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DIGESTO ECONÔMICO, número 66, maio 1950

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PORQUE O SR. DEVE ANUNCIAR NO

ECONOMICO

DIGESTO

soBOsiiüSPÍciosDfl HSSOCim COMEliCIAL DE SAO PAULO

ECON0MICO

E 00 FEDERAÇÃO 00 COMERCIO 00 ESTADO DE SÃO PAULO

Preciso ruis informações, sóbrio e objetivo nos comentários, comodo e elegante na apresenta'

SUMARIO

Pâg. / - .o-aTriPricono de Comércio e Produç&o — Henrique '"nfoíiameítofl do BrasU - Richard Lewinsohn

ção, o Dicesto Econômico, dando aos seus

leitores um panorama nwnsal do muiulo dos 'negócios, circula numa classe dc alto poder

aquisitivo e elevado padrão de vida. Por essas razões, os anúncios inseridos no Dicesto Eco

nômico são lidos, invariavelmente, por um provável comprador. Esta revista 6 publicada mensalmente pela Edi tora Comercial Lida., sob os atisjncios da Asso ciação Comercial de São Paulo e da Federação

do Comércio do Estado de São Paulo.

EDITORA

COMERCIAL

Bastos Filho

balanÇ» 2 „rá?ia e o problema do crédito — Eugênio Gudin A reforma ® ha ílnlética - S. Froes de Abreu Q deflcnvolvimonto da África — L. A. Costa Pinto os planos do deflcnv Sord Keynee e a O Brasil em í*®®

CoSSência

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y mundial do algodão -J Garlbaldi Dantas S / econômica internacional — Roberto Pinto de Sousa ..... 49 A

naroB para uma política ©com, Alberto ^ __ ge^erra de FreitasPinto Mentalldado. m-gamxaçâo A. de Carvalho Política ímigralorla -,-ia __ Antônio de Queirós Teles

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xnoderna — Djacir Menezes

Jj^Barbosaf nl mundo da FUosolia - Miguel Reale

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i^^^pfanos^ Edíllcioa — Paulo Barbosa de Campos Fiíhô los"^/

-AdminislraÇ^® ^""^'^^^^raciriniernaclonal - O babaçuDorival - Teixeira Vieira 107-/v / produtos brasileiros no mer "tj«ocv oi Rallways" e a Bolívia — Geraldo O. Banaskiwitz lir/

Euclides da Cunha,ijoBras" a Poesy werneck Sodré Reflexos da guerra . Classe e família no Brasu políUco — Joâo Henrique Miranda, s"® Pimentel Gomes As secas nordestinas ■— Escombros do onailhamento

Afonso de Taunay ^

12/ 127^^. 135'/

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LIMITADA

HUA BOA VISTA, 51, 9.0 ANDAH — TEL. 1-1112 — RAMAL 19 — SAO PAULO

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N.o 6S - MAIO DE 1950 - ANO VI

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Arenida Presidente Vargas, 502, 19.o andar Rio de Janeiro

Alagoai: Manuel Espíndola, Praça Pe dro II. 49. Maceió.

Amasonai: Agência Freitas, Rua Joa quim Sarmento, 29. Manaus.

Paranó: J. Ghlagnone, Rua 15 de No vembro. 423. Curitiba.

Parnambuco: Fernando Chínaglla, Rua do Imperador. 221, S.o andar. Recife.

Bahia: Alfredo J. de Souza & Cia., R. Saldanha da Gama. 6, Salvador.

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Vargas. 502, 19 o

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Espirito Santo: Viuva Copolilo & Fi lhos. Rua Jerônimo Monteiro, 361. Vitória.

Goiás: João Manarino. Rua Setenta A. Goiânia.

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João Lisboa. 114, São Luiz. Mato Groaio: Carvalho. Pinheiro ãt Cia.. Pça. da República. 2ü. Cuiabá. Mines Gerais: Joaquim Moss Velloao. Avenida dos Andradas. 330, Belo Horizonte.

Pará: Albano H. Martins & Cia., Tra

vessa Campos Sales, 85/89. Beléra. Parclba: Loja das Revistas. Rua Ba rão do Triunfo. 510-A. João Passoa

Rio Grando do Norte: Lufs Romáo, Avenida Tavares Lira, 48. Natal. Rio Grande do Sul: Sómcnte para Por to Alegre: Octavio Sagebln. Rua

7 de Setembro. 739. Porto Alegre Paia locais fora de Porto Alegre Fernando Chínaglla, R. de Janeiro Santa Catarina: Pedro Xavier & Cia.,

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KOTE asseguram longa e eficaz proteção contra a ferrugem, quaisquer que sejam as suas causas. Assim, os S/V SOVA-KOTE im pedem a ferrugem causada pelo suor das mãos, protegem as peças em estoque, as Fer

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Jf)5o Pessoa. 137, Aracaju. Território do Acre: Dlógenes dc Oli veira. Rio Branco.

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São Paulo - Rua Brigadeiro Tobias, 356 • Santos - Rua Itororó, 71. Curitiba - Rua Cruz Machado, 12

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Brás (Capital) — Caçapava — Campinas — Campo Grande (Maio Grosso) — Catanduva — Franca — Ibilinga — Ilapeiininga — Iiúverava — Jaboiicabal — Jaú — Jundiaí — Limeira — Lins — Marilia — Mirassol — Mogi Mirim — Novo Horizonte — Olím

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Vista — S. Joaquim dá Barra — S. José do Rio Pardo — São Jo sé do iRo Preto — S. Simão — Santos — Tanabi — Tietê — Tupan.

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W.'W' •

Dium EcoimíHico

CONSELHO

I KVHDD DOS NUÚCIOS HV rUIXlil KIHl PvblUado $ob ot attipMoi da

tSSOCIAClD COMERCIALDE SAO PAULO

DE

O Dí^csto Ecouóiniotf piililicani no próximo núnuTo:

FEOERAÇlO DO COMÉRCIO DO ESTADO DE SlO PAULO

V 'V

INTERAMERICANO

COMÉRCIO E PRODUÇÃO Discurso do sr. Henrique Bastos Filho, Presidente da Associação Comercial de São

ORÇAMENTO E POLÍTICA FINAN CEIRA NACIONAL - Hnrácio Lafer.'

Paulo, em nome das classes produtoras de Diretor superintendente: Martlm Aflonso Xarler da Silveira Diretor:

Aaldnlo Gontljo de Carvalho

p Dlgesto Económlcoy órgSo de Ineconômicas e íinancei-

ras, é publicado mensalmente pela

O PROBLEMA ATUAL DAS CIÊN

São Paulo, no banquete oierecido aos delegados americanos.

CIAS ECONÔMICAS E SOCIAIS -

— Djacir Menezes.

Mercê de Deue, cngahna-se nossa terra para receber, como hóspedes amigos,

OS PLANOS DE DESENVOLVIMEN

03 iniuíos cie tóclas as Américas.

TO DA ÁFRICA - L. A. Oista Pinío.

A cada passo da história de nossas nações, nutis e nuiis se estreita e fortalece a fuiternidacfe entre os povos do Continente, esboçada desde os albores da nossa soberania pela doutrina de Monroe, adotado por nós com tal 9"^ o nome

Mitôra Comercial Ltda.

O ESTUDO DA ECONOMIA RURAL, A direção nâo se responsabiliza pelos dados cujas fontes estejam devidamente citadas, nem

pelos

dêsse grande americano ó o designativo da casa do Senado brasileiro. Sentimos que as palavras de cordialidade e afeto que pronunciamos na emer gência dc encontros como ôstes, ficam sempre aquém dos gestos efetivos com que,

NO BRASIL — Roberto Bezerra deiMeneze.i.

conceitos emitidos em artifíos assi nados.

ao longo de tantos anos, vimos nos solidarizando para as lutas e os trabalhos de

JORNALISMO NA INDEPENDÊNCIA

afimuição c de defesa da América.

i

I^a transcrição de artigos pede-se Citar

o

nome

do

— Otávio Tarquínio de Sousa.

A fraternidade americana representa elemento essencial da nossa própria vida de nações independentes, a ponto de não podermos mais separar, m História,^ do conjunto de episódios especificamente nacionais, aquêles que refletiam tnterêsses comuns aos nossos povos: Bolívar, San Martin, Miranda, Washington, Rio Branco - são heróis nossos, cidadãos do Contineixte quejempre souberam ver e solucionar

'

Digesie

ASPECTO DO URBANISMO - Paulo'

Econômico. ♦

Barbosa de Campos Filho.

Aceita-se intercâmbio com publi cações congfineres nacionais e es trangeiras.

DOUTRINA MERCANTILISTA - Arnóbio Graça.

ASS1NATUBA8:

Digasío Econômico

Ano (simples) (registrado")

CrS 50,00 Cr» 58,00

Número do mês:

Crj 5,00

Atrasado:

Crf

8,00

BERNARDO PEREIRA DE VASCON

CELOS — Afonso Arinos de Melo Franco.

I'

,y

03 problemas de seus países em função das exigências do Novo Mundo. Com isso, fizemos do pan-americanismo um impulso vivo e sincero que nos tem possibilitado resolver em harmonia as mais intrincadas que^ões e nos peimite agora, nesta reunião das classes produtoras do Ileinisfério, sentirmo-nos a vontade, uns diante dos outros, conscientes de que os elos sentimentais e históricos, que poderosamente nos irmanam, são o esteio para o entendimento que aqui ciemos buscar em tôrno dos problemas econômicos, financeiros e sociais que nos afligem. Cabe-nos, pois, antes de tudo, zelar pela integridade dêsse sentimento fra terno que nos ligou no passoílo e há de perdurar para todo o sempre. ^

Redação c Administração: Viaduto Boa Vista. 67 - 7.o andar Vel. t-7489 — Caixa Postai. 240-B flio Paulo

Como americano, como brasileiro e como paulista, sinto do meu dever, no ensejo desta confei-ência, ao mesmo tempo que oos trago as hoineruigens dos classes que reprçsento, enfrentar com a sinceridade indispensável ao elevado clima de


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São Paulo, no banquete oierecido aos delegados americanos.

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Dioksto Econômico

confiança dêste certame, um tema da maui vital importância para grande número de nações da América, e que merece ser tratado com a franqueui pectiUar aos

homens de empresa: a elevação dos preços do café no mercado ititarnacUnud, fenô

meno que está sendo objeto de inquérito, promovido pela -subcomissão aft^rícola do Senado norte-americano, presidida pelo Semidor Cuy (lilictte.

Acredito mo infringir os devores da lio.spUalidade, scntinwnlo tão tradwionalmente brasileiro e americano, ao Jne abrir nesta reunião de família, locando cm assunto delicado com o coração nas mãos.

Ê com vivo pesar que as nações produtoras de café do C.ontinentc as.sistcrn

ao desenrolar désse processo, que encerra uma atitude incompatível couí a político de boa vizinhança e fere profundamente os priticípios de liberdade de empreendi mento, tantas vezes proclamados, e por tantos delegados e com tanto fervor, neste Conselho.

Ainda ontem, ouvimos a palavra autorizada e fremcntc do ilustre Presidente do Conselho Interamericano de Comércio e Produção, Mr. James Kemper, ii// defesa

da mais ampla liberdade de empreendimento, ronclamando-nos à luta. Mewi Senhores,

Não nos cabe discutir o mérito da questão levantada pelo seiuubrr norte-ame ricano e tindnamos em não tomar conhecimento dos resultados a que chegar a

Comissão Qülettc, da mesma forma que fariam nossos irmãos da grande Nação do Norte, se algum dia pretendêssemos promover inquéritos senielhanles para investigar as causas do encarecimento dos seus produtos industriais. Ê oportuno todavia, nesta altura, comentar a crescente disparidade de preços entre os produtos industriais e agrícolas, éstes, a principal e em muitos casos a única fonte de riqueza das nações latino-americanas. O cafc por exemplo, representa no comércio externo do Brasil mais de cin

qüenta e sete por cento; e dos onze biliões e seiscentos milhões de cnizeiros dêsse produto, que exportamos em 1949, oito milhões se destinaram aos Estados Unidos.

A elevação de preços permitiu-nos cobrir os déficits de nossa balança das contos e

compensar os atrasados comerciais que, em outubro do ano findo, sidjiam a mais de duzentos e vinte e cinco milhões de dólares.

Nada mais justo, portanto, que procurarmos defender os preços de nosso A elevação dos preços é peifeitamente natural e decorre da menor oferta e

principal produto. Nem mesmo isso, porém, foi feito.

da maior procura. Cumpre acentuar que os nossos preços em ouro representam

hoje apenas uma terça parle do que representavam ha pouco nuus de vinte anos

passado.; Feita a conversão de nossa moeda em ouro, uma saca de cafe, que em 1928 alcançava quarenta e sete cruzeiros e doze centavos, é hoje vendida apenas por quinze cruzeiros e noventa e cinco centavos ouro.

Comparando-se produto com produto, verifica-se que um automóvel po)mlar

nos custavxi, em 1928, vinte sacas de café e, vinte anos depois, carro da mesma marca eqüivalia em preço a cem sacas.

Por outro lado, não podemos esquecer que uma saca de café é vendida por nós à razão de, aproximadamente, cinqüenta dólares e que essa mesma .saca produz seis mil xícaras de café, que, ao preço médio de dez centavos de dólar no varejo americano, representam seiscentos dólares, dos quais quinhentos e cinqüenta de lucro

DiCEsro Econômico

bruto permanecem na sua totalidade na economia norte-americana. Continuamos recebendo os mesmos cinqüenta dólares por saca e ainda assim a Comissão Qdlette se insurge contra o fato, perfeitamente natural, da elevação dos nossos preços, e

piomovc um inquérito que nos desprestigia perante a opinião pública norte-omericaiui c poderá prejudicar a economia dos países cafeeiros. No momento em que aqui nos congregamos, para defender a ecoiurmia do

Continente, consolidando-a em bases seguras, cientes de que tal objetivo é funda mental para a própria manutenção da unidade política das Américas, — não nos devenws iludir: o írjíjiueriYo Gillette, nos têrmos em que foi instaurado, irará con

seqüências imprevisíveis, capazes de perturbar a harmonia da vida americana, nesta hora em que doutrinas de todo contrárias ao nosso modo de viver desfraldam seus "slogans" sedutores, com base exatamente em razões de ordem econômica, de. efeito indiscutível sâbre as massas trabalhadoras do mundo. É lamentável que intcréssc de evidente intuito demagógico tenha contribuído para o sensacionalismo

em torno de um inquérito sobre a alta do princq)al produto de exportação de tantos países da América, criando mal-entendidos entre as nações do Hemisfério, quando no e.Hpíríto de fraternidade reside a própria condição da nossa sobrevivência. Sei que — representantes das forças produtoras da América — estamos todos de acordo. Não tenho diivida de que saberemos todos unir-nos na defesa da

economia do Continente e a coincidência desta reunião, no maior centro cafeeiro do mundo, deverá valer como um desagravo a atitudes em- tudo contrárias aos interêsses da produção americana.

Perdoem-me os ilustres congressistas a franqueza com que me expresso e que é rude como só a verdade o costuma ser. Mas não poderia ocultar, neste encontro

com os delegados das noções atnericanas, o pesar de que se acham possuídas as classes produtoras do Brasil, em face das reações injustas provocadas pela alta natural de nosso principal produto de exportação.

Essa exaltação, espero, não será estéril, pois ela visa preservar nossas bases econômicas c principalmente os vínculos da sólida amizade que estreitamente nos ligam íí grande nação norte-americana. Aleus Senhores,

A.wiintos da mais alta relevância para a vida do Continente estão sendo deba

tidos em plenário e não é a primeira vez que vamos nos pronunciar sôhre a economia das Américas, procurando encontrar soluções para seus problemas, consolidar os laços da solidariedade continental, melhorar o nível de vida dos povos americanos e afastar dos horizontes as nuvens de borrascas sociais, subversivas de nossas tra dições c de nossos costumes, de nossa moral e de nossas crenças.

Estou certo de que estaremos à altura das responsabilidades e da grandeza da América.

Saudando-vos, senhores delegados, em nome das classes produtoras de São

Paulo, que de braços abertos vos recebem, quero reafirmar a esperança que nos anhna de que deste entendimento resulte um maior bem para os povos americanos.


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confiança dêste certame, um tema da maui vital importância para grande número de nações da América, e que merece ser tratado com a franqueui pectiUar aos

homens de empresa: a elevação dos preços do café no mercado ititarnacUnud, fenô

meno que está sendo objeto de inquérito, promovido pela -subcomissão aft^rícola do Senado norte-americano, presidida pelo Semidor Cuy (lilictte.

Acredito mo infringir os devores da lio.spUalidade, scntinwnlo tão tradwionalmente brasileiro e americano, ao Jne abrir nesta reunião de família, locando cm assunto delicado com o coração nas mãos.

Ê com vivo pesar que as nações produtoras de café do C.ontinentc as.sistcrn

ao desenrolar désse processo, que encerra uma atitude incompatível couí a político de boa vizinhança e fere profundamente os priticípios de liberdade de empreendi mento, tantas vezes proclamados, e por tantos delegados e com tanto fervor, neste Conselho.

Ainda ontem, ouvimos a palavra autorizada e fremcntc do ilustre Presidente do Conselho Interamericano de Comércio e Produção, Mr. James Kemper, ii// defesa

da mais ampla liberdade de empreendimento, ronclamando-nos à luta. Mewi Senhores,

Não nos cabe discutir o mérito da questão levantada pelo seiuubrr norte-ame ricano e tindnamos em não tomar conhecimento dos resultados a que chegar a

Comissão Qülettc, da mesma forma que fariam nossos irmãos da grande Nação do Norte, se algum dia pretendêssemos promover inquéritos senielhanles para investigar as causas do encarecimento dos seus produtos industriais. Ê oportuno todavia, nesta altura, comentar a crescente disparidade de preços entre os produtos industriais e agrícolas, éstes, a principal e em muitos casos a única fonte de riqueza das nações latino-americanas. O cafc por exemplo, representa no comércio externo do Brasil mais de cin

qüenta e sete por cento; e dos onze biliões e seiscentos milhões de cnizeiros dêsse produto, que exportamos em 1949, oito milhões se destinaram aos Estados Unidos.

A elevação de preços permitiu-nos cobrir os déficits de nossa balança das contos e

compensar os atrasados comerciais que, em outubro do ano findo, sidjiam a mais de duzentos e vinte e cinco milhões de dólares.

Nada mais justo, portanto, que procurarmos defender os preços de nosso A elevação dos preços é peifeitamente natural e decorre da menor oferta e

principal produto. Nem mesmo isso, porém, foi feito.

da maior procura. Cumpre acentuar que os nossos preços em ouro representam

hoje apenas uma terça parle do que representavam ha pouco nuus de vinte anos

passado.; Feita a conversão de nossa moeda em ouro, uma saca de cafe, que em 1928 alcançava quarenta e sete cruzeiros e doze centavos, é hoje vendida apenas por quinze cruzeiros e noventa e cinco centavos ouro.

Comparando-se produto com produto, verifica-se que um automóvel po)mlar

nos custavxi, em 1928, vinte sacas de café e, vinte anos depois, carro da mesma marca eqüivalia em preço a cem sacas.

Por outro lado, não podemos esquecer que uma saca de café é vendida por nós à razão de, aproximadamente, cinqüenta dólares e que essa mesma .saca produz seis mil xícaras de café, que, ao preço médio de dez centavos de dólar no varejo americano, representam seiscentos dólares, dos quais quinhentos e cinqüenta de lucro

DiCEsro Econômico

bruto permanecem na sua totalidade na economia norte-americana. Continuamos recebendo os mesmos cinqüenta dólares por saca e ainda assim a Comissão Qdlette se insurge contra o fato, perfeitamente natural, da elevação dos nossos preços, e

piomovc um inquérito que nos desprestigia perante a opinião pública norte-omericaiui c poderá prejudicar a economia dos países cafeeiros. No momento em que aqui nos congregamos, para defender a ecoiurmia do

Continente, consolidando-a em bases seguras, cientes de que tal objetivo é funda mental para a própria manutenção da unidade política das Américas, — não nos devenws iludir: o írjíjiueriYo Gillette, nos têrmos em que foi instaurado, irará con

seqüências imprevisíveis, capazes de perturbar a harmonia da vida americana, nesta hora em que doutrinas de todo contrárias ao nosso modo de viver desfraldam seus "slogans" sedutores, com base exatamente em razões de ordem econômica, de. efeito indiscutível sâbre as massas trabalhadoras do mundo. É lamentável que intcréssc de evidente intuito demagógico tenha contribuído para o sensacionalismo

em torno de um inquérito sobre a alta do princq)al produto de exportação de tantos países da América, criando mal-entendidos entre as nações do Hemisfério, quando no e.Hpíríto de fraternidade reside a própria condição da nossa sobrevivência. Sei que — representantes das forças produtoras da América — estamos todos de acordo. Não tenho diivida de que saberemos todos unir-nos na defesa da

economia do Continente e a coincidência desta reunião, no maior centro cafeeiro do mundo, deverá valer como um desagravo a atitudes em- tudo contrárias aos interêsses da produção americana.

Perdoem-me os ilustres congressistas a franqueza com que me expresso e que é rude como só a verdade o costuma ser. Mas não poderia ocultar, neste encontro

com os delegados das noções atnericanas, o pesar de que se acham possuídas as classes produtoras do Brasil, em face das reações injustas provocadas pela alta natural de nosso principal produto de exportação.

Essa exaltação, espero, não será estéril, pois ela visa preservar nossas bases econômicas c principalmente os vínculos da sólida amizade que estreitamente nos ligam íí grande nação norte-americana. Aleus Senhores,

A.wiintos da mais alta relevância para a vida do Continente estão sendo deba

tidos em plenário e não é a primeira vez que vamos nos pronunciar sôhre a economia das Américas, procurando encontrar soluções para seus problemas, consolidar os laços da solidariedade continental, melhorar o nível de vida dos povos americanos e afastar dos horizontes as nuvens de borrascas sociais, subversivas de nossas tra dições c de nossos costumes, de nossa moral e de nossas crenças.

Estou certo de que estaremos à altura das responsabilidades e da grandeza da América.

Saudando-vos, senhores delegados, em nome das classes produtoras de São

Paulo, que de braços abertos vos recebem, quero reafirmar a esperança que nos anhna de que deste entendimento resulte um maior bem para os povos americanos.


Dicestu Econômico

Vf''' A.

canismo de seus pagamentos internacio

serviços econômicos da Liga das Na ções publicaram, anualmente, um vo lume que reunia as balanças dos diversos países-membros c, não-membros, segun do um esquema uniforme. Aos poucos,

balança de pagamentos do Brasil lUCHARD LewIKSOHN

nais.

únicos elementos disponíveis. Sôbre as

entradas e saídas de capital particular e serviçx)s correlativos, sabia-se pouco.

39 pai.ses figuraram nesses notáveis rela CONCEITO de balança dc pagamen O tos c tão velho quanto a ciência

\'ain dc) nK)\'ínionl(' ciiHivn dos metais

econômica.

Poder-se-ia mesmo dizer

mista do mercantilismo, james Stcuart.

que esta nasceu em torno daquele. O

qiieni, na sua obra "An Iiupiiry iiUo Prin cipies of Polillcal Economy" (17G7),

sistema mercantilista, que dominou a política econômica nos séculos XVII o

chamou a atenção sobre esses defeitos

entidades individuais. A tarefa do go-

e a necessidade dc estabelecer, ao lado do "balance of Irado" (balanço comer cial) um "balance of payments". quer dizer uma Ixilança geral que abrange

vêmo era a de favorecer o desenvol

todos os pagamentos oriundos do exte

vimento da economia nacional, estimu

rior e fcito.s para o exterior.

e não somente a soma de atividade c

lar a produção, reduzir assim a impor-

Com a ascensão do liberalismo —

f^Ção, mas exportar tanto quanto pos sível para se providenciar ouro e prata, que na época eram os únicos meios lí quidos, indispensáveis para o comércio sobretudo, para a guerra. Para executar tal política, era necessá rio, naturalmente, possuir um instru-

Adam Smith de.sprezíua todas estas fór mulas — perdeu-se o interesse para o

niento dc controle do que entra no

país c do que dêle sai. Daí surgiu a estatística do comércio exterior, que a

Inglaterra já criou nos primôrdíos do sé culo XVII.

Tanto os teóricos como os

dirigentes políticos do sistema mercan tilista não ignoravam que o comercio mercantil não é a única razão das en

tradas e saídas de matérias preciosas.

Sabiam que serviços recebidos do es trangeiro e prestados a outros países têm o mesmo efeito que a compra e venda de mercadorias.

Insistiam, em

do Itamarati faziam um grande esforço

As primeiras balanças. do Brasil

no sentido de esclarecer a situação cam

bial do Pais, e elaboraram para o ano

de 1932 a primeira balança de paga

O Brasil não tomou parte muito ativa

mentos, a única, aliás, que entrou nas

nesses trabalhos. Embora as dificul dades de transferência de fundos para

publicações da Liga das Nações. (1). Reproduzimos aqui a síntese dessa obra

o exterior perturbassem mais de uma vez sua situação econômica e monetária,

de pioneiros, na forma que lhe deram,

não chegava, por falta de estatística, a

segundo seu esquema-padrão, os Servi

demonstrar claramente a posição e o me

ços da Liga das Nações:

BALANÇA DE PAGAMENTOS DE 1932

(em milhares de libras esterlinas)

Itens

problema da balança dc pagamentos. Somente no começo do nosso século,

j

Mercadorias

quando ressurgiram com o imperialismo

Crédito

e nacionalismo econômicos os princípios do mercantilismo, os economistas ocupa ram-se novamente desse assunto, elabo

Ouro

Total.

rando esquemas e fazendo estimalivas da balança de pagamentos do alguns paí

58.973

27.876

-b 31.097

765 1.121

16.100 4.819 14

- 16.100 - 4.054

60.839

4â.809

+ 12.050

500

14.448

- - 13.948

01.359

63.256

Movimento de capitais

ses. Depois da primeira guerra mundial,

Total geral

os distúrbios monetários, o pagamento

SaWo

Débito

Lucros e Dividendos

-b

-

1.107

1.898

das dívidas intcraliadas e das repara Como se vê no quadro acima, as

ções levaram o problema da transferên cia do valores dc um pais para o outro à ordem do dia. Todos foram unâni mes em afirmar que este problema só

saídas, motivadas pelo pagamento de juros e dividendos, amortizações ou emigração de capitais, foram estimadas

poderia ser resolvido à luz da balança

em 30.548 milhões de libras-ouro, na

do pagamentos.

época cêrca de 150 milhões de dólares

A Liga das Nações fez-se campeã

montante elevadíssimo, mas não im

possível^naquele ano trágico de crise

particular, sôbre a importância da na

nesse domínio. Numa das primeiras as

vegação como meio de economizar des pesas com os fretes. Mas, a contabili zação de serviços era extremamente di fícil, e todos os cálculos segundo o

sembléias, votôu-sc uma resolução re-

Ir

comendando-se aos países-membros es tabelecerem c publicarem regularmente balanças de pagamentos. O apelo teve grande sucesso. De 1924 a 1938, os

!•«> .'

esquema da balança comercial discorda-

Não obstante, os Serviços Comerciais

tórios.

preciosos. Foi o último grande econo

XVIII, estava baseado na idéia que a economia de um país é uma unidade,

Virtualmente, a balança comer

cial e a divida pública externa eram os

mundial e de grandes distúrbios internos. Não obstante, o superávit, excepcional mente grande do comércio exterior, per

mitiu o pagamento de todos esses encar

gos e facultou mesmo a entrada de uma quantidade apreciável de ouro. Infelizmente, os serWços do Ministério das Relações Exteriores não continua

ram seus trabalhos nesse setor; mas, apôs (1) Ministério das Relações Exteriores — Seryiçps Comerciais, "O Brasil — Re cursos

—

Possibilidades

—

Desenvolvi

mento Estatístico e Diagramas" (Rio, 1933), págs. 357/58. — Société des Nations, Service

d'±tude Econonüque, "Balances

des Paiements 1933" (Genebra 1934") pâg. 71.


Dicestu Econômico

Vf''' A.

canismo de seus pagamentos internacio

serviços econômicos da Liga das Na ções publicaram, anualmente, um vo lume que reunia as balanças dos diversos países-membros c, não-membros, segun do um esquema uniforme. Aos poucos,

balança de pagamentos do Brasil lUCHARD LewIKSOHN

nais.

únicos elementos disponíveis. Sôbre as

entradas e saídas de capital particular e serviçx)s correlativos, sabia-se pouco.

39 pai.ses figuraram nesses notáveis rela CONCEITO de balança dc pagamen O tos c tão velho quanto a ciência

\'ain dc) nK)\'ínionl(' ciiHivn dos metais

econômica.

Poder-se-ia mesmo dizer

mista do mercantilismo, james Stcuart.

que esta nasceu em torno daquele. O

qiieni, na sua obra "An Iiupiiry iiUo Prin cipies of Polillcal Economy" (17G7),

sistema mercantilista, que dominou a política econômica nos séculos XVII o

chamou a atenção sobre esses defeitos

entidades individuais. A tarefa do go-

e a necessidade dc estabelecer, ao lado do "balance of Irado" (balanço comer cial) um "balance of payments". quer dizer uma Ixilança geral que abrange

vêmo era a de favorecer o desenvol

todos os pagamentos oriundos do exte

vimento da economia nacional, estimu

rior e fcito.s para o exterior.

e não somente a soma de atividade c

lar a produção, reduzir assim a impor-

Com a ascensão do liberalismo —

f^Ção, mas exportar tanto quanto pos sível para se providenciar ouro e prata, que na época eram os únicos meios lí quidos, indispensáveis para o comércio sobretudo, para a guerra. Para executar tal política, era necessá rio, naturalmente, possuir um instru-

Adam Smith de.sprezíua todas estas fór mulas — perdeu-se o interesse para o

niento dc controle do que entra no

país c do que dêle sai. Daí surgiu a estatística do comércio exterior, que a

Inglaterra já criou nos primôrdíos do sé culo XVII.

Tanto os teóricos como os

dirigentes políticos do sistema mercan tilista não ignoravam que o comercio mercantil não é a única razão das en

tradas e saídas de matérias preciosas.

Sabiam que serviços recebidos do es trangeiro e prestados a outros países têm o mesmo efeito que a compra e venda de mercadorias.

Insistiam, em

do Itamarati faziam um grande esforço

As primeiras balanças. do Brasil

no sentido de esclarecer a situação cam

bial do Pais, e elaboraram para o ano

de 1932 a primeira balança de paga

O Brasil não tomou parte muito ativa

mentos, a única, aliás, que entrou nas

nesses trabalhos. Embora as dificul dades de transferência de fundos para

publicações da Liga das Nações. (1). Reproduzimos aqui a síntese dessa obra

o exterior perturbassem mais de uma vez sua situação econômica e monetária,

de pioneiros, na forma que lhe deram,

não chegava, por falta de estatística, a

segundo seu esquema-padrão, os Servi

demonstrar claramente a posição e o me

ços da Liga das Nações:

BALANÇA DE PAGAMENTOS DE 1932

(em milhares de libras esterlinas)

Itens

problema da balança dc pagamentos. Somente no começo do nosso século,

j

Mercadorias

quando ressurgiram com o imperialismo

Crédito

e nacionalismo econômicos os princípios do mercantilismo, os economistas ocupa ram-se novamente desse assunto, elabo

Ouro

Total.

rando esquemas e fazendo estimalivas da balança de pagamentos do alguns paí

58.973

27.876

-b 31.097

765 1.121

16.100 4.819 14

- 16.100 - 4.054

60.839

4â.809

+ 12.050

500

14.448

- - 13.948

01.359

63.256

Movimento de capitais

ses. Depois da primeira guerra mundial,

Total geral

os distúrbios monetários, o pagamento

SaWo

Débito

Lucros e Dividendos

-b

-

1.107

1.898

das dívidas intcraliadas e das repara Como se vê no quadro acima, as

ções levaram o problema da transferên cia do valores dc um pais para o outro à ordem do dia. Todos foram unâni mes em afirmar que este problema só

saídas, motivadas pelo pagamento de juros e dividendos, amortizações ou emigração de capitais, foram estimadas

poderia ser resolvido à luz da balança

em 30.548 milhões de libras-ouro, na

do pagamentos.

época cêrca de 150 milhões de dólares

A Liga das Nações fez-se campeã

montante elevadíssimo, mas não im

possível^naquele ano trágico de crise

particular, sôbre a importância da na

nesse domínio. Numa das primeiras as

vegação como meio de economizar des pesas com os fretes. Mas, a contabili zação de serviços era extremamente di fícil, e todos os cálculos segundo o

sembléias, votôu-sc uma resolução re-

Ir

comendando-se aos países-membros es tabelecerem c publicarem regularmente balanças de pagamentos. O apelo teve grande sucesso. De 1924 a 1938, os

!•«> .'

esquema da balança comercial discorda-

Não obstante, os Serviços Comerciais

tórios.

preciosos. Foi o último grande econo

XVIII, estava baseado na idéia que a economia de um país é uma unidade,

Virtualmente, a balança comer

cial e a divida pública externa eram os

mundial e de grandes distúrbios internos. Não obstante, o superávit, excepcional mente grande do comércio exterior, per

mitiu o pagamento de todos esses encar

gos e facultou mesmo a entrada de uma quantidade apreciável de ouro. Infelizmente, os serWços do Ministério das Relações Exteriores não continua

ram seus trabalhos nesse setor; mas, apôs (1) Ministério das Relações Exteriores — Seryiçps Comerciais, "O Brasil — Re cursos

—

Possibilidades

—

Desenvolvi

mento Estatístico e Diagramas" (Rio, 1933), págs. 357/58. — Société des Nations, Service

d'±tude Econonüque, "Balances

des Paiements 1933" (Genebra 1934") pâg. 71.


m

mm

10

Digesto Econóníico

um intervalo de alguns anos, os estudos

sôbrc a balança de pagamentos foram reiniciados pelo Conselho Técnico de

cciros para com o estrangeiro, notadamente cm con.sorpn^-ncia do acordo Os

DioF-sTo Econômico

futuro Fundo Monetário Internacional o dever dc apresentar balanças de paga-

da balança complicou-se porque o pró prio Fimdo Monetílrio, ainda na sua fase experimental, modificou várias vezes

Economia e Finanças do Ministério da

valdo Aranha de 1934. sobre o sci^iço da dívida externa. Ficava, porém, entre

Fazenda. (2). As balançus elaboradas

as receitas e as despesas uma diferença

trada em função do Fundo Monetário,

por éssc órgão para os anos de 1934,

reíatí\'amenle grande, que fazia supor a entrada de importantes capitais no País,

foram iniciados estudos a respeito, or

esquema da Liga das Nações — já quase inapUcá\'el em países com estatísticas in

pletamente diferente da balança relativa

ou que parti? das importa^-ões se efe

Economia da Fundação Getúlio Vargas

completas.

ao ano de 1932. Os saldos do comér cio exterior tomaram-se menores, o mes-

tuava a crédito. O quadro seguinte re

e pdla Caileira de Cambio do Banco do

sume os principais itens destas balan

Brasil. Um excelente técnico de.ssa Car

foram \'encidas, e em princípios de 1948

mo ocorrendo com os encargos finan-

ças:

teira, o .sr. Guilherme Augusto Pégu-

foi divulgada a estatística das operações

rier, organizou e dirigiu a aplicaçao do esquema, elaborado conjuntamente por um grupo de teóricos c práticos em ma

de cambio relativas ao primeiro semestre do 1947. Desde essa época, estatísticas análogas, com mais pormenores ainda,

téria cambial. O trabalho não foi pe

são divulgadas regularmente, não so

1935 e 1936 mostram uma situação com

BALANÇAS DE PAGAMENTO (1934-1936)

(em milhões de libras esterlinas) 1934

Itens

J935

1936

mento.'i.

Já em outubro de 1946, antes da en

ganizados cm cKinjunto pelo Núcleo de

queno, {lois quase tudo devia ser criado para esse objetivo. (3). A elaboração

Receita-s

Importação

58 3

Contrabando

55 3

65 3

Turismo

1

1

Capitais

I

3

I 4

63

62

73

46

50

Total das Receitas Despesas

(3) Guilherme Augusto

lanço dc Pagamentos do Brasil . ta Brasileira de Economia", dezembro de

suas instruções e prescreveu um esque

ma muito mais detalhado que o antigo

Sem embargo, as dificuldades iniciais

mente sobre um ano inteiro, mas se

mestralmente e até trimestralmente, para informar aos interessados tão ràpidainente quanto possível sobre os paga mentos do exterior e para o exterior.

1948, pãgs. 7-90.

l

Importação

42

Contrabando

2 7

Serviço da Dívida Pública

2

2. 8

8

Transferência de companhias estran geiras

Fretes, Seguros, Comissões

Remessas de Imigrantes e Turismo .. Serviços governamentais Remessas de atrasados comerciais ..

Total das Despesas Diferença entre Receitas e Despesas. .

As balanças de após-guerra A guerra interrompeu no Brasil, como em muitos outros países, a elaboração de

12

8

10

• 3 3

3

3

3 1

1

2 1

6

72

77

-9

- 15

balanças de pagamentos.

3

1

84 - 11

Entretanto,

entre os economistas o interesse nesse

assunto permaneceu vivo e reanimou-se

sobretudo quando a Conferência Mone

Conselho

tária e Financeira das Nações Unidas,

Técnico de Economia e Finanças, "Atos

realizada em Bretton Woods, em- julho de 1944, impôs a todos os membros do

(2) Ministério

da Fazenda.

e Pareceres 1937-1943" —

"Finanças do

Brasil", Vol. 12 (Rio 1943), pág. 33.

.(

7

iiíâMÉliliâÉiklÉáÉi


m

mm

10

Digesto Econóníico

um intervalo de alguns anos, os estudos

sôbrc a balança de pagamentos foram reiniciados pelo Conselho Técnico de

cciros para com o estrangeiro, notadamente cm con.sorpn^-ncia do acordo Os

DioF-sTo Econômico

futuro Fundo Monetário Internacional o dever dc apresentar balanças de paga-

da balança complicou-se porque o pró prio Fimdo Monetílrio, ainda na sua fase experimental, modificou várias vezes

Economia e Finanças do Ministério da

valdo Aranha de 1934. sobre o sci^iço da dívida externa. Ficava, porém, entre

Fazenda. (2). As balançus elaboradas

as receitas e as despesas uma diferença

trada em função do Fundo Monetário,

por éssc órgão para os anos de 1934,

reíatí\'amenle grande, que fazia supor a entrada de importantes capitais no País,

foram iniciados estudos a respeito, or

esquema da Liga das Nações — já quase inapUcá\'el em países com estatísticas in

pletamente diferente da balança relativa

ou que parti? das importa^-ões se efe

Economia da Fundação Getúlio Vargas

completas.

ao ano de 1932. Os saldos do comér cio exterior tomaram-se menores, o mes-

tuava a crédito. O quadro seguinte re

e pdla Caileira de Cambio do Banco do

sume os principais itens destas balan

Brasil. Um excelente técnico de.ssa Car

foram \'encidas, e em princípios de 1948

mo ocorrendo com os encargos finan-

ças:

teira, o .sr. Guilherme Augusto Pégu-

foi divulgada a estatística das operações

rier, organizou e dirigiu a aplicaçao do esquema, elaborado conjuntamente por um grupo de teóricos c práticos em ma

de cambio relativas ao primeiro semestre do 1947. Desde essa época, estatísticas análogas, com mais pormenores ainda,

téria cambial. O trabalho não foi pe

são divulgadas regularmente, não so

1935 e 1936 mostram uma situação com

BALANÇAS DE PAGAMENTO (1934-1936)

(em milhões de libras esterlinas) 1934

Itens

J935

1936

mento.'i.

Já em outubro de 1946, antes da en

ganizados cm cKinjunto pelo Núcleo de

queno, {lois quase tudo devia ser criado para esse objetivo. (3). A elaboração

Receita-s

Importação

58 3

Contrabando

55 3

65 3

Turismo

1

1

Capitais

I

3

I 4

63

62

73

46

50

Total das Receitas Despesas

(3) Guilherme Augusto

lanço dc Pagamentos do Brasil . ta Brasileira de Economia", dezembro de

suas instruções e prescreveu um esque

ma muito mais detalhado que o antigo

Sem embargo, as dificuldades iniciais

mente sobre um ano inteiro, mas se

mestralmente e até trimestralmente, para informar aos interessados tão ràpidainente quanto possível sobre os paga mentos do exterior e para o exterior.

1948, pãgs. 7-90.

l

Importação

42

Contrabando

2 7

Serviço da Dívida Pública

2

2. 8

8

Transferência de companhias estran geiras

Fretes, Seguros, Comissões

Remessas de Imigrantes e Turismo .. Serviços governamentais Remessas de atrasados comerciais ..

Total das Despesas Diferença entre Receitas e Despesas. .

As balanças de após-guerra A guerra interrompeu no Brasil, como em muitos outros países, a elaboração de

12

8

10

• 3 3

3

3

3 1

1

2 1

6

72

77

-9

- 15

balanças de pagamentos.

3

1

84 - 11

Entretanto,

entre os economistas o interesse nesse

assunto permaneceu vivo e reanimou-se

sobretudo quando a Conferência Mone

Conselho

tária e Financeira das Nações Unidas,

Técnico de Economia e Finanças, "Atos

realizada em Bretton Woods, em- julho de 1944, impôs a todos os membros do

(2) Ministério

da Fazenda.

e Pareceres 1937-1943" —

"Finanças do

Brasil", Vol. 12 (Rio 1943), pág. 33.

.(

7

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Capitais

Ouro

Cancelamento de operações de exercícios anteriores . ..

Tatal geral

cruzeiros nos têrmos do Convênio Argentino-Bra-

VIII. Operações anteriores a 16-11-48, liquidadas em

de regularização- do câmbio ..

Operações simbólicas par^ efeito

"Swaps"

bólicas

VII. "Swaps" e Operações sim

VI.

V. Arbitragens

Subtotal IV

ouro no país Ouro adquirido no país

Quotas devidas pela produção de

ouro no exterior

Compra e venda no estrangeiro. . Comissões sôbre transações de

IV.

Subtotal III

Câmbio manual

Migrações de capitais estrangeiros Migrações de capitais nacionais .. Movimento não especificado ..

III.

Subtotal II

Diversos

Governamentais

viços públicos

Empresas concessionárias de ser

Rendas de capitais

auxílios Direitos autorais

Turismo, viagens, manutenção e

Bancários •

Seguros e resseguros

Transportes e comunicações ...

n. Serüiços

Subtotal I

das por entidades estrangeiras

Ajustes Resgate de importações financia

importação

Ser\iços ligados à exportação e

mentos

ção de equipamentos indus triais — certificados de equipa

I. Exportações e Importações De entidades privadas De entidades públicas Divisas disponíveis para aquisi

Especificação

<

32.246

2.248

123,

2.125

—

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174 26

1.581

735 138

549

949

8 86

S

0

í \ l

4S 3 6

532 39 79

19.651

310

20

19.294

1949

87

639 31 89

21.812

241

l

l

197

f

I 21.571

f

1948

Ativo

í 18.551

1947

(em milhões de cruzeiros)

OPERAÇÃO DE CÂMBIO 1947-1949

f

-

25.739

2.305

126

2.179

-

-

1

1

438

l "

122 316

3.126

11 870 170

427

1.229 77

187 26 129

19.869

8

79

318

170

í 19.294 l

1947

1

C)\

'

1.895

79

1.816

74

—

7

7

245

25.327

■

156

89

3.658

132 1.856 156

410 131 70-1

60 54

155

19.449

314

f < 19.135 l

Í94S

P A SS1

f [

{

28.397.

4

464

83

381

370

522

18

5

5

8

183

3

97

62 l

5.863

3.780 529

802

251 2(KS

162 24 39

21.034

1.404

260

2.085

17.285

1949

-

.


Capitais

Ouro

Cancelamento de operações de exercícios anteriores . ..

Tatal geral

cruzeiros nos têrmos do Convênio Argentino-Bra-

VIII. Operações anteriores a 16-11-48, liquidadas em

de regularização- do câmbio ..

Operações simbólicas par^ efeito

"Swaps"

bólicas

VII. "Swaps" e Operações sim

VI.

V. Arbitragens

Subtotal IV

ouro no país Ouro adquirido no país

Quotas devidas pela produção de

ouro no exterior

Compra e venda no estrangeiro. . Comissões sôbre transações de

IV.

Subtotal III

Câmbio manual

Migrações de capitais estrangeiros Migrações de capitais nacionais .. Movimento não especificado ..

III.

Subtotal II

Diversos

Governamentais

viços públicos

Empresas concessionárias de ser

Rendas de capitais

auxílios Direitos autorais

Turismo, viagens, manutenção e

Bancários •

Seguros e resseguros

Transportes e comunicações ...

n. Serüiços

Subtotal I

das por entidades estrangeiras

Ajustes Resgate de importações financia

importação

Ser\iços ligados à exportação e

mentos

ção de equipamentos indus triais — certificados de equipa

I. Exportações e Importações De entidades privadas De entidades públicas Divisas disponíveis para aquisi

Especificação

<

32.246

2.248

123,

2.125

—

-

—•

852

2

771 79

1.327

122 107

5

252 2

175

22

642

18.819

71

578

242

-

-

—

262

3

25.445

451 1.863

22.884

321

82 77

369

82

522

15

14

1

2

1.786

-

4

82

174 26

1.581

735 138

549

949

8 86

S

0

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4S 3 6

532 39 79

19.651

310

20

19.294

1949

87

639 31 89

21.812

241

l

l

197

f

I 21.571

f

1948

Ativo

í 18.551

1947

(em milhões de cruzeiros)

OPERAÇÃO DE CÂMBIO 1947-1949

f

-

25.739

2.305

126

2.179

-

-

1

1

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122 316

3.126

11 870 170

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1.229 77

187 26 129

19.869

8

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1947

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7

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156

89

3.658

132 1.856 156

410 131 70-1

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251 2(KS

162 24 39

21.034

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260

2.085

17.285

1949

-

.


'f II w

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14

DioESTO Econó M I CO

mensalmente pelo Departamento de Co

SALIX)S DAS OPEiíAÇÕES DE CÂMBIO - 1947-1949 (cm inilliõcs cie cruzeiros)

mércio dos Estados Unidos - baseiamse no.s levantamentos de 15 bancos, prin

cipalmente do Nova York, que relatam E&pecificuções

W47

l. Exportação e importaç-ão ... 11.

Serviços

III. Capitais IV.

Ouro

V. Arbitragens VI. Cancelamento de operações de

]9-í8

licaf;

Vin. Operações anterioresa 16-11-48,

ou "crédito" e "débito", ou "entrada"

trata-se sempre da alteração das contas em favor do próprio país ou dc outros

país. Não existe definição uniforme do

comptc.s"). Entre os diversos termos

1.799 414 1

- 2.710 334 7

- 4.222

+

que é "atrasado". Os americanos con sideram, \ia de regra, como atrasado 57

um pagamento que, seis semanas depois

168

31

lícjuidadas em cruzeiros, nos

tòrinos do Con\'enío Argentino-Brasileiro

Saldo geral

f

.

Ê preci.so salientar que essas estatística.s de Operações de câmbio, ciuc re sumimos nos cjuadros acima para os anos

de 1947, 1948 e 1949, não são jjròpriamente balanças de pagamentos, mas constiluení a base para sua elaboração, que fica a cargo do Fundo Monetário-

Internaciojial. Até agora só foi divulga

+ - 2.493

-b

118

- 5.513

em uso. as palavras "entrada" e "saída"

parecem-nos as mais apropriadas, em-'

da saída da mercadoria de um pôrto norte-americano, não é efetuado. Mas,

essa delimitação parece muito arbitra

ria, pois grande parte dos pagamentos no comércio exterior se faz tradicional

um país de\e ser contrabalançado, mes- , mo que a transferência se faça gratui

mente sòmente 90 dias ou,, no mais

esquema não seria aplicável a diversos países. A soma das entradas é, por

cedo, 60 dias depois da ex-pedição da

especial na balança de pagamentos. Tudo que entra num pais ou sai de tamente, como donativo.

Se não, o

conseguinte, sempre igual a das saídas.

A confusão é ainda maior quanto aos

atrasados não comerciais, em particulai

Numa balança tècnicamente perfeita,

no que se refere a pagamentos dc juros e dividendos. A transferencia dc cam

Noliintários qnc, .sob o nome de "atra sados comerciais", foram tomando, nos ultimo.s anos, uma amplitude certamen

biais para os ati'asados dessa categoria

carateriza a situação cambial do país. Sob êsse aspecto, distinguem-se dois

A esse respeito, precisa-se distinguir

pagamentos da importação mais recente,

bio, a jurisdição da Carteira não se es tende aos pagamentos efetuados fora do

mesmo que datem do ano anterior. Mas,

demorava, no ano passado, nao rara mente doze meses. Entretanto, o paga

mento já estava feito em cruzeiros e

à livre disposição dos acioni.stas e debenturistas, que, às vezes, preferiam reinvestir o dinheiro ou utiliza-lo para

outros fíns. Por conseguinte, é quase

na balança de pagamentos entrajn ou

impossível determinar com precisão o

deveriam

total desses atrasados financeiros.

país, que na sua maior parte ficam centralizados na Delegacia do Tesouro Nacional em Nova York. Já por essa

definido, numa rubrica especial, separa

razão os levantamentos da Carteira de

dos dos créditos contratuais.

Câmbio são inevitavelmente incompletos. Além disso, é claro que, mesmo no re

ção não é fácil, pois ninguém sabe exa

gime mais severo de controle, uma par

tiga dizia, por isso, "balance des

os créditos contratuais c os créditos in-

sujeitas ao controle da Carteira de Câm

cela, mais ou menos ampla, se faz clan destinamente. Mais importantes ainda para a balança de pagamentos são as

países (a tenninologia francesa mais an

não há déficit, nem superávit. Entre

cambiais no Brasil sejam oficialmente

de 1947. Embora tôda.ç as operações

u "saída", ou "receitas" e "despesas" -

bora também cias tenham um sentido

mercadoria.

operações dc crédito, em particular finan.CÍamentos da imjporlação.

te demasiada. Nas estatísticas das Ope rações de câmbio não aparecem senão quando são pagos, e juntamente com os

da pelo Fundo a balança relativa ao ano

Que os dois lados da balança

às autoridades os compromissos de es-

- 1.383

VII. "Swaps" e operaçc3es simbó-

ras.

sejam denominados "ativo" e "passivo",

trangeiro.s não cumpridos. A estatística brasileira, irregularmente publicada, re fere-se a todos os pedidos de câmbio para mercadorias -que já entraram no

+ 2.364

+

sua lógica própria, bem diferente da de outras balanças econômicas e financei

1943

1.050

exercícios anteriores

15

Dic.kstci Econó>.íico

entrar imediatamente como

tamente o total dos atrasados e.xistentes. Há estatísticas do lado americano e do

lado brasileiro que acusam forte diver gência. As americanas ~ publicadas

grandes grupos: as transações reais, que abrangem o intercâmbio de mercado rias e de serviços, e as transações finan

ceiras, ou sejam os movimentos do ca

pital — in\ersões e créditos a curto prazo.

Antigamente, como já mencionamos, o déficit na balança das transações reais

Malgrado todas essas dificuldades e complicações técnicas — e delas mencio namos aqui apenas uma pequena parte

foi pago principalmente em oiux) e prata. Hoje em dia, os pagamentos em prata são insignificantes, e os em ouro, pará a maioria dos países, que não pos suem grandes minas auríferas, igualmen te; no Brasil ocupam em tempo de paz um lugar muito modesto. A compensa

— o conceito básico da balança de pa-

ção de um déficit, na parte da balança

.gamentos é simples e lógico. Mas, tem

que se refere ao comércio exterior vi-

crédito a custo prazo <ni de prazo in

Ainda .sob essa forma, sua contabiliza

tanto, a natureza das entradas e saídas

Superávit e déficit jui balança de pagamentos


'f II w

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14

DioESTO Econó M I CO

mensalmente pelo Departamento de Co

SALIX)S DAS OPEiíAÇÕES DE CÂMBIO - 1947-1949 (cm inilliõcs cie cruzeiros)

mércio dos Estados Unidos - baseiamse no.s levantamentos de 15 bancos, prin

cipalmente do Nova York, que relatam E&pecificuções

W47

l. Exportação e importaç-ão ... 11.

Serviços

III. Capitais IV.

Ouro

V. Arbitragens VI. Cancelamento de operações de

]9-í8

licaf;

Vin. Operações anterioresa 16-11-48,

ou "crédito" e "débito", ou "entrada"

trata-se sempre da alteração das contas em favor do próprio país ou dc outros

país. Não existe definição uniforme do

comptc.s"). Entre os diversos termos

1.799 414 1

- 2.710 334 7

- 4.222

+

que é "atrasado". Os americanos con sideram, \ia de regra, como atrasado 57

um pagamento que, seis semanas depois

168

31

lícjuidadas em cruzeiros, nos

tòrinos do Con\'enío Argentino-Brasileiro

Saldo geral

f

.

Ê preci.so salientar que essas estatística.s de Operações de câmbio, ciuc re sumimos nos cjuadros acima para os anos

de 1947, 1948 e 1949, não são jjròpriamente balanças de pagamentos, mas constiluení a base para sua elaboração, que fica a cargo do Fundo Monetário-

Internaciojial. Até agora só foi divulga

+ - 2.493

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118

- 5.513

em uso. as palavras "entrada" e "saída"

parecem-nos as mais apropriadas, em-'

da saída da mercadoria de um pôrto norte-americano, não é efetuado. Mas,

essa delimitação parece muito arbitra

ria, pois grande parte dos pagamentos no comércio exterior se faz tradicional

um país de\e ser contrabalançado, mes- , mo que a transferência se faça gratui

mente sòmente 90 dias ou,, no mais

esquema não seria aplicável a diversos países. A soma das entradas é, por

cedo, 60 dias depois da ex-pedição da

especial na balança de pagamentos. Tudo que entra num pais ou sai de tamente, como donativo.

Se não, o

conseguinte, sempre igual a das saídas.

A confusão é ainda maior quanto aos

atrasados não comerciais, em particulai

Numa balança tècnicamente perfeita,

no que se refere a pagamentos dc juros e dividendos. A transferencia dc cam

Noliintários qnc, .sob o nome de "atra sados comerciais", foram tomando, nos ultimo.s anos, uma amplitude certamen

biais para os ati'asados dessa categoria

carateriza a situação cambial do país. Sob êsse aspecto, distinguem-se dois

A esse respeito, precisa-se distinguir

pagamentos da importação mais recente,

bio, a jurisdição da Carteira não se es tende aos pagamentos efetuados fora do

mesmo que datem do ano anterior. Mas,

demorava, no ano passado, nao rara mente doze meses. Entretanto, o paga

mento já estava feito em cruzeiros e

à livre disposição dos acioni.stas e debenturistas, que, às vezes, preferiam reinvestir o dinheiro ou utiliza-lo para

outros fíns. Por conseguinte, é quase

na balança de pagamentos entrajn ou

impossível determinar com precisão o

deveriam

total desses atrasados financeiros.

país, que na sua maior parte ficam centralizados na Delegacia do Tesouro Nacional em Nova York. Já por essa

definido, numa rubrica especial, separa

razão os levantamentos da Carteira de

dos dos créditos contratuais.

Câmbio são inevitavelmente incompletos. Além disso, é claro que, mesmo no re

ção não é fácil, pois ninguém sabe exa

gime mais severo de controle, uma par

tiga dizia, por isso, "balance des

os créditos contratuais c os créditos in-

sujeitas ao controle da Carteira de Câm

cela, mais ou menos ampla, se faz clan destinamente. Mais importantes ainda para a balança de pagamentos são as

países (a tenninologia francesa mais an

não há déficit, nem superávit. Entre

cambiais no Brasil sejam oficialmente

de 1947. Embora tôda.ç as operações

u "saída", ou "receitas" e "despesas" -

bora também cias tenham um sentido

mercadoria.

operações dc crédito, em particular finan.CÍamentos da imjporlação.

te demasiada. Nas estatísticas das Ope rações de câmbio não aparecem senão quando são pagos, e juntamente com os

da pelo Fundo a balança relativa ao ano

Que os dois lados da balança

às autoridades os compromissos de es-

- 1.383

VII. "Swaps" e operaçc3es simbó-

ras.

sejam denominados "ativo" e "passivo",

trangeiro.s não cumpridos. A estatística brasileira, irregularmente publicada, re fere-se a todos os pedidos de câmbio para mercadorias -que já entraram no

+ 2.364

+

sua lógica própria, bem diferente da de outras balanças econômicas e financei

1943

1.050

exercícios anteriores

15

Dic.kstci Econó>.íico

entrar imediatamente como

tamente o total dos atrasados e.xistentes. Há estatísticas do lado americano e do

lado brasileiro que acusam forte diver gência. As americanas ~ publicadas

grandes grupos: as transações reais, que abrangem o intercâmbio de mercado rias e de serviços, e as transações finan

ceiras, ou sejam os movimentos do ca

pital — in\ersões e créditos a curto prazo.

Antigamente, como já mencionamos, o déficit na balança das transações reais

Malgrado todas essas dificuldades e complicações técnicas — e delas mencio namos aqui apenas uma pequena parte

foi pago principalmente em oiux) e prata. Hoje em dia, os pagamentos em prata são insignificantes, e os em ouro, pará a maioria dos países, que não pos suem grandes minas auríferas, igualmen te; no Brasil ocupam em tempo de paz um lugar muito modesto. A compensa

— o conceito básico da balança de pa-

ção de um déficit, na parte da balança

.gamentos é simples e lógico. Mas, tem

que se refere ao comércio exterior vi-

crédito a custo prazo <ni de prazo in

Ainda .sob essa forma, sua contabiliza

tanto, a natureza das entradas e saídas

Superávit e déficit jui balança de pagamentos


16

sível (mercadorias) ou invisível (ser viços), faz-se sobretudo mediante as dis

ponibilidades em divisas, por entrada de capitais ou pela concessão de crédito a

curto prazo. Por outro lado, um supe rávit nas transações reais deve ser con

trabalançado por uma saída de capi tais, seja sob forma de inversões no

exterior, seja por concessão de créditos outros países ou — o que no fundo é o mesmo — por um aumento das dis

ponibilidades em divisas, usualmente de

depósitos em bancos fora do país. Na prática, porém, o total das entra

das quase nunca é igual ao total das

saídas. Fica sempre um aparente supe rávit ou déficit. Na terminologia do Fundo Monetário Internacional - como antes na da Liga das Nações - tais

diferenç-as figuram como "erros e omls.soes", quer dizer são consideradas como imprecisões de ordem estatística ou con tábil. Os altos cléficits cm 1947 e 1949 e o pequeno superávit em 1948, nas

balanças das operações de câmbio são também meramente erros e omissões dásse gênero. Não constituem um dé

ficit ou um superávit real, e, já que nossos recursos em ouro e divisas sofre

ram, durante êsses três anos, apenas ligeiras alterações, deve-se supor que as inversões no país e os créditos em favor do Brasil foram realmente muito maio res de que os quadros indicam.

• Mais a lamentar são certas imprecí-

j

Dicesto Econó.víioÍ)

•sõcs na classificação, em particular na balança relativa ao ano passado. Como já foi demonstrado na mensagem do Presidente da República de 15 de marçy) de 1950, (4), a maior parte das enor mes despesas camliiais com "serviços go vernamentais" não .se refere a ser\ iços,

c sim a transações de capital: amorti zação extraordinária da dívida externa,

disposições cm conexão com a aquisição de estradas de ferro, e .semiObantes objetivos.

Ora. o Brasil não é o único país cujas balanças do câmbio c de paga mentos são ainda imperfeitas.

Me.smo

países muito mais experimentados nesse

domínio apresentam, às vêzcs, balanças completamente impossíveis. Por exem plo, a balança dc pagamentos da In glaterra para o ano de 1947 acusou oin superávit de um milhão de dóla

res! (5). Erros e omissões desse tama

nho reduzem naturalmente muito o valor

da balança e mostram que a técnica da balança de pagamentos ainda se acha cm toda parte na sua fase inicial. . Não

obstante, os progressos já alcançados são notáveis, e o Brasil figura, sem dúvida, entre os países que nos últimos anos

fizeram os maiores esforç-os para conhe (4) "Diário do Congresso Nacional

A reforma bancária e o

problema do crédito Eugênio Gudin

Qukho, antes de tudo, agradecer aos jovens amigos do Centro Acadêmico

A convtíe do Centro Horácio Berlinck,

Horácio Bcrlinck, o convite tão amável

da Facilidade de Ciências Econômicas

e reiterado que me dirigiram e ao qual não pude deixar de aceder. E para mini é sempre um prazer vir

A São Paulo. Enquanto que na Capital da República se sofre a influência de

de

16-3-1950, págs. 1643/44.

(5) "Intematíonal Monetary.' Fund". "Ba lance of Payments Yearbook",. 1938-19461947", (Washington 1949), pág. 348.

de São Paulo, o f• Eugênio Gudin pro feriu, no salão-nobre da Escola de Comércio "Alvares Penteado", a con ferência seguinte:

primente de nossos desgovernos, das façanhas da política personalista, das re

petidas emissões de papel-moeda etc., a fiança no Brasil por um quadro em que

projetos de Banco Central e Reorganiza ção Bancária, que ora pendem de dis cussão no Congresso Nacional. Escolhi

dominam as realizações econômicas e o

esse tema por me parecer que h;í vá

espírito de empreendimento e de pro gresso. Volto sempre reconfortado pelo

rias coisas úteis "a dizer, à margem

contacto vivificunte da energia e capaci

Proponho então, que troquemos idéias sôbre o problema da reforma bancária. Mas receio que nessa troca eu vos de

atmosfera do São Paulo retempera a con

dade realizadora dos paulistas.

Devo dizer também que sou um velho que gosta do convívio dos moços. Paraniniando a turma de economistas da

Faculdade do Rio, de 1949, eu lhes dizia:

"Talvez tenha também contribuído

cerem sua situação cambial.

<7V'

para a vossa escolha, como indica a oração do vosso intérprete, a minha na

dessa discussão.

cepcione, pela espécie de considerações

que tencíono fazer. Não pretendo en trar hoje na discussão dos métodos de política bancária para manter o equilí brio econômico dinâmico, nem dos pro cessos capazes de compensar os fortes impactos de que é, repetidamente, viti

tural afinidade com os moços, pela con

ma nossa economia, por ocasião dos ci

fiança que neles deposito, como pelas

clos de prosperidade e depressão vindos do exterior, a que somos tão vulneráveis.

esperanças que alimento na sua capaci dade de construir o Brasil com que eu sonhara em minha juventude". Foi, pois, com muito prazer que acei tei voss'o convite. Indagando do tema

que desejaríeis que eu versasse, destes preferência a um problema de atualida de. Julguei ent«ão que seria talvez opor tuno dizer-vos alguma coisa sôbre os

Não é sôbre essas complicadas ques tões técnicas que eu pretendo distw-

rer e sim sôbre aspectos de simples senso comum, à margem do problema. Mas é que eu reputo, no caso, êsses aspectos muito mais importantes do que a discus são da melhor técnica de política ban cária.


16

sível (mercadorias) ou invisível (ser viços), faz-se sobretudo mediante as dis

ponibilidades em divisas, por entrada de capitais ou pela concessão de crédito a

curto prazo. Por outro lado, um supe rávit nas transações reais deve ser con

trabalançado por uma saída de capi tais, seja sob forma de inversões no

exterior, seja por concessão de créditos outros países ou — o que no fundo é o mesmo — por um aumento das dis

ponibilidades em divisas, usualmente de

depósitos em bancos fora do país. Na prática, porém, o total das entra

das quase nunca é igual ao total das

saídas. Fica sempre um aparente supe rávit ou déficit. Na terminologia do Fundo Monetário Internacional - como antes na da Liga das Nações - tais

diferenç-as figuram como "erros e omls.soes", quer dizer são consideradas como imprecisões de ordem estatística ou con tábil. Os altos cléficits cm 1947 e 1949 e o pequeno superávit em 1948, nas

balanças das operações de câmbio são também meramente erros e omissões dásse gênero. Não constituem um dé

ficit ou um superávit real, e, já que nossos recursos em ouro e divisas sofre

ram, durante êsses três anos, apenas ligeiras alterações, deve-se supor que as inversões no país e os créditos em favor do Brasil foram realmente muito maio res de que os quadros indicam.

• Mais a lamentar são certas imprecí-

j

Dicesto Econó.víioÍ)

•sõcs na classificação, em particular na balança relativa ao ano passado. Como já foi demonstrado na mensagem do Presidente da República de 15 de marçy) de 1950, (4), a maior parte das enor mes despesas camliiais com "serviços go vernamentais" não .se refere a ser\ iços,

c sim a transações de capital: amorti zação extraordinária da dívida externa,

disposições cm conexão com a aquisição de estradas de ferro, e .semiObantes objetivos.

Ora. o Brasil não é o único país cujas balanças do câmbio c de paga mentos são ainda imperfeitas.

Me.smo

países muito mais experimentados nesse

domínio apresentam, às vêzcs, balanças completamente impossíveis. Por exem plo, a balança dc pagamentos da In glaterra para o ano de 1947 acusou oin superávit de um milhão de dóla

res! (5). Erros e omissões desse tama

nho reduzem naturalmente muito o valor

da balança e mostram que a técnica da balança de pagamentos ainda se acha cm toda parte na sua fase inicial. . Não

obstante, os progressos já alcançados são notáveis, e o Brasil figura, sem dúvida, entre os países que nos últimos anos

fizeram os maiores esforç-os para conhe (4) "Diário do Congresso Nacional

A reforma bancária e o

problema do crédito Eugênio Gudin

Qukho, antes de tudo, agradecer aos jovens amigos do Centro Acadêmico

A convtíe do Centro Horácio Berlinck,

Horácio Bcrlinck, o convite tão amável

da Facilidade de Ciências Econômicas

e reiterado que me dirigiram e ao qual não pude deixar de aceder. E para mini é sempre um prazer vir

A São Paulo. Enquanto que na Capital da República se sofre a influência de

de

16-3-1950, págs. 1643/44.

(5) "Intematíonal Monetary.' Fund". "Ba lance of Payments Yearbook",. 1938-19461947", (Washington 1949), pág. 348.

de São Paulo, o f• Eugênio Gudin pro feriu, no salão-nobre da Escola de Comércio "Alvares Penteado", a con ferência seguinte:

primente de nossos desgovernos, das façanhas da política personalista, das re

petidas emissões de papel-moeda etc., a fiança no Brasil por um quadro em que

projetos de Banco Central e Reorganiza ção Bancária, que ora pendem de dis cussão no Congresso Nacional. Escolhi

dominam as realizações econômicas e o

esse tema por me parecer que h;í vá

espírito de empreendimento e de pro gresso. Volto sempre reconfortado pelo

rias coisas úteis "a dizer, à margem

contacto vivificunte da energia e capaci

Proponho então, que troquemos idéias sôbre o problema da reforma bancária. Mas receio que nessa troca eu vos de

atmosfera do São Paulo retempera a con

dade realizadora dos paulistas.

Devo dizer também que sou um velho que gosta do convívio dos moços. Paraniniando a turma de economistas da

Faculdade do Rio, de 1949, eu lhes dizia:

"Talvez tenha também contribuído

cerem sua situação cambial.

<7V'

para a vossa escolha, como indica a oração do vosso intérprete, a minha na

dessa discussão.

cepcione, pela espécie de considerações

que tencíono fazer. Não pretendo en trar hoje na discussão dos métodos de política bancária para manter o equilí brio econômico dinâmico, nem dos pro cessos capazes de compensar os fortes impactos de que é, repetidamente, viti

tural afinidade com os moços, pela con

ma nossa economia, por ocasião dos ci

fiança que neles deposito, como pelas

clos de prosperidade e depressão vindos do exterior, a que somos tão vulneráveis.

esperanças que alimento na sua capaci dade de construir o Brasil com que eu sonhara em minha juventude". Foi, pois, com muito prazer que acei tei voss'o convite. Indagando do tema

que desejaríeis que eu versasse, destes preferência a um problema de atualida de. Julguei ent«ão que seria talvez opor tuno dizer-vos alguma coisa sôbre os

Não é sôbre essas complicadas ques tões técnicas que eu pretendo distw-

rer e sim sôbre aspectos de simples senso comum, à margem do problema. Mas é que eu reputo, no caso, êsses aspectos muito mais importantes do que a discus são da melhor técnica de política ban cária.


I II l limpi Wll

'-'IW

I

DiGESTO EcONÓNfTCO

18

Sim, porque tenho a impressão de que o Congresso discute um projeto de ban cos para Sirius ou para Marte e não para o Brasil dos dias de hoje, com 38 graus de febre ínflacionista de cará ter endêmico, que vem minando o or ganismo econômico do país desde 1934. Vamos raciocinar um pouco. Para que o Banco Central? Diz o art. 41,

do projeto: "É instituído o Banco Central do Bra

sil, que tem por fim: a) Adaptar os meios de pagamento e o crédito às atividades econômicas, de

modo a promover o desenvolvimento orderuido da economia nacional". (Os grifos são meus). Ora, pergunto: como será possível ao Banco Central "regular a quantidade de meios de pagamento", se o Governo

Federal parece não poder viver sem

trativa, capaz do permitir o seu fiineionamento eficaz.

É oportuno citar aqiii, a èsse respeito, um comentíirio de Ilawtrey, cm seu livro "Art of Central Banking" (pág. 267): "Se os diretores do Banco Central são

pessoas de prudência o integridade (condições que dincilmentc podem ser preenchidas num país cm que cléficits orçamentários crônicos são tolerados), êlos insistirão por reformas orçamentá rias como uma condição prévia e ne cessária para conceder adiantamentos ao Governo. (...)

fin:Vnceira não .são deploràvel-

mcnte bai.\os. não tolerará uma snccs-

-são de déficits. Os déficits serão sempre ocasionais. A não ser um acontecimento

extraordinário, como um terremoto, uma

inundação, uma guerra ou uma revolu ção, o governo nunca será um agente

emitir cerca de um milhão de contos,

perturbador das finanças nacionais ca

em média, por ano?

paz de provocar a inflação".

Em vinte anos,

de 1930 a 1950, 20 milhões de

Vê-se, portanto, <pie o pro blema do Brasil é muito mais

contos foram emitidos.

O primeiro dever do Banco Central

seria

o

de

elementar do que o da organi zação do Banco Central. E' o

estancar

oi'. mu dos puuco.-i países em que o to tal da.s despesas go\ernamentais excede a receita dos impostos.

O orçamento

federal brasileiro engloba grande núniens dc itens (pie devem ser classifica dos, não nu conta de custeio das des-

pe.sas ordinárias de governo e sim na

conta, de Capital, isto ê. do aumento da riqueza e do patrimônio nacionais. Se ria, portanto, perfeitamente normal que as despesas c<im as no\a.s obras públicas fossem cobertas com o produto da ven

da de título.s emitidos pelo Governo Fe deral.

"Um país i:m ([ue os padrões de prudênci:'.

19

D'.uk.st(i EcaíNÔ.Mico

Nos países de mercado monetário organi2u\d(;, a cobertura do déficit orça mentário é feita a princípio por títulos a curto prazo. letra.s ou bônus do Te souro. que são geralmente absorvidos pelos bancos, sem inflação de crédito. E' a chamada dí\ida flutuante, a qual passa a ser consolidada, de quando em vez, pela substituição das lctra.s do Te.souro por títulos a longo prazo, apólices ou obrigações do Tesouro, como são co nhecidos entre nós.

A Dívida Pública interna do Brasil é

viços governamentais, que são cobertas pelos impostos, e o da conta patrimo nial, da conta de capital, corresponden te a novas obras públicas, cujos recur

sos são providos pela emissão e venda de obrigações do Tesouro.

E jxir que não se pratica no Brasil esse método racional de prover os re

cursos para as obras públicas ? Por uma razão muito simples. E' que

inflação quer dizer preços em alta e a

preços em elevação correspondem, co mo sabeis, taxas de juro elevadas. E a e.ssas ta.\as não é possível ao Govêmo colocar seus títulos, sem desmoralizar o crédito público.

Fazendo uma pequenina digressão pe

lo campo da técnica monetária, eu te nho proposto uma distinção entre moeda de ação direta e moeda de ação indireta. A moeda de ação direta é a que é utili

zada nas despesas correntes do consumo e do investimento que contribuem pa ra a formação da renda nacional. Nas fases de abundância monetária, quando

o;: preços mostram tendência a subir, quando se espera vender amanhã por

quai.squer novas emissões. Te

problema da elevação dos pa

muito moderada; é inferior ao orçamen

ríamos, pois, de início, a colisão

drões de ordem financeira e

to federal de um ano. Não há nenhum

preço mais alto do que se compra hoje, os negócios se animam, as necessidades

mal, portanto, em que a aumentemos, dentro dos limites da capacidade de ab

empréstimos se avoluma, as reservas

"Para

administrativa, capaz de eliminar, eni

que, então o Banco Central?" — dizia eu, em recente oração a professores e

tempo normal, os déficits orçamentáribs e as conseqüentes emissões de papel-

sorção do mercado de títulos do Tesou

bancárias escasseiam e as taxas de juros

alunos da Faculdade do Rio. — "Para

moeda, radicalmente incompatíveis com

ro, sem queda indevida de sua cotação.

sobem.

desmoralizá-Io de início, fazendo-o emi

a existência de um Banco Central.

As economias coletivas (de Institutos de Previdência Social, de Caixas Econômi

entre Governo e Banco Central.

tir para o Governo e para os salários,

que no Brasil passaram a ser ditados por tribunais de juristas? Bendita resistên

o

ft

o

cas, de Companhias de Seguro e Capi talização), assim como as economias in dividuais, devem normalmente absorver

cia da Comissão de Finanças que permi

E já que passamos do problema do

tiu aguardar melhores dias para a orga

Banco Central "para o plano elementar

os títulos do Tesouro em razoável pro

nização do Banco Central".

dos déficits orçamentários, permitam-me

porção.

Não pode ter um Banco Central quem quer e sim quem já atingiu um padrão mínimo de ordem financeira e adminis

algumas considerações relativas a esses déficits.

O Brasil está longe de ser o único

Países liá,' como a Suécia, por e.xem-

plo, em que há dois orçamentos para lelos: o das despesas de custeio dos ser

do dinheiro aumentam, a procura dos

Dá-se, então,

um círculo vicioso.

Não podendo, a essas taxas, recorrer à x-enda de apólices e obrigações, o Gover no cobre os déficits orçamentários com

emissões de papel-moeda. A inflação conseqüente intensifica a procura de di nheiro e faz subir ainda mais as taxas

de juros. O Govêmo vê-se, assim, im possibilitado de colocar nò mercado os

títulos necessários para cobrir as despe-


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DiGESTO EcONÓNfTCO

18

Sim, porque tenho a impressão de que o Congresso discute um projeto de ban cos para Sirius ou para Marte e não para o Brasil dos dias de hoje, com 38 graus de febre ínflacionista de cará ter endêmico, que vem minando o or ganismo econômico do país desde 1934. Vamos raciocinar um pouco. Para que o Banco Central? Diz o art. 41,

do projeto: "É instituído o Banco Central do Bra

sil, que tem por fim: a) Adaptar os meios de pagamento e o crédito às atividades econômicas, de

modo a promover o desenvolvimento orderuido da economia nacional". (Os grifos são meus). Ora, pergunto: como será possível ao Banco Central "regular a quantidade de meios de pagamento", se o Governo

Federal parece não poder viver sem

trativa, capaz do permitir o seu fiineionamento eficaz.

É oportuno citar aqiii, a èsse respeito, um comentíirio de Ilawtrey, cm seu livro "Art of Central Banking" (pág. 267): "Se os diretores do Banco Central são

pessoas de prudência o integridade (condições que dincilmentc podem ser preenchidas num país cm que cléficits orçamentários crônicos são tolerados), êlos insistirão por reformas orçamentá rias como uma condição prévia e ne cessária para conceder adiantamentos ao Governo. (...)

fin:Vnceira não .são deploràvel-

mcnte bai.\os. não tolerará uma snccs-

-são de déficits. Os déficits serão sempre ocasionais. A não ser um acontecimento

extraordinário, como um terremoto, uma

inundação, uma guerra ou uma revolu ção, o governo nunca será um agente

emitir cerca de um milhão de contos,

perturbador das finanças nacionais ca

em média, por ano?

paz de provocar a inflação".

Em vinte anos,

de 1930 a 1950, 20 milhões de

Vê-se, portanto, <pie o pro blema do Brasil é muito mais

contos foram emitidos.

O primeiro dever do Banco Central

seria

o

de

elementar do que o da organi zação do Banco Central. E' o

estancar

oi'. mu dos puuco.-i países em que o to tal da.s despesas go\ernamentais excede a receita dos impostos.

O orçamento

federal brasileiro engloba grande núniens dc itens (pie devem ser classifica dos, não nu conta de custeio das des-

pe.sas ordinárias de governo e sim na

conta, de Capital, isto ê. do aumento da riqueza e do patrimônio nacionais. Se ria, portanto, perfeitamente normal que as despesas c<im as no\a.s obras públicas fossem cobertas com o produto da ven

da de título.s emitidos pelo Governo Fe deral.

"Um país i:m ([ue os padrões de prudênci:'.

19

D'.uk.st(i EcaíNÔ.Mico

Nos países de mercado monetário organi2u\d(;, a cobertura do déficit orça mentário é feita a princípio por títulos a curto prazo. letra.s ou bônus do Te souro. que são geralmente absorvidos pelos bancos, sem inflação de crédito. E' a chamada dí\ida flutuante, a qual passa a ser consolidada, de quando em vez, pela substituição das lctra.s do Te.souro por títulos a longo prazo, apólices ou obrigações do Tesouro, como são co nhecidos entre nós.

A Dívida Pública interna do Brasil é

viços governamentais, que são cobertas pelos impostos, e o da conta patrimo nial, da conta de capital, corresponden te a novas obras públicas, cujos recur

sos são providos pela emissão e venda de obrigações do Tesouro.

E jxir que não se pratica no Brasil esse método racional de prover os re

cursos para as obras públicas ? Por uma razão muito simples. E' que

inflação quer dizer preços em alta e a

preços em elevação correspondem, co mo sabeis, taxas de juro elevadas. E a e.ssas ta.\as não é possível ao Govêmo colocar seus títulos, sem desmoralizar o crédito público.

Fazendo uma pequenina digressão pe

lo campo da técnica monetária, eu te nho proposto uma distinção entre moeda de ação direta e moeda de ação indireta. A moeda de ação direta é a que é utili

zada nas despesas correntes do consumo e do investimento que contribuem pa ra a formação da renda nacional. Nas fases de abundância monetária, quando

o;: preços mostram tendência a subir, quando se espera vender amanhã por

quai.squer novas emissões. Te

problema da elevação dos pa

muito moderada; é inferior ao orçamen

ríamos, pois, de início, a colisão

drões de ordem financeira e

to federal de um ano. Não há nenhum

preço mais alto do que se compra hoje, os negócios se animam, as necessidades

mal, portanto, em que a aumentemos, dentro dos limites da capacidade de ab

empréstimos se avoluma, as reservas

"Para

administrativa, capaz de eliminar, eni

que, então o Banco Central?" — dizia eu, em recente oração a professores e

tempo normal, os déficits orçamentáribs e as conseqüentes emissões de papel-

sorção do mercado de títulos do Tesou

bancárias escasseiam e as taxas de juros

alunos da Faculdade do Rio. — "Para

moeda, radicalmente incompatíveis com

ro, sem queda indevida de sua cotação.

sobem.

desmoralizá-Io de início, fazendo-o emi

a existência de um Banco Central.

As economias coletivas (de Institutos de Previdência Social, de Caixas Econômi

entre Governo e Banco Central.

tir para o Governo e para os salários,

que no Brasil passaram a ser ditados por tribunais de juristas? Bendita resistên

o

ft

o

cas, de Companhias de Seguro e Capi talização), assim como as economias in dividuais, devem normalmente absorver

cia da Comissão de Finanças que permi

E já que passamos do problema do

tiu aguardar melhores dias para a orga

Banco Central "para o plano elementar

os títulos do Tesouro em razoável pro

nização do Banco Central".

dos déficits orçamentários, permitam-me

porção.

Não pode ter um Banco Central quem quer e sim quem já atingiu um padrão mínimo de ordem financeira e adminis

algumas considerações relativas a esses déficits.

O Brasil está longe de ser o único

Países liá,' como a Suécia, por e.xem-

plo, em que há dois orçamentos para lelos: o das despesas de custeio dos ser

do dinheiro aumentam, a procura dos

Dá-se, então,

um círculo vicioso.

Não podendo, a essas taxas, recorrer à x-enda de apólices e obrigações, o Gover no cobre os déficits orçamentários com

emissões de papel-moeda. A inflação conseqüente intensifica a procura de di nheiro e faz subir ainda mais as taxas

de juros. O Govêmo vê-se, assim, im possibilitado de colocar nò mercado os

títulos necessários para cobrir as despe-


» iMid,^

Diorsto Ec< >NÓM1C0

20

sas cm obras públicas. E recorre, nova mente, à emissão de papel-moeda, num

juros superior a 3 pontos abaixo da ta

dência da Moeda c do Crédito, e que

interminável círculo vicio.so.

xa de rcdesc-onto do Banco Central; e

Chegamos, então, à conclusão de que, antes de pensar no Banco Central, pre

por depósitos a prazo, um ponto abaixo

importa tornar efetiva. Sc o Banco Central passa a ser o Banco dos Bancos, re.sponsável pela so lidez do sistema bancilrio do país, como

pagar por depósitos a \'i.sta uma taxa de

dessa taxa. A.ssim, so a taxa de redes

ca que há vinte anos nos corrói o orga

conto do Banco Central era c\c 5%, ne nhum banco podia pagar nuii.s de 2%

nismo econômico.

por depósitos a vista, noin mais de 4%

cisamos livrar-nos da inflação endêmi

Duas medidas complemenlarôs são ainda indispensáveis : Uma é a necessidade de uma lei constitucional que proíba aos Estados ou Municípios a emissão ou venda de títu

los de sua dívida pública a taxas de ju ros efetivas superiores do 2%, digamos, à taxa de rede.sconto do Banco Central E' que, quando a cotação de títulos das grandes unidades da Federação, como São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do

Sul ou Distrito Federal, decai por tal forma que o juro efetivo atinge 9, 10, 12 % ou mais, isso repercute sôbre a co

tação dos títulos federais e torna impos sível a colocação das apólices e obriga ções do Tesouro, conduzindo às repe tidas emissões de papel-moeda.

por depósitos a prazo.

ciais,

não excediam de 164.000 contos.

fracasse de início.

putação os põe acima de qualquer sus

A .providencia capital, que, aliás, não exige lei alguma, c a de estancar a in flação, restabelecendo o equilíbrio or çamentário, fazendo cessar toda o qual quer nova emissão de papel-moeda. Uma vez que assim tenhamos feito ces

peita, opõem-se a essa fi.scalização, tal

ra da comissão.

Mas é indispensável resolver esse pro

segue há quase 20 anos c que, com a

já tenho repetidamente mostrado, emis

colaboração das duas medidas legislati

sores de moeda fiduciária do segundo

vas supra-indicadas, esteja o Govêmo

grau. Os bancos exercem, portanto, uma função pública. Concedendo emprésti- mos, êles criam depósitos e depósitos

Federal em condições de emitir e vender às instituições e ao publico obrigações do Tesouro a uma taxa de juros decen te, poderemos então

pensar em organizar

são meios de pagamento como outros

a de reorganizíição desse serviço para

que o Banco Central dèle se possa utili zar, de início.

E' indispensável também que ao Ban co Central sejam dados poderes de orien bancos comerciais. Não se trata aí de invadir as atribuições privativas dèsses

ções nece.ssárias ao exercício de uma

Sem isso, o Banco será arrastado, de iní

fiscalização bancária efetiva.

cio, pela corrente7.a

bancos ainda era razoavelmente limita

da inflação.

do, de maneira a tornar possível um co nhecimento satisfatório da.s operações

facilitai' o crédito a determinados setores

de cada um. Hoje, porém, êles se cpn-

nados.

tam por centenas; multiplicaram-se co mo cogumelos ao tempo da Ditadura e festejaram essa proliferação com um banquete de 300 perus no Teatro Muni

ponto também preliminar à instalação

n Outro setor da nos economia e das

Até liá dez anos atrás, o número de

banco seria permitido

fiscalização bancária,

vada, na mesma hora em que seus dire

estabele

Essa fiscalização é forçosamente um

dos órgãos que hão de ser transferidos ao novo Banco Central. Uma das pri meiras providências a tomar, portanto, é

tação do crédito a ser distribuído pelos

co Central, é o da

1935

dor. pela Caixa de Mobilização Ban cária.

xar de dar ao Banco Central as atribui

ceu que a nenhum

de

vocar o vulto dos empréstimos concedi-

quaisquer. Não há, portanto, como dei

cipal. A conseqüência é que são hoje inúmeros os balanços de bancos que o público lê sem a menor confiança, ba lanços que às vêze.s acusam Caixa ele

é que a lei argentina

Se fosse preciso aduzir mais argumen tos em favor da necessidade de uma fis calização bancária efetiva, bastaria in

o Banco Central.

nossas finanças que im^jorta reorganizar, antes de pôr em

Assim

suficiente do funcionários fiscais à altu

blema. Os banc<ís comerciais são, como

superiores

determinados.

vez também com o receio implícito da dificuldade de encontrar-se um número

sar a desordem financeira que nos per

sa

níveis

contos. Note-se que até o último ano da

ciência da aluai fiscalização é o de que

ou a prazo, de taxas a

O último-relatório do presidente do Banco do Brasil veio tomar públicos os algarismos dos empréstimos concedidos por essa Caixa no valor de 2.178.000

os bancos de primeira ordem, cuja re

econô

micas, etc., o paga mento de juros aos depositantes à vista

argumentos com que fre

dosa Caixa de Mobilização Bancária.

Banco Central, se não queremos que èle

comer

caixas

Um dos

solicitam as graças da benfazeja e cari

devemos cuidar antes de organiziir o

também

bancos

poderá ele funcionar desprovido de uma fiscalização bancária eficiente ?

tores tratam de arrancar uma extensão

do volume dos redescontos, quando não

Ditadura, 1945, aqueles empréstimos

indispensável é de uma lei que proíba aos

atualmente exercida pela Superinten

qüentemente se e.xplica a grande defi

Êsses c que são os problemas de que

Outra providência preliminar

21

píCKSTo Econômico

funcionamento o Ban

bancos, ditando-lhes a quem devem e

a quem não devem emprestar, e sim apenas de recomendações no sentido de o de restringi-lo a outros- já inflacio-

Vamos, agora, tratar de um outro do Banco Central, até porque èle diz

respeito ao problema da criação dos ou tros grandes bancos que, segundo o mo numental projeto do govêrno, deveriam constituir o cortejo do Banco Central:


» iMid,^

Diorsto Ec< >NÓM1C0

20

sas cm obras públicas. E recorre, nova mente, à emissão de papel-moeda, num

juros superior a 3 pontos abaixo da ta

dência da Moeda c do Crédito, e que

interminável círculo vicio.so.

xa de rcdesc-onto do Banco Central; e

Chegamos, então, à conclusão de que, antes de pensar no Banco Central, pre

por depósitos a prazo, um ponto abaixo

importa tornar efetiva. Sc o Banco Central passa a ser o Banco dos Bancos, re.sponsável pela so lidez do sistema bancilrio do país, como

pagar por depósitos a \'i.sta uma taxa de

dessa taxa. A.ssim, so a taxa de redes

ca que há vinte anos nos corrói o orga

conto do Banco Central era c\c 5%, ne nhum banco podia pagar nuii.s de 2%

nismo econômico.

por depósitos a vista, noin mais de 4%

cisamos livrar-nos da inflação endêmi

Duas medidas complemenlarôs são ainda indispensáveis : Uma é a necessidade de uma lei constitucional que proíba aos Estados ou Municípios a emissão ou venda de títu

los de sua dívida pública a taxas de ju ros efetivas superiores do 2%, digamos, à taxa de rede.sconto do Banco Central E' que, quando a cotação de títulos das grandes unidades da Federação, como São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do

Sul ou Distrito Federal, decai por tal forma que o juro efetivo atinge 9, 10, 12 % ou mais, isso repercute sôbre a co

tação dos títulos federais e torna impos sível a colocação das apólices e obriga ções do Tesouro, conduzindo às repe tidas emissões de papel-moeda.

por depósitos a prazo.

ciais,

não excediam de 164.000 contos.

fracasse de início.

putação os põe acima de qualquer sus

A .providencia capital, que, aliás, não exige lei alguma, c a de estancar a in flação, restabelecendo o equilíbrio or çamentário, fazendo cessar toda o qual quer nova emissão de papel-moeda. Uma vez que assim tenhamos feito ces

peita, opõem-se a essa fi.scalização, tal

ra da comissão.

Mas é indispensável resolver esse pro

segue há quase 20 anos c que, com a

já tenho repetidamente mostrado, emis

colaboração das duas medidas legislati

sores de moeda fiduciária do segundo

vas supra-indicadas, esteja o Govêmo

grau. Os bancos exercem, portanto, uma função pública. Concedendo emprésti- mos, êles criam depósitos e depósitos

Federal em condições de emitir e vender às instituições e ao publico obrigações do Tesouro a uma taxa de juros decen te, poderemos então

pensar em organizar

são meios de pagamento como outros

a de reorganizíição desse serviço para

que o Banco Central dèle se possa utili zar, de início.

E' indispensável também que ao Ban co Central sejam dados poderes de orien bancos comerciais. Não se trata aí de invadir as atribuições privativas dèsses

ções nece.ssárias ao exercício de uma

Sem isso, o Banco será arrastado, de iní

fiscalização bancária efetiva.

cio, pela corrente7.a

bancos ainda era razoavelmente limita

da inflação.

do, de maneira a tornar possível um co nhecimento satisfatório da.s operações

facilitai' o crédito a determinados setores

de cada um. Hoje, porém, êles se cpn-

nados.

tam por centenas; multiplicaram-se co mo cogumelos ao tempo da Ditadura e festejaram essa proliferação com um banquete de 300 perus no Teatro Muni

ponto também preliminar à instalação

n Outro setor da nos economia e das

Até liá dez anos atrás, o número de

banco seria permitido

fiscalização bancária,

vada, na mesma hora em que seus dire

estabele

Essa fiscalização é forçosamente um

dos órgãos que hão de ser transferidos ao novo Banco Central. Uma das pri meiras providências a tomar, portanto, é

tação do crédito a ser distribuído pelos

co Central, é o da

1935

dor. pela Caixa de Mobilização Ban cária.

xar de dar ao Banco Central as atribui

ceu que a nenhum

de

vocar o vulto dos empréstimos concedi-

quaisquer. Não há, portanto, como dei

cipal. A conseqüência é que são hoje inúmeros os balanços de bancos que o público lê sem a menor confiança, ba lanços que às vêze.s acusam Caixa ele

é que a lei argentina

Se fosse preciso aduzir mais argumen tos em favor da necessidade de uma fis calização bancária efetiva, bastaria in

o Banco Central.

nossas finanças que im^jorta reorganizar, antes de pôr em

Assim

suficiente do funcionários fiscais à altu

blema. Os banc<ís comerciais são, como

superiores

determinados.

vez também com o receio implícito da dificuldade de encontrar-se um número

sar a desordem financeira que nos per

sa

níveis

contos. Note-se que até o último ano da

ciência da aluai fiscalização é o de que

ou a prazo, de taxas a

O último-relatório do presidente do Banco do Brasil veio tomar públicos os algarismos dos empréstimos concedidos por essa Caixa no valor de 2.178.000

os bancos de primeira ordem, cuja re

econô

micas, etc., o paga mento de juros aos depositantes à vista

argumentos com que fre

dosa Caixa de Mobilização Bancária.

Banco Central, se não queremos que èle

comer

caixas

Um dos

solicitam as graças da benfazeja e cari

devemos cuidar antes de organiziir o

também

bancos

poderá ele funcionar desprovido de uma fiscalização bancária eficiente ?

tores tratam de arrancar uma extensão

do volume dos redescontos, quando não

Ditadura, 1945, aqueles empréstimos

indispensável é de uma lei que proíba aos

atualmente exercida pela Superinten

qüentemente se e.xplica a grande defi

Êsses c que são os problemas de que

Outra providência preliminar

21

píCKSTo Econômico

funcionamento o Ban

bancos, ditando-lhes a quem devem e

a quem não devem emprestar, e sim apenas de recomendações no sentido de o de restringi-lo a outros- já inflacio-

Vamos, agora, tratar de um outro do Banco Central, até porque èle diz

respeito ao problema da criação dos ou tros grandes bancos que, segundo o mo numental projeto do govêrno, deveriam constituir o cortejo do Banco Central:


DicESTo Econômico

Banco Hipotecário, Banco do Crédito Rural, Banco de Crédito Industrial,

Banco de Importação e Exportação, Banco de Investimentos, Banco de Res

sinônimo de aiinierito de einpré.stimos

bancários e iwrtanto d(? deposiios ban cários c portanto de meios de [Wgíiincnto.

O ({lie provà\clm''"lo "no ocorre àcjiu'-

seguros.

Nao é de supor (pio òsses bancos se

Ics (jiie tanto reclamam a criação do

riam criados com o único fim dc criar

crédito para esse ou aí|uèle fi,u ô que

empregos. O intuito era naturalmente o

os setores econói"''^'"'"

de fa7/-Ios operar. Ora operar, para «m banco, é conceder empréstimos'. Tratava-se portanto, do projeto de uma

"derconumicam.

Dinheiro lançado boje no setor agrícola

do café oo do anoz, por exemp),,^ p^lo crédito conccdidó a ésse setor, passa, na

vasta expansão de crédito por todos és-

préwima semana, às mãos dos negocian

ses setores indicados nas denominações dos bancos.

tes, dos fabricantes, dos industriais, dos

Pode-se dizer que isso foi simples mente um projeto do ministro da Fazen

da de então e (jue muitas ve7.e.s os mi nistros dessa pasta são de uma grande

ignorância geral, mas especialÍ7,ada cm assuntos econômicos. Mas não bá tal. A

idéia que transparece nesse projeto do ministro e u mesma que diariamente en contramos nas entrevistas aos jornais, em pareceres da Comissão de Finanças, nos manifestos das associações de classe.

transportes, da "Ligbt , do fi.sco etc.,

espalhando-se pela economia do país afora. Não (' possível compartinwntar a crédito e o dinheiro. E'"ma (ineslão niuito estudada e conliec-icla dos eeono-

mi.sfas. a qual aliás traz grandes embara ços à política dc combate às depressões

regionais como às depressões de países eni que a conjuntura econômica está muito ligada ao balanço de pagamen

tos. No primeiro caso. do uma depres são que .sô atinge uma certa area eco

buindo-se à sua falta a deficiência da

nômica do país enquanto as demais es tão em pleno emprêgo, "âo se pode dar unia injeção de crédito para estimular a

produção. Ao ouvir ê.sses reclamos, pa

atividade na

rece que no Brasil atual se está come

isso repercuta desde logo sobre a.s de-

Reclama-se, de todos os lados, o crédito para essas atividades legítimas, atri

tendo o crime do desemprego em mas sa dos fatores de produção (operários,

mai.s regiões.

área deprimicla sem que

O mesmo acontece no

23

Dicesto Econômico

how"), e não com papel pintado ou

da. e portanto (cm situação de pleno emprego) de inflação. Ora, por grande.s que sejam as diver gências entre o.s nossos entendidos em matéria econômica, creio que bá hoje

dade limitada. Quando eles estão quase

unanimidade — "et pour causo" — em reconhecer a imprescindível necessidade

todos aproveitados (todos é impossível pela falta de complementaridade exata),

de estancar a inflação.

isto é quando a situação é de pleno em prego, não bá mais como incrementar a

Aqueles que acham'que o nosso mal

crédito bancíirio.

E êsses fatôres de produção, aqui co

mo em qualquer parte, são em quanti

está na falta e escassez dc crédito, con

produção, senão aumentando de um la

vido a considerar os seguintes algaris-

do para diminuir de outro. Não bá no ção que eu me tenha tanto e.sforçado

mo.s comparativos qu(í me foram dados pela direção do excelente periódico "Conjuntura Econômica". Para uma renda nacional dc cerca de 220 biliões

do dólares em 19-19, montava em fins

dêsse ano. nos Estados Unidos, o total

dos empréstimos bancários a 13.4 biliões de dólares. Cêrca de 6 por cento por tanto de relação entre o crédito e a ren

para difundir como essa.

Não liá inflação (alta de preços) se

não depois dc atingido o pleno emprêgo. Enquanto bá mão-de-obra, energia, transporte e maquinaria desemprega dos, aguardando aplicação, isto é, en

quanto" a situaç\áo ê de subemprego. a criação de meios de pagamento adicio

da nacional. No Brasil, para uma ren

nais não faz subir os preços. Temos em

da nacional nas cercanias de 150 bi

nosso próprio país um exemplo flagran te: na forte depressão econômica de

liões de cruzeiros, o total de emprésti mos, em dezembro de 1949 (na base dos

70 maiores bancos que representam 85 por cento do total) era de 44 biliões dc cruzeiros, com exclusão de emprésti

1930 a 1934, os meios de pagamento aumentaram de cêrca de 50 por cento^

mos a indivíduos e firmas individuais (o

(de 5 para 8 biliões dc cruzeiros) enquanto os índices de fyreços acusavam uma ligeira baixa, ao invés dc alta.

que elevaria o algarismo a 53.2 biliões). Cêrca de 30 por cento portanto de rela

madas classes produtoras dessa noção de

ção entre o crédito e a renda nacional,

pleno emprêgo, \'em de que o panora

A dificuldade de convencer as cha

5 vêzes mais que nos Estados Unidos,

ma natural de cada chefe de empresa é

país onde o crédito é muito bem orga

o campo de suas próprias atividades.

nizado.

Êle não vive a compulsar estatísticas da economia do país em conjunto, nem

Estamos positivamente no ridículo I

caso de depressão em países de econo mia muito ligada ao balanço de paga mentos; a política chamada de gasto.s compensatórios é dificilmente piaticável

Falando a estudantes de Economia

nestes países porque ela repercute, sem

cabeça dos nossos "entendidos" em as

suntos econômicos é a noção de que

economistas.

havendo dinheiro sempre é possível rea lizar novos empreendimentos que (Xintribuein para a criação de riqueza. Ora

que há dificuldades de obter pessoal, de que os salários estão subindo por causa dessa dificuldade, de que há falta de

energia, transportes, etc.) pelo simples pavor de uma expansão de crédito.

O que urge, sobretudo, txincertar na

a analisar a conjuntura, como fazem os Êles vão até reconhecer

tar de teoria bancária de que "emprés

demora, na agravação do déficit do ba lanço de pagamentos. A mesma dificul

timos criam depó.sitos" nem o mais ele

dade se encontra ao querer pôr em pra

mentar

tica uma política de crédito seletivo. Em suma, crédito injetado, em qiiaUjuer se

a riqueza se cria é com fatores de pro

íransportes pu de energia,

tor da economia redunda em aumento

compreender que isso tudo são índices patentes de que a conjuntura econômi

ca já ultrapassou o pleno emprêgo, que

não preciso lembrar o preceito elemen ainda de que "depósitos são

meios de pagamento". Quando portanto,

se fala em expansão de crédito para es se ou para aquele fim, dos mais louvá

de depósitos, isto é de meios de paga

dução (mão-de-obra simples e especia lizada, energia, transportes, matérias-

veis, é preciso não esquecer que isso é

mento, isto é de emissão de papel-moe-

primas e, "last but not least, "know-

mas daí a


DicESTo Econômico

Banco Hipotecário, Banco do Crédito Rural, Banco de Crédito Industrial,

Banco de Importação e Exportação, Banco de Investimentos, Banco de Res

sinônimo de aiinierito de einpré.stimos

bancários e iwrtanto d(? deposiios ban cários c portanto de meios de [Wgíiincnto.

O ({lie provà\clm''"lo "no ocorre àcjiu'-

seguros.

Nao é de supor (pio òsses bancos se

Ics (jiie tanto reclamam a criação do

riam criados com o único fim dc criar

crédito para esse ou aí|uèle fi,u ô que

empregos. O intuito era naturalmente o

os setores econói"''^'"'"

de fa7/-Ios operar. Ora operar, para «m banco, é conceder empréstimos'. Tratava-se portanto, do projeto de uma

"derconumicam.

Dinheiro lançado boje no setor agrícola

do café oo do anoz, por exemp),,^ p^lo crédito conccdidó a ésse setor, passa, na

vasta expansão de crédito por todos és-

préwima semana, às mãos dos negocian

ses setores indicados nas denominações dos bancos.

tes, dos fabricantes, dos industriais, dos

Pode-se dizer que isso foi simples mente um projeto do ministro da Fazen

da de então e (jue muitas ve7.e.s os mi nistros dessa pasta são de uma grande

ignorância geral, mas especialÍ7,ada cm assuntos econômicos. Mas não bá tal. A

idéia que transparece nesse projeto do ministro e u mesma que diariamente en contramos nas entrevistas aos jornais, em pareceres da Comissão de Finanças, nos manifestos das associações de classe.

transportes, da "Ligbt , do fi.sco etc.,

espalhando-se pela economia do país afora. Não (' possível compartinwntar a crédito e o dinheiro. E'"ma (ineslão niuito estudada e conliec-icla dos eeono-

mi.sfas. a qual aliás traz grandes embara ços à política dc combate às depressões

regionais como às depressões de países eni que a conjuntura econômica está muito ligada ao balanço de pagamen

tos. No primeiro caso. do uma depres são que .sô atinge uma certa area eco

buindo-se à sua falta a deficiência da

nômica do país enquanto as demais es tão em pleno emprêgo, "âo se pode dar unia injeção de crédito para estimular a

produção. Ao ouvir ê.sses reclamos, pa

atividade na

rece que no Brasil atual se está come

isso repercuta desde logo sobre a.s de-

Reclama-se, de todos os lados, o crédito para essas atividades legítimas, atri

tendo o crime do desemprego em mas sa dos fatores de produção (operários,

mai.s regiões.

área deprimicla sem que

O mesmo acontece no

23

Dicesto Econômico

how"), e não com papel pintado ou

da. e portanto (cm situação de pleno emprego) de inflação. Ora, por grande.s que sejam as diver gências entre o.s nossos entendidos em matéria econômica, creio que bá hoje

dade limitada. Quando eles estão quase

unanimidade — "et pour causo" — em reconhecer a imprescindível necessidade

todos aproveitados (todos é impossível pela falta de complementaridade exata),

de estancar a inflação.

isto é quando a situação é de pleno em prego, não bá mais como incrementar a

Aqueles que acham'que o nosso mal

crédito bancíirio.

E êsses fatôres de produção, aqui co

mo em qualquer parte, são em quanti

está na falta e escassez dc crédito, con

produção, senão aumentando de um la

vido a considerar os seguintes algaris-

do para diminuir de outro. Não bá no ção que eu me tenha tanto e.sforçado

mo.s comparativos qu(í me foram dados pela direção do excelente periódico "Conjuntura Econômica". Para uma renda nacional dc cerca de 220 biliões

do dólares em 19-19, montava em fins

dêsse ano. nos Estados Unidos, o total

dos empréstimos bancários a 13.4 biliões de dólares. Cêrca de 6 por cento por tanto de relação entre o crédito e a ren

para difundir como essa.

Não liá inflação (alta de preços) se

não depois dc atingido o pleno emprêgo. Enquanto bá mão-de-obra, energia, transporte e maquinaria desemprega dos, aguardando aplicação, isto é, en

quanto" a situaç\áo ê de subemprego. a criação de meios de pagamento adicio

da nacional. No Brasil, para uma ren

nais não faz subir os preços. Temos em

da nacional nas cercanias de 150 bi

nosso próprio país um exemplo flagran te: na forte depressão econômica de

liões de cruzeiros, o total de emprésti mos, em dezembro de 1949 (na base dos

70 maiores bancos que representam 85 por cento do total) era de 44 biliões dc cruzeiros, com exclusão de emprésti

1930 a 1934, os meios de pagamento aumentaram de cêrca de 50 por cento^

mos a indivíduos e firmas individuais (o

(de 5 para 8 biliões dc cruzeiros) enquanto os índices de fyreços acusavam uma ligeira baixa, ao invés dc alta.

que elevaria o algarismo a 53.2 biliões). Cêrca de 30 por cento portanto de rela

madas classes produtoras dessa noção de

ção entre o crédito e a renda nacional,

pleno emprêgo, \'em de que o panora

A dificuldade de convencer as cha

5 vêzes mais que nos Estados Unidos,

ma natural de cada chefe de empresa é

país onde o crédito é muito bem orga

o campo de suas próprias atividades.

nizado.

Êle não vive a compulsar estatísticas da economia do país em conjunto, nem

Estamos positivamente no ridículo I

caso de depressão em países de econo mia muito ligada ao balanço de paga mentos; a política chamada de gasto.s compensatórios é dificilmente piaticável

Falando a estudantes de Economia

nestes países porque ela repercute, sem

cabeça dos nossos "entendidos" em as

suntos econômicos é a noção de que

economistas.

havendo dinheiro sempre é possível rea lizar novos empreendimentos que (Xintribuein para a criação de riqueza. Ora

que há dificuldades de obter pessoal, de que os salários estão subindo por causa dessa dificuldade, de que há falta de

energia, transportes, etc.) pelo simples pavor de uma expansão de crédito.

O que urge, sobretudo, txincertar na

a analisar a conjuntura, como fazem os Êles vão até reconhecer

tar de teoria bancária de que "emprés

demora, na agravação do déficit do ba lanço de pagamentos. A mesma dificul

timos criam depó.sitos" nem o mais ele

dade se encontra ao querer pôr em pra

mentar

tica uma política de crédito seletivo. Em suma, crédito injetado, em qiiaUjuer se

a riqueza se cria é com fatores de pro

íransportes pu de energia,

tor da economia redunda em aumento

compreender que isso tudo são índices patentes de que a conjuntura econômi

ca já ultrapassou o pleno emprêgo, que

não preciso lembrar o preceito elemen ainda de que "depósitos são

meios de pagamento". Quando portanto,

se fala em expansão de crédito para es se ou para aquele fim, dos mais louvá

de depósitos, isto é de meios de paga

dução (mão-de-obra simples e especia lizada, energia, transportes, matérias-

veis, é preciso não esquecer que isso é

mento, isto é de emissão de papel-moe-

primas e, "last but not least, "know-

mas daí a


' ''

DiC.KSTf) Ecdnómico

os fatores cie produção estão em leilão

a quem mais der, e sobretudo que a produção não pode mais aumentar por carência de fatores de produção (supon

do constante, em curtos períodos, a pro

dutividade desses fatores), vai um gran de passo que custa a ser transposto. Quando da febre de construções no Rio de Janeiro, nos anos de 1942 a 194fi,

Entretanto esses fatos chr que \ós ou tros,

estudantes de economia,

tendes

perfeito conhecimento, relatados aos "homens práticos", aparcc<'m-lhcs como simples digressões de teóricos. Cada nm sente-se sí-guro de que se lhe derem cré

dito em (juanlidade suficiente, èlc em preenderá (• realizará êsse mundo e o outro.

lizarem em comparação com o tempo

É a panacéia da expansão de crédito a que se filia o projeto original do gru po de bancos que formavam o cortejo

normalmente previsto. Era invariàvelmente, pelo menos o dobro. Cada cons

do Bancí) Central, no projeto primitivo do governo.

dei-me ao trabalho de observar o tem

po que levavam as construções a se rea

trutor se debatia para arranjar operá rios, cimento, ferro, esquadrias, etc.; os

preços subiam nessa disputa, mas a pro

dução não aumentava porque não po dia, naturalmente, aumentar.

E difícil convencer um empreende

dor de que em situação de liiperemprêgo, nada adianta dar dinheiro ou crédito

para empreender isso ou aquilo, porque a nova atividade só se realizará à custa

da redução das atividades preexistentes e da alta de preços. Pode até o em preendedor privado dizer que isso não é de sua conta.

E talvez tenha razão.

Mas é da conta dos economistas e dos homens de Estado.

Dinheiro não realiza nada por si. Di nheiro nada mais é do que "direitos de

haver". São vales que se dão em paga mento de serviços prestados, vales que, "sei disant",

dão "direito"

a receber

Menciímarcmos ainda, para finalizar,

uma outra proposição de política de cré dito que parece ler ulliinamente se in filtrado nos Conselhos do Palácio da ha-

sensíveis.

na base de títulos

representativos de

mercadorias não pode ser prejudici.i .

A proposição é dessas que agradam a todos os que, como eu pT exemplo, es tão visando, antes de tudo, a produção real, ou para usar as palavras de Robertson, estão sempre procurando descerrar o véu monetário, para ver o que atias

dele se passa em termos reais de mer cadorias e serviços.

Mas ela é em boa parte falsa o muito

perigosa. O que se pode dizer e que a

cassos devido

ao excesso da procura,

êles não vão poder efetivar os seus "di reitos" senão em parte e por preço alto.

tral, cujos scrviço.s do estudos econômi

Nessa conjuntura

deve cessar qual

quer expansão de crédito. No tocante ao crédito para "a movi mentação das mercadorias" ou como se

o designa também, para o transporte fi nanceiro da produção já realizada, e

vendida a prazo, a.s facilidades de cré dito devem

ser tanto maiores quanto

mais necessário esteja sendo "o estímulo (segundo as diretivas do Banco Cen tral) à espécie de produção em apreço c tanto menores quanto mais acentuada fôr a alta de preços e mais especulativa

a transação, sem esquecer a conhecida-

proposição de Robertson de quê o cré

dito não deve exceder, em média, à me tade do valor total dos negócios.

Dizer que tôda a mercadoria pronte

para venda ou consumo faz jus ao cré dito por importância correspondente a seu valor equh^aleria a dizer que tôda a edificação pronta para a habitação ou tôda a fazenda em condições de produ

zir fazem jus ao crédito liipotecúrio pelo seu valor. Onde iríamos parar? Tais são, meus caros amigos, os pro

blemas cuja solução me parece dever

preceder a da criação do Banco Central.

Sem o que nos arriscaríamos a um fracasso, que seria tanto mais triste

quanto a instituição já funciona regular mente, em varias Repúblicas da Améri ca do Sul. Na Argentina, há quase vin-

to anos, o Banco Central, organizado por Pinedo e Prebisch, foi um sucesso quase

espetacular; no México funciona com

ba.stante eficiência.

E' claro que quando me refiro a fra casso não quero dizer que o Banco vai falir c sim que não vai colimar nenhum

dos principais objetivos para que foi organizado, nem portanto produzir qual quer benefício para a economia na cional. O benefício seria, unicamente,

nesse caso, o dos novos diretores e fun cionários.

produção, isto é o aproveitamento de fa

deve deixar de ser realizado por falta de financiamento (uma vez, e claro, que o produto tenha procura e que os que

mas se êsses mantimentcs acham-se es

disponíveis". Ora,-nao preciso repelir aqui o que já dis.se há pouco coni relação aos fato res de produção "indisponíveis", isto é ao caso do pleno emprego (ou quase). Pode-sc perguntar : Como pode o ban queiro reconhecer a existência clèsse ple no emprego ? A alta dos preços dos fa tores dc produção pode servir de termô metro para o banqucMio, mas antes disso èlc terá sido avisado pelo Banco Cen

do mercadorias é econòmicamente legí

timo e que portanto o redesconto feito

reito" e "o exercício dêsse direito", bá

posso dar dinheiro aos meus operários

tação deve obedecer aquele objetivo. Nias é ju.stamciite aí que está a ques tão. O credito bancário a curto prazo é um capital de movimento; cie tem por fim "mobilizar os falôres de produção

cos dispõem de termômetros muito mais

tores de produção disjioníveis, nunca

como "direito de haver" pão ou feijão,

visar é o incremenlo da renda nacional

real; o crédito é um corolário cuja orien

xenda. E' a de que todo credito su prido para a produção e movimentação

serviços ec^uivalentes. Mas entre o "di um passo nem sempre fácil a dar. Eu

Dir.iiSTo Eco.nó.mico

se propõem a realizá-lo tenham idonei dade). Em outras palavras, não é ad missível deixar gerar-se a depressão eco nômica, por falta do necessário crédito. A consideração primordial, o objetivo a ... .


' ''

DiC.KSTf) Ecdnómico

os fatores cie produção estão em leilão

a quem mais der, e sobretudo que a produção não pode mais aumentar por carência de fatores de produção (supon

do constante, em curtos períodos, a pro

dutividade desses fatores), vai um gran de passo que custa a ser transposto. Quando da febre de construções no Rio de Janeiro, nos anos de 1942 a 194fi,

Entretanto esses fatos chr que \ós ou tros,

estudantes de economia,

tendes

perfeito conhecimento, relatados aos "homens práticos", aparcc<'m-lhcs como simples digressões de teóricos. Cada nm sente-se sí-guro de que se lhe derem cré

dito em (juanlidade suficiente, èlc em preenderá (• realizará êsse mundo e o outro.

lizarem em comparação com o tempo

É a panacéia da expansão de crédito a que se filia o projeto original do gru po de bancos que formavam o cortejo

normalmente previsto. Era invariàvelmente, pelo menos o dobro. Cada cons

do Bancí) Central, no projeto primitivo do governo.

dei-me ao trabalho de observar o tem

po que levavam as construções a se rea

trutor se debatia para arranjar operá rios, cimento, ferro, esquadrias, etc.; os

preços subiam nessa disputa, mas a pro

dução não aumentava porque não po dia, naturalmente, aumentar.

E difícil convencer um empreende

dor de que em situação de liiperemprêgo, nada adianta dar dinheiro ou crédito

para empreender isso ou aquilo, porque a nova atividade só se realizará à custa

da redução das atividades preexistentes e da alta de preços. Pode até o em preendedor privado dizer que isso não é de sua conta.

E talvez tenha razão.

Mas é da conta dos economistas e dos homens de Estado.

Dinheiro não realiza nada por si. Di nheiro nada mais é do que "direitos de

haver". São vales que se dão em paga mento de serviços prestados, vales que, "sei disant",

dão "direito"

a receber

Menciímarcmos ainda, para finalizar,

uma outra proposição de política de cré dito que parece ler ulliinamente se in filtrado nos Conselhos do Palácio da ha-

sensíveis.

na base de títulos

representativos de

mercadorias não pode ser prejudici.i .

A proposição é dessas que agradam a todos os que, como eu pT exemplo, es tão visando, antes de tudo, a produção real, ou para usar as palavras de Robertson, estão sempre procurando descerrar o véu monetário, para ver o que atias

dele se passa em termos reais de mer cadorias e serviços.

Mas ela é em boa parte falsa o muito

perigosa. O que se pode dizer e que a

cassos devido

ao excesso da procura,

êles não vão poder efetivar os seus "di reitos" senão em parte e por preço alto.

tral, cujos scrviço.s do estudos econômi

Nessa conjuntura

deve cessar qual

quer expansão de crédito. No tocante ao crédito para "a movi mentação das mercadorias" ou como se

o designa também, para o transporte fi nanceiro da produção já realizada, e

vendida a prazo, a.s facilidades de cré dito devem

ser tanto maiores quanto

mais necessário esteja sendo "o estímulo (segundo as diretivas do Banco Cen tral) à espécie de produção em apreço c tanto menores quanto mais acentuada fôr a alta de preços e mais especulativa

a transação, sem esquecer a conhecida-

proposição de Robertson de quê o cré

dito não deve exceder, em média, à me tade do valor total dos negócios.

Dizer que tôda a mercadoria pronte

para venda ou consumo faz jus ao cré dito por importância correspondente a seu valor equh^aleria a dizer que tôda a edificação pronta para a habitação ou tôda a fazenda em condições de produ

zir fazem jus ao crédito liipotecúrio pelo seu valor. Onde iríamos parar? Tais são, meus caros amigos, os pro

blemas cuja solução me parece dever

preceder a da criação do Banco Central.

Sem o que nos arriscaríamos a um fracasso, que seria tanto mais triste

quanto a instituição já funciona regular mente, em varias Repúblicas da Améri ca do Sul. Na Argentina, há quase vin-

to anos, o Banco Central, organizado por Pinedo e Prebisch, foi um sucesso quase

espetacular; no México funciona com

ba.stante eficiência.

E' claro que quando me refiro a fra casso não quero dizer que o Banco vai falir c sim que não vai colimar nenhum

dos principais objetivos para que foi organizado, nem portanto produzir qual quer benefício para a economia na cional. O benefício seria, unicamente,

nesse caso, o dos novos diretores e fun cionários.

produção, isto é o aproveitamento de fa

deve deixar de ser realizado por falta de financiamento (uma vez, e claro, que o produto tenha procura e que os que

mas se êsses mantimentcs acham-se es

disponíveis". Ora,-nao preciso repelir aqui o que já dis.se há pouco coni relação aos fato res de produção "indisponíveis", isto é ao caso do pleno emprego (ou quase). Pode-sc perguntar : Como pode o ban queiro reconhecer a existência clèsse ple no emprego ? A alta dos preços dos fa tores dc produção pode servir de termô metro para o banqucMio, mas antes disso èlc terá sido avisado pelo Banco Cen

do mercadorias é econòmicamente legí

timo e que portanto o redesconto feito

reito" e "o exercício dêsse direito", bá

posso dar dinheiro aos meus operários

tação deve obedecer aquele objetivo. Nias é ju.stamciite aí que está a ques tão. O credito bancário a curto prazo é um capital de movimento; cie tem por fim "mobilizar os falôres de produção

cos dispõem de termômetros muito mais

tores de produção disjioníveis, nunca

como "direito de haver" pão ou feijão,

visar é o incremenlo da renda nacional

real; o crédito é um corolário cuja orien

xenda. E' a de que todo credito su prido para a produção e movimentação

serviços ec^uivalentes. Mas entre o "di um passo nem sempre fácil a dar. Eu

Dir.iiSTo Eco.nó.mico

se propõem a realizá-lo tenham idonei dade). Em outras palavras, não é ad missível deixar gerar-se a depressão eco nômica, por falta do necessário crédito. A consideração primordial, o objetivo a ... .


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na.s (purun-afinis). Essa variedade de cHinstiluinlcs é que

S. Fróes Abreu

Na atual fase de desenvolvimento indus

trial não se-pode viver confortàvclmente

caçoe.s, surgindo de ano para ano, à

tros animais, veio revelar, já no início

inúmeros derivados do petróleo.

da sua c.xploraçãü indu.slrial, o caráter

absolutamente exagerado afirmar-se que

eminentemente expansionista da indús

o petróleo é a matéria-prima mais essen

tria do petróleo.

cial a um país civilizado e devemos con cordar com Kalichevsky (') que "o petróleo é provavelmente a substância

mais importante no mundo de Hoje, logo

depois das que são necessárias para sustentar a própria vida". Daí o inte resse mundial pelo petróleo, daí os re

quintes da técnica de pesquisa, extra ção e benefíciamento e o interesse da

política e- da finança internacional pela matéria-prima das mais variadas apli cações.

Outrora, era de uso tão limitado que se restringia à cura de afecçõcs cutâneas,

a lubrificaçâo de eixos de carroças e à iluminação dos ambientes.

Como medicamento, o petróleo agia por seus compostos sulfurados, ainda Hoje reconhecidos como eficazes meios

de combate a parasitos, fungos e cogu melos. Nem todos os petróleos teriam a mesma eficiência, dada a composição diversa e a variação do teor de enxofre; como produto medicinal, seu valor deve ria ser diretamente proporcional ao teor

de enxofre, e assim os melhores pe tróleos para medicamento seriam os pioIndústria do Petróleo.

Tradução de C.

S. Nabuco de Araújo — S. Paulo, 1945.

cm torno dos seus Çomjxmentes. Os químicos tratam os compostos do petróleo conio .se fòsscm cubo.s num jogo

Fazendo séria concorrência aos meios

alcance da indústria, destronou

solvida.s nos componentes líquidos que

dução das cores de anilina, dos explo

constituem a maior parte do óleo cru. Nessas condições, acham-se no petróleo

sivos de alto poder, dos produtos farma cêuticos e dos germicidas.

bruto diferentes substâncias com pro

Na sua expansão ilimitada em busca de nova.s aplicações, o petróleo vem invadindo todos os campos de ativida de. Como já referimos de início to

priedades físicas e químicas as mais

diversas e consequentemente suscetíveis da.s mais variadas aplicações. Tõdas elas, salvo as pequenas quantidades de

Esta série orgânica encerra compostos

desde os que apresentam grande afini dade química, como os não saturados,

genos e de radicais orgânicos, até aque les caracterizados por tão pequena afini-

aperfeiçoamento do combustível para os aparelhos de propulsão a jato.

o "roi carvão", tirando o privilé gio do alcatrão da hulha, que até bem pouco tempo era a ma téria-prima indispensável à pro

compostos sólidos, como as pararinas dis-

impurezas de natureza sulfurada, oxi genada ou azotada, pertencem â grande família química dos hidrocarbonetos.

res, alongam-se cadeias de hidrocarbo

matéria-prima mais prccio.sa' ao

sos, u temperatura ambiente, até os

mou o mercado do azeite de peixe e

|

Surgindo o motor dos grandes avtoes, com caracterísHcas adaptadas as espe ciais condições de trabalho, surgiu-tam trafegar regularmente os primeiros aviões •I jato os diverso.s centros de pesquisa

O petróleo tornou-se, assim, a

qüência que vai dos compostos guso-

compostos adequados (chumbo-tetractila).

neste ano de 1950, quando cõmeçani a

necc.ssita.

nação" de muitos liidrocarbonetos. Os diversos componentes formam uma se

tentes â auto-igniçâo e pela adiçao de

qucbram-sc grandes moléculas de hidro carbonetos (é o conhecido "cvacking") para obter outras menores, -ligam-se mo

tudo quanto o mundo moderno

O segredo das múltiplas aplicações do petróleo reside no fato do .ser formado por uma "mistura" e não uma "combi

mistura com hidrocarbonetos mais resis

bém a frasolina de aviação, talhada sob medida^para tais motores. E agora,

saturados, halogenam-.se e oxidam-se hidrocarbonetos, fazendo dèles

obtenção.

das gasolinas (índice de octana) peia

e depois em grande escala nas usinas,

netos de cadeia curta, suturam-se não

peculiaridades e pela facilidade de

ram aumentando b valor antidetonante

para crianças. Primeiro, nos laboratórios

léculas pequenas para fazer outras maio

de iluminação na segunda metade do .século XIX, o quero.sene logo venceu o "azeite de peixe" pelas suas próprias

suscetíveis de receber adições de halo(*) V. A. Kalichevsky — A Admirável

medida que se desenrolam as pesquisas

agente iluniinanle, cm concorrência aos óleos de baleia, cachalotes, peixes e ou

e com segurança, sem lançar mão dos

Não é

dá ao petróleo um polimorfismo de apli-

rcs para eoinbu.slívcl e produção de gasolinas e óleos. Sua aplicaç-ão, como

27

Econômico

dado quo mereceram o nome de jiarafi-

O petróleo e a borracha sintética importância que o Homem da hoje ao petróleo tem sua razão de ser.

«--«T.-

dos óleos animais e vegetais no setor iluminação. Mais tarde, quando se cons truiu o motor de ex-plosão e se imaginou o automóvel, êle forneceu o combus

tível adequado às máquinas em uso nas diferentes épocas. À medida que os mecânicos foram aumentando a taxa de

compressão dos motores, os" químicos fo-

dão „ melhor de seus talentos para o Na sua marcha conquistadora. o pe

tróleo já dominou o campo da

l>oiTacha.

No intervalo das duas grandes <Tuerra.s, o gênio inventivo dos alemães criou a borracha sintétl. ca, mas os dirigentes intelectuais da "í. G. Farbenindustrie" logo compreenderam que não po diam continuar sós no programa

porque dependiam do petróleo*

para a produção em larga escala de bor racha artificial.

A primeira borracha fabricada na

Alemanha era muito diferente daquela

que hoje se acha no mercado; foi ne

cessário urh longo período de aperfei çoamento para se chegar aos produtos de hoje que ainda são suscetíveis de grande melhoria. A borracha natural não é mais que um hidrocarboneto (isopreno), daí a

dependência que a produção artificial tem do petróleo — que é a maior fonte de liidrocarbonetos ao alcance da in-

dústriá. Não dispondo senão de mingua das quantidades de petróleo, a "I. G."


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A. ' Di<: 1 vs-n t

na.s (purun-afinis). Essa variedade de cHinstiluinlcs é que

S. Fróes Abreu

Na atual fase de desenvolvimento indus

trial não se-pode viver confortàvclmente

caçoe.s, surgindo de ano para ano, à

tros animais, veio revelar, já no início

inúmeros derivados do petróleo.

da sua c.xploraçãü indu.slrial, o caráter

absolutamente exagerado afirmar-se que

eminentemente expansionista da indús

o petróleo é a matéria-prima mais essen

tria do petróleo.

cial a um país civilizado e devemos con cordar com Kalichevsky (') que "o petróleo é provavelmente a substância

mais importante no mundo de Hoje, logo

depois das que são necessárias para sustentar a própria vida". Daí o inte resse mundial pelo petróleo, daí os re

quintes da técnica de pesquisa, extra ção e benefíciamento e o interesse da

política e- da finança internacional pela matéria-prima das mais variadas apli cações.

Outrora, era de uso tão limitado que se restringia à cura de afecçõcs cutâneas,

a lubrificaçâo de eixos de carroças e à iluminação dos ambientes.

Como medicamento, o petróleo agia por seus compostos sulfurados, ainda Hoje reconhecidos como eficazes meios

de combate a parasitos, fungos e cogu melos. Nem todos os petróleos teriam a mesma eficiência, dada a composição diversa e a variação do teor de enxofre; como produto medicinal, seu valor deve ria ser diretamente proporcional ao teor

de enxofre, e assim os melhores pe tróleos para medicamento seriam os pioIndústria do Petróleo.

Tradução de C.

S. Nabuco de Araújo — S. Paulo, 1945.

cm torno dos seus Çomjxmentes. Os químicos tratam os compostos do petróleo conio .se fòsscm cubo.s num jogo

Fazendo séria concorrência aos meios

alcance da indústria, destronou

solvida.s nos componentes líquidos que

dução das cores de anilina, dos explo

constituem a maior parte do óleo cru. Nessas condições, acham-se no petróleo

sivos de alto poder, dos produtos farma cêuticos e dos germicidas.

bruto diferentes substâncias com pro

Na sua expansão ilimitada em busca de nova.s aplicações, o petróleo vem invadindo todos os campos de ativida de. Como já referimos de início to

priedades físicas e químicas as mais

diversas e consequentemente suscetíveis da.s mais variadas aplicações. Tõdas elas, salvo as pequenas quantidades de

Esta série orgânica encerra compostos

desde os que apresentam grande afini dade química, como os não saturados,

genos e de radicais orgânicos, até aque les caracterizados por tão pequena afini-

aperfeiçoamento do combustível para os aparelhos de propulsão a jato.

o "roi carvão", tirando o privilé gio do alcatrão da hulha, que até bem pouco tempo era a ma téria-prima indispensável à pro

compostos sólidos, como as pararinas dis-

impurezas de natureza sulfurada, oxi genada ou azotada, pertencem â grande família química dos hidrocarbonetos.

res, alongam-se cadeias de hidrocarbo

matéria-prima mais prccio.sa' ao

sos, u temperatura ambiente, até os

mou o mercado do azeite de peixe e

|

Surgindo o motor dos grandes avtoes, com caracterísHcas adaptadas as espe ciais condições de trabalho, surgiu-tam trafegar regularmente os primeiros aviões •I jato os diverso.s centros de pesquisa

O petróleo tornou-se, assim, a

qüência que vai dos compostos guso-

compostos adequados (chumbo-tetractila).

neste ano de 1950, quando cõmeçani a

necc.ssita.

nação" de muitos liidrocarbonetos. Os diversos componentes formam uma se

tentes â auto-igniçâo e pela adiçao de

qucbram-sc grandes moléculas de hidro carbonetos (é o conhecido "cvacking") para obter outras menores, -ligam-se mo

tudo quanto o mundo moderno

O segredo das múltiplas aplicações do petróleo reside no fato do .ser formado por uma "mistura" e não uma "combi

mistura com hidrocarbonetos mais resis

bém a frasolina de aviação, talhada sob medida^para tais motores. E agora,

saturados, halogenam-.se e oxidam-se hidrocarbonetos, fazendo dèles

obtenção.

das gasolinas (índice de octana) peia

e depois em grande escala nas usinas,

netos de cadeia curta, suturam-se não

peculiaridades e pela facilidade de

ram aumentando b valor antidetonante

para crianças. Primeiro, nos laboratórios

léculas pequenas para fazer outras maio

de iluminação na segunda metade do .século XIX, o quero.sene logo venceu o "azeite de peixe" pelas suas próprias

suscetíveis de receber adições de halo(*) V. A. Kalichevsky — A Admirável

medida que se desenrolam as pesquisas

agente iluniinanle, cm concorrência aos óleos de baleia, cachalotes, peixes e ou

e com segurança, sem lançar mão dos

Não é

dá ao petróleo um polimorfismo de apli-

rcs para eoinbu.slívcl e produção de gasolinas e óleos. Sua aplicaç-ão, como

27

Econômico

dado quo mereceram o nome de jiarafi-

O petróleo e a borracha sintética importância que o Homem da hoje ao petróleo tem sua razão de ser.

«--«T.-

dos óleos animais e vegetais no setor iluminação. Mais tarde, quando se cons truiu o motor de ex-plosão e se imaginou o automóvel, êle forneceu o combus

tível adequado às máquinas em uso nas diferentes épocas. À medida que os mecânicos foram aumentando a taxa de

compressão dos motores, os" químicos fo-

dão „ melhor de seus talentos para o Na sua marcha conquistadora. o pe

tróleo já dominou o campo da

l>oiTacha.

No intervalo das duas grandes <Tuerra.s, o gênio inventivo dos alemães criou a borracha sintétl. ca, mas os dirigentes intelectuais da "í. G. Farbenindustrie" logo compreenderam que não po diam continuar sós no programa

porque dependiam do petróleo*

para a produção em larga escala de bor racha artificial.

A primeira borracha fabricada na

Alemanha era muito diferente daquela

que hoje se acha no mercado; foi ne

cessário urh longo período de aperfei çoamento para se chegar aos produtos de hoje que ainda são suscetíveis de grande melhoria. A borracha natural não é mais que um hidrocarboneto (isopreno), daí a

dependência que a produção artificial tem do petróleo — que é a maior fonte de liidrocarbonetos ao alcance da in-

dústriá. Não dispondo senão de mingua das quantidades de petróleo, a "I. G."


nu ilupiii m w

Dícksto Eco.nómico

29

Dioicsto Econômico

imaginou ligar-se à "Standard Oil" para juntas, com os recursos financeiros, in telectuais e a posse de jazidas petrolí

sintética o o petróleo, priis ésse fornece

a.s convcrsaç-ões com a "Standard Oil"

o importante objetivo primário: produ

a matéria-prima, a "G(M)drich" a.s.sociou-

zir mais materiais com maior velocidade.

feras. ficarem em condições de lançar

"Goodyear" associou-.se à "Dovv Che-

e a "I. G.", para um de.sejado acordo, o que não foi possível pelas severas exi gências destes, provavelmente dos ale

a nova indústria que iria afastar do

niical Co.", para a obtenção de compos

mães; essas negociações se prolongaram

cousas mais imporlante.s".

mercado a produção das longíncjuas sel vas da América do Sul c das plantações da África e da Malásia. Essa ligaç-ão efetivou-se através duma organização denominada "Jasco", abreviação de "Joint American Study Company", com

tos quínhcos. A "G(K)dricb" trabalhava intensamente no assunto desde 1926,

até líMl.

A situação criada pela guerra deu

O sucesso da campanha da borracha sintética deve-se à cooperação dos que

c em UMO lanç-ou no mercado pneuiná-

novo rumo aos assuntos de borracha

tinham os conhecimentos científicos, dos

ticos com 50% de borracha sintética a um

sintética.

que tinham as matérias-primas e do

preço cerca de 30® mais elevado que os

borracha em larga escala, a perda das

de borracha natural, em eonsec[iièneia do custo mai.s alto do c-oinponcnte sintético. Sabc-.se que a "Goodyear" há muitos

fontes

associavam a "Standard Oil" e a "I. G.

anos estava interessada na fabricação de

de colaborar pela vitória das Nações

traram os "grandes" do petróleo, como

Farbenindüstrie" para o estudo de novos produtos derivados do petróleo.

borracha sintética e já tentara \'árias ve

Unidas, levaram o governo americano a

zes entrar eór acordo com a "Standard

reunir todos aqueles capazes de coope rar num vasto e imediato programa de

a "Standard Oil of Califórnia", "Stan dard Oil of Louisiana", "Humble Oil and

panhia organizada segundo a.s leis da

Luisiània, em fins de 1930, na qual se

Baton Rouge foi a sede de importan tes pesquisas e experimentações de pro cessos nascidos na Alemanha e carentes

ainda de aperfeiçoamentos. O programa americano de borracha

sintética é um belo exemplo do \'alor

da cooperação e, ao mesmo tempo, uma edificante demonstração de pattiotismo, pela união de firmas que sempre luta ram febrilmente pela conquista dos mercados.

Não foi sem grandes dificuldades que as complicações foram aplainadas e foi

se à "Pbilips Pclrolenm Corps."; a

Oil" para industrializar as Bunas des cobertas pelos alemães e upcrfeiç-oadas nos trabalbo.s cm cooperação nos labo ratórios de Baton Rouge. Tendo falha do todas as tentativas de acordos e es

de

A necessidade de produzir abastecimento no Extremo

Oriente e a pequena contribuição sulamericana, não obstante a boa vontade

produção de borracha sintética.

Quando todos so empenhavam em

atender aos apelos da Nação, a "Jasco" acusa a "Goodyear" de ter infringido

Noutras palavras, devemos dirigir nossa atenção, em primeiro lugar, para as

go\'êrno que financiou os colossais em

preendimentos, sem preocupações de economia e sem regime burocrático. Nes.se bem sucedido programa, en

Refining","Standard Oil of New Jersey", a "Sliell" pela "Shell Chemical"; os "médios" como a

"Cities Service", a

"Pliillips Petroleum Co."; e "pequenos" como a "Lion Oil de El Dotado, Arkan-

tando as Bunas patenteadas pela orga nização mista "Standard-I. C." a "Good

suas patentes c uma grande questão sur

ge, pondo em perigo o esforço da

Os "grandes" da indústria quimica estiveram presentes, como "Du Pont,

year" resolveu niobilizíxr seu pessoal téc

"Goodyear".

Carbidc & Carl>on". "Dow", "Monsan-

Felizmente, graças à criteriosa e fir me ação do govêrno estabeleceu-se um

to" e "Koppers".

acordo para troca de conhecimentos e

"Goodyear". "Goodrich", "Firestone" e

uso livre de patentes durante a guerra,

"U. S. Rubber".

nico, para criar um tipo próprio de bor

racha sintética. Em 1936, já havia con

seguido os primeiros sucessos em escala de laboratório e em 37 já é a Good

year" quem manda pneus fabricados

para os fins de defesa nacional, e as

sas

borracha

foram

Os "grandes" da repre.sentados

pola

Embora fòssem produzidos vários tipos

dificuldades que vinham surgindo fo

de borracha sintética, a maior produção

presidente Roosevelt, para que se che

com a borracha por ela descoberta para serem submetidos á apreciação dos téc

ram habilmente contornadas.

foi das Bunas produzidas com butadie-

gasse a soluções sem ferir direitos ou

nicos alemães em Lcverkusen. .. A finalidade real era mostrar à I. G."

Numa nota referente ao caso, salien tava o presidente Roosevelt, em março

no, um hidrocarboneto obtido do petró leo ou através do álcool etílico, que •

necessária até a intervenção direta do

afetar os princípios da justiça e da

que êles agora também já estavam em

de 1942, que ninguém deveria escapar

por sua vez era produzido de petróleo.

No programa da borracha sintética,

condições de fabricar borracha pelos pro

à perseguição da Justiça por infração

tomaram parte muito saliente a "B. F. Goodrich Co." e a "Goodyear Tire & Rubber Co.", aquela produzindo borra

cessos descobertos em seus proprio.s la

das leis, mas que se deveria considerar

Em 1944, cerca da metade da borracha sintética provinha de biitadieno do pe

boratórios de pesquisa. Nesse estado de cousas, a "Goodyear" ligou-se à "Dow" a fim de obter os produtos químicos necessários a um grande programa de

em primeiro plano o esforço para ven

tróleo e outra metade de álcool.

cer a guerra.

As grandes usinas de borracha sinté tica nos Estados Unidos são de proprie

cauções para impedir que alguém es

dade do govêrno, sendo operadas pelas

empenhando-se também na campanha amparada por uma já sólida base de

fabricação; a "Dow" estaria em condi

cape às sanções legais se violar os es

firmas particulares, de acordo com uma

ções de fornecer o butadiono e a acri-

tatutos antitrustes, quer esteja empe

regulamentação, que deve expirar no

conhecimentos.

lonitrila necessários ao proce.sso por ela

nhado em trabalho da guerra ou não,

meado deste ano. Há insistentes boatos

desenvolvido.

devemos ter nossas vistas agora sobre

de que o govêrno americano pretende

morál.

cha, mercê da grande experiência adqui rida em muitos anos de pesquisa, esta

Devido à correlação entre a borracha

Em 1938, continuaram

Salientava ainda: "con

quanto devam ser tomadas todas as pre

- ..'i


nu ilupiii m w

Dícksto Eco.nómico

29

Dioicsto Econômico

imaginou ligar-se à "Standard Oil" para juntas, com os recursos financeiros, in telectuais e a posse de jazidas petrolí

sintética o o petróleo, priis ésse fornece

a.s convcrsaç-ões com a "Standard Oil"

o importante objetivo primário: produ

a matéria-prima, a "G(M)drich" a.s.sociou-

zir mais materiais com maior velocidade.

feras. ficarem em condições de lançar

"Goodyear" associou-.se à "Dovv Che-

e a "I. G.", para um de.sejado acordo, o que não foi possível pelas severas exi gências destes, provavelmente dos ale

a nova indústria que iria afastar do

niical Co.", para a obtenção de compos

mães; essas negociações se prolongaram

cousas mais imporlante.s".

mercado a produção das longíncjuas sel vas da América do Sul c das plantações da África e da Malásia. Essa ligaç-ão efetivou-se através duma organização denominada "Jasco", abreviação de "Joint American Study Company", com

tos quínhcos. A "G(K)dricb" trabalhava intensamente no assunto desde 1926,

até líMl.

A situação criada pela guerra deu

O sucesso da campanha da borracha sintética deve-se à cooperação dos que

c em UMO lanç-ou no mercado pneuiná-

novo rumo aos assuntos de borracha

tinham os conhecimentos científicos, dos

ticos com 50% de borracha sintética a um

sintética.

que tinham as matérias-primas e do

preço cerca de 30® mais elevado que os

borracha em larga escala, a perda das

de borracha natural, em eonsec[iièneia do custo mai.s alto do c-oinponcnte sintético. Sabc-.se que a "Goodyear" há muitos

fontes

associavam a "Standard Oil" e a "I. G.

anos estava interessada na fabricação de

de colaborar pela vitória das Nações

traram os "grandes" do petróleo, como

Farbenindüstrie" para o estudo de novos produtos derivados do petróleo.

borracha sintética e já tentara \'árias ve

Unidas, levaram o governo americano a

zes entrar eór acordo com a "Standard

reunir todos aqueles capazes de coope rar num vasto e imediato programa de

a "Standard Oil of Califórnia", "Stan dard Oil of Louisiana", "Humble Oil and

panhia organizada segundo a.s leis da

Luisiània, em fins de 1930, na qual se

Baton Rouge foi a sede de importan tes pesquisas e experimentações de pro cessos nascidos na Alemanha e carentes

ainda de aperfeiçoamentos. O programa americano de borracha

sintética é um belo exemplo do \'alor

da cooperação e, ao mesmo tempo, uma edificante demonstração de pattiotismo, pela união de firmas que sempre luta ram febrilmente pela conquista dos mercados.

Não foi sem grandes dificuldades que as complicações foram aplainadas e foi

se à "Pbilips Pclrolenm Corps."; a

Oil" para industrializar as Bunas des cobertas pelos alemães e upcrfeiç-oadas nos trabalbo.s cm cooperação nos labo ratórios de Baton Rouge. Tendo falha do todas as tentativas de acordos e es

de

A necessidade de produzir abastecimento no Extremo

Oriente e a pequena contribuição sulamericana, não obstante a boa vontade

produção de borracha sintética.

Quando todos so empenhavam em

atender aos apelos da Nação, a "Jasco" acusa a "Goodyear" de ter infringido

Noutras palavras, devemos dirigir nossa atenção, em primeiro lugar, para as

go\'êrno que financiou os colossais em

preendimentos, sem preocupações de economia e sem regime burocrático. Nes.se bem sucedido programa, en

Refining","Standard Oil of New Jersey", a "Sliell" pela "Shell Chemical"; os "médios" como a

"Cities Service", a

"Pliillips Petroleum Co."; e "pequenos" como a "Lion Oil de El Dotado, Arkan-

tando as Bunas patenteadas pela orga nização mista "Standard-I. C." a "Good

suas patentes c uma grande questão sur

ge, pondo em perigo o esforço da

Os "grandes" da indústria quimica estiveram presentes, como "Du Pont,

year" resolveu niobilizíxr seu pessoal téc

"Goodyear".

Carbidc & Carl>on". "Dow", "Monsan-

Felizmente, graças à criteriosa e fir me ação do govêrno estabeleceu-se um

to" e "Koppers".

acordo para troca de conhecimentos e

"Goodyear". "Goodrich", "Firestone" e

uso livre de patentes durante a guerra,

"U. S. Rubber".

nico, para criar um tipo próprio de bor

racha sintética. Em 1936, já havia con

seguido os primeiros sucessos em escala de laboratório e em 37 já é a Good

year" quem manda pneus fabricados

para os fins de defesa nacional, e as

sas

borracha

foram

Os "grandes" da repre.sentados

pola

Embora fòssem produzidos vários tipos

dificuldades que vinham surgindo fo

de borracha sintética, a maior produção

presidente Roosevelt, para que se che

com a borracha por ela descoberta para serem submetidos á apreciação dos téc

ram habilmente contornadas.

foi das Bunas produzidas com butadie-

gasse a soluções sem ferir direitos ou

nicos alemães em Lcverkusen. .. A finalidade real era mostrar à I. G."

Numa nota referente ao caso, salien tava o presidente Roosevelt, em março

no, um hidrocarboneto obtido do petró leo ou através do álcool etílico, que •

necessária até a intervenção direta do

afetar os princípios da justiça e da

que êles agora também já estavam em

de 1942, que ninguém deveria escapar

por sua vez era produzido de petróleo.

No programa da borracha sintética,

condições de fabricar borracha pelos pro

à perseguição da Justiça por infração

tomaram parte muito saliente a "B. F. Goodrich Co." e a "Goodyear Tire & Rubber Co.", aquela produzindo borra

cessos descobertos em seus proprio.s la

das leis, mas que se deveria considerar

Em 1944, cerca da metade da borracha sintética provinha de biitadieno do pe

boratórios de pesquisa. Nesse estado de cousas, a "Goodyear" ligou-se à "Dow" a fim de obter os produtos químicos necessários a um grande programa de

em primeiro plano o esforço para ven

tróleo e outra metade de álcool.

cer a guerra.

As grandes usinas de borracha sinté tica nos Estados Unidos são de proprie

cauções para impedir que alguém es

dade do govêrno, sendo operadas pelas

empenhando-se também na campanha amparada por uma já sólida base de

fabricação; a "Dow" estaria em condi

cape às sanções legais se violar os es

firmas particulares, de acordo com uma

ções de fornecer o butadiono e a acri-

tatutos antitrustes, quer esteja empe

regulamentação, que deve expirar no

conhecimentos.

lonitrila necessários ao proce.sso por ela

nhado em trabalho da guerra ou não,

meado deste ano. Há insistentes boatos

desenvolvido.

devemos ter nossas vistas agora sobre

de que o govêrno americano pretende

morál.

cha, mercê da grande experiência adqui rida em muitos anos de pesquisa, esta

Devido à correlação entre a borracha

Em 1938, continuaram

Salientava ainda: "con

quanto devam ser tomadas todas as pre

- ..'i


30

Diííksto Ec<>N()nhco

vende-las, de acordo com a doulrina de

Os planos de desenvolvimento da África

que o governo não deve fazer concor rência aos industriais, nos paíscs democráticos.

O Estado índuslrial é unia

característica dos países totalitários. De outro lado, a expansão dos domínios co

munistas no Oriente põe cm perigo um

O panorama da questão da borracha sintética com .seus vários tipos, corres

os produtores de liorracba natural, so bretudo para os eolhedores nas tlores-

ção para uso das nações democráticas,

tas naturais.

daí a necessidade duma política do bor No estado atual da indústria, as bor

L. A. Costa Pinto

fonle.s dc matéria-prima, é sombrio para

livre comércio da borracha de planta racha amparada pelo governo.

(IVetas de estudo sòbre a questão «•olonial nos no6«os dias)

pondentes a várias propriedades e várias

(Da Universidade do Brasil) I

Na borracha sintética, a

tendência é para uma produção mais aperfeiçoada o mais econômica; iia bor

J^STÁ HOJE na ordem do dia das discus sões cm torno dos problemas eco

rachas sintéticas não substituem comple

racha da Amazônia, a tendência é para

nômicos e piiliticos mundiais — n ques

o aumento do custo de produção em vista

tamente a natural; esta. bem como a

tão colonial.

da \'alorização do trabalho

borracha já usada (.scmp), representam uma significativa parcela na produção induslTíal. Para câmaras de ar, entre tanto, as borrachas tipo Butil têm sa tisfeito e em 1949 nos Estados Unidos cerca de 72% das câmaras foram desse

tipo, fabricado nas usinas do governo americano em Baytown, Texas, pela "Humble Oil" e em Baton Rouge, La. pela "Esso-Standard". Das tres fábricas

de Baton Rouge, o governo recentemen te paralisou duas, de modo a manter a produção ao nível do consumo.

Para se fazer uma idéia do progresso da industria de borracha sintética nos

Estados Unidos, basta considerar que em 1939 não havia sequer uma usina em trabalho e em 1947 havia 20, empregan do 7.663 pessoas e produzindo mercado rias no valor de 235 milhões de dólares

(4,7 bilhões de cruzeiros).

Enquanto a nossa produção, no perío do de 1942 a 1946, foi da ordem de

27.212 tons. por ano, só a usina de Bay

muscular.

Não SC pode dizer que o problema se

E é isso o que permite, por outro lado, que uma análise seria do que se passa em qualquer parte dêsse todo possa trazer lições aproveitáveis para a compreensão do conjunto daqueles países que representam os elos mais

Já passou a época da exploração dos

ja no\'o.

embora se não possa negar

cearenses, que sonliaram com a fortuna

também

que cie hoje -apresenta novos

na Amazônia c lá ficavam «'scravizados

aspectos, que singularÍTam sua impor

lista.

pelos dono.s dc barracão, <juc sugavam o

tância na quadra histórica cm que vive mos. Para o Brasil, parece que toda a

não significa que seus problemas sejam

trabalho dc miseráveis imigrantes em busca de uma vida melhor.

questão colonial e sua atual efervescên

Hoje, não é mais possível obter bor racha a preços vis, na Amazônia, porque

cia se resumem nos propalados jilanos

o braço do nordestino encontra traba

tinente africano. A tese é que o auxílio

lho mais fácil e melhor remunerado nas indústrias de São Paulo, Minas e Rio,

ou nas fazendas da zona pioneira do noroeste dn Paraná.

Dado o interesse que a borracha re

presenta para a população do norte do Brasil, devíamos acompanhar de perto a evolução dos processos de fabricação de borracha sintética e procurar inte

ressar os "grandes" da borracha na

questão da produção amazônica. É preciso retardar o mais possível a época em que a "nos.sa borracha" passe a fi gurar ao lado do pau-brasil, do anil, do âmbar-gris e outras produções im

town, Texas, está fabricando 30.000 tons.

portantes, referidas pelos cronistas do

por ano de borracha tipo Butil.

século XVIII.

de desenvolvimento econômico do con

norte-americano às colônias

européias

na África significa duplo auxílio, já que o Plano Marshall, contemplando as metrópolc.s. engloba, também, as suas co lônias. Êste é, ao meno.s, o aspecto so bre o qual mais se fala, e as causas são óbvias : país que vive principalmente de

.... .»■

Focalizar a África, por con.sequência,

absolutamente específicos; significa, tâosòmente. que, capitalizando o interêsse momentâneo pelo que se passa naquele continente, podemos tomá-lo como qua dro de referências para tentar com

preender alguns cios processos fun damentais que hoje abalam, profun damente. a estrutura colonial como um todo.

Para isso \'amos seguir, numa .sério de

de estrutura ainda predominantemente colonial, dependendo fortemente do cli

três artigos, o seguinte roteiro: no pri meiro, faremos uma apresentação sumá ria dos dados e objetivos principais dos planos de fomento colonial das nações que estão recebendo auxilio direto nor

ma e da latitude, o desenvolvimento ma ciço de outras áreas localizadas nos tró

êsse auxílio não seja diretamente desti

picos e de estrutura econômica análoga, constitui para êle concorrência certa e ameaça ponderável.

lônias; êste primeiro estudo apresenta interêsse principalmente informativo e

O fato, porém, é que o que se passa

.seri'irá de introdução aos dois outros, de

exportar suas matérias-primas e alimen tos, ou seja, de uma economia primária,

te-americano (Plano Marshall), emlx)ra nado ao desenvolvimento das suas co

em relação à África é, fundamentalmen

caráter e escopo mais interpretativos, em

te, o mesmo que está ocorrendo em todo

que tentaremos uma análise — necessa

o mundo colonial e semicolonial com di

riamente sumiúia — da paisagem social e humana da África, pois ela constitui o

ferenças de forma, mas não de conteúdo. ,

fracos na cadeia do sistema capita


30

Diííksto Ec<>N()nhco

vende-las, de acordo com a doulrina de

Os planos de desenvolvimento da África

que o governo não deve fazer concor rência aos industriais, nos paíscs democráticos.

O Estado índuslrial é unia

característica dos países totalitários. De outro lado, a expansão dos domínios co

munistas no Oriente põe cm perigo um

O panorama da questão da borracha sintética com .seus vários tipos, corres

os produtores de liorracba natural, so bretudo para os eolhedores nas tlores-

ção para uso das nações democráticas,

tas naturais.

daí a necessidade duma política do bor No estado atual da indústria, as bor

L. A. Costa Pinto

fonle.s dc matéria-prima, é sombrio para

livre comércio da borracha de planta racha amparada pelo governo.

(IVetas de estudo sòbre a questão «•olonial nos no6«os dias)

pondentes a várias propriedades e várias

(Da Universidade do Brasil) I

Na borracha sintética, a

tendência é para uma produção mais aperfeiçoada o mais econômica; iia bor

J^STÁ HOJE na ordem do dia das discus sões cm torno dos problemas eco

rachas sintéticas não substituem comple

racha da Amazônia, a tendência é para

nômicos e piiliticos mundiais — n ques

o aumento do custo de produção em vista

tamente a natural; esta. bem como a

tão colonial.

da \'alorização do trabalho

borracha já usada (.scmp), representam uma significativa parcela na produção induslTíal. Para câmaras de ar, entre tanto, as borrachas tipo Butil têm sa tisfeito e em 1949 nos Estados Unidos cerca de 72% das câmaras foram desse

tipo, fabricado nas usinas do governo americano em Baytown, Texas, pela "Humble Oil" e em Baton Rouge, La. pela "Esso-Standard". Das tres fábricas

de Baton Rouge, o governo recentemen te paralisou duas, de modo a manter a produção ao nível do consumo.

Para se fazer uma idéia do progresso da industria de borracha sintética nos

Estados Unidos, basta considerar que em 1939 não havia sequer uma usina em trabalho e em 1947 havia 20, empregan do 7.663 pessoas e produzindo mercado rias no valor de 235 milhões de dólares

(4,7 bilhões de cruzeiros).

Enquanto a nossa produção, no perío do de 1942 a 1946, foi da ordem de

27.212 tons. por ano, só a usina de Bay

muscular.

Não SC pode dizer que o problema se

E é isso o que permite, por outro lado, que uma análise seria do que se passa em qualquer parte dêsse todo possa trazer lições aproveitáveis para a compreensão do conjunto daqueles países que representam os elos mais

Já passou a época da exploração dos

ja no\'o.

embora se não possa negar

cearenses, que sonliaram com a fortuna

também

que cie hoje -apresenta novos

na Amazônia c lá ficavam «'scravizados

aspectos, que singularÍTam sua impor

lista.

pelos dono.s dc barracão, <juc sugavam o

tância na quadra histórica cm que vive mos. Para o Brasil, parece que toda a

não significa que seus problemas sejam

trabalho dc miseráveis imigrantes em busca de uma vida melhor.

questão colonial e sua atual efervescên

Hoje, não é mais possível obter bor racha a preços vis, na Amazônia, porque

cia se resumem nos propalados jilanos

o braço do nordestino encontra traba

tinente africano. A tese é que o auxílio

lho mais fácil e melhor remunerado nas indústrias de São Paulo, Minas e Rio,

ou nas fazendas da zona pioneira do noroeste dn Paraná.

Dado o interesse que a borracha re

presenta para a população do norte do Brasil, devíamos acompanhar de perto a evolução dos processos de fabricação de borracha sintética e procurar inte

ressar os "grandes" da borracha na

questão da produção amazônica. É preciso retardar o mais possível a época em que a "nos.sa borracha" passe a fi gurar ao lado do pau-brasil, do anil, do âmbar-gris e outras produções im

town, Texas, está fabricando 30.000 tons.

portantes, referidas pelos cronistas do

por ano de borracha tipo Butil.

século XVIII.

de desenvolvimento econômico do con

norte-americano às colônias

européias

na África significa duplo auxílio, já que o Plano Marshall, contemplando as metrópolc.s. engloba, também, as suas co lônias. Êste é, ao meno.s, o aspecto so bre o qual mais se fala, e as causas são óbvias : país que vive principalmente de

.... .»■

Focalizar a África, por con.sequência,

absolutamente específicos; significa, tâosòmente. que, capitalizando o interêsse momentâneo pelo que se passa naquele continente, podemos tomá-lo como qua dro de referências para tentar com

preender alguns cios processos fun damentais que hoje abalam, profun damente. a estrutura colonial como um todo.

Para isso \'amos seguir, numa .sério de

de estrutura ainda predominantemente colonial, dependendo fortemente do cli

três artigos, o seguinte roteiro: no pri meiro, faremos uma apresentação sumá ria dos dados e objetivos principais dos planos de fomento colonial das nações que estão recebendo auxilio direto nor

ma e da latitude, o desenvolvimento ma ciço de outras áreas localizadas nos tró

êsse auxílio não seja diretamente desti

picos e de estrutura econômica análoga, constitui para êle concorrência certa e ameaça ponderável.

lônias; êste primeiro estudo apresenta interêsse principalmente informativo e

O fato, porém, é que o que se passa

.seri'irá de introdução aos dois outros, de

exportar suas matérias-primas e alimen tos, ou seja, de uma economia primária,

te-americano (Plano Marshall), emlx)ra nado ao desenvolvimento das suas co

em relação à África é, fundamentalmen

caráter e escopo mais interpretativos, em

te, o mesmo que está ocorrendo em todo

que tentaremos uma análise — necessa

o mundo colonial e semicolonial com di

riamente sumiúia — da paisagem social e humana da África, pois ela constitui o

ferenças de forma, mas não de conteúdo. ,

fracos na cadeia do sistema capita


?

Diokstí» F.conómÍco

ponto partida estrutural de qualquer plano sôbrc a África, de qualquer tipo,

jf

de qualquer origem, com qualquer fí-

1'

nalídadc.

plano econômico não era considerado ipr. tn^ibência dos govL'rn<ís.

-

;

.

"Aconteceu, então, que, «'xcecão fei ta para o Extremo Oriente, o governo construiu sòjncnte o mínimo de obras

públicas essenciais. O comércio, ii in Em- artigo recente, publicado na re

dústria e, freqüentemente, o suprimento

vista "Foreign Afjairs", um observador, que se assina com o pseudônimo do

dessas obras públicas eram deixados a iniciativa do capital pri\'udo e nem as sim muito capital privado era atraído à África, devido aos grandes obstáculos que a natureza oferecia ao progresso.

"Britanicus", apresenta e justifica do seguínto modo o plano inglês, ora em vi gor, de deienvolvinienlo de suas colô

nias africanas: "Até a década que pre

"Durante a 2.^ guerra mundial, cpian-

cedeu a segunda

do

guerra mundial, a

feitas sòljic

política da Ingla

turbações stjrgidas

inxcsligaçõcs

per

ern algumas das

terra nas colônias

tendia

33

Digi-:sto Econômico

33

principal

colônias rcvelararn

a

mente ao estabele

cimento da ordem,

a grande [Xibreza c. miséria que as

à extensão do po

afligiam, fieiui pa

der da lei, ao con trole dos abusos, à

tente que os go vernos coloniais te

criação de uma só

riam que participar

lida administração,

do

à prática da justi

do desenvolvimen

ça e ao suprimento

to econômico.

do obras públicas essenciais.

planejamento

' "E' cm relação a esse panorama que

"A política econômica dêsses dias era

a negligência com que a Inglaterra tra

baseada no acesso de tôdas as nações às

tava as suas colonias deve sei medida .

matérias-primas, nos mercados livres e na não discriminação, sem consideração

("Foreign Affairs", ^'ol. XXVI. n." 1).

alguma pelos interesses da população

Ê.sse quadro geral, quer nos parecer, fixa, em têrmos formais, o que houve

indígena. Vigorando esse sistema os go

e o que há na mente dos^ governos eu

vernos coloniais ficavam

muito

ropeus que possuem colônias no con

satisfeitos em receber algum lucro do que tal empreendimento produzisse.

tinente africano, com referência u atitu

ainda

"A riqueza era drenada para fora dos territórios, e o rendimento da produção e do comércio era aproveitado em ou

tros lugares. Os problemas sociais básico.s da ignorância, pobreza e doença

permaneciam sem solução.

A política

era expressa em têrmos liberais... Um

de que devem ôsse.s governos assumir hoje em face de suas colônias. Êsses conceitos, por outro lado, podem ser ge neralizados para as demais metrópoles e se algum reparo, aliás fundamental, de ve ser feito ao modo como o observador

citado apresentou a questão é o de que, à custa de querer o mais possível não se

aprofundar no problema — embora prc(icupado em mostrar que o imxergou —

do. as vazões que têm levado os goxernos molropolitanos a tentar re\er s\ias

deixou de destacar toda sua importân

atitudes em face do mundo colonial cm

cia como um do.s fatores fundamentais

efervescência. Para isso, porém, precisa

de que boje podemos nos servir para analisar e compreender o estado atual e

que se possn basear uma interpretação,

remos contar com outros elementos em

as perspectivas de e\ n]ução boje existen-

mesmo de conjunto. E' o que se tenta

le.s em todo o mundo colonial. Em verda

rá fazer na segunda parte dêsse traba

de, é impossível entender o que ã Áfri

lho, contida nos artigos que .se \ão se

ca ó ou deixa de ser, sem ter em mente

guir

que tudo o que lá .se fez ou deixou de

Aqui, apenas apresentaremos, cm ca

fazer c produto de quase quatrocentos

ráter informativo, os dados oficiais, re

anos do "status" colonial. Hoje, os pla nos governamentais têm por objetivo de clarado amenizar, on humanizar, um sis tema, som deixar exidontemente. de

cónservá-Io, com a finalidade, de um

lado, segundo se alega, de permitir aos povos coloniais a retenção para seu be nefício de uma cota maior das rique zas que êles produzem e. de outro lado, com a finalidade de, pela exploração ca da vez mais racional e sistemática, in tensiva e extensixa, de suas colonias, ti

rarem delas elementos decisivos de que carecem para o reergui monto econômico

das metrópoles.

Êsse segundo objetivo dos planos de desenvolvimento colonial é q mesmo de .sempre, é permanente, é intrínsctx) mes

mo à idéia de colônia. O primeiro, con siste, em última análise, numa tentativa

de conciliar a e.xploração colonial com o "bem-estar" colonial, por assim dizer. , .

colhidos em fontes diversas, e relativos

aos planos de desenvohâmento colonial do.s paí.ses que possuem ê.s.ses planos e que os divulgaram. * *

INGLATERRA - Durante a guerra,

cm 1940, o Parlamento inglês estabele

ceu um plano de empréstimos e auxílio técnico às suas colônias, estipulando uma

quantia de 5.000.000 de esterlinos por ano, durante dez anos, e, posteriormente,

500.000 por ano para pesquisas perti nentes ao desenvolvimento de suas co

lônias. Êsse plano substituía o até então

vigente, o chamado "Coloriial Development Act of 1929".

Em 1945, outro decreto aumentou o

auxílio às colônias para 120.000.000 de libras, durante dez anos, e a soma ulterior de 17.000.000 de libras por. ano,

das quais até 1.000.000 de libras po diam ser aplicadas em estudos e pesqui

Esta idéia, por sua vez, não é nova. Sarraut, antigo ministro das colônias

sas necessários ao desenvolvimento do.s

francesas, tinha isso em mente quando

bem-estar de sua população. A agricul

arquitetou a fórmula do "mise cn va-

tura. as obras públicas e os serviços so

recursos das colônias e contribuir para o

Icur", com o que pretendeu substituir a pílula negra do colonialismo pela pílula dourada da "fraternidade imperial", hoje

cipais itens dos planos regionais assim financiados. O objetivo final era fazer

consagrada na Constituição. Não será difícil encontrar, na história recente das

com que cada colônia pudesse viver de seus próprios recursos, pre\'endo-se que,

áreas coloniais e semicoloniais do mun

no futuro, uma cota cada vez maior das

ciais, segundo o divulgado, eram os prin


?

Diokstí» F.conómÍco

ponto partida estrutural de qualquer plano sôbrc a África, de qualquer tipo,

jf

de qualquer origem, com qualquer fí-

1'

nalídadc.

plano econômico não era considerado ipr. tn^ibência dos govL'rn<ís.

-

;

.

"Aconteceu, então, que, «'xcecão fei ta para o Extremo Oriente, o governo construiu sòjncnte o mínimo de obras

públicas essenciais. O comércio, ii in Em- artigo recente, publicado na re

dústria e, freqüentemente, o suprimento

vista "Foreign Afjairs", um observador, que se assina com o pseudônimo do

dessas obras públicas eram deixados a iniciativa do capital pri\'udo e nem as sim muito capital privado era atraído à África, devido aos grandes obstáculos que a natureza oferecia ao progresso.

"Britanicus", apresenta e justifica do seguínto modo o plano inglês, ora em vi gor, de deienvolvinienlo de suas colô

nias africanas: "Até a década que pre

"Durante a 2.^ guerra mundial, cpian-

cedeu a segunda

do

guerra mundial, a

feitas sòljic

política da Ingla

turbações stjrgidas

inxcsligaçõcs

per

ern algumas das

terra nas colônias

tendia

33

Digi-:sto Econômico

33

principal

colônias rcvelararn

a

mente ao estabele

cimento da ordem,

a grande [Xibreza c. miséria que as

à extensão do po

afligiam, fieiui pa

der da lei, ao con trole dos abusos, à

tente que os go vernos coloniais te

criação de uma só

riam que participar

lida administração,

do

à prática da justi

do desenvolvimen

ça e ao suprimento

to econômico.

do obras públicas essenciais.

planejamento

' "E' cm relação a esse panorama que

"A política econômica dêsses dias era

a negligência com que a Inglaterra tra

baseada no acesso de tôdas as nações às

tava as suas colonias deve sei medida .

matérias-primas, nos mercados livres e na não discriminação, sem consideração

("Foreign Affairs", ^'ol. XXVI. n." 1).

alguma pelos interesses da população

Ê.sse quadro geral, quer nos parecer, fixa, em têrmos formais, o que houve

indígena. Vigorando esse sistema os go

e o que há na mente dos^ governos eu

vernos coloniais ficavam

muito

ropeus que possuem colônias no con

satisfeitos em receber algum lucro do que tal empreendimento produzisse.

tinente africano, com referência u atitu

ainda

"A riqueza era drenada para fora dos territórios, e o rendimento da produção e do comércio era aproveitado em ou

tros lugares. Os problemas sociais básico.s da ignorância, pobreza e doença

permaneciam sem solução.

A política

era expressa em têrmos liberais... Um

de que devem ôsse.s governos assumir hoje em face de suas colônias. Êsses conceitos, por outro lado, podem ser ge neralizados para as demais metrópoles e se algum reparo, aliás fundamental, de ve ser feito ao modo como o observador

citado apresentou a questão é o de que, à custa de querer o mais possível não se

aprofundar no problema — embora prc(icupado em mostrar que o imxergou —

do. as vazões que têm levado os goxernos molropolitanos a tentar re\er s\ias

deixou de destacar toda sua importân

atitudes em face do mundo colonial cm

cia como um do.s fatores fundamentais

efervescência. Para isso, porém, precisa

de que boje podemos nos servir para analisar e compreender o estado atual e

que se possn basear uma interpretação,

remos contar com outros elementos em

as perspectivas de e\ n]ução boje existen-

mesmo de conjunto. E' o que se tenta

le.s em todo o mundo colonial. Em verda

rá fazer na segunda parte dêsse traba

de, é impossível entender o que ã Áfri

lho, contida nos artigos que .se \ão se

ca ó ou deixa de ser, sem ter em mente

guir

que tudo o que lá .se fez ou deixou de

Aqui, apenas apresentaremos, cm ca

fazer c produto de quase quatrocentos

ráter informativo, os dados oficiais, re

anos do "status" colonial. Hoje, os pla nos governamentais têm por objetivo de clarado amenizar, on humanizar, um sis tema, som deixar exidontemente. de

cónservá-Io, com a finalidade, de um

lado, segundo se alega, de permitir aos povos coloniais a retenção para seu be nefício de uma cota maior das rique zas que êles produzem e. de outro lado, com a finalidade de, pela exploração ca da vez mais racional e sistemática, in tensiva e extensixa, de suas colonias, ti

rarem delas elementos decisivos de que carecem para o reergui monto econômico

das metrópoles.

Êsse segundo objetivo dos planos de desenvolvimento colonial é q mesmo de .sempre, é permanente, é intrínsctx) mes

mo à idéia de colônia. O primeiro, con siste, em última análise, numa tentativa

de conciliar a e.xploração colonial com o "bem-estar" colonial, por assim dizer. , .

colhidos em fontes diversas, e relativos

aos planos de desenvohâmento colonial do.s paí.ses que possuem ê.s.ses planos e que os divulgaram. * *

INGLATERRA - Durante a guerra,

cm 1940, o Parlamento inglês estabele

ceu um plano de empréstimos e auxílio técnico às suas colônias, estipulando uma

quantia de 5.000.000 de esterlinos por ano, durante dez anos, e, posteriormente,

500.000 por ano para pesquisas perti nentes ao desenvolvimento de suas co

lônias. Êsse plano substituía o até então

vigente, o chamado "Coloriial Development Act of 1929".

Em 1945, outro decreto aumentou o

auxílio às colônias para 120.000.000 de libras, durante dez anos, e a soma ulterior de 17.000.000 de libras por. ano,

das quais até 1.000.000 de libras po diam ser aplicadas em estudos e pesqui

Esta idéia, por sua vez, não é nova. Sarraut, antigo ministro das colônias

sas necessários ao desenvolvimento do.s

francesas, tinha isso em mente quando

bem-estar de sua população. A agricul

arquitetou a fórmula do "mise cn va-

tura. as obras públicas e os serviços so

recursos das colônias e contribuir para o

Icur", com o que pretendeu substituir a pílula negra do colonialismo pela pílula dourada da "fraternidade imperial", hoje

cipais itens dos planos regionais assim financiados. O objetivo final era fazer

consagrada na Constituição. Não será difícil encontrar, na história recente das

com que cada colônia pudesse viver de seus próprios recursos, pre\'endo-se que,

áreas coloniais e semicoloniais do mun

no futuro, uma cota cada vez maior das

ciais, segundo o divulgado, eram os prin


T»'f

OlCRSTí) KCONf^MlCO

verbas necessárias ao foinciilo das colô nias será fornecida pelas próprias colô nias. Assim, nos planos cujos csludos

etc*. — foram ixj.steríorinenU' destinados

atualmente se processam,

primeira prestação das 120.000.000 de

o financia

mento atinge a 176.000.000 cie libras. Estíma-sc que 120.000.000 de libras

creto, já referido, de 1945.

velopment Council", órgão consultivo da

sejam o pi.slache, o piretro. :is inadei-

ra.s, o chá, a borracha c os óleos vege

Uma das suas finalidades é assegurar a unidade de objetivos dos diverso.-: planos

rcíro na Rodésia, Tanganica, Nigéria e

fegionais, bem como equilibrar os gas

Costa do Ouro, e o nianufatureiro na

tos que visam ao bem-estar social com

Nigéria, Uganda e Rodésia, incluem-se nos objetivos (Io plano colonial inglè.s. Ês.se.s a.spcctos estritamente ct^nómicos são regulados pelo'"Ovcrscas Resources Act", onde a política de bcnie.star da população cede lugar aos obje

Commission" e a "Internatíonal Organization of West África" já são criações

do plano de desenvolvimento imperial da Inglaterra. Saúde, energia e comu. nícações, segundo se diz, são os três' objetivos principais a atingir. Um vasto plano de pesquisas, em di versos setores, acompanha o desenvolvi mento do plano: inspeções e pesquisas geológicas, levantamento.s topográficos e agroiógicos, escolas técnicas, l)ôlsa.s de estudos para estudantc.s pra\ind()s das colônias, racionalização dos ser\ iços de administração colonial. A discriminação de auxílios, que abaixo transcrevemos, clá idéia aproximada da amplitude e dos objetisos da política colonial inglesa. M ilhões lie libras

tais. Além dis.so, o de.scn\oN'imento nii-

tivos essenciais de intensificação da pro

dução de produtos tropicais — que criou a "Colonial Corporation", com ca pital de 100.000.000 de libra.s c o "Over.seas Eood Corporation", com ca pital de 55.000.000 de libras, que, em

I

Nas outras regiões, em que pesem as tendências de autonomia e descentrali zação econômica e administnitiva, a po

lítica colonial francesa está mais próxi

nistrati\'as e a mais xisivel delas, até

ma dos niesino.s objetivos e do mesmo

agora, parece ser o surgimento de um novo domínio britânico na África, cen tralizando a administração da Rodésia do Sul, Rodésia do Norte, Niassalàndia

estilo da política colonial inglesa na

(_•, eventualmente, a parte setentrional cia Rechuanalándia, c compondo um terri tório dc 1 milhão c meio de quilômetros quadrado.s, povoado por 6 milhões de negros c 150.000 brancos.

FRANÇA — No que se refere ao im

.África.

A lei dc 30 de abril de 1946 pre\ia. dentro da estrutura do Plano Monet, o

estabelecimento de planos econômicos locais, com a duração de 10 anos, inte

ressando às colônias, que de\'eriam fi nanciá-los mediante subvenções da me

trópole e créditos fornecidos pela "Cais.sc Centralc de Ia Franco d'Outre-Mer".

pério colonial francos, — agora sob o

Os objetivos dès.ses planos devem ser:

nonie de "União Francesa", de acordo

a) transformar as colônias em países modernos; b) satisfazer as necessidades

com a no\'a Constituição, — obscrva-.sc

igualmente a multiplicação de iniciati\-as, objetivando o máximo desenvohinienlo e aproveitamento

cios recursos

das populações autóctones; c) concorrer para a execução dos planos de recons trução 8 desenvolvimento econômico da

coloniais. Acjui, porém, por se tratar, de modo geral, de populações menos atra

"União Francesa", tanto no plano metro

sadas, onde o sentimento nacicna!i.sta,

ternacionais.

politano quanto no plano das trocas in

em alguma.s regiões, equipura-se àquele

Em que pesem as declarações oficiais

a.s;:ociaçãü com capitais privados, teni por objetivo o desenvolvimento da agri

que os inglôse.s defrontam na índia."o

e oficio.sas, a política de preferência tem

ritmo de planejamento econômico colo

cultura. indústria, comércio e minera

da dc? ({ue a cjuc se observa na África

sido aplicada, na prática, através do mo nopólio das importações e da paridade do franco metropolitano e colonial. As

inglesa.

cümpanhia.s privadas que ojicram nas

Duas área.s distintas e duas políticas específicas podemos distinguir nas pos sessões franceas de ultrumar: a primeira é a África do Norte, a segunda é a

colônias têm protestado contra esse re

ção, paralelo às obras públicas e de serviço social ao encargo dos governos locais.

Nos territórios mais atrasados,

porém, cumpre aos governos coloniais a exploração clireta dü.s recursos econômi cos, como é o caso do Território de Kènia, onde recentemente foi criado o "Govcrnmcnt Indu.stries Povard", que desenvolve e controla seis ramos de ati

Agricultura, silvicultura, veterinária e pesca ....

6.000.000

vidade industrial. Em Tanganica. unia

Comunicações e transportes

4.200.000

empresa de capital misto, publico-priva-

Habitação

2.700.000

do, foi recentemente fundada para de

.•^gua e irrigação

6.500.000

senvolvimento da indústria de carne en

latada, com um capital de 500.000 Para o 'prinieiro item — agricultura,

gração da economia imperial, têm re sultado, também, conseqüências udmi-

libra.s destinadas às colônias pelo de

Secretaria de Estado para as colônias.

acpêles que- têm em mira o desen\olvimento da produção. A "Caribbean

dos recursos (Niloniais, visando à inte

libras. O tolal do auxilio representa a

criou-.se o "Colonial Economic and De-

Para direção clès.ses emprcendiniento.s.

35

Des.sa política de e.xpicraçâo intensiva

novo;; recursos, no valor de 3.000.000 de

.V;.' (jiu' se refere à agricultura, as informaç-ões sugerem f|iie os produtos mais beneficiados por c.sses fiiianciainonlo.s

provirão do.s recursos locais.

PicESTo Econômico

libras,

nial marcha em cadência menos acelera

.\frica Equatorial. Na primeira área, o giívérno fraocès

gime, que as obriga a pagar caro prodiitos manufaturados franceses e a ven

der na metrópole a preço tabelado, os

produtos coloniais — havendo obtido, nos últimos meses, maior liberdade de atuação.

parece nuo ter allerudo sua política tra dicional. No plano econômico, interes sa-se, principalmente. pelo problema

Respondendo a ohjoções parlamenta res a essa política de autarquia, o antigo

da energia c da irrigação, deixando ao capital privado as demais iniciativas,

zia:, "Poderemos deixar o.s territórios de

É o que parece justo concluir. inclu.si\ c da elevação da Argélia à categoria do

ção para o estrangeiro? Poderemos dei

Departamento.

xá-los livros dc dispor da totalidade d:is

ministro da Fazenda, René Maver, di

ultramar expjorlar li\ ivmente sua produ


T»'f

OlCRSTí) KCONf^MlCO

verbas necessárias ao foinciilo das colô nias será fornecida pelas próprias colô nias. Assim, nos planos cujos csludos

etc*. — foram ixj.steríorinenU' destinados

atualmente se processam,

primeira prestação das 120.000.000 de

o financia

mento atinge a 176.000.000 cie libras. Estíma-sc que 120.000.000 de libras

creto, já referido, de 1945.

velopment Council", órgão consultivo da

sejam o pi.slache, o piretro. :is inadei-

ra.s, o chá, a borracha c os óleos vege

Uma das suas finalidades é assegurar a unidade de objetivos dos diverso.-: planos

rcíro na Rodésia, Tanganica, Nigéria e

fegionais, bem como equilibrar os gas

Costa do Ouro, e o nianufatureiro na

tos que visam ao bem-estar social com

Nigéria, Uganda e Rodésia, incluem-se nos objetivos (Io plano colonial inglè.s. Ês.se.s a.spcctos estritamente ct^nómicos são regulados pelo'"Ovcrscas Resources Act", onde a política de bcnie.star da população cede lugar aos obje

Commission" e a "Internatíonal Organization of West África" já são criações

do plano de desenvolvimento imperial da Inglaterra. Saúde, energia e comu. nícações, segundo se diz, são os três' objetivos principais a atingir. Um vasto plano de pesquisas, em di versos setores, acompanha o desenvolvi mento do plano: inspeções e pesquisas geológicas, levantamento.s topográficos e agroiógicos, escolas técnicas, l)ôlsa.s de estudos para estudantc.s pra\ind()s das colônias, racionalização dos ser\ iços de administração colonial. A discriminação de auxílios, que abaixo transcrevemos, clá idéia aproximada da amplitude e dos objetisos da política colonial inglesa. M ilhões lie libras

tais. Além dis.so, o de.scn\oN'imento nii-

tivos essenciais de intensificação da pro

dução de produtos tropicais — que criou a "Colonial Corporation", com ca pital de 100.000.000 de libra.s c o "Over.seas Eood Corporation", com ca pital de 55.000.000 de libras, que, em

I

Nas outras regiões, em que pesem as tendências de autonomia e descentrali zação econômica e administnitiva, a po

lítica colonial francesa está mais próxi

nistrati\'as e a mais xisivel delas, até

ma dos niesino.s objetivos e do mesmo

agora, parece ser o surgimento de um novo domínio britânico na África, cen tralizando a administração da Rodésia do Sul, Rodésia do Norte, Niassalàndia

estilo da política colonial inglesa na

(_•, eventualmente, a parte setentrional cia Rechuanalándia, c compondo um terri tório dc 1 milhão c meio de quilômetros quadrado.s, povoado por 6 milhões de negros c 150.000 brancos.

FRANÇA — No que se refere ao im

.África.

A lei dc 30 de abril de 1946 pre\ia. dentro da estrutura do Plano Monet, o

estabelecimento de planos econômicos locais, com a duração de 10 anos, inte

ressando às colônias, que de\'eriam fi nanciá-los mediante subvenções da me

trópole e créditos fornecidos pela "Cais.sc Centralc de Ia Franco d'Outre-Mer".

pério colonial francos, — agora sob o

Os objetivos dès.ses planos devem ser:

nonie de "União Francesa", de acordo

a) transformar as colônias em países modernos; b) satisfazer as necessidades

com a no\'a Constituição, — obscrva-.sc

igualmente a multiplicação de iniciati\-as, objetivando o máximo desenvohinienlo e aproveitamento

cios recursos

das populações autóctones; c) concorrer para a execução dos planos de recons trução 8 desenvolvimento econômico da

coloniais. Acjui, porém, por se tratar, de modo geral, de populações menos atra

"União Francesa", tanto no plano metro

sadas, onde o sentimento nacicna!i.sta,

ternacionais.

politano quanto no plano das trocas in

em alguma.s regiões, equipura-se àquele

Em que pesem as declarações oficiais

a.s;:ociaçãü com capitais privados, teni por objetivo o desenvolvimento da agri

que os inglôse.s defrontam na índia."o

e oficio.sas, a política de preferência tem

ritmo de planejamento econômico colo

cultura. indústria, comércio e minera

da dc? ({ue a cjuc se observa na África

sido aplicada, na prática, através do mo nopólio das importações e da paridade do franco metropolitano e colonial. As

inglesa.

cümpanhia.s privadas que ojicram nas

Duas área.s distintas e duas políticas específicas podemos distinguir nas pos sessões franceas de ultrumar: a primeira é a África do Norte, a segunda é a

colônias têm protestado contra esse re

ção, paralelo às obras públicas e de serviço social ao encargo dos governos locais.

Nos territórios mais atrasados,

porém, cumpre aos governos coloniais a exploração clireta dü.s recursos econômi cos, como é o caso do Território de Kènia, onde recentemente foi criado o "Govcrnmcnt Indu.stries Povard", que desenvolve e controla seis ramos de ati

Agricultura, silvicultura, veterinária e pesca ....

6.000.000

vidade industrial. Em Tanganica. unia

Comunicações e transportes

4.200.000

empresa de capital misto, publico-priva-

Habitação

2.700.000

do, foi recentemente fundada para de

.•^gua e irrigação

6.500.000

senvolvimento da indústria de carne en

latada, com um capital de 500.000 Para o 'prinieiro item — agricultura,

gração da economia imperial, têm re sultado, também, conseqüências udmi-

libra.s destinadas às colônias pelo de

Secretaria de Estado para as colônias.

acpêles que- têm em mira o desen\olvimento da produção. A "Caribbean

dos recursos (Niloniais, visando à inte

libras. O tolal do auxilio representa a

criou-.se o "Colonial Economic and De-

Para direção clès.ses emprcendiniento.s.

35

Des.sa política de e.xpicraçâo intensiva

novo;; recursos, no valor de 3.000.000 de

.V;.' (jiu' se refere à agricultura, as informaç-ões sugerem f|iie os produtos mais beneficiados por c.sses fiiianciainonlo.s

provirão do.s recursos locais.

PicESTo Econômico

libras,

nial marcha em cadência menos acelera

.\frica Equatorial. Na primeira área, o giívérno fraocès

gime, que as obriga a pagar caro prodiitos manufaturados franceses e a ven

der na metrópole a preço tabelado, os

produtos coloniais — havendo obtido, nos últimos meses, maior liberdade de atuação.

parece nuo ter allerudo sua política tra dicional. No plano econômico, interes sa-se, principalmente. pelo problema

Respondendo a ohjoções parlamenta res a essa política de autarquia, o antigo

da energia c da irrigação, deixando ao capital privado as demais iniciativas,

zia:, "Poderemos deixar o.s territórios de

É o que parece justo concluir. inclu.si\ c da elevação da Argélia à categoria do

ção para o estrangeiro? Poderemos dei

Departamento.

xá-los livros dc dispor da totalidade d:is

ministro da Fazenda, René Maver, di

ultramar expjorlar li\ ivmente sua produ


f

'Iifi

m Digesto Econômico

30

37

Digesto Econóxuco

que analisa os resultados do período 1947-1949 e os objetivos para 19501952, parece indicar que as posições

dução de fibras — a "Compagnie dcs manganês dc Marrocos, estimada para

Isto seria uma verdadeira secessão eco

doutrinárias primitivas foram abandona das e substituídas por outras mais rea listas, ou seja, mais sincronizadas com os objetivos permanentes da política co

divisas assim obtidas para se apro\'isionarem no mercado mundial ?

Noutras

palavras, deLxá-los-emos se afastarem da

economia metropolitana para se aproxi

marem da economia mundial, ou seja. praticamente, da economia americana ? nômica. Ora. se a união econômica ín

lonial.

tima c sempre a condição preliminar de uma união política estreita, uma seces são econômica seria obrigatòriamepte o

Assim é (iiie o primeiro objetivo da nova fase do plano é o de aumentar a produção do cereais de 3.2 milhões de

prelúdio dessa secessão política futura.

toneladas para 5 inilhõe.s eni 1952. O aumento da produção dc óleos comestí

"Por outro lado, a França tem neces

Textiles Tropicaux".

Quanto à mineração, a produção de 1952 cm 400.000 toneladas,

França, segundo cálculos do relatório do Plano Monet, 8 milhões de dólares. Ou

ro, chumbo, níquel e cromo são os me tais cuja exploração será intensificada, ao lado da produção dos fosfates da África do Norte, do ferro da Guiné, mi

co e grafite de Madagascar. A extração vegetal no Camerum, Cos

veis,

territórios de ultramar. Se esses os ex

previsto como objetivo primeiro. O se

tação, o a criação de uma fábrica-pilô-

portam para o exterior, ela será obrigada a comprá-los, geralmente em dólares, em lugar de pagá-los em francos nos territórios da União, e sua situação fi nanceira só tenderá a piorar". Tais problemas e a situação econômi

gundo objetivo visa declaradamente à solução do problema francês de divisas, pelo fornecimento à metrópole de ma térias-primas e alimentos que lhe dimi

to de pasta de papel em Abidjã, tem também dotações especiais no plano ci

nuam a necessidade de fazer conipra.s

plano francês de desenvolvimento colo

ca e financeira da França retardaram

esfôrço será maior na produção dc ma

muito o início da aplicação do planeja mento colonial. A soma prevista de 256 bilhões de francos representou sério obs táculo ao aspecto financeiro do plano.

térias graxas, algodão, borracha, madei

mercial da França e colônias, com um

ras e minerais. Só na África do Norte,

excedente de 167 milliões de dólares em

o objetivo a alcançar em 1953 é elevar a produção exportável de óleos alimentí cios de 2.800 para 13.700 tonelada.s, e

suas trocas com

Ainda assim, em 1947 e 1948, foi dado

nas zonas do dólar c do esterlino.

O

começo à sua aplicação, em trabalhos

do óleos

de irrigação e energia hídreléti'ica; a África do Norte consumiu naqueles unos 22,7 bilhões de francos no primeiro e

66.000 toneladas; na África Equatorial

29,3 bilhões

neladas.

de francos no segundo

ano. Em 1949, graças ao concurso do

Fundo de Modernização e Equipamen to foram aplicados 35,5 bilhões de fran cos na África do Norte Francesa.

Em resumo, o esforço total de finan

ciamento dos planos de desenvolvimen to colonial

custou à França até 1949.

158 bilhões de francos, dos quais 30 bi

lhões representam a contribuição das próprias colônias e 128 bilhões, o total dos créditos e subvenções da metrópole.

O segundo relatório do Plano Monet,

Industriais dc

4.800 para

a produção total de óleos vegetais deve rá subir de 208.000 para 391.000 to

Para essa exploração foi criada recen temente uma' .sociedade de economia

mista — a "Compngnie Généralc dd OléagOíUMiix Trapicaux." No que se refere ás fibras, preve-se o aumento da produção de sisal e de sucodânos da juta e do rami. Ja teve co-

mêço a campanha para elevar a 50.000 toneladas a produção de algodão em 1951.

Uma outra

sociedade

de. economia

mista foi criada para desenvoh'er a pro

* * *

dará á

sidade dos gêneros alimentícios de seus

açúcar, café c arroz é também

de um terço do conjunto do programa previsto para tôda a União Francesa.

ta do Marfim e Senegal, para a expor

tado.

Em resumo, se todos os objetivos do nial forem atingidos, espera-se, em 1952, uma melhoria decisiva na balança co

os mercados estran

geiros.

Para atingir êsse objetivo, a comissão do plano considera que o elemento fun

damental é o equipamento. E para o plano de equipamentos foram destina dos, num período de 4 anos, investi mentos que totalizam aproximadamente 800 milhões de francos, ou sejam, mais

Numa vi.são de conjunto, observa-se

que os planos de desenvolvimento colo nial da França e da Inglaterra assumem,

em algumas partes, proporções gigantes cas.

Não cabe di.scutir aqui se serão

realizados ou não, pois a simples deter minação de realizá-los é significativa. Em que pesem as declarações enfáti cas, que inicialmente acompanharam o estabelecimento desses programas,

se

gundo as quais nãn se tratava de mera exploração colonial à moda tradicional, hoje já se fala em "atitude realista" e em "soluções de compromisso", entendendo-se "compromisso" com a própria estrutura do sistema colonial, que con

siste num pacto forçado de divisão de

trabalho, que tem por finalidade fazer as nações pobres cada vez mais pobres e as nações ricas cada vez mais ricas.

• Não é possível, entretanto, avaliar o

significado profundo desses planos e programa.s sem ter como quadro de re ferências a África, sua paisagem social

e humana. E' o que se pretende apre sentar e interpretar, sumariamente, nos

dois artigos posteriores.


f

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Digesto Econóxuco

que analisa os resultados do período 1947-1949 e os objetivos para 19501952, parece indicar que as posições

dução de fibras — a "Compagnie dcs manganês dc Marrocos, estimada para

Isto seria uma verdadeira secessão eco

doutrinárias primitivas foram abandona das e substituídas por outras mais rea listas, ou seja, mais sincronizadas com os objetivos permanentes da política co

divisas assim obtidas para se apro\'isionarem no mercado mundial ?

Noutras

palavras, deLxá-los-emos se afastarem da

economia metropolitana para se aproxi

marem da economia mundial, ou seja. praticamente, da economia americana ? nômica. Ora. se a união econômica ín

lonial.

tima c sempre a condição preliminar de uma união política estreita, uma seces são econômica seria obrigatòriamepte o

Assim é (iiie o primeiro objetivo da nova fase do plano é o de aumentar a produção do cereais de 3.2 milhões de

prelúdio dessa secessão política futura.

toneladas para 5 inilhõe.s eni 1952. O aumento da produção dc óleos comestí

"Por outro lado, a França tem neces

Textiles Tropicaux".

Quanto à mineração, a produção de 1952 cm 400.000 toneladas,

França, segundo cálculos do relatório do Plano Monet, 8 milhões de dólares. Ou

ro, chumbo, níquel e cromo são os me tais cuja exploração será intensificada, ao lado da produção dos fosfates da África do Norte, do ferro da Guiné, mi

co e grafite de Madagascar. A extração vegetal no Camerum, Cos

veis,

territórios de ultramar. Se esses os ex

previsto como objetivo primeiro. O se

tação, o a criação de uma fábrica-pilô-

portam para o exterior, ela será obrigada a comprá-los, geralmente em dólares, em lugar de pagá-los em francos nos territórios da União, e sua situação fi nanceira só tenderá a piorar". Tais problemas e a situação econômi

gundo objetivo visa declaradamente à solução do problema francês de divisas, pelo fornecimento à metrópole de ma térias-primas e alimentos que lhe dimi

to de pasta de papel em Abidjã, tem também dotações especiais no plano ci

nuam a necessidade de fazer conipra.s

plano francês de desenvolvimento colo

ca e financeira da França retardaram

esfôrço será maior na produção dc ma

muito o início da aplicação do planeja mento colonial. A soma prevista de 256 bilhões de francos representou sério obs táculo ao aspecto financeiro do plano.

térias graxas, algodão, borracha, madei

mercial da França e colônias, com um

ras e minerais. Só na África do Norte,

excedente de 167 milliões de dólares em

o objetivo a alcançar em 1953 é elevar a produção exportável de óleos alimentí cios de 2.800 para 13.700 tonelada.s, e

suas trocas com

Ainda assim, em 1947 e 1948, foi dado

nas zonas do dólar c do esterlino.

O

começo à sua aplicação, em trabalhos

do óleos

de irrigação e energia hídreléti'ica; a África do Norte consumiu naqueles unos 22,7 bilhões de francos no primeiro e

66.000 toneladas; na África Equatorial

29,3 bilhões

neladas.

de francos no segundo

ano. Em 1949, graças ao concurso do

Fundo de Modernização e Equipamen to foram aplicados 35,5 bilhões de fran cos na África do Norte Francesa.

Em resumo, o esforço total de finan

ciamento dos planos de desenvolvimen to colonial

custou à França até 1949.

158 bilhões de francos, dos quais 30 bi

lhões representam a contribuição das próprias colônias e 128 bilhões, o total dos créditos e subvenções da metrópole.

O segundo relatório do Plano Monet,

Industriais dc

4.800 para

a produção total de óleos vegetais deve rá subir de 208.000 para 391.000 to

Para essa exploração foi criada recen temente uma' .sociedade de economia

mista — a "Compngnie Généralc dd OléagOíUMiix Trapicaux." No que se refere ás fibras, preve-se o aumento da produção de sisal e de sucodânos da juta e do rami. Ja teve co-

mêço a campanha para elevar a 50.000 toneladas a produção de algodão em 1951.

Uma outra

sociedade

de. economia

mista foi criada para desenvoh'er a pro

* * *

dará á

sidade dos gêneros alimentícios de seus

açúcar, café c arroz é também

de um terço do conjunto do programa previsto para tôda a União Francesa.

ta do Marfim e Senegal, para a expor

tado.

Em resumo, se todos os objetivos do nial forem atingidos, espera-se, em 1952, uma melhoria decisiva na balança co

os mercados estran

geiros.

Para atingir êsse objetivo, a comissão do plano considera que o elemento fun

damental é o equipamento. E para o plano de equipamentos foram destina dos, num período de 4 anos, investi mentos que totalizam aproximadamente 800 milhões de francos, ou sejam, mais

Numa vi.são de conjunto, observa-se

que os planos de desenvolvimento colo nial da França e da Inglaterra assumem,

em algumas partes, proporções gigantes cas.

Não cabe di.scutir aqui se serão

realizados ou não, pois a simples deter minação de realizá-los é significativa. Em que pesem as declarações enfáti cas, que inicialmente acompanharam o estabelecimento desses programas,

se

gundo as quais nãn se tratava de mera exploração colonial à moda tradicional, hoje já se fala em "atitude realista" e em "soluções de compromisso", entendendo-se "compromisso" com a própria estrutura do sistema colonial, que con

siste num pacto forçado de divisão de

trabalho, que tem por finalidade fazer as nações pobres cada vez mais pobres e as nações ricas cada vez mais ricas.

• Não é possível, entretanto, avaliar o

significado profundo desses planos e programa.s sem ter como quadro de re ferências a África, sua paisagem social

e humana. E' o que se pretende apre sentar e interpretar, sumariamente, nos

dois artigos posteriores.


Dir.KSTt' Eoo.vóxPco

\f,'11 1

preparam para aproveitá-la, começam a dc:-prezar a lição muito maior da segun da.. . Mas \ ül\'umos ao ponto.

'írKííV

tanjente com claridade e segurança, por

(Prof. Cat. da Faculdade Nacional de

ser in.suficientc, -foi necessário insurgir-

meio da lógica simples, mas como hi póteses inadequadas aos fatos" (p. 371). Apesar de pala\ ras tão belas, Keynes não foi muito longe na sua simpatia pe

Filosofia)

so contra a tradição clássica. A Keynes

los críticos na e.sfera econômica.

Djacib Menezes

Para negar que o consumo pudesse

IH

(Concluiõo)

PHüPósiTo da poupança como fonte

da riqueza, Keynes escreve algu

J. A. Hobson, conforme cita o pró prio Keynes, teve embaraçada a sua

mas páginas repassadas de fina malícia

carreira

e argumentação cheia de sutileza.

cometeu o atrevimento de du\'idar da

Aludindo à forte taxação que incide sôbre rendas e heranças, na Grã-Brela-

nha, julga deparar, no fundo dessa po

lítica fiscal, a crença de que o cresci mento do capital depende do desejo de economizar, isto é, da abstinência. Sò-

mento nos casos de ocupação plena dos

de professor somente porque

função social da "poupança". Escreveu que "a poupança, enquanto aumenta u

existência global do capital,

reduz o

volume de utilidades c utilidades con-

sumida.s". Era um "exemplo de indi

ferença pela autoridade intelectual", que pesava no nome de Ricardo como um punho de chumbo sôbre a fronte

. recursos produtivos, a restrição para consumir poderia justificar tal ponto de

dos economistas oficiais. Parecia a mui

vista. A "eutanásia" do rentista — con-

tos que levantar dúvidas sôbre as afir

jetura Keynes - será gradual, dispen

mativas da obra ricardiana era semc-

sando as violências das revoluções. E o

lliante a duvidar da redondeza da Torra

Estado deverá então orientar a sociali

zação por métodos paulatinos, governan

do a produção e o consumo por meio dos impostos, da taxa de juros, marchan do assim para-a plenitude das fôrça.s do trabalho.

Em suma : é o critério mais aceito,

que reconhece na poupança a fonte do capital. Êle, entretanto, dera origens a críticas que foram formar o núcleo ideo lógico da pitorescamente denominada Economia herética, que se vai entroncar em Maltlius. Êste chegou a dizer, em carta a Ricardo, que a "poupança de

masiada poderia ser prejudicial a ura país". E diuante muito tempo não se

pôde contrariar os dogmas da Economia Política ricardiana.

39 .

— segundo sugeriu um escandalizado contemporâneo de Hobson...

Por

o ejícmplo serviu : alcn-

que não examinou bem a

toii-o na rebeldia contra-

a direção absor\'ente que

bagagem dos críticos que atacavam riidementç o

o gênio de Ricardo assi nou á especulação e aná

regime ? Quedou-se

lise econômicas. Foi na

dência à distância — e •

com

pru

dissidência de Mallhu.s,

por vêzes foi acerbo e

nas suas intuiçõcs lietc-

agressivo para alguns dê--

rodoxas, que o famoso

les. Também foi um ini

economista contemporâ

migo duro e fulminante de qualquer modalidade

neo pode buscar inspira ção

para

a orientação

do socialismo.

Onde o

espírito científico, que .se dispõe à análise obje

que di\ulgou, desen\olvendo uma interpretação diferente da \ada econô

tiva, sem emoção e sem

mica moderna.

preconceitos? Nem sem

O calcanhar de Aquiles da teoria clássica

pre Keynes nos deu êsse exemplo de metodologia científica.

Essa discordância e esse desacôrdo nò

À parte, porém, esses contactos com doutrinas heréticas, hoje encarnadas em

domínio das idéias são unm das causas importantes do desenvolvimento científicc, no domínio da Economia, como no

movimentos sociais que atormentam o

va análises que discrepassem das teo

cia? demais ciências. A tendência para

rias gerais preconizadas e firmadas ao sabor da competição industrial, que se manifestava naquela fase do desenvolvi

mundo, é tolice querer obscurecer ou diminuir sua alta capacidade teórica. Rest-a-nos tocar nalguns pontos que a

respeitar demasiado a tradição, no esfôr-

confirmam.

A tirania das idéias ricardianas veda

ço de ajeitar sempre as realidades novas

Plobson — que "preferiram ver a ver dade de modo obscuro e imperfeito, ao

A concepção da taxa de juros como "recompensa por abstenção de liquidez durante determinado período" é uma assertiva que se afasta inteiramente da teoria clássica. Nesta, o juro é conside rado o preço que se paga pelo uso do capital; e, assim como o preço da mer cadoria se fi.xaria no nível em que a oferta iguala a procura, a taxa de juro seria o ponto em que a quantidade de inversão iguala a quantidade de pou

invés de sustentar um erro, obtido cer-

pança (p. 175, da "General Thcnrij of

dentro de velhos arcabouços teóricos, ao

mento econômico.

invés de rcvê-los e renová-los, volve-;;e,

"Os homens práticos — diz Keynes que se crêem completamente livres de qualquer influência intelectual, são ge

freqüentemente, em resistências emba-

ralmente escravos de algtim economista defunto."

E chegam sempre atrasados. Quando termina a segunda guerra mundial, êles repreendem, muito pru dentes, os que não querem aproveitar a lição da primeira guerra. Agora, que se

raçadoras e relardatárias da marcha do pensamento.

Lorde Keynes

o reconhece quando

escreve sobre o bravo exército dos here-

jes — Manderville,

Malthus,

Gesell,


Dir.KSTt' Eoo.vóxPco

\f,'11 1

preparam para aproveitá-la, começam a dc:-prezar a lição muito maior da segun da.. . Mas \ ül\'umos ao ponto.

'írKííV

tanjente com claridade e segurança, por

(Prof. Cat. da Faculdade Nacional de

ser in.suficientc, -foi necessário insurgir-

meio da lógica simples, mas como hi póteses inadequadas aos fatos" (p. 371). Apesar de pala\ ras tão belas, Keynes não foi muito longe na sua simpatia pe

Filosofia)

so contra a tradição clássica. A Keynes

los críticos na e.sfera econômica.

Djacib Menezes

Para negar que o consumo pudesse

IH

(Concluiõo)

PHüPósiTo da poupança como fonte

da riqueza, Keynes escreve algu

J. A. Hobson, conforme cita o pró prio Keynes, teve embaraçada a sua

mas páginas repassadas de fina malícia

carreira

e argumentação cheia de sutileza.

cometeu o atrevimento de du\'idar da

Aludindo à forte taxação que incide sôbre rendas e heranças, na Grã-Brela-

nha, julga deparar, no fundo dessa po

lítica fiscal, a crença de que o cresci mento do capital depende do desejo de economizar, isto é, da abstinência. Sò-

mento nos casos de ocupação plena dos

de professor somente porque

função social da "poupança". Escreveu que "a poupança, enquanto aumenta u

existência global do capital,

reduz o

volume de utilidades c utilidades con-

sumida.s". Era um "exemplo de indi

ferença pela autoridade intelectual", que pesava no nome de Ricardo como um punho de chumbo sôbre a fronte

. recursos produtivos, a restrição para consumir poderia justificar tal ponto de

dos economistas oficiais. Parecia a mui

vista. A "eutanásia" do rentista — con-

tos que levantar dúvidas sôbre as afir

jetura Keynes - será gradual, dispen

mativas da obra ricardiana era semc-

sando as violências das revoluções. E o

lliante a duvidar da redondeza da Torra

Estado deverá então orientar a sociali

zação por métodos paulatinos, governan

do a produção e o consumo por meio dos impostos, da taxa de juros, marchan do assim para-a plenitude das fôrça.s do trabalho.

Em suma : é o critério mais aceito,

que reconhece na poupança a fonte do capital. Êle, entretanto, dera origens a críticas que foram formar o núcleo ideo lógico da pitorescamente denominada Economia herética, que se vai entroncar em Maltlius. Êste chegou a dizer, em carta a Ricardo, que a "poupança de

masiada poderia ser prejudicial a ura país". E diuante muito tempo não se

pôde contrariar os dogmas da Economia Política ricardiana.

39 .

— segundo sugeriu um escandalizado contemporâneo de Hobson...

Por

o ejícmplo serviu : alcn-

que não examinou bem a

toii-o na rebeldia contra-

a direção absor\'ente que

bagagem dos críticos que atacavam riidementç o

o gênio de Ricardo assi nou á especulação e aná

regime ? Quedou-se

lise econômicas. Foi na

dência à distância — e •

com

pru

dissidência de Mallhu.s,

por vêzes foi acerbo e

nas suas intuiçõcs lietc-

agressivo para alguns dê--

rodoxas, que o famoso

les. Também foi um ini

economista contemporâ

migo duro e fulminante de qualquer modalidade

neo pode buscar inspira ção

para

a orientação

do socialismo.

Onde o

espírito científico, que .se dispõe à análise obje

que di\ulgou, desen\olvendo uma interpretação diferente da \ada econô

tiva, sem emoção e sem

mica moderna.

preconceitos? Nem sem

O calcanhar de Aquiles da teoria clássica

pre Keynes nos deu êsse exemplo de metodologia científica.

Essa discordância e esse desacôrdo nò

À parte, porém, esses contactos com doutrinas heréticas, hoje encarnadas em

domínio das idéias são unm das causas importantes do desenvolvimento científicc, no domínio da Economia, como no

movimentos sociais que atormentam o

va análises que discrepassem das teo

cia? demais ciências. A tendência para

rias gerais preconizadas e firmadas ao sabor da competição industrial, que se manifestava naquela fase do desenvolvi

mundo, é tolice querer obscurecer ou diminuir sua alta capacidade teórica. Rest-a-nos tocar nalguns pontos que a

respeitar demasiado a tradição, no esfôr-

confirmam.

A tirania das idéias ricardianas veda

ço de ajeitar sempre as realidades novas

Plobson — que "preferiram ver a ver dade de modo obscuro e imperfeito, ao

A concepção da taxa de juros como "recompensa por abstenção de liquidez durante determinado período" é uma assertiva que se afasta inteiramente da teoria clássica. Nesta, o juro é conside rado o preço que se paga pelo uso do capital; e, assim como o preço da mer cadoria se fi.xaria no nível em que a oferta iguala a procura, a taxa de juro seria o ponto em que a quantidade de inversão iguala a quantidade de pou

invés de sustentar um erro, obtido cer-

pança (p. 175, da "General Thcnrij of

dentro de velhos arcabouços teóricos, ao

mento econômico.

invés de rcvê-los e renová-los, volve-;;e,

"Os homens práticos — diz Keynes que se crêem completamente livres de qualquer influência intelectual, são ge

freqüentemente, em resistências emba-

ralmente escravos de algtim economista defunto."

E chegam sempre atrasados. Quando termina a segunda guerra mundial, êles repreendem, muito pru dentes, os que não querem aproveitar a lição da primeira guerra. Agora, que se

raçadoras e relardatárias da marcha do pensamento.

Lorde Keynes

o reconhece quando

escreve sobre o bravo exército dos here-

jes — Manderville,

Malthus,

Gesell,


Dioesto KcoN(S.Mirn 41

Dicesto Econômico

Employmcnl, Itilcrcsi on Money". cclí-

curva dc procura dc inversão miIí*', os ^ réditos sobem. Por sua vez, a curva de

çâo cit.) •

cípio com suficiente claridade nos seus

oferta dc poupança também se desloca, c, cm conseqüência, a curva da procura.

"Element.'! d'Ecoiu)mie Ptirc" aindu cm

Neste mecanismo funcional, o rédito

1900. De modo que, segundo a tradi-

c uma variável — enquanto na teoria

ç<ão clássica, todo ato dc poupança con

formulada pela tradição clássica c luna

correria para baixar a taxa dc juro, promo\'endo a produç<ão de capitais em proporção correspondente ao aumento da poupança. Êsse processo automático regularia o equilíbrio, dispensando — diz-nos Keyncs — qualquer providencia

determinante do .sistema.

da autoridade monetária.

determinantes. São produtos gêmeos destas, — da propensão para consumir, da curva de eficiência marginal do ca pital o da taxa de juro" (p. 183). Tal independência não significa, po-' rém, que sejam grandezas simples. De ve-se acentuar . que a poupança de pende do rédito — fato que os "clássi co;." souberam — mas êste depende do inversão — fato que êles deswnheceram. E assim, para que as variações entre poupança e inversão sejam iguais, ó preciso uma variação no rédito, que permita aquela equivalência.

Walra

entre outros, afirmou o prin

A obra de

Marshall esposa esses princípios funda mentais.

E* o calcanhar de Aquiles da Econo

mia clássica — e sempre os estudiosos sentiram o desajustamento entre a teo

ria geral econômica e as hipóteses par

ciais, formuladas para domínio particu lar. Pondo de parte a análise que pro curou estudar o juro como preço de ca pital determinado por sua produtividade marginal, alguns autores preferiram explícá-lo em lêrmos de oferta c procura do fundo;;, de créditos ou de títulos. Os neowícksellianos preferiram equacionar o problema em têrmos puramente mone tários, — que Keynes e .seus partidários combateram vivamente.

As varíãoeis econômicas do sistema

"Assim — pondera Keynes — a análise

concomitantemente, do nível de réditos: maior rédito maior poupança, se apreciamo.s individualmente o fenômeno. En

tretanto, para a comunidade, como um todo, a explicação diverge. Para Keynes, ao surgirem incentivos para inversão, a

Entretanto, dentro de uma determi

nada configuração econômica de certa estrutura, conhecidos as variáveis inde

pendentes citadas e os demais "dados . apontados (qualidade e quantidade de equipamento produtivo, estado dc técni ca, grau de concorrência, gastos e hábi

tradicional c defeituosa porque não po

tos dos consumidores, etc.) — é possí

de isolar corretamente as variáveis inde

vel estabelecer a correlação entre certo

pendentes do sistema.

"Poupança" c

"inversão" são as determinadas, não as

Experimentemos sumariar.

Ao indicar a propensão para consu mi;, a curva de eficiência marginal do

capital e a taxa de juros, como variáveis indepcndente.s-, no sistema keynesiano, pão queremos dizer que elas sejam de-

nível de rédito c certo nível de em

prego. — (Conceituamos como "nível de emprego ou ocupação" a quantidade dc fôrça de trabalho necessária ao pro-

ce.sso produtivo, quando os recursos eco nômicos são mobilizados em certo grau

f volume. Já vimos que Kevnes tem ai um dos pontos de divergência com a tra dição clássica).

dos, que recusam a trabalhar por deter minado salário, do que das velaçõc.s con

juntas que tecem o processo produtivo, dentro da sociedade em que vivemos.

Lorde Keynes indica que o volume de cmprêgo é condicionado pelos recursos produtivos; e nessa determinação o em

prego desempenha

papel importante.

Lembramos aqui o 9^'® expusemos no

primeiro artigo desta série, nesta re-

Mas a teoria de Keynes reflete bem as preocupações modernas quando e.x-

A distribuição automática e plena dêsses

trai conclusões políticas dos estudos fei tos sôbre a realidade econômica.

Não

recursos, tal como esboçara a tradição ricardiana, esvai-.se: o desemprego crô nico, com extensão mais ou menos va

permanece, a exemplo de muitos raarginalistas, à distancia das questões .sociais

riável,

enquanto manipula esquematizaçÕes e abstrações, para ministrar-nos descri ções do comportamento econômico uni

centrar a atenção dos economistas. Joan

ta e desinteressada. Econòmicamente de sinteressada . ..

estão a propensão para consumir, a ati

Assim, na famigerada "Teoria Geral", o problema que centraliza todo o livro é o do desemprego; mas a análise teóri ca. a que o autor procede, não deixa co

a que o eminente economista se refere,

Queremos dizer: sua solução vai depen der mais das deliberações dos assalaria

Problemas que se impõem

psicológicos fundamentais (e neste ca«o tude em face da liquidez, a esperança do rendimento futuro de bens capitais)

ra se pôr na esfera do livre arbítrio.

Daí a significação que toma, na sua

visões a longo prazo e outros elementos '

escapam à determinação, como bem no

vel sutileza de argumentos, o problema

quase escapa do domínio cientifico, pa

interpretação, a renovação do ponto de vista da "procura efetiva" de Malthus.

tou o autor. Como computar as pre

podem ser colhidos no meio, mas que

figurem històrícamente, abrindo-lhe a perspectiva social, dentro da paisagem da ewlução capitalista. E, com admirá

\'ista.

versalmente válido, alheio às peculiari dades de qualquer meio .histórico con creto. Tal estratagema elimina as lutas e agitações de classes e seus problemas para erigir uma ciência serenamente al

termináveis. Há sempre "dados" que Afirma o professor de Cambridge que a quantidade de poupança não de pende apenas da taxa de juros, mas,

repetidamente, no curso das reflexões ?

locar o problema em têrmos que o con-

denunciando

desajustamentos

profundos das estruturas, vol\'e a con Robinson observou que já a apaixonada análise marxista, manejando instrumen tos conceituais rudes, so comparados ao

aparelhamento de que dispõe a Econo mia moderna, descarnara erros e con

flitos no sistema econômico, os quais não

foram logo examinados, mas esquecidos ou obscurecidos. Agora, us circunstân cias forçam a voltar implacavelmente ao debate dos mesmos problemas, com

melhor equipamento conceituai para o estudo. Não adianta passar ao largo ou

querer disfarçá-los. Êles se impõem de modo brutal c inadiável à reflexão cien-


Dioesto KcoN(S.Mirn 41

Dicesto Econômico

Employmcnl, Itilcrcsi on Money". cclí-

curva dc procura dc inversão miIí*', os ^ réditos sobem. Por sua vez, a curva de

çâo cit.) •

cípio com suficiente claridade nos seus

oferta dc poupança também se desloca, c, cm conseqüência, a curva da procura.

"Element.'! d'Ecoiu)mie Ptirc" aindu cm

Neste mecanismo funcional, o rédito

1900. De modo que, segundo a tradi-

c uma variável — enquanto na teoria

ç<ão clássica, todo ato dc poupança con

formulada pela tradição clássica c luna

correria para baixar a taxa dc juro, promo\'endo a produç<ão de capitais em proporção correspondente ao aumento da poupança. Êsse processo automático regularia o equilíbrio, dispensando — diz-nos Keyncs — qualquer providencia

determinante do .sistema.

da autoridade monetária.

determinantes. São produtos gêmeos destas, — da propensão para consumir, da curva de eficiência marginal do ca pital o da taxa de juro" (p. 183). Tal independência não significa, po-' rém, que sejam grandezas simples. De ve-se acentuar . que a poupança de pende do rédito — fato que os "clássi co;." souberam — mas êste depende do inversão — fato que êles deswnheceram. E assim, para que as variações entre poupança e inversão sejam iguais, ó preciso uma variação no rédito, que permita aquela equivalência.

Walra

entre outros, afirmou o prin

A obra de

Marshall esposa esses princípios funda mentais.

E* o calcanhar de Aquiles da Econo

mia clássica — e sempre os estudiosos sentiram o desajustamento entre a teo

ria geral econômica e as hipóteses par

ciais, formuladas para domínio particu lar. Pondo de parte a análise que pro curou estudar o juro como preço de ca pital determinado por sua produtividade marginal, alguns autores preferiram explícá-lo em lêrmos de oferta c procura do fundo;;, de créditos ou de títulos. Os neowícksellianos preferiram equacionar o problema em têrmos puramente mone tários, — que Keynes e .seus partidários combateram vivamente.

As varíãoeis econômicas do sistema

"Assim — pondera Keynes — a análise

concomitantemente, do nível de réditos: maior rédito maior poupança, se apreciamo.s individualmente o fenômeno. En

tretanto, para a comunidade, como um todo, a explicação diverge. Para Keynes, ao surgirem incentivos para inversão, a

Entretanto, dentro de uma determi

nada configuração econômica de certa estrutura, conhecidos as variáveis inde

pendentes citadas e os demais "dados . apontados (qualidade e quantidade de equipamento produtivo, estado dc técni ca, grau de concorrência, gastos e hábi

tradicional c defeituosa porque não po

tos dos consumidores, etc.) — é possí

de isolar corretamente as variáveis inde

vel estabelecer a correlação entre certo

pendentes do sistema.

"Poupança" c

"inversão" são as determinadas, não as

Experimentemos sumariar.

Ao indicar a propensão para consu mi;, a curva de eficiência marginal do

capital e a taxa de juros, como variáveis indepcndente.s-, no sistema keynesiano, pão queremos dizer que elas sejam de-

nível de rédito c certo nível de em

prego. — (Conceituamos como "nível de emprego ou ocupação" a quantidade dc fôrça de trabalho necessária ao pro-

ce.sso produtivo, quando os recursos eco nômicos são mobilizados em certo grau

f volume. Já vimos que Kevnes tem ai um dos pontos de divergência com a tra dição clássica).

dos, que recusam a trabalhar por deter minado salário, do que das velaçõc.s con

juntas que tecem o processo produtivo, dentro da sociedade em que vivemos.

Lorde Keynes indica que o volume de cmprêgo é condicionado pelos recursos produtivos; e nessa determinação o em

prego desempenha

papel importante.

Lembramos aqui o 9^'® expusemos no

primeiro artigo desta série, nesta re-

Mas a teoria de Keynes reflete bem as preocupações modernas quando e.x-

A distribuição automática e plena dêsses

trai conclusões políticas dos estudos fei tos sôbre a realidade econômica.

Não

recursos, tal como esboçara a tradição ricardiana, esvai-.se: o desemprego crô nico, com extensão mais ou menos va

permanece, a exemplo de muitos raarginalistas, à distancia das questões .sociais

riável,

enquanto manipula esquematizaçÕes e abstrações, para ministrar-nos descri ções do comportamento econômico uni

centrar a atenção dos economistas. Joan

ta e desinteressada. Econòmicamente de sinteressada . ..

estão a propensão para consumir, a ati

Assim, na famigerada "Teoria Geral", o problema que centraliza todo o livro é o do desemprego; mas a análise teóri ca. a que o autor procede, não deixa co

a que o eminente economista se refere,

Queremos dizer: sua solução vai depen der mais das deliberações dos assalaria

Problemas que se impõem

psicológicos fundamentais (e neste ca«o tude em face da liquidez, a esperança do rendimento futuro de bens capitais)

ra se pôr na esfera do livre arbítrio.

Daí a significação que toma, na sua

visões a longo prazo e outros elementos '

escapam à determinação, como bem no

vel sutileza de argumentos, o problema

quase escapa do domínio cientifico, pa

interpretação, a renovação do ponto de vista da "procura efetiva" de Malthus.

tou o autor. Como computar as pre

podem ser colhidos no meio, mas que

figurem històrícamente, abrindo-lhe a perspectiva social, dentro da paisagem da ewlução capitalista. E, com admirá

\'ista.

versalmente válido, alheio às peculiari dades de qualquer meio .histórico con creto. Tal estratagema elimina as lutas e agitações de classes e seus problemas para erigir uma ciência serenamente al

termináveis. Há sempre "dados" que Afirma o professor de Cambridge que a quantidade de poupança não de pende apenas da taxa de juros, mas,

repetidamente, no curso das reflexões ?

locar o problema em têrmos que o con-

denunciando

desajustamentos

profundos das estruturas, vol\'e a con Robinson observou que já a apaixonada análise marxista, manejando instrumen tos conceituais rudes, so comparados ao

aparelhamento de que dispõe a Econo mia moderna, descarnara erros e con

flitos no sistema econômico, os quais não

foram logo examinados, mas esquecidos ou obscurecidos. Agora, us circunstân cias forçam a voltar implacavelmente ao debate dos mesmos problemas, com

melhor equipamento conceituai para o estudo. Não adianta passar ao largo ou

querer disfarçá-los. Êles se impõem de modo brutal c inadiável à reflexão cien-


1 42

Digesto Economico

rifica. Só a- iíiconsciéncia teima em so-

sabe, vacilou. Não hesitou ein mudar

fismó-los e a ignorância em não vê-los.

do opinião, e proclamou-o nalguns li-

Solução dentro da legalidade

\TOS. Vários economistas atacaram-lho versatilidade. Mas Alvin Hansen uu

demu-

erótica

O crescimento das populações e a con corrência nos mercíidos internacionais

foram sempre assinalados como fatores

sérios na agravaçâo das ri\alidades que levam às guerras. Lorde Keynes p''etende mostrar que, com o "laissez faire" nacional e o padrão-ouro internacional

do.s ortodoxos, só restaria aos governos, para mitigar o desemprego, sua balança comercial favorável: a promoção de suas vendas no exterior, a restrição de suas

compras como "expediente desesperado para manter o nível de emprôgo no in

terior (p. 382). Os estadistas agiram quase sempre com idéias antiquadas em economia - ironiza Keynes. E' também uma pena que os teórico.s mais eminen

tes vão em .seu auxílio... Os "homens

práticos , da ironia de Keynes, não es tão muito em desacordo com os teóri cos, que pretendem descrever o sistema

abstraindo excessivamente sua.s condi ções reais e.pondo os problemas funda mentais em termos subíeti\izados :

"propensão para consumir", "propensão para gastar", "vontade de recusar certo

nível de salário", etc.

Mas Keynes não nos vem pregar medi

das espetaculares. Recomenda-nos ape nas : socialização das inversões, que proporcionaria emprego quase completo, sem ruptura com as tradições mais ge

rais do sistema. Porque, na sua opinião — "o sistema atual falhou na determina

ção do volume de ocupação, efetiva, não em sua direção".

O pensamento de Keynes é concilia tório'.

Por vezes, como todo o mundo

na sua instabilidade o de.sejo de desen volver sempre seu pensajnenlo, avan çando para problemas novos, a fim do propor soluções novas. .Apologista das linhas gerais do sistema capitalista, não hesitou cin propor as medidas que julnccc.ssárias

à sua conservação c

aperfeiçoamento.

Nunca atacou, por

conseqüência, as "funções tradicionais do govôrno" e continuou inclinado ao

livre jogo das forças econômicas, como o único meio capaz de propiciar a plf-

nitude do emprego. Não lhe atribuiu a desordem das formas competitivas e fi cou hostil às experiências rooseveltianas

do "Nexo Deal". O programa do trabaIhismo, que Attlee vai levando por dian te; através de mil tropeços e sabotagens conserv-adoras, não se enquadraria nOs seus pontos de vi.sta, que, no fundo, eram bostis às planificaçóes socíali.stas que se realizam. Para Keynes, a facul dade de livre iniciativa pessoal perma

nece como dogma indiscutido. E' a cha ve do edifício. Basta que nos lembre

mos do princípio psicológico, a "pro

pensão para consumir", dentre as variá veis fundamentais que definem o siste ma. Também viu na tradição e na ima

ginação "o instrumento mais poderoso para melhorar o futuro"... Não volveria Keynes, nessas reflexões,

us influências da velha doutrina "em qAc

José Garibaldi Danti III

(Conclusão)

A SITUAÇÃO mundial do algodão tende a agravar-se em vista do impressio nante aumento das duas últimas sa

fras americanas, que atingiram cerca de 15 e 16.000.000 de fardos, respectiva

mente, apesar da área semeada ter sido relativamente pequena.

realmente preços mínimos aos lavrado res, através de empréstimos baseados

em porcentagem de uma "paridade adrede preparada para esse fim. Para se ter uma idéia dessa assistência, basta di

zer que em certos anos, como em 1939, o governo dos Estados Unidos recebera

2. Em conseqüência disso, o custo, de

11.045.000 fardos de algodão, cuja co

produção do algodão nos Estados Uni

locação conseguiu efetuar, graças ao de

dos, se não caiu sensivelmente, man

clínio das safras mundiais e norte-ame

tém-se pelo menos estacionário, enquan

ricanas durante os anos de guerra.

to sobe ràpidumente, na maioria dos países concorrentes, especialmente o Brasil, de\ido justamente à tendência oposta de queda da produtividade média.

' 3. A elevação do rendimento da pro

dução algodoeira nos Estados Unidos é conseqüência de uma verdadeira "re volução técnica", caracterizada pelo maior uso de fertilizantes, a custo mode rado, eficientes e moderníssimos inseti

cidas, de expansão de novas áreas nas terras irrigadas do Oeste, de distribui ção de novas e melhores variedades, do cultivo dos tratos de terra mais adequa dos a essa lavoura e, em escala não pe

quena, do extraordinário avanço da me canização agrícola aplicada à exploração dessa cultura, desde o seu plantio áté a

3. Essa assistência não ficou, porém,

interrompida com a situação favorável de preços correntes no mundo, até ha via dois anos. Os la\Tadores norte-ame

ricanos de algodão, que representam uma das mais fortes e coesas forças po líticas do país, conseguiram manter,•

mesmo quando julgada desnece.ssária, a lei de garantia de preços mínimos, a cuja influência se de\-e, em grande parte, a

expansão das duas xiltimas safras. 6. Em conseqüência dessa exq)an.são, mais do que qualquer outra causa, a si tuação mundial do algodão, no ano cor rente, tende a agravar-se, iniciando, ao que parece, - um ciclo de abundância,. quiçá de superprodução com seu ine\itável cortejo de complicações de toda a ordem.

sua colheita e beneficiamento.

foi educado durante anos", conforme

4.

confessa com certa melancolia, indeciso

gresso tecnológico, emparelha-se a as sistência financeira direta do govêmo

antes da guerra

federal aos lavradores de algodão, con substanciada em leis que asseguram

O suprimento mundial de algodão, no período de 1935 a 1939, segundo dados

entre as possibilidades

crescentes de

uma planificação, dentro da legalidade democrática e constitucional, ditada pe la ciência econômica ? ,

Aq lado dêsse

extraordinário pro

Como se resolveu a superprodução de'^^

íÜ


1 42

Digesto Economico

rifica. Só a- iíiconsciéncia teima em so-

sabe, vacilou. Não hesitou ein mudar

fismó-los e a ignorância em não vê-los.

do opinião, e proclamou-o nalguns li-

Solução dentro da legalidade

\TOS. Vários economistas atacaram-lho versatilidade. Mas Alvin Hansen uu

demu-

erótica

O crescimento das populações e a con corrência nos mercíidos internacionais

foram sempre assinalados como fatores

sérios na agravaçâo das ri\alidades que levam às guerras. Lorde Keynes p''etende mostrar que, com o "laissez faire" nacional e o padrão-ouro internacional

do.s ortodoxos, só restaria aos governos, para mitigar o desemprego, sua balança comercial favorável: a promoção de suas vendas no exterior, a restrição de suas

compras como "expediente desesperado para manter o nível de emprôgo no in

terior (p. 382). Os estadistas agiram quase sempre com idéias antiquadas em economia - ironiza Keynes. E' também uma pena que os teórico.s mais eminen

tes vão em .seu auxílio... Os "homens

práticos , da ironia de Keynes, não es tão muito em desacordo com os teóri cos, que pretendem descrever o sistema

abstraindo excessivamente sua.s condi ções reais e.pondo os problemas funda mentais em termos subíeti\izados :

"propensão para consumir", "propensão para gastar", "vontade de recusar certo

nível de salário", etc.

Mas Keynes não nos vem pregar medi

das espetaculares. Recomenda-nos ape nas : socialização das inversões, que proporcionaria emprego quase completo, sem ruptura com as tradições mais ge

rais do sistema. Porque, na sua opinião — "o sistema atual falhou na determina

ção do volume de ocupação, efetiva, não em sua direção".

O pensamento de Keynes é concilia tório'.

Por vezes, como todo o mundo

na sua instabilidade o de.sejo de desen volver sempre seu pensajnenlo, avan çando para problemas novos, a fim do propor soluções novas. .Apologista das linhas gerais do sistema capitalista, não hesitou cin propor as medidas que julnccc.ssárias

à sua conservação c

aperfeiçoamento.

Nunca atacou, por

conseqüência, as "funções tradicionais do govôrno" e continuou inclinado ao

livre jogo das forças econômicas, como o único meio capaz de propiciar a plf-

nitude do emprego. Não lhe atribuiu a desordem das formas competitivas e fi cou hostil às experiências rooseveltianas

do "Nexo Deal". O programa do trabaIhismo, que Attlee vai levando por dian te; através de mil tropeços e sabotagens conserv-adoras, não se enquadraria nOs seus pontos de vi.sta, que, no fundo, eram bostis às planificaçóes socíali.stas que se realizam. Para Keynes, a facul dade de livre iniciativa pessoal perma

nece como dogma indiscutido. E' a cha ve do edifício. Basta que nos lembre

mos do princípio psicológico, a "pro

pensão para consumir", dentre as variá veis fundamentais que definem o siste ma. Também viu na tradição e na ima

ginação "o instrumento mais poderoso para melhorar o futuro"... Não volveria Keynes, nessas reflexões,

us influências da velha doutrina "em qAc

José Garibaldi Danti III

(Conclusão)

A SITUAÇÃO mundial do algodão tende a agravar-se em vista do impressio nante aumento das duas últimas sa

fras americanas, que atingiram cerca de 15 e 16.000.000 de fardos, respectiva

mente, apesar da área semeada ter sido relativamente pequena.

realmente preços mínimos aos lavrado res, através de empréstimos baseados

em porcentagem de uma "paridade adrede preparada para esse fim. Para se ter uma idéia dessa assistência, basta di

zer que em certos anos, como em 1939, o governo dos Estados Unidos recebera

2. Em conseqüência disso, o custo, de

11.045.000 fardos de algodão, cuja co

produção do algodão nos Estados Uni

locação conseguiu efetuar, graças ao de

dos, se não caiu sensivelmente, man

clínio das safras mundiais e norte-ame

tém-se pelo menos estacionário, enquan

ricanas durante os anos de guerra.

to sobe ràpidumente, na maioria dos países concorrentes, especialmente o Brasil, de\ido justamente à tendência oposta de queda da produtividade média.

' 3. A elevação do rendimento da pro

dução algodoeira nos Estados Unidos é conseqüência de uma verdadeira "re volução técnica", caracterizada pelo maior uso de fertilizantes, a custo mode rado, eficientes e moderníssimos inseti

cidas, de expansão de novas áreas nas terras irrigadas do Oeste, de distribui ção de novas e melhores variedades, do cultivo dos tratos de terra mais adequa dos a essa lavoura e, em escala não pe

quena, do extraordinário avanço da me canização agrícola aplicada à exploração dessa cultura, desde o seu plantio áté a

3. Essa assistência não ficou, porém,

interrompida com a situação favorável de preços correntes no mundo, até ha via dois anos. Os la\Tadores norte-ame

ricanos de algodão, que representam uma das mais fortes e coesas forças po líticas do país, conseguiram manter,•

mesmo quando julgada desnece.ssária, a lei de garantia de preços mínimos, a cuja influência se de\-e, em grande parte, a

expansão das duas xiltimas safras. 6. Em conseqüência dessa exq)an.são, mais do que qualquer outra causa, a si tuação mundial do algodão, no ano cor rente, tende a agravar-se, iniciando, ao que parece, - um ciclo de abundância,. quiçá de superprodução com seu ine\itável cortejo de complicações de toda a ordem.

sua colheita e beneficiamento.

foi educado durante anos", conforme

4.

confessa com certa melancolia, indeciso

gresso tecnológico, emparelha-se a as sistência financeira direta do govêmo

antes da guerra

federal aos lavradores de algodão, con substanciada em leis que asseguram

O suprimento mundial de algodão, no período de 1935 a 1939, segundo dados

entre as possibilidades

crescentes de

uma planificação, dentro da legalidade democrática e constitucional, ditada pe la ciência econômica ? ,

Aq lado dêsse

extraordinário pro

Como se resolveu a superprodução de'^^

íÜ


rT'.'

tico ^

4\

Dicesto EcONÓNtlCO

da Bôlsa de Nova York, atingiu, em mé

45

Dicbsto Econòaboo

alemãs, japonesas, italianas e fran

dia anual, 47.042.000 fardos, enquan

Conferência, primeiramente porqiR- se desenrolou sob a atmosfera itupiieta do

cesas.

to o consumo não passava de 28.551.000 fardos. Essa situação de

início da conflagração mundial e, em

13.

segundo lugar, porque tòdas as pro postas apresentadas pelos técnicos nor te-americanos, a fim de resolver o pro blema das sobras e impedir nova super

anos desfavoráveis, climatèricamente fa lando, resolveram o difícil problema da

desequilíbrio entre a produção e o con sumo provocou a formaç^ão de estoques

do tal amplitude que parecia impossível dar-lhes adequada distribuição. Basta dizer que em 1939, segundo a mesma fonte informativa, havia nos Estados

produção, giravam cm tôrno de cotas de exportação, absolutamente inaceitáveis

Menores colheitas, maior consumo

interno em algvins países e um ciclo de superprodução mundial de algodão, com muito maior eficiência c justiça do que

algumas providências que, para esse fim, o durante o período de 1939 a 1944,

11.045.000 pertenciam ao governo e 1.988.000 a particulares. Nesse mesmo

pelo Brasil. Era evidente o propó.:ito de alijar o Brasil da produção e da concorrência internacional do algodão. 11. Sobrevindo a guerra, e nela to

ano, os estoques de algodões de tôdas

mando parte os Estados Unidos, depois

tação, criado por lei do Congresso dos

as procedências, fora os dos Estados

do ataque japonês a Pearl Ilarbour, fi

Estados Unidos.

Unidos, não passavam de 8.608.000 far

caram pràticamente trancados grandes mercados consumidores da Europa e

medida sempre se bateu o Brasil, em

da Ásia.

várias reuniões internacionais, onde a

Unidos 13.033.000 fardos, dos quais

dos, o que é considerado praticamente normal.

8. O problema de excesso de algodão era, pois, mais norte-ame

ricano do que mundial e fora, em grande parte, cria do pela safra-mon.stro de

^

18.412.000 fardos, colhida nos Estados

Unidos em

1937.

12. Em vista disso, vários países re duziram suas áreas algodocira.^, especialmente Egito c índia, a fim -de aumentar

a área agrícola destinada a gêneros alimentícios. Nos Estados Unidos também so

tomaram

as autoridades norte-ameri

canas.

14.

15.

Referlmo-nos ao subsídio i\ expor

É escusado dizer que contra essa

mesma veio à baila. Apesar de derro tados, no tocante a essa providencia, os delegados norte-americanos a recen te Conferência Econômica de Annecy

conseguiram mais tarde, em Havana, a

quase aprovação de tão perigosa provi dência.

O subsídio à esportação, que

tantos males causou ao Brasil e a outros

9. Para livrar-se do peso desses "elefantes brancos",

processou, se bem que em

países algodoeíros, continua, pois, de pe,

escala menor, o mesmo mo

se bem que em caráter simbólico, para o

convocaram os Estados Uni

vimento. Dc outro lado, o

momento.

dos

uma

consumo das fábricas norte-

Conferência Internacional do

americanas tomava ímpeto especial para atender ás ne

apressadamente

Algodão, realizada cm Washington, em setembro xde

1939, à qual compareceu o

Brasil, representado por uma delegação composta dos srs. Apolônio Sales, pelo Norte do País, Deodoro Perrelli,

pelo comércio do Sul e José Garibaldl Dantas pelo Go-

j=:. »/

cessidades de tecidos de sua

população e das fôrças ar

baixara a 13.903.000 fardos, sendo que

nn índia se trabalhava tam

de algodão pròpriamente americano ha

Em conseqüência dessa escassez, os

preços do algodão subiram a níveis nun ca registrados, e assim começou a to mar corpo, mormente nos Estados Uni dos, a nova onda de grandes safras,^ a

que aludimos no início desta exposição. 18. Acumulam-se agora, novamente,

enormes estoques de algodão nos Esta dos Unidos, em que pese o fato dc «tar ôssc país pràticamente sòzinho no abas tecimento de importantes mercados com sumidores, como Alemanha e Japão. E

que as suas safras, pelo conjuntó de

fatôres já apontados, excederam, de ma neira impressionante, as mais otimistas prerisões.

19. De acôrdo com os cálculos da Bôl sa de No\'a York, o estoque disponível

em 1.° de agôsto pró.ximo, quando co meça a nova estação algodoeira, será de quase 8.000.000 de fardos, contra 5.200.000 em igual data de 1949, 3,080.000 em 1948 e 2.530.000 em 1947. Dos 8.000.000 de fardos que ali se encontrarão, na data citada, sem colocação, cerca de 5.000.000 pertencem

ao govêmo e 3.000.000 a particulares. 20. A essas sobras ameaçadoras deverá

juntar-se a produção de 1950, cuja semeadura já teve início nos Estados mais setentrionais da "cotton belt norteamericana.

21. Temendo o govêmo daquele país a

repetição, em 1950, de grande safra, como a de 1949, e cumprindo dispositi

bém febrilmente para suprir

via apenas, no citado total, 3.080.000 fardos. Essas quantidades eram tao

o.s mercados internos e ex

reduzidas que o mundo começou a

ternos, em grande parte desfalcado.i pela quase parali

pensar então em "fome de algodão'.

um plebiscito entre todos os la\Tadores

As sobras de antes da guerra haviam desaparecido. Melhorava o consumo mundial, em conseqüência da paz, e por um fenômeno inesperado fracassavam

com redução da nova área, a ser plan-

sação das fábricas britâni

10.

cas e da interrupção de suprimento das congêneres

gar-SG a acordo, durante essa

americano 6 de outras precedências,

madas, enquanto no Brasil e

vômo.

Não foi possível che-

Novo ciclo de stiperprodução 16. Em 1.° de agôsto de 1948, o "carry-over" mundial de algodão, norte-

durante vários anos as colheitas de al godão fora dos Estados Unidos.

vos da lei de garantia de preços mínimos, realizou, em 15 de dezembro de 1940, de vários Estados algodoeíros, a fim de decidir se continuaria a lei de preços mínimos no nível de 92% da paridade,


rT'.'

tico ^

4\

Dicesto EcONÓNtlCO

da Bôlsa de Nova York, atingiu, em mé

45

Dicbsto Econòaboo

alemãs, japonesas, italianas e fran

dia anual, 47.042.000 fardos, enquan

Conferência, primeiramente porqiR- se desenrolou sob a atmosfera itupiieta do

cesas.

to o consumo não passava de 28.551.000 fardos. Essa situação de

início da conflagração mundial e, em

13.

segundo lugar, porque tòdas as pro postas apresentadas pelos técnicos nor te-americanos, a fim de resolver o pro blema das sobras e impedir nova super

anos desfavoráveis, climatèricamente fa lando, resolveram o difícil problema da

desequilíbrio entre a produção e o con sumo provocou a formaç^ão de estoques

do tal amplitude que parecia impossível dar-lhes adequada distribuição. Basta dizer que em 1939, segundo a mesma fonte informativa, havia nos Estados

produção, giravam cm tôrno de cotas de exportação, absolutamente inaceitáveis

Menores colheitas, maior consumo

interno em algvins países e um ciclo de superprodução mundial de algodão, com muito maior eficiência c justiça do que

algumas providências que, para esse fim, o durante o período de 1939 a 1944,

11.045.000 pertenciam ao governo e 1.988.000 a particulares. Nesse mesmo

pelo Brasil. Era evidente o propó.:ito de alijar o Brasil da produção e da concorrência internacional do algodão. 11. Sobrevindo a guerra, e nela to

ano, os estoques de algodões de tôdas

mando parte os Estados Unidos, depois

tação, criado por lei do Congresso dos

as procedências, fora os dos Estados

do ataque japonês a Pearl Ilarbour, fi

Estados Unidos.

Unidos, não passavam de 8.608.000 far

caram pràticamente trancados grandes mercados consumidores da Europa e

medida sempre se bateu o Brasil, em

da Ásia.

várias reuniões internacionais, onde a

Unidos 13.033.000 fardos, dos quais

dos, o que é considerado praticamente normal.

8. O problema de excesso de algodão era, pois, mais norte-ame

ricano do que mundial e fora, em grande parte, cria do pela safra-mon.stro de

^

18.412.000 fardos, colhida nos Estados

Unidos em

1937.

12. Em vista disso, vários países re duziram suas áreas algodocira.^, especialmente Egito c índia, a fim -de aumentar

a área agrícola destinada a gêneros alimentícios. Nos Estados Unidos também so

tomaram

as autoridades norte-ameri

canas.

14.

15.

Referlmo-nos ao subsídio i\ expor

É escusado dizer que contra essa

mesma veio à baila. Apesar de derro tados, no tocante a essa providencia, os delegados norte-americanos a recen te Conferência Econômica de Annecy

conseguiram mais tarde, em Havana, a

quase aprovação de tão perigosa provi dência.

O subsídio à esportação, que

tantos males causou ao Brasil e a outros

9. Para livrar-se do peso desses "elefantes brancos",

processou, se bem que em

países algodoeíros, continua, pois, de pe,

escala menor, o mesmo mo

se bem que em caráter simbólico, para o

convocaram os Estados Uni

vimento. Dc outro lado, o

momento.

dos

uma

consumo das fábricas norte-

Conferência Internacional do

americanas tomava ímpeto especial para atender ás ne

apressadamente

Algodão, realizada cm Washington, em setembro xde

1939, à qual compareceu o

Brasil, representado por uma delegação composta dos srs. Apolônio Sales, pelo Norte do País, Deodoro Perrelli,

pelo comércio do Sul e José Garibaldl Dantas pelo Go-

j=:. »/

cessidades de tecidos de sua

população e das fôrças ar

baixara a 13.903.000 fardos, sendo que

nn índia se trabalhava tam

de algodão pròpriamente americano ha

Em conseqüência dessa escassez, os

preços do algodão subiram a níveis nun ca registrados, e assim começou a to mar corpo, mormente nos Estados Uni dos, a nova onda de grandes safras,^ a

que aludimos no início desta exposição. 18. Acumulam-se agora, novamente,

enormes estoques de algodão nos Esta dos Unidos, em que pese o fato dc «tar ôssc país pràticamente sòzinho no abas tecimento de importantes mercados com sumidores, como Alemanha e Japão. E

que as suas safras, pelo conjuntó de

fatôres já apontados, excederam, de ma neira impressionante, as mais otimistas prerisões.

19. De acôrdo com os cálculos da Bôl sa de No\'a York, o estoque disponível

em 1.° de agôsto pró.ximo, quando co meça a nova estação algodoeira, será de quase 8.000.000 de fardos, contra 5.200.000 em igual data de 1949, 3,080.000 em 1948 e 2.530.000 em 1947. Dos 8.000.000 de fardos que ali se encontrarão, na data citada, sem colocação, cerca de 5.000.000 pertencem

ao govêmo e 3.000.000 a particulares. 20. A essas sobras ameaçadoras deverá

juntar-se a produção de 1950, cuja semeadura já teve início nos Estados mais setentrionais da "cotton belt norteamericana.

21. Temendo o govêmo daquele país a

repetição, em 1950, de grande safra, como a de 1949, e cumprindo dispositi

bém febrilmente para suprir

via apenas, no citado total, 3.080.000 fardos. Essas quantidades eram tao

o.s mercados internos e ex

reduzidas que o mundo começou a

ternos, em grande parte desfalcado.i pela quase parali

pensar então em "fome de algodão'.

um plebiscito entre todos os la\Tadores

As sobras de antes da guerra haviam desaparecido. Melhorava o consumo mundial, em conseqüência da paz, e por um fenômeno inesperado fracassavam

com redução da nova área, a ser plan-

sação das fábricas britâni

10.

cas e da interrupção de suprimento das congêneres

gar-SG a acordo, durante essa

americano 6 de outras precedências,

madas, enquanto no Brasil e

vômo.

Não foi possível che-

Novo ciclo de stiperprodução 16. Em 1.° de agôsto de 1948, o "carry-over" mundial de algodão, norte-

durante vários anos as colheitas de al godão fora dos Estados Unidos.

vos da lei de garantia de preços mínimos, realizou, em 15 de dezembro de 1940, de vários Estados algodoeíros, a fim de decidir se continuaria a lei de preços mínimos no nível de 92% da paridade,


^, »r7i 4^

» KtX).s6Nttcü

tad» de margo em diante, ou se prevaieceria inteira liberdade de plantio, com nível mais baixo de garantia de preços.

Milhões de lavradores, c-onstituindo maioria absoluta, votaram a favor

00

da redução da área e da manutenção dos atuais níveis de garantia de preços. 23. Por essa decisão, serão plantados, nos Estados Unido.s-, apenas 20 a

2i.OOG.000 de "acres", mas já foram encaminliadof: ao Congresso Xacional,

agora em funcionamento, vários projetos tendentes a modificar a decisão acima

referida, a fim de permitir plantio de área maior.

24. Mesmo, porém, sem novo.s acrés

cimos, a área aprovada no plebiscito ci tado poderá produzir 12.000.000 oti mesmo 13.000.000 de fardos, mercê do

<iuc tem algumas .sobras, não liá estíjqucs na índia, na C)>ína. na Kússla o no Brasil. Diríamos melhor: não liá mais estoques disjxjníveis nos primeiros Irès. grandes paí.scs acima mencionados. Dc

fato, a índia está negociando a inqjortaçao de algodão norte-americano, a China Comunista paralisa .suas fábricas no distrito dc Changai e a Rússia não

pode sequer abastecer os fusos dos paí ses satélites que lhe ficam próximos, co mo Polcinía c Tchccoslováquia. 28. Não dispõe também o Brasil de

estoques dc vulto no momento, pois ex portou Uido quanto se acumulara chirant<' Os anos de guerra.

29. Só pôde vender, recentemente, al <» Inglaterra, à custa ôy promessas de entrega da nova safra.

dução de algodão, ja aqui referido.

'"■.ao nos Estados Unidos e <|„íse pemma de e.sloc,„es nos demais países pro-

vável de algodão norte-americano, na estaç-ão 1950/51, será constituído do

"carry-over" de 8.000.000, acrescido da

safra previsto de 12 a 13.000.000, o que perfaz um impressionante total de 21.000.000 de fardos.

26. Desse suprimento ter-se-ia de de

duzir uma distribuição de aproximada mente 11.000.000 de fardos (7.000.000

de consumo e 4.000.000 dc exportação), sobrando assim ein 1.'^ de agosto de 1951, cerca de 10.000.000 de fardos de algodão — o consumo de um ano no mundo inteiro.

■30 Dentro (lesse sitnaçfio _ siiperpro-

mercados internacionais, com o produto

mente um patrimônio que pode

Jc tJulros países, ansiosos de disputar o toioar esses mercados, escudados na sua

alguns biliões de cruzeiros.

nômica

internacional.

32. O fut^iro da expansão algodoeira do Brasil pode, portanto, estar seriamen te ameaçado.

33.

Ante tal perspectiva, sòmenle

se

nos oferece esta alternativa: desistir desc

sa expansão ou lutar por ela. O algodão é essencial i) eeono»ilí/ brasileira

.34.

O algodão ó essencial à economia

brasileira por sete razões básicas:

du ores - 6 q„e vamos pro^vel.nlnte ™ uma Conferí-ncia Internacional dri

visas', depois do caféj com que

máno ja conliecido, o novo eiclo dc

leira;

tomar parte, em 22 de maio dêste ano

Algodão, onde se debaterá, segundo Ic.superprodução mundial.

31. O fato de não termos estoques no momento não implica' no afastamento

completo de novos perigos. A economia ijrasileira c fraca e foi quase íim mila gre colocar, em anos passados, tão gran de massa de algodão, com tão flagran te hostilidade de competidores mais for tes, e ate sem ferir os tradicionais laços

Nãp há grandes estoques fora dos Estados Unidos

dência e a observação dos fatos levam-

nos a tomar atitude de cautelosa exijectativa, uma vez que as novas safras

brasileiras de algodão, iniciando o ciclo de-maior produção, vão defrontar-se, nos tá

I i

.ser calculado, sem cxagêro, ein

Porque é a produção que tem a

nielbor orgunizitção financeira e nas vantagcns de tòda a ordem que podem oferecer ao consumo mundial, mcrcç dc sua privilegiada situação política e eco

1 - Porque c a matéria-prima do mais importante setor da vida industrial do País; 2 — Porque é a fonte principal de di

de amizírdc política que sempre uniram o Brasil aos Estados Unidos. Mas a pru

27. Os estoques de algodão, fora dos Estados Unidos, são pràticamente in significantes. Com exceção do Egito,

47

EconOMICO

gumas dezenas dc milhões de quilos

extraordinário aperfeiçoamento da pro 25. Em tal hipótese, o suprimento pro

píGESTO

pode contar a economia brasi

3 — Porqv;e é lavoura que, relativa mente à sua importância, maior

némiero de agricultores e traba

lhadores emprega atualmente; 4 — Porque é igualmente matéria-

prima de inúmeras atividades básicas de nosso meio, como fa

bricação de óleo comestível, pro dução dc torta e línter; 5 —'Porque é lavoura eminentemenle nacional, cultivada no Norte,

Nordeste, Centro e Sul (São Paulo e Paraná) dc País.

6 — Porque é atividade cujas insta lações, em armazéns, depósitos, descaroçadores e prensas de alti* çlc-n.sidadc, representam alii.xl-

seu serviço a maior rede de e.s-

taçõe? experimentais e de técni

cos especirtlíziidos do país. 35. Outras razões do Milor do algodão na economia nacional poderiam ser fa cilmente apontadas, mas as acima ex

postas já são de tão grande relevância que dispensam qualquer outra referên cia.

36. Duas delas, entretanto, merecem .ser destacadas:

a) — Matéria-prima para a indústria; b) — Fonte de recursos cambiais. 37.

A nossa indústria têxtil não pode ria Niver c prosperar se não ti\'esse a > seu serviço a produção algodoeira nacio nal, cujas colheitas se desdobram por

quase todos os meses do ano, porque,

fato único no mundo, possui o Brasil

duas regiões típicas, a do Sul e a do Norte, com épocas de plantio e colheita inteiramente diversas. Além dessa ca racterística feliz, oferece a produção al-

•godoeira à indústria brasileira todas as qualidades cie fibras necessárias, quer ' às curtas para os fio.s de baba titulagem, quer as médias e longas para os fios de qualidade superior. 38. Graças a êsse conjunto de con dições especiais, a produção algodoeira tanto interessa à lavoura do Norte quan to à do Sul, e em seu redor se criaram centros de riqueza e progresso.

39. Igualmente, não poderia o Brasil viver sem algodão influindo acentuadamente no seu comércio exterior, pri

meiramente porque é êsse produto atual mente o maior fornecedor de libras e


^, »r7i 4^

» KtX).s6Nttcü

tad» de margo em diante, ou se prevaieceria inteira liberdade de plantio, com nível mais baixo de garantia de preços.

Milhões de lavradores, c-onstituindo maioria absoluta, votaram a favor

00

da redução da área e da manutenção dos atuais níveis de garantia de preços. 23. Por essa decisão, serão plantados, nos Estados Unido.s-, apenas 20 a

2i.OOG.000 de "acres", mas já foram encaminliadof: ao Congresso Xacional,

agora em funcionamento, vários projetos tendentes a modificar a decisão acima

referida, a fim de permitir plantio de área maior.

24. Mesmo, porém, sem novo.s acrés

cimos, a área aprovada no plebiscito ci tado poderá produzir 12.000.000 oti mesmo 13.000.000 de fardos, mercê do

<iuc tem algumas .sobras, não liá estíjqucs na índia, na C)>ína. na Kússla o no Brasil. Diríamos melhor: não liá mais estoques disjxjníveis nos primeiros Irès. grandes paí.scs acima mencionados. Dc

fato, a índia está negociando a inqjortaçao de algodão norte-americano, a China Comunista paralisa .suas fábricas no distrito dc Changai e a Rússia não

pode sequer abastecer os fusos dos paí ses satélites que lhe ficam próximos, co mo Polcinía c Tchccoslováquia. 28. Não dispõe também o Brasil de

estoques dc vulto no momento, pois ex portou Uido quanto se acumulara chirant<' Os anos de guerra.

29. Só pôde vender, recentemente, al <» Inglaterra, à custa ôy promessas de entrega da nova safra.

dução de algodão, ja aqui referido.

'"■.ao nos Estados Unidos e <|„íse pemma de e.sloc,„es nos demais países pro-

vável de algodão norte-americano, na estaç-ão 1950/51, será constituído do

"carry-over" de 8.000.000, acrescido da

safra previsto de 12 a 13.000.000, o que perfaz um impressionante total de 21.000.000 de fardos.

26. Desse suprimento ter-se-ia de de

duzir uma distribuição de aproximada mente 11.000.000 de fardos (7.000.000

de consumo e 4.000.000 dc exportação), sobrando assim ein 1.'^ de agosto de 1951, cerca de 10.000.000 de fardos de algodão — o consumo de um ano no mundo inteiro.

■30 Dentro (lesse sitnaçfio _ siiperpro-

mercados internacionais, com o produto

mente um patrimônio que pode

Jc tJulros países, ansiosos de disputar o toioar esses mercados, escudados na sua

alguns biliões de cruzeiros.

nômica

internacional.

32. O fut^iro da expansão algodoeira do Brasil pode, portanto, estar seriamen te ameaçado.

33.

Ante tal perspectiva, sòmenle

se

nos oferece esta alternativa: desistir desc

sa expansão ou lutar por ela. O algodão é essencial i) eeono»ilí/ brasileira

.34.

O algodão ó essencial à economia

brasileira por sete razões básicas:

du ores - 6 q„e vamos pro^vel.nlnte ™ uma Conferí-ncia Internacional dri

visas', depois do caféj com que

máno ja conliecido, o novo eiclo dc

leira;

tomar parte, em 22 de maio dêste ano

Algodão, onde se debaterá, segundo Ic.superprodução mundial.

31. O fato de não termos estoques no momento não implica' no afastamento

completo de novos perigos. A economia ijrasileira c fraca e foi quase íim mila gre colocar, em anos passados, tão gran de massa de algodão, com tão flagran te hostilidade de competidores mais for tes, e ate sem ferir os tradicionais laços

Nãp há grandes estoques fora dos Estados Unidos

dência e a observação dos fatos levam-

nos a tomar atitude de cautelosa exijectativa, uma vez que as novas safras

brasileiras de algodão, iniciando o ciclo de-maior produção, vão defrontar-se, nos tá

I i

.ser calculado, sem cxagêro, ein

Porque é a produção que tem a

nielbor orgunizitção financeira e nas vantagcns de tòda a ordem que podem oferecer ao consumo mundial, mcrcç dc sua privilegiada situação política e eco

1 - Porque c a matéria-prima do mais importante setor da vida industrial do País; 2 — Porque é a fonte principal de di

de amizírdc política que sempre uniram o Brasil aos Estados Unidos. Mas a pru

27. Os estoques de algodão, fora dos Estados Unidos, são pràticamente in significantes. Com exceção do Egito,

47

EconOMICO

gumas dezenas dc milhões de quilos

extraordinário aperfeiçoamento da pro 25. Em tal hipótese, o suprimento pro

píGESTO

pode contar a economia brasi

3 — Porqv;e é lavoura que, relativa mente à sua importância, maior

némiero de agricultores e traba

lhadores emprega atualmente; 4 — Porque é igualmente matéria-

prima de inúmeras atividades básicas de nosso meio, como fa

bricação de óleo comestível, pro dução dc torta e línter; 5 —'Porque é lavoura eminentemenle nacional, cultivada no Norte,

Nordeste, Centro e Sul (São Paulo e Paraná) dc País.

6 — Porque é atividade cujas insta lações, em armazéns, depósitos, descaroçadores e prensas de alti* çlc-n.sidadc, representam alii.xl-

seu serviço a maior rede de e.s-

taçõe? experimentais e de técni

cos especirtlíziidos do país. 35. Outras razões do Milor do algodão na economia nacional poderiam ser fa cilmente apontadas, mas as acima ex

postas já são de tão grande relevância que dispensam qualquer outra referên cia.

36. Duas delas, entretanto, merecem .ser destacadas:

a) — Matéria-prima para a indústria; b) — Fonte de recursos cambiais. 37.

A nossa indústria têxtil não pode ria Niver c prosperar se não ti\'esse a > seu serviço a produção algodoeira nacio nal, cujas colheitas se desdobram por

quase todos os meses do ano, porque,

fato único no mundo, possui o Brasil

duas regiões típicas, a do Sul e a do Norte, com épocas de plantio e colheita inteiramente diversas. Além dessa ca racterística feliz, oferece a produção al-

•godoeira à indústria brasileira todas as qualidades cie fibras necessárias, quer ' às curtas para os fio.s de baba titulagem, quer as médias e longas para os fios de qualidade superior. 38. Graças a êsse conjunto de con dições especiais, a produção algodoeira tanto interessa à lavoura do Norte quan to à do Sul, e em seu redor se criaram centros de riqueza e progresso.

39. Igualmente, não poderia o Brasil viver sem algodão influindo acentuadamente no seu comércio exterior, pri

meiramente porque é êsse produto atual mente o maior fornecedor de libras e


• 4

4a

C

Dicesto Econômico

moedas satelltes ao País, e, segundo, porcjuc, em \'ista do destino de sua, ex

portação. é pràticamente o grande ele

mento de união entre a Europa e a nossa terra.

40. Assim como o café proporciona dólares ao Brasil, q algodão fomece-Ihe

libras. O primeiro representa a ligação econômica com os Estados Unidosj o segundo, com a Europa. 41. Essas razões e outras, que fàcílmente poderiam ser aduzidas, levam o país, irrecorrivelmente a não desistir de sua expansão algcdoeira, mas, sim, a lutar por ela.

42. Para isso, e ante a ine\itável ofen

siva dos antigos e novos competidores, entre os quais destacamos o México,

com uma potencialidade crescente, já

calculada acima de um millião de fardos, e o Paquistão, com igual quantidade, não podemos cruzar os braços, com© se es tivéssemos satisfeitos ou convictos de

nossa fôrça, nem atacar o problema do

fortalecimento da economia algodoeira do País, atabalhoadamente, sem progra ma e sem técnica.

43. Èsse programa tem três face.s, a saber:

Agrícola — Aumento da produ ção econômica, isto é, da pro

dução que seja capaz, através da redução de seus respectivos custos, de competir em quanti dade e qualidade com qual quer região do mundoj -b) - Comercial — Reestudo da nossa

\\

política comercial do algodão; atualmente quase interrompi

b/\se,v ?\n\ ou poi.íTic/v ,

da, ou sem rumos certos e

I^TER\AfIO\AL ^

precisos, visando acima d© tudo

à penetração eficiente c ade

Roberto Pinto de Souza

quada dos nossos algodões nos grandes mercados importadores

(Da Universidade de São Paulo)

^ NOSSO intuito, neste trabalho, foca

do mundo,

c) — Iruluatrial — Formulação de

lizar o problema intrincado da polí

uma política industrial têxtil,

tica cximercíal internacional.

calcada tanto quanto possível

Achamos

oportuno êsse tema, uma véz que, nas

nas recomendações da última

transações o nos acordos comerciais e

Convenção Nacional de ativi dades dêsse ramo, realizada no Rio de Janeiro, visando a maior produção e expansão dos fios

as várias economias nacionais, ou, em

menos desenvolvidas vêm sofrendo tra

outras palavras, e.xpÜcar quando e por quü um país exporta detenninados pro

ção difícil para réalizar o desenvolvi

dos internos e e.xtemo.

44. Essas três mais destacadas faces cio problema algodoeir© brasileiro na a^a] e já difícil conjuntura mundial, in

que lhe advém dessa transação.

elevados.

e desenvol\'imento do comércio interna

A política que tem orientado as rela por princípios que trazem benefícios apenas aos países econòmicament© for

comercial pela conquista dos mercados consumidores do mundo, constituem, um verdadeiro programa a ser desenvolvido

tes, daí o seu flagrante contraste com

e assentado pelos respectivos especíaUs- ' tas dos diversos ramos ou setores apon tados, a fim de lançarem as bases da política algodoeira brasileira, a ser de fendida, em anos próximos, quer inter na quer externamente.

assunto, sem excluir-lho a urgência, tor na-se imprescindível obter a colaboração de todos os interessados, do Norte e Sul

cípios que devem orientar as relações econômicas entre as nações.

car os movimentos do comércio interna

cional em função da formação interna

iremos desenvolver não são nossas, mas do ilustre economista Roberto Simonsen,

cional de preços. Em seguida, Pareto,

do quem tivemos a honra de ser amigo

integrar a teoria do comércio internacio nal na teoria geral do equilíbrio econô mico, estabelecendo ao lado das equa ções de equilíbrio no mercado interno, equações novas de equilíbrio entre

partindo dos estudos de Marshall, tentou

pois a estudar a política comercial em

mercados.

face dos conceitos teóricos. Para criti

centes procuraram detalhar em equilíbrios parciais o estudo particular ,da oferta e da procura de determinadas

cá-la, desenvolveremos os conceitos de estrutura econômica.

Dêstes e da crí

tica tiraremos os princípios em que de verá assentar-sc a fuhira política eco nômica.

M

ceito de valor-trabalho. Essa doutrina,

que encontrou em Ricardo o seu maior conceituador e em Stuart Mil] o seu me

Por amor à lógica iniciaremos o pre

algodoeira na nossa terra.

com a Escola Clássica e deriv ou do con

lhor expositor, foi completada pela teoria das curvas recíprocas de oferta e pro cura de Marshall, que procurou expli

sente artigo pela análise da teoria do comércio internacional. Passaremos de

belecer as linhas-mestras da economia

cional. Uma das primeiras foi a teoria dos custos comparativos, que surgiu

dificação. É nosso objetivo apontar as razões déss© contraste e os novos prin

o discípulo.

do País, a fim de cjue consigamos esta

Há varias e.xplicações sôbre natureza

a realidade, e a necessidade de sua mo

Devo dizer que muitas das idéias que

45. Dada, pois, a complexidade do

dutos e importa outros, e o benefício

mento de suas forças econômicas e dar àj suas populações índices de vida mais ções comerciais internacionais norteia-se

dicativa de supeiprodução e, consequen temente, de intensificação da competição

A teoria do comércio exterior visa

apontar as causas e as condições, que presidem as trocas de mercadorias entre

financeiros, as nações econòniicamente tamento injusto, que as coloca em posi

o tecidos brasileiros nos merca

Teoria do comércio iniemacioruil

Por fim, estudos mais re

mercadorias.

Estas quatro teorias, porém, não se axclucm o nem sc opõem, antes se in-


• 4

4a

C

Dicesto Econômico

moedas satelltes ao País, e, segundo, porcjuc, em \'ista do destino de sua, ex

portação. é pràticamente o grande ele

mento de união entre a Europa e a nossa terra.

40. Assim como o café proporciona dólares ao Brasil, q algodão fomece-Ihe

libras. O primeiro representa a ligação econômica com os Estados Unidosj o segundo, com a Europa. 41. Essas razões e outras, que fàcílmente poderiam ser aduzidas, levam o país, irrecorrivelmente a não desistir de sua expansão algcdoeira, mas, sim, a lutar por ela.

42. Para isso, e ante a ine\itável ofen

siva dos antigos e novos competidores, entre os quais destacamos o México,

com uma potencialidade crescente, já

calculada acima de um millião de fardos, e o Paquistão, com igual quantidade, não podemos cruzar os braços, com© se es tivéssemos satisfeitos ou convictos de

nossa fôrça, nem atacar o problema do

fortalecimento da economia algodoeira do País, atabalhoadamente, sem progra ma e sem técnica.

43. Èsse programa tem três face.s, a saber:

Agrícola — Aumento da produ ção econômica, isto é, da pro

dução que seja capaz, através da redução de seus respectivos custos, de competir em quanti dade e qualidade com qual quer região do mundoj -b) - Comercial — Reestudo da nossa

\\

política comercial do algodão; atualmente quase interrompi

b/\se,v ?\n\ ou poi.íTic/v ,

da, ou sem rumos certos e

I^TER\AfIO\AL ^

precisos, visando acima d© tudo

à penetração eficiente c ade

Roberto Pinto de Souza

quada dos nossos algodões nos grandes mercados importadores

(Da Universidade de São Paulo)

^ NOSSO intuito, neste trabalho, foca

do mundo,

c) — Iruluatrial — Formulação de

lizar o problema intrincado da polí

uma política industrial têxtil,

tica cximercíal internacional.

calcada tanto quanto possível

Achamos

oportuno êsse tema, uma véz que, nas

nas recomendações da última

transações o nos acordos comerciais e

Convenção Nacional de ativi dades dêsse ramo, realizada no Rio de Janeiro, visando a maior produção e expansão dos fios

as várias economias nacionais, ou, em

menos desenvolvidas vêm sofrendo tra

outras palavras, e.xpÜcar quando e por quü um país exporta detenninados pro

ção difícil para réalizar o desenvolvi

dos internos e e.xtemo.

44. Essas três mais destacadas faces cio problema algodoeir© brasileiro na a^a] e já difícil conjuntura mundial, in

que lhe advém dessa transação.

elevados.

e desenvol\'imento do comércio interna

A política que tem orientado as rela por princípios que trazem benefícios apenas aos países econòmicament© for

comercial pela conquista dos mercados consumidores do mundo, constituem, um verdadeiro programa a ser desenvolvido

tes, daí o seu flagrante contraste com

e assentado pelos respectivos especíaUs- ' tas dos diversos ramos ou setores apon tados, a fim de lançarem as bases da política algodoeira brasileira, a ser de fendida, em anos próximos, quer inter na quer externamente.

assunto, sem excluir-lho a urgência, tor na-se imprescindível obter a colaboração de todos os interessados, do Norte e Sul

cípios que devem orientar as relações econômicas entre as nações.

car os movimentos do comércio interna

cional em função da formação interna

iremos desenvolver não são nossas, mas do ilustre economista Roberto Simonsen,

cional de preços. Em seguida, Pareto,

do quem tivemos a honra de ser amigo

integrar a teoria do comércio internacio nal na teoria geral do equilíbrio econô mico, estabelecendo ao lado das equa ções de equilíbrio no mercado interno, equações novas de equilíbrio entre

partindo dos estudos de Marshall, tentou

pois a estudar a política comercial em

mercados.

face dos conceitos teóricos. Para criti

centes procuraram detalhar em equilíbrios parciais o estudo particular ,da oferta e da procura de determinadas

cá-la, desenvolveremos os conceitos de estrutura econômica.

Dêstes e da crí

tica tiraremos os princípios em que de verá assentar-sc a fuhira política eco nômica.

M

ceito de valor-trabalho. Essa doutrina,

que encontrou em Ricardo o seu maior conceituador e em Stuart Mil] o seu me

Por amor à lógica iniciaremos o pre

algodoeira na nossa terra.

com a Escola Clássica e deriv ou do con

lhor expositor, foi completada pela teoria das curvas recíprocas de oferta e pro cura de Marshall, que procurou expli

sente artigo pela análise da teoria do comércio internacional. Passaremos de

belecer as linhas-mestras da economia

cional. Uma das primeiras foi a teoria dos custos comparativos, que surgiu

dificação. É nosso objetivo apontar as razões déss© contraste e os novos prin

o discípulo.

do País, a fim de cjue consigamos esta

Há varias e.xplicações sôbre natureza

a realidade, e a necessidade de sua mo

Devo dizer que muitas das idéias que

45. Dada, pois, a complexidade do

dutos e importa outros, e o benefício

mento de suas forças econômicas e dar àj suas populações índices de vida mais ções comerciais internacionais norteia-se

dicativa de supeiprodução e, consequen temente, de intensificação da competição

A teoria do comércio exterior visa

apontar as causas e as condições, que presidem as trocas de mercadorias entre

financeiros, as nações econòniicamente tamento injusto, que as coloca em posi

o tecidos brasileiros nos merca

Teoria do comércio iniemacioruil

Por fim, estudos mais re

mercadorias.

Estas quatro teorias, porém, não se axclucm o nem sc opõem, antes se in-


Dige5to Econômico

50

tegram, como diz Habelcr, num todo harmônico, que poderíamos chamar "teoria do comércio internacional". Como este trabalho não é de teoria

ma;; de política econômica, não é opor

tuno apresentar o encadeamento de todo esse quadro teórico. Vamo.s apenas nos limitar a resumir a teoria do equilibrio

geral, por ser a mai« completa c o seu conhecimento facilitar a compreensão das políticas econômicas.

Seguiremo:; a Bertil Ohlin na expo.sição dessa teoria, porque c, a nosso \'er,

quem apresenta análise mais direta, real c completa do comércio internacio nal. (1).

Ohlin inicia a sua análise, examinan do duas características fundamentais do

comércio internacional, que parecem

oferecer um ponto de partida lógico.

A primeira é a flagrante diversida de regional nas provisões de fatores de

guma relação entre as variações iuter-

regionais de falôres produli\<is e as di ferenças internacionais de preços? A res posta. a essa (jiicslão de\'(' esclarecer os dois problemas íundanK iitai.s tio comércio internacional: a explicação da especiali zação internacional c a determinação d )s preços internacionais.

Antes de prosseguir. eoii\éni chamar a atenção que, seria iiiipo.ssi\'cl para uma nação A, produzir lôdas as mercadorias

por menor proç-o que outra nação B. Caso A tivesse realmente custos nomi

nais mais baixos cm lodn.s os prudulo.s, éstos se mo\eriam em uma .só direção —

de A para B, Êste ino\ímento unilate ral levaria a um momento em que B não teria meio.s para adquirir letras de cambio sobre A, a fim do compensar as

letras de. A sôbre B. A conseqüência seria a elevação da taxa cambial, que por sua vez faria subir os preços de

minas e floresta.s-, enquanto que algumas

todos os produtos de A em compara ção com os de B. Êste processo con tinuaria até o instante cin (jue os preços de alguns produtos de A fòssem mais

se encontram bem abastecidas de capital e traballio. Nada mais natural, portan

começaria a exportar ôstcs produtos paru

produção. Umas estão abundantemente equipadas de terras férteis, outras de

to, que cada nação se dedique a produ zir aquelas mercadorias, para as quais esteja mais apropriada .sua pro\isão de fatores produtivos.

A segunda reside no fato de as na ções apenas comerciarem com aqueles produtos, cujos preços são mais baixos no • estrangeiro do que no seu próprio território.

Estas duas constatações levantam na

turalmente a seguinte questão: existe al(1) Na elaboração dêsse capítulo segui

remos a Bertil Ohlin. "Interregional and Internatlonal Trade", cap, I e II, e P. T. Ellsworth. "Comércio Internacional", vol. 1, cap. V e VI,

elevados que os de B, quando então B

Duíksto Econômico

iio\a questão: em que circunst.àncias se

ílifcrcnciarão os preço.s das mercadoria.s

ein cada região?

Os preços dos produto.s, se bem que dependam em primeiro lugar da pro

sua \-cz decorre da sua e.sca.ssez, isto é.

mercadorias.

são feitos.

O preço clêsses fatôres por

da pecjucna* (jiiantidade cm relação á procura para .seu uso. Em outras palaxra;;. pura os fatôro" disponíveis terem

algum \aIor. dcvcun existir em quanti dade menor do que .se emprega com utilidade. Quando isto se \eiifíca, o valor que se clA ao seu uso é tal, que SC os utiliza só nas produções mais im

portantes, ou melhor, naqnélas em que produzem maiores utilidades.

O preço dos fatôres de produção de terminado pela concorrência dos usos optatí\o,s, sendo um custo do ponto cie vista do produtor, concorre para manter

alto o preço dos produtos, pois limita

o uso do fator produti\'o em todos os seus empregos. Desta forma, o preço relativo dos produtos dependerá da es cassez comparativa dos fatôre.s necessá

rios à sua produção. Dêsse modo, cm duas regiões das mesmas proporções de fatôres produti vos e se são idênticas as circunstancias

lhor, antes de se iniciar o comércio

entre A e B, os preços relativos das mercadorias fossem idênticos nesses dois

países. Nesse caso não haveria comér cio entre A e B, pois nenhum dos dois obteria \antagem. Portanto, a diversi

dade de preços é a condição necessária para dois ou mais países estabelecerem relações comerciais.

Esta conclu.são no.s leva a formular. -I* -r .*■ ■'•f'-'

.■JÚ. i-íL.U.

dos fatôres. Em conseqüência, em am bas as regiões serão distintas as combi nações de fatôres, como também o se-

tamento as suas ímportaçõe.s de A. se, em condições dc isolamento, ou me

pro\isões de fatôres não neutralizadas

c.xatamente por diferenças na procura, surgirão diferenças relati\'as nos preços

cura. \ i;i dc regra estão regulados pelo prcçü.s dos fatôres dc produção de que

A. O equilíbrio seria atingido, quando a taxa cambial pennilis.se que as ex portações de B para A pagassem exaSó poderia haver resultado diferente

existirem diferenças inter-regíonais nas

que determinam a procura de merca dorias, os preços relativos dc todas as mercadorias serão iguai.s. Obter-se-á o me.smo resultado se houver uma dife

rença na oferta de fatôres compensada exatamente por uma diferença nas con

dições da procura. E.stas duas constatações querem dizer, cm outrás palavras, que se a escassez relativa dos fatôres é a mesma, não podem diferir seus preços relativos, nem portanto os das mercadorias.

Mas se

nlo as escalas dos preços relati\os das Vamos tomar um exemplo a fim de esclarecer melhor êste ponto. Nas re giões que possuem vastas extensões de

terra, mas pouco tiabalho e capital, a terra é barata c os demais fatôres re]ati\'amente caros. Desta maneira os

produtos que exigem muita tetrra e pouco trabalho e capital, .serão coni-

parativãmcnte mais baratos nessas re giões. É de fato o que se passa na Ar gentina, Austrália e Brasil com a lã. o trigo, o café e a came. Por outro lad(;, nos países onde existe farta mãode-obra, capital abundante e pouca terra, os dois primeiros fatôres serão

baratos e o último caro. Como os pro dutos industriais exigem grandes quan tidade? desses dois primeiros fatôres, serão comparati\'amente mais baratos

nessas regiões e os produtos agrícolas mais caros. Daí a formação de países altamente industrializados, como a In

glaterra, Alemanha, Bélgica, Suíça. Dada es.sa diversidade na provisão de

fatôres produtivos, cada país se especia liza na produção daqueles artigos, que possa produzir a preços relativamente mais baratos. Desenvolvem-se portan to aqueles ramos da produção, que em preguem maior proporção dos fatôres, que cada país possui em relativa abun dância, e se contraem aqueles que ne cessitam de maior proporção dos fatô res relativamente escassos.


Dige5to Econômico

50

tegram, como diz Habelcr, num todo harmônico, que poderíamos chamar "teoria do comércio internacional". Como este trabalho não é de teoria

ma;; de política econômica, não é opor

tuno apresentar o encadeamento de todo esse quadro teórico. Vamo.s apenas nos limitar a resumir a teoria do equilibrio

geral, por ser a mai« completa c o seu conhecimento facilitar a compreensão das políticas econômicas.

Seguiremo:; a Bertil Ohlin na expo.sição dessa teoria, porque c, a nosso \'er,

quem apresenta análise mais direta, real c completa do comércio internacio nal. (1).

Ohlin inicia a sua análise, examinan do duas características fundamentais do

comércio internacional, que parecem

oferecer um ponto de partida lógico.

A primeira é a flagrante diversida de regional nas provisões de fatores de

guma relação entre as variações iuter-

regionais de falôres produli\<is e as di ferenças internacionais de preços? A res posta. a essa (jiicslão de\'(' esclarecer os dois problemas íundanK iitai.s tio comércio internacional: a explicação da especiali zação internacional c a determinação d )s preços internacionais.

Antes de prosseguir. eoii\éni chamar a atenção que, seria iiiipo.ssi\'cl para uma nação A, produzir lôdas as mercadorias

por menor proç-o que outra nação B. Caso A tivesse realmente custos nomi

nais mais baixos cm lodn.s os prudulo.s, éstos se mo\eriam em uma .só direção —

de A para B, Êste ino\ímento unilate ral levaria a um momento em que B não teria meio.s para adquirir letras de cambio sobre A, a fim do compensar as

letras de. A sôbre B. A conseqüência seria a elevação da taxa cambial, que por sua vez faria subir os preços de

minas e floresta.s-, enquanto que algumas

todos os produtos de A em compara ção com os de B. Êste processo con tinuaria até o instante cin (jue os preços de alguns produtos de A fòssem mais

se encontram bem abastecidas de capital e traballio. Nada mais natural, portan

começaria a exportar ôstcs produtos paru

produção. Umas estão abundantemente equipadas de terras férteis, outras de

to, que cada nação se dedique a produ zir aquelas mercadorias, para as quais esteja mais apropriada .sua pro\isão de fatores produtivos.

A segunda reside no fato de as na ções apenas comerciarem com aqueles produtos, cujos preços são mais baixos no • estrangeiro do que no seu próprio território.

Estas duas constatações levantam na

turalmente a seguinte questão: existe al(1) Na elaboração dêsse capítulo segui

remos a Bertil Ohlin. "Interregional and Internatlonal Trade", cap, I e II, e P. T. Ellsworth. "Comércio Internacional", vol. 1, cap. V e VI,

elevados que os de B, quando então B

Duíksto Econômico

iio\a questão: em que circunst.àncias se

ílifcrcnciarão os preço.s das mercadoria.s

ein cada região?

Os preços dos produto.s, se bem que dependam em primeiro lugar da pro

sua \-cz decorre da sua e.sca.ssez, isto é.

mercadorias.

são feitos.

O preço clêsses fatôres por

da pecjucna* (jiiantidade cm relação á procura para .seu uso. Em outras palaxra;;. pura os fatôro" disponíveis terem

algum \aIor. dcvcun existir em quanti dade menor do que .se emprega com utilidade. Quando isto se \eiifíca, o valor que se clA ao seu uso é tal, que SC os utiliza só nas produções mais im

portantes, ou melhor, naqnélas em que produzem maiores utilidades.

O preço dos fatôres de produção de terminado pela concorrência dos usos optatí\o,s, sendo um custo do ponto cie vista do produtor, concorre para manter

alto o preço dos produtos, pois limita

o uso do fator produti\'o em todos os seus empregos. Desta forma, o preço relativo dos produtos dependerá da es cassez comparativa dos fatôre.s necessá

rios à sua produção. Dêsse modo, cm duas regiões das mesmas proporções de fatôres produti vos e se são idênticas as circunstancias

lhor, antes de se iniciar o comércio

entre A e B, os preços relativos das mercadorias fossem idênticos nesses dois

países. Nesse caso não haveria comér cio entre A e B, pois nenhum dos dois obteria \antagem. Portanto, a diversi

dade de preços é a condição necessária para dois ou mais países estabelecerem relações comerciais.

Esta conclu.são no.s leva a formular. -I* -r .*■ ■'•f'-'

.■JÚ. i-íL.U.

dos fatôres. Em conseqüência, em am bas as regiões serão distintas as combi nações de fatôres, como também o se-

tamento as suas ímportaçõe.s de A. se, em condições dc isolamento, ou me

pro\isões de fatôres não neutralizadas

c.xatamente por diferenças na procura, surgirão diferenças relati\'as nos preços

cura. \ i;i dc regra estão regulados pelo prcçü.s dos fatôres dc produção de que

A. O equilíbrio seria atingido, quando a taxa cambial pennilis.se que as ex portações de B para A pagassem exaSó poderia haver resultado diferente

existirem diferenças inter-regíonais nas

que determinam a procura de merca dorias, os preços relativos dc todas as mercadorias serão iguai.s. Obter-se-á o me.smo resultado se houver uma dife

rença na oferta de fatôres compensada exatamente por uma diferença nas con

dições da procura. E.stas duas constatações querem dizer, cm outrás palavras, que se a escassez relativa dos fatôres é a mesma, não podem diferir seus preços relativos, nem portanto os das mercadorias.

Mas se

nlo as escalas dos preços relati\os das Vamos tomar um exemplo a fim de esclarecer melhor êste ponto. Nas re giões que possuem vastas extensões de

terra, mas pouco tiabalho e capital, a terra é barata c os demais fatôres re]ati\'amente caros. Desta maneira os

produtos que exigem muita tetrra e pouco trabalho e capital, .serão coni-

parativãmcnte mais baratos nessas re giões. É de fato o que se passa na Ar gentina, Austrália e Brasil com a lã. o trigo, o café e a came. Por outro lad(;, nos países onde existe farta mãode-obra, capital abundante e pouca terra, os dois primeiros fatôres serão

baratos e o último caro. Como os pro dutos industriais exigem grandes quan tidade? desses dois primeiros fatôres, serão comparati\'amente mais baratos

nessas regiões e os produtos agrícolas mais caros. Daí a formação de países altamente industrializados, como a In

glaterra, Alemanha, Bélgica, Suíça. Dada es.sa diversidade na provisão de

fatôres produtivos, cada país se especia liza na produção daqueles artigos, que possa produzir a preços relativamente mais baratos. Desenvolvem-se portan to aqueles ramos da produção, que em preguem maior proporção dos fatôres, que cada país possui em relativa abun dância, e se contraem aqueles que ne cessitam de maior proporção dos fatô res relativamente escassos.


Diobsto EroNÔNnco

DíOKsm

Atingido èste ponto da análise, resta-

cadorías de B. Esta procura recíproca

Pr-los prcçüs relativos em A, mencio-

nos esclarecer quais as mercadorias que

c o único elemento que e.xercc influên cia direta sobre a taxa cambial, se bem

uiitlos tui terceira coluna, o fator o será

serão objeto do comércio internacional. Para que haja comércio inter-regional, não é suficiente que os preços das vá rias mercadorias sejam diferentes em cada país. É preciso que os compra dores de cada nação possam comparar os preços das mercadorias produzidas no território nacional e os preços das mer cadorias produzidas no estrangeiro em termos de moeda nacional, pois esta

que a natureza dessa procura dependa em parte do sistema de preços de cada região. Para esclarecer êste ponto vamos in

vestigar a natureza das relações entre o taxa cambial, os preCiUS dos fatores pro dutivos, os preços das mercadorias e as procuras recíproca.s. (2).

Suponliamos que nas regiões A e B

.sempre o mais barato dos fatôres de A, fjualqviev que seja a taxa cambial, en quanto a, b, e d serão sempre mais ba

As relações comerciais internacionais so desen\ol\^em portanto dentro de uni

sistema dc mutua interdependência, em que os preços dos fatores de produção e das mercadorias, o nível da taxa cam

ratos om relação ao fator c. Para o co

bial e as compras de cada região das

mércio, porém, o que tem importância

mercadorias da outra estão intimamen

^ a barateza absoluta dos fatôres em

te relacionados e mutuamente se deter

termos de uma unidade monetária co-

nuim. Dc fato, calculados os preços na

minam. (O comércio internacional, em

outras palavras, é determinado por tôdas

moeda dc B, para que alguns fatôres de

a.s forças que afetam os preços em iodas

A sejam mais baratos que os correspon

c em cada uma das áreas.)

comparação pode alterar as escalas dos

existam cinco fatôres de produção: a, b,

dentes de 13, depende do tipo de câmbio

preços dos fatôres e, portanto, das mer

c, d, e.

quo se estabeleça. Isto pode ser visto perfeitamente, obser\ando-se as duas úl

Suponhamos, ainda, que a

§3 \

Ec»"»nónuco

Ohlin resume êste sistema de mútua

interdependência em três principies fun

cadorias, estabelecidas antes de iniciar-se

unidado monetária dc A é a libra ester

o comércio. Isto porque, mesmo que

um determinado fator de produção seja relativamente mais barato na região A

lina e a de B é o dólar. Enquanto am bas as regiões se mantêm isoladas, um dólar comprará em B determinada quan

que todos os demais fatôres, tomando como base os preços da região B, não

ratos em A os fatôres a, b, c e mais

dos fatôres de produção fazem surgir es calas díspares de preços relativos de

tidade de cada um desses fatôres, e como

caro.s í/, e. A taxa £ 1 = $ 3, porém,

mercadorias:

essas regiões não estão igualmente do

só serão mais baratos em A os fatôres

se segue que uma vez estabelecido um

tadas dêsses fatôres, será diferente o

b. Prevalecendo a primeira taxa cam-

2) essas diferenças relativas se tra duzem em diferenças absolutas, tSo

tipo de câmbio ehtre as moedas dessas

preço de igual quantidade dos mesmos

hial, A se especializará em produzir

pronto se estabeleça o nível da taxa

regiões, continue a ser mais barato nesta

em A.

rnercadorias que exigem grandes quan tidade.»; cie fatôres a, b, c, mas se preva

cambial, quando então fica patente em região;

região do que naquela. É que a taxa

Esta situação pode ser claramente vis

timas colunas da tabela. Tomando-se a

ta.xa cambial £ 1 = $ 2, serão mais ba

damentais:

1) as diferenças de escassez relativa

que mercadorias se especializará cada

cambial não é exclusivamente determi

ta nas segunda e terceira colunas da

lecer a segunda, A só poderá se espe

nada pelas séries de escassez relativa dos diversos agentes produtivos, em cada uma das regiões, antes de se estabelece

tabela abaixo, onde o preço em B é um dólar para determinada quantidade do cada fator, enquanto é diferente o

rem as relações comerciais, mas também pela ação da procura de A sobre as mer-

preço em A de igual quantidade dos

cializar na produção dos produtos que requerem grandes quantidades de « e h. Portanto o nível da taxa cambial 6 que vai determinar os preços em cada região

mesmos fatôres.

dos fatôres produtivos e das mercadorias.

Êstes três princípios, diz Ohlin, podem

O nível da taxa cambial, contudo, não

ainda se resumir num só, desde que se

desempenha uma função independente,

conheça o papel que representam o nível da taxa cambial e a procura reciproca,

PREÇO DOS FATÔRES E A TAXA DE CÂMBIO (I) Fatôre.-i

dos preços e consequentemente do co

a saber: "o comércio internacional é de

mércio internacional. Ê também, como

terminado pelas diferenças regionais de

em $

etn $

f£ 1 = $ 3)

os demais, um intermediário, pois oscila dc acôrdo com as procuras recíprocas das regiões. De fato, o nível da taxa cambial só é atingido quando, dadas as condições da oferta de fatôres, da pro cura interna e da procura dos produtos estrangeiros por cada região, o valor das importações dessas regiões seja igual ao das exportações.

fatôres produtivos".

(£ 1 = $ 2)

Preço

em B

em A

em A

em ^

em

.2 .3 .4

.6 .8

0.40 0.60 0.80 1.20 1.60

0.60 0.90 1.20 1.80

2.40

(2^ Seguiremos o exemplo de Ellsworth por ser mais claro. "Comércio Internacional". Vol. I, pãg. 115.

cura recíproca.

em B

(II) Preço

£

cadorias estão determinados pela pro

(V) Preço

(IV) Preço

(III)

ou melhor, não é o determinante último

3) o nível do tipo de cambio e o valor do comércio inter-regional de mer

De fato, escreve Ohlin, "a Austrália

troca lãs e trigo por manufaturas, por que os primeiros exigem muita terra de qualidade que se encontra em gran

de quantidade nessa região, enquanto que as manufaturas requerem grandes quantidades de trabalho e certos recur sos naturais, como jazidas de carvão e


Diobsto EroNÔNnco

DíOKsm

Atingido èste ponto da análise, resta-

cadorías de B. Esta procura recíproca

Pr-los prcçüs relativos em A, mencio-

nos esclarecer quais as mercadorias que

c o único elemento que e.xercc influên cia direta sobre a taxa cambial, se bem

uiitlos tui terceira coluna, o fator o será

serão objeto do comércio internacional. Para que haja comércio inter-regional, não é suficiente que os preços das vá rias mercadorias sejam diferentes em cada país. É preciso que os compra dores de cada nação possam comparar os preços das mercadorias produzidas no território nacional e os preços das mer cadorias produzidas no estrangeiro em termos de moeda nacional, pois esta

que a natureza dessa procura dependa em parte do sistema de preços de cada região. Para esclarecer êste ponto vamos in

vestigar a natureza das relações entre o taxa cambial, os preCiUS dos fatores pro dutivos, os preços das mercadorias e as procuras recíproca.s. (2).

Suponliamos que nas regiões A e B

.sempre o mais barato dos fatôres de A, fjualqviev que seja a taxa cambial, en quanto a, b, e d serão sempre mais ba

As relações comerciais internacionais so desen\ol\^em portanto dentro de uni

sistema dc mutua interdependência, em que os preços dos fatores de produção e das mercadorias, o nível da taxa cam

ratos om relação ao fator c. Para o co

bial e as compras de cada região das

mércio, porém, o que tem importância

mercadorias da outra estão intimamen

^ a barateza absoluta dos fatôres em

te relacionados e mutuamente se deter

termos de uma unidade monetária co-

nuim. Dc fato, calculados os preços na

minam. (O comércio internacional, em

outras palavras, é determinado por tôdas

moeda dc B, para que alguns fatôres de

a.s forças que afetam os preços em iodas

A sejam mais baratos que os correspon

c em cada uma das áreas.)

comparação pode alterar as escalas dos

existam cinco fatôres de produção: a, b,

dentes de 13, depende do tipo de câmbio

preços dos fatôres e, portanto, das mer

c, d, e.

quo se estabeleça. Isto pode ser visto perfeitamente, obser\ando-se as duas úl

Suponhamos, ainda, que a

§3 \

Ec»"»nónuco

Ohlin resume êste sistema de mútua

interdependência em três principies fun

cadorias, estabelecidas antes de iniciar-se

unidado monetária dc A é a libra ester

o comércio. Isto porque, mesmo que

um determinado fator de produção seja relativamente mais barato na região A

lina e a de B é o dólar. Enquanto am bas as regiões se mantêm isoladas, um dólar comprará em B determinada quan

que todos os demais fatôres, tomando como base os preços da região B, não

ratos em A os fatôres a, b, c e mais

dos fatôres de produção fazem surgir es calas díspares de preços relativos de

tidade de cada um desses fatôres, e como

caro.s í/, e. A taxa £ 1 = $ 3, porém,

mercadorias:

essas regiões não estão igualmente do

só serão mais baratos em A os fatôres

se segue que uma vez estabelecido um

tadas dêsses fatôres, será diferente o

b. Prevalecendo a primeira taxa cam-

2) essas diferenças relativas se tra duzem em diferenças absolutas, tSo

tipo de câmbio ehtre as moedas dessas

preço de igual quantidade dos mesmos

hial, A se especializará em produzir

pronto se estabeleça o nível da taxa

regiões, continue a ser mais barato nesta

em A.

rnercadorias que exigem grandes quan tidade.»; cie fatôres a, b, c, mas se preva

cambial, quando então fica patente em região;

região do que naquela. É que a taxa

Esta situação pode ser claramente vis

timas colunas da tabela. Tomando-se a

ta.xa cambial £ 1 = $ 2, serão mais ba

damentais:

1) as diferenças de escassez relativa

que mercadorias se especializará cada

cambial não é exclusivamente determi

ta nas segunda e terceira colunas da

lecer a segunda, A só poderá se espe

nada pelas séries de escassez relativa dos diversos agentes produtivos, em cada uma das regiões, antes de se estabelece

tabela abaixo, onde o preço em B é um dólar para determinada quantidade do cada fator, enquanto é diferente o

rem as relações comerciais, mas também pela ação da procura de A sobre as mer-

preço em A de igual quantidade dos

cializar na produção dos produtos que requerem grandes quantidades de « e h. Portanto o nível da taxa cambial 6 que vai determinar os preços em cada região

mesmos fatôres.

dos fatôres produtivos e das mercadorias.

Êstes três princípios, diz Ohlin, podem

O nível da taxa cambial, contudo, não

ainda se resumir num só, desde que se

desempenha uma função independente,

conheça o papel que representam o nível da taxa cambial e a procura reciproca,

PREÇO DOS FATÔRES E A TAXA DE CÂMBIO (I) Fatôre.-i

dos preços e consequentemente do co

a saber: "o comércio internacional é de

mércio internacional. Ê também, como

terminado pelas diferenças regionais de

em $

etn $

f£ 1 = $ 3)

os demais, um intermediário, pois oscila dc acôrdo com as procuras recíprocas das regiões. De fato, o nível da taxa cambial só é atingido quando, dadas as condições da oferta de fatôres, da pro cura interna e da procura dos produtos estrangeiros por cada região, o valor das importações dessas regiões seja igual ao das exportações.

fatôres produtivos".

(£ 1 = $ 2)

Preço

em B

em A

em A

em ^

em

.2 .3 .4

.6 .8

0.40 0.60 0.80 1.20 1.60

0.60 0.90 1.20 1.80

2.40

(2^ Seguiremos o exemplo de Ellsworth por ser mais claro. "Comércio Internacional". Vol. I, pãg. 115.

cura recíproca.

em B

(II) Preço

£

cadorias estão determinados pela pro

(V) Preço

(IV) Preço

(III)

ou melhor, não é o determinante último

3) o nível do tipo de cambio e o valor do comércio inter-regional de mer

De fato, escreve Ohlin, "a Austrália

troca lãs e trigo por manufaturas, por que os primeiros exigem muita terra de qualidade que se encontra em gran

de quantidade nessa região, enquanto que as manufaturas requerem grandes quantidades de trabalho e certos recur sos naturais, como jazidas de carvão e


Dioesto Econômico

5^

ferro c-omercíalmente explorável, que existem em pequena quantidade na Aus trália.

Deste modo se trocam certas

Até o presente, as relações econômi

cas internacionais foram orientadas ape nas por dois princípios: a) livre-cumbio;

qualidades de terra por outras qualida

b) protecionismo.

des de terra e trabalho.

Anilios se assentam

A Austrália,

na construção teórica do comércio entre

pròpriamente falando, exportará bens que contenham muita terra, não porque esta seja abundante, mas porque será

as nações que acabamo.s de expor. Di vergem, porém, nu orientação que ditam aos governos no que toca ás transações

mais barata que em outras regiões uma

comerciais externas.

vez iniciado o comércio.

É evidente

O primeiro é uma decorrência da teo

Dic.i".sto Econóxíico

nacional e com ela adquirir mercado rias pelo menor preço possíxel. O segundo não .se opõe diametralmen te à lüjerdadc de tran.sações internacio

nais. Considera esse princípio coino vá lido, portanto, como verdadeira a teo

sugestões de muitas fontes.

ria dos custos compar;Ui\os. Entretanto,

tomaram vulto e estão orientando as con-

ueha que a politica Ihre cambista nem sempre coincide com os interesses do

\'ersações e os pontos firmados nas con

desenxoKimento

econômico

nacional.

ria clássica do comércio inteniacional.

Segundo esta, só existem condições pam -

Daí a necessidade da acomodação da

diferentes se as condições da procura

as relações comerciais internacionais,

liberdade de comércio com esses interes

fossem tão peculiares que a terra, ape

quando são diferentes os preços relati vos dos produlo.s nos \'árIo.s países. Ve

sar da abundância da sua oferta, não com oferta escassa.

Na ausência de

condições de procura tão extraordinária, podemos dizer que o comércio implica numa troca de fatores de oferta abun

dante por fatôres de oferta escassa" (3).

rificando-se essa desigualdade e estando os sistemas -nacionais dc preços Intima mente relacionados pelo mecanismo cam

bial, o comércio realíza-sc apenas com aquelas mercadorias que as nações pro duzem a menor custo monetário. Desta maneira, obtém lucro efetivo,

Além desse exemplo apontado por Ohlín, poderíamos citar muitos outros. O nosso intento, porém, não é apresen

estrangeiro a custo mais baixo, com de

tar a teoria do comércio internacional,

fabricação do mesjno no seu próprio

mas usar essa teoria para outra ordem

território. Daí ad\"ém aumento da ren

pois adquirem o artigo, produzido no

sembolso menor que o necessário para a

de considerações — a política. O que da nacional em mercadorias e serNÍços. já foi" dito sobre o mecanismo das trocas • uma vez que produzindo só aqueles pro internacionais é suficiente para os nossos

propósitos, e nos dispensamos dc maio res desenvolvimentos. Políticas econômicas

As políticas econômicas nacionais, no campo das relações comerciais inter

siste em SC estabelecerem direitos alfan

degários protetores désle ou daquele setor da economia interna que sc quer ampa rar da concorrência internacional.

Os

demais seguem o curso livre das trocas internacionais.

A dificuldade consiste eni se fixar os

setores que dc\-eni ser postos a margem da li\Te concorrência. A princípio os direitos se limitaram a gravar certas mercadorias estrangeiras provenientes de naçõe.s tradicionalmente produtoras, a fim de permitir, ou melhor de dar tempo paru que a produção do mesmo produto

dutos para os quais se acham mais aptos

riam eliminados. Contudo, à medida que as relações comerciais se foram tor-

recursos produtivos que podem ser uti dades.

Em face dessa ordem internacional de

divisão de trabalho e de recursos, o prin

governamentais destinadas a influir no

cípio que deve orientar a política nacio

movimento externo de mercadorias, ser

nal é o da absoluta liberdade nas tran

viços e fatôres de produção, a fim de

sações externas, a fim de permitir a

conseguir maior bem-estar econômico

plena utilização, pòr cada país, das capacidades de seu povo e das riquezas

• nando mais intensas e as estruturas eco

de podem as nações obter maior renda

Hoje, elas

ferências internacionais.

Estas idéias reconhecem, em prin cípio, a teoria do comércio internacional e as vantagens do livre cambio. Apon tam, porém, u insuficiência da teoria, c

da liberdade de transações como fmidamentos para a elaboração de uma verdadeira política econômica internacio nal. A primeira, por ser incompleta; u segunda, por não condizer com a rea lidade econômica.

O incomplemento de uma e a inade(juação de outra provêm de estudos re centemente dcsenvohidos sôbre conjun

tura e estrutura econômica, cabendo

maior influência h .segunda que à pri meira.

Uma coisa é constatar, diz a nova

orientação doutrinária, que o comércio internacional resulta da diferença de

preços proveniente das desigualdades de fatôres econóniicos existentes em cada

país e outra é, baseado nesse ponto, estabelecer as bases de uma política

nômicas nacionais mais complexas, a tributação protetora foi-se estendendo,

econômica. A elaboração dessa requer

terminando nos anos trinta a servir de

realidade.

base para as autarquias econômicas.

acanhamento do método de pesquisas, a realidade eram os custos comparativos, . c a liberdade de comércio, o princípio

É preciso x^econliecer, no entanto, que afora essa proteção que servia a fins

princípios que estejam de acordo com a Para os clássicos, dado ò

autárquicos políticos e não econômicos, o protecionismo foi tido como medida

político fundamental. Hoje, não pode

parcial e transitória, garantidora dos

gunda como dados absolutos.

altos interêsses econômicos nacionais.

estão limitadas cm face do avanço dós

de seu território. Através dessa liberda (3) Ohlin. obra citada, pág. 30.

A fórmula dessa adequação con

a produzir, e empregando ôstes na aqui sição dos demais, liberam parte dos

nacionais, tém-.se limitado a medidas

interno pelo aumento da renda nacional.

ses.

SC firmasse. Uma \ez conseguido esse intento, os gravamos alfandegários se

lizados na satisfação de outras necessi

pós-bélicos, foi-se formando aos pou cos, novas idéias, que estiniulanun dis cussões em largos círculos e trouxeram

que isto vera a dar quase no mesmo, pois as circunstâncias só poderiam ser

fòsse mais barata do que nas regiões

Nos anos trinta e prmcip,ilmente du rante o recente conflito, e nestes anos

liberdade de comércio continuawa a

.ser o princípio fundamental. ■S./rf:.-

mos aceitar nem a primeira nem a se

Ambas

conhecimentos.

A diversidade de recursos é apenas


Dioesto Econômico

5^

ferro c-omercíalmente explorável, que existem em pequena quantidade na Aus trália.

Deste modo se trocam certas

Até o presente, as relações econômi

cas internacionais foram orientadas ape nas por dois princípios: a) livre-cumbio;

qualidades de terra por outras qualida

b) protecionismo.

des de terra e trabalho.

Anilios se assentam

A Austrália,

na construção teórica do comércio entre

pròpriamente falando, exportará bens que contenham muita terra, não porque esta seja abundante, mas porque será

as nações que acabamo.s de expor. Di vergem, porém, nu orientação que ditam aos governos no que toca ás transações

mais barata que em outras regiões uma

comerciais externas.

vez iniciado o comércio.

É evidente

O primeiro é uma decorrência da teo

Dic.i".sto Econóxíico

nacional e com ela adquirir mercado rias pelo menor preço possíxel. O segundo não .se opõe diametralmen te à lüjerdadc de tran.sações internacio

nais. Considera esse princípio coino vá lido, portanto, como verdadeira a teo

sugestões de muitas fontes.

ria dos custos compar;Ui\os. Entretanto,

tomaram vulto e estão orientando as con-

ueha que a politica Ihre cambista nem sempre coincide com os interesses do

\'ersações e os pontos firmados nas con

desenxoKimento

econômico

nacional.

ria clássica do comércio inteniacional.

Segundo esta, só existem condições pam -

Daí a necessidade da acomodação da

diferentes se as condições da procura

as relações comerciais internacionais,

liberdade de comércio com esses interes

fossem tão peculiares que a terra, ape

quando são diferentes os preços relati vos dos produlo.s nos \'árIo.s países. Ve

sar da abundância da sua oferta, não com oferta escassa.

Na ausência de

condições de procura tão extraordinária, podemos dizer que o comércio implica numa troca de fatores de oferta abun

dante por fatôres de oferta escassa" (3).

rificando-se essa desigualdade e estando os sistemas -nacionais dc preços Intima mente relacionados pelo mecanismo cam

bial, o comércio realíza-sc apenas com aquelas mercadorias que as nações pro duzem a menor custo monetário. Desta maneira, obtém lucro efetivo,

Além desse exemplo apontado por Ohlín, poderíamos citar muitos outros. O nosso intento, porém, não é apresen

estrangeiro a custo mais baixo, com de

tar a teoria do comércio internacional,

fabricação do mesjno no seu próprio

mas usar essa teoria para outra ordem

território. Daí ad\"ém aumento da ren

pois adquirem o artigo, produzido no

sembolso menor que o necessário para a

de considerações — a política. O que da nacional em mercadorias e serNÍços. já foi" dito sobre o mecanismo das trocas • uma vez que produzindo só aqueles pro internacionais é suficiente para os nossos

propósitos, e nos dispensamos dc maio res desenvolvimentos. Políticas econômicas

As políticas econômicas nacionais, no campo das relações comerciais inter

siste em SC estabelecerem direitos alfan

degários protetores désle ou daquele setor da economia interna que sc quer ampa rar da concorrência internacional.

Os

demais seguem o curso livre das trocas internacionais.

A dificuldade consiste eni se fixar os

setores que dc\-eni ser postos a margem da li\Te concorrência. A princípio os direitos se limitaram a gravar certas mercadorias estrangeiras provenientes de naçõe.s tradicionalmente produtoras, a fim de permitir, ou melhor de dar tempo paru que a produção do mesmo produto

dutos para os quais se acham mais aptos

riam eliminados. Contudo, à medida que as relações comerciais se foram tor-

recursos produtivos que podem ser uti dades.

Em face dessa ordem internacional de

divisão de trabalho e de recursos, o prin

governamentais destinadas a influir no

cípio que deve orientar a política nacio

movimento externo de mercadorias, ser

nal é o da absoluta liberdade nas tran

viços e fatôres de produção, a fim de

sações externas, a fim de permitir a

conseguir maior bem-estar econômico

plena utilização, pòr cada país, das capacidades de seu povo e das riquezas

• nando mais intensas e as estruturas eco

de podem as nações obter maior renda

Hoje, elas

ferências internacionais.

Estas idéias reconhecem, em prin cípio, a teoria do comércio internacional e as vantagens do livre cambio. Apon tam, porém, u insuficiência da teoria, c

da liberdade de transações como fmidamentos para a elaboração de uma verdadeira política econômica internacio nal. A primeira, por ser incompleta; u segunda, por não condizer com a rea lidade econômica.

O incomplemento de uma e a inade(juação de outra provêm de estudos re centemente dcsenvohidos sôbre conjun

tura e estrutura econômica, cabendo

maior influência h .segunda que à pri meira.

Uma coisa é constatar, diz a nova

orientação doutrinária, que o comércio internacional resulta da diferença de

preços proveniente das desigualdades de fatôres econóniicos existentes em cada

país e outra é, baseado nesse ponto, estabelecer as bases de uma política

nômicas nacionais mais complexas, a tributação protetora foi-se estendendo,

econômica. A elaboração dessa requer

terminando nos anos trinta a servir de

realidade.

base para as autarquias econômicas.

acanhamento do método de pesquisas, a realidade eram os custos comparativos, . c a liberdade de comércio, o princípio

É preciso x^econliecer, no entanto, que afora essa proteção que servia a fins

princípios que estejam de acordo com a Para os clássicos, dado ò

autárquicos políticos e não econômicos, o protecionismo foi tido como medida

político fundamental. Hoje, não pode

parcial e transitória, garantidora dos

gunda como dados absolutos.

altos interêsses econômicos nacionais.

estão limitadas cm face do avanço dós

de seu território. Através dessa liberda (3) Ohlin. obra citada, pág. 30.

A fórmula dessa adequação con

a produzir, e empregando ôstes na aqui sição dos demais, liberam parte dos

nacionais, tém-.se limitado a medidas

interno pelo aumento da renda nacional.

ses.

SC firmasse. Uma \ez conseguido esse intento, os gravamos alfandegários se

lizados na satisfação de outras necessi

pós-bélicos, foi-se formando aos pou cos, novas idéias, que estiniulanun dis cussões em largos círculos e trouxeram

que isto vera a dar quase no mesmo, pois as circunstâncias só poderiam ser

fòsse mais barata do que nas regiões

Nos anos trinta e prmcip,ilmente du rante o recente conflito, e nestes anos

liberdade de comércio continuawa a

.ser o princípio fundamental. ■S./rf:.-

mos aceitar nem a primeira nem a se

Ambas

conhecimentos.

A diversidade de recursos é apenas


*^p|PVpepp^Fr«Ffmwiij9i'M ij .■ i iimi Difii sn» K(:<)Nômico Dicesto

50

Econômico

lai- as proporções 4- as relações desses

uma parcela da realidade. A realidade por inteiro é a estrutura econômica. Aquêles são dados naturais, enquanto

merciais e dos seus problemas. Êsse gênero de conhecimentos sô teríamos quando nos mostrassem como a pro

esta é o resultado de injunções naturais,

dução, a distribuição, a repartição e o

econômicas e institucionais,

consumo se inter-relacionam de modo o

üm exem

plo esclarece melhor êsse ponto; Consideremos o exemplo de Ohlin s6-

formar um todo, como funções particula

bre a Austrália, com o qual encerramos

final, eme se denomina o produto lí quido da nação, como, enfim, tôdas as

a teoria do comércio internacional.

A

res colaboram em vista de um resultado

Austrália troca lã e trigo por manufa

atividades humanas, geograficamente lo

turas, proque os primeiros exigem muita

calizadas, obedecem a um mesmo prin cípio de orientação e de cniprêgo — o

terra em qualidades que se encontram

em grande quantidade nessa região, en quanto qué as manufaturas requerem grandes quantidades de trabalho o cer

princípio econômico.

tos recursos naturais, como

sileira, ou melhor, as proporções e as

minas de

ferro e carvão. Se

rá que essa expli cação é suficiente

para se estabelecer a política comer

cial que deve re gular as transações entre a Austrália e

os países manufaturçiros? Quer nos

parecer que não. Considerações co

Uma vez infor

mados sôbre todos esses aspectos, conhe ceríamos a estrutura da economia bra

relações

caracte

rísticas da nossa vida econômica.

De

um

modo

geral, os elemen

tos que formam a estrutura

são

de

trê.s espécies. Pri meiro, os elemen tos naturais, como

jazidas

minerais,

qualidade das ter

mo essa pertencem mais ao campo da

ras, sistema hidrográfico, grau de plu-

nomia.

mentos^ econômicos, como técnica de produção, organização financeira e ban

geografia econômica do que ao da eco De fato, se possuíssemos conhecimen

tos perfeitos de geografia econômica sôbre o Brasil, êles nos diriam quais são os nossos recursos e onde se encontram

os centros de produção; punham-nos a

par dos locais de concentração da po

pulação e da natureza de suas ocupa ções; ínformariam-nos dás quantidades produzidas de cada produto e das co locações dêsses produtos no mercados interno e externo, Conhecimentos* muito

úteis, mas insuficientes para nos escla recer a natureza cias nossas relações co

viosidade, clima etc. Segundo, os ele

caria, legislação social e tributária, grau

de concentração industrial, índice de capitalização, quantidade de capitai.s dis poníveis, capacidade de investimentos, liábitos de consumo, natureza da mãode-obra, organização das bôlsas de va lores e de mercadorias etc. Terceiro, os elementos atinentes ao sistema econô

mico, isto é, a distribuição dos setores

pré-capitalistas, capitalistas e extra-cupitalistas na economia nacional. Os estudos clc estrutura \nsom apon-

poiulo c.\atamcuU'

realidade, -ás tran-

elementos nas ati\ idades ec*onóinicas na

saçôe.s tmtre os países nâo pro\èin ape

cionais.

nas dns cliferente.s fatores de produção

A.ssini, visam fixar as propor-

çõe.s entre os gnxnclcs ramos tias ativi-

de cada um. mas da conjugaç;'io desses

dadc.s econômicas: agricultura, indústria

com inúmeros outros fatores — humajios

e comércio. Estas proporçxães podem ser aponlacla.s primcin) pcla.s quantida

algun.;. Es.sa conjugação dita o apare

des produzidas por cada ramo. segundo pela importância da contribuição do cada um par;» a formação da renda nacional,

relações de troca — os "terms of trade

terceiro pela distribuição da população

un*, oconômico.s outros, institucionais cimento. na esfera internacional, das

— o fator mais importante do comér cio inlonxacional, pois indica a maior

cado das conexões entre os vários ele

ou menor \antagem que os países tiram dêsso comércio, isto é, a quantidade de mercadorias que entregam pela expor-

mentos da estrutura e o grau cie inter dependência dos mesmos. Devem-se

itnportaçr»o. Essa vantagem é expressa

ativa entre o.s três setores dc atividades. As relações visam salientar o intrin

ainda considerar as relações entre os

produtos consumidos pelo mercado in terno e os exportados, bem como a qualidade, quantidade c valor das mei*cadorias entradas no país.

A proporção e a relação dêsses ele mentos dão a fisionomia da vida eco

nômica nacional, isto é, a maneira de

ser, de produzir, de reagir da economia interna.

São esses comportamentos que

taç;'io, cm troca das que recebem por

pela relação de trocas, que é o cocionte . do índice de preços em ouro das mer- , cadorias que se importam, pelo índice de preços das mercadorias que se ex portam.

Os países incluídos nos três primeiros itens dc classificação de Wagemann são

Estados que possuem fraca relação de

troca. Tais nações, no dizer de Carey, não comerciam, traficam, têm uma ex

diferenciam as várias economias nacio

portação cujo valor específico é fraco, e uma importação cujo valor específico

vimento.

é forte.

nais e cj^ue marcam o grau de desenvol

Foi tomando esses caracterís

ticos que vários autores tentaram clas sificar as economias nacionais. A classi

ficação que mais se generalizou foi a do Wagemann.

Segundo êste autor, os

países se dividem econòmicamente em:

a) não capitalistas; b) .semicapitallstas; c) neocapitalistas; d) supercapitalistas. A cada tipo cxirrespondem ações e rea ções

econômicas

diversas

e são essas

que definem as naçõès e que marcam a

posição que ocupam no quadro geral da economia internacional.

Por êste ligeiro apanhado sôbre a es trutura, estamos vendo que a teoria do

comércio

internacional não corres-

Dessa forma, acabam entre

gando, por assim dizer, do graça aquilo que produzem, pagando cada vez mais

caro pelo que recebem. Enfim, são países que perdem subs tância continuamente. Esta perda, que

repercute tão nocivamente em tôda a eco

nomia nacional, deve-se a dois fatores,

em primeiro lugar, à falta dc parelelis-

nio e concomitância entre as oscilações

dos preços de matérias-primas o os de produtos manufaturados; em segundo

lugar, às quedas de câmbio, típicas nos países cuja Balança de Contas e Paga

mentos é deficitária, favorecendo os

prêmios à exportação, obrigando assim


*^p|PVpepp^Fr«Ffmwiij9i'M ij .■ i iimi Difii sn» K(:<)Nômico Dicesto

50

Econômico

lai- as proporções 4- as relações desses

uma parcela da realidade. A realidade por inteiro é a estrutura econômica. Aquêles são dados naturais, enquanto

merciais e dos seus problemas. Êsse gênero de conhecimentos sô teríamos quando nos mostrassem como a pro

esta é o resultado de injunções naturais,

dução, a distribuição, a repartição e o

econômicas e institucionais,

consumo se inter-relacionam de modo o

üm exem

plo esclarece melhor êsse ponto; Consideremos o exemplo de Ohlin s6-

formar um todo, como funções particula

bre a Austrália, com o qual encerramos

final, eme se denomina o produto lí quido da nação, como, enfim, tôdas as

a teoria do comércio internacional.

A

res colaboram em vista de um resultado

Austrália troca lã e trigo por manufa

atividades humanas, geograficamente lo

turas, proque os primeiros exigem muita

calizadas, obedecem a um mesmo prin cípio de orientação e de cniprêgo — o

terra em qualidades que se encontram

em grande quantidade nessa região, en quanto qué as manufaturas requerem grandes quantidades de trabalho o cer

princípio econômico.

tos recursos naturais, como

sileira, ou melhor, as proporções e as

minas de

ferro e carvão. Se

rá que essa expli cação é suficiente

para se estabelecer a política comer

cial que deve re gular as transações entre a Austrália e

os países manufaturçiros? Quer nos

parecer que não. Considerações co

Uma vez infor

mados sôbre todos esses aspectos, conhe ceríamos a estrutura da economia bra

relações

caracte

rísticas da nossa vida econômica.

De

um

modo

geral, os elemen

tos que formam a estrutura

são

de

trê.s espécies. Pri meiro, os elemen tos naturais, como

jazidas

minerais,

qualidade das ter

mo essa pertencem mais ao campo da

ras, sistema hidrográfico, grau de plu-

nomia.

mentos^ econômicos, como técnica de produção, organização financeira e ban

geografia econômica do que ao da eco De fato, se possuíssemos conhecimen

tos perfeitos de geografia econômica sôbre o Brasil, êles nos diriam quais são os nossos recursos e onde se encontram

os centros de produção; punham-nos a

par dos locais de concentração da po

pulação e da natureza de suas ocupa ções; ínformariam-nos dás quantidades produzidas de cada produto e das co locações dêsses produtos no mercados interno e externo, Conhecimentos* muito

úteis, mas insuficientes para nos escla recer a natureza cias nossas relações co

viosidade, clima etc. Segundo, os ele

caria, legislação social e tributária, grau

de concentração industrial, índice de capitalização, quantidade de capitai.s dis poníveis, capacidade de investimentos, liábitos de consumo, natureza da mãode-obra, organização das bôlsas de va lores e de mercadorias etc. Terceiro, os elementos atinentes ao sistema econô

mico, isto é, a distribuição dos setores

pré-capitalistas, capitalistas e extra-cupitalistas na economia nacional. Os estudos clc estrutura \nsom apon-

poiulo c.\atamcuU'

realidade, -ás tran-

elementos nas ati\ idades ec*onóinicas na

saçôe.s tmtre os países nâo pro\èin ape

cionais.

nas dns cliferente.s fatores de produção

A.ssini, visam fixar as propor-

çõe.s entre os gnxnclcs ramos tias ativi-

de cada um. mas da conjugaç;'io desses

dadc.s econômicas: agricultura, indústria

com inúmeros outros fatores — humajios

e comércio. Estas proporçxães podem ser aponlacla.s primcin) pcla.s quantida

algun.;. Es.sa conjugação dita o apare

des produzidas por cada ramo. segundo pela importância da contribuição do cada um par;» a formação da renda nacional,

relações de troca — os "terms of trade

terceiro pela distribuição da população

un*, oconômico.s outros, institucionais cimento. na esfera internacional, das

— o fator mais importante do comér cio inlonxacional, pois indica a maior

cado das conexões entre os vários ele

ou menor \antagem que os países tiram dêsso comércio, isto é, a quantidade de mercadorias que entregam pela expor-

mentos da estrutura e o grau cie inter dependência dos mesmos. Devem-se

itnportaçr»o. Essa vantagem é expressa

ativa entre o.s três setores dc atividades. As relações visam salientar o intrin

ainda considerar as relações entre os

produtos consumidos pelo mercado in terno e os exportados, bem como a qualidade, quantidade c valor das mei*cadorias entradas no país.

A proporção e a relação dêsses ele mentos dão a fisionomia da vida eco

nômica nacional, isto é, a maneira de

ser, de produzir, de reagir da economia interna.

São esses comportamentos que

taç;'io, cm troca das que recebem por

pela relação de trocas, que é o cocionte . do índice de preços em ouro das mer- , cadorias que se importam, pelo índice de preços das mercadorias que se ex portam.

Os países incluídos nos três primeiros itens dc classificação de Wagemann são

Estados que possuem fraca relação de

troca. Tais nações, no dizer de Carey, não comerciam, traficam, têm uma ex

diferenciam as várias economias nacio

portação cujo valor específico é fraco, e uma importação cujo valor específico

vimento.

é forte.

nais e cj^ue marcam o grau de desenvol

Foi tomando esses caracterís

ticos que vários autores tentaram clas sificar as economias nacionais. A classi

ficação que mais se generalizou foi a do Wagemann.

Segundo êste autor, os

países se dividem econòmicamente em:

a) não capitalistas; b) .semicapitallstas; c) neocapitalistas; d) supercapitalistas. A cada tipo cxirrespondem ações e rea ções

econômicas

diversas

e são essas

que definem as naçõès e que marcam a

posição que ocupam no quadro geral da economia internacional.

Por êste ligeiro apanhado sôbre a es trutura, estamos vendo que a teoria do

comércio

internacional não corres-

Dessa forma, acabam entre

gando, por assim dizer, do graça aquilo que produzem, pagando cada vez mais

caro pelo que recebem. Enfim, são países que perdem subs tância continuamente. Esta perda, que

repercute tão nocivamente em tôda a eco

nomia nacional, deve-se a dois fatores,

em primeiro lugar, à falta dc parelelis-

nio e concomitância entre as oscilações

dos preços de matérias-primas o os de produtos manufaturados; em segundo

lugar, às quedas de câmbio, típicas nos países cuja Balança de Contas e Paga

mentos é deficitária, favorecendo os

prêmios à exportação, obrigando assim


ntr;Ksr<)

-<>s países a venderem inaís e a rece berem menos.

Além disso, a situação do intercâmbio

Dicr.STo Econômico

\cís de vida, uma vc/. <jiic essa igual

predominam, como artigos de expor-

dade não se traduz, de falo, em vanta

^í^ção, os chamados "produtos colo-

gens equivalentes do ponto de xnsta

uiair,", proniove-se, de fato, a troca de produtos fracamente remunerados,

dos paí.ses exportadores de manufaturas e países exportadores de produtos pri-

econômico e social.

inário.s, impõe a éstes uma situação des-

protecioni.sta, .se bem que mais confor

dos. Mesmo que se equilibrem, em

mo com a realidade, uma \c/. que for nece medidas protetoras à economia

^'alor monetário, os balanços dc coc de pagamentos entçe essas "^Ções, o intercâmbio rea!iz;ido favoroco, sem dúvida, o país mais in-

vantajüsa nos termos de troca. Os pro

dutos primários, dc uma maneira geral, são inehisticos e, inversamente, os pro dutos manufaturados têm uma alta elas

ticidade. A evolução dos preços de uns c outros produtos mostra disparidades.

As flutuações dos níveis de preços atin gem mais duramente os produtos primú-

rio.s do que os manufaturados, depre ciando os termos de troca dos países

■ exportadores do.s primeiros.

Por outro

lado, os preços dos produtos primários, via de regra, não são influenciados pelos países produtores, mas são ditados pelos próprios países manufatureiros.

Pela classificação de "AVagemann e pela relação de trocas, vemos que existe uma diferença hierárquica entre as na

ções, a qual corresponde à estrutura e ao papel desempenhado pela economia

Por outro lado, a adoção do princípio

nacional, não é das mais acertadas. Essa

política traz o rctalhamcnto do comércio

internacional e gera as autarquias eco nômicas. Além dís.so, as atÍN'idados eco

nômicas desenvolvidas sob o agasalho

dos impostos alfandegários podem gerar produções rotineiras c-não econômicas.

Repudiando essas políticas não que remos dizer que elas são falsas, mas apenas que não se adatam inteiramente

realidade. Reconhecemo.s- que ambas têm bons a.spetos, mas aplicadas inte gralmente trazem repercussões muito desfavoráveis sôbre as nações de econo mia incipiente. É preciso adotar um meio tôrmo entre as duas e acrescentar

de cada uma delas nas relações interna

outros princípios, para então conseguir mos a política econômica que melhor convém ao comércio internacional, dada

cionais, e que vai desde os países alta

a

mente desenvolvidos, intensamente in

dustrializados, produtores e exportadores

iversidade de economias nacionais

e.xistentes.

^^ostrializado. Em x erdado, tais tra

nosso comércio exterior.

Compare-se a importação presente com a anterior à guerra de 14-18. O

tados de comércio deveriam ser com-

forte, naquela época, eram as entra

P'otados por entendimentos, em que

das de bens de consumo, de baixo valor

^ país que coloca, cm troca de pro

específico, em comparação com os equi

dutos primários, artigos densamente

pamentos modernos. A exportação de

•"ornunerados se obrigasse a uma coo

café deixava então saldos favoráveis na balança comercial, o que permitia fazer face aos déficits da balança de paga-

peração compensadora, de ordem técnica e econômica, ao e.xportador

de produtos primários."

A cooperação pedida por Roberto Siluonsen não afetaria os países altamen

te industrializados, pois o auxilio que

prestassem às nações fracas econòmica-

jnentos, pro\'enientes das remessas de

capitais para a liquidação dos juros de nossas dívidas internacionais. Dessas considerações podemos tirar o princípio

de que o descnvolrimento das economias pouco desenvolvidas .se traduz em be

mente, se bem demandasse em sacri-

nefício para os países altamente indus

bcio no momento, a longo prazo se tra duziria num benefício ao país que em

trializados.

prestasse a sua tx)laboração.

iircas novas só pode ser obtido através

Na realidade, o desenvolvimento das

de dois processos: ou por uma adequa da proteção interna, que é um processo

mos passar a analisar quais deverão ser

exportações dos países ricos. A razão e muito simples: as nações econômicamente atrasadas para realizarem o pro

judicial às nações exportadoras, ou pela

incipiente, predominantemente agrícolas, produtores e exportadores de bens de

a.s bases da novel política econômica.

gresso econômico interno necessitam de

bal.xa densidade econômica. Esta dife

importar em larga escala equipamentos

renciação hierárquica leva forçosamente

Política econômica social

ao repúdio da política livre cambista, uma vez que esta implica no reconhe

P^ra aumentarem as suas produções.

Essa denominação "Política Econô

co traz diferenciação nas produções in ternas, o que cria novas necessidades,

cimento de igualdade econômica e ju

mica Social" é de Roberto Simonsen, que

rídica entre tôdcis as nações.

a conceituou nos seguintes termos:

êsse princípio é favorecer a exploração dos países mais pobres pelos mais ricos e forçar aqueles a manterem sempre a mesma posição subalterna e baixos ní-

repercussão, à necessidade de importa ção de outros artigos, incrementando o

E sabido que o desenvolvimento eco nômico das nações pobres aumenta as

econômico, até aos países de economia

Admitir

primas, portanto, de bens de produção de alto valor específico. À medida que estes bens de produção entram no país Q são utiliz.idos, dão nascimento, por

Indicado o incomplemenlo da teoria

do comercio internacional e a não adcqii.içao eus políticas econômicas, pode

de mercadorias de alto teor técnico e

por outro.s altamente rccompensa-

esta veio e.xigir a importação de uma série enorme de maquinismo e matérias-

"Quando se realizam tratados de co mércio, entre uma nação fortemen

te industrializada e outra em que

®ni disso, o desenvolvimento econômi

que só podem ser sati.sfeítas pela im

portação. O caso típico é o Brasil. Boa parto da crise de dólares por que passa mos SC deve ao ritmo crescente da in

dustrialização de nossu economia. É que

lento, rigoroso e ao mesmo tempo pre

cooperação internacional, que é o pro cesso mais eficaz, porque não importa numa diminuição do nível de consumo interno, não afeta as indústrias de ex

portação, 6 contribui, numa . palavra, para a expansão do comércio mundial. Tais idéias encontram apoio em re

centes 'acontecimentos internacionais da mais alta importância, que mostram ao

mesmo tempo o caráter prático desta tese. Os empréstimos sob a forma do "Lend-Lease", que desempenhavam pa-


ntr;Ksr<)

-<>s países a venderem inaís e a rece berem menos.

Além disso, a situação do intercâmbio

Dicr.STo Econômico

\cís de vida, uma vc/. <jiic essa igual

predominam, como artigos de expor-

dade não se traduz, de falo, em vanta

^í^ção, os chamados "produtos colo-

gens equivalentes do ponto de xnsta

uiair,", proniove-se, de fato, a troca de produtos fracamente remunerados,

dos paí.ses exportadores de manufaturas e países exportadores de produtos pri-

econômico e social.

inário.s, impõe a éstes uma situação des-

protecioni.sta, .se bem que mais confor

dos. Mesmo que se equilibrem, em

mo com a realidade, uma \c/. que for nece medidas protetoras à economia

^'alor monetário, os balanços dc coc de pagamentos entçe essas "^Ções, o intercâmbio rea!iz;ido favoroco, sem dúvida, o país mais in-

vantajüsa nos termos de troca. Os pro

dutos primários, dc uma maneira geral, são inehisticos e, inversamente, os pro dutos manufaturados têm uma alta elas

ticidade. A evolução dos preços de uns c outros produtos mostra disparidades.

As flutuações dos níveis de preços atin gem mais duramente os produtos primú-

rio.s do que os manufaturados, depre ciando os termos de troca dos países

■ exportadores do.s primeiros.

Por outro

lado, os preços dos produtos primários, via de regra, não são influenciados pelos países produtores, mas são ditados pelos próprios países manufatureiros.

Pela classificação de "AVagemann e pela relação de trocas, vemos que existe uma diferença hierárquica entre as na

ções, a qual corresponde à estrutura e ao papel desempenhado pela economia

Por outro lado, a adoção do princípio

nacional, não é das mais acertadas. Essa

política traz o rctalhamcnto do comércio

internacional e gera as autarquias eco nômicas. Além dís.so, as atÍN'idados eco

nômicas desenvolvidas sob o agasalho

dos impostos alfandegários podem gerar produções rotineiras c-não econômicas.

Repudiando essas políticas não que remos dizer que elas são falsas, mas apenas que não se adatam inteiramente

realidade. Reconhecemo.s- que ambas têm bons a.spetos, mas aplicadas inte gralmente trazem repercussões muito desfavoráveis sôbre as nações de econo mia incipiente. É preciso adotar um meio tôrmo entre as duas e acrescentar

de cada uma delas nas relações interna

outros princípios, para então conseguir mos a política econômica que melhor convém ao comércio internacional, dada

cionais, e que vai desde os países alta

a

mente desenvolvidos, intensamente in

dustrializados, produtores e exportadores

iversidade de economias nacionais

e.xistentes.

^^ostrializado. Em x erdado, tais tra

nosso comércio exterior.

Compare-se a importação presente com a anterior à guerra de 14-18. O

tados de comércio deveriam ser com-

forte, naquela época, eram as entra

P'otados por entendimentos, em que

das de bens de consumo, de baixo valor

^ país que coloca, cm troca de pro

específico, em comparação com os equi

dutos primários, artigos densamente

pamentos modernos. A exportação de

•"ornunerados se obrigasse a uma coo

café deixava então saldos favoráveis na balança comercial, o que permitia fazer face aos déficits da balança de paga-

peração compensadora, de ordem técnica e econômica, ao e.xportador

de produtos primários."

A cooperação pedida por Roberto Siluonsen não afetaria os países altamen

te industrializados, pois o auxilio que

prestassem às nações fracas econòmica-

jnentos, pro\'enientes das remessas de

capitais para a liquidação dos juros de nossas dívidas internacionais. Dessas considerações podemos tirar o princípio

de que o descnvolrimento das economias pouco desenvolvidas .se traduz em be

mente, se bem demandasse em sacri-

nefício para os países altamente indus

bcio no momento, a longo prazo se tra duziria num benefício ao país que em

trializados.

prestasse a sua tx)laboração.

iircas novas só pode ser obtido através

Na realidade, o desenvolvimento das

de dois processos: ou por uma adequa da proteção interna, que é um processo

mos passar a analisar quais deverão ser

exportações dos países ricos. A razão e muito simples: as nações econômicamente atrasadas para realizarem o pro

judicial às nações exportadoras, ou pela

incipiente, predominantemente agrícolas, produtores e exportadores de bens de

a.s bases da novel política econômica.

gresso econômico interno necessitam de

bal.xa densidade econômica. Esta dife

importar em larga escala equipamentos

renciação hierárquica leva forçosamente

Política econômica social

ao repúdio da política livre cambista, uma vez que esta implica no reconhe

P^ra aumentarem as suas produções.

Essa denominação "Política Econô

co traz diferenciação nas produções in ternas, o que cria novas necessidades,

cimento de igualdade econômica e ju

mica Social" é de Roberto Simonsen, que

rídica entre tôdcis as nações.

a conceituou nos seguintes termos:

êsse princípio é favorecer a exploração dos países mais pobres pelos mais ricos e forçar aqueles a manterem sempre a mesma posição subalterna e baixos ní-

repercussão, à necessidade de importa ção de outros artigos, incrementando o

E sabido que o desenvolvimento eco nômico das nações pobres aumenta as

econômico, até aos países de economia

Admitir

primas, portanto, de bens de produção de alto valor específico. À medida que estes bens de produção entram no país Q são utiliz.idos, dão nascimento, por

Indicado o incomplemenlo da teoria

do comercio internacional e a não adcqii.içao eus políticas econômicas, pode

de mercadorias de alto teor técnico e

por outro.s altamente rccompensa-

esta veio e.xigir a importação de uma série enorme de maquinismo e matérias-

"Quando se realizam tratados de co mércio, entre uma nação fortemen

te industrializada e outra em que

®ni disso, o desenvolvimento econômi

que só podem ser sati.sfeítas pela im

portação. O caso típico é o Brasil. Boa parto da crise de dólares por que passa mos SC deve ao ritmo crescente da in

dustrialização de nossu economia. É que

lento, rigoroso e ao mesmo tempo pre

cooperação internacional, que é o pro cesso mais eficaz, porque não importa numa diminuição do nível de consumo interno, não afeta as indústrias de ex

portação, 6 contribui, numa . palavra, para a expansão do comércio mundial. Tais idéias encontram apoio em re

centes 'acontecimentos internacionais da mais alta importância, que mostram ao

mesmo tempo o caráter prático desta tese. Os empréstimos sob a forma do "Lend-Lease", que desempenhavam pa-


I' Digesto EcoNÓxnco

6d

pel tão destacado na manutenção do

Ao lado dêsses acontecimentos, vamos

esfôrço de guerra, deram, por outro lado. ensejo à elevação da produtivi

cias econômicas internacionais, como a

encontrar, nas conclusões das conferên

é um exemplo de tempo de guerra. Há,

de Ha\ana c a de Bogotá, firmados êsses princípios da colaboração internacional.

dade dos Estados Unidos. Dir-se-á que

01

Digesto Eco^•ó^^co

mento de cooperação. Infelizmente, o.s

que se manifesta em vantagens equivalente.s para ambas as partes, teria de

netário

Internacional inicia uni movi

estatutos e a insuficiência dos recursos

.ser orientada pelo oferecimento de opor

não permitem uma atuação efetiva deste

tunidades concretas de desenvolvimento,

instituto

que não só compensassem as desvanta gens atuais como proporcionassem, além

internacional.

porém, um mais recente e mais signi

Assim, a Carla Internacional dc Comér

ficativo: o Plano Marshall. Êste não é

cio e Emprôgo, elaborada em Ha\ana,

ção e Fomento, criado ao mesmo tempo

mai.s do que um subsídio para manter o comércio internacional num nível que

desenvolveu idéias francamente ncoli-

que o Fundo, c um organismo que pro

beralislas, procurando substituir, no

mete muito, mas que pouco tem feito.

permita assegurar o pleno emprego e

plano das relações econômicas interna

Terá uma influência muito grande nas

e.xpandir o comércio mundial.

cionais, os clássicos mecanismos auto

futuras aplicações internacionais de ca

máticos do liberalismo por um sistema

pitais.

Hoberto Simonsen na tese que apre sentou em 1943, com contribuição da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, à Conferência Internacional

racional, funcionando sob o controle de

de Rye, acentuou: "Delineia-se um grande movimen

diferenças fundamentais decorrentes da

to de caráter internacional para au xiliar a rápida reconstrução das zo nas devastadas pela guerra. Não e.xistc, porém, o mesmo anseio cm socorrer muitos outros povos, em

imensas regiões do globo, onde tam bém milhões de indivíduos perecem anual e precocemente, vitimados pela

um organismo mundial. Infelizmente, a

Carta não reconhece, cfeti\amcnte, as natureza e dos interesses das diversas

economias. São muito vagos e sem efi

cácia os dispositivos que, implícita ou indiretamente, contemplariam um tra tamento equitativo. Na verdade — apon tou Roberto Simonsen — a Carta impõe um tratamento igual aos desiguais. Re

miséria, pela ignorância, pela subnu

defesa próprios das economias incipien

tes, .sem, simultâneamentc, proporcionarobrigações previstas e de imediato adim-

pela guerra e a outorga às nações pobres de um grau mínimo de confôrto, a que devem fazer jus?

virtude da .sua menor resistência econô

ternacionais, se reconhece para estu

a aplicação de corretivos de ordem eco

internacionais está mostrando que mar

nômica, política e social, a fim de ate nuar a excessiva desigualdade existente

chamos devidamente para uma ix)lítica mais compreensi\a, em que a igualdade

entre as nações, desigualdade agravada continuamente pela concentração técni

Essa

tendência

dos

acontecimentos

de tratamento entre as nações seja posta

ca e capitalista e pelo regime das rela

em outras bases. "A consecução de uma

ções econômicas \ágentes no terreno in

efetiva igualdade — diz Simonsen —

ternacional.

mica. A tais desvantagens não c^orrespondem .senão declarações de princípios sem eficácia prática, em que se reco nhece a necessidade do desenvolvimen to dessas áreas.

quanto a capacidade bélica entre os vários povos, por que não diferençar as medidas e providências de que

A Conferência de Bogotá tratou do assunto com visão mais adequada. For

estrutura econômica?".

solução poderia ser encontrada mediante

maiores sacrifícios das árca.s novas, em

mentais, a diferanclação existente

o grau de desenvolvimento da sua

Não parece difícil adotar-se unia jx)lítica condizente com esse princípio. A

plemento exigem, comparativamente,

do e aplicação de medidas funda

cada nação necessita, de acôrdo com

progressi\"a elevação dos níveis de vida nas áreas atrasadas."

ilies^ima cooperação econômica conipensadora. Nela não se obser\'am que as

"Por que não colocar ao mesmo plano de atenção a recuperação da prosperidade dos países destroçados

"Se, nos congressos poíiticos in

de e.xpansão do comércio mundial, a

tira, em virtude de princípios gerais aplicáveis por igual a todos, os meios de

trição e pelas enfermidades daí de correntes.

O Banco Internacional de Reconstni-

mulou princípios seguros de colabora ção e nela podemos ver os verdadeiros germes das bases da futura política. No campo monetário o Fundo Mo-

J


I' Digesto EcoNÓxnco

6d

pel tão destacado na manutenção do

Ao lado dêsses acontecimentos, vamos

esfôrço de guerra, deram, por outro lado. ensejo à elevação da produtivi

cias econômicas internacionais, como a

encontrar, nas conclusões das conferên

é um exemplo de tempo de guerra. Há,

de Ha\ana c a de Bogotá, firmados êsses princípios da colaboração internacional.

dade dos Estados Unidos. Dir-se-á que

01

Digesto Eco^•ó^^co

mento de cooperação. Infelizmente, o.s

que se manifesta em vantagens equivalente.s para ambas as partes, teria de

netário

Internacional inicia uni movi

estatutos e a insuficiência dos recursos

.ser orientada pelo oferecimento de opor

não permitem uma atuação efetiva deste

tunidades concretas de desenvolvimento,

instituto

que não só compensassem as desvanta gens atuais como proporcionassem, além

internacional.

porém, um mais recente e mais signi

Assim, a Carla Internacional dc Comér

ficativo: o Plano Marshall. Êste não é

cio e Emprôgo, elaborada em Ha\ana,

ção e Fomento, criado ao mesmo tempo

mai.s do que um subsídio para manter o comércio internacional num nível que

desenvolveu idéias francamente ncoli-

que o Fundo, c um organismo que pro

beralislas, procurando substituir, no

mete muito, mas que pouco tem feito.

permita assegurar o pleno emprego e

plano das relações econômicas interna

Terá uma influência muito grande nas

e.xpandir o comércio mundial.

cionais, os clássicos mecanismos auto

futuras aplicações internacionais de ca

máticos do liberalismo por um sistema

pitais.

Hoberto Simonsen na tese que apre sentou em 1943, com contribuição da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, à Conferência Internacional

racional, funcionando sob o controle de

de Rye, acentuou: "Delineia-se um grande movimen

diferenças fundamentais decorrentes da

to de caráter internacional para au xiliar a rápida reconstrução das zo nas devastadas pela guerra. Não e.xistc, porém, o mesmo anseio cm socorrer muitos outros povos, em

imensas regiões do globo, onde tam bém milhões de indivíduos perecem anual e precocemente, vitimados pela

um organismo mundial. Infelizmente, a

Carta não reconhece, cfeti\amcnte, as natureza e dos interesses das diversas

economias. São muito vagos e sem efi

cácia os dispositivos que, implícita ou indiretamente, contemplariam um tra tamento equitativo. Na verdade — apon tou Roberto Simonsen — a Carta impõe um tratamento igual aos desiguais. Re

miséria, pela ignorância, pela subnu

defesa próprios das economias incipien

tes, .sem, simultâneamentc, proporcionarobrigações previstas e de imediato adim-

pela guerra e a outorga às nações pobres de um grau mínimo de confôrto, a que devem fazer jus?

virtude da .sua menor resistência econô

ternacionais, se reconhece para estu

a aplicação de corretivos de ordem eco

internacionais está mostrando que mar

nômica, política e social, a fim de ate nuar a excessiva desigualdade existente

chamos devidamente para uma ix)lítica mais compreensi\a, em que a igualdade

entre as nações, desigualdade agravada continuamente pela concentração técni

Essa

tendência

dos

acontecimentos

de tratamento entre as nações seja posta

ca e capitalista e pelo regime das rela

em outras bases. "A consecução de uma

ções econômicas \ágentes no terreno in

efetiva igualdade — diz Simonsen —

ternacional.

mica. A tais desvantagens não c^orrespondem .senão declarações de princípios sem eficácia prática, em que se reco nhece a necessidade do desenvolvimen to dessas áreas.

quanto a capacidade bélica entre os vários povos, por que não diferençar as medidas e providências de que

A Conferência de Bogotá tratou do assunto com visão mais adequada. For

estrutura econômica?".

solução poderia ser encontrada mediante

maiores sacrifícios das árca.s novas, em

mentais, a diferanclação existente

o grau de desenvolvimento da sua

Não parece difícil adotar-se unia jx)lítica condizente com esse princípio. A

plemento exigem, comparativamente,

do e aplicação de medidas funda

cada nação necessita, de acôrdo com

progressi\"a elevação dos níveis de vida nas áreas atrasadas."

ilies^ima cooperação econômica conipensadora. Nela não se obser\'am que as

"Por que não colocar ao mesmo plano de atenção a recuperação da prosperidade dos países destroçados

"Se, nos congressos poíiticos in

de e.xpansão do comércio mundial, a

tira, em virtude de princípios gerais aplicáveis por igual a todos, os meios de

trição e pelas enfermidades daí de correntes.

O Banco Internacional de Reconstni-

mulou princípios seguros de colabora ção e nela podemos ver os verdadeiros germes das bases da futura política. No campo monetário o Fundo Mo-

J


OltiKSf <I

nicONt^MIfrtí

mentos em condições de indicar rumos

tos alheios, delenninnção persistente", <" que, infelizmente, longe estamos desse quadro. Com referência à organização, o quadro nacional também denuncia grandes falhas, e, depois de analisá-lo,

à coletividade, e, a.s.sim, concorrer para

com ele\ado critério, adverte:

fato cm no.sso destino, a necessidade da

fcrniação de quadros

profissionais de

Ncrdade, con.scientes de sua missão, do tados dc conhecimentos básicos, de ele

Bezerra he Freitas

jL SITUAÇÃO econômica e social do Bra sil tem mobilizado uma série dc es

'íí

mos apenas uma civili/.;içào dc ipuin- ■?

somos

ladc. tid;.,.-

As crises nacionais tem raí/cs

tudiosos, especialistas e homens públi

profundas na falta de um sistema, de mu

cos, todos decididamente empenhados em apresentar fórmulas e sugestões pa

cação profissional.

ra a solugão dos problemas nacionais. A

extrema diversidade dc opiniões, a ati

tude intransigente de uns, a mentalida de anacrônica de outros e o fanatismo

1

a elaboração d<}s grando.s planos de re estruturação nacional.

Trabalho deva

Certo, a realidade é esta :

método, dc um longo processo dc edu

devemos en\aidcccr,

Não nos devemos

cm posturas yo-

cos, porque, em dado momento, se apre.sentou ao nosso entendimento a c}ja\'e

homens práticos, qno consideram sem importância o problema da formação de

técnicos e elites culturais cm nosso país.

ciência da perenidade das

ções, nem será necessário possuir gran

meia Imgua c nenhuma concepção das exigências do mundo atual, (pie a cul

nossas aflições, falta-nos a

des reservas de cultura sobre a econo

lor duyido.so, cumprindo-nos, ao it'vé.«,

nência dos nos.sos proble

para a formação

de uin ambiente de

exaltado individualismo. Mas, não pre cisamos nos perder em largas medita

mia clássica para verificarmos que o.s nossos problemas continuam a ser exa

minados e debatidos apenas pela super fície. Em regra, as iniciativas propos tas pelos especialistas ou constituem simples medidas de emergência, do re

lativa significação no tempo e no espaço, ou se revestem de a.spectos nitidamente regionais. Não será exagero afirmar que comumente elas ai^resentam a marca do momento, o cunho das iniciati\'as transi

transmitir à juventude universitária co

nhecimentos unicamente do orclcm prá

tica, objetiva, tanto menos teóricos ou especulativos quanto possível.

Ora, quem sc detiver num rápido exa

puramente materialistas.

contrado, em determinado instante,'uma regra ou preceito aplicável á espécie, sa

cultura têm. portanto, n sua formação doutrinária, histórica e filosófica, e suas bases se encontram na organização do

tisfaz de forma defiiiitiwa o no.sso i;s-

trabalho e das instituições sociais.

pírito.

Nunca será demasiado propugnar, cm virtude da repercussão c iniluência do •«MCV.W'

então,

é indispensável um Minis tério da Produção, que

estude a política da pro' dução, que ampare os produtores, que examine e

promova

o

progresso

brasileiro.

constância e o entusiasmo

nistério do Tesouro

dos

homens

fora da rotina

adminisliativa,

além dos limites nonnais em que tudo Em discurso proferido na Câmara dos Deputados e que alcançou a maior re percussão, pela forma e pelo conteiádo, (• sr. Horácio Lafer demonstrnu que to da a nossa história re%'ela a desoladora

falta de uma política econômica, que é constituída de três fatores essenciais —

mentalidade, organização e técnica. Quanto à mentalidade, assinalou o sr.

• :. ■ .

Como ór

gão especializado,

clama não só a %ngília, a

.Sc processa.

Economia c

■..'iã

internacional.

êsse estado de cousas re

luçõe;:

rações que não improvisaram seus co-

to que o simples fato de havermos en

sivamente do Tesouro isto é, trate dc arrecadar melhor e pagar bem; que o Ministério do Exterior faça a política

os problemas econômicos

eapaze.s de pesquisar, sugerir c criar so-

- ha de, nccessáriamentc, concluir que as leis econômicas têm a sua lógica. Es

exigem solução imediata, também ó cer

perma

como ainda o concurso de inteligências

artesanato e os movimentos mecânicos

nhecimcnto.s técnicos nem se deixaram conduzir por indicações ou referências

que o Ministério da Fazenda seja exclu

cons

dotados de sólida cultura profissional,

moral c material - o manejo de elemen tos produzidos pela natureza física, o

tões se apresentam com um aspoto de calamidade o um sentido realista que

da

a

c.vclusivainente

mas internos e externos, e

construti\'o

me das três fases por que passU a humamdade, na sua ânsia de progresso

sas conquistas refletem o esf(^)rço de ge

Gumprc-nos, porém, observar que não

Falta-nos

compreen.são

tura extraída dos li\ros encerra um va

tórias, o sinal de um estado de angús tia que só o interesse patriótico justifica. Se ó verdade que, em regra, as ques

^

lava.

afirmando, como .sc tcni \'isto, na sua

cuidar

das relações com o trabalho nacional:

de uma questão que, há muitos anos, nos atomien-

doutrinário de muitos tem contribuído

não nos

liipluosas, nem esboçar gestos messiâni

preocupar com a crítica desautorizada, suspeita e pessimista dos denominados

"Assim,

parece indubitável que o Ministério do

Assim, o Mi sò-

mente examinaria as pos sibilidades financeiras,

o Ministério do

Exterior a sua aplicação no exterior. Mas

haveria um Ministério especializado, com aparelhamento para estudos técni cos, cuja função fôsse amparar a pro dução, estabelecer uma política econô mica, ser um agente impulsionador do

progresso, um defensor xagilante e con tínuo do produtor nacional. Organiza ção da j^Hilítica de crédito, da política de distribuição, da política de planeja mento, da política de amparo à produ ção no setor executivo, tudo é organiza ção e somente organização". Finalmente,

devemos educar

técni

Horácio Lafer que e.sta é uma "mistura

cos, importar técnicos, valorizá-los e so

de fé e consciência do dever, entusias

bretudo a eles confiar

mo e otimismo, altiaií.smo para com êxi

problemas que não são empíricos, mas

»->U'

"o estudo dos


OltiKSf <I

nicONt^MIfrtí

mentos em condições de indicar rumos

tos alheios, delenninnção persistente", <" que, infelizmente, longe estamos desse quadro. Com referência à organização, o quadro nacional também denuncia grandes falhas, e, depois de analisá-lo,

à coletividade, e, a.s.sim, concorrer para

com ele\ado critério, adverte:

fato cm no.sso destino, a necessidade da

fcrniação de quadros

profissionais de

Ncrdade, con.scientes de sua missão, do tados dc conhecimentos básicos, de ele

Bezerra he Freitas

jL SITUAÇÃO econômica e social do Bra sil tem mobilizado uma série dc es

'íí

mos apenas uma civili/.;içào dc ipuin- ■?

somos

ladc. tid;.,.-

As crises nacionais tem raí/cs

tudiosos, especialistas e homens públi

profundas na falta de um sistema, de mu

cos, todos decididamente empenhados em apresentar fórmulas e sugestões pa

cação profissional.

ra a solugão dos problemas nacionais. A

extrema diversidade dc opiniões, a ati

tude intransigente de uns, a mentalida de anacrônica de outros e o fanatismo

1

a elaboração d<}s grando.s planos de re estruturação nacional.

Trabalho deva

Certo, a realidade é esta :

método, dc um longo processo dc edu

devemos en\aidcccr,

Não nos devemos

cm posturas yo-

cos, porque, em dado momento, se apre.sentou ao nosso entendimento a c}ja\'e

homens práticos, qno consideram sem importância o problema da formação de

técnicos e elites culturais cm nosso país.

ciência da perenidade das

ções, nem será necessário possuir gran

meia Imgua c nenhuma concepção das exigências do mundo atual, (pie a cul

nossas aflições, falta-nos a

des reservas de cultura sobre a econo

lor duyido.so, cumprindo-nos, ao it'vé.«,

nência dos nos.sos proble

para a formação

de uin ambiente de

exaltado individualismo. Mas, não pre cisamos nos perder em largas medita

mia clássica para verificarmos que o.s nossos problemas continuam a ser exa

minados e debatidos apenas pela super fície. Em regra, as iniciativas propos tas pelos especialistas ou constituem simples medidas de emergência, do re

lativa significação no tempo e no espaço, ou se revestem de a.spectos nitidamente regionais. Não será exagero afirmar que comumente elas ai^resentam a marca do momento, o cunho das iniciati\'as transi

transmitir à juventude universitária co

nhecimentos unicamente do orclcm prá

tica, objetiva, tanto menos teóricos ou especulativos quanto possível.

Ora, quem sc detiver num rápido exa

puramente materialistas.

contrado, em determinado instante,'uma regra ou preceito aplicável á espécie, sa

cultura têm. portanto, n sua formação doutrinária, histórica e filosófica, e suas bases se encontram na organização do

tisfaz de forma defiiiitiwa o no.sso i;s-

trabalho e das instituições sociais.

pírito.

Nunca será demasiado propugnar, cm virtude da repercussão c iniluência do •«MCV.W'

então,

é indispensável um Minis tério da Produção, que

estude a política da pro' dução, que ampare os produtores, que examine e

promova

o

progresso

brasileiro.

constância e o entusiasmo

nistério do Tesouro

dos

homens

fora da rotina

adminisliativa,

além dos limites nonnais em que tudo Em discurso proferido na Câmara dos Deputados e que alcançou a maior re percussão, pela forma e pelo conteiádo, (• sr. Horácio Lafer demonstrnu que to da a nossa história re%'ela a desoladora

falta de uma política econômica, que é constituída de três fatores essenciais —

mentalidade, organização e técnica. Quanto à mentalidade, assinalou o sr.

• :. ■ .

Como ór

gão especializado,

clama não só a %ngília, a

.Sc processa.

Economia c

■..'iã

internacional.

êsse estado de cousas re

luçõe;:

rações que não improvisaram seus co-

to que o simples fato de havermos en

sivamente do Tesouro isto é, trate dc arrecadar melhor e pagar bem; que o Ministério do Exterior faça a política

os problemas econômicos

eapaze.s de pesquisar, sugerir c criar so-

- ha de, nccessáriamentc, concluir que as leis econômicas têm a sua lógica. Es

exigem solução imediata, também ó cer

perma

como ainda o concurso de inteligências

artesanato e os movimentos mecânicos

nhecimcnto.s técnicos nem se deixaram conduzir por indicações ou referências

que o Ministério da Fazenda seja exclu

cons

dotados de sólida cultura profissional,

moral c material - o manejo de elemen tos produzidos pela natureza física, o

tões se apresentam com um aspoto de calamidade o um sentido realista que

da

a

c.vclusivainente

mas internos e externos, e

construti\'o

me das três fases por que passU a humamdade, na sua ânsia de progresso

sas conquistas refletem o esf(^)rço de ge

Gumprc-nos, porém, observar que não

Falta-nos

compreen.são

tura extraída dos li\ros encerra um va

tórias, o sinal de um estado de angús tia que só o interesse patriótico justifica. Se ó verdade que, em regra, as ques

^

lava.

afirmando, como .sc tcni \'isto, na sua

cuidar

das relações com o trabalho nacional:

de uma questão que, há muitos anos, nos atomien-

doutrinário de muitos tem contribuído

não nos

liipluosas, nem esboçar gestos messiâni

preocupar com a crítica desautorizada, suspeita e pessimista dos denominados

"Assim,

parece indubitável que o Ministério do

Assim, o Mi sò-

mente examinaria as pos sibilidades financeiras,

o Ministério do

Exterior a sua aplicação no exterior. Mas

haveria um Ministério especializado, com aparelhamento para estudos técni cos, cuja função fôsse amparar a pro dução, estabelecer uma política econô mica, ser um agente impulsionador do

progresso, um defensor xagilante e con tínuo do produtor nacional. Organiza ção da j^Hilítica de crédito, da política de distribuição, da política de planeja mento, da política de amparo à produ ção no setor executivo, tudo é organiza ção e somente organização". Finalmente,

devemos educar

técni

Horácio Lafer que e.sta é uma "mistura

cos, importar técnicos, valorizá-los e so

de fé e consciência do dever, entusias

bretudo a eles confiar

mo e otimismo, altiaií.smo para com êxi

problemas que não são empíricos, mas

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"o estudo dos


IIIMPJIJWW (H

Diciísro EroNÓMi

ck-iitíficos, no mundo econômico mo-

versitários, que promoverão peM|iiisHs de

dí-rno".

acordo com os métodos científicos mai.s

Oir.KKTo Econômico

organixíi^-ão e técnica, poderemos cons truir a política econômica brasileira.

cultura do trabalhador brasileiro — ur

e xaminadas pelo poder público, associa ções de classe e núcleos de produção, da mesma forma que outras devem ser evitada.s como perturbadoras do orga

Mas, isso resultará, sem dúvida, tanto de

bano, suburbano c rural — jamais nos

nismo nacional.

Assim, dentro dessa

nanças pois, de falo, não c mais possí

poderemos libertar do círculo vicioso cin

ques" quando a nossa- evolução indus trial já se encontra a caminho da matu

superiores preparam liomens aplicados á

ordem de idcia.s, e aproveitando o exem plo de países, como a Inglaterra e a América do Norte, cumpre-nos desen volver os nos.sos esforços a fim de que

ridade.

ciência pura. destinados a renovar a nos

possamos produzir sempre mais e me

constitui a única fórmula saudável para

sa técnica, nossos processos, nos.sos mé todos antiquado.s do trabalho no.s labo-

lhor em todos os setores — agricultura,

a melhoria da nos.sa vida.

indústria e comércio — ccom essa re

Certo, com mentalidade apropriada,

sacrifícios individuais como de esforços coletivos, todos empenhados em neutra lizar erros seculares, em desfazer uma

•série de equívocos prejudiciais à nossa

vida interna e externa. Tão perniciosa ao.s nossos interesses gorais tem sido a

política dos "princípios rígidos" como a dos liberalismos excessivos. A ação dos parlamentares, dos administradores da

cousa pública e dos homens possuídos de capacidade de organização deverá se fazer sentir num sentido único — o da organização racional c técnica da eco nomia brasileira.

Sabemos que as classes produtoras re clamam, com razão, "uma voz nos des tinos econômicos do pais". Êsse é. aliás, um princípio cuja universalidade! depois do Tratado de Versalhes, se tor

recentes; sem a elevação do nivol de

que temos vivido.

Enquanto os nossos centros de estudos

ratôrio.s, nas usinas, nos campo.s, nos es critórios, nas fábricas, as organÍ2;ições

profissionais cm todas as zonas do pais, podem c devem emponbar-.se numa campanlia decisiva para a noss;i vida educar os trabalhadores c seus filhos para os postos de comando e e.xecução,.

porque êsse 6, sem dúvida, o ponto de

partida para a solução de um dos pro blemas fundamentais da nossa civiliza ção. O futuro da riqueza brasileira está

ligado a essas transformações de subs

na desnecessário acentuar, tal a sua sig nificação profunda através dos tempos

tância e não a simples transposições de

B em face do.s imperativos étnicos e po líticos do mundo ocidental. A participa ção das categorias profissionais nos pos tos de comando subentende uma prepa

a industria vão, felizmente, se despo

ração técnica e um conhecimento dos

normas e fórmulas.

Da mesma maneira que o comércio e

jando de certas práücas insustentáveis em nossa época, também a lavoura, em particular a lavoura paulista, caminha com firmeza para a mecanizção dos seus

problemas gerais de administração e eco nomia social, indispensáveis a quem

.serviço.s. Ob.serva-se, com acêrto, que a

quiser realizar alguma cousa de positivo, com independência e espírito crítico,

cola, alcançada através dos meios indus triais, tem sustentado e equilibrado um nível de preços no Brasil, não obstante a redução do valor aquisitivo da nossa

não se re.slgnando assim a ser conduzido

como autômato, abúlico, hipnotÍ2:ado, para

a satisfação de meros

interesses

particulares.

Sem essa soma de aquisições intelec tuais, de emoções e de experiências prá ticas; sem o concurso dos mestres uni

diminuição do custo de produção agrí

moeda, e, na realidade, o conjunto de fenômenos que determina as alterações conhecidas não pode ser apresentado .sob o aspecto unilateral de uma causa. Há uma série de medidas

a serem

da luta de classes, da intransigência, cia divisão de castas, e, além disso, cabe-

nos evitar a expansão das doutrinas i.solacionistas em matéria de economia e fi

vel pensar cm "compartimentos estan

A união das forças nacionais

A guerra universal traçou uma nova

solução concorreremos também para a

linha de conhecimentos, advertiu os po

criação do uma consciência econômica,

que nos tem faltado, no Império como na República. Mas. paralelamente,- de

vos sôbrc os perigos da improvisação nos domínios da técnica profissional, e, de certo, não podemos olhar com indi

vemos combater a mentalidade colonial

ferença essas e outras úteis advertências.


IIIMPJIJWW (H

Diciísro EroNÓMi

ck-iitíficos, no mundo econômico mo-

versitários, que promoverão peM|iiisHs de

dí-rno".

acordo com os métodos científicos mai.s

Oir.KKTo Econômico

organixíi^-ão e técnica, poderemos cons truir a política econômica brasileira.

cultura do trabalhador brasileiro — ur

e xaminadas pelo poder público, associa ções de classe e núcleos de produção, da mesma forma que outras devem ser evitada.s como perturbadoras do orga

Mas, isso resultará, sem dúvida, tanto de

bano, suburbano c rural — jamais nos

nismo nacional.

Assim, dentro dessa

nanças pois, de falo, não c mais possí

poderemos libertar do círculo vicioso cin

ques" quando a nossa- evolução indus trial já se encontra a caminho da matu

superiores preparam liomens aplicados á

ordem de idcia.s, e aproveitando o exem plo de países, como a Inglaterra e a América do Norte, cumpre-nos desen volver os nos.sos esforços a fim de que

ridade.

ciência pura. destinados a renovar a nos

possamos produzir sempre mais e me

constitui a única fórmula saudável para

sa técnica, nossos processos, nos.sos mé todos antiquado.s do trabalho no.s labo-

lhor em todos os setores — agricultura,

a melhoria da nos.sa vida.

indústria e comércio — ccom essa re

Certo, com mentalidade apropriada,

sacrifícios individuais como de esforços coletivos, todos empenhados em neutra lizar erros seculares, em desfazer uma

•série de equívocos prejudiciais à nossa

vida interna e externa. Tão perniciosa ao.s nossos interesses gorais tem sido a

política dos "princípios rígidos" como a dos liberalismos excessivos. A ação dos parlamentares, dos administradores da

cousa pública e dos homens possuídos de capacidade de organização deverá se fazer sentir num sentido único — o da organização racional c técnica da eco nomia brasileira.

Sabemos que as classes produtoras re clamam, com razão, "uma voz nos des tinos econômicos do pais". Êsse é. aliás, um princípio cuja universalidade! depois do Tratado de Versalhes, se tor

recentes; sem a elevação do nivol de

que temos vivido.

Enquanto os nossos centros de estudos

ratôrio.s, nas usinas, nos campo.s, nos es critórios, nas fábricas, as organÍ2;ições

profissionais cm todas as zonas do pais, podem c devem emponbar-.se numa campanlia decisiva para a noss;i vida educar os trabalhadores c seus filhos para os postos de comando e e.xecução,.

porque êsse 6, sem dúvida, o ponto de

partida para a solução de um dos pro blemas fundamentais da nossa civiliza ção. O futuro da riqueza brasileira está

ligado a essas transformações de subs

na desnecessário acentuar, tal a sua sig nificação profunda através dos tempos

tância e não a simples transposições de

B em face do.s imperativos étnicos e po líticos do mundo ocidental. A participa ção das categorias profissionais nos pos tos de comando subentende uma prepa

a industria vão, felizmente, se despo

ração técnica e um conhecimento dos

normas e fórmulas.

Da mesma maneira que o comércio e

jando de certas práücas insustentáveis em nossa época, também a lavoura, em particular a lavoura paulista, caminha com firmeza para a mecanizção dos seus

problemas gerais de administração e eco nomia social, indispensáveis a quem

.serviço.s. Ob.serva-se, com acêrto, que a

quiser realizar alguma cousa de positivo, com independência e espírito crítico,

cola, alcançada através dos meios indus triais, tem sustentado e equilibrado um nível de preços no Brasil, não obstante a redução do valor aquisitivo da nossa

não se re.slgnando assim a ser conduzido

como autômato, abúlico, hipnotÍ2:ado, para

a satisfação de meros

interesses

particulares.

Sem essa soma de aquisições intelec tuais, de emoções e de experiências prá ticas; sem o concurso dos mestres uni

diminuição do custo de produção agrí

moeda, e, na realidade, o conjunto de fenômenos que determina as alterações conhecidas não pode ser apresentado .sob o aspecto unilateral de uma causa. Há uma série de medidas

a serem

da luta de classes, da intransigência, cia divisão de castas, e, além disso, cabe-

nos evitar a expansão das doutrinas i.solacionistas em matéria de economia e fi

vel pensar cm "compartimentos estan

A união das forças nacionais

A guerra universal traçou uma nova

solução concorreremos também para a

linha de conhecimentos, advertiu os po

criação do uma consciência econômica,

que nos tem faltado, no Império como na República. Mas. paralelamente,- de

vos sôbrc os perigos da improvisação nos domínios da técnica profissional, e, de certo, não podemos olhar com indi

vemos combater a mentalidade colonial

ferença essas e outras úteis advertências.


|iij «.I iiiiinipnm

7 o

1

,^^A Caiilos Ai.üíIuto a. de Caiivalho Pinto

(Professor catednitico dii Faculdade Paulista de Direito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) I — Atitude Realiiid

1 — A imigração, como se sabe, mes

67

DiGHSTí» Econômico

mente reconhecida e proclamada. De fatc, abstraindo das possibilidades fu

c\"identeinenle capaz de atender o sim ples desenvoh imcnto genético de nossa

turas, goradas pelo próprio acréscimo da

população, especialmente quando obsta-

população, as atuais condições dc nossa

do-, no seu volume, por um alto coefi

economia de há muito qwe clamam por maior quantidade de braços.

ciente de mortalidade, e reduzido, no

sa sanitária do povo, à sua boa fonnnçâo étnica, à preservação de suas tradi-

dústria, porquanto esta, mercê dc fa

çõe.'; e instituições, à estabilidade de sua

voráveis circunstâncias econômicas de

O fenômeno é menos aparente na in

seu potencial econômico, pela menor ca

pacidade de produção do nofso traba lhado;.

Só o processo imigratório, portanto,

mo sob um aspecto puramente econômi

organização política, à segurança de sua

que vem desfrutando, da mais ampla

co, não se traduz necessariamente num

soberania, à proteção do nacional contra a concorrência do imigrante, à defesa das riquezas nacionais contra a drena

poderia atender, sem tardanças. a essas, premente.s exigências da nossa evolução

rios e da fôrça atraHva exercida pelos

econômica,

benefício.

O simples povoamento será incapaz de trazer a prosperidade de um país, se esse povoamento, por circunstâncias

do qualquer ordem, não vier a construir ou gerar fatòres de acréscimo ao bem-

estar e processo do meio em que se

realiza. Já vai longe a política que se definia na síntese "governar é povoar", e este próprio princípio, proclamado por Alberdi, só se poderia entender num

centros urbanos, encontra facilmente nos

gem para o exterior, e a vários outros

meios rurais os recursos humanos com

interêsses da economia do país. Muito embora, de uma forjna geral, se possa conceber a imigração, como von-

que supre, ao menos sob o vista da quantidade, as suas deficiências dc trabalhadores. A agricultura, porém,

tajosa para os países novos c de e.scassa

por fôrça dessa drenagem ineNitável, e

população, assim como a emigração, correspondente, benéfica aos países ve lhos e de população adensada, só mes

dás suas próprias necessidades de ma nutenção c desenvolvimento, — êste ul timo especialmente acentuado pelas no vas e variáveis exigências da multiplica ção e diversificação de culturas — há anos que vem enfrentando uma inegá

mo a atenta verificação das circunstân

sentido localísta, adstrito a circunstân

cias de cada caso poderá conduzir a

cias e momentos peculiares ao meio em quo deveria atuar. Aí estão a China e

comendável.

a índia, por exemplo, com seus eleva dos índices demográficos, a demonstrar

proteção legal oferecida aos seus operá

conclusões segura.s sôbre a política ro'

3 — Ainda, soh um i>onto de vista mais geral, se recomenda o incremento imigratório no nosso país.

Possuidor de largo território, pródigo em variados recursos naturais, de inte-

rêssc local e mundial; provido de va

riedades de climas, adequados à radicação de elementos de tôdas as origens; dotado de população relativamente di minuta, insuficiente para dinamiz;ir os próprio? recurso.s, que remanescem, as

escalas diversas, são os outros Estados

sim, ine.xplorados; constituído por povo extremamente fusível, liberto de precon ceitos raciais ou religiosos e inspirado por instintivos pendores de fraternidade

também vítimas dessa carência, motiva

humana, - constitui o Brasil, sem dú

vel e séria falta de braços, muito notadamentc no Estado de São Paulo. Em

sés"semos, mesmo, fixar uma ilação entre

_ Medir as necessidades ou conveniên cia;: do afluxo imigratório, verificar as condições do meio interno, discernir, em função do mesmo, as indicações ou contra-indicações do elemento alienígena disponível, c aferir da possibilidade de

a economia e a população, teríamos

criar condições aptas a melhor absor

forçosamente de reconhecer que a vita

vê-lo ou formar anticorpos capazes de

destino às regiões mais adiantadas do país, de mais rendoso trabalho e pro-

lidade econômica de um país depende

atenuar, transformar ou neutralizar in

missore;: horizontes.

menos do seu desenvolvimento demo

convenientes de que possa ser portador

gráfico, do que este daquela. Ademais, não .são poucos os incon

por outro lado, crescentes reclamos

o imigrante, deverá constituir, assim, a

de braços serão exigidos pelo novo surto

reflexão preliminar de qualquer política

industrialista que, no entender dc eco

Immano e universalista, repugna a possi

veniente;; e riscos que o fenômeno imi

imigratória consciente.

nomista,': e observadores, terá sua van

bilidade de se furtarem áreas e recursos inexplorados à utilização de homens ne

a inexistência de um nexo causai e.x-

clusivo entre a densidade de população de um país e a sua riqueza. E se qui-

gratório costuma, geralmente, oferecer às condições econômicas, sociais e políticas

locais, como, nalguns, pelo próprio êxo do operado em migrações internas, com

guarda constituída pelos poucos países n — O nosso problema

do país. A atestarem esse reverso desfa'-

vorável das imigrações, aí estão, por e.xcmph/, os problemas relativos à defe

da não só pela expansão das economias

que possam dispor de largo espaço vital geográfico, e onlrc os quais, expressa

2 — No Brasil, o aumento da popu

lação constitui uma necessidade geral-

mente, se inclui o Brasil (1).

Ora, a necessidade de tal vulto, dc ordem

atual ou imediata, não .seria

vida alguma, um dos terrenos mais pro pícios a um povoamento intensivo, des

pertando, assim, compreensíveis desejos do aproximação ou expansão por parte de outros povos menos favorecidos.

Num instante em que a evolução eco

nômica mundial reclama espaços vitais, e que, a um pensamento social mais

cessitados, transbordantes de civilizações comprimidas na exiguidade econômica e

géògráfica de região superpovoadas, uma política consciente e precavida de poNoaniento do no.sso solo, constitíiiria. an-


|iij «.I iiiiinipnm

7 o

1

,^^A Caiilos Ai.üíIuto a. de Caiivalho Pinto

(Professor catednitico dii Faculdade Paulista de Direito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) I — Atitude Realiiid

1 — A imigração, como se sabe, mes

67

DiGHSTí» Econômico

mente reconhecida e proclamada. De fatc, abstraindo das possibilidades fu

c\"identeinenle capaz de atender o sim ples desenvoh imcnto genético de nossa

turas, goradas pelo próprio acréscimo da

população, especialmente quando obsta-

população, as atuais condições dc nossa

do-, no seu volume, por um alto coefi

economia de há muito qwe clamam por maior quantidade de braços.

ciente de mortalidade, e reduzido, no

sa sanitária do povo, à sua boa fonnnçâo étnica, à preservação de suas tradi-

dústria, porquanto esta, mercê dc fa

çõe.'; e instituições, à estabilidade de sua

voráveis circunstâncias econômicas de

O fenômeno é menos aparente na in

seu potencial econômico, pela menor ca

pacidade de produção do nofso traba lhado;.

Só o processo imigratório, portanto,

mo sob um aspecto puramente econômi

organização política, à segurança de sua

que vem desfrutando, da mais ampla

co, não se traduz necessariamente num

soberania, à proteção do nacional contra a concorrência do imigrante, à defesa das riquezas nacionais contra a drena

poderia atender, sem tardanças. a essas, premente.s exigências da nossa evolução

rios e da fôrça atraHva exercida pelos

econômica,

benefício.

O simples povoamento será incapaz de trazer a prosperidade de um país, se esse povoamento, por circunstâncias

do qualquer ordem, não vier a construir ou gerar fatòres de acréscimo ao bem-

estar e processo do meio em que se

realiza. Já vai longe a política que se definia na síntese "governar é povoar", e este próprio princípio, proclamado por Alberdi, só se poderia entender num

centros urbanos, encontra facilmente nos

gem para o exterior, e a vários outros

meios rurais os recursos humanos com

interêsses da economia do país. Muito embora, de uma forjna geral, se possa conceber a imigração, como von-

que supre, ao menos sob o vista da quantidade, as suas deficiências dc trabalhadores. A agricultura, porém,

tajosa para os países novos c de e.scassa

por fôrça dessa drenagem ineNitável, e

população, assim como a emigração, correspondente, benéfica aos países ve lhos e de população adensada, só mes

dás suas próprias necessidades de ma nutenção c desenvolvimento, — êste ul timo especialmente acentuado pelas no vas e variáveis exigências da multiplica ção e diversificação de culturas — há anos que vem enfrentando uma inegá

mo a atenta verificação das circunstân

sentido localísta, adstrito a circunstân

cias de cada caso poderá conduzir a

cias e momentos peculiares ao meio em quo deveria atuar. Aí estão a China e

comendável.

a índia, por exemplo, com seus eleva dos índices demográficos, a demonstrar

proteção legal oferecida aos seus operá

conclusões segura.s sôbre a política ro'

3 — Ainda, soh um i>onto de vista mais geral, se recomenda o incremento imigratório no nosso país.

Possuidor de largo território, pródigo em variados recursos naturais, de inte-

rêssc local e mundial; provido de va

riedades de climas, adequados à radicação de elementos de tôdas as origens; dotado de população relativamente di minuta, insuficiente para dinamiz;ir os próprio? recurso.s, que remanescem, as

escalas diversas, são os outros Estados

sim, ine.xplorados; constituído por povo extremamente fusível, liberto de precon ceitos raciais ou religiosos e inspirado por instintivos pendores de fraternidade

também vítimas dessa carência, motiva

humana, - constitui o Brasil, sem dú

vel e séria falta de braços, muito notadamentc no Estado de São Paulo. Em

sés"semos, mesmo, fixar uma ilação entre

_ Medir as necessidades ou conveniên cia;: do afluxo imigratório, verificar as condições do meio interno, discernir, em função do mesmo, as indicações ou contra-indicações do elemento alienígena disponível, c aferir da possibilidade de

a economia e a população, teríamos

criar condições aptas a melhor absor

forçosamente de reconhecer que a vita

vê-lo ou formar anticorpos capazes de

destino às regiões mais adiantadas do país, de mais rendoso trabalho e pro-

lidade econômica de um país depende

atenuar, transformar ou neutralizar in

missore;: horizontes.

menos do seu desenvolvimento demo

convenientes de que possa ser portador

gráfico, do que este daquela. Ademais, não .são poucos os incon

por outro lado, crescentes reclamos

o imigrante, deverá constituir, assim, a

de braços serão exigidos pelo novo surto

reflexão preliminar de qualquer política

industrialista que, no entender dc eco

Immano e universalista, repugna a possi

veniente;; e riscos que o fenômeno imi

imigratória consciente.

nomista,': e observadores, terá sua van

bilidade de se furtarem áreas e recursos inexplorados à utilização de homens ne

a inexistência de um nexo causai e.x-

clusivo entre a densidade de população de um país e a sua riqueza. E se qui-

gratório costuma, geralmente, oferecer às condições econômicas, sociais e políticas

locais, como, nalguns, pelo próprio êxo do operado em migrações internas, com

guarda constituída pelos poucos países n — O nosso problema

do país. A atestarem esse reverso desfa'-

vorável das imigrações, aí estão, por e.xcmph/, os problemas relativos à defe

da não só pela expansão das economias

que possam dispor de largo espaço vital geográfico, e onlrc os quais, expressa

2 — No Brasil, o aumento da popu

lação constitui uma necessidade geral-

mente, se inclui o Brasil (1).

Ora, a necessidade de tal vulto, dc ordem

atual ou imediata, não .seria

vida alguma, um dos terrenos mais pro pícios a um povoamento intensivo, des

pertando, assim, compreensíveis desejos do aproximação ou expansão por parte de outros povos menos favorecidos.

Num instante em que a evolução eco

nômica mundial reclama espaços vitais, e que, a um pensamento social mais

cessitados, transbordantes de civilizações comprimidas na exiguidade econômica e

géògráfica de região superpovoadas, uma política consciente e precavida de poNoaniento do no.sso solo, constitíiiria. an-


ijiijlupj |, i Dicesto EcoNÓxnco Digesto

tes de tudo, um ato de posse. Ato capaz de salvaguardar os direitos da nossa so

Econômico

89-

lidado de viver um mimcro de habitantes

melhor ordenação das nossas fôrças e atividades deverá constituir, de fato. uma prcocupaç,áo constante das elites

que um fantasista talvez calcule me

ciitretantu, uma circmislància realmente

berania, e de evitar, pela antecipação

lhor do que um estatístico". A adver

desfa\'orá\cl: o baixo grau do nosso df-

de um povoamento em moldes cientí

tência contida nessas observações faz

senvolvinicntü

sentir a necessidade da expansão demo

nic.^ano quem receie que, num meio

do país. Observando essa grave falha

i

de economia incipiente e desorganizada,

dc nosso desenvolvimento social, chega

gens de uma política imigratória cons- 'j

a imigração, ao invés de acarretar um

arguto pensador nacional a ponderar:

ficos 8 convenientes, os riscos a que o futuro nv^s podená conduzir, em face de contingências eventualmente menos favoráveis, determinantes de soluções imigratórias menos adequadas, sob o in fluxo das completas dependências inter nacionais, que a política e o comércio

dêste após-guerra irão, necessàriamente, desenvolver.

Não obstante o desfecho a que chegou o conflito mundial, com a derrota de

Estados cujas pretensões imperialistas se orientavam também para a América do Sul, não há dúvida de que, mais cedo

ou mais tarde, novas ambições se pode

gráfica do Brasil, e acentua as vanta-

ciente e precavida, capaz de dinamizar os recursos do seu potciícial econômico,

e de preservar os interêsses da sua pró pria soberania. Ainda liá pouco, nesta mesma revista, focalizou-se com vivn-

ticos imperialistas da França, da In

glaterra ou da Alemanha falaram do

irritaram o inequívoco patriotismo resposta mais sensata que simples

manifestações de ira e de protesto. dar nascimento, tom, ^ grande e poderosa

mn<r

°

bastará proceder-

'[í' desenvolvimento vegetativo da popula-

cursos, será adotar uma atitude sonba-

J dora e perigosa, distanciada das reali-

nrtc f 1

"

começarmos porém a

desenvolver o que

naWnna? e na ilusão de combater miséria essa mesma miséna, mais e mais burocra

lí* dades políticas e econômicas do mundo,

cia, mais e mais organismos parasitá rios, mais e mais aves de rapina, com

{, e cujas con.sequências, um dia, nos po

pomposas iniciais, então estaremos

jjp pertença a uma raça européia, possui

cieliberadamente praticando um cri me que embora venha a aproveitar transitòriamente a, ups poucos ines-

semelhante abundância de solo para o desenvolvimento da existência humana e uma indústria produtiva", já o disse

Brasil, talvez o sacrifício de sua dig nidade 0 de sua independência" (2).

derão ser fatais.

"Nenhum grande país do mundo, que

tI. ; James Bryce, e, nesse sentido chegou-se il mesmo a afirmar què "há nêle pos.sibi-

"O problema brasileiro pode ser re sumido na determinação dos meios

com base em elementos informativos e

Freqüentemente, no passado, polí

Permanecer, portanto, a nossa pátria,

possa afinal explorar, enquanto, |;Á'. ção o pos noutras partes do globo, povos se deq. batem na limitação de espaços e de re-

tar num aumento do divisor da pobreza coletiva, por tal forma ainda agravada. Não há dúvida que este aspecto é essencial ã ponderação do problema, e a reais de cada ramo de nossa economia,

o povo brasileiro,' devem ter outra

como simples depositária de tão enorme patrimônio, h espera de que um lento

acréscimo de riquezas, veuha a impor

cuidadosa verificação das possibilidades

quer sob a modalidade de constrangi perigo.s a que já estivemos expostos.

falta

palavras que não me furto a relembrar:

Brasil como do uma possí\eI futura colônia. Tais declarações, que tanto

.ses comerciais e políticos, os mesmos

Não

cidade esse aspecto do problema, com

rão acender, renovando, quer sob a forma de infiltração ou da violência mento ou extorsão no trato dos interês-

econômico.

crupulosos, irá custar muito caro ao

4 — Na consideração do nosso pro blema imigratório, não se poderá negar,

estatísticos seguros, de\'erá, com efeito,

preceder qualquer planejamento imigra tório.

de promovermos, tão breve quanta possível, a organiz(ição das parcelas de civdização já incorporadas no nosso meio, mas que não foram até

agora senão parcialmente aproceitO' das por falta de um ritmo coordenador. Todas as manifestações da nossa

oida nacional, que prococajn tantas cêzes comentários pessimistas sôbre o

Entrelauto, a nossa riqueza potencial,

presente c apreensões sombrias acêi-

as necessidades gorais do país c do mundo, o incremento da produção, da

ca do futuro, não passam, em {dtima análise, de sintomas da desorganiza

circulação e do consumo, os sintomas

ção profunda das energias coletivas

dü nossa evolução econômica e os albo-

incumbindo-nos dc resolver os mais

res da era industrialísta. que se nos ofe

urgentes problemas imediatos. Infe-

rece, não parecem justificar prognósticos dc tal ordem, desmentidos, mesmo, pela nossa experiência imigratória. Por outro lado, nunca poderia ser exagerado um receio dessa espécie, uma vez que o fluxo imigratório, num regimo devida mente estudado e organizado, se pro cessa com prudência e \igiláncla, atento às reações da ecomnnia local, regula

rtorizados por essa falta de .sinergia

dora de sua \elocidado e volume. Difi

das atividades, vivemos sem diretri

zes nítidas por entre desconcertantes flutuações, cm que os nossos mo

vimentos atáxicos apenas realizam

parte ínfimo das possibilidades do )iOs.so alcance" (3).

É o drama clii nossa evolução econô

mica, debatendo-se ein freqüentes di-

culdades. se houvesse, limitar-se-iam a

versóe.s de recursos (ciclo da minera

simples problemas de boa organização

ção, do açúcar, da borracha, do café,

administrativa, scni a qual. como é

ób\-io, podem fracassar as mais promis soras iniciativas dc lôda espécie. Deve-se reconhecer, contudo, rjue a

etc.) e cujas crises, como tem sido

observado, paradoxalmenti? se consti tuem de manife.staçõe.s de e.xuberÍMicia

(suporproduções velozes), numa simul

ausência de "ordem" em nossa \ada

tânea afirmação de vitalidade e de de

adnnnistrati\a e econômica poderá sa

sorientação.

crificar enonnemonte os resultados cie

qualquer empreendimento Imigratório. A

A melhor coordenação das forças econômicas torna-se, assim, uma necesRj^


ijiijlupj |, i Dicesto EcoNÓxnco Digesto

tes de tudo, um ato de posse. Ato capaz de salvaguardar os direitos da nossa so

Econômico

89-

lidado de viver um mimcro de habitantes

melhor ordenação das nossas fôrças e atividades deverá constituir, de fato. uma prcocupaç,áo constante das elites

que um fantasista talvez calcule me

ciitretantu, uma circmislància realmente

berania, e de evitar, pela antecipação

lhor do que um estatístico". A adver

desfa\'orá\cl: o baixo grau do nosso df-

de um povoamento em moldes cientí

tência contida nessas observações faz

senvolvinicntü

sentir a necessidade da expansão demo

nic.^ano quem receie que, num meio

do país. Observando essa grave falha

i

de economia incipiente e desorganizada,

dc nosso desenvolvimento social, chega

gens de uma política imigratória cons- 'j

a imigração, ao invés de acarretar um

arguto pensador nacional a ponderar:

ficos 8 convenientes, os riscos a que o futuro nv^s podená conduzir, em face de contingências eventualmente menos favoráveis, determinantes de soluções imigratórias menos adequadas, sob o in fluxo das completas dependências inter nacionais, que a política e o comércio

dêste após-guerra irão, necessàriamente, desenvolver.

Não obstante o desfecho a que chegou o conflito mundial, com a derrota de

Estados cujas pretensões imperialistas se orientavam também para a América do Sul, não há dúvida de que, mais cedo

ou mais tarde, novas ambições se pode

gráfica do Brasil, e acentua as vanta-

ciente e precavida, capaz de dinamizar os recursos do seu potciícial econômico,

e de preservar os interêsses da sua pró pria soberania. Ainda liá pouco, nesta mesma revista, focalizou-se com vivn-

ticos imperialistas da França, da In

glaterra ou da Alemanha falaram do

irritaram o inequívoco patriotismo resposta mais sensata que simples

manifestações de ira e de protesto. dar nascimento, tom, ^ grande e poderosa

mn<r

°

bastará proceder-

'[í' desenvolvimento vegetativo da popula-

cursos, será adotar uma atitude sonba-

J dora e perigosa, distanciada das reali-

nrtc f 1

"

começarmos porém a

desenvolver o que

naWnna? e na ilusão de combater miséria essa mesma miséna, mais e mais burocra

lí* dades políticas e econômicas do mundo,

cia, mais e mais organismos parasitá rios, mais e mais aves de rapina, com

{, e cujas con.sequências, um dia, nos po

pomposas iniciais, então estaremos

jjp pertença a uma raça européia, possui

cieliberadamente praticando um cri me que embora venha a aproveitar transitòriamente a, ups poucos ines-

semelhante abundância de solo para o desenvolvimento da existência humana e uma indústria produtiva", já o disse

Brasil, talvez o sacrifício de sua dig nidade 0 de sua independência" (2).

derão ser fatais.

"Nenhum grande país do mundo, que

tI. ; James Bryce, e, nesse sentido chegou-se il mesmo a afirmar què "há nêle pos.sibi-

"O problema brasileiro pode ser re sumido na determinação dos meios

com base em elementos informativos e

Freqüentemente, no passado, polí

Permanecer, portanto, a nossa pátria,

possa afinal explorar, enquanto, |;Á'. ção o pos noutras partes do globo, povos se deq. batem na limitação de espaços e de re-

tar num aumento do divisor da pobreza coletiva, por tal forma ainda agravada. Não há dúvida que este aspecto é essencial ã ponderação do problema, e a reais de cada ramo de nossa economia,

o povo brasileiro,' devem ter outra

como simples depositária de tão enorme patrimônio, h espera de que um lento

acréscimo de riquezas, veuha a impor

cuidadosa verificação das possibilidades

quer sob a modalidade de constrangi perigo.s a que já estivemos expostos.

falta

palavras que não me furto a relembrar:

Brasil como do uma possí\eI futura colônia. Tais declarações, que tanto

.ses comerciais e políticos, os mesmos

Não

cidade esse aspecto do problema, com

rão acender, renovando, quer sob a forma de infiltração ou da violência mento ou extorsão no trato dos interês-

econômico.

crupulosos, irá custar muito caro ao

4 — Na consideração do nosso pro blema imigratório, não se poderá negar,

estatísticos seguros, de\'erá, com efeito,

preceder qualquer planejamento imigra tório.

de promovermos, tão breve quanta possível, a organiz(ição das parcelas de civdização já incorporadas no nosso meio, mas que não foram até

agora senão parcialmente aproceitO' das por falta de um ritmo coordenador. Todas as manifestações da nossa

oida nacional, que prococajn tantas cêzes comentários pessimistas sôbre o

Entrelauto, a nossa riqueza potencial,

presente c apreensões sombrias acêi-

as necessidades gorais do país c do mundo, o incremento da produção, da

ca do futuro, não passam, em {dtima análise, de sintomas da desorganiza

circulação e do consumo, os sintomas

ção profunda das energias coletivas

dü nossa evolução econômica e os albo-

incumbindo-nos dc resolver os mais

res da era industrialísta. que se nos ofe

urgentes problemas imediatos. Infe-

rece, não parecem justificar prognósticos dc tal ordem, desmentidos, mesmo, pela nossa experiência imigratória. Por outro lado, nunca poderia ser exagerado um receio dessa espécie, uma vez que o fluxo imigratório, num regimo devida mente estudado e organizado, se pro cessa com prudência e \igiláncla, atento às reações da ecomnnia local, regula

rtorizados por essa falta de .sinergia

dora de sua \elocidado e volume. Difi

das atividades, vivemos sem diretri

zes nítidas por entre desconcertantes flutuações, cm que os nossos mo

vimentos atáxicos apenas realizam

parte ínfimo das possibilidades do )iOs.so alcance" (3).

É o drama clii nossa evolução econô

mica, debatendo-se ein freqüentes di-

culdades. se houvesse, limitar-se-iam a

versóe.s de recursos (ciclo da minera

simples problemas de boa organização

ção, do açúcar, da borracha, do café,

administrativa, scni a qual. como é

ób\-io, podem fracassar as mais promis soras iniciativas dc lôda espécie. Deve-se reconhecer, contudo, rjue a

etc.) e cujas crises, como tem sido

observado, paradoxalmenti? se consti tuem de manife.staçõe.s de e.xuberÍMicia

(suporproduções velozes), numa simul

ausência de "ordem" em nossa \ada

tânea afirmação de vitalidade e de de

adnnnistrati\a e econômica poderá sa

sorientação.

crificar enonnemonte os resultados cie

qualquer empreendimento Imigratório. A

A melhor coordenação das forças econômicas torna-se, assim, uma necesRj^


pp wi|

PIP

Di(;>;s*io Dicesto Econômico

70

dade inadiável para a segurança de nos sa evolução e o êxito de iniciativas como

a da imigração, cujos efeitos, superando o setor econômico, para atingir aspectos

sociais e políticos, reclamam a mais apa relhada organização de controle. III — Restrições:

5 — Incrementar a imigração, não sig nifica, todavia, adotar uma política irres trita de portas-abertas. Os malefícios de

uma orientação dessa espécie superariam

incnlais, profissionais, políticas, morais, e mesmo cconómica.s c sociais, para o

ingresso no país. A clclicadez;i lução emerge quando .se adotam niinaçõe.s étnicas, procurando certas raças ou po\os. Embora

da so discriexcluir muitas

dada em obser\açr)es variadas, notadanientc nos Estados Unidos, remarca o caráter eminentemente

científico

con

quistado pela matéria, e fora do qual .seria, temerário, a qualquer país, formu lar sua política imigratória. 6 — 0 reginie seletivo do imigrante

sibilidade de assimilação". E ainda, re

inestimável valia

na

prexenção dos

lembrando Faircbild, -7 "as necessida

quistos imigratórios.

des básicas dos grupos humanos ou dos

Tudo dependerá, entretanto, de uma bem esclarecida política de adaptação,

tes. e com flexibilidade capaz de moldar a sua ação orientadora e assistência!, de

na-se o conceito biológico de assimila

acordo com as peculiaridades dos gm-

te de ressentimentos c ódios. Dai a ado

por sociais admitidos.

ção, que supunha necessário "dirigir" o imigrante numa atmosfera policial de coerção e de força.

aparelhada e vigilante, conhecedora dos

Não bastam, para tanto, os simples

diplomas legislativos, inspirados, aliás,

Essa política uni

muitas vèzes. em propósitos unilaterais

tucional das cotas imigra

lateral, de csmagumcnlo do imigrante, teria necessariamente de gerar ressenti mentos e retrações dcfensi\as. que iriam, afinal, contribuir para distanciar os priíprios elementos culturais cuja fusão se

pres.sas em convenções internacionais (6). Impõe-se, sobretudo, o aperfeiçoa mento de nossa ação administratix a, que

tórias. (4).

desejava.

reclama, como já tivemos- ocasião de

É o receio dos enquistamentos que tem, geralmen te, inspirado as exclusões

processos scIeti\-os, de or dem quantitativa e qualita tiva, pos.sa atender aos di versos aspectos de que se reveste. A extensa bibliografia existente, fun

nio das influencias nacionais, será de

Como mostra o mesmo autor, abando

mo ocorreu conosco, na ins

c preservação da nacionali dade, que, servindo-se de

gurado o propósito de obter o predomí

tura, já se afirma, implicilainenlc, a pos

semelhantes do que diferentes". (5).

diçõe.s de assimilação, o regime discri minatório, aparentando pressupostos de superioridade racial ou efeitos pejoratí\'üs para os excluídos, é fonte freqüen

tauração do regime tx)nsti-

samento superior de defesa

tada com as necessárias cautelas e asse

elementos culturais dos vários imigran

tivo.s discriminatórios, co

tantes do braço operário. Deve esclarcce-lo um pen

preconcebida. Desde que se admita o caráter .social de toda espécie de cul

cialmente as mesmas, no mundo inteiro. O.S liomens são. no fundo, muito mais

ciijo.s propósitos, para quem melhor co nheça o seu histórico, sc filiam a obje-

ou grupos sociais necessi-

maior iVatcnudade humana, v.sla orien

tação da sociologia contemporânea, ado

maior identidade étnica o melhore.s c-on-

imigratório.

piradas em interesses oca sionais, e, muitas vêzes, de simples ambições de classes

por mais estranho (pie seja. é dogmáti ca, e envoUe quase sempre uma idéia

vé/es fundado cm meros objetivos de

ção de fórmulas evasícas ou disfarçadas,

O problema, hoje, já não comporta

I,

indixúduos vivendo em grupos suo essen

os momentâneos benefícios de afluxo

soluções fragmentárias, ins

.

F.(íoní>m i(:í>

A experiência dos Estados Unidos re vela os- malefícios dessa orientação, es

raciais. A experiência, en tretanto, tem constatado que vários fracassos de as similação são devidos, an

pecialmente agra\ados pelos preconceito.s raciais ou sociais que, naquele país, dificultam a solução do problema. A formação dos quistos e a constituição do chamado "homem marginal", deslo

tes ã incúria e erros da

cado entre a cultura do ancestral e a çlo

política do absorção ou a ineonipvcon.sões do próprio meio, do (luc a fatòres raciais peculiares ao imigrante. .0 preconceito dc raças "inassimihncis" cede lugar a. uma compreensão mais científica du fenômeno imigratório,

conterrâneo, encontram suas. origens na inadvcrtencía dessa ^.política unilateral o 'coercitiva.-- Daí o surgimento do cri

que fogem u con\'eniéncias gerais já ex-

acentuar alluires (7), u'a mais perfeita conjugação dos órgãos resjmnsáveis, uma menor dispersão de responsabilidade, a redução dos formalismos burocráticos, um mais desenvolvido e eficaz apareIhamento administrativo (tanto no inte

rior como no exterior), a maior provisão de recursos administrativos e técnicos

destinados à seleção, transporte, recep ção, encaminhamento, assistência, adap tação e controle de estrangeiros. Es

tério bilateral da assimilação, que subs titui o propósito de anulação da cultura

critórios de propaganda, comissímados

consulares, perfeita organização de trans

atenta à complexidade dos seus efeitos,

do ádvena, pelo do seu prudente apro veitamento, numa transfusão recíproca

cônscia dos indocliná\'eis de\'eres de vi

de influências entre nacionais e estran

das e suficientes, agências de distribui

gilância e assistência do Estado, c con

geiros. Despida de preconceitos, reco nhecendo no alienígena antes "peculia

ção. amparo econômico à produção, su

consfitiu hoje princípio normalmente adotado, tanto pelos países de imi-

victa do caráter erninenteniente bilateral

graçãe, como de emigração.

A filtragem não encontra maiores di

assimilação. Como observa Willems, "a suposiçãt)

ficuldades quando impõe, em caráter genérico c impessoal, condições" físicas.

dc que há representantes da espécie liu-

que deve presidir todo o processo de

ridade':" do que "ínferioridades", elévada a um plano de melhor assimilação cultural, animada por um espírito de

de imigração junto às nossas repartições

porta de imigrantes, hospedarias adequa ficiência de dados estatísticos, institui ções de crédito, assistência técnica e fccial, enfim tôda uma série de elemen

to:; e iniciativas, destinados à efetivação

nmna inassimilávcis a um meio hmniino .

t— ilr tflfiiÉ' ••


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dade inadiável para a segurança de nos sa evolução e o êxito de iniciativas como

a da imigração, cujos efeitos, superando o setor econômico, para atingir aspectos

sociais e políticos, reclamam a mais apa relhada organização de controle. III — Restrições:

5 — Incrementar a imigração, não sig nifica, todavia, adotar uma política irres trita de portas-abertas. Os malefícios de

uma orientação dessa espécie superariam

incnlais, profissionais, políticas, morais, e mesmo cconómica.s c sociais, para o

ingresso no país. A clclicadez;i lução emerge quando .se adotam niinaçõe.s étnicas, procurando certas raças ou po\os. Embora

da so discriexcluir muitas

dada em obser\açr)es variadas, notadanientc nos Estados Unidos, remarca o caráter eminentemente

científico

con

quistado pela matéria, e fora do qual .seria, temerário, a qualquer país, formu lar sua política imigratória. 6 — 0 reginie seletivo do imigrante

sibilidade de assimilação". E ainda, re

inestimável valia

na

prexenção dos

lembrando Faircbild, -7 "as necessida

quistos imigratórios.

des básicas dos grupos humanos ou dos

Tudo dependerá, entretanto, de uma bem esclarecida política de adaptação,

tes. e com flexibilidade capaz de moldar a sua ação orientadora e assistência!, de

na-se o conceito biológico de assimila

acordo com as peculiaridades dos gm-

te de ressentimentos c ódios. Dai a ado

por sociais admitidos.

ção, que supunha necessário "dirigir" o imigrante numa atmosfera policial de coerção e de força.

aparelhada e vigilante, conhecedora dos

Não bastam, para tanto, os simples

diplomas legislativos, inspirados, aliás,

Essa política uni

muitas vèzes. em propósitos unilaterais

tucional das cotas imigra

lateral, de csmagumcnlo do imigrante, teria necessariamente de gerar ressenti mentos e retrações dcfensi\as. que iriam, afinal, contribuir para distanciar os priíprios elementos culturais cuja fusão se

pres.sas em convenções internacionais (6). Impõe-se, sobretudo, o aperfeiçoa mento de nossa ação administratix a, que

tórias. (4).

desejava.

reclama, como já tivemos- ocasião de

É o receio dos enquistamentos que tem, geralmen te, inspirado as exclusões

processos scIeti\-os, de or dem quantitativa e qualita tiva, pos.sa atender aos di versos aspectos de que se reveste. A extensa bibliografia existente, fun

nio das influencias nacionais, será de

Como mostra o mesmo autor, abando

mo ocorreu conosco, na ins

c preservação da nacionali dade, que, servindo-se de

gurado o propósito de obter o predomí

tura, já se afirma, implicilainenlc, a pos

semelhantes do que diferentes". (5).

diçõe.s de assimilação, o regime discri minatório, aparentando pressupostos de superioridade racial ou efeitos pejoratí\'üs para os excluídos, é fonte freqüen

tauração do regime tx)nsti-

samento superior de defesa

tada com as necessárias cautelas e asse

elementos culturais dos vários imigran

tivo.s discriminatórios, co

tantes do braço operário. Deve esclarcce-lo um pen

preconcebida. Desde que se admita o caráter .social de toda espécie de cul

cialmente as mesmas, no mundo inteiro. O.S liomens são. no fundo, muito mais

ciijo.s propósitos, para quem melhor co nheça o seu histórico, sc filiam a obje-

ou grupos sociais necessi-

maior iVatcnudade humana, v.sla orien

tação da sociologia contemporânea, ado

maior identidade étnica o melhore.s c-on-

imigratório.

piradas em interesses oca sionais, e, muitas vêzes, de simples ambições de classes

por mais estranho (pie seja. é dogmáti ca, e envoUe quase sempre uma idéia

vé/es fundado cm meros objetivos de

ção de fórmulas evasícas ou disfarçadas,

O problema, hoje, já não comporta

I,

indixúduos vivendo em grupos suo essen

os momentâneos benefícios de afluxo

soluções fragmentárias, ins

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F.(íoní>m i(:í>

A experiência dos Estados Unidos re vela os- malefícios dessa orientação, es

raciais. A experiência, en tretanto, tem constatado que vários fracassos de as similação são devidos, an

pecialmente agra\ados pelos preconceito.s raciais ou sociais que, naquele país, dificultam a solução do problema. A formação dos quistos e a constituição do chamado "homem marginal", deslo

tes ã incúria e erros da

cado entre a cultura do ancestral e a çlo

política do absorção ou a ineonipvcon.sões do próprio meio, do (luc a fatòres raciais peculiares ao imigrante. .0 preconceito dc raças "inassimihncis" cede lugar a. uma compreensão mais científica du fenômeno imigratório,

conterrâneo, encontram suas. origens na inadvcrtencía dessa ^.política unilateral o 'coercitiva.-- Daí o surgimento do cri

que fogem u con\'eniéncias gerais já ex-

acentuar alluires (7), u'a mais perfeita conjugação dos órgãos resjmnsáveis, uma menor dispersão de responsabilidade, a redução dos formalismos burocráticos, um mais desenvolvido e eficaz apareIhamento administrativo (tanto no inte

rior como no exterior), a maior provisão de recursos administrativos e técnicos

destinados à seleção, transporte, recep ção, encaminhamento, assistência, adap tação e controle de estrangeiros. Es

tério bilateral da assimilação, que subs titui o propósito de anulação da cultura

critórios de propaganda, comissímados

consulares, perfeita organização de trans

atenta à complexidade dos seus efeitos,

do ádvena, pelo do seu prudente apro veitamento, numa transfusão recíproca

cônscia dos indocliná\'eis de\'eres de vi

de influências entre nacionais e estran

das e suficientes, agências de distribui

gilância e assistência do Estado, c con

geiros. Despida de preconceitos, reco nhecendo no alienígena antes "peculia

ção. amparo econômico à produção, su

consfitiu hoje princípio normalmente adotado, tanto pelos países de imi-

victa do caráter erninenteniente bilateral

graçãe, como de emigração.

A filtragem não encontra maiores di

assimilação. Como observa Willems, "a suposiçãt)

ficuldades quando impõe, em caráter genérico c impessoal, condições" físicas.

dc que há representantes da espécie liu-

que deve presidir todo o processo de

ridade':" do que "ínferioridades", elévada a um plano de melhor assimilação cultural, animada por um espírito de

de imigração junto às nossas repartições

porta de imigrantes, hospedarias adequa ficiência de dados estatísticos, institui ções de crédito, assistência técnica e fccial, enfim tôda uma série de elemen

to:; e iniciativas, destinados à efetivação

nmna inassimilávcis a um meio hmniino .

t— ilr tflfiiÉ' ••


dos princípios da nossa legislação, si* impõem como condição indispcnsãvei ao exilo da política imigratória. Abrir ao imigrante as porta.s da na ção, confiando apenas na exuberância

dos princípio.s legais ou na possível clarividôncia dos respectivos órgãos de su pervisão administrativa, seria adotar uma política francamente suicida, à cuja sombra se desen\'olveriam todos os pe

e. sobretudo, dentro de um espirito lea-

lista e construti\'o. capa/, dc obter uui aproveitamento integral do afluxo imi gratório que as circunstâncias mundiais propiciam c a economia do p.iis reclama. V.

(2í

J. Fernando

rigos e males das penetrações migrató

'»•)

çã'> cia Política Imigratória Brasilei ra". In "Digcslo Econômico", n.° 47, Pãg. IIR, Azevedo Amaral, "Ensaios brasilei

rias, e com virulência tal\'C7. estimulada

( J

ros". Cd, 1030. pág. 252. Artigo 151 da Constituição dc 15137 o

Wllliam

Talk

Elíí.

-The

Gentleman

of Pcncc".

Carneiro, "Interpreta-

pelo desprestígio da legislação inani-

artigo 121 ; o da de 1934.

mada.

Emilio Willems, "Assimilação c Po-

momentoso problema, fazê-lo sob a ins-

piração dos princípios já alcançados pela sociologia contemporânea, com abs

tração de sentimentalismos prejudiciais,

Cl

.Antônio pü Oueifós Telles Íl)

Cumpre aos nossos poderes públicos, portanto, ao enfrentarem a solução do

Os interesses oafeeiros do País

pulaçõe.s Marginais no Brasil" ed. líMO. pãfts. 21-22.

Yn ^enrique Dória do Vanconceloi.

'Regulamentação Internacional das Migrações", In 'Digesto Econômico". 49. pãg. 63.

'7) C. A. de Carvalho Plnlo, "Nossa Le gislação Imigratória",

in

"Revista

Industrial de São Paulo", n.® 7. pág.

pôsTo que ainda perdure em existência o Departamento Nacional do Café, após quase quatro anos de perío do liquidatário, muito se discute- nos meios cafeeirüs de São Paulo o que de verá ser feito em seguida ao .seu desa

cional do Café, posteriormente Depar

parecimento, tendo em vista a possibili dade dc SC organizar uma nova entidade para substituir esta autarquia depois de sua definitixa extinção.

Com esse propósito, subentende-se (jiio os interesses da rubiácea não devem ser deixados sem uma organização que

deles cuide.

Os projetos, no entanto,

já enxameiam. No Congresso Federal, houve a proposta do Conselho e dos Congressos Brasileiros de Cafeicultores, além do Instituto Nacional do Café incluído no Plano Salte — e ao Minis

tério da Agricultura foi ainda atribuída uma organização cooperativista de cará ter compulsório, que aliás aberra do.s princípios que regem a matéria.

&

nos consideramos coincncido.s de que

seja indispen.sável, e.xclusivainente, uma organização federal dependente do go verno como foi o extinto Conselho Na tamento, dc triste memória.

A.s entidades estaduais que, a nosso ver, deveriam ser uma única cm cada Estado, entender-se-íam entre si, na Ca

pital do Pais, em reuniões conjuntas

para estudar e resolver os assuntos do seu interesse dependentes do setor fe deral. Teriam a assistência de um re

presentante do governo, pelo Ministé rio da Agricultura ou Fazenda, sem c>ontudo .serem outorgados a este todos os direitos e prerrogativas que anlerior-

inente tiveram os representantes do go verno sôbre os dos Estados produtores.

Seria igualmente necessário que so deliinitasse a posse de um número mí nimo de cafeeiros para que os Estados

pudessem participar das reuniões fe

Verifica-se existirem duas correntes a

derais. E a questão dos votos deveria

respeito do assunto. De um lado, a que é favorável â organização federal, que

ser cuidadosamente estudada, a fim dc

nada mais viria ser que a continuação

lai a votação de Estados contando bi

do atual Departamento. De outro, a

lhões de cafeeiros com outros de apenas-

não Inais se cometer a injustiça de igua

estaduais, reunindo-se na Capital da Re

algumas dezenas de milhares. A votação devia ser proporcional ao

pública, sob condições especiais, para ai

número de cafeeiros.

que ad\'Oga a formação de entidades serem estudados os problema.s cafeeí-

A dolorosa experiência deixada pelo

Nesse terreno, quanto mais o tempo

Departamento não nos permitê, de for ma alguma, aceitar qualquer órgão de

passa, não obstante a dialética e os ar gumentos contra a idéia da criação de

"controle" governamental como èle o foi, no qual a voz da lavoura, a maior

ros da esfera federal.

instituições regionais nos Estados para ,, tratar de seus inttTÔsscs cafeeiros, não

• interessada, nunca foi devidamente con

siderada, porque a autarquia foi empol-


dos princípios da nossa legislação, si* impõem como condição indispcnsãvei ao exilo da política imigratória. Abrir ao imigrante as porta.s da na ção, confiando apenas na exuberância

dos princípio.s legais ou na possível clarividôncia dos respectivos órgãos de su pervisão administrativa, seria adotar uma política francamente suicida, à cuja sombra se desen\'olveriam todos os pe

e. sobretudo, dentro de um espirito lea-

lista e construti\'o. capa/, dc obter uui aproveitamento integral do afluxo imi gratório que as circunstâncias mundiais propiciam c a economia do p.iis reclama. V.

(2í

J. Fernando

rigos e males das penetrações migrató

'»•)

çã'> cia Política Imigratória Brasilei ra". In "Digcslo Econômico", n.° 47, Pãg. IIR, Azevedo Amaral, "Ensaios brasilei

rias, e com virulência tal\'C7. estimulada

( J

ros". Cd, 1030. pág. 252. Artigo 151 da Constituição dc 15137 o

Wllliam

Talk

Elíí.

-The

Gentleman

of Pcncc".

Carneiro, "Interpreta-

pelo desprestígio da legislação inani-

artigo 121 ; o da de 1934.

mada.

Emilio Willems, "Assimilação c Po-

momentoso problema, fazê-lo sob a ins-

piração dos princípios já alcançados pela sociologia contemporânea, com abs

tração de sentimentalismos prejudiciais,

Cl

.Antônio pü Oueifós Telles Íl)

Cumpre aos nossos poderes públicos, portanto, ao enfrentarem a solução do

Os interesses oafeeiros do País

pulaçõe.s Marginais no Brasil" ed. líMO. pãfts. 21-22.

Yn ^enrique Dória do Vanconceloi.

'Regulamentação Internacional das Migrações", In 'Digesto Econômico". 49. pãg. 63.

'7) C. A. de Carvalho Plnlo, "Nossa Le gislação Imigratória",

in

"Revista

Industrial de São Paulo", n.® 7. pág.

pôsTo que ainda perdure em existência o Departamento Nacional do Café, após quase quatro anos de perío do liquidatário, muito se discute- nos meios cafeeirüs de São Paulo o que de verá ser feito em seguida ao .seu desa

cional do Café, posteriormente Depar

parecimento, tendo em vista a possibili dade dc SC organizar uma nova entidade para substituir esta autarquia depois de sua definitixa extinção.

Com esse propósito, subentende-se (jiio os interesses da rubiácea não devem ser deixados sem uma organização que

deles cuide.

Os projetos, no entanto,

já enxameiam. No Congresso Federal, houve a proposta do Conselho e dos Congressos Brasileiros de Cafeicultores, além do Instituto Nacional do Café incluído no Plano Salte — e ao Minis

tério da Agricultura foi ainda atribuída uma organização cooperativista de cará ter compulsório, que aliás aberra do.s princípios que regem a matéria.

&

nos consideramos coincncido.s de que

seja indispen.sável, e.xclusivainente, uma organização federal dependente do go verno como foi o extinto Conselho Na tamento, dc triste memória.

A.s entidades estaduais que, a nosso ver, deveriam ser uma única cm cada Estado, entender-se-íam entre si, na Ca

pital do Pais, em reuniões conjuntas

para estudar e resolver os assuntos do seu interesse dependentes do setor fe deral. Teriam a assistência de um re

presentante do governo, pelo Ministé rio da Agricultura ou Fazenda, sem c>ontudo .serem outorgados a este todos os direitos e prerrogativas que anlerior-

inente tiveram os representantes do go verno sôbre os dos Estados produtores.

Seria igualmente necessário que so deliinitasse a posse de um número mí nimo de cafeeiros para que os Estados

pudessem participar das reuniões fe

Verifica-se existirem duas correntes a

derais. E a questão dos votos deveria

respeito do assunto. De um lado, a que é favorável â organização federal, que

ser cuidadosamente estudada, a fim dc

nada mais viria ser que a continuação

lai a votação de Estados contando bi

do atual Departamento. De outro, a

lhões de cafeeiros com outros de apenas-

não Inais se cometer a injustiça de igua

estaduais, reunindo-se na Capital da Re

algumas dezenas de milhares. A votação devia ser proporcional ao

pública, sob condições especiais, para ai

número de cafeeiros.

que ad\'Oga a formação de entidades serem estudados os problema.s cafeeí-

A dolorosa experiência deixada pelo

Nesse terreno, quanto mais o tempo

Departamento não nos permitê, de for ma alguma, aceitar qualquer órgão de

passa, não obstante a dialética e os ar gumentos contra a idéia da criação de

"controle" governamental como èle o foi, no qual a voz da lavoura, a maior

ros da esfera federal.

instituições regionais nos Estados para ,, tratar de seus inttTÔsscs cafeeiros, não

• interessada, nunca foi devidamente con

siderada, porque a autarquia foi empol-


Ijljpuipilll II I ip 75

OicF.sTO Econômico Dicksto Econômico

IA

gaci:'. pelo govêrno, sem prestar conta de seus atos. Em pleno regime cons-

licitaram dcsdf o começo de 1949, ini-

ü.s produtores devem ter, também, o

crifício!

dos.

como resultado o prêmio que oferece-

ciando-se as vendas do DeparLimenlo

Declaração, há pouco feita por um dos

titucíonal, não houve altera(,-ã(>, como

no segunda semestre dêsse ano, em

diretores de tradicional sociedade rural

tivemos ensejo de \'cr ultimamente no

quantidades parceladas c por preços que

caso das vendas de seus estaques de

não fósscm aliaixo do mercado.

café. realizadas sob determinações lesi vas aos interesses dos produtores, de baixo das ordens de um Ministro da

Fazenda pouco conhecedor do assunto,

amparado pelo Presidente da República, com assombro da classe.

Mas assim não foi feito.

Contrariam-

zendo, no entanto, formais declarações dc que não estava realizando vendas.

a experiência demonstra, entre nós, e que o menos nocivo para a economia

O resultado foi a paralisação dos ne

cafeeira seria sempre a menor intro

juízos.

Não partilhamos, portanto, da idéia dos que manifestam que pouco importa •saber se a liquidação do Departamento

cafés em nossas zonas de qualidades fi

poderíamos colocar tôda a quantidade

desses cafés que eram àvidamente pro curados; forneceu ao Departamento ura

estoque (além do que foi declarado co mo incinerado de cerca de oitenta mi lhões de sacas) que ainda serviu como fonte dos maiores deslizes do pèríodo

ditatorial, com propagandas cujo resul

quando solicitada pela classe, em tudo

tado ficou patenteado até em conferên cias realizadas publicamente. A conclu são final, a que chegamos com a apli cação da referida cota, sintetiza-se no ser ela a principal causa da redução dos

semestre, não fôsse a intervenção in

que se referisse ao seu peculiar inte resse, como, por e.xemplo, o regulamen

Paulo, que passaram de um bilhão e

tempestiva do Departamento no iner-

to anual dos em

cado.

barques, a propa

da Fazenda.

■ sonesta, causando elevadíssimos pre

tal cada vez mais intensa nos interesses

durante os primeiros meses de 1949, fn-

estagnação dos preços, quando o con trario é que aconteceria nesse primeiro

do-defesa, pois o Departamento, além de apropriar-se do produto, fêz, com ele, concorrência desmoralizadora e cle-

do socialismo, com a intervenção esta

individuais. Ê o que vemos na Ingla terra c nos Estados Unidos, países onde o individualismo perde terreno. O que

te do govêrno federei, que se tem mostrado incapaz de atender aos reais re clamos da classe, ressalvada, como exce ção, a última atuação do atual ministro

está escarmentada dessa fonna de pseu-

Atravessamos época de grande voga

isso infelizmente com o assentimento do

demonstram que, a menos que a lavou ra pretenda seu próprio suicídio, não é

A verdade é que a lavoura cafeeira

nas, desalojando-nos de mercados onde

tiva."

lerniptaniente desde o.s fins de 1948 c

possível ser aceita qualquer organiza ção dependendo inteira e inapelàvclmen-

poder autárquico porque julgamos que autarquia no Brasil é apenas um dis

como os do comércio do exterior.

ministro da Fazenda e do presidente da República. Ainda com a agravante dc ter o Departamento vendido café inin-

mo.s aos nossos concoirentes, que \'en-

diam o total das suas safras, dei.\ando-. nos com as sobras às costas. Sacrificou

ademais quase totalmente a produção de

farce dc irresponsabilidade administra

Todos esses fatos, e a própria exten são desnecessária da liquidação do De partamento sob regime constitucional

Essa invenção diabólica deu

dc nosso meio, aplica-.se integralmente ao caso cm apreço: "Não queremos ser

se os desejos dos interessados daqui para satisfazer nos de outras parles, E

ram "cotas de sacrifício". E que sa

direito de manifestar-se c de ser ouvi

gócios dos cafés dos fazendeiros e a

So não sobreviesse essa intromissão

desnecessária e inoportuna, as cotações

do cafe teriam reagido e dado, para ns

vendas do c.xercício de 1949, um lucro compensador ao produtor, que se ^4"

IJiivado de melhores preços e que sacri ficou sua safra em bases que se tornu-

missão do Estado neste assunto: apenas,

ganda, as infor mações estatísticas,

a

repressão

das

falsificações do café, as formas de

\'endas, a padro nização do produ

cafeeiros existentes no Estado de São setecentos milhões para apenas um

bilhão, coiq que hoje contamos. Em

abono

do

nosso

ponto

de

vista

citamos

a

Comissão Especial

de Inquérito sôbre o

Departamento

to, a supressão ou redução de direi

se obedeceu à melhor forma de reali-

lam depois simplesmente irrisórias. Computam os entendidos que essa de sastrada atuação dos dirigentes do De

ferindo-se ao Plano Salte diz, em seu

çao.

partamento deu à lavoura um prejuízo

de direitos aduaneiros sobre ferramen

tas e máquinas agrícolas, fertilizantes e outros artigos de inteiêsse da lavoura.

pletamente as responsabilidades do go

se realizou na mais oportuna ocasião, ou

Aceitar esses lermos significaria des-

c-onliecer ou ignorar os grandes males que a liquidação, realizada como foi, causou à cafeícultura e ao comércio,

Benéficas teriam sido as consequência.i^;

de um l)iIhão de cruzeiros.

portanto, o epílogo das ativida

des do Departamento. A intervenção discricionária e abso

luta do govêrno, nos assuntos do café,

da liquidação se ela se tivesse proces-

precisa ter um fim.

.sado como a lavoura c o comércio so

nem tanto à terra.

Nem tanto ao mar, ^

tos de entrada em países estrangeiros,

Forçoso seria que jamais se repetis

sem as penosas experiências das chama das "cotas de equilíbrio", que os lavra dores muito acertadamente denomina

Nacional do Café

da Câmara dos Deputados, a qual re

relatório: "Ê que o plano contorna com vêrno nos erros e deslizes cometidos até

o presente momento. E não obstante essa lacuna se justifique de sobejo, uma

vez que o plano foi elaborado em re-


Ijljpuipilll II I ip 75

OicF.sTO Econômico Dicksto Econômico

IA

gaci:'. pelo govêrno, sem prestar conta de seus atos. Em pleno regime cons-

licitaram dcsdf o começo de 1949, ini-

ü.s produtores devem ter, também, o

crifício!

dos.

como resultado o prêmio que oferece-

ciando-se as vendas do DeparLimenlo

Declaração, há pouco feita por um dos

titucíonal, não houve altera(,-ã(>, como

no segunda semestre dêsse ano, em

diretores de tradicional sociedade rural

tivemos ensejo de \'cr ultimamente no

quantidades parceladas c por preços que

caso das vendas de seus estaques de

não fósscm aliaixo do mercado.

café. realizadas sob determinações lesi vas aos interesses dos produtores, de baixo das ordens de um Ministro da

Fazenda pouco conhecedor do assunto,

amparado pelo Presidente da República, com assombro da classe.

Mas assim não foi feito.

Contrariam-

zendo, no entanto, formais declarações dc que não estava realizando vendas.

a experiência demonstra, entre nós, e que o menos nocivo para a economia

O resultado foi a paralisação dos ne

cafeeira seria sempre a menor intro

juízos.

Não partilhamos, portanto, da idéia dos que manifestam que pouco importa •saber se a liquidação do Departamento

cafés em nossas zonas de qualidades fi

poderíamos colocar tôda a quantidade

desses cafés que eram àvidamente pro curados; forneceu ao Departamento ura

estoque (além do que foi declarado co mo incinerado de cerca de oitenta mi lhões de sacas) que ainda serviu como fonte dos maiores deslizes do pèríodo

ditatorial, com propagandas cujo resul

quando solicitada pela classe, em tudo

tado ficou patenteado até em conferên cias realizadas publicamente. A conclu são final, a que chegamos com a apli cação da referida cota, sintetiza-se no ser ela a principal causa da redução dos

semestre, não fôsse a intervenção in

que se referisse ao seu peculiar inte resse, como, por e.xemplo, o regulamen

Paulo, que passaram de um bilhão e

tempestiva do Departamento no iner-

to anual dos em

cado.

barques, a propa

da Fazenda.

■ sonesta, causando elevadíssimos pre

tal cada vez mais intensa nos interesses

durante os primeiros meses de 1949, fn-

estagnação dos preços, quando o con trario é que aconteceria nesse primeiro

do-defesa, pois o Departamento, além de apropriar-se do produto, fêz, com ele, concorrência desmoralizadora e cle-

do socialismo, com a intervenção esta

individuais. Ê o que vemos na Ingla terra c nos Estados Unidos, países onde o individualismo perde terreno. O que

te do govêrno federei, que se tem mostrado incapaz de atender aos reais re clamos da classe, ressalvada, como exce ção, a última atuação do atual ministro

está escarmentada dessa fonna de pseu-

Atravessamos época de grande voga

isso infelizmente com o assentimento do

demonstram que, a menos que a lavou ra pretenda seu próprio suicídio, não é

A verdade é que a lavoura cafeeira

nas, desalojando-nos de mercados onde

tiva."

lerniptaniente desde o.s fins de 1948 c

possível ser aceita qualquer organiza ção dependendo inteira e inapelàvclmen-

poder autárquico porque julgamos que autarquia no Brasil é apenas um dis

como os do comércio do exterior.

ministro da Fazenda e do presidente da República. Ainda com a agravante dc ter o Departamento vendido café inin-

mo.s aos nossos concoirentes, que \'en-

diam o total das suas safras, dei.\ando-. nos com as sobras às costas. Sacrificou

ademais quase totalmente a produção de

farce dc irresponsabilidade administra

Todos esses fatos, e a própria exten são desnecessária da liquidação do De partamento sob regime constitucional

Essa invenção diabólica deu

dc nosso meio, aplica-.se integralmente ao caso cm apreço: "Não queremos ser

se os desejos dos interessados daqui para satisfazer nos de outras parles, E

ram "cotas de sacrifício". E que sa

direito de manifestar-se c de ser ouvi

gócios dos cafés dos fazendeiros e a

So não sobreviesse essa intromissão

desnecessária e inoportuna, as cotações

do cafe teriam reagido e dado, para ns

vendas do c.xercício de 1949, um lucro compensador ao produtor, que se ^4"

IJiivado de melhores preços e que sacri ficou sua safra em bases que se tornu-

missão do Estado neste assunto: apenas,

ganda, as infor mações estatísticas,

a

repressão

das

falsificações do café, as formas de

\'endas, a padro nização do produ

cafeeiros existentes no Estado de São setecentos milhões para apenas um

bilhão, coiq que hoje contamos. Em

abono

do

nosso

ponto

de

vista

citamos

a

Comissão Especial

de Inquérito sôbre o

Departamento

to, a supressão ou redução de direi

se obedeceu à melhor forma de reali-

lam depois simplesmente irrisórias. Computam os entendidos que essa de sastrada atuação dos dirigentes do De

ferindo-se ao Plano Salte diz, em seu

çao.

partamento deu à lavoura um prejuízo

de direitos aduaneiros sobre ferramen

tas e máquinas agrícolas, fertilizantes e outros artigos de inteiêsse da lavoura.

pletamente as responsabilidades do go

se realizou na mais oportuna ocasião, ou

Aceitar esses lermos significaria des-

c-onliecer ou ignorar os grandes males que a liquidação, realizada como foi, causou à cafeícultura e ao comércio,

Benéficas teriam sido as consequência.i^;

de um l)iIhão de cruzeiros.

portanto, o epílogo das ativida

des do Departamento. A intervenção discricionária e abso

luta do govêrno, nos assuntos do café,

da liquidação se ela se tivesse proces-

precisa ter um fim.

.sado como a lavoura c o comércio so

nem tanto à terra.

Nem tanto ao mar, ^

tos de entrada em países estrangeiros,

Forçoso seria que jamais se repetis

sem as penosas experiências das chama das "cotas de equilíbrio", que os lavra dores muito acertadamente denomina

Nacional do Café

da Câmara dos Deputados, a qual re

relatório: "Ê que o plano contorna com vêrno nos erros e deslizes cometidos até

o presente momento. E não obstante essa lacuna se justifique de sobejo, uma

vez que o plano foi elaborado em re-


■■ • I

l i

7(1

DinK-.To KcoNiSsfí^

vo"n^" subordi,u,da a„ p„dor excculi-

ríiJi da l"' ''*^"lissível façaa tábua rasa causa essencialquudesetòda ruína

varS"""-'"'"'""'.--' 1""'

íhuinni,

'"^°"^^'stàvclmente, tia in-

oficial tm^

^ercíf/rt vela política

menor referência aos interesses morah

e politicos.

"Le\o minhas observações agora o terreno da moralidade poliiica da administração da União Federal.

"O Departamento Nacional do Café é caso leralolügico dentro da vida admi*

lavoura"

hUerêsses da

prodigium", do antigo direito de Ronia-

te libetotomn''^^^ ''

Ê da essência do nosso regime constitu cional a fiscalização dos ato.s da admi

ox-postos,

deslizes praücados ri? '' o mal nor p.1 ' 1'^ ''"Jtarqina, e todo " à cafeicultura.

melhâito Tn4'itSSo'" liá que autorize sua conr''"'T'" so aguarde mrr,

"^'""açao. Talvez

liquidação term ^

" ^ilguns, que a

Braga,

dêputaT Tf'P""""'"

berava em têrmos ín..^

ja ver-

inento, tendo naquela ^ ^^parLaà Câmara dos Demu?! «presentado

tentantio fazê-lo des'apare::r.™ iz^'::

dtscurso proferido en, fevereiro d que"

ano o conhecido parlamentar: "As^n o perante a inteira responsabiíS de minhao País iniciativa, mesmo que ela en volva essa finalidade. AUâs a políHca do governo da Revolução teve por es copo primordial, de que tanto se jacta -fazer o equilíbrio estatístico da produ'ção e do consumo mundiais. Com a incineração já realizada de trinta e cinco

milhões de sacas, esse objetivo está atingido.

nislraliva do Hrasil. É o "inonstruni vel

Está satisfeita a finalidade

essencial do Departamento. Até aqui tenho tratado do problema do café sob o restrito ponto de vista dos vitais in-

terêssds eeonémicos do país, sem a KiÀ. g.t"

nistração federal pelo Tribunal de Con tas, que julga sempre as contas dos res ponsáveis pelos dinhciros públicos.

'O D. N. C. c uma repartição do M*' lústério da Fazenda Nacional complC'

tamenle fora desse regime constitucionalGasta o que entende. Contrai as dívidas

Dígesto Ecokómico

tentação. E mais sobressaltado se sentirá

produtores e ao comércio prejuízos in

Sua Exa., se lhe disserem o que corre

calculáveis.

abertamente na opinião pública. E é que o D. N. C. é o alçapão clandestino por onde se esgueiram tôdas as despesas suspeitas ou escusas atribuídas ao go\'erno de S. Exa."

• Volvidos quinze anos do discurso do

sileira no Rio de Janeiro ao acompa

que naqueles idos tempos. A torrente só se avolumou, formando um verda deiro

mar.

Segundo fomos informados, apenas em indenizações a funcionários despendeu a autarquia quantia superior a cem mi cafeeiro durante todo o período da sua

a Câmara dos Deputados e o SenadoÉ um Estado no Estado. Um chefe dc Polícia lida arbitráriamente com sua verba secreta. Mas, essa verba é nie.squinha em comparação com os recursos

discricionàrianiente manejados pelo DC., os quais excedem os do qualquer Ministério federal ou os de quaisquer

dos mais ricos Estados da Federação. Serviço de Café tem operado com cerca de tres milhões de contos discricionàriamente!

"Não há ninguém de bom-senso que nao condene anormalidade tão perigosa.

O próprio presidente da República deve viver em sobressalto constante ao consta

tar que, sob a cúpula de sua responsabi lidade, vive tão sedutora e arriscada xiákkk,.

de sacas.

presente, 6 ainda muito mais grave do

vencimentos que bem entende.

mais completa c arbitrária, só lendo qu^ dar satisfações ao ministro da Fazcndai ^ a mais ninguém. Pode mais do que

tícia de haver uma diferença a menos,

nos estoques existentes, de um millião Fato semelhante foi denunciado pelo representante da Sociedade Rural Bra

lhões de cruzeiros! Para cúmulo, entrou

autonomia administrativa e financeira a

servas do - Departamento, surgiu a no

eminente representante do povo o que a opinião pública \ om dizendo, até o

que bem entende. Nomeia os funciona' rios que bem entende. Marca-lhes os

Tem

No ano passado, ao ser discutida na

capital do País, a venda final das re

o Departamento a perturbar o mercado liquidação, que se iniciou a trinta de junho de 1946, com vendas constantes

nhar as entregas dos cafés \ eudiclos pelo Departamento.

Êsse é o balanço dá existência da fa

mosa autarquia que dura cêrca de doi.s decênios e há quase quatro anos se

encontra em liquidação.

Ante os fatos apontados será possível

que ainda se pense na continuação de entidade semelhante, após tão nide ex:

periência do passado?

por preços abaixo das cotações normais,

Só um povo de desmemoriados per mitiria o prosseguimento de tamanha

desmoralizando o mercado, causando aos

calamidade.


■■ • I

l i

7(1

DinK-.To KcoNiSsfí^

vo"n^" subordi,u,da a„ p„dor excculi-

ríiJi da l"' ''*^"lissível façaa tábua rasa causa essencialquudesetòda ruína

varS"""-'"'"'""'.--' 1""'

íhuinni,

'"^°"^^'stàvclmente, tia in-

oficial tm^

^ercíf/rt vela política

menor referência aos interesses morah

e politicos.

"Le\o minhas observações agora o terreno da moralidade poliiica da administração da União Federal.

"O Departamento Nacional do Café é caso leralolügico dentro da vida admi*

lavoura"

hUerêsses da

prodigium", do antigo direito de Ronia-

te libetotomn''^^^ ''

Ê da essência do nosso regime constitu cional a fiscalização dos ato.s da admi

ox-postos,

deslizes praücados ri? '' o mal nor p.1 ' 1'^ ''"Jtarqina, e todo " à cafeicultura.

melhâito Tn4'itSSo'" liá que autorize sua conr''"'T'" so aguarde mrr,

"^'""açao. Talvez

liquidação term ^

" ^ilguns, que a

Braga,

dêputaT Tf'P""""'"

berava em têrmos ín..^

ja ver-

inento, tendo naquela ^ ^^parLaà Câmara dos Demu?! «presentado

tentantio fazê-lo des'apare::r.™ iz^'::

dtscurso proferido en, fevereiro d que"

ano o conhecido parlamentar: "As^n o perante a inteira responsabiíS de minhao País iniciativa, mesmo que ela en volva essa finalidade. AUâs a políHca do governo da Revolução teve por es copo primordial, de que tanto se jacta -fazer o equilíbrio estatístico da produ'ção e do consumo mundiais. Com a incineração já realizada de trinta e cinco

milhões de sacas, esse objetivo está atingido.

nislraliva do Hrasil. É o "inonstruni vel

Está satisfeita a finalidade

essencial do Departamento. Até aqui tenho tratado do problema do café sob o restrito ponto de vista dos vitais in-

terêssds eeonémicos do país, sem a KiÀ. g.t"

nistração federal pelo Tribunal de Con tas, que julga sempre as contas dos res ponsáveis pelos dinhciros públicos.

'O D. N. C. c uma repartição do M*' lústério da Fazenda Nacional complC'

tamenle fora desse regime constitucionalGasta o que entende. Contrai as dívidas

Dígesto Ecokómico

tentação. E mais sobressaltado se sentirá

produtores e ao comércio prejuízos in

Sua Exa., se lhe disserem o que corre

calculáveis.

abertamente na opinião pública. E é que o D. N. C. é o alçapão clandestino por onde se esgueiram tôdas as despesas suspeitas ou escusas atribuídas ao go\'erno de S. Exa."

• Volvidos quinze anos do discurso do

sileira no Rio de Janeiro ao acompa

que naqueles idos tempos. A torrente só se avolumou, formando um verda deiro

mar.

Segundo fomos informados, apenas em indenizações a funcionários despendeu a autarquia quantia superior a cem mi cafeeiro durante todo o período da sua

a Câmara dos Deputados e o SenadoÉ um Estado no Estado. Um chefe dc Polícia lida arbitráriamente com sua verba secreta. Mas, essa verba é nie.squinha em comparação com os recursos

discricionàrianiente manejados pelo DC., os quais excedem os do qualquer Ministério federal ou os de quaisquer

dos mais ricos Estados da Federação. Serviço de Café tem operado com cerca de tres milhões de contos discricionàriamente!

"Não há ninguém de bom-senso que nao condene anormalidade tão perigosa.

O próprio presidente da República deve viver em sobressalto constante ao consta

tar que, sob a cúpula de sua responsabi lidade, vive tão sedutora e arriscada xiákkk,.

de sacas.

presente, 6 ainda muito mais grave do

vencimentos que bem entende.

mais completa c arbitrária, só lendo qu^ dar satisfações ao ministro da Fazcndai ^ a mais ninguém. Pode mais do que

tícia de haver uma diferença a menos,

nos estoques existentes, de um millião Fato semelhante foi denunciado pelo representante da Sociedade Rural Bra

lhões de cruzeiros! Para cúmulo, entrou

autonomia administrativa e financeira a

servas do - Departamento, surgiu a no

eminente representante do povo o que a opinião pública \ om dizendo, até o

que bem entende. Nomeia os funciona' rios que bem entende. Marca-lhes os

Tem

No ano passado, ao ser discutida na

capital do País, a venda final das re

o Departamento a perturbar o mercado liquidação, que se iniciou a trinta de junho de 1946, com vendas constantes

nhar as entregas dos cafés \ eudiclos pelo Departamento.

Êsse é o balanço dá existência da fa

mosa autarquia que dura cêrca de doi.s decênios e há quase quatro anos se

encontra em liquidação.

Ante os fatos apontados será possível

que ainda se pense na continuação de entidade semelhante, após tão nide ex:

periência do passado?

por preços abaixo das cotações normais,

Só um povo de desmemoriados per mitiria o prosseguimento de tamanha

desmoralizando o mercado, causando aos

calamidade.


•^e-rv-

79

Dicesto EctiNÓMiro

Ès.sc tem sido, cm geral, o juiz;) de — ^'ola.s de estado iraru a coniprecmsão de uma trajetória espiritani — Pnor. Miguel Realk

(Reitor da Universidade de São Paulo) ocupa um plano inferior, compa

Houve mesint) quem dissesse que o caso do tradutor de "O Papa e o Conci lio" c mais um sinal revelador de nos so tradicional "horror à metafísica ..•

Tudo indica, poi.s, a necessidade de

"A cena política c acanhada, e rada con» outras alturas do nos

quantos ainda boje se acercam de sua obra.

uma revisão, som o objetivo de firmar

O "Digcito Econômico", que cm suas

conclusões definitivas,

mesmo porque

so destino. O homem, que não

colunas tem inserido vários ensaios sô-

não nos foi possí\'el lançar

possuir dentro d'alma um campo de idéias mais amplo do que ela,

bre a vida de Rui Barbosa, em seus mais

mão" de dados bibliográfi

não pode governar beneficamen

agasalhar ôste importante estudo do Rei

te. Uma das fortunas da Ingla terra c ter para a dirigirem, ca-

pacidade.s superiores, pelo cultivo de estudos desinteressados, aos misteres ordinários da profissão". — Rui Baubosa.

variados mpcclas, sente-se honrado em

tor da Universidade de São Paulo c prof. de Filosofia do Direito, sr. Miguel Rcale, que situa o glorioso brasileiro no qua dro do pensamento filosófico do Brasil.

jisse trabalho foi revisto e ampliado

pelo autor, exclusivamente vara figurar nas páginas desta Revüta.'

cos completos. Nesta re.scnlia, límitamo-nos a situar

um problema, tentando pro vocar a cooperação dos O certo é que jamais nos convenceu a tese do alheamento sistemático de

Rui dos problemas de or dem filosófica, embora res

Humaniòtno

salte, à evidência, que a sua

Rui Barbosa puseram em evidência múl tipla? facetas de sua personalidade com plexa e poderosa. Uma, no entanto, continuou na sombra. E* a que diz res peito às suas concepções filosóficas, ou menos pretensiosamente, ao processo

condicionante de sua evolução espiritual em face do universo e da vida. Continuou-se a insisitir em velho re

frão, de que o grande brasileiro era

temperamento pouco inclinado aos pro

O que no.s fica da leitura de suas cbras. capitais é a impresáo de ter ele vivido as abstrações doutrinárias do i

beralismo. integrando-as em uma unida de indissolÚNcl de pensamento c cte ação. Essa vivência do abstrato cm função do agir teria, de um lado, toma do dispensável uma perquirição dc or dem puramente teorética e, de outro, criado condiçóes de contraste e conflito pe

rante a realidade social ambiente, sobre a qual sc

projetava a sua atividade criadora, não raro pedagó-

mestres.

Espiritualismo crtsfão e

Ah comemorações do centenário de

ções cm si", suscetíveis de se .situarem como objeto de cogitações "autônomas

preocupação permanente se concentra

Tal explicação sumaria,

que antecipamos a título prosnsório, coloca-nos cm face de uma série de ou

tras perguntas, cuja res

posta é imprescindível a uma compre

tuar-so e definir-se no contraste dos sis

va em questões de outra ordem, liga

ensão menos esquemática, mai.s viva e,

temas.

das à existência concreta e, mais prò-

mensão espiritual do baiano ilustre.

Teríamos, assim, o caso singular de um homem extremamente alerta para o

priamente, à coexistência humana reali

1 osotia e, segundo alguns, até mesmo distante de suas exigências fundamen

zando a liberdade. Longe de nós, pois, a intenção de apresentá-lo como um filósofo ou um pensador : nosso intuito o apenas o de situá-lo face as corren tes de pensamento de seu tempo. • Êle, tão dominado pelos postulados do Estado liberal, e afeito ao jôgo das abstrações jurídicas do parlamentarismo

tais.

britânico ou do federalismo presiden

mun o as idéias e das aspirações hu manas, jurisconsulto e homem de Esta

do, diplomata e jornalista, estatuário da

palavra verbal ou escrita, parlamentar e

advogado, sem preocupação maior pela

blemas últimos do ser ou da existência,

Cultura filosófica parece não a pos

jogando, quase à maneira de Savigny,

suir. Para êle a filosofia reduz-se à ló

com os valores tradicionais e dominan

te? da cultura de seu tempo, sem a pre

gica e à dialética". Êsse o juízo deixa do por Capistrano de Abreu em carta

ocupação de uma sondagem nas raízes dos problemas ou a vontade firme de si-

escrita ao historiador português Lúcio de Azevedo, traçando curioso perfil de Rui.

por isso mesmo, menos simétrica da di

Em moio século de atividade cultural intensa, em contato com os mais varia dos dramas do homem, se houve uma

linha melódica fundamental em sua vida

quanto aos "ideais", nem por isso dei

xou de atender aos reclamos sucessivos

do tempo, abandonando idéias velhas por novas idéias, repudiando sistemas

cialista ianque, vivia aquelas abstra ções em função de uma finalidade pra tica, isto é, no sentido da ação. Até

ou instrumentos de ação, quando não lhe pareciam mais corresponder à con secução dos fins visados. Essa capaci dade de adaptação ao fato histórico, que

certo ponto, interessavam-lhe as abstra

certos adversários recriminam, assim co

ções enquanto instrumento ou processo de interferência inodificadora no mundo

da "praxis", no campo da experiência humana concreta, e não como "abstra-

mo a já apontada aderência à vida po lítica, são indícios de uma tendência

pragmática, nem sempre própria à espf-


•^e-rv-

79

Dicesto EctiNÓMiro

Ès.sc tem sido, cm geral, o juiz;) de — ^'ola.s de estado iraru a coniprecmsão de uma trajetória espiritani — Pnor. Miguel Realk

(Reitor da Universidade de São Paulo) ocupa um plano inferior, compa

Houve mesint) quem dissesse que o caso do tradutor de "O Papa e o Conci lio" c mais um sinal revelador de nos so tradicional "horror à metafísica ..•

Tudo indica, poi.s, a necessidade de

"A cena política c acanhada, e rada con» outras alturas do nos

quantos ainda boje se acercam de sua obra.

uma revisão, som o objetivo de firmar

O "Digcito Econômico", que cm suas

conclusões definitivas,

mesmo porque

so destino. O homem, que não

colunas tem inserido vários ensaios sô-

não nos foi possí\'el lançar

possuir dentro d'alma um campo de idéias mais amplo do que ela,

bre a vida de Rui Barbosa, em seus mais

mão" de dados bibliográfi

não pode governar beneficamen

agasalhar ôste importante estudo do Rei

te. Uma das fortunas da Ingla terra c ter para a dirigirem, ca-

pacidade.s superiores, pelo cultivo de estudos desinteressados, aos misteres ordinários da profissão". — Rui Baubosa.

variados mpcclas, sente-se honrado em

tor da Universidade de São Paulo c prof. de Filosofia do Direito, sr. Miguel Rcale, que situa o glorioso brasileiro no qua dro do pensamento filosófico do Brasil.

jisse trabalho foi revisto e ampliado

pelo autor, exclusivamente vara figurar nas páginas desta Revüta.'

cos completos. Nesta re.scnlia, límitamo-nos a situar

um problema, tentando pro vocar a cooperação dos O certo é que jamais nos convenceu a tese do alheamento sistemático de

Rui dos problemas de or dem filosófica, embora res

Humaniòtno

salte, à evidência, que a sua

Rui Barbosa puseram em evidência múl tipla? facetas de sua personalidade com plexa e poderosa. Uma, no entanto, continuou na sombra. E* a que diz res peito às suas concepções filosóficas, ou menos pretensiosamente, ao processo

condicionante de sua evolução espiritual em face do universo e da vida. Continuou-se a insisitir em velho re

frão, de que o grande brasileiro era

temperamento pouco inclinado aos pro

O que no.s fica da leitura de suas cbras. capitais é a impresáo de ter ele vivido as abstrações doutrinárias do i

beralismo. integrando-as em uma unida de indissolÚNcl de pensamento c cte ação. Essa vivência do abstrato cm função do agir teria, de um lado, toma do dispensável uma perquirição dc or dem puramente teorética e, de outro, criado condiçóes de contraste e conflito pe

rante a realidade social ambiente, sobre a qual sc

projetava a sua atividade criadora, não raro pedagó-

mestres.

Espiritualismo crtsfão e

Ah comemorações do centenário de

ções cm si", suscetíveis de se .situarem como objeto de cogitações "autônomas

preocupação permanente se concentra

Tal explicação sumaria,

que antecipamos a título prosnsório, coloca-nos cm face de uma série de ou

tras perguntas, cuja res

posta é imprescindível a uma compre

tuar-so e definir-se no contraste dos sis

va em questões de outra ordem, liga

ensão menos esquemática, mai.s viva e,

temas.

das à existência concreta e, mais prò-

mensão espiritual do baiano ilustre.

Teríamos, assim, o caso singular de um homem extremamente alerta para o

priamente, à coexistência humana reali

1 osotia e, segundo alguns, até mesmo distante de suas exigências fundamen

zando a liberdade. Longe de nós, pois, a intenção de apresentá-lo como um filósofo ou um pensador : nosso intuito o apenas o de situá-lo face as corren tes de pensamento de seu tempo. • Êle, tão dominado pelos postulados do Estado liberal, e afeito ao jôgo das abstrações jurídicas do parlamentarismo

tais.

britânico ou do federalismo presiden

mun o as idéias e das aspirações hu manas, jurisconsulto e homem de Esta

do, diplomata e jornalista, estatuário da

palavra verbal ou escrita, parlamentar e

advogado, sem preocupação maior pela

blemas últimos do ser ou da existência,

Cultura filosófica parece não a pos

jogando, quase à maneira de Savigny,

suir. Para êle a filosofia reduz-se à ló

com os valores tradicionais e dominan

te? da cultura de seu tempo, sem a pre

gica e à dialética". Êsse o juízo deixa do por Capistrano de Abreu em carta

ocupação de uma sondagem nas raízes dos problemas ou a vontade firme de si-

escrita ao historiador português Lúcio de Azevedo, traçando curioso perfil de Rui.

por isso mesmo, menos simétrica da di

Em moio século de atividade cultural intensa, em contato com os mais varia dos dramas do homem, se houve uma

linha melódica fundamental em sua vida

quanto aos "ideais", nem por isso dei

xou de atender aos reclamos sucessivos

do tempo, abandonando idéias velhas por novas idéias, repudiando sistemas

cialista ianque, vivia aquelas abstra ções em função de uma finalidade pra tica, isto é, no sentido da ação. Até

ou instrumentos de ação, quando não lhe pareciam mais corresponder à con secução dos fins visados. Essa capaci dade de adaptação ao fato histórico, que

certo ponto, interessavam-lhe as abstra

certos adversários recriminam, assim co

ções enquanto instrumento ou processo de interferência inodificadora no mundo

da "praxis", no campo da experiência humana concreta, e não como "abstra-

mo a já apontada aderência à vida po lítica, são indícios de uma tendência

pragmática, nem sempre própria à espf-


80

Digesto Econômico

por outro lado, excluir o caminho inver so, que seria o da formação da atitude

pragmática como conseqüência de uma

experiência doutrinária governada pelos sucessos da vida política. Há, pois, hi póteses várias tentando a nossa atenção. A resposta a essas e outras questões só poderá resultar de um exame objeti vo e minucioso de seus escritos, nos quais se refletem muitos elementos de nossa formaçcão cultural. Se há um si

gnificado de Rui para a cultura brasi

leira, há, correspondentemente, um sig

nificado da cultura brasileira através da obra de Rui.

Legando-nos páginas realmente ma gistrais sôbre o Marquês de Pombal Rui

declarou que q chanceler de D 'fosé

i tinha tal grandeza que a sua figura não F coubera ern seu século. Com mais razão poder-se-ia dizer que o nosso patrício

soube viver a cavaleiro de dois séculos refletindo o espírito e a mentalidade dê dois momentos culturais, e aqui ficará talvez a nossa primeira afirmação ao ar/. repio da tradicional visão de Rui como uma figura totalmente estereotipada nò século XIX.

. Aò século passado, confiante nás con quistas infinitas do progresso pela ciên

ta. Jamais se lhe apagaria do e.spiritü a imagem daqueles dias decisivos, mesmo quando viria emprestar o fulgor de suo inteligência à divulgação c defesa das teses de "O Papa e o Concilio", ou extasiar-sc ante as páginas do Conilc ou de Renan.

líuí .sempre m- mantese um crente, a ormentadü de dúvidas ou sereno e

confiante, um crente que dificilmente po ena permanecer integrado nas ten dências doutrinárias de Teixeira Mendes ou de Miguel Lemos, ou mesmo de Sílvio Romcro e Tobias Barreto.

o foi integrado na vivência de um Bra

sil ainda mal desperto das aporias da

cultura ocidental, ainda dominado pelos valores do espiritualismo tradicionalista, que êle Rui recebeu na educação fami liar, no recesso do lar baiano, onde seu pai acompanhava, solícito, a leitura da

"Histoire du Nouveau Testament" de

Derôme, enquanto a mãe, Maria Adé-

lia, como nos lembra Luís Viana Filho, meditava sôbre as páginas das "Novas Horas Marianas", sua distração predile-

Econômico

duvidei, neguei, blasfemei, talvez, como

êle. Mas esses momentos passaram sem pre como rápidas leinpe.stadcs na minlui consciência: quando êles se afugentavam, o borizonte do mistério eterno me reaparecia como eu o vira no coração

grande negação. PercoiTí as filosofias: mas nenhuma mc saciou: não encontrei

ma de todas as coisas; mas não afirmei

róico na cultura efetivamente humanís

tica, que predispõe a resober segundo '

ger as coisas divinas. Nunca encarei a ciência como a sistematização do anta

imperalbos que brotam da consciência

acreditei jamais que se distancie do ciência por incompatibilidades invencí

con r ^ e libertação. ^ contraste

veis, unicamente porque esta não sabe os meios dc verificá-lo". ("Visita á

terra natal" 1893 — "Obras Completas",

res 'socíiT"r "in Tefferson

grandes mentoanglo-saxão, como

vol. XX, t. I, pág. 45).

rar-lhe ii sítivismn

Gladstone, asscgutle receber do po-

desde a adolescência, provém do con vívio apaixonado com os clássicos, for rando seu e.spírito de uma cultura hu-

u

to "positivo"™ vfrfrmo'''' -tensão constalr:.;^^™ o test.,mente testo nctt de sua leligisiosidade;<1»-= dado bnírl' bm o

profunda relígios"-

de Rui, das idéias separaria fundamentais do inina

turalismo do século XIX. E' o que não

amos olvidar no estudo de sua com preensão do mundo, tão. forte se nos

atigura a influência da educação fami-

lar recebida na Bahia, que é a terra por

excelência da tradição nacional. Êle mes mo nô-Io confessa nestas palavras caridentes : í'Filho de um século devorado pela curiosidade suprema do infinito.

N"elmente, anéis interligados no fluxo instrumental dos interèssès.

jamais que a ciência não pos.sa abran

cn.: homens J^^dicas o políticas. Bem poucos terão vivido tão intensamen-

Essa inquietação espiritual, que o im-

distante, dei.xamos de crer que as cousas valiosas .<:ejam, apenas e írremedià-

repouso em nenhuma. Pus a ciência aci

dos meus pais (sie). Não me acolhi en tre as filosofias que fazem da ciência a

gonismo com o espírito. Êsse incognoscível, que não cabe nos laboratórios, não

religioso, em •

SI

Rui foi humanista, não só pelo culto apaixonado do verbo, apreendido pam além de sua mera significação pnigmá- . tica, mas também pelo grau dc seu desa pego à certeza do ê.vito, pela sua "virtú" do risco, pelo amor à nobreza do gesto ■' de optar. Há algo de lúdico e de he

^ ^cu cristianismo sempre foi algo de sseneia c profundo, como força condinadora de suas demais convicções, fi-

cia e pela técnica, ele pertenceu pelas linhas dominantes de seu espírito, mas

DiOKSTn

Outro

elemento formador, baurido

manística, completando, e, de certa for

ma, dando sentido novo ao antigo sen timento de religiosidade domé.stica, que

do de\ cr, sem subordinar a ação tãn-sò- , mente à fria balança do cálculo. Quan do vemos o gigante dc Haia arremeterse à luta política, cx)m parcos trunfos para a vitória, afrontando os riscos dc sucessivas campanhas, desde o início

fadadas a insucesso, a "virtxi" de seu superioridade lúdica lítico, a beleza que ética de ganhar ou

não há como negar desprendimento, a de seu embate po há na equivalência perder as batalhas

do ideal.

Èsse sentido de desapego pelos resul tados positivos e certos, êsse amor da ação que em si mesma entranha a sua valia, une-se em Rui a um sentimento

ó uma das "constantes" da cultura bra

religioso e pedagógico da Lei e do Di

sileira.

reito. O Direito foi-para êle, de certa

A formação humanística habitua crer

nos valores do desintciê,sse, a resolver

forma, "a religiosidade da ação", o ins

os problemas da vida sem a pergunta

trumento capaz de traduzir socialmente, em bens de vida e de liberdade, as as

imediatista do "para-que-serve isso". A

pirações mais altas do espírito. Pois bem,

fôrça e a superioridade do preparo in telectual formado no ti-ato dos mestres

do mundo greco-romano, assim como no convívio dos criadores da cultura lusía

da, nascem daí, dessa circunstância de pocleimos amar obras que "valem", sem, contudo, "valerem para algo". Amando bomen.s c obras situadas em uin pa.vsado

essa noção religiosa da Lei êle a rece

beu dos clássicos, e especialmente de Cícero, com quem tanto se assemelha. Em uma época de culto acendrado às leis físúo-matemáticas, à lei como e.xpressão estatística dos fatos, traduzindo a superioridade do "quantitativo" sôbre

o grande jurisconsullo.


80

Digesto Econômico

por outro lado, excluir o caminho inver so, que seria o da formação da atitude

pragmática como conseqüência de uma

experiência doutrinária governada pelos sucessos da vida política. Há, pois, hi póteses várias tentando a nossa atenção. A resposta a essas e outras questões só poderá resultar de um exame objeti vo e minucioso de seus escritos, nos quais se refletem muitos elementos de nossa formaçcão cultural. Se há um si

gnificado de Rui para a cultura brasi

leira, há, correspondentemente, um sig

nificado da cultura brasileira através da obra de Rui.

Legando-nos páginas realmente ma gistrais sôbre o Marquês de Pombal Rui

declarou que q chanceler de D 'fosé

i tinha tal grandeza que a sua figura não F coubera ern seu século. Com mais razão poder-se-ia dizer que o nosso patrício

soube viver a cavaleiro de dois séculos refletindo o espírito e a mentalidade dê dois momentos culturais, e aqui ficará talvez a nossa primeira afirmação ao ar/. repio da tradicional visão de Rui como uma figura totalmente estereotipada nò século XIX.

. Aò século passado, confiante nás con quistas infinitas do progresso pela ciên

ta. Jamais se lhe apagaria do e.spiritü a imagem daqueles dias decisivos, mesmo quando viria emprestar o fulgor de suo inteligência à divulgação c defesa das teses de "O Papa e o Concilio", ou extasiar-sc ante as páginas do Conilc ou de Renan.

líuí .sempre m- mantese um crente, a ormentadü de dúvidas ou sereno e

confiante, um crente que dificilmente po ena permanecer integrado nas ten dências doutrinárias de Teixeira Mendes ou de Miguel Lemos, ou mesmo de Sílvio Romcro e Tobias Barreto.

o foi integrado na vivência de um Bra

sil ainda mal desperto das aporias da

cultura ocidental, ainda dominado pelos valores do espiritualismo tradicionalista, que êle Rui recebeu na educação fami liar, no recesso do lar baiano, onde seu pai acompanhava, solícito, a leitura da

"Histoire du Nouveau Testament" de

Derôme, enquanto a mãe, Maria Adé-

lia, como nos lembra Luís Viana Filho, meditava sôbre as páginas das "Novas Horas Marianas", sua distração predile-

Econômico

duvidei, neguei, blasfemei, talvez, como

êle. Mas esses momentos passaram sem pre como rápidas leinpe.stadcs na minlui consciência: quando êles se afugentavam, o borizonte do mistério eterno me reaparecia como eu o vira no coração

grande negação. PercoiTí as filosofias: mas nenhuma mc saciou: não encontrei

ma de todas as coisas; mas não afirmei

róico na cultura efetivamente humanís

tica, que predispõe a resober segundo '

ger as coisas divinas. Nunca encarei a ciência como a sistematização do anta

imperalbos que brotam da consciência

acreditei jamais que se distancie do ciência por incompatibilidades invencí

con r ^ e libertação. ^ contraste

veis, unicamente porque esta não sabe os meios dc verificá-lo". ("Visita á

terra natal" 1893 — "Obras Completas",

res 'socíiT"r "in Tefferson

grandes mentoanglo-saxão, como

vol. XX, t. I, pág. 45).

rar-lhe ii sítivismn

Gladstone, asscgutle receber do po-

desde a adolescência, provém do con vívio apaixonado com os clássicos, for rando seu e.spírito de uma cultura hu-

u

to "positivo"™ vfrfrmo'''' -tensão constalr:.;^^™ o test.,mente testo nctt de sua leligisiosidade;<1»-= dado bnírl' bm o

profunda relígios"-

de Rui, das idéias separaria fundamentais do inina

turalismo do século XIX. E' o que não

amos olvidar no estudo de sua com preensão do mundo, tão. forte se nos

atigura a influência da educação fami-

lar recebida na Bahia, que é a terra por

excelência da tradição nacional. Êle mes mo nô-Io confessa nestas palavras caridentes : í'Filho de um século devorado pela curiosidade suprema do infinito.

N"elmente, anéis interligados no fluxo instrumental dos interèssès.

jamais que a ciência não pos.sa abran

cn.: homens J^^dicas o políticas. Bem poucos terão vivido tão intensamen-

Essa inquietação espiritual, que o im-

distante, dei.xamos de crer que as cousas valiosas .<:ejam, apenas e írremedià-

repouso em nenhuma. Pus a ciência aci

dos meus pais (sie). Não me acolhi en tre as filosofias que fazem da ciência a

gonismo com o espírito. Êsse incognoscível, que não cabe nos laboratórios, não

religioso, em •

SI

Rui foi humanista, não só pelo culto apaixonado do verbo, apreendido pam além de sua mera significação pnigmá- . tica, mas também pelo grau dc seu desa pego à certeza do ê.vito, pela sua "virtú" do risco, pelo amor à nobreza do gesto ■' de optar. Há algo de lúdico e de he

^ ^cu cristianismo sempre foi algo de sseneia c profundo, como força condinadora de suas demais convicções, fi-

cia e pela técnica, ele pertenceu pelas linhas dominantes de seu espírito, mas

DiOKSTn

Outro

elemento formador, baurido

manística, completando, e, de certa for

ma, dando sentido novo ao antigo sen timento de religiosidade domé.stica, que

do de\ cr, sem subordinar a ação tãn-sò- , mente à fria balança do cálculo. Quan do vemos o gigante dc Haia arremeterse à luta política, cx)m parcos trunfos para a vitória, afrontando os riscos dc sucessivas campanhas, desde o início

fadadas a insucesso, a "virtxi" de seu superioridade lúdica lítico, a beleza que ética de ganhar ou

não há como negar desprendimento, a de seu embate po há na equivalência perder as batalhas

do ideal.

Èsse sentido de desapego pelos resul tados positivos e certos, êsse amor da ação que em si mesma entranha a sua valia, une-se em Rui a um sentimento

ó uma das "constantes" da cultura bra

religioso e pedagógico da Lei e do Di

sileira.

reito. O Direito foi-para êle, de certa

A formação humanística habitua crer

nos valores do desintciê,sse, a resolver

forma, "a religiosidade da ação", o ins

os problemas da vida sem a pergunta

trumento capaz de traduzir socialmente, em bens de vida e de liberdade, as as

imediatista do "para-que-serve isso". A

pirações mais altas do espírito. Pois bem,

fôrça e a superioridade do preparo in telectual formado no ti-ato dos mestres

do mundo greco-romano, assim como no convívio dos criadores da cultura lusía

da, nascem daí, dessa circunstância de pocleimos amar obras que "valem", sem, contudo, "valerem para algo". Amando bomen.s c obras situadas em uin pa.vsado

essa noção religiosa da Lei êle a rece

beu dos clássicos, e especialmente de Cícero, com quem tanto se assemelha. Em uma época de culto acendrado às leis físúo-matemáticas, à lei como e.xpressão estatística dos fatos, traduzindo a superioridade do "quantitativo" sôbre

o grande jurisconsullo.


w

m

>

DiríF-STo

l£c:t)N6Mic:o

8:3

Digicstc) Kconómico

82

o "ao lalentu luna intuição; a da reali

reverenciava a lei natural hiimíina, qiu'.

Tão forte t podero.»;;! foi, aliás, a sim

Cícero enaltecera, acolhendo e vivifican-

\i.são cientifica e natiiralistica do uni

clo ensinamentos platônicos, aristotélicos c estóicos : mesmo quando iria ne gar o Direito Natural em nome da Socio logia, a idéia do Direito e do Justo per maneceu em seu espírito comy reflexo

verso c da \ ida, que. durante um perío

"da parte divina ou sublime de nossa natureza". ("Obras Completas" 1874 ~ V. VI, t. I. pág. 129). Espiritualismo cristão e huniani.sino

clássico, eis aí duas forças conjugadas, que jamais deixariam de agir na forma ção mental de Rui, representando como que os centros polarizadores de sua in dividualidade . Das noites baianas de

meditação dos Evangelhos e dos clássi cos, até à "Oração aos Moços" há toda

uma trajetória espiritual, (^ue em vão se tentará arredar do mundo da filosofia. A presença do "Século XIX" sentiua Rui, bem cedo, em sua existência. Não

precisou tornar-se adulto para receber o sentido do tempo. Teve-o, desde lo

go, em sua casa, no exemplo paterno de

\'i-la melhor; scrve-a sem adulá-la, pa

lista, perdida nas "transccndèncias ger

ra não na trair".

mânicas de suas síiUcses". contrapunha o orador baiano a análise objetiva dos fatos : "A verdade nesta époea de ciên cia experimental, proclamava êle, está em que a e\ ohição sociológica é a modifícadora—legítima do direito" (...)

do, que \ai aproximadamente de 1875 a 1893 seria possi\el situá-lo, se não no

"posilR isino". pelo menos cm função do "naturalismo", que, no dizer accrtaclo de Guido de Ruggicro, é uma doutrina es

Dovotíssimo euUü parece, às vêzcs, o do

sencialmente impessoal, mais notável

nobre deputado pela metafísica (sic). S. ex. diz, por exemplo: "As socieda des são capazes; porque governam-se";

como estado dc espírito do que por seu conteúdo original.

Seria fácil reproduzir aqui textos e

o essa cuido ser a base da teoria que

textos dc Rui. contendo entusiásticas re

faz dos analfabetos eleitores.

ferências a Augusto Comte e Litlré, Spencer c Stuart Mill, em irrecusável ccmunhão dc idéias. Lembraremos al

guns dentre os mais eloqüentes, mas, antes, parece-nos necessário ligar certas

Mas a

as sociedades, antes de capazes, não sc

a essa combinação de saber e morali

governam a si mesmas; a ciência e os

dade que constitui o nen'o do adianta

capacidade

dc sua \ida política.

mais ou menos perfeita, de govemarem-

ber o maior, inimigo seria, sem dúvida

Rui Barbam e a filosofia política do

Sü a si mesmas, daí, e só daí lhes resul

nenhuma, o

ta a possibilidade real e o direito de fa

("Obras Completas",

zê-lo. A filosofia de S. ex. inverte, por

282 — Os grifos são nossos). Se, porém, Rui se contrapunha à ideologia de José Bonifácio, ainda ape

século XIX

tanto, os tânnos da realidade".

Em 1879, primeiro ano de seu man

(Rui

ve oportunidade de firmar-se definiti

cias naturais, em que demonstrou a ri

vamente como figura ímpar do parla

fes são nossos).

fisionomia de um século, fazendo crer

no progresso emancipador, fruto do in telecto dominando a natureza. (1). (1) — Como exemplo de sua informa ção atualizada sôbre os avanços da ciên cia. bastaria lembrar o estudo dedicado

ca,

moráveis discursos, dedicado à Refor ma Eleitoral, teve ocasião dc renovar conceitos já expressos no período de sua atividade jornalística na Bahia, assim como no prefácio de "O Papa e o Con cilio", publicado em 1877. E' daquele discurso a crítica acerba à dialética de seu antigo mestre, Jose Bonifácio, o Moço, que, no seu dizer, se perdia em classificações e subclassifi-

percussões da doutrina de Pasteur nos

extremo da rarefação hegeliana, faltan do "ao instrumento uma corda, que a lira não admite; a da investigação prática ,

trio.

Rui

Êle

ideológica ao grau

á

escrutínio

analfabeto".

loc. cit. pág.

gada aos pressupostos do contratualismo não era menos

avesso ao Positivismo quando este aban donava as lindes da filosofia e da ciên

mesmo, logo a seguir, esclarece o seu

cia, para enveredar para os domínios da religião. Ê o que resulta do mais belo

pensamento, mostrando com apoio de Littrc, mestre do Positivismo, que a so berania do povo não envolve uma abdi

tuação liberal", verdadeiro modelo de sobriedade e de realismo político.

cação do saber e da moralidade :

A um aparte de Felício dos Santos, que lhe atribuía uma "educação meta

lavras, há povo que adora • os aos que a

a Osvaldo Cruz, no qual examina as re rinária, da agricultura etc.; assim corrio (I valor da obra do genial cientista pá

atribuída a José Bonifácio,

contrapunha uma outra filosofia.

"Se como S. ex. registrou nessas pa

caçoes, silogizando aristotèlícamente, le

dessa combinação de moralidade e sa

otimista de Rousscau,

Vê-se pois,, que à filosofia metafísi

mento brasileiro. Em um de seus me

vando a abstração

domínios da cirurgia, da medicina vete

mento moderno". Ora, Snr. Presidente,

prática, mais 'ou menos desen\-olvida,

Barbosa — Obras Completas, V. VI, T. I., 1879, pág. 238, 280, 281 - Os gri

sempre bem informado sobre as conquistas gerais que iriam marcar a

leis que regem o desenvolvimento histó- ' rico; não valerá senão enquanto com ela conformar-se, e favorecê-la; não as fa-

vorecerií, senão enquanto de dia em dia

nos estudos das matemáticas e das ciên

temáticas. Ao cont,rário, procurou raan-

telcctual deste século (sic) acaba dc es

boçar assim ; "A soberania do povo, — diz êle, o sábio Littré, — não é onipo tente, nem oniciente; está submetida às

fôr dei.xando espaço maior e influência

dato na Câmara dos Deputados, Rui te

ca desdenhou das pesquisas físico-ma-

nhas escritas ainda este ano, no último

livro seu, mní? dessas cabeças quase di vinas, que assinalam a superioridade fn-

social estabelecem, pelo contrário, que

fidelidade aos ideais do liberalismo, e

queza de seu engenho. Optando pelos estudos jurídicos, nun

"A verdadeira soberania do po\o, a

das democracias livres, é a que, em li

observação bistórica e a lei da evolução

fato;; evidenciam que da

posições teóricas a dadas circunstancias

heraniu popular, exatamente para scr-

dade". A dialética do parlamentar pau

de seus discursos de 1879 sobre "a si

física diversa da sua", o jovem deputa do redarguia :

uma presumida soberania do aplaude os que a seduzem, que a embriagam, cativa-se lisonjeiam, e glovifica os que

das metafísicas é a que casa a Igreja

a atraiçoam, invocando-a, essa não tenta

com Augusto Comte". (loc. cit. pág.

o partido liberal: êle não lisonjeia a so-

161).

"Não sou eu o metafísico. Metafísica


w

m

>

DiríF-STo

l£c:t)N6Mic:o

8:3

Digicstc) Kconómico

82

o "ao lalentu luna intuição; a da reali

reverenciava a lei natural hiimíina, qiu'.

Tão forte t podero.»;;! foi, aliás, a sim

Cícero enaltecera, acolhendo e vivifican-

\i.são cientifica e natiiralistica do uni

clo ensinamentos platônicos, aristotélicos c estóicos : mesmo quando iria ne gar o Direito Natural em nome da Socio logia, a idéia do Direito e do Justo per maneceu em seu espírito comy reflexo

verso c da \ ida, que. durante um perío

"da parte divina ou sublime de nossa natureza". ("Obras Completas" 1874 ~ V. VI, t. I. pág. 129). Espiritualismo cristão e huniani.sino

clássico, eis aí duas forças conjugadas, que jamais deixariam de agir na forma ção mental de Rui, representando como que os centros polarizadores de sua in dividualidade . Das noites baianas de

meditação dos Evangelhos e dos clássi cos, até à "Oração aos Moços" há toda

uma trajetória espiritual, (^ue em vão se tentará arredar do mundo da filosofia. A presença do "Século XIX" sentiua Rui, bem cedo, em sua existência. Não

precisou tornar-se adulto para receber o sentido do tempo. Teve-o, desde lo

go, em sua casa, no exemplo paterno de

\'i-la melhor; scrve-a sem adulá-la, pa

lista, perdida nas "transccndèncias ger

ra não na trair".

mânicas de suas síiUcses". contrapunha o orador baiano a análise objetiva dos fatos : "A verdade nesta époea de ciên cia experimental, proclamava êle, está em que a e\ ohição sociológica é a modifícadora—legítima do direito" (...)

do, que \ai aproximadamente de 1875 a 1893 seria possi\el situá-lo, se não no

"posilR isino". pelo menos cm função do "naturalismo", que, no dizer accrtaclo de Guido de Ruggicro, é uma doutrina es

Dovotíssimo euUü parece, às vêzcs, o do

sencialmente impessoal, mais notável

nobre deputado pela metafísica (sic). S. ex. diz, por exemplo: "As socieda des são capazes; porque governam-se";

como estado dc espírito do que por seu conteúdo original.

Seria fácil reproduzir aqui textos e

o essa cuido ser a base da teoria que

textos dc Rui. contendo entusiásticas re

faz dos analfabetos eleitores.

ferências a Augusto Comte e Litlré, Spencer c Stuart Mill, em irrecusável ccmunhão dc idéias. Lembraremos al

guns dentre os mais eloqüentes, mas, antes, parece-nos necessário ligar certas

Mas a

as sociedades, antes de capazes, não sc

a essa combinação de saber e morali

governam a si mesmas; a ciência e os

dade que constitui o nen'o do adianta

capacidade

dc sua \ida política.

mais ou menos perfeita, de govemarem-

ber o maior, inimigo seria, sem dúvida

Rui Barbam e a filosofia política do

Sü a si mesmas, daí, e só daí lhes resul

nenhuma, o

ta a possibilidade real e o direito de fa

("Obras Completas",

zê-lo. A filosofia de S. ex. inverte, por

282 — Os grifos são nossos). Se, porém, Rui se contrapunha à ideologia de José Bonifácio, ainda ape

século XIX

tanto, os tânnos da realidade".

Em 1879, primeiro ano de seu man

(Rui

ve oportunidade de firmar-se definiti

cias naturais, em que demonstrou a ri

vamente como figura ímpar do parla

fes são nossos).

fisionomia de um século, fazendo crer

no progresso emancipador, fruto do in telecto dominando a natureza. (1). (1) — Como exemplo de sua informa ção atualizada sôbre os avanços da ciên cia. bastaria lembrar o estudo dedicado

ca,

moráveis discursos, dedicado à Refor ma Eleitoral, teve ocasião dc renovar conceitos já expressos no período de sua atividade jornalística na Bahia, assim como no prefácio de "O Papa e o Con cilio", publicado em 1877. E' daquele discurso a crítica acerba à dialética de seu antigo mestre, Jose Bonifácio, o Moço, que, no seu dizer, se perdia em classificações e subclassifi-

percussões da doutrina de Pasteur nos

extremo da rarefação hegeliana, faltan do "ao instrumento uma corda, que a lira não admite; a da investigação prática ,

trio.

Rui

Êle

ideológica ao grau

á

escrutínio

analfabeto".

loc. cit. pág.

gada aos pressupostos do contratualismo não era menos

avesso ao Positivismo quando este aban donava as lindes da filosofia e da ciên

mesmo, logo a seguir, esclarece o seu

cia, para enveredar para os domínios da religião. Ê o que resulta do mais belo

pensamento, mostrando com apoio de Littrc, mestre do Positivismo, que a so berania do povo não envolve uma abdi

tuação liberal", verdadeiro modelo de sobriedade e de realismo político.

cação do saber e da moralidade :

A um aparte de Felício dos Santos, que lhe atribuía uma "educação meta

lavras, há povo que adora • os aos que a

a Osvaldo Cruz, no qual examina as re rinária, da agricultura etc.; assim corrio (I valor da obra do genial cientista pá

atribuída a José Bonifácio,

contrapunha uma outra filosofia.

"Se como S. ex. registrou nessas pa

caçoes, silogizando aristotèlícamente, le

dessa combinação de moralidade e sa

otimista de Rousscau,

Vê-se pois,, que à filosofia metafísi

mento brasileiro. Em um de seus me

vando a abstração

domínios da cirurgia, da medicina vete

mento moderno". Ora, Snr. Presidente,

prática, mais 'ou menos desen\-olvida,

Barbosa — Obras Completas, V. VI, T. I., 1879, pág. 238, 280, 281 - Os gri

sempre bem informado sobre as conquistas gerais que iriam marcar a

leis que regem o desenvolvimento histó- ' rico; não valerá senão enquanto com ela conformar-se, e favorecê-la; não as fa-

vorecerií, senão enquanto de dia em dia

nos estudos das matemáticas e das ciên

temáticas. Ao cont,rário, procurou raan-

telcctual deste século (sic) acaba dc es

boçar assim ; "A soberania do povo, — diz êle, o sábio Littré, — não é onipo tente, nem oniciente; está submetida às

fôr dei.xando espaço maior e influência

dato na Câmara dos Deputados, Rui te

ca desdenhou das pesquisas físico-ma-

nhas escritas ainda este ano, no último

livro seu, mní? dessas cabeças quase di vinas, que assinalam a superioridade fn-

social estabelecem, pelo contrário, que

fidelidade aos ideais do liberalismo, e

queza de seu engenho. Optando pelos estudos jurídicos, nun

"A verdadeira soberania do po\o, a

das democracias livres, é a que, em li

observação bistórica e a lei da evolução

fato;; evidenciam que da

posições teóricas a dadas circunstancias

heraniu popular, exatamente para scr-

dade". A dialética do parlamentar pau

de seus discursos de 1879 sobre "a si

física diversa da sua", o jovem deputa do redarguia :

uma presumida soberania do aplaude os que a seduzem, que a embriagam, cativa-se lisonjeiam, e glovifica os que

das metafísicas é a que casa a Igreja

a atraiçoam, invocando-a, essa não tenta

com Augusto Comte". (loc. cit. pág.

o partido liberal: êle não lisonjeia a so-

161).

"Não sou eu o metafísico. Metafísica


'V

DtcESTo Econômico

Naquela memorável peça oralória, fixa Kui admiràvelmente a sua posição prag

mática, de homem público que so de cido, realidade à vista, acolliondo solu

ções parciais c incompletas, desde que se harmonizam e se disponham segundo a linha de desenvolvimento do todo al

mejado : "Coisa inteiramente diversa de

uma filosofia é a política; sua condi ção é ser prática, ou não ser nada.

A

política radical aspira a plena c completa fruição da liberdade ; mas caminha pa ra lá conquistando sucessivamente as li

berdades possíveis". (...) "Em seme lhante acepção o radicalismo não assus ta; c, pelo contrário, um elemento de

ordem, um principio de paz, um ponto permanente de apoio ao gênio do pro gresso moderado contra os empuxõe.s opostos da reação retrógrada e das exal tações revolucionárias", (loc. eit náí?

157).

■ ^

Dentro desse espírito, proclamava-se ele um radical progresaista, wm eterno revisionista, um adepto da escola, "em cujo programa a inauguração de uma reforma parcial é o começo de uma no

va campanha reformadora", compreen dendo, "em política, o sistema do "tudo gradualmente", e não o de "tudo ou nada", (loc. eit. pág. 158 e 160). Êsses pontos constituirão o nervo da

no absoluto do diiiboiro. oligarquizado

nas grandes concentrações de capital". e O "socialismo igualitário".

Econò.mico

ma lex". assim c-uino à própria sobera nia cio poso. contrapõe u soberania da

lei : "Dura lex, sod lox. Rex sub lege. Sub Icgc libertas.

Omnia snb legc".

(loc. cit., pág. 130).

membros", ponderava o deputado de trinta anos, "a influência direta da agre

(pic a c.ssência do pensamento continua

gação nacional sóbre as suas unidades constitutiva.s. — a verdade, contudo, es

tá em que o princípio elementar de tôda a ciência, de lóda a liberdade, de tôda a inteligência, de tôda a cncrgiR» reside na molécula humana, no indiví duo vigoroso, instruído e livre. Essa es pécie de spinozhmo político, essa "nfltura naiuraivi" social, essa imagem panteí.stica de uma sociedade robusta, li\Te

e sábia, animando um corpo de indiví duos ignorantes, dependentes e fracos, ó uma sutileza de ideólogo", (loc. eit., pág.s. 234 c 279). Daí a sua posição, clara, nítida, cm

face do problema da igualdade : Mas a única igualdade possível, a única igualdade legítima, a única igual dade racional, a única igualdade liberal» a igualdade conforme à democracia não

socialista, não é a igualdade absoluta, o nivelamento, que será sempre a mais opressiva das desigualdades morais, mas

filosofia política de Rui, erroneamente

apresentado como ideólogo puro, perdi

do, em uma proporcionalidade exata, ã

do no mundo das abstx'ações, quando soube ser um reformista pragmático,

desigualdade natural das aptidões"-

colocava entre os dois extremos da me

Díí.i-stí>

"Sem desconhecer a ação o reação recíprocas entre a sociedade e os seus

a igualdade relativa, isto é, a desigual dade .social das condições corresponden

despegado de preconceitos no que tange a formas de governo ou de regimes. Se o seu senso agudo da realidade o

"

(loc. cit. pág. 277 - o grifo é nosso). Para que se barmonizem, porém, H' herdade e igualdade, para que haja igual dade entre homens livres, torna-se ne cessário reconhecer que o direito, como o dever, "prende-se à parte divina ou

tafísica religiosa de Comte e o da ideo logia metafísica de Rousseau, também

sublime de nossa natureza", e, ainda

o faria tomar, em 1879, uma posição de equilíbrio entre a phUocracia, "o gover

mais, que nada poderá se sobrepor à so berania da lei. Ao "salus popuH supre-

^

Relendo a "Oração aos Mü^xjs". vercis

mento.< me convenceu de. que a Munar- ."j quía se cncrustura irrcdutivelmente na resistência à federação".

E' possí\cl que tal apreciação de Rui não entvisiasme os que \ ivein a lhe des

figurar ^ personalidade complexa, sub metendo-a à e.scravidâo de esquemas

rá a nie.sma., Abrandar-se-ão, através da experièneia c dos conflitos sociais, certos

convencionais, como se todo èlc, em tô

exces.sí)s indi\ idualistas; o "social" crescerá no horizonte cie sua visualiclaclr

sido mais que um personagem enquadra-

jíirídica. mas permanecerá sempre o ju venil reconhecimento da lei moral equi

cismo.

librando os impulsos da lilicrclacle e da

igualdade: "A regra da igualdade não consiste senão em (juinhoar desigual

mente aos cle.siguais, nu medida cm que so desigualam. Nesta desigualdade soc-ial, proporcionada à desigualdade na tural, é cpic SC acha a \ erdadeira lei da igualdade. O mais são desvnrios da in

veja, do orgulho ou da loucura", (cfr. "Oração aos Moços").

Pragmatismo político de Rui Já notamos na mentalidade dc Rui a

idéia de que a sua época era marcada pelo signo da ciência, pelo primado dos fatos. Sua formação positiva implicava em uma atitude de reser\a ante certos

contrastes

que a outros pareciam es

senciais, tais cKDmo os debates sobre as

vantagens teóricas da Monarquia ou da República,

do Presidencialismo ou do

da a sua agitada e.vistència, não tivesse do na conclusão de um iniiitá\el silo-

Querem, a lodo transe, apresentá-lo "í» como um dogmático, perdido no num- • 4 do das fórmulas jurídica forjadas na Jn- ^ glatérra ou na América do Norte. Ainda J

iiá pouco, eminente sociólogo pátrio rimbrou em representá-lo como um ser dis- J tanciado de nosso meio. c.Kilado dc no.s-

.sa autentica vida social c econômica.

(4

Na realidade, porém, èle foi um cs- ^ ludioso de idéias c de fatos; muit.is ver

dades, que se pretende lançar contra èlc, foram encontradas cm sua própria bagagem...

Disseram, por exemplo, que, ao pre tender transplantar para o Brasil o fede ralismo ianque, nác atentara à diversi

è

dade histórica das duas formações na

cionais: à dos horte-amcricanos, proce.s.sada a partir de colônias distintas recém-emancipaclas, gradatú amente uni das através de laços de confederação e de federação; a nossa, marcando proces

formas de governo como meros instru

so inverso, com a ruptura e a discrimi nação federalista de uma unidade histó

mentos mais ou menos aptos à realiza

rica, que o Império gloriosamente con

ção dos interôsses do país, segundo mu táveis conjunturas históricas. "Eu era

solidara...

Parlamentarismo;

preferia cuidar das

Quem conhece a obra de Rui, quem

federalista, antes do ser republicano", proclamará êle, por exemplo, em 1890. "Não me fiz republicano senão quando

tanto, que ninguém teve senso tão se

a evidência

guro da solução federalista para o meio

irrefragável dos aconteci-

,

e.xamina a sua prodigiosa atuação nos

primórdios da República, sabe, no en

J


'V

DtcESTo Econômico

Naquela memorável peça oralória, fixa Kui admiràvelmente a sua posição prag

mática, de homem público que so de cido, realidade à vista, acolliondo solu

ções parciais c incompletas, desde que se harmonizam e se disponham segundo a linha de desenvolvimento do todo al

mejado : "Coisa inteiramente diversa de

uma filosofia é a política; sua condi ção é ser prática, ou não ser nada.

A

política radical aspira a plena c completa fruição da liberdade ; mas caminha pa ra lá conquistando sucessivamente as li

berdades possíveis". (...) "Em seme lhante acepção o radicalismo não assus ta; c, pelo contrário, um elemento de

ordem, um principio de paz, um ponto permanente de apoio ao gênio do pro gresso moderado contra os empuxõe.s opostos da reação retrógrada e das exal tações revolucionárias", (loc. eit náí?

157).

■ ^

Dentro desse espírito, proclamava-se ele um radical progresaista, wm eterno revisionista, um adepto da escola, "em cujo programa a inauguração de uma reforma parcial é o começo de uma no

va campanha reformadora", compreen dendo, "em política, o sistema do "tudo gradualmente", e não o de "tudo ou nada", (loc. eit. pág. 158 e 160). Êsses pontos constituirão o nervo da

no absoluto do diiiboiro. oligarquizado

nas grandes concentrações de capital". e O "socialismo igualitário".

Econò.mico

ma lex". assim c-uino à própria sobera nia cio poso. contrapõe u soberania da

lei : "Dura lex, sod lox. Rex sub lege. Sub Icgc libertas.

Omnia snb legc".

(loc. cit., pág. 130).

membros", ponderava o deputado de trinta anos, "a influência direta da agre

(pic a c.ssência do pensamento continua

gação nacional sóbre as suas unidades constitutiva.s. — a verdade, contudo, es

tá em que o princípio elementar de tôda a ciência, de lóda a liberdade, de tôda a inteligência, de tôda a cncrgiR» reside na molécula humana, no indiví duo vigoroso, instruído e livre. Essa es pécie de spinozhmo político, essa "nfltura naiuraivi" social, essa imagem panteí.stica de uma sociedade robusta, li\Te

e sábia, animando um corpo de indiví duos ignorantes, dependentes e fracos, ó uma sutileza de ideólogo", (loc. eit., pág.s. 234 c 279). Daí a sua posição, clara, nítida, cm

face do problema da igualdade : Mas a única igualdade possível, a única igualdade legítima, a única igual dade racional, a única igualdade liberal» a igualdade conforme à democracia não

socialista, não é a igualdade absoluta, o nivelamento, que será sempre a mais opressiva das desigualdades morais, mas

filosofia política de Rui, erroneamente

apresentado como ideólogo puro, perdi

do, em uma proporcionalidade exata, ã

do no mundo das abstx'ações, quando soube ser um reformista pragmático,

desigualdade natural das aptidões"-

colocava entre os dois extremos da me

Díí.i-stí>

"Sem desconhecer a ação o reação recíprocas entre a sociedade e os seus

a igualdade relativa, isto é, a desigual dade .social das condições corresponden

despegado de preconceitos no que tange a formas de governo ou de regimes. Se o seu senso agudo da realidade o

"

(loc. cit. pág. 277 - o grifo é nosso). Para que se barmonizem, porém, H' herdade e igualdade, para que haja igual dade entre homens livres, torna-se ne cessário reconhecer que o direito, como o dever, "prende-se à parte divina ou

tafísica religiosa de Comte e o da ideo logia metafísica de Rousseau, também

sublime de nossa natureza", e, ainda

o faria tomar, em 1879, uma posição de equilíbrio entre a phUocracia, "o gover

mais, que nada poderá se sobrepor à so berania da lei. Ao "salus popuH supre-

^

Relendo a "Oração aos Mü^xjs". vercis

mento.< me convenceu de. que a Munar- ."j quía se cncrustura irrcdutivelmente na resistência à federação".

E' possí\cl que tal apreciação de Rui não entvisiasme os que \ ivein a lhe des

figurar ^ personalidade complexa, sub metendo-a à e.scravidâo de esquemas

rá a nie.sma., Abrandar-se-ão, através da experièneia c dos conflitos sociais, certos

convencionais, como se todo èlc, em tô

exces.sí)s indi\ idualistas; o "social" crescerá no horizonte cie sua visualiclaclr

sido mais que um personagem enquadra-

jíirídica. mas permanecerá sempre o ju venil reconhecimento da lei moral equi

cismo.

librando os impulsos da lilicrclacle e da

igualdade: "A regra da igualdade não consiste senão em (juinhoar desigual

mente aos cle.siguais, nu medida cm que so desigualam. Nesta desigualdade soc-ial, proporcionada à desigualdade na tural, é cpic SC acha a \ erdadeira lei da igualdade. O mais são desvnrios da in

veja, do orgulho ou da loucura", (cfr. "Oração aos Moços").

Pragmatismo político de Rui Já notamos na mentalidade dc Rui a

idéia de que a sua época era marcada pelo signo da ciência, pelo primado dos fatos. Sua formação positiva implicava em uma atitude de reser\a ante certos

contrastes

que a outros pareciam es

senciais, tais cKDmo os debates sobre as

vantagens teóricas da Monarquia ou da República,

do Presidencialismo ou do

da a sua agitada e.vistència, não tivesse do na conclusão de um iniiitá\el silo-

Querem, a lodo transe, apresentá-lo "í» como um dogmático, perdido no num- • 4 do das fórmulas jurídica forjadas na Jn- ^ glatérra ou na América do Norte. Ainda J

iiá pouco, eminente sociólogo pátrio rimbrou em representá-lo como um ser dis- J tanciado de nosso meio. c.Kilado dc no.s-

.sa autentica vida social c econômica.

(4

Na realidade, porém, èle foi um cs- ^ ludioso de idéias c de fatos; muit.is ver

dades, que se pretende lançar contra èlc, foram encontradas cm sua própria bagagem...

Disseram, por exemplo, que, ao pre tender transplantar para o Brasil o fede ralismo ianque, nác atentara à diversi

è

dade histórica das duas formações na

cionais: à dos horte-amcricanos, proce.s.sada a partir de colônias distintas recém-emancipaclas, gradatú amente uni das através de laços de confederação e de federação; a nossa, marcando proces

formas de governo como meros instru

so inverso, com a ruptura e a discrimi nação federalista de uma unidade histó

mentos mais ou menos aptos à realiza

rica, que o Império gloriosamente con

ção dos interôsses do país, segundo mu táveis conjunturas históricas. "Eu era

solidara...

Parlamentarismo;

preferia cuidar das

Quem conhece a obra de Rui, quem

federalista, antes do ser republicano", proclamará êle, por exemplo, em 1890. "Não me fiz republicano senão quando

tanto, que ninguém teve senso tão se

a evidência

guro da solução federalista para o meio

irrefragável dos aconteci-

,

e.xamina a sua prodigiosa atuação nos

primórdios da República, sabe, no en

J


Dlí.J.sTO KfOSÓNflCO

Ijrasileiro, enquadrando-a Jio sistema dc

DiGESTd

rantidores da liberdade indi\idaal.

nossas realidades geográficas, econômi

mais, ditassem os fatos as soluçõe.s mais

cas e históricas. No discurso proferido

convenientes.

no Congresso Nacional, a 16 de dezem

tres britânicos, dirá êle em 1896. apren

bro de 1890, esclarecia élc, com irretorcjuível segurança, a nalurcTit de seu "fe deralismo", tendo sido o primeiro a

em matéria de formas de govêrno, a ver

apontar a mencionada diferença entre o processo histórico do federalismo no

de falo as melhores Repúblicas e que, na realidade, as Repúblicas aparentes

Brasil e na América do Norte, para cha

são muitas vêzes as piores tiranias..." ("Cartas da Inglaterra", 1896 — "Obras

mar a atenção dos "teoristas", para quem não havia "federação que bastas se", reclamando Estados soberanos em

uma União espoliada, "verdadeira mi

séria orgânica", simples "resto" na es trutura do organismo nacional. Se a unidade nacional teve um cam

peão em 1889, foi êle. Rui, o lidador

intemerato na defesa das prerrogativas da União, cuja força punha como condi ção da força dos Estados. O seu fede ralismo não resultava, pois, de abstra ções emprestadas, mas de uma visão

objetiva de nossos problemas, somente

solúveis mediante a autonomia das pro víncias. Os próprios municípios, obser vava o nosso estadista, só passariam a

Na convivência dos mes

tc clás,sic;i da IU'\ista dc Língua Portu guesa.. \*. I, 1920, 2.^ cd. pág. 195).

dera "a não ter preferências abstratas Espirite científico c positividadc

que as Monarquias nominais podem ser As dorixações (pit- fizemos para o plano de iios.sa história política serviram-

narquia e nos priniórdios da República.

cilio" acreditava na ciência e era cm

nome dela e, não em virtude de funda

cas c de declarada preferência pelas lições dos fatos levam-no.s a indagar se elas encontravam unia correspondência no plano das idéias gerais, ou melhor,

Ès.so estado do espírito IraduzJa uma

formação mental naturalista, que iria sofrer crescente evolução no sentido do

compreensão da alma humana, que re conhecia a precariedade do homem c

espiritualismo em geral e do ospiritua-

dc suas obras.

so se enquadravam harmónicuniente no quadro de uma cultura filosófica. Pa

li.smo católico afinal. "O absoluto — dizia êle em 1879 —

rece-nos lícito e necc.ssárlo responder

para; como, porque, na ordem real

afirmativamente.

deste mundo, c especialmente no govêr

dos sôbre a reforma do ensino.

Tão nobre e marcante foi o apêgo de

Rui aos princípios consagradores da li berdade individual; de tal cunbo de apostolado se revestiu a sua atividade

como pedagogo dos princípios do libera

lismo e da democracia, que tem ficado em eclipse o sentido objetivo, concreto, realista e pragmático cie sua conduta

não concilia; pelo contrário, irrita e se

no dos homens, o absoluto é necessària-

mente falso". ("Obras Completas"; \'I.

í. 1, pág. 131). Essa tendência conciliatória no plano das idéias seria uma constante, quase

adaptável a todos os costumes, a todas

lidade. A admiração acrílica tran.sfor-

as fases de civilização, a todos os ramos

"A filosofia subordina o universo a

mou-o em um ídolo, e os ídolos can sam. Preferimos vê-lo como foi efeti

nistração local necessita de variar tam bém ilimitadamente..." (Artigo "Diário de Notícias", de 1889).

no

Quem queira ter um exemplo exato das com ic^ws de Rui, na primeira fase dc sua formação, deve buscá-lo nos mo numentais "Pareceres" por êle elabora

ó o mesmo motivo que volta à sua pena, com um travo de amargura:

um meio moral variáveis na mais in definida escala, — o regime de admi

choques violentos com a Religião Posi-

de Rui Barbosa no período final da Mo

tória. Com isso nada tem lucrado a compreensão autêntica de sua persona

da atividade humana, um meio físico e

ra desde a mocidade até a madureza

dos quarenta anos. Antes da crise revolucionária e de seus

Completas", Vol. XXIII, t. I, pág. 166). Ora, esta e outras atitudes pragmáti

em momentos decisivos de nossa his

todos os relevos do solo, uma natureza

■ J:\ então estava Rui em plena fase de superamento daquele naturalismo mi tigado de teísmo xngo, que o distingui

tna. encastelada nos quadros da Repú blica, o tradutor de "O Papa e o Con

no.'; para ino.strar o estado clc espírito

que paradoxal, nesse homem heròicamento inflexível no plano das idéias. Em 1895, quando o vendaval revolu cionário o relega à meditação do exílio,

ter real autonomia quando se aten desse às diversidades regionais. "Num país, com todas as zonas, todos os cli mas, todas as constituições geológicas,

87

Econômico

No

vamente, rico de experiências e dê con

tradições, mergulhado na aspereza da possibilidade humana, sem esquecermos a sua lição magnífica sôbre o sentido frio e precário dos bustos e das estátuas,

Espírito positivo, buscava encontrar a linha de equilíbrio ditada pela conver

a petrificação de um. vulto humano que não nos fala à alma. (cfr. "Discurso

gência das forças, só reconhecendo im perativos indeclináveis nos princípios ga-

na Biblioteca Nacional", por ocasião das festas do jubileu cívico, in "Estan-

um complicado sistema de leis, em que o tino dos intérpretes a cada passo se

desorienta.

Mas as contradições pulu

lam na face da natureza, como na cons

ciência do homem; e os que governam,

op que hão de governar sempre o mun

Naquelas páginas, escritas em 1882 e 1883, proclamava êle o primado da ciên cia. reclamando se lhe restítuísse o lugar preponderante na educação das novas gerações: "todo o futuro de nossa espéde, todo o governo das sociedades,

asseverax'a. tôda a prosperidade moral c material das nações dependem da ciência como a rida do homem depen de do ar. Ora, a ciência é toda observa

ção, tôda exaüdão, tòda verificação ex

perimentar. ("Obras Completas-, v.

IX, t, 1, pág. 36). Em nome da ciência e do método

experimental, erguia-se contra o ensino , exclusivamente literário e livresco, com a elaboração gradual de uma naciona-

lidado sem x'igor, nutrida de palams e abstrações, com uma mocidade destituí

do, não são os rigoristas da lógica, mas os oportunistas da inconsequência. A arte de ti-ansação, a que se reduz toda a sabedoria da política e todo o segredo

"discorrer magistralmente (?) de altas

da vida, não vem a ser, afinal, outra

questõe.ç metafísicas, bem como de sus

cousa." ("Cartas da Inglaterra", \'. cit.,

tentar, com tôdas as sutilezas da lógica

pág. 174).

da dos mais elementares conhecimentos de física ou de química, mas capaz de


Dlí.J.sTO KfOSÓNflCO

Ijrasileiro, enquadrando-a Jio sistema dc

DiGESTd

rantidores da liberdade indi\idaal.

nossas realidades geográficas, econômi

mais, ditassem os fatos as soluçõe.s mais

cas e históricas. No discurso proferido

convenientes.

no Congresso Nacional, a 16 de dezem

tres britânicos, dirá êle em 1896. apren

bro de 1890, esclarecia élc, com irretorcjuível segurança, a nalurcTit de seu "fe deralismo", tendo sido o primeiro a

em matéria de formas de govêrno, a ver

apontar a mencionada diferença entre o processo histórico do federalismo no

de falo as melhores Repúblicas e que, na realidade, as Repúblicas aparentes

Brasil e na América do Norte, para cha

são muitas vêzes as piores tiranias..." ("Cartas da Inglaterra", 1896 — "Obras

mar a atenção dos "teoristas", para quem não havia "federação que bastas se", reclamando Estados soberanos em

uma União espoliada, "verdadeira mi

séria orgânica", simples "resto" na es trutura do organismo nacional. Se a unidade nacional teve um cam

peão em 1889, foi êle. Rui, o lidador

intemerato na defesa das prerrogativas da União, cuja força punha como condi ção da força dos Estados. O seu fede ralismo não resultava, pois, de abstra ções emprestadas, mas de uma visão

objetiva de nossos problemas, somente

solúveis mediante a autonomia das pro víncias. Os próprios municípios, obser vava o nosso estadista, só passariam a

Na convivência dos mes

tc clás,sic;i da IU'\ista dc Língua Portu guesa.. \*. I, 1920, 2.^ cd. pág. 195).

dera "a não ter preferências abstratas Espirite científico c positividadc

que as Monarquias nominais podem ser As dorixações (pit- fizemos para o plano de iios.sa história política serviram-

narquia e nos priniórdios da República.

cilio" acreditava na ciência e era cm

nome dela e, não em virtude de funda

cas c de declarada preferência pelas lições dos fatos levam-no.s a indagar se elas encontravam unia correspondência no plano das idéias gerais, ou melhor,

Ès.so estado do espírito IraduzJa uma

formação mental naturalista, que iria sofrer crescente evolução no sentido do

compreensão da alma humana, que re conhecia a precariedade do homem c

espiritualismo em geral e do ospiritua-

dc suas obras.

so se enquadravam harmónicuniente no quadro de uma cultura filosófica. Pa

li.smo católico afinal. "O absoluto — dizia êle em 1879 —

rece-nos lícito e necc.ssárlo responder

para; como, porque, na ordem real

afirmativamente.

deste mundo, c especialmente no govêr

dos sôbre a reforma do ensino.

Tão nobre e marcante foi o apêgo de

Rui aos princípios consagradores da li berdade individual; de tal cunbo de apostolado se revestiu a sua atividade

como pedagogo dos princípios do libera

lismo e da democracia, que tem ficado em eclipse o sentido objetivo, concreto, realista e pragmático cie sua conduta

não concilia; pelo contrário, irrita e se

no dos homens, o absoluto é necessària-

mente falso". ("Obras Completas"; \'I.

í. 1, pág. 131). Essa tendência conciliatória no plano das idéias seria uma constante, quase

adaptável a todos os costumes, a todas

lidade. A admiração acrílica tran.sfor-

as fases de civilização, a todos os ramos

"A filosofia subordina o universo a

mou-o em um ídolo, e os ídolos can sam. Preferimos vê-lo como foi efeti

nistração local necessita de variar tam bém ilimitadamente..." (Artigo "Diário de Notícias", de 1889).

no

Quem queira ter um exemplo exato das com ic^ws de Rui, na primeira fase dc sua formação, deve buscá-lo nos mo numentais "Pareceres" por êle elabora

ó o mesmo motivo que volta à sua pena, com um travo de amargura:

um meio moral variáveis na mais in definida escala, — o regime de admi

choques violentos com a Religião Posi-

de Rui Barbosa no período final da Mo

tória. Com isso nada tem lucrado a compreensão autêntica de sua persona

da atividade humana, um meio físico e

ra desde a mocidade até a madureza

dos quarenta anos. Antes da crise revolucionária e de seus

Completas", Vol. XXIII, t. I, pág. 166). Ora, esta e outras atitudes pragmáti

em momentos decisivos de nossa his

todos os relevos do solo, uma natureza

■ J:\ então estava Rui em plena fase de superamento daquele naturalismo mi tigado de teísmo xngo, que o distingui

tna. encastelada nos quadros da Repú blica, o tradutor de "O Papa e o Con

no.'; para ino.strar o estado clc espírito

que paradoxal, nesse homem heròicamento inflexível no plano das idéias. Em 1895, quando o vendaval revolu cionário o relega à meditação do exílio,

ter real autonomia quando se aten desse às diversidades regionais. "Num país, com todas as zonas, todos os cli mas, todas as constituições geológicas,

87

Econômico

No

vamente, rico de experiências e dê con

tradições, mergulhado na aspereza da possibilidade humana, sem esquecermos a sua lição magnífica sôbre o sentido frio e precário dos bustos e das estátuas,

Espírito positivo, buscava encontrar a linha de equilíbrio ditada pela conver

a petrificação de um. vulto humano que não nos fala à alma. (cfr. "Discurso

gência das forças, só reconhecendo im perativos indeclináveis nos princípios ga-

na Biblioteca Nacional", por ocasião das festas do jubileu cívico, in "Estan-

um complicado sistema de leis, em que o tino dos intérpretes a cada passo se

desorienta.

Mas as contradições pulu

lam na face da natureza, como na cons

ciência do homem; e os que governam,

op que hão de governar sempre o mun

Naquelas páginas, escritas em 1882 e 1883, proclamava êle o primado da ciên cia. reclamando se lhe restítuísse o lugar preponderante na educação das novas gerações: "todo o futuro de nossa espéde, todo o governo das sociedades,

asseverax'a. tôda a prosperidade moral c material das nações dependem da ciência como a rida do homem depen de do ar. Ora, a ciência é toda observa

ção, tôda exaüdão, tòda verificação ex

perimentar. ("Obras Completas-, v.

IX, t, 1, pág. 36). Em nome da ciência e do método

experimental, erguia-se contra o ensino , exclusivamente literário e livresco, com a elaboração gradual de uma naciona-

lidado sem x'igor, nutrida de palams e abstrações, com uma mocidade destituí

do, não são os rigoristas da lógica, mas os oportunistas da inconsequência. A arte de ti-ansação, a que se reduz toda a sabedoria da política e todo o segredo

"discorrer magistralmente (?) de altas

da vida, não vem a ser, afinal, outra

questõe.ç metafísicas, bem como de sus

cousa." ("Cartas da Inglaterra", \'. cit.,

tentar, com tôdas as sutilezas da lógica

pág. 174).

da dos mais elementares conhecimentos de física ou de química, mas capaz de


Í)ií;pstíí

Dxcestü

89

póteses mais inverificáveis sôbie a exis

concluía: "E nós, que vemos defendida,

tência do incognoscível". (loc. cit. póg.

no grêmio do Positivismo, pclu eminente

37).

continuador de Comtc. a interferência

Declarando urgir libertar a ciência das

restrições da teologia, sustentava que o Estado só podia c devia auxiliar as ciên-

do Estado na instrução nacional, uáe podenioi- exilar uin instante (sic) ein

pedir a rcconslituição do organismo, que

cia.s da realidade adstritas a um Cínico

o devo habilitar a satisfa/« r eficazinenl"*

• limite: o do inverificÚAel. "Da condição

essa missão civilizadora". (Op. cit. v. X. l. 1, pág. 89).

essencial à ciência é o não obedecer a

concepções "a priori". duvidar do que não esteja melòdicainente averiguado,

; e só adotar a realidade verificada .segun'de os preceitos da lógica experimental", (jüc. cit. pág. 47). Os mencionados "Pareceres" adubem

. exemplos e mais exemplos para evidenciar a necessidade e a exequibilidade do . ensino positivo c integral desde a aula

primária:"O princípio do ensino integral, afirmava Rui, entrevisto pelo alto enge nho de Rabelais e formulado pela filoso fia positiva (note-se) é o norte a que deve tender a reorganização da escola.

O indivíduo é apenas uma condensação da humanidade; releva, portanto, juntar r

EcO.N<í>>flCO

na composição do seu espirito os elemen

tos essenciais que concorreram no pro cesso liistórico do desenvolvimento geral do espírito humano". ("Obras Comple tas," V. X t. 2 pág. 57). Mais não seria necessário acrescentar

para demonstrar como o parlamentar do Império estava integrado nas idéias ba.silare.s da Escola Positiva, "á qual tanto

já devia a humanidade", (cfv. "Obras Completas", v. IX, t. I, pág. 38). Significativa no.s "Pareceres" sobre o

Quem não hesitava um instante ao ver

suas idéias assentes no grèipiü positivi.sla, era o mesmo ({iic pregava a rigo rosa universalidade da cciucação intelec

tual c moral, ao mcsrno tempo, como um princípio formulado por Augusto Comte para a clvilizuçãf) moderna com a preci

P!(:ON<SMlf:0

henfcitiire.s da civilização". (Op. cit.. V. IX. t. 2. pág. 200. Os grifo.s são

perior, em todo o seu trabalho, está em substituir a ideologia, isto é, o culto

IIOS.SOS ).

tia abstração da frase o da hipótese, , pelos resultados da investigação expe- ■

rara não no.», alongarmos, divemos que

lios pre.ssnpostos do ordom gorai, já exa-

rimenlal. do método cientifico."

ininad.Js. inforla Rui conscipiêneias de alto alcanco, máximo no (pic diz r<'speito Considerando "o sabor positivo norte dc lòrlas as reformas progrcssi.sta.s do

Se o que se impõe ê o estudo da lei da "justa eficiência" que rege a socie- ■ dadv^ dos homens, ou, por outras pala- ' vras, a lei reguladora das ações legíliuns • dos indivíduos, pessoal ou coletivamente

«nsinn", o futuro Consolboivo do Im

considerado.^, a fórmula civilizadora não v

pério lembrava que o "[irimeiro caráter

podia ser revelada pela Escoláslica. "que ^ engenha (uma natureza) dc idéias "a

à missão r ao onsino da Filosofia.

do saber positivo ó :i comproonsão da <ontingònoia variável do.s tempos c a

inteligência da relatividade ilas cousas bumana.s". ((^p. eil. v. X, t.""!. pág. 93 o segs.). O ensino oficial da

b'ilosofia devia,

priori", c assenta cm deduções .sutis,

eloqüentes, mas inverificáveis'. A naiw reza efetiva das cousa.s .sociais sò pode-

ria ser atingida através da rigorosa

aplicação do método histórico e dos da

são e a força de sua alta capacidade

por conseguinte, limitar-se ao estudo da

dos científicos e mesológicos. segundo

matemática. (Op. cit. v, ÍX, t. 1. páv.

história da.s idéias, sistema.s e escolas e

"o princípio de progresso social, que

ao exame crítico da.s divcr.sas correntes,

Comte enunciou, e é a determinante de

com preferência pelas' conclusões susce tíveis do verificação experimental: "O que o programa oficial desta disciplina (da Filosofia) pode indicar, esclarece o deputado, é a história da evolução filo sófica, a apreciação crítica da influên

todos os deveres, pelo único meio de aferição de que a ciência dispõe: o da relação visível das coisas; o da obser

153).

Sc dúvidas ainda pairassem sobre iUs

simpatias de Rui Barbosa pela Escola Positivista, no período prc-rcpublicano. ba.staria lembrar estas palavras, escri tas a propósito do um estudo publi

cado na revista "Philosopliic Po.sitive": • • . compreende-se que o Posili\ismo, longe de ser uma .solta estéril, ou uni eatccismo de fórmulas abstratas, pode

ria bem alimentar aspirações aos foros de uma vasta filosofia da realidade, útil aos homens de governo como aos homens da ciência," (Op. cit. v. X, t. I, pág. 95).

Em certas passagens chega-se mesmo a notar a influencia em Rui, não ape nas do Positivismo como filosofia da

realidade, mas, outrossim, do Positivismo

ensino é a preocupação de Rui de fun damentar seus pontos de \ ista nos men tores do positivismo. Sustentando, por exemplo, a necessidade do ensino uni

como religião da humanidade. Expressi vas são estas palavras proferidas na con

versitário oficial, folgava poder contrapor à opinião de Comte a mais recente de

apenas, esta época, em quase plena rea lidade já boje: a do reconhecimetxto re

Litírc, ía\orável, à ação do Estado, (•

ligioso (sic) do gênero humano para os

ferência comemorativa do Marquês de Pombal: "A filosofia anunciava, ontem

cia de cada escola, o conhecimento das

bases da apologia de cada .sistema, a

vação real dos fatos; o da sucessão na tural das causas e efeitos. Eis a base

da sociologia, enquanto o Direito Natu ral se procura firmar numa natureza,

que a História não descobre em época

separação entre a parte dessas idéias,

nenhuma, cm nenhum ajuntamento de

que a verificação experimental tem con

criaturas pensantes. Ao Direito Natural, pois, que é a metafísica, antepomos a

firmado, e a que pertence ao domínio exlra-científico da metafísica o dos sen

Sociologia..."

timentos pc.ssoai.s do .sistemático ou do

1, pág. 106). Embora afirmando reitevadamentc a

crente." (Obras Completas, v. IX, t. I, pág. 189 e seg.).

t

(Op'

soberania da lei, c que a lei.^ como ex

No concernente ao estudo da Filo.sofla

pressão do justo, se prende "a parle di

do Direito em nos.sos cursos jurídicos,

vina da natureza humana", Rui prefe

não menos positiva se mo.slra a orienta

ção de Rui, ao tomar posição contra o

ria conhccê-la, nessa fase de sua evo lução mental, com os recursos múltiplos

ensino do Direito Natural, que preten

das ciências positivas c da Sociologia.

de ver substituído pelo da Sociologia:

Por tudo isso se conclui que Rui Bar-

"O pensamento da Comissão, — reza o

Ijosa esteve integrado no que havia de à

Parecer sóbre a reforma do ensino su

essencial nas correntes naturalistas e, de \

'i-|- .1tfitfm ifi ■••-'n-r IIfc 1 lU rú I • ti I 1


Í)ií;pstíí

Dxcestü

89

póteses mais inverificáveis sôbie a exis

concluía: "E nós, que vemos defendida,

tência do incognoscível". (loc. cit. póg.

no grêmio do Positivismo, pclu eminente

37).

continuador de Comtc. a interferência

Declarando urgir libertar a ciência das

restrições da teologia, sustentava que o Estado só podia c devia auxiliar as ciên-

do Estado na instrução nacional, uáe podenioi- exilar uin instante (sic) ein

pedir a rcconslituição do organismo, que

cia.s da realidade adstritas a um Cínico

o devo habilitar a satisfa/« r eficazinenl"*

• limite: o do inverificÚAel. "Da condição

essa missão civilizadora". (Op. cit. v. X. l. 1, pág. 89).

essencial à ciência é o não obedecer a

concepções "a priori". duvidar do que não esteja melòdicainente averiguado,

; e só adotar a realidade verificada .segun'de os preceitos da lógica experimental", (jüc. cit. pág. 47). Os mencionados "Pareceres" adubem

. exemplos e mais exemplos para evidenciar a necessidade e a exequibilidade do . ensino positivo c integral desde a aula

primária:"O princípio do ensino integral, afirmava Rui, entrevisto pelo alto enge nho de Rabelais e formulado pela filoso fia positiva (note-se) é o norte a que deve tender a reorganização da escola.

O indivíduo é apenas uma condensação da humanidade; releva, portanto, juntar r

EcO.N<í>>flCO

na composição do seu espirito os elemen

tos essenciais que concorreram no pro cesso liistórico do desenvolvimento geral do espírito humano". ("Obras Comple tas," V. X t. 2 pág. 57). Mais não seria necessário acrescentar

para demonstrar como o parlamentar do Império estava integrado nas idéias ba.silare.s da Escola Positiva, "á qual tanto

já devia a humanidade", (cfv. "Obras Completas", v. IX, t. I, pág. 38). Significativa no.s "Pareceres" sobre o

Quem não hesitava um instante ao ver

suas idéias assentes no grèipiü positivi.sla, era o mesmo ({iic pregava a rigo rosa universalidade da cciucação intelec

tual c moral, ao mcsrno tempo, como um princípio formulado por Augusto Comte para a clvilizuçãf) moderna com a preci

P!(:ON<SMlf:0

henfcitiire.s da civilização". (Op. cit.. V. IX. t. 2. pág. 200. Os grifo.s são

perior, em todo o seu trabalho, está em substituir a ideologia, isto é, o culto

IIOS.SOS ).

tia abstração da frase o da hipótese, , pelos resultados da investigação expe- ■

rara não no.», alongarmos, divemos que

lios pre.ssnpostos do ordom gorai, já exa-

rimenlal. do método cientifico."

ininad.Js. inforla Rui conscipiêneias de alto alcanco, máximo no (pic diz r<'speito Considerando "o sabor positivo norte dc lòrlas as reformas progrcssi.sta.s do

Se o que se impõe ê o estudo da lei da "justa eficiência" que rege a socie- ■ dadv^ dos homens, ou, por outras pala- ' vras, a lei reguladora das ações legíliuns • dos indivíduos, pessoal ou coletivamente

«nsinn", o futuro Consolboivo do Im

considerado.^, a fórmula civilizadora não v

pério lembrava que o "[irimeiro caráter

podia ser revelada pela Escoláslica. "que ^ engenha (uma natureza) dc idéias "a

à missão r ao onsino da Filosofia.

do saber positivo ó :i comproonsão da <ontingònoia variável do.s tempos c a

inteligência da relatividade ilas cousas bumana.s". ((^p. eil. v. X, t.""!. pág. 93 o segs.). O ensino oficial da

b'ilosofia devia,

priori", c assenta cm deduções .sutis,

eloqüentes, mas inverificáveis'. A naiw reza efetiva das cousa.s .sociais sò pode-

ria ser atingida através da rigorosa

aplicação do método histórico e dos da

são e a força de sua alta capacidade

por conseguinte, limitar-se ao estudo da

dos científicos e mesológicos. segundo

matemática. (Op. cit. v, ÍX, t. 1. páv.

história da.s idéias, sistema.s e escolas e

"o princípio de progresso social, que

ao exame crítico da.s divcr.sas correntes,

Comte enunciou, e é a determinante de

com preferência pelas' conclusões susce tíveis do verificação experimental: "O que o programa oficial desta disciplina (da Filosofia) pode indicar, esclarece o deputado, é a história da evolução filo sófica, a apreciação crítica da influên

todos os deveres, pelo único meio de aferição de que a ciência dispõe: o da relação visível das coisas; o da obser

153).

Sc dúvidas ainda pairassem sobre iUs

simpatias de Rui Barbosa pela Escola Positivista, no período prc-rcpublicano. ba.staria lembrar estas palavras, escri tas a propósito do um estudo publi

cado na revista "Philosopliic Po.sitive": • • . compreende-se que o Posili\ismo, longe de ser uma .solta estéril, ou uni eatccismo de fórmulas abstratas, pode

ria bem alimentar aspirações aos foros de uma vasta filosofia da realidade, útil aos homens de governo como aos homens da ciência," (Op. cit. v. X, t. I, pág. 95).

Em certas passagens chega-se mesmo a notar a influencia em Rui, não ape nas do Positivismo como filosofia da

realidade, mas, outrossim, do Positivismo

ensino é a preocupação de Rui de fun damentar seus pontos de \ ista nos men tores do positivismo. Sustentando, por exemplo, a necessidade do ensino uni

como religião da humanidade. Expressi vas são estas palavras proferidas na con

versitário oficial, folgava poder contrapor à opinião de Comte a mais recente de

apenas, esta época, em quase plena rea lidade já boje: a do reconhecimetxto re

Litírc, ía\orável, à ação do Estado, (•

ligioso (sic) do gênero humano para os

ferência comemorativa do Marquês de Pombal: "A filosofia anunciava, ontem

cia de cada escola, o conhecimento das

bases da apologia de cada .sistema, a

vação real dos fatos; o da sucessão na tural das causas e efeitos. Eis a base

da sociologia, enquanto o Direito Natu ral se procura firmar numa natureza,

que a História não descobre em época

separação entre a parte dessas idéias,

nenhuma, cm nenhum ajuntamento de

que a verificação experimental tem con

criaturas pensantes. Ao Direito Natural, pois, que é a metafísica, antepomos a

firmado, e a que pertence ao domínio exlra-científico da metafísica o dos sen

Sociologia..."

timentos pc.ssoai.s do .sistemático ou do

1, pág. 106). Embora afirmando reitevadamentc a

crente." (Obras Completas, v. IX, t. I, pág. 189 e seg.).

t

(Op'

soberania da lei, c que a lei.^ como ex

No concernente ao estudo da Filo.sofla

pressão do justo, se prende "a parle di

do Direito em nos.sos cursos jurídicos,

vina da natureza humana", Rui prefe

não menos positiva se mo.slra a orienta

ção de Rui, ao tomar posição contra o

ria conhccê-la, nessa fase de sua evo lução mental, com os recursos múltiplos

ensino do Direito Natural, que preten

das ciências positivas c da Sociologia.

de ver substituído pelo da Sociologia:

Por tudo isso se conclui que Rui Bar-

"O pensamento da Comissão, — reza o

Ijosa esteve integrado no que havia de à

Parecer sóbre a reforma do ensino su

essencial nas correntes naturalistas e, de \

'i-|- .1tfitfm ifi ■••-'n-r IIfc 1 lU rú I • ti I 1


11 ' 00 Dic:est<j Econômico

niaiuiriV cspcciul, lui I£scoía 1'osiliva, fi

ameaça iminente: aineaç.i <le tlesagra-

cando demonstrado como tinha razao

gação nacional pela ideologia das pe-

José Veríssimo quando dizia que, a par

<pienas pátrias, ecoando no Congresso como um "superfedcralisnío" a reclamar soberania para as antigas províncias do Império; ameaça à cultura pelo senso líhcrtárií) cio prepnn) cientifico c profis

tir de 1875 se respirava no Hrasil no clima das novas idéias, não sendo justo atribuir èsse estado de espírito quase

que generalizado à influencia da chama da Escola de Recife. (Cfr. José Verís simo — História da Literatura Brasileira

— pág. 346). Reação a n t iposU ivista

tal", — "A escola de Conito floresce no

con\'encida, mais apaixonada, mais com

pleta do papel essencial das religiões,

sional; ameaça aos \'alores tradicionais pela Iransforniaçrio de uni:i filosofia oin religião oficial.

No embate político, .sciUindo dia a dia

tos populares repelem, que se isola como

nos arrastara das tribulações da fe

a pressão dos aconteeiiricnlos, devem ter

uma colônia cia ut(ípia, rpie representa, aos olhos da nação, lona milícia pugnaz,

ao exclusivismo científico, pode recon

exclusi\-ista e intolerante. Não N-cjo in dícios de cjue a nossa raça venha a trocar tão cedo pela religião da huma nidade, inventada em Comte, a religião da caridade, encarnada cm Cristo. Igre ja por Igreja, o arremedo católico do filósofo francês está longe de empare lhar com o catolicismo na sua grande

placidez da fé." "A secularização do

(Op. cit. V. XX, t. 1, pág. 49 e scgs.).

caminho. E a ocasião foi uma obra de nm político forrado de teólogo,

'solo condiciona sempre a sua filosofia,

até então condicionara as suas alilvidcs

cujo pensamento jamais se desligou das

percorrerem encontrarão a apologia mais da soberana importância do .sentimento

ce.sso de re\ isão no sistema de idéias que

de quem, de certa forma, integrou as abstrações no processo da vida prática, vi.sando fins concretos c profundamente humanos? Que dizer de Rui Barbosa,

mepto de um livro meu, onde os que o

cias enfeixaclas em "Visita à torra na

máticos, a nata, se quiserem, dc nosso filosüfisnío. mas uma nata que o palaclar público nã" aceita, tpie os instin

Sc o drama individual de cada filó-

cia e o mundo das idéias, que se dirá

testador unívorsal delas, proinana cxata-

Bra.sil apenas como um grupo de siste

os fatos pro\ocado ou acelerado um proem unidade indissolúvel entre a existên

"A escola dc Conile" — declarou éie

em 1893, em uma cias belas cHJnferên-

fundamentais.

O certo é que coincide com os primciroj; anos da Riqoública a clara posiçã(; antipositi\ is(a de Rui Barbosa, Í)vtscando soluções outras paru os problemas da vida.

religioso .sôbre todos o.s sentimentos humanos".

mesma dúvida que

duzir-nos do radicalismo cientifico à

ensino, não reclamei em proveito do ateisnío"; "nem mesmo contra o clero me animavam pre\enções inimigas.. •

Foi com êsse estado de alma qiic se

guiu Rui Barbosa para o exílio.^ Na. j Inglaterra, iria êle completar a volta do

exigências da ação? Dêle poderemos afirmar, com igual acerto, o que nos

Já em 1893. o anticlerical de "O

za, no seu conhecimento do coração, no

Papa e o Concilio" folga\'a em registrar,

.sco poclcr re\'ereneial, nas vÍKtude.s edu-

ensina sôbre Swift: "Tão substancial

analisando uma Encicltca de Leão XIII

catí\'as dc sua disciplina". ("Obras Com

bases da fé", de Lorde .^rthur James

ae. operários frariec.ses, que "principia

pletas", \-. XX, l. I, pág. 66).

ra a descer de Roma, estes últimos anos, um sopro suave e calmo de benevolên

e no ".saber positi\'o" uma lição de

Balfour. (Cfr. "The Foundations "f Belief, being Notes Introductory to lhe Study of Theology" - 1895). M

mente se confunde, em Swift, a obra com o homem, que os seus escritos

olham para a posteridade como máscaras modeladas no rosto de um vivo", (cfr. "Ensaio sôbre Swift", in "Orações do

Apóstolo". 1923, pág. 149).

cia e equidade, de misericórdia e tole rância", e acrescentava: "A República

brasileira nasceu, felizmente, sob o signo

Êle, cjue busca\'a nas ciências e.xatas relatividade e

tolerância, ao ver, ou

melhor, ao sentir na própria carne, a intolerância irromper do bojo da ido

Seduziu-lhe o espirito encontrar um ^

Iwmem de Estado,-preocupado por sinal H

com problemas de finanças, terçando 1

armas com os positivistas e agnósticos "){

tre ministro das finanças do Governo

do que para justificar-se perante a opi

latria cientifica, compreendeu a insufi ciência de sua posição o a necessidade de procurar outros caminhos. Havia, porém, uma necessidade mais funda c imediata, que era a de situar-se primeiro perante sua consciência. Dai

Provisório.

nião pública.

as confissões que se sucedem, com uma

mo dos conhecimentos científicos par tiam as críticas contra os excessos do. J

Rui foi um espírito sereno e positivo no meio de ideólogos, e de ideólogos

Assistimos, assim, naquela época ator mentada de sua existência, à conjugação de duas fôrças ou tendências, uma le vando-o a contrapor-se violentamente à Escola Positivista; outra impelindo-o ao plano das confissões espirituais, ao reexame da própria experiência religiosa.

fôrça dc' crescente espiritualidade em

naturalismo.

dessa transformação..." (Obras Com

Não devemos, pois, olvidar os suces

sos políticos da República, para situar

pletas, v. XX, t. II, págs. 97-99). Na realidade, êle também mudara, e

a mudança que, então, se operou no

sentia necessidade de um e.vame inte

plano das convicções filosóficas do ilus

rior, mais talvez para compveender-se

que não falavam em nome da Razão

^—

—

iluminística, mas sim sob o manto pro

tetor do que julgavam ser a ciência ex perimental verificada. Os positivistas er gueram-se diante de Rui como

uma

.seu.s

e.scritos

de

1893 até os últimos

anos de exílio. São dessa época frases como estas, que aqui destacamos como gotas ou contas de um ro.sário de con fissões; "Nunca encarei a ciência como

a sistematização do antagonismo com o

em defe.sa de valores filosóficos e te(»lógicos.

Para Rui a obra de Lorde Balfour foi uma revelação, pois do campo mes

Meditando sohrc os ensinamentos do

j>ensador britânico, — que não trazia, ; diga-se do passagem, nada de revolucio nário ou inédito para o superamento (Io naturalismo, - Rui Barbosa chegava às seguintes conclusões:

"A nomeada fatal quo mc

"A) O "Positivismo" é a denomina- '

pôs fora de todas as religiões conui de-

çã(i prctonsio.sa e infiel dc uma Escola, '

e.spírito."


11 ' 00 Dic:est<j Econômico

niaiuiriV cspcciul, lui I£scoía 1'osiliva, fi

ameaça iminente: aineaç.i <le tlesagra-

cando demonstrado como tinha razao

gação nacional pela ideologia das pe-

José Veríssimo quando dizia que, a par

<pienas pátrias, ecoando no Congresso como um "superfedcralisnío" a reclamar soberania para as antigas províncias do Império; ameaça à cultura pelo senso líhcrtárií) cio prepnn) cientifico c profis

tir de 1875 se respirava no Hrasil no clima das novas idéias, não sendo justo atribuir èsse estado de espírito quase

que generalizado à influencia da chama da Escola de Recife. (Cfr. José Verís simo — História da Literatura Brasileira

— pág. 346). Reação a n t iposU ivista

tal", — "A escola de Conito floresce no

con\'encida, mais apaixonada, mais com

pleta do papel essencial das religiões,

sional; ameaça aos \'alores tradicionais pela Iransforniaçrio de uni:i filosofia oin religião oficial.

No embate político, .sciUindo dia a dia

tos populares repelem, que se isola como

nos arrastara das tribulações da fe

a pressão dos aconteeiiricnlos, devem ter

uma colônia cia ut(ípia, rpie representa, aos olhos da nação, lona milícia pugnaz,

ao exclusivismo científico, pode recon

exclusi\-ista e intolerante. Não N-cjo in dícios de cjue a nossa raça venha a trocar tão cedo pela religião da huma nidade, inventada em Comte, a religião da caridade, encarnada cm Cristo. Igre ja por Igreja, o arremedo católico do filósofo francês está longe de empare lhar com o catolicismo na sua grande

placidez da fé." "A secularização do

(Op. cit. V. XX, t. 1, pág. 49 e scgs.).

caminho. E a ocasião foi uma obra de nm político forrado de teólogo,

'solo condiciona sempre a sua filosofia,

até então condicionara as suas alilvidcs

cujo pensamento jamais se desligou das

percorrerem encontrarão a apologia mais da soberana importância do .sentimento

ce.sso de re\ isão no sistema de idéias que

de quem, de certa forma, integrou as abstrações no processo da vida prática, vi.sando fins concretos c profundamente humanos? Que dizer de Rui Barbosa,

mepto de um livro meu, onde os que o

cias enfeixaclas em "Visita à torra na

máticos, a nata, se quiserem, dc nosso filosüfisnío. mas uma nata que o palaclar público nã" aceita, tpie os instin

Sc o drama individual de cada filó-

cia e o mundo das idéias, que se dirá

testador unívorsal delas, proinana cxata-

Bra.sil apenas como um grupo de siste

os fatos pro\ocado ou acelerado um proem unidade indissolúvel entre a existên

"A escola dc Conile" — declarou éie

em 1893, em uma cias belas cHJnferên-

fundamentais.

O certo é que coincide com os primciroj; anos da Riqoública a clara posiçã(; antipositi\ is(a de Rui Barbosa, Í)vtscando soluções outras paru os problemas da vida.

religioso .sôbre todos o.s sentimentos humanos".

mesma dúvida que

duzir-nos do radicalismo cientifico à

ensino, não reclamei em proveito do ateisnío"; "nem mesmo contra o clero me animavam pre\enções inimigas.. •

Foi com êsse estado de alma qiic se

guiu Rui Barbosa para o exílio.^ Na. j Inglaterra, iria êle completar a volta do

exigências da ação? Dêle poderemos afirmar, com igual acerto, o que nos

Já em 1893. o anticlerical de "O

za, no seu conhecimento do coração, no

Papa e o Concilio" folga\'a em registrar,

.sco poclcr re\'ereneial, nas vÍKtude.s edu-

ensina sôbre Swift: "Tão substancial

analisando uma Encicltca de Leão XIII

catí\'as dc sua disciplina". ("Obras Com

bases da fé", de Lorde .^rthur James

ae. operários frariec.ses, que "principia

pletas", \-. XX, l. I, pág. 66).

ra a descer de Roma, estes últimos anos, um sopro suave e calmo de benevolên

e no ".saber positi\'o" uma lição de

Balfour. (Cfr. "The Foundations "f Belief, being Notes Introductory to lhe Study of Theology" - 1895). M

mente se confunde, em Swift, a obra com o homem, que os seus escritos

olham para a posteridade como máscaras modeladas no rosto de um vivo", (cfr. "Ensaio sôbre Swift", in "Orações do

Apóstolo". 1923, pág. 149).

cia e equidade, de misericórdia e tole rância", e acrescentava: "A República

brasileira nasceu, felizmente, sob o signo

Êle, cjue busca\'a nas ciências e.xatas relatividade e

tolerância, ao ver, ou

melhor, ao sentir na própria carne, a intolerância irromper do bojo da ido

Seduziu-lhe o espirito encontrar um ^

Iwmem de Estado,-preocupado por sinal H

com problemas de finanças, terçando 1

armas com os positivistas e agnósticos "){

tre ministro das finanças do Governo

do que para justificar-se perante a opi

latria cientifica, compreendeu a insufi ciência de sua posição o a necessidade de procurar outros caminhos. Havia, porém, uma necessidade mais funda c imediata, que era a de situar-se primeiro perante sua consciência. Dai

Provisório.

nião pública.

as confissões que se sucedem, com uma

mo dos conhecimentos científicos par tiam as críticas contra os excessos do. J

Rui foi um espírito sereno e positivo no meio de ideólogos, e de ideólogos

Assistimos, assim, naquela época ator mentada de sua existência, à conjugação de duas fôrças ou tendências, uma le vando-o a contrapor-se violentamente à Escola Positivista; outra impelindo-o ao plano das confissões espirituais, ao reexame da própria experiência religiosa.

fôrça dc' crescente espiritualidade em

naturalismo.

dessa transformação..." (Obras Com

Não devemos, pois, olvidar os suces

sos políticos da República, para situar

pletas, v. XX, t. II, págs. 97-99). Na realidade, êle também mudara, e

a mudança que, então, se operou no

sentia necessidade de um e.vame inte

plano das convicções filosóficas do ilus

rior, mais talvez para compveender-se

que não falavam em nome da Razão

^—

—

iluminística, mas sim sob o manto pro

tetor do que julgavam ser a ciência ex perimental verificada. Os positivistas er gueram-se diante de Rui como

uma

.seu.s

e.scritos

de

1893 até os últimos

anos de exílio. São dessa época frases como estas, que aqui destacamos como gotas ou contas de um ro.sário de con fissões; "Nunca encarei a ciência como

a sistematização do antagonismo com o

em defe.sa de valores filosóficos e te(»lógicos.

Para Rui a obra de Lorde Balfour foi uma revelação, pois do campo mes

Meditando sohrc os ensinamentos do

j>ensador britânico, — que não trazia, ; diga-se do passagem, nada de revolucio nário ou inédito para o superamento (Io naturalismo, - Rui Barbosa chegava às seguintes conclusões:

"A nomeada fatal quo mc

"A) O "Positivismo" é a denomina- '

pôs fora de todas as religiões conui de-

çã(i prctonsio.sa e infiel dc uma Escola, '

e.spírito."


.1

Dicesto Econômico

que "eleva um método a altura de uma filosofia" e reivindica para sl cânunes de investigação científica muito mais antigos do que ela;

*'B) Não há como negar a insufi

Deixava, outrossim. d seu vago espiritualismo teísta, com a idéia de Deus como puro princípio lógico da ordem do universo, "mera substância c entidade

a sabedoria ao conhecimento cxclusivf)

metafísica", consoante suas próprias pa lavras, para voltar a falar e a crer em "uuí Dcits vivo", na linguagem da

dos fenômenos, encerrando o universo

Bíblia.

ciência do "naturalismo", que "reduz nas ciências da natureza";

•' "C) Sem desdenhar as ciências exa tas, mas, ao contrário, cultuando-as, é

. possível procurar atingir a esfera das

verdades mais altas, das realidades e hi

póteses inverific-tiveis pelos órgãos da

^ percepção exterior, reconliecendo-se a

I fôrça da autoridade (sic) uo lado da força da razão.

"D) Há uma impossibilidade de

fundamentar-sc o dever moral em pres supostos naturalísticos, nem é crível que |j!- se reduzam sentimentos e crenças a

Tão forte era a corie.spondcncía entre as idéias de Balfour c as ]>róprías, que elo sentiu ncccs.sidade de confessá-lo. elo-

giando-lhe a obra com estas palavras conclusivas: "Para mim, juiz aliás incompetentíssimo, êslc livro tem o en canto insinuante, não só da mão-de-obra

I vão amesquínhada pios seus anlagonistas".

("Cartas da Inglaterra", v. cil.

|,págs. 39 e .segs.).

Comparai os textos )iá pouco in\i)tait' dos, as páginas adversas a qualquer li'; argumento de autoridade e confiantes f',,na plenitude da razão, com os cnmcntáI" rios com que Rui expõe a doutrina de

4 Lorde Balfour, e tereis bem a medida

[ida crise por que passava seu espírito.

e.xílio, dúvidas que constituíam o drama de sua existência c o prenúncio do sé culo que SC aproximava denso de in terrogações c dc angústia. Re\eluva-.seIhe a insuficiência dos cânones usuais

da verdade, pretendendo subordinar a uma linha lógica infle.xixel a natureza humana, quando esta c "uma associação de contrastes"; e a pergunta brotina

Osvaldo Cruz, in "Elogios Acadêmicos"

cil., pág. 175).

-Jl

Definia-se, assim o seu idealismo

ético em face do universo e da rida.

fle/drno

espirxtmíismo

Bem poucos como o nosso Rui, pou quíssimos homens terão vi\ido ps pri meiros instantes do .século XX com tão , clara consciência das Iragédjas que ama

piração de um pensador, cm cuja escola a filosofia despe a sua soberba, a me tafísica a sua argúcia, a teologia o seu

contínua metamorfose?" (Loc. cit. nás 175).

síntese dos prodígios da ciência e da

dogmatismo, a ciência a sua increduli

de sua consciência, compreendia as fòrVas do irracional e a precariedade de

• nos seus benefícios essa autoridade em

Assim eram as dúvidas de Rui no

dureciam no seio da despreocupada so

^ basta, mesmo indo-sc além da orien-

■ de ser suprema, quão incomensiirável

175).

nossa situação lujmana, oscilante entre os extremos do "sim" e do "não".

Nessa ansiedade, a ciência não conse

gue mais aplacá-lo. Podem os cientista.s

descobrir no infinitamente pequeno um mundo novo, não menos estranho e po deroso do que o infinitamente grande, assim como extrair da fisiologia das células vivas a teoria da xelhice e da

morte, mas tôdas essas conquista.^ da ciência não bastarão para satisfazer a

consciência humana: "Adoecer um pou co menos, viver um pouco mais — será

técnica.

Em artigo publicado na "Imprensa" de 1." dc janeiro de 1901, Rui lança uma advertência, na qual. ao lado de

uma inquietação profunda e dc um agu do sen.sü das conjunturas históricas, mais se acentua o sentido fundamental de suu

existência como peleja e apostoladu.

Vale a pena transcre\-er, embora longo,

o esquecido trecho cm que êle, com antecipação quase que divinatória, pre

ta\am sóbre a problematicidadc da criatUTíi humana êlc indagava: "Mas não

êsse o "desideratum", que absor\'e as preocupações eternas da nossa espécie?" ("Elogios Acadêmicos" — cit.. págs. 323

seia o absurdo um elemento normal nos

e 333).

atos do entendimento, como na regên cia do mundo? Que é o senso comum

,as maiores afirmações do homem sòbrc

culo vinte. A guerra sino-japonesa, a

senão a heresia antiga justificada pela

a natureza resultax'am de pesquisas de

guerra hispano-americana, a guerra an- '

experiííucia? Que vem a ser a ortodoxia

sinteressadas, de trabalhos "fúteis aos

glo-boer, três guecras de aniquiiamento, , esboçam os pródromos do mais desmar

Como sinal das dúvidíis cpic o assal-

senão um tesouro de rêvoltas canoniza

das pelo tempo?

Na própria ciência, aliás, via êle que

olhos de inculcadüs homens práticos".

via as conflagraçôc.s mundiais em busca de espaço vital, com o seu eorlejo de revoluções de cunho social, poiido em risco o patrimônio da cristandade: "Eis como madruga para uós o sé

Os excêntricos de

Como declara nos estudos sôbre u

cado conflito, a que nunca assistiu a

ontem nao são os e\'angelistas" de hoje?

obra de Pasteur e de Osvaldo Cniz, na.s conquistas supremas da ciência resplende sempre a fôrça espiritual da Idéia:

espécie liumana. As grandes nações aprcstam recursos inauditos, para con

As liipóte.ses de iioje não têrn de ser a ciência do amanhã? Èste incôngruo, ê.stü lioterodoxo mudou, cm certas opi niões, do exlTcmo para extremo. Mas,

"Nunca se demonstrou de um raodn

mais luminoso que 6 a idéia quem con

jl

humano". (Vide a conferência sôbre

ciedade burguesa, então engalanada com os sucessos da E.xposiçáo de Paris,

Abandonava a velha estrada o udmiíador de Litlré e. sondando os arcanos

ressa razão que nos seus direitos preten-

veis?" (Op. cit., V. XXIII — t. I, pág

duz tudo, a inteligência e a matéria,

o bem e o ma), o homem e o destino

homem físico e moral não será uma

í, da .seleção.

if verdadc, evidenciando quão limitada é

ainda nisso, não refletiria êle mais fielinenlc a natureza do que os inalterá

como um encontro consigo mesmo: "O

f|:: combinações químicas complicadas, claí;; 'boradas no organismo individual ou no bí organismo social pelas fôrças geratrizes

[•/ tação positi\'a, para e.xplicar e rc.sül\<>r [i o problema do homem. Balfour, conçlui Rui, "restabelece vitoriosamente u

Ecomó>oco

de um arti.sta consumado, como da ins

dade. Ê/c Kfisponde con\o uma forte voz interior à niluação atual do meu cspi''iio". (loc. cit. pág. 103).

I' "E) A raziu), por conseguinte, não

Digesto

^

correr à divisão dos países semiciviliza-

dos, o ocupar os últimos lugares na área terreshe. A teoria da absorção


.1

Dicesto Econômico

que "eleva um método a altura de uma filosofia" e reivindica para sl cânunes de investigação científica muito mais antigos do que ela;

*'B) Não há como negar a insufi

Deixava, outrossim. d seu vago espiritualismo teísta, com a idéia de Deus como puro princípio lógico da ordem do universo, "mera substância c entidade

a sabedoria ao conhecimento cxclusivf)

metafísica", consoante suas próprias pa lavras, para voltar a falar e a crer em "uuí Dcits vivo", na linguagem da

dos fenômenos, encerrando o universo

Bíblia.

ciência do "naturalismo", que "reduz nas ciências da natureza";

•' "C) Sem desdenhar as ciências exa tas, mas, ao contrário, cultuando-as, é

. possível procurar atingir a esfera das

verdades mais altas, das realidades e hi

póteses inverific-tiveis pelos órgãos da

^ percepção exterior, reconliecendo-se a

I fôrça da autoridade (sic) uo lado da força da razão.

"D) Há uma impossibilidade de

fundamentar-sc o dever moral em pres supostos naturalísticos, nem é crível que |j!- se reduzam sentimentos e crenças a

Tão forte era a corie.spondcncía entre as idéias de Balfour c as ]>róprías, que elo sentiu ncccs.sidade de confessá-lo. elo-

giando-lhe a obra com estas palavras conclusivas: "Para mim, juiz aliás incompetentíssimo, êslc livro tem o en canto insinuante, não só da mão-de-obra

I vão amesquínhada pios seus anlagonistas".

("Cartas da Inglaterra", v. cil.

|,págs. 39 e .segs.).

Comparai os textos )iá pouco in\i)tait' dos, as páginas adversas a qualquer li'; argumento de autoridade e confiantes f',,na plenitude da razão, com os cnmcntáI" rios com que Rui expõe a doutrina de

4 Lorde Balfour, e tereis bem a medida

[ida crise por que passava seu espírito.

e.xílio, dúvidas que constituíam o drama de sua existência c o prenúncio do sé culo que SC aproximava denso de in terrogações c dc angústia. Re\eluva-.seIhe a insuficiência dos cânones usuais

da verdade, pretendendo subordinar a uma linha lógica infle.xixel a natureza humana, quando esta c "uma associação de contrastes"; e a pergunta brotina

Osvaldo Cruz, in "Elogios Acadêmicos"

cil., pág. 175).

-Jl

Definia-se, assim o seu idealismo

ético em face do universo e da rida.

fle/drno

espirxtmíismo

Bem poucos como o nosso Rui, pou quíssimos homens terão vi\ido ps pri meiros instantes do .século XX com tão , clara consciência das Iragédjas que ama

piração de um pensador, cm cuja escola a filosofia despe a sua soberba, a me tafísica a sua argúcia, a teologia o seu

contínua metamorfose?" (Loc. cit. nás 175).

síntese dos prodígios da ciência e da

dogmatismo, a ciência a sua increduli

de sua consciência, compreendia as fòrVas do irracional e a precariedade de

• nos seus benefícios essa autoridade em

Assim eram as dúvidas de Rui no

dureciam no seio da despreocupada so

^ basta, mesmo indo-sc além da orien-

■ de ser suprema, quão incomensiirável

175).

nossa situação lujmana, oscilante entre os extremos do "sim" e do "não".

Nessa ansiedade, a ciência não conse

gue mais aplacá-lo. Podem os cientista.s

descobrir no infinitamente pequeno um mundo novo, não menos estranho e po deroso do que o infinitamente grande, assim como extrair da fisiologia das células vivas a teoria da xelhice e da

morte, mas tôdas essas conquista.^ da ciência não bastarão para satisfazer a

consciência humana: "Adoecer um pou co menos, viver um pouco mais — será

técnica.

Em artigo publicado na "Imprensa" de 1." dc janeiro de 1901, Rui lança uma advertência, na qual. ao lado de

uma inquietação profunda e dc um agu do sen.sü das conjunturas históricas, mais se acentua o sentido fundamental de suu

existência como peleja e apostoladu.

Vale a pena transcre\-er, embora longo,

o esquecido trecho cm que êle, com antecipação quase que divinatória, pre

ta\am sóbre a problematicidadc da criatUTíi humana êlc indagava: "Mas não

êsse o "desideratum", que absor\'e as preocupações eternas da nossa espécie?" ("Elogios Acadêmicos" — cit.. págs. 323

seia o absurdo um elemento normal nos

e 333).

atos do entendimento, como na regên cia do mundo? Que é o senso comum

,as maiores afirmações do homem sòbrc

culo vinte. A guerra sino-japonesa, a

senão a heresia antiga justificada pela

a natureza resultax'am de pesquisas de

guerra hispano-americana, a guerra an- '

experiííucia? Que vem a ser a ortodoxia

sinteressadas, de trabalhos "fúteis aos

glo-boer, três guecras de aniquiiamento, , esboçam os pródromos do mais desmar

Como sinal das dúvidíis cpic o assal-

senão um tesouro de rêvoltas canoniza

das pelo tempo?

Na própria ciência, aliás, via êle que

olhos de inculcadüs homens práticos".

via as conflagraçôc.s mundiais em busca de espaço vital, com o seu eorlejo de revoluções de cunho social, poiido em risco o patrimônio da cristandade: "Eis como madruga para uós o sé

Os excêntricos de

Como declara nos estudos sôbre u

cado conflito, a que nunca assistiu a

ontem nao são os e\'angelistas" de hoje?

obra de Pasteur e de Osvaldo Cniz, na.s conquistas supremas da ciência resplende sempre a fôrça espiritual da Idéia:

espécie liumana. As grandes nações aprcstam recursos inauditos, para con

As liipóte.ses de iioje não têrn de ser a ciência do amanhã? Èste incôngruo, ê.stü lioterodoxo mudou, cm certas opi niões, do exlTcmo para extremo. Mas,

"Nunca se demonstrou de um raodn

mais luminoso que 6 a idéia quem con

jl

humano". (Vide a conferência sôbre

ciedade burguesa, então engalanada com os sucessos da E.xposiçáo de Paris,

Abandonava a velha estrada o udmiíador de Litlré e. sondando os arcanos

ressa razão que nos seus direitos preten-

veis?" (Op. cit., V. XXIII — t. I, pág

duz tudo, a inteligência e a matéria,

o bem e o ma), o homem e o destino

homem físico e moral não será uma

í, da .seleção.

if verdadc, evidenciando quão limitada é

ainda nisso, não refletiria êle mais fielinenlc a natureza do que os inalterá

como um encontro consigo mesmo: "O

f|:: combinações químicas complicadas, claí;; 'boradas no organismo individual ou no bí organismo social pelas fôrças geratrizes

[•/ tação positi\'a, para e.xplicar e rc.sül\<>r [i o problema do homem. Balfour, conçlui Rui, "restabelece vitoriosamente u

Ecomó>oco

de um arti.sta consumado, como da ins

dade. Ê/c Kfisponde con\o uma forte voz interior à niluação atual do meu cspi''iio". (loc. cit. pág. 103).

I' "E) A raziu), por conseguinte, não

Digesto

^

correr à divisão dos países semiciviliza-

dos, o ocupar os últimos lugares na área terreshe. A teoria da absorção


I II 1 I

Du;kst(< ICttoNÓ.Míco Dicesto EcoNÒ.xtico

9'1

dos fracos pelos fortes legitima de an

nio po.siti\ista, parece (jiie êle os nSo

temão a hipótese iminente.

sentiu, empenhado como eslava em ou

Não resta

às nacionalidades ameaçadas senão ape larem para a sua própria energia, a rápida educação dos seus elementos humanos na escola da guerra. E, en(juanto esta liquidar até nas profundeZiir submarinas, a vindoira carta políti

blicação final cie suas obras, se venha a fixar melhor a sua posição com refe

ca do globo, o espectro .social llie terá

tas da Axiologia contemporânea. Pelo

semeado à retaguarda procelas e revo luções de cujo embate não se sabe como

sairá esse progresso cristão, que deze nove séculos de lavragem tormentosa tem custado ao Evangelho." ("No Sé culo XX in 'Estante Clássica" oáií 116). • ^

Quem assim se exprimia, com tais pressentimentos do perigos iminentes

para o destino do homem, quem revela\a tanto ciúme, tanto cuidado pela pá tria e a sua independência, não podia cictxar de sentir, envolvendo tòda a sua

tras tarefas empolgantes da Política ^ do Direito. É possível <jue, com a pu

rência ao renascimento da Metafísica,

as bases da no\'a Lógica ou as conquis cjue no.s é dado observar, forçoso é corrvir cpie o seu espírito sc inseria em uina

outra ordem de preocupação, compene trado "da soberana importância do sen

timento religioso sobre todos os senti mentos humanos".

No seu drama religioso palpita uma nota de cticidade que se espraia por todos os seus escritos, especialmente no período intercalado do discurso no Co

légio Anchieta, em 1903, à "Oração aos

Moços", escrita para os hacharelandos

conduta, a tendência já nôle natural d'c

da Faculdade dc Direito de São Paulo

converter idéias em instrumentos de

em 1921.

combate, principies em valores de ação social imediata.

O retorno ao espiritualismo, que liic devolvera a tranqüilidade em vão bus

cada nas filosofias, nas quais depositara tão fundas esperanças; a convicção arraizada de que algo era preciso fazer incontinenti para preservar a humanida

Na introdução dc "O Papa o o Con

cilio", Rui já proclamava sua crença "nw fatalidade das leis morais", equiparado à "fatalidade das leis físicas", mas ago

ra suas palavras, formalmente iguais, apresentam contciulo cli\'erso, ilumina

das por uma luz interior, marcando o abandono de um leismo abstrato e vago,

foram desferidas em função de seus

por uma atitude espiritualista c cristã, integrada no seio da Igreja católica. Religiãp o liberdade passaram a ser o binômio indissolúvel da sua pregação, pois uma não poderia subsistir sem n <Hilra: "O liomcm é o espírito fecuncln-

ideais; ei.': o que explica as raras refe

do na íntima fusão da liberdade com a

rências a doutrinas filosóficas no período

fó".

posterior ao exame da obra de Balfour.

in "Elogios Acaclêniicns". 1924, pág-

As notáveis transformações operadas através do neokantjsmo ou da corrente

324).

de' de irremediáveis catástrofes; a neces

sidade de consolidar o regime republica no no País, além das lutas intensas em

que se viu envolvido ou que por êle

bergsoniaua, o surto de novas tendên cias superadoras do acanhado empiií.s-

(Discurso no Colégio Anchieta.

Do puntü de vista filosófico a novo .situação espiritual de Rui leve algumas conseqüências dignas de relevo, quanto

ao conceito (h* lei e dc justiça c à coucx-pção social do Direito. Disscmor (jue, mesmo no periudo de maior enlusiasinu pela corrente positi

vista, o nosso jurisconsulto jamais dei-

•^ou de proclamar a soberania da lei ^■<ímo expressão da própria razão divi na. Agora, èsses mesmos princípios pasí>am a ler um vaU)r dominante, adqui rindo urna projeção de prijueiro plano,

ta. a justiça iiupassiiel, a subcnuia jus tiça. a congênita em nós, entro o.s- sen timentos sublimes à religião e à ver dade". dãos").

(Cfr. "A lição dos dois acór

Em 1921, encerrando uma trajetória luminosa, ciaria êle "a melhor lição"

dc -surt experiência:

"De quanto no

mundo lenho Wslo. o resumo se abran

ge nestas cinco palavras: Não há jus

de todo o sistema:

tiça sem Deus". ("Oração aos Moços ,

o que era ocasional tonia-.se constante; n que era acréscimo à concepção socio

ed. da Universidade de São Paulo —

lógica do Direito \olta a ser condição primeira de jiiridicidacle. Não é mais na Sociologia que èlc busca a definição

da idéia de Justiça. desen\t)I\e-se a

como foco central

tlít "lei natural"; recebe-a, antes, como

1949).

Paralelamente a essa espiritaaiiaição

consciência de que o Direito não é mero sistema protetor de direitos o

tlado imediato da consciência configu-

pierrogatii as individuais, mas uma força

rando-se como categorias de direito que "ancoram na palavra di\ ina. a saber, na divina constituição do homem". ("Dis

dariedade humana.

curso no Colégio Anchieta",

1903 —

«p. cil. pág. 327). Reconhecida a insuficiência da Razão,

é à Autoridade que ele \olve, na cer teza de um fundamento estável para o mundo ético-juridico.

Dessarte, a idéia

social governada pela lei ética da soli

Sustenta um dos estudiosos da obra de Rui que, nesse processo de compiccnsão social cio fenômeno jundico.

Ôle quase teria chegado ao socialismo.

Na realidade, jamais pôde aceitar o so cialismo do feição materialista e ateia

defendido pelo autor de Filo,sofia da

dade.

Miséria". Formal foi a sua condenação a„ mansismo. que sofisma sôbre a re

A idéia de "lei" passa a ser equiva lente à de "justiça"; o "jus" confunde-

L'a, proclamada em nome dos direi os

de justiça vibra de crescente religiosi

gra da ignaldadei "é a filosofia da mi-

se com o "justum"," segundo o antigo ensinamento. "Jus sive quod justum •.

do irobalho; e, executada, iiao fana se

est". .

do traballio, a organização da miséria .

São de 1898 estas suas palavras: "Se alguma coisa divina existe entre òs ho mens, é a justiça. Nisto se compendiam

tôdas as minhas crenças políticas.

De

todas elas essa é o centro. Mas para que a justiça venha a ser essa força, êsse

não inaugurar, em vez da supremacia

("Oração aos Moços", edição fac-si-

milar da Univer.sidade de Sao Paulo,

1949, pág. 63). ^ , 1 Ninguém no Brasii, no entanto, de dicou, antes dèle, páginas tão eloqüen

elemento de pureza, êsse princípio de estabilidade, é preciso que não se mis ture com as paixões da rua, ou as pai-

tes aos direitos do operário, aos valo res do artesanato, as mil formas do tra balho criador^ que via plenamente ga rantidas nas lindes invioláveis da tra

xõe.'; dos governos, o seja a justiça isen

dição cristã.


I II 1 I

Du;kst(< ICttoNÓ.Míco Dicesto EcoNÒ.xtico

9'1

dos fracos pelos fortes legitima de an

nio po.siti\ista, parece (jiie êle os nSo

temão a hipótese iminente.

sentiu, empenhado como eslava em ou

Não resta

às nacionalidades ameaçadas senão ape larem para a sua própria energia, a rápida educação dos seus elementos humanos na escola da guerra. E, en(juanto esta liquidar até nas profundeZiir submarinas, a vindoira carta políti

blicação final cie suas obras, se venha a fixar melhor a sua posição com refe

ca do globo, o espectro .social llie terá

tas da Axiologia contemporânea. Pelo

semeado à retaguarda procelas e revo luções de cujo embate não se sabe como

sairá esse progresso cristão, que deze nove séculos de lavragem tormentosa tem custado ao Evangelho." ("No Sé culo XX in 'Estante Clássica" oáií 116). • ^

Quem assim se exprimia, com tais pressentimentos do perigos iminentes

para o destino do homem, quem revela\a tanto ciúme, tanto cuidado pela pá tria e a sua independência, não podia cictxar de sentir, envolvendo tòda a sua

tras tarefas empolgantes da Política ^ do Direito. É possível <jue, com a pu

rência ao renascimento da Metafísica,

as bases da no\'a Lógica ou as conquis cjue no.s é dado observar, forçoso é corrvir cpie o seu espírito sc inseria em uina

outra ordem de preocupação, compene trado "da soberana importância do sen

timento religioso sobre todos os senti mentos humanos".

No seu drama religioso palpita uma nota de cticidade que se espraia por todos os seus escritos, especialmente no período intercalado do discurso no Co

légio Anchieta, em 1903, à "Oração aos

Moços", escrita para os hacharelandos

conduta, a tendência já nôle natural d'c

da Faculdade dc Direito de São Paulo

converter idéias em instrumentos de

em 1921.

combate, principies em valores de ação social imediata.

O retorno ao espiritualismo, que liic devolvera a tranqüilidade em vão bus

cada nas filosofias, nas quais depositara tão fundas esperanças; a convicção arraizada de que algo era preciso fazer incontinenti para preservar a humanida

Na introdução dc "O Papa o o Con

cilio", Rui já proclamava sua crença "nw fatalidade das leis morais", equiparado à "fatalidade das leis físicas", mas ago

ra suas palavras, formalmente iguais, apresentam contciulo cli\'erso, ilumina

das por uma luz interior, marcando o abandono de um leismo abstrato e vago,

foram desferidas em função de seus

por uma atitude espiritualista c cristã, integrada no seio da Igreja católica. Religiãp o liberdade passaram a ser o binômio indissolúvel da sua pregação, pois uma não poderia subsistir sem n <Hilra: "O liomcm é o espírito fecuncln-

ideais; ei.': o que explica as raras refe

do na íntima fusão da liberdade com a

rências a doutrinas filosóficas no período

fó".

posterior ao exame da obra de Balfour.

in "Elogios Acaclêniicns". 1924, pág-

As notáveis transformações operadas através do neokantjsmo ou da corrente

324).

de' de irremediáveis catástrofes; a neces

sidade de consolidar o regime republica no no País, além das lutas intensas em

que se viu envolvido ou que por êle

bergsoniaua, o surto de novas tendên cias superadoras do acanhado empiií.s-

(Discurso no Colégio Anchieta.

Do puntü de vista filosófico a novo .situação espiritual de Rui leve algumas conseqüências dignas de relevo, quanto

ao conceito (h* lei e dc justiça c à coucx-pção social do Direito. Disscmor (jue, mesmo no periudo de maior enlusiasinu pela corrente positi

vista, o nosso jurisconsulto jamais dei-

•^ou de proclamar a soberania da lei ^■<ímo expressão da própria razão divi na. Agora, èsses mesmos princípios pasí>am a ler um vaU)r dominante, adqui rindo urna projeção de prijueiro plano,

ta. a justiça iiupassiiel, a subcnuia jus tiça. a congênita em nós, entro o.s- sen timentos sublimes à religião e à ver dade". dãos").

(Cfr. "A lição dos dois acór

Em 1921, encerrando uma trajetória luminosa, ciaria êle "a melhor lição"

dc -surt experiência:

"De quanto no

mundo lenho Wslo. o resumo se abran

ge nestas cinco palavras: Não há jus

de todo o sistema:

tiça sem Deus". ("Oração aos Moços ,

o que era ocasional tonia-.se constante; n que era acréscimo à concepção socio

ed. da Universidade de São Paulo —

lógica do Direito \olta a ser condição primeira de jiiridicidacle. Não é mais na Sociologia que èlc busca a definição

da idéia de Justiça. desen\t)I\e-se a

como foco central

tlít "lei natural"; recebe-a, antes, como

1949).

Paralelamente a essa espiritaaiiaição

consciência de que o Direito não é mero sistema protetor de direitos o

tlado imediato da consciência configu-

pierrogatii as individuais, mas uma força

rando-se como categorias de direito que "ancoram na palavra di\ ina. a saber, na divina constituição do homem". ("Dis

dariedade humana.

curso no Colégio Anchieta",

1903 —

«p. cil. pág. 327). Reconhecida a insuficiência da Razão,

é à Autoridade que ele \olve, na cer teza de um fundamento estável para o mundo ético-juridico.

Dessarte, a idéia

social governada pela lei ética da soli

Sustenta um dos estudiosos da obra de Rui que, nesse processo de compiccnsão social cio fenômeno jundico.

Ôle quase teria chegado ao socialismo.

Na realidade, jamais pôde aceitar o so cialismo do feição materialista e ateia

defendido pelo autor de Filo,sofia da

dade.

Miséria". Formal foi a sua condenação a„ mansismo. que sofisma sôbre a re

A idéia de "lei" passa a ser equiva lente à de "justiça"; o "jus" confunde-

L'a, proclamada em nome dos direi os

de justiça vibra de crescente religiosi

gra da ignaldadei "é a filosofia da mi-

se com o "justum"," segundo o antigo ensinamento. "Jus sive quod justum •.

do irobalho; e, executada, iiao fana se

est". .

do traballio, a organização da miséria .

São de 1898 estas suas palavras: "Se alguma coisa divina existe entre òs ho mens, é a justiça. Nisto se compendiam

tôdas as minhas crenças políticas.

De

todas elas essa é o centro. Mas para que a justiça venha a ser essa força, êsse

não inaugurar, em vez da supremacia

("Oração aos Moços", edição fac-si-

milar da Univer.sidade de Sao Paulo,

1949, pág. 63). ^ , 1 Ninguém no Brasii, no entanto, de dicou, antes dèle, páginas tão eloqüen

elemento de pureza, êsse princípio de estabilidade, é preciso que não se mis ture com as paixões da rua, ou as pai-

tes aos direitos do operário, aos valo res do artesanato, as mil formas do tra balho criador^ que via plenamente ga rantidas nas lindes invioláveis da tra

xõe.'; dos governos, o seja a justiça isen

dição cristã.


Diobsto Kcok^

Quando Rui. nu úUinia fase cl.- sua

i> antagonismo das classí-s." i<"fr. nosso

e\clução mental, acolhe as li«,-ões do

csludü "Rui Rarljosa o imia revisão ne-

Cardeal Mcrcicr, consnhslaticíudas iio

ce.ssáriu", in "Atualidades Brasileiras",,

"Código dc* Mulincs", não oljcdece se

1937, pág. 79).

não ã força interior que já governava

• seu espírito,' revelando os erros c as

Ei.s aí como na fase c.spiritualisla aos poucos se ajustam e .se completam, se

observações do individualismo jurídico: "A minha democracia social é a que preconi'zara o Cardeal Nícrcier, falando aos operários de Malincs: "Essa demo

gundo um centro diret<ir. as múltiplas atilud<'s de um homem que .soube viver

cracia ampla, serena, leal, c numa pa lavra, cristã. A democracia que quer

ções porque exuberante de \ ida.

em consonância coni as mutações histó

ricas de sou tempo, cheio de conlradi-,

assentar a felicidade da çjabsc obrcira.

E quando o grande lidador sentiu

não nas ruínas das outras classes, mas na

apròxíniar-se o fim da grande peleja, a\ izinhando-sc ã porta inexorável da morte, c.sculpiu para a ju\'enlude pátria

reparação dos agra\ns que da até agora tem curtido."

"Aplaudo no socialismo o que êlc tem

de são, de bené\olo, de confralornal, de pacificador; sem querer o socialismo

devastador que, na linguagem do egré gio prelado belga, animando o que menos nobre é no coração cIq homem rebaixa a questão social a uma luta dcapetites e quer dar-lhe por solução o que não poderá deixar de exacerbá-la-

Consciência política ROLAND CORBISIER

Que c a política? Em que consiste precisamcnlu essa ciência e essa

arte a respeito da qual todos sc acham com o direito dc opinar, embora a com

preensão dos seus problemas seja talvez mais árdua c mais difícil do que a in teligência dc qualquer questão de fisica, por exemplo, ou de matemática superior? Como explicar a desenvoltura e a se gurança com que costumamos tratar das

a meta última de sua luminosa trajetó

coisas políticas se são essas geralmente as que mais desconhecemos? Como e.xplicar o paradoxo de encontrarmos na própria ignorância em relação ao assun to uma espécie dc permissão c de inci tamento à suficiência e ao dogmatismo com que nos pronunciamos sobre as suas mais complexas e delicadas ques

ria espiritual.

tões?

o testamento mais alto de sua sensibili

dade, a "Oração aos Moços", cujo úl timo período: "Assim Deus o queira", êle corrigiu nos originais para èsle ou tro: "Assim o queira Deus", como que a dizer que, pondo a palavra Deus no fecho da memorável Oração, indicava

Pois se os homens de ciência não costumam ver as fronteiras dos seus

domínios invadidas pelos desavisados e profanos, o mesmo não acontece em re lação aos que se consagram ao estudo da ciência e da arte política, cujo campo 6, no sentido etímológico, uma verda

lítica" de Aristóteles. As origens dessa ciência confundem-se, portanto, com as

próprias origens da cultura ocidental, e não nos parece pobre ou desprerivel uma tradição de mais de vinte c cinco

séculos. Malgrado essa venerá\el genealoeia, quando nos dispomos a con siderar. os problemas políticos, quer no

que contêm de essencial e de perma nente, quer no que apresentam de cir cunstancial e de histórico, parece que nos esquecemos, que fazemos tabula rasa" de lodo êsse passado, de todo êsse patrimônio secular de e.xperiência e de reflexão?

Não U dúvida que o mundo mo

derno é filho de Descartes e nao de

Pascal isto é, nasce sob o signo, sob a

taspiraç-ío. "So de um gênio moral ou poWico, mas de unr gêmo c.ent.trco e

deira "res publica", terreno baldio que a todos e a ninguém pertence e no qual

Ltenutóco, Pascal é um gemo sem posteridade, enquanto que a posterr-

se movem com o mesmo desembaraço

dade cartesiana se confunde, coincide com a nossa própria civilização. Seria

tanto o filósofo, o jurista e o sociólogo quanto o semi-analfabeto e o primário. Como compreender, portanto, que não funcione em relação às coisas da polí tica esse sistema de freios e de inibições

íISJÜíLk-','

dos indèbitamente e com tão boa cons

ciência se apropriam, tem uma tradição, tem uma história, que se não quisemios fazer começar com a pedagogia de Homero, nascerá então com os sofistas, com a "República" de Platão e a "Po

inúül fazer uma profecia retrospectiva

e imaginar qual a fisionomia do nosso mundo se Descartes üvesse sido um mo ralista e um político e não um mate mático. Devemos reconhecer, no en

que normalmente nos detém e nos im pede de transpor o limiar das outras ciências, das outras artes e disciplinas do

tanto, que se a ahnosíera cultural criada

espírito? No entanto, essa ciência, da qual to

cias da natureza, do mundo exterior c

com o triunfo do cartesianismo permi

tiu essa surpreendente eclosão das ciên

J


Diobsto Kcok^

Quando Rui. nu úUinia fase cl.- sua

i> antagonismo das classí-s." i<"fr. nosso

e\clução mental, acolhe as li«,-ões do

csludü "Rui Rarljosa o imia revisão ne-

Cardeal Mcrcicr, consnhslaticíudas iio

ce.ssáriu", in "Atualidades Brasileiras",,

"Código dc* Mulincs", não oljcdece se

1937, pág. 79).

não ã força interior que já governava

• seu espírito,' revelando os erros c as

Ei.s aí como na fase c.spiritualisla aos poucos se ajustam e .se completam, se

observações do individualismo jurídico: "A minha democracia social é a que preconi'zara o Cardeal Nícrcier, falando aos operários de Malincs: "Essa demo

gundo um centro diret<ir. as múltiplas atilud<'s de um homem que .soube viver

cracia ampla, serena, leal, c numa pa lavra, cristã. A democracia que quer

ções porque exuberante de \ ida.

em consonância coni as mutações histó

ricas de sou tempo, cheio de conlradi-,

assentar a felicidade da çjabsc obrcira.

E quando o grande lidador sentiu

não nas ruínas das outras classes, mas na

apròxíniar-se o fim da grande peleja, a\ izinhando-sc ã porta inexorável da morte, c.sculpiu para a ju\'enlude pátria

reparação dos agra\ns que da até agora tem curtido."

"Aplaudo no socialismo o que êlc tem

de são, de bené\olo, de confralornal, de pacificador; sem querer o socialismo

devastador que, na linguagem do egré gio prelado belga, animando o que menos nobre é no coração cIq homem rebaixa a questão social a uma luta dcapetites e quer dar-lhe por solução o que não poderá deixar de exacerbá-la-

Consciência política ROLAND CORBISIER

Que c a política? Em que consiste precisamcnlu essa ciência e essa

arte a respeito da qual todos sc acham com o direito dc opinar, embora a com

preensão dos seus problemas seja talvez mais árdua c mais difícil do que a in teligência dc qualquer questão de fisica, por exemplo, ou de matemática superior? Como explicar a desenvoltura e a se gurança com que costumamos tratar das

a meta última de sua luminosa trajetó

coisas políticas se são essas geralmente as que mais desconhecemos? Como e.xplicar o paradoxo de encontrarmos na própria ignorância em relação ao assun to uma espécie dc permissão c de inci tamento à suficiência e ao dogmatismo com que nos pronunciamos sobre as suas mais complexas e delicadas ques

ria espiritual.

tões?

o testamento mais alto de sua sensibili

dade, a "Oração aos Moços", cujo úl timo período: "Assim Deus o queira", êle corrigiu nos originais para èsle ou tro: "Assim o queira Deus", como que a dizer que, pondo a palavra Deus no fecho da memorável Oração, indicava

Pois se os homens de ciência não costumam ver as fronteiras dos seus

domínios invadidas pelos desavisados e profanos, o mesmo não acontece em re lação aos que se consagram ao estudo da ciência e da arte política, cujo campo 6, no sentido etímológico, uma verda

lítica" de Aristóteles. As origens dessa ciência confundem-se, portanto, com as

próprias origens da cultura ocidental, e não nos parece pobre ou desprerivel uma tradição de mais de vinte c cinco

séculos. Malgrado essa venerá\el genealoeia, quando nos dispomos a con siderar. os problemas políticos, quer no

que contêm de essencial e de perma nente, quer no que apresentam de cir cunstancial e de histórico, parece que nos esquecemos, que fazemos tabula rasa" de lodo êsse passado, de todo êsse patrimônio secular de e.xperiência e de reflexão?

Não U dúvida que o mundo mo

derno é filho de Descartes e nao de

Pascal isto é, nasce sob o signo, sob a

taspiraç-ío. "So de um gênio moral ou poWico, mas de unr gêmo c.ent.trco e

deira "res publica", terreno baldio que a todos e a ninguém pertence e no qual

Ltenutóco, Pascal é um gemo sem posteridade, enquanto que a posterr-

se movem com o mesmo desembaraço

dade cartesiana se confunde, coincide com a nossa própria civilização. Seria

tanto o filósofo, o jurista e o sociólogo quanto o semi-analfabeto e o primário. Como compreender, portanto, que não funcione em relação às coisas da polí tica esse sistema de freios e de inibições

íISJÜíLk-','

dos indèbitamente e com tão boa cons

ciência se apropriam, tem uma tradição, tem uma história, que se não quisemios fazer começar com a pedagogia de Homero, nascerá então com os sofistas, com a "República" de Platão e a "Po

inúül fazer uma profecia retrospectiva

e imaginar qual a fisionomia do nosso mundo se Descartes üvesse sido um mo ralista e um político e não um mate mático. Devemos reconhecer, no en

que normalmente nos detém e nos im pede de transpor o limiar das outras ciências, das outras artes e disciplinas do

tanto, que se a ahnosíera cultural criada

espírito? No entanto, essa ciência, da qual to

cias da natureza, do mundo exterior c

com o triunfo do cartesianismo permi

tiu essa surpreendente eclosão das ciên

J


7,1-» f.»r-

nir.F.sTí) Kcíínómico Dice-sti •

ti

Econômico

99

dat; técnicas c^ue nos pt-rinilcm dominá-

íjui- não rexcliun cm outros assuntos, isso

lo, embaraçou, dificultou

n

.SC expKc-u niKí só, como nos diz Bcrgson,

Criava-se, dessa maneira, o mito de

advento das ciências do homem, (jue

por ser "rignorance inêmc des choses

uma "ordem natural" que os fisiocratas

berdade que são também a fonte do mal,

afastou, "divertiu" dêle

dui donne limt de facilite à cn parler",

e os liberais haviam proclamado no pla

do sofrimento e do mistério.

nem tampouco por se ter a política des

no econômico o f|ue os onciclopedislus

valorizado como incapaz de promover a

iriam transferir para o plano social e po

felicidade comum, mas também ixirque

lítico.

também

mesmo, no

sentido pasc-aliano do têrmo.

Na psicologia do homem moderno, há uma espécie de irritação e de menos

prezo pt:las ciências morais e políticas, resultante da comparação que em seu espírito se estabelece entre a clareza dos

postulado.s, o rigor das leis c a fecun-

c o destino de cada um cm particular que se acha envolvido c ameaçado pelos rumos que foram dados à vida da conuinidadíf.

didade dos métodos das ciências naturais

c a aparente incerteza dos princípios, a vagueza da contextura e a inutilidade prática das ciências do homem. A decepç<áo, que experi

Não só existiria uma ordem eco

nômica, isto c, um conjunto de processos e fenômenos rigorosamente determinados, regidos por leis semelhantes i\s leis da natureza, que excluiriam qualquer cria ção, qualquer interferência cia liberdade

Immana é suprimir a consciência c a li Desvalorizava-se, portanto, a idéia e

a prática da política, que se tomava ou empírica e oportunista, atendendo ape nas ás e.xigências da realidade cotidiana, rcfratária ao enquadramento nos esque mas, ou era ideológica, desdobrando-se em tema de ociosas controvérsias ou em

vol\-inicnto teórico das ciências da natu

humana, como haveria também uma or

máscara e justificação da riolència e da opressão do.s regime.s totalitários. Fica

reza era paralelamente acompanhado por um surpreendente progresso nas técnicas

dem social natural a que o homem deve

mos assim condenados a uma e.spéclc

A medida, portanto, em que n dcsen-

ria submeter-se, a fim de realiztrr a har

dc oscilação pendular, à necesjrfdade de

menta em face da

de domínio do mun-

monia c o equilíbrio nas relações com os

escolher -entre uma política empírica,

incapacidade reve lada por essas ciên cias em organizar de

dci objetivo, presti-

seus semelhantes.

que se esgota em providências adminis

As ciências humanas,

modo satisfatório a

moderno, a figura do

existência

cientista, do técni

a ética o a política, principalmente, eram ix>is absorvidas pelas ciências naturais, embora ocupassem na classificação de Comte o grau mais elevado de comple

em sociedade, leva-o

co, que, na escala

xidade e de importância.

a subestimar e a des

dos valores e das

respeitar a política,

preferências, se tor

giuva-.so, na cons ciência

humana

do

homem

E assim como no plano econômico o li

interminável discus

da nova religião dos

beralismo imaginara que a ordem se rea lizaria espontãneamente, pelo simples jôgo o funcionamento das leis naturais, assim também no plano político, a ordem

são

mistérios

nas relaçcõcs sociais realizar-se-ia auto

nava um demiurgo,

que a seus olhos se reduz

ou

em

a

torno

mágico e sacerdote

uma

de

naturais.

insolú-

A idéia da ciência

maticamente, desde cjue fôssem suprimi

veis, a respeito dos

natural confundia-se

dos os obstáculos que impediam a livre

quais

homens

com a própria idéia,

expansão da natural bondade do homem.

não

conseguiram

ou melhor, com o

ainda

entender-se,

Paradoxalmente, a revolução francesi\, cjue se fazia em nome da liberdade, era

problemas os

próprio

ou ao exercício de

uma atividade puramente lúdica, ao jôgo pela conquista da influência, do prestígio, do poder.

ideal

da

ciência, contaminan do assim com seus esquemas e mctodos n esfera das dis

ciplinas antropológicas ou conhecimen tos referentes ao homem. A sociologia positivista representa êsse mal-entendi

Nessa discussão e nesse jôgo, porém, está compremetido o destino da cidade, do, a tentativa condenada de antemão da "polis", que não interessa apenas a " um inevitável malôgro, de estudar a

alguns, mas a todos. Se os mal infor mados interferem, pois, no debate polí tico, com uma suficiência e uma paixão

sociedade humana como se fòsse apenas um fenômeno natural com exclusão do

liomem c da sua liberdade.

\n. cd.%íi,L.iy ■„ ...

a repercussão, no plano concreto da His

tória, de um movimento filosóficx) que, de um modo geral, poderíamo.s caracteri zar pelo racionalismo, pelo naturalismo c pelo determinismo, isto é, pelu nega ção da liberdade humana. Se quisé.s.semo.s ir ao fundo da questão, devería mos dizer que o racionalisnu) consiste e.ssencialmente na negação do pecado ori ginal e do sentido trágico da vida. Pois admitir a possibilidade de organiziU", de racionalizar integralmente u e.xistência

trativas, improvisadas "au jour le jour", dentro dos quadros vazios de uma de mocracia puramente formal, õu a uma

política integralmente prevista e pla nejada, que c sempre a tentativa de encamação no proce.sso social de uma inconfessada metafísica do homem e da sociedade.

As dua.s pontas do dilema vinculamse, no entanto, ao mesmo pressuposto racionalista. Ao otimismo de Rouáseau

ein relação ao homem, que corrompido

pela sociedade seria capaz de regenerá-

la, se conseguisse recuperar a sua ini cial e primitiva liberdade, prende-se, lógica e bistòricamente, ao otimismo de Mai-x ein relação à sociedade, qiief, tendo corrompido o boniem e aliena do a sua verdadeira natureza pelas in

justiças no regime da produção e nas relações de traballio, poderá regenerá-lo, restituindo-lhe a sua autêntica fisiono-

. mia, na medida em que socializar os

meios de produção e suprimir a explo ração do homem pelo próprio hoineiní Não nos parece, porém, que essa crise

de confiança em relação à política, que explica em grande parte a desen\'olhira


7,1-» f.»r-

nir.F.sTí) Kcíínómico Dice-sti •

ti

Econômico

99

dat; técnicas c^ue nos pt-rinilcm dominá-

íjui- não rexcliun cm outros assuntos, isso

lo, embaraçou, dificultou

n

.SC expKc-u niKí só, como nos diz Bcrgson,

Criava-se, dessa maneira, o mito de

advento das ciências do homem, (jue

por ser "rignorance inêmc des choses

uma "ordem natural" que os fisiocratas

berdade que são também a fonte do mal,

afastou, "divertiu" dêle

dui donne limt de facilite à cn parler",

e os liberais haviam proclamado no pla

do sofrimento e do mistério.

nem tampouco por se ter a política des

no econômico o f|ue os onciclopedislus

valorizado como incapaz de promover a

iriam transferir para o plano social e po

felicidade comum, mas também ixirque

lítico.

também

mesmo, no

sentido pasc-aliano do têrmo.

Na psicologia do homem moderno, há uma espécie de irritação e de menos

prezo pt:las ciências morais e políticas, resultante da comparação que em seu espírito se estabelece entre a clareza dos

postulado.s, o rigor das leis c a fecun-

c o destino de cada um cm particular que se acha envolvido c ameaçado pelos rumos que foram dados à vida da conuinidadíf.

didade dos métodos das ciências naturais

c a aparente incerteza dos princípios, a vagueza da contextura e a inutilidade prática das ciências do homem. A decepç<áo, que experi

Não só existiria uma ordem eco

nômica, isto c, um conjunto de processos e fenômenos rigorosamente determinados, regidos por leis semelhantes i\s leis da natureza, que excluiriam qualquer cria ção, qualquer interferência cia liberdade

Immana é suprimir a consciência c a li Desvalorizava-se, portanto, a idéia e

a prática da política, que se tomava ou empírica e oportunista, atendendo ape nas ás e.xigências da realidade cotidiana, rcfratária ao enquadramento nos esque mas, ou era ideológica, desdobrando-se em tema de ociosas controvérsias ou em

vol\-inicnto teórico das ciências da natu

humana, como haveria também uma or

máscara e justificação da riolència e da opressão do.s regime.s totalitários. Fica

reza era paralelamente acompanhado por um surpreendente progresso nas técnicas

dem social natural a que o homem deve

mos assim condenados a uma e.spéclc

A medida, portanto, em que n dcsen-

ria submeter-se, a fim de realiztrr a har

dc oscilação pendular, à necesjrfdade de

menta em face da

de domínio do mun-

monia c o equilíbrio nas relações com os

escolher -entre uma política empírica,

incapacidade reve lada por essas ciên cias em organizar de

dci objetivo, presti-

seus semelhantes.

que se esgota em providências adminis

As ciências humanas,

modo satisfatório a

moderno, a figura do

existência

cientista, do técni

a ética o a política, principalmente, eram ix>is absorvidas pelas ciências naturais, embora ocupassem na classificação de Comte o grau mais elevado de comple

em sociedade, leva-o

co, que, na escala

xidade e de importância.

a subestimar e a des

dos valores e das

respeitar a política,

preferências, se tor

giuva-.so, na cons ciência

humana

do

homem

E assim como no plano econômico o li

interminável discus

da nova religião dos

beralismo imaginara que a ordem se rea lizaria espontãneamente, pelo simples jôgo o funcionamento das leis naturais, assim também no plano político, a ordem

são

mistérios

nas relaçcõcs sociais realizar-se-ia auto

nava um demiurgo,

que a seus olhos se reduz

ou

em

a

torno

mágico e sacerdote

uma

de

naturais.

insolú-

A idéia da ciência

maticamente, desde cjue fôssem suprimi

veis, a respeito dos

natural confundia-se

dos os obstáculos que impediam a livre

quais

homens

com a própria idéia,

expansão da natural bondade do homem.

não

conseguiram

ou melhor, com o

ainda

entender-se,

Paradoxalmente, a revolução francesi\, cjue se fazia em nome da liberdade, era

problemas os

próprio

ou ao exercício de

uma atividade puramente lúdica, ao jôgo pela conquista da influência, do prestígio, do poder.

ideal

da

ciência, contaminan do assim com seus esquemas e mctodos n esfera das dis

ciplinas antropológicas ou conhecimen tos referentes ao homem. A sociologia positivista representa êsse mal-entendi

Nessa discussão e nesse jôgo, porém, está compremetido o destino da cidade, do, a tentativa condenada de antemão da "polis", que não interessa apenas a " um inevitável malôgro, de estudar a

alguns, mas a todos. Se os mal infor mados interferem, pois, no debate polí tico, com uma suficiência e uma paixão

sociedade humana como se fòsse apenas um fenômeno natural com exclusão do

liomem c da sua liberdade.

\n. cd.%íi,L.iy ■„ ...

a repercussão, no plano concreto da His

tória, de um movimento filosóficx) que, de um modo geral, poderíamo.s caracteri zar pelo racionalismo, pelo naturalismo c pelo determinismo, isto é, pelu nega ção da liberdade humana. Se quisé.s.semo.s ir ao fundo da questão, devería mos dizer que o racionalisnu) consiste e.ssencialmente na negação do pecado ori ginal e do sentido trágico da vida. Pois admitir a possibilidade de organiziU", de racionalizar integralmente u e.xistência

trativas, improvisadas "au jour le jour", dentro dos quadros vazios de uma de mocracia puramente formal, õu a uma

política integralmente prevista e pla nejada, que c sempre a tentativa de encamação no proce.sso social de uma inconfessada metafísica do homem e da sociedade.

As dua.s pontas do dilema vinculamse, no entanto, ao mesmo pressuposto racionalista. Ao otimismo de Rouáseau

ein relação ao homem, que corrompido

pela sociedade seria capaz de regenerá-

la, se conseguisse recuperar a sua ini cial e primitiva liberdade, prende-se, lógica e bistòricamente, ao otimismo de Mai-x ein relação à sociedade, qiief, tendo corrompido o boniem e aliena do a sua verdadeira natureza pelas in

justiças no regime da produção e nas relações de traballio, poderá regenerá-lo, restituindo-lhe a sua autêntica fisiono-

. mia, na medida em que socializar os

meios de produção e suprimir a explo ração do homem pelo próprio hoineiní Não nos parece, porém, que essa crise

de confiança em relação à política, que explica em grande parte a desen\'olhira


TH

ii| I

^^^"inpppiip EnCESTO

EcONÓNnCO

Dicesto Econômico

lOO

e a suficiência com que todos se pro nunciam a seu respeito, nos condene

roça sequer o sentimento da nossa pró

necessidade de optar entre o empirisino

pria dignidade luimana. Qualquer rosIrição, porém, qualquer alentado contra a nossa liberdade, contra a margem de

político c a política ideológica, no sen

liberdade a que julgamos ter direito,

tido anteriormente definido do planeja

não só nos humilha como desencadeia a

mento totalitário.

nossa revolta.

irremediàvelmchte a èsse dilema, a essa

Pois, parafraseando

Karl Mannheim, poderíamos dizer que não SC trata mais de escolher entre a

política empírica e a ideológica, mas

entre as falsas e a verdadeira ideológi ca política. Pois se o apriorismo ideo lógico, o racionalismo político, como o

marxismo, por exemplo, por ser um

esquema rígido dentro do qual se pro cura encaixar a realidade, conduz ine

vitavelmente à opressão, o empirismo político, ao contrário, privado de qual quer idéia diretora, de qualquer teoria que lhe permita unificar e dar coerên cia ao processo social, conduz à dis

persão e finalmente à anarquia. No plano político, como em todos

os outros planos da vida humana, o pro

Verificamos, assim, (pie a política não SC basta a si mesma, mas implica, ao contrário, uma concep(."ão do homem e

da sociedade. Suponhamos que na raiz do uma teoria política se encontre um postulado otimista em relação à natu reza humana, isto c, a hipótese de que

entre os motivos que determinam o comportamento do homem, os impulsos altruístas prevalecem sobre os egoístas. Essa hipótese metafísica repercutirá imediatamente não só no plano moral como também no político, pois se a

natureza humana não está corrompida por nenhum pecado original, se o ho mem é naturalmente bom, deverá re

blema não está nunca em optar entre a lógica e a liberdade, ou entre a verdade e a existência, sacrificando uma á outra pois se o homem c um ser racional "

duzir-se ao mínimo, enquanto não fòi possível suprimi-la radicalmente, a inter venção de qualquer instância exteiior»

isto é, um ser habitado pela exigência

A reivindicação da mais ampla autono

de compreender e explicar as coisas no sentido de reduzi-las à unidade e à coe

rência lógica, ó também um ser que detém, que possui esse dom, êsse mis

pedagógica e política, no sentido de educar e disciplinar a sua liberdade. mia para a consciência individual será a

decorrência lógica dessa concepção otimist;i da natureza humana.

Suponhamos, ao contrário, que oo

terioso privilégio da liberdade, que o toma uma inesgotável fonte de possí veis, de gestos novos, inéditos e impre

fundamento da ciência política esteja uma visão pessimista do homem, isto c,

visíveis.

Diríamos mesmo que a li

no não procura nem prefere necessária-

berdade é mais necessária, mais indis

mente o bem, próprio c alheio, mas

pensável ao homem do que a razão, pois é evidente que preferimos não com preender as coisas do que perdermos Sentir os limites, as insuficiências da

comporta-se em obediência a poderosos impulsos de destruição e de morte. Nessa hipótese, deverá ampliar-se a mar gem de intervenção das instâncias pe dagógicas o políticas, que ficarão assim

razão não compromete em nada, não

investidas da missão de educar e hu-

a liberdade de não compreendê-las.

uma teoria segundo a qual o ser huma

manizar o homem, snlvando-o da bar

vel de consciência e de liberdade que,

bárie cm que permaneceria .se não o incorporássemos, pela asccse e pela dis

em relação ao social c ao político é fitn e não meio ou instrumento apenas, ad

ciplina, ao mundo propriamente humano do espírito c da cultura.

mitir essa tese, essa concepção me tafísica do homem é condenar impli citamente tanto o indiridualismo quan

É c\'idente que a sabedoria política do um Niaquiavel não se explica apenas pelas circimslãncias prculiarcs da Itália

to o socialismo, estabelecendo o princí- .

pio básico de uma política que não se

renascentista, mas envolve também um

(Xmfundo ncni com um nem com ou

julgamento de walor n respeito da pró

tro porque representa uma superação de

pria natureza liumana, tal como sempre se revelou ao longo da História. E tam

bém c claro que lóda a mitologia da bondado natural, que alimenta o pensa mento político de um Rousscau, não podo .^cr compreendida sòmente em fun ção dos dogmas e da atmosfera do "iluminismo", pois implica uma concepção do humano que se apresenta com uma

ambos. Pois, ccmo diz Jacqucs Chevalie.', "cn toute chose ce sont les prínci

pes qui importcnt, mais c'est aussi ce qiron connail le moins".

Sc passarmos à consideração do caso brasileiro, como não reconhecer que a ausência dc nimosáia política nacional, a inconsistência das nossas organizações

partidárias e a versatilidade dos nossos

pretensão de validade universal, tanto

homens públicos decorrem principalmen

no tempo como no c.spaço.

te dessa carência de formação hlosófiéa e doutrinária, dessa falta de cons

Subjacentes, portanto, às teorias e

doutrinas

políticas, podemos sempre

ciência polílica? Privados de um en

descobrir, desde que as submetamos à

sino superior eficaz, herdeiros _de um

critica e à reflexão filosófica, postula

legado espiritual paupérrimo, nao con tando com centros de rcnexao e pes

dos ou preconceitos em relação ao ho mem e à sua estrutura metafísica. Não

quisa que fôssem verdadeiras forjas de

conseguiremos nenhum esclarecimento,

consciência e do cultura, vivemos aban

nem poderemos cíhcgar a acordo algum,

donados cdesorientada perdidos, áe merce de uma imprensa nicrcenana que ,

enquanto não nos dispuscrmos a fazer êsse esforço, essa pro.<^pecção dos funda mentos, essa sondagem das raízes, dos

princípios metafísicos que, consciente ou inconscientemente, comandam a nossa atitude em relação ao homem e à.s

formas de organização de sua vida em sociedade.

Admitir, por exempla, em função da célebre distinção tomista, que o homem

não c apenas indivíduo, quer dizer, parte

não forma a opinião

®^

falsifica e corrompe, condenados à po lítica menor, à poUrica dos acordos e

dos conciliábulos, das_adesoes e das

deserções, da distribuição c e empregos o da demagogia oportunista.

Sc a política é o governo da socieda de pelo Estado, implica o seu exercício não só o conhecimento do que e em essência a sociedade humana como tam

ou elemento constitutivo de um todo do

bém a nítida consciência do que é o

qual tudo recebe e ao qual deve in tegralmente subordinar-se, mas também pessoa humana, isto é, um modo inviolá

Estado, da sua estrutura e dos seus fins. Êsse conhecimento do que há de essen

cial e de permanente na sociedade e no


TH

ii| I

^^^"inpppiip EnCESTO

EcONÓNnCO

Dicesto Econômico

lOO

e a suficiência com que todos se pro nunciam a seu respeito, nos condene

roça sequer o sentimento da nossa pró

necessidade de optar entre o empirisino

pria dignidade luimana. Qualquer rosIrição, porém, qualquer alentado contra a nossa liberdade, contra a margem de

político c a política ideológica, no sen

liberdade a que julgamos ter direito,

tido anteriormente definido do planeja

não só nos humilha como desencadeia a

mento totalitário.

nossa revolta.

irremediàvelmchte a èsse dilema, a essa

Pois, parafraseando

Karl Mannheim, poderíamos dizer que não SC trata mais de escolher entre a

política empírica e a ideológica, mas

entre as falsas e a verdadeira ideológi ca política. Pois se o apriorismo ideo lógico, o racionalismo político, como o

marxismo, por exemplo, por ser um

esquema rígido dentro do qual se pro cura encaixar a realidade, conduz ine

vitavelmente à opressão, o empirismo político, ao contrário, privado de qual quer idéia diretora, de qualquer teoria que lhe permita unificar e dar coerên cia ao processo social, conduz à dis

persão e finalmente à anarquia. No plano político, como em todos

os outros planos da vida humana, o pro

Verificamos, assim, (pie a política não SC basta a si mesma, mas implica, ao contrário, uma concep(."ão do homem e

da sociedade. Suponhamos que na raiz do uma teoria política se encontre um postulado otimista em relação à natu reza humana, isto c, a hipótese de que

entre os motivos que determinam o comportamento do homem, os impulsos altruístas prevalecem sobre os egoístas. Essa hipótese metafísica repercutirá imediatamente não só no plano moral como também no político, pois se a

natureza humana não está corrompida por nenhum pecado original, se o ho mem é naturalmente bom, deverá re

blema não está nunca em optar entre a lógica e a liberdade, ou entre a verdade e a existência, sacrificando uma á outra pois se o homem c um ser racional "

duzir-se ao mínimo, enquanto não fòi possível suprimi-la radicalmente, a inter venção de qualquer instância exteiior»

isto é, um ser habitado pela exigência

A reivindicação da mais ampla autono

de compreender e explicar as coisas no sentido de reduzi-las à unidade e à coe

rência lógica, ó também um ser que detém, que possui esse dom, êsse mis

pedagógica e política, no sentido de educar e disciplinar a sua liberdade. mia para a consciência individual será a

decorrência lógica dessa concepção otimist;i da natureza humana.

Suponhamos, ao contrário, que oo

terioso privilégio da liberdade, que o toma uma inesgotável fonte de possí veis, de gestos novos, inéditos e impre

fundamento da ciência política esteja uma visão pessimista do homem, isto c,

visíveis.

Diríamos mesmo que a li

no não procura nem prefere necessária-

berdade é mais necessária, mais indis

mente o bem, próprio c alheio, mas

pensável ao homem do que a razão, pois é evidente que preferimos não com preender as coisas do que perdermos Sentir os limites, as insuficiências da

comporta-se em obediência a poderosos impulsos de destruição e de morte. Nessa hipótese, deverá ampliar-se a mar gem de intervenção das instâncias pe dagógicas o políticas, que ficarão assim

razão não compromete em nada, não

investidas da missão de educar e hu-

a liberdade de não compreendê-las.

uma teoria segundo a qual o ser huma

manizar o homem, snlvando-o da bar

vel de consciência e de liberdade que,

bárie cm que permaneceria .se não o incorporássemos, pela asccse e pela dis

em relação ao social c ao político é fitn e não meio ou instrumento apenas, ad

ciplina, ao mundo propriamente humano do espírito c da cultura.

mitir essa tese, essa concepção me tafísica do homem é condenar impli citamente tanto o indiridualismo quan

É c\'idente que a sabedoria política do um Niaquiavel não se explica apenas pelas circimslãncias prculiarcs da Itália

to o socialismo, estabelecendo o princí- .

pio básico de uma política que não se

renascentista, mas envolve também um

(Xmfundo ncni com um nem com ou

julgamento de walor n respeito da pró

tro porque representa uma superação de

pria natureza liumana, tal como sempre se revelou ao longo da História. E tam

bém c claro que lóda a mitologia da bondado natural, que alimenta o pensa mento político de um Rousscau, não podo .^cr compreendida sòmente em fun ção dos dogmas e da atmosfera do "iluminismo", pois implica uma concepção do humano que se apresenta com uma

ambos. Pois, ccmo diz Jacqucs Chevalie.', "cn toute chose ce sont les prínci

pes qui importcnt, mais c'est aussi ce qiron connail le moins".

Sc passarmos à consideração do caso brasileiro, como não reconhecer que a ausência dc nimosáia política nacional, a inconsistência das nossas organizações

partidárias e a versatilidade dos nossos

pretensão de validade universal, tanto

homens públicos decorrem principalmen

no tempo como no c.spaço.

te dessa carência de formação hlosófiéa e doutrinária, dessa falta de cons

Subjacentes, portanto, às teorias e

doutrinas

políticas, podemos sempre

ciência polílica? Privados de um en

descobrir, desde que as submetamos à

sino superior eficaz, herdeiros _de um

critica e à reflexão filosófica, postula

legado espiritual paupérrimo, nao con tando com centros de rcnexao e pes

dos ou preconceitos em relação ao ho mem e à sua estrutura metafísica. Não

quisa que fôssem verdadeiras forjas de

conseguiremos nenhum esclarecimento,

consciência e do cultura, vivemos aban

nem poderemos cíhcgar a acordo algum,

donados cdesorientada perdidos, áe merce de uma imprensa nicrcenana que ,

enquanto não nos dispuscrmos a fazer êsse esforço, essa pro.<^pecção dos funda mentos, essa sondagem das raízes, dos

princípios metafísicos que, consciente ou inconscientemente, comandam a nossa atitude em relação ao homem e à.s

formas de organização de sua vida em sociedade.

Admitir, por exempla, em função da célebre distinção tomista, que o homem

não c apenas indivíduo, quer dizer, parte

não forma a opinião

®^

falsifica e corrompe, condenados à po lítica menor, à poUrica dos acordos e

dos conciliábulos, das_adesoes e das

deserções, da distribuição c e empregos o da demagogia oportunista.

Sc a política é o governo da socieda de pelo Estado, implica o seu exercício não só o conhecimento do que e em essência a sociedade humana como tam

ou elemento constitutivo de um todo do

bém a nítida consciência do que é o

qual tudo recebe e ao qual deve in tegralmente subordinar-se, mas também pessoa humana, isto é, um modo inviolá

Estado, da sua estrutura e dos seus fins. Êsse conhecimento do que há de essen

cial e de permanente na sociedade e no


loa

Dicesto Econónoco

Estado, que a deve governar, é o pres-

*' suposto básico, a condição indispensá vel de uma política ideológica, de uma

política no sentido maior. Ná«j é. po rem, a condição suficiente, pois, pode-

k riamos dizer, à maneira de Joseph de Maistre, que assim como não existe o

homem em si, mas apenas ingleses, franceses ou brasileiros, assim também p não existem a sociedade c o Estado cm

si, mas os diversos países e os diferentes Estados nacionais, inseridos em suas

categorias próprias de espaço e de tempo.

Se quisermos, portanto, criar as c-on-

diçoes de uma política nacional no

sentido maior, devemos incorporar à formação doutrinária, à consciência filosobca, o conhecimento da realidade brasileira, dos problemas específicos do nos.so povo e da nossa terra. Só assim

poderemos evitar ou a pura reflexão abs trata, desencarnada do real e do con

creto, ou o cjnpirismo oporlimisla, que

SC reduz a uma inconseqüente mani pulação do poder. Pois a política c a arte de criar as nações e de dirigi-las, promovendo a sua grand(!za c criando as condições da

sua possível felicidade, arte que exige não só a força da imaginação c a energia da %ontade, como também a

\'irtudc da prudência c essa sabedoria em ajustar os princípios aos casos con

cretos, a teoria à pratica, o ideal ao real.

A política é o destino, dizia Napoleão. Que destino, destino de quem? O nosso destino e o do.s homens superiores. A sorte do Brasil está em nossas mãos. E a fisionomia do futuro nós a desfc-

nharemos com a fôrça da nossa espe rança c da nossa liberdade.

'•Pí "1

A''

oionsdpa! ■ Planos edüos Paulo Barbosa de Campos Filho (Procurador Fiscal da Prefeitura de São Paulo e Presidente do InsHtuto dos

Advogados de São Paulo)

coNCLUsõics apiONudas pelo ConD[|A sgrcs.so dos Municípios, não faz muito reunido em Pctrópolis,

poucas

haverá capazes do produzir, se realizada.s, tantos c tão excelentes frutos, quanto a que recomenda planejem as adminis

antes projetá-la nos seus minimns pormenores, desde a quantidade e a quali

Tão evidente, aliás, é a utilidade de unia

dade dos materiais a empregar, ale o

tal medida que, sem ter acompanhado

dc perto a marcha dos trabalhos do Congresso, sou levado a assegurar foi ela aprovada sem maior discussão. Hoje, com efeito, possível é considerar-se a necessidade de planejamento como ver dade apodítica. Sentem todos, realmen te, que nada se pode tomar tão prejudi cial a qualquer administração — à das grandes cidades, sobretudo — quanto a incerteza de propósitos ou a versatilida de de rumos. São defeitos que levam a cutar . As administrações que deles pa decem — e o mal afeta, infelizmente, a muitas das nossas administraçõe.s — in-

.sístem, muitas vezes, hoje, no que ontem lhes pareceu condenável e, o que me pa rece muito mais grave, não raro des

fazem, agora o que ontem lhes custou re dobrados sacrifícios. E a essas vacilações

e hesitações, a êsses avanços e recuos, inevitáveis em regime de descontinui, '

---

'

; • • •' » J

"'- ■'yf

inthiyirtrttffiTáni iriir Vriim

'.Ta «ii sí

com razão Alcides Creca (1) — sem

senvolvimento dc seu.s próprios .serx iços.

trações municipais a organização e de

improvisar, em lugar de realizar; a en saiar e tatear, ao invés de pro\'er e exe

I/;". .

diar, impondo às administrações .siicesshnis o cumprimento de determinado programa, que impassível lhes seja ilu dir, esquecer ou alterar. Ninguém con,slrói sua casa — obsen-a

dade administrativa, somente o planeja mento, concebido e executado em largos moldes, será capaz de em parte reme

racional aproieilamento de suas possívci; serventias, prevendo-se as dimcn.sões e a disposição dos cômodos, o are jamento, a iluminação, os meios de hi giene e segurança, as condiçôe.s, enfim, dc aprazimento e conforto, e o mais que se relacione com o fim a que se

destina de moradia dos que lhe sao ca ros. Vai além o chefe de família nos

cuidados que dispensa a semelhante projeto, pois que nele habitualmente

atende às modificações por que deva

passar a casa a ser construída, por mo

do que se adapte às futuras necessida des de quantos vierem a habita-la. Pois o mesmo que acontece com a casa pró

pria, que é o lar cie determinada famí

lia, verifica-se - acrescenta o citado ju rista - com o lar de um grande númeto

do famílias, como seja a cidade. ^ E do mesmo modo que progride a técnica das boas construções, facilitando ao chefe de

família atingir cs objetivos a que se

propõe, assim também se aperfeiçoa a 1) Alcides Greca — Derecho y Ciência

de Ia Administracion Municipal , 2.a

edlclon. Santa Fé. 1943, vol. I. pâg. 185.

.


loa

Dicesto Econónoco

Estado, que a deve governar, é o pres-

*' suposto básico, a condição indispensá vel de uma política ideológica, de uma

política no sentido maior. Ná«j é. po rem, a condição suficiente, pois, pode-

k riamos dizer, à maneira de Joseph de Maistre, que assim como não existe o

homem em si, mas apenas ingleses, franceses ou brasileiros, assim também p não existem a sociedade c o Estado cm

si, mas os diversos países e os diferentes Estados nacionais, inseridos em suas

categorias próprias de espaço e de tempo.

Se quisermos, portanto, criar as c-on-

diçoes de uma política nacional no

sentido maior, devemos incorporar à formação doutrinária, à consciência filosobca, o conhecimento da realidade brasileira, dos problemas específicos do nos.so povo e da nossa terra. Só assim

poderemos evitar ou a pura reflexão abs trata, desencarnada do real e do con

creto, ou o cjnpirismo oporlimisla, que

SC reduz a uma inconseqüente mani pulação do poder. Pois a política c a arte de criar as nações e de dirigi-las, promovendo a sua grand(!za c criando as condições da

sua possível felicidade, arte que exige não só a força da imaginação c a energia da %ontade, como também a

\'irtudc da prudência c essa sabedoria em ajustar os princípios aos casos con

cretos, a teoria à pratica, o ideal ao real.

A política é o destino, dizia Napoleão. Que destino, destino de quem? O nosso destino e o do.s homens superiores. A sorte do Brasil está em nossas mãos. E a fisionomia do futuro nós a desfc-

nharemos com a fôrça da nossa espe rança c da nossa liberdade.

'•Pí "1

A''

oionsdpa! ■ Planos edüos Paulo Barbosa de Campos Filho (Procurador Fiscal da Prefeitura de São Paulo e Presidente do InsHtuto dos

Advogados de São Paulo)

coNCLUsõics apiONudas pelo ConD[|A sgrcs.so dos Municípios, não faz muito reunido em Pctrópolis,

poucas

haverá capazes do produzir, se realizada.s, tantos c tão excelentes frutos, quanto a que recomenda planejem as adminis

antes projetá-la nos seus minimns pormenores, desde a quantidade e a quali

Tão evidente, aliás, é a utilidade de unia

dade dos materiais a empregar, ale o

tal medida que, sem ter acompanhado

dc perto a marcha dos trabalhos do Congresso, sou levado a assegurar foi ela aprovada sem maior discussão. Hoje, com efeito, possível é considerar-se a necessidade de planejamento como ver dade apodítica. Sentem todos, realmen te, que nada se pode tomar tão prejudi cial a qualquer administração — à das grandes cidades, sobretudo — quanto a incerteza de propósitos ou a versatilida de de rumos. São defeitos que levam a cutar . As administrações que deles pa decem — e o mal afeta, infelizmente, a muitas das nossas administraçõe.s — in-

.sístem, muitas vezes, hoje, no que ontem lhes pareceu condenável e, o que me pa rece muito mais grave, não raro des

fazem, agora o que ontem lhes custou re dobrados sacrifícios. E a essas vacilações

e hesitações, a êsses avanços e recuos, inevitáveis em regime de descontinui, '

---

'

; • • •' » J

"'- ■'yf

inthiyirtrttffiTáni iriir Vriim

'.Ta «ii sí

com razão Alcides Creca (1) — sem

senvolvimento dc seu.s próprios .serx iços.

trações municipais a organização e de

improvisar, em lugar de realizar; a en saiar e tatear, ao invés de pro\'er e exe

I/;". .

diar, impondo às administrações .siicesshnis o cumprimento de determinado programa, que impassível lhes seja ilu dir, esquecer ou alterar. Ninguém con,slrói sua casa — obsen-a

dade administrativa, somente o planeja mento, concebido e executado em largos moldes, será capaz de em parte reme

racional aproieilamento de suas possívci; serventias, prevendo-se as dimcn.sões e a disposição dos cômodos, o are jamento, a iluminação, os meios de hi giene e segurança, as condiçôe.s, enfim, dc aprazimento e conforto, e o mais que se relacione com o fim a que se

destina de moradia dos que lhe sao ca ros. Vai além o chefe de família nos

cuidados que dispensa a semelhante projeto, pois que nele habitualmente

atende às modificações por que deva

passar a casa a ser construída, por mo

do que se adapte às futuras necessida des de quantos vierem a habita-la. Pois o mesmo que acontece com a casa pró

pria, que é o lar cie determinada famí

lia, verifica-se - acrescenta o citado ju rista - com o lar de um grande númeto

do famílias, como seja a cidade. ^ E do mesmo modo que progride a técnica das boas construções, facilitando ao chefe de

família atingir cs objetivos a que se

propõe, assim também se aperfeiçoa a 1) Alcides Greca — Derecho y Ciência

de Ia Administracion Municipal , 2.a

edlclon. Santa Fé. 1943, vol. I. pâg. 185.

.


Dicesto Econômico Dicesto EconóxíIco

plano regulador "c o projeto or

dos planos edílícios,

visando

não apenas cor

gânico e o ins

rigir possíveis erros do pas

trumento legal e f i n a n c eiro,

tarmos as vistas jjara certos defeitos de nossa organização polilico-administrativa, defeitos esses agravados por uns tantos hábitos c incomprccnsões, cujo

concurso parece comprometer, dc ma

sado — é esse

destinado a de

neira jrrcmissí\el, qualquer possibilida de de adoção de planos edilícios e, pois,

o caso dos cha

terminar a fu

mados

dc prática de urbanismo, sem eles, co

tura conforma

mo se viu, irrcaliz.ávcl.

do

planos

"remodela

ção do um nú

ção" — como a

cleo

solução

tendo cm vis

atual,

sempre com

vistas para o futuro, de todos os pro blemas de ordem material ou moral

que numa cidade se nossam apre

sentar, desde as questões de simples se

gurança ou higiene, às condições da mais elevada cultura e requintado con-

fôrto. Dizc-m-se, então, especificamen te, pianos "reguladores", tendo por mis são sincronizar harmônicamcnte tôdas as manifestações da vida em comum"

ainda nas expressões do eminente muni• oipalísta.

Estreitas são, de resto, as relações en tre planos reguladores e urbanismo. Sob um certo aspecto - qual seja o da ex

tensão do respectivo objeto — bem se

pode dizer que cs conceitos correm pa ralelos, pois sendo o urbanismo o con

junto de conhecimentos e de processos tendentes a resolver os problemas dos núcleos urbanos, os planos edilícios também a isso se destinam, não poden do haver urbanismo que os dispense.

povoado,

ta a harmônica

líticos, para, durante certo tempo, ir di zendo da tribuna da Câmara, ou reali

zando nos provimentos que edite, aqui lo tudo que indiciditohnentc pense acer ca das situações que forem surgindo tu-

do. aliás, partindo do pressuposto, logi

O primeiro defeito \om da índole do camente errado, de que tanto mais cer regime. Presidencialista a nos-a forma ta será a solução preferida quanto medc governo, reflcle-sc a mentalidade pre ■ lhor corresponder à média das opm.oes em condito... Escollicm-se, al.ás, os sidencialista em todos os nossos admi nossos vereadores, de olhos postos nao tanto nos seus conhecimento.s pessoais e

por parte de seus habitantes, dos bene fícios do conforto, cultura o higiene,

rem programa próprio dc administração,

molhorando-so ao mesmo tempo as suas condições morais o econômicas, mediante o efetivo aproveitamento das

ainda que se i^roponham a exccutá-loS

predicados

de seus serviços públicos,

sua maior beleza c ainda o pleno gôzo,

riquezas naturais da região,

o incre

mento do seu comércio c da sua indus

tria o a construção de obras públicas e particulares tendentes a criar condições permanentes de bem-estar social". (2)

no.s estreitos períodos dc suas gestões, muitas vezes transitórias. E então, da sucessão desarticulada de programas in dividuais, quando não dc efêmeras ve leidades, que não chegam a constituir programa, nem se traduzem em atos apreciáveis, o que resulta é a inexistên

desejo de por inteiro llie transcrever a

cia de qualquer programa administrati vo e, pois, a impossibilidade de qual

definição, tão bem assinala o municipa-

quer plano.

Como vêem os leitores, não resisti no

li.sta argentino os elementos integrantes de um verdadeiro plano edilício e os resultados que se devam esperar de sua aplicação. Vejo eu, por outras palavras, na própria conccituação do nne seja um plano regulador, a mais clonuente pro va de que precisam tê-lo as nossas gran des cidades, até mesmo as de menor im

portância, desde que apresentem sinto mas de apreciável e próximo desenxnl-

parte, um meio, ou um a.specto do ur banismo, que estaria, assim, para com eles na relação do gênero para com a

vimento.

mais subida importância, a transparecer da da definição do esclarecido mestre ' Universidade do Litoral, para quem o

administração pelos seus superiores po

nistradores, sobretudo nos chefes dos executivos municipais. Consideram eles uma frariueza ou inferioridade, o não te

distribuição

Os planos, entretanto — quem o diz é ainda Alcides Greça — são apenas uma

espécie. Parte, porém, ou aspecto, da

^

tre nós, do que ura prestanle cidadão, escolhido por seus pares ou preposto à

Que dificuldades, porem, se terão anteposto, até agora, á realização, entre nós, de tão afagado ideal ?

A resposta não será difícil, se vol2) Ob. e vol. cits. págs. 187/188.

O segundo defeito — êste não £Ó dos chefes dos executivos municipais, como

na sua possível experiência dos negó

cios adnListrativos, quanto nos seus

bondade!

se vivè.e. •

O ate na

Colônia, em

mos ao tempo do üi^su

nue bastava recnitarem-se os homens con» que levam para o

do os tenham, os seus p p

viduais de

mo, programas, enlr ^

^anis-

que não se

animam a submet

5ç„,pre nalguma da maioria dos nossos vereadores — está pares, mas <!"'= I, aceitos, aqui compano caráter isolado ou individual cie suas pnrte ou aando-se afinal atividades administrativas.- Cada pre nheiros do edihdade feito, ou cada vereador, tanto que eleito o empossado, como que se encastela na torre-de-marfim de suas próprias idéias e, sern cogibir do que po::sam saber ou pensar os outros, se vai esforçando para

pôr em obra o que mais acertado se lhe afigure, muitas vezes sem a menor vi são, quer particular, quer de conjunto, dos inúmeros e complexos problemas postos em equação. Um prefeito, ou um vereador, nada mais é, com efeito, en

por pagos dos

resultado

ma ou noutra votaçao tsse

17 «iccn a atuação consigam E ™sso se resume,„eadores. da maioria dos nossos u

Ora, se há processo de dn de trabalho incompatível com o ne

cessário planejamento, sao esses que aí ficam expostos.

Mas não é só. NSo se compenetra-

ram, ainda, muitos dos nossos ed.s de


Dicesto Econômico Dicesto EconóxíIco

plano regulador "c o projeto or

dos planos edílícios,

visando

não apenas cor

gânico e o ins

rigir possíveis erros do pas

trumento legal e f i n a n c eiro,

tarmos as vistas jjara certos defeitos de nossa organização polilico-administrativa, defeitos esses agravados por uns tantos hábitos c incomprccnsões, cujo

concurso parece comprometer, dc ma

sado — é esse

destinado a de

neira jrrcmissí\el, qualquer possibilida de de adoção de planos edilícios e, pois,

o caso dos cha

terminar a fu

mados

dc prática de urbanismo, sem eles, co

tura conforma

mo se viu, irrcaliz.ávcl.

do

planos

"remodela

ção do um nú

ção" — como a

cleo

solução

tendo cm vis

atual,

sempre com

vistas para o futuro, de todos os pro blemas de ordem material ou moral

que numa cidade se nossam apre

sentar, desde as questões de simples se

gurança ou higiene, às condições da mais elevada cultura e requintado con-

fôrto. Dizc-m-se, então, especificamen te, pianos "reguladores", tendo por mis são sincronizar harmônicamcnte tôdas as manifestações da vida em comum"

ainda nas expressões do eminente muni• oipalísta.

Estreitas são, de resto, as relações en tre planos reguladores e urbanismo. Sob um certo aspecto - qual seja o da ex

tensão do respectivo objeto — bem se

pode dizer que cs conceitos correm pa ralelos, pois sendo o urbanismo o con

junto de conhecimentos e de processos tendentes a resolver os problemas dos núcleos urbanos, os planos edilícios também a isso se destinam, não poden do haver urbanismo que os dispense.

povoado,

ta a harmônica

líticos, para, durante certo tempo, ir di zendo da tribuna da Câmara, ou reali

zando nos provimentos que edite, aqui lo tudo que indiciditohnentc pense acer ca das situações que forem surgindo tu-

do. aliás, partindo do pressuposto, logi

O primeiro defeito \om da índole do camente errado, de que tanto mais cer regime. Presidencialista a nos-a forma ta será a solução preferida quanto medc governo, reflcle-sc a mentalidade pre ■ lhor corresponder à média das opm.oes em condito... Escollicm-se, al.ás, os sidencialista em todos os nossos admi nossos vereadores, de olhos postos nao tanto nos seus conhecimento.s pessoais e

por parte de seus habitantes, dos bene fícios do conforto, cultura o higiene,

rem programa próprio dc administração,

molhorando-so ao mesmo tempo as suas condições morais o econômicas, mediante o efetivo aproveitamento das

ainda que se i^roponham a exccutá-loS

predicados

de seus serviços públicos,

sua maior beleza c ainda o pleno gôzo,

riquezas naturais da região,

o incre

mento do seu comércio c da sua indus

tria o a construção de obras públicas e particulares tendentes a criar condições permanentes de bem-estar social". (2)

no.s estreitos períodos dc suas gestões, muitas vezes transitórias. E então, da sucessão desarticulada de programas in dividuais, quando não dc efêmeras ve leidades, que não chegam a constituir programa, nem se traduzem em atos apreciáveis, o que resulta é a inexistên

desejo de por inteiro llie transcrever a

cia de qualquer programa administrati vo e, pois, a impossibilidade de qual

definição, tão bem assinala o municipa-

quer plano.

Como vêem os leitores, não resisti no

li.sta argentino os elementos integrantes de um verdadeiro plano edilício e os resultados que se devam esperar de sua aplicação. Vejo eu, por outras palavras, na própria conccituação do nne seja um plano regulador, a mais clonuente pro va de que precisam tê-lo as nossas gran des cidades, até mesmo as de menor im

portância, desde que apresentem sinto mas de apreciável e próximo desenxnl-

parte, um meio, ou um a.specto do ur banismo, que estaria, assim, para com eles na relação do gênero para com a

vimento.

mais subida importância, a transparecer da da definição do esclarecido mestre ' Universidade do Litoral, para quem o

administração pelos seus superiores po

nistradores, sobretudo nos chefes dos executivos municipais. Consideram eles uma frariueza ou inferioridade, o não te

distribuição

Os planos, entretanto — quem o diz é ainda Alcides Greça — são apenas uma

espécie. Parte, porém, ou aspecto, da

^

tre nós, do que ura prestanle cidadão, escolhido por seus pares ou preposto à

Que dificuldades, porem, se terão anteposto, até agora, á realização, entre nós, de tão afagado ideal ?

A resposta não será difícil, se vol2) Ob. e vol. cits. págs. 187/188.

O segundo defeito — êste não £Ó dos chefes dos executivos municipais, como

na sua possível experiência dos negó

cios adnListrativos, quanto nos seus

bondade!

se vivè.e. •

O ate na

Colônia, em

mos ao tempo do üi^su

nue bastava recnitarem-se os homens con» que levam para o

do os tenham, os seus p p

viduais de

mo, programas, enlr ^

^anis-

que não se

animam a submet

5ç„,pre nalguma da maioria dos nossos vereadores — está pares, mas <!"'= I, aceitos, aqui compano caráter isolado ou individual cie suas pnrte ou aando-se afinal atividades administrativas.- Cada pre nheiros do edihdade feito, ou cada vereador, tanto que eleito o empossado, como que se encastela na torre-de-marfim de suas próprias idéias e, sern cogibir do que po::sam saber ou pensar os outros, se vai esforçando para

pôr em obra o que mais acertado se lhe afigure, muitas vezes sem a menor vi são, quer particular, quer de conjunto, dos inúmeros e complexos problemas postos em equação. Um prefeito, ou um vereador, nada mais é, com efeito, en

por pagos dos

resultado

ma ou noutra votaçao tsse

17 «iccn a atuação consigam E ™sso se resume,„eadores. da maioria dos nossos u

Ora, se há processo de dn de trabalho incompatível com o ne

cessário planejamento, sao esses que aí ficam expostos.

Mas não é só. NSo se compenetra-

ram, ainda, muitos dos nossos ed.s de


ü'

Diceato EcoNÓNaoo

que são principalmente "administrado

res". A Lei Orgânica dos Municípios Paulistas diz — e muito bem — que a Câmara Municipal é o órgão legislativo do Município, e o Prefi ito, o órgão exe. cutico.

Mas define, também, as atri-

buitõcí: de uma e de outro, parliliiando entre ambos o e.xercício da administra ção. Seduzidos, no entanto, pelo brilho

da c-ondição de legisladore.s. não poucos são os edis que se esquecem de que são administradore.s c fazem, assim, das suas atividades, quase que exclíisivàmcnte, atividades parlamentares. A Câ

mara, por esse modo, se transfonna pá ra eles, num pequeno parlamento, sacri-

bcadas no seu exercício as mais impor tantes das suas atribuições, que são as de autonzaçao dos mais importantes

atos administrativos e de contraste dos praticados pelo prefeito, com ou sem autonzaçao sua. • o fenômeno, aliás, não é peculiar ao nosso mco. A.nda no seu livro, tantas vezes aqui citado, Alcides Greca o assi

naia na Argentina, quando observa que os conselhos municipais guardam estrei tas semelhanças com o parlamento mas obtempera não lhe serem equivalántás "como se cree corríentemente" (3) Am bos, explica êle, se consHtuem sob formá colegial; em ambos - acrescenta 1 atuam representantes do colégio eleito

ral; ambos estudam, discutem e votam ájustando-se a formas regimentais mais

ou menos semelhantes; mas a diferença fundamental está em que, ao passo que o parlamento vota leis, os conselhos mu3) Ob. cit. vol. II, pág. 107.

nicipais \otam regulamentos c orrfetw-

ções. E se é verdade que muitas dessas ordenações têm o caráter de verdadeiras leis do âmbito local, menos verdade não é que constituem, na maioria dos caros, simples resoluções admlniitrativas, des

Produtos brasileiros no mercstio internacional > ' IX - Babaçu Babaon Dorival T^xeora Vietoa

tinadas — c.xplica — a integrar juridica mente atos emanados do poder execu

^OMO produto de exportação, o babaçu

tivo, ou atos que éste, porieriormente,

apresenta talvez interesse maior pe las suas possibilidades do que pela sua posição atual ein nosso mercado expor tador, pois no conjunto das vendas bra sileiras para o exterior não tem ocupa do posição de relevância. Aliás os fru tos oleaginosos, pelo menos até 1941, pouco representa\'am no conjunto de nossas e.xportações. Basta dizer que em 1915, as oleaginosas contribuíam com 0,55 % do valor total exportado, e mercê das necessidades oriundas da segunda

deva integrar e executar.

Êsse particular é que nem sempre tem sido compreendido pelos nossos vereado res, que se créc ni apenas legisladores municipai.s, e.squecidns de que lhes com pete aperfeiçoar atos administrativos pra ticados pelos prefeitos e também, em muitos casos, prèviamente autorizá-los, como indispensável condição de valida

de. E com isso SC rcjubilam os maus prefeitos, que assim se arrogam liberda de maior de ação, do que aquela que as leis lhes conferem.

Aliás, entre os muitos atos de grande relevância, da alçada das nossas câma ras, estaria, precisamente, o estabeleci

mento dos planos edilícíos, de que aqu' me venho ocupando, planos esses qut'.

pelo seu acentuado cunho de generali dade c por serem substancialmente, co* mo lembra Greca, "um

instrunieiil*^

legal e financeiro", sòmente elas, e ja mais unicamente os prefeitos, podemu elaborar e fazer executar.

Interessante seria dizer-se como

derão faze-lo e de que maneira fugi'

Guerra Mundial e da dificuldade dos mercados consumidores se abastecerem

o caroço de algodão, o amendoim, a li nhaça, a copra, as azeitonas, a soja ou a colza. De passagem, digamos que ua economia•mundial, o Brasil não se úmi

apresentado conto grande produtor de oleaginosas, muito embora sua^ posição tenha melhorado de modo sensível, de

pois da crise de 1930, com o desenaproveitamento do óleo de caroço e voMmento da produção

algodão.

,

Para melhor a\'aUaroios o que o oa-

baçu poderá representar na economia brasileira, toma-se conveniente anaUsa as características de sua

indagarmos depois das possibilida es 'oleaginosos, que até 1935, em média, procura. A produção e comercio ^ o babaçu interessam a uma vasta região, não chegaram a representar 2% do va lor da exportação, alcançaram mais de compreendida desde o Amazonas ate cm outros centros produtores, os frutos

3,5%, no decênio 1936-1945. Em 1948,

sua importância ainda era relativamente grande, visto como exportáramos .... 213.152 toneladas de frutos oleaginosos,

a Bahia, constituindo um dos elementos

importantes da economia dos Estados dc Piauí e Maranhão, risto serem ali encontradas maiores extensões de baba-

num valor total de Cr$ 683.921.000,00,

guaiü e, em conseqüência, ser mais in

perfazepdo 3,15% do valor total de

tensa a exploração.

nossa exportação. O babaçu, nos últimos anos, contri buiu com cerca de 25 % dos frutos olea

A palmeira do babaçu inicia a piodução de côcos entre 10 e 15 anos, na casos, 'porém, em que a frutificação se dá aos 8 anos. Cada palmeira produz de 2 a 8 cachos pov ano, com grande e

às contingências de estrutura e funcio

ginosos, 0 em 1948 seu comércio regis

namento que acima deixei apontadasÊsse, porém, é assunto por demais com plexo, que reservo para segundo arlig®-

daquela exportação, e 0,16% do valor do conjunto de mercadorias brasileiras

des, que podem conter ate cerca de 800

vendidas no exterior.

mais de 200. Êsles babaçuai.s são na

trou exatamente 23,8 % do valor total

No plano internacional, a exploração do oleo de babaçu é de pequena monta, em confronto com a produção e comér cio de outras oleaginosas, quais sejam

variado número de còcos, desde os gran

côcos, até os pequenos que não contem tivos, constituindo florestas de coquei rais; no Piauí as formações mais densas

se distribuem por uma distancia de 10 a 20 kms na margem do rio Pamaíba e


ü'

Diceato EcoNÓNaoo

que são principalmente "administrado

res". A Lei Orgânica dos Municípios Paulistas diz — e muito bem — que a Câmara Municipal é o órgão legislativo do Município, e o Prefi ito, o órgão exe. cutico.

Mas define, também, as atri-

buitõcí: de uma e de outro, parliliiando entre ambos o e.xercício da administra ção. Seduzidos, no entanto, pelo brilho

da c-ondição de legisladore.s. não poucos são os edis que se esquecem de que são administradore.s c fazem, assim, das suas atividades, quase que exclíisivàmcnte, atividades parlamentares. A Câ

mara, por esse modo, se transfonna pá ra eles, num pequeno parlamento, sacri-

bcadas no seu exercício as mais impor tantes das suas atribuições, que são as de autonzaçao dos mais importantes

atos administrativos e de contraste dos praticados pelo prefeito, com ou sem autonzaçao sua. • o fenômeno, aliás, não é peculiar ao nosso mco. A.nda no seu livro, tantas vezes aqui citado, Alcides Greca o assi

naia na Argentina, quando observa que os conselhos municipais guardam estrei tas semelhanças com o parlamento mas obtempera não lhe serem equivalántás "como se cree corríentemente" (3) Am bos, explica êle, se consHtuem sob formá colegial; em ambos - acrescenta 1 atuam representantes do colégio eleito

ral; ambos estudam, discutem e votam ájustando-se a formas regimentais mais

ou menos semelhantes; mas a diferença fundamental está em que, ao passo que o parlamento vota leis, os conselhos mu3) Ob. cit. vol. II, pág. 107.

nicipais \otam regulamentos c orrfetw-

ções. E se é verdade que muitas dessas ordenações têm o caráter de verdadeiras leis do âmbito local, menos verdade não é que constituem, na maioria dos caros, simples resoluções admlniitrativas, des

Produtos brasileiros no mercstio internacional > ' IX - Babaçu Babaon Dorival T^xeora Vietoa

tinadas — c.xplica — a integrar juridica mente atos emanados do poder execu

^OMO produto de exportação, o babaçu

tivo, ou atos que éste, porieriormente,

apresenta talvez interesse maior pe las suas possibilidades do que pela sua posição atual ein nosso mercado expor tador, pois no conjunto das vendas bra sileiras para o exterior não tem ocupa do posição de relevância. Aliás os fru tos oleaginosos, pelo menos até 1941, pouco representa\'am no conjunto de nossas e.xportações. Basta dizer que em 1915, as oleaginosas contribuíam com 0,55 % do valor total exportado, e mercê das necessidades oriundas da segunda

deva integrar e executar.

Êsse particular é que nem sempre tem sido compreendido pelos nossos vereado res, que se créc ni apenas legisladores municipai.s, e.squecidns de que lhes com pete aperfeiçoar atos administrativos pra ticados pelos prefeitos e também, em muitos casos, prèviamente autorizá-los, como indispensável condição de valida

de. E com isso SC rcjubilam os maus prefeitos, que assim se arrogam liberda de maior de ação, do que aquela que as leis lhes conferem.

Aliás, entre os muitos atos de grande relevância, da alçada das nossas câma ras, estaria, precisamente, o estabeleci

mento dos planos edilícíos, de que aqu' me venho ocupando, planos esses qut'.

pelo seu acentuado cunho de generali dade c por serem substancialmente, co* mo lembra Greca, "um

instrunieiil*^

legal e financeiro", sòmente elas, e ja mais unicamente os prefeitos, podemu elaborar e fazer executar.

Interessante seria dizer-se como

derão faze-lo e de que maneira fugi'

Guerra Mundial e da dificuldade dos mercados consumidores se abastecerem

o caroço de algodão, o amendoim, a li nhaça, a copra, as azeitonas, a soja ou a colza. De passagem, digamos que ua economia•mundial, o Brasil não se úmi

apresentado conto grande produtor de oleaginosas, muito embora sua^ posição tenha melhorado de modo sensível, de

pois da crise de 1930, com o desenaproveitamento do óleo de caroço e voMmento da produção

algodão.

,

Para melhor a\'aUaroios o que o oa-

baçu poderá representar na economia brasileira, toma-se conveniente anaUsa as características de sua

indagarmos depois das possibilida es 'oleaginosos, que até 1935, em média, procura. A produção e comercio ^ o babaçu interessam a uma vasta região, não chegaram a representar 2% do va lor da exportação, alcançaram mais de compreendida desde o Amazonas ate cm outros centros produtores, os frutos

3,5%, no decênio 1936-1945. Em 1948,

sua importância ainda era relativamente grande, visto como exportáramos .... 213.152 toneladas de frutos oleaginosos,

a Bahia, constituindo um dos elementos

importantes da economia dos Estados dc Piauí e Maranhão, risto serem ali encontradas maiores extensões de baba-

num valor total de Cr$ 683.921.000,00,

guaiü e, em conseqüência, ser mais in

perfazepdo 3,15% do valor total de

tensa a exploração.

nossa exportação. O babaçu, nos últimos anos, contri buiu com cerca de 25 % dos frutos olea

A palmeira do babaçu inicia a piodução de côcos entre 10 e 15 anos, na casos, 'porém, em que a frutificação se dá aos 8 anos. Cada palmeira produz de 2 a 8 cachos pov ano, com grande e

às contingências de estrutura e funcio

ginosos, 0 em 1948 seu comércio regis

namento que acima deixei apontadasÊsse, porém, é assunto por demais com plexo, que reservo para segundo arlig®-

daquela exportação, e 0,16% do valor do conjunto de mercadorias brasileiras

des, que podem conter ate cerca de 800

vendidas no exterior.

mais de 200. Êsles babaçuai.s são na

trou exatamente 23,8 % do valor total

No plano internacional, a exploração do oleo de babaçu é de pequena monta, em confronto com a produção e comér cio de outras oleaginosas, quais sejam

variado número de còcos, desde os gran

côcos, até os pequenos que não contem tivos, constituindo florestas de coquei rais; no Piauí as formações mais densas

se distribuem por uma distancia de 10 a 20 kms na margem do rio Pamaíba e


lOfl

DrcESTO Econômico lod

Dicksto Econômico

dos seus afluenlos. A média de produ ção destas palmeiras nativas varia de

var esta fonte de riquo/a c. ao mesmo tempo, tornar mais eficiente o cmpreeo-

10 a 15 líg de amêndoas. Daí já se pode concluir que os babaçiiais repre sentam uma grande rique7.a natural. Do ponto de vista econômico, porém,

dimento. Estudos, neste sentido proce didos, demonstram que as palmeiras cultivadas apresentam maior desenvol

estes palmeirais nativos apresentam al

chos e de cocos.

gumas desvantagens.

pesas dc cüllieita e de transporte se reduzirão, ao mesmo tempo em que se

A disseminação

dos coqueirais em parcelas espaçadas, dentro de uma grande área, aumenta a

dificuldade de exploração c o custo se

avoluma, por crescerem as despesas do

colheita dos cocos, que se espalham pela vegetação estranha, que medra en tre as palmeiras. As precárias vias e

meios de comunicação, além disso, dificiiltam a própria administração das faB zendas de exploração do babaçu. Esta

toi a razão que conduziu o governo maranhense, no plano rodoviário daquele Estado, u prever o estabelecimen

to de hnhas-tronco rodoviárias, irradian do de cada um dos locais a serem indi cados para instalação das usinas de be-

neficiamcnto do babaçu, além de proietar-se o entrosamento destas vias com nos navegá^•eis e com a ferrovia bao Lujs-Teresina. Outro inconvenien te digno de nota é que os babaçuais são muitas vezes insalubres, o que dificulta a vida do caboclo, encarregado da co lheita; além disso, o terreno entre as várias árvores não é aproveitado na plantação de culturas subsidiárias, ten

dentes ao fornecimento de vívcres, o que contribuiria para baratear o custo de

vida naquelas regiões. A isto se junta uma certa depredação das palmeiras para o aproveitamento da rnadéira e a extra ção do palmito.

Êstes foram os motivos que levaram os agrônomos do Instituto Nacional de Óleos a apontar a conveniência de um replantin racional, de maneira a conser-

vimento c contém maior número de ca

Além dis\o, as des

facilitará a vida do trabalhador rural, harateando-llic o custo de vida e, em

conseqüência, o próprio custo de pro dução.

Do mesmo modo que a carnaúba, o

babaçu apresenta grande número de usos. Da palmeira nada se perde, visto como o tronco fornece esteios para

em geral. Quando o côco está ainda verde, pode fornecer um óleo semelhan te ao de palma, usado no Amazonas, em lugar da manteiga. O cndocarpo, bas tante rijo. do cor sópia c escura, re presentando 57% do pêso total do côco, c a parte mais importante do fruto, pois que nele se encontram as sementes ou amêndoas, cm número de 4 ou 3, das

quais SC e.xtrai o óleo do babaçu. A

J. P. de Andrade Jr., engenhelro-químlco industrial.

Para se avaliar a importância desses resultados, basta dizer que a madeira,

destilada a seco, apresenta apenas 22,5% do carvão, 4% dc alcatráo, 3% de ace tato do cálcio e 1,6% de álcool meülico. O carvão de babaçu, conforme ana

liso do laboratório da "Ècole de Arts et

Metiers" c de tipo coquc-mctalurgi^.

amêndoa contém cêrca de 66% a 67% dc óleo finíssimo, de côr branca leve mente amarelada, untuoso, fino e de

dc excelente rendimento, pelo ato c

sabor agradável; excelente sucedâneo

fósforo e cinzas; chega a atinpr • calorias e é excelente redutor e

da manteiga, do azeito e da banha, 6 muito empregado, também, na fabri cação de gliccrina, sabões e sabonetes. Uma vez destilado produz uin gás com

não conter nem enxofre nem

apenas uma percentagem

rios, pennitindo produzir erro e

do qualidodc superior. Pode

e„rplegador..,.aiosr,roer,ie^^^^^^

das na cobertura dc casas o, depois de

bustível, próprio para iluminação.

lhos de

tecidas, são utilizadas para paredes di

Constitui, ainda, excelente lubrifican te, visto não atacar o bronze e pelas análises químicas mostrar-se superior ao óleo bruto. Encontra, ademais, emprè-

ffutosmuito fraga carvao

conslniçõcs, enquanto as folhas são usa

visórias.

Com elas ainda sc fabricam

chapéus, esteiras, bolsas e mesmo ces

tos para transporte de cereais e até dos próprios côcos. As nervuras das folhas o os tales servem para fabricação de

palitos e de peneiras; grande parte des tas utilizações, porem, implica na des truição da planta.

O maior valor do babaçu é repre sentado por seus frutos que, quando vcrde.s, são levados ao fogo para se aproveitar, na coagulação do látex da

seringueira, a abundante fumaça que SC desprendo. O epicarpo é formado

de fibras resistentes, que tanto podem ser utilizadas como combustível, como

na fabricação de escovas, de tapetes, de cordas de grande resistência mesmo cí agua salgada. O mesocarpo, de colora ção branco-amarelada, é muito rico em

amido e tanino e hoje vem sendo con sumido como alimento, indicado princi palmente para crianças desnutridas, para convalescentes, insones e pessoas fracas

prego do car\ao de

■

°Xu que. «"do produzia

fomos. preOs i

go como combustível para motores do tipo Dlesel e semi-Dlesel. Uma vez ■ extraído o óleo, o resíduo das amêndoas constitui a torta do ba-

• baçu, a qual constitui excelente alimen to para o gado, muito embora, infeliz mente, não seja habitual dar-se-lhe se melhante ferragem.

Como subproduto, a casca do côco,

riornodocoryaodemad^ mineral, principa

1.50 73,25í

\nsto possuir em , de carbono fixo, g"

mellior carje 63,61

vão mineral nao po

depois de extraídas as amendòas, apre

Além disso o

senta também um valor econômico digno de nota. Mesmo sem nenhum trata mento é excelente ôombustível, utiliza

matéria-prima essencial pan

do, no Norte, tanto na navegação fmvial quanto nas estradas de ferro. Desde

rendimento,

dera o sen

alto teor de ga •

possui fabricação

de gêlo sêco.

A casca uma_vezdest^ ^^,^P^^

que seja, porém, submetida à destila-

n "™P°ortônchf,,Mca-se industrial.o anidrido Com o grande

ção, se obtêm 29% de carvão, 5,4% de

aretatn de cáicio.

alcatrão-anidro, 4,2% de ácido acético cristalizado e 1,3% de álcool metilico, de acôrdo com a experiência do Dr.

acét para uüliroção em pertnmarras. n éter»Jacéticos, empregados como drs-


lOfl

DrcESTO Econômico lod

Dicksto Econômico

dos seus afluenlos. A média de produ ção destas palmeiras nativas varia de

var esta fonte de riquo/a c. ao mesmo tempo, tornar mais eficiente o cmpreeo-

10 a 15 líg de amêndoas. Daí já se pode concluir que os babaçiiais repre sentam uma grande rique7.a natural. Do ponto de vista econômico, porém,

dimento. Estudos, neste sentido proce didos, demonstram que as palmeiras cultivadas apresentam maior desenvol

estes palmeirais nativos apresentam al

chos e de cocos.

gumas desvantagens.

pesas dc cüllieita e de transporte se reduzirão, ao mesmo tempo em que se

A disseminação

dos coqueirais em parcelas espaçadas, dentro de uma grande área, aumenta a

dificuldade de exploração c o custo se

avoluma, por crescerem as despesas do

colheita dos cocos, que se espalham pela vegetação estranha, que medra en tre as palmeiras. As precárias vias e

meios de comunicação, além disso, dificiiltam a própria administração das faB zendas de exploração do babaçu. Esta

toi a razão que conduziu o governo maranhense, no plano rodoviário daquele Estado, u prever o estabelecimen

to de hnhas-tronco rodoviárias, irradian do de cada um dos locais a serem indi cados para instalação das usinas de be-

neficiamcnto do babaçu, além de proietar-se o entrosamento destas vias com nos navegá^•eis e com a ferrovia bao Lujs-Teresina. Outro inconvenien te digno de nota é que os babaçuais são muitas vezes insalubres, o que dificulta a vida do caboclo, encarregado da co lheita; além disso, o terreno entre as várias árvores não é aproveitado na plantação de culturas subsidiárias, ten

dentes ao fornecimento de vívcres, o que contribuiria para baratear o custo de

vida naquelas regiões. A isto se junta uma certa depredação das palmeiras para o aproveitamento da rnadéira e a extra ção do palmito.

Êstes foram os motivos que levaram os agrônomos do Instituto Nacional de Óleos a apontar a conveniência de um replantin racional, de maneira a conser-

vimento c contém maior número de ca

Além dis\o, as des

facilitará a vida do trabalhador rural, harateando-llic o custo de vida e, em

conseqüência, o próprio custo de pro dução.

Do mesmo modo que a carnaúba, o

babaçu apresenta grande número de usos. Da palmeira nada se perde, visto como o tronco fornece esteios para

em geral. Quando o côco está ainda verde, pode fornecer um óleo semelhan te ao de palma, usado no Amazonas, em lugar da manteiga. O cndocarpo, bas tante rijo. do cor sópia c escura, re presentando 57% do pêso total do côco, c a parte mais importante do fruto, pois que nele se encontram as sementes ou amêndoas, cm número de 4 ou 3, das

quais SC e.xtrai o óleo do babaçu. A

J. P. de Andrade Jr., engenhelro-químlco industrial.

Para se avaliar a importância desses resultados, basta dizer que a madeira,

destilada a seco, apresenta apenas 22,5% do carvão, 4% dc alcatráo, 3% de ace tato do cálcio e 1,6% de álcool meülico. O carvão de babaçu, conforme ana

liso do laboratório da "Ècole de Arts et

Metiers" c de tipo coquc-mctalurgi^.

amêndoa contém cêrca de 66% a 67% dc óleo finíssimo, de côr branca leve mente amarelada, untuoso, fino e de

dc excelente rendimento, pelo ato c

sabor agradável; excelente sucedâneo

fósforo e cinzas; chega a atinpr • calorias e é excelente redutor e

da manteiga, do azeito e da banha, 6 muito empregado, também, na fabri cação de gliccrina, sabões e sabonetes. Uma vez destilado produz uin gás com

não conter nem enxofre nem

apenas uma percentagem

rios, pennitindo produzir erro e

do qualidodc superior. Pode

e„rplegador..,.aiosr,roer,ie^^^^^^

das na cobertura dc casas o, depois de

bustível, próprio para iluminação.

lhos de

tecidas, são utilizadas para paredes di

Constitui, ainda, excelente lubrifican te, visto não atacar o bronze e pelas análises químicas mostrar-se superior ao óleo bruto. Encontra, ademais, emprè-

ffutosmuito fraga carvao

conslniçõcs, enquanto as folhas são usa

visórias.

Com elas ainda sc fabricam

chapéus, esteiras, bolsas e mesmo ces

tos para transporte de cereais e até dos próprios côcos. As nervuras das folhas o os tales servem para fabricação de

palitos e de peneiras; grande parte des tas utilizações, porem, implica na des truição da planta.

O maior valor do babaçu é repre sentado por seus frutos que, quando vcrde.s, são levados ao fogo para se aproveitar, na coagulação do látex da

seringueira, a abundante fumaça que SC desprendo. O epicarpo é formado

de fibras resistentes, que tanto podem ser utilizadas como combustível, como

na fabricação de escovas, de tapetes, de cordas de grande resistência mesmo cí agua salgada. O mesocarpo, de colora ção branco-amarelada, é muito rico em

amido e tanino e hoje vem sendo con sumido como alimento, indicado princi palmente para crianças desnutridas, para convalescentes, insones e pessoas fracas

prego do car\ao de

■

°Xu que. «"do produzia

fomos. preOs i

go como combustível para motores do tipo Dlesel e semi-Dlesel. Uma vez ■ extraído o óleo, o resíduo das amêndoas constitui a torta do ba-

• baçu, a qual constitui excelente alimen to para o gado, muito embora, infeliz mente, não seja habitual dar-se-lhe se melhante ferragem.

Como subproduto, a casca do côco,

riornodocoryaodemad^ mineral, principa

1.50 73,25í

\nsto possuir em , de carbono fixo, g"

mellior carje 63,61

vão mineral nao po

depois de extraídas as amendòas, apre

Além disso o

senta também um valor econômico digno de nota. Mesmo sem nenhum trata mento é excelente ôombustível, utiliza

matéria-prima essencial pan

do, no Norte, tanto na navegação fmvial quanto nas estradas de ferro. Desde

rendimento,

dera o sen

alto teor de ga •

possui fabricação

de gêlo sêco.

A casca uma_vezdest^ ^^,^P^^

que seja, porém, submetida à destila-

n "™P°ortônchf,,Mca-se industrial.o anidrido Com o grande

ção, se obtêm 29% de carvão, 5,4% de

aretatn de cáicio.

alcatrão-anidro, 4,2% de ácido acético cristalizado e 1,3% de álcool metilico, de acôrdo com a experiência do Dr.

acét para uüliroção em pertnmarras. n éter»Jacéticos, empregados como drs-


Díni-iSTí» F<:o.\óMU!fi Dicksto

lulose para fabricação de seda artificial, os acetatos de cálcio, sódio, potássio e outros, de uso corrente na indústria de

produtos químicos e de matérias coran tes, e a acetona, cujos usos são bem co

nhecidos. O álcool metílic-o, por sua vez

além de ótimo combustível, permite a' obtenção de formei, ou pode ser utiliza do na fabric-ação de vernizes. O alcatrão presta-se à pavimentação de estra das de rodagem, à fabricação de vernizes pretos, permitindo ainda que se obte nha o gaiacol, a benzina, o fenol o o creosoto.

Experiências recentes demonstraram

•unèuduas, duda a grande resislónciu cjur a casca ofcrect ; cblas unui \ ez feridas, permitem a volatiliziíção do óleo e o

tanto mais que o côco não se abre ao primeiro golpe, sendo necessjirios dois ou

conseqüente ranço, prejudicando a boa

três. O custo da mão-de-obra aumenta,

qualidade <!o produto. Isto é tão impor

pois, considcrãxelmente, e por isso boa parte das firmas importadoras prefe re adquirir coquilhos e não as amêndoas já extraídas. A raziio é simples: cm primeiro lugar, o industrial estrangeiro pode (jproveitar imediatamente as amên doas partidas, evitando o ranço. Procede à quebra do côco mediante maquinaria, o que aumenta a velocidade da produ ção, diminuindo sensivelmente, por outro

tante que o decreto 7.263, de 22 de maio

de 1941, pela primeira \ez. determinou especificações e fixou tabelas para clas•sifícução e fiscalização da exjxirtação de amêndoas de babaçu. A partir deste de creto, as améndoa.s vem sendo classifi

cadas em 3 tipos: tipo 1 - superior, eonstítiiído de amêndoas de aparência própria e sãs, com a tolerância máxima de 15f de impurív.as e até 25? de aniên-

própria a bóa conser\'ação. com a tole

lho a amêndoa encontra-se convenien

temente protegida, só sendo extraída na medida da necessidade da produção do

-

de 5% de impurezas, e até 75? de feri

das, quebrada.s ou partidas. Enqua dram-se como refugo tôdas as amên doas classificadas abaixo do padrão. A classificação é de grande importân

Para o nosso exportador, a venda do

coquilho ó mais cômoda, visto reduziremse ô trabalho, a colheita, o transporte e

dos os seus subprodutos.

contrando maior saída e preços inuit')

Não sabemos se o fato é devido a certo desconhecimento das possibilidades do

mais compensadores, as amêndoas de tipo superior.

e aquelas representam apenas 8% do còco.

aproveitamento racional desta matériaprima, ou se nos encontramos diante de

As empresas de exploração do babaçu

Em 1942, os técnicos do Ministério da

têm organização ainda rudimentar. De

empreendimentos tècnicamente possíveis

vido à dificuldade de encontrar maqui naria adequada, emprega-se freqüente

ou mesmo impraticáveis.

mente o processo primitivo de abrir os

Convém chamar a atenção para o primitivismo com que se vem exploran

côcos à maneira sertaneja: o trabálliador

do esta riqueza brasileira. O maior pro blema tem sido o da quebra do côco

Até hoje não se têm conseguido máqui nas capazes de parti-lo, sem magoar as

numerosos produtos, como tambénr a in-

rância maxima de 2? de impurezas e ate 50?. de feridas, quebradas ou parti-'

cia para o exportador, \ isto serem mui to sensíveis as diferenças de preço, en

ina.s econòmicamente desaconselhávels'

O plano industrial da referida com

panhia abrange não só a fabricação de c:; terrenos dos babaçuais, depois dc fei to o desbaslamento necessário para per

óleo.

fixa ao solo u'a inachaclinha com o gume voltado para cima e sobre a lamina assim

colocada apóia o coco, no sentido do seu maior diâmetro, dando-lhe com um pe daço de pau uma forte pancada. Como se pode perceber, o processo é moroso,

dos casos não se aproveitam os resíduos

•í

Cr.$ 3.800.000,00.

Em segundo lugar, a conservação da nialéria-prima torna-se fácil, pois no coqui-

babaçu, nao se mtessan,do muito por to

1.000.000,00 e as que eristem traba" Iharr, com outros óleos vegetais, além do

aforadas, pertencentes ao patrimônio do Estado, fundou-se a Companhia Indus trial Babaçu Ltda.. com capital de

po 2 — bom, de amêndoas de aparência

o embarque. Mas com o coquilho, se * exporta a casca, e assim todos os subpro dutos são aproveitados pela indústria do país consumidor. Mesmo quando se pro cede á abertura dos côcos para vende rem-se apenas as amêndoas, na maioria

que possuem capital acima de Cr ^

çuais situados em terras devolutas, não

di\slria pastoril, para melhor aproveitar

As possibilidades industriais do ba das; tipo 3 — regular, amêndoas dc apa Apesar disso, as emprêsas produtoras tesar^dlsl™ =-1™^de• rência própria, com a tolerância máxima

oleo de babaçu, no território nacioní

que instalassem e fizessem funcionar, em território maranhense, usinas para indus trialização integral do côco babaçu, per mitindo-lhes, a título gratuito, durante 30 anos. a utilização dos frutos dos baba-

lado, o custo de produção das amêndoas.

que os resíduos do fruto do babaçu po dem ser ubhxados na fabricação de dl doa.s feridas, quebradas ou partidas; ti

sao em pequeno número e em geral de pequenas proporções. Poucas são Z

Econômico

mitir exploração racional do produto,

Esta emprêsa, no entanto, tem lutado

com dificuldade de crédito, sendo qi^ em fins de 1945 solicitou um grande

empréstimo ao Banco do Brasil. a importância desta indústria e lhe ten " sido negado o crédito, o Conselho Fe

1

deral de Comércio Exterior resolveu mandar estudar seu valor real, a fUn de lhe conceder empréstimos em condi ções especiais.

A fraca e.xportaçáo do óleo de babaçu,

em comparação com a maior facilidade de salda do coquilho, em parle também se explica porque as tarifas alfande

gárias, nos países importadores, são p^- >

Agricultura estimaram que o prejuízo quenas para a matéria-prima c altas para anual, resultante desse desperdício, era o óleo industrializado. O nosso mercado, para o produto. dc cêrca de Cr$ 58.000.000,00 e que, só / cm 1941, deixamos de aproveitar, no I no exterior, é muito reduzido, limitanEstado do Maranhão, 1.472.000 tonela ! clo-se aos Estados Unido.s, Argentina, das de cascas, as quais, aproveitadas

j Suíça, Venezuela e Colômbia, sendo de

industrialmente, poderiam ter rendido I lamentar ha\'ermos perdido os mercados Cr.$ 176.600.000,00. I cia França ,e Alemanha devido à guerra. I Cumpre notar, porém, que no Estado A América do Norte adquire cerca de do Maranhão, tendo sido baixado, em 4 de fevereiro de 1942, o decreto 573, con

1 70% do produto, distribuindo-se os 30Í \ restantes pelos outros rvenluais vom-

cedendo \antagcns a emprêsas ou firmas ' pradorcs.


Díni-iSTí» F<:o.\óMU!fi Dicksto

lulose para fabricação de seda artificial, os acetatos de cálcio, sódio, potássio e outros, de uso corrente na indústria de

produtos químicos e de matérias coran tes, e a acetona, cujos usos são bem co

nhecidos. O álcool metílic-o, por sua vez

além de ótimo combustível, permite a' obtenção de formei, ou pode ser utiliza do na fabric-ação de vernizes. O alcatrão presta-se à pavimentação de estra das de rodagem, à fabricação de vernizes pretos, permitindo ainda que se obte nha o gaiacol, a benzina, o fenol o o creosoto.

Experiências recentes demonstraram

•unèuduas, duda a grande resislónciu cjur a casca ofcrect ; cblas unui \ ez feridas, permitem a volatiliziíção do óleo e o

tanto mais que o côco não se abre ao primeiro golpe, sendo necessjirios dois ou

conseqüente ranço, prejudicando a boa

três. O custo da mão-de-obra aumenta,

qualidade <!o produto. Isto é tão impor

pois, considcrãxelmente, e por isso boa parte das firmas importadoras prefe re adquirir coquilhos e não as amêndoas já extraídas. A raziio é simples: cm primeiro lugar, o industrial estrangeiro pode (jproveitar imediatamente as amên doas partidas, evitando o ranço. Procede à quebra do côco mediante maquinaria, o que aumenta a velocidade da produ ção, diminuindo sensivelmente, por outro

tante que o decreto 7.263, de 22 de maio

de 1941, pela primeira \ez. determinou especificações e fixou tabelas para clas•sifícução e fiscalização da exjxirtação de amêndoas de babaçu. A partir deste de creto, as améndoa.s vem sendo classifi

cadas em 3 tipos: tipo 1 - superior, eonstítiiído de amêndoas de aparência própria e sãs, com a tolerância máxima de 15f de impurív.as e até 25? de aniên-

própria a bóa conser\'ação. com a tole

lho a amêndoa encontra-se convenien

temente protegida, só sendo extraída na medida da necessidade da produção do

-

de 5% de impurezas, e até 75? de feri

das, quebrada.s ou partidas. Enqua dram-se como refugo tôdas as amên doas classificadas abaixo do padrão. A classificação é de grande importân

Para o nosso exportador, a venda do

coquilho ó mais cômoda, visto reduziremse ô trabalho, a colheita, o transporte e

dos os seus subprodutos.

contrando maior saída e preços inuit')

Não sabemos se o fato é devido a certo desconhecimento das possibilidades do

mais compensadores, as amêndoas de tipo superior.

e aquelas representam apenas 8% do còco.

aproveitamento racional desta matériaprima, ou se nos encontramos diante de

As empresas de exploração do babaçu

Em 1942, os técnicos do Ministério da

têm organização ainda rudimentar. De

empreendimentos tècnicamente possíveis

vido à dificuldade de encontrar maqui naria adequada, emprega-se freqüente

ou mesmo impraticáveis.

mente o processo primitivo de abrir os

Convém chamar a atenção para o primitivismo com que se vem exploran

côcos à maneira sertaneja: o trabálliador

do esta riqueza brasileira. O maior pro blema tem sido o da quebra do côco

Até hoje não se têm conseguido máqui nas capazes de parti-lo, sem magoar as

numerosos produtos, como tambénr a in-

rância maxima de 2? de impurezas e ate 50?. de feridas, quebradas ou parti-'

cia para o exportador, \ isto serem mui to sensíveis as diferenças de preço, en

ina.s econòmicamente desaconselhávels'

O plano industrial da referida com

panhia abrange não só a fabricação de c:; terrenos dos babaçuais, depois dc fei to o desbaslamento necessário para per

óleo.

fixa ao solo u'a inachaclinha com o gume voltado para cima e sobre a lamina assim

colocada apóia o coco, no sentido do seu maior diâmetro, dando-lhe com um pe daço de pau uma forte pancada. Como se pode perceber, o processo é moroso,

dos casos não se aproveitam os resíduos

•í

Cr.$ 3.800.000,00.

Em segundo lugar, a conservação da nialéria-prima torna-se fácil, pois no coqui-

babaçu, nao se mtessan,do muito por to

1.000.000,00 e as que eristem traba" Iharr, com outros óleos vegetais, além do

aforadas, pertencentes ao patrimônio do Estado, fundou-se a Companhia Indus trial Babaçu Ltda.. com capital de

po 2 — bom, de amêndoas de aparência

o embarque. Mas com o coquilho, se * exporta a casca, e assim todos os subpro dutos são aproveitados pela indústria do país consumidor. Mesmo quando se pro cede á abertura dos côcos para vende rem-se apenas as amêndoas, na maioria

que possuem capital acima de Cr ^

çuais situados em terras devolutas, não

di\slria pastoril, para melhor aproveitar

As possibilidades industriais do ba das; tipo 3 — regular, amêndoas dc apa Apesar disso, as emprêsas produtoras tesar^dlsl™ =-1™^de• rência própria, com a tolerância máxima

oleo de babaçu, no território nacioní

que instalassem e fizessem funcionar, em território maranhense, usinas para indus trialização integral do côco babaçu, per mitindo-lhes, a título gratuito, durante 30 anos. a utilização dos frutos dos baba-

lado, o custo de produção das amêndoas.

que os resíduos do fruto do babaçu po dem ser ubhxados na fabricação de dl doa.s feridas, quebradas ou partidas; ti

sao em pequeno número e em geral de pequenas proporções. Poucas são Z

Econômico

mitir exploração racional do produto,

Esta emprêsa, no entanto, tem lutado

com dificuldade de crédito, sendo qi^ em fins de 1945 solicitou um grande

empréstimo ao Banco do Brasil. a importância desta indústria e lhe ten " sido negado o crédito, o Conselho Fe

1

deral de Comércio Exterior resolveu mandar estudar seu valor real, a fUn de lhe conceder empréstimos em condi ções especiais.

A fraca e.xportaçáo do óleo de babaçu,

em comparação com a maior facilidade de salda do coquilho, em parle também se explica porque as tarifas alfande

gárias, nos países importadores, são p^- >

Agricultura estimaram que o prejuízo quenas para a matéria-prima c altas para anual, resultante desse desperdício, era o óleo industrializado. O nosso mercado, para o produto. dc cêrca de Cr$ 58.000.000,00 e que, só / cm 1941, deixamos de aproveitar, no I no exterior, é muito reduzido, limitanEstado do Maranhão, 1.472.000 tonela ! clo-se aos Estados Unido.s, Argentina, das de cascas, as quais, aproveitadas

j Suíça, Venezuela e Colômbia, sendo de

industrialmente, poderiam ter rendido I lamentar ha\'ermos perdido os mercados Cr.$ 176.600.000,00. I cia França ,e Alemanha devido à guerra. I Cumpre notar, porém, que no Estado A América do Norte adquire cerca de do Maranhão, tendo sido baixado, em 4 de fevereiro de 1942, o decreto 573, con

1 70% do produto, distribuindo-se os 30Í \ restantes pelos outros rvenluais vom-

cedendo \antagcns a emprêsas ou firmas ' pradorcs.


lia

Dicesto EcoNóxaoo

A produção e comércio do ó!eo de ba

baçu no exterior esbarra com grandes dificuldades, visto neste setor ser muito forte a concorrência internacional. Uma

vez terminada a guerra e reorganizadas

guns produtos essenciais.

as economias nacionais, o Oriente no vamente passara a dominar o mercado

tos pelo Ministério da Agricultura, In dústria e Comercio indicam que o óleo

do óleos, principalmente alimentícios.

Estudos fei

de babaçu, como sucedâneo de óleos

As índias Holandesas, Ceilão, Filipi nas, Hongcong, índia Britânica. Japão

■

A exploração e a industrialização do

babaçu, no entanto, apresentam extraor dinário interesse, por permitirem re duzir o volume da importação de al

combustíveis o lubrificantes, permiti ria reduzir de muito o volume das im

e China constituem mercados fornecedo res importantíssimos, com os quais o Brasil nao eslá em condições econô

seu lado, favoreceria a diminuição do

micas de coinpetir. Apesar das exlraor-

consumo do carvão dc pedra importa

dmarias qualidades do óleo de babaçu, nao é ele insubstituível e os sucedâneos dimina-lo-ao do mercado internacional Mesmo no mercado interno, a concor^igodâao

e

pane: as pos-

portações da(pic!cs produtos.

O apro--

veitaniento do carvão de baljuçu, por

do, além de permitir maior rendimento para a industria siderúrgica e, em con seqüência, redução, do volume da im

EUCLIDES DA CUNHA, A «POESY

OF

RATT.WATS»

B A

BOLÍVIA

Gki\.\ldo o. Banasíinvitz

Quando Enclicles cia Cunha pensou na construção da "Transcontinental", tendo com isso no espírito a liga

ção ferroviiiria direta de Santos n Arica. no norte chileno, sna idéia talvez tivesse

sido considerada genial, mas era tam

bém grandiosa demais para que os cé-

ticos de seu tempo pudessem conceber a possibilidade dc sua realização. -Com efeito, além da repercussão moral, que essa construção dc quatro mil quilôme tros dc estrada dc ferro cortando o con

de tecidos, bem como para numerosos

produtos manufaturados brasileiros, que

ali encontraram fácil escoamento. É fora dc dúvida que, aproximando-nos

daqueles mercados, evitando as distan cias iini>osfas pela navegação marítima,

podemos neles consolidar nossa posição e aumentar nossas possibilidades dc

competição com os produtos provenien tes dos Estados Unidos e da Europa. Se atualmente é ainda pequeno o nú mero de merc-adorias manufaturadas ex

tinente sul-americano, poderia exercer

portáveis pelo Brasil, tende ele a cres

cuja produção se destinará quase que

nas Repúblicas vizinhas, seria difícil, aos contemporâneos do grande escritor,

cer à medida que se processa nossa industrialização. Seria oportuno incluir

exclusivamente ao mercado interno, cons

descobrir a necessidade econômica dc

portação de forro c aço.

A exploração racional do babaçu,

tituirá, assim, um grande passo para a independência econômica do Brasil.

desde já, entre nossos produtos exportá

uma tal ligação. Que mercadorias po deria essa estrada dc ferro transportar do Brasil para a Bolívia, o Peru e o

veis o ferro-gusa, que transportado da usina sidenirgica de Conimbá, poderá,

Chile e vice-versa? Era então muito semelhante a estrutura econômica de

rios ser entregue aos mercados bolivia

todos êsses países, para que entre eles

similares de não importa que origem es trangeira. A necessidade da criação de mercados

SC pudesse estabelecer um volumoso in tercâmbio comercial. Porque, pois. cons truir obra tão custosa se, por falta de

graças á economia dos fretes ferroviá

nos' com \'antagens sôbre os produtos

para nossa crescente produção é, lògi-

movimento, se tomaria ela fatalmente

camentc, o mais forte estímulo à rá

deficitária?

pida realização da "Transconlinental", que antes de chegar ao território boli

O panorama, porém, mudou profun

viano, atravessa uma' vastíssima zona brasileira, que se aproximará assim dos centros produtores de São Paulo e Rio mias nacionais dos diferentes países do Continente constilxiem hoje a base de" do Janeiro. Acrescentemos a isso — o um intenso intercâmbio continental, no que torna ainda mais interessante o em preendimento — que os trens que trans qual é importante a participação • do portarem, à Bolívia e a outros países, Brasil. Os mercados de Santiago, Bo gotá, Guaiaquil e Barranquilla, na costa os produtos manufaturados brasileiros,

damente em algumas décadas, e a di versificação e especialização das econo

cio Pacífico, passaram a apresentar con siderável importância durante a guerra, principalmente para nossos exportadores

poderão trazer-nos na volta, matériasprimas essenciais, como o petróleo bo liviano.


lia

Dicesto EcoNóxaoo

A produção e comércio do ó!eo de ba

baçu no exterior esbarra com grandes dificuldades, visto neste setor ser muito forte a concorrência internacional. Uma

vez terminada a guerra e reorganizadas

guns produtos essenciais.

as economias nacionais, o Oriente no vamente passara a dominar o mercado

tos pelo Ministério da Agricultura, In dústria e Comercio indicam que o óleo

do óleos, principalmente alimentícios.

Estudos fei

de babaçu, como sucedâneo de óleos

As índias Holandesas, Ceilão, Filipi nas, Hongcong, índia Britânica. Japão

■

A exploração e a industrialização do

babaçu, no entanto, apresentam extraor dinário interesse, por permitirem re duzir o volume da importação de al

combustíveis o lubrificantes, permiti ria reduzir de muito o volume das im

e China constituem mercados fornecedo res importantíssimos, com os quais o Brasil nao eslá em condições econô

seu lado, favoreceria a diminuição do

micas de coinpetir. Apesar das exlraor-

consumo do carvão dc pedra importa

dmarias qualidades do óleo de babaçu, nao é ele insubstituível e os sucedâneos dimina-lo-ao do mercado internacional Mesmo no mercado interno, a concor^igodâao

e

pane: as pos-

portações da(pic!cs produtos.

O apro--

veitaniento do carvão de baljuçu, por

do, além de permitir maior rendimento para a industria siderúrgica e, em con seqüência, redução, do volume da im

EUCLIDES DA CUNHA, A «POESY

OF

RATT.WATS»

B A

BOLÍVIA

Gki\.\ldo o. Banasíinvitz

Quando Enclicles cia Cunha pensou na construção da "Transcontinental", tendo com isso no espírito a liga

ção ferroviiiria direta de Santos n Arica. no norte chileno, sna idéia talvez tivesse

sido considerada genial, mas era tam

bém grandiosa demais para que os cé-

ticos de seu tempo pudessem conceber a possibilidade dc sua realização. -Com efeito, além da repercussão moral, que essa construção dc quatro mil quilôme tros dc estrada dc ferro cortando o con

de tecidos, bem como para numerosos

produtos manufaturados brasileiros, que

ali encontraram fácil escoamento. É fora dc dúvida que, aproximando-nos

daqueles mercados, evitando as distan cias iini>osfas pela navegação marítima,

podemos neles consolidar nossa posição e aumentar nossas possibilidades dc

competição com os produtos provenien tes dos Estados Unidos e da Europa. Se atualmente é ainda pequeno o nú mero de merc-adorias manufaturadas ex

tinente sul-americano, poderia exercer

portáveis pelo Brasil, tende ele a cres

cuja produção se destinará quase que

nas Repúblicas vizinhas, seria difícil, aos contemporâneos do grande escritor,

cer à medida que se processa nossa industrialização. Seria oportuno incluir

exclusivamente ao mercado interno, cons

descobrir a necessidade econômica dc

portação de forro c aço.

A exploração racional do babaçu,

tituirá, assim, um grande passo para a independência econômica do Brasil.

desde já, entre nossos produtos exportá

uma tal ligação. Que mercadorias po deria essa estrada dc ferro transportar do Brasil para a Bolívia, o Peru e o

veis o ferro-gusa, que transportado da usina sidenirgica de Conimbá, poderá,

Chile e vice-versa? Era então muito semelhante a estrutura econômica de

rios ser entregue aos mercados bolivia

todos êsses países, para que entre eles

similares de não importa que origem es trangeira. A necessidade da criação de mercados

SC pudesse estabelecer um volumoso in tercâmbio comercial. Porque, pois. cons truir obra tão custosa se, por falta de

graças á economia dos fretes ferroviá

nos' com \'antagens sôbre os produtos

para nossa crescente produção é, lògi-

movimento, se tomaria ela fatalmente

camentc, o mais forte estímulo à rá

deficitária?

pida realização da "Transconlinental", que antes de chegar ao território boli

O panorama, porém, mudou profun

viano, atravessa uma' vastíssima zona brasileira, que se aproximará assim dos centros produtores de São Paulo e Rio mias nacionais dos diferentes países do Continente constilxiem hoje a base de" do Janeiro. Acrescentemos a isso — o um intenso intercâmbio continental, no que torna ainda mais interessante o em preendimento — que os trens que trans qual é importante a participação • do portarem, à Bolívia e a outros países, Brasil. Os mercados de Santiago, Bo gotá, Guaiaquil e Barranquilla, na costa os produtos manufaturados brasileiros,

damente em algumas décadas, e a di versificação e especialização das econo

cio Pacífico, passaram a apresentar con siderável importância durante a guerra, principalmente para nossos exportadores

poderão trazer-nos na volta, matériasprimas essenciais, como o petróleo bo liviano.


114

A "Transcontinentar c, pois, atual

mente, uma necessidade econômica para o Brasil; é-o igualmente para a Bolívia,

DiCESTO ECONÓMtf-^

tenas de anos. a.s linhas marítimas

únicas vias eficientes dc comunicaç^^

Dioesto

Econónuco

Nfu> há dúvida de que outros projei<js semelhantes surgirão mais tarde, in

se em Mendoza à "Andine Railway",

estendendo-se a Valparaíso, unindo os

na América Latina. A navegação occí''

dicando o grau de einaneipaç-ão econô

que obtém assim outra via dc saída para o mar; é-o para todo o Continente

nica liga\a clirelamcnlr .seus portos a®*

mica de nosso Continente.

sul-americano.

labelecendo uma etapa característica d**

este-oeste não são contrárias a comu-

Concóidia, entroncando com a "North

economia colonial, cujo comércio terior se constituía de simples troca

nicavões oceânicas norte-sul: elas ape

Eastem", dirigida à e.xtremudura das

tinental dessa estrada de ferro, compa

nas libertam a América Latina da oni

Missões ao encontro da "Central Para

remo-la com o sistema de comunicações

matérias-primas latino-americanas

potência das comunicações marítimas,

guai", de modo a colocar dentro de pouco tempo Assunción a 36 horas do

Para bem acentuar a importüncia con

da Europa c da Aniérica do Norte,

É preciso esclarecer que as ligações

dois oceanos e desriando o comércio

exterior do Cliile; com a "Entre-Rios

Railway", indo buscar o Uruguai em

do antigo Império Austro-IIÚngaro:

produtos

estrangeiro^'

características da dependência em que

Viena controlava a economia dos vastos

Por esse mesmo motivo, era diminuto o

.SC eneonlra o Continente dos mercados

intercâmbio entre os países do Conti nente. Mas, à medida que a produção

mundiaí;;.

Utópica, a seu tempo, a concepção

mar; c com a "Central Norte", prolon gando a "Buenos Avres and Rosário", en\'esgando pelos acidentes de Jnjuí e

do contincnto se foi di\ersificando c

do grande escritor sobre a estrada de

dirigindo-se para o norte, em busca da

que as zonas do interior, como o Oeste

Bolívia".

intercâmbio continental, c.xatamente co

ferro "Trnnscontinental", tem, contudo, algo de genial e não precisaríamos afas tar-nos muito da visão, que teve Euclidcs da Cunha sôbre a ligação de Santos

mo ora .se verifica entro o Brasil e sev^-*'

a Arica, paru obtermos os

mento do prolongamento

vizinhos.

dados básicos do grande empreendimento, em cuja

até La Paz da linha pro cedente da Argentina, e

execução o Brasil ora sc

sentindo desenhar-se no

empenha cegamente.

irorizonte o perigo da re

e heterogêneos territórios que depen

diam da Coroa imperial, através 'da orientação norte-sul das grandes vias de comunicação da Europa Central Os

produtores vienenses contavam sempre

com efeito, com vantagens dc frete ê economia de tempo, nos fornecimentos que, por m férrea ou fluvial, sobre o

Danúbio, faziam às principais capitais da região. Uma única via férrea no sentido este-oeste ligava a Europa Cen tral a Paris e, portanto, com as potên cias ocidentais. Êsse fato explica a fa cilidade com que o Terceiro "Reich"

esJ:abeIecendo sôbre Viena seu domíniol pôde firmar sua hegemonia sôbre a Europa Central, sem que a França e a Inglaterra conseguissem contrabalan çar tal emprêsa mediante a intensifica

ção de seus ínterciimbios com os países daquela região. O sentido unilateral das vias de comunicação favorecia a Alemanha.

Não é possível uma comparação direta desse fato com as comunicações sulamericanas, em virtude das diferentes condições geográficas e políticas do Con tinente, mas também na América do Sul tem sido onipotente a orientação norte-

sul das vias de comunicação. É ela,

manufaturados

brasileiro, passaram a progredir, foi sur gindo a necessidade e a conveniência

Assinalemos, porém, cpie êsse inter

câmbio se fará principalmente na dire ção este-oeste, rompendo-se assim a pre

Aludindo em seguida ao acordo es tabelecido entre o governo boliviano e o

"National City BanV", para o financia

Para Euclidos da Cunha,

construção do "Vice-Rei-

dominância. das vias marítimas c da^^

era coisa inerente à posi

nado", graças à influên

clcmai.s linhas de comunicação nortef>'il- A construção de estradas de ferr*' e dc rodagem na direção oeste-este ioi' põe-se, portanto, como condição essen

ção geográfica dos dois

países a competição ar-

cia quG Buenos Aires co meçava a exercer sòbre

gentíno-brasileira, no sen

os países vizinhos com

tido de atingir, por cami

sua e.xtensa rede de es

cial ao desenvolvimento do comércio if ter-latino-americano.

nhos de ferro, os portos do Pacífico, através do território boli

da Cunha descreveu alegòricamente as

A primeira esti'ada traiiscontinental. entre a Argentina e o Chile, foi térnainada em 1910, podendo-se dizer que fiai

viano. Reconhecia êle uma certa "subal-

ternidade" de nosso país em relação à

repercussões que teria o lançamento de

Argentina, em matéria de construções

no. Constam essas profecias do capi

extraordinária sua influência no desen

do estradas de ferro, e se referia eufò-

tulo "Viação Sul-Americana", do livro

volvimento do comércio entre os dois

países. A segunda, ora em construção, ligando Santos a Arica, tendo Corumbá conio ponto intermediário, ligará quatro países sul-americanos, e mesmo cinco, se se considerar a variante da Noroeste

de certo modo, uma herança secular

que, partindo de Campo Grande, deve atingir, \'in Ponta-Porã, a capital pa

dos fatores que tornaram, durante cen

raguaia.

ricamente às quatro estradas argentinas que penetravam em território estrangei

ro: "Numa rede ferroviária, que em pouco tempo se tornou a décima do

mundo, é natural a quantidade de mo vimento que a dilata até romper em quatro pontos longamentos espaçados, a cercadura das fronteiras; com a "Bue

nos Ayres and Pacific Railway" ligandot

1

.^'V 't, fc—'íJÉMk-i

tradas de ferro, Euclides

trilhos atra\'és do território sul-america

"À Margem da História" e boa parte delas não,se realizou com o Nigor nem com a rapidez prevista, sobretudo as

referentes à dependência em que se ve riam, cm face da Argentina, a Bolívia g o Chile.

Mas, o valor dã obra de Euclides da Cunha não reside nisso. Descrevendo

em côres vivas, a iniciativa argentina


114

A "Transcontinentar c, pois, atual

mente, uma necessidade econômica para o Brasil; é-o igualmente para a Bolívia,

DiCESTO ECONÓMtf-^

tenas de anos. a.s linhas marítimas

únicas vias eficientes dc comunicaç^^

Dioesto

Econónuco

Nfu> há dúvida de que outros projei<js semelhantes surgirão mais tarde, in

se em Mendoza à "Andine Railway",

estendendo-se a Valparaíso, unindo os

na América Latina. A navegação occí''

dicando o grau de einaneipaç-ão econô

que obtém assim outra via dc saída para o mar; é-o para todo o Continente

nica liga\a clirelamcnlr .seus portos a®*

mica de nosso Continente.

sul-americano.

labelecendo uma etapa característica d**

este-oeste não são contrárias a comu-

Concóidia, entroncando com a "North

economia colonial, cujo comércio terior se constituía de simples troca

nicavões oceânicas norte-sul: elas ape

Eastem", dirigida à e.xtremudura das

tinental dessa estrada de ferro, compa

nas libertam a América Latina da oni

Missões ao encontro da "Central Para

remo-la com o sistema de comunicações

matérias-primas latino-americanas

potência das comunicações marítimas,

guai", de modo a colocar dentro de pouco tempo Assunción a 36 horas do

Para bem acentuar a importüncia con

da Europa c da Aniérica do Norte,

É preciso esclarecer que as ligações

dois oceanos e desriando o comércio

exterior do Cliile; com a "Entre-Rios

Railway", indo buscar o Uruguai em

do antigo Império Austro-IIÚngaro:

produtos

estrangeiro^'

características da dependência em que

Viena controlava a economia dos vastos

Por esse mesmo motivo, era diminuto o

.SC eneonlra o Continente dos mercados

intercâmbio entre os países do Conti nente. Mas, à medida que a produção

mundiaí;;.

Utópica, a seu tempo, a concepção

mar; c com a "Central Norte", prolon gando a "Buenos Avres and Rosário", en\'esgando pelos acidentes de Jnjuí e

do contincnto se foi di\ersificando c

do grande escritor sobre a estrada de

dirigindo-se para o norte, em busca da

que as zonas do interior, como o Oeste

Bolívia".

intercâmbio continental, c.xatamente co

ferro "Trnnscontinental", tem, contudo, algo de genial e não precisaríamos afas tar-nos muito da visão, que teve Euclidcs da Cunha sôbre a ligação de Santos

mo ora .se verifica entro o Brasil e sev^-*'

a Arica, paru obtermos os

mento do prolongamento

vizinhos.

dados básicos do grande empreendimento, em cuja

até La Paz da linha pro cedente da Argentina, e

execução o Brasil ora sc

sentindo desenhar-se no

empenha cegamente.

irorizonte o perigo da re

e heterogêneos territórios que depen

diam da Coroa imperial, através 'da orientação norte-sul das grandes vias de comunicação da Europa Central Os

produtores vienenses contavam sempre

com efeito, com vantagens dc frete ê economia de tempo, nos fornecimentos que, por m férrea ou fluvial, sobre o

Danúbio, faziam às principais capitais da região. Uma única via férrea no sentido este-oeste ligava a Europa Cen tral a Paris e, portanto, com as potên cias ocidentais. Êsse fato explica a fa cilidade com que o Terceiro "Reich"

esJ:abeIecendo sôbre Viena seu domíniol pôde firmar sua hegemonia sôbre a Europa Central, sem que a França e a Inglaterra conseguissem contrabalan çar tal emprêsa mediante a intensifica

ção de seus ínterciimbios com os países daquela região. O sentido unilateral das vias de comunicação favorecia a Alemanha.

Não é possível uma comparação direta desse fato com as comunicações sulamericanas, em virtude das diferentes condições geográficas e políticas do Con tinente, mas também na América do Sul tem sido onipotente a orientação norte-

sul das vias de comunicação. É ela,

manufaturados

brasileiro, passaram a progredir, foi sur gindo a necessidade e a conveniência

Assinalemos, porém, cpie êsse inter

câmbio se fará principalmente na dire ção este-oeste, rompendo-se assim a pre

Aludindo em seguida ao acordo es tabelecido entre o governo boliviano e o

"National City BanV", para o financia

Para Euclidos da Cunha,

construção do "Vice-Rei-

dominância. das vias marítimas c da^^

era coisa inerente à posi

nado", graças à influên

clcmai.s linhas de comunicação nortef>'il- A construção de estradas de ferr*' e dc rodagem na direção oeste-este ioi' põe-se, portanto, como condição essen

ção geográfica dos dois

países a competição ar-

cia quG Buenos Aires co meçava a exercer sòbre

gentíno-brasileira, no sen

os países vizinhos com

tido de atingir, por cami

sua e.xtensa rede de es

cial ao desenvolvimento do comércio if ter-latino-americano.

nhos de ferro, os portos do Pacífico, através do território boli

da Cunha descreveu alegòricamente as

A primeira esti'ada traiiscontinental. entre a Argentina e o Chile, foi térnainada em 1910, podendo-se dizer que fiai

viano. Reconhecia êle uma certa "subal-

ternidade" de nosso país em relação à

repercussões que teria o lançamento de

Argentina, em matéria de construções

no. Constam essas profecias do capi

extraordinária sua influência no desen

do estradas de ferro, e se referia eufò-

tulo "Viação Sul-Americana", do livro

volvimento do comércio entre os dois

países. A segunda, ora em construção, ligando Santos a Arica, tendo Corumbá conio ponto intermediário, ligará quatro países sul-americanos, e mesmo cinco, se se considerar a variante da Noroeste

de certo modo, uma herança secular

que, partindo de Campo Grande, deve atingir, \'in Ponta-Porã, a capital pa

dos fatores que tornaram, durante cen

raguaia.

ricamente às quatro estradas argentinas que penetravam em território estrangei

ro: "Numa rede ferroviária, que em pouco tempo se tornou a décima do

mundo, é natural a quantidade de mo vimento que a dilata até romper em quatro pontos longamentos espaçados, a cercadura das fronteiras; com a "Bue

nos Ayres and Pacific Railway" ligandot

1

.^'V 't, fc—'íJÉMk-i

tradas de ferro, Euclides

trilhos atra\'és do território sul-america

"À Margem da História" e boa parte delas não,se realizou com o Nigor nem com a rapidez prevista, sobretudo as

referentes à dependência em que se ve riam, cm face da Argentina, a Bolívia g o Chile.

Mas, o valor dã obra de Euclides da Cunha não reside nisso. Descrevendo

em côres vivas, a iniciativa argentina


Ijr

pii

%

Dicsrro Económioo

em matéria de estradas de fe^o, e de

ção Buenos Airos-La Paz, ou que «

monstrando que nossa vizinha do Prata

estrada que a Argentina pretendia cons

estava em vias de controlar, cm boa extenção, a futura "Panamerican Rail-

truir até Santa Cruz de Ia Síerra, via'

way", quis ele alertar seus compatrio

tas, para lhes fazer comprender a ne cessidade em que nos colocava nossa

posição geográfica muito mais favorável, no sentido de avançarmos também nesse

Yacuiba.

Eis os algarismos alinliados por Eucli des da Cunlia: "TRANSCONTINENTAL" ~ VIA BRASIL

terreno da ligação ferroviária intercon

tinental. Foi então que afirmou estar a Noroeste do Brasil predestinada a es boçar a futura "Transcontinental".

É sugestiva sua descrição histórica das

lutas que precederam o projeto do dr.

Shnoor de 1903 ("Memória do projeto da Estrada de Feno Mato Grosso e

fronteira da Bolívia" - Rio de Janeiro, 1903). Por ela verificamos que o autor da idéia foi o deputado Paulo Cândido, que a lançou em 1852. Seguiram-se inúmeros projetos, apresentando outras tantas variantes do traçado transconti

nental; e que constituíram objeto de dis cussão por parte de cinco dos mais emi

nentes engenheiros brasileiros, sob a dirèção do Visconde do Rio Branco. A

idéia voltou a ser agitada pelos técni cos nas décadas seguintes, tomando fi nalmente forma no fim do século, até

quo, em 1904, no Clube dos Engenhei ros, se chegou a conclusões definitivas, que foram incorporadas ao projeto de

Santos-Bauru Bauru-Corumbá

A concepção dessa estrada apaixonou Euclides da Cunha.

Pode-se mesmo

dizer que ele se sentiu tocado por aquela espécie de "Poesy o£ Railways", que cria

521 1.403

Total de Santos a Arica

com petróleo bali\*iano — é de impor

notando-se nos trabalhos uma verdadei

ó muito acentuada. Na Bolívia, porem

des da Cunha previa essa competição nos seguintes termos: "O antagonismo brasileiro, pi'edisposto a contrapesar o imperialismo ferroviário argentino, extinguindí) ao mevmo tempo a influencia

tradicional do "Bósloro" de água doce do

Prata, delineia-se

neste

momento

numa estrada de ferro, que se não des viará de uma diretriz intorcível e será

202

a secção mais dilatada das Iranscontinentais sul-americanas: a Noroeste".

3.954

Ê difícil traçar em termos mais claros

que estes, escritos há quarenta anos, o que hoje se observa. A descoberta de petróleo em grandes quantidades na faixa subandina da Bolívia, e cujo principal ponto de intercâmbio é esta mesma Santa Cruz de Ia Sierra, que visamos com a "Transcontinental", aguçou ain

A distância da ligação partindo de Buenos Aires seria um pouco maior, como se vc nos números abaixo: "TRANSCONTINENTAL" - VIA argentina

da mais o interesse de ambos os con km

Buenos Aires-Rosário Rosárío-Tucumã

correntes.

304 852

tância para os brasileiros, a fim dc que po-ssainos planejar os contornos de uma colaboração futura ainda mais firme quo a atual.

Èsscs problemas não são, em princi

pio, estranhos ao Continente, cuja de pendência econômica do exterior ain a é extrema sua gravidade, tão gran e como talvez não a tenha conhecido ne nhuma das outras nações latino-amcn-

canaa. Quase tôda a vida nacional bo viana depende econômica, política c cu turalmenle, de uma mercadoria e cio

conseqüente abandono das mais e o montares atividades agrícolas e m dustrinis.

So tivéssemos de demonstrar a

patibilidade, com o

*

CO, do desenvolvimento, num e ^r

do país, de uma só atividade pro u .

seja agrícola ou industrial citaríamos provávelinente o caso da Bolma.

Mas essa situação, felizmente para o

vizinho país, vai-se tornando ^^S^a"

pidamontc, ura efeito do passado po s todas as forças d»

pregadas para quebrar a o p

Lse estranho ractal que é o cstanho

que na Bolívia não tem feito mais que eontinuar a longa identificação da história do antigo Alto Peru com um

Único metal: a prata. Retrato de urna nação

Tucumã-Perico

Graças ao predomínio do estanho, nada de fundamental mudou desde os

Perico-Yacuiba

tempos do vice-rei de Toledo, quando

1.332

O conhecimento do "país mais mineralizado do mundo" — com o qual temos uma longa fronteira e ao qual nos ligam os acordos econômicos de 1938, estreitamente associados à realiza

"Llallagua" permitem a duas famílias

Total de Buenos Aires-Ariça .. 4.027

ção da ligação ferroviária transconti nental e ao aprovisionamento do Brasil

0 Buenos Aires.

Total na Argentina

ter descoberto em nossos vizinhos do Prata. Mas suas reflexões são inexorá

Yacuiba-Santa Cruz

veis e, com dados à mão, demonstrou

Santa Cruz-Arica

1.995

que, efetivamente, a lig"àção BolíviaSantos seria mais favorável que a liga

O ponto mais iiobávcl nesscs cálculos ó a prccniinència (pjo Euclides da Cunha deu ú futura estrada argentina que, passando por Yacuiba, teria por destino Santa Cruz dc Ia Sierra, i>onto final também do prolongamento da Noroeste do Brasil, via Cuiabá. São essas, jus tamente, as linhas hoje cm construção,

pidez do lançamento dos trilhos em território boli\ ian:). Já em 1907, Eucli

Total no Brasil 1,924 Corumbá-Santa Cruz 698 Santa Cruz-Cochabamba 466 Cochabamba-Oruro 213 Oruro-La Paz 215 La Paz-fronlcira do Chile .... 236 Toial na Bolívia 1.828 Fronteira chileno-boliviana ....

117

Econónucu

ra competição cnlrc argentinos e bra sileiros, "corrida" a que ,sc de\'c a ra

km

construção da Noroeste do Brasil e da futura Brasil-Bolívia.

Dicuto

1

a "montanha de prata" de Potosi enri

quecia a côrte metropolitana, como ago ra as minas de "Salvadora", "Animas" 6

construir castelos e palácios era Londres


Ijr

pii

%

Dicsrro Económioo

em matéria de estradas de fe^o, e de

ção Buenos Airos-La Paz, ou que «

monstrando que nossa vizinha do Prata

estrada que a Argentina pretendia cons

estava em vias de controlar, cm boa extenção, a futura "Panamerican Rail-

truir até Santa Cruz de Ia Síerra, via'

way", quis ele alertar seus compatrio

tas, para lhes fazer comprender a ne cessidade em que nos colocava nossa

posição geográfica muito mais favorável, no sentido de avançarmos também nesse

Yacuiba.

Eis os algarismos alinliados por Eucli des da Cunlia: "TRANSCONTINENTAL" ~ VIA BRASIL

terreno da ligação ferroviária intercon

tinental. Foi então que afirmou estar a Noroeste do Brasil predestinada a es boçar a futura "Transcontinental".

É sugestiva sua descrição histórica das

lutas que precederam o projeto do dr.

Shnoor de 1903 ("Memória do projeto da Estrada de Feno Mato Grosso e

fronteira da Bolívia" - Rio de Janeiro, 1903). Por ela verificamos que o autor da idéia foi o deputado Paulo Cândido, que a lançou em 1852. Seguiram-se inúmeros projetos, apresentando outras tantas variantes do traçado transconti

nental; e que constituíram objeto de dis cussão por parte de cinco dos mais emi

nentes engenheiros brasileiros, sob a dirèção do Visconde do Rio Branco. A

idéia voltou a ser agitada pelos técni cos nas décadas seguintes, tomando fi nalmente forma no fim do século, até

quo, em 1904, no Clube dos Engenhei ros, se chegou a conclusões definitivas, que foram incorporadas ao projeto de

Santos-Bauru Bauru-Corumbá

A concepção dessa estrada apaixonou Euclides da Cunha.

Pode-se mesmo

dizer que ele se sentiu tocado por aquela espécie de "Poesy o£ Railways", que cria

521 1.403

Total de Santos a Arica

com petróleo bali\*iano — é de impor

notando-se nos trabalhos uma verdadei

ó muito acentuada. Na Bolívia, porem

des da Cunha previa essa competição nos seguintes termos: "O antagonismo brasileiro, pi'edisposto a contrapesar o imperialismo ferroviário argentino, extinguindí) ao mevmo tempo a influencia

tradicional do "Bósloro" de água doce do

Prata, delineia-se

neste

momento

numa estrada de ferro, que se não des viará de uma diretriz intorcível e será

202

a secção mais dilatada das Iranscontinentais sul-americanas: a Noroeste".

3.954

Ê difícil traçar em termos mais claros

que estes, escritos há quarenta anos, o que hoje se observa. A descoberta de petróleo em grandes quantidades na faixa subandina da Bolívia, e cujo principal ponto de intercâmbio é esta mesma Santa Cruz de Ia Sierra, que visamos com a "Transcontinental", aguçou ain

A distância da ligação partindo de Buenos Aires seria um pouco maior, como se vc nos números abaixo: "TRANSCONTINENTAL" - VIA argentina

da mais o interesse de ambos os con km

Buenos Aires-Rosário Rosárío-Tucumã

correntes.

304 852

tância para os brasileiros, a fim dc que po-ssainos planejar os contornos de uma colaboração futura ainda mais firme quo a atual.

Èsscs problemas não são, em princi

pio, estranhos ao Continente, cuja de pendência econômica do exterior ain a é extrema sua gravidade, tão gran e como talvez não a tenha conhecido ne nhuma das outras nações latino-amcn-

canaa. Quase tôda a vida nacional bo viana depende econômica, política c cu turalmenle, de uma mercadoria e cio

conseqüente abandono das mais e o montares atividades agrícolas e m dustrinis.

So tivéssemos de demonstrar a

patibilidade, com o

*

CO, do desenvolvimento, num e ^r

do país, de uma só atividade pro u .

seja agrícola ou industrial citaríamos provávelinente o caso da Bolma.

Mas essa situação, felizmente para o

vizinho país, vai-se tornando ^^S^a"

pidamontc, ura efeito do passado po s todas as forças d»

pregadas para quebrar a o p

Lse estranho ractal que é o cstanho

que na Bolívia não tem feito mais que eontinuar a longa identificação da história do antigo Alto Peru com um

Único metal: a prata. Retrato de urna nação

Tucumã-Perico

Graças ao predomínio do estanho, nada de fundamental mudou desde os

Perico-Yacuiba

tempos do vice-rei de Toledo, quando

1.332

O conhecimento do "país mais mineralizado do mundo" — com o qual temos uma longa fronteira e ao qual nos ligam os acordos econômicos de 1938, estreitamente associados à realiza

"Llallagua" permitem a duas famílias

Total de Buenos Aires-Ariça .. 4.027

ção da ligação ferroviária transconti nental e ao aprovisionamento do Brasil

0 Buenos Aires.

Total na Argentina

ter descoberto em nossos vizinhos do Prata. Mas suas reflexões são inexorá

Yacuiba-Santa Cruz

veis e, com dados à mão, demonstrou

Santa Cruz-Arica

1.995

que, efetivamente, a lig"àção BolíviaSantos seria mais favorável que a liga

O ponto mais iiobávcl nesscs cálculos ó a prccniinència (pjo Euclides da Cunha deu ú futura estrada argentina que, passando por Yacuiba, teria por destino Santa Cruz dc Ia Sierra, i>onto final também do prolongamento da Noroeste do Brasil, via Cuiabá. São essas, jus tamente, as linhas hoje cm construção,

pidez do lançamento dos trilhos em território boli\ ian:). Já em 1907, Eucli

Total no Brasil 1,924 Corumbá-Santa Cruz 698 Santa Cruz-Cochabamba 466 Cochabamba-Oruro 213 Oruro-La Paz 215 La Paz-fronlcira do Chile .... 236 Toial na Bolívia 1.828 Fronteira chileno-boliviana ....

117

Econónucu

ra competição cnlrc argentinos e bra sileiros, "corrida" a que ,sc de\'c a ra

km

construção da Noroeste do Brasil e da futura Brasil-Bolívia.

Dicuto

1

a "montanha de prata" de Potosi enri

quecia a côrte metropolitana, como ago ra as minas de "Salvadora", "Animas" 6

construir castelos e palácios era Londres


118

Dioksto EconómiC<^

DIGESTO

ECONÓNflCO

Em ambos os casos, não se aproveitou

dos esforços im iniiuTnçüo daquele metal.

sôbrc a violência tlo.s altos c baixos pro

a nação boliviana das riquezas de seu fabuloso subsolo; sua evolução continua

Mas não é o que pensa ultimamente o

vocados pela onipotência do estanho na

público boliviano. ^ As peripécias das lutas travadas pelo governo de La Paz.

economia nacional.

extraordinàriamente lenta e as rnais re

centes manifestações de progresso deve ela justamente à atividade de outros ra

mos econômicos cujo desenvolvimento

foi singularmente facilitado pela última grande- guerra. Se ôsse desenvolvimento

continua?, não há dúvida de que a Bo

lívia iniciará a segunda etapa de sua história ec-onómica, até agora tão mo nótona.

A emancipação econômica desse país far-se-á, portanto, através da diversifi cação das aHvidades produtoras e em

colaboração com os seus vízinlios e com outros membros da comunidade ameri

cana. É assim que o povo boliviano interpreta os acordos econômicos con cluídos sucessivamente com o Brasil

Argentina e os Estados Unidos e é ainda assim que compreende a constru ção das estradas de ferro ligando a fu tura zona agrícola, em tôrno de Sant-i

Cruz, com o Altiplano, onde durante século.s se concentrou tôda a vida nacio nai. A construção de uma Bolívia maior

para obter inclluircs prcç-íjs para o pro

Passemos a discorrer, agora, um pouco sobre o petróleo bolixiano, para cuja ex

duto boliviano. e.stão ainda na memó

ploração o goxêrno federal obteve Con

engenheiro Reyes. e no qual se lé: A "Standard Oil" não publicava suas observações geológicas o s.itisfazia de forma restrita a.s e.xigèncias legais quan to ã apresentação de relatórios, etc."

E difícil dizer em que medida essa polí

ria de todos, pnra que vozes sc !e\Tin-

cessão em 1938. antes pois do acòrdo

tica da companhia norte-americana con

tenu defendendo a continuaç-ão do regimo da monoprodução. Não há quem não .SC lembre, c-oin efeito, de que. ain

firmado com a Argentina.

tribuiu para descontentar as autoridades

da no começo dc líM7, as autoridades

Camirim possuía uma casa apenas

quando a "Standard Oil" interrompeu seus Iraballios de prospecção. cumprin

de La Paz se viram obrigadas a sus

do ordens expressas do governo bolivia

pender as exportações de estanho, para assim forç-ar o mercado mundial u-eon-

no. Foi isso em 1936, hoje aquela "boom cily" apresenta o aspecto de uma

cedcr os aumento.s de preço que vinham

aglomeração cm

sendo solicitados liá seis meses. O re sultado dessa medida foi uma imediata

to.s

queda da receita pública, que é ali mentada pelas conlribuiç-ões das minas de estanho á razão de 70%, e a rápida diminuição das reser\as em ouro que a nação conseguiu acumular durante a guerra. Sem cambiais e.itrangeira.s, o governo teve de suspender piàticamcnte tôda importação, elevando-se o preço do dólar, no mercado negro, a alturas imprevistas. Finalmente, viu-se o go-

extraordinário desen

volvimento. Os trabalhos da "Yacimien-

Fiscales

Petrolíferos Bolivianos",

uma espécie de Consellio Naciorfal do Petróleo boliviano, atraem centenas de

bolivianas, mas, desde 1930, as relações enhe elas não foram das melhores.

A

"Standard" perfurou 31 poços dos quais treze eram produtores, mas os outros 18 não eram totalmente improdutivos. Os trabalhos foram realizados com mão-

de-obra ainda pouco experimentada, nesse gênero de atividade, e uma bo.a

parte dos 18 poços só deixou d.c pro duzir em virtude da quebra das brocas

a profundidades consideráveis, não conse

trabalhadores, à espera que as perfura

guindo os técnicos bolivianos "pescá-

ções c a construção do oleoduto em Tin-Tin ofereçam possibilidades de em-

las", como se diz. A porcentagem dos ^

pregc.s mais favorá\eis que a atividade agrícola.

No início do século, certa companliía belga SC interessou *por uma concessão na zona de Yacuiba, Mula Muertn e

vémo boliviano em face de uma ameaça

Santa Cruz de Ia Sierra, mas, como se

do suspensão dos fornecimentos estran geiros de trigo e farínlia, como meio

deu com as demais tentativas cm anda

suplementar de pressão...

neste continente, a primeira grande guer

poços produti\-os é, na realidade, bem

maior, o que aliás não admira em vista düf brilhantes e.xemplos de "seepagcs" bolivianos os quais chegam a produzir

petróleo sem a menor intervenção huma na. O pequeno número de poços abor tos em 1931 continua a produzir até

que incorpore efetívamente ao círculo dos intercâmbios comerciais tôda a vasta planície que vai do rio Beni até a fron teira argentina, tem por base a criação

cular-se a gravidade que assumiria o

ra interrompeu as negociações, entrando

hoje, 19 anos depois! Eis um indício im pressionante das reservas petrolíferas , da região. A produção total começou a apresentar curso ascendente a partir

da agropecuária boliviana e a expio-

problema boliviano, se sua resistência

a "Standard Oil" na brecha...

de 1931.

ração de suas jazidas petrolíferas. O vizinha país dispõe, é certo, de uma longa série de outras possibilidades; seu

1915 obtinha a poderosa companhia territórios, o que lhe permitiu realizar

tanto, chegar a níveis proporcionais às grandes re.seivas existentes. Eis a res peito, alguns dados interessantes:

aproveitamento, porém, constitui tarefa

Sü prolongasse. Essa evolução só foi resolvida graças ã reação do mercado mundial, que, em março-abril de 19-17. diante da certeza de que a produção

profundos estudos geofísicos da região.

PRODUÇÃO DE PETRÓLEO NA

para as futuras gerações.

asiática de estanho não atingiria o vo

Infelizmente, os resultados desses estu

É possível que nos altos preços pagos pelo estanho no mercado mundial' haja

lume previsto, procurou abastecer-se com boa parte da produção boliviana.

"Standard Oil", assim continuando a

quem divise perigos para a realização do referido programa; aos preços atuais,

do produto se elevou de 67 a 96 cen tavos (moeda norte-americana). Mas

seria mais conveniente a concentração

o episódio deixou penosa impressão

Pode cal

Foi assim que o preço de uma libra

mento por parte de nações européias Em

concessões para a exploração de vastos

que conseguisse, entre

BOLÍVIA

dos só eram do conhecimento da própria

Tambores

(159 litros cada)

.situação durante muito tempo. O des contentamento do govônio de La Paz so tornou ©vidente, como se depreende

1943

334.113

1944

313.262

do relatório publicado em 1938, pelo

1945

381.554

1946 (10 meses) ..

299.830

.


118

Dioksto EconómiC<^

DIGESTO

ECONÓNflCO

Em ambos os casos, não se aproveitou

dos esforços im iniiuTnçüo daquele metal.

sôbrc a violência tlo.s altos c baixos pro

a nação boliviana das riquezas de seu fabuloso subsolo; sua evolução continua

Mas não é o que pensa ultimamente o

vocados pela onipotência do estanho na

público boliviano. ^ As peripécias das lutas travadas pelo governo de La Paz.

economia nacional.

extraordinàriamente lenta e as rnais re

centes manifestações de progresso deve ela justamente à atividade de outros ra

mos econômicos cujo desenvolvimento

foi singularmente facilitado pela última grande- guerra. Se ôsse desenvolvimento

continua?, não há dúvida de que a Bo

lívia iniciará a segunda etapa de sua história ec-onómica, até agora tão mo nótona.

A emancipação econômica desse país far-se-á, portanto, através da diversifi cação das aHvidades produtoras e em

colaboração com os seus vízinlios e com outros membros da comunidade ameri

cana. É assim que o povo boliviano interpreta os acordos econômicos con cluídos sucessivamente com o Brasil

Argentina e os Estados Unidos e é ainda assim que compreende a constru ção das estradas de ferro ligando a fu tura zona agrícola, em tôrno de Sant-i

Cruz, com o Altiplano, onde durante século.s se concentrou tôda a vida nacio nai. A construção de uma Bolívia maior

para obter inclluircs prcç-íjs para o pro

Passemos a discorrer, agora, um pouco sobre o petróleo bolixiano, para cuja ex

duto boliviano. e.stão ainda na memó

ploração o goxêrno federal obteve Con

engenheiro Reyes. e no qual se lé: A "Standard Oil" não publicava suas observações geológicas o s.itisfazia de forma restrita a.s e.xigèncias legais quan to ã apresentação de relatórios, etc."

E difícil dizer em que medida essa polí

ria de todos, pnra que vozes sc !e\Tin-

cessão em 1938. antes pois do acòrdo

tica da companhia norte-americana con

tenu defendendo a continuaç-ão do regimo da monoprodução. Não há quem não .SC lembre, c-oin efeito, de que. ain

firmado com a Argentina.

tribuiu para descontentar as autoridades

da no começo dc líM7, as autoridades

Camirim possuía uma casa apenas

quando a "Standard Oil" interrompeu seus Iraballios de prospecção. cumprin

de La Paz se viram obrigadas a sus

do ordens expressas do governo bolivia

pender as exportações de estanho, para assim forç-ar o mercado mundial u-eon-

no. Foi isso em 1936, hoje aquela "boom cily" apresenta o aspecto de uma

cedcr os aumento.s de preço que vinham

aglomeração cm

sendo solicitados liá seis meses. O re sultado dessa medida foi uma imediata

to.s

queda da receita pública, que é ali mentada pelas conlribuiç-ões das minas de estanho á razão de 70%, e a rápida diminuição das reser\as em ouro que a nação conseguiu acumular durante a guerra. Sem cambiais e.itrangeira.s, o governo teve de suspender piàticamcnte tôda importação, elevando-se o preço do dólar, no mercado negro, a alturas imprevistas. Finalmente, viu-se o go-

extraordinário desen

volvimento. Os trabalhos da "Yacimien-

Fiscales

Petrolíferos Bolivianos",

uma espécie de Consellio Naciorfal do Petróleo boliviano, atraem centenas de

bolivianas, mas, desde 1930, as relações enhe elas não foram das melhores.

A

"Standard" perfurou 31 poços dos quais treze eram produtores, mas os outros 18 não eram totalmente improdutivos. Os trabalhos foram realizados com mão-

de-obra ainda pouco experimentada, nesse gênero de atividade, e uma bo.a

parte dos 18 poços só deixou d.c pro duzir em virtude da quebra das brocas

a profundidades consideráveis, não conse

trabalhadores, à espera que as perfura

guindo os técnicos bolivianos "pescá-

ções c a construção do oleoduto em Tin-Tin ofereçam possibilidades de em-

las", como se diz. A porcentagem dos ^

pregc.s mais favorá\eis que a atividade agrícola.

No início do século, certa companliía belga SC interessou *por uma concessão na zona de Yacuiba, Mula Muertn e

vémo boliviano em face de uma ameaça

Santa Cruz de Ia Sierra, mas, como se

do suspensão dos fornecimentos estran geiros de trigo e farínlia, como meio

deu com as demais tentativas cm anda

suplementar de pressão...

neste continente, a primeira grande guer

poços produti\-os é, na realidade, bem

maior, o que aliás não admira em vista düf brilhantes e.xemplos de "seepagcs" bolivianos os quais chegam a produzir

petróleo sem a menor intervenção huma na. O pequeno número de poços abor tos em 1931 continua a produzir até

que incorpore efetívamente ao círculo dos intercâmbios comerciais tôda a vasta planície que vai do rio Beni até a fron teira argentina, tem por base a criação

cular-se a gravidade que assumiria o

ra interrompeu as negociações, entrando

hoje, 19 anos depois! Eis um indício im pressionante das reservas petrolíferas , da região. A produção total começou a apresentar curso ascendente a partir

da agropecuária boliviana e a expio-

problema boliviano, se sua resistência

a "Standard Oil" na brecha...

de 1931.

ração de suas jazidas petrolíferas. O vizinha país dispõe, é certo, de uma longa série de outras possibilidades; seu

1915 obtinha a poderosa companhia territórios, o que lhe permitiu realizar

tanto, chegar a níveis proporcionais às grandes re.seivas existentes. Eis a res peito, alguns dados interessantes:

aproveitamento, porém, constitui tarefa

Sü prolongasse. Essa evolução só foi resolvida graças ã reação do mercado mundial, que, em março-abril de 19-17. diante da certeza de que a produção

profundos estudos geofísicos da região.

PRODUÇÃO DE PETRÓLEO NA

para as futuras gerações.

asiática de estanho não atingiria o vo

Infelizmente, os resultados desses estu

É possível que nos altos preços pagos pelo estanho no mercado mundial' haja

lume previsto, procurou abastecer-se com boa parte da produção boliviana.

"Standard Oil", assim continuando a

quem divise perigos para a realização do referido programa; aos preços atuais,

do produto se elevou de 67 a 96 cen tavos (moeda norte-americana). Mas

seria mais conveniente a concentração

o episódio deixou penosa impressão

Pode cal

Foi assim que o preço de uma libra

mento por parte de nações européias Em

concessões para a exploração de vastos

que conseguisse, entre

BOLÍVIA

dos só eram do conhecimento da própria

Tambores

(159 litros cada)

.situação durante muito tempo. O des contentamento do govônio de La Paz so tornou ©vidente, como se depreende

1943

334.113

1944

313.262

do relatório publicado em 1938, pelo

1945

381.554

1946 (10 meses) ..

299.830

.


F Dir.RSTo Ecokómioo

120

A distribuição dessa produção, pelos

três campos conhecidos, é a seguinte:

portado a Corumbá, de onde continua ria por via fluvial para o sul c por ria ferroviária ate São Paulo. A "Standard

J945

Tambores

Camirim

121.973

Oil of Brazil". que nesse momento não fóra ainda inteiramente eliminada, como

Bermejo

150.087

firma diretamente interessada na explo

Sanandita

103.494

ração ou na refinação do produto, tinlw

Pouco antes de vfcr cancelada sua con

cessão pelo govêmo boliviano, a "Stan

Nelson \\'ei\xeck Sodbé

/^s reflexos da guerra encerrada cm

iniciado a construção de uma refinaria

19-4.S, o segundo grande conflito

cin Osaseo, para o tratamento do petró

armado do século, abrangendo tôdas as

leo boliviano.

dard Oil" estimou a capacidade diária

Deu-se. entretanto, tima mudança na

desses três campos, com seus 19 poços

política do Brasil, com a ccnlraliziição do problema petrolífero nas mãos do

produtivos, em 13 mil tambores. A pro dução efetiva, dez anos após era de 1.045 tambores diários, o que demons tra que o sucessor da companhia nor

íZef/exos da guerra no Brasil

parte.s do mund<i, foram profundos e certamente duradouros, em tOida parte. Assumiram fisionomia diversa, contudo,

Conselho Nacional do Petróleo c o siib-

conforme .sofreram os paí.ses influência de fatores vários, entre os quais se pode

scnucnte d(;:.interê.sso da "Standard Oil".

apontar a distancia geográfica dos tea

Esmoreceu, em seguida, o interesse

tros dc operaçõo.s, o grau maior ou

profundas. No caso cm aprèço. tais altci-ações ultrapassaram certas leis admi tidas como uniformes e generalizadas, deduzidas da òbserxação do passado. Em relação ao Brasil, particularmente, mercê- de suas condições e.speciais de or-

gani7.ações, tais leis foram ate contra ditadas, sob certos ângulos.

Pira que os confrontos a estabelecer fiquem bem nítidos, é necess:írio antes

do Brasil pelos acordos concluídos com

menor dc envolvimento de cada um na

do mais, esclarecer as linhas definido-

Fiscales Petrolíferos", pratica a mesma política seguida pelas autoridades brasi

a Bolívia. A Comissão Petrolífera Mista,

luta.

ras da fisionomia brasileira anterior ao

leiras na Bahia: o fechamento dos poços

que .surgiu .simultàneamente com a fun dação da Comissão Mista Brasileiro-Bo-

as poderosas repercussões do choque em que se bateram as grandes nações do

te-americana, o já referido "Yacimientos

a válvulas, mantendo uma produção re

liviana para a construção da estrada de

Não houx'c povo que não sentisse

ferro Corunibá-Santa Cruz, cslabelecea-

mundo, e em que se envolveram tão acentuadamente as organizações econô

so nesta última cidade, mas, ao passo

micas de tôda espécie. Todas as guer

que se registravam grandes progressos na construção da estrada de ferro, a ali*

ras importam cm alterações sensíveis,

teressar-se o Brasil pela exploração do petróleo boliviano. Ficou então com

vidade da comissão petrolífera se redu

nelas envolvidas.

zia praticamente a zero. Seu imico tra

binada a aplicação, na criação da fu tura "Ferrocarril Brasil-Bolívia", da in

da "Standard Oil", .som que, entretan to, fossem confirmada.s as pesquisas rea

denização de dois milhões de libras, de

lizadas pela firma norte-americana.

pela sua amplitude, pela sua duração, pela intensidade dc que se revestiu, pelo próprio caráter dc suas origens c do seu desenvolvimento, devia propor cionar modificações de tamanha impor

duzida, à espera de que as circunstân

cias permitam um dia um grande au mento.

Muitas esperanças surgiram em 1937-

1938, ao se abrir a possibilidade de in-

vida pelo Brasil à Bolívia em virtude

balho positivo foi a compra dos arquivos

Atualmente. Santa Cruz dc Ia Sierra

que ultrapassam os limites das nações

conflito, È evidente que a an^e.|™-, fundada busearia as o"g™:>f ' nomia no passado ^™ »ndo-seonossopa.sct»nonacao tando-se o nussv

A última, entfetanto,

tância que, sem dúvida, assinala um

r»rrS.et'd:tralirsenTi,na innl propriedade, no eoméreioa exterproduzindo matérias-prinaas colo- ^

do Tratado de Petrópolis. Essa constru

ho.speda sempre membros subalternos da

marco histórico.

ção teria por corolário a exploração do petróleo por uma companhia mista de

Comissão Petrolífera, sem que por êles

tema de vida, com todos os seus aspec

seja realizado qualquer trabalho. Os

tos, uma liquidação de fórmulas, abrindo

permaneceu, com a

chefes bolivianos e . brasileiros da Co missão residem, aliás, respectivamente,

nova ora na existência humana.

bora alterados alguns fatôres. com a

capitais brasileiros e bolivianos. Todos os aspectos da questão foram

previstos. O petróleo deveria ser trans

em La Paz e em Copacabana.

^

daSXVexpansão para a vida autonoma, m industrial se- ^ —dodolargo ?ulo XIX. fundamentada na hberdad

Foi o fim de um sis

Sob aspectos gerais, os reflexos da

guerra foram idênticos para todos os países, embora não uniformes, nem no

êã; ™ mereados diversos, o nosso pars mesma base de existência. O conflito anterior, entretanto, na se

gunda década dêste século, apressou o

culares importaram na discriminação,

estabelecimento de uma indústna que não cessou de crescer. A larga supre macia rural, quadro costumeiro do pas-

para cada grupo humano peculiar, na

.^íidí!. vinha sendo, pouco a pouco, neu-

sentido, nem na intensidade com que se manifestaram. Os aspectos parti

ções, classes, comunidades, de alterações

Já


F Dir.RSTo Ecokómioo

120

A distribuição dessa produção, pelos

três campos conhecidos, é a seguinte:

portado a Corumbá, de onde continua ria por via fluvial para o sul c por ria ferroviária ate São Paulo. A "Standard

J945

Tambores

Camirim

121.973

Oil of Brazil". que nesse momento não fóra ainda inteiramente eliminada, como

Bermejo

150.087

firma diretamente interessada na explo

Sanandita

103.494

ração ou na refinação do produto, tinlw

Pouco antes de vfcr cancelada sua con

cessão pelo govêmo boliviano, a "Stan

Nelson \\'ei\xeck Sodbé

/^s reflexos da guerra encerrada cm

iniciado a construção de uma refinaria

19-4.S, o segundo grande conflito

cin Osaseo, para o tratamento do petró

armado do século, abrangendo tôdas as

leo boliviano.

dard Oil" estimou a capacidade diária

Deu-se. entretanto, tima mudança na

desses três campos, com seus 19 poços

política do Brasil, com a ccnlraliziição do problema petrolífero nas mãos do

produtivos, em 13 mil tambores. A pro dução efetiva, dez anos após era de 1.045 tambores diários, o que demons tra que o sucessor da companhia nor

íZef/exos da guerra no Brasil

parte.s do mund<i, foram profundos e certamente duradouros, em tOida parte. Assumiram fisionomia diversa, contudo,

Conselho Nacional do Petróleo c o siib-

conforme .sofreram os paí.ses influência de fatores vários, entre os quais se pode

scnucnte d(;:.interê.sso da "Standard Oil".

apontar a distancia geográfica dos tea

Esmoreceu, em seguida, o interesse

tros dc operaçõo.s, o grau maior ou

profundas. No caso cm aprèço. tais altci-ações ultrapassaram certas leis admi tidas como uniformes e generalizadas, deduzidas da òbserxação do passado. Em relação ao Brasil, particularmente, mercê- de suas condições e.speciais de or-

gani7.ações, tais leis foram ate contra ditadas, sob certos ângulos.

Pira que os confrontos a estabelecer fiquem bem nítidos, é necess:írio antes

do Brasil pelos acordos concluídos com

menor dc envolvimento de cada um na

do mais, esclarecer as linhas definido-

Fiscales Petrolíferos", pratica a mesma política seguida pelas autoridades brasi

a Bolívia. A Comissão Petrolífera Mista,

luta.

ras da fisionomia brasileira anterior ao

leiras na Bahia: o fechamento dos poços

que .surgiu .simultàneamente com a fun dação da Comissão Mista Brasileiro-Bo-

as poderosas repercussões do choque em que se bateram as grandes nações do

te-americana, o já referido "Yacimientos

a válvulas, mantendo uma produção re

liviana para a construção da estrada de

Não houx'c povo que não sentisse

ferro Corunibá-Santa Cruz, cslabelecea-

mundo, e em que se envolveram tão acentuadamente as organizações econô

so nesta última cidade, mas, ao passo

micas de tôda espécie. Todas as guer

que se registravam grandes progressos na construção da estrada de ferro, a ali*

ras importam cm alterações sensíveis,

teressar-se o Brasil pela exploração do petróleo boliviano. Ficou então com

vidade da comissão petrolífera se redu

nelas envolvidas.

zia praticamente a zero. Seu imico tra

binada a aplicação, na criação da fu tura "Ferrocarril Brasil-Bolívia", da in

da "Standard Oil", .som que, entretan to, fossem confirmada.s as pesquisas rea

denização de dois milhões de libras, de

lizadas pela firma norte-americana.

pela sua amplitude, pela sua duração, pela intensidade dc que se revestiu, pelo próprio caráter dc suas origens c do seu desenvolvimento, devia propor cionar modificações de tamanha impor

duzida, à espera de que as circunstân

cias permitam um dia um grande au mento.

Muitas esperanças surgiram em 1937-

1938, ao se abrir a possibilidade de in-

vida pelo Brasil à Bolívia em virtude

balho positivo foi a compra dos arquivos

Atualmente. Santa Cruz dc Ia Sierra

que ultrapassam os limites das nações

conflito, È evidente que a an^e.|™-, fundada busearia as o"g™:>f ' nomia no passado ^™ »ndo-seonossopa.sct»nonacao tando-se o nussv

A última, entfetanto,

tância que, sem dúvida, assinala um

r»rrS.et'd:tralirsenTi,na innl propriedade, no eoméreioa exterproduzindo matérias-prinaas colo- ^

do Tratado de Petrópolis. Essa constru

ho.speda sempre membros subalternos da

marco histórico.

ção teria por corolário a exploração do petróleo por uma companhia mista de

Comissão Petrolífera, sem que por êles

tema de vida, com todos os seus aspec

seja realizado qualquer trabalho. Os

tos, uma liquidação de fórmulas, abrindo

permaneceu, com a

chefes bolivianos e . brasileiros da Co missão residem, aliás, respectivamente,

nova ora na existência humana.

bora alterados alguns fatôres. com a

capitais brasileiros e bolivianos. Todos os aspectos da questão foram

previstos. O petróleo deveria ser trans

em La Paz e em Copacabana.

^

daSXVexpansão para a vida autonoma, m industrial se- ^ —dodolargo ?ulo XIX. fundamentada na hberdad

Foi o fim de um sis

Sob aspectos gerais, os reflexos da

guerra foram idênticos para todos os países, embora não uniformes, nem no

êã; ™ mereados diversos, o nosso pars mesma base de existência. O conflito anterior, entretanto, na se

gunda década dêste século, apressou o

culares importaram na discriminação,

estabelecimento de uma indústna que não cessou de crescer. A larga supre macia rural, quadro costumeiro do pas-

para cada grupo humano peculiar, na

.^íidí!. vinha sendo, pouco a pouco, neu-

sentido, nem na intensidade com que se manifestaram. Os aspectos parti

ções, classes, comunidades, de alterações

Já


i2n

Diomsto

'

Digestí»

12S

Econômico

4

pennitiu o desen\oK imeulo cios núcleos

rccidos, cm diversos países, com rela

urbanos, fomentou o aparelhamenlo dos portos e contribuiu para manter a ex

ção ao conflito anterior, menos intenso

científica c industrial.

do que aquéle de que vimos tratando, como o dc Stcinmetz, na Alemanha,

Em relação â última obser\-ação, viá

econômica dc substituição. Isso ocor

vel cm SC tratando de países de adian

reu cm \artude de permanecer o ocea

"Soziologie das Kriegs", o de Comejo,

tamento científico e técnico acentuado,

na França, "La gucrrc (tu point dc oue sociolngique", na Inglaterra, o de Fuller.

empenhados a fundo no conflito, con

no como espaço quase exclusivo de cir culação dos bens dc consumo. Ora, com

pansão dos meios de transporte que a arrancada dos cafèzais proporcionara. A crise de 1929 conduzira, por outro lado, à neutralização parcial da mono

cultura, abrindo-se melhores perspecti vas a uma discriminação de produtos, capaz de, lentamente, ir associando os

diversos núcleos de produção que deram ao país o aspecto curioso cie arquipéla go econômico.

O fim da c^uarta década do século

quando o conflito se precipitou, na í^uropa, encontrou a fisionomia brasileira caracterizada principalmente:

j pela produção destínada aos mer cados externos.

pelo impacto do choque militar, na al teração cie padrões culturais e dc es

trutura econômica do.s po\os. Algumas' delas, de extrema e\icléncia. mesmo em relação ao conflito anterior, foram veri ficadas em países envolvidos na luta iniciada em 1939. A maior parte delas

fàcilmento perceptível, ate em países nao diretamente mergulhados no confli

rurll^^^^ P^^P^^^^erâncía da produçã. - pela orientação geral dos transpor tes do interior para o litoral

- pela permanência do oceano como espaço geográfico predominante nas re-

lações entre as partes do país. - pela fixação relativa dos grupos de . trabalho.

"The Refornuition of VVer". Algumas íjbservaçõcs, generalizadas depois, pre tenderam c-.stabeleccr o caminho seguido

© r •

- pela direção vultosa da produção aos mercados europeus. - por uma organização política e

c administrativa fortemente centralizada. Particularidades do caso brasileiro Existe, sem dúvida, uma economia de guerra, como existe uma sociologia da guerra, isto é, a guerra é um acontecí, mente do mais alto interêsse tanto econó-

I mico como sociológico. Em relação ao

i plano econômico, a bibliografia é das mais extensas. Quanto aos aspectos so ciológicos, tão estreitamente ligados aos primeiros, basta lembrãr os estudos apa-

to. Outras, só viáveis nas nações afe tadas pela mobilização militar.

Dêsse ponto de vista, como de alguns

— a guerra acelera o ritnio da vida

vém ressalvar que só em parto te\'e lu gar em nosso país. O nosso quadro científico reduzido, em consequência do estado ainda embrionário da técnica na

cional e, em xiltima análise, do fraco teor de riqueza do povo brasileiro, nãe

consumo habitual por outros, que a

própria vizinhança pudesse fornecer. E

tações o invenções que trouxessem al teração substancial no ritmo

indiscutível que vários padrões nacionais,

da produção nacional. Quanto ao problema, cons tituíamos um caso parti cular. Cliente, em grande parte, de material de guer ra e de máquinas, de paí ses

industrialmente

mais

pendentes de análise mais aprofundada, o problema do Brasil comportaria a discriminação de duas fases distintas:

esbôço apenas a indústria pesada que possibilita o

aquela de neutralidade militar, antes do

indústria de armamentos e meios cor-

torpedeamento dos navios nacionais de

relatos, e participando no conflito com uma parcela apenas de suas fôrças mili tares, não tivemos necessidade, e por tanto não recebemos o impulso para isso, de estabelecer um esforço indus trial de grandes proporções. Para o qual, aliás, não estaríamos devidamente

de uma força militar.

Algumas das observações doutrinárias, colhidas pelo estudo de conflitos ante riores, eram as seguintes: — a guerra provoca a hipertrofia das fôrças políticas de mando. — a guerra provoca a desvalorização do indivíduo.

— a guerra provoca a criação e o con sumo de sucedâneos.

cia, com a substituição dos produtos de

foi tão vivamente estimulado para adap

aparelhados, e tendo em

se criou um clima especial, quando a maioria da.s forças conduzia i\ posição de participação na luta, o que acyibou por concretizar-se, incluindo a expedição

a ameaça submarina, regiões inteiras fi caram fortemente perturbadas, quanto ao consumo, e tiveram de adatar-se a um sistema de subsistência de emergên

outros, de interêsse mais remoto e de

cabotagem, e a que se seguiu, quando

queio, — é também verdade que verifi camos, entre nós, a aplicação da lei

aparecimento e o desenvolvimento da

preparado.s.

o de alimentação princi

palmente, foram seria mente afetados pelo con flito.

-Houve numerosas

restrições, sem duvida, e

algumas substituições, mas os sucedâneos não tiveram ^ailgarização. Mas que a guerra ace

lerou dc maneira conside rável, como a anterior já

fizera, o ritmo da produção industrial, é indubitável o parque fabril nacional,

com maquinaria antiga e sofrendo algu mas sérias restrições, desenvolveu uma

atividade singular, trabalhando ativa mente e produzindo de forma espeta cular. O surto foi tão intenso e tão mo

que perturbou a visão de alguns, e o

i

após-guerra viria repor as cousas em seus contornos reais. O esfòrço desen

uma produção industrial diversificada e

volvido pelo parque industrial brasileiro, não só quanto ao volume, mas também quanto aofomecimenlo de utilidades que

ampla, também constituímos um caso particular. Se não houve, no quadro brasileiro, o aparecimento dos sucedâ neos, — ocorrência qua.se sempre provo

cousa de singular. Embora tenha tra zido algumas perigosas ilusões, consti tuiu uma demonstração excelente, par

cada em virtude da imposição do bío-

ticularmente se le\'adas em conta civ-

Em relação à penúltima, ligada de forma estreita também <à existência de

i

antes recebíamos do exterior, foi alguma

1 :'V

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Diomsto

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Digestí»

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Econômico

4

pennitiu o desen\oK imeulo cios núcleos

rccidos, cm diversos países, com rela

urbanos, fomentou o aparelhamenlo dos portos e contribuiu para manter a ex

ção ao conflito anterior, menos intenso

científica c industrial.

do que aquéle de que vimos tratando, como o dc Stcinmetz, na Alemanha,

Em relação â última obser\-ação, viá

econômica dc substituição. Isso ocor

vel cm SC tratando de países de adian

reu cm \artude de permanecer o ocea

"Soziologie das Kriegs", o de Comejo,

tamento científico e técnico acentuado,

na França, "La gucrrc (tu point dc oue sociolngique", na Inglaterra, o de Fuller.

empenhados a fundo no conflito, con

no como espaço quase exclusivo de cir culação dos bens dc consumo. Ora, com

pansão dos meios de transporte que a arrancada dos cafèzais proporcionara. A crise de 1929 conduzira, por outro lado, à neutralização parcial da mono

cultura, abrindo-se melhores perspecti vas a uma discriminação de produtos, capaz de, lentamente, ir associando os

diversos núcleos de produção que deram ao país o aspecto curioso cie arquipéla go econômico.

O fim da c^uarta década do século

quando o conflito se precipitou, na í^uropa, encontrou a fisionomia brasileira caracterizada principalmente:

j pela produção destínada aos mer cados externos.

pelo impacto do choque militar, na al teração cie padrões culturais e dc es

trutura econômica do.s po\os. Algumas' delas, de extrema e\icléncia. mesmo em relação ao conflito anterior, foram veri ficadas em países envolvidos na luta iniciada em 1939. A maior parte delas

fàcilmento perceptível, ate em países nao diretamente mergulhados no confli

rurll^^^^ P^^P^^^^erâncía da produçã. - pela orientação geral dos transpor tes do interior para o litoral

- pela permanência do oceano como espaço geográfico predominante nas re-

lações entre as partes do país. - pela fixação relativa dos grupos de . trabalho.

"The Refornuition of VVer". Algumas íjbservaçõcs, generalizadas depois, pre tenderam c-.stabeleccr o caminho seguido

© r •

- pela direção vultosa da produção aos mercados europeus. - por uma organização política e

c administrativa fortemente centralizada. Particularidades do caso brasileiro Existe, sem dúvida, uma economia de guerra, como existe uma sociologia da guerra, isto é, a guerra é um acontecí, mente do mais alto interêsse tanto econó-

I mico como sociológico. Em relação ao

i plano econômico, a bibliografia é das mais extensas. Quanto aos aspectos so ciológicos, tão estreitamente ligados aos primeiros, basta lembrãr os estudos apa-

to. Outras, só viáveis nas nações afe tadas pela mobilização militar.

Dêsse ponto de vista, como de alguns

— a guerra acelera o ritnio da vida

vém ressalvar que só em parto te\'e lu gar em nosso país. O nosso quadro científico reduzido, em consequência do estado ainda embrionário da técnica na

cional e, em xiltima análise, do fraco teor de riqueza do povo brasileiro, nãe

consumo habitual por outros, que a

própria vizinhança pudesse fornecer. E

tações o invenções que trouxessem al teração substancial no ritmo

indiscutível que vários padrões nacionais,

da produção nacional. Quanto ao problema, cons tituíamos um caso parti cular. Cliente, em grande parte, de material de guer ra e de máquinas, de paí ses

industrialmente

mais

pendentes de análise mais aprofundada, o problema do Brasil comportaria a discriminação de duas fases distintas:

esbôço apenas a indústria pesada que possibilita o

aquela de neutralidade militar, antes do

indústria de armamentos e meios cor-

torpedeamento dos navios nacionais de

relatos, e participando no conflito com uma parcela apenas de suas fôrças mili tares, não tivemos necessidade, e por tanto não recebemos o impulso para isso, de estabelecer um esforço indus trial de grandes proporções. Para o qual, aliás, não estaríamos devidamente

de uma força militar.

Algumas das observações doutrinárias, colhidas pelo estudo de conflitos ante riores, eram as seguintes: — a guerra provoca a hipertrofia das fôrças políticas de mando. — a guerra provoca a desvalorização do indivíduo.

— a guerra provoca a criação e o con sumo de sucedâneos.

cia, com a substituição dos produtos de

foi tão vivamente estimulado para adap

aparelhados, e tendo em

se criou um clima especial, quando a maioria da.s forças conduzia i\ posição de participação na luta, o que acyibou por concretizar-se, incluindo a expedição

a ameaça submarina, regiões inteiras fi caram fortemente perturbadas, quanto ao consumo, e tiveram de adatar-se a um sistema de subsistência de emergên

outros, de interêsse mais remoto e de

cabotagem, e a que se seguiu, quando

queio, — é também verdade que verifi camos, entre nós, a aplicação da lei

aparecimento e o desenvolvimento da

preparado.s.

o de alimentação princi

palmente, foram seria mente afetados pelo con flito.

-Houve numerosas

restrições, sem duvida, e

algumas substituições, mas os sucedâneos não tiveram ^ailgarização. Mas que a guerra ace

lerou dc maneira conside rável, como a anterior já

fizera, o ritmo da produção industrial, é indubitável o parque fabril nacional,

com maquinaria antiga e sofrendo algu mas sérias restrições, desenvolveu uma

atividade singular, trabalhando ativa mente e produzindo de forma espeta cular. O surto foi tão intenso e tão mo

que perturbou a visão de alguns, e o

i

após-guerra viria repor as cousas em seus contornos reais. O esfòrço desen

uma produção industrial diversificada e

volvido pelo parque industrial brasileiro, não só quanto ao volume, mas também quanto aofomecimenlo de utilidades que

ampla, também constituímos um caso particular. Se não houve, no quadro brasileiro, o aparecimento dos sucedâ neos, — ocorrência qua.se sempre provo

cousa de singular. Embora tenha tra zido algumas perigosas ilusões, consti tuiu uma demonstração excelente, par

cada em virtude da imposição do bío-

ticularmente se le\'adas em conta civ-

Em relação à penúltima, ligada de forma estreita também <à existência de

i

antes recebíamos do exterior, foi alguma

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I

> ' •' Dicesto Ecoxóxaco

124

cunstânclas restritivas como aquela que

cia nazista, como a fascista, que conse

se ligou às deficiências de matéria-prima

guira, mcrcé também de condições in

e de rendimento da maquinaria. Os problemas propriamente políticos encontraram o país em situação bas

ternas específicas, erigir-sc em ponderá

tante peculiar. Conforme acentuamos,

também ajtidado, naturalmente, pelas

ao caracterizar a fisionomia anterior ao

condições internas, eme se alteraram.

conflito, a organização política c admi nistrativa já estava poderosamente cen

Mais do que isso, os padrões culturais du origem européia, cm geral, entraram

tralizada, isto é, o regime já havia levado ao máximo a hipertrofia das forças de

em crise.

vel ameaça, encontrou decisivo obstá culo c iniciou o seu declínio.

Declínio r

mando. Quanto a desvalorização do indivíduo, cedendo lugar aos valores

coletivos, já a época encontrou o mundo, o não apenas o Brasil, na fa«^e de acen

tuado declínio do individualismo. No

sentido indicado pelas duas observações, pois, não havia muito que modificar! É interessante frisar, entretanto, que as alterações, algumas surgidas durante a guerra, outras aparecidas em seu final, ou posteriormente, foram no sentido

contrário ao observado. A participação do Brasil na guerra, na situação peculiar cm que nos encontrávamos, trouxe, muito ao contrário, uma singular valo rização do indivíduo e, depois, a ten dência, fortemente alicerçada, de re novação da estrutura política, com a reforma institucional que se sucedeu. Ê evidente que o fenômeno se deve ao

caráter diferente apresentado pelo con flito, em relação aos anteriores.

Os Estados Unidos da Amé

rica do Norte apareceram como forne cedores, com alguns instrumentos de

transmissão do grand<í efeito, como o ci nema c o rádio, iá cm plena vigência,

125

Digestc) Econômico

mentou a campanha nortc-africana, com

cujo breve encontro dará nova fisiono

reflexos cm outras zonas clc conflito mili

mia à circulação interna do pais. Ah-

tar, ainda mais distantes. O aparclha-

vou-se cxtraordinàriamcntc, ape.sar dos

menlo das

Obstáculos de lòda ordem, a circu.açao

bases aéreas e na\ais de

cussão sensível, não só no desenvoha-

pela via do Rio São Francisco que volção histórica. A longitudinal^ ferroviá ria que liga a capital do pais ao Rio

mcnto de operações militares pròpriumcnte, como nas altoraç-ões dc padrões

todo o seu curso, pelas obras rodoxia-

Belém, Fortalez;i, Natal, Recife e Sal vador, alterando a fisionomia dé.ses

núcleos urbanos litorâneos, lc\c reper

culturais, c finalmente, com os seus efei

tos sobre a geografia do oceano em que se debruçam as nossas costas.

lava. assim, a desempenhar uma fun

Grande do Sul foi dobrada, cm quase

rias que darão continuidade ao st.stema. Por outro lado, na zona nordeslma, a

Inspetoria de Obras Contra As Secas

antes da guerra, mas agora postos ao serviço do seus idclais, de padrões de comportamento, de preferências, do usos

do isolamento dos núcleos de produção,

desenvolveu cnormcmente as suas ta refas dc sorte a possibilitar uma circu

ligados ao litoral, para escoamento das

lação terrestre compatn'el com as noias

o até do hábitos os mais diversos. Ge-

safras, encontrou

A tendência, secularmente mantida,

j

circulação entre as ilhas nacionais, viu-

necessidades. Embora as restri^cs hcados à carência de materml antomovel fa escassez de ecmbr.süvel nao pcrm.Hssem pleno desenvolvimento a nora fi-

a muitos aspectos da vida brasileira.

.se decisivamente ameaçado. O deseq\nlibrio surgido da ameça submarina, pon

•tes c nahiral que isso va, pouco a .

Vários foram os seus veículos, todos utilizados intencionalmente e de sorte

dc quase total isolamento, impôs a aten

ncralizou-sc n emprego do idioma inglês, cm detrimento do longo e até então incontestado primado do francO".;.

A

influência norte-americana estondou-se

a levar a camadas populares, até então refratárias a padrões externos de julga-

um

instante crítico

com a participação do Brasil na guerra. O primado do oceano, como c.spaço de

do algun.s niiclcos brasileiros em estado

rionomia do sistema interno de transpor-

pouco, quando as obras estiverem con-

cluídas, tomando aspectos de rotina, e ]

ção apressada pura novas soluções. As penetrantes rodoviárias e ferroviárias que

o \dho primado do oceano sera progres- ^

estabeleciam contato entre o interior e

sivamente neutralizado.

^

sua influencia.

o litoral, originadas em alguns portos,

É evidente que o desenvohimento da , produção industrial brasileira c um pro- '

Interessante é que, após alguns sé culos, o primado do Atlântico Sul, como

não poderiam, ante os rigores da guerra marítima, assegurar o intercâmbio inter

cesso que antecedeu ao irrompimento da

no.

inento c comportamento, o cabedal de

caminho para o Oriente, se reafirmasse

com a guerra.

Os portos brasileiros

serviram a frotas que, repetindo cm As alterações ocorridas

parto a rota de Cabral, nesta parte dos

É curioso lembrar algumas alterações culturais que surgiram e logo se impuse ram. Declinaram, por influência psico

dando Madagascar, o Golfo Pérsico, a índia. O problema capital do Atlân tico Sul, entretanto, geograficamente tão

lógica da participação brasileira no con

flito, os padrões ligados à cultura ger

alterado pelo advento da aviação de longo raio de ação, articulou-se no Es

mânica, particularmente padrões dou trinários, de ordem política. A influên

tabelecimento da ponte aérea que ali-

mares, neles se reabasteceram, deman

treito Natal-Dacar, fundamentando o es

A idéia de união entre os núcleos

internos, por via len^cstre, era velha, cer

tamente.

guerra. A supremacia da produção in- • dustrial sôbfe a agrícola, em valor, ja

fora alcançada, antes que o conflito '

Mas em tempo algum tinha

tivesse inicio. Mas é também claro que sofrido pressão tão poderosa como aque-. IX intercorrência do choque militar proIa que a luta marítima configurava. porcionou novas possibilidades ao nosso Foi quando se ativaram os trabalhos

das grandes roçadas terrestres que de veriam articular o sistema brasileiro de

transportes. Impulsionou-se, apesar das dificuldades da guerra, a penetração da rodovia Rio-Bahia, e apressou-se o pro longamento dos trilhos feiTOviários. da Central, do Brasil e da Leste Brasileiro,

, ■

parque industrial, conforme já mencio- d namos. Ele se desdobrou consideràvelmente, superando dificuldades enormes, entre as quais se evidenciaram a

precariedade do aparelhamento mate■' tomado obsoleto, em ijiu, ciu boa uua parte, rial

e a carência de mão-de-obra especial! ..nrín' nlt^m dnni1f>1cic

Í_J;

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1 1^ ii"

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> ' •' Dicesto Ecoxóxaco

124

cunstânclas restritivas como aquela que

cia nazista, como a fascista, que conse

se ligou às deficiências de matéria-prima

guira, mcrcé também de condições in

e de rendimento da maquinaria. Os problemas propriamente políticos encontraram o país em situação bas

ternas específicas, erigir-sc em ponderá

tante peculiar. Conforme acentuamos,

também ajtidado, naturalmente, pelas

ao caracterizar a fisionomia anterior ao

condições internas, eme se alteraram.

conflito, a organização política c admi nistrativa já estava poderosamente cen

Mais do que isso, os padrões culturais du origem européia, cm geral, entraram

tralizada, isto é, o regime já havia levado ao máximo a hipertrofia das forças de

em crise.

vel ameaça, encontrou decisivo obstá culo c iniciou o seu declínio.

Declínio r

mando. Quanto a desvalorização do indivíduo, cedendo lugar aos valores

coletivos, já a época encontrou o mundo, o não apenas o Brasil, na fa«^e de acen

tuado declínio do individualismo. No

sentido indicado pelas duas observações, pois, não havia muito que modificar! É interessante frisar, entretanto, que as alterações, algumas surgidas durante a guerra, outras aparecidas em seu final, ou posteriormente, foram no sentido

contrário ao observado. A participação do Brasil na guerra, na situação peculiar cm que nos encontrávamos, trouxe, muito ao contrário, uma singular valo rização do indivíduo e, depois, a ten dência, fortemente alicerçada, de re novação da estrutura política, com a reforma institucional que se sucedeu. Ê evidente que o fenômeno se deve ao

caráter diferente apresentado pelo con flito, em relação aos anteriores.

Os Estados Unidos da Amé

rica do Norte apareceram como forne cedores, com alguns instrumentos de

transmissão do grand<í efeito, como o ci nema c o rádio, iá cm plena vigência,

125

Digestc) Econômico

mentou a campanha nortc-africana, com

cujo breve encontro dará nova fisiono

reflexos cm outras zonas clc conflito mili

mia à circulação interna do pais. Ah-

tar, ainda mais distantes. O aparclha-

vou-se cxtraordinàriamcntc, ape.sar dos

menlo das

Obstáculos de lòda ordem, a circu.açao

bases aéreas e na\ais de

cussão sensível, não só no desenvoha-

pela via do Rio São Francisco que volção histórica. A longitudinal^ ferroviá ria que liga a capital do pais ao Rio

mcnto de operações militares pròpriumcnte, como nas altoraç-ões dc padrões

todo o seu curso, pelas obras rodoxia-

Belém, Fortalez;i, Natal, Recife e Sal vador, alterando a fisionomia dé.ses

núcleos urbanos litorâneos, lc\c reper

culturais, c finalmente, com os seus efei

tos sobre a geografia do oceano em que se debruçam as nossas costas.

lava. assim, a desempenhar uma fun

Grande do Sul foi dobrada, cm quase

rias que darão continuidade ao st.stema. Por outro lado, na zona nordeslma, a

Inspetoria de Obras Contra As Secas

antes da guerra, mas agora postos ao serviço do seus idclais, de padrões de comportamento, de preferências, do usos

do isolamento dos núcleos de produção,

desenvolveu cnormcmente as suas ta refas dc sorte a possibilitar uma circu

ligados ao litoral, para escoamento das

lação terrestre compatn'el com as noias

o até do hábitos os mais diversos. Ge-

safras, encontrou

A tendência, secularmente mantida,

j

circulação entre as ilhas nacionais, viu-

necessidades. Embora as restri^cs hcados à carência de materml antomovel fa escassez de ecmbr.süvel nao pcrm.Hssem pleno desenvolvimento a nora fi-

a muitos aspectos da vida brasileira.

.se decisivamente ameaçado. O deseq\nlibrio surgido da ameça submarina, pon

•tes c nahiral que isso va, pouco a .

Vários foram os seus veículos, todos utilizados intencionalmente e de sorte

dc quase total isolamento, impôs a aten

ncralizou-sc n emprego do idioma inglês, cm detrimento do longo e até então incontestado primado do francO".;.

A

influência norte-americana estondou-se

a levar a camadas populares, até então refratárias a padrões externos de julga-

um

instante crítico

com a participação do Brasil na guerra. O primado do oceano, como c.spaço de

do algun.s niiclcos brasileiros em estado

rionomia do sistema interno de transpor-

pouco, quando as obras estiverem con-

cluídas, tomando aspectos de rotina, e ]

ção apressada pura novas soluções. As penetrantes rodoviárias e ferroviárias que

o \dho primado do oceano sera progres- ^

estabeleciam contato entre o interior e

sivamente neutralizado.

^

sua influencia.

o litoral, originadas em alguns portos,

É evidente que o desenvohimento da , produção industrial brasileira c um pro- '

Interessante é que, após alguns sé culos, o primado do Atlântico Sul, como

não poderiam, ante os rigores da guerra marítima, assegurar o intercâmbio inter

cesso que antecedeu ao irrompimento da

no.

inento c comportamento, o cabedal de

caminho para o Oriente, se reafirmasse

com a guerra.

Os portos brasileiros

serviram a frotas que, repetindo cm As alterações ocorridas

parto a rota de Cabral, nesta parte dos

É curioso lembrar algumas alterações culturais que surgiram e logo se impuse ram. Declinaram, por influência psico

dando Madagascar, o Golfo Pérsico, a índia. O problema capital do Atlân tico Sul, entretanto, geograficamente tão

lógica da participação brasileira no con

flito, os padrões ligados à cultura ger

alterado pelo advento da aviação de longo raio de ação, articulou-se no Es

mânica, particularmente padrões dou trinários, de ordem política. A influên

tabelecimento da ponte aérea que ali-

mares, neles se reabasteceram, deman

treito Natal-Dacar, fundamentando o es

A idéia de união entre os núcleos

internos, por via len^cstre, era velha, cer

tamente.

guerra. A supremacia da produção in- • dustrial sôbfe a agrícola, em valor, ja

fora alcançada, antes que o conflito '

Mas em tempo algum tinha

tivesse inicio. Mas é também claro que sofrido pressão tão poderosa como aque-. IX intercorrência do choque militar proIa que a luta marítima configurava. porcionou novas possibilidades ao nosso Foi quando se ativaram os trabalhos

das grandes roçadas terrestres que de veriam articular o sistema brasileiro de

transportes. Impulsionou-se, apesar das dificuldades da guerra, a penetração da rodovia Rio-Bahia, e apressou-se o pro longamento dos trilhos feiTOviários. da Central, do Brasil e da Leste Brasileiro,

, ■

parque industrial, conforme já mencio- d namos. Ele se desdobrou consideràvelmente, superando dificuldades enormes, entre as quais se evidenciaram a

precariedade do aparelhamento mate■' tomado obsoleto, em ijiu, ciu boa uua parte, rial

e a carência de mão-de-obra especial! ..nrín' nlt^m dnni1f>1cic

Í_J;

1_


TTW7

126

Dicksto EcoNÓ.xnco

afetaram a produção, como a quo se re lacionou com a diminuição do rendi mento do sistema de transportes ferro

a reestruturação econômica conseguirá

viário o rodoviário, este reduzido a

neutlraUzar, alterando fundamente as

nível muito baixo por deficiências de

material e de combustível. O simples fato da conquista de mercados até en tão fora de nosso alcance, como o da

África do Sul, poria em evidência o momento singular atravessado pela in

dustria nacional, particuiarniente alguns de seus setores, c-omo o têxtil. O fenô

meno melhor, entretanto, assinalou-se no extraordinário desenvolvimento do

intercâmbio entre as nações americanas i;o qual o coeficiente da produção in dustrial foi ponderável. O pan-aniericamsmo, depois do momento histórico em que Nabuco conseguiu trazer ao Rio de Janeiro a figura singular de Elihu Root c depois das sucessivas conferências em que se concertaram acordos de aprecia'

vel amplitude, mantinha-se num plano firmado em fatores expressivos, como o da coincidência da vizinhança, das ori gens, de aproximações diversas. Falta va-lhe, entretanto, a estrutura econômi ca fundam-ental. Essa estrutura fortale ceu-se bastante em conseqüência das contingências da guerra. O quase de saparecimento dos mercados europeus na balança exportadora do Brasil, pro porcionou margem a que a expanko se

voltasse para o nosso próprio conHnente. O ano de 1945 encontrou o Brasil como principal fornecedor do mercado argentino, e figurando na balança de importação de todos os países do con tinente, com contribuições çrescentes algumas de importância indiscutível.

A fixação relativa dos grupos de tra balho seria, também, quebrada pelos re flexos da guerra. O fenômeno mais in-

teressante foi a corrida para os cen

tros- urbanos, processo negatiso que só condições de vida do nosso povo.

O instante de interesse \'i\idü pela Amazônia, entretanto, mercê das neces

sidades de borracha paru a produção do guerra, e fundamentado nos acordos (pie i stiverani em vigor até 1947, cm

Classe e família no Brasil José Artur Rios

^^sociologiu brasileira dará, certamen idêntica, por exemplo, à cjue Calhoun

mo de tempo. Vinha desacompanhado dn família que, via de regra, ficava em Portugal. No Brasil, satishazia-se com a índia, que lhe bastava para as neces

rscreveu nos Estados Unidos. Èsse estu

sidades de cama e mesa.

te. iini grande pa.s.so, no dia em que produzir uma histciria social da família

(jue os Estados Unidos forneceram ins

do projetará muita luz sobre a origem c

Os primeiros a pensarem no Brasil

trumentos de exploração, fixados cm cré

o funcionamento das in.stituiçõc.s brasilei ras quo ti\'erani sou de.senvolvimcnto fa-

como uma pátria e a sentirem a neces.siclade da familia como grupo básico nu

ditos, preço compalÍNel e uparellumicnto de transporte e saneamento, — êsse

\'Orecido ou atrofiado pela expansão do

instante foi uma eousa nova na existên

grupo familiar.

cia daquela região, depois do tantos anos de apatia, e dec ida inteiramente às imposições do conflito.

O deslocamen

to de grujxis dc trahalÍiadore.s para os seringais acentuou, com o seu caráter

premeditado, a movimenlação interna

de elementos nacionais, tanto mais curiosa quanto se verificava, de alginii tempo até o irrompinielno de tal .si tuação para o Bra.síl, quase paralisação no movimento migratório.

Um sumário do.s reflexos da guerra sobre a vida brasileira pode e.specificar, como principais, os elementos seguintes: — prepondenlneia da produção urba na.

— orientação dos transportes no senti

do das ligações terrestres. — desenvolvimento do inlercànihiü eoniercial do continente.

— ieaparecim<;nto da Amazônia como

núcleo ponderável de produção.

— mobilidade do.s grupos de trabalho. — alteração na estrutura politica, eiieerrando-se o período de centralização política e administrativa extremada.

— substituição dc padrões cnlluraís europeus por padrões norte-americanos.

Na estrutura social brasileira, a famí

lia, superando suas funções puramente biológicas ou bio-sociais, veio modelar a personalidade dos seus membros, numa

construção de uma sociedade estável fo

ram os je.suítas. Disso temos indiscutí vel evidência nas carta-s de Nóbrega. O

grande discípulo dc Loiola, cuja figura ainda não te>e o estudo que merece,

extensão desusada, assumindo dèsse mo

sentiu a anarquia dessa colonização onde imperavam a cobiça e a luxuna, a falta

do uma função psico-social que é impos sível desconhecer. Durante longa fase de nossa história, ela chegou mesmo a

de ccesão social, a absoluta ausência de obstáculos à satisfação dos instintos de sencadeados. Manoel da Nóbregã foi o

constituir a única fonte de contrôle so

primeiro a solicitar de Portugal a remes

cial, em face da desorganização dos de

sa de mulheres que oferecessem aos co

mais grupos.

lonos a possibilidade de formar família

A colonização brasileira teve um cará

e de criar raízes na terra. Que viessem

ter nitidamente individualista. Os pri

de qualquer maneira, fòssem órfãs, ou

meiros colonos não buscaram a terra bra-

.sileira para fundar uma nova pátria. T'iaziam em mente, apenas, a idéia do lucro fácil e rápido e a esperança de um pronto retôrno.

Nisso a colonização

portuguesa se diferenciava fundamen

talmente da americana, tipo superior de colonização e po\'oamento, em que os no vos habitantes, tangidos por dissidências políticas ou rebgiosas, tinham deliberadamente cs:trtado todos os laços que os prendiam à mãe-pátria, exceto a cida dania. No colono português que buscou o Brasil no primeiro século da nossa história, havia a intenção única de obter o máximo dc riqueza no míni

mesmo de má vida, porque na colônia encontrariam oportunidade de redimirse e de redimir os homens da vida pe caminosa com índias e negras.

Entretanto, na primeira fase da colo nização, quando a economia gira\'a em torno do pau-brasil e os primeiros nú cleos de povoamento não passavam de meras feitorias, o número de- mulheres brancas se manteve escasso, a família

não se pôde desenvolver e a índia de sempenhou o importante papel de veí culo de aculturação, familiarizando ü

português com os costumes e utensí lios da terra.

A expansão da família na sociedade


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Dicksto EcoNÓ.xnco

afetaram a produção, como a quo se re lacionou com a diminuição do rendi mento do sistema de transportes ferro

a reestruturação econômica conseguirá

viário o rodoviário, este reduzido a

neutlraUzar, alterando fundamente as

nível muito baixo por deficiências de

material e de combustível. O simples fato da conquista de mercados até en tão fora de nosso alcance, como o da

África do Sul, poria em evidência o momento singular atravessado pela in

dustria nacional, particuiarniente alguns de seus setores, c-omo o têxtil. O fenô

meno melhor, entretanto, assinalou-se no extraordinário desenvolvimento do

intercâmbio entre as nações americanas i;o qual o coeficiente da produção in dustrial foi ponderável. O pan-aniericamsmo, depois do momento histórico em que Nabuco conseguiu trazer ao Rio de Janeiro a figura singular de Elihu Root c depois das sucessivas conferências em que se concertaram acordos de aprecia'

vel amplitude, mantinha-se num plano firmado em fatores expressivos, como o da coincidência da vizinhança, das ori gens, de aproximações diversas. Falta va-lhe, entretanto, a estrutura econômi ca fundam-ental. Essa estrutura fortale ceu-se bastante em conseqüência das contingências da guerra. O quase de saparecimento dos mercados europeus na balança exportadora do Brasil, pro porcionou margem a que a expanko se

voltasse para o nosso próprio conHnente. O ano de 1945 encontrou o Brasil como principal fornecedor do mercado argentino, e figurando na balança de importação de todos os países do con tinente, com contribuições çrescentes algumas de importância indiscutível.

A fixação relativa dos grupos de tra balho seria, também, quebrada pelos re flexos da guerra. O fenômeno mais in-

teressante foi a corrida para os cen

tros- urbanos, processo negatiso que só condições de vida do nosso povo.

O instante de interesse \'i\idü pela Amazônia, entretanto, mercê das neces

sidades de borracha paru a produção do guerra, e fundamentado nos acordos (pie i stiverani em vigor até 1947, cm

Classe e família no Brasil José Artur Rios

^^sociologiu brasileira dará, certamen idêntica, por exemplo, à cjue Calhoun

mo de tempo. Vinha desacompanhado dn família que, via de regra, ficava em Portugal. No Brasil, satishazia-se com a índia, que lhe bastava para as neces

rscreveu nos Estados Unidos. Èsse estu

sidades de cama e mesa.

te. iini grande pa.s.so, no dia em que produzir uma histciria social da família

(jue os Estados Unidos forneceram ins

do projetará muita luz sobre a origem c

Os primeiros a pensarem no Brasil

trumentos de exploração, fixados cm cré

o funcionamento das in.stituiçõc.s brasilei ras quo ti\'erani sou de.senvolvimcnto fa-

como uma pátria e a sentirem a neces.siclade da familia como grupo básico nu

ditos, preço compalÍNel e uparellumicnto de transporte e saneamento, — êsse

\'Orecido ou atrofiado pela expansão do

instante foi uma eousa nova na existên

grupo familiar.

cia daquela região, depois do tantos anos de apatia, e dec ida inteiramente às imposições do conflito.

O deslocamen

to de grujxis dc trahalÍiadore.s para os seringais acentuou, com o seu caráter

premeditado, a movimenlação interna

de elementos nacionais, tanto mais curiosa quanto se verificava, de alginii tempo até o irrompinielno de tal .si tuação para o Bra.síl, quase paralisação no movimento migratório.

Um sumário do.s reflexos da guerra sobre a vida brasileira pode e.specificar, como principais, os elementos seguintes: — prepondenlneia da produção urba na.

— orientação dos transportes no senti

do das ligações terrestres. — desenvolvimento do inlercànihiü eoniercial do continente.

— ieaparecim<;nto da Amazônia como

núcleo ponderável de produção.

— mobilidade do.s grupos de trabalho. — alteração na estrutura politica, eiieerrando-se o período de centralização política e administrativa extremada.

— substituição dc padrões cnlluraís europeus por padrões norte-americanos.

Na estrutura social brasileira, a famí

lia, superando suas funções puramente biológicas ou bio-sociais, veio modelar a personalidade dos seus membros, numa

construção de uma sociedade estável fo

ram os je.suítas. Disso temos indiscutí vel evidência nas carta-s de Nóbrega. O

grande discípulo dc Loiola, cuja figura ainda não te>e o estudo que merece,

extensão desusada, assumindo dèsse mo

sentiu a anarquia dessa colonização onde imperavam a cobiça e a luxuna, a falta

do uma função psico-social que é impos sível desconhecer. Durante longa fase de nossa história, ela chegou mesmo a

de ccesão social, a absoluta ausência de obstáculos à satisfação dos instintos de sencadeados. Manoel da Nóbregã foi o

constituir a única fonte de contrôle so

primeiro a solicitar de Portugal a remes

cial, em face da desorganização dos de

sa de mulheres que oferecessem aos co

mais grupos.

lonos a possibilidade de formar família

A colonização brasileira teve um cará

e de criar raízes na terra. Que viessem

ter nitidamente individualista. Os pri

de qualquer maneira, fòssem órfãs, ou

meiros colonos não buscaram a terra bra-

.sileira para fundar uma nova pátria. T'iaziam em mente, apenas, a idéia do lucro fácil e rápido e a esperança de um pronto retôrno.

Nisso a colonização

portuguesa se diferenciava fundamen

talmente da americana, tipo superior de colonização e po\'oamento, em que os no vos habitantes, tangidos por dissidências políticas ou rebgiosas, tinham deliberadamente cs:trtado todos os laços que os prendiam à mãe-pátria, exceto a cida dania. No colono português que buscou o Brasil no primeiro século da nossa história, havia a intenção única de obter o máximo dc riqueza no míni

mesmo de má vida, porque na colônia encontrariam oportunidade de redimirse e de redimir os homens da vida pe caminosa com índias e negras.

Entretanto, na primeira fase da colo nização, quando a economia gira\'a em torno do pau-brasil e os primeiros nú cleos de povoamento não passavam de meras feitorias, o número de- mulheres brancas se manteve escasso, a família

não se pôde desenvolver e a índia de sempenhou o importante papel de veí culo de aculturação, familiarizando ü

português com os costumes e utensí lios da terra.

A expansão da família na sociedade


Dxciurro EconómiCO

128

brasileira está estreitamente ligada ao

dc homens livre.», eram apenas us de

latifúndio e à escravidão. Era necessário

funcionários, comerciantes e artífices»

que se lhe desse uma base econômica bastante sólida para poder desenvolver-

que não chegavam a constituir gru pos importantes na cslrulura social.

se.

O latifúndio plasmou a família bra sileira a tal ponto que é difícil dissocio^

A vida familiar no Bra<-il, embora

há muito desligada desses dois fatôres, ainda conser\'a as marcas que deixaram

as duas instituições.

na sua formação. A fixação do colono ã terra pela concessão de sesmarias inccn-

Ciiberlo Freyre, não sabemos qual das duas, juntainenli' com n escravidão, seu

tivou-o a trazer consigo a família. A vinda-para o Brasil não ora uma aventu ra, mas uma verdadeira transplantação. Duarte Coelho, o primeiro donatário de Pernambuco, é o primeiro a dar o exem

plo, tranzendo con.sigo parentes e agre gados. Outros o imitam. Mas é preciso

notar que o próprio caráter privatísta da concessão de sesmarias tornava o fato uma exceção.

Nem Iodos os

colonos podiam dar-se ao luxo

de trazer as famílias porque

nem todos preenchiam os re

quisitos indispensáveis para a obtenção de uma sesmaria. A plebe dos sem-terra continuou a viver no estado de mancebia,

unindo-se a índias, primeiro, a negras e mulatas mais tarde.

Assim,^ a família aparece como um traço de classe, um grupo excepcional, um privilégio dos que dispunham do poder econômico criado pelo latifúndio

Q pela escravaria. Se é verdade que "a escravidão permitiu o latifúndio", na frase de Nestor Duarte, não é o menos que o latifúndio permitiu a família no sentido cristão, português. Ou senhor de engenho ou escravo - será uma maneira exagerada de colocar o problema. É indiscutível, porém, que a sociedade colonial, extremamente indiferenciada, tinha um número de profissões muito limitado. Além dos tipos extremos do latifundiário e do escravo, as categorias

Lindo a obra

OicESTt' E<^onÓmico *?ncontrnsse o latifvmdio. O número de fniios era uni traço indicativo de poder,

do pre.slígic) social. Reforçavam o exér cito particular do patriarca e davam-1!ie n. oportunidade de casá-lo.s a membros de outra.s faniílins importantes, aumen tando, dessa forma, o poder da sua

**Pof éste modo (o casamento j fica rão mais obedientes às minhas Reais

ordens, e os filhos que tiverem do matrimônio os farão ainda mais obe

dientes e vos ordeno me informeis

se será conveniente mandar eu que

só casados possam entrar na gover.nança dns câmaras das vilas."

correlato, tem a primazia na formação da

própria. Essa prolificidadc expandia-se tonlo inclhor quanto as condições do la tifúndio c-scravocrata permitiam nma bas-

sociedade brasileira.

tardia numerosa.

ciabilidade, favorecia a endogamia, o.s

Além disso, o isolamento criado pela Vastidão da terra, que pulverizava os niiclcos humanos, e agra\'ado pelo tipo

casanienlos entre parente.?, tao comuns

A própria escra

vidão deixou cnlrc nós tão fundas nia^ cas porque atuou através da família. E claro que muitos caraclcríslicos da famí lia brasileira não surgiram cspontàneumentc no meio brasileiro, mas já vieram

corn (í.s porluguèscs, fazendo parte de sua herança cultural.

Um deles é O

patriarcalismo. Outro a reclu são das mulheres, traço mouris-

co consignado nas impressões de todos os estrangeiros qu®^ nos visitam numa grande ex tensão do País. O latifúndio

criou no entanto para a fflmllia duas condições básicas qo® contribuiriam para lhe dar a preenunôncia sobro as demais instituições,

primeira delas foi seu caráter rural, u segunda, o isolamento. O meio rural em que se desenvolveu a família brasileím, nos seus primórdios, explica-lhe a eslTO"

ordinária prolificidadc.

Alfredo Elds

Jr., estudando a família paulista, para a

qual dispomos de maior número de da dos do quo para a de outro qualquer recanto do País, enumera a prole con

siderável dos patriarcas do século XVI e XVII.

Esta extraordinária fecimdi-

dado, porem, que êle parece atribuir a qualquer superioridade biológica, pare

ce-nos, antes, explicar-se pelas condi ções peculiares ao domínio rural e ter sido geral na colônia, onde quer que se

do povoamento, que favorecia o latifún dio, ao invés da aldeia, como em Por tugal, exerceu ação profunda sobre a ins tituição familiar. Ainda no século XIX.

basta ler os viajantes que percorreram nossos sertões, para ver que os povo

A di.stància, criando obstáculos a sona história rural brasileira, dificultando

mesmo os enlaces, pois fora das festas religiosas, fora da igreja, eram raras as

oportunidades para os dois sexos se en contrarem. É verdade que as núpcias

eram feitas mais por decisão do pa

triarca do que por li^'m deliberação dos interessados. É certo também que a reclusão do belo se.xo era menos acen-

ados eram pobres e escassos, as cidades 'tuada entre os nativos "que entre o.? <quase inexistentes. O interior aparece- cmboadas, menos severa no Rio e em

nos como uma sucessão de fazendas,

único lugar onde o viajante podia encon trar pousada regular. As fazendas, os engenhos habitados pelo proprietário, pela sua família, pelos seus escravos e agrçg'^dos, estes eram os verdadeiros nú cleos de povoação no meio rural. Neste ponto, c profunda a diferença, como as sinalou Gilberto Freyre, entre as áreas

do Brasil que foram povoadas por famí lias e aquelas que se mantiveram na pri meira fase individualista, pioneira, da co lonização. Note-se, por e.xemplo, como

São Paulo, por exemplo, que na Bahia. O número de casamentos, porém, sofria diminuição através do outro costume co

lonial, o de enviarem as famílias ricas suas filhas para os conventos, muito embora não tivessem a menor vocação para os mesmos.

Tudo isso concorria para diminuir o número das famílias e torna-las gru

pos de exceção, grupos que detinham o poder e a riquezii. O poder represen tado pela horda de bastardos, de agre gados e de escravos que constituíam a

a vida social mineira sofreu um retarda

formidável força luunana do latifúndio,

mento em virtude deste fato.

à qual o governo da colônia teve muitas

Pois só

em 1731 ali se radicaram famílias e sò-

mente por essa época o go\'ernador D. Lourenço de Almeida. escrevia ao rei

de Portugal, repetindo inconscientemen te, os mesmos termos da carta de Manoel

da Nóbrega no século XVI:

vêzes de recorrer. A riqueza, represenr

tada na terra, nas plantações de açúcar, fumo, algodão ou café. Diante dêsse

bloco formidá\'el, fortalecido pelo que Oliveira Viana chama solidariedade parental, os demais grupos se tornavam


Dxciurro EconómiCO

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brasileira está estreitamente ligada ao

dc homens livre.», eram apenas us de

latifúndio e à escravidão. Era necessário

funcionários, comerciantes e artífices»

que se lhe desse uma base econômica bastante sólida para poder desenvolver-

que não chegavam a constituir gru pos importantes na cslrulura social.

se.

O latifúndio plasmou a família bra sileira a tal ponto que é difícil dissocio^

A vida familiar no Bra<-il, embora

há muito desligada desses dois fatôres, ainda conser\'a as marcas que deixaram

as duas instituições.

na sua formação. A fixação do colono ã terra pela concessão de sesmarias inccn-

Ciiberlo Freyre, não sabemos qual das duas, juntainenli' com n escravidão, seu

tivou-o a trazer consigo a família. A vinda-para o Brasil não ora uma aventu ra, mas uma verdadeira transplantação. Duarte Coelho, o primeiro donatário de Pernambuco, é o primeiro a dar o exem

plo, tranzendo con.sigo parentes e agre gados. Outros o imitam. Mas é preciso

notar que o próprio caráter privatísta da concessão de sesmarias tornava o fato uma exceção.

Nem Iodos os

colonos podiam dar-se ao luxo

de trazer as famílias porque

nem todos preenchiam os re

quisitos indispensáveis para a obtenção de uma sesmaria. A plebe dos sem-terra continuou a viver no estado de mancebia,

unindo-se a índias, primeiro, a negras e mulatas mais tarde.

Assim,^ a família aparece como um traço de classe, um grupo excepcional, um privilégio dos que dispunham do poder econômico criado pelo latifúndio

Q pela escravaria. Se é verdade que "a escravidão permitiu o latifúndio", na frase de Nestor Duarte, não é o menos que o latifúndio permitiu a família no sentido cristão, português. Ou senhor de engenho ou escravo - será uma maneira exagerada de colocar o problema. É indiscutível, porém, que a sociedade colonial, extremamente indiferenciada, tinha um número de profissões muito limitado. Além dos tipos extremos do latifundiário e do escravo, as categorias

Lindo a obra

OicESTt' E<^onÓmico *?ncontrnsse o latifvmdio. O número de fniios era uni traço indicativo de poder,

do pre.slígic) social. Reforçavam o exér cito particular do patriarca e davam-1!ie n. oportunidade de casá-lo.s a membros de outra.s faniílins importantes, aumen tando, dessa forma, o poder da sua

**Pof éste modo (o casamento j fica rão mais obedientes às minhas Reais

ordens, e os filhos que tiverem do matrimônio os farão ainda mais obe

dientes e vos ordeno me informeis

se será conveniente mandar eu que

só casados possam entrar na gover.nança dns câmaras das vilas."

correlato, tem a primazia na formação da

própria. Essa prolificidadc expandia-se tonlo inclhor quanto as condições do la tifúndio c-scravocrata permitiam nma bas-

sociedade brasileira.

tardia numerosa.

ciabilidade, favorecia a endogamia, o.s

Além disso, o isolamento criado pela Vastidão da terra, que pulverizava os niiclcos humanos, e agra\'ado pelo tipo

casanienlos entre parente.?, tao comuns

A própria escra

vidão deixou cnlrc nós tão fundas nia^ cas porque atuou através da família. E claro que muitos caraclcríslicos da famí lia brasileira não surgiram cspontàneumentc no meio brasileiro, mas já vieram

corn (í.s porluguèscs, fazendo parte de sua herança cultural.

Um deles é O

patriarcalismo. Outro a reclu são das mulheres, traço mouris-

co consignado nas impressões de todos os estrangeiros qu®^ nos visitam numa grande ex tensão do País. O latifúndio

criou no entanto para a fflmllia duas condições básicas qo® contribuiriam para lhe dar a preenunôncia sobro as demais instituições,

primeira delas foi seu caráter rural, u segunda, o isolamento. O meio rural em que se desenvolveu a família brasileím, nos seus primórdios, explica-lhe a eslTO"

ordinária prolificidadc.

Alfredo Elds

Jr., estudando a família paulista, para a

qual dispomos de maior número de da dos do quo para a de outro qualquer recanto do País, enumera a prole con

siderável dos patriarcas do século XVI e XVII.

Esta extraordinária fecimdi-

dado, porem, que êle parece atribuir a qualquer superioridade biológica, pare

ce-nos, antes, explicar-se pelas condi ções peculiares ao domínio rural e ter sido geral na colônia, onde quer que se

do povoamento, que favorecia o latifún dio, ao invés da aldeia, como em Por tugal, exerceu ação profunda sobre a ins tituição familiar. Ainda no século XIX.

basta ler os viajantes que percorreram nossos sertões, para ver que os povo

A di.stància, criando obstáculos a sona história rural brasileira, dificultando

mesmo os enlaces, pois fora das festas religiosas, fora da igreja, eram raras as

oportunidades para os dois sexos se en contrarem. É verdade que as núpcias

eram feitas mais por decisão do pa

triarca do que por li^'m deliberação dos interessados. É certo também que a reclusão do belo se.xo era menos acen-

ados eram pobres e escassos, as cidades 'tuada entre os nativos "que entre o.? <quase inexistentes. O interior aparece- cmboadas, menos severa no Rio e em

nos como uma sucessão de fazendas,

único lugar onde o viajante podia encon trar pousada regular. As fazendas, os engenhos habitados pelo proprietário, pela sua família, pelos seus escravos e agrçg'^dos, estes eram os verdadeiros nú cleos de povoação no meio rural. Neste ponto, c profunda a diferença, como as sinalou Gilberto Freyre, entre as áreas

do Brasil que foram povoadas por famí lias e aquelas que se mantiveram na pri meira fase individualista, pioneira, da co lonização. Note-se, por e.xemplo, como

São Paulo, por exemplo, que na Bahia. O número de casamentos, porém, sofria diminuição através do outro costume co

lonial, o de enviarem as famílias ricas suas filhas para os conventos, muito embora não tivessem a menor vocação para os mesmos.

Tudo isso concorria para diminuir o número das famílias e torna-las gru

pos de exceção, grupos que detinham o poder e a riquezii. O poder represen tado pela horda de bastardos, de agre gados e de escravos que constituíam a

a vida social mineira sofreu um retarda

formidável força luunana do latifúndio,

mento em virtude deste fato.

à qual o governo da colônia teve muitas

Pois só

em 1731 ali se radicaram famílias e sò-

mente por essa época o go\'ernador D. Lourenço de Almeida. escrevia ao rei

de Portugal, repetindo inconscientemen te, os mesmos termos da carta de Manoel

da Nóbrega no século XVI:

vêzes de recorrer. A riqueza, represenr

tada na terra, nas plantações de açúcar, fumo, algodão ou café. Diante dêsse

bloco formidá\'el, fortalecido pelo que Oliveira Viana chama solidariedade parental, os demais grupos se tornavam


DiCKSTd lÜCONÓMirO

130

abwhilamenttf secandários. O próprio Estado, n-presentado pdo govèrno cen tral, ná.j tinha ação nenhuma sôbrc as

A desordem da sociedade, da adminis

massas do País, a menos fpte contasse

tração c- da justiça durante a época co lonial, (pie Oliveira Viana analisa com grande clari\idcncia. seria antes conse-

com o apoio dos "feudos" familiares. A expressão é de Pedro Calmon. e descre

quência do (pie causa deste estado de coisas em ((uc-, na \ igoros;i expressão do

ve adequadamente essa situação parti-

cronista Simão de Vasconcelos, "nenhum

cularista em que não existe uma cons ciência política e sim uma consciência familiar, em que os interesses da fa mília primam os de qualquer outro gru

trata do bem comum, senão cada um do

homem... c repúblico, nem vela ou bem particular".

Diante de grupo tão poderoso, as de

po; em que os laços cie c-oesão social são

mais instituições tinham de ceder o

absolutamente pessoais, permeados da

passo, Obscrvc-sc-, por exemplo, o sem-

afetitídade que transborda de tôda a

número de conflitos entre as famílias

vida familiar.

Descrevendo o mesmo

fenômeno nas populações do Brasil me

paulistas e o governo central, onde este, quase sempre, não fazia a mcllior figura.

ridional, Oliveira Viana emprega a pa

Era-llie impossível enfrentar, em pé de

lavra "clã".

igualdade, os latifúndios coligados. Muitas vezes, seu papel se limitava a

Achamo-la e.vcessiva se

tivermos em mente o tipo de grupo en contrado nas sociedades primitivas, na Escócia ou na Córsêga. O que vemos no Brasil é uma e.xtensão desusada do gru po familiar, crescendo a ponto de atro fiar as demais esferas da vida social,

abarcando funções que, em outras so ciedades, são realizadas por órgãos di ferenciados. Do mesmo modo, quando o referido autor afirma que a concen tração da população inferior dos campos

mílias que ensangüentaram tanto o norte como o sul do País, que ainda persis tem hoje em tantos Estados sem que o govêrno possa detê-los. Mais interessante ainda é a maneira

como a família patriarcal, através ca

ca.sa-grandc, chegou a usurpar à igreja lógico casa-grande — capela-senzala, pa

dade, a família patriarcal era o único

rece-nos um dos fatos que elucidam i\

sileira, até o momento em que o parce

lamento da terra e a criação de novas

fontes de riqueza enfraqueceram-lhe as bases econômicas, e o aparecimento de uma nova elite condicionada pela vida urbana arrebatou-lhe o poder político.

vina.

Parccc-nos ouvir os pastores do

grupo familiar patriarcal, baseado no

sul dos Estados Unidos, do Olcl South

antes da guerra civil! O mesmo ocorreu

latifúndio e na monocultura, contro i as duas i vfontes• lando a tena e o escravo,

de um padre numa fazenda do Sul a frase: "Deus criou-os para serem escravo.s".

endcgàrnicas c pela bixstardia. c aro quo na plebe, entre os homens lyes, os acregado.s, os capangas, os vaqueiros, os

a Charlc.s E.xpÜly. revoltado por ouvir fl-cc Esse

genhe. O progresso implicava a maior cialização do organismo social, a que a

uma perda concomitante de poder. Até aqui, rcferimo-nos unicamente ao

do riqueza, engrandecido pela alianças

1- era, em geral, 1 era muito diferente. mesmo capclao artífice., a situação predominando, co. .. mo ainda hoje. a mancebia, raras ve

zes sancionada pda bênção religiosa. O

a si outra importan te função que, em condições normais,

custo do casamento

religioso uni

se efetuaria através do grupos diferentes. A transmissão o.

diferença entre a América Espanhola e a Portuguesa, No Brasil, o clero, como •classe, nunca desfrutou do poder e do

prestígio que sempre teve na América

■A

^^uhecimentos

raramente se fazia em --^egi colégios, que só os ravia em número

O

Duarte,

tam

dada a deficiência de instituições edu cacionais, sobretudo de escolas rurais,

madismo.

grande número de pessoas aprende as

çou a manifestar os primeiros sintoma.s

primeiras letras no seio da família e as

de decadência e desintegração no século 19, quando o patriarca teve de ceder a

que freqüentam escolas representam in

jesuítas 6 o sistema da casa-grande. "Os jesuítas procuravam arrebatar ã casa-

J

veram excluídas.

bém explica seu no-

terial do latifúndio. Em vão, os jesuítas tentaram lutar contra esse estado de

senhor de engenho. Reforçava o poder

as classes da popu lação sempre esti

tor

significante minoria.

coisas. O capelão da casa-grande fe

de

que, segundo Nes-

Espanhola, dada a sua dependência ma

chava os olhos sôbre muitos pecados do

tornava-o

costume

abastados, de que

escasso. Ainda hoje,

verte os tôrmos do problema. Na reali

isso, ela foi o centro da sociedade bra

família zelosamente se opunha, temendo

lhos do fazendeiro. A família chamava

sentada materialmente no complexo eco

Por

diferenciação de funções, a maior espe

mantinham entre si. A história social brasileira ò rica nesses conflitos dc fa

pela necessidade de defesa contra a

pais fontes de riqueza e poder.

fazenda oin Campos, na Província do Rio do Janeiro, um sermão aos escravos cm que tentava convencê-los de que deviam resignar-se à sua sorte por se tratar de de.sígnios da Providência di

o mesti-e-escola du escravaria e dos fi

"anarquia branca", parece-nos que in grupo estável e organizado, exatamente pelo fato de ter em suas mãos as princi

mentes niai;'. retrógrados e rotineiros, no

caso representados pelos senhores do en

interferir como mediador nas líitas que

a função religiosa. Esta subordinação do padre ao senhor de engenho, repre

em tôrno da nobreza rural é motivada

da casta sculiorial dando-lhe sanção re

ligiosa. O liberal Ribeyrolles escandalizou-.sü ao ouvir do capelão dc uma

em

que

se travou

Foi outro setor

combate entre os

grande a mulher, o menino e o escravo". A frase é de Fernando de Azevedo e

traduz êsse conflito entre os espíritos mais avançados da colônia e os de .a J,-

Êsse tipo de família patriarcal come

primazia a novos tipos sociais. Essa re

volução, porque é este, nem mais nem

menos, ' o significado dessa mudança, foi provocada por dois fatos paralelos: um deles a decadência econômica do la tifúndio pelo empobrecimento da terra

pelo lento desaparecimento da mão-de-

obra, pelo parcelamento do domínio; o

: .ikiife...'vj.


DiCKSTd lÜCONÓMirO

130

abwhilamenttf secandários. O próprio Estado, n-presentado pdo govèrno cen tral, ná.j tinha ação nenhuma sôbrc as

A desordem da sociedade, da adminis

massas do País, a menos fpte contasse

tração c- da justiça durante a época co lonial, (pie Oliveira Viana analisa com grande clari\idcncia. seria antes conse-

com o apoio dos "feudos" familiares. A expressão é de Pedro Calmon. e descre

quência do (pie causa deste estado de coisas em ((uc-, na \ igoros;i expressão do

ve adequadamente essa situação parti-

cronista Simão de Vasconcelos, "nenhum

cularista em que não existe uma cons ciência política e sim uma consciência familiar, em que os interesses da fa mília primam os de qualquer outro gru

trata do bem comum, senão cada um do

homem... c repúblico, nem vela ou bem particular".

Diante de grupo tão poderoso, as de

po; em que os laços cie c-oesão social são

mais instituições tinham de ceder o

absolutamente pessoais, permeados da

passo, Obscrvc-sc-, por exemplo, o sem-

afetitídade que transborda de tôda a

número de conflitos entre as famílias

vida familiar.

Descrevendo o mesmo

fenômeno nas populações do Brasil me

paulistas e o governo central, onde este, quase sempre, não fazia a mcllior figura.

ridional, Oliveira Viana emprega a pa

Era-llie impossível enfrentar, em pé de

lavra "clã".

igualdade, os latifúndios coligados. Muitas vezes, seu papel se limitava a

Achamo-la e.vcessiva se

tivermos em mente o tipo de grupo en contrado nas sociedades primitivas, na Escócia ou na Córsêga. O que vemos no Brasil é uma e.xtensão desusada do gru po familiar, crescendo a ponto de atro fiar as demais esferas da vida social,

abarcando funções que, em outras so ciedades, são realizadas por órgãos di ferenciados. Do mesmo modo, quando o referido autor afirma que a concen tração da população inferior dos campos

mílias que ensangüentaram tanto o norte como o sul do País, que ainda persis tem hoje em tantos Estados sem que o govêrno possa detê-los. Mais interessante ainda é a maneira

como a família patriarcal, através ca

ca.sa-grandc, chegou a usurpar à igreja lógico casa-grande — capela-senzala, pa

dade, a família patriarcal era o único

rece-nos um dos fatos que elucidam i\

sileira, até o momento em que o parce

lamento da terra e a criação de novas

fontes de riqueza enfraqueceram-lhe as bases econômicas, e o aparecimento de uma nova elite condicionada pela vida urbana arrebatou-lhe o poder político.

vina.

Parccc-nos ouvir os pastores do

grupo familiar patriarcal, baseado no

sul dos Estados Unidos, do Olcl South

antes da guerra civil! O mesmo ocorreu

latifúndio e na monocultura, contro i as duas i vfontes• lando a tena e o escravo,

de um padre numa fazenda do Sul a frase: "Deus criou-os para serem escravo.s".

endcgàrnicas c pela bixstardia. c aro quo na plebe, entre os homens lyes, os acregado.s, os capangas, os vaqueiros, os

a Charlc.s E.xpÜly. revoltado por ouvir fl-cc Esse

genhe. O progresso implicava a maior cialização do organismo social, a que a

uma perda concomitante de poder. Até aqui, rcferimo-nos unicamente ao

do riqueza, engrandecido pela alianças

1- era, em geral, 1 era muito diferente. mesmo capclao artífice., a situação predominando, co. .. mo ainda hoje. a mancebia, raras ve

zes sancionada pda bênção religiosa. O

a si outra importan te função que, em condições normais,

custo do casamento

religioso uni

se efetuaria através do grupos diferentes. A transmissão o.

diferença entre a América Espanhola e a Portuguesa, No Brasil, o clero, como •classe, nunca desfrutou do poder e do

prestígio que sempre teve na América

■A

^^uhecimentos

raramente se fazia em --^egi colégios, que só os ravia em número

O

Duarte,

tam

dada a deficiência de instituições edu cacionais, sobretudo de escolas rurais,

madismo.

grande número de pessoas aprende as

çou a manifestar os primeiros sintoma.s

primeiras letras no seio da família e as

de decadência e desintegração no século 19, quando o patriarca teve de ceder a

que freqüentam escolas representam in

jesuítas 6 o sistema da casa-grande. "Os jesuítas procuravam arrebatar ã casa-

J

veram excluídas.

bém explica seu no-

terial do latifúndio. Em vão, os jesuítas tentaram lutar contra esse estado de

senhor de engenho. Reforçava o poder

as classes da popu lação sempre esti

tor

significante minoria.

coisas. O capelão da casa-grande fe

de

que, segundo Nes-

Espanhola, dada a sua dependência ma

chava os olhos sôbre muitos pecados do

tornava-o

costume

abastados, de que

escasso. Ainda hoje,

verte os tôrmos do problema. Na reali

isso, ela foi o centro da sociedade bra

família zelosamente se opunha, temendo

lhos do fazendeiro. A família chamava

sentada materialmente no complexo eco

Por

diferenciação de funções, a maior espe

mantinham entre si. A história social brasileira ò rica nesses conflitos dc fa

pela necessidade de defesa contra a

pais fontes de riqueza e poder.

fazenda oin Campos, na Província do Rio do Janeiro, um sermão aos escravos cm que tentava convencê-los de que deviam resignar-se à sua sorte por se tratar de de.sígnios da Providência di

o mesti-e-escola du escravaria e dos fi

"anarquia branca", parece-nos que in grupo estável e organizado, exatamente pelo fato de ter em suas mãos as princi

mentes niai;'. retrógrados e rotineiros, no

caso representados pelos senhores do en

interferir como mediador nas líitas que

a função religiosa. Esta subordinação do padre ao senhor de engenho, repre

em tôrno da nobreza rural é motivada

da casta sculiorial dando-lhe sanção re

ligiosa. O liberal Ribeyrolles escandalizou-.sü ao ouvir do capelão dc uma

em

que

se travou

Foi outro setor

combate entre os

grande a mulher, o menino e o escravo". A frase é de Fernando de Azevedo e

traduz êsse conflito entre os espíritos mais avançados da colônia e os de .a J,-

Êsse tipo de família patriarcal come

primazia a novos tipos sociais. Essa re

volução, porque é este, nem mais nem

menos, ' o significado dessa mudança, foi provocada por dois fatos paralelos: um deles a decadência econômica do la tifúndio pelo empobrecimento da terra

pelo lento desaparecimento da mão-de-

obra, pelo parcelamento do domínio; o

: .ikiife...'vj.


133

Dicesto Econômico DICESTO

outro ò o desenvolvimento das cidades,

incompatíveis com a família patriarcal.

A mudança .social trazida pela deca dência do latifúndio c polo processo de urbanização vai desintegrando a famí

Surgiu então o antagonismo entre dois

lia patriarcal.

criando condições econômicas c sociais

estilos do vida, que Gilberto Fre)'re simbolizou na casa-grande c no sobrado.

O Império é a época ejn que emerge esse novo tipo de família semipatriarcal, urbanizada, tipo de transição para a família moderna. Tipo de transição porque as famílias que constituíam a classe dominante ainda estavam sòlidamentc presas à terra. Eram, sem dú

vida alguma, uinu aristocracia rural que ainda controlava o poder e a riqueza. Nela, entretanto, já se infiltravam os

representantes do outra elite emergen te, representados pelo bacbarel ou co

merciante, mais tarde pelo industrial que hauriam seu prestígio em outros

atnbutos. A suces.são desses tipos di ferentes de líder pode ver-se distin tamente na lista de profissões dos deputados ás diversas Câmaras. À me dida que a percorremos, o número de

Dois tipos de relações

dentro do grupo familiar mostram cla

ramente essa cicsínfegração. O primei ro c o conjunlo das relaç>õcs entre país e filhos. O segundo c a relação entre homem c mulher.

Entre pal.s c filhos, no comple.xo do sobrado, já . não reina aquela me.smu rigidez que carueteriz;! u sociedade pa triarcal. A justiça familiar não pode

emergia tomando as trincheiras que. o patriarcalismo zelosamente defendia. No domínio das relações entre o bo-

mcni c a mulher, esse período de tran sição acarretou modificações profundas. Na sociedade patriarcal, a tendência era para uma diferenciação extrema dos dois se.xos c para uma total subordinação das mulheres aos homens. O matriarcado .só

existia dentro das paredes da casa-gran de, entre a .sala de jantar e a cozJnha.

se c.xerccr com a me?ma independên

Da

cia e soberania. O "jmícr faniilm" vê .sua autoridade abalada pela interferên

mitia o máximo da liberdade aos homens

cia dc outras instituições de contr<Me social. Não se encontram mais casos

de justiça paterna como aquêlc.s que enchem a.s i^ágínas da história colonial. Os filhos também, são mais rebeldes, lutam por diminuir a distância social que separava as gerações, esforçam-se

mesma forma, descnvi>l\cu-se um

duplo padrão de moralidade, que per

o sujeita\'a as mulheres a um código implacável, embora não escrito. Na sociedade scmipatriarcal do século XIX, muitos desses traços permanecem. A

mulher, porém, pa.ssa a desfrutar de maior liberdade, embora ainda muitas

restrições limitassem seus passos na vida

ção mais antiga, é claro, dificilmente se

A literatura da época, apresen tando figuras de mulher altamente idea lizadas, mostra com nitidez as expecta tivas de comportamento que os homens

que o bacharel ainda é um subproduto

acostumava a isso. É bem característica

nutriam face ás mulheres. A sua educa

do meio rural, um filho de fazendeiro.s

livro "O Senado do Império". Reflete

fazendeiros^ diminui e q de bacharéis avuUa. Não se deve esquecer, porém, dc café, de senhores de engenho, que foi mandado à Europa estudar. O an tagonismo e mais frisante entre o pro prietário rural e o induslriul, por exem plo, de que Mauá foi o tipo mais re presentativo no Império. Mas o pro cessei de urbanização foi suficientemen

te lento durante o Império para permitir que as grandes famílias mantivessem seu

poder político. Percorrendo a lista dos

senadores do Império unidos por laços de parentes(30s, poderemos traçar os contornos de grupos familiares que dominararn nossa vida política até a Re pública.

*-

por parecer velhos também, copiando o traje, as maneiras dos velhos. A gera a anedota contada por Taunay em seu a surpre.sa dos xelhos ante essa irrupção

ISS

Et.ONÓMlCO

social.

ção, entretanto, ainda se mantinha muito atrasada com relação aos homens. Char

les Expilly, que e.stevo no Brasil durante o Império, dizia, exagerando um pouco:

dos moços em tôdas as atividades sor cíaí.s, ameaçando suas posições. O me nino, naturalmente para desforrar-.se da

"Até agora as senhoras não tomaram

"capitis diminulio" a que foi submeti do durante tanto tempo tem pressa de

a polca".

da civilização senão a crinolina, o chá e

Parece que os homens se

namorados se furla\am à autoridade do

"pateí famílias".

O rapto foi, como

observa Gilberto Freyre, na sociedade semipatriarcal. um característico alta mente romântico de rerolta contra o

poder paterno e enche a história social da época.

Fernando dc .ázevedo assinala o ano

de 1929 como o fim do domínio das

arandes famílias. É um ano prenunciador

de grandes transformações políticas e sociais no Brasil. O processo de urbaniziição, que foi consideravelmente acelerado com a República e a primeira Guerra Mundial, exerceu sua açao cii-

ferenciadora sôbre a familia. separan^ do a família patriarcal desagregada, do obnd" mais tarde do apartamento, da m roF-ria incipiente do mucamto e da favela. A mesma diferença

do que se processara no campo, enixe

.i familia patriarcal da classe dominan te caracterizada pelo casamento, e a fa milia plebéia, caracterizada pe o amasianiento! repele-se no meio urbano, de monstrando a enorme imporbmeia da

estratificação social nas instituições brao velho tipo de grupo familiar, p(> rém não desapareceu inteiramente. E mais comum no campo que na cidade,

mais freqüente no Norte e no Oeste que no Sul. Mas. em tôda parte, a família brasileira ainda está impregnada de pa

fazer-se homem, de vestír-sc, de fumar,

esforçavam por criar barreiras sociais u sua ascensão, por mantê-las subordina

triarcalismo.

como os homens.

das ao seu despótico poder. O Roman

que esses traços, são os resíduos pri-

O colégio jesuítico

teve importância nesse amadurecimento precoce dos meninos, incutindo-Ilies a gravidade, a retórica, o formalismo, que, na época, eram os característicos da idade madura. O bacharel é, em parte, uma manifestação dessa rebeldia

dos moços, um tipo revolucionário que

Muito mais importantés

tismo no Brasil foi um veículo poderoso

vatistas, que penetram tcda a vida pú

de mudança social. A literatura român tica inoculou em nossa sociedade ainda

blica e .sobretudo a vida política no Brasil.

impregnada de patriarcalismo um sopro novo, uma rebeldia que se descobre no

um tipo de contatos secundários, impes-

novo tipo dc "casamento por amor".

çnnic

Outro traço que assinala essa transição

é a freqüência dos raptos com que os

O brasileiro dificilmente se amolda a niiia cãn

nr» pnltinrn

inríisnpnçÃ-

.í


133

Dicesto Econômico DICESTO

outro ò o desenvolvimento das cidades,

incompatíveis com a família patriarcal.

A mudança .social trazida pela deca dência do latifúndio c polo processo de urbanização vai desintegrando a famí

Surgiu então o antagonismo entre dois

lia patriarcal.

criando condições econômicas c sociais

estilos do vida, que Gilberto Fre)'re simbolizou na casa-grande c no sobrado.

O Império é a época ejn que emerge esse novo tipo de família semipatriarcal, urbanizada, tipo de transição para a família moderna. Tipo de transição porque as famílias que constituíam a classe dominante ainda estavam sòlidamentc presas à terra. Eram, sem dú

vida alguma, uinu aristocracia rural que ainda controlava o poder e a riqueza. Nela, entretanto, já se infiltravam os

representantes do outra elite emergen te, representados pelo bacbarel ou co

merciante, mais tarde pelo industrial que hauriam seu prestígio em outros

atnbutos. A suces.são desses tipos di ferentes de líder pode ver-se distin tamente na lista de profissões dos deputados ás diversas Câmaras. À me dida que a percorremos, o número de

Dois tipos de relações

dentro do grupo familiar mostram cla

ramente essa cicsínfegração. O primei ro c o conjunlo das relaç>õcs entre país e filhos. O segundo c a relação entre homem c mulher.

Entre pal.s c filhos, no comple.xo do sobrado, já . não reina aquela me.smu rigidez que carueteriz;! u sociedade pa triarcal. A justiça familiar não pode

emergia tomando as trincheiras que. o patriarcalismo zelosamente defendia. No domínio das relações entre o bo-

mcni c a mulher, esse período de tran sição acarretou modificações profundas. Na sociedade patriarcal, a tendência era para uma diferenciação extrema dos dois se.xos c para uma total subordinação das mulheres aos homens. O matriarcado .só

existia dentro das paredes da casa-gran de, entre a .sala de jantar e a cozJnha.

se c.xerccr com a me?ma independên

Da

cia e soberania. O "jmícr faniilm" vê .sua autoridade abalada pela interferên

mitia o máximo da liberdade aos homens

cia dc outras instituições de contr<Me social. Não se encontram mais casos

de justiça paterna como aquêlc.s que enchem a.s i^ágínas da história colonial. Os filhos também, são mais rebeldes, lutam por diminuir a distância social que separava as gerações, esforçam-se

mesma forma, descnvi>l\cu-se um

duplo padrão de moralidade, que per

o sujeita\'a as mulheres a um código implacável, embora não escrito. Na sociedade scmipatriarcal do século XIX, muitos desses traços permanecem. A

mulher, porém, pa.ssa a desfrutar de maior liberdade, embora ainda muitas

restrições limitassem seus passos na vida

ção mais antiga, é claro, dificilmente se

A literatura da época, apresen tando figuras de mulher altamente idea lizadas, mostra com nitidez as expecta tivas de comportamento que os homens

que o bacharel ainda é um subproduto

acostumava a isso. É bem característica

nutriam face ás mulheres. A sua educa

do meio rural, um filho de fazendeiro.s

livro "O Senado do Império". Reflete

fazendeiros^ diminui e q de bacharéis avuUa. Não se deve esquecer, porém, dc café, de senhores de engenho, que foi mandado à Europa estudar. O an tagonismo e mais frisante entre o pro prietário rural e o induslriul, por exem plo, de que Mauá foi o tipo mais re presentativo no Império. Mas o pro cessei de urbanização foi suficientemen

te lento durante o Império para permitir que as grandes famílias mantivessem seu

poder político. Percorrendo a lista dos

senadores do Império unidos por laços de parentes(30s, poderemos traçar os contornos de grupos familiares que dominararn nossa vida política até a Re pública.

*-

por parecer velhos também, copiando o traje, as maneiras dos velhos. A gera a anedota contada por Taunay em seu a surpre.sa dos xelhos ante essa irrupção

ISS

Et.ONÓMlCO

social.

ção, entretanto, ainda se mantinha muito atrasada com relação aos homens. Char

les Expilly, que e.stevo no Brasil durante o Império, dizia, exagerando um pouco:

dos moços em tôdas as atividades sor cíaí.s, ameaçando suas posições. O me nino, naturalmente para desforrar-.se da

"Até agora as senhoras não tomaram

"capitis diminulio" a que foi submeti do durante tanto tempo tem pressa de

a polca".

da civilização senão a crinolina, o chá e

Parece que os homens se

namorados se furla\am à autoridade do

"pateí famílias".

O rapto foi, como

observa Gilberto Freyre, na sociedade semipatriarcal. um característico alta mente romântico de rerolta contra o

poder paterno e enche a história social da época.

Fernando dc .ázevedo assinala o ano

de 1929 como o fim do domínio das

arandes famílias. É um ano prenunciador

de grandes transformações políticas e sociais no Brasil. O processo de urbaniziição, que foi consideravelmente acelerado com a República e a primeira Guerra Mundial, exerceu sua açao cii-

ferenciadora sôbre a familia. separan^ do a família patriarcal desagregada, do obnd" mais tarde do apartamento, da m roF-ria incipiente do mucamto e da favela. A mesma diferença

do que se processara no campo, enixe

.i familia patriarcal da classe dominan te caracterizada pelo casamento, e a fa milia plebéia, caracterizada pe o amasianiento! repele-se no meio urbano, de monstrando a enorme imporbmeia da

estratificação social nas instituições brao velho tipo de grupo familiar, p(> rém não desapareceu inteiramente. E mais comum no campo que na cidade,

mais freqüente no Norte e no Oeste que no Sul. Mas. em tôda parte, a família brasileira ainda está impregnada de pa

fazer-se homem, de vestír-sc, de fumar,

esforçavam por criar barreiras sociais u sua ascensão, por mantê-las subordina

triarcalismo.

como os homens.

das ao seu despótico poder. O Roman

que esses traços, são os resíduos pri-

O colégio jesuítico

teve importância nesse amadurecimento precoce dos meninos, incutindo-Ilies a gravidade, a retórica, o formalismo, que, na época, eram os característicos da idade madura. O bacharel é, em parte, uma manifestação dessa rebeldia

dos moços, um tipo revolucionário que

Muito mais importantés

tismo no Brasil foi um veículo poderoso

vatistas, que penetram tcda a vida pú

de mudança social. A literatura român tica inoculou em nossa sociedade ainda

blica e .sobretudo a vida política no Brasil.

impregnada de patriarcalismo um sopro novo, uma rebeldia que se descobre no

um tipo de contatos secundários, impes-

novo tipo dc "casamento por amor".

çnnic

Outro traço que assinala essa transição

é a freqüência dos raptos com que os

O brasileiro dificilmente se amolda a niiia cãn

nr» pnltinrn

inríisnpnçÃ-

.í


Dicesto Econômico

de relações pessoais, dificilmente conce be a impersonalidade do Estado. O personalismo brasileiro, sua afelividadc, são, pro\'àvelmente, característicos oriun dos dessa hipertrofia do grupo familiar, que empresta a tôda a sociedade seus padrões

de

comportamento.

Nestor

Duarte dedicou páginas excelentes à demonstração dessa influência. mília é um anti-Estado.

A fa

Uma das con

dições de crescimento do organismo po lítico é a observação de várias funções

que a família preenche nas sociedades

de Estado, não compreende o que seja No domínio das relações administra-

tl\as% Emílio ■\Villems descreve o mesmo fenômeno, sob o nome de patrimonia-

lismo, que contrapõe à burocracia. Não SC pode dar uni passo nas repartições públicas brasileiras sem ter uin "padri

nho", um "amigo" fjue são o "abre-te Sésamo" dos arcanos burocráticos. Êsse verdadeiro

familisnío

tem sua

melhor compensação naqueles atribu to;: que constituem o que Ribeiro Couto chamou "civilização cordial".

político no Brasil só muito recentemente

pitalidade, no calor de que se revestem

adquiriu tinturas ideológicas. Caracte

entre nós as relações humanas, fazendo com que sejamos o pn\o compreensivo e conciliador por excelência. Mas, por outro lado, êsses padrões do ccnnportamento, que a família ditou à nossa so ciedade, entravam sua maturidade poli-

entravam na liça, eram pessoas. Êsses líderes tinham seus adeptos e seus ini

migos, igualmente fanáticos, não porque SC opusessem às idéias do líder, que

rica.

Na hos

Para alterá-los, teríamos de in

muitas vezes não as tinha, mas porque reagiam diante dele em termos pessoais de ódio. ou dedicação. A distribuição de

crementar o crescimento paralelo do ou

cargos políticos pelo vencedor era e ainda é esperada por seus parentes como conseqüência natural da vitória. Há pouco tempo, um presidente nomeou

Acreditamos, com Lynn Smith, que as diferenças fundamentais entre o Brasil, a América Espanhola e os Esta

cerca de duzento.s membros de sua fa

mília para cargos públicos.

A função

pública é encarada como parte do botim. O sentimento público é escasso. A fra se do cronista ainda é perfeitamente vá lida:

"Nesta terra nenhum homem ó

tras instituições, como a o.scola e a igreja.

dos Unidos não derivam de origens ra ciais diversas e sim da instituição que

preponderou na formação social de cada um dêsses grupos: no caso do Brasil, a

Assembléia

Geral

Pan-Americano de

do

Instituto

Geografia e

História recomendou aos governos c centros de estudos históricos do conti

nente promovessem tertúlias e debates sòbre o valor do pensamento de Miran da, o generalíssiino \enozuclano Fran cisco de Miranda, na gênese da emanci pação da América o .do movimento pangem do bicentenário do sevi nascimento. Francisco de Miranda foi, com o nosso Tiradentes, com o colombiano Narino,

com os padres Hidalgo e Morelos, no México, Zela, no Peru, Camilo Henriquez e Martinez de Rosas, no Chile, e outros

heróis de igual tèmpera, um dos ho mens fortes do ciclo de precursores da independência dos países ibero-ameri canos.

Época tormentosa essa, de pregação, do catequese cívica, de preparação para

o advento do ciclo posterior que foi o dos libertadores. Um sonho de ilumi nados: sacar um mundo liberal do pân

tano do obscurantismo.

O movimento

não era apenas político, isto é, não se tratava sòmente de cortar o cordão um

bilical que prendia as colônias às metró poles, dando-lhes autonomia, elevando-as à condição de Estados Soberanos.

A par disso, a feição social, consubs tanciada na anulação dos privilégios de

área geográfica e a área política. Grande parte da população brasileira ainda não

evitando a hipertrofia monstruosa do Estado, sempre fatal quando aquelas

se acha devidamente aculturada à idéia

definham.

CoiíicmoríJ-sc àsfc ano o hiccnlcmhin de nascimento de Miranda, herói vene zuelano. O "Digesto Económco mse-

ro, em homenagem à efcmcridc. o caUoso cfmio escrito pelo duslrc parla-

,ncntar João Henrique, Prcs^femte da

Comissão "Diplomacia c Tratados da Câmara dos Dqnitados.

americanjsta. para ccmcmorar a passa

família; na América Espanhola, a igreja; dessas instituições proporcionaria o flo rescimento de comunidades equilibradas,

. ■-1-

A

no.s Estados Unidos, a escola. Só o desenvolvimento harmonioso

Brasil não há correspondência entre a.

repúblico..." Isso explica porque no

João Heniuquh

luta partidária ou ideológica.

feudais e patriarcais. A luta pelo poder rizava-se até bem pouco tempo, pelo seu personalismo. Não eram idéias que

Mirandil, sua vida c seu pensamento político

tôda ordem, no desaparecimento dos mo

nopólios, no estabelecimento da sobera, nia popular è no reconhecimento dos di reitos individuais, entrosava o movimen

to da independência americana no surto das conquistas sociais da RevoUiçáo

Francesa. Fizemos assim duas revolu ções ao mesmo tempo.

A personalidade de Miranda, na pu-

jante vibração de sua grandera como " manifestação ocasional de suas fra quezas muito humanas, deve sei e.sSu num recuo de século e uieiu, totro dessa ambiência de fortes trans-

litações em que viveu sob a sufocante

jL-*

I

paixãrque o devorava: a independeucia americana.

,

Ao estudioso da psicologia profunda não passará despercebido o trauma im

presso indelèvelmonte em seu subcons

ciente pela rumorosa questão em que

seu pai se \ia envolvido e humilhado pelos preconceitos da época.

}

A orgulhosa nobreza espanhola de Ca vacas protestou com veemência quando o .pai de Miranda, reformado capitão de milícia, se apresentou em público

com o seu antigo uniforme e insígnias que lhe davam direito a prerrogativas so- í

ciais. Foi-lhe exigido que não mais o fizesse. Êle recusou obedecer, de nia- ' neira peremptória. A pacata vida de i Caracas, do século XVIII, encheu-se dc rumor clêsse caso de honní

üAiftiflY i


Dicesto Econômico

de relações pessoais, dificilmente conce be a impersonalidade do Estado. O personalismo brasileiro, sua afelividadc, são, pro\'àvelmente, característicos oriun dos dessa hipertrofia do grupo familiar, que empresta a tôda a sociedade seus padrões

de

comportamento.

Nestor

Duarte dedicou páginas excelentes à demonstração dessa influência. mília é um anti-Estado.

A fa

Uma das con

dições de crescimento do organismo po lítico é a observação de várias funções

que a família preenche nas sociedades

de Estado, não compreende o que seja No domínio das relações administra-

tl\as% Emílio ■\Villems descreve o mesmo fenômeno, sob o nome de patrimonia-

lismo, que contrapõe à burocracia. Não SC pode dar uni passo nas repartições públicas brasileiras sem ter uin "padri

nho", um "amigo" fjue são o "abre-te Sésamo" dos arcanos burocráticos. Êsse verdadeiro

familisnío

tem sua

melhor compensação naqueles atribu to;: que constituem o que Ribeiro Couto chamou "civilização cordial".

político no Brasil só muito recentemente

pitalidade, no calor de que se revestem

adquiriu tinturas ideológicas. Caracte

entre nós as relações humanas, fazendo com que sejamos o pn\o compreensivo e conciliador por excelência. Mas, por outro lado, êsses padrões do ccnnportamento, que a família ditou à nossa so ciedade, entravam sua maturidade poli-

entravam na liça, eram pessoas. Êsses líderes tinham seus adeptos e seus ini

migos, igualmente fanáticos, não porque SC opusessem às idéias do líder, que

rica.

Na hos

Para alterá-los, teríamos de in

muitas vezes não as tinha, mas porque reagiam diante dele em termos pessoais de ódio. ou dedicação. A distribuição de

crementar o crescimento paralelo do ou

cargos políticos pelo vencedor era e ainda é esperada por seus parentes como conseqüência natural da vitória. Há pouco tempo, um presidente nomeou

Acreditamos, com Lynn Smith, que as diferenças fundamentais entre o Brasil, a América Espanhola e os Esta

cerca de duzento.s membros de sua fa

mília para cargos públicos.

A função

pública é encarada como parte do botim. O sentimento público é escasso. A fra se do cronista ainda é perfeitamente vá lida:

"Nesta terra nenhum homem ó

tras instituições, como a o.scola e a igreja.

dos Unidos não derivam de origens ra ciais diversas e sim da instituição que

preponderou na formação social de cada um dêsses grupos: no caso do Brasil, a

Assembléia

Geral

Pan-Americano de

do

Instituto

Geografia e

História recomendou aos governos c centros de estudos históricos do conti

nente promovessem tertúlias e debates sòbre o valor do pensamento de Miran da, o generalíssiino \enozuclano Fran cisco de Miranda, na gênese da emanci pação da América o .do movimento pangem do bicentenário do sevi nascimento. Francisco de Miranda foi, com o nosso Tiradentes, com o colombiano Narino,

com os padres Hidalgo e Morelos, no México, Zela, no Peru, Camilo Henriquez e Martinez de Rosas, no Chile, e outros

heróis de igual tèmpera, um dos ho mens fortes do ciclo de precursores da independência dos países ibero-ameri canos.

Época tormentosa essa, de pregação, do catequese cívica, de preparação para

o advento do ciclo posterior que foi o dos libertadores. Um sonho de ilumi nados: sacar um mundo liberal do pân

tano do obscurantismo.

O movimento

não era apenas político, isto é, não se tratava sòmente de cortar o cordão um

bilical que prendia as colônias às metró poles, dando-lhes autonomia, elevando-as à condição de Estados Soberanos.

A par disso, a feição social, consubs tanciada na anulação dos privilégios de

área geográfica e a área política. Grande parte da população brasileira ainda não

evitando a hipertrofia monstruosa do Estado, sempre fatal quando aquelas

se acha devidamente aculturada à idéia

definham.

CoiíicmoríJ-sc àsfc ano o hiccnlcmhin de nascimento de Miranda, herói vene zuelano. O "Digesto Económco mse-

ro, em homenagem à efcmcridc. o caUoso cfmio escrito pelo duslrc parla-

,ncntar João Henrique, Prcs^femte da

Comissão "Diplomacia c Tratados da Câmara dos Dqnitados.

americanjsta. para ccmcmorar a passa

família; na América Espanhola, a igreja; dessas instituições proporcionaria o flo rescimento de comunidades equilibradas,

. ■-1-

A

no.s Estados Unidos, a escola. Só o desenvolvimento harmonioso

Brasil não há correspondência entre a.

repúblico..." Isso explica porque no

João Heniuquh

luta partidária ou ideológica.

feudais e patriarcais. A luta pelo poder rizava-se até bem pouco tempo, pelo seu personalismo. Não eram idéias que

Mirandil, sua vida c seu pensamento político

tôda ordem, no desaparecimento dos mo

nopólios, no estabelecimento da sobera, nia popular è no reconhecimento dos di reitos individuais, entrosava o movimen

to da independência americana no surto das conquistas sociais da RevoUiçáo

Francesa. Fizemos assim duas revolu ções ao mesmo tempo.

A personalidade de Miranda, na pu-

jante vibração de sua grandera como " manifestação ocasional de suas fra quezas muito humanas, deve sei e.sSu num recuo de século e uieiu, totro dessa ambiência de fortes trans-

litações em que viveu sob a sufocante

jL-*

I

paixãrque o devorava: a independeucia americana.

,

Ao estudioso da psicologia profunda não passará despercebido o trauma im

presso indelèvelmonte em seu subcons

ciente pela rumorosa questão em que

seu pai se \ia envolvido e humilhado pelos preconceitos da época.

}

A orgulhosa nobreza espanhola de Ca vacas protestou com veemência quando o .pai de Miranda, reformado capitão de milícia, se apresentou em público

com o seu antigo uniforme e insígnias que lhe davam direito a prerrogativas so- í

ciais. Foi-lhe exigido que não mais o fizesse. Êle recusou obedecer, de nia- ' neira peremptória. A pacata vida de i Caracas, do século XVIII, encheu-se dc rumor clêsse caso de honní

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'' - MWI Dicesto Econômico"

136

Dicesto

nhuma das partes cedia. E tão impor tante ôle se tomou que o Capitão-General da Venezuela o levou ao conheci

mento do Rei que, em boa hora, dccidiu-o a favor do pai de Miranda.

Embora com a vitória da decisão real,

os Miranda não puderam esquecer o ultraje que lhes foi feito.

E dcbai.xo

da impressão desse acontecimento, de

cidiu-se que O jovem Francisco, de ape nas doze anos de idade, fôsse estudar na Espanha, longe dos outros meninos

caraquenhos, filhos de orgulhosos se nhores.

No fundo desse episódio o que e.xistia era mais que o preconceito de casta, pois do processo ficou bem clara a nobreza

dos Miranda e "su limpieza de sangre". Nêlc, talvez se possa vislumbrar o espí

neral Cajígal, seu grande amigo, parte para a América, onde presta serviços

me de conhecimentos.

inestimáveis.

começado quando bem jovem ainda e

Combate nos Estado.s Unidos contm

o.s ínglêícs e está presente á tomada da cidade de Pcnsacoia na qual entra como chefe de um batalhão dc voluntários

admirável

continuidade,

vel valor histórico.

pido, num transporte galante, responde-

Personalidade de excepcional poder de

patias, fazia valiosas e duradouras ami zades, e dotado de inata capacidade de subir segura e rápidamente ás mais ele

ma melindrosa missão na Jamaica, da

vadas classes sociais, disso que se chama "caoirilaridadc sociai", qtuindo as vicissi-

qual SC desincumbe com lato de diplo

tudes da sorte o atiravam ao ostracismo e

mata.

Auxilia o ataque às Bahamas.

mesmo á miséria, era certo que êle se

É o escoliudo para negociar a capitula

alçaria, de maneira espetacular, dando ás incertezas e sofrimentos dc sua exis

rito liberal americano, já em formação,

á condenação.

Europa.

anos depois, já homem feito, contribuí

O destino empurra-o para fora do ser viço de Espanha, onde o consideram "hombre pérfido, intrigante y sin religión

ram, - por certo, para acentuar-lhe o

alguna" e )ança-o nos braços da grande

desgosto trazido pelo primeiro e firmar

ca se fixou como aquôles no amor duma

fosephine Beauharnais, duma Munuelita

cipai a América.

militar, num batalhão do Regimento da

Miranda era um intelectual. Recebeu sólida cultura. Dominava vários idio mas. Conhecia os clássicos gregos e

Princesa, sediado no norte da África.

latinos. Estudou filosofia, geografia, his

Certa vez, em Melilla, os espanhóis são sitiados pelas tropas marroquinas. A si

Príncipe Potenlcin sofrer de ciúmes- • • A Marquesa de Custine constitui um

solve o impasse, propondo ao seu Gene ral ir à frente de um grupo de homens decididos e inutilizar a artilharia inimiga!

tória, cosmografia e matemática, princi palmente na parte necessária ao entendi mento da arte militar. Ilaydn surpreen deu-se com o seu gôsto e conhecimento de música. Foi um grande ledor: devo rava ccm avidez os livros que lhe caíam

vergem os historiadores quanto ao seu

A

sob os olhos. Também foi um arguto

primeiro nome), a encantadora nórdica

observador das cousas e dos homens.

chamada "musa de Gotemburgo" terá

compensa o herói é esquecido e atribui

Viajoi apaixonado correu a Europa

seü nome sempre lembrado como inspi-

êsso esquecimento... ao ter nascido na

inteira. Tôda essa multíplice atividade,

radora da bandeira que Miranda sonha

América.

bem dirigida deu-lhe um cabedal enor-

va para a imensa Colômbia, nome que

"cêrco levantado, mas na hora da re

pical dos seus olhos e o vermellio dos seus lábios. Esta é a lenda. A História (lá outra ver.-jão: em Hamburgo. \ iu des filar um regimento chamado dos Burguces. consV"luído de três corpos, com unifonnes diferentes, amarelo, azul e vermelho, movendo-sc na bruma outcnal,

como se fôra uma linda bandeira e daí dfl sonho tão querido.

nosso Pedro I, um grande amoroso, mais volúvel talvez porque em sua xuda nun

misfério.

empresa se vê coroada de êxito, o

Amarelo, azul e vermelho: o ouro dos seus cabelos loiros, o azul do céu tro

como Napoleão, como Bolivar e como o

no seu espírito a imperiosidade de dar

Miranda re

lhe: "a bandeira serás tu".

:;weircoro como a co„creti.aç5o

liberdade aos homens nascidos neste he

tuação é desesperadora.

ta: "e a bandeira como será?" Êle, rá

tência um colorido de mágica aventura. A paixão da cultura e das viagens alia va a galante paixão pelo belo sexo. Foi

aventura de sua amargurada vida e a serviço do seu imenso sonlio de eman

Na vintena dos anos, inicia sua vida

planos de libertaç.ão da América e numa

constitui hoje documentário de inestimá

Por seus serviços na campanha de Lui.siãnia c promovido a tenente-coronel, mas o sopro da in\ cja está em torno dele. Recebe de seu chefe u incumbência du

Certa vez, Cãtalina Hall ouria Miran

da dissertar eloqüentemente sôbre seus curiosidade muito feminina llie pergun

atração, conquistava com facilidade sim

a atritar-se com o autocratismo da velha

muitos

escrito" com

O seu diário,

americanos.

ção dessa possessão inglêsa. Mas os \'entos da inveja já agora formam uma tempestade, que o levam ao opróbrio e

Outros episódios, ocorridos

137

EcoNÓhnco

Doutra feita, capitão ás ordens do Ge

Saenz. ou duma Marquesa de Santos.

„ inspiraç-io da gloriosa bande.ra que «r rlPrtois fez tremular nas costas da _

Mas no caso, a História teve a felici dade de harmonizar-se com os cabelos, os olhos e os lábios de CalalmaHaU... Após haver pôsto um término nas suas

,,ij^gens de instrução, no vigor dos quaBorboleteava insofridamente queimando- rento anos, ele fixa-se na Inglaterra, onde so nas mais diferentes aventuras. Enor frenuenta a melhor sociedade, e quer me é a lista das que amou, confonne se interessar o Primeiro-Ministro Pitt nos lê em seus biógrafos. A lenda transforma sua amizade com a Imperatriz Catarina da Rússia em um romance que fazia o

ponto nevrálgico entre êle e O grande Fouché por quem se viu perseguido e

prêso... Cristina ou Catalina Hnll (di

teria a grande pátria livre a fundar-se nesta continente.

seus projetos de independência das colô- ' nias-hispano-americanas. q-jj] é O sonho. Político objetivo encontra meios de fazê-lo realidade des

pertando nos ingleses a cobiça pela posse

dum grande mercado para o seu comér cio: a Colômbia, imensa nação soberana, formada por tôdas as colônias hispanoamericanas, firmaria um convênio co

mercial com a Inglaterra e ambas iriam talvez constituir uma poderosa aliança

política, no inundo de então. Pitt (Kimpreendeu a grandiosidade de

projeto que foi estudado nos seus meno'


'' - MWI Dicesto Econômico"

136

Dicesto

nhuma das partes cedia. E tão impor tante ôle se tomou que o Capitão-General da Venezuela o levou ao conheci

mento do Rei que, em boa hora, dccidiu-o a favor do pai de Miranda.

Embora com a vitória da decisão real,

os Miranda não puderam esquecer o ultraje que lhes foi feito.

E dcbai.xo

da impressão desse acontecimento, de

cidiu-se que O jovem Francisco, de ape nas doze anos de idade, fôsse estudar na Espanha, longe dos outros meninos

caraquenhos, filhos de orgulhosos se nhores.

No fundo desse episódio o que e.xistia era mais que o preconceito de casta, pois do processo ficou bem clara a nobreza

dos Miranda e "su limpieza de sangre". Nêlc, talvez se possa vislumbrar o espí

neral Cajígal, seu grande amigo, parte para a América, onde presta serviços

me de conhecimentos.

inestimáveis.

começado quando bem jovem ainda e

Combate nos Estado.s Unidos contm

o.s ínglêícs e está presente á tomada da cidade de Pcnsacoia na qual entra como chefe de um batalhão dc voluntários

admirável

continuidade,

vel valor histórico.

pido, num transporte galante, responde-

Personalidade de excepcional poder de

patias, fazia valiosas e duradouras ami zades, e dotado de inata capacidade de subir segura e rápidamente ás mais ele

ma melindrosa missão na Jamaica, da

vadas classes sociais, disso que se chama "caoirilaridadc sociai", qtuindo as vicissi-

qual SC desincumbe com lato de diplo

tudes da sorte o atiravam ao ostracismo e

mata.

Auxilia o ataque às Bahamas.

mesmo á miséria, era certo que êle se

É o escoliudo para negociar a capitula

alçaria, de maneira espetacular, dando ás incertezas e sofrimentos dc sua exis

rito liberal americano, já em formação,

á condenação.

Europa.

anos depois, já homem feito, contribuí

O destino empurra-o para fora do ser viço de Espanha, onde o consideram "hombre pérfido, intrigante y sin religión

ram, - por certo, para acentuar-lhe o

alguna" e )ança-o nos braços da grande

desgosto trazido pelo primeiro e firmar

ca se fixou como aquôles no amor duma

fosephine Beauharnais, duma Munuelita

cipai a América.

militar, num batalhão do Regimento da

Miranda era um intelectual. Recebeu sólida cultura. Dominava vários idio mas. Conhecia os clássicos gregos e

Princesa, sediado no norte da África.

latinos. Estudou filosofia, geografia, his

Certa vez, em Melilla, os espanhóis são sitiados pelas tropas marroquinas. A si

Príncipe Potenlcin sofrer de ciúmes- • • A Marquesa de Custine constitui um

solve o impasse, propondo ao seu Gene ral ir à frente de um grupo de homens decididos e inutilizar a artilharia inimiga!

tória, cosmografia e matemática, princi palmente na parte necessária ao entendi mento da arte militar. Ilaydn surpreen deu-se com o seu gôsto e conhecimento de música. Foi um grande ledor: devo rava ccm avidez os livros que lhe caíam

vergem os historiadores quanto ao seu

A

sob os olhos. Também foi um arguto

primeiro nome), a encantadora nórdica

observador das cousas e dos homens.

chamada "musa de Gotemburgo" terá

compensa o herói é esquecido e atribui

Viajoi apaixonado correu a Europa

seü nome sempre lembrado como inspi-

êsso esquecimento... ao ter nascido na

inteira. Tôda essa multíplice atividade,

radora da bandeira que Miranda sonha

América.

bem dirigida deu-lhe um cabedal enor-

va para a imensa Colômbia, nome que

"cêrco levantado, mas na hora da re

pical dos seus olhos e o vermellio dos seus lábios. Esta é a lenda. A História (lá outra ver.-jão: em Hamburgo. \ iu des filar um regimento chamado dos Burguces. consV"luído de três corpos, com unifonnes diferentes, amarelo, azul e vermelho, movendo-sc na bruma outcnal,

como se fôra uma linda bandeira e daí dfl sonho tão querido.

nosso Pedro I, um grande amoroso, mais volúvel talvez porque em sua xuda nun

misfério.

empresa se vê coroada de êxito, o

Amarelo, azul e vermelho: o ouro dos seus cabelos loiros, o azul do céu tro

como Napoleão, como Bolivar e como o

no seu espírito a imperiosidade de dar

Miranda re

lhe: "a bandeira serás tu".

:;weircoro como a co„creti.aç5o

liberdade aos homens nascidos neste he

tuação é desesperadora.

ta: "e a bandeira como será?" Êle, rá

tência um colorido de mágica aventura. A paixão da cultura e das viagens alia va a galante paixão pelo belo sexo. Foi

aventura de sua amargurada vida e a serviço do seu imenso sonlio de eman

Na vintena dos anos, inicia sua vida

planos de libertaç.ão da América e numa

constitui hoje documentário de inestimá

Por seus serviços na campanha de Lui.siãnia c promovido a tenente-coronel, mas o sopro da in\ cja está em torno dele. Recebe de seu chefe u incumbência du

Certa vez, Cãtalina Hall ouria Miran

da dissertar eloqüentemente sôbre seus curiosidade muito feminina llie pergun

atração, conquistava com facilidade sim

a atritar-se com o autocratismo da velha

muitos

escrito" com

O seu diário,

americanos.

ção dessa possessão inglêsa. Mas os \'entos da inveja já agora formam uma tempestade, que o levam ao opróbrio e

Outros episódios, ocorridos

137

EcoNÓhnco

Doutra feita, capitão ás ordens do Ge

Saenz. ou duma Marquesa de Santos.

„ inspiraç-io da gloriosa bande.ra que «r rlPrtois fez tremular nas costas da _

Mas no caso, a História teve a felici dade de harmonizar-se com os cabelos, os olhos e os lábios de CalalmaHaU... Após haver pôsto um término nas suas

,,ij^gens de instrução, no vigor dos quaBorboleteava insofridamente queimando- rento anos, ele fixa-se na Inglaterra, onde so nas mais diferentes aventuras. Enor frenuenta a melhor sociedade, e quer me é a lista das que amou, confonne se interessar o Primeiro-Ministro Pitt nos lê em seus biógrafos. A lenda transforma sua amizade com a Imperatriz Catarina da Rússia em um romance que fazia o

ponto nevrálgico entre êle e O grande Fouché por quem se viu perseguido e

prêso... Cristina ou Catalina Hnll (di

teria a grande pátria livre a fundar-se nesta continente.

seus projetos de independência das colô- ' nias-hispano-americanas. q-jj] é O sonho. Político objetivo encontra meios de fazê-lo realidade des

pertando nos ingleses a cobiça pela posse

dum grande mercado para o seu comér cio: a Colômbia, imensa nação soberana, formada por tôdas as colônias hispanoamericanas, firmaria um convênio co

mercial com a Inglaterra e ambas iriam talvez constituir uma poderosa aliança

política, no inundo de então. Pitt (Kimpreendeu a grandiosidade de

projeto que foi estudado nos seus meno'


138

Dicuvrí) Econômico

de executá-lo, mas evitada a guemi entre

a Inglaterra c a Espanha, o sonho ma logrou... A França ardia em fogueira revolucio

jacobinos, vem o período do Terror, e Miranda, considerado a "e.spada da Gironda", cai sob o guante de Robespierrc

tamorfose fazia-se em nome da liberda

que o acusa de agente secreto da Ingla

de e Miranda, que vivia poi ela, com

terra c da Rússia c do homem de vida licenciosa...

que não realizara com a ajuda inglôsa, iria tentá-lo na França. Rápido, pôs-se a serviço da Revolução Francesa e entre

as condições estabelecidas para seu en-

, gajamento está a de que sou projeto de libertação americana fosse devida mente considerado, uma vez vitoriosa a

Grande estudioso, passa os dias lendo, durante longos dezoito meses aguar dando a morte, a qualquer momento. O destino caprichoso quer prolongar mais a tragédia de Ésqiülo que é a sua vida.

É o herói da batalha de Valmy, onde vence os prussianos e, mais que isso,

com o êxito obtido obriga um mundo absolutista a aceitar o fato consumado

da soberania popular, reinante em Fran ça em substituição ao Rei. Essa bata

lha, considerada a grande batalha pela liberdade, Goethe, testemunha dos acon tecimentos, a classificou como o ponto de partida de uma nova história huma na.

Lamartine a exalçou e também

Paul Adam. Do feito se disse que "um filho latino da América ensolarada con

duzira á vitória latinos da França". Estava escrito que sua vida seria cruel: das cumiadas da glória vai aos cubículos da "Conciergerie", a tenebro

cm sua casa, em Paris. Obtém permis

fisca seus livros c documentos e lança-o

fepublicano, generahssimo repuuuc , Mirandaenfrentar os espa-e

estava traindo a República. Nupoleão, ciue embora Intimamente o admirasse, dizendo dêlo — "Miranda, êste homem leva em sua alma o fogo sagrado" também concK)rdava com o julgamento de Foucbé e assim a missão à França resultou em fracasso. Retoma a conspirar na Inglaterra e

me é incluído -na lista dos que vão ser

_ Os acontecimentos o levam nesse tu fão, à glória e ao sofrimento. Vitórias,

em seguida nos Estados Unidos. Prepa ra a conhecida expedição militar à Vene

zuela, obra mais dum patriota fanatizado do que dum estrategista do seu valor, e

Miranda ó novamente restituído à liber

r^bnrSrt^CAconr posadas ,

r^c 1-íás em lübrcgos cubículos, .

prlsiTneii" mus sempre consiJirador, até fr, nnraue mesmo dentro das gra-

"í dl Orisão corroído pelo escorbuto, ,

tetcido, rórrrbra do qrre fòra, jamais l deixou de conspirar.

Pis -xbistoriando-a. vida do homem de quem Mi-^ disse qrre nascera

nmda, general colombiano" e os ecos (. das suas amarguras sem par aiaram o ambiente para o ciclo histórico dos li- ;

lhações.

-O tratado de São Ildefonso, estabele

Segue-se o refúgio em Trinidad e o

cendo aliança perpétua entre a França e a Espanha, veio retirar ao grande ve nezuelano qualquer veleidade de um apoio francês à. independência da Amé rica espanhola. Não se entibia e con

melancólico fim da expedição. O ho mem não esmorece". Volta ainda a Londres onde desencadeia uma simpática mem nau

propaganda jornalística pela libertação ,

tinua a conspirar em suas numerosas ê'

americana.

secretas residências na capital francesa, ondo,firma o Pacto de Paris. Suas vistas

foi a sua tribuna.

-

-

A "Revista de Edimburgo

As malhas de sua

rêde de conspirações estendem-se mais o mais pelos rincões da América espa nhola e crescem de atrevimento quando

voltam-se de novo para a Inglaterra. Em Londres cria um centro revolucionário

por onde passam San Martin, OTiiggins,

Napoleão invade a Espanha e Carlos IV abdica. São bem ilustrativas suas ins

volucionário. A acusação de Fouquier-

no mistério da conspiração pela liberda

truções aos "cabildos" para que assu

Tinvílle é terrível. A defesa de Miranda, brilhante, convincente. Absolvido, vê-sc

de americana.

' ^ MiW* -

jgr^Q ^ o degredo

da cidade de Coro o deve ter pago cm

grande cópia dos sofrimentos e humi

dtí dor.

mam o govêrno local e ajam em perfei-

O trabalho oculto dês-

Descncanta-se mais uma vez com Pilt

capilulaçao

desgraçado.

Bolívar, Narino e tantos outros iniciados

pelo povo parisiense que invade o tri

de Montcvcrde, nhois sobV'o Jmmdo '...[riotas, a morte daa

sofre os mais duros reveses, materiais

sa prisão, e às barras do Tribunal Re

levado em triunfo e coroado de loiros

,I

_

i

Os rastilhos de luz de sua gloria, tao | o morais. Mas a satisfação de haver feito tremular a bandeira tricolor dos qta que seu nome está inscrito no seus sonhos grã-colombianos no litoral do Triunfo de Paris onde se le: Mi- ;

dade para acrescentar ao livro de sua existência novos capítulos de glória e

ses homens estende-se por tôda a Amé rica espanhola e ató em Cadiz e Madri.

rtfl

ondü os acontecimentos desfilam, cons pirações e lutas de campanário, a pro-

nas prisões do Estado, sob a alegação de que era um espião da Inglaterra e

vas contra êlc, mas Robespierrc discur sa a ês.sc respeito ante a Convenção c propugna que Miranda seja julgado não com prova.s, nins politicamente: seu no guilhotinados. . .

Por fim. sua úUinu. longos anos de ausência

da independência da \ene- .q são para entrar no território francês, dnmação zuela em 5 de julho de iSlo, a ;unamas as cousas não lhe correm bem por- da bandeira tricolor adotada pdo C n cpio Foucbó, Ministro da Polícia, con realista

De novo, no calabouço. Não liá pro

República.

derrotas, prisões e exílio.

primeiro cônsul, seu antigo conhecido a (jucm certa vez convidara para jantar

bunal. É í) nome do dia na França dos girondinos o jacobinos. Suas agruras não param. Sobem os

nária, na maior transformação polític-osocial do mundo, A tragédia dessa me preendeu que ali era seu lugar. O sonho

c rcsüh u apelar para Napolcão, ja agora

m

'

ta solidariedade uns com os outros.

bertadores.

O valor do pensamento político de Miranda na gênese da emancipação ■nnericana e do movimento pan-america-

nista c o tema para as comemorações do bicentenário de seu nascimento.

Inteligência, cultura, tenacidade, oroanização, o profundo conliecimento do

mundo muiiu^ político dos VIU» fins 1111!» do uu século secuio XMIl -an ü.*. e começo do século XIX, o trato pes soal e às vezes a ami^de mesmo com as grandes figuras dee sua época, as manei manei-

ras fidalgas de um um perfeito perfeito cortesão, cortesão. seus próprios amores e até seus defei-


138

Dicuvrí) Econômico

de executá-lo, mas evitada a guemi entre

a Inglaterra c a Espanha, o sonho ma logrou... A França ardia em fogueira revolucio

jacobinos, vem o período do Terror, e Miranda, considerado a "e.spada da Gironda", cai sob o guante de Robespierrc

tamorfose fazia-se em nome da liberda

que o acusa de agente secreto da Ingla

de e Miranda, que vivia poi ela, com

terra c da Rússia c do homem de vida licenciosa...

que não realizara com a ajuda inglôsa, iria tentá-lo na França. Rápido, pôs-se a serviço da Revolução Francesa e entre

as condições estabelecidas para seu en-

, gajamento está a de que sou projeto de libertação americana fosse devida mente considerado, uma vez vitoriosa a

Grande estudioso, passa os dias lendo, durante longos dezoito meses aguar dando a morte, a qualquer momento. O destino caprichoso quer prolongar mais a tragédia de Ésqiülo que é a sua vida.

É o herói da batalha de Valmy, onde vence os prussianos e, mais que isso,

com o êxito obtido obriga um mundo absolutista a aceitar o fato consumado

da soberania popular, reinante em Fran ça em substituição ao Rei. Essa bata

lha, considerada a grande batalha pela liberdade, Goethe, testemunha dos acon tecimentos, a classificou como o ponto de partida de uma nova história huma na.

Lamartine a exalçou e também

Paul Adam. Do feito se disse que "um filho latino da América ensolarada con

duzira á vitória latinos da França". Estava escrito que sua vida seria cruel: das cumiadas da glória vai aos cubículos da "Conciergerie", a tenebro

cm sua casa, em Paris. Obtém permis

fisca seus livros c documentos e lança-o

fepublicano, generahssimo repuuuc , Mirandaenfrentar os espa-e

estava traindo a República. Nupoleão, ciue embora Intimamente o admirasse, dizendo dêlo — "Miranda, êste homem leva em sua alma o fogo sagrado" também concK)rdava com o julgamento de Foucbé e assim a missão à França resultou em fracasso. Retoma a conspirar na Inglaterra e

me é incluído -na lista dos que vão ser

_ Os acontecimentos o levam nesse tu fão, à glória e ao sofrimento. Vitórias,

em seguida nos Estados Unidos. Prepa ra a conhecida expedição militar à Vene

zuela, obra mais dum patriota fanatizado do que dum estrategista do seu valor, e

Miranda ó novamente restituído à liber

r^bnrSrt^CAconr posadas ,

r^c 1-íás em lübrcgos cubículos, .

prlsiTneii" mus sempre consiJirador, até fr, nnraue mesmo dentro das gra-

"í dl Orisão corroído pelo escorbuto, ,

tetcido, rórrrbra do qrre fòra, jamais l deixou de conspirar.

Pis -xbistoriando-a. vida do homem de quem Mi-^ disse qrre nascera

nmda, general colombiano" e os ecos (. das suas amarguras sem par aiaram o ambiente para o ciclo histórico dos li- ;

lhações.

-O tratado de São Ildefonso, estabele

Segue-se o refúgio em Trinidad e o

cendo aliança perpétua entre a França e a Espanha, veio retirar ao grande ve nezuelano qualquer veleidade de um apoio francês à. independência da Amé rica espanhola. Não se entibia e con

melancólico fim da expedição. O ho mem não esmorece". Volta ainda a Londres onde desencadeia uma simpática mem nau

propaganda jornalística pela libertação ,

tinua a conspirar em suas numerosas ê'

americana.

secretas residências na capital francesa, ondo,firma o Pacto de Paris. Suas vistas

foi a sua tribuna.

-

-

A "Revista de Edimburgo

As malhas de sua

rêde de conspirações estendem-se mais o mais pelos rincões da América espa nhola e crescem de atrevimento quando

voltam-se de novo para a Inglaterra. Em Londres cria um centro revolucionário

por onde passam San Martin, OTiiggins,

Napoleão invade a Espanha e Carlos IV abdica. São bem ilustrativas suas ins

volucionário. A acusação de Fouquier-

no mistério da conspiração pela liberda

truções aos "cabildos" para que assu

Tinvílle é terrível. A defesa de Miranda, brilhante, convincente. Absolvido, vê-sc

de americana.

' ^ MiW* -

jgr^Q ^ o degredo

da cidade de Coro o deve ter pago cm

grande cópia dos sofrimentos e humi

dtí dor.

mam o govêrno local e ajam em perfei-

O trabalho oculto dês-

Descncanta-se mais uma vez com Pilt

capilulaçao

desgraçado.

Bolívar, Narino e tantos outros iniciados

pelo povo parisiense que invade o tri

de Montcvcrde, nhois sobV'o Jmmdo '...[riotas, a morte daa

sofre os mais duros reveses, materiais

sa prisão, e às barras do Tribunal Re

levado em triunfo e coroado de loiros

,I

_

i

Os rastilhos de luz de sua gloria, tao | o morais. Mas a satisfação de haver feito tremular a bandeira tricolor dos qta que seu nome está inscrito no seus sonhos grã-colombianos no litoral do Triunfo de Paris onde se le: Mi- ;

dade para acrescentar ao livro de sua existência novos capítulos de glória e

ses homens estende-se por tôda a Amé rica espanhola e ató em Cadiz e Madri.

rtfl

ondü os acontecimentos desfilam, cons pirações e lutas de campanário, a pro-

nas prisões do Estado, sob a alegação de que era um espião da Inglaterra e

vas contra êlc, mas Robespierrc discur sa a ês.sc respeito ante a Convenção c propugna que Miranda seja julgado não com prova.s, nins politicamente: seu no guilhotinados. . .

Por fim. sua úUinu. longos anos de ausência

da independência da \ene- .q são para entrar no território francês, dnmação zuela em 5 de julho de iSlo, a ;unamas as cousas não lhe correm bem por- da bandeira tricolor adotada pdo C n cpio Foucbó, Ministro da Polícia, con realista

De novo, no calabouço. Não liá pro

República.

derrotas, prisões e exílio.

primeiro cônsul, seu antigo conhecido a (jucm certa vez convidara para jantar

bunal. É í) nome do dia na França dos girondinos o jacobinos. Suas agruras não param. Sobem os

nária, na maior transformação polític-osocial do mundo, A tragédia dessa me preendeu que ali era seu lugar. O sonho

c rcsüh u apelar para Napolcão, ja agora

m

'

ta solidariedade uns com os outros.

bertadores.

O valor do pensamento político de Miranda na gênese da emancipação ■nnericana e do movimento pan-america-

nista c o tema para as comemorações do bicentenário de seu nascimento.

Inteligência, cultura, tenacidade, oroanização, o profundo conliecimento do

mundo muiiu^ político dos VIU» fins 1111!» do uu século secuio XMIl -an ü.*. e começo do século XIX, o trato pes soal e às vezes a ami^de mesmo com as grandes figuras dee sua época, as manei manei-

ras fidalgas de um um perfeito perfeito cortesão, cortesão. seus próprios amores e até seus defei-


MO

. ULIiiPIPliilJi iiiilIlW

mrvr

DiCBbTO Ecunómjco

141

DiCESTO Econômico

tos, tudo isso ôle disciplinou ao serviço dc seus ideais.

No cenário multiforme de sua vida,

a preocupação obsedante da indepen dência c a ação principal, o mais vem

como acessório, adjuvante, ainda quando

seja a glória de usar os bordados de ge neral do exército francês, ser. o herói da

batalha de Valmy ou os aplausos do povo de Paris quando se defende perante o Tribunal Revolucionário. Construir uma imensa nação, a Colômbia, forma

escravatura negra, Miranda protestou com a veemência do patriotismo ferido e nada se fêz.

Jamais consentiria que elas mudassem dc donol

fôsso accilo um projeto que trazia con

homens dc íbero-amcricanos, con conuv- elite vmc lueiu-amcncanos, forme acentua o escritor Garcia Calderon

sigo cm que a autoridade executiva de via ser atribuída a dois incas, cujo man

nestas palavras: "Iliirbide é o Imperador do México. Os tenentes dc Bolívar lhe

Américas do Norte, dc Centro e do Sul

diria em 1816, no Congresso dc Tu-

wnsbtuição de quatro grandes paíse.s, o

México, a América Central, os países se

tentrionais da América do Sul e os do antigo vice-reinado do Prata.

A leitura de documentos deixadas por Miranda evidencia bem claro a finura, a astúcia, a maestria em apresentar fa-

voràvelmente cs pontos de vista que advogava, a sabedoria em defendê-los sob a aparência de estar defendendo com

pugnacidade os interêsses das grandes potências, a experiência enfim do ver

dadeiro negociador diplomático.

Procurando o apoio já da Inglaterra, já da França e acenando-lhes com tra

tados comerciais vantajosos, sempre tim brou em suas negociações diplomáticas em deixar bem claro que esta seria a úni ca compensação e jamais outras de natu

reza política que pudessem ferir a so berania das nações a serem libertadas.

Quando na França alguém lembrou que se oferecessem as colônias espanho las da América às potências da Europa em troca da segurança do govêrno re

volucionário francês, e se empregou a palavra "liberdade", querendo com isso significar a concomitante libertação da

tegui, afirme; "Miranda aspirava que

nionarf|iiísta.s. como rjuase todos os

oferecem a coroa. Pacz lhe sugere tenaz

depois com mais objetividade, para a

lombiano".

II á igrialmcnlo quem, como Amoná-

Miranda teve a princípio pendores

da por todas as colônias espanholas das

foi o seu primitivo sonho, modificado

havia elaborado na Europa para estru turar poRticamento todo o mundo co

mente a ambição imperial.

Bcigrano

cuman, que a melhor forma de go verno para as províncias argentinas era

urna monarquia temperada; inúmeros

deputados pleitearam, nessa assembléia", a restauração do Império dos Incas em

Cuzco, sua sede tradicional, e a criação

ponto de equilíbrio e segurança para as

novas instituições. Daí a concepção do

formação dc um govêrno forte.

republicana da figura do rei ou do mi-

Os acontecimentos posteriores, a anar

quia e o desaparecimento da nascente república são muito ilustrativos. Lamentando isso, um ano após, no Manifesto de Cartagena, dizia Bolívar:

códigos que nossos magistrados consul tavam não eram os que podiam ensinar-

os colombianos Narino, Moquera, Briceno Mcndez..."

supondo a perfectibilidade do gênero

Miranda também pensou numa Co-

humano. Assim é que tivemos filósofos

lônibia governada por um imperador in dígena, regida por uma Constituição de

por chefes, filantropia por legislação,

direito constitucional, mas colocado face aos acontecimentos da independência da Venezuela, sentindo o realidade ambien

te, modificou suas primitivas idéias. Há quem escreva como Vejarano "que desde que se iniciou a tarefa constitu

executivo forte, que era a transmutação

,

^^0*pensamento de Miranda se confun de nesse particular com o de Boliyar:

executivo por longo tempo, ou yitahao,

;

„m senado o uma câmara a feição m1^ iim conselho de censores, ao '"'estilo clássico romano e o judi- ^ político* foi, sem contestação, a fatal S Conlra a dissolvência da in. 'I lhes a ciência prática do govêrno, senão os que formaram certos bons visioná rios que, ideando repúblicas aéreas, pro curam alcançar a perfeição política pres

feição inglesa, com um senado vitalício G um corpo de censores. Isto quando na Europa se comprazía nesses estudos de

l

todos caminhavam para a república.

"O ôrro mais grave que a Venezuela co

adoção que fôz do sistema tolerante. Os

lecer a ordem na província do Prata sôbro bases sólidas e permancntês, Punes,

■

gime nwnárquico se insinuava em seus do\'aneios. Tudo muito abstratamente.

Como quer que soja. Miranda, njuda-

E ainda citando o mesmo escritor; "Partidário.s duma monarquia foram Garcia dei Rio, Riva-Aguero, o ditador

gime, garantida pela pcrpetuidade do poder e.xccutivo. Por essa feição o re-

do por Bolívar, combateu o federalismo da Constituição adotada o pleiteou a

dato seria dc dez anos".

meteu, quando se apresentou no teatro

argentino Posadas que desejava estabe

vilégios de casta, a ostenlaç.ão das linha gens fidalgas, mas a estabilidade do re

Na prática, ao conlacto das realidades, Temiam a anarquia, a inexistência dum

duma dinastia americana".

também, Flores, Sucre, Monteagudo,

vam não era o fausto das côrtes, os pri

dialética por tática e sofistas por solda dos. Com semelhante subversão de prin cípios e cousas, a ordem social scntiuSQ extremamente abalada, correndo o

Estado desde logo, a passos de gigan te, para uma dissolução geral". Explica-so o monarquismo teórico dos homens de elite da América Latina, na época dos precursores.

A monarquia

constituía, em verdade, a tradição polí

cional, teve bem cuidado de não tirar

tica das instituições que nos regeram

do sua pasta o projeto magnífico que

durante séculos.

Pensando em govèr-

nos monárquicos o que êles ambiciona

Sada. o senado vátahco o o pres.-

denle inaraovível impnn|mam a re

publica a unidade e eslabdrdade da mo

narquia.

Ninnncm conro Bohvar nasceu mm 11,„r nersonalidado para imperador,

indo níle ressumava a aristocráUca. Seus n nerais o empurravam para o trono. A Claterra, que se opunha ao remado de%rincipes estrangouos na Amcrrca, -jHva de bom grado o ds Bohvar. o Libertador soube afastar a coroa, convencido sinceramente que a Amé rica devia ser repubneana.

Assim, o Presidente por longo tempo ou vitalício que propunha não era fruto da ambição pessoal, mas refletia a con vicção da necessidade dum executivo íovto nas nascentes repúblicas deste' hemisfério. Ê ne.çse sentido que se deve compreender a frase de Calderon refe rindo-se ao fato de os generais de Bo-


MO

. ULIiiPIPliilJi iiiilIlW

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DiCBbTO Ecunómjco

141

DiCESTO Econômico

tos, tudo isso ôle disciplinou ao serviço dc seus ideais.

No cenário multiforme de sua vida,

a preocupação obsedante da indepen dência c a ação principal, o mais vem

como acessório, adjuvante, ainda quando

seja a glória de usar os bordados de ge neral do exército francês, ser. o herói da

batalha de Valmy ou os aplausos do povo de Paris quando se defende perante o Tribunal Revolucionário. Construir uma imensa nação, a Colômbia, forma

escravatura negra, Miranda protestou com a veemência do patriotismo ferido e nada se fêz.

Jamais consentiria que elas mudassem dc donol

fôsso accilo um projeto que trazia con

homens dc íbero-amcricanos, con conuv- elite vmc lueiu-amcncanos, forme acentua o escritor Garcia Calderon

sigo cm que a autoridade executiva de via ser atribuída a dois incas, cujo man

nestas palavras: "Iliirbide é o Imperador do México. Os tenentes dc Bolívar lhe

Américas do Norte, dc Centro e do Sul

diria em 1816, no Congresso dc Tu-

wnsbtuição de quatro grandes paíse.s, o

México, a América Central, os países se

tentrionais da América do Sul e os do antigo vice-reinado do Prata.

A leitura de documentos deixadas por Miranda evidencia bem claro a finura, a astúcia, a maestria em apresentar fa-

voràvelmente cs pontos de vista que advogava, a sabedoria em defendê-los sob a aparência de estar defendendo com

pugnacidade os interêsses das grandes potências, a experiência enfim do ver

dadeiro negociador diplomático.

Procurando o apoio já da Inglaterra, já da França e acenando-lhes com tra

tados comerciais vantajosos, sempre tim brou em suas negociações diplomáticas em deixar bem claro que esta seria a úni ca compensação e jamais outras de natu

reza política que pudessem ferir a so berania das nações a serem libertadas.

Quando na França alguém lembrou que se oferecessem as colônias espanho las da América às potências da Europa em troca da segurança do govêrno re

volucionário francês, e se empregou a palavra "liberdade", querendo com isso significar a concomitante libertação da

tegui, afirme; "Miranda aspirava que

nionarf|iiísta.s. como rjuase todos os

oferecem a coroa. Pacz lhe sugere tenaz

depois com mais objetividade, para a

lombiano".

II á igrialmcnlo quem, como Amoná-

Miranda teve a princípio pendores

da por todas as colônias espanholas das

foi o seu primitivo sonho, modificado

havia elaborado na Europa para estru turar poRticamento todo o mundo co

mente a ambição imperial.

Bcigrano

cuman, que a melhor forma de go verno para as províncias argentinas era

urna monarquia temperada; inúmeros

deputados pleitearam, nessa assembléia", a restauração do Império dos Incas em

Cuzco, sua sede tradicional, e a criação

ponto de equilíbrio e segurança para as

novas instituições. Daí a concepção do

formação dc um govêrno forte.

republicana da figura do rei ou do mi-

Os acontecimentos posteriores, a anar

quia e o desaparecimento da nascente república são muito ilustrativos. Lamentando isso, um ano após, no Manifesto de Cartagena, dizia Bolívar:

códigos que nossos magistrados consul tavam não eram os que podiam ensinar-

os colombianos Narino, Moquera, Briceno Mcndez..."

supondo a perfectibilidade do gênero

Miranda também pensou numa Co-

humano. Assim é que tivemos filósofos

lônibia governada por um imperador in dígena, regida por uma Constituição de

por chefes, filantropia por legislação,

direito constitucional, mas colocado face aos acontecimentos da independência da Venezuela, sentindo o realidade ambien

te, modificou suas primitivas idéias. Há quem escreva como Vejarano "que desde que se iniciou a tarefa constitu

executivo forte, que era a transmutação

,

^^0*pensamento de Miranda se confun de nesse particular com o de Boliyar:

executivo por longo tempo, ou yitahao,

;

„m senado o uma câmara a feição m1^ iim conselho de censores, ao '"'estilo clássico romano e o judi- ^ político* foi, sem contestação, a fatal S Conlra a dissolvência da in. 'I lhes a ciência prática do govêrno, senão os que formaram certos bons visioná rios que, ideando repúblicas aéreas, pro curam alcançar a perfeição política pres

feição inglesa, com um senado vitalício G um corpo de censores. Isto quando na Europa se comprazía nesses estudos de

l

todos caminhavam para a república.

"O ôrro mais grave que a Venezuela co

adoção que fôz do sistema tolerante. Os

lecer a ordem na província do Prata sôbro bases sólidas e permancntês, Punes,

■

gime nwnárquico se insinuava em seus do\'aneios. Tudo muito abstratamente.

Como quer que soja. Miranda, njuda-

E ainda citando o mesmo escritor; "Partidário.s duma monarquia foram Garcia dei Rio, Riva-Aguero, o ditador

gime, garantida pela pcrpetuidade do poder e.xccutivo. Por essa feição o re-

do por Bolívar, combateu o federalismo da Constituição adotada o pleiteou a

dato seria dc dez anos".

meteu, quando se apresentou no teatro

argentino Posadas que desejava estabe

vilégios de casta, a ostenlaç.ão das linha gens fidalgas, mas a estabilidade do re

Na prática, ao conlacto das realidades, Temiam a anarquia, a inexistência dum

duma dinastia americana".

também, Flores, Sucre, Monteagudo,

vam não era o fausto das côrtes, os pri

dialética por tática e sofistas por solda dos. Com semelhante subversão de prin cípios e cousas, a ordem social scntiuSQ extremamente abalada, correndo o

Estado desde logo, a passos de gigan te, para uma dissolução geral". Explica-so o monarquismo teórico dos homens de elite da América Latina, na época dos precursores.

A monarquia

constituía, em verdade, a tradição polí

cional, teve bem cuidado de não tirar

tica das instituições que nos regeram

do sua pasta o projeto magnífico que

durante séculos.

Pensando em govèr-

nos monárquicos o que êles ambiciona

Sada. o senado vátahco o o pres.-

denle inaraovível impnn|mam a re

publica a unidade e eslabdrdade da mo

narquia.

Ninnncm conro Bohvar nasceu mm 11,„r nersonalidado para imperador,

indo níle ressumava a aristocráUca. Seus n nerais o empurravam para o trono. A Claterra, que se opunha ao remado de%rincipes estrangouos na Amcrrca, -jHva de bom grado o ds Bohvar. o Libertador soube afastar a coroa, convencido sinceramente que a Amé rica devia ser repubneana.

Assim, o Presidente por longo tempo ou vitalício que propunha não era fruto da ambição pessoal, mas refletia a con vicção da necessidade dum executivo íovto nas nascentes repúblicas deste' hemisfério. Ê ne.çse sentido que se deve compreender a frase de Calderon refe rindo-se ao fato de os generais de Bo-


tf

142

Dicksto Ecomómico

livar se lornarenj os chefes de Estado:

"O princípio monárquico se impôs aos

goroso poder, maior que o dum rei cons titucional, é concepção política deste

homens: o Libertador deixou uma di-

hemisfério.

nastía americana'

O presidencialismo de nossas repúbli cas, iniciado nos Estados Unidos, está

em harmonia com a concepção do exe cutivo estável onde os ministros não

mudam com as flutuações parlamenta res. Na exemplar democracia norteamericana, além de estável também é

a longo prazo, pois as reeleições do presidente permitem govêrno mais du

radouro do que Miranda desejava para os seus dois incas. ,.

A figura dn Presidente com o seu vi

C—

ytd ^êcãii no-tdtéUnaà

Uma referência final ao pan-anicricanismo de Miranda: élc se evidencia em sua pregação, feita não a favor du in

dependência de uma pátria, mas de túdas as de origem espanhola, através da rêde de sua conspiração espalhada pcla.s três Américas, pelas suas recomen

piMENTEL Gomes

■yoMADo em conjunto, o Brasil é um

dos paisc.s mais regados do mundo.

dações aos "cabildos" no .sentido de agi rem soiidãriamentc, dentro dum largo

Em regra, por tôda a parte planta-se V colho-sc apenas com a água das chu

espirito continental e até nas insistentes

solicitações ao guvénio de NVashinglon para que o ajudasse na campanha li bertadora.

ainda estão quase tôdas por apru\eit:ir. 'possui densas rêdes fcrro\iárius c ro doviárias.

vas. Dispomos, porém, de uma zona de chuvas pouco abundantes e mal distri buídas, 7ona cpie se situa no nordeste

O Nordeste semi-árido começa legal mente a oeste do uma linha imaginá ria que passa por' Natal, Bananeiias, Rcmígic, Campina Grande. Cuiuam.

econômico? Podem-se corrigir os males provenientes das secas? Pode a região

passando por Camocim, "à mtcrseçSo do Lridmnod4\VCrcomoparak.lo9.

do Brasil.

Será uma zona sem valor

tomar-se altamente produtiva? Que se tem feito, o que se está fazendo e o que .•c deverá fazer? Tentemos esclarecer os • leitores de "Digesto Econômico", pois oroblema é eminentemente nacional e dos mais importantes.

Traipu e Amargosa. O limite ocidental é formado par outro linha imaginárw.

na intcrseç.io do mesmo mendiano. wm

o' paralelo U""''ff° íste rllHoio ponto n Amargosa Balna. constituía o limite meridional Estava compreendidos dentro do pol.gono CM

mil mnlòmetros quadrados. Tmlra-se to mado como base. para a delermmaçao Aa zona semi-árida, a área incluída den tro da isoieta de 600 milimetros, no Nem todo o Nordeste é semi-árido. triínio 1930-32, cm que liouve um ano Há um Nordeste úmido a leste da sêco e dois anos escassos, tltiimaraente, Borborema, onde se encontram, ainda alargou-se a área até Pirapora. uo coA zona das sêcas

'f

- ^ - •

- '.í,. i, -.r '-í

..-r.. ...

.

hoje, os maiores canaviais do Brasil c

grandes lavouras de milho, algodão er-

báceo, arroz, mandioca, feijão, café, pomares, florestas verdadei ras, gados diversos, berti cui dados e de raças finas. Nos

i' F

mcáo de Minas Gerais, incluindo, em bora áreas que absolutamente não po'

dem ser consideradas semiáridas, apesar de poderem sofrer

acidentalmente

planaltos há batatinha, trigo, vinhedos, pessegueiros, ca-

fisiográficos e revestimento

quiseiros etc. Os rios são perenes, as . quedas d'água

efeitos

e

os

seus

apresenta

rem alguns "característicos floríslico semelhante". Den-


tf

142

Dicksto Ecomómico

livar se lornarenj os chefes de Estado:

"O princípio monárquico se impôs aos

goroso poder, maior que o dum rei cons titucional, é concepção política deste

homens: o Libertador deixou uma di-

hemisfério.

nastía americana'

O presidencialismo de nossas repúbli cas, iniciado nos Estados Unidos, está

em harmonia com a concepção do exe cutivo estável onde os ministros não

mudam com as flutuações parlamenta res. Na exemplar democracia norteamericana, além de estável também é

a longo prazo, pois as reeleições do presidente permitem govêrno mais du

radouro do que Miranda desejava para os seus dois incas. ,.

A figura dn Presidente com o seu vi

C—

ytd ^êcãii no-tdtéUnaà

Uma referência final ao pan-anicricanismo de Miranda: élc se evidencia em sua pregação, feita não a favor du in

dependência de uma pátria, mas de túdas as de origem espanhola, através da rêde de sua conspiração espalhada pcla.s três Américas, pelas suas recomen

piMENTEL Gomes

■yoMADo em conjunto, o Brasil é um

dos paisc.s mais regados do mundo.

dações aos "cabildos" no .sentido de agi rem soiidãriamentc, dentro dum largo

Em regra, por tôda a parte planta-se V colho-sc apenas com a água das chu

espirito continental e até nas insistentes

solicitações ao guvénio de NVashinglon para que o ajudasse na campanha li bertadora.

ainda estão quase tôdas por apru\eit:ir. 'possui densas rêdes fcrro\iárius c ro doviárias.

vas. Dispomos, porém, de uma zona de chuvas pouco abundantes e mal distri buídas, 7ona cpie se situa no nordeste

O Nordeste semi-árido começa legal mente a oeste do uma linha imaginá ria que passa por' Natal, Bananeiias, Rcmígic, Campina Grande. Cuiuam.

econômico? Podem-se corrigir os males provenientes das secas? Pode a região

passando por Camocim, "à mtcrseçSo do Lridmnod4\VCrcomoparak.lo9.

do Brasil.

Será uma zona sem valor

tomar-se altamente produtiva? Que se tem feito, o que se está fazendo e o que .•c deverá fazer? Tentemos esclarecer os • leitores de "Digesto Econômico", pois oroblema é eminentemente nacional e dos mais importantes.

Traipu e Amargosa. O limite ocidental é formado par outro linha imaginárw.

na intcrseç.io do mesmo mendiano. wm

o' paralelo U""''ff° íste rllHoio ponto n Amargosa Balna. constituía o limite meridional Estava compreendidos dentro do pol.gono CM

mil mnlòmetros quadrados. Tmlra-se to mado como base. para a delermmaçao Aa zona semi-árida, a área incluída den tro da isoieta de 600 milimetros, no Nem todo o Nordeste é semi-árido. triínio 1930-32, cm que liouve um ano Há um Nordeste úmido a leste da sêco e dois anos escassos, tltiimaraente, Borborema, onde se encontram, ainda alargou-se a área até Pirapora. uo coA zona das sêcas

'f

- ^ - •

- '.í,. i, -.r '-í

..-r.. ...

.

hoje, os maiores canaviais do Brasil c

grandes lavouras de milho, algodão er-

báceo, arroz, mandioca, feijão, café, pomares, florestas verdadei ras, gados diversos, berti cui dados e de raças finas. Nos

i' F

mcáo de Minas Gerais, incluindo, em bora áreas que absolutamente não po'

dem ser consideradas semiáridas, apesar de poderem sofrer

acidentalmente

planaltos há batatinha, trigo, vinhedos, pessegueiros, ca-

fisiográficos e revestimento

quiseiros etc. Os rios são perenes, as . quedas d'água

efeitos

e

os

seus

apresenta

rem alguns "característicos floríslico semelhante". Den-


¥ '.""V

144

Dicesto EcoKÓxaco

tro da área semi-árida há zonas úmi

das, constituídas pelas serras e pela maior parte do litoral.

Com essas observações, vejamos como se distribui legalmente n área semiárida:

^ H !•; A S Total Piauí Ceará R. G. Norte Paraíba Pernambuco

Alagoas Sergipe

133.908

55,3

109.674

148.591

100 83.9 83.7 89.0

46.815

88.336 11.319 7.293

Bahia

Minas Gerais

39,6 33.8 54.8

305.394 47.058

589.804 1.795-.362

• 8,0

834.666

Vejamos agora como se distribuí i n

áridaj, em 1946:

46,5

-

145

culturas xerófitas produzem sempre e

mais de 500 mm por ano; um têrço de

bem, mesmo nos anos mais secos.

250 a 500 mm e o outro terço menos de 250 mm. "Esta condição", afirma

em "O Brasil no Século XX". obra pu Züiin iimlila

43.952

21.552 557.703

H M 1! %

52.411 55.920 99.228 28.571

Econômico

Sòbrc o aspecto da região semi-árida, c melhor Ut o que escreveu Picrre Dinis,

Z"na sôca

245.582 148.591

Dicesto

8.459 9.105 10.892. 17.252 14.259 252.309 538.746

960.698

globo". Em quatro décimos dos Estados Uni

16.3

ses. Cidades como Grato, Sobral, Qui.xcramcbim são '"ciUros do. '.uiliquissima

mm por ano. A oeste do meridiano 97, quase todo o território ianque recebe

11.0

origem".

60.4

perfície do planalto guarnecida por um matagal muito denso: a. espaços o solo

terras áridas e semi-áridas se encon

SC liberta e o capim cresce então lixTC-

tram os Estados da Califórnia, Arizona,

10.1

66.2

45.2 92.0

53,5

r- . i

PopiiIaç:io nos Estados que tem aonns semi-

E além: "Imagine-se a su

Piauí Ceará

H. G. Norte

923.889 2.362.860 867.860

Paraíba

1.607.178

Pernambuco

3.037.711 1.074.968 612.828 4.427.466 7.612.150

Alagoas Sergipe Bahia

Minas Gerais

'i'otais

22.526.917

Zona

árliia

úmida

süea

390.544

42,2

533.345

57,7

2,9 15,9 15.1 18,7 11,7

Zona úmida

4,9

2.362.866

100

664.929 874.663 1.030.730

76,6

202.931

23.4

54.4

732.515

45.6

33,9

66,1 80.5 87,9

10.2

58,0 96.7

5,3

80,5 184,3 50.1 37,8 10.2 13,7

34,2 4.812.462 65,8

9,2

15^4

1.857.794

12,1 42,0

2.006.981 864.847 538.456 2.569.672

248.435

3,3

7.363.715

210.122 74.372

7.714.455

Aspectos da região semi-árida

A região semi-árida tem uma estação

^ifnida de quatro a cinco meses, segui da de longa estação seca. Nos anos .normais, as chuvas são suficientes para

19.5

18,6 6.1

24.0

todas as culturas. Nos anos secos há unla grande queda na pluviosidade, im pedindo o cultivo de plantas anuais exi gentes d agua, como arroz, milho, amen doim etc. Algumas culturas perenes

sofrem grandes quedas na produção. As

dos, as chuvas são, em média, de 300

menos, em geral muito menos de 500 mm de chinas anuais.

Na zona das

Colorado, Idaho, Nei^ada, Utah e Wyo-

são constituídas por uma alternativa de

ming, com 1.681.000 quilômetros qua

mata de corte, bai.xa e cerrada. A al

drados; na zona das terras semi-áridas

ternativa das estações modifica profun

e sub-úmidas se encontram Montana,

damente o seu aspecto: às primeiras

Nebrasca. Novo México, Dacota do Norte, Dacota do Sul e Washington, com 1.710.000 quilômetros quadrados. Na Argentina, chove 500 a 800 mm

bita primavera das terras boreais. Zono

xima da de todos os continentes do

mentc; as mais das vêzeè ns pastagens

da vegetação: alguma cousa como a sú

í" 'IP U L A C A O Zoiio semi.

N-aleco nos Estados Unidos e se apro

blicada há uns quarenta anos: "O inte rior do Coaxá ó propício à criação de gado. Por isso foi èíe povoado muito antes da costa, pelos colonos portugue

chuvas é um dcsabrochar desordenado

Tolal

Widtsoe, "não está longe da que pre-

É

que também aqui o período de vegeta

em Buenos Aires, La Plata e Santa

ção será de curta duração, antes do

Fé, isto é, numa fai.xa longa e estreita .

sono qwe invadirá o mato, logo que re O Ceará torna-se então a mais hcla

que vai de Baia Blanca ao Pilcomaio, ao longo do Atlântico e do rio Paraná. Mesmo nesta faixa há sêcas periódicas.

região do mundo.

comecem os calores ardentes do estio.

A própria chuva

Assim, em 1907, caíram apenas 300 mm

neste solo, onde o frio é desconhecido, ó amável, sente-se-a cair com voluptuo-

de chu\'as cni Buenos Aires. Ao lado

sidade".

comprida, onde chove de 200 a 600 mm, a qual inclui grande, parte da Patagônia e as cidades de Rawson, Baía Blanca, Cordoba, Tucumâ e Salta. E nas proxi

A mais chuvosa das terras sêcas

Confoi-mo Widtsoe, giande técnico norte-americano, em 25% do globo cho

ve menos de 250 milímetros por ano; em 30% de 250 a 500, o em 20%, de 500 mm a 1.000 mm.

de.sta faixa estende-se outra bem mais

midades dos Andes, numa tira mais larga do que as outras duas e indo do Cliubut à Bolívia, chove menos de 200

mm. As terras chuvosas da Argentina

Quase toda a superfície do planeta sofre, vez por outra, os rigores das

são poucas e quase tôdas na fronteira

estiadas.

Na Espanha, poucas zonas recebem mais de um metro d'água, anualmente A grande media é de 400 a 600 mm

Regiões chuvosas como o

Brasil são hiatos felizes.

Apenas um terço da Austrália recebe

com o Brasil.


¥ '.""V

144

Dicesto EcoKÓxaco

tro da área semi-árida há zonas úmi

das, constituídas pelas serras e pela maior parte do litoral.

Com essas observações, vejamos como se distribui legalmente n área semiárida:

^ H !•; A S Total Piauí Ceará R. G. Norte Paraíba Pernambuco

Alagoas Sergipe

133.908

55,3

109.674

148.591

100 83.9 83.7 89.0

46.815

88.336 11.319 7.293

Bahia

Minas Gerais

39,6 33.8 54.8

305.394 47.058

589.804 1.795-.362

• 8,0

834.666

Vejamos agora como se distribuí i n

áridaj, em 1946:

46,5

-

145

culturas xerófitas produzem sempre e

mais de 500 mm por ano; um têrço de

bem, mesmo nos anos mais secos.

250 a 500 mm e o outro terço menos de 250 mm. "Esta condição", afirma

em "O Brasil no Século XX". obra pu Züiin iimlila

43.952

21.552 557.703

H M 1! %

52.411 55.920 99.228 28.571

Econômico

Sòbrc o aspecto da região semi-árida, c melhor Ut o que escreveu Picrre Dinis,

Z"na sôca

245.582 148.591

Dicesto

8.459 9.105 10.892. 17.252 14.259 252.309 538.746

960.698

globo". Em quatro décimos dos Estados Uni

16.3

ses. Cidades como Grato, Sobral, Qui.xcramcbim são '"ciUros do. '.uiliquissima

mm por ano. A oeste do meridiano 97, quase todo o território ianque recebe

11.0

origem".

60.4

perfície do planalto guarnecida por um matagal muito denso: a. espaços o solo

terras áridas e semi-áridas se encon

SC liberta e o capim cresce então lixTC-

tram os Estados da Califórnia, Arizona,

10.1

66.2

45.2 92.0

53,5

r- . i

PopiiIaç:io nos Estados que tem aonns semi-

E além: "Imagine-se a su

Piauí Ceará

H. G. Norte

923.889 2.362.860 867.860

Paraíba

1.607.178

Pernambuco

3.037.711 1.074.968 612.828 4.427.466 7.612.150

Alagoas Sergipe Bahia

Minas Gerais

'i'otais

22.526.917

Zona

árliia

úmida

süea

390.544

42,2

533.345

57,7

2,9 15,9 15.1 18,7 11,7

Zona úmida

4,9

2.362.866

100

664.929 874.663 1.030.730

76,6

202.931

23.4

54.4

732.515

45.6

33,9

66,1 80.5 87,9

10.2

58,0 96.7

5,3

80,5 184,3 50.1 37,8 10.2 13,7

34,2 4.812.462 65,8

9,2

15^4

1.857.794

12,1 42,0

2.006.981 864.847 538.456 2.569.672

248.435

3,3

7.363.715

210.122 74.372

7.714.455

Aspectos da região semi-árida

A região semi-árida tem uma estação

^ifnida de quatro a cinco meses, segui da de longa estação seca. Nos anos .normais, as chuvas são suficientes para

19.5

18,6 6.1

24.0

todas as culturas. Nos anos secos há unla grande queda na pluviosidade, im pedindo o cultivo de plantas anuais exi gentes d agua, como arroz, milho, amen doim etc. Algumas culturas perenes

sofrem grandes quedas na produção. As

dos, as chuvas são, em média, de 300

menos, em geral muito menos de 500 mm de chinas anuais.

Na zona das

Colorado, Idaho, Nei^ada, Utah e Wyo-

são constituídas por uma alternativa de

ming, com 1.681.000 quilômetros qua

mata de corte, bai.xa e cerrada. A al

drados; na zona das terras semi-áridas

ternativa das estações modifica profun

e sub-úmidas se encontram Montana,

damente o seu aspecto: às primeiras

Nebrasca. Novo México, Dacota do Norte, Dacota do Sul e Washington, com 1.710.000 quilômetros quadrados. Na Argentina, chove 500 a 800 mm

bita primavera das terras boreais. Zono

xima da de todos os continentes do

mentc; as mais das vêzeè ns pastagens

da vegetação: alguma cousa como a sú

í" 'IP U L A C A O Zoiio semi.

N-aleco nos Estados Unidos e se apro

blicada há uns quarenta anos: "O inte rior do Coaxá ó propício à criação de gado. Por isso foi èíe povoado muito antes da costa, pelos colonos portugue

chuvas é um dcsabrochar desordenado

Tolal

Widtsoe, "não está longe da que pre-

É

que também aqui o período de vegeta

em Buenos Aires, La Plata e Santa

ção será de curta duração, antes do

Fé, isto é, numa fai.xa longa e estreita .

sono qwe invadirá o mato, logo que re O Ceará torna-se então a mais hcla

que vai de Baia Blanca ao Pilcomaio, ao longo do Atlântico e do rio Paraná. Mesmo nesta faixa há sêcas periódicas.

região do mundo.

comecem os calores ardentes do estio.

A própria chuva

Assim, em 1907, caíram apenas 300 mm

neste solo, onde o frio é desconhecido, ó amável, sente-se-a cair com voluptuo-

de chu\'as cni Buenos Aires. Ao lado

sidade".

comprida, onde chove de 200 a 600 mm, a qual inclui grande, parte da Patagônia e as cidades de Rawson, Baía Blanca, Cordoba, Tucumâ e Salta. E nas proxi

A mais chuvosa das terras sêcas

Confoi-mo Widtsoe, giande técnico norte-americano, em 25% do globo cho

ve menos de 250 milímetros por ano; em 30% de 250 a 500, o em 20%, de 500 mm a 1.000 mm.

de.sta faixa estende-se outra bem mais

midades dos Andes, numa tira mais larga do que as outras duas e indo do Cliubut à Bolívia, chove menos de 200

mm. As terras chuvosas da Argentina

Quase toda a superfície do planeta sofre, vez por outra, os rigores das

são poucas e quase tôdas na fronteira

estiadas.

Na Espanha, poucas zonas recebem mais de um metro d'água, anualmente A grande media é de 400 a 600 mm

Regiões chuvosas como o

Brasil são hiatos felizes.

Apenas um terço da Austrália recebe

com o Brasil.


I)k;hsto

Ecí>nómico

DiGKSTO licONÓMiCO 140

f na Caslelha Velha desce a 300 mm,

digamos apenas que as médias anuais

' ocorrendo anos sem chuvas.

cearenses são as seguintes, em milí

' Não é necessário citar outros países;

metros:

lantes trabalhes cie açudagem devem-se

primeiro caso, pelo Departamento Na

ao

cional de Obras Contra as Sêcas, eni

Departamento Nacional de Obms

Contra as SOcas.

cooperação com particulares; e açu

Os go\emos dos Es

tados também fa/.ein algo pela açuda-

des particulares, de exclusha iniciativa

gem.

dos fazendeiros.

Há açudes públicos, os maiores, cons

V

Serras

J

Litoral ...

^

Sopés de serra

1.041

Caatingas (semi-árida) Média de tôda a província

820 981

;

Em dezembro de 1948, assim se

truídos exclusivamente pelos governos; açudes em cooperação, constniidos pe

distribuíam os açudes públicos, construí

los governos, quase sempre, como no

Obras Contra as Sêcas:

dos pdo Departamento Nacional de

as médias dos anos secos (uns 10 por

f suficiente para tôdas as culturas, varia

século, em média), quais as dos anos

de ano para ano. Têm-se anos secos,

normais e de inundação. Vejamos quais

Serras

dação. An06-

Anos

Anos

secos

normais

de inundação

1.450 1.415

1.988 1.936 1.621 1.288 1.506

534 367 392 232 309

Litoral

Sopés de serra Caatingas Ceará — total .

1.067 854

1.027

metros cúbicos

Rio Grande do Norte

.

31

Paraíba

.

17

68.821 1.157.800 221.792 I.133.308

8

17.139

1

3.738

Piauí Ceará

8 41

Pernambuco Alagoas Sergipo

. ,

865

Bahia

.

14

53.131

Totais

.■

122

2.656..594

Estados

675 mm

Província de Cordoba ....

425 mm 225 mm 160 mm

Província de Mendoza . ..

70 mm

Capacidade total, cm

Número

metros cúbicos

800 mm

Província de Buenos Aire.s

Pampa fértil

2

Quanto aos açudes em cooperação, na mesma época, os dados eram os seguintes;

Comparem-se êstes dados com os seguintes dados pluvioinétricos argentinos.

Pampa árido ... ."

Capacidade total,

Número

Estados

Infelizmente, esta pluviosidade, que é

Ceará

. . . .

R. G. Norte

Paraíba

. . ,

Pernambuco Bahia

. . . .

237 20 19 3 7

475.735 26.069

287

586.366

40.586 38.808 4.368

Proviiicia de San Juan - > •

As Zíiims stíinl-áridas do Rio Grande

do Norte, Paraíba, Pernambuco e Bahia sác, em regra, um pouco menos chu vosas qiKj as do Ceará.

O problema das sêcas do Nordeste é, •portanto^ muito menos grave do que geralmente se pensa. Qua.se sempre não há falta de chuva. Ha chuvas mal distribuídas.

ragens

submersas, elevação das ágims

do° subálveo dos rios e culturas xerófitas. Redes rodoviárias e ferroviárias têm também grande influência benéfica. Examinemos perfunctòriamenlc o as

sunto.

Açudagem

A zona senh-^árida é, em grande parte, muito favorável, à construção de açudes,

Combate às sêcas

'■ As sêcas estão sendo vencidas por

meio dc açudes, poços profundos, bar' *

/ •

graças ás muitas gargantas que seus rios periódicos atravessam. Os mais impor-

Tütaií) Há um número várias vêzo.s maior clc

açudes particulares. Só o município do Caicó, no Rio Grande do Norte, tem

,

Clioió. no Ceará, com 143 milhões dc7

A

í^llltlnrkr» <■» J jnetro .í cúbicos, o Cedro,

~

125 milhões (Ip metros cúbicos- o Jaiba-

uns 500 açudes parllculnrcs. Os maiores açudes construídos são o Cui-ema, com 720 milhões de metros cúbicos d'água, na Paraíba; o General

ras no Ceará, cODl 104 .nilhôes de

Sampaio, no Ceará, com 322 milhões de

Contra as Sêcas, nq

metros cúbicos; o Piranhas, no Paraíba, com 255 milhões de metros cúbicos; o

635 milhões de metros cúbicos; Jucuric

metros cúbicos.

No momento, estão seudo .oncluídoS pelo Departamento Nacional de Obra j

\f

j'í

^guintes grande

i


I)k;hsto

Ecí>nómico

DiGKSTO licONÓMiCO 140

f na Caslelha Velha desce a 300 mm,

digamos apenas que as médias anuais

' ocorrendo anos sem chuvas.

cearenses são as seguintes, em milí

' Não é necessário citar outros países;

metros:

lantes trabalhes cie açudagem devem-se

primeiro caso, pelo Departamento Na

ao

cional de Obras Contra as Sêcas, eni

Departamento Nacional de Obms

Contra as SOcas.

cooperação com particulares; e açu

Os go\emos dos Es

tados também fa/.ein algo pela açuda-

des particulares, de exclusha iniciativa

gem.

dos fazendeiros.

Há açudes públicos, os maiores, cons

V

Serras

J

Litoral ...

^

Sopés de serra

1.041

Caatingas (semi-árida) Média de tôda a província

820 981

;

Em dezembro de 1948, assim se

truídos exclusivamente pelos governos; açudes em cooperação, constniidos pe

distribuíam os açudes públicos, construí

los governos, quase sempre, como no

Obras Contra as Sêcas:

dos pdo Departamento Nacional de

as médias dos anos secos (uns 10 por

f suficiente para tôdas as culturas, varia

século, em média), quais as dos anos

de ano para ano. Têm-se anos secos,

normais e de inundação. Vejamos quais

Serras

dação. An06-

Anos

Anos

secos

normais

de inundação

1.450 1.415

1.988 1.936 1.621 1.288 1.506

534 367 392 232 309

Litoral

Sopés de serra Caatingas Ceará — total .

1.067 854

1.027

metros cúbicos

Rio Grande do Norte

.

31

Paraíba

.

17

68.821 1.157.800 221.792 I.133.308

8

17.139

1

3.738

Piauí Ceará

8 41

Pernambuco Alagoas Sergipo

. ,

865

Bahia

.

14

53.131

Totais

.■

122

2.656..594

Estados

675 mm

Província de Cordoba ....

425 mm 225 mm 160 mm

Província de Mendoza . ..

70 mm

Capacidade total, cm

Número

metros cúbicos

800 mm

Província de Buenos Aire.s

Pampa fértil

2

Quanto aos açudes em cooperação, na mesma época, os dados eram os seguintes;

Comparem-se êstes dados com os seguintes dados pluvioinétricos argentinos.

Pampa árido ... ."

Capacidade total,

Número

Estados

Infelizmente, esta pluviosidade, que é

Ceará

. . . .

R. G. Norte

Paraíba

. . ,

Pernambuco Bahia

. . . .

237 20 19 3 7

475.735 26.069

287

586.366

40.586 38.808 4.368

Proviiicia de San Juan - > •

As Zíiims stíinl-áridas do Rio Grande

do Norte, Paraíba, Pernambuco e Bahia sác, em regra, um pouco menos chu vosas qiKj as do Ceará.

O problema das sêcas do Nordeste é, •portanto^ muito menos grave do que geralmente se pensa. Qua.se sempre não há falta de chuva. Ha chuvas mal distribuídas.

ragens

submersas, elevação das ágims

do° subálveo dos rios e culturas xerófitas. Redes rodoviárias e ferroviárias têm também grande influência benéfica. Examinemos perfunctòriamenlc o as

sunto.

Açudagem

A zona senh-^árida é, em grande parte, muito favorável, à construção de açudes,

Combate às sêcas

'■ As sêcas estão sendo vencidas por

meio dc açudes, poços profundos, bar' *

/ •

graças ás muitas gargantas que seus rios periódicos atravessam. Os mais impor-

Tütaií) Há um número várias vêzo.s maior clc

açudes particulares. Só o município do Caicó, no Rio Grande do Norte, tem

,

Clioió. no Ceará, com 143 milhões dc7

A

í^llltlnrkr» <■» J jnetro .í cúbicos, o Cedro,

~

125 milhões (Ip metros cúbicos- o Jaiba-

uns 500 açudes parllculnrcs. Os maiores açudes construídos são o Cui-ema, com 720 milhões de metros cúbicos d'água, na Paraíba; o General

ras no Ceará, cODl 104 .nilhôes de

Sampaio, no Ceará, com 322 milhões de

Contra as Sêcas, nq

metros cúbicos; o Piranhas, no Paraíba, com 255 milhões de metros cúbicos; o

635 milhões de metros cúbicos; Jucuric

metros cúbicos.

No momento, estão seudo .oncluídoS pelo Departamento Nacional de Obra j

\f

j'í

^guintes grande

i


Dicesto Económjco

na Baliia, com 102 milhões; General

obras do Orós, que armazenará quatro

Dutra, no Rio Grande do Norte, com 71 milhões; Poço da Cruz, em Pernambuco,

bilhões de metros cúbicos dVigua. Ser

com 50 milhões; Pau Branco, em Per

nambuco, com 70 milhões.

virá para fccliar um Ixiqucirão do Jaguaribe, no Coara, rio do 7Gü quilôme tros do curso, c custará 300 miliiõcs de

Estão sendo iniciados os seguintes açudes públicos: Pentencostes, Ceará, com 400 milhões de metros cúbicos, e

Santo Antônio do Aracati-Açu, Ceará, com 24 milhões.

Possivelmente serão recomeçadas as

Escombros do Ensilhamento

cruzeiros, já concedidos. Há em estudos muitos outros açudes, inclusive o Passagem Funda, subre o

rio Apodi, no Kio Grande do Norte, que represará 3 bilhões de metros cúbi cos, e o Ararás, no Ceará, para 1 bilhão.

Afonso de E. Taunay

/^OM o pronuncianicnlo anliditatorial cio 23 cie novembro do 189.1, rece

bera o Ensilimnienlo mortal golpe, como cm nosso passado antigo recordamos. Célere agonia teria.

Dissipara-sc rapidamente a fantasmagoria cias miragens, criadas pela bri lhante corte de incorjioraclores e lança dores de empresas cngazopaclorns da

belada fantasia.

Pretendia-se, naquele ano da graça do 1891, estabelecer no Brasil algumas das mais especializadas indústrias só viáveis cm países siiperindustrializados. Daí as maravilhas do manifesto da Com

panhia Industrial de Instrumentos de Engenharia e Náutica Ótica.

bon-fé do fxércilO do papalvos escorchavcl e escorchado. O gnmde "tilogan" (Io tempo valía-BG de mnü uprodniação zoológica: o Brasil era como o touro,

Falava-sc em fabricar, em larga es cala, objetos de marfim e de arte, ins pirados na arte francesa e na espanhola,

ignorava a força que linha. Desper tara da modorra imperial morrinhenta, entrando pnjanlíssimo na senda do pro

claturil pílri» 05 noN-<rí eslabelecimentos. Surgiam nomes íilildP8"^dauicjii<> pito

Ia cada vez mais escassa a nomen-

gresso, a valer-se da rovelaçrio da sua

rescos, como os do Banco Impulsor, Banco Esportivo, Banco das Estradas

fôrça econômica.

du Ferro.

Nada mais natural,

portanto, do que aquela magnífica eclo f TT T T3

novas empresas, filhas da mais desca-

E como j.á houvesse um Banco Mi-

nciro apareceu um Banco Central Mi

são industrial, aquele surto financeiro o comercial admirável, baseado na inullidão das empresas anônimas destinadas

neiro. Estranho é que não haja apare

rc iiovar a face do paíü, einbolorivdo pela timirb*;<, polo ciirrancismo daquela .se(piéticía longa clc inllóüímos (jUC, SOgunclo chapa entno muito batida, so qua

não menos interessantemente denomina

lificava dc "ominosos tempos". Cerrassem todos ouvidos aos falató-

cido algum Banco Insular do Brasil...

Algumas das Companhias surdiram das, como a Protetora das Costureiras, a Mercantil dc Brinquedos, o Banco União dor! Carvociros, a Companhia Garantia do EntenoR p

o Baiico Vi

rlos das cassandras de meia tijela que alem de tudo não passavam de profetas

Brasil e ate o solecíslico frunpo-brasl»

manc/u dJ.

leiro Petit (sic) Banque du Brésil.

A insãnia da gigantesca emissão, pla nejada para o fim de 1891, visava in

a cifra total dos capitais dos manifestos

jetar novo alento ao movimento bolsista,

que já para o quarto trimestre daquele milésimo decrescia a olhos vistos, apesar

da rctumbãncia dos manifestos lança dos à imprensa para a fundüçno de

talício do Brasil, n Ranoiriil Teatral do

Souza Ferreira, em fins de 1891, que dc Ensilhuinenlo ascendia a perto de três milhões de contos dc réis, soma equi valente hoje a sessenta bilhões de cru zeiros.

Desta soma, imensa para o Brasil


Dicesto Económjco

na Baliia, com 102 milhões; General

obras do Orós, que armazenará quatro

Dutra, no Rio Grande do Norte, com 71 milhões; Poço da Cruz, em Pernambuco,

bilhões de metros cúbicos dVigua. Ser

com 50 milhões; Pau Branco, em Per

nambuco, com 70 milhões.

virá para fccliar um Ixiqucirão do Jaguaribe, no Coara, rio do 7Gü quilôme tros do curso, c custará 300 miliiõcs de

Estão sendo iniciados os seguintes açudes públicos: Pentencostes, Ceará, com 400 milhões de metros cúbicos, e

Santo Antônio do Aracati-Açu, Ceará, com 24 milhões.

Possivelmente serão recomeçadas as

Escombros do Ensilhamento

cruzeiros, já concedidos. Há em estudos muitos outros açudes, inclusive o Passagem Funda, subre o

rio Apodi, no Kio Grande do Norte, que represará 3 bilhões de metros cúbi cos, e o Ararás, no Ceará, para 1 bilhão.

Afonso de E. Taunay

/^OM o pronuncianicnlo anliditatorial cio 23 cie novembro do 189.1, rece

bera o Ensilimnienlo mortal golpe, como cm nosso passado antigo recordamos. Célere agonia teria.

Dissipara-sc rapidamente a fantasmagoria cias miragens, criadas pela bri lhante corte de incorjioraclores e lança dores de empresas cngazopaclorns da

belada fantasia.

Pretendia-se, naquele ano da graça do 1891, estabelecer no Brasil algumas das mais especializadas indústrias só viáveis cm países siiperindustrializados. Daí as maravilhas do manifesto da Com

panhia Industrial de Instrumentos de Engenharia e Náutica Ótica.

bon-fé do fxércilO do papalvos escorchavcl e escorchado. O gnmde "tilogan" (Io tempo valía-BG de mnü uprodniação zoológica: o Brasil era como o touro,

Falava-sc em fabricar, em larga es cala, objetos de marfim e de arte, ins pirados na arte francesa e na espanhola,

ignorava a força que linha. Desper tara da modorra imperial morrinhenta, entrando pnjanlíssimo na senda do pro

claturil pílri» 05 noN-<rí eslabelecimentos. Surgiam nomes íilildP8"^dauicjii<> pito

Ia cada vez mais escassa a nomen-

gresso, a valer-se da rovelaçrio da sua

rescos, como os do Banco Impulsor, Banco Esportivo, Banco das Estradas

fôrça econômica.

du Ferro.

Nada mais natural,

portanto, do que aquela magnífica eclo f TT T T3

novas empresas, filhas da mais desca-

E como j.á houvesse um Banco Mi-

nciro apareceu um Banco Central Mi

são industrial, aquele surto financeiro o comercial admirável, baseado na inullidão das empresas anônimas destinadas

neiro. Estranho é que não haja apare

rc iiovar a face do paíü, einbolorivdo pela timirb*;<, polo ciirrancismo daquela .se(piéticía longa clc inllóüímos (jUC, SOgunclo chapa entno muito batida, so qua

não menos interessantemente denomina

lificava dc "ominosos tempos". Cerrassem todos ouvidos aos falató-

cido algum Banco Insular do Brasil...

Algumas das Companhias surdiram das, como a Protetora das Costureiras, a Mercantil dc Brinquedos, o Banco União dor! Carvociros, a Companhia Garantia do EntenoR p

o Baiico Vi

rlos das cassandras de meia tijela que alem de tudo não passavam de profetas

Brasil e ate o solecíslico frunpo-brasl»

manc/u dJ.

leiro Petit (sic) Banque du Brésil.

A insãnia da gigantesca emissão, pla nejada para o fim de 1891, visava in

a cifra total dos capitais dos manifestos

jetar novo alento ao movimento bolsista,

que já para o quarto trimestre daquele milésimo decrescia a olhos vistos, apesar

da rctumbãncia dos manifestos lança dos à imprensa para a fundüçno de

talício do Brasil, n Ranoiriil Teatral do

Souza Ferreira, em fins de 1891, que dc Ensilhuinenlo ascendia a perto de três milhões de contos dc réis, soma equi valente hoje a sessenta bilhões de cru zeiros.

Desta soma, imensa para o Brasil


DtfiKSTO Económioí*^

do tempo, fóru realmente iiivertidu, tal vez, mais de um tôrço, pelas vítimas do desvario coletivo, passando às mãos de

! ^

Dk;kst<' EcoNó.\nc:o

das cnconiendu.s do Eusilhaiucnlo, su

151

bindo a 527.104 contos, soma desvalo

uma dúzia de tubarões nacionais, sendo

rizada pela baixa cambial, pois a libra esterlina subira de ano para ano de

o resto dissipado graças à insensatez das

9§075 a 10$63S, 16$182 e 20$Ü40.

diferenças cambiais, não representavam, sòmcntc, a diferença entre o padrilo le gal de 27 dinbciros por niil-réis e o

importações européias feitas a esmo. Atulharam-se os trapiches e armazéns

Fora do Rio de Janeiro, a febre espcculatória tornara-.se sensível .só em São Paulo. ASvSim mesmo em propor

preço no mercado do esterlino. Rcpre.senlavam, sim, os prêmios pagos pan\ sustentar o câmbio a taxas que o movi

do Rio de mercadorias de tôda espécie,

ali abandonadas pelas companhias fali das que nem fundos haviam tido para pagar os direitos alfandegários.

Contou-me inteligente industrial per nambucano, se bem me recordo, sr.

Benjamin Torreão, que, passados uns dois anos, adquirira uma fábrica comple ta de calçados, comprando por 80 con tos o que certamente custara à compa nhia importadora falida 900 ou mil con tos de réis. houve.

E muitos casos dôstes

A marcha' ascensional da importação fôra extraordinária. Em 1889 - 217.880 contos " 1890 - 255.520 " " 1891 - 413.080 "

A balança comercial brasileira teria sido a mais desfavorável, não fôra a

alta notável do café, coincidente com trôs anos de boas safras.

ções muitíssimo menores.

mento internacional não autorizava.

Contou-me Garcia Redondo que, eni todo caso, podia o Ensilhamenlo pau lista gabar-se de uma nota pitoresca,

O.s empréstimos períó<licos imperiais haviam sido as eoiisolidnções dos déficits.

que o fluminense não conseguiria su

perar; o fato de, em seus fastos, consig

cessidades do Tesouro tinham sido su

nar-se a fundação de uma sociedade

pridas pela exportação. O Tesouro até

anônima cujo manifesto declarava tratar-so de empresa fundada para fins que depois se diriom!

entãp recorrera sempre aos mercados es

trangeiros, que lhe concediam crédito, — crédito aliás bem merecido — além do

O mercado cambial em 1891 trou.xora verdadeiras angústias ao comércio.

que facultava em fundos para o mo vimento comercial.

Mesmo abstraindo-se do dilúvio de papel-mocda, os algarismos ensinavam que

Embora sem a emissão tumultuaria de

biais

" " " 1.571.000

A esperança, em princípios de 1892,

"iLr;™ ttfde 1891, ,„„iri3simos

oscilações das taxas canv biais, alarmados ante a

perspectiva da possibilida

de da valorizaç<áo do mil-

réis, ao invés de \'oltarem as vistas para a situa

ção deficitária do supri

cambial, liame do Brasil

Analisando imparcialmente as causas da

com o Universo, demons

" 1891 - 52$888 " " "

ainda de atos do govôrno imperial. Os que viviam em estreito contacto com o mercado de câmbio confessavam

à custa de mero papel pintado.

que, durante anos a fio, haviam as taxas

Os negócios do café, esteio da econo

sido conservadas muito além do verda

deiro valor da moeda corrente brasi leira.

í

i

,1a

inflexibilidade de tal lei, ansiosos, a consultar as

mente previsto, o mercado

baseava-se tôda no café.

As somas, por vêzes muito considerá veis, pagas pelo Tesouro Nacional

pnrto déstes economistas pnmanps. a

Como podia ser facil

trara, imediatamente, em que bases in certas haviam edificado os advogados da circulação fiduciária diluvial seus planos, tendentes a criar fictícia prosperidade,

Em 1892 ainda avultaria, e muito, a

alto. café baixo e vice-versa, ale que dentro de poucos anos homesse, i)or

te a situação.

valho que,ela procedia, em grande parte,

importação, com o saldo de contas

vicção corrente no público ignaro de que em indesmonlável aforismo: cambio

viera agravar terrivelmen

" 1890 - 37$168 " " "

Em 1889 - 84,1 desta " 1890 - 91,1 " " 1891 - 94,2 "

cHDtações do café. Robuslcdu-sc a con

e subitânca como surgira, •r

baixa cambial, dizia Veridiano de Car

a exportação fôra

Assim, continuava a vcrificai-stç do modo mais positivo, o fenômeno da contraposição das taxas cambiais e cas

Mas

Em 1889 — 30$888 rs. por saca

A porcentagem da importação sobre

Em 1891 - £ 3-5-2

tal emissão, violentíssima

Em 1889-41.295 contos ou ££ 4.550.000

" 1891-25.411

Em 1889 - £ 3-7-9 Em 1890 - £ 3-9-9

natural

mente para bai.xo.

em grandes proporções. " " " 2.363.000

tenderiam

E com

era ouro.

1890 a 1891, as taxas cam

o saldo de pagamentos, na perniuta in ternacional de 1889 a 1890, diminuíra

" 1890-25.145

Desde 15 do novembro, o Brasil As ne

nada levantara no estrangeiro.

mais ou menos uma arroba.

efeilo pouco \'ariara o \'alor da saca

mento mundial do grão

„rtbico, ^•e^dac!eira solução do euigmu,

para so explicarem as tendências alhstas dor mercados.

Com a subida ao poder do Marechal Floriano Peixoto, encetou-se imediata reação antípapelista, aliás vigorosamente

mia nacional, estavam estritamente li gados às flutuaçõe.s cambiais.

combatida pela minoria do Congresso

Os exportadores não con.sideravam o preço em moeda corrente do país, mas sòmente o valor-ouro da saca, pouco se ii-nportando com o valor-papel da libra esterlina, uma vez que esta comprasse

Deodoro da Fonseca.

que

apoiara o governo do Marechal

Foi chamado à pasta da Fazenda o Conselheiro Rodrigues Alves, sàbiamente


DtfiKSTO Económioí*^

do tempo, fóru realmente iiivertidu, tal vez, mais de um tôrço, pelas vítimas do desvario coletivo, passando às mãos de

! ^

Dk;kst<' EcoNó.\nc:o

das cnconiendu.s do Eusilhaiucnlo, su

151

bindo a 527.104 contos, soma desvalo

uma dúzia de tubarões nacionais, sendo

rizada pela baixa cambial, pois a libra esterlina subira de ano para ano de

o resto dissipado graças à insensatez das

9§075 a 10$63S, 16$182 e 20$Ü40.

diferenças cambiais, não representavam, sòmcntc, a diferença entre o padrilo le gal de 27 dinbciros por niil-réis e o

importações européias feitas a esmo. Atulharam-se os trapiches e armazéns

Fora do Rio de Janeiro, a febre espcculatória tornara-.se sensível .só em São Paulo. ASvSim mesmo em propor

preço no mercado do esterlino. Rcpre.senlavam, sim, os prêmios pagos pan\ sustentar o câmbio a taxas que o movi

do Rio de mercadorias de tôda espécie,

ali abandonadas pelas companhias fali das que nem fundos haviam tido para pagar os direitos alfandegários.

Contou-me inteligente industrial per nambucano, se bem me recordo, sr.

Benjamin Torreão, que, passados uns dois anos, adquirira uma fábrica comple ta de calçados, comprando por 80 con tos o que certamente custara à compa nhia importadora falida 900 ou mil con tos de réis. houve.

E muitos casos dôstes

A marcha' ascensional da importação fôra extraordinária. Em 1889 - 217.880 contos " 1890 - 255.520 " " 1891 - 413.080 "

A balança comercial brasileira teria sido a mais desfavorável, não fôra a

alta notável do café, coincidente com trôs anos de boas safras.

ções muitíssimo menores.

mento internacional não autorizava.

Contou-me Garcia Redondo que, eni todo caso, podia o Ensilhamenlo pau lista gabar-se de uma nota pitoresca,

O.s empréstimos períó<licos imperiais haviam sido as eoiisolidnções dos déficits.

que o fluminense não conseguiria su

perar; o fato de, em seus fastos, consig

cessidades do Tesouro tinham sido su

nar-se a fundação de uma sociedade

pridas pela exportação. O Tesouro até

anônima cujo manifesto declarava tratar-so de empresa fundada para fins que depois se diriom!

entãp recorrera sempre aos mercados es

trangeiros, que lhe concediam crédito, — crédito aliás bem merecido — além do

O mercado cambial em 1891 trou.xora verdadeiras angústias ao comércio.

que facultava em fundos para o mo vimento comercial.

Mesmo abstraindo-se do dilúvio de papel-mocda, os algarismos ensinavam que

Embora sem a emissão tumultuaria de

biais

" " " 1.571.000

A esperança, em princípios de 1892,

"iLr;™ ttfde 1891, ,„„iri3simos

oscilações das taxas canv biais, alarmados ante a

perspectiva da possibilida

de da valorizaç<áo do mil-

réis, ao invés de \'oltarem as vistas para a situa

ção deficitária do supri

cambial, liame do Brasil

Analisando imparcialmente as causas da

com o Universo, demons

" 1891 - 52$888 " " "

ainda de atos do govôrno imperial. Os que viviam em estreito contacto com o mercado de câmbio confessavam

à custa de mero papel pintado.

que, durante anos a fio, haviam as taxas

Os negócios do café, esteio da econo

sido conservadas muito além do verda

deiro valor da moeda corrente brasi leira.

í

i

,1a

inflexibilidade de tal lei, ansiosos, a consultar as

mente previsto, o mercado

baseava-se tôda no café.

As somas, por vêzes muito considerá veis, pagas pelo Tesouro Nacional

pnrto déstes economistas pnmanps. a

Como podia ser facil

trara, imediatamente, em que bases in certas haviam edificado os advogados da circulação fiduciária diluvial seus planos, tendentes a criar fictícia prosperidade,

Em 1892 ainda avultaria, e muito, a

alto. café baixo e vice-versa, ale que dentro de poucos anos homesse, i)or

te a situação.

valho que,ela procedia, em grande parte,

importação, com o saldo de contas

vicção corrente no público ignaro de que em indesmonlável aforismo: cambio

viera agravar terrivelmen

" 1890 - 37$168 " " "

Em 1889 - 84,1 desta " 1890 - 91,1 " " 1891 - 94,2 "

cHDtações do café. Robuslcdu-sc a con

e subitânca como surgira, •r

baixa cambial, dizia Veridiano de Car

a exportação fôra

Assim, continuava a vcrificai-stç do modo mais positivo, o fenômeno da contraposição das taxas cambiais e cas

Mas

Em 1889 — 30$888 rs. por saca

A porcentagem da importação sobre

Em 1891 - £ 3-5-2

tal emissão, violentíssima

Em 1889-41.295 contos ou ££ 4.550.000

" 1891-25.411

Em 1889 - £ 3-7-9 Em 1890 - £ 3-9-9

natural

mente para bai.xo.

em grandes proporções. " " " 2.363.000

tenderiam

E com

era ouro.

1890 a 1891, as taxas cam

o saldo de pagamentos, na perniuta in ternacional de 1889 a 1890, diminuíra

" 1890-25.145

Desde 15 do novembro, o Brasil As ne

nada levantara no estrangeiro.

mais ou menos uma arroba.

efeilo pouco \'ariara o \'alor da saca

mento mundial do grão

„rtbico, ^•e^dac!eira solução do euigmu,

para so explicarem as tendências alhstas dor mercados.

Com a subida ao poder do Marechal Floriano Peixoto, encetou-se imediata reação antípapelista, aliás vigorosamente

mia nacional, estavam estritamente li gados às flutuaçõe.s cambiais.

combatida pela minoria do Congresso

Os exportadores não con.sideravam o preço em moeda corrente do país, mas sòmente o valor-ouro da saca, pouco se ii-nportando com o valor-papel da libra esterlina, uma vez que esta comprasse

Deodoro da Fonseca.

que

apoiara o governo do Marechal

Foi chamado à pasta da Fazenda o Conselheiro Rodrigues Alves, sàbiamente


153

rimo da cessação das emissões e do res

D1C£ST0 Econónoco

que assim como se achavam constituídos

gate do papel-moeda, restringindo-se-lhe

não passa\'am de entidades fictícias, fal

a circulação. Secundavam-no no Sena

sas. Em que repousava o crédito de um

do, ardorosamente, lioincns do prestígio

banco de emissão ? Que lhe dava fòrça

de Campos Sales, Saldanha Marinho, Ramiro Barcelos, Rangel Pestana, entre

emitir bilhetes representativos da moeda

para reprcs( nfar o go\crno na função de

outros.

nacional ? Apenas a confiança que ins

Projeto por êles apresentado estatuía, como medida principal, a responsabili

pirasse a garantia dc pagamento de suas

dade direta do Estado sôbre as emissões

de notas bancárias e.xistcntes em circu

lação. Chamaria o governo a si os de

pósitos em apólices da dívida pública e moeda metálica, devendo reduzir as emissões a um so tipo. As notas dos

bancos seriam em tudo iguais ao papelmoeda nacional.

Ao resgate das emissões, na quantida de de tempo e forma, que o governo julgasse conveniente realizar, aplicar-seia o produto da venda das apólices de positadas 6 resgatadas como lastro ban cário, e a moeda metálica recolhida ou a recolher, em cambiais.

notas apresentadas a trôco. Eram porém nuincroso.s, no Parlamen

to, oí". partidários do go\'crno deposto e

•so adiasse suas sessões. Cada vez mais conturbados corriam os meses de 1892.

A 10 dc abril ocorria o chamado mani festo dos generais e o pronunciamento

. falho sufocado pelo Marechal Floriano,

do que resultariam as numerosas deportaçõe.s de militares, das mais altas pa

tentes, e políticos civis, da maior pro

1892. Esperava o país ansiosamente, o

relatório de Rodrigues Alves, que reve contos de réis: quase dobrado 1

desfechar sôbre a obra bancária do Go-

Desta massa, cabiam ao Banco da Re

vêmo Provisório e suas conseqüências, os

pública 277.042 contos. O papel-moe

mais adestrados golpes de acusação e de

da do Estado decresceru um pouco, res

crítica".

gatado por aquele estabelecimento

Verberándo o papel dos bancos de emissão e o.s seus desmandos, exclamou

nas por 18,6 em ouro. O.s depósitos cm ouro, 39.857 contos, haviam sido substituídos por apólices. A desordem na circulação monetária pro vocou pavorosa crise econômica e finan ceira.

Caratcri-ziwa-a a baixa cambial

necessidade.

da lançou mão "de dialética segura no

mento.

Assim, o total do meio circiilante as cendia a 514.726 contos, lastreados ape

vino", levante das fortalezas da Barra

do Guanabara, fez com que o Congres-

que segundo Antônio Carlos de Andra-

Rangel Pestana, a profligar o Ensilha-

do voz com esta pro\-idência que a al guns se afigurava radical. Na mensagem presidencial ao Congiesso, a 3 dc maio, lembrou o Marechal

ção de todos os títulos, a retração do ca

lou haverem as emissões bancárias eio 1891 ascendido de 187.554 a 346.115

Severíssimos os tópicos do discurso de

todo o território da República, cessariam

em espécie, o resto em apólices, ou se jam 81.202.

bremodo agitado. A cliamacla "rc\'olta do Sargento Sil-

Parlamento se reuniu a 3 de maio' dc

miro Barcelos, que desde a Constituinte o combatia, aliás, e de Rangel Pestana,

confiança que dela decorria, reinante ein

177.052:028$, dos quais 95.850 contos

vel desolador. Acarretara a desvaloriza

tas dos bancos. Teve a contradita veemente de Ra

achavani-.-HC representados por

os debates ocorreram cm ambiente so

ria e combatendo a encampação das no

Barbosa, defendendo a unidade bancá

Econômico

constante, que vinha descendo a um ní

jeção, para os pontos extremos do país. como Tabatinga e Cucui. Foi sob esta impre.ssão penosa que o

Na liça parlamentar, reapareceu Rui

[

Dígksix»

trédito e pelo Banco Nacional. Mas esta diminuição fôra mínima

relação ao resto.

Baixara o total ef

circulação de 178.856:413$ e ■ ■ 167.611:397$. Os lastros das emissões

pital o a alta dos gêneros de primeira Agravavam-se as dificuldades da vida com a e-xigéncia de salários em ascensão

c o receio do decréscimo das rendas pú

Floriano que se autorizara a fusão dos dois maiores bancos do país, o do Bra sil c o da República.

Não <ra iwssível protelar a promul

gação de medida instantemente recla mada pela opiniião publica.

Ao estudar, em suas minudências, o decreto a ela relali\'0, \'eria o Parlamen

to que haviam sido consultadas, tanto quanto possível, a altas conveniências

que ultimamente tanto haviam merecido o estudo e a atenção do Congresso.

Ante as reiteradas e insistentes recla mações de várias das mais importantes

instituições bancárias e grandes estabe

blicas.

gento a necessidade de assumir o Estado a responsabilidade das emissões bancá

lecimentos comerciais, e estudadas acu radamente as circunstancias financeiras vigentes no país, resolvera o go\emo,

rias,

omidas autorizadas Opiniões, "sar da

Entendia o avisado estadista ser ur-

garantindo-llies o pagamento, na

qualidade da moeda fiduciária nacional. Convinha chamar a si os lastros das emissões, quer em títulos da dívida pú

blica, quer eni ouro, liquidando em pra zos determinados, mais ou menos longos,

as dívidas dos bancos, quer as prove nientes dos empréstimos, quer as do ex cesso que se verificasse entre o valor das emissões efetuadas e do lastro em apó lices e ouro. Esta medida, acrescentava, não produziria evidentemente por si só efeitos que se visavam,

não fôsse

autorização concedida pelas le.s de 18^5

0 1885, permitindo a concessão de auxí

lios aos bancos, sob determinadas condi ções. até um máximo de nnte e cmco mil contos.

Medida dc caráter proNasóriq^ nao pro duzira. como em outras ocasioes. o re

sultado esperado, pois a niaior parte das instituições que haviam reclamado tal auxílio não podia oferecer as garantias

exigidas pela lei de 1885. Sòbro o país pesava a pressão da flu

completada por outras, como principal-

tuação cambial, com grande prejuízo

niente o resgate parcial, mas constante

dos interesses do comercio.

® persistente das emissões pelo fundo

Nada mais desolador do que o con fronto das taxas correntes nos primeiros meses da vice-presidência de Floriano

garantia.

A anarquia do papel bancário e a des


153

rimo da cessação das emissões e do res

D1C£ST0 Econónoco

que assim como se achavam constituídos

gate do papel-moeda, restringindo-se-lhe

não passa\'am de entidades fictícias, fal

a circulação. Secundavam-no no Sena

sas. Em que repousava o crédito de um

do, ardorosamente, lioincns do prestígio

banco de emissão ? Que lhe dava fòrça

de Campos Sales, Saldanha Marinho, Ramiro Barcelos, Rangel Pestana, entre

emitir bilhetes representativos da moeda

para reprcs( nfar o go\crno na função de

outros.

nacional ? Apenas a confiança que ins

Projeto por êles apresentado estatuía, como medida principal, a responsabili

pirasse a garantia dc pagamento de suas

dade direta do Estado sôbre as emissões

de notas bancárias e.xistcntes em circu

lação. Chamaria o governo a si os de

pósitos em apólices da dívida pública e moeda metálica, devendo reduzir as emissões a um so tipo. As notas dos

bancos seriam em tudo iguais ao papelmoeda nacional.

Ao resgate das emissões, na quantida de de tempo e forma, que o governo julgasse conveniente realizar, aplicar-seia o produto da venda das apólices de positadas 6 resgatadas como lastro ban cário, e a moeda metálica recolhida ou a recolher, em cambiais.

notas apresentadas a trôco. Eram porém nuincroso.s, no Parlamen

to, oí". partidários do go\'crno deposto e

•so adiasse suas sessões. Cada vez mais conturbados corriam os meses de 1892.

A 10 dc abril ocorria o chamado mani festo dos generais e o pronunciamento

. falho sufocado pelo Marechal Floriano,

do que resultariam as numerosas deportaçõe.s de militares, das mais altas pa

tentes, e políticos civis, da maior pro

1892. Esperava o país ansiosamente, o

relatório de Rodrigues Alves, que reve contos de réis: quase dobrado 1

desfechar sôbre a obra bancária do Go-

Desta massa, cabiam ao Banco da Re

vêmo Provisório e suas conseqüências, os

pública 277.042 contos. O papel-moe

mais adestrados golpes de acusação e de

da do Estado decresceru um pouco, res

crítica".

gatado por aquele estabelecimento

Verberándo o papel dos bancos de emissão e o.s seus desmandos, exclamou

nas por 18,6 em ouro. O.s depósitos cm ouro, 39.857 contos, haviam sido substituídos por apólices. A desordem na circulação monetária pro vocou pavorosa crise econômica e finan ceira.

Caratcri-ziwa-a a baixa cambial

necessidade.

da lançou mão "de dialética segura no

mento.

Assim, o total do meio circiilante as cendia a 514.726 contos, lastreados ape

vino", levante das fortalezas da Barra

do Guanabara, fez com que o Congres-

que segundo Antônio Carlos de Andra-

Rangel Pestana, a profligar o Ensilha-

do voz com esta pro\-idência que a al guns se afigurava radical. Na mensagem presidencial ao Congiesso, a 3 dc maio, lembrou o Marechal

ção de todos os títulos, a retração do ca

lou haverem as emissões bancárias eio 1891 ascendido de 187.554 a 346.115

Severíssimos os tópicos do discurso de

todo o território da República, cessariam

em espécie, o resto em apólices, ou se jam 81.202.

bremodo agitado. A cliamacla "rc\'olta do Sargento Sil-

Parlamento se reuniu a 3 de maio' dc

miro Barcelos, que desde a Constituinte o combatia, aliás, e de Rangel Pestana,

confiança que dela decorria, reinante ein

177.052:028$, dos quais 95.850 contos

vel desolador. Acarretara a desvaloriza

tas dos bancos. Teve a contradita veemente de Ra

achavani-.-HC representados por

os debates ocorreram cm ambiente so

ria e combatendo a encampação das no

Barbosa, defendendo a unidade bancá

Econômico

constante, que vinha descendo a um ní

jeção, para os pontos extremos do país. como Tabatinga e Cucui. Foi sob esta impre.ssão penosa que o

Na liça parlamentar, reapareceu Rui

[

Dígksix»

trédito e pelo Banco Nacional. Mas esta diminuição fôra mínima

relação ao resto.

Baixara o total ef

circulação de 178.856:413$ e ■ ■ 167.611:397$. Os lastros das emissões

pital o a alta dos gêneros de primeira Agravavam-se as dificuldades da vida com a e-xigéncia de salários em ascensão

c o receio do decréscimo das rendas pú

Floriano que se autorizara a fusão dos dois maiores bancos do país, o do Bra sil c o da República.

Não <ra iwssível protelar a promul

gação de medida instantemente recla mada pela opiniião publica.

Ao estudar, em suas minudências, o decreto a ela relali\'0, \'eria o Parlamen

to que haviam sido consultadas, tanto quanto possível, a altas conveniências

que ultimamente tanto haviam merecido o estudo e a atenção do Congresso.

Ante as reiteradas e insistentes recla mações de várias das mais importantes

instituições bancárias e grandes estabe

blicas.

gento a necessidade de assumir o Estado a responsabilidade das emissões bancá

lecimentos comerciais, e estudadas acu radamente as circunstancias financeiras vigentes no país, resolvera o go\emo,

rias,

omidas autorizadas Opiniões, "sar da

Entendia o avisado estadista ser ur-

garantindo-llies o pagamento, na

qualidade da moeda fiduciária nacional. Convinha chamar a si os lastros das emissões, quer em títulos da dívida pú

blica, quer eni ouro, liquidando em pra zos determinados, mais ou menos longos,

as dívidas dos bancos, quer as prove nientes dos empréstimos, quer as do ex cesso que se verificasse entre o valor das emissões efetuadas e do lastro em apó lices e ouro. Esta medida, acrescentava, não produziria evidentemente por si só efeitos que se visavam,

não fôsse

autorização concedida pelas le.s de 18^5

0 1885, permitindo a concessão de auxí

lios aos bancos, sob determinadas condi ções. até um máximo de nnte e cmco mil contos.

Medida dc caráter proNasóriq^ nao pro duzira. como em outras ocasioes. o re

sultado esperado, pois a niaior parte das instituições que haviam reclamado tal auxílio não podia oferecer as garantias

exigidas pela lei de 1885. Sòbro o país pesava a pressão da flu

completada por outras, como principal-

tuação cambial, com grande prejuízo

niente o resgate parcial, mas constante

dos interesses do comercio.

® persistente das emissões pelo fundo

Nada mais desolador do que o con fronto das taxas correntes nos primeiros meses da vice-presidência de Floriano

garantia.

A anarquia do papel bancário e a des


I3ickstc» EcoNòMícrt. l5o

DicESTCí Ec<inómico

Pfíxoto com as do Irit-nío anlfrior, nes

Em abril

sa époc-a em que no Brasil existia ver

"

dadeira mística cambial. Não há con

" junliü

17.59

temporâneo de quem escreve estas li nhas que não se recorde quanto a opi nião pública nacional se alarmava com

** julho " agòslo

16.56

Nostc momento angustioso da vida fi nanceira do país, representou o café pa

dos da balança comercial (25.145 e 25.411 contos) teriam desaparecido pa

15.31

pel ab.soUilamente salvador. As collieilas

" selemljro

15.34

o declínio do câmbio sôbre Londres. Era

" outubro

14.41

.som os do triènio de 1884 a 1886, ein

o grande termômetro da situaç-ão finan

" novembro 12.96

de 1890 o 1891 Imviam sido pequenas. A 31 díí dezembro de 1891, o estoque mundial calculava-se eritrc um milhão o

ra, em seu lugar, surgirem considerá veis déficits. BasUwa que os preços fôs-

ceira do país a escala das altas do di

" dezembro 12.09

um miliião e cem mil sacas, absoluta

nu 268054, para que o desequilibrio se

17.69

maio

16..56

nheiro sobre o mil-réis.

Em 1888 — 25 1/4 d por mil-réis Em 1889 — 20 13/16 d por mil-réis Em 1890 — 26 5/8 d por mil-réis

A.ssim a média do ano fòra de 16.33.

gócios de tão vultoso comércio universal,

O .soberano o.scilara

dando para menos do consumo de dois meses.

Em 1889 de

8S780 a 10$00()

Em 1890 de

9$350 a 11$830

\

67,7 por cento da exportação nacional em 1890 c 64,7 cm 1891, respectiva mente

acentuara mês a mês.

As médias haviam sido:

" fevereiro

19.34 "

18.62 "

Dólar

1889

18900 a 28070

1890

1$930 a 2S40O 2$425 a 48360

1891

8342 a 8395 $369 a $407 $459 a §828

Ao .so instalar o Congresso Nacional,

a 3 dc maio, as cotações alinhadas pelo governo eram as mais desagradáveis, em confronto com a.s do ano anterior:

i"

Bmilix fxtlcnm".

12.30 d

19.78 d 19.34 d

Lira

$423 a

$483

$344 a S396

$455 a

$576

$370 a $471

$567 a 1$024

$462 a 8842

-.r 1-.^, I ;■

1892

Em janeiro " fevereiro "

março

" abril

19$160 a 20.$780

19$720 a 20$700 208480 n 20$700

208580 a 21$4üO 1891

Em janeiro " fevereiro

11.75 d

18.62

março

11.50 d

17.69 d

abril

11$95Ü a 12$900 12$700 a 12$820 12$800 a 13S810 13$530 a 138900

. •>'"» • •

Vi^

ou por soberano

1891

fevereiro 12.06 d

" março ", abril

Marco

Franco

Ihamento.

Em janeiro

de os primeiros anos do Império:"Coffea

revelava a mesma situação de infe rioridade:

Nos primeiros meses de 1892 muito pior fôra o desequilíbrio, filho imediato das conseqüências do furacão do Ensí-

1892

280.665 o 439.091, e os pequenos sal-

cm papel a 45§048 rs. Mais uma vez se verificava o aforis mo relati\'0 a uma situação \'igcnte des

a situação cambial brasileira em rela ção ao dólar, ao franco, no marco, à lira.

19.78 d

" março

189.894 e 284.167 contos de

réis, nos dois milésimos, nos totais de

E naquela época eni que a.s grandes moedas viviam cm perfeita conjugação,

No biênio de 1890-1891, subira a sa-

ca-ouro a u'a média de £ 3,38, permi tindo a baixa cambial que se mercasse

Não fora o café haver contribuído com

Em 1891 de Il$9,50 a 2l$200

Em 1891 a depressão do mil-réis sc

Em janeiro

niostmssc muito agravado.

mente insuficiente para o manejo dos ne

As médias haviam sido:

que a média por saca chegara a i

A


I3ickstc» EcoNòMícrt. l5o

DicESTCí Ec<inómico

Pfíxoto com as do Irit-nío anlfrior, nes

Em abril

sa époc-a em que no Brasil existia ver

"

dadeira mística cambial. Não há con

" junliü

17.59

temporâneo de quem escreve estas li nhas que não se recorde quanto a opi nião pública nacional se alarmava com

** julho " agòslo

16.56

Nostc momento angustioso da vida fi nanceira do país, representou o café pa

dos da balança comercial (25.145 e 25.411 contos) teriam desaparecido pa

15.31

pel ab.soUilamente salvador. As collieilas

" selemljro

15.34

o declínio do câmbio sôbre Londres. Era

" outubro

14.41

.som os do triènio de 1884 a 1886, ein

o grande termômetro da situaç-ão finan

" novembro 12.96

de 1890 o 1891 Imviam sido pequenas. A 31 díí dezembro de 1891, o estoque mundial calculava-se eritrc um milhão o

ra, em seu lugar, surgirem considerá veis déficits. BasUwa que os preços fôs-

ceira do país a escala das altas do di

" dezembro 12.09

um miliião e cem mil sacas, absoluta

nu 268054, para que o desequilibrio se

17.69

maio

16..56

nheiro sobre o mil-réis.

Em 1888 — 25 1/4 d por mil-réis Em 1889 — 20 13/16 d por mil-réis Em 1890 — 26 5/8 d por mil-réis

A.ssim a média do ano fòra de 16.33.

gócios de tão vultoso comércio universal,

O .soberano o.scilara

dando para menos do consumo de dois meses.

Em 1889 de

8S780 a 10$00()

Em 1890 de

9$350 a 11$830

\

67,7 por cento da exportação nacional em 1890 c 64,7 cm 1891, respectiva mente

acentuara mês a mês.

As médias haviam sido:

" fevereiro

19.34 "

18.62 "

Dólar

1889

18900 a 28070

1890

1$930 a 2S40O 2$425 a 48360

1891

8342 a 8395 $369 a $407 $459 a §828

Ao .so instalar o Congresso Nacional,

a 3 dc maio, as cotações alinhadas pelo governo eram as mais desagradáveis, em confronto com a.s do ano anterior:

i"

Bmilix fxtlcnm".

12.30 d

19.78 d 19.34 d

Lira

$423 a

$483

$344 a S396

$455 a

$576

$370 a $471

$567 a 1$024

$462 a 8842

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1892

Em janeiro " fevereiro "

março

" abril

19$160 a 20.$780

19$720 a 20$700 208480 n 20$700

208580 a 21$4üO 1891

Em janeiro " fevereiro

11.75 d

18.62

março

11.50 d

17.69 d

abril

11$95Ü a 12$900 12$700 a 12$820 12$800 a 13S810 13$530 a 138900

. •>'"» • •

Vi^

ou por soberano

1891

fevereiro 12.06 d

" março ", abril

Marco

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de os primeiros anos do Império:"Coffea

revelava a mesma situação de infe rioridade:

Nos primeiros meses de 1892 muito pior fôra o desequilíbrio, filho imediato das conseqüências do furacão do Ensí-

1892

280.665 o 439.091, e os pequenos sal-

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A Sut América, a motor

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SEGUROS:

Piratininp

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^ 6^n> u(í.'i:n Burrotjrh,.

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Companhia Nacional de Se guros Gerais o Acidcnlcs do

Marílimos — Acidentes do Trabalho —

Trabalho.

Acidentes Pessoais — Responsabilidade Civil o Fidelidade.

CAPITAL E HESEHVAS:

TELEFONES:

Cr$ 16.922.006,70

Diretoria - Gerência - Contabilidade 4-7857 Seguros de Incêndio 4-7855 iUlflntQicA

Seguros de Ac. do Trabalho — Pes soais — Responsabilidade Civil e

Fidelidade Seguro de Transportes e Caixa

4-7856 4-2542

AV. 9 DE JULHO, 40

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4-7856

ANDARES: I3.0 e 14.o

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BANCO

DO

BRASIL

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RUA ÁLVARES PENTEADO N.o 112 SÃO

Da experiência continua de longos anos,

PAULO

repartições públicas, nos grandes escritó COBRANÇAS — DEPÓSITOS — EMPRÉSTIMOS — CÂMBIO •— CUSTÓDIA — ORDENS DE PAGAMENTO — CRÉDITOAGRÍCOLA E INDUSTRIAL — CARTEIRA DE FINANCIAMENTO.

TAXAS DAS CONTAS DE DEPÓSITO: Populares (limite de Cr$ 50.000,00)

Limitados (limite de Cr$ 100.000,00)

SÉM LIMITE

criou a única linha completa de máquinas

tornaram-se elemento üidispensãvel ao

progresso c expansão do comércio e ao

delos diferentes para uma enorme varie

bom andamento dos serviços públicos.

4% a.a.

Burroughs

3% a.a.

4% a.a.

Depósito de Aviso Prévio: 41/2% a.a. qq 4

lho cada vez mais volumoso de contabili dade, estatística, faturamento e íôlhas de pagamento, os Máquinas Burroughs

comerciais do mundo — mais de 400 mo

2% a. a.

Depósitos a Prazo Fixo: ^ 12 meses 5% a.a. 6 meses

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dade de serviços especializados. Facili tando,simplificando, apressando o traba

CIA. BURROUGHS DO BRASIL,INC.

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Contas a Prazo Fixo, com Pagamento mensal de Juros: 12 meses 4%% a.a. 6 meses 3^2% a.a.

RIe de Janeiro t Rna VU•onde de inhaúma, 134 ^

13.

andas

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Poissandú, 51 • Sobro'oju

AGENTES EM: Recife>Satvndor - Mnneus - Bcln IIo*

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T'"^.

o^Zídeé^

aymorè 4íííi/

não devem faltar os oporel/ios sanífórios SOUZA NOSCHESE

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SUMARIO Empobreceu a Inglaterra? — Richard Lewinsohn

Orçamento e oolitica financeira nacional — Horicio Lafer ,...

O# Planos do 'desenvolvimento da África — h. A. Costa Pinto

Manuloncâo da iniciativa particular — Roberto Pinto de Sousa

O problema atual das ciências econômicas e sociais — Djacir Menezes

Panorami econômico brasileiro — Bezerra dc Freitas

Bernardo Pereira de Vasconcelos — Afonso Arinos dc Melo Franco Gabriel de Rezende — Antonio Gontijo paixâô A crise do direito — Francisco Campos

52;V

^V/ '

â''c"'o^'lS1n.o.america„o da Co„.ércla Produtos brasUeiros no mercado internacional — P^o

Dorival Teixeira Vieira

O problema da circulação — Nelson Werneck Sodre Bôlsa: Termômetro da siluaçao econômica — Geraldo O. Banaskiwitz

Ainda a pecuária — Pimentel Gomes O estudo da economia rural no Brasil

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Roberto Bezerra de Menezes'

A dcuírina mercantilista — Arnóbio Graça . .. o, A propriedade da terra no Brasil colônia — Jose Artur Ktos Jornalismo na Independência — Otávio Tarquinio de Sousa •'•■vl

Caixa Postal/ 6-A

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