burguesia industrial e urbana, as "classes conservadoras conservadoras de si me? mas, continuaram a pensar e a agir como se os acontecimentos de outubro de 4? fossem recolocar o País na situação anteOs frutos dessa cegueira, dessa incom preensão, desse desastramento, estSo dian te de nos. A crise generalizada, atingin
DiGBSTCi
mação do homem, pela afirmação da sua Por que não desencadeamos a cruzada
nosso povo >
~
58
Digbsto FroNÒM iro
nosso desejo de parricipação, da nossa ne cessidade de ideal e de grandeza. Com a
há uma espécie de embotamcnro geral da
sensibilidade.
Nada mais nos impressio
restituição da liberdade veio o desafogo, mas veio também a decepção, pois nada havia de subterrâneo, forças incontamina-
graves que, num povo acordado o vivo.
das e ocultas que, na impossibilidade de
deveriam provocar sublcvações, movimen
agir, tivessem permanecido organizadas, vivendo a vida clandestina e heróica das
catacumbas, dos encontros e das confabulações secretas. Não havia nenhuma "re
sistência" pronta para transbordar e em polgar o País quando se rompessem as comportas da ditadura. Não havia nada
Havia o desbarato das antigas elites, a
perplexidade dos intelectnals, a falsa pros peridade do cambio negro e dos lucros
extraordinários. E havia também o s" frimento inutil o desespéro dos melhores e dos mais lúcidos.
"lores
Não tendo compreendido que os tem
ToZSr"erl ° dahLtransformação social, da^dícrdlda"^^
na, nos escandaliza.
alucinação,
Numa atmosfera de
de pesadelo,
as coisas mais
tos populares, pronunciamentos enérgicos por parte dos responsáveis. as coisas
na fòrça e na fecundldade do ?
nosso próprio espírito.
na mesma frente de combate, lutando to
dos contra a injustiça, lutando todos pela defesa dos valores do espírito, pela afir honra, da sua vida e da sua liberdade.
produzem nenhuma conseqüência, parece
que detonam no vácuo e são pelo vácuii
faira entusiasmo, ardor, vontade dc lutar,
da esperança, a cruzada do entusiasmo, da
devorados, deixando-nos frios, aturdidos c
c se nos tornamos incapazes de lutar é
fé em nós mesmos e na nossa terra, a cru
indiferentes. Não chegamos a tomar bem consciência das coisas, que acontecem co
porque não acreditamos mais em nada, é porque não acreditaníos mais em nós
zada urgente c quixotesca de redenção do
terna do País, os maiores escândalos não
mo se não acontecessem, pois não reper cutem, não provocam nenhum eco, e de saparecem tragadas pelo instantâneo es quecimento.
Não podemos, porém, continuar assim indefinidamente. Os itinerários dc fuga e de evasão que se abrem diante de nós, como soluções fáceis, como caminhos mais
comodos ao longo dos quais evitaríamos o
dever da participação, esses, nós jamais os seguiremos.
Diante da imensa desola
ção da vida brasileira, torna-se inadiável
Nenhuma revolução se fez na História, nenhum grande movimento político se desencadeou, sem uma prévia e longa pre
do rodos os setores, todos os ramos da vi da nacional. Existem partidos, as assem bléias estão funcionando, há liberdade de
consciências. Os homens de ação, os po
pensamento, mas tudo se passa como se
líticos puros, não fazem senão tentar en
paração dos espíritos, sem um trabalho anterior de catequese e de conversão das
carnar em fatos, em realidades, a medita
ção e o pensamento dos ideólogos, dos
teóricos, dos intelectuais. Do ponto de vista 'da criação de novos climas históri cos, os enciclopedistas não foram menos
questões essenciais sejam .sistemàticamen-
eficazes dó que Napoleão, pois as idéias
re evitadas.
são gestos em estado potencial, origem c fermento de todas as transformações ç movimentos humanos.
*
Não deveríamos estar uns contra os ou- õ rros, mas uns ao lado dos outros, unidos
justiça, de defemicr o homem c a sua dig
das elites intelectuais.
Fsramos diante do deserto, do vazio. V.
mesmos,
nidade." Sc não conseguimos agir. evi tando o triunfo da incompetência, da me diocridade e da impostuna, é porque nos
o dever tutelar das elites, e especialmente
a covardia e o medo fazem com que as
Aos intelectuais, portanto, que repre sentam o espírito, cabe essa tarefa insubs tituível c decisiva, de preparar as atmos feras, de agir sôbrc as consciências, de es clarecer os espíritos, dc apontar rumos, de procurar aa soluções, de lutar contra a in
mais graves, envolvendo a honra dos ho
rior a revolução de 30.
nada disso existisse, pois não é possível militar nos partidos, as assembléias não corresponderam às nossas esperanças, e a liberdade de pensamento é inútil, porque
Econômico
mens públicos e a própria dignidade ex
antigas estmmras e da ascensão da nov^ burguesia industrial e urbana, as "classes conservadoras conservadoras de si me? mas, continuaram a pensar e a agir como se os acontecimentos de outubro de 4? fossem recolocar o País na situação anteOs frutos dessa cegueira, dessa incom preensão, desse desastramento, estSo dian te de nos. A crise generalizada, atingin
DiGBSTCi
mação do homem, pela afirmação da sua Por que não desencadeamos a cruzada
nosso povo >
61
DicnsTo EíioNÓMiro
ra n cisco
a
Antonio Gontíjo nn Carvalho 1 L
O Humanista e o Homem de Estado
J^B talento precoce era o discípulo do sábio engenheiro Henri Gorceix.
Mal despedia da meninice, fundava, em Diamantina,o hebdomadário "Idéia Nova". Jovem de dezessete anos de idade, em de
fesa do avô, Josefino Vieira Machado, Barao de Guaicuí, agitara e surpreendera a pacata cidade mineira com. vibrante ar tigo, intitulado: "O verdadeiro chefe".
O "Digesto Econômico" está publi cando uma série de perfis biográfi cos de políticos que se destacaram na vida pública do País. Neste nú mero divulgamos o de Francisco Sá, notável engenheiro. Secretário de Governo e Ministro de Estado, fi nancista emérito, autoridade inconteste em assuntos ferroviários e de
tarifas. Francisco Sá foi dos maio res oradores que atuaram no
Na Corte, confirma que é antecipada a maturidade de seu espírito. De uma só vez, faz todos os preparatórios. Um acon tecimento. o seu exame de Latim. Tra
Parlamento Brasileiro.
estava proclamada e a sala sc esvaziou num
Não foi dos mais ;issícluos na tribuna.
passe de mágica. Mudadas as instituições, o presidente
Fato estranho: só a namora quem impõe
Bias Fortes, que na intimidade o tratava de "meu rouxinol", o nomeia Secretário
xoto era olímpico e dominador. Ninguém, entretanto, desdenhou a palavra com tan
da Agricultura e Obras Publicas.
ta visibilidade.
penitência aos companheiros. Carlos Pei
Duas
Francisco Sá poderia ter escrito um li vro que resumisse as suas idéas sobre os
escollias definem o novo titular: Caióge ras e Davi Campista. O primeiro, para seu consultor técnico. O segundo, para
inspetor de imigração na Europa.
problemas capitais do Brasil. Não o per mitiu uma inteligência dispersiva. Razão
Re
pela qual não levou avante o projeto de
sultado: em sua gestão, há uma verdadeira nevrose de trabalho. Reorganiza inúme
escrever a biografia de Diogo Feijó, a
ros serviços de obras públicas; traça um
quem votava irrestrita admiração, com
todos os dados já coligidos. Mas os Anais par
plano ferroviário para to do o Estado de Minas Ge
nados, cinqüenta mil imi
lamentares demonstram que profícua foi a sua
grantes italianos.
atividade intelectual. Ela
rais e acolhe, subvencio
borou notáveis pareceres,
Triunfal é o seu retor
tria, em que tomavam parte oa amigo.s fraternais de Francisco Sá; Capiscrano de Abreu, Leopoldo de Bulhões e Arrojado Lisboa. Dispondo de memória fiei, via jado, ledor infatigável de revistas euro
no ao Parlamento Repu
repletos de dados estatís
blicano como representan
ticos e de doutrina, como relator dos Orçamentos da
jovem examinando radioso futuro
péias, Sá era inesgotável conversador.
nheiro ferroviário cia Ct)mpanhia Mojiana.
Outrora, não constituía espanto o profundo humanismo de um filho de Minas
Nos arquivos de Caiógeras, encontrei
alcança ruidoso sucesso na tribuna, dis
missão de Finanças, e os defendeu em plenário com o maior realce. Em assuntos de vias férreas, reconheciam-
um bilhete, com o timbre do Ministério
cutindo os acontecimentos de 5 de novem
no os seus pares um competidor, em saber
duz em versos alexandrinos uma ode de Horaco. O arguidor. o filólogo Castro Lopes, entusiasmado, o convida para p o fessor do Gmasio Pedro II e augura ao
Gerais Os exercícios mnemônicos de um Calogeras, por exempip. consistiam em reproduzir de cor trechos da "Ponte de Có sar", no "De Bello Gallico".
Hoje. o meu antigo professor Tranquil-
Io Tranqu.lli, que repetiu, sem falha de uma sílaba, segundo o testemunho do sau U doso reitor do Ginásio de São Bento D Pedro Eggerath, toda "a passagem dos' Ah
pes" de Tito Livio, poderá dar o depoi mento do nosso descaso. ..
Na EscoJa de Engenharia de Ouro Pre to, Francirco Sá aprimora o seu saber e
da Viação e a data de 9 de março de 1910, em que o ministro, preocupado com o esforço gigantesco do amigo, ameaçado de "surmenage", ao escrever em quarenta dias "La Politique Monétaire du Brésil", comunicava, carinhosamente, a remessa, para distrai-lo, da "lllustration Française", que continha o primeiro ato do Chantecler.
O amor ao Brasil o fez político. Depu tado geral, foi saliente o papel que desem penhou na última sessão legislativa da
monarquia.
O
verbo
altissonante
de
Francisco Sá selou em quinze de novem
apaixona-se pela cultura clássica, um ca
bro o Parlamento Imperial. Não encon
racterístico dos "mineralógicos".
trou eco a sua exclamação, tentando esti
Inesquecíveis as tertúlias, na residência de CaJógeras, à rua Voluntários da Pá-
mular os
hesitantes
que começaram
a
abandonar o recinto: "Ainda somos os re
presentantes da Nação". A República já
te do Ceará. Amigo de GHccrio, que conhecera em Campinas, quando enge
Viação e Receita, na Co
bro de 1897. Recebe ensurdecedora ovação, ao fazer o elogio do Marechal Bittencourt. "Assim como o seu corpo se interpôs en tre o Chefe da Nação e o punhal do sl-
cário, formemos todos um corpo só, ^ in terposto como antemural inexpugnável entre o crime e a lei, entre a anarquia e
a ordem, entre os partidos e a Pátria , fo ram as últimas palavras do orador. velou-se um tribuno para as massas.
Re O
artista de fina sensibilidade, o heleno que
convivia com as musas, surgiu, todavia,
ao traçar o necrológio do companheiro de bancada, José Avelino Gurgel do Ama
ral.
Foi grande a repercussão dêsse dis
curso, que transformou o Parlamento em uma Academia.
Não houve voz discre-
técnico, de Sampaio Corrêa e Paulo de Frontln. Economista, sempre em seu es pírito estavam as palavras de Gladstone
endereçadas a Jules Ferry: "Velai pelas finanças; e por elas que as democracias podem perecer .
Nenhum de seus ensaios teve
, icvc a repercussao do Orçamento——wo da Receita, que teiamii para o exercício de "" , em ffolheto sob , o titulo "Finanças 1922, publicado Bra-
= 'To-.ur ="viços ao de Saúde Publ.ea, o Congresso o»Nacional, apagar das luzes, regulamentou o jogo em Sao Paulo, sem o beneplácito do Govêrno do Estado. Êsse fato provocou protestos veementes das consciências honestas. Vergueiro Steidel, em uma festa da chave
pante: o Brasil orgulhava-se do seu man
simbólica, fremente de cólera, estigmati
datário.
zou o projeto e os seus autores, e Alcânji..
61
DicnsTo EíioNÓMiro
ra n cisco
a
Antonio Gontíjo nn Carvalho 1 L
O Humanista e o Homem de Estado
J^B talento precoce era o discípulo do sábio engenheiro Henri Gorceix.
Mal despedia da meninice, fundava, em Diamantina,o hebdomadário "Idéia Nova". Jovem de dezessete anos de idade, em de
fesa do avô, Josefino Vieira Machado, Barao de Guaicuí, agitara e surpreendera a pacata cidade mineira com. vibrante ar tigo, intitulado: "O verdadeiro chefe".
O "Digesto Econômico" está publi cando uma série de perfis biográfi cos de políticos que se destacaram na vida pública do País. Neste nú mero divulgamos o de Francisco Sá, notável engenheiro. Secretário de Governo e Ministro de Estado, fi nancista emérito, autoridade inconteste em assuntos ferroviários e de
tarifas. Francisco Sá foi dos maio res oradores que atuaram no
Na Corte, confirma que é antecipada a maturidade de seu espírito. De uma só vez, faz todos os preparatórios. Um acon tecimento. o seu exame de Latim. Tra
Parlamento Brasileiro.
estava proclamada e a sala sc esvaziou num
Não foi dos mais ;issícluos na tribuna.
passe de mágica. Mudadas as instituições, o presidente
Fato estranho: só a namora quem impõe
Bias Fortes, que na intimidade o tratava de "meu rouxinol", o nomeia Secretário
xoto era olímpico e dominador. Ninguém, entretanto, desdenhou a palavra com tan
da Agricultura e Obras Publicas.
ta visibilidade.
penitência aos companheiros. Carlos Pei
Duas
Francisco Sá poderia ter escrito um li vro que resumisse as suas idéas sobre os
escollias definem o novo titular: Caióge ras e Davi Campista. O primeiro, para seu consultor técnico. O segundo, para
inspetor de imigração na Europa.
problemas capitais do Brasil. Não o per mitiu uma inteligência dispersiva. Razão
Re
pela qual não levou avante o projeto de
sultado: em sua gestão, há uma verdadeira nevrose de trabalho. Reorganiza inúme
escrever a biografia de Diogo Feijó, a
ros serviços de obras públicas; traça um
quem votava irrestrita admiração, com
todos os dados já coligidos. Mas os Anais par
plano ferroviário para to do o Estado de Minas Ge
nados, cinqüenta mil imi
lamentares demonstram que profícua foi a sua
grantes italianos.
atividade intelectual. Ela
rais e acolhe, subvencio
borou notáveis pareceres,
Triunfal é o seu retor
tria, em que tomavam parte oa amigo.s fraternais de Francisco Sá; Capiscrano de Abreu, Leopoldo de Bulhões e Arrojado Lisboa. Dispondo de memória fiei, via jado, ledor infatigável de revistas euro
no ao Parlamento Repu
repletos de dados estatís
blicano como representan
ticos e de doutrina, como relator dos Orçamentos da
jovem examinando radioso futuro
péias, Sá era inesgotável conversador.
nheiro ferroviário cia Ct)mpanhia Mojiana.
Outrora, não constituía espanto o profundo humanismo de um filho de Minas
Nos arquivos de Caiógeras, encontrei
alcança ruidoso sucesso na tribuna, dis
missão de Finanças, e os defendeu em plenário com o maior realce. Em assuntos de vias férreas, reconheciam-
um bilhete, com o timbre do Ministério
cutindo os acontecimentos de 5 de novem
no os seus pares um competidor, em saber
duz em versos alexandrinos uma ode de Horaco. O arguidor. o filólogo Castro Lopes, entusiasmado, o convida para p o fessor do Gmasio Pedro II e augura ao
Gerais Os exercícios mnemônicos de um Calogeras, por exempip. consistiam em reproduzir de cor trechos da "Ponte de Có sar", no "De Bello Gallico".
Hoje. o meu antigo professor Tranquil-
Io Tranqu.lli, que repetiu, sem falha de uma sílaba, segundo o testemunho do sau U doso reitor do Ginásio de São Bento D Pedro Eggerath, toda "a passagem dos' Ah
pes" de Tito Livio, poderá dar o depoi mento do nosso descaso. ..
Na EscoJa de Engenharia de Ouro Pre to, Francirco Sá aprimora o seu saber e
da Viação e a data de 9 de março de 1910, em que o ministro, preocupado com o esforço gigantesco do amigo, ameaçado de "surmenage", ao escrever em quarenta dias "La Politique Monétaire du Brésil", comunicava, carinhosamente, a remessa, para distrai-lo, da "lllustration Française", que continha o primeiro ato do Chantecler.
O amor ao Brasil o fez político. Depu tado geral, foi saliente o papel que desem penhou na última sessão legislativa da
monarquia.
O
verbo
altissonante
de
Francisco Sá selou em quinze de novem
apaixona-se pela cultura clássica, um ca
bro o Parlamento Imperial. Não encon
racterístico dos "mineralógicos".
trou eco a sua exclamação, tentando esti
Inesquecíveis as tertúlias, na residência de CaJógeras, à rua Voluntários da Pá-
mular os
hesitantes
que começaram
a
abandonar o recinto: "Ainda somos os re
presentantes da Nação". A República já
te do Ceará. Amigo de GHccrio, que conhecera em Campinas, quando enge
Viação e Receita, na Co
bro de 1897. Recebe ensurdecedora ovação, ao fazer o elogio do Marechal Bittencourt. "Assim como o seu corpo se interpôs en tre o Chefe da Nação e o punhal do sl-
cário, formemos todos um corpo só, ^ in terposto como antemural inexpugnável entre o crime e a lei, entre a anarquia e
a ordem, entre os partidos e a Pátria , fo ram as últimas palavras do orador. velou-se um tribuno para as massas.
Re O
artista de fina sensibilidade, o heleno que
convivia com as musas, surgiu, todavia,
ao traçar o necrológio do companheiro de bancada, José Avelino Gurgel do Ama
ral.
Foi grande a repercussão dêsse dis
curso, que transformou o Parlamento em uma Academia.
Não houve voz discre-
técnico, de Sampaio Corrêa e Paulo de Frontln. Economista, sempre em seu es pírito estavam as palavras de Gladstone
endereçadas a Jules Ferry: "Velai pelas finanças; e por elas que as democracias podem perecer .
Nenhum de seus ensaios teve
, icvc a repercussao do Orçamento——wo da Receita, que teiamii para o exercício de "" , em ffolheto sob , o titulo "Finanças 1922, publicado Bra-
= 'To-.ur ="viços ao de Saúde Publ.ea, o Congresso o»Nacional, apagar das luzes, regulamentou o jogo em Sao Paulo, sem o beneplácito do Govêrno do Estado. Êsse fato provocou protestos veementes das consciências honestas. Vergueiro Steidel, em uma festa da chave
pante: o Brasil orgulhava-se do seu man
simbólica, fremente de cólera, estigmati
datário.
zou o projeto e os seus autores, e Alcânji..
DlGHSTO 62
DIGBSTO
ErONibMICO
lie .ON ÒMICO
mente dccepcion;ulo. tara Machado, com brilho e moderação, no Senado estadual, estudou o jôgo como fa tor de desorganização social e elemento de
criminalidade.
Os paulistas vibraram <.le
entusiasmo ante a rajada de indignaçãt)
de Francisco Sá, que impediu a consuma ção do escândalo.
Ministro da Viaçáo de Nilo Peçanha e Artur Bernardes, fez obra de Homem dc
Estado. Intensificou os serviços portuá rios, impulsionou, como nenhum outro, as vias ferreas, e criou a Inspetoria de Obras contra a Sêca. O flagelo do Nordeste
Mas a explicação
fala a coraçoes amigos c acorda nèles a emoção afetiva que responde ao bem-fa
Já não me subjugava o magnetismo do
zer nas almas que o cetici.smo não esteri
seu olhar e nem ressoava cm meus ouvi
não era difícil .
lizou .
O ambiento era outro.
dos o trinado da sua voz.
Bem ingrata e bem árida seria a nossa carreira neste mundo, se. ao lado da seve
Epitácio c a eloqüência da palavra. Rui
c a eloqüência da frase. O vocábulo, pro
ridade impassível que a julga, não ver
nunciado pela "patativa". c belo. Na "águia", majestoso ê o período. Epitácio
tessem sóbre el-a um pouco de doçura a simpatia dos homens e a henevolcncia dos
c sempre vibrante. Rui ê monotono na gcsticulação. Epitácio domina. Rui às.
corações."
Modesto, solicitava benevolência. Mas o Brasil, que sanciona as obras contra a
pela primeira vez. é atacado com um pla
seca. há de cultuar a memória de Fran
vezes fatiga. Epitácio vive o momento. Rui viverá a eternidade da língua por
no sistemático. Francisco Sá proclamava
cisco Sá.
tuguesa .
O orador
Rui Barbosa, Epitácio Pessoa e Fran cisco Sá formaram no Senado da Primeira
deveres para com sileira.
«pomído r: "u-se feliz e evt!,
seus ^ coletividade bra-
be"";-'""' benfeitor. Sen-
Jinguagem de estrJnha" em ceber grandiosf i^ ? sonoridade, ao re
de reconhedmentrd:?"'''" Estados flagelados.
'■^P''«ontantes dos
qu7rf salteado de trechrem r
do precipício, peb açoTte^díV'"'^"'"' pela exaustão das próprias fnr surde, em uma doce' ^ ^ 5"^^
liar, o homem público se reanima e se reconforta, compreendendo que a sua ação, cxaJçada, embora, aic-m da própria valia,
ternou Rui a opinião, na presença de Jo sé Marcelino c no testemunho de Jc»o
Mangabeira, de que foi o mais belo que ate então ouvira no Senado.
Não possuía Francisco Sá a cultura pro digiosa de Rui. Mas era homem de no
tável saber. Um tipo de Homem de Es
tado. Versado nos clássicos latinos e por tugueses. fraseava com elegância e apuro.
Francisco Sá, um rouxin<il. possuía a
Prosador, dono dos segredos do idioma,
eloqüência da palavra e a da írase. . Sem
rivalizou cdm o paisagista Joaquim Na-
os arroubos de um e a grandiloqüência de outro. Com mais imaginação do que
buco na pintura da serrania de Terezópolis e não o superou Manoel Bernardez na recordado afetiva
ça de tribuna e dotes fí sicos do que Rui. De
dos
ambos,
qualidades
também o seu verbo na
O olhar de Francisco
invocação de Montes Claros, a irmã da sua
Epitácio produziu em grande impressão.
meu
espírito
Ouvi o seu verbo, ar-
rebatador, no Teatro Municipal, vendo a sêca do Nordeste.
descre
as
Preto.
mestras.
Rodrigo Soa
res Júnior, que se achava a meu lado, fre qüentador assíduo do Parlamento . de
-Sá era vivo e pencrran-
França, não se conteve e exclamou com entusiasmo: "E' superior a Viviani". Epi-
sa. A dicção parecia a dc um grande ator.
te, dominador.
milagre;
eletrizar o auditório de São
vezes» o tribuno agitava na mão direita
um lenço fino.
Paulo.
Se os grandes homens — disse certa
-sertanejas do norte de Minas.
ção que proferiu em defesa do Barão do
lebrizou-se
para os paulistas,
Otoni ce
na Côrte, com o seu famoso
lenço branco » conduzindo às massas po
to culminante, um momento iluminado da tácio Pessoa,
Remlniscência, talvez, dc
Teofilo Otoni. o "ídolo" das populações
vez Gastão da Cunha, na memorável ora
pulares nos dias de reação à atitude gros seira do Embaixador inglês Christie, cm incidente célebre. Gesto imitado na atua
o tem,
quando atendeu ao angustíoso apêlo da lavoura cafeeira, no mais drarnático dos seus momenros, salvando-a de irremediá vel ruína.
Quis, após algum tempo, reviver a emo
fastos
de
Ouro
Antológico
é
cidade alpestre. Um es
A voz, suave e harmonio
Os gestos, ritmados; uma testemunha dos seus triunfes oratórios refere que às
tacio, sqblime na peroração, conseguiu um
harmonias da natureza; imaginai a Sen
generosa, como ao calor da lareira fami
rado e progressista de Afonso Pena, ex
Epitácio e mais presen
existência, que os define e perpetua, Epi
de bondade. Ao contacto dessa bondade
lhor assemelha a voz humana. Sobre um
discurso seu, de oposição ao governo hon
brasileira.
Rio Branco — têm na sua vida um pon
sação mefavel do viajor fatigado e tereis compreendido a minha, ao me encontrar envolvido por esta atmosfera de justiça e
audição de um Pablo Casais, virtuoso do violoncelo, o instrumento cujo som me
República o triunvirato da eloqüência
estação de repouso inundada de'uz em' balsamada de fbres. refrigerada plbs
aguas murtnurosas. ressoante das aleg e
cuiá-lo. era sentir o prazer que desperta a
critor de raça, enfim, nesses trechos de arte pura. Sociólogo e financista, .a Escola de Minas de Ouro Preto ainda o fêz estudio
so das ciências exatas. Os seus discursos hão de ser, pois, relidos com encantamen to e proveito.
Católico praticante, nenhum leigo co nhecia melhor a bibliografia do santo de
Assis do que ele. Èle. que fêz quatro pe regrinações à Umbria. A sua biblioteca, no entardecer da vida, poderia bem situarse num convento de monges, tal a cópia
lidade pelos partidários de Eduardo Go
de assuntos religiosos. Francisco Sá foi o maior orador que
mes.
ouvi.
Travava-se renhida pugna presi
Certa vez, jornalista emérito decla rou que aderira a uma homenagem a
dencial ,
Os concorrentes eram Rui Bar
Francisco Sá para saborear um momento
venção para a escolha do candidato. Fran
bosa e Epitácio Pessoa. Reunia-se a Con
ção patriótica e artística que senti no Tea
de arte. O banquete substituiria com van
cisco Sá liderava os partidários de Rui e
tro Municipal.
tagem a um concerto de Tito Schipa. Es-
Álvaro de Carvalho os correligionários de
discurso.
Reli, alvoroçado, o seu
Confesso que me senti leve-
éI
DlGHSTO 62
DIGBSTO
ErONibMICO
lie .ON ÒMICO
mente dccepcion;ulo. tara Machado, com brilho e moderação, no Senado estadual, estudou o jôgo como fa tor de desorganização social e elemento de
criminalidade.
Os paulistas vibraram <.le
entusiasmo ante a rajada de indignaçãt)
de Francisco Sá, que impediu a consuma ção do escândalo.
Ministro da Viaçáo de Nilo Peçanha e Artur Bernardes, fez obra de Homem dc
Estado. Intensificou os serviços portuá rios, impulsionou, como nenhum outro, as vias ferreas, e criou a Inspetoria de Obras contra a Sêca. O flagelo do Nordeste
Mas a explicação
fala a coraçoes amigos c acorda nèles a emoção afetiva que responde ao bem-fa
Já não me subjugava o magnetismo do
zer nas almas que o cetici.smo não esteri
seu olhar e nem ressoava cm meus ouvi
não era difícil .
lizou .
O ambiento era outro.
dos o trinado da sua voz.
Bem ingrata e bem árida seria a nossa carreira neste mundo, se. ao lado da seve
Epitácio c a eloqüência da palavra. Rui
c a eloqüência da frase. O vocábulo, pro
ridade impassível que a julga, não ver
nunciado pela "patativa". c belo. Na "águia", majestoso ê o período. Epitácio
tessem sóbre el-a um pouco de doçura a simpatia dos homens e a henevolcncia dos
c sempre vibrante. Rui ê monotono na gcsticulação. Epitácio domina. Rui às.
corações."
Modesto, solicitava benevolência. Mas o Brasil, que sanciona as obras contra a
pela primeira vez. é atacado com um pla
seca. há de cultuar a memória de Fran
vezes fatiga. Epitácio vive o momento. Rui viverá a eternidade da língua por
no sistemático. Francisco Sá proclamava
cisco Sá.
tuguesa .
O orador
Rui Barbosa, Epitácio Pessoa e Fran cisco Sá formaram no Senado da Primeira
deveres para com sileira.
«pomído r: "u-se feliz e evt!,
seus ^ coletividade bra-
be"";-'""' benfeitor. Sen-
Jinguagem de estrJnha" em ceber grandiosf i^ ? sonoridade, ao re
de reconhedmentrd:?"'''" Estados flagelados.
'■^P''«ontantes dos
qu7rf salteado de trechrem r
do precipício, peb açoTte^díV'"'^"'"' pela exaustão das próprias fnr surde, em uma doce' ^ ^ 5"^^
liar, o homem público se reanima e se reconforta, compreendendo que a sua ação, cxaJçada, embora, aic-m da própria valia,
ternou Rui a opinião, na presença de Jo sé Marcelino c no testemunho de Jc»o
Mangabeira, de que foi o mais belo que ate então ouvira no Senado.
Não possuía Francisco Sá a cultura pro digiosa de Rui. Mas era homem de no
tável saber. Um tipo de Homem de Es
tado. Versado nos clássicos latinos e por tugueses. fraseava com elegância e apuro.
Francisco Sá, um rouxin<il. possuía a
Prosador, dono dos segredos do idioma,
eloqüência da palavra e a da írase. . Sem
rivalizou cdm o paisagista Joaquim Na-
os arroubos de um e a grandiloqüência de outro. Com mais imaginação do que
buco na pintura da serrania de Terezópolis e não o superou Manoel Bernardez na recordado afetiva
ça de tribuna e dotes fí sicos do que Rui. De
dos
ambos,
qualidades
também o seu verbo na
O olhar de Francisco
invocação de Montes Claros, a irmã da sua
Epitácio produziu em grande impressão.
meu
espírito
Ouvi o seu verbo, ar-
rebatador, no Teatro Municipal, vendo a sêca do Nordeste.
descre
as
Preto.
mestras.
Rodrigo Soa
res Júnior, que se achava a meu lado, fre qüentador assíduo do Parlamento . de
-Sá era vivo e pencrran-
França, não se conteve e exclamou com entusiasmo: "E' superior a Viviani". Epi-
sa. A dicção parecia a dc um grande ator.
te, dominador.
milagre;
eletrizar o auditório de São
vezes» o tribuno agitava na mão direita
um lenço fino.
Paulo.
Se os grandes homens — disse certa
-sertanejas do norte de Minas.
ção que proferiu em defesa do Barão do
lebrizou-se
para os paulistas,
Otoni ce
na Côrte, com o seu famoso
lenço branco » conduzindo às massas po
to culminante, um momento iluminado da tácio Pessoa,
Remlniscência, talvez, dc
Teofilo Otoni. o "ídolo" das populações
vez Gastão da Cunha, na memorável ora
pulares nos dias de reação à atitude gros seira do Embaixador inglês Christie, cm incidente célebre. Gesto imitado na atua
o tem,
quando atendeu ao angustíoso apêlo da lavoura cafeeira, no mais drarnático dos seus momenros, salvando-a de irremediá vel ruína.
Quis, após algum tempo, reviver a emo
fastos
de
Ouro
Antológico
é
cidade alpestre. Um es
A voz, suave e harmonio
Os gestos, ritmados; uma testemunha dos seus triunfes oratórios refere que às
tacio, sqblime na peroração, conseguiu um
harmonias da natureza; imaginai a Sen
generosa, como ao calor da lareira fami
rado e progressista de Afonso Pena, ex
Epitácio e mais presen
existência, que os define e perpetua, Epi
de bondade. Ao contacto dessa bondade
lhor assemelha a voz humana. Sobre um
discurso seu, de oposição ao governo hon
brasileira.
Rio Branco — têm na sua vida um pon
sação mefavel do viajor fatigado e tereis compreendido a minha, ao me encontrar envolvido por esta atmosfera de justiça e
audição de um Pablo Casais, virtuoso do violoncelo, o instrumento cujo som me
República o triunvirato da eloqüência
estação de repouso inundada de'uz em' balsamada de fbres. refrigerada plbs
aguas murtnurosas. ressoante das aleg e
cuiá-lo. era sentir o prazer que desperta a
critor de raça, enfim, nesses trechos de arte pura. Sociólogo e financista, .a Escola de Minas de Ouro Preto ainda o fêz estudio
so das ciências exatas. Os seus discursos hão de ser, pois, relidos com encantamen to e proveito.
Católico praticante, nenhum leigo co nhecia melhor a bibliografia do santo de
Assis do que ele. Èle. que fêz quatro pe regrinações à Umbria. A sua biblioteca, no entardecer da vida, poderia bem situarse num convento de monges, tal a cópia
lidade pelos partidários de Eduardo Go
de assuntos religiosos. Francisco Sá foi o maior orador que
mes.
ouvi.
Travava-se renhida pugna presi
Certa vez, jornalista emérito decla rou que aderira a uma homenagem a
dencial ,
Os concorrentes eram Rui Bar
Francisco Sá para saborear um momento
venção para a escolha do candidato. Fran
bosa e Epitácio Pessoa. Reunia-se a Con
ção patriótica e artística que senti no Tea
de arte. O banquete substituiria com van
cisco Sá liderava os partidários de Rui e
tro Municipal.
tagem a um concerto de Tito Schipa. Es-
Álvaro de Carvalho os correligionários de
discurso.
Reli, alvoroçado, o seu
Confesso que me senti leve-
éI
». >
• -
DiCESTri Econômico
Dighsto Econômico'
65
Epitácio.
redo.
Presidia a sessão Antônio Aze
As galerias estavam repletas e o
entusiasmo era indescritível.
Francisco
Sá profere uma oração que empolga a As sembléia.
Raras vezes subiu tão alto a
eloqüência no Brasil.
Iniciou o discurso debaixo cie profundo silêncio. Mal começou. Soares dos San tos o aparteia e a réplica do formidável orador eletriza a atmosfera. Álvaro de Carvalho amiúde o interrompe com viva-
cidade e o interroga se não tem" o direito
de atacar Rui Barbosa, quando o próprio
Sa o atacou e foi por êle rudemente atacado. Emocionante, a resposta do tribuno. Que valho eu, Álvaro de Carvalho para que se procure com o meu obscuro
-
ção dc abandonar o recinto c èssc gt^to [:istico, destruiu a mistificação arquitetade dcsclegãncia da ensejo a um exordio; da c o seu verbo consolidou o poder civil
volvido a vida. o futuro c os destinos da
nossa Pátria, se agitou, que n.ão lhe hou vesse prestado o concurso poderoso lio teu
que c um primor dc csulo. um mimo dc ,boas maneiras. • Tx- I - • como um escuDialético
verbo soberano, da tua ação eficaz, da tua
dedicação fervorosa. Tu fôstc o operá rio máximo da con.strução republicana, desde a Constituição, em que cia se as-
A "Rc.ição ReDublin.n." jRepublicana" Francisco -'Çao Sá a última pá dc calrecebia de
sentou, até às leis orgânicas, que traduzi ram as transformações políticas,
morais,
sociais e econômicas, sob que sc iniciou . o novo regimcm.
Em todas cias subsis
tem peremptòriamente os vestígios da tua
ação organizadora. Tu és o cimo mais al to e mais luminoso da cultura brasileira.
E quando havia chegado a hora, que para quase todos era de repouso e dc descan so, o"teu engenho se ilumina de uma cla
reza polar, reflorescem em tua alma os
entusiasmos juvenis, e te colocas à frente
da Pátria, para convidá-la a defender a
inimigo pessoal de Rui' ^ azedume, dizendo que ò or=.d . a Assembléia com a ieir, 1°'^ agredira
imortal brasileiro %eZ%
dá o golpe certeiro do tigre'
"Nao venho agredir a Assemblé"^" *
—fdu Ee^dSÍt-
causa da liberdade c do direito, para as
i
Mrn - .\
sistir e colaborar na maior revolução que ?• história terá regi.strado depois do cris tianismo. Tu és o nosso orgulho, a nos sa glória, a nossa força. Tu és o maior
de todos nós, e por isso não queremos sa ber de ti. Odiámos a tua superioridade. Irrita-nos a tua glória. EnraÍvece-nos a
rm
tua fidelidade indefectível às tuas doutri nas, aos teus princípios, à causa da tua
Mal se pôde ouvir a
e bravos reboavam no recinto n Jerias. Com o pincel de um VelT pintou a trajetória da vida de Rui logo, -descreveu o momento político K.
sileiro Em termos patéticos, ferreteou a conduta dos convencionais. Assim falou
Francisco Sa : Vos o trazeis a esta Con venção que nunca justificou tanto êsse nome histonco, vos o trazeis aqui para lhe dizer ; "Sim, tu és a grande voz da demo cracia brasileira: tua vida tem sido um apostolatio constante pela justiça e pela li berdade. Nunca um dos grandes proble mas morais e sociais, em que se têm en
Pátria. Por isso nós te proscrevemos." Homem de elite, Francisco Sá viveu
f
com esse discurso o minuto da popula ridade.
Na.selvagem campanha presidencial <,le
1922, diante de cujos horrores, escreveu
Afonso Pena Júnior, a antropofagia chega a parecer piedosa, Francisco Sá chefiava
no Senado os adeptos da candidatura dc
Artur Bernardes. A exploração das cartas falsas atingia ao paroxismo. O ambiente estava carregadíssimo. Nilo Peçanha, ex-
pioiando-o, profere uin discurso sibilino. ameaçador. Sá levanta-sc incontinente pa ra uma resposta imediata. Nilo faz men-
i.
'!•
i
». >
• -
DiCESTri Econômico
Dighsto Econômico'
65
Epitácio.
redo.
Presidia a sessão Antônio Aze
As galerias estavam repletas e o
entusiasmo era indescritível.
Francisco
Sá profere uma oração que empolga a As sembléia.
Raras vezes subiu tão alto a
eloqüência no Brasil.
Iniciou o discurso debaixo cie profundo silêncio. Mal começou. Soares dos San tos o aparteia e a réplica do formidável orador eletriza a atmosfera. Álvaro de Carvalho amiúde o interrompe com viva-
cidade e o interroga se não tem" o direito
de atacar Rui Barbosa, quando o próprio
Sa o atacou e foi por êle rudemente atacado. Emocionante, a resposta do tribuno. Que valho eu, Álvaro de Carvalho para que se procure com o meu obscuro
-
ção dc abandonar o recinto c èssc gt^to [:istico, destruiu a mistificação arquitetade dcsclegãncia da ensejo a um exordio; da c o seu verbo consolidou o poder civil
volvido a vida. o futuro c os destinos da
nossa Pátria, se agitou, que n.ão lhe hou vesse prestado o concurso poderoso lio teu
que c um primor dc csulo. um mimo dc ,boas maneiras. • Tx- I - • como um escuDialético
verbo soberano, da tua ação eficaz, da tua
dedicação fervorosa. Tu fôstc o operá rio máximo da con.strução republicana, desde a Constituição, em que cia se as-
A "Rc.ição ReDublin.n." jRepublicana" Francisco -'Çao Sá a última pá dc calrecebia de
sentou, até às leis orgânicas, que traduzi ram as transformações políticas,
morais,
sociais e econômicas, sob que sc iniciou . o novo regimcm.
Em todas cias subsis
tem peremptòriamente os vestígios da tua
ação organizadora. Tu és o cimo mais al to e mais luminoso da cultura brasileira.
E quando havia chegado a hora, que para quase todos era de repouso e dc descan so, o"teu engenho se ilumina de uma cla
reza polar, reflorescem em tua alma os
entusiasmos juvenis, e te colocas à frente
da Pátria, para convidá-la a defender a
inimigo pessoal de Rui' ^ azedume, dizendo que ò or=.d . a Assembléia com a ieir, 1°'^ agredira
imortal brasileiro %eZ%
dá o golpe certeiro do tigre'
"Nao venho agredir a Assemblé"^" *
—fdu Ee^dSÍt-
causa da liberdade c do direito, para as
i
Mrn - .\
sistir e colaborar na maior revolução que ?• história terá regi.strado depois do cris tianismo. Tu és o nosso orgulho, a nos sa glória, a nossa força. Tu és o maior
de todos nós, e por isso não queremos sa ber de ti. Odiámos a tua superioridade. Irrita-nos a tua glória. EnraÍvece-nos a
rm
tua fidelidade indefectível às tuas doutri nas, aos teus princípios, à causa da tua
Mal se pôde ouvir a
e bravos reboavam no recinto n Jerias. Com o pincel de um VelT pintou a trajetória da vida de Rui logo, -descreveu o momento político K.
sileiro Em termos patéticos, ferreteou a conduta dos convencionais. Assim falou
Francisco Sa : Vos o trazeis a esta Con venção que nunca justificou tanto êsse nome histonco, vos o trazeis aqui para lhe dizer ; "Sim, tu és a grande voz da demo cracia brasileira: tua vida tem sido um apostolatio constante pela justiça e pela li berdade. Nunca um dos grandes proble mas morais e sociais, em que se têm en
Pátria. Por isso nós te proscrevemos." Homem de elite, Francisco Sá viveu
f
com esse discurso o minuto da popula ridade.
Na.selvagem campanha presidencial <,le
1922, diante de cujos horrores, escreveu
Afonso Pena Júnior, a antropofagia chega a parecer piedosa, Francisco Sá chefiava
no Senado os adeptos da candidatura dc
Artur Bernardes. A exploração das cartas falsas atingia ao paroxismo. O ambiente estava carregadíssimo. Nilo Peçanha, ex-
pioiando-o, profere uin discurso sibilino. ameaçador. Sá levanta-sc incontinente pa ra uma resposta imediata. Nilo faz men-
i.
'!•
i
I ÜIüBblO
Modificação das taxas de juros Roberto Pinto nn Soi;za
¥ EVANTOU grande celeuma a recente
decisão do Banco do Brasil ,de modi
ficar as taxas que os bancos devem pagar aos depositantes.
As opiniões dos ban
queiros e dos comentaristas de assuntos
culação da moeda aos interesses econômi cos da Nação. Aliás, a êsse respeito, o brilhante jurisconsulto dr. Afonso Pena Júnior deu um excelente parecer, cm que
demonstra, com erudição e forma cscor-
|i|||
l-A.ONOMUA>
princípios luiulanicnt.iis il.i política mo
monstrar que ainda não era o mecanismo
netária .
de que as autoridades necessitavam para
Se as taxas dc juros atuavam sôbre o montante das poup.-inç.is c dos investimen tos, modificando-se a perccntagem das mcs::,is, obtiiiham-sc alterações proporcio nais na formação c aplicação de capitais. As atividade.s económica.s, por seu lado. dependem i.li> ritmo em que os novos ca
dirigir a economia nacional.
economicos foram as mais divergentes
reita, a autoridade da S.M.C. de alterar as
pitais são
vendo uns conseqüências bastantes sérias
taxas de juros. Não é nosso intuito discutir o aspecto
produção. Assim, as taxas de juros, em
enquanto outros se mantiveram mais oti
mistas, não encontrando na medida nada
que afetasse substancialmente a economia
do País. Houve também quem se manti
vesse numa atitude de expectativa, não po dendo dizer ao certo quais as consequênci« que a medida poderia ocasionar nas atividades econômicas.
K muito difícil fazerem-se previsões em
jurídico da medida adotada pelo Banco do Brasil, mas as suas conseqüências econô
formados c encaminhados à
última análise, se convertiam num instru
Por esse
motivo tiveram que recorrer a outros pro cessos de atuação sôbre a produção e o consumo, mas êstes já não eram mone tários.
À luz dos conhecimentos atuais, a po lítica monetária ainda se circunscreve à modificação das taxas de juros e redescon to e às operações no mercado livre. Se não são medidas de forte atuação, têm a
mento poderoso de direção da conjuntura
virtude de produzir efeitos nas poupanças
econômica. Quando a economia entrasse
t investimentos.
micas. Para alcançarmos o nosso objetivo,
numa fase de depressão, o simples rebai
vamos iniciar por rápida descrição teórica
xamento das taxas de ju
ção da teoria monetária,
da atuação das taxas de juros e da política
ros era suficiente para re
e especialmente a da a^o
econômica que a elas sc prende, para de pois verificarmos se tal política se adapta
por as atividades econô
das taxas de juros,
micas em
prende a observações le
seu
csta«.lo
de
Não devemos esquecer que a elabora
sc
rnatena de economia, dados os imponderaveis que a qualquer momento podem forçar a marcha dos acontecimentos a to
a estrutura econômica brasileira, e final
equilíbrio primitivo. Nu
vadas a efeito nos países
mente analisarmos se a presente modifica ção dos juros dc depósito consulta aos in-
ma fase
altamente capitalistas. Por
mar novo rumo. O máximo que se pode
terésses econômicos do País.
fazer e traça_r as Imhas gerais de uma pos sível evolução, indicando o caminho pro vável que os eventos econômicos deverão seguir.
economia
Os efeitos da modificação das taxas de
poss.vets efeitos .que a resolução do Banco do Brasil ocasionará sôbre a estrutura eco-
eram o elemento regulador da poupança "e
nómica nacional.
vam a poupança, enquanto taxas baixas
é exercida pela Superintendência da Moe
da e do Crédito, daí assistir a esse orga nismo o direito de controlar o movimento bancário, modificando as taxas de depósi tos e empréstimos de dinheiro, a fim de acomodar a distribuição do crédito e a cir
mm
gócios, fazendo com que
Atuaçao das taxas de juros
juros foram perfeitamente descritos pelos clássicos. Segundo eles, as taxas de juros
é função do Banco Central a fixação da taxa de juros e do redesconto, uma vez que constitui o elemento essencial da po lítica do crédito. No Brasil essa função
elevação da taxa tinha fôrça bastante para conter o ritmo acelerado dos ne-
Feita essa observação preliminar, abalançamo-nos a dar nossa opinião sôbre os Não podemos deixar de reconhecer que
de expansão, a
do investimento. Taxas altas incentiva tornavam mais atraentes os investimentos.
O jôgo da lei da oferta e procura de ca pitais levava a acomodar as taxas, de ma
neira a fazer com que a quantidade pou pada fosse igual à quantidade procurada pelos investidores. Essa identidade foi
formulada com precisão na célebre teoria do escoamento, de J. B. Say. A descrição fornecida pelos clássicos se aplicava apenas à estática econômica.
Os
continuadores da teoria estenderam-na à dinâmica econômica e dela tiraram os
voltasse
mi
equilíbrio inicial.
A
experiência se
cumbiu
de
mostrar
tanto, é condição essen cial para a plena atuação do mecanismo que esta mos descrevendo a exis
tência, em abundância, de capitais.
in que
O Brasil é um
país subcapitalista e sub desenvolvido, não reunin
as modificações das taxas de
do as condições necessárias para a verifi
juros produziam os efeitos descritos na
cação dos efeitos da política monetária.
teoria.
Nao queremos dizer com isso que a refe rida política não produza nenlium efeito
nem sempr
Era um'bom processo de ação sô-
hre a marcha - dos negócios, mas insufi
ciente para servir de fundamento a uma política monetária. Os economistas procuraram reforçar o Mecanismo de atuação das taxas de juros
corn as operações no mercado livre (open
market). A contração e a expansão dos
no meio brasileiro. Ela atuará, porém as suas conseqüências serão bem menores, poA razão deve ser procurada na escassez da oferta de capitais em face da enorme
•^^íjôcios obtida com a conjugação das duas
procura. O Brasil é um país em desen
'fedidas mo.straram ser bem mais intensa.
volvimento, daí requerer volume de capi
Parecia que de fato se havia conseguido
tal bem maior que o disponível, o que
elaborar excelente processo de direção da
obriga os empreendedores a se limitarem
vida econômica.
as atividades mais rendosas e essas na in
A utilização desses dois processos feira pelo "New Deal" nos anos trinta veio de-
tensidade permitida pelos recursos finan ceiros existentes. Assim, à procura de ca-
I ÜIüBblO
Modificação das taxas de juros Roberto Pinto nn Soi;za
¥ EVANTOU grande celeuma a recente
decisão do Banco do Brasil ,de modi
ficar as taxas que os bancos devem pagar aos depositantes.
As opiniões dos ban
queiros e dos comentaristas de assuntos
culação da moeda aos interesses econômi cos da Nação. Aliás, a êsse respeito, o brilhante jurisconsulto dr. Afonso Pena Júnior deu um excelente parecer, cm que
demonstra, com erudição e forma cscor-
|i|||
l-A.ONOMUA>
princípios luiulanicnt.iis il.i política mo
monstrar que ainda não era o mecanismo
netária .
de que as autoridades necessitavam para
Se as taxas dc juros atuavam sôbre o montante das poup.-inç.is c dos investimen tos, modificando-se a perccntagem das mcs::,is, obtiiiham-sc alterações proporcio nais na formação c aplicação de capitais. As atividade.s económica.s, por seu lado. dependem i.li> ritmo em que os novos ca
dirigir a economia nacional.
economicos foram as mais divergentes
reita, a autoridade da S.M.C. de alterar as
pitais são
vendo uns conseqüências bastantes sérias
taxas de juros. Não é nosso intuito discutir o aspecto
produção. Assim, as taxas de juros, em
enquanto outros se mantiveram mais oti
mistas, não encontrando na medida nada
que afetasse substancialmente a economia
do País. Houve também quem se manti
vesse numa atitude de expectativa, não po dendo dizer ao certo quais as consequênci« que a medida poderia ocasionar nas atividades econômicas.
K muito difícil fazerem-se previsões em
jurídico da medida adotada pelo Banco do Brasil, mas as suas conseqüências econô
formados c encaminhados à
última análise, se convertiam num instru
Por esse
motivo tiveram que recorrer a outros pro cessos de atuação sôbre a produção e o consumo, mas êstes já não eram mone tários.
À luz dos conhecimentos atuais, a po lítica monetária ainda se circunscreve à modificação das taxas de juros e redescon to e às operações no mercado livre. Se não são medidas de forte atuação, têm a
mento poderoso de direção da conjuntura
virtude de produzir efeitos nas poupanças
econômica. Quando a economia entrasse
t investimentos.
micas. Para alcançarmos o nosso objetivo,
numa fase de depressão, o simples rebai
vamos iniciar por rápida descrição teórica
xamento das taxas de ju
ção da teoria monetária,
da atuação das taxas de juros e da política
ros era suficiente para re
e especialmente a da a^o
econômica que a elas sc prende, para de pois verificarmos se tal política se adapta
por as atividades econô
das taxas de juros,
micas em
prende a observações le
seu
csta«.lo
de
Não devemos esquecer que a elabora
sc
rnatena de economia, dados os imponderaveis que a qualquer momento podem forçar a marcha dos acontecimentos a to
a estrutura econômica brasileira, e final
equilíbrio primitivo. Nu
vadas a efeito nos países
mente analisarmos se a presente modifica ção dos juros dc depósito consulta aos in-
ma fase
altamente capitalistas. Por
mar novo rumo. O máximo que se pode
terésses econômicos do País.
fazer e traça_r as Imhas gerais de uma pos sível evolução, indicando o caminho pro vável que os eventos econômicos deverão seguir.
economia
Os efeitos da modificação das taxas de
poss.vets efeitos .que a resolução do Banco do Brasil ocasionará sôbre a estrutura eco-
eram o elemento regulador da poupança "e
nómica nacional.
vam a poupança, enquanto taxas baixas
é exercida pela Superintendência da Moe
da e do Crédito, daí assistir a esse orga nismo o direito de controlar o movimento bancário, modificando as taxas de depósi tos e empréstimos de dinheiro, a fim de acomodar a distribuição do crédito e a cir
mm
gócios, fazendo com que
Atuaçao das taxas de juros
juros foram perfeitamente descritos pelos clássicos. Segundo eles, as taxas de juros
é função do Banco Central a fixação da taxa de juros e do redesconto, uma vez que constitui o elemento essencial da po lítica do crédito. No Brasil essa função
elevação da taxa tinha fôrça bastante para conter o ritmo acelerado dos ne-
Feita essa observação preliminar, abalançamo-nos a dar nossa opinião sôbre os Não podemos deixar de reconhecer que
de expansão, a
do investimento. Taxas altas incentiva tornavam mais atraentes os investimentos.
O jôgo da lei da oferta e procura de ca pitais levava a acomodar as taxas, de ma
neira a fazer com que a quantidade pou pada fosse igual à quantidade procurada pelos investidores. Essa identidade foi
formulada com precisão na célebre teoria do escoamento, de J. B. Say. A descrição fornecida pelos clássicos se aplicava apenas à estática econômica.
Os
continuadores da teoria estenderam-na à dinâmica econômica e dela tiraram os
voltasse
mi
equilíbrio inicial.
A
experiência se
cumbiu
de
mostrar
tanto, é condição essen cial para a plena atuação do mecanismo que esta mos descrevendo a exis
tência, em abundância, de capitais.
in que
O Brasil é um
país subcapitalista e sub desenvolvido, não reunin
as modificações das taxas de
do as condições necessárias para a verifi
juros produziam os efeitos descritos na
cação dos efeitos da política monetária.
teoria.
Nao queremos dizer com isso que a refe rida política não produza nenlium efeito
nem sempr
Era um'bom processo de ação sô-
hre a marcha - dos negócios, mas insufi
ciente para servir de fundamento a uma política monetária. Os economistas procuraram reforçar o Mecanismo de atuação das taxas de juros
corn as operações no mercado livre (open
market). A contração e a expansão dos
no meio brasileiro. Ela atuará, porém as suas conseqüências serão bem menores, poA razão deve ser procurada na escassez da oferta de capitais em face da enorme
•^^íjôcios obtida com a conjugação das duas
procura. O Brasil é um país em desen
'fedidas mo.straram ser bem mais intensa.
volvimento, daí requerer volume de capi
Parecia que de fato se havia conseguido
tal bem maior que o disponível, o que
elaborar excelente processo de direção da
obriga os empreendedores a se limitarem
vida econômica.
as atividades mais rendosas e essas na in
A utilização desses dois processos feira pelo "New Deal" nos anos trinta veio de-
tensidade permitida pelos recursos finan ceiros existentes. Assim, à procura de ca-
DicsnsTo r.í oNóNuro-
r>8
pitais dos novos empreendedores soma-se a procura dos empreendedores já existen tes, forçando a taxa de juros a se fixar numa percentagem muito elevada.
Num meio econômico de procura tão forte de capitais, as modificações das taxas de juro têm pequena influência. A redu ção da taxa de nada facilita aos tomadores de dinheiro, uma vez que o volume de ca
pital disponível não aumenta. A elevação, cm face da existência de negócios* em pro fusão, não leva a uma redução dos emprês. timos, pois sempre haverá tran.sações bas tante rendosas para tomar todo o tÜnhciro disponível na taxa nova. principalmente
numa fase especulativa como a que atra
r.roNÓMifo
69
da vez mais altos aos depositantes. Ora.
possível na conjuntura econômica atual?
esse processo age também sobre o meio
obtendo o dinheiro mediante pagamento a
Não acrcdit.imos. O desenvolvimento da
circulante, contendo a inflação. Durante a guerra as nações beligerantes usaram lar gamente êsse mecanismo. Emitiam moeda
juros altos, os estabelecimentos bancários tem, necessãriamente, lic cobrar também. |K*lo dinheiro que emprestam, juros altos, üs tomadores desse dinheiro, por seu tur no, são industriais, comerciantes ou lavra dores que, para conseguir meios de paga mentos, são forçados a encarecer propor
cionalmente os .seus produtos". Não nos parecem boa justificativa os argumentos acima. Km primeiro lugar, o preço de custo não é formado exclusiv.i-
mente pelos juros. Há uma série enorme
de outros fatores que intervém na sua for mação: salário,
matéria-prima,
energia,
vessamos.
impostos, transporte, leis sociais etc. Além
Propósitos da medida
DiGn.sro
disso, a contribuição de cada um desses fa tores para a formação do preço do custo
produção interna só poderá verificar-se com moilificação ampla da técnica de pro
dução. A razão é muito simples: estamos
e vendiam compulsòriamente bônus de
atravessando um período tlc pleno empre
go quantitativo, portanto não ilispomos de
guerra, o que reduzia o poder aquisitivo dos consumidores e evitava a alta de
fatores de produção suficientes para desen
preços.
■
E" intenção da S.M.C. suspender as
volver a atual produção se utilizarmos a mesma técnica. Só o emprego de técnica moderna c mais eficiente poderia liberar
emissões, estimulando a venda de títulos
fatòres tle produção em uso nu produção presente, a fim dc permitir que os mesmos
ciso saber se a redução das taxas de depó
fossem empregados no incremento da atual
sito terá êsse efeito saneador do meio cir-
produção e cm novos setores produtivo.s ainda não explorados.
ailunte.
A modificação da técnica é fato muito complexo e não pode decorrer de simple.s
Declarou o diretor da S.M.C. que a re
dução das taxas despertará "maior interes
se pela procura de títulos do Governo, o que resulta em conter-se a inflado". Acrescentou que se tem cometido o crço
final c bem maior que a do juro do capi
diminuição da raxa.
rem plenamente no meio econômico bras.le.ro, cabe aq^i a persnnta: consulta ao,
tal tomado em empréstimo. E' preciso considerar ainda que numa conjuntura in-
ros é apenas um dos elementos e, talvez,
de se abandonarem os empréstimos públi
flacionária, como a que estamos atraves sando, o preço daqueles fatores se mantém
o de menor importância.
m eresses econômicos do País a atual dificaçao das taxas de juros"''
cos, mediante colocação de apólices, como meio de se obterem recursos para obras
A melhor maneira , de se responder á questão ormulada é indagar dos propósi
em ascensão contínua, ao passo que o dos
tos que levaranr a S.M.C. a adotar sLe-
Ihantc medtda. O sr. José Vieira Macha. do, dtretor do referido órgão, esclareceu .ruma entrev,sta_ dada aos iornais, os mo^
tivos da resolução da S.M.C., que foram1) evitar a elevação do custo da vida- 2)
conter a inflaçao.
Conhecidas as intenções das autoridades._ resta indagar se a alteração das taxas de juros pagas aos depositantes é o meio mais eficiente para se obterem os fins vi sados.
A argumentação expendida pelo dire tor da S.M.C. a favor da medida, como elemento para conter a alta dos preços, foi a seguinte: "A concorrência dos bancos para conquistar maior vulto de depósitos Jevou muitos estabelecimentos a aumentar
o número de agências c oferecer juros ca
juros é geralmente fixa (12 Có entre nós). Em segundo lugar, sc a Superintendên
cia reconhece que os juros dos emprésti mos são altos, ela deveria limitar a taxa
máxima permitida nos empréstimos ban cários e não a taxa dos depósitos. Sabe mos que no Brasil o limite máximo é 12 %. Daí, de duas uma: ou a Superin tendência reconhece què 12% é taxa muito^alta e a reduz para menos, ou não está zelando devidamente pela observância da medida legal. Se reconhece que 12% é muito, a diminuição da taxa de depósitos
não é a melhor medida para se reduzir o juro do empréstimo; no segundo caso, as novas taxas de depósito não facilitarão a sua tarefa e nem forçarão a diminuição do
juro cobrado pelos bancos. A redução da taxa de juro só poderia conter a alta dos preços se levasse a um .-.umanto acentuado de produção. E" isso
kitiriiÉteÉÜÉàí,
Depende Je larga
públicos. Só podemos louvar os bons propósitos das autoridades. Mas é pre
política econômica, da qual a taxa de ju
Por essa ligeira análise já vemois que a medida adotada pela S.M.C, não preenche
os requisitos necessários para se conseguir a redução do custo da vida. Vejamos se ó o meio conveniente para alcançar o se gundo fim a que se destina, ou seja, con ter a inflação. As emissões, entre nós, têm por causa
Indispensáveis, resolvendo-se as dificulda des pela emissão de papel-raoeda. Estas declarações do sr. Vieira Machado são muito justas. O Governo tem-se des carado, de fato, da venda de títulos de crédito como recurso financeiro normal
para conseguir os fundos de que precisa.
os ciéficits orçamentários e as despesas su
Encontramos a prova, confrontando a re
plementares provenientes da construção de obras indispensáveis ao progresso econó-
ceita orçamentária com a dívida pública
mico do País. Nüo podendo aumentar os
impostos e colocar títulos públicos, a úni
de vários países. O confronto mostra que o Brasil é uma das nações cuja dívida pú blica apresenta nível mais reduzido. Se
ca fonte que resta ao Governo para obter
gundo dados do Conselho Técnico de Eco
os recursos financeiros necessários são as
nomia e Finanças (1), a dívida pública
emissões. Daí terem-se sucedido umas às
A medida mais prática para o Gover no conseguir os recursos de que necessita,
brasileira em 1948 (último ano para o qual são disponíveis as estatísticas refe rentes aos países enumerados abaixo) so mava 18,388 milhões de cruzeiros, da qual 7.006 milhões eram represent.idos pela dívida externa e 11-382 pela inter
sem recorrer à inflação, é a venda de títu
na. Êsse total equivaIia^ no referido ano,
outras, elevando continuamente o volume
do meio circulante e agravando a situação econômica interna pela espiral dos preços.
los públicos. Todas as nações têm-se uti lizado dêsse recurso. E' incontestável que
(1) Apud "Folha da ManhS". 21-9-1950.
DicsnsTo r.í oNóNuro-
r>8
pitais dos novos empreendedores soma-se a procura dos empreendedores já existen tes, forçando a taxa de juros a se fixar numa percentagem muito elevada.
Num meio econômico de procura tão forte de capitais, as modificações das taxas de juro têm pequena influência. A redu ção da taxa de nada facilita aos tomadores de dinheiro, uma vez que o volume de ca
pital disponível não aumenta. A elevação, cm face da existência de negócios* em pro fusão, não leva a uma redução dos emprês. timos, pois sempre haverá tran.sações bas tante rendosas para tomar todo o tÜnhciro disponível na taxa nova. principalmente
numa fase especulativa como a que atra
r.roNÓMifo
69
da vez mais altos aos depositantes. Ora.
possível na conjuntura econômica atual?
esse processo age também sobre o meio
obtendo o dinheiro mediante pagamento a
Não acrcdit.imos. O desenvolvimento da
circulante, contendo a inflação. Durante a guerra as nações beligerantes usaram lar gamente êsse mecanismo. Emitiam moeda
juros altos, os estabelecimentos bancários tem, necessãriamente, lic cobrar também. |K*lo dinheiro que emprestam, juros altos, üs tomadores desse dinheiro, por seu tur no, são industriais, comerciantes ou lavra dores que, para conseguir meios de paga mentos, são forçados a encarecer propor
cionalmente os .seus produtos". Não nos parecem boa justificativa os argumentos acima. Km primeiro lugar, o preço de custo não é formado exclusiv.i-
mente pelos juros. Há uma série enorme
de outros fatores que intervém na sua for mação: salário,
matéria-prima,
energia,
vessamos.
impostos, transporte, leis sociais etc. Além
Propósitos da medida
DiGn.sro
disso, a contribuição de cada um desses fa tores para a formação do preço do custo
produção interna só poderá verificar-se com moilificação ampla da técnica de pro
dução. A razão é muito simples: estamos
e vendiam compulsòriamente bônus de
atravessando um período tlc pleno empre
go quantitativo, portanto não ilispomos de
guerra, o que reduzia o poder aquisitivo dos consumidores e evitava a alta de
fatores de produção suficientes para desen
preços.
■
E" intenção da S.M.C. suspender as
volver a atual produção se utilizarmos a mesma técnica. Só o emprego de técnica moderna c mais eficiente poderia liberar
emissões, estimulando a venda de títulos
fatòres tle produção em uso nu produção presente, a fim dc permitir que os mesmos
ciso saber se a redução das taxas de depó
fossem empregados no incremento da atual
sito terá êsse efeito saneador do meio cir-
produção e cm novos setores produtivo.s ainda não explorados.
ailunte.
A modificação da técnica é fato muito complexo e não pode decorrer de simple.s
Declarou o diretor da S.M.C. que a re
dução das taxas despertará "maior interes
se pela procura de títulos do Governo, o que resulta em conter-se a inflado". Acrescentou que se tem cometido o crço
final c bem maior que a do juro do capi
diminuição da raxa.
rem plenamente no meio econômico bras.le.ro, cabe aq^i a persnnta: consulta ao,
tal tomado em empréstimo. E' preciso considerar ainda que numa conjuntura in-
ros é apenas um dos elementos e, talvez,
de se abandonarem os empréstimos públi
flacionária, como a que estamos atraves sando, o preço daqueles fatores se mantém
o de menor importância.
m eresses econômicos do País a atual dificaçao das taxas de juros"''
cos, mediante colocação de apólices, como meio de se obterem recursos para obras
A melhor maneira , de se responder á questão ormulada é indagar dos propósi
em ascensão contínua, ao passo que o dos
tos que levaranr a S.M.C. a adotar sLe-
Ihantc medtda. O sr. José Vieira Macha. do, dtretor do referido órgão, esclareceu .ruma entrev,sta_ dada aos iornais, os mo^
tivos da resolução da S.M.C., que foram1) evitar a elevação do custo da vida- 2)
conter a inflaçao.
Conhecidas as intenções das autoridades._ resta indagar se a alteração das taxas de juros pagas aos depositantes é o meio mais eficiente para se obterem os fins vi sados.
A argumentação expendida pelo dire tor da S.M.C. a favor da medida, como elemento para conter a alta dos preços, foi a seguinte: "A concorrência dos bancos para conquistar maior vulto de depósitos Jevou muitos estabelecimentos a aumentar
o número de agências c oferecer juros ca
juros é geralmente fixa (12 Có entre nós). Em segundo lugar, sc a Superintendên
cia reconhece que os juros dos emprésti mos são altos, ela deveria limitar a taxa
máxima permitida nos empréstimos ban cários e não a taxa dos depósitos. Sabe mos que no Brasil o limite máximo é 12 %. Daí, de duas uma: ou a Superin tendência reconhece què 12% é taxa muito^alta e a reduz para menos, ou não está zelando devidamente pela observância da medida legal. Se reconhece que 12% é muito, a diminuição da taxa de depósitos
não é a melhor medida para se reduzir o juro do empréstimo; no segundo caso, as novas taxas de depósito não facilitarão a sua tarefa e nem forçarão a diminuição do
juro cobrado pelos bancos. A redução da taxa de juro só poderia conter a alta dos preços se levasse a um .-.umanto acentuado de produção. E" isso
kitiriiÉteÉÜÉàí,
Depende Je larga
públicos. Só podemos louvar os bons propósitos das autoridades. Mas é pre
política econômica, da qual a taxa de ju
Por essa ligeira análise já vemois que a medida adotada pela S.M.C, não preenche
os requisitos necessários para se conseguir a redução do custo da vida. Vejamos se ó o meio conveniente para alcançar o se gundo fim a que se destina, ou seja, con ter a inflação. As emissões, entre nós, têm por causa
Indispensáveis, resolvendo-se as dificulda des pela emissão de papel-raoeda. Estas declarações do sr. Vieira Machado são muito justas. O Governo tem-se des carado, de fato, da venda de títulos de crédito como recurso financeiro normal
para conseguir os fundos de que precisa.
os ciéficits orçamentários e as despesas su
Encontramos a prova, confrontando a re
plementares provenientes da construção de obras indispensáveis ao progresso econó-
ceita orçamentária com a dívida pública
mico do País. Nüo podendo aumentar os
impostos e colocar títulos públicos, a úni
de vários países. O confronto mostra que o Brasil é uma das nações cuja dívida pú blica apresenta nível mais reduzido. Se
ca fonte que resta ao Governo para obter
gundo dados do Conselho Técnico de Eco
os recursos financeiros necessários são as
nomia e Finanças (1), a dívida pública
emissões. Daí terem-se sucedido umas às
A medida mais prática para o Gover no conseguir os recursos de que necessita,
brasileira em 1948 (último ano para o qual são disponíveis as estatísticas refe rentes aos países enumerados abaixo) so mava 18,388 milhões de cruzeiros, da qual 7.006 milhões eram represent.idos pela dívida externa e 11-382 pela inter
sem recorrer à inflação, é a venda de títu
na. Êsse total equivaIia^ no referido ano,
outras, elevando continuamente o volume
do meio circulante e agravando a situação econômica interna pela espiral dos preços.
los públicos. Todas as nações têm-se uti lizado dêsse recurso. E' incontestável que
(1) Apud "Folha da ManhS". 21-9-1950.
Digdsto
Econômico
'1
Digesto Econômico ticam. a fim de manter mai.s
a apenas 11" % da receita orçamentária brasileira, que foi em 1948 de 15.598
A prova é o completo desinteresse dos ' bancos, das companhias Jc seguros, das
milhões de cruzeiros.
caixas econômicas, das sociedades anôni
A percentagem da
dívida pública, em muitos outros países,
mas c dos particulares, na aquisiç.ão de
representa número muito mais elevado. A
títulos públicos. Esse fato deve parecer estranho aos observadores estrangeiros, pois a rubrica de títulos de crédito pú blicos e particulares, nos balanços das en tidades econômicas de outros países, é das
da Bolívia era, em 1948, de 674 % em relação à receita orçamentária; a da Grã-
Bretanha de 606 %, a do Canadá, 523 %. O total de títulos em circulação inter na, no ano passado, apresentava a seguin
te distribuição: as apólices e as obrigações participavam com 47 % e 53 %, respecti vamente, segundo nos informa a mensa
gem presidencial ao Congresso. No que toca à circulação das obrigações, aos bónus de guerra cabiam 60%, eqüivalendo a divida interna consolidada a 32 %.
confiança e prestígio do público que as
cm operar no mercado, a fim de regulari zar os preços dos títulos. As autoridades ainda não se convence
ram de que os maiores tomadores de títu
fator que leva o público a depositar nas
los públicos são as empresas c não os par do valor e a liquidez dos papéis de cré
casas de crédito menores são as taxas de juros mais elevadas que estas habitualmen te pagam. Daí os depósitos dessas serem
dito que po.ssucm em carteira.
constituídos das economias dos pequenos
A das interessa a estabilidade
A medida
dutiva ou comercial.
quenas organizações de crédito operam com altas taxas de juros, podem pagar ta
xas mais elevadas para os depósitos, supe
Quais serão os efeitos prováveis da re dução das taxas de depósito ? Já dissemos
riores mesmo às pagas pelas Caixas Eco nômicas. Dessa forma, atraem para seus cofres quantias avultadas. A resolução da S.M.C. nivela as taxas de juros para todos os bancos. Desaparece assim a única
se pela aquisição desses papéis de crédito
presentes desce-
nossos comentaristas de. assuntos econômi
cial. As que vamos fazer trazem o cará
Sem dúvida, segundo acentua uni de
poupadores. assemelhandc-se aos depósi
tos das Caixas Econômicas. Como as pe
Efeitos proi'áv0Ís
Em outros países, os bancos são os mais
importantes detentores de títulos. Entre nós verifica-se o contrário: desinteressam-
Os grandes bancos gozam de muito mais pequenas organizações bancárias. Por es se motivo o dinheiro aflui em volume maior as caixas dos bancos mais fortes. O
adotada pela S.M.C. não favorece esses to madores e pouca influência terá sobre as vendas aos particulares.
tulos do "porte-fcuilie" que às próprias operações econômicas da organização pro
sionará nos depósitos dos pequenos ban
do "opcn markct policy", que se resume
desprezado os de receita não
títulos públicos como fonte ram bem k
menos
cos e casas bancárias.
ticulares.
mais importantes. Na França essa rubrica assumiu tal relevância que os diretores das empresas dedicavam maior atenção aos tí
ou
constante,s as cotações dos mesmos. O re curso de que lançam mão são,as operações
serem difíceis as previsões no terreno so
ní-
cos, trata-se de uma anormalidade, pois os
ter aleatório de todas as previsões sociais,
vantagem que os bancos menores podiam
"mios do Governo, que
títulos públicos são considerados no es
Eoi dito por vários observadores que a
rmu^ a que esiao sujeitos tornam perigo-
trangeiro como a segunda reserva para os
redução das taxas determinaria acentuado
sas as mversnpc
^
«.lepôsitos. A primeira á o encaixe, que
renda
Capitais em títulos de
se procura manter dentro de certos limi
corte nos depósitos bancários. Não vemos como isso possa acontecer. Só há dois ca minhos para o dinheiro sair da circulação
ciar aos seus depositantes. E' de se prever que o público canalize de preferência as suas poupanças para os grandes bancos,
vei
„oi..
1
.e rv
■
,
Adngiu tal ral atingiu
tes, visto não render juros. Os títulos, ao contrário, oferecem rendimento interes
Nesse clima de insegurança terá a mo dificação das taxas de juros efeito esti^ladof das compras de tímlnr r,
rais.> Não acreditamos. Em pr^iriu: gar. os ,uros pagos pelas obrigações púbH-
Tanr pagos bancos. O nível medio dos juros reaispelos dos títulos pubhcos e, na BÔIsa de São Paulo, de 11 e na do Rio de Janeiro de 8,3% Em segundo lugar, o fator .psicológico da descrença a que chegaram os papéis de cré dito oficiais é muito grande para se pen
portanto, das caixas dos bancos: pri-
visto oferecerem mais garantias e gozarem
de maior prestígio. Se isso acontecer, os pequenos bancos serão atingidos sèriamen-
sante para o banco, com a vantagem de
meiro, pelo entesouramento, e segundo,
ce e terão, provavelmente, poucas possibi
poderem ser transformados em moeda cor
pela incineração
lidades para sobreviver.
rente dentro do prazo de 24 horas. No
nos cofres dos Bancos Centrais. Nenhum desses dois casos se verificará com a re solução da S.M.C. O entesouramento é.
única forma de se a obter é através da
entre nós, produto da ignorância e da des confiança do homem do campo no serviço
ção de grandes estabelecimentos de crédi
Brasil, a própria expressão "segunda re serva" c desconhecida. Os bancos não confiam nas aplicações em apólices ou obrigações, simplesmente porque as cota ções baixaram ininterruptamente durante • vários anos e no presente oscilam constan- •
ou conservação inativa
O ideal para a economia de um país é possuir sólida organização bancária.
A
concentração bancária, que leva à forma
bancário, e da deficiência da distribuição
to . Isso, porém, só é possível nos paíse,s
de bancos na zona rural; portanto, não ,se
temente, com larga margem de diferença
modificará pela alteração das taxas de de
altamente industrializados. A estrutura econômica subdesenvolvida do Brasil não
entre as cotações máxima e mínima, o que torna a aplicação muito arriscada para o
pósito. A conservação inativa do dinheifo é quase impossível de se dar no Brasil,
banco.
país de déficits orçamentários e emissão
trangeiros. Além disso, as casas bancá
crônicos.
A medida que o Governo deve adotar para incentivo à compra de títulos públi
O único efeito tangível que vemos na
sar em corrigi-lo apenas com a diminui
cos é uma larga política saneadora do cré- |
ção das taxas de depósito.
dito do Estado. Todos os governos a pra- | ...
I
instrução n.° 34 é a diminuição que oca "í*'-
comporta ainda bancos do porte dos es rias exercem entre nós uma função muito
importante, satisfazendo necessidades de crédito que os bancos maiores não aten
dem . Num país de escassez de cápítal co-
Digdsto
Econômico
'1
Digesto Econômico ticam. a fim de manter mai.s
a apenas 11" % da receita orçamentária brasileira, que foi em 1948 de 15.598
A prova é o completo desinteresse dos ' bancos, das companhias Jc seguros, das
milhões de cruzeiros.
caixas econômicas, das sociedades anôni
A percentagem da
dívida pública, em muitos outros países,
mas c dos particulares, na aquisiç.ão de
representa número muito mais elevado. A
títulos públicos. Esse fato deve parecer estranho aos observadores estrangeiros, pois a rubrica de títulos de crédito pú blicos e particulares, nos balanços das en tidades econômicas de outros países, é das
da Bolívia era, em 1948, de 674 % em relação à receita orçamentária; a da Grã-
Bretanha de 606 %, a do Canadá, 523 %. O total de títulos em circulação inter na, no ano passado, apresentava a seguin
te distribuição: as apólices e as obrigações participavam com 47 % e 53 %, respecti vamente, segundo nos informa a mensa
gem presidencial ao Congresso. No que toca à circulação das obrigações, aos bónus de guerra cabiam 60%, eqüivalendo a divida interna consolidada a 32 %.
confiança e prestígio do público que as
cm operar no mercado, a fim de regulari zar os preços dos títulos. As autoridades ainda não se convence
ram de que os maiores tomadores de títu
fator que leva o público a depositar nas
los públicos são as empresas c não os par do valor e a liquidez dos papéis de cré
casas de crédito menores são as taxas de juros mais elevadas que estas habitualmen te pagam. Daí os depósitos dessas serem
dito que po.ssucm em carteira.
constituídos das economias dos pequenos
A das interessa a estabilidade
A medida
dutiva ou comercial.
quenas organizações de crédito operam com altas taxas de juros, podem pagar ta
xas mais elevadas para os depósitos, supe
Quais serão os efeitos prováveis da re dução das taxas de depósito ? Já dissemos
riores mesmo às pagas pelas Caixas Eco nômicas. Dessa forma, atraem para seus cofres quantias avultadas. A resolução da S.M.C. nivela as taxas de juros para todos os bancos. Desaparece assim a única
se pela aquisição desses papéis de crédito
presentes desce-
nossos comentaristas de. assuntos econômi
cial. As que vamos fazer trazem o cará
Sem dúvida, segundo acentua uni de
poupadores. assemelhandc-se aos depósi
tos das Caixas Econômicas. Como as pe
Efeitos proi'áv0Ís
Em outros países, os bancos são os mais
importantes detentores de títulos. Entre nós verifica-se o contrário: desinteressam-
Os grandes bancos gozam de muito mais pequenas organizações bancárias. Por es se motivo o dinheiro aflui em volume maior as caixas dos bancos mais fortes. O
adotada pela S.M.C. não favorece esses to madores e pouca influência terá sobre as vendas aos particulares.
tulos do "porte-fcuilie" que às próprias operações econômicas da organização pro
sionará nos depósitos dos pequenos ban
do "opcn markct policy", que se resume
desprezado os de receita não
títulos públicos como fonte ram bem k
menos
cos e casas bancárias.
ticulares.
mais importantes. Na França essa rubrica assumiu tal relevância que os diretores das empresas dedicavam maior atenção aos tí
ou
constante,s as cotações dos mesmos. O re curso de que lançam mão são,as operações
serem difíceis as previsões no terreno so
ní-
cos, trata-se de uma anormalidade, pois os
ter aleatório de todas as previsões sociais,
vantagem que os bancos menores podiam
"mios do Governo, que
títulos públicos são considerados no es
Eoi dito por vários observadores que a
rmu^ a que esiao sujeitos tornam perigo-
trangeiro como a segunda reserva para os
redução das taxas determinaria acentuado
sas as mversnpc
^
«.lepôsitos. A primeira á o encaixe, que
renda
Capitais em títulos de
se procura manter dentro de certos limi
corte nos depósitos bancários. Não vemos como isso possa acontecer. Só há dois ca minhos para o dinheiro sair da circulação
ciar aos seus depositantes. E' de se prever que o público canalize de preferência as suas poupanças para os grandes bancos,
vei
„oi..
1
.e rv
■
,
Adngiu tal ral atingiu
tes, visto não render juros. Os títulos, ao contrário, oferecem rendimento interes
Nesse clima de insegurança terá a mo dificação das taxas de juros efeito esti^ladof das compras de tímlnr r,
rais.> Não acreditamos. Em pr^iriu: gar. os ,uros pagos pelas obrigações púbH-
Tanr pagos bancos. O nível medio dos juros reaispelos dos títulos pubhcos e, na BÔIsa de São Paulo, de 11 e na do Rio de Janeiro de 8,3% Em segundo lugar, o fator .psicológico da descrença a que chegaram os papéis de cré dito oficiais é muito grande para se pen
portanto, das caixas dos bancos: pri-
visto oferecerem mais garantias e gozarem
de maior prestígio. Se isso acontecer, os pequenos bancos serão atingidos sèriamen-
sante para o banco, com a vantagem de
meiro, pelo entesouramento, e segundo,
ce e terão, provavelmente, poucas possibi
poderem ser transformados em moeda cor
pela incineração
lidades para sobreviver.
rente dentro do prazo de 24 horas. No
nos cofres dos Bancos Centrais. Nenhum desses dois casos se verificará com a re solução da S.M.C. O entesouramento é.
única forma de se a obter é através da
entre nós, produto da ignorância e da des confiança do homem do campo no serviço
ção de grandes estabelecimentos de crédi
Brasil, a própria expressão "segunda re serva" c desconhecida. Os bancos não confiam nas aplicações em apólices ou obrigações, simplesmente porque as cota ções baixaram ininterruptamente durante • vários anos e no presente oscilam constan- •
ou conservação inativa
O ideal para a economia de um país é possuir sólida organização bancária.
A
concentração bancária, que leva à forma
bancário, e da deficiência da distribuição
to . Isso, porém, só é possível nos paíse,s
de bancos na zona rural; portanto, não ,se
temente, com larga margem de diferença
modificará pela alteração das taxas de de
altamente industrializados. A estrutura econômica subdesenvolvida do Brasil não
entre as cotações máxima e mínima, o que torna a aplicação muito arriscada para o
pósito. A conservação inativa do dinheifo é quase impossível de se dar no Brasil,
banco.
país de déficits orçamentários e emissão
trangeiros. Além disso, as casas bancá
crônicos.
A medida que o Governo deve adotar para incentivo à compra de títulos públi
O único efeito tangível que vemos na
sar em corrigi-lo apenas com a diminui
cos é uma larga política saneadora do cré- |
ção das taxas de depósito.
dito do Estado. Todos os governos a pra- | ...
I
instrução n.° 34 é a diminuição que oca "í*'-
comporta ainda bancos do porte dos es rias exercem entre nós uma função muito
importante, satisfazendo necessidades de crédito que os bancos maiores não aten
dem . Num país de escassez de cápítal co-
mo o nosso, o papel das casas bancárias é
ção n.° 34 da S.M.C. c antes maléfica do
importante demais pata déle se prescindir.
que benéfica. Não beneficia porque não
e capaz de produzir os efeitos que dela es Conclusão
Pela ligeira análise que fizemos, só poemos chegar a uma conclusão; a instru-
pera o sr. Vieira Machado.
O liolatório Ellender
E' prejudi
josH Luiz dh Almiuda Nogueira Pôrto
cial à economia interna por afetar os de
pósitos dos pequenos bancos e casas ban cárias, centros importantes de crédito.
Ori-NÔMKNO da escassez de dólares é
Para se ter uma noção do vulto dessa
um dos mais .graves c mais gerais de
destruição, basta ver que, só a Inglaterra,
que padece o mundo no campo econômico.
segundo cálailos geralmente aceitos como
Suas causas e sua amplitude são por demais conhecidas paru que nos detenhamos demasiado em sua análise. Não obstante, convém acentuar que, .segundo o Banco Ihternacíonal de Reconstrução e Ecmcnto,
razoáveis, despendeu durante a guerra e sofreu destruição no valor de 130 bilhões dólares, ou sejam, em nossa moeda e câmbio oficial, dois bilhões e seiscenmilhões de contos de réis.
o fenômeno se originou: "1.'^) de que o resto do mundo, com exceção dos Estados Unido.s, não produz o suficiente para a obtençãt^ de bens e serviços de que necessita, por meio da pro-
Quanto à qu^a da produção, de produtos essenciais à vida das populações, nos países compreendidos no Plano Marshall ^ Alemanha Ocidental, foi da ordem seguinte, em milhões de toneladas métricas:
duçâo interna e dos processos normais de
intercâmbio internacional ;
■1
kty/
I934/3S 1946J47
Todos os cereais ., Cereais panificáveis
64,5 34,0
556 28,3
Estados Unidos, porque, conservando esse país seu mecanismo de produção intacto. constitui um dos poucos — e indubitàvelmente o mais importante — capazes de
Batatas Carne Leite
57,7 .9,0 72,5
Carvão
552,0
50,7 5,9 55,7 439,0
fornecer os referidos bens e serviços;
3.") de que, para comprar nos Estados Unidos, são necessários dólares, do que
Ora, os Estados Unidos, por motivos políticos, se viram na contingência não
resulta que o problema dessa moeda não
só de suprir as ^deficiências da produção
se resolverá enquanto não aumente a pro-
interna das nações européias, como de
dução nas demais nações do mundo, até o ponto em que os produtos necessários possam ser obtidos através dos processos
auxiliá-las em sua reconstrução, do que resultou um fornecimento de bens muitíssimo superior às importações, com saldos
portação de bens e serviços em quantidade
mento daquele país.
necessária para pagar as importações essenciais".
Êsses saldos — computados, é claro, os verificados com relação a outras áreas, in-
normais de comércio, por dispor-se de ex-
M4 ••
Produtos
2.°) de que grande parte desses bens e serviços se compra, por conseguinte, nos
A origem primeira do fenômeno, pelo
cada vez maiores nos balanços de pacaclusive cqm a América Latina
subiram,
menos em seu âmbito universal, foi, é claro, a guerra de 1939/45, ocasionando
só no exercício de 1947, a oito bilhões de dólares, o que mostra perfeitamente a
uma considerável destruição e uma tal
intensidade com que se manifesta o fenó-
queda na produção européia que as na-
meno da escassez de dólares.
ções assoladas não tinham meios sequer para se manterem, quanto mais para se
O problema assume especial gravidade na América Latina, não só pela sua de-
reconstruírem.
pendência da economia dos Estados Uni-
mo o nosso, o papel das casas bancárias é
ção n.° 34 da S.M.C. c antes maléfica do
importante demais pata déle se prescindir.
que benéfica. Não beneficia porque não
e capaz de produzir os efeitos que dela es Conclusão
Pela ligeira análise que fizemos, só poemos chegar a uma conclusão; a instru-
pera o sr. Vieira Machado.
O liolatório Ellender
E' prejudi
josH Luiz dh Almiuda Nogueira Pôrto
cial à economia interna por afetar os de
pósitos dos pequenos bancos e casas ban cárias, centros importantes de crédito.
Ori-NÔMKNO da escassez de dólares é
Para se ter uma noção do vulto dessa
um dos mais .graves c mais gerais de
destruição, basta ver que, só a Inglaterra,
que padece o mundo no campo econômico.
segundo cálailos geralmente aceitos como
Suas causas e sua amplitude são por demais conhecidas paru que nos detenhamos demasiado em sua análise. Não obstante, convém acentuar que, .segundo o Banco Ihternacíonal de Reconstrução e Ecmcnto,
razoáveis, despendeu durante a guerra e sofreu destruição no valor de 130 bilhões dólares, ou sejam, em nossa moeda e câmbio oficial, dois bilhões e seiscenmilhões de contos de réis.
o fenômeno se originou: "1.'^) de que o resto do mundo, com exceção dos Estados Unido.s, não produz o suficiente para a obtençãt^ de bens e serviços de que necessita, por meio da pro-
Quanto à qu^a da produção, de produtos essenciais à vida das populações, nos países compreendidos no Plano Marshall ^ Alemanha Ocidental, foi da ordem seguinte, em milhões de toneladas métricas:
duçâo interna e dos processos normais de
intercâmbio internacional ;
■1
kty/
I934/3S 1946J47
Todos os cereais ., Cereais panificáveis
64,5 34,0
556 28,3
Estados Unidos, porque, conservando esse país seu mecanismo de produção intacto. constitui um dos poucos — e indubitàvelmente o mais importante — capazes de
Batatas Carne Leite
57,7 .9,0 72,5
Carvão
552,0
50,7 5,9 55,7 439,0
fornecer os referidos bens e serviços;
3.") de que, para comprar nos Estados Unidos, são necessários dólares, do que
Ora, os Estados Unidos, por motivos políticos, se viram na contingência não
resulta que o problema dessa moeda não
só de suprir as ^deficiências da produção
se resolverá enquanto não aumente a pro-
interna das nações européias, como de
dução nas demais nações do mundo, até o ponto em que os produtos necessários possam ser obtidos através dos processos
auxiliá-las em sua reconstrução, do que resultou um fornecimento de bens muitíssimo superior às importações, com saldos
portação de bens e serviços em quantidade
mento daquele país.
necessária para pagar as importações essenciais".
Êsses saldos — computados, é claro, os verificados com relação a outras áreas, in-
normais de comércio, por dispor-se de ex-
M4 ••
Produtos
2.°) de que grande parte desses bens e serviços se compra, por conseguinte, nos
A origem primeira do fenômeno, pelo
cada vez maiores nos balanços de pacaclusive cqm a América Latina
subiram,
menos em seu âmbito universal, foi, é claro, a guerra de 1939/45, ocasionando
só no exercício de 1947, a oito bilhões de dólares, o que mostra perfeitamente a
uma considerável destruição e uma tal
intensidade com que se manifesta o fenó-
queda na produção européia que as na-
meno da escassez de dólares.
ções assoladas não tinham meios sequer para se manterem, quanto mais para se
O problema assume especial gravidade na América Latina, não só pela sua de-
reconstruírem.
pendência da economia dos Estados Uni-
m Digesto 74
se verificam em seus balanços de contas com aquêle país.
Antes da guerra, em média, 50 % do comercio latino-americano se processavam com a Europa. Em alguns casos a percentagem era, mesmo, muito mais eleva
da, como sucedia com a Argentina (75% ) c com a Bolívia (90 %
Enquanto isso.
as exportações para os Estados Unidos os-
cilavam entre 20 e 25 q? .
Com a guerra, as correntes comerciais desses países sofreram uma brusca distor-
Em 1947, 60 % das importações
provinham dos Esrarír^c ri.,- i j«. 20 oo % da I Europa, estados aoUnidos e menos de
passo que as exportações -se processavam na base
íercámbio comercial com os Estados Uni
o.s Estados Unidos baixou de forma apre
rriais, veículos c aparclhamcnto técnico, enormc-mente desgastados durante a guer ra, e que tiveram de ser substituídos em
dos, foi de 1 .900 milliõcs de dólares. No ano seguinte, já se havia reduzido para í-200 milhões, c cm 1919. embora ainda
confronto com igual período de 1949. A
massa. .
não se disponha de da«.!os exatos, estima-
15,3%, mas, mesmo assim, a quantidade
se que tenha havido uma baixa de 10 %
de dólares obtida com essas vendas su
nas importações e um incremento de ou
biu consideravelmente. No primeiro tri
tros 10 % nas exportações, o que terá re
duzido considcràvelmcntc o .saldo negati
mestre de 1949, havíamos vendido café para os Estados Unidos no valor de ....
vo.
88.586.267 dólares e, em igual período
E' bem verdade que de 19.^9 a 1945. graças aos fornecimentos lie matérias-pri. mas às nações beligerantes, puderam, muitos países do hemisfério c, dentre éles. o Briisil, acumular apreciáveis saldos em
janeiro de 1950, um saldo cm seu balanço
produto subiram para 112.198.690,
das contas com os Estados Unidos de 4.^,9 niilhões de dólares, contra um "déficit" de
que representa um aumento de valor dc
ausência de controlos da importação.
Por ésse motivo, cm muito |>oucos anos foi necessário substituir instalações de^. gastadas ou tornadas obsoletas durante todo o py.
para a Europa.
/ mr í-
1
seus balanços de pagarum
te importados, como pela brüsca necessi
dade de reposição das instalações indus^
*_
I
cerca de 26,6 %. Èsse fenômeno que se verificou com o
café, porem, não foi isolado. A redução cm volume do total das compras feitas pe
•'*0, segundo estatísticas do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, a Amé
los Estados Unidos no Brasil atingiu, se gundo os dados já citados, a 27,3 % no
cícios um volume de
rica do Sul exportou para os Estados Uni dos 432.213.592 dólares e importou
ração com o primeiro trimestre de 1949,
portações
apenas 300.680.842 com
e. não obstante, o valor das mercadorias
que,
normal-
se teria distribui. do por cinco ou seis
terior.
um "superá
daqui importadas pelos norte-americanos
As causas da atenuação do fenômeno
.subiu de 119.279.531 para 140.746.07^
são de duas ordens: por um lado, as me
didas restritivas à importação e, por ou
r*<\r»e *rAic '*CÍcficítS*' consideráveis
sequilíbrios no balanço de pagamentos dos países latino-americanos não é transi tório, sendo mesmo de natureza cstrutural, mas queremos referir-nos ao caso es pecial do dólar, e rendo em conta, inclu sive, as medidas artificiais adotadas po^ muitos governos para minorar a crise des sa moeda.
Assim é que, em 1947, como já vimos, o "déficit" da América Latina em seu in-
primeiro trimestre deste ano, em compa
vit", portanto, de 131 .532.745 dólares.
P'>rque as necessi^
relaçao aos Estados Unidos foi de um bi balanças de pagamento da América Latiiv^ em relação aos Estados Unidos, A mconversibilidade de moedas eurofmned "°urna compensaçio ,ue™ reduaitia dólares tmp d. Um aspecto do fenômeno que aindO déficit a seiscentos milhões, o que merece focalizado é o de sua transito contnbnm para acentuar, ainda mais ! riedadc.ser Claro que o problema dos cl,.
produtos industrializados, em grande par
o
No primeiro trimestre do ano em cur-
lhão e novecentos milhões
somem cada vez maiores quantidades de
*^7 milhões no mesmo mês do ano an
dades de consumo de prj, dutos importados supera, o crescimento das produções locais
provocando
crise de dólares na América Latina. O problexiia da inconversibilidade das moedas combinou-se com uma crescente procura de dólares pelos países do Continente, resultante não só de uma elevação tio nível de vida das populações, que con
do corrente ano, nossas vendas do mesmo
esses saídos foram gastos de forma disper siva c anti-económica, dada a quase total
acumulou em alguns exer
conjunto, apresentou em
redução de volume foi da ordem de
tância de ter tido a América Latina, em
ríodo da guerra, o q^ç
^essa circunstância re sultou que, em I947. a América Latina,, em seu
E' sintomática, também, a circuns
ciável no primeiro trimestre deste ano. em
dólares, mas, na generalidade dos casos
med,a de 40% para a. Estados Unidos e 40 %
«-10 «HA
75
DIGESTíj h« (JNOMft.o
dos. como pelos saldos desfavoráveis que
sao.
Económíco
dólares.
Essa circunstância revela que se proces
tro, a elevação dos preços dos produtos ex
sa uma rápida recuperação da perda dc
portados.
substância
E' confortador saber-se que, em um pe ríodo de 10 anos. entre 1937 e 1947, ao
passo que o volume físico global das ex
econômica a que nós, como
país fornecedor de produtos primários, há tantos anos estamos submetidos.
Por outro lado. no primeiro trimestre
portações latino-americanas subia de 29%. -seu valor subiu de 233 %. Isso significa
deste ano, importamos em dólares, dos Es tados Unidos, muito menos de metade do
que está em processo uma recuperação, pe lo menos parcial, da perda de substância econômica que permanentemente sofrem
que havíamos importado em igual perío do de 1949. Para sermos exatos, havía
os países de economia agrícola.
ano passado, 138.904.604 dólares, e nos
Aliás, o
que se verifica com o café é sintomático.
E)e acordo com dados provenientes do
mos importado, no primeiro trimestre do
primeiros três meses deste ano, apenas 60.380.059.
Departamento do Comércio dos Estados
Êsses números indicam, que a presente
Unidos e de Georgc Gordon Paton & Co., o volume de exportação de nosso café para
escassez de dólares constitui, pelo menos para nós, um fenômeno transitório.
m Digesto 74
se verificam em seus balanços de contas com aquêle país.
Antes da guerra, em média, 50 % do comercio latino-americano se processavam com a Europa. Em alguns casos a percentagem era, mesmo, muito mais eleva
da, como sucedia com a Argentina (75% ) c com a Bolívia (90 %
Enquanto isso.
as exportações para os Estados Unidos os-
cilavam entre 20 e 25 q? .
Com a guerra, as correntes comerciais desses países sofreram uma brusca distor-
Em 1947, 60 % das importações
provinham dos Esrarír^c ri.,- i j«. 20 oo % da I Europa, estados aoUnidos e menos de
passo que as exportações -se processavam na base
íercámbio comercial com os Estados Uni
o.s Estados Unidos baixou de forma apre
rriais, veículos c aparclhamcnto técnico, enormc-mente desgastados durante a guer ra, e que tiveram de ser substituídos em
dos, foi de 1 .900 milliõcs de dólares. No ano seguinte, já se havia reduzido para í-200 milhões, c cm 1919. embora ainda
confronto com igual período de 1949. A
massa. .
não se disponha de da«.!os exatos, estima-
15,3%, mas, mesmo assim, a quantidade
se que tenha havido uma baixa de 10 %
de dólares obtida com essas vendas su
nas importações e um incremento de ou
biu consideravelmente. No primeiro tri
tros 10 % nas exportações, o que terá re
duzido considcràvelmcntc o .saldo negati
mestre de 1949, havíamos vendido café para os Estados Unidos no valor de ....
vo.
88.586.267 dólares e, em igual período
E' bem verdade que de 19.^9 a 1945. graças aos fornecimentos lie matérias-pri. mas às nações beligerantes, puderam, muitos países do hemisfério c, dentre éles. o Briisil, acumular apreciáveis saldos em
janeiro de 1950, um saldo cm seu balanço
produto subiram para 112.198.690,
das contas com os Estados Unidos de 4.^,9 niilhões de dólares, contra um "déficit" de
que representa um aumento de valor dc
ausência de controlos da importação.
Por ésse motivo, cm muito |>oucos anos foi necessário substituir instalações de^. gastadas ou tornadas obsoletas durante todo o py.
para a Europa.
/ mr í-
1
seus balanços de pagarum
te importados, como pela brüsca necessi
dade de reposição das instalações indus^
*_
I
cerca de 26,6 %. Èsse fenômeno que se verificou com o
café, porem, não foi isolado. A redução cm volume do total das compras feitas pe
•'*0, segundo estatísticas do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, a Amé
los Estados Unidos no Brasil atingiu, se gundo os dados já citados, a 27,3 % no
cícios um volume de
rica do Sul exportou para os Estados Uni dos 432.213.592 dólares e importou
ração com o primeiro trimestre de 1949,
portações
apenas 300.680.842 com
e. não obstante, o valor das mercadorias
que,
normal-
se teria distribui. do por cinco ou seis
terior.
um "superá
daqui importadas pelos norte-americanos
As causas da atenuação do fenômeno
.subiu de 119.279.531 para 140.746.07^
são de duas ordens: por um lado, as me
didas restritivas à importação e, por ou
r*<\r»e *rAic '*CÍcficítS*' consideráveis
sequilíbrios no balanço de pagamentos dos países latino-americanos não é transi tório, sendo mesmo de natureza cstrutural, mas queremos referir-nos ao caso es pecial do dólar, e rendo em conta, inclu sive, as medidas artificiais adotadas po^ muitos governos para minorar a crise des sa moeda.
Assim é que, em 1947, como já vimos, o "déficit" da América Latina em seu in-
primeiro trimestre deste ano, em compa
vit", portanto, de 131 .532.745 dólares.
P'>rque as necessi^
relaçao aos Estados Unidos foi de um bi balanças de pagamento da América Latiiv^ em relação aos Estados Unidos, A mconversibilidade de moedas eurofmned "°urna compensaçio ,ue™ reduaitia dólares tmp d. Um aspecto do fenômeno que aindO déficit a seiscentos milhões, o que merece focalizado é o de sua transito contnbnm para acentuar, ainda mais ! riedadc.ser Claro que o problema dos cl,.
produtos industrializados, em grande par
o
No primeiro trimestre do ano em cur-
lhão e novecentos milhões
somem cada vez maiores quantidades de
*^7 milhões no mesmo mês do ano an
dades de consumo de prj, dutos importados supera, o crescimento das produções locais
provocando
crise de dólares na América Latina. O problexiia da inconversibilidade das moedas combinou-se com uma crescente procura de dólares pelos países do Continente, resultante não só de uma elevação tio nível de vida das populações, que con
do corrente ano, nossas vendas do mesmo
esses saídos foram gastos de forma disper siva c anti-económica, dada a quase total
acumulou em alguns exer
conjunto, apresentou em
redução de volume foi da ordem de
tância de ter tido a América Latina, em
ríodo da guerra, o q^ç
^essa circunstância re sultou que, em I947. a América Latina,, em seu
E' sintomática, também, a circuns
ciável no primeiro trimestre deste ano. em
dólares, mas, na generalidade dos casos
med,a de 40% para a. Estados Unidos e 40 %
«-10 «HA
75
DIGESTíj h« (JNOMft.o
dos. como pelos saldos desfavoráveis que
sao.
Económíco
dólares.
Essa circunstância revela que se proces
tro, a elevação dos preços dos produtos ex
sa uma rápida recuperação da perda dc
portados.
substância
E' confortador saber-se que, em um pe ríodo de 10 anos. entre 1937 e 1947, ao
passo que o volume físico global das ex
econômica a que nós, como
país fornecedor de produtos primários, há tantos anos estamos submetidos.
Por outro lado. no primeiro trimestre
portações latino-americanas subia de 29%. -seu valor subiu de 233 %. Isso significa
deste ano, importamos em dólares, dos Es tados Unidos, muito menos de metade do
que está em processo uma recuperação, pe lo menos parcial, da perda de substância econômica que permanentemente sofrem
que havíamos importado em igual perío do de 1949. Para sermos exatos, havía
os países de economia agrícola.
ano passado, 138.904.604 dólares, e nos
Aliás, o
que se verifica com o café é sintomático.
E)e acordo com dados provenientes do
mos importado, no primeiro trimestre do
primeiros três meses deste ano, apenas 60.380.059.
Departamento do Comércio dos Estados
Êsses números indicam, que a presente
Unidos e de Georgc Gordon Paton & Co., o volume de exportação de nosso café para
escassez de dólares constitui, pelo menos para nós, um fenômeno transitório.
DiCESTo
A
PROPÓSITO DE ECONOMIA DE TRANSPORTES E CIRCULAÇÃO
decc à "lei dos paralclo.s", principalmente
Itabuna, Canavieiras, Belmonte, Una) tor-
quando se trata, como no caso do Brasil,
navu-se mais difícil, porque dependia de
On IralinlIioB do I. IK. O. E.
de emigrações impostas pelo dcsespêro. jxrla completa dc-sorganizaçao dos grupos.
viagem por mar, e poucos eram os que podiam fazer despesas de transporte, no-
Prof. Djacir Mbni-zi-s
Há ocasiões cm que os retirantes (desig
radamente quando se tratava de famílias
(Catedrático da Faculdade Nacional dc Filosofia)
nação dada ;is levas ile famílias que se
numerosas, o que é, aliás, muito comum
deslocam nos períodos dc secas.) saem de
no sertão.
•OR imposição das circunstâncias sociais,
P
os estudos econômicos vão-se expan
dindo entre nós.
Econômico
Até o crepúsculo da
primeira República, as Faculdades de Di
bricas dc expedição de titulados — então falharam ao veriladeiro desiderato, frus trando a finalidade social a que deveriam atender.
reito eram as únicas organizações de ensi
no que ofereciam oportunidade aos que pretendiam dedicar-se a esse ramo dos co
nhecimentos sociais. E não se pode ne gar que os melhores e maiores nomes em
assuntos econômicos, voltados para os pro blemas fundamentais do País, vieram da queles institutos de ensino superior. Êles ainda formariam a maioria dos elementos docenres que haveriam de constituir as Fa
culdades de Ciências Econômicas, que posteriormente se organizariam.
A orsanização da produçSo nacional exije uma compreensão científica dos in
teresses que se debatem na economia mun
Pontos cie partida: os transportes
Quando se lança os olhos para o mapa do Brasil, vem logo à lembrança o lirismo bebido na literatura que decantou nossa opulcncia. E, no mei») da opúléncia, os mendigos fartos, de que falava Euciidcs da
Cunha. Sobre a imensa base física, a ci vilização ainda arranhando o litoral, como escrevia o cronista colonial, enunciando uma verdade para duzentos anos.
A segunda guerra mundial pôs, com
mais evidência, o problema dos transpor
dial. A interdependência crescente dos mercados, a ampliação de organismos mo'
tes diante dos nossos olhos. Há muito tempo que se bradava sobre a necessidade
nopolisticos pelas áreas de riquezas éx-
brados que não repercutiam na ação prá
pioraveis em todas as latitudes do plane
ta, as políticas que preparam conflitos e os conflitos que prolongam políticas —
tudo ISSO reclama tratamento adequado
de ampliar as vias de comunicações —.^as
tica do Governo. Os capitais estrangei ros, que vinham aplicar-se no País, inves-
tiam-se nas atividades lucrativas certas,
suas terras como rebanhos sem rumo. co
mo quem está no deserro e procura o o.ásis.
As fazendas de cacau receberam muitos
braços de Minas, via Jequitinhonha. mas
Temos aí um tipo dc emigração diferente,
um dos maiores contingentes ali estabe
porque o emigrante quer sair de qualquer
lecidos é de procedência sergipana ou do
forma, para não morrer dc fome. e por isso procura a região que lhe possa ofe recer, pelo menos, os elementos de subsis
sertão do Estado. A zona das Lavras Dia
tência.
Os
deslocamentos
ocorridos em
tais
condições não se enquadram cm qualquer piano dc política imigratória, porque não passam de simples ilispcrsõcs sem ordem nem ponto de fixação previamen te escolhido. Os grupos de famí lias são forçados a emigrar seja pa ra onde fôr, contanto que possam
mantinas. quando o garimpo declinava, ficava sem braços para o tmbalho, porque havia dois pontos de atração: o garimjx) de Mato Grosso e o sul da Bahia. Os ga rimpeiros saíam, por assim dizer, em mas sa para Mato Grosso ou para a zona ca-
caueira. O sul da Bahia, onde o cacau é a base da vida econômica, era uma espécie de £/ Doradn para o serta sergipano. Basta dizer que exis-
fugir das sêcas e da fome. O pro
tem fazendas de grande importân
blema toma feição social e econô mica. Do sertão du Bahia, por
cia, cuja origem está ligada à imi
exemplo, em diversos períodos de sêcas, emigraram muitas famílias para o sudo este do Estado ou para o Recôncavo. Tal
emigração era arbitrária, imposta pelO ins tinto de conservação.
Os retirantes pro
curavam dc preferência os municípios à
margem da Estrada de Forro Nazaré (San
4
nejo da própria Bahia e para o
gração oriunda de Sergipe e do
sertão baiano. Alguns'fazendeiros, por iniciativa própria, há quase vinte e cinco anos, mandaram transportar para a zona
-1
do Rio dc Pedras, que é um prolonga mento do Rio Pardo, no município de Canavieiras, bons contingentes de traba lhadores das Lavras Diamantinas (LenAndaraí etc.) e de Vila Nova da Rainha, hoje Senhor do Bonfim, destina
com garantias da administração, em ser
to Antônio dc Jesus. Jequiriçá, Nazaré
viços públicos onde contava o resultado
etc.) porque ali encontravam boa terra.
indiscutível.
Alguma aplicação pioneira
sem o estudo guiado pela ciência.
Não havia, c certo, um sistema organiza
dos a fazendas de cacau. Mas o processo
ficava a cargo do capitalismo nacional,
do para encaminhar as famílias sertane
E'. isso que se está impondo inflexivelmente. E' nesse sentido que os institutos de cultura econômica assumem importân
ainda hoje tímido e inexperiente.
jas oriundas de municípios longínquos como Camisão (hoje Ipirá), Baixa Gran de, Monte Alegre (Mairi) Capivari (Ma-
de deslocamento de braços do sertão e do Nordeste para a região cacaueira, sem in terferência oficial, tinha a grande incon
por métodos que não podem mais limitar-
se ao empirismo ou à intuição da prática
cia singular entre os demais institutos, nos dias que correm. Se, porém, êles não se erguem ao nível de formação científica capaz de ajudar o encaminhamento das soluções reclamadas, reduzidos a meras fá
En
quanto isso, os sociólogos como Alberto
Torres,, como Oliveira Viana, e, antes des tes, como Tavares Bastos, apontavam os
sertões esquecidos, as fontes de riqueza mortas, os centros de produção agrícola
cajubaj etc., mas os retirantes pelo me nos tinham possibilidades naturais de re
minguando, as levas rumando para as ci
organização econômica nesses municípios. O trajeto era feito a pé, durante muitos
dades, as cidades engrossando a popula
dias.
ção de desocupados.
sul do Estado, a zona do cacau (Ilhéus,
O deslocamento do sertão para o
veniência de onerar muito o emigrante, porque este, quando chegava à fazenda, muitas vezes com família numerosa, já
estava devendo ao patrão as despesas de passagem, adiantamentos, suprimentos de
víveres etc.
O emigrante era devedor
desde o momento em que deixava a sua -I • ■Ààjl
li 1
DiCESTo
A
PROPÓSITO DE ECONOMIA DE TRANSPORTES E CIRCULAÇÃO
decc à "lei dos paralclo.s", principalmente
Itabuna, Canavieiras, Belmonte, Una) tor-
quando se trata, como no caso do Brasil,
navu-se mais difícil, porque dependia de
On IralinlIioB do I. IK. O. E.
de emigrações impostas pelo dcsespêro. jxrla completa dc-sorganizaçao dos grupos.
viagem por mar, e poucos eram os que podiam fazer despesas de transporte, no-
Prof. Djacir Mbni-zi-s
Há ocasiões cm que os retirantes (desig
radamente quando se tratava de famílias
(Catedrático da Faculdade Nacional dc Filosofia)
nação dada ;is levas ile famílias que se
numerosas, o que é, aliás, muito comum
deslocam nos períodos dc secas.) saem de
no sertão.
•OR imposição das circunstâncias sociais,
P
os estudos econômicos vão-se expan
dindo entre nós.
Econômico
Até o crepúsculo da
primeira República, as Faculdades de Di
bricas dc expedição de titulados — então falharam ao veriladeiro desiderato, frus trando a finalidade social a que deveriam atender.
reito eram as únicas organizações de ensi
no que ofereciam oportunidade aos que pretendiam dedicar-se a esse ramo dos co
nhecimentos sociais. E não se pode ne gar que os melhores e maiores nomes em
assuntos econômicos, voltados para os pro blemas fundamentais do País, vieram da queles institutos de ensino superior. Êles ainda formariam a maioria dos elementos docenres que haveriam de constituir as Fa
culdades de Ciências Econômicas, que posteriormente se organizariam.
A orsanização da produçSo nacional exije uma compreensão científica dos in
teresses que se debatem na economia mun
Pontos cie partida: os transportes
Quando se lança os olhos para o mapa do Brasil, vem logo à lembrança o lirismo bebido na literatura que decantou nossa opulcncia. E, no mei») da opúléncia, os mendigos fartos, de que falava Euciidcs da
Cunha. Sobre a imensa base física, a ci vilização ainda arranhando o litoral, como escrevia o cronista colonial, enunciando uma verdade para duzentos anos.
A segunda guerra mundial pôs, com
mais evidência, o problema dos transpor
dial. A interdependência crescente dos mercados, a ampliação de organismos mo'
tes diante dos nossos olhos. Há muito tempo que se bradava sobre a necessidade
nopolisticos pelas áreas de riquezas éx-
brados que não repercutiam na ação prá
pioraveis em todas as latitudes do plane
ta, as políticas que preparam conflitos e os conflitos que prolongam políticas —
tudo ISSO reclama tratamento adequado
de ampliar as vias de comunicações —.^as
tica do Governo. Os capitais estrangei ros, que vinham aplicar-se no País, inves-
tiam-se nas atividades lucrativas certas,
suas terras como rebanhos sem rumo. co
mo quem está no deserro e procura o o.ásis.
As fazendas de cacau receberam muitos
braços de Minas, via Jequitinhonha. mas
Temos aí um tipo dc emigração diferente,
um dos maiores contingentes ali estabe
porque o emigrante quer sair de qualquer
lecidos é de procedência sergipana ou do
forma, para não morrer dc fome. e por isso procura a região que lhe possa ofe recer, pelo menos, os elementos de subsis
sertão do Estado. A zona das Lavras Dia
tência.
Os
deslocamentos
ocorridos em
tais
condições não se enquadram cm qualquer piano dc política imigratória, porque não passam de simples ilispcrsõcs sem ordem nem ponto de fixação previamen te escolhido. Os grupos de famí lias são forçados a emigrar seja pa ra onde fôr, contanto que possam
mantinas. quando o garimpo declinava, ficava sem braços para o tmbalho, porque havia dois pontos de atração: o garimjx) de Mato Grosso e o sul da Bahia. Os ga rimpeiros saíam, por assim dizer, em mas sa para Mato Grosso ou para a zona ca-
caueira. O sul da Bahia, onde o cacau é a base da vida econômica, era uma espécie de £/ Doradn para o serta sergipano. Basta dizer que exis-
fugir das sêcas e da fome. O pro
tem fazendas de grande importân
blema toma feição social e econô mica. Do sertão du Bahia, por
cia, cuja origem está ligada à imi
exemplo, em diversos períodos de sêcas, emigraram muitas famílias para o sudo este do Estado ou para o Recôncavo. Tal
emigração era arbitrária, imposta pelO ins tinto de conservação.
Os retirantes pro
curavam dc preferência os municípios à
margem da Estrada de Forro Nazaré (San
4
nejo da própria Bahia e para o
gração oriunda de Sergipe e do
sertão baiano. Alguns'fazendeiros, por iniciativa própria, há quase vinte e cinco anos, mandaram transportar para a zona
-1
do Rio dc Pedras, que é um prolonga mento do Rio Pardo, no município de Canavieiras, bons contingentes de traba lhadores das Lavras Diamantinas (LenAndaraí etc.) e de Vila Nova da Rainha, hoje Senhor do Bonfim, destina
com garantias da administração, em ser
to Antônio dc Jesus. Jequiriçá, Nazaré
viços públicos onde contava o resultado
etc.) porque ali encontravam boa terra.
indiscutível.
Alguma aplicação pioneira
sem o estudo guiado pela ciência.
Não havia, c certo, um sistema organiza
dos a fazendas de cacau. Mas o processo
ficava a cargo do capitalismo nacional,
do para encaminhar as famílias sertane
E'. isso que se está impondo inflexivelmente. E' nesse sentido que os institutos de cultura econômica assumem importân
ainda hoje tímido e inexperiente.
jas oriundas de municípios longínquos como Camisão (hoje Ipirá), Baixa Gran de, Monte Alegre (Mairi) Capivari (Ma-
de deslocamento de braços do sertão e do Nordeste para a região cacaueira, sem in terferência oficial, tinha a grande incon
por métodos que não podem mais limitar-
se ao empirismo ou à intuição da prática
cia singular entre os demais institutos, nos dias que correm. Se, porém, êles não se erguem ao nível de formação científica capaz de ajudar o encaminhamento das soluções reclamadas, reduzidos a meras fá
En
quanto isso, os sociólogos como Alberto
Torres,, como Oliveira Viana, e, antes des tes, como Tavares Bastos, apontavam os
sertões esquecidos, as fontes de riqueza mortas, os centros de produção agrícola
cajubaj etc., mas os retirantes pelo me nos tinham possibilidades naturais de re
minguando, as levas rumando para as ci
organização econômica nesses municípios. O trajeto era feito a pé, durante muitos
dades, as cidades engrossando a popula
dias.
ção de desocupados.
sul do Estado, a zona do cacau (Ilhéus,
O deslocamento do sertão para o
veniência de onerar muito o emigrante, porque este, quando chegava à fazenda, muitas vezes com família numerosa, já
estava devendo ao patrão as despesas de passagem, adiantamentos, suprimentos de
víveres etc.
O emigrante era devedor
desde o momento em que deixava a sua -I • ■Ààjl
li 1
78
DIGCSTO EflONÓMirO DIGESTu
cerra.
Dificilmente, ou somente depois
de alguns anos, é que o trabalhador se
tornava independente em relação às dí vidas contraídas com o fazendeiro. Não
havia órgão especial para superintender e auxiliar a emigração destinada às fazen
das de cacau. Tudo era feito por conta dos fazendeiros, quando se tratava de ar-
rebanhatnento de braços no sertão. Mas o imigrante, transportado para o sul em tais condições não tinha perspectivas ani-
madoras. Faltava como se vé, orfianlaaçao. A criaçao do Instituto do Cacau é ^stertor aquela fase. o gmnde Attur Netva, dutante o pouco tempo em que governou a Bahia como Interventor Fede ral. logo apos a revolução de 30. deixou o seu nome para semnr« i-
cação comum de imigração de justaposi ção. porque na realidade o que se verifica c associação natural entre o imigrante e
o filho da região. Chama-se justaposição
por isso procuram regicôcs dc clima hostil a seus hábitos, desde que tenham a cer teza de encontrar meios de vida naquelas
ao tipo de imigração em que o colono e
regiões.
o nativo se separam, trabalham paralela mente. Não c ésse o caráter da imigra ção enraizada no sul da Bahia, isto c. a imigração de procedência interna. Cabe muito bem, neste caso, a denominação de imigração dc cucjuadramcnto. porque real mente o sertanejo e o sergipano — os
têm força de lei nos movimentos migrató
doíf. elementos que mais se destacaram no fastígio econômico da região cacaueira — apesar da diferença de climas e de hábi tos,
se ajustam ao novo estado de vida.
identificam-se com o meio, formam vida
j
l-CONOMlt O
comum, dão origem a ramificações fami
liares, Tem-se aí, portanto, a mais típica imigração de enraizamento, porque o imi
Três faiôres, por conseguinte,
rios no Brasil: as .sêcas. a f,ilta <lc estabili
dade econômica na vida local, a a-spiração da fortuna. O primeiro fator é de ordem natural, o segundo é de ordem econômi ca e o terceiro é ile oiilem psicológica.
Naturalmente a aiimiiiistração pública po de modificar as condições de vida no.s mu
nicípios, criando, assim, motivos de fixa ção do homem. F" verdade que o Estado não pode evitar os efeitos do clima, por que não é possível influir nas leis da Na tureza, mas o que é verdade é que o Es
tado pode empregar meios capazes de sua vizar o rigor da seca. A organização da
79
vida. municipal tem grande influência nos movimentos migratórios.
Há muita gen
te que emigra, que se torna aventureira, porque não tem meios de vida nos muni
cípios em que nasceu. Não havendo es colas, assistência médica, transporte, vida própria, por exemplo, haverá sempre des locamentos de grupos porque êsse fenô meno tem A sua razão de ser na própria
necessidade de viver.
Assim, pois. o fe
nômeno mignitório, no Brasil; tem muita relação com o plano de uma política municipalista bem orientada, bem realista. Sem boa organização municipal, notadamente nos sertões, não é possível evitar a
saída periódica de braços deslocados sem destino e sem gaiaotia de eseabilidade eco nômica.
grante se estabelece na terra, não volta
mais ao ponto de sua procedência.
De
-leiros de talento, rnuitofh
tudo isso se conclui que nem sempre as
o seu espírito. São Paulo rem
correntes migratórias seguem mente a "lei dos paralelos".
zes têm encontrado ambiente^TaT' do aproveitamento dos valores ^
perdeu de vista o ProbIemrda7m7graSí' especialmente porque dn !,„•
.
dente de Sergipe, do settão dfShia^él;
norte de Mtnas se formou a base hLana da rtqueaa de grande patte do centrrca caueiro. «-"^'uro ca; Dá-se. porém, um fenômeno digno dc
rigorosa
Os deslocamentos do sertão da Bahia para o sul, tomados aqui apenas como vezes a emigração é determinada pelo
meio físico, pela* precariedade econômica das condições de vida e, também, cm grande parte, pelo espírito de aventura, pelo sonho da fortuna, pela fama de al
nota na locahzaçao dos grupos que emi
gumas regiões, onde parece que a riqueza está na superfície da terra. Não se pode dizer, finalmente, que
gram para a região cacaueira. Tais 'ru
certas leis observadas nos deslocamentos
'pos, que se adaptam muito depressa ao^dT ma e aos costumes da terra, não consti tuem o que se chama imigração de subs tituição, porque de fato não deslocam o elemento natural da região. Confundemse com os filhos da terra. Ainda que
yi
ponto de referência, mostram que muitas V '-f
'A i.
V.
r
i\ ■ •/ '
de grupos humanos têm aplicação geral. Tanto o paralelo das condições geográfi cas como a substituição c a justaposição não deixam de ser fenômenos freqüentes
nas imigrações, tanto internas como exter nas. Mas ê.s.ses fenômenos .não são comuns
optássemos por um termo técnico, não
a todos os tipos de imigração. Contra to das as previsões da "lei dos paralelos", há
poderíamos aplicar a este caso a classifi
grupos que emigram
instintivamente, e
:>*.áí:ti.SíââÍíia*l
78
DIGCSTO EflONÓMirO DIGESTu
cerra.
Dificilmente, ou somente depois
de alguns anos, é que o trabalhador se
tornava independente em relação às dí vidas contraídas com o fazendeiro. Não
havia órgão especial para superintender e auxiliar a emigração destinada às fazen
das de cacau. Tudo era feito por conta dos fazendeiros, quando se tratava de ar-
rebanhatnento de braços no sertão. Mas o imigrante, transportado para o sul em tais condições não tinha perspectivas ani-
madoras. Faltava como se vé, orfianlaaçao. A criaçao do Instituto do Cacau é ^stertor aquela fase. o gmnde Attur Netva, dutante o pouco tempo em que governou a Bahia como Interventor Fede ral. logo apos a revolução de 30. deixou o seu nome para semnr« i-
cação comum de imigração de justaposi ção. porque na realidade o que se verifica c associação natural entre o imigrante e
o filho da região. Chama-se justaposição
por isso procuram regicôcs dc clima hostil a seus hábitos, desde que tenham a cer teza de encontrar meios de vida naquelas
ao tipo de imigração em que o colono e
regiões.
o nativo se separam, trabalham paralela mente. Não c ésse o caráter da imigra ção enraizada no sul da Bahia, isto c. a imigração de procedência interna. Cabe muito bem, neste caso, a denominação de imigração dc cucjuadramcnto. porque real mente o sertanejo e o sergipano — os
têm força de lei nos movimentos migrató
doíf. elementos que mais se destacaram no fastígio econômico da região cacaueira — apesar da diferença de climas e de hábi tos,
se ajustam ao novo estado de vida.
identificam-se com o meio, formam vida
j
l-CONOMlt O
comum, dão origem a ramificações fami
liares, Tem-se aí, portanto, a mais típica imigração de enraizamento, porque o imi
Três faiôres, por conseguinte,
rios no Brasil: as .sêcas. a f,ilta <lc estabili
dade econômica na vida local, a a-spiração da fortuna. O primeiro fator é de ordem natural, o segundo é de ordem econômi ca e o terceiro é ile oiilem psicológica.
Naturalmente a aiimiiiistração pública po de modificar as condições de vida no.s mu
nicípios, criando, assim, motivos de fixa ção do homem. F" verdade que o Estado não pode evitar os efeitos do clima, por que não é possível influir nas leis da Na tureza, mas o que é verdade é que o Es
tado pode empregar meios capazes de sua vizar o rigor da seca. A organização da
79
vida. municipal tem grande influência nos movimentos migratórios.
Há muita gen
te que emigra, que se torna aventureira, porque não tem meios de vida nos muni
cípios em que nasceu. Não havendo es colas, assistência médica, transporte, vida própria, por exemplo, haverá sempre des locamentos de grupos porque êsse fenô meno tem A sua razão de ser na própria
necessidade de viver.
Assim, pois. o fe
nômeno mignitório, no Brasil; tem muita relação com o plano de uma política municipalista bem orientada, bem realista. Sem boa organização municipal, notadamente nos sertões, não é possível evitar a
saída periódica de braços deslocados sem destino e sem gaiaotia de eseabilidade eco nômica.
grante se estabelece na terra, não volta
mais ao ponto de sua procedência.
De
-leiros de talento, rnuitofh
tudo isso se conclui que nem sempre as
o seu espírito. São Paulo rem
correntes migratórias seguem mente a "lei dos paralelos".
zes têm encontrado ambiente^TaT' do aproveitamento dos valores ^
perdeu de vista o ProbIemrda7m7graSí' especialmente porque dn !,„•
.
dente de Sergipe, do settão dfShia^él;
norte de Mtnas se formou a base hLana da rtqueaa de grande patte do centrrca caueiro. «-"^'uro ca; Dá-se. porém, um fenômeno digno dc
rigorosa
Os deslocamentos do sertão da Bahia para o sul, tomados aqui apenas como vezes a emigração é determinada pelo
meio físico, pela* precariedade econômica das condições de vida e, também, cm grande parte, pelo espírito de aventura, pelo sonho da fortuna, pela fama de al
nota na locahzaçao dos grupos que emi
gumas regiões, onde parece que a riqueza está na superfície da terra. Não se pode dizer, finalmente, que
gram para a região cacaueira. Tais 'ru
certas leis observadas nos deslocamentos
'pos, que se adaptam muito depressa ao^dT ma e aos costumes da terra, não consti tuem o que se chama imigração de subs tituição, porque de fato não deslocam o elemento natural da região. Confundemse com os filhos da terra. Ainda que
yi
ponto de referência, mostram que muitas V '-f
'A i.
V.
r
i\ ■ •/ '
de grupos humanos têm aplicação geral. Tanto o paralelo das condições geográfi cas como a substituição c a justaposição não deixam de ser fenômenos freqüentes
nas imigrações, tanto internas como exter nas. Mas ê.s.ses fenômenos .não são comuns
optássemos por um termo técnico, não
a todos os tipos de imigração. Contra to das as previsões da "lei dos paralelos", há
poderíamos aplicar a este caso a classifi
grupos que emigram
instintivamente, e
:>*.áí:ti.SíââÍíia*l
DIGESTO
nrONÓM i(;o
fil
Nfas, tomo íamo.s dizendo, a segunda
Emigração e municipalismo DEOLINDO AmORIM
do Monteiro Lobato, lá está, não de cóco
curralados por causa de alguns submari
chegar a cidade, onde será um biscateiro.
nos — ilhados no território enorme.
^FIRMA-Sll que o deslocamento dos gru
A'pos
humanos obedece à "lei dos pa
ralelos", a cuja influência se atribui im portância, por assim dizer, decisiva nas
ainda que o clima seja desfavorável, são
fatores de atração de poi>uiaçõcs ileslocadas. Até mesmo a liberdade religiosa, como aconteceu com os puritanos foragi
migrações. Preliminarmente, o que se entende por "lei dos paralelos", quando se
dos da Inglaterra, já teve grande influên
trata de migrações, é o seguinte: os gru pos humanos, quando se deslocam, procu
do viver na Inglaterra, os puritanos pro
ram sempre regiões ou países de condi-
íoes geográficas tanto quanto possível se-
tnelhantes as de seu país. A prática, enaetanto, detnonstta que nen, sempre os deslocamentos regionais ou nacionais se
cia na expansão migratória.
Não poden
curaram a Holanda e, depois, a terra ame
ricana. Não prevaleceu, aí. a cogitação de condições equivalentes .sob o ponto de
centros as comunicações i.icvem ligar. Mas
tório a quaisquer realizações práticas.
por sua vez as comunicações, escoando os
Aqui é que começa a avultar o traba
produtt)s para centros dc consumo, acele
lho executado pelo Instituto Brasileiro de
sejo de encontrar liberdade religiosa. Êsse
Não se pode contestar que se trata de obra pioneira. Como ampliar trabalhos
fator, como tantos outros, não tem, por porque são diversas as causas dos movimentes migratórios.
Não se vai
dizer, é óbvio, que os deslocamentos de nordestinos para o sul do País, especial: mente para São Paulo, o maior ponto de
atração de braços para a lavoura, tenha por motivo a semelhança de condições geográ ficas, visto ser muito acentuada a dife rença de clima e de padrão de vida.
O
nordestino vc'-se forçado a emigrar, tanto para o Amazonas como para São Paulo, por dois motivos notórios: as secas e o
baixo nível econômico.
nômicas, a situação política de um país,
suscetíveis de definir as diferentes áreas, é o ponto de partida do estudo prepara
O zoneamento geográfico do Brasil,
novos, isto é, passanilo também a ser cau-
de chma e situação geográfica bem dife
o Brasil são dirigidos sistemàticamente pela "lei dos paralelos", isto é, pela afini dade geográfica, pela semelhança de con dições ambientes. Não. As condições eco
atendendo as características econômicas
Gecgraiia e Estatística.
rente de seu habuat.
Não se discute aqui a importância da lei dos paralelos nas correntes migrato nas, mas simplesmente o fato de não po der a lei ser aplicada a todos os casos. Não se pode, por exemplo, dizer que todos os grupos de europeus- que se deslocam para
O trabalho do I.B.G.E.
o problema, já tão gritado, cão batido, tjue os estudiosos tinham quase vergonha de enunciar porque pareciam estar procla mando que a terra se move. O ponto de partida é a produção, cujos
ram os centros produtivos: o efeito reflui
O Brasil pode ofereter, a êsse respeito,
das le,_s invariáveis, porquanto algumas migrações,^ forçadas pelas circunsta'ncias levadas ate pelo mstinto de conservação muitas vezes escolhem países ou re^
E
foi então que se impôs mais terrivelmente
sobre a causa, determinando-lhe efeitos
vasto campo de observações.
«lelos- na seograía" humta,'" rtcip^aU r/rprq^u*: nosso espíritode generahzaçao,^ essa lei Onão tem a fixidez
ras, mas de pé, espiando como poderá
vista econômico ou geográfico, mas o de
tanto, relação com a "lei dos paralelos"
especiais, XterTiLZs p^r
.gumas légua.s para o centro —— e o Jeca,
guerra quase paralisou o serviç<. da na vegação de cabt)tagcm. íamos ficando en
As condições de
vida, em determinadas regiões do Nordes te, não podem prender o homem à terra,
—• causa (Ia ritiucza.
A liependência
de sociologia, de economia, de organiza
mútua da proJu-
do política, sem
base naqueles es-
çao e da circula
ção
da
riqueza
^
tudos
geográfi-
não permite con-
COS? O incessan
side^á-las separa
te aperfeiçoamen to da pesquisa es
damente. A
or-
íí^nização do
tatística, que
cnercado
I.B.G.E. demons tra nos últimos anos, vai permi
interno,
sobre que também
se
falou
o
muito fe as missões americanas que nos
tir aos estudiosos de ciências sociais, nos
Visitaram insistiram nesse aspecto da nos
seus diferentes ramos, a continuação de
sa Economia), e.xigem, à sua base, a cons trução de um sistema eficaz de comuni
interpretações da vida brasileira com fun
cações.
H' incrível que este país tenha atingido
damentação em dados positivos, escapan do assim de um teorismo mais ou menos falho, porque baseado em dados mais ou
neste estado de irresponsabilidade a me
menos intuitivos ou adivinhados.
tade do século XX — e ofereça hoje ao mundo o espetáculo de um sertão impene
Quer isso dizer que entramos numa fase de estudos da vida nacional sob orien tação científica, no que diz respeito aos pesquisadores dos nossos processos e esti los, da nossa formação social e política.
fixá-lo no ambiente .onde nasceu, porque
trável que ainda esta virgem. Ainda há
faltam, multas vêzes, os recursos elemen tares da existência humana. Entram aí, como se vê% dois fatores: o biológico,
bandeirantes ! Bandeirantes que organi zam bandeiras de avião — para ir muitas
porque o homem é obrigado a sair de seu
de mais de três séculos atrás !
ambiente para viver, e o geográfico, por
morre gente pelas selvas — com o crânio
vêzes aos lugares visitados pelos paulistas E ainda
'Geografia dos transportes no Brasil'
que as regiões sujeitas a estiagens não ofe
lascado a borduna de xavante ! Ainda se
recem os meios indispensáveis à vida dos
podem praticar aventuras do século XVII...
dos pelo I.B.G.E. nesse terreno, encontra-
Mas não exageremos. Basta entrar ai-
se o documentado e honesto trabalho do
grupos sociais.
Nem sempre, portanto, a
Dentre os livros ultimamente publica
emigração, seja externa, seja interna, bbe• I i i i'Uir^ffni1iMÍÉmaíii ii ii
DIGESTO
nrONÓM i(;o
fil
Nfas, tomo íamo.s dizendo, a segunda
Emigração e municipalismo DEOLINDO AmORIM
do Monteiro Lobato, lá está, não de cóco
curralados por causa de alguns submari
chegar a cidade, onde será um biscateiro.
nos — ilhados no território enorme.
^FIRMA-Sll que o deslocamento dos gru
A'pos
humanos obedece à "lei dos pa
ralelos", a cuja influência se atribui im portância, por assim dizer, decisiva nas
ainda que o clima seja desfavorável, são
fatores de atração de poi>uiaçõcs ileslocadas. Até mesmo a liberdade religiosa, como aconteceu com os puritanos foragi
migrações. Preliminarmente, o que se entende por "lei dos paralelos", quando se
dos da Inglaterra, já teve grande influên
trata de migrações, é o seguinte: os gru pos humanos, quando se deslocam, procu
do viver na Inglaterra, os puritanos pro
ram sempre regiões ou países de condi-
íoes geográficas tanto quanto possível se-
tnelhantes as de seu país. A prática, enaetanto, detnonstta que nen, sempre os deslocamentos regionais ou nacionais se
cia na expansão migratória.
Não poden
curaram a Holanda e, depois, a terra ame
ricana. Não prevaleceu, aí. a cogitação de condições equivalentes .sob o ponto de
centros as comunicações i.icvem ligar. Mas
tório a quaisquer realizações práticas.
por sua vez as comunicações, escoando os
Aqui é que começa a avultar o traba
produtt)s para centros dc consumo, acele
lho executado pelo Instituto Brasileiro de
sejo de encontrar liberdade religiosa. Êsse
Não se pode contestar que se trata de obra pioneira. Como ampliar trabalhos
fator, como tantos outros, não tem, por porque são diversas as causas dos movimentes migratórios.
Não se vai
dizer, é óbvio, que os deslocamentos de nordestinos para o sul do País, especial: mente para São Paulo, o maior ponto de
atração de braços para a lavoura, tenha por motivo a semelhança de condições geográ ficas, visto ser muito acentuada a dife rença de clima e de padrão de vida.
O
nordestino vc'-se forçado a emigrar, tanto para o Amazonas como para São Paulo, por dois motivos notórios: as secas e o
baixo nível econômico.
nômicas, a situação política de um país,
suscetíveis de definir as diferentes áreas, é o ponto de partida do estudo prepara
O zoneamento geográfico do Brasil,
novos, isto é, passanilo também a ser cau-
de chma e situação geográfica bem dife
o Brasil são dirigidos sistemàticamente pela "lei dos paralelos", isto é, pela afini dade geográfica, pela semelhança de con dições ambientes. Não. As condições eco
atendendo as características econômicas
Gecgraiia e Estatística.
rente de seu habuat.
Não se discute aqui a importância da lei dos paralelos nas correntes migrato nas, mas simplesmente o fato de não po der a lei ser aplicada a todos os casos. Não se pode, por exemplo, dizer que todos os grupos de europeus- que se deslocam para
O trabalho do I.B.G.E.
o problema, já tão gritado, cão batido, tjue os estudiosos tinham quase vergonha de enunciar porque pareciam estar procla mando que a terra se move. O ponto de partida é a produção, cujos
ram os centros produtivos: o efeito reflui
O Brasil pode ofereter, a êsse respeito,
das le,_s invariáveis, porquanto algumas migrações,^ forçadas pelas circunsta'ncias levadas ate pelo mstinto de conservação muitas vezes escolhem países ou re^
E
foi então que se impôs mais terrivelmente
sobre a causa, determinando-lhe efeitos
vasto campo de observações.
«lelos- na seograía" humta,'" rtcip^aU r/rprq^u*: nosso espíritode generahzaçao,^ essa lei Onão tem a fixidez
ras, mas de pé, espiando como poderá
vista econômico ou geográfico, mas o de
tanto, relação com a "lei dos paralelos"
especiais, XterTiLZs p^r
.gumas légua.s para o centro —— e o Jeca,
guerra quase paralisou o serviç<. da na vegação de cabt)tagcm. íamos ficando en
As condições de
vida, em determinadas regiões do Nordes te, não podem prender o homem à terra,
—• causa (Ia ritiucza.
A liependência
de sociologia, de economia, de organiza
mútua da proJu-
do política, sem
base naqueles es-
çao e da circula
ção
da
riqueza
^
tudos
geográfi-
não permite con-
COS? O incessan
side^á-las separa
te aperfeiçoamen to da pesquisa es
damente. A
or-
íí^nização do
tatística, que
cnercado
I.B.G.E. demons tra nos últimos anos, vai permi
interno,
sobre que também
se
falou
o
muito fe as missões americanas que nos
tir aos estudiosos de ciências sociais, nos
Visitaram insistiram nesse aspecto da nos
seus diferentes ramos, a continuação de
sa Economia), e.xigem, à sua base, a cons trução de um sistema eficaz de comuni
interpretações da vida brasileira com fun
cações.
H' incrível que este país tenha atingido
damentação em dados positivos, escapan do assim de um teorismo mais ou menos falho, porque baseado em dados mais ou
neste estado de irresponsabilidade a me
menos intuitivos ou adivinhados.
tade do século XX — e ofereça hoje ao mundo o espetáculo de um sertão impene
Quer isso dizer que entramos numa fase de estudos da vida nacional sob orien tação científica, no que diz respeito aos pesquisadores dos nossos processos e esti los, da nossa formação social e política.
fixá-lo no ambiente .onde nasceu, porque
trável que ainda esta virgem. Ainda há
faltam, multas vêzes, os recursos elemen tares da existência humana. Entram aí, como se vê% dois fatores: o biológico,
bandeirantes ! Bandeirantes que organi zam bandeiras de avião — para ir muitas
porque o homem é obrigado a sair de seu
de mais de três séculos atrás !
ambiente para viver, e o geográfico, por
morre gente pelas selvas — com o crânio
vêzes aos lugares visitados pelos paulistas E ainda
'Geografia dos transportes no Brasil'
que as regiões sujeitas a estiagens não ofe
lascado a borduna de xavante ! Ainda se
recem os meios indispensáveis à vida dos
podem praticar aventuras do século XVII...
dos pelo I.B.G.E. nesse terreno, encontra-
Mas não exageremos. Basta entrar ai-
se o documentado e honesto trabalho do
grupos sociais.
Nem sempre, portanto, a
Dentre os livros ultimamente publica
emigração, seja externa, seja interna, bbe• I i i i'Uir^ffni1iMÍÉmaíii ii ii
miiWM Mfi> II ■
Digesto econômico
DiGHSTO HtONüMICO
sr. Moacir M. F. Silva — Geografia dns
a política de expansão do mercado intei-
rno objetivo central dos estudos econômi
1'ratisportes no Brasil. E tanto o proble ma das comunicações é um íácies do pro blema da produção que, a todo passo, o
no, base de sua indústria em crescimento
cos a análise dos processos de mercado.
da obra está relacionado com o desenvol
incipiente. Os competidores dos produ tos primários se organizam nas zonas co loniais do globo — e nós temos que en veredar, queiramos ou não, pelo caminho
vimento das nossas condições econômicas.
da industrialização rápida.
exame da matéria que constitui objeto
O meio físico, que ali se considera, c apenas a premissa da ação do homem cha
mado a operar nas diversas zonas; e a di versificação das zonas é o fundamento so
bre o qual se desenvolvem as forças pro dutivas, nos seus diferentes estados e for
mas de crescimento histórico. O autor rüo se contentou com uma descrição superfi
cial, arrolando acidentes geográficos de to da sorte — mas foi descrevendo-os e ao
Conexa a esta medida, está ainda a mi
gração das populações rurais em demanda dos centros urbanos.
Não há governo
pectos que atnda não foram bem analisa
dos nas suas conseqüências sociais e polí ticas. Nao se pode. contudo, obscurecer que essa anal.se se torne cada vez mais trecessarta para a adoção de quaisquer me didas de reforma de nossa atrasada estru tura econ<5mica. na base da qual reside o problema do aproveitamento da leita B' fútil apontarem a existência de"terras devolutas ou abandonadas pela hinterlandia. Também e superficial a negaõo de domínios territoriais improdutivos Ua-
íifúndio). Os dois aspectos se prendem ao problema de organização de sistema de
transportes, fundamento indispensável pa ra a formação do mercado interno capaz de consumir os produtos da indústria na cional.
'i
gando-lhe o dever de não superlotar as
econômicas, ou simples papagaios de dou
zer mover decisivamente -a máquina do
Estado com esse objetivo patriótico. O norte do País continua râo longínquo quanto o Egito. O centro-oeste de Mam
Grosso é mais remoto do que o Vale de
qu(» estão dentro do capítulo da ciência
Josafá — e ninguém sabe se irá ter o
Econômica chamado circulação, e que não Constam de mudança de posição no espaço,
mesmo destino de reunir os desencarnados
c>utros exemplos.
algumas dúzias de apcdeutas em questões
A morfologia do fácies circulatório, exammada em conexão com as exigências da criaçao da riqueza, denota, entretanto as
fras moilaliõades de movimento da rique-
encontra meios de trabalhar o solo, pre-
respectiva indicação histórica.
mres que os estudaram, com selecionada informação das fontes documentais.
autor, são transportadas. Há, porém, ou-
circulação econômica. Poder-se-iam dar
mesmo tempo, dando-lhes discretamenle a dos diversos ciclos econômicos do desen volvimento brasileiro, recorreu aos escri-
movimento de translação no espaço — C' as massas econômicas, a que se refere o
nenhum no mundo que possa obrigar uma população rural a ficar morrendo pacien temente de fome nos campos, onde não
cidades. E não é com discursos cavilosos, ignorantes das realidades sertanejas, que
Ao tratar
Mas a deslocação da riqueza pode ser
desenvolvido. Apesar disso tudo. não há pressão suficiente de interessados para fa
isto c, de transporte.
Assim, os imóveis
sue são vendidos entram no processo dc
ao dia do juízo. A lentidão com que se procura resolver o problema é alarmante.
Conhecimento da base física e demo gráfica
"Podas as referencias do autor, pela próPria natureza do trabalho, são feitas a es-
significação re.strita do conceito de cir culação como transporte.
O que se fizer com o fim de aumentar
o conhecimento objetivo e científico de
todo esse quadro geográfico e do elemen to humano, que por êle se estende, é a mais alta obra patriótica que se poderá
trinas bebidas às pressas, conseguirôo ar raigar essas populações laboriosas.
Transportes e comunicações
Circulação e transporte
Em livro publicado há alguns anos pe le sr. Mário Travassos, intitulado liitrodu-
realizar no momento.
Por isso mesmo, o que vem fazendo o
r> Geografia das Comunicações BrasiPor isso, o livro do sr. Moacir M. F.
Silva, sobre nossa geografia de transpor tes, é um estudo digno de incentivo, que deverá abrir caminho a mais outros estu
dos do mesmo gênero. Já louvamos a parte propriamente in
feiras, que seria' injustiça deixar de citar como valiosa e robusta contribuição no as
sunto, há uma classificação bem feita das
diferentes zonas fisiográficas e de sua adeciuação aos sistemas de comunicação.
E
Plano Salte, que por aí anda em véspe
I-B.G.E. merece aplausos irrestritos. Na .sua "Biblioteca Geográfica Brasileira" en contram-se numerosos estudos feitos por
escritores honestos e competentes, lançando alguma luz sobre nossas verdadeiras
bases nacionais, sobre as fontes da vida social e política do País. Por êstes tra balhos já podemos apontar, de modo obje tivo e claro, as deficiências de nossa estru
formativa e ilustrativa do trabalho. Ago-
ras de aplicação, cogitou também do gra-
ra acrescentamos-lhe apehas uma observa ção de natureza teórica, que não passa de pequeno esclaiecimènto.
Ainda há muitos outros ensaios, que
surgem periòdicamente em revistas e re
grande escritor.
O capítulo IV versa sobre a circulação.
latórios, oriundos de órgãos técnicos ou
proclamar as verdades aos ouvidos dos que
e fundamental problema.
E', portanto, o grande capítulo da Econo
não,
mia Política em que se estuda a movimen tação ua riqueza criada pelo homem, como
rran.sportes e comunicações que deveria ser
ela se desloca, passando do produtor ao consumidor, graças aos intermediários ou sem eles".
O movimento circulatório da
riqueza tem sua expressão institucional nos mercados.
Êstes se constituíram os
O declínio da vitalidade do comércio
centros do sistema econômico vigente —
externo do Brasil impõe inexoràvelmente
e não faltam economistas que apontam co-
preocupados com o regimem de
tura econômica, as falhas de nossa organi
zação como povo. Não se curam misé
rias ressuscitando tradições — dizia um Em vez disso, cumpre
desejam servir o País no trabalho que êle reclama de todos.
miiWM Mfi> II ■
Digesto econômico
DiGHSTO HtONüMICO
sr. Moacir M. F. Silva — Geografia dns
a política de expansão do mercado intei-
rno objetivo central dos estudos econômi
1'ratisportes no Brasil. E tanto o proble ma das comunicações é um íácies do pro blema da produção que, a todo passo, o
no, base de sua indústria em crescimento
cos a análise dos processos de mercado.
da obra está relacionado com o desenvol
incipiente. Os competidores dos produ tos primários se organizam nas zonas co loniais do globo — e nós temos que en veredar, queiramos ou não, pelo caminho
vimento das nossas condições econômicas.
da industrialização rápida.
exame da matéria que constitui objeto
O meio físico, que ali se considera, c apenas a premissa da ação do homem cha
mado a operar nas diversas zonas; e a di versificação das zonas é o fundamento so
bre o qual se desenvolvem as forças pro dutivas, nos seus diferentes estados e for
mas de crescimento histórico. O autor rüo se contentou com uma descrição superfi
cial, arrolando acidentes geográficos de to da sorte — mas foi descrevendo-os e ao
Conexa a esta medida, está ainda a mi
gração das populações rurais em demanda dos centros urbanos.
Não há governo
pectos que atnda não foram bem analisa
dos nas suas conseqüências sociais e polí ticas. Nao se pode. contudo, obscurecer que essa anal.se se torne cada vez mais trecessarta para a adoção de quaisquer me didas de reforma de nossa atrasada estru tura econ<5mica. na base da qual reside o problema do aproveitamento da leita B' fútil apontarem a existência de"terras devolutas ou abandonadas pela hinterlandia. Também e superficial a negaõo de domínios territoriais improdutivos Ua-
íifúndio). Os dois aspectos se prendem ao problema de organização de sistema de
transportes, fundamento indispensável pa ra a formação do mercado interno capaz de consumir os produtos da indústria na cional.
'i
gando-lhe o dever de não superlotar as
econômicas, ou simples papagaios de dou
zer mover decisivamente -a máquina do
Estado com esse objetivo patriótico. O norte do País continua râo longínquo quanto o Egito. O centro-oeste de Mam
Grosso é mais remoto do que o Vale de
qu(» estão dentro do capítulo da ciência
Josafá — e ninguém sabe se irá ter o
Econômica chamado circulação, e que não Constam de mudança de posição no espaço,
mesmo destino de reunir os desencarnados
c>utros exemplos.
algumas dúzias de apcdeutas em questões
A morfologia do fácies circulatório, exammada em conexão com as exigências da criaçao da riqueza, denota, entretanto as
fras moilaliõades de movimento da rique-
encontra meios de trabalhar o solo, pre-
respectiva indicação histórica.
mres que os estudaram, com selecionada informação das fontes documentais.
autor, são transportadas. Há, porém, ou-
circulação econômica. Poder-se-iam dar
mesmo tempo, dando-lhes discretamenle a dos diversos ciclos econômicos do desen volvimento brasileiro, recorreu aos escri-
movimento de translação no espaço — C' as massas econômicas, a que se refere o
nenhum no mundo que possa obrigar uma população rural a ficar morrendo pacien temente de fome nos campos, onde não
cidades. E não é com discursos cavilosos, ignorantes das realidades sertanejas, que
Ao tratar
Mas a deslocação da riqueza pode ser
desenvolvido. Apesar disso tudo. não há pressão suficiente de interessados para fa
isto c, de transporte.
Assim, os imóveis
sue são vendidos entram no processo dc
ao dia do juízo. A lentidão com que se procura resolver o problema é alarmante.
Conhecimento da base física e demo gráfica
"Podas as referencias do autor, pela próPria natureza do trabalho, são feitas a es-
significação re.strita do conceito de cir culação como transporte.
O que se fizer com o fim de aumentar
o conhecimento objetivo e científico de
todo esse quadro geográfico e do elemen to humano, que por êle se estende, é a mais alta obra patriótica que se poderá
trinas bebidas às pressas, conseguirôo ar raigar essas populações laboriosas.
Transportes e comunicações
Circulação e transporte
Em livro publicado há alguns anos pe le sr. Mário Travassos, intitulado liitrodu-
realizar no momento.
Por isso mesmo, o que vem fazendo o
r> Geografia das Comunicações BrasiPor isso, o livro do sr. Moacir M. F.
Silva, sobre nossa geografia de transpor tes, é um estudo digno de incentivo, que deverá abrir caminho a mais outros estu
dos do mesmo gênero. Já louvamos a parte propriamente in
feiras, que seria' injustiça deixar de citar como valiosa e robusta contribuição no as
sunto, há uma classificação bem feita das
diferentes zonas fisiográficas e de sua adeciuação aos sistemas de comunicação.
E
Plano Salte, que por aí anda em véspe
I-B.G.E. merece aplausos irrestritos. Na .sua "Biblioteca Geográfica Brasileira" en contram-se numerosos estudos feitos por
escritores honestos e competentes, lançando alguma luz sobre nossas verdadeiras
bases nacionais, sobre as fontes da vida social e política do País. Por êstes tra balhos já podemos apontar, de modo obje tivo e claro, as deficiências de nossa estru
formativa e ilustrativa do trabalho. Ago-
ras de aplicação, cogitou também do gra-
ra acrescentamos-lhe apehas uma observa ção de natureza teórica, que não passa de pequeno esclaiecimènto.
Ainda há muitos outros ensaios, que
surgem periòdicamente em revistas e re
grande escritor.
O capítulo IV versa sobre a circulação.
latórios, oriundos de órgãos técnicos ou
proclamar as verdades aos ouvidos dos que
e fundamental problema.
E', portanto, o grande capítulo da Econo
não,
mia Política em que se estuda a movimen tação ua riqueza criada pelo homem, como
rran.sportes e comunicações que deveria ser
ela se desloca, passando do produtor ao consumidor, graças aos intermediários ou sem eles".
O movimento circulatório da
riqueza tem sua expressão institucional nos mercados.
Êstes se constituíram os
O declínio da vitalidade do comércio
centros do sistema econômico vigente —
externo do Brasil impõe inexoràvelmente
e não faltam economistas que apontam co-
preocupados com o regimem de
tura econômica, as falhas de nossa organi
zação como povo. Não se curam misé
rias ressuscitando tradições — dizia um Em vez disso, cumpre
desejam servir o País no trabalho que êle reclama de todos.
DransTti
zenda e o Baiict) do
mércio multilateral perdeu, portanto, o senso prático, porque, cm face da atitude
bre os intercâmbios de compensação" —
norte-americana,
num recente artigo, o
componentes do comércio mundial poderá
"The Journal of
Commerce", de Nova York, publica, có-
nenhum
dt)s
.grandes
ao mundo, de trocas de algodão norteamericano por produtos ditos "estraté gicos".
Tomando essa atitude, os Estados Uni dos, último campeão do livre-câmbio se
transformaram em partidários do sistima de trocas no comércio internacional. E' estranho.
Pois nao se promoveu a des
valorização das moedas européias com o im de facilitar o restabelecimento dos in-
b)
de "dumping". A compensação não facilita a im portação de produtos essenciais ou
dc matérias-primas básicas para a
são dc certos meios interessa-los, desde há
nossa indústria raanufarurclra. Ao
muito tempo o Govêrno Federal teria
contrário, dificultando o comér cio normal, pelo desvio de mais e mais produtos para o comércio de
passado a impedir as transações compensarória.s.
voltar ao livre-câmbio.
compensação, dificulta-se o abas
mentando-a favoravelmente, uma notícia
sobre ofertas feitas pelos Estados Unidos
tropicais, num verdadeiro sistema
Brasil olham com
certa apreensão o desenvolvimento que to mam, nos últimos meses, os chamados ne gócios vinculados, e se não fosse a pres
Geraldo Danaskiwitz
resse as sugestões norte-americanas so
Só
Nãíi é se.grcdo que o Ministério da Fa
Os perigos dos negócios de compensação QoD o título "Despertam grande inte
Econômico
tecimento do País com esses pro
Não há uitmiimidiide sóhre o assunto
A pusiçãt) do BrusH dviilro do covurcio de compüusaçtio Quanto à situação do Brasil no quadro
do comércio de compensação,
não pode
ser melhor, à vista de seu intercâmbio com a Inglaterra. Em 29 lie maio do corrente ano, o Ban
co do Brasil inaugurou o sistema de fila, para a cobertura de importações pagávcis em libras. Nos meses que nos separam
dutos essenciais,
Uma soluç.ão radical nesse terreno c. todavia, imprc)vável, pois os interesses são
c) — Estimula-se a tendência inflaclonis-
ta c. cm troca, são vendidos pro
contratiitórios, e comerciantes c industriais
dutos, no mercado interno, a pre
csrão divididos quanto à oportunidade de
ço que reembolsamos, gastos esses
expandir o sistema dc com pensação ou dc mantc-lo
feitos na base de
licntro de limites estreitos.
de 40-50 cruzeiros
Sem
querer
discussão
intervir
que se
trava
uma
taxa
cambiai
por dólar,
na
d) — O comércio normal
a
dessa data, a fila aumentou em dimensão,
êssc propósito, os meios ofi
sem que se veja quando e como os petii-
ciais observam, porém, que
nente, e com a In
dos poderão ser satisfeitos.
os
glaterra em primeiro
uma ideia a ser executada futuramente. Ao contrario segundo o que afirma o The Journal of Commerce", já se rece beram respostas às sugestões dos Estados Unidos. Dentre elas, destacam-se as con
Evidentemente, a moeda inglesa tornouse uma das mais esca.ssas, possivelmente
dos nem sempre refletem a verdadeira situação. Se, por exemplo, um represen tante da lavoura alega que a compensação
dc importadores de produtos ingle
que permite calcular o "cross-rate" na ba
não influi na posição cambial de nossa
ses que esperam cobertura cam
trapropostas recebidas do Japão, da Chi
se de 4,4 dólares por libra.
moeda, que os efeitos da troca de produ
bial, mas não podem obtê-la por que o Banco do Brasil não dispõe de libras. Em outras palavras, na medida em que o nosso país ven de pela compensação para Londres, nada sobra para as exportações
tcrcambios em bases multilaterais
As propostas de trocas feitas pelo Go-
verno norte-americano não constituem
mesmo mais do que o dólar.
No merca-
do-negro, a cotação chega a CrS 82,00, o Ora, a taxa
argumentos
apresenta
na de Singapura, do Paquistão, da Suíça e da Espanha. Note-se que as trocas su geridas nao se referem apenas ao algo
oficial é de 2,8 dólares por libra, somen
tos com base em taxas cambiais de 45-53,
te, sendo que cm Nova York o preço pa ra a moeda bloqueada inglesa não chega
em lugar de 18,72 em relação ao dólar,
dão, mas também a todos os produtos agrí
a atingir .sequer 1,6 dólares.
no — isto não corresponde à realidade. Há outras afirmações que igualmente refletem os interesses imediatos de grupos diretamente ligados à determinação dos
colas em excesso nos Estados Unidos Ou em outras palavras, o novo sistema inte
ressará mais de metade dos produtos que figuram nas exportações da grande Re pública do Norte.
Acrescentando-se ao vasto setor visado pelo comércio de compensação o volume das exportações norte-americanas no qua dro do Plano Marshall, verifica-se que
O caso da moeda inglesa não pode ser
considerado pelo mesmo prisma que o do franco suíço ou do dólar. Pois essas moe das evidenciam sinais de fraqueza, como a libra, em todos o.s mercados cambiais li
vres. No Brasil, porém, a libra é escas sa e cara, porque os negócios de compen sação invadem o terreno do comércio nor .gociações normais com esse país e dilapi dando o patrimônio
mércio- normal.
absurdamente baixos.
A luta em prol do co
nacional a preços
lugar, sofre enormemente. Basta olhar para a tremenda fila
limitam-se estritamente ao mercado inter
ramos de atividade e que por isso não podem ser tomadas ao pé da letra. Se ado
tamos, porém, um critério imparcial so bre a economia nacional, chegamos às se guintes conclusões:
e)
norgiais. Ora, a compensação não fornece uma libra sequer ao Brasil. A compensado ameaça a moeda nacional, contribuindo para uma desvalorização do cruzeiro nos mercados cambiais estrangeiros. Basta citar a esse respeito a "crossrate"
mal com a Inglaterra, dificultando as ne-
pouco sobrará para as atividades do co
com o Velho Conti-
a)
Enfraquecimento dos produtos bra sileiros nos mercados externos, co
mo particularmente dos produtos
l i-il ■i itllliÉÉfl " •
do cruzeiro em Zurich e
Paris.
Esta maneira de analisar as repercussões das trocas de compensação sobre a écono-
DransTti
zenda e o Baiict) do
mércio multilateral perdeu, portanto, o senso prático, porque, cm face da atitude
bre os intercâmbios de compensação" —
norte-americana,
num recente artigo, o
componentes do comércio mundial poderá
"The Journal of
Commerce", de Nova York, publica, có-
nenhum
dt)s
.grandes
ao mundo, de trocas de algodão norteamericano por produtos ditos "estraté gicos".
Tomando essa atitude, os Estados Uni dos, último campeão do livre-câmbio se
transformaram em partidários do sistima de trocas no comércio internacional. E' estranho.
Pois nao se promoveu a des
valorização das moedas européias com o im de facilitar o restabelecimento dos in-
b)
de "dumping". A compensação não facilita a im portação de produtos essenciais ou
dc matérias-primas básicas para a
são dc certos meios interessa-los, desde há
nossa indústria raanufarurclra. Ao
muito tempo o Govêrno Federal teria
contrário, dificultando o comér cio normal, pelo desvio de mais e mais produtos para o comércio de
passado a impedir as transações compensarória.s.
voltar ao livre-câmbio.
compensação, dificulta-se o abas
mentando-a favoravelmente, uma notícia
sobre ofertas feitas pelos Estados Unidos
tropicais, num verdadeiro sistema
Brasil olham com
certa apreensão o desenvolvimento que to mam, nos últimos meses, os chamados ne gócios vinculados, e se não fosse a pres
Geraldo Danaskiwitz
resse as sugestões norte-americanas so
Só
Nãíi é se.grcdo que o Ministério da Fa
Os perigos dos negócios de compensação QoD o título "Despertam grande inte
Econômico
tecimento do País com esses pro
Não há uitmiimidiide sóhre o assunto
A pusiçãt) do BrusH dviilro do covurcio de compüusaçtio Quanto à situação do Brasil no quadro
do comércio de compensação,
não pode
ser melhor, à vista de seu intercâmbio com a Inglaterra. Em 29 lie maio do corrente ano, o Ban
co do Brasil inaugurou o sistema de fila, para a cobertura de importações pagávcis em libras. Nos meses que nos separam
dutos essenciais,
Uma soluç.ão radical nesse terreno c. todavia, imprc)vável, pois os interesses são
c) — Estimula-se a tendência inflaclonis-
ta c. cm troca, são vendidos pro
contratiitórios, e comerciantes c industriais
dutos, no mercado interno, a pre
csrão divididos quanto à oportunidade de
ço que reembolsamos, gastos esses
expandir o sistema dc com pensação ou dc mantc-lo
feitos na base de
licntro de limites estreitos.
de 40-50 cruzeiros
Sem
querer
discussão
intervir
que se
trava
uma
taxa
cambiai
por dólar,
na
d) — O comércio normal
a
dessa data, a fila aumentou em dimensão,
êssc propósito, os meios ofi
sem que se veja quando e como os petii-
ciais observam, porém, que
nente, e com a In
dos poderão ser satisfeitos.
os
glaterra em primeiro
uma ideia a ser executada futuramente. Ao contrario segundo o que afirma o The Journal of Commerce", já se rece beram respostas às sugestões dos Estados Unidos. Dentre elas, destacam-se as con
Evidentemente, a moeda inglesa tornouse uma das mais esca.ssas, possivelmente
dos nem sempre refletem a verdadeira situação. Se, por exemplo, um represen tante da lavoura alega que a compensação
dc importadores de produtos ingle
que permite calcular o "cross-rate" na ba
não influi na posição cambial de nossa
ses que esperam cobertura cam
trapropostas recebidas do Japão, da Chi
se de 4,4 dólares por libra.
moeda, que os efeitos da troca de produ
bial, mas não podem obtê-la por que o Banco do Brasil não dispõe de libras. Em outras palavras, na medida em que o nosso país ven de pela compensação para Londres, nada sobra para as exportações
tcrcambios em bases multilaterais
As propostas de trocas feitas pelo Go-
verno norte-americano não constituem
mesmo mais do que o dólar.
No merca-
do-negro, a cotação chega a CrS 82,00, o Ora, a taxa
argumentos
apresenta
na de Singapura, do Paquistão, da Suíça e da Espanha. Note-se que as trocas su geridas nao se referem apenas ao algo
oficial é de 2,8 dólares por libra, somen
tos com base em taxas cambiais de 45-53,
te, sendo que cm Nova York o preço pa ra a moeda bloqueada inglesa não chega
em lugar de 18,72 em relação ao dólar,
dão, mas também a todos os produtos agrí
a atingir .sequer 1,6 dólares.
no — isto não corresponde à realidade. Há outras afirmações que igualmente refletem os interesses imediatos de grupos diretamente ligados à determinação dos
colas em excesso nos Estados Unidos Ou em outras palavras, o novo sistema inte
ressará mais de metade dos produtos que figuram nas exportações da grande Re pública do Norte.
Acrescentando-se ao vasto setor visado pelo comércio de compensação o volume das exportações norte-americanas no qua dro do Plano Marshall, verifica-se que
O caso da moeda inglesa não pode ser
considerado pelo mesmo prisma que o do franco suíço ou do dólar. Pois essas moe das evidenciam sinais de fraqueza, como a libra, em todos o.s mercados cambiais li
vres. No Brasil, porém, a libra é escas sa e cara, porque os negócios de compen sação invadem o terreno do comércio nor .gociações normais com esse país e dilapi dando o patrimônio
mércio- normal.
absurdamente baixos.
A luta em prol do co
nacional a preços
lugar, sofre enormemente. Basta olhar para a tremenda fila
limitam-se estritamente ao mercado inter
ramos de atividade e que por isso não podem ser tomadas ao pé da letra. Se ado
tamos, porém, um critério imparcial so bre a economia nacional, chegamos às se guintes conclusões:
e)
norgiais. Ora, a compensação não fornece uma libra sequer ao Brasil. A compensado ameaça a moeda nacional, contribuindo para uma desvalorização do cruzeiro nos mercados cambiais estrangeiros. Basta citar a esse respeito a "crossrate"
mal com a Inglaterra, dificultando as ne-
pouco sobrará para as atividades do co
com o Velho Conti-
a)
Enfraquecimento dos produtos bra sileiros nos mercados externos, co
mo particularmente dos produtos
l i-il ■i itllliÉÉfl " •
do cruzeiro em Zurich e
Paris.
Esta maneira de analisar as repercussões das trocas de compensação sobre a écono-
DlGF-STO F.rONÒMICO DiOEsro
ras do Executivo Federal - Citam-se a res
Admite-se como justa a estimativa de um instituto de pesquisas anglo-saxão, o
peito, especialmente, exemplos explicati
qual informa que o valor real do cruzei
vos dos itens "c" e "e".
ro. em agosto de 19-19, era de somente
mia nacional prevalece em tôdas as esfe
Sustenta-se, mais e mais, que as trocas
de compensação contribuem mais para re duzir o poder de compra dentro de nos sas fronteiras do que as emissões de papel-moeda.
culo da revista "Conjuntura Econômica", aliás, tomando o ano de 1912 como base. chega a um valor "real" de 10 centavos
em fins de 1949, como representativo para o poder de compra de um cruzeiro de 1912.
PODER DE COMPRA DA MOEDA BRASILEIRA Indke do custo da vida
de 1939. nos anos'scRuintes
^940
no
^942
,43 ;
228
; 340
Ora, SC para a cera de carnaúba, para a
.i
madeira, para a castanha do Para e outros produtos de compensação se adota uma faxa "real" (que corresponde ao dólar a 40 cruzeiros), seria lógico aplicar a mes ma taxa para o café e o cacau. Em outras palavras, seria, na mesma ordem de idéias, desvalorizar totalmente o cruzeiro.
Valor real de um cruzeiro
1939 = 100
1944
sendo efetuadas agora, provem de que as autoridades do Rio de Janeiro consideram a taxa cambial tificiai como profunda mente ilegal.
22 centavos em relação a 1939. Um cál
Aumenta o potencial inflacionssta
Econômico
Sabe
mos que essa "lógica" c partilhada pelos dirigentes do Fundo Monetário, pela im
"Special jree fax" Para todos êles, a taxa do dólar no
mercado-negro no Rio e em São Paulo, o "cross-rate", em Paris e Genebra, têm mais "realidade" do que a taxa oficial do
Banco do Brasil. Sabemos que o Fundo Monetário vai wo longe que publica na sua revista mensal, a "International Fi
nancial ^tatiscics", o preço do dólar no cambio-negro do "special free tax".
Rio, denomioando-a
Para dar uma idéia da posição de nossa
adeptos de um liberalismo que no resto
moeda nas praças estrangeiras, calculamos a "cross-rate" (taxa cruzada), que obtemos dividindo a cotação do cruzeiro na respectiva praça pelo preço de outras
do mundo não existe mais.
moedas.
prensa americana e, em nosso meio, pelos
91 70
TAXAS CAMBIAIS CRUZADAS
44
"Cross-rate" em cruzeiros
29
392
25
439
23
Mercados livres
Mercado Oficial
GENEBRA
ação contraio crSzdro.^^Uma^exterL^^Tr^
afirmar que
mentada pela atividade da especulação ín
cambiais de nossa moeda, no es-
teressada e para a qual a "cro«
indicativa, e uma interna aue demo .
o poder de compra da moeda Í a^o ^ terreno externo é mais difícil do
"^o representavam um fator
Preponderante, pois 95 % das transações oficial. A taxa do
âmbito nacional. De fato aoui ^ vêrno dispõe de facilidades'para 'alivia a
mercado-negro só tinha valor prático para nm'T', constituíram
importado, a preços baixos, dos produ tos que estão sujeitos a manobras altistas Mas essa ação não representa a solução
"ojc» com negócios de compensação l^lorescentes, a situação é bem diferente. ^®lcula-se que entre 18 e 20 % de nos-
pressão da al.a dos preços, facili.aado a
final do problema.
A estabilidade cambial T? • ..,«1 I. • Existe uma pressão latente contra íi
nossa moeda nas praças estrangeiras, mas
Paris
"
'T
exportações e importações são pra ticados em bases de um cruzeiro desvalo-
rizado de 70-100 %. Êsse fato não é des-
conhecido, nemem em Genebra. Nova York, em Londres, nem Os nem comen-
taristas da situação cambial brasileira su-
devemos reconhecer que a fragilidade do
blinham que a legalização das trocas de
cruzeiro e bem maior hoje do que há dois
compensação nos moIde.s como elas estão
Dólar
36.8
Franco suíço Franco belga .. ."
8.1
Escudo
Peso argentino
*.
Marco
Coroa sueca Libra Peseta Franco francês
0.75 1.23 2.5 7.2 5.8
95.0 0.84
0.10
31.5 7.2
0.65 1.14 1.8 5.2 5.1 78.0 0.65 0.085
Rió B SÃO Paulo 18.7
4.3 0.37 0.66 1.4 —
3.6 52.0 1.71
0.05
Por aí vemos que a desvalorização em
especialmente entre 15 de julho e 15 de
relação à taxa oficial na Capital Federal é reaior do que em Paris e do que em Ge"6bra ou Zurich. Uma razão técnica ex-
setembro, uma pronunciada procura de notas de cruzeiros da parte de capitalistas
pbca isso. Na França, foram, nos últimos "^<^ses, introduzidas notas monetárias bra
procurando fugir à proximidade de fu turos campos de batalha no Velho Con
sileiras, trazidas pelos turistas, que exerce
tinente.
ram sobre o pequeno mercado do cruzeiro,
Paris, uma forte influência.
Em Genebra e Zurich, porém, houve, ..vá
Zurich
que pretendem mudar-se para o nosso país,
O deságio entre Paris e Zurich reflete
^ flutuações máximas nas grandes praças monetárias, a respeito de nossa moeda.
DlGF-STO F.rONÒMICO DiOEsro
ras do Executivo Federal - Citam-se a res
Admite-se como justa a estimativa de um instituto de pesquisas anglo-saxão, o
peito, especialmente, exemplos explicati
qual informa que o valor real do cruzei
vos dos itens "c" e "e".
ro. em agosto de 19-19, era de somente
mia nacional prevalece em tôdas as esfe
Sustenta-se, mais e mais, que as trocas
de compensação contribuem mais para re duzir o poder de compra dentro de nos sas fronteiras do que as emissões de papel-moeda.
culo da revista "Conjuntura Econômica", aliás, tomando o ano de 1912 como base. chega a um valor "real" de 10 centavos
em fins de 1949, como representativo para o poder de compra de um cruzeiro de 1912.
PODER DE COMPRA DA MOEDA BRASILEIRA Indke do custo da vida
de 1939. nos anos'scRuintes
^940
no
^942
,43 ;
228
; 340
Ora, SC para a cera de carnaúba, para a
.i
madeira, para a castanha do Para e outros produtos de compensação se adota uma faxa "real" (que corresponde ao dólar a 40 cruzeiros), seria lógico aplicar a mes ma taxa para o café e o cacau. Em outras palavras, seria, na mesma ordem de idéias, desvalorizar totalmente o cruzeiro.
Valor real de um cruzeiro
1939 = 100
1944
sendo efetuadas agora, provem de que as autoridades do Rio de Janeiro consideram a taxa cambial tificiai como profunda mente ilegal.
22 centavos em relação a 1939. Um cál
Aumenta o potencial inflacionssta
Econômico
Sabe
mos que essa "lógica" c partilhada pelos dirigentes do Fundo Monetário, pela im
"Special jree fax" Para todos êles, a taxa do dólar no
mercado-negro no Rio e em São Paulo, o "cross-rate", em Paris e Genebra, têm mais "realidade" do que a taxa oficial do
Banco do Brasil. Sabemos que o Fundo Monetário vai wo longe que publica na sua revista mensal, a "International Fi
nancial ^tatiscics", o preço do dólar no cambio-negro do "special free tax".
Rio, denomioando-a
Para dar uma idéia da posição de nossa
adeptos de um liberalismo que no resto
moeda nas praças estrangeiras, calculamos a "cross-rate" (taxa cruzada), que obtemos dividindo a cotação do cruzeiro na respectiva praça pelo preço de outras
do mundo não existe mais.
moedas.
prensa americana e, em nosso meio, pelos
91 70
TAXAS CAMBIAIS CRUZADAS
44
"Cross-rate" em cruzeiros
29
392
25
439
23
Mercados livres
Mercado Oficial
GENEBRA
ação contraio crSzdro.^^Uma^exterL^^Tr^
afirmar que
mentada pela atividade da especulação ín
cambiais de nossa moeda, no es-
teressada e para a qual a "cro«
indicativa, e uma interna aue demo .
o poder de compra da moeda Í a^o ^ terreno externo é mais difícil do
"^o representavam um fator
Preponderante, pois 95 % das transações oficial. A taxa do
âmbito nacional. De fato aoui ^ vêrno dispõe de facilidades'para 'alivia a
mercado-negro só tinha valor prático para nm'T', constituíram
importado, a preços baixos, dos produ tos que estão sujeitos a manobras altistas Mas essa ação não representa a solução
"ojc» com negócios de compensação l^lorescentes, a situação é bem diferente. ^®lcula-se que entre 18 e 20 % de nos-
pressão da al.a dos preços, facili.aado a
final do problema.
A estabilidade cambial T? • ..,«1 I. • Existe uma pressão latente contra íi
nossa moeda nas praças estrangeiras, mas
Paris
"
'T
exportações e importações são pra ticados em bases de um cruzeiro desvalo-
rizado de 70-100 %. Êsse fato não é des-
conhecido, nemem em Genebra. Nova York, em Londres, nem Os nem comen-
taristas da situação cambial brasileira su-
devemos reconhecer que a fragilidade do
blinham que a legalização das trocas de
cruzeiro e bem maior hoje do que há dois
compensação nos moIde.s como elas estão
Dólar
36.8
Franco suíço Franco belga .. ."
8.1
Escudo
Peso argentino
*.
Marco
Coroa sueca Libra Peseta Franco francês
0.75 1.23 2.5 7.2 5.8
95.0 0.84
0.10
31.5 7.2
0.65 1.14 1.8 5.2 5.1 78.0 0.65 0.085
Rió B SÃO Paulo 18.7
4.3 0.37 0.66 1.4 —
3.6 52.0 1.71
0.05
Por aí vemos que a desvalorização em
especialmente entre 15 de julho e 15 de
relação à taxa oficial na Capital Federal é reaior do que em Paris e do que em Ge"6bra ou Zurich. Uma razão técnica ex-
setembro, uma pronunciada procura de notas de cruzeiros da parte de capitalistas
pbca isso. Na França, foram, nos últimos "^<^ses, introduzidas notas monetárias bra
procurando fugir à proximidade de fu turos campos de batalha no Velho Con
sileiras, trazidas pelos turistas, que exerce
tinente.
ram sobre o pequeno mercado do cruzeiro,
Paris, uma forte influência.
Em Genebra e Zurich, porém, houve, ..vá
Zurich
que pretendem mudar-se para o nosso país,
O deságio entre Paris e Zurich reflete
^ flutuações máximas nas grandes praças monetárias, a respeito de nossa moeda.
.11 u
I
DlCliSTO ECONÔMICO
88
PI «ÃU DioGSTo Econômico
será um contra-senso, se a tensão interna
Evidentemente, não temos a pretensão dc dizer que unicamente a firmeza lic nos
cional se acenruar e os preços subirem
sa política cambial permitiu melhorar as
to às diversas moedas não é uniforme. Ela varia entre 75 % em relação ao fran
nos mercados internacionais.
Cotações.
co belga e 50 % para a libra, 28 % para
E' o quê alguns afirmam. Mas não se pode aceitar essa opinião pessimista, pois o Brasil é um dos raríssimos paises do globo que conseguiram manter sua es
A desvalorização não é uniforme A desvalorização do cruzeiro cm rela
o peso argentino, menos de 10 % para o
marco" alemão. Somente a p>eseta espa nhola tem um deságio ainda maior que o cruzeiro.
O Governo Federal mede perfeitamente a ligação direta que há entre os "cross-rate"
do cruzeiro no estrangeiro e a expansão dos negócios de compensação. Conhece os movimentos de especulação e mostra-se
mais e mais inclinado em limitar as trocas
diretas nas bases atuais. Ouvhnos de uma personalidade de destaque no âmbito
federal, que a prática ila compensação
Achamo-nos, pois. num beco sem saída?
tabilidade cambial, e pode assim sustentar
uma posição de seus produtos nos merca dos externos.
Mudar a política adotada nesse terreno seria sacrificar o grande progresso reali zado desde setembro de 1949, quanvio mais de vinte c cinco países acompanha ram a libra na depreciação. Deve-se lem
brar, a propósito, apenas o seguinte:
COMÉRCIO EXTERNO (Em milhares de cruzeiros)
a base dos dados para o período de janeiro-março)
Na primeira linha temos a situação em relaçao aos países com os quais a compensaçao é normal. A segunda linha resume as trocas com a zona do dólar. A melho-
ra, na última linha, entre 1949 e 1950 e tao notável que di*ii'^í®nc.a M <- ^.iispensa
quaisquer co
7950
1949
Trocas com moedas inconversíveis Trocas com moedas conversíveis
(—) 204 (—) 1.324
(—)
181
C-f)
940
mentários sôbre a continuação da política cambial seguida até aqui.
A repercussão da firmeza do cruzeiro nas cotações dos principais produtos ven didos para a zona do dólar (e que re presenta 73 % do total das exportações) é recomendável?
COTAÇÃO EM NOVA YORK
(Em U.S.$ por Hbra-pêso) 1949
Junho Novembro
Café
Cacau
0,28
0,20
0,5025
0,2424
0,4163 0,534
0,263
79.50
Junho Julho
0,355
tante.
r
Mas foi o fator mais impor
Dc fato. se o cruzeiro tivesse che
xistas entre setembro de 1949 e julho de 1950, como de fato fizeram. . A opinião oficial resume-se na obser vação de uma linha de conduta clara: en
quanto o café e o cacau representarem
gado a uma taxa ile 30 em relação ao
2/3 de nossas vendas para o exterior, e
dólar, os exportadores da rubiácea, des
assegurarem a quase totalidade de nossas
lumbrados. no primeiro momento, pelo preço obtido (em cruzeiros), não teriam resistido tão tenazmente às manobras bai
receitas cambiais em dólares, a política seguida terá de ser decisivamente influen ciada por esse fator.
.11 u
I
DlCliSTO ECONÔMICO
88
PI «ÃU DioGSTo Econômico
será um contra-senso, se a tensão interna
Evidentemente, não temos a pretensão dc dizer que unicamente a firmeza lic nos
cional se acenruar e os preços subirem
sa política cambial permitiu melhorar as
to às diversas moedas não é uniforme. Ela varia entre 75 % em relação ao fran
nos mercados internacionais.
Cotações.
co belga e 50 % para a libra, 28 % para
E' o quê alguns afirmam. Mas não se pode aceitar essa opinião pessimista, pois o Brasil é um dos raríssimos paises do globo que conseguiram manter sua es
A desvalorização não é uniforme A desvalorização do cruzeiro cm rela
o peso argentino, menos de 10 % para o
marco" alemão. Somente a p>eseta espa nhola tem um deságio ainda maior que o cruzeiro.
O Governo Federal mede perfeitamente a ligação direta que há entre os "cross-rate"
do cruzeiro no estrangeiro e a expansão dos negócios de compensação. Conhece os movimentos de especulação e mostra-se
mais e mais inclinado em limitar as trocas
diretas nas bases atuais. Ouvhnos de uma personalidade de destaque no âmbito
federal, que a prática ila compensação
Achamo-nos, pois. num beco sem saída?
tabilidade cambial, e pode assim sustentar
uma posição de seus produtos nos merca dos externos.
Mudar a política adotada nesse terreno seria sacrificar o grande progresso reali zado desde setembro de 1949, quanvio mais de vinte c cinco países acompanha ram a libra na depreciação. Deve-se lem
brar, a propósito, apenas o seguinte:
COMÉRCIO EXTERNO (Em milhares de cruzeiros)
a base dos dados para o período de janeiro-março)
Na primeira linha temos a situação em relaçao aos países com os quais a compensaçao é normal. A segunda linha resume as trocas com a zona do dólar. A melho-
ra, na última linha, entre 1949 e 1950 e tao notável que di*ii'^í®nc.a M <- ^.iispensa
quaisquer co
7950
1949
Trocas com moedas inconversíveis Trocas com moedas conversíveis
(—) 204 (—) 1.324
(—)
181
C-f)
940
mentários sôbre a continuação da política cambial seguida até aqui.
A repercussão da firmeza do cruzeiro nas cotações dos principais produtos ven didos para a zona do dólar (e que re presenta 73 % do total das exportações) é recomendável?
COTAÇÃO EM NOVA YORK
(Em U.S.$ por Hbra-pêso) 1949
Junho Novembro
Café
Cacau
0,28
0,20
0,5025
0,2424
0,4163 0,534
0,263
79.50
Junho Julho
0,355
tante.
r
Mas foi o fator mais impor
Dc fato. se o cruzeiro tivesse che
xistas entre setembro de 1949 e julho de 1950, como de fato fizeram. . A opinião oficial resume-se na obser vação de uma linha de conduta clara: en
quanto o café e o cacau representarem
gado a uma taxa ile 30 em relação ao
2/3 de nossas vendas para o exterior, e
dólar, os exportadores da rubiácea, des
assegurarem a quase totalidade de nossas
lumbrados. no primeiro momento, pelo preço obtido (em cruzeiros), não teriam resistido tão tenazmente às manobras bai
receitas cambiais em dólares, a política seguida terá de ser decisivamente influen ciada por esse fator.
III ül . I .
ilMJI D10liSIo Económico
As dividas de Rui Barbosa Navlor Villas-Boas
pARECB que sôbre elas não há nada iné dito. Bastam, porém, para um ca pítulo singular, quase pungente, na biografia do notável brasileiro.
Sabe-se que a pobreza de seus pais mais se agravava pela posição social. Sem que
a heróica genitora arregimentasse os pou cos escravos para o fabrico doméstico de
doces, expostos a venda ruas afora, como nos conta Luís Viana Filho (/} Vida dc
^u Barhosa) não teria podido partir da
Bahia para Recife, em 1866. a fim de
to que nem tento escusar-me do silêncio
grosseiro, que guardei para com V.. desde que, formado Rui, não tive mais de piedir-lhe novos favores — quando era en sejo, era dever, repetir os meus agradeci mentos, já manifestados em resposta mi nha, no princípio do ano, quando V. me comunicou que tinha pago a primeira
prestação das despesas de meu filho em São Paulo." .. . "Reúna a êste estado sé
rio de meu filho, de cuja saúde e força carecemos todo.s — a morte de meu pobre irmão Antônio, deixando numerosa famí lia, pobreza c dívidas" ... "e isto quan
do eu não posso dar-lhe.s a mão na menor cousa, apesar dos meus desejos, do meu coração e de meu dever". Conclua-se...
Mas. quem sabe se sua Lmfe
E" a esse mesrpo generoso parente que Rui escreve, dois dias depois (21 de agôs-
a escola paulistana também
to), desculpando-se da demora com que o
Sim. rh""' acha-se no Rio o » "'w ' bosa de Oliveira, o Conselhero Tlb''""
de cuja posição e recursos u
fc"'t meditas, prefaciadas ^ (Cartas
^'Dino,
ExUil
por Américo Jacobina Lacombe).'Acítfo
faz e falando-lhc das "aparências de in gratidão" em que "as circunstâncias" o
ira
se prestara a custear os estudos, em
Mejá
dicma, do pai de Rui. "desde os prepara tórios até à formatura". Logo.
Pois é a essa grande alma que Barbosa de Oliveira escreve, da Bahia, aos 19 de agosto de 1871, ou em época em que Rui conta o seu primeiro ano de bacharel.
"Meu bom i>arence c am"" . . . "E' cer-
"que neste ano só se tem esgotado como
vontade de cumprir esses deveres penosos
missiva (1.° de março de 76) é escrita
e sagrados." Escusado seria falar, mas falaria. E verse-á que o "onerosíssimo encargo" não era só a manutenção da irmã Brites. Êsse encargo, com que Rui começava a afli
ao râo bom, antigo e provado amigo des ta família e de quem Rui recorda os
em dez vou arrastando êste fardo."
Escoam-sc dois meses e meio, e nova
atos" que "nunca os recebi, nem posso
gir-se, esses "deveres penosos", para cujo
receber, nem receberei senão como finezas do coraçao". Nessa fase. Brites estava noi va. Talvez se case a 22 de abril. Êsse
cumprimento depressa reconhecia em si profunda boa vontade, vamos vê-los em
acontecimento terá comprometido ainda mais a situação de Rui. As dificuldades
longa carta, sempre ao primo Albino, de 19 de dezembro de 75, quando Rui se derrama ao "cabeça e conselheiro da famí
primo:
lia", ao "bom parente":
história e o pêso das .dívidas de meu pai.
"A minha vida é um labor e agonias muito acima das minhas forças, não mo
rais, mas físicas. O meu emprego na Mi sericórdia, a advocacia, para mim aqui trabalhosíssima, bem que quase estéril, e a imprensa política, de que me é impos sível separar-me, visto como sou um dos redatores do Diário da Bahia, constituem
três sérios deveres, cada um dos quais se
que èle atravessa vão ser expostas ao "Já, na minha anterior, lhe descrevi a agravadas, não obstante os pequenos re cursos que eu tinha juntos, com outras, efeito daquelas. Os meus vencimentos na Misericórdia, que se reduzem a Rs
3:000S000, escassamente dão-me para o juro. A advocacia, que, nos dois primei ros anos, rervdeu-me anualmente
'
1
4:OOOSOOO, agora, por força das minhas
ria suficiente para ocupar ura homem são,
circunstâncias atuais, do emprego que a urgência de necessidades fatais obriga-me
4
e que, entretanto, vejo-me forçado a re
pois, "não sabe ocultar o interesse com
unir em mim só.
que sempre me tem distínguido" — diz-
morte de meu pai deixou-me pai de famí lia, e sobrecarregado com a divida supe
rior a doze contos de réis, quase toda em
lável tia terra, esgotou-se literalmente pa ra mim, apesar de certa reputação que muito imerecidamente gozo aqui. Portan to, nao ganho nem metade do que me é
letras bancárias, além de outras obriga ções pecuniárias muito graves. Tenho le
imprescindívd para despeaas cada uma das qua.s, descumprrda, viria a ser para mim
têm "feito involuntariamente incorrer"; e,
lhe Rui -T- "pesaroso, por vec as suspei tas de indiferente, de desconhecido, a que cio" etc.
Ademais, segundo afirma Batista PeS (i?«t es^uda^íe), o velho magistrado
meus ombros, escusado é falar-lhe: peço apenas a Deus que me dc tantas forças e meios quanto é profunda a minha boa
a exercer, da miséria crescente e incalcu
me tem condenado o meu longo silên
^eíro, lhe dedica profunda veneraTão"
91
Passados três anos, a notícia que Rui
corre a dar ao velho primo (carta de 30-
11-74) não pode ser pior. Começa deste
Demais, a inopinada
tras em quase todos os meses do ano, duas
uma vergonha intolerável; porque èm
em cada um dentre oito e três nos res
pr.me,ro lugar, antes de chefe de famí™
tantes. Os meus vencimentos na Santa Ca
pus sempre ..mbre em não'dever, ■
sa (Rs. 3:OOOSOOO) não me chegam nem
devi nada a ninguém- ^ ^
"Despedaçado pelo mais profundo so frimento, cumpro o penoso dever de par ticipar-lhe que, no dia 28 do corrente, às
para amortização desses débitos, quanto mais para o mais, que excede a outro tan to aquela quantia. A advocacia desta pro
' ombros, depois, agora que tenho esse encargo aos não devo
4 horas da tarde, chamou Deus a seu seio o meu muito querido e extremoso pai, seu .sincero amigo." — E mais adiante: —
víncia, mendiga, dia a dia decai desanimadoramente, como tudo desta desgraçada Bahia. Vejo-me, portanto, continuamente
"Sôbre o peso do onerosíssimo encargo
nos maiores apuros; e se dêles me tenho
bem pode calcular o primo — é contrair
que a Providência deixou agora sôbre os
saído, sabe Deus à custa de quanta seiva
muitas vêzes novos débitos, para nos ven cimentos honrar o nome de meu pai, sal-
modo:
de uma vida" — Rui contava 26 anos —
senão o^ passivo que herdei, ou a que as obrigações dêsse me têm violentado. Isso sabem-no os meus amigos daqui, e de monstra-se com uma escrituração mercan-
tilmente exata e miúda. O resultado —
III ül . I .
ilMJI D10liSIo Económico
As dividas de Rui Barbosa Navlor Villas-Boas
pARECB que sôbre elas não há nada iné dito. Bastam, porém, para um ca pítulo singular, quase pungente, na biografia do notável brasileiro.
Sabe-se que a pobreza de seus pais mais se agravava pela posição social. Sem que
a heróica genitora arregimentasse os pou cos escravos para o fabrico doméstico de
doces, expostos a venda ruas afora, como nos conta Luís Viana Filho (/} Vida dc
^u Barhosa) não teria podido partir da
Bahia para Recife, em 1866. a fim de
to que nem tento escusar-me do silêncio
grosseiro, que guardei para com V.. desde que, formado Rui, não tive mais de piedir-lhe novos favores — quando era en sejo, era dever, repetir os meus agradeci mentos, já manifestados em resposta mi nha, no princípio do ano, quando V. me comunicou que tinha pago a primeira
prestação das despesas de meu filho em São Paulo." .. . "Reúna a êste estado sé
rio de meu filho, de cuja saúde e força carecemos todo.s — a morte de meu pobre irmão Antônio, deixando numerosa famí lia, pobreza c dívidas" ... "e isto quan
do eu não posso dar-lhe.s a mão na menor cousa, apesar dos meus desejos, do meu coração e de meu dever". Conclua-se...
Mas. quem sabe se sua Lmfe
E" a esse mesrpo generoso parente que Rui escreve, dois dias depois (21 de agôs-
a escola paulistana também
to), desculpando-se da demora com que o
Sim. rh""' acha-se no Rio o » "'w ' bosa de Oliveira, o Conselhero Tlb''""
de cuja posição e recursos u
fc"'t meditas, prefaciadas ^ (Cartas
^'Dino,
ExUil
por Américo Jacobina Lacombe).'Acítfo
faz e falando-lhc das "aparências de in gratidão" em que "as circunstâncias" o
ira
se prestara a custear os estudos, em
Mejá
dicma, do pai de Rui. "desde os prepara tórios até à formatura". Logo.
Pois é a essa grande alma que Barbosa de Oliveira escreve, da Bahia, aos 19 de agosto de 1871, ou em época em que Rui conta o seu primeiro ano de bacharel.
"Meu bom i>arence c am"" . . . "E' cer-
"que neste ano só se tem esgotado como
vontade de cumprir esses deveres penosos
missiva (1.° de março de 76) é escrita
e sagrados." Escusado seria falar, mas falaria. E verse-á que o "onerosíssimo encargo" não era só a manutenção da irmã Brites. Êsse encargo, com que Rui começava a afli
ao râo bom, antigo e provado amigo des ta família e de quem Rui recorda os
em dez vou arrastando êste fardo."
Escoam-sc dois meses e meio, e nova
atos" que "nunca os recebi, nem posso
gir-se, esses "deveres penosos", para cujo
receber, nem receberei senão como finezas do coraçao". Nessa fase. Brites estava noi va. Talvez se case a 22 de abril. Êsse
cumprimento depressa reconhecia em si profunda boa vontade, vamos vê-los em
acontecimento terá comprometido ainda mais a situação de Rui. As dificuldades
longa carta, sempre ao primo Albino, de 19 de dezembro de 75, quando Rui se derrama ao "cabeça e conselheiro da famí
primo:
lia", ao "bom parente":
história e o pêso das .dívidas de meu pai.
"A minha vida é um labor e agonias muito acima das minhas forças, não mo
rais, mas físicas. O meu emprego na Mi sericórdia, a advocacia, para mim aqui trabalhosíssima, bem que quase estéril, e a imprensa política, de que me é impos sível separar-me, visto como sou um dos redatores do Diário da Bahia, constituem
três sérios deveres, cada um dos quais se
que èle atravessa vão ser expostas ao "Já, na minha anterior, lhe descrevi a agravadas, não obstante os pequenos re cursos que eu tinha juntos, com outras, efeito daquelas. Os meus vencimentos na Misericórdia, que se reduzem a Rs
3:000S000, escassamente dão-me para o juro. A advocacia, que, nos dois primei ros anos, rervdeu-me anualmente
'
1
4:OOOSOOO, agora, por força das minhas
ria suficiente para ocupar ura homem são,
circunstâncias atuais, do emprego que a urgência de necessidades fatais obriga-me
4
e que, entretanto, vejo-me forçado a re
pois, "não sabe ocultar o interesse com
unir em mim só.
que sempre me tem distínguido" — diz-
morte de meu pai deixou-me pai de famí lia, e sobrecarregado com a divida supe
rior a doze contos de réis, quase toda em
lável tia terra, esgotou-se literalmente pa ra mim, apesar de certa reputação que muito imerecidamente gozo aqui. Portan to, nao ganho nem metade do que me é
letras bancárias, além de outras obriga ções pecuniárias muito graves. Tenho le
imprescindívd para despeaas cada uma das qua.s, descumprrda, viria a ser para mim
têm "feito involuntariamente incorrer"; e,
lhe Rui -T- "pesaroso, por vec as suspei tas de indiferente, de desconhecido, a que cio" etc.
Ademais, segundo afirma Batista PeS (i?«t es^uda^íe), o velho magistrado
meus ombros, escusado é falar-lhe: peço apenas a Deus que me dc tantas forças e meios quanto é profunda a minha boa
a exercer, da miséria crescente e incalcu
me tem condenado o meu longo silên
^eíro, lhe dedica profunda veneraTão"
91
Passados três anos, a notícia que Rui
corre a dar ao velho primo (carta de 30-
11-74) não pode ser pior. Começa deste
Demais, a inopinada
tras em quase todos os meses do ano, duas
uma vergonha intolerável; porque èm
em cada um dentre oito e três nos res
pr.me,ro lugar, antes de chefe de famí™
tantes. Os meus vencimentos na Santa Ca
pus sempre ..mbre em não'dever, ■
sa (Rs. 3:OOOSOOO) não me chegam nem
devi nada a ninguém- ^ ^
"Despedaçado pelo mais profundo so frimento, cumpro o penoso dever de par ticipar-lhe que, no dia 28 do corrente, às
para amortização desses débitos, quanto mais para o mais, que excede a outro tan to aquela quantia. A advocacia desta pro
' ombros, depois, agora que tenho esse encargo aos não devo
4 horas da tarde, chamou Deus a seu seio o meu muito querido e extremoso pai, seu .sincero amigo." — E mais adiante: —
víncia, mendiga, dia a dia decai desanimadoramente, como tudo desta desgraçada Bahia. Vejo-me, portanto, continuamente
"Sôbre o peso do onerosíssimo encargo
nos maiores apuros; e se dêles me tenho
bem pode calcular o primo — é contrair
que a Providência deixou agora sôbre os
saído, sabe Deus à custa de quanta seiva
muitas vêzes novos débitos, para nos ven cimentos honrar o nome de meu pai, sal-
modo:
de uma vida" — Rui contava 26 anos —
senão o^ passivo que herdei, ou a que as obrigações dêsse me têm violentado. Isso sabem-no os meus amigos daqui, e de monstra-se com uma escrituração mercan-
tilmente exata e miúda. O resultado —
D tGJiSrO
l
DlGPoSlO
^2 var, pelo menos, os trastes da casa e o meu brio, e não sacrificar os meus abo-
nadores, que são homens de bem e desin teressados amigos.
"Tenho até hoje conseguido ésse pro
que todas as fontes estão a estancar-se. Já íiitimaraente
empre.stados à direção da fôlha, que llie
meus mais experientes e melhores amigos província, para procurar noutra, na Cor te, meios, ao menos, de saldar o meu dé bito, e assim habilitar-me a poder, neste
rem. e estarei tolhido absolutamente; por
"De uma feita, ousou tomar 50()SO()()
"I:m circunstâncias tais. o conselho dos
abriu uma conta corrente nos livros, deduzindo-lhe, uma a uma, as parcelas com
que ia entranilo,
"Apesar disso, Rui continuou a colabo
me na grandeza desse outro teatro; nos exemplos de tantos, enjeitados, como eu. na sua terra, e que tanta prosperidade têm
mais um único real, foi o redator-chefe do
grande órgão dos liberais, substituindo na
quele posto a um conselheiro de Estado.
obtido ai; em certo nome que eu sei ter
estabelecimentos uma dispen sa de amortização por certo
tas vêzes triunfou.
eu deixara a academia, quando meu pai fechou os olhos. Era êle, na rainha pro
víncia, a maior cabeça de sua época, o orador mais perfeito que já conheci, distinguindo-se, ao mesmo tempo, como um caráter de limpidez e inflexibilidade ada
rar gratuitamente, e ainda sem ganhar ja
Tudo isto espanta, ainda mais, quando se
aí entre pessoas valiosas pa ra auxiliar-me; na urgê-ncia, enfim, imperiosa, indecliná vel, de, seja como fòr, deixar
vi-me forçado a suplicar aos
até pagar o último
vintém.
mundo, ser útil em alguma coisa. Falam-
contra a calúnia política, de que ele tan "Mal se haviam inteirado três anos que
necessitasse.
nenhuma, e provavelmente não remoto.
quase chamando heróicas, com o direito
roso dever filial. Alguns meses mais po
não era pago, sendo talvez o que mais
gum desdouro público, certo, sem dúvida
é que eu deixe por algum tempo a minha
as minhas forças, — que eu, repito, pode ria chamar heróicas, se não as considerasse apenas como o desempenho de um rigo
"Rui era u mais moço c o unico que
dores, nada mais me resta csiierar que al
dígio, à custa de privações que eu estava
que me confere a minha vida prematura mente estragada em trabalhos superiores
l.rONt >M K-{)
rx.ONOMKO
sabe que os outros redatores eram muito bem pagos.
mantinas.
Com tais qualidades, não po
dia ser feliz na política, madrasta sempre, entre nós, aos espíritos de escol e às cons
ciências inflexíveis.
Severamente açoita
do por ela sob a situação conservadora de 16 de julho, os seus últimos anos foram
de privações, não obstante a austera mo déstia do seu viver; e faleceu onerado de encargos.
"A injustiça, entretanto, não inutiliza
"Eu herdara, pois, o trabalho e a luta, mas a luta como quem nasceu para a menear com a energia de uma arma, e o tra
tempo._Submeti-me a essa hu
eu quanto antes esta situação,
va a pena do homem que desinteressado
milhação, da qual nem eu
que, a continuar deste modo.
sou culpado nem ninguém senão somente a desfortunà
não tem horizonte possível.
foi e sempre se manteve, trabalhando mais por gosto que para ganhar dinheiro. E
da mmha casa. Mas isso não melhora a minha condição
berado a aceitar o plano, so
Bahia, além das mais bela.s páginas lite
cílimo era evitar o pêso dessa herança: iça:
bre o qual
nao so porque êsse favor
írintíl; bastava renunciar à sucessão a benefício do inventário.
abrange apenas as obrigações
seu parecer. Realmente, não descortino outro salvamento;
rárias, a campanha da eleição direta, os artigos abolicionistas e as páginas contra
firmadas com a assinatura de
é, penso, a solução única de
por isto pôde ele fazer no
"À vista disto, estou deli
meu pai, ficando, portanto, excluídas as que ele contraíra sob nome alheio e a
mo também porque, em todo oTasoMt'
peço também o
a conscrição."
E' que tudo se vê antecipado pelo pró prio Rui, na sua vibrante resposta a Cé sar Zama (disc. no Senado, a 13-10-9Ó):
minhas atuais dificuldades. A
realizar-se êste projeto, em maio ou junho pedirei aqui uma licença, para ir aí, na Còrte, verificar se Deus consente que eu
Primeiro, quanto a dívidas:
"Nasci, é verdade, na pobreza; e de tal me honro; porque essa pobreza era a co
seja profeta em algum ponto do mundo."
ta-me o desconto implacável dos rendi mentos. qao me restando mais nada para
as amortizações inevitáveis, nem para a
manutenção da família, ou. sequer, minha Desta maneira, tôda a minha vida, tôda a minha profissão por assim dizer de ora em diante, o meu futuro, tudo vem a cifrar-se em trabalhar' para extinguir inrerminàvelmente, gota a gota, como um suor de sangue, esta dívida acabrunhadora. Nem a minha carreira natural, a advo cacia, me será mais lícito exercitar; e ver vaawawAWMJ.,
W
TWfc-
dadeiro ganhador, servo, escravo dos cre
Diário da
roa de uma vida, que o amargor dos sa crifícios não deixou frutificar em prospe
Vê-se que Rui empregava grande soma
ridade.
de sua atividade no Diário da Bahia. Não
Mas, se disso me desvaneço, não
balho como quem fôra talhado para ven cer nêle como num campo de batalha. Pa-
"Mas me pareceu que o dever mo ve
vor de minha irmã, o ativõ do casal; os móveis, as alfaias, todos os valores encon
trados em casa; e substituí nos bancos, sem
reserva de condições, a firma de meu pai pela minha. Não pedi misericórdia, e não a tiveram comigo. O morto continuou a viver era mim nas suas responsabilidades,
pelas quais nunca encontrei quartel. Em assim que eu queria: foi assim que me
refere ele ao primo Albino, como soube precisar quanto ao seu "emprego" na San ta Casa de Misericórdia, a vantagem que
formar espinhos era frutos de bênção, fa
que eu venci. •
tirava daquela atividade.
peito para a memória de meu pai. E por isso bem é que a memória do pai venha
O Tempo (rev. quinz.. Rio, n." esp. de 15-1-1924), deixa esclarecido que: "Durante cerca de oito anos a pena de Rui Barbosa escreveu maravilhas para as
páginas do Diário da Bahia. Deve-se con tar êsse período entre 1872 e 1880. Al.,
trataram os estabelecimentos. E assim foi ,
Houve, entre os prudentes e experi mentados, quem me tachasse de loucura
essa temeridade. Mas eu era arrastado pela
trazer hoje o testemunho incorruptível dos
nobreza da honra paterna, e contava com
mortos em socorro do filho indígnamente difamado. Não é a primeira vez, senho
o poder miraculoso das inspirações do de ver. Eu sentia em mim uma paixão entu
res,
siástica pelo estudo, sentia um atrativo
que me vejo obrigado a invocá-lo '^..i
J-,.
dava. Renunciei, pois, nos autos, em fa
é menor a honra, para mim, de ter sabi do, com o suor de muitas agonias, trans zendo do meu trabalho um manto de res
1
J
D tGJiSrO
l
DlGPoSlO
^2 var, pelo menos, os trastes da casa e o meu brio, e não sacrificar os meus abo-
nadores, que são homens de bem e desin teressados amigos.
"Tenho até hoje conseguido ésse pro
que todas as fontes estão a estancar-se. Já íiitimaraente
empre.stados à direção da fôlha, que llie
meus mais experientes e melhores amigos província, para procurar noutra, na Cor te, meios, ao menos, de saldar o meu dé bito, e assim habilitar-me a poder, neste
rem. e estarei tolhido absolutamente; por
"De uma feita, ousou tomar 50()SO()()
"I:m circunstâncias tais. o conselho dos
abriu uma conta corrente nos livros, deduzindo-lhe, uma a uma, as parcelas com
que ia entranilo,
"Apesar disso, Rui continuou a colabo
me na grandeza desse outro teatro; nos exemplos de tantos, enjeitados, como eu. na sua terra, e que tanta prosperidade têm
mais um único real, foi o redator-chefe do
grande órgão dos liberais, substituindo na
quele posto a um conselheiro de Estado.
obtido ai; em certo nome que eu sei ter
estabelecimentos uma dispen sa de amortização por certo
tas vêzes triunfou.
eu deixara a academia, quando meu pai fechou os olhos. Era êle, na rainha pro
víncia, a maior cabeça de sua época, o orador mais perfeito que já conheci, distinguindo-se, ao mesmo tempo, como um caráter de limpidez e inflexibilidade ada
rar gratuitamente, e ainda sem ganhar ja
Tudo isto espanta, ainda mais, quando se
aí entre pessoas valiosas pa ra auxiliar-me; na urgê-ncia, enfim, imperiosa, indecliná vel, de, seja como fòr, deixar
vi-me forçado a suplicar aos
até pagar o último
vintém.
mundo, ser útil em alguma coisa. Falam-
contra a calúnia política, de que ele tan "Mal se haviam inteirado três anos que
necessitasse.
nenhuma, e provavelmente não remoto.
quase chamando heróicas, com o direito
roso dever filial. Alguns meses mais po
não era pago, sendo talvez o que mais
gum desdouro público, certo, sem dúvida
é que eu deixe por algum tempo a minha
as minhas forças, — que eu, repito, pode ria chamar heróicas, se não as considerasse apenas como o desempenho de um rigo
"Rui era u mais moço c o unico que
dores, nada mais me resta csiierar que al
dígio, à custa de privações que eu estava
que me confere a minha vida prematura mente estragada em trabalhos superiores
l.rONt >M K-{)
rx.ONOMKO
sabe que os outros redatores eram muito bem pagos.
mantinas.
Com tais qualidades, não po
dia ser feliz na política, madrasta sempre, entre nós, aos espíritos de escol e às cons
ciências inflexíveis.
Severamente açoita
do por ela sob a situação conservadora de 16 de julho, os seus últimos anos foram
de privações, não obstante a austera mo déstia do seu viver; e faleceu onerado de encargos.
"A injustiça, entretanto, não inutiliza
"Eu herdara, pois, o trabalho e a luta, mas a luta como quem nasceu para a menear com a energia de uma arma, e o tra
tempo._Submeti-me a essa hu
eu quanto antes esta situação,
va a pena do homem que desinteressado
milhação, da qual nem eu
que, a continuar deste modo.
sou culpado nem ninguém senão somente a desfortunà
não tem horizonte possível.
foi e sempre se manteve, trabalhando mais por gosto que para ganhar dinheiro. E
da mmha casa. Mas isso não melhora a minha condição
berado a aceitar o plano, so
Bahia, além das mais bela.s páginas lite
cílimo era evitar o pêso dessa herança: iça:
bre o qual
nao so porque êsse favor
írintíl; bastava renunciar à sucessão a benefício do inventário.
abrange apenas as obrigações
seu parecer. Realmente, não descortino outro salvamento;
rárias, a campanha da eleição direta, os artigos abolicionistas e as páginas contra
firmadas com a assinatura de
é, penso, a solução única de
por isto pôde ele fazer no
"À vista disto, estou deli
meu pai, ficando, portanto, excluídas as que ele contraíra sob nome alheio e a
mo também porque, em todo oTasoMt'
peço também o
a conscrição."
E' que tudo se vê antecipado pelo pró prio Rui, na sua vibrante resposta a Cé sar Zama (disc. no Senado, a 13-10-9Ó):
minhas atuais dificuldades. A
realizar-se êste projeto, em maio ou junho pedirei aqui uma licença, para ir aí, na Còrte, verificar se Deus consente que eu
Primeiro, quanto a dívidas:
"Nasci, é verdade, na pobreza; e de tal me honro; porque essa pobreza era a co
seja profeta em algum ponto do mundo."
ta-me o desconto implacável dos rendi mentos. qao me restando mais nada para
as amortizações inevitáveis, nem para a
manutenção da família, ou. sequer, minha Desta maneira, tôda a minha vida, tôda a minha profissão por assim dizer de ora em diante, o meu futuro, tudo vem a cifrar-se em trabalhar' para extinguir inrerminàvelmente, gota a gota, como um suor de sangue, esta dívida acabrunhadora. Nem a minha carreira natural, a advo cacia, me será mais lícito exercitar; e ver vaawawAWMJ.,
W
TWfc-
dadeiro ganhador, servo, escravo dos cre
Diário da
roa de uma vida, que o amargor dos sa crifícios não deixou frutificar em prospe
Vê-se que Rui empregava grande soma
ridade.
de sua atividade no Diário da Bahia. Não
Mas, se disso me desvaneço, não
balho como quem fôra talhado para ven cer nêle como num campo de batalha. Pa-
"Mas me pareceu que o dever mo ve
vor de minha irmã, o ativõ do casal; os móveis, as alfaias, todos os valores encon
trados em casa; e substituí nos bancos, sem
reserva de condições, a firma de meu pai pela minha. Não pedi misericórdia, e não a tiveram comigo. O morto continuou a viver era mim nas suas responsabilidades,
pelas quais nunca encontrei quartel. Em assim que eu queria: foi assim que me
refere ele ao primo Albino, como soube precisar quanto ao seu "emprego" na San ta Casa de Misericórdia, a vantagem que
formar espinhos era frutos de bênção, fa
que eu venci. •
tirava daquela atividade.
peito para a memória de meu pai. E por isso bem é que a memória do pai venha
O Tempo (rev. quinz.. Rio, n." esp. de 15-1-1924), deixa esclarecido que: "Durante cerca de oito anos a pena de Rui Barbosa escreveu maravilhas para as
páginas do Diário da Bahia. Deve-se con tar êsse período entre 1872 e 1880. Al.,
trataram os estabelecimentos. E assim foi ,
Houve, entre os prudentes e experi mentados, quem me tachasse de loucura
essa temeridade. Mas eu era arrastado pela
trazer hoje o testemunho incorruptível dos
nobreza da honra paterna, e contava com
mortos em socorro do filho indígnamente difamado. Não é a primeira vez, senho
o poder miraculoso das inspirações do de ver. Eu sentia em mim uma paixão entu
res,
siástica pelo estudo, sentia um atrativo
que me vejo obrigado a invocá-lo '^..i
J-,.
dava. Renunciei, pois, nos autos, em fa
é menor a honra, para mim, de ter sabi do, com o suor de muitas agonias, trans zendo do meu trabalho um manto de res
1
J
5. 94
DiGüSTO
DiGusif) Econômico
irresistível pela ciência; tinha a vontade
heróica do trabalho; tinha o brio indomá
vel, essa energia sobre tódas prodigiosa nas almas bem formadas; e, animado por essas forças, na quadra em que outros pr.nc.piam a fruir as sucessões pinuues ou
ECONÔMICO
Cérca de cito anos servira eu no ór
lhe tratara a esposa), retribuindo-o com
o que me parece perfeitamente exeqüível,
gão do partido, entre cujos redatores, sen
larga generosidade; e. por lhe faltar "ex
do um dos mais sobrecarregados, um dos
periência destas avaliações", pedia conse lhos. Luta entre gratidão e penúria.
terei um produto líquido que me habilita rá a descartar-me de todos os meus compro missos, deixando-me ainda um saldo apre
escalados para as ocasiões c missões mais
arduas, era o único, entretanto, o único,
Ainda nesse mês e na Bahia, em ferias
que, embora dos mais necessitados, não
parlamentares, escreve ao mesmo amigo,
V. calculará o esforço com que luto por
opulentos eutte. na vida por um caminho coberto de obstáculos esraasadores, nos qums ai^umas véaes estive a pique de "Mas não: através de quantas dificulda des o meu terrível compromisso inces an
embolsou jamais, direta ou indiretamente,
mosrrando-se descrente da sua propalada
não vè-la malograda, quando eu lhe dis ser que em cinqüenta dias venci de c.ibò a rabo a tradução do Calkins." . .. "Não
temente me opunha, sem descer,
se at.ram a exploração
dos casamentos
brar, sem me humilhar
•
mês,por mês. dur^nt lonJr/'''
^
um vintém, ou vantagem alguma, de qual
nomeação para o governo da província de
quer natureza. Ao mesmo passo, era o que mais lidava, nos comícios, com fre
Pernambuco (carta de 28) :
"Preci.so de um ano de advocacia, a fim
obstante êsses e outros embaraços, porém,
qüência, coragem e ardor, quando se acen tuavam fases agudas na luta pelas aspira
dc ver se reparo algumas avarias deste
casco, tão arrombado pelos sacrifícios que
a tarefa encetad.a a 16 de fevereiro estava finda a 8 do corrente. Acrescente a isso
ções gerais à liberdade e à democracia. Nu
a política impôs, Mas, enfim, estarei por
.as obrigações-de redator do Diário, que
campanha abolicionista o meu lugar se as
tudo."
fissional a da imprensa a"
sinalava entre os mais antigos e devotados. Na questão religiosa, adversário do uirramontanismo, fui, todavia, pelo direi to dos prelados católicos ao livre exercício da autoridade espiritual contra o odioso e
gratuitamente, fundar casa
inepto regalismo da Coroa. Pela eleição di
26 anos, que me abmrv
cidade. os títulos do débTto'"''^ ^
do-
consegui, acumulando à ^ u
mmha irmã. constituir nova Lt assegurar sempre a i
®^
cencia, o conchêaoI « ^°^stança, a de-
distintas, a arte módeslrdòl'^ ^«tências pela poesia dos afeíos que íe ctiam""'''"
ro das coisas delicada^
par. sem uma falha seiii
a
pesam principalmente sobre mim, e me
As dificuldades econômicas daquele que já era pai dc três filhos haviam de ser bem
os deveres da minha profissão de advoga
Jacobina, de 13 de abril de 81, onde co
do e as labutações do alistamento eleíroral, de cujos trabalhos o centro aqui somos eu
meça a história da tradução de Calkins:
o o Rodolfo, e veja se não c quase um mi
nas, e V. que me julgue, em presença dos
r.i tanto. Depois, o foro êste ano tem si
quem com insistência maior e mais extre
fatos.
do miserável e, apesar de termos causa.s,
mado vigor renhia e decertava."
"Não lhe é desconhecida a minha idéia fixa de obter, mediante o trabalho de mi
algumas das quais nos prometem resulta
nal pagava a todos, menos a Rui, saben do-se que o diretor da folha era o mes
nha pena, os recursos de que vitalmente
nosso escritório."
necessito, para me libertar desta servidão
mo provedor da Santa Casa de Misericór
de galé, em que as minhas dívidas me têm
Essa a "tábua de salvação" que se ofe recia ao bracejar de Rui nas águas de suas
cativo. Chegando à Bahia, vi que a recentíssima reforma do ensino, que aliás
dívidas, em abril de 81. O que se dará, todavia, é que só a 4 de junho de 83 ex
Chega-se a compreender porque o jor
ordenado pagaria também o redator.
não presta para nada, acrescentara às es
colas normais um curso de lições de coi
mo de coisas preciosas um ri ^
Certo é, porém, que o partido para o qual êle assim trabalhava o elege, em 1877, deputado à assembléia provincial, e, em 1878, o conduz à assembléia geral. Nes
relíquias sagradas.
sa altura, já havia casado a irmã e a seu
tos, forma, no meu am •
^®ncimen-
E
de uma responsabilidade acaLlÍ!. uma fadiga extenuante, em one
^
talvez a melhor parte da Vida mlfofl" do, afmal, colher a flor dessa alegria inl narravel: a de selar a existência moral dê meu pai com o desempenho cabal do seu »
nome.
Segundo, quanto à gratuidade dos seus serviços no Diário da Bahia. Leiamc-lo em Queda do Império. 1, introdução:
lagre que o tempo e a saúde cheguem p.a-
reta, na imprensa e nos "meetings", era
250S000 por mês: entendesse êste que tal
considerável. que guard^ZcTr^
constrangem a escrever quase rodo o dia,
sérias, a julgar por esta carta, sempre a "Não devo defender-me. Relatarei ape
dia, onde a Rui fora dado o emprego de
tualidade. remia
gos da honra de meu pai. , Senhores, o montão dessas Ur riavelmente satisfeitas nos seus
ciável. Eis a minha tábua de salvação: e
sas. À vista dêste fato, deliberei logo rea lizar o meu pensamento de traduzir a obra
dc Calkins.
Meti mãos ab trabalho, em-
penhando-me ao mesmo tempo em con cluí-lo pichosamente e depressa. O meu
do, ainda não começou a pingar para o
pede a Inspecoria Geral da Instruído pri mária e secundária do Município da Cor ,e ofício ao Ministro e Secretário de Estado dos Negocies do Imnérírx
do-lhe a impressão, "naTi' cional, por conta da verba àe^ 'a material das escolas",> aa da tradução trad ,
lado constituíra a própria família. Mas, da decisão que importou o sacrifício de
cálculo era, e é, depois de o ter aprovado
sua mocidade, no dizer de Américo Jacobina Lacombe, ainda sofria Rui as acer bas conseqüências.
pelo Conselho Superior da Instrução Pú
se trata, cu,o manuscrito, diz o ofício mereceu ser aprovado pelo Govêrno im-'
blica, de que hoje sou membro, requerer à Assembléia Provincial a compra, para
Imprensa, com a nota de -obra unanirae-
de que
penal . E só em 86 sai dos prelos daquela
tnente aprovada pelo Conselho Superior
de 1881, àquele que sempre foi seu pres-
logo depois de publicado o livro, de qua tro mil exemplares a 35500 cada um. Com
tiraoso amigo — Antonio de Araújo Fer^ reira Jacobina — confessando-ihe que, se
impressão, que será de 15 mil exempla
da Instrução Pública da Bahia, pelo Con selho Diretor da Corte, e adotada pelo Governo Imperial". Traz de março desse
res. Então, alcançando que as outras pro víncias me comprem os 11 mil restantes.
dutor".
Comprova-o o recado de 4 de janeiro
c-ssa garantia de l4 contos procederei à
as suas circunstâncias lha permitissem,
corresponderia à fineza do médico (que > 1^/ ' ig
'IfclI
'■ 'A
'
mesmo ano de 86 o "Preâmbulo do Tra
5. 94
DiGüSTO
DiGusif) Econômico
irresistível pela ciência; tinha a vontade
heróica do trabalho; tinha o brio indomá
vel, essa energia sobre tódas prodigiosa nas almas bem formadas; e, animado por essas forças, na quadra em que outros pr.nc.piam a fruir as sucessões pinuues ou
ECONÔMICO
Cérca de cito anos servira eu no ór
lhe tratara a esposa), retribuindo-o com
o que me parece perfeitamente exeqüível,
gão do partido, entre cujos redatores, sen
larga generosidade; e. por lhe faltar "ex
do um dos mais sobrecarregados, um dos
periência destas avaliações", pedia conse lhos. Luta entre gratidão e penúria.
terei um produto líquido que me habilita rá a descartar-me de todos os meus compro missos, deixando-me ainda um saldo apre
escalados para as ocasiões c missões mais
arduas, era o único, entretanto, o único,
Ainda nesse mês e na Bahia, em ferias
que, embora dos mais necessitados, não
parlamentares, escreve ao mesmo amigo,
V. calculará o esforço com que luto por
opulentos eutte. na vida por um caminho coberto de obstáculos esraasadores, nos qums ai^umas véaes estive a pique de "Mas não: através de quantas dificulda des o meu terrível compromisso inces an
embolsou jamais, direta ou indiretamente,
mosrrando-se descrente da sua propalada
não vè-la malograda, quando eu lhe dis ser que em cinqüenta dias venci de c.ibò a rabo a tradução do Calkins." . .. "Não
temente me opunha, sem descer,
se at.ram a exploração
dos casamentos
brar, sem me humilhar
•
mês,por mês. dur^nt lonJr/'''
^
um vintém, ou vantagem alguma, de qual
nomeação para o governo da província de
quer natureza. Ao mesmo passo, era o que mais lidava, nos comícios, com fre
Pernambuco (carta de 28) :
"Preci.so de um ano de advocacia, a fim
obstante êsses e outros embaraços, porém,
qüência, coragem e ardor, quando se acen tuavam fases agudas na luta pelas aspira
dc ver se reparo algumas avarias deste
casco, tão arrombado pelos sacrifícios que
a tarefa encetad.a a 16 de fevereiro estava finda a 8 do corrente. Acrescente a isso
ções gerais à liberdade e à democracia. Nu
a política impôs, Mas, enfim, estarei por
.as obrigações-de redator do Diário, que
campanha abolicionista o meu lugar se as
tudo."
fissional a da imprensa a"
sinalava entre os mais antigos e devotados. Na questão religiosa, adversário do uirramontanismo, fui, todavia, pelo direi to dos prelados católicos ao livre exercício da autoridade espiritual contra o odioso e
gratuitamente, fundar casa
inepto regalismo da Coroa. Pela eleição di
26 anos, que me abmrv
cidade. os títulos do débTto'"''^ ^
do-
consegui, acumulando à ^ u
mmha irmã. constituir nova Lt assegurar sempre a i
®^
cencia, o conchêaoI « ^°^stança, a de-
distintas, a arte módeslrdòl'^ ^«tências pela poesia dos afeíos que íe ctiam""'''"
ro das coisas delicada^
par. sem uma falha seiii
a
pesam principalmente sobre mim, e me
As dificuldades econômicas daquele que já era pai dc três filhos haviam de ser bem
os deveres da minha profissão de advoga
Jacobina, de 13 de abril de 81, onde co
do e as labutações do alistamento eleíroral, de cujos trabalhos o centro aqui somos eu
meça a história da tradução de Calkins:
o o Rodolfo, e veja se não c quase um mi
nas, e V. que me julgue, em presença dos
r.i tanto. Depois, o foro êste ano tem si
quem com insistência maior e mais extre
fatos.
do miserável e, apesar de termos causa.s,
mado vigor renhia e decertava."
"Não lhe é desconhecida a minha idéia fixa de obter, mediante o trabalho de mi
algumas das quais nos prometem resulta
nal pagava a todos, menos a Rui, saben do-se que o diretor da folha era o mes
nha pena, os recursos de que vitalmente
nosso escritório."
necessito, para me libertar desta servidão
mo provedor da Santa Casa de Misericór
de galé, em que as minhas dívidas me têm
Essa a "tábua de salvação" que se ofe recia ao bracejar de Rui nas águas de suas
cativo. Chegando à Bahia, vi que a recentíssima reforma do ensino, que aliás
dívidas, em abril de 81. O que se dará, todavia, é que só a 4 de junho de 83 ex
Chega-se a compreender porque o jor
ordenado pagaria também o redator.
não presta para nada, acrescentara às es
colas normais um curso de lições de coi
mo de coisas preciosas um ri ^
Certo é, porém, que o partido para o qual êle assim trabalhava o elege, em 1877, deputado à assembléia provincial, e, em 1878, o conduz à assembléia geral. Nes
relíquias sagradas.
sa altura, já havia casado a irmã e a seu
tos, forma, no meu am •
^®ncimen-
E
de uma responsabilidade acaLlÍ!. uma fadiga extenuante, em one
^
talvez a melhor parte da Vida mlfofl" do, afmal, colher a flor dessa alegria inl narravel: a de selar a existência moral dê meu pai com o desempenho cabal do seu »
nome.
Segundo, quanto à gratuidade dos seus serviços no Diário da Bahia. Leiamc-lo em Queda do Império. 1, introdução:
lagre que o tempo e a saúde cheguem p.a-
reta, na imprensa e nos "meetings", era
250S000 por mês: entendesse êste que tal
considerável. que guard^ZcTr^
constrangem a escrever quase rodo o dia,
sérias, a julgar por esta carta, sempre a "Não devo defender-me. Relatarei ape
dia, onde a Rui fora dado o emprego de
tualidade. remia
gos da honra de meu pai. , Senhores, o montão dessas Ur riavelmente satisfeitas nos seus
ciável. Eis a minha tábua de salvação: e
sas. À vista dêste fato, deliberei logo rea lizar o meu pensamento de traduzir a obra
dc Calkins.
Meti mãos ab trabalho, em-
penhando-me ao mesmo tempo em con cluí-lo pichosamente e depressa. O meu
do, ainda não começou a pingar para o
pede a Inspecoria Geral da Instruído pri mária e secundária do Município da Cor ,e ofício ao Ministro e Secretário de Estado dos Negocies do Imnérírx
do-lhe a impressão, "naTi' cional, por conta da verba àe^ 'a material das escolas",> aa da tradução trad ,
lado constituíra a própria família. Mas, da decisão que importou o sacrifício de
cálculo era, e é, depois de o ter aprovado
sua mocidade, no dizer de Américo Jacobina Lacombe, ainda sofria Rui as acer bas conseqüências.
pelo Conselho Superior da Instrução Pú
se trata, cu,o manuscrito, diz o ofício mereceu ser aprovado pelo Govêrno im-'
blica, de que hoje sou membro, requerer à Assembléia Provincial a compra, para
Imprensa, com a nota de -obra unanirae-
de que
penal . E só em 86 sai dos prelos daquela
tnente aprovada pelo Conselho Superior
de 1881, àquele que sempre foi seu pres-
logo depois de publicado o livro, de qua tro mil exemplares a 35500 cada um. Com
tiraoso amigo — Antonio de Araújo Fer^ reira Jacobina — confessando-ihe que, se
impressão, que será de 15 mil exempla
da Instrução Pública da Bahia, pelo Con selho Diretor da Corte, e adotada pelo Governo Imperial". Traz de março desse
res. Então, alcançando que as outras pro víncias me comprem os 11 mil restantes.
dutor".
Comprova-o o recado de 4 de janeiro
c-ssa garantia de l4 contos procederei à
as suas circunstâncias lha permitissem,
corresponderia à fineza do médico (que > 1^/ ' ig
'IfclI
'■ 'A
'
mesmo ano de 86 o "Preâmbulo do Tra
96
DiGBSTO Econômico
Tábua de salvado, portanto, malograda. Mas, nem da política, por meio da re muneração de cargos e mandatos, nem da
pena do jornalista ou do escritor, lhe vi riam os recursos com que safar-se das dí vidas e viver altivamente; e sim da sua
banca de advogado, nada rendosa na
Bahia, porém ativa no Rio de Janeiro, pa ra tornar-se a primeira, no Brasil, depois que Rui regressou do exílio de Londres.
O calvario foi-lhe, entretanto, longo e mui penoso. E estava ainda bem longe de ser transposto em abril de 84, quando Rui
escreve, do R,o ao seu amigo Francisco Gesteira, na Bahia, dizendo-lhe-
-Supões que fui a Minas e que fôra a
remT™"''
d» réii a
dj Indu,.' A verdade, meu amigo'!'é^que vrvo aqu, de prumo na mio, e ucamlo com as ma,ores dificuldades para ocor^
as necessidades cotidianas da minha s, b sistenca Invejosos e, inimigos «palh™
o con.rar,_o, para me faaer mal. Man realidade e que tenho boas perspectivas de fntnro, naas o presente ainda me vai cor
rendo cheio de dias espinhosíssimos Quando portanto, ouvires correr esses boatos, defende o teu amigo ausente contra p. malevolencia que os gera
"Ainda agora, recebo de um cio daí (João da Silva Baia) uma intimação (não judicial) para lhe pagar uma ridícula quantia (132$000), que êle, na insolência da sua carta, afirma não lhe ter ainda embolsado "por não querer!" Aí lhe en vio, para que mandes atirar a esse rafeiro (mediante recibo), essa grande soma, que talvez o livre de falir, mas que cu não ti-
I.
DicnsTo Econômico
nha agora na minha gaveta, para o satis
nado como testemunha de fato a que não
cretário da legação chilena. Êle ficou de
fazer."
assistira.
Realmente, a j^edido de Rodol
fo, acedera em subscrever como testemu
entregá-la a ti mesmo. Se não, manda buscá-las. Em todo o caso, comunica-me
Dantas é chamado a formar gabinete e,
nha num documento cuja feitura não pre
se as recebeste.
neste, tem-se por bem certa a entrada de
senciara c isso foi logo provado pelo con
Rui. E' a passagem mais enigmática que
fronto das datas
Isto. em abril de 1884. O Ginselheiro
seus biógrafos defrontam,
porque,
não
e certidões da polícia,
mostrando encontrar-se ele. na ocasião, au
"Verifica de Carlito
se êle concluiu
com o cunhado de Carlos os dois negó cios meus, que são muito sérios; a questão da letra e a dos juros. Todos os meus pa
saindo Rui ministro, muita tinta se tem gasto e muita conjetura se há feito, sem SC lhe precisar a causa ila ausência na composição do ministério do chefe liberal
sente da Bahia. Simples imprudência, pois não havia qualquer prejudicado, mas a imputação de falsário (era a expressão usada) na.s vésperas do pleito, e a neces
péis importantes estão ne.ssa caixa. Car lito que liquide também com o Afonso a
baiano. E entre os supostos motivos, não faltou, segundo Luís Viana Filho, o de
sidade de justificar-se. não constituíam ele
traí com êsse amigo, para liquidarmos is
mentos favoráveis."
so definitivamente."
que — Rfí/ tivera uns suas dívidas o em
última prestação do empréstimo que con E mais adiante, após a série de avisos
pecilho lí entrada naquele gabinete. Homem que herdara dívidas, que vivia
\-)rJens e sugestões de quem, sobre o mar
encapelado da tormenta súbita, dita ordens
amortizando-as como quem carrega água
A República encontrou o advogado Rui
em cesto, que as tinha no conhecimento
Barbosa — advogado e jornalista — em
público, estava assim muito no caso de
brutalmente arrancado :
continuar contraindo-as, como a que se
começo de prosperidade, contando êle mais de metade de sua existência. Residia
registra nesta nota inserta no "caixa" do
à praiá do Flamengo, esquina da hoje
"Agora, um ponto mui importante. A hipoteca sôbre a nossa casa vence-se em novembro. Não sei a quantos. (2). E'
rua Silveira Martins,
endividado :
"1885. Novembro. Neste mês. a 20, venceu-se no Banco do Comércio uma le
tra de 4:000S000 em que figuro como
devedor e Rodolfo como sacador e endossanto. A importância dessa letra, porém, foi tomada exclusivamente para Rodolfo,
onde realizava o
ao comando da nau, de cujo leme se vê
necessário que Carlito tome esses'papéis
ideal de assegurar à família "a abastança,
ao Amaral, e verifique a data, Nela te
a decência, o conchêgo, o gosto das exis tências distintas". . . E é nessa residência que lhe ocorre comprar a crédito a casa
teca. O Marinhas ofereceu-se-me, para ar
de São Clemente, voltando, portanto, a
quantia, Manda falar-Ihe. Se êle não o
mos que pagar os setenta contos da hipo ranjar no Banco Rural Hipotecário essa
experimentar as velhas horas de inquie
fizer, Carlito sabe a que meio deverá re
tação de devedor a prazo. E' quando, no
correr."
que, por conveniência sua, me pediu lhe emprestasse o meu nome, para não apa
governo de Floriano, procura o exílio e
recer o seu, Essa letra foi passada há seis
abandona todos os interesses.
-tória da compra da casa de São Clemente,
Retomemos a coletânea de Américo Jacobina Lacombe (Mocidade e Exílio), e
sobre cuja hipoteca as providências dos
meses, em 20 de maio de 1885, prome
tendo Rodolfo saldá-la integralmente no 1." vencimento. E assim fêz". (1). Que negaria Rui ao amigo dileto ? Ex traiamos de Luís Viana Filho êste outro
período, que recorda fato passado na Bahia em 81, admissivelmente. Rui so
fre terrível campanha difamatória, movi da pelo tio materno, Luís Antônio, e pelo clero faccioso, que o querem derrotado nas urnas ;
"Nada entretanto foi mais explorado pelos adversários de Rui do que ter assi
vamos encontrar Rui, em Buenos Aires, a escrever à esposa a longa carta de 19 de setembro de 93, de bordo, ainda, do MadaJena : Meu Deus, como ficarão todos os meus
negócios ? Quem os despachará no Rio 1
Rui exporá, um dia, no Senado, a hís-
amigos o deixaram disto despreocupado no exílio. O que, então, ainda o irá abor recer, já na última fase de sua permanên cia na Europa, é objeto de carta ao seu maior ami^go das horas difíceis : "Paris, 28 junho, 95. "Meu cato Jacobina.
sei de ninguém. Onde está o Juca ?
Carlito estará contigo } Se está, c preciso que com êle vejas que deixei na caixinha, que levaste no
"Aqui, onde me acho em preparos para a minha volta ao Brasil, que está fixada para o dia 12 de julho vindouro no Ma-
dia 5. Mandei-te a chave dela, *na penca (IJ
V, a nota n. 3. J .
.
.
com as outras, pelo sr. Orrcgo Luco, se
(2) Vencer-se-ia a 24 de outubro, co mo se verá adiante.
96
DiGBSTO Econômico
Tábua de salvado, portanto, malograda. Mas, nem da política, por meio da re muneração de cargos e mandatos, nem da
pena do jornalista ou do escritor, lhe vi riam os recursos com que safar-se das dí vidas e viver altivamente; e sim da sua
banca de advogado, nada rendosa na
Bahia, porém ativa no Rio de Janeiro, pa ra tornar-se a primeira, no Brasil, depois que Rui regressou do exílio de Londres.
O calvario foi-lhe, entretanto, longo e mui penoso. E estava ainda bem longe de ser transposto em abril de 84, quando Rui
escreve, do R,o ao seu amigo Francisco Gesteira, na Bahia, dizendo-lhe-
-Supões que fui a Minas e que fôra a
remT™"''
d» réii a
dj Indu,.' A verdade, meu amigo'!'é^que vrvo aqu, de prumo na mio, e ucamlo com as ma,ores dificuldades para ocor^
as necessidades cotidianas da minha s, b sistenca Invejosos e, inimigos «palh™
o con.rar,_o, para me faaer mal. Man realidade e que tenho boas perspectivas de fntnro, naas o presente ainda me vai cor
rendo cheio de dias espinhosíssimos Quando portanto, ouvires correr esses boatos, defende o teu amigo ausente contra p. malevolencia que os gera
"Ainda agora, recebo de um cio daí (João da Silva Baia) uma intimação (não judicial) para lhe pagar uma ridícula quantia (132$000), que êle, na insolência da sua carta, afirma não lhe ter ainda embolsado "por não querer!" Aí lhe en vio, para que mandes atirar a esse rafeiro (mediante recibo), essa grande soma, que talvez o livre de falir, mas que cu não ti-
I.
DicnsTo Econômico
nha agora na minha gaveta, para o satis
nado como testemunha de fato a que não
cretário da legação chilena. Êle ficou de
fazer."
assistira.
Realmente, a j^edido de Rodol
fo, acedera em subscrever como testemu
entregá-la a ti mesmo. Se não, manda buscá-las. Em todo o caso, comunica-me
Dantas é chamado a formar gabinete e,
nha num documento cuja feitura não pre
se as recebeste.
neste, tem-se por bem certa a entrada de
senciara c isso foi logo provado pelo con
Rui. E' a passagem mais enigmática que
fronto das datas
Isto. em abril de 1884. O Ginselheiro
seus biógrafos defrontam,
porque,
não
e certidões da polícia,
mostrando encontrar-se ele. na ocasião, au
"Verifica de Carlito
se êle concluiu
com o cunhado de Carlos os dois negó cios meus, que são muito sérios; a questão da letra e a dos juros. Todos os meus pa
saindo Rui ministro, muita tinta se tem gasto e muita conjetura se há feito, sem SC lhe precisar a causa ila ausência na composição do ministério do chefe liberal
sente da Bahia. Simples imprudência, pois não havia qualquer prejudicado, mas a imputação de falsário (era a expressão usada) na.s vésperas do pleito, e a neces
péis importantes estão ne.ssa caixa. Car lito que liquide também com o Afonso a
baiano. E entre os supostos motivos, não faltou, segundo Luís Viana Filho, o de
sidade de justificar-se. não constituíam ele
traí com êsse amigo, para liquidarmos is
mentos favoráveis."
so definitivamente."
que — Rfí/ tivera uns suas dívidas o em
última prestação do empréstimo que con E mais adiante, após a série de avisos
pecilho lí entrada naquele gabinete. Homem que herdara dívidas, que vivia
\-)rJens e sugestões de quem, sobre o mar
encapelado da tormenta súbita, dita ordens
amortizando-as como quem carrega água
A República encontrou o advogado Rui
em cesto, que as tinha no conhecimento
Barbosa — advogado e jornalista — em
público, estava assim muito no caso de
brutalmente arrancado :
continuar contraindo-as, como a que se
começo de prosperidade, contando êle mais de metade de sua existência. Residia
registra nesta nota inserta no "caixa" do
à praiá do Flamengo, esquina da hoje
"Agora, um ponto mui importante. A hipoteca sôbre a nossa casa vence-se em novembro. Não sei a quantos. (2). E'
rua Silveira Martins,
endividado :
"1885. Novembro. Neste mês. a 20, venceu-se no Banco do Comércio uma le
tra de 4:000S000 em que figuro como
devedor e Rodolfo como sacador e endossanto. A importância dessa letra, porém, foi tomada exclusivamente para Rodolfo,
onde realizava o
ao comando da nau, de cujo leme se vê
necessário que Carlito tome esses'papéis
ideal de assegurar à família "a abastança,
ao Amaral, e verifique a data, Nela te
a decência, o conchêgo, o gosto das exis tências distintas". . . E é nessa residência que lhe ocorre comprar a crédito a casa
teca. O Marinhas ofereceu-se-me, para ar
de São Clemente, voltando, portanto, a
quantia, Manda falar-Ihe. Se êle não o
mos que pagar os setenta contos da hipo ranjar no Banco Rural Hipotecário essa
experimentar as velhas horas de inquie
fizer, Carlito sabe a que meio deverá re
tação de devedor a prazo. E' quando, no
correr."
que, por conveniência sua, me pediu lhe emprestasse o meu nome, para não apa
governo de Floriano, procura o exílio e
recer o seu, Essa letra foi passada há seis
abandona todos os interesses.
-tória da compra da casa de São Clemente,
Retomemos a coletânea de Américo Jacobina Lacombe (Mocidade e Exílio), e
sobre cuja hipoteca as providências dos
meses, em 20 de maio de 1885, prome
tendo Rodolfo saldá-la integralmente no 1." vencimento. E assim fêz". (1). Que negaria Rui ao amigo dileto ? Ex traiamos de Luís Viana Filho êste outro
período, que recorda fato passado na Bahia em 81, admissivelmente. Rui so
fre terrível campanha difamatória, movi da pelo tio materno, Luís Antônio, e pelo clero faccioso, que o querem derrotado nas urnas ;
"Nada entretanto foi mais explorado pelos adversários de Rui do que ter assi
vamos encontrar Rui, em Buenos Aires, a escrever à esposa a longa carta de 19 de setembro de 93, de bordo, ainda, do MadaJena : Meu Deus, como ficarão todos os meus
negócios ? Quem os despachará no Rio 1
Rui exporá, um dia, no Senado, a hís-
amigos o deixaram disto despreocupado no exílio. O que, então, ainda o irá abor recer, já na última fase de sua permanên cia na Europa, é objeto de carta ao seu maior ami^go das horas difíceis : "Paris, 28 junho, 95. "Meu cato Jacobina.
sei de ninguém. Onde está o Juca ?
Carlito estará contigo } Se está, c preciso que com êle vejas que deixei na caixinha, que levaste no
"Aqui, onde me acho em preparos para a minha volta ao Brasil, que está fixada para o dia 12 de julho vindouro no Ma-
dia 5. Mandei-te a chave dela, *na penca (IJ
V, a nota n. 3. J .
.
.
com as outras, pelo sr. Orrcgo Luco, se
(2) Vencer-se-ia a 24 de outubro, co mo se verá adiante.
DlGESTO ErONÒMiro
98
DiOhSjí I
Eí;on6m ico
99
acàbo de ser surpreendido com
tas, que a recebeu tôda. d). Firmei, co
ria, claru e docuroentaJa, que vou cxpor-
uma carta do Banco do Brasil, convidan-
mo presidente do Banco Impulsor expres
vüs. Nada. graças a Deus, refoge à publi-
do-me a ir entender-me com êle sobre a
fUi^de, na minha vida, c tôda ela poderia <lücumentar-se como uma prestação de
daleT7a,
no Banco de
samente, uma transação creio que no Ban co Crédito Real. Mas a dívida não foi
Crédito Real. "Não lhe posso exprimir o meu espan to diante dessa comunicação, pois como o
contraída por mim e sim peto presidente do Banco Impulsor. Êsse cargo passou, depois, legalmente, da minha pessoa pa
Primo verá da inclusa carta, que lhe peço o favor de entregar, esclarecendo logo o
ra a do Afonso, afinal o Impulsor liquidou-se, e fundiu-se noutras associações,
assunto com a diretoria do Banco do Bra
sempre com observância de todas as foi-
sil, com quem lhe rogo o obséquio de con versar sobre o caso, vunca, absolutamente
malidades legais. Carlito podé-lo-á infor mar, miüdamente, de tudo isto.
liquidação do meu débito
numa, devi um vintém ao Banco do Cré dito Real, com o qual jamais entrei em
transação de natureza alguma.
"A que vem, pois, agora, ê.ste destampatório do Banco do Brasil ?
"Estou aqui há seis dias,
c regresso
amanhã para Londres."
comas.
'Aqui rendes, nestas certidões autênti cas, nestas escrituras públicas,
a história
dessa aquisição. A casa, onde moro, foi
ferença, importante na mesma quantia, entre o preço de 130:000$. pelo qual com pram, nesta data e nas notas dêste mes
mo notário, a John Roscoe Allen e sua
mulher o prédio n, 104, à ma S. Cle mente, e a soma de 70:000$, pela qual esse prédio se acha hipotecado, em notas
dêste cartório, à Companhia Mercantil Hi
comprada por mim a John Roscoe Allen c- sua senhora, cm 23 de maio de 1893, por instrumento celebrado em notas do tabe
potecária, fazem do dito prédio ap outor.gado segunda híporeca pelo referido va
lião Evaristo. Êi-Io. {Mostrando). Do preço de cento e trinta contos de réis, que me custou, só tive que entrar com'
"De modo que" — prossegue discur sando Rui — "só por um duplo concur
sessenta; porquanto os .setenta remanes
so de crédito e não desembolsando
centes • representam uma hipoteca de que
lor de 60:000$."
na
cio. ou, se por acaso existe algum título,
assumi a responsabilidade. Diz o notá-
ocasião ura real, é que logrei efetuar a transação, em cujo resultado agora se
é, sob juramento o declaro, falso e crimi noso. Só me faltavam aborrecimentos desta ordem, para coroar a minha infeli
rio : (Lê)
quer ver o monumento da minha riqueza.
Deve haver qui-pro-quo neste negó
cidade.
E' de notar-se que quando Rui se viu obrigado a procurar o exílio, já era o ho
A venda é feita pelo preço de cento e trinta contos de reis; deste preço recebem eles oucorgantes sessenta contos de réis em
Sem cartas suas há meses, aguardo,
mem que, a fim de rebater a calúnia, pa
para me desforrar, o nosso próximo en contro. Saudades de todos à Prima e a
ra êle sempre de olhos acesos, escreveu a
moeda corrente, contada e certa perante mim c as testemunhas, o que porto por
O Pais a carta de 5 de julho de 92, em
'C-; e os restantes setenta contos de réis
todos os seus.
que por última afirmativa disse:
Sempre do C. Rui.
^ "Devo acrescentar: nunca me meti em jogo de bolsa, negócios de praça, ou com pra e venda de títulos etc.
"Depois de concluída esta carta, volto
aos trabalhos da minha profissão de advo
gado, cujo exercício, há mais de dez anos. nesta cidade, faz a minha independência,
mo sou meticuloso em questões de com
em que o meu nome figurou, mas cuja importância se destinava ao Rodolfo Dan-
escritura de hipoteca, em cujas obri ,.
vidade inexplicável. O Primo sabe co
gum, a não ser o de 10 contos (10 con tos), há anos, no B. do Brasil, débito
"utubro do corrente ano, conforme a pre-
habilitando-me a dar à minha família a
ed.. Rio, p. 54).
Desde que resido no Rio de Janeiro nun ca contraí o menor débito em banco al
u praça o imóvel, destituindo-me de sua propriedade.
decência e o conforto, sem dever a quem quer que seja." (Esfola da Cahínia. 2.^
pondo-se com êsse intuito o valimento de
uxn comerciante respeitável, para que a hipoteca, vencida e não paga, não levasse
"«potecária, como credora, no dia 24 de
gações ficam sendo os outorgados delega dos e sucessores dêles outorgantes."
ao assunto; porque de momento em mo mento cresce o meu espanto com essa no
promissos pecuniários. Nunca^ nem nos meus tempos de maiores dificuldades, ti ve uma dívida não paga no vencimento
^rao entregues à Companhia Mercantil e
"Que continuo entregue assiduamente
"Nem ao menos com o andar do tem
po reuni os meios de resgatar pontualmen te as hipotecas. Foi mister contar com a benevolência de um dos credores, inter-
saído, porém, da minha algi-
®'ra os 00:0005 pagos no ato da com-
Pm.-- Não. Foram tomados por emprés
"Aqui tendes {mostrando), cm com provação dêsse fato, o depoimento da pes soa, que nêle foi autor principal;
"limo. Sr. Conselheiro Rui Barbosa. — Fui eu que a V. Ex. informei da
timo. no mesmo dia, ao falecido Afonso
venda da casa à rua de S. Clemente n.
pra da casa de São Clemente, conforme se
^ís Pereira da Silva, a quem, por esta
vê do célebre discurso de 13 de outubro de 96, no Senado :
quantia, nessa data, dei em garantia o
o ter sabido de meu cunhado Amoroso
"Mas a casa ? A casa tem a sua histó-
ípotecado aos dois credores pela totalida-
Apreciemos, agora, a história da com
(3) Tal afirmação deixa de harmonlzar-se com a nota de "caixa" de novem
bro de 1885, a que atrás aludimos. Êste empréstimo de 10 contos, no Banco do Brasil, seria mais um contraído por Rui para servir a Rodolfo, ou a memória do primeiro, claudicou em muito na mesma
afirmação. seja quanto à cifra, quanto ao Banco. .
leja
ptédio adquirido, que de tal sorte ficou
do seu valor. A escritura, de que aqui vos ofereço também certidão {mostran' > lavrada em notas do mesmo ofício,
Lima; fui eu que tratei da compra da biesma casa, e a ajustei com o sr. Allen, e ainda fui eu que, não só procurei con seguir o adiamento para a celebrado da escritura, por ainda se não ter podido ar-
Disseram os outorgantes Rui Barbosa
tanjar o dinheiro, como ainda, junto ao credor hipotecário, insisti pelo adiamenro do prazo para pagamento da hipoteca.
^ sua mulher que, contraindo com o oumrgado Afonso L. Pereira da Silva lun
" testemunho dos cavalheiros a que me
^'^Ptime-se assim: {Lê)
empréstimo de 60:000$, para pagar a di UkW4»*"_.
104, então propriedade do sr. Allén, por
.;.i.
■■-'XI-
Sendo necessário, poderei apelar para refiro.
DlGESTO ErONÒMiro
98
DiOhSjí I
Eí;on6m ico
99
acàbo de ser surpreendido com
tas, que a recebeu tôda. d). Firmei, co
ria, claru e docuroentaJa, que vou cxpor-
uma carta do Banco do Brasil, convidan-
mo presidente do Banco Impulsor expres
vüs. Nada. graças a Deus, refoge à publi-
do-me a ir entender-me com êle sobre a
fUi^de, na minha vida, c tôda ela poderia <lücumentar-se como uma prestação de
daleT7a,
no Banco de
samente, uma transação creio que no Ban co Crédito Real. Mas a dívida não foi
Crédito Real. "Não lhe posso exprimir o meu espan to diante dessa comunicação, pois como o
contraída por mim e sim peto presidente do Banco Impulsor. Êsse cargo passou, depois, legalmente, da minha pessoa pa
Primo verá da inclusa carta, que lhe peço o favor de entregar, esclarecendo logo o
ra a do Afonso, afinal o Impulsor liquidou-se, e fundiu-se noutras associações,
assunto com a diretoria do Banco do Bra
sempre com observância de todas as foi-
sil, com quem lhe rogo o obséquio de con versar sobre o caso, vunca, absolutamente
malidades legais. Carlito podé-lo-á infor mar, miüdamente, de tudo isto.
liquidação do meu débito
numa, devi um vintém ao Banco do Cré dito Real, com o qual jamais entrei em
transação de natureza alguma.
"A que vem, pois, agora, ê.ste destampatório do Banco do Brasil ?
"Estou aqui há seis dias,
c regresso
amanhã para Londres."
comas.
'Aqui rendes, nestas certidões autênti cas, nestas escrituras públicas,
a história
dessa aquisição. A casa, onde moro, foi
ferença, importante na mesma quantia, entre o preço de 130:000$. pelo qual com pram, nesta data e nas notas dêste mes
mo notário, a John Roscoe Allen e sua
mulher o prédio n, 104, à ma S. Cle mente, e a soma de 70:000$, pela qual esse prédio se acha hipotecado, em notas
dêste cartório, à Companhia Mercantil Hi
comprada por mim a John Roscoe Allen c- sua senhora, cm 23 de maio de 1893, por instrumento celebrado em notas do tabe
potecária, fazem do dito prédio ap outor.gado segunda híporeca pelo referido va
lião Evaristo. Êi-Io. {Mostrando). Do preço de cento e trinta contos de réis, que me custou, só tive que entrar com'
"De modo que" — prossegue discur sando Rui — "só por um duplo concur
sessenta; porquanto os .setenta remanes
so de crédito e não desembolsando
centes • representam uma hipoteca de que
lor de 60:000$."
na
cio. ou, se por acaso existe algum título,
assumi a responsabilidade. Diz o notá-
ocasião ura real, é que logrei efetuar a transação, em cujo resultado agora se
é, sob juramento o declaro, falso e crimi noso. Só me faltavam aborrecimentos desta ordem, para coroar a minha infeli
rio : (Lê)
quer ver o monumento da minha riqueza.
Deve haver qui-pro-quo neste negó
cidade.
E' de notar-se que quando Rui se viu obrigado a procurar o exílio, já era o ho
A venda é feita pelo preço de cento e trinta contos de reis; deste preço recebem eles oucorgantes sessenta contos de réis em
Sem cartas suas há meses, aguardo,
mem que, a fim de rebater a calúnia, pa
para me desforrar, o nosso próximo en contro. Saudades de todos à Prima e a
ra êle sempre de olhos acesos, escreveu a
moeda corrente, contada e certa perante mim c as testemunhas, o que porto por
O Pais a carta de 5 de julho de 92, em
'C-; e os restantes setenta contos de réis
todos os seus.
que por última afirmativa disse:
Sempre do C. Rui.
^ "Devo acrescentar: nunca me meti em jogo de bolsa, negócios de praça, ou com pra e venda de títulos etc.
"Depois de concluída esta carta, volto
aos trabalhos da minha profissão de advo
gado, cujo exercício, há mais de dez anos. nesta cidade, faz a minha independência,
mo sou meticuloso em questões de com
em que o meu nome figurou, mas cuja importância se destinava ao Rodolfo Dan-
escritura de hipoteca, em cujas obri ,.
vidade inexplicável. O Primo sabe co
gum, a não ser o de 10 contos (10 con tos), há anos, no B. do Brasil, débito
"utubro do corrente ano, conforme a pre-
habilitando-me a dar à minha família a
ed.. Rio, p. 54).
Desde que resido no Rio de Janeiro nun ca contraí o menor débito em banco al
u praça o imóvel, destituindo-me de sua propriedade.
decência e o conforto, sem dever a quem quer que seja." (Esfola da Cahínia. 2.^
pondo-se com êsse intuito o valimento de
uxn comerciante respeitável, para que a hipoteca, vencida e não paga, não levasse
"«potecária, como credora, no dia 24 de
gações ficam sendo os outorgados delega dos e sucessores dêles outorgantes."
ao assunto; porque de momento em mo mento cresce o meu espanto com essa no
promissos pecuniários. Nunca^ nem nos meus tempos de maiores dificuldades, ti ve uma dívida não paga no vencimento
^rao entregues à Companhia Mercantil e
"Que continuo entregue assiduamente
"Nem ao menos com o andar do tem
po reuni os meios de resgatar pontualmen te as hipotecas. Foi mister contar com a benevolência de um dos credores, inter-
saído, porém, da minha algi-
®'ra os 00:0005 pagos no ato da com-
Pm.-- Não. Foram tomados por emprés
"Aqui tendes {mostrando), cm com provação dêsse fato, o depoimento da pes soa, que nêle foi autor principal;
"limo. Sr. Conselheiro Rui Barbosa. — Fui eu que a V. Ex. informei da
timo. no mesmo dia, ao falecido Afonso
venda da casa à rua de S. Clemente n.
pra da casa de São Clemente, conforme se
^ís Pereira da Silva, a quem, por esta
vê do célebre discurso de 13 de outubro de 96, no Senado :
quantia, nessa data, dei em garantia o
o ter sabido de meu cunhado Amoroso
"Mas a casa ? A casa tem a sua histó-
ípotecado aos dois credores pela totalida-
Apreciemos, agora, a história da com
(3) Tal afirmação deixa de harmonlzar-se com a nota de "caixa" de novem
bro de 1885, a que atrás aludimos. Êste empréstimo de 10 contos, no Banco do Brasil, seria mais um contraído por Rui para servir a Rodolfo, ou a memória do primeiro, claudicou em muito na mesma
afirmação. seja quanto à cifra, quanto ao Banco. .
leja
ptédio adquirido, que de tal sorte ficou
do seu valor. A escritura, de que aqui vos ofereço também certidão {mostran' > lavrada em notas do mesmo ofício,
Lima; fui eu que tratei da compra da biesma casa, e a ajustei com o sr. Allen, e ainda fui eu que, não só procurei con seguir o adiamento para a celebrado da escritura, por ainda se não ter podido ar-
Disseram os outorgantes Rui Barbosa
tanjar o dinheiro, como ainda, junto ao credor hipotecário, insisti pelo adiamenro do prazo para pagamento da hipoteca.
^ sua mulher que, contraindo com o oumrgado Afonso L. Pereira da Silva lun
" testemunho dos cavalheiros a que me
^'^Ptime-se assim: {Lê)
empréstimo de 60:000$, para pagar a di UkW4»*"_.
104, então propriedade do sr. Allén, por
.;.i.
■■-'XI-
Sendo necessário, poderei apelar para refiro.
?■
DIC. KSTO
lon
r.< ONÓ M U o
"Tudo isto, no tempo da revolta, tive
Dcpufado.s; e êsse favor ile alta gentilez.i
ocasião de dizer em Itamarati, ao meu hon~
General Cunha
ainda está por saldar. ^ Assim, ao tornar Rui ao Brasil, em
quando éste me pediu para lhe
julho de 1896. vinha, já aos -1" anos de
rado e lembrado amigo
Júnior,
contar o ocorrido, a fim de conter a ca
T-
Policultura e expansão industrial Bn/.HRRA nií FruitaS
itladc, recomeçar a vida. diante de com
luniadores, que do fato de ter V. Excía.
promissos por certo que maiores do que
sua "História da Civilização Brasi
adquirido a referida casa se queriam ser vir para atacar a pessoa de V. Ex. "Tenho muitíssima honra em subscre
aqueles que levara de 10 a 12 anos a res gatar. ■ Dispunha. entretanto, da fama de advogado, a qual, sempre comprovada,
leira". que é uma nova e clara sín
ver-me de V. Ex. etc.
lhe era o filão de ouro com que nunca
Antônio Martins Marinhas. ■■Rio, 7-10-1896."
tese da nossa história so(^al, económic-a,
riscos do embarque. nem as surpresas do câmbio. À falta de bancos, reguladores da circulação, e donde melhor empregar
No seu referido
administrativa e política, mostra-nos o professor Pedro Caímon. apoiado cm só lida documentação, que à América do Sul
o capital ganho, invertia-o o lavrador em escravos, e pelo número destes (300 a 400 para os engenhos. 80 a 100 para as
"Desde que os meus trabalhos me de
chegaram, retardados de muitos anos, os grandes melhoramenttis técnicos que o sé
tuna.
u universal industrialização, que por tôda
mais precisaria dever. discurso éle diz:
estimava a sua for
Mas essa rotina desafiava a ampla,
ram nome, a sua renda sempre me sobrou
culo XIX trouxera à vida moderna.
para as exigências da minha vida. Muito
peramos trinta anos pela locomotiva —
parte substituía o honíem pela máquina,
O exílio consumiu-lhe todas as econo mias, sacadas parceladamente, como se de preende de sua correspondência com o amigo que nunca deixou de ampará-lo.
antes da República, advoguei aqui em li tígios que tiveram estrondo, e onde os meus serviços não podiam deixar de ser largamente retribuúlos. E, por isso,.nunca
esclarece o fecundo escritor e historiador baiano — quarenta pelas fábricas de fia
aquisitiva dos povos entre si."
de outubro de 1896, Rui faz a afirmação
ta praça encontrei sempre crédito para tu do; * porque nunca houve devedor mais pronto, contas mais em tegra, compromis sos mais em dia."
térias-primas, o
dos engenhos centrais, operando uma re
de que, para voltar ao Brasil, necessitou:
um debito de dez mil francos. A letra aqui esd. (Mostrando.) Foi contraída em Paris. em . julho, e resgatada aqui em setembro de 1893, como demonstra o re cibo M«. para honrar no vencimento
fui obrigado a aceitar a oferta de um ami go, colega do meu agressor na Câmara dos
Através
dos dados e documentos constantes do mesmo livro, verificamos de que forma
genhos de açúcar por usinas de pesada
tive dividas atrasadas. No comércio des
. . . "contrair com a casa Raul de Car
ção, ainda mais pela navegação de vapor,
restringindo gradualmente a capacidade
pela iluminação de gás, por um regimem bancário, pelas companhias de coloniza ção, pela maquinaria agrícola, pela in dústria, que em 1800 transformara a In glaterra e em 1820 a Europa. País de ma
Tanto assim que, no citado discurso de 13
valho & Comp.. meus clientes na Europa
"Es
fazendas sertanejas)
Confessou, porém, uma dívida irrcsga-
Brasil contentara-se em
exportar, em bruto, o seu algodão, o seu
se. processou a substituição dos velhos en
maquinaria como as de Cuba.
A Iei de
6 de novembro de 1875 inaugura a fase
volução na economia tradicional, substi
tável, dizendo ;
açúcar, as suas peles, o seu fumo, o seu
tuída pelas novas formas de trabalho nos
"Meu pai me deu o caráter; minha mãe me deu o coração, e minha mulher a ânco
café —. e importar as manufaturas ingle
seus redutos mais defesos.
sas,
País, a invasão da máquina é acompa
ra do meu coração e do meu caráter.
O
que a ela devo é tanto que toda a minha
francesas
e
norte-americanas.
Em
1808, propusera debalde o negociante da Bahia Francisco Inácio de Siqueira Nobre,
vida a ela imolada seria apenas uma exí
instalar uma fábrica dc fiação, com ope
gua parte da minha dívida.
rários que contrataria na Inglaterra. A In
Por todo o
nhada da invasão do estrangeiro.
E a
valorização dos nossos produtos tropicais, graças ao desenvolvimento das indústrias européias e ao fechamento dos mercados
pólio do nosso comércio, graças ao trata
do sul dos Estados Unidos (como no pe ríodo de 1776-1783, quando a Inglaterra
do de 1810; mas, comi a exportação pro
se viu igualmente privada da matéria-
gressiva do algodão para suas fábricas, a situação não foi particularmente danosa ao Brasil, e sim a Portugal e aos concor rentes industriais dos ingleses. Isto até
estendia-a, animava o comércio e fazia surgir vilas e cidades no conquistado de
glaterra tinha de começo o virtual mono
1823.
O equilíbrio era satisfatório en
prima americana), encorajava a lavoura, serto. Até 1850, o Brasil recebera uns 19 mil imigrantes. Entre 1855 e 1862,
tão, porque ao interesse do consumidor se
a média da entrada deles fôra de 15 mil
juntava o do vendedor, acorriam às nossas
por ano. Os algarismos facilitam as con clusões, mesmo aos mais desatentos, por que indicam o uso do método compara
praças os negociantes ingleses, que pre
feriam ter aqui o seu escritório de corre tagem, e os produtores achavam pronto consumo para a sua mercadoria, sem os
tivo.
Observou-se, com acerto, que o desen-
?■
DIC. KSTO
lon
r.< ONÓ M U o
"Tudo isto, no tempo da revolta, tive
Dcpufado.s; e êsse favor ile alta gentilez.i
ocasião de dizer em Itamarati, ao meu hon~
General Cunha
ainda está por saldar. ^ Assim, ao tornar Rui ao Brasil, em
quando éste me pediu para lhe
julho de 1896. vinha, já aos -1" anos de
rado e lembrado amigo
Júnior,
contar o ocorrido, a fim de conter a ca
T-
Policultura e expansão industrial Bn/.HRRA nií FruitaS
itladc, recomeçar a vida. diante de com
luniadores, que do fato de ter V. Excía.
promissos por certo que maiores do que
sua "História da Civilização Brasi
adquirido a referida casa se queriam ser vir para atacar a pessoa de V. Ex. "Tenho muitíssima honra em subscre
aqueles que levara de 10 a 12 anos a res gatar. ■ Dispunha. entretanto, da fama de advogado, a qual, sempre comprovada,
leira". que é uma nova e clara sín
ver-me de V. Ex. etc.
lhe era o filão de ouro com que nunca
Antônio Martins Marinhas. ■■Rio, 7-10-1896."
tese da nossa história so(^al, económic-a,
riscos do embarque. nem as surpresas do câmbio. À falta de bancos, reguladores da circulação, e donde melhor empregar
No seu referido
administrativa e política, mostra-nos o professor Pedro Caímon. apoiado cm só lida documentação, que à América do Sul
o capital ganho, invertia-o o lavrador em escravos, e pelo número destes (300 a 400 para os engenhos. 80 a 100 para as
"Desde que os meus trabalhos me de
chegaram, retardados de muitos anos, os grandes melhoramenttis técnicos que o sé
tuna.
u universal industrialização, que por tôda
mais precisaria dever. discurso éle diz:
estimava a sua for
Mas essa rotina desafiava a ampla,
ram nome, a sua renda sempre me sobrou
culo XIX trouxera à vida moderna.
para as exigências da minha vida. Muito
peramos trinta anos pela locomotiva —
parte substituía o honíem pela máquina,
O exílio consumiu-lhe todas as econo mias, sacadas parceladamente, como se de preende de sua correspondência com o amigo que nunca deixou de ampará-lo.
antes da República, advoguei aqui em li tígios que tiveram estrondo, e onde os meus serviços não podiam deixar de ser largamente retribuúlos. E, por isso,.nunca
esclarece o fecundo escritor e historiador baiano — quarenta pelas fábricas de fia
aquisitiva dos povos entre si."
de outubro de 1896, Rui faz a afirmação
ta praça encontrei sempre crédito para tu do; * porque nunca houve devedor mais pronto, contas mais em tegra, compromis sos mais em dia."
térias-primas, o
dos engenhos centrais, operando uma re
de que, para voltar ao Brasil, necessitou:
um debito de dez mil francos. A letra aqui esd. (Mostrando.) Foi contraída em Paris. em . julho, e resgatada aqui em setembro de 1893, como demonstra o re cibo M«. para honrar no vencimento
fui obrigado a aceitar a oferta de um ami go, colega do meu agressor na Câmara dos
Através
dos dados e documentos constantes do mesmo livro, verificamos de que forma
genhos de açúcar por usinas de pesada
tive dividas atrasadas. No comércio des
. . . "contrair com a casa Raul de Car
ção, ainda mais pela navegação de vapor,
restringindo gradualmente a capacidade
pela iluminação de gás, por um regimem bancário, pelas companhias de coloniza ção, pela maquinaria agrícola, pela in dústria, que em 1800 transformara a In glaterra e em 1820 a Europa. País de ma
Tanto assim que, no citado discurso de 13
valho & Comp.. meus clientes na Europa
"Es
fazendas sertanejas)
Confessou, porém, uma dívida irrcsga-
Brasil contentara-se em
exportar, em bruto, o seu algodão, o seu
se. processou a substituição dos velhos en
maquinaria como as de Cuba.
A Iei de
6 de novembro de 1875 inaugura a fase
volução na economia tradicional, substi
tável, dizendo ;
açúcar, as suas peles, o seu fumo, o seu
tuída pelas novas formas de trabalho nos
"Meu pai me deu o caráter; minha mãe me deu o coração, e minha mulher a ânco
café —. e importar as manufaturas ingle
seus redutos mais defesos.
sas,
País, a invasão da máquina é acompa
ra do meu coração e do meu caráter.
O
que a ela devo é tanto que toda a minha
francesas
e
norte-americanas.
Em
1808, propusera debalde o negociante da Bahia Francisco Inácio de Siqueira Nobre,
vida a ela imolada seria apenas uma exí
instalar uma fábrica dc fiação, com ope
gua parte da minha dívida.
rários que contrataria na Inglaterra. A In
Por todo o
nhada da invasão do estrangeiro.
E a
valorização dos nossos produtos tropicais, graças ao desenvolvimento das indústrias européias e ao fechamento dos mercados
pólio do nosso comércio, graças ao trata
do sul dos Estados Unidos (como no pe ríodo de 1776-1783, quando a Inglaterra
do de 1810; mas, comi a exportação pro
se viu igualmente privada da matéria-
gressiva do algodão para suas fábricas, a situação não foi particularmente danosa ao Brasil, e sim a Portugal e aos concor rentes industriais dos ingleses. Isto até
estendia-a, animava o comércio e fazia surgir vilas e cidades no conquistado de
glaterra tinha de começo o virtual mono
1823.
O equilíbrio era satisfatório en
prima americana), encorajava a lavoura, serto. Até 1850, o Brasil recebera uns 19 mil imigrantes. Entre 1855 e 1862,
tão, porque ao interesse do consumidor se
a média da entrada deles fôra de 15 mil
juntava o do vendedor, acorriam às nossas
por ano. Os algarismos facilitam as con clusões, mesmo aos mais desatentos, por que indicam o uso do método compara
praças os negociantes ingleses, que pre
feriam ter aqui o seu escritório de corre tagem, e os produtores achavam pronto consumo para a sua mercadoria, sem os
tivo.
Observou-se, com acerto, que o desen-
102
volvimento econômico do Bcasíl se operou historicamente pela superposição de ciclos
agrícolas e de mineração. Êsses ciclos, que se situaram em áreas diversas do País,
não se substituíram cronologicamente. O
elemento histórico e as investigações dos especialistas permitem assinalar que, na realidade,,a industrialização determinou o crescimento dos núcleos urbanos e a in fluência destes sobre a estrutura agrícola. Acrescente-se que as transformações subscancjais que se observam presentemente na agr^ultura -"decorrem do processo de industrialização".
Qiiando estudamos o desenvolvimento
economtco do Btasll e vetificatnos a dl-
vetstdade de métodos sociais que concor cia coletiva, logo compreendemos a im portância daquele processo. Os períodos de crise nos mercados estrangeiro^ têm-se refletido em nossos mercaL reram para a formação da sua consciên
internos, constituindo causa prin
cipal dêsses reflexos as vacilaçoes da nossa política econômi
ca e financeira em relação àque
DlGUSlO
H<.()NOMH<j
gadu e a elaborar dentro do País grande quantidade de alimentos. De 2" % em
1907, as indústrias de alimentação passa
ram a constituir -10 9^ da produção in dustrial do País era 1920. Concorreu para essa expansão a instalação dos frigorífi cos destinados a subministrar carne aos
mercados europeus durante a guerra.
O
crescimento dêsse núcleo industrial pode ser apreendido nos diversos censos indus triais realizados no País. Assim, antes de 1900 foram fundadas no Brasil 626 entre 1915 e 1920, 5.940.
Em 1939,
o total do capital aplicado no
frentar o msh das fôrças econô
tísticos revelaram as novas di
micas desta hora misteriosa do
retrizes
mundo.
que se afastaram, era alguns pontos, da política econômica de
meifo lugar na indústria brasi leira. A impossibilidade de im portar alimentos, nessa fase, obrigou a diversificar a agricul tura, a intensificar a criação de
econômicas
nacionais,
algumas nações latino-america
nas.
Certo, o Brasil já não é
um país essencialmente agrícola, mas, também, industrial. A mo nocultura é o passado. Sociólo gos e economistas têm eviden
ciado que a situação começa a se transfigurar, passando-se do ciclo do café para um ciclo novo, uma política difícil de ca racterizar, pois que estamos vi vendo uma época de transido, ou ao menos sempre parece de
nossos imensos recursos e a nossa larga experiência. Sabemos que, até hoje, ne nhum pais conseguiu manter um elevado índice económico-industrial sem a siste matizando integral dos seus valores e dos
mento era 1948, que continua em 1949. Já a indústria pesada passa do índice 75,7 em 1945 para o índice 153,4 em 1949, apresentando um aumento constante de ano para ano em
mais de 18 bilhões de cruzeiros.
um plano delineado, em harmonia com os
seus objetivos.
Mas a produção têxtil revela um declí
Os últimos levantamentos esta
mo, em particular na esfera da industriali
zação. que, entre nós, jamais obedeceu
plo eloqüente para os países da América
nio até o ano de 1947 c um novo ergui-
todo o qüinqüênio.
Crises sucessivas têm provocado atitudes
de desânimo, de renúncia e de pessimis
Latina, o que, entretanto, não se verifica.
tem ocupado maior número de operários.
Brasil em todas as indústrias
de 1914-1918 que o ramo ali
tuir nesses domínios um padrão, um exem
A indústria
aqui existentes era de pouco
mentício passou a ocupar o pri-
policulrura e de sonhos industriais. Por que, na verdade, considera-se o ano de 1929 como ponto de saturação, o término de uma fase evolutiva da economia bra sileira. Logicamente, deveríamos consti
têxtil, primeiro grupo a desenvolver-se,
vencemos da necessidade da mo bilização de diversos órgãos da administração pública para en
foi somente durante a guerra
transição h quem vive a época e não a vê retrospectivamente, mas como sendo de
empresas; entre 1900 e 1914, 6.946; e,
Jes centros. Ainda não nos con
Para documentar os nossos conceitos, valemo-nos de alguns dados estatísticos extraídos de publicações e estudos autoriza dos. Assim, podemos verificar
DIG ESTO ECONÓNÍICO
f tttti
102
volvimento econômico do Bcasíl se operou historicamente pela superposição de ciclos
agrícolas e de mineração. Êsses ciclos, que se situaram em áreas diversas do País,
não se substituíram cronologicamente. O
elemento histórico e as investigações dos especialistas permitem assinalar que, na realidade,,a industrialização determinou o crescimento dos núcleos urbanos e a in fluência destes sobre a estrutura agrícola. Acrescente-se que as transformações subscancjais que se observam presentemente na agr^ultura -"decorrem do processo de industrialização".
Qiiando estudamos o desenvolvimento
economtco do Btasll e vetificatnos a dl-
vetstdade de métodos sociais que concor cia coletiva, logo compreendemos a im portância daquele processo. Os períodos de crise nos mercados estrangeiro^ têm-se refletido em nossos mercaL reram para a formação da sua consciên
internos, constituindo causa prin
cipal dêsses reflexos as vacilaçoes da nossa política econômi
ca e financeira em relação àque
DlGUSlO
H<.()NOMH<j
gadu e a elaborar dentro do País grande quantidade de alimentos. De 2" % em
1907, as indústrias de alimentação passa
ram a constituir -10 9^ da produção in dustrial do País era 1920. Concorreu para essa expansão a instalação dos frigorífi cos destinados a subministrar carne aos
mercados europeus durante a guerra.
O
crescimento dêsse núcleo industrial pode ser apreendido nos diversos censos indus triais realizados no País. Assim, antes de 1900 foram fundadas no Brasil 626 entre 1915 e 1920, 5.940.
Em 1939,
o total do capital aplicado no
frentar o msh das fôrças econô
tísticos revelaram as novas di
micas desta hora misteriosa do
retrizes
mundo.
que se afastaram, era alguns pontos, da política econômica de
meifo lugar na indústria brasi leira. A impossibilidade de im portar alimentos, nessa fase, obrigou a diversificar a agricul tura, a intensificar a criação de
econômicas
nacionais,
algumas nações latino-america
nas.
Certo, o Brasil já não é
um país essencialmente agrícola, mas, também, industrial. A mo nocultura é o passado. Sociólo gos e economistas têm eviden
ciado que a situação começa a se transfigurar, passando-se do ciclo do café para um ciclo novo, uma política difícil de ca racterizar, pois que estamos vi vendo uma época de transido, ou ao menos sempre parece de
nossos imensos recursos e a nossa larga experiência. Sabemos que, até hoje, ne nhum pais conseguiu manter um elevado índice económico-industrial sem a siste matizando integral dos seus valores e dos
mento era 1948, que continua em 1949. Já a indústria pesada passa do índice 75,7 em 1945 para o índice 153,4 em 1949, apresentando um aumento constante de ano para ano em
mais de 18 bilhões de cruzeiros.
um plano delineado, em harmonia com os
seus objetivos.
Mas a produção têxtil revela um declí
Os últimos levantamentos esta
mo, em particular na esfera da industriali
zação. que, entre nós, jamais obedeceu
plo eloqüente para os países da América
nio até o ano de 1947 c um novo ergui-
todo o qüinqüênio.
Crises sucessivas têm provocado atitudes
de desânimo, de renúncia e de pessimis
Latina, o que, entretanto, não se verifica.
tem ocupado maior número de operários.
Brasil em todas as indústrias
de 1914-1918 que o ramo ali
tuir nesses domínios um padrão, um exem
A indústria
aqui existentes era de pouco
mentício passou a ocupar o pri-
policulrura e de sonhos industriais. Por que, na verdade, considera-se o ano de 1929 como ponto de saturação, o término de uma fase evolutiva da economia bra sileira. Logicamente, deveríamos consti
têxtil, primeiro grupo a desenvolver-se,
vencemos da necessidade da mo bilização de diversos órgãos da administração pública para en
foi somente durante a guerra
transição h quem vive a época e não a vê retrospectivamente, mas como sendo de
empresas; entre 1900 e 1914, 6.946; e,
Jes centros. Ainda não nos con
Para documentar os nossos conceitos, valemo-nos de alguns dados estatísticos extraídos de publicações e estudos autoriza dos. Assim, podemos verificar
DIG ESTO ECONÓNÍICO
f tttti
m«\ DigjsSto
Velhos planos
Econômico
para se converter em
— e tal lei re
guiaria as concessões
por diante ex-
l>edidas. As
Nelson Werneck Sourú
aspecto cconomicü. Mas não era assim: o
traçado conveniente a que se referia o diretor de Obras Públicas era um tra
características
do
Plano
Bicalho
çado político.
O fim visado estava, pre
cisamente, em unir, em estabelecer conta
eram, sumariamente^ as seguintes;
OeduzidOS pelos quadros de conjunto
quer pelos que planejaram depois, em par
—• sistema misto de comunicações;
^ que. pela sua vastidão, pelas suas ani-
tos, em proporcionar às ilhas em que se repartia aquele gigantesco corpo do Brasil,
ticular aqueles que, em 1934. levantaram
—• grande profundidade na penetração
plas proporções, conferindo com a grande
como ainda hoje, os meios indispensáveis
o primeiro grande plano oficial Je viação. quer cm livros, trabalhos técnicos, con
das vias; —' busca das interligações,
do progresso das capitais a todos os pontos
za geográfica, pareciam acordes corp- a rea- .
lidade — quando começamos a planejar sistemas para a viaí^o brasileira, tendendo, de um lado, a conferir uma idéia de con junto àquilo que se vinha fazendo sob a característica da dispersão, e de outro a tornar um sistema aquilo que se condicio nara a uma variação considerável de fa
tores — esquecemos, em todos os rempos e.nao hoje apenas, as considerações fun damentais e preliminares a que se devem subordinar todos os planejamentos que
pretendem ter, além de uma vida teórica
gressos de especialistas, congressos admi nistrativos e políticos, quer em trabalhos
Bicalho justificou o aspectC político do seu plano, a idéia capital que vem presi dindo a "todos os sistemas e planos, a de
de divulgação, em revistas especializadas
afirmando a necessidade de "facilitar as
tância ninguém poderia desmerecer, o
ainda porque não os analisaremos pelo prisma com que foram apreciados ante
comunicações internas entre todas as pro
Plano Bicalho impunha a construção de
víncias do Império".
Para êsse fim, era
ferrovias, por exemplo, enrre a barra do
riormente, mas sob outros ângulos —
sua intenção, ao elaborar o plano, ressaltar
Rio Grande, no rio São Francisco, e ura
aqueles mesmos ângulos sob os quais ve remos os planos modernos, isto é, aqueles
qiie o "primeiro meio que mais natural mente se apresenta para vencer as grandes distâncias *que quase isol.ani as diversa.s províncias do Impé
e Sobrado, no rio Xingu, donde a navega
que, principalmente fundados no de 1934, acumularam o material teórico a que deve
desde a grande fase de ascensão cafeeira que produzira os primeiros saldos numa balança de comércio externo habitualmennu'"- naquele mesmo ano- Bi1874; Rebouças, calho, em 1881; Bulhões, cm 1882- di versos, em 1890; J. Luiz Batista, em 1926Frontin, em 1928; Sousa Bandeira em 1932; o Ministério da Viação, em 1934 e era 1948 — elaboraram planos de con junto. De todos êsses, os mais conheci dos e discutidos foram, sem dúvida, o de Bicalho, o de Bulhões e o do Ministério da Viação, de 1934, cujas sucessivas alte rações, inclusive aquelas mais recentes o tornaram, realmente, um conjunto apreciá vel de tendência, encerrando, de idéias e programas parte, ideias
cuja
outra
importân-
cia é inútil encarecer.
A análise de tais pianos já foi feita,
queza, da periferia para o centro — um
ideal grandioso, sem dúvida.
fornecer uma estrutura à unidade histórica,
de prazo razoável.
A ide.a de planeiar, muiro antiga, man-
do País" correspondia a impulsionar a ri
ou leigas, conferências, em meios técnicos ou não, e tôda sorte de meios de debate, Isso não nos proíbe de rever tais planos,
uma execução prática imediata ou dentro
teve-se, com manifestações esporádicas
à mútua compreensão. "Levar o impulso
dentro da grandeza geográfica do País,
recorrer tôda entidade oficial e todo es
rio é utilizar a nave
tudioso do assunto.
gabilidade natural e aperfeiçoada dos rios mencionados e ligálos por meio de es
Formado na Europa, na tradicional Es cola de Pontes e Calçadas, francesa, Honórlo Bicalho foi um distinto engenheiro que se especializou, particularmente, em engenharia hidráulica. Seu trabalho sobre os melhoramentos da barra do Rio Gran de, os estudos sobre a Central do Brasil
primeiras
gerais mistas de via
numa época em que já se discutia caloro
ção a vapor, que atuem como grandes artérias para levar o
samente o problema das bitolas, trouxe ram-lhe um renome profissional a que as
na; de Guaíra, na
do
Ora,
so do progresso das capitais a
l
simples
de construção ferro viária daquela época
nistério da Agricultura dariam o com
...4
à
derando as condições
movimento da vida intelectual e o impul-
borou, em 1881, um plano nacional de viação que ficou conhecido pelo seu nome. O piano seria apresentado ao Congresso,
mato-
vista, mesmo consi
atividades na Diretoria de Obras do Mi
plemento de um renome público. Encar regado pelo Governo, em função de sua competência e do cargo que exercia, ela
pantanal
grossense.
linhas
tradas de ferro e a resistência dos trens,
no
Província do Paraná, a Miranda, às portas
grandes linhas futu ras, e formar assim
porto
Vila de Mato Grosso, na fronteira bolivia
das em posição das
as
ção far-se-ia até Be lém; de São Luís de alto rio Paraguai, à
venientemente traça
e sòbre a ferrovia de Cantagalo, como o
ponto do rio do Sono em que êste fôsse navegável; entre a barra do rio do Sono
Cáceres,
tradas de ferro con
trabalho técnico sobre a largura das es
Para o estabelecimento dessa finalidade
de ordem meramente política, cuja impor
todos os
pontos do gigantesco corpo do Brasil .
Quando Bicalho se refere a ' estradas de
muito mais fáceis, porque os capitais par ticulares ainda se sentiam atraídos para tais empreendimentos, verifica-se como o
Plano Bicalho assentava em uma concep
se-ia supor, dado que êle era engenheiro,
ção inteiramente teórica do problenia. Que produção poderia alimentar o tráfego de
fosse a referência dirigida ao lado técnico
uma ferrovia entre Sobrado e a foz do
do problema, que tão de perto afeta o seu
rio do Sono, no norte goiano e no sudeste
ferro convenientemente traçadas
poder-
m«\ DigjsSto
Velhos planos
Econômico
para se converter em
— e tal lei re
guiaria as concessões
por diante ex-
l>edidas. As
Nelson Werneck Sourú
aspecto cconomicü. Mas não era assim: o
traçado conveniente a que se referia o diretor de Obras Públicas era um tra
características
do
Plano
Bicalho
çado político.
O fim visado estava, pre
cisamente, em unir, em estabelecer conta
eram, sumariamente^ as seguintes;
OeduzidOS pelos quadros de conjunto
quer pelos que planejaram depois, em par
—• sistema misto de comunicações;
^ que. pela sua vastidão, pelas suas ani-
tos, em proporcionar às ilhas em que se repartia aquele gigantesco corpo do Brasil,
ticular aqueles que, em 1934. levantaram
—• grande profundidade na penetração
plas proporções, conferindo com a grande
como ainda hoje, os meios indispensáveis
o primeiro grande plano oficial Je viação. quer cm livros, trabalhos técnicos, con
das vias; —' busca das interligações,
do progresso das capitais a todos os pontos
za geográfica, pareciam acordes corp- a rea- .
lidade — quando começamos a planejar sistemas para a viaí^o brasileira, tendendo, de um lado, a conferir uma idéia de con junto àquilo que se vinha fazendo sob a característica da dispersão, e de outro a tornar um sistema aquilo que se condicio nara a uma variação considerável de fa
tores — esquecemos, em todos os rempos e.nao hoje apenas, as considerações fun damentais e preliminares a que se devem subordinar todos os planejamentos que
pretendem ter, além de uma vida teórica
gressos de especialistas, congressos admi nistrativos e políticos, quer em trabalhos
Bicalho justificou o aspectC político do seu plano, a idéia capital que vem presi dindo a "todos os sistemas e planos, a de
de divulgação, em revistas especializadas
afirmando a necessidade de "facilitar as
tância ninguém poderia desmerecer, o
ainda porque não os analisaremos pelo prisma com que foram apreciados ante
comunicações internas entre todas as pro
Plano Bicalho impunha a construção de
víncias do Império".
Para êsse fim, era
ferrovias, por exemplo, enrre a barra do
riormente, mas sob outros ângulos —
sua intenção, ao elaborar o plano, ressaltar
Rio Grande, no rio São Francisco, e ura
aqueles mesmos ângulos sob os quais ve remos os planos modernos, isto é, aqueles
qiie o "primeiro meio que mais natural mente se apresenta para vencer as grandes distâncias *que quase isol.ani as diversa.s províncias do Impé
e Sobrado, no rio Xingu, donde a navega
que, principalmente fundados no de 1934, acumularam o material teórico a que deve
desde a grande fase de ascensão cafeeira que produzira os primeiros saldos numa balança de comércio externo habitualmennu'"- naquele mesmo ano- Bi1874; Rebouças, calho, em 1881; Bulhões, cm 1882- di versos, em 1890; J. Luiz Batista, em 1926Frontin, em 1928; Sousa Bandeira em 1932; o Ministério da Viação, em 1934 e era 1948 — elaboraram planos de con junto. De todos êsses, os mais conheci dos e discutidos foram, sem dúvida, o de Bicalho, o de Bulhões e o do Ministério da Viação, de 1934, cujas sucessivas alte rações, inclusive aquelas mais recentes o tornaram, realmente, um conjunto apreciá vel de tendência, encerrando, de idéias e programas parte, ideias
cuja
outra
importân-
cia é inútil encarecer.
A análise de tais pianos já foi feita,
queza, da periferia para o centro — um
ideal grandioso, sem dúvida.
fornecer uma estrutura à unidade histórica,
de prazo razoável.
A ide.a de planeiar, muiro antiga, man-
do País" correspondia a impulsionar a ri
ou leigas, conferências, em meios técnicos ou não, e tôda sorte de meios de debate, Isso não nos proíbe de rever tais planos,
uma execução prática imediata ou dentro
teve-se, com manifestações esporádicas
à mútua compreensão. "Levar o impulso
dentro da grandeza geográfica do País,
recorrer tôda entidade oficial e todo es
rio é utilizar a nave
tudioso do assunto.
gabilidade natural e aperfeiçoada dos rios mencionados e ligálos por meio de es
Formado na Europa, na tradicional Es cola de Pontes e Calçadas, francesa, Honórlo Bicalho foi um distinto engenheiro que se especializou, particularmente, em engenharia hidráulica. Seu trabalho sobre os melhoramentos da barra do Rio Gran de, os estudos sobre a Central do Brasil
primeiras
gerais mistas de via
numa época em que já se discutia caloro
ção a vapor, que atuem como grandes artérias para levar o
samente o problema das bitolas, trouxe ram-lhe um renome profissional a que as
na; de Guaíra, na
do
Ora,
so do progresso das capitais a
l
simples
de construção ferro viária daquela época
nistério da Agricultura dariam o com
...4
à
derando as condições
movimento da vida intelectual e o impul-
borou, em 1881, um plano nacional de viação que ficou conhecido pelo seu nome. O piano seria apresentado ao Congresso,
mato-
vista, mesmo consi
atividades na Diretoria de Obras do Mi
plemento de um renome público. Encar regado pelo Governo, em função de sua competência e do cargo que exercia, ela
pantanal
grossense.
linhas
tradas de ferro e a resistência dos trens,
no
Província do Paraná, a Miranda, às portas
grandes linhas futu ras, e formar assim
porto
Vila de Mato Grosso, na fronteira bolivia
das em posição das
as
ção far-se-ia até Be lém; de São Luís de alto rio Paraguai, à
venientemente traça
e sòbre a ferrovia de Cantagalo, como o
ponto do rio do Sono em que êste fôsse navegável; entre a barra do rio do Sono
Cáceres,
tradas de ferro con
trabalho técnico sobre a largura das es
Para o estabelecimento dessa finalidade
de ordem meramente política, cuja impor
todos os
pontos do gigantesco corpo do Brasil .
Quando Bicalho se refere a ' estradas de
muito mais fáceis, porque os capitais par ticulares ainda se sentiam atraídos para tais empreendimentos, verifica-se como o
Plano Bicalho assentava em uma concep
se-ia supor, dado que êle era engenheiro,
ção inteiramente teórica do problenia. Que produção poderia alimentar o tráfego de
fosse a referência dirigida ao lado técnico
uma ferrovia entre Sobrado e a foz do
do problema, que tão de perto afeta o seu
rio do Sono, no norte goiano e no sudeste
ferro convenientemente traçadas
poder-
Digesto Econômico
10-
DiGiiSTo Econômico
106
de despesas consideráveis, sem possibili
grandes arcos de viação mista, envolvendo
dades para ampla recuperação; e um trecho
a grandeza territorial brasileira:
habitadas por paraense, zonas «UIUI» uauauiu<u yyji selvícolas:' 3>.ii t\.iiitxa:
de comunicações produzisse a transforma
Que tráfego realizaria uma estrada de
ção radical de um mundo ainda primário num cenário de ponderável riqueza.
do 'que seria a ligação Joazeiro-Floriano.
Ou aquela entre a barra do rio Grande,
Mas o setor cm que se não tocava era o dos meios. Como construir as ferro
terior bravlo desvaneceram-se.
no São Francisco, e um porto sobre o rio
vias, com que numerário, como equipar os
ferro entre São Luís de Cacetes e a fron
teira boliviana, em Vila Mato Grosso?
do Sono?
rios. já que eles não poderiam ser navega
Estaria, por outro lado, a navegação do rio Miranda, por exemplo, em, concordân cia, quanto à capacidade de vazão, com a
dos apenas pela leve piroga do selvícola como fornecer os elementos concretos de
ferrovia que terminasse naquela cidade? Estaria, poderíamos responder, mas da
jado na realidade, a que os sonhos, por
pior maneira, porque nem a ferrovia po deria transportar cousa alguma, nem o rio estava equipado para dar vazão a alguma cousa. Nessa época, na verdade, já a erva-mate do sul matogrossense, abando
nando a gravitação para a calha do rio Paraguai, quer para Concepcion, na Re
pública vizinha, quer para Pórto • Murtmho, a antiga fazenda Três Barras, de
Boaventura da Mota, voltava-se tôda para
a calha do Paraná, servida pela rede de pequenos rios. tributários daquele. Isto
entretanto, bem ao sul de Miranda, e sem
qualquer tendência para alongar o camide escoamento, desde que os seus
XtSor
estavam nos países
Quando, muito mais do que hoje, a reaPlanodr"'"''' "ni Plano de viaçao nao pode deixar de aten der, e sem o que nao passa de mera especulaçao teórica, apresentava a característi ca, até agora existente, entre nós, da pri mazia do mercado externo, da primazia
da cabotagem para a circulação entre as
^versas partes do Brasil, tudo indicando
pois, a necessidade de comunicações do in tenor para o litoral, Bicalho lançava as amplas proporções da desmedida profun didade na penetração das vias que plane jara, afagava o grande e generoso sonho de conduzir o progresso do litoral para o interior, aos mais longínquos recantos do Império, como se, por si só, a existência
rransformaçãy daquilo que estava plane mais grandiosos que sejam, sempre pretendem? Nesse sentido, no plano de Bicalho, há uma idéia interessante; a da ordem de urgência. Ela é apenas men- ' cionada, sem chegar a apresentar-se aca
bada e discutida.
Esta simples men^o
entretanto, merece evidência, porque, em outros planos, conforme verificaremos nem essa menção existiu. Bicalho decla rou, expressamente, a
necessidade
de
"fazer convergir seus favores de preferên cia para as empresas que dêle mais ca recerem e segundo a urgência de sua rea lização", quanto a uma orientação do Go verno na execução do plano que elaborara. Do plano de Bicalho, o que a realida
de sancionou?
Muito pouco, realmente
e nem mdo fundado em bases firmes. A
grande roçada que, de Santa Maria, por Marcelino Ramos e Porto União, buscava o sul matogrossense, numa inflexão con trária a tudo o que a realidade impunha restou o segmento Santa Maria-Pôrto União, ligado a São Paulo. Foram cons
truídos os segmentos São Paulo-Jupiá, aIonga'do até às barrancas do Paraguai e passando em Miranda; RÍo-BeIo Horizonte-Pirapora, onde a Central plantou o seu
quilômetro mil, e que lhe fornece despe sas anuais constantes; Salvador-Joazeiro. prolongamento de ferrovia já existente, e oriunda da verdadeira corrida para o São Francisco que animou as estradas nordes
tinas e do leste brasileiro, em certa época; Terezina-São Luís, fornecedora, também,
O.S grandes sonhos de ferrovias no in
Dêles, o
uníco sinal ficou sendo o pequeno trecho da ferrovia do Tocantins, destinado a con tornar a faixa encachoeirada daquele rio.
cujos trilhos acabaram cobertos pelo mato
—■ Santa Maria-Pôrto União (terres
tre ) -rio Piquiri-Guaíra-Míranda
(terresrre)-rio Miranda-rio ParaguaÍ-São Luís de Caceres-Vila Mato Grosso (terrestre)-rio Guaporé-Guajará Mírim-Pôrto Velho (ter restre)-rio Madeira-rio Amazonas; — Rio-Pirapóra
(terrestre)-rio
São
e que apresentou o espetáculo verdadeira mente curioso de uma locomotiva desapa
Francisco-barra do rio Grande-pôrto no
recida e depois descoberta em plena selva.
do rio do Sono-Sobrado
A intensidade de tráfego dêsse reduzido,
Xíngu-rio Amazonas;
segmento, da ordem de um trem por se
rio do Sono (terrestre)-rio do Sono-barra
{terrestre)-fio
— Salvador-Joazeiro-Floriano
(terres•
mana, foi pouco excedida pela própria
r^e)-^^o Parnaíba-Terezina-São Luís.
Madeira-Mamoré, que encontrara algumas razões de ordem econômica para a sua
cionados no seu plano e as construções
construção, fora das de ordem política, e
ferroviárias, nele previstas, e que foram
que lá permanece, como exemplo aj>enas
realmente efetivadasr já estudamos. O que
da capacidade humana na realização de empreendimentos generosamente conce
to, foi a conjugação dos meios de trans
bidos.
Dos trechos navegáveis apresentados no plano de Bicalho restam, de alguma ma
Quanto à navegabilidade dos rios men
fracassou de maneira quase total, entretan
porte: o rio Piquiri não tem navegação digna de menção; a do rio Miranda é re duzidíssima, e hoje liquidada pela ferro
neira, o do São Francisco, em condições
via que liga Miranda a Porto Esperança,
n^uito precárias; o do Paraguai, mais acen
a do trecho do rio Paraguai a montante
tuado ao sul de Corumbá, e não entre
de Porto Esperança, mal organizada e de saparelhada, conjuga-se, realmente, a uma
esta cidade e São Luís de Cáceres; o do
Paraná, entre Jupiá e Guaíra, interessan do, do ponto de vista econômico, à efvamate, mas bem ao sul do primeiro daque les portos; o do rio Parnaiba, através do qual se escoa parte da produção do Piauí; e o do Madeira-Amazonas, em que a nívegação tem primazia absoluta.
Bicalho foi um dos primeiros a planejar em grande escada e em conjunto, o que
lhe acarreta algum mérito. Foi também o primeiro que concebeu um sistema mis
to, sentindo a necessidade de aproveitar a navegabilidade dos rios brasileiros e a importância econômica dêsse aproveita
mento, que contribuiria para a diminuição da despesa a" efetuar com a realidade das obras terrestres que a execução de seu
plano imporia.
Bicalho concebeu crês
ferrovia, embora não aquela que Bicalho
previra, e está em vésperas de receber um golpe decisivo com o prolongamento da Noroeste a Corumbá; a que se processa a montante desta última cidade ainda terá
muito tempo de vigência, mas tem expres
são econômica diminuta; a do rio Guaporé não tem expressão econômica; e a
dos rios Madeira e Amazonas, principal
mente a dêste. representa, está fora de
duvida, o escoamento natural da região. Quanto ao segundo arco; a navegado do Sao Francisco, a juzante de Pirapora, ar rasta-se em condições precárias, e a cons trução da ferrovia Río-Bahia contribuirá
para fazê-la ainda menos importante; a
do rio do Sono não existe; e a do Xingu é de reduzida importância. Quanto ao
Digesto Econômico
10-
DiGiiSTo Econômico
106
de despesas consideráveis, sem possibili
grandes arcos de viação mista, envolvendo
dades para ampla recuperação; e um trecho
a grandeza territorial brasileira:
habitadas por paraense, zonas «UIUI» uauauiu<u yyji selvícolas:' 3>.ii t\.iiitxa:
de comunicações produzisse a transforma
Que tráfego realizaria uma estrada de
ção radical de um mundo ainda primário num cenário de ponderável riqueza.
do 'que seria a ligação Joazeiro-Floriano.
Ou aquela entre a barra do rio Grande,
Mas o setor cm que se não tocava era o dos meios. Como construir as ferro
terior bravlo desvaneceram-se.
no São Francisco, e um porto sobre o rio
vias, com que numerário, como equipar os
ferro entre São Luís de Cacetes e a fron
teira boliviana, em Vila Mato Grosso?
do Sono?
rios. já que eles não poderiam ser navega
Estaria, por outro lado, a navegação do rio Miranda, por exemplo, em, concordân cia, quanto à capacidade de vazão, com a
dos apenas pela leve piroga do selvícola como fornecer os elementos concretos de
ferrovia que terminasse naquela cidade? Estaria, poderíamos responder, mas da
jado na realidade, a que os sonhos, por
pior maneira, porque nem a ferrovia po deria transportar cousa alguma, nem o rio estava equipado para dar vazão a alguma cousa. Nessa época, na verdade, já a erva-mate do sul matogrossense, abando
nando a gravitação para a calha do rio Paraguai, quer para Concepcion, na Re
pública vizinha, quer para Pórto • Murtmho, a antiga fazenda Três Barras, de
Boaventura da Mota, voltava-se tôda para
a calha do Paraná, servida pela rede de pequenos rios. tributários daquele. Isto
entretanto, bem ao sul de Miranda, e sem
qualquer tendência para alongar o camide escoamento, desde que os seus
XtSor
estavam nos países
Quando, muito mais do que hoje, a reaPlanodr"'"''' "ni Plano de viaçao nao pode deixar de aten der, e sem o que nao passa de mera especulaçao teórica, apresentava a característi ca, até agora existente, entre nós, da pri mazia do mercado externo, da primazia
da cabotagem para a circulação entre as
^versas partes do Brasil, tudo indicando
pois, a necessidade de comunicações do in tenor para o litoral, Bicalho lançava as amplas proporções da desmedida profun didade na penetração das vias que plane jara, afagava o grande e generoso sonho de conduzir o progresso do litoral para o interior, aos mais longínquos recantos do Império, como se, por si só, a existência
rransformaçãy daquilo que estava plane mais grandiosos que sejam, sempre pretendem? Nesse sentido, no plano de Bicalho, há uma idéia interessante; a da ordem de urgência. Ela é apenas men- ' cionada, sem chegar a apresentar-se aca
bada e discutida.
Esta simples men^o
entretanto, merece evidência, porque, em outros planos, conforme verificaremos nem essa menção existiu. Bicalho decla rou, expressamente, a
necessidade
de
"fazer convergir seus favores de preferên cia para as empresas que dêle mais ca recerem e segundo a urgência de sua rea lização", quanto a uma orientação do Go verno na execução do plano que elaborara. Do plano de Bicalho, o que a realida
de sancionou?
Muito pouco, realmente
e nem mdo fundado em bases firmes. A
grande roçada que, de Santa Maria, por Marcelino Ramos e Porto União, buscava o sul matogrossense, numa inflexão con trária a tudo o que a realidade impunha restou o segmento Santa Maria-Pôrto União, ligado a São Paulo. Foram cons
truídos os segmentos São Paulo-Jupiá, aIonga'do até às barrancas do Paraguai e passando em Miranda; RÍo-BeIo Horizonte-Pirapora, onde a Central plantou o seu
quilômetro mil, e que lhe fornece despe sas anuais constantes; Salvador-Joazeiro. prolongamento de ferrovia já existente, e oriunda da verdadeira corrida para o São Francisco que animou as estradas nordes
tinas e do leste brasileiro, em certa época; Terezina-São Luís, fornecedora, também,
O.S grandes sonhos de ferrovias no in
Dêles, o
uníco sinal ficou sendo o pequeno trecho da ferrovia do Tocantins, destinado a con tornar a faixa encachoeirada daquele rio.
cujos trilhos acabaram cobertos pelo mato
—■ Santa Maria-Pôrto União (terres
tre ) -rio Piquiri-Guaíra-Míranda
(terresrre)-rio Miranda-rio ParaguaÍ-São Luís de Caceres-Vila Mato Grosso (terrestre)-rio Guaporé-Guajará Mírim-Pôrto Velho (ter restre)-rio Madeira-rio Amazonas; — Rio-Pirapóra
(terrestre)-rio
São
e que apresentou o espetáculo verdadeira mente curioso de uma locomotiva desapa
Francisco-barra do rio Grande-pôrto no
recida e depois descoberta em plena selva.
do rio do Sono-Sobrado
A intensidade de tráfego dêsse reduzido,
Xíngu-rio Amazonas;
segmento, da ordem de um trem por se
rio do Sono (terrestre)-rio do Sono-barra
{terrestre)-fio
— Salvador-Joazeiro-Floriano
(terres•
mana, foi pouco excedida pela própria
r^e)-^^o Parnaíba-Terezina-São Luís.
Madeira-Mamoré, que encontrara algumas razões de ordem econômica para a sua
cionados no seu plano e as construções
construção, fora das de ordem política, e
ferroviárias, nele previstas, e que foram
que lá permanece, como exemplo aj>enas
realmente efetivadasr já estudamos. O que
da capacidade humana na realização de empreendimentos generosamente conce
to, foi a conjugação dos meios de trans
bidos.
Dos trechos navegáveis apresentados no plano de Bicalho restam, de alguma ma
Quanto à navegabilidade dos rios men
fracassou de maneira quase total, entretan
porte: o rio Piquiri não tem navegação digna de menção; a do rio Miranda é re duzidíssima, e hoje liquidada pela ferro
neira, o do São Francisco, em condições
via que liga Miranda a Porto Esperança,
n^uito precárias; o do Paraguai, mais acen
a do trecho do rio Paraguai a montante
tuado ao sul de Corumbá, e não entre
de Porto Esperança, mal organizada e de saparelhada, conjuga-se, realmente, a uma
esta cidade e São Luís de Cáceres; o do
Paraná, entre Jupiá e Guaíra, interessan do, do ponto de vista econômico, à efvamate, mas bem ao sul do primeiro daque les portos; o do rio Parnaiba, através do qual se escoa parte da produção do Piauí; e o do Madeira-Amazonas, em que a nívegação tem primazia absoluta.
Bicalho foi um dos primeiros a planejar em grande escada e em conjunto, o que
lhe acarreta algum mérito. Foi também o primeiro que concebeu um sistema mis
to, sentindo a necessidade de aproveitar a navegabilidade dos rios brasileiros e a importância econômica dêsse aproveita
mento, que contribuiria para a diminuição da despesa a" efetuar com a realidade das obras terrestres que a execução de seu
plano imporia.
Bicalho concebeu crês
ferrovia, embora não aquela que Bicalho
previra, e está em vésperas de receber um golpe decisivo com o prolongamento da Noroeste a Corumbá; a que se processa a montante desta última cidade ainda terá
muito tempo de vigência, mas tem expres
são econômica diminuta; a do rio Guaporé não tem expressão econômica; e a
dos rios Madeira e Amazonas, principal
mente a dêste. representa, está fora de
duvida, o escoamento natural da região. Quanto ao segundo arco; a navegado do Sao Francisco, a juzante de Pirapora, ar rasta-se em condições precárias, e a cons trução da ferrovia Río-Bahia contribuirá
para fazê-la ainda menos importante; a
do rio do Sono não existe; e a do Xingu é de reduzida importância. Quanto ao
I I
108
DlGFSTO ECOr^ÓMlCO
terceiro arco, quase todo de segmentos terrestres, a navegação do Parnaíba, entre
dúvida, uma contribuição sincera, gene
Floriano e Terezina, carece de expressão
ciada da realidade l^rasileira, como tantos
econômica.
outros sonhos que vimos acalentando, e
Eis, em breves linhas, a que ficou re
duzido um plano que representava, sem
I
rosa e idealista — mas totalmente divor
n imPORTnncin
■ ' fr .
pesouisn no
cnmpo Dfl ciêncin purr Artur Hf.hl Nbiva
que SC transformam, ao sopro forte da
vida, em fumaça que ccJo se dissipa.
dq
J^HSDF, a segunda metade do século
Acompanhando essa evolução do pro
XVllI, quando pela primeira vez o homem pôde utilizar eficientemente a
gresso nos últimos dois séculos, verifica mos que a sua quase totalidade foi reali
maquina, o progresso da civilização se tem
zada através do maquinismo. O aço subs
realizado a passos gigantescos, acelerandose cada ano que passa.
diligência, o navio a motor o barco a
A revolução industrial, que marcou o inicio desse surto, consiste, essencialmen
tigos meios de transporte, a lâmpada elé
te, no fornecimento ao homem dos meios
para dominar a naturez,i. A conquista da
velocidade, a conquista da distância, a conquista da produção em grande «escala liberaram as atividades de milhões de pes soas que, assim, puderam dedicar-se à so
lução de outros problemas, tais como o da melhoria das condições de saiide, de vida, e outras que vieram, indiretamente, afetar o bem-estar da humanidade. aumento
do
conhecimento
O
humano em
todos os setores foi, assim, acumulandose cada vez mais rapidamente, e incorporando-se ao acervo cultural da espécie hu mana, que é a sua herança social.
Ora, o simples exame desse processo mostra claramente • que êle so se po e realizar pelo acréscimo de conhe
tituiu a madeira, a estrada de ferro a vela, o automóvel e o avião todos os an
trica a vela dos nossos antepassados, e a luz fluorescente o candieíro de querosene dos nossos avós. Pràticamente desapare
ceu a varíola; as grandes epidemias de cólera e de peste pertencem ao passado.
Nos países mais adiantados do mundo, a expectativa de vida, atualmente, é mais
que o dobro da que era em 1800. Hoje, o telégrafo, o rádio e a televisão nos põem em conracto imediato e direto com os acontecimentos à medida que se estão
processando, e se não dispusermos desses aparelhos, a fotografia e o cinema conser vam para nós, fixados para todo o sem
pre, os instantâneos da vida que, outrora, se perdiam definitivamente. Vemos, pois, que foi a ciência que per-' mitiu o imenso desenvolvimento
do nosso conforto material, que
cimentos humanos em todos os
nos cercou de tantas coisas agra
ramos' da atividade.
dáveis.
Mas, para
que tal acréscimo se produza, não
hasta repetir o que vinha sendo dito ou feito antes; é indispensá vel acrescentar alguma coisa nova
ao que já era conhecido. Essa e
unçao
da pesquisa. Sem pesquisa n|o ha esco berta de conhecimentos novos; sem
- cimentes novos, não há acréscimo o sa r ou da cultura; sem cultura não a pro gresso. Por conseguinte, é a pesquisa que está na base de todo o progresso da humanidade.
Entretanto, embora
a
ciência só possa progredir à custa da pesquisa científica, ainda há muita gente, especialmente em nosso meio, que não entende assim e.
desprezando a pesquisa pura, pergunta sempre pela aplicação direta ou pelo re sultado imediato que é de esperar de qualquer pesquisa. Felizmente, o número desses imediatis tas, incapazes de compreenderem o valor
da ciência, decresce todos os dias. Como,
I I
108
DlGFSTO ECOr^ÓMlCO
terceiro arco, quase todo de segmentos terrestres, a navegação do Parnaíba, entre
dúvida, uma contribuição sincera, gene
Floriano e Terezina, carece de expressão
ciada da realidade l^rasileira, como tantos
econômica.
outros sonhos que vimos acalentando, e
Eis, em breves linhas, a que ficou re
duzido um plano que representava, sem
I
rosa e idealista — mas totalmente divor
n imPORTnncin
■ ' fr .
pesouisn no
cnmpo Dfl ciêncin purr Artur Hf.hl Nbiva
que SC transformam, ao sopro forte da
vida, em fumaça que ccJo se dissipa.
dq
J^HSDF, a segunda metade do século
Acompanhando essa evolução do pro
XVllI, quando pela primeira vez o homem pôde utilizar eficientemente a
gresso nos últimos dois séculos, verifica mos que a sua quase totalidade foi reali
maquina, o progresso da civilização se tem
zada através do maquinismo. O aço subs
realizado a passos gigantescos, acelerandose cada ano que passa.
diligência, o navio a motor o barco a
A revolução industrial, que marcou o inicio desse surto, consiste, essencialmen
tigos meios de transporte, a lâmpada elé
te, no fornecimento ao homem dos meios
para dominar a naturez,i. A conquista da
velocidade, a conquista da distância, a conquista da produção em grande «escala liberaram as atividades de milhões de pes soas que, assim, puderam dedicar-se à so
lução de outros problemas, tais como o da melhoria das condições de saiide, de vida, e outras que vieram, indiretamente, afetar o bem-estar da humanidade. aumento
do
conhecimento
O
humano em
todos os setores foi, assim, acumulandose cada vez mais rapidamente, e incorporando-se ao acervo cultural da espécie hu mana, que é a sua herança social.
Ora, o simples exame desse processo mostra claramente • que êle so se po e realizar pelo acréscimo de conhe
tituiu a madeira, a estrada de ferro a vela, o automóvel e o avião todos os an
trica a vela dos nossos antepassados, e a luz fluorescente o candieíro de querosene dos nossos avós. Pràticamente desapare
ceu a varíola; as grandes epidemias de cólera e de peste pertencem ao passado.
Nos países mais adiantados do mundo, a expectativa de vida, atualmente, é mais
que o dobro da que era em 1800. Hoje, o telégrafo, o rádio e a televisão nos põem em conracto imediato e direto com os acontecimentos à medida que se estão
processando, e se não dispusermos desses aparelhos, a fotografia e o cinema conser vam para nós, fixados para todo o sem
pre, os instantâneos da vida que, outrora, se perdiam definitivamente. Vemos, pois, que foi a ciência que per-' mitiu o imenso desenvolvimento
do nosso conforto material, que
cimentos humanos em todos os
nos cercou de tantas coisas agra
ramos' da atividade.
dáveis.
Mas, para
que tal acréscimo se produza, não
hasta repetir o que vinha sendo dito ou feito antes; é indispensá vel acrescentar alguma coisa nova
ao que já era conhecido. Essa e
unçao
da pesquisa. Sem pesquisa n|o ha esco berta de conhecimentos novos; sem
- cimentes novos, não há acréscimo o sa r ou da cultura; sem cultura não a pro gresso. Por conseguinte, é a pesquisa que está na base de todo o progresso da humanidade.
Entretanto, embora
a
ciência só possa progredir à custa da pesquisa científica, ainda há muita gente, especialmente em nosso meio, que não entende assim e.
desprezando a pesquisa pura, pergunta sempre pela aplicação direta ou pelo re sultado imediato que é de esperar de qualquer pesquisa. Felizmente, o número desses imediatis tas, incapazes de compreenderem o valor
da ciência, decresce todos os dias. Como,
DIGESTO ECONÔMICO
DiGKSTo Econômico
entretanto, ainda existem, é conveniente
parcce ser repentino, de uma descoberta
tle nossos mais brilhantes homens de ciên
da história que lhe conhecemos até mea
mostrar a influência da pesquisa pura nas
nov.i que vai Influenciar profundamente
cia, sob a direto científica de César
dos do século XVHI.
descobertas mais corriqueiras da nossa vida
roda a sua vida.
Latces, o Centro Brasileiro de Pesquisas
A terceira é a revolução industriai. Es sencialmente, foi a descoberta da má quina a vapor e a sua aplicação à in
diária.
O bonde, a lâmpada elétrica, o ferro
elétrico e todas as múltiplas aplicações da eletricidade que atualmente dominam
Por esse motivo, em todos os países,
Físicas, dedicado às pesquisas no campo
grandes ou pequenos, onde o valor da ciência é compreendido, como nos Estados
pelas ciências afins como a Química e a
dústria, em especial a de tecidos, com os
História Natural, o qual vem desse modo
teares mecânicos. Provocou o surto capi
em fins do século XVIII, Faraday em
Unidos, na Grã-Bretanha. França. Itália, Holanda, Bélgica, Suécia. Suíça e tam bém no Exrremo-Oriente. são as próprias organizaçõe.s industriais que contribuem
1832, e uma plêiade de físicos e pesqui
voluntariamente, com milhões e mesmo
sadores de meados do século XIX em
bilhões das rcspectiva.s unidades monetá
diante.
ria.'?. para a dotação de centros de pesqui
a nossa vida, são o resultado final da
pesquisa pura e teórica realizada por Volta
A Iu2 fluorescente e os tubos de gás ft neon, que tanto alegram nossas cidades com seu efeito multicor, são o resultado
da pesquisa física pura de Geissier, Crooes e Ramsay, no último quartel do século
passado. A descoberta do rádio por Marconi, em 1905, é devida à pesquisa fí100/
A bomba atômica de 1945 foi
devida à pesquisa pura realizada, no camfísica, desde Becquerel em 1896. passando pelo casal Curíe
sa, aparelhando-os da melhor forma e su plementando as verbas que lhes são desti nadas pelas entidades oficiais. As universi dades norte-americanas vivem, quase tôdas. de contribuiçõe.s que lhes são legadas por particulares ricos ou por instituições comerciais e industriais: na.Rússia, onde
o regimem é completamente diferente do nosso, c o Estado que, diretamente, atri bui créditos avulrados às suas instituições de pesquisas.
e por Planck
No Brasil existem centros de pesqui
em
sa universalmente conhecidos, mas dedi
século, RutherVrd
1/:'f'°ste.n em 1916, Bohr em 1918 ~ e Dirac antes de 1930. Chadwkk AnJ r ^ FermI. R k Oppenheimer e Urey Yukawa. Hahn, en-
cados quase que exclusivamente às ciên cias biológicas, tais como o Instituto Os-
waldo Cruz. o Instituto Biológico de De
da física c da matemática e estendendo-se
preencher uma lacuna patente em nossa
talista no começo do século XIX, a trans
formação cultural.
Essa deficiência é tanto mais sensível
formação total da vida — que, de predo minantemente agrícola, passou a ser in
hoje em dia quanto, com o advento da
dustrial e urbana — o imenso desenvol
era atômica, estamos assistindo no mun
vimento das populações e o domínio do
do a uma transformação mais importante
planeta pela civilização ocidental. É tôda
para a humanidade do que a própria re
ela baseada, em sua primeira fase, no uso do ferro e do carvão, através da máquina
volução industrial.
Em todo o período da existência do homem sobre a terra, só houve quatro descobertas, ou conjunto de descobertas quase simultâneas, que possam ser comparáveis entre si em importância. Cada uma delas iniciou uma nova era e permitiu,
como conseqüência das profundas
modificações que trazia, um imenso surto de desenvolvimento, como atingindo um patamar superior no nível de vida possí vel de alcançar. A primeira, remotíssima, há mais de meio milhão de anos, foi a utilizado do fogo pelo Jiomem. Esta permitiu separar
tre outros, antes de I942
fesa Agrícola e Animal e o Instituto Bu-
vel ?ntrV:olT?° -ima e indispensá-
ranrã, especializado o primeiro em medi cina tropical, o segundo na pesquisa de
definitivamente o homem de todos os ou
Pesquisadores dasSIRmoléstias de plantas e animais, o terceiro
tros seres vivos, lançando as bases para a
mais variadas n
dedicado principalmente ao combate con
sua conquista completa e definitiva de tôda
tra o ofidismo.
a
Incontestàvelmente, os institutos de pes quisas biológicas têm predominância no
muito mais recente, porque não vai alem
de uma nova era
Brasil sobre os de outra natureza. Entre
de dez mil anos — é a chamada revolu
nidade.
hema-
tanto, as investigações era outros setores
veriíicamos a imperiosa necessidade que
do conhecimento não devem ser despreza das, pois são também essenciais ao desen
ção neolítica. Trouxe a domesticação de animais, a agricultura, a cerâmica e o te cido; permitiu ao homem tornar-se seden
volvimento do progresso.
tário e adquirir um excesso de bens além
existe de ser, ao máximo, desenvolvida
pesquisa pura, única fonte que, pela adi
ção constante ao nosso conhecimento, per mite o aparecimento, que para o 'leigo
Em 1949, cciou-se no Rio de Janeiro, por iniciativa de patriotas de visão como o Ministro João Alberto e o Almirante
Álvaro Alberto, congregando um punhada
terra.
A segunda, ainda pré-histórica —
dos do consumo imediato.
1870, chamada de neotécnica por
alguns, na eletricidade em seus vá rios setores, nas ligas metálicas, no uso de metais leves como o alumínio e o magnésio, na química
orgânica sintética e nas matérias plásticas. Ê a civilização de hoje em dia; deu-nos todos aqueles benefícios de que hoje desfrutamos e a que acima fizemos referência.
A quarta e última é a era atômica, que se iniciou dramaticamente com a explosão
da primeira bomba experimental em Los Alamos, em I6 de julho de 1945, a qual vinha sendo preparada em segredo desde
1941, no maior esforço científico conjun to de que há memória em tôda a história humana.
çao. nao so de uma nova arma sZlZ de mu.to a qualquer das outras coEd das antenormente, como ainda ao inSo
Êsses exemplos badam. Através dêles,
a vapor; e em sua segunda fase, depois de
Acarretou,
como conseqüência, a metalurgia, a escri ta, a formação de cidades e as primeiras civilizações, lançando o homem na trilha
Para bem compreender o alcance dessa era nova para o progresso da humanida-
de é forçoso fazer aqui uma exposição sumaria sobre física nuclear.
Essencialmente, as quatro etapas acima brevemente delineadas se caracterizam, cada qual, pela utilização, por parte do homem, de uma forma distinta de ener gia . A descoberta do fogo acarreta a uti
lização da energia calorífica e luminosa, imediatamente empregada para cozer os
DIGESTO ECONÔMICO
DiGKSTo Econômico
entretanto, ainda existem, é conveniente
parcce ser repentino, de uma descoberta
tle nossos mais brilhantes homens de ciên
da história que lhe conhecemos até mea
mostrar a influência da pesquisa pura nas
nov.i que vai Influenciar profundamente
cia, sob a direto científica de César
dos do século XVHI.
descobertas mais corriqueiras da nossa vida
roda a sua vida.
Latces, o Centro Brasileiro de Pesquisas
A terceira é a revolução industriai. Es sencialmente, foi a descoberta da má quina a vapor e a sua aplicação à in
diária.
O bonde, a lâmpada elétrica, o ferro
elétrico e todas as múltiplas aplicações da eletricidade que atualmente dominam
Por esse motivo, em todos os países,
Físicas, dedicado às pesquisas no campo
grandes ou pequenos, onde o valor da ciência é compreendido, como nos Estados
pelas ciências afins como a Química e a
dústria, em especial a de tecidos, com os
História Natural, o qual vem desse modo
teares mecânicos. Provocou o surto capi
em fins do século XVIII, Faraday em
Unidos, na Grã-Bretanha. França. Itália, Holanda, Bélgica, Suécia. Suíça e tam bém no Exrremo-Oriente. são as próprias organizaçõe.s industriais que contribuem
1832, e uma plêiade de físicos e pesqui
voluntariamente, com milhões e mesmo
sadores de meados do século XIX em
bilhões das rcspectiva.s unidades monetá
diante.
ria.'?. para a dotação de centros de pesqui
a nossa vida, são o resultado final da
pesquisa pura e teórica realizada por Volta
A Iu2 fluorescente e os tubos de gás ft neon, que tanto alegram nossas cidades com seu efeito multicor, são o resultado
da pesquisa física pura de Geissier, Crooes e Ramsay, no último quartel do século
passado. A descoberta do rádio por Marconi, em 1905, é devida à pesquisa fí100/
A bomba atômica de 1945 foi
devida à pesquisa pura realizada, no camfísica, desde Becquerel em 1896. passando pelo casal Curíe
sa, aparelhando-os da melhor forma e su plementando as verbas que lhes são desti nadas pelas entidades oficiais. As universi dades norte-americanas vivem, quase tôdas. de contribuiçõe.s que lhes são legadas por particulares ricos ou por instituições comerciais e industriais: na.Rússia, onde
o regimem é completamente diferente do nosso, c o Estado que, diretamente, atri bui créditos avulrados às suas instituições de pesquisas.
e por Planck
No Brasil existem centros de pesqui
em
sa universalmente conhecidos, mas dedi
século, RutherVrd
1/:'f'°ste.n em 1916, Bohr em 1918 ~ e Dirac antes de 1930. Chadwkk AnJ r ^ FermI. R k Oppenheimer e Urey Yukawa. Hahn, en-
cados quase que exclusivamente às ciên cias biológicas, tais como o Instituto Os-
waldo Cruz. o Instituto Biológico de De
da física c da matemática e estendendo-se
preencher uma lacuna patente em nossa
talista no começo do século XIX, a trans
formação cultural.
Essa deficiência é tanto mais sensível
formação total da vida — que, de predo minantemente agrícola, passou a ser in
hoje em dia quanto, com o advento da
dustrial e urbana — o imenso desenvol
era atômica, estamos assistindo no mun
vimento das populações e o domínio do
do a uma transformação mais importante
planeta pela civilização ocidental. É tôda
para a humanidade do que a própria re
ela baseada, em sua primeira fase, no uso do ferro e do carvão, através da máquina
volução industrial.
Em todo o período da existência do homem sobre a terra, só houve quatro descobertas, ou conjunto de descobertas quase simultâneas, que possam ser comparáveis entre si em importância. Cada uma delas iniciou uma nova era e permitiu,
como conseqüência das profundas
modificações que trazia, um imenso surto de desenvolvimento, como atingindo um patamar superior no nível de vida possí vel de alcançar. A primeira, remotíssima, há mais de meio milhão de anos, foi a utilizado do fogo pelo Jiomem. Esta permitiu separar
tre outros, antes de I942
fesa Agrícola e Animal e o Instituto Bu-
vel ?ntrV:olT?° -ima e indispensá-
ranrã, especializado o primeiro em medi cina tropical, o segundo na pesquisa de
definitivamente o homem de todos os ou
Pesquisadores dasSIRmoléstias de plantas e animais, o terceiro
tros seres vivos, lançando as bases para a
mais variadas n
dedicado principalmente ao combate con
sua conquista completa e definitiva de tôda
tra o ofidismo.
a
Incontestàvelmente, os institutos de pes quisas biológicas têm predominância no
muito mais recente, porque não vai alem
de uma nova era
Brasil sobre os de outra natureza. Entre
de dez mil anos — é a chamada revolu
nidade.
hema-
tanto, as investigações era outros setores
veriíicamos a imperiosa necessidade que
do conhecimento não devem ser despreza das, pois são também essenciais ao desen
ção neolítica. Trouxe a domesticação de animais, a agricultura, a cerâmica e o te cido; permitiu ao homem tornar-se seden
volvimento do progresso.
tário e adquirir um excesso de bens além
existe de ser, ao máximo, desenvolvida
pesquisa pura, única fonte que, pela adi
ção constante ao nosso conhecimento, per mite o aparecimento, que para o 'leigo
Em 1949, cciou-se no Rio de Janeiro, por iniciativa de patriotas de visão como o Ministro João Alberto e o Almirante
Álvaro Alberto, congregando um punhada
terra.
A segunda, ainda pré-histórica —
dos do consumo imediato.
1870, chamada de neotécnica por
alguns, na eletricidade em seus vá rios setores, nas ligas metálicas, no uso de metais leves como o alumínio e o magnésio, na química
orgânica sintética e nas matérias plásticas. Ê a civilização de hoje em dia; deu-nos todos aqueles benefícios de que hoje desfrutamos e a que acima fizemos referência.
A quarta e última é a era atômica, que se iniciou dramaticamente com a explosão
da primeira bomba experimental em Los Alamos, em I6 de julho de 1945, a qual vinha sendo preparada em segredo desde
1941, no maior esforço científico conjun to de que há memória em tôda a história humana.
çao. nao so de uma nova arma sZlZ de mu.to a qualquer das outras coEd das antenormente, como ainda ao inSo
Êsses exemplos badam. Através dêles,
a vapor; e em sua segunda fase, depois de
Acarretou,
como conseqüência, a metalurgia, a escri ta, a formação de cidades e as primeiras civilizações, lançando o homem na trilha
Para bem compreender o alcance dessa era nova para o progresso da humanida-
de é forçoso fazer aqui uma exposição sumaria sobre física nuclear.
Essencialmente, as quatro etapas acima brevemente delineadas se caracterizam, cada qual, pela utilização, por parte do homem, de uma forma distinta de ener gia . A descoberta do fogo acarreta a uti
lização da energia calorífica e luminosa, imediatamente empregada para cozer os
DlGi;STí> l!< ONÓMW
112
J13
DiGKSTo Econômico
alimentos e rasgar as trevas, aíastantlo as
A constatação dcs.sj fato abriu logo um
sim os inimigos; e mais tarde, para aper
novo caminho para as pc'si.,uisas. havendo
feiçoar as armas e utensílios.
A revolu-
^o neolítica introduz o uso da energia nos seres vivos, pois a domesticação de
animais acarreta o uso déies para auxiliar o transporte, como bestas de carga, etc.,
e da energia biológica, altamente comple xa, através das várias modaliilades da agri cultura.
A terceira substitui a energia muscular pela energia mecânica, seja através de
maquinas térmicas, a vapor em sua pri meira fase e de combustão interna na Se
gunda, se,a ainda, nessa fase, pelo empre go de maquinas elétricas.
A quarta, finalmente, procura utilizar a enprgia que existe dentro dos átomos
c-onstitutivos da matéria, cuja estabilidade
rene ^ quantidade energia de sinais contrários contida em qualquer desses átomos, e cuja liberação -brusca e capaz de provocar os terríveis afeitos da explosão de uma bomba IS mica.
Foi calculado que a
nelTdi"de Ínt'o ^«.600,000 toneladas dTgua. i-m princípios do século yiy
, lou a teoria atômica se^undA"^""^"' postu
necessidade de uma revisão completa da
quilo que se acreditava até então sobre a constância dos átomos nos vários elemen tos cjuimicos.
Aos poucos, a análise da enorme mas sa de dados proveniente do trabalho de
jx-squisadores indeijcndentes nos campos da física e da química, ix-rmitiu a Rutherford que. em 1911, propusesse, já em
base experimental, a teoria de que cada átomo era anilogo a um sistema solar em miniatura, no qual o sol — o núcleo
fóssc representado por uma concentração lie massa de carga elcrrica positiva, em
tòrno do qual girassem, em órbitas diver sas, tal tomo os planetas, jxquenas par tículas muito mais leves,
eletricidade
negativa,
e
carregadas de
denominadas
dvctrons.
Assim, desde aquela época, haviam si
do iilentificadas e estudadas duas das par tículas elementares que entram na capa cidade lie todos os átomos : uma partícula positiva, de massa apreciável, denomina-
il?. próton e uma partícula negativa, muito Uve, denominada eléctron. O moilêlo atômico de Rutherford so
freu modificações teóricas profundas con•sequentes aos trabalhos de Bohr e Som-
para construir a q"'mica quín^ir' classica, , '
merfeld,
as substâncias seriara compostas Te
Em con.sequéncia desses trabalhos e dos que se lhes seguiram, verificou-se que a
nas. parriculas raicroscóTcas haraT" átomos, e que seriara absoluráraente^t"
durante
a
primeira
guerra
mundial.
complexidade da estrutura
atômica era
cavets, tsto e, '"eduriveis a elementos
muito maior do que se admitia até então,
nores. Sobre essas bases foi realiaado o progresso da qu.m.ca durante todo o sécu Io XIX e a teoria se manteve de pé até
sendo necessário criar toda uma nova me cânica para explicar os fenômenos que se passavam no interior do átomo. Esse no vo ramo da ciência, desenvolvido princi palmente na segunda década do século
que quase no fim do século passado se verificou que certas substâncias se desin tegravam espontaneamente, com emissão
de radiações diversas, constituindo o fe nômeno da radioatividade.
XX, conduziu a conclusões teóricas que se coadunavam perfeitamente com os re sultados experimentais obtidos, e permi tiu prever a existência de outras partícu
.ioáàÈik.
las elementares.
Estas começaram a ser
observadas experimentalmente pouco de pois de 1930. Em 1932, por exemplo, Anderson descobre o positrun. idêntico ao
eléctron c com carga positiva; Chadwick descobre o nei*froti, partícula de massa
partículas elementares, do núcleo comple xo de cada elemento químico. Isso é devido ao seguinte: o núcleo
atômico é extremamente pequeno e for temente carregado de eletricidade positiva,
existindo entre êle e o espaço ambiente
igual à do próton, porém destituída de qualquer carga elétrica ; em 193ó Ander
uma espécie de muralha elétrica, denomi
son c Nieddermeyer descobrem o ineson.
Tudo se passa como se o núcleo fôsse ura coco babaçu,, de casca muito dura,
nada barreira dê potencial.
partícula de massa intermediária entre a do eléctron e a do próton, cuja existência
dentro do qual se aglomerassem partícu
havia sido prevista teoricamente por Yu-
las elementares diversas, ligadas entre si por um endocarpo.
kawa em 1935. Em 1947, Lattes, OcchiaJini e Püwell descobrem duas espécies di
Assim como, para se conseguir chegar
ferentes de fnesons, um meson pesado, um
a conhecer o interior do coco babaçu, é
meson leve. A teoria postula ainda a existência de mais uma partícula,
para estudar separadamente cada
necessário romper a casca dura e cortá-lo
um dos elementos — as sementes,
de massa extremamente pequena
o endocarpo, as várias membra
e sem carga, o neutrluo. que, en
nas, as
tretanto, não pôde ainda ser cohsratado experimentalmente, pela
assim
irradiando para todos os lados as
Não é possível, hoje em dia.
dar ao leigo um modelo de átomo, pois a complexidade dos fenômenos que se
passam em seu interior é tal. que só pode
ser descrito adequadamente por equações
fnatematicas
—
tutivos, é preciso fazê-lo explodir,
comprovação.
Entretanto,
etc.
núcleo em seus elementos consti
extraordinária dificuldade de sua
abstrusas.
fibras
também, para poder estudar o
em
suas linhas gerais, foi mantida a concepção essencial do modelo atômico de Ruther ford Bohr e Sommerfeld, isto é, de que um átomo consiste de um núcleo positi vamente carregado e que compreende a maior parte da massa atômica, em torno da qual gira um certo número de eléctrons, carregados negativamente.
partículas que o compõem, tal como acon tece quando, num jôgo de snooker, a bola
branca atinge em cheio o conjunto das
bolas vermelhas arrumadas na mesa de bilhar.
A física nuclear preocupa-se exclusiva mente com o estudo do núcleo atômico e bombardeio de núcleos-o precisamente o
tículas de energia conheS,'^°'
penetrar a barreira de pomTw
Tett°
P"'-las elT
O número de partículas componentes de um átomo varia conforme o elemento
A concentrado, em espaço extraordinaT namente pequeno fl-ic r^,rr^r. acontece ' no P^rticuías das. como_ núcleo doclctrizaátomo.
químico considerado, mas obedece a um conjunto de leis determinadas que permi
e a existência da barreira de potenciai
analoga a casca do côco babaçu, obriga a
tem dizer com precisão qual a composi
existência, em cada núcleo de cada átomo,
ção global do átomo de cada elemento químico, mas ainda hoje não se conhe
de uma quantidade enorme de energia,
ce precisamente qual a composição, em
indispensável para manter a estabilidade atômica ; em toda a extrema pequenez de
DlGi;STí> l!< ONÓMW
112
J13
DiGKSTo Econômico
alimentos e rasgar as trevas, aíastantlo as
A constatação dcs.sj fato abriu logo um
sim os inimigos; e mais tarde, para aper
novo caminho para as pc'si.,uisas. havendo
feiçoar as armas e utensílios.
A revolu-
^o neolítica introduz o uso da energia nos seres vivos, pois a domesticação de
animais acarreta o uso déies para auxiliar o transporte, como bestas de carga, etc.,
e da energia biológica, altamente comple xa, através das várias modaliilades da agri cultura.
A terceira substitui a energia muscular pela energia mecânica, seja através de
maquinas térmicas, a vapor em sua pri meira fase e de combustão interna na Se
gunda, se,a ainda, nessa fase, pelo empre go de maquinas elétricas.
A quarta, finalmente, procura utilizar a enprgia que existe dentro dos átomos
c-onstitutivos da matéria, cuja estabilidade
rene ^ quantidade energia de sinais contrários contida em qualquer desses átomos, e cuja liberação -brusca e capaz de provocar os terríveis afeitos da explosão de uma bomba IS mica.
Foi calculado que a
nelTdi"de Ínt'o ^«.600,000 toneladas dTgua. i-m princípios do século yiy
, lou a teoria atômica se^undA"^""^"' postu
necessidade de uma revisão completa da
quilo que se acreditava até então sobre a constância dos átomos nos vários elemen tos cjuimicos.
Aos poucos, a análise da enorme mas sa de dados proveniente do trabalho de
jx-squisadores indeijcndentes nos campos da física e da química, ix-rmitiu a Rutherford que. em 1911, propusesse, já em
base experimental, a teoria de que cada átomo era anilogo a um sistema solar em miniatura, no qual o sol — o núcleo
fóssc representado por uma concentração lie massa de carga elcrrica positiva, em
tòrno do qual girassem, em órbitas diver sas, tal tomo os planetas, jxquenas par tículas muito mais leves,
eletricidade
negativa,
e
carregadas de
denominadas
dvctrons.
Assim, desde aquela época, haviam si
do iilentificadas e estudadas duas das par tículas elementares que entram na capa cidade lie todos os átomos : uma partícula positiva, de massa apreciável, denomina-
il?. próton e uma partícula negativa, muito Uve, denominada eléctron. O moilêlo atômico de Rutherford so
freu modificações teóricas profundas con•sequentes aos trabalhos de Bohr e Som-
para construir a q"'mica quín^ir' classica, , '
merfeld,
as substâncias seriara compostas Te
Em con.sequéncia desses trabalhos e dos que se lhes seguiram, verificou-se que a
nas. parriculas raicroscóTcas haraT" átomos, e que seriara absoluráraente^t"
durante
a
primeira
guerra
mundial.
complexidade da estrutura
atômica era
cavets, tsto e, '"eduriveis a elementos
muito maior do que se admitia até então,
nores. Sobre essas bases foi realiaado o progresso da qu.m.ca durante todo o sécu Io XIX e a teoria se manteve de pé até
sendo necessário criar toda uma nova me cânica para explicar os fenômenos que se passavam no interior do átomo. Esse no vo ramo da ciência, desenvolvido princi palmente na segunda década do século
que quase no fim do século passado se verificou que certas substâncias se desin tegravam espontaneamente, com emissão
de radiações diversas, constituindo o fe nômeno da radioatividade.
XX, conduziu a conclusões teóricas que se coadunavam perfeitamente com os re sultados experimentais obtidos, e permi tiu prever a existência de outras partícu
.ioáàÈik.
las elementares.
Estas começaram a ser
observadas experimentalmente pouco de pois de 1930. Em 1932, por exemplo, Anderson descobre o positrun. idêntico ao
eléctron c com carga positiva; Chadwick descobre o nei*froti, partícula de massa
partículas elementares, do núcleo comple xo de cada elemento químico. Isso é devido ao seguinte: o núcleo
atômico é extremamente pequeno e for temente carregado de eletricidade positiva,
existindo entre êle e o espaço ambiente
igual à do próton, porém destituída de qualquer carga elétrica ; em 193ó Ander
uma espécie de muralha elétrica, denomi
son c Nieddermeyer descobrem o ineson.
Tudo se passa como se o núcleo fôsse ura coco babaçu,, de casca muito dura,
nada barreira dê potencial.
partícula de massa intermediária entre a do eléctron e a do próton, cuja existência
dentro do qual se aglomerassem partícu
havia sido prevista teoricamente por Yu-
las elementares diversas, ligadas entre si por um endocarpo.
kawa em 1935. Em 1947, Lattes, OcchiaJini e Püwell descobrem duas espécies di
Assim como, para se conseguir chegar
ferentes de fnesons, um meson pesado, um
a conhecer o interior do coco babaçu, é
meson leve. A teoria postula ainda a existência de mais uma partícula,
para estudar separadamente cada
necessário romper a casca dura e cortá-lo
um dos elementos — as sementes,
de massa extremamente pequena
o endocarpo, as várias membra
e sem carga, o neutrluo. que, en
nas, as
tretanto, não pôde ainda ser cohsratado experimentalmente, pela
assim
irradiando para todos os lados as
Não é possível, hoje em dia.
dar ao leigo um modelo de átomo, pois a complexidade dos fenômenos que se
passam em seu interior é tal. que só pode
ser descrito adequadamente por equações
fnatematicas
—
tutivos, é preciso fazê-lo explodir,
comprovação.
Entretanto,
etc.
núcleo em seus elementos consti
extraordinária dificuldade de sua
abstrusas.
fibras
também, para poder estudar o
em
suas linhas gerais, foi mantida a concepção essencial do modelo atômico de Ruther ford Bohr e Sommerfeld, isto é, de que um átomo consiste de um núcleo positi vamente carregado e que compreende a maior parte da massa atômica, em torno da qual gira um certo número de eléctrons, carregados negativamente.
partículas que o compõem, tal como acon tece quando, num jôgo de snooker, a bola
branca atinge em cheio o conjunto das
bolas vermelhas arrumadas na mesa de bilhar.
A física nuclear preocupa-se exclusiva mente com o estudo do núcleo atômico e bombardeio de núcleos-o precisamente o
tículas de energia conheS,'^°'
penetrar a barreira de pomTw
Tett°
P"'-las elT
O número de partículas componentes de um átomo varia conforme o elemento
A concentrado, em espaço extraordinaT namente pequeno fl-ic r^,rr^r. acontece ' no P^rticuías das. como_ núcleo doclctrizaátomo.
químico considerado, mas obedece a um conjunto de leis determinadas que permi
e a existência da barreira de potenciai
analoga a casca do côco babaçu, obriga a
tem dizer com precisão qual a composi
existência, em cada núcleo de cada átomo,
ção global do átomo de cada elemento químico, mas ainda hoje não se conhe
de uma quantidade enorme de energia,
ce precisamente qual a composição, em
indispensável para manter a estabilidade atômica ; em toda a extrema pequenez de
cada átomo
DronsTo
DiGHSTO Econômico
114
—
uma cabeça de alfinete
contém muitos trilhões de átomos — o
aproveitamento dessa energia constitui tal
gia ainda bem menor, através dos acelera dores de partículas, como os ciclotrons e aparelhos congêneres. Daí a imperiosa
vez o maior objetivo e prêmio que até
necessidade, em qualquer centro de pes
hoje tenha sido proposto à humanidade.
quisas físicas que se preze, da existência
Se o homem conseguir utilizar ainda que
de laboratórios destinados à pesquisa com
uma fração minúscula dessa imensa reser
raios cósmicos e de aceleradores de par
va energética, de maneira controlada, en tão estarão, definitivamente, resolvidas to
tículas.
Econômico
problemas da maior importância e onde
a saúde do povo, a superpopulação, o ní
sua especialidade, de ser considerados completamente fósseis e sujeitos a serem
vel de vida baixo e outros congêneres,
recebidos com risos de mofa por even
são de solução mais difícil que os nossos próprios, pois que ali são complicados por divergências profundas de natureza re
tuais alunos.
ligiosa e lingüística, inexistentes entre nós, possui um Ministério de Pesquisas Cien tíficas, pasta essa cujo titular c o próprio
O objetivo a que o Centro se propõe é, precisamente, não permitir que isso acon teça, conservando para o Brasil a possibi
lidade de continuar a manter sua posí^o junto aos países de vanguarda, sob pena
Aparelhamento material, contudo, não basta, se não existir o material humano
Chefe do Governo da Índia, Pandit Ja-
de ficar, para sempre, relegado a um des
waharlal Nehru, que assim demonstra a
tino apagado, que não merece.
cia das pesquisas de física nuclear, únicas
indispensável. Daí decorre a necessida de imperiosa de formar pesquisadores, ou
importância que da à pesquisa científica pura num país em crise de industrializa
capazes de conduzir à realização desse so
tra das atividades do Centro recém-for-
ção como o nosso.
nho da humanidade.
mado.
O mais difícil em questões dessa natu reza não é o aparelhamento, mas princi
das as dificuldades hoje existentes em ma
téria de fornecimento de energia a baixo preço. Daí a extraordinária importân
_ Entretanto, as dificuldades de realizaÇao sao imensas, ateindendo principalmen te aos_ seguintes fatos: primeiro, os áto mos sao completamente invisíveis e jamais
poderão ser observados diretamente mes mo com aparelhos aperfeiçoados como o porque sua ordem
- constitutivos e taldesses que osmicroscópios feixes de radiaÇao
rScã o^^dSio^m , posição em que se encontravam; segun• rr/' üLra" ° so "11
Jiaçtsse n„j' que
^
substâncias ra 'í-buloSabe-se, por exemplo,
a«1'empelmrrdraVuormnhcomo existe
E' freqüente encontrarem-se, entre nós
elementos que supõem muito mais útil pa. ra a humaniilade, ao invés da criação de uma entidade como a do Centro, dedicada à pesquisa pura, que alguns elementos
brasileiros cie valor reconhecido, como por exemplo César Lattes, fossem comissiona
dos para prosseguir em suas pesquisas no exterior. Argumentam esses que. dessa forma, não haveria as despesas inevitáveis de manutenção de uma entidade como a do Centro, e acrescentam que o Brasil ainda não está preparado para aventuras culturais dessa natureza, por lhe faltarem recursos em homens e em material que o justifiquem.
Nada mais errôneo, a nosso ver.
degraus,
poderíamos provocar ri" -
Se
fôssemos seguir as idéias expressas por elementos com essa mentalidade, jamais
res; como, porér^ "L
seria possível que o Brasil se tornasse, em
f/ • ohp resta ao frs.co nuclear é unico o do recurso bombardeio do_ núcleo por partículas elementares -!!
dente do mundo exterior. Ou as pesqui
menos no mlmenm o únirr:""'
prorons, neutrons etc. - pelo mecanismo acima exposto.
Ora, essas partículas só se encontram livres, na natureza, nos denominados raios cósmicos, que nos chegam de todas as í>orções do, espaço; ou então só podem ser fabricadas na terra, embora com ener
matéria de tamanha importância, indepen sas básicas são realizadas também no Bra sil ou então ficaremos condenados a con
tinuar eternamente em posi^o secundá ria, de inferioridade manifesta, em rela
ção a outros países de maior visão. E não
se argumente que somente países ricos estão em condições de se preocupar com a pesquisa científica; a Índia, país reco nhecidamente pobre, assoberbado com
palmente o material humano. Ninguém poderá razoavelmente, negar hoje em dia aue o progresso de qualquer país depeni da técnica; e quem pode fazer a tecca são os técnicos, aqueles que estão apa-
"'ihados, pelo seu conhecimento especia-
Já várias vezes nosso país tem deixado oportunidades únicas e excepcionais se lhe escaparem como areia pelos dedos, por um
ufanismo injustificado e a declaração de que "Deus é brasileiro". Assim ocorreu, por exemplo, com as nossas estradas de
ferro; fomos um dos primeiros países do mundo a construí-las, e hoje estamos em
situação de inferioridade em relação a outros.
Fomos os maiores especialistas do mun
poder realizar concretamente
do na construção de barcos de madeira, a
já vimos, para que o Brasil possa en veredar decididamente pela estrada larga da era atômica que ora se abre, é indis
missões para aprender a construí-los. Ho
do
''^^objetivos a que se propõem. Ora, co-
pensável que disponha não somente de
material adequado no campo da física, mas principalmente de pesquisadores e rofessôres capazes de acompanhar o pro gresso da ciência em outros pontos do
^lobo ^ progresso da física, nos dias correm, é de tal maneira veloz que ^^n^a paralisação de dois anos é suficiente
ponto de os alemães mandarem ao Br^il je, tudo isso desapareceu.
O pai da aviado foi um brasileiro, mas hoje somos obrigados a adquirir nossos
aviões no estrangeiro, e estamos cor>\ple-
tamente retardados em relação aos pro-
gressbs modernos da aviação, pois não po demos amda construir aviões Também do estrangeiro somos obrigados a impor
^
tar automóveis e caminhões-
"'ra tornar obsoletos quaisquer conheci
1905. 10.0S sobrep^To: portnl",™
mentos adquiridos nesse setor.
•/
dos melhores couraçados do m
_
O fluxo da corrente das realizações tem
sido de tal forma acelerado desde 1942
era contar com os ollrl•/^c
acir nor Procuraram agir por si e prosseguir na árdua trilha
que eminentes professores de física de
do progresso original. Esta é a justiça-
antes da guerra estarão em risco, caso não se achem ativamente preocupados em
tarmos, entre nóc nos, ao
acòmpanhar o vertiginoso progresso da
cta ciência pura.
d- ««ssidade de foZpesquisa no campo
cada átomo
DronsTo
DiGHSTO Econômico
114
—
uma cabeça de alfinete
contém muitos trilhões de átomos — o
aproveitamento dessa energia constitui tal
gia ainda bem menor, através dos acelera dores de partículas, como os ciclotrons e aparelhos congêneres. Daí a imperiosa
vez o maior objetivo e prêmio que até
necessidade, em qualquer centro de pes
hoje tenha sido proposto à humanidade.
quisas físicas que se preze, da existência
Se o homem conseguir utilizar ainda que
de laboratórios destinados à pesquisa com
uma fração minúscula dessa imensa reser
raios cósmicos e de aceleradores de par
va energética, de maneira controlada, en tão estarão, definitivamente, resolvidas to
tículas.
Econômico
problemas da maior importância e onde
a saúde do povo, a superpopulação, o ní
sua especialidade, de ser considerados completamente fósseis e sujeitos a serem
vel de vida baixo e outros congêneres,
recebidos com risos de mofa por even
são de solução mais difícil que os nossos próprios, pois que ali são complicados por divergências profundas de natureza re
tuais alunos.
ligiosa e lingüística, inexistentes entre nós, possui um Ministério de Pesquisas Cien tíficas, pasta essa cujo titular c o próprio
O objetivo a que o Centro se propõe é, precisamente, não permitir que isso acon teça, conservando para o Brasil a possibi
lidade de continuar a manter sua posí^o junto aos países de vanguarda, sob pena
Aparelhamento material, contudo, não basta, se não existir o material humano
Chefe do Governo da Índia, Pandit Ja-
de ficar, para sempre, relegado a um des
waharlal Nehru, que assim demonstra a
tino apagado, que não merece.
cia das pesquisas de física nuclear, únicas
indispensável. Daí decorre a necessida de imperiosa de formar pesquisadores, ou
importância que da à pesquisa científica pura num país em crise de industrializa
capazes de conduzir à realização desse so
tra das atividades do Centro recém-for-
ção como o nosso.
nho da humanidade.
mado.
O mais difícil em questões dessa natu reza não é o aparelhamento, mas princi
das as dificuldades hoje existentes em ma
téria de fornecimento de energia a baixo preço. Daí a extraordinária importân
_ Entretanto, as dificuldades de realizaÇao sao imensas, ateindendo principalmen te aos_ seguintes fatos: primeiro, os áto mos sao completamente invisíveis e jamais
poderão ser observados diretamente mes mo com aparelhos aperfeiçoados como o porque sua ordem
- constitutivos e taldesses que osmicroscópios feixes de radiaÇao
rScã o^^dSio^m , posição em que se encontravam; segun• rr/' üLra" ° so "11
Jiaçtsse n„j' que
^
substâncias ra 'í-buloSabe-se, por exemplo,
a«1'empelmrrdraVuormnhcomo existe
E' freqüente encontrarem-se, entre nós
elementos que supõem muito mais útil pa. ra a humaniilade, ao invés da criação de uma entidade como a do Centro, dedicada à pesquisa pura, que alguns elementos
brasileiros cie valor reconhecido, como por exemplo César Lattes, fossem comissiona
dos para prosseguir em suas pesquisas no exterior. Argumentam esses que. dessa forma, não haveria as despesas inevitáveis de manutenção de uma entidade como a do Centro, e acrescentam que o Brasil ainda não está preparado para aventuras culturais dessa natureza, por lhe faltarem recursos em homens e em material que o justifiquem.
Nada mais errôneo, a nosso ver.
degraus,
poderíamos provocar ri" -
Se
fôssemos seguir as idéias expressas por elementos com essa mentalidade, jamais
res; como, porér^ "L
seria possível que o Brasil se tornasse, em
f/ • ohp resta ao frs.co nuclear é unico o do recurso bombardeio do_ núcleo por partículas elementares -!!
dente do mundo exterior. Ou as pesqui
menos no mlmenm o únirr:""'
prorons, neutrons etc. - pelo mecanismo acima exposto.
Ora, essas partículas só se encontram livres, na natureza, nos denominados raios cósmicos, que nos chegam de todas as í>orções do, espaço; ou então só podem ser fabricadas na terra, embora com ener
matéria de tamanha importância, indepen sas básicas são realizadas também no Bra sil ou então ficaremos condenados a con
tinuar eternamente em posi^o secundá ria, de inferioridade manifesta, em rela
ção a outros países de maior visão. E não
se argumente que somente países ricos estão em condições de se preocupar com a pesquisa científica; a Índia, país reco nhecidamente pobre, assoberbado com
palmente o material humano. Ninguém poderá razoavelmente, negar hoje em dia aue o progresso de qualquer país depeni da técnica; e quem pode fazer a tecca são os técnicos, aqueles que estão apa-
"'ihados, pelo seu conhecimento especia-
Já várias vezes nosso país tem deixado oportunidades únicas e excepcionais se lhe escaparem como areia pelos dedos, por um
ufanismo injustificado e a declaração de que "Deus é brasileiro". Assim ocorreu, por exemplo, com as nossas estradas de
ferro; fomos um dos primeiros países do mundo a construí-las, e hoje estamos em
situação de inferioridade em relação a outros.
Fomos os maiores especialistas do mun
poder realizar concretamente
do na construção de barcos de madeira, a
já vimos, para que o Brasil possa en veredar decididamente pela estrada larga da era atômica que ora se abre, é indis
missões para aprender a construí-los. Ho
do
''^^objetivos a que se propõem. Ora, co-
pensável que disponha não somente de
material adequado no campo da física, mas principalmente de pesquisadores e rofessôres capazes de acompanhar o pro gresso da ciência em outros pontos do
^lobo ^ progresso da física, nos dias correm, é de tal maneira veloz que ^^n^a paralisação de dois anos é suficiente
ponto de os alemães mandarem ao Br^il je, tudo isso desapareceu.
O pai da aviado foi um brasileiro, mas hoje somos obrigados a adquirir nossos
aviões no estrangeiro, e estamos cor>\ple-
tamente retardados em relação aos pro-
gressbs modernos da aviação, pois não po demos amda construir aviões Também do estrangeiro somos obrigados a impor
^
tar automóveis e caminhões-
"'ra tornar obsoletos quaisquer conheci
1905. 10.0S sobrep^To: portnl",™
mentos adquiridos nesse setor.
•/
dos melhores couraçados do m
_
O fluxo da corrente das realizações tem
sido de tal forma acelerado desde 1942
era contar com os ollrl•/^c
acir nor Procuraram agir por si e prosseguir na árdua trilha
que eminentes professores de física de
do progresso original. Esta é a justiça-
antes da guerra estarão em risco, caso não se achem ativamente preocupados em
tarmos, entre nóc nos, ao
acòmpanhar o vertiginoso progresso da
cta ciência pura.
d- ««ssidade de foZpesquisa no campo
''
DlOnSTO ECONÔMICO
mal, devemos considerar, além das chu
A seca e as variações climáticas
vas, ao menos as temperaturas. Verifica mos que durante os 4 meses dc maio a
Josii Setzer
dia 7 de setembro último, um dos jornais mais importantes de São Pau
lo publicou, com destaque especial, uma nota extensa a fim de provar que as con dições da seca deste ano eram normais. Para isso estampou os totais mensais de
agosto de 1950, praticamente não houve inverno. Tivemos dias de sol quente
considerado normal pela nota do jornal ci
como no verão.
tado.
bastante force cm comparação com as tem peraturas máximas cias 14 ou 15 horas da tarde, não foi. no entanto, típico do inverno : as manhãs, na sua maioria, fo
No ano do 1949 a queda de chu
vas também foi inferior à "normal", pois. só choveu pouco mais que metade das chuvas esperadas, ou. precisamente, 56 o^.-
Mas as chuvas não são suficientes para
chuvas de janeiro a julho de 1949 e de
-se confrontar a estiagem de dois anos en
1950, observados em 23 cidades do Es
tre si ou com o aspecto normal, pois a pa lavra "estiagem" ou "sêca" significa defi
tado. e, além disso, as médias mensais de
chuvas de 1938 a 1948, da cidade de São Paulo.
Em primeiro lugar, as médias da Ca
pitai do Estado não representam bem o interior, por várias razões: 1) trata-se de
território bastante grande, de modo que
O esfriamento noturno,
ram bastante quentes para dispensarmos o uso de agasalhos ou mesmo de suéteres. Foi essa a razão principal por que a
sêca êste ano foi muito forte: pouca chu
temperatura cm primeiro lugar, e da in tensidade dos ventos (evaporação) e ou
terior, e abaixaram os níveis
do resto da água. Solo argi
dc água nos rios de maneira
loso ou humoso evapora água sob os raios solares e por isso ^
avahada cm base dc dados de mais que me,a dua.a de cidades, como, pot exempio, Presidente Prudente, Araçatuba, Barretos, Igarapava Casa Branca, Campinas,
íhn para sódafalar do plana o paulista;Taubaté. 2) os dados Capital
este total de chuvas são consideradas su-
rai para a cidade do de litoSão Íl Mta o interior; 3) "''"'içSo
lo só temos clima superúmido com mais dc 2.500 a 3.500 mm anuais, conforme
A região mais sêca do Nordeste e. por roral de chuvas médio superior a 500 mm'
por ano. No Canadá há regiões que com perúmidas.
deravel deste ponto de vista.
raturas.
•
O autor destas linhas deduziu a fór- m
i i
pubhcados mostram qu. os anorje 1949 e 1950 foram de estiai?í-rr.
•
•
grave que os anos normais do de 4 meses, de
em passoS5oquePaulo, nas 23norm::r„rfrm cidades mencionadas ^ho" veu em media 95 mm em 194Q «
38 mm em 1950.
^
Portanto, em têrmos de quantidades de chuva, o período de 4 meses, de maio a agosto, foi em 1950 tão seco que as chu vas somaram menos que a quarta parte,
c, precisamente, apenas 22 % do total
mula mais conveniente para que, conside rando simultaneamente as chuvas e as temperaturas, se possa calcular um índice dc umidade do clinla. Essa fórmula ser
t''
b
agua, aqueçe-se como um leito de estrada
tos da cidade, pois o teor de oxigênio
asfaltada.
dissolvido na água do rio ficou reduzido a zero.
Quando os raios solares incidem na fo
lhagem da vegetação, tendem a secar as
folhas. Estas defendem-se evaporando Quanto às mudanças de clima, nenhum
ligua, de modo que, no tecido vivo, a tem peratura baixa. Ao mesmo tempo se es
centro de estudos climáticos do mundo possui, por ora, dados que possam ser
tabelece gradiente de turgidez (pressão osmótica) da cadeia de células vivas, Jes-
considerados, a rigor, suficientes para afirmar se o trabalho humano foi capaz de alterar o"clima ou não.
pela folhagem obriga as raízes a extraí rem água do solo. Quando a água pas-
Teoricamente, basta que o homem di
óe a folha ate a raiz. A perda de água
viu de base para a elaboração de novo sistema de classificação de climas (* ), que está sendo aplicado em várias partes do -
getal de uma região de 1.500 ou 2.000 afetado no sentido de estiagem mais lon
solo para dentro das raízes da ve getação, leva consigo elementos químicos qne sao o nutrimento mineral das plantas. troca, as raízes secretam ácidos orgânicos muito eficientes na decomposi
mundo.
ga e mais seca, estação chuvosa mais cur
ção das rochas. Em última análise, o sol
minua sensivelmente toda a cobertura ve
km de diâmetro, para que o clima seja
Porfãnto, para compararmos a sêca de
ta e mais intensa, temperaturas maximas
põe em funcionamento todo um mecanis-
1950 com a de 1949 e com o quadro nof-
tão aumentadas, que apesar da persistência
^o enorme e complicado, cujo conjunto
das mínimas, as temperaturas médias acu
^ íifinal a vida da superfície terrestre.
C) Geogratíhical Rcview, New York, abril
sem elevação nítida, êste aspecto térmico ✓sendo muito mais pronunciado na estia
de 1946.
Rev. Bras. de Geografia, Rio, ju de
. - . .r.\\ ■ .
não se aquece muito. Solo arenoso, nao podendo soltac
parte do Tietê mais poluída pelos deje
Aqui no Estado de São Pau
a altitude, que condiciona certas tempe
bem alto, de calorias da par tícula sólida mais próxima ou
no raro da çnorte de peixes na
tanto, o ponto mais árido do Brasil, acus.i •'
-«rírcloo . •
Em segundo lugar n<
A passagem de 1 g de água do estado lí
quido pata o gasoso (vapor que se disper sa, invisível, no ar) retira certo número,
os campos de quase todo o in
alarmante. Na cidade de São
-i
partículas em suspensão interceptam os raios solares. Solo sêco aquece-se mais que solo úmido. Além disso, o aqueci mento da água provoca sua evaporação.
de do clima depende da pluviosidade e da/il
Paulo foi noticiado o fenôme
- representaconsiderações agrícolas pois nao região i^on-
turvas aquecem-se na superfície, pois as
va e muito calor. E foram esses os fa tores que tornaram amarelos
tros fatores meteorológicos em segundo
Paulo nao pode servir ncir
restre. O ar é aquecido pelo contato com
a superfície. Numa piscina de água lim pa o sol só aquece o fundo. As águas
ciência de umidade, enquanto as chuvas são medida de "pluviosidade". A umida
lugar.
sua marcha normal de chuvas deve ser
Por que ninguém duvida, teoricamen
te, dêsse aspecto de mudança climática ? Os raios solares somente aquecem as par tículas sólidas da superfície do globo ter
1946.
,
gem do que na estação chuvosa.
Temos, assim, um ciclo, de que parri^■'Pam solo rico de maréria organica, c.
portanto, possuidor de boas propriedades
''
DlOnSTO ECONÔMICO
mal, devemos considerar, além das chu
A seca e as variações climáticas
vas, ao menos as temperaturas. Verifica mos que durante os 4 meses dc maio a
Josii Setzer
dia 7 de setembro último, um dos jornais mais importantes de São Pau
lo publicou, com destaque especial, uma nota extensa a fim de provar que as con dições da seca deste ano eram normais. Para isso estampou os totais mensais de
agosto de 1950, praticamente não houve inverno. Tivemos dias de sol quente
considerado normal pela nota do jornal ci
como no verão.
tado.
bastante force cm comparação com as tem peraturas máximas cias 14 ou 15 horas da tarde, não foi. no entanto, típico do inverno : as manhãs, na sua maioria, fo
No ano do 1949 a queda de chu
vas também foi inferior à "normal", pois. só choveu pouco mais que metade das chuvas esperadas, ou. precisamente, 56 o^.-
Mas as chuvas não são suficientes para
chuvas de janeiro a julho de 1949 e de
-se confrontar a estiagem de dois anos en
1950, observados em 23 cidades do Es
tre si ou com o aspecto normal, pois a pa lavra "estiagem" ou "sêca" significa defi
tado. e, além disso, as médias mensais de
chuvas de 1938 a 1948, da cidade de São Paulo.
Em primeiro lugar, as médias da Ca
pitai do Estado não representam bem o interior, por várias razões: 1) trata-se de
território bastante grande, de modo que
O esfriamento noturno,
ram bastante quentes para dispensarmos o uso de agasalhos ou mesmo de suéteres. Foi essa a razão principal por que a
sêca êste ano foi muito forte: pouca chu
temperatura cm primeiro lugar, e da in tensidade dos ventos (evaporação) e ou
terior, e abaixaram os níveis
do resto da água. Solo argi
dc água nos rios de maneira
loso ou humoso evapora água sob os raios solares e por isso ^
avahada cm base dc dados de mais que me,a dua.a de cidades, como, pot exempio, Presidente Prudente, Araçatuba, Barretos, Igarapava Casa Branca, Campinas,
íhn para sódafalar do plana o paulista;Taubaté. 2) os dados Capital
este total de chuvas são consideradas su-
rai para a cidade do de litoSão Íl Mta o interior; 3) "''"'içSo
lo só temos clima superúmido com mais dc 2.500 a 3.500 mm anuais, conforme
A região mais sêca do Nordeste e. por roral de chuvas médio superior a 500 mm'
por ano. No Canadá há regiões que com perúmidas.
deravel deste ponto de vista.
raturas.
•
O autor destas linhas deduziu a fór- m
i i
pubhcados mostram qu. os anorje 1949 e 1950 foram de estiai?í-rr.
•
•
grave que os anos normais do de 4 meses, de
em passoS5oquePaulo, nas 23norm::r„rfrm cidades mencionadas ^ho" veu em media 95 mm em 194Q «
38 mm em 1950.
^
Portanto, em têrmos de quantidades de chuva, o período de 4 meses, de maio a agosto, foi em 1950 tão seco que as chu vas somaram menos que a quarta parte,
c, precisamente, apenas 22 % do total
mula mais conveniente para que, conside rando simultaneamente as chuvas e as temperaturas, se possa calcular um índice dc umidade do clinla. Essa fórmula ser
t''
b
agua, aqueçe-se como um leito de estrada
tos da cidade, pois o teor de oxigênio
asfaltada.
dissolvido na água do rio ficou reduzido a zero.
Quando os raios solares incidem na fo
lhagem da vegetação, tendem a secar as
folhas. Estas defendem-se evaporando Quanto às mudanças de clima, nenhum
ligua, de modo que, no tecido vivo, a tem peratura baixa. Ao mesmo tempo se es
centro de estudos climáticos do mundo possui, por ora, dados que possam ser
tabelece gradiente de turgidez (pressão osmótica) da cadeia de células vivas, Jes-
considerados, a rigor, suficientes para afirmar se o trabalho humano foi capaz de alterar o"clima ou não.
pela folhagem obriga as raízes a extraí rem água do solo. Quando a água pas-
Teoricamente, basta que o homem di
óe a folha ate a raiz. A perda de água
viu de base para a elaboração de novo sistema de classificação de climas (* ), que está sendo aplicado em várias partes do -
getal de uma região de 1.500 ou 2.000 afetado no sentido de estiagem mais lon
solo para dentro das raízes da ve getação, leva consigo elementos químicos qne sao o nutrimento mineral das plantas. troca, as raízes secretam ácidos orgânicos muito eficientes na decomposi
mundo.
ga e mais seca, estação chuvosa mais cur
ção das rochas. Em última análise, o sol
minua sensivelmente toda a cobertura ve
km de diâmetro, para que o clima seja
Porfãnto, para compararmos a sêca de
ta e mais intensa, temperaturas maximas
põe em funcionamento todo um mecanis-
1950 com a de 1949 e com o quadro nof-
tão aumentadas, que apesar da persistência
^o enorme e complicado, cujo conjunto
das mínimas, as temperaturas médias acu
^ íifinal a vida da superfície terrestre.
C) Geogratíhical Rcview, New York, abril
sem elevação nítida, êste aspecto térmico ✓sendo muito mais pronunciado na estia
de 1946.
Rev. Bras. de Geografia, Rio, ju de
. - . .r.\\ ■ .
não se aquece muito. Solo arenoso, nao podendo soltac
parte do Tietê mais poluída pelos deje
Aqui no Estado de São Pau
a altitude, que condiciona certas tempe
bem alto, de calorias da par tícula sólida mais próxima ou
no raro da çnorte de peixes na
tanto, o ponto mais árido do Brasil, acus.i •'
-«rírcloo . •
Em segundo lugar n<
A passagem de 1 g de água do estado lí
quido pata o gasoso (vapor que se disper sa, invisível, no ar) retira certo número,
os campos de quase todo o in
alarmante. Na cidade de São
-i
partículas em suspensão interceptam os raios solares. Solo sêco aquece-se mais que solo úmido. Além disso, o aqueci mento da água provoca sua evaporação.
de do clima depende da pluviosidade e da/il
Paulo foi noticiado o fenôme
- representaconsiderações agrícolas pois nao região i^on-
turvas aquecem-se na superfície, pois as
va e muito calor. E foram esses os fa tores que tornaram amarelos
tros fatores meteorológicos em segundo
Paulo nao pode servir ncir
restre. O ar é aquecido pelo contato com
a superfície. Numa piscina de água lim pa o sol só aquece o fundo. As águas
ciência de umidade, enquanto as chuvas são medida de "pluviosidade". A umida
lugar.
sua marcha normal de chuvas deve ser
Por que ninguém duvida, teoricamen
te, dêsse aspecto de mudança climática ? Os raios solares somente aquecem as par tículas sólidas da superfície do globo ter
1946.
,
gem do que na estação chuvosa.
Temos, assim, um ciclo, de que parri^■'Pam solo rico de maréria organica, c.
portanto, possuidor de boas propriedades
DIGESTO ECONÔMICO
118
Dighsto Econômico
fíiiáís iisica» (enraizamento das plantas e re tenção dágua), plantas altas, bem enrai zadas, forrando profusarrjente a terra, ca
lor solar forte, muita evaporação, ventos que empurram nuvens pesadas e escuras,
prontas a se derramarem em chuvas abun
dantes, mas passageiras, para darem lugar a novo aquecimento pelos raios solares
que atravessam atmosfera limpa de poei ras, transparentes, para que a folhagem
seja bem aquecida e obrigada a evaporar muita água do solo úmido, deixando mui
to detrito que forme ácido orgânico que ataque as rochas etc.
A chegada do homem significa a que bra desse ciclo. A mata deve ser arra sada, para dar lugar às plantas cultivadas as quais nao cobrem a terra. O solo é «posto diretamente aos raios solares e
ruuTvo"'"' ''"^^
«^"idadoso é o
da ::;íurrdyemnereiS""d
i desnudado aquece-se sob e ' micróbios. suWtidos
«tufa bacteriológica, decom^erràpidí
? Morrem de iirftrtr." irranição or micróbiorrnéfi
COS e proliferam os daninhos, que sabem
se nutnr dos dejetos dos prlmeL, iZ quando acabam as últimas porções de hú
mus, cessa a multiplicação dos microor gamsmos Ao mesmo tempo, a
que no verão temos pequeno número de
ções, como a índia, ou situada na passa
horas de sol, enquanto no inverno temos semanas e meses de insolação, que atinge
da cobertura vegetal da região, contínuo
gem obrigatória de massas de ar de um enorme oceano para um grande continence, não terá o seu regímem de chuvas al
depauperamento dos solos, e empobreci
quase o máximo teórico de número dc horas de sol.
Mas nas noites estreladas
terado, por maiores que sejam as mudan ças provocadas pela mão humana, e ain
atmosfera livre, c temo.s temperaturas mí
da que se estendam por diversos milhares
nimas tão baixas como nas condições virgens. Quando chove sòhrc mata virgem, ,i camada superficial de meio metro de de
de vegetação, que tende a firmar as con dições de deserto edáfico e finalmente cli
de quilômetros. Neste caso o clima mu
mático.
dará com mais facilidade, em conseqüên cia de mudanças havidas nas regiões da
Mas o Oceano Atlântico não mudou de lugar e as matas amazônicas continuam
Na região formada pelos Estados de São
tidades enormes de água. Esta vai-se in filtrando lentamente no solo c constitui
Paulo,
norte do Paraná,
Mato Grosso,
Goiás, planalto baiano e Minas até a Ser ra do Mar, portanto correspondente a um
reserva duradoura para a vegetação. Quan do chuva idêntica cai sobre solo lavado,
círculo de uns 2.000 mil km de diâmetro,
erodido e orgânicamente esterilizado, ime
diatamente se formam enxurradas que
as rochas são pobres no seu conjunto. O clima sendo quente, agrava a esteriliza
procuram rapidamente
ção orgânica e a dissolução química.
as baixadas e os
rios. As águas correm lamacentas de ar gila retirada das terras, as quais se enri quecem em areia. Não se forma reserva
A
existência de estiagem promove nos solos tropicais formação de crostas limoníticas duras a pequena profun didade do solo, de um ou dois pal
de água no solo. Os cios promovem inun dação na estação chuvosa, enquanto se re duzem a míseros filetes dágua nas es-
sas de chuvas no verão, de grande enver gadura. continuam as mesmas. São afeta
das as chuvas esparsas e raras do inverno, quando não causadas pelas incursões da' frente polar marítima. Resultam também algo afastadas, deprimidas, as causas de chuvas do início e do fim da estação chu vosa. quando os fatores de grande enver
gadura começam timidamente a sua ação ou apresentam notável esmoreci-
mento por rer chegado o fim do seu reinado.
As condições novas, provocadas pela mão humana, emprestam es tabilidade à grande massa de ar anticiclônica continental, que por
mos. Essa crosta limita o enrai zamento das árvores e condiciona
tiagens.
campos pobres. O homem castiga muito as ter
O leitor inteligente saberá completar esse quadro do trabalho humano nos seus
ras pobres com clima a duas estações di
isso tende a abranger área cada vez maior
pormenores. Vamos ao essencial.
ferentes pela pluviosidade. Antes de co
atingindo freqüentemente a
Dissemos que no ciclo participa o fator Geologia, através da decomposição da ro
meçar a estação chuvosa, queima os cam-
Mar. Evaporação reduzida e produção
pys pobres que se tornaram inúteis pela seca. Se as chuvas vierem logo depois
constante de ar quente e
de de retenção dagua. Desnudados ou esterilizam e aquecem até 70°C (verifica do sobre solo muito arenoso) . Daí a ele vação das temperaturas. Esta é maior no
mais ou menos incólumes. Assim, as cau
proveniência das massas de ar.
tritos mortos e de terra preta retém quan
cha, a qual fornece sais minerais ao solo;
recebem em cheio os raios solares que os
mento do homem, cujos meios para me lhorar as terras vão-se tornando cada vez mais escassos. Há tendência para deserto
há enorme irradiação do calor para a
qu,m.ca I.xtv.a o solo, dei^ndo-o lavado e estenl. A erosão física arrasta para ° baixadas a parte rica superficial dos Ir tos, decapitando-os e expondo camTdIs mais profundas nao meteorizadas, despro Vidas de vida orgânica. Assim os solos perdem a sua capacida mal cobertos por vegetação curta e dura
119
nosso inverno seco do que no verão, por
êstc nutre as plantas etc.
O fator Geo
das queimadas, a vegetação renasce das suas cinzas, tenra e pujante. Se a estia
logia é decisivo no condicionamento do tempo necessário para que o homem ar
gem continuar depois da queimada, o
ruine o solo. Êste fator tempo é essencial,
gado se alimentará dos brotos novos das
pois pode variar, digamos, de 50 a 1.000 anos. No caso de vasto platô de arenito,
zadas, que a sêca ainda não atingiu as suas
teremos o menor desses prazos. No caso
raízes.
de igualmente espesso lençol de sedimen
Além da rocha pobre e muita queima da, a nossa região é pouco povoada. Isso significa, que há muita terra para pouca
tos calcáreos, argilosos ou loessíticos, po
Outro fator decisivo é a posição geo
Região dominada pela.<5 mon-
,
abrindo massaáreaaariciclôlica. ^ue .e alir''" cada vez maior e ? ™" tòres dc envergadura cada vez Sr V" im pa«
que a
poucas plantas tão profundamente enrai
deremos ter o maior daqueles prazos, po dendo atingir talvez mesmo 5.000 anos. gráfica.
j'
II.
gente. Não há necessidade de cuidar das terras. O estrago causado ao solo não pre judica imediata e sensivelmente o homem.
Em resultado, temos redução constante
no cen.ro da á
■indo ainda mais o ponto de orvalho. natureza é contínua mu-
Ç • A ^ estabilidade das coisas é ex-
ceçao, e só se observa dentro de limites restritos de tempo. Se pudéssemos con sultar os dados de chuvas de um período completo de mil anos, de qualquer lugar, notaríamos tendência firme para modifica-
J
DIGESTO ECONÔMICO
118
Dighsto Econômico
fíiiáís iisica» (enraizamento das plantas e re tenção dágua), plantas altas, bem enrai zadas, forrando profusarrjente a terra, ca
lor solar forte, muita evaporação, ventos que empurram nuvens pesadas e escuras,
prontas a se derramarem em chuvas abun
dantes, mas passageiras, para darem lugar a novo aquecimento pelos raios solares
que atravessam atmosfera limpa de poei ras, transparentes, para que a folhagem
seja bem aquecida e obrigada a evaporar muita água do solo úmido, deixando mui
to detrito que forme ácido orgânico que ataque as rochas etc.
A chegada do homem significa a que bra desse ciclo. A mata deve ser arra sada, para dar lugar às plantas cultivadas as quais nao cobrem a terra. O solo é «posto diretamente aos raios solares e
ruuTvo"'"' ''"^^
«^"idadoso é o
da ::;íurrdyemnereiS""d
i desnudado aquece-se sob e ' micróbios. suWtidos
«tufa bacteriológica, decom^erràpidí
? Morrem de iirftrtr." irranição or micróbiorrnéfi
COS e proliferam os daninhos, que sabem
se nutnr dos dejetos dos prlmeL, iZ quando acabam as últimas porções de hú
mus, cessa a multiplicação dos microor gamsmos Ao mesmo tempo, a
que no verão temos pequeno número de
ções, como a índia, ou situada na passa
horas de sol, enquanto no inverno temos semanas e meses de insolação, que atinge
da cobertura vegetal da região, contínuo
gem obrigatória de massas de ar de um enorme oceano para um grande continence, não terá o seu regímem de chuvas al
depauperamento dos solos, e empobreci
quase o máximo teórico de número dc horas de sol.
Mas nas noites estreladas
terado, por maiores que sejam as mudan ças provocadas pela mão humana, e ain
atmosfera livre, c temo.s temperaturas mí
da que se estendam por diversos milhares
nimas tão baixas como nas condições virgens. Quando chove sòhrc mata virgem, ,i camada superficial de meio metro de de
de vegetação, que tende a firmar as con dições de deserto edáfico e finalmente cli
de quilômetros. Neste caso o clima mu
mático.
dará com mais facilidade, em conseqüên cia de mudanças havidas nas regiões da
Mas o Oceano Atlântico não mudou de lugar e as matas amazônicas continuam
Na região formada pelos Estados de São
tidades enormes de água. Esta vai-se in filtrando lentamente no solo c constitui
Paulo,
norte do Paraná,
Mato Grosso,
Goiás, planalto baiano e Minas até a Ser ra do Mar, portanto correspondente a um
reserva duradoura para a vegetação. Quan do chuva idêntica cai sobre solo lavado,
círculo de uns 2.000 mil km de diâmetro,
erodido e orgânicamente esterilizado, ime
diatamente se formam enxurradas que
as rochas são pobres no seu conjunto. O clima sendo quente, agrava a esteriliza
procuram rapidamente
ção orgânica e a dissolução química.
as baixadas e os
rios. As águas correm lamacentas de ar gila retirada das terras, as quais se enri quecem em areia. Não se forma reserva
A
existência de estiagem promove nos solos tropicais formação de crostas limoníticas duras a pequena profun didade do solo, de um ou dois pal
de água no solo. Os cios promovem inun dação na estação chuvosa, enquanto se re duzem a míseros filetes dágua nas es-
sas de chuvas no verão, de grande enver gadura. continuam as mesmas. São afeta
das as chuvas esparsas e raras do inverno, quando não causadas pelas incursões da' frente polar marítima. Resultam também algo afastadas, deprimidas, as causas de chuvas do início e do fim da estação chu vosa. quando os fatores de grande enver
gadura começam timidamente a sua ação ou apresentam notável esmoreci-
mento por rer chegado o fim do seu reinado.
As condições novas, provocadas pela mão humana, emprestam es tabilidade à grande massa de ar anticiclônica continental, que por
mos. Essa crosta limita o enrai zamento das árvores e condiciona
tiagens.
campos pobres. O homem castiga muito as ter
O leitor inteligente saberá completar esse quadro do trabalho humano nos seus
ras pobres com clima a duas estações di
isso tende a abranger área cada vez maior
pormenores. Vamos ao essencial.
ferentes pela pluviosidade. Antes de co
atingindo freqüentemente a
Dissemos que no ciclo participa o fator Geologia, através da decomposição da ro
meçar a estação chuvosa, queima os cam-
Mar. Evaporação reduzida e produção
pys pobres que se tornaram inúteis pela seca. Se as chuvas vierem logo depois
constante de ar quente e
de de retenção dagua. Desnudados ou esterilizam e aquecem até 70°C (verifica do sobre solo muito arenoso) . Daí a ele vação das temperaturas. Esta é maior no
mais ou menos incólumes. Assim, as cau
proveniência das massas de ar.
tritos mortos e de terra preta retém quan
cha, a qual fornece sais minerais ao solo;
recebem em cheio os raios solares que os
mento do homem, cujos meios para me lhorar as terras vão-se tornando cada vez mais escassos. Há tendência para deserto
há enorme irradiação do calor para a
qu,m.ca I.xtv.a o solo, dei^ndo-o lavado e estenl. A erosão física arrasta para ° baixadas a parte rica superficial dos Ir tos, decapitando-os e expondo camTdIs mais profundas nao meteorizadas, despro Vidas de vida orgânica. Assim os solos perdem a sua capacida mal cobertos por vegetação curta e dura
119
nosso inverno seco do que no verão, por
êstc nutre as plantas etc.
O fator Geo
das queimadas, a vegetação renasce das suas cinzas, tenra e pujante. Se a estia
logia é decisivo no condicionamento do tempo necessário para que o homem ar
gem continuar depois da queimada, o
ruine o solo. Êste fator tempo é essencial,
gado se alimentará dos brotos novos das
pois pode variar, digamos, de 50 a 1.000 anos. No caso de vasto platô de arenito,
zadas, que a sêca ainda não atingiu as suas
teremos o menor desses prazos. No caso
raízes.
de igualmente espesso lençol de sedimen
Além da rocha pobre e muita queima da, a nossa região é pouco povoada. Isso significa, que há muita terra para pouca
tos calcáreos, argilosos ou loessíticos, po
Outro fator decisivo é a posição geo
Região dominada pela.<5 mon-
,
abrindo massaáreaaariciclôlica. ^ue .e alir''" cada vez maior e ? ™" tòres dc envergadura cada vez Sr V" im pa«
que a
poucas plantas tão profundamente enrai
deremos ter o maior daqueles prazos, po dendo atingir talvez mesmo 5.000 anos. gráfica.
j'
II.
gente. Não há necessidade de cuidar das terras. O estrago causado ao solo não pre judica imediata e sensivelmente o homem.
Em resultado, temos redução constante
no cen.ro da á
■indo ainda mais o ponto de orvalho. natureza é contínua mu-
Ç • A ^ estabilidade das coisas é ex-
ceçao, e só se observa dentro de limites restritos de tempo. Se pudéssemos con sultar os dados de chuvas de um período completo de mil anos, de qualquer lugar, notaríamos tendência firme para modifica-
J
DlGliSIO i:< ONÒMJff)'
J2fl
çâo cm determinado sentido, pois a Geo-
goas. Rio i^reu). Igarapav.!. Ribeirão Pré-',
loítia já provou que os climas sempre mudam, e em tôda parte. Mas somos obrigados a examinar sempre os últimos
to, São José do Rio Pardo), hoje se es tende de abril a setembro e abrange todo
O t>olitico e a poluiciilha
se dilata na receptividade das grandes sê»-
nunca temos elementos para uma conclu
Campinas - Amparo - Joanópolis - Guaru-
A política, encarada de vários modos.
timbãleando o trem de vivandeira, com a
são segura.
Ihos - Barueri - Itapecerica - Salesópolis Cunha, e daí pela crista da Serra até
" foi conceituada por Maquiavel, de
Em cérca de 50 localidades do Estado
de São Paulo podemos comparar as mé dias de dois períodos de chuvas de cérca
de 25 anos cada, pois temos 50 anos de
dados, mais ou menos crivados de falhas
devido a interrupções nas observações ou
>
Cândido Moita Filho
o interior do Estado, até a'linha Camba rá - Piraju - Irapetininga - Sorocaba -
50 ou 70 anos desse período de mil, e
V
A política de Rui
o Rio.
O aumento das chuvas de dezembro a
fevereiro significa agravamento da erosão sem compensação, pois nunca houve falta
uma cerca forma, como a luta pelo poder,
unia luta portanto capaz, em qualquer parte, de despertar os impulsos elementa res c primitivos do homem. Mas. em verdade, a política é mais do que a luta pelo poíer, porque é, por si mesma, uma atividade criadora da ordem, que o Direi to ampara c solidifica. Uns, afoitos e in
sucesso era. No País, novidadeiros, os- ■ homens passavam depressa. Principal mente porque, para êle, não havia opi nião pública no. País, nem partidos, nem idéias e, consequentemente, verdadeira
seguros, tomam posição levados, como diz Maritain, pela ilusão do sucesso imediato.
nimava.
dc chuvas no verão.
rem. que as médias calculadas com os da
verificar a marcha das chuvas de vários
dos restantes são válidas para'o confronto. Os resultados dêsse confronto foram os se^intes í •) : não houve mudança no Etoral e na Serra onde as matas ainda se
séculos, talvez verificássemos que se trata de fenômeno periódico". De faro, é uma possibiiidaile. Mas como se explica então
o fato de não ter havido modificação al
Outros, firmes e convictos, não se deixam arrastar por essa ilusão. Rui, considerado
conservam; a mudança aumenta na dire
guma no litoral c nas zonas que conti
como um romântico.
ção de Mato Grosso e Goiás, e tanto mais quanto maior foi a devastação da vegeta ção e do solo; e essa mudança se traduz numa elevaçao grande das temperaturas medtas do mverno, um pouco menor no outono, menor ainda na primavera, e pe quena, mas ainda peiceptível, no verão-
nuam com farto revestimento vegetal e solos praticamente intactos ? E mais ain
da: como explicar que não htiuve modifi cação em certas zonas muito velhas, que, sofreram a devastação praticamente defi nitiva muito antes do início das observa
permanência do total anual de chuvas'
ções meteorológicas, como em cerras par tes do Vale do Paraíba, de modo que os
mas com agravamento da sua má distri-'
últimos 25 anos de dados representam
buiçao ; aumento nítido, que pode ser con siderado grande, das temperaturas médias
condições não inferiores às que presidi-'
anuais.
ram o clima dos primeiros 25 anos ?
Parece que temos indícios de que o ar-
Houve perda média de 30 % nas chu vas do inverno, de junho a agosto A
rasamento da vegetação e o depauperamen to dos solos (principalmente pela sua de-
estiagem, que no comêço do século era de maio a agosto, e só se esboçava no extremo norte e noroeste do Estado (Três La-
capiração, diminuição da capacidade de retenção dágua e concentração de areia pelo arrastamento das argilas) podem real mente mudar o clima com certa rapidez, .
•(») Contribuição para o Estudo do Clima
se êste for úmido e quente, com ma dis
do Est. de Sao Paulo. In-quarto c/240 pgs., 130 tabs.. 87 diags. e 23 mapas São Paulo, julho de 1946 (ainda exis
tribuição inicial de chuvas, e se a região afetada for grande e de rochas pobres do
te à vencia nas livrarias técnicas).
ponto de vista agrícola.
•' Vi
tigela de sopas de alho para cada abertação de paladar.
existência de dados não fidedignos que devem ser descartados. Verificou-se, po
Há quem -argumente: "Se pudéssemos
des, passam os falsos salvadores da pátria,
preocupado com
princípios e programas, num país de improvisadores e de situações inesperadas, não se iludia a êsse respeito. Sem per
der a realidade de vista, sem deixar de
compreender tôdas as facetas da ativida de política, èle sabia que a política, que fervilhava diante de seus olhos, matreira
e acanhada, procurava, por todos os meios, por tôdas as formas, feias ou bonitas, as. vantagens do sucesso imediato. Por suas incomparáveis qualidades de inteligência êle enxergava longe e preve
nia, prevenia contra a simulação da mo narquia constitucional, contra o parlamen tarismo deformado pelas deformações par
tidárias, contra as tendências caricaturais do no.sso federalismo republicano, contra
a farsa eleitoral,
contra a comédia das
eleições, contra a inconsciência da incultura e a falsificação do Direito, para en-
Rui sabia que o sucesso imediato nem
política.
Êle não se conformava, mas não desa
Começou lutando bem moço
ainda, e já bem velho lá se foi pelas difi culdades sertanejas, em campanha eleito
ral. A sua política seria, antes de tudo, a criaçao de uma consciência política pa ra resistir às inconsequências das ambições sem remédio.
Fêz, nesse sentido, várias campanhas e a maior delas, que foi a campanha civilista, se marca e se realça por êsse as pecto. Rui não é um simples candidato a
distribuir promessas. Mas é um missio
nário, um evangelizador. A sua propasanda e de suas .deias. n' uma incomen. suravel a .rmaçao de cultura. E' um deba te, no plano da inteligência dos grandes temas nacionais.
grancles
Assim, tôdas as vê?^.,
Raparece, prb^tiat^en.n-" candidato, mas o pregado , â^t^êrorar meja que a República r^r.\ -T
cultura fôsse uma Re!
"Tlm r-,
1-
P^Ia sua
^^Publica na realidade.
sílL senão - as ~ "5° seus cstá leis que votepelos
gazLipar as massas. E na famosa resposta a Ramiros Barcelos, cie configurava o
representantes.
quadro. Nas horas caniculares das gran
e a soberania do povo; se, com as oligar
des crises, quando a consciência popular
quias parlamentares, banem o j^ovo do
Mas se. com a mentira
eitoral, esbulham o povo do voto, que
Étertritiliríi ifiili
DlGliSIO i:< ONÒMJff)'
J2fl
çâo cm determinado sentido, pois a Geo-
goas. Rio i^reu). Igarapav.!. Ribeirão Pré-',
loítia já provou que os climas sempre mudam, e em tôda parte. Mas somos obrigados a examinar sempre os últimos
to, São José do Rio Pardo), hoje se es tende de abril a setembro e abrange todo
O t>olitico e a poluiciilha
se dilata na receptividade das grandes sê»-
nunca temos elementos para uma conclu
Campinas - Amparo - Joanópolis - Guaru-
A política, encarada de vários modos.
timbãleando o trem de vivandeira, com a
são segura.
Ihos - Barueri - Itapecerica - Salesópolis Cunha, e daí pela crista da Serra até
" foi conceituada por Maquiavel, de
Em cérca de 50 localidades do Estado
de São Paulo podemos comparar as mé dias de dois períodos de chuvas de cérca
de 25 anos cada, pois temos 50 anos de
dados, mais ou menos crivados de falhas
devido a interrupções nas observações ou
>
Cândido Moita Filho
o interior do Estado, até a'linha Camba rá - Piraju - Irapetininga - Sorocaba -
50 ou 70 anos desse período de mil, e
V
A política de Rui
o Rio.
O aumento das chuvas de dezembro a
fevereiro significa agravamento da erosão sem compensação, pois nunca houve falta
uma cerca forma, como a luta pelo poder,
unia luta portanto capaz, em qualquer parte, de despertar os impulsos elementa res c primitivos do homem. Mas. em verdade, a política é mais do que a luta pelo poíer, porque é, por si mesma, uma atividade criadora da ordem, que o Direi to ampara c solidifica. Uns, afoitos e in
sucesso era. No País, novidadeiros, os- ■ homens passavam depressa. Principal mente porque, para êle, não havia opi nião pública no. País, nem partidos, nem idéias e, consequentemente, verdadeira
seguros, tomam posição levados, como diz Maritain, pela ilusão do sucesso imediato.
nimava.
dc chuvas no verão.
rem. que as médias calculadas com os da
verificar a marcha das chuvas de vários
dos restantes são válidas para'o confronto. Os resultados dêsse confronto foram os se^intes í •) : não houve mudança no Etoral e na Serra onde as matas ainda se
séculos, talvez verificássemos que se trata de fenômeno periódico". De faro, é uma possibiiidaile. Mas como se explica então
o fato de não ter havido modificação al
Outros, firmes e convictos, não se deixam arrastar por essa ilusão. Rui, considerado
conservam; a mudança aumenta na dire
guma no litoral c nas zonas que conti
como um romântico.
ção de Mato Grosso e Goiás, e tanto mais quanto maior foi a devastação da vegeta ção e do solo; e essa mudança se traduz numa elevaçao grande das temperaturas medtas do mverno, um pouco menor no outono, menor ainda na primavera, e pe quena, mas ainda peiceptível, no verão-
nuam com farto revestimento vegetal e solos praticamente intactos ? E mais ain
da: como explicar que não htiuve modifi cação em certas zonas muito velhas, que, sofreram a devastação praticamente defi nitiva muito antes do início das observa
permanência do total anual de chuvas'
ções meteorológicas, como em cerras par tes do Vale do Paraíba, de modo que os
mas com agravamento da sua má distri-'
últimos 25 anos de dados representam
buiçao ; aumento nítido, que pode ser con siderado grande, das temperaturas médias
condições não inferiores às que presidi-'
anuais.
ram o clima dos primeiros 25 anos ?
Parece que temos indícios de que o ar-
Houve perda média de 30 % nas chu vas do inverno, de junho a agosto A
rasamento da vegetação e o depauperamen to dos solos (principalmente pela sua de-
estiagem, que no comêço do século era de maio a agosto, e só se esboçava no extremo norte e noroeste do Estado (Três La-
capiração, diminuição da capacidade de retenção dágua e concentração de areia pelo arrastamento das argilas) podem real mente mudar o clima com certa rapidez, .
•(») Contribuição para o Estudo do Clima
se êste for úmido e quente, com ma dis
do Est. de Sao Paulo. In-quarto c/240 pgs., 130 tabs.. 87 diags. e 23 mapas São Paulo, julho de 1946 (ainda exis
tribuição inicial de chuvas, e se a região afetada for grande e de rochas pobres do
te à vencia nas livrarias técnicas).
ponto de vista agrícola.
•' Vi
tigela de sopas de alho para cada abertação de paladar.
existência de dados não fidedignos que devem ser descartados. Verificou-se, po
Há quem -argumente: "Se pudéssemos
des, passam os falsos salvadores da pátria,
preocupado com
princípios e programas, num país de improvisadores e de situações inesperadas, não se iludia a êsse respeito. Sem per
der a realidade de vista, sem deixar de
compreender tôdas as facetas da ativida de política, èle sabia que a política, que fervilhava diante de seus olhos, matreira
e acanhada, procurava, por todos os meios, por tôdas as formas, feias ou bonitas, as. vantagens do sucesso imediato. Por suas incomparáveis qualidades de inteligência êle enxergava longe e preve
nia, prevenia contra a simulação da mo narquia constitucional, contra o parlamen tarismo deformado pelas deformações par
tidárias, contra as tendências caricaturais do no.sso federalismo republicano, contra
a farsa eleitoral,
contra a comédia das
eleições, contra a inconsciência da incultura e a falsificação do Direito, para en-
Rui sabia que o sucesso imediato nem
política.
Êle não se conformava, mas não desa
Começou lutando bem moço
ainda, e já bem velho lá se foi pelas difi culdades sertanejas, em campanha eleito
ral. A sua política seria, antes de tudo, a criaçao de uma consciência política pa ra resistir às inconsequências das ambições sem remédio.
Fêz, nesse sentido, várias campanhas e a maior delas, que foi a campanha civilista, se marca e se realça por êsse as pecto. Rui não é um simples candidato a
distribuir promessas. Mas é um missio
nário, um evangelizador. A sua propasanda e de suas .deias. n' uma incomen. suravel a .rmaçao de cultura. E' um deba te, no plano da inteligência dos grandes temas nacionais.
grancles
Assim, tôdas as vê?^.,
Raparece, prb^tiat^en.n-" candidato, mas o pregado , â^t^êrorar meja que a República r^r.\ -T
cultura fôsse uma Re!
"Tlm r-,
1-
P^Ia sua
^^Publica na realidade.
sílL senão - as ~ "5° seus cstá leis que votepelos
gazLipar as massas. E na famosa resposta a Ramiros Barcelos, cie configurava o
representantes.
quadro. Nas horas caniculares das gran
e a soberania do povo; se, com as oligar
des crises, quando a consciência popular
quias parlamentares, banem o j^ovo do
Mas se. com a mentira
eitoral, esbulham o povo do voto, que
Étertritiliríi ifiili
122
DrORSTO ECONÓMld
ongresso Nacional, que é a representação o povo, se, com as dilapidações orçamentarias, malbaratam a receita do im-
posto, c^ue é o suor do povo; se, com as ma administrativas, devoram a Fa-
nnvrTUiaoem^^'
o íranH
°
"íue c o patrimônio do e a caudi-
é
direitos do poX'í"L%ot^''''"° da incompetência' Â
r.u
venalidade excluem J ^^dhadismo e da
-os inteligência 1 elementos'do ^ ^''^'^de, que são - povo r em ^ P^^^ e envi ecemT' traindo-lhe tudo™ distingue um
de^' rou''^ íito; não nn
O culto à liberdade
Dai um de seus últimos apelos. Num
período amargo de desesperanças e deliquescências, quando já a civilização se
Nos lábios desse político de privilegiada
contorcia nas conseqüências sinistras da
sempre um aspecto da outra. Quando êie
Porém, se a política é o processo pelo
reclamava no pretório, na tribuna parla
E
mentar ou nos comícios populares, contra
que se entrincheiram seus mais abominá
dizia êle : — "Não vos esqueçais, pois.
as injustiças, estava reclamando contra as
veis inimigos, e principalmente aqueles
senhores. Renunciando o voto, não fa
liberdades feridas, porque a vida humana,
inimigos que se disfarçam com a liberda
zendo quesrão do voto. consentindo que vos arrebatem o voto, deixando assim que vos pupilem com o Govêrno que quise rem, estareis como se, no intuito de pou-
no seu aspecto valorativo, só tem razão
de ser pela liberdade, que é o caminho da inteligência.
A política, consequentemente, para êle,
pardes a vida. não ousásseis defender o
não era a luta cega e primordial dos ins
reto, a fortuna, a honra e a prole."
de
tintos, as emocionantes caçadas de ani mais de presa. Como atividade criado ra da ordem era a realização da liberda de. Toda a história política dos povos, desde os primórdios da democracia ate niense, em todas as suas lutas encarniça das e violentas, não foi outra coísa se
tinha seu credo político, defini tivo e írrenunciável : — "Creio
na liberdade onipotente, criadora
não a história da liberdade abrindo ca
das nações robustas ; creio na lei, emanação dela, o seu órgão capital, a pri-
minhos. Ela pode ser, de começo, a li
fPcifa de suas necessidades". E mais adian
dade de alguns; mas ela tem que ser, se
berdade de um, pode ser depois a liber
te. dando o aspecto viril e combativo de
jam quais forem as misérias e resistências,
sua^ crença ; — "Rejeito as doutrinas de arbítrio; abomino as ditaduras de todo o
a liberdade de todos. Pode o Direito Ro mano distinguir o homem livre do es
genero, militares ou científicas, coroadas
f"'™'
11 m importuno. Falava verdadís in"' ""
mentes, como criança indiscreta. tZZ de coisas fumras, quando as questões IrTm imediatas Era preciso disfarçar as ferT das, encobrir a magreza dos corpos fa mintos. Mas lá vinha êle apontar as fe ridas infeccionadas e mortais, as conse qüências do pauperismo nacional. Lá vi
de na boca e não as possui no coração. Porque, para Rui. havia algo de sa
grado e de implacável nas determinações da Justiça, como a Liberdade. Alguém para reclamar contra vai, na esperança da
garantia possível da que vai ao pretório um direito ofendido Justiça, em nome da
Liberdade, como aquele pobre diabo que embargou o enterramento do corpo de Guilherme I da Inglaterra, em Caen, naabadia de Saint Etienne.
Rui via, nesse embargo desassombrado o grito de um direito ferido, o protesto contra a iniqüidade de uma expoliação ' Por isso mesmo, nesse incidente que se
passava, há mais de oitocentos anos o castigo de Deus caía sobre o rei inío,,
que destruiu cidades e vidas e cujo ca'
"
dáver, abandonado como o de um
minc libero exhibendo". Mas são os pró
Seus avisos cresceram. Chegaram a to
nao o conduziam para „
í
cravo, com as Leis Valérias, com a Cus todia Libera, ou com o Interdicto de "ho-
ou populares".
recebia, as oy^çõlTqúeZ co""'""'
,]
França de 1789.
qual a liberdade se realiza, é dentro dela
lho cançado de tantas lutas, falava como
tas se faziam republicanos e os republicanos monarquistas, Rui
para ser ouvido falava
direitos, o "habeas corpus", as declarações de direito de Virgínia, a declaração da independência americana, a declaração dos direitos do homem e do cidadão, du
guerra de 1918, Rui, que já era um ve
Num país sem crenças políti cas firmadas, onde os monarquis-
dos
123
estirpe moravam sempre as palavras "li berdade" e "justiça", porque uma será
tealmente
corrilhos, Rui Barbo« ( t
ECONÔMICO
!
chamava a terrível avariose brasileira.
um moço sem canseiras e desânimos. d"-
D10ESTO
nha êle combater o mal político, que êle
mar entonação trágica. Êle mostrava os
prios juristas romanos que sentem, forçan
horizontes escurecendo ç tingidos de san
do as linhas do direito formal, a força de
gue. Estava de olhos na República que naufragava e ninguém via que naufragava,
um direito natural, provindo da reta razão
que manda e proíbe. Podem as monar
abominações. Nenhum
quias absolutas se edificarem sòbre o ca pricho da vontade dos príncipes, que,
entregue a uma anarquia vaga, incomensu-
rável, tenebrosa como os pesadelos das
dentro delas, surgem, forçando os artifí
noites de crime. Ponderou, gritou, pro E quando
cios, a concepção de um poder por direi
testou. Só não desesperou.
to divino, superior às paixões humanas. Podem os excluslvismos e os privilégios
morreu, em Petrópolis, com paralisia na língua, silenciou definitivamente sobre as
^a.
cepção da vida, via semn ^ do elemento servil ^ existência
implantar formas odiosas de vida, que
jurídica poderia, nesse In
convicção. Êle afirm do século n:;
ksua que o espírito
E muito mí.'° a escravidão. Fscsa clamorosa I ®injustiça próprio espírito. .. ia envenenando os homens, corrompendo as elites, desfibrando o povo.
ruínas de seus sonhos e sobre os desen
têm eles, logo pela frente, os privilégios
cantos de urpa época desesperada.
Daí a sua presença em tôda parte,
das liberdades, o "fuero de Lion", as leis das Partidas, a Magna Carta, a petição de
quando sentia a justiça postergada ou a
Ia.í,
liberdade ameaçada. Ei-lo na defesa dos
1
J
122
DrORSTO ECONÓMld
ongresso Nacional, que é a representação o povo, se, com as dilapidações orçamentarias, malbaratam a receita do im-
posto, c^ue é o suor do povo; se, com as ma administrativas, devoram a Fa-
nnvrTUiaoem^^'
o íranH
°
"íue c o patrimônio do e a caudi-
é
direitos do poX'í"L%ot^''''"° da incompetência' Â
r.u
venalidade excluem J ^^dhadismo e da
-os inteligência 1 elementos'do ^ ^''^'^de, que são - povo r em ^ P^^^ e envi ecemT' traindo-lhe tudo™ distingue um
de^' rou''^ íito; não nn
O culto à liberdade
Dai um de seus últimos apelos. Num
período amargo de desesperanças e deliquescências, quando já a civilização se
Nos lábios desse político de privilegiada
contorcia nas conseqüências sinistras da
sempre um aspecto da outra. Quando êie
Porém, se a política é o processo pelo
reclamava no pretório, na tribuna parla
E
mentar ou nos comícios populares, contra
que se entrincheiram seus mais abominá
dizia êle : — "Não vos esqueçais, pois.
as injustiças, estava reclamando contra as
veis inimigos, e principalmente aqueles
senhores. Renunciando o voto, não fa
liberdades feridas, porque a vida humana,
inimigos que se disfarçam com a liberda
zendo quesrão do voto. consentindo que vos arrebatem o voto, deixando assim que vos pupilem com o Govêrno que quise rem, estareis como se, no intuito de pou-
no seu aspecto valorativo, só tem razão
de ser pela liberdade, que é o caminho da inteligência.
A política, consequentemente, para êle,
pardes a vida. não ousásseis defender o
não era a luta cega e primordial dos ins
reto, a fortuna, a honra e a prole."
de
tintos, as emocionantes caçadas de ani mais de presa. Como atividade criado ra da ordem era a realização da liberda de. Toda a história política dos povos, desde os primórdios da democracia ate niense, em todas as suas lutas encarniça das e violentas, não foi outra coísa se
tinha seu credo político, defini tivo e írrenunciável : — "Creio
na liberdade onipotente, criadora
não a história da liberdade abrindo ca
das nações robustas ; creio na lei, emanação dela, o seu órgão capital, a pri-
minhos. Ela pode ser, de começo, a li
fPcifa de suas necessidades". E mais adian
dade de alguns; mas ela tem que ser, se
berdade de um, pode ser depois a liber
te. dando o aspecto viril e combativo de
jam quais forem as misérias e resistências,
sua^ crença ; — "Rejeito as doutrinas de arbítrio; abomino as ditaduras de todo o
a liberdade de todos. Pode o Direito Ro mano distinguir o homem livre do es
genero, militares ou científicas, coroadas
f"'™'
11 m importuno. Falava verdadís in"' ""
mentes, como criança indiscreta. tZZ de coisas fumras, quando as questões IrTm imediatas Era preciso disfarçar as ferT das, encobrir a magreza dos corpos fa mintos. Mas lá vinha êle apontar as fe ridas infeccionadas e mortais, as conse qüências do pauperismo nacional. Lá vi
de na boca e não as possui no coração. Porque, para Rui. havia algo de sa
grado e de implacável nas determinações da Justiça, como a Liberdade. Alguém para reclamar contra vai, na esperança da
garantia possível da que vai ao pretório um direito ofendido Justiça, em nome da
Liberdade, como aquele pobre diabo que embargou o enterramento do corpo de Guilherme I da Inglaterra, em Caen, naabadia de Saint Etienne.
Rui via, nesse embargo desassombrado o grito de um direito ferido, o protesto contra a iniqüidade de uma expoliação ' Por isso mesmo, nesse incidente que se
passava, há mais de oitocentos anos o castigo de Deus caía sobre o rei inío,,
que destruiu cidades e vidas e cujo ca'
"
dáver, abandonado como o de um
minc libero exhibendo". Mas são os pró
Seus avisos cresceram. Chegaram a to
nao o conduziam para „
í
cravo, com as Leis Valérias, com a Cus todia Libera, ou com o Interdicto de "ho-
ou populares".
recebia, as oy^çõlTqúeZ co""'""'
,]
França de 1789.
qual a liberdade se realiza, é dentro dela
lho cançado de tantas lutas, falava como
tas se faziam republicanos e os republicanos monarquistas, Rui
para ser ouvido falava
direitos, o "habeas corpus", as declarações de direito de Virgínia, a declaração da independência americana, a declaração dos direitos do homem e do cidadão, du
guerra de 1918, Rui, que já era um ve
Num país sem crenças políti cas firmadas, onde os monarquis-
dos
123
estirpe moravam sempre as palavras "li berdade" e "justiça", porque uma será
tealmente
corrilhos, Rui Barbo« ( t
ECONÔMICO
!
chamava a terrível avariose brasileira.
um moço sem canseiras e desânimos. d"-
D10ESTO
nha êle combater o mal político, que êle
mar entonação trágica. Êle mostrava os
prios juristas romanos que sentem, forçan
horizontes escurecendo ç tingidos de san
do as linhas do direito formal, a força de
gue. Estava de olhos na República que naufragava e ninguém via que naufragava,
um direito natural, provindo da reta razão
que manda e proíbe. Podem as monar
abominações. Nenhum
quias absolutas se edificarem sòbre o ca pricho da vontade dos príncipes, que,
entregue a uma anarquia vaga, incomensu-
rável, tenebrosa como os pesadelos das
dentro delas, surgem, forçando os artifí
noites de crime. Ponderou, gritou, pro E quando
cios, a concepção de um poder por direi
testou. Só não desesperou.
to divino, superior às paixões humanas. Podem os excluslvismos e os privilégios
morreu, em Petrópolis, com paralisia na língua, silenciou definitivamente sobre as
^a.
cepção da vida, via semn ^ do elemento servil ^ existência
implantar formas odiosas de vida, que
jurídica poderia, nesse In
convicção. Êle afirm do século n:;
ksua que o espírito
E muito mí.'° a escravidão. Fscsa clamorosa I ®injustiça próprio espírito. .. ia envenenando os homens, corrompendo as elites, desfibrando o povo.
ruínas de seus sonhos e sobre os desen
têm eles, logo pela frente, os privilégios
cantos de urpa época desesperada.
Daí a sua presença em tôda parte,
das liberdades, o "fuero de Lion", as leis das Partidas, a Magna Carta, a petição de
quando sentia a justiça postergada ou a
Ia.í,
liberdade ameaçada. Ei-lo na defesa dos
1
J
DiCí:i.ro
i24
cativos; ei-l« na defesa dos caluniados; ei-Io na defesa dos exilados, ei-lo arris-
cando a vida, numa época de tenebrosas desconfianças, para conduzir aos desterra dos por Floriano Peixoto a sua solidarie dade de homem livre.
Quando, em 26 de maio de,lK97, ao pronunciar uma conferência no Politea
ma baiáno, teve que olhar frente a frente
a liberdade, Rui se transfigurava como ^ um iluminado. A sua figura pequenina e descompassada tornara-se impressionan te como a de um Mirabeau. A sua voz
vai adquirindo acentos até então não es
nrí)NóMi(:f>
foram muitos os <iiie nêlc enxergaram um convencional de l~H9. um robespierriano
terrível a minar a truricpiilidadc lios regimens. Mas enxergavam errôneamcnto, porque nessa alma, muitas vezes carrceada de cólera sagrada, habitava um dos mais acabadu.s temperamentos Jc jurista. Se, para êle, a política é clima da li berdade c assim a fôrça criadora da ordem,
essa liberdade só se poderia realizar pelo Direito, que é a energia conservadora
da ordem. As revoluções seriam sempie formas trágicas e desesperadas das socie
cutados: — "Liberdade! entre tantos, que
dades de onde o Direito desertou. O Ho-
te trazem na boca sem te sentirem no co ração, eu posso dar testemunho da tua
um ser dotado de inteligência, sabia, por
identidade, definir a expressão do teu nome, vingar a pureza do teu evangelho."
Era de se indagar se era Cícero, ao re memorar os fatos, nos idos de março, ou a declamar sobre as desditas da República A Liberdade era o seu enlevo, a fôrça de sua eloqüência. E continuava- _ "Dos que deveras te amam, e entendem
nem a República, nem a pátria po dem receber detrimento; porque tu
mem, como um ser racional e livre, como
natureza, que o caminho da violência só
pode ser traçado pelos povos primitivos e
incultos e aqueles que perderam a fé na fôrça pacificadora do Direito.
Quando Rui definia a democracia, êle
a concebia como um regimém de garan tias jurídicas. Lembrava que já os corín-
tios, testemunhas da alternativa da fôrça, diziam aos atenienses: — o cami nho da conveniência é p caminho
es, para uma c para outra, a maior
do Direito. Tinha a convicção de
das necessidades, o primeiro dos bens, a mais segura das garantias".
que não há civilização nacional
aparecia assrni, como aquele orador fran
ces que dava a impressão, a Anatole Fran ce, Je que cm tórno de seu rosco revo lureavam as abelhas do Hymetto..
enquanto o Direito não assume a
forma imperativa, traduzindo-se em lei. E a lei apareceria como a diví- ' seria entre a moral pública e a barbaria. Cantava a musa de Solon — dizia Rui — que o desprezo da lei alastra os males
da cidade", ao passo que, com sua obser
O Direito e a Liberdade
Rui, que assim tanto cultuou a liberda de, que a todo instante estava alteando a voz para defendê-la, não era. contudo, um revolucionário. Vemo-lo protestar sem pre, prevenir sem desânimos, ponderar sem vacilaçõés, conspirar nunca e, muito menos, tomar a responsabilidade de um movimento subversivo,
Não faltaram e
DlGHSTO ECONÔMICO
E concluía então, como concluiu a vida lòda: — "A base da democracia no sé
culo dezenove c a mesma que ha dois mil
grave atmosfera da monarquia representa.-
e quinhentos anos: — a religião do Di
tiva que atenuara no Brasil suas insufi ciências culturais e sociais, com um bené
reito".
A democracia era, portanto, nas suas
prolongadas meditações, um sistema de garantias para a liberdade, um sistema de afirmação da justiça, a harmonia racional entre os homens pelo Direito. Ela lhe aparecia, como para Alcebíades, tôda or ganização do poder avessa ao despotismo . Êsse seria o empolgante milagre do regimem representativo que, dando ao povo o direito de escolher livremente o seu go-
vêrno, consagra todas as liberdades hu manas. "Por isso mesmo — dizia Rui
todo aquele que defende o seu direito de votar, defende a sua consciência, defende a .sua religião, defende a sua casa, defende os seus bens, defende a honra sua e dos seus, defende a própria vida.
Daí as palavras memoráveis de seu cre do político: — "Creio que, neste regimem, não há outros poderes soberanos, e o
soberano é o Direito interpretado pelos tribunais".
Na luta pela República, muitos deram a revolução. Rui deu-lhe o Direito, deu-lhe a Constituição, deu-lhe a força ordenadora e conservadora.
Não defendia este ou aquele regimem,
senão o regimem que possibilitasse as
franquias liberais e permitisse as decisões pelo Direito. Servindo a monarquia, ser
homens se converte em harmonia e razão.
viu-a quanto pôde. Na hora crepuscular do regimem monárquico foi a voz alertadora e não ouvida. Parecia um revolucio
Edificador da democracia grega, Solon de
nário; na verdade, porém, queria evitar a
via saber o que dizia.
revolução. .
vância, pelo contrário, tudo entre os
Mais de vinte c
cinco 'séculos conta, portanto, a pravida-
Proclamada a República, foi Ministro
de dos que, como eu, acima de todas as
de .seu governo provisório, deu-lhe, nesse tempo, o necessário diploma de legalidade. Foi, depois, membro do Poder Legislativo.
coisas, reverenciam, na terra, a lei como
a entidade onipotente, que, na frase do estadista helênico, "encadeia os maus, ex- , tingue a violência, coibe a sedição e ' aplaca os furores da discórdia".
Tendo diante dos olhos a poUtiai acuudilhada do Continente, Rui. formado na
Foi candidato à presidência da República. Mas não foi um revolucionário.
fico sôpto de dignidade, queria, a todo custo, resguardar o País das tropelias da sedi^o e das guerras civis.
Não que fosse um conservador. Pro
gressista e liberal é que êle era, mas, para a realização desse progresso e desse
liberalismo num país de vacilantes tra dições políticas, era preciso evitar o re trocesso pela revolução, mesmo quando ela
se disfarçava, como várias, no Império e na República se disfarçou, numa constitucionalidade alegórica.
Na defesa que traçou da eleição direta, em 21 de junho de 1880, Rui se referia a êsse constitucionalismo alegórico e à
farça eleitoral, lembrando, com Macaulay
a história de um habiiíssimo rei eleito pelo relinchar do seu ginete!
E se deu a legalidade à República quando ela foi violada, êle se apressou em defendê-la. Foi essa a sua posição em 93. A violência do poder e a violência da revolução anarquizavam o País E
Rui ficou nessa hoLU, sinaplesmen.e com a legalidade. E como a legalidade em suspeita, ele tornou-se suspeito. Numa
carta que d.tigtu ao "Jornal do Com^
em 6 de março desse
írcio
rôde se defTne pNa^iu^^k"' galidade contra as^sòdf;- 'P'''" '"■ rias: — "Acabn ^ 'uçoes revolucioná-
se disse'nue a 1 óação da causa
secretas se envolviam env I^ se ,
consoli-
P^blicana. Apesar dos desembarque com os amigos que me iam
or, apesar ainda dos depoimentos de i uma espionagem digna da calcêta, que contra mim se andam tomando na poli- í cia, creio não ser suspeito à República, f Os suspeitos o Governo devia procurá-los. los, 'fj iJWiii'
11
I ■ -rr
DiCí:i.ro
i24
cativos; ei-l« na defesa dos caluniados; ei-Io na defesa dos exilados, ei-lo arris-
cando a vida, numa época de tenebrosas desconfianças, para conduzir aos desterra dos por Floriano Peixoto a sua solidarie dade de homem livre.
Quando, em 26 de maio de,lK97, ao pronunciar uma conferência no Politea
ma baiáno, teve que olhar frente a frente
a liberdade, Rui se transfigurava como ^ um iluminado. A sua figura pequenina e descompassada tornara-se impressionan te como a de um Mirabeau. A sua voz
vai adquirindo acentos até então não es
nrí)NóMi(:f>
foram muitos os <iiie nêlc enxergaram um convencional de l~H9. um robespierriano
terrível a minar a truricpiilidadc lios regimens. Mas enxergavam errôneamcnto, porque nessa alma, muitas vezes carrceada de cólera sagrada, habitava um dos mais acabadu.s temperamentos Jc jurista. Se, para êle, a política é clima da li berdade c assim a fôrça criadora da ordem,
essa liberdade só se poderia realizar pelo Direito, que é a energia conservadora
da ordem. As revoluções seriam sempie formas trágicas e desesperadas das socie
cutados: — "Liberdade! entre tantos, que
dades de onde o Direito desertou. O Ho-
te trazem na boca sem te sentirem no co ração, eu posso dar testemunho da tua
um ser dotado de inteligência, sabia, por
identidade, definir a expressão do teu nome, vingar a pureza do teu evangelho."
Era de se indagar se era Cícero, ao re memorar os fatos, nos idos de março, ou a declamar sobre as desditas da República A Liberdade era o seu enlevo, a fôrça de sua eloqüência. E continuava- _ "Dos que deveras te amam, e entendem
nem a República, nem a pátria po dem receber detrimento; porque tu
mem, como um ser racional e livre, como
natureza, que o caminho da violência só
pode ser traçado pelos povos primitivos e
incultos e aqueles que perderam a fé na fôrça pacificadora do Direito.
Quando Rui definia a democracia, êle
a concebia como um regimém de garan tias jurídicas. Lembrava que já os corín-
tios, testemunhas da alternativa da fôrça, diziam aos atenienses: — o cami nho da conveniência é p caminho
es, para uma c para outra, a maior
do Direito. Tinha a convicção de
das necessidades, o primeiro dos bens, a mais segura das garantias".
que não há civilização nacional
aparecia assrni, como aquele orador fran
ces que dava a impressão, a Anatole Fran ce, Je que cm tórno de seu rosco revo lureavam as abelhas do Hymetto..
enquanto o Direito não assume a
forma imperativa, traduzindo-se em lei. E a lei apareceria como a diví- ' seria entre a moral pública e a barbaria. Cantava a musa de Solon — dizia Rui — que o desprezo da lei alastra os males
da cidade", ao passo que, com sua obser
O Direito e a Liberdade
Rui, que assim tanto cultuou a liberda de, que a todo instante estava alteando a voz para defendê-la, não era. contudo, um revolucionário. Vemo-lo protestar sem pre, prevenir sem desânimos, ponderar sem vacilaçõés, conspirar nunca e, muito menos, tomar a responsabilidade de um movimento subversivo,
Não faltaram e
DlGHSTO ECONÔMICO
E concluía então, como concluiu a vida lòda: — "A base da democracia no sé
culo dezenove c a mesma que ha dois mil
grave atmosfera da monarquia representa.-
e quinhentos anos: — a religião do Di
tiva que atenuara no Brasil suas insufi ciências culturais e sociais, com um bené
reito".
A democracia era, portanto, nas suas
prolongadas meditações, um sistema de garantias para a liberdade, um sistema de afirmação da justiça, a harmonia racional entre os homens pelo Direito. Ela lhe aparecia, como para Alcebíades, tôda or ganização do poder avessa ao despotismo . Êsse seria o empolgante milagre do regimem representativo que, dando ao povo o direito de escolher livremente o seu go-
vêrno, consagra todas as liberdades hu manas. "Por isso mesmo — dizia Rui
todo aquele que defende o seu direito de votar, defende a sua consciência, defende a .sua religião, defende a sua casa, defende os seus bens, defende a honra sua e dos seus, defende a própria vida.
Daí as palavras memoráveis de seu cre do político: — "Creio que, neste regimem, não há outros poderes soberanos, e o
soberano é o Direito interpretado pelos tribunais".
Na luta pela República, muitos deram a revolução. Rui deu-lhe o Direito, deu-lhe a Constituição, deu-lhe a força ordenadora e conservadora.
Não defendia este ou aquele regimem,
senão o regimem que possibilitasse as
franquias liberais e permitisse as decisões pelo Direito. Servindo a monarquia, ser
homens se converte em harmonia e razão.
viu-a quanto pôde. Na hora crepuscular do regimem monárquico foi a voz alertadora e não ouvida. Parecia um revolucio
Edificador da democracia grega, Solon de
nário; na verdade, porém, queria evitar a
via saber o que dizia.
revolução. .
vância, pelo contrário, tudo entre os
Mais de vinte c
cinco 'séculos conta, portanto, a pravida-
Proclamada a República, foi Ministro
de dos que, como eu, acima de todas as
de .seu governo provisório, deu-lhe, nesse tempo, o necessário diploma de legalidade. Foi, depois, membro do Poder Legislativo.
coisas, reverenciam, na terra, a lei como
a entidade onipotente, que, na frase do estadista helênico, "encadeia os maus, ex- , tingue a violência, coibe a sedição e ' aplaca os furores da discórdia".
Tendo diante dos olhos a poUtiai acuudilhada do Continente, Rui. formado na
Foi candidato à presidência da República. Mas não foi um revolucionário.
fico sôpto de dignidade, queria, a todo custo, resguardar o País das tropelias da sedi^o e das guerras civis.
Não que fosse um conservador. Pro
gressista e liberal é que êle era, mas, para a realização desse progresso e desse
liberalismo num país de vacilantes tra dições políticas, era preciso evitar o re trocesso pela revolução, mesmo quando ela
se disfarçava, como várias, no Império e na República se disfarçou, numa constitucionalidade alegórica.
Na defesa que traçou da eleição direta, em 21 de junho de 1880, Rui se referia a êsse constitucionalismo alegórico e à
farça eleitoral, lembrando, com Macaulay
a história de um habiiíssimo rei eleito pelo relinchar do seu ginete!
E se deu a legalidade à República quando ela foi violada, êle se apressou em defendê-la. Foi essa a sua posição em 93. A violência do poder e a violência da revolução anarquizavam o País E
Rui ficou nessa hoLU, sinaplesmen.e com a legalidade. E como a legalidade em suspeita, ele tornou-se suspeito. Numa
carta que d.tigtu ao "Jornal do Com^
em 6 de março desse
írcio
rôde se defTne pNa^iu^^k"' galidade contra as^sòdf;- 'P'''" '"■ rias: — "Acabn ^ 'uçoes revolucioná-
se disse'nue a 1 óação da causa
secretas se envolviam env I^ se ,
consoli-
P^blicana. Apesar dos desembarque com os amigos que me iam
or, apesar ainda dos depoimentos de i uma espionagem digna da calcêta, que contra mim se andam tomando na poli- í cia, creio não ser suspeito à República, f Os suspeitos o Governo devia procurá-los. los, 'fj iJWiii'
11
I ■ -rr
frr
\r'
II ondulante parque de Hampton Court, o
da multidão, se abrisse um arrolamento para classificar os brasileiros em monar-
do um quadro contínuo de "cotcages" —
na opinião perseguida."
Convençam-se os bons republicanos: essas manifestações de caráter agitador, de tendências extra-legais, não destroem o
Tâmisa como um rio maravilhoso refletin
nários, a conquista Jc seu país, já exerci tado pela legalidade, pelos espetáculos de
dade para o caminho da desagregação e da morte. Por isso êle dizia, com veemên
cia, nxima de suas campanhas, que
o jurista deram mãos ao literato, para
advogado, cuja atitude na im„L , Parlamento, nos tribunais em
perseguidos políticos, os livrava d"^ ' ques do Governo dominati™ tof^
que a evocação fosse completa, colorida e
cheia de vida. Nasceram assim as "Canas
Nelas estão fixados, com tintas vivas e
Rosas. . . "Os sonhadores da liberdade republicana — concluía ele nas cartas
damente preocupado com ..c dades que me cabiam na or publicana do Brasil, cuja
Cruzeiro do Sul fizeram desses nomes as duas expressões remotas e solitárias da tirania naquele continente, como Erebo e o Terror, perdidos ao longe no mundo quase inacessível dos gelos antárticos. Mas, a verdade é esta: — Francias e Rosas são apenas encarnações, figuras análogas a ou
tras de um estado social generalizado, renascente, talvez orgânico
da
América
Latina."
Dentre as lições de Rui...
principalmente, obra minha, e velídóTd^' saparecer ràpidamente em uma í J militar, cedi aos mais imperiosos reclamo!
tunidade, precisa ser conservada em nossa
da-minha consciência, voltando ã •
consciência: — é aquela consagrada ao
sa onde me batera contra o Govêr™''pe""
soai do Imperador, para defender ante n Governo pessoal do Presidente da Renúbiica, o pacto de 1891."
E foi nos arredores de Londres, no -distrito rural de Teddington — cercado peJa paisagem verde de lugarejos encanta
dores. os vastos jardins de Kesse Garden,
Dentre as lições de Rui, há uma que, pela sua universalícfade e pela sua opor ■.>
culto da verdade, no campo político. Rui jamais suportou a mentira como arma política, a duplicidade moral como ne cessária à vida pública. A simulação política e a hipocrisia dos princípios destroem a consciência cívica e corroem o caráter de um povo.
em
nome do Senhor vão todos os que se
para o "Jornal do Comércio" — sob o
voíucionano.„,o é o jornalista, o seTador ó•
causa justa".
E as vozes que se
Para Rui, essa simulação, râo ao gôsto
E foi com ésse espírito, com essa me lancolia e essa revolta, que o político e
quentes, os retratos do dr. Francias e de
composí^o nacional.
dos descrentes e oportunistas, leva a socie
gradantes das ambições caudilhescas.
'Deíxer'" ° monarquistas ^ ° omultiplicam, eixemos aos direito de se-lo, se queremos desarmá-los Mas, apesar disso, foi obrigado"a exilar-
expõem à guerra santa das idéias por uma
nas dos brejos, que êle lembrou, de uma feita, cujas chamas azuis e rasteiras se apa gam à superfície dos charcos.
que êle sentiu reviver em sua imaginação,
da Inglaterra", obra de admirável equilí brio literário e de castidade vernácula.
veis. espalha-se o invisível veneno da deouvem se assemelham àquelas lampari
com as perspectivas dos terrenos revolucio
mento que eles se empenham em des-
O
ECONOMirO
Dighsto l-it.oNtlMjrO
talvez, mais perto de si. Pois bem; n<í dia em que, sob a pressão dos mandões
Quistas e republicanos, eu acharia pouco para mim a designação de monarquista e inscrever-me-ia monarquista da gema. Por que, toda vez que uma opinião lícita fôr convertida em crime, eu, em revolta com os inquisidores políticos, me increverei
IIIIÜIVÜ Digt-sto
12Ó
Nesse
quadro em que os grandes gestos só ser vem para encobrir ambições inconfessá-
J
Em todos os tempos, cm todas as situa
ções, em todas as circunstâncias, só a pai xão pela verdade deve conduzir o homem.
Só ela é que faz com que a inteligência, o Direito e a religião sejam, na luta ás
pera pelos poderes, os poderes legítimos do mundo. So essa paixão inveterada é que pode dar ao homem, nas horas de
sofrimento e de. terror, razões para não desesperar e ânimo para vencer!
1
frr
\r'
II ondulante parque de Hampton Court, o
da multidão, se abrisse um arrolamento para classificar os brasileiros em monar-
do um quadro contínuo de "cotcages" —
na opinião perseguida."
Convençam-se os bons republicanos: essas manifestações de caráter agitador, de tendências extra-legais, não destroem o
Tâmisa como um rio maravilhoso refletin
nários, a conquista Jc seu país, já exerci tado pela legalidade, pelos espetáculos de
dade para o caminho da desagregação e da morte. Por isso êle dizia, com veemên
cia, nxima de suas campanhas, que
o jurista deram mãos ao literato, para
advogado, cuja atitude na im„L , Parlamento, nos tribunais em
perseguidos políticos, os livrava d"^ ' ques do Governo dominati™ tof^
que a evocação fosse completa, colorida e
cheia de vida. Nasceram assim as "Canas
Nelas estão fixados, com tintas vivas e
Rosas. . . "Os sonhadores da liberdade republicana — concluía ele nas cartas
damente preocupado com ..c dades que me cabiam na or publicana do Brasil, cuja
Cruzeiro do Sul fizeram desses nomes as duas expressões remotas e solitárias da tirania naquele continente, como Erebo e o Terror, perdidos ao longe no mundo quase inacessível dos gelos antárticos. Mas, a verdade é esta: — Francias e Rosas são apenas encarnações, figuras análogas a ou
tras de um estado social generalizado, renascente, talvez orgânico
da
América
Latina."
Dentre as lições de Rui...
principalmente, obra minha, e velídóTd^' saparecer ràpidamente em uma í J militar, cedi aos mais imperiosos reclamo!
tunidade, precisa ser conservada em nossa
da-minha consciência, voltando ã •
consciência: — é aquela consagrada ao
sa onde me batera contra o Govêr™''pe""
soai do Imperador, para defender ante n Governo pessoal do Presidente da Renúbiica, o pacto de 1891."
E foi nos arredores de Londres, no -distrito rural de Teddington — cercado peJa paisagem verde de lugarejos encanta
dores. os vastos jardins de Kesse Garden,
Dentre as lições de Rui, há uma que, pela sua universalícfade e pela sua opor ■.>
culto da verdade, no campo político. Rui jamais suportou a mentira como arma política, a duplicidade moral como ne cessária à vida pública. A simulação política e a hipocrisia dos princípios destroem a consciência cívica e corroem o caráter de um povo.
em
nome do Senhor vão todos os que se
para o "Jornal do Comércio" — sob o
voíucionano.„,o é o jornalista, o seTador ó•
causa justa".
E as vozes que se
Para Rui, essa simulação, râo ao gôsto
E foi com ésse espírito, com essa me lancolia e essa revolta, que o político e
quentes, os retratos do dr. Francias e de
composí^o nacional.
dos descrentes e oportunistas, leva a socie
gradantes das ambições caudilhescas.
'Deíxer'" ° monarquistas ^ ° omultiplicam, eixemos aos direito de se-lo, se queremos desarmá-los Mas, apesar disso, foi obrigado"a exilar-
expõem à guerra santa das idéias por uma
nas dos brejos, que êle lembrou, de uma feita, cujas chamas azuis e rasteiras se apa gam à superfície dos charcos.
que êle sentiu reviver em sua imaginação,
da Inglaterra", obra de admirável equilí brio literário e de castidade vernácula.
veis. espalha-se o invisível veneno da deouvem se assemelham àquelas lampari
com as perspectivas dos terrenos revolucio
mento que eles se empenham em des-
O
ECONOMirO
Dighsto l-it.oNtlMjrO
talvez, mais perto de si. Pois bem; n<í dia em que, sob a pressão dos mandões
Quistas e republicanos, eu acharia pouco para mim a designação de monarquista e inscrever-me-ia monarquista da gema. Por que, toda vez que uma opinião lícita fôr convertida em crime, eu, em revolta com os inquisidores políticos, me increverei
IIIIÜIVÜ Digt-sto
12Ó
Nesse
quadro em que os grandes gestos só ser vem para encobrir ambições inconfessá-
J
Em todos os tempos, cm todas as situa
ções, em todas as circunstâncias, só a pai xão pela verdade deve conduzir o homem.
Só ela é que faz com que a inteligência, o Direito e a religião sejam, na luta ás
pera pelos poderes, os poderes legítimos do mundo. So essa paixão inveterada é que pode dar ao homem, nas horas de
sofrimento e de. terror, razões para não desesperar e ânimo para vencer!
1
DIGr-STo
^ liberdade de imprensa no Brasil
[lio<.!e pais incógnitos, asseverou que Fei-• jó "vira a luz do dia num chiqueiro de porcos". O Claritn da Lihcrdadv brini!ou-o com o título dc inqiiisidor-mor
Otávio Tarquínio uk Souza
j\ LIBERDADH <Je imprensa no Brasil nasceu, pode dizer-se, com a emanci
pação nacional. Nossos primeiros jornais independentes apareceram em 1821. Des de logo o exame dos homens e dos acon tecimentos começou a ser feito, nem sem
pre com isenção, muitas vezes com injus tiças, mas indiscutivelmente com a maior coragem^ Onde houvesse um desmando o Governo, uma arbitrariedade, um me
noscabo aos interesses do povo, imediata mente surgia a crítica de um jornal, de
' dZ'°L'T"''
focara, gran-
mancomunado com os portugueses para
so jornalista — a Aurara F/un/ii/etise c o seu redator Hvaristo da Veiga.
destruir a Independência, o que vale dizer — traidor de sua pátria. Nada disso fez
Entre 1827 e 1835, isto c. enquanto
com que Feijó perseguisse" a imprensa. Plc, como os seus contemporâneos da mes
durou a campanha jornalística do livreiro
da rua dos Pescailores, nunca êsse rapaz
ma formação, tinha pela liberdade, por tò-
de imprensa, êsse autodidata carioca, dei xou de tomar posição, de enfrentar, cen surar ou aconselhar os poderosos do dia, os mandões do tempo. Ninguém terá
ilas as liberdades consagradas em lei, um
respeito quase supersticioso.
concorrido, talvez, mais do que êle.^para derribar o primeiro imperador, para for antes conhecido apenas no balcão da loja
exerce,o daquela liberdade se torna ptàticamente impossível.
Instalado o parlamento, os jornais nu lularam no Rio e na.s províncias, crescen-
íalrn:n\n~Taí granda parte os jornais que Impeliram Z dro I a abdicaçao e criaram
T-
júri, sempre inclinado à -benevolência. Quando o homem duro que era o padre Feijó, num momento de profunda pertur bação política, foi nomeado Ministro da Justiça, não mandou fechar jornais, nem prender jornalistas: pensou também em
jornal da Corre ou de qualquer província, ocupavam o gover
Í^V
pública na época democrática
nante imperial, inspiravam-lhe
entre rodas de nossa história.
iniciativas.
Menino, logo que aprendeu a
Sem querer deixar na sombra o que houve de artificial e de
jornais que aqui se publicavam, acusações aos governos,
leu as
os ataques pes
soais aos ministros, as injúrias tantas ve
zes cruéis a seu pai, e não soube nunca contra os jornalistas apaixonados se exercesse qualquer coação, qualquer cons trangimento, qualquer violência. Não haverá temeridade, pois, em avançar que os governante.s do tempo da Regência, pela
daquela época, fértil em pasquins dedica dos a campanhas de retaliação pessoal. Mas os malefícios de todos os pasquins, pasqui-
Feijó, mau grado a sua vida irreprocháA Ma- ' traça dos Farroupilhas chamou-o de "pa
tolerância com que suponaram as críticas justas e muitas vêzes injustas dos jornais, pelas demonstrações de respeito a todas
dre imoral", "ministro de Satanaz", "seduT > tor e alcoviteiro" e, aludindo ao mistério,
as idéias, pela sinceridade de sua conduta, foram os grande.s mestres, os verdadeiros
do seu nascimento de filho enjcitado, fi-
educadores Je Pedro II. no que este pos
3.'
é*»
administrativos e azucrinava os ministros
te comarca, revelados por um
atos do Governo.
da ação benfazeja de um só jornal, de um
atenção. Pelo que escreviam os jornais in
formava-se do andamento dos serviços
abdicação de seu pai, teve os j:irimeirüs conractos com a vida
nuar os excessos praticados pela imprensa
vel, os jornais que o atacavam ?
ler os jornais do Pais inteiro, em atender-
deixara o berço. .Pedro II, com
abrir um jornal para defender-se, para justific^r-se, para defender e justificar os Que não disseram de
rante o seu reinado de quase meio século,
cinco anos apenas por ocasião da
ler,'por mais que áulicos o ser- . viçais procurassem evitar, manuseou os
1
a maior garantia da liberdade de opinião escrita ou falada no Brasil, talvez quem melhor soube compreender o papel da im prensa. E conhecido o seu empenho em
com cartinhas e bilhetes diários. O mal tão antigo da falta de água no Rio de Janeiro ou a condura excessiva de um dele-gado de polícia na mais distan-/
respeito pela liberdade de im prensa, que se criou o impera dor alçado ao trono quando mal
democrático da. Regência. Faltark"' 1 1 dade quem quisesse negar oucuiaria sequera ver ate
nadas e pasquineíros ficam multo aquém Eí"-
quer aparelho administrativo. Para coibirdhe os desníando.s havia o remédio do
Porque assim o educaram os políticos
da Regência, foi pi^rvenrura Pedro II, du
xas. Qualquer nota ou artigo sôbre as sunto de interêsse público merecia a sua
O
Foi em atmosfera assim, dc
tado pela província de Minas Gerais an tes de lá ter ido, passou a ser árbitro de situações e guia sempre ouvido c acatado. Nos dias tumultuosos da Regência, a imprensa, embora abusando do direito de critica, nunca se viu humilhada pela cen- " suta policial ou pelas proibições de qual
por tôdas as opiniões.
ria para a consciência dêsscs liberais con
mas, revidar também com transbordamentos de linguagem em outros jornais.
dc livros do pai o depois nas que fundou,
voção pela coisa pública, a paciência no suportar agravos e insultos, o acatamento
lhes às reclamações, em ouvir-lhes as quei
mais que faziam era usar das mesmas ar
çá-lo à retirada. O jovem Evaristo, pouco
zinho, por ser um jornalista honesto ga nhou prestígio e fama, foi eleito depu
celular de assembléias r^tratlvr o
Fechar um
sa apresentar de mais simpático — a de
jornal, tolher a ação de um jornalista, se victos horrível falta, crime hediondo.
uma com o irmão João Pedro e outra so
cia de parlamento, sem o fu"'
Econômico
posuço no Sepundo Reinado e a despeito
das taras de sua sociedade de senhores e
escravos, forçoso é proclamar que foi urua
berdLfd
<1= pensamento. deT
aue fcrktã"'''''' l'"i do nr' ■
tnelindres de famí-
to. vale recordar o panfleto de Timandro, O mais que agressivo Libelo do Poro.
Dc origem humilde, mestiço, parece que com avó escrava, Sales Tôrre.s Homem
figura entre aqueles moços que a revolu ção de^7 de abril cedo atraiu para a vida pública. Liberal filiado ao partido dc
"O
DIGr-STo
^ liberdade de imprensa no Brasil
[lio<.!e pais incógnitos, asseverou que Fei-• jó "vira a luz do dia num chiqueiro de porcos". O Claritn da Lihcrdadv brini!ou-o com o título dc inqiiisidor-mor
Otávio Tarquínio uk Souza
j\ LIBERDADH <Je imprensa no Brasil nasceu, pode dizer-se, com a emanci
pação nacional. Nossos primeiros jornais independentes apareceram em 1821. Des de logo o exame dos homens e dos acon tecimentos começou a ser feito, nem sem
pre com isenção, muitas vezes com injus tiças, mas indiscutivelmente com a maior coragem^ Onde houvesse um desmando o Governo, uma arbitrariedade, um me
noscabo aos interesses do povo, imediata mente surgia a crítica de um jornal, de
' dZ'°L'T"''
focara, gran-
mancomunado com os portugueses para
so jornalista — a Aurara F/un/ii/etise c o seu redator Hvaristo da Veiga.
destruir a Independência, o que vale dizer — traidor de sua pátria. Nada disso fez
Entre 1827 e 1835, isto c. enquanto
com que Feijó perseguisse" a imprensa. Plc, como os seus contemporâneos da mes
durou a campanha jornalística do livreiro
da rua dos Pescailores, nunca êsse rapaz
ma formação, tinha pela liberdade, por tò-
de imprensa, êsse autodidata carioca, dei xou de tomar posição, de enfrentar, cen surar ou aconselhar os poderosos do dia, os mandões do tempo. Ninguém terá
ilas as liberdades consagradas em lei, um
respeito quase supersticioso.
concorrido, talvez, mais do que êle.^para derribar o primeiro imperador, para for antes conhecido apenas no balcão da loja
exerce,o daquela liberdade se torna ptàticamente impossível.
Instalado o parlamento, os jornais nu lularam no Rio e na.s províncias, crescen-
íalrn:n\n~Taí granda parte os jornais que Impeliram Z dro I a abdicaçao e criaram
T-
júri, sempre inclinado à -benevolência. Quando o homem duro que era o padre Feijó, num momento de profunda pertur bação política, foi nomeado Ministro da Justiça, não mandou fechar jornais, nem prender jornalistas: pensou também em
jornal da Corre ou de qualquer província, ocupavam o gover
Í^V
pública na época democrática
nante imperial, inspiravam-lhe
entre rodas de nossa história.
iniciativas.
Menino, logo que aprendeu a
Sem querer deixar na sombra o que houve de artificial e de
jornais que aqui se publicavam, acusações aos governos,
leu as
os ataques pes
soais aos ministros, as injúrias tantas ve
zes cruéis a seu pai, e não soube nunca contra os jornalistas apaixonados se exercesse qualquer coação, qualquer cons trangimento, qualquer violência. Não haverá temeridade, pois, em avançar que os governante.s do tempo da Regência, pela
daquela época, fértil em pasquins dedica dos a campanhas de retaliação pessoal. Mas os malefícios de todos os pasquins, pasqui-
Feijó, mau grado a sua vida irreprocháA Ma- ' traça dos Farroupilhas chamou-o de "pa
tolerância com que suponaram as críticas justas e muitas vêzes injustas dos jornais, pelas demonstrações de respeito a todas
dre imoral", "ministro de Satanaz", "seduT > tor e alcoviteiro" e, aludindo ao mistério,
as idéias, pela sinceridade de sua conduta, foram os grande.s mestres, os verdadeiros
do seu nascimento de filho enjcitado, fi-
educadores Je Pedro II. no que este pos
3.'
é*»
administrativos e azucrinava os ministros
te comarca, revelados por um
atos do Governo.
da ação benfazeja de um só jornal, de um
atenção. Pelo que escreviam os jornais in
formava-se do andamento dos serviços
abdicação de seu pai, teve os j:irimeirüs conractos com a vida
nuar os excessos praticados pela imprensa
vel, os jornais que o atacavam ?
ler os jornais do Pais inteiro, em atender-
deixara o berço. .Pedro II, com
abrir um jornal para defender-se, para justific^r-se, para defender e justificar os Que não disseram de
rante o seu reinado de quase meio século,
cinco anos apenas por ocasião da
ler,'por mais que áulicos o ser- . viçais procurassem evitar, manuseou os
1
a maior garantia da liberdade de opinião escrita ou falada no Brasil, talvez quem melhor soube compreender o papel da im prensa. E conhecido o seu empenho em
com cartinhas e bilhetes diários. O mal tão antigo da falta de água no Rio de Janeiro ou a condura excessiva de um dele-gado de polícia na mais distan-/
respeito pela liberdade de im prensa, que se criou o impera dor alçado ao trono quando mal
democrático da. Regência. Faltark"' 1 1 dade quem quisesse negar oucuiaria sequera ver ate
nadas e pasquineíros ficam multo aquém Eí"-
quer aparelho administrativo. Para coibirdhe os desníando.s havia o remédio do
Porque assim o educaram os políticos
da Regência, foi pi^rvenrura Pedro II, du
xas. Qualquer nota ou artigo sôbre as sunto de interêsse público merecia a sua
O
Foi em atmosfera assim, dc
tado pela província de Minas Gerais an tes de lá ter ido, passou a ser árbitro de situações e guia sempre ouvido c acatado. Nos dias tumultuosos da Regência, a imprensa, embora abusando do direito de critica, nunca se viu humilhada pela cen- " suta policial ou pelas proibições de qual
por tôdas as opiniões.
ria para a consciência dêsscs liberais con
mas, revidar também com transbordamentos de linguagem em outros jornais.
dc livros do pai o depois nas que fundou,
voção pela coisa pública, a paciência no suportar agravos e insultos, o acatamento
lhes às reclamações, em ouvir-lhes as quei
mais que faziam era usar das mesmas ar
çá-lo à retirada. O jovem Evaristo, pouco
zinho, por ser um jornalista honesto ga nhou prestígio e fama, foi eleito depu
celular de assembléias r^tratlvr o
Fechar um
sa apresentar de mais simpático — a de
jornal, tolher a ação de um jornalista, se victos horrível falta, crime hediondo.
uma com o irmão João Pedro e outra so
cia de parlamento, sem o fu"'
Econômico
posuço no Sepundo Reinado e a despeito
das taras de sua sociedade de senhores e
escravos, forçoso é proclamar que foi urua
berdLfd
<1= pensamento. deT
aue fcrktã"'''''' l'"i do nr' ■
tnelindres de famí-
to. vale recordar o panfleto de Timandro, O mais que agressivo Libelo do Poro.
Dc origem humilde, mestiço, parece que com avó escrava, Sales Tôrre.s Homem
figura entre aqueles moços que a revolu ção de^7 de abril cedo atraiu para a vida pública. Liberal filiado ao partido dc
"O
DlGRSTO ECONÓMtCO
130
Digkstc Econômico
Evarisio e Feijó, foi orador da manifesta vj feita icitâ uv <i\j dei^car uciAai ção pelos rapazes do Rio ao
seu poder c importância como nação, o
u grande padre, em 1832, o Ministério da
são de suas franquezas". E evocou então a "longa sucessão de reis ignorantes, cruéis
Justiça; escreveu no Independente ao la
do de Rodrigues Torres; tomou parte na ação de todos os dias da Sociedade Defen
sora. Formado depois, em Paris, em Me dicina e Direito, voltou decidido a ser no
Rrajil escritor e político, colaborando na
Minerva Brasiliense, revista que ainda ho je pode ser folheada com proveito. Em
1849, quando viu a ascensão da oligar quia conservadora ao poder, escreveu o Libelo do Povo.
Èsse panfleto, que se tornou mais cé lebre ainda porque o seu autor depois se arrependeu do que dissera, chegando aos conselhos do Governo e aos mais altos cargos do Império, transformado até. como isconde de Inhomirim. em figurante da aristocracia achinelada" de que zombara nao poupou os antepassados do monarca
enmo na fôrça dos vinte e quatro anos A
subida do ministério de 29 de setembro de 1848 pareceu a Torres Homem a vitona da reaçao contra o espírito liberal do Pais, o repudio as idéias do século a
aniquilamento de sua indústria, a supres
c depravados": João IV, inerte, pusilâni me, incapaz; Afonso VI, crápula revesti do das insígnias reais; Pedro II (de Por tugal), moedeiro falso, vendido aos inte resses estrangeiros, entregando sua pátria
de pés e mãos atados à cobiça da Ingla terra; João V, herdeiro dos vícios e con-
tinuador da tirania paterna; José I, igno rante é nulo; Maria 1, a louca possuída
da fúria de restaurar os abusos do passa do; João VI, refalsado e suspeitoso, irresoluto e poltrão, beato sem fé e sem cos tumes.
Assim eram descritos .os antepassados cio príncipe austero que governava o Bra sil. Que aconteceu a Sales Torres Ho mem ? Foi por acaso preso, perseguido, exilado ? E o panfleto } Foi proibido de circular, apreendido, queimado ? Nada
disso. A contrário, a imprensa de quase todas as províncias transcreveu o Libelo
proscri^o de qualquer influência
do Povo. Do Imperador e do Govêrno nada sofreu o escritor irreverente. Ape
classes tidas em insultante desprezo" a troca do govêrno da Nação pelo govêrno
com crueldade, contando as origens escu
panfletário do a Independência °firmara comodestemi dogma
fundamental a soberania do povo- o rei que surgira era simples feitura das mãos
populares e a eleição nacional o seu úni
nas jornais conservadores responderam
sas da família do elegante Torres Homem. Tudo se passou no plano da liberdade de imprensa, excesso contra excesso.
O que Pedro II não fêz quando era um
homem moço, não faria nunca: os jornais
co titulo de legitimidade. O trono repou sava sobre a revolução libertadora: tudo
continuaram a usar e abusar do direito de censurá-lo, desde o artigo sério de crí
o mais nao passava de usurpação, de con
tica até o achincalhe da caricatura. portando serenamente as injustiças,
fisco de poderes inalienáveis.
Certo de que Pedro II se entregara aos
inimigos da liberdade brasileira, o Ut(elista, para atingir o monarca no'seu san gue, investiu contra o pai, "vergôntea des
Su coÍ-
bindo-se, o monarca serviu de modelo pa ra os políticos do seu tempo, a lembrar-se
dos governantes regenciais, daqueles anti gos brasileiros que o educaram no respeito da liberdade.
Por isso a propaganda re
sa estirpe sinistra a que Portugal deveu
publicana, verdadeira campanha de demo
durante dois séculos o fatal declínio do
lição de um regimem, pôde ser feita sem
pério, carregando quase até a hora derra
quisera limparão gênio político de José Bonifácio. Mas se uma conquista realizou oi a da liberdade de imprensa, a do res
deira a mácula escravocrata de que logo o
peito a todas as ooiniões.
maiores obstáculos, às barbas do próprio Imperador. Erros graves praticou q Im
DlGRSTO ECONÓMtCO
130
Digkstc Econômico
Evarisio e Feijó, foi orador da manifesta vj feita icitâ uv <i\j dei^car uciAai ção pelos rapazes do Rio ao
seu poder c importância como nação, o
u grande padre, em 1832, o Ministério da
são de suas franquezas". E evocou então a "longa sucessão de reis ignorantes, cruéis
Justiça; escreveu no Independente ao la
do de Rodrigues Torres; tomou parte na ação de todos os dias da Sociedade Defen
sora. Formado depois, em Paris, em Me dicina e Direito, voltou decidido a ser no
Rrajil escritor e político, colaborando na
Minerva Brasiliense, revista que ainda ho je pode ser folheada com proveito. Em
1849, quando viu a ascensão da oligar quia conservadora ao poder, escreveu o Libelo do Povo.
Èsse panfleto, que se tornou mais cé lebre ainda porque o seu autor depois se arrependeu do que dissera, chegando aos conselhos do Governo e aos mais altos cargos do Império, transformado até. como isconde de Inhomirim. em figurante da aristocracia achinelada" de que zombara nao poupou os antepassados do monarca
enmo na fôrça dos vinte e quatro anos A
subida do ministério de 29 de setembro de 1848 pareceu a Torres Homem a vitona da reaçao contra o espírito liberal do Pais, o repudio as idéias do século a
aniquilamento de sua indústria, a supres
c depravados": João IV, inerte, pusilâni me, incapaz; Afonso VI, crápula revesti do das insígnias reais; Pedro II (de Por tugal), moedeiro falso, vendido aos inte resses estrangeiros, entregando sua pátria
de pés e mãos atados à cobiça da Ingla terra; João V, herdeiro dos vícios e con-
tinuador da tirania paterna; José I, igno rante é nulo; Maria 1, a louca possuída
da fúria de restaurar os abusos do passa do; João VI, refalsado e suspeitoso, irresoluto e poltrão, beato sem fé e sem cos tumes.
Assim eram descritos .os antepassados cio príncipe austero que governava o Bra sil. Que aconteceu a Sales Torres Ho mem ? Foi por acaso preso, perseguido, exilado ? E o panfleto } Foi proibido de circular, apreendido, queimado ? Nada
disso. A contrário, a imprensa de quase todas as províncias transcreveu o Libelo
proscri^o de qualquer influência
do Povo. Do Imperador e do Govêrno nada sofreu o escritor irreverente. Ape
classes tidas em insultante desprezo" a troca do govêrno da Nação pelo govêrno
com crueldade, contando as origens escu
panfletário do a Independência °firmara comodestemi dogma
fundamental a soberania do povo- o rei que surgira era simples feitura das mãos
populares e a eleição nacional o seu úni
nas jornais conservadores responderam
sas da família do elegante Torres Homem. Tudo se passou no plano da liberdade de imprensa, excesso contra excesso.
O que Pedro II não fêz quando era um
homem moço, não faria nunca: os jornais
co titulo de legitimidade. O trono repou sava sobre a revolução libertadora: tudo
continuaram a usar e abusar do direito de censurá-lo, desde o artigo sério de crí
o mais nao passava de usurpação, de con
tica até o achincalhe da caricatura. portando serenamente as injustiças,
fisco de poderes inalienáveis.
Certo de que Pedro II se entregara aos
inimigos da liberdade brasileira, o Ut(elista, para atingir o monarca no'seu san gue, investiu contra o pai, "vergôntea des
Su coÍ-
bindo-se, o monarca serviu de modelo pa ra os políticos do seu tempo, a lembrar-se
dos governantes regenciais, daqueles anti gos brasileiros que o educaram no respeito da liberdade.
Por isso a propaganda re
sa estirpe sinistra a que Portugal deveu
publicana, verdadeira campanha de demo
durante dois séculos o fatal declínio do
lição de um regimem, pôde ser feita sem
pério, carregando quase até a hora derra
quisera limparão gênio político de José Bonifácio. Mas se uma conquista realizou oi a da liberdade de imprensa, a do res
deira a mácula escravocrata de que logo o
peito a todas as ooiniões.
maiores obstáculos, às barbas do próprio Imperador. Erros graves praticou q Im
Dioj-sto
O mais velho «locmineiiÉário paulísise «Io eseritaruvã«» mereniilil e baueária Afonso de E. 'J^aunay
TTm 1917, pouco iinles de seu faleci mento, recebi do muilt> saudosf)
amigo Dr. Augusto de Siqueira Cardoso mais uiba prova do um apreço sobromodt) desvanecedor.
Era èle um dos mais versados linliá-
gistas
paulistas de seu tempo.
Fre
qüentava continuamente o mestre sabe
dor, lícc pius impar, deste ramo de nos sa heurística, Luiz Gonzaga da Silva Lo
'me. Díversa.s vêzes tive o ensejo de o I,
acompanhar nas visitas que fazia a èsse
homem erudito e tão cheio, tão senlior de seu assunto, tão agradái-el c cortc-s Aos novo tomos da obra do Silva Le me caivara Augusto Cardoso de notas o
dc chamadas de corre.spondència ciue tornaiam a consulta de todos òsses vo
fiou-mas para o.Kprimir o grande prazer que Iliíí causara a minha nomeação para diretor do Museu Paulista, onde, deela-
rou-me, certamente iria esforçar-me por servir a tradição paulista.
as mãos oferecido por sua viúva, a E.vnia.
Sra D. Eudoxia Taques Cardoso, em
lembiança de seu espôso. Foi-me tal
oferta de_ extraordinária utilidade para
a confecção da Zíi.rória Geral das Bande^ as Pmdistas. poupando-nie árduo trabalho de pesquisas em milhares de paginas.
Mas, voltando aò que ia dizendo aci
ma, certo dia entregou-me Augusto Cardoso umas tantas laudas de fins do .século XVII e princípios do século XVIII, provindas do arquiio cie Pedro Taque.s. Chegara a pos.suí-las como genro de um neto do linhagista. Con
133
Suponlu) <iue essas landas numuseritas c-onsliluam hoje o mais antigo do cumento paulista de contabilidade co
em (|ue aparecem dociunenlos relativos ao espólit) do Padre Pompéu. Ao Arquivo Nacional foram ter, com
mercial e bancária existente em nossos
a transferência
dias.
mentação existente na Delegacia Fiscal
Pelo
minos. tão
viiltosamente
de São Paulo, muitos papéis também re
nhum lh<- leve a palma. Parecem cxms-
ferentes aos bens do Padre Pompéu. como denunciou Basílio de Magahães (Rev. do Inst. Hi.slórico de São Paulo,
litnir í)s fragmentos de um livTO de apon tamentos. honadoy de negócios.
lherme Pímipéu, a primeira informação
peradamente, desaparecia o e.Ncelente e
lanwnlKs de Azevedo Marcpies. que a
diabético, e aos .s«'ssenla anos ineoinplctos. Vali-mc dc sna.s nofas c trahallio.so ensaio de concordância
entre as obras
de Pedro T'acpie.s e Silva Lenie para realizar a segunda edição da Nohiliarípiiit Paulistana, trabalho em (pie tive, para cinco títulos gcnealógicHis, a cola
impressa ocorre, a meu vi^r, nos Apon-
sejo de e.screver com certa abundância
èsse assunto c<insagrou notícia assa/ ex tensa (L pi^íí179). Ao redigi-hi declarou que o testa
na História da Cidade de São Paulo no
século X\^lll e na Histórki Geral das Bandeiras Paulistas (tomo IX).
mento tio creso de Parnaíba, datado de 30 de janeiro de 1/10. existia
Em 1931,
mercê de cordial
ainda no Primeiro Carlórit) de Órfãos, recolhido do acervo da
assinalamento do amigo Dr. José de Barros Saraiva, engenheiro do
antiga ouvidoria de São Panlí).
Servido do Patrimônio da União
Dèle
transcTcven
no Estado de São Paulo, tive em mãos umas tantas laudas avulsas destacadas de um códice esface-
umas, tantas
verbas.
Como o Icgatário universal de Pompéu fosse o Colégio dos Jesuítas de lado e referentes ao inventário do Pa São Paulo, a quem deixara terras, ca
sas, móveis. liN varia, gado. prataria etc., todo esse acervo se englobou no que foi
pertenciam indubilàvclmente aos livros
de escrituração meieantil do Padre Dr. Guilherme Pompéu de Almeida, o fa
confiscado da Companhia de Jesus por ordem de Pombal.
moso creso de Parnaíba (1656-1713), o
Assim, muitos documentos a ele re
ban(|ueír() dos bandeirantes na fase ini cial do grande ciclo do ouro nas Minas
lativos foram ter ao Cartório da Tesou raria Geral, depois Imperial, onde Aze vedo Marqne.s declara havè-los tom-
Gerais.
Muitas delas trazem a assinatura do
pnlsado.
célebre clérigo apontado a Dom Pedro
Quando arcjuivista do Arquivo do Es
II por Aitiir de Sá o Menezes, o notá-
ye\ Capilão-Gencaal Governador do Rio do Janeiro e de Repartição do Sul, como tendo todas as credenciais
XVIII. 309) em notas eruditas ao rico manancial de documentos sobre o bandeirantismo ali por ele copiados. Sobre o creso de Parnaiba tive o en
Sóbre a documentação do Pacln- Gui
Isto se passava em março de 1917. A 13 do junho imediato, prematura e ines generoso amigo, vitimado por uui coma
da considerável docu
«pianto se apresenta, siiponhii (jue ne
cio erudito genealogisla Dr. lumes sobremaneira facilitada pois ba boração Carlos da Silveira. vendo o autor falecido prematuramente, •As laudas .scisccnlislus e selecenlistas apresentava-se o seu monumental traballio desprovido do indispensável índice. quc^ me entregara Augusto Cardoso, sé O exempkr da Qenealogia raiãistana rie de páginas sobremodo desordenadas, pertencente a Augusto Cardo.so vcio-mo
Econômico
trará comentários no tomo terceiro d primeira obra u que acima aludi ín-^rr^ 177 177 ct rt purs). nar.t^
ís-
O prezado amigo José Pedro Leite
Cordeiro, que tanto já se tem distinguido pelos excelentes e prolxis estudos sô-
bre o passado paulista, tem em vista pro
D<'ctimeiifos intercsacintes pora a
dos aos jesuítas* da Capitania de Sãn Paulo como conseqüência da expulsão dos jesuítas do Brasil (pág. 337-378) ^
interessar pelo assunto sobre êle encon
ceder a uma revisão, completa quanto possível, do que há sobre a interessan tíssima figura do Padre Guilherme Pompéu. Espera persciutar as fontes minudentemente, no Brasil e cm Por tugal, a cxnneçar pelo acervo do Arqui.
incluiu uma Relaçãv dos hens apreendi
cese fluminense.
pólio. Aproveitei-as, e o leitor que se
do, ao organizar, em 1915, o tomo 44 hvst&rui G costumes de São Veulo, nêle
primeiro ocupante da cátedra episcopal (jue se projetava fundar na vila de São Paulo, em bispado desmembrado da dio
rem-sç a contas processadas de seu es
tado de São Paulo, o Dr. Armando Pra dos
para ser ()
dre Pompéu. Provinham do arquivo da Delegacia Fiscal' dc São Paulo e refe-
t ..j ■
«.A» VJ
f
vo Nacional. E ao mesmo tenqxi pru■ > r Vliálilfcf'.'''
Dioj-sto
O mais velho «locmineiiÉário paulísise «Io eseritaruvã«» mereniilil e baueária Afonso de E. 'J^aunay
TTm 1917, pouco iinles de seu faleci mento, recebi do muilt> saudosf)
amigo Dr. Augusto de Siqueira Cardoso mais uiba prova do um apreço sobromodt) desvanecedor.
Era èle um dos mais versados linliá-
gistas
paulistas de seu tempo.
Fre
qüentava continuamente o mestre sabe
dor, lícc pius impar, deste ramo de nos sa heurística, Luiz Gonzaga da Silva Lo
'me. Díversa.s vêzes tive o ensejo de o I,
acompanhar nas visitas que fazia a èsse
homem erudito e tão cheio, tão senlior de seu assunto, tão agradái-el c cortc-s Aos novo tomos da obra do Silva Le me caivara Augusto Cardoso de notas o
dc chamadas de corre.spondència ciue tornaiam a consulta de todos òsses vo
fiou-mas para o.Kprimir o grande prazer que Iliíí causara a minha nomeação para diretor do Museu Paulista, onde, deela-
rou-me, certamente iria esforçar-me por servir a tradição paulista.
as mãos oferecido por sua viúva, a E.vnia.
Sra D. Eudoxia Taques Cardoso, em
lembiança de seu espôso. Foi-me tal
oferta de_ extraordinária utilidade para
a confecção da Zíi.rória Geral das Bande^ as Pmdistas. poupando-nie árduo trabalho de pesquisas em milhares de paginas.
Mas, voltando aò que ia dizendo aci
ma, certo dia entregou-me Augusto Cardoso umas tantas laudas de fins do .século XVII e princípios do século XVIII, provindas do arquiio cie Pedro Taque.s. Chegara a pos.suí-las como genro de um neto do linhagista. Con
133
Suponlu) <iue essas landas numuseritas c-onsliluam hoje o mais antigo do cumento paulista de contabilidade co
em (|ue aparecem dociunenlos relativos ao espólit) do Padre Pompéu. Ao Arquivo Nacional foram ter, com
mercial e bancária existente em nossos
a transferência
dias.
mentação existente na Delegacia Fiscal
Pelo
minos. tão
viiltosamente
de São Paulo, muitos papéis também re
nhum lh<- leve a palma. Parecem cxms-
ferentes aos bens do Padre Pompéu. como denunciou Basílio de Magahães (Rev. do Inst. Hi.slórico de São Paulo,
litnir í)s fragmentos de um livTO de apon tamentos. honadoy de negócios.
lherme Pímipéu, a primeira informação
peradamente, desaparecia o e.Ncelente e
lanwnlKs de Azevedo Marcpies. que a
diabético, e aos .s«'ssenla anos ineoinplctos. Vali-mc dc sna.s nofas c trahallio.so ensaio de concordância
entre as obras
de Pedro T'acpie.s e Silva Lenie para realizar a segunda edição da Nohiliarípiiit Paulistana, trabalho em (pie tive, para cinco títulos gcnealógicHis, a cola
impressa ocorre, a meu vi^r, nos Apon-
sejo de e.screver com certa abundância
èsse assunto c<insagrou notícia assa/ ex tensa (L pi^íí179). Ao redigi-hi declarou que o testa
na História da Cidade de São Paulo no
século X\^lll e na Histórki Geral das Bandeiras Paulistas (tomo IX).
mento tio creso de Parnaíba, datado de 30 de janeiro de 1/10. existia
Em 1931,
mercê de cordial
ainda no Primeiro Carlórit) de Órfãos, recolhido do acervo da
assinalamento do amigo Dr. José de Barros Saraiva, engenheiro do
antiga ouvidoria de São Panlí).
Servido do Patrimônio da União
Dèle
transcTcven
no Estado de São Paulo, tive em mãos umas tantas laudas avulsas destacadas de um códice esface-
umas, tantas
verbas.
Como o Icgatário universal de Pompéu fosse o Colégio dos Jesuítas de lado e referentes ao inventário do Pa São Paulo, a quem deixara terras, ca
sas, móveis. liN varia, gado. prataria etc., todo esse acervo se englobou no que foi
pertenciam indubilàvclmente aos livros
de escrituração meieantil do Padre Dr. Guilherme Pompéu de Almeida, o fa
confiscado da Companhia de Jesus por ordem de Pombal.
moso creso de Parnaíba (1656-1713), o
Assim, muitos documentos a ele re
ban(|ueír() dos bandeirantes na fase ini cial do grande ciclo do ouro nas Minas
lativos foram ter ao Cartório da Tesou raria Geral, depois Imperial, onde Aze vedo Marqne.s declara havè-los tom-
Gerais.
Muitas delas trazem a assinatura do
pnlsado.
célebre clérigo apontado a Dom Pedro
Quando arcjuivista do Arquivo do Es
II por Aitiir de Sá o Menezes, o notá-
ye\ Capilão-Gencaal Governador do Rio do Janeiro e de Repartição do Sul, como tendo todas as credenciais
XVIII. 309) em notas eruditas ao rico manancial de documentos sobre o bandeirantismo ali por ele copiados. Sobre o creso de Parnaiba tive o en
Sóbre a documentação do Pacln- Gui
Isto se passava em março de 1917. A 13 do junho imediato, prematura e ines generoso amigo, vitimado por uui coma
da considerável docu
«pianto se apresenta, siiponhii (jue ne
cio erudito genealogisla Dr. lumes sobremaneira facilitada pois ba boração Carlos da Silveira. vendo o autor falecido prematuramente, •As laudas .scisccnlislus e selecenlistas apresentava-se o seu monumental traballio desprovido do indispensável índice. quc^ me entregara Augusto Cardoso, sé O exempkr da Qenealogia raiãistana rie de páginas sobremodo desordenadas, pertencente a Augusto Cardo.so vcio-mo
Econômico
trará comentários no tomo terceiro d primeira obra u que acima aludi ín-^rr^ 177 177 ct rt purs). nar.t^
ís-
O prezado amigo José Pedro Leite
Cordeiro, que tanto já se tem distinguido pelos excelentes e prolxis estudos sô-
bre o passado paulista, tem em vista pro
D<'ctimeiifos intercsacintes pora a
dos aos jesuítas* da Capitania de Sãn Paulo como conseqüência da expulsão dos jesuítas do Brasil (pág. 337-378) ^
interessar pelo assunto sobre êle encon
ceder a uma revisão, completa quanto possível, do que há sobre a interessan tíssima figura do Padre Guilherme Pompéu. Espera persciutar as fontes minudentemente, no Brasil e cm Por tugal, a cxnneçar pelo acervo do Arqui.
incluiu uma Relaçãv dos hens apreendi
cese fluminense.
pólio. Aproveitei-as, e o leitor que se
do, ao organizar, em 1915, o tomo 44 hvst&rui G costumes de São Veulo, nêle
primeiro ocupante da cátedra episcopal (jue se projetava fundar na vila de São Paulo, em bispado desmembrado da dio
rem-sç a contas processadas de seu es
tado de São Paulo, o Dr. Armando Pra dos
para ser ()
dre Pompéu. Provinham do arquivo da Delegacia Fiscal' dc São Paulo e refe-
t ..j ■
«.A» VJ
f
vo Nacional. E ao mesmo tenqxi pru■ > r Vliálilfcf'.'''
DiGB»Tc
Econômico
DIGHSTÜ EíONÒMKo'
134
\ asos destinados à comodidade dos hós
ceder à exegese cia centena de laudas dt»
(lii história paulista c íiincla <la históriu
borrador, ou dos borradores, reunidos num só volume, do creso cie Pamaíba,
econômica brasileira.
escapes à destruição. Representam essas páginas,
a meu
\'er, repito, a mais velha documentação
de contabilidade mercantil paulista até hoje vinda à luz. Pelo menos tão vul
Traçando o ilustre linhagista,
Ainda assim, para tanto não haveria a seu
respeito, pequena notícia iíiográfica a Nobiliarquia Paulistana — afirmou-se a lenda de que o Padre Pompéu pos» suía imensos cabedais, que dele faziam
tosa quanto ela quer-me parecer que nenhuma outra poderá de longe se lhe
nm creso do Brasil setecentista ao aU
comparar.
nas Minas Gerais.
InfeUzmente^ a falta da indicações cronológicas não nos permite seriar-lhe as páginas, visto como só uma vez ou
Sòbre ser sincero, leal e verídico, q ilustre genealogista não deixava, porém,
outra o opulento clérigo colocou datas em seus apontamentos tumultuários.
Mas ainda assim as informações que
delas se pode haurir são bastante coniosas. eximo por exemplo as que se refe rem ao preço de muitas utilidades na
XxVIl'
findar o sé!
No Padre Belchior de Fontes, o bem conhecido romance de Júlio Ribeiro, no vela em que aparece, com grande des taque, o Padre Pompéu. referências di-
vorecer da era do grande ciclo do ouro
de pender para tal ou qual grandiloqüen
te megalomania. O que pôde dizer da riqueza do Padre Guilherme Pompéu —
de quem se orgulhava de ser próximo parente, primo em terceiro
~ ^oio
a saber já aumentado pela amplifíoução
que acompanha a tradição oral. A publicação parcial do testamento e do inventário do milionário de Pamaí
ba, por Azevedo Marques, em 1879, veio reduzir as proporções de tal for tuna e trazer contestações ao
avan
çara o cronista.
Aludindo ao fausto com que vivia o
levrnro°j "! ° "■""ntasta teve provàvelmente em1"'mãos os docu ilustre clérigo, em sua casa de Parnaimentos que mais tarde foram de Au ba, escreve Taques: "para grandeza do gusto de Siqueira Cardoso e hoje se acham em meu poder.
^
tratamento da casa dêste herói paulista
basta saber-se que fazia paranientar cem
camas, cada uma com cortinado pró prio, lençóis finos de bretanha guarnecidos de rendas e com uma bacia de
Deixou-nos o insubstituível Perlvr. m
ques - e não fôra ele, certame h
o olvido avassalaria - a lemhrn^'
prata debaixo do cada das ditas camas,
T
fausto e da opulencia do Padre Dr^G ° lherme Pompéu de Almeida, presbít^m secular parnaibano, nascido em 1656 e
falecido em 1713 em sua vila natal.
Foi certamente das mais notáveis per sonalidades das nossas eras coloniais e
pedes.
.sem pedir nada emprestado". Ora, ao fazer o Padre Pompéu a des
crição da sua prataria, quer em testa mento, quer a inventariá-la, em diversos anos, não deixou menção alguma desse luxo, singular e curiosamente aplicado, . devemos confessá-lo.
Poder-se-á objetar que talvez se aca nhasse com a referência a semelhantes
na me.sma época, como contribuição pa
ra a indenização de guerra paga por Portugal á Holanda em trôco da paz
de 1663 — donativos enormes para o
razão de ser; em duas relações que con.siam do seu H\to borrador de negócios
tempo; te\'e baixela de prata de qua
aparecem apontamentos relativos a tais
renta arrôbas,'latifúndios sem conta etc.
bacias, reduzidas a meia dúzia, .se tanto.
E provável que fòsse dos maiores, senão o mais opulento paulista de sua
Estranhará o leitor, talvez, tratarmos de
tal pormenor. Resta-nos, porém, tão pouco acerca do Padre Pompéu. cuja
•época. Abastado por herança paterna,
escrituração se dispersou, que é êsle um argumento preciso numérico, com o
Anna de Lima Pedroso, filha de João
(pial se pode tornar frisante a tendência
ror dos índios", e sobrinha do famoso Padre Manoel de Moraes, notemo-lo de
(wageradora do linhagista. •
Êsses pequenos reparos não pretcn<lcm de todo diminuir a impor tância das posses de Guilherme Pompéu. ra
o
Para o seu tempo, pa
Brasil
scgregado
deserto
de
1700
e
do resto do mundo,
para a capitania
dc São Paulo, contando apenas algumas escas
sas dezenas de milhares de almas, foi
mais se tomara
pelo casamento com
Pedroso dc Moraes, alcunhado "o ter
passagem.
Vi\'endo em Parnaiba,
onde
era como um senhor feudal a
sua baixela de prata excedia de 40 arrôbas, adquirida e mais tar de dispersada, segundo relata o
sobrinho bisneto Pedro Taques, a acusar os governadores reinóis
de extorsores dos seus go\'emados, "por
ele formidável potência financeira. Como chegou a reunir tão largos ca
que nenhum se recolhera para o Reino
bedais ?
e prata.
Veio-lhe, do pai e homônimo, grande comôço de fortuna.
pitão-Mor
Já em vida do Ca-
Guilherme Pompéu de Al
meida recebeu, provavelmente, avulta-
clas quantia,s, que largamente multipli cou, quer da herança materna, .quer de
adiantamentos de legítima,
pois antes
cio falecimento daquele, em novembro
dc 1694, já realizava grandes transa ções comerciais, como demonstra o seu
que não levasse boas arrôbas" de ouro
O potentado, Capitão-Mor da Vila de Pamaíba, aí expirou a 12 de novembro
de 1691, deixando três fühos: o Padre
Dr. GuiUiemc-, Pompéu de Almeida. D, Mana de Lma e Almeida, casada com o Capilao Antonio Bicudo de Brito, e Paes, Esmeral ír lilho fflho do do Governador p"P'®°-MordasPedro Dias das, o extraordinário Tío • j j bemao Dias Paes.
Ii.vro borrador.
Foi o Capitão-Mor Guilherme Pompcm muito rico para o São Paulo de sua
época. Fêz consideráveis doações à ca
pela de Nossa Senhora da.Conceição de Vuturuna, que edificara em 1678; deu 200$000, em 1671, à Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, e 4OOSO0O
s;""" í Assim, ao Padre Pompéu coube cer tamente grande herança.
Resolvera, a princípio, fazer-se fran-
ciscano dissuadindo-o do intento os pe
didos dos pais, "que lhe atalharam com
DiGB»Tc
Econômico
DIGHSTÜ EíONÒMKo'
134
\ asos destinados à comodidade dos hós
ceder à exegese cia centena de laudas dt»
(lii história paulista c íiincla <la históriu
borrador, ou dos borradores, reunidos num só volume, do creso cie Pamaíba,
econômica brasileira.
escapes à destruição. Representam essas páginas,
a meu
\'er, repito, a mais velha documentação
de contabilidade mercantil paulista até hoje vinda à luz. Pelo menos tão vul
Traçando o ilustre linhagista,
Ainda assim, para tanto não haveria a seu
respeito, pequena notícia iíiográfica a Nobiliarquia Paulistana — afirmou-se a lenda de que o Padre Pompéu pos» suía imensos cabedais, que dele faziam
tosa quanto ela quer-me parecer que nenhuma outra poderá de longe se lhe
nm creso do Brasil setecentista ao aU
comparar.
nas Minas Gerais.
InfeUzmente^ a falta da indicações cronológicas não nos permite seriar-lhe as páginas, visto como só uma vez ou
Sòbre ser sincero, leal e verídico, q ilustre genealogista não deixava, porém,
outra o opulento clérigo colocou datas em seus apontamentos tumultuários.
Mas ainda assim as informações que
delas se pode haurir são bastante coniosas. eximo por exemplo as que se refe rem ao preço de muitas utilidades na
XxVIl'
findar o sé!
No Padre Belchior de Fontes, o bem conhecido romance de Júlio Ribeiro, no vela em que aparece, com grande des taque, o Padre Pompéu. referências di-
vorecer da era do grande ciclo do ouro
de pender para tal ou qual grandiloqüen
te megalomania. O que pôde dizer da riqueza do Padre Guilherme Pompéu —
de quem se orgulhava de ser próximo parente, primo em terceiro
~ ^oio
a saber já aumentado pela amplifíoução
que acompanha a tradição oral. A publicação parcial do testamento e do inventário do milionário de Pamaí
ba, por Azevedo Marques, em 1879, veio reduzir as proporções de tal for tuna e trazer contestações ao
avan
çara o cronista.
Aludindo ao fausto com que vivia o
levrnro°j "! ° "■""ntasta teve provàvelmente em1"'mãos os docu ilustre clérigo, em sua casa de Parnaimentos que mais tarde foram de Au ba, escreve Taques: "para grandeza do gusto de Siqueira Cardoso e hoje se acham em meu poder.
^
tratamento da casa dêste herói paulista
basta saber-se que fazia paranientar cem
camas, cada uma com cortinado pró prio, lençóis finos de bretanha guarnecidos de rendas e com uma bacia de
Deixou-nos o insubstituível Perlvr. m
ques - e não fôra ele, certame h
o olvido avassalaria - a lemhrn^'
prata debaixo do cada das ditas camas,
T
fausto e da opulencia do Padre Dr^G ° lherme Pompéu de Almeida, presbít^m secular parnaibano, nascido em 1656 e
falecido em 1713 em sua vila natal.
Foi certamente das mais notáveis per sonalidades das nossas eras coloniais e
pedes.
.sem pedir nada emprestado". Ora, ao fazer o Padre Pompéu a des
crição da sua prataria, quer em testa mento, quer a inventariá-la, em diversos anos, não deixou menção alguma desse luxo, singular e curiosamente aplicado, . devemos confessá-lo.
Poder-se-á objetar que talvez se aca nhasse com a referência a semelhantes
na me.sma época, como contribuição pa
ra a indenização de guerra paga por Portugal á Holanda em trôco da paz
de 1663 — donativos enormes para o
razão de ser; em duas relações que con.siam do seu H\to borrador de negócios
tempo; te\'e baixela de prata de qua
aparecem apontamentos relativos a tais
renta arrôbas,'latifúndios sem conta etc.
bacias, reduzidas a meia dúzia, .se tanto.
E provável que fòsse dos maiores, senão o mais opulento paulista de sua
Estranhará o leitor, talvez, tratarmos de
tal pormenor. Resta-nos, porém, tão pouco acerca do Padre Pompéu. cuja
•época. Abastado por herança paterna,
escrituração se dispersou, que é êsle um argumento preciso numérico, com o
Anna de Lima Pedroso, filha de João
(pial se pode tornar frisante a tendência
ror dos índios", e sobrinha do famoso Padre Manoel de Moraes, notemo-lo de
(wageradora do linhagista. •
Êsses pequenos reparos não pretcn<lcm de todo diminuir a impor tância das posses de Guilherme Pompéu. ra
o
Para o seu tempo, pa
Brasil
scgregado
deserto
de
1700
e
do resto do mundo,
para a capitania
dc São Paulo, contando apenas algumas escas
sas dezenas de milhares de almas, foi
mais se tomara
pelo casamento com
Pedroso dc Moraes, alcunhado "o ter
passagem.
Vi\'endo em Parnaiba,
onde
era como um senhor feudal a
sua baixela de prata excedia de 40 arrôbas, adquirida e mais tar de dispersada, segundo relata o
sobrinho bisneto Pedro Taques, a acusar os governadores reinóis
de extorsores dos seus go\'emados, "por
ele formidável potência financeira. Como chegou a reunir tão largos ca
que nenhum se recolhera para o Reino
bedais ?
e prata.
Veio-lhe, do pai e homônimo, grande comôço de fortuna.
pitão-Mor
Já em vida do Ca-
Guilherme Pompéu de Al
meida recebeu, provavelmente, avulta-
clas quantia,s, que largamente multipli cou, quer da herança materna, .quer de
adiantamentos de legítima,
pois antes
cio falecimento daquele, em novembro
dc 1694, já realizava grandes transa ções comerciais, como demonstra o seu
que não levasse boas arrôbas" de ouro
O potentado, Capitão-Mor da Vila de Pamaíba, aí expirou a 12 de novembro
de 1691, deixando três fühos: o Padre
Dr. GuiUiemc-, Pompéu de Almeida. D, Mana de Lma e Almeida, casada com o Capilao Antonio Bicudo de Brito, e Paes, Esmeral ír lilho fflho do do Governador p"P'®°-MordasPedro Dias das, o extraordinário Tío • j j bemao Dias Paes.
Ii.vro borrador.
Foi o Capitão-Mor Guilherme Pompcm muito rico para o São Paulo de sua
época. Fêz consideráveis doações à ca
pela de Nossa Senhora da.Conceição de Vuturuna, que edificara em 1678; deu 200$000, em 1671, à Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, e 4OOSO0O
s;""" í Assim, ao Padre Pompéu coube cer tamente grande herança.
Resolvera, a princípio, fazer-se fran-
ciscano dissuadindo-o do intento os pe
didos dos pais, "que lhe atalharam com
t3(í
DlGÈST<. GrONÔíiÍK DiG lisro
rotativas êste religioso intento", segun do Pedro Taqiies. Cedendo a tais sú plicas, assentou ser presbítero secular. E realmente mostrava desconlicccT a \'cí-
cação verdadeira, ao pensar em tornar-
se religioso mendicanle, pois nascera com extraordinárias aptidões para ban
137
E<;oNóM ico
Ao mesmo tempo ia o sen copaln*
principal on sócio João Pinto buscar o metal precioso às catas ricpnssiinas que
\as. fechadura.s o cadeados, fabrican-
começavam a ser abertas; le\ava com
do-se ali utcnsilios e ferramentas, pregos
boios de ci-m e mais índios administra
e parafusos em (juantidade.
dos e escravos do genlio do Guiné, esco
feclios cie esetqx-ta e pòr eurunhas no-
De seus dcfis fíllM^s. um, o Padre Bento Leme, foi morador em Cuiabá e o outro, Caetano Leme, em Goiás.
Pela declaração do Padre Poinpéu, \"c-"
O seu grande negócio consistiu, po
mos (pie Gaspar Leme andou nas Ge rais, obediente ao espírito dominante
queiro e comerciante.
teiros e cspingardeiros, c cada uma des sas viagens ora. em geral, simiamente
rém. nas transações bancárias.
Voltando da Bahia, onde fora "apren der a língua latina nos pátios do colé
rendosa.
\ia a \'ários. e iniiitíssimos lhe deviam,,
Não deve ter conseguido grande coisa
gio dos jesuítas, onde se consumara ex
péu que os príuentos do ouro poucf) são para os mineradores. Assim, féz João Einto freqiicnlemente voltar às ]a\ras, nru tangendo grandes pontas de gado,
dinheiro de contado, ouro ciuintado, ouro ein pó, barrctas laindidas e moedas.
com a sua tcntati\-a de mineração. As 234 oitavas que ficou a (lever ao
celente gramático", estabeleceu-se em
Pamaíba. Estudara filosofia e teologia, do (jue lhe proviera o grau de doiitòí por bula pontifícia. Da vila natal nun-
. ca mais deveria sair, por longo prazo • pelo menos, entabulando uma série de opera<,.oes comerciais e industriais «ue perm.hram ajuntar enorme fortrlna para o tempo, convém lembrá-lo
Compreendeu logo Guilherme Pom-
nra a levar carregunienlo que os mincirns, separados da civilização j^>el() de serto, sôfregamenlc adquiriam por pre ços altamente renumeradores.
Vinham
essas boiada.s de Itu, Sorocaba, Curiti-
líu, onde iam procurá-los outros asso ciados de Poinpéu. parentes ou amigos:
Tao amante das letras que da grandee produção do seu liberal animo ti
o sobrinho Pedro Frazão de Brito, que
ns buscava a 150 e mais léguas ao sul
São Paulo, o primo Luiz Vcdro.so de nham segura proteção os sujeitos bem de Barres c outros.
instruídos na história sacra e nrof ir,.,"
Ao me.smo tempo, a cscra%'aria do E formou larga e excelente livmda creso fabricava, cm Pamaíba. marnieAgricultor e criador opulento, assistiu aos primeiros movimentos do ni^h pau- lada, do que vendia milhares de caixas para as Minas, a 400 rci.s a caixeta, M-sta para o ouro dos Cítaguazes
Sem deixar Pamaíba associou-se a essas entradas ao sertão, fazendo-se co-
mo que banqueiro dos que partiam para
surgem centenas de nomes bandeirantes os mais ilustres e os obscuros; com quase hidos entreteve relações. Mandavam-llie
ouro c quase todos llic foram devedores.
as
transações
a
mas, quase um quilo do metal causador cia s<'cr(i famea.
dado o intenso iii brcading dos primei
ros pONoadores da capitania vieentinu, ou compradores que. opulento como era, do\na eontá-los numerosíssimos.
Gaspar Lc^me do Prado, cuja transa
ção com Guilherme Pompéu não se efeti\'Ou, naturalmente porque a sua jorna da às Minas não foi frutífera, é perso
nagem muito apagado dos fatos antigos do São Paulo.
Nascido oni 1665 c falecido em Par
naiba no ano de 1745, era filho de João do Prado Leme e Ana Maria de Lcui-
foi dos primeiros po\oadores de Jundiaí
ainda armas, enxadas c almocafrcs. nu merosos objetos de procedência européia
o seu bisavô, Pedro Leme, um dos mais antigos colonos de São Vicente e um dos cinco troncos brasileiros da gens Leme. Também era bisneto do ilustre
carne ÍTcsca de vaca itos .seus \'izinhos de Parnaiba.
Possuindo em suas fazendas oficinas dc ferreiro c serralheüo, fazia consertar
lífc..rfí*S4Í»Vj
Era o que devia entregar a João
mo parentes, o que não é estranhável, Pinto, o grande homem de negócio.s cln
tavam os seus comboios sal c açúcar e
godão e sal; e o seu comércio, descendo às pequenas cousa.s, lovava-o a \ender
seu compadre correspondiam a 838 gra
tiam, do sertão, o produto das lavras, a maior parte a figmav-lhe nos •li\ros co
veíra. Seu avô, Pedro Leme do Prado,
Negociava em dezenas de artigos: por conta própria, ou despachando ex' linhos, chapéus, calçados, drogas pedições dirigidas por empregados e só epanos, remédios, ferro e ferragens, trigo, al
No livro de registro de seus negócios
Eslendcram-se-lhe
do seu tempo.
centenas dc mineradores que lhe reme
carne salgada, toucinho etc. 1 ranspor-
o Eldorado do Espinhaço e mandando que do Rio de Janeiro, da Bahia, do as Mmas Gerais, ao Sabarã e ao Rio Reino liie chegavam continuamente. das Mortes elementos aos mineradores cios.
Dava e
toma\ a axultaclas cjuantias a juros. De-
bandeirante Sebastião Preto.
creso no território aurífero," ou ao seu
primo Sulpício Pedroso Xavier, terrí\el ' ri.xentü. cujo nome aparece com desta
que no relato dos grandes motins de Pitangui. como o principal assecla dc Domingos Rodrigues do Prado. Se Gaspar devia entregar a oitava a duas patacas (640 réis), ainda havia
boa margem de lucro para Pompéu, pois em São Paulo valia ela. no mínimo, 1.100' réis e em Santos 1.500 réis fre
qüentemente, o que assegurava proven
tos que, na pior das hipóteses, atingiam quarenta por cento.
Os 150 mil réis do crédito coirespondlam a 641 por oitava, aliás, e não a640 réis, o que dava vantagem ao der
vedor naqueles tempos, em^que se fa
zia conta de fração de real.
t3(í
DlGÈST<. GrONÔíiÍK DiG lisro
rotativas êste religioso intento", segun do Pedro Taqiies. Cedendo a tais sú plicas, assentou ser presbítero secular. E realmente mostrava desconlicccT a \'cí-
cação verdadeira, ao pensar em tornar-
se religioso mendicanle, pois nascera com extraordinárias aptidões para ban
137
E<;oNóM ico
Ao mesmo tempo ia o sen copaln*
principal on sócio João Pinto buscar o metal precioso às catas ricpnssiinas que
\as. fechadura.s o cadeados, fabrican-
começavam a ser abertas; le\ava com
do-se ali utcnsilios e ferramentas, pregos
boios de ci-m e mais índios administra
e parafusos em (juantidade.
dos e escravos do genlio do Guiné, esco
feclios cie esetqx-ta e pòr eurunhas no-
De seus dcfis fíllM^s. um, o Padre Bento Leme, foi morador em Cuiabá e o outro, Caetano Leme, em Goiás.
Pela declaração do Padre Poinpéu, \"c-"
O seu grande negócio consistiu, po
mos (pie Gaspar Leme andou nas Ge rais, obediente ao espírito dominante
queiro e comerciante.
teiros e cspingardeiros, c cada uma des sas viagens ora. em geral, simiamente
rém. nas transações bancárias.
Voltando da Bahia, onde fora "apren der a língua latina nos pátios do colé
rendosa.
\ia a \'ários. e iniiitíssimos lhe deviam,,
Não deve ter conseguido grande coisa
gio dos jesuítas, onde se consumara ex
péu que os príuentos do ouro poucf) são para os mineradores. Assim, féz João Einto freqiicnlemente voltar às ]a\ras, nru tangendo grandes pontas de gado,
dinheiro de contado, ouro ciuintado, ouro ein pó, barrctas laindidas e moedas.
com a sua tcntati\-a de mineração. As 234 oitavas que ficou a (lever ao
celente gramático", estabeleceu-se em
Pamaíba. Estudara filosofia e teologia, do (jue lhe proviera o grau de doiitòí por bula pontifícia. Da vila natal nun-
. ca mais deveria sair, por longo prazo • pelo menos, entabulando uma série de opera<,.oes comerciais e industriais «ue perm.hram ajuntar enorme fortrlna para o tempo, convém lembrá-lo
Compreendeu logo Guilherme Pom-
nra a levar carregunienlo que os mincirns, separados da civilização j^>el() de serto, sôfregamenlc adquiriam por pre ços altamente renumeradores.
Vinham
essas boiada.s de Itu, Sorocaba, Curiti-
líu, onde iam procurá-los outros asso ciados de Poinpéu. parentes ou amigos:
Tao amante das letras que da grandee produção do seu liberal animo ti
o sobrinho Pedro Frazão de Brito, que
ns buscava a 150 e mais léguas ao sul
São Paulo, o primo Luiz Vcdro.so de nham segura proteção os sujeitos bem de Barres c outros.
instruídos na história sacra e nrof ir,.,"
Ao me.smo tempo, a cscra%'aria do E formou larga e excelente livmda creso fabricava, cm Pamaíba. marnieAgricultor e criador opulento, assistiu aos primeiros movimentos do ni^h pau- lada, do que vendia milhares de caixas para as Minas, a 400 rci.s a caixeta, M-sta para o ouro dos Cítaguazes
Sem deixar Pamaíba associou-se a essas entradas ao sertão, fazendo-se co-
mo que banqueiro dos que partiam para
surgem centenas de nomes bandeirantes os mais ilustres e os obscuros; com quase hidos entreteve relações. Mandavam-llie
ouro c quase todos llic foram devedores.
as
transações
a
mas, quase um quilo do metal causador cia s<'cr(i famea.
dado o intenso iii brcading dos primei
ros pONoadores da capitania vieentinu, ou compradores que. opulento como era, do\na eontá-los numerosíssimos.
Gaspar Lc^me do Prado, cuja transa
ção com Guilherme Pompéu não se efeti\'Ou, naturalmente porque a sua jorna da às Minas não foi frutífera, é perso
nagem muito apagado dos fatos antigos do São Paulo.
Nascido oni 1665 c falecido em Par
naiba no ano de 1745, era filho de João do Prado Leme e Ana Maria de Lcui-
foi dos primeiros po\oadores de Jundiaí
ainda armas, enxadas c almocafrcs. nu merosos objetos de procedência européia
o seu bisavô, Pedro Leme, um dos mais antigos colonos de São Vicente e um dos cinco troncos brasileiros da gens Leme. Também era bisneto do ilustre
carne ÍTcsca de vaca itos .seus \'izinhos de Parnaiba.
Possuindo em suas fazendas oficinas dc ferreiro c serralheüo, fazia consertar
lífc..rfí*S4Í»Vj
Era o que devia entregar a João
mo parentes, o que não é estranhável, Pinto, o grande homem de negócio.s cln
tavam os seus comboios sal c açúcar e
godão e sal; e o seu comércio, descendo às pequenas cousa.s, lovava-o a \ender
seu compadre correspondiam a 838 gra
tiam, do sertão, o produto das lavras, a maior parte a figmav-lhe nos •li\ros co
veíra. Seu avô, Pedro Leme do Prado,
Negociava em dezenas de artigos: por conta própria, ou despachando ex' linhos, chapéus, calçados, drogas pedições dirigidas por empregados e só epanos, remédios, ferro e ferragens, trigo, al
No livro de registro de seus negócios
Eslendcram-se-lhe
do seu tempo.
centenas dc mineradores que lhe reme
carne salgada, toucinho etc. 1 ranspor-
o Eldorado do Espinhaço e mandando que do Rio de Janeiro, da Bahia, do as Mmas Gerais, ao Sabarã e ao Rio Reino liie chegavam continuamente. das Mortes elementos aos mineradores cios.
Dava e
toma\ a axultaclas cjuantias a juros. De-
bandeirante Sebastião Preto.
creso no território aurífero," ou ao seu
primo Sulpício Pedroso Xavier, terrí\el ' ri.xentü. cujo nome aparece com desta
que no relato dos grandes motins de Pitangui. como o principal assecla dc Domingos Rodrigues do Prado. Se Gaspar devia entregar a oitava a duas patacas (640 réis), ainda havia
boa margem de lucro para Pompéu, pois em São Paulo valia ela. no mínimo, 1.100' réis e em Santos 1.500 réis fre
qüentemente, o que assegurava proven
tos que, na pior das hipóteses, atingiam quarenta por cento.
Os 150 mil réis do crédito coirespondlam a 641 por oitava, aliás, e não a640 réis, o que dava vantagem ao der
vedor naqueles tempos, em^que se fa
zia conta de fração de real.
AÇÚCAR
Banco de Minas Geraes S. A.
—ÁLCOOL
(Uniço distribuidor do ouro das minas de Morro Velho e Passagem)
Companhia Usina
Vassununga SOCIEDADE ANÔNIMA
4.
i Escritório Central;
H- DR. falcão filho. 56 lO.o andar — salas 1053/5/61 End. Telegr.: "SOHRAB" Telefone: 2-7286 SÃO PAULO
s c A T A M A C
Matriz — Belo Horizonte — Rua Espirito Santo n.° 527 Filial e Agências no Rio de Janeiro Rua Buenos Aires n.° 48
Av. Graça Aranha, 296-A Rua Visconde de Pirajá n.® 581
Filial em São Paulo — Rua Alvares Penteado, n.® 177 - Fone 3-3839
Capital Reservas
Cr§ Cr$
25.000.000,00 32.000.000,00
Depósitos
Cri
825.000.000,00
Ativo
CrS"2.187.000.000.00
DESCONTOS. CAUÇÃO. COBRANÇAS,E TRANSFERENCIAS
83 Departamentos nos Estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro e no Distrito Federal.
NOVAS-TAXAS PARA DEPÓSITOS:
C/C SEM LIMITE
C H I A
^
C/C LIMITADA ( Até Cr$
50.000,00
C Até Cr? 100.000,00 C/C POPULAR ( Até Cr? 10.000,00
^ % 5 %
C/C AVISO PRÉVIO ( 30 ( 60 ( 90 ( 120
4 % 4%% 5 % 5%%
dias dias dias dias
PRAZO FIXO (12 meses ou mais)
a.a. a.a.
6
a.a.
a.a. a.a. a.a. a.a. a.a. a.a.
IMPORTANTE
Todos sabem que a economia representa pecúlio, mas o que Usina:
End. Telegr.: "USINA"
Estação Vassununga - C. P. (Estado de São Paulo)
UiM PIIODUTO DE S. FilULO Vm Ü ttRGlLIlO DD BUi\SIL
nem todos sabem é que guardar dinheiro em casa é um perigo. Assim, aconselha a prudência, aos que tiverem economias guardadas em casa, depositá-las no Banco de sua confiança» Manoel Ferreira Guimarães — Diretor Vice-Prasidente
AÇÚCAR
Banco de Minas Geraes S. A.
—ÁLCOOL
(Uniço distribuidor do ouro das minas de Morro Velho e Passagem)
Companhia Usina
Vassununga SOCIEDADE ANÔNIMA
4.
i Escritório Central;
H- DR. falcão filho. 56 lO.o andar — salas 1053/5/61 End. Telegr.: "SOHRAB" Telefone: 2-7286 SÃO PAULO
s c A T A M A C
Matriz — Belo Horizonte — Rua Espirito Santo n.° 527 Filial e Agências no Rio de Janeiro Rua Buenos Aires n.° 48
Av. Graça Aranha, 296-A Rua Visconde de Pirajá n.® 581
Filial em São Paulo — Rua Alvares Penteado, n.® 177 - Fone 3-3839
Capital Reservas
Cr§ Cr$
25.000.000,00 32.000.000,00
Depósitos
Cri
825.000.000,00
Ativo
CrS"2.187.000.000.00
DESCONTOS. CAUÇÃO. COBRANÇAS,E TRANSFERENCIAS
83 Departamentos nos Estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro e no Distrito Federal.
NOVAS-TAXAS PARA DEPÓSITOS:
C/C SEM LIMITE
C H I A
^
C/C LIMITADA ( Até Cr$
50.000,00
C Até Cr? 100.000,00 C/C POPULAR ( Até Cr? 10.000,00
^ % 5 %
C/C AVISO PRÉVIO ( 30 ( 60 ( 90 ( 120
4 % 4%% 5 % 5%%
dias dias dias dias
PRAZO FIXO (12 meses ou mais)
a.a. a.a.
6
a.a.
a.a. a.a. a.a. a.a. a.a. a.a.
IMPORTANTE
Todos sabem que a economia representa pecúlio, mas o que Usina:
End. Telegr.: "USINA"
Estação Vassununga - C. P. (Estado de São Paulo)
UiM PIIODUTO DE S. FilULO Vm Ü ttRGlLIlO DD BUi\SIL
nem todos sabem é que guardar dinheiro em casa é um perigo. Assim, aconselha a prudência, aos que tiverem economias guardadas em casa, depositá-las no Banco de sua confiança» Manoel Ferreira Guimarães — Diretor Vice-Prasidente
.■vfV""-
• r
'
DAS MELHORES
PROCEDÊNCIAS
J. FLORIANO DE TOLEDO CORRETOR DE IMÓVEIS
Mantemos sempre va-
RUA SÃO BENTO. 45 - S.o ANDAR - SALAS 512-3-4
riadíssimo sortimento
TELEFONES:
de tapetes de JüTA,
2-1421
E 2-7380
SÃO
PAULO
ALGODÃO, BODCLE, AVELUDADOS e CRI-
LISTAIS LEGÍTIMOS.
Fazemos forrações de salas com tapetes e Linóleum
Automóveis e Caminhões
T^eçaria'SGiU FUNDADA {M IfO]
SSo Paulo — Ruo Santo Ifigênia, 51 Telef. 4-4170 e 4-4179
Santos — Rua Amador Bueno, 114
Concessionários
Tel. 2-6555
Cia, de Auteméveis Alexandre licrnstein SÃO
Escritório, vendas e secção de
>^"in visUa à
PAULO
nossa casa é
soiiiprtt |»ro-
OFICINAS:
peças
RUA CAP. FAUSTINO
vciiusa
RUA CLAUDINO PINTO. 55
LIMA. 105
Telefone:
2-8740
Telefones:
Escritório e vendas . . . 2-8738 Secção de peças 2-4564
faium
CAIXA POSTAL, 2840 —
SÃO
PAULO
—
i
.■vfV""-
• r
'
DAS MELHORES
PROCEDÊNCIAS
J. FLORIANO DE TOLEDO CORRETOR DE IMÓVEIS
Mantemos sempre va-
RUA SÃO BENTO. 45 - S.o ANDAR - SALAS 512-3-4
riadíssimo sortimento
TELEFONES:
de tapetes de JüTA,
2-1421
E 2-7380
SÃO
PAULO
ALGODÃO, BODCLE, AVELUDADOS e CRI-
LISTAIS LEGÍTIMOS.
Fazemos forrações de salas com tapetes e Linóleum
Automóveis e Caminhões
T^eçaria'SGiU FUNDADA {M IfO]
SSo Paulo — Ruo Santo Ifigênia, 51 Telef. 4-4170 e 4-4179
Santos — Rua Amador Bueno, 114
Concessionários
Tel. 2-6555
Cia, de Auteméveis Alexandre licrnstein SÃO
Escritório, vendas e secção de
>^"in visUa à
PAULO
nossa casa é
soiiiprtt |»ro-
OFICINAS:
peças
RUA CAP. FAUSTINO
vciiusa
RUA CLAUDINO PINTO. 55
LIMA. 105
Telefone:
2-8740
Telefones:
Escritório e vendas . . . 2-8738 Secção de peças 2-4564
faium
CAIXA POSTAL, 2840 —
SÃO
PAULO
—
i
•- .r-»v
il SEMEWTEIR/l Co
/•s.
"O
DE
NASCIMENTO Se COSTA. LTDA.
Importadores e distribuidores, de se
í
mentes de ortaliças e flores dos
í
melhores cultivadores.
SEMENTES MARCA REGíSTRaoA
VENDAS POR ATACADO E VAREJO LARGO GENERAT^^r^S®^® reembolso postal. End tno. Teleor lelegr.. . SEMENTEIRA" 25 — TELEFONE: SAO PAULO 4-5271 MAQUINAS DE COSTURA CURSOS DE COSTURA
SERVIÇO MECÂNICO ACESSÓRIOS DE COSTURA
Há sempre uma loja Singer próxima a sua casa para atende-la.
Companhia Nacional de Tecidos Capital e Reservas Cr.$ 40,000.000,00 Dlretor-Presldente
DH. CAMILLO ANSARAH
Singer Sewing Machlne Company
Diretor-Secretário
OSWALDO G. VENEZIANI telefone :2- 0510 REDE INTERNA End.
Telsgr.
"TECIDOS"
H. Brigadeiro Toblas, 700-722 Caixa Poslal. 192 SAO PAULO
Lojas em lodo o Brasil.
m
•- .r-»v
il SEMEWTEIR/l Co
/•s.
"O
DE
NASCIMENTO Se COSTA. LTDA.
Importadores e distribuidores, de se
í
mentes de ortaliças e flores dos
í
melhores cultivadores.
SEMENTES MARCA REGíSTRaoA
VENDAS POR ATACADO E VAREJO LARGO GENERAT^^r^S®^® reembolso postal. End tno. Teleor lelegr.. . SEMENTEIRA" 25 — TELEFONE: SAO PAULO 4-5271 MAQUINAS DE COSTURA CURSOS DE COSTURA
SERVIÇO MECÂNICO ACESSÓRIOS DE COSTURA
Há sempre uma loja Singer próxima a sua casa para atende-la.
Companhia Nacional de Tecidos Capital e Reservas Cr.$ 40,000.000,00 Dlretor-Presldente
DH. CAMILLO ANSARAH
Singer Sewing Machlne Company
Diretor-Secretário
OSWALDO G. VENEZIANI telefone :2- 0510 REDE INTERNA End.
Telsgr.
"TECIDOS"
H. Brigadeiro Toblas, 700-722 Caixa Poslal. 192 SAO PAULO
Lojas em lodo o Brasil.
m
Banco Mercantil «ie Sâo Paulo S. A. Endereço Telegráfico: "MERCAPAULO" CAPITAL CrS 60.000.000,00
—
RESERVAS CrS 57.500.000,00
OPERAÇÕES BANCÁRIAS EM GERAL
Correspondentes nas principais praças do pais e do exterior Depósitos a prazo fixo e de prévio aviso
Deposito a prazo fixo com pagamento mensal de juros Depósitos em Contas Correntes de movimento.
Cofres particulares de aluguel na CASA FORTE.
DICESTO
ECONOMICO SOB OS BUSPÍCIOS DO ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE SÃO PAULO E DO FEDERAÇÃO 00 COMERCIO 00 ESTADO DE SÃO PAULO
MATRIZ
Rua Álvares Penteado, 165 Caixa Postal 4077 — Telefone 6-6391 Sao Paulo
FILIAL DO RIO DE JANEIRO
Cnívaa postal1 1579 Avenida — CaixaGraça PostalAranha, "Vasp"182-B 44 — Telefone 43-8860
S l M A R I O
FILIAL DE CAMPINAS
Rua Barão de Jaguara, 1158 Caixa Postal 347 — Telefone 2560
filial DE CURITIBA Rua Dr. Muricy, 653 Caixa Postal 443 Telefones 4064 e 4427
fàg. B«íl«xÔaa «âbr* o momonlo político — Roland Corbisier
O problema da habitação — Luiz de Anhaia Melo
85-^'
A economia política no ensino Jurídico — Djacir Menezes
3o
EconomUtaa braiilelros — Jotã Bonifácio de Andrada e Silva (O Patriarca) — FILIAL DE SANTOS Rua 15 de Novembro, 132 Caixa Postal 570 Telefone 7271
AGÊNCIAS Bom Retiro, Brás, Mercado, Moóca, Penha,
x-inneiros, Santana, Santo Amaro, Vila Prudente e 24 de Maio.
Basilio de Magalhães
37 //
Porque o brasileiro é pobre — Aldo M. Azevedo O banqueiro de Investimentos como financiador da produção e distribuidor da
riqueza — Orozimbo O. Roxo Loureiro Demoqrafia e desenvolvimento econômico do Brasil — Dorival Teixeira Vieira ..
Política de cooperação internacional —^ Roberto Pinto de Sousa
Taxas do juros — Afonso Pena Júnior Profossôres mineiros em São Paulo — Antônio Gontijo de Carvalho
"
' [*1]
O Brasil será o líder latino-americano na conferência de Torquay —
Geraldo O. Banasklwitz Fragilidade econômica da sericicultura — Cónstantino Fraga
lOt
A vacilante política municipal brasileira — Otto Prazeres ... Minérios do Brasil — Pimento! Gomes Velhos Planos (II) — Nelson Werneck Sodré
Ar, r-a
Araras, Atibáia, Bariri, Bauru, Bernar^ l-
!•; ^Pos, Borborema, Cambará, Campos de Jordão, Capiva TK;4;«,,a^^T Procópio, Garça, Guararapes, Guaxupé, T ^^^3 ' Lorena, Marília, Itajobí,Maringá, líapeva',Mirassol, ítú. Leme, Limeira, Lins, ^ ma, Mogi das Cruzes, Mogi Uuaçu, Novo Horizonte, Olímpia, Ourinhos, Palmital, Pin-
Crises comerciais no Império — Otávio Tarquínio de Sousa
O mais antigo documentário paulista de escrituração mercantil e banèáriá — Afonso de Taunay
damonhanpba,^ Pirajui, Pirafininga, Porto Feliz, Quinlana, Ribei^o Freio, mo Claro, Salto, Santa Barbara D'Oeste, Santa Cruz do Rio Pardo, Santo André, São Caetano do Sul, São João da Boa Vistei, Sertãozinho, Sorocaba e Vera Cruz. N.o 72 — NOVEMBRO DE 1650 — ANO VI
,aL.'.ríw. ketedm
1317
1367
A laterização e a fertilidade do solo tropical — José Setzer
144<