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DIGESTO ECONÔMICO, número 71, outubro 1950

Page 1

DIGESTO

PRODUTOS QUÍMICOS PARA INDÚSTRIA FARMACjÍUTICA. da BORRACHA. ETC,

MATÉRIAS- PLÁSTICAS • DROGAS EM GERAJ-

ECONOMlCO

(onux

PRODUTOS PARA AMACIAMENTO DESENGORDURAMENTO — TINGIMENTO

SOB OS AUSPÍCIOS DO ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE SÃO PAULO E DO FEDERAÇÃO DO COMERCIO DO ESTADO DE SÃO PAULO

ACABAMENTO. ETC

S U M il R I o

NAPHTANILIDS — BASES —• SAIS — CORANTES

Pág.

RONAGENES — HIDROSSULFITOS

furos, — Rlchardminerais Lewinsohn Taxas- rfa_eo ju na América Lalina — Glycon de Paiva

S' 10'

A política d® cruzeiro e dôiar

Jí28-^

UíRizaç^o de

^

Azevedo Teixeira

__

O Relatório EUen

^

Economistas bras

. j,. d®. Responsabilidade

Francisco Sá --

Modiíicaçao das lax Escassez de dólares

Abreu

15-

Vieira

Silva Lisboa, Visconde de Cairú —

Basilio de MagalMes

W^/

elitesGontijo — Roland Corbisier de Carvalho

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juros — Roberto Pinto de Sousa

Luiz de Almeida Nogueira Porto

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Amorim

7-»?-

Emigração J"""-_^mia do Menezes I.B.G.E. A proposilo® de econo de transportes ^ e circulação ^ ^— Os trabalhos Djacir

CORANTES AO CROMO E "INDIGOSOIS' PARA TINTURARIA E ESTAMPARIA

— Geraldo Ca perigos jdos .«orTÓeios negocios de o^e compensação __ Villas-Boas

As dividas de ~ industrial Policuliura o expansao^m^^^^

Banaskiwitz

— Bezerra de Freitas

A sêca e as variaço_es chma^^

;

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A Rberdade L imprensa no Brasil - Octávio Tarquínio de Sousa

ini 101/

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O mais velho documentário paulista de escrituração mercantil Afonso e bancária — de Taunay

REPRESENTAÇÕES PARA O BRASIL DE

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BiRMTOKOtlCLRRS, «11 (iURtlOa -"í/f''

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N.o 71 — OUTUBRO DE 1950 — ANO VI

128/^ 132-^


o DIGESTO ECONOMICO .r

ESTA À VENDA

nos principais pontos de jornais no Brasil, ao preço de Cr$ 5,00.

Os nossos agentes da relação abaixo estão aptos a suprir qualquer encomenda, bem como a receber pedidos de assinaturas, ao preço de CrS 50,00 anuais.

Agente geral para o Brasil FERNANDO CHINAGLIA

Avenida Presidente Vargas, 502, 19.o ândar Rio de Janeiro

Alagoas: Manoel Espíndola, Praça Pe dro H. 49. Maceió.

Amazonas: Agência Freitas, Rua Joa

Paraná: .1. Gliingnone, Rua 15 de No vembro, 423. Curitiba.

quim Sarmento, 29, Manaus.

Pernambuco: Fernando ChinagUa, Rua do Imperador, 221, 3.o andar.

Alfredo J. de Souza & Cia., R. Saldanha da Gama, 6. Salvador,

Piauí: Cláudio M. Tote, Tereslna.

Ceará: J. Alaor de Albuquerque C. Cia. praça do Ferreira, 621, Fortaleza.

Espírito Santo: Viuva Copolilo & Fl-

VUória ^ Jerônimo Monteiro, 361,

Recife.

Rio de Janeiro: Fernando Chinaglia, Av. Pro.sidenle

Vargas, 502, 19.o

andar.

Rio Grande do Norte: Luis RornSo. Avenida Tavares Lira. 48, Natal.

Goiás: João Manarino. Rua Setenta A, Rio Grande do Sul: Sòmente para Por to Alegre: Octavio Sagebin, Rua

Goiânia.

Maranhão:

Livraria Universal, Ru.t

João Lisboa, 114, Sâo Luiz.

7 de Setembro. 789, Porto Alegre. Para locais fora de Pôrto Alegre: Fernando Chinaglia, R. de Janeiro.

Mato Grosso: Carvalho, Pinheiro & Cia., Pça. da República. 20, Cuiabá.

Santa Catarina: Pedro Xavier & Cia , Rua Felipe Schmidt, 8, Florianóp.

Minas Gerais: Joaquim Moss Velloso, Avenida dos Andradas, 330, Beio Horizonte.

Pará: Albano H. Martins & Cia Tra vessa Campos Sales, 85/89, Belém Paraíba: Loja das Revistas, Rua Ba rão do Triunfo, 510-A, João Pessoa.

Snquanto a população aumenta acen tuando o nosso índice de vitalidade, as

São Paulo: A Intelectual, Ltda., Via

duto Santa Efigênia, 281, S. Paulo.

construções aceleram seu ritmo, desde

a pequenina casa longínqua do operário Sergipe: Livraria

Regina

Ltda., Rua

João Pessoa. 137, Aracaju. Território do Acre: Diógenes de Oli veira. Rio Branco.

até o imponente arranha-céu. Nossos técnicos, artistas e operários têm con tribuído em

todos os

setores

dessa

construção, contribuinHr.

aec=r e aformosear a cl Estamos aptos a constr,,'" ^ ° °

ponto do território nacionaT

DACIO II. DE MQRoes S B

expansão, contando-se por centenas os

Engenharia - Arqai,n,„„

edifícios de classe de nossa autoria e

R„a llto. B.darMS8 .,S,,.

^

''«ním-i8.oo4


o DIGESTO ECONOMICO .r

ESTA À VENDA

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Os nossos agentes da relação abaixo estão aptos a suprir qualquer encomenda, bem como a receber pedidos de assinaturas, ao preço de CrS 50,00 anuais.

Agente geral para o Brasil FERNANDO CHINAGLIA

Avenida Presidente Vargas, 502, 19.o ândar Rio de Janeiro

Alagoas: Manoel Espíndola, Praça Pe dro H. 49. Maceió.

Amazonas: Agência Freitas, Rua Joa

Paraná: .1. Gliingnone, Rua 15 de No vembro, 423. Curitiba.

quim Sarmento, 29, Manaus.

Pernambuco: Fernando ChinagUa, Rua do Imperador, 221, 3.o andar.

Alfredo J. de Souza & Cia., R. Saldanha da Gama, 6. Salvador,

Piauí: Cláudio M. Tote, Tereslna.

Ceará: J. Alaor de Albuquerque C. Cia. praça do Ferreira, 621, Fortaleza.

Espírito Santo: Viuva Copolilo & Fl-

VUória ^ Jerônimo Monteiro, 361,

Recife.

Rio de Janeiro: Fernando Chinaglia, Av. Pro.sidenle

Vargas, 502, 19.o

andar.

Rio Grande do Norte: Luis RornSo. Avenida Tavares Lira. 48, Natal.

Goiás: João Manarino. Rua Setenta A, Rio Grande do Sul: Sòmente para Por to Alegre: Octavio Sagebin, Rua

Goiânia.

Maranhão:

Livraria Universal, Ru.t

João Lisboa, 114, Sâo Luiz.

7 de Setembro. 789, Porto Alegre. Para locais fora de Pôrto Alegre: Fernando Chinaglia, R. de Janeiro.

Mato Grosso: Carvalho, Pinheiro & Cia., Pça. da República. 20, Cuiabá.

Santa Catarina: Pedro Xavier & Cia , Rua Felipe Schmidt, 8, Florianóp.

Minas Gerais: Joaquim Moss Velloso, Avenida dos Andradas, 330, Beio Horizonte.

Pará: Albano H. Martins & Cia Tra vessa Campos Sales, 85/89, Belém Paraíba: Loja das Revistas, Rua Ba rão do Triunfo, 510-A, João Pessoa.

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Regina

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João Pessoa. 137, Aracaju. Território do Acre: Diógenes de Oli veira. Rio Branco.

até o imponente arranha-céu. Nossos técnicos, artistas e operários têm con tribuído em

todos os

setores

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fls Correias PORQUE O SR. DEVE ANUNCIAR NO

GOOD^EAR transmitem tôda a força dos motores As Correias Goodyear são prc-distendidas na vulcanização, não se distendem em serviço, não deslizam nas polias. Por isso, proporcionam o má ximo de rendimento e evita.m perda de

DI«ESTO

ECONOMICO CORREIAS GOODYEAR MULTIV

tempo com reajustes. Em nossa loja, temos estoque completo de Correias Goodyear. Consulte nossos técnicos sô» bre quaisquer problemas de transmissão.

Construídas com grande precisSo técnica, garantem trabalho econômico e seguro.

Preciso nas informações, sóbrio e objetivo nos comentários, cômodo e elegante na apresenta ção, o Dicesto Econômico, dando aos seus

leitores um panorama mensal do mundo dos

negócios, circula numa classe de alto poder aquisitivo e elevado padrão de vida. Por essas razões, os anúncios inseridos no Digesto Eco-

NÓMico são lidos, invariàvelmente, por um provável comprador.

Esta revista é publicada mensalmente pela Edi■ tôra Comercial Ltda., sob os auspícios da Asso ciação Comercial de São Paulo e da Federação do Comércio do Estado de São Paulo.

MANGUEIRAS

CORREIAS PLANAS

GOODYEAR

para todos os fins

GOODYEAR

RIO DE JANEIRO Rua Teóf:Io Otoiti, 81

Cíia

IoSustos CCAléRCiO E INDÚSTRIA

SÃO PAULO Rua Flc-r. de Abreu, 828 BELO HDR ZONTE Rua Tupinambás, 364 PORTO ALEGRE

Av.Júlio de Castilbos.SO

í EDITORA

COMERCIAL

HUA BOA VISTA, M, 9.0 ANDAR _ TEL. S-U„ _

LIMITA"T)A

19 - SAO PAUDO


fls Correias PORQUE O SR. DEVE ANUNCIAR NO

GOOD^EAR transmitem tôda a força dos motores As Correias Goodyear são prc-distendidas na vulcanização, não se distendem em serviço, não deslizam nas polias. Por isso, proporcionam o má ximo de rendimento e evita.m perda de

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Preciso nas informações, sóbrio e objetivo nos comentários, cômodo e elegante na apresenta ção, o Dicesto Econômico, dando aos seus

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NÓMico são lidos, invariàvelmente, por um provável comprador.

Esta revista é publicada mensalmente pela Edi■ tôra Comercial Ltda., sob os auspícios da Asso ciação Comercial de São Paulo e da Federação do Comércio do Estado de São Paulo.

MANGUEIRAS

CORREIAS PLANAS

GOODYEAR

para todos os fins

GOODYEAR

RIO DE JANEIRO Rua Teóf:Io Otoiti, 81

Cíia

IoSustos CCAléRCiO E INDÚSTRIA

SÃO PAULO Rua Flc-r. de Abreu, 828 BELO HDR ZONTE Rua Tupinambás, 364 PORTO ALEGRE

Av.Júlio de Castilbos.SO

í EDITORA

COMERCIAL

HUA BOA VISTA, M, 9.0 ANDAR _ TEL. S-U„ _

LIMITA"T)A

19 - SAO PAUDO


DiGESTo emdiHico

Taxas de Juros

I lURDQ DOS RE6ÚCI0S RUM PIRimu fublitado sqM e« Qugplclot da

Richard Lewinsohn

iSSOCinCtO COMERCIUDE SlO FftUlO FEDERAClO DO COMERCIO 00 ESTADO OE SlO PAULO

O Digesto Econômico publicará no próximo número:

Superintendência da Moeda e do Crédito, ECONOMISTAS

HRASILEIUOS

-

JOSE HONIEACnO - Basílio cio Ma-piretoT «uperlnlend»!!!** Marílm A£foiuo Xavier da sÚvaUa

A limitação das taxas de juros sobre depósitos, pela recente instrução da

galliãc.s.

chamou a atenção sôbre um assunto cuja importância para toda a vida econômica ninguém ignora. Trata-se de um proble ma dos mais complexos. As discussões

sobre o princípio dos juros e a altura Diretor:

Anlonlo Oontijo de Carvalho

PREVISÃO EM

ECONOMIA - Ro

berto Pinto cie Sousa.

♦

admissível das taxas ascendem às épocas mais remotas da história. Enquanto anti

gamente considerações filosóficas e sociais

para um plano mais técnico, baseando-se

presa como empréstimo, obterá sua parte

sobretudo em.argumentos práticos e psi

do rendimento sob a forma de juros. Em préstimos para outros fins, seja ao Estado

cológicos.

Mas evidenciou-se que essa

MINÉRIOS DO BRASIL - Pimuiitel

ção,

Não existe teoria alguma que con

corde perfeitamente com os fatos reais. Deixamos do lado as doutrinas histó

ricas, como por exemplo a famosa teoria ECONOMIA E CRIME - Roberto

de Aristóteles, que, confundindo moeda e capital, considerava os juros como in

Lira Filho

justos, pois o dinheiro — nb sentido

Aceita-se intercâmbio com nubii-

AlIXlfATURAI: Digeilo Econdmiee Ano (simples) ..,

"

(registrado)

Número do mês:

Atrasado:

VELHOS PLANOS —'Nelson Werncck Sodré.

?rVnrj=.r

Crf 50,00 Crt 58,00 Cr$ 5,0Q Cr| 8.00

O MAIS VELHO DOCUMENTÁRIO

PAULISTA

DE ESCRITURAÇÃO

MERCANTIL

E

Afonso de Taunay.

BANCÁRIA

-

aristotélico a moeda metálica — é apenas

um meio de circulação, e não reprodutivo; por conseguinte, não pode "produzir" um lucro em favor de seu proprietário. É óbvio que as idéias sôbre juros lícitos e ilícitos sofreram, com a evolução técnica, econômica e social, grandes alterações.

Limitamo-nos, portanto, a uma breve aná lise das principais teorias hoje em voga. Rendimento fixo e variável

Redação • Administração:

de participar do rendimento do processo de produção. Se o proprietário do capital o explora numa empresa que lhe pertence ex clusivamente, êle tirará um lucro direto; se o capital da empresa fôr reunido por vários associados, o rendimento será distribuído sob a denominação de dividendos, e se

CADO INTERNACIONAL - Dori

Gomes.

Na transcrição de artigos nede-a.

capital tem, consequentemente, o direito

PRODUTOS BRASILEIROS NO MER

forma de tratamento não facilita a solu

«««5

Adam Smith e de seus discípulos, o traba

lho, mas o capital não é senão um estoque de trabalho acumulado, e quem dispõe de

dominavam os debates, os economistas modernos tentaram transpor a 'questão

val Teixeira Vieira.

devidamente citadas ç.nc,«o. enatlaS-S

fonte de produtividade é, na opinião de

o capitalista entregar seu capital à em

seja a particulares, nada mudam no prin

cípio: a última fonte dos juros é sempre a produção.

Assim, Adam Smith chegou à conclusão de, que a taxa usual de juros deve variar para cima e para baixo, com o lucro

ordinário das empresas. Em outras pala vras, a taxa de juros é a média do lucro. Decerto, essa média está sujeita, em cada

país, às condições específicas da produção e da conjuntura, e sobretudo às modalidades legais. O próprio Adam Smith era partidário de uma limitação geral da taxa de juros a 4 ou 5 %, mas o lucro distribuido e a taxa-padrão de juros não podem distanciar-se muito entre elas, pois se a taxa de juros ultrapassar muito a do lucro, ninguém inverterá mais suas disponibili dades em ações, e na hipótese oposta nin guém dará mais seu dinheiro como em

TIadute Boa Vlsia, 17 - 7.0 andar

No grande público predomina ainda o

TeL 1-7411 — Caixa Postal, 140-B

conceito dos clássicos da escola inglesa,

préstimo.

que consideram os juros como uma forma,

À primeira vista, essa teoria parece ló gica e plausível, mas nada diz sôbre a diferenciação dos juros segundo o prazo,

fie Paulo

entre outras, do lucro oriundo da aplicação

produtiva do capital.

A última e única


DiGESTo emdiHico

Taxas de Juros

I lURDQ DOS RE6ÚCI0S RUM PIRimu fublitado sqM e« Qugplclot da

Richard Lewinsohn

iSSOCinCtO COMERCIUDE SlO FftUlO FEDERAClO DO COMERCIO 00 ESTADO OE SlO PAULO

O Digesto Econômico publicará no próximo número:

Superintendência da Moeda e do Crédito, ECONOMISTAS

HRASILEIUOS

-

JOSE HONIEACnO - Basílio cio Ma-piretoT «uperlnlend»!!!** Marílm A£foiuo Xavier da sÚvaUa

A limitação das taxas de juros sobre depósitos, pela recente instrução da

galliãc.s.

chamou a atenção sôbre um assunto cuja importância para toda a vida econômica ninguém ignora. Trata-se de um proble ma dos mais complexos. As discussões

sobre o princípio dos juros e a altura Diretor:

Anlonlo Oontijo de Carvalho

PREVISÃO EM

ECONOMIA - Ro

berto Pinto cie Sousa.

♦

admissível das taxas ascendem às épocas mais remotas da história. Enquanto anti

gamente considerações filosóficas e sociais

para um plano mais técnico, baseando-se

presa como empréstimo, obterá sua parte

sobretudo em.argumentos práticos e psi

do rendimento sob a forma de juros. Em préstimos para outros fins, seja ao Estado

cológicos.

Mas evidenciou-se que essa

MINÉRIOS DO BRASIL - Pimuiitel

ção,

Não existe teoria alguma que con

corde perfeitamente com os fatos reais. Deixamos do lado as doutrinas histó

ricas, como por exemplo a famosa teoria ECONOMIA E CRIME - Roberto

de Aristóteles, que, confundindo moeda e capital, considerava os juros como in

Lira Filho

justos, pois o dinheiro — nb sentido

Aceita-se intercâmbio com nubii-

AlIXlfATURAI: Digeilo Econdmiee Ano (simples) ..,

"

(registrado)

Número do mês:

Atrasado:

VELHOS PLANOS —'Nelson Werncck Sodré.

?rVnrj=.r

Crf 50,00 Crt 58,00 Cr$ 5,0Q Cr| 8.00

O MAIS VELHO DOCUMENTÁRIO

PAULISTA

DE ESCRITURAÇÃO

MERCANTIL

E

Afonso de Taunay.

BANCÁRIA

-

aristotélico a moeda metálica — é apenas

um meio de circulação, e não reprodutivo; por conseguinte, não pode "produzir" um lucro em favor de seu proprietário. É óbvio que as idéias sôbre juros lícitos e ilícitos sofreram, com a evolução técnica, econômica e social, grandes alterações.

Limitamo-nos, portanto, a uma breve aná lise das principais teorias hoje em voga. Rendimento fixo e variável

Redação • Administração:

de participar do rendimento do processo de produção. Se o proprietário do capital o explora numa empresa que lhe pertence ex clusivamente, êle tirará um lucro direto; se o capital da empresa fôr reunido por vários associados, o rendimento será distribuído sob a denominação de dividendos, e se

CADO INTERNACIONAL - Dori

Gomes.

Na transcrição de artigos nede-a.

capital tem, consequentemente, o direito

PRODUTOS BRASILEIROS NO MER

forma de tratamento não facilita a solu

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Adam Smith e de seus discípulos, o traba

lho, mas o capital não é senão um estoque de trabalho acumulado, e quem dispõe de

dominavam os debates, os economistas modernos tentaram transpor a 'questão

val Teixeira Vieira.

devidamente citadas ç.nc,«o. enatlaS-S

fonte de produtividade é, na opinião de

o capitalista entregar seu capital à em

seja a particulares, nada mudam no prin

cípio: a última fonte dos juros é sempre a produção.

Assim, Adam Smith chegou à conclusão de, que a taxa usual de juros deve variar para cima e para baixo, com o lucro

ordinário das empresas. Em outras pala vras, a taxa de juros é a média do lucro. Decerto, essa média está sujeita, em cada

país, às condições específicas da produção e da conjuntura, e sobretudo às modalidades legais. O próprio Adam Smith era partidário de uma limitação geral da taxa de juros a 4 ou 5 %, mas o lucro distribuido e a taxa-padrão de juros não podem distanciar-se muito entre elas, pois se a taxa de juros ultrapassar muito a do lucro, ninguém inverterá mais suas disponibili dades em ações, e na hipótese oposta nin guém dará mais seu dinheiro como em

TIadute Boa Vlsia, 17 - 7.0 andar

No grande público predomina ainda o

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conceito dos clássicos da escola inglesa,

préstimo.

que consideram os juros como uma forma,

À primeira vista, essa teoria parece ló gica e plausível, mas nada diz sôbre a diferenciação dos juros segundo o prazo,

fie Paulo

entre outras, do lucro oriundo da aplicação

produtiva do capital.

A última e única


HPHfPFF DicnsTO Econômico

nem sôbre as influências monetárias, nem

sobre a repercussão das finanças públicas e da taxa que o Governo oferece aos seus

devedores. Êsses fatores mostram-se, po rém, cada vez mais decisivos para o nível

dos juros e determinam grandes divergên cias em relação aos lucros distribuídos

como dividendos. Observamos hoje qué nos Estados Unidos, os dividendos distri buídos por grandes companhias são de tres a quatro vezes mais elevados que as

de juros pagos pelo Governo para timlos da dívida pública e ainda duas

vezes piores que os juros de debêntures e de hipotecas. Se existe certa tendência

para a adaptação mútua das diversas for-

^ de rendimento, o processo é mo lento

e suave que sua significação é mínima em comparaçao com outros fatores que deminam a decisão do investidor.

Valor presente e valor futuro

As imperfeições da teoria clássica já conduziam, desde a primeira metade do século XIX, vários economistas a atacarem o problema de um outro lado. Renuncia vam eles a critérios objetivos — tais o lucro da empresa e a taxa de dividendos e examinavam primeiro a questão sob

o angulo psicológico: por que o credor

uma espécie de lucro. Segundo BoehmBawerk, o critério decisivo é o fator do tempo. Os homens preferem o presente

que, tendo assim uma função semelhante à do meio circulante, agiu no mesmo sen

ção dos juros é, segundo Keynes. irrele

tido.

ao futuro.

nal. Trata-se de uma depreciação psicoló

de 1933, dos Estados Unidos, interditou aos bancos comerciais ligados ao sistema dos Bancos Federais — quer dizer, a todos os bancos importantes — o paga mento de juros sôbre depósitos a vista.

não no caso individual, nocivas para a economia em seu corfjunto e, em suas re

gica. independente de uma possível redu

A lei bancária de 1935 manteve êsse dis

ção do valor aquisitivo da moeda.

positivo, que ficou até hoje em vigor,

É evidente que o raciocinio de BoehmBawerk é bem fraco em face dos merca

sem que se verificasse, por isso, uma re

O credor recebe, portanto,

apenas um ágio, que contrabalança a des vantagem de trocar um valor atual contra

um valor futuro da mesma quantia nomi

dos de títulos, que permitem ao credor

e uma pena que merece uma compensação, mesmo se a operação de crédito não im plicar risco algum.

dução dos depósitos a vista. Por razões que ainda examinaremos, os depósitos a vista tendem no mundo inteiro a aumen

mento e transformar assim o valor futuro

tar, em relação aos depósitos a prazo, seja

num valor presente. Mas a teoria atual explica melhor que a clássica a diferen

qual fôr a taxa de juros.

ciação das taxas de juros bancários e de outros empréstimos em dinheiro segundo

o prazo. Via de regra, créditos a prazo longo são mais caros que os a prazo curto. Entretanto, mesmo essa regra conhece mui tas exceções. No Brasil, por exemplo, para empréstimos comerciais com risco

ínfimo paga-se a mesma taxa de juros que para hipotecas a longo prazo, e entre estes a taxa de juros é freqüentemente in

versa à duração. Observamos que hipo tecas de um ano. dadas por particulares, custam ate 12 %\ hipotecas de 6 a 15 anos, concedidas por companhias investi

doras, 10%; e hipotecas de 20 anos e vedor a paga? O economista inglês" mais, apenas 7-8 %, quando os beneficia Nassau Semor encontrou uma fórmula dos sao associados de um instituto ou de

O credor priva-se. por um prazo deter minado, da livre disposição do seu capi tal; deverá esperar até o resgate, e esperar

O resultado foi que a lei bancária

realizar seu investimento a qualquer mo

exige uma remuneração, e por que o de-

magica na noção do "waiting" — esperar.

Digesto Econômico

uma caixa de previdência social.

A teoria baseada na "preferência do

tempo" encontrou, aliás, uma aplicação que seu autor certamente não tinha previs

to nem desejado. Boehm-Bawerk era um defensor dos juros, mas seu argumento de que o valor presente de um capital é mais elevado que o futuro reforçou, sobretudo nos países anglo-saxônicos, a tendência de reduzir e até suprimir os juros sôbre de

inversões sem juros

Mau grado suas diferenças metodológi cas, os clássicos e os representantes da es

cola psicológica concor dam em que os juros são indispensáveis como in centivo para investimen tos. Sem uma compen sação, sob forma de ju ros, ninguém fará eco nomias, e

a

falta

vante.

Taxas de juros elevadas são, se

percussões, um perigo para os próprios investimentos, cujo valor cairá.

Essa última tese já foi defendida pelos economistas liberais dos séculos XVIII e

XIX, que recomendavam, quase todos, juros baixos para facilitar o circuito do capital. Mas Keynes ia muito mais longe. Na sua "Teoria geral de desemprego, ju ros e moeda", publicada em 1936, êle pretendia qué num país tècnicaraente bem equipado e onde a população não cresce rapidamente — condições que não se re ferem a países como o Brasil a for mação do capital e o desenvolvimento da economia seriam perfeitamente possíveis mesmo se a taxa de juros caísse a zero. Qual seria, nessa hi

pótese, o incentivo? Por que os capitalistas fa

riam ainda investimen tos, em vez de consu

mir todas as suas dispo nibilidades? Responde Keynes que o elemento

de

formação de capital pre

da expectativa, a espe

judicará

rança de que o capital valerá no futuro mais do que no rnomento da inversão, será suficiente

o

desenvolvi

mento econômico.

John Maynard Keynes

contestou

a

vali-

dez universal deste axÍo-

como estímulo para fa

ma.

zer* economias e inver-

Contrariamente a

i

Boehm-Bawerk, Keynes acreditava que o "inves tidor" normalmente considera o valor futuro

'

como mais elevado que o valor presente.

A expectativa de uma valorização é a con dição essencial do investimento. Se tal esperança faltar, o capitalista preferirá

A idéia foi ainda mais elaborada no fim do século passado, pelo economista austríaco Boehm-Bawerlc, que la até negar

pósitos a vista. O fato de que êsses de

a tese comum de que os juros constituem

guardar suas disponibilidades sob forma líquida, esperando melhor ocasião. Para

pósitos servem para pagamentos por che

a grande maioria dos investidores, a atra-

te-las. A fim de dar à sua tese uma expressão

'•riii"''"

mais imponente,

Key

nes ousou formular o

prognóstico de que "dentro de uma só geração a redução da taxa de juros passa ria aproximadamente a zero, quer dizer, a sua completa abolição poderia ser rea

lizada sem pôr em perigo a prosperidade do país' e sem abandonar os outros ptincípios da economia capitalista.

j


HPHfPFF DicnsTO Econômico

nem sôbre as influências monetárias, nem

sobre a repercussão das finanças públicas e da taxa que o Governo oferece aos seus

devedores. Êsses fatores mostram-se, po rém, cada vez mais decisivos para o nível

dos juros e determinam grandes divergên cias em relação aos lucros distribuídos

como dividendos. Observamos hoje qué nos Estados Unidos, os dividendos distri buídos por grandes companhias são de tres a quatro vezes mais elevados que as

de juros pagos pelo Governo para timlos da dívida pública e ainda duas

vezes piores que os juros de debêntures e de hipotecas. Se existe certa tendência

para a adaptação mútua das diversas for-

^ de rendimento, o processo é mo lento

e suave que sua significação é mínima em comparaçao com outros fatores que deminam a decisão do investidor.

Valor presente e valor futuro

As imperfeições da teoria clássica já conduziam, desde a primeira metade do século XIX, vários economistas a atacarem o problema de um outro lado. Renuncia vam eles a critérios objetivos — tais o lucro da empresa e a taxa de dividendos e examinavam primeiro a questão sob

o angulo psicológico: por que o credor

uma espécie de lucro. Segundo BoehmBawerk, o critério decisivo é o fator do tempo. Os homens preferem o presente

que, tendo assim uma função semelhante à do meio circulante, agiu no mesmo sen

ção dos juros é, segundo Keynes. irrele

tido.

ao futuro.

nal. Trata-se de uma depreciação psicoló

de 1933, dos Estados Unidos, interditou aos bancos comerciais ligados ao sistema dos Bancos Federais — quer dizer, a todos os bancos importantes — o paga mento de juros sôbre depósitos a vista.

não no caso individual, nocivas para a economia em seu corfjunto e, em suas re

gica. independente de uma possível redu

A lei bancária de 1935 manteve êsse dis

ção do valor aquisitivo da moeda.

positivo, que ficou até hoje em vigor,

É evidente que o raciocinio de BoehmBawerk é bem fraco em face dos merca

sem que se verificasse, por isso, uma re

O credor recebe, portanto,

apenas um ágio, que contrabalança a des vantagem de trocar um valor atual contra

um valor futuro da mesma quantia nomi

dos de títulos, que permitem ao credor

e uma pena que merece uma compensação, mesmo se a operação de crédito não im plicar risco algum.

dução dos depósitos a vista. Por razões que ainda examinaremos, os depósitos a vista tendem no mundo inteiro a aumen

mento e transformar assim o valor futuro

tar, em relação aos depósitos a prazo, seja

num valor presente. Mas a teoria atual explica melhor que a clássica a diferen

qual fôr a taxa de juros.

ciação das taxas de juros bancários e de outros empréstimos em dinheiro segundo

o prazo. Via de regra, créditos a prazo longo são mais caros que os a prazo curto. Entretanto, mesmo essa regra conhece mui tas exceções. No Brasil, por exemplo, para empréstimos comerciais com risco

ínfimo paga-se a mesma taxa de juros que para hipotecas a longo prazo, e entre estes a taxa de juros é freqüentemente in

versa à duração. Observamos que hipo tecas de um ano. dadas por particulares, custam ate 12 %\ hipotecas de 6 a 15 anos, concedidas por companhias investi

doras, 10%; e hipotecas de 20 anos e vedor a paga? O economista inglês" mais, apenas 7-8 %, quando os beneficia Nassau Semor encontrou uma fórmula dos sao associados de um instituto ou de

O credor priva-se. por um prazo deter minado, da livre disposição do seu capi tal; deverá esperar até o resgate, e esperar

O resultado foi que a lei bancária

realizar seu investimento a qualquer mo

exige uma remuneração, e por que o de-

magica na noção do "waiting" — esperar.

Digesto Econômico

uma caixa de previdência social.

A teoria baseada na "preferência do

tempo" encontrou, aliás, uma aplicação que seu autor certamente não tinha previs

to nem desejado. Boehm-Bawerk era um defensor dos juros, mas seu argumento de que o valor presente de um capital é mais elevado que o futuro reforçou, sobretudo nos países anglo-saxônicos, a tendência de reduzir e até suprimir os juros sôbre de

inversões sem juros

Mau grado suas diferenças metodológi cas, os clássicos e os representantes da es

cola psicológica concor dam em que os juros são indispensáveis como in centivo para investimen tos. Sem uma compen sação, sob forma de ju ros, ninguém fará eco nomias, e

a

falta

vante.

Taxas de juros elevadas são, se

percussões, um perigo para os próprios investimentos, cujo valor cairá.

Essa última tese já foi defendida pelos economistas liberais dos séculos XVIII e

XIX, que recomendavam, quase todos, juros baixos para facilitar o circuito do capital. Mas Keynes ia muito mais longe. Na sua "Teoria geral de desemprego, ju ros e moeda", publicada em 1936, êle pretendia qué num país tècnicaraente bem equipado e onde a população não cresce rapidamente — condições que não se re ferem a países como o Brasil a for mação do capital e o desenvolvimento da economia seriam perfeitamente possíveis mesmo se a taxa de juros caísse a zero. Qual seria, nessa hi

pótese, o incentivo? Por que os capitalistas fa

riam ainda investimen tos, em vez de consu

mir todas as suas dispo nibilidades? Responde Keynes que o elemento

de

formação de capital pre

da expectativa, a espe

judicará

rança de que o capital valerá no futuro mais do que no rnomento da inversão, será suficiente

o

desenvolvi

mento econômico.

John Maynard Keynes

contestou

a

vali-

dez universal deste axÍo-

como estímulo para fa

ma.

zer* economias e inver-

Contrariamente a

i

Boehm-Bawerk, Keynes acreditava que o "inves tidor" normalmente considera o valor futuro

'

como mais elevado que o valor presente.

A expectativa de uma valorização é a con dição essencial do investimento. Se tal esperança faltar, o capitalista preferirá

A idéia foi ainda mais elaborada no fim do século passado, pelo economista austríaco Boehm-Bawerlc, que la até negar

pósitos a vista. O fato de que êsses de

a tese comum de que os juros constituem

guardar suas disponibilidades sob forma líquida, esperando melhor ocasião. Para

pósitos servem para pagamentos por che

a grande maioria dos investidores, a atra-

te-las. A fim de dar à sua tese uma expressão

'•riii"''"

mais imponente,

Key

nes ousou formular o

prognóstico de que "dentro de uma só geração a redução da taxa de juros passa ria aproximadamente a zero, quer dizer, a sua completa abolição poderia ser rea

lizada sem pôr em perigo a prosperidade do país' e sem abandonar os outros ptincípios da economia capitalista.

j


Dighsto Econômico

A tese revolucionária do famoso eco

nomista inglês e, sobretudo, sua previsão

de que, num espaço de tempo relativa mente curto de uns trinta anos, o proble ma milenar dos juros poderia ser defini

tivamente resolvido, faziam sensação. Grande número de economistas, sociólogos e políticos congratulou-se com Keynes pela sua descoberta, ou melhor, pela coragem de ter dito claramente que não há linha de demarcaçao entre esi>eculação e investi mento, e que a valorização do capital in

teressa à maioria dos investidores mais que a obtenção de uma renda fixa.

Não há provas absolutas para demons trar ou refutar a base psicológica da teoria de Keynes. Certamente, a era do "rentier"

do homem que vive exclusivamente de

rendimentos fixos de seu capital, já pas

sou, rnesmo na França, o clássico país

importância dos juros vai decrescendo, c

90

que poderíamos chegar, num futuro não

média, de um ano para outro, de 5,5 %.

muito distante, à taxa zero. Já se passa

Conscguintemente, todas as taxas-de ju

ram catorze anos desde que ésse prognós

ros abaixo de 5,5 % representavam para o investidor perdas reais, contanto que

tico sóbre o desaparecimento dos juros

êle não aplicasse imediatamente o rendi

visto para a grande mudança. Nu reali dade, as modificações, no que diz res

a Noruega — verifica-se uma redução das taxas; em outros países, em particular

mento de seu capital em bens de consu mo ou bens de produção resistentes contra a depreciação. Enrrotanto, mesmo as pessoas que pre feriam reinvestir seus rendimentos sempre da mesma maneira, em depósitos nos

na Inglaterra e nos Estados Unidos, um ligeiro aumento. Parece que, como acon

bancos ou em hipotecas ou debêntures, ou em títulos da divida pública, conse

peito aos juros, foram pequenas.

Em

alguns países — como a Austrália, a Suíça,

teceu também em outros assuntos, Keynes deduziu precipitadamente conclusões ge

'I

intensidade da poupança popular. Tam bém as flutuações das taxas não influem muito nos habites e nas decisões indivi

duais. Sao raras as pessoas que renunciam a uma despesa de consumo, digamos a viagem de turismo, quando as taxas

de ,uros aumentam, e gastam mais quando as taxas de juros sofrem uma redução A repercussão, porém, é diferente quan to as instituições investidoras que admi nistram hoje grande parte do capital na

cional: bancos, companhias de seguro e dc capitalização etc. Para tais organiza-

sem duvida um incentivo no sentido positivo ou negativo, e diferenças nas taxas de juros são freqüentemente degisivas para a seleção dos investimentos. Parece duvido so se esse estímulo e critério pode ser substituído por reflexões especulativas so bre o valor posterior do capital. Em todo caso, não se confirmou, até •

,

^

«ilS-

agora, a profecia de Keynes de que a

guiram — graças ás taxas altas e em

conseqüência da baixa dos preços dos

rais de certos fenômenos que se manifes

títulos que lhes proporcionavam para as

taram na Inglaterra após a revalorização cia libra em 1925 e durante a grande

reinversões rendimentos mais elevados —

não somente conservar o poder de com

pra de seu capital inicial, mas multipli-

crise na América do Norte.

ros nao tem grande influência sobre a

o que significa uma depreciação

foi feito — quase metade do prazo pre

com Keynes, que a altura das taxas de ju

' I çoes, modificações das taxas constituem

1

Digosto econômico

cá-lo.

Depreciação e nível de juros

Como evidencia o estudo acima

citado, só os depósitos a vista, que pra

A tendência decrescente dos juros foi contrariada pelas desvalorizações e mais ainda pela depreciação interna de tòdas as moedas do mundo. Em comparação com

o decréscimo do valor aquisitivo, o acrés cimo dos juros parece muito módico. Se tomarmos em consideração ésse fator, ve

rificaremos que, a partir de 1933' e'ni tôda parte a taxa real dos juros quer dizer, a taxa medida em poder de comp-u

•i"-

ticamente todas as empresas industriais e comerciais devem permanentemente man ter como fundo de movimento, sofreram

uma redução do valor real.

formação do capital, diante da deprecia ção da moeda, ainda para um período O? documentos relativos à

construção da cidade do Salvador mostram que, em meados do século XVI, os traba lhadores e servidores das obras recebiam

—■ experimentou uma baixa consíderávi,-! c, em muitos países, as taxas tornaram-se

um salário mensal entre 1$200 e 2$000

negativas.

(Ministério da Educação e Saúde, "Do

Em países de inflação crônica o alto nível dos juros é, até certo ponto, a con seqüência da depreciação

moeda.

contínua

da

Parte da taxa representa apenas

um prêmio de compensação contra fu

turas depreciações do capital e dos juros. Recente escudo de "Conjuntura Econômi ca" mostra que no Brasil, desde 1912 ano a partir do qual existe um índice

oficial do custo da vida — o valor aqui sitivo da nossa moeda baixou quase de

cumentos Históricos", Vol.

derando as remunerações da população operária como índice do custo da vida, podemos dizer que de 1550 a 1950 o poder aquisitivo da nossa moeda baixou a um milésimo. Em tais condições, todo capital dado como empréstimo parece ani quilado.

Mas não é.

Suponhamos que, em 1550, teria sido

investido um capital à taxa fixa de 5 cg de juros ao ano, e que os rendimentos acumulados teriam sido aplicados sempre da mesma maneira, durante quatro sé culos. Um capital emprestado- à taxa anual de 5 % de juros, pagáveis semes

tralmente, dobra, com juros compostos, em 14 anos. Em 100 anos já atinge 14O

vêzes o capital inicial; em 200 anos 20.164 vêzes; em 300 anos, 2.863.288 vêzes; c, no fim do quarto século, 406.586.896 vêzes o valor nominal da inversão original.

Embora, neste interva

lo, o poder aquisitivo da moeda tenha caído a 0,1 %, ficaria, no ano de 1950

aos felizes sucessores do primeiro investi-' dor, um valor real 406.586.896 vezes su

Podemos exemplificar o processo da mai;; longo.

XXXVIII. Rio de Janeiro, 1937). Consi

XXXVII

e

perior ao capital inicial.

Escusado dizer que, na realidade, o

fisco teria exigido sua parte na valorização

e que inúmeros outros fatores teriam afe

tado a acumulação. Não obstante, o exemplo mostra que mesmo uma taxa de iuros relativamente módica permitia a

defesa contra os efeitos da depreciação

szr''


Dighsto Econômico

A tese revolucionária do famoso eco

nomista inglês e, sobretudo, sua previsão

de que, num espaço de tempo relativa mente curto de uns trinta anos, o proble ma milenar dos juros poderia ser defini

tivamente resolvido, faziam sensação. Grande número de economistas, sociólogos e políticos congratulou-se com Keynes pela sua descoberta, ou melhor, pela coragem de ter dito claramente que não há linha de demarcaçao entre esi>eculação e investi mento, e que a valorização do capital in

teressa à maioria dos investidores mais que a obtenção de uma renda fixa.

Não há provas absolutas para demons trar ou refutar a base psicológica da teoria de Keynes. Certamente, a era do "rentier"

do homem que vive exclusivamente de

rendimentos fixos de seu capital, já pas

sou, rnesmo na França, o clássico país

importância dos juros vai decrescendo, c

90

que poderíamos chegar, num futuro não

média, de um ano para outro, de 5,5 %.

muito distante, à taxa zero. Já se passa

Conscguintemente, todas as taxas-de ju

ram catorze anos desde que ésse prognós

ros abaixo de 5,5 % representavam para o investidor perdas reais, contanto que

tico sóbre o desaparecimento dos juros

êle não aplicasse imediatamente o rendi

visto para a grande mudança. Nu reali dade, as modificações, no que diz res

a Noruega — verifica-se uma redução das taxas; em outros países, em particular

mento de seu capital em bens de consu mo ou bens de produção resistentes contra a depreciação. Enrrotanto, mesmo as pessoas que pre feriam reinvestir seus rendimentos sempre da mesma maneira, em depósitos nos

na Inglaterra e nos Estados Unidos, um ligeiro aumento. Parece que, como acon

bancos ou em hipotecas ou debêntures, ou em títulos da divida pública, conse

peito aos juros, foram pequenas.

Em

alguns países — como a Austrália, a Suíça,

teceu também em outros assuntos, Keynes deduziu precipitadamente conclusões ge

'I

intensidade da poupança popular. Tam bém as flutuações das taxas não influem muito nos habites e nas decisões indivi

duais. Sao raras as pessoas que renunciam a uma despesa de consumo, digamos a viagem de turismo, quando as taxas

de ,uros aumentam, e gastam mais quando as taxas de juros sofrem uma redução A repercussão, porém, é diferente quan to as instituições investidoras que admi nistram hoje grande parte do capital na

cional: bancos, companhias de seguro e dc capitalização etc. Para tais organiza-

sem duvida um incentivo no sentido positivo ou negativo, e diferenças nas taxas de juros são freqüentemente degisivas para a seleção dos investimentos. Parece duvido so se esse estímulo e critério pode ser substituído por reflexões especulativas so bre o valor posterior do capital. Em todo caso, não se confirmou, até •

,

^

«ilS-

agora, a profecia de Keynes de que a

guiram — graças ás taxas altas e em

conseqüência da baixa dos preços dos

rais de certos fenômenos que se manifes

títulos que lhes proporcionavam para as

taram na Inglaterra após a revalorização cia libra em 1925 e durante a grande

reinversões rendimentos mais elevados —

não somente conservar o poder de com

pra de seu capital inicial, mas multipli-

crise na América do Norte.

ros nao tem grande influência sobre a

o que significa uma depreciação

foi feito — quase metade do prazo pre

com Keynes, que a altura das taxas de ju

' I çoes, modificações das taxas constituem

1

Digosto econômico

cá-lo.

Depreciação e nível de juros

Como evidencia o estudo acima

citado, só os depósitos a vista, que pra

A tendência decrescente dos juros foi contrariada pelas desvalorizações e mais ainda pela depreciação interna de tòdas as moedas do mundo. Em comparação com

o decréscimo do valor aquisitivo, o acrés cimo dos juros parece muito módico. Se tomarmos em consideração ésse fator, ve

rificaremos que, a partir de 1933' e'ni tôda parte a taxa real dos juros quer dizer, a taxa medida em poder de comp-u

•i"-

ticamente todas as empresas industriais e comerciais devem permanentemente man ter como fundo de movimento, sofreram

uma redução do valor real.

formação do capital, diante da deprecia ção da moeda, ainda para um período O? documentos relativos à

construção da cidade do Salvador mostram que, em meados do século XVI, os traba lhadores e servidores das obras recebiam

—■ experimentou uma baixa consíderávi,-! c, em muitos países, as taxas tornaram-se

um salário mensal entre 1$200 e 2$000

negativas.

(Ministério da Educação e Saúde, "Do

Em países de inflação crônica o alto nível dos juros é, até certo ponto, a con seqüência da depreciação

moeda.

contínua

da

Parte da taxa representa apenas

um prêmio de compensação contra fu

turas depreciações do capital e dos juros. Recente escudo de "Conjuntura Econômi ca" mostra que no Brasil, desde 1912 ano a partir do qual existe um índice

oficial do custo da vida — o valor aqui sitivo da nossa moeda baixou quase de

cumentos Históricos", Vol.

derando as remunerações da população operária como índice do custo da vida, podemos dizer que de 1550 a 1950 o poder aquisitivo da nossa moeda baixou a um milésimo. Em tais condições, todo capital dado como empréstimo parece ani quilado.

Mas não é.

Suponhamos que, em 1550, teria sido

investido um capital à taxa fixa de 5 cg de juros ao ano, e que os rendimentos acumulados teriam sido aplicados sempre da mesma maneira, durante quatro sé culos. Um capital emprestado- à taxa anual de 5 % de juros, pagáveis semes

tralmente, dobra, com juros compostos, em 14 anos. Em 100 anos já atinge 14O

vêzes o capital inicial; em 200 anos 20.164 vêzes; em 300 anos, 2.863.288 vêzes; c, no fim do quarto século, 406.586.896 vêzes o valor nominal da inversão original.

Embora, neste interva

lo, o poder aquisitivo da moeda tenha caído a 0,1 %, ficaria, no ano de 1950

aos felizes sucessores do primeiro investi-' dor, um valor real 406.586.896 vezes su

Podemos exemplificar o processo da mai;; longo.

XXXVIII. Rio de Janeiro, 1937). Consi

XXXVII

e

perior ao capital inicial.

Escusado dizer que, na realidade, o

fisco teria exigido sua parte na valorização

e que inúmeros outros fatores teriam afe

tado a acumulação. Não obstante, o exemplo mostra que mesmo uma taxa de iuros relativamente módica permitia a

defesa contra os efeitos da depreciação

szr''


A' /

Digesto Econômico

(Toneladas métricas)

UtIliza$So de fertilizantes minerais na América Latina

Ácido Países

Azôto

(N)

Glycon de Paiva

¥ Tma das entidades não governamentais da ONU, a F.A.O (Food and Agriculiure Organization of the United Na-

As principais conclusões do relatório

preliminar da FAO foram as seguintes 1 a) as fontes naturais de fósforo da

tions), procedeu, no ano passado, ao le

América Latina são em geral de baixo

vantamento preliminar da situação da América Latina quanto a fertilizantes.

teor è as reservas são insuficientes;

Essa investigação será o ponto de partida para os debates dos especialistas que pela FAO serão encarregados de projetar dire trizes para a expansão da produção e da

América Latina, antes de efetiva aplicação,

utilização de adubos no continente sulamericano.

b) os longos e dispendiosos transportes internos a que se sujeitam os adubos na

não recomendam a utilização de produtos

fosfatados contendo somente 18 a 20 % de ácido fosfórico, teor habitual na Euro

Argentina Brasil Chile Colômbia Costa Rica

5.630 9.030 8.000 1.720 820

Cuba República Dominicana

Equador El Salvador

tituição destes, no mercado dos superfos-

mentos minerais das plantas é alarmante

fatos da América Latina, pelo fosfato de amônio e o superfosfato triplo, ou outros tipos de

mo que apenas se levem em conta os minerais nor

sejam, realmente, nutrimentos de plantas;

procedentes da erosão. As

as fontes de potássio solú

sim, a Argentina perde, trigo e de milho exporta dos, o equivalente a . .. . 250.000 toneladas de azôtó e a 127.000 toneladas

220 800

220 5.000

6.340

7.200

850

, 13.800

15.800 1.500 450

4.800

48.510

620

1.690 2.170

1.100

550

1.650

99.610

35.830

210.190

740

840

27.910

1.100

total

74.750

QUADRO 2

(Em toneladas métricas e em kg por hectare)

na

1948 — 1949

América

lentamente com a média americana de 17,3 quilos pela mesma unidade de área. Os três quadros seguintes são particular

solos virgens de onde procederam.

mente expressivos.

E B ^

■c -O

■

g

•

m

s «5 § e.a

S-

A.

~

0 c ei ® Cm ^

CO

az .e

Sa.

o.

1—

c 0

9

fi.

s

Canadá e U. A.

211,3

895.830

63,1

74.750

4,24 1.772.000

8,39 976.000

4,62 3.643.930

1,18

1,58

0,57

17,25

Repúbli

QUADRO 1

1949.

7.770

parac"^""^° e consumo por hectare fertilizantes na América Latina, em comÇao com íotal o consumo no Canadá e nosdeEstados Unidos.

3,33 quilos por hectare, número que contrasta vio

junho de

11.440

vel na América Latina. O

potassa. A perda anual de azôto nos solos brasileiros cultivados é estimada em 40 % do teor original desse elemento nos

Gínsumo de fertilizantes, na Amé rica Latina por países, entre 30 de

1.500

suprimento adequado de penderá, fundamentalmen te, de importação; d) o consumo médio de fertilizantes

de 25.000 toneladas de

4.920

3.000

1.620

190

Venezuela Outros países

Latina é pequeno, cerca de

de ácido fosfórico, além

29.600

13.730 39.030 42.520 6.220 820 29.480 880 150

840

c) são muito limitadas

anualmente, por mera in corporação aos grãos de

1.600 8.000

540 1.620 5.750 ~

que 40 a 50 % do pêso

malmente dele retirados pelas safras e se não computem os prejuízos anuais

Total

22.000

I50 300

Guatemala Honduras México

Potássio

(K20)

6.500

10.270 880

pa e nos E. U. A. Faz-se mister a subs

A depleção do solo arável em nutrina América Latina, mes

fosfórico (P205)

1948 a 30 de junho de

cas latinoamericanas

99.610

35.830

210.190

3,33


A' /

Digesto Econômico

(Toneladas métricas)

UtIliza$So de fertilizantes minerais na América Latina

Ácido Países

Azôto

(N)

Glycon de Paiva

¥ Tma das entidades não governamentais da ONU, a F.A.O (Food and Agriculiure Organization of the United Na-

As principais conclusões do relatório

preliminar da FAO foram as seguintes 1 a) as fontes naturais de fósforo da

tions), procedeu, no ano passado, ao le

América Latina são em geral de baixo

vantamento preliminar da situação da América Latina quanto a fertilizantes.

teor è as reservas são insuficientes;

Essa investigação será o ponto de partida para os debates dos especialistas que pela FAO serão encarregados de projetar dire trizes para a expansão da produção e da

América Latina, antes de efetiva aplicação,

utilização de adubos no continente sulamericano.

b) os longos e dispendiosos transportes internos a que se sujeitam os adubos na

não recomendam a utilização de produtos

fosfatados contendo somente 18 a 20 % de ácido fosfórico, teor habitual na Euro

Argentina Brasil Chile Colômbia Costa Rica

5.630 9.030 8.000 1.720 820

Cuba República Dominicana

Equador El Salvador

tituição destes, no mercado dos superfos-

mentos minerais das plantas é alarmante

fatos da América Latina, pelo fosfato de amônio e o superfosfato triplo, ou outros tipos de

mo que apenas se levem em conta os minerais nor

sejam, realmente, nutrimentos de plantas;

procedentes da erosão. As

as fontes de potássio solú

sim, a Argentina perde, trigo e de milho exporta dos, o equivalente a . .. . 250.000 toneladas de azôtó e a 127.000 toneladas

220 800

220 5.000

6.340

7.200

850

, 13.800

15.800 1.500 450

4.800

48.510

620

1.690 2.170

1.100

550

1.650

99.610

35.830

210.190

740

840

27.910

1.100

total

74.750

QUADRO 2

(Em toneladas métricas e em kg por hectare)

na

1948 — 1949

América

lentamente com a média americana de 17,3 quilos pela mesma unidade de área. Os três quadros seguintes são particular

solos virgens de onde procederam.

mente expressivos.

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Canadá e U. A.

211,3

895.830

63,1

74.750

4,24 1.772.000

8,39 976.000

4,62 3.643.930

1,18

1,58

0,57

17,25

Repúbli

QUADRO 1

1949.

7.770

parac"^""^° e consumo por hectare fertilizantes na América Latina, em comÇao com íotal o consumo no Canadá e nosdeEstados Unidos.

3,33 quilos por hectare, número que contrasta vio

junho de

11.440

vel na América Latina. O

potassa. A perda anual de azôto nos solos brasileiros cultivados é estimada em 40 % do teor original desse elemento nos

Gínsumo de fertilizantes, na Amé rica Latina por países, entre 30 de

1.500

suprimento adequado de penderá, fundamentalmen te, de importação; d) o consumo médio de fertilizantes

de 25.000 toneladas de

4.920

3.000

1.620

190

Venezuela Outros países

Latina é pequeno, cerca de

de ácido fosfórico, além

29.600

13.730 39.030 42.520 6.220 820 29.480 880 150

840

c) são muito limitadas

anualmente, por mera in corporação aos grãos de

1.600 8.000

540 1.620 5.750 ~

que 40 a 50 % do pêso

malmente dele retirados pelas safras e se não computem os prejuízos anuais

Total

22.000

I50 300

Guatemala Honduras México

Potássio

(K20)

6.500

10.270 880

pa e nos E. U. A. Faz-se mister a subs

A depleção do solo arável em nutrina América Latina, mes

fosfórico (P205)

1948 a 30 de junho de

cas latinoamericanas

99.610

35.830

210.190

3,33


Digesto

Econômico

DiGHSTO Econômico 3 — o consumo específico de adubos po tássicos é I /6 do consumo ame

QUADRO 3

Utilização média de fertilizantes

PAÍSES

(Ha.)

%:

P205

K20 0,07 0,02 0,52 0,55

Argentina

23.232, 000 342. 000 15.360. 000

0,24 0,06

0,28

Bolívia Brasil

0,59

1.43

2.709, 000

0,63

430, 000

1,63

1.970, 000

2.043. 000 732, 000

5,21

1,11 0,70 5,81

3.92

2,41

000

0,39

0,28

0,28

000

0,54

0,81

5,04

Colômbia

..

Costa Rica

Cuba

Chile Equador

.. ;

EI Salvador Guatemala

■

773 992

0,14

I

Honduras

aon 000

1,84

Nicaragua

7.394: 000 500 000 122 000

0,78 0,01

Panamá

Paraguai

'*

Republica Dominicana .. Venezuela

33^

0,29 0,07

0,62

ao americano: 32 quilos por hecta re cultivado;

2 — o Peru, Cuba e o Brasil são os maio res consumidores de adubos azotados entre as nações latino-americanas; o Chile é o maior consumidor de adubos fosfatados, seguindo-se-lhe o Brasil e o Peru;

3,17

1,51

ruano é quase duas vezes superior

3

10,42 1,35

realidade, o consumo específico pe-

terceiro quadro verifica-se o se

1 — o exagerado consumo de adubos azo

tes países;

18,41

000

Em

Do guinte:

2,41

1,64

0,29

63.139. 000

do-se-lhe o Chile e o Brasil.

deficiência de nutrimentos minerais para as plantas.

o subconsumo de azôto dos restan

0,82

0,29

adubos da América. Latina, seguin-

dc utilização de fertilizantes.

3.94

1,64

0.13

✓ 1 —■ o Peru, proporcionalmente a áreas cultivadas, é o maior consumidor de

graves problemas de suprimento e

produção agrícola do nosso continente;

tados no Peru, dada a abundância local de guano, em contraste com

2,37 0,12

000

No primeiro quadro, verifica-se o se

motivos do elevado preço de custo da

0,93

2,37 0.97

1.480. 000

guinte:

rica Latina revelam a existência de

2

• o alto consumo de adubos fosfa tados no Peru, em contraste com o subconsumo da maioria dos restan tes países, inclusive o Brasil; 3 — o modesto consumo de sais potássi

1,18

1,58

mas brasileiros.

Nosso intento, neste artigo, é pór à

disposição de nossos economistas elemen

tos para exame mais aprofundado da ques tão. Vamos encerrá-lo com o quadro n.° 4,

com o qual o relatório da FAO procura descrever a situação brasileira de produção de adubos do comércio, a atual e a prevista.

Situação da produção de fosfates no Brasil

0.85

0,57

Do levantamento citado no início desta

exposição, foi publicado um relatório mimeografado, cujo digesto acaba de ser feito para divulgação em nosso meio, dada a crucial importância da adubação sisremática na solução de importantes proble

QUADRO 4

000

1.516 000

680

Total

0,14

420^ 000

Estas três conclusões explicam um dos

produtividade específica muito baixa, por

Quilogramas por fjectare N

com exceção do Peru. Cuba e Chile,

todos os restantes países da Amé

1948—1949

Ãrea cuUwada

exceção de Cuba: 4 —

ricano.

Consumo de fertilizantes, em quilos por hectare, na América Latina — por países.

cos em tôda a América Latina, com

Localização 3,33

4—0 Brasil c o maior consumidor de adubos potássicos da América La tina, seguindo-se-lhe Cuba e Gua

Situação

■Capacidade

quanto à

máxima de

atual e

produção

produção

prevista'

Em operação

47.000

Produção

São Caetano

(S. Paulo)

20.000

A apa-

tita é lavrada, moída e con centrada na mina, retiran

5 — contrariamente ao que se poderia esperar, a Argentina é fraca consu

do-se 0 ferro com separador eletromagnético. Esse ma terial é empregado para fa

midora de adubos.

Do segundo quadro verifica-se o se

zer fosfato calcinado.

guinte :

O en

xofre necessário provém dos

1 —-o consumo específico de adubos azotados na América Latina é 1/4 2 —^ o consumo específico de adubos fos fatados é 1/5 do consumo ame

Superfosfato feito com apa, tita de Jacupiranga.

temala;

do consumo específico americano;

Observações

Estados Unidos.

São Paulo

(SP)

Era operação

47.000

20.000

Superfosfato feito com mi nério da África do Norte e enxofre dos Estados Unidos.

ricano; - vi


Digesto

Econômico

DiGHSTO Econômico 3 — o consumo específico de adubos po tássicos é I /6 do consumo ame

QUADRO 3

Utilização média de fertilizantes

PAÍSES

(Ha.)

%:

P205

K20 0,07 0,02 0,52 0,55

Argentina

23.232, 000 342. 000 15.360. 000

0,24 0,06

0,28

Bolívia Brasil

0,59

1.43

2.709, 000

0,63

430, 000

1,63

1.970, 000

2.043. 000 732, 000

5,21

1,11 0,70 5,81

3.92

2,41

000

0,39

0,28

0,28

000

0,54

0,81

5,04

Colômbia

..

Costa Rica

Cuba

Chile Equador

.. ;

EI Salvador Guatemala

■

773 992

0,14

I

Honduras

aon 000

1,84

Nicaragua

7.394: 000 500 000 122 000

0,78 0,01

Panamá

Paraguai

'*

Republica Dominicana .. Venezuela

33^

0,29 0,07

0,62

ao americano: 32 quilos por hecta re cultivado;

2 — o Peru, Cuba e o Brasil são os maio res consumidores de adubos azotados entre as nações latino-americanas; o Chile é o maior consumidor de adubos fosfatados, seguindo-se-lhe o Brasil e o Peru;

3,17

1,51

ruano é quase duas vezes superior

3

10,42 1,35

realidade, o consumo específico pe-

terceiro quadro verifica-se o se

1 — o exagerado consumo de adubos azo

tes países;

18,41

000

Em

Do guinte:

2,41

1,64

0,29

63.139. 000

do-se-lhe o Chile e o Brasil.

deficiência de nutrimentos minerais para as plantas.

o subconsumo de azôto dos restan

0,82

0,29

adubos da América. Latina, seguin-

dc utilização de fertilizantes.

3.94

1,64

0.13

✓ 1 —■ o Peru, proporcionalmente a áreas cultivadas, é o maior consumidor de

graves problemas de suprimento e

produção agrícola do nosso continente;

tados no Peru, dada a abundância local de guano, em contraste com

2,37 0,12

000

No primeiro quadro, verifica-se o se

motivos do elevado preço de custo da

0,93

2,37 0.97

1.480. 000

guinte:

rica Latina revelam a existência de

2

• o alto consumo de adubos fosfa tados no Peru, em contraste com o subconsumo da maioria dos restan tes países, inclusive o Brasil; 3 — o modesto consumo de sais potássi

1,18

1,58

mas brasileiros.

Nosso intento, neste artigo, é pór à

disposição de nossos economistas elemen

tos para exame mais aprofundado da ques tão. Vamos encerrá-lo com o quadro n.° 4,

com o qual o relatório da FAO procura descrever a situação brasileira de produção de adubos do comércio, a atual e a prevista.

Situação da produção de fosfates no Brasil

0.85

0,57

Do levantamento citado no início desta

exposição, foi publicado um relatório mimeografado, cujo digesto acaba de ser feito para divulgação em nosso meio, dada a crucial importância da adubação sisremática na solução de importantes proble

QUADRO 4

000

1.516 000

680

Total

0,14

420^ 000

Estas três conclusões explicam um dos

produtividade específica muito baixa, por

Quilogramas por fjectare N

com exceção do Peru. Cuba e Chile,

todos os restantes países da Amé

1948—1949

Ãrea cuUwada

exceção de Cuba: 4 —

ricano.

Consumo de fertilizantes, em quilos por hectare, na América Latina — por países.

cos em tôda a América Latina, com

Localização 3,33

4—0 Brasil c o maior consumidor de adubos potássicos da América La tina, seguindo-se-lhe Cuba e Gua

Situação

■Capacidade

quanto à

máxima de

atual e

produção

produção

prevista'

Em operação

47.000

Produção

São Caetano

(S. Paulo)

20.000

A apa-

tita é lavrada, moída e con centrada na mina, retiran

5 — contrariamente ao que se poderia esperar, a Argentina é fraca consu

do-se 0 ferro com separador eletromagnético. Esse ma terial é empregado para fa

midora de adubos.

Do segundo quadro verifica-se o se

zer fosfato calcinado.

guinte :

O en

xofre necessário provém dos

1 —-o consumo específico de adubos azotados na América Latina é 1/4 2 —^ o consumo específico de adubos fos fatados é 1/5 do consumo ame

Superfosfato feito com apa, tita de Jacupiranga.

temala;

do consumo específico americano;

Observações

Estados Unidos.

São Paulo

(SP)

Era operação

47.000

20.000

Superfosfato feito com mi nério da África do Norte e enxofre dos Estados Unidos.

ricano; - vi


14

DiGiiSTo Econômico

A política do manganês no Brasil Localização

Rio

Situação

Capacidade

quanto à

máxima de

atual e

produção

produção

prevista

Em operação

47.000

Produção

Observações

Grande

do Sul

15.000

Superfosfato feito com mi nério da Flórida e enxofre dos Estados Unidos.

S. Ftoés Abreu

MANGANÊS é um do6 recursos mine-

grande valor, que estão sendo àvidamente

rais que possuímos em condições de

cobiçados pelas nações estrangeiras. Superestima-se o que o Brasil possui e

competir no mercado internacional e obter

Belo Hori

divisas para comprar petróleo a fim de transpor com rapidez as grandes distân

zonte

cias que separam os núcleos de trabalho

(MG)

Em construção

(Pb)

Em operaçã®

6.000

de engrandecer a terra, mas nunca se dá conta da dependência em que vivemos das

no Brasil.

nações a quem compramos a metade do

apatita de Araxá; defluorização mediante vapor sob

A maior parte dos nossos recursos mi nerais já explorados tem somente aplica

carvão necessário para manter a siderurgia

pressão. Desconhecem-se os efeitos desse adubo nas cul turas brasileiras.

ções internas porque encontra dificul-, dades para competir com os produtos de outras regiões, onde as minas são mais

tróleo consumido no País, para só falar nos produtos minerais indispensáveis à

Superfosfato feito com apa tita de Aiagoa do Montei

fartas e a mão-de-obra mais barata. Com a mão-de-obra cara devido ao alto custo da vida — conseqüência das condi

É necessário que se desenvolva, cada vez mais, uma política de justas relações ^

ro, no Estado da Paraíba. O minério tem 30 % de

ções adversas em vista do relevo aciden

P205, mas o frete ferroviá rio é superior ao frete ma

produtos valorizados por aqueles que não possuímos e de que tanto necessitamos

— não é possível produzir certos miné

para manter o nível de progresso a que

rios a preços que possam concorrer, no

chegamos com muito esforço e pertinácia

mercado internacional, com similares pro

Nunca devemos esquecer que esse gran de parque industriai brasileiro vive e cres ce na dependência da importação de ener gia sob as formas de carvão e petróleo

Fosfato Renánia, feito com

Recife

alguns chegam a mentir com a intenção

rítimo relativo ao minério

da África do Norte.

tado, do clima tropical e da herança étnica

duzidos em larga escala através de maqui

naria possante ou de trabalho a preço vil. Nesse caso estão a cassiterita, os fosfatos de veias de apatita, o rutilo, o cao-

lim, a fluorita, a gipsita, a cromita, os

feldspatos, e outros produtos que só en contram aplicação no mercado interno. Felizmente, temos alguns minérios em

condições favoráveis de exploração e que podem ser objeto de exportação em larga escala. Desses devemos tirar partido a fim de poder conseguir as enormes quan

tidades de petróleo e mesmo carvão de qualidade, que adquirimos anualmente no estrangeiro. Ao invés de enveredarmos por uma po

lítica de conquista de mercados externos, o

a coque, a quem compramos 95 % dó pe

manutenção do nosso progresso.

comerciais, visando a troca dos nossos

e que para assegurarmos esse fluxo de

energia para o País devemos criar tam

bém para o exterior uma caudal de pro dutos que interessem às outras nações. Na última reunião da Seção do Rio de Jarieiro do American Institute of Mining and Metalurgical Engineers, sob a presb dencia do Cel. Edmundo de Macedo Soa res e Silva, atual Governador do Estado

do Rio de Janeiro, o sr. Harvey Hakala, da Comp. Meridional de Mineração, fêz uma exposição sôbre a situação mundial

do mercado 3e manganês.

que se nota nos últimos tempos é um

Aproveitando um quadro de produção

surto de nacionalismo intransigente, cal

cado numa falsa concepção de que o Brasil

apresentado pelo conferencista, desejamos aqui fazer alguns breves comentários, O

é um país muito rico em minerais de

assunto interessa muito de perco ao Brasil,

Jk


14

DiGiiSTo Econômico

A política do manganês no Brasil Localização

Rio

Situação

Capacidade

quanto à

máxima de

atual e

produção

produção

prevista

Em operação

47.000

Produção

Observações

Grande

do Sul

15.000

Superfosfato feito com mi nério da Flórida e enxofre dos Estados Unidos.

S. Ftoés Abreu

MANGANÊS é um do6 recursos mine-

grande valor, que estão sendo àvidamente

rais que possuímos em condições de

cobiçados pelas nações estrangeiras. Superestima-se o que o Brasil possui e

competir no mercado internacional e obter

Belo Hori

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zonte

cias que separam os núcleos de trabalho

(MG)

Em construção

(Pb)

Em operaçã®

6.000

de engrandecer a terra, mas nunca se dá conta da dependência em que vivemos das

no Brasil.

nações a quem compramos a metade do

apatita de Araxá; defluorização mediante vapor sob

A maior parte dos nossos recursos mi nerais já explorados tem somente aplica

carvão necessário para manter a siderurgia

pressão. Desconhecem-se os efeitos desse adubo nas cul turas brasileiras.

ções internas porque encontra dificul-, dades para competir com os produtos de outras regiões, onde as minas são mais

tróleo consumido no País, para só falar nos produtos minerais indispensáveis à

Superfosfato feito com apa tita de Aiagoa do Montei

fartas e a mão-de-obra mais barata. Com a mão-de-obra cara devido ao alto custo da vida — conseqüência das condi

É necessário que se desenvolva, cada vez mais, uma política de justas relações ^

ro, no Estado da Paraíba. O minério tem 30 % de

ções adversas em vista do relevo aciden

P205, mas o frete ferroviá rio é superior ao frete ma

produtos valorizados por aqueles que não possuímos e de que tanto necessitamos

— não é possível produzir certos miné

para manter o nível de progresso a que

rios a preços que possam concorrer, no

chegamos com muito esforço e pertinácia

mercado internacional, com similares pro

Nunca devemos esquecer que esse gran de parque industriai brasileiro vive e cres ce na dependência da importação de ener gia sob as formas de carvão e petróleo

Fosfato Renánia, feito com

Recife

alguns chegam a mentir com a intenção

rítimo relativo ao minério

da África do Norte.

tado, do clima tropical e da herança étnica

duzidos em larga escala através de maqui

naria possante ou de trabalho a preço vil. Nesse caso estão a cassiterita, os fosfatos de veias de apatita, o rutilo, o cao-

lim, a fluorita, a gipsita, a cromita, os

feldspatos, e outros produtos que só en contram aplicação no mercado interno. Felizmente, temos alguns minérios em

condições favoráveis de exploração e que podem ser objeto de exportação em larga escala. Desses devemos tirar partido a fim de poder conseguir as enormes quan

tidades de petróleo e mesmo carvão de qualidade, que adquirimos anualmente no estrangeiro. Ao invés de enveredarmos por uma po

lítica de conquista de mercados externos, o

a coque, a quem compramos 95 % dó pe

manutenção do nosso progresso.

comerciais, visando a troca dos nossos

e que para assegurarmos esse fluxo de

energia para o País devemos criar tam

bém para o exterior uma caudal de pro dutos que interessem às outras nações. Na última reunião da Seção do Rio de Jarieiro do American Institute of Mining and Metalurgical Engineers, sob a presb dencia do Cel. Edmundo de Macedo Soa res e Silva, atual Governador do Estado

do Rio de Janeiro, o sr. Harvey Hakala, da Comp. Meridional de Mineração, fêz uma exposição sôbre a situação mundial

do mercado 3e manganês.

que se nota nos últimos tempos é um

Aproveitando um quadro de produção

surto de nacionalismo intransigente, cal

cado numa falsa concepção de que o Brasil

apresentado pelo conferencista, desejamos aqui fazer alguns breves comentários, O

é um país muito rico em minerais de

assunto interessa muito de perco ao Brasil,

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.V 77^

1(3

». », w

PT-

. DIGI-STO liCONÓMlCO O

ui •4

o:

&

pois o manganês é um dos minérios com que nos podemos apresentar no mercado internacional em condições de lutar com fortes concorrentes.

D?, nossa organização interna, do pla

o

influência que podem ter ccrta.s idéias

<

ct

5 •í

o manto diáfano da fantasia", tudo ao

2

internacional.

A exposição do sr. Harvey Hakala na reunião mensal do A. I. M. E. não se

referiu ao Brasil; o problema foi consi derado em seu conjunto, com um caráter internacional, mostrando apenas tendên cias e rumos possíveis do mercado.

Neste breve comentário desejamos ago ra oca izar o caso brasileiro, mostrando a

<

%

Brasil Cuba México Estados Unidos

do Brasil, no caso em apreço, c melhor nos prepararmos para a dura competição econômica entre as nações do mundo. O quadro numérico a seguir traduz a situação do mercado de manganês em 1945 e 1949.

1949

%

245.000

5.8

7.000

0.2

198.000

4.7

52.000

1.2

165.000

3.9

54.000 1.1 54.000 l.l 112.000 - 2.3

214.000

5.1 2.4

546.000

11.1

304.000

6.2 30.9

Asiit

índia Outros

África (total) ... Europa

U.R.S.S. Outros

Total

...

102.000

878.000 2.251.000 106.000

ei

r

O

S

Z

z

u

iia

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5

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D

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O

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O 2 < QT

O

vi

O

O u

O

õ

'Ái

nês para bem compreendermos a situação

Acréscimo

DecrésciniB

'i.HmkÁi-

América do Sal Chile Américí', do Norte

5 P 0

E indispensável conhecer o panorama internacional no que se refere ao manga

estimativa da produção mundial de manganês (EM TONELADAS) Í94.5

2 <

O

O

mento dos recursos naturais do País, "sem gosto dos autores de livros didáticos e dos

<

O

nejamento adequado da nossa produção,

oradores de comícios populares.

u

o:

do custo unitário do nosso minério c* do

o sucesso da nossa produção no mercado

O o

VI

O

que não refletem doutrinas de Repartições ou Sociedades e que resultam do conheci

beneficiamento que lhe dermos depende

<

<

sòbrc o futuro da nossa produção de man ganês. São conceitos extritamente pessoais,

d a

m

150.000 7.000

20.8 1.513.000

53.4 2.100.000 2.5 60.000

95.000

3.1 0.1

144.000, 2.000 53.000 332.000 202.000

.

635.000

—

.

42.9

151.000

1.2

46.000

AkV ^

1

4.218.000 100.0 4.900.000 100.0 1.171 .0001489.000

O quadro mostra um aumento da pro dução mundial de 682.000 toneladas, ou seja, um aumento da ordem de 16%. Êsse acréscimo se deve ao desenvolvimen

acréscimo foi de 202.000; na África foi

to da produção no Oriente e na África.

quanto isso ocorre, na U. R. S. S. a pro

Na índia a produção subiu de- 332.000

dução baixa de 151.000 toneladas; em

toneladas; em outras zonas da Ásia, o de 635-000, devido ao considerável au

mento na produção da África do Sul. En

i.


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2

internacional.

A exposição do sr. Harvey Hakala na reunião mensal do A. I. M. E. não se

referiu ao Brasil; o problema foi consi derado em seu conjunto, com um caráter internacional, mostrando apenas tendên cias e rumos possíveis do mercado.

Neste breve comentário desejamos ago ra oca izar o caso brasileiro, mostrando a

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Brasil Cuba México Estados Unidos

do Brasil, no caso em apreço, c melhor nos prepararmos para a dura competição econômica entre as nações do mundo. O quadro numérico a seguir traduz a situação do mercado de manganês em 1945 e 1949.

1949

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Asiit

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Total

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O quadro mostra um aumento da pro dução mundial de 682.000 toneladas, ou seja, um aumento da ordem de 16%. Êsse acréscimo se deve ao desenvolvimen

acréscimo foi de 202.000; na África foi

to da produção no Oriente e na África.

quanto isso ocorre, na U. R. S. S. a pro

Na índia a produção subiu de- 332.000

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DlCibslU

IB

L((.)NOMIÍi>

Cuba, decresce de 144.000; no Brasil, de

cm 1945, como conseqüência dum gran

95.000; nos Estados Unidos, de 53.000; c em vários países da Europa o decrésci mo atinge 46.000 toneladas.

de esforço a produção de mincri«>s estratégicos, os Estados Unidos chegaram

A Índia é

um

forte

concorrente

do

Brasil no mercado de manganês devido ao volume das jazidas de alto teor e devido

ao fato de dispor de mão-de-obra a preço baixo e de estarem as jazidas em boas Con dições para a exportação.

a produzir 165.000 toneladas de minério de manganês, isto é, /fiais do qttg nos produzimos em 1949! Nossa produção baixou de 245-000 to neladas, em 1945. para 150.000 em 1949; c de fornecedores de 5.8 Çó da produção nacional, passamos a contribuir apenas

A Costa do Ouro tem reservas grandes, mas o minério é um tanto baixo, as jazi

com 3,1 %.

das não estão distantes do litoral e faz-se

razão de estarmos baixando nossa produ

um beneficiamento adequado, de modo <iuc íica cm condições de ser negociado inm vaníagem.

No Marrocos a produção quintuplicou nos últimos anos, não obstante a difi culdade no transporte, pois as mi

rescrvils dc niangaiiís no ürasil, conio as

boa qualidade, e, devido ao regimem lá os mercados do exterior e inundá-los com

mméno bom e barato, desorganizando a

produção dos outros fornecedores.

Em

bora essa possibilidade seja muito pro blemática e encontre oposição da parte das nações de regimem não-comunista. ela podara ser efetivada devido aos fatôres naturais e ao regimem de trabalho existente na Rússia.

Para o Brasil o mercado norte-ameri cano é muito interessante, já por ser êsse

país um comprador tradicional dos prin cipais produtos brasileiros, já porque de vemos ter com éle relações econômicas cada vez mais estreitas, em beneficio do

nosso próprio desenvolvimento. O quadro apresentado nos mostra que

tonelada's de manganês por ano (em

geográfica, pois esrão muito no interior do

1949) para vender no estrangeiro, esta mos exaurindo o solo dos nossos vizinhos

— Venezuela, Trinidad e Estados Unidos

Continente. O manganês de Urucum pode-

ra sair pelo rio Paraguai e rio da Prata até o porto dc- Montevidéu, ou. por via cerres tre. pelas estradas Noroeste e Sorocabana ate o porto de Santos. A primeira via pa' rece a mais aconselhável, porém exige uma

grande frota do alvnren.uá.s adequadas m, no o quç representa um ^r.inde cdpltaj imobilizado. A segunda via não encon tra nas estradas de ferro capacidade de

mamente propícia à exportação para con

de.alguns países, era petróleo e carvão, de maior tonelagem que tôda a

transporte suficiente; o percurso

exportação nacional para o exte

ferroviário c da ordem de 1.4oo

O destino natural do

manganês do Amapá c o mercado

na América do Norte que as jazi

estabelecido, êsse país poderá invadir

deve ser invocado, porque nós, que des falcamos o patrimônio nacional de 150.000

fadadas a abastecer os mercados da Amé rica do Norte; e as dc Urucum, em Mato Grosso — as de maior volume no Brasil c dentre as de maior volume no mundo encontram certos obstáculos na posição

sumo no exterior.

transpor.

be-se que lá se encontram colossais reser

c não longe da foz do Amazonas, estão

Brasil está esgotando anualmente o solo

externo, pois êle está muito mais próximo dos centros dc consumo

vas de minério de manganês de muito

no fato de ser o manganês uma riqueza

Pinto (•) em conferência recente, o

do Amapá, cuja posição geográfica é su

19

natural não renovável; o que é retirado vai desfalcar definitivamente o patrimônio nacional. Êsse princípio, entretanto, não

petróleo anualmente, para nos podermos expandir industrialmente. Como pô.s cm evidencia n dr. Mario

ção justamente qu.-inclo se descobrem nov;cs

costa por montanhas difíceis de

desse pais seja muito, precário, sa

ncoNòMiro

— em mais de 3.000.000 de toneladas de

Seria muito útil que se esclarecesse a

nas ficam no interior, separadas da Sobre a Rússia, embora o conheamento sobre as condições internas

Digesto

das de Minas Gerais, e está longe dos nossos centros metalúrgicos de Minas, Rio e São Paulo. Pessoas ilc responsabilidade, mal infor madas, e os estudantes ainda sem um co

nhecimento das condições reais do País, admitem que a exportação de minério de manganês seja um atentado ao patrimônio da Nação. Considerando as reservas já co nhecidas, localizadas cm

Minas Gerais,

Mato Grosso. Bahia c Amapá — já não falando nas menores ocorrências de miné

rios mais pobres, em jazidas ainda não prospectadas em Santa Catarina, São Paulo. Sergipe, Ceará, Maranhão e Amazonas —• chega-se à conclusão de que temos, ju-stamente no manganês, uma das poucas re

servas minerais de grande vulto, capaz de satisfazer às necessidades da nossa crescen

te indústria metalúrgica e sobrar ainda para uma intensa exportação — fonte de divisas para compra de petróleo, trigo e carvão.

rior. Ora. uma nação que recebe

km., apenas pouco mais que o

mais do que dá e que precisa im portar energia sob as formas de carvão c petróleo não deve pug nar por uma política dc restrições

trajeto das minas .sul-africanas ao

à exportação de produtos que possui em Nas reuniões da Missão Abbink os a.s-

pectos nacional e internacional do proble

cm grande escala e numa fronreira inter

ma do manganês foram amplamente Jis-

nacional.

cutido.s, com a colaboração eficaz cios bra

Infelizmente, u campanira contra a ex portaçao dos minérios de manganês não

sileiros mais a par do assunto, e. posterior mente. no Conselho Nacional de Minas c

yisa o inte^resse do Brasil, mas apenas

Metalurgia, o tema tem sido considerado com. muita atenção, visando o interêsse

qualquer medida que,

nacional.

Atualmente as idéias se con

gregam para se considerar as reservas de

manganês de alto teor de Minas Gerais,

interesse

de

combu-fT

v •

ao nosso país, de qualquer modo'Ton"stiEntrctantü"seTôT

ficando as grandes reservas de Amapá c

^por9U^áo. sem deform::^^: ideias preconcebidas, chegar-se-á for-

de Mato Grosso destinadas especialmente

■

para a exportação.

As de Amapá, sobre a linha equatorial

mentar o mais possível as nossas exporta ções de manganês do Amapá e do Uru-

C) Diretor do Departamento Nacioiaal

cum, resguardando paja a siderurgia na cional os melhores depósitos de Minas

destinadas ao uso pela siderurgia nacional,

carregado de coordenar as medidas em

J

Ê do interesse nacional e dc boa geopolítica procurar exportar

o manganês do Urucum, de reservas muitas vezes maiores que as de Minas Gerais, si tuado numa zona longínqua, sem indústria

quantidades alem daquilo de que necessita.

da Produção Mineral e atualmente en

A única restrição a fazer seria baseada

porto de Durban.

benefício da produção nacional de carvão.

mente a conclusão de que se deve fo

Gerais.

Para nós, brasileiros, a expansão das


DlCibslU

IB

L((.)NOMIÍi>

Cuba, decresce de 144.000; no Brasil, de

cm 1945, como conseqüência dum gran

95.000; nos Estados Unidos, de 53.000; c em vários países da Europa o decrésci mo atinge 46.000 toneladas.

de esforço a produção de mincri«>s estratégicos, os Estados Unidos chegaram

A Índia é

um

forte

concorrente

do

Brasil no mercado de manganês devido ao volume das jazidas de alto teor e devido

ao fato de dispor de mão-de-obra a preço baixo e de estarem as jazidas em boas Con dições para a exportação.

a produzir 165.000 toneladas de minério de manganês, isto é, /fiais do qttg nos produzimos em 1949! Nossa produção baixou de 245-000 to neladas, em 1945. para 150.000 em 1949; c de fornecedores de 5.8 Çó da produção nacional, passamos a contribuir apenas

A Costa do Ouro tem reservas grandes, mas o minério é um tanto baixo, as jazi

com 3,1 %.

das não estão distantes do litoral e faz-se

razão de estarmos baixando nossa produ

um beneficiamento adequado, de modo <iuc íica cm condições de ser negociado inm vaníagem.

No Marrocos a produção quintuplicou nos últimos anos, não obstante a difi culdade no transporte, pois as mi

rescrvils dc niangaiiís no ürasil, conio as

boa qualidade, e, devido ao regimem lá os mercados do exterior e inundá-los com

mméno bom e barato, desorganizando a

produção dos outros fornecedores.

Em

bora essa possibilidade seja muito pro blemática e encontre oposição da parte das nações de regimem não-comunista. ela podara ser efetivada devido aos fatôres naturais e ao regimem de trabalho existente na Rússia.

Para o Brasil o mercado norte-ameri cano é muito interessante, já por ser êsse

país um comprador tradicional dos prin cipais produtos brasileiros, já porque de vemos ter com éle relações econômicas cada vez mais estreitas, em beneficio do

nosso próprio desenvolvimento. O quadro apresentado nos mostra que

tonelada's de manganês por ano (em

geográfica, pois esrão muito no interior do

1949) para vender no estrangeiro, esta mos exaurindo o solo dos nossos vizinhos

— Venezuela, Trinidad e Estados Unidos

Continente. O manganês de Urucum pode-

ra sair pelo rio Paraguai e rio da Prata até o porto dc- Montevidéu, ou. por via cerres tre. pelas estradas Noroeste e Sorocabana ate o porto de Santos. A primeira via pa' rece a mais aconselhável, porém exige uma

grande frota do alvnren.uá.s adequadas m, no o quç representa um ^r.inde cdpltaj imobilizado. A segunda via não encon tra nas estradas de ferro capacidade de

mamente propícia à exportação para con

de.alguns países, era petróleo e carvão, de maior tonelagem que tôda a

transporte suficiente; o percurso

exportação nacional para o exte

ferroviário c da ordem de 1.4oo

O destino natural do

manganês do Amapá c o mercado

na América do Norte que as jazi

estabelecido, êsse país poderá invadir

deve ser invocado, porque nós, que des falcamos o patrimônio nacional de 150.000

fadadas a abastecer os mercados da Amé rica do Norte; e as dc Urucum, em Mato Grosso — as de maior volume no Brasil c dentre as de maior volume no mundo encontram certos obstáculos na posição

sumo no exterior.

transpor.

be-se que lá se encontram colossais reser

c não longe da foz do Amazonas, estão

Brasil está esgotando anualmente o solo

externo, pois êle está muito mais próximo dos centros dc consumo

vas de minério de manganês de muito

no fato de ser o manganês uma riqueza

Pinto (•) em conferência recente, o

do Amapá, cuja posição geográfica é su

19

natural não renovável; o que é retirado vai desfalcar definitivamente o patrimônio nacional. Êsse princípio, entretanto, não

petróleo anualmente, para nos podermos expandir industrialmente. Como pô.s cm evidencia n dr. Mario

ção justamente qu.-inclo se descobrem nov;cs

costa por montanhas difíceis de

desse pais seja muito, precário, sa

ncoNòMiro

— em mais de 3.000.000 de toneladas de

Seria muito útil que se esclarecesse a

nas ficam no interior, separadas da Sobre a Rússia, embora o conheamento sobre as condições internas

Digesto

das de Minas Gerais, e está longe dos nossos centros metalúrgicos de Minas, Rio e São Paulo. Pessoas ilc responsabilidade, mal infor madas, e os estudantes ainda sem um co

nhecimento das condições reais do País, admitem que a exportação de minério de manganês seja um atentado ao patrimônio da Nação. Considerando as reservas já co nhecidas, localizadas cm

Minas Gerais,

Mato Grosso. Bahia c Amapá — já não falando nas menores ocorrências de miné

rios mais pobres, em jazidas ainda não prospectadas em Santa Catarina, São Paulo. Sergipe, Ceará, Maranhão e Amazonas —• chega-se à conclusão de que temos, ju-stamente no manganês, uma das poucas re

servas minerais de grande vulto, capaz de satisfazer às necessidades da nossa crescen

te indústria metalúrgica e sobrar ainda para uma intensa exportação — fonte de divisas para compra de petróleo, trigo e carvão.

rior. Ora. uma nação que recebe

km., apenas pouco mais que o

mais do que dá e que precisa im portar energia sob as formas de carvão c petróleo não deve pug nar por uma política dc restrições

trajeto das minas .sul-africanas ao

à exportação de produtos que possui em Nas reuniões da Missão Abbink os a.s-

pectos nacional e internacional do proble

cm grande escala e numa fronreira inter

ma do manganês foram amplamente Jis-

nacional.

cutido.s, com a colaboração eficaz cios bra

Infelizmente, u campanira contra a ex portaçao dos minérios de manganês não

sileiros mais a par do assunto, e. posterior mente. no Conselho Nacional de Minas c

yisa o inte^resse do Brasil, mas apenas

Metalurgia, o tema tem sido considerado com. muita atenção, visando o interêsse

qualquer medida que,

nacional.

Atualmente as idéias se con

gregam para se considerar as reservas de

manganês de alto teor de Minas Gerais,

interesse

de

combu-fT

v •

ao nosso país, de qualquer modo'Ton"stiEntrctantü"seTôT

ficando as grandes reservas de Amapá c

^por9U^áo. sem deform::^^: ideias preconcebidas, chegar-se-á for-

de Mato Grosso destinadas especialmente

■

para a exportação.

As de Amapá, sobre a linha equatorial

mentar o mais possível as nossas exporta ções de manganês do Amapá e do Uru-

C) Diretor do Departamento Nacioiaal

cum, resguardando paja a siderurgia na cional os melhores depósitos de Minas

destinadas ao uso pela siderurgia nacional,

carregado de coordenar as medidas em

J

Ê do interesse nacional e dc boa geopolítica procurar exportar

o manganês do Urucum, de reservas muitas vezes maiores que as de Minas Gerais, si tuado numa zona longínqua, sem indústria

quantidades alem daquilo de que necessita.

da Produção Mineral e atualmente en

A única restrição a fazer seria baseada

porto de Durban.

benefício da produção nacional de carvão.

mente a conclusão de que se deve fo

Gerais.

Para nós, brasileiros, a expansão das


DicnsTO Econômico

20

Cruzeiro

explorações na Índia c na África do Sul

esforço, çssc minério poderá satisfazer a

vem diminuir as possibilidades de forne

grande parte das necessidades do país.

cimentos grandes a preços vantajosos. No

Como o desenvolvimento da técnica é pro

vas minas em exploração farão necessaria

gressivo e não pode ser estacado por in

mente baixar os preços, em função da lei da oferta e da procura. De outro lado, o desenvolvimento da técnica de beneficiamento de minérios

teresses regionais, mormente de países de

\/OLTAM os meios financeiros e econó-

pouca projeção internacional, e como as

micos brasileiros a preocupar-se com

pobres, nos Estados Unidos, tende a aumentar a produção própria de man ganês

no

maior

centro

de

consumo.

Há muito que o U. S. Bureau of Mi

nes, nas suas estações experimentais, se empenha em beneficiar economicamente

os rninérios baixos. Os ensaios com os minérios do Tennessee têm sido numero sos e no Estado de Montana, onde há enormes reservas de minério muito pobre

ja se beneficia em escala industrial, pro duzindo um minério mais rico que o importado e muito procurado pelos con sumidores.

O elevado índice de produção interna de manganês nos Estados Unidos,'em 1945, mostra que, mediante um grande

o problema da paridade cambial do cru

necessidades do mercado, qualquer restri ção que se faça, aqui no Brasil, à expor tação de manganês de alto teor, tende a apressar a mise au poiiil de métodos de

zeiro cm relação ao dólar americano. Co

câmbio atualmente vigente se elevam e

beneficiamento dos minérios pobres, e,'

se espraiam até alcançar os meios oficiais,

consequentemente, tende a desvalorizar os

que reagem c desmentem qualquer pro jeto nesse sentido. Os argumentadorcs

mo ondas periódicas, as opiniões que fa vorecem a idéia de quebrar o padrão de

Essas considerações devem ser postas cm evidência para que se conduza a bom

que defendem essa tese da redução cam

termo a nossa política econômica, no que

tes.

diz respeito ao manganês, visando o nosso interesse, com o perfeito conliccimcnto

tável saber c prestígio, sustentam a cam

do panorama internacional.

O Brasil não é o único país que tem

Dólar

Aldo M. Azevedo

pesquisas são sempre fomentadas pelas

minérios ricos do Brasil.

e

bial do cruzeiro são prolixos e persisten

Alguns deles, homens de incontes

panha com honestidade, encarando a questão nos seus diversos aspectos, com destaque daqueles que mais afirmam as

manganês e precisa ter as simpatias das

vantagens da desvalorização cambial. Ea-

outras nações pata receber o petróleo c

zcm-no, é certo, nã' maior boa-fé, sem co

o carvão, de que tanto necessita para a manutenção dum elevado padrão industrial.

gitar dos reflexos possíveis nos seus pró prios negócios. Diante de homens dessa envergadura, confesso-me constrangido ao

vir opor minha desvaliosa opinião e meus argumentos. Se o faço, é unicamente porque tenho certeza de que meus dignos contendores

também reconhecem minha

perfeita boa-fé, o meu absoluto alheamen-

to de qualquer conseqüência de ordem

ro ao dólar norte-americano é uma deci

são relativamente recente, tomada após a grande crise de 1929-I9.Í3, quando o ca fé, juntamente com outros produtos mun- •

dialmente cotados, teve seus preços des moronados repentinamente. A situação do café na economia brasileira era de tal ordem que um dos nossos mais inteligen tes jornalistàs chegou a declarar que a" revoluç<ão de 1930 fôra ganha pelo "Gene ral Café". Êsse período crítico da eco nomia brasileira marca realmente um di visor de águas, cada vez mais caracteriza do pelo predomínio da influência nõrteannericana, no nosso comércio externo, em detrimento dos negócios europeus. Pas sou o Brasil, muito logicamente, a aferir sua moeda não mais pela libra esterlina (que, então, já havia sofrido uma grande desvalorização) mas pelo dólar. A úl tima guerra mundial veio consolidar defi nitivamente essa aliança monetária.

Segundo as últimas estatísticas oficiais 60 % de nossas exportações de 1949 se destinaram às áreas das moedas conversí veis, vale "dizer, dólar, escudo e franco loio" T'""' de 1949, a metade se exportações vendeu para totais os Esta

igualmente de boa-fé; não são conseqüen

dos Unidos da América do Norte, 'dq lado da importação, as relações são um pouco diferentes: ^ um pouquinho me nos de 60% provieram das áreas das

tes de minha situação particular no mun do dos negócios; nem de longe influen

Estados Unidos cerca de 40 %

ciados por motivos de ordem material.

corrente de 1950, a proporção se modifi-

particular no decidir tão importante ques

tão. Meus argumentos poderiam ser ofe recidos por qualquer outro brasileiro

Àntes, porém, de apresentar a questão

moedas fortes, sendo que recebemos dos ' No ano

cou ainda mais a favor das exportações

do valor cruzeiro-dólar, é preciso relem

para os Estados Unidos, devido à alta de

brar alguns fatos históricos. Como é sa

preços do café.

bido, desde os tempos imperiais, a moe-

mos esperar um saído de moedas conver

"da brasileira tinha como referência a li

bra esterlina.

Por conseguinte, deve

síveis superior ao do ano passado.

A "ancoragem" do.cruzei rtdiWihi-' -"i


DicnsTO Econômico

20

Cruzeiro

explorações na Índia c na África do Sul

esforço, çssc minério poderá satisfazer a

vem diminuir as possibilidades de forne

grande parte das necessidades do país.

cimentos grandes a preços vantajosos. No

Como o desenvolvimento da técnica é pro

vas minas em exploração farão necessaria

gressivo e não pode ser estacado por in

mente baixar os preços, em função da lei da oferta e da procura. De outro lado, o desenvolvimento da técnica de beneficiamento de minérios

teresses regionais, mormente de países de

\/OLTAM os meios financeiros e econó-

pouca projeção internacional, e como as

micos brasileiros a preocupar-se com

pobres, nos Estados Unidos, tende a aumentar a produção própria de man ganês

no

maior

centro

de

consumo.

Há muito que o U. S. Bureau of Mi

nes, nas suas estações experimentais, se empenha em beneficiar economicamente

os rninérios baixos. Os ensaios com os minérios do Tennessee têm sido numero sos e no Estado de Montana, onde há enormes reservas de minério muito pobre

ja se beneficia em escala industrial, pro duzindo um minério mais rico que o importado e muito procurado pelos con sumidores.

O elevado índice de produção interna de manganês nos Estados Unidos,'em 1945, mostra que, mediante um grande

o problema da paridade cambial do cru

necessidades do mercado, qualquer restri ção que se faça, aqui no Brasil, à expor tação de manganês de alto teor, tende a apressar a mise au poiiil de métodos de

zeiro cm relação ao dólar americano. Co

câmbio atualmente vigente se elevam e

beneficiamento dos minérios pobres, e,'

se espraiam até alcançar os meios oficiais,

consequentemente, tende a desvalorizar os

que reagem c desmentem qualquer pro jeto nesse sentido. Os argumentadorcs

mo ondas periódicas, as opiniões que fa vorecem a idéia de quebrar o padrão de

Essas considerações devem ser postas cm evidência para que se conduza a bom

que defendem essa tese da redução cam

termo a nossa política econômica, no que

tes.

diz respeito ao manganês, visando o nosso interesse, com o perfeito conliccimcnto

tável saber c prestígio, sustentam a cam

do panorama internacional.

O Brasil não é o único país que tem

Dólar

Aldo M. Azevedo

pesquisas são sempre fomentadas pelas

minérios ricos do Brasil.

e

bial do cruzeiro são prolixos e persisten

Alguns deles, homens de incontes

panha com honestidade, encarando a questão nos seus diversos aspectos, com destaque daqueles que mais afirmam as

manganês e precisa ter as simpatias das

vantagens da desvalorização cambial. Ea-

outras nações pata receber o petróleo c

zcm-no, é certo, nã' maior boa-fé, sem co

o carvão, de que tanto necessita para a manutenção dum elevado padrão industrial.

gitar dos reflexos possíveis nos seus pró prios negócios. Diante de homens dessa envergadura, confesso-me constrangido ao

vir opor minha desvaliosa opinião e meus argumentos. Se o faço, é unicamente porque tenho certeza de que meus dignos contendores

também reconhecem minha

perfeita boa-fé, o meu absoluto alheamen-

to de qualquer conseqüência de ordem

ro ao dólar norte-americano é uma deci

são relativamente recente, tomada após a grande crise de 1929-I9.Í3, quando o ca fé, juntamente com outros produtos mun- •

dialmente cotados, teve seus preços des moronados repentinamente. A situação do café na economia brasileira era de tal ordem que um dos nossos mais inteligen tes jornalistàs chegou a declarar que a" revoluç<ão de 1930 fôra ganha pelo "Gene ral Café". Êsse período crítico da eco nomia brasileira marca realmente um di visor de águas, cada vez mais caracteriza do pelo predomínio da influência nõrteannericana, no nosso comércio externo, em detrimento dos negócios europeus. Pas sou o Brasil, muito logicamente, a aferir sua moeda não mais pela libra esterlina (que, então, já havia sofrido uma grande desvalorização) mas pelo dólar. A úl tima guerra mundial veio consolidar defi nitivamente essa aliança monetária.

Segundo as últimas estatísticas oficiais 60 % de nossas exportações de 1949 se destinaram às áreas das moedas conversí veis, vale "dizer, dólar, escudo e franco loio" T'""' de 1949, a metade se exportações vendeu para totais os Esta

igualmente de boa-fé; não são conseqüen

dos Unidos da América do Norte, 'dq lado da importação, as relações são um pouco diferentes: ^ um pouquinho me nos de 60% provieram das áreas das

tes de minha situação particular no mun do dos negócios; nem de longe influen

Estados Unidos cerca de 40 %

ciados por motivos de ordem material.

corrente de 1950, a proporção se modifi-

particular no decidir tão importante ques

tão. Meus argumentos poderiam ser ofe recidos por qualquer outro brasileiro

Àntes, porém, de apresentar a questão

moedas fortes, sendo que recebemos dos ' No ano

cou ainda mais a favor das exportações

do valor cruzeiro-dólar, é preciso relem

para os Estados Unidos, devido à alta de

brar alguns fatos históricos. Como é sa

preços do café.

bido, desde os tempos imperiais, a moe-

mos esperar um saído de moedas conver

"da brasileira tinha como referência a li

bra esterlina.

Por conseguinte, deve

síveis superior ao do ano passado.

A "ancoragem" do.cruzei rtdiWihi-' -"i


wmmmn DIGESTO I-f-ONÓMlCO

22

Os argumentos que procuram justificar

a alteração da relação cruzeíro/dólar po dem ser resumidos assim:

incluindo ou não os artigos importados

cora isenção aduaneira.) ; — o dólar é vendido no "i.iercado

DIGHSTO

ECONÓMIt.O

gar que o cruzeiro não perdeu valor no

creio que não há melhor índice para a comparado do valor das moedas do que

mercado interno.

o preço de um homem-hora de trabalho.

1° — Seria perfeitamente ridículo ne Basta olhar para os ín

1 — o cruzeiro perdeu no. mercado interno cerca de 70 % de seu valor de

negro", abertamente, por 30 ou 34 cruzei ros, conforme a época. Esse "fato in

1939; enquanto que o dólar teve uma per da de apenas 40 % no mesmo período decenal. Por conseguinte — dizem os

contestável" serve para dar uma "idéia real" do valor do cfuzeiro em relaç'o ao dólar. Os jornais publicam frequmtc-

que defendem a tese da quebra do padrão

menre as cotações das moedas no mei.ado

cambial — o dólar deveria valer o dôbro

1939 para 19-19. Do mesmo modo, nin guém poderia negar, em face dos índices

do que valia antes. Matemàticamcnte. o

livre de Zurich, onde o cruzeiro ap3''ece

americanos, que o próprio dólar — a moe

quase sempre com perda de 35 a 4P %

raciocínio se expressa assim: — o' cru

do seu valor oficial;

da mais sólida do mundo — perdeu va lor durante aquele período de tempo.

zeiro vale agora 30 % do que valia e o

dólar vale 60 % de seu valor" anterior; 2.° — devido à perda de valor da moeda brasileira

5-° — como o principal produto da cxportação brasileira é o café, e há atual mente

uma

deficiência

da

produção mundial, a mu dança da taxa do câmbio

no mercado interno, os sa

dices de preços, ou de custo da vida e dos salários, para concluir sem a menor dú vida: — houve uma depreciação real de cerca de 70 % na moeda brasileira, de

Mas, é aqui que está o ponto fraco do ar

gumento dos

"desvalorízadores do cru

zeiro" : — como afirmar que o ano base — 1939 — representa verdadeiramente

Se as moedas têm cotação diferente num e noutro país, numa ou noutra época

homens são sempre homens, com suas ne cessidades de alimentação, vestuário, habitaçao e família. Por que, então, per gunto eu, nao partir do valor dos salários

para obter a paridade entre duas moedas^

Dirao : — a produtividade de um operá

rio americano e muitíssimo superior à

nossa... Nao há dúvida. Mas, enrão o remedio é melhorar a nossa produtivida de.. . (O IDORTesráaí há quase vinte anos clamando pela racionalização da pro

um período de "paridade" das duas moe

dução brasileira, ..) Por conseguinte, ês-

não reduzirá o valor-dólar

das ? Quem provou que os índices 100

se argumento dos altos salários (?) bra

de nossa famosa rubiácea.

da economia brasileira correspondiam de

sileiros é válido apenas para concluir •

fato aos índices 100 da economia norte-

devemos aumentar a produtividade "per

americana

países em que a deprecia

Por conseguinte, passando o dólar a valer Cr$ 37,00 (o dôbro da atual cotação ofi

ção monetária foi menos

cial) iria a .saca de café va

acentuada. Isso tem impedido que o Bra-

ler

Cr$ 2.500,00, desde

estamos fazendo uma afirmação relativa a uma referência certa, que é o valor bra

capita" do brasileiro, em todos os seto res... Essa providência, que implica em múltiplas medidas que não cabe agora re latar, forçará a baixa do custo de nossa

lários no Brasil subiram muito, aumentando assim consideravelmente o custo

da produção nacional em

confronto com a de outros

1 exporte seus produtos pelos preços do

Quando dizemos que a moe

da brasileira perdeu 70 % de seu valor,

Que pressupomos"^não haver modificado

sileiro básico. Do mesmo modo, quando

produção. Aliás, paralelamente, é preciso

mercado internacional;

de sua cotação na Bôlsa de Nova York.

dizemos que o dólar perdeu 40 % de seu

que os nossos dirigentes de emprêsas

3." — com a elevação do valor do dóiar em_ unidades de nossa moeda, as im portações de artigos supérfluos — devido

Por outras palavras, continuaríamos a re ceber o mesmo número de dólares por sa ca de café exportado, como presentemente;

valor, estamo-nos referindo ao valor do

aprendam a trabalhar com margem de lu

dólar anterior. Considero um abuso ou

cro pequena: _ ela reduz o preço das coisas e e um permanente estímulo para

ao encarecimento em cruzeiros

seriam

reduzidas automaticamente. Criaríamos

assim, por intermédio da moeda, uma bar-' retra as importações, já que as nossas ta

rifas alfandegarias, na maioria dos casos incidentes especificamente em cruzeiros 'nada representam em relação aó valor das mercadorias. De fato, os direitos cobrados nas aduanas, que tradicionalmente eram superiores a 25 % do valor dos pro dutos importados, hoje estão bem abaixo de 20 %, chegando alguns a afirmar que não chegam a 10%. (Essa divergência de percentagens é explicada devido à for

ma de calcular os direitos globalmente,

— o custo da vida brasileiro não

seria afetado sensivelmente, porque a im portância dos produtos de importação na formação desse custo não é significativa. Ademais, se se desse uma elevação desse custo da vida, não seria imediatamente,

mas dar-se-ia a longo prazo. Outros argumentos porventura esque cidos nessa síntese não são preponderantes.

Vejamos imparcialmente tudo, analisan

do um por um e contrapondo os argu mentos daqueles que, como eu, vêm de fendendo a política da manutenção da atual taxa cambial cruzeiro/dólar.

uma inadvertência comparar os dois índi ces e fazer interpolações com eles. Ca

da um só serve de referência para o seu caso particular, isto é, úm para o Brasil e outro para os Estados Unidos. Agora, se

fòsse possível provar — e duvido que o façam — que no ano de 1939 havia rigo rosa paridade cambial entre o cruzeiro e

o dólar, então o argumento dos índices de

manter afiada a organização. Se comoa rarmos o salano médio de nm americano, de cêrca de USSl.OO 00^""° com o nosso, verificaremos que 1 atual paridade cambial «ando menos da metade do que^°'

srduaip^rr^^/f^^-irs;

poder aquisitivo interno das respectivas moedas teria realmente algum valor. (1).

2.° — Os que argumentam cora a ele vação "exagerada" dos salários no Brasil, para justificar' a quebra do padrão cam

bial vigente, não gostam de lembrar-se de comparar os salários brasileiros e ameri canos para iguais funções.. .

grande falha de seu raciocínio,

E' uma

porque

americano seria remunerado mais alta mente do que o brasileiro em cerca de cinco vêzes. . . (Então, teríamos a paridade cambial das duas moedas !. ..) Outro ponto : — a questão da expor tação dos produtos brasileiros. Evidente-


wmmmn DIGESTO I-f-ONÓMlCO

22

Os argumentos que procuram justificar

a alteração da relação cruzeíro/dólar po dem ser resumidos assim:

incluindo ou não os artigos importados

cora isenção aduaneira.) ; — o dólar é vendido no "i.iercado

DIGHSTO

ECONÓMIt.O

gar que o cruzeiro não perdeu valor no

creio que não há melhor índice para a comparado do valor das moedas do que

mercado interno.

o preço de um homem-hora de trabalho.

1° — Seria perfeitamente ridículo ne Basta olhar para os ín

1 — o cruzeiro perdeu no. mercado interno cerca de 70 % de seu valor de

negro", abertamente, por 30 ou 34 cruzei ros, conforme a época. Esse "fato in

1939; enquanto que o dólar teve uma per da de apenas 40 % no mesmo período decenal. Por conseguinte — dizem os

contestável" serve para dar uma "idéia real" do valor do cfuzeiro em relaç'o ao dólar. Os jornais publicam frequmtc-

que defendem a tese da quebra do padrão

menre as cotações das moedas no mei.ado

cambial — o dólar deveria valer o dôbro

1939 para 19-19. Do mesmo modo, nin guém poderia negar, em face dos índices

do que valia antes. Matemàticamcnte. o

livre de Zurich, onde o cruzeiro ap3''ece

americanos, que o próprio dólar — a moe

quase sempre com perda de 35 a 4P %

raciocínio se expressa assim: — o' cru

do seu valor oficial;

da mais sólida do mundo — perdeu va lor durante aquele período de tempo.

zeiro vale agora 30 % do que valia e o

dólar vale 60 % de seu valor" anterior; 2.° — devido à perda de valor da moeda brasileira

5-° — como o principal produto da cxportação brasileira é o café, e há atual mente

uma

deficiência

da

produção mundial, a mu dança da taxa do câmbio

no mercado interno, os sa

dices de preços, ou de custo da vida e dos salários, para concluir sem a menor dú vida: — houve uma depreciação real de cerca de 70 % na moeda brasileira, de

Mas, é aqui que está o ponto fraco do ar

gumento dos

"desvalorízadores do cru

zeiro" : — como afirmar que o ano base — 1939 — representa verdadeiramente

Se as moedas têm cotação diferente num e noutro país, numa ou noutra época

homens são sempre homens, com suas ne cessidades de alimentação, vestuário, habitaçao e família. Por que, então, per gunto eu, nao partir do valor dos salários

para obter a paridade entre duas moedas^

Dirao : — a produtividade de um operá

rio americano e muitíssimo superior à

nossa... Nao há dúvida. Mas, enrão o remedio é melhorar a nossa produtivida de.. . (O IDORTesráaí há quase vinte anos clamando pela racionalização da pro

um período de "paridade" das duas moe

dução brasileira, ..) Por conseguinte, ês-

não reduzirá o valor-dólar

das ? Quem provou que os índices 100

se argumento dos altos salários (?) bra

de nossa famosa rubiácea.

da economia brasileira correspondiam de

sileiros é válido apenas para concluir •

fato aos índices 100 da economia norte-

devemos aumentar a produtividade "per

americana

países em que a deprecia

Por conseguinte, passando o dólar a valer Cr$ 37,00 (o dôbro da atual cotação ofi

ção monetária foi menos

cial) iria a .saca de café va

acentuada. Isso tem impedido que o Bra-

ler

Cr$ 2.500,00, desde

estamos fazendo uma afirmação relativa a uma referência certa, que é o valor bra

capita" do brasileiro, em todos os seto res... Essa providência, que implica em múltiplas medidas que não cabe agora re latar, forçará a baixa do custo de nossa

lários no Brasil subiram muito, aumentando assim consideravelmente o custo

da produção nacional em

confronto com a de outros

1 exporte seus produtos pelos preços do

Quando dizemos que a moe

da brasileira perdeu 70 % de seu valor,

Que pressupomos"^não haver modificado

sileiro básico. Do mesmo modo, quando

produção. Aliás, paralelamente, é preciso

mercado internacional;

de sua cotação na Bôlsa de Nova York.

dizemos que o dólar perdeu 40 % de seu

que os nossos dirigentes de emprêsas

3." — com a elevação do valor do dóiar em_ unidades de nossa moeda, as im portações de artigos supérfluos — devido

Por outras palavras, continuaríamos a re ceber o mesmo número de dólares por sa ca de café exportado, como presentemente;

valor, estamo-nos referindo ao valor do

aprendam a trabalhar com margem de lu

dólar anterior. Considero um abuso ou

cro pequena: _ ela reduz o preço das coisas e e um permanente estímulo para

ao encarecimento em cruzeiros

seriam

reduzidas automaticamente. Criaríamos

assim, por intermédio da moeda, uma bar-' retra as importações, já que as nossas ta

rifas alfandegarias, na maioria dos casos incidentes especificamente em cruzeiros 'nada representam em relação aó valor das mercadorias. De fato, os direitos cobrados nas aduanas, que tradicionalmente eram superiores a 25 % do valor dos pro dutos importados, hoje estão bem abaixo de 20 %, chegando alguns a afirmar que não chegam a 10%. (Essa divergência de percentagens é explicada devido à for

ma de calcular os direitos globalmente,

— o custo da vida brasileiro não

seria afetado sensivelmente, porque a im portância dos produtos de importação na formação desse custo não é significativa. Ademais, se se desse uma elevação desse custo da vida, não seria imediatamente,

mas dar-se-ia a longo prazo. Outros argumentos porventura esque cidos nessa síntese não são preponderantes.

Vejamos imparcialmente tudo, analisan

do um por um e contrapondo os argu mentos daqueles que, como eu, vêm de fendendo a política da manutenção da atual taxa cambial cruzeiro/dólar.

uma inadvertência comparar os dois índi ces e fazer interpolações com eles. Ca

da um só serve de referência para o seu caso particular, isto é, úm para o Brasil e outro para os Estados Unidos. Agora, se

fòsse possível provar — e duvido que o façam — que no ano de 1939 havia rigo rosa paridade cambial entre o cruzeiro e

o dólar, então o argumento dos índices de

manter afiada a organização. Se comoa rarmos o salano médio de nm americano, de cêrca de USSl.OO 00^""° com o nosso, verificaremos que 1 atual paridade cambial «ando menos da metade do que^°'

srduaip^rr^^/f^^-irs;

poder aquisitivo interno das respectivas moedas teria realmente algum valor. (1).

2.° — Os que argumentam cora a ele vação "exagerada" dos salários no Brasil, para justificar' a quebra do padrão cam

bial vigente, não gostam de lembrar-se de comparar os salários brasileiros e ameri canos para iguais funções.. .

grande falha de seu raciocínio,

E' uma

porque

americano seria remunerado mais alta mente do que o brasileiro em cerca de cinco vêzes. . . (Então, teríamos a paridade cambial das duas moedas !. ..) Outro ponto : — a questão da expor tação dos produtos brasileiros. Evidente-


Dir.i;"íTf) rto.NoNUro

24

DicnsTo

mente, se mcxlificarmos a taxa cambiai de

•modo que o dólar passe a custar oficial mente CrS 57,00, muitos arti^tos da pro dução brasileira poderiam alcançar os mer cados internacionais,

rendendo unidades

monetárias de nossa moeda em quantida de suficiente para pai;ar os atuais salários

e dar boa margem de lucro. Mas e isso parece ser esquecido — essas mes

mas mercadorias dariam ao Brasil e aos

brasileiros menos dólares do que elas real mente custaram, vale dizer, menos mer

cadorias de importação. Ora, o comércio

internacional — isso é tão elementar que me constrange mencionar — é feito m'^-

diante permuta de produtos,

produtos

provenientes do trabalho nacional de ca

tia promover uma revisão de nossas fari

as aduaneiras obsoletas c anacrônicas... Por outro lado, a modificação da taxa de câmbio incidiria sobre todos os artigos de

importação, inclusive matérias-primas, má quinas c combustíveis, o que provocaria gravíssimas repercussiães na economia na cional. Pensemos somente na gasolina ao

preço de CrS 4,00 por litro, um caminhão a CrS 150.000,00. uma locomotiva a CrS 5.000.000,00 e por aí afora... E os tratores, os fusos, os adubos fosfatados e

salitre...

E' incrível que haja homens

sabidamente sensatos que preconizem tal calamidade.

Nesse ponto, ainda cabe desenvolver o

da pais. Quando permutamos mais mer-

mesmo argumento de oposição à desva lorização referido anteriormente : —

nas estrangeiras - como seria o caso l

quando pagamos um preço mais elevado

cadonas brasileiras por menos mercado-

dendo°"^T° ~ realmente permais trabalho brasileiro- em troca de menos trabalho dos demais povos".

ainda por cima, que isso é que deve ser, que e bom negócio...) Nes sa questão, além disso., há a interrogação de saber como agirão as demais nações diante de uma desvalorização cambial' do cruzeiro; Os que argumentam a favor da

desvalorização de nossa moeda nos mer cados internacionais se esquecem ou fin

pelo produto estrangeiro

—

vale dizer,

pelo trabalho alheio — estamos deprecian

do o "nosso trabalho", isto é, a fonte de

nossa produção, que é remunerada na ba se da "nossa moeda". Se exportarmos mais produtos brasileiros (mais traballio

brasileiro) por menos dólares, por outro lado, importamos menos produtos estran geiros por mais cruzeiros... (E dizem

que é um "bom negócio"!..) (2).

A parcela de

gem ignomr que a era do liberalismo eco-

moeda trocada

nomico ,a esta ultrapassada, que os paí ses hoje em dia regulam seu comércio ex-

comparação com o volume de nosso co

terior (como nós o fazemos) c têm as respectivas moedas fixadas em valores ar bitrários (tal e qual como nós) A eco

no mercado negro, cm

mércio internacional,

é ridícula.

Ora,

ninguém de bom-senso poderia adotar co mo base do câmbio brasileiro, cm relação

ao dólar, a cotação

do mercado livre,

mais de 99 % das transações cam nomia é um processo "orgânico", cujos re-' quando biais se fazem pela taxa oficial. As co flexos e reações são parcialmente determi

nados pela vontade dos homens, coletiva mente.

3.° — O argumento é certamente váli do. Mas, se desejamos criar uma "barrei

rações do mercado livre de moedas são

determinadas

pelas maiores procuras ou

ofertas ocasionais, segundo o afluxo de turistas de uma ou outra nação. De mo

ra" às importações de artigos supérfluos

do que seria insensato seguir essa tabela de flutuações, que, às vezes, chegam a

ou de Juxo, deveríamos antes de mais na-

mais de 10 % de um dia para outro, con

25

forme as circunstâncias. . . Por ocasião do

mio" que a desvalorização daria aos pro

campeonato mundial de futebol, o cru zeiro teve sua cotação melhorada de 15 Çc ã vista da grande procura de turistas que vieram ao Brasil. . . Cotar a nossa moeda,

dutores nacionais, em detrimento da pró pria economia brasileira, como já vimos e como ainda será acentuado sob outros as

pectos não mencionados nos argumentos

base fundamental dc nossa economia, ao

dos que pretendem modificar a'paridade

sabor das flutuações do mercado negro de câmbio, seria uma perfeita insânia. (3). 5." — A afirmação de que, atualmente, a mudança de taxa do cruzeiro não aferava o valor em dólar do café, pode pre

cambial de nossa moeda. (4) contrário do que se afirma, o custo da vida seria grandemente afeta do logo apos a modificação da taxa dc

valecer, sem dúvida. Mas, a história da economia cafeeira demonstra cabalmente

que a baixa do câmbio brasileiro é sem pre seguida (outras condições mantidas) da baixa da cotação do café em dólares.

Supondo, entretanto, que na atua! con

juntura a cotação do café em Nova York seja mantida, verificaremos uma extraor

câmbio. Não só pelo reflexo dos preços das mercadorias de exportação (café em especial), como também pela inclusão de novos artigos exportáveis (tecidos açú car, madeiras etc.) à taxa desvalorizada cujos preços seriam elevados no mercado interno. Se se argumenta a favor da de preciação cambial justamente para favo recer a exportação de certos produtos na

cionais que não podem concorrer presen

dinária elevação de seus preços no merca do interno. Em teoria, eles duplicariam. Ora, se isso acontecesse, teríamos uma

temente no campo internacional

verdadeira convulsão no mercado interno

provoque uma elevação dos preços inter

dc trabalho, pois os agricultores de café poderiam elevar desmedidamente os sa lários agrícolas, desviando braços de ou tras lavouras para a cafeicultura. Tal mo vimento ocasionaria fatalmente uma alta

geral dos preços

— O argumento "mercado negro"

só tem valor psicológico.

Econômico

internos dos produtos

agrícolas, com reflexos certos nos preços dos artigos industriais e... alta do custo da vida. Ora, uma nova c acentuada al ta do custo da vida no Brasil corresponde realmente a uma nova desvalorização do cruzeiro no mercado interno, o que, por

•É /

•

-

«

• •

ç-r;.. Id,

ilogico nao admitir que essa exportação nos desses artigos. Por conseguinte a

elevação do custo da vida se daria pela açao conjugada de três fatores; —

mento dos preços dos artigos de importa çao, muitos dos quais essenciais à noss-i

economia: pela alta dos salários internos-

c pelo aumento dos preços dos aTtigos que ja exportamos ou que viremos a *

Mas, há outros aspectos, proposital ou

sua vez, e para sermos coerentes e lógi inconscientemente esquecidos como pas cos, deveria provocar nova desvalorização' saremos a observar Há • ? mn caso cio movimento ■ mo de 'Importantíssi da taxa cambial. .. "Ec si cette chanson capitais e de seus rendimentos de vous embête, nous allons Ia recommencef. .." Na verdade, se os preços do ca- '

ç- L

fé sofreram no ano próximo uma redu

ríamos afirmar, depois de realizada a alta

cruzei depreciaçãoprevaleceriam cambial do cruzeiro, duas condições sem duvida a influenciar esse movimento : l.ii — os capitais estrangeiros aqui aplicados — inclusive os empréstimos ex

dos salários agrícolas, com forçosos refle xos nos salários industriais. Eis o "prê

(em moeda estrangeira), ou ficariam com

ção, ela poderá ser suportada pelos pro dutores nacionais.

O mesmo não pode

Pims para outro,

ternos — teriam um rendimento menor


Dir.i;"íTf) rto.NoNUro

24

DicnsTo

mente, se mcxlificarmos a taxa cambiai de

•modo que o dólar passe a custar oficial mente CrS 57,00, muitos arti^tos da pro dução brasileira poderiam alcançar os mer cados internacionais,

rendendo unidades

monetárias de nossa moeda em quantida de suficiente para pai;ar os atuais salários

e dar boa margem de lucro. Mas e isso parece ser esquecido — essas mes

mas mercadorias dariam ao Brasil e aos

brasileiros menos dólares do que elas real mente custaram, vale dizer, menos mer

cadorias de importação. Ora, o comércio

internacional — isso é tão elementar que me constrange mencionar — é feito m'^-

diante permuta de produtos,

produtos

provenientes do trabalho nacional de ca

tia promover uma revisão de nossas fari

as aduaneiras obsoletas c anacrônicas... Por outro lado, a modificação da taxa de câmbio incidiria sobre todos os artigos de

importação, inclusive matérias-primas, má quinas c combustíveis, o que provocaria gravíssimas repercussiães na economia na cional. Pensemos somente na gasolina ao

preço de CrS 4,00 por litro, um caminhão a CrS 150.000,00. uma locomotiva a CrS 5.000.000,00 e por aí afora... E os tratores, os fusos, os adubos fosfatados e

salitre...

E' incrível que haja homens

sabidamente sensatos que preconizem tal calamidade.

Nesse ponto, ainda cabe desenvolver o

da pais. Quando permutamos mais mer-

mesmo argumento de oposição à desva lorização referido anteriormente : —

nas estrangeiras - como seria o caso l

quando pagamos um preço mais elevado

cadonas brasileiras por menos mercado-

dendo°"^T° ~ realmente permais trabalho brasileiro- em troca de menos trabalho dos demais povos".

ainda por cima, que isso é que deve ser, que e bom negócio...) Nes sa questão, além disso., há a interrogação de saber como agirão as demais nações diante de uma desvalorização cambial' do cruzeiro; Os que argumentam a favor da

desvalorização de nossa moeda nos mer cados internacionais se esquecem ou fin

pelo produto estrangeiro

—

vale dizer,

pelo trabalho alheio — estamos deprecian

do o "nosso trabalho", isto é, a fonte de

nossa produção, que é remunerada na ba se da "nossa moeda". Se exportarmos mais produtos brasileiros (mais traballio

brasileiro) por menos dólares, por outro lado, importamos menos produtos estran geiros por mais cruzeiros... (E dizem

que é um "bom negócio"!..) (2).

A parcela de

gem ignomr que a era do liberalismo eco-

moeda trocada

nomico ,a esta ultrapassada, que os paí ses hoje em dia regulam seu comércio ex-

comparação com o volume de nosso co

terior (como nós o fazemos) c têm as respectivas moedas fixadas em valores ar bitrários (tal e qual como nós) A eco

no mercado negro, cm

mércio internacional,

é ridícula.

Ora,

ninguém de bom-senso poderia adotar co mo base do câmbio brasileiro, cm relação

ao dólar, a cotação

do mercado livre,

mais de 99 % das transações cam nomia é um processo "orgânico", cujos re-' quando biais se fazem pela taxa oficial. As co flexos e reações são parcialmente determi

nados pela vontade dos homens, coletiva mente.

3.° — O argumento é certamente váli do. Mas, se desejamos criar uma "barrei

rações do mercado livre de moedas são

determinadas

pelas maiores procuras ou

ofertas ocasionais, segundo o afluxo de turistas de uma ou outra nação. De mo

ra" às importações de artigos supérfluos

do que seria insensato seguir essa tabela de flutuações, que, às vezes, chegam a

ou de Juxo, deveríamos antes de mais na-

mais de 10 % de um dia para outro, con

25

forme as circunstâncias. . . Por ocasião do

mio" que a desvalorização daria aos pro

campeonato mundial de futebol, o cru zeiro teve sua cotação melhorada de 15 Çc ã vista da grande procura de turistas que vieram ao Brasil. . . Cotar a nossa moeda,

dutores nacionais, em detrimento da pró pria economia brasileira, como já vimos e como ainda será acentuado sob outros as

pectos não mencionados nos argumentos

base fundamental dc nossa economia, ao

dos que pretendem modificar a'paridade

sabor das flutuações do mercado negro de câmbio, seria uma perfeita insânia. (3). 5." — A afirmação de que, atualmente, a mudança de taxa do cruzeiro não aferava o valor em dólar do café, pode pre

cambial de nossa moeda. (4) contrário do que se afirma, o custo da vida seria grandemente afeta do logo apos a modificação da taxa dc

valecer, sem dúvida. Mas, a história da economia cafeeira demonstra cabalmente

que a baixa do câmbio brasileiro é sem pre seguida (outras condições mantidas) da baixa da cotação do café em dólares.

Supondo, entretanto, que na atua! con

juntura a cotação do café em Nova York seja mantida, verificaremos uma extraor

câmbio. Não só pelo reflexo dos preços das mercadorias de exportação (café em especial), como também pela inclusão de novos artigos exportáveis (tecidos açú car, madeiras etc.) à taxa desvalorizada cujos preços seriam elevados no mercado interno. Se se argumenta a favor da de preciação cambial justamente para favo recer a exportação de certos produtos na

cionais que não podem concorrer presen

dinária elevação de seus preços no merca do interno. Em teoria, eles duplicariam. Ora, se isso acontecesse, teríamos uma

temente no campo internacional

verdadeira convulsão no mercado interno

provoque uma elevação dos preços inter

dc trabalho, pois os agricultores de café poderiam elevar desmedidamente os sa lários agrícolas, desviando braços de ou tras lavouras para a cafeicultura. Tal mo vimento ocasionaria fatalmente uma alta

geral dos preços

— O argumento "mercado negro"

só tem valor psicológico.

Econômico

internos dos produtos

agrícolas, com reflexos certos nos preços dos artigos industriais e... alta do custo da vida. Ora, uma nova c acentuada al ta do custo da vida no Brasil corresponde realmente a uma nova desvalorização do cruzeiro no mercado interno, o que, por

•É /

•

-

«

• •

ç-r;.. Id,

ilogico nao admitir que essa exportação nos desses artigos. Por conseguinte a

elevação do custo da vida se daria pela açao conjugada de três fatores; —

mento dos preços dos artigos de importa çao, muitos dos quais essenciais à noss-i

economia: pela alta dos salários internos-

c pelo aumento dos preços dos aTtigos que ja exportamos ou que viremos a *

Mas, há outros aspectos, proposital ou

sua vez, e para sermos coerentes e lógi inconscientemente esquecidos como pas cos, deveria provocar nova desvalorização' saremos a observar Há • ? mn caso cio movimento ■ mo de 'Importantíssi da taxa cambial. .. "Ec si cette chanson capitais e de seus rendimentos de vous embête, nous allons Ia recommencef. .." Na verdade, se os preços do ca- '

ç- L

fé sofreram no ano próximo uma redu

ríamos afirmar, depois de realizada a alta

cruzei depreciaçãoprevaleceriam cambial do cruzeiro, duas condições sem duvida a influenciar esse movimento : l.ii — os capitais estrangeiros aqui aplicados — inclusive os empréstimos ex

dos salários agrícolas, com forçosos refle xos nos salários industriais. Eis o "prê

(em moeda estrangeira), ou ficariam com

ção, ela poderá ser suportada pelos pro dutores nacionais.

O mesmo não pode

Pims para outro,

ternos — teriam um rendimento menor


DIGESTO ECONÓMIC»

26

um serviço de juros e amortização insu

portável (em cruzeiros) . Cumpre lem brar aqui o que tem acontecido aos gover

nos brasileiros,

bem como às empresas

particulares (por exemplo, o caso da Com

panhia Mojiana)

em conseqüência das

contínuas desvalorizações monetárias so

fridas no decorrer dos anos passados; 2.''* — os novos capitais

que não temessem

emigrar para o Brasil viriam adquirir aqui, a preço de pechincha, propriedades brasileiras, fazendas, fábricas etc. Em am

bos os casos, a economia nacional seria profundamente prejudicada. Êsse as pecto do problema ainda pode ser exami

nado a luz da desigualdade a que fica submetido o capitalista brasileiro, ao ter roaquinismos por uma quan-

duzidos, inclusive os salários, que são a fonte propulsora das inflações, em fase di nâmica. Ora, uma depreciação do cru zeiro em relação ao dólar americano, em hora crucial como esta, viria acelerar a in flação monetária, ao invés de refreá-la. .. Os sintomas do novo surto inflacionário

são bem evidentes já. e se pretendemos opor-llie algum obstáculo deveremo.s- agir imediatamente.

Mas.

se,

ao contrário,

desejamos colaborar na sua obra de des truição econômica, então desvalorizemos o

cruzeiro em relação ao dólar. . . Vende remos o trabalho brasileiro a preços ín fimos nos mercados internacionais, e vol

taremos, dentro de pouco tempo, às emo cionantes espirais de preços, com conse

DlGHSTO

ECONÔMICO

em 1912, a taxa do dólar deveria ser re duzida de CrS 18.50 a CrS 11,90 — altera

que estéve na Argentina (julho de 1950)

ção que ninguém aconselhará, mas que

rir dólares a CrS 22.00 no mercado livre de lá. Essa anomalia serve para mos trar que o mercado de câmbio livre não

mosira o equi .^oco das sugestões no sen tido oposto". (2) — A C( mpensação no comércio exterior brasileiro veio mostrar ao vivo

o

que acontace com

a

desvalorização

cambial da moeda. Cada vez que um exportador brasileiro adquire aqui ma cionais por um valor cambial menor, critd rcclrr.c .to quebrando o padrão es tabelecido, i)ara pagar a mercadoria es trangeira p.)!- mais cruzeiros, cu, se quiserem, para receber pela mercado ria brasileiia menos unidades monetá

rias do que seria recebido pela taxa de câmbio ofichl,

Uma parte considerável

da exportação brasileira para países de moedas fraca.; (bloco esterlino) está sen

do feita nessa base de compensação, me diante a expoi tação "barata" de produ tos "caros", COMO tecidos, arroz, madei

ra etc.

Na verdade, porém_. o que esta-

qüentes reajustamentos de salários. . . Tu

mds fazendo 6 un;a transaçao desfavorá

do como em 1943 e anos seguintes.

vel, uma troca de produtos, dando ao outro uma "verta", ci-mo diz o caipirp.

aqui viesse com dólares no bolso.

Sinceramente, não acredito .que seja es se o desejo daqueles que defendem a que

*

❖

*

A atual conjuntura mundial (e espe cialmente brasileira) é de novo surto Z

flacionano. Creio que devemos tudo fasas condições monetárias, agora, como nos anos da ultima guerra, inclinadas às emis^er para contrariar essa tendência de nos

bra do padrão monetário brasileiro. ■ fl) — Como é sabido, cada moeda va

ie sòmente em função do que ela pode adquirir no próprio país. Essa afirma ção é um dos mais fortes argumentos da corrente que pleiteia a quebra do atual padrão cambial. No caso do Brasil, co mo veremos mais adiante, seu comércio

exterior é principalmente

fundado na

exportação de café, mercadoria que va

necessidades do Banco

le, para os americanos, o suficiente pa

jLr ^^"isição cambiais em dólares, eu,os' saldos vêm denum crescendo

cada saca. ou sejam USS 62.50. O ame

impressionante), ou para cobrir os "de-

fic.ts do orçamento, cuja previsão ofi cial anda acima de 5 biiiões de cruzeiros. Em tal emergência, é dever de todos nos colaborar com o Govêrno da União no sentido de refrear tanto quanto possí vel a tendência a novo ciclo de inflação cuja força já é sensível em todos os meios! Para colaborar efetivamente para um tão

patriótico objetivo — que visa precipua-

ra que ôles a adquiram por Cr$ 1.250.00 ricano "sente" o valor do cruzeiro em função das mercadorias brasileiras que o próprio cruzeiro compra. "Mutatis mulandis" se verifica cm relação ao dó lar, como o sente o brasileiro, isto é. tendo em vista o que o dólar pode ad quirir

nos Estados Unidos.

Ora. sendo

assim, 6 dificílimo, se não impossível, querer estabelecer uma "paridade" real

entre moedas que são referidas a pon tos diversos, ou melhor, a diferentes estalões.

Já estava sendo impresso êste artigo quando a

CONJUNTURA

ECONÔMICA,

de setembro último, publicou um traba lho

intitulado "RENDIMENTO

DO

CA

mente defender a economia brasileira de males irreparáveis — cada qual deve agir

PITAL E DEPRECIAÇÃO DA MOEDA",

para que os preços sejam mantidos ou re-«

tuir, por exemplo, a paridade do poder

que assim conclui: —- "A fim de resiide compra das

duos

moedas

existente

e argumento.

A circunstância de haver

J^irn de H °^<^rtas de na dólares e grande pro cura cruzeu-os Argentina provocou

essa^ cotaçao favorável à moed^a bíasU

deira o a vende nos mercados interna

to com o capitalista estrangeiro que para

idade dupla de cruzeiros... em confron

s"»"P»eso, que poderia adqui

(3) — Há pouco tempo um

bras'!eiro

espalhafatoso do benadoi Gillette provocou forte reanSr,

cou demonstrado que o no^o

obstante a taxa cambial

'í

menlo de preço maior (êm moeí^^am"" ricana) do que a maior ?aiS dos íí tados Unidos. Eis umraf^VmLf 'essante. porque ela vem demSn^rf,•lue:- l.o) não estamos cobrando gos de alimentação produzido»!

masiadamente pelo nosso princiOAi

duto, em dólares ;

2.0) a taxn

atual é bem indicada. considerSído que o preço do café em cruzeiros ?emn

nera bem os produtores e que o cSé I o principal produto de exportação os Estados Unidos.

Para


DIGESTO ECONÓMIC»

26

um serviço de juros e amortização insu

portável (em cruzeiros) . Cumpre lem brar aqui o que tem acontecido aos gover

nos brasileiros,

bem como às empresas

particulares (por exemplo, o caso da Com

panhia Mojiana)

em conseqüência das

contínuas desvalorizações monetárias so

fridas no decorrer dos anos passados; 2.''* — os novos capitais

que não temessem

emigrar para o Brasil viriam adquirir aqui, a preço de pechincha, propriedades brasileiras, fazendas, fábricas etc. Em am

bos os casos, a economia nacional seria profundamente prejudicada. Êsse as pecto do problema ainda pode ser exami

nado a luz da desigualdade a que fica submetido o capitalista brasileiro, ao ter roaquinismos por uma quan-

duzidos, inclusive os salários, que são a fonte propulsora das inflações, em fase di nâmica. Ora, uma depreciação do cru zeiro em relação ao dólar americano, em hora crucial como esta, viria acelerar a in flação monetária, ao invés de refreá-la. .. Os sintomas do novo surto inflacionário

são bem evidentes já. e se pretendemos opor-llie algum obstáculo deveremo.s- agir imediatamente.

Mas.

se,

ao contrário,

desejamos colaborar na sua obra de des truição econômica, então desvalorizemos o

cruzeiro em relação ao dólar. . . Vende remos o trabalho brasileiro a preços ín fimos nos mercados internacionais, e vol

taremos, dentro de pouco tempo, às emo cionantes espirais de preços, com conse

DlGHSTO

ECONÔMICO

em 1912, a taxa do dólar deveria ser re duzida de CrS 18.50 a CrS 11,90 — altera

que estéve na Argentina (julho de 1950)

ção que ninguém aconselhará, mas que

rir dólares a CrS 22.00 no mercado livre de lá. Essa anomalia serve para mos trar que o mercado de câmbio livre não

mosira o equi .^oco das sugestões no sen tido oposto". (2) — A C( mpensação no comércio exterior brasileiro veio mostrar ao vivo

o

que acontace com

a

desvalorização

cambial da moeda. Cada vez que um exportador brasileiro adquire aqui ma cionais por um valor cambial menor, critd rcclrr.c .to quebrando o padrão es tabelecido, i)ara pagar a mercadoria es trangeira p.)!- mais cruzeiros, cu, se quiserem, para receber pela mercado ria brasileiia menos unidades monetá

rias do que seria recebido pela taxa de câmbio ofichl,

Uma parte considerável

da exportação brasileira para países de moedas fraca.; (bloco esterlino) está sen

do feita nessa base de compensação, me diante a expoi tação "barata" de produ tos "caros", COMO tecidos, arroz, madei

ra etc.

Na verdade, porém_. o que esta-

qüentes reajustamentos de salários. . . Tu

mds fazendo 6 un;a transaçao desfavorá

do como em 1943 e anos seguintes.

vel, uma troca de produtos, dando ao outro uma "verta", ci-mo diz o caipirp.

aqui viesse com dólares no bolso.

Sinceramente, não acredito .que seja es se o desejo daqueles que defendem a que

*

❖

*

A atual conjuntura mundial (e espe cialmente brasileira) é de novo surto Z

flacionano. Creio que devemos tudo fasas condições monetárias, agora, como nos anos da ultima guerra, inclinadas às emis^er para contrariar essa tendência de nos

bra do padrão monetário brasileiro. ■ fl) — Como é sabido, cada moeda va

ie sòmente em função do que ela pode adquirir no próprio país. Essa afirma ção é um dos mais fortes argumentos da corrente que pleiteia a quebra do atual padrão cambial. No caso do Brasil, co mo veremos mais adiante, seu comércio

exterior é principalmente

fundado na

exportação de café, mercadoria que va

necessidades do Banco

le, para os americanos, o suficiente pa

jLr ^^"isição cambiais em dólares, eu,os' saldos vêm denum crescendo

cada saca. ou sejam USS 62.50. O ame

impressionante), ou para cobrir os "de-

fic.ts do orçamento, cuja previsão ofi cial anda acima de 5 biiiões de cruzeiros. Em tal emergência, é dever de todos nos colaborar com o Govêrno da União no sentido de refrear tanto quanto possí vel a tendência a novo ciclo de inflação cuja força já é sensível em todos os meios! Para colaborar efetivamente para um tão

patriótico objetivo — que visa precipua-

ra que ôles a adquiram por Cr$ 1.250.00 ricano "sente" o valor do cruzeiro em função das mercadorias brasileiras que o próprio cruzeiro compra. "Mutatis mulandis" se verifica cm relação ao dó lar, como o sente o brasileiro, isto é. tendo em vista o que o dólar pode ad quirir

nos Estados Unidos.

Ora. sendo

assim, 6 dificílimo, se não impossível, querer estabelecer uma "paridade" real

entre moedas que são referidas a pon tos diversos, ou melhor, a diferentes estalões.

Já estava sendo impresso êste artigo quando a

CONJUNTURA

ECONÔMICA,

de setembro último, publicou um traba lho

intitulado "RENDIMENTO

DO

CA

mente defender a economia brasileira de males irreparáveis — cada qual deve agir

PITAL E DEPRECIAÇÃO DA MOEDA",

para que os preços sejam mantidos ou re-«

tuir, por exemplo, a paridade do poder

que assim conclui: —- "A fim de resiide compra das

duos

moedas

existente

e argumento.

A circunstância de haver

J^irn de H °^<^rtas de na dólares e grande pro cura cruzeu-os Argentina provocou

essa^ cotaçao favorável à moed^a bíasU

deira o a vende nos mercados interna

to com o capitalista estrangeiro que para

idade dupla de cruzeiros... em confron

s"»"P»eso, que poderia adqui

(3) — Há pouco tempo um

bras'!eiro

espalhafatoso do benadoi Gillette provocou forte reanSr,

cou demonstrado que o no^o

obstante a taxa cambial

'í

menlo de preço maior (êm moeí^^am"" ricana) do que a maior ?aiS dos íí tados Unidos. Eis umraf^VmLf 'essante. porque ela vem demSn^rf,•lue:- l.o) não estamos cobrando gos de alimentação produzido»!

masiadamente pelo nosso princiOAi

duto, em dólares ;

2.0) a taxn

atual é bem indicada. considerSído que o preço do café em cruzeiros ?emn

nera bem os produtores e que o cSé I o principal produto de exportação os Estados Unidos.

Para


DIGPSTO r-rONÓMir.O 'f-f

a proibir, por decreto, o emprego contí

a 1 de dezembro de 1949 e 31 de março

Escassez de ddiares

nuo dos contratos D e S, porque tais con tratos constituem uma restrição exagera

de 1950, especialmente para uso da Sub comissão;

Dorival Thixí-jra Vihira

da ao comércio de café e tendem a criar dificuldades não razoáveis ;

dutores de café que criem departamentos

teresse do consumidor; aceitou que a Bol

3. — que seja recomendado à Bôlsa de Café e Açúcar de Nova York que ponha

armazenamentos de café disponíveis, tan

sa de Café e Açúcar de Nova York tem

cm vigor, imediatamente, regulamentos

to nos entrepostos como em todo o país,

prevendo para os futuros contratos a ter

e que avaliem as colheitas, as superfícies plantadas e o número de cafeeiros; 10. que, em consideração às reitera das declarações dos representantes das na ções produtoras de café do hemisfério

Logo após a publicação das conclusões J_ .. do Relatório ^-11. Gillette e as críticas

contra o mesmo dirigidas, noticiou-se que éie deveria sofrer uma revisão de redação e que o seu conteúdo teria motivado o

afastamento do Senador Gillette da Sub comissão de Agricultura do Senado. Es

tando em trabalho de impressão o estudo

sóbrc o "Inquérito Gillette, a Produção e o Comércio de Café", por nós realizado a pedido do Instituto de Economia da As-

. sociai^o Comercial de São Paulo e da Fe. deraçâo do Comércio do Estado de São Paulo chegou ao nosso conhecimento o conteúdo das conclusões a que o novo re-

latono da Comissão de Agricultura do Se nado chegara. Convém notar que. na rÍIdade, nao houve uma revisão apenas mo-

nvada pela reação causada ante a publicl

çao do Relatorio Gillette; o que ocorreu foi uma tramitaçao normal do processo. O Relatório fora aprovado por uma subco

missão e passava às mãos da Comissão correspondente. a qual tinha o direito e o

dever de revc-lo e acrescentar-lhe altera

ções, suprimindo partes ou introduzindo acréscimos. Não houve, portanto, um afastamento do Senador Gillette e sua substituição pelo Senador Allen J Ellen der, e, sim, a passagem natural do relató rio das mãos do presidente da subcomis são para as do presidente da Comissão Não eram, pois, de se esperar grandes mo dificações.

Com efeito, o Relatório Eilender acei

tou o conteúdo do Inquérito Gillette, ape nas amenizando a linguagem em certos Trechos. Continuou a por em relevo a

psônios e oligopólios, em prejuízo do in

desrespeitado regulamentos em vigor e tem

beneficiado com isso a especulação, res ponsável pela grande elevação de preços. Aceitou que. ultimamente, os esjjcculadores estrangeiros muito lucraram. Concor

dou que. no momento, o consumo tende a exceder a produção e acrescentou que os

agricultores dos países fornecedores de café pouco se beneficiaram com a grande

elevação de preços, o que prova o cará ter de especulação indesejável, motivador

da alta.

Reafirmou que o consumidor

norte-americano deve ser defendido e que

deve tornar-se agente ativo dessa defesa. E, por fim, concordou com os termos do

Relatório anterior, de que a procura aca bara caindo ao nível-da oferta, graças a uma atuação eficiente do Govêriio norte-

americano, com a colaboração do próprio consumidor. Por tudo isso, as conclusões

não poderiam sofrer alteração substancial, como de fato não sofreram. Para nos convencermos de tal fato, bas

tará analisar o conteúdo das recomenda ções do atual relatório. Eis suas 14 reco mendações :

1 • — que a Bolsa de Café e Açúcar de

Nova York jibandone o uso dos contratos futuros D e S, substituindo-os pelo con

trato U, de acordo com o qual as entregas de café, se estiverem conforme a qualida

de,desejada. poderão ser feitas por qual quer país produtor ou de qualquer pôcto dc exportação; 2. — que, no caso de a Bolsa-de Café

organização do comércio cafeeiro norteamericano e reafirmou que os preços na

e Açúcar de Nova York não adotar ime

quele mercado são manobrados por oligo-

geral dos Estados Unidos seja autorizado

diatamente esta sugestão, o Procurador-

mo de café, margem de 50 % do valor corrente da mercadoria objeto do con trato ;

4. — que o Congresso elabore rapida mente uma legislação colocando o comér cio de café sob a competência do Commo-

dity Exchange Act; 5. — que o Procurador-geral dos Esta

dos Unidos seja incumbido de examinar

um pedido de inquérito sobre as práticas de venda e armazenamento, em entrepos

tos da Federação Nacional dos Produtores

de Café da Colômbia e de outros países interessados, e que êsse mesmo Procura

dor-geral tome as medidas previstas pela legislação norte-americana contra os trastes; 6. — que a legislação relativa ao im posto sôbre a renda dos Estados Unidos

sofra emendas para taxação dos lucros al cançados pelos interessados estrangeiros nas Bòlsas de Mercadorias dos Estados

Unidos, e isso para conter a especulação indesejável que prevalece atualmente no mercado a termo de café;

7. — que ura representante dos Estados Unidos, familiarizado com as cláusulas das leis anti-trustes, esteja presente a tôdas

as reuniões que realizar, no futuro, a Co missão Especial do Café, do Conselho Econômico

e

Social

Interamericano

ou

qualquer reunião de suas Comissões de que participem os Estados Unidos; 8. — que o Serviço de Recenseamentó dos Estados Unidos» redija relatórios tri

9. — que seja pedido aos países pro que levantem estatísticas exatas sôbre os

ocidental, segundo as quais o consumo do cafe supera agora a produção, os Estados Unidos tomem medidas para melhorar e desenvolver a cultura do café em Pôrto Rico, continue a prestar sua assistência técnica às nações da América Central e do Sul e ofereça tal assistência a outras nações amigas, que desejem desenvolver sua produção cafeeira;

11. — que, levando em conta que a economia de alguns países da América Central e do Sul depende largamente da exportação cafeeira, é ainda muito cedo

para determinar até que ponto o consumo de cafe continuará a declinar de modo permanente, por causa da alta dos preços

e que a diminuição permanente, tal como a que houve durante os 4 primeiros ses deste ano. cedo ou tarde abalark a posição financeira dêsses países. - Lia levada ao conhecimento dessas nações bem como das agencias do Govêrno dos StadS Unidos, em contacto com os pa ses pro

dutores de café. a possibilidade de [ll

ocorrência;

12. — que as fôrças armadas norteamericanas comprem café todos os meses, nestes 6 ou 8 próximos meses, e modifi

e torrado disponíveis nos armazéns, rela

quem as cláusulas dos contratos atuais de Compra, a fim de permitir a entrega de qualquer qualidade igual ou superior ao

tórios esses semelhantes àqueles redigidos

café Santos, tipo 4;

mestrais sôbre a existência de café cru


DIGPSTO r-rONÓMir.O 'f-f

a proibir, por decreto, o emprego contí

a 1 de dezembro de 1949 e 31 de março

Escassez de ddiares

nuo dos contratos D e S, porque tais con tratos constituem uma restrição exagera

de 1950, especialmente para uso da Sub comissão;

Dorival Thixí-jra Vihira

da ao comércio de café e tendem a criar dificuldades não razoáveis ;

dutores de café que criem departamentos

teresse do consumidor; aceitou que a Bol

3. — que seja recomendado à Bôlsa de Café e Açúcar de Nova York que ponha

armazenamentos de café disponíveis, tan

sa de Café e Açúcar de Nova York tem

cm vigor, imediatamente, regulamentos

to nos entrepostos como em todo o país,

prevendo para os futuros contratos a ter

e que avaliem as colheitas, as superfícies plantadas e o número de cafeeiros; 10. que, em consideração às reitera das declarações dos representantes das na ções produtoras de café do hemisfério

Logo após a publicação das conclusões J_ .. do Relatório ^-11. Gillette e as críticas

contra o mesmo dirigidas, noticiou-se que éie deveria sofrer uma revisão de redação e que o seu conteúdo teria motivado o

afastamento do Senador Gillette da Sub comissão de Agricultura do Senado. Es

tando em trabalho de impressão o estudo

sóbrc o "Inquérito Gillette, a Produção e o Comércio de Café", por nós realizado a pedido do Instituto de Economia da As-

. sociai^o Comercial de São Paulo e da Fe. deraçâo do Comércio do Estado de São Paulo chegou ao nosso conhecimento o conteúdo das conclusões a que o novo re-

latono da Comissão de Agricultura do Se nado chegara. Convém notar que. na rÍIdade, nao houve uma revisão apenas mo-

nvada pela reação causada ante a publicl

çao do Relatorio Gillette; o que ocorreu foi uma tramitaçao normal do processo. O Relatório fora aprovado por uma subco

missão e passava às mãos da Comissão correspondente. a qual tinha o direito e o

dever de revc-lo e acrescentar-lhe altera

ções, suprimindo partes ou introduzindo acréscimos. Não houve, portanto, um afastamento do Senador Gillette e sua substituição pelo Senador Allen J Ellen der, e, sim, a passagem natural do relató rio das mãos do presidente da subcomis são para as do presidente da Comissão Não eram, pois, de se esperar grandes mo dificações.

Com efeito, o Relatório Eilender acei

tou o conteúdo do Inquérito Gillette, ape nas amenizando a linguagem em certos Trechos. Continuou a por em relevo a

psônios e oligopólios, em prejuízo do in

desrespeitado regulamentos em vigor e tem

beneficiado com isso a especulação, res ponsável pela grande elevação de preços. Aceitou que. ultimamente, os esjjcculadores estrangeiros muito lucraram. Concor

dou que. no momento, o consumo tende a exceder a produção e acrescentou que os

agricultores dos países fornecedores de café pouco se beneficiaram com a grande

elevação de preços, o que prova o cará ter de especulação indesejável, motivador

da alta.

Reafirmou que o consumidor

norte-americano deve ser defendido e que

deve tornar-se agente ativo dessa defesa. E, por fim, concordou com os termos do

Relatório anterior, de que a procura aca bara caindo ao nível-da oferta, graças a uma atuação eficiente do Govêriio norte-

americano, com a colaboração do próprio consumidor. Por tudo isso, as conclusões

não poderiam sofrer alteração substancial, como de fato não sofreram. Para nos convencermos de tal fato, bas

tará analisar o conteúdo das recomenda ções do atual relatório. Eis suas 14 reco mendações :

1 • — que a Bolsa de Café e Açúcar de

Nova York jibandone o uso dos contratos futuros D e S, substituindo-os pelo con

trato U, de acordo com o qual as entregas de café, se estiverem conforme a qualida

de,desejada. poderão ser feitas por qual quer país produtor ou de qualquer pôcto dc exportação; 2. — que, no caso de a Bolsa-de Café

organização do comércio cafeeiro norteamericano e reafirmou que os preços na

e Açúcar de Nova York não adotar ime

quele mercado são manobrados por oligo-

geral dos Estados Unidos seja autorizado

diatamente esta sugestão, o Procurador-

mo de café, margem de 50 % do valor corrente da mercadoria objeto do con trato ;

4. — que o Congresso elabore rapida mente uma legislação colocando o comér cio de café sob a competência do Commo-

dity Exchange Act; 5. — que o Procurador-geral dos Esta

dos Unidos seja incumbido de examinar

um pedido de inquérito sobre as práticas de venda e armazenamento, em entrepos

tos da Federação Nacional dos Produtores

de Café da Colômbia e de outros países interessados, e que êsse mesmo Procura

dor-geral tome as medidas previstas pela legislação norte-americana contra os trastes; 6. — que a legislação relativa ao im posto sôbre a renda dos Estados Unidos

sofra emendas para taxação dos lucros al cançados pelos interessados estrangeiros nas Bòlsas de Mercadorias dos Estados

Unidos, e isso para conter a especulação indesejável que prevalece atualmente no mercado a termo de café;

7. — que ura representante dos Estados Unidos, familiarizado com as cláusulas das leis anti-trustes, esteja presente a tôdas

as reuniões que realizar, no futuro, a Co missão Especial do Café, do Conselho Econômico

e

Social

Interamericano

ou

qualquer reunião de suas Comissões de que participem os Estados Unidos; 8. — que o Serviço de Recenseamentó dos Estados Unidos» redija relatórios tri

9. — que seja pedido aos países pro que levantem estatísticas exatas sôbre os

ocidental, segundo as quais o consumo do cafe supera agora a produção, os Estados Unidos tomem medidas para melhorar e desenvolver a cultura do café em Pôrto Rico, continue a prestar sua assistência técnica às nações da América Central e do Sul e ofereça tal assistência a outras nações amigas, que desejem desenvolver sua produção cafeeira;

11. — que, levando em conta que a economia de alguns países da América Central e do Sul depende largamente da exportação cafeeira, é ainda muito cedo

para determinar até que ponto o consumo de cafe continuará a declinar de modo permanente, por causa da alta dos preços

e que a diminuição permanente, tal como a que houve durante os 4 primeiros ses deste ano. cedo ou tarde abalark a posição financeira dêsses países. - Lia levada ao conhecimento dessas nações bem como das agencias do Govêrno dos StadS Unidos, em contacto com os pa ses pro

dutores de café. a possibilidade de [ll

ocorrência;

12. — que as fôrças armadas norteamericanas comprem café todos os meses, nestes 6 ou 8 próximos meses, e modifi

e torrado disponíveis nos armazéns, rela

quem as cláusulas dos contratos atuais de Compra, a fim de permitir a entrega de qualquer qualidade igual ou superior ao

tórios esses semelhantes àqueles redigidos

café Santos, tipo 4;

mestrais sôbre a existência de café cru


DlGlLvru

■Vü

L( oNOMh IJ

13. — que o Procurador-geral dos Esia-

continua sendo preocupação do Legislativo

dos Unidos abra um inquérito sóbre os

ianque, pernianetcmlu l> propósito de uma

pormcnorcs

íUís

Gc-orgc V.

Robbins, da divisão Maxwell

t;tjini>ras

ile

taK-

por

Housc, da firma General Foods Corporation, ao Departamento Nacional do Café

do Brasil, durante o ano de 19dK, a fim

de verificar sc as leis íederals foram vio ladas: e

14. — que o consumidor norte-ameri

cano siga as recomendações da American

Home Economic Association sòbre a pre

paração do café e continue na prática

atual de nao desperdiçar, até que os arma zenamentos de café acumulados sejam li

berados pelos países produtores ou che

gue nova produção.

intervenção direta do Gtivcrnu.

A reco

DioHSTo

Econômico

geiro situado em zona produtora de café.

ceira desses países.

fl pedido e em cooperação com o Govêr-

importante, a vosso ver. foi a relativa «o

no do país cm questão.

mendação n. 12 não só conserva a idéia de o Departamento de Defesa Nacional dos Estados Unidos quebrar o poderio

Para esta liltima

medida solicitou verba inicial de 300.000 dólares, a fim de acorrer às despesas de

dos tru.ste.s distribuidores e regularizar u

criação dos necessários serviços iniciais, até junho dc 1951.

mercado mediante compra do café cm base mensal c revenda a torradores e va

Continua o Senado no firme propósito dc controlar a política comercial cios paí

rejistas, como vai mais longe, admitindo que o mesmo provoque a modificação das

ses produtores, o que se torna visível na recomendação n. 7; apenas se substiruiu a expressão "representante do Departa mento de Justiça dos Estados Unidos" por "um representante dos Estados Unidos",

cláusulas dos contratos, atuais de compra.

A idéia do enfraquecimento dos oligopó lios de produção, mediante a prática de se propor ajuda técnica a outras nações amigas que desejem

intensificar a

mas

sua

acresccntando-se

"familiarizado

com

as cláusulas das leis anti-trustes", o que

A única "supressão

rcajustamcnto das moedas dos países ca

feicultores, em relação ao dólar, pois o Departamento de Estado fizera ver ao Se

nado a vulnerabilidade e a inconveniên-

1

ções dos dois relatórios, conforme se pode analisar no quadro.ccmparativo anexo, venfica-se que as emendas foram mais de forma que de fundo, e naquelas onde se pode notar uma alteração substancial "a mesma se fêz no sentido de adoçar arestas permitindo, porém, maior generalização' tornando ate, às vezes, o novo texto obs-

• ' ^ < "•

cia de semelhante proposta. Comparada a redação das recomenda

produção cafeeira, não só permaneceu de

mostra claramente a idéia dc combate à

curo e dando maior liberdade nas interpre

pé como está .sendo acompanhada de ou

atual organização comercial do café.

tras medidas paralelas, do -Legislativo norte-americano. Ê verdade que na re

foi afastada a preocupação de um contròlc

as quais o coméício 1 café f'i

comendação n. 10 acrescentou-se a possi bilidade de assistência técnica às nações

controle esse realizado quer pela exigên

tações futuras e. em conseqüência, nas normas práticas, que daí possam decorrer. Por isso. o segundo relatório se apresenta mais

cafeicultoras da América do Sul, mas afir

cia de 50 % da cobertura do valor das operações, como garantia para os contra

terna e, portanto, à legiskcin . .

mando especificamente o auxílio a Porto

tos futuros, quer pela uniformização dos

A Idéia de se aplicar imediatamente a

ra nas recomendações 4 5 e u

jeito à mesma legislação comedil É verdade que foi suprimida a recoren' daçao segundo a qual se pedia

aos países produtores que dis-

püsessem imediatamente dos cafés em estoque e renunciassem à prá tica de manter reservas fora do mercado. Tal recomendação, po rém, podia perfeitamente desapa recer sem que isso implicasse na im possibilidade da adoção de medidas con ducentes a esse fim. Com efeito, a quin ta recomendação, ao pretender que se realize um inquérito sobre as práticas de venda e armazenamento e que se po nham em execução as medidas previstas a ésse respeito pela legislação anti-truste, conduzirá inevitàvelmente à proibição de se manterem reservas de café fora mercado,

nos

entrepostos

situados

do nos

Estados Unidos.

A regularização du mercado consumidor

rigoroso do movimento de especulação,

Rico e às nações da América Central. O

como

deputado

norte-americano

H.

Não

contratos D c S em um único contrato,

G.

quer ainda pela tributação da renda dos

Burnside apresentou, na mesma ocasião em que o Senado aprovava

operadores alienígenas. O novo relató rio é ainda mais drástico porque na reco

o novo Relatório (23 de agosto

de 1950), um projeto de lei à

mendação n. 2 prevê que o Govêrno dos Estados Unidos proíba o emprego dos con

Camara dos Deputados, que se destinará a estimular a produção

tratos D e S, se a Bôlsa não o fizer espon taneamente. Aliás, a Bolsa de Café e

cafeeira, tanto na América Latina

Açúcar dc Nova York já introduziu o

na

Indonésia

ou

noutros

locais,

danoso para a nossa economia que q pj-j. . meiro, mais hostil sob cerros aspectos, embora possua uma aparência menos áspera è uma forma diplomaticamente mais aceita ' vel. Preferimos, no entanto, a linguagem ema. .a franqueza mele do Relatório , Gilletto, as sutilezas enganadoras do

'

latório Ellender.

.;

Diante da gravidade das possíveis re ' percussões do relatório revisto para a ee •'

nomia brasileira, será lídto indagat-se dos

, seus efeitos sobre a opinião pública e df

t :

contrato U, em adição aos já existentes,

pois o aumento da produção da rubiácea constituirá a única solução para o pro

'

primeiro passo para acatar as futuras exi gências governamentais.

blema da crescente procura mundial de café, e esse objetivo poderia ser também alcançado graças ao fomento da produção

Se o Relatório Ellender não menciona

explicitamente o fato de o Govêrno norteamericano poder negar empréstimos a paí

no Extremo Oriente, com a ajuda dos Es

ses cafeicultores, é verdade, porém, que a

tados Unidos; o representante democrata afirma a necessidade de se autorizar o

Executivo ianque a ejtabelecer estações ex

!i "

menor_ que o resultante da primeira apre- '

sentaçao do relatório sobre o café-Ti ■

ameaça continua implícita na recomenda ção n. 11, uma vez que aconselha o Go

gamos esse ponto de vista demasiado oti- '

vêrno norte-ameiicano a levar ao conhe

Há quem afirme que o Govêrno norteamericano mostrou-se contrário às medidas '

perimentais de investigação de café em qualquer território óu possessão dos Es

cimento das nações cafeicultoras a possibi

tados Unidos, ou em qualquer país estran-

que cedo ou tarde abalaria a posição finan

lidade de uma crise no mercado cafeeiro,

Jl

esperavam e que o

mista.

•

preconizadas pelo relatório. Os que assim

„

pensam apóiam-se principalmenrc na nn- j niii tii


DlGlLvru

■Vü

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13. — que o Procurador-geral dos Esia-

continua sendo preocupação do Legislativo

dos Unidos abra um inquérito sóbre os

ianque, pernianetcmlu l> propósito de uma

pormcnorcs

íUís

Gc-orgc V.

Robbins, da divisão Maxwell

t;tjini>ras

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por

Housc, da firma General Foods Corporation, ao Departamento Nacional do Café

do Brasil, durante o ano de 19dK, a fim

de verificar sc as leis íederals foram vio ladas: e

14. — que o consumidor norte-ameri

cano siga as recomendações da American

Home Economic Association sòbre a pre

paração do café e continue na prática

atual de nao desperdiçar, até que os arma zenamentos de café acumulados sejam li

berados pelos países produtores ou che

gue nova produção.

intervenção direta do Gtivcrnu.

A reco

DioHSTo

Econômico

geiro situado em zona produtora de café.

ceira desses países.

fl pedido e em cooperação com o Govêr-

importante, a vosso ver. foi a relativa «o

no do país cm questão.

mendação n. 12 não só conserva a idéia de o Departamento de Defesa Nacional dos Estados Unidos quebrar o poderio

Para esta liltima

medida solicitou verba inicial de 300.000 dólares, a fim de acorrer às despesas de

dos tru.ste.s distribuidores e regularizar u

criação dos necessários serviços iniciais, até junho dc 1951.

mercado mediante compra do café cm base mensal c revenda a torradores e va

Continua o Senado no firme propósito dc controlar a política comercial cios paí

rejistas, como vai mais longe, admitindo que o mesmo provoque a modificação das

ses produtores, o que se torna visível na recomendação n. 7; apenas se substiruiu a expressão "representante do Departa mento de Justiça dos Estados Unidos" por "um representante dos Estados Unidos",

cláusulas dos contratos, atuais de compra.

A idéia do enfraquecimento dos oligopó lios de produção, mediante a prática de se propor ajuda técnica a outras nações amigas que desejem

intensificar a

mas

sua

acresccntando-se

"familiarizado

com

as cláusulas das leis anti-trustes", o que

A única "supressão

rcajustamcnto das moedas dos países ca

feicultores, em relação ao dólar, pois o Departamento de Estado fizera ver ao Se

nado a vulnerabilidade e a inconveniên-

1

ções dos dois relatórios, conforme se pode analisar no quadro.ccmparativo anexo, venfica-se que as emendas foram mais de forma que de fundo, e naquelas onde se pode notar uma alteração substancial "a mesma se fêz no sentido de adoçar arestas permitindo, porém, maior generalização' tornando ate, às vezes, o novo texto obs-

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cia de semelhante proposta. Comparada a redação das recomenda

produção cafeeira, não só permaneceu de

mostra claramente a idéia dc combate à

curo e dando maior liberdade nas interpre

pé como está .sendo acompanhada de ou

atual organização comercial do café.

tras medidas paralelas, do -Legislativo norte-americano. Ê verdade que na re

foi afastada a preocupação de um contròlc

as quais o coméício 1 café f'i

comendação n. 10 acrescentou-se a possi bilidade de assistência técnica às nações

controle esse realizado quer pela exigên

tações futuras e. em conseqüência, nas normas práticas, que daí possam decorrer. Por isso. o segundo relatório se apresenta mais

cafeicultoras da América do Sul, mas afir

cia de 50 % da cobertura do valor das operações, como garantia para os contra

terna e, portanto, à legiskcin . .

mando especificamente o auxílio a Porto

tos futuros, quer pela uniformização dos

A Idéia de se aplicar imediatamente a

ra nas recomendações 4 5 e u

jeito à mesma legislação comedil É verdade que foi suprimida a recoren' daçao segundo a qual se pedia

aos países produtores que dis-

püsessem imediatamente dos cafés em estoque e renunciassem à prá tica de manter reservas fora do mercado. Tal recomendação, po rém, podia perfeitamente desapa recer sem que isso implicasse na im possibilidade da adoção de medidas con ducentes a esse fim. Com efeito, a quin ta recomendação, ao pretender que se realize um inquérito sobre as práticas de venda e armazenamento e que se po nham em execução as medidas previstas a ésse respeito pela legislação anti-truste, conduzirá inevitàvelmente à proibição de se manterem reservas de café fora mercado,

nos

entrepostos

situados

do nos

Estados Unidos.

A regularização du mercado consumidor

rigoroso do movimento de especulação,

Rico e às nações da América Central. O

como

deputado

norte-americano

H.

Não

contratos D c S em um único contrato,

G.

quer ainda pela tributação da renda dos

Burnside apresentou, na mesma ocasião em que o Senado aprovava

operadores alienígenas. O novo relató rio é ainda mais drástico porque na reco

o novo Relatório (23 de agosto

de 1950), um projeto de lei à

mendação n. 2 prevê que o Govêrno dos Estados Unidos proíba o emprego dos con

Camara dos Deputados, que se destinará a estimular a produção

tratos D e S, se a Bôlsa não o fizer espon taneamente. Aliás, a Bolsa de Café e

cafeeira, tanto na América Latina

Açúcar dc Nova York já introduziu o

na

Indonésia

ou

noutros

locais,

danoso para a nossa economia que q pj-j. . meiro, mais hostil sob cerros aspectos, embora possua uma aparência menos áspera è uma forma diplomaticamente mais aceita ' vel. Preferimos, no entanto, a linguagem ema. .a franqueza mele do Relatório , Gilletto, as sutilezas enganadoras do

'

latório Ellender.

.;

Diante da gravidade das possíveis re ' percussões do relatório revisto para a ee •'

nomia brasileira, será lídto indagat-se dos

, seus efeitos sobre a opinião pública e df

t :

contrato U, em adição aos já existentes,

pois o aumento da produção da rubiácea constituirá a única solução para o pro

'

primeiro passo para acatar as futuras exi gências governamentais.

blema da crescente procura mundial de café, e esse objetivo poderia ser também alcançado graças ao fomento da produção

Se o Relatório Ellender não menciona

explicitamente o fato de o Govêrno norteamericano poder negar empréstimos a paí

no Extremo Oriente, com a ajuda dos Es

ses cafeicultores, é verdade, porém, que a

tados Unidos; o representante democrata afirma a necessidade de se autorizar o

Executivo ianque a ejtabelecer estações ex

!i "

menor_ que o resultante da primeira apre- '

sentaçao do relatório sobre o café-Ti ■

ameaça continua implícita na recomenda ção n. 11, uma vez que aconselha o Go

gamos esse ponto de vista demasiado oti- '

vêrno norte-ameiicano a levar ao conhe

Há quem afirme que o Govêrno norteamericano mostrou-se contrário às medidas '

perimentais de investigação de café em qualquer território óu possessão dos Es

cimento das nações cafeicultoras a possibi

tados Unidos, ou em qualquer país estran-

que cedo ou tarde abalaria a posição finan

lidade de uma crise no mercado cafeeiro,

Jl

esperavam e que o

mista.

•

preconizadas pelo relatório. Os que assim

„

pensam apóiam-se principalmenrc na nn- j niii tii


DiGESTO

Econômico

DicnsTo Econômico

3.^

I

tícia, veiculada pelos jornais, dc que o De

gerir as alterações ao Relatório Gillctte,

partamento de Estado dos E. U. A. con

em síntese, afirmou apenas: "duvidamos da conveniência de publicar um relatório sobre algo que ocorreu há quase um ano,

denara aquele documento, pela voz do sr. Dean Acheson, Secretário de Estado. Quem, no entanto, examinar com maior

cuidado a declaração distribuída à im prensa, verificará que aquele secretário apenas lamentou o fato de a Comissão de Agricultura do Senado, embora aceitando

algumas das modificações sugeridas, não haver aprovado outras também recomen

dadas pelo Departamento, as quais teriam

dissipado totalmente as dúvidas provoca das pelo relatório, na América Latina, a respeito da política básica dos E. TJ. A O

st. Acheson, porém, acrescentou: "As mo

dificações sugeridas, que não teriam impe-

Ss r ourí

das acu^a-

mercado, refenam-se principalmen te a determinadas partes do relatóno

que não pareciam ter

nada a ver com a questão dos pre ços mas que no entanto, foram

mal interpretadas pelos nossos ami

gos de outros países da América, como hostis aos seus legítimos interesses eco^ Como se vê, a preocupado do Depar tamento de Estado nao era a de testabelecet a verdade sobre a situação da prorr\ir/\c' micos

duçao e do comercio do café, e anular assim, a acusaçao categòticamenee formu

lada pela Comissão Glllette; a revisão proposta por aquele órgão permitiria que se investigassem completamente as acusações

sobre as manobras altistas e se referia a partes que não pareciam ter nada a ver com a questão dos preços. A nossa convic ção mais se fortifica quando lemos as de

clarações do Secretário de Estado Adjun to, sr. Edward Miller Júnior. Êsse repre.senrante do Governo norte-americano que,

centros estatísticos, numa sugestão indi reta dc que as estatísticas expedidas por esses países são falsas; e protestou, por fim. contra o faro de o relatório sugerir

biácea no mercado internacional, muito embora se tenha pronunciado contra o Re latório Giilerte e, posteriormente, conde

quando, desde a data em que compareci

aos Estados Unidos o oferecimento a ou

nado com veemência o Relatório Ellender

perante a Comissão de Agricultura do

tras nações amigas de ajuda técnica para ampliar a produção de café, pois isso re

Senado, em junho último, surgiu um fator completamente novo na situação: a

presentaria uma guerra econômica,

Pa-.

crise coreana e o novo aumento dos pre

rece-nos que o problema foi mal encami

ços . O problema colocado pelo Depar

nhado, pois que os mais importantes as pectos — a gênese do problema, a corresponsabilidade dos Estados Unidos, a re

tamento de Estado é, portanto, o da in

conveniência da divulgação e não a con denação do conteúdo do relatório. E cum

pre observar ainda que o Secretário Adjun to acrescentou:

"Estou certo de que a

Comissão do Senado não teve o propósito de expressar-se de modo inamistoso sõbre os nossos amigos da América Latina, e

confio que o relatório não terá efeito pre judicial para as economias daque les países".

O mais importante, porem, a

ponderar, é que os projetos de lei contendo medidas prejudiciais à economia dos países cafeelros, ins

pirados, segundo tudo faz crer, nas reações provocadas pelos que combatem a atual situação do café nos Estados Unidos e apresentados paralelamente ao relatório,

sao de autoria de deputados democratas. Anunciou-se também que a Comissão Especial do Café do Conselho Econômico e Social Interamericano repudiou o Relató rio Ellender; mas não nos parece que as criticas tivessem sido enérgicas e as mais pertinentes. Aquele organismo protestou contra o fato de se recomendar que o co

mércio do café fique sob a jurisdição da

percussão das medidas propostas sobre as economias nacionais, as conseqüências para o pan-amèricanismo — não foram atacados.

No "que se refere aos nossos represen tantes junto ao Governo norte-americano, a imprensa informou que o nosso embai xador em Washington, st. Maurício Na-

buco, embora tenha reconhecido que se riam necessários muitos anos para repa rar os danos causados pelos dois relató

rios sobre o café às relações entre os Es tados Unidos e América Latina, acrescen tou conformadamente que, apesar disso, "nada mais podemos fazer". O represen tante brasileiro junto à Comissão Especial

feeiros e defensor da posi^o da nossa ru-

para nossa surpresa, discordando de

outros membros da Comissão, chegou a declarar que, pessoalmente, era favorávela proposta de le. Burnside, não acreditan

do que ela pudesse ser transformada em instrumento de guerra econômica. Além disso, mostra-se convicto de que o Dc

partamento de Estado se encontra em opo* siçâo ao Senado e que, por uma questão dc amor-própno, êste se fez surdo às te^

comendações daquele. Não achamos, po rém, que exista de fato uma divergêncii fundamental entre o Legislativo e o Exo cutivo norte-americano, no que se refeie ao problema cafeeiro.

Entre um otimismo que desconhece a realidade e um conformismo que conduz à aceitação passiva de um provável desa-trc, não é possível permanecer indiferente quando chegamos à conclusão de que

afirmações contidas em nosso estudo "O Inquérito Gillettc, a Produção e o Comér

do Café, do Conselho Econômico e Social Interamericano, sr. Teófilo de Andrade,

cio do Café" continuam válidas e

conhecedor profundo dos problemas ca-

persistem.

- os peiU gos. por nos apontados mais- -que nunca

QUADRO COMPARATIVO DAS RECOMENDAÇÕES do Relatório Gillette 1

Que a Bolsa de Café e Açúcar de Nova York

do Relatório Ellender

Observações Que a Bolsa de Café

e Açúcar de Nova York

lei de intercâmbio de artigos de consumo

abandone

dos

abandone o uso dos

e que se ordene uma investigação nos

contratos D e- S pata

contratos futuros D e

negócios de café, porque essa declaração

S, substicuindo-os pelo

o

uso

segundo a própria declaração do sr. Ache son, foi encarregado de acompanhar ps

contra o fato de o Governo norte-ameri

entregas futuras de ca fé e os substitua pelo contrato U, ou tipo universal de contrato, para futuras liberações

trabalhos da Comissão do Senado e su

cano pedir aos países cafeeiros que criem

de café, de qualidade

constitui uma sugestão direta, de que os representantes oficiais dos países produto res estão violando a lei; protestou ainda

"uuca

contrato lU, de , acordo

com o qual as entregas de cafe, se estiverem

de acordo com a qua lidade desejada, pode-

Revisão

de

conservando-se

teúdo.

redação, . o

con-


DiGESTO

Econômico

DicnsTo Econômico

3.^

I

tícia, veiculada pelos jornais, dc que o De

gerir as alterações ao Relatório Gillctte,

partamento de Estado dos E. U. A. con

em síntese, afirmou apenas: "duvidamos da conveniência de publicar um relatório sobre algo que ocorreu há quase um ano,

denara aquele documento, pela voz do sr. Dean Acheson, Secretário de Estado. Quem, no entanto, examinar com maior

cuidado a declaração distribuída à im prensa, verificará que aquele secretário apenas lamentou o fato de a Comissão de Agricultura do Senado, embora aceitando

algumas das modificações sugeridas, não haver aprovado outras também recomen

dadas pelo Departamento, as quais teriam

dissipado totalmente as dúvidas provoca das pelo relatório, na América Latina, a respeito da política básica dos E. TJ. A O

st. Acheson, porém, acrescentou: "As mo

dificações sugeridas, que não teriam impe-

Ss r ourí

das acu^a-

mercado, refenam-se principalmen te a determinadas partes do relatóno

que não pareciam ter

nada a ver com a questão dos pre ços mas que no entanto, foram

mal interpretadas pelos nossos ami

gos de outros países da América, como hostis aos seus legítimos interesses eco^ Como se vê, a preocupado do Depar tamento de Estado nao era a de testabelecet a verdade sobre a situação da prorr\ir/\c' micos

duçao e do comercio do café, e anular assim, a acusaçao categòticamenee formu

lada pela Comissão Glllette; a revisão proposta por aquele órgão permitiria que se investigassem completamente as acusações

sobre as manobras altistas e se referia a partes que não pareciam ter nada a ver com a questão dos preços. A nossa convic ção mais se fortifica quando lemos as de

clarações do Secretário de Estado Adjun to, sr. Edward Miller Júnior. Êsse repre.senrante do Governo norte-americano que,

centros estatísticos, numa sugestão indi reta dc que as estatísticas expedidas por esses países são falsas; e protestou, por fim. contra o faro de o relatório sugerir

biácea no mercado internacional, muito embora se tenha pronunciado contra o Re latório Giilerte e, posteriormente, conde

quando, desde a data em que compareci

aos Estados Unidos o oferecimento a ou

nado com veemência o Relatório Ellender

perante a Comissão de Agricultura do

tras nações amigas de ajuda técnica para ampliar a produção de café, pois isso re

Senado, em junho último, surgiu um fator completamente novo na situação: a

presentaria uma guerra econômica,

Pa-.

crise coreana e o novo aumento dos pre

rece-nos que o problema foi mal encami

ços . O problema colocado pelo Depar

nhado, pois que os mais importantes as pectos — a gênese do problema, a corresponsabilidade dos Estados Unidos, a re

tamento de Estado é, portanto, o da in

conveniência da divulgação e não a con denação do conteúdo do relatório. E cum

pre observar ainda que o Secretário Adjun to acrescentou:

"Estou certo de que a

Comissão do Senado não teve o propósito de expressar-se de modo inamistoso sõbre os nossos amigos da América Latina, e

confio que o relatório não terá efeito pre judicial para as economias daque les países".

O mais importante, porem, a

ponderar, é que os projetos de lei contendo medidas prejudiciais à economia dos países cafeelros, ins

pirados, segundo tudo faz crer, nas reações provocadas pelos que combatem a atual situação do café nos Estados Unidos e apresentados paralelamente ao relatório,

sao de autoria de deputados democratas. Anunciou-se também que a Comissão Especial do Café do Conselho Econômico e Social Interamericano repudiou o Relató rio Ellender; mas não nos parece que as criticas tivessem sido enérgicas e as mais pertinentes. Aquele organismo protestou contra o fato de se recomendar que o co

mércio do café fique sob a jurisdição da

percussão das medidas propostas sobre as economias nacionais, as conseqüências para o pan-amèricanismo — não foram atacados.

No "que se refere aos nossos represen tantes junto ao Governo norte-americano, a imprensa informou que o nosso embai xador em Washington, st. Maurício Na-

buco, embora tenha reconhecido que se riam necessários muitos anos para repa rar os danos causados pelos dois relató

rios sobre o café às relações entre os Es tados Unidos e América Latina, acrescen tou conformadamente que, apesar disso, "nada mais podemos fazer". O represen tante brasileiro junto à Comissão Especial

feeiros e defensor da posi^o da nossa ru-

para nossa surpresa, discordando de

outros membros da Comissão, chegou a declarar que, pessoalmente, era favorávela proposta de le. Burnside, não acreditan

do que ela pudesse ser transformada em instrumento de guerra econômica. Além disso, mostra-se convicto de que o Dc

partamento de Estado se encontra em opo* siçâo ao Senado e que, por uma questão dc amor-própno, êste se fez surdo às te^

comendações daquele. Não achamos, po rém, que exista de fato uma divergêncii fundamental entre o Legislativo e o Exo cutivo norte-americano, no que se refeie ao problema cafeeiro.

Entre um otimismo que desconhece a realidade e um conformismo que conduz à aceitação passiva de um provável desa-trc, não é possível permanecer indiferente quando chegamos à conclusão de que

afirmações contidas em nosso estudo "O Inquérito Gillettc, a Produção e o Comér

do Café, do Conselho Econômico e Social Interamericano, sr. Teófilo de Andrade,

cio do Café" continuam válidas e

conhecedor profundo dos problemas ca-

persistem.

- os peiU gos. por nos apontados mais- -que nunca

QUADRO COMPARATIVO DAS RECOMENDAÇÕES do Relatório Gillette 1

Que a Bolsa de Café e Açúcar de Nova York

do Relatório Ellender

Observações Que a Bolsa de Café

e Açúcar de Nova York

lei de intercâmbio de artigos de consumo

abandone

dos

abandone o uso dos

e que se ordene uma investigação nos

contratos D e- S pata

contratos futuros D e

negócios de café, porque essa declaração

S, substicuindo-os pelo

o

uso

segundo a própria declaração do sr. Ache son, foi encarregado de acompanhar ps

contra o fato de o Governo norte-ameri

entregas futuras de ca fé e os substitua pelo contrato U, ou tipo universal de contrato, para futuras liberações

trabalhos da Comissão do Senado e su

cano pedir aos países cafeeiros que criem

de café, de qualidade

constitui uma sugestão direta, de que os representantes oficiais dos países produto res estão violando a lei; protestou ainda

"uuca

contrato lU, de , acordo

com o qual as entregas de cafe, se estiverem

de acordo com a qua lidade desejada, pode-

Revisão

de

conservando-se

teúdo.

redação, . o

con-


DfGBSTO ECONÔMICO

34 do Relaíórto Ellonder

do ReUttórú) GiUette uniforme desejável, que

possa incluir café de

qualquer país produtor ou de qualquer porto

do

Obsertações

Económ ico

Relatório

râo ser feitas por qual quer país produtor ou

provir de qualquer porto de exportação.

do Relatório EUettder

repre

sentante nos H. U. A.,

to sôbre as práticas de venda e armazenamen to em entrepostos da

sentante

2. Pela revisão, transfor

que

detenha

Federação Nacional dos

café pertencente à Fe deração ou sob seu controle, que disponha

Plantadores de Café da

sa de Café e Açúcar de

sa de Café e Açúcar

mou-se a recomendação

Nova York não exe

de tais estoques ime

dc Nova York não adotar imediatamente

em proibição categóri ca; além disso, qualifi

diatamente e, no futu

esta sugestão, o Pro

ca-se de exagerada a

prática de reter esto--

curador-geral dos E. U. A. seja autorizado a

restrição c se substitui

^lues de café fora do

a palavra "contrôlc.s"

mercado e em

proibir, por decreto, o

por "dificuldades", dan

ijéns nos E. U. A.

emprego contínuo dos

do-lhe

contratos D e S, por

tude.-

cutar

prontamente

es

ta sugestão, possa o Procurador-geral dos E. U. A. tomar medi

das contra o uso con

tinuado dos contratos e S atuais, devido aos mesmos restringi rem o comércio do ca

fé e ^tenderem a criar controles desarrazoados.

3. Que a Bôlsa de Café e Açúcar de Nova York seja intimada a exe cutar imediatamente o que preceitua o seu re

gulamento, no que se refere à exigência do depósito de 50 % do valor das transações so bre contratos futuros de café, para margem de gartintin.

não

continue

na

le prontamente de ma neira a colocar o co

mércio do café sob o "Commodity Exchange Act".

norte-americana

os

contra

trustes.

b. Que o café existente

6. Que a

legislação do

6. Recomendação

supri-

em estoque nos arma

impôsto sôbre a renda,

mida; mas implicita

zéns, nos E. U. A., por interessados estrangei

nos

mente conservada.

emendas para taxado

e tendem a criar difi

ros ou em consignação

dos

culdades desarrazoadas.

de proprietários estran

pelos

que

estes

constituem

uma restrição exagera

da ao comércio do café

-3 • Que seja recomendado a Bôlsa de Café e Açú car de Nova York que ponha em vigor, ime diatamente, regulamen

3. Revisão

de

redação,

sem prejuízo do con

da

trangeiros, nas Bolsas

de Mercadorias dos E. U. A., isto para con ter a especulação "in

culação comerciai.

desejável" que prevale cado a têrmo de café.

^ • Que, se a Federação Nacional dos Plantado res de Café da Colôm-

mercadoria

bore rapidamente uma

bio ou outros interes dispuserem cios seus es

4. Pràficamente inalterada.

ríodo - razoável,

competência do "Com

cumbido de examinar,

nos

E. U.

A., dentro de um pe

comercio de café sob a

Plantadores de Café da

toques de café cru, ar mazenados

legislação colocando o

de

auferidos

interessado* es

ce atualmente no mer

objetn clc contrato.

4 • Que o Congresso ela

lucros

geiros, seja imediata-

teúdo.

futuros contratos a têrmo de café, margem de 50 % do valor cor rente

E. U. A., sofra

niente devolvido à cir

tos prevendo para- os

5. Que o Procurador-geral dos E. U. A. seja in

Nacional

países interessados e que tome as medidas previstas pela legislação

ampli

tal

modity Exchange Act".

5. Que se solicite à Fe

Colômbia e de outros

arma-

sados estrangeiros não

4. Que o Congresso legis

deração

maior

ro,

Observações

um pedido de inquéri

sr. Andrcs Uribe, ou

qualquer outro repre

barcado.

2. Que, no caso de a Bôl

GUlettb

Colômbia, seu

em que possa ser em

Que, no caso de a Bol

DIG Esro

fato

7. Que um representante dos E. U. A., familiari zado com as cláusulas cias lei.s anti-trustes, es teja presente a todas as

reuniões que realizar, no futuro, a Comissão Especial do Café do Conselho Econômico e

seja

Social Interamericano.

considerado

ou qualquer reunião de

como um esforço pa

suas comissões, de que participem os E. U. A,

mida; conservada im

ra romper a tendên cia normal da oferta e

plicitamente, porém.

da procura de c.£ifé cru

5. Recomendação

supri

7. Recomendação mais Ia conica; contém, no en

fanto, as duas anterio «3

ainda a parte

primlda da recomenda yo n. 7. pois as me didas contra os ttus

tes implicara na proi bição de serem retidos estoques fora do mer

cado, para manipula ção de preços.

....


DfGBSTO ECONÔMICO

34 do Relaíórto Ellonder

do ReUttórú) GiUette uniforme desejável, que

possa incluir café de

qualquer país produtor ou de qualquer porto

do

Obsertações

Económ ico

Relatório

râo ser feitas por qual quer país produtor ou

provir de qualquer porto de exportação.

do Relatório EUettder

repre

sentante nos H. U. A.,

to sôbre as práticas de venda e armazenamen to em entrepostos da

sentante

2. Pela revisão, transfor

que

detenha

Federação Nacional dos

café pertencente à Fe deração ou sob seu controle, que disponha

Plantadores de Café da

sa de Café e Açúcar de

sa de Café e Açúcar

mou-se a recomendação

Nova York não exe

de tais estoques ime

dc Nova York não adotar imediatamente

em proibição categóri ca; além disso, qualifi

diatamente e, no futu

esta sugestão, o Pro

ca-se de exagerada a

prática de reter esto--

curador-geral dos E. U. A. seja autorizado a

restrição c se substitui

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a palavra "contrôlc.s"

mercado e em

proibir, por decreto, o

por "dificuldades", dan

ijéns nos E. U. A.

emprego contínuo dos

do-lhe

contratos D e S, por

tude.-

cutar

prontamente

es

ta sugestão, possa o Procurador-geral dos E. U. A. tomar medi

das contra o uso con

tinuado dos contratos e S atuais, devido aos mesmos restringi rem o comércio do ca

fé e ^tenderem a criar controles desarrazoados.

3. Que a Bôlsa de Café e Açúcar de Nova York seja intimada a exe cutar imediatamente o que preceitua o seu re

gulamento, no que se refere à exigência do depósito de 50 % do valor das transações so bre contratos futuros de café, para margem de gartintin.

não

continue

na

le prontamente de ma neira a colocar o co

mércio do café sob o "Commodity Exchange Act".

norte-americana

os

contra

trustes.

b. Que o café existente

6. Que a

legislação do

6. Recomendação

supri-

em estoque nos arma

impôsto sôbre a renda,

mida; mas implicita

zéns, nos E. U. A., por interessados estrangei

nos

mente conservada.

emendas para taxado

e tendem a criar difi

ros ou em consignação

dos

culdades desarrazoadas.

de proprietários estran

pelos

que

estes

constituem

uma restrição exagera

da ao comércio do café

-3 • Que seja recomendado a Bôlsa de Café e Açú car de Nova York que ponha em vigor, ime diatamente, regulamen

3. Revisão

de

redação,

sem prejuízo do con

da

trangeiros, nas Bolsas

de Mercadorias dos E. U. A., isto para con ter a especulação "in

culação comerciai.

desejável" que prevale cado a têrmo de café.

^ • Que, se a Federação Nacional dos Plantado res de Café da Colôm-

mercadoria

bore rapidamente uma

bio ou outros interes dispuserem cios seus es

4. Pràficamente inalterada.

ríodo - razoável,

competência do "Com

cumbido de examinar,

nos

E. U.

A., dentro de um pe

comercio de café sob a

Plantadores de Café da

toques de café cru, ar mazenados

legislação colocando o

de

auferidos

interessado* es

ce atualmente no mer

objetn clc contrato.

4 • Que o Congresso ela

lucros

geiros, seja imediata-

teúdo.

futuros contratos a têrmo de café, margem de 50 % do valor cor rente

E. U. A., sofra

niente devolvido à cir

tos prevendo para- os

5. Que o Procurador-geral dos E. U. A. seja in

Nacional

países interessados e que tome as medidas previstas pela legislação

ampli

tal

modity Exchange Act".

5. Que se solicite à Fe

Colômbia e de outros

arma-

sados estrangeiros não

4. Que o Congresso legis

deração

maior

ro,

Observações

um pedido de inquéri

sr. Andrcs Uribe, ou

qualquer outro repre

barcado.

2. Que, no caso de a Bôl

GUlettb

Colômbia, seu

em que possa ser em

Que, no caso de a Bol

DIG Esro

fato

7. Que um representante dos E. U. A., familiari zado com as cláusulas cias lei.s anti-trustes, es teja presente a todas as

reuniões que realizar, no futuro, a Comissão Especial do Café do Conselho Econômico e

seja

Social Interamericano.

considerado

ou qualquer reunião de

como um esforço pa

suas comissões, de que participem os E. U. A,

mida; conservada im

ra romper a tendên cia normal da oferta e

plicitamente, porém.

da procura de c.£ifé cru

5. Recomendação

supri

7. Recomendação mais Ia conica; contém, no en

fanto, as duas anterio «3

ainda a parte

primlda da recomenda yo n. 7. pois as me didas contra os ttus

tes implicara na proi bição de serem retidos estoques fora do mer

cado, para manipula ção de preços.

....


DicinííTO l"rf)Nó.Miro

36

Observações

do Relatório EUender

do Relatório Gilhtlc

DionsTo Económjco do Relatório

ti do Relatório lUlviider

Cillellc

Observações

e que o Pcocucador-ge-

COS aos preparailos em

quais o consumo do c.t-

ral dos E. U. A. seja

fe agora supera a pro

autorizado a colocá-los

1/12/1949 e 31/3/ 1950, especialmente pa

sob a competência da lei anti-truste, compe-

ra a Subcomissão.

dução, os E. U. A. to

mem medidas para me lhorar e desenvolver a

"lindo-os a vender e im

cultura cafeeira em Porto Rico, continuem

pedindo, que, no fu turo, se formem novos

, a prestar assistência téc

estoques com idêntica

nica iis nações da Amé

finalidade.

Que a legislação do im

H. Que o Serviço de Re-

rica Central e do Sul. e ofereçam tal assistên

8. Redução ampliada para

posto sobre a renda,

censeamcnto dos E. U..

nos E. U. A., seja alte rada de modo a tribu

A. redija relatórios tri

mente

mestrais sobre a exis

Mercadorias c para de

amigas que desejem desenvolver sua produ

tência de café cru e

nunciar a existência de

ção cafeeira.

torrado disponíveis nos

especulação indesejável

armazéns, semelhantes

no mercado cafeciro.

tar os lucros auferidos por

estrangeiros, em

operações de bolsa ali realizadas.

mencionar as

Bolsas

de

aos redigidos èm 1/12/ 19-19 e 31/3/1950, es pecialmente para uso

9. Que seja pedido aos

pecial do Café do Con

café que criem depar-

quaisquer de suas co

missões, realizadas nos

E. U. A., ou de que es tes participem, esteja presente um represen

tante do Departamento

de Justiça dos E, IJ. A.,

11

países

produtores

de

outras

nações

Que, levando em conta 11 . Recomendação

exportação cafeeira. que é ainda muito cedo pa ra determinar até que

ses a ajustarem as suas taxas oficiais de câm

tante, tornando claro o propósito da interven

bio do cruzeiro e do

ponto o consumo do

peso aos certificados de

café continuará a decli

estatísticas exatas sôbre

ção direta, para contro

câmbio

nar de modo perma

os armazenamentos de

lar o comércio de café

real daquelas moedas.

• tamcntos que levantem

café disponível, tanto

e alterar-lhe a estrutu

nos

ra.

entrepostos como

ou

ao

supri-

mida.

guns países da Améri ca Central c do Sul de pende largamente da

Colômbia, de maneira

9. Redação alterada para qualificar o represen

a

que a economia de al

suas vias diplomáticas, ofereça assistência aos

a auxiliar aqueles paí

9. Que nas futuras reu niões da Comissão Es

cial Interamericano, ou

. Que i>.s E. U. A., por

governos do Brasil c da

da Subcomissão.

selho Econômico e So

cia

explicita

valor

nente,

por

causa

da

alta dos preços, e que a

redução

permanen

te, tal como a que houve durante os qua

em todo o país, e que avaliam as colheitas, as

tro primeiros meses deste ano, cedo ou tar

superfícies plantadas e o número de cafeeiros.

especialmente designa do pelo Procurador-ge

de abalaria sua posição financeira, seja tal fato levado ao conheci

ral.

mento dessas nações íh ]0. Que o Serviço de Recenseamento dos E. U. A.

bem como das agências

do Govêtno dos E. U.

organize relatórios tri

dos representantes das

A., em contacto cora

mestrais sobre os esto

nações produtoras de

os países cafeicultorcs.

ques

café do hemisfério oci

disponíveis

de

café e torrado, idênti-

K:'--

10. Que, em consideração 10. Redação conservada. às reiteradas declarações

dental,

segundo

as

12. Que os governos dos 'países produtores de

12

Que as "forças armadas 12. Reda^o alterada para norte-americanas" com-

' " qualificarem — " não se os


DicinííTO l"rf)Nó.Miro

36

Observações

do Relatório EUender

do Relatório Gilhtlc

DionsTo Económjco do Relatório

ti do Relatório lUlviider

Cillellc

Observações

e que o Pcocucador-ge-

COS aos preparailos em

quais o consumo do c.t-

ral dos E. U. A. seja

fe agora supera a pro

autorizado a colocá-los

1/12/1949 e 31/3/ 1950, especialmente pa

sob a competência da lei anti-truste, compe-

ra a Subcomissão.

dução, os E. U. A. to

mem medidas para me lhorar e desenvolver a

"lindo-os a vender e im

cultura cafeeira em Porto Rico, continuem

pedindo, que, no fu turo, se formem novos

, a prestar assistência téc

estoques com idêntica

nica iis nações da Amé

finalidade.

Que a legislação do im

H. Que o Serviço de Re-

rica Central e do Sul. e ofereçam tal assistên

8. Redução ampliada para

posto sobre a renda,

censeamcnto dos E. U..

nos E. U. A., seja alte rada de modo a tribu

A. redija relatórios tri

mente

mestrais sobre a exis

Mercadorias c para de

amigas que desejem desenvolver sua produ

tência de café cru e

nunciar a existência de

ção cafeeira.

torrado disponíveis nos

especulação indesejável

armazéns, semelhantes

no mercado cafeciro.

tar os lucros auferidos por

estrangeiros, em

operações de bolsa ali realizadas.

mencionar as

Bolsas

de

aos redigidos èm 1/12/ 19-19 e 31/3/1950, es pecialmente para uso

9. Que seja pedido aos

pecial do Café do Con

café que criem depar-

quaisquer de suas co

missões, realizadas nos

E. U. A., ou de que es tes participem, esteja presente um represen

tante do Departamento

de Justiça dos E, IJ. A.,

11

países

produtores

de

outras

nações

Que, levando em conta 11 . Recomendação

exportação cafeeira. que é ainda muito cedo pa ra determinar até que

ses a ajustarem as suas taxas oficiais de câm

tante, tornando claro o propósito da interven

bio do cruzeiro e do

ponto o consumo do

peso aos certificados de

café continuará a decli

estatísticas exatas sôbre

ção direta, para contro

câmbio

nar de modo perma

os armazenamentos de

lar o comércio de café

real daquelas moedas.

• tamcntos que levantem

café disponível, tanto

e alterar-lhe a estrutu

nos

ra.

entrepostos como

ou

ao

supri-

mida.

guns países da Améri ca Central c do Sul de pende largamente da

Colômbia, de maneira

9. Redação alterada para qualificar o represen

a

que a economia de al

suas vias diplomáticas, ofereça assistência aos

a auxiliar aqueles paí

9. Que nas futuras reu niões da Comissão Es

cial Interamericano, ou

. Que i>.s E. U. A., por

governos do Brasil c da

da Subcomissão.

selho Econômico e So

cia

explicita

valor

nente,

por

causa

da

alta dos preços, e que a

redução

permanen

te, tal como a que houve durante os qua

em todo o país, e que avaliam as colheitas, as

tro primeiros meses deste ano, cedo ou tar

superfícies plantadas e o número de cafeeiros.

especialmente designa do pelo Procurador-ge

de abalaria sua posição financeira, seja tal fato levado ao conheci

ral.

mento dessas nações íh ]0. Que o Serviço de Recenseamento dos E. U. A.

bem como das agências

do Govêtno dos E. U.

organize relatórios tri

dos representantes das

A., em contacto cora

mestrais sobre os esto

nações produtoras de

os países cafeicultorcs.

ques

café do hemisfério oci

disponíveis

de

café e torrado, idênti-

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10. Que, em consideração 10. Redação conservada. às reiteradas declarações

dental,

segundo

as

12. Que os governos dos 'países produtores de

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Que as "forças armadas 12. Reda^o alterada para norte-americanas" com-

' " qualificarem — " não se os


r

DlGP-STÜ

58 do

Relatório

café sejam

Gillette

do

Ohscrvaçõei

do Relatório Elletide:

aconselha

prem café mensalmen

dos d estabelecer orga

te, nestes 6 ou 8 pró

nizações estatísticas efi

ximos meses, e modifi

cientes que possam for

quem as cláusulas dos

departamentos i.le cst.itística. substituindo, poiém, a expressão "cstatísi'Ciis completas" por

necer estatísticas com

contratos

"estatística* exatas".

atuais

de

pletas sôbre os esto ques de café existen

compra,

tes tanto nos armazéns

de qualquer qualida de igual ou superior au café Santos, Tipo 4.

gerais quanto no inte rior, estimativas de sa

fras, áreas cultivadas,

a

permitir

fim

a

DIGESTO

ht tíNÒNtl(.<l

]

econômico

Relatório

fé, SC

presentantes dos prin

cipais países cafeeiros do hemisfério ociden tal de que hoje o con sumo do café excede a produção, os E. U. A

ofereçam assistência téc

ao

cuidadosa

mente quaisquer novos

de

empréstimos a conce der a êsses paíse.s.

entrega

15. Que a Administração da Cooperação Econô

13. Que o Procurador-geral 13 Redação ampliada, pu'

qualquer futuro

para a compra do café.

ra serem incluídos Pôr-

inquérito sôbre os por-

to Rico e nações du

menores das compras

América Centra! e do

de

compre

de café por George V.

Sul que

Robbins,

da

assistência

Maxwell

House,

firma

divisão

já

recebiam

Defesa

Nacional

café

da

que exclui o Brasil,

General Foods

" ximos ó ou 8 meses, e

visto não necessitarmos

que altere suas especi ficações de compra de

ano de 1948, a fim de

mesma.

do Brasil durante o

modo a permitir o for

verificar se as leis fe

ripo igual ou melhor que o Santos i Supe

\A. Que, devido ao fato de 14. Que o consumidor nor- 14 Redação ligeiramente a economia de determi te-americano siga as alterada quanto à for nados países da Amé recomendações da As ma; perigosamente am rica Central e do Sul sociação Americana de pliada, porém, ao se depender estreitamente

n. Que o Procurador-geral

pras de café realizadas

de ainda ser muito cedo para se determi nar até que ponto o consumo do café decli

nará em virtude dos preços atuais e de que

uma queda

contínua,

como a que se verificou nos quatro primeiros meses de 1950, tarde

Doméstica

substituir a expressão

sôbre a preparação do café e continue na prá

"provocará crise nos preços do café" por

tica atual de não des

perdiçar, até que os

"abalaria sua posição financeira". Além dis

armazenamentos de ca

so

fé acumulados sejam li berados pelos produto res

ou

chegue

produção.

nova

nas quanto à forma.

necimento de qualquer

derais foram violadas.

Economia

16. Redação alterada ape-

mensal

mente, durante os pró-

da

técnica,

1 ó. Que o Departamento

o

amigas que desejem expandir sua produção

devido também ao fato

supri

mida.

empréstimo de dólares

dos E. U. A. abra um

Corporation, ao DNC

da exportação cafeeira.

15 . Recomendação

mica SC rccusc a auto

nica a outras nações

cafeeira.

recomende

Govêrno dos E. U. A.

rizar

das declarações dos re

Observações

ou cedo provocará uma crise nos preços do ca

examinar

número de cafeeiros etc. 13. Que diante das reitera

do Relatório EUender

Gillotte

tornou-se

obscura,

rior.

17. Redação conservada-.

dos E. U. A. investigue os

detalhes

pelo

sr.

das

George

com

V.

Robbins, da divisão Maxwell House, da fir ma General Foods Cor

sem deixar de sugerir

poration, junto ao DNC do Brasil, no ano

a possibilidade de res trições de crédito.

terminar se foram vio

de 1948, a fim de de

ladas quaisquer leis fe derais.

Que até que os e.sto

18. Redação conservada; jf.

^

'


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58 do

Relatório

café sejam

Gillette

do

Ohscrvaçõei

do Relatório Elletide:

aconselha

prem café mensalmen

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te, nestes 6 ou 8 pró

nizações estatísticas efi

ximos meses, e modifi

cientes que possam for

quem as cláusulas dos

departamentos i.le cst.itística. substituindo, poiém, a expressão "cstatísi'Ciis completas" por

necer estatísticas com

contratos

"estatística* exatas".

atuais

de

pletas sôbre os esto ques de café existen

compra,

tes tanto nos armazéns

de qualquer qualida de igual ou superior au café Santos, Tipo 4.

gerais quanto no inte rior, estimativas de sa

fras, áreas cultivadas,

a

permitir

fim

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Relatório

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presentantes dos prin

cipais países cafeeiros do hemisfério ociden tal de que hoje o con sumo do café excede a produção, os E. U. A

ofereçam assistência téc

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mente quaisquer novos

de

empréstimos a conce der a êsses paíse.s.

entrega

15. Que a Administração da Cooperação Econô

13. Que o Procurador-geral 13 Redação ampliada, pu'

qualquer futuro

para a compra do café.

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inquérito sôbre os por-

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menores das compras

América Centra! e do

de

compre

de café por George V.

Sul que

Robbins,

da

assistência

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firma

divisão

já

recebiam

Defesa

Nacional

café

da

que exclui o Brasil,

General Foods

" ximos ó ou 8 meses, e

visto não necessitarmos

que altere suas especi ficações de compra de

ano de 1948, a fim de

mesma.

do Brasil durante o

modo a permitir o for

verificar se as leis fe

ripo igual ou melhor que o Santos i Supe

\A. Que, devido ao fato de 14. Que o consumidor nor- 14 Redação ligeiramente a economia de determi te-americano siga as alterada quanto à for nados países da Amé recomendações da As ma; perigosamente am rica Central e do Sul sociação Americana de pliada, porém, ao se depender estreitamente

n. Que o Procurador-geral

pras de café realizadas

de ainda ser muito cedo para se determi nar até que ponto o consumo do café decli

nará em virtude dos preços atuais e de que

uma queda

contínua,

como a que se verificou nos quatro primeiros meses de 1950, tarde

Doméstica

substituir a expressão

sôbre a preparação do café e continue na prá

"provocará crise nos preços do café" por

tica atual de não des

perdiçar, até que os

"abalaria sua posição financeira". Além dis

armazenamentos de ca

so

fé acumulados sejam li berados pelos produto res

ou

chegue

produção.

nova

nas quanto à forma.

necimento de qualquer

derais foram violadas.

Economia

16. Redação alterada ape-

mensal

mente, durante os pró-

da

técnica,

1 ó. Que o Departamento

o

amigas que desejem expandir sua produção

devido também ao fato

supri

mida.

empréstimo de dólares

dos E. U. A. abra um

Corporation, ao DNC

da exportação cafeeira.

15 . Recomendação

mica SC rccusc a auto

nica a outras nações

cafeeira.

recomende

Govêrno dos E. U. A.

rizar

das declarações dos re

Observações

ou cedo provocará uma crise nos preços do ca

examinar

número de cafeeiros etc. 13. Que diante das reitera

do Relatório EUender

Gillotte

tornou-se

obscura,

rior.

17. Redação conservada-.

dos E. U. A. investigue os

detalhes

pelo

sr.

das

George

com

V.

Robbins, da divisão Maxwell House, da fir ma General Foods Cor

sem deixar de sugerir

poration, junto ao DNC do Brasil, no ano

a possibilidade de res trições de crédito.

terminar se foram vio

de 1948, a fim de de

ladas quaisquer leis fe derais.

Que até que os e.sto

18. Redação conservada; jf.

^

'


DiccsTO Econômico "

40

do Relatório GiUetie

do Reliitórin lílictider

Observações

ques acumulados dc ca

i;cira alteração da for-

fé sejam liberados pe

ma.

'J

Economistas

•IwMi'» fia Silva l.,ÍMl>oa. VI.<«fonfle cie Cairii

los países produtores, ou que novas produ

BASILIO DIj Magalhãos

ções afluam de outras

I^ASCIDO em 1756 na cidade do Salva

áreas, os consumidores sisam

ções

as

da

Americana

dor e,destinado pela família à,carrei

recomenda

ra eclesiástica (da qüal se escapuliu opor tunamente), José da Silva Lisboa aprofun

Associação de

Econo

mia Domestica para o

dou-se no conhecimento do Latim, do Gre

preparo do café e con

go e do Hebraico, tendo sido professor

tinuem na prática de não desperdiçar café.

dessas duas últimas linguas em Coimbra e na Bahia.

Bacharelou-se em Direito

Canônico e em Filosofia naquela univer 19. Que

os torradores e

varejistas de café de

vem abolir seu sistema

de cálculo percentual de lucro sobre o custo

do café e aplicar uma taxa de retribuição com

base na unidade libra-

pêso, idêntica à que percebiam na primeira metade de 1949.

brasileiros

19. Recomendação mida.

supri

sidade lusitana ( 1779), então reforma da e reiterada pelo preclaro fluminense

Asemlendo a uma solicitação do D/Vetof do "Digesto Econômico", o preclaro historiador Easilio de Magalhães aceitou a

incumbência de escrever uma série de per' fis de economistas e financistas brasileiros. Em números anteriores, já foram publi cados os de Alexandre de Gusmão e Aze redo Coutinho. Nos ntimeros de novem-' bro e dezembro a nossa Revista divulgará os de José Bonifácio, o Patriarca, e Sebas tião Ferreira Soares.

D. Francisco de Lemos de Faria Pereira

Coutinho, Conde de .Arganii. De regresso à terra natal (onde logo Constituiu família), entregou-se exclusi

lhor da sua aprimorada inteligência pa

vamente ao ensino do Gre.go e do He

sociais dos insignes escritores inglêseg que, dos fins do século XVIII para o primeiro quartel do chamado "das lu

braico (a título interino c durante um lustro), assim como de Filosofia Racio nal e Moral (cadeira que regeu dezoito anos),

Jubilado em 1797, trocou o ma

gistério, no mesmo ano, pelo mandato deputado, acrescido da função de se cretário da Mesa de Inspeção das Rcn•Jíis da Cidaile da Bahia. Se o longo exercício do professorado

lhe apurou as tendências dialéticas e es peculativas (//> fabricatido faber),

o

novo cargo, em que prestou relevantes serviços ao comércio e à agricultura da sua capitania natal, o impulsionou, sem

ra o aproveitamento das elevadas idéias

zes", criaram a autêntica "economia polírica", expressão atribuída a Antoine de Montchrestien, em começos do século XVII, segundo Saintsbury ("French 1" tcrature", pág. 289).

Foi indubitavelmente em nosso míc

que Jose da Silva Lisboa se familiarizou com obras de Adam Smith, Malthus l Ricardo, por cie denominados "triúnvi ros da economia política". Além de

Siderar o primeiro dos citados pensadores" britânicos o maior economista da Eu

perda de tempo, a altos estudos de as

topa e "o homem que faltava à terra

suntos sociais e a escritos de fôlego que o haviam de imortalizar.

para por em ordem os negócios da so

A influência da Grã-Bretanha na "in versão brasileira" deve ter concorrido in

tensamente para que José da Silva Lis

ciedade e dar aos impérios sua firmeza e esplendor , ainda aparelhou iiteràriamente o filho . (Bento da Silva Lisboa

depois 2.° Barão de Cairú), então um

boa, contrário à grande Revolução Fran

rapaz de 18 anos, a traduzir e publicar

cesa de 1789 e à orgia de sangue'de Bo-

o "Compêndio da obra Riqueza das Na

naparte, volvesse carinhosamente o me-

ções de Adani Smitit" (Rio, 1811-1812)

%

i


DiccsTO Econômico "

40

do Relatório GiUetie

do Reliitórin lílictider

Observações

ques acumulados dc ca

i;cira alteração da for-

fé sejam liberados pe

ma.

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Economistas

•IwMi'» fia Silva l.,ÍMl>oa. VI.<«fonfle cie Cairii

los países produtores, ou que novas produ

BASILIO DIj Magalhãos

ções afluam de outras

I^ASCIDO em 1756 na cidade do Salva

áreas, os consumidores sisam

ções

as

da

Americana

dor e,destinado pela família à,carrei

recomenda

ra eclesiástica (da qüal se escapuliu opor tunamente), José da Silva Lisboa aprofun

Associação de

Econo

mia Domestica para o

dou-se no conhecimento do Latim, do Gre

preparo do café e con

go e do Hebraico, tendo sido professor

tinuem na prática de não desperdiçar café.

dessas duas últimas linguas em Coimbra e na Bahia.

Bacharelou-se em Direito

Canônico e em Filosofia naquela univer 19. Que

os torradores e

varejistas de café de

vem abolir seu sistema

de cálculo percentual de lucro sobre o custo

do café e aplicar uma taxa de retribuição com

base na unidade libra-

pêso, idêntica à que percebiam na primeira metade de 1949.

brasileiros

19. Recomendação mida.

supri

sidade lusitana ( 1779), então reforma da e reiterada pelo preclaro fluminense

Asemlendo a uma solicitação do D/Vetof do "Digesto Econômico", o preclaro historiador Easilio de Magalhães aceitou a

incumbência de escrever uma série de per' fis de economistas e financistas brasileiros. Em números anteriores, já foram publi cados os de Alexandre de Gusmão e Aze redo Coutinho. Nos ntimeros de novem-' bro e dezembro a nossa Revista divulgará os de José Bonifácio, o Patriarca, e Sebas tião Ferreira Soares.

D. Francisco de Lemos de Faria Pereira

Coutinho, Conde de .Arganii. De regresso à terra natal (onde logo Constituiu família), entregou-se exclusi

lhor da sua aprimorada inteligência pa

vamente ao ensino do Gre.go e do He

sociais dos insignes escritores inglêseg que, dos fins do século XVIII para o primeiro quartel do chamado "das lu

braico (a título interino c durante um lustro), assim como de Filosofia Racio nal e Moral (cadeira que regeu dezoito anos),

Jubilado em 1797, trocou o ma

gistério, no mesmo ano, pelo mandato deputado, acrescido da função de se cretário da Mesa de Inspeção das Rcn•Jíis da Cidaile da Bahia. Se o longo exercício do professorado

lhe apurou as tendências dialéticas e es peculativas (//> fabricatido faber),

o

novo cargo, em que prestou relevantes serviços ao comércio e à agricultura da sua capitania natal, o impulsionou, sem

ra o aproveitamento das elevadas idéias

zes", criaram a autêntica "economia polírica", expressão atribuída a Antoine de Montchrestien, em começos do século XVII, segundo Saintsbury ("French 1" tcrature", pág. 289).

Foi indubitavelmente em nosso míc

que Jose da Silva Lisboa se familiarizou com obras de Adam Smith, Malthus l Ricardo, por cie denominados "triúnvi ros da economia política". Além de

Siderar o primeiro dos citados pensadores" britânicos o maior economista da Eu

perda de tempo, a altos estudos de as

topa e "o homem que faltava à terra

suntos sociais e a escritos de fôlego que o haviam de imortalizar.

para por em ordem os negócios da so

A influência da Grã-Bretanha na "in versão brasileira" deve ter concorrido in

tensamente para que José da Silva Lis

ciedade e dar aos impérios sua firmeza e esplendor , ainda aparelhou iiteràriamente o filho . (Bento da Silva Lisboa

depois 2.° Barão de Cairú), então um

boa, contrário à grande Revolução Fran

rapaz de 18 anos, a traduzir e publicar

cesa de 1789 e à orgia de sangue'de Bo-

o "Compêndio da obra Riqueza das Na

naparte, volvesse carinhosamente o me-

ções de Adani Smitit" (Rio, 1811-1812)

%

i


42

DiGBSrO

HCONOMUO

Digbsto Econômico

4?

mo se depreende de seus próprios escritos

dos figurões da corte emigrada,

príncipe-regeme, depois D. João VI.

e de afirmações categóricas do velho Me

pasmaram de vir encontrar na colônia va

primeiro.'» intitularam-se "'Observações so

Antes da chegada da família real por tuguesa às nossas plagas, já o erudito

lo Morais e do Conselheiro Pereira da Sil

bre a franqueza da indústria e estabeleci mento dc fábricas no Brasil" e "Obser

baiano havia eiocubrado duas obras de

janeiro de 1808 ? Na cidade fund.nda por

rão de tão elevados ideais c profunda ilus tração cm ciências políticas e econômicas. Rendendo homenagem aos seus indiscutí veis méritos, nomeou-o n príncipe, por decreto de 23 de fevereiro de 1808. re gente dc uma cadeira e aula pública de

em três

tomos e com dedicatória

ao

suma importância, que o exalçaram em

nossa língua, aquém e além-Atlántico, à inegável glória de "fundador do Direi to Mercantil", como ponderou o Conse

lheiro Pereira da Silva, em "Os varões ilustres do Brasil". Os "Princípios de Direito Mercantil e

leis

de

va, o sugestionador do decreto de 28 de Tomé dc Sousa não havia então nenlium outro homem," senão cie, para compreen der bem todo o alcance da "inversão bra

sileira", forçada pelas baionetas napolcônicas; ninguém conhecia ali, como é dc crer, as vantagens do m-^rc lihcrum. pre

conizadas por Grocius desde

marinha" apareceram na capi-

i609; c talvez só êle compul-

^tal lusitana em 1798. limitados

a dois tomos, que se desdobra

sasse ali. com

ram em seis na reimpressão de

noturna, os tratados dos gran

1801-1803, seguida de repubhcaçoes parciais. A primeira edição brasileira (Rio, 1874) em dois grossos volumes, de-

des economistas britânicos. Só

''ti'':notícia

. que

com excelente

a

éJe, por conseguinte, é que po

dia, apreciando a ainda então combatida providência da aber tura dos nossos portos às na ções amigas, qualificar a car-

enriqueceu

blobi-

ta-régia, firmada pelo principe-

bliografica do autor e nma

regente a 28 de janeiro de

smopse da história do comércio nniversai

fuvTLlb Silva L sboa intitulara ■ r''"Regras - oPÚscuios da praça" Reflexões sobre o comércio de segu

ros . O outro trabalho do colendo baiano teve o comprido nome de "Princípios

de Economia Política _ Pata se„ir de introdução à tentativa econômica do auto:

dos Prmc,p,os de Direito Mercantil" (t°

boa. 1804)^ Acredita Biake ter

causa esta obra, inspirada na de Adam

Srniüi, a nomeaçac de Silva Lisboa para miciar na capiral brasileira o ensino púbilco de Economia Política, (l)

Teria sido o culto professor baiano co-

mão diurna e

1808, como "o sólido e profun

do alicerce ou, para melhor dizer, a pedra

resultou "A criação dos cursos jurídicos no Brasil" (veja-se êsse trabalho às págs 299-341 do vol. 155 da "Rev. do Inst. Hist. e Geogr. Brás."), dêle afirmou o culto espírito de Alfredo Valadão que, corn oa "Princípios de Direito Mercantil", man-

Economia Política, criada especialmente no Rio para êsse fim. com o ordenado de •ÍOOSOOO anuais, conservados os dois lu

gares de deputado c secretário da Mesa de Inspeção da Agricultura e Comércio da Bahia, que exercia ; c convídou-o a acom panhá-lo ao Rio de Janeiro, onde o cumu

lou de dignidades.

Teve. posteriormen

te, em 1825 e 1826, os títulos nobiliár9tiicos de I.° Barão e Visconde de Cairu".

Inocêncio Francisco da Silva, o grande

bibliógrafo, observou que a pena de José

riados objetos políticos e filosóficos, li terários e até religiosos". (2). Darei pre

mindo-se assim em sua primeira obra im

À defesa da abertura dos nossos portos

pressa em nossa pátria, "Observações so

pela obra acima citada seguiram-se cinco

bre o comércio franco do Brasil" (Rio,

livros, aparecidos no mesmo ano, dois logo

1808-1809), dividida em três partes e

destinada a defender aquêle benfazejo

reeditados, e que comprovam quanto O «nsigne baiano se preocupava com o pro-

ato do filho de D.'* Maria 1.

Sresso da nossa nacionalidade e como as

suas

idéias

adiantadas

repercutiam

no

"História administrativa do Brasil", (2) — Ninguém tributou mais íntegra justiça ao Visconde de Cairu do que o

sumindo tudo quanto o nosso egrégio pa trício mereceu logo de D. João e dos seus

exigente Sílvio Romei'o

mais esclarecidos auxiliares : "Silva Lis

principais,

(págs. 158-165

"Compêndio de história da literatura uradleira"), que, elogiando-lhe as obras

por ser "obra única no vernáculo, de enorme valor, servindo, na época, de

Código Comercial, de indispensável au toridade em todos os domínios da mo narquia portuguêsa, como proclamava Ferreira Borges".

contra o comércio inglês — Extraída de

escritores eminentes" (Rio. 1810). em duas partes, e "Reflexões sôbre o comér cio dos seguros" (Rio, 1810). contendo o cálculo de Condorcet, traduzido da "En ciclopédia metódica". A quinta mono grafia, também impressa em 1810, é de" molde a ser comentada em destaque.

Redigira Mariano Moreno, em 1809. a "Representación de los hacendados", a qual, impedida pelo vice-rei de ser dada

dita obra "La revolución de mayo y Ma riano. Moreno", assim se referiu ao nosso eminente patrício: "La brillante prosa

de Da Silva Lisboa, su sólida Informa cmn, Ia ardiente fé que profesa a los prin

aptos Iiberales de Ia economia de "s Estados. Ia seguridad y empuje con que a remete contra los viejos perjuicios, desacan su personalidad como uno de^bs

luchadores más representativos de Z emancipacion econômica emancipación económirs de Af América"

a

exposição das

memória da lavra do culto professor

eo da Inglaterra, no tempo de Malthus

zoes dos lavradores do Vice-Reinado de

pela lúcida

lóéii s capitais "do liberalismo económi-

e Ricardo", assim sintetiza o seu juízo :

dou "a lição do Brasil para Coimbra",

Bahia em 1811). Dois outros foram os

denominados Refutação das declamàções

por meio de cópias, tendo chegado desse modo ao conhecimento do futuro Viscon de de .Cairu. Êste apreciou logo o rele vante assunto de maneira cabal, dando-lhe transcendência americana". Foi como opinou Ricardo Levene, que, em sua eru

ferência, por enquanto, ao que êle pro

Max Fleiuss prestou tributo à verdade, re

vações sôbre a propriedade do E:;tado pelos liberais princípios da nova legislação do Brasil (Rio, 1810, com reedição na

à estampa na capital platina, foi divulgada

duziu no setor econômico.

sua

Os dois

so", dela saindo constantemente -'memótias interessantes acêrca de muitos e va

império, que declarou vir criar", expri-

Às páginas 65-66 da segunda edição de

Vice-Reino do Rio da Prata.

da Silva Li.sboa "'nunca conheceu o repou

angular do edifício da civilização, o novo

boa foi alvo da maior admiração por parte

,tomou -Silva Discorrendo a parte Lisboa sobre no debate de que que

que se

Não é autor de sistema filosófico, cien

tifico ou social novo; seu grande título e haver sido o primeiro a pregar entre

riós as teorias inglêsas sôbre o comércio

livre, a indústria livre, sôbre a Economia Política, sôbre o govêrno representativo P vinte outras matérias conexas".

_ no saiu com o comprido título: "Ra. uenos Aires para a franqueza do co

mércio com os ingleses contra a repre sentação de alguns comerciantes e reso

lução do govêrno — Com apêndice de observações e exame dos efeitos do novo ..

.... A. . X.-,..»

L

.■

J


42

DiGBSrO

HCONOMUO

Digbsto Econômico

4?

mo se depreende de seus próprios escritos

dos figurões da corte emigrada,

príncipe-regeme, depois D. João VI.

e de afirmações categóricas do velho Me

pasmaram de vir encontrar na colônia va

primeiro.'» intitularam-se "'Observações so

Antes da chegada da família real por tuguesa às nossas plagas, já o erudito

lo Morais e do Conselheiro Pereira da Sil

bre a franqueza da indústria e estabeleci mento dc fábricas no Brasil" e "Obser

baiano havia eiocubrado duas obras de

janeiro de 1808 ? Na cidade fund.nda por

rão de tão elevados ideais c profunda ilus tração cm ciências políticas e econômicas. Rendendo homenagem aos seus indiscutí veis méritos, nomeou-o n príncipe, por decreto de 23 de fevereiro de 1808. re gente dc uma cadeira e aula pública de

em três

tomos e com dedicatória

ao

suma importância, que o exalçaram em

nossa língua, aquém e além-Atlántico, à inegável glória de "fundador do Direi to Mercantil", como ponderou o Conse

lheiro Pereira da Silva, em "Os varões ilustres do Brasil". Os "Princípios de Direito Mercantil e

leis

de

va, o sugestionador do decreto de 28 de Tomé dc Sousa não havia então nenlium outro homem," senão cie, para compreen der bem todo o alcance da "inversão bra

sileira", forçada pelas baionetas napolcônicas; ninguém conhecia ali, como é dc crer, as vantagens do m-^rc lihcrum. pre

conizadas por Grocius desde

marinha" apareceram na capi-

i609; c talvez só êle compul-

^tal lusitana em 1798. limitados

a dois tomos, que se desdobra

sasse ali. com

ram em seis na reimpressão de

noturna, os tratados dos gran

1801-1803, seguida de repubhcaçoes parciais. A primeira edição brasileira (Rio, 1874) em dois grossos volumes, de-

des economistas britânicos. Só

''ti'':notícia

. que

com excelente

a

éJe, por conseguinte, é que po

dia, apreciando a ainda então combatida providência da aber tura dos nossos portos às na ções amigas, qualificar a car-

enriqueceu

blobi-

ta-régia, firmada pelo principe-

bliografica do autor e nma

regente a 28 de janeiro de

smopse da história do comércio nniversai

fuvTLlb Silva L sboa intitulara ■ r''"Regras - oPÚscuios da praça" Reflexões sobre o comércio de segu

ros . O outro trabalho do colendo baiano teve o comprido nome de "Princípios

de Economia Política _ Pata se„ir de introdução à tentativa econômica do auto:

dos Prmc,p,os de Direito Mercantil" (t°

boa. 1804)^ Acredita Biake ter

causa esta obra, inspirada na de Adam

Srniüi, a nomeaçac de Silva Lisboa para miciar na capiral brasileira o ensino púbilco de Economia Política, (l)

Teria sido o culto professor baiano co-

mão diurna e

1808, como "o sólido e profun

do alicerce ou, para melhor dizer, a pedra

resultou "A criação dos cursos jurídicos no Brasil" (veja-se êsse trabalho às págs 299-341 do vol. 155 da "Rev. do Inst. Hist. e Geogr. Brás."), dêle afirmou o culto espírito de Alfredo Valadão que, corn oa "Princípios de Direito Mercantil", man-

Economia Política, criada especialmente no Rio para êsse fim. com o ordenado de •ÍOOSOOO anuais, conservados os dois lu

gares de deputado c secretário da Mesa de Inspeção da Agricultura e Comércio da Bahia, que exercia ; c convídou-o a acom panhá-lo ao Rio de Janeiro, onde o cumu

lou de dignidades.

Teve. posteriormen

te, em 1825 e 1826, os títulos nobiliár9tiicos de I.° Barão e Visconde de Cairu".

Inocêncio Francisco da Silva, o grande

bibliógrafo, observou que a pena de José

riados objetos políticos e filosóficos, li terários e até religiosos". (2). Darei pre

mindo-se assim em sua primeira obra im

À defesa da abertura dos nossos portos

pressa em nossa pátria, "Observações so

pela obra acima citada seguiram-se cinco

bre o comércio franco do Brasil" (Rio,

livros, aparecidos no mesmo ano, dois logo

1808-1809), dividida em três partes e

destinada a defender aquêle benfazejo

reeditados, e que comprovam quanto O «nsigne baiano se preocupava com o pro-

ato do filho de D.'* Maria 1.

Sresso da nossa nacionalidade e como as

suas

idéias

adiantadas

repercutiam

no

"História administrativa do Brasil", (2) — Ninguém tributou mais íntegra justiça ao Visconde de Cairu do que o

sumindo tudo quanto o nosso egrégio pa trício mereceu logo de D. João e dos seus

exigente Sílvio Romei'o

mais esclarecidos auxiliares : "Silva Lis

principais,

(págs. 158-165

"Compêndio de história da literatura uradleira"), que, elogiando-lhe as obras

por ser "obra única no vernáculo, de enorme valor, servindo, na época, de

Código Comercial, de indispensável au toridade em todos os domínios da mo narquia portuguêsa, como proclamava Ferreira Borges".

contra o comércio inglês — Extraída de

escritores eminentes" (Rio. 1810). em duas partes, e "Reflexões sôbre o comér cio dos seguros" (Rio, 1810). contendo o cálculo de Condorcet, traduzido da "En ciclopédia metódica". A quinta mono grafia, também impressa em 1810, é de" molde a ser comentada em destaque.

Redigira Mariano Moreno, em 1809. a "Representación de los hacendados", a qual, impedida pelo vice-rei de ser dada

dita obra "La revolución de mayo y Ma riano. Moreno", assim se referiu ao nosso eminente patrício: "La brillante prosa

de Da Silva Lisboa, su sólida Informa cmn, Ia ardiente fé que profesa a los prin

aptos Iiberales de Ia economia de "s Estados. Ia seguridad y empuje con que a remete contra los viejos perjuicios, desacan su personalidad como uno de^bs

luchadores más representativos de Z emancipacion econômica emancipación económirs de Af América"

a

exposição das

memória da lavra do culto professor

eo da Inglaterra, no tempo de Malthus

zoes dos lavradores do Vice-Reinado de

pela lúcida

lóéii s capitais "do liberalismo económi-

e Ricardo", assim sintetiza o seu juízo :

dou "a lição do Brasil para Coimbra",

Bahia em 1811). Dois outros foram os

denominados Refutação das declamàções

por meio de cópias, tendo chegado desse modo ao conhecimento do futuro Viscon de de .Cairu. Êste apreciou logo o rele vante assunto de maneira cabal, dando-lhe transcendência americana". Foi como opinou Ricardo Levene, que, em sua eru

ferência, por enquanto, ao que êle pro

Max Fleiuss prestou tributo à verdade, re

vações sôbre a propriedade do E:;tado pelos liberais princípios da nova legislação do Brasil (Rio, 1810, com reedição na

à estampa na capital platina, foi divulgada

duziu no setor econômico.

sua

Os dois

so", dela saindo constantemente -'memótias interessantes acêrca de muitos e va

império, que declarou vir criar", expri-

Às páginas 65-66 da segunda edição de

Vice-Reino do Rio da Prata.

da Silva Li.sboa "'nunca conheceu o repou

angular do edifício da civilização, o novo

boa foi alvo da maior admiração por parte

,tomou -Silva Discorrendo a parte Lisboa sobre no debate de que que

que se

Não é autor de sistema filosófico, cien

tifico ou social novo; seu grande título e haver sido o primeiro a pregar entre

riós as teorias inglêsas sôbre o comércio

livre, a indústria livre, sôbre a Economia Política, sôbre o govêrno representativo P vinte outras matérias conexas".

_ no saiu com o comprido título: "Ra. uenos Aires para a franqueza do co

mércio com os ingleses contra a repre sentação de alguns comerciantes e reso

lução do govêrno — Com apêndice de observações e exame dos efeitos do novo ..

.... A. . X.-,..»

L

.■

J


DrcnsTO Econômico

44

rcí;ulamenio nos inrc-rcsses comerciais do Brasil"

<Rlo, IBlOj. in-4." de

55-5H

págs. A segunda parte do volume trouxe: a) "Observações sòbre o comércio de Es

panha com as suas colônias, no tempo da guerra, pcjr um espanhol europeu, ocasio

nadas pelo decreto de 20 de abril de 1799,

que excluiu os navios neutros dos portos da América espanhola, derrogando a or-

, dem de IS de novembro de 1797, que os tinha admitido durante a presente guerra"; b) "Observações sobre o regulamento do comercio de Buenos Aires, de 6 de no vembro de 1809"; c) "Reflexões sobre a

mfluenc-a do comércio franco das coló-

n.as de Espanha no Estado do Brasil"; dí Regulamento do comércio de Bue nos Aires . (3j. ,ra-

»1, deu a estampa, no Ri„, „

sobre o estabeleclmenro dos bancos para o nlrTlSlu' ' n^^io, ç ' ^ Memória econômica sô-

d";ô::r uLí rrVtobras p_oliôcas e econômicas de eLuÍô

Burke

Traduzidos do inglês" (1812)

, em dois tomos (de 164 e 136 págs ) è um Apendice (de 58 ná/.c i

j-

i

■ em Lisboa (1822), com exclusiol aS-

dice. O nosso compatríclo c o notável es,. tadista irlandês da segunda metade do sé culo XVIII nutriam idéias congeniais nas transcendentes esferas da economia e d-i política. (4).

(3) — Se remo o o "Estado governa

do por um rei- e "remado" o "temp? íue um rei governa", não pode deiSar de

existir essa mesma distinção entre "vi

■ ce-reino" e "vice-reinado". No caso dã obra de Süva Lisboa. o* correto seria "Vice-Reino do Rio da Prata", cuja sede era Buenos Aires e compreendia a Ar gentina, o Uruguai e o Paraguai. (4) — As obras principais de Edmund Burke (1729-1797) foram as seguintes : "A vindlcation of natural society" (1756); "Thoughts on the causes of the present

DionsTO Econômico

Dcpt)ís dc uma cstir.ni.i:i c eloqüente homenagem ao vencedor tlc Napolcão Bonaparte, "Meniorias da vida pública de Lord Wellington . .." (Rio. 1S15), gros

de Lisboa) preferiu continuar fora do Congresso Legislativo a sua ardorosa cam panha de "Sentinela da Liberdade" (de

— Com oporcuníis modificações de estatu

nominação dos periódicos que redigiu aqui

so volume dc 733 pá.fs. c bom retrato do Duque da Vitória, volveu a matéria ila sua particular afeição, dando aos prelos da Impressão Régia três tibras monumen

e alhures), mesmo quando encarcerado

tais: "Memórias dos benefícios políticos do governo de el-rei nosso senhor D. João VI" (1818); "Sinopse da Íegis!.içãü prin cipal do scnhtfr Dom João VI, pela ordem

Barão de Cairu em 12 de outubro de 1825, elevando-o a visconde um ano mais tarde, precisamente no cm que o nomeou

legislativas , deixou-as interminadas, ale gando que o Governo havia então no meado uma comissão destinada a elabo rar o projeto do nosso Código Comer cial. (5). Note-se que Silva Lisboa havia redigido um "Plano de Código do Co

por suspeito de idéias republicanas. Quem

o substituiu foi José da Silva Lisboa, a quem Pedro I agraciou com o título de

senador pela província da Bahia. Da sua atuação na Câmara vitalícia resultaram

dos ramos da economia do Estado" (1818); "Estudos do bem comum e eco

três folhetos contendo discursos seus a

nomia política ou ciência das leis nitii-

propósito da reforma da constituição do

tos e usos das nações civilizadas" (Rio, 1832), apesar de "só doutrinais e não

mércio" apresentado ao Príncipe-Regente D. João. que o encarregara de atender ft consulta formulada pela Real Junta do Comercio em 27 de julho de 1809. Exis

te no Arquivo Público êsse trabalho (6), enriquecendo o acervo de manuscritos do " Instituto Histórico e Geográfico Brasilei

rai.s e civis de animar e dirigir a geral

Império (autorização constante da lei de 12

indústria e promover a riqueza naciotial

dc outubro de 18.32), coroados pelo "Ma

ro outro produto da mesma sábia pena

c a prosperidade do Estado" ( 1819-1821 ;,

nual dc política ortodoxa" (RÍo, 1832).

o "Parecer acerca de vários quesitos rela

divididos em quatro partes, a última com

Havia-o escolhido o

nosso

primeiro

o título seguinte: "Espirito dc Vieira ou

imperador para, auxiliado por Frei Fran

seleta de pensamentos econômicos, po

cisco de Santa Teresa de Jesús Sampaio e

líticos, morais e literários, com a

bio

grafia deste célebre escritor — Apêndice

\

aos Estudos do bem comum".

r

Foi copiosa a sua produção intelectual,

pelo Brigadeiro Domingos Alves Brajico Moniz Barreto, compendiar tudo quanto

dissesse respeito à evolução da nossa na cionalidade, "a contar do dia 26 de fe

em opúscuios e periódicos (a maior parte

vereiro dc 1821". Não teve Silva Lisboa

com pseudônimos ou sem autoria expres sa), por ocasião dos acontecimentos que antecederam e sucederam imediatamente

coadjuvação alguma e traçou ã obra de

á declaração de 7 de .setembro de 1822 e

masiada extensão, de sorte que a deixou

inacabada. Dela apenas se publicaram a "Inrrodução" (Rio, 1825) e a "História dos principais sucessos políticos do Im

tivos às moedas de Portugal e do Brasil e da quantidade da moeda existente nestes dois países", datado de "Rio de Janeiro a 26' de agosto de 1816".

'

Há ainda, no tocante às ciências sociais tres outros lavores da fecunda capacidade do Visconde de Cairu, publicados após o seu falecimento Saíram na "Minerva

Brasihense (vols. II e III, 1844 e 1845)

as suas "Considerações sòbre as dcuírinas econômicas de Mr. João Batista Siv"- e na revista "Guanabara": "Ensaio econômi

pre vigilante era defesa da pátria, não só enristou a pena contra os que a atacavam do outro lado do Atlântico, mas também

Pedro I" (Rio, -1826-1830), em quatro

co sobre o influxo da inteligência humína na riqueza e prosperidadí» A e "Da liberdade do trXit,"

volumes, um da parte I e três da parte X.

51 e 91-98 do tomo I

contra o "Tífis Pernambucano" de Frei

Por haver ficado incompleta, vale esta

Caneca c os separatistas da inalograda Confederação do Equador (182-1), assim como em prol dos direitos do Bra,sil à

obra sobretudo pelos documentos autên

ao tratado.de 29 de agosto de 1823. Sem

pério do Brasil — Dedicada ao Sr. D.

informa Blakc,

dc Economia Política ou Direito Econômi

ganizar o Pro?ètÕ"Pie"códSl? r?'"'*'' 8': =P^eía)™e 5"""íS

co, conforme a constituição social e garan

Antônio Lisbor P

primeira Assembléia Constituinte, Cipfia-

tias da Constituição do Império do Brasil

no José Barata de Almeida (destemido

— Dedicadas à mocidade brasileira" (Rio, 1827), em dois tomos. As "Regras da praça ou bases de regulamento comercial conforme os novos códigos de comércio da França e Espanha e a legislação pátria

Apresentaclíem o traba]ho"Ti^° a om 1834 A temporária ie??u^ h

Província Clsplatina.

Eleito deputado pela Bahia à nossa

representante de sua terra natal nas cortes discontents" (1770): "Speech on conciliation witli Amcrica" (1775); e "Reflections

on the vevolulion in France" (1790). -4..A-;.

ticos que encerra. Saíram sem o seu nome as "Leituras

Ratton. José

transformar-se na lèi n 556

junho de 1850.

Gamara

^5 dc

s/ake existir também n^^ArquivfPúbli co ou^o manuscrito de Cairú, um "Pro16 fôlhas

° Comercial", in-folio de


DrcnsTO Econômico

44

rcí;ulamenio nos inrc-rcsses comerciais do Brasil"

<Rlo, IBlOj. in-4." de

55-5H

págs. A segunda parte do volume trouxe: a) "Observações sòbre o comércio de Es

panha com as suas colônias, no tempo da guerra, pcjr um espanhol europeu, ocasio

nadas pelo decreto de 20 de abril de 1799,

que excluiu os navios neutros dos portos da América espanhola, derrogando a or-

, dem de IS de novembro de 1797, que os tinha admitido durante a presente guerra"; b) "Observações sobre o regulamento do comercio de Buenos Aires, de 6 de no vembro de 1809"; c) "Reflexões sobre a

mfluenc-a do comércio franco das coló-

n.as de Espanha no Estado do Brasil"; dí Regulamento do comércio de Bue nos Aires . (3j. ,ra-

»1, deu a estampa, no Ri„, „

sobre o estabeleclmenro dos bancos para o nlrTlSlu' ' n^^io, ç ' ^ Memória econômica sô-

d";ô::r uLí rrVtobras p_oliôcas e econômicas de eLuÍô

Burke

Traduzidos do inglês" (1812)

, em dois tomos (de 164 e 136 págs ) è um Apendice (de 58 ná/.c i

j-

i

■ em Lisboa (1822), com exclusiol aS-

dice. O nosso compatríclo c o notável es,. tadista irlandês da segunda metade do sé culo XVIII nutriam idéias congeniais nas transcendentes esferas da economia e d-i política. (4).

(3) — Se remo o o "Estado governa

do por um rei- e "remado" o "temp? íue um rei governa", não pode deiSar de

existir essa mesma distinção entre "vi

■ ce-reino" e "vice-reinado". No caso dã obra de Süva Lisboa. o* correto seria "Vice-Reino do Rio da Prata", cuja sede era Buenos Aires e compreendia a Ar gentina, o Uruguai e o Paraguai. (4) — As obras principais de Edmund Burke (1729-1797) foram as seguintes : "A vindlcation of natural society" (1756); "Thoughts on the causes of the present

DionsTO Econômico

Dcpt)ís dc uma cstir.ni.i:i c eloqüente homenagem ao vencedor tlc Napolcão Bonaparte, "Meniorias da vida pública de Lord Wellington . .." (Rio. 1S15), gros

de Lisboa) preferiu continuar fora do Congresso Legislativo a sua ardorosa cam panha de "Sentinela da Liberdade" (de

— Com oporcuníis modificações de estatu

nominação dos periódicos que redigiu aqui

so volume dc 733 pá.fs. c bom retrato do Duque da Vitória, volveu a matéria ila sua particular afeição, dando aos prelos da Impressão Régia três tibras monumen

e alhures), mesmo quando encarcerado

tais: "Memórias dos benefícios políticos do governo de el-rei nosso senhor D. João VI" (1818); "Sinopse da Íegis!.içãü prin cipal do scnhtfr Dom João VI, pela ordem

Barão de Cairu em 12 de outubro de 1825, elevando-o a visconde um ano mais tarde, precisamente no cm que o nomeou

legislativas , deixou-as interminadas, ale gando que o Governo havia então no meado uma comissão destinada a elabo rar o projeto do nosso Código Comer cial. (5). Note-se que Silva Lisboa havia redigido um "Plano de Código do Co

por suspeito de idéias republicanas. Quem

o substituiu foi José da Silva Lisboa, a quem Pedro I agraciou com o título de

senador pela província da Bahia. Da sua atuação na Câmara vitalícia resultaram

dos ramos da economia do Estado" (1818); "Estudos do bem comum e eco

três folhetos contendo discursos seus a

nomia política ou ciência das leis nitii-

propósito da reforma da constituição do

tos e usos das nações civilizadas" (Rio, 1832), apesar de "só doutrinais e não

mércio" apresentado ao Príncipe-Regente D. João. que o encarregara de atender ft consulta formulada pela Real Junta do Comercio em 27 de julho de 1809. Exis

te no Arquivo Público êsse trabalho (6), enriquecendo o acervo de manuscritos do " Instituto Histórico e Geográfico Brasilei

rai.s e civis de animar e dirigir a geral

Império (autorização constante da lei de 12

indústria e promover a riqueza naciotial

dc outubro de 18.32), coroados pelo "Ma

ro outro produto da mesma sábia pena

c a prosperidade do Estado" ( 1819-1821 ;,

nual dc política ortodoxa" (RÍo, 1832).

o "Parecer acerca de vários quesitos rela

divididos em quatro partes, a última com

Havia-o escolhido o

nosso

primeiro

o título seguinte: "Espirito dc Vieira ou

imperador para, auxiliado por Frei Fran

seleta de pensamentos econômicos, po

cisco de Santa Teresa de Jesús Sampaio e

líticos, morais e literários, com a

bio

grafia deste célebre escritor — Apêndice

\

aos Estudos do bem comum".

r

Foi copiosa a sua produção intelectual,

pelo Brigadeiro Domingos Alves Brajico Moniz Barreto, compendiar tudo quanto

dissesse respeito à evolução da nossa na cionalidade, "a contar do dia 26 de fe

em opúscuios e periódicos (a maior parte

vereiro dc 1821". Não teve Silva Lisboa

com pseudônimos ou sem autoria expres sa), por ocasião dos acontecimentos que antecederam e sucederam imediatamente

coadjuvação alguma e traçou ã obra de

á declaração de 7 de .setembro de 1822 e

masiada extensão, de sorte que a deixou

inacabada. Dela apenas se publicaram a "Inrrodução" (Rio, 1825) e a "História dos principais sucessos políticos do Im

tivos às moedas de Portugal e do Brasil e da quantidade da moeda existente nestes dois países", datado de "Rio de Janeiro a 26' de agosto de 1816".

'

Há ainda, no tocante às ciências sociais tres outros lavores da fecunda capacidade do Visconde de Cairu, publicados após o seu falecimento Saíram na "Minerva

Brasihense (vols. II e III, 1844 e 1845)

as suas "Considerações sòbre as dcuírinas econômicas de Mr. João Batista Siv"- e na revista "Guanabara": "Ensaio econômi

pre vigilante era defesa da pátria, não só enristou a pena contra os que a atacavam do outro lado do Atlântico, mas também

Pedro I" (Rio, -1826-1830), em quatro

co sobre o influxo da inteligência humína na riqueza e prosperidadí» A e "Da liberdade do trXit,"

volumes, um da parte I e três da parte X.

51 e 91-98 do tomo I

contra o "Tífis Pernambucano" de Frei

Por haver ficado incompleta, vale esta

Caneca c os separatistas da inalograda Confederação do Equador (182-1), assim como em prol dos direitos do Bra,sil à

obra sobretudo pelos documentos autên

ao tratado.de 29 de agosto de 1823. Sem

pério do Brasil — Dedicada ao Sr. D.

informa Blakc,

dc Economia Política ou Direito Econômi

ganizar o Pro?ètÕ"Pie"códSl? r?'"'*'' 8': =P^eía)™e 5"""íS

co, conforme a constituição social e garan

Antônio Lisbor P

primeira Assembléia Constituinte, Cipfia-

tias da Constituição do Império do Brasil

no José Barata de Almeida (destemido

— Dedicadas à mocidade brasileira" (Rio, 1827), em dois tomos. As "Regras da praça ou bases de regulamento comercial conforme os novos códigos de comércio da França e Espanha e a legislação pátria

Apresentaclíem o traba]ho"Ti^° a om 1834 A temporária ie??u^ h

Província Clsplatina.

Eleito deputado pela Bahia à nossa

representante de sua terra natal nas cortes discontents" (1770): "Speech on conciliation witli Amcrica" (1775); e "Reflections

on the vevolulion in France" (1790). -4..A-;.

ticos que encerra. Saíram sem o seu nome as "Leituras

Ratton. José

transformar-se na lèi n 556

junho de 1850.

Gamara

^5 dc

s/ake existir também n^^ArquivfPúbli co ou^o manuscrito de Cairú, um "Pro16 fôlhas

° Comercial", in-folio de


m

!ü

DrcesTo ncoNòMira*

46

nizar o "Regimento dos- cônsules", publi cado em 1826 e remetido pelo Governo às

e "Defesa contra o ataque do Padre Feijó ao Velho canonista'' (Rio, 1828). Quando, a 20 de agosto de K835, ex pirou o ab.alizado escritor, era núncio da

legações brasileiras.

Santa Sé no Brasil o Cardeal Scipione ^

foi Silva Lisboa o relator da comissão da

.junta do Comércio encarregada de orga

Aí fica tudo quanto produziu a culta mentalidade do jurisconsuito baiano no vasto c complexo setor econômico.

Mas

não se limitou a isso a sua atividade es piritual. Além de diversos folhetos em

prol dos interesses da pátria, fez-se árdego panfletário, pouco antes e depois do eis. ma da nossa separação de Portugal, como

ev.dencam a, epífirafes dos seguintes peeditou então: „ Concdiadtjr do Reino Unido" e "O Bem .ar dos Atntgos do Betn Comutn" (1821-

82t'e^r e "Atalaia", em de ÍnsuI,o?7a A °=-'ton,ada (1828 :in Astreia Espadachina"

-EscandauL/o"',."'" °

^e

Pot essa época, já se entregava a es-

cnttts que disseminassem o ensino do

catolicismo em nosso país, elevado objeti vo das seguintes produções suas: "1^01 bras.Ie.ra ou instru^o útil a tôda a classes - Exttaida da Sagrada Escrútim

para uso da mocidade" (Rio, ]827) em do,s tomos; Cartilha da Escola BrasileiZ — Para instrução elementar da religião

no BrasT ,1831); "Catecismo da S

trma cnsta Conforme ao código ecle•siastico da Igreja Nacionàl" (1832)- e

Fabbrini, que, encarregando-se de traçar o epitáfio de José da Silva Lisboa, não va cilou em o proclamar "religionis monar-

chiae constitutionis parrlae scriptis concionibus strenuus propugnator". isto é, »

lores pretéritos) colocar-nos dentro do seu tempo e de suas condições culturais".

E, logo adiante, pôs em foco a inabalável predileção do nosso patrício pelos econo mistas britânicos.

Conhccia-os bem Silva

Da vida e obras do Visconde de Cairu

trataram consagrados patrícios nossos, al

guns dos quais cm opúsculos esclarecedo res e fidedignos, quais seu digno filho Bento da Silva Lisboa (2.° Barão de

Cairu). cujo trabalho é de 1839, Alfredo do Vale Cabral (1881) e Alberto Carlos

de Araújo Guimarãe.s (págs. 683-^64 do vol. III dos "Anais do Segundo Congresso

de História Nacional"). (7).

A êle sc

referiram com simpatia e justiça quatro economistas portugueses: José Frederico Laranjo, Marnoco e Sousa, Vicente de Al

meida de Eça e Mo.ses Bensabat Amza-

lak, sendo que este último déie fez um bom estudo crítico e biobibliográfico. vin do a lume em 1942.

Em nosso país, de alguns anos para cá. têm aparecido opiniões extremadas a propósitó de Cairu, não faltando quem o haja encarado como retrógrado ou como

Rébatendo tão ingrata acusação, Afon

so Arinos (o moço), pelo "Digesto Eco

nômico" de março, de 1947, disse, com insofismável acerto, que, "para localizar(7) — Não devem ser esquecidos, en

robusta os seus volurhes: "Causa da reli gião e disciplina eclesiástica do celibato

tre outros escritores baianos que enalte

clerical — Defendida da inconstitucional

Carvalho Filho (vejam-se os ns. 5, 31 e

tentativa do Padre Diogo Antônio Feíjó"

62 da "Rev, do Inst. Geogr, e Hist. da

ceram a benemerência de Cairu, os no

mes de Antônio Calmop Bahia").

e

Aloísio de

Apesar dos serviços que lhe deve esta

privilegiada porção do Novo Mundo, "ne

nhuma estátua, nenhuma placa comemo rativa existe, que desperte nos brasileiros a gratidão sincera por èsse vulto venerá-

vel, que tanto contribuiu para a formação da nossa nacionalidade e que tanto tra

Lisboa, que também lia os franceses de

balhou para o progresso da nossa -pátria",

merecimento real. como revelou em seus

clama Araújo Guimarães, deplorando tam bém o fato de nem sequer ter-lhe sido levantado o busto, que há mais de um século lhe mandou fundir a Assembléia Provincial da Bahia (lei n. 46 de 1838).

escritos; aceitou e pregou sempre a dou pou encômios entusiásticos e efusivos.

nos a quem serviu.

távèl 'daquela época. Disso dão prova

mos com justiça a Cairu, devemos (.como é, aliás, elementar nessas revisões de va

quia e da constituição da p.átria, quer por escrito, quer da tribuna pública".

do homem, e da mulher, seguidos do dever de justiça" (publicação póstuma, sem armas, embora sob a máscara do pseudo-

4''

trina de Adam Smith, a quem não pou

simples bajulador dos príncipes braganti-

nimato, com o sacerdote político mais no-

Hc:on6micü

"devotado defensor tia reli.gião, da monar

"Preceitos da vida humana ou obrigações" data). É explicável, portanto, terçasse

DiGEsra

Ora, como chocalharam os seus críticos

lusitanos, foi graças à convicç-âo. que nu

tria, das vantagens do free-trade preconi zado pelos escritores da Grã-Bretanha, que o inolvidável filho da

Terra de Santa

Cruz sugeriu e obteve, em começos do século XIX, a abertura dos nossos portos às nações amigas. Conciliando tais prin cípios com a realidade brasileira do seu tempo, éle, nos seus diversos ensaips, gran

A estátua de José da Silva Lisboa consoante o imperativo do respeito às

nossas tradições — deve ser erguida entre as duas figuras simbólicas do monumento da Praia do Russel, bem defronte da entra da da barra da baía de Guanabara, come morativo do decreto de 28 de janeiro de 1808. Só o que imploro, caso lhe venha

dos princípios, defendendo não só a fran

enfim, a sér rendida essa merecida è tardia homenagem, é que não enfarpelem

quia do comc. cio, da indústria e da agri cultura. como também a dignidade da

em toga romana a esse baiano dos quatro costados, brasileiro até à medula dos

labura humana (veja-se o seu opúsculo

ossos.

des e pequenos, apostolou os mais i eleva

Liberdade do trabalho"). (8). (8) — Erudito e bem argumentado o artigo de D.^ Zenith Mendes da Silveira, "Originalidade do liberalismo econômico

patrício da pecha ri»

brasileiro" (inserto em "O Estado de São Paulo" do 8 de julho do corrente ano).

a douta professora aceitar nc

Explicando

quívocos aplausos,

cabalrpente

"o milagre de

Adam Smith. Malthus

grande

Queira uieus ine-


m

!ü

DrcesTo ncoNòMira*

46

nizar o "Regimento dos- cônsules", publi cado em 1826 e remetido pelo Governo às

e "Defesa contra o ataque do Padre Feijó ao Velho canonista'' (Rio, 1828). Quando, a 20 de agosto de K835, ex pirou o ab.alizado escritor, era núncio da

legações brasileiras.

Santa Sé no Brasil o Cardeal Scipione ^

foi Silva Lisboa o relator da comissão da

.junta do Comércio encarregada de orga

Aí fica tudo quanto produziu a culta mentalidade do jurisconsuito baiano no vasto c complexo setor econômico.

Mas

não se limitou a isso a sua atividade es piritual. Além de diversos folhetos em

prol dos interesses da pátria, fez-se árdego panfletário, pouco antes e depois do eis. ma da nossa separação de Portugal, como

ev.dencam a, epífirafes dos seguintes peeditou então: „ Concdiadtjr do Reino Unido" e "O Bem .ar dos Atntgos do Betn Comutn" (1821-

82t'e^r e "Atalaia", em de ÍnsuI,o?7a A °=-'ton,ada (1828 :in Astreia Espadachina"

-EscandauL/o"',."'" °

^e

Pot essa época, já se entregava a es-

cnttts que disseminassem o ensino do

catolicismo em nosso país, elevado objeti vo das seguintes produções suas: "1^01 bras.Ie.ra ou instru^o útil a tôda a classes - Exttaida da Sagrada Escrútim

para uso da mocidade" (Rio, ]827) em do,s tomos; Cartilha da Escola BrasileiZ — Para instrução elementar da religião

no BrasT ,1831); "Catecismo da S

trma cnsta Conforme ao código ecle•siastico da Igreja Nacionàl" (1832)- e

Fabbrini, que, encarregando-se de traçar o epitáfio de José da Silva Lisboa, não va cilou em o proclamar "religionis monar-

chiae constitutionis parrlae scriptis concionibus strenuus propugnator". isto é, »

lores pretéritos) colocar-nos dentro do seu tempo e de suas condições culturais".

E, logo adiante, pôs em foco a inabalável predileção do nosso patrício pelos econo mistas britânicos.

Conhccia-os bem Silva

Da vida e obras do Visconde de Cairu

trataram consagrados patrícios nossos, al

guns dos quais cm opúsculos esclarecedo res e fidedignos, quais seu digno filho Bento da Silva Lisboa (2.° Barão de

Cairu). cujo trabalho é de 1839, Alfredo do Vale Cabral (1881) e Alberto Carlos

de Araújo Guimarãe.s (págs. 683-^64 do vol. III dos "Anais do Segundo Congresso

de História Nacional"). (7).

A êle sc

referiram com simpatia e justiça quatro economistas portugueses: José Frederico Laranjo, Marnoco e Sousa, Vicente de Al

meida de Eça e Mo.ses Bensabat Amza-

lak, sendo que este último déie fez um bom estudo crítico e biobibliográfico. vin do a lume em 1942.

Em nosso país, de alguns anos para cá. têm aparecido opiniões extremadas a propósitó de Cairu, não faltando quem o haja encarado como retrógrado ou como

Rébatendo tão ingrata acusação, Afon

so Arinos (o moço), pelo "Digesto Eco

nômico" de março, de 1947, disse, com insofismável acerto, que, "para localizar(7) — Não devem ser esquecidos, en

robusta os seus volurhes: "Causa da reli gião e disciplina eclesiástica do celibato

tre outros escritores baianos que enalte

clerical — Defendida da inconstitucional

Carvalho Filho (vejam-se os ns. 5, 31 e

tentativa do Padre Diogo Antônio Feíjó"

62 da "Rev, do Inst. Geogr, e Hist. da

ceram a benemerência de Cairu, os no

mes de Antônio Calmop Bahia").

e

Aloísio de

Apesar dos serviços que lhe deve esta

privilegiada porção do Novo Mundo, "ne

nhuma estátua, nenhuma placa comemo rativa existe, que desperte nos brasileiros a gratidão sincera por èsse vulto venerá-

vel, que tanto contribuiu para a formação da nossa nacionalidade e que tanto tra

Lisboa, que também lia os franceses de

balhou para o progresso da nossa -pátria",

merecimento real. como revelou em seus

clama Araújo Guimarães, deplorando tam bém o fato de nem sequer ter-lhe sido levantado o busto, que há mais de um século lhe mandou fundir a Assembléia Provincial da Bahia (lei n. 46 de 1838).

escritos; aceitou e pregou sempre a dou pou encômios entusiásticos e efusivos.

nos a quem serviu.

távèl 'daquela época. Disso dão prova

mos com justiça a Cairu, devemos (.como é, aliás, elementar nessas revisões de va

quia e da constituição da p.átria, quer por escrito, quer da tribuna pública".

do homem, e da mulher, seguidos do dever de justiça" (publicação póstuma, sem armas, embora sob a máscara do pseudo-

4''

trina de Adam Smith, a quem não pou

simples bajulador dos príncipes braganti-

nimato, com o sacerdote político mais no-

Hc:on6micü

"devotado defensor tia reli.gião, da monar

"Preceitos da vida humana ou obrigações" data). É explicável, portanto, terçasse

DiGEsra

Ora, como chocalharam os seus críticos

lusitanos, foi graças à convicç-âo. que nu

tria, das vantagens do free-trade preconi zado pelos escritores da Grã-Bretanha, que o inolvidável filho da

Terra de Santa

Cruz sugeriu e obteve, em começos do século XIX, a abertura dos nossos portos às nações amigas. Conciliando tais prin cípios com a realidade brasileira do seu tempo, éle, nos seus diversos ensaips, gran

A estátua de José da Silva Lisboa consoante o imperativo do respeito às

nossas tradições — deve ser erguida entre as duas figuras simbólicas do monumento da Praia do Russel, bem defronte da entra da da barra da baía de Guanabara, come morativo do decreto de 28 de janeiro de 1808. Só o que imploro, caso lhe venha

dos princípios, defendendo não só a fran

enfim, a sér rendida essa merecida è tardia homenagem, é que não enfarpelem

quia do comc. cio, da indústria e da agri cultura. como também a dignidade da

em toga romana a esse baiano dos quatro costados, brasileiro até à medula dos

labura humana (veja-se o seu opúsculo

ossos.

des e pequenos, apostolou os mais i eleva

Liberdade do trabalho"). (8). (8) — Erudito e bem argumentado o artigo de D.^ Zenith Mendes da Silveira, "Originalidade do liberalismo econômico

patrício da pecha ri»

brasileiro" (inserto em "O Estado de São Paulo" do 8 de julho do corrente ano).

a douta professora aceitar nc

Explicando

quívocos aplausos,

cabalrpente

"o milagre de

Adam Smith. Malthus

grande

Queira uieus ine-


DicnsTO

Hesponsabilidade das elites

mens

«los panfletos ou das confissões. A situa rão do mundo e de nossa terra está-se tor

nando de uma tamanha gravidade, que já nao nos e possível considerá-la de longe, como observadores indiferentes e distan-

nVnA' or?endn°'-"'?' n^slvel

presente como se^fe Tml

<iuer da HíírA •

sôbre os honão é mais

momento qua -

ímmanidadc está m próximos e tão

j tornaram-se tão

nhar. Pouco importa que a nossa voz se perca, desfazendo-se no grande mar da in diferença ou da incompreensão. Já vive mos o bastante para saber que os sucessos e as vitórias nunca dependem apenas de

nós, mas também já vivemos o bastante para saber que é sempre possível lutar, mesmo quando a tentação do desespero nos ronda, insistente, quase irresistível. Mesmo quando tódas as vozes se fazem

ouvir, eloqüentes, persuasivas, convidantlo-nos a ensarilhar as armas, oferecendonos insidiosamente as soluções fáceis do compromisso e da abdicação. Mesmo quando os outros caminhos se abrem, os

•Io se confun? ^'^rmantes, e de tal mo vidas, irreme^pí" nossas próprias om sua liberdade'^'^ mente comprometidas

caminhos sem pedras, desimpedidos e lar,gos, da aceitação do mundo, dos seus pres

nossos destinos indiv-j • . ^««regar os

vadem, tornando quase impossível qual quer movimento de entusiasmo, impedin

p..p.rsr5a Íp/c-f

uma loucura, a justiça e a honra

mais distantes e mais perdidas do que nunca, o nosso próprio fervor desaproveirado e escarnecido, os ímpetos de ge

ROLAND CORÍHSIÜR

importa que estas páginas assuP'OUÇO mam o tom veemente e apaixonado

nr.oNóMiCf)

tígios e das suas glórias. Mesmo quando o cansaço, o tédio c a repugnância nos in

nerosidade e de amor tornando-se ridícu

los aos nossos próprios olhos, o desejo, a necessidade de melhorar a vida esbarran

deiidades. Não abjuramos, não renega mos nada. Não pertencemos à raça dos que se esquecem de si mesmos, à raça dos que se despedaçam ao longo da vida. à

raça dos transfugas, à raça dos homens sem memória e sem passado. Entregamos ao tenipo, ao desgaste do tempo, apenas a

do na aridez, no vício, na cegueira dos ho

escoria, somente aquilo que não era es

mens. Mesmo quando a atmosfera se tor na rarefeita, tão pobre de caridade, tão vazia de qualquer estímulo ou de qual quer amparo, mesmo quando todos aque les que nos cercam se tornam irreconhe cíveis V estranhos, recusando-nos qual quer gesto de fra ternidade, mesmo quando aqueles que deveriam ser os mais próximos nos hosti

sencial aos nossos sonhos. O cerne, o re pertório de princípios, o conjunto de con vicções profundas, de afinidades e de repugnâncias, que nos configuram e nos de finem, êsse permanece intocado e vivo.

lizam

ou

não

nos

importa

jam outras e que a altura dos tempos já não seja a mesma. Os ventos e as tem

pestades

arrancam,

carregam as folhas e os ramos frágeis. As

compreendem mais, mesmo quando nos sentimos abandona

dos, perdidos,

Pouco

que as palavras se

raízes, porém, essas que são a fonte do

nas

espírito,

as

raízes

sentido pascaliano da cxwe

""

na aventura

^

do, paralisando qualquer gesto de con fiança e de simpatia humana. Mesmo quando a experiência nos diz, a experiên

dolotosa das

cia que se alimenta do nosso sangue, que

acender a chama da esperança, é possível

cia, essas permanecem ocultas e mergu-

erível ::b™'rren::f:'aT^' das espetanças e dasTu,as7á%*rt

é inútil insistir, que não vale a pena ten tar, que é mais prudente fechar o coração

e necessário ainda lutar.

ao apelo do ideal, ao chamamento do so nho, à quixotesca sedução da vida herói-

lhadas na mesma terra. Nessa terra que é o nosso passado e a nossa infância, os anos ao longo dos quais se desenhou a

vivendo. Precisariam ter "refrigerado as

nossa face, os anos ao longo dos quais nos

rdST^d"' o dtre.to de recusar, por egoistno ou co

ca.

nossas entranhgs", na expressão de Nietz-

íormamos para sempre.

com a nossa própria fraqueza, e falamos

sche, para permanecermos • frios e objeti

a nós mesmos como se fôssemos velhos,

vos em face da sitviação do mundo. Pre

entregando-iios ao que há em nós de esclerosado e morto, ao que há em nós de

cisaríamos ser outros, diferentes do que somos, para ficarmos alheios ao que se

Abjurar o que, se continuamos a amar e a detestar as mesmas coisas ? Se o de senrolar da História não fêz senão confir

antecipada velhice, ao amargo sabor das

passa no Brasil.

melancolias do inverno, à trisreza do olhar

mentos não puderam destruir a nossa so

retrospectivo e ausente, à decepção e à

licitude, não puderam reduzir o nosso ím

ironia dos que pressentem o fim e vêem

peto, não conseguiram abater a nossa es perança. Permanecemos fiéis a nós mes mos, permanecemos fiéis à nossa adoles cência, aos sonhos da nossa adolescência,

Nous sommes emb-ir '^P metafídr

nossas exist/n

prta hutuan.dade, J5 n5„

P™

vardia, a nossa participaçSo e a nossa interferenca nos negócios da nossa terra evitando, por cálculo e conveniência as palavras que possam ferir ou escandalizar as atitudes que possam abrir os nossos fJancos, expondo-nos à perfídia e ao ata que dos inimigos. Queremos trazer, pública e sinceramen te, o nosso testemunho, pois não estamos aqui para outra coisa senão para testemu

Mesmo quando nos acumpliciamos

as suas mãos vazias.

Mesmo quando tudo nos parece insu portável,

o entendimento entre os ho-

longas noites de ir

remediável

que- se afundam na , terra e que drenam

solidão,

c possível ainda re

a seiva e a substân

Há uma desmesurada grandeza, há um patético irresistível no drama que estamos

As desilusões e os sofri

continuamos presos às nossas essenciais fi-

■ ■■ =

• ..•< iÍl.*.I. Vb#-

- > JL í. ^

I I IÉÉ \

mar os nossos pressentimentos, mostran-

o-nos, enfim, com a evidência cegante dos fatos, que não estávamos errados nas grandes linhas, nas direções gerais do nos so pensamento? Abjurar o que, se o que

dizíamos era apenas uma refração da Verdade que não é nossa, da Verdade que não é privilégio de ninguém, da palavra e do apelo que, do fundo da sua agonia,


DicnsTO

Hesponsabilidade das elites

mens

«los panfletos ou das confissões. A situa rão do mundo e de nossa terra está-se tor

nando de uma tamanha gravidade, que já nao nos e possível considerá-la de longe, como observadores indiferentes e distan-

nVnA' or?endn°'-"'?' n^slvel

presente como se^fe Tml

<iuer da HíírA •

sôbre os honão é mais

momento qua -

ímmanidadc está m próximos e tão

j tornaram-se tão

nhar. Pouco importa que a nossa voz se perca, desfazendo-se no grande mar da in diferença ou da incompreensão. Já vive mos o bastante para saber que os sucessos e as vitórias nunca dependem apenas de

nós, mas também já vivemos o bastante para saber que é sempre possível lutar, mesmo quando a tentação do desespero nos ronda, insistente, quase irresistível. Mesmo quando tódas as vozes se fazem

ouvir, eloqüentes, persuasivas, convidantlo-nos a ensarilhar as armas, oferecendonos insidiosamente as soluções fáceis do compromisso e da abdicação. Mesmo quando os outros caminhos se abrem, os

•Io se confun? ^'^rmantes, e de tal mo vidas, irreme^pí" nossas próprias om sua liberdade'^'^ mente comprometidas

caminhos sem pedras, desimpedidos e lar,gos, da aceitação do mundo, dos seus pres

nossos destinos indiv-j • . ^««regar os

vadem, tornando quase impossível qual quer movimento de entusiasmo, impedin

p..p.rsr5a Íp/c-f

uma loucura, a justiça e a honra

mais distantes e mais perdidas do que nunca, o nosso próprio fervor desaproveirado e escarnecido, os ímpetos de ge

ROLAND CORÍHSIÜR

importa que estas páginas assuP'OUÇO mam o tom veemente e apaixonado

nr.oNóMiCf)

tígios e das suas glórias. Mesmo quando o cansaço, o tédio c a repugnância nos in

nerosidade e de amor tornando-se ridícu

los aos nossos próprios olhos, o desejo, a necessidade de melhorar a vida esbarran

deiidades. Não abjuramos, não renega mos nada. Não pertencemos à raça dos que se esquecem de si mesmos, à raça dos que se despedaçam ao longo da vida. à

raça dos transfugas, à raça dos homens sem memória e sem passado. Entregamos ao tenipo, ao desgaste do tempo, apenas a

do na aridez, no vício, na cegueira dos ho

escoria, somente aquilo que não era es

mens. Mesmo quando a atmosfera se tor na rarefeita, tão pobre de caridade, tão vazia de qualquer estímulo ou de qual quer amparo, mesmo quando todos aque les que nos cercam se tornam irreconhe cíveis V estranhos, recusando-nos qual quer gesto de fra ternidade, mesmo quando aqueles que deveriam ser os mais próximos nos hosti

sencial aos nossos sonhos. O cerne, o re pertório de princípios, o conjunto de con vicções profundas, de afinidades e de repugnâncias, que nos configuram e nos de finem, êsse permanece intocado e vivo.

lizam

ou

não

nos

importa

jam outras e que a altura dos tempos já não seja a mesma. Os ventos e as tem

pestades

arrancam,

carregam as folhas e os ramos frágeis. As

compreendem mais, mesmo quando nos sentimos abandona

dos, perdidos,

Pouco

que as palavras se

raízes, porém, essas que são a fonte do

nas

espírito,

as

raízes

sentido pascaliano da cxwe

""

na aventura

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do, paralisando qualquer gesto de con fiança e de simpatia humana. Mesmo quando a experiência nos diz, a experiên

dolotosa das

cia que se alimenta do nosso sangue, que

acender a chama da esperança, é possível

cia, essas permanecem ocultas e mergu-

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é inútil insistir, que não vale a pena ten tar, que é mais prudente fechar o coração

e necessário ainda lutar.

ao apelo do ideal, ao chamamento do so nho, à quixotesca sedução da vida herói-

lhadas na mesma terra. Nessa terra que é o nosso passado e a nossa infância, os anos ao longo dos quais se desenhou a

vivendo. Precisariam ter "refrigerado as

nossa face, os anos ao longo dos quais nos

rdST^d"' o dtre.to de recusar, por egoistno ou co

ca.

nossas entranhgs", na expressão de Nietz-

íormamos para sempre.

com a nossa própria fraqueza, e falamos

sche, para permanecermos • frios e objeti

a nós mesmos como se fôssemos velhos,

vos em face da sitviação do mundo. Pre

entregando-iios ao que há em nós de esclerosado e morto, ao que há em nós de

cisaríamos ser outros, diferentes do que somos, para ficarmos alheios ao que se

Abjurar o que, se continuamos a amar e a detestar as mesmas coisas ? Se o de senrolar da História não fêz senão confir

antecipada velhice, ao amargo sabor das

passa no Brasil.

melancolias do inverno, à trisreza do olhar

mentos não puderam destruir a nossa so

retrospectivo e ausente, à decepção e à

licitude, não puderam reduzir o nosso ím

ironia dos que pressentem o fim e vêem

peto, não conseguiram abater a nossa es perança. Permanecemos fiéis a nós mes mos, permanecemos fiéis à nossa adoles cência, aos sonhos da nossa adolescência,

Nous sommes emb-ir '^P metafídr

nossas exist/n

prta hutuan.dade, J5 n5„

P™

vardia, a nossa participaçSo e a nossa interferenca nos negócios da nossa terra evitando, por cálculo e conveniência as palavras que possam ferir ou escandalizar as atitudes que possam abrir os nossos fJancos, expondo-nos à perfídia e ao ata que dos inimigos. Queremos trazer, pública e sinceramen te, o nosso testemunho, pois não estamos aqui para outra coisa senão para testemu

Mesmo quando nos acumpliciamos

as suas mãos vazias.

Mesmo quando tudo nos parece insu portável,

o entendimento entre os ho-

longas noites de ir

remediável

que- se afundam na , terra e que drenam

solidão,

c possível ainda re

a seiva e a substân

Há uma desmesurada grandeza, há um patético irresistível no drama que estamos

As desilusões e os sofri

continuamos presos às nossas essenciais fi-

■ ■■ =

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- > JL í. ^

I I IÉÉ \

mar os nossos pressentimentos, mostran-

o-nos, enfim, com a evidência cegante dos fatos, que não estávamos errados nas grandes linhas, nas direções gerais do nos so pensamento? Abjurar o que, se o que

dizíamos era apenas uma refração da Verdade que não é nossa, da Verdade que não é privilégio de ninguém, da palavra e do apelo que, do fundo da sua agonia,


I >199^ DlOnSTO ncONÓMKQ •5U

DlGliSlO

o Cristo está eternamente dirigindu aos homens ?

Abjurar o que, se sempre nos inscreve

mos numa tradição milenar, que é a úni

ca luz ardendo dentro das trevas, a única

fonte de esperança, a única sabedoria au

têntica, o único caminho que não leva ao

ódio e à destruição, a única tábua em que se podem agarrar os homens miseráveis, os homens desarvorados, os náufragos de uma existência absurda, os homens que se

dilaceram.e se destroem na contradição, na loucura, no mistério ? Há muito, há anos que vivemos sufo cados pela intriga e pela má-fé, há mui to que vivemos sufocados pelo farisaismo

parece que ,a e tempo de reasir, de ten-

res há um que nos parece fundamental, pois não só exprime uma exigência de constituição, um dado da própria nature za, como também c um dos aspectos mais agudos e mais graves da crise contempo

íí à ou-al"'-""'

1"-

o qie tes-

como nação e Zslre

chefes, traçam planos, tomam iniciativas,

que os honiens nunca foram e nunca se

Se nos quiséssemos exprimir em lin guagem aristotélica, indagando qual é a "matéria-prima" e a "forma substanciar* das sociedades humanas, deveríamos res

massa dos empregados. Nas repartições públicas, nas forças armadas, nos sindica

subversão e de desordem que, há séculos,

mo nesses agrupamentos efêmeros, de me

Não há sociedade

ou

grupo humano que, vivendo de modo or ganizado, não apresente essa discrimina ção fundamental entre a massa, ou maior

número de dirigentes. Essa dicotomia en tre muitos

que obedecem e poucos que

qualquer debate sôbre aristocracia e de mocracia. ha um problema mais profundo

e mais serio, que e o da própria Lstitul-

em função de um consentimento tácito, a liderança do grupo, o comando dos outros.

Porque, se os homens são iguais diante cic Deus, na medida cm que têm todos

pontaneamente, como um imperativo de natureza e. de coexistência. Desde o mo mento em que os homens se unem para

são, com certeza, se os considerarmos den tro do plano da natureza, que c também o plano do tempo, o plano da diversida de dos temperamentos, dos caracteres c das vocações . NEo podemos aceitar, por tanto, e rejeitamos como uma mentira, o

comparável à lei física da densidade dos corpos, a maioria indifcrenciada sofre ime

Ha um problema prévio, que antecede

ninos que brincam nas ruas e nos terre nos baldios, a mesma discriminação se opera, o mais forte, o mais valente, o mais intrépido, assumindo, naturalmente,

sas preferencias ou opções em favor dêste ou daquele regimem político. Resulta es

^ven-

*

os patrões, os

uma autoridade.

prios homens, e a "forma substancial" a

tureiros. *

nas fábricas,

sua articulação orgânica sob o influxo de

ponder que a "matéria-prima" s5o os pró-

viver em comum, obedecendo a uma lei

*

escritórios,

tos e corporações de trabalho, nos parti dos políticos, na própria Igreja, são sem pre alguns, é sempre o menor número, é sempre uma elite de chefes que toma o encargo do comando c da direção. E mes

^«1°" "

'

um destino eterno c transcendente, não o

que se encontram as consciências, incapa

zes de discernir as verdades mais elemen tares, as evidências mais gritantes; não fôsse ü est;ido limite de confusão e de

desnorteamento em que nos encontramos, seria quase ridículo querer chamar a aten ção para coisas tão claras, querer insistir em verdades tão simples.

No entanto, parece que essa revisão dc valores, que todos sentem tão necessária c tao urgente, deverá começar pelo comêço. isto c. por um esforço tendente a pôr ordem no pensamento. Nada poderemos

empreender de útil e de fecundo enquanto nao nos dispusermos a romper com ês

se mundo de mitos e de falsos dogmas" que oprimem e desfiguram as consciên

cias. .Nada poderemos fazer enquanto

anonimato da indistinção, assumem uma posição de eminência e de liderança, articalando os membros do grupo em funçiu

vel se aceitarmos a idéia de Deus,

função da qual se poderia estabelecer a

das suas respectivas densidades vitais.

têntica. Desvincular o dogma da igual

vos intolerantes e secr^^;/^e. i

ções agnósticas, de falsas nas e caricaturais,

Essa

igualdade só tem sentido, só é concebíem

única fraternidade humana realmente au

dade do seu suporte metafísico e religioso

regimens e os sistemas são contingentes e variaveis, substituindo-se uns aos outros ao longo do tempo, segundo leis que ca

sociologia para chegar a essa conclusão.

é transformá-lo num mito, numa impos tura, que nos torna cegos e nos impede

nos permitam reconhecê-las e classificálas como sociedades. Entre esses caracte

vem ameaçando o próprio destino da ci

vilização e da cultura: não fôsse a pertur bação extrema dos espíritos, o caos em

(.logma da igualdade dos homens.

Não é necessário ler compêndios de

sua estrutura essencial, devem apresentar traços permanentes, caracteres estáveis que

rão iguais ? Não fôsse a grande onda de

diatamente a ação das minorias mais enér gicas e mais capazes que, emergindo do

çao, da própria essencia da sociedade Os

be aos filósofos da História revelar e de finir. As sociedades humanas, porém, em

trelas solitárias, os gênios, os heróis e os

santos não nos estão mostrando, do fundo

assumem responsabilidades e dirigem a

merado de sonTmC""'^" mercê da aud^rde

de todos os demagogos í tod

da História, brilhando como grandes es

rânea.

comandam nada tem a ver com as nos

ae/uildrdeTSle*'" a de dignidade

escolas, um reduzido número de profcssóres orienta, educa, forma, dentro da dis ciplina c da obediência, o corpo de alu nos numericamente muito superior. Nos

do seu martírio e da sua excepcicnalidade, com uma eloqüência que só os surdos, que só os loucos não conseguem ouvir,

número de dirigidos, e a elite, ou menor

l-ita para pira a"" essa a qualiT fomos feitos. Eirtar, Ou chefia.

51

ECONÓMK.O

Basta

observar

qualquer

agrupamento,

qualquer sociedade humana.

Desde as

de ver a realidade como de fato é.

mais simples e elementares até as mais complexas e perfeitas, desde a família em

Se Deus não existe, em relação a que poderiam os homens ser iguais ? Se Pas

que os filhos, normalmente mais numero

sos, obedecem à autoridade dos pais, até

cal redescobre a geometria aos onze anos, se Mozart começa a compor aos quatro,

as nações, os Estados, em que o povo to

se Napoleão é general, cônsul e impera

do é dirigido por um número proporcio

dor com trinta e cinco anos ? Ao longt)

nalmente insignificante de chefes.

Nas

permanecermos acovardados diante dêsses

tabus, dessas ideias intocáveis

-

inconscienee repertório de crenças d"" "

les que, embora se proclama,» 4

livres, não passam, na realldad^, doíléT P"'»'

Nao aceitamos,

impostrtra, como um veneno pir.to e para a vida, o falso dosma da

tguadade humana. Só admitimos essa Igualdade no plano metafísico e religioso, no plano, precisamente, cuja existência eles contestam e negam. E só podemos admitir, como única forma de democra-


I >199^ DlOnSTO ncONÓMKQ •5U

DlGliSlO

o Cristo está eternamente dirigindu aos homens ?

Abjurar o que, se sempre nos inscreve

mos numa tradição milenar, que é a úni

ca luz ardendo dentro das trevas, a única

fonte de esperança, a única sabedoria au

têntica, o único caminho que não leva ao

ódio e à destruição, a única tábua em que se podem agarrar os homens miseráveis, os homens desarvorados, os náufragos de uma existência absurda, os homens que se

dilaceram.e se destroem na contradição, na loucura, no mistério ? Há muito, há anos que vivemos sufo cados pela intriga e pela má-fé, há mui to que vivemos sufocados pelo farisaismo

parece que ,a e tempo de reasir, de ten-

res há um que nos parece fundamental, pois não só exprime uma exigência de constituição, um dado da própria nature za, como também c um dos aspectos mais agudos e mais graves da crise contempo

íí à ou-al"'-""'

1"-

o qie tes-

como nação e Zslre

chefes, traçam planos, tomam iniciativas,

que os honiens nunca foram e nunca se

Se nos quiséssemos exprimir em lin guagem aristotélica, indagando qual é a "matéria-prima" e a "forma substanciar* das sociedades humanas, deveríamos res

massa dos empregados. Nas repartições públicas, nas forças armadas, nos sindica

subversão e de desordem que, há séculos,

mo nesses agrupamentos efêmeros, de me

Não há sociedade

ou

grupo humano que, vivendo de modo or ganizado, não apresente essa discrimina ção fundamental entre a massa, ou maior

número de dirigentes. Essa dicotomia en tre muitos

que obedecem e poucos que

qualquer debate sôbre aristocracia e de mocracia. ha um problema mais profundo

e mais serio, que e o da própria Lstitul-

em função de um consentimento tácito, a liderança do grupo, o comando dos outros.

Porque, se os homens são iguais diante cic Deus, na medida cm que têm todos

pontaneamente, como um imperativo de natureza e. de coexistência. Desde o mo mento em que os homens se unem para

são, com certeza, se os considerarmos den tro do plano da natureza, que c também o plano do tempo, o plano da diversida de dos temperamentos, dos caracteres c das vocações . NEo podemos aceitar, por tanto, e rejeitamos como uma mentira, o

comparável à lei física da densidade dos corpos, a maioria indifcrenciada sofre ime

Ha um problema prévio, que antecede

ninos que brincam nas ruas e nos terre nos baldios, a mesma discriminação se opera, o mais forte, o mais valente, o mais intrépido, assumindo, naturalmente,

sas preferencias ou opções em favor dêste ou daquele regimem político. Resulta es

^ven-

*

os patrões, os

uma autoridade.

prios homens, e a "forma substancial" a

tureiros. *

nas fábricas,

sua articulação orgânica sob o influxo de

ponder que a "matéria-prima" s5o os pró-

viver em comum, obedecendo a uma lei

*

escritórios,

tos e corporações de trabalho, nos parti dos políticos, na própria Igreja, são sem pre alguns, é sempre o menor número, é sempre uma elite de chefes que toma o encargo do comando c da direção. E mes

^«1°" "

'

um destino eterno c transcendente, não o

que se encontram as consciências, incapa

zes de discernir as verdades mais elemen tares, as evidências mais gritantes; não fôsse ü est;ido limite de confusão e de

desnorteamento em que nos encontramos, seria quase ridículo querer chamar a aten ção para coisas tão claras, querer insistir em verdades tão simples.

No entanto, parece que essa revisão dc valores, que todos sentem tão necessária c tao urgente, deverá começar pelo comêço. isto c. por um esforço tendente a pôr ordem no pensamento. Nada poderemos

empreender de útil e de fecundo enquanto nao nos dispusermos a romper com ês

se mundo de mitos e de falsos dogmas" que oprimem e desfiguram as consciên

cias. .Nada poderemos fazer enquanto

anonimato da indistinção, assumem uma posição de eminência e de liderança, articalando os membros do grupo em funçiu

vel se aceitarmos a idéia de Deus,

função da qual se poderia estabelecer a

das suas respectivas densidades vitais.

têntica. Desvincular o dogma da igual

vos intolerantes e secr^^;/^e. i

ções agnósticas, de falsas nas e caricaturais,

Essa

igualdade só tem sentido, só é concebíem

única fraternidade humana realmente au

dade do seu suporte metafísico e religioso

regimens e os sistemas são contingentes e variaveis, substituindo-se uns aos outros ao longo do tempo, segundo leis que ca

sociologia para chegar a essa conclusão.

é transformá-lo num mito, numa impos tura, que nos torna cegos e nos impede

nos permitam reconhecê-las e classificálas como sociedades. Entre esses caracte

vem ameaçando o próprio destino da ci

vilização e da cultura: não fôsse a pertur bação extrema dos espíritos, o caos em

(.logma da igualdade dos homens.

Não é necessário ler compêndios de

sua estrutura essencial, devem apresentar traços permanentes, caracteres estáveis que

rão iguais ? Não fôsse a grande onda de

diatamente a ação das minorias mais enér gicas e mais capazes que, emergindo do

çao, da própria essencia da sociedade Os

be aos filósofos da História revelar e de finir. As sociedades humanas, porém, em

trelas solitárias, os gênios, os heróis e os

santos não nos estão mostrando, do fundo

assumem responsabilidades e dirigem a

merado de sonTmC""'^" mercê da aud^rde

de todos os demagogos í tod

da História, brilhando como grandes es

rânea.

comandam nada tem a ver com as nos

ae/uildrdeTSle*'" a de dignidade

escolas, um reduzido número de profcssóres orienta, educa, forma, dentro da dis ciplina c da obediência, o corpo de alu nos numericamente muito superior. Nos

do seu martírio e da sua excepcicnalidade, com uma eloqüência que só os surdos, que só os loucos não conseguem ouvir,

número de dirigidos, e a elite, ou menor

l-ita para pira a"" essa a qualiT fomos feitos. Eirtar, Ou chefia.

51

ECONÓMK.O

Basta

observar

qualquer

agrupamento,

qualquer sociedade humana.

Desde as

de ver a realidade como de fato é.

mais simples e elementares até as mais complexas e perfeitas, desde a família em

Se Deus não existe, em relação a que poderiam os homens ser iguais ? Se Pas

que os filhos, normalmente mais numero

sos, obedecem à autoridade dos pais, até

cal redescobre a geometria aos onze anos, se Mozart começa a compor aos quatro,

as nações, os Estados, em que o povo to

se Napoleão é general, cônsul e impera

do é dirigido por um número proporcio

dor com trinta e cinco anos ? Ao longt)

nalmente insignificante de chefes.

Nas

permanecermos acovardados diante dêsses

tabus, dessas ideias intocáveis

-

inconscienee repertório de crenças d"" "

les que, embora se proclama,» 4

livres, não passam, na realldad^, doíléT P"'»'

Nao aceitamos,

impostrtra, como um veneno pir.to e para a vida, o falso dosma da

tguadade humana. Só admitimos essa Igualdade no plano metafísico e religioso, no plano, precisamente, cuja existência eles contestam e negam. E só podemos admitir, como única forma de democra-


DicESTo Econômico

52

cia, a ipualdaclc de tratamento jurídico e a iííualdade de oportunidades que deve ser oferecida a todos, a fim de que todos

DronsTo Econômico

como os

mens que encarnam c representam o es

. campeões do igualitarismo, mesmo esses

pírito. sejam êles hcnWs como César," gê

mo aqueles que se apresentam

menos que são, na expressão de Goethc.

• protofcnômenos, isto é, acontecimentos, I

nios como Shakespcare, ou santds como

C .1 1 • . . . fatos, com .. o valor de sintomas, cuja signi-

í

se possam afirmar em suas diferenças, rea

negam, por sua atitude, pela afirmação da sua diferença c da sua superioridade, os

Francisco dc Assis.

ficaçáo não se esgota nèles mesmos, los,

I

lizando livremente as suas diversas voca ções. Afirmamos que as sociedades hu

princípios que defendem. Se o processo

envolve tôda a categoria ou espécie a que ú

mas

histórico fosse regido por um rigoroso

Nenhuma demagogia, nenhuma propa ganda, nem as catástrofes, nem as revolu

manas só existem como sociedades porque consistem numa maioria articulada por

determinismo, se obetleccsse a leis seme

ções, poderão abolir, ou sequer diminuir,

do aqueles que, pela sua condição de re- '

lhantes às leis da natureza, a interferên

pfesentantes da classe dirigente, se de-

uma minoria, numa massa amorfa organi

cia das minorias que procuram desviar o

zada por uma elite.

seu curso ou acelerá-lo não ficaria total

pertencem. Assim, na vida social. Quan- 1

bém que a. História não é um processo

mente excluída, é claro, mas seriam in

cego e fatal, desencadeado pelas forças eco nômicas, mas um tecido coerente de acon

compreensíveis o desespero e a angústia de certos chefes diante do malogro dos

a distância que separa o homem medío cre. o homem comum, do homem excep cional, do homem superior. Dentro dc uma visão cristã, essa diferença não será absoluta e essencial, mas apenas de grau, de maior ou menor riqueza vital e par-

tecimentos, em que a liberdade do espíri to e a interferência dos homens superio

seus planos ou diante do fracasso de suas

• ticipação no espírito. Se a diferença fôsse

mentò dos outros, então rompe-se o equi- '

tentativas de assalto ao poder. Na pior das hipóteses, poderia haver um adiamen

absoluta, não haveria comunicação possí

líbrio social e criam-se as circunstâncias .! que tornam inevitáveis as revoluções. A ■

to, uma protelação da vitória, mas a par

nhum contato, nenhum entendimento se poderia estabelecer entre elas. Mas, embora não sendo essencial, essa diferença existe, c porque a reconhece mos e accitamo.s é que aceitamos também

cólera dos oprimidos é sempre o resulrado do escândalo das elites, e, na revolta

a responsabilidade que pesa sôbre todos

seus próprios pecados.

aqueles que, cm qualquer plano, represen

O egoísmo e a irresponsabilidade dos •i que deveriam ser os guias, os chefes, o ^

E sustentamos tam

res e das elites desempenham uma função decisiva, o papel mais importante. Dessa insubstituível função das elites decorre, como conseqüência necessária a sua responsabilidade. Se a vida vulgar se

desenrola sob o signo da inércia e de um mmimo de obrigações, a vida nobre está, ao contrário, .sob o signo do esforço, da ascesc, do máximo de encargos e de res

ponsabilidades. O povo, as massas, as multidões nunca são, nunca podem ser responsáveis.

Os seus movimentos são

sempre reflexos, limitando-se a traduzir, em termos de imitação ou de revolta vio

lenta, as idéias, as atitudes, o comporta mento das elites. Mesmo aqueles que, pa ra e eitos demagógicos e subversivos, su perestimam e cortejam as "massas" em nmento as elites, mesmo êsses sabem

perfeitamente que as "massas" só se põem

em movimento e só são utilizáveis revoucionariamente depois de longamente

hipnotizadas pela propaganda, pela dou trinação intensiva, pela exacerbação metó dica dos seus ressentimentos, e só se de sencadeiam e atacam depois de terem sido "cientificamente" organizadas, segundo todas as receitas do partido, sob a infle

xível autoridade dos chefes, dos líderes, dos cabeças. Impossível fugir a essa exigência. Mes

tida estaria antecipadamente ganlui. A fatalidade histórica" garantiria, com matemática certeza, o êxito do que êles

chamam -de "revolução".

A necessidade de agir, porém, tão poderosa e tão irresis tível em certas naturezas, a consciência que tem certos homens de coincidir às

vezes com o destino, e o desastre que po de significar a morte de um líder, com prometendo com seu desaparecimento a

própria sorte da causa abraçada, o que significam senão que a História é um te cido permeável aos gestos humanos, uma trama que se altera e se decompõe de acordo com a força da pressão que sóbre ela exercemos ?

E o que é a vida, o que c a História, senão o permanente esforço do espírito, senão a luta eterna do espírito, procuran

do inserir-se na natureza, na sua própria natureza, a fim de modificá-la, a fim dc reformá-la, de a tornar humana, de fazêla coincidir com o ideal ? Essa luta do

espírito, porém, não se trava no abstrato, não se fere no mundo platônico das idéias puras e desencarnadas, mas se desenrola

vel entre as duas categorias humanas, ne

tam c encarnam a causa do espírito. Sc a educação consiste menos em sermões c em discursos do que no exemplo, na

"silenciosa eloqüência do ser", para usar a expressão de Kierkegaard; se o povo está sempre para as elites na mesma relação cm que os filhos estão para os pais. es

nunciando a qualquer sacrifício, entregan

do-se à fruição egoísta do que é o rèsul- rado do trabalho, do èsfôrço e do sofri-

dos que são vítimas da injustiça, as aristocracias corrompidas não deveriam ver ^

outra coisa senão o reflexo, a imagem dos \

d

exemplo, contaminam como um veneno -

todo o organismo social, comprometendo a confiança na autoridade, destruindo o sen- 1 so da hierarquia, fecundando os ressenti- '

mentos, justificando os protestos, alimen- '• tando os rancores e os ódios, provocando

perando dêles a palavra de orientação, o

as insurreições violentas. A revolta contra

gesto que possam acompanhar, a atitude que lhes sirva de modêlo, então é fácil compreender que nos desastres da Histó

acumula no coraçáo dos homens, levan-

ria a responsabilidade das elites deve ser terrível, deve ser quase total. ■

Em que consiste o fenômeno da deca-' dência, da crise social, senão na decadên

cia é na corrupção das classes dirigentes, que se demitem dos seus deveres e obriga

ções e se tornam indignas das posições que ocupam, usando de suas situações de

a. injupça e como um explosivo que se

do-os da humilhação ao descpêro, do so- »

fnmento ccm^o, sufocado, aS s«.os re- ■ pa aderes da destruição e da vinlança. A rs, el "

°

" culpa maior, i

s5o elas ei queT denunciadas, sao devem comparecer ao tribu- ' : nal da acusaçao e do julgamento. 1 Ai

privilégio em benefício próprio, consu

em plena espessura da existência concreta,

mindo apenas c nada produzindo, rece

entre sêres de carne e osso. E nessa luta,

bendo sem nada restituir, convertendo-se em parasitas do corpo social? Há fenô

que é a vida e que é a História, há ho

mttem de seus deveres e responsabilidades,

atribuindo-se apenas regalias e direitos, re- j

Entendemos por elite o conjunto dos

mais aptos, dos mais capazes, dos supe riores, dos melhores, seja qual fôr a classe


DicESTo Econômico

52

cia, a ipualdaclc de tratamento jurídico e a iííualdade de oportunidades que deve ser oferecida a todos, a fim de que todos

DronsTo Econômico

como os

mens que encarnam c representam o es

. campeões do igualitarismo, mesmo esses

pírito. sejam êles hcnWs como César," gê

mo aqueles que se apresentam

menos que são, na expressão de Goethc.

• protofcnômenos, isto é, acontecimentos, I

nios como Shakespcare, ou santds como

C .1 1 • . . . fatos, com .. o valor de sintomas, cuja signi-

í

se possam afirmar em suas diferenças, rea

negam, por sua atitude, pela afirmação da sua diferença c da sua superioridade, os

Francisco dc Assis.

ficaçáo não se esgota nèles mesmos, los,

I

lizando livremente as suas diversas voca ções. Afirmamos que as sociedades hu

princípios que defendem. Se o processo

envolve tôda a categoria ou espécie a que ú

mas

histórico fosse regido por um rigoroso

Nenhuma demagogia, nenhuma propa ganda, nem as catástrofes, nem as revolu

manas só existem como sociedades porque consistem numa maioria articulada por

determinismo, se obetleccsse a leis seme

ções, poderão abolir, ou sequer diminuir,

do aqueles que, pela sua condição de re- '

lhantes às leis da natureza, a interferên

pfesentantes da classe dirigente, se de-

uma minoria, numa massa amorfa organi

cia das minorias que procuram desviar o

zada por uma elite.

seu curso ou acelerá-lo não ficaria total

pertencem. Assim, na vida social. Quan- 1

bém que a. História não é um processo

mente excluída, é claro, mas seriam in

cego e fatal, desencadeado pelas forças eco nômicas, mas um tecido coerente de acon

compreensíveis o desespero e a angústia de certos chefes diante do malogro dos

a distância que separa o homem medío cre. o homem comum, do homem excep cional, do homem superior. Dentro dc uma visão cristã, essa diferença não será absoluta e essencial, mas apenas de grau, de maior ou menor riqueza vital e par-

tecimentos, em que a liberdade do espíri to e a interferência dos homens superio

seus planos ou diante do fracasso de suas

• ticipação no espírito. Se a diferença fôsse

mentò dos outros, então rompe-se o equi- '

tentativas de assalto ao poder. Na pior das hipóteses, poderia haver um adiamen

absoluta, não haveria comunicação possí

líbrio social e criam-se as circunstâncias .! que tornam inevitáveis as revoluções. A ■

to, uma protelação da vitória, mas a par

nhum contato, nenhum entendimento se poderia estabelecer entre elas. Mas, embora não sendo essencial, essa diferença existe, c porque a reconhece mos e accitamo.s é que aceitamos também

cólera dos oprimidos é sempre o resulrado do escândalo das elites, e, na revolta

a responsabilidade que pesa sôbre todos

seus próprios pecados.

aqueles que, cm qualquer plano, represen

O egoísmo e a irresponsabilidade dos •i que deveriam ser os guias, os chefes, o ^

E sustentamos tam

res e das elites desempenham uma função decisiva, o papel mais importante. Dessa insubstituível função das elites decorre, como conseqüência necessária a sua responsabilidade. Se a vida vulgar se

desenrola sob o signo da inércia e de um mmimo de obrigações, a vida nobre está, ao contrário, .sob o signo do esforço, da ascesc, do máximo de encargos e de res

ponsabilidades. O povo, as massas, as multidões nunca são, nunca podem ser responsáveis.

Os seus movimentos são

sempre reflexos, limitando-se a traduzir, em termos de imitação ou de revolta vio

lenta, as idéias, as atitudes, o comporta mento das elites. Mesmo aqueles que, pa ra e eitos demagógicos e subversivos, su perestimam e cortejam as "massas" em nmento as elites, mesmo êsses sabem

perfeitamente que as "massas" só se põem

em movimento e só são utilizáveis revoucionariamente depois de longamente

hipnotizadas pela propaganda, pela dou trinação intensiva, pela exacerbação metó dica dos seus ressentimentos, e só se de sencadeiam e atacam depois de terem sido "cientificamente" organizadas, segundo todas as receitas do partido, sob a infle

xível autoridade dos chefes, dos líderes, dos cabeças. Impossível fugir a essa exigência. Mes

tida estaria antecipadamente ganlui. A fatalidade histórica" garantiria, com matemática certeza, o êxito do que êles

chamam -de "revolução".

A necessidade de agir, porém, tão poderosa e tão irresis tível em certas naturezas, a consciência que tem certos homens de coincidir às

vezes com o destino, e o desastre que po de significar a morte de um líder, com prometendo com seu desaparecimento a

própria sorte da causa abraçada, o que significam senão que a História é um te cido permeável aos gestos humanos, uma trama que se altera e se decompõe de acordo com a força da pressão que sóbre ela exercemos ?

E o que é a vida, o que c a História, senão o permanente esforço do espírito, senão a luta eterna do espírito, procuran

do inserir-se na natureza, na sua própria natureza, a fim de modificá-la, a fim dc reformá-la, de a tornar humana, de fazêla coincidir com o ideal ? Essa luta do

espírito, porém, não se trava no abstrato, não se fere no mundo platônico das idéias puras e desencarnadas, mas se desenrola

vel entre as duas categorias humanas, ne

tam c encarnam a causa do espírito. Sc a educação consiste menos em sermões c em discursos do que no exemplo, na

"silenciosa eloqüência do ser", para usar a expressão de Kierkegaard; se o povo está sempre para as elites na mesma relação cm que os filhos estão para os pais. es

nunciando a qualquer sacrifício, entregan

do-se à fruição egoísta do que é o rèsul- rado do trabalho, do èsfôrço e do sofri-

dos que são vítimas da injustiça, as aristocracias corrompidas não deveriam ver ^

outra coisa senão o reflexo, a imagem dos \

d

exemplo, contaminam como um veneno -

todo o organismo social, comprometendo a confiança na autoridade, destruindo o sen- 1 so da hierarquia, fecundando os ressenti- '

mentos, justificando os protestos, alimen- '• tando os rancores e os ódios, provocando

perando dêles a palavra de orientação, o

as insurreições violentas. A revolta contra

gesto que possam acompanhar, a atitude que lhes sirva de modêlo, então é fácil compreender que nos desastres da Histó

acumula no coraçáo dos homens, levan-

ria a responsabilidade das elites deve ser terrível, deve ser quase total. ■

Em que consiste o fenômeno da deca-' dência, da crise social, senão na decadên

cia é na corrupção das classes dirigentes, que se demitem dos seus deveres e obriga

ções e se tornam indignas das posições que ocupam, usando de suas situações de

a. injupça e como um explosivo que se

do-os da humilhação ao descpêro, do so- »

fnmento ccm^o, sufocado, aS s«.os re- ■ pa aderes da destruição e da vinlança. A rs, el "

°

" culpa maior, i

s5o elas ei queT denunciadas, sao devem comparecer ao tribu- ' : nal da acusaçao e do julgamento. 1 Ai

privilégio em benefício próprio, consu

em plena espessura da existência concreta,

mindo apenas c nada produzindo, rece

entre sêres de carne e osso. E nessa luta,

bendo sem nada restituir, convertendo-se em parasitas do corpo social? Há fenô

que é a vida e que é a História, há ho

mttem de seus deveres e responsabilidades,

atribuindo-se apenas regalias e direitos, re- j

Entendemos por elite o conjunto dos

mais aptos, dos mais capazes, dos supe riores, dos melhores, seja qual fôr a classe


,1. * «4

DiGRSTo Econômico

54

a que pertençam, seja qual fôr a sua pro cedência ou origem.

Pois não confundi

mos a elite com as aristocracias de sangue e de privilégios hereditários, e entre as elites distinguimos as técnicas, as sociais, as políticas e as intelectuais.

Se voltarmos os olhos para a nossa

terra, se considerarmos o Brasil, não jx)deremos deixar de reconhecer que um dos aspectos, talvez o mais grave da crise na

cional, é a carência e a frustração das elites brasileiras. Num país com um mínimo de tradição, em que o passado

é tão vazio e tão pobre, povoado por al guns grandes vultos isolados que não che gam a assumir as proporções de gênios

e de heróis; num país em que o tempo anterior não é uma substância densa e rica em que nos possamos inserir para nos

alimentar; num país em que os raros exemplos de grandeza autêntica não che gam a se propagar, criando uma atmos

fera que impregnasse a vida comum; num pais tao esquecido de si mesmo e do

pouco de que se poderiam lembrar- num pais que se lança nas mais desastradas

DlGBSlo

preendimentos e as iniciativas se desman cham e desaparecem sem deixar vestígios, ao sopro dos menores ventos: num país em que só poderemos fugir ao desespe

bt.ONOMlCO

cuja concepção implica a consciência de

zando os requintes literários e os gran des gestos de elegância política. "No Par

pre subordinadas a planos de conjunto,

interesses e ncccs.sidades mais amplos e

lamento está a verdadeira literatura brasi

ro se o amarmos não como uma realida

que constitui pròpriamente a "política".

de presente mas como uma esperança, co mo uma imagem futura; num país assim,

Não nos faltam técnicos, não nos falra a

leira desse período imperial da nossa his tória", escreve Trismo de Ataíde. Figu

capacidade «.le pro<.luzi-los ou Je impor tá-los, e mesmo que houvesse dificuldades

buco. Ouro Preto, emprestam à vida polí

não pode deixar de ser decisiva, funda

mental, a interferência e a participação

em fazer uma coisa ou outra, esse seria

das elites.

.sempre um aspecto secumlário da

A função animadora e vivi-

ficante, o esforço no sentido de esclarecer,

(de definir, de decifrar o resolver os pro

blemas, o esforço tendente a configurar e criar o que ainda não cxi.ste e precisa. existir, o trabalho, o.ingente trabalho de estruturação nacional, esse não poderá

ser feito de baixo para cima. como as er vas que nascem espontaneamente do chão.

fissc trabalho é o destino e a missão das elites brasileiras.

Não nos referimos de modo e.special aos técnicos que, por definição, vivem confinados em suas especialidades. O téc nico, enquanto tal, é o homem que delibe-

raclamente circunscreve e limita o campo

nossa

crise.

O aspecto mais importante, que está modificando a própria fisionomia da nos sa vida. é o que resulta, como tibserva

Sérgio Buarque de Holanda,

da única

deslocamento do eixo da vida brasileira

triarcal em que" repousava a vida.econô mica do Império.

O equilíbrio da sua balança comercial é assegurado pelas grandes exportações de café.

O fenômeno, porém, o novo sen

executa a sua tarefa. 0.s técnicos podem ■ser produzidos em série, nos estabeleci

mo com a lei de 13 de Maio,

pais em que as palavras e os gestos não comprometem e não têm nenhuma importancia. porque se perdera sempre no

faltam e não se encontram, também po

imediato esquecimento; num país que ainda hesita à procura da sua própria fisionomia; num pais ainda incerto a res

peito da sua própria alma; num país que a rigor ainda não existe como unidade, senão virtual e latente; num país em qi-e tudo está por fazer, em que quase tudo deve ser inventado e criado; num país amorfo e disponível, tentado pelas oaixões passivas do relaxamento e da pmguiça; num país em que as coisas parecem pão poder tomar forma, em que os em

dem ser importados,

E quando

pois c indiferente

•montar uma máquina ou fabricar anilinas

no sul da África ou no planalto de São Paulo.

A- função do técnico se reduz a

ajudar os homens a dominar a natureza e a produzir objetos úteis e necessários. Só

a insensatez da nossa época c que poderia inventar o absunlo d-a "tecnocracia",

o

absurdo de uma sociedade governada por aqueles que, não tendo visão de conjunto, não tendo consciência

da totalidade dos

problemas, só podem ser aplicados como instrumentos, na visão e na execução do detalhe. As funções técnicas estão sem-

lítica autêntica, cuja formação se tornara

do campo para as cidades, da agricultura para a indústria. Durante a primeira re pública, apesar tias tentativas incipientes de industrialização, a economia do Paí.s continua a repousar sobre a agricultura.

conseguiu ainda constituir uma experiên cia nacional, uma memória de povo; num

mentos de ensino adequados.

problemas nacionais, êsses homens eram

as expressões mais altas de uma elite po possível graças à estrutura agrícola e pa

tido do nosso desenvolvimento já se acu sa com perfeita nitidez.

do riso às lágrimas; num país que não

tica do Segundo Império uma grandeza e uma dignidade que não conseguimos mais alcançar. Modelos de patriotismo, de es pirito, público, de lúcida compreensão dos

verdadeira revolução da nossa história, do

da sua consciência. A responsabilidade que lhe cabe está apenas em proporção com o critério e a honestidade com que

aventuras com a mconsciência das crianças, que passam das lágrimas ao riso e

ras como Paraná, Caxias, Rio Branco. Na-

O Império, que se sacrificara a si mes tinha na

estrutura agrícola, patriarcal e escravocra

ta, a sua base econômica de sustentação, a fórmula do seu prestígio e da sua força. Os grandes vultos da política imperial são todos, ou 'quase todos, aristocratas rurais, senhores cie engenho que aprenderam la tim e humanidades, nas próprias "casas

grandes", adquirindo a formação supe rior, freqüentemente, nas escolas e univer

sidades.européias. A elite social, ao tem po do Império, era também a elite polí tica e, não raro, a sua elite intelectual.

O

Parlamento era um resumo e um espelho da nossa vida, um cenáculo em que se fa ziam ouvir as vozes mais representativas da Nação. A atmosfera romântica do fim do sécu

lo favorecia o gosto, pela oratória, valori

Do ponto de vista étnico, ainda éramos

o resultado da fusão das três raças, do ín

dio natural do País, do colonizador por tuguês e do escravo africano. A nossa psicologia, resultado dessa fusão, assumira

formas relativamente estáveis que se refle tiam na literatura e em nosso comporta mento político e social.

Essa maneira de

ser, em que começava a se configurar uma

alma originai, encontra a sua expressão mais fiel em algumas obras da nossa lite ratura e, de modo especial,* na de Macha

do de Assis. Embora marcada, do ponto de vista político, pela influência inglesa, e. do ponto de vista literário, pela inluencia francesa, a atmosfera do Segundo Império e profundamente brasileira, ab sorvendo e transformando em valores na cionais, em gestos e em criações tipica

mente

nossos,

aquelas

influências es

tranhas.

Com a abolição da escravatura e com a proclamação da República, inaugura-se um novo período em nossa história.

A trans

formação não é apenas política, mas tam bém econômica e principalmente social. A supressão do trabalho servi],

compro

metendo a estabilidade da estrutura agrá ria e patriarcal, determina a nova política


,1. * «4

DiGRSTo Econômico

54

a que pertençam, seja qual fôr a sua pro cedência ou origem.

Pois não confundi

mos a elite com as aristocracias de sangue e de privilégios hereditários, e entre as elites distinguimos as técnicas, as sociais, as políticas e as intelectuais.

Se voltarmos os olhos para a nossa

terra, se considerarmos o Brasil, não jx)deremos deixar de reconhecer que um dos aspectos, talvez o mais grave da crise na

cional, é a carência e a frustração das elites brasileiras. Num país com um mínimo de tradição, em que o passado

é tão vazio e tão pobre, povoado por al guns grandes vultos isolados que não che gam a assumir as proporções de gênios

e de heróis; num país em que o tempo anterior não é uma substância densa e rica em que nos possamos inserir para nos

alimentar; num país em que os raros exemplos de grandeza autêntica não che gam a se propagar, criando uma atmos

fera que impregnasse a vida comum; num pais tao esquecido de si mesmo e do

pouco de que se poderiam lembrar- num pais que se lança nas mais desastradas

DlGBSlo

preendimentos e as iniciativas se desman cham e desaparecem sem deixar vestígios, ao sopro dos menores ventos: num país em que só poderemos fugir ao desespe

bt.ONOMlCO

cuja concepção implica a consciência de

zando os requintes literários e os gran des gestos de elegância política. "No Par

pre subordinadas a planos de conjunto,

interesses e ncccs.sidades mais amplos e

lamento está a verdadeira literatura brasi

ro se o amarmos não como uma realida

que constitui pròpriamente a "política".

de presente mas como uma esperança, co mo uma imagem futura; num país assim,

Não nos faltam técnicos, não nos falra a

leira desse período imperial da nossa his tória", escreve Trismo de Ataíde. Figu

capacidade «.le pro<.luzi-los ou Je impor tá-los, e mesmo que houvesse dificuldades

buco. Ouro Preto, emprestam à vida polí

não pode deixar de ser decisiva, funda

mental, a interferência e a participação

em fazer uma coisa ou outra, esse seria

das elites.

.sempre um aspecto secumlário da

A função animadora e vivi-

ficante, o esforço no sentido de esclarecer,

(de definir, de decifrar o resolver os pro

blemas, o esforço tendente a configurar e criar o que ainda não cxi.ste e precisa. existir, o trabalho, o.ingente trabalho de estruturação nacional, esse não poderá

ser feito de baixo para cima. como as er vas que nascem espontaneamente do chão.

fissc trabalho é o destino e a missão das elites brasileiras.

Não nos referimos de modo e.special aos técnicos que, por definição, vivem confinados em suas especialidades. O téc nico, enquanto tal, é o homem que delibe-

raclamente circunscreve e limita o campo

nossa

crise.

O aspecto mais importante, que está modificando a própria fisionomia da nos sa vida. é o que resulta, como tibserva

Sérgio Buarque de Holanda,

da única

deslocamento do eixo da vida brasileira

triarcal em que" repousava a vida.econô mica do Império.

O equilíbrio da sua balança comercial é assegurado pelas grandes exportações de café.

O fenômeno, porém, o novo sen

executa a sua tarefa. 0.s técnicos podem ■ser produzidos em série, nos estabeleci

mo com a lei de 13 de Maio,

pais em que as palavras e os gestos não comprometem e não têm nenhuma importancia. porque se perdera sempre no

faltam e não se encontram, também po

imediato esquecimento; num país que ainda hesita à procura da sua própria fisionomia; num pais ainda incerto a res

peito da sua própria alma; num país que a rigor ainda não existe como unidade, senão virtual e latente; num país em qi-e tudo está por fazer, em que quase tudo deve ser inventado e criado; num país amorfo e disponível, tentado pelas oaixões passivas do relaxamento e da pmguiça; num país em que as coisas parecem pão poder tomar forma, em que os em

dem ser importados,

E quando

pois c indiferente

•montar uma máquina ou fabricar anilinas

no sul da África ou no planalto de São Paulo.

A- função do técnico se reduz a

ajudar os homens a dominar a natureza e a produzir objetos úteis e necessários. Só

a insensatez da nossa época c que poderia inventar o absunlo d-a "tecnocracia",

o

absurdo de uma sociedade governada por aqueles que, não tendo visão de conjunto, não tendo consciência

da totalidade dos

problemas, só podem ser aplicados como instrumentos, na visão e na execução do detalhe. As funções técnicas estão sem-

lítica autêntica, cuja formação se tornara

do campo para as cidades, da agricultura para a indústria. Durante a primeira re pública, apesar tias tentativas incipientes de industrialização, a economia do Paí.s continua a repousar sobre a agricultura.

conseguiu ainda constituir uma experiên cia nacional, uma memória de povo; num

mentos de ensino adequados.

problemas nacionais, êsses homens eram

as expressões mais altas de uma elite po possível graças à estrutura agrícola e pa

tido do nosso desenvolvimento já se acu sa com perfeita nitidez.

do riso às lágrimas; num país que não

tica do Segundo Império uma grandeza e uma dignidade que não conseguimos mais alcançar. Modelos de patriotismo, de es pirito, público, de lúcida compreensão dos

verdadeira revolução da nossa história, do

da sua consciência. A responsabilidade que lhe cabe está apenas em proporção com o critério e a honestidade com que

aventuras com a mconsciência das crianças, que passam das lágrimas ao riso e

ras como Paraná, Caxias, Rio Branco. Na-

O Império, que se sacrificara a si mes tinha na

estrutura agrícola, patriarcal e escravocra

ta, a sua base econômica de sustentação, a fórmula do seu prestígio e da sua força. Os grandes vultos da política imperial são todos, ou 'quase todos, aristocratas rurais, senhores cie engenho que aprenderam la tim e humanidades, nas próprias "casas

grandes", adquirindo a formação supe rior, freqüentemente, nas escolas e univer

sidades.européias. A elite social, ao tem po do Império, era também a elite polí tica e, não raro, a sua elite intelectual.

O

Parlamento era um resumo e um espelho da nossa vida, um cenáculo em que se fa ziam ouvir as vozes mais representativas da Nação. A atmosfera romântica do fim do sécu

lo favorecia o gosto, pela oratória, valori

Do ponto de vista étnico, ainda éramos

o resultado da fusão das três raças, do ín

dio natural do País, do colonizador por tuguês e do escravo africano. A nossa psicologia, resultado dessa fusão, assumira

formas relativamente estáveis que se refle tiam na literatura e em nosso comporta mento político e social.

Essa maneira de

ser, em que começava a se configurar uma

alma originai, encontra a sua expressão mais fiel em algumas obras da nossa lite ratura e, de modo especial,* na de Macha

do de Assis. Embora marcada, do ponto de vista político, pela influência inglesa, e. do ponto de vista literário, pela inluencia francesa, a atmosfera do Segundo Império e profundamente brasileira, ab sorvendo e transformando em valores na cionais, em gestos e em criações tipica

mente

nossos,

aquelas

influências es

tranhas.

Com a abolição da escravatura e com a proclamação da República, inaugura-se um novo período em nossa história.

A trans

formação não é apenas política, mas tam bém econômica e principalmente social. A supressão do trabalho servi],

compro

metendo a estabilidade da estrutura agrá ria e patriarcal, determina a nova política


DiGESTo Econômico DIG BSTO ÜC-C)NÓ N11(:0

í

temos o dever dc conservar c defender.

do seio dessas .classes que saíam, até al- '

guns anos atrás, os nossos homens públi-

branco e europeu, necessário à substitui-

colonial, povoada pelos índios e pelos portugueses, que viveu, durante os pri

tar a decadência

^o do escravo africano libertado.

meiros séculos da nossa história, à sombra

nais c condenar o advento da nova bur

eleitoral da mediocridade, da incompe

imigratória e a importação do trabalhador A eco

Seria ingênuo e inconseqüente lamen das estruturas tradicio

COS.

O advento espetacular, triunfo c5pciu*.uiar, o o triunio -»

j_

>•_ _

• 1

1

nomia se desloca, de um modo geral, do

da solicitude e do zelo aposcolar dos je

Nordeste para o Sul,

guesia urbana ainda não assimilada i>elo

tência e da falta de escrúpulos, foi, para %

suítas, resume, em seu progresso c em seu

nosso meio.

as antigas elites brasileiras, menos uma

extraordinário

to, de uma realidade que é preciso apenas

dos engenhos de

açúcar para as fazendas de café. E surge uma segunda aristocracia rural, ainda edu

cada nas tradições e na atmosfera do Im

pério, e da qual são legítimas expressões os grandes presidentes paulistas, Campos Sales, Prudente de Morais e Rodrigues Alves. Das famílias tradicionais, com ra ras exceções, ainda saem os nossos homens

públicos, embora a política republicana não apresente mais, como observa Olivei

ra Viana, a grandeza e a dignidade dos últimos anos do Império.

A nova linha de desenvolvimento já esta, porém, perfeitamente marcada.

A

industrializado coincide com a vinda de grandes correntes de imigrantes europeus que trazem para o Brasil o hábito do tra

desenvolvimento,

essa

transformação característica da nossa vida contemporânea. A concentração indus

formação pela qual estamos passando nes sa conversão da nossa vida econômica das suas antigas formas agrárias às novas for mas industriais e urbanas. Coincidindo também com essa transformação, com a ruína e a decadência de muitas das anti gas famílias rurais, processou-se o cresci mento das grandes cidades e a formação de uma nova burguesia cosmopolita e ur

<

*: ' ' ' ^

política. As antigas elites políticas, oriun das da aristocracia rural c cafeeira, se des

imolação.

modo particularmente agudo, não só no

Não houve, porém, durante os anos de rtfgimem ditatorial, a possibilidade de se

gos brasileiros para as mãos dos novos

os anos dc cancelamento da nossa vida

terreno social como também

no terreno

.político.

Além daqueles que se identificaram co nosco, incorporando-se à comunhão na

cional, ajudando-nos a promover o nosso progres-so, além dos que se tornaram real

zível de recém-chegados, uma onda flu tuante de desenraizados, trazendo a''psico-

pria capacidade de luta, constituíram os

A nossa mais recente experiência demo-

tes, provocou um desequilíbrio, uma crise cujas conseqüências se fazem sentir de ,

tou, tornando-se ainda mais nítido duran

cessidade de se afirmarem e vencer Li bertos de qualquer orgulho ancestral de qualquer preconceito aristocrático em' re lação ao trabalho, precisando afirmar-se imigrantes um fator decisivo nessa trans

humilhação do que ura merecido castigo, í

brasileiros, imigrantes c seus descenden

e romancistas, êsse fenômeno se precipi

trial e urbana, a transferência de muitas das grandes fortunas das mãos dos anti

mente brasileiros e que são, sem dúvida, o maior número, uma massa não despre

através do seu próprio valor, da sua pró-

Assinalado por sociólogos

crática tem o valor de uma lição de coisas, mostrando-nos que úada é possível azer, nada e possível conseguir sem esforço e sem trabalho, sem espírito de sacrifício. sem capacidade de renúncia e de

balho organizado, o senso da economia

o espirito de iniciativa e o desejo, a ne

compreender.

E.stamos diante de um fa

logia do aventureiro sem escrúpulos, que precisa 'vencer" a todo transe, que pre cisa fazer a América", está ameaçando a nossa própria fisionomia de povo, crian do uma atmosfera que não é a nossa, criando a mentalidade do "arrivismo", da

te os anos da guerra, que foram também

gastaram c envelheceram no ostracismo.

constituírem novas elites que se poderiam ter formado no livre jôgo da política de mocrática.

E se homens que não nos parecem cre

denciados se tornaram líderes e se apre

postos de governo, não teria sentido re criminá-los, pois não fizeram senão ten

duzmdo os mais medíocres à 1,,^

tar a sua "chance", trazendo para a polí

tica o meshio espírito dc aventura e de

jôgo com que empreendem seus negócios, beneficiando-se da inépcia, do sectarismo e da vaidade daqueles que, considerando-

ae os representantes da classe até então di rigente, não conseguiram ou não se qui

econômico como única forma válida de

nos em função do passado do que em fun ção do futuro, se somos um país em que quase tudo ainda está por fazer, em que quase tudo deve sec inventado e criado,

nem por isso nos devemos entregar pas

çao, condenou os moços ao desespero con ^ ?'

dinheiro pelo nao ê.l.osenoresiimtca:„p\'« fiSo ' nal. Ose que sacrifícío, os que não se conform"^ ^

essa abdicação, permaneceram dos, sem nada poder dizer der fazer, esforçando-se

nadar, em sobreviver ao que os devorava, perrl^

'

sa atual vida política, deveriam êstes re

bito de usar a liberdade

^^sim o há-

conhecer e aceitar a sua parte de respon

foi restituída, pelac Brasileiro, já não

Na miséria da nos

sabilidade, indagando o que faziam en quanto os aventureiros e os demagogos

gá-Ia, já não sabíamosT°^

trabalhavam na organização dos seus par

Os outros haviam usa.q«

tidos e na conquista do eleitorado. Misturadas e impuras, entregues a uma

vida leviana e irresponsável, as nossas "eli

bana, sem raízes na terra, que, pela rapi

sivamente a essa nova e perigosa influên

dez com que se constituiu, ainda não teve

tes sociais" de há muito se demitiram de

cia, que nos poderia arrancar dgs nossas

tempo de se vincular ao nosso passado e de se incorporar à nossa atmosfera e à nossa psicologia. A cidade em que nascemos, a vilazinha

próprias raízes, fazendo-nos esquecer os • traços do nosso próprio caráter, a tradi

seus encargos e devores, e já nada mais significam senão corrupção e decadência. E essa decadência não é apenas social e econômica, mas também política, pois é

ção que, embora pobre, ainda é a nossa, ainda é uma herança, um patrimônio que

mos, de programas, de chefes O " ' mem ditatorial, interrompendo « o!^^' vida política, fechando todos os cam* í

tornando impossível qualquer paríi"^^

seram unir e vencer.

Se somos um país que deve viver me

a,o, d,ante da ausência de partidos, de m' '

sentaram como candidatos aos mais altos

obcessão do negócio e do lucro, do êxito consagração social.

Verifiamos, então, que estávnmos sem ' ehtes pclutcãs, que as antigas se mostra ram decadentes e imprestáveis, e verifica mos também que estávamos diante do va i

dade havia subsistido e enriquecer; nós sofrei

mo quem f casse ÍÍT'

ela nos Exército

negoc.os

resDirar ee, J respirar ao mesmo subitamente tempo, sem não conse poder guisse morrer.

Sentíamo-nos ridículos e inúteis, sem sa mocldade, do nosso jovem ardor, do ^


DiGESTo Econômico DIG BSTO ÜC-C)NÓ N11(:0

í

temos o dever dc conservar c defender.

do seio dessas .classes que saíam, até al- '

guns anos atrás, os nossos homens públi-

branco e europeu, necessário à substitui-

colonial, povoada pelos índios e pelos portugueses, que viveu, durante os pri

tar a decadência

^o do escravo africano libertado.

meiros séculos da nossa história, à sombra

nais c condenar o advento da nova bur

eleitoral da mediocridade, da incompe

imigratória e a importação do trabalhador A eco

Seria ingênuo e inconseqüente lamen das estruturas tradicio

COS.

O advento espetacular, triunfo c5pciu*.uiar, o o triunio -»

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1

nomia se desloca, de um modo geral, do

da solicitude e do zelo aposcolar dos je

Nordeste para o Sul,

guesia urbana ainda não assimilada i>elo

tência e da falta de escrúpulos, foi, para %

suítas, resume, em seu progresso c em seu

nosso meio.

as antigas elites brasileiras, menos uma

extraordinário

to, de uma realidade que é preciso apenas

dos engenhos de

açúcar para as fazendas de café. E surge uma segunda aristocracia rural, ainda edu

cada nas tradições e na atmosfera do Im

pério, e da qual são legítimas expressões os grandes presidentes paulistas, Campos Sales, Prudente de Morais e Rodrigues Alves. Das famílias tradicionais, com ra ras exceções, ainda saem os nossos homens

públicos, embora a política republicana não apresente mais, como observa Olivei

ra Viana, a grandeza e a dignidade dos últimos anos do Império.

A nova linha de desenvolvimento já esta, porém, perfeitamente marcada.

A

industrializado coincide com a vinda de grandes correntes de imigrantes europeus que trazem para o Brasil o hábito do tra

desenvolvimento,

essa

transformação característica da nossa vida contemporânea. A concentração indus

formação pela qual estamos passando nes sa conversão da nossa vida econômica das suas antigas formas agrárias às novas for mas industriais e urbanas. Coincidindo também com essa transformação, com a ruína e a decadência de muitas das anti gas famílias rurais, processou-se o cresci mento das grandes cidades e a formação de uma nova burguesia cosmopolita e ur

<

*: ' ' ' ^

política. As antigas elites políticas, oriun das da aristocracia rural c cafeeira, se des

imolação.

modo particularmente agudo, não só no

Não houve, porém, durante os anos de rtfgimem ditatorial, a possibilidade de se

gos brasileiros para as mãos dos novos

os anos dc cancelamento da nossa vida

terreno social como também

no terreno

.político.

Além daqueles que se identificaram co nosco, incorporando-se à comunhão na

cional, ajudando-nos a promover o nosso progres-so, além dos que se tornaram real

zível de recém-chegados, uma onda flu tuante de desenraizados, trazendo a''psico-

pria capacidade de luta, constituíram os

A nossa mais recente experiência demo-

tes, provocou um desequilíbrio, uma crise cujas conseqüências se fazem sentir de ,

tou, tornando-se ainda mais nítido duran

cessidade de se afirmarem e vencer Li bertos de qualquer orgulho ancestral de qualquer preconceito aristocrático em' re lação ao trabalho, precisando afirmar-se imigrantes um fator decisivo nessa trans

humilhação do que ura merecido castigo, í

brasileiros, imigrantes c seus descenden

e romancistas, êsse fenômeno se precipi

trial e urbana, a transferência de muitas das grandes fortunas das mãos dos anti

mente brasileiros e que são, sem dúvida, o maior número, uma massa não despre

através do seu próprio valor, da sua pró-

Assinalado por sociólogos

crática tem o valor de uma lição de coisas, mostrando-nos que úada é possível azer, nada e possível conseguir sem esforço e sem trabalho, sem espírito de sacrifício. sem capacidade de renúncia e de

balho organizado, o senso da economia

o espirito de iniciativa e o desejo, a ne

compreender.

E.stamos diante de um fa

logia do aventureiro sem escrúpulos, que precisa 'vencer" a todo transe, que pre cisa fazer a América", está ameaçando a nossa própria fisionomia de povo, crian do uma atmosfera que não é a nossa, criando a mentalidade do "arrivismo", da

te os anos da guerra, que foram também

gastaram c envelheceram no ostracismo.

constituírem novas elites que se poderiam ter formado no livre jôgo da política de mocrática.

E se homens que não nos parecem cre

denciados se tornaram líderes e se apre

postos de governo, não teria sentido re criminá-los, pois não fizeram senão ten

duzmdo os mais medíocres à 1,,^

tar a sua "chance", trazendo para a polí

tica o meshio espírito dc aventura e de

jôgo com que empreendem seus negócios, beneficiando-se da inépcia, do sectarismo e da vaidade daqueles que, considerando-

ae os representantes da classe até então di rigente, não conseguiram ou não se qui

econômico como única forma válida de

nos em função do passado do que em fun ção do futuro, se somos um país em que quase tudo ainda está por fazer, em que quase tudo deve sec inventado e criado,

nem por isso nos devemos entregar pas

çao, condenou os moços ao desespero con ^ ?'

dinheiro pelo nao ê.l.osenoresiimtca:„p\'« fiSo ' nal. Ose que sacrifícío, os que não se conform"^ ^

essa abdicação, permaneceram dos, sem nada poder dizer der fazer, esforçando-se

nadar, em sobreviver ao que os devorava, perrl^

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sa atual vida política, deveriam êstes re

bito de usar a liberdade

^^sim o há-

conhecer e aceitar a sua parte de respon

foi restituída, pelac Brasileiro, já não

Na miséria da nos

sabilidade, indagando o que faziam en quanto os aventureiros e os demagogos

gá-Ia, já não sabíamosT°^

trabalhavam na organização dos seus par

Os outros haviam usa.q«

tidos e na conquista do eleitorado. Misturadas e impuras, entregues a uma

vida leviana e irresponsável, as nossas "eli

bana, sem raízes na terra, que, pela rapi

sivamente a essa nova e perigosa influên

dez com que se constituiu, ainda não teve

tes sociais" de há muito se demitiram de

cia, que nos poderia arrancar dgs nossas

tempo de se vincular ao nosso passado e de se incorporar à nossa atmosfera e à nossa psicologia. A cidade em que nascemos, a vilazinha

próprias raízes, fazendo-nos esquecer os • traços do nosso próprio caráter, a tradi

seus encargos e devores, e já nada mais significam senão corrupção e decadência. E essa decadência não é apenas social e econômica, mas também política, pois é

ção que, embora pobre, ainda é a nossa, ainda é uma herança, um patrimônio que

mos, de programas, de chefes O " ' mem ditatorial, interrompendo « o!^^' vida política, fechando todos os cam* í

tornando impossível qualquer paríi"^^

seram unir e vencer.

Se somos um país que deve viver me

a,o, d,ante da ausência de partidos, de m' '

sentaram como candidatos aos mais altos

obcessão do negócio e do lucro, do êxito consagração social.

Verifiamos, então, que estávnmos sem ' ehtes pclutcãs, que as antigas se mostra ram decadentes e imprestáveis, e verifica mos também que estávamos diante do va i

dade havia subsistido e enriquecer; nós sofrei

mo quem f casse ÍÍT'

ela nos Exército

negoc.os

resDirar ee, J respirar ao mesmo subitamente tempo, sem não conse poder guisse morrer.

Sentíamo-nos ridículos e inúteis, sem sa mocldade, do nosso jovem ardor, do ^


~

58

Digbsto FroNÒM iro

nosso desejo de parricipação, da nossa ne cessidade de ideal e de grandeza. Com a

há uma espécie de embotamcnro geral da

sensibilidade.

Nada mais nos impressio

restituição da liberdade veio o desafogo, mas veio também a decepção, pois nada havia de subterrâneo, forças incontamina-

graves que, num povo acordado o vivo.

das e ocultas que, na impossibilidade de

deveriam provocar sublcvações, movimen

agir, tivessem permanecido organizadas, vivendo a vida clandestina e heróica das

catacumbas, dos encontros e das confabulações secretas. Não havia nenhuma "re

sistência" pronta para transbordar e em polgar o País quando se rompessem as comportas da ditadura. Não havia nada

Havia o desbarato das antigas elites, a

perplexidade dos intelectnals, a falsa pros peridade do cambio negro e dos lucros

extraordinários. E havia também o s" frimento inutil o desespéro dos melhores e dos mais lúcidos.

"lores

Não tendo compreendido que os tem

ToZSr"erl ° dahLtransformação social, da^dícrdlda"^^

na, nos escandaliza.

alucinação,

Numa atmosfera de

de pesadelo,

as coisas mais

tos populares, pronunciamentos enérgicos por parte dos responsáveis. as coisas

na fòrça e na fecundldade do ?

nosso próprio espírito.

na mesma frente de combate, lutando to

dos contra a injustiça, lutando todos pela defesa dos valores do espírito, pela afir honra, da sua vida e da sua liberdade.

produzem nenhuma conseqüência, parece

que detonam no vácuo e são pelo vácuii

faira entusiasmo, ardor, vontade dc lutar,

da esperança, a cruzada do entusiasmo, da

devorados, deixando-nos frios, aturdidos c

c se nos tornamos incapazes de lutar é

fé em nós mesmos e na nossa terra, a cru

indiferentes. Não chegamos a tomar bem consciência das coisas, que acontecem co

porque não acreditamos mais em nada, é porque não acreditaníos mais em nós

zada urgente c quixotesca de redenção do

terna do País, os maiores escândalos não

mo se não acontecessem, pois não reper cutem, não provocam nenhum eco, e de saparecem tragadas pelo instantâneo es quecimento.

Não podemos, porém, continuar assim indefinidamente. Os itinerários dc fuga e de evasão que se abrem diante de nós, como soluções fáceis, como caminhos mais

comodos ao longo dos quais evitaríamos o

dever da participação, esses, nós jamais os seguiremos.

Diante da imensa desola

ção da vida brasileira, torna-se inadiável

Nenhuma revolução se fez na História, nenhum grande movimento político se desencadeou, sem uma prévia e longa pre

do rodos os setores, todos os ramos da vi da nacional. Existem partidos, as assem bléias estão funcionando, há liberdade de

consciências. Os homens de ação, os po

pensamento, mas tudo se passa como se

líticos puros, não fazem senão tentar en

paração dos espíritos, sem um trabalho anterior de catequese e de conversão das

carnar em fatos, em realidades, a medita

ção e o pensamento dos ideólogos, dos

teóricos, dos intelectuais. Do ponto de vista 'da criação de novos climas históri cos, os enciclopedistas não foram menos

questões essenciais sejam .sistemàticamen-

eficazes dó que Napoleão, pois as idéias

re evitadas.

são gestos em estado potencial, origem c fermento de todas as transformações ç movimentos humanos.

*

Não deveríamos estar uns contra os ou- õ rros, mas uns ao lado dos outros, unidos

justiça, de defemicr o homem c a sua dig

das elites intelectuais.

Fsramos diante do deserto, do vazio. V.

mesmos,

nidade." Sc não conseguimos agir. evi tando o triunfo da incompetência, da me diocridade e da impostuna, é porque nos

o dever tutelar das elites, e especialmente

a covardia e o medo fazem com que as

Aos intelectuais, portanto, que repre sentam o espírito, cabe essa tarefa insubs tituível c decisiva, de preparar as atmos feras, de agir sôbrc as consciências, de es clarecer os espíritos, dc apontar rumos, de procurar aa soluções, de lutar contra a in

mais graves, envolvendo a honra dos ho

rior a revolução de 30.

nada disso existisse, pois não é possível militar nos partidos, as assembléias não corresponderam às nossas esperanças, e a liberdade de pensamento é inútil, porque

Econômico

mens públicos e a própria dignidade ex

antigas estmmras e da ascensão da nov^ burguesia industrial e urbana, as "classes conservadoras conservadoras de si me? mas, continuaram a pensar e a agir como se os acontecimentos de outubro de 4? fossem recolocar o País na situação anteOs frutos dessa cegueira, dessa incom preensão, desse desastramento, estSo dian te de nos. A crise generalizada, atingin

DiGBSTCi

mação do homem, pela afirmação da sua Por que não desencadeamos a cruzada

nosso povo >


~

58

Digbsto FroNÒM iro

nosso desejo de parricipação, da nossa ne cessidade de ideal e de grandeza. Com a

há uma espécie de embotamcnro geral da

sensibilidade.

Nada mais nos impressio

restituição da liberdade veio o desafogo, mas veio também a decepção, pois nada havia de subterrâneo, forças incontamina-

graves que, num povo acordado o vivo.

das e ocultas que, na impossibilidade de

deveriam provocar sublcvações, movimen

agir, tivessem permanecido organizadas, vivendo a vida clandestina e heróica das

catacumbas, dos encontros e das confabulações secretas. Não havia nenhuma "re

sistência" pronta para transbordar e em polgar o País quando se rompessem as comportas da ditadura. Não havia nada

Havia o desbarato das antigas elites, a

perplexidade dos intelectnals, a falsa pros peridade do cambio negro e dos lucros

extraordinários. E havia também o s" frimento inutil o desespéro dos melhores e dos mais lúcidos.

"lores

Não tendo compreendido que os tem

ToZSr"erl ° dahLtransformação social, da^dícrdlda"^^

na, nos escandaliza.

alucinação,

Numa atmosfera de

de pesadelo,

as coisas mais

tos populares, pronunciamentos enérgicos por parte dos responsáveis. as coisas

na fòrça e na fecundldade do ?

nosso próprio espírito.

na mesma frente de combate, lutando to

dos contra a injustiça, lutando todos pela defesa dos valores do espírito, pela afir honra, da sua vida e da sua liberdade.

produzem nenhuma conseqüência, parece

que detonam no vácuo e são pelo vácuii

faira entusiasmo, ardor, vontade dc lutar,

da esperança, a cruzada do entusiasmo, da

devorados, deixando-nos frios, aturdidos c

c se nos tornamos incapazes de lutar é

fé em nós mesmos e na nossa terra, a cru

indiferentes. Não chegamos a tomar bem consciência das coisas, que acontecem co

porque não acreditamos mais em nada, é porque não acreditaníos mais em nós

zada urgente c quixotesca de redenção do

terna do País, os maiores escândalos não

mo se não acontecessem, pois não reper cutem, não provocam nenhum eco, e de saparecem tragadas pelo instantâneo es quecimento.

Não podemos, porém, continuar assim indefinidamente. Os itinerários dc fuga e de evasão que se abrem diante de nós, como soluções fáceis, como caminhos mais

comodos ao longo dos quais evitaríamos o

dever da participação, esses, nós jamais os seguiremos.

Diante da imensa desola

ção da vida brasileira, torna-se inadiável

Nenhuma revolução se fez na História, nenhum grande movimento político se desencadeou, sem uma prévia e longa pre

do rodos os setores, todos os ramos da vi da nacional. Existem partidos, as assem bléias estão funcionando, há liberdade de

consciências. Os homens de ação, os po

pensamento, mas tudo se passa como se

líticos puros, não fazem senão tentar en

paração dos espíritos, sem um trabalho anterior de catequese e de conversão das

carnar em fatos, em realidades, a medita

ção e o pensamento dos ideólogos, dos

teóricos, dos intelectuais. Do ponto de vista 'da criação de novos climas históri cos, os enciclopedistas não foram menos

questões essenciais sejam .sistemàticamen-

eficazes dó que Napoleão, pois as idéias

re evitadas.

são gestos em estado potencial, origem c fermento de todas as transformações ç movimentos humanos.

*

Não deveríamos estar uns contra os ou- õ rros, mas uns ao lado dos outros, unidos

justiça, de defemicr o homem c a sua dig

das elites intelectuais.

Fsramos diante do deserto, do vazio. V.

mesmos,

nidade." Sc não conseguimos agir. evi tando o triunfo da incompetência, da me diocridade e da impostuna, é porque nos

o dever tutelar das elites, e especialmente

a covardia e o medo fazem com que as

Aos intelectuais, portanto, que repre sentam o espírito, cabe essa tarefa insubs tituível c decisiva, de preparar as atmos feras, de agir sôbrc as consciências, de es clarecer os espíritos, dc apontar rumos, de procurar aa soluções, de lutar contra a in

mais graves, envolvendo a honra dos ho

rior a revolução de 30.

nada disso existisse, pois não é possível militar nos partidos, as assembléias não corresponderam às nossas esperanças, e a liberdade de pensamento é inútil, porque

Econômico

mens públicos e a própria dignidade ex

antigas estmmras e da ascensão da nov^ burguesia industrial e urbana, as "classes conservadoras conservadoras de si me? mas, continuaram a pensar e a agir como se os acontecimentos de outubro de 4? fossem recolocar o País na situação anteOs frutos dessa cegueira, dessa incom preensão, desse desastramento, estSo dian te de nos. A crise generalizada, atingin

DiGBSTCi

mação do homem, pela afirmação da sua Por que não desencadeamos a cruzada

nosso povo >


61

DicnsTo EíioNÓMiro

ra n cisco

a

Antonio Gontíjo nn Carvalho 1 L

O Humanista e o Homem de Estado

J^B talento precoce era o discípulo do sábio engenheiro Henri Gorceix.

Mal despedia da meninice, fundava, em Diamantina,o hebdomadário "Idéia Nova". Jovem de dezessete anos de idade, em de

fesa do avô, Josefino Vieira Machado, Barao de Guaicuí, agitara e surpreendera a pacata cidade mineira com. vibrante ar tigo, intitulado: "O verdadeiro chefe".

O "Digesto Econômico" está publi cando uma série de perfis biográfi cos de políticos que se destacaram na vida pública do País. Neste nú mero divulgamos o de Francisco Sá, notável engenheiro. Secretário de Governo e Ministro de Estado, fi nancista emérito, autoridade inconteste em assuntos ferroviários e de

tarifas. Francisco Sá foi dos maio res oradores que atuaram no

Na Corte, confirma que é antecipada a maturidade de seu espírito. De uma só vez, faz todos os preparatórios. Um acon tecimento. o seu exame de Latim. Tra

Parlamento Brasileiro.

estava proclamada e a sala sc esvaziou num

Não foi dos mais ;issícluos na tribuna.

passe de mágica. Mudadas as instituições, o presidente

Fato estranho: só a namora quem impõe

Bias Fortes, que na intimidade o tratava de "meu rouxinol", o nomeia Secretário

xoto era olímpico e dominador. Ninguém, entretanto, desdenhou a palavra com tan

da Agricultura e Obras Publicas.

ta visibilidade.

penitência aos companheiros. Carlos Pei

Duas

Francisco Sá poderia ter escrito um li vro que resumisse as suas idéas sobre os

escollias definem o novo titular: Caióge ras e Davi Campista. O primeiro, para seu consultor técnico. O segundo, para

inspetor de imigração na Europa.

problemas capitais do Brasil. Não o per mitiu uma inteligência dispersiva. Razão

Re

pela qual não levou avante o projeto de

sultado: em sua gestão, há uma verdadeira nevrose de trabalho. Reorganiza inúme

escrever a biografia de Diogo Feijó, a

ros serviços de obras públicas; traça um

quem votava irrestrita admiração, com

todos os dados já coligidos. Mas os Anais par

plano ferroviário para to do o Estado de Minas Ge

nados, cinqüenta mil imi

lamentares demonstram que profícua foi a sua

grantes italianos.

atividade intelectual. Ela

rais e acolhe, subvencio

borou notáveis pareceres,

Triunfal é o seu retor

tria, em que tomavam parte oa amigo.s fraternais de Francisco Sá; Capiscrano de Abreu, Leopoldo de Bulhões e Arrojado Lisboa. Dispondo de memória fiei, via jado, ledor infatigável de revistas euro

no ao Parlamento Repu

repletos de dados estatís

blicano como representan

ticos e de doutrina, como relator dos Orçamentos da

jovem examinando radioso futuro

péias, Sá era inesgotável conversador.

nheiro ferroviário cia Ct)mpanhia Mojiana.

Outrora, não constituía espanto o profundo humanismo de um filho de Minas

Nos arquivos de Caiógeras, encontrei

alcança ruidoso sucesso na tribuna, dis

missão de Finanças, e os defendeu em plenário com o maior realce. Em assuntos de vias férreas, reconheciam-

um bilhete, com o timbre do Ministério

cutindo os acontecimentos de 5 de novem

no os seus pares um competidor, em saber

duz em versos alexandrinos uma ode de Horaco. O arguidor. o filólogo Castro Lopes, entusiasmado, o convida para p o fessor do Gmasio Pedro II e augura ao

Gerais Os exercícios mnemônicos de um Calogeras, por exempip. consistiam em reproduzir de cor trechos da "Ponte de Có sar", no "De Bello Gallico".

Hoje. o meu antigo professor Tranquil-

Io Tranqu.lli, que repetiu, sem falha de uma sílaba, segundo o testemunho do sau U doso reitor do Ginásio de São Bento D Pedro Eggerath, toda "a passagem dos' Ah

pes" de Tito Livio, poderá dar o depoi mento do nosso descaso. ..

Na EscoJa de Engenharia de Ouro Pre to, Francirco Sá aprimora o seu saber e

da Viação e a data de 9 de março de 1910, em que o ministro, preocupado com o esforço gigantesco do amigo, ameaçado de "surmenage", ao escrever em quarenta dias "La Politique Monétaire du Brésil", comunicava, carinhosamente, a remessa, para distrai-lo, da "lllustration Française", que continha o primeiro ato do Chantecler.

O amor ao Brasil o fez político. Depu tado geral, foi saliente o papel que desem penhou na última sessão legislativa da

monarquia.

O

verbo

altissonante

de

Francisco Sá selou em quinze de novem

apaixona-se pela cultura clássica, um ca

bro o Parlamento Imperial. Não encon

racterístico dos "mineralógicos".

trou eco a sua exclamação, tentando esti

Inesquecíveis as tertúlias, na residência de CaJógeras, à rua Voluntários da Pá-

mular os

hesitantes

que começaram

a

abandonar o recinto: "Ainda somos os re

presentantes da Nação". A República já

te do Ceará. Amigo de GHccrio, que conhecera em Campinas, quando enge

Viação e Receita, na Co

bro de 1897. Recebe ensurdecedora ovação, ao fazer o elogio do Marechal Bittencourt. "Assim como o seu corpo se interpôs en tre o Chefe da Nação e o punhal do sl-

cário, formemos todos um corpo só, ^ in terposto como antemural inexpugnável entre o crime e a lei, entre a anarquia e

a ordem, entre os partidos e a Pátria , fo ram as últimas palavras do orador. velou-se um tribuno para as massas.

Re O

artista de fina sensibilidade, o heleno que

convivia com as musas, surgiu, todavia,

ao traçar o necrológio do companheiro de bancada, José Avelino Gurgel do Ama

ral.

Foi grande a repercussão dêsse dis

curso, que transformou o Parlamento em uma Academia.

Não houve voz discre-

técnico, de Sampaio Corrêa e Paulo de Frontln. Economista, sempre em seu es pírito estavam as palavras de Gladstone

endereçadas a Jules Ferry: "Velai pelas finanças; e por elas que as democracias podem perecer .

Nenhum de seus ensaios teve

, icvc a repercussao do Orçamento——wo da Receita, que teiamii para o exercício de "" , em ffolheto sob , o titulo "Finanças 1922, publicado Bra-

= 'To-.ur ="viços ao de Saúde Publ.ea, o Congresso o»Nacional, apagar das luzes, regulamentou o jogo em Sao Paulo, sem o beneplácito do Govêrno do Estado. Êsse fato provocou protestos veementes das consciências honestas. Vergueiro Steidel, em uma festa da chave

pante: o Brasil orgulhava-se do seu man

simbólica, fremente de cólera, estigmati

datário.

zou o projeto e os seus autores, e Alcânji..


61

DicnsTo EíioNÓMiro

ra n cisco

a

Antonio Gontíjo nn Carvalho 1 L

O Humanista e o Homem de Estado

J^B talento precoce era o discípulo do sábio engenheiro Henri Gorceix.

Mal despedia da meninice, fundava, em Diamantina,o hebdomadário "Idéia Nova". Jovem de dezessete anos de idade, em de

fesa do avô, Josefino Vieira Machado, Barao de Guaicuí, agitara e surpreendera a pacata cidade mineira com. vibrante ar tigo, intitulado: "O verdadeiro chefe".

O "Digesto Econômico" está publi cando uma série de perfis biográfi cos de políticos que se destacaram na vida pública do País. Neste nú mero divulgamos o de Francisco Sá, notável engenheiro. Secretário de Governo e Ministro de Estado, fi nancista emérito, autoridade inconteste em assuntos ferroviários e de

tarifas. Francisco Sá foi dos maio res oradores que atuaram no

Na Corte, confirma que é antecipada a maturidade de seu espírito. De uma só vez, faz todos os preparatórios. Um acon tecimento. o seu exame de Latim. Tra

Parlamento Brasileiro.

estava proclamada e a sala sc esvaziou num

Não foi dos mais ;issícluos na tribuna.

passe de mágica. Mudadas as instituições, o presidente

Fato estranho: só a namora quem impõe

Bias Fortes, que na intimidade o tratava de "meu rouxinol", o nomeia Secretário

xoto era olímpico e dominador. Ninguém, entretanto, desdenhou a palavra com tan

da Agricultura e Obras Publicas.

ta visibilidade.

penitência aos companheiros. Carlos Pei

Duas

Francisco Sá poderia ter escrito um li vro que resumisse as suas idéas sobre os

escollias definem o novo titular: Caióge ras e Davi Campista. O primeiro, para seu consultor técnico. O segundo, para

inspetor de imigração na Europa.

problemas capitais do Brasil. Não o per mitiu uma inteligência dispersiva. Razão

Re

pela qual não levou avante o projeto de

sultado: em sua gestão, há uma verdadeira nevrose de trabalho. Reorganiza inúme

escrever a biografia de Diogo Feijó, a

ros serviços de obras públicas; traça um

quem votava irrestrita admiração, com

todos os dados já coligidos. Mas os Anais par

plano ferroviário para to do o Estado de Minas Ge

nados, cinqüenta mil imi

lamentares demonstram que profícua foi a sua

grantes italianos.

atividade intelectual. Ela

rais e acolhe, subvencio

borou notáveis pareceres,

Triunfal é o seu retor

tria, em que tomavam parte oa amigo.s fraternais de Francisco Sá; Capiscrano de Abreu, Leopoldo de Bulhões e Arrojado Lisboa. Dispondo de memória fiei, via jado, ledor infatigável de revistas euro

no ao Parlamento Repu

repletos de dados estatís

blicano como representan

ticos e de doutrina, como relator dos Orçamentos da

jovem examinando radioso futuro

péias, Sá era inesgotável conversador.

nheiro ferroviário cia Ct)mpanhia Mojiana.

Outrora, não constituía espanto o profundo humanismo de um filho de Minas

Nos arquivos de Caiógeras, encontrei

alcança ruidoso sucesso na tribuna, dis

missão de Finanças, e os defendeu em plenário com o maior realce. Em assuntos de vias férreas, reconheciam-

um bilhete, com o timbre do Ministério

cutindo os acontecimentos de 5 de novem

no os seus pares um competidor, em saber

duz em versos alexandrinos uma ode de Horaco. O arguidor. o filólogo Castro Lopes, entusiasmado, o convida para p o fessor do Gmasio Pedro II e augura ao

Gerais Os exercícios mnemônicos de um Calogeras, por exempip. consistiam em reproduzir de cor trechos da "Ponte de Có sar", no "De Bello Gallico".

Hoje. o meu antigo professor Tranquil-

Io Tranqu.lli, que repetiu, sem falha de uma sílaba, segundo o testemunho do sau U doso reitor do Ginásio de São Bento D Pedro Eggerath, toda "a passagem dos' Ah

pes" de Tito Livio, poderá dar o depoi mento do nosso descaso. ..

Na EscoJa de Engenharia de Ouro Pre to, Francirco Sá aprimora o seu saber e

da Viação e a data de 9 de março de 1910, em que o ministro, preocupado com o esforço gigantesco do amigo, ameaçado de "surmenage", ao escrever em quarenta dias "La Politique Monétaire du Brésil", comunicava, carinhosamente, a remessa, para distrai-lo, da "lllustration Française", que continha o primeiro ato do Chantecler.

O amor ao Brasil o fez político. Depu tado geral, foi saliente o papel que desem penhou na última sessão legislativa da

monarquia.

O

verbo

altissonante

de

Francisco Sá selou em quinze de novem

apaixona-se pela cultura clássica, um ca

bro o Parlamento Imperial. Não encon

racterístico dos "mineralógicos".

trou eco a sua exclamação, tentando esti

Inesquecíveis as tertúlias, na residência de CaJógeras, à rua Voluntários da Pá-

mular os

hesitantes

que começaram

a

abandonar o recinto: "Ainda somos os re

presentantes da Nação". A República já

te do Ceará. Amigo de GHccrio, que conhecera em Campinas, quando enge

Viação e Receita, na Co

bro de 1897. Recebe ensurdecedora ovação, ao fazer o elogio do Marechal Bittencourt. "Assim como o seu corpo se interpôs en tre o Chefe da Nação e o punhal do sl-

cário, formemos todos um corpo só, ^ in terposto como antemural inexpugnável entre o crime e a lei, entre a anarquia e

a ordem, entre os partidos e a Pátria , fo ram as últimas palavras do orador. velou-se um tribuno para as massas.

Re O

artista de fina sensibilidade, o heleno que

convivia com as musas, surgiu, todavia,

ao traçar o necrológio do companheiro de bancada, José Avelino Gurgel do Ama

ral.

Foi grande a repercussão dêsse dis

curso, que transformou o Parlamento em uma Academia.

Não houve voz discre-

técnico, de Sampaio Corrêa e Paulo de Frontln. Economista, sempre em seu es pírito estavam as palavras de Gladstone

endereçadas a Jules Ferry: "Velai pelas finanças; e por elas que as democracias podem perecer .

Nenhum de seus ensaios teve

, icvc a repercussao do Orçamento——wo da Receita, que teiamii para o exercício de "" , em ffolheto sob , o titulo "Finanças 1922, publicado Bra-

= 'To-.ur ="viços ao de Saúde Publ.ea, o Congresso o»Nacional, apagar das luzes, regulamentou o jogo em Sao Paulo, sem o beneplácito do Govêrno do Estado. Êsse fato provocou protestos veementes das consciências honestas. Vergueiro Steidel, em uma festa da chave

pante: o Brasil orgulhava-se do seu man

simbólica, fremente de cólera, estigmati

datário.

zou o projeto e os seus autores, e Alcânji..


DlGHSTO 62

DIGBSTO

ErONibMICO

lie .ON ÒMICO

mente dccepcion;ulo. tara Machado, com brilho e moderação, no Senado estadual, estudou o jôgo como fa tor de desorganização social e elemento de

criminalidade.

Os paulistas vibraram <.le

entusiasmo ante a rajada de indignaçãt)

de Francisco Sá, que impediu a consuma ção do escândalo.

Ministro da Viaçáo de Nilo Peçanha e Artur Bernardes, fez obra de Homem dc

Estado. Intensificou os serviços portuá rios, impulsionou, como nenhum outro, as vias ferreas, e criou a Inspetoria de Obras contra a Sêca. O flagelo do Nordeste

Mas a explicação

fala a coraçoes amigos c acorda nèles a emoção afetiva que responde ao bem-fa

Já não me subjugava o magnetismo do

zer nas almas que o cetici.smo não esteri

seu olhar e nem ressoava cm meus ouvi

não era difícil .

lizou .

O ambiento era outro.

dos o trinado da sua voz.

Bem ingrata e bem árida seria a nossa carreira neste mundo, se. ao lado da seve

Epitácio c a eloqüência da palavra. Rui

c a eloqüência da frase. O vocábulo, pro

ridade impassível que a julga, não ver

nunciado pela "patativa". c belo. Na "águia", majestoso ê o período. Epitácio

tessem sóbre el-a um pouco de doçura a simpatia dos homens e a henevolcncia dos

c sempre vibrante. Rui ê monotono na gcsticulação. Epitácio domina. Rui às.

corações."

Modesto, solicitava benevolência. Mas o Brasil, que sanciona as obras contra a

pela primeira vez. é atacado com um pla

seca. há de cultuar a memória de Fran

vezes fatiga. Epitácio vive o momento. Rui viverá a eternidade da língua por

no sistemático. Francisco Sá proclamava

cisco Sá.

tuguesa .

O orador

Rui Barbosa, Epitácio Pessoa e Fran cisco Sá formaram no Senado da Primeira

deveres para com sileira.

«pomído r: "u-se feliz e evt!,

seus ^ coletividade bra-

be"";-'""' benfeitor. Sen-

Jinguagem de estrJnha" em ceber grandiosf i^ ? sonoridade, ao re

de reconhedmentrd:?"'''" Estados flagelados.

'■^P''«ontantes dos

qu7rf salteado de trechrem r

do precipício, peb açoTte^díV'"'^"'"' pela exaustão das próprias fnr surde, em uma doce' ^ ^ 5"^^

liar, o homem público se reanima e se reconforta, compreendendo que a sua ação, cxaJçada, embora, aic-m da própria valia,

ternou Rui a opinião, na presença de Jo sé Marcelino c no testemunho de Jc»o

Mangabeira, de que foi o mais belo que ate então ouvira no Senado.

Não possuía Francisco Sá a cultura pro digiosa de Rui. Mas era homem de no

tável saber. Um tipo de Homem de Es

tado. Versado nos clássicos latinos e por tugueses. fraseava com elegância e apuro.

Francisco Sá, um rouxin<il. possuía a

Prosador, dono dos segredos do idioma,

eloqüência da palavra e a da írase. . Sem

rivalizou cdm o paisagista Joaquim Na-

os arroubos de um e a grandiloqüência de outro. Com mais imaginação do que

buco na pintura da serrania de Terezópolis e não o superou Manoel Bernardez na recordado afetiva

ça de tribuna e dotes fí sicos do que Rui. De

dos

ambos,

qualidades

também o seu verbo na

O olhar de Francisco

invocação de Montes Claros, a irmã da sua

Epitácio produziu em grande impressão.

meu

espírito

Ouvi o seu verbo, ar-

rebatador, no Teatro Municipal, vendo a sêca do Nordeste.

descre

as

Preto.

mestras.

Rodrigo Soa

res Júnior, que se achava a meu lado, fre qüentador assíduo do Parlamento . de

-Sá era vivo e pencrran-

França, não se conteve e exclamou com entusiasmo: "E' superior a Viviani". Epi-

sa. A dicção parecia a dc um grande ator.

te, dominador.

milagre;

eletrizar o auditório de São

vezes» o tribuno agitava na mão direita

um lenço fino.

Paulo.

Se os grandes homens — disse certa

-sertanejas do norte de Minas.

ção que proferiu em defesa do Barão do

lebrizou-se

para os paulistas,

Otoni ce

na Côrte, com o seu famoso

lenço branco » conduzindo às massas po

to culminante, um momento iluminado da tácio Pessoa,

Remlniscência, talvez, dc

Teofilo Otoni. o "ídolo" das populações

vez Gastão da Cunha, na memorável ora

pulares nos dias de reação à atitude gros seira do Embaixador inglês Christie, cm incidente célebre. Gesto imitado na atua

o tem,

quando atendeu ao angustíoso apêlo da lavoura cafeeira, no mais drarnático dos seus momenros, salvando-a de irremediá vel ruína.

Quis, após algum tempo, reviver a emo

fastos

de

Ouro

Antológico

é

cidade alpestre. Um es

A voz, suave e harmonio

Os gestos, ritmados; uma testemunha dos seus triunfes oratórios refere que às

tacio, sqblime na peroração, conseguiu um

harmonias da natureza; imaginai a Sen

generosa, como ao calor da lareira fami

rado e progressista de Afonso Pena, ex

Epitácio e mais presen

existência, que os define e perpetua, Epi

de bondade. Ao contacto dessa bondade

lhor assemelha a voz humana. Sobre um

discurso seu, de oposição ao governo hon

brasileira.

Rio Branco — têm na sua vida um pon

sação mefavel do viajor fatigado e tereis compreendido a minha, ao me encontrar envolvido por esta atmosfera de justiça e

audição de um Pablo Casais, virtuoso do violoncelo, o instrumento cujo som me

República o triunvirato da eloqüência

estação de repouso inundada de'uz em' balsamada de fbres. refrigerada plbs

aguas murtnurosas. ressoante das aleg e

cuiá-lo. era sentir o prazer que desperta a

critor de raça, enfim, nesses trechos de arte pura. Sociólogo e financista, .a Escola de Minas de Ouro Preto ainda o fêz estudio

so das ciências exatas. Os seus discursos hão de ser, pois, relidos com encantamen to e proveito.

Católico praticante, nenhum leigo co nhecia melhor a bibliografia do santo de

Assis do que ele. Èle. que fêz quatro pe regrinações à Umbria. A sua biblioteca, no entardecer da vida, poderia bem situarse num convento de monges, tal a cópia

lidade pelos partidários de Eduardo Go

de assuntos religiosos. Francisco Sá foi o maior orador que

mes.

ouvi.

Travava-se renhida pugna presi

Certa vez, jornalista emérito decla rou que aderira a uma homenagem a

dencial ,

Os concorrentes eram Rui Bar

Francisco Sá para saborear um momento

venção para a escolha do candidato. Fran

bosa e Epitácio Pessoa. Reunia-se a Con

ção patriótica e artística que senti no Tea

de arte. O banquete substituiria com van

cisco Sá liderava os partidários de Rui e

tro Municipal.

tagem a um concerto de Tito Schipa. Es-

Álvaro de Carvalho os correligionários de

discurso.

Reli, alvoroçado, o seu

Confesso que me senti leve-

éI


DlGHSTO 62

DIGBSTO

ErONibMICO

lie .ON ÒMICO

mente dccepcion;ulo. tara Machado, com brilho e moderação, no Senado estadual, estudou o jôgo como fa tor de desorganização social e elemento de

criminalidade.

Os paulistas vibraram <.le

entusiasmo ante a rajada de indignaçãt)

de Francisco Sá, que impediu a consuma ção do escândalo.

Ministro da Viaçáo de Nilo Peçanha e Artur Bernardes, fez obra de Homem dc

Estado. Intensificou os serviços portuá rios, impulsionou, como nenhum outro, as vias ferreas, e criou a Inspetoria de Obras contra a Sêca. O flagelo do Nordeste

Mas a explicação

fala a coraçoes amigos c acorda nèles a emoção afetiva que responde ao bem-fa

Já não me subjugava o magnetismo do

zer nas almas que o cetici.smo não esteri

seu olhar e nem ressoava cm meus ouvi

não era difícil .

lizou .

O ambiento era outro.

dos o trinado da sua voz.

Bem ingrata e bem árida seria a nossa carreira neste mundo, se. ao lado da seve

Epitácio c a eloqüência da palavra. Rui

c a eloqüência da frase. O vocábulo, pro

ridade impassível que a julga, não ver

nunciado pela "patativa". c belo. Na "águia", majestoso ê o período. Epitácio

tessem sóbre el-a um pouco de doçura a simpatia dos homens e a henevolcncia dos

c sempre vibrante. Rui ê monotono na gcsticulação. Epitácio domina. Rui às.

corações."

Modesto, solicitava benevolência. Mas o Brasil, que sanciona as obras contra a

pela primeira vez. é atacado com um pla

seca. há de cultuar a memória de Fran

vezes fatiga. Epitácio vive o momento. Rui viverá a eternidade da língua por

no sistemático. Francisco Sá proclamava

cisco Sá.

tuguesa .

O orador

Rui Barbosa, Epitácio Pessoa e Fran cisco Sá formaram no Senado da Primeira

deveres para com sileira.

«pomído r: "u-se feliz e evt!,

seus ^ coletividade bra-

be"";-'""' benfeitor. Sen-

Jinguagem de estrJnha" em ceber grandiosf i^ ? sonoridade, ao re

de reconhedmentrd:?"'''" Estados flagelados.

'■^P''«ontantes dos

qu7rf salteado de trechrem r

do precipício, peb açoTte^díV'"'^"'"' pela exaustão das próprias fnr surde, em uma doce' ^ ^ 5"^^

liar, o homem público se reanima e se reconforta, compreendendo que a sua ação, cxaJçada, embora, aic-m da própria valia,

ternou Rui a opinião, na presença de Jo sé Marcelino c no testemunho de Jc»o

Mangabeira, de que foi o mais belo que ate então ouvira no Senado.

Não possuía Francisco Sá a cultura pro digiosa de Rui. Mas era homem de no

tável saber. Um tipo de Homem de Es

tado. Versado nos clássicos latinos e por tugueses. fraseava com elegância e apuro.

Francisco Sá, um rouxin<il. possuía a

Prosador, dono dos segredos do idioma,

eloqüência da palavra e a da írase. . Sem

rivalizou cdm o paisagista Joaquim Na-

os arroubos de um e a grandiloqüência de outro. Com mais imaginação do que

buco na pintura da serrania de Terezópolis e não o superou Manoel Bernardez na recordado afetiva

ça de tribuna e dotes fí sicos do que Rui. De

dos

ambos,

qualidades

também o seu verbo na

O olhar de Francisco

invocação de Montes Claros, a irmã da sua

Epitácio produziu em grande impressão.

meu

espírito

Ouvi o seu verbo, ar-

rebatador, no Teatro Municipal, vendo a sêca do Nordeste.

descre

as

Preto.

mestras.

Rodrigo Soa

res Júnior, que se achava a meu lado, fre qüentador assíduo do Parlamento . de

-Sá era vivo e pencrran-

França, não se conteve e exclamou com entusiasmo: "E' superior a Viviani". Epi-

sa. A dicção parecia a dc um grande ator.

te, dominador.

milagre;

eletrizar o auditório de São

vezes» o tribuno agitava na mão direita

um lenço fino.

Paulo.

Se os grandes homens — disse certa

-sertanejas do norte de Minas.

ção que proferiu em defesa do Barão do

lebrizou-se

para os paulistas,

Otoni ce

na Côrte, com o seu famoso

lenço branco » conduzindo às massas po

to culminante, um momento iluminado da tácio Pessoa,

Remlniscência, talvez, dc

Teofilo Otoni. o "ídolo" das populações

vez Gastão da Cunha, na memorável ora

pulares nos dias de reação à atitude gros seira do Embaixador inglês Christie, cm incidente célebre. Gesto imitado na atua

o tem,

quando atendeu ao angustíoso apêlo da lavoura cafeeira, no mais drarnático dos seus momenros, salvando-a de irremediá vel ruína.

Quis, após algum tempo, reviver a emo

fastos

de

Ouro

Antológico

é

cidade alpestre. Um es

A voz, suave e harmonio

Os gestos, ritmados; uma testemunha dos seus triunfes oratórios refere que às

tacio, sqblime na peroração, conseguiu um

harmonias da natureza; imaginai a Sen

generosa, como ao calor da lareira fami

rado e progressista de Afonso Pena, ex

Epitácio e mais presen

existência, que os define e perpetua, Epi

de bondade. Ao contacto dessa bondade

lhor assemelha a voz humana. Sobre um

discurso seu, de oposição ao governo hon

brasileira.

Rio Branco — têm na sua vida um pon

sação mefavel do viajor fatigado e tereis compreendido a minha, ao me encontrar envolvido por esta atmosfera de justiça e

audição de um Pablo Casais, virtuoso do violoncelo, o instrumento cujo som me

República o triunvirato da eloqüência

estação de repouso inundada de'uz em' balsamada de fbres. refrigerada plbs

aguas murtnurosas. ressoante das aleg e

cuiá-lo. era sentir o prazer que desperta a

critor de raça, enfim, nesses trechos de arte pura. Sociólogo e financista, .a Escola de Minas de Ouro Preto ainda o fêz estudio

so das ciências exatas. Os seus discursos hão de ser, pois, relidos com encantamen to e proveito.

Católico praticante, nenhum leigo co nhecia melhor a bibliografia do santo de

Assis do que ele. Èle. que fêz quatro pe regrinações à Umbria. A sua biblioteca, no entardecer da vida, poderia bem situarse num convento de monges, tal a cópia

lidade pelos partidários de Eduardo Go

de assuntos religiosos. Francisco Sá foi o maior orador que

mes.

ouvi.

Travava-se renhida pugna presi

Certa vez, jornalista emérito decla rou que aderira a uma homenagem a

dencial ,

Os concorrentes eram Rui Bar

Francisco Sá para saborear um momento

venção para a escolha do candidato. Fran

bosa e Epitácio Pessoa. Reunia-se a Con

ção patriótica e artística que senti no Tea

de arte. O banquete substituiria com van

cisco Sá liderava os partidários de Rui e

tro Municipal.

tagem a um concerto de Tito Schipa. Es-

Álvaro de Carvalho os correligionários de

discurso.

Reli, alvoroçado, o seu

Confesso que me senti leve-

éI


». >

• -

DiCESTri Econômico

Dighsto Econômico'

65

Epitácio.

redo.

Presidia a sessão Antônio Aze

As galerias estavam repletas e o

entusiasmo era indescritível.

Francisco

Sá profere uma oração que empolga a As sembléia.

Raras vezes subiu tão alto a

eloqüência no Brasil.

Iniciou o discurso debaixo cie profundo silêncio. Mal começou. Soares dos San tos o aparteia e a réplica do formidável orador eletriza a atmosfera. Álvaro de Carvalho amiúde o interrompe com viva-

cidade e o interroga se não tem" o direito

de atacar Rui Barbosa, quando o próprio

Sa o atacou e foi por êle rudemente atacado. Emocionante, a resposta do tribuno. Que valho eu, Álvaro de Carvalho para que se procure com o meu obscuro

-

ção dc abandonar o recinto c èssc gt^to [:istico, destruiu a mistificação arquitetade dcsclegãncia da ensejo a um exordio; da c o seu verbo consolidou o poder civil

volvido a vida. o futuro c os destinos da

nossa Pátria, se agitou, que n.ão lhe hou vesse prestado o concurso poderoso lio teu

que c um primor dc csulo. um mimo dc ,boas maneiras. • Tx- I - • como um escuDialético

verbo soberano, da tua ação eficaz, da tua

dedicação fervorosa. Tu fôstc o operá rio máximo da con.strução republicana, desde a Constituição, em que cia se as-

A "Rc.ição ReDublin.n." jRepublicana" Francisco -'Çao Sá a última pá dc calrecebia de

sentou, até às leis orgânicas, que traduzi ram as transformações políticas,

morais,

sociais e econômicas, sob que sc iniciou . o novo regimcm.

Em todas cias subsis

tem peremptòriamente os vestígios da tua

ação organizadora. Tu és o cimo mais al to e mais luminoso da cultura brasileira.

E quando havia chegado a hora, que para quase todos era de repouso e dc descan so, o"teu engenho se ilumina de uma cla

reza polar, reflorescem em tua alma os

entusiasmos juvenis, e te colocas à frente

da Pátria, para convidá-la a defender a

inimigo pessoal de Rui' ^ azedume, dizendo que ò or=.d . a Assembléia com a ieir, 1°'^ agredira

imortal brasileiro %eZ%

dá o golpe certeiro do tigre'

"Nao venho agredir a Assemblé"^" *

—fdu Ee^dSÍt-

causa da liberdade c do direito, para as

i

Mrn - .\

sistir e colaborar na maior revolução que ?• história terá regi.strado depois do cris tianismo. Tu és o nosso orgulho, a nos sa glória, a nossa força. Tu és o maior

de todos nós, e por isso não queremos sa ber de ti. Odiámos a tua superioridade. Irrita-nos a tua glória. EnraÍvece-nos a

rm

tua fidelidade indefectível às tuas doutri nas, aos teus princípios, à causa da tua

Mal se pôde ouvir a

e bravos reboavam no recinto n Jerias. Com o pincel de um VelT pintou a trajetória da vida de Rui logo, -descreveu o momento político K.

sileiro Em termos patéticos, ferreteou a conduta dos convencionais. Assim falou

Francisco Sa : Vos o trazeis a esta Con venção que nunca justificou tanto êsse nome histonco, vos o trazeis aqui para lhe dizer ; "Sim, tu és a grande voz da demo cracia brasileira: tua vida tem sido um apostolatio constante pela justiça e pela li berdade. Nunca um dos grandes proble mas morais e sociais, em que se têm en

Pátria. Por isso nós te proscrevemos." Homem de elite, Francisco Sá viveu

f

com esse discurso o minuto da popula ridade.

Na.selvagem campanha presidencial <,le

1922, diante de cujos horrores, escreveu

Afonso Pena Júnior, a antropofagia chega a parecer piedosa, Francisco Sá chefiava

no Senado os adeptos da candidatura dc

Artur Bernardes. A exploração das cartas falsas atingia ao paroxismo. O ambiente estava carregadíssimo. Nilo Peçanha, ex-

pioiando-o, profere uin discurso sibilino. ameaçador. Sá levanta-sc incontinente pa ra uma resposta imediata. Nilo faz men-

i.

'!•

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Presidia a sessão Antônio Aze

As galerias estavam repletas e o

entusiasmo era indescritível.

Francisco

Sá profere uma oração que empolga a As sembléia.

Raras vezes subiu tão alto a

eloqüência no Brasil.

Iniciou o discurso debaixo cie profundo silêncio. Mal começou. Soares dos San tos o aparteia e a réplica do formidável orador eletriza a atmosfera. Álvaro de Carvalho amiúde o interrompe com viva-

cidade e o interroga se não tem" o direito

de atacar Rui Barbosa, quando o próprio

Sa o atacou e foi por êle rudemente atacado. Emocionante, a resposta do tribuno. Que valho eu, Álvaro de Carvalho para que se procure com o meu obscuro

-

ção dc abandonar o recinto c èssc gt^to [:istico, destruiu a mistificação arquitetade dcsclegãncia da ensejo a um exordio; da c o seu verbo consolidou o poder civil

volvido a vida. o futuro c os destinos da

nossa Pátria, se agitou, que n.ão lhe hou vesse prestado o concurso poderoso lio teu

que c um primor dc csulo. um mimo dc ,boas maneiras. • Tx- I - • como um escuDialético

verbo soberano, da tua ação eficaz, da tua

dedicação fervorosa. Tu fôstc o operá rio máximo da con.strução republicana, desde a Constituição, em que cia se as-

A "Rc.ição ReDublin.n." jRepublicana" Francisco -'Çao Sá a última pá dc calrecebia de

sentou, até às leis orgânicas, que traduzi ram as transformações políticas,

morais,

sociais e econômicas, sob que sc iniciou . o novo regimcm.

Em todas cias subsis

tem peremptòriamente os vestígios da tua

ação organizadora. Tu és o cimo mais al to e mais luminoso da cultura brasileira.

E quando havia chegado a hora, que para quase todos era de repouso e dc descan so, o"teu engenho se ilumina de uma cla

reza polar, reflorescem em tua alma os

entusiasmos juvenis, e te colocas à frente

da Pátria, para convidá-la a defender a

inimigo pessoal de Rui' ^ azedume, dizendo que ò or=.d . a Assembléia com a ieir, 1°'^ agredira

imortal brasileiro %eZ%

dá o golpe certeiro do tigre'

"Nao venho agredir a Assemblé"^" *

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causa da liberdade c do direito, para as

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sistir e colaborar na maior revolução que ?• história terá regi.strado depois do cris tianismo. Tu és o nosso orgulho, a nos sa glória, a nossa força. Tu és o maior

de todos nós, e por isso não queremos sa ber de ti. Odiámos a tua superioridade. Irrita-nos a tua glória. EnraÍvece-nos a

rm

tua fidelidade indefectível às tuas doutri nas, aos teus princípios, à causa da tua

Mal se pôde ouvir a

e bravos reboavam no recinto n Jerias. Com o pincel de um VelT pintou a trajetória da vida de Rui logo, -descreveu o momento político K.

sileiro Em termos patéticos, ferreteou a conduta dos convencionais. Assim falou

Francisco Sa : Vos o trazeis a esta Con venção que nunca justificou tanto êsse nome histonco, vos o trazeis aqui para lhe dizer ; "Sim, tu és a grande voz da demo cracia brasileira: tua vida tem sido um apostolatio constante pela justiça e pela li berdade. Nunca um dos grandes proble mas morais e sociais, em que se têm en

Pátria. Por isso nós te proscrevemos." Homem de elite, Francisco Sá viveu

f

com esse discurso o minuto da popula ridade.

Na.selvagem campanha presidencial <,le

1922, diante de cujos horrores, escreveu

Afonso Pena Júnior, a antropofagia chega a parecer piedosa, Francisco Sá chefiava

no Senado os adeptos da candidatura dc

Artur Bernardes. A exploração das cartas falsas atingia ao paroxismo. O ambiente estava carregadíssimo. Nilo Peçanha, ex-

pioiando-o, profere uin discurso sibilino. ameaçador. Sá levanta-sc incontinente pa ra uma resposta imediata. Nilo faz men-

i.

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i


I ÜIüBblO

Modificação das taxas de juros Roberto Pinto nn Soi;za

¥ EVANTOU grande celeuma a recente

decisão do Banco do Brasil ,de modi

ficar as taxas que os bancos devem pagar aos depositantes.

As opiniões dos ban

queiros e dos comentaristas de assuntos

culação da moeda aos interesses econômi cos da Nação. Aliás, a êsse respeito, o brilhante jurisconsulto dr. Afonso Pena Júnior deu um excelente parecer, cm que

demonstra, com erudição e forma cscor-

|i|||

l-A.ONOMUA>

princípios luiulanicnt.iis il.i política mo

monstrar que ainda não era o mecanismo

netária .

de que as autoridades necessitavam para

Se as taxas dc juros atuavam sôbre o montante das poup.-inç.is c dos investimen tos, modificando-se a perccntagem das mcs::,is, obtiiiham-sc alterações proporcio nais na formação c aplicação de capitais. As atividade.s económica.s, por seu lado. dependem i.li> ritmo em que os novos ca

dirigir a economia nacional.

economicos foram as mais divergentes

reita, a autoridade da S.M.C. de alterar as

pitais são

vendo uns conseqüências bastantes sérias

taxas de juros. Não é nosso intuito discutir o aspecto

produção. Assim, as taxas de juros, em

enquanto outros se mantiveram mais oti

mistas, não encontrando na medida nada

que afetasse substancialmente a economia

do País. Houve também quem se manti

vesse numa atitude de expectativa, não po dendo dizer ao certo quais as consequênci« que a medida poderia ocasionar nas atividades econômicas.

K muito difícil fazerem-se previsões em

jurídico da medida adotada pelo Banco do Brasil, mas as suas conseqüências econô

formados c encaminhados à

última análise, se convertiam num instru

Por esse

motivo tiveram que recorrer a outros pro cessos de atuação sôbre a produção e o consumo, mas êstes já não eram mone tários.

À luz dos conhecimentos atuais, a po lítica monetária ainda se circunscreve à modificação das taxas de juros e redescon to e às operações no mercado livre. Se não são medidas de forte atuação, têm a

mento poderoso de direção da conjuntura

virtude de produzir efeitos nas poupanças

econômica. Quando a economia entrasse

t investimentos.

micas. Para alcançarmos o nosso objetivo,

numa fase de depressão, o simples rebai

vamos iniciar por rápida descrição teórica

xamento das taxas de ju

ção da teoria monetária,

da atuação das taxas de juros e da política

ros era suficiente para re

e especialmente a da a^o

econômica que a elas sc prende, para de pois verificarmos se tal política se adapta

por as atividades econô

das taxas de juros,

micas em

prende a observações le

seu

csta«.lo

de

Não devemos esquecer que a elabora

sc

rnatena de economia, dados os imponderaveis que a qualquer momento podem forçar a marcha dos acontecimentos a to

a estrutura econômica brasileira, e final

equilíbrio primitivo. Nu

vadas a efeito nos países

mente analisarmos se a presente modifica ção dos juros dc depósito consulta aos in-

ma fase

altamente capitalistas. Por

mar novo rumo. O máximo que se pode

terésses econômicos do País.

fazer e traça_r as Imhas gerais de uma pos sível evolução, indicando o caminho pro vável que os eventos econômicos deverão seguir.

economia

Os efeitos da modificação das taxas de

poss.vets efeitos .que a resolução do Banco do Brasil ocasionará sôbre a estrutura eco-

eram o elemento regulador da poupança "e

nómica nacional.

vam a poupança, enquanto taxas baixas

é exercida pela Superintendência da Moe

da e do Crédito, daí assistir a esse orga nismo o direito de controlar o movimento bancário, modificando as taxas de depósi tos e empréstimos de dinheiro, a fim de acomodar a distribuição do crédito e a cir

mm

gócios, fazendo com que

Atuaçao das taxas de juros

juros foram perfeitamente descritos pelos clássicos. Segundo eles, as taxas de juros

é função do Banco Central a fixação da taxa de juros e do redesconto, uma vez que constitui o elemento essencial da po lítica do crédito. No Brasil essa função

elevação da taxa tinha fôrça bastante para conter o ritmo acelerado dos ne-

Feita essa observação preliminar, abalançamo-nos a dar nossa opinião sôbre os Não podemos deixar de reconhecer que

de expansão, a

do investimento. Taxas altas incentiva tornavam mais atraentes os investimentos.

O jôgo da lei da oferta e procura de ca pitais levava a acomodar as taxas, de ma

neira a fazer com que a quantidade pou pada fosse igual à quantidade procurada pelos investidores. Essa identidade foi

formulada com precisão na célebre teoria do escoamento, de J. B. Say. A descrição fornecida pelos clássicos se aplicava apenas à estática econômica.

Os

continuadores da teoria estenderam-na à dinâmica econômica e dela tiraram os

voltasse

mi

equilíbrio inicial.

A

experiência se

cumbiu

de

mostrar

tanto, é condição essen cial para a plena atuação do mecanismo que esta mos descrevendo a exis

tência, em abundância, de capitais.

in que

O Brasil é um

país subcapitalista e sub desenvolvido, não reunin

as modificações das taxas de

do as condições necessárias para a verifi

juros produziam os efeitos descritos na

cação dos efeitos da política monetária.

teoria.

Nao queremos dizer com isso que a refe rida política não produza nenlium efeito

nem sempr

Era um'bom processo de ação sô-

hre a marcha - dos negócios, mas insufi

ciente para servir de fundamento a uma política monetária. Os economistas procuraram reforçar o Mecanismo de atuação das taxas de juros

corn as operações no mercado livre (open

market). A contração e a expansão dos

no meio brasileiro. Ela atuará, porém as suas conseqüências serão bem menores, poA razão deve ser procurada na escassez da oferta de capitais em face da enorme

•^^íjôcios obtida com a conjugação das duas

procura. O Brasil é um país em desen

'fedidas mo.straram ser bem mais intensa.

volvimento, daí requerer volume de capi

Parecia que de fato se havia conseguido

tal bem maior que o disponível, o que

elaborar excelente processo de direção da

obriga os empreendedores a se limitarem

vida econômica.

as atividades mais rendosas e essas na in

A utilização desses dois processos feira pelo "New Deal" nos anos trinta veio de-

tensidade permitida pelos recursos finan ceiros existentes. Assim, à procura de ca-


I ÜIüBblO

Modificação das taxas de juros Roberto Pinto nn Soi;za

¥ EVANTOU grande celeuma a recente

decisão do Banco do Brasil ,de modi

ficar as taxas que os bancos devem pagar aos depositantes.

As opiniões dos ban

queiros e dos comentaristas de assuntos

culação da moeda aos interesses econômi cos da Nação. Aliás, a êsse respeito, o brilhante jurisconsulto dr. Afonso Pena Júnior deu um excelente parecer, cm que

demonstra, com erudição e forma cscor-

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l-A.ONOMUA>

princípios luiulanicnt.iis il.i política mo

monstrar que ainda não era o mecanismo

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de que as autoridades necessitavam para

Se as taxas dc juros atuavam sôbre o montante das poup.-inç.is c dos investimen tos, modificando-se a perccntagem das mcs::,is, obtiiiham-sc alterações proporcio nais na formação c aplicação de capitais. As atividade.s económica.s, por seu lado. dependem i.li> ritmo em que os novos ca

dirigir a economia nacional.

economicos foram as mais divergentes

reita, a autoridade da S.M.C. de alterar as

pitais são

vendo uns conseqüências bastantes sérias

taxas de juros. Não é nosso intuito discutir o aspecto

produção. Assim, as taxas de juros, em

enquanto outros se mantiveram mais oti

mistas, não encontrando na medida nada

que afetasse substancialmente a economia

do País. Houve também quem se manti

vesse numa atitude de expectativa, não po dendo dizer ao certo quais as consequênci« que a medida poderia ocasionar nas atividades econômicas.

K muito difícil fazerem-se previsões em

jurídico da medida adotada pelo Banco do Brasil, mas as suas conseqüências econô

formados c encaminhados à

última análise, se convertiam num instru

Por esse

motivo tiveram que recorrer a outros pro cessos de atuação sôbre a produção e o consumo, mas êstes já não eram mone tários.

À luz dos conhecimentos atuais, a po lítica monetária ainda se circunscreve à modificação das taxas de juros e redescon to e às operações no mercado livre. Se não são medidas de forte atuação, têm a

mento poderoso de direção da conjuntura

virtude de produzir efeitos nas poupanças

econômica. Quando a economia entrasse

t investimentos.

micas. Para alcançarmos o nosso objetivo,

numa fase de depressão, o simples rebai

vamos iniciar por rápida descrição teórica

xamento das taxas de ju

ção da teoria monetária,

da atuação das taxas de juros e da política

ros era suficiente para re

e especialmente a da a^o

econômica que a elas sc prende, para de pois verificarmos se tal política se adapta

por as atividades econô

das taxas de juros,

micas em

prende a observações le

seu

csta«.lo

de

Não devemos esquecer que a elabora

sc

rnatena de economia, dados os imponderaveis que a qualquer momento podem forçar a marcha dos acontecimentos a to

a estrutura econômica brasileira, e final

equilíbrio primitivo. Nu

vadas a efeito nos países

mente analisarmos se a presente modifica ção dos juros dc depósito consulta aos in-

ma fase

altamente capitalistas. Por

mar novo rumo. O máximo que se pode

terésses econômicos do País.

fazer e traça_r as Imhas gerais de uma pos sível evolução, indicando o caminho pro vável que os eventos econômicos deverão seguir.

economia

Os efeitos da modificação das taxas de

poss.vets efeitos .que a resolução do Banco do Brasil ocasionará sôbre a estrutura eco-

eram o elemento regulador da poupança "e

nómica nacional.

vam a poupança, enquanto taxas baixas

é exercida pela Superintendência da Moe

da e do Crédito, daí assistir a esse orga nismo o direito de controlar o movimento bancário, modificando as taxas de depósi tos e empréstimos de dinheiro, a fim de acomodar a distribuição do crédito e a cir

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gócios, fazendo com que

Atuaçao das taxas de juros

juros foram perfeitamente descritos pelos clássicos. Segundo eles, as taxas de juros

é função do Banco Central a fixação da taxa de juros e do redesconto, uma vez que constitui o elemento essencial da po lítica do crédito. No Brasil essa função

elevação da taxa tinha fôrça bastante para conter o ritmo acelerado dos ne-

Feita essa observação preliminar, abalançamo-nos a dar nossa opinião sôbre os Não podemos deixar de reconhecer que

de expansão, a

do investimento. Taxas altas incentiva tornavam mais atraentes os investimentos.

O jôgo da lei da oferta e procura de ca pitais levava a acomodar as taxas, de ma

neira a fazer com que a quantidade pou pada fosse igual à quantidade procurada pelos investidores. Essa identidade foi

formulada com precisão na célebre teoria do escoamento, de J. B. Say. A descrição fornecida pelos clássicos se aplicava apenas à estática econômica.

Os

continuadores da teoria estenderam-na à dinâmica econômica e dela tiraram os

voltasse

mi

equilíbrio inicial.

A

experiência se

cumbiu

de

mostrar

tanto, é condição essen cial para a plena atuação do mecanismo que esta mos descrevendo a exis

tência, em abundância, de capitais.

in que

O Brasil é um

país subcapitalista e sub desenvolvido, não reunin

as modificações das taxas de

do as condições necessárias para a verifi

juros produziam os efeitos descritos na

cação dos efeitos da política monetária.

teoria.

Nao queremos dizer com isso que a refe rida política não produza nenlium efeito

nem sempr

Era um'bom processo de ação sô-

hre a marcha - dos negócios, mas insufi

ciente para servir de fundamento a uma política monetária. Os economistas procuraram reforçar o Mecanismo de atuação das taxas de juros

corn as operações no mercado livre (open

market). A contração e a expansão dos

no meio brasileiro. Ela atuará, porém as suas conseqüências serão bem menores, poA razão deve ser procurada na escassez da oferta de capitais em face da enorme

•^^íjôcios obtida com a conjugação das duas

procura. O Brasil é um país em desen

'fedidas mo.straram ser bem mais intensa.

volvimento, daí requerer volume de capi

Parecia que de fato se havia conseguido

tal bem maior que o disponível, o que

elaborar excelente processo de direção da

obriga os empreendedores a se limitarem

vida econômica.

as atividades mais rendosas e essas na in

A utilização desses dois processos feira pelo "New Deal" nos anos trinta veio de-

tensidade permitida pelos recursos finan ceiros existentes. Assim, à procura de ca-


DicsnsTo r.í oNóNuro-

r>8

pitais dos novos empreendedores soma-se a procura dos empreendedores já existen tes, forçando a taxa de juros a se fixar numa percentagem muito elevada.

Num meio econômico de procura tão forte de capitais, as modificações das taxas de juro têm pequena influência. A redu ção da taxa de nada facilita aos tomadores de dinheiro, uma vez que o volume de ca

pital disponível não aumenta. A elevação, cm face da existência de negócios* em pro fusão, não leva a uma redução dos emprês. timos, pois sempre haverá tran.sações bas tante rendosas para tomar todo o tÜnhciro disponível na taxa nova. principalmente

numa fase especulativa como a que atra

r.roNÓMifo

69

da vez mais altos aos depositantes. Ora.

possível na conjuntura econômica atual?

esse processo age também sobre o meio

obtendo o dinheiro mediante pagamento a

Não acrcdit.imos. O desenvolvimento da

circulante, contendo a inflação. Durante a guerra as nações beligerantes usaram lar gamente êsse mecanismo. Emitiam moeda

juros altos, os estabelecimentos bancários tem, necessãriamente, lic cobrar também. |K*lo dinheiro que emprestam, juros altos, üs tomadores desse dinheiro, por seu tur no, são industriais, comerciantes ou lavra dores que, para conseguir meios de paga mentos, são forçados a encarecer propor

cionalmente os .seus produtos". Não nos parecem boa justificativa os argumentos acima. Km primeiro lugar, o preço de custo não é formado exclusiv.i-

mente pelos juros. Há uma série enorme

de outros fatores que intervém na sua for mação: salário,

matéria-prima,

energia,

vessamos.

impostos, transporte, leis sociais etc. Além

Propósitos da medida

DiGn.sro

disso, a contribuição de cada um desses fa tores para a formação do preço do custo

produção interna só poderá verificar-se com moilificação ampla da técnica de pro

dução. A razão é muito simples: estamos

e vendiam compulsòriamente bônus de

atravessando um período tlc pleno empre

go quantitativo, portanto não ilispomos de

guerra, o que reduzia o poder aquisitivo dos consumidores e evitava a alta de

fatores de produção suficientes para desen

preços.

■

E" intenção da S.M.C. suspender as

volver a atual produção se utilizarmos a mesma técnica. Só o emprego de técnica moderna c mais eficiente poderia liberar

emissões, estimulando a venda de títulos

fatòres tle produção em uso nu produção presente, a fim dc permitir que os mesmos

ciso saber se a redução das taxas de depó

fossem empregados no incremento da atual

sito terá êsse efeito saneador do meio cir-

produção e cm novos setores produtivo.s ainda não explorados.

ailunte.

A modificação da técnica é fato muito complexo e não pode decorrer de simple.s

Declarou o diretor da S.M.C. que a re

dução das taxas despertará "maior interes

se pela procura de títulos do Governo, o que resulta em conter-se a inflado". Acrescentou que se tem cometido o crço

final c bem maior que a do juro do capi

diminuição da raxa.

rem plenamente no meio econômico bras.le.ro, cabe aq^i a persnnta: consulta ao,

tal tomado em empréstimo. E' preciso considerar ainda que numa conjuntura in-

ros é apenas um dos elementos e, talvez,

de se abandonarem os empréstimos públi

flacionária, como a que estamos atraves sando, o preço daqueles fatores se mantém

o de menor importância.

m eresses econômicos do País a atual dificaçao das taxas de juros"''

cos, mediante colocação de apólices, como meio de se obterem recursos para obras

A melhor maneira , de se responder á questão ormulada é indagar dos propósi

em ascensão contínua, ao passo que o dos

tos que levaranr a S.M.C. a adotar sLe-

Ihantc medtda. O sr. José Vieira Macha. do, dtretor do referido órgão, esclareceu .ruma entrev,sta_ dada aos iornais, os mo^

tivos da resolução da S.M.C., que foram1) evitar a elevação do custo da vida- 2)

conter a inflaçao.

Conhecidas as intenções das autoridades._ resta indagar se a alteração das taxas de juros pagas aos depositantes é o meio mais eficiente para se obterem os fins vi sados.

A argumentação expendida pelo dire tor da S.M.C. a favor da medida, como elemento para conter a alta dos preços, foi a seguinte: "A concorrência dos bancos para conquistar maior vulto de depósitos Jevou muitos estabelecimentos a aumentar

o número de agências c oferecer juros ca

juros é geralmente fixa (12 Có entre nós). Em segundo lugar, sc a Superintendên

cia reconhece que os juros dos emprésti mos são altos, ela deveria limitar a taxa

máxima permitida nos empréstimos ban cários e não a taxa dos depósitos. Sabe mos que no Brasil o limite máximo é 12 %. Daí, de duas uma: ou a Superin tendência reconhece què 12% é taxa muito^alta e a reduz para menos, ou não está zelando devidamente pela observância da medida legal. Se reconhece que 12% é muito, a diminuição da taxa de depósitos

não é a melhor medida para se reduzir o juro do empréstimo; no segundo caso, as novas taxas de depósito não facilitarão a sua tarefa e nem forçarão a diminuição do

juro cobrado pelos bancos. A redução da taxa de juro só poderia conter a alta dos preços se levasse a um .-.umanto acentuado de produção. E" isso

kitiriiÉteÉÜÉàí,

Depende Je larga

públicos. Só podemos louvar os bons propósitos das autoridades. Mas é pre

política econômica, da qual a taxa de ju

Por essa ligeira análise já vemois que a medida adotada pela S.M.C, não preenche

os requisitos necessários para se conseguir a redução do custo da vida. Vejamos se ó o meio conveniente para alcançar o se gundo fim a que se destina, ou seja, con ter a inflação. As emissões, entre nós, têm por causa

Indispensáveis, resolvendo-se as dificulda des pela emissão de papel-raoeda. Estas declarações do sr. Vieira Machado são muito justas. O Governo tem-se des carado, de fato, da venda de títulos de crédito como recurso financeiro normal

para conseguir os fundos de que precisa.

os ciéficits orçamentários e as despesas su

Encontramos a prova, confrontando a re

plementares provenientes da construção de obras indispensáveis ao progresso econó-

ceita orçamentária com a dívida pública

mico do País. Nüo podendo aumentar os

impostos e colocar títulos públicos, a úni

de vários países. O confronto mostra que o Brasil é uma das nações cuja dívida pú blica apresenta nível mais reduzido. Se

ca fonte que resta ao Governo para obter

gundo dados do Conselho Técnico de Eco

os recursos financeiros necessários são as

nomia e Finanças (1), a dívida pública

emissões. Daí terem-se sucedido umas às

A medida mais prática para o Gover no conseguir os recursos de que necessita,

brasileira em 1948 (último ano para o qual são disponíveis as estatísticas refe rentes aos países enumerados abaixo) so mava 18,388 milhões de cruzeiros, da qual 7.006 milhões eram represent.idos pela dívida externa e 11-382 pela inter

sem recorrer à inflação, é a venda de títu

na. Êsse total equivaIia^ no referido ano,

outras, elevando continuamente o volume

do meio circulante e agravando a situação econômica interna pela espiral dos preços.

los públicos. Todas as nações têm-se uti lizado dêsse recurso. E' incontestável que

(1) Apud "Folha da ManhS". 21-9-1950.


DicsnsTo r.í oNóNuro-

r>8

pitais dos novos empreendedores soma-se a procura dos empreendedores já existen tes, forçando a taxa de juros a se fixar numa percentagem muito elevada.

Num meio econômico de procura tão forte de capitais, as modificações das taxas de juro têm pequena influência. A redu ção da taxa de nada facilita aos tomadores de dinheiro, uma vez que o volume de ca

pital disponível não aumenta. A elevação, cm face da existência de negócios* em pro fusão, não leva a uma redução dos emprês. timos, pois sempre haverá tran.sações bas tante rendosas para tomar todo o tÜnhciro disponível na taxa nova. principalmente

numa fase especulativa como a que atra

r.roNÓMifo

69

da vez mais altos aos depositantes. Ora.

possível na conjuntura econômica atual?

esse processo age também sobre o meio

obtendo o dinheiro mediante pagamento a

Não acrcdit.imos. O desenvolvimento da

circulante, contendo a inflação. Durante a guerra as nações beligerantes usaram lar gamente êsse mecanismo. Emitiam moeda

juros altos, os estabelecimentos bancários tem, necessãriamente, lic cobrar também. |K*lo dinheiro que emprestam, juros altos, üs tomadores desse dinheiro, por seu tur no, são industriais, comerciantes ou lavra dores que, para conseguir meios de paga mentos, são forçados a encarecer propor

cionalmente os .seus produtos". Não nos parecem boa justificativa os argumentos acima. Km primeiro lugar, o preço de custo não é formado exclusiv.i-

mente pelos juros. Há uma série enorme

de outros fatores que intervém na sua for mação: salário,

matéria-prima,

energia,

vessamos.

impostos, transporte, leis sociais etc. Além

Propósitos da medida

DiGn.sro

disso, a contribuição de cada um desses fa tores para a formação do preço do custo

produção interna só poderá verificar-se com moilificação ampla da técnica de pro

dução. A razão é muito simples: estamos

e vendiam compulsòriamente bônus de

atravessando um período tlc pleno empre

go quantitativo, portanto não ilispomos de

guerra, o que reduzia o poder aquisitivo dos consumidores e evitava a alta de

fatores de produção suficientes para desen

preços.

■

E" intenção da S.M.C. suspender as

volver a atual produção se utilizarmos a mesma técnica. Só o emprego de técnica moderna c mais eficiente poderia liberar

emissões, estimulando a venda de títulos

fatòres tle produção em uso nu produção presente, a fim dc permitir que os mesmos

ciso saber se a redução das taxas de depó

fossem empregados no incremento da atual

sito terá êsse efeito saneador do meio cir-

produção e cm novos setores produtivo.s ainda não explorados.

ailunte.

A modificação da técnica é fato muito complexo e não pode decorrer de simple.s

Declarou o diretor da S.M.C. que a re

dução das taxas despertará "maior interes

se pela procura de títulos do Governo, o que resulta em conter-se a inflado". Acrescentou que se tem cometido o crço

final c bem maior que a do juro do capi

diminuição da raxa.

rem plenamente no meio econômico bras.le.ro, cabe aq^i a persnnta: consulta ao,

tal tomado em empréstimo. E' preciso considerar ainda que numa conjuntura in-

ros é apenas um dos elementos e, talvez,

de se abandonarem os empréstimos públi

flacionária, como a que estamos atraves sando, o preço daqueles fatores se mantém

o de menor importância.

m eresses econômicos do País a atual dificaçao das taxas de juros"''

cos, mediante colocação de apólices, como meio de se obterem recursos para obras

A melhor maneira , de se responder á questão ormulada é indagar dos propósi

em ascensão contínua, ao passo que o dos

tos que levaranr a S.M.C. a adotar sLe-

Ihantc medtda. O sr. José Vieira Macha. do, dtretor do referido órgão, esclareceu .ruma entrev,sta_ dada aos iornais, os mo^

tivos da resolução da S.M.C., que foram1) evitar a elevação do custo da vida- 2)

conter a inflaçao.

Conhecidas as intenções das autoridades._ resta indagar se a alteração das taxas de juros pagas aos depositantes é o meio mais eficiente para se obterem os fins vi sados.

A argumentação expendida pelo dire tor da S.M.C. a favor da medida, como elemento para conter a alta dos preços, foi a seguinte: "A concorrência dos bancos para conquistar maior vulto de depósitos Jevou muitos estabelecimentos a aumentar

o número de agências c oferecer juros ca

juros é geralmente fixa (12 Có entre nós). Em segundo lugar, sc a Superintendên

cia reconhece que os juros dos emprésti mos são altos, ela deveria limitar a taxa

máxima permitida nos empréstimos ban cários e não a taxa dos depósitos. Sabe mos que no Brasil o limite máximo é 12 %. Daí, de duas uma: ou a Superin tendência reconhece què 12% é taxa muito^alta e a reduz para menos, ou não está zelando devidamente pela observância da medida legal. Se reconhece que 12% é muito, a diminuição da taxa de depósitos

não é a melhor medida para se reduzir o juro do empréstimo; no segundo caso, as novas taxas de depósito não facilitarão a sua tarefa e nem forçarão a diminuição do

juro cobrado pelos bancos. A redução da taxa de juro só poderia conter a alta dos preços se levasse a um .-.umanto acentuado de produção. E" isso

kitiriiÉteÉÜÉàí,

Depende Je larga

públicos. Só podemos louvar os bons propósitos das autoridades. Mas é pre

política econômica, da qual a taxa de ju

Por essa ligeira análise já vemois que a medida adotada pela S.M.C, não preenche

os requisitos necessários para se conseguir a redução do custo da vida. Vejamos se ó o meio conveniente para alcançar o se gundo fim a que se destina, ou seja, con ter a inflação. As emissões, entre nós, têm por causa

Indispensáveis, resolvendo-se as dificulda des pela emissão de papel-raoeda. Estas declarações do sr. Vieira Machado são muito justas. O Governo tem-se des carado, de fato, da venda de títulos de crédito como recurso financeiro normal

para conseguir os fundos de que precisa.

os ciéficits orçamentários e as despesas su

Encontramos a prova, confrontando a re

plementares provenientes da construção de obras indispensáveis ao progresso econó-

ceita orçamentária com a dívida pública

mico do País. Nüo podendo aumentar os

impostos e colocar títulos públicos, a úni

de vários países. O confronto mostra que o Brasil é uma das nações cuja dívida pú blica apresenta nível mais reduzido. Se

ca fonte que resta ao Governo para obter

gundo dados do Conselho Técnico de Eco

os recursos financeiros necessários são as

nomia e Finanças (1), a dívida pública

emissões. Daí terem-se sucedido umas às

A medida mais prática para o Gover no conseguir os recursos de que necessita,

brasileira em 1948 (último ano para o qual são disponíveis as estatísticas refe rentes aos países enumerados abaixo) so mava 18,388 milhões de cruzeiros, da qual 7.006 milhões eram represent.idos pela dívida externa e 11-382 pela inter

sem recorrer à inflação, é a venda de títu

na. Êsse total equivaIia^ no referido ano,

outras, elevando continuamente o volume

do meio circulante e agravando a situação econômica interna pela espiral dos preços.

los públicos. Todas as nações têm-se uti lizado dêsse recurso. E' incontestável que

(1) Apud "Folha da ManhS". 21-9-1950.


Digdsto

Econômico

'1

Digesto Econômico ticam. a fim de manter mai.s

a apenas 11" % da receita orçamentária brasileira, que foi em 1948 de 15.598

A prova é o completo desinteresse dos ' bancos, das companhias Jc seguros, das

milhões de cruzeiros.

caixas econômicas, das sociedades anôni

A percentagem da

dívida pública, em muitos outros países,

mas c dos particulares, na aquisiç.ão de

representa número muito mais elevado. A

títulos públicos. Esse fato deve parecer estranho aos observadores estrangeiros, pois a rubrica de títulos de crédito pú blicos e particulares, nos balanços das en tidades econômicas de outros países, é das

da Bolívia era, em 1948, de 674 % em relação à receita orçamentária; a da Grã-

Bretanha de 606 %, a do Canadá, 523 %. O total de títulos em circulação inter na, no ano passado, apresentava a seguin

te distribuição: as apólices e as obrigações participavam com 47 % e 53 %, respecti vamente, segundo nos informa a mensa

gem presidencial ao Congresso. No que toca à circulação das obrigações, aos bónus de guerra cabiam 60%, eqüivalendo a divida interna consolidada a 32 %.

confiança e prestígio do público que as

cm operar no mercado, a fim de regulari zar os preços dos títulos. As autoridades ainda não se convence

ram de que os maiores tomadores de títu

fator que leva o público a depositar nas

los públicos são as empresas c não os par do valor e a liquidez dos papéis de cré

casas de crédito menores são as taxas de juros mais elevadas que estas habitualmen te pagam. Daí os depósitos dessas serem

dito que po.ssucm em carteira.

constituídos das economias dos pequenos

A das interessa a estabilidade

A medida

dutiva ou comercial.

quenas organizações de crédito operam com altas taxas de juros, podem pagar ta

xas mais elevadas para os depósitos, supe

Quais serão os efeitos prováveis da re dução das taxas de depósito ? Já dissemos

riores mesmo às pagas pelas Caixas Eco nômicas. Dessa forma, atraem para seus cofres quantias avultadas. A resolução da S.M.C. nivela as taxas de juros para todos os bancos. Desaparece assim a única

se pela aquisição desses papéis de crédito

presentes desce-

nossos comentaristas de. assuntos econômi

cial. As que vamos fazer trazem o cará

Sem dúvida, segundo acentua uni de

poupadores. assemelhandc-se aos depósi

tos das Caixas Econômicas. Como as pe

Efeitos proi'áv0Ís

Em outros países, os bancos são os mais

importantes detentores de títulos. Entre nós verifica-se o contrário: desinteressam-

Os grandes bancos gozam de muito mais pequenas organizações bancárias. Por es se motivo o dinheiro aflui em volume maior as caixas dos bancos mais fortes. O

adotada pela S.M.C. não favorece esses to madores e pouca influência terá sobre as vendas aos particulares.

tulos do "porte-fcuilie" que às próprias operações econômicas da organização pro

sionará nos depósitos dos pequenos ban

do "opcn markct policy", que se resume

desprezado os de receita não

títulos públicos como fonte ram bem k

menos

cos e casas bancárias.

ticulares.

mais importantes. Na França essa rubrica assumiu tal relevância que os diretores das empresas dedicavam maior atenção aos tí

ou

constante,s as cotações dos mesmos. O re curso de que lançam mão são,as operações

serem difíceis as previsões no terreno so

ní-

cos, trata-se de uma anormalidade, pois os

ter aleatório de todas as previsões sociais,

vantagem que os bancos menores podiam

"mios do Governo, que

títulos públicos são considerados no es

Eoi dito por vários observadores que a

rmu^ a que esiao sujeitos tornam perigo-

trangeiro como a segunda reserva para os

redução das taxas determinaria acentuado

sas as mversnpc

^

«.lepôsitos. A primeira á o encaixe, que

renda

Capitais em títulos de

se procura manter dentro de certos limi

corte nos depósitos bancários. Não vemos como isso possa acontecer. Só há dois ca minhos para o dinheiro sair da circulação

ciar aos seus depositantes. E' de se prever que o público canalize de preferência as suas poupanças para os grandes bancos,

vei

„oi..

1

.e rv

■

,

Adngiu tal ral atingiu

tes, visto não render juros. Os títulos, ao contrário, oferecem rendimento interes

Nesse clima de insegurança terá a mo dificação das taxas de juros efeito esti^ladof das compras de tímlnr r,

rais.> Não acreditamos. Em pr^iriu: gar. os ,uros pagos pelas obrigações púbH-

Tanr pagos bancos. O nível medio dos juros reaispelos dos títulos pubhcos e, na BÔIsa de São Paulo, de 11 e na do Rio de Janeiro de 8,3% Em segundo lugar, o fator .psicológico da descrença a que chegaram os papéis de cré dito oficiais é muito grande para se pen

portanto, das caixas dos bancos: pri-

visto oferecerem mais garantias e gozarem

de maior prestígio. Se isso acontecer, os pequenos bancos serão atingidos sèriamen-

sante para o banco, com a vantagem de

meiro, pelo entesouramento, e segundo,

ce e terão, provavelmente, poucas possibi

poderem ser transformados em moeda cor

pela incineração

lidades para sobreviver.

rente dentro do prazo de 24 horas. No

nos cofres dos Bancos Centrais. Nenhum desses dois casos se verificará com a re solução da S.M.C. O entesouramento é.

única forma de se a obter é através da

entre nós, produto da ignorância e da des confiança do homem do campo no serviço

ção de grandes estabelecimentos de crédi

Brasil, a própria expressão "segunda re serva" c desconhecida. Os bancos não confiam nas aplicações em apólices ou obrigações, simplesmente porque as cota ções baixaram ininterruptamente durante • vários anos e no presente oscilam constan- •

ou conservação inativa

O ideal para a economia de um país é possuir sólida organização bancária.

A

concentração bancária, que leva à forma

bancário, e da deficiência da distribuição

to . Isso, porém, só é possível nos paíse,s

de bancos na zona rural; portanto, não ,se

temente, com larga margem de diferença

modificará pela alteração das taxas de de

altamente industrializados. A estrutura econômica subdesenvolvida do Brasil não

entre as cotações máxima e mínima, o que torna a aplicação muito arriscada para o

pósito. A conservação inativa do dinheifo é quase impossível de se dar no Brasil,

banco.

país de déficits orçamentários e emissão

trangeiros. Além disso, as casas bancá

crônicos.

A medida que o Governo deve adotar para incentivo à compra de títulos públi

O único efeito tangível que vemos na

sar em corrigi-lo apenas com a diminui

cos é uma larga política saneadora do cré- |

ção das taxas de depósito.

dito do Estado. Todos os governos a pra- | ...

I

instrução n.° 34 é a diminuição que oca "í*'-

comporta ainda bancos do porte dos es rias exercem entre nós uma função muito

importante, satisfazendo necessidades de crédito que os bancos maiores não aten

dem . Num país de escassez de cápítal co-


Digdsto

Econômico

'1

Digesto Econômico ticam. a fim de manter mai.s

a apenas 11" % da receita orçamentária brasileira, que foi em 1948 de 15.598

A prova é o completo desinteresse dos ' bancos, das companhias Jc seguros, das

milhões de cruzeiros.

caixas econômicas, das sociedades anôni

A percentagem da

dívida pública, em muitos outros países,

mas c dos particulares, na aquisiç.ão de

representa número muito mais elevado. A

títulos públicos. Esse fato deve parecer estranho aos observadores estrangeiros, pois a rubrica de títulos de crédito pú blicos e particulares, nos balanços das en tidades econômicas de outros países, é das

da Bolívia era, em 1948, de 674 % em relação à receita orçamentária; a da Grã-

Bretanha de 606 %, a do Canadá, 523 %. O total de títulos em circulação inter na, no ano passado, apresentava a seguin

te distribuição: as apólices e as obrigações participavam com 47 % e 53 %, respecti vamente, segundo nos informa a mensa

gem presidencial ao Congresso. No que toca à circulação das obrigações, aos bónus de guerra cabiam 60%, eqüivalendo a divida interna consolidada a 32 %.

confiança e prestígio do público que as

cm operar no mercado, a fim de regulari zar os preços dos títulos. As autoridades ainda não se convence

ram de que os maiores tomadores de títu

fator que leva o público a depositar nas

los públicos são as empresas c não os par do valor e a liquidez dos papéis de cré

casas de crédito menores são as taxas de juros mais elevadas que estas habitualmen te pagam. Daí os depósitos dessas serem

dito que po.ssucm em carteira.

constituídos das economias dos pequenos

A das interessa a estabilidade

A medida

dutiva ou comercial.

quenas organizações de crédito operam com altas taxas de juros, podem pagar ta

xas mais elevadas para os depósitos, supe

Quais serão os efeitos prováveis da re dução das taxas de depósito ? Já dissemos

riores mesmo às pagas pelas Caixas Eco nômicas. Dessa forma, atraem para seus cofres quantias avultadas. A resolução da S.M.C. nivela as taxas de juros para todos os bancos. Desaparece assim a única

se pela aquisição desses papéis de crédito

presentes desce-

nossos comentaristas de. assuntos econômi

cial. As que vamos fazer trazem o cará

Sem dúvida, segundo acentua uni de

poupadores. assemelhandc-se aos depósi

tos das Caixas Econômicas. Como as pe

Efeitos proi'áv0Ís

Em outros países, os bancos são os mais

importantes detentores de títulos. Entre nós verifica-se o contrário: desinteressam-

Os grandes bancos gozam de muito mais pequenas organizações bancárias. Por es se motivo o dinheiro aflui em volume maior as caixas dos bancos mais fortes. O

adotada pela S.M.C. não favorece esses to madores e pouca influência terá sobre as vendas aos particulares.

tulos do "porte-fcuilie" que às próprias operações econômicas da organização pro

sionará nos depósitos dos pequenos ban

do "opcn markct policy", que se resume

desprezado os de receita não

títulos públicos como fonte ram bem k

menos

cos e casas bancárias.

ticulares.

mais importantes. Na França essa rubrica assumiu tal relevância que os diretores das empresas dedicavam maior atenção aos tí

ou

constante,s as cotações dos mesmos. O re curso de que lançam mão são,as operações

serem difíceis as previsões no terreno so

ní-

cos, trata-se de uma anormalidade, pois os

ter aleatório de todas as previsões sociais,

vantagem que os bancos menores podiam

"mios do Governo, que

títulos públicos são considerados no es

Eoi dito por vários observadores que a

rmu^ a que esiao sujeitos tornam perigo-

trangeiro como a segunda reserva para os

redução das taxas determinaria acentuado

sas as mversnpc

^

«.lepôsitos. A primeira á o encaixe, que

renda

Capitais em títulos de

se procura manter dentro de certos limi

corte nos depósitos bancários. Não vemos como isso possa acontecer. Só há dois ca minhos para o dinheiro sair da circulação

ciar aos seus depositantes. E' de se prever que o público canalize de preferência as suas poupanças para os grandes bancos,

vei

„oi..

1

.e rv

■

,

Adngiu tal ral atingiu

tes, visto não render juros. Os títulos, ao contrário, oferecem rendimento interes

Nesse clima de insegurança terá a mo dificação das taxas de juros efeito esti^ladof das compras de tímlnr r,

rais.> Não acreditamos. Em pr^iriu: gar. os ,uros pagos pelas obrigações púbH-

Tanr pagos bancos. O nível medio dos juros reaispelos dos títulos pubhcos e, na BÔIsa de São Paulo, de 11 e na do Rio de Janeiro de 8,3% Em segundo lugar, o fator .psicológico da descrença a que chegaram os papéis de cré dito oficiais é muito grande para se pen

portanto, das caixas dos bancos: pri-

visto oferecerem mais garantias e gozarem

de maior prestígio. Se isso acontecer, os pequenos bancos serão atingidos sèriamen-

sante para o banco, com a vantagem de

meiro, pelo entesouramento, e segundo,

ce e terão, provavelmente, poucas possibi

poderem ser transformados em moeda cor

pela incineração

lidades para sobreviver.

rente dentro do prazo de 24 horas. No

nos cofres dos Bancos Centrais. Nenhum desses dois casos se verificará com a re solução da S.M.C. O entesouramento é.

única forma de se a obter é através da

entre nós, produto da ignorância e da des confiança do homem do campo no serviço

ção de grandes estabelecimentos de crédi

Brasil, a própria expressão "segunda re serva" c desconhecida. Os bancos não confiam nas aplicações em apólices ou obrigações, simplesmente porque as cota ções baixaram ininterruptamente durante • vários anos e no presente oscilam constan- •

ou conservação inativa

O ideal para a economia de um país é possuir sólida organização bancária.

A

concentração bancária, que leva à forma

bancário, e da deficiência da distribuição

to . Isso, porém, só é possível nos paíse,s

de bancos na zona rural; portanto, não ,se

temente, com larga margem de diferença

modificará pela alteração das taxas de de

altamente industrializados. A estrutura econômica subdesenvolvida do Brasil não

entre as cotações máxima e mínima, o que torna a aplicação muito arriscada para o

pósito. A conservação inativa do dinheifo é quase impossível de se dar no Brasil,

banco.

país de déficits orçamentários e emissão

trangeiros. Além disso, as casas bancá

crônicos.

A medida que o Governo deve adotar para incentivo à compra de títulos públi

O único efeito tangível que vemos na

sar em corrigi-lo apenas com a diminui

cos é uma larga política saneadora do cré- |

ção das taxas de depósito.

dito do Estado. Todos os governos a pra- | ...

I

instrução n.° 34 é a diminuição que oca "í*'-

comporta ainda bancos do porte dos es rias exercem entre nós uma função muito

importante, satisfazendo necessidades de crédito que os bancos maiores não aten

dem . Num país de escassez de cápítal co-


mo o nosso, o papel das casas bancárias é

ção n.° 34 da S.M.C. c antes maléfica do

importante demais pata déle se prescindir.

que benéfica. Não beneficia porque não

e capaz de produzir os efeitos que dela es Conclusão

Pela ligeira análise que fizemos, só poemos chegar a uma conclusão; a instru-

pera o sr. Vieira Machado.

O liolatório Ellender

E' prejudi

josH Luiz dh Almiuda Nogueira Pôrto

cial à economia interna por afetar os de

pósitos dos pequenos bancos e casas ban cárias, centros importantes de crédito.

Ori-NÔMKNO da escassez de dólares é

Para se ter uma noção do vulto dessa

um dos mais .graves c mais gerais de

destruição, basta ver que, só a Inglaterra,

que padece o mundo no campo econômico.

segundo cálailos geralmente aceitos como

Suas causas e sua amplitude são por demais conhecidas paru que nos detenhamos demasiado em sua análise. Não obstante, convém acentuar que, .segundo o Banco Ihternacíonal de Reconstrução e Ecmcnto,

razoáveis, despendeu durante a guerra e sofreu destruição no valor de 130 bilhões dólares, ou sejam, em nossa moeda e câmbio oficial, dois bilhões e seiscenmilhões de contos de réis.

o fenômeno se originou: "1.'^) de que o resto do mundo, com exceção dos Estados Unido.s, não produz o suficiente para a obtençãt^ de bens e serviços de que necessita, por meio da pro-

Quanto à qu^a da produção, de produtos essenciais à vida das populações, nos países compreendidos no Plano Marshall ^ Alemanha Ocidental, foi da ordem seguinte, em milhões de toneladas métricas:

duçâo interna e dos processos normais de

intercâmbio internacional ;

■1

kty/

I934/3S 1946J47

Todos os cereais ., Cereais panificáveis

64,5 34,0

556 28,3

Estados Unidos, porque, conservando esse país seu mecanismo de produção intacto. constitui um dos poucos — e indubitàvelmente o mais importante — capazes de

Batatas Carne Leite

57,7 .9,0 72,5

Carvão

552,0

50,7 5,9 55,7 439,0

fornecer os referidos bens e serviços;

3.") de que, para comprar nos Estados Unidos, são necessários dólares, do que

Ora, os Estados Unidos, por motivos políticos, se viram na contingência não

resulta que o problema dessa moeda não

só de suprir as ^deficiências da produção

se resolverá enquanto não aumente a pro-

interna das nações européias, como de

dução nas demais nações do mundo, até o ponto em que os produtos necessários possam ser obtidos através dos processos

auxiliá-las em sua reconstrução, do que resultou um fornecimento de bens muitíssimo superior às importações, com saldos

portação de bens e serviços em quantidade

mento daquele país.

necessária para pagar as importações essenciais".

Êsses saldos — computados, é claro, os verificados com relação a outras áreas, in-

normais de comércio, por dispor-se de ex-

M4 ••

Produtos

2.°) de que grande parte desses bens e serviços se compra, por conseguinte, nos

A origem primeira do fenômeno, pelo

cada vez maiores nos balanços de pacaclusive cqm a América Latina

subiram,

menos em seu âmbito universal, foi, é claro, a guerra de 1939/45, ocasionando

só no exercício de 1947, a oito bilhões de dólares, o que mostra perfeitamente a

uma considerável destruição e uma tal

intensidade com que se manifesta o fenó-

queda na produção européia que as na-

meno da escassez de dólares.

ções assoladas não tinham meios sequer para se manterem, quanto mais para se

O problema assume especial gravidade na América Latina, não só pela sua de-

reconstruírem.

pendência da economia dos Estados Uni-


mo o nosso, o papel das casas bancárias é

ção n.° 34 da S.M.C. c antes maléfica do

importante demais pata déle se prescindir.

que benéfica. Não beneficia porque não

e capaz de produzir os efeitos que dela es Conclusão

Pela ligeira análise que fizemos, só poemos chegar a uma conclusão; a instru-

pera o sr. Vieira Machado.

O liolatório Ellender

E' prejudi

josH Luiz dh Almiuda Nogueira Pôrto

cial à economia interna por afetar os de

pósitos dos pequenos bancos e casas ban cárias, centros importantes de crédito.

Ori-NÔMKNO da escassez de dólares é

Para se ter uma noção do vulto dessa

um dos mais .graves c mais gerais de

destruição, basta ver que, só a Inglaterra,

que padece o mundo no campo econômico.

segundo cálailos geralmente aceitos como

Suas causas e sua amplitude são por demais conhecidas paru que nos detenhamos demasiado em sua análise. Não obstante, convém acentuar que, .segundo o Banco Ihternacíonal de Reconstrução e Ecmcnto,

razoáveis, despendeu durante a guerra e sofreu destruição no valor de 130 bilhões dólares, ou sejam, em nossa moeda e câmbio oficial, dois bilhões e seiscenmilhões de contos de réis.

o fenômeno se originou: "1.'^) de que o resto do mundo, com exceção dos Estados Unido.s, não produz o suficiente para a obtençãt^ de bens e serviços de que necessita, por meio da pro-

Quanto à qu^a da produção, de produtos essenciais à vida das populações, nos países compreendidos no Plano Marshall ^ Alemanha Ocidental, foi da ordem seguinte, em milhões de toneladas métricas:

duçâo interna e dos processos normais de

intercâmbio internacional ;

■1

kty/

I934/3S 1946J47

Todos os cereais ., Cereais panificáveis

64,5 34,0

556 28,3

Estados Unidos, porque, conservando esse país seu mecanismo de produção intacto. constitui um dos poucos — e indubitàvelmente o mais importante — capazes de

Batatas Carne Leite

57,7 .9,0 72,5

Carvão

552,0

50,7 5,9 55,7 439,0

fornecer os referidos bens e serviços;

3.") de que, para comprar nos Estados Unidos, são necessários dólares, do que

Ora, os Estados Unidos, por motivos políticos, se viram na contingência não

resulta que o problema dessa moeda não

só de suprir as ^deficiências da produção

se resolverá enquanto não aumente a pro-

interna das nações européias, como de

dução nas demais nações do mundo, até o ponto em que os produtos necessários possam ser obtidos através dos processos

auxiliá-las em sua reconstrução, do que resultou um fornecimento de bens muitíssimo superior às importações, com saldos

portação de bens e serviços em quantidade

mento daquele país.

necessária para pagar as importações essenciais".

Êsses saldos — computados, é claro, os verificados com relação a outras áreas, in-

normais de comércio, por dispor-se de ex-

M4 ••

Produtos

2.°) de que grande parte desses bens e serviços se compra, por conseguinte, nos

A origem primeira do fenômeno, pelo

cada vez maiores nos balanços de pacaclusive cqm a América Latina

subiram,

menos em seu âmbito universal, foi, é claro, a guerra de 1939/45, ocasionando

só no exercício de 1947, a oito bilhões de dólares, o que mostra perfeitamente a

uma considerável destruição e uma tal

intensidade com que se manifesta o fenó-

queda na produção européia que as na-

meno da escassez de dólares.

ções assoladas não tinham meios sequer para se manterem, quanto mais para se

O problema assume especial gravidade na América Latina, não só pela sua de-

reconstruírem.

pendência da economia dos Estados Uni-


m Digesto 74

se verificam em seus balanços de contas com aquêle país.

Antes da guerra, em média, 50 % do comercio latino-americano se processavam com a Europa. Em alguns casos a percentagem era, mesmo, muito mais eleva

da, como sucedia com a Argentina (75% ) c com a Bolívia (90 %

Enquanto isso.

as exportações para os Estados Unidos os-

cilavam entre 20 e 25 q? .

Com a guerra, as correntes comerciais desses países sofreram uma brusca distor-

Em 1947, 60 % das importações

provinham dos Esrarír^c ri.,- i j«. 20 oo % da I Europa, estados aoUnidos e menos de

passo que as exportações -se processavam na base

íercámbio comercial com os Estados Uni

o.s Estados Unidos baixou de forma apre

rriais, veículos c aparclhamcnto técnico, enormc-mente desgastados durante a guer ra, e que tiveram de ser substituídos em

dos, foi de 1 .900 milliõcs de dólares. No ano seguinte, já se havia reduzido para í-200 milhões, c cm 1919. embora ainda

confronto com igual período de 1949. A

massa. .

não se disponha de da«.!os exatos, estima-

15,3%, mas, mesmo assim, a quantidade

se que tenha havido uma baixa de 10 %

de dólares obtida com essas vendas su

nas importações e um incremento de ou

biu consideravelmente. No primeiro tri

tros 10 % nas exportações, o que terá re

duzido considcràvelmcntc o .saldo negati

mestre de 1949, havíamos vendido café para os Estados Unidos no valor de ....

vo.

88.586.267 dólares e, em igual período

E' bem verdade que de 19.^9 a 1945. graças aos fornecimentos lie matérias-pri. mas às nações beligerantes, puderam, muitos países do hemisfério c, dentre éles. o Briisil, acumular apreciáveis saldos em

janeiro de 1950, um saldo cm seu balanço

produto subiram para 112.198.690,

das contas com os Estados Unidos de 4.^,9 niilhões de dólares, contra um "déficit" de

que representa um aumento de valor dc

ausência de controlos da importação.

Por ésse motivo, cm muito |>oucos anos foi necessário substituir instalações de^. gastadas ou tornadas obsoletas durante todo o py.

para a Europa.

/ mr í-

1

seus balanços de pagarum

te importados, como pela brüsca necessi

dade de reposição das instalações indus^

*_

I

cerca de 26,6 %. Èsse fenômeno que se verificou com o

café, porem, não foi isolado. A redução cm volume do total das compras feitas pe

•'*0, segundo estatísticas do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, a Amé

los Estados Unidos no Brasil atingiu, se gundo os dados já citados, a 27,3 % no

cícios um volume de

rica do Sul exportou para os Estados Uni dos 432.213.592 dólares e importou

ração com o primeiro trimestre de 1949,

portações

apenas 300.680.842 com

e. não obstante, o valor das mercadorias

que,

normal-

se teria distribui. do por cinco ou seis

terior.

um "superá

daqui importadas pelos norte-americanos

As causas da atenuação do fenômeno

.subiu de 119.279.531 para 140.746.07^

são de duas ordens: por um lado, as me

didas restritivas à importação e, por ou

r*<\r»e *rAic '*CÍcficítS*' consideráveis

sequilíbrios no balanço de pagamentos dos países latino-americanos não é transi tório, sendo mesmo de natureza cstrutural, mas queremos referir-nos ao caso es pecial do dólar, e rendo em conta, inclu sive, as medidas artificiais adotadas po^ muitos governos para minorar a crise des sa moeda.

Assim é que, em 1947, como já vimos, o "déficit" da América Latina em seu in-

primeiro trimestre deste ano, em compa

vit", portanto, de 131 .532.745 dólares.

P'>rque as necessi^

relaçao aos Estados Unidos foi de um bi balanças de pagamento da América Latiiv^ em relação aos Estados Unidos, A mconversibilidade de moedas eurofmned "°urna compensaçio ,ue™ reduaitia dólares tmp d. Um aspecto do fenômeno que aindO déficit a seiscentos milhões, o que merece focalizado é o de sua transito contnbnm para acentuar, ainda mais ! riedadc.ser Claro que o problema dos cl,.

produtos industrializados, em grande par

o

No primeiro trimestre do ano em cur-

lhão e novecentos milhões

somem cada vez maiores quantidades de

*^7 milhões no mesmo mês do ano an

dades de consumo de prj, dutos importados supera, o crescimento das produções locais

provocando

crise de dólares na América Latina. O problexiia da inconversibilidade das moedas combinou-se com uma crescente procura de dólares pelos países do Continente, resultante não só de uma elevação tio nível de vida das populações, que con

do corrente ano, nossas vendas do mesmo

esses saídos foram gastos de forma disper siva c anti-económica, dada a quase total

acumulou em alguns exer

conjunto, apresentou em

redução de volume foi da ordem de

tância de ter tido a América Latina, em

ríodo da guerra, o q^ç

^essa circunstância re sultou que, em I947. a América Latina,, em seu

E' sintomática, também, a circuns

ciável no primeiro trimestre deste ano. em

dólares, mas, na generalidade dos casos

med,a de 40% para a. Estados Unidos e 40 %

«-10 «HA

75

DIGESTíj h« (JNOMft.o

dos. como pelos saldos desfavoráveis que

sao.

Económíco

dólares.

Essa circunstância revela que se proces

tro, a elevação dos preços dos produtos ex

sa uma rápida recuperação da perda dc

portados.

substância

E' confortador saber-se que, em um pe ríodo de 10 anos. entre 1937 e 1947, ao

passo que o volume físico global das ex

econômica a que nós, como

país fornecedor de produtos primários, há tantos anos estamos submetidos.

Por outro lado. no primeiro trimestre

portações latino-americanas subia de 29%. -seu valor subiu de 233 %. Isso significa

deste ano, importamos em dólares, dos Es tados Unidos, muito menos de metade do

que está em processo uma recuperação, pe lo menos parcial, da perda de substância econômica que permanentemente sofrem

que havíamos importado em igual perío do de 1949. Para sermos exatos, havía

os países de economia agrícola.

ano passado, 138.904.604 dólares, e nos

Aliás, o

que se verifica com o café é sintomático.

E)e acordo com dados provenientes do

mos importado, no primeiro trimestre do

primeiros três meses deste ano, apenas 60.380.059.

Departamento do Comércio dos Estados

Êsses números indicam, que a presente

Unidos e de Georgc Gordon Paton & Co., o volume de exportação de nosso café para

escassez de dólares constitui, pelo menos para nós, um fenômeno transitório.


m Digesto 74

se verificam em seus balanços de contas com aquêle país.

Antes da guerra, em média, 50 % do comercio latino-americano se processavam com a Europa. Em alguns casos a percentagem era, mesmo, muito mais eleva

da, como sucedia com a Argentina (75% ) c com a Bolívia (90 %

Enquanto isso.

as exportações para os Estados Unidos os-

cilavam entre 20 e 25 q? .

Com a guerra, as correntes comerciais desses países sofreram uma brusca distor-

Em 1947, 60 % das importações

provinham dos Esrarír^c ri.,- i j«. 20 oo % da I Europa, estados aoUnidos e menos de

passo que as exportações -se processavam na base

íercámbio comercial com os Estados Uni

o.s Estados Unidos baixou de forma apre

rriais, veículos c aparclhamcnto técnico, enormc-mente desgastados durante a guer ra, e que tiveram de ser substituídos em

dos, foi de 1 .900 milliõcs de dólares. No ano seguinte, já se havia reduzido para í-200 milhões, c cm 1919. embora ainda

confronto com igual período de 1949. A

massa. .

não se disponha de da«.!os exatos, estima-

15,3%, mas, mesmo assim, a quantidade

se que tenha havido uma baixa de 10 %

de dólares obtida com essas vendas su

nas importações e um incremento de ou

biu consideravelmente. No primeiro tri

tros 10 % nas exportações, o que terá re

duzido considcràvelmcntc o .saldo negati

mestre de 1949, havíamos vendido café para os Estados Unidos no valor de ....

vo.

88.586.267 dólares e, em igual período

E' bem verdade que de 19.^9 a 1945. graças aos fornecimentos lie matérias-pri. mas às nações beligerantes, puderam, muitos países do hemisfério c, dentre éles. o Briisil, acumular apreciáveis saldos em

janeiro de 1950, um saldo cm seu balanço

produto subiram para 112.198.690,

das contas com os Estados Unidos de 4.^,9 niilhões de dólares, contra um "déficit" de

que representa um aumento de valor dc

ausência de controlos da importação.

Por ésse motivo, cm muito |>oucos anos foi necessário substituir instalações de^. gastadas ou tornadas obsoletas durante todo o py.

para a Europa.

/ mr í-

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seus balanços de pagarum

te importados, como pela brüsca necessi

dade de reposição das instalações indus^

*_

I

cerca de 26,6 %. Èsse fenômeno que se verificou com o

café, porem, não foi isolado. A redução cm volume do total das compras feitas pe

•'*0, segundo estatísticas do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, a Amé

los Estados Unidos no Brasil atingiu, se gundo os dados já citados, a 27,3 % no

cícios um volume de

rica do Sul exportou para os Estados Uni dos 432.213.592 dólares e importou

ração com o primeiro trimestre de 1949,

portações

apenas 300.680.842 com

e. não obstante, o valor das mercadorias

que,

normal-

se teria distribui. do por cinco ou seis

terior.

um "superá

daqui importadas pelos norte-americanos

As causas da atenuação do fenômeno

.subiu de 119.279.531 para 140.746.07^

são de duas ordens: por um lado, as me

didas restritivas à importação e, por ou

r*<\r»e *rAic '*CÍcficítS*' consideráveis

sequilíbrios no balanço de pagamentos dos países latino-americanos não é transi tório, sendo mesmo de natureza cstrutural, mas queremos referir-nos ao caso es pecial do dólar, e rendo em conta, inclu sive, as medidas artificiais adotadas po^ muitos governos para minorar a crise des sa moeda.

Assim é que, em 1947, como já vimos, o "déficit" da América Latina em seu in-

primeiro trimestre deste ano, em compa

vit", portanto, de 131 .532.745 dólares.

P'>rque as necessi^

relaçao aos Estados Unidos foi de um bi balanças de pagamento da América Latiiv^ em relação aos Estados Unidos, A mconversibilidade de moedas eurofmned "°urna compensaçio ,ue™ reduaitia dólares tmp d. Um aspecto do fenômeno que aindO déficit a seiscentos milhões, o que merece focalizado é o de sua transito contnbnm para acentuar, ainda mais ! riedadc.ser Claro que o problema dos cl,.

produtos industrializados, em grande par

o

No primeiro trimestre do ano em cur-

lhão e novecentos milhões

somem cada vez maiores quantidades de

*^7 milhões no mesmo mês do ano an

dades de consumo de prj, dutos importados supera, o crescimento das produções locais

provocando

crise de dólares na América Latina. O problexiia da inconversibilidade das moedas combinou-se com uma crescente procura de dólares pelos países do Continente, resultante não só de uma elevação tio nível de vida das populações, que con

do corrente ano, nossas vendas do mesmo

esses saídos foram gastos de forma disper siva c anti-económica, dada a quase total

acumulou em alguns exer

conjunto, apresentou em

redução de volume foi da ordem de

tância de ter tido a América Latina, em

ríodo da guerra, o q^ç

^essa circunstância re sultou que, em I947. a América Latina,, em seu

E' sintomática, também, a circuns

ciável no primeiro trimestre deste ano. em

dólares, mas, na generalidade dos casos

med,a de 40% para a. Estados Unidos e 40 %

«-10 «HA

75

DIGESTíj h« (JNOMft.o

dos. como pelos saldos desfavoráveis que

sao.

Económíco

dólares.

Essa circunstância revela que se proces

tro, a elevação dos preços dos produtos ex

sa uma rápida recuperação da perda dc

portados.

substância

E' confortador saber-se que, em um pe ríodo de 10 anos. entre 1937 e 1947, ao

passo que o volume físico global das ex

econômica a que nós, como

país fornecedor de produtos primários, há tantos anos estamos submetidos.

Por outro lado. no primeiro trimestre

portações latino-americanas subia de 29%. -seu valor subiu de 233 %. Isso significa

deste ano, importamos em dólares, dos Es tados Unidos, muito menos de metade do

que está em processo uma recuperação, pe lo menos parcial, da perda de substância econômica que permanentemente sofrem

que havíamos importado em igual perío do de 1949. Para sermos exatos, havía

os países de economia agrícola.

ano passado, 138.904.604 dólares, e nos

Aliás, o

que se verifica com o café é sintomático.

E)e acordo com dados provenientes do

mos importado, no primeiro trimestre do

primeiros três meses deste ano, apenas 60.380.059.

Departamento do Comércio dos Estados

Êsses números indicam, que a presente

Unidos e de Georgc Gordon Paton & Co., o volume de exportação de nosso café para

escassez de dólares constitui, pelo menos para nós, um fenômeno transitório.


DiCESTo

A

PROPÓSITO DE ECONOMIA DE TRANSPORTES E CIRCULAÇÃO

decc à "lei dos paralclo.s", principalmente

Itabuna, Canavieiras, Belmonte, Una) tor-

quando se trata, como no caso do Brasil,

navu-se mais difícil, porque dependia de

On IralinlIioB do I. IK. O. E.

de emigrações impostas pelo dcsespêro. jxrla completa dc-sorganizaçao dos grupos.

viagem por mar, e poucos eram os que podiam fazer despesas de transporte, no-

Prof. Djacir Mbni-zi-s

Há ocasiões cm que os retirantes (desig

radamente quando se tratava de famílias

(Catedrático da Faculdade Nacional dc Filosofia)

nação dada ;is levas ile famílias que se

numerosas, o que é, aliás, muito comum

deslocam nos períodos dc secas.) saem de

no sertão.

•OR imposição das circunstâncias sociais,

P

os estudos econômicos vão-se expan

dindo entre nós.

Econômico

Até o crepúsculo da

primeira República, as Faculdades de Di

bricas dc expedição de titulados — então falharam ao veriladeiro desiderato, frus trando a finalidade social a que deveriam atender.

reito eram as únicas organizações de ensi

no que ofereciam oportunidade aos que pretendiam dedicar-se a esse ramo dos co

nhecimentos sociais. E não se pode ne gar que os melhores e maiores nomes em

assuntos econômicos, voltados para os pro blemas fundamentais do País, vieram da queles institutos de ensino superior. Êles ainda formariam a maioria dos elementos docenres que haveriam de constituir as Fa

culdades de Ciências Econômicas, que posteriormente se organizariam.

A orsanização da produçSo nacional exije uma compreensão científica dos in

teresses que se debatem na economia mun

Pontos cie partida: os transportes

Quando se lança os olhos para o mapa do Brasil, vem logo à lembrança o lirismo bebido na literatura que decantou nossa opulcncia. E, no mei») da opúléncia, os mendigos fartos, de que falava Euciidcs da

Cunha. Sobre a imensa base física, a ci vilização ainda arranhando o litoral, como escrevia o cronista colonial, enunciando uma verdade para duzentos anos.

A segunda guerra mundial pôs, com

mais evidência, o problema dos transpor

dial. A interdependência crescente dos mercados, a ampliação de organismos mo'

tes diante dos nossos olhos. Há muito tempo que se bradava sobre a necessidade

nopolisticos pelas áreas de riquezas éx-

brados que não repercutiam na ação prá

pioraveis em todas as latitudes do plane

ta, as políticas que preparam conflitos e os conflitos que prolongam políticas —

tudo ISSO reclama tratamento adequado

de ampliar as vias de comunicações —.^as

tica do Governo. Os capitais estrangei ros, que vinham aplicar-se no País, inves-

tiam-se nas atividades lucrativas certas,

suas terras como rebanhos sem rumo. co

mo quem está no deserro e procura o o.ásis.

As fazendas de cacau receberam muitos

braços de Minas, via Jequitinhonha. mas

Temos aí um tipo dc emigração diferente,

um dos maiores contingentes ali estabe

porque o emigrante quer sair de qualquer

lecidos é de procedência sergipana ou do

forma, para não morrer dc fome. e por isso procura a região que lhe possa ofe recer, pelo menos, os elementos de subsis

sertão do Estado. A zona das Lavras Dia

tência.

Os

deslocamentos

ocorridos em

tais

condições não se enquadram cm qualquer piano dc política imigratória, porque não passam de simples ilispcrsõcs sem ordem nem ponto de fixação previamen te escolhido. Os grupos de famí lias são forçados a emigrar seja pa ra onde fôr, contanto que possam

mantinas. quando o garimpo declinava, ficava sem braços para o tmbalho, porque havia dois pontos de atração: o garimjx) de Mato Grosso e o sul da Bahia. Os ga rimpeiros saíam, por assim dizer, em mas sa para Mato Grosso ou para a zona ca-

caueira. O sul da Bahia, onde o cacau é a base da vida econômica, era uma espécie de £/ Doradn para o serta sergipano. Basta dizer que exis-

fugir das sêcas e da fome. O pro

tem fazendas de grande importân

blema toma feição social e econô mica. Do sertão du Bahia, por

cia, cuja origem está ligada à imi

exemplo, em diversos períodos de sêcas, emigraram muitas famílias para o sudo este do Estado ou para o Recôncavo. Tal

emigração era arbitrária, imposta pelO ins tinto de conservação.

Os retirantes pro

curavam dc preferência os municípios à

margem da Estrada de Forro Nazaré (San

4

nejo da própria Bahia e para o

gração oriunda de Sergipe e do

sertão baiano. Alguns'fazendeiros, por iniciativa própria, há quase vinte e cinco anos, mandaram transportar para a zona

-1

do Rio dc Pedras, que é um prolonga mento do Rio Pardo, no município de Canavieiras, bons contingentes de traba lhadores das Lavras Diamantinas (LenAndaraí etc.) e de Vila Nova da Rainha, hoje Senhor do Bonfim, destina

com garantias da administração, em ser

to Antônio dc Jesus. Jequiriçá, Nazaré

viços públicos onde contava o resultado

etc.) porque ali encontravam boa terra.

indiscutível.

Alguma aplicação pioneira

sem o estudo guiado pela ciência.

Não havia, c certo, um sistema organiza

dos a fazendas de cacau. Mas o processo

ficava a cargo do capitalismo nacional,

do para encaminhar as famílias sertane

E'. isso que se está impondo inflexivelmente. E' nesse sentido que os institutos de cultura econômica assumem importân

ainda hoje tímido e inexperiente.

jas oriundas de municípios longínquos como Camisão (hoje Ipirá), Baixa Gran de, Monte Alegre (Mairi) Capivari (Ma-

de deslocamento de braços do sertão e do Nordeste para a região cacaueira, sem in terferência oficial, tinha a grande incon

por métodos que não podem mais limitar-

se ao empirismo ou à intuição da prática

cia singular entre os demais institutos, nos dias que correm. Se, porém, êles não se erguem ao nível de formação científica capaz de ajudar o encaminhamento das soluções reclamadas, reduzidos a meras fá

En

quanto isso, os sociólogos como Alberto

Torres,, como Oliveira Viana, e, antes des tes, como Tavares Bastos, apontavam os

sertões esquecidos, as fontes de riqueza mortas, os centros de produção agrícola

cajubaj etc., mas os retirantes pelo me nos tinham possibilidades naturais de re

minguando, as levas rumando para as ci

organização econômica nesses municípios. O trajeto era feito a pé, durante muitos

dades, as cidades engrossando a popula

dias.

ção de desocupados.

sul do Estado, a zona do cacau (Ilhéus,

O deslocamento do sertão para o

veniência de onerar muito o emigrante, porque este, quando chegava à fazenda, muitas vezes com família numerosa, já

estava devendo ao patrão as despesas de passagem, adiantamentos, suprimentos de

víveres etc.

O emigrante era devedor

desde o momento em que deixava a sua -I • ■Ààjl

li 1


DiCESTo

A

PROPÓSITO DE ECONOMIA DE TRANSPORTES E CIRCULAÇÃO

decc à "lei dos paralclo.s", principalmente

Itabuna, Canavieiras, Belmonte, Una) tor-

quando se trata, como no caso do Brasil,

navu-se mais difícil, porque dependia de

On IralinlIioB do I. IK. O. E.

de emigrações impostas pelo dcsespêro. jxrla completa dc-sorganizaçao dos grupos.

viagem por mar, e poucos eram os que podiam fazer despesas de transporte, no-

Prof. Djacir Mbni-zi-s

Há ocasiões cm que os retirantes (desig

radamente quando se tratava de famílias

(Catedrático da Faculdade Nacional dc Filosofia)

nação dada ;is levas ile famílias que se

numerosas, o que é, aliás, muito comum

deslocam nos períodos dc secas.) saem de

no sertão.

•OR imposição das circunstâncias sociais,

P

os estudos econômicos vão-se expan

dindo entre nós.

Econômico

Até o crepúsculo da

primeira República, as Faculdades de Di

bricas dc expedição de titulados — então falharam ao veriladeiro desiderato, frus trando a finalidade social a que deveriam atender.

reito eram as únicas organizações de ensi

no que ofereciam oportunidade aos que pretendiam dedicar-se a esse ramo dos co

nhecimentos sociais. E não se pode ne gar que os melhores e maiores nomes em

assuntos econômicos, voltados para os pro blemas fundamentais do País, vieram da queles institutos de ensino superior. Êles ainda formariam a maioria dos elementos docenres que haveriam de constituir as Fa

culdades de Ciências Econômicas, que posteriormente se organizariam.

A orsanização da produçSo nacional exije uma compreensão científica dos in

teresses que se debatem na economia mun

Pontos cie partida: os transportes

Quando se lança os olhos para o mapa do Brasil, vem logo à lembrança o lirismo bebido na literatura que decantou nossa opulcncia. E, no mei») da opúléncia, os mendigos fartos, de que falava Euciidcs da

Cunha. Sobre a imensa base física, a ci vilização ainda arranhando o litoral, como escrevia o cronista colonial, enunciando uma verdade para duzentos anos.

A segunda guerra mundial pôs, com

mais evidência, o problema dos transpor

dial. A interdependência crescente dos mercados, a ampliação de organismos mo'

tes diante dos nossos olhos. Há muito tempo que se bradava sobre a necessidade

nopolisticos pelas áreas de riquezas éx-

brados que não repercutiam na ação prá

pioraveis em todas as latitudes do plane

ta, as políticas que preparam conflitos e os conflitos que prolongam políticas —

tudo ISSO reclama tratamento adequado

de ampliar as vias de comunicações —.^as

tica do Governo. Os capitais estrangei ros, que vinham aplicar-se no País, inves-

tiam-se nas atividades lucrativas certas,

suas terras como rebanhos sem rumo. co

mo quem está no deserro e procura o o.ásis.

As fazendas de cacau receberam muitos

braços de Minas, via Jequitinhonha. mas

Temos aí um tipo dc emigração diferente,

um dos maiores contingentes ali estabe

porque o emigrante quer sair de qualquer

lecidos é de procedência sergipana ou do

forma, para não morrer dc fome. e por isso procura a região que lhe possa ofe recer, pelo menos, os elementos de subsis

sertão do Estado. A zona das Lavras Dia

tência.

Os

deslocamentos

ocorridos em

tais

condições não se enquadram cm qualquer piano dc política imigratória, porque não passam de simples ilispcrsõcs sem ordem nem ponto de fixação previamen te escolhido. Os grupos de famí lias são forçados a emigrar seja pa ra onde fôr, contanto que possam

mantinas. quando o garimpo declinava, ficava sem braços para o tmbalho, porque havia dois pontos de atração: o garimjx) de Mato Grosso e o sul da Bahia. Os ga rimpeiros saíam, por assim dizer, em mas sa para Mato Grosso ou para a zona ca-

caueira. O sul da Bahia, onde o cacau é a base da vida econômica, era uma espécie de £/ Doradn para o serta sergipano. Basta dizer que exis-

fugir das sêcas e da fome. O pro

tem fazendas de grande importân

blema toma feição social e econô mica. Do sertão du Bahia, por

cia, cuja origem está ligada à imi

exemplo, em diversos períodos de sêcas, emigraram muitas famílias para o sudo este do Estado ou para o Recôncavo. Tal

emigração era arbitrária, imposta pelO ins tinto de conservação.

Os retirantes pro

curavam dc preferência os municípios à

margem da Estrada de Forro Nazaré (San

4

nejo da própria Bahia e para o

gração oriunda de Sergipe e do

sertão baiano. Alguns'fazendeiros, por iniciativa própria, há quase vinte e cinco anos, mandaram transportar para a zona

-1

do Rio dc Pedras, que é um prolonga mento do Rio Pardo, no município de Canavieiras, bons contingentes de traba lhadores das Lavras Diamantinas (LenAndaraí etc.) e de Vila Nova da Rainha, hoje Senhor do Bonfim, destina

com garantias da administração, em ser

to Antônio dc Jesus. Jequiriçá, Nazaré

viços públicos onde contava o resultado

etc.) porque ali encontravam boa terra.

indiscutível.

Alguma aplicação pioneira

sem o estudo guiado pela ciência.

Não havia, c certo, um sistema organiza

dos a fazendas de cacau. Mas o processo

ficava a cargo do capitalismo nacional,

do para encaminhar as famílias sertane

E'. isso que se está impondo inflexivelmente. E' nesse sentido que os institutos de cultura econômica assumem importân

ainda hoje tímido e inexperiente.

jas oriundas de municípios longínquos como Camisão (hoje Ipirá), Baixa Gran de, Monte Alegre (Mairi) Capivari (Ma-

de deslocamento de braços do sertão e do Nordeste para a região cacaueira, sem in terferência oficial, tinha a grande incon

por métodos que não podem mais limitar-

se ao empirismo ou à intuição da prática

cia singular entre os demais institutos, nos dias que correm. Se, porém, êles não se erguem ao nível de formação científica capaz de ajudar o encaminhamento das soluções reclamadas, reduzidos a meras fá

En

quanto isso, os sociólogos como Alberto

Torres,, como Oliveira Viana, e, antes des tes, como Tavares Bastos, apontavam os

sertões esquecidos, as fontes de riqueza mortas, os centros de produção agrícola

cajubaj etc., mas os retirantes pelo me nos tinham possibilidades naturais de re

minguando, as levas rumando para as ci

organização econômica nesses municípios. O trajeto era feito a pé, durante muitos

dades, as cidades engrossando a popula

dias.

ção de desocupados.

sul do Estado, a zona do cacau (Ilhéus,

O deslocamento do sertão para o

veniência de onerar muito o emigrante, porque este, quando chegava à fazenda, muitas vezes com família numerosa, já

estava devendo ao patrão as despesas de passagem, adiantamentos, suprimentos de

víveres etc.

O emigrante era devedor

desde o momento em que deixava a sua -I • ■Ààjl

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78

DIGCSTO EflONÓMirO DIGESTu

cerra.

Dificilmente, ou somente depois

de alguns anos, é que o trabalhador se

tornava independente em relação às dí vidas contraídas com o fazendeiro. Não

havia órgão especial para superintender e auxiliar a emigração destinada às fazen

das de cacau. Tudo era feito por conta dos fazendeiros, quando se tratava de ar-

rebanhatnento de braços no sertão. Mas o imigrante, transportado para o sul em tais condições não tinha perspectivas ani-

madoras. Faltava como se vé, orfianlaaçao. A criaçao do Instituto do Cacau é ^stertor aquela fase. o gmnde Attur Netva, dutante o pouco tempo em que governou a Bahia como Interventor Fede ral. logo apos a revolução de 30. deixou o seu nome para semnr« i-

cação comum de imigração de justaposi ção. porque na realidade o que se verifica c associação natural entre o imigrante e

o filho da região. Chama-se justaposição

por isso procuram regicôcs dc clima hostil a seus hábitos, desde que tenham a cer teza de encontrar meios de vida naquelas

ao tipo de imigração em que o colono e

regiões.

o nativo se separam, trabalham paralela mente. Não c ésse o caráter da imigra ção enraizada no sul da Bahia, isto c. a imigração de procedência interna. Cabe muito bem, neste caso, a denominação de imigração dc cucjuadramcnto. porque real mente o sertanejo e o sergipano — os

têm força de lei nos movimentos migrató

doíf. elementos que mais se destacaram no fastígio econômico da região cacaueira — apesar da diferença de climas e de hábi tos,

se ajustam ao novo estado de vida.

identificam-se com o meio, formam vida

j

l-CONOMlt O

comum, dão origem a ramificações fami

liares, Tem-se aí, portanto, a mais típica imigração de enraizamento, porque o imi

Três faiôres, por conseguinte,

rios no Brasil: as .sêcas. a f,ilta <lc estabili

dade econômica na vida local, a a-spiração da fortuna. O primeiro fator é de ordem natural, o segundo é de ordem econômi ca e o terceiro é ile oiilem psicológica.

Naturalmente a aiimiiiistração pública po de modificar as condições de vida no.s mu

nicípios, criando, assim, motivos de fixa ção do homem. F" verdade que o Estado não pode evitar os efeitos do clima, por que não é possível influir nas leis da Na tureza, mas o que é verdade é que o Es

tado pode empregar meios capazes de sua vizar o rigor da seca. A organização da

79

vida. municipal tem grande influência nos movimentos migratórios.

Há muita gen

te que emigra, que se torna aventureira, porque não tem meios de vida nos muni

cípios em que nasceu. Não havendo es colas, assistência médica, transporte, vida própria, por exemplo, haverá sempre des locamentos de grupos porque êsse fenô meno tem A sua razão de ser na própria

necessidade de viver.

Assim, pois. o fe

nômeno mignitório, no Brasil; tem muita relação com o plano de uma política municipalista bem orientada, bem realista. Sem boa organização municipal, notadamente nos sertões, não é possível evitar a

saída periódica de braços deslocados sem destino e sem gaiaotia de eseabilidade eco nômica.

grante se estabelece na terra, não volta

mais ao ponto de sua procedência.

De

-leiros de talento, rnuitofh

tudo isso se conclui que nem sempre as

o seu espírito. São Paulo rem

correntes migratórias seguem mente a "lei dos paralelos".

zes têm encontrado ambiente^TaT' do aproveitamento dos valores ^

perdeu de vista o ProbIemrda7m7graSí' especialmente porque dn !,„•

.

dente de Sergipe, do settão dfShia^él;

norte de Mtnas se formou a base hLana da rtqueaa de grande patte do centrrca caueiro. «-"^'uro ca; Dá-se. porém, um fenômeno digno dc

rigorosa

Os deslocamentos do sertão da Bahia para o sul, tomados aqui apenas como vezes a emigração é determinada pelo

meio físico, pela* precariedade econômica das condições de vida e, também, cm grande parte, pelo espírito de aventura, pelo sonho da fortuna, pela fama de al

nota na locahzaçao dos grupos que emi

gumas regiões, onde parece que a riqueza está na superfície da terra. Não se pode dizer, finalmente, que

gram para a região cacaueira. Tais 'ru

certas leis observadas nos deslocamentos

'pos, que se adaptam muito depressa ao^dT ma e aos costumes da terra, não consti tuem o que se chama imigração de subs tituição, porque de fato não deslocam o elemento natural da região. Confundemse com os filhos da terra. Ainda que

yi

ponto de referência, mostram que muitas V '-f

'A i.

V.

r

i\ ■ •/ '

de grupos humanos têm aplicação geral. Tanto o paralelo das condições geográfi cas como a substituição c a justaposição não deixam de ser fenômenos freqüentes

nas imigrações, tanto internas como exter nas. Mas ê.s.ses fenômenos .não são comuns

optássemos por um termo técnico, não

a todos os tipos de imigração. Contra to das as previsões da "lei dos paralelos", há

poderíamos aplicar a este caso a classifi

grupos que emigram

instintivamente, e

:>*.áí:ti.SíââÍíia*l


78

DIGCSTO EflONÓMirO DIGESTu

cerra.

Dificilmente, ou somente depois

de alguns anos, é que o trabalhador se

tornava independente em relação às dí vidas contraídas com o fazendeiro. Não

havia órgão especial para superintender e auxiliar a emigração destinada às fazen

das de cacau. Tudo era feito por conta dos fazendeiros, quando se tratava de ar-

rebanhatnento de braços no sertão. Mas o imigrante, transportado para o sul em tais condições não tinha perspectivas ani-

madoras. Faltava como se vé, orfianlaaçao. A criaçao do Instituto do Cacau é ^stertor aquela fase. o gmnde Attur Netva, dutante o pouco tempo em que governou a Bahia como Interventor Fede ral. logo apos a revolução de 30. deixou o seu nome para semnr« i-

cação comum de imigração de justaposi ção. porque na realidade o que se verifica c associação natural entre o imigrante e

o filho da região. Chama-se justaposição

por isso procuram regicôcs dc clima hostil a seus hábitos, desde que tenham a cer teza de encontrar meios de vida naquelas

ao tipo de imigração em que o colono e

regiões.

o nativo se separam, trabalham paralela mente. Não c ésse o caráter da imigra ção enraizada no sul da Bahia, isto c. a imigração de procedência interna. Cabe muito bem, neste caso, a denominação de imigração dc cucjuadramcnto. porque real mente o sertanejo e o sergipano — os

têm força de lei nos movimentos migrató

doíf. elementos que mais se destacaram no fastígio econômico da região cacaueira — apesar da diferença de climas e de hábi tos,

se ajustam ao novo estado de vida.

identificam-se com o meio, formam vida

j

l-CONOMlt O

comum, dão origem a ramificações fami

liares, Tem-se aí, portanto, a mais típica imigração de enraizamento, porque o imi

Três faiôres, por conseguinte,

rios no Brasil: as .sêcas. a f,ilta <lc estabili

dade econômica na vida local, a a-spiração da fortuna. O primeiro fator é de ordem natural, o segundo é de ordem econômi ca e o terceiro é ile oiilem psicológica.

Naturalmente a aiimiiiistração pública po de modificar as condições de vida no.s mu

nicípios, criando, assim, motivos de fixa ção do homem. F" verdade que o Estado não pode evitar os efeitos do clima, por que não é possível influir nas leis da Na tureza, mas o que é verdade é que o Es

tado pode empregar meios capazes de sua vizar o rigor da seca. A organização da

79

vida. municipal tem grande influência nos movimentos migratórios.

Há muita gen

te que emigra, que se torna aventureira, porque não tem meios de vida nos muni

cípios em que nasceu. Não havendo es colas, assistência médica, transporte, vida própria, por exemplo, haverá sempre des locamentos de grupos porque êsse fenô meno tem A sua razão de ser na própria

necessidade de viver.

Assim, pois. o fe

nômeno mignitório, no Brasil; tem muita relação com o plano de uma política municipalista bem orientada, bem realista. Sem boa organização municipal, notadamente nos sertões, não é possível evitar a

saída periódica de braços deslocados sem destino e sem gaiaotia de eseabilidade eco nômica.

grante se estabelece na terra, não volta

mais ao ponto de sua procedência.

De

-leiros de talento, rnuitofh

tudo isso se conclui que nem sempre as

o seu espírito. São Paulo rem

correntes migratórias seguem mente a "lei dos paralelos".

zes têm encontrado ambiente^TaT' do aproveitamento dos valores ^

perdeu de vista o ProbIemrda7m7graSí' especialmente porque dn !,„•

.

dente de Sergipe, do settão dfShia^él;

norte de Mtnas se formou a base hLana da rtqueaa de grande patte do centrrca caueiro. «-"^'uro ca; Dá-se. porém, um fenômeno digno dc

rigorosa

Os deslocamentos do sertão da Bahia para o sul, tomados aqui apenas como vezes a emigração é determinada pelo

meio físico, pela* precariedade econômica das condições de vida e, também, cm grande parte, pelo espírito de aventura, pelo sonho da fortuna, pela fama de al

nota na locahzaçao dos grupos que emi

gumas regiões, onde parece que a riqueza está na superfície da terra. Não se pode dizer, finalmente, que

gram para a região cacaueira. Tais 'ru

certas leis observadas nos deslocamentos

'pos, que se adaptam muito depressa ao^dT ma e aos costumes da terra, não consti tuem o que se chama imigração de subs tituição, porque de fato não deslocam o elemento natural da região. Confundemse com os filhos da terra. Ainda que

yi

ponto de referência, mostram que muitas V '-f

'A i.

V.

r

i\ ■ •/ '

de grupos humanos têm aplicação geral. Tanto o paralelo das condições geográfi cas como a substituição c a justaposição não deixam de ser fenômenos freqüentes

nas imigrações, tanto internas como exter nas. Mas ê.s.ses fenômenos .não são comuns

optássemos por um termo técnico, não

a todos os tipos de imigração. Contra to das as previsões da "lei dos paralelos", há

poderíamos aplicar a este caso a classifi

grupos que emigram

instintivamente, e

:>*.áí:ti.SíââÍíia*l


DIGESTO

nrONÓM i(;o

fil

Nfas, tomo íamo.s dizendo, a segunda

Emigração e municipalismo DEOLINDO AmORIM

do Monteiro Lobato, lá está, não de cóco

curralados por causa de alguns submari

chegar a cidade, onde será um biscateiro.

nos — ilhados no território enorme.

^FIRMA-Sll que o deslocamento dos gru

A'pos

humanos obedece à "lei dos pa

ralelos", a cuja influência se atribui im portância, por assim dizer, decisiva nas

ainda que o clima seja desfavorável, são

fatores de atração de poi>uiaçõcs ileslocadas. Até mesmo a liberdade religiosa, como aconteceu com os puritanos foragi

migrações. Preliminarmente, o que se entende por "lei dos paralelos", quando se

dos da Inglaterra, já teve grande influên

trata de migrações, é o seguinte: os gru pos humanos, quando se deslocam, procu

do viver na Inglaterra, os puritanos pro

ram sempre regiões ou países de condi-

íoes geográficas tanto quanto possível se-

tnelhantes as de seu país. A prática, enaetanto, detnonstta que nen, sempre os deslocamentos regionais ou nacionais se

cia na expansão migratória.

Não poden

curaram a Holanda e, depois, a terra ame

ricana. Não prevaleceu, aí. a cogitação de condições equivalentes .sob o ponto de

centros as comunicações i.icvem ligar. Mas

tório a quaisquer realizações práticas.

por sua vez as comunicações, escoando os

Aqui é que começa a avultar o traba

produtt)s para centros dc consumo, acele

lho executado pelo Instituto Brasileiro de

sejo de encontrar liberdade religiosa. Êsse

Não se pode contestar que se trata de obra pioneira. Como ampliar trabalhos

fator, como tantos outros, não tem, por porque são diversas as causas dos movimentes migratórios.

Não se vai

dizer, é óbvio, que os deslocamentos de nordestinos para o sul do País, especial: mente para São Paulo, o maior ponto de

atração de braços para a lavoura, tenha por motivo a semelhança de condições geográ ficas, visto ser muito acentuada a dife rença de clima e de padrão de vida.

O

nordestino vc'-se forçado a emigrar, tanto para o Amazonas como para São Paulo, por dois motivos notórios: as secas e o

baixo nível econômico.

nômicas, a situação política de um país,

suscetíveis de definir as diferentes áreas, é o ponto de partida do estudo prepara

O zoneamento geográfico do Brasil,

novos, isto é, passanilo também a ser cau-

de chma e situação geográfica bem dife

o Brasil são dirigidos sistemàticamente pela "lei dos paralelos", isto é, pela afini dade geográfica, pela semelhança de con dições ambientes. Não. As condições eco

atendendo as características econômicas

Gecgraiia e Estatística.

rente de seu habuat.

Não se discute aqui a importância da lei dos paralelos nas correntes migrato nas, mas simplesmente o fato de não po der a lei ser aplicada a todos os casos. Não se pode, por exemplo, dizer que todos os grupos de europeus- que se deslocam para

O trabalho do I.B.G.E.

o problema, já tão gritado, cão batido, tjue os estudiosos tinham quase vergonha de enunciar porque pareciam estar procla mando que a terra se move. O ponto de partida é a produção, cujos

ram os centros produtivos: o efeito reflui

O Brasil pode ofereter, a êsse respeito,

das le,_s invariáveis, porquanto algumas migrações,^ forçadas pelas circunsta'ncias levadas ate pelo mstinto de conservação muitas vezes escolhem países ou re^

E

foi então que se impôs mais terrivelmente

sobre a causa, determinando-lhe efeitos

vasto campo de observações.

«lelos- na seograía" humta,'" rtcip^aU r/rprq^u*: nosso espíritode generahzaçao,^ essa lei Onão tem a fixidez

ras, mas de pé, espiando como poderá

vista econômico ou geográfico, mas o de

tanto, relação com a "lei dos paralelos"

especiais, XterTiLZs p^r

.gumas légua.s para o centro —— e o Jeca,

guerra quase paralisou o serviç<. da na vegação de cabt)tagcm. íamos ficando en

As condições de

vida, em determinadas regiões do Nordes te, não podem prender o homem à terra,

—• causa (Ia ritiucza.

A liependência

de sociologia, de economia, de organiza

mútua da proJu-

do política, sem

base naqueles es-

çao e da circula

ção

da

riqueza

^

tudos

geográfi-

não permite con-

COS? O incessan

side^á-las separa

te aperfeiçoamen to da pesquisa es

damente. A

or-

íí^nização do

tatística, que

cnercado

I.B.G.E. demons tra nos últimos anos, vai permi

interno,

sobre que também

se

falou

o

muito fe as missões americanas que nos

tir aos estudiosos de ciências sociais, nos

Visitaram insistiram nesse aspecto da nos

seus diferentes ramos, a continuação de

sa Economia), e.xigem, à sua base, a cons trução de um sistema eficaz de comuni

interpretações da vida brasileira com fun

cações.

H' incrível que este país tenha atingido

damentação em dados positivos, escapan do assim de um teorismo mais ou menos falho, porque baseado em dados mais ou

neste estado de irresponsabilidade a me

menos intuitivos ou adivinhados.

tade do século XX — e ofereça hoje ao mundo o espetáculo de um sertão impene

Quer isso dizer que entramos numa fase de estudos da vida nacional sob orien tação científica, no que diz respeito aos pesquisadores dos nossos processos e esti los, da nossa formação social e política.

fixá-lo no ambiente .onde nasceu, porque

trável que ainda esta virgem. Ainda há

faltam, multas vêzes, os recursos elemen tares da existência humana. Entram aí, como se vê% dois fatores: o biológico,

bandeirantes ! Bandeirantes que organi zam bandeiras de avião — para ir muitas

porque o homem é obrigado a sair de seu

de mais de três séculos atrás !

ambiente para viver, e o geográfico, por

morre gente pelas selvas — com o crânio

vêzes aos lugares visitados pelos paulistas E ainda

'Geografia dos transportes no Brasil'

que as regiões sujeitas a estiagens não ofe

lascado a borduna de xavante ! Ainda se

recem os meios indispensáveis à vida dos

podem praticar aventuras do século XVII...

dos pelo I.B.G.E. nesse terreno, encontra-

Mas não exageremos. Basta entrar ai-

se o documentado e honesto trabalho do

grupos sociais.

Nem sempre, portanto, a

Dentre os livros ultimamente publica

emigração, seja externa, seja interna, bbe• I i i i'Uir^ffni1iMÍÉmaíii ii ii


DIGESTO

nrONÓM i(;o

fil

Nfas, tomo íamo.s dizendo, a segunda

Emigração e municipalismo DEOLINDO AmORIM

do Monteiro Lobato, lá está, não de cóco

curralados por causa de alguns submari

chegar a cidade, onde será um biscateiro.

nos — ilhados no território enorme.

^FIRMA-Sll que o deslocamento dos gru

A'pos

humanos obedece à "lei dos pa

ralelos", a cuja influência se atribui im portância, por assim dizer, decisiva nas

ainda que o clima seja desfavorável, são

fatores de atração de poi>uiaçõcs ileslocadas. Até mesmo a liberdade religiosa, como aconteceu com os puritanos foragi

migrações. Preliminarmente, o que se entende por "lei dos paralelos", quando se

dos da Inglaterra, já teve grande influên

trata de migrações, é o seguinte: os gru pos humanos, quando se deslocam, procu

do viver na Inglaterra, os puritanos pro

ram sempre regiões ou países de condi-

íoes geográficas tanto quanto possível se-

tnelhantes as de seu país. A prática, enaetanto, detnonstta que nen, sempre os deslocamentos regionais ou nacionais se

cia na expansão migratória.

Não poden

curaram a Holanda e, depois, a terra ame

ricana. Não prevaleceu, aí. a cogitação de condições equivalentes .sob o ponto de

centros as comunicações i.icvem ligar. Mas

tório a quaisquer realizações práticas.

por sua vez as comunicações, escoando os

Aqui é que começa a avultar o traba

produtt)s para centros dc consumo, acele

lho executado pelo Instituto Brasileiro de

sejo de encontrar liberdade religiosa. Êsse

Não se pode contestar que se trata de obra pioneira. Como ampliar trabalhos

fator, como tantos outros, não tem, por porque são diversas as causas dos movimentes migratórios.

Não se vai

dizer, é óbvio, que os deslocamentos de nordestinos para o sul do País, especial: mente para São Paulo, o maior ponto de

atração de braços para a lavoura, tenha por motivo a semelhança de condições geográ ficas, visto ser muito acentuada a dife rença de clima e de padrão de vida.

O

nordestino vc'-se forçado a emigrar, tanto para o Amazonas como para São Paulo, por dois motivos notórios: as secas e o

baixo nível econômico.

nômicas, a situação política de um país,

suscetíveis de definir as diferentes áreas, é o ponto de partida do estudo prepara

O zoneamento geográfico do Brasil,

novos, isto é, passanilo também a ser cau-

de chma e situação geográfica bem dife

o Brasil são dirigidos sistemàticamente pela "lei dos paralelos", isto é, pela afini dade geográfica, pela semelhança de con dições ambientes. Não. As condições eco

atendendo as características econômicas

Gecgraiia e Estatística.

rente de seu habuat.

Não se discute aqui a importância da lei dos paralelos nas correntes migrato nas, mas simplesmente o fato de não po der a lei ser aplicada a todos os casos. Não se pode, por exemplo, dizer que todos os grupos de europeus- que se deslocam para

O trabalho do I.B.G.E.

o problema, já tão gritado, cão batido, tjue os estudiosos tinham quase vergonha de enunciar porque pareciam estar procla mando que a terra se move. O ponto de partida é a produção, cujos

ram os centros produtivos: o efeito reflui

O Brasil pode ofereter, a êsse respeito,

das le,_s invariáveis, porquanto algumas migrações,^ forçadas pelas circunsta'ncias levadas ate pelo mstinto de conservação muitas vezes escolhem países ou re^

E

foi então que se impôs mais terrivelmente

sobre a causa, determinando-lhe efeitos

vasto campo de observações.

«lelos- na seograía" humta,'" rtcip^aU r/rprq^u*: nosso espíritode generahzaçao,^ essa lei Onão tem a fixidez

ras, mas de pé, espiando como poderá

vista econômico ou geográfico, mas o de

tanto, relação com a "lei dos paralelos"

especiais, XterTiLZs p^r

.gumas légua.s para o centro —— e o Jeca,

guerra quase paralisou o serviç<. da na vegação de cabt)tagcm. íamos ficando en

As condições de

vida, em determinadas regiões do Nordes te, não podem prender o homem à terra,

—• causa (Ia ritiucza.

A liependência

de sociologia, de economia, de organiza

mútua da proJu-

do política, sem

base naqueles es-

çao e da circula

ção

da

riqueza

^

tudos

geográfi-

não permite con-

COS? O incessan

side^á-las separa

te aperfeiçoamen to da pesquisa es

damente. A

or-

íí^nização do

tatística, que

cnercado

I.B.G.E. demons tra nos últimos anos, vai permi

interno,

sobre que também

se

falou

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muito fe as missões americanas que nos

tir aos estudiosos de ciências sociais, nos

Visitaram insistiram nesse aspecto da nos

seus diferentes ramos, a continuação de

sa Economia), e.xigem, à sua base, a cons trução de um sistema eficaz de comuni

interpretações da vida brasileira com fun

cações.

H' incrível que este país tenha atingido

damentação em dados positivos, escapan do assim de um teorismo mais ou menos falho, porque baseado em dados mais ou

neste estado de irresponsabilidade a me

menos intuitivos ou adivinhados.

tade do século XX — e ofereça hoje ao mundo o espetáculo de um sertão impene

Quer isso dizer que entramos numa fase de estudos da vida nacional sob orien tação científica, no que diz respeito aos pesquisadores dos nossos processos e esti los, da nossa formação social e política.

fixá-lo no ambiente .onde nasceu, porque

trável que ainda esta virgem. Ainda há

faltam, multas vêzes, os recursos elemen tares da existência humana. Entram aí, como se vê% dois fatores: o biológico,

bandeirantes ! Bandeirantes que organi zam bandeiras de avião — para ir muitas

porque o homem é obrigado a sair de seu

de mais de três séculos atrás !

ambiente para viver, e o geográfico, por

morre gente pelas selvas — com o crânio

vêzes aos lugares visitados pelos paulistas E ainda

'Geografia dos transportes no Brasil'

que as regiões sujeitas a estiagens não ofe

lascado a borduna de xavante ! Ainda se

recem os meios indispensáveis à vida dos

podem praticar aventuras do século XVII...

dos pelo I.B.G.E. nesse terreno, encontra-

Mas não exageremos. Basta entrar ai-

se o documentado e honesto trabalho do

grupos sociais.

Nem sempre, portanto, a

Dentre os livros ultimamente publica

emigração, seja externa, seja interna, bbe• I i i i'Uir^ffni1iMÍÉmaíii ii ii


miiWM Mfi> II ■

Digesto econômico

DiGHSTO HtONüMICO

sr. Moacir M. F. Silva — Geografia dns

a política de expansão do mercado intei-

rno objetivo central dos estudos econômi

1'ratisportes no Brasil. E tanto o proble ma das comunicações é um íácies do pro blema da produção que, a todo passo, o

no, base de sua indústria em crescimento

cos a análise dos processos de mercado.

da obra está relacionado com o desenvol

incipiente. Os competidores dos produ tos primários se organizam nas zonas co loniais do globo — e nós temos que en veredar, queiramos ou não, pelo caminho

vimento das nossas condições econômicas.

da industrialização rápida.

exame da matéria que constitui objeto

O meio físico, que ali se considera, c apenas a premissa da ação do homem cha

mado a operar nas diversas zonas; e a di versificação das zonas é o fundamento so

bre o qual se desenvolvem as forças pro dutivas, nos seus diferentes estados e for

mas de crescimento histórico. O autor rüo se contentou com uma descrição superfi

cial, arrolando acidentes geográficos de to da sorte — mas foi descrevendo-os e ao

Conexa a esta medida, está ainda a mi

gração das populações rurais em demanda dos centros urbanos.

Não há governo

pectos que atnda não foram bem analisa

dos nas suas conseqüências sociais e polí ticas. Nao se pode. contudo, obscurecer que essa anal.se se torne cada vez mais trecessarta para a adoção de quaisquer me didas de reforma de nossa atrasada estru tura econ<5mica. na base da qual reside o problema do aproveitamento da leita B' fútil apontarem a existência de"terras devolutas ou abandonadas pela hinterlandia. Também e superficial a negaõo de domínios territoriais improdutivos Ua-

íifúndio). Os dois aspectos se prendem ao problema de organização de sistema de

transportes, fundamento indispensável pa ra a formação do mercado interno capaz de consumir os produtos da indústria na cional.

'i

gando-lhe o dever de não superlotar as

econômicas, ou simples papagaios de dou

zer mover decisivamente -a máquina do

Estado com esse objetivo patriótico. O norte do País continua râo longínquo quanto o Egito. O centro-oeste de Mam

Grosso é mais remoto do que o Vale de

qu(» estão dentro do capítulo da ciência

Josafá — e ninguém sabe se irá ter o

Econômica chamado circulação, e que não Constam de mudança de posição no espaço,

mesmo destino de reunir os desencarnados

c>utros exemplos.

algumas dúzias de apcdeutas em questões

A morfologia do fácies circulatório, exammada em conexão com as exigências da criaçao da riqueza, denota, entretanto as

fras moilaliõades de movimento da rique-

encontra meios de trabalhar o solo, pre-

respectiva indicação histórica.

mres que os estudaram, com selecionada informação das fontes documentais.

autor, são transportadas. Há, porém, ou-

circulação econômica. Poder-se-iam dar

mesmo tempo, dando-lhes discretamenle a dos diversos ciclos econômicos do desen volvimento brasileiro, recorreu aos escri-

movimento de translação no espaço — C' as massas econômicas, a que se refere o

nenhum no mundo que possa obrigar uma população rural a ficar morrendo pacien temente de fome nos campos, onde não

cidades. E não é com discursos cavilosos, ignorantes das realidades sertanejas, que

Ao tratar

Mas a deslocação da riqueza pode ser

desenvolvido. Apesar disso tudo. não há pressão suficiente de interessados para fa

isto c, de transporte.

Assim, os imóveis

sue são vendidos entram no processo dc

ao dia do juízo. A lentidão com que se procura resolver o problema é alarmante.

Conhecimento da base física e demo gráfica

"Podas as referencias do autor, pela próPria natureza do trabalho, são feitas a es-

significação re.strita do conceito de cir culação como transporte.

O que se fizer com o fim de aumentar

o conhecimento objetivo e científico de

todo esse quadro geográfico e do elemen to humano, que por êle se estende, é a mais alta obra patriótica que se poderá

trinas bebidas às pressas, conseguirôo ar raigar essas populações laboriosas.

Transportes e comunicações

Circulação e transporte

Em livro publicado há alguns anos pe le sr. Mário Travassos, intitulado liitrodu-

realizar no momento.

Por isso mesmo, o que vem fazendo o

r> Geografia das Comunicações BrasiPor isso, o livro do sr. Moacir M. F.

Silva, sobre nossa geografia de transpor tes, é um estudo digno de incentivo, que deverá abrir caminho a mais outros estu

dos do mesmo gênero. Já louvamos a parte propriamente in

feiras, que seria' injustiça deixar de citar como valiosa e robusta contribuição no as

sunto, há uma classificação bem feita das

diferentes zonas fisiográficas e de sua adeciuação aos sistemas de comunicação.

E

Plano Salte, que por aí anda em véspe

I-B.G.E. merece aplausos irrestritos. Na .sua "Biblioteca Geográfica Brasileira" en contram-se numerosos estudos feitos por

escritores honestos e competentes, lançando alguma luz sobre nossas verdadeiras

bases nacionais, sobre as fontes da vida social e política do País. Por êstes tra balhos já podemos apontar, de modo obje tivo e claro, as deficiências de nossa estru

formativa e ilustrativa do trabalho. Ago-

ras de aplicação, cogitou também do gra-

ra acrescentamos-lhe apehas uma observa ção de natureza teórica, que não passa de pequeno esclaiecimènto.

Ainda há muitos outros ensaios, que

surgem periòdicamente em revistas e re

grande escritor.

O capítulo IV versa sobre a circulação.

latórios, oriundos de órgãos técnicos ou

proclamar as verdades aos ouvidos dos que

e fundamental problema.

E', portanto, o grande capítulo da Econo

não,

mia Política em que se estuda a movimen tação ua riqueza criada pelo homem, como

rran.sportes e comunicações que deveria ser

ela se desloca, passando do produtor ao consumidor, graças aos intermediários ou sem eles".

O movimento circulatório da

riqueza tem sua expressão institucional nos mercados.

Êstes se constituíram os

O declínio da vitalidade do comércio

centros do sistema econômico vigente —

externo do Brasil impõe inexoràvelmente

e não faltam economistas que apontam co-

preocupados com o regimem de

tura econômica, as falhas de nossa organi

zação como povo. Não se curam misé

rias ressuscitando tradições — dizia um Em vez disso, cumpre

desejam servir o País no trabalho que êle reclama de todos.


miiWM Mfi> II ■

Digesto econômico

DiGHSTO HtONüMICO

sr. Moacir M. F. Silva — Geografia dns

a política de expansão do mercado intei-

rno objetivo central dos estudos econômi

1'ratisportes no Brasil. E tanto o proble ma das comunicações é um íácies do pro blema da produção que, a todo passo, o

no, base de sua indústria em crescimento

cos a análise dos processos de mercado.

da obra está relacionado com o desenvol

incipiente. Os competidores dos produ tos primários se organizam nas zonas co loniais do globo — e nós temos que en veredar, queiramos ou não, pelo caminho

vimento das nossas condições econômicas.

da industrialização rápida.

exame da matéria que constitui objeto

O meio físico, que ali se considera, c apenas a premissa da ação do homem cha

mado a operar nas diversas zonas; e a di versificação das zonas é o fundamento so

bre o qual se desenvolvem as forças pro dutivas, nos seus diferentes estados e for

mas de crescimento histórico. O autor rüo se contentou com uma descrição superfi

cial, arrolando acidentes geográficos de to da sorte — mas foi descrevendo-os e ao

Conexa a esta medida, está ainda a mi

gração das populações rurais em demanda dos centros urbanos.

Não há governo

pectos que atnda não foram bem analisa

dos nas suas conseqüências sociais e polí ticas. Nao se pode. contudo, obscurecer que essa anal.se se torne cada vez mais trecessarta para a adoção de quaisquer me didas de reforma de nossa atrasada estru tura econ<5mica. na base da qual reside o problema do aproveitamento da leita B' fútil apontarem a existência de"terras devolutas ou abandonadas pela hinterlandia. Também e superficial a negaõo de domínios territoriais improdutivos Ua-

íifúndio). Os dois aspectos se prendem ao problema de organização de sistema de

transportes, fundamento indispensável pa ra a formação do mercado interno capaz de consumir os produtos da indústria na cional.

'i

gando-lhe o dever de não superlotar as

econômicas, ou simples papagaios de dou

zer mover decisivamente -a máquina do

Estado com esse objetivo patriótico. O norte do País continua râo longínquo quanto o Egito. O centro-oeste de Mam

Grosso é mais remoto do que o Vale de

qu(» estão dentro do capítulo da ciência

Josafá — e ninguém sabe se irá ter o

Econômica chamado circulação, e que não Constam de mudança de posição no espaço,

mesmo destino de reunir os desencarnados

c>utros exemplos.

algumas dúzias de apcdeutas em questões

A morfologia do fácies circulatório, exammada em conexão com as exigências da criaçao da riqueza, denota, entretanto as

fras moilaliõades de movimento da rique-

encontra meios de trabalhar o solo, pre-

respectiva indicação histórica.

mres que os estudaram, com selecionada informação das fontes documentais.

autor, são transportadas. Há, porém, ou-

circulação econômica. Poder-se-iam dar

mesmo tempo, dando-lhes discretamenle a dos diversos ciclos econômicos do desen volvimento brasileiro, recorreu aos escri-

movimento de translação no espaço — C' as massas econômicas, a que se refere o

nenhum no mundo que possa obrigar uma população rural a ficar morrendo pacien temente de fome nos campos, onde não

cidades. E não é com discursos cavilosos, ignorantes das realidades sertanejas, que

Ao tratar

Mas a deslocação da riqueza pode ser

desenvolvido. Apesar disso tudo. não há pressão suficiente de interessados para fa

isto c, de transporte.

Assim, os imóveis

sue são vendidos entram no processo dc

ao dia do juízo. A lentidão com que se procura resolver o problema é alarmante.

Conhecimento da base física e demo gráfica

"Podas as referencias do autor, pela próPria natureza do trabalho, são feitas a es-

significação re.strita do conceito de cir culação como transporte.

O que se fizer com o fim de aumentar

o conhecimento objetivo e científico de

todo esse quadro geográfico e do elemen to humano, que por êle se estende, é a mais alta obra patriótica que se poderá

trinas bebidas às pressas, conseguirôo ar raigar essas populações laboriosas.

Transportes e comunicações

Circulação e transporte

Em livro publicado há alguns anos pe le sr. Mário Travassos, intitulado liitrodu-

realizar no momento.

Por isso mesmo, o que vem fazendo o

r> Geografia das Comunicações BrasiPor isso, o livro do sr. Moacir M. F.

Silva, sobre nossa geografia de transpor tes, é um estudo digno de incentivo, que deverá abrir caminho a mais outros estu

dos do mesmo gênero. Já louvamos a parte propriamente in

feiras, que seria' injustiça deixar de citar como valiosa e robusta contribuição no as

sunto, há uma classificação bem feita das

diferentes zonas fisiográficas e de sua adeciuação aos sistemas de comunicação.

E

Plano Salte, que por aí anda em véspe

I-B.G.E. merece aplausos irrestritos. Na .sua "Biblioteca Geográfica Brasileira" en contram-se numerosos estudos feitos por

escritores honestos e competentes, lançando alguma luz sobre nossas verdadeiras

bases nacionais, sobre as fontes da vida social e política do País. Por êstes tra balhos já podemos apontar, de modo obje tivo e claro, as deficiências de nossa estru

formativa e ilustrativa do trabalho. Ago-

ras de aplicação, cogitou também do gra-

ra acrescentamos-lhe apehas uma observa ção de natureza teórica, que não passa de pequeno esclaiecimènto.

Ainda há muitos outros ensaios, que

surgem periòdicamente em revistas e re

grande escritor.

O capítulo IV versa sobre a circulação.

latórios, oriundos de órgãos técnicos ou

proclamar as verdades aos ouvidos dos que

e fundamental problema.

E', portanto, o grande capítulo da Econo

não,

mia Política em que se estuda a movimen tação ua riqueza criada pelo homem, como

rran.sportes e comunicações que deveria ser

ela se desloca, passando do produtor ao consumidor, graças aos intermediários ou sem eles".

O movimento circulatório da

riqueza tem sua expressão institucional nos mercados.

Êstes se constituíram os

O declínio da vitalidade do comércio

centros do sistema econômico vigente —

externo do Brasil impõe inexoràvelmente

e não faltam economistas que apontam co-

preocupados com o regimem de

tura econômica, as falhas de nossa organi

zação como povo. Não se curam misé

rias ressuscitando tradições — dizia um Em vez disso, cumpre

desejam servir o País no trabalho que êle reclama de todos.


DransTti

zenda e o Baiict) do

mércio multilateral perdeu, portanto, o senso prático, porque, cm face da atitude

bre os intercâmbios de compensação" —

norte-americana,

num recente artigo, o

componentes do comércio mundial poderá

"The Journal of

Commerce", de Nova York, publica, có-

nenhum

dt)s

.grandes

ao mundo, de trocas de algodão norteamericano por produtos ditos "estraté gicos".

Tomando essa atitude, os Estados Uni dos, último campeão do livre-câmbio se

transformaram em partidários do sistima de trocas no comércio internacional. E' estranho.

Pois nao se promoveu a des

valorização das moedas européias com o im de facilitar o restabelecimento dos in-

b)

de "dumping". A compensação não facilita a im portação de produtos essenciais ou

dc matérias-primas básicas para a

são dc certos meios interessa-los, desde há

nossa indústria raanufarurclra. Ao

muito tempo o Govêrno Federal teria

contrário, dificultando o comér cio normal, pelo desvio de mais e mais produtos para o comércio de

passado a impedir as transações compensarória.s.

voltar ao livre-câmbio.

compensação, dificulta-se o abas

mentando-a favoravelmente, uma notícia

sobre ofertas feitas pelos Estados Unidos

tropicais, num verdadeiro sistema

Brasil olham com

certa apreensão o desenvolvimento que to mam, nos últimos meses, os chamados ne gócios vinculados, e se não fosse a pres

Geraldo Danaskiwitz

resse as sugestões norte-americanas so

Só

Nãíi é se.grcdo que o Ministério da Fa

Os perigos dos negócios de compensação QoD o título "Despertam grande inte

Econômico

tecimento do País com esses pro

Não há uitmiimidiide sóhre o assunto

A pusiçãt) do BrusH dviilro do covurcio de compüusaçtio Quanto à situação do Brasil no quadro

do comércio de compensação,

não pode

ser melhor, à vista de seu intercâmbio com a Inglaterra. Em 29 lie maio do corrente ano, o Ban

co do Brasil inaugurou o sistema de fila, para a cobertura de importações pagávcis em libras. Nos meses que nos separam

dutos essenciais,

Uma soluç.ão radical nesse terreno c. todavia, imprc)vável, pois os interesses são

c) — Estimula-se a tendência inflaclonis-

ta c. cm troca, são vendidos pro

contratiitórios, e comerciantes c industriais

dutos, no mercado interno, a pre

csrão divididos quanto à oportunidade de

ço que reembolsamos, gastos esses

expandir o sistema dc com pensação ou dc mantc-lo

feitos na base de

licntro de limites estreitos.

de 40-50 cruzeiros

Sem

querer

discussão

intervir

que se

trava

uma

taxa

cambiai

por dólar,

na

d) — O comércio normal

a

dessa data, a fila aumentou em dimensão,

êssc propósito, os meios ofi

sem que se veja quando e como os petii-

ciais observam, porém, que

nente, e com a In

dos poderão ser satisfeitos.

os

glaterra em primeiro

uma ideia a ser executada futuramente. Ao contrario segundo o que afirma o The Journal of Commerce", já se rece beram respostas às sugestões dos Estados Unidos. Dentre elas, destacam-se as con

Evidentemente, a moeda inglesa tornouse uma das mais esca.ssas, possivelmente

dos nem sempre refletem a verdadeira situação. Se, por exemplo, um represen tante da lavoura alega que a compensação

dc importadores de produtos ingle

que permite calcular o "cross-rate" na ba

não influi na posição cambial de nossa

ses que esperam cobertura cam

trapropostas recebidas do Japão, da Chi

se de 4,4 dólares por libra.

moeda, que os efeitos da troca de produ

bial, mas não podem obtê-la por que o Banco do Brasil não dispõe de libras. Em outras palavras, na medida em que o nosso país ven de pela compensação para Londres, nada sobra para as exportações

tcrcambios em bases multilaterais

As propostas de trocas feitas pelo Go-

verno norte-americano não constituem

mesmo mais do que o dólar.

No merca-

do-negro, a cotação chega a CrS 82,00, o Ora, a taxa

argumentos

apresenta

na de Singapura, do Paquistão, da Suíça e da Espanha. Note-se que as trocas su geridas nao se referem apenas ao algo

oficial é de 2,8 dólares por libra, somen

tos com base em taxas cambiais de 45-53,

te, sendo que cm Nova York o preço pa ra a moeda bloqueada inglesa não chega

em lugar de 18,72 em relação ao dólar,

dão, mas também a todos os produtos agrí

a atingir .sequer 1,6 dólares.

no — isto não corresponde à realidade. Há outras afirmações que igualmente refletem os interesses imediatos de grupos diretamente ligados à determinação dos

colas em excesso nos Estados Unidos Ou em outras palavras, o novo sistema inte

ressará mais de metade dos produtos que figuram nas exportações da grande Re pública do Norte.

Acrescentando-se ao vasto setor visado pelo comércio de compensação o volume das exportações norte-americanas no qua dro do Plano Marshall, verifica-se que

O caso da moeda inglesa não pode ser

considerado pelo mesmo prisma que o do franco suíço ou do dólar. Pois essas moe das evidenciam sinais de fraqueza, como a libra, em todos o.s mercados cambiais li

vres. No Brasil, porém, a libra é escas sa e cara, porque os negócios de compen sação invadem o terreno do comércio nor .gociações normais com esse país e dilapi dando o patrimônio

mércio- normal.

absurdamente baixos.

A luta em prol do co

nacional a preços

lugar, sofre enormemente. Basta olhar para a tremenda fila

limitam-se estritamente ao mercado inter

ramos de atividade e que por isso não podem ser tomadas ao pé da letra. Se ado

tamos, porém, um critério imparcial so bre a economia nacional, chegamos às se guintes conclusões:

e)

norgiais. Ora, a compensação não fornece uma libra sequer ao Brasil. A compensado ameaça a moeda nacional, contribuindo para uma desvalorização do cruzeiro nos mercados cambiais estrangeiros. Basta citar a esse respeito a "crossrate"

mal com a Inglaterra, dificultando as ne-

pouco sobrará para as atividades do co

com o Velho Conti-

a)

Enfraquecimento dos produtos bra sileiros nos mercados externos, co

mo particularmente dos produtos

l i-il ■i itllliÉÉfl " •

do cruzeiro em Zurich e

Paris.

Esta maneira de analisar as repercussões das trocas de compensação sobre a écono-


DransTti

zenda e o Baiict) do

mércio multilateral perdeu, portanto, o senso prático, porque, cm face da atitude

bre os intercâmbios de compensação" —

norte-americana,

num recente artigo, o

componentes do comércio mundial poderá

"The Journal of

Commerce", de Nova York, publica, có-

nenhum

dt)s

.grandes

ao mundo, de trocas de algodão norteamericano por produtos ditos "estraté gicos".

Tomando essa atitude, os Estados Uni dos, último campeão do livre-câmbio se

transformaram em partidários do sistima de trocas no comércio internacional. E' estranho.

Pois nao se promoveu a des

valorização das moedas européias com o im de facilitar o restabelecimento dos in-

b)

de "dumping". A compensação não facilita a im portação de produtos essenciais ou

dc matérias-primas básicas para a

são dc certos meios interessa-los, desde há

nossa indústria raanufarurclra. Ao

muito tempo o Govêrno Federal teria

contrário, dificultando o comér cio normal, pelo desvio de mais e mais produtos para o comércio de

passado a impedir as transações compensarória.s.

voltar ao livre-câmbio.

compensação, dificulta-se o abas

mentando-a favoravelmente, uma notícia

sobre ofertas feitas pelos Estados Unidos

tropicais, num verdadeiro sistema

Brasil olham com

certa apreensão o desenvolvimento que to mam, nos últimos meses, os chamados ne gócios vinculados, e se não fosse a pres

Geraldo Danaskiwitz

resse as sugestões norte-americanas so

Só

Nãíi é se.grcdo que o Ministério da Fa

Os perigos dos negócios de compensação QoD o título "Despertam grande inte

Econômico

tecimento do País com esses pro

Não há uitmiimidiide sóhre o assunto

A pusiçãt) do BrusH dviilro do covurcio de compüusaçtio Quanto à situação do Brasil no quadro

do comércio de compensação,

não pode

ser melhor, à vista de seu intercâmbio com a Inglaterra. Em 29 lie maio do corrente ano, o Ban

co do Brasil inaugurou o sistema de fila, para a cobertura de importações pagávcis em libras. Nos meses que nos separam

dutos essenciais,

Uma soluç.ão radical nesse terreno c. todavia, imprc)vável, pois os interesses são

c) — Estimula-se a tendência inflaclonis-

ta c. cm troca, são vendidos pro

contratiitórios, e comerciantes c industriais

dutos, no mercado interno, a pre

csrão divididos quanto à oportunidade de

ço que reembolsamos, gastos esses

expandir o sistema dc com pensação ou dc mantc-lo

feitos na base de

licntro de limites estreitos.

de 40-50 cruzeiros

Sem

querer

discussão

intervir

que se

trava

uma

taxa

cambiai

por dólar,

na

d) — O comércio normal

a

dessa data, a fila aumentou em dimensão,

êssc propósito, os meios ofi

sem que se veja quando e como os petii-

ciais observam, porém, que

nente, e com a In

dos poderão ser satisfeitos.

os

glaterra em primeiro

uma ideia a ser executada futuramente. Ao contrario segundo o que afirma o The Journal of Commerce", já se rece beram respostas às sugestões dos Estados Unidos. Dentre elas, destacam-se as con

Evidentemente, a moeda inglesa tornouse uma das mais esca.ssas, possivelmente

dos nem sempre refletem a verdadeira situação. Se, por exemplo, um represen tante da lavoura alega que a compensação

dc importadores de produtos ingle

que permite calcular o "cross-rate" na ba

não influi na posição cambial de nossa

ses que esperam cobertura cam

trapropostas recebidas do Japão, da Chi

se de 4,4 dólares por libra.

moeda, que os efeitos da troca de produ

bial, mas não podem obtê-la por que o Banco do Brasil não dispõe de libras. Em outras palavras, na medida em que o nosso país ven de pela compensação para Londres, nada sobra para as exportações

tcrcambios em bases multilaterais

As propostas de trocas feitas pelo Go-

verno norte-americano não constituem

mesmo mais do que o dólar.

No merca-

do-negro, a cotação chega a CrS 82,00, o Ora, a taxa

argumentos

apresenta

na de Singapura, do Paquistão, da Suíça e da Espanha. Note-se que as trocas su geridas nao se referem apenas ao algo

oficial é de 2,8 dólares por libra, somen

tos com base em taxas cambiais de 45-53,

te, sendo que cm Nova York o preço pa ra a moeda bloqueada inglesa não chega

em lugar de 18,72 em relação ao dólar,

dão, mas também a todos os produtos agrí

a atingir .sequer 1,6 dólares.

no — isto não corresponde à realidade. Há outras afirmações que igualmente refletem os interesses imediatos de grupos diretamente ligados à determinação dos

colas em excesso nos Estados Unidos Ou em outras palavras, o novo sistema inte

ressará mais de metade dos produtos que figuram nas exportações da grande Re pública do Norte.

Acrescentando-se ao vasto setor visado pelo comércio de compensação o volume das exportações norte-americanas no qua dro do Plano Marshall, verifica-se que

O caso da moeda inglesa não pode ser

considerado pelo mesmo prisma que o do franco suíço ou do dólar. Pois essas moe das evidenciam sinais de fraqueza, como a libra, em todos o.s mercados cambiais li

vres. No Brasil, porém, a libra é escas sa e cara, porque os negócios de compen sação invadem o terreno do comércio nor .gociações normais com esse país e dilapi dando o patrimônio

mércio- normal.

absurdamente baixos.

A luta em prol do co

nacional a preços

lugar, sofre enormemente. Basta olhar para a tremenda fila

limitam-se estritamente ao mercado inter

ramos de atividade e que por isso não podem ser tomadas ao pé da letra. Se ado

tamos, porém, um critério imparcial so bre a economia nacional, chegamos às se guintes conclusões:

e)

norgiais. Ora, a compensação não fornece uma libra sequer ao Brasil. A compensado ameaça a moeda nacional, contribuindo para uma desvalorização do cruzeiro nos mercados cambiais estrangeiros. Basta citar a esse respeito a "crossrate"

mal com a Inglaterra, dificultando as ne-

pouco sobrará para as atividades do co

com o Velho Conti-

a)

Enfraquecimento dos produtos bra sileiros nos mercados externos, co

mo particularmente dos produtos

l i-il ■i itllliÉÉfl " •

do cruzeiro em Zurich e

Paris.

Esta maneira de analisar as repercussões das trocas de compensação sobre a écono-


DlGF-STO F.rONÒMICO DiOEsro

ras do Executivo Federal - Citam-se a res

Admite-se como justa a estimativa de um instituto de pesquisas anglo-saxão, o

peito, especialmente, exemplos explicati

qual informa que o valor real do cruzei

vos dos itens "c" e "e".

ro. em agosto de 19-19, era de somente

mia nacional prevalece em tôdas as esfe

Sustenta-se, mais e mais, que as trocas

de compensação contribuem mais para re duzir o poder de compra dentro de nos sas fronteiras do que as emissões de papel-moeda.

culo da revista "Conjuntura Econômica", aliás, tomando o ano de 1912 como base. chega a um valor "real" de 10 centavos

em fins de 1949, como representativo para o poder de compra de um cruzeiro de 1912.

PODER DE COMPRA DA MOEDA BRASILEIRA Indke do custo da vida

de 1939. nos anos'scRuintes

^940

no

^942

,43 ;

228

; 340

Ora, SC para a cera de carnaúba, para a

.i

madeira, para a castanha do Para e outros produtos de compensação se adota uma faxa "real" (que corresponde ao dólar a 40 cruzeiros), seria lógico aplicar a mes ma taxa para o café e o cacau. Em outras palavras, seria, na mesma ordem de idéias, desvalorizar totalmente o cruzeiro.

Valor real de um cruzeiro

1939 = 100

1944

sendo efetuadas agora, provem de que as autoridades do Rio de Janeiro consideram a taxa cambial tificiai como profunda mente ilegal.

22 centavos em relação a 1939. Um cál

Aumenta o potencial inflacionssta

Econômico

Sabe

mos que essa "lógica" c partilhada pelos dirigentes do Fundo Monetário, pela im

"Special jree fax" Para todos êles, a taxa do dólar no

mercado-negro no Rio e em São Paulo, o "cross-rate", em Paris e Genebra, têm mais "realidade" do que a taxa oficial do

Banco do Brasil. Sabemos que o Fundo Monetário vai wo longe que publica na sua revista mensal, a "International Fi

nancial ^tatiscics", o preço do dólar no cambio-negro do "special free tax".

Rio, denomioando-a

Para dar uma idéia da posição de nossa

adeptos de um liberalismo que no resto

moeda nas praças estrangeiras, calculamos a "cross-rate" (taxa cruzada), que obtemos dividindo a cotação do cruzeiro na respectiva praça pelo preço de outras

do mundo não existe mais.

moedas.

prensa americana e, em nosso meio, pelos

91 70

TAXAS CAMBIAIS CRUZADAS

44

"Cross-rate" em cruzeiros

29

392

25

439

23

Mercados livres

Mercado Oficial

GENEBRA

ação contraio crSzdro.^^Uma^exterL^^Tr^

afirmar que

mentada pela atividade da especulação ín

cambiais de nossa moeda, no es-

teressada e para a qual a "cro«

indicativa, e uma interna aue demo .

o poder de compra da moeda Í a^o ^ terreno externo é mais difícil do

"^o representavam um fator

Preponderante, pois 95 % das transações oficial. A taxa do

âmbito nacional. De fato aoui ^ vêrno dispõe de facilidades'para 'alivia a

mercado-negro só tinha valor prático para nm'T', constituíram

importado, a preços baixos, dos produ tos que estão sujeitos a manobras altistas Mas essa ação não representa a solução

"ojc» com negócios de compensação l^lorescentes, a situação é bem diferente. ^®lcula-se que entre 18 e 20 % de nos-

pressão da al.a dos preços, facili.aado a

final do problema.

A estabilidade cambial T? • ..,«1 I. • Existe uma pressão latente contra íi

nossa moeda nas praças estrangeiras, mas

Paris

"

'T

exportações e importações são pra ticados em bases de um cruzeiro desvalo-

rizado de 70-100 %. Êsse fato não é des-

conhecido, nemem em Genebra. Nova York, em Londres, nem Os nem comen-

taristas da situação cambial brasileira su-

devemos reconhecer que a fragilidade do

blinham que a legalização das trocas de

cruzeiro e bem maior hoje do que há dois

compensação nos moIde.s como elas estão

Dólar

36.8

Franco suíço Franco belga .. ."

8.1

Escudo

Peso argentino

*.

Marco

Coroa sueca Libra Peseta Franco francês

0.75 1.23 2.5 7.2 5.8

95.0 0.84

0.10

31.5 7.2

0.65 1.14 1.8 5.2 5.1 78.0 0.65 0.085

Rió B SÃO Paulo 18.7

4.3 0.37 0.66 1.4 —

3.6 52.0 1.71

0.05

Por aí vemos que a desvalorização em

especialmente entre 15 de julho e 15 de

relação à taxa oficial na Capital Federal é reaior do que em Paris e do que em Ge"6bra ou Zurich. Uma razão técnica ex-

setembro, uma pronunciada procura de notas de cruzeiros da parte de capitalistas

pbca isso. Na França, foram, nos últimos "^<^ses, introduzidas notas monetárias bra

procurando fugir à proximidade de fu turos campos de batalha no Velho Con

sileiras, trazidas pelos turistas, que exerce

tinente.

ram sobre o pequeno mercado do cruzeiro,

Paris, uma forte influência.

Em Genebra e Zurich, porém, houve, ..vá

Zurich

que pretendem mudar-se para o nosso país,

O deságio entre Paris e Zurich reflete

^ flutuações máximas nas grandes praças monetárias, a respeito de nossa moeda.


DlGF-STO F.rONÒMICO DiOEsro

ras do Executivo Federal - Citam-se a res

Admite-se como justa a estimativa de um instituto de pesquisas anglo-saxão, o

peito, especialmente, exemplos explicati

qual informa que o valor real do cruzei

vos dos itens "c" e "e".

ro. em agosto de 19-19, era de somente

mia nacional prevalece em tôdas as esfe

Sustenta-se, mais e mais, que as trocas

de compensação contribuem mais para re duzir o poder de compra dentro de nos sas fronteiras do que as emissões de papel-moeda.

culo da revista "Conjuntura Econômica", aliás, tomando o ano de 1912 como base. chega a um valor "real" de 10 centavos

em fins de 1949, como representativo para o poder de compra de um cruzeiro de 1912.

PODER DE COMPRA DA MOEDA BRASILEIRA Indke do custo da vida

de 1939. nos anos'scRuintes

^940

no

^942

,43 ;

228

; 340

Ora, SC para a cera de carnaúba, para a

.i

madeira, para a castanha do Para e outros produtos de compensação se adota uma faxa "real" (que corresponde ao dólar a 40 cruzeiros), seria lógico aplicar a mes ma taxa para o café e o cacau. Em outras palavras, seria, na mesma ordem de idéias, desvalorizar totalmente o cruzeiro.

Valor real de um cruzeiro

1939 = 100

1944

sendo efetuadas agora, provem de que as autoridades do Rio de Janeiro consideram a taxa cambial tificiai como profunda mente ilegal.

22 centavos em relação a 1939. Um cál

Aumenta o potencial inflacionssta

Econômico

Sabe

mos que essa "lógica" c partilhada pelos dirigentes do Fundo Monetário, pela im

"Special jree fax" Para todos êles, a taxa do dólar no

mercado-negro no Rio e em São Paulo, o "cross-rate", em Paris e Genebra, têm mais "realidade" do que a taxa oficial do

Banco do Brasil. Sabemos que o Fundo Monetário vai wo longe que publica na sua revista mensal, a "International Fi

nancial ^tatiscics", o preço do dólar no cambio-negro do "special free tax".

Rio, denomioando-a

Para dar uma idéia da posição de nossa

adeptos de um liberalismo que no resto

moeda nas praças estrangeiras, calculamos a "cross-rate" (taxa cruzada), que obtemos dividindo a cotação do cruzeiro na respectiva praça pelo preço de outras

do mundo não existe mais.

moedas.

prensa americana e, em nosso meio, pelos

91 70

TAXAS CAMBIAIS CRUZADAS

44

"Cross-rate" em cruzeiros

29

392

25

439

23

Mercados livres

Mercado Oficial

GENEBRA

ação contraio crSzdro.^^Uma^exterL^^Tr^

afirmar que

mentada pela atividade da especulação ín

cambiais de nossa moeda, no es-

teressada e para a qual a "cro«

indicativa, e uma interna aue demo .

o poder de compra da moeda Í a^o ^ terreno externo é mais difícil do

"^o representavam um fator

Preponderante, pois 95 % das transações oficial. A taxa do

âmbito nacional. De fato aoui ^ vêrno dispõe de facilidades'para 'alivia a

mercado-negro só tinha valor prático para nm'T', constituíram

importado, a preços baixos, dos produ tos que estão sujeitos a manobras altistas Mas essa ação não representa a solução

"ojc» com negócios de compensação l^lorescentes, a situação é bem diferente. ^®lcula-se que entre 18 e 20 % de nos-

pressão da al.a dos preços, facili.aado a

final do problema.

A estabilidade cambial T? • ..,«1 I. • Existe uma pressão latente contra íi

nossa moeda nas praças estrangeiras, mas

Paris

"

'T

exportações e importações são pra ticados em bases de um cruzeiro desvalo-

rizado de 70-100 %. Êsse fato não é des-

conhecido, nemem em Genebra. Nova York, em Londres, nem Os nem comen-

taristas da situação cambial brasileira su-

devemos reconhecer que a fragilidade do

blinham que a legalização das trocas de

cruzeiro e bem maior hoje do que há dois

compensação nos moIde.s como elas estão

Dólar

36.8

Franco suíço Franco belga .. ."

8.1

Escudo

Peso argentino

*.

Marco

Coroa sueca Libra Peseta Franco francês

0.75 1.23 2.5 7.2 5.8

95.0 0.84

0.10

31.5 7.2

0.65 1.14 1.8 5.2 5.1 78.0 0.65 0.085

Rió B SÃO Paulo 18.7

4.3 0.37 0.66 1.4 —

3.6 52.0 1.71

0.05

Por aí vemos que a desvalorização em

especialmente entre 15 de julho e 15 de

relação à taxa oficial na Capital Federal é reaior do que em Paris e do que em Ge"6bra ou Zurich. Uma razão técnica ex-

setembro, uma pronunciada procura de notas de cruzeiros da parte de capitalistas

pbca isso. Na França, foram, nos últimos "^<^ses, introduzidas notas monetárias bra

procurando fugir à proximidade de fu turos campos de batalha no Velho Con

sileiras, trazidas pelos turistas, que exerce

tinente.

ram sobre o pequeno mercado do cruzeiro,

Paris, uma forte influência.

Em Genebra e Zurich, porém, houve, ..vá

Zurich

que pretendem mudar-se para o nosso país,

O deságio entre Paris e Zurich reflete

^ flutuações máximas nas grandes praças monetárias, a respeito de nossa moeda.


.11 u

I

DlCliSTO ECONÔMICO

88

PI «ÃU DioGSTo Econômico

será um contra-senso, se a tensão interna

Evidentemente, não temos a pretensão dc dizer que unicamente a firmeza lic nos

cional se acenruar e os preços subirem

sa política cambial permitiu melhorar as

to às diversas moedas não é uniforme. Ela varia entre 75 % em relação ao fran

nos mercados internacionais.

Cotações.

co belga e 50 % para a libra, 28 % para

E' o quê alguns afirmam. Mas não se pode aceitar essa opinião pessimista, pois o Brasil é um dos raríssimos paises do globo que conseguiram manter sua es

A desvalorização não é uniforme A desvalorização do cruzeiro cm rela

o peso argentino, menos de 10 % para o

marco" alemão. Somente a p>eseta espa nhola tem um deságio ainda maior que o cruzeiro.

O Governo Federal mede perfeitamente a ligação direta que há entre os "cross-rate"

do cruzeiro no estrangeiro e a expansão dos negócios de compensação. Conhece os movimentos de especulação e mostra-se

mais e mais inclinado em limitar as trocas

diretas nas bases atuais. Ouvhnos de uma personalidade de destaque no âmbito

federal, que a prática ila compensação

Achamo-nos, pois. num beco sem saída?

tabilidade cambial, e pode assim sustentar

uma posição de seus produtos nos merca dos externos.

Mudar a política adotada nesse terreno seria sacrificar o grande progresso reali zado desde setembro de 1949, quanvio mais de vinte c cinco países acompanha ram a libra na depreciação. Deve-se lem

brar, a propósito, apenas o seguinte:

COMÉRCIO EXTERNO (Em milhares de cruzeiros)

a base dos dados para o período de janeiro-março)

Na primeira linha temos a situação em relaçao aos países com os quais a compensaçao é normal. A segunda linha resume as trocas com a zona do dólar. A melho-

ra, na última linha, entre 1949 e 1950 e tao notável que di*ii'^í®nc.a M <- ^.iispensa

quaisquer co

7950

1949

Trocas com moedas inconversíveis Trocas com moedas conversíveis

(—) 204 (—) 1.324

(—)

181

C-f)

940

mentários sôbre a continuação da política cambial seguida até aqui.

A repercussão da firmeza do cruzeiro nas cotações dos principais produtos ven didos para a zona do dólar (e que re presenta 73 % do total das exportações) é recomendável?

COTAÇÃO EM NOVA YORK

(Em U.S.$ por Hbra-pêso) 1949

Junho Novembro

Café

Cacau

0,28

0,20

0,5025

0,2424

0,4163 0,534

0,263

79.50

Junho Julho

0,355

tante.

r

Mas foi o fator mais impor

Dc fato. se o cruzeiro tivesse che

xistas entre setembro de 1949 e julho de 1950, como de fato fizeram. . A opinião oficial resume-se na obser vação de uma linha de conduta clara: en

quanto o café e o cacau representarem

gado a uma taxa ile 30 em relação ao

2/3 de nossas vendas para o exterior, e

dólar, os exportadores da rubiácea, des

assegurarem a quase totalidade de nossas

lumbrados. no primeiro momento, pelo preço obtido (em cruzeiros), não teriam resistido tão tenazmente às manobras bai

receitas cambiais em dólares, a política seguida terá de ser decisivamente influen ciada por esse fator.


.11 u

I

DlCliSTO ECONÔMICO

88

PI «ÃU DioGSTo Econômico

será um contra-senso, se a tensão interna

Evidentemente, não temos a pretensão dc dizer que unicamente a firmeza lic nos

cional se acenruar e os preços subirem

sa política cambial permitiu melhorar as

to às diversas moedas não é uniforme. Ela varia entre 75 % em relação ao fran

nos mercados internacionais.

Cotações.

co belga e 50 % para a libra, 28 % para

E' o quê alguns afirmam. Mas não se pode aceitar essa opinião pessimista, pois o Brasil é um dos raríssimos paises do globo que conseguiram manter sua es

A desvalorização não é uniforme A desvalorização do cruzeiro cm rela

o peso argentino, menos de 10 % para o

marco" alemão. Somente a p>eseta espa nhola tem um deságio ainda maior que o cruzeiro.

O Governo Federal mede perfeitamente a ligação direta que há entre os "cross-rate"

do cruzeiro no estrangeiro e a expansão dos negócios de compensação. Conhece os movimentos de especulação e mostra-se

mais e mais inclinado em limitar as trocas

diretas nas bases atuais. Ouvhnos de uma personalidade de destaque no âmbito

federal, que a prática ila compensação

Achamo-nos, pois. num beco sem saída?

tabilidade cambial, e pode assim sustentar

uma posição de seus produtos nos merca dos externos.

Mudar a política adotada nesse terreno seria sacrificar o grande progresso reali zado desde setembro de 1949, quanvio mais de vinte c cinco países acompanha ram a libra na depreciação. Deve-se lem

brar, a propósito, apenas o seguinte:

COMÉRCIO EXTERNO (Em milhares de cruzeiros)

a base dos dados para o período de janeiro-março)

Na primeira linha temos a situação em relaçao aos países com os quais a compensaçao é normal. A segunda linha resume as trocas com a zona do dólar. A melho-

ra, na última linha, entre 1949 e 1950 e tao notável que di*ii'^í®nc.a M <- ^.iispensa

quaisquer co

7950

1949

Trocas com moedas inconversíveis Trocas com moedas conversíveis

(—) 204 (—) 1.324

(—)

181

C-f)

940

mentários sôbre a continuação da política cambial seguida até aqui.

A repercussão da firmeza do cruzeiro nas cotações dos principais produtos ven didos para a zona do dólar (e que re presenta 73 % do total das exportações) é recomendável?

COTAÇÃO EM NOVA YORK

(Em U.S.$ por Hbra-pêso) 1949

Junho Novembro

Café

Cacau

0,28

0,20

0,5025

0,2424

0,4163 0,534

0,263

79.50

Junho Julho

0,355

tante.

r

Mas foi o fator mais impor

Dc fato. se o cruzeiro tivesse che

xistas entre setembro de 1949 e julho de 1950, como de fato fizeram. . A opinião oficial resume-se na obser vação de uma linha de conduta clara: en

quanto o café e o cacau representarem

gado a uma taxa ile 30 em relação ao

2/3 de nossas vendas para o exterior, e

dólar, os exportadores da rubiácea, des

assegurarem a quase totalidade de nossas

lumbrados. no primeiro momento, pelo preço obtido (em cruzeiros), não teriam resistido tão tenazmente às manobras bai

receitas cambiais em dólares, a política seguida terá de ser decisivamente influen ciada por esse fator.


III ül . I .

ilMJI D10liSIo Económico

As dividas de Rui Barbosa Navlor Villas-Boas

pARECB que sôbre elas não há nada iné dito. Bastam, porém, para um ca pítulo singular, quase pungente, na biografia do notável brasileiro.

Sabe-se que a pobreza de seus pais mais se agravava pela posição social. Sem que

a heróica genitora arregimentasse os pou cos escravos para o fabrico doméstico de

doces, expostos a venda ruas afora, como nos conta Luís Viana Filho (/} Vida dc

^u Barhosa) não teria podido partir da

Bahia para Recife, em 1866. a fim de

to que nem tento escusar-me do silêncio

grosseiro, que guardei para com V.. desde que, formado Rui, não tive mais de piedir-lhe novos favores — quando era en sejo, era dever, repetir os meus agradeci mentos, já manifestados em resposta mi nha, no princípio do ano, quando V. me comunicou que tinha pago a primeira

prestação das despesas de meu filho em São Paulo." .. . "Reúna a êste estado sé

rio de meu filho, de cuja saúde e força carecemos todo.s — a morte de meu pobre irmão Antônio, deixando numerosa famí lia, pobreza c dívidas" ... "e isto quan

do eu não posso dar-lhe.s a mão na menor cousa, apesar dos meus desejos, do meu coração e de meu dever". Conclua-se...

Mas. quem sabe se sua Lmfe

E" a esse mesrpo generoso parente que Rui escreve, dois dias depois (21 de agôs-

a escola paulistana também

to), desculpando-se da demora com que o

Sim. rh""' acha-se no Rio o » "'w ' bosa de Oliveira, o Conselhero Tlb''""

de cuja posição e recursos u

fc"'t meditas, prefaciadas ^ (Cartas

^'Dino,

ExUil

por Américo Jacobina Lacombe).'Acítfo

faz e falando-lhc das "aparências de in gratidão" em que "as circunstâncias" o

ira

se prestara a custear os estudos, em

Mejá

dicma, do pai de Rui. "desde os prepara tórios até à formatura". Logo.

Pois é a essa grande alma que Barbosa de Oliveira escreve, da Bahia, aos 19 de agosto de 1871, ou em época em que Rui conta o seu primeiro ano de bacharel.

"Meu bom i>arence c am"" . . . "E' cer-

"que neste ano só se tem esgotado como

vontade de cumprir esses deveres penosos

missiva (1.° de março de 76) é escrita

e sagrados." Escusado seria falar, mas falaria. E verse-á que o "onerosíssimo encargo" não era só a manutenção da irmã Brites. Êsse encargo, com que Rui começava a afli

ao râo bom, antigo e provado amigo des ta família e de quem Rui recorda os

em dez vou arrastando êste fardo."

Escoam-sc dois meses e meio, e nova

atos" que "nunca os recebi, nem posso

gir-se, esses "deveres penosos", para cujo

receber, nem receberei senão como finezas do coraçao". Nessa fase. Brites estava noi va. Talvez se case a 22 de abril. Êsse

cumprimento depressa reconhecia em si profunda boa vontade, vamos vê-los em

acontecimento terá comprometido ainda mais a situação de Rui. As dificuldades

longa carta, sempre ao primo Albino, de 19 de dezembro de 75, quando Rui se derrama ao "cabeça e conselheiro da famí

primo:

lia", ao "bom parente":

história e o pêso das .dívidas de meu pai.

"A minha vida é um labor e agonias muito acima das minhas forças, não mo

rais, mas físicas. O meu emprego na Mi sericórdia, a advocacia, para mim aqui trabalhosíssima, bem que quase estéril, e a imprensa política, de que me é impos sível separar-me, visto como sou um dos redatores do Diário da Bahia, constituem

três sérios deveres, cada um dos quais se

que èle atravessa vão ser expostas ao "Já, na minha anterior, lhe descrevi a agravadas, não obstante os pequenos re cursos que eu tinha juntos, com outras, efeito daquelas. Os meus vencimentos na Misericórdia, que se reduzem a Rs

3:000S000, escassamente dão-me para o juro. A advocacia, que, nos dois primei ros anos, rervdeu-me anualmente

'

1

4:OOOSOOO, agora, por força das minhas

ria suficiente para ocupar ura homem são,

circunstâncias atuais, do emprego que a urgência de necessidades fatais obriga-me

4

e que, entretanto, vejo-me forçado a re

pois, "não sabe ocultar o interesse com

unir em mim só.

que sempre me tem distínguido" — diz-

morte de meu pai deixou-me pai de famí lia, e sobrecarregado com a divida supe

rior a doze contos de réis, quase toda em

lável tia terra, esgotou-se literalmente pa ra mim, apesar de certa reputação que muito imerecidamente gozo aqui. Portan to, nao ganho nem metade do que me é

letras bancárias, além de outras obriga ções pecuniárias muito graves. Tenho le

imprescindívd para despeaas cada uma das qua.s, descumprrda, viria a ser para mim

têm "feito involuntariamente incorrer"; e,

lhe Rui -T- "pesaroso, por vec as suspei tas de indiferente, de desconhecido, a que cio" etc.

Ademais, segundo afirma Batista PeS (i?«t es^uda^íe), o velho magistrado

meus ombros, escusado é falar-lhe: peço apenas a Deus que me dc tantas forças e meios quanto é profunda a minha boa

a exercer, da miséria crescente e incalcu

me tem condenado o meu longo silên

^eíro, lhe dedica profunda veneraTão"

91

Passados três anos, a notícia que Rui

corre a dar ao velho primo (carta de 30-

11-74) não pode ser pior. Começa deste

Demais, a inopinada

tras em quase todos os meses do ano, duas

uma vergonha intolerável; porque èm

em cada um dentre oito e três nos res

pr.me,ro lugar, antes de chefe de famí™

tantes. Os meus vencimentos na Santa Ca

pus sempre ..mbre em não'dever, ■

sa (Rs. 3:OOOSOOO) não me chegam nem

devi nada a ninguém- ^ ^

"Despedaçado pelo mais profundo so frimento, cumpro o penoso dever de par ticipar-lhe que, no dia 28 do corrente, às

para amortização desses débitos, quanto mais para o mais, que excede a outro tan to aquela quantia. A advocacia desta pro

' ombros, depois, agora que tenho esse encargo aos não devo

4 horas da tarde, chamou Deus a seu seio o meu muito querido e extremoso pai, seu .sincero amigo." — E mais adiante: —

víncia, mendiga, dia a dia decai desanimadoramente, como tudo desta desgraçada Bahia. Vejo-me, portanto, continuamente

"Sôbre o peso do onerosíssimo encargo

nos maiores apuros; e se dêles me tenho

bem pode calcular o primo — é contrair

que a Providência deixou agora sôbre os

saído, sabe Deus à custa de quanta seiva

muitas vêzes novos débitos, para nos ven cimentos honrar o nome de meu pai, sal-

modo:

de uma vida" — Rui contava 26 anos —

senão o^ passivo que herdei, ou a que as obrigações dêsse me têm violentado. Isso sabem-no os meus amigos daqui, e de monstra-se com uma escrituração mercan-

tilmente exata e miúda. O resultado —


III ül . I .

ilMJI D10liSIo Económico

As dividas de Rui Barbosa Navlor Villas-Boas

pARECB que sôbre elas não há nada iné dito. Bastam, porém, para um ca pítulo singular, quase pungente, na biografia do notável brasileiro.

Sabe-se que a pobreza de seus pais mais se agravava pela posição social. Sem que

a heróica genitora arregimentasse os pou cos escravos para o fabrico doméstico de

doces, expostos a venda ruas afora, como nos conta Luís Viana Filho (/} Vida dc

^u Barhosa) não teria podido partir da

Bahia para Recife, em 1866. a fim de

to que nem tento escusar-me do silêncio

grosseiro, que guardei para com V.. desde que, formado Rui, não tive mais de piedir-lhe novos favores — quando era en sejo, era dever, repetir os meus agradeci mentos, já manifestados em resposta mi nha, no princípio do ano, quando V. me comunicou que tinha pago a primeira

prestação das despesas de meu filho em São Paulo." .. . "Reúna a êste estado sé

rio de meu filho, de cuja saúde e força carecemos todo.s — a morte de meu pobre irmão Antônio, deixando numerosa famí lia, pobreza c dívidas" ... "e isto quan

do eu não posso dar-lhe.s a mão na menor cousa, apesar dos meus desejos, do meu coração e de meu dever". Conclua-se...

Mas. quem sabe se sua Lmfe

E" a esse mesrpo generoso parente que Rui escreve, dois dias depois (21 de agôs-

a escola paulistana também

to), desculpando-se da demora com que o

Sim. rh""' acha-se no Rio o » "'w ' bosa de Oliveira, o Conselhero Tlb''""

de cuja posição e recursos u

fc"'t meditas, prefaciadas ^ (Cartas

^'Dino,

ExUil

por Américo Jacobina Lacombe).'Acítfo

faz e falando-lhc das "aparências de in gratidão" em que "as circunstâncias" o

ira

se prestara a custear os estudos, em

Mejá

dicma, do pai de Rui. "desde os prepara tórios até à formatura". Logo.

Pois é a essa grande alma que Barbosa de Oliveira escreve, da Bahia, aos 19 de agosto de 1871, ou em época em que Rui conta o seu primeiro ano de bacharel.

"Meu bom i>arence c am"" . . . "E' cer-

"que neste ano só se tem esgotado como

vontade de cumprir esses deveres penosos

missiva (1.° de março de 76) é escrita

e sagrados." Escusado seria falar, mas falaria. E verse-á que o "onerosíssimo encargo" não era só a manutenção da irmã Brites. Êsse encargo, com que Rui começava a afli

ao râo bom, antigo e provado amigo des ta família e de quem Rui recorda os

em dez vou arrastando êste fardo."

Escoam-sc dois meses e meio, e nova

atos" que "nunca os recebi, nem posso

gir-se, esses "deveres penosos", para cujo

receber, nem receberei senão como finezas do coraçao". Nessa fase. Brites estava noi va. Talvez se case a 22 de abril. Êsse

cumprimento depressa reconhecia em si profunda boa vontade, vamos vê-los em

acontecimento terá comprometido ainda mais a situação de Rui. As dificuldades

longa carta, sempre ao primo Albino, de 19 de dezembro de 75, quando Rui se derrama ao "cabeça e conselheiro da famí

primo:

lia", ao "bom parente":

história e o pêso das .dívidas de meu pai.

"A minha vida é um labor e agonias muito acima das minhas forças, não mo

rais, mas físicas. O meu emprego na Mi sericórdia, a advocacia, para mim aqui trabalhosíssima, bem que quase estéril, e a imprensa política, de que me é impos sível separar-me, visto como sou um dos redatores do Diário da Bahia, constituem

três sérios deveres, cada um dos quais se

que èle atravessa vão ser expostas ao "Já, na minha anterior, lhe descrevi a agravadas, não obstante os pequenos re cursos que eu tinha juntos, com outras, efeito daquelas. Os meus vencimentos na Misericórdia, que se reduzem a Rs

3:000S000, escassamente dão-me para o juro. A advocacia, que, nos dois primei ros anos, rervdeu-me anualmente

'

1

4:OOOSOOO, agora, por força das minhas

ria suficiente para ocupar ura homem são,

circunstâncias atuais, do emprego que a urgência de necessidades fatais obriga-me

4

e que, entretanto, vejo-me forçado a re

pois, "não sabe ocultar o interesse com

unir em mim só.

que sempre me tem distínguido" — diz-

morte de meu pai deixou-me pai de famí lia, e sobrecarregado com a divida supe

rior a doze contos de réis, quase toda em

lável tia terra, esgotou-se literalmente pa ra mim, apesar de certa reputação que muito imerecidamente gozo aqui. Portan to, nao ganho nem metade do que me é

letras bancárias, além de outras obriga ções pecuniárias muito graves. Tenho le

imprescindívd para despeaas cada uma das qua.s, descumprrda, viria a ser para mim

têm "feito involuntariamente incorrer"; e,

lhe Rui -T- "pesaroso, por vec as suspei tas de indiferente, de desconhecido, a que cio" etc.

Ademais, segundo afirma Batista PeS (i?«t es^uda^íe), o velho magistrado

meus ombros, escusado é falar-lhe: peço apenas a Deus que me dc tantas forças e meios quanto é profunda a minha boa

a exercer, da miséria crescente e incalcu

me tem condenado o meu longo silên

^eíro, lhe dedica profunda veneraTão"

91

Passados três anos, a notícia que Rui

corre a dar ao velho primo (carta de 30-

11-74) não pode ser pior. Começa deste

Demais, a inopinada

tras em quase todos os meses do ano, duas

uma vergonha intolerável; porque èm

em cada um dentre oito e três nos res

pr.me,ro lugar, antes de chefe de famí™

tantes. Os meus vencimentos na Santa Ca

pus sempre ..mbre em não'dever, ■

sa (Rs. 3:OOOSOOO) não me chegam nem

devi nada a ninguém- ^ ^

"Despedaçado pelo mais profundo so frimento, cumpro o penoso dever de par ticipar-lhe que, no dia 28 do corrente, às

para amortização desses débitos, quanto mais para o mais, que excede a outro tan to aquela quantia. A advocacia desta pro

' ombros, depois, agora que tenho esse encargo aos não devo

4 horas da tarde, chamou Deus a seu seio o meu muito querido e extremoso pai, seu .sincero amigo." — E mais adiante: —

víncia, mendiga, dia a dia decai desanimadoramente, como tudo desta desgraçada Bahia. Vejo-me, portanto, continuamente

"Sôbre o peso do onerosíssimo encargo

nos maiores apuros; e se dêles me tenho

bem pode calcular o primo — é contrair

que a Providência deixou agora sôbre os

saído, sabe Deus à custa de quanta seiva

muitas vêzes novos débitos, para nos ven cimentos honrar o nome de meu pai, sal-

modo:

de uma vida" — Rui contava 26 anos —

senão o^ passivo que herdei, ou a que as obrigações dêsse me têm violentado. Isso sabem-no os meus amigos daqui, e de monstra-se com uma escrituração mercan-

tilmente exata e miúda. O resultado —


D tGJiSrO

l

DlGPoSlO

^2 var, pelo menos, os trastes da casa e o meu brio, e não sacrificar os meus abo-

nadores, que são homens de bem e desin teressados amigos.

"Tenho até hoje conseguido ésse pro

que todas as fontes estão a estancar-se. Já íiitimaraente

empre.stados à direção da fôlha, que llie

meus mais experientes e melhores amigos província, para procurar noutra, na Cor te, meios, ao menos, de saldar o meu dé bito, e assim habilitar-me a poder, neste

rem. e estarei tolhido absolutamente; por

"De uma feita, ousou tomar 50()SO()()

"I:m circunstâncias tais. o conselho dos

abriu uma conta corrente nos livros, deduzindo-lhe, uma a uma, as parcelas com

que ia entranilo,

"Apesar disso, Rui continuou a colabo

me na grandeza desse outro teatro; nos exemplos de tantos, enjeitados, como eu. na sua terra, e que tanta prosperidade têm

mais um único real, foi o redator-chefe do

grande órgão dos liberais, substituindo na

quele posto a um conselheiro de Estado.

obtido ai; em certo nome que eu sei ter

estabelecimentos uma dispen sa de amortização por certo

tas vêzes triunfou.

eu deixara a academia, quando meu pai fechou os olhos. Era êle, na rainha pro

víncia, a maior cabeça de sua época, o orador mais perfeito que já conheci, distinguindo-se, ao mesmo tempo, como um caráter de limpidez e inflexibilidade ada

rar gratuitamente, e ainda sem ganhar ja

Tudo isto espanta, ainda mais, quando se

aí entre pessoas valiosas pa ra auxiliar-me; na urgê-ncia, enfim, imperiosa, indecliná vel, de, seja como fòr, deixar

vi-me forçado a suplicar aos

até pagar o último

vintém.

mundo, ser útil em alguma coisa. Falam-

contra a calúnia política, de que ele tan "Mal se haviam inteirado três anos que

necessitasse.

nenhuma, e provavelmente não remoto.

quase chamando heróicas, com o direito

roso dever filial. Alguns meses mais po

não era pago, sendo talvez o que mais

gum desdouro público, certo, sem dúvida

é que eu deixe por algum tempo a minha

as minhas forças, — que eu, repito, pode ria chamar heróicas, se não as considerasse apenas como o desempenho de um rigo

"Rui era u mais moço c o unico que

dores, nada mais me resta csiierar que al

dígio, à custa de privações que eu estava

que me confere a minha vida prematura mente estragada em trabalhos superiores

l.rONt >M K-{)

rx.ONOMKO

sabe que os outros redatores eram muito bem pagos.

mantinas.

Com tais qualidades, não po

dia ser feliz na política, madrasta sempre, entre nós, aos espíritos de escol e às cons

ciências inflexíveis.

Severamente açoita

do por ela sob a situação conservadora de 16 de julho, os seus últimos anos foram

de privações, não obstante a austera mo déstia do seu viver; e faleceu onerado de encargos.

"A injustiça, entretanto, não inutiliza

"Eu herdara, pois, o trabalho e a luta, mas a luta como quem nasceu para a menear com a energia de uma arma, e o tra

tempo._Submeti-me a essa hu

eu quanto antes esta situação,

va a pena do homem que desinteressado

milhação, da qual nem eu

que, a continuar deste modo.

sou culpado nem ninguém senão somente a desfortunà

não tem horizonte possível.

foi e sempre se manteve, trabalhando mais por gosto que para ganhar dinheiro. E

da mmha casa. Mas isso não melhora a minha condição

berado a aceitar o plano, so

Bahia, além das mais bela.s páginas lite

cílimo era evitar o pêso dessa herança: iça:

bre o qual

nao so porque êsse favor

írintíl; bastava renunciar à sucessão a benefício do inventário.

abrange apenas as obrigações

seu parecer. Realmente, não descortino outro salvamento;

rárias, a campanha da eleição direta, os artigos abolicionistas e as páginas contra

firmadas com a assinatura de

é, penso, a solução única de

por isto pôde ele fazer no

"À vista disto, estou deli

meu pai, ficando, portanto, excluídas as que ele contraíra sob nome alheio e a

mo também porque, em todo oTasoMt'

peço também o

a conscrição."

E' que tudo se vê antecipado pelo pró prio Rui, na sua vibrante resposta a Cé sar Zama (disc. no Senado, a 13-10-9Ó):

minhas atuais dificuldades. A

realizar-se êste projeto, em maio ou junho pedirei aqui uma licença, para ir aí, na Còrte, verificar se Deus consente que eu

Primeiro, quanto a dívidas:

"Nasci, é verdade, na pobreza; e de tal me honro; porque essa pobreza era a co

seja profeta em algum ponto do mundo."

ta-me o desconto implacável dos rendi mentos. qao me restando mais nada para

as amortizações inevitáveis, nem para a

manutenção da família, ou. sequer, minha Desta maneira, tôda a minha vida, tôda a minha profissão por assim dizer de ora em diante, o meu futuro, tudo vem a cifrar-se em trabalhar' para extinguir inrerminàvelmente, gota a gota, como um suor de sangue, esta dívida acabrunhadora. Nem a minha carreira natural, a advo cacia, me será mais lícito exercitar; e ver vaawawAWMJ.,

W

TWfc-

dadeiro ganhador, servo, escravo dos cre

Diário da

roa de uma vida, que o amargor dos sa crifícios não deixou frutificar em prospe

Vê-se que Rui empregava grande soma

ridade.

de sua atividade no Diário da Bahia. Não

Mas, se disso me desvaneço, não

balho como quem fôra talhado para ven cer nêle como num campo de batalha. Pa-

"Mas me pareceu que o dever mo ve

vor de minha irmã, o ativõ do casal; os móveis, as alfaias, todos os valores encon

trados em casa; e substituí nos bancos, sem

reserva de condições, a firma de meu pai pela minha. Não pedi misericórdia, e não a tiveram comigo. O morto continuou a viver era mim nas suas responsabilidades,

pelas quais nunca encontrei quartel. Em assim que eu queria: foi assim que me

refere ele ao primo Albino, como soube precisar quanto ao seu "emprego" na San ta Casa de Misericórdia, a vantagem que

formar espinhos era frutos de bênção, fa

que eu venci. •

tirava daquela atividade.

peito para a memória de meu pai. E por isso bem é que a memória do pai venha

O Tempo (rev. quinz.. Rio, n." esp. de 15-1-1924), deixa esclarecido que: "Durante cerca de oito anos a pena de Rui Barbosa escreveu maravilhas para as

páginas do Diário da Bahia. Deve-se con tar êsse período entre 1872 e 1880. Al.,

trataram os estabelecimentos. E assim foi ,

Houve, entre os prudentes e experi mentados, quem me tachasse de loucura

essa temeridade. Mas eu era arrastado pela

trazer hoje o testemunho incorruptível dos

nobreza da honra paterna, e contava com

mortos em socorro do filho indígnamente difamado. Não é a primeira vez, senho

o poder miraculoso das inspirações do de ver. Eu sentia em mim uma paixão entu

res,

siástica pelo estudo, sentia um atrativo

que me vejo obrigado a invocá-lo '^..i

J-,.

dava. Renunciei, pois, nos autos, em fa

é menor a honra, para mim, de ter sabi do, com o suor de muitas agonias, trans zendo do meu trabalho um manto de res

1

J


D tGJiSrO

l

DlGPoSlO

^2 var, pelo menos, os trastes da casa e o meu brio, e não sacrificar os meus abo-

nadores, que são homens de bem e desin teressados amigos.

"Tenho até hoje conseguido ésse pro

que todas as fontes estão a estancar-se. Já íiitimaraente

empre.stados à direção da fôlha, que llie

meus mais experientes e melhores amigos província, para procurar noutra, na Cor te, meios, ao menos, de saldar o meu dé bito, e assim habilitar-me a poder, neste

rem. e estarei tolhido absolutamente; por

"De uma feita, ousou tomar 50()SO()()

"I:m circunstâncias tais. o conselho dos

abriu uma conta corrente nos livros, deduzindo-lhe, uma a uma, as parcelas com

que ia entranilo,

"Apesar disso, Rui continuou a colabo

me na grandeza desse outro teatro; nos exemplos de tantos, enjeitados, como eu. na sua terra, e que tanta prosperidade têm

mais um único real, foi o redator-chefe do

grande órgão dos liberais, substituindo na

quele posto a um conselheiro de Estado.

obtido ai; em certo nome que eu sei ter

estabelecimentos uma dispen sa de amortização por certo

tas vêzes triunfou.

eu deixara a academia, quando meu pai fechou os olhos. Era êle, na rainha pro

víncia, a maior cabeça de sua época, o orador mais perfeito que já conheci, distinguindo-se, ao mesmo tempo, como um caráter de limpidez e inflexibilidade ada

rar gratuitamente, e ainda sem ganhar ja

Tudo isto espanta, ainda mais, quando se

aí entre pessoas valiosas pa ra auxiliar-me; na urgê-ncia, enfim, imperiosa, indecliná vel, de, seja como fòr, deixar

vi-me forçado a suplicar aos

até pagar o último

vintém.

mundo, ser útil em alguma coisa. Falam-

contra a calúnia política, de que ele tan "Mal se haviam inteirado três anos que

necessitasse.

nenhuma, e provavelmente não remoto.

quase chamando heróicas, com o direito

roso dever filial. Alguns meses mais po

não era pago, sendo talvez o que mais

gum desdouro público, certo, sem dúvida

é que eu deixe por algum tempo a minha

as minhas forças, — que eu, repito, pode ria chamar heróicas, se não as considerasse apenas como o desempenho de um rigo

"Rui era u mais moço c o unico que

dores, nada mais me resta csiierar que al

dígio, à custa de privações que eu estava

que me confere a minha vida prematura mente estragada em trabalhos superiores

l.rONt >M K-{)

rx.ONOMKO

sabe que os outros redatores eram muito bem pagos.

mantinas.

Com tais qualidades, não po

dia ser feliz na política, madrasta sempre, entre nós, aos espíritos de escol e às cons

ciências inflexíveis.

Severamente açoita

do por ela sob a situação conservadora de 16 de julho, os seus últimos anos foram

de privações, não obstante a austera mo déstia do seu viver; e faleceu onerado de encargos.

"A injustiça, entretanto, não inutiliza

"Eu herdara, pois, o trabalho e a luta, mas a luta como quem nasceu para a menear com a energia de uma arma, e o tra

tempo._Submeti-me a essa hu

eu quanto antes esta situação,

va a pena do homem que desinteressado

milhação, da qual nem eu

que, a continuar deste modo.

sou culpado nem ninguém senão somente a desfortunà

não tem horizonte possível.

foi e sempre se manteve, trabalhando mais por gosto que para ganhar dinheiro. E

da mmha casa. Mas isso não melhora a minha condição

berado a aceitar o plano, so

Bahia, além das mais bela.s páginas lite

cílimo era evitar o pêso dessa herança: iça:

bre o qual

nao so porque êsse favor

írintíl; bastava renunciar à sucessão a benefício do inventário.

abrange apenas as obrigações

seu parecer. Realmente, não descortino outro salvamento;

rárias, a campanha da eleição direta, os artigos abolicionistas e as páginas contra

firmadas com a assinatura de

é, penso, a solução única de

por isto pôde ele fazer no

"À vista disto, estou deli

meu pai, ficando, portanto, excluídas as que ele contraíra sob nome alheio e a

mo também porque, em todo oTasoMt'

peço também o

a conscrição."

E' que tudo se vê antecipado pelo pró prio Rui, na sua vibrante resposta a Cé sar Zama (disc. no Senado, a 13-10-9Ó):

minhas atuais dificuldades. A

realizar-se êste projeto, em maio ou junho pedirei aqui uma licença, para ir aí, na Còrte, verificar se Deus consente que eu

Primeiro, quanto a dívidas:

"Nasci, é verdade, na pobreza; e de tal me honro; porque essa pobreza era a co

seja profeta em algum ponto do mundo."

ta-me o desconto implacável dos rendi mentos. qao me restando mais nada para

as amortizações inevitáveis, nem para a

manutenção da família, ou. sequer, minha Desta maneira, tôda a minha vida, tôda a minha profissão por assim dizer de ora em diante, o meu futuro, tudo vem a cifrar-se em trabalhar' para extinguir inrerminàvelmente, gota a gota, como um suor de sangue, esta dívida acabrunhadora. Nem a minha carreira natural, a advo cacia, me será mais lícito exercitar; e ver vaawawAWMJ.,

W

TWfc-

dadeiro ganhador, servo, escravo dos cre

Diário da

roa de uma vida, que o amargor dos sa crifícios não deixou frutificar em prospe

Vê-se que Rui empregava grande soma

ridade.

de sua atividade no Diário da Bahia. Não

Mas, se disso me desvaneço, não

balho como quem fôra talhado para ven cer nêle como num campo de batalha. Pa-

"Mas me pareceu que o dever mo ve

vor de minha irmã, o ativõ do casal; os móveis, as alfaias, todos os valores encon

trados em casa; e substituí nos bancos, sem

reserva de condições, a firma de meu pai pela minha. Não pedi misericórdia, e não a tiveram comigo. O morto continuou a viver era mim nas suas responsabilidades,

pelas quais nunca encontrei quartel. Em assim que eu queria: foi assim que me

refere ele ao primo Albino, como soube precisar quanto ao seu "emprego" na San ta Casa de Misericórdia, a vantagem que

formar espinhos era frutos de bênção, fa

que eu venci. •

tirava daquela atividade.

peito para a memória de meu pai. E por isso bem é que a memória do pai venha

O Tempo (rev. quinz.. Rio, n." esp. de 15-1-1924), deixa esclarecido que: "Durante cerca de oito anos a pena de Rui Barbosa escreveu maravilhas para as

páginas do Diário da Bahia. Deve-se con tar êsse período entre 1872 e 1880. Al.,

trataram os estabelecimentos. E assim foi ,

Houve, entre os prudentes e experi mentados, quem me tachasse de loucura

essa temeridade. Mas eu era arrastado pela

trazer hoje o testemunho incorruptível dos

nobreza da honra paterna, e contava com

mortos em socorro do filho indígnamente difamado. Não é a primeira vez, senho

o poder miraculoso das inspirações do de ver. Eu sentia em mim uma paixão entu

res,

siástica pelo estudo, sentia um atrativo

que me vejo obrigado a invocá-lo '^..i

J-,.

dava. Renunciei, pois, nos autos, em fa

é menor a honra, para mim, de ter sabi do, com o suor de muitas agonias, trans zendo do meu trabalho um manto de res

1

J


5. 94

DiGüSTO

DiGusif) Econômico

irresistível pela ciência; tinha a vontade

heróica do trabalho; tinha o brio indomá

vel, essa energia sobre tódas prodigiosa nas almas bem formadas; e, animado por essas forças, na quadra em que outros pr.nc.piam a fruir as sucessões pinuues ou

ECONÔMICO

Cérca de cito anos servira eu no ór

lhe tratara a esposa), retribuindo-o com

o que me parece perfeitamente exeqüível,

gão do partido, entre cujos redatores, sen

larga generosidade; e. por lhe faltar "ex

do um dos mais sobrecarregados, um dos

periência destas avaliações", pedia conse lhos. Luta entre gratidão e penúria.

terei um produto líquido que me habilita rá a descartar-me de todos os meus compro missos, deixando-me ainda um saldo apre

escalados para as ocasiões c missões mais

arduas, era o único, entretanto, o único,

Ainda nesse mês e na Bahia, em ferias

que, embora dos mais necessitados, não

parlamentares, escreve ao mesmo amigo,

V. calculará o esforço com que luto por

opulentos eutte. na vida por um caminho coberto de obstáculos esraasadores, nos qums ai^umas véaes estive a pique de "Mas não: através de quantas dificulda des o meu terrível compromisso inces an

embolsou jamais, direta ou indiretamente,

mosrrando-se descrente da sua propalada

não vè-la malograda, quando eu lhe dis ser que em cinqüenta dias venci de c.ibò a rabo a tradução do Calkins." . .. "Não

temente me opunha, sem descer,

se at.ram a exploração

dos casamentos

brar, sem me humilhar

•

mês,por mês. dur^nt lonJr/'''

^

um vintém, ou vantagem alguma, de qual

nomeação para o governo da província de

quer natureza. Ao mesmo passo, era o que mais lidava, nos comícios, com fre

Pernambuco (carta de 28) :

"Preci.so de um ano de advocacia, a fim

obstante êsses e outros embaraços, porém,

qüência, coragem e ardor, quando se acen tuavam fases agudas na luta pelas aspira

dc ver se reparo algumas avarias deste

casco, tão arrombado pelos sacrifícios que

a tarefa encetad.a a 16 de fevereiro estava finda a 8 do corrente. Acrescente a isso

ções gerais à liberdade e à democracia. Nu

a política impôs, Mas, enfim, estarei por

.as obrigações-de redator do Diário, que

campanha abolicionista o meu lugar se as

tudo."

fissional a da imprensa a"

sinalava entre os mais antigos e devotados. Na questão religiosa, adversário do uirramontanismo, fui, todavia, pelo direi to dos prelados católicos ao livre exercício da autoridade espiritual contra o odioso e

gratuitamente, fundar casa

inepto regalismo da Coroa. Pela eleição di

26 anos, que me abmrv

cidade. os títulos do débTto'"''^ ^

do-

consegui, acumulando à ^ u

mmha irmã. constituir nova Lt assegurar sempre a i

®^

cencia, o conchêaoI « ^°^stança, a de-

distintas, a arte módeslrdòl'^ ^«tências pela poesia dos afeíos que íe ctiam""'''"

ro das coisas delicada^

par. sem uma falha seiii

a

pesam principalmente sobre mim, e me

As dificuldades econômicas daquele que já era pai dc três filhos haviam de ser bem

os deveres da minha profissão de advoga

Jacobina, de 13 de abril de 81, onde co

do e as labutações do alistamento eleíroral, de cujos trabalhos o centro aqui somos eu

meça a história da tradução de Calkins:

o o Rodolfo, e veja se não c quase um mi

nas, e V. que me julgue, em presença dos

r.i tanto. Depois, o foro êste ano tem si

quem com insistência maior e mais extre

fatos.

do miserável e, apesar de termos causa.s,

mado vigor renhia e decertava."

"Não lhe é desconhecida a minha idéia fixa de obter, mediante o trabalho de mi

algumas das quais nos prometem resulta

nal pagava a todos, menos a Rui, saben do-se que o diretor da folha era o mes

nha pena, os recursos de que vitalmente

nosso escritório."

necessito, para me libertar desta servidão

mo provedor da Santa Casa de Misericór

de galé, em que as minhas dívidas me têm

Essa a "tábua de salvação" que se ofe recia ao bracejar de Rui nas águas de suas

cativo. Chegando à Bahia, vi que a recentíssima reforma do ensino, que aliás

dívidas, em abril de 81. O que se dará, todavia, é que só a 4 de junho de 83 ex

Chega-se a compreender porque o jor

ordenado pagaria também o redator.

não presta para nada, acrescentara às es

colas normais um curso de lições de coi

mo de coisas preciosas um ri ^

Certo é, porém, que o partido para o qual êle assim trabalhava o elege, em 1877, deputado à assembléia provincial, e, em 1878, o conduz à assembléia geral. Nes

relíquias sagradas.

sa altura, já havia casado a irmã e a seu

tos, forma, no meu am •

^®ncimen-

E

de uma responsabilidade acaLlÍ!. uma fadiga extenuante, em one

^

talvez a melhor parte da Vida mlfofl" do, afmal, colher a flor dessa alegria inl narravel: a de selar a existência moral dê meu pai com o desempenho cabal do seu »

nome.

Segundo, quanto à gratuidade dos seus serviços no Diário da Bahia. Leiamc-lo em Queda do Império. 1, introdução:

lagre que o tempo e a saúde cheguem p.a-

reta, na imprensa e nos "meetings", era

250S000 por mês: entendesse êste que tal

considerável. que guard^ZcTr^

constrangem a escrever quase rodo o dia,

sérias, a julgar por esta carta, sempre a "Não devo defender-me. Relatarei ape

dia, onde a Rui fora dado o emprego de

tualidade. remia

gos da honra de meu pai. , Senhores, o montão dessas Ur riavelmente satisfeitas nos seus

ciável. Eis a minha tábua de salvação: e

sas. À vista dêste fato, deliberei logo rea lizar o meu pensamento de traduzir a obra

dc Calkins.

Meti mãos ab trabalho, em-

penhando-me ao mesmo tempo em con cluí-lo pichosamente e depressa. O meu

do, ainda não começou a pingar para o

pede a Inspecoria Geral da Instruído pri mária e secundária do Município da Cor ,e ofício ao Ministro e Secretário de Estado dos Negocies do Imnérírx

do-lhe a impressão, "naTi' cional, por conta da verba àe^ 'a material das escolas",> aa da tradução trad ,

lado constituíra a própria família. Mas, da decisão que importou o sacrifício de

cálculo era, e é, depois de o ter aprovado

sua mocidade, no dizer de Américo Jacobina Lacombe, ainda sofria Rui as acer bas conseqüências.

pelo Conselho Superior da Instrução Pú

se trata, cu,o manuscrito, diz o ofício mereceu ser aprovado pelo Govêrno im-'

blica, de que hoje sou membro, requerer à Assembléia Provincial a compra, para

Imprensa, com a nota de -obra unanirae-

de que

penal . E só em 86 sai dos prelos daquela

tnente aprovada pelo Conselho Superior

de 1881, àquele que sempre foi seu pres-

logo depois de publicado o livro, de qua tro mil exemplares a 35500 cada um. Com

tiraoso amigo — Antonio de Araújo Fer^ reira Jacobina — confessando-ihe que, se

impressão, que será de 15 mil exempla

da Instrução Pública da Bahia, pelo Con selho Diretor da Corte, e adotada pelo Governo Imperial". Traz de março desse

res. Então, alcançando que as outras pro víncias me comprem os 11 mil restantes.

dutor".

Comprova-o o recado de 4 de janeiro

c-ssa garantia de l4 contos procederei à

as suas circunstâncias lha permitissem,

corresponderia à fineza do médico (que > 1^/ ' ig

'IfclI

'■ 'A

'

mesmo ano de 86 o "Preâmbulo do Tra


5. 94

DiGüSTO

DiGusif) Econômico

irresistível pela ciência; tinha a vontade

heróica do trabalho; tinha o brio indomá

vel, essa energia sobre tódas prodigiosa nas almas bem formadas; e, animado por essas forças, na quadra em que outros pr.nc.piam a fruir as sucessões pinuues ou

ECONÔMICO

Cérca de cito anos servira eu no ór

lhe tratara a esposa), retribuindo-o com

o que me parece perfeitamente exeqüível,

gão do partido, entre cujos redatores, sen

larga generosidade; e. por lhe faltar "ex

do um dos mais sobrecarregados, um dos

periência destas avaliações", pedia conse lhos. Luta entre gratidão e penúria.

terei um produto líquido que me habilita rá a descartar-me de todos os meus compro missos, deixando-me ainda um saldo apre

escalados para as ocasiões c missões mais

arduas, era o único, entretanto, o único,

Ainda nesse mês e na Bahia, em ferias

que, embora dos mais necessitados, não

parlamentares, escreve ao mesmo amigo,

V. calculará o esforço com que luto por

opulentos eutte. na vida por um caminho coberto de obstáculos esraasadores, nos qums ai^umas véaes estive a pique de "Mas não: através de quantas dificulda des o meu terrível compromisso inces an

embolsou jamais, direta ou indiretamente,

mosrrando-se descrente da sua propalada

não vè-la malograda, quando eu lhe dis ser que em cinqüenta dias venci de c.ibò a rabo a tradução do Calkins." . .. "Não

temente me opunha, sem descer,

se at.ram a exploração

dos casamentos

brar, sem me humilhar

•

mês,por mês. dur^nt lonJr/'''

^

um vintém, ou vantagem alguma, de qual

nomeação para o governo da província de

quer natureza. Ao mesmo passo, era o que mais lidava, nos comícios, com fre

Pernambuco (carta de 28) :

"Preci.so de um ano de advocacia, a fim

obstante êsses e outros embaraços, porém,

qüência, coragem e ardor, quando se acen tuavam fases agudas na luta pelas aspira

dc ver se reparo algumas avarias deste

casco, tão arrombado pelos sacrifícios que

a tarefa encetad.a a 16 de fevereiro estava finda a 8 do corrente. Acrescente a isso

ções gerais à liberdade e à democracia. Nu

a política impôs, Mas, enfim, estarei por

.as obrigações-de redator do Diário, que

campanha abolicionista o meu lugar se as

tudo."

fissional a da imprensa a"

sinalava entre os mais antigos e devotados. Na questão religiosa, adversário do uirramontanismo, fui, todavia, pelo direi to dos prelados católicos ao livre exercício da autoridade espiritual contra o odioso e

gratuitamente, fundar casa

inepto regalismo da Coroa. Pela eleição di

26 anos, que me abmrv

cidade. os títulos do débTto'"''^ ^

do-

consegui, acumulando à ^ u

mmha irmã. constituir nova Lt assegurar sempre a i

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cencia, o conchêaoI « ^°^stança, a de-

distintas, a arte módeslrdòl'^ ^«tências pela poesia dos afeíos que íe ctiam""'''"

ro das coisas delicada^

par. sem uma falha seiii

a

pesam principalmente sobre mim, e me

As dificuldades econômicas daquele que já era pai dc três filhos haviam de ser bem

os deveres da minha profissão de advoga

Jacobina, de 13 de abril de 81, onde co

do e as labutações do alistamento eleíroral, de cujos trabalhos o centro aqui somos eu

meça a história da tradução de Calkins:

o o Rodolfo, e veja se não c quase um mi

nas, e V. que me julgue, em presença dos

r.i tanto. Depois, o foro êste ano tem si

quem com insistência maior e mais extre

fatos.

do miserável e, apesar de termos causa.s,

mado vigor renhia e decertava."

"Não lhe é desconhecida a minha idéia fixa de obter, mediante o trabalho de mi

algumas das quais nos prometem resulta

nal pagava a todos, menos a Rui, saben do-se que o diretor da folha era o mes

nha pena, os recursos de que vitalmente

nosso escritório."

necessito, para me libertar desta servidão

mo provedor da Santa Casa de Misericór

de galé, em que as minhas dívidas me têm

Essa a "tábua de salvação" que se ofe recia ao bracejar de Rui nas águas de suas

cativo. Chegando à Bahia, vi que a recentíssima reforma do ensino, que aliás

dívidas, em abril de 81. O que se dará, todavia, é que só a 4 de junho de 83 ex

Chega-se a compreender porque o jor

ordenado pagaria também o redator.

não presta para nada, acrescentara às es

colas normais um curso de lições de coi

mo de coisas preciosas um ri ^

Certo é, porém, que o partido para o qual êle assim trabalhava o elege, em 1877, deputado à assembléia provincial, e, em 1878, o conduz à assembléia geral. Nes

relíquias sagradas.

sa altura, já havia casado a irmã e a seu

tos, forma, no meu am •

^®ncimen-

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de uma responsabilidade acaLlÍ!. uma fadiga extenuante, em one

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talvez a melhor parte da Vida mlfofl" do, afmal, colher a flor dessa alegria inl narravel: a de selar a existência moral dê meu pai com o desempenho cabal do seu »

nome.

Segundo, quanto à gratuidade dos seus serviços no Diário da Bahia. Leiamc-lo em Queda do Império. 1, introdução:

lagre que o tempo e a saúde cheguem p.a-

reta, na imprensa e nos "meetings", era

250S000 por mês: entendesse êste que tal

considerável. que guard^ZcTr^

constrangem a escrever quase rodo o dia,

sérias, a julgar por esta carta, sempre a "Não devo defender-me. Relatarei ape

dia, onde a Rui fora dado o emprego de

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gos da honra de meu pai. , Senhores, o montão dessas Ur riavelmente satisfeitas nos seus

ciável. Eis a minha tábua de salvação: e

sas. À vista dêste fato, deliberei logo rea lizar o meu pensamento de traduzir a obra

dc Calkins.

Meti mãos ab trabalho, em-

penhando-me ao mesmo tempo em con cluí-lo pichosamente e depressa. O meu

do, ainda não começou a pingar para o

pede a Inspecoria Geral da Instruído pri mária e secundária do Município da Cor ,e ofício ao Ministro e Secretário de Estado dos Negocies do Imnérírx

do-lhe a impressão, "naTi' cional, por conta da verba àe^ 'a material das escolas",> aa da tradução trad ,

lado constituíra a própria família. Mas, da decisão que importou o sacrifício de

cálculo era, e é, depois de o ter aprovado

sua mocidade, no dizer de Américo Jacobina Lacombe, ainda sofria Rui as acer bas conseqüências.

pelo Conselho Superior da Instrução Pú

se trata, cu,o manuscrito, diz o ofício mereceu ser aprovado pelo Govêrno im-'

blica, de que hoje sou membro, requerer à Assembléia Provincial a compra, para

Imprensa, com a nota de -obra unanirae-

de que

penal . E só em 86 sai dos prelos daquela

tnente aprovada pelo Conselho Superior

de 1881, àquele que sempre foi seu pres-

logo depois de publicado o livro, de qua tro mil exemplares a 35500 cada um. Com

tiraoso amigo — Antonio de Araújo Fer^ reira Jacobina — confessando-ihe que, se

impressão, que será de 15 mil exempla

da Instrução Pública da Bahia, pelo Con selho Diretor da Corte, e adotada pelo Governo Imperial". Traz de março desse

res. Então, alcançando que as outras pro víncias me comprem os 11 mil restantes.

dutor".

Comprova-o o recado de 4 de janeiro

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as suas circunstâncias lha permitissem,

corresponderia à fineza do médico (que > 1^/ ' ig

'IfclI

'■ 'A

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mesmo ano de 86 o "Preâmbulo do Tra


96

DiGBSTO Econômico

Tábua de salvado, portanto, malograda. Mas, nem da política, por meio da re muneração de cargos e mandatos, nem da

pena do jornalista ou do escritor, lhe vi riam os recursos com que safar-se das dí vidas e viver altivamente; e sim da sua

banca de advogado, nada rendosa na

Bahia, porém ativa no Rio de Janeiro, pa ra tornar-se a primeira, no Brasil, depois que Rui regressou do exílio de Londres.

O calvario foi-lhe, entretanto, longo e mui penoso. E estava ainda bem longe de ser transposto em abril de 84, quando Rui

escreve, do R,o ao seu amigo Francisco Gesteira, na Bahia, dizendo-lhe-

-Supões que fui a Minas e que fôra a

remT™"''

d» réii a

dj Indu,.' A verdade, meu amigo'!'é^que vrvo aqu, de prumo na mio, e ucamlo com as ma,ores dificuldades para ocor^

as necessidades cotidianas da minha s, b sistenca Invejosos e, inimigos «palh™

o con.rar,_o, para me faaer mal. Man realidade e que tenho boas perspectivas de fntnro, naas o presente ainda me vai cor

rendo cheio de dias espinhosíssimos Quando portanto, ouvires correr esses boatos, defende o teu amigo ausente contra p. malevolencia que os gera

"Ainda agora, recebo de um cio daí (João da Silva Baia) uma intimação (não judicial) para lhe pagar uma ridícula quantia (132$000), que êle, na insolência da sua carta, afirma não lhe ter ainda embolsado "por não querer!" Aí lhe en vio, para que mandes atirar a esse rafeiro (mediante recibo), essa grande soma, que talvez o livre de falir, mas que cu não ti-

I.

DicnsTo Econômico

nha agora na minha gaveta, para o satis

nado como testemunha de fato a que não

cretário da legação chilena. Êle ficou de

fazer."

assistira.

Realmente, a j^edido de Rodol

fo, acedera em subscrever como testemu

entregá-la a ti mesmo. Se não, manda buscá-las. Em todo o caso, comunica-me

Dantas é chamado a formar gabinete e,

nha num documento cuja feitura não pre

se as recebeste.

neste, tem-se por bem certa a entrada de

senciara c isso foi logo provado pelo con

Rui. E' a passagem mais enigmática que

fronto das datas

Isto. em abril de 1884. O Ginselheiro

seus biógrafos defrontam,

porque,

não

e certidões da polícia,

mostrando encontrar-se ele. na ocasião, au

"Verifica de Carlito

se êle concluiu

com o cunhado de Carlos os dois negó cios meus, que são muito sérios; a questão da letra e a dos juros. Todos os meus pa

saindo Rui ministro, muita tinta se tem gasto e muita conjetura se há feito, sem SC lhe precisar a causa ila ausência na composição do ministério do chefe liberal

sente da Bahia. Simples imprudência, pois não havia qualquer prejudicado, mas a imputação de falsário (era a expressão usada) na.s vésperas do pleito, e a neces

péis importantes estão ne.ssa caixa. Car lito que liquide também com o Afonso a

baiano. E entre os supostos motivos, não faltou, segundo Luís Viana Filho, o de

sidade de justificar-se. não constituíam ele

traí com êsse amigo, para liquidarmos is

mentos favoráveis."

so definitivamente."

que — Rfí/ tivera uns suas dívidas o em

última prestação do empréstimo que con E mais adiante, após a série de avisos

pecilho lí entrada naquele gabinete. Homem que herdara dívidas, que vivia

\-)rJens e sugestões de quem, sobre o mar

encapelado da tormenta súbita, dita ordens

amortizando-as como quem carrega água

A República encontrou o advogado Rui

em cesto, que as tinha no conhecimento

Barbosa — advogado e jornalista — em

público, estava assim muito no caso de

brutalmente arrancado :

continuar contraindo-as, como a que se

começo de prosperidade, contando êle mais de metade de sua existência. Residia

registra nesta nota inserta no "caixa" do

à praiá do Flamengo, esquina da hoje

"Agora, um ponto mui importante. A hipoteca sôbre a nossa casa vence-se em novembro. Não sei a quantos. (2). E'

rua Silveira Martins,

endividado :

"1885. Novembro. Neste mês. a 20, venceu-se no Banco do Comércio uma le

tra de 4:000S000 em que figuro como

devedor e Rodolfo como sacador e endossanto. A importância dessa letra, porém, foi tomada exclusivamente para Rodolfo,

onde realizava o

ao comando da nau, de cujo leme se vê

necessário que Carlito tome esses'papéis

ideal de assegurar à família "a abastança,

ao Amaral, e verifique a data, Nela te

a decência, o conchêgo, o gosto das exis tências distintas". . . E é nessa residência que lhe ocorre comprar a crédito a casa

teca. O Marinhas ofereceu-se-me, para ar

de São Clemente, voltando, portanto, a

quantia, Manda falar-Ihe. Se êle não o

mos que pagar os setenta contos da hipo ranjar no Banco Rural Hipotecário essa

experimentar as velhas horas de inquie

fizer, Carlito sabe a que meio deverá re

tação de devedor a prazo. E' quando, no

correr."

que, por conveniência sua, me pediu lhe emprestasse o meu nome, para não apa

governo de Floriano, procura o exílio e

recer o seu, Essa letra foi passada há seis

abandona todos os interesses.

-tória da compra da casa de São Clemente,

Retomemos a coletânea de Américo Jacobina Lacombe (Mocidade e Exílio), e

sobre cuja hipoteca as providências dos

meses, em 20 de maio de 1885, prome

tendo Rodolfo saldá-la integralmente no 1." vencimento. E assim fêz". (1). Que negaria Rui ao amigo dileto ? Ex traiamos de Luís Viana Filho êste outro

período, que recorda fato passado na Bahia em 81, admissivelmente. Rui so

fre terrível campanha difamatória, movi da pelo tio materno, Luís Antônio, e pelo clero faccioso, que o querem derrotado nas urnas ;

"Nada entretanto foi mais explorado pelos adversários de Rui do que ter assi

vamos encontrar Rui, em Buenos Aires, a escrever à esposa a longa carta de 19 de setembro de 93, de bordo, ainda, do MadaJena : Meu Deus, como ficarão todos os meus

negócios ? Quem os despachará no Rio 1

Rui exporá, um dia, no Senado, a hís-

amigos o deixaram disto despreocupado no exílio. O que, então, ainda o irá abor recer, já na última fase de sua permanên cia na Europa, é objeto de carta ao seu maior ami^go das horas difíceis : "Paris, 28 junho, 95. "Meu cato Jacobina.

sei de ninguém. Onde está o Juca ?

Carlito estará contigo } Se está, c preciso que com êle vejas que deixei na caixinha, que levaste no

"Aqui, onde me acho em preparos para a minha volta ao Brasil, que está fixada para o dia 12 de julho vindouro no Ma-

dia 5. Mandei-te a chave dela, *na penca (IJ

V, a nota n. 3. J .

.

.

com as outras, pelo sr. Orrcgo Luco, se

(2) Vencer-se-ia a 24 de outubro, co mo se verá adiante.


96

DiGBSTO Econômico

Tábua de salvado, portanto, malograda. Mas, nem da política, por meio da re muneração de cargos e mandatos, nem da

pena do jornalista ou do escritor, lhe vi riam os recursos com que safar-se das dí vidas e viver altivamente; e sim da sua

banca de advogado, nada rendosa na

Bahia, porém ativa no Rio de Janeiro, pa ra tornar-se a primeira, no Brasil, depois que Rui regressou do exílio de Londres.

O calvario foi-lhe, entretanto, longo e mui penoso. E estava ainda bem longe de ser transposto em abril de 84, quando Rui

escreve, do R,o ao seu amigo Francisco Gesteira, na Bahia, dizendo-lhe-

-Supões que fui a Minas e que fôra a

remT™"''

d» réii a

dj Indu,.' A verdade, meu amigo'!'é^que vrvo aqu, de prumo na mio, e ucamlo com as ma,ores dificuldades para ocor^

as necessidades cotidianas da minha s, b sistenca Invejosos e, inimigos «palh™

o con.rar,_o, para me faaer mal. Man realidade e que tenho boas perspectivas de fntnro, naas o presente ainda me vai cor

rendo cheio de dias espinhosíssimos Quando portanto, ouvires correr esses boatos, defende o teu amigo ausente contra p. malevolencia que os gera

"Ainda agora, recebo de um cio daí (João da Silva Baia) uma intimação (não judicial) para lhe pagar uma ridícula quantia (132$000), que êle, na insolência da sua carta, afirma não lhe ter ainda embolsado "por não querer!" Aí lhe en vio, para que mandes atirar a esse rafeiro (mediante recibo), essa grande soma, que talvez o livre de falir, mas que cu não ti-

I.

DicnsTo Econômico

nha agora na minha gaveta, para o satis

nado como testemunha de fato a que não

cretário da legação chilena. Êle ficou de

fazer."

assistira.

Realmente, a j^edido de Rodol

fo, acedera em subscrever como testemu

entregá-la a ti mesmo. Se não, manda buscá-las. Em todo o caso, comunica-me

Dantas é chamado a formar gabinete e,

nha num documento cuja feitura não pre

se as recebeste.

neste, tem-se por bem certa a entrada de

senciara c isso foi logo provado pelo con

Rui. E' a passagem mais enigmática que

fronto das datas

Isto. em abril de 1884. O Ginselheiro

seus biógrafos defrontam,

porque,

não

e certidões da polícia,

mostrando encontrar-se ele. na ocasião, au

"Verifica de Carlito

se êle concluiu

com o cunhado de Carlos os dois negó cios meus, que são muito sérios; a questão da letra e a dos juros. Todos os meus pa

saindo Rui ministro, muita tinta se tem gasto e muita conjetura se há feito, sem SC lhe precisar a causa ila ausência na composição do ministério do chefe liberal

sente da Bahia. Simples imprudência, pois não havia qualquer prejudicado, mas a imputação de falsário (era a expressão usada) na.s vésperas do pleito, e a neces

péis importantes estão ne.ssa caixa. Car lito que liquide também com o Afonso a

baiano. E entre os supostos motivos, não faltou, segundo Luís Viana Filho, o de

sidade de justificar-se. não constituíam ele

traí com êsse amigo, para liquidarmos is

mentos favoráveis."

so definitivamente."

que — Rfí/ tivera uns suas dívidas o em

última prestação do empréstimo que con E mais adiante, após a série de avisos

pecilho lí entrada naquele gabinete. Homem que herdara dívidas, que vivia

\-)rJens e sugestões de quem, sobre o mar

encapelado da tormenta súbita, dita ordens

amortizando-as como quem carrega água

A República encontrou o advogado Rui

em cesto, que as tinha no conhecimento

Barbosa — advogado e jornalista — em

público, estava assim muito no caso de

brutalmente arrancado :

continuar contraindo-as, como a que se

começo de prosperidade, contando êle mais de metade de sua existência. Residia

registra nesta nota inserta no "caixa" do

à praiá do Flamengo, esquina da hoje

"Agora, um ponto mui importante. A hipoteca sôbre a nossa casa vence-se em novembro. Não sei a quantos. (2). E'

rua Silveira Martins,

endividado :

"1885. Novembro. Neste mês. a 20, venceu-se no Banco do Comércio uma le

tra de 4:000S000 em que figuro como

devedor e Rodolfo como sacador e endossanto. A importância dessa letra, porém, foi tomada exclusivamente para Rodolfo,

onde realizava o

ao comando da nau, de cujo leme se vê

necessário que Carlito tome esses'papéis

ideal de assegurar à família "a abastança,

ao Amaral, e verifique a data, Nela te

a decência, o conchêgo, o gosto das exis tências distintas". . . E é nessa residência que lhe ocorre comprar a crédito a casa

teca. O Marinhas ofereceu-se-me, para ar

de São Clemente, voltando, portanto, a

quantia, Manda falar-Ihe. Se êle não o

mos que pagar os setenta contos da hipo ranjar no Banco Rural Hipotecário essa

experimentar as velhas horas de inquie

fizer, Carlito sabe a que meio deverá re

tação de devedor a prazo. E' quando, no

correr."

que, por conveniência sua, me pediu lhe emprestasse o meu nome, para não apa

governo de Floriano, procura o exílio e

recer o seu, Essa letra foi passada há seis

abandona todos os interesses.

-tória da compra da casa de São Clemente,

Retomemos a coletânea de Américo Jacobina Lacombe (Mocidade e Exílio), e

sobre cuja hipoteca as providências dos

meses, em 20 de maio de 1885, prome

tendo Rodolfo saldá-la integralmente no 1." vencimento. E assim fêz". (1). Que negaria Rui ao amigo dileto ? Ex traiamos de Luís Viana Filho êste outro

período, que recorda fato passado na Bahia em 81, admissivelmente. Rui so

fre terrível campanha difamatória, movi da pelo tio materno, Luís Antônio, e pelo clero faccioso, que o querem derrotado nas urnas ;

"Nada entretanto foi mais explorado pelos adversários de Rui do que ter assi

vamos encontrar Rui, em Buenos Aires, a escrever à esposa a longa carta de 19 de setembro de 93, de bordo, ainda, do MadaJena : Meu Deus, como ficarão todos os meus

negócios ? Quem os despachará no Rio 1

Rui exporá, um dia, no Senado, a hís-

amigos o deixaram disto despreocupado no exílio. O que, então, ainda o irá abor recer, já na última fase de sua permanên cia na Europa, é objeto de carta ao seu maior ami^go das horas difíceis : "Paris, 28 junho, 95. "Meu cato Jacobina.

sei de ninguém. Onde está o Juca ?

Carlito estará contigo } Se está, c preciso que com êle vejas que deixei na caixinha, que levaste no

"Aqui, onde me acho em preparos para a minha volta ao Brasil, que está fixada para o dia 12 de julho vindouro no Ma-

dia 5. Mandei-te a chave dela, *na penca (IJ

V, a nota n. 3. J .

.

.

com as outras, pelo sr. Orrcgo Luco, se

(2) Vencer-se-ia a 24 de outubro, co mo se verá adiante.


DlGESTO ErONÒMiro

98

DiOhSjí I

Eí;on6m ico

99

acàbo de ser surpreendido com

tas, que a recebeu tôda. d). Firmei, co

ria, claru e docuroentaJa, que vou cxpor-

uma carta do Banco do Brasil, convidan-

mo presidente do Banco Impulsor expres

vüs. Nada. graças a Deus, refoge à publi-

do-me a ir entender-me com êle sobre a

fUi^de, na minha vida, c tôda ela poderia <lücumentar-se como uma prestação de

daleT7a,

no Banco de

samente, uma transação creio que no Ban co Crédito Real. Mas a dívida não foi

Crédito Real. "Não lhe posso exprimir o meu espan to diante dessa comunicação, pois como o

contraída por mim e sim peto presidente do Banco Impulsor. Êsse cargo passou, depois, legalmente, da minha pessoa pa

Primo verá da inclusa carta, que lhe peço o favor de entregar, esclarecendo logo o

ra a do Afonso, afinal o Impulsor liquidou-se, e fundiu-se noutras associações,

assunto com a diretoria do Banco do Bra

sempre com observância de todas as foi-

sil, com quem lhe rogo o obséquio de con versar sobre o caso, vunca, absolutamente

malidades legais. Carlito podé-lo-á infor mar, miüdamente, de tudo isto.

liquidação do meu débito

numa, devi um vintém ao Banco do Cré dito Real, com o qual jamais entrei em

transação de natureza alguma.

"A que vem, pois, agora, ê.ste destampatório do Banco do Brasil ?

"Estou aqui há seis dias,

c regresso

amanhã para Londres."

comas.

'Aqui rendes, nestas certidões autênti cas, nestas escrituras públicas,

a história

dessa aquisição. A casa, onde moro, foi

ferença, importante na mesma quantia, entre o preço de 130:000$. pelo qual com pram, nesta data e nas notas dêste mes

mo notário, a John Roscoe Allen e sua

mulher o prédio n, 104, à ma S. Cle mente, e a soma de 70:000$, pela qual esse prédio se acha hipotecado, em notas

dêste cartório, à Companhia Mercantil Hi

comprada por mim a John Roscoe Allen c- sua senhora, cm 23 de maio de 1893, por instrumento celebrado em notas do tabe

potecária, fazem do dito prédio ap outor.gado segunda híporeca pelo referido va

lião Evaristo. Êi-Io. {Mostrando). Do preço de cento e trinta contos de réis, que me custou, só tive que entrar com'

"De modo que" — prossegue discur sando Rui — "só por um duplo concur

sessenta; porquanto os .setenta remanes

so de crédito e não desembolsando

centes • representam uma hipoteca de que

lor de 60:000$."

na

cio. ou, se por acaso existe algum título,

assumi a responsabilidade. Diz o notá-

ocasião ura real, é que logrei efetuar a transação, em cujo resultado agora se

é, sob juramento o declaro, falso e crimi noso. Só me faltavam aborrecimentos desta ordem, para coroar a minha infeli

rio : (Lê)

quer ver o monumento da minha riqueza.

Deve haver qui-pro-quo neste negó

cidade.

E' de notar-se que quando Rui se viu obrigado a procurar o exílio, já era o ho

A venda é feita pelo preço de cento e trinta contos de reis; deste preço recebem eles oucorgantes sessenta contos de réis em

Sem cartas suas há meses, aguardo,

mem que, a fim de rebater a calúnia, pa

para me desforrar, o nosso próximo en contro. Saudades de todos à Prima e a

ra êle sempre de olhos acesos, escreveu a

moeda corrente, contada e certa perante mim c as testemunhas, o que porto por

O Pais a carta de 5 de julho de 92, em

'C-; e os restantes setenta contos de réis

todos os seus.

que por última afirmativa disse:

Sempre do C. Rui.

^ "Devo acrescentar: nunca me meti em jogo de bolsa, negócios de praça, ou com pra e venda de títulos etc.

"Depois de concluída esta carta, volto

aos trabalhos da minha profissão de advo

gado, cujo exercício, há mais de dez anos. nesta cidade, faz a minha independência,

mo sou meticuloso em questões de com

em que o meu nome figurou, mas cuja importância se destinava ao Rodolfo Dan-

escritura de hipoteca, em cujas obri ,.

vidade inexplicável. O Primo sabe co

gum, a não ser o de 10 contos (10 con tos), há anos, no B. do Brasil, débito

"utubro do corrente ano, conforme a pre-

habilitando-me a dar à minha família a

ed.. Rio, p. 54).

Desde que resido no Rio de Janeiro nun ca contraí o menor débito em banco al

u praça o imóvel, destituindo-me de sua propriedade.

decência e o conforto, sem dever a quem quer que seja." (Esfola da Cahínia. 2.^

pondo-se com êsse intuito o valimento de

uxn comerciante respeitável, para que a hipoteca, vencida e não paga, não levasse

"«potecária, como credora, no dia 24 de

gações ficam sendo os outorgados delega dos e sucessores dêles outorgantes."

ao assunto; porque de momento em mo mento cresce o meu espanto com essa no

promissos pecuniários. Nunca^ nem nos meus tempos de maiores dificuldades, ti ve uma dívida não paga no vencimento

^rao entregues à Companhia Mercantil e

"Que continuo entregue assiduamente

"Nem ao menos com o andar do tem

po reuni os meios de resgatar pontualmen te as hipotecas. Foi mister contar com a benevolência de um dos credores, inter-

saído, porém, da minha algi-

®'ra os 00:0005 pagos no ato da com-

Pm.-- Não. Foram tomados por emprés

"Aqui tendes {mostrando), cm com provação dêsse fato, o depoimento da pes soa, que nêle foi autor principal;

"limo. Sr. Conselheiro Rui Barbosa. — Fui eu que a V. Ex. informei da

timo. no mesmo dia, ao falecido Afonso

venda da casa à rua de S. Clemente n.

pra da casa de São Clemente, conforme se

^ís Pereira da Silva, a quem, por esta

vê do célebre discurso de 13 de outubro de 96, no Senado :

quantia, nessa data, dei em garantia o

o ter sabido de meu cunhado Amoroso

"Mas a casa ? A casa tem a sua histó-

ípotecado aos dois credores pela totalida-

Apreciemos, agora, a história da com

(3) Tal afirmação deixa de harmonlzar-se com a nota de "caixa" de novem

bro de 1885, a que atrás aludimos. Êste empréstimo de 10 contos, no Banco do Brasil, seria mais um contraído por Rui para servir a Rodolfo, ou a memória do primeiro, claudicou em muito na mesma

afirmação. seja quanto à cifra, quanto ao Banco. .

leja

ptédio adquirido, que de tal sorte ficou

do seu valor. A escritura, de que aqui vos ofereço também certidão {mostran' > lavrada em notas do mesmo ofício,

Lima; fui eu que tratei da compra da biesma casa, e a ajustei com o sr. Allen, e ainda fui eu que, não só procurei con seguir o adiamento para a celebrado da escritura, por ainda se não ter podido ar-

Disseram os outorgantes Rui Barbosa

tanjar o dinheiro, como ainda, junto ao credor hipotecário, insisti pelo adiamenro do prazo para pagamento da hipoteca.

^ sua mulher que, contraindo com o oumrgado Afonso L. Pereira da Silva lun

" testemunho dos cavalheiros a que me

^'^Ptime-se assim: {Lê)

empréstimo de 60:000$, para pagar a di UkW4»*"_.

104, então propriedade do sr. Allén, por

.;.i.

■■-'XI-

Sendo necessário, poderei apelar para refiro.


DlGESTO ErONÒMiro

98

DiOhSjí I

Eí;on6m ico

99

acàbo de ser surpreendido com

tas, que a recebeu tôda. d). Firmei, co

ria, claru e docuroentaJa, que vou cxpor-

uma carta do Banco do Brasil, convidan-

mo presidente do Banco Impulsor expres

vüs. Nada. graças a Deus, refoge à publi-

do-me a ir entender-me com êle sobre a

fUi^de, na minha vida, c tôda ela poderia <lücumentar-se como uma prestação de

daleT7a,

no Banco de

samente, uma transação creio que no Ban co Crédito Real. Mas a dívida não foi

Crédito Real. "Não lhe posso exprimir o meu espan to diante dessa comunicação, pois como o

contraída por mim e sim peto presidente do Banco Impulsor. Êsse cargo passou, depois, legalmente, da minha pessoa pa

Primo verá da inclusa carta, que lhe peço o favor de entregar, esclarecendo logo o

ra a do Afonso, afinal o Impulsor liquidou-se, e fundiu-se noutras associações,

assunto com a diretoria do Banco do Bra

sempre com observância de todas as foi-

sil, com quem lhe rogo o obséquio de con versar sobre o caso, vunca, absolutamente

malidades legais. Carlito podé-lo-á infor mar, miüdamente, de tudo isto.

liquidação do meu débito

numa, devi um vintém ao Banco do Cré dito Real, com o qual jamais entrei em

transação de natureza alguma.

"A que vem, pois, agora, ê.ste destampatório do Banco do Brasil ?

"Estou aqui há seis dias,

c regresso

amanhã para Londres."

comas.

'Aqui rendes, nestas certidões autênti cas, nestas escrituras públicas,

a história

dessa aquisição. A casa, onde moro, foi

ferença, importante na mesma quantia, entre o preço de 130:000$. pelo qual com pram, nesta data e nas notas dêste mes

mo notário, a John Roscoe Allen e sua

mulher o prédio n, 104, à ma S. Cle mente, e a soma de 70:000$, pela qual esse prédio se acha hipotecado, em notas

dêste cartório, à Companhia Mercantil Hi

comprada por mim a John Roscoe Allen c- sua senhora, cm 23 de maio de 1893, por instrumento celebrado em notas do tabe

potecária, fazem do dito prédio ap outor.gado segunda híporeca pelo referido va

lião Evaristo. Êi-Io. {Mostrando). Do preço de cento e trinta contos de réis, que me custou, só tive que entrar com'

"De modo que" — prossegue discur sando Rui — "só por um duplo concur

sessenta; porquanto os .setenta remanes

so de crédito e não desembolsando

centes • representam uma hipoteca de que

lor de 60:000$."

na

cio. ou, se por acaso existe algum título,

assumi a responsabilidade. Diz o notá-

ocasião ura real, é que logrei efetuar a transação, em cujo resultado agora se

é, sob juramento o declaro, falso e crimi noso. Só me faltavam aborrecimentos desta ordem, para coroar a minha infeli

rio : (Lê)

quer ver o monumento da minha riqueza.

Deve haver qui-pro-quo neste negó

cidade.

E' de notar-se que quando Rui se viu obrigado a procurar o exílio, já era o ho

A venda é feita pelo preço de cento e trinta contos de reis; deste preço recebem eles oucorgantes sessenta contos de réis em

Sem cartas suas há meses, aguardo,

mem que, a fim de rebater a calúnia, pa

para me desforrar, o nosso próximo en contro. Saudades de todos à Prima e a

ra êle sempre de olhos acesos, escreveu a

moeda corrente, contada e certa perante mim c as testemunhas, o que porto por

O Pais a carta de 5 de julho de 92, em

'C-; e os restantes setenta contos de réis

todos os seus.

que por última afirmativa disse:

Sempre do C. Rui.

^ "Devo acrescentar: nunca me meti em jogo de bolsa, negócios de praça, ou com pra e venda de títulos etc.

"Depois de concluída esta carta, volto

aos trabalhos da minha profissão de advo

gado, cujo exercício, há mais de dez anos. nesta cidade, faz a minha independência,

mo sou meticuloso em questões de com

em que o meu nome figurou, mas cuja importância se destinava ao Rodolfo Dan-

escritura de hipoteca, em cujas obri ,.

vidade inexplicável. O Primo sabe co

gum, a não ser o de 10 contos (10 con tos), há anos, no B. do Brasil, débito

"utubro do corrente ano, conforme a pre-

habilitando-me a dar à minha família a

ed.. Rio, p. 54).

Desde que resido no Rio de Janeiro nun ca contraí o menor débito em banco al

u praça o imóvel, destituindo-me de sua propriedade.

decência e o conforto, sem dever a quem quer que seja." (Esfola da Cahínia. 2.^

pondo-se com êsse intuito o valimento de

uxn comerciante respeitável, para que a hipoteca, vencida e não paga, não levasse

"«potecária, como credora, no dia 24 de

gações ficam sendo os outorgados delega dos e sucessores dêles outorgantes."

ao assunto; porque de momento em mo mento cresce o meu espanto com essa no

promissos pecuniários. Nunca^ nem nos meus tempos de maiores dificuldades, ti ve uma dívida não paga no vencimento

^rao entregues à Companhia Mercantil e

"Que continuo entregue assiduamente

"Nem ao menos com o andar do tem

po reuni os meios de resgatar pontualmen te as hipotecas. Foi mister contar com a benevolência de um dos credores, inter-

saído, porém, da minha algi-

®'ra os 00:0005 pagos no ato da com-

Pm.-- Não. Foram tomados por emprés

"Aqui tendes {mostrando), cm com provação dêsse fato, o depoimento da pes soa, que nêle foi autor principal;

"limo. Sr. Conselheiro Rui Barbosa. — Fui eu que a V. Ex. informei da

timo. no mesmo dia, ao falecido Afonso

venda da casa à rua de S. Clemente n.

pra da casa de São Clemente, conforme se

^ís Pereira da Silva, a quem, por esta

vê do célebre discurso de 13 de outubro de 96, no Senado :

quantia, nessa data, dei em garantia o

o ter sabido de meu cunhado Amoroso

"Mas a casa ? A casa tem a sua histó-

ípotecado aos dois credores pela totalida-

Apreciemos, agora, a história da com

(3) Tal afirmação deixa de harmonlzar-se com a nota de "caixa" de novem

bro de 1885, a que atrás aludimos. Êste empréstimo de 10 contos, no Banco do Brasil, seria mais um contraído por Rui para servir a Rodolfo, ou a memória do primeiro, claudicou em muito na mesma

afirmação. seja quanto à cifra, quanto ao Banco. .

leja

ptédio adquirido, que de tal sorte ficou

do seu valor. A escritura, de que aqui vos ofereço também certidão {mostran' > lavrada em notas do mesmo ofício,

Lima; fui eu que tratei da compra da biesma casa, e a ajustei com o sr. Allen, e ainda fui eu que, não só procurei con seguir o adiamento para a celebrado da escritura, por ainda se não ter podido ar-

Disseram os outorgantes Rui Barbosa

tanjar o dinheiro, como ainda, junto ao credor hipotecário, insisti pelo adiamenro do prazo para pagamento da hipoteca.

^ sua mulher que, contraindo com o oumrgado Afonso L. Pereira da Silva lun

" testemunho dos cavalheiros a que me

^'^Ptime-se assim: {Lê)

empréstimo de 60:000$, para pagar a di UkW4»*"_.

104, então propriedade do sr. Allén, por

.;.i.

■■-'XI-

Sendo necessário, poderei apelar para refiro.


?■

DIC. KSTO

lon

r.< ONÓ M U o

"Tudo isto, no tempo da revolta, tive

Dcpufado.s; e êsse favor ile alta gentilez.i

ocasião de dizer em Itamarati, ao meu hon~

General Cunha

ainda está por saldar. ^ Assim, ao tornar Rui ao Brasil, em

quando éste me pediu para lhe

julho de 1896. vinha, já aos -1" anos de

rado e lembrado amigo

Júnior,

contar o ocorrido, a fim de conter a ca

T-

Policultura e expansão industrial Bn/.HRRA nií FruitaS

itladc, recomeçar a vida. diante de com

luniadores, que do fato de ter V. Excía.

promissos por certo que maiores do que

sua "História da Civilização Brasi

adquirido a referida casa se queriam ser vir para atacar a pessoa de V. Ex. "Tenho muitíssima honra em subscre

aqueles que levara de 10 a 12 anos a res gatar. ■ Dispunha. entretanto, da fama de advogado, a qual, sempre comprovada,

leira". que é uma nova e clara sín

ver-me de V. Ex. etc.

lhe era o filão de ouro com que nunca

Antônio Martins Marinhas. ■■Rio, 7-10-1896."

tese da nossa história so(^al, económic-a,

riscos do embarque. nem as surpresas do câmbio. À falta de bancos, reguladores da circulação, e donde melhor empregar

No seu referido

administrativa e política, mostra-nos o professor Pedro Caímon. apoiado cm só lida documentação, que à América do Sul

o capital ganho, invertia-o o lavrador em escravos, e pelo número destes (300 a 400 para os engenhos. 80 a 100 para as

"Desde que os meus trabalhos me de

chegaram, retardados de muitos anos, os grandes melhoramenttis técnicos que o sé

tuna.

u universal industrialização, que por tôda

mais precisaria dever. discurso éle diz:

estimava a sua for

Mas essa rotina desafiava a ampla,

ram nome, a sua renda sempre me sobrou

culo XIX trouxera à vida moderna.

para as exigências da minha vida. Muito

peramos trinta anos pela locomotiva —

parte substituía o honíem pela máquina,

O exílio consumiu-lhe todas as econo mias, sacadas parceladamente, como se de preende de sua correspondência com o amigo que nunca deixou de ampará-lo.

antes da República, advoguei aqui em li tígios que tiveram estrondo, e onde os meus serviços não podiam deixar de ser largamente retribuúlos. E, por isso,.nunca

esclarece o fecundo escritor e historiador baiano — quarenta pelas fábricas de fia

aquisitiva dos povos entre si."

de outubro de 1896, Rui faz a afirmação

ta praça encontrei sempre crédito para tu do; * porque nunca houve devedor mais pronto, contas mais em tegra, compromis sos mais em dia."

térias-primas, o

dos engenhos centrais, operando uma re

de que, para voltar ao Brasil, necessitou:

um debito de dez mil francos. A letra aqui esd. (Mostrando.) Foi contraída em Paris. em . julho, e resgatada aqui em setembro de 1893, como demonstra o re cibo M«. para honrar no vencimento

fui obrigado a aceitar a oferta de um ami go, colega do meu agressor na Câmara dos

Através

dos dados e documentos constantes do mesmo livro, verificamos de que forma

genhos de açúcar por usinas de pesada

tive dividas atrasadas. No comércio des

. . . "contrair com a casa Raul de Car

ção, ainda mais pela navegação de vapor,

restringindo gradualmente a capacidade

pela iluminação de gás, por um regimem bancário, pelas companhias de coloniza ção, pela maquinaria agrícola, pela in dústria, que em 1800 transformara a In glaterra e em 1820 a Europa. País de ma

Tanto assim que, no citado discurso de 13

valho & Comp.. meus clientes na Europa

"Es

fazendas sertanejas)

Confessou, porém, uma dívida irrcsga-

Brasil contentara-se em

exportar, em bruto, o seu algodão, o seu

se. processou a substituição dos velhos en

maquinaria como as de Cuba.

A Iei de

6 de novembro de 1875 inaugura a fase

volução na economia tradicional, substi

tável, dizendo ;

açúcar, as suas peles, o seu fumo, o seu

tuída pelas novas formas de trabalho nos

"Meu pai me deu o caráter; minha mãe me deu o coração, e minha mulher a ânco

café —. e importar as manufaturas ingle

seus redutos mais defesos.

sas,

País, a invasão da máquina é acompa

ra do meu coração e do meu caráter.

O

que a ela devo é tanto que toda a minha

francesas

e

norte-americanas.

Em

1808, propusera debalde o negociante da Bahia Francisco Inácio de Siqueira Nobre,

vida a ela imolada seria apenas uma exí

instalar uma fábrica dc fiação, com ope

gua parte da minha dívida.

rários que contrataria na Inglaterra. A In

Por todo o

nhada da invasão do estrangeiro.

E a

valorização dos nossos produtos tropicais, graças ao desenvolvimento das indústrias européias e ao fechamento dos mercados

pólio do nosso comércio, graças ao trata

do sul dos Estados Unidos (como no pe ríodo de 1776-1783, quando a Inglaterra

do de 1810; mas, comi a exportação pro

se viu igualmente privada da matéria-

gressiva do algodão para suas fábricas, a situação não foi particularmente danosa ao Brasil, e sim a Portugal e aos concor rentes industriais dos ingleses. Isto até

estendia-a, animava o comércio e fazia surgir vilas e cidades no conquistado de

glaterra tinha de começo o virtual mono

1823.

O equilíbrio era satisfatório en

prima americana), encorajava a lavoura, serto. Até 1850, o Brasil recebera uns 19 mil imigrantes. Entre 1855 e 1862,

tão, porque ao interesse do consumidor se

a média da entrada deles fôra de 15 mil

juntava o do vendedor, acorriam às nossas

por ano. Os algarismos facilitam as con clusões, mesmo aos mais desatentos, por que indicam o uso do método compara

praças os negociantes ingleses, que pre

feriam ter aqui o seu escritório de corre tagem, e os produtores achavam pronto consumo para a sua mercadoria, sem os

tivo.

Observou-se, com acerto, que o desen-


?■

DIC. KSTO

lon

r.< ONÓ M U o

"Tudo isto, no tempo da revolta, tive

Dcpufado.s; e êsse favor ile alta gentilez.i

ocasião de dizer em Itamarati, ao meu hon~

General Cunha

ainda está por saldar. ^ Assim, ao tornar Rui ao Brasil, em

quando éste me pediu para lhe

julho de 1896. vinha, já aos -1" anos de

rado e lembrado amigo

Júnior,

contar o ocorrido, a fim de conter a ca

T-

Policultura e expansão industrial Bn/.HRRA nií FruitaS

itladc, recomeçar a vida. diante de com

luniadores, que do fato de ter V. Excía.

promissos por certo que maiores do que

sua "História da Civilização Brasi

adquirido a referida casa se queriam ser vir para atacar a pessoa de V. Ex. "Tenho muitíssima honra em subscre

aqueles que levara de 10 a 12 anos a res gatar. ■ Dispunha. entretanto, da fama de advogado, a qual, sempre comprovada,

leira". que é uma nova e clara sín

ver-me de V. Ex. etc.

lhe era o filão de ouro com que nunca

Antônio Martins Marinhas. ■■Rio, 7-10-1896."

tese da nossa história so(^al, económic-a,

riscos do embarque. nem as surpresas do câmbio. À falta de bancos, reguladores da circulação, e donde melhor empregar

No seu referido

administrativa e política, mostra-nos o professor Pedro Caímon. apoiado cm só lida documentação, que à América do Sul

o capital ganho, invertia-o o lavrador em escravos, e pelo número destes (300 a 400 para os engenhos. 80 a 100 para as

"Desde que os meus trabalhos me de

chegaram, retardados de muitos anos, os grandes melhoramenttis técnicos que o sé

tuna.

u universal industrialização, que por tôda

mais precisaria dever. discurso éle diz:

estimava a sua for

Mas essa rotina desafiava a ampla,

ram nome, a sua renda sempre me sobrou

culo XIX trouxera à vida moderna.

para as exigências da minha vida. Muito

peramos trinta anos pela locomotiva —

parte substituía o honíem pela máquina,

O exílio consumiu-lhe todas as econo mias, sacadas parceladamente, como se de preende de sua correspondência com o amigo que nunca deixou de ampará-lo.

antes da República, advoguei aqui em li tígios que tiveram estrondo, e onde os meus serviços não podiam deixar de ser largamente retribuúlos. E, por isso,.nunca

esclarece o fecundo escritor e historiador baiano — quarenta pelas fábricas de fia

aquisitiva dos povos entre si."

de outubro de 1896, Rui faz a afirmação

ta praça encontrei sempre crédito para tu do; * porque nunca houve devedor mais pronto, contas mais em tegra, compromis sos mais em dia."

térias-primas, o

dos engenhos centrais, operando uma re

de que, para voltar ao Brasil, necessitou:

um debito de dez mil francos. A letra aqui esd. (Mostrando.) Foi contraída em Paris. em . julho, e resgatada aqui em setembro de 1893, como demonstra o re cibo M«. para honrar no vencimento

fui obrigado a aceitar a oferta de um ami go, colega do meu agressor na Câmara dos

Através

dos dados e documentos constantes do mesmo livro, verificamos de que forma

genhos de açúcar por usinas de pesada

tive dividas atrasadas. No comércio des

. . . "contrair com a casa Raul de Car

ção, ainda mais pela navegação de vapor,

restringindo gradualmente a capacidade

pela iluminação de gás, por um regimem bancário, pelas companhias de coloniza ção, pela maquinaria agrícola, pela in dústria, que em 1800 transformara a In glaterra e em 1820 a Europa. País de ma

Tanto assim que, no citado discurso de 13

valho & Comp.. meus clientes na Europa

"Es

fazendas sertanejas)

Confessou, porém, uma dívida irrcsga-

Brasil contentara-se em

exportar, em bruto, o seu algodão, o seu

se. processou a substituição dos velhos en

maquinaria como as de Cuba.

A Iei de

6 de novembro de 1875 inaugura a fase

volução na economia tradicional, substi

tável, dizendo ;

açúcar, as suas peles, o seu fumo, o seu

tuída pelas novas formas de trabalho nos

"Meu pai me deu o caráter; minha mãe me deu o coração, e minha mulher a ânco

café —. e importar as manufaturas ingle

seus redutos mais defesos.

sas,

País, a invasão da máquina é acompa

ra do meu coração e do meu caráter.

O

que a ela devo é tanto que toda a minha

francesas

e

norte-americanas.

Em

1808, propusera debalde o negociante da Bahia Francisco Inácio de Siqueira Nobre,

vida a ela imolada seria apenas uma exí

instalar uma fábrica dc fiação, com ope

gua parte da minha dívida.

rários que contrataria na Inglaterra. A In

Por todo o

nhada da invasão do estrangeiro.

E a

valorização dos nossos produtos tropicais, graças ao desenvolvimento das indústrias européias e ao fechamento dos mercados

pólio do nosso comércio, graças ao trata

do sul dos Estados Unidos (como no pe ríodo de 1776-1783, quando a Inglaterra

do de 1810; mas, comi a exportação pro

se viu igualmente privada da matéria-

gressiva do algodão para suas fábricas, a situação não foi particularmente danosa ao Brasil, e sim a Portugal e aos concor rentes industriais dos ingleses. Isto até

estendia-a, animava o comércio e fazia surgir vilas e cidades no conquistado de

glaterra tinha de começo o virtual mono

1823.

O equilíbrio era satisfatório en

prima americana), encorajava a lavoura, serto. Até 1850, o Brasil recebera uns 19 mil imigrantes. Entre 1855 e 1862,

tão, porque ao interesse do consumidor se

a média da entrada deles fôra de 15 mil

juntava o do vendedor, acorriam às nossas

por ano. Os algarismos facilitam as con clusões, mesmo aos mais desatentos, por que indicam o uso do método compara

praças os negociantes ingleses, que pre

feriam ter aqui o seu escritório de corre tagem, e os produtores achavam pronto consumo para a sua mercadoria, sem os

tivo.

Observou-se, com acerto, que o desen-


102

volvimento econômico do Bcasíl se operou historicamente pela superposição de ciclos

agrícolas e de mineração. Êsses ciclos, que se situaram em áreas diversas do País,

não se substituíram cronologicamente. O

elemento histórico e as investigações dos especialistas permitem assinalar que, na realidade,,a industrialização determinou o crescimento dos núcleos urbanos e a in fluência destes sobre a estrutura agrícola. Acrescente-se que as transformações subscancjais que se observam presentemente na agr^ultura -"decorrem do processo de industrialização".

Qiiando estudamos o desenvolvimento

economtco do Btasll e vetificatnos a dl-

vetstdade de métodos sociais que concor cia coletiva, logo compreendemos a im portância daquele processo. Os períodos de crise nos mercados estrangeiro^ têm-se refletido em nossos mercaL reram para a formação da sua consciên

internos, constituindo causa prin

cipal dêsses reflexos as vacilaçoes da nossa política econômi

ca e financeira em relação àque

DlGUSlO

H<.()NOMH<j

gadu e a elaborar dentro do País grande quantidade de alimentos. De 2" % em

1907, as indústrias de alimentação passa

ram a constituir -10 9^ da produção in dustrial do País era 1920. Concorreu para essa expansão a instalação dos frigorífi cos destinados a subministrar carne aos

mercados europeus durante a guerra.

O

crescimento dêsse núcleo industrial pode ser apreendido nos diversos censos indus triais realizados no País. Assim, antes de 1900 foram fundadas no Brasil 626 entre 1915 e 1920, 5.940.

Em 1939,

o total do capital aplicado no

frentar o msh das fôrças econô

tísticos revelaram as novas di

micas desta hora misteriosa do

retrizes

mundo.

que se afastaram, era alguns pontos, da política econômica de

meifo lugar na indústria brasi leira. A impossibilidade de im portar alimentos, nessa fase, obrigou a diversificar a agricul tura, a intensificar a criação de

econômicas

nacionais,

algumas nações latino-america

nas.

Certo, o Brasil já não é

um país essencialmente agrícola, mas, também, industrial. A mo nocultura é o passado. Sociólo gos e economistas têm eviden

ciado que a situação começa a se transfigurar, passando-se do ciclo do café para um ciclo novo, uma política difícil de ca racterizar, pois que estamos vi vendo uma época de transido, ou ao menos sempre parece de

nossos imensos recursos e a nossa larga experiência. Sabemos que, até hoje, ne nhum pais conseguiu manter um elevado índice económico-industrial sem a siste matizando integral dos seus valores e dos

mento era 1948, que continua em 1949. Já a indústria pesada passa do índice 75,7 em 1945 para o índice 153,4 em 1949, apresentando um aumento constante de ano para ano em

mais de 18 bilhões de cruzeiros.

um plano delineado, em harmonia com os

seus objetivos.

Mas a produção têxtil revela um declí

Os últimos levantamentos esta

mo, em particular na esfera da industriali

zação. que, entre nós, jamais obedeceu

plo eloqüente para os países da América

nio até o ano de 1947 c um novo ergui-

todo o qüinqüênio.

Crises sucessivas têm provocado atitudes

de desânimo, de renúncia e de pessimis

Latina, o que, entretanto, não se verifica.

tem ocupado maior número de operários.

Brasil em todas as indústrias

de 1914-1918 que o ramo ali

tuir nesses domínios um padrão, um exem

A indústria

aqui existentes era de pouco

mentício passou a ocupar o pri-

policulrura e de sonhos industriais. Por que, na verdade, considera-se o ano de 1929 como ponto de saturação, o término de uma fase evolutiva da economia bra sileira. Logicamente, deveríamos consti

têxtil, primeiro grupo a desenvolver-se,

vencemos da necessidade da mo bilização de diversos órgãos da administração pública para en

foi somente durante a guerra

transição h quem vive a época e não a vê retrospectivamente, mas como sendo de

empresas; entre 1900 e 1914, 6.946; e,

Jes centros. Ainda não nos con

Para documentar os nossos conceitos, valemo-nos de alguns dados estatísticos extraídos de publicações e estudos autoriza dos. Assim, podemos verificar

DIG ESTO ECONÓNÍICO

f tttti


102

volvimento econômico do Bcasíl se operou historicamente pela superposição de ciclos

agrícolas e de mineração. Êsses ciclos, que se situaram em áreas diversas do País,

não se substituíram cronologicamente. O

elemento histórico e as investigações dos especialistas permitem assinalar que, na realidade,,a industrialização determinou o crescimento dos núcleos urbanos e a in fluência destes sobre a estrutura agrícola. Acrescente-se que as transformações subscancjais que se observam presentemente na agr^ultura -"decorrem do processo de industrialização".

Qiiando estudamos o desenvolvimento

economtco do Btasll e vetificatnos a dl-

vetstdade de métodos sociais que concor cia coletiva, logo compreendemos a im portância daquele processo. Os períodos de crise nos mercados estrangeiro^ têm-se refletido em nossos mercaL reram para a formação da sua consciên

internos, constituindo causa prin

cipal dêsses reflexos as vacilaçoes da nossa política econômi

ca e financeira em relação àque

DlGUSlO

H<.()NOMH<j

gadu e a elaborar dentro do País grande quantidade de alimentos. De 2" % em

1907, as indústrias de alimentação passa

ram a constituir -10 9^ da produção in dustrial do País era 1920. Concorreu para essa expansão a instalação dos frigorífi cos destinados a subministrar carne aos

mercados europeus durante a guerra.

O

crescimento dêsse núcleo industrial pode ser apreendido nos diversos censos indus triais realizados no País. Assim, antes de 1900 foram fundadas no Brasil 626 entre 1915 e 1920, 5.940.

Em 1939,

o total do capital aplicado no

frentar o msh das fôrças econô

tísticos revelaram as novas di

micas desta hora misteriosa do

retrizes

mundo.

que se afastaram, era alguns pontos, da política econômica de

meifo lugar na indústria brasi leira. A impossibilidade de im portar alimentos, nessa fase, obrigou a diversificar a agricul tura, a intensificar a criação de

econômicas

nacionais,

algumas nações latino-america

nas.

Certo, o Brasil já não é

um país essencialmente agrícola, mas, também, industrial. A mo nocultura é o passado. Sociólo gos e economistas têm eviden

ciado que a situação começa a se transfigurar, passando-se do ciclo do café para um ciclo novo, uma política difícil de ca racterizar, pois que estamos vi vendo uma época de transido, ou ao menos sempre parece de

nossos imensos recursos e a nossa larga experiência. Sabemos que, até hoje, ne nhum pais conseguiu manter um elevado índice económico-industrial sem a siste matizando integral dos seus valores e dos

mento era 1948, que continua em 1949. Já a indústria pesada passa do índice 75,7 em 1945 para o índice 153,4 em 1949, apresentando um aumento constante de ano para ano em

mais de 18 bilhões de cruzeiros.

um plano delineado, em harmonia com os

seus objetivos.

Mas a produção têxtil revela um declí

Os últimos levantamentos esta

mo, em particular na esfera da industriali

zação. que, entre nós, jamais obedeceu

plo eloqüente para os países da América

nio até o ano de 1947 c um novo ergui-

todo o qüinqüênio.

Crises sucessivas têm provocado atitudes

de desânimo, de renúncia e de pessimis

Latina, o que, entretanto, não se verifica.

tem ocupado maior número de operários.

Brasil em todas as indústrias

de 1914-1918 que o ramo ali

tuir nesses domínios um padrão, um exem

A indústria

aqui existentes era de pouco

mentício passou a ocupar o pri-

policulrura e de sonhos industriais. Por que, na verdade, considera-se o ano de 1929 como ponto de saturação, o término de uma fase evolutiva da economia bra sileira. Logicamente, deveríamos consti

têxtil, primeiro grupo a desenvolver-se,

vencemos da necessidade da mo bilização de diversos órgãos da administração pública para en

foi somente durante a guerra

transição h quem vive a época e não a vê retrospectivamente, mas como sendo de

empresas; entre 1900 e 1914, 6.946; e,

Jes centros. Ainda não nos con

Para documentar os nossos conceitos, valemo-nos de alguns dados estatísticos extraídos de publicações e estudos autoriza dos. Assim, podemos verificar

DIG ESTO ECONÓNÍICO

f tttti


m«\ DigjsSto

Velhos planos

Econômico

para se converter em

— e tal lei re

guiaria as concessões

por diante ex-

l>edidas. As

Nelson Werneck Sourú

aspecto cconomicü. Mas não era assim: o

traçado conveniente a que se referia o diretor de Obras Públicas era um tra

características

do

Plano

Bicalho

çado político.

O fim visado estava, pre

cisamente, em unir, em estabelecer conta

eram, sumariamente^ as seguintes;

OeduzidOS pelos quadros de conjunto

quer pelos que planejaram depois, em par

—• sistema misto de comunicações;

^ que. pela sua vastidão, pelas suas ani-

tos, em proporcionar às ilhas em que se repartia aquele gigantesco corpo do Brasil,

ticular aqueles que, em 1934. levantaram

—• grande profundidade na penetração

plas proporções, conferindo com a grande

como ainda hoje, os meios indispensáveis

o primeiro grande plano oficial Je viação. quer cm livros, trabalhos técnicos, con

das vias; —' busca das interligações,

do progresso das capitais a todos os pontos

za geográfica, pareciam acordes corp- a rea- .

lidade — quando começamos a planejar sistemas para a viaí^o brasileira, tendendo, de um lado, a conferir uma idéia de con junto àquilo que se vinha fazendo sob a característica da dispersão, e de outro a tornar um sistema aquilo que se condicio nara a uma variação considerável de fa

tores — esquecemos, em todos os rempos e.nao hoje apenas, as considerações fun damentais e preliminares a que se devem subordinar todos os planejamentos que

pretendem ter, além de uma vida teórica

gressos de especialistas, congressos admi nistrativos e políticos, quer em trabalhos

Bicalho justificou o aspectC político do seu plano, a idéia capital que vem presi dindo a "todos os sistemas e planos, a de

de divulgação, em revistas especializadas

afirmando a necessidade de "facilitar as

tância ninguém poderia desmerecer, o

ainda porque não os analisaremos pelo prisma com que foram apreciados ante

comunicações internas entre todas as pro

Plano Bicalho impunha a construção de

víncias do Império".

Para êsse fim, era

ferrovias, por exemplo, enrre a barra do

riormente, mas sob outros ângulos —

sua intenção, ao elaborar o plano, ressaltar

Rio Grande, no rio São Francisco, e ura

aqueles mesmos ângulos sob os quais ve remos os planos modernos, isto é, aqueles

qiie o "primeiro meio que mais natural mente se apresenta para vencer as grandes distâncias *que quase isol.ani as diversa.s províncias do Impé

e Sobrado, no rio Xingu, donde a navega

que, principalmente fundados no de 1934, acumularam o material teórico a que deve

desde a grande fase de ascensão cafeeira que produzira os primeiros saldos numa balança de comércio externo habitualmennu'"- naquele mesmo ano- Bi1874; Rebouças, calho, em 1881; Bulhões, cm 1882- di versos, em 1890; J. Luiz Batista, em 1926Frontin, em 1928; Sousa Bandeira em 1932; o Ministério da Viação, em 1934 e era 1948 — elaboraram planos de con junto. De todos êsses, os mais conheci dos e discutidos foram, sem dúvida, o de Bicalho, o de Bulhões e o do Ministério da Viação, de 1934, cujas sucessivas alte rações, inclusive aquelas mais recentes o tornaram, realmente, um conjunto apreciá vel de tendência, encerrando, de idéias e programas parte, ideias

cuja

outra

importân-

cia é inútil encarecer.

A análise de tais pianos já foi feita,

queza, da periferia para o centro — um

ideal grandioso, sem dúvida.

fornecer uma estrutura à unidade histórica,

de prazo razoável.

A ide.a de planeiar, muiro antiga, man-

do País" correspondia a impulsionar a ri

ou leigas, conferências, em meios técnicos ou não, e tôda sorte de meios de debate, Isso não nos proíbe de rever tais planos,

uma execução prática imediata ou dentro

teve-se, com manifestações esporádicas

à mútua compreensão. "Levar o impulso

dentro da grandeza geográfica do País,

recorrer tôda entidade oficial e todo es

rio é utilizar a nave

tudioso do assunto.

gabilidade natural e aperfeiçoada dos rios mencionados e ligálos por meio de es

Formado na Europa, na tradicional Es cola de Pontes e Calçadas, francesa, Honórlo Bicalho foi um distinto engenheiro que se especializou, particularmente, em engenharia hidráulica. Seu trabalho sobre os melhoramentos da barra do Rio Gran de, os estudos sobre a Central do Brasil

primeiras

gerais mistas de via

numa época em que já se discutia caloro

ção a vapor, que atuem como grandes artérias para levar o

samente o problema das bitolas, trouxe ram-lhe um renome profissional a que as

na; de Guaíra, na

do

Ora,

so do progresso das capitais a

l

simples

de construção ferro viária daquela época

nistério da Agricultura dariam o com

...4

à

derando as condições

movimento da vida intelectual e o impul-

borou, em 1881, um plano nacional de viação que ficou conhecido pelo seu nome. O piano seria apresentado ao Congresso,

mato-

vista, mesmo consi

atividades na Diretoria de Obras do Mi

plemento de um renome público. Encar regado pelo Governo, em função de sua competência e do cargo que exercia, ela

pantanal

grossense.

linhas

tradas de ferro e a resistência dos trens,

no

Província do Paraná, a Miranda, às portas

grandes linhas futu ras, e formar assim

porto

Vila de Mato Grosso, na fronteira bolivia

das em posição das

as

ção far-se-ia até Be lém; de São Luís de alto rio Paraguai, à

venientemente traça

e sòbre a ferrovia de Cantagalo, como o

ponto do rio do Sono em que êste fôsse navegável; entre a barra do rio do Sono

Cáceres,

tradas de ferro con

trabalho técnico sobre a largura das es

Para o estabelecimento dessa finalidade

de ordem meramente política, cuja impor

todos os

pontos do gigantesco corpo do Brasil .

Quando Bicalho se refere a ' estradas de

muito mais fáceis, porque os capitais par ticulares ainda se sentiam atraídos para tais empreendimentos, verifica-se como o

Plano Bicalho assentava em uma concep

se-ia supor, dado que êle era engenheiro,

ção inteiramente teórica do problenia. Que produção poderia alimentar o tráfego de

fosse a referência dirigida ao lado técnico

uma ferrovia entre Sobrado e a foz do

do problema, que tão de perto afeta o seu

rio do Sono, no norte goiano e no sudeste

ferro convenientemente traçadas

poder-


m«\ DigjsSto

Velhos planos

Econômico

para se converter em

— e tal lei re

guiaria as concessões

por diante ex-

l>edidas. As

Nelson Werneck Sourú

aspecto cconomicü. Mas não era assim: o

traçado conveniente a que se referia o diretor de Obras Públicas era um tra

características

do

Plano

Bicalho

çado político.

O fim visado estava, pre

cisamente, em unir, em estabelecer conta

eram, sumariamente^ as seguintes;

OeduzidOS pelos quadros de conjunto

quer pelos que planejaram depois, em par

—• sistema misto de comunicações;

^ que. pela sua vastidão, pelas suas ani-

tos, em proporcionar às ilhas em que se repartia aquele gigantesco corpo do Brasil,

ticular aqueles que, em 1934. levantaram

—• grande profundidade na penetração

plas proporções, conferindo com a grande

como ainda hoje, os meios indispensáveis

o primeiro grande plano oficial Je viação. quer cm livros, trabalhos técnicos, con

das vias; —' busca das interligações,

do progresso das capitais a todos os pontos

za geográfica, pareciam acordes corp- a rea- .

lidade — quando começamos a planejar sistemas para a viaí^o brasileira, tendendo, de um lado, a conferir uma idéia de con junto àquilo que se vinha fazendo sob a característica da dispersão, e de outro a tornar um sistema aquilo que se condicio nara a uma variação considerável de fa

tores — esquecemos, em todos os rempos e.nao hoje apenas, as considerações fun damentais e preliminares a que se devem subordinar todos os planejamentos que

pretendem ter, além de uma vida teórica

gressos de especialistas, congressos admi nistrativos e políticos, quer em trabalhos

Bicalho justificou o aspectC político do seu plano, a idéia capital que vem presi dindo a "todos os sistemas e planos, a de

de divulgação, em revistas especializadas

afirmando a necessidade de "facilitar as

tância ninguém poderia desmerecer, o

ainda porque não os analisaremos pelo prisma com que foram apreciados ante

comunicações internas entre todas as pro

Plano Bicalho impunha a construção de

víncias do Império".

Para êsse fim, era

ferrovias, por exemplo, enrre a barra do

riormente, mas sob outros ângulos —

sua intenção, ao elaborar o plano, ressaltar

Rio Grande, no rio São Francisco, e ura

aqueles mesmos ângulos sob os quais ve remos os planos modernos, isto é, aqueles

qiie o "primeiro meio que mais natural mente se apresenta para vencer as grandes distâncias *que quase isol.ani as diversa.s províncias do Impé

e Sobrado, no rio Xingu, donde a navega

que, principalmente fundados no de 1934, acumularam o material teórico a que deve

desde a grande fase de ascensão cafeeira que produzira os primeiros saldos numa balança de comércio externo habitualmennu'"- naquele mesmo ano- Bi1874; Rebouças, calho, em 1881; Bulhões, cm 1882- di versos, em 1890; J. Luiz Batista, em 1926Frontin, em 1928; Sousa Bandeira em 1932; o Ministério da Viação, em 1934 e era 1948 — elaboraram planos de con junto. De todos êsses, os mais conheci dos e discutidos foram, sem dúvida, o de Bicalho, o de Bulhões e o do Ministério da Viação, de 1934, cujas sucessivas alte rações, inclusive aquelas mais recentes o tornaram, realmente, um conjunto apreciá vel de tendência, encerrando, de idéias e programas parte, ideias

cuja

outra

importân-

cia é inútil encarecer.

A análise de tais pianos já foi feita,

queza, da periferia para o centro — um

ideal grandioso, sem dúvida.

fornecer uma estrutura à unidade histórica,

de prazo razoável.

A ide.a de planeiar, muiro antiga, man-

do País" correspondia a impulsionar a ri

ou leigas, conferências, em meios técnicos ou não, e tôda sorte de meios de debate, Isso não nos proíbe de rever tais planos,

uma execução prática imediata ou dentro

teve-se, com manifestações esporádicas

à mútua compreensão. "Levar o impulso

dentro da grandeza geográfica do País,

recorrer tôda entidade oficial e todo es

rio é utilizar a nave

tudioso do assunto.

gabilidade natural e aperfeiçoada dos rios mencionados e ligálos por meio de es

Formado na Europa, na tradicional Es cola de Pontes e Calçadas, francesa, Honórlo Bicalho foi um distinto engenheiro que se especializou, particularmente, em engenharia hidráulica. Seu trabalho sobre os melhoramentos da barra do Rio Gran de, os estudos sobre a Central do Brasil

primeiras

gerais mistas de via

numa época em que já se discutia caloro

ção a vapor, que atuem como grandes artérias para levar o

samente o problema das bitolas, trouxe ram-lhe um renome profissional a que as

na; de Guaíra, na

do

Ora,

so do progresso das capitais a

l

simples

de construção ferro viária daquela época

nistério da Agricultura dariam o com

...4

à

derando as condições

movimento da vida intelectual e o impul-

borou, em 1881, um plano nacional de viação que ficou conhecido pelo seu nome. O piano seria apresentado ao Congresso,

mato-

vista, mesmo consi

atividades na Diretoria de Obras do Mi

plemento de um renome público. Encar regado pelo Governo, em função de sua competência e do cargo que exercia, ela

pantanal

grossense.

linhas

tradas de ferro e a resistência dos trens,

no

Província do Paraná, a Miranda, às portas

grandes linhas futu ras, e formar assim

porto

Vila de Mato Grosso, na fronteira bolivia

das em posição das

as

ção far-se-ia até Be lém; de São Luís de alto rio Paraguai, à

venientemente traça

e sòbre a ferrovia de Cantagalo, como o

ponto do rio do Sono em que êste fôsse navegável; entre a barra do rio do Sono

Cáceres,

tradas de ferro con

trabalho técnico sobre a largura das es

Para o estabelecimento dessa finalidade

de ordem meramente política, cuja impor

todos os

pontos do gigantesco corpo do Brasil .

Quando Bicalho se refere a ' estradas de

muito mais fáceis, porque os capitais par ticulares ainda se sentiam atraídos para tais empreendimentos, verifica-se como o

Plano Bicalho assentava em uma concep

se-ia supor, dado que êle era engenheiro,

ção inteiramente teórica do problenia. Que produção poderia alimentar o tráfego de

fosse a referência dirigida ao lado técnico

uma ferrovia entre Sobrado e a foz do

do problema, que tão de perto afeta o seu

rio do Sono, no norte goiano e no sudeste

ferro convenientemente traçadas

poder-


Digesto Econômico

10-

DiGiiSTo Econômico

106

de despesas consideráveis, sem possibili

grandes arcos de viação mista, envolvendo

dades para ampla recuperação; e um trecho

a grandeza territorial brasileira:

habitadas por paraense, zonas «UIUI» uauauiu<u yyji selvícolas:' 3>.ii t\.iiitxa:

de comunicações produzisse a transforma

Que tráfego realizaria uma estrada de

ção radical de um mundo ainda primário num cenário de ponderável riqueza.

do 'que seria a ligação Joazeiro-Floriano.

Ou aquela entre a barra do rio Grande,

Mas o setor cm que se não tocava era o dos meios. Como construir as ferro

terior bravlo desvaneceram-se.

no São Francisco, e um porto sobre o rio

vias, com que numerário, como equipar os

ferro entre São Luís de Cacetes e a fron

teira boliviana, em Vila Mato Grosso?

do Sono?

rios. já que eles não poderiam ser navega

Estaria, por outro lado, a navegação do rio Miranda, por exemplo, em, concordân cia, quanto à capacidade de vazão, com a

dos apenas pela leve piroga do selvícola como fornecer os elementos concretos de

ferrovia que terminasse naquela cidade? Estaria, poderíamos responder, mas da

jado na realidade, a que os sonhos, por

pior maneira, porque nem a ferrovia po deria transportar cousa alguma, nem o rio estava equipado para dar vazão a alguma cousa. Nessa época, na verdade, já a erva-mate do sul matogrossense, abando

nando a gravitação para a calha do rio Paraguai, quer para Concepcion, na Re

pública vizinha, quer para Pórto • Murtmho, a antiga fazenda Três Barras, de

Boaventura da Mota, voltava-se tôda para

a calha do Paraná, servida pela rede de pequenos rios. tributários daquele. Isto

entretanto, bem ao sul de Miranda, e sem

qualquer tendência para alongar o camide escoamento, desde que os seus

XtSor

estavam nos países

Quando, muito mais do que hoje, a reaPlanodr"'"''' "ni Plano de viaçao nao pode deixar de aten der, e sem o que nao passa de mera especulaçao teórica, apresentava a característi ca, até agora existente, entre nós, da pri mazia do mercado externo, da primazia

da cabotagem para a circulação entre as

^versas partes do Brasil, tudo indicando

pois, a necessidade de comunicações do in tenor para o litoral, Bicalho lançava as amplas proporções da desmedida profun didade na penetração das vias que plane jara, afagava o grande e generoso sonho de conduzir o progresso do litoral para o interior, aos mais longínquos recantos do Império, como se, por si só, a existência

rransformaçãy daquilo que estava plane mais grandiosos que sejam, sempre pretendem? Nesse sentido, no plano de Bicalho, há uma idéia interessante; a da ordem de urgência. Ela é apenas men- ' cionada, sem chegar a apresentar-se aca

bada e discutida.

Esta simples men^o

entretanto, merece evidência, porque, em outros planos, conforme verificaremos nem essa menção existiu. Bicalho decla rou, expressamente, a

necessidade

de

"fazer convergir seus favores de preferên cia para as empresas que dêle mais ca recerem e segundo a urgência de sua rea lização", quanto a uma orientação do Go verno na execução do plano que elaborara. Do plano de Bicalho, o que a realida

de sancionou?

Muito pouco, realmente

e nem mdo fundado em bases firmes. A

grande roçada que, de Santa Maria, por Marcelino Ramos e Porto União, buscava o sul matogrossense, numa inflexão con trária a tudo o que a realidade impunha restou o segmento Santa Maria-Pôrto União, ligado a São Paulo. Foram cons

truídos os segmentos São Paulo-Jupiá, aIonga'do até às barrancas do Paraguai e passando em Miranda; RÍo-BeIo Horizonte-Pirapora, onde a Central plantou o seu

quilômetro mil, e que lhe fornece despe sas anuais constantes; Salvador-Joazeiro. prolongamento de ferrovia já existente, e oriunda da verdadeira corrida para o São Francisco que animou as estradas nordes

tinas e do leste brasileiro, em certa época; Terezina-São Luís, fornecedora, também,

O.S grandes sonhos de ferrovias no in

Dêles, o

uníco sinal ficou sendo o pequeno trecho da ferrovia do Tocantins, destinado a con tornar a faixa encachoeirada daquele rio.

cujos trilhos acabaram cobertos pelo mato

—■ Santa Maria-Pôrto União (terres

tre ) -rio Piquiri-Guaíra-Míranda

(terresrre)-rio Miranda-rio ParaguaÍ-São Luís de Caceres-Vila Mato Grosso (terrestre)-rio Guaporé-Guajará Mírim-Pôrto Velho (ter restre)-rio Madeira-rio Amazonas; — Rio-Pirapóra

(terrestre)-rio

São

e que apresentou o espetáculo verdadeira mente curioso de uma locomotiva desapa

Francisco-barra do rio Grande-pôrto no

recida e depois descoberta em plena selva.

do rio do Sono-Sobrado

A intensidade de tráfego dêsse reduzido,

Xíngu-rio Amazonas;

segmento, da ordem de um trem por se

rio do Sono (terrestre)-rio do Sono-barra

{terrestre)-fio

— Salvador-Joazeiro-Floriano

(terres•

mana, foi pouco excedida pela própria

r^e)-^^o Parnaíba-Terezina-São Luís.

Madeira-Mamoré, que encontrara algumas razões de ordem econômica para a sua

cionados no seu plano e as construções

construção, fora das de ordem política, e

ferroviárias, nele previstas, e que foram

que lá permanece, como exemplo aj>enas

realmente efetivadasr já estudamos. O que

da capacidade humana na realização de empreendimentos generosamente conce

to, foi a conjugação dos meios de trans

bidos.

Dos trechos navegáveis apresentados no plano de Bicalho restam, de alguma ma

Quanto à navegabilidade dos rios men

fracassou de maneira quase total, entretan

porte: o rio Piquiri não tem navegação digna de menção; a do rio Miranda é re duzidíssima, e hoje liquidada pela ferro

neira, o do São Francisco, em condições

via que liga Miranda a Porto Esperança,

n^uito precárias; o do Paraguai, mais acen

a do trecho do rio Paraguai a montante

tuado ao sul de Corumbá, e não entre

de Porto Esperança, mal organizada e de saparelhada, conjuga-se, realmente, a uma

esta cidade e São Luís de Cáceres; o do

Paraná, entre Jupiá e Guaíra, interessan do, do ponto de vista econômico, à efvamate, mas bem ao sul do primeiro daque les portos; o do rio Parnaiba, através do qual se escoa parte da produção do Piauí; e o do Madeira-Amazonas, em que a nívegação tem primazia absoluta.

Bicalho foi um dos primeiros a planejar em grande escada e em conjunto, o que

lhe acarreta algum mérito. Foi também o primeiro que concebeu um sistema mis

to, sentindo a necessidade de aproveitar a navegabilidade dos rios brasileiros e a importância econômica dêsse aproveita

mento, que contribuiria para a diminuição da despesa a" efetuar com a realidade das obras terrestres que a execução de seu

plano imporia.

Bicalho concebeu crês

ferrovia, embora não aquela que Bicalho

previra, e está em vésperas de receber um golpe decisivo com o prolongamento da Noroeste a Corumbá; a que se processa a montante desta última cidade ainda terá

muito tempo de vigência, mas tem expres

são econômica diminuta; a do rio Guaporé não tem expressão econômica; e a

dos rios Madeira e Amazonas, principal

mente a dêste. representa, está fora de

duvida, o escoamento natural da região. Quanto ao segundo arco; a navegado do Sao Francisco, a juzante de Pirapora, ar rasta-se em condições precárias, e a cons trução da ferrovia Río-Bahia contribuirá

para fazê-la ainda menos importante; a

do rio do Sono não existe; e a do Xingu é de reduzida importância. Quanto ao


Digesto Econômico

10-

DiGiiSTo Econômico

106

de despesas consideráveis, sem possibili

grandes arcos de viação mista, envolvendo

dades para ampla recuperação; e um trecho

a grandeza territorial brasileira:

habitadas por paraense, zonas «UIUI» uauauiu<u yyji selvícolas:' 3>.ii t\.iiitxa:

de comunicações produzisse a transforma

Que tráfego realizaria uma estrada de

ção radical de um mundo ainda primário num cenário de ponderável riqueza.

do 'que seria a ligação Joazeiro-Floriano.

Ou aquela entre a barra do rio Grande,

Mas o setor cm que se não tocava era o dos meios. Como construir as ferro

terior bravlo desvaneceram-se.

no São Francisco, e um porto sobre o rio

vias, com que numerário, como equipar os

ferro entre São Luís de Cacetes e a fron

teira boliviana, em Vila Mato Grosso?

do Sono?

rios. já que eles não poderiam ser navega

Estaria, por outro lado, a navegação do rio Miranda, por exemplo, em, concordân cia, quanto à capacidade de vazão, com a

dos apenas pela leve piroga do selvícola como fornecer os elementos concretos de

ferrovia que terminasse naquela cidade? Estaria, poderíamos responder, mas da

jado na realidade, a que os sonhos, por

pior maneira, porque nem a ferrovia po deria transportar cousa alguma, nem o rio estava equipado para dar vazão a alguma cousa. Nessa época, na verdade, já a erva-mate do sul matogrossense, abando

nando a gravitação para a calha do rio Paraguai, quer para Concepcion, na Re

pública vizinha, quer para Pórto • Murtmho, a antiga fazenda Três Barras, de

Boaventura da Mota, voltava-se tôda para

a calha do Paraná, servida pela rede de pequenos rios. tributários daquele. Isto

entretanto, bem ao sul de Miranda, e sem

qualquer tendência para alongar o camide escoamento, desde que os seus

XtSor

estavam nos países

Quando, muito mais do que hoje, a reaPlanodr"'"''' "ni Plano de viaçao nao pode deixar de aten der, e sem o que nao passa de mera especulaçao teórica, apresentava a característi ca, até agora existente, entre nós, da pri mazia do mercado externo, da primazia

da cabotagem para a circulação entre as

^versas partes do Brasil, tudo indicando

pois, a necessidade de comunicações do in tenor para o litoral, Bicalho lançava as amplas proporções da desmedida profun didade na penetração das vias que plane jara, afagava o grande e generoso sonho de conduzir o progresso do litoral para o interior, aos mais longínquos recantos do Império, como se, por si só, a existência

rransformaçãy daquilo que estava plane mais grandiosos que sejam, sempre pretendem? Nesse sentido, no plano de Bicalho, há uma idéia interessante; a da ordem de urgência. Ela é apenas men- ' cionada, sem chegar a apresentar-se aca

bada e discutida.

Esta simples men^o

entretanto, merece evidência, porque, em outros planos, conforme verificaremos nem essa menção existiu. Bicalho decla rou, expressamente, a

necessidade

de

"fazer convergir seus favores de preferên cia para as empresas que dêle mais ca recerem e segundo a urgência de sua rea lização", quanto a uma orientação do Go verno na execução do plano que elaborara. Do plano de Bicalho, o que a realida

de sancionou?

Muito pouco, realmente

e nem mdo fundado em bases firmes. A

grande roçada que, de Santa Maria, por Marcelino Ramos e Porto União, buscava o sul matogrossense, numa inflexão con trária a tudo o que a realidade impunha restou o segmento Santa Maria-Pôrto União, ligado a São Paulo. Foram cons

truídos os segmentos São Paulo-Jupiá, aIonga'do até às barrancas do Paraguai e passando em Miranda; RÍo-BeIo Horizonte-Pirapora, onde a Central plantou o seu

quilômetro mil, e que lhe fornece despe sas anuais constantes; Salvador-Joazeiro. prolongamento de ferrovia já existente, e oriunda da verdadeira corrida para o São Francisco que animou as estradas nordes

tinas e do leste brasileiro, em certa época; Terezina-São Luís, fornecedora, também,

O.S grandes sonhos de ferrovias no in

Dêles, o

uníco sinal ficou sendo o pequeno trecho da ferrovia do Tocantins, destinado a con tornar a faixa encachoeirada daquele rio.

cujos trilhos acabaram cobertos pelo mato

—■ Santa Maria-Pôrto União (terres

tre ) -rio Piquiri-Guaíra-Míranda

(terresrre)-rio Miranda-rio ParaguaÍ-São Luís de Caceres-Vila Mato Grosso (terrestre)-rio Guaporé-Guajará Mírim-Pôrto Velho (ter restre)-rio Madeira-rio Amazonas; — Rio-Pirapóra

(terrestre)-rio

São

e que apresentou o espetáculo verdadeira mente curioso de uma locomotiva desapa

Francisco-barra do rio Grande-pôrto no

recida e depois descoberta em plena selva.

do rio do Sono-Sobrado

A intensidade de tráfego dêsse reduzido,

Xíngu-rio Amazonas;

segmento, da ordem de um trem por se

rio do Sono (terrestre)-rio do Sono-barra

{terrestre)-fio

— Salvador-Joazeiro-Floriano

(terres•

mana, foi pouco excedida pela própria

r^e)-^^o Parnaíba-Terezina-São Luís.

Madeira-Mamoré, que encontrara algumas razões de ordem econômica para a sua

cionados no seu plano e as construções

construção, fora das de ordem política, e

ferroviárias, nele previstas, e que foram

que lá permanece, como exemplo aj>enas

realmente efetivadasr já estudamos. O que

da capacidade humana na realização de empreendimentos generosamente conce

to, foi a conjugação dos meios de trans

bidos.

Dos trechos navegáveis apresentados no plano de Bicalho restam, de alguma ma

Quanto à navegabilidade dos rios men

fracassou de maneira quase total, entretan

porte: o rio Piquiri não tem navegação digna de menção; a do rio Miranda é re duzidíssima, e hoje liquidada pela ferro

neira, o do São Francisco, em condições

via que liga Miranda a Porto Esperança,

n^uito precárias; o do Paraguai, mais acen

a do trecho do rio Paraguai a montante

tuado ao sul de Corumbá, e não entre

de Porto Esperança, mal organizada e de saparelhada, conjuga-se, realmente, a uma

esta cidade e São Luís de Cáceres; o do

Paraná, entre Jupiá e Guaíra, interessan do, do ponto de vista econômico, à efvamate, mas bem ao sul do primeiro daque les portos; o do rio Parnaiba, através do qual se escoa parte da produção do Piauí; e o do Madeira-Amazonas, em que a nívegação tem primazia absoluta.

Bicalho foi um dos primeiros a planejar em grande escada e em conjunto, o que

lhe acarreta algum mérito. Foi também o primeiro que concebeu um sistema mis

to, sentindo a necessidade de aproveitar a navegabilidade dos rios brasileiros e a importância econômica dêsse aproveita

mento, que contribuiria para a diminuição da despesa a" efetuar com a realidade das obras terrestres que a execução de seu

plano imporia.

Bicalho concebeu crês

ferrovia, embora não aquela que Bicalho

previra, e está em vésperas de receber um golpe decisivo com o prolongamento da Noroeste a Corumbá; a que se processa a montante desta última cidade ainda terá

muito tempo de vigência, mas tem expres

são econômica diminuta; a do rio Guaporé não tem expressão econômica; e a

dos rios Madeira e Amazonas, principal

mente a dêste. representa, está fora de

duvida, o escoamento natural da região. Quanto ao segundo arco; a navegado do Sao Francisco, a juzante de Pirapora, ar rasta-se em condições precárias, e a cons trução da ferrovia Río-Bahia contribuirá

para fazê-la ainda menos importante; a

do rio do Sono não existe; e a do Xingu é de reduzida importância. Quanto ao


I I

108

DlGFSTO ECOr^ÓMlCO

terceiro arco, quase todo de segmentos terrestres, a navegação do Parnaíba, entre

dúvida, uma contribuição sincera, gene

Floriano e Terezina, carece de expressão

ciada da realidade l^rasileira, como tantos

econômica.

outros sonhos que vimos acalentando, e

Eis, em breves linhas, a que ficou re

duzido um plano que representava, sem

I

rosa e idealista — mas totalmente divor

n imPORTnncin

■ ' fr .

pesouisn no

cnmpo Dfl ciêncin purr Artur Hf.hl Nbiva

que SC transformam, ao sopro forte da

vida, em fumaça que ccJo se dissipa.

dq

J^HSDF, a segunda metade do século

Acompanhando essa evolução do pro

XVllI, quando pela primeira vez o homem pôde utilizar eficientemente a

gresso nos últimos dois séculos, verifica mos que a sua quase totalidade foi reali

maquina, o progresso da civilização se tem

zada através do maquinismo. O aço subs

realizado a passos gigantescos, acelerandose cada ano que passa.

diligência, o navio a motor o barco a

A revolução industrial, que marcou o inicio desse surto, consiste, essencialmen

tigos meios de transporte, a lâmpada elé

te, no fornecimento ao homem dos meios

para dominar a naturez,i. A conquista da

velocidade, a conquista da distância, a conquista da produção em grande «escala liberaram as atividades de milhões de pes soas que, assim, puderam dedicar-se à so

lução de outros problemas, tais como o da melhoria das condições de saiide, de vida, e outras que vieram, indiretamente, afetar o bem-estar da humanidade. aumento

do

conhecimento

O

humano em

todos os setores foi, assim, acumulandose cada vez mais rapidamente, e incorporando-se ao acervo cultural da espécie hu mana, que é a sua herança social.

Ora, o simples exame desse processo mostra claramente • que êle so se po e realizar pelo acréscimo de conhe

tituiu a madeira, a estrada de ferro a vela, o automóvel e o avião todos os an

trica a vela dos nossos antepassados, e a luz fluorescente o candieíro de querosene dos nossos avós. Pràticamente desapare

ceu a varíola; as grandes epidemias de cólera e de peste pertencem ao passado.

Nos países mais adiantados do mundo, a expectativa de vida, atualmente, é mais

que o dobro da que era em 1800. Hoje, o telégrafo, o rádio e a televisão nos põem em conracto imediato e direto com os acontecimentos à medida que se estão

processando, e se não dispusermos desses aparelhos, a fotografia e o cinema conser vam para nós, fixados para todo o sem

pre, os instantâneos da vida que, outrora, se perdiam definitivamente. Vemos, pois, que foi a ciência que per-' mitiu o imenso desenvolvimento

do nosso conforto material, que

cimentos humanos em todos os

nos cercou de tantas coisas agra

ramos' da atividade.

dáveis.

Mas, para

que tal acréscimo se produza, não

hasta repetir o que vinha sendo dito ou feito antes; é indispensá vel acrescentar alguma coisa nova

ao que já era conhecido. Essa e

unçao

da pesquisa. Sem pesquisa n|o ha esco berta de conhecimentos novos; sem

- cimentes novos, não há acréscimo o sa r ou da cultura; sem cultura não a pro gresso. Por conseguinte, é a pesquisa que está na base de todo o progresso da humanidade.

Entretanto, embora

a

ciência só possa progredir à custa da pesquisa científica, ainda há muita gente, especialmente em nosso meio, que não entende assim e.

desprezando a pesquisa pura, pergunta sempre pela aplicação direta ou pelo re sultado imediato que é de esperar de qualquer pesquisa. Felizmente, o número desses imediatis tas, incapazes de compreenderem o valor

da ciência, decresce todos os dias. Como,


I I

108

DlGFSTO ECOr^ÓMlCO

terceiro arco, quase todo de segmentos terrestres, a navegação do Parnaíba, entre

dúvida, uma contribuição sincera, gene

Floriano e Terezina, carece de expressão

ciada da realidade l^rasileira, como tantos

econômica.

outros sonhos que vimos acalentando, e

Eis, em breves linhas, a que ficou re

duzido um plano que representava, sem

I

rosa e idealista — mas totalmente divor

n imPORTnncin

■ ' fr .

pesouisn no

cnmpo Dfl ciêncin purr Artur Hf.hl Nbiva

que SC transformam, ao sopro forte da

vida, em fumaça que ccJo se dissipa.

dq

J^HSDF, a segunda metade do século

Acompanhando essa evolução do pro

XVllI, quando pela primeira vez o homem pôde utilizar eficientemente a

gresso nos últimos dois séculos, verifica mos que a sua quase totalidade foi reali

maquina, o progresso da civilização se tem

zada através do maquinismo. O aço subs

realizado a passos gigantescos, acelerandose cada ano que passa.

diligência, o navio a motor o barco a

A revolução industrial, que marcou o inicio desse surto, consiste, essencialmen

tigos meios de transporte, a lâmpada elé

te, no fornecimento ao homem dos meios

para dominar a naturez,i. A conquista da

velocidade, a conquista da distância, a conquista da produção em grande «escala liberaram as atividades de milhões de pes soas que, assim, puderam dedicar-se à so

lução de outros problemas, tais como o da melhoria das condições de saiide, de vida, e outras que vieram, indiretamente, afetar o bem-estar da humanidade. aumento

do

conhecimento

O

humano em

todos os setores foi, assim, acumulandose cada vez mais rapidamente, e incorporando-se ao acervo cultural da espécie hu mana, que é a sua herança social.

Ora, o simples exame desse processo mostra claramente • que êle so se po e realizar pelo acréscimo de conhe

tituiu a madeira, a estrada de ferro a vela, o automóvel e o avião todos os an

trica a vela dos nossos antepassados, e a luz fluorescente o candieíro de querosene dos nossos avós. Pràticamente desapare

ceu a varíola; as grandes epidemias de cólera e de peste pertencem ao passado.

Nos países mais adiantados do mundo, a expectativa de vida, atualmente, é mais

que o dobro da que era em 1800. Hoje, o telégrafo, o rádio e a televisão nos põem em conracto imediato e direto com os acontecimentos à medida que se estão

processando, e se não dispusermos desses aparelhos, a fotografia e o cinema conser vam para nós, fixados para todo o sem

pre, os instantâneos da vida que, outrora, se perdiam definitivamente. Vemos, pois, que foi a ciência que per-' mitiu o imenso desenvolvimento

do nosso conforto material, que

cimentos humanos em todos os

nos cercou de tantas coisas agra

ramos' da atividade.

dáveis.

Mas, para

que tal acréscimo se produza, não

hasta repetir o que vinha sendo dito ou feito antes; é indispensá vel acrescentar alguma coisa nova

ao que já era conhecido. Essa e

unçao

da pesquisa. Sem pesquisa n|o ha esco berta de conhecimentos novos; sem

- cimentes novos, não há acréscimo o sa r ou da cultura; sem cultura não a pro gresso. Por conseguinte, é a pesquisa que está na base de todo o progresso da humanidade.

Entretanto, embora

a

ciência só possa progredir à custa da pesquisa científica, ainda há muita gente, especialmente em nosso meio, que não entende assim e.

desprezando a pesquisa pura, pergunta sempre pela aplicação direta ou pelo re sultado imediato que é de esperar de qualquer pesquisa. Felizmente, o número desses imediatis tas, incapazes de compreenderem o valor

da ciência, decresce todos os dias. Como,


DIGESTO ECONÔMICO

DiGKSTo Econômico

entretanto, ainda existem, é conveniente

parcce ser repentino, de uma descoberta

tle nossos mais brilhantes homens de ciên

da história que lhe conhecemos até mea

mostrar a influência da pesquisa pura nas

nov.i que vai Influenciar profundamente

cia, sob a direto científica de César

dos do século XVHI.

descobertas mais corriqueiras da nossa vida

roda a sua vida.

Latces, o Centro Brasileiro de Pesquisas

A terceira é a revolução industriai. Es sencialmente, foi a descoberta da má quina a vapor e a sua aplicação à in

diária.

O bonde, a lâmpada elétrica, o ferro

elétrico e todas as múltiplas aplicações da eletricidade que atualmente dominam

Por esse motivo, em todos os países,

Físicas, dedicado às pesquisas no campo

grandes ou pequenos, onde o valor da ciência é compreendido, como nos Estados

pelas ciências afins como a Química e a

dústria, em especial a de tecidos, com os

História Natural, o qual vem desse modo

teares mecânicos. Provocou o surto capi

em fins do século XVIII, Faraday em

Unidos, na Grã-Bretanha. França. Itália, Holanda, Bélgica, Suécia. Suíça e tam bém no Exrremo-Oriente. são as próprias organizaçõe.s industriais que contribuem

1832, e uma plêiade de físicos e pesqui

voluntariamente, com milhões e mesmo

sadores de meados do século XIX em

bilhões das rcspectiva.s unidades monetá

diante.

ria.'?. para a dotação de centros de pesqui

a nossa vida, são o resultado final da

pesquisa pura e teórica realizada por Volta

A Iu2 fluorescente e os tubos de gás ft neon, que tanto alegram nossas cidades com seu efeito multicor, são o resultado

da pesquisa física pura de Geissier, Crooes e Ramsay, no último quartel do século

passado. A descoberta do rádio por Marconi, em 1905, é devida à pesquisa fí100/

A bomba atômica de 1945 foi

devida à pesquisa pura realizada, no camfísica, desde Becquerel em 1896. passando pelo casal Curíe

sa, aparelhando-os da melhor forma e su plementando as verbas que lhes são desti nadas pelas entidades oficiais. As universi dades norte-americanas vivem, quase tôdas. de contribuiçõe.s que lhes são legadas por particulares ricos ou por instituições comerciais e industriais: na.Rússia, onde

o regimem é completamente diferente do nosso, c o Estado que, diretamente, atri bui créditos avulrados às suas instituições de pesquisas.

e por Planck

No Brasil existem centros de pesqui

em

sa universalmente conhecidos, mas dedi

século, RutherVrd

1/:'f'°ste.n em 1916, Bohr em 1918 ~ e Dirac antes de 1930. Chadwkk AnJ r ^ FermI. R k Oppenheimer e Urey Yukawa. Hahn, en-

cados quase que exclusivamente às ciên cias biológicas, tais como o Instituto Os-

waldo Cruz. o Instituto Biológico de De

da física c da matemática e estendendo-se

preencher uma lacuna patente em nossa

talista no começo do século XIX, a trans

formação cultural.

Essa deficiência é tanto mais sensível

formação total da vida — que, de predo minantemente agrícola, passou a ser in

hoje em dia quanto, com o advento da

dustrial e urbana — o imenso desenvol

era atômica, estamos assistindo no mun

vimento das populações e o domínio do

do a uma transformação mais importante

planeta pela civilização ocidental. É tôda

para a humanidade do que a própria re

ela baseada, em sua primeira fase, no uso do ferro e do carvão, através da máquina

volução industrial.

Em todo o período da existência do homem sobre a terra, só houve quatro descobertas, ou conjunto de descobertas quase simultâneas, que possam ser comparáveis entre si em importância. Cada uma delas iniciou uma nova era e permitiu,

como conseqüência das profundas

modificações que trazia, um imenso surto de desenvolvimento, como atingindo um patamar superior no nível de vida possí vel de alcançar. A primeira, remotíssima, há mais de meio milhão de anos, foi a utilizado do fogo pelo Jiomem. Esta permitiu separar

tre outros, antes de I942

fesa Agrícola e Animal e o Instituto Bu-

vel ?ntrV:olT?° -ima e indispensá-

ranrã, especializado o primeiro em medi cina tropical, o segundo na pesquisa de

definitivamente o homem de todos os ou

Pesquisadores dasSIRmoléstias de plantas e animais, o terceiro

tros seres vivos, lançando as bases para a

mais variadas n

dedicado principalmente ao combate con

sua conquista completa e definitiva de tôda

tra o ofidismo.

a

Incontestàvelmente, os institutos de pes quisas biológicas têm predominância no

muito mais recente, porque não vai alem

de uma nova era

Brasil sobre os de outra natureza. Entre

de dez mil anos — é a chamada revolu

nidade.

hema-

tanto, as investigações era outros setores

veriíicamos a imperiosa necessidade que

do conhecimento não devem ser despreza das, pois são também essenciais ao desen

ção neolítica. Trouxe a domesticação de animais, a agricultura, a cerâmica e o te cido; permitiu ao homem tornar-se seden

volvimento do progresso.

tário e adquirir um excesso de bens além

existe de ser, ao máximo, desenvolvida

pesquisa pura, única fonte que, pela adi

ção constante ao nosso conhecimento, per mite o aparecimento, que para o 'leigo

Em 1949, cciou-se no Rio de Janeiro, por iniciativa de patriotas de visão como o Ministro João Alberto e o Almirante

Álvaro Alberto, congregando um punhada

terra.

A segunda, ainda pré-histórica —

dos do consumo imediato.

1870, chamada de neotécnica por

alguns, na eletricidade em seus vá rios setores, nas ligas metálicas, no uso de metais leves como o alumínio e o magnésio, na química

orgânica sintética e nas matérias plásticas. Ê a civilização de hoje em dia; deu-nos todos aqueles benefícios de que hoje desfrutamos e a que acima fizemos referência.

A quarta e última é a era atômica, que se iniciou dramaticamente com a explosão

da primeira bomba experimental em Los Alamos, em I6 de julho de 1945, a qual vinha sendo preparada em segredo desde

1941, no maior esforço científico conjun to de que há memória em tôda a história humana.

çao. nao so de uma nova arma sZlZ de mu.to a qualquer das outras coEd das antenormente, como ainda ao inSo

Êsses exemplos badam. Através dêles,

a vapor; e em sua segunda fase, depois de

Acarretou,

como conseqüência, a metalurgia, a escri ta, a formação de cidades e as primeiras civilizações, lançando o homem na trilha

Para bem compreender o alcance dessa era nova para o progresso da humanida-

de é forçoso fazer aqui uma exposição sumaria sobre física nuclear.

Essencialmente, as quatro etapas acima brevemente delineadas se caracterizam, cada qual, pela utilização, por parte do homem, de uma forma distinta de ener gia . A descoberta do fogo acarreta a uti

lização da energia calorífica e luminosa, imediatamente empregada para cozer os


DIGESTO ECONÔMICO

DiGKSTo Econômico

entretanto, ainda existem, é conveniente

parcce ser repentino, de uma descoberta

tle nossos mais brilhantes homens de ciên

da história que lhe conhecemos até mea

mostrar a influência da pesquisa pura nas

nov.i que vai Influenciar profundamente

cia, sob a direto científica de César

dos do século XVHI.

descobertas mais corriqueiras da nossa vida

roda a sua vida.

Latces, o Centro Brasileiro de Pesquisas

A terceira é a revolução industriai. Es sencialmente, foi a descoberta da má quina a vapor e a sua aplicação à in

diária.

O bonde, a lâmpada elétrica, o ferro

elétrico e todas as múltiplas aplicações da eletricidade que atualmente dominam

Por esse motivo, em todos os países,

Físicas, dedicado às pesquisas no campo

grandes ou pequenos, onde o valor da ciência é compreendido, como nos Estados

pelas ciências afins como a Química e a

dústria, em especial a de tecidos, com os

História Natural, o qual vem desse modo

teares mecânicos. Provocou o surto capi

em fins do século XVIII, Faraday em

Unidos, na Grã-Bretanha. França. Itália, Holanda, Bélgica, Suécia. Suíça e tam bém no Exrremo-Oriente. são as próprias organizaçõe.s industriais que contribuem

1832, e uma plêiade de físicos e pesqui

voluntariamente, com milhões e mesmo

sadores de meados do século XIX em

bilhões das rcspectiva.s unidades monetá

diante.

ria.'?. para a dotação de centros de pesqui

a nossa vida, são o resultado final da

pesquisa pura e teórica realizada por Volta

A Iu2 fluorescente e os tubos de gás ft neon, que tanto alegram nossas cidades com seu efeito multicor, são o resultado

da pesquisa física pura de Geissier, Crooes e Ramsay, no último quartel do século

passado. A descoberta do rádio por Marconi, em 1905, é devida à pesquisa fí100/

A bomba atômica de 1945 foi

devida à pesquisa pura realizada, no camfísica, desde Becquerel em 1896. passando pelo casal Curíe

sa, aparelhando-os da melhor forma e su plementando as verbas que lhes são desti nadas pelas entidades oficiais. As universi dades norte-americanas vivem, quase tôdas. de contribuiçõe.s que lhes são legadas por particulares ricos ou por instituições comerciais e industriais: na.Rússia, onde

o regimem é completamente diferente do nosso, c o Estado que, diretamente, atri bui créditos avulrados às suas instituições de pesquisas.

e por Planck

No Brasil existem centros de pesqui

em

sa universalmente conhecidos, mas dedi

século, RutherVrd

1/:'f'°ste.n em 1916, Bohr em 1918 ~ e Dirac antes de 1930. Chadwkk AnJ r ^ FermI. R k Oppenheimer e Urey Yukawa. Hahn, en-

cados quase que exclusivamente às ciên cias biológicas, tais como o Instituto Os-

waldo Cruz. o Instituto Biológico de De

da física c da matemática e estendendo-se

preencher uma lacuna patente em nossa

talista no começo do século XIX, a trans

formação cultural.

Essa deficiência é tanto mais sensível

formação total da vida — que, de predo minantemente agrícola, passou a ser in

hoje em dia quanto, com o advento da

dustrial e urbana — o imenso desenvol

era atômica, estamos assistindo no mun

vimento das populações e o domínio do

do a uma transformação mais importante

planeta pela civilização ocidental. É tôda

para a humanidade do que a própria re

ela baseada, em sua primeira fase, no uso do ferro e do carvão, através da máquina

volução industrial.

Em todo o período da existência do homem sobre a terra, só houve quatro descobertas, ou conjunto de descobertas quase simultâneas, que possam ser comparáveis entre si em importância. Cada uma delas iniciou uma nova era e permitiu,

como conseqüência das profundas

modificações que trazia, um imenso surto de desenvolvimento, como atingindo um patamar superior no nível de vida possí vel de alcançar. A primeira, remotíssima, há mais de meio milhão de anos, foi a utilizado do fogo pelo Jiomem. Esta permitiu separar

tre outros, antes de I942

fesa Agrícola e Animal e o Instituto Bu-

vel ?ntrV:olT?° -ima e indispensá-

ranrã, especializado o primeiro em medi cina tropical, o segundo na pesquisa de

definitivamente o homem de todos os ou

Pesquisadores dasSIRmoléstias de plantas e animais, o terceiro

tros seres vivos, lançando as bases para a

mais variadas n

dedicado principalmente ao combate con

sua conquista completa e definitiva de tôda

tra o ofidismo.

a

Incontestàvelmente, os institutos de pes quisas biológicas têm predominância no

muito mais recente, porque não vai alem

de uma nova era

Brasil sobre os de outra natureza. Entre

de dez mil anos — é a chamada revolu

nidade.

hema-

tanto, as investigações era outros setores

veriíicamos a imperiosa necessidade que

do conhecimento não devem ser despreza das, pois são também essenciais ao desen

ção neolítica. Trouxe a domesticação de animais, a agricultura, a cerâmica e o te cido; permitiu ao homem tornar-se seden

volvimento do progresso.

tário e adquirir um excesso de bens além

existe de ser, ao máximo, desenvolvida

pesquisa pura, única fonte que, pela adi

ção constante ao nosso conhecimento, per mite o aparecimento, que para o 'leigo

Em 1949, cciou-se no Rio de Janeiro, por iniciativa de patriotas de visão como o Ministro João Alberto e o Almirante

Álvaro Alberto, congregando um punhada

terra.

A segunda, ainda pré-histórica —

dos do consumo imediato.

1870, chamada de neotécnica por

alguns, na eletricidade em seus vá rios setores, nas ligas metálicas, no uso de metais leves como o alumínio e o magnésio, na química

orgânica sintética e nas matérias plásticas. Ê a civilização de hoje em dia; deu-nos todos aqueles benefícios de que hoje desfrutamos e a que acima fizemos referência.

A quarta e última é a era atômica, que se iniciou dramaticamente com a explosão

da primeira bomba experimental em Los Alamos, em I6 de julho de 1945, a qual vinha sendo preparada em segredo desde

1941, no maior esforço científico conjun to de que há memória em tôda a história humana.

çao. nao so de uma nova arma sZlZ de mu.to a qualquer das outras coEd das antenormente, como ainda ao inSo

Êsses exemplos badam. Através dêles,

a vapor; e em sua segunda fase, depois de

Acarretou,

como conseqüência, a metalurgia, a escri ta, a formação de cidades e as primeiras civilizações, lançando o homem na trilha

Para bem compreender o alcance dessa era nova para o progresso da humanida-

de é forçoso fazer aqui uma exposição sumaria sobre física nuclear.

Essencialmente, as quatro etapas acima brevemente delineadas se caracterizam, cada qual, pela utilização, por parte do homem, de uma forma distinta de ener gia . A descoberta do fogo acarreta a uti

lização da energia calorífica e luminosa, imediatamente empregada para cozer os


DlGi;STí> l!< ONÓMW

112

J13

DiGKSTo Econômico

alimentos e rasgar as trevas, aíastantlo as

A constatação dcs.sj fato abriu logo um

sim os inimigos; e mais tarde, para aper

novo caminho para as pc'si.,uisas. havendo

feiçoar as armas e utensílios.

A revolu-

^o neolítica introduz o uso da energia nos seres vivos, pois a domesticação de

animais acarreta o uso déies para auxiliar o transporte, como bestas de carga, etc.,

e da energia biológica, altamente comple xa, através das várias modaliilades da agri cultura.

A terceira substitui a energia muscular pela energia mecânica, seja através de

maquinas térmicas, a vapor em sua pri meira fase e de combustão interna na Se

gunda, se,a ainda, nessa fase, pelo empre go de maquinas elétricas.

A quarta, finalmente, procura utilizar a enprgia que existe dentro dos átomos

c-onstitutivos da matéria, cuja estabilidade

rene ^ quantidade energia de sinais contrários contida em qualquer desses átomos, e cuja liberação -brusca e capaz de provocar os terríveis afeitos da explosão de uma bomba IS mica.

Foi calculado que a

nelTdi"de Ínt'o ^«.600,000 toneladas dTgua. i-m princípios do século yiy

, lou a teoria atômica se^undA"^""^"' postu

necessidade de uma revisão completa da

quilo que se acreditava até então sobre a constância dos átomos nos vários elemen tos cjuimicos.

Aos poucos, a análise da enorme mas sa de dados proveniente do trabalho de

jx-squisadores indeijcndentes nos campos da física e da química, ix-rmitiu a Rutherford que. em 1911, propusesse, já em

base experimental, a teoria de que cada átomo era anilogo a um sistema solar em miniatura, no qual o sol — o núcleo

fóssc representado por uma concentração lie massa de carga elcrrica positiva, em

tòrno do qual girassem, em órbitas diver sas, tal tomo os planetas, jxquenas par tículas muito mais leves,

eletricidade

negativa,

e

carregadas de

denominadas

dvctrons.

Assim, desde aquela época, haviam si

do iilentificadas e estudadas duas das par tículas elementares que entram na capa cidade lie todos os átomos : uma partícula positiva, de massa apreciável, denomina-

il?. próton e uma partícula negativa, muito Uve, denominada eléctron. O moilêlo atômico de Rutherford so

freu modificações teóricas profundas con•sequentes aos trabalhos de Bohr e Som-

para construir a q"'mica quín^ir' classica, , '

merfeld,

as substâncias seriara compostas Te

Em con.sequéncia desses trabalhos e dos que se lhes seguiram, verificou-se que a

nas. parriculas raicroscóTcas haraT" átomos, e que seriara absoluráraente^t"

durante

a

primeira

guerra

mundial.

complexidade da estrutura

atômica era

cavets, tsto e, '"eduriveis a elementos

muito maior do que se admitia até então,

nores. Sobre essas bases foi realiaado o progresso da qu.m.ca durante todo o sécu Io XIX e a teoria se manteve de pé até

sendo necessário criar toda uma nova me cânica para explicar os fenômenos que se passavam no interior do átomo. Esse no vo ramo da ciência, desenvolvido princi palmente na segunda década do século

que quase no fim do século passado se verificou que certas substâncias se desin tegravam espontaneamente, com emissão

de radiações diversas, constituindo o fe nômeno da radioatividade.

XX, conduziu a conclusões teóricas que se coadunavam perfeitamente com os re sultados experimentais obtidos, e permi tiu prever a existência de outras partícu

.ioáàÈik.

las elementares.

Estas começaram a ser

observadas experimentalmente pouco de pois de 1930. Em 1932, por exemplo, Anderson descobre o positrun. idêntico ao

eléctron c com carga positiva; Chadwick descobre o nei*froti, partícula de massa

partículas elementares, do núcleo comple xo de cada elemento químico. Isso é devido ao seguinte: o núcleo

atômico é extremamente pequeno e for temente carregado de eletricidade positiva,

existindo entre êle e o espaço ambiente

igual à do próton, porém destituída de qualquer carga elétrica ; em 193ó Ander

uma espécie de muralha elétrica, denomi

son c Nieddermeyer descobrem o ineson.

Tudo se passa como se o núcleo fôsse ura coco babaçu,, de casca muito dura,

nada barreira dê potencial.

partícula de massa intermediária entre a do eléctron e a do próton, cuja existência

dentro do qual se aglomerassem partícu

havia sido prevista teoricamente por Yu-

las elementares diversas, ligadas entre si por um endocarpo.

kawa em 1935. Em 1947, Lattes, OcchiaJini e Püwell descobrem duas espécies di

Assim como, para se conseguir chegar

ferentes de fnesons, um meson pesado, um

a conhecer o interior do coco babaçu, é

meson leve. A teoria postula ainda a existência de mais uma partícula,

para estudar separadamente cada

necessário romper a casca dura e cortá-lo

um dos elementos — as sementes,

de massa extremamente pequena

o endocarpo, as várias membra

e sem carga, o neutrluo. que, en

nas, as

tretanto, não pôde ainda ser cohsratado experimentalmente, pela

assim

irradiando para todos os lados as

Não é possível, hoje em dia.

dar ao leigo um modelo de átomo, pois a complexidade dos fenômenos que se

passam em seu interior é tal. que só pode

ser descrito adequadamente por equações

fnatematicas

—

tutivos, é preciso fazê-lo explodir,

comprovação.

Entretanto,

etc.

núcleo em seus elementos consti

extraordinária dificuldade de sua

abstrusas.

fibras

também, para poder estudar o

em

suas linhas gerais, foi mantida a concepção essencial do modelo atômico de Ruther ford Bohr e Sommerfeld, isto é, de que um átomo consiste de um núcleo positi vamente carregado e que compreende a maior parte da massa atômica, em torno da qual gira um certo número de eléctrons, carregados negativamente.

partículas que o compõem, tal como acon tece quando, num jôgo de snooker, a bola

branca atinge em cheio o conjunto das

bolas vermelhas arrumadas na mesa de bilhar.

A física nuclear preocupa-se exclusiva mente com o estudo do núcleo atômico e bombardeio de núcleos-o precisamente o

tículas de energia conheS,'^°'

penetrar a barreira de pomTw

Tett°

P"'-las elT

O número de partículas componentes de um átomo varia conforme o elemento

A concentrado, em espaço extraordinaT namente pequeno fl-ic r^,rr^r. acontece ' no P^rticuías das. como_ núcleo doclctrizaátomo.

químico considerado, mas obedece a um conjunto de leis determinadas que permi

e a existência da barreira de potenciai

analoga a casca do côco babaçu, obriga a

tem dizer com precisão qual a composi

existência, em cada núcleo de cada átomo,

ção global do átomo de cada elemento químico, mas ainda hoje não se conhe

de uma quantidade enorme de energia,

ce precisamente qual a composição, em

indispensável para manter a estabilidade atômica ; em toda a extrema pequenez de


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DiGKSTo Econômico

alimentos e rasgar as trevas, aíastantlo as

A constatação dcs.sj fato abriu logo um

sim os inimigos; e mais tarde, para aper

novo caminho para as pc'si.,uisas. havendo

feiçoar as armas e utensílios.

A revolu-

^o neolítica introduz o uso da energia nos seres vivos, pois a domesticação de

animais acarreta o uso déies para auxiliar o transporte, como bestas de carga, etc.,

e da energia biológica, altamente comple xa, através das várias modaliilades da agri cultura.

A terceira substitui a energia muscular pela energia mecânica, seja através de

maquinas térmicas, a vapor em sua pri meira fase e de combustão interna na Se

gunda, se,a ainda, nessa fase, pelo empre go de maquinas elétricas.

A quarta, finalmente, procura utilizar a enprgia que existe dentro dos átomos

c-onstitutivos da matéria, cuja estabilidade

rene ^ quantidade energia de sinais contrários contida em qualquer desses átomos, e cuja liberação -brusca e capaz de provocar os terríveis afeitos da explosão de uma bomba IS mica.

Foi calculado que a

nelTdi"de Ínt'o ^«.600,000 toneladas dTgua. i-m princípios do século yiy

, lou a teoria atômica se^undA"^""^"' postu

necessidade de uma revisão completa da

quilo que se acreditava até então sobre a constância dos átomos nos vários elemen tos cjuimicos.

Aos poucos, a análise da enorme mas sa de dados proveniente do trabalho de

jx-squisadores indeijcndentes nos campos da física e da química, ix-rmitiu a Rutherford que. em 1911, propusesse, já em

base experimental, a teoria de que cada átomo era anilogo a um sistema solar em miniatura, no qual o sol — o núcleo

fóssc representado por uma concentração lie massa de carga elcrrica positiva, em

tòrno do qual girassem, em órbitas diver sas, tal tomo os planetas, jxquenas par tículas muito mais leves,

eletricidade

negativa,

e

carregadas de

denominadas

dvctrons.

Assim, desde aquela época, haviam si

do iilentificadas e estudadas duas das par tículas elementares que entram na capa cidade lie todos os átomos : uma partícula positiva, de massa apreciável, denomina-

il?. próton e uma partícula negativa, muito Uve, denominada eléctron. O moilêlo atômico de Rutherford so

freu modificações teóricas profundas con•sequentes aos trabalhos de Bohr e Som-

para construir a q"'mica quín^ir' classica, , '

merfeld,

as substâncias seriara compostas Te

Em con.sequéncia desses trabalhos e dos que se lhes seguiram, verificou-se que a

nas. parriculas raicroscóTcas haraT" átomos, e que seriara absoluráraente^t"

durante

a

primeira

guerra

mundial.

complexidade da estrutura

atômica era

cavets, tsto e, '"eduriveis a elementos

muito maior do que se admitia até então,

nores. Sobre essas bases foi realiaado o progresso da qu.m.ca durante todo o sécu Io XIX e a teoria se manteve de pé até

sendo necessário criar toda uma nova me cânica para explicar os fenômenos que se passavam no interior do átomo. Esse no vo ramo da ciência, desenvolvido princi palmente na segunda década do século

que quase no fim do século passado se verificou que certas substâncias se desin tegravam espontaneamente, com emissão

de radiações diversas, constituindo o fe nômeno da radioatividade.

XX, conduziu a conclusões teóricas que se coadunavam perfeitamente com os re sultados experimentais obtidos, e permi tiu prever a existência de outras partícu

.ioáàÈik.

las elementares.

Estas começaram a ser

observadas experimentalmente pouco de pois de 1930. Em 1932, por exemplo, Anderson descobre o positrun. idêntico ao

eléctron c com carga positiva; Chadwick descobre o nei*froti, partícula de massa

partículas elementares, do núcleo comple xo de cada elemento químico. Isso é devido ao seguinte: o núcleo

atômico é extremamente pequeno e for temente carregado de eletricidade positiva,

existindo entre êle e o espaço ambiente

igual à do próton, porém destituída de qualquer carga elétrica ; em 193ó Ander

uma espécie de muralha elétrica, denomi

son c Nieddermeyer descobrem o ineson.

Tudo se passa como se o núcleo fôsse ura coco babaçu,, de casca muito dura,

nada barreira dê potencial.

partícula de massa intermediária entre a do eléctron e a do próton, cuja existência

dentro do qual se aglomerassem partícu

havia sido prevista teoricamente por Yu-

las elementares diversas, ligadas entre si por um endocarpo.

kawa em 1935. Em 1947, Lattes, OcchiaJini e Püwell descobrem duas espécies di

Assim como, para se conseguir chegar

ferentes de fnesons, um meson pesado, um

a conhecer o interior do coco babaçu, é

meson leve. A teoria postula ainda a existência de mais uma partícula,

para estudar separadamente cada

necessário romper a casca dura e cortá-lo

um dos elementos — as sementes,

de massa extremamente pequena

o endocarpo, as várias membra

e sem carga, o neutrluo. que, en

nas, as

tretanto, não pôde ainda ser cohsratado experimentalmente, pela

assim

irradiando para todos os lados as

Não é possível, hoje em dia.

dar ao leigo um modelo de átomo, pois a complexidade dos fenômenos que se

passam em seu interior é tal. que só pode

ser descrito adequadamente por equações

fnatematicas

—

tutivos, é preciso fazê-lo explodir,

comprovação.

Entretanto,

etc.

núcleo em seus elementos consti

extraordinária dificuldade de sua

abstrusas.

fibras

também, para poder estudar o

em

suas linhas gerais, foi mantida a concepção essencial do modelo atômico de Ruther ford Bohr e Sommerfeld, isto é, de que um átomo consiste de um núcleo positi vamente carregado e que compreende a maior parte da massa atômica, em torno da qual gira um certo número de eléctrons, carregados negativamente.

partículas que o compõem, tal como acon tece quando, num jôgo de snooker, a bola

branca atinge em cheio o conjunto das

bolas vermelhas arrumadas na mesa de bilhar.

A física nuclear preocupa-se exclusiva mente com o estudo do núcleo atômico e bombardeio de núcleos-o precisamente o

tículas de energia conheS,'^°'

penetrar a barreira de pomTw

Tett°

P"'-las elT

O número de partículas componentes de um átomo varia conforme o elemento

A concentrado, em espaço extraordinaT namente pequeno fl-ic r^,rr^r. acontece ' no P^rticuías das. como_ núcleo doclctrizaátomo.

químico considerado, mas obedece a um conjunto de leis determinadas que permi

e a existência da barreira de potenciai

analoga a casca do côco babaçu, obriga a

tem dizer com precisão qual a composi

existência, em cada núcleo de cada átomo,

ção global do átomo de cada elemento químico, mas ainda hoje não se conhe

de uma quantidade enorme de energia,

ce precisamente qual a composição, em

indispensável para manter a estabilidade atômica ; em toda a extrema pequenez de


cada átomo

DronsTo

DiGHSTO Econômico

114

—

uma cabeça de alfinete

contém muitos trilhões de átomos — o

aproveitamento dessa energia constitui tal

gia ainda bem menor, através dos acelera dores de partículas, como os ciclotrons e aparelhos congêneres. Daí a imperiosa

vez o maior objetivo e prêmio que até

necessidade, em qualquer centro de pes

hoje tenha sido proposto à humanidade.

quisas físicas que se preze, da existência

Se o homem conseguir utilizar ainda que

de laboratórios destinados à pesquisa com

uma fração minúscula dessa imensa reser

raios cósmicos e de aceleradores de par

va energética, de maneira controlada, en tão estarão, definitivamente, resolvidas to

tículas.

Econômico

problemas da maior importância e onde

a saúde do povo, a superpopulação, o ní

sua especialidade, de ser considerados completamente fósseis e sujeitos a serem

vel de vida baixo e outros congêneres,

recebidos com risos de mofa por even

são de solução mais difícil que os nossos próprios, pois que ali são complicados por divergências profundas de natureza re

tuais alunos.

ligiosa e lingüística, inexistentes entre nós, possui um Ministério de Pesquisas Cien tíficas, pasta essa cujo titular c o próprio

O objetivo a que o Centro se propõe é, precisamente, não permitir que isso acon teça, conservando para o Brasil a possibi

lidade de continuar a manter sua posí^o junto aos países de vanguarda, sob pena

Aparelhamento material, contudo, não basta, se não existir o material humano

Chefe do Governo da Índia, Pandit Ja-

de ficar, para sempre, relegado a um des

waharlal Nehru, que assim demonstra a

tino apagado, que não merece.

cia das pesquisas de física nuclear, únicas

indispensável. Daí decorre a necessida de imperiosa de formar pesquisadores, ou

importância que da à pesquisa científica pura num país em crise de industrializa

capazes de conduzir à realização desse so

tra das atividades do Centro recém-for-

ção como o nosso.

nho da humanidade.

mado.

O mais difícil em questões dessa natu reza não é o aparelhamento, mas princi

das as dificuldades hoje existentes em ma

téria de fornecimento de energia a baixo preço. Daí a extraordinária importân

_ Entretanto, as dificuldades de realizaÇao sao imensas, ateindendo principalmen te aos_ seguintes fatos: primeiro, os áto mos sao completamente invisíveis e jamais

poderão ser observados diretamente mes mo com aparelhos aperfeiçoados como o porque sua ordem

- constitutivos e taldesses que osmicroscópios feixes de radiaÇao

rScã o^^dSio^m , posição em que se encontravam; segun• rr/' üLra" ° so "11

Jiaçtsse n„j' que

^

substâncias ra 'í-buloSabe-se, por exemplo,

a«1'empelmrrdraVuormnhcomo existe

E' freqüente encontrarem-se, entre nós

elementos que supõem muito mais útil pa. ra a humaniilade, ao invés da criação de uma entidade como a do Centro, dedicada à pesquisa pura, que alguns elementos

brasileiros cie valor reconhecido, como por exemplo César Lattes, fossem comissiona

dos para prosseguir em suas pesquisas no exterior. Argumentam esses que. dessa forma, não haveria as despesas inevitáveis de manutenção de uma entidade como a do Centro, e acrescentam que o Brasil ainda não está preparado para aventuras culturais dessa natureza, por lhe faltarem recursos em homens e em material que o justifiquem.

Nada mais errôneo, a nosso ver.

degraus,

poderíamos provocar ri" -

Se

fôssemos seguir as idéias expressas por elementos com essa mentalidade, jamais

res; como, porér^ "L

seria possível que o Brasil se tornasse, em

f/ • ohp resta ao frs.co nuclear é unico o do recurso bombardeio do_ núcleo por partículas elementares -!!

dente do mundo exterior. Ou as pesqui

menos no mlmenm o únirr:""'

prorons, neutrons etc. - pelo mecanismo acima exposto.

Ora, essas partículas só se encontram livres, na natureza, nos denominados raios cósmicos, que nos chegam de todas as í>orções do, espaço; ou então só podem ser fabricadas na terra, embora com ener

matéria de tamanha importância, indepen sas básicas são realizadas também no Bra sil ou então ficaremos condenados a con

tinuar eternamente em posi^o secundá ria, de inferioridade manifesta, em rela

ção a outros países de maior visão. E não

se argumente que somente países ricos estão em condições de se preocupar com a pesquisa científica; a Índia, país reco nhecidamente pobre, assoberbado com

palmente o material humano. Ninguém poderá razoavelmente, negar hoje em dia aue o progresso de qualquer país depeni da técnica; e quem pode fazer a tecca são os técnicos, aqueles que estão apa-

"'ihados, pelo seu conhecimento especia-

Já várias vezes nosso país tem deixado oportunidades únicas e excepcionais se lhe escaparem como areia pelos dedos, por um

ufanismo injustificado e a declaração de que "Deus é brasileiro". Assim ocorreu, por exemplo, com as nossas estradas de

ferro; fomos um dos primeiros países do mundo a construí-las, e hoje estamos em

situação de inferioridade em relação a outros.

Fomos os maiores especialistas do mun

poder realizar concretamente

do na construção de barcos de madeira, a

já vimos, para que o Brasil possa en veredar decididamente pela estrada larga da era atômica que ora se abre, é indis

missões para aprender a construí-los. Ho

do

''^^objetivos a que se propõem. Ora, co-

pensável que disponha não somente de

material adequado no campo da física, mas principalmente de pesquisadores e rofessôres capazes de acompanhar o pro gresso da ciência em outros pontos do

^lobo ^ progresso da física, nos dias correm, é de tal maneira veloz que ^^n^a paralisação de dois anos é suficiente

ponto de os alemães mandarem ao Br^il je, tudo isso desapareceu.

O pai da aviado foi um brasileiro, mas hoje somos obrigados a adquirir nossos

aviões no estrangeiro, e estamos cor>\ple-

tamente retardados em relação aos pro-

gressbs modernos da aviação, pois não po demos amda construir aviões Também do estrangeiro somos obrigados a impor

^

tar automóveis e caminhões-

"'ra tornar obsoletos quaisquer conheci

1905. 10.0S sobrep^To: portnl",™

mentos adquiridos nesse setor.

•/

dos melhores couraçados do m

_

O fluxo da corrente das realizações tem

sido de tal forma acelerado desde 1942

era contar com os ollrl•/^c

acir nor Procuraram agir por si e prosseguir na árdua trilha

que eminentes professores de física de

do progresso original. Esta é a justiça-

antes da guerra estarão em risco, caso não se achem ativamente preocupados em

tarmos, entre nóc nos, ao

acòmpanhar o vertiginoso progresso da

cta ciência pura.

d- ««ssidade de foZpesquisa no campo


cada átomo

DronsTo

DiGHSTO Econômico

114

—

uma cabeça de alfinete

contém muitos trilhões de átomos — o

aproveitamento dessa energia constitui tal

gia ainda bem menor, através dos acelera dores de partículas, como os ciclotrons e aparelhos congêneres. Daí a imperiosa

vez o maior objetivo e prêmio que até

necessidade, em qualquer centro de pes

hoje tenha sido proposto à humanidade.

quisas físicas que se preze, da existência

Se o homem conseguir utilizar ainda que

de laboratórios destinados à pesquisa com

uma fração minúscula dessa imensa reser

raios cósmicos e de aceleradores de par

va energética, de maneira controlada, en tão estarão, definitivamente, resolvidas to

tículas.

Econômico

problemas da maior importância e onde

a saúde do povo, a superpopulação, o ní

sua especialidade, de ser considerados completamente fósseis e sujeitos a serem

vel de vida baixo e outros congêneres,

recebidos com risos de mofa por even

são de solução mais difícil que os nossos próprios, pois que ali são complicados por divergências profundas de natureza re

tuais alunos.

ligiosa e lingüística, inexistentes entre nós, possui um Ministério de Pesquisas Cien tíficas, pasta essa cujo titular c o próprio

O objetivo a que o Centro se propõe é, precisamente, não permitir que isso acon teça, conservando para o Brasil a possibi

lidade de continuar a manter sua posí^o junto aos países de vanguarda, sob pena

Aparelhamento material, contudo, não basta, se não existir o material humano

Chefe do Governo da Índia, Pandit Ja-

de ficar, para sempre, relegado a um des

waharlal Nehru, que assim demonstra a

tino apagado, que não merece.

cia das pesquisas de física nuclear, únicas

indispensável. Daí decorre a necessida de imperiosa de formar pesquisadores, ou

importância que da à pesquisa científica pura num país em crise de industrializa

capazes de conduzir à realização desse so

tra das atividades do Centro recém-for-

ção como o nosso.

nho da humanidade.

mado.

O mais difícil em questões dessa natu reza não é o aparelhamento, mas princi

das as dificuldades hoje existentes em ma

téria de fornecimento de energia a baixo preço. Daí a extraordinária importân

_ Entretanto, as dificuldades de realizaÇao sao imensas, ateindendo principalmen te aos_ seguintes fatos: primeiro, os áto mos sao completamente invisíveis e jamais

poderão ser observados diretamente mes mo com aparelhos aperfeiçoados como o porque sua ordem

- constitutivos e taldesses que osmicroscópios feixes de radiaÇao

rScã o^^dSio^m , posição em que se encontravam; segun• rr/' üLra" ° so "11

Jiaçtsse n„j' que

^

substâncias ra 'í-buloSabe-se, por exemplo,

a«1'empelmrrdraVuormnhcomo existe

E' freqüente encontrarem-se, entre nós

elementos que supõem muito mais útil pa. ra a humaniilade, ao invés da criação de uma entidade como a do Centro, dedicada à pesquisa pura, que alguns elementos

brasileiros cie valor reconhecido, como por exemplo César Lattes, fossem comissiona

dos para prosseguir em suas pesquisas no exterior. Argumentam esses que. dessa forma, não haveria as despesas inevitáveis de manutenção de uma entidade como a do Centro, e acrescentam que o Brasil ainda não está preparado para aventuras culturais dessa natureza, por lhe faltarem recursos em homens e em material que o justifiquem.

Nada mais errôneo, a nosso ver.

degraus,

poderíamos provocar ri" -

Se

fôssemos seguir as idéias expressas por elementos com essa mentalidade, jamais

res; como, porér^ "L

seria possível que o Brasil se tornasse, em

f/ • ohp resta ao frs.co nuclear é unico o do recurso bombardeio do_ núcleo por partículas elementares -!!

dente do mundo exterior. Ou as pesqui

menos no mlmenm o únirr:""'

prorons, neutrons etc. - pelo mecanismo acima exposto.

Ora, essas partículas só se encontram livres, na natureza, nos denominados raios cósmicos, que nos chegam de todas as í>orções do, espaço; ou então só podem ser fabricadas na terra, embora com ener

matéria de tamanha importância, indepen sas básicas são realizadas também no Bra sil ou então ficaremos condenados a con

tinuar eternamente em posi^o secundá ria, de inferioridade manifesta, em rela

ção a outros países de maior visão. E não

se argumente que somente países ricos estão em condições de se preocupar com a pesquisa científica; a Índia, país reco nhecidamente pobre, assoberbado com

palmente o material humano. Ninguém poderá razoavelmente, negar hoje em dia aue o progresso de qualquer país depeni da técnica; e quem pode fazer a tecca são os técnicos, aqueles que estão apa-

"'ihados, pelo seu conhecimento especia-

Já várias vezes nosso país tem deixado oportunidades únicas e excepcionais se lhe escaparem como areia pelos dedos, por um

ufanismo injustificado e a declaração de que "Deus é brasileiro". Assim ocorreu, por exemplo, com as nossas estradas de

ferro; fomos um dos primeiros países do mundo a construí-las, e hoje estamos em

situação de inferioridade em relação a outros.

Fomos os maiores especialistas do mun

poder realizar concretamente

do na construção de barcos de madeira, a

já vimos, para que o Brasil possa en veredar decididamente pela estrada larga da era atômica que ora se abre, é indis

missões para aprender a construí-los. Ho

do

''^^objetivos a que se propõem. Ora, co-

pensável que disponha não somente de

material adequado no campo da física, mas principalmente de pesquisadores e rofessôres capazes de acompanhar o pro gresso da ciência em outros pontos do

^lobo ^ progresso da física, nos dias correm, é de tal maneira veloz que ^^n^a paralisação de dois anos é suficiente

ponto de os alemães mandarem ao Br^il je, tudo isso desapareceu.

O pai da aviado foi um brasileiro, mas hoje somos obrigados a adquirir nossos

aviões no estrangeiro, e estamos cor>\ple-

tamente retardados em relação aos pro-

gressbs modernos da aviação, pois não po demos amda construir aviões Também do estrangeiro somos obrigados a impor

^

tar automóveis e caminhões-

"'ra tornar obsoletos quaisquer conheci

1905. 10.0S sobrep^To: portnl",™

mentos adquiridos nesse setor.

•/

dos melhores couraçados do m

_

O fluxo da corrente das realizações tem

sido de tal forma acelerado desde 1942

era contar com os ollrl•/^c

acir nor Procuraram agir por si e prosseguir na árdua trilha

que eminentes professores de física de

do progresso original. Esta é a justiça-

antes da guerra estarão em risco, caso não se achem ativamente preocupados em

tarmos, entre nóc nos, ao

acòmpanhar o vertiginoso progresso da

cta ciência pura.

d- ««ssidade de foZpesquisa no campo


''

DlOnSTO ECONÔMICO

mal, devemos considerar, além das chu

A seca e as variações climáticas

vas, ao menos as temperaturas. Verifica mos que durante os 4 meses dc maio a

Josii Setzer

dia 7 de setembro último, um dos jornais mais importantes de São Pau

lo publicou, com destaque especial, uma nota extensa a fim de provar que as con dições da seca deste ano eram normais. Para isso estampou os totais mensais de

agosto de 1950, praticamente não houve inverno. Tivemos dias de sol quente

considerado normal pela nota do jornal ci

como no verão.

tado.

bastante force cm comparação com as tem peraturas máximas cias 14 ou 15 horas da tarde, não foi. no entanto, típico do inverno : as manhãs, na sua maioria, fo

No ano do 1949 a queda de chu

vas também foi inferior à "normal", pois. só choveu pouco mais que metade das chuvas esperadas, ou. precisamente, 56 o^.-

Mas as chuvas não são suficientes para

chuvas de janeiro a julho de 1949 e de

-se confrontar a estiagem de dois anos en

1950, observados em 23 cidades do Es

tre si ou com o aspecto normal, pois a pa lavra "estiagem" ou "sêca" significa defi

tado. e, além disso, as médias mensais de

chuvas de 1938 a 1948, da cidade de São Paulo.

Em primeiro lugar, as médias da Ca

pitai do Estado não representam bem o interior, por várias razões: 1) trata-se de

território bastante grande, de modo que

O esfriamento noturno,

ram bastante quentes para dispensarmos o uso de agasalhos ou mesmo de suéteres. Foi essa a razão principal por que a

sêca êste ano foi muito forte: pouca chu

temperatura cm primeiro lugar, e da in tensidade dos ventos (evaporação) e ou

terior, e abaixaram os níveis

do resto da água. Solo argi

dc água nos rios de maneira

loso ou humoso evapora água sob os raios solares e por isso ^

avahada cm base dc dados de mais que me,a dua.a de cidades, como, pot exempio, Presidente Prudente, Araçatuba, Barretos, Igarapava Casa Branca, Campinas,

íhn para sódafalar do plana o paulista;Taubaté. 2) os dados Capital

este total de chuvas são consideradas su-

rai para a cidade do de litoSão Íl Mta o interior; 3) "''"'içSo

lo só temos clima superúmido com mais dc 2.500 a 3.500 mm anuais, conforme

A região mais sêca do Nordeste e. por roral de chuvas médio superior a 500 mm'

por ano. No Canadá há regiões que com perúmidas.

deravel deste ponto de vista.

raturas.

•

O autor destas linhas deduziu a fór- m

i i

pubhcados mostram qu. os anorje 1949 e 1950 foram de estiai?í-rr.

•

•

grave que os anos normais do de 4 meses, de

em passoS5oquePaulo, nas 23norm::r„rfrm cidades mencionadas ^ho" veu em media 95 mm em 194Q «

38 mm em 1950.

^

Portanto, em têrmos de quantidades de chuva, o período de 4 meses, de maio a agosto, foi em 1950 tão seco que as chu vas somaram menos que a quarta parte,

c, precisamente, apenas 22 % do total

mula mais conveniente para que, conside rando simultaneamente as chuvas e as temperaturas, se possa calcular um índice dc umidade do clinla. Essa fórmula ser

t''

b

agua, aqueçe-se como um leito de estrada

tos da cidade, pois o teor de oxigênio

asfaltada.

dissolvido na água do rio ficou reduzido a zero.

Quando os raios solares incidem na fo

lhagem da vegetação, tendem a secar as

folhas. Estas defendem-se evaporando Quanto às mudanças de clima, nenhum

ligua, de modo que, no tecido vivo, a tem peratura baixa. Ao mesmo tempo se es

centro de estudos climáticos do mundo possui, por ora, dados que possam ser

tabelece gradiente de turgidez (pressão osmótica) da cadeia de células vivas, Jes-

considerados, a rigor, suficientes para afirmar se o trabalho humano foi capaz de alterar o"clima ou não.

pela folhagem obriga as raízes a extraí rem água do solo. Quando a água pas-

Teoricamente, basta que o homem di

óe a folha ate a raiz. A perda de água

viu de base para a elaboração de novo sistema de classificação de climas (* ), que está sendo aplicado em várias partes do -

getal de uma região de 1.500 ou 2.000 afetado no sentido de estiagem mais lon

solo para dentro das raízes da ve getação, leva consigo elementos químicos qne sao o nutrimento mineral das plantas. troca, as raízes secretam ácidos orgânicos muito eficientes na decomposi

mundo.

ga e mais seca, estação chuvosa mais cur

ção das rochas. Em última análise, o sol

minua sensivelmente toda a cobertura ve

km de diâmetro, para que o clima seja

Porfãnto, para compararmos a sêca de

ta e mais intensa, temperaturas maximas

põe em funcionamento todo um mecanis-

1950 com a de 1949 e com o quadro nof-

tão aumentadas, que apesar da persistência

^o enorme e complicado, cujo conjunto

das mínimas, as temperaturas médias acu

^ íifinal a vida da superfície terrestre.

C) Geogratíhical Rcview, New York, abril

sem elevação nítida, êste aspecto térmico ✓sendo muito mais pronunciado na estia

de 1946.

Rev. Bras. de Geografia, Rio, ju de

. - . .r.\\ ■ .

não se aquece muito. Solo arenoso, nao podendo soltac

parte do Tietê mais poluída pelos deje

Aqui no Estado de São Pau

a altitude, que condiciona certas tempe

bem alto, de calorias da par tícula sólida mais próxima ou

no raro da çnorte de peixes na

tanto, o ponto mais árido do Brasil, acus.i •'

-«rírcloo . •

Em segundo lugar n<

A passagem de 1 g de água do estado lí

quido pata o gasoso (vapor que se disper sa, invisível, no ar) retira certo número,

os campos de quase todo o in

alarmante. Na cidade de São

-i

partículas em suspensão interceptam os raios solares. Solo sêco aquece-se mais que solo úmido. Além disso, o aqueci mento da água provoca sua evaporação.

de do clima depende da pluviosidade e da/il

Paulo foi noticiado o fenôme

- representaconsiderações agrícolas pois nao região i^on-

turvas aquecem-se na superfície, pois as

va e muito calor. E foram esses os fa tores que tornaram amarelos

tros fatores meteorológicos em segundo

Paulo nao pode servir ncir

restre. O ar é aquecido pelo contato com

a superfície. Numa piscina de água lim pa o sol só aquece o fundo. As águas

ciência de umidade, enquanto as chuvas são medida de "pluviosidade". A umida

lugar.

sua marcha normal de chuvas deve ser

Por que ninguém duvida, teoricamen

te, dêsse aspecto de mudança climática ? Os raios solares somente aquecem as par tículas sólidas da superfície do globo ter

1946.

,

gem do que na estação chuvosa.

Temos, assim, um ciclo, de que parri^■'Pam solo rico de maréria organica, c.

portanto, possuidor de boas propriedades


''

DlOnSTO ECONÔMICO

mal, devemos considerar, além das chu

A seca e as variações climáticas

vas, ao menos as temperaturas. Verifica mos que durante os 4 meses dc maio a

Josii Setzer

dia 7 de setembro último, um dos jornais mais importantes de São Pau

lo publicou, com destaque especial, uma nota extensa a fim de provar que as con dições da seca deste ano eram normais. Para isso estampou os totais mensais de

agosto de 1950, praticamente não houve inverno. Tivemos dias de sol quente

considerado normal pela nota do jornal ci

como no verão.

tado.

bastante force cm comparação com as tem peraturas máximas cias 14 ou 15 horas da tarde, não foi. no entanto, típico do inverno : as manhãs, na sua maioria, fo

No ano do 1949 a queda de chu

vas também foi inferior à "normal", pois. só choveu pouco mais que metade das chuvas esperadas, ou. precisamente, 56 o^.-

Mas as chuvas não são suficientes para

chuvas de janeiro a julho de 1949 e de

-se confrontar a estiagem de dois anos en

1950, observados em 23 cidades do Es

tre si ou com o aspecto normal, pois a pa lavra "estiagem" ou "sêca" significa defi

tado. e, além disso, as médias mensais de

chuvas de 1938 a 1948, da cidade de São Paulo.

Em primeiro lugar, as médias da Ca

pitai do Estado não representam bem o interior, por várias razões: 1) trata-se de

território bastante grande, de modo que

O esfriamento noturno,

ram bastante quentes para dispensarmos o uso de agasalhos ou mesmo de suéteres. Foi essa a razão principal por que a

sêca êste ano foi muito forte: pouca chu

temperatura cm primeiro lugar, e da in tensidade dos ventos (evaporação) e ou

terior, e abaixaram os níveis

do resto da água. Solo argi

dc água nos rios de maneira

loso ou humoso evapora água sob os raios solares e por isso ^

avahada cm base dc dados de mais que me,a dua.a de cidades, como, pot exempio, Presidente Prudente, Araçatuba, Barretos, Igarapava Casa Branca, Campinas,

íhn para sódafalar do plana o paulista;Taubaté. 2) os dados Capital

este total de chuvas são consideradas su-

rai para a cidade do de litoSão Íl Mta o interior; 3) "''"'içSo

lo só temos clima superúmido com mais dc 2.500 a 3.500 mm anuais, conforme

A região mais sêca do Nordeste e. por roral de chuvas médio superior a 500 mm'

por ano. No Canadá há regiões que com perúmidas.

deravel deste ponto de vista.

raturas.

•

O autor destas linhas deduziu a fór- m

i i

pubhcados mostram qu. os anorje 1949 e 1950 foram de estiai?í-rr.

•

•

grave que os anos normais do de 4 meses, de

em passoS5oquePaulo, nas 23norm::r„rfrm cidades mencionadas ^ho" veu em media 95 mm em 194Q «

38 mm em 1950.

^

Portanto, em têrmos de quantidades de chuva, o período de 4 meses, de maio a agosto, foi em 1950 tão seco que as chu vas somaram menos que a quarta parte,

c, precisamente, apenas 22 % do total

mula mais conveniente para que, conside rando simultaneamente as chuvas e as temperaturas, se possa calcular um índice dc umidade do clinla. Essa fórmula ser

t''

b

agua, aqueçe-se como um leito de estrada

tos da cidade, pois o teor de oxigênio

asfaltada.

dissolvido na água do rio ficou reduzido a zero.

Quando os raios solares incidem na fo

lhagem da vegetação, tendem a secar as

folhas. Estas defendem-se evaporando Quanto às mudanças de clima, nenhum

ligua, de modo que, no tecido vivo, a tem peratura baixa. Ao mesmo tempo se es

centro de estudos climáticos do mundo possui, por ora, dados que possam ser

tabelece gradiente de turgidez (pressão osmótica) da cadeia de células vivas, Jes-

considerados, a rigor, suficientes para afirmar se o trabalho humano foi capaz de alterar o"clima ou não.

pela folhagem obriga as raízes a extraí rem água do solo. Quando a água pas-

Teoricamente, basta que o homem di

óe a folha ate a raiz. A perda de água

viu de base para a elaboração de novo sistema de classificação de climas (* ), que está sendo aplicado em várias partes do -

getal de uma região de 1.500 ou 2.000 afetado no sentido de estiagem mais lon

solo para dentro das raízes da ve getação, leva consigo elementos químicos qne sao o nutrimento mineral das plantas. troca, as raízes secretam ácidos orgânicos muito eficientes na decomposi

mundo.

ga e mais seca, estação chuvosa mais cur

ção das rochas. Em última análise, o sol

minua sensivelmente toda a cobertura ve

km de diâmetro, para que o clima seja

Porfãnto, para compararmos a sêca de

ta e mais intensa, temperaturas maximas

põe em funcionamento todo um mecanis-

1950 com a de 1949 e com o quadro nof-

tão aumentadas, que apesar da persistência

^o enorme e complicado, cujo conjunto

das mínimas, as temperaturas médias acu

^ íifinal a vida da superfície terrestre.

C) Geogratíhical Rcview, New York, abril

sem elevação nítida, êste aspecto térmico ✓sendo muito mais pronunciado na estia

de 1946.

Rev. Bras. de Geografia, Rio, ju de

. - . .r.\\ ■ .

não se aquece muito. Solo arenoso, nao podendo soltac

parte do Tietê mais poluída pelos deje

Aqui no Estado de São Pau

a altitude, que condiciona certas tempe

bem alto, de calorias da par tícula sólida mais próxima ou

no raro da çnorte de peixes na

tanto, o ponto mais árido do Brasil, acus.i •'

-«rírcloo . •

Em segundo lugar n<

A passagem de 1 g de água do estado lí

quido pata o gasoso (vapor que se disper sa, invisível, no ar) retira certo número,

os campos de quase todo o in

alarmante. Na cidade de São

-i

partículas em suspensão interceptam os raios solares. Solo sêco aquece-se mais que solo úmido. Além disso, o aqueci mento da água provoca sua evaporação.

de do clima depende da pluviosidade e da/il

Paulo foi noticiado o fenôme

- representaconsiderações agrícolas pois nao região i^on-

turvas aquecem-se na superfície, pois as

va e muito calor. E foram esses os fa tores que tornaram amarelos

tros fatores meteorológicos em segundo

Paulo nao pode servir ncir

restre. O ar é aquecido pelo contato com

a superfície. Numa piscina de água lim pa o sol só aquece o fundo. As águas

ciência de umidade, enquanto as chuvas são medida de "pluviosidade". A umida

lugar.

sua marcha normal de chuvas deve ser

Por que ninguém duvida, teoricamen

te, dêsse aspecto de mudança climática ? Os raios solares somente aquecem as par tículas sólidas da superfície do globo ter

1946.

,

gem do que na estação chuvosa.

Temos, assim, um ciclo, de que parri^■'Pam solo rico de maréria organica, c.

portanto, possuidor de boas propriedades


DIGESTO ECONÔMICO

118

Dighsto Econômico

fíiiáís iisica» (enraizamento das plantas e re tenção dágua), plantas altas, bem enrai zadas, forrando profusarrjente a terra, ca

lor solar forte, muita evaporação, ventos que empurram nuvens pesadas e escuras,

prontas a se derramarem em chuvas abun

dantes, mas passageiras, para darem lugar a novo aquecimento pelos raios solares

que atravessam atmosfera limpa de poei ras, transparentes, para que a folhagem

seja bem aquecida e obrigada a evaporar muita água do solo úmido, deixando mui

to detrito que forme ácido orgânico que ataque as rochas etc.

A chegada do homem significa a que bra desse ciclo. A mata deve ser arra sada, para dar lugar às plantas cultivadas as quais nao cobrem a terra. O solo é «posto diretamente aos raios solares e

ruuTvo"'"' ''"^^

«^"idadoso é o

da ::;íurrdyemnereiS""d

i desnudado aquece-se sob e ' micróbios. suWtidos

«tufa bacteriológica, decom^erràpidí

? Morrem de iirftrtr." irranição or micróbiorrnéfi

COS e proliferam os daninhos, que sabem

se nutnr dos dejetos dos prlmeL, iZ quando acabam as últimas porções de hú

mus, cessa a multiplicação dos microor gamsmos Ao mesmo tempo, a

que no verão temos pequeno número de

ções, como a índia, ou situada na passa

horas de sol, enquanto no inverno temos semanas e meses de insolação, que atinge

da cobertura vegetal da região, contínuo

gem obrigatória de massas de ar de um enorme oceano para um grande continence, não terá o seu regímem de chuvas al

depauperamento dos solos, e empobreci

quase o máximo teórico de número dc horas de sol.

Mas nas noites estreladas

terado, por maiores que sejam as mudan ças provocadas pela mão humana, e ain

atmosfera livre, c temo.s temperaturas mí

da que se estendam por diversos milhares

nimas tão baixas como nas condições virgens. Quando chove sòhrc mata virgem, ,i camada superficial de meio metro de de

de vegetação, que tende a firmar as con dições de deserto edáfico e finalmente cli

de quilômetros. Neste caso o clima mu

mático.

dará com mais facilidade, em conseqüên cia de mudanças havidas nas regiões da

Mas o Oceano Atlântico não mudou de lugar e as matas amazônicas continuam

Na região formada pelos Estados de São

tidades enormes de água. Esta vai-se in filtrando lentamente no solo c constitui

Paulo,

norte do Paraná,

Mato Grosso,

Goiás, planalto baiano e Minas até a Ser ra do Mar, portanto correspondente a um

reserva duradoura para a vegetação. Quan do chuva idêntica cai sobre solo lavado,

círculo de uns 2.000 mil km de diâmetro,

erodido e orgânicamente esterilizado, ime

diatamente se formam enxurradas que

as rochas são pobres no seu conjunto. O clima sendo quente, agrava a esteriliza

procuram rapidamente

ção orgânica e a dissolução química.

as baixadas e os

rios. As águas correm lamacentas de ar gila retirada das terras, as quais se enri quecem em areia. Não se forma reserva

A

existência de estiagem promove nos solos tropicais formação de crostas limoníticas duras a pequena profun didade do solo, de um ou dois pal

de água no solo. Os cios promovem inun dação na estação chuvosa, enquanto se re duzem a míseros filetes dágua nas es-

sas de chuvas no verão, de grande enver gadura. continuam as mesmas. São afeta

das as chuvas esparsas e raras do inverno, quando não causadas pelas incursões da' frente polar marítima. Resultam também algo afastadas, deprimidas, as causas de chuvas do início e do fim da estação chu vosa. quando os fatores de grande enver

gadura começam timidamente a sua ação ou apresentam notável esmoreci-

mento por rer chegado o fim do seu reinado.

As condições novas, provocadas pela mão humana, emprestam es tabilidade à grande massa de ar anticiclônica continental, que por

mos. Essa crosta limita o enrai zamento das árvores e condiciona

tiagens.

campos pobres. O homem castiga muito as ter

O leitor inteligente saberá completar esse quadro do trabalho humano nos seus

ras pobres com clima a duas estações di

isso tende a abranger área cada vez maior

pormenores. Vamos ao essencial.

ferentes pela pluviosidade. Antes de co

atingindo freqüentemente a

Dissemos que no ciclo participa o fator Geologia, através da decomposição da ro

meçar a estação chuvosa, queima os cam-

Mar. Evaporação reduzida e produção

pys pobres que se tornaram inúteis pela seca. Se as chuvas vierem logo depois

constante de ar quente e

de de retenção dagua. Desnudados ou esterilizam e aquecem até 70°C (verifica do sobre solo muito arenoso) . Daí a ele vação das temperaturas. Esta é maior no

mais ou menos incólumes. Assim, as cau

proveniência das massas de ar.

tritos mortos e de terra preta retém quan

cha, a qual fornece sais minerais ao solo;

recebem em cheio os raios solares que os

mento do homem, cujos meios para me lhorar as terras vão-se tornando cada vez mais escassos. Há tendência para deserto

há enorme irradiação do calor para a

qu,m.ca I.xtv.a o solo, dei^ndo-o lavado e estenl. A erosão física arrasta para ° baixadas a parte rica superficial dos Ir tos, decapitando-os e expondo camTdIs mais profundas nao meteorizadas, despro Vidas de vida orgânica. Assim os solos perdem a sua capacida mal cobertos por vegetação curta e dura

119

nosso inverno seco do que no verão, por

êstc nutre as plantas etc.

O fator Geo

das queimadas, a vegetação renasce das suas cinzas, tenra e pujante. Se a estia

logia é decisivo no condicionamento do tempo necessário para que o homem ar

gem continuar depois da queimada, o

ruine o solo. Êste fator tempo é essencial,

gado se alimentará dos brotos novos das

pois pode variar, digamos, de 50 a 1.000 anos. No caso de vasto platô de arenito,

zadas, que a sêca ainda não atingiu as suas

teremos o menor desses prazos. No caso

raízes.

de igualmente espesso lençol de sedimen

Além da rocha pobre e muita queima da, a nossa região é pouco povoada. Isso significa, que há muita terra para pouca

tos calcáreos, argilosos ou loessíticos, po

Outro fator decisivo é a posição geo

Região dominada pela.<5 mon-

,

abrindo massaáreaaariciclôlica. ^ue .e alir''" cada vez maior e ? ™" tòres dc envergadura cada vez Sr V" im pa«

que a

poucas plantas tão profundamente enrai

deremos ter o maior daqueles prazos, po dendo atingir talvez mesmo 5.000 anos. gráfica.

j'

II.

gente. Não há necessidade de cuidar das terras. O estrago causado ao solo não pre judica imediata e sensivelmente o homem.

Em resultado, temos redução constante

no cen.ro da á

■indo ainda mais o ponto de orvalho. natureza é contínua mu-

Ç • A ^ estabilidade das coisas é ex-

ceçao, e só se observa dentro de limites restritos de tempo. Se pudéssemos con sultar os dados de chuvas de um período completo de mil anos, de qualquer lugar, notaríamos tendência firme para modifica-

J


DIGESTO ECONÔMICO

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Dighsto Econômico

fíiiáís iisica» (enraizamento das plantas e re tenção dágua), plantas altas, bem enrai zadas, forrando profusarrjente a terra, ca

lor solar forte, muita evaporação, ventos que empurram nuvens pesadas e escuras,

prontas a se derramarem em chuvas abun

dantes, mas passageiras, para darem lugar a novo aquecimento pelos raios solares

que atravessam atmosfera limpa de poei ras, transparentes, para que a folhagem

seja bem aquecida e obrigada a evaporar muita água do solo úmido, deixando mui

to detrito que forme ácido orgânico que ataque as rochas etc.

A chegada do homem significa a que bra desse ciclo. A mata deve ser arra sada, para dar lugar às plantas cultivadas as quais nao cobrem a terra. O solo é «posto diretamente aos raios solares e

ruuTvo"'"' ''"^^

«^"idadoso é o

da ::;íurrdyemnereiS""d

i desnudado aquece-se sob e ' micróbios. suWtidos

«tufa bacteriológica, decom^erràpidí

? Morrem de iirftrtr." irranição or micróbiorrnéfi

COS e proliferam os daninhos, que sabem

se nutnr dos dejetos dos prlmeL, iZ quando acabam as últimas porções de hú

mus, cessa a multiplicação dos microor gamsmos Ao mesmo tempo, a

que no verão temos pequeno número de

ções, como a índia, ou situada na passa

horas de sol, enquanto no inverno temos semanas e meses de insolação, que atinge

da cobertura vegetal da região, contínuo

gem obrigatória de massas de ar de um enorme oceano para um grande continence, não terá o seu regímem de chuvas al

depauperamento dos solos, e empobreci

quase o máximo teórico de número dc horas de sol.

Mas nas noites estreladas

terado, por maiores que sejam as mudan ças provocadas pela mão humana, e ain

atmosfera livre, c temo.s temperaturas mí

da que se estendam por diversos milhares

nimas tão baixas como nas condições virgens. Quando chove sòhrc mata virgem, ,i camada superficial de meio metro de de

de vegetação, que tende a firmar as con dições de deserto edáfico e finalmente cli

de quilômetros. Neste caso o clima mu

mático.

dará com mais facilidade, em conseqüên cia de mudanças havidas nas regiões da

Mas o Oceano Atlântico não mudou de lugar e as matas amazônicas continuam

Na região formada pelos Estados de São

tidades enormes de água. Esta vai-se in filtrando lentamente no solo c constitui

Paulo,

norte do Paraná,

Mato Grosso,

Goiás, planalto baiano e Minas até a Ser ra do Mar, portanto correspondente a um

reserva duradoura para a vegetação. Quan do chuva idêntica cai sobre solo lavado,

círculo de uns 2.000 mil km de diâmetro,

erodido e orgânicamente esterilizado, ime

diatamente se formam enxurradas que

as rochas são pobres no seu conjunto. O clima sendo quente, agrava a esteriliza

procuram rapidamente

ção orgânica e a dissolução química.

as baixadas e os

rios. As águas correm lamacentas de ar gila retirada das terras, as quais se enri quecem em areia. Não se forma reserva

A

existência de estiagem promove nos solos tropicais formação de crostas limoníticas duras a pequena profun didade do solo, de um ou dois pal

de água no solo. Os cios promovem inun dação na estação chuvosa, enquanto se re duzem a míseros filetes dágua nas es-

sas de chuvas no verão, de grande enver gadura. continuam as mesmas. São afeta

das as chuvas esparsas e raras do inverno, quando não causadas pelas incursões da' frente polar marítima. Resultam também algo afastadas, deprimidas, as causas de chuvas do início e do fim da estação chu vosa. quando os fatores de grande enver

gadura começam timidamente a sua ação ou apresentam notável esmoreci-

mento por rer chegado o fim do seu reinado.

As condições novas, provocadas pela mão humana, emprestam es tabilidade à grande massa de ar anticiclônica continental, que por

mos. Essa crosta limita o enrai zamento das árvores e condiciona

tiagens.

campos pobres. O homem castiga muito as ter

O leitor inteligente saberá completar esse quadro do trabalho humano nos seus

ras pobres com clima a duas estações di

isso tende a abranger área cada vez maior

pormenores. Vamos ao essencial.

ferentes pela pluviosidade. Antes de co

atingindo freqüentemente a

Dissemos que no ciclo participa o fator Geologia, através da decomposição da ro

meçar a estação chuvosa, queima os cam-

Mar. Evaporação reduzida e produção

pys pobres que se tornaram inúteis pela seca. Se as chuvas vierem logo depois

constante de ar quente e

de de retenção dagua. Desnudados ou esterilizam e aquecem até 70°C (verifica do sobre solo muito arenoso) . Daí a ele vação das temperaturas. Esta é maior no

mais ou menos incólumes. Assim, as cau

proveniência das massas de ar.

tritos mortos e de terra preta retém quan

cha, a qual fornece sais minerais ao solo;

recebem em cheio os raios solares que os

mento do homem, cujos meios para me lhorar as terras vão-se tornando cada vez mais escassos. Há tendência para deserto

há enorme irradiação do calor para a

qu,m.ca I.xtv.a o solo, dei^ndo-o lavado e estenl. A erosão física arrasta para ° baixadas a parte rica superficial dos Ir tos, decapitando-os e expondo camTdIs mais profundas nao meteorizadas, despro Vidas de vida orgânica. Assim os solos perdem a sua capacida mal cobertos por vegetação curta e dura

119

nosso inverno seco do que no verão, por

êstc nutre as plantas etc.

O fator Geo

das queimadas, a vegetação renasce das suas cinzas, tenra e pujante. Se a estia

logia é decisivo no condicionamento do tempo necessário para que o homem ar

gem continuar depois da queimada, o

ruine o solo. Êste fator tempo é essencial,

gado se alimentará dos brotos novos das

pois pode variar, digamos, de 50 a 1.000 anos. No caso de vasto platô de arenito,

zadas, que a sêca ainda não atingiu as suas

teremos o menor desses prazos. No caso

raízes.

de igualmente espesso lençol de sedimen

Além da rocha pobre e muita queima da, a nossa região é pouco povoada. Isso significa, que há muita terra para pouca

tos calcáreos, argilosos ou loessíticos, po

Outro fator decisivo é a posição geo

Região dominada pela.<5 mon-

,

abrindo massaáreaaariciclôlica. ^ue .e alir''" cada vez maior e ? ™" tòres dc envergadura cada vez Sr V" im pa«

que a

poucas plantas tão profundamente enrai

deremos ter o maior daqueles prazos, po dendo atingir talvez mesmo 5.000 anos. gráfica.

j'

II.

gente. Não há necessidade de cuidar das terras. O estrago causado ao solo não pre judica imediata e sensivelmente o homem.

Em resultado, temos redução constante

no cen.ro da á

■indo ainda mais o ponto de orvalho. natureza é contínua mu-

Ç • A ^ estabilidade das coisas é ex-

ceçao, e só se observa dentro de limites restritos de tempo. Se pudéssemos con sultar os dados de chuvas de um período completo de mil anos, de qualquer lugar, notaríamos tendência firme para modifica-

J


DlGliSIO i:< ONÒMJff)'

J2fl

çâo cm determinado sentido, pois a Geo-

goas. Rio i^reu). Igarapav.!. Ribeirão Pré-',

loítia já provou que os climas sempre mudam, e em tôda parte. Mas somos obrigados a examinar sempre os últimos

to, São José do Rio Pardo), hoje se es tende de abril a setembro e abrange todo

O t>olitico e a poluiciilha

se dilata na receptividade das grandes sê»-

nunca temos elementos para uma conclu

Campinas - Amparo - Joanópolis - Guaru-

A política, encarada de vários modos.

timbãleando o trem de vivandeira, com a

são segura.

Ihos - Barueri - Itapecerica - Salesópolis Cunha, e daí pela crista da Serra até

" foi conceituada por Maquiavel, de

Em cérca de 50 localidades do Estado

de São Paulo podemos comparar as mé dias de dois períodos de chuvas de cérca

de 25 anos cada, pois temos 50 anos de

dados, mais ou menos crivados de falhas

devido a interrupções nas observações ou

>

Cândido Moita Filho

o interior do Estado, até a'linha Camba rá - Piraju - Irapetininga - Sorocaba -

50 ou 70 anos desse período de mil, e

V

A política de Rui

o Rio.

O aumento das chuvas de dezembro a

fevereiro significa agravamento da erosão sem compensação, pois nunca houve falta

uma cerca forma, como a luta pelo poder,

unia luta portanto capaz, em qualquer parte, de despertar os impulsos elementa res c primitivos do homem. Mas. em verdade, a política é mais do que a luta pelo poíer, porque é, por si mesma, uma atividade criadora da ordem, que o Direi to ampara c solidifica. Uns, afoitos e in

sucesso era. No País, novidadeiros, os- ■ homens passavam depressa. Principal mente porque, para êle, não havia opi nião pública no. País, nem partidos, nem idéias e, consequentemente, verdadeira

seguros, tomam posição levados, como diz Maritain, pela ilusão do sucesso imediato.

nimava.

dc chuvas no verão.

rem. que as médias calculadas com os da

verificar a marcha das chuvas de vários

dos restantes são válidas para'o confronto. Os resultados dêsse confronto foram os se^intes í •) : não houve mudança no Etoral e na Serra onde as matas ainda se

séculos, talvez verificássemos que se trata de fenômeno periódico". De faro, é uma possibiiidaile. Mas como se explica então

o fato de não ter havido modificação al

Outros, firmes e convictos, não se deixam arrastar por essa ilusão. Rui, considerado

conservam; a mudança aumenta na dire

guma no litoral c nas zonas que conti

como um romântico.

ção de Mato Grosso e Goiás, e tanto mais quanto maior foi a devastação da vegeta ção e do solo; e essa mudança se traduz numa elevaçao grande das temperaturas medtas do mverno, um pouco menor no outono, menor ainda na primavera, e pe quena, mas ainda peiceptível, no verão-

nuam com farto revestimento vegetal e solos praticamente intactos ? E mais ain

da: como explicar que não htiuve modifi cação em certas zonas muito velhas, que, sofreram a devastação praticamente defi nitiva muito antes do início das observa

permanência do total anual de chuvas'

ções meteorológicas, como em cerras par tes do Vale do Paraíba, de modo que os

mas com agravamento da sua má distri-'

últimos 25 anos de dados representam

buiçao ; aumento nítido, que pode ser con siderado grande, das temperaturas médias

condições não inferiores às que presidi-'

anuais.

ram o clima dos primeiros 25 anos ?

Parece que temos indícios de que o ar-

Houve perda média de 30 % nas chu vas do inverno, de junho a agosto A

rasamento da vegetação e o depauperamen to dos solos (principalmente pela sua de-

estiagem, que no comêço do século era de maio a agosto, e só se esboçava no extremo norte e noroeste do Estado (Três La-

capiração, diminuição da capacidade de retenção dágua e concentração de areia pelo arrastamento das argilas) podem real mente mudar o clima com certa rapidez, .

•(») Contribuição para o Estudo do Clima

se êste for úmido e quente, com ma dis

do Est. de Sao Paulo. In-quarto c/240 pgs., 130 tabs.. 87 diags. e 23 mapas São Paulo, julho de 1946 (ainda exis

tribuição inicial de chuvas, e se a região afetada for grande e de rochas pobres do

te à vencia nas livrarias técnicas).

ponto de vista agrícola.

•' Vi

tigela de sopas de alho para cada abertação de paladar.

existência de dados não fidedignos que devem ser descartados. Verificou-se, po

Há quem -argumente: "Se pudéssemos

des, passam os falsos salvadores da pátria,

preocupado com

princípios e programas, num país de improvisadores e de situações inesperadas, não se iludia a êsse respeito. Sem per

der a realidade de vista, sem deixar de

compreender tôdas as facetas da ativida de política, èle sabia que a política, que fervilhava diante de seus olhos, matreira

e acanhada, procurava, por todos os meios, por tôdas as formas, feias ou bonitas, as. vantagens do sucesso imediato. Por suas incomparáveis qualidades de inteligência êle enxergava longe e preve

nia, prevenia contra a simulação da mo narquia constitucional, contra o parlamen tarismo deformado pelas deformações par

tidárias, contra as tendências caricaturais do no.sso federalismo republicano, contra

a farsa eleitoral,

contra a comédia das

eleições, contra a inconsciência da incultura e a falsificação do Direito, para en-

Rui sabia que o sucesso imediato nem

política.

Êle não se conformava, mas não desa

Começou lutando bem moço

ainda, e já bem velho lá se foi pelas difi culdades sertanejas, em campanha eleito

ral. A sua política seria, antes de tudo, a criaçao de uma consciência política pa ra resistir às inconsequências das ambições sem remédio.

Fêz, nesse sentido, várias campanhas e a maior delas, que foi a campanha civilista, se marca e se realça por êsse as pecto. Rui não é um simples candidato a

distribuir promessas. Mas é um missio

nário, um evangelizador. A sua propasanda e de suas .deias. n' uma incomen. suravel a .rmaçao de cultura. E' um deba te, no plano da inteligência dos grandes temas nacionais.

grancles

Assim, tôdas as vê?^.,

Raparece, prb^tiat^en.n-" candidato, mas o pregado , â^t^êrorar meja que a República r^r.\ -T

cultura fôsse uma Re!

"Tlm r-,

1-

P^Ia sua

^^Publica na realidade.

sílL senão - as ~ "5° seus cstá leis que votepelos

gazLipar as massas. E na famosa resposta a Ramiros Barcelos, cie configurava o

representantes.

quadro. Nas horas caniculares das gran

e a soberania do povo; se, com as oligar

des crises, quando a consciência popular

quias parlamentares, banem o j^ovo do

Mas se. com a mentira

eitoral, esbulham o povo do voto, que

Étertritiliríi ifiili


DlGliSIO i:< ONÒMJff)'

J2fl

çâo cm determinado sentido, pois a Geo-

goas. Rio i^reu). Igarapav.!. Ribeirão Pré-',

loítia já provou que os climas sempre mudam, e em tôda parte. Mas somos obrigados a examinar sempre os últimos

to, São José do Rio Pardo), hoje se es tende de abril a setembro e abrange todo

O t>olitico e a poluiciilha

se dilata na receptividade das grandes sê»-

nunca temos elementos para uma conclu

Campinas - Amparo - Joanópolis - Guaru-

A política, encarada de vários modos.

timbãleando o trem de vivandeira, com a

são segura.

Ihos - Barueri - Itapecerica - Salesópolis Cunha, e daí pela crista da Serra até

" foi conceituada por Maquiavel, de

Em cérca de 50 localidades do Estado

de São Paulo podemos comparar as mé dias de dois períodos de chuvas de cérca

de 25 anos cada, pois temos 50 anos de

dados, mais ou menos crivados de falhas

devido a interrupções nas observações ou

>

Cândido Moita Filho

o interior do Estado, até a'linha Camba rá - Piraju - Irapetininga - Sorocaba -

50 ou 70 anos desse período de mil, e

V

A política de Rui

o Rio.

O aumento das chuvas de dezembro a

fevereiro significa agravamento da erosão sem compensação, pois nunca houve falta

uma cerca forma, como a luta pelo poder,

unia luta portanto capaz, em qualquer parte, de despertar os impulsos elementa res c primitivos do homem. Mas. em verdade, a política é mais do que a luta pelo poíer, porque é, por si mesma, uma atividade criadora da ordem, que o Direi to ampara c solidifica. Uns, afoitos e in

sucesso era. No País, novidadeiros, os- ■ homens passavam depressa. Principal mente porque, para êle, não havia opi nião pública no. País, nem partidos, nem idéias e, consequentemente, verdadeira

seguros, tomam posição levados, como diz Maritain, pela ilusão do sucesso imediato.

nimava.

dc chuvas no verão.

rem. que as médias calculadas com os da

verificar a marcha das chuvas de vários

dos restantes são válidas para'o confronto. Os resultados dêsse confronto foram os se^intes í •) : não houve mudança no Etoral e na Serra onde as matas ainda se

séculos, talvez verificássemos que se trata de fenômeno periódico". De faro, é uma possibiiidaile. Mas como se explica então

o fato de não ter havido modificação al

Outros, firmes e convictos, não se deixam arrastar por essa ilusão. Rui, considerado

conservam; a mudança aumenta na dire

guma no litoral c nas zonas que conti

como um romântico.

ção de Mato Grosso e Goiás, e tanto mais quanto maior foi a devastação da vegeta ção e do solo; e essa mudança se traduz numa elevaçao grande das temperaturas medtas do mverno, um pouco menor no outono, menor ainda na primavera, e pe quena, mas ainda peiceptível, no verão-

nuam com farto revestimento vegetal e solos praticamente intactos ? E mais ain

da: como explicar que não htiuve modifi cação em certas zonas muito velhas, que, sofreram a devastação praticamente defi nitiva muito antes do início das observa

permanência do total anual de chuvas'

ções meteorológicas, como em cerras par tes do Vale do Paraíba, de modo que os

mas com agravamento da sua má distri-'

últimos 25 anos de dados representam

buiçao ; aumento nítido, que pode ser con siderado grande, das temperaturas médias

condições não inferiores às que presidi-'

anuais.

ram o clima dos primeiros 25 anos ?

Parece que temos indícios de que o ar-

Houve perda média de 30 % nas chu vas do inverno, de junho a agosto A

rasamento da vegetação e o depauperamen to dos solos (principalmente pela sua de-

estiagem, que no comêço do século era de maio a agosto, e só se esboçava no extremo norte e noroeste do Estado (Três La-

capiração, diminuição da capacidade de retenção dágua e concentração de areia pelo arrastamento das argilas) podem real mente mudar o clima com certa rapidez, .

•(») Contribuição para o Estudo do Clima

se êste for úmido e quente, com ma dis

do Est. de Sao Paulo. In-quarto c/240 pgs., 130 tabs.. 87 diags. e 23 mapas São Paulo, julho de 1946 (ainda exis

tribuição inicial de chuvas, e se a região afetada for grande e de rochas pobres do

te à vencia nas livrarias técnicas).

ponto de vista agrícola.

•' Vi

tigela de sopas de alho para cada abertação de paladar.

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Há quem -argumente: "Se pudéssemos

des, passam os falsos salvadores da pátria,

preocupado com

princípios e programas, num país de improvisadores e de situações inesperadas, não se iludia a êsse respeito. Sem per

der a realidade de vista, sem deixar de

compreender tôdas as facetas da ativida de política, èle sabia que a política, que fervilhava diante de seus olhos, matreira

e acanhada, procurava, por todos os meios, por tôdas as formas, feias ou bonitas, as. vantagens do sucesso imediato. Por suas incomparáveis qualidades de inteligência êle enxergava longe e preve

nia, prevenia contra a simulação da mo narquia constitucional, contra o parlamen tarismo deformado pelas deformações par

tidárias, contra as tendências caricaturais do no.sso federalismo republicano, contra

a farsa eleitoral,

contra a comédia das

eleições, contra a inconsciência da incultura e a falsificação do Direito, para en-

Rui sabia que o sucesso imediato nem

política.

Êle não se conformava, mas não desa

Começou lutando bem moço

ainda, e já bem velho lá se foi pelas difi culdades sertanejas, em campanha eleito

ral. A sua política seria, antes de tudo, a criaçao de uma consciência política pa ra resistir às inconsequências das ambições sem remédio.

Fêz, nesse sentido, várias campanhas e a maior delas, que foi a campanha civilista, se marca e se realça por êsse as pecto. Rui não é um simples candidato a

distribuir promessas. Mas é um missio

nário, um evangelizador. A sua propasanda e de suas .deias. n' uma incomen. suravel a .rmaçao de cultura. E' um deba te, no plano da inteligência dos grandes temas nacionais.

grancles

Assim, tôdas as vê?^.,

Raparece, prb^tiat^en.n-" candidato, mas o pregado , â^t^êrorar meja que a República r^r.\ -T

cultura fôsse uma Re!

"Tlm r-,

1-

P^Ia sua

^^Publica na realidade.

sílL senão - as ~ "5° seus cstá leis que votepelos

gazLipar as massas. E na famosa resposta a Ramiros Barcelos, cie configurava o

representantes.

quadro. Nas horas caniculares das gran

e a soberania do povo; se, com as oligar

des crises, quando a consciência popular

quias parlamentares, banem o j^ovo do

Mas se. com a mentira

eitoral, esbulham o povo do voto, que

Étertritiliríi ifiili


122

DrORSTO ECONÓMld

ongresso Nacional, que é a representação o povo, se, com as dilapidações orçamentarias, malbaratam a receita do im-

posto, c^ue é o suor do povo; se, com as ma administrativas, devoram a Fa-

nnvrTUiaoem^^'

o íranH

°

"íue c o patrimônio do e a caudi-

é

direitos do poX'í"L%ot^''''"° da incompetência' Â

r.u

venalidade excluem J ^^dhadismo e da

-os inteligência 1 elementos'do ^ ^''^'^de, que são - povo r em ^ P^^^ e envi ecemT' traindo-lhe tudo™ distingue um

de^' rou''^ íito; não nn

O culto à liberdade

Dai um de seus últimos apelos. Num

período amargo de desesperanças e deliquescências, quando já a civilização se

Nos lábios desse político de privilegiada

contorcia nas conseqüências sinistras da

sempre um aspecto da outra. Quando êie

Porém, se a política é o processo pelo

reclamava no pretório, na tribuna parla

E

mentar ou nos comícios populares, contra

que se entrincheiram seus mais abominá

dizia êle : — "Não vos esqueçais, pois.

as injustiças, estava reclamando contra as

veis inimigos, e principalmente aqueles

senhores. Renunciando o voto, não fa

liberdades feridas, porque a vida humana,

inimigos que se disfarçam com a liberda

zendo quesrão do voto. consentindo que vos arrebatem o voto, deixando assim que vos pupilem com o Govêrno que quise rem, estareis como se, no intuito de pou-

no seu aspecto valorativo, só tem razão

de ser pela liberdade, que é o caminho da inteligência.

A política, consequentemente, para êle,

pardes a vida. não ousásseis defender o

não era a luta cega e primordial dos ins

reto, a fortuna, a honra e a prole."

de

tintos, as emocionantes caçadas de ani mais de presa. Como atividade criado ra da ordem era a realização da liberda de. Toda a história política dos povos, desde os primórdios da democracia ate niense, em todas as suas lutas encarniça das e violentas, não foi outra coísa se

tinha seu credo político, defini tivo e írrenunciável : — "Creio

na liberdade onipotente, criadora

não a história da liberdade abrindo ca

das nações robustas ; creio na lei, emanação dela, o seu órgão capital, a pri-

minhos. Ela pode ser, de começo, a li

fPcifa de suas necessidades". E mais adian

dade de alguns; mas ela tem que ser, se

berdade de um, pode ser depois a liber

te. dando o aspecto viril e combativo de

jam quais forem as misérias e resistências,

sua^ crença ; — "Rejeito as doutrinas de arbítrio; abomino as ditaduras de todo o

a liberdade de todos. Pode o Direito Ro mano distinguir o homem livre do es

genero, militares ou científicas, coroadas

f"'™'

11 m importuno. Falava verdadís in"' ""

mentes, como criança indiscreta. tZZ de coisas fumras, quando as questões IrTm imediatas Era preciso disfarçar as ferT das, encobrir a magreza dos corpos fa mintos. Mas lá vinha êle apontar as fe ridas infeccionadas e mortais, as conse qüências do pauperismo nacional. Lá vi

de na boca e não as possui no coração. Porque, para Rui. havia algo de sa

grado e de implacável nas determinações da Justiça, como a Liberdade. Alguém para reclamar contra vai, na esperança da

garantia possível da que vai ao pretório um direito ofendido Justiça, em nome da

Liberdade, como aquele pobre diabo que embargou o enterramento do corpo de Guilherme I da Inglaterra, em Caen, naabadia de Saint Etienne.

Rui via, nesse embargo desassombrado o grito de um direito ferido, o protesto contra a iniqüidade de uma expoliação ' Por isso mesmo, nesse incidente que se

passava, há mais de oitocentos anos o castigo de Deus caía sobre o rei inío,,

que destruiu cidades e vidas e cujo ca'

"

dáver, abandonado como o de um

minc libero exhibendo". Mas são os pró

Seus avisos cresceram. Chegaram a to

nao o conduziam para „

í

cravo, com as Leis Valérias, com a Cus todia Libera, ou com o Interdicto de "ho-

ou populares".

recebia, as oy^çõlTqúeZ co""'""'

,]

França de 1789.

qual a liberdade se realiza, é dentro dela

lho cançado de tantas lutas, falava como

tas se faziam republicanos e os republicanos monarquistas, Rui

para ser ouvido falava

direitos, o "habeas corpus", as declarações de direito de Virgínia, a declaração da independência americana, a declaração dos direitos do homem e do cidadão, du

guerra de 1918, Rui, que já era um ve

Num país sem crenças políti cas firmadas, onde os monarquis-

dos

123

estirpe moravam sempre as palavras "li berdade" e "justiça", porque uma será

tealmente

corrilhos, Rui Barbo« ( t

ECONÔMICO

!

chamava a terrível avariose brasileira.

um moço sem canseiras e desânimos. d"-

D10ESTO

nha êle combater o mal político, que êle

mar entonação trágica. Êle mostrava os

prios juristas romanos que sentem, forçan

horizontes escurecendo ç tingidos de san

do as linhas do direito formal, a força de

gue. Estava de olhos na República que naufragava e ninguém via que naufragava,

um direito natural, provindo da reta razão

que manda e proíbe. Podem as monar

abominações. Nenhum

quias absolutas se edificarem sòbre o ca pricho da vontade dos príncipes, que,

entregue a uma anarquia vaga, incomensu-

rável, tenebrosa como os pesadelos das

dentro delas, surgem, forçando os artifí

noites de crime. Ponderou, gritou, pro E quando

cios, a concepção de um poder por direi

testou. Só não desesperou.

to divino, superior às paixões humanas. Podem os excluslvismos e os privilégios

morreu, em Petrópolis, com paralisia na língua, silenciou definitivamente sobre as

^a.

cepção da vida, via semn ^ do elemento servil ^ existência

implantar formas odiosas de vida, que

jurídica poderia, nesse In

convicção. Êle afirm do século n:;

ksua que o espírito

E muito mí.'° a escravidão. Fscsa clamorosa I ®injustiça próprio espírito. .. ia envenenando os homens, corrompendo as elites, desfibrando o povo.

ruínas de seus sonhos e sobre os desen

têm eles, logo pela frente, os privilégios

cantos de urpa época desesperada.

Daí a sua presença em tôda parte,

das liberdades, o "fuero de Lion", as leis das Partidas, a Magna Carta, a petição de

quando sentia a justiça postergada ou a

Ia.í,

liberdade ameaçada. Ei-lo na defesa dos

1

J


122

DrORSTO ECONÓMld

ongresso Nacional, que é a representação o povo, se, com as dilapidações orçamentarias, malbaratam a receita do im-

posto, c^ue é o suor do povo; se, com as ma administrativas, devoram a Fa-

nnvrTUiaoem^^'

o íranH

°

"íue c o patrimônio do e a caudi-

é

direitos do poX'í"L%ot^''''"° da incompetência' Â

r.u

venalidade excluem J ^^dhadismo e da

-os inteligência 1 elementos'do ^ ^''^'^de, que são - povo r em ^ P^^^ e envi ecemT' traindo-lhe tudo™ distingue um

de^' rou''^ íito; não nn

O culto à liberdade

Dai um de seus últimos apelos. Num

período amargo de desesperanças e deliquescências, quando já a civilização se

Nos lábios desse político de privilegiada

contorcia nas conseqüências sinistras da

sempre um aspecto da outra. Quando êie

Porém, se a política é o processo pelo

reclamava no pretório, na tribuna parla

E

mentar ou nos comícios populares, contra

que se entrincheiram seus mais abominá

dizia êle : — "Não vos esqueçais, pois.

as injustiças, estava reclamando contra as

veis inimigos, e principalmente aqueles

senhores. Renunciando o voto, não fa

liberdades feridas, porque a vida humana,

inimigos que se disfarçam com a liberda

zendo quesrão do voto. consentindo que vos arrebatem o voto, deixando assim que vos pupilem com o Govêrno que quise rem, estareis como se, no intuito de pou-

no seu aspecto valorativo, só tem razão

de ser pela liberdade, que é o caminho da inteligência.

A política, consequentemente, para êle,

pardes a vida. não ousásseis defender o

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reto, a fortuna, a honra e a prole."

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tintos, as emocionantes caçadas de ani mais de presa. Como atividade criado ra da ordem era a realização da liberda de. Toda a história política dos povos, desde os primórdios da democracia ate niense, em todas as suas lutas encarniça das e violentas, não foi outra coísa se

tinha seu credo político, defini tivo e írrenunciável : — "Creio

na liberdade onipotente, criadora

não a história da liberdade abrindo ca

das nações robustas ; creio na lei, emanação dela, o seu órgão capital, a pri-

minhos. Ela pode ser, de começo, a li

fPcifa de suas necessidades". E mais adian

dade de alguns; mas ela tem que ser, se

berdade de um, pode ser depois a liber

te. dando o aspecto viril e combativo de

jam quais forem as misérias e resistências,

sua^ crença ; — "Rejeito as doutrinas de arbítrio; abomino as ditaduras de todo o

a liberdade de todos. Pode o Direito Ro mano distinguir o homem livre do es

genero, militares ou científicas, coroadas

f"'™'

11 m importuno. Falava verdadís in"' ""

mentes, como criança indiscreta. tZZ de coisas fumras, quando as questões IrTm imediatas Era preciso disfarçar as ferT das, encobrir a magreza dos corpos fa mintos. Mas lá vinha êle apontar as fe ridas infeccionadas e mortais, as conse qüências do pauperismo nacional. Lá vi

de na boca e não as possui no coração. Porque, para Rui. havia algo de sa

grado e de implacável nas determinações da Justiça, como a Liberdade. Alguém para reclamar contra vai, na esperança da

garantia possível da que vai ao pretório um direito ofendido Justiça, em nome da

Liberdade, como aquele pobre diabo que embargou o enterramento do corpo de Guilherme I da Inglaterra, em Caen, naabadia de Saint Etienne.

Rui via, nesse embargo desassombrado o grito de um direito ferido, o protesto contra a iniqüidade de uma expoliação ' Por isso mesmo, nesse incidente que se

passava, há mais de oitocentos anos o castigo de Deus caía sobre o rei inío,,

que destruiu cidades e vidas e cujo ca'

"

dáver, abandonado como o de um

minc libero exhibendo". Mas são os pró

Seus avisos cresceram. Chegaram a to

nao o conduziam para „

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cravo, com as Leis Valérias, com a Cus todia Libera, ou com o Interdicto de "ho-

ou populares".

recebia, as oy^çõlTqúeZ co""'""'

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França de 1789.

qual a liberdade se realiza, é dentro dela

lho cançado de tantas lutas, falava como

tas se faziam republicanos e os republicanos monarquistas, Rui

para ser ouvido falava

direitos, o "habeas corpus", as declarações de direito de Virgínia, a declaração da independência americana, a declaração dos direitos do homem e do cidadão, du

guerra de 1918, Rui, que já era um ve

Num país sem crenças políti cas firmadas, onde os monarquis-

dos

123

estirpe moravam sempre as palavras "li berdade" e "justiça", porque uma será

tealmente

corrilhos, Rui Barbo« ( t

ECONÔMICO

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chamava a terrível avariose brasileira.

um moço sem canseiras e desânimos. d"-

D10ESTO

nha êle combater o mal político, que êle

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prios juristas romanos que sentem, forçan

horizontes escurecendo ç tingidos de san

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gue. Estava de olhos na República que naufragava e ninguém via que naufragava,

um direito natural, provindo da reta razão

que manda e proíbe. Podem as monar

abominações. Nenhum

quias absolutas se edificarem sòbre o ca pricho da vontade dos príncipes, que,

entregue a uma anarquia vaga, incomensu-

rável, tenebrosa como os pesadelos das

dentro delas, surgem, forçando os artifí

noites de crime. Ponderou, gritou, pro E quando

cios, a concepção de um poder por direi

testou. Só não desesperou.

to divino, superior às paixões humanas. Podem os excluslvismos e os privilégios

morreu, em Petrópolis, com paralisia na língua, silenciou definitivamente sobre as

^a.

cepção da vida, via semn ^ do elemento servil ^ existência

implantar formas odiosas de vida, que

jurídica poderia, nesse In

convicção. Êle afirm do século n:;

ksua que o espírito

E muito mí.'° a escravidão. Fscsa clamorosa I ®injustiça próprio espírito. .. ia envenenando os homens, corrompendo as elites, desfibrando o povo.

ruínas de seus sonhos e sobre os desen

têm eles, logo pela frente, os privilégios

cantos de urpa época desesperada.

Daí a sua presença em tôda parte,

das liberdades, o "fuero de Lion", as leis das Partidas, a Magna Carta, a petição de

quando sentia a justiça postergada ou a

Ia.í,

liberdade ameaçada. Ei-lo na defesa dos

1

J


DiCí:i.ro

i24

cativos; ei-l« na defesa dos caluniados; ei-Io na defesa dos exilados, ei-lo arris-

cando a vida, numa época de tenebrosas desconfianças, para conduzir aos desterra dos por Floriano Peixoto a sua solidarie dade de homem livre.

Quando, em 26 de maio de,lK97, ao pronunciar uma conferência no Politea

ma baiáno, teve que olhar frente a frente

a liberdade, Rui se transfigurava como ^ um iluminado. A sua figura pequenina e descompassada tornara-se impressionan te como a de um Mirabeau. A sua voz

vai adquirindo acentos até então não es

nrí)NóMi(:f>

foram muitos os <iiie nêlc enxergaram um convencional de l~H9. um robespierriano

terrível a minar a truricpiilidadc lios regimens. Mas enxergavam errôneamcnto, porque nessa alma, muitas vezes carrceada de cólera sagrada, habitava um dos mais acabadu.s temperamentos Jc jurista. Se, para êle, a política é clima da li berdade c assim a fôrça criadora da ordem,

essa liberdade só se poderia realizar pelo Direito, que é a energia conservadora

da ordem. As revoluções seriam sempie formas trágicas e desesperadas das socie

cutados: — "Liberdade! entre tantos, que

dades de onde o Direito desertou. O Ho-

te trazem na boca sem te sentirem no co ração, eu posso dar testemunho da tua

um ser dotado de inteligência, sabia, por

identidade, definir a expressão do teu nome, vingar a pureza do teu evangelho."

Era de se indagar se era Cícero, ao re memorar os fatos, nos idos de março, ou a declamar sobre as desditas da República A Liberdade era o seu enlevo, a fôrça de sua eloqüência. E continuava- _ "Dos que deveras te amam, e entendem

nem a República, nem a pátria po dem receber detrimento; porque tu

mem, como um ser racional e livre, como

natureza, que o caminho da violência só

pode ser traçado pelos povos primitivos e

incultos e aqueles que perderam a fé na fôrça pacificadora do Direito.

Quando Rui definia a democracia, êle

a concebia como um regimém de garan tias jurídicas. Lembrava que já os corín-

tios, testemunhas da alternativa da fôrça, diziam aos atenienses: — o cami nho da conveniência é p caminho

es, para uma c para outra, a maior

do Direito. Tinha a convicção de

das necessidades, o primeiro dos bens, a mais segura das garantias".

que não há civilização nacional

aparecia assrni, como aquele orador fran

ces que dava a impressão, a Anatole Fran ce, Je que cm tórno de seu rosco revo lureavam as abelhas do Hymetto..

enquanto o Direito não assume a

forma imperativa, traduzindo-se em lei. E a lei apareceria como a diví- ' seria entre a moral pública e a barbaria. Cantava a musa de Solon — dizia Rui — que o desprezo da lei alastra os males

da cidade", ao passo que, com sua obser

O Direito e a Liberdade

Rui, que assim tanto cultuou a liberda de, que a todo instante estava alteando a voz para defendê-la, não era. contudo, um revolucionário. Vemo-lo protestar sem pre, prevenir sem desânimos, ponderar sem vacilaçõés, conspirar nunca e, muito menos, tomar a responsabilidade de um movimento subversivo,

Não faltaram e

DlGHSTO ECONÔMICO

E concluía então, como concluiu a vida lòda: — "A base da democracia no sé

culo dezenove c a mesma que ha dois mil

grave atmosfera da monarquia representa.-

e quinhentos anos: — a religião do Di

tiva que atenuara no Brasil suas insufi ciências culturais e sociais, com um bené

reito".

A democracia era, portanto, nas suas

prolongadas meditações, um sistema de garantias para a liberdade, um sistema de afirmação da justiça, a harmonia racional entre os homens pelo Direito. Ela lhe aparecia, como para Alcebíades, tôda or ganização do poder avessa ao despotismo . Êsse seria o empolgante milagre do regimem representativo que, dando ao povo o direito de escolher livremente o seu go-

vêrno, consagra todas as liberdades hu manas. "Por isso mesmo — dizia Rui

todo aquele que defende o seu direito de votar, defende a sua consciência, defende a .sua religião, defende a sua casa, defende os seus bens, defende a honra sua e dos seus, defende a própria vida.

Daí as palavras memoráveis de seu cre do político: — "Creio que, neste regimem, não há outros poderes soberanos, e o

soberano é o Direito interpretado pelos tribunais".

Na luta pela República, muitos deram a revolução. Rui deu-lhe o Direito, deu-lhe a Constituição, deu-lhe a força ordenadora e conservadora.

Não defendia este ou aquele regimem,

senão o regimem que possibilitasse as

franquias liberais e permitisse as decisões pelo Direito. Servindo a monarquia, ser

homens se converte em harmonia e razão.

viu-a quanto pôde. Na hora crepuscular do regimem monárquico foi a voz alertadora e não ouvida. Parecia um revolucio

Edificador da democracia grega, Solon de

nário; na verdade, porém, queria evitar a

via saber o que dizia.

revolução. .

vância, pelo contrário, tudo entre os

Mais de vinte c

cinco 'séculos conta, portanto, a pravida-

Proclamada a República, foi Ministro

de dos que, como eu, acima de todas as

de .seu governo provisório, deu-lhe, nesse tempo, o necessário diploma de legalidade. Foi, depois, membro do Poder Legislativo.

coisas, reverenciam, na terra, a lei como

a entidade onipotente, que, na frase do estadista helênico, "encadeia os maus, ex- , tingue a violência, coibe a sedição e ' aplaca os furores da discórdia".

Tendo diante dos olhos a poUtiai acuudilhada do Continente, Rui. formado na

Foi candidato à presidência da República. Mas não foi um revolucionário.

fico sôpto de dignidade, queria, a todo custo, resguardar o País das tropelias da sedi^o e das guerras civis.

Não que fosse um conservador. Pro

gressista e liberal é que êle era, mas, para a realização desse progresso e desse

liberalismo num país de vacilantes tra dições políticas, era preciso evitar o re trocesso pela revolução, mesmo quando ela

se disfarçava, como várias, no Império e na República se disfarçou, numa constitucionalidade alegórica.

Na defesa que traçou da eleição direta, em 21 de junho de 1880, Rui se referia a êsse constitucionalismo alegórico e à

farça eleitoral, lembrando, com Macaulay

a história de um habiiíssimo rei eleito pelo relinchar do seu ginete!

E se deu a legalidade à República quando ela foi violada, êle se apressou em defendê-la. Foi essa a sua posição em 93. A violência do poder e a violência da revolução anarquizavam o País E

Rui ficou nessa hoLU, sinaplesmen.e com a legalidade. E como a legalidade em suspeita, ele tornou-se suspeito. Numa

carta que d.tigtu ao "Jornal do Com^

em 6 de março desse

írcio

rôde se defTne pNa^iu^^k"' galidade contra as^sòdf;- 'P'''" '"■ rias: — "Acabn ^ 'uçoes revolucioná-

se disse'nue a 1 óação da causa

secretas se envolviam env I^ se ,

consoli-

P^blicana. Apesar dos desembarque com os amigos que me iam

or, apesar ainda dos depoimentos de i uma espionagem digna da calcêta, que contra mim se andam tomando na poli- í cia, creio não ser suspeito à República, f Os suspeitos o Governo devia procurá-los. los, 'fj iJWiii'

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DiCí:i.ro

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cativos; ei-l« na defesa dos caluniados; ei-Io na defesa dos exilados, ei-lo arris-

cando a vida, numa época de tenebrosas desconfianças, para conduzir aos desterra dos por Floriano Peixoto a sua solidarie dade de homem livre.

Quando, em 26 de maio de,lK97, ao pronunciar uma conferência no Politea

ma baiáno, teve que olhar frente a frente

a liberdade, Rui se transfigurava como ^ um iluminado. A sua figura pequenina e descompassada tornara-se impressionan te como a de um Mirabeau. A sua voz

vai adquirindo acentos até então não es

nrí)NóMi(:f>

foram muitos os <iiie nêlc enxergaram um convencional de l~H9. um robespierriano

terrível a minar a truricpiilidadc lios regimens. Mas enxergavam errôneamcnto, porque nessa alma, muitas vezes carrceada de cólera sagrada, habitava um dos mais acabadu.s temperamentos Jc jurista. Se, para êle, a política é clima da li berdade c assim a fôrça criadora da ordem,

essa liberdade só se poderia realizar pelo Direito, que é a energia conservadora

da ordem. As revoluções seriam sempie formas trágicas e desesperadas das socie

cutados: — "Liberdade! entre tantos, que

dades de onde o Direito desertou. O Ho-

te trazem na boca sem te sentirem no co ração, eu posso dar testemunho da tua

um ser dotado de inteligência, sabia, por

identidade, definir a expressão do teu nome, vingar a pureza do teu evangelho."

Era de se indagar se era Cícero, ao re memorar os fatos, nos idos de março, ou a declamar sobre as desditas da República A Liberdade era o seu enlevo, a fôrça de sua eloqüência. E continuava- _ "Dos que deveras te amam, e entendem

nem a República, nem a pátria po dem receber detrimento; porque tu

mem, como um ser racional e livre, como

natureza, que o caminho da violência só

pode ser traçado pelos povos primitivos e

incultos e aqueles que perderam a fé na fôrça pacificadora do Direito.

Quando Rui definia a democracia, êle

a concebia como um regimém de garan tias jurídicas. Lembrava que já os corín-

tios, testemunhas da alternativa da fôrça, diziam aos atenienses: — o cami nho da conveniência é p caminho

es, para uma c para outra, a maior

do Direito. Tinha a convicção de

das necessidades, o primeiro dos bens, a mais segura das garantias".

que não há civilização nacional

aparecia assrni, como aquele orador fran

ces que dava a impressão, a Anatole Fran ce, Je que cm tórno de seu rosco revo lureavam as abelhas do Hymetto..

enquanto o Direito não assume a

forma imperativa, traduzindo-se em lei. E a lei apareceria como a diví- ' seria entre a moral pública e a barbaria. Cantava a musa de Solon — dizia Rui — que o desprezo da lei alastra os males

da cidade", ao passo que, com sua obser

O Direito e a Liberdade

Rui, que assim tanto cultuou a liberda de, que a todo instante estava alteando a voz para defendê-la, não era. contudo, um revolucionário. Vemo-lo protestar sem pre, prevenir sem desânimos, ponderar sem vacilaçõés, conspirar nunca e, muito menos, tomar a responsabilidade de um movimento subversivo,

Não faltaram e

DlGHSTO ECONÔMICO

E concluía então, como concluiu a vida lòda: — "A base da democracia no sé

culo dezenove c a mesma que ha dois mil

grave atmosfera da monarquia representa.-

e quinhentos anos: — a religião do Di

tiva que atenuara no Brasil suas insufi ciências culturais e sociais, com um bené

reito".

A democracia era, portanto, nas suas

prolongadas meditações, um sistema de garantias para a liberdade, um sistema de afirmação da justiça, a harmonia racional entre os homens pelo Direito. Ela lhe aparecia, como para Alcebíades, tôda or ganização do poder avessa ao despotismo . Êsse seria o empolgante milagre do regimem representativo que, dando ao povo o direito de escolher livremente o seu go-

vêrno, consagra todas as liberdades hu manas. "Por isso mesmo — dizia Rui

todo aquele que defende o seu direito de votar, defende a sua consciência, defende a .sua religião, defende a sua casa, defende os seus bens, defende a honra sua e dos seus, defende a própria vida.

Daí as palavras memoráveis de seu cre do político: — "Creio que, neste regimem, não há outros poderes soberanos, e o

soberano é o Direito interpretado pelos tribunais".

Na luta pela República, muitos deram a revolução. Rui deu-lhe o Direito, deu-lhe a Constituição, deu-lhe a força ordenadora e conservadora.

Não defendia este ou aquele regimem,

senão o regimem que possibilitasse as

franquias liberais e permitisse as decisões pelo Direito. Servindo a monarquia, ser

homens se converte em harmonia e razão.

viu-a quanto pôde. Na hora crepuscular do regimem monárquico foi a voz alertadora e não ouvida. Parecia um revolucio

Edificador da democracia grega, Solon de

nário; na verdade, porém, queria evitar a

via saber o que dizia.

revolução. .

vância, pelo contrário, tudo entre os

Mais de vinte c

cinco 'séculos conta, portanto, a pravida-

Proclamada a República, foi Ministro

de dos que, como eu, acima de todas as

de .seu governo provisório, deu-lhe, nesse tempo, o necessário diploma de legalidade. Foi, depois, membro do Poder Legislativo.

coisas, reverenciam, na terra, a lei como

a entidade onipotente, que, na frase do estadista helênico, "encadeia os maus, ex- , tingue a violência, coibe a sedição e ' aplaca os furores da discórdia".

Tendo diante dos olhos a poUtiai acuudilhada do Continente, Rui. formado na

Foi candidato à presidência da República. Mas não foi um revolucionário.

fico sôpto de dignidade, queria, a todo custo, resguardar o País das tropelias da sedi^o e das guerras civis.

Não que fosse um conservador. Pro

gressista e liberal é que êle era, mas, para a realização desse progresso e desse

liberalismo num país de vacilantes tra dições políticas, era preciso evitar o re trocesso pela revolução, mesmo quando ela

se disfarçava, como várias, no Império e na República se disfarçou, numa constitucionalidade alegórica.

Na defesa que traçou da eleição direta, em 21 de junho de 1880, Rui se referia a êsse constitucionalismo alegórico e à

farça eleitoral, lembrando, com Macaulay

a história de um habiiíssimo rei eleito pelo relinchar do seu ginete!

E se deu a legalidade à República quando ela foi violada, êle se apressou em defendê-la. Foi essa a sua posição em 93. A violência do poder e a violência da revolução anarquizavam o País E

Rui ficou nessa hoLU, sinaplesmen.e com a legalidade. E como a legalidade em suspeita, ele tornou-se suspeito. Numa

carta que d.tigtu ao "Jornal do Com^

em 6 de março desse

írcio

rôde se defTne pNa^iu^^k"' galidade contra as^sòdf;- 'P'''" '"■ rias: — "Acabn ^ 'uçoes revolucioná-

se disse'nue a 1 óação da causa

secretas se envolviam env I^ se ,

consoli-

P^blicana. Apesar dos desembarque com os amigos que me iam

or, apesar ainda dos depoimentos de i uma espionagem digna da calcêta, que contra mim se andam tomando na poli- í cia, creio não ser suspeito à República, f Os suspeitos o Governo devia procurá-los. los, 'fj iJWiii'

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I ■ -rr


frr

\r'

II ondulante parque de Hampton Court, o

da multidão, se abrisse um arrolamento para classificar os brasileiros em monar-

do um quadro contínuo de "cotcages" —

na opinião perseguida."

Convençam-se os bons republicanos: essas manifestações de caráter agitador, de tendências extra-legais, não destroem o

Tâmisa como um rio maravilhoso refletin

nários, a conquista Jc seu país, já exerci tado pela legalidade, pelos espetáculos de

dade para o caminho da desagregação e da morte. Por isso êle dizia, com veemên

cia, nxima de suas campanhas, que

o jurista deram mãos ao literato, para

advogado, cuja atitude na im„L , Parlamento, nos tribunais em

perseguidos políticos, os livrava d"^ ' ques do Governo dominati™ tof^

que a evocação fosse completa, colorida e

cheia de vida. Nasceram assim as "Canas

Nelas estão fixados, com tintas vivas e

Rosas. . . "Os sonhadores da liberdade republicana — concluía ele nas cartas

damente preocupado com ..c dades que me cabiam na or publicana do Brasil, cuja

Cruzeiro do Sul fizeram desses nomes as duas expressões remotas e solitárias da tirania naquele continente, como Erebo e o Terror, perdidos ao longe no mundo quase inacessível dos gelos antárticos. Mas, a verdade é esta: — Francias e Rosas são apenas encarnações, figuras análogas a ou

tras de um estado social generalizado, renascente, talvez orgânico

da

América

Latina."

Dentre as lições de Rui...

principalmente, obra minha, e velídóTd^' saparecer ràpidamente em uma í J militar, cedi aos mais imperiosos reclamo!

tunidade, precisa ser conservada em nossa

da-minha consciência, voltando ã •

consciência: — é aquela consagrada ao

sa onde me batera contra o Govêr™''pe""

soai do Imperador, para defender ante n Governo pessoal do Presidente da Renúbiica, o pacto de 1891."

E foi nos arredores de Londres, no -distrito rural de Teddington — cercado peJa paisagem verde de lugarejos encanta

dores. os vastos jardins de Kesse Garden,

Dentre as lições de Rui, há uma que, pela sua universalícfade e pela sua opor ■.>

culto da verdade, no campo político. Rui jamais suportou a mentira como arma política, a duplicidade moral como ne cessária à vida pública. A simulação política e a hipocrisia dos princípios destroem a consciência cívica e corroem o caráter de um povo.

em

nome do Senhor vão todos os que se

para o "Jornal do Comércio" — sob o

voíucionano.„,o é o jornalista, o seTador ó•

causa justa".

E as vozes que se

Para Rui, essa simulação, râo ao gôsto

E foi com ésse espírito, com essa me lancolia e essa revolta, que o político e

quentes, os retratos do dr. Francias e de

composí^o nacional.

dos descrentes e oportunistas, leva a socie

gradantes das ambições caudilhescas.

'Deíxer'" ° monarquistas ^ ° omultiplicam, eixemos aos direito de se-lo, se queremos desarmá-los Mas, apesar disso, foi obrigado"a exilar-

expõem à guerra santa das idéias por uma

nas dos brejos, que êle lembrou, de uma feita, cujas chamas azuis e rasteiras se apa gam à superfície dos charcos.

que êle sentiu reviver em sua imaginação,

da Inglaterra", obra de admirável equilí brio literário e de castidade vernácula.

veis. espalha-se o invisível veneno da deouvem se assemelham àquelas lampari

com as perspectivas dos terrenos revolucio

mento que eles se empenham em des-

O

ECONOMirO

Dighsto l-it.oNtlMjrO

talvez, mais perto de si. Pois bem; n<í dia em que, sob a pressão dos mandões

Quistas e republicanos, eu acharia pouco para mim a designação de monarquista e inscrever-me-ia monarquista da gema. Por que, toda vez que uma opinião lícita fôr convertida em crime, eu, em revolta com os inquisidores políticos, me increverei

IIIIÜIVÜ Digt-sto

12Ó

Nesse

quadro em que os grandes gestos só ser vem para encobrir ambições inconfessá-

J

Em todos os tempos, cm todas as situa

ções, em todas as circunstâncias, só a pai xão pela verdade deve conduzir o homem.

Só ela é que faz com que a inteligência, o Direito e a religião sejam, na luta ás

pera pelos poderes, os poderes legítimos do mundo. So essa paixão inveterada é que pode dar ao homem, nas horas de

sofrimento e de. terror, razões para não desesperar e ânimo para vencer!

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II ondulante parque de Hampton Court, o

da multidão, se abrisse um arrolamento para classificar os brasileiros em monar-

do um quadro contínuo de "cotcages" —

na opinião perseguida."

Convençam-se os bons republicanos: essas manifestações de caráter agitador, de tendências extra-legais, não destroem o

Tâmisa como um rio maravilhoso refletin

nários, a conquista Jc seu país, já exerci tado pela legalidade, pelos espetáculos de

dade para o caminho da desagregação e da morte. Por isso êle dizia, com veemên

cia, nxima de suas campanhas, que

o jurista deram mãos ao literato, para

advogado, cuja atitude na im„L , Parlamento, nos tribunais em

perseguidos políticos, os livrava d"^ ' ques do Governo dominati™ tof^

que a evocação fosse completa, colorida e

cheia de vida. Nasceram assim as "Canas

Nelas estão fixados, com tintas vivas e

Rosas. . . "Os sonhadores da liberdade republicana — concluía ele nas cartas

damente preocupado com ..c dades que me cabiam na or publicana do Brasil, cuja

Cruzeiro do Sul fizeram desses nomes as duas expressões remotas e solitárias da tirania naquele continente, como Erebo e o Terror, perdidos ao longe no mundo quase inacessível dos gelos antárticos. Mas, a verdade é esta: — Francias e Rosas são apenas encarnações, figuras análogas a ou

tras de um estado social generalizado, renascente, talvez orgânico

da

América

Latina."

Dentre as lições de Rui...

principalmente, obra minha, e velídóTd^' saparecer ràpidamente em uma í J militar, cedi aos mais imperiosos reclamo!

tunidade, precisa ser conservada em nossa

da-minha consciência, voltando ã •

consciência: — é aquela consagrada ao

sa onde me batera contra o Govêr™''pe""

soai do Imperador, para defender ante n Governo pessoal do Presidente da Renúbiica, o pacto de 1891."

E foi nos arredores de Londres, no -distrito rural de Teddington — cercado peJa paisagem verde de lugarejos encanta

dores. os vastos jardins de Kesse Garden,

Dentre as lições de Rui, há uma que, pela sua universalícfade e pela sua opor ■.>

culto da verdade, no campo político. Rui jamais suportou a mentira como arma política, a duplicidade moral como ne cessária à vida pública. A simulação política e a hipocrisia dos princípios destroem a consciência cívica e corroem o caráter de um povo.

em

nome do Senhor vão todos os que se

para o "Jornal do Comércio" — sob o

voíucionano.„,o é o jornalista, o seTador ó•

causa justa".

E as vozes que se

Para Rui, essa simulação, râo ao gôsto

E foi com ésse espírito, com essa me lancolia e essa revolta, que o político e

quentes, os retratos do dr. Francias e de

composí^o nacional.

dos descrentes e oportunistas, leva a socie

gradantes das ambições caudilhescas.

'Deíxer'" ° monarquistas ^ ° omultiplicam, eixemos aos direito de se-lo, se queremos desarmá-los Mas, apesar disso, foi obrigado"a exilar-

expõem à guerra santa das idéias por uma

nas dos brejos, que êle lembrou, de uma feita, cujas chamas azuis e rasteiras se apa gam à superfície dos charcos.

que êle sentiu reviver em sua imaginação,

da Inglaterra", obra de admirável equilí brio literário e de castidade vernácula.

veis. espalha-se o invisível veneno da deouvem se assemelham àquelas lampari

com as perspectivas dos terrenos revolucio

mento que eles se empenham em des-

O

ECONOMirO

Dighsto l-it.oNtlMjrO

talvez, mais perto de si. Pois bem; n<í dia em que, sob a pressão dos mandões

Quistas e republicanos, eu acharia pouco para mim a designação de monarquista e inscrever-me-ia monarquista da gema. Por que, toda vez que uma opinião lícita fôr convertida em crime, eu, em revolta com os inquisidores políticos, me increverei

IIIIÜIVÜ Digt-sto

12Ó

Nesse

quadro em que os grandes gestos só ser vem para encobrir ambições inconfessá-

J

Em todos os tempos, cm todas as situa

ções, em todas as circunstâncias, só a pai xão pela verdade deve conduzir o homem.

Só ela é que faz com que a inteligência, o Direito e a religião sejam, na luta ás

pera pelos poderes, os poderes legítimos do mundo. So essa paixão inveterada é que pode dar ao homem, nas horas de

sofrimento e de. terror, razões para não desesperar e ânimo para vencer!

1


DIGr-STo

^ liberdade de imprensa no Brasil

[lio<.!e pais incógnitos, asseverou que Fei-• jó "vira a luz do dia num chiqueiro de porcos". O Claritn da Lihcrdadv brini!ou-o com o título dc inqiiisidor-mor

Otávio Tarquínio uk Souza

j\ LIBERDADH <Je imprensa no Brasil nasceu, pode dizer-se, com a emanci

pação nacional. Nossos primeiros jornais independentes apareceram em 1821. Des de logo o exame dos homens e dos acon tecimentos começou a ser feito, nem sem

pre com isenção, muitas vezes com injus tiças, mas indiscutivelmente com a maior coragem^ Onde houvesse um desmando o Governo, uma arbitrariedade, um me

noscabo aos interesses do povo, imediata mente surgia a crítica de um jornal, de

' dZ'°L'T"''

focara, gran-

mancomunado com os portugueses para

so jornalista — a Aurara F/un/ii/etise c o seu redator Hvaristo da Veiga.

destruir a Independência, o que vale dizer — traidor de sua pátria. Nada disso fez

Entre 1827 e 1835, isto c. enquanto

com que Feijó perseguisse" a imprensa. Plc, como os seus contemporâneos da mes

durou a campanha jornalística do livreiro

da rua dos Pescailores, nunca êsse rapaz

ma formação, tinha pela liberdade, por tò-

de imprensa, êsse autodidata carioca, dei xou de tomar posição, de enfrentar, cen surar ou aconselhar os poderosos do dia, os mandões do tempo. Ninguém terá

ilas as liberdades consagradas em lei, um

respeito quase supersticioso.

concorrido, talvez, mais do que êle.^para derribar o primeiro imperador, para for antes conhecido apenas no balcão da loja

exerce,o daquela liberdade se torna ptàticamente impossível.

Instalado o parlamento, os jornais nu lularam no Rio e na.s províncias, crescen-

íalrn:n\n~Taí granda parte os jornais que Impeliram Z dro I a abdicaçao e criaram

T-

júri, sempre inclinado à -benevolência. Quando o homem duro que era o padre Feijó, num momento de profunda pertur bação política, foi nomeado Ministro da Justiça, não mandou fechar jornais, nem prender jornalistas: pensou também em

jornal da Corre ou de qualquer província, ocupavam o gover

Í^V

pública na época democrática

nante imperial, inspiravam-lhe

entre rodas de nossa história.

iniciativas.

Menino, logo que aprendeu a

Sem querer deixar na sombra o que houve de artificial e de

jornais que aqui se publicavam, acusações aos governos,

leu as

os ataques pes

soais aos ministros, as injúrias tantas ve

zes cruéis a seu pai, e não soube nunca contra os jornalistas apaixonados se exercesse qualquer coação, qualquer cons trangimento, qualquer violência. Não haverá temeridade, pois, em avançar que os governante.s do tempo da Regência, pela

daquela época, fértil em pasquins dedica dos a campanhas de retaliação pessoal. Mas os malefícios de todos os pasquins, pasqui-

Feijó, mau grado a sua vida irreprocháA Ma- ' traça dos Farroupilhas chamou-o de "pa

tolerância com que suponaram as críticas justas e muitas vêzes injustas dos jornais, pelas demonstrações de respeito a todas

dre imoral", "ministro de Satanaz", "seduT > tor e alcoviteiro" e, aludindo ao mistério,

as idéias, pela sinceridade de sua conduta, foram os grande.s mestres, os verdadeiros

do seu nascimento de filho enjcitado, fi-

educadores Je Pedro II. no que este pos

3.'

é*»

administrativos e azucrinava os ministros

te comarca, revelados por um

atos do Governo.

da ação benfazeja de um só jornal, de um

atenção. Pelo que escreviam os jornais in

formava-se do andamento dos serviços

abdicação de seu pai, teve os j:irimeirüs conractos com a vida

nuar os excessos praticados pela imprensa

vel, os jornais que o atacavam ?

ler os jornais do Pais inteiro, em atender-

deixara o berço. .Pedro II, com

abrir um jornal para defender-se, para justific^r-se, para defender e justificar os Que não disseram de

rante o seu reinado de quase meio século,

cinco anos apenas por ocasião da

ler,'por mais que áulicos o ser- . viçais procurassem evitar, manuseou os

1

a maior garantia da liberdade de opinião escrita ou falada no Brasil, talvez quem melhor soube compreender o papel da im prensa. E conhecido o seu empenho em

com cartinhas e bilhetes diários. O mal tão antigo da falta de água no Rio de Janeiro ou a condura excessiva de um dele-gado de polícia na mais distan-/

respeito pela liberdade de im prensa, que se criou o impera dor alçado ao trono quando mal

democrático da. Regência. Faltark"' 1 1 dade quem quisesse negar oucuiaria sequera ver ate

nadas e pasquineíros ficam multo aquém Eí"-

quer aparelho administrativo. Para coibirdhe os desníando.s havia o remédio do

Porque assim o educaram os políticos

da Regência, foi pi^rvenrura Pedro II, du

xas. Qualquer nota ou artigo sôbre as sunto de interêsse público merecia a sua

O

Foi em atmosfera assim, dc

tado pela província de Minas Gerais an tes de lá ter ido, passou a ser árbitro de situações e guia sempre ouvido c acatado. Nos dias tumultuosos da Regência, a imprensa, embora abusando do direito de critica, nunca se viu humilhada pela cen- " suta policial ou pelas proibições de qual

por tôdas as opiniões.

ria para a consciência dêsscs liberais con

mas, revidar também com transbordamentos de linguagem em outros jornais.

dc livros do pai o depois nas que fundou,

voção pela coisa pública, a paciência no suportar agravos e insultos, o acatamento

lhes às reclamações, em ouvir-lhes as quei

mais que faziam era usar das mesmas ar

çá-lo à retirada. O jovem Evaristo, pouco

zinho, por ser um jornalista honesto ga nhou prestígio e fama, foi eleito depu

celular de assembléias r^tratlvr o

Fechar um

sa apresentar de mais simpático — a de

jornal, tolher a ação de um jornalista, se victos horrível falta, crime hediondo.

uma com o irmão João Pedro e outra so

cia de parlamento, sem o fu"'

Econômico

posuço no Sepundo Reinado e a despeito

das taras de sua sociedade de senhores e

escravos, forçoso é proclamar que foi urua

berdLfd

<1= pensamento. deT

aue fcrktã"'''''' l'"i do nr' ■

tnelindres de famí-

to. vale recordar o panfleto de Timandro, O mais que agressivo Libelo do Poro.

Dc origem humilde, mestiço, parece que com avó escrava, Sales Tôrre.s Homem

figura entre aqueles moços que a revolu ção de^7 de abril cedo atraiu para a vida pública. Liberal filiado ao partido dc

"O


DIGr-STo

^ liberdade de imprensa no Brasil

[lio<.!e pais incógnitos, asseverou que Fei-• jó "vira a luz do dia num chiqueiro de porcos". O Claritn da Lihcrdadv brini!ou-o com o título dc inqiiisidor-mor

Otávio Tarquínio uk Souza

j\ LIBERDADH <Je imprensa no Brasil nasceu, pode dizer-se, com a emanci

pação nacional. Nossos primeiros jornais independentes apareceram em 1821. Des de logo o exame dos homens e dos acon tecimentos começou a ser feito, nem sem

pre com isenção, muitas vezes com injus tiças, mas indiscutivelmente com a maior coragem^ Onde houvesse um desmando o Governo, uma arbitrariedade, um me

noscabo aos interesses do povo, imediata mente surgia a crítica de um jornal, de

' dZ'°L'T"''

focara, gran-

mancomunado com os portugueses para

so jornalista — a Aurara F/un/ii/etise c o seu redator Hvaristo da Veiga.

destruir a Independência, o que vale dizer — traidor de sua pátria. Nada disso fez

Entre 1827 e 1835, isto c. enquanto

com que Feijó perseguisse" a imprensa. Plc, como os seus contemporâneos da mes

durou a campanha jornalística do livreiro

da rua dos Pescailores, nunca êsse rapaz

ma formação, tinha pela liberdade, por tò-

de imprensa, êsse autodidata carioca, dei xou de tomar posição, de enfrentar, cen surar ou aconselhar os poderosos do dia, os mandões do tempo. Ninguém terá

ilas as liberdades consagradas em lei, um

respeito quase supersticioso.

concorrido, talvez, mais do que êle.^para derribar o primeiro imperador, para for antes conhecido apenas no balcão da loja

exerce,o daquela liberdade se torna ptàticamente impossível.

Instalado o parlamento, os jornais nu lularam no Rio e na.s províncias, crescen-

íalrn:n\n~Taí granda parte os jornais que Impeliram Z dro I a abdicaçao e criaram

T-

júri, sempre inclinado à -benevolência. Quando o homem duro que era o padre Feijó, num momento de profunda pertur bação política, foi nomeado Ministro da Justiça, não mandou fechar jornais, nem prender jornalistas: pensou também em

jornal da Corre ou de qualquer província, ocupavam o gover

Í^V

pública na época democrática

nante imperial, inspiravam-lhe

entre rodas de nossa história.

iniciativas.

Menino, logo que aprendeu a

Sem querer deixar na sombra o que houve de artificial e de

jornais que aqui se publicavam, acusações aos governos,

leu as

os ataques pes

soais aos ministros, as injúrias tantas ve

zes cruéis a seu pai, e não soube nunca contra os jornalistas apaixonados se exercesse qualquer coação, qualquer cons trangimento, qualquer violência. Não haverá temeridade, pois, em avançar que os governante.s do tempo da Regência, pela

daquela época, fértil em pasquins dedica dos a campanhas de retaliação pessoal. Mas os malefícios de todos os pasquins, pasqui-

Feijó, mau grado a sua vida irreprocháA Ma- ' traça dos Farroupilhas chamou-o de "pa

tolerância com que suponaram as críticas justas e muitas vêzes injustas dos jornais, pelas demonstrações de respeito a todas

dre imoral", "ministro de Satanaz", "seduT > tor e alcoviteiro" e, aludindo ao mistério,

as idéias, pela sinceridade de sua conduta, foram os grande.s mestres, os verdadeiros

do seu nascimento de filho enjcitado, fi-

educadores Je Pedro II. no que este pos

3.'

é*»

administrativos e azucrinava os ministros

te comarca, revelados por um

atos do Governo.

da ação benfazeja de um só jornal, de um

atenção. Pelo que escreviam os jornais in

formava-se do andamento dos serviços

abdicação de seu pai, teve os j:irimeirüs conractos com a vida

nuar os excessos praticados pela imprensa

vel, os jornais que o atacavam ?

ler os jornais do Pais inteiro, em atender-

deixara o berço. .Pedro II, com

abrir um jornal para defender-se, para justific^r-se, para defender e justificar os Que não disseram de

rante o seu reinado de quase meio século,

cinco anos apenas por ocasião da

ler,'por mais que áulicos o ser- . viçais procurassem evitar, manuseou os

1

a maior garantia da liberdade de opinião escrita ou falada no Brasil, talvez quem melhor soube compreender o papel da im prensa. E conhecido o seu empenho em

com cartinhas e bilhetes diários. O mal tão antigo da falta de água no Rio de Janeiro ou a condura excessiva de um dele-gado de polícia na mais distan-/

respeito pela liberdade de im prensa, que se criou o impera dor alçado ao trono quando mal

democrático da. Regência. Faltark"' 1 1 dade quem quisesse negar oucuiaria sequera ver ate

nadas e pasquineíros ficam multo aquém Eí"-

quer aparelho administrativo. Para coibirdhe os desníando.s havia o remédio do

Porque assim o educaram os políticos

da Regência, foi pi^rvenrura Pedro II, du

xas. Qualquer nota ou artigo sôbre as sunto de interêsse público merecia a sua

O

Foi em atmosfera assim, dc

tado pela província de Minas Gerais an tes de lá ter ido, passou a ser árbitro de situações e guia sempre ouvido c acatado. Nos dias tumultuosos da Regência, a imprensa, embora abusando do direito de critica, nunca se viu humilhada pela cen- " suta policial ou pelas proibições de qual

por tôdas as opiniões.

ria para a consciência dêsscs liberais con

mas, revidar também com transbordamentos de linguagem em outros jornais.

dc livros do pai o depois nas que fundou,

voção pela coisa pública, a paciência no suportar agravos e insultos, o acatamento

lhes às reclamações, em ouvir-lhes as quei

mais que faziam era usar das mesmas ar

çá-lo à retirada. O jovem Evaristo, pouco

zinho, por ser um jornalista honesto ga nhou prestígio e fama, foi eleito depu

celular de assembléias r^tratlvr o

Fechar um

sa apresentar de mais simpático — a de

jornal, tolher a ação de um jornalista, se victos horrível falta, crime hediondo.

uma com o irmão João Pedro e outra so

cia de parlamento, sem o fu"'

Econômico

posuço no Sepundo Reinado e a despeito

das taras de sua sociedade de senhores e

escravos, forçoso é proclamar que foi urua

berdLfd

<1= pensamento. deT

aue fcrktã"'''''' l'"i do nr' ■

tnelindres de famí-

to. vale recordar o panfleto de Timandro, O mais que agressivo Libelo do Poro.

Dc origem humilde, mestiço, parece que com avó escrava, Sales Tôrre.s Homem

figura entre aqueles moços que a revolu ção de^7 de abril cedo atraiu para a vida pública. Liberal filiado ao partido dc

"O


DlGRSTO ECONÓMtCO

130

Digkstc Econômico

Evarisio e Feijó, foi orador da manifesta vj feita icitâ uv <i\j dei^car uciAai ção pelos rapazes do Rio ao

seu poder c importância como nação, o

u grande padre, em 1832, o Ministério da

são de suas franquezas". E evocou então a "longa sucessão de reis ignorantes, cruéis

Justiça; escreveu no Independente ao la

do de Rodrigues Torres; tomou parte na ação de todos os dias da Sociedade Defen

sora. Formado depois, em Paris, em Me dicina e Direito, voltou decidido a ser no

Rrajil escritor e político, colaborando na

Minerva Brasiliense, revista que ainda ho je pode ser folheada com proveito. Em

1849, quando viu a ascensão da oligar quia conservadora ao poder, escreveu o Libelo do Povo.

Èsse panfleto, que se tornou mais cé lebre ainda porque o seu autor depois se arrependeu do que dissera, chegando aos conselhos do Governo e aos mais altos cargos do Império, transformado até. como isconde de Inhomirim. em figurante da aristocracia achinelada" de que zombara nao poupou os antepassados do monarca

enmo na fôrça dos vinte e quatro anos A

subida do ministério de 29 de setembro de 1848 pareceu a Torres Homem a vitona da reaçao contra o espírito liberal do Pais, o repudio as idéias do século a

aniquilamento de sua indústria, a supres

c depravados": João IV, inerte, pusilâni me, incapaz; Afonso VI, crápula revesti do das insígnias reais; Pedro II (de Por tugal), moedeiro falso, vendido aos inte resses estrangeiros, entregando sua pátria

de pés e mãos atados à cobiça da Ingla terra; João V, herdeiro dos vícios e con-

tinuador da tirania paterna; José I, igno rante é nulo; Maria 1, a louca possuída

da fúria de restaurar os abusos do passa do; João VI, refalsado e suspeitoso, irresoluto e poltrão, beato sem fé e sem cos tumes.

Assim eram descritos .os antepassados cio príncipe austero que governava o Bra sil. Que aconteceu a Sales Torres Ho mem ? Foi por acaso preso, perseguido, exilado ? E o panfleto } Foi proibido de circular, apreendido, queimado ? Nada

disso. A contrário, a imprensa de quase todas as províncias transcreveu o Libelo

proscri^o de qualquer influência

do Povo. Do Imperador e do Govêrno nada sofreu o escritor irreverente. Ape

classes tidas em insultante desprezo" a troca do govêrno da Nação pelo govêrno

com crueldade, contando as origens escu

panfletário do a Independência °firmara comodestemi dogma

fundamental a soberania do povo- o rei que surgira era simples feitura das mãos

populares e a eleição nacional o seu úni

nas jornais conservadores responderam

sas da família do elegante Torres Homem. Tudo se passou no plano da liberdade de imprensa, excesso contra excesso.

O que Pedro II não fêz quando era um

homem moço, não faria nunca: os jornais

co titulo de legitimidade. O trono repou sava sobre a revolução libertadora: tudo

continuaram a usar e abusar do direito de censurá-lo, desde o artigo sério de crí

o mais nao passava de usurpação, de con

tica até o achincalhe da caricatura. portando serenamente as injustiças,

fisco de poderes inalienáveis.

Certo de que Pedro II se entregara aos

inimigos da liberdade brasileira, o Ut(elista, para atingir o monarca no'seu san gue, investiu contra o pai, "vergôntea des

Su coÍ-

bindo-se, o monarca serviu de modelo pa ra os políticos do seu tempo, a lembrar-se

dos governantes regenciais, daqueles anti gos brasileiros que o educaram no respeito da liberdade.

Por isso a propaganda re

sa estirpe sinistra a que Portugal deveu

publicana, verdadeira campanha de demo

durante dois séculos o fatal declínio do

lição de um regimem, pôde ser feita sem

pério, carregando quase até a hora derra

quisera limparão gênio político de José Bonifácio. Mas se uma conquista realizou oi a da liberdade de imprensa, a do res

deira a mácula escravocrata de que logo o

peito a todas as ooiniões.

maiores obstáculos, às barbas do próprio Imperador. Erros graves praticou q Im


DlGRSTO ECONÓMtCO

130

Digkstc Econômico

Evarisio e Feijó, foi orador da manifesta vj feita icitâ uv <i\j dei^car uciAai ção pelos rapazes do Rio ao

seu poder c importância como nação, o

u grande padre, em 1832, o Ministério da

são de suas franquezas". E evocou então a "longa sucessão de reis ignorantes, cruéis

Justiça; escreveu no Independente ao la

do de Rodrigues Torres; tomou parte na ação de todos os dias da Sociedade Defen

sora. Formado depois, em Paris, em Me dicina e Direito, voltou decidido a ser no

Rrajil escritor e político, colaborando na

Minerva Brasiliense, revista que ainda ho je pode ser folheada com proveito. Em

1849, quando viu a ascensão da oligar quia conservadora ao poder, escreveu o Libelo do Povo.

Èsse panfleto, que se tornou mais cé lebre ainda porque o seu autor depois se arrependeu do que dissera, chegando aos conselhos do Governo e aos mais altos cargos do Império, transformado até. como isconde de Inhomirim. em figurante da aristocracia achinelada" de que zombara nao poupou os antepassados do monarca

enmo na fôrça dos vinte e quatro anos A

subida do ministério de 29 de setembro de 1848 pareceu a Torres Homem a vitona da reaçao contra o espírito liberal do Pais, o repudio as idéias do século a

aniquilamento de sua indústria, a supres

c depravados": João IV, inerte, pusilâni me, incapaz; Afonso VI, crápula revesti do das insígnias reais; Pedro II (de Por tugal), moedeiro falso, vendido aos inte resses estrangeiros, entregando sua pátria

de pés e mãos atados à cobiça da Ingla terra; João V, herdeiro dos vícios e con-

tinuador da tirania paterna; José I, igno rante é nulo; Maria 1, a louca possuída

da fúria de restaurar os abusos do passa do; João VI, refalsado e suspeitoso, irresoluto e poltrão, beato sem fé e sem cos tumes.

Assim eram descritos .os antepassados cio príncipe austero que governava o Bra sil. Que aconteceu a Sales Torres Ho mem ? Foi por acaso preso, perseguido, exilado ? E o panfleto } Foi proibido de circular, apreendido, queimado ? Nada

disso. A contrário, a imprensa de quase todas as províncias transcreveu o Libelo

proscri^o de qualquer influência

do Povo. Do Imperador e do Govêrno nada sofreu o escritor irreverente. Ape

classes tidas em insultante desprezo" a troca do govêrno da Nação pelo govêrno

com crueldade, contando as origens escu

panfletário do a Independência °firmara comodestemi dogma

fundamental a soberania do povo- o rei que surgira era simples feitura das mãos

populares e a eleição nacional o seu úni

nas jornais conservadores responderam

sas da família do elegante Torres Homem. Tudo se passou no plano da liberdade de imprensa, excesso contra excesso.

O que Pedro II não fêz quando era um

homem moço, não faria nunca: os jornais

co titulo de legitimidade. O trono repou sava sobre a revolução libertadora: tudo

continuaram a usar e abusar do direito de censurá-lo, desde o artigo sério de crí

o mais nao passava de usurpação, de con

tica até o achincalhe da caricatura. portando serenamente as injustiças,

fisco de poderes inalienáveis.

Certo de que Pedro II se entregara aos

inimigos da liberdade brasileira, o Ut(elista, para atingir o monarca no'seu san gue, investiu contra o pai, "vergôntea des

Su coÍ-

bindo-se, o monarca serviu de modelo pa ra os políticos do seu tempo, a lembrar-se

dos governantes regenciais, daqueles anti gos brasileiros que o educaram no respeito da liberdade.

Por isso a propaganda re

sa estirpe sinistra a que Portugal deveu

publicana, verdadeira campanha de demo

durante dois séculos o fatal declínio do

lição de um regimem, pôde ser feita sem

pério, carregando quase até a hora derra

quisera limparão gênio político de José Bonifácio. Mas se uma conquista realizou oi a da liberdade de imprensa, a do res

deira a mácula escravocrata de que logo o

peito a todas as ooiniões.

maiores obstáculos, às barbas do próprio Imperador. Erros graves praticou q Im


Dioj-sto

O mais velho «locmineiiÉário paulísise «Io eseritaruvã«» mereniilil e baueária Afonso de E. 'J^aunay

TTm 1917, pouco iinles de seu faleci mento, recebi do muilt> saudosf)

amigo Dr. Augusto de Siqueira Cardoso mais uiba prova do um apreço sobromodt) desvanecedor.

Era èle um dos mais versados linliá-

gistas

paulistas de seu tempo.

Fre

qüentava continuamente o mestre sabe

dor, lícc pius impar, deste ramo de nos sa heurística, Luiz Gonzaga da Silva Lo

'me. Díversa.s vêzes tive o ensejo de o I,

acompanhar nas visitas que fazia a èsse

homem erudito e tão cheio, tão senlior de seu assunto, tão agradái-el c cortc-s Aos novo tomos da obra do Silva Le me caivara Augusto Cardoso de notas o

dc chamadas de corre.spondència ciue tornaiam a consulta de todos òsses vo

fiou-mas para o.Kprimir o grande prazer que Iliíí causara a minha nomeação para diretor do Museu Paulista, onde, deela-

rou-me, certamente iria esforçar-me por servir a tradição paulista.

as mãos oferecido por sua viúva, a E.vnia.

Sra D. Eudoxia Taques Cardoso, em

lembiança de seu espôso. Foi-me tal

oferta de_ extraordinária utilidade para

a confecção da Zíi.rória Geral das Bande^ as Pmdistas. poupando-nie árduo trabalho de pesquisas em milhares de paginas.

Mas, voltando aò que ia dizendo aci

ma, certo dia entregou-me Augusto Cardoso umas tantas laudas de fins do .século XVII e princípios do século XVIII, provindas do arquiio cie Pedro Taque.s. Chegara a pos.suí-las como genro de um neto do linhagista. Con

133

Suponlu) <iue essas landas numuseritas c-onsliluam hoje o mais antigo do cumento paulista de contabilidade co

em (|ue aparecem dociunenlos relativos ao espólit) do Padre Pompéu. Ao Arquivo Nacional foram ter, com

mercial e bancária existente em nossos

a transferência

dias.

mentação existente na Delegacia Fiscal

Pelo

minos. tão

viiltosamente

de São Paulo, muitos papéis também re

nhum lh<- leve a palma. Parecem cxms-

ferentes aos bens do Padre Pompéu. como denunciou Basílio de Magahães (Rev. do Inst. Hi.slórico de São Paulo,

litnir í)s fragmentos de um livTO de apon tamentos. honadoy de negócios.

lherme Pímipéu, a primeira informação

peradamente, desaparecia o e.Ncelente e

lanwnlKs de Azevedo Marcpies. que a

diabético, e aos .s«'ssenla anos ineoinplctos. Vali-mc dc sna.s nofas c trahallio.so ensaio de concordância

entre as obras

de Pedro T'acpie.s e Silva Lenie para realizar a segunda edição da Nohiliarípiiit Paulistana, trabalho em (pie tive, para cinco títulos gcnealógicHis, a cola

impressa ocorre, a meu vi^r, nos Apon-

sejo de e.screver com certa abundância

èsse assunto c<insagrou notícia assa/ ex tensa (L pi^íí179). Ao redigi-hi declarou que o testa

na História da Cidade de São Paulo no

século X\^lll e na Histórki Geral das Bandeiras Paulistas (tomo IX).

mento tio creso de Parnaíba, datado de 30 de janeiro de 1/10. existia

Em 1931,

mercê de cordial

ainda no Primeiro Carlórit) de Órfãos, recolhido do acervo da

assinalamento do amigo Dr. José de Barros Saraiva, engenheiro do

antiga ouvidoria de São Panlí).

Servido do Patrimônio da União

Dèle

transcTcven

no Estado de São Paulo, tive em mãos umas tantas laudas avulsas destacadas de um códice esface-

umas, tantas

verbas.

Como o Icgatário universal de Pompéu fosse o Colégio dos Jesuítas de lado e referentes ao inventário do Pa São Paulo, a quem deixara terras, ca

sas, móveis. liN varia, gado. prataria etc., todo esse acervo se englobou no que foi

pertenciam indubilàvclmente aos livros

de escrituração meieantil do Padre Dr. Guilherme Pompéu de Almeida, o fa

confiscado da Companhia de Jesus por ordem de Pombal.

moso creso de Parnaíba (1656-1713), o

Assim, muitos documentos a ele re

ban(|ueír() dos bandeirantes na fase ini cial do grande ciclo do ouro nas Minas

lativos foram ter ao Cartório da Tesou raria Geral, depois Imperial, onde Aze vedo Marqne.s declara havè-los tom-

Gerais.

Muitas delas trazem a assinatura do

pnlsado.

célebre clérigo apontado a Dom Pedro

Quando arcjuivista do Arquivo do Es

II por Aitiir de Sá o Menezes, o notá-

ye\ Capilão-Gencaal Governador do Rio do Janeiro e de Repartição do Sul, como tendo todas as credenciais

XVIII. 309) em notas eruditas ao rico manancial de documentos sobre o bandeirantismo ali por ele copiados. Sobre o creso de Parnaiba tive o en

Sóbre a documentação do Pacln- Gui

Isto se passava em março de 1917. A 13 do junho imediato, prematura e ines generoso amigo, vitimado por uui coma

da considerável docu

«pianto se apresenta, siiponhii (jue ne

cio erudito genealogisla Dr. lumes sobremaneira facilitada pois ba boração Carlos da Silveira. vendo o autor falecido prematuramente, •As laudas .scisccnlislus e selecenlistas apresentava-se o seu monumental traballio desprovido do indispensável índice. quc^ me entregara Augusto Cardoso, sé O exempkr da Qenealogia raiãistana rie de páginas sobremodo desordenadas, pertencente a Augusto Cardo.so vcio-mo

Econômico

trará comentários no tomo terceiro d primeira obra u que acima aludi ín-^rr^ 177 177 ct rt purs). nar.t^

ís-

O prezado amigo José Pedro Leite

Cordeiro, que tanto já se tem distinguido pelos excelentes e prolxis estudos sô-

bre o passado paulista, tem em vista pro

D<'ctimeiifos intercsacintes pora a

dos aos jesuítas* da Capitania de Sãn Paulo como conseqüência da expulsão dos jesuítas do Brasil (pág. 337-378) ^

interessar pelo assunto sobre êle encon

ceder a uma revisão, completa quanto possível, do que há sobre a interessan tíssima figura do Padre Guilherme Pompéu. Espera persciutar as fontes minudentemente, no Brasil e cm Por tugal, a cxnneçar pelo acervo do Arqui.

incluiu uma Relaçãv dos hens apreendi

cese fluminense.

pólio. Aproveitei-as, e o leitor que se

do, ao organizar, em 1915, o tomo 44 hvst&rui G costumes de São Veulo, nêle

primeiro ocupante da cátedra episcopal (jue se projetava fundar na vila de São Paulo, em bispado desmembrado da dio

rem-sç a contas processadas de seu es

tado de São Paulo, o Dr. Armando Pra dos

para ser ()

dre Pompéu. Provinham do arquivo da Delegacia Fiscal' dc São Paulo e refe-

t ..j ■

«.A» VJ

f

vo Nacional. E ao mesmo tenqxi pru■ > r Vliálilfcf'.'''


Dioj-sto

O mais velho «locmineiiÉário paulísise «Io eseritaruvã«» mereniilil e baueária Afonso de E. 'J^aunay

TTm 1917, pouco iinles de seu faleci mento, recebi do muilt> saudosf)

amigo Dr. Augusto de Siqueira Cardoso mais uiba prova do um apreço sobromodt) desvanecedor.

Era èle um dos mais versados linliá-

gistas

paulistas de seu tempo.

Fre

qüentava continuamente o mestre sabe

dor, lícc pius impar, deste ramo de nos sa heurística, Luiz Gonzaga da Silva Lo

'me. Díversa.s vêzes tive o ensejo de o I,

acompanhar nas visitas que fazia a èsse

homem erudito e tão cheio, tão senlior de seu assunto, tão agradái-el c cortc-s Aos novo tomos da obra do Silva Le me caivara Augusto Cardoso de notas o

dc chamadas de corre.spondència ciue tornaiam a consulta de todos òsses vo

fiou-mas para o.Kprimir o grande prazer que Iliíí causara a minha nomeação para diretor do Museu Paulista, onde, deela-

rou-me, certamente iria esforçar-me por servir a tradição paulista.

as mãos oferecido por sua viúva, a E.vnia.

Sra D. Eudoxia Taques Cardoso, em

lembiança de seu espôso. Foi-me tal

oferta de_ extraordinária utilidade para

a confecção da Zíi.rória Geral das Bande^ as Pmdistas. poupando-nie árduo trabalho de pesquisas em milhares de paginas.

Mas, voltando aò que ia dizendo aci

ma, certo dia entregou-me Augusto Cardoso umas tantas laudas de fins do .século XVII e princípios do século XVIII, provindas do arquiio cie Pedro Taque.s. Chegara a pos.suí-las como genro de um neto do linhagista. Con

133

Suponlu) <iue essas landas numuseritas c-onsliluam hoje o mais antigo do cumento paulista de contabilidade co

em (|ue aparecem dociunenlos relativos ao espólit) do Padre Pompéu. Ao Arquivo Nacional foram ter, com

mercial e bancária existente em nossos

a transferência

dias.

mentação existente na Delegacia Fiscal

Pelo

minos. tão

viiltosamente

de São Paulo, muitos papéis também re

nhum lh<- leve a palma. Parecem cxms-

ferentes aos bens do Padre Pompéu. como denunciou Basílio de Magahães (Rev. do Inst. Hi.slórico de São Paulo,

litnir í)s fragmentos de um livTO de apon tamentos. honadoy de negócios.

lherme Pímipéu, a primeira informação

peradamente, desaparecia o e.Ncelente e

lanwnlKs de Azevedo Marcpies. que a

diabético, e aos .s«'ssenla anos ineoinplctos. Vali-mc dc sna.s nofas c trahallio.so ensaio de concordância

entre as obras

de Pedro T'acpie.s e Silva Lenie para realizar a segunda edição da Nohiliarípiiit Paulistana, trabalho em (pie tive, para cinco títulos gcnealógicHis, a cola

impressa ocorre, a meu vi^r, nos Apon-

sejo de e.screver com certa abundância

èsse assunto c<insagrou notícia assa/ ex tensa (L pi^íí179). Ao redigi-hi declarou que o testa

na História da Cidade de São Paulo no

século X\^lll e na Histórki Geral das Bandeiras Paulistas (tomo IX).

mento tio creso de Parnaíba, datado de 30 de janeiro de 1/10. existia

Em 1931,

mercê de cordial

ainda no Primeiro Carlórit) de Órfãos, recolhido do acervo da

assinalamento do amigo Dr. José de Barros Saraiva, engenheiro do

antiga ouvidoria de São Panlí).

Servido do Patrimônio da União

Dèle

transcTcven

no Estado de São Paulo, tive em mãos umas tantas laudas avulsas destacadas de um códice esface-

umas, tantas

verbas.

Como o Icgatário universal de Pompéu fosse o Colégio dos Jesuítas de lado e referentes ao inventário do Pa São Paulo, a quem deixara terras, ca

sas, móveis. liN varia, gado. prataria etc., todo esse acervo se englobou no que foi

pertenciam indubilàvclmente aos livros

de escrituração meieantil do Padre Dr. Guilherme Pompéu de Almeida, o fa

confiscado da Companhia de Jesus por ordem de Pombal.

moso creso de Parnaíba (1656-1713), o

Assim, muitos documentos a ele re

ban(|ueír() dos bandeirantes na fase ini cial do grande ciclo do ouro nas Minas

lativos foram ter ao Cartório da Tesou raria Geral, depois Imperial, onde Aze vedo Marqne.s declara havè-los tom-

Gerais.

Muitas delas trazem a assinatura do

pnlsado.

célebre clérigo apontado a Dom Pedro

Quando arcjuivista do Arquivo do Es

II por Aitiir de Sá o Menezes, o notá-

ye\ Capilão-Gencaal Governador do Rio do Janeiro e de Repartição do Sul, como tendo todas as credenciais

XVIII. 309) em notas eruditas ao rico manancial de documentos sobre o bandeirantismo ali por ele copiados. Sobre o creso de Parnaiba tive o en

Sóbre a documentação do Pacln- Gui

Isto se passava em março de 1917. A 13 do junho imediato, prematura e ines generoso amigo, vitimado por uui coma

da considerável docu

«pianto se apresenta, siiponhii (jue ne

cio erudito genealogisla Dr. lumes sobremaneira facilitada pois ba boração Carlos da Silveira. vendo o autor falecido prematuramente, •As laudas .scisccnlislus e selecenlistas apresentava-se o seu monumental traballio desprovido do indispensável índice. quc^ me entregara Augusto Cardoso, sé O exempkr da Qenealogia raiãistana rie de páginas sobremodo desordenadas, pertencente a Augusto Cardo.so vcio-mo

Econômico

trará comentários no tomo terceiro d primeira obra u que acima aludi ín-^rr^ 177 177 ct rt purs). nar.t^

ís-

O prezado amigo José Pedro Leite

Cordeiro, que tanto já se tem distinguido pelos excelentes e prolxis estudos sô-

bre o passado paulista, tem em vista pro

D<'ctimeiifos intercsacintes pora a

dos aos jesuítas* da Capitania de Sãn Paulo como conseqüência da expulsão dos jesuítas do Brasil (pág. 337-378) ^

interessar pelo assunto sobre êle encon

ceder a uma revisão, completa quanto possível, do que há sobre a interessan tíssima figura do Padre Guilherme Pompéu. Espera persciutar as fontes minudentemente, no Brasil e cm Por tugal, a cxnneçar pelo acervo do Arqui.

incluiu uma Relaçãv dos hens apreendi

cese fluminense.

pólio. Aproveitei-as, e o leitor que se

do, ao organizar, em 1915, o tomo 44 hvst&rui G costumes de São Veulo, nêle

primeiro ocupante da cátedra episcopal (jue se projetava fundar na vila de São Paulo, em bispado desmembrado da dio

rem-sç a contas processadas de seu es

tado de São Paulo, o Dr. Armando Pra dos

para ser ()

dre Pompéu. Provinham do arquivo da Delegacia Fiscal' dc São Paulo e refe-

t ..j ■

«.A» VJ

f

vo Nacional. E ao mesmo tenqxi pru■ > r Vliálilfcf'.'''


DiGB»Tc

Econômico

DIGHSTÜ EíONÒMKo'

134

\ asos destinados à comodidade dos hós

ceder à exegese cia centena de laudas dt»

(lii história paulista c íiincla <la históriu

borrador, ou dos borradores, reunidos num só volume, do creso cie Pamaíba,

econômica brasileira.

escapes à destruição. Representam essas páginas,

a meu

\'er, repito, a mais velha documentação

de contabilidade mercantil paulista até hoje vinda à luz. Pelo menos tão vul

Traçando o ilustre linhagista,

Ainda assim, para tanto não haveria a seu

respeito, pequena notícia iíiográfica a Nobiliarquia Paulistana — afirmou-se a lenda de que o Padre Pompéu pos» suía imensos cabedais, que dele faziam

tosa quanto ela quer-me parecer que nenhuma outra poderá de longe se lhe

nm creso do Brasil setecentista ao aU

comparar.

nas Minas Gerais.

InfeUzmente^ a falta da indicações cronológicas não nos permite seriar-lhe as páginas, visto como só uma vez ou

Sòbre ser sincero, leal e verídico, q ilustre genealogista não deixava, porém,

outra o opulento clérigo colocou datas em seus apontamentos tumultuários.

Mas ainda assim as informações que

delas se pode haurir são bastante coniosas. eximo por exemplo as que se refe rem ao preço de muitas utilidades na

XxVIl'

findar o sé!

No Padre Belchior de Fontes, o bem conhecido romance de Júlio Ribeiro, no vela em que aparece, com grande des taque, o Padre Pompéu. referências di-

vorecer da era do grande ciclo do ouro

de pender para tal ou qual grandiloqüen

te megalomania. O que pôde dizer da riqueza do Padre Guilherme Pompéu —

de quem se orgulhava de ser próximo parente, primo em terceiro

~ ^oio

a saber já aumentado pela amplifíoução

que acompanha a tradição oral. A publicação parcial do testamento e do inventário do milionário de Pamaí

ba, por Azevedo Marques, em 1879, veio reduzir as proporções de tal for tuna e trazer contestações ao

avan

çara o cronista.

Aludindo ao fausto com que vivia o

levrnro°j "! ° "■""ntasta teve provàvelmente em1"'mãos os docu ilustre clérigo, em sua casa de Parnaimentos que mais tarde foram de Au ba, escreve Taques: "para grandeza do gusto de Siqueira Cardoso e hoje se acham em meu poder.

^

tratamento da casa dêste herói paulista

basta saber-se que fazia paranientar cem

camas, cada uma com cortinado pró prio, lençóis finos de bretanha guarnecidos de rendas e com uma bacia de

Deixou-nos o insubstituível Perlvr. m

ques - e não fôra ele, certame h

o olvido avassalaria - a lemhrn^'

prata debaixo do cada das ditas camas,

T

fausto e da opulencia do Padre Dr^G ° lherme Pompéu de Almeida, presbít^m secular parnaibano, nascido em 1656 e

falecido em 1713 em sua vila natal.

Foi certamente das mais notáveis per sonalidades das nossas eras coloniais e

pedes.

.sem pedir nada emprestado". Ora, ao fazer o Padre Pompéu a des

crição da sua prataria, quer em testa mento, quer a inventariá-la, em diversos anos, não deixou menção alguma desse luxo, singular e curiosamente aplicado, . devemos confessá-lo.

Poder-se-á objetar que talvez se aca nhasse com a referência a semelhantes

na me.sma época, como contribuição pa

ra a indenização de guerra paga por Portugal á Holanda em trôco da paz

de 1663 — donativos enormes para o

razão de ser; em duas relações que con.siam do seu H\to borrador de negócios

tempo; te\'e baixela de prata de qua

aparecem apontamentos relativos a tais

renta arrôbas,'latifúndios sem conta etc.

bacias, reduzidas a meia dúzia, .se tanto.

E provável que fòsse dos maiores, senão o mais opulento paulista de sua

Estranhará o leitor, talvez, tratarmos de

tal pormenor. Resta-nos, porém, tão pouco acerca do Padre Pompéu. cuja

•época. Abastado por herança paterna,

escrituração se dispersou, que é êsle um argumento preciso numérico, com o

Anna de Lima Pedroso, filha de João

(pial se pode tornar frisante a tendência

ror dos índios", e sobrinha do famoso Padre Manoel de Moraes, notemo-lo de

(wageradora do linhagista. •

Êsses pequenos reparos não pretcn<lcm de todo diminuir a impor tância das posses de Guilherme Pompéu. ra

o

Para o seu tempo, pa

Brasil

scgregado

deserto

de

1700

e

do resto do mundo,

para a capitania

dc São Paulo, contando apenas algumas escas

sas dezenas de milhares de almas, foi

mais se tomara

pelo casamento com

Pedroso dc Moraes, alcunhado "o ter

passagem.

Vi\'endo em Parnaiba,

onde

era como um senhor feudal a

sua baixela de prata excedia de 40 arrôbas, adquirida e mais tar de dispersada, segundo relata o

sobrinho bisneto Pedro Taques, a acusar os governadores reinóis

de extorsores dos seus go\'emados, "por

ele formidável potência financeira. Como chegou a reunir tão largos ca

que nenhum se recolhera para o Reino

bedais ?

e prata.

Veio-lhe, do pai e homônimo, grande comôço de fortuna.

pitão-Mor

Já em vida do Ca-

Guilherme Pompéu de Al

meida recebeu, provavelmente, avulta-

clas quantia,s, que largamente multipli cou, quer da herança materna, .quer de

adiantamentos de legítima,

pois antes

cio falecimento daquele, em novembro

dc 1694, já realizava grandes transa ções comerciais, como demonstra o seu

que não levasse boas arrôbas" de ouro

O potentado, Capitão-Mor da Vila de Pamaíba, aí expirou a 12 de novembro

de 1691, deixando três fühos: o Padre

Dr. GuiUiemc-, Pompéu de Almeida. D, Mana de Lma e Almeida, casada com o Capilao Antonio Bicudo de Brito, e Paes, Esmeral ír lilho fflho do do Governador p"P'®°-MordasPedro Dias das, o extraordinário Tío • j j bemao Dias Paes.

Ii.vro borrador.

Foi o Capitão-Mor Guilherme Pompcm muito rico para o São Paulo de sua

época. Fêz consideráveis doações à ca

pela de Nossa Senhora da.Conceição de Vuturuna, que edificara em 1678; deu 200$000, em 1671, à Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, e 4OOSO0O

s;""" í Assim, ao Padre Pompéu coube cer tamente grande herança.

Resolvera, a princípio, fazer-se fran-

ciscano dissuadindo-o do intento os pe

didos dos pais, "que lhe atalharam com


DiGB»Tc

Econômico

DIGHSTÜ EíONÒMKo'

134

\ asos destinados à comodidade dos hós

ceder à exegese cia centena de laudas dt»

(lii história paulista c íiincla <la históriu

borrador, ou dos borradores, reunidos num só volume, do creso cie Pamaíba,

econômica brasileira.

escapes à destruição. Representam essas páginas,

a meu

\'er, repito, a mais velha documentação

de contabilidade mercantil paulista até hoje vinda à luz. Pelo menos tão vul

Traçando o ilustre linhagista,

Ainda assim, para tanto não haveria a seu

respeito, pequena notícia iíiográfica a Nobiliarquia Paulistana — afirmou-se a lenda de que o Padre Pompéu pos» suía imensos cabedais, que dele faziam

tosa quanto ela quer-me parecer que nenhuma outra poderá de longe se lhe

nm creso do Brasil setecentista ao aU

comparar.

nas Minas Gerais.

InfeUzmente^ a falta da indicações cronológicas não nos permite seriar-lhe as páginas, visto como só uma vez ou

Sòbre ser sincero, leal e verídico, q ilustre genealogista não deixava, porém,

outra o opulento clérigo colocou datas em seus apontamentos tumultuários.

Mas ainda assim as informações que

delas se pode haurir são bastante coniosas. eximo por exemplo as que se refe rem ao preço de muitas utilidades na

XxVIl'

findar o sé!

No Padre Belchior de Fontes, o bem conhecido romance de Júlio Ribeiro, no vela em que aparece, com grande des taque, o Padre Pompéu. referências di-

vorecer da era do grande ciclo do ouro

de pender para tal ou qual grandiloqüen

te megalomania. O que pôde dizer da riqueza do Padre Guilherme Pompéu —

de quem se orgulhava de ser próximo parente, primo em terceiro

~ ^oio

a saber já aumentado pela amplifíoução

que acompanha a tradição oral. A publicação parcial do testamento e do inventário do milionário de Pamaí

ba, por Azevedo Marques, em 1879, veio reduzir as proporções de tal for tuna e trazer contestações ao

avan

çara o cronista.

Aludindo ao fausto com que vivia o

levrnro°j "! ° "■""ntasta teve provàvelmente em1"'mãos os docu ilustre clérigo, em sua casa de Parnaimentos que mais tarde foram de Au ba, escreve Taques: "para grandeza do gusto de Siqueira Cardoso e hoje se acham em meu poder.

^

tratamento da casa dêste herói paulista

basta saber-se que fazia paranientar cem

camas, cada uma com cortinado pró prio, lençóis finos de bretanha guarnecidos de rendas e com uma bacia de

Deixou-nos o insubstituível Perlvr. m

ques - e não fôra ele, certame h

o olvido avassalaria - a lemhrn^'

prata debaixo do cada das ditas camas,

T

fausto e da opulencia do Padre Dr^G ° lherme Pompéu de Almeida, presbít^m secular parnaibano, nascido em 1656 e

falecido em 1713 em sua vila natal.

Foi certamente das mais notáveis per sonalidades das nossas eras coloniais e

pedes.

.sem pedir nada emprestado". Ora, ao fazer o Padre Pompéu a des

crição da sua prataria, quer em testa mento, quer a inventariá-la, em diversos anos, não deixou menção alguma desse luxo, singular e curiosamente aplicado, . devemos confessá-lo.

Poder-se-á objetar que talvez se aca nhasse com a referência a semelhantes

na me.sma época, como contribuição pa

ra a indenização de guerra paga por Portugal á Holanda em trôco da paz

de 1663 — donativos enormes para o

razão de ser; em duas relações que con.siam do seu H\to borrador de negócios

tempo; te\'e baixela de prata de qua

aparecem apontamentos relativos a tais

renta arrôbas,'latifúndios sem conta etc.

bacias, reduzidas a meia dúzia, .se tanto.

E provável que fòsse dos maiores, senão o mais opulento paulista de sua

Estranhará o leitor, talvez, tratarmos de

tal pormenor. Resta-nos, porém, tão pouco acerca do Padre Pompéu. cuja

•época. Abastado por herança paterna,

escrituração se dispersou, que é êsle um argumento preciso numérico, com o

Anna de Lima Pedroso, filha de João

(pial se pode tornar frisante a tendência

ror dos índios", e sobrinha do famoso Padre Manoel de Moraes, notemo-lo de

(wageradora do linhagista. •

Êsses pequenos reparos não pretcn<lcm de todo diminuir a impor tância das posses de Guilherme Pompéu. ra

o

Para o seu tempo, pa

Brasil

scgregado

deserto

de

1700

e

do resto do mundo,

para a capitania

dc São Paulo, contando apenas algumas escas

sas dezenas de milhares de almas, foi

mais se tomara

pelo casamento com

Pedroso dc Moraes, alcunhado "o ter

passagem.

Vi\'endo em Parnaiba,

onde

era como um senhor feudal a

sua baixela de prata excedia de 40 arrôbas, adquirida e mais tar de dispersada, segundo relata o

sobrinho bisneto Pedro Taques, a acusar os governadores reinóis

de extorsores dos seus go\'emados, "por

ele formidável potência financeira. Como chegou a reunir tão largos ca

que nenhum se recolhera para o Reino

bedais ?

e prata.

Veio-lhe, do pai e homônimo, grande comôço de fortuna.

pitão-Mor

Já em vida do Ca-

Guilherme Pompéu de Al

meida recebeu, provavelmente, avulta-

clas quantia,s, que largamente multipli cou, quer da herança materna, .quer de

adiantamentos de legítima,

pois antes

cio falecimento daquele, em novembro

dc 1694, já realizava grandes transa ções comerciais, como demonstra o seu

que não levasse boas arrôbas" de ouro

O potentado, Capitão-Mor da Vila de Pamaíba, aí expirou a 12 de novembro

de 1691, deixando três fühos: o Padre

Dr. GuiUiemc-, Pompéu de Almeida. D, Mana de Lma e Almeida, casada com o Capilao Antonio Bicudo de Brito, e Paes, Esmeral ír lilho fflho do do Governador p"P'®°-MordasPedro Dias das, o extraordinário Tío • j j bemao Dias Paes.

Ii.vro borrador.

Foi o Capitão-Mor Guilherme Pompcm muito rico para o São Paulo de sua

época. Fêz consideráveis doações à ca

pela de Nossa Senhora da.Conceição de Vuturuna, que edificara em 1678; deu 200$000, em 1671, à Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, e 4OOSO0O

s;""" í Assim, ao Padre Pompéu coube cer tamente grande herança.

Resolvera, a princípio, fazer-se fran-

ciscano dissuadindo-o do intento os pe

didos dos pais, "que lhe atalharam com


t3(í

DlGÈST<. GrONÔíiÍK DiG lisro

rotativas êste religioso intento", segun do Pedro Taqiies. Cedendo a tais sú plicas, assentou ser presbítero secular. E realmente mostrava desconlicccT a \'cí-

cação verdadeira, ao pensar em tornar-

se religioso mendicanle, pois nascera com extraordinárias aptidões para ban

137

E<;oNóM ico

Ao mesmo tempo ia o sen copaln*

principal on sócio João Pinto buscar o metal precioso às catas ricpnssiinas que

\as. fechadura.s o cadeados, fabrican-

começavam a ser abertas; le\ava com

do-se ali utcnsilios e ferramentas, pregos

boios de ci-m e mais índios administra

e parafusos em (juantidade.

dos e escravos do genlio do Guiné, esco

feclios cie esetqx-ta e pòr eurunhas no-

De seus dcfis fíllM^s. um, o Padre Bento Leme, foi morador em Cuiabá e o outro, Caetano Leme, em Goiás.

Pela declaração do Padre Poinpéu, \"c-"

O seu grande negócio consistiu, po

mos (pie Gaspar Leme andou nas Ge rais, obediente ao espírito dominante

queiro e comerciante.

teiros e cspingardeiros, c cada uma des sas viagens ora. em geral, simiamente

rém. nas transações bancárias.

Voltando da Bahia, onde fora "apren der a língua latina nos pátios do colé

rendosa.

\ia a \'ários. e iniiitíssimos lhe deviam,,

Não deve ter conseguido grande coisa

gio dos jesuítas, onde se consumara ex

péu que os príuentos do ouro poucf) são para os mineradores. Assim, féz João Einto freqiicnlemente voltar às ]a\ras, nru tangendo grandes pontas de gado,

dinheiro de contado, ouro ciuintado, ouro ein pó, barrctas laindidas e moedas.

com a sua tcntati\-a de mineração. As 234 oitavas que ficou a (lever ao

celente gramático", estabeleceu-se em

Pamaíba. Estudara filosofia e teologia, do (jue lhe proviera o grau de doiitòí por bula pontifícia. Da vila natal nun-

. ca mais deveria sair, por longo prazo • pelo menos, entabulando uma série de opera<,.oes comerciais e industriais «ue perm.hram ajuntar enorme fortrlna para o tempo, convém lembrá-lo

Compreendeu logo Guilherme Pom-

nra a levar carregunienlo que os mincirns, separados da civilização j^>el() de serto, sôfregamenlc adquiriam por pre ços altamente renumeradores.

Vinham

essas boiada.s de Itu, Sorocaba, Curiti-

líu, onde iam procurá-los outros asso ciados de Poinpéu. parentes ou amigos:

Tao amante das letras que da grandee produção do seu liberal animo ti

o sobrinho Pedro Frazão de Brito, que

ns buscava a 150 e mais léguas ao sul

São Paulo, o primo Luiz Vcdro.so de nham segura proteção os sujeitos bem de Barres c outros.

instruídos na história sacra e nrof ir,.,"

Ao me.smo tempo, a cscra%'aria do E formou larga e excelente livmda creso fabricava, cm Pamaíba. marnieAgricultor e criador opulento, assistiu aos primeiros movimentos do ni^h pau- lada, do que vendia milhares de caixas para as Minas, a 400 rci.s a caixeta, M-sta para o ouro dos Cítaguazes

Sem deixar Pamaíba associou-se a essas entradas ao sertão, fazendo-se co-

mo que banqueiro dos que partiam para

surgem centenas de nomes bandeirantes os mais ilustres e os obscuros; com quase hidos entreteve relações. Mandavam-llie

ouro c quase todos llic foram devedores.

as

transações

a

mas, quase um quilo do metal causador cia s<'cr(i famea.

dado o intenso iii brcading dos primei

ros pONoadores da capitania vieentinu, ou compradores que. opulento como era, do\na eontá-los numerosíssimos.

Gaspar Lc^me do Prado, cuja transa

ção com Guilherme Pompéu não se efeti\'Ou, naturalmente porque a sua jorna da às Minas não foi frutífera, é perso

nagem muito apagado dos fatos antigos do São Paulo.

Nascido oni 1665 c falecido em Par

naiba no ano de 1745, era filho de João do Prado Leme e Ana Maria de Lcui-

foi dos primeiros po\oadores de Jundiaí

ainda armas, enxadas c almocafrcs. nu merosos objetos de procedência européia

o seu bisavô, Pedro Leme, um dos mais antigos colonos de São Vicente e um dos cinco troncos brasileiros da gens Leme. Também era bisneto do ilustre

carne ÍTcsca de vaca itos .seus \'izinhos de Parnaiba.

Possuindo em suas fazendas oficinas dc ferreiro c serralheüo, fazia consertar

lífc..rfí*S4Í»Vj

Era o que devia entregar a João

mo parentes, o que não é estranhável, Pinto, o grande homem de negócio.s cln

tavam os seus comboios sal c açúcar e

godão e sal; e o seu comércio, descendo às pequenas cousa.s, lovava-o a \ender

seu compadre correspondiam a 838 gra

tiam, do sertão, o produto das lavras, a maior parte a figmav-lhe nos •li\ros co

veíra. Seu avô, Pedro Leme do Prado,

Negociava em dezenas de artigos: por conta própria, ou despachando ex' linhos, chapéus, calçados, drogas pedições dirigidas por empregados e só epanos, remédios, ferro e ferragens, trigo, al

No livro de registro de seus negócios

Eslendcram-se-lhe

do seu tempo.

centenas dc mineradores que lhe reme

carne salgada, toucinho etc. 1 ranspor-

o Eldorado do Espinhaço e mandando que do Rio de Janeiro, da Bahia, do as Mmas Gerais, ao Sabarã e ao Rio Reino liie chegavam continuamente. das Mortes elementos aos mineradores cios.

Dava e

toma\ a axultaclas cjuantias a juros. De-

bandeirante Sebastião Preto.

creso no território aurífero," ou ao seu

primo Sulpício Pedroso Xavier, terrí\el ' ri.xentü. cujo nome aparece com desta

que no relato dos grandes motins de Pitangui. como o principal assecla dc Domingos Rodrigues do Prado. Se Gaspar devia entregar a oitava a duas patacas (640 réis), ainda havia

boa margem de lucro para Pompéu, pois em São Paulo valia ela. no mínimo, 1.100' réis e em Santos 1.500 réis fre

qüentemente, o que assegurava proven

tos que, na pior das hipóteses, atingiam quarenta por cento.

Os 150 mil réis do crédito coirespondlam a 641 por oitava, aliás, e não a640 réis, o que dava vantagem ao der

vedor naqueles tempos, em^que se fa

zia conta de fração de real.


t3(í

DlGÈST<. GrONÔíiÍK DiG lisro

rotativas êste religioso intento", segun do Pedro Taqiies. Cedendo a tais sú plicas, assentou ser presbítero secular. E realmente mostrava desconlicccT a \'cí-

cação verdadeira, ao pensar em tornar-

se religioso mendicanle, pois nascera com extraordinárias aptidões para ban

137

E<;oNóM ico

Ao mesmo tempo ia o sen copaln*

principal on sócio João Pinto buscar o metal precioso às catas ricpnssiinas que

\as. fechadura.s o cadeados, fabrican-

começavam a ser abertas; le\ava com

do-se ali utcnsilios e ferramentas, pregos

boios de ci-m e mais índios administra

e parafusos em (juantidade.

dos e escravos do genlio do Guiné, esco

feclios cie esetqx-ta e pòr eurunhas no-

De seus dcfis fíllM^s. um, o Padre Bento Leme, foi morador em Cuiabá e o outro, Caetano Leme, em Goiás.

Pela declaração do Padre Poinpéu, \"c-"

O seu grande negócio consistiu, po

mos (pie Gaspar Leme andou nas Ge rais, obediente ao espírito dominante

queiro e comerciante.

teiros e cspingardeiros, c cada uma des sas viagens ora. em geral, simiamente

rém. nas transações bancárias.

Voltando da Bahia, onde fora "apren der a língua latina nos pátios do colé

rendosa.

\ia a \'ários. e iniiitíssimos lhe deviam,,

Não deve ter conseguido grande coisa

gio dos jesuítas, onde se consumara ex

péu que os príuentos do ouro poucf) são para os mineradores. Assim, féz João Einto freqiicnlemente voltar às ]a\ras, nru tangendo grandes pontas de gado,

dinheiro de contado, ouro ciuintado, ouro ein pó, barrctas laindidas e moedas.

com a sua tcntati\-a de mineração. As 234 oitavas que ficou a (lever ao

celente gramático", estabeleceu-se em

Pamaíba. Estudara filosofia e teologia, do (jue lhe proviera o grau de doiitòí por bula pontifícia. Da vila natal nun-

. ca mais deveria sair, por longo prazo • pelo menos, entabulando uma série de opera<,.oes comerciais e industriais «ue perm.hram ajuntar enorme fortrlna para o tempo, convém lembrá-lo

Compreendeu logo Guilherme Pom-

nra a levar carregunienlo que os mincirns, separados da civilização j^>el() de serto, sôfregamenlc adquiriam por pre ços altamente renumeradores.

Vinham

essas boiada.s de Itu, Sorocaba, Curiti-

líu, onde iam procurá-los outros asso ciados de Poinpéu. parentes ou amigos:

Tao amante das letras que da grandee produção do seu liberal animo ti

o sobrinho Pedro Frazão de Brito, que

ns buscava a 150 e mais léguas ao sul

São Paulo, o primo Luiz Vcdro.so de nham segura proteção os sujeitos bem de Barres c outros.

instruídos na história sacra e nrof ir,.,"

Ao me.smo tempo, a cscra%'aria do E formou larga e excelente livmda creso fabricava, cm Pamaíba. marnieAgricultor e criador opulento, assistiu aos primeiros movimentos do ni^h pau- lada, do que vendia milhares de caixas para as Minas, a 400 rci.s a caixeta, M-sta para o ouro dos Cítaguazes

Sem deixar Pamaíba associou-se a essas entradas ao sertão, fazendo-se co-

mo que banqueiro dos que partiam para

surgem centenas de nomes bandeirantes os mais ilustres e os obscuros; com quase hidos entreteve relações. Mandavam-llie

ouro c quase todos llic foram devedores.

as

transações

a

mas, quase um quilo do metal causador cia s<'cr(i famea.

dado o intenso iii brcading dos primei

ros pONoadores da capitania vieentinu, ou compradores que. opulento como era, do\na eontá-los numerosíssimos.

Gaspar Lc^me do Prado, cuja transa

ção com Guilherme Pompéu não se efeti\'Ou, naturalmente porque a sua jorna da às Minas não foi frutífera, é perso

nagem muito apagado dos fatos antigos do São Paulo.

Nascido oni 1665 c falecido em Par

naiba no ano de 1745, era filho de João do Prado Leme e Ana Maria de Lcui-

foi dos primeiros po\oadores de Jundiaí

ainda armas, enxadas c almocafrcs. nu merosos objetos de procedência européia

o seu bisavô, Pedro Leme, um dos mais antigos colonos de São Vicente e um dos cinco troncos brasileiros da gens Leme. Também era bisneto do ilustre

carne ÍTcsca de vaca itos .seus \'izinhos de Parnaiba.

Possuindo em suas fazendas oficinas dc ferreiro c serralheüo, fazia consertar

lífc..rfí*S4Í»Vj

Era o que devia entregar a João

mo parentes, o que não é estranhável, Pinto, o grande homem de negócio.s cln

tavam os seus comboios sal c açúcar e

godão e sal; e o seu comércio, descendo às pequenas cousa.s, lovava-o a \ender

seu compadre correspondiam a 838 gra

tiam, do sertão, o produto das lavras, a maior parte a figmav-lhe nos •li\ros co

veíra. Seu avô, Pedro Leme do Prado,

Negociava em dezenas de artigos: por conta própria, ou despachando ex' linhos, chapéus, calçados, drogas pedições dirigidas por empregados e só epanos, remédios, ferro e ferragens, trigo, al

No livro de registro de seus negócios

Eslendcram-se-lhe

do seu tempo.

centenas dc mineradores que lhe reme

carne salgada, toucinho etc. 1 ranspor-

o Eldorado do Espinhaço e mandando que do Rio de Janeiro, da Bahia, do as Mmas Gerais, ao Sabarã e ao Rio Reino liie chegavam continuamente. das Mortes elementos aos mineradores cios.

Dava e

toma\ a axultaclas cjuantias a juros. De-

bandeirante Sebastião Preto.

creso no território aurífero," ou ao seu

primo Sulpício Pedroso Xavier, terrí\el ' ri.xentü. cujo nome aparece com desta

que no relato dos grandes motins de Pitangui. como o principal assecla dc Domingos Rodrigues do Prado. Se Gaspar devia entregar a oitava a duas patacas (640 réis), ainda havia

boa margem de lucro para Pompéu, pois em São Paulo valia ela. no mínimo, 1.100' réis e em Santos 1.500 réis fre

qüentemente, o que assegurava proven

tos que, na pior das hipóteses, atingiam quarenta por cento.

Os 150 mil réis do crédito coirespondlam a 641 por oitava, aliás, e não a640 réis, o que dava vantagem ao der

vedor naqueles tempos, em^que se fa

zia conta de fração de real.


AÇÚCAR

Banco de Minas Geraes S. A.

—ÁLCOOL

(Uniço distribuidor do ouro das minas de Morro Velho e Passagem)

Companhia Usina

Vassununga SOCIEDADE ANÔNIMA

4.

i Escritório Central;

H- DR. falcão filho. 56 lO.o andar — salas 1053/5/61 End. Telegr.: "SOHRAB" Telefone: 2-7286 SÃO PAULO

s c A T A M A C

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nem todos sabem é que guardar dinheiro em casa é um perigo. Assim, aconselha a prudência, aos que tiverem economias guardadas em casa, depositá-las no Banco de sua confiança» Manoel Ferreira Guimarães — Diretor Vice-Prasidente


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ECONOMICO SOB OS BUSPÍCIOS DO ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE SÃO PAULO E DO FEDERAÇÃO 00 COMERCIO 00 ESTADO DE SÃO PAULO

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filial DE CURITIBA Rua Dr. Muricy, 653 Caixa Postal 443 Telefones 4064 e 4427

fàg. B«íl«xÔaa «âbr* o momonlo político — Roland Corbisier

O problema da habitação — Luiz de Anhaia Melo

85-^'

A economia política no ensino Jurídico — Djacir Menezes

3o

EconomUtaa braiilelros — Jotã Bonifácio de Andrada e Silva (O Patriarca) — FILIAL DE SANTOS Rua 15 de Novembro, 132 Caixa Postal 570 Telefone 7271

AGÊNCIAS Bom Retiro, Brás, Mercado, Moóca, Penha,

x-inneiros, Santana, Santo Amaro, Vila Prudente e 24 de Maio.

Basilio de Magalhães

37 //

Porque o brasileiro é pobre — Aldo M. Azevedo O banqueiro de Investimentos como financiador da produção e distribuidor da

riqueza — Orozimbo O. Roxo Loureiro Demoqrafia e desenvolvimento econômico do Brasil — Dorival Teixeira Vieira ..

Política de cooperação internacional —^ Roberto Pinto de Sousa

Taxas do juros — Afonso Pena Júnior Profossôres mineiros em São Paulo — Antônio Gontijo de Carvalho

"

' [*1]

O Brasil será o líder latino-americano na conferência de Torquay —

Geraldo O. Banasklwitz Fragilidade econômica da sericicultura — Cónstantino Fraga

lOt

A vacilante política municipal brasileira — Otto Prazeres ... Minérios do Brasil — Pimento! Gomes Velhos Planos (II) — Nelson Werneck Sodré

Ar, r-a

Araras, Atibáia, Bariri, Bauru, Bernar^ l-

!•; ^Pos, Borborema, Cambará, Campos de Jordão, Capiva TK;4;«,,a^^T Procópio, Garça, Guararapes, Guaxupé, T ^^^3 ' Lorena, Marília, Itajobí,Maringá, líapeva',Mirassol, ítú. Leme, Limeira, Lins, ^ ma, Mogi das Cruzes, Mogi Uuaçu, Novo Horizonte, Olímpia, Ourinhos, Palmital, Pin-

Crises comerciais no Império — Otávio Tarquínio de Sousa

O mais antigo documentário paulista de escrituração mercantil e banèáriá — Afonso de Taunay

damonhanpba,^ Pirajui, Pirafininga, Porto Feliz, Quinlana, Ribei^o Freio, mo Claro, Salto, Santa Barbara D'Oeste, Santa Cruz do Rio Pardo, Santo André, São Caetano do Sul, São João da Boa Vistei, Sertãozinho, Sorocaba e Vera Cruz. N.o 72 — NOVEMBRO DE 1650 — ANO VI

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1317

1367

A laterização e a fertilidade do solo tropical — José Setzer

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DIGESTO ECONÔMICO, número 71, outubro 1950 by Diário do Comércio - Issuu