Skip to main content

DIGESTO ECONÔMICO, número 56, julho 1949

Page 1

Dl CESTO

Banco do Estado de São Paulo S. A. MATRIZ: SÃO PAULO

FRACA ANTÔNIO PRADO, 6 CAIXA POSTAL, 789 — END. TELEGR. "BANESPA" AGÊNCIAS: Amparo — Andradina — Araçatuba — Araraquara —

ECONdMICO

Alibáia — Avaré.— Barretes — Batatais —Baurú — Bolucatu —

Brás (Capital) — Caçapava — Campinas — Campo Grande (Mato Grosso) — Catanduva — Franca — Ibitinga — Itapetininga — Ilúverava — Jeiboticabal — Jaú — Jundiax — Limeira — Lins —

Marília — Mirassol — Mogi Mirim — Novo Horizonte — Olím

pia — Ourinhos — Palmital — Piracicaba — Pirajuí — Pirassununga — Presidente Prudente — Quatá •— Registro — Ribei rão Preto — Sto. Anastácio — S. Carlos —

S. João da Boa

Vista — S. Joaquim da Barra — S. José do Rio Pardo — São Jo

I SOB OS auspícios oa ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE SÃO PAULO E oa FEDERAÇÃO 00 COMERCIO DO ESTADO DE SÃO PAULO

sé do Rio Prêío — S. Simâo — Santos — Tanabi — Tietê — Tupan.

DEPÓSITOS — EMPRÉSTIMOS — CÂMBIO — COBRANÇAS — TRANSFERÊNCIAS — TÍTULOS — AS MELHORES TAXAS — AS MELHORES CONDIÇÕES — SERVIÇO RÁPIDO E EFICIENTE.

SUMARIO Pág. 9

Conferência do Araxá — Temário J A planiíicação da impostura — Roland Corbisier

19 25

ff para um melhor aproveitamento dos recursos naturais — S. Fróes de Abreu

31

*0 Estado como freguês — L. A, Costa Pinto

posição dos Estados Unidos em face da crise cambial — Roberto Pinto de Sousa

IRMÃOS

cTproblema do inquilinato — Eduardo Duvivier

ABOUCHAR

^/Relações entre o capital das empresas e a instabilidade monetéria ^

\

— Djacir Menezes

O sistema tributário do Brasil — Paul Hugon

LTDA. Praça Júlio Mesquita, 64-96-102 Sao Paulo

Pneus e Câmaras de Ar de todas as marcas. —

Rodas para Autos e Ca minhões. — Recautchu-

tagem, Vulcanisação e

José de Alencar e o Tribunal de Contas — Deolindo Amorim Comío 6 a correlação dos fenômenos sociais — Lvan Lins Oportunismo político — Otávio Tarquínio de Sousa -A O orçamento público ao alcance de todos — Guilherme Moojen

Õ

E

S

•

O comércio terrestre e fluvial da capitania de São Paulo, em Afonso 1801 — de

T RATORES —

I

93

98 103 ui

economia do trabalho — Cândido Mota Filho

Especialistas em

V

73 79

Rui, estudante — Antônio Gontljo do Carvalho ..

Pneus para: A

."".'"V.'/-

líoçõcs gerais sôbre o imposto — José Luiz de Almeida Nogueira Pòrto

O deserto da formiga — Barros Ferreira .

Consertos:

53

produtos brasileiros no mercado internacional — Dorival Teixeira Vieira O tratado de Mothuen — Nelson Werneck Sodré

FONE: 4-0124

38 47

—

ETC. N.o 56 — JULHO DE 1949

Taunay 121


o DIGESTO ECONOMICO ESTA A

VENDA

nos principais pontos cie jornais no Bia.sü. íkj i>iei;t) do Ci"$ 5,00. Os nossos agentes da relação abaixo estão aptos a suprir qualquer

encomenda, bem como a receber pedidos de assinaturas, ao preço de CrS 50,00 anuais.

Vtonosa! O cárter do seu mofor

Díese/ porece "feifo de enco

menda" para que nele se for mem depósitos e bôrra... O ó/oo, so/picodo ao escopor dos mancais dos bielas, forma

Agente Geral para o Brasil FERNANDO CHINAGLIA

Avenida Presidente Vargas. 502. 19.o andu

uma névoa em ínfimo contado

Rio de Janeiro

com o or, vapor dágua o gases Alagoas; Manuel Espíndola, Praça Pe

Poraná: J. GhiaRnone. Rua 15 de No

dro II. 49, Maceió.

vembro. 423. Curitiba.

Amazonas: Agência Freitas. Rua Joa

Pernambuco:

quim Sarmento, 29, Manaus.

Bahia: Alfredo J. de Souza & Cia,, R. Saldanha da Gama, 6. Salvador.

Ceará: J. Alaor de Albuquerque Sz Cia. Praça do Ferreira, 621, Fortaleza.

Espírito Santo: Viuva Copolilo & Fi lhos. Rua Jerónimo Monteiro 3G1 Vitória,

Goiânia.

Livraria Universal. Rua

João Lisboa, 114, São Luiz. Mato

Fernando

Grosso: Carvalho, Pinheiro

Os Gargoyle D.T.E. Oils

Chinaglla.

Rua do Imperador. 221, 3 o andar.

Nos. 3, 4 e 5 foram feifos

Recife.

poro resisfir ò oxidoçôo, man

Piauí: Cláudio M

Tole, Teresina.

Rio de Janeiro: Fornaiido Chinaglia. Av Presidente Vargas. 502. 19,o andar.

tendo o cárler ümpo e os con-

dufos de ó/eo desimpedidos. No zona dos anéis, evifam o ocúmu/o de carvão

Rio

Grande do

Norte: Luís Rum5o

Avenida Tavares Lira. 48. Natal.

Goiás: João Manarlnn. Rua Setenta A. Maranhão:

quenfes do combus/ôo-condições ideoís para ser oxidado.

Rio Grande do Sul: Sòmrnte para Por to AUgre: Octavio Sagrhin. Rua 7 cio Setcmljrn, 789, Porto Aleere Para locais fora dc Porto Alegre Fernando Ciiinaglia, R. do Janeiro

duro

e

gomosidades, ao posso que suas ricos propriedodes fubrificontes, conservadas por fongo tempo, proporcionam máxi-

■ ma proteção contra o desgosfe.

&

Cia., Pça. da República, 20, Cuiabá.

Santa Catarina: Pedro Xavier & Cia

Avenida dos Andradas, 330. Belo Horizonte.

Pará: Albano H. Martins & Cia., Tra vessa Campos Sales, 85/89, Belém. Paraíba: Loja das Revistas. Rua Ba rão do Triunfo, 510-A. João Pessoa

Lubrificantes

Rua Felipe Schmidt. 8. Florionóp.

Minas Gerais: Joaquim Moss Velloso.

São Paulo: A Intelectual. Ltcia.. Via duto Santa Efigênia, 281, S. Paulo. Sergipe: Liviaria

Hc-Cina

Ltda., Rua

João Pessoa, 137, Aracaju. Território do Acre: Diògenes de Oli veira, Rio Branco.

0 Concessionária:

CIA. MATE

^ S. Paulo - Rua Brigadeiro Tobias, 356 •Santos - Rua Itororó, 71 Curitiba - Rua Cruz Machado, 12- 1.° and.


o DIGESTO ECONOMICO ESTA A

VENDA

nos principais pontos cie jornais no Bia.sü. íkj i>iei;t) do Ci"$ 5,00. Os nossos agentes da relação abaixo estão aptos a suprir qualquer

encomenda, bem como a receber pedidos de assinaturas, ao preço de CrS 50,00 anuais.

Vtonosa! O cárter do seu mofor

Díese/ porece "feifo de enco

menda" para que nele se for mem depósitos e bôrra... O ó/oo, so/picodo ao escopor dos mancais dos bielas, forma

Agente Geral para o Brasil FERNANDO CHINAGLIA

Avenida Presidente Vargas. 502. 19.o andu

uma névoa em ínfimo contado

Rio de Janeiro

com o or, vapor dágua o gases Alagoas; Manuel Espíndola, Praça Pe

Poraná: J. GhiaRnone. Rua 15 de No

dro II. 49, Maceió.

vembro. 423. Curitiba.

Amazonas: Agência Freitas. Rua Joa

Pernambuco:

quim Sarmento, 29, Manaus.

Bahia: Alfredo J. de Souza & Cia,, R. Saldanha da Gama, 6. Salvador.

Ceará: J. Alaor de Albuquerque Sz Cia. Praça do Ferreira, 621, Fortaleza.

Espírito Santo: Viuva Copolilo & Fi lhos. Rua Jerónimo Monteiro 3G1 Vitória,

Goiânia.

Livraria Universal. Rua

João Lisboa, 114, São Luiz. Mato

Fernando

Grosso: Carvalho, Pinheiro

Os Gargoyle D.T.E. Oils

Chinaglla.

Rua do Imperador. 221, 3 o andar.

Nos. 3, 4 e 5 foram feifos

Recife.

poro resisfir ò oxidoçôo, man

Piauí: Cláudio M

Tole, Teresina.

Rio de Janeiro: Fornaiido Chinaglia. Av Presidente Vargas. 502. 19,o andar.

tendo o cárler ümpo e os con-

dufos de ó/eo desimpedidos. No zona dos anéis, evifam o ocúmu/o de carvão

Rio

Grande do

Norte: Luís Rum5o

Avenida Tavares Lira. 48. Natal.

Goiás: João Manarlnn. Rua Setenta A. Maranhão:

quenfes do combus/ôo-condições ideoís para ser oxidado.

Rio Grande do Sul: Sòmrnte para Por to AUgre: Octavio Sagrhin. Rua 7 cio Setcmljrn, 789, Porto Aleere Para locais fora dc Porto Alegre Fernando Ciiinaglia, R. do Janeiro

duro

e

gomosidades, ao posso que suas ricos propriedodes fubrificontes, conservadas por fongo tempo, proporcionam máxi-

■ ma proteção contra o desgosfe.

&

Cia., Pça. da República, 20, Cuiabá.

Santa Catarina: Pedro Xavier & Cia

Avenida dos Andradas, 330. Belo Horizonte.

Pará: Albano H. Martins & Cia., Tra vessa Campos Sales, 85/89, Belém. Paraíba: Loja das Revistas. Rua Ba rão do Triunfo, 510-A. João Pessoa

Lubrificantes

Rua Felipe Schmidt. 8. Florionóp.

Minas Gerais: Joaquim Moss Velloso.

São Paulo: A Intelectual. Ltcia.. Via duto Santa Efigênia, 281, S. Paulo. Sergipe: Liviaria

Hc-Cina

Ltda., Rua

João Pessoa, 137, Aracaju. Território do Acre: Diògenes de Oli veira, Rio Branco.

0 Concessionária:

CIA. MATE

^ S. Paulo - Rua Brigadeiro Tobias, 356 •Santos - Rua Itororó, 71 Curitiba - Rua Cruz Machado, 12- 1.° and.


■1" A

Piratininga

REMIIVGTOIV

SEGUROS:

t or condicionado - ° proporciona: fiww Ul»'" VlUMWt»"'

Incêndio — Tremspories Terrestres e

Companhia Nacional de Se guros Gerais e Acidenles do

Marítimos — Acidentes do Trabalho —

Trabalho.

Acidentes Pessoais — Responsabilidade Civil e Fidelidade.

CAPITAL

E

durante todo o

RESERVAS:

TELEFONES:

CrS 16.922.006,70

Diretoria - Gerência - Contabilidade

4-7857

Seguros de Incêndio

4-7855

Seguros de Ac. do Trabalho — Pes soais — Responsabilidade Civil c Fidelidade

Sede: R. Xavier de Toledo, 14

SÃO PAULO ,

4-785C

Seguros de Transportes e Caixa Ambulatório e Serviço Médico

4-2542 4-785G

Departamento Legal

4-154G

AZULEJOS, LADRILHOS, TELHAS.

■;

ARTIGOS SANITÁRIOS, ETC.

VOLTAGENS: 110 ou 220 volts.

ÍSAAC V.

PREÇO: Cr$ 19.500/00 com facilidade de pagamento.

FRAT^CO

Alguns possuidores:

VASP S.A. - BANCO DE S. PAULO S. A. - PRINTAL LTDA. CIA. JARDIM DE CAFÉS FINOS E PROD. ALIMENTICIOS.

MATERIAIS PARA CONSTRUÇÕES

Distribuidores exclusivos: Fone. 4-2039 — Caixa Postal, 5926

rua OLINDA N.o 162

CASSIO MüNIZ S. A.

SÃO PAULO

IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO - Praça da República, 309 - Fone•A|.4-7141 Pmmaii ■ÍêL^


■1" A

Piratininga

REMIIVGTOIV

SEGUROS:

t or condicionado - ° proporciona: fiww Ul»'" VlUMWt»"'

Incêndio — Tremspories Terrestres e

Companhia Nacional de Se guros Gerais e Acidenles do

Marítimos — Acidentes do Trabalho —

Trabalho.

Acidentes Pessoais — Responsabilidade Civil e Fidelidade.

CAPITAL

E

durante todo o

RESERVAS:

TELEFONES:

CrS 16.922.006,70

Diretoria - Gerência - Contabilidade

4-7857

Seguros de Incêndio

4-7855

Seguros de Ac. do Trabalho — Pes soais — Responsabilidade Civil c Fidelidade

Sede: R. Xavier de Toledo, 14

SÃO PAULO ,

4-785C

Seguros de Transportes e Caixa Ambulatório e Serviço Médico

4-2542 4-785G

Departamento Legal

4-154G

AZULEJOS, LADRILHOS, TELHAS.

■;

ARTIGOS SANITÁRIOS, ETC.

VOLTAGENS: 110 ou 220 volts.

ÍSAAC V.

PREÇO: Cr$ 19.500/00 com facilidade de pagamento.

FRAT^CO

Alguns possuidores:

VASP S.A. - BANCO DE S. PAULO S. A. - PRINTAL LTDA. CIA. JARDIM DE CAFÉS FINOS E PROD. ALIMENTICIOS.

MATERIAIS PARA CONSTRUÇÕES

Distribuidores exclusivos: Fone. 4-2039 — Caixa Postal, 5926

rua OLINDA N.o 162

CASSIO MüNIZ S. A.

SÃO PAULO

IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO - Praça da República, 309 - Fone•A|.4-7141 Pmmaii ■ÍêL^


IRMÃOS

Entre os oleos nacionaes

ABOUCHAR LTDA. Praça Julío Mesquita, 64-96-102

FONE: 4-0124 São Paulo

Pneus e Câmaras de Ar de Iodas as marcas. —

Rodas para Auíos e Ca minhões. — Hecautchu-

tagem, Vulcanisação e Consertos:

Especialistas em

está conquistdndo ã prefe

Pneus para:

renciâ de todds ds donds

TRATORES — AV I ÕES — ETC.

de casã, o

A SEMENTEIRA DE

NASCIMENTO & COSTA. LTDA.

Importadores e distribuidores, de se mentes de orlaliças e flores dos

SEMENTES

melhores cultivadores.

MARCA REGISTRADA

utilizd ã$ altas

[qualidades nutritivas do óleo de amendoim e arrescenta-lhes, gra

das á refinarão e desodoriza^óo (íentiíka, por um processo espe

cial, um sabor tradicio nal de agrado ao.paiadar brasileiro. "Yandi" é extrema

mente economico e de

VENDAS POR ATACADO E VAREJO Remessas pelo reembolso postal. LARGO GENERAL OSORIO, 25 — TELEFONE: 4-5271

End. Telegr.: "SEMENTEIRA"

SÃO PAULO

fácil digestão.


IRMÃOS

Entre os oleos nacionaes

ABOUCHAR LTDA. Praça Julío Mesquita, 64-96-102

FONE: 4-0124 São Paulo

Pneus e Câmaras de Ar de Iodas as marcas. —

Rodas para Auíos e Ca minhões. — Hecautchu-

tagem, Vulcanisação e Consertos:

Especialistas em

está conquistdndo ã prefe

Pneus para:

renciâ de todds ds donds

TRATORES — AV I ÕES — ETC.

de casã, o

A SEMENTEIRA DE

NASCIMENTO & COSTA. LTDA.

Importadores e distribuidores, de se mentes de orlaliças e flores dos

SEMENTES

melhores cultivadores.

MARCA REGISTRADA

utilizd ã$ altas

[qualidades nutritivas do óleo de amendoim e arrescenta-lhes, gra

das á refinarão e desodoriza^óo (íentiíka, por um processo espe

cial, um sabor tradicio nal de agrado ao.paiadar brasileiro. "Yandi" é extrema

mente economico e de

VENDAS POR ATACADO E VAREJO Remessas pelo reembolso postal. LARGO GENERAL OSORIO, 25 — TELEFONE: 4-5271

End. Telegr.: "SEMENTEIRA"

SÃO PAULO

fácil digestão.


DEPOSITÁRIO DE ARTIGOS PARA PINTURA FUNDfíDO SM >9£Z

CMILIO MOLt.ef9 ü| RUR U05E OOniFRCIO-H**

9f>ffULOBRffSIL

SECÇÃO artística E PAPELARIA SECÇÃO DE PINTURA SECCÃO DE PINCÉIS TELEFONE: 2-1285 — CAIXA POSTAL: 2870

■tea

PORTO

UM CIGARRO DE LUXO

TIPO AMERICANO

PRODUTO

SUDAN S/A Sj

S

ADRIANO V* Mí»


DEPOSITÁRIO DE ARTIGOS PARA PINTURA FUNDfíDO SM >9£Z

CMILIO MOLt.ef9 ü| RUR U05E OOniFRCIO-H**

9f>ffULOBRffSIL

SECÇÃO artística E PAPELARIA SECÇÃO DE PINTURA SECCÃO DE PINCÉIS TELEFONE: 2-1285 — CAIXA POSTAL: 2870

■tea

PORTO

UM CIGARRO DE LUXO

TIPO AMERICANO

PRODUTO

SUDAN S/A Sj

S

ADRIANO V* Mí»


DIlim EC0!té3IIC0

Conferência de Araxd

t MUMQO OQS HLCOCIOS NUM PINORIMI HíHSIl

Tomárlo

Publicado (ob 0( auip/cíoi do

Observações preliminares

HSSOCinCAO COMERCIBLDE S&O PAULO

. agrícola; programa de conser\'a-

ir

FEDERACtO 00 COMtRCIO DO

STE temário vjsa orientar os

debates

ESIADO DE SAO PAULO

Dlrelor superintendonto: Marllm Affonso Xavier da Silveira

O Digcsto Ecoiióiuico publicará no próximo número:

Diretor;

Anlonio Goniijo de Carvalho

TEMAS E PROBLEMAS EM DEBATE O Digeslo Econômico, órg&o de in

- Dario de Almeida Magalhães.

tui iii*.,oca ccuuuiiiiuas e iniaiicei-

HISTÓRIA ECONÔMICA - Afonso Arínos de Melo Franco.

A direção nâo se responsabiliza pelos aadus cujas Xouies estejam aeviaaixieuie citadas, nem pelos conceitos eimuaoa em artigos assi nados.

Na transcrição de arUgos pede-se citar

o

Dome

do

Digeajo

Eceoomlco.

mantendo-os sempre numa linha de objetividade cora a apresentação dos pro blemas mais oportunos sô-

RUI BARBOSA E A ABOLIÇÃO DOS' ESCRAVOS — Homero Pires

O TRATADO DE METHUEN - Nelson Werneck

sileira, e evitando que a Conferência se extravie em discussões e explanações pu

Pimentel Gomes.

Em todos os itens está implícita gran enunciado desperta. Espera-se especia'mente dos Sr.s. Delegados a apresen tação dos mais importantes casos da comum à medida do estudo dos proble mas nacionais com êles relacionados.

1.® Secção — Agricultura — Produção Agropecuária

ASSINATURAS:

Cr? 50.00

(registrado)

Número do mes: Atrasado:

Crd Stí.Cü

Cr? 5,DO Cr? 8,00

♦

Redação e Administração: Viaduto Boa Vista, 67 - 7.o andar IsL 3-7499 — Caixa Postal. 240-B São Paulo

de

abastecimento

de

mercados; — medidas de estímulo

à produção, de conservação e trans porte.

2 _ Financiamento das safras e garantia de preços; seguros rurais. 3 — Problemas da pecuária; conserva ção dos rebanhos, transporte e fi

Digesto Economico

nanciamento

★

7 — Industrialização dos produtos e dos subprodutos da agropecuária.

8 — Propriedade da terra; cadastro loiral-, código rural. Comentários

1. Trata o item n.'' 1 do abastecimen

ramente doutrinárias.

Sodré.

Aceita-se intercâmbio com publi

çâo do so^o.

bre os diversos setores da economia bra

1 — Problemas

Ano (simples)

Comissões,

economia regional, para o exame cm

PAPEL E POLPA DE MADEIRA — cações cungeneres nacionais e es trangeiras.

nas

de cópia de assuntos, que o próprio

ras, e puuiiuauu uiunactimetiie pela biUilura Coiuciciai i^iua.

e — Assistência técnica e mecanização

em

benefício

dos

criadores.

to de gêneros alimentícios aos merca dos consumidores nacionais, e ntais es

pecialmente aos das cidades. Engloba 2 " problemas: o de emergência, referente à escassez atual, e o do abastecimento

norma\ passado êste período de dificuldades. Os gêneros a que se refere são,

.de preferência, os de produção nacional: 1^^ camc, trigo, leite, manteiga, ovos, legu mes, anoz, feijão, batatas, milho, fari nha de mandioca, frutas, açúcar etc.

Os problemas de abastecimento abran gem todo o ciclo, da produção até a distribuição ao consumidor.

Quanto ao aspecto de emergencia, o .objetivo da Conferência é responder às seguintes perguntas: — Quais as causas da escas.'^ez de tal ou qual genero? — Como corrigi-'a? 2. Intimamente ligada a essas pergun

tas. surge a questão do estímulo a pro dução. Esta pode ser deficiente ou mal distribuída. . Em qualquer dos casos,

4 — Habitação e saneamento rura'; ali mentação da população rural.

os produtores encontram nos preços su

5 — Problemas de assistência social e de

ficiente remuneração: nu os ameaça a

educação profissional da população rural.

^

diversas serão as causas. Nem sempre

insegurança na e,stabiiidade do mercado; ou são desestimulados pelos preços dc


DIlim EC0!té3IIC0

Conferência de Araxd

t MUMQO OQS HLCOCIOS NUM PINORIMI HíHSIl

Tomárlo

Publicado (ob 0( auip/cíoi do

Observações preliminares

HSSOCinCAO COMERCIBLDE S&O PAULO

. agrícola; programa de conser\'a-

ir

FEDERACtO 00 COMtRCIO DO

STE temário vjsa orientar os

debates

ESIADO DE SAO PAULO

Dlrelor superintendonto: Marllm Affonso Xavier da Silveira

O Digcsto Ecoiióiuico publicará no próximo número:

Diretor;

Anlonio Goniijo de Carvalho

TEMAS E PROBLEMAS EM DEBATE O Digeslo Econômico, órg&o de in

- Dario de Almeida Magalhães.

tui iii*.,oca ccuuuiiiiuas e iniaiicei-

HISTÓRIA ECONÔMICA - Afonso Arínos de Melo Franco.

A direção nâo se responsabiliza pelos aadus cujas Xouies estejam aeviaaixieuie citadas, nem pelos conceitos eimuaoa em artigos assi nados.

Na transcrição de arUgos pede-se citar

o

Dome

do

Digeajo

Eceoomlco.

mantendo-os sempre numa linha de objetividade cora a apresentação dos pro blemas mais oportunos sô-

RUI BARBOSA E A ABOLIÇÃO DOS' ESCRAVOS — Homero Pires

O TRATADO DE METHUEN - Nelson Werneck

sileira, e evitando que a Conferência se extravie em discussões e explanações pu

Pimentel Gomes.

Em todos os itens está implícita gran enunciado desperta. Espera-se especia'mente dos Sr.s. Delegados a apresen tação dos mais importantes casos da comum à medida do estudo dos proble mas nacionais com êles relacionados.

1.® Secção — Agricultura — Produção Agropecuária

ASSINATURAS:

Cr? 50.00

(registrado)

Número do mes: Atrasado:

Crd Stí.Cü

Cr? 5,DO Cr? 8,00

♦

Redação e Administração: Viaduto Boa Vista, 67 - 7.o andar IsL 3-7499 — Caixa Postal. 240-B São Paulo

de

abastecimento

de

mercados; — medidas de estímulo

à produção, de conservação e trans porte.

2 _ Financiamento das safras e garantia de preços; seguros rurais. 3 — Problemas da pecuária; conserva ção dos rebanhos, transporte e fi

Digesto Economico

nanciamento

★

7 — Industrialização dos produtos e dos subprodutos da agropecuária.

8 — Propriedade da terra; cadastro loiral-, código rural. Comentários

1. Trata o item n.'' 1 do abastecimen

ramente doutrinárias.

Sodré.

Aceita-se intercâmbio com publi

çâo do so^o.

bre os diversos setores da economia bra

1 — Problemas

Ano (simples)

Comissões,

economia regional, para o exame cm

PAPEL E POLPA DE MADEIRA — cações cungeneres nacionais e es trangeiras.

nas

de cópia de assuntos, que o próprio

ras, e puuiiuauu uiunactimetiie pela biUilura Coiuciciai i^iua.

e — Assistência técnica e mecanização

em

benefício

dos

criadores.

to de gêneros alimentícios aos merca dos consumidores nacionais, e ntais es

pecialmente aos das cidades. Engloba 2 " problemas: o de emergência, referente à escassez atual, e o do abastecimento

norma\ passado êste período de dificuldades. Os gêneros a que se refere são,

.de preferência, os de produção nacional: 1^^ camc, trigo, leite, manteiga, ovos, legu mes, anoz, feijão, batatas, milho, fari nha de mandioca, frutas, açúcar etc.

Os problemas de abastecimento abran gem todo o ciclo, da produção até a distribuição ao consumidor.

Quanto ao aspecto de emergencia, o .objetivo da Conferência é responder às seguintes perguntas: — Quais as causas da escas.'^ez de tal ou qual genero? — Como corrigi-'a? 2. Intimamente ligada a essas pergun

tas. surge a questão do estímulo a pro dução. Esta pode ser deficiente ou mal distribuída. . Em qualquer dos casos,

4 — Habitação e saneamento rura'; ali mentação da população rural.

os produtores encontram nos preços su

5 — Problemas de assistência social e de

ficiente remuneração: nu os ameaça a

educação profissional da população rural.

^

diversas serão as causas. Nem sempre

insegurança na e,stabiiidade do mercado; ou são desestimulados pelos preços dc


TT-

Diciisro Econóaoco

10

tabelamento; ou pe'a csca-^sez ou íirejnilaridade dos transportes; ou pela falta

6. Por fim, para completar a seleção dos aspectos da produção agrícola, há

de sementes, mão-de-obra, adubos, as sistência técnica, meios de acondiciona-

necessidade de uma consideração espe

cial das formas de propriedade da terra,

mento e de conservação.

da .situação lega' das fazendas, da deter

3.

Em tempo.s normais, variadas serão

as medidas a tomar para garantir o abas tecimento. Entre elas, a do aproveita mento de zonas que, mediante certas providências, poderão vantajo-samente

minação dc suas linhas divisórias, da documentação regular, da formação do cadastro imobiliário

— sem o

seria possí\cl fundar em bases sãs o

crédito a médio c a longo prazo.

abastecer os mercados consumidores. Em

meio aos obstáculo.s

que

encontra

o

abastecimento, quer na fase atual de escassez, quer em período.s normais, des taca-se o da precariedade do crédito

rural. Eis porque, embora essa inoda^'dade de crédito seja abordada na 4.^ Secção, as medidas de financia

mento das safras, as de garantia de preços, e bem assim os se guros rurais, são objeto do se

gundo item da 1.» Secgüo, na

função que lhes é própria dc es timular a produção.

4.

Carecendo os problemas da

pecuária de ser considerados em separado, para o exame dos diversos casos que preocupam os criadores ó're servado o 3.° item.

Em seguida, tratam os itens 4 e 5 do

2.''' Secção — Produção Imhislrial senvolvimento industria'.

adiuini.slração.

aproveitamento dos recur sos regionais.

4 - Que.-tões de sa'ário. de as siduidade e de estabilidade da mão-de-obra.

5 ~ Industrialização dos produ tos primários.

6 - Desenvolvimento da indús tria da pesca. Indústrias extrativas.

aspecto mais social do setor da agrope cuária. Cada região tem seus proble mas de habitação, de aMmentação, de

saneamento, de educação profissional. O exame em comum das peculiaridude.s

locais facilitará as sugestões das quais poderão provir as soluções adequadas.

Energia,

Comentários

1. Através dos oito pontos fixados nes sa 2.® Secção, procurará a II Conferên

cia das Classes Produtoras abordar os problemas principais relacionados com o aperfeiçoamento e o desenvolvimento de

5. Em seguimento à assistência social, vem o problema da assistência técnica

nossa produção industrial.

e o da conservação do solo e dos recur

reeqiiipamcnto,

sos naturais exaiiríveis.

O item 7 focahza o problema da pri meira transformação "in loco" dos pro

dutos agropecuários, atividade essa, era regra, complementar à economia rural.

da

3 - Localização das indústrias,

Cnmbu.stívei.s.

Não se pode negar a necessidade de

cie

maquinaria nova,

para um meMior aparelhamento do par que mamifíiturciro do país, não apenas

para reparar o desgaste dos últimos anos, mas para aumentar a eficiência das

indústria.s já instalada.s.

V

Dicesto Ecokómicü

mento lógico, o aparelhamento mecânico exige naturalmente a racionalização do

5. Como desenvolver, em especial, a industrialização dos produtos primários,

trabalho e o conseqüente aperfeiçoa

e mais particularmente os destinados à LWportação? Essa é uma questão que

mento da

Como complc-

administração

das

fábricas,

dois aspectos dc fundamenta! inqwrlun-

tem constituído uma das diretrizes das

cia para a melhoria da produtividade

classes produtoras, quando seus repre sentantes participam de acordos inter

das empresas.

Quanto ao desenvolvi

mento industrial do país, aspiração na

nacionais.

tural para nosso avanço econômico, será objeto de consideração especial no 1."^

6.

item.

das indústrias extrativas.

2.

1 — Problenia.s de recciuipamenlo e de 2 — Racionalizíição do trabalho

■v^M

Outro ponto a ser estudado é o da

localização das indústrias.

A descentra

lização de ccrta.s indústrias, pc\a insta lação de fábricas no.s locais mais próxi mos das malérias-piinias, pode ser acon

selhável não só para melhor rendimen

to no apro\'citaracnlo dos recursos na turais e da inão-dc-obra, como para criar

atividades

em

zonas

economica

mente fracas e assim valorizar di\'ersas

regiões brasileiras. 3.

se debate com a.s questões ligadas ao

seu operariado. Como manter salários altos sem a correspondente produtivida de da mão-de-obra? Quais as mcdida.s a serem sugeridas e adotada.s para assegurar-sc mais completa assiduidade dos trabalhadores aos seus locais de ativi

O problema da estabilidade do

trabaMiador, em face da legislação tra balhista, terá de ser apreciado sob seu.

aspecto econômico e social. 4. Resta saber com que elementos de

verão contar as indústrias já instaladas e as que virão a sê-lo, para que se desenvolvam normalmente.

Do mesmo

modo, como orientar a política tributá ria, e especialmente os direitos de im portação, numa fórmula de equilíbrio para que a proteção alfandegáiia se faça iio sentido do desenvolvimento indus trial, sem criar futuros óbices ã econo

mia do país? -aí - í_ -A

Por fim, o

problema que encerra êsse capítulo é a chave de todo o nosso desenvolvimento industrial: combustíveis e energia.

3." Secção — Circaldção c Tramporíe

1 _ MeMiommentos rodoviários, amplia

ção da rede nacional, conservação das rias e.xistentes.

2 - Ligações ferroviárias, reequipaniento das estradas de ferro.

De outro lado, a indústria nacional

dade?

Foram dedicados dois itens aos ca

sos particulares da indústria da pesca e

3 - Ampliação da navegação de cabo

tagem, portos nacionais, reapareIhamento do material flutuante; na-

\egação fluvial e lacustre. 4 - Problemas da frota brasileira no comércio internacional.

5 — Linhas aéreas, aeroportos, amplia ção e melhoramento dos seiviços da aviação comercial.

6 — Coordenação dos transportes, bara teamento dos fretes, racionaliza

ção dos serx iços, padronização do matèrial.

7 — Dificuldades

portuárias,

defesa

contra oxtiavios, roubos e deterio rações. Comenídriüs

1. Não desconhecem as c'asses produ toras a existência dos planos de trans

porto elaborados pelos departamentos


TT-

Diciisro Econóaoco

10

tabelamento; ou pe'a csca-^sez ou íirejnilaridade dos transportes; ou pela falta

6. Por fim, para completar a seleção dos aspectos da produção agrícola, há

de sementes, mão-de-obra, adubos, as sistência técnica, meios de acondiciona-

necessidade de uma consideração espe

cial das formas de propriedade da terra,

mento e de conservação.

da .situação lega' das fazendas, da deter

3.

Em tempo.s normais, variadas serão

as medidas a tomar para garantir o abas tecimento. Entre elas, a do aproveita mento de zonas que, mediante certas providências, poderão vantajo-samente

minação dc suas linhas divisórias, da documentação regular, da formação do cadastro imobiliário

— sem o

seria possí\cl fundar em bases sãs o

crédito a médio c a longo prazo.

abastecer os mercados consumidores. Em

meio aos obstáculo.s

que

encontra

o

abastecimento, quer na fase atual de escassez, quer em período.s normais, des taca-se o da precariedade do crédito

rural. Eis porque, embora essa inoda^'dade de crédito seja abordada na 4.^ Secção, as medidas de financia

mento das safras, as de garantia de preços, e bem assim os se guros rurais, são objeto do se

gundo item da 1.» Secgüo, na

função que lhes é própria dc es timular a produção.

4.

Carecendo os problemas da

pecuária de ser considerados em separado, para o exame dos diversos casos que preocupam os criadores ó're servado o 3.° item.

Em seguida, tratam os itens 4 e 5 do

2.''' Secção — Produção Imhislrial senvolvimento industria'.

adiuini.slração.

aproveitamento dos recur sos regionais.

4 - Que.-tões de sa'ário. de as siduidade e de estabilidade da mão-de-obra.

5 ~ Industrialização dos produ tos primários.

6 - Desenvolvimento da indús tria da pesca. Indústrias extrativas.

aspecto mais social do setor da agrope cuária. Cada região tem seus proble mas de habitação, de aMmentação, de

saneamento, de educação profissional. O exame em comum das peculiaridude.s

locais facilitará as sugestões das quais poderão provir as soluções adequadas.

Energia,

Comentários

1. Através dos oito pontos fixados nes sa 2.® Secção, procurará a II Conferên

cia das Classes Produtoras abordar os problemas principais relacionados com o aperfeiçoamento e o desenvolvimento de

5. Em seguimento à assistência social, vem o problema da assistência técnica

nossa produção industrial.

e o da conservação do solo e dos recur

reeqiiipamcnto,

sos naturais exaiiríveis.

O item 7 focahza o problema da pri meira transformação "in loco" dos pro

dutos agropecuários, atividade essa, era regra, complementar à economia rural.

da

3 - Localização das indústrias,

Cnmbu.stívei.s.

Não se pode negar a necessidade de

cie

maquinaria nova,

para um meMior aparelhamento do par que mamifíiturciro do país, não apenas

para reparar o desgaste dos últimos anos, mas para aumentar a eficiência das

indústria.s já instalada.s.

V

Dicesto Ecokómicü

mento lógico, o aparelhamento mecânico exige naturalmente a racionalização do

5. Como desenvolver, em especial, a industrialização dos produtos primários,

trabalho e o conseqüente aperfeiçoa

e mais particularmente os destinados à LWportação? Essa é uma questão que

mento da

Como complc-

administração

das

fábricas,

dois aspectos dc fundamenta! inqwrlun-

tem constituído uma das diretrizes das

cia para a melhoria da produtividade

classes produtoras, quando seus repre sentantes participam de acordos inter

das empresas.

Quanto ao desenvolvi

mento industrial do país, aspiração na

nacionais.

tural para nosso avanço econômico, será objeto de consideração especial no 1."^

6.

item.

das indústrias extrativas.

2.

1 — Problenia.s de recciuipamenlo e de 2 — Racionalizíição do trabalho

■v^M

Outro ponto a ser estudado é o da

localização das indústrias.

A descentra

lização de ccrta.s indústrias, pc\a insta lação de fábricas no.s locais mais próxi mos das malérias-piinias, pode ser acon

selhável não só para melhor rendimen

to no apro\'citaracnlo dos recursos na turais e da inão-dc-obra, como para criar

atividades

em

zonas

economica

mente fracas e assim valorizar di\'ersas

regiões brasileiras. 3.

se debate com a.s questões ligadas ao

seu operariado. Como manter salários altos sem a correspondente produtivida de da mão-de-obra? Quais as mcdida.s a serem sugeridas e adotada.s para assegurar-sc mais completa assiduidade dos trabalhadores aos seus locais de ativi

O problema da estabilidade do

trabaMiador, em face da legislação tra balhista, terá de ser apreciado sob seu.

aspecto econômico e social. 4. Resta saber com que elementos de

verão contar as indústrias já instaladas e as que virão a sê-lo, para que se desenvolvam normalmente.

Do mesmo

modo, como orientar a política tributá ria, e especialmente os direitos de im portação, numa fórmula de equilíbrio para que a proteção alfandegáiia se faça iio sentido do desenvolvimento indus trial, sem criar futuros óbices ã econo

mia do país? -aí - í_ -A

Por fim, o

problema que encerra êsse capítulo é a chave de todo o nosso desenvolvimento industrial: combustíveis e energia.

3." Secção — Circaldção c Tramporíe

1 _ MeMiommentos rodoviários, amplia

ção da rede nacional, conservação das rias e.xistentes.

2 - Ligações ferroviárias, reequipaniento das estradas de ferro.

De outro lado, a indústria nacional

dade?

Foram dedicados dois itens aos ca

sos particulares da indústria da pesca e

3 - Ampliação da navegação de cabo

tagem, portos nacionais, reapareIhamento do material flutuante; na-

\egação fluvial e lacustre. 4 - Problemas da frota brasileira no comércio internacional.

5 — Linhas aéreas, aeroportos, amplia ção e melhoramento dos seiviços da aviação comercial.

6 — Coordenação dos transportes, bara teamento dos fretes, racionaliza

ção dos serx iços, padronização do matèrial.

7 — Dificuldades

portuárias,

defesa

contra oxtiavios, roubos e deterio rações. Comenídriüs

1. Não desconhecem as c'asses produ toras a existência dos planos de trans

porto elaborados pelos departamentos


Dicesto EcoxÓNnco

12

técnicos oficiais. Tais planos, rodoviá

dutoras pelo melhoramento dos serviços

rios, ferroviários e outros, obedecem a

prolongamento das linhas, ligação da rede nacional, padronização do material e coordenação do tráfego. Ainda penetrando mais longe, vamos

critérios não apenas técnicos, mas eco nômicos, visando a unidade nacional.

Está, porém, o desenvolvimento da pro

dução de tal medo dependente da cir culação das mercadorias, e pois, de uma

ladas à margem dos grandes rios — Ara

rêde de transportes em harmonia.com as

guaia, São francisco, Amazonas etc. —

necessidades regionais, que é de tôda

que aguardam a transformação dessas giandes vias fluviais em elementos de

oportunidade tragam os que conhecem praticamente aque as necessidades sua contribuição ao aperieiçoamento dos re feridos planos. E não se limitarão ao

desenvolvimento dos meios de transpor te, mas poderão oferecer sugestões ao

melhoramento dos serviços ja existentes e ao aproveitamento do material em uso.

2. Os itens da 3.^ Secção estão dis tribuídos pelos diversos meios de co municação; rodoviários, ferroviários, ma rítimos, lacustres, fluviais e aéreos.

O primeiro objetivo a ser visado nesse capitu o será a intensificação do desen volvimento do mercado interno, e esta

depende, não somente de um satisfa tório intercâmbio comercial, mas ain

da de meios de comunicação que facili tem os contactos pessoais.

O brasileiro é um povo que não se conhece. E o insulamento aas coietiví-

da^ies toma aspectos graves, não apenas no terreno econômico como ainda na

encontrar popu ações estaciouarias e iso

brc seguros.

meio de levantar e manter o crédito

público, pela disciplina déste á técnica bolsista, o de favorecer os investimen

tos de capitais privados na produção

5 — Relação das bolsas dc capitais mo biliários t>om o crédito público e com os investimentos privados.

ft"rico'a e industrial, animando as ini

ciativas.

O crédito mobiliário, de in

contestável importância para os investi mentos industriais, é entre nôs apenas

ComctUários

permite encarar todos os aspectos do

embrionário.

A redação do item 1 desse capítulo

5.^ Secção - Regime Fiscal

prob.emas interessam muito de perto a

crédito, e dentro dê'e cabem as teses a

piodução regional e a penetração eco nômica. Praticamente, muitos centros li

serem apresentadas à Conferência sôbre

lação com as atribuições das uni

o sistema bancário, a política monetária

dades administrativas dentro da

e a política de in\'CStimenlo dc capitais.

Federação.

gam-se entre si e à Capitai do pais por essa única via.

É aí indicado o problema, restando aos

5. São esses os itens a serem conside

Srs. Delegados apreciar os meios de re

rados nos debates de Araxá, quanto aos

solvê-lo. Certamente não deixará de ser discutida a oportunidade da criação

transportes brasileiros.

Us dois últimos

deste capítulo, que completam o qua dro, estão • suficientemente

definidos

do Banco Central, e tudo que se rela

ciona à organização dc credito, de que,

Alem do aspecto relativo ao mercado interno, existem ainda certos casos de comércio internacional a serem exami

2. Os itens 2 e 3 focalizam especial

nados do ângulo da navegação maríti ma. A concorrência de fretes entre as frotas internacionais nos torna difícil a

nião sôbre o problema do crédito agrí

manutenção de uma frota nacional para 0 transporte de nossa exportação. Mas

existem discriminações contra produtos poderosos, que utilizam os fretes de sua ção a suas indústrias de primeira trans

formação de nossas matérias-primas; no desenvolvimento de nossa frota nacional

a nossa crescente rede rodoviária terão

está o meio de contrabalançar definiti

de ser encarados. E nossas estradas de

vamente essas atitudes.

ferro, cujo desenvolvimento ficou para lisado, sofrem constantes criticas pela

4.^ Secção — Capitais, Crédito e Bancos

atual ineficiência. Elas são, nu entanto,

indispensáveis para certos tipos de trans porte, donde o interêsse das classes pro-

4 — Aperfeiçoamento da legislação sô-

1.

bandeira nacional como meio de prote

Diversos assuntos relacionados com

3 _ Financiamento industrial.

importância da aviação comercial. Seus

legados, entre as necessidades regio 3.

das necessidades nacionais e regionais.

0 segundo considera as bolsas como

agropecuária.

intcrcomuuicação.

nossos visando proteger alguns grupos

daquele duplo objetivo.

2 — Tipos de financiamento à produção

4. De outro lado, cresce cada dia a

formação da nacionalidade. Dai ês_e balanço, através das vozes dos' Srs. De nais e os meios de transporte, em vista

13

DICBCTO XOOKÓMICO

1 — Po'ítica de crédito subordinada ao

fomento das atividades produtivas.

no momento, cogita o Govêrno.

mente e crédito agropecuário e indus trial.

Existem várias correntes de opi

1 — Discriminação de renda e sua re

2 — Exame da política tributária e fiscal; — re\ásão dos impostos que

afetam a produção e a circulação, 3 — Ta-xação e isenções no impôsto de renda.

4 — Reava'iação de ativos.

5 — Estruturação das tarifas aduaneiras, sua atualização e racionalização.

6 — Meios de fiscalização perturbado res e ineficientes, entraves admi

cola, Não tem em vista o temário, por

nistrativos à produção e à circula

tanto, limitar a discussão à conveniência

ção.

ou à não conveniência da fundação ime diata do Banco Rural. Encara com

maior amplitude "todo o campo do finan

Comentários

ciamento, Iodos os tipos existentes e

1. Desde que a Constituição sde 1946

possíveis. A falta de especialização na organização bancária tem deixado o setor

fixou cm novos moldes a distribuição

industrial desamparado de credito apro priado. 3.

O item 4 e o item 5 tratam de dois

problemas específicos: o da legislação sôbre seguros e o do funcionamento das bolsas de títulos.

O primeiro sugere o

exame das normas cm vigor, a fim de

apontar suas falhas e defeitos em face

das rendas piiblicas entre União, Estados e Municípios, estamos num período de

experiência dc sua adequação às obriga

ções financeiras que recaem sôbre essas unidades administrativas. Será da má xima conveniência ouvir os depoimentos

dos produtorês dos municípios e das ca

pitais dos Estados, nessa excepcional

oportunidade de um encontro para o H-


Dicesto EcoxÓNnco

12

técnicos oficiais. Tais planos, rodoviá

dutoras pelo melhoramento dos serviços

rios, ferroviários e outros, obedecem a

prolongamento das linhas, ligação da rede nacional, padronização do material e coordenação do tráfego. Ainda penetrando mais longe, vamos

critérios não apenas técnicos, mas eco nômicos, visando a unidade nacional.

Está, porém, o desenvolvimento da pro

dução de tal medo dependente da cir culação das mercadorias, e pois, de uma

ladas à margem dos grandes rios — Ara

rêde de transportes em harmonia.com as

guaia, São francisco, Amazonas etc. —

necessidades regionais, que é de tôda

que aguardam a transformação dessas giandes vias fluviais em elementos de

oportunidade tragam os que conhecem praticamente aque as necessidades sua contribuição ao aperieiçoamento dos re feridos planos. E não se limitarão ao

desenvolvimento dos meios de transpor te, mas poderão oferecer sugestões ao

melhoramento dos serviços ja existentes e ao aproveitamento do material em uso.

2. Os itens da 3.^ Secção estão dis tribuídos pelos diversos meios de co municação; rodoviários, ferroviários, ma rítimos, lacustres, fluviais e aéreos.

O primeiro objetivo a ser visado nesse capitu o será a intensificação do desen volvimento do mercado interno, e esta

depende, não somente de um satisfa tório intercâmbio comercial, mas ain

da de meios de comunicação que facili tem os contactos pessoais.

O brasileiro é um povo que não se conhece. E o insulamento aas coietiví-

da^ies toma aspectos graves, não apenas no terreno econômico como ainda na

encontrar popu ações estaciouarias e iso

brc seguros.

meio de levantar e manter o crédito

público, pela disciplina déste á técnica bolsista, o de favorecer os investimen

tos de capitais privados na produção

5 — Relação das bolsas dc capitais mo biliários t>om o crédito público e com os investimentos privados.

ft"rico'a e industrial, animando as ini

ciativas.

O crédito mobiliário, de in

contestável importância para os investi mentos industriais, é entre nôs apenas

ComctUários

permite encarar todos os aspectos do

embrionário.

A redação do item 1 desse capítulo

5.^ Secção - Regime Fiscal

prob.emas interessam muito de perto a

crédito, e dentro dê'e cabem as teses a

piodução regional e a penetração eco nômica. Praticamente, muitos centros li

serem apresentadas à Conferência sôbre

lação com as atribuições das uni

o sistema bancário, a política monetária

dades administrativas dentro da

e a política de in\'CStimenlo dc capitais.

Federação.

gam-se entre si e à Capitai do pais por essa única via.

É aí indicado o problema, restando aos

5. São esses os itens a serem conside

Srs. Delegados apreciar os meios de re

rados nos debates de Araxá, quanto aos

solvê-lo. Certamente não deixará de ser discutida a oportunidade da criação

transportes brasileiros.

Us dois últimos

deste capítulo, que completam o qua dro, estão • suficientemente

definidos

do Banco Central, e tudo que se rela

ciona à organização dc credito, de que,

Alem do aspecto relativo ao mercado interno, existem ainda certos casos de comércio internacional a serem exami

2. Os itens 2 e 3 focalizam especial

nados do ângulo da navegação maríti ma. A concorrência de fretes entre as frotas internacionais nos torna difícil a

nião sôbre o problema do crédito agrí

manutenção de uma frota nacional para 0 transporte de nossa exportação. Mas

existem discriminações contra produtos poderosos, que utilizam os fretes de sua ção a suas indústrias de primeira trans

formação de nossas matérias-primas; no desenvolvimento de nossa frota nacional

a nossa crescente rede rodoviária terão

está o meio de contrabalançar definiti

de ser encarados. E nossas estradas de

vamente essas atitudes.

ferro, cujo desenvolvimento ficou para lisado, sofrem constantes criticas pela

4.^ Secção — Capitais, Crédito e Bancos

atual ineficiência. Elas são, nu entanto,

indispensáveis para certos tipos de trans porte, donde o interêsse das classes pro-

4 — Aperfeiçoamento da legislação sô-

1.

bandeira nacional como meio de prote

Diversos assuntos relacionados com

3 _ Financiamento industrial.

importância da aviação comercial. Seus

legados, entre as necessidades regio 3.

das necessidades nacionais e regionais.

0 segundo considera as bolsas como

agropecuária.

intcrcomuuicação.

nossos visando proteger alguns grupos

daquele duplo objetivo.

2 — Tipos de financiamento à produção

4. De outro lado, cresce cada dia a

formação da nacionalidade. Dai ês_e balanço, através das vozes dos' Srs. De nais e os meios de transporte, em vista

13

DICBCTO XOOKÓMICO

1 — Po'ítica de crédito subordinada ao

fomento das atividades produtivas.

no momento, cogita o Govêrno.

mente e crédito agropecuário e indus trial.

Existem várias correntes de opi

1 — Discriminação de renda e sua re

2 — Exame da política tributária e fiscal; — re\ásão dos impostos que

afetam a produção e a circulação, 3 — Ta-xação e isenções no impôsto de renda.

4 — Reava'iação de ativos.

5 — Estruturação das tarifas aduaneiras, sua atualização e racionalização.

6 — Meios de fiscalização perturbado res e ineficientes, entraves admi

cola, Não tem em vista o temário, por

nistrativos à produção e à circula

tanto, limitar a discussão à conveniência

ção.

ou à não conveniência da fundação ime diata do Banco Rural. Encara com

maior amplitude "todo o campo do finan

Comentários

ciamento, Iodos os tipos existentes e

1. Desde que a Constituição sde 1946

possíveis. A falta de especialização na organização bancária tem deixado o setor

fixou cm novos moldes a distribuição

industrial desamparado de credito apro priado. 3.

O item 4 e o item 5 tratam de dois

problemas específicos: o da legislação sôbre seguros e o do funcionamento das bolsas de títulos.

O primeiro sugere o

exame das normas cm vigor, a fim de

apontar suas falhas e defeitos em face

das rendas piiblicas entre União, Estados e Municípios, estamos num período de

experiência dc sua adequação às obriga

ções financeiras que recaem sôbre essas unidades administrativas. Será da má xima conveniência ouvir os depoimentos

dos produtorês dos municípios e das ca

pitais dos Estados, nessa excepcional

oportunidade de um encontro para o H-


I

í

I

AL ill

14

DrcESTo EcoNóxnco

%Te debate das necessidades de cada

do item 5. Para completar o quadro

uma das unidades administrativas. Jus

das perturbações fiscais, cuida o item

tifica-se, pois, que o 1.° item do capí tulo referente ao "Regime Fiscal" seja dedicado a esse problema, que desde a 1.® Constituição republicana preocupa os legisladores. 2. O item 2 é genérico, abrangendo

6 dos entraves administrativos à produ ção e à circulação. Virá a propósito,

neo.s, a acordos e a controles, que mu

dam o mecanismo tradicional e poderão

O fato fundamental é que produtos tradicionais brasileiros perdem seus mer cados exteriores, em virtude do um con-

junlo de circunstâncias.

Daí decorre

trazer graves ameaças a suas atividades.

a necessidade do forta^ecimento do mer

cais nas multas.

Araxá, deverá estar em discussão no

ros, da renovação dos tratados de comér cio com a colaboração das classes produ

de modo geral a legislação o a política tributária. De modo particular, porém,

6.^ Sccção - Política Comercial

cação da Carta de Havana, recomendada

aprecia o item 3 o imposto de renda,

1 — Exportação de matérias-primas: —

acordos internacionais; defesa con

que respeita às isenções. Existe, ainda,

consumidores.

tra a especulação nos mercados

um problema relacionado ao impôsto de renda que, desde muito, tem sido

2 - Defesa contra os fretes discrimina

focalizado, e faz objeto do item 4. A reavaliação dos ativos das empresas, cujo valor escriturai não corresponde aos cmzeiros em que se define, exige a aten ção dos nossos legisladores, pois adiar

3 — Manutenção da posição dos pro

sua solução é multiplicar as dificulda

tórios.

dutos brasileiros nos mercados e.xternos: — meios de defesa nas con corrências e contra-sucedãneos 4 - Cooperação das classes produtoras

na elaboração o nas negociações dos

des.

3. Nossas tarifas aduaneiras, além de serem de difícil aplicação, por não atena^^rem aos novos produtos surgidos no

comercio internacional e criarem cons-

tantas dúvidas de classificação, obedecem, como norma geral, ao sistema rí

^

por peso ou por unidade.

gido dos direitos específicos, cobrados

tratados de comércio.

5 - Medidas de política comercial yj. sando o fortalecimento do merca do interno para os produtos bra sileiros.

6 - Problemas cambiais relacionados com a política comercial.

Êsse fato

cria para o Brasil situação de inferiori dade na discussão dos tratados bilatcrais. Recentemente, em Genebra, o sis tema antiquado de nossas tarifas nos trouxe graves embaraços na mesa dos

ajustes e barganhas. Sua confecção é muitas vezes paradoxal, pois em lugar

de proteger nossas indústrias nascentes, protege as estrangeiras, sobrecarregando

os preços de nossa própria produção industrial, por taxar em certos casos as

matérias-primas importadas em despro porção com a taxa sôbre as manufatu ras correspondentes. Será êsse o assunto

Quando .se rcaliz;u- a Conferência dc cado interno pam os produtos brasilei Congresso dos Estados Unidos a ratifi

quer do ponto de vista da amplitude e da profundidade da taxação, quer no

I

,

tante vigilância sobre as contínuas mo dificações devidas à produção de sucedâ-

mais uma vez, a velha e sempre reno vada questão da participação dos fis

I

I

15

E>igesto E<^on*ómico

Comentários

1.

As transformações- produzidas no

comércio internacional pelas mudanças de estrutura na economia dos grandes países importadores e principais exporta dores, bem como pelo desequilíbrio mo netário, pela política de reconstrução,

pelo Plano Marshall de auxílio à Europa e pelas medidas de controle de comércio e câmbio, estão exigindo a revisão dos

toras, e da constante melhoria dos tipos

pelo Covêrno dc Truman. No Brasil, o

e da qualidade, bem como da redução

nosso Congresso tal\ cz já terá recebido a mensagem^ do Poder Executivo subme

4. Agora mèsmo estuda-se um novo

tendo á sua ratificação a aceitação do re ferido documento, aprovado em ata assi

ou o intitulado "de amizade, comércio e

do custo da produção.

tipo de tratado, o "tratado de fomento",

nada pelo Brasil a 24 de março de 1948.

desenvolvimento", para substituir, entre

O exame dos itens do tcmário dc Araxá, embora referente a problemas es

nomia menos evoluída, os \elhos tra

pecíficos, poderá elucidar os nos sos Congressistas e a opinião pú blica sôbre a repercussão da Carta de Havana em nossa economia.

Alguns desses problemas serão ver.sados a proposito do capitulo

os países mais desenvolvidos e os de eco tados de "amizade, comércio e

navegação". As classes produtoras têm cons

tantemente pleiteado essa impor tante renovação, e obtiveram em

Chicago a apro\'açãó da proposta brasileira na qual é definido êsse

da Política Comercial. 2. Os produtos brasileiros predominan novo tipo de tratado. tes no quadro de nossa exportação estão, 7." Secção — Contrôle e atividade do goem geral, sujeito.s a acordos internacio vêmo na economffl. nais que têm por fim evitar as graves c repentinas oscilações de preço. A^ém 1 — Exame da política de contrôle de da necessidade de garantir-lhes posição

■ favorável cm tais acordos, há que atender aos movimentos de especulação nos mer cados consumidores, que visam drenar

para o exterior parto dos proventos de nosso trabalho.

3, De outro lado, alguns produtos vêm sendo ameaçados pelos sucedâneos, cuja introdução toma tal vulto que estamos,

segundo a expressão conhecida, na "era dos sucedâneos". Os artigos sintéticos vão afastando de mercados, outrora abas

tecidos pelo Brasil,, a cêra de carnaú

processos de negociar e de orientar a po lítica comercial. Os homens da produ

ba, a borracha etc. Será necessária uma

ção não podem descurar de uma cons-

ix essa nova fonna de concorrência.

verdadeira adaptação de nosso comércio

preços.

2 — Exame dos objetivos e das ativida des dos institutos de contrôle da

produção; sua articulação com as empresas privadas.

3 — Atividades industriai^ do Estado,

concorrência com as emprôsas pri vadas; iniciativas do Estado para o desenvoMmento econômico.

4 — Contrôle da importação e da ex portação, critérios para a concessão

de licenças, conciliação da expor tação 6 da importação com as ne cessidades de abastecimento e com a situação cambi;\l.


I

í

I

AL ill

14

DrcESTo EcoNóxnco

%Te debate das necessidades de cada

do item 5. Para completar o quadro

uma das unidades administrativas. Jus

das perturbações fiscais, cuida o item

tifica-se, pois, que o 1.° item do capí tulo referente ao "Regime Fiscal" seja dedicado a esse problema, que desde a 1.® Constituição republicana preocupa os legisladores. 2. O item 2 é genérico, abrangendo

6 dos entraves administrativos à produ ção e à circulação. Virá a propósito,

neo.s, a acordos e a controles, que mu

dam o mecanismo tradicional e poderão

O fato fundamental é que produtos tradicionais brasileiros perdem seus mer cados exteriores, em virtude do um con-

junlo de circunstâncias.

Daí decorre

trazer graves ameaças a suas atividades.

a necessidade do forta^ecimento do mer

cais nas multas.

Araxá, deverá estar em discussão no

ros, da renovação dos tratados de comér cio com a colaboração das classes produ

de modo geral a legislação o a política tributária. De modo particular, porém,

6.^ Sccção - Política Comercial

cação da Carta de Havana, recomendada

aprecia o item 3 o imposto de renda,

1 — Exportação de matérias-primas: —

acordos internacionais; defesa con

que respeita às isenções. Existe, ainda,

consumidores.

tra a especulação nos mercados

um problema relacionado ao impôsto de renda que, desde muito, tem sido

2 - Defesa contra os fretes discrimina

focalizado, e faz objeto do item 4. A reavaliação dos ativos das empresas, cujo valor escriturai não corresponde aos cmzeiros em que se define, exige a aten ção dos nossos legisladores, pois adiar

3 — Manutenção da posição dos pro

sua solução é multiplicar as dificulda

tórios.

dutos brasileiros nos mercados e.xternos: — meios de defesa nas con corrências e contra-sucedãneos 4 - Cooperação das classes produtoras

na elaboração o nas negociações dos

des.

3. Nossas tarifas aduaneiras, além de serem de difícil aplicação, por não atena^^rem aos novos produtos surgidos no

comercio internacional e criarem cons-

tantas dúvidas de classificação, obedecem, como norma geral, ao sistema rí

^

por peso ou por unidade.

gido dos direitos específicos, cobrados

tratados de comércio.

5 - Medidas de política comercial yj. sando o fortalecimento do merca do interno para os produtos bra sileiros.

6 - Problemas cambiais relacionados com a política comercial.

Êsse fato

cria para o Brasil situação de inferiori dade na discussão dos tratados bilatcrais. Recentemente, em Genebra, o sis tema antiquado de nossas tarifas nos trouxe graves embaraços na mesa dos

ajustes e barganhas. Sua confecção é muitas vezes paradoxal, pois em lugar

de proteger nossas indústrias nascentes, protege as estrangeiras, sobrecarregando

os preços de nossa própria produção industrial, por taxar em certos casos as

matérias-primas importadas em despro porção com a taxa sôbre as manufatu ras correspondentes. Será êsse o assunto

Quando .se rcaliz;u- a Conferência dc cado interno pam os produtos brasilei Congresso dos Estados Unidos a ratifi

quer do ponto de vista da amplitude e da profundidade da taxação, quer no

I

,

tante vigilância sobre as contínuas mo dificações devidas à produção de sucedâ-

mais uma vez, a velha e sempre reno vada questão da participação dos fis

I

I

15

E>igesto E<^on*ómico

Comentários

1.

As transformações- produzidas no

comércio internacional pelas mudanças de estrutura na economia dos grandes países importadores e principais exporta dores, bem como pelo desequilíbrio mo netário, pela política de reconstrução,

pelo Plano Marshall de auxílio à Europa e pelas medidas de controle de comércio e câmbio, estão exigindo a revisão dos

toras, e da constante melhoria dos tipos

pelo Covêrno dc Truman. No Brasil, o

e da qualidade, bem como da redução

nosso Congresso tal\ cz já terá recebido a mensagem^ do Poder Executivo subme

4. Agora mèsmo estuda-se um novo

tendo á sua ratificação a aceitação do re ferido documento, aprovado em ata assi

ou o intitulado "de amizade, comércio e

do custo da produção.

tipo de tratado, o "tratado de fomento",

nada pelo Brasil a 24 de março de 1948.

desenvolvimento", para substituir, entre

O exame dos itens do tcmário dc Araxá, embora referente a problemas es

nomia menos evoluída, os \elhos tra

pecíficos, poderá elucidar os nos sos Congressistas e a opinião pú blica sôbre a repercussão da Carta de Havana em nossa economia.

Alguns desses problemas serão ver.sados a proposito do capitulo

os países mais desenvolvidos e os de eco tados de "amizade, comércio e

navegação". As classes produtoras têm cons

tantemente pleiteado essa impor tante renovação, e obtiveram em

Chicago a apro\'açãó da proposta brasileira na qual é definido êsse

da Política Comercial. 2. Os produtos brasileiros predominan novo tipo de tratado. tes no quadro de nossa exportação estão, 7." Secção — Contrôle e atividade do goem geral, sujeito.s a acordos internacio vêmo na economffl. nais que têm por fim evitar as graves c repentinas oscilações de preço. A^ém 1 — Exame da política de contrôle de da necessidade de garantir-lhes posição

■ favorável cm tais acordos, há que atender aos movimentos de especulação nos mer cados consumidores, que visam drenar

para o exterior parto dos proventos de nosso trabalho.

3, De outro lado, alguns produtos vêm sendo ameaçados pelos sucedâneos, cuja introdução toma tal vulto que estamos,

segundo a expressão conhecida, na "era dos sucedâneos". Os artigos sintéticos vão afastando de mercados, outrora abas

tecidos pelo Brasil,, a cêra de carnaú

processos de negociar e de orientar a po lítica comercial. Os homens da produ

ba, a borracha etc. Será necessária uma

ção não podem descurar de uma cons-

ix essa nova fonna de concorrência.

verdadeira adaptação de nosso comércio

preços.

2 — Exame dos objetivos e das ativida des dos institutos de contrôle da

produção; sua articulação com as empresas privadas.

3 — Atividades industriai^ do Estado,

concorrência com as emprôsas pri vadas; iniciativas do Estado para o desenvoMmento econômico.

4 — Contrôle da importação e da ex portação, critérios para a concessão

de licenças, conciliação da expor tação 6 da importação com as ne cessidades de abastecimento e com a situação cambi;\l.


10

Dicesto Econônoco Commtfdríoe

Dic£sto Econômico

mente entregue aos administradores de

do comércio iuundial, e exige, pois, um

cada um, com a direção das emprêsas privadas, sejam agrícolas, comerciais ou

1. Entre as diversas formas de inter venção do Estado na economia, desta

industriais, das quais depende a pro

cam-se duas mais freqüentes: a do con-

dução.

trôle das iniciativas e atividades prí\'a-

3. De outro lado o desenvolvimento econômico, como já tem sido reconhe cido e foi cxprc.ssamente declarado na Carta Econômica de Teresôpnlís. depen de substancialmente de certas atividades

das, 6 a do exercício direto do comer

cio, da indústria e de certos serviços, dentro do campo tradicional da inicia tiva particular. A primeira dessas formas cresceu em amplitude e intensidade por

efeito da guerra.

Os controles criados

para os preços do mercado interno toma

ram entre nós feição policial, embora as

causas de perturbação fossem preponde rantemente econômicas. Sua apbcacão

mal orientada criou obstáculos à produ ção à circulação de bens necessários, que já escasseavam em face do aumen

to da procura num período de inflação.

Por fim. baseados em falsa interpretação do fenômeno, as medidas de controle contribuíram para uma mentalidade fu

nesta de oposição entre os produtores e

consumidores. É tempo de fazer o ba

o emprêgo de meios positivos para a normalização do mercado. Não podem ser esquecidos os efeitos, sobre o custo da produção, do aumento dos salários da elevação dos fretes, dos imnostos cre.scentes, das exigências burocráticas, e de di\'ersos fatôrcs independentes da vontade dos produtores. 2. As atividades dos institutos de con-

trôle da produção, seia o de açúcar e

álcool, o de cacau, o de mate, o de pi nho. ou outro qualquer, formam o tema

oiço social e mão-de-obra

A — Educação Profissional

ração do trabalhador. Salário mí nimo nas várias regiões.

3 — Exames dos aspectos fundamentais

seu aperfeiçoamento. 4 — Desenvolvimento do espirito asso

ciativo nas diversas classes da pro dução. Entidades de classes.

1 — Análise da rêde de educação co

mercial, industrial e agrícola; su gestões para o aperfeiçoamento in tensivo do ensino técnico-profissio-

1. O preparo profissional, a assistência sanitária, econômica e educacional ao trabalhador e aos empregados em ge

profissional, nas atividades agríco

ral, não apenas nas cidades como nas.

las, industriais e comerciais.

zonas rurais, têm constituído a preocupa

3 — Desajustamento profissional; ação

supletiva para reeducação profissio

Não é lí

ção dominante das classes produtoras e

já passou ao campo das suas próprias realizações. Elas estão,- porém, na fase

nal.

4 — 0 SENAC e o SENA! na prepara

ção profissional.

!

Comentários

nal.

2 — Problemas da orientação e seleção

cito. pois. ao Estado dcsíntcressar-se da prosperidade das emnrôsas, e muito me nos se justifica qup lhes faça concorrên

da.s atividades industriais.

Produtixndade e formas de remune

da legislação social tendo em vista

estes Ibes derem, as indústrias, as ati vidades agrícolas e o mo\'ímento comer cial entrarão cm nova e promissora ex pansão. Mas, os capitais privados só poderão concorrer para êsse desenvolvi mento se puderem obter, nas atividades que lhes são próprias, o acúmulo de re

4. Por fim. o contrô'e'do comércio in ternacional exige a análise minudente dos homens que sentem cada dia seus efeitos. Uma balança de pacnmentos

do salário no custo da produção.

Esses são os problemas essenciais In dicados nesse capítxilo. Em tôrno dêles,

8.® Secção — Preparo profissional, ser-

preendimentos; e, com o impulso que

lanço dos efeitos do controle de preços, a hm de situar sua atuação e promover cia, ingressando demasiado no campo

2 — Salário e mão-de-obra, influência

exame cuidadoso.

outros surgirão á luz da discussão e dos depoimentos dos Srs. Delegados.

do E^^tado, quando e onde a iniciativa privada é insuficiente. Estamos cami nhando para uma fase de grandoS em

servas para novas inversões.

17

inicial. As instituições subordinadas às Confederações Nacionais da Indústria e

B — Articulação geral no Serviço Social

do Comércio apresentam resultados ex celentes em muitos pontos do país. É

1 — Finalidades ou objetivos do serviço

tempo, porém, de fazer a análise do que já foi conseguido, e tirar proveito da

sociab

Prioridades.

2 — O SESC e o SESI no serviço social.

3 — Meios de prestação do serviço so cial. (Institutos e Caixas de Previ

e.xperiência, aperfeiçoar a técnica em

pregada e ampliar o campo de ação. 2. O trabalhador rural, longe dos cen

dência, Assistência Social das em-

tros urbanos, escapa ainda aos benefí

trazendo crescentes dificuldades ao su

prôsas, In.stituições de caráter asso

cios da assistência moderna. Com essa

primento de bens necessários, já não

ciativo, Seguro Privado etc.).

apenas destinados ao consumo, mas à

4 — Discriminação das atribuições dos

desfavorável em relação ao dólar vem

produção industrial. A desarticulação entre o controle cambial e o de impor

vários órgãos ou entidades de ser viço social. 5 — Retribuição e gratuidade do serviço

tação, ocasionando situações embaraço sas para com nossos fornecedores ame

social.

do 2.° item ddsse capítulo. O exame a ricanos, nos tem feito perder oportuni ser feito terá que atender especialmente dades de aquisições vantajosas e provo à necessidade de articular sua política e ca a desorganização do comércio. O suas medidas de regulamentação de pre •critério rígido para a seleção, na con ços, de quotas de exportação e de pro cessão de licenças de importação, não é dução, cuja determinação está inteirf^- compatível com uma situação instável

assistência que lhe é devida, seria pos sível aperfeiçoar seus sentimentos cívi cos, e dar-lhe mais ambição de melho ramento econômico e cultural.

3. Os dois primeiros subcapítu'os des sa 8.^ Secção tratam do problema assistencial sob seus diversos ângulos. Mas

C — Relações de Trabalho

no 3.° subcapitulo, cuida-se do traba

1 — Estudo da mão-de-obra dos vários

lhador como elemento de produção. Tendo em vista os imperativos que con

ramos de atividade. Localização do trabalhador nacional. Migrações.

Imigrações e colonização.

-'«■iti*

dicionam o mehoramento do padrão de

xida, deve o problema da mãò-de-obra


10

Dicesto Econônoco Commtfdríoe

Dic£sto Econômico

mente entregue aos administradores de

do comércio iuundial, e exige, pois, um

cada um, com a direção das emprêsas privadas, sejam agrícolas, comerciais ou

1. Entre as diversas formas de inter venção do Estado na economia, desta

industriais, das quais depende a pro

cam-se duas mais freqüentes: a do con-

dução.

trôle das iniciativas e atividades prí\'a-

3. De outro lado o desenvolvimento econômico, como já tem sido reconhe cido e foi cxprc.ssamente declarado na Carta Econômica de Teresôpnlís. depen de substancialmente de certas atividades

das, 6 a do exercício direto do comer

cio, da indústria e de certos serviços, dentro do campo tradicional da inicia tiva particular. A primeira dessas formas cresceu em amplitude e intensidade por

efeito da guerra.

Os controles criados

para os preços do mercado interno toma

ram entre nós feição policial, embora as

causas de perturbação fossem preponde rantemente econômicas. Sua apbcacão

mal orientada criou obstáculos à produ ção à circulação de bens necessários, que já escasseavam em face do aumen

to da procura num período de inflação.

Por fim. baseados em falsa interpretação do fenômeno, as medidas de controle contribuíram para uma mentalidade fu

nesta de oposição entre os produtores e

consumidores. É tempo de fazer o ba

o emprêgo de meios positivos para a normalização do mercado. Não podem ser esquecidos os efeitos, sobre o custo da produção, do aumento dos salários da elevação dos fretes, dos imnostos cre.scentes, das exigências burocráticas, e de di\'ersos fatôrcs independentes da vontade dos produtores. 2. As atividades dos institutos de con-

trôle da produção, seia o de açúcar e

álcool, o de cacau, o de mate, o de pi nho. ou outro qualquer, formam o tema

oiço social e mão-de-obra

A — Educação Profissional

ração do trabalhador. Salário mí nimo nas várias regiões.

3 — Exames dos aspectos fundamentais

seu aperfeiçoamento. 4 — Desenvolvimento do espirito asso

ciativo nas diversas classes da pro dução. Entidades de classes.

1 — Análise da rêde de educação co

mercial, industrial e agrícola; su gestões para o aperfeiçoamento in tensivo do ensino técnico-profissio-

1. O preparo profissional, a assistência sanitária, econômica e educacional ao trabalhador e aos empregados em ge

profissional, nas atividades agríco

ral, não apenas nas cidades como nas.

las, industriais e comerciais.

zonas rurais, têm constituído a preocupa

3 — Desajustamento profissional; ação

supletiva para reeducação profissio

Não é lí

ção dominante das classes produtoras e

já passou ao campo das suas próprias realizações. Elas estão,- porém, na fase

nal.

4 — 0 SENAC e o SENA! na prepara

ção profissional.

!

Comentários

nal.

2 — Problemas da orientação e seleção

cito. pois. ao Estado dcsíntcressar-se da prosperidade das emnrôsas, e muito me nos se justifica qup lhes faça concorrên

da.s atividades industriais.

Produtixndade e formas de remune

da legislação social tendo em vista

estes Ibes derem, as indústrias, as ati vidades agrícolas e o mo\'ímento comer cial entrarão cm nova e promissora ex pansão. Mas, os capitais privados só poderão concorrer para êsse desenvolvi mento se puderem obter, nas atividades que lhes são próprias, o acúmulo de re

4. Por fim. o contrô'e'do comércio in ternacional exige a análise minudente dos homens que sentem cada dia seus efeitos. Uma balança de pacnmentos

do salário no custo da produção.

Esses são os problemas essenciais In dicados nesse capítxilo. Em tôrno dêles,

8.® Secção — Preparo profissional, ser-

preendimentos; e, com o impulso que

lanço dos efeitos do controle de preços, a hm de situar sua atuação e promover cia, ingressando demasiado no campo

2 — Salário e mão-de-obra, influência

exame cuidadoso.

outros surgirão á luz da discussão e dos depoimentos dos Srs. Delegados.

do E^^tado, quando e onde a iniciativa privada é insuficiente. Estamos cami nhando para uma fase de grandoS em

servas para novas inversões.

17

inicial. As instituições subordinadas às Confederações Nacionais da Indústria e

B — Articulação geral no Serviço Social

do Comércio apresentam resultados ex celentes em muitos pontos do país. É

1 — Finalidades ou objetivos do serviço

tempo, porém, de fazer a análise do que já foi conseguido, e tirar proveito da

sociab

Prioridades.

2 — O SESC e o SESI no serviço social.

3 — Meios de prestação do serviço so cial. (Institutos e Caixas de Previ

e.xperiência, aperfeiçoar a técnica em

pregada e ampliar o campo de ação. 2. O trabalhador rural, longe dos cen

dência, Assistência Social das em-

tros urbanos, escapa ainda aos benefí

trazendo crescentes dificuldades ao su

prôsas, In.stituições de caráter asso

cios da assistência moderna. Com essa

primento de bens necessários, já não

ciativo, Seguro Privado etc.).

apenas destinados ao consumo, mas à

4 — Discriminação das atribuições dos

desfavorável em relação ao dólar vem

produção industrial. A desarticulação entre o controle cambial e o de impor

vários órgãos ou entidades de ser viço social. 5 — Retribuição e gratuidade do serviço

tação, ocasionando situações embaraço sas para com nossos fornecedores ame

social.

do 2.° item ddsse capítulo. O exame a ricanos, nos tem feito perder oportuni ser feito terá que atender especialmente dades de aquisições vantajosas e provo à necessidade de articular sua política e ca a desorganização do comércio. O suas medidas de regulamentação de pre •critério rígido para a seleção, na con ços, de quotas de exportação e de pro cessão de licenças de importação, não é dução, cuja determinação está inteirf^- compatível com uma situação instável

assistência que lhe é devida, seria pos sível aperfeiçoar seus sentimentos cívi cos, e dar-lhe mais ambição de melho ramento econômico e cultural.

3. Os dois primeiros subcapítu'os des sa 8.^ Secção tratam do problema assistencial sob seus diversos ângulos. Mas

C — Relações de Trabalho

no 3.° subcapitulo, cuida-se do traba

1 — Estudo da mão-de-obra dos vários

lhador como elemento de produção. Tendo em vista os imperativos que con

ramos de atividade. Localização do trabalhador nacional. Migrações.

Imigrações e colonização.

-'«■iti*

dicionam o mehoramento do padrão de

xida, deve o problema da mãò-de-obra


-PTT

DrciíSTO Econónuco

18

ser encarado em seu sentído econômico,

como meio de melhorar a produção na cional. Seus 3 primeiros itens cuidam de elucidar diversos aspectos importan tes com o depoimento dos homens das atividades práticas. Entre êles o da fixa ção do trabalhador rural, o da imigração e colonização, o das relações do salário com o custo da produção, o da freqüên cia do trabalhador e o do melhoramento

da produtividade individual. Por fim, o" dos efeitos de legislação social sobro o trabalhador e sobre o custo da produção. 4. O 4.° item trata do problema do

questões específicas, foi necessário afas tar do temário a indicação explícita de certos assuntos, cujo exame iria sobre

entrar em detalhes.

Assim, o temário

deixou margem para que, sem perturbar o andannento dos debates, os Srs. Dele

gados se manifestem, se assim o quise rem, sobre o Plano Salte, o Relatório da

Comissão Abbink, a Carta de Havana,

que subordina os interesses individuais

e outros temas similares.

aos grupos da produção e estes aos da

2. Alguns projetos em curso no Con

coletividade; pois é tempo de cultivar

gresso poderão ser abordados nessa 9.®

sistemàticamente êsse fator de união e

Secção, no mesmo espírito de pronuncia

harmonização que nos tem fadado, para

mento global. Tais serão o da refor ma bancária, o da lei monetária e

plicar as fôrças da produção. 9.^ Secção — Assuntos Gerais

(A ordem do dia será determinada

pela Mesa da Secção). Comentários

1.

No empenho de concentrar os tra

balhos das 8 Secções da Conferência, tanto quanto possível, em problemas e

A planificação da impostura

carregar em demasia as Comissões. Daí

surgiu a necessidade de mais uma Secção, que SC ocupará de tais assuntos num exame g'obal, para um possível pronun ciamento da Conferência, sem a preo cupação de discutir casos regionais ou

desenvolvimento do espírito associativo,

eliminar os atritos de interôsses e multi

•*

outros.

3. É possível, ainda, que queiram os Srs. Delegados balancear o que foi ado

RoLaND CORDlSIEa

J^NTRE os rcquisitóiio.s escritos fillimamente contra a lüpocrisia da propa

do, por outro lado, se recusam, em nomeda liberdade, a organizar a sua defesa,

ganda comunista, nenhum nos parece mais lúcido c mais oportuno do que o

acumpliciam-se com os que querem ins

artigo de Thierry Mauinicr .sobre a "mis tificação dirigida", publicado pela revista "La Table Ronde", em seu número de

liberdade que pretendem defender. A má fé dos comunistas explora siste màticamente essa contradição, apelan

novembro do ano passado. A propósito de um cartaz afixado na

do para a liberdade quando se trata de protestar contra a repressão das agita

célu'a comunista do seu bairro, Thierry Maulnier, que ó talvez o mais vigoroso

ções bolchevistas, e invocando a autori dade e o dever de defender o regime

taurar n ditadura e traem também a

e penetrante dos modernos ensaístas fran

guando são os fascistas que ameaçam

ceses, denuncia, com uma lógica e uma clareza admiráveis, a impostura funda

a liberdade. No primeiro caso, sempre

mental de toda a propaganda comunista.

que são os comunistas os agiladore.s, a sua liberdade é sagrada o intocável, em

Os comunistas perguntam, no aludido

bora a vitória do comunismo represente

"placard", se existe liberdade de opinião

a vitória ào partido único, da ditadura

na Aniórica do Norte, referindo-se, in

ferências e reuniões anteriores a essa

gativa, insinuando que a liberdade de

e, portanto, a morte da liberdade. No segundo, quando os agitadores são fascis tas, apesar de representarem também o partido único e^a ditadura, devem ser presos e fuzilados porque ameaçam a li berdade, que cabe aos regimes liberais

de Araxá. O programa da 9.^ Secção ficará em aberto para apreciação dessa

opinião não existe nos Estados Unidos,

defender.

porque, se existisse, seria incompatível

A mesma pala%Ta é utilizada, de acôr-

natureza.

com a luta contra o comunismo e com

do com as condições da luta política e

a perseguição dos seus adeptos.

cs interesses da propaganda, cm dois re gistros diversos com duas significações

tado pelos Poderes Públicos e pelas classes, das diversas recomendações da Carta de Teresópolís ou de outras con

diretamente, ás condenações impostas a

militantes do partido nos Estados Unidos. A simples formulação da pergunta já envolvo a possibilidade da resposta ne

O problema suscitado pela interpela ção é, no fundo, o da própria dialética

I

do liberalismo, que leva os regimes li

diferentes.

seus próprios princípios sempre que,

Em lugar de responder à pergunta do "p'ncard", indagando se existe liber dade de opinião nos Estados Unidos,

ein nome e em defesa da liberdade, res

poderíamo.s fazer outra pergunta e in

demonstraram mocimento que quase se limitou às variações normais, próprias das

tringem ou impedem a ação política dos que pretendem subvertê-los ou destruí-los.

sia. Para esta segunda pergunta, os co

tendências estacionais. O total de desempregados registrados no país, em janeiro último, foi de 318.000. Em dezembro, o montante era de 327.000. Releva notar

Quando os regimes de liberdade re correm a medidas autoritárias e a pro

berais a entrar em contradição com os

Durante o ano de 1948, as cifras relativas ao desemprêgo, fio Grã-Bretanha,

que durante todo o decorrer do ano passado, o número de indioíduos que per maneceram em desemprêgo apenas alcançou 40.000, três quartos dos quais eram pessoas coni mais de 40 anos de idade,

^

cessos violentos para defender-se, ne gam-se a si mesmos no próprio gesto com o qual procuram preservar-se. Quan

dagar se essa liberdade existe na Rvismunistas dispõem de duas respostas prontas em seu arsenal de propagan da. Uma é demagógica e destina-se às massas; a outra é mais sutil, destinandose apenas às elites.


-PTT

DrciíSTO Econónuco

18

ser encarado em seu sentído econômico,

como meio de melhorar a produção na cional. Seus 3 primeiros itens cuidam de elucidar diversos aspectos importan tes com o depoimento dos homens das atividades práticas. Entre êles o da fixa ção do trabalhador rural, o da imigração e colonização, o das relações do salário com o custo da produção, o da freqüên cia do trabalhador e o do melhoramento

da produtividade individual. Por fim, o" dos efeitos de legislação social sobro o trabalhador e sobre o custo da produção. 4. O 4.° item trata do problema do

questões específicas, foi necessário afas tar do temário a indicação explícita de certos assuntos, cujo exame iria sobre

entrar em detalhes.

Assim, o temário

deixou margem para que, sem perturbar o andannento dos debates, os Srs. Dele

gados se manifestem, se assim o quise rem, sobre o Plano Salte, o Relatório da

Comissão Abbink, a Carta de Havana,

que subordina os interesses individuais

e outros temas similares.

aos grupos da produção e estes aos da

2. Alguns projetos em curso no Con

coletividade; pois é tempo de cultivar

gresso poderão ser abordados nessa 9.®

sistemàticamente êsse fator de união e

Secção, no mesmo espírito de pronuncia

harmonização que nos tem fadado, para

mento global. Tais serão o da refor ma bancária, o da lei monetária e

plicar as fôrças da produção. 9.^ Secção — Assuntos Gerais

(A ordem do dia será determinada

pela Mesa da Secção). Comentários

1.

No empenho de concentrar os tra

balhos das 8 Secções da Conferência, tanto quanto possível, em problemas e

A planificação da impostura

carregar em demasia as Comissões. Daí

surgiu a necessidade de mais uma Secção, que SC ocupará de tais assuntos num exame g'obal, para um possível pronun ciamento da Conferência, sem a preo cupação de discutir casos regionais ou

desenvolvimento do espírito associativo,

eliminar os atritos de interôsses e multi

•*

outros.

3. É possível, ainda, que queiram os Srs. Delegados balancear o que foi ado

RoLaND CORDlSIEa

J^NTRE os rcquisitóiio.s escritos fillimamente contra a lüpocrisia da propa

do, por outro lado, se recusam, em nomeda liberdade, a organizar a sua defesa,

ganda comunista, nenhum nos parece mais lúcido c mais oportuno do que o

acumpliciam-se com os que querem ins

artigo de Thierry Mauinicr .sobre a "mis tificação dirigida", publicado pela revista "La Table Ronde", em seu número de

liberdade que pretendem defender. A má fé dos comunistas explora siste màticamente essa contradição, apelan

novembro do ano passado. A propósito de um cartaz afixado na

do para a liberdade quando se trata de protestar contra a repressão das agita

célu'a comunista do seu bairro, Thierry Maulnier, que ó talvez o mais vigoroso

ções bolchevistas, e invocando a autori dade e o dever de defender o regime

taurar n ditadura e traem também a

e penetrante dos modernos ensaístas fran

guando são os fascistas que ameaçam

ceses, denuncia, com uma lógica e uma clareza admiráveis, a impostura funda

a liberdade. No primeiro caso, sempre

mental de toda a propaganda comunista.

que são os comunistas os agiladore.s, a sua liberdade é sagrada o intocável, em

Os comunistas perguntam, no aludido

bora a vitória do comunismo represente

"placard", se existe liberdade de opinião

a vitória ào partido único, da ditadura

na Aniórica do Norte, referindo-se, in

ferências e reuniões anteriores a essa

gativa, insinuando que a liberdade de

e, portanto, a morte da liberdade. No segundo, quando os agitadores são fascis tas, apesar de representarem também o partido único e^a ditadura, devem ser presos e fuzilados porque ameaçam a li berdade, que cabe aos regimes liberais

de Araxá. O programa da 9.^ Secção ficará em aberto para apreciação dessa

opinião não existe nos Estados Unidos,

defender.

porque, se existisse, seria incompatível

A mesma pala%Ta é utilizada, de acôr-

natureza.

com a luta contra o comunismo e com

do com as condições da luta política e

a perseguição dos seus adeptos.

cs interesses da propaganda, cm dois re gistros diversos com duas significações

tado pelos Poderes Públicos e pelas classes, das diversas recomendações da Carta de Teresópolís ou de outras con

diretamente, ás condenações impostas a

militantes do partido nos Estados Unidos. A simples formulação da pergunta já envolvo a possibilidade da resposta ne

O problema suscitado pela interpela ção é, no fundo, o da própria dialética

I

do liberalismo, que leva os regimes li

diferentes.

seus próprios princípios sempre que,

Em lugar de responder à pergunta do "p'ncard", indagando se existe liber dade de opinião nos Estados Unidos,

ein nome e em defesa da liberdade, res

poderíamo.s fazer outra pergunta e in

demonstraram mocimento que quase se limitou às variações normais, próprias das

tringem ou impedem a ação política dos que pretendem subvertê-los ou destruí-los.

sia. Para esta segunda pergunta, os co

tendências estacionais. O total de desempregados registrados no país, em janeiro último, foi de 318.000. Em dezembro, o montante era de 327.000. Releva notar

Quando os regimes de liberdade re correm a medidas autoritárias e a pro

berais a entrar em contradição com os

Durante o ano de 1948, as cifras relativas ao desemprêgo, fio Grã-Bretanha,

que durante todo o decorrer do ano passado, o número de indioíduos que per maneceram em desemprêgo apenas alcançou 40.000, três quartos dos quais eram pessoas coni mais de 40 anos de idade,

^

cessos violentos para defender-se, ne gam-se a si mesmos no próprio gesto com o qual procuram preservar-se. Quan

dagar se essa liberdade existe na Rvismunistas dispõem de duas respostas prontas em seu arsenal de propagan da. Uma é demagógica e destina-se às massas; a outra é mais sutil, destinandose apenas às elites.


Digí:sto EcoNÓ^aco

ao

dl

DicESTO Econômico

Às massas, os comunistas dizem que a liberdade de opinião existe na Rússia,

tico, a explicação marxista da sociedade e da história é a própria verdade. E se

a verdade defendida pelos senhores da

ditórias, a existência de uma implicando

porque nesse país o povo se libertou da

os homens ainda não reconheceram essa

neccssàriamente a supressão da outra.

servidão capita.ista, e os seus jornais

verdade c porque as mistificaç-ões do regime capitalista impedem êsse reco

Inquisição era falsa, ao passo que a dèles ó verdadeira.

A liberdade que representa uma idéiafòrça, que sempre sublevou e galvani

exprimem os anseios da coletividade que exerce, sem nenhum constrangimento, o

nhecimento.

direito de crítica.

Com as elites, com o

seus interesses e os proletários só não se

público mais advertido, os comunistas

tornaram ainda marxistas porque estão

abrem o jôgo e confessam que, de fato,

enganados ou embrutecidos pela opres.sãü capitalista. A diversidade de opiniões é devida, nos regimes liberais e burgue-

a liberdade de opinião não existe na

Rússia porque a Rússia não é uma demo

.scs, á própria exploração econômica. Se

do os sabotadores, os heréticos, os trai

sim como os

os homens não são todos marxistas é

porque não são todos livres. No dia em que desaparecerem as mistificações, os constrangimentos, as superstições, as

dia todos os homens livres re conhecerão a verdade do mar

o respeito aos próprios princípios,

xismo, e a liberJade burguesa,

Das democracias liberais

e

a fim de poderem livremente

entendida como a coexistência

exercer a sua propaganda e o seu

pacífica de opiniões diversas e

apostolado. Na Rússia, porém, não há razão alguma para res

contraditórias, deixará de existir, não tendo mais nenhum sentido,

peitar esses princípios uma vez

nenhuma razão de ser.

que á ditadura do proletariado só admi te a liberdade dos coniunista.s.

Thierry Mauinier reconhece o que há

mas a dos outros também. Para o mar

de procedente nesta resposta. Para os

xista, ao contiário, a liberdade de opi nião é sòmente a sua, isto é, a liberdade

significa a instauração da verdadeira li berdade, que não se confunde com a

de se ter uma opinião marxista. Para os marxistas, escreve Trierry Maulnier, "to

falsa liberdade burguesa, máscara da

dos os homens seriam marxistas se fôs-

opressão social. Empenhado numa luta

sem livres".

de vida ou de morte, o proletariado não

aquô'es que, tendo-se tornado livres, re

berdade aos seus inimigos. A guerra não foi sempre incompatível com a li

cusam a verdade marxista, são doen

berdade, com a verdade, com a justiça?

veis, dos quais a sociedade comunista deve desembaraçar-se impiedosamente e

o mais depressa possível. O que não conseguimos ver, porém, é em que êsse raciocínio difere do que

Além disso, para o comunismo autên

suscitou as fogueiras da Inquisição. Os

outros partidos, mas a minha liberdade

rio, fala cm liberdade. E como os "slo

e a dos outros também, a coexistência, a

gans" de propaganda visam influenciar o público, que inclui não só os adeptos

todos.

afirmação simultânea da liberdade de Seria arriscado, porém, na luta propa-

gandística, fazer publicamente a de

gos, os comunistas exploram a elasti

monstração dialética segundo a qual a

cidade do vocabulário, valendo-se de

liberdade dos regimes burgueses é uma

palavras ambíguas como a liberdade,

falsa liberdade, enquanto a liberdade co

por exemplo, que é compreendida pelas massas, não no sentido do liberdade ape

vitável da supressão do capitalismo, das

nas para os comunistas e para o seu

lutas de classe e da propriedade priva

munista é o resultado automático e ine

partido, mas no sentido cotidiano, tra

da, permitindo a plena afirmação do

dicional, burguês, do direito que cada

homem e, conseqüentemente, a sua to tal emancipação. As massas não com

preenderiam essa demonstração e muito menos o paradoxo de um regime de opressão, de uma ditadura que, para

cando duas coisas ao mesmo tempo:

realizar a liberdade total, suprime, por tempo indeterminado, tôdas as liber

para os não-comunistas, um valor incon-

dades.

Empregando com tanta insistência, com uma obstinação quase alucinatória, a pa

de fazer isto ou aquilo, de permanecer

lavra liberdade, a propaganda comu

onde se está ou de ir embora, de ade

nista o faz explorando conscientemente a ambigüidade do têrmo. As ressonân cias que desperta em função do seu

rir ao regime estabelecido ou de com batê-lo; e, para os comunistas, a liber dade de o pro etariado tomar o poder e suprimir a liberdade dos adversários, impondo a todos uma obediência abso luta o irrestrita à política do partido único.

O vocábulo só é o mesmo na apa

rência.

Na realidade exprime duas

concepções tão diversas da liberdade,

,.L

da liberdade dos outros homens e dos

O "placard" comunista, ao contrá

possibilidade de trabalhar aqui ou ali,

tes incuráveis ou criminosos incorrigí-

Os soldados obedecem cegamente, não procuram saber se o inimigo tem razão mas, ao contrário, o enganam e o ma tam sempre que é preciso.

do meu partido apenas, e o sacrifício

dicionado, de conteúdo tradicional, a

Dessa conclusão resulta que todos

se pode dar ao luxo de conceder a li

cio não pretendiam defender a liberdade, mas apenas a verdade.

de que tiver vontade e dizer o que sente e pensa. Quando os comunistas empregam a palavra Liberdade, jogam com o seu duplo sentido, o mesmo têrmo signifi

liberdade de opinião não é apenas a sua,

comunistas, a vitória do proletariado

mais profunda dc todos os mosimentos históricos, não é a minha liberdade ou

um tem de ir onde quiser, fazer aquilo

Para aqueles que não são marxistas, a

zou os homens, sendo talvez a mola

rença dc que os tribunais do Santo Ofí

tros e indecisos e até mesmo os inimi

homens incuràvelmente

que chegam a ser antagônicas e contra

car o sacrifício dos hcrejes. Com a dife

e simpatizíiiitcs, mas também os neu

marcados por essas taras, nesse

burguesas, os comunistas exigem

Mas este argumento

era exatamente aquele de que se serviam os senhores da Inquisição para justifi

Os capitalistas defendem

cracia burguesa, mas uma democracia proletária que, cercada por nações ca pitalistas e inimigas, é obrigada a de fender a revolução e o destino do socia lismo, reduzindo ao silêncio ou eliminan

dores e os espiões.

marxistas poderiam objctaj dizendo que

sentido comum e tradicional são utili

zadas em proveito do sentido próprio e revolucionário que adquire quando se inscreve no vocabulário do partido. Que

todos se empenhem, portanto, na luta

pela defesa de uma liberdade da qual os comunistas irão aproveitar-se para

negar e destruir a própria liberdade.


Digí:sto EcoNÓ^aco

ao

dl

DicESTO Econômico

Às massas, os comunistas dizem que a liberdade de opinião existe na Rússia,

tico, a explicação marxista da sociedade e da história é a própria verdade. E se

a verdade defendida pelos senhores da

ditórias, a existência de uma implicando

porque nesse país o povo se libertou da

os homens ainda não reconheceram essa

neccssàriamente a supressão da outra.

servidão capita.ista, e os seus jornais

verdade c porque as mistificaç-ões do regime capitalista impedem êsse reco

Inquisição era falsa, ao passo que a dèles ó verdadeira.

A liberdade que representa uma idéiafòrça, que sempre sublevou e galvani

exprimem os anseios da coletividade que exerce, sem nenhum constrangimento, o

nhecimento.

direito de crítica.

Com as elites, com o

seus interesses e os proletários só não se

público mais advertido, os comunistas

tornaram ainda marxistas porque estão

abrem o jôgo e confessam que, de fato,

enganados ou embrutecidos pela opres.sãü capitalista. A diversidade de opiniões é devida, nos regimes liberais e burgue-

a liberdade de opinião não existe na

Rússia porque a Rússia não é uma demo

.scs, á própria exploração econômica. Se

do os sabotadores, os heréticos, os trai

sim como os

os homens não são todos marxistas é

porque não são todos livres. No dia em que desaparecerem as mistificações, os constrangimentos, as superstições, as

dia todos os homens livres re conhecerão a verdade do mar

o respeito aos próprios princípios,

xismo, e a liberJade burguesa,

Das democracias liberais

e

a fim de poderem livremente

entendida como a coexistência

exercer a sua propaganda e o seu

pacífica de opiniões diversas e

apostolado. Na Rússia, porém, não há razão alguma para res

contraditórias, deixará de existir, não tendo mais nenhum sentido,

peitar esses princípios uma vez

nenhuma razão de ser.

que á ditadura do proletariado só admi te a liberdade dos coniunista.s.

Thierry Mauinier reconhece o que há

mas a dos outros também. Para o mar

de procedente nesta resposta. Para os

xista, ao contiário, a liberdade de opi nião é sòmente a sua, isto é, a liberdade

significa a instauração da verdadeira li berdade, que não se confunde com a

de se ter uma opinião marxista. Para os marxistas, escreve Trierry Maulnier, "to

falsa liberdade burguesa, máscara da

dos os homens seriam marxistas se fôs-

opressão social. Empenhado numa luta

sem livres".

de vida ou de morte, o proletariado não

aquô'es que, tendo-se tornado livres, re

berdade aos seus inimigos. A guerra não foi sempre incompatível com a li

cusam a verdade marxista, são doen

berdade, com a verdade, com a justiça?

veis, dos quais a sociedade comunista deve desembaraçar-se impiedosamente e

o mais depressa possível. O que não conseguimos ver, porém, é em que êsse raciocínio difere do que

Além disso, para o comunismo autên

suscitou as fogueiras da Inquisição. Os

outros partidos, mas a minha liberdade

rio, fala cm liberdade. E como os "slo

e a dos outros também, a coexistência, a

gans" de propaganda visam influenciar o público, que inclui não só os adeptos

todos.

afirmação simultânea da liberdade de Seria arriscado, porém, na luta propa-

gandística, fazer publicamente a de

gos, os comunistas exploram a elasti

monstração dialética segundo a qual a

cidade do vocabulário, valendo-se de

liberdade dos regimes burgueses é uma

palavras ambíguas como a liberdade,

falsa liberdade, enquanto a liberdade co

por exemplo, que é compreendida pelas massas, não no sentido do liberdade ape

vitável da supressão do capitalismo, das

nas para os comunistas e para o seu

lutas de classe e da propriedade priva

munista é o resultado automático e ine

partido, mas no sentido cotidiano, tra

da, permitindo a plena afirmação do

dicional, burguês, do direito que cada

homem e, conseqüentemente, a sua to tal emancipação. As massas não com

preenderiam essa demonstração e muito menos o paradoxo de um regime de opressão, de uma ditadura que, para

cando duas coisas ao mesmo tempo:

realizar a liberdade total, suprime, por tempo indeterminado, tôdas as liber

para os não-comunistas, um valor incon-

dades.

Empregando com tanta insistência, com uma obstinação quase alucinatória, a pa

de fazer isto ou aquilo, de permanecer

lavra liberdade, a propaganda comu

onde se está ou de ir embora, de ade

nista o faz explorando conscientemente a ambigüidade do têrmo. As ressonân cias que desperta em função do seu

rir ao regime estabelecido ou de com batê-lo; e, para os comunistas, a liber dade de o pro etariado tomar o poder e suprimir a liberdade dos adversários, impondo a todos uma obediência abso luta o irrestrita à política do partido único.

O vocábulo só é o mesmo na apa

rência.

Na realidade exprime duas

concepções tão diversas da liberdade,

,.L

da liberdade dos outros homens e dos

O "placard" comunista, ao contrá

possibilidade de trabalhar aqui ou ali,

tes incuráveis ou criminosos incorrigí-

Os soldados obedecem cegamente, não procuram saber se o inimigo tem razão mas, ao contrário, o enganam e o ma tam sempre que é preciso.

do meu partido apenas, e o sacrifício

dicionado, de conteúdo tradicional, a

Dessa conclusão resulta que todos

se pode dar ao luxo de conceder a li

cio não pretendiam defender a liberdade, mas apenas a verdade.

de que tiver vontade e dizer o que sente e pensa. Quando os comunistas empregam a palavra Liberdade, jogam com o seu duplo sentido, o mesmo têrmo signifi

liberdade de opinião não é apenas a sua,

comunistas, a vitória do proletariado

mais profunda dc todos os mosimentos históricos, não é a minha liberdade ou

um tem de ir onde quiser, fazer aquilo

Para aqueles que não são marxistas, a

zou os homens, sendo talvez a mola

rença dc que os tribunais do Santo Ofí

tros e indecisos e até mesmo os inimi

homens incuràvelmente

que chegam a ser antagônicas e contra

car o sacrifício dos hcrejes. Com a dife

e simpatizíiiitcs, mas também os neu

marcados por essas taras, nesse

burguesas, os comunistas exigem

Mas este argumento

era exatamente aquele de que se serviam os senhores da Inquisição para justifi

Os capitalistas defendem

cracia burguesa, mas uma democracia proletária que, cercada por nações ca pitalistas e inimigas, é obrigada a de fender a revolução e o destino do socia lismo, reduzindo ao silêncio ou eliminan

dores e os espiões.

marxistas poderiam objctaj dizendo que

sentido comum e tradicional são utili

zadas em proveito do sentido próprio e revolucionário que adquire quando se inscreve no vocabulário do partido. Que

todos se empenhem, portanto, na luta

pela defesa de uma liberdade da qual os comunistas irão aproveitar-se para

negar e destruir a própria liberdade.


".vr^

23

Dwjesto EcoNÓNnco Dicesto Ecoxómico

- No mesmo programa de mistificação das consciências, inclui-sc também a ex

-são capitalista.

ploração das palavras imperialismo e

Bálcãs e a "cortina de ferro"?

democracia. No mundo inteiro os par tidos comunistas afirmam, pública e

sistem os comunistas.

solenemente, que jamais entrarão em

capitalista, não pode ser imperia'isla, e quando invade, ocupa e domina é só pa

guerra com a Rússia Soviética.

Ante a

indignação que tais declarações provo cam, os comunistas respondem, surpreen

ma nação foi invadida ou ocupada, in A Rússia não c

ra libertar, proteger e salvar.

Mas a Alemanha nazista, quando

Outra nação, uma vez que não é um

"espaço vital", não ju.stificava, por aca

país capitalista.

so, o seu imperialismo com os mesmos argumentos? A A'emanha men tia, reli-ucam os comunistas, e a

marxista, o imperialismo é a eta

pa final do capitalismo, a agres sividade das nações capitalistas que procuram, pela violência e para os seus produtos, destruir os

Impossível, contestam ainda os

concorrentes perigosos e resolver

marxistas, e, sé isso acontecesse, é porque os capitalistas italianos o franceses, lacaios de Truman c do imperialismo norte-americano, esta

e das lutas de classe.

Não sendo a Rússia uma nação capi talista, não pode procurar escoadouros para o excedente da sua produção, nem

tampouco recorrer à guerra como expe diente para resolver os conflitos internos

entre as classes sociais, uma vez que estas, por liipótese, não existem mais.

Não sendo capitalista, não pode a Rússia ser imperialista, não pode atacar, não

que os viesse salvar.

riam atacadas e invadidas mesmo que

de fato atacado e invadido? É um absur

o fossem, uma vez que a Rússia não

do, respondem os marxistas, é impossí vel. E a Finlândia, em 1940? Não po dendo negar o que aconteceu, não po dendo contestar o fato que ainda está

podo, em virtude de uma impossibilida de metafísica e dialética, atacar e inva

dir, mesmo quando ataca e invade, por que, não sendo capitalista, não pode ser

na memória de todos, os comunistas res

ímperia'ista.

pondem dizendo que a Finlândia era

eloqüência dos fatos, crgne-sc, tran qüila e invencível, a simplicidade de um raciocínio lógico. Tôdas as outras

uma presa possível do capitalismo, um

trampolim do qual poderiam atacar a Rússia e que, invadindo-a, a Rússia não

fez senão impedir, prevenir uma agres são. Não atacou propriamente, apenas

Contra a brutalidade e a

nações podem invadir, violar fronteiras,

ccupar e dominar territórios, porque, sendo capitalistas, são também imperia-

me comunista, a ditadura de uma só

lavra em seu sentida cotidiano e habi

tas sabem perfeitamente em que estão

opinião, de um só partido.

tual, o imperialismo é o imperÍa'ismo,

pensando e o que estão dizendo; as

quer dizer, o impulso do certas nações, transbordantcs de vida e de fórçu, que

massas, porem, que são o objeto da sua

propaganda, só podem Bar à palavia

as leva a deitar a garra em outras na

o sentido que sempre teve, o de um ie?imc em que não apenas alguns, mas todos são ou podem ser livres.

volução.

As palavras de que se utiliza a propa ganda comunista apresentam sempre es

sa ambigüidade e êsse duplo sentido, um para os iniciados, membros do par tido ou simpatizantes, outro pa

ra as massas inconscientes que é preciso enganar e mistificar de qualquer maneira, dando-lhes a

Quanto à forma de

por meio do grandes forças mo

ilusão de que se quer exatamen te o que elas querem, embora,

das de nuvens de pára-qucdistas na re

na realidade, o que se pretende seja precisamente o contrário.

taguarda, ou destruição, com ns bom bas atômicas, dos grande.s centros ín-

dúvida, essas técnicas de' mistificação,

torizadas e mecanizadas, desci

\

dustríaí.s, é necessário reconhecer que a

emprêsa de libertação revolucionária se ria tão semelhante, tão parecida com a

I

Quando

usam a palavra democracia, os comunis

rcaliziição dessa política, porém,

pontâneos e naturais, não poderiam fun cionar, pois a França e a Itália não se

a "democracia popular", isto é, o regi

nos benefícios da sua própria re

Neste caso, os reflexos patrióticos, es

pode invadir nenhuma outra nação. Mas, e se viesse a atacar, se já tivesse

vos sòmente para lhes restituir a inde

mente ao desejo de fazer que os outros países fósscm inchndos

o proletariado daquelas nações, víti tado por socon-o, pedindo à Rússia

mes cm que há liberdade de opinião e

pendência e salvá-los da opressão ca pitalista. * Para o senso conuun, tomando a pa

cialista, mesmo (lue correspondesse sò

riam preparando a guerra contra a Rús sia, ou então porque o povo, as massas,

mas da opressão burguesa, teriam gri

contraditórios, ora designando os regi

pluralidade de partidos, ora designando

o imperialismo pode muito bem ser a li nha da política exterior de um país so

mentir. E se a Itália e a Fran

ça fossem atacadas pela Rússia?

prega simultáneamente em dois sentidos

rando a diladtira. dc dominar outros po

ções mais fracas, incorporando aos pró prios limites uma parte ou a totalidade dos seus territórios. ^ Assim considerado,

Rússia não mente, não pode

pela força, conquistar mercados a contradição interna das crises

mir libertando, dc democratizar instau

Nenhu

transbordava no território dos seus \izínhos, dilatando as fronteiras do seu

A Rú.ssia apenas tem o mono

pólio e o misterioso pri\'ilégio de opri

Ma.s, e a Polônia, e os

didos, que não a compreendem, pois a Rússia não fará a guerra a nenhuma Segundo o catecismo

listas.

socorreu os finlandeses, vítimas da opres-

agressão capitalista como duas gotas ■de sangue. Assim como a liberdade, para os co munistas, só é verdadeira quando é a .sua liberdade, assim também só há im

perialismo quando é burguês e capitalis ta, o imperialismo russo sendo sempre, e por definição, outra coisa, isto é, uma operação desinteressada e filantrópica, uma cruzada de libertação dos povos.

Do mesmo jogo, da mesma mistifica ção ainda é vítima a palavra democra

cia.

A propaganda píanificada a- em

Os comunistas não inventaram, seni

nem dispõem, tampouco, do seu monopó lio. Tudo acontece, ix)réni, como se, de pois de terem revelado e denunciado mistificações capitalistas, os marxistas ti vessem organizado a exploração sistemá tica dessas mistificações em benefício

dêle.'' mesmos e da sua pretensa revolu ção.

Nos regimes capitalistas a mistificação é muila.s vezes espontânea, e a desen

voltura c a boa consciência com que

certos milionários burgueses falam em

pátria, liberdade, democracia e justiça, niascarando sem o

saber o seu egoís

mo e os seuxS interêsses privados, é me

nos uma atitude ditada pelo cinismo o


".vr^

23

Dwjesto EcoNÓNnco Dicesto Ecoxómico

- No mesmo programa de mistificação das consciências, inclui-sc também a ex

-são capitalista.

ploração das palavras imperialismo e

Bálcãs e a "cortina de ferro"?

democracia. No mundo inteiro os par tidos comunistas afirmam, pública e

sistem os comunistas.

solenemente, que jamais entrarão em

capitalista, não pode ser imperia'isla, e quando invade, ocupa e domina é só pa

guerra com a Rússia Soviética.

Ante a

indignação que tais declarações provo cam, os comunistas respondem, surpreen

ma nação foi invadida ou ocupada, in A Rússia não c

ra libertar, proteger e salvar.

Mas a Alemanha nazista, quando

Outra nação, uma vez que não é um

"espaço vital", não ju.stificava, por aca

país capitalista.

so, o seu imperialismo com os mesmos argumentos? A A'emanha men tia, reli-ucam os comunistas, e a

marxista, o imperialismo é a eta

pa final do capitalismo, a agres sividade das nações capitalistas que procuram, pela violência e para os seus produtos, destruir os

Impossível, contestam ainda os

concorrentes perigosos e resolver

marxistas, e, sé isso acontecesse, é porque os capitalistas italianos o franceses, lacaios de Truman c do imperialismo norte-americano, esta

e das lutas de classe.

Não sendo a Rússia uma nação capi talista, não pode procurar escoadouros para o excedente da sua produção, nem

tampouco recorrer à guerra como expe diente para resolver os conflitos internos

entre as classes sociais, uma vez que estas, por liipótese, não existem mais.

Não sendo capitalista, não pode a Rússia ser imperialista, não pode atacar, não

que os viesse salvar.

riam atacadas e invadidas mesmo que

de fato atacado e invadido? É um absur

o fossem, uma vez que a Rússia não

do, respondem os marxistas, é impossí vel. E a Finlândia, em 1940? Não po dendo negar o que aconteceu, não po dendo contestar o fato que ainda está

podo, em virtude de uma impossibilida de metafísica e dialética, atacar e inva

dir, mesmo quando ataca e invade, por que, não sendo capitalista, não pode ser

na memória de todos, os comunistas res

ímperia'ista.

pondem dizendo que a Finlândia era

eloqüência dos fatos, crgne-sc, tran qüila e invencível, a simplicidade de um raciocínio lógico. Tôdas as outras

uma presa possível do capitalismo, um

trampolim do qual poderiam atacar a Rússia e que, invadindo-a, a Rússia não

fez senão impedir, prevenir uma agres são. Não atacou propriamente, apenas

Contra a brutalidade e a

nações podem invadir, violar fronteiras,

ccupar e dominar territórios, porque, sendo capitalistas, são também imperia-

me comunista, a ditadura de uma só

lavra em seu sentida cotidiano e habi

tas sabem perfeitamente em que estão

opinião, de um só partido.

tual, o imperialismo é o imperÍa'ismo,

pensando e o que estão dizendo; as

quer dizer, o impulso do certas nações, transbordantcs de vida e de fórçu, que

massas, porem, que são o objeto da sua

propaganda, só podem Bar à palavia

as leva a deitar a garra em outras na

o sentido que sempre teve, o de um ie?imc em que não apenas alguns, mas todos são ou podem ser livres.

volução.

As palavras de que se utiliza a propa ganda comunista apresentam sempre es

sa ambigüidade e êsse duplo sentido, um para os iniciados, membros do par tido ou simpatizantes, outro pa

ra as massas inconscientes que é preciso enganar e mistificar de qualquer maneira, dando-lhes a

Quanto à forma de

por meio do grandes forças mo

ilusão de que se quer exatamen te o que elas querem, embora,

das de nuvens de pára-qucdistas na re

na realidade, o que se pretende seja precisamente o contrário.

taguarda, ou destruição, com ns bom bas atômicas, dos grande.s centros ín-

dúvida, essas técnicas de' mistificação,

torizadas e mecanizadas, desci

\

dustríaí.s, é necessário reconhecer que a

emprêsa de libertação revolucionária se ria tão semelhante, tão parecida com a

I

Quando

usam a palavra democracia, os comunis

rcaliziição dessa política, porém,

pontâneos e naturais, não poderiam fun cionar, pois a França e a Itália não se

a "democracia popular", isto é, o regi

nos benefícios da sua própria re

Neste caso, os reflexos patrióticos, es

pode invadir nenhuma outra nação. Mas, e se viesse a atacar, se já tivesse

vos sòmente para lhes restituir a inde

mente ao desejo de fazer que os outros países fósscm inchndos

o proletariado daquelas nações, víti tado por socon-o, pedindo à Rússia

mes cm que há liberdade de opinião e

pendência e salvá-los da opressão ca pitalista. * Para o senso conuun, tomando a pa

cialista, mesmo (lue correspondesse sò

riam preparando a guerra contra a Rús sia, ou então porque o povo, as massas,

mas da opressão burguesa, teriam gri

contraditórios, ora designando os regi

pluralidade de partidos, ora designando

o imperialismo pode muito bem ser a li nha da política exterior de um país so

mentir. E se a Itália e a Fran

ça fossem atacadas pela Rússia?

prega simultáneamente em dois sentidos

rando a diladtira. dc dominar outros po

ções mais fracas, incorporando aos pró prios limites uma parte ou a totalidade dos seus territórios. ^ Assim considerado,

Rússia não mente, não pode

pela força, conquistar mercados a contradição interna das crises

mir libertando, dc democratizar instau

Nenhu

transbordava no território dos seus \izínhos, dilatando as fronteiras do seu

A Rú.ssia apenas tem o mono

pólio e o misterioso pri\'ilégio de opri

Ma.s, e a Polônia, e os

didos, que não a compreendem, pois a Rússia não fará a guerra a nenhuma Segundo o catecismo

listas.

socorreu os finlandeses, vítimas da opres-

agressão capitalista como duas gotas ■de sangue. Assim como a liberdade, para os co munistas, só é verdadeira quando é a .sua liberdade, assim também só há im

perialismo quando é burguês e capitalis ta, o imperialismo russo sendo sempre, e por definição, outra coisa, isto é, uma operação desinteressada e filantrópica, uma cruzada de libertação dos povos.

Do mesmo jogo, da mesma mistifica ção ainda é vítima a palavra democra

cia.

A propaganda píanificada a- em

Os comunistas não inventaram, seni

nem dispõem, tampouco, do seu monopó lio. Tudo acontece, ix)réni, como se, de pois de terem revelado e denunciado mistificações capitalistas, os marxistas ti vessem organizado a exploração sistemá tica dessas mistificações em benefício

dêle.'' mesmos e da sua pretensa revolu ção.

Nos regimes capitalistas a mistificação é muila.s vezes espontânea, e a desen

voltura c a boa consciência com que

certos milionários burgueses falam em

pátria, liberdade, democracia e justiça, niascarando sem o

saber o seu egoís

mo e os seuxS interêsses privados, é me

nos uma atitude ditada pelo cinismo o


Dicbsto Econômico

24

pela má fé, do que o fruto da insensi

trinária, que êsses valores eram o pro-

bilidade 8 da ínconsciéncia.

duto da mistificação.

Os comunistas não são os únicos a

mistíficar.

A sua mistificação, porém,

ao contrário das outras, é lúcida, cons

ciente, deliberada, quase científica. In

rente daquele em que todo mundo as

vocando certos valores como a democra

emprega, explorando sistemàticamente essa ambigüidade em favor da transmu tação de valores que a chamada revo

cia, a liberdade, a justiça, dos quais êles mesmos já fizeram a crítica, os co munistas sabem que estão explorando valores burgueses que, segundo a sua

Para um mélhor aproveitamento íl

A planificação da impostura consiste, portanto, em empregar palavras usa das por todo mundo num sentido dife

lução pretende realizar.

dos recursos naturais S. ^"RôEs Abreu

l^o próximo mês de agosto, promovida pelo Conselho Econômico e Social

Que o comu

nerais e combustíveis, de vez que uma

apreciação sôbre todos os temas não caberia no limitado âmbito dum artigo

doutrina, não passam de formas da mis

nista pense, em seu íntimo, que não está mentindo porque a .sua liberdade é a

das Nações Unidas, haverá em Lake Suceess uma grande reunião de cien

tificação capitalista.

verdadeira e a burguesa é a falsa, por

tistas, técnicos e economistas para troca

O homem formado pe^a sociedade burguesa, embora negue em .sua con

que a sua democracia é a verdadeira e

de idéias sôbre os problemas relativos a

a burguesa a falsa, mesmo assim não

um melhor aproveitamento dos recursos

consiste em 9 itens, assim discriminados:

duta esses valores ideais, acredita néles. O marxista, ao contrário, não acredita

poderá ignorar, não poderá deixar de ter consciência de que a sua técnica de

naturais das Nações Unidas.

1. Fornecimentos de minerais e sua

propaganda consiste em confundir as

de assuntos no domínio dos minerais,

duas democracias, as duas liberdades.

dos combustíveis, das águas, das flores tas, dos solos, dos animais sel

nesse ideais, mas age como se acreditas se. Para efeitos de propaganda, de .su gestão e de aliciamento, usa, junto às massas, dos mesmos valores burgueses, conservando-lhes a máscara da trans

cendência que lhes foi imposta pe'a mis tificação burguesa, pois sabe que é nes sa máscara que reside o seu prestígio 6 sortilégio.

O que caracteriza a propaganda mar xista é, pois, o uti'izar-se em larga escala, técnica e cientificamente, do prestígio dos valores burgueí^es depois de ter demonstrado, em sua crítica dou

adequado às finalidades e proporções desta Revista.

O temário sôbre Recursos Minerais

O programa abrange grande variedade

E é nesta confusão deliberada e cons

ciente que reside a impostura.

medida.

Tem em vista estimati\'as de reservas minerais, custos de produção,

vagens, dos peixes e dos produ

dos homens, se as técnicas de mistifica ção são realmente as mais eficazes. Res taria saber se a mentira e a fraude são

interêsse fundamental para todos

" ^ ''i

os países, sejam êles altamente

^

os melhores métodos para vencer e do

vastações resultantes da guerra, como os Estados Unidos, sejam países

E restaria ainda saber se o desprêzo

tos do mar.

inutilmente o mundo e o sangue dos ho mens teria sido o preço da cegueira e

-

industrializados e livres das de

minar. Em caso contrário, a planifica ção da impostura teria convulsionado

Tal reunião é de

S

da loucura.

reduzidos a ruínas, como alguns da Europa, ou sejam nações que ficaram longe dos campos de batalha mas so frem as conseqüências da falta de tecno logia nas suas produções, como o Brasil e quase todos os países da América do Sul.

É, portanto, com o maior interêsse que devemos encarar essa reunião, procuran

O consumo de café nos Estados Unidos, em 1948, elecou-se a oito quilos e 623 gramas -por pessoa, segundo o Departamento do Comércio. As cifras reveladas demonstram que o consumo dêsse produto chegou quase a duplicar, nos E. U. A. desde 1911, quando a média era de quatro quilos e 208 gramas e que o recorde

do obter ensinamentos no contato com

as grandes autoridades nos diversos as suntos e tentando dirigir para ^cá as atenções dos especialistas nas questões que mais reclamam, entre nós, uma me lhoria de ação e um aperfeiçoamento de métodos. Qualquer um dos assuntos pro gramados na conferência interessa gran

(oito quilos e 790 gramas) foi estabelecida em 1943.

Por nutro lado, o consumo do chá,caiu à 472 gramas por pessoa, em 1911, para menos de meia libra em 1948 (a libra inglesa eqüivale a 453 gramas). As importações de café pelos Estados Unidos, cm 1949, totalizaram 1.235.063

toneladas métricas, o que constitui recorde. Essa otfra ó superior em 453.000 fçneladas à média de 1935-1989.

.L

capitais necessários à sua exploração, método para estimati%'a de reservas e necessidades de padronização dos métodos de a\ a-

liação de reser\'as.

2. Aumento dos recursos minerais por meio de novas descobertas.

Abrange os temas de perspectivas de novos descobrimentos, possibilidades e custos de métodos para novas descober tas; novas técnicas de mapeamento geo

lógico e novas pesquisas no campo da geofísica, da geoquímica, da exploração submarina e outros ainda em evolu ção.

3.

Conservação em mineração e moa-

gein de minérios. Trata da mecanização das minas de

demente ao Brasil, mas vamos salientar

metais para aumento de rendimento, de novos processos para utilização de mi nérios pobres, mecanização de minas

aqui apenas o que diz respeito aos mi-

de não metálicos.


Dicbsto Econômico

24

pela má fé, do que o fruto da insensi

trinária, que êsses valores eram o pro-

bilidade 8 da ínconsciéncia.

duto da mistificação.

Os comunistas não são os únicos a

mistíficar.

A sua mistificação, porém,

ao contrário das outras, é lúcida, cons

ciente, deliberada, quase científica. In

rente daquele em que todo mundo as

vocando certos valores como a democra

emprega, explorando sistemàticamente essa ambigüidade em favor da transmu tação de valores que a chamada revo

cia, a liberdade, a justiça, dos quais êles mesmos já fizeram a crítica, os co munistas sabem que estão explorando valores burgueses que, segundo a sua

Para um mélhor aproveitamento íl

A planificação da impostura consiste, portanto, em empregar palavras usa das por todo mundo num sentido dife

lução pretende realizar.

dos recursos naturais S. ^"RôEs Abreu

l^o próximo mês de agosto, promovida pelo Conselho Econômico e Social

Que o comu

nerais e combustíveis, de vez que uma

apreciação sôbre todos os temas não caberia no limitado âmbito dum artigo

doutrina, não passam de formas da mis

nista pense, em seu íntimo, que não está mentindo porque a .sua liberdade é a

das Nações Unidas, haverá em Lake Suceess uma grande reunião de cien

tificação capitalista.

verdadeira e a burguesa é a falsa, por

tistas, técnicos e economistas para troca

O homem formado pe^a sociedade burguesa, embora negue em .sua con

que a sua democracia é a verdadeira e

de idéias sôbre os problemas relativos a

a burguesa a falsa, mesmo assim não

um melhor aproveitamento dos recursos

consiste em 9 itens, assim discriminados:

duta esses valores ideais, acredita néles. O marxista, ao contrário, não acredita

poderá ignorar, não poderá deixar de ter consciência de que a sua técnica de

naturais das Nações Unidas.

1. Fornecimentos de minerais e sua

propaganda consiste em confundir as

de assuntos no domínio dos minerais,

duas democracias, as duas liberdades.

dos combustíveis, das águas, das flores tas, dos solos, dos animais sel

nesse ideais, mas age como se acreditas se. Para efeitos de propaganda, de .su gestão e de aliciamento, usa, junto às massas, dos mesmos valores burgueses, conservando-lhes a máscara da trans

cendência que lhes foi imposta pe'a mis tificação burguesa, pois sabe que é nes sa máscara que reside o seu prestígio 6 sortilégio.

O que caracteriza a propaganda mar xista é, pois, o uti'izar-se em larga escala, técnica e cientificamente, do prestígio dos valores burgueí^es depois de ter demonstrado, em sua crítica dou

adequado às finalidades e proporções desta Revista.

O temário sôbre Recursos Minerais

O programa abrange grande variedade

E é nesta confusão deliberada e cons

ciente que reside a impostura.

medida.

Tem em vista estimati\'as de reservas minerais, custos de produção,

vagens, dos peixes e dos produ

dos homens, se as técnicas de mistifica ção são realmente as mais eficazes. Res taria saber se a mentira e a fraude são

interêsse fundamental para todos

" ^ ''i

os países, sejam êles altamente

^

os melhores métodos para vencer e do

vastações resultantes da guerra, como os Estados Unidos, sejam países

E restaria ainda saber se o desprêzo

tos do mar.

inutilmente o mundo e o sangue dos ho mens teria sido o preço da cegueira e

-

industrializados e livres das de

minar. Em caso contrário, a planifica ção da impostura teria convulsionado

Tal reunião é de

S

da loucura.

reduzidos a ruínas, como alguns da Europa, ou sejam nações que ficaram longe dos campos de batalha mas so frem as conseqüências da falta de tecno logia nas suas produções, como o Brasil e quase todos os países da América do Sul.

É, portanto, com o maior interêsse que devemos encarar essa reunião, procuran

O consumo de café nos Estados Unidos, em 1948, elecou-se a oito quilos e 623 gramas -por pessoa, segundo o Departamento do Comércio. As cifras reveladas demonstram que o consumo dêsse produto chegou quase a duplicar, nos E. U. A. desde 1911, quando a média era de quatro quilos e 208 gramas e que o recorde

do obter ensinamentos no contato com

as grandes autoridades nos diversos as suntos e tentando dirigir para ^cá as atenções dos especialistas nas questões que mais reclamam, entre nós, uma me lhoria de ação e um aperfeiçoamento de métodos. Qualquer um dos assuntos pro gramados na conferência interessa gran

(oito quilos e 790 gramas) foi estabelecida em 1943.

Por nutro lado, o consumo do chá,caiu à 472 gramas por pessoa, em 1911, para menos de meia libra em 1948 (a libra inglesa eqüivale a 453 gramas). As importações de café pelos Estados Unidos, cm 1949, totalizaram 1.235.063

toneladas métricas, o que constitui recorde. Essa otfra ó superior em 453.000 fçneladas à média de 1935-1989.

.L

capitais necessários à sua exploração, método para estimati%'a de reservas e necessidades de padronização dos métodos de a\ a-

liação de reser\'as.

2. Aumento dos recursos minerais por meio de novas descobertas.

Abrange os temas de perspectivas de novos descobrimentos, possibilidades e custos de métodos para novas descober tas; novas técnicas de mapeamento geo

lógico e novas pesquisas no campo da geofísica, da geoquímica, da exploração submarina e outros ainda em evolu ção.

3.

Conservação em mineração e moa-

gein de minérios. Trata da mecanização das minas de

demente ao Brasil, mas vamos salientar

metais para aumento de rendimento, de novos processos para utilização de mi nérios pobres, mecanização de minas

aqui apenas o que diz respeito aos mi-

de não metálicos.


■"

T'

•• «•

biOKSTo Econômico

27

]3if:KSTo Econômico

4.

9.

Conservação na manufatura.

rações

Métodos de conservação na produ nio nos altos fornos, tratamenl.o-do.s gu^cs residuais, conser\ação dos metais não ferrosos etc.

5.

Conscnjflfüo

na

utilização

e

no

aproveitamento.

m inera is.

Os fatõres geográficos na utilização

ção de gusa e aço, como uso do oxigê

des dc

as diversas matéria.s-primas necessiírias, exaustão regulada, experiência na ma nutenção dum e.sgotameuto regulado dos

de me

tais em conslruçõe.s, trans

prcfabricados.

Aproveita

tância do ferro-velho ele. 6.

Conservação pelo contrâlc cia cor

Custo da corrosão e seu controle, pro

teções metálicas e não metálicas, c ou tras medidas protetoras.

0.s mine

sua extração e estimati\a das pos.sibilidades de desenvo'vimento futuro.

mina, custos de transporte de energia Conservação na produção, cficiências

tuação dos depósitos com relação aos

engenharia, ciustos e lucros.

mercados, necessidades de água para ge ração de fôrça por vapor gerado elètrícnmente, resíduos de minas para a pro

Com

relaçao

aos

Combu.tívcis

e

Energia foram formulados os 10 itens que se seguem:

1.

Técnicas para a descoberta e pro

dução de petróleo e gás naturaL

Abrange os métodos geológicos e as técnicas com sismógrafo, gravímetro e magnelômctro, as técnicas gcoquímicas ciais e sub-superficiais.

Possibilidades e

limitações dos novos métodos e sua pos

sível coordenação. Novos métodos, instrumcnlo.s e equipamentos para a produ

Recupera

ção secundária de petróleo, métodos ba

seados no emprego da impulsão pela água, elevação pelo gás e rccompressão. problemas deparados, custos c lucros. Óleo de xisto, c.xpcriência dc produção, .

trumentos de amostragem, técnicas de

.

^

- >

novas técnicas, economia, possibilidades

do produção no presente c no futuro. 4.

Química do petróleo. Revista do estado atual e das tendên

cias da química do petróleo. de combustíveis

sintéticos,

Produção custos cm

relação aos produtos naturais, possibili dades e limitações.

des profundidades, custos e lucros. Novas técnicas para aumento da produção de carvão.

Mineração mun

das plantas. Reservas, capacidade de produção e custos dos principais adubos Economia da acessibilidade

5.

cimenlação dos poços, perfuração a gran

subterrânea,

problemas

técnicos na mecanização, relação de cus

diais dos principais alimentos minerais

elétrica comparados aos do transporte

recoinpressão, efeitos dos conlrôles da

2.

ção.

das minas, uso de carvões bai-xos na

de recuperação, re'ação dc óleo para gás,

Fertilizantes minerais na conserva

Estimativas dos fornecimentos

Novas técnicas- para aumentar a pro dução dc petróleo c gás natural.

ção.

logging" (peifilagcm do.s poços), ins

rais do mar, e.xperiõncia adquirida na

minerais.

3.

ção de petróleo e gás natural, como "well

Conservação pela substituição. O futuro dos metais leves.

8.

paração aos métodos concucíonais. Uti lização de camadas e dopósito.s ruins. Outras possibilidades de uso na bòca

e bioquímicas e outros métodos superfi

rosão.

7.

nomia de mão-de-bbra e custos em com

ro refugo das minas.

aproveitamento dc resíduos dc minera

portes, uso dos metais em

mento de metais velhos, efeitos "per-capita" do uso de metais usados, impor

co e econômico da utilização do carvão

depósitos, lavra ambiciosa, economia do

Po.ssibilida-

economia

emprego do carvão como fonte dc ener gia através do aperfeiço.imento da téc nica de gaseificação subterrânea. Eco

dos depósitos, a necessidade de reunir

Projetos como fator do conservação.

mentos tecnológicos o novos métodos dc preparação de carvão. Estudo técni

em relação a custos e lucros, desenvolvi

EconotJiia da org,anização de explo

tos de produção eritrc minas mecaniza

das e não mecanizadas.

Experiência na

mecanização, comparação de técnicas,

mineração a céu aberto, métodos e equi

e uso dos fertilizantes, problemas de

pamentos mais adequados às várias es pessuras e tipos de cobertura ("overbur-

transporte e concentração.

den").

Preparação de carvão, técnicas

Utilização de combustíveis.

Perspectivas do futm-o na utiüziíção dos combustíveis, técnicas afetando a utilização dos combustíveis no futuro,

como o emprego da turbina a gás e melhoria na eficiência das centrais de

fôrça.

Conservação na utilização do es

paço de aquecimento, estatísticas de con sumo de combu.stível e energia, eficiências, possibilidades de sua melhoria. 6.

UiiHzação de carvão na mina.

Gaseificação subterrânea, sua signifi cação, revolucionainento dos métodos dc

do carvão, limitações em termo da si

dução de fôrça, problemas na sua uti lização. 7.

Corbonização do carvão.

Novas técnicas na indústria do coque, utilização efetiva pela extensão do vo lume de carvões coqueificantes. Neces sidades no presente e estimativas das

necessidades no futuro das indústrias quí micas, da siderurgia e da fabricação de aço.

Extensão das reserx-as de car\-õcs

coqueificantes na base das novas técni

cas. Mistura de carvões. Disparidade

entre as reservas de carvão em geral e as de carvões coqueificantes.

Domínio

sobre a carência de coque, novos pro cessos para a redução de minério de fer

ro, incluindo redução direta, uso de petró'eo na redução.

8.

Utilização da Energia.

O sistema de fôrça integrado, ele mentos dum sistema integrado como me-

canisnro básico para fornecimento de fôrça e conservação da energia, interli

gações entre os sistemas, economia, pro

blemas e limitações.

Possibilidades no

desenvolvimento duma rêde européia de

fôrça.


■"

T'

•• «•

biOKSTo Econômico

27

]3if:KSTo Econômico

4.

9.

Conservação na manufatura.

rações

Métodos de conservação na produ nio nos altos fornos, tratamenl.o-do.s gu^cs residuais, conser\ação dos metais não ferrosos etc.

5.

Conscnjflfüo

na

utilização

e

no

aproveitamento.

m inera is.

Os fatõres geográficos na utilização

ção de gusa e aço, como uso do oxigê

des dc

as diversas matéria.s-primas necessiírias, exaustão regulada, experiência na ma nutenção dum e.sgotameuto regulado dos

de me

tais em conslruçõe.s, trans

prcfabricados.

Aproveita

tância do ferro-velho ele. 6.

Conservação pelo contrâlc cia cor

Custo da corrosão e seu controle, pro

teções metálicas e não metálicas, c ou tras medidas protetoras.

0.s mine

sua extração e estimati\a das pos.sibilidades de desenvo'vimento futuro.

mina, custos de transporte de energia Conservação na produção, cficiências

tuação dos depósitos com relação aos

engenharia, ciustos e lucros.

mercados, necessidades de água para ge ração de fôrça por vapor gerado elètrícnmente, resíduos de minas para a pro

Com

relaçao

aos

Combu.tívcis

e

Energia foram formulados os 10 itens que se seguem:

1.

Técnicas para a descoberta e pro

dução de petróleo e gás naturaL

Abrange os métodos geológicos e as técnicas com sismógrafo, gravímetro e magnelômctro, as técnicas gcoquímicas ciais e sub-superficiais.

Possibilidades e

limitações dos novos métodos e sua pos

sível coordenação. Novos métodos, instrumcnlo.s e equipamentos para a produ

Recupera

ção secundária de petróleo, métodos ba

seados no emprego da impulsão pela água, elevação pelo gás e rccompressão. problemas deparados, custos c lucros. Óleo de xisto, c.xpcriência dc produção, .

trumentos de amostragem, técnicas de

.

^

- >

novas técnicas, economia, possibilidades

do produção no presente c no futuro. 4.

Química do petróleo. Revista do estado atual e das tendên

cias da química do petróleo. de combustíveis

sintéticos,

Produção custos cm

relação aos produtos naturais, possibili dades e limitações.

des profundidades, custos e lucros. Novas técnicas para aumento da produção de carvão.

Mineração mun

das plantas. Reservas, capacidade de produção e custos dos principais adubos Economia da acessibilidade

5.

cimenlação dos poços, perfuração a gran

subterrânea,

problemas

técnicos na mecanização, relação de cus

diais dos principais alimentos minerais

elétrica comparados aos do transporte

recoinpressão, efeitos dos conlrôles da

2.

ção.

das minas, uso de carvões bai-xos na

de recuperação, re'ação dc óleo para gás,

Fertilizantes minerais na conserva

Estimativas dos fornecimentos

Novas técnicas- para aumentar a pro dução dc petróleo c gás natural.

ção.

logging" (peifilagcm do.s poços), ins

rais do mar, e.xperiõncia adquirida na

minerais.

3.

ção de petróleo e gás natural, como "well

Conservação pela substituição. O futuro dos metais leves.

8.

paração aos métodos concucíonais. Uti lização de camadas e dopósito.s ruins. Outras possibilidades de uso na bòca

e bioquímicas e outros métodos superfi

rosão.

7.

nomia de mão-de-bbra e custos em com

ro refugo das minas.

aproveitamento dc resíduos dc minera

portes, uso dos metais em

mento de metais velhos, efeitos "per-capita" do uso de metais usados, impor

co e econômico da utilização do carvão

depósitos, lavra ambiciosa, economia do

Po.ssibilida-

economia

emprego do carvão como fonte dc ener gia através do aperfeiço.imento da téc nica de gaseificação subterrânea. Eco

dos depósitos, a necessidade de reunir

Projetos como fator do conservação.

mentos tecnológicos o novos métodos dc preparação de carvão. Estudo técni

em relação a custos e lucros, desenvolvi

EconotJiia da org,anização de explo

tos de produção eritrc minas mecaniza

das e não mecanizadas.

Experiência na

mecanização, comparação de técnicas,

mineração a céu aberto, métodos e equi

e uso dos fertilizantes, problemas de

pamentos mais adequados às várias es pessuras e tipos de cobertura ("overbur-

transporte e concentração.

den").

Preparação de carvão, técnicas

Utilização de combustíveis.

Perspectivas do futm-o na utiüziíção dos combustíveis, técnicas afetando a utilização dos combustíveis no futuro,

como o emprego da turbina a gás e melhoria na eficiência das centrais de

fôrça.

Conservação na utilização do es

paço de aquecimento, estatísticas de con sumo de combu.stível e energia, eficiências, possibilidades de sua melhoria. 6.

UiiHzação de carvão na mina.

Gaseificação subterrânea, sua signifi cação, revolucionainento dos métodos dc

do carvão, limitações em termo da si

dução de fôrça, problemas na sua uti lização. 7.

Corbonização do carvão.

Novas técnicas na indústria do coque, utilização efetiva pela extensão do vo lume de carvões coqueificantes. Neces sidades no presente e estimativas das

necessidades no futuro das indústrias quí micas, da siderurgia e da fabricação de aço.

Extensão das reserx-as de car\-õcs

coqueificantes na base das novas técni

cas. Mistura de carvões. Disparidade

entre as reservas de carvão em geral e as de carvões coqueificantes.

Domínio

sobre a carência de coque, novos pro cessos para a redução de minério de fer

ro, incluindo redução direta, uso de petró'eo na redução.

8.

Utilização da Energia.

O sistema de fôrça integrado, ele mentos dum sistema integrado como me-

canisnro básico para fornecimento de fôrça e conservação da energia, interli

gações entre os sistemas, economia, pro

blemas e limitações.

Possibilidades no

desenvolvimento duma rêde européia de

fôrça.


^3

Dicesto Eco^■ó^^co

2S

9.

Utilização da Energia (continuação).

Progressos na técnica do produção de energia elétrica, possibilidades de aumento através duma melhor eficiên

cia, progressos técnicos nas usinas de fôrça, economia na competição de várias fontes de energia elétrica para as várias finalidades. Energia das marés, usos, possibilidades e custos, usinas de

29

Dicksto EcoN6^^co

visíveis à noite ao longo das estradas

conferência. Examinando a circular, en

de Tecnologia e recebido um jantar dos

do Texas.

contramos ali nomes de vários conheci

químicos cariocas no Cassino da Urca.

dos nossos, dc grande projeção na tec nologia mineral nos Estados Unidos.

Lá está Mr. Amo Fieldner. chefe da

Para se dar um paradeiro a ôsse esta- . do de cousas. com relação aos minérios,

aos metai.s, aos combustíveis, ao precioso solo agrícola, às fontes dc água. às flo restas, aos animais e aos produtos do mar — é que a Organização das Na ções Unidas procura reunir cm Lake

Lá está Mr. Clydc Wi'liams, que conhe

Dirisão de Combustíveis e Explosivos do Bureau of Mines, em Washington, a

tor do Battclle Memorial Institutc, a ex

quem todos os que lidam com carxão apreciam e respeitam. O Dr. Fielduer é

celente organizíição do tipo do I.P.T.

um velho ca'mo, descendente de ale

cemos em Columljus, Ohio, como Dire

de São Paulo, destinada ao desenvolvi-

mães, e fala compassadamente um inglês

rnento da lccno'ogia nunoral nos seus va

que os brasileiros recém-chegados a

possibilidades e custos.

Success homens de responsabilidade dos diversos países, conhecedores das condi ções reinantes nos vários pontos do

riados ramos.

Washington compreendem facilmente. Lá

rnais afamados centros de pesquisa tec

está, também, Mr. William Wrather, o

10.

Utilização da Energia para o de

ecúmeno e capazes de influir, com o

nológica nos E.stados Unidos e foi o

senvolvimento industria!.

prestígio da sua pa^axTa, para um me

escolhido pela Companhw Sidemrgica

lhor aproveitamento dos recursos natu

simpático Diretor do Geo^ogical Surx'ey, que nos visitou em 1946, por ocasião do

Nacional para proceder aos estudos de

2.° Congresso Pan-Aniericano de Enge

rais do nosso mundo.

bencfíciamento

nharia de Minas e Geologia. Notam-se muitos nomes de técnicos da Inglaterra,

fôrça das marés. Energia do vento, usos,

^

^' .L

Relação entre o uso da

energia e o desenvolvimen-

A finalidade da conferência informa a

to da produí^ão de minerais, possibilidades de au mento das pequenas explo

ONU. é proporcionar oportunidade para

rações e do uso de minérios pobres

racional dos recursos naturais, estudar os

através do emprôgo da energia elétrica.

nas técnicas de conservação e utilização

as suas inter-relações. A conferência de Lake Success não vi.sa estabelecer uma

energia elétrica e o desenvolvimento

industrial e agrícola e o crescimento das comxmidades rurais. ❖ * 5ÍS

Como bem se vê pelo programa rela tivo aos minerais, aos combustíveis e à

energia, procura-se dar um balanço no que se sabe e no auc se pen^a com

carvão

catarinense,

nômica, profe.ssor em Yalc, que já teve oportunidade dc visitar o Brasil. Lá está Tomas Prazer, especialista de grande re"nome em lavagem de carvão, técnico

cu«ítos e os lucros na produção e tôdas

e agrícola, relação entre o consumo de

do

com a finalidade de produção de coque metalúrgico. La está A'an Bateman, conhecido especialista cm geologia eco

uma troca de idéias e de exneriência

Fôrça para o de^^envolvimento industrial'

O Battelle 6 um dos

política esnecia' nem fazer ligações go

do Bureau of Mines, muito conhecido dos brasileiros devido à sua estada no

vernamentais. nem tampouco formular recomendações aos Governos.

Rio, nos Laboratórios da Produção Minerab e em Santa Catarina, onde se dedicou ao estudo da melhoria do nosso

Os indivíduos que tomarão parie nela são cienti'-"tas, engenheiros técnicos, eco nomistas e e.sneciahstas selecionados nu ma base de distribuição Greográfi'^a tão

carvão.

La está o Dr. Gustav

Egloff. a maior autoridade

vasta quanto possível. Os convidados participarão nas discu«^.sões como espe

mundial na química da refinação de petróleo, dire-

tor-geral de pesquisas da

passagem, a crítica adapta-se não só

cialistas individuais e não como renresentantes de Governos ou Organizações. A conferência deverá ter uma basp es sencialmente econômica, com a finnhdade fundamental de aplicarão da Ciên

aos habitante.s de la-bàs, como dizem os

cia para o melhor aproveitamento dos

franceses com redação a nós, mas tam

recursos naturais de utilidade para o

bém aos mais civilizados anglo-savões

Homem.

que ainda deixam no subsolo metade do petróleo descoberto em cada lugar e

e Social, referente ao mês de abril,

relação ao aproveitamento daquilo que a Natureza nos proporciona e que o Homem na maioria dos casos, desper diça, destrói mesmo, ou utiliza com

muito pouco proveito.

E. diga-se de

tanto desperdiçam o gás natural, que queima com longas chamas bruxoleantes,

Universal

Oil

Products,

que enfeixa, talvez, as me lhores e as mais modernas patentes re ferentes ao processos de purificação, "cracking", pobmerização e síntese de hidrocarbonetos. O Dr. Egloff tem muitos

amigos no Brasil, e devota um especial carinho aos químicos brasileiros que o visítayn em Gliicago. Já esteve de passa

Uma circular do Gonselbn Econômico

já anuncia a adesão de 450 especialistas,

gem no Brasil, tendo feito úma interes-

que estão preparando trabalhos para essa

5ante conferência no Instituto Nacional

1

Canadá, França, Tchecoslo%'áquia, Sué cia, Polônia, Holanda, Dinamarca, No

ruega, Finlândia, Suíça, Itália, Egito, índia, Paquistão, Nova Zelândia etc. É de supor que nosso país se faça repre sentar ali por especialistas nos diversos setores. Há muito que eslúdar no Brasil

e muito que aprender com os que estão em contato com as últimas conquistas da Ciência; não podemos ficar segregados do mundo civilizado, porque neces sitamos progredir rapidamente. Os pro-, fissionais com capacidade para investigiU o solo, no Brasil, não são suficientes

para atacar os problemas relativos a uma fai.xa de 500 km. de largura, ao longo da costa oriental, entre o cabo de São

Roque e a foz do arrolo Chuí, tiecho que constitui 25% do território nacional, onde vivem 85% da população e donde se ti ram 98% da produção mineral.

Há, portanto, um vasto programa a nns

mifrnp

"Zícr

J_

■_

brasileiro; onde estão, entretanto, as cabeças para orientar as investigações, os engenheiros moços para enfrentar a

rudeza dos sertões e .03 capitais para


^3

Dicesto Eco^■ó^^co

2S

9.

Utilização da Energia (continuação).

Progressos na técnica do produção de energia elétrica, possibilidades de aumento através duma melhor eficiên

cia, progressos técnicos nas usinas de fôrça, economia na competição de várias fontes de energia elétrica para as várias finalidades. Energia das marés, usos, possibilidades e custos, usinas de

29

Dicksto EcoN6^^co

visíveis à noite ao longo das estradas

conferência. Examinando a circular, en

de Tecnologia e recebido um jantar dos

do Texas.

contramos ali nomes de vários conheci

químicos cariocas no Cassino da Urca.

dos nossos, dc grande projeção na tec nologia mineral nos Estados Unidos.

Lá está Mr. Amo Fieldner. chefe da

Para se dar um paradeiro a ôsse esta- . do de cousas. com relação aos minérios,

aos metai.s, aos combustíveis, ao precioso solo agrícola, às fontes dc água. às flo restas, aos animais e aos produtos do mar — é que a Organização das Na ções Unidas procura reunir cm Lake

Lá está Mr. Clydc Wi'liams, que conhe

Dirisão de Combustíveis e Explosivos do Bureau of Mines, em Washington, a

tor do Battclle Memorial Institutc, a ex

quem todos os que lidam com carxão apreciam e respeitam. O Dr. Fielduer é

celente organizíição do tipo do I.P.T.

um velho ca'mo, descendente de ale

cemos em Columljus, Ohio, como Dire

de São Paulo, destinada ao desenvolvi-

mães, e fala compassadamente um inglês

rnento da lccno'ogia nunoral nos seus va

que os brasileiros recém-chegados a

possibilidades e custos.

Success homens de responsabilidade dos diversos países, conhecedores das condi ções reinantes nos vários pontos do

riados ramos.

Washington compreendem facilmente. Lá

rnais afamados centros de pesquisa tec

está, também, Mr. William Wrather, o

10.

Utilização da Energia para o de

ecúmeno e capazes de influir, com o

nológica nos E.stados Unidos e foi o

senvolvimento industria!.

prestígio da sua pa^axTa, para um me

escolhido pela Companhw Sidemrgica

lhor aproveitamento dos recursos natu

simpático Diretor do Geo^ogical Surx'ey, que nos visitou em 1946, por ocasião do

Nacional para proceder aos estudos de

2.° Congresso Pan-Aniericano de Enge

rais do nosso mundo.

bencfíciamento

nharia de Minas e Geologia. Notam-se muitos nomes de técnicos da Inglaterra,

fôrça das marés. Energia do vento, usos,

^

^' .L

Relação entre o uso da

energia e o desenvolvimen-

A finalidade da conferência informa a

to da produí^ão de minerais, possibilidades de au mento das pequenas explo

ONU. é proporcionar oportunidade para

rações e do uso de minérios pobres

racional dos recursos naturais, estudar os

através do emprôgo da energia elétrica.

nas técnicas de conservação e utilização

as suas inter-relações. A conferência de Lake Success não vi.sa estabelecer uma

energia elétrica e o desenvolvimento

industrial e agrícola e o crescimento das comxmidades rurais. ❖ * 5ÍS

Como bem se vê pelo programa rela tivo aos minerais, aos combustíveis e à

energia, procura-se dar um balanço no que se sabe e no auc se pen^a com

carvão

catarinense,

nômica, profe.ssor em Yalc, que já teve oportunidade dc visitar o Brasil. Lá está Tomas Prazer, especialista de grande re"nome em lavagem de carvão, técnico

cu«ítos e os lucros na produção e tôdas

e agrícola, relação entre o consumo de

do

com a finalidade de produção de coque metalúrgico. La está A'an Bateman, conhecido especialista cm geologia eco

uma troca de idéias e de exneriência

Fôrça para o de^^envolvimento industrial'

O Battelle 6 um dos

política esnecia' nem fazer ligações go

do Bureau of Mines, muito conhecido dos brasileiros devido à sua estada no

vernamentais. nem tampouco formular recomendações aos Governos.

Rio, nos Laboratórios da Produção Minerab e em Santa Catarina, onde se dedicou ao estudo da melhoria do nosso

Os indivíduos que tomarão parie nela são cienti'-"tas, engenheiros técnicos, eco nomistas e e.sneciahstas selecionados nu ma base de distribuição Greográfi'^a tão

carvão.

La está o Dr. Gustav

Egloff. a maior autoridade

vasta quanto possível. Os convidados participarão nas discu«^.sões como espe

mundial na química da refinação de petróleo, dire-

tor-geral de pesquisas da

passagem, a crítica adapta-se não só

cialistas individuais e não como renresentantes de Governos ou Organizações. A conferência deverá ter uma basp es sencialmente econômica, com a finnhdade fundamental de aplicarão da Ciên

aos habitante.s de la-bàs, como dizem os

cia para o melhor aproveitamento dos

franceses com redação a nós, mas tam

recursos naturais de utilidade para o

bém aos mais civilizados anglo-savões

Homem.

que ainda deixam no subsolo metade do petróleo descoberto em cada lugar e

e Social, referente ao mês de abril,

relação ao aproveitamento daquilo que a Natureza nos proporciona e que o Homem na maioria dos casos, desper diça, destrói mesmo, ou utiliza com

muito pouco proveito.

E. diga-se de

tanto desperdiçam o gás natural, que queima com longas chamas bruxoleantes,

Universal

Oil

Products,

que enfeixa, talvez, as me lhores e as mais modernas patentes re ferentes ao processos de purificação, "cracking", pobmerização e síntese de hidrocarbonetos. O Dr. Egloff tem muitos

amigos no Brasil, e devota um especial carinho aos químicos brasileiros que o visítayn em Gliicago. Já esteve de passa

Uma circular do Gonselbn Econômico

já anuncia a adesão de 450 especialistas,

gem no Brasil, tendo feito úma interes-

que estão preparando trabalhos para essa

5ante conferência no Instituto Nacional

1

Canadá, França, Tchecoslo%'áquia, Sué cia, Polônia, Holanda, Dinamarca, No

ruega, Finlândia, Suíça, Itália, Egito, índia, Paquistão, Nova Zelândia etc. É de supor que nosso país se faça repre sentar ali por especialistas nos diversos setores. Há muito que eslúdar no Brasil

e muito que aprender com os que estão em contato com as últimas conquistas da Ciência; não podemos ficar segregados do mundo civilizado, porque neces sitamos progredir rapidamente. Os pro-, fissionais com capacidade para investigiU o solo, no Brasil, não são suficientes

para atacar os problemas relativos a uma fai.xa de 500 km. de largura, ao longo da costa oriental, entre o cabo de São

Roque e a foz do arrolo Chuí, tiecho que constitui 25% do território nacional, onde vivem 85% da população e donde se ti ram 98% da produção mineral.

Há, portanto, um vasto programa a nns

mifrnp

"Zícr

J_

■_

brasileiro; onde estão, entretanto, as cabeças para orientar as investigações, os engenheiros moços para enfrentar a

rudeza dos sertões e .03 capitais para


30

Dicestü Econômico

financiar os empreendimentos? Será jus tamente em ocasiões como essa da con

ferência em Lake Success que podere mos mostrar as oportunidades que o

Brasil apresenta aos investigadores e que

poderemos atrair para cá os técnicos nos diversos setores do aproveitamento racional dos recursos naturais.

Pelo menos, no que diz respeito aos

cronÍ.stas do século XVII: "Da largura que a terra do Brasil tem para o sertão

O Estado como freguês

não trato, porque ate agora não houve quem a andasse"... As estatísticas e os

L. A. Costa Pinto

recenscumcntos mostram claramente que em quatro séculos e meio permanecemos

Universidade do Brasil

na faixa litorânea, "a andar arranhan

I^iFÍciuMii.N'TK poderemos encontrar na

do a terra, ao longo do mar, como ca ranguejos", como em 1627 escrevia, com

recursos minerais, agora em 1949 ain

tanta propriedade. Frei Vicente do Sal

da é válida a frase de um dos nossos

vador.

sociedade, ou na ciência da socie

dade, us.sunt<)

mais

apaixonadamente

problema do ângulo sociológico stricto

entre o Estado e a vida econômica.

sensu, este aspecto assume importância

Em verdade, quando se fala na pre

rias poderiam ser reduzidas a um núme

sença do Estado na vida econômica, a

ro relativamente pequeno, já que os fa

idéia que quase sempre se tem em

tos, em sua preniência incoercí\el, con

mente é a do Eslado-fiscal, o Estado-po-

duzem a esta polarização; !e\'ando cm conta, porém, as pos.sívcis cambiantes e sutilezas nos pareceros que correm

lícia, o Estado-intorventor, ou então, o

que os pontos de vista contam-so pelo

mia: ou exercendo o controle e fiscali

teríamos o refrão — cada cabeça, cada

Sem menosprezar a importância, tanto cias doutrinárias que o assunto desperta

e estimula em sua \'ariável interpretação, nem procurando aqui as ligações acaso

se vê, faltam angustiosamente os instrumentos mais essenciais.

A rnaneira niüis regular de atender à situação consistiria indiscutivelmente no

concessão de divisas ao comércio para importar essas ferramentas. A compe^Anria resultante ocasionaria a queda dos preços e determinaria naturalmente a seleção

dos produtos. Desde, porém, que a compra por organismo oficial se efetue me diante concorrência, nada haverá a dizer.

.. .

e.xistentes entre opiniões aparentemente

diversas — é possível constatar, por ou

i

tro lado, que, no plano dos fatos, as coisas ainda se vão passando com rela

tiva independência dos pontos de vis

ta que sôbre ôles formam os interessa

í

modos em que, imagina-se, realiza-se a

intervenção do poder público na econo zação de iniciativas particulares ou no

teórica quanto prática, dessas divergên

Os de que dispõem estão estragados. As ferramentas agrícolas que se encontram na praça são, a-lém de caríssimas, de má qualidade. E aconselham, ôsses jornais co mentando o fato, que o Govêrno, por intermédio do Banco dei Paraguai, adquira diretamente no exterior as que são mais reclamadas e as venda à população dos campos pelos preços de ctdto. O Paraguai, não há muito, fêz aos Estados Unidos uma encomenda de maqui naria do valor de US$ 5.000.000. Cogitava-se de mecanizar a lavoura do pais. Mas foi como oferecer uma casaca a maltrapilho, pois a verdade é que, como

Estado-pntráo, paternalista, empresário, competidor. Em suma, são êstes os dois

número dos que opinam: mais uma vez sentença.

silios absolutamente necessários para trabalhar.

relevante.

essencial, as diversas posições doutriná

mundo sôbre o assunto, verificaríamos

volução de ficando em uso, ainda hoje, as que já então foram consideradas íTiservivets. Os lavradores estão sem enxadas,, pás, ancinhos, facões e outros t/fen-

blico como comprador e consumidor de bens. Ao menos para que se encare o

controvertido do que este das relações

Grupadas cm torno do que têm de

Registram os jornais de Assunção, Paraguai, que existe, neste momento, Ptande escassez de ferramentas agrícolas. As melhores foram pilhadas por ocasião da re

encarados é o que se refere ao poder pú

dos.

E uma verificação de fatos, em

meio a tanta discrepância teórica, se

contribui para esfriar alguns excessos

e.xercício direto dessas ativ idades e, por tanto, concorrendo com elas. Ninguém duvida que seja mesmo esta a maior

área de contado entre o poder pviblico e a empresa econômica privada, nem nos

cabe aqui, no âmbito dêste artigo, jul gar se o que ocorre está certo ou er

rado, ou se podia ou não ser de outra

forma. O que desejamos, sem emitir no momento juízos valorativos. é cha mar a atenção de estudiosos e interes sados para um outro aspecto das rela

ções entre o Estado e a empresa priva da, e que se refere ao Estado como

freguês, comprador de bens produzidos

de entusiasmo, não se pode negar que

ou trocados pelas empresas industriais

representa, de outra parte, providência

e comerciais.

elementar para os que aspiram assumir

em face do problema uma atitude racio nal e científica.

Neste sentido, a nós nos parece que

um dos aspectos mais relevantes a serem

Para uma pesquisa dêsse tipo, em que só é possível laborar com dados secun dários, a maior dificuldade reside em

encontrá-los em quantidade e qualida de satisfatória. Eis porque, antes de


30

Dicestü Econômico

financiar os empreendimentos? Será jus tamente em ocasiões como essa da con

ferência em Lake Success que podere mos mostrar as oportunidades que o

Brasil apresenta aos investigadores e que

poderemos atrair para cá os técnicos nos diversos setores do aproveitamento racional dos recursos naturais.

Pelo menos, no que diz respeito aos

cronÍ.stas do século XVII: "Da largura que a terra do Brasil tem para o sertão

O Estado como freguês

não trato, porque ate agora não houve quem a andasse"... As estatísticas e os

L. A. Costa Pinto

recenscumcntos mostram claramente que em quatro séculos e meio permanecemos

Universidade do Brasil

na faixa litorânea, "a andar arranhan

I^iFÍciuMii.N'TK poderemos encontrar na

do a terra, ao longo do mar, como ca ranguejos", como em 1627 escrevia, com

recursos minerais, agora em 1949 ain

tanta propriedade. Frei Vicente do Sal

da é válida a frase de um dos nossos

vador.

sociedade, ou na ciência da socie

dade, us.sunt<)

mais

apaixonadamente

problema do ângulo sociológico stricto

entre o Estado e a vida econômica.

sensu, este aspecto assume importância

Em verdade, quando se fala na pre

rias poderiam ser reduzidas a um núme

sença do Estado na vida econômica, a

ro relativamente pequeno, já que os fa

idéia que quase sempre se tem em

tos, em sua preniência incoercí\el, con

mente é a do Eslado-fiscal, o Estado-po-

duzem a esta polarização; !e\'ando cm conta, porém, as pos.sívcis cambiantes e sutilezas nos pareceros que correm

lícia, o Estado-intorventor, ou então, o

que os pontos de vista contam-so pelo

mia: ou exercendo o controle e fiscali

teríamos o refrão — cada cabeça, cada

Sem menosprezar a importância, tanto cias doutrinárias que o assunto desperta

e estimula em sua \'ariável interpretação, nem procurando aqui as ligações acaso

se vê, faltam angustiosamente os instrumentos mais essenciais.

A rnaneira niüis regular de atender à situação consistiria indiscutivelmente no

concessão de divisas ao comércio para importar essas ferramentas. A compe^Anria resultante ocasionaria a queda dos preços e determinaria naturalmente a seleção

dos produtos. Desde, porém, que a compra por organismo oficial se efetue me diante concorrência, nada haverá a dizer.

.. .

e.xistentes entre opiniões aparentemente

diversas — é possível constatar, por ou

i

tro lado, que, no plano dos fatos, as coisas ainda se vão passando com rela

tiva independência dos pontos de vis

ta que sôbre ôles formam os interessa

í

modos em que, imagina-se, realiza-se a

intervenção do poder público na econo zação de iniciativas particulares ou no

teórica quanto prática, dessas divergên

Os de que dispõem estão estragados. As ferramentas agrícolas que se encontram na praça são, a-lém de caríssimas, de má qualidade. E aconselham, ôsses jornais co mentando o fato, que o Govêrno, por intermédio do Banco dei Paraguai, adquira diretamente no exterior as que são mais reclamadas e as venda à população dos campos pelos preços de ctdto. O Paraguai, não há muito, fêz aos Estados Unidos uma encomenda de maqui naria do valor de US$ 5.000.000. Cogitava-se de mecanizar a lavoura do pais. Mas foi como oferecer uma casaca a maltrapilho, pois a verdade é que, como

Estado-pntráo, paternalista, empresário, competidor. Em suma, são êstes os dois

número dos que opinam: mais uma vez sentença.

silios absolutamente necessários para trabalhar.

relevante.

essencial, as diversas posições doutriná

mundo sôbre o assunto, verificaríamos

volução de ficando em uso, ainda hoje, as que já então foram consideradas íTiservivets. Os lavradores estão sem enxadas,, pás, ancinhos, facões e outros t/fen-

blico como comprador e consumidor de bens. Ao menos para que se encare o

controvertido do que este das relações

Grupadas cm torno do que têm de

Registram os jornais de Assunção, Paraguai, que existe, neste momento, Ptande escassez de ferramentas agrícolas. As melhores foram pilhadas por ocasião da re

encarados é o que se refere ao poder pú

dos.

E uma verificação de fatos, em

meio a tanta discrepância teórica, se

contribui para esfriar alguns excessos

e.xercício direto dessas ativ idades e, por tanto, concorrendo com elas. Ninguém duvida que seja mesmo esta a maior

área de contado entre o poder pviblico e a empresa econômica privada, nem nos

cabe aqui, no âmbito dêste artigo, jul gar se o que ocorre está certo ou er

rado, ou se podia ou não ser de outra

forma. O que desejamos, sem emitir no momento juízos valorativos. é cha mar a atenção de estudiosos e interes sados para um outro aspecto das rela

ções entre o Estado e a empresa priva da, e que se refere ao Estado como

freguês, comprador de bens produzidos

de entusiasmo, não se pode negar que

ou trocados pelas empresas industriais

representa, de outra parte, providência

e comerciais.

elementar para os que aspiram assumir

em face do problema uma atitude racio nal e científica.

Neste sentido, a nós nos parece que

um dos aspectos mais relevantes a serem

Para uma pesquisa dêsse tipo, em que só é possível laborar com dados secun dários, a maior dificuldade reside em

encontrá-los em quantidade e qualida de satisfatória. Eis porque, antes de


■TTir

83

Dicesto Econômico DrcESTo

32

utilizar os que possuímos, e que acredi tamos serem os únicos disponíveis, que remos submetê-los a uma crítica sumá

ria, ressaltando seu valor e assinalando as suas limitações.

As fontes das informações estatísticas

que a seguir serão apreciadas são os in quéritos econômicos do IBGE. Êsses inquéritos compreendem os estabeleci mentos comerciais e industriais cujo va lor anual das vendas atinge, ou ultra passa, 100.000 cruzeiros, e compreen

Econômico

o maior campo de escoamento de sua produção, e nele ò que se realiza a pro porção maior de suas trocas econômicas.

independentemente das variações no vo lume dos negócios, vem aumentando em

i\'esse mercado, o internacional, a admi

nistração pública bra.silcira, evidente

dariam muito o estudo dessa questão,

conseqüência da inflação monetária, que contribui para incluir no limite mínimo

mente, não comparece, nem pode com

seriam as referentes aos estabêlecimen-

parecer, como compradora de produtos brasileiros, e c quase um ab.surdo de terminar a quota proporciona! do suas compras em relação a um conjunto do qual a unidade cní questão, ob initio,

de 100.000 cru/xiiros mesmo estabeleci

mentos de pequena cn\'crgadura, aumen tando, por conseqüência, o número total de estabelecimentos incluídos na análise.

Na tabela que se segue temos o núme

está c.xcluída.

O resultado fatal, muito

pertinente à nossa análise, é que as

dem estabe'ecímentos existentes em 22

ro crescente de estabelecimentos compre endidos nos referidos inquéritos, tendên

centros econômicos do País.

cia constante também observada no valor

cem, no conjunto, com uma expressão

das vendas efetuadas:

assaz diminuta, o que

A coleta

de informações é feita por meio de bo

Números absolutos

vendas à administração pública apare

Números índices

Vendas (*) {Valor em milhões de cruzeiros)

il944

13.929

65.689

100

100

1945

15.704

76.999

113

117

1946

16.548

100.856

119

154

1947

17.833

106.776

128

163

Estabeleci mentos

mero de estabelecimentos não é pro porciona! ao aumento que se nota na coluna das vendas, acusando a presen ça da inflação como fator da discrepân

1) vendas no mercado interno; 2) ven

se considerarmos as duas colunas refe rentes aos números índices da distribui

das no mercado externo.

O que em particular nos interessa aqui é apreciar as vendas à administração

pública, em que esta aparece como compradora dos estabelecimentos com

restrito

às

nossas

Feita

por

cia dos dados aumenta, em relação às

o Brasil tem no mercado internacional

esta

observa

sua natureza

me

todológica, e válida por tanto para qualquer

possível utilização desses dados em pes quisas ulteriores, poder-se-ia também desejar, como desenvolvimento, apuraç-ões mais completas sobre a natureza

ministração pública, não deve ser sufi

ciente para alterar a tendência do con

junto, pois é de todo provável que, ao menos

nos

principais

grandes firmas estejam de concorrer nas prefe rências, e dentro das

exigências, das reparti ções do Estado, espe cialmente as da União,

que

são

as

grandes

compradoras.

Outro meio, de gran

de importância, que po

deria ser utilizado no iluminar os caminhos

da análise, seria ter indicações satisfa

tórias sôbre as compras feitas pela admi

nistração, a fim de compará-las com as

vendas à mesma administração alegadas

ou categoria dos bens e produtos transa

(combustíveis, materiais de construção,

tão discrepantes, ora para mais, ora pa

gêneros alimentícios, produtos químicos etc.)» o

muito auxiliaria a compre

ensão do fenômeno, isto sem falar — o

que seria impossível, de acordo com a

legíslíição que rege o assunto — na indívidualízação dos dados por firmas ou estabelecimentos, a fim de que pudés semos verificar novos aspectos da ques

I

esses pequenos estabelecimentos e a ad

pelas empresas. Ao que parece, tal com

cionados com a administração pública

fato, só em relação às primeiras tem pleno sentido e cabimento calcular a quota respectiva das vendas à admi nistração pública.

preendidos no inquérito. E é aqui, exa tamente, que a pobreza ou insuficiên

como

ção, que é fundamental

Porque, de

Em verdade, país de estrutura econô mica primária, predominantemente de pendente da ex-portação das matérias-pri mas e gêneros alimentícios que produz,

comparecer

mentos brasileiros.

das vendas em duas grandes categorias:

cia, o que se toma ainda mais evidente ção.

o

freguês de estabeleci

necessidades específicas de nossa análise, A primeira — e fundameiatal — infor mação que nos falta nos dados oficial mente divulgados é uma discriminação

rem, que a expressão sôbre o total, em volume e .valor, das transações entre

em melliores condições

de

apenas'pequena fração do valor total Como se verifica, o aumento do nú

tos com mo\-rmento anual de vendas

abaixo de 100.000 cruzeiros e que for necem à administração. Parece-nos, po

reria se o circulo de trocas considerado fòs-

o Estado brasileiro po

(') Entre as "vendas" incluem-se "outras receitas", que, entretanto, constituem

Outras informações, que se não en

contram nas fontes indicadas e que aju

provàvelmontc não ocor

fronteiras, único em que

Vendas

dial.

centros econômicos, as

.se

Números de estabelecimentos

Ano

tão. de importância sem dúrida primor

letins mensais a serem preenchidos pelos próprios estabelecimentos, cujo número,

paração foi feita e os resultados foram

ra menos, que, segimdo se alega, resolveu-se até, a partir dêste ano, excluir dos inquéritos econômicos a pergunta sôbre as vendas à adnunistração pública. Mais uma vjeí, matou-se o doente para curar a doen ça.. . Evidentemente seria outra a utili dade de tal analise, que deveria conduzir

a um desfêcho menos surpreendente.


■TTir

83

Dicesto Econômico DrcESTo

32

utilizar os que possuímos, e que acredi tamos serem os únicos disponíveis, que remos submetê-los a uma crítica sumá

ria, ressaltando seu valor e assinalando as suas limitações.

As fontes das informações estatísticas

que a seguir serão apreciadas são os in quéritos econômicos do IBGE. Êsses inquéritos compreendem os estabeleci mentos comerciais e industriais cujo va lor anual das vendas atinge, ou ultra passa, 100.000 cruzeiros, e compreen

Econômico

o maior campo de escoamento de sua produção, e nele ò que se realiza a pro porção maior de suas trocas econômicas.

independentemente das variações no vo lume dos negócios, vem aumentando em

i\'esse mercado, o internacional, a admi

nistração pública bra.silcira, evidente

dariam muito o estudo dessa questão,

conseqüência da inflação monetária, que contribui para incluir no limite mínimo

mente, não comparece, nem pode com

seriam as referentes aos estabêlecimen-

parecer, como compradora de produtos brasileiros, e c quase um ab.surdo de terminar a quota proporciona! do suas compras em relação a um conjunto do qual a unidade cní questão, ob initio,

de 100.000 cru/xiiros mesmo estabeleci

mentos de pequena cn\'crgadura, aumen tando, por conseqüência, o número total de estabelecimentos incluídos na análise.

Na tabela que se segue temos o núme

está c.xcluída.

O resultado fatal, muito

pertinente à nossa análise, é que as

dem estabe'ecímentos existentes em 22

ro crescente de estabelecimentos compre endidos nos referidos inquéritos, tendên

centros econômicos do País.

cia constante também observada no valor

cem, no conjunto, com uma expressão

das vendas efetuadas:

assaz diminuta, o que

A coleta

de informações é feita por meio de bo

Números absolutos

vendas à administração pública apare

Números índices

Vendas (*) {Valor em milhões de cruzeiros)

il944

13.929

65.689

100

100

1945

15.704

76.999

113

117

1946

16.548

100.856

119

154

1947

17.833

106.776

128

163

Estabeleci mentos

mero de estabelecimentos não é pro porciona! ao aumento que se nota na coluna das vendas, acusando a presen ça da inflação como fator da discrepân

1) vendas no mercado interno; 2) ven

se considerarmos as duas colunas refe rentes aos números índices da distribui

das no mercado externo.

O que em particular nos interessa aqui é apreciar as vendas à administração

pública, em que esta aparece como compradora dos estabelecimentos com

restrito

às

nossas

Feita

por

cia dos dados aumenta, em relação às

o Brasil tem no mercado internacional

esta

observa

sua natureza

me

todológica, e válida por tanto para qualquer

possível utilização desses dados em pes quisas ulteriores, poder-se-ia também desejar, como desenvolvimento, apuraç-ões mais completas sobre a natureza

ministração pública, não deve ser sufi

ciente para alterar a tendência do con

junto, pois é de todo provável que, ao menos

nos

principais

grandes firmas estejam de concorrer nas prefe rências, e dentro das

exigências, das reparti ções do Estado, espe cialmente as da União,

que

são

as

grandes

compradoras.

Outro meio, de gran

de importância, que po

deria ser utilizado no iluminar os caminhos

da análise, seria ter indicações satisfa

tórias sôbre as compras feitas pela admi

nistração, a fim de compará-las com as

vendas à mesma administração alegadas

ou categoria dos bens e produtos transa

(combustíveis, materiais de construção,

tão discrepantes, ora para mais, ora pa

gêneros alimentícios, produtos químicos etc.)» o

muito auxiliaria a compre

ensão do fenômeno, isto sem falar — o

que seria impossível, de acordo com a

legíslíição que rege o assunto — na indívidualízação dos dados por firmas ou estabelecimentos, a fim de que pudés semos verificar novos aspectos da ques

I

esses pequenos estabelecimentos e a ad

pelas empresas. Ao que parece, tal com

cionados com a administração pública

fato, só em relação às primeiras tem pleno sentido e cabimento calcular a quota respectiva das vendas à admi nistração pública.

preendidos no inquérito. E é aqui, exa tamente, que a pobreza ou insuficiên

como

ção, que é fundamental

Porque, de

Em verdade, país de estrutura econô mica primária, predominantemente de pendente da ex-portação das matérias-pri mas e gêneros alimentícios que produz,

comparecer

mentos brasileiros.

das vendas em duas grandes categorias:

cia, o que se toma ainda mais evidente ção.

o

freguês de estabeleci

necessidades específicas de nossa análise, A primeira — e fundameiatal — infor mação que nos falta nos dados oficial mente divulgados é uma discriminação

rem, que a expressão sôbre o total, em volume e .valor, das transações entre

em melliores condições

de

apenas'pequena fração do valor total Como se verifica, o aumento do nú

tos com mo\-rmento anual de vendas

abaixo de 100.000 cruzeiros e que for necem à administração. Parece-nos, po

reria se o circulo de trocas considerado fòs-

o Estado brasileiro po

(') Entre as "vendas" incluem-se "outras receitas", que, entretanto, constituem

Outras informações, que se não en

contram nas fontes indicadas e que aju

provàvelmontc não ocor

fronteiras, único em que

Vendas

dial.

centros econômicos, as

.se

Números de estabelecimentos

Ano

tão. de importância sem dúrida primor

letins mensais a serem preenchidos pelos próprios estabelecimentos, cujo número,

paração foi feita e os resultados foram

ra menos, que, segimdo se alega, resolveu-se até, a partir dêste ano, excluir dos inquéritos econômicos a pergunta sôbre as vendas à adnunistração pública. Mais uma vjeí, matou-se o doente para curar a doen ça.. . Evidentemente seria outra a utili dade de tal analise, que deveria conduzir

a um desfêcho menos surpreendente.


DicESTo Econômico

34

Dxgesto Econômico

Diga-se de passagem, aliás, que a pro cura é inócua e infundada, pois as com

relativa do papel desempenhado pela ad ministração pública como freguês das

pras da administração são reguladas pelo Código de Contabilidade Pública e o mecanismo que ê!c prescreve impossibi lita qualquer base de comparação entre as cO}7ipras do Estado e as vendas das

isto se referem o.s quadros e análises que vêm em seguida. Note-se que, ape sar de o inquérito compreender 22 centro.s econômicos, a tabela II que a se

empresas.

guir inserimos só divulga resultados re

E é simples compreendermos a razão disso. Quando a repartição carece com

ferentes ao Distrito Federal e São Pau

prar abre-se uma concorrência. O con

empresas

comerciais

e

centros se concentre, de fato, a quota maior do total. Adiante veremos a si tuação no âmbito nacional.

que se chama "empenho", que lhe as segura o direito de receber a importân

No quadro 11 temos a distribuição dessas vendas em milhões de cruzeiros,

cia que lhe é devida no dia em que a repartição puder efetuar o pagamento.

dois centros citados:

Para a repartição a compra só ocorre no dia em que o pagamento se efetua; pa

•

(^íilhões de cruzeiros) EstabelccvnctUos

comerciais

industriais

1945

1.333,4

1946

1.534,6 1.675,9

1.231,3 1.183,6 1.332,5

1947

Ano

1944

1.653,3 2.143,5

1945

2.293,9

1946 1947

um período mais longo, embora restiátos

me das vendas, pode ocorrer, e ocorre independentemente de o total da.s ven

caria uma possível queda real no vo lume das vendas, resultante da política de rigorosa economia adotada pelo Go verno e que se fez sentir mais forte mente cm 1946, ano do sua inaugura

(Milhões de cruzeiros)

2.351,2

ção.

Se tomarmos o último ano a que os

A partir do ano de 1945 é possí\'el

dados se referem — 1947 — e observar mos a marcha do fenômeno nos 12 me

ter, como adiante veremos, os dado.s

ses, notamos que, começando do ponto

qual seja a de comentar dados estatísti

discriminados pela categoria, comercial ou industrial, do estabelecimento, e a partir daquele ano os dados se referem

cos que a partir dêste ano não serão mais apurados.

aos 22 centros econômicos do País.

cm janeiro — cia sobe quase que unifor-

o que se apresenta no quadro III. •

rio ganha, assim, mais uma atualidade,

No último ano 'Ai

mais baixo da distribuição — 157.661,

E'

meinento ató o ponto máximo referente ao mês de junJio — 441.539 — descendo depois, mas sem retomar ao nível do primeiro semestre, até subir novamente

considerado, os dados

referentes aos dois centros maiores —

Distrito Federal e São Paulo — repre Em que pesem todos esses óbices, e lacunas, prossigamos a análise a fira de termos, 'mesmo mitigada, uma noção

2.565,0 2.718,2 3.008,4

Uma tal distribuição por meses, que de pende de outros fatôres que não o volu

nômicos do País — note-se que a ten dência ascendente poderia estar com pensada pela subida dos preços, qué mar

minação da pergunta dos inquéritos eco

resolver as dificuldades, êste comentá

TOTAL

Na interpretação dos dados apresenta dos no quadro II — que se referem a sòmente aos doi.s maiores centros eco

Vendas

do mesmo modo, em outràs circunstân

Em face desse modo primaríssimo de

Veiulas à administração pública Estabelecimentos

Ano

Vendas à administração pública (Distrito Federal e São Paulo)

cias, é o contrário que pode acontecer; querer comparar as duas coisas é, por tanto, puro absurdo, que atinge ao nômicos.

subordinadas. III

II

do Estado sòmente no exercício seguinte;

máximo se acaso esta é a razão da eli

partições da União, a êle diretamente

total das vendas à administração públi

entre os anos de 1944-1947, naqueles

ra a emprôsa fornecedora a venda está

efetuada no dia em que tem o "empe nho". Daí decoire que vendas declara das pelas empresas fornecedoras num ano podem vir declaradas como compras

centros sôbre o total, indicando talvez o

ca, e, o que é sem dúvida mais prová

vel, a política de economia do Govêmo Federal que afeta principalmente as re

aumento da quota dos outros centros no

lo. Quer quanto ao volume, quer quan to ao valor, é de supor que nesses dois

um só — envia as mercadorias à reparti ção e recebe em troca um documento,

ções registradas, a tendência era para baixar a porcentagem dos dois maiores

industriais. A

corrente vencedor — admitamos que seja

oo

sentaram

78,15%

do

total das

em dezembro — 347.944 — mas sem

ven

das à administração. E' curioso notar, por outro lado, que, dentro das oscila-

L

das ser maior ou menor.

Essa uniformidade da distribuição por meses, relativamente independente do valor total anual das transações, explicase pelo fato de haver um certo ritmo nessas transações. Assim é que, de janeiro a março, são feitas as grandes concorrências ou tomadas de preços em tôdas as repartições compradoras, menos aquelas subordinadas ao Minis tério da Guerra.

De abril a outubn)-

novembro, efetuam-se as compras, sen do que nos primeiros meses a intensi dade é bastante maior. Finalmente, em novembro-dezembro, verifioam-sc as to

madas de preço e respeeti\as compras do Ministério da Guerra, o que eleva outra vez o valor dos negócios. Compa re-se essa indicação com a curva do grá

atingir o valor iricançado no mês de ju-

fico e ver-se-á que as oscilações desta

nlio. A tendência do conjunto é ascen

.são relàtivumeute uniformes, previsíveis,

dente, como se observa no gráfico I.

e independera de qualquer circunstância


DicESTo Econômico

34

Dxgesto Econômico

Diga-se de passagem, aliás, que a pro cura é inócua e infundada, pois as com

relativa do papel desempenhado pela ad ministração pública como freguês das

pras da administração são reguladas pelo Código de Contabilidade Pública e o mecanismo que ê!c prescreve impossibi lita qualquer base de comparação entre as cO}7ipras do Estado e as vendas das

isto se referem o.s quadros e análises que vêm em seguida. Note-se que, ape sar de o inquérito compreender 22 centro.s econômicos, a tabela II que a se

empresas.

guir inserimos só divulga resultados re

E é simples compreendermos a razão disso. Quando a repartição carece com

ferentes ao Distrito Federal e São Pau

prar abre-se uma concorrência. O con

empresas

comerciais

e

centros se concentre, de fato, a quota maior do total. Adiante veremos a si tuação no âmbito nacional.

que se chama "empenho", que lhe as segura o direito de receber a importân

No quadro 11 temos a distribuição dessas vendas em milhões de cruzeiros,

cia que lhe é devida no dia em que a repartição puder efetuar o pagamento.

dois centros citados:

Para a repartição a compra só ocorre no dia em que o pagamento se efetua; pa

•

(^íilhões de cruzeiros) EstabelccvnctUos

comerciais

industriais

1945

1.333,4

1946

1.534,6 1.675,9

1.231,3 1.183,6 1.332,5

1947

Ano

1944

1.653,3 2.143,5

1945

2.293,9

1946 1947

um período mais longo, embora restiátos

me das vendas, pode ocorrer, e ocorre independentemente de o total da.s ven

caria uma possível queda real no vo lume das vendas, resultante da política de rigorosa economia adotada pelo Go verno e que se fez sentir mais forte mente cm 1946, ano do sua inaugura

(Milhões de cruzeiros)

2.351,2

ção.

Se tomarmos o último ano a que os

A partir do ano de 1945 é possí\'el

dados se referem — 1947 — e observar mos a marcha do fenômeno nos 12 me

ter, como adiante veremos, os dado.s

ses, notamos que, começando do ponto

qual seja a de comentar dados estatísti

discriminados pela categoria, comercial ou industrial, do estabelecimento, e a partir daquele ano os dados se referem

cos que a partir dêste ano não serão mais apurados.

aos 22 centros econômicos do País.

cm janeiro — cia sobe quase que unifor-

o que se apresenta no quadro III. •

rio ganha, assim, mais uma atualidade,

No último ano 'Ai

mais baixo da distribuição — 157.661,

E'

meinento ató o ponto máximo referente ao mês de junJio — 441.539 — descendo depois, mas sem retomar ao nível do primeiro semestre, até subir novamente

considerado, os dados

referentes aos dois centros maiores —

Distrito Federal e São Paulo — repre Em que pesem todos esses óbices, e lacunas, prossigamos a análise a fira de termos, 'mesmo mitigada, uma noção

2.565,0 2.718,2 3.008,4

Uma tal distribuição por meses, que de pende de outros fatôres que não o volu

nômicos do País — note-se que a ten dência ascendente poderia estar com pensada pela subida dos preços, qué mar

minação da pergunta dos inquéritos eco

resolver as dificuldades, êste comentá

TOTAL

Na interpretação dos dados apresenta dos no quadro II — que se referem a sòmente aos doi.s maiores centros eco

Vendas

do mesmo modo, em outràs circunstân

Em face desse modo primaríssimo de

Veiulas à administração pública Estabelecimentos

Ano

Vendas à administração pública (Distrito Federal e São Paulo)

cias, é o contrário que pode acontecer; querer comparar as duas coisas é, por tanto, puro absurdo, que atinge ao nômicos.

subordinadas. III

II

do Estado sòmente no exercício seguinte;

máximo se acaso esta é a razão da eli

partições da União, a êle diretamente

total das vendas à administração públi

entre os anos de 1944-1947, naqueles

ra a emprôsa fornecedora a venda está

efetuada no dia em que tem o "empe nho". Daí decoire que vendas declara das pelas empresas fornecedoras num ano podem vir declaradas como compras

centros sôbre o total, indicando talvez o

ca, e, o que é sem dúvida mais prová

vel, a política de economia do Govêmo Federal que afeta principalmente as re

aumento da quota dos outros centros no

lo. Quer quanto ao volume, quer quan to ao valor, é de supor que nesses dois

um só — envia as mercadorias à reparti ção e recebe em troca um documento,

ções registradas, a tendência era para baixar a porcentagem dos dois maiores

industriais. A

corrente vencedor — admitamos que seja

oo

sentaram

78,15%

do

total das

em dezembro — 347.944 — mas sem

ven

das à administração. E' curioso notar, por outro lado, que, dentro das oscila-

L

das ser maior ou menor.

Essa uniformidade da distribuição por meses, relativamente independente do valor total anual das transações, explicase pelo fato de haver um certo ritmo nessas transações. Assim é que, de janeiro a março, são feitas as grandes concorrências ou tomadas de preços em tôdas as repartições compradoras, menos aquelas subordinadas ao Minis tério da Guerra.

De abril a outubn)-

novembro, efetuam-se as compras, sen do que nos primeiros meses a intensi dade é bastante maior. Finalmente, em novembro-dezembro, verifioam-sc as to

madas de preço e respeeti\as compras do Ministério da Guerra, o que eleva outra vez o valor dos negócios. Compa re-se essa indicação com a curva do grá

atingir o valor iricançado no mês de ju-

fico e ver-se-á que as oscilações desta

nlio. A tendência do conjunto é ascen

.são relàtivumeute uniformes, previsíveis,

dente, como se observa no gráfico I.

e independera de qualquer circunstância


37

Dicesto EcoNÓ^^co

do ordem econômica (1). Note-se, por outro lado, como a presença das ecm-

de consumo da grande massa da popula ção tende, por retraimento dos demais

pras do Estado no movimento dos negó cios é eapaz, em alguns meses, de afetar o próprio equilíbrio dos preços.

possíveis consumidores, mesmo emprêsas e não apenas indivíduos, a hipertro

Hí

H'

O que há de "círculo ricioso", nesse processo, é coisa e\'idente, que todos

dentro das limitações dos dados, que já

sentem e exprimem de forma vária, uns

anteriormente destacamos, visam antes

para aplaudir outros para condenar.

chamar a atenção para o problema, sem

Ainda restaria muita margem, porém, em face da complexidade e re'evância

a pretensão do analisá-lo em profundi Queremos crer, por outro lado, que elas apenas servem para documentar uma situação fácilmente observável e,

do certo modo, lógica e inevitável, den tro da estrutura nacional. A multiplica

1

em pleno desdobramento burocrático.

Essas informações são sumárias e,

dade.

<J CE

fiar a importância relativa desse con sumidor onipresente, que é um Estado

do assunto, para a abordagem científica

que ôle permite, e de que está carecen do, análise que exige muita segurança e

rigor em meio à luta dos "slogans" que envoh'e e obscurece o problema funda mental e que existe e se desenvolve in

dependente deles. E é precisamente em

ção de funções c de órgãos do Estado, a expansão das' esferas em que êle passa

face dessa importância prática e teó

a atuar, são fatôres que geram novas ne

lamentar a resolução do IBGE de não

cessidades para a administração pública, no seu papel de órgão dirigente de um número cada vez maior de homens e

de coisas. Por outro lado, o fraco poder (1) Devemos essas informações ao eco nomista Dr. Jayme Magrassi, a quem re

gistramos aqui os nossos agradecimentos.

rica do assunto que se deve vivamente

mais recolher informações pertinentes ao problema que nos ensejasse a sua aná lise científica.

Acaso esta analise prejudicaria a al guém? - é a pergunta que fazemos aos responsáveis e interessados e com a qual encerramos essas notas.

O Departamento da Agricultura dos Esfoâos Unidos ocoba de anunciar a descoberta de nooos produtos químicos semelhantes ao phetro, produzidos sint^tica-

mente pela primeira vez no Burean de Entoinojogia e na Quarentena de Plantas.

^ experiências preliminares com os novos produtos deniot\siraram que a sua efi ciência é, no mínimo, igual a do inseticida natural e que ^^rutura química não se desintegra tão ràpidomente como a do piretro. Além disso, o grau de toxidez dos produtos sintéticos, com relação aos anunats^ de ordem superior, parece

ser tão baixo quanto o do piretro. Foi, também, verqicado que a ação tóxica dc

um dos compostos, com relação às moscas domésticas, e seis vèzes superior à toxidez jus flores do piretro. Apesar das descobertas acima referidas, a indú^ria de piretro da colônifl

ingtêsa de Kenya espera dobrar a sua produção em 1949.


37

Dicesto EcoNÓ^^co

do ordem econômica (1). Note-se, por outro lado, como a presença das ecm-

de consumo da grande massa da popula ção tende, por retraimento dos demais

pras do Estado no movimento dos negó cios é eapaz, em alguns meses, de afetar o próprio equilíbrio dos preços.

possíveis consumidores, mesmo emprêsas e não apenas indivíduos, a hipertro

Hí

H'

O que há de "círculo ricioso", nesse processo, é coisa e\'idente, que todos

dentro das limitações dos dados, que já

sentem e exprimem de forma vária, uns

anteriormente destacamos, visam antes

para aplaudir outros para condenar.

chamar a atenção para o problema, sem

Ainda restaria muita margem, porém, em face da complexidade e re'evância

a pretensão do analisá-lo em profundi Queremos crer, por outro lado, que elas apenas servem para documentar uma situação fácilmente observável e,

do certo modo, lógica e inevitável, den tro da estrutura nacional. A multiplica

1

em pleno desdobramento burocrático.

Essas informações são sumárias e,

dade.

<J CE

fiar a importância relativa desse con sumidor onipresente, que é um Estado

do assunto, para a abordagem científica

que ôle permite, e de que está carecen do, análise que exige muita segurança e

rigor em meio à luta dos "slogans" que envoh'e e obscurece o problema funda mental e que existe e se desenvolve in

dependente deles. E é precisamente em

ção de funções c de órgãos do Estado, a expansão das' esferas em que êle passa

face dessa importância prática e teó

a atuar, são fatôres que geram novas ne

lamentar a resolução do IBGE de não

cessidades para a administração pública, no seu papel de órgão dirigente de um número cada vez maior de homens e

de coisas. Por outro lado, o fraco poder (1) Devemos essas informações ao eco nomista Dr. Jayme Magrassi, a quem re

gistramos aqui os nossos agradecimentos.

rica do assunto que se deve vivamente

mais recolher informações pertinentes ao problema que nos ensejasse a sua aná lise científica.

Acaso esta analise prejudicaria a al guém? - é a pergunta que fazemos aos responsáveis e interessados e com a qual encerramos essas notas.

O Departamento da Agricultura dos Esfoâos Unidos ocoba de anunciar a descoberta de nooos produtos químicos semelhantes ao phetro, produzidos sint^tica-

mente pela primeira vez no Burean de Entoinojogia e na Quarentena de Plantas.

^ experiências preliminares com os novos produtos deniot\siraram que a sua efi ciência é, no mínimo, igual a do inseticida natural e que ^^rutura química não se desintegra tão ràpidomente como a do piretro. Além disso, o grau de toxidez dos produtos sintéticos, com relação aos anunats^ de ordem superior, parece

ser tão baixo quanto o do piretro. Foi, também, verqicado que a ação tóxica dc

um dos compostos, com relação às moscas domésticas, e seis vèzes superior à toxidez jus flores do piretro. Apesar das descobertas acima referidas, a indú^ria de piretro da colônifl

ingtêsa de Kenya espera dobrar a sua produção em 1949.


DrcEs-ro Econômico

Posição dos Estados Unidos em face da crise cambial Roberto Pinto de Souza

^ NOSSO objetivo focalizar, neste artigo, segundo, pelo Balanço de Contas. Apre o angustiante problema da escassez

de dólares e a função que os Estados Unidos desempenham no equilíbrio eco nômico internacional.

Devido a complexidade do assunto e a dificuldade de abordá-lo, achamos mais lógico iniciarmos êste nosso traba

lho por uma parte introdutória em que, através de certas noções teóricas e his

tóricas, procuramos colocar o probTema monetário atual, para depois analisá-lo.

senta, portanto, dois valores, que de sempenham funções importantes e di ferentes e requerem certa estabilidade. Assim, para que se verifique equilíbrio

na vida econômica e social de um pais, é necessário que os preços internos não acusem flutuações sensíveis; igualmen te, para que se processe uma perfeita circulação internacional de mercadorias e capitais, é indispensável certa estabi lidade cambial.

A moeda, como denominador comum

sempenha funções muito importantes na vida econômica, daí esta necessitar, para a sua continuidade harmônica e equili brada, de uma relativa estabilidade mo netária, ou melhor, de uma relação mais ou menos constante entre os valores dos

bens econômicos e o poder de compra da moeda.

Porém, surge aqui uma

grande dificuldade: é que a moeda exerce as suas

Essas duas establlidades foram, du rante muito tempo, garantidas pelo me

canismo de correç.âo automática do pa drão ouro.

antagônicos e distintos, se bem que intimamente re

mitia a inflação, pois o volume da moe da em circulação estava condicionado à quantidade de ouro e-xistentc no merca

do nacional. Essa quantidade não po dia ser fácilmentc alterada, ^ uma vez que dependia da

lacionados: a) as ativida

des econômicas internas, e b) as atividades econômi

cas internacionais. No pri meiro, o seu valor é deter

minado pelo nível de pro dução em relação à cir

culação monetáiia, e, no

,

monetários permaneciam mutuamente re lacionados.

O ouro era a moeda de

A, em virtude do seu Balanço de Contas

Enquanto havia equilíbrio no Balan ço de Contas, o.s pagamentos para o e.vtcrior e do e.xterior se efetuavam normal

um para outro país. Porém, se o Ba lanço de Contas do país A se tornava passivo com relação ao país B, ocorria

maior procura de letras do país B, por parte do país A. Isso porque A tinha Como as letras de B eram reduzidas em

tribuía não só entre os vários países como, em cada

netária, o chamado ponto de saída do ouro, ficava mais barato enviar moedas-

nação, entre o mercado in

;Ouro .0. cunhá-las no país B, do que

o

montante

da

passivo, acarretava internamente dimi

nuição de moeda, e esta, por sua xez, agia não só sobre cs preços, diminuindo-os, como sobre as taxas de desconto

e de juros, elevando-as. Ora, preços baixos eram estiniulo u exportação, en quanto as taxas altas de desconto e de

juros eram excelentes ímãs de atração

dü capital. Portanto, invertia-se a cor

rente áurea, porque o país A exporta va mais do que iniportava, ao mesmo tempo em que recebia do exterior maior

afluxo de capitais, sequiosos de taxas mais elevadas; no país B passava-se o

contrário: o ouro aBuía, aumentava a quantidade de. moeda, e as suas conse no país A, estavam dispostos a pagar qüências logo se evidencia\fam: subiam preço mais elevado para obter letras os preços e diminuíam as taxas de des sôbrc B, pois lucrariam a diferença que conto e de juros, redundando em de teriam de desembolsar piura o transpor te e cunhagem de moedas-ouro. Mas, créscimo da exportação e da entrada de capitais e em acréscimo da importação.

se a cotação de cambiais sobre B atin

moeda metálica, o valor do dinheiro era majs ou menos

A exportação de ouro feita pelo país

face da procura, os devedores de B,

gisse um ponto acima da paridade mo

culdade

Assim, a ta.xa cambial só podia va riar dentro dos limites fi.xados pelos pon tos de importação e e.xportação do ouro.

do como esse ouro se dis-

dustrial e o mercado mo

preço tão baixo.

à de outro se fazia unicamente pela alte ração da cunhagem e desconto de certas despesas.

extração do ouro e do mo-

netário. Não se alterando ou se alterando com difi

tando o metal do que vendendo-as por

todos, c a conversão da moeda de um-

que pagar mais a B do que êste a A.

Internamente esse mecanismo não per

funções em dois campos

porlação desse metal, os seus sistemas

cias, não havendo remessas de ouro de

'padrão ouro

de valores e instrumento de troca, de

possuindo as nações padrão ouro e man

tendo liberdade dc importação c e.\-

letras de câmbio, cheques ou transferên

Mecanismo de equilíbrio do

existia também o ponto do cntiada, ou

de importação, isto é, quando o câmbio

do B descia abaixo do limite das des pesas de importação do ouro, os ven dedores dc letras sobre B lucravam mais de no comercio internacional eslava con fiado ao mesmo .sistema áureo. É que, negociando essas letras em B o impor

mente através de compra e venda de

í

1

Moeda, denominador comum de valores

constante e, portanto, os preç-os oscila vam pouco, e a \'ida econômica nacional não apresentava flutuações alarmantes. O equilíbrio dc preços c quantida

Dessa maneira, o equilíbrio se refazia, porque a e.xportação do ouro, causando

um desnível de preços e de taxas de desconto e de juros entre as duas na-

adquirir letras numa cotação tão alta. (^es, provocava uma corrente de merca -rpaí dizer-se que o ponto de saída ou dorias no mesmo sentido do en\io ante vtlo e.vportação do ouro era fixado pelas rior de ouro e uma corrente inx ersa de capitais. Ora, estas correntes de mer despesas de transporte, seguros, cunha gem e perdas de juros.

Ao lado do ponto de saída do ouro

cadorias e capitais determinavam por seu lado, uma oposta de moeda 'resta-


DrcEs-ro Econômico

Posição dos Estados Unidos em face da crise cambial Roberto Pinto de Souza

^ NOSSO objetivo focalizar, neste artigo, segundo, pelo Balanço de Contas. Apre o angustiante problema da escassez

de dólares e a função que os Estados Unidos desempenham no equilíbrio eco nômico internacional.

Devido a complexidade do assunto e a dificuldade de abordá-lo, achamos mais lógico iniciarmos êste nosso traba

lho por uma parte introdutória em que, através de certas noções teóricas e his

tóricas, procuramos colocar o probTema monetário atual, para depois analisá-lo.

senta, portanto, dois valores, que de sempenham funções importantes e di ferentes e requerem certa estabilidade. Assim, para que se verifique equilíbrio

na vida econômica e social de um pais, é necessário que os preços internos não acusem flutuações sensíveis; igualmen te, para que se processe uma perfeita circulação internacional de mercadorias e capitais, é indispensável certa estabi lidade cambial.

A moeda, como denominador comum

sempenha funções muito importantes na vida econômica, daí esta necessitar, para a sua continuidade harmônica e equili brada, de uma relativa estabilidade mo netária, ou melhor, de uma relação mais ou menos constante entre os valores dos

bens econômicos e o poder de compra da moeda.

Porém, surge aqui uma

grande dificuldade: é que a moeda exerce as suas

Essas duas establlidades foram, du rante muito tempo, garantidas pelo me

canismo de correç.âo automática do pa drão ouro.

antagônicos e distintos, se bem que intimamente re

mitia a inflação, pois o volume da moe da em circulação estava condicionado à quantidade de ouro e-xistentc no merca

do nacional. Essa quantidade não po dia ser fácilmentc alterada, ^ uma vez que dependia da

lacionados: a) as ativida

des econômicas internas, e b) as atividades econômi

cas internacionais. No pri meiro, o seu valor é deter

minado pelo nível de pro dução em relação à cir

culação monetáiia, e, no

,

monetários permaneciam mutuamente re lacionados.

O ouro era a moeda de

A, em virtude do seu Balanço de Contas

Enquanto havia equilíbrio no Balan ço de Contas, o.s pagamentos para o e.vtcrior e do e.xterior se efetuavam normal

um para outro país. Porém, se o Ba lanço de Contas do país A se tornava passivo com relação ao país B, ocorria

maior procura de letras do país B, por parte do país A. Isso porque A tinha Como as letras de B eram reduzidas em

tribuía não só entre os vários países como, em cada

netária, o chamado ponto de saída do ouro, ficava mais barato enviar moedas-

nação, entre o mercado in

;Ouro .0. cunhá-las no país B, do que

o

montante

da

passivo, acarretava internamente dimi

nuição de moeda, e esta, por sua xez, agia não só sobre cs preços, diminuindo-os, como sobre as taxas de desconto

e de juros, elevando-as. Ora, preços baixos eram estiniulo u exportação, en quanto as taxas altas de desconto e de

juros eram excelentes ímãs de atração

dü capital. Portanto, invertia-se a cor

rente áurea, porque o país A exporta va mais do que iniportava, ao mesmo tempo em que recebia do exterior maior

afluxo de capitais, sequiosos de taxas mais elevadas; no país B passava-se o

contrário: o ouro aBuía, aumentava a quantidade de. moeda, e as suas conse no país A, estavam dispostos a pagar qüências logo se evidencia\fam: subiam preço mais elevado para obter letras os preços e diminuíam as taxas de des sôbrc B, pois lucrariam a diferença que conto e de juros, redundando em de teriam de desembolsar piura o transpor te e cunhagem de moedas-ouro. Mas, créscimo da exportação e da entrada de capitais e em acréscimo da importação.

se a cotação de cambiais sobre B atin

moeda metálica, o valor do dinheiro era majs ou menos

A exportação de ouro feita pelo país

face da procura, os devedores de B,

gisse um ponto acima da paridade mo

culdade

Assim, a ta.xa cambial só podia va riar dentro dos limites fi.xados pelos pon tos de importação e e.xportação do ouro.

do como esse ouro se dis-

dustrial e o mercado mo

preço tão baixo.

à de outro se fazia unicamente pela alte ração da cunhagem e desconto de certas despesas.

extração do ouro e do mo-

netário. Não se alterando ou se alterando com difi

tando o metal do que vendendo-as por

todos, c a conversão da moeda de um-

que pagar mais a B do que êste a A.

Internamente esse mecanismo não per

funções em dois campos

porlação desse metal, os seus sistemas

cias, não havendo remessas de ouro de

'padrão ouro

de valores e instrumento de troca, de

possuindo as nações padrão ouro e man

tendo liberdade dc importação c e.\-

letras de câmbio, cheques ou transferên

Mecanismo de equilíbrio do

existia também o ponto do cntiada, ou

de importação, isto é, quando o câmbio

do B descia abaixo do limite das des pesas de importação do ouro, os ven dedores dc letras sobre B lucravam mais de no comercio internacional eslava con fiado ao mesmo .sistema áureo. É que, negociando essas letras em B o impor

mente através de compra e venda de

í

1

Moeda, denominador comum de valores

constante e, portanto, os preç-os oscila vam pouco, e a \'ida econômica nacional não apresentava flutuações alarmantes. O equilíbrio dc preços c quantida

Dessa maneira, o equilíbrio se refazia, porque a e.xportação do ouro, causando

um desnível de preços e de taxas de desconto e de juros entre as duas na-

adquirir letras numa cotação tão alta. (^es, provocava uma corrente de merca -rpaí dizer-se que o ponto de saída ou dorias no mesmo sentido do en\io ante vtlo e.vportação do ouro era fixado pelas rior de ouro e uma corrente inx ersa de capitais. Ora, estas correntes de mer despesas de transporte, seguros, cunha gem e perdas de juros.

Ao lado do ponto de saída do ouro

cadorias e capitais determinavam por seu lado, uma oposta de moeda 'resta-


Dicksto EcoNÓ>nco

40

belecendo novamente o equilíbrio do

Balanço de Contas e fixando as cota ções cambiais abaixo dos pontos do ouro.

No regime de padrão ouro, portanto,

Paralelamente a êsse mecanismo de

pagamentos, formou-se também, pau latinamente, um sistema de crédito e

financiamento mundial, tendo por cen tro uma praça — Londres — que, pela

o movimento se resumia numa oscilação

sua longa tarimba financeira, se consti

em tômo de uma posição de equilíbrio, fornecida pelo Balanço de Contas entre

tuiu em fulcro de toda a vida econômica

A e B, saldando em zero. O curso de câmbio correspondente a essa situação de equilíbrio era o par, e os estados passivos ou ativos de Balanço eram pas

sageiros, como as flutuações cambiais. Intemacionalismo econômico

Êsse mecanismo de correção automá

tica funcionou muito bem enquanto as condições econômicas e políticas permi tiram a existência de um sistema mone

tário e comercial internacional e inter

dependente. Foi o que se verificou antes da guerra de 1914-18, quando a estabili dade monetária, o livre-câmbio e as re

lações comerciais multilaterais garanti ram o funcionamento de um comércio

perfeitamente equilibrado. É que êsse comércio resultou de um

desenvolvimento progressivo, mas lento, de expansão e integração, que tomou possível a organização de um sistema de pagamentos internacionais, cujas bases fo-

mundial. Por outro lado, o sistema mo

netário, enquanto acompanhava o pro

vida.

Conseqüôncios da guerra de 14-18 O advento da primeira grande guerra veio desorganizar quase por completo

êsse produto histórico harmonioso do padrão ouro, tornando difícil a posição

entre os países industriais da Europa Ocidental e os produtores de matérias-

primas 6 gêneros alimentícios, uma vez que êstes, impossibilitados de importar artigos manufaturados ern quantidade suficiente, liariam construído indústrias

■ no próprio território e se apresentavam agora não como clientes, mas como concorrentes. Dessa forma, rompia-se o

do metal nobre como instrumento de

equilíbrio primitivo, enquanto se redu

equilíbrio monetário intemacional. Isso porque a inflação formidável deu causa a um grande desajustamenlo entre a

ziam os lucros do comércio intemacio

Para formar a cúpula desse edifício»

contribuíram as condições políticas da quela fase histórica. Sim, porque a li berdade absoluta requerida pelo padrão ouro para seu perfeito funcionamento,, deram-na o regime político e a corrente liberalista de idéias da segunda metade do século XIX • e a primeira década desta centúria. Referindo-se a essa fase,, encontramos em "La Crise de L'Eta-

moeda circulante e o ouro, ao mesmo

tempo em que estabeleceu uma profun

a organização política liberalista, que

da desordem monetária.

Se consultarmos as estatísticas desse

período, veremos claramente que a es tabilidade relativa dos preços e dos cursos do cambio, a evolução progressi va da circulação monetária e o equilí brio do orçamento estatal, todo êsse

canisme monétaire, des príncipes de Ia conception libérale de réconomie basée

conjunto de elementos coordenados do passado foi substituído pelo caos mais completo. As moedas não eram mais de ouro, mas papel-moeda de curso

sur Ia non-intervention, les reactions na-

turelles du marché mü par Ia recherche capitaliste du profit personnel et, enfin, notamment en matière internationale, les

libres échanges". (1).

Êáse (conjunto homogêneo, produto de uma evolução natural, tomou possível ções comerciais, financeiras, monetárias

sal interdependente, na qual as rela e políticas entre as nações se prende

comércio internacional através da con

ram de tal forma que estreitaram o

quista de novos mercados e a disposi ção dos países, de um modo geral, em credores e fomccedorcs de produtos ma

mundo numa verdadeira unidade eco

nômica, tomando possível o funciona mento da Divisão Intemacional do Tra

nufaturados, e devedores e fornecedores

balho e permitindo melhor aproveita

de matéria-prima, colocaram as nações numa ordem complementar, formando

mento dos recursos naturais, diminuição(1) La Crise de L'Etalon-Or, pág. 23. La Renaissance du Livre, 1935.

nal, tomando inútil o sacrifício das alte

rações de preços internos em benefício das relações comerciais; ao mesmo tempo,

lon-Or": "Cétait rapplication, au mé-

uma longa experiência liistórica.

comerciais intercomunicante.

mo do comércio e elevação do nível de

moeda universal, o ouro.

a organização de uma economia univer

um sistema de transações financeiras e

do custo de produção, aumento do \'olu-

gresso econômico, constituía-se com uma

lam constituídas aos poucos, à medida que as necessidades o exigiam, ao mes mo tempo em que eram corrigidas por Por outro lado, o desenvolvimento do

41

Digesto Econômico

forçado, a inflação reinava em todos os

países e o curso do câmbio, livre da cadeia dos pontos-ouro, oscilava desor denadamente.

Nesse mundo desregrado não era mais

possível o funcionamento normal e es tável

do

comércio

internacional, isso

porque o mecanismo de pagamentos in ternacionais estava sèriamente abalado

pelas flutuações contímias dos câmbios, pelo pêso das exorbitantes dívidas inter nas 6 externas e pela depreciação mo

permitira a livre troca de mercadorias, ora substituída por um sistema protecio nista, que emperrais a circulação dos bens.

A partir dêsse momento, como vemos em "La Crise de L'Etalon-Or","A hipó tese econômica que haria justificado o automatismo do padrão ouro estava mo

dificada, 8 de forma alguma podia o mundo voltar novamente a ela, porque a estrutura econômica sofrerá uma trans

formação tão profunda que não permi tia mais o perfeito funcionamento do

princípio da coordenação automática reahzada pelo livre jôgo das leis da oferta e procura e pelo mecanismo do

padrão metálico. A estrutura tomou-se de tal forma ngida que impossibilitou a correção dos Balanços de Contas através

das alterações dos níveis preço-rendimento, e anulou, pela imobihdade do

capital e do trabalho aplicados na pro dução moderna, os a)u.stamentos nece.ssários à estrutura produtiva nas eco

netária interna. Ao lado dessas pertur bações somavam-se ainda modificações

nomias nacionais.

muito sérias na estrutura comercial e

Fundo Monetário e Banco Internacional

política. De fato, no dia seguinte ao da paz evidenciou-se o resultado sur preendente: o comércio mundial já não estava mais organizado em torno da troca

A guerra de 39-45 trouxe conseqüên cias muito piores nas relações econômi cas internacionais. Porém, ainda du-


Dicksto EcoNÓ>nco

40

belecendo novamente o equilíbrio do

Balanço de Contas e fixando as cota ções cambiais abaixo dos pontos do ouro.

No regime de padrão ouro, portanto,

Paralelamente a êsse mecanismo de

pagamentos, formou-se também, pau latinamente, um sistema de crédito e

financiamento mundial, tendo por cen tro uma praça — Londres — que, pela

o movimento se resumia numa oscilação

sua longa tarimba financeira, se consti

em tômo de uma posição de equilíbrio, fornecida pelo Balanço de Contas entre

tuiu em fulcro de toda a vida econômica

A e B, saldando em zero. O curso de câmbio correspondente a essa situação de equilíbrio era o par, e os estados passivos ou ativos de Balanço eram pas

sageiros, como as flutuações cambiais. Intemacionalismo econômico

Êsse mecanismo de correção automá

tica funcionou muito bem enquanto as condições econômicas e políticas permi tiram a existência de um sistema mone

tário e comercial internacional e inter

dependente. Foi o que se verificou antes da guerra de 1914-18, quando a estabili dade monetária, o livre-câmbio e as re

lações comerciais multilaterais garanti ram o funcionamento de um comércio

perfeitamente equilibrado. É que êsse comércio resultou de um

desenvolvimento progressivo, mas lento, de expansão e integração, que tomou possível a organização de um sistema de pagamentos internacionais, cujas bases fo-

mundial. Por outro lado, o sistema mo

netário, enquanto acompanhava o pro

vida.

Conseqüôncios da guerra de 14-18 O advento da primeira grande guerra veio desorganizar quase por completo

êsse produto histórico harmonioso do padrão ouro, tornando difícil a posição

entre os países industriais da Europa Ocidental e os produtores de matérias-

primas 6 gêneros alimentícios, uma vez que êstes, impossibilitados de importar artigos manufaturados ern quantidade suficiente, liariam construído indústrias

■ no próprio território e se apresentavam agora não como clientes, mas como concorrentes. Dessa forma, rompia-se o

do metal nobre como instrumento de

equilíbrio primitivo, enquanto se redu

equilíbrio monetário intemacional. Isso porque a inflação formidável deu causa a um grande desajustamenlo entre a

ziam os lucros do comércio intemacio

Para formar a cúpula desse edifício»

contribuíram as condições políticas da quela fase histórica. Sim, porque a li berdade absoluta requerida pelo padrão ouro para seu perfeito funcionamento,, deram-na o regime político e a corrente liberalista de idéias da segunda metade do século XIX • e a primeira década desta centúria. Referindo-se a essa fase,, encontramos em "La Crise de L'Eta-

moeda circulante e o ouro, ao mesmo

tempo em que estabeleceu uma profun

a organização política liberalista, que

da desordem monetária.

Se consultarmos as estatísticas desse

período, veremos claramente que a es tabilidade relativa dos preços e dos cursos do cambio, a evolução progressi va da circulação monetária e o equilí brio do orçamento estatal, todo êsse

canisme monétaire, des príncipes de Ia conception libérale de réconomie basée

conjunto de elementos coordenados do passado foi substituído pelo caos mais completo. As moedas não eram mais de ouro, mas papel-moeda de curso

sur Ia non-intervention, les reactions na-

turelles du marché mü par Ia recherche capitaliste du profit personnel et, enfin, notamment en matière internationale, les

libres échanges". (1).

Êáse (conjunto homogêneo, produto de uma evolução natural, tomou possível ções comerciais, financeiras, monetárias

sal interdependente, na qual as rela e políticas entre as nações se prende

comércio internacional através da con

ram de tal forma que estreitaram o

quista de novos mercados e a disposi ção dos países, de um modo geral, em credores e fomccedorcs de produtos ma

mundo numa verdadeira unidade eco

nômica, tomando possível o funciona mento da Divisão Intemacional do Tra

nufaturados, e devedores e fornecedores

balho e permitindo melhor aproveita

de matéria-prima, colocaram as nações numa ordem complementar, formando

mento dos recursos naturais, diminuição(1) La Crise de L'Etalon-Or, pág. 23. La Renaissance du Livre, 1935.

nal, tomando inútil o sacrifício das alte

rações de preços internos em benefício das relações comerciais; ao mesmo tempo,

lon-Or": "Cétait rapplication, au mé-

uma longa experiência liistórica.

comerciais intercomunicante.

mo do comércio e elevação do nível de

moeda universal, o ouro.

a organização de uma economia univer

um sistema de transações financeiras e

do custo de produção, aumento do \'olu-

gresso econômico, constituía-se com uma

lam constituídas aos poucos, à medida que as necessidades o exigiam, ao mes mo tempo em que eram corrigidas por Por outro lado, o desenvolvimento do

41

Digesto Econômico

forçado, a inflação reinava em todos os

países e o curso do câmbio, livre da cadeia dos pontos-ouro, oscilava desor denadamente.

Nesse mundo desregrado não era mais

possível o funcionamento normal e es tável

do

comércio

internacional, isso

porque o mecanismo de pagamentos in ternacionais estava sèriamente abalado

pelas flutuações contímias dos câmbios, pelo pêso das exorbitantes dívidas inter nas 6 externas e pela depreciação mo

permitira a livre troca de mercadorias, ora substituída por um sistema protecio nista, que emperrais a circulação dos bens.

A partir dêsse momento, como vemos em "La Crise de L'Etalon-Or","A hipó tese econômica que haria justificado o automatismo do padrão ouro estava mo

dificada, 8 de forma alguma podia o mundo voltar novamente a ela, porque a estrutura econômica sofrerá uma trans

formação tão profunda que não permi tia mais o perfeito funcionamento do

princípio da coordenação automática reahzada pelo livre jôgo das leis da oferta e procura e pelo mecanismo do

padrão metálico. A estrutura tomou-se de tal forma ngida que impossibilitou a correção dos Balanços de Contas através

das alterações dos níveis preço-rendimento, e anulou, pela imobihdade do

capital e do trabalho aplicados na pro dução moderna, os a)u.stamentos nece.ssários à estrutura produtiva nas eco

netária interna. Ao lado dessas pertur bações somavam-se ainda modificações

nomias nacionais.

muito sérias na estrutura comercial e

Fundo Monetário e Banco Internacional

política. De fato, no dia seguinte ao da paz evidenciou-se o resultado sur preendente: o comércio mundial já não estava mais organizado em torno da troca

A guerra de 39-45 trouxe conseqüên cias muito piores nas relações econômi cas internacionais. Porém, ainda du-


42

Digesto Econômico

ranlc o coiifÜto, a análise aprofundada

comerciais internucionais cstribadas no

que os cientistas realizaram do período que se seguiu a 1918 mostrou que nos

multílatoralismo das trocas.

encontramos em face dc uma estrutura

As amdiçõo.s presentes são muito di-

\cr.sas das imaginadas pelos peritos dos

que não pode mais ser coordenada au-

goNcnios unidos.

tomàticaniente, mas só através de uma coopera(;ão internacional, a fim de-rríar

dc contrólc dc cambio, do acordos de

entre as nações uma disciplina capaz de novamente

restabelecer

o

ecpiilíbrío

económic-o.

Firmes nessas idéias, elaboraram -as

Estamos numa fase

"clcaring", dc moedas blo(£ueadas. Além

disso, s-m-giram problemas novos e gra-

irremediá\'el de dólares e as suas fu

não só dos bens dc produção, para o

nestas conseqüências.

rcaparclbamento dos parques industriais do.s demais países, como dos bens de consumo, para a população mundial cs-

faímada de mercadorias impossíveis de obter durante a contenda.

dos outros elementos do Balanço de

como os gastos dos turistas, o inovimentu

mesma indústria financiar a reconstru ção econômica internacional, sem cair num ciclo inflacio-

nário, que arrastará

e trouxeram suges

fatalmente a econo

tões de muitas fon

mia mundial numa

tes, resultando a de

crise de proporções

claração confunta de

impre\'isí\'cis.

formula

da pelos perito.s fi

cedor, foi o iinico mercado em que as nações beligerantes e não-beligerantes vieram abastceer-se. As primeiras leva-

ra'm, no início, um rude golpe cora a suspen.são brusca do "Lend-Lease", só

em parte compensada mais tarde com o Plano Marshall. As segundas, com vas tos estoques em ouro e dólares adqui ridos durante a guerra pela venda ma ciça de matérias-primas nos Estados

Unidos, mas sequíosns de bens de produ ção o de consiuno, desandaram a com

prar loucamente toda sorte de produ

nanceiros dos gover

Posição dos Éstados Unidos na economfíi

tos ianques, e cm menos de dois anos

nos das Nações Uni

inlernacional

viram liquidados os fundos em dóla

Woods.

Infelizmente, essas duas organizações não receberam os elementos necessários para atuar efetivamente na primeira fase de desordenamento de após-guerra. É que seus ídeadores, em 1944 e 45, não

só não podiam prever a marcha dos

De fato, se anabsarmos a posição dos Estados Unidos em face da economia

internacional, veremos que êlcs ocupam o centro do sistema, e é deles que ema nam as forças impulsicnadcras. Ê que, enquanto todos os outros países se em pobreceram com a guerra, a América

negócios econômicos e políticos nos pri

do Norte se enriqueceu fabulosamente.

meiros anos que se iam seguir ao térmi

As suas indústrias não só se desenvol

no da guerra, como foram muito oti

veram

mistas ao proverem o rumo que deve riam tomar êsses mesmos negócios, nesse

nas quando as economias nacionais já

adaptaram aos novos processos técnicos de produção. Assim, os anos de guerra, fatídicos para os outros países, foram anos de vacas gordas para a economia estadunidense. Cessado o conflito, o estado de ruína das indústrias européias

estivessem restabelecidas e as relações

e a rápida reconversão do parque pro

período.

Daí terem formulado essas

duas instituições em termos muito res

tritos, tornando-as aptas a funcionar ape

E êste é

guerra continuou em ascensão no perío do post-bélíco. Sendo o único forne

auxílio da indústria norte-americana, e na impossibilidade, por sua vez, de essa

de Bretton

tanto, o equilíbrio cambial.

ainda agravado pela quase supressão

pletamente o ritmo das transações eco nômicas como lançaram a economia in

tro. O primeiro passou a denominar-se

das na Conferência

Nessa situação, não é possível o equi

líbrio das contas internacionais e, por

brem os déficits da balança comercial

impossibilidade de se reconstruir sem o

princípios

necessidades de importação. É a crise

que ôste se tornasse o único fornecedor

a economia norte-americana durante a

estabilízíição, umj de reconstrução, o ou

cm largos círculos

dutor da terra de Tio Sam fizeram com

A prosperidade que bavia conhecido

ternacional num impasse, proveniente da

segundo "Banco Internacional de Re construção". Êsses dois institutos es timularam discussões

43

\íssinics, que não só transtornaram com

Nações Unidas dois grandes planos: de Fundo Monetário Internacional" e o

Dicesto Eco^ró^^co

extraordinàriamente

como

se

res, sem que os seus parques produ tores estivessem devidamente apare lhados.

Dessa forma, o aspecto que apresenta a economia atual é de um imenso de

sequilíbrio. De um lado, as nações eu ropéias, exaustas pela campanha guer

Contas, que, em épocas normais, co

de capitais, os fretes, o.s juros dc ca pitais invertidos no estrangeiro, a re messa de emigrantes, a exportação in\'isível.

A Inglaterra é caso típico desse de

sequilíbrio. Antes de 1939 ela supria os déficits do excesso da importação so

bre a exportação com os fretes pagos à sua frota mercante, os juros dos seus

capitais invertidos no exterior e a en trada de capitais estrangeiros. Hoje ela não possui nenhum desses elemen

tos em escala suficiente para fazer face aos vácuos das suas contas internacio

nais deixados pelo e.xcesso de importa ção.

Daí estar desenvolvendo um es

forço tremendo, no sentido de restrin

gir as suas importações ao mínimo ne cessário, e aumentar ao máximo, mes mo em detrimento do consumo interno,

as suas exportações. Plano Marshall

reira, não podem produzir as mercado rias de que necessitam sem fazer a re conversão dos seus parques produtores; para procedê-la é preciso adquirir bens

que se encontram tódas as nações eu

de produção nos Estados Unidos, mas

ropéias em matéria de divisas interna

não possuem os meios para isso.

cionais, e da necessidade dos Estados Unidos de manter um alto nível de

De

outro, os países agrícolas e semi-indus-

Em face da situação angustiante em

exportação, a fim de conservar em pleno emprêgo as suas forças produtivas, é dem vender aos Estados Unidos quan- • que aventou o Govêmo de Truman o tidade suficiente para cobrir as suas plano de financiamento para as nações trializados, fornecedores

de

matérias-

primas e gêneros alimentícios, não po

u


42

Digesto Econômico

ranlc o coiifÜto, a análise aprofundada

comerciais internucionais cstribadas no

que os cientistas realizaram do período que se seguiu a 1918 mostrou que nos

multílatoralismo das trocas.

encontramos em face dc uma estrutura

As amdiçõo.s presentes são muito di-

\cr.sas das imaginadas pelos peritos dos

que não pode mais ser coordenada au-

goNcnios unidos.

tomàticaniente, mas só através de uma coopera(;ão internacional, a fim de-rríar

dc contrólc dc cambio, do acordos de

entre as nações uma disciplina capaz de novamente

restabelecer

o

ecpiilíbrío

económic-o.

Firmes nessas idéias, elaboraram -as

Estamos numa fase

"clcaring", dc moedas blo(£ueadas. Além

disso, s-m-giram problemas novos e gra-

irremediá\'el de dólares e as suas fu

não só dos bens dc produção, para o

nestas conseqüências.

rcaparclbamento dos parques industriais do.s demais países, como dos bens de consumo, para a população mundial cs-

faímada de mercadorias impossíveis de obter durante a contenda.

dos outros elementos do Balanço de

como os gastos dos turistas, o inovimentu

mesma indústria financiar a reconstru ção econômica internacional, sem cair num ciclo inflacio-

nário, que arrastará

e trouxeram suges

fatalmente a econo

tões de muitas fon

mia mundial numa

tes, resultando a de

crise de proporções

claração confunta de

impre\'isí\'cis.

formula

da pelos perito.s fi

cedor, foi o iinico mercado em que as nações beligerantes e não-beligerantes vieram abastceer-se. As primeiras leva-

ra'm, no início, um rude golpe cora a suspen.são brusca do "Lend-Lease", só

em parte compensada mais tarde com o Plano Marshall. As segundas, com vas tos estoques em ouro e dólares adqui ridos durante a guerra pela venda ma ciça de matérias-primas nos Estados

Unidos, mas sequíosns de bens de produ ção o de consiuno, desandaram a com

prar loucamente toda sorte de produ

nanceiros dos gover

Posição dos Éstados Unidos na economfíi

tos ianques, e cm menos de dois anos

nos das Nações Uni

inlernacional

viram liquidados os fundos em dóla

Woods.

Infelizmente, essas duas organizações não receberam os elementos necessários para atuar efetivamente na primeira fase de desordenamento de após-guerra. É que seus ídeadores, em 1944 e 45, não

só não podiam prever a marcha dos

De fato, se anabsarmos a posição dos Estados Unidos em face da economia

internacional, veremos que êlcs ocupam o centro do sistema, e é deles que ema nam as forças impulsicnadcras. Ê que, enquanto todos os outros países se em pobreceram com a guerra, a América

negócios econômicos e políticos nos pri

do Norte se enriqueceu fabulosamente.

meiros anos que se iam seguir ao térmi

As suas indústrias não só se desenvol

no da guerra, como foram muito oti

veram

mistas ao proverem o rumo que deve riam tomar êsses mesmos negócios, nesse

nas quando as economias nacionais já

adaptaram aos novos processos técnicos de produção. Assim, os anos de guerra, fatídicos para os outros países, foram anos de vacas gordas para a economia estadunidense. Cessado o conflito, o estado de ruína das indústrias européias

estivessem restabelecidas e as relações

e a rápida reconversão do parque pro

período.

Daí terem formulado essas

duas instituições em termos muito res

tritos, tornando-as aptas a funcionar ape

E êste é

guerra continuou em ascensão no perío do post-bélíco. Sendo o único forne

auxílio da indústria norte-americana, e na impossibilidade, por sua vez, de essa

de Bretton

tanto, o equilíbrio cambial.

ainda agravado pela quase supressão

pletamente o ritmo das transações eco nômicas como lançaram a economia in

tro. O primeiro passou a denominar-se

das na Conferência

Nessa situação, não é possível o equi

líbrio das contas internacionais e, por

brem os déficits da balança comercial

impossibilidade de se reconstruir sem o

princípios

necessidades de importação. É a crise

que ôste se tornasse o único fornecedor

a economia norte-americana durante a

estabilízíição, umj de reconstrução, o ou

cm largos círculos

dutor da terra de Tio Sam fizeram com

A prosperidade que bavia conhecido

ternacional num impasse, proveniente da

segundo "Banco Internacional de Re construção". Êsses dois institutos es timularam discussões

43

\íssinics, que não só transtornaram com

Nações Unidas dois grandes planos: de Fundo Monetário Internacional" e o

Dicesto Eco^ró^^co

extraordinàriamente

como

se

res, sem que os seus parques produ tores estivessem devidamente apare lhados.

Dessa forma, o aspecto que apresenta a economia atual é de um imenso de

sequilíbrio. De um lado, as nações eu ropéias, exaustas pela campanha guer

Contas, que, em épocas normais, co

de capitais, os fretes, o.s juros dc ca pitais invertidos no estrangeiro, a re messa de emigrantes, a exportação in\'isível.

A Inglaterra é caso típico desse de

sequilíbrio. Antes de 1939 ela supria os déficits do excesso da importação so

bre a exportação com os fretes pagos à sua frota mercante, os juros dos seus

capitais invertidos no exterior e a en trada de capitais estrangeiros. Hoje ela não possui nenhum desses elemen

tos em escala suficiente para fazer face aos vácuos das suas contas internacio

nais deixados pelo e.xcesso de importa ção.

Daí estar desenvolvendo um es

forço tremendo, no sentido de restrin

gir as suas importações ao mínimo ne cessário, e aumentar ao máximo, mes mo em detrimento do consumo interno,

as suas exportações. Plano Marshall

reira, não podem produzir as mercado rias de que necessitam sem fazer a re conversão dos seus parques produtores; para procedê-la é preciso adquirir bens

que se encontram tódas as nações eu

de produção nos Estados Unidos, mas

ropéias em matéria de divisas interna

não possuem os meios para isso.

cionais, e da necessidade dos Estados Unidos de manter um alto nível de

De

outro, os países agrícolas e semi-indus-

Em face da situação angustiante em

exportação, a fim de conservar em pleno emprêgo as suas forças produtivas, é dem vender aos Estados Unidos quan- • que aventou o Govêmo de Truman o tidade suficiente para cobrir as suas plano de financiamento para as nações trializados, fornecedores

de

matérias-

primas e gêneros alimentícios, não po

u


44

■

1"JKP ff.PWlii

I

européias necessitadas. Era intenção do

sofrerá também um corte. Já não terão

Governo americano

mais os Estados Unidos uma renda de

matar

dois

coe

lhos com uma cajadada só. No primeiro

130 bilhões, mas de 110. Essa redução

ano de aplicação do Piano, o seu in tento foi conseguido. Mas, já se está

acarretará, por sua vez, uma nova res

revelando fraco. Isto porque os países latino-americanos e outros que haviam acumulado grandes reservas no qüin

qüênio 1940-45 viram-se forçados a in troduzir fortes restrições nas importa

a política de financiar a exportação de seus produtos e nem as nações importa

dução e novo corte na renda nacional.

doras terão possibilidades, caso persista essa política americana de pagar os cré ditos concedidos. É que essa política de pleno emprego acarreta um desenvol

É a crise na economia americana que se declara.

É evidente que essa modificação que

produção ianque e levarão, se persis

sões na economia interna das demais nações, arrastando-as também na vo-

daquele país, que arrastará certamente

É evidente que os Estados Unidos não poderão continuar indefinidamente

trição no consumo e, portanto, na pro

se vai processar na economia ianque não pode deixar de ter sérias repercus

tirem, a um desequilíbrio na economia

Equilíbrio econômico

cura, forçando nova diminuição da pro

ções provenientes da terra de Tio Sam. Essas restrições repercutiram sôbre a

vimento contínuo da produção para fazer

face à procura internacional. Desta for ma, ao mesmo tempo cm que eleva a renda nacional, eleva também a produ

ção. Mas esta, impulsionada pela maior procura internacional, crescerá em pro

ragem da crise. É que, sofrendo a toda a economia mundial. Vamos fazerrenda nacional americana uma redução nos mais claros. acentuada, não- são apenas os produtos Suponhamos que os Estados Unidos,' estadunidenses que terão redução de para conseguirem o pleno emprego de consumo, mas todas as mercadorias im suas fôrças produtivas, necessitem pro portadas por aquela nação do Norte.

duzir 180 bilhões de dólares. Suponha

Essa queda na importação se traduz em

mos também que a sua renda nacio

portanto, exportar 50 bilhões. Havendo

diminuição nas atividades produtoras dos países exportadores, o que acarretará diminuição das suas rendas e, conseqüen temente, o desemprego e o seu séquito,

uma superprocura, como se verificou

isto é, a crise.

nal só atinja a cifra de 130 bilhões.

Para manter o pleno emprego é preciso, logo depois da guerra, êsses 50 bilhões seriam facilmente colocados. Decaindo o poder de compra internacional em vir tude dás causas apontadas, o mercado exterior não poderá mais absorver os 50 bilhões necessários, mas apenas, digamos, 30 bilhões. Nesse caso, ficarão 20 bi lhões sem colocação. Êsses irão exercer

forte pressão no mercado interno, afe tando os preços, pois haverá 20 biUiões

45

Dicesto Econômico

Digesto EcoNÓ>nco

porção maior que a renda nacional, dis tanciando cadu x'ez mais o volume do

con.sumo interno do total da produção. Voltemos ao nosso exemplo anterior.

Havíamos suposto que os Estados Unidos necessitavam de 180 bilhões de

dólares para manter em equilíbrio a sua economia. A sua renda nacional, o

que vale dizer o seu consumo interno,

só atingia a cifra de 130 bilhões, ha vendo um superávit de 50 bilhões, que eram absorvidos pelo mercado interna

Êsse exemplo, se bem que fictício, es clarece a gravidade da situação econômi

cional. Incentivando o consumo interna

ca presente. O "Brain Trust" do Governo

cional, este forçará um aumento de pro

americano percebeu muito bem a posição

dução, que passará, digamos, para 220

em que se encontra não só a economia do seu país como a dos demais. Daí ter Truman, no seu célebre discurso,

bilhões. Naturalmente, haverá aumento da renda nacional, mas não será na mes

enunciado o ponto 4.° do seu programa

uma parte se destina a pagar as maté

de governo, isto é, o auxílio às nações

rias-primas importadas e outros gastos

econòmicamente atrasadas. O que signi fica êsse auxílio? Nada mais do que o

com a produção. Dêsse modo, a renda

ma proporção que o da produção, pois

de dólares há mais de mercadorias, que não encontram consumidores. A queda

financiamento, por parte do Govêrno e

nacional atingirá apenas 145 billiões, dei xando 75 bilhões para sérem absorvidos

dos preços, pela maior oferta, forçará

dos capitalistas americanos, da exporta

pela procura externa.

os produtores a reduzirem a produção ao nível da procura, criando dessa forma

ção das suas próprias mercadorias. Mais uma vez quer o "Brain Trust" do Go-

Essa disparidade entre a renda nacio nal e a produção mostra que a economia

o desemprego, que repercutirá sôbre

vêiTio de Truman matar dois coelhos

tôda a economia americana, agravando

com uma só cajadada. Será que con

mais a situação, pois a renda nacional

seguirá?

é, do financiamento da exportação. Êsse ritmo inflacionário não pode ter longa duração, pois desencadeia dois fatores que vão impossibilitar a sua continuida

de. 'O primeiro é a queda no volume da ex^portação, pelos altos preços que atingirão as mercadorias americanas. O

segundo é o desequilíbrio que êsse fi nanciamento introduzirá no Balanço de

Contas das nações importadoras. De falo, o prosseguimento do ritmo inflacionário delenninará uma ascensão

contínua dos preços, dificultando a aqui sição dos produtos americanos pelas ou tras nações, uma vez que estas obterão,

à medida em que prossegue a elevação

dos preços, menos produtos com a mes ma quantia de moeda. Para que se verifique continuidade nas compras c preciso que os Estados Unidos aumen

tem progressi\'amente o volume do fi nanciamento, o que agravará a sua in flação interna, modificando no\'amen-

te os preços. A economia cairá num círculo vicioso. Enquanto ocorrerem ês ses fenômenos na economia de Tio Sam,

as economias das nações importadoras sofrerão também sérios distúrbios. É

que o financiamento manterá um dese quilíbrio crônico no Balanço de Paga mentos dêsses países. Desequilíbrio

que tenderá sempre a se agravar, à medida em que evoluir o processo infla cionário.

Não haverá nenhuma saída para se

evitar a depressão da economia amerii cana e mundial?

Estarão certos os

soviéticos ao afirmar a inesdtabilidade da futura crise mundial e a debacle do

capitalismo? Não acreditamos no prognóstico russo. A economia mundial poderá safar-se do

impasse em que se encontra. É preciso, portanto, perigoso, que só poderá ser porém, conhecimento exato da situação mantido através da própria inflação, isto presente e firme e compreensi\'a coope-

americana .está num ciclo inflacionário,

L.


44

■

1"JKP ff.PWlii

I

européias necessitadas. Era intenção do

sofrerá também um corte. Já não terão

Governo americano

mais os Estados Unidos uma renda de

matar

dois

coe

lhos com uma cajadada só. No primeiro

130 bilhões, mas de 110. Essa redução

ano de aplicação do Piano, o seu in tento foi conseguido. Mas, já se está

acarretará, por sua vez, uma nova res

revelando fraco. Isto porque os países latino-americanos e outros que haviam acumulado grandes reservas no qüin

qüênio 1940-45 viram-se forçados a in troduzir fortes restrições nas importa

a política de financiar a exportação de seus produtos e nem as nações importa

dução e novo corte na renda nacional.

doras terão possibilidades, caso persista essa política americana de pagar os cré ditos concedidos. É que essa política de pleno emprego acarreta um desenvol

É a crise na economia americana que se declara.

É evidente que essa modificação que

produção ianque e levarão, se persis

sões na economia interna das demais nações, arrastando-as também na vo-

daquele país, que arrastará certamente

É evidente que os Estados Unidos não poderão continuar indefinidamente

trição no consumo e, portanto, na pro

se vai processar na economia ianque não pode deixar de ter sérias repercus

tirem, a um desequilíbrio na economia

Equilíbrio econômico

cura, forçando nova diminuição da pro

ções provenientes da terra de Tio Sam. Essas restrições repercutiram sôbre a

vimento contínuo da produção para fazer

face à procura internacional. Desta for ma, ao mesmo tempo cm que eleva a renda nacional, eleva também a produ

ção. Mas esta, impulsionada pela maior procura internacional, crescerá em pro

ragem da crise. É que, sofrendo a toda a economia mundial. Vamos fazerrenda nacional americana uma redução nos mais claros. acentuada, não- são apenas os produtos Suponhamos que os Estados Unidos,' estadunidenses que terão redução de para conseguirem o pleno emprego de consumo, mas todas as mercadorias im suas fôrças produtivas, necessitem pro portadas por aquela nação do Norte.

duzir 180 bilhões de dólares. Suponha

Essa queda na importação se traduz em

mos também que a sua renda nacio

portanto, exportar 50 bilhões. Havendo

diminuição nas atividades produtoras dos países exportadores, o que acarretará diminuição das suas rendas e, conseqüen temente, o desemprego e o seu séquito,

uma superprocura, como se verificou

isto é, a crise.

nal só atinja a cifra de 130 bilhões.

Para manter o pleno emprego é preciso, logo depois da guerra, êsses 50 bilhões seriam facilmente colocados. Decaindo o poder de compra internacional em vir tude dás causas apontadas, o mercado exterior não poderá mais absorver os 50 bilhões necessários, mas apenas, digamos, 30 bilhões. Nesse caso, ficarão 20 bi lhões sem colocação. Êsses irão exercer

forte pressão no mercado interno, afe tando os preços, pois haverá 20 biUiões

45

Dicesto Econômico

Digesto EcoNÓ>nco

porção maior que a renda nacional, dis tanciando cadu x'ez mais o volume do

con.sumo interno do total da produção. Voltemos ao nosso exemplo anterior.

Havíamos suposto que os Estados Unidos necessitavam de 180 bilhões de

dólares para manter em equilíbrio a sua economia. A sua renda nacional, o

que vale dizer o seu consumo interno,

só atingia a cifra de 130 bilhões, ha vendo um superávit de 50 bilhões, que eram absorvidos pelo mercado interna

Êsse exemplo, se bem que fictício, es clarece a gravidade da situação econômi

cional. Incentivando o consumo interna

ca presente. O "Brain Trust" do Governo

cional, este forçará um aumento de pro

americano percebeu muito bem a posição

dução, que passará, digamos, para 220

em que se encontra não só a economia do seu país como a dos demais. Daí ter Truman, no seu célebre discurso,

bilhões. Naturalmente, haverá aumento da renda nacional, mas não será na mes

enunciado o ponto 4.° do seu programa

uma parte se destina a pagar as maté

de governo, isto é, o auxílio às nações

rias-primas importadas e outros gastos

econòmicamente atrasadas. O que signi fica êsse auxílio? Nada mais do que o

com a produção. Dêsse modo, a renda

ma proporção que o da produção, pois

de dólares há mais de mercadorias, que não encontram consumidores. A queda

financiamento, por parte do Govêrno e

nacional atingirá apenas 145 billiões, dei xando 75 bilhões para sérem absorvidos

dos preços, pela maior oferta, forçará

dos capitalistas americanos, da exporta

pela procura externa.

os produtores a reduzirem a produção ao nível da procura, criando dessa forma

ção das suas próprias mercadorias. Mais uma vez quer o "Brain Trust" do Go-

Essa disparidade entre a renda nacio nal e a produção mostra que a economia

o desemprego, que repercutirá sôbre

vêiTio de Truman matar dois coelhos

tôda a economia americana, agravando

com uma só cajadada. Será que con

mais a situação, pois a renda nacional

seguirá?

é, do financiamento da exportação. Êsse ritmo inflacionário não pode ter longa duração, pois desencadeia dois fatores que vão impossibilitar a sua continuida

de. 'O primeiro é a queda no volume da ex^portação, pelos altos preços que atingirão as mercadorias americanas. O

segundo é o desequilíbrio que êsse fi nanciamento introduzirá no Balanço de

Contas das nações importadoras. De falo, o prosseguimento do ritmo inflacionário delenninará uma ascensão

contínua dos preços, dificultando a aqui sição dos produtos americanos pelas ou tras nações, uma vez que estas obterão,

à medida em que prossegue a elevação

dos preços, menos produtos com a mes ma quantia de moeda. Para que se verifique continuidade nas compras c preciso que os Estados Unidos aumen

tem progressi\'amente o volume do fi nanciamento, o que agravará a sua in flação interna, modificando no\'amen-

te os preços. A economia cairá num círculo vicioso. Enquanto ocorrerem ês ses fenômenos na economia de Tio Sam,

as economias das nações importadoras sofrerão também sérios distúrbios. É

que o financiamento manterá um dese quilíbrio crônico no Balanço de Paga mentos dêsses países. Desequilíbrio

que tenderá sempre a se agravar, à medida em que evoluir o processo infla cionário.

Não haverá nenhuma saída para se

evitar a depressão da economia amerii cana e mundial?

Estarão certos os

soviéticos ao afirmar a inesdtabilidade da futura crise mundial e a debacle do

capitalismo? Não acreditamos no prognóstico russo. A economia mundial poderá safar-se do

impasse em que se encontra. É preciso, portanto, perigoso, que só poderá ser porém, conhecimento exato da situação mantido através da própria inflação, isto presente e firme e compreensi\'a coope-

americana .está num ciclo inflacionário,

L.


fiFsTn Kconój^CO lação internacional. A tarefa é, sem dúvida, imensa: trata-se de se cons

truir um- novo sistema de equilíbrio econômico internacional, capaz de fun

cionar como o padrão ouro.

Qual o

disso, a emigração de

•

•

*

da circul„ção®„,assa

mento, a emigração de capitais e acor

as pressões que a pletora de capitais exerce na economia. Evitará a depres

dos comerciais.

são. porque, vivitieando fortemente os

proces.so a ser utilizado?

O financia

Êsses deverão ser em

pregados no reerguimento da economia européia e no desenvolvimento das na

ções economicamente atrasadas, mas ra

cionalmente, e segundo um plano de

fôr seguido à risca, a poderosa nação do Norte conseguirá escapar à depressão que a ameaça e à inflação que inevità-

Por outro lado, vivificadas as economias

das nações importadoras, poderá ser restabelecido o sistema de trocas e li

quidações multilaterais e, através dô^e o equilíbrio dos Balanços de Contas.

flação americana.

possibilidade da intensificaçãoreside do cona

mércio internacional pdo aumento mun dial do poder aquisitivo. Do fato fi

as economias européias e desenvolverão

as atrasadas. Essas economias, assim vivificadas, elevarão o nível de vida de suas populações, o que diversificará o consumo, aumentando a procura de mer

cadorias estrangeiras, que poderão ser

belecerá quando os Balanços de Contas das nações importadoras tiverem obtido

rocracia e as suas atividades sempre

cre.scentcs e com os seus funcionários e servidores em constante aumento de re

das coutas internacionais, a crise do

financiamento ativará a produção ape nas das indústrias de bens de produ

de um lado, do desajustamento das tran sações internacionais e, de outro, do fato

dólar estará sanada, pois ela provém, de serem os Estados Unidos o único

Entra, então, em ação a demagogia,

quo c a forma política do imediatismo enganador: congelam-se os preços da habitação e dos gêneros de alimentação;

das por tarifas aduaneiras que lhes facul tam lucros exagerados e que, encarecendo os preços das utilidades essenciais á vida,

pera a indústria das sublocaçócs e o

oneram c aumentam o custo da produ

ção rural, baixando o poder aquisitivo do homem do campo

— trouxe, como

inevitável conseqüência, a liipertrofia das cidades,' sedes dos governos, da

mor parte das indústrias mannfatureiras e dos negócios, lícitos e ilícitos, e o êxod? dos campos.

Daí decorrem as causas secundárias do mal-estar social: de um lado, à me

dida que baixa o poder aquisitivo da população rural e que escasseiam os

gêneros do subsistência, dificulta-se a

Criado esse novo sistema de equilíbrio

rios sobem... e nada se resolve.

as construções dccrcscem e as atividades

ria, diminui e encarece a produção dos Conclusão

o~ dos gêneros de alimentação; os salá

muneração, c as snas indústrias, favoreci

braços para a agricultura e a pecuá

mento, restringindo-se aos setores de

cura excessiva em nenhum setor. Além

a administração pública, com a sua bu

nal.

fabricação de bens de produção, não -criará inflação e manterá o pleno em prego. Não criará inflação porque o

parque industrial, sem determinar pro

na, não tanto no confôrto material como

veis no mercado monetário internacio

É que o financia

ção, e através desse canal se diluirá no

podem menos; de outro lado, nas ci-

na.s oportunidades de ganho que oferece

que poderá funcionar como um todo, o seu equilíbrio e, portanto, fortalecido facilitando a correção dos desequilíbrios as moedas nacionais, tornando-as aceitá e a superação dos obstáculos. A primeira conseqüência favorável será a possibilidade de se evitar a in

exigir cada vez mais dos que cada vez

do o pleno emprego.

De fato, se fôr elaborado um plano obtidas por acordos comerciais. Dessa cie recuperação e reerguimento, conjun forma ter-se-á restabelecido a corrente tamente com um programa de finan de trocas internacionais, prelúdio do ciamento, emigração de capitais e acor dos comerciais, ter-se-á construído um multilateralismo-comercial, que se esta programa de cooperação internacional

As cüusas

Uina política de longa data errada, nov ^dadcs, o aflu.vo da população proioca sentido dc tudo favorecer à vida urba-í» " a deficiência permanente da habitação

nanciando os Estados Unidos a e.xpôrtavelmente a colherá, caso se verifique çao de bens de produção, êstes ativarão

tima política de- financiamento a e.smo.

Eduardo Duvmsn

setores mduslr.ais que produzem bens de produção, Ostes absorverSo os eleinentos de produçúo em excesso, manlen-

recuperação e desenvolvimento prèvia-

mente estabelecido. Se êsse programa

O problema do inquilinato

der do compra, rjue p„ vez taSdira a formação do processo inflaeioliário. Ag.ra como um pára-choque coniro

mecanização da lavoura, a fertilização do solo e o melhoramento dos rebanhos, diminui o mercado interno para os pro

dutos industriais — que passam a for çar o lucro unitário, a fim de compen sar a quantidade que lhes baratearia a produção — o menor volinne de carga

que as sustentam entram em crise; pros mercado negro das locações; os inqws-

tos prediais e sôbre a renda não acom

panham a necessidade crescente dos gastos públicos, pela evasão qúe se opera, e o seu aumerito, sobre os que trabalham honestamente, passa a im-

por-se; as instituições particulares de ca ridade e assistência, que têm os seus

serviços sustentados pela renda predial, vêem-se na contingência de os reduzir, e o Estado se sobrecarrega diretamente

com os respectivos ônus ou as subsidia: já no ápice do desespero, com a pro dução niral diminuída e encarecida, re

corre-se à importação dos gêneros ali mentícios; a indústria não fornece, po

rém, para a sua importação, as neces sárias dirisas, com a exportação dos seus

produtos, que, por sua vez, não podem concorrer nos mercados estrangeüos.

É o drama da casa e do alimento, nas cidades, e o da miséria no campo, onde tudo falta e o pouco que se pro

nas ferrovias impõe o alteamento dos duz é com prejuízo e, portanto, á custa

mercado fornecedor de bens de produ

fretes e, falhando os negócios, em que

ção.

se baseia a tributação, no meio ru

ral, passam os Estados e Municípios a A.

do próprio capital. Paralelamente, os egressos do campo

e os próprios deslocados da cidade jun-


fiFsTn Kconój^CO lação internacional. A tarefa é, sem dúvida, imensa: trata-se de se cons

truir um- novo sistema de equilíbrio econômico internacional, capaz de fun

cionar como o padrão ouro.

Qual o

disso, a emigração de

•

•

*

da circul„ção®„,assa

mento, a emigração de capitais e acor

as pressões que a pletora de capitais exerce na economia. Evitará a depres

dos comerciais.

são. porque, vivitieando fortemente os

proces.so a ser utilizado?

O financia

Êsses deverão ser em

pregados no reerguimento da economia européia e no desenvolvimento das na

ções economicamente atrasadas, mas ra

cionalmente, e segundo um plano de

fôr seguido à risca, a poderosa nação do Norte conseguirá escapar à depressão que a ameaça e à inflação que inevità-

Por outro lado, vivificadas as economias

das nações importadoras, poderá ser restabelecido o sistema de trocas e li

quidações multilaterais e, através dô^e o equilíbrio dos Balanços de Contas.

flação americana.

possibilidade da intensificaçãoreside do cona

mércio internacional pdo aumento mun dial do poder aquisitivo. Do fato fi

as economias européias e desenvolverão

as atrasadas. Essas economias, assim vivificadas, elevarão o nível de vida de suas populações, o que diversificará o consumo, aumentando a procura de mer

cadorias estrangeiras, que poderão ser

belecerá quando os Balanços de Contas das nações importadoras tiverem obtido

rocracia e as suas atividades sempre

cre.scentcs e com os seus funcionários e servidores em constante aumento de re

das coutas internacionais, a crise do

financiamento ativará a produção ape nas das indústrias de bens de produ

de um lado, do desajustamento das tran sações internacionais e, de outro, do fato

dólar estará sanada, pois ela provém, de serem os Estados Unidos o único

Entra, então, em ação a demagogia,

quo c a forma política do imediatismo enganador: congelam-se os preços da habitação e dos gêneros de alimentação;

das por tarifas aduaneiras que lhes facul tam lucros exagerados e que, encarecendo os preços das utilidades essenciais á vida,

pera a indústria das sublocaçócs e o

oneram c aumentam o custo da produ

ção rural, baixando o poder aquisitivo do homem do campo

— trouxe, como

inevitável conseqüência, a liipertrofia das cidades,' sedes dos governos, da

mor parte das indústrias mannfatureiras e dos negócios, lícitos e ilícitos, e o êxod? dos campos.

Daí decorrem as causas secundárias do mal-estar social: de um lado, à me

dida que baixa o poder aquisitivo da população rural e que escasseiam os

gêneros do subsistência, dificulta-se a

Criado esse novo sistema de equilíbrio

rios sobem... e nada se resolve.

as construções dccrcscem e as atividades

ria, diminui e encarece a produção dos Conclusão

o~ dos gêneros de alimentação; os salá

muneração, c as snas indústrias, favoreci

braços para a agricultura e a pecuá

mento, restringindo-se aos setores de

cura excessiva em nenhum setor. Além

a administração pública, com a sua bu

nal.

fabricação de bens de produção, não -criará inflação e manterá o pleno em prego. Não criará inflação porque o

parque industrial, sem determinar pro

na, não tanto no confôrto material como

veis no mercado monetário internacio

É que o financia

ção, e através desse canal se diluirá no

podem menos; de outro lado, nas ci-

na.s oportunidades de ganho que oferece

que poderá funcionar como um todo, o seu equilíbrio e, portanto, fortalecido facilitando a correção dos desequilíbrios as moedas nacionais, tornando-as aceitá e a superação dos obstáculos. A primeira conseqüência favorável será a possibilidade de se evitar a in

exigir cada vez mais dos que cada vez

do o pleno emprego.

De fato, se fôr elaborado um plano obtidas por acordos comerciais. Dessa cie recuperação e reerguimento, conjun forma ter-se-á restabelecido a corrente tamente com um programa de finan de trocas internacionais, prelúdio do ciamento, emigração de capitais e acor dos comerciais, ter-se-á construído um multilateralismo-comercial, que se esta programa de cooperação internacional

As cüusas

Uina política de longa data errada, nov ^dadcs, o aflu.vo da população proioca sentido dc tudo favorecer à vida urba-í» " a deficiência permanente da habitação

nanciando os Estados Unidos a e.xpôrtavelmente a colherá, caso se verifique çao de bens de produção, êstes ativarão

tima política de- financiamento a e.smo.

Eduardo Duvmsn

setores mduslr.ais que produzem bens de produção, Ostes absorverSo os eleinentos de produçúo em excesso, manlen-

recuperação e desenvolvimento prèvia-

mente estabelecido. Se êsse programa

O problema do inquilinato

der do compra, rjue p„ vez taSdira a formação do processo inflaeioliário. Ag.ra como um pára-choque coniro

mecanização da lavoura, a fertilização do solo e o melhoramento dos rebanhos, diminui o mercado interno para os pro

dutos industriais — que passam a for çar o lucro unitário, a fim de compen sar a quantidade que lhes baratearia a produção — o menor volinne de carga

que as sustentam entram em crise; pros mercado negro das locações; os inqws-

tos prediais e sôbre a renda não acom

panham a necessidade crescente dos gastos públicos, pela evasão qúe se opera, e o seu aumerito, sobre os que trabalham honestamente, passa a im-

por-se; as instituições particulares de ca ridade e assistência, que têm os seus

serviços sustentados pela renda predial, vêem-se na contingência de os reduzir, e o Estado se sobrecarrega diretamente

com os respectivos ônus ou as subsidia: já no ápice do desespero, com a pro dução niral diminuída e encarecida, re

corre-se à importação dos gêneros ali mentícios; a indústria não fornece, po

rém, para a sua importação, as neces sárias dirisas, com a exportação dos seus

produtos, que, por sua vez, não podem concorrer nos mercados estrangeüos.

É o drama da casa e do alimento, nas cidades, e o da miséria no campo, onde tudo falta e o pouco que se pro

nas ferrovias impõe o alteamento dos duz é com prejuízo e, portanto, á custa

mercado fornecedor de bens de produ

fretes e, falhando os negócios, em que

ção.

se baseia a tributação, no meio ru

ral, passam os Estados e Municípios a A.

do próprio capital. Paralelamente, os egressos do campo

e os próprios deslocados da cidade jun-


I L

48

DrcÈSTO Econóndco

tam-se, como o fazem os animais no

ação, sem o prêmio da gratidão pública,

pressentímento das grandes catástrofes;

da sua geração? Os remédio.s são fáceis; estão a se

é, pois, para os centros mais populosos que convergem; aí, não encontram habi tação; não há quem as faça, para loca ção, porque nenhuma garantia se ofe

I — O primeiro está em cstabelecer-

se a paridade, na possibilidade de ga nhos, proventos e confôrto da vida ru

gulamentos e posturas municipais e o próprio direito de propriedade, onde a

ral e da urbana; c preciso que as van

morros e terrenos baldios, onde cons

tróem à vontade e como podem; surgem e multiplicam-se as favelas; é o exército

dos desajustados, dos revoltados e dos miseráveis, que toma posição estratégica, para um dia, que talvez não esteja longe, derramar-se sôbre a cidade, na balbúr-

dia do desespêro, na \áolência desgarrada de uma revolução social, no extermínio de uma ordem apenas aparente e

li que não encontrará defensores bas-

^ tantes. j É o caminho a que nos conduz a

política econômica, em que trilhamos,

desde muito, combatendo e solapando as bases das nossas instituições: a ini ciativa privada, a liberdade dessa ini

ciativa e a segurança dos seus frutos, a

propriedade e tudo o mais em que se baseia a ordem econômica de um povo democrático,

\

E, enquanto isto, o Estado, incapaz,

c-onfiará nisto, enquanto as restrições e.xistircm para as outras, se um decreto-

evidenciar e impor.

rece ao locador; forçam, então, os re

vigilância desta é mais difícil, invadem

DiCESTo EcoNó^^co

tagens e desvantagens de uma e de outra se compensem; seria até preciso mais possibilidades dc ganho na vida rural, pelo menos de início, para inver

Remuneradoras que sejam as ativida

des rurais, cessará o ê.xoclo dos campos para as cidades e, tal seja a remunera ção, poderá verifícar-so o movimento

contrário, das cidades para os campos. Claro, porém, é que, enquanto a po lítica unilateral de o consumidor obrigar os campos a contribuírem para as ci

dades, com o sacrifício dos preços dos

ção de serem vendidos, nas cidades, pro meio rural da sua origem, não cessará

as cidades e a necessidade, vertiginosa II — O segundo remédio está na cons morada própria ou em locação.

Quem se arriscará, porém, a construir, Haverá quem tenha coragem? Coragem, para enfrentar a demago gia; coragem, para não ser imediatista; coragem, para receber apupos e cami

nhar firme, na obra de reerguimento econômico da Nação; coragem para não contar cora a sua pessoa, no confôrto'

e honrarias, e apenas confiar na sua

sido adotada, teria, com os lucros aufe

suprido, de muito, a deficiência de ha

congelados e hoje por preços irrisórios,

bitações, sobretudo para as classes de

por preço inalterável, qualquer que seja a desvalorização da moeda, ao locatário, a quem transferirá, pela locação, pratica mente o domínio útil, sem indenização?

o Chefe do Govêrno, durante o período ditatorial e antes da guerra, se tivesse

ridos pelas empresas durante a guerra,

viriam a concoiTcr com os novos, arbi

mais limitados recursos; 5.° — a se con-

trados posteriormente, e com as siibloca-

seivarcm as restrições à liberdade de lo

ções extorsivas, subindo uns, baixando

cação, elaborar-se a lei a ser promulga da, como inslituidora de um regime de transição para a liberdade de contrato,

, e dar-lhe fôrça para re solver o problema, ao contrário de apenas lhe contemporizar a solu ção, tomando-a

niais

remota, difícil e gravo-

fcito-s, nos casos e co

sa, como tem sucedido com as nossas leis de

rno condição desses-fi nanciamentos, o que im

inquilinato, até agora promulgadas, e com as

portaria,

gar a sua propriedade indefinidamente,

guel correspondente a 6% do capital in vertido; esta idéia que lançamos, pela

tável, não estabeleceria, de fato, princi palmente, senão maior eqüidade e justa proporção nos aluguéis, pois que os an tigos, que se acham de mais tempo

porém,

tão

imenso descmbôlso, para o poder públi co, que não se pode considerar como

pital invertido no imóvel ao arbítrio do poder público, na sua fixação, e entre

para a construção de casas destinadas a operários c comerciários, mediante alu

imprensa de Petrópolis, onde se achava

rando razoável renda aos investimentos assim

mente crescente, de novas habitações.

ciais contribuírem, a^ém de um certo

que poderia, à primeira impressão, afigurar-se como determinante de uma brusca alta de aluguéis, quase insupor

limites preestabe'ecidos de aluguéis, assegu

a migração da gente dos campos para

para sujeitar a remuneração do seu ca

lucro ou dividendo apurado — 12%, por exemplo — com uma percentagem pro gressiva, sôbre êsse lucro ou diridendo,

ções com financiamen tos a baixos juros e

preços do que os vigorantes no próprio

Os remédios

de de as empresas industriais e comer

as subordinou ú.s mesmas restrições? Não vemos, portanto, senão os se guintes caminhos, para sc incrementarem as construções: 1.° — não sc prorroga rem as chamadas leis de inquilinato, de

o Governo as constru

dutos rurais de alimentação a menores

trução de casas, ou apartamentos, para

sem de então iniciada.s e outro de 1946

outros e nivelando todos os aluguéis, cm mais justos lirhites; 2.° — incentivar

seus produtos, forçando a absurda situa

acovarda-se e, pela sua ação paralisante da economia, açula a demagogia.

taria e, conseguintemente o impôsto. nos exercícios seguintes; 4° — obrigatorieda

confíançíi na propriedade imóvel; isto

ter o sentido da marcha da nossa eco

porque a renda do contribuinte aumen

lei de 1944 já libertara aquelas que fôs-

rnodo a sc facilitar o rcstahc'ccimento da

nomia.

49

de outros países, parti cularmente da França, onde a situação, que ameaça de completa ruína material

praticável tal solução; 3.° — permissão para .se deduzir, do imposto sôbre a

tôda a propriedade imobiliária é apenas

renda que atingisse uma importância

um regime de exceção.

o fruto do prolongamento excessivo de

elevada, a ser fixada, determinada perccntagem para ser a respectiva impor tância invertida, mediante cautelas a se estabelecerem, em imóveis destinados à

Ainda que a lei torne as novas cons

truções livres de toda restrição, quem

locação, no que a União nada perderia

.1

As soluções m C«m«ro dos Deputados Inspirados nesse pensamento foi que

apresentamos, à Câmara dos Deputados,


I L

48

DrcÈSTO Econóndco

tam-se, como o fazem os animais no

ação, sem o prêmio da gratidão pública,

pressentímento das grandes catástrofes;

da sua geração? Os remédio.s são fáceis; estão a se

é, pois, para os centros mais populosos que convergem; aí, não encontram habi tação; não há quem as faça, para loca ção, porque nenhuma garantia se ofe

I — O primeiro está em cstabelecer-

se a paridade, na possibilidade de ga nhos, proventos e confôrto da vida ru

gulamentos e posturas municipais e o próprio direito de propriedade, onde a

ral e da urbana; c preciso que as van

morros e terrenos baldios, onde cons

tróem à vontade e como podem; surgem e multiplicam-se as favelas; é o exército

dos desajustados, dos revoltados e dos miseráveis, que toma posição estratégica, para um dia, que talvez não esteja longe, derramar-se sôbre a cidade, na balbúr-

dia do desespêro, na \áolência desgarrada de uma revolução social, no extermínio de uma ordem apenas aparente e

li que não encontrará defensores bas-

^ tantes. j É o caminho a que nos conduz a

política econômica, em que trilhamos,

desde muito, combatendo e solapando as bases das nossas instituições: a ini ciativa privada, a liberdade dessa ini

ciativa e a segurança dos seus frutos, a

propriedade e tudo o mais em que se baseia a ordem econômica de um povo democrático,

\

E, enquanto isto, o Estado, incapaz,

c-onfiará nisto, enquanto as restrições e.xistircm para as outras, se um decreto-

evidenciar e impor.

rece ao locador; forçam, então, os re

vigilância desta é mais difícil, invadem

DiCESTo EcoNó^^co

tagens e desvantagens de uma e de outra se compensem; seria até preciso mais possibilidades dc ganho na vida rural, pelo menos de início, para inver

Remuneradoras que sejam as ativida

des rurais, cessará o ê.xoclo dos campos para as cidades e, tal seja a remunera ção, poderá verifícar-so o movimento

contrário, das cidades para os campos. Claro, porém, é que, enquanto a po lítica unilateral de o consumidor obrigar os campos a contribuírem para as ci

dades, com o sacrifício dos preços dos

ção de serem vendidos, nas cidades, pro meio rural da sua origem, não cessará

as cidades e a necessidade, vertiginosa II — O segundo remédio está na cons morada própria ou em locação.

Quem se arriscará, porém, a construir, Haverá quem tenha coragem? Coragem, para enfrentar a demago gia; coragem, para não ser imediatista; coragem, para receber apupos e cami

nhar firme, na obra de reerguimento econômico da Nação; coragem para não contar cora a sua pessoa, no confôrto'

e honrarias, e apenas confiar na sua

sido adotada, teria, com os lucros aufe

suprido, de muito, a deficiência de ha

congelados e hoje por preços irrisórios,

bitações, sobretudo para as classes de

por preço inalterável, qualquer que seja a desvalorização da moeda, ao locatário, a quem transferirá, pela locação, pratica mente o domínio útil, sem indenização?

o Chefe do Govêrno, durante o período ditatorial e antes da guerra, se tivesse

ridos pelas empresas durante a guerra,

viriam a concoiTcr com os novos, arbi

mais limitados recursos; 5.° — a se con-

trados posteriormente, e com as siibloca-

seivarcm as restrições à liberdade de lo

ções extorsivas, subindo uns, baixando

cação, elaborar-se a lei a ser promulga da, como inslituidora de um regime de transição para a liberdade de contrato,

, e dar-lhe fôrça para re solver o problema, ao contrário de apenas lhe contemporizar a solu ção, tomando-a

niais

remota, difícil e gravo-

fcito-s, nos casos e co

sa, como tem sucedido com as nossas leis de

rno condição desses-fi nanciamentos, o que im

inquilinato, até agora promulgadas, e com as

portaria,

gar a sua propriedade indefinidamente,

guel correspondente a 6% do capital in vertido; esta idéia que lançamos, pela

tável, não estabeleceria, de fato, princi palmente, senão maior eqüidade e justa proporção nos aluguéis, pois que os an tigos, que se acham de mais tempo

porém,

tão

imenso descmbôlso, para o poder públi co, que não se pode considerar como

pital invertido no imóvel ao arbítrio do poder público, na sua fixação, e entre

para a construção de casas destinadas a operários c comerciários, mediante alu

imprensa de Petrópolis, onde se achava

rando razoável renda aos investimentos assim

mente crescente, de novas habitações.

ciais contribuírem, a^ém de um certo

que poderia, à primeira impressão, afigurar-se como determinante de uma brusca alta de aluguéis, quase insupor

limites preestabe'ecidos de aluguéis, assegu

a migração da gente dos campos para

para sujeitar a remuneração do seu ca

lucro ou dividendo apurado — 12%, por exemplo — com uma percentagem pro gressiva, sôbre êsse lucro ou diridendo,

ções com financiamen tos a baixos juros e

preços do que os vigorantes no próprio

Os remédios

de de as empresas industriais e comer

as subordinou ú.s mesmas restrições? Não vemos, portanto, senão os se guintes caminhos, para sc incrementarem as construções: 1.° — não sc prorroga rem as chamadas leis de inquilinato, de

o Governo as constru

dutos rurais de alimentação a menores

trução de casas, ou apartamentos, para

sem de então iniciada.s e outro de 1946

outros e nivelando todos os aluguéis, cm mais justos lirhites; 2.° — incentivar

seus produtos, forçando a absurda situa

acovarda-se e, pela sua ação paralisante da economia, açula a demagogia.

taria e, conseguintemente o impôsto. nos exercícios seguintes; 4° — obrigatorieda

confíançíi na propriedade imóvel; isto

ter o sentido da marcha da nossa eco

porque a renda do contribuinte aumen

lei de 1944 já libertara aquelas que fôs-

rnodo a sc facilitar o rcstahc'ccimento da

nomia.

49

de outros países, parti cularmente da França, onde a situação, que ameaça de completa ruína material

praticável tal solução; 3.° — permissão para .se deduzir, do imposto sôbre a

tôda a propriedade imobiliária é apenas

renda que atingisse uma importância

um regime de exceção.

o fruto do prolongamento excessivo de

elevada, a ser fixada, determinada perccntagem para ser a respectiva impor tância invertida, mediante cautelas a se estabelecerem, em imóveis destinados à

Ainda que a lei torne as novas cons

truções livres de toda restrição, quem

locação, no que a União nada perderia

.1

As soluções m C«m«ro dos Deputados Inspirados nesse pensamento foi que

apresentamos, à Câmara dos Deputados,


Dicf-sto Econômico 50

os nossos substitutívos à lei do inquilinato, em elaboração, e cujas diretrizes

foram as seguintes: fl) recuperação do crédito da palavra do Govêmo, restabelecendo-se a liberdade de locação para

os prédios cuja locação fôra tomada livre pelo decreto-lei de 26 de jiillto de 1944,

desde que posteriormente iniciados, estabelecendo-se, para evitar dúvidas e questões, quanto a início de obras, que, nessa disposição, estariam incluídos to dos os imóveis cuja conclusão se houves se verificado posteriormente a 31 de

dezembro dè 1945; h) fixação, por co missões municipais de arbitramento, dos preços médios unitários para locação, nas respectivas cidades e nos diversos bair ros, ruas e locais destas, atendendo-se

a condições preestabelecidas dêsses imó veis; c) liberdade de contrato, desde

que respeitados esses preços unitários, e arbitramento, nos casos de o locador ou o locatário não se conformarem com

tais preços, instituído primeiro o recurso

administrativo, para o Prefeito, e depois o judicial; d) fixação dos preços uni tários e arbitramento, de modo a 'corres

ponderem, tanto quanto possível, a uma

renda líquida média entre o mínimo dos juros legais (6%) e o máximo dos juros contratuais permissíveis pela lei de usu ra (12%); no intuito, entre outros, de

reduzir essa média, apresentamos proje

to em separado, reduzindo os juros le gais a 5% e o máximo dos contratuais a 9%; e) instituição de um Fundo de Xmolnb'zação Locativa, que se constituiria

Dioksto Econômico

tem aceito, da intervenção do Estado na

tabeleceria u confiança na in\'ersão imo biliária para locações, desde que fôsse

fixação dos aluguéis, chegar-se-ia, den

livre, como seria, pelo nosso projeto, a

vel; g) não vencimento de juros a favor dêsses depósitos; h) não permissão de

locação dos imoxeis assim construídos; o

do uma oferta equilibrada com a pro

corrctho, para os possí\cis abusos por

cura.

parto dos locaclorcs, estaria no meio mais seguro para isso: o aumento cia oferta para locação.

Ao contrário, porém, de tais medidas, que iriam ao fundo do problema, para

complcmentação direta, em dinheiro, da

importância necessária à construção pro jetada c aprovada pelo órgão competen te, mas depósito dessa importância no re.spectiva agência do Banco do Brasil ou Caixa Econômica, que convocaria os portadores de conhecimentos de menor

importância e de maior antigüidade, para resgate dos seus títulos; ocorreria,

assim, que os grandes proprietários,

acunndando em suas mãos, ràpidamente, vultosas importâncias em recibos de

depósitos, som juros, de que sòmente poderiam lançar mão para a construção de imóveis, seriam impelidos a dar a

essas importâncias a íínica aplicação possível: a construção de- imóveis para locação, e, como diricilmente poderiam fazer uma inversão de importância exata do montante dos seus conhecimentos

de depósito, seriam levados a suplemen tá-los com dinheiro, que, sendo por sua vez depositado, para resgate dos títulos de menor importância, resguardaria os pequenos proprietários da especulação de que pudessem ser vítimas por parte dos grandes, no sentido de adquirir os seus títulos por valor inferior ao nomi nal c lhes permitiria receber em dinhei ro todo o aumento que os beneficiasse, so não preferissem construir em forma de sociedade ou condomínio.

Êsse conjunto de providências, que

dores fariam, da metade do aulnento

não despojariam o proprietário do seu direito â justa remuneração do seu ca

nômica, na agência local, contra um recibo ou conhecimento transferível por endôsso; f) levantamento da importância

pital imobilizado e que apenas dariam uma função social a irnia parte dessa remuneração, resolveria, por certo, den tro em pouco, o problema da falta de

dêsses depósitos apenas para a constru

habitações, movimentaria as indústrias

to, no Banco do Brasil ou na Caixa Eco

ti as atividades du construção ci\àl e res ção de casas destinadas à locação, cláu sula esta que seria inscrita, como ônus real, «ã margem da transcrição do imó

j^elo depósito obrigatório, que os looaverificado, por contrato ou arbitramen

"

I

Ao primeiro projeto, C|ue nesse sentido apresentamos, opós-se a objeção de que, no momento, não reso!\'cTÍa o mal-estar

social re.sultantc de aumentos cpie mui tos dos locatário.s não poderiam pagar, embora justos. Refizemos, então, o nos.so projeto,

tro em breve, à plena liberdade da loca ção, pela inutilidade da coerção, diante

o resolver, preferiu-se a menos inteli gente e a mais contraproducente da.s

formas de contenção da justa elevação dos aluguéis, que, congelados por pre ços os mais díspares, arbitrários e iní

quos, conforme a época do seu conge lamento ou as condições do seu iubitramento, representam todos, em maior ou

aperfeiçoando-o nos pormenores

da

sua

estrutura

c

criando o Fundo do Reajustamento Locativo, cpie .seria constituído pela importância

relativa ao impôsto de renda sôbre todo o aumento ^•e^ifi-

cado, por contrato ou arbi

tramento, e pelas penalida

des pecuniárias, por infra ções da lei, e que substitui riam as ve.xalórias e inúteis

penalidades da lei atual; o impôslo de renda seria deduzido da

importância clepositada no Fundo de Imobilização Locativa, que o transferiria a êsse Fundo de Reajustamento Locati vo, cuja finalidade seria a de conceder abonos de locação aos locatários que

menor proporção, diante da desx^loriza-

ção da moeda, a contribuição de uma só classe para compensar os efeitos da inflação, para que não concorreu. A elevação dos aluguéis não seria xun

aumento du renda dos pvoprietiírios,

não pudessem pagar o justo aluguel que

mas apenas o restabelecimento dessa

se tornasse devido pelos imóveis que

renda nos termos do valor atual da

ocupassem, o que se verificaria sem di ficuldade, estabelccendo-se, para o efei

diminuição dessa renda, uma contribui

to dêsses abonos, os aluguéis pelo rendi

mento de cada um, na base dos padrões, ou letras, do funcionalismo público. Com essas medidas, que, abás, cons-

titucionalmente, não se justificariam se não pela constitucionalidade, que se

moeda; o congelamento representa uma ção exigida apenas de uma classe, em beneficio de outras - ou. sob o aspecto mais favorável, para os seus defensores,

o sacrifício apenas de alguns para o bem-estar social, a espobação dos pro

prietários, não obstante a garantia cens-

J


Dicf-sto Econômico 50

os nossos substitutívos à lei do inquilinato, em elaboração, e cujas diretrizes

foram as seguintes: fl) recuperação do crédito da palavra do Govêmo, restabelecendo-se a liberdade de locação para

os prédios cuja locação fôra tomada livre pelo decreto-lei de 26 de jiillto de 1944,

desde que posteriormente iniciados, estabelecendo-se, para evitar dúvidas e questões, quanto a início de obras, que, nessa disposição, estariam incluídos to dos os imóveis cuja conclusão se houves se verificado posteriormente a 31 de

dezembro dè 1945; h) fixação, por co missões municipais de arbitramento, dos preços médios unitários para locação, nas respectivas cidades e nos diversos bair ros, ruas e locais destas, atendendo-se

a condições preestabelecidas dêsses imó veis; c) liberdade de contrato, desde

que respeitados esses preços unitários, e arbitramento, nos casos de o locador ou o locatário não se conformarem com

tais preços, instituído primeiro o recurso

administrativo, para o Prefeito, e depois o judicial; d) fixação dos preços uni tários e arbitramento, de modo a 'corres

ponderem, tanto quanto possível, a uma

renda líquida média entre o mínimo dos juros legais (6%) e o máximo dos juros contratuais permissíveis pela lei de usu ra (12%); no intuito, entre outros, de

reduzir essa média, apresentamos proje

to em separado, reduzindo os juros le gais a 5% e o máximo dos contratuais a 9%; e) instituição de um Fundo de Xmolnb'zação Locativa, que se constituiria

Dioksto Econômico

tem aceito, da intervenção do Estado na

tabeleceria u confiança na in\'ersão imo biliária para locações, desde que fôsse

fixação dos aluguéis, chegar-se-ia, den

livre, como seria, pelo nosso projeto, a

vel; g) não vencimento de juros a favor dêsses depósitos; h) não permissão de

locação dos imoxeis assim construídos; o

do uma oferta equilibrada com a pro

corrctho, para os possí\cis abusos por

cura.

parto dos locaclorcs, estaria no meio mais seguro para isso: o aumento cia oferta para locação.

Ao contrário, porém, de tais medidas, que iriam ao fundo do problema, para

complcmentação direta, em dinheiro, da

importância necessária à construção pro jetada c aprovada pelo órgão competen te, mas depósito dessa importância no re.spectiva agência do Banco do Brasil ou Caixa Econômica, que convocaria os portadores de conhecimentos de menor

importância e de maior antigüidade, para resgate dos seus títulos; ocorreria,

assim, que os grandes proprietários,

acunndando em suas mãos, ràpidamente, vultosas importâncias em recibos de

depósitos, som juros, de que sòmente poderiam lançar mão para a construção de imóveis, seriam impelidos a dar a

essas importâncias a íínica aplicação possível: a construção de- imóveis para locação, e, como diricilmente poderiam fazer uma inversão de importância exata do montante dos seus conhecimentos

de depósito, seriam levados a suplemen tá-los com dinheiro, que, sendo por sua vez depositado, para resgate dos títulos de menor importância, resguardaria os pequenos proprietários da especulação de que pudessem ser vítimas por parte dos grandes, no sentido de adquirir os seus títulos por valor inferior ao nomi nal c lhes permitiria receber em dinhei ro todo o aumento que os beneficiasse, so não preferissem construir em forma de sociedade ou condomínio.

Êsse conjunto de providências, que

dores fariam, da metade do aulnento

não despojariam o proprietário do seu direito â justa remuneração do seu ca

nômica, na agência local, contra um recibo ou conhecimento transferível por endôsso; f) levantamento da importância

pital imobilizado e que apenas dariam uma função social a irnia parte dessa remuneração, resolveria, por certo, den tro em pouco, o problema da falta de

dêsses depósitos apenas para a constru

habitações, movimentaria as indústrias

to, no Banco do Brasil ou na Caixa Eco

ti as atividades du construção ci\àl e res ção de casas destinadas à locação, cláu sula esta que seria inscrita, como ônus real, «ã margem da transcrição do imó

j^elo depósito obrigatório, que os looaverificado, por contrato ou arbitramen

"

I

Ao primeiro projeto, C|ue nesse sentido apresentamos, opós-se a objeção de que, no momento, não reso!\'cTÍa o mal-estar

social re.sultantc de aumentos cpie mui tos dos locatário.s não poderiam pagar, embora justos. Refizemos, então, o nos.so projeto,

tro em breve, à plena liberdade da loca ção, pela inutilidade da coerção, diante

o resolver, preferiu-se a menos inteli gente e a mais contraproducente da.s

formas de contenção da justa elevação dos aluguéis, que, congelados por pre ços os mais díspares, arbitrários e iní

quos, conforme a época do seu conge lamento ou as condições do seu iubitramento, representam todos, em maior ou

aperfeiçoando-o nos pormenores

da

sua

estrutura

c

criando o Fundo do Reajustamento Locativo, cpie .seria constituído pela importância

relativa ao impôsto de renda sôbre todo o aumento ^•e^ifi-

cado, por contrato ou arbi

tramento, e pelas penalida

des pecuniárias, por infra ções da lei, e que substitui riam as ve.xalórias e inúteis

penalidades da lei atual; o impôslo de renda seria deduzido da

importância clepositada no Fundo de Imobilização Locativa, que o transferiria a êsse Fundo de Reajustamento Locati vo, cuja finalidade seria a de conceder abonos de locação aos locatários que

menor proporção, diante da desx^loriza-

ção da moeda, a contribuição de uma só classe para compensar os efeitos da inflação, para que não concorreu. A elevação dos aluguéis não seria xun

aumento du renda dos pvoprietiírios,

não pudessem pagar o justo aluguel que

mas apenas o restabelecimento dessa

se tornasse devido pelos imóveis que

renda nos termos do valor atual da

ocupassem, o que se verificaria sem di ficuldade, estabelccendo-se, para o efei

diminuição dessa renda, uma contribui

to dêsses abonos, os aluguéis pelo rendi

mento de cada um, na base dos padrões, ou letras, do funcionalismo público. Com essas medidas, que, abás, cons-

titucionalmente, não se justificariam se não pela constitucionalidade, que se

moeda; o congelamento representa uma ção exigida apenas de uma classe, em beneficio de outras - ou. sob o aspecto mais favorável, para os seus defensores,

o sacrifício apenas de alguns para o bem-estar social, a espobação dos pro

prietários, não obstante a garantia cens-

J


•

'v.

Dicesto Econômico

52

titudonal da propriedade, a favor de partícuJares, alguns locatários e muitos

da tributária; /») o aumento das cons

especuladores.

com perigo iminente para a ordem c saúde públicas; i) a desvalorização de um grande patrimônio social constituído

As conseqüências principais e eviden tes dessa demagogia barata são e serão: a) a agravação do problema da habita ção pela crescente carência de imóveis de locação; b) a elevação exagerada e sub-reptícia de alguns aluguéis; c) a es tagnação de outros, em muito menor de trimento de capitalistas do que de viú vas, órfãos e outras pessoas, que fre

Relações entre o capital dds empresis e

truções primárias, ou seja, das favelas,

instabilidade monetária II

pelas habitações que, por motivo do baixo i>reço da sua locação, não se be

Djacir Menezes

neficiam com as obras necessárias à sua

(Da Universidade do Brasil)

conservação; ;) o mal-estar social, re

sultante de lôdas as injustiças que se verificam c da falta crescente de habi

'Jogamos agora o ponto fundamental

dos com a cláusula da inalienabilidade,

/) a dificuldade tanto maior de se resol

da questão: êsses diversos valores, que a técnica contábil agrupa e siste matiza para elucidação do patrimônio

o de ordens e instituições de caridade c

ver o problema quanto mais se protelar

em dado instante — são expressos em

assistência, que têm os seus serviços ba seados na renda predial; d) a indústria

a sua solução.

preços.

tações; k) o dcscstímulo do espírito de

qüentemente têm os seus imóveis grava

economia e da iniciativa particular:

das sublocações e a cobrança de luvas;

e) a conseqüente evasão do impôsto pre dial dos Municípios e do impôsto de renda da União; j) a sobrecarga dos ser viços assistenciais pelo Estado e de tri

butos sôbre os que trabalham honesta mente; g) a paralisação das indústrias e atividades dá construção civil, com a

também conseqüente diminuição da ren-

São avaliados, medidos.

Até

que grau merecem fé tais estimativas? Conclusão

Para afastar a tempestade, que se

Que dizer do instrumento de medida — a moeda? Em período de flutuação do poder difcompra da moeda — a que se

exploração ou de uso — que é dado eni função da duração pro\'á\-el dêsse ati\o imobilizado que se deseja avaliar. Resta-nos o outro método: a avaliação

indireta, que, por sua vez, é função do valor de exploração, isto é, depende da vida útil pro\'ável dos bens agrupados em um todo, conforme seu papel no pro

cesso produtivo. Isolá-los, individualizando-os, para apreciação, seria recair

Qüais

no método anterior, inaplicável aos va

arma, para conjurar a catástrofe, que se aproxima, só falta, no fundo, uma

os efeitos produzidos no patrimônio?

lores indicados. Ademais, toma-se pra

Como tais efeitos se revelam nos balan

ticamente impossível essa inventaríaçáo

coisa: coragem para enfrentar c resol

ços?

ver o problema. Os meios de o reso.lver são conhecidos.

reduzem as avaliações feitas?

Não pretendemos dar resposta cabal a tantas perguntas, mas ensaiar algumas hipóteses e tentar algumas e.xplicações. Mesmo admitindo a premissa da estabili dade da moeda,*há certas dificuldades

na apreciação dos valores imobilizados. Tal avaliação pode ser feita de duas

A capacidade de refinação das indústrias petrolíferas no México em 1938, era de 120.000 barris diários e atualmente é de 170.000. Os seguintes dados demons tram o aumento verificado-, 1936 — 34.190,000; 1937 — 36.344.000; 1938 — 42.003.000; 1943 - 33.503.000; 1944 - 34.700.000; 1945 ~ 36.820.000; 1946 42.300.000; 1947 - 46.400.000.

Ê vreciso notar que, convertida a indústria petrolífera privada em indústria

nacional, houve que modificar sua característica 'de produtora de artigos para a exportação para uma situação diametralmente oposta, isto é, a de abastecer as ncces-

íidades do país prevendo também as necessidades do futuro. Com essa preocupa ção foi construída a grande Refinaria de Atzcopotzalco, chamada "18 de Marzo", com uma capacidade de .50.000 barris diários. Essa refinaria, a mais moderna do

mundo, desàe 1.° de janeiro de 1948 começou a produzir 1.100 barris diários de

maneiras: diretamente, levantando-se o

inventário pormenorizado dos objetos a

grosso modo da depreciação a amortizar.

Quanto aos valores imobilizados in tangíveis, a dificuldade é ainda maior. Como calcular a amortização de con

cessões, patentes, clientela, cujo valor pode, por vezes, crescer no correr do tempo? E quando se trata de despesas de organizáção conceituadas por Folliet como valores imobilizados iníangíocis

O método direto de

fictícios, que não representam depreciação anual, mas significam perda, que deve ser distribuída por vários e.xercícios? Diante do problema, aquele autor dis

apreciação é aplicável aos valores mo bilizados; quanto aos imobilizados tan gíveis, e intangíveis, a inexatidão vicia

a) amortização de valores imobilizados tangíveis (corporelles), cuja depreciação

os resultados. Qual o preço a ser fixado? O preço de custo? O de compra? O preço de liquidação? Teremos, de qual

registrar no balanço;

serem estimados indiretamenfe, avalian

do o montante da depreciação e.xperimentada pelos objetos da mesma natu

reza (Folliet).

gasolina para aviação. O custo da refinaria foi de anroxímada7nente Cr$

quer forma, resultados aproximativos e

465.000.000,00.

incertos.

Folliet conclui pelo valor da

■'

minudente, optando-se pela avaliação ^

crimina três amortizações diferentes:

se verifica, determinando-lhes o preço a

b) amortização de valores imobiliza dos intangíveis jurídicos (êle os chama de móveis) que não visam verificar


•

'v.

Dicesto Econômico

52

titudonal da propriedade, a favor de partícuJares, alguns locatários e muitos

da tributária; /») o aumento das cons

especuladores.

com perigo iminente para a ordem c saúde públicas; i) a desvalorização de um grande patrimônio social constituído

As conseqüências principais e eviden tes dessa demagogia barata são e serão: a) a agravação do problema da habita ção pela crescente carência de imóveis de locação; b) a elevação exagerada e sub-reptícia de alguns aluguéis; c) a es tagnação de outros, em muito menor de trimento de capitalistas do que de viú vas, órfãos e outras pessoas, que fre

Relações entre o capital dds empresis e

truções primárias, ou seja, das favelas,

instabilidade monetária II

pelas habitações que, por motivo do baixo i>reço da sua locação, não se be

Djacir Menezes

neficiam com as obras necessárias à sua

(Da Universidade do Brasil)

conservação; ;) o mal-estar social, re

sultante de lôdas as injustiças que se verificam c da falta crescente de habi

'Jogamos agora o ponto fundamental

dos com a cláusula da inalienabilidade,

/) a dificuldade tanto maior de se resol

da questão: êsses diversos valores, que a técnica contábil agrupa e siste matiza para elucidação do patrimônio

o de ordens e instituições de caridade c

ver o problema quanto mais se protelar

em dado instante — são expressos em

assistência, que têm os seus serviços ba seados na renda predial; d) a indústria

a sua solução.

preços.

tações; k) o dcscstímulo do espírito de

qüentemente têm os seus imóveis grava

economia e da iniciativa particular:

das sublocações e a cobrança de luvas;

e) a conseqüente evasão do impôsto pre dial dos Municípios e do impôsto de renda da União; j) a sobrecarga dos ser viços assistenciais pelo Estado e de tri

butos sôbre os que trabalham honesta mente; g) a paralisação das indústrias e atividades dá construção civil, com a

também conseqüente diminuição da ren-

São avaliados, medidos.

Até

que grau merecem fé tais estimativas? Conclusão

Para afastar a tempestade, que se

Que dizer do instrumento de medida — a moeda? Em período de flutuação do poder difcompra da moeda — a que se

exploração ou de uso — que é dado eni função da duração pro\'á\-el dêsse ati\o imobilizado que se deseja avaliar. Resta-nos o outro método: a avaliação

indireta, que, por sua vez, é função do valor de exploração, isto é, depende da vida útil pro\'ável dos bens agrupados em um todo, conforme seu papel no pro

cesso produtivo. Isolá-los, individualizando-os, para apreciação, seria recair

Qüais

no método anterior, inaplicável aos va

arma, para conjurar a catástrofe, que se aproxima, só falta, no fundo, uma

os efeitos produzidos no patrimônio?

lores indicados. Ademais, toma-se pra

Como tais efeitos se revelam nos balan

ticamente impossível essa inventaríaçáo

coisa: coragem para enfrentar c resol

ços?

ver o problema. Os meios de o reso.lver são conhecidos.

reduzem as avaliações feitas?

Não pretendemos dar resposta cabal a tantas perguntas, mas ensaiar algumas hipóteses e tentar algumas e.xplicações. Mesmo admitindo a premissa da estabili dade da moeda,*há certas dificuldades

na apreciação dos valores imobilizados. Tal avaliação pode ser feita de duas

A capacidade de refinação das indústrias petrolíferas no México em 1938, era de 120.000 barris diários e atualmente é de 170.000. Os seguintes dados demons tram o aumento verificado-, 1936 — 34.190,000; 1937 — 36.344.000; 1938 — 42.003.000; 1943 - 33.503.000; 1944 - 34.700.000; 1945 ~ 36.820.000; 1946 42.300.000; 1947 - 46.400.000.

Ê vreciso notar que, convertida a indústria petrolífera privada em indústria

nacional, houve que modificar sua característica 'de produtora de artigos para a exportação para uma situação diametralmente oposta, isto é, a de abastecer as ncces-

íidades do país prevendo também as necessidades do futuro. Com essa preocupa ção foi construída a grande Refinaria de Atzcopotzalco, chamada "18 de Marzo", com uma capacidade de .50.000 barris diários. Essa refinaria, a mais moderna do

mundo, desàe 1.° de janeiro de 1948 começou a produzir 1.100 barris diários de

maneiras: diretamente, levantando-se o

inventário pormenorizado dos objetos a

grosso modo da depreciação a amortizar.

Quanto aos valores imobilizados in tangíveis, a dificuldade é ainda maior. Como calcular a amortização de con

cessões, patentes, clientela, cujo valor pode, por vezes, crescer no correr do tempo? E quando se trata de despesas de organizáção conceituadas por Folliet como valores imobilizados iníangíocis

O método direto de

fictícios, que não representam depreciação anual, mas significam perda, que deve ser distribuída por vários e.xercícios? Diante do problema, aquele autor dis

apreciação é aplicável aos valores mo bilizados; quanto aos imobilizados tan gíveis, e intangíveis, a inexatidão vicia

a) amortização de valores imobilizados tangíveis (corporelles), cuja depreciação

os resultados. Qual o preço a ser fixado? O preço de custo? O de compra? O preço de liquidação? Teremos, de qual

registrar no balanço;

serem estimados indiretamenfe, avalian

do o montante da depreciação e.xperimentada pelos objetos da mesma natu

reza (Folliet).

gasolina para aviação. O custo da refinaria foi de anroxímada7nente Cr$

quer forma, resultados aproximativos e

465.000.000,00.

incertos.

Folliet conclui pelo valor da

■'

minudente, optando-se pela avaliação ^

crimina três amortizações diferentes:

se verifica, determinando-lhes o preço a

b) amortização de valores imobiliza dos intangíveis jurídicos (êle os chama de móveis) que não visam verificar


54

uma depreciação, mas diminuir a impor

DioESTO EcONÓNtlCO

va dos bens indircto.s o variada: êles di

tância dos valores consignados no ba

versificam-se entre si cru alto grau. Co

lanço;

mo fixar um critério unÍform(í do amor

c) amortização dos valores imobiliza' dos intangíveis fictícios, que não são

tizá-los por uma taxa única? Há, conse-

rea'izáveís, exprimem uma perda já ve rificada, que deve ser distribuída. Tais processos podem aplicar-se aos valores

guintcmenlc, que admitir a amortiza ção constante ou decrescente, consoante

os casos específicos, a fim de evitar a

desagregação da fortuna social.

imobilizados de dois modos: primeiro,

Outros embaraços ainda sc nos de

sôbre o valor inicial dos bens (amorti'

param ao estudar o problema da avalia ção da depreciação. Por exemplo: su

zação cOixstanie) ,■ segundo, sôbre o preço estimado no último balanço (amortiza ção decrescente). Neste último caso, temos um coefi

ciente que diminui com o passar dos anos. Prefere-se aplicar a amortização

ponhamos a maquinaria comprada por Cr$ 400.000,00, amortizada a 10% ao

ano sôbre seu valor de aquisição; ou que decidimos amortizá-la, para substituí-la, de 10% ao ano sôbre seu valor de subs

tituição. No primeiro caso, po demos antecipadamente calcular

constante nos casos indicados nos

itens h e c, acima referidos, A taxa de amortização decrescente é

adotada, ria de regra, para os va lores tangíveis com pequena ta xa de depreciação. Êsse ponto é de certa importância para o de

senvolvimento da emprôsa - desde que constitui um processo por meio do qual

o industrial escapa das exigências do fis co, aumentando as taxas de amortização

sôbre os valores imobilizados, que pas

sam a figurar nos livros por preços abai

xo de seu valor.de utilização. Logo que as taxas de lucro o permitam, êles fa cilitam uma mais elevada taxa de amor

tização, fazendo, por conseqüência, min guar o total avaliado referente aos va

lores imobilizados e reduzindo a impor tância que deveriam pagar ao fisco. O fenômeno deve ser examinado da

seguinte maneira; a depreciação é o fato fundamental; os capitais constituí dos pelos bens indiretos desgastam-se na faina produtiva, baixando o seu valor. Então se avalia o quantum do desgaste experimentado e inscreve-se a estimati

va de sua importância no balanço. Ora, já dissemos que a combinação produti

ã

o período de amortização até o

final; no segundo caso, é dife rente:

a maquinaria, para ser

substituída, exigiria, por hipóte se, Cr$ 450.000,00 — porque modificações da produção e outros fatôres alteraram esse preço de aquisição. Folliet inclina-se pelo valor de aquisi

Dir.K.sTí)

Econóníico

55

histórica, estimulando ou retardando a produção. O Estado, dosde os romanos,

gorosamente, desvalorização; quando, porém, resulta de uma perda de fôrça aquisitiva de fato, se chama depreda ção. Para nosso c-templo, ser\'em ambos

de.sccbriu, nos sons processos de tribu

os casos; por isso falamos aqui sem dis

riqueza social c rcdisljibuída diversa mente, como nos mostra a cbser\*ação

tação, a vantagem de deteriorar a moe da em seu benefício.

"A tendência da

moeda para depreciação — diz Kevncs — foi, no passado, uma contrapartida po

êsse volume cresce, a circulação exige

tivos dos juros compostos e a herança

maior quantidade de moeda, ocasionan do a baixa do ní\'el de preços, o que

de fortunas.

demonstra a alta do valor da moeda. E

derosa adversa

aos resultados cumula Foi

uma

influencia ate

nuante contra a distribuição rígida da riqueza estratificada e o divórcio entre a aliridadc c a propriedade." Keynes vê a deterioração monetária

movida por duas grandes forças: a impccúnia governamental c a cres cente ascensão política das clas ses devedoras.

Mas volvamos ao

ponto parricularmcnlo visado nes tas considerações.

Conviria relembrar que o po der aquisitivo da moeda não re

sulta de qualquer garantia metálica exis

ção^ em caso de aumento do valor de

tente no banco

aquisição, mas constituindo um ftindo

mas do vobime de mercadorias e servi

de renovação que assegure a integrida de do capital. A diferença entre aquôles valores não deriva de qualquer alteração no valor da moeda — que, ex hypofhcsi, inicial

tinção terminológica). Tudo que se troc:i decorre daquela fonte. O volume das transações operadas depende dela. Se

central

ou

Tesouro —

ços a que o quantum. de dinheiro aten

de no processo geral de çirculação da riqueza.

A massa de mercadoria e ser

viços determina, em cotêfo com a quan

vice-versa. São fatos elementares sufi cientemente conhecidos.

O que está movimentando êsse nível de preços, portanto determinando as flu

tuações do poder de compra? Eridentemente, a quantidade de mer cadorias e serviços que se ofe recem pela moeda. Êsse poder de compra se gera no processo produtivo e se manifesta no pro cesso drcuhtório, dois processos de ajustamento mútuo. O go verno emite os signos monetários — mas

é o processo produtivo que dá origem

ao poder aquistivo. Se êsse poder aqui sitivo permanece o mesmo, uma maior

quantidade de moeda tende a distribuílo, a rarefazê-lo nas unidades monetárias.

tidade de moeda, o nível corresponden te de preços, o qual traduz, por sua vez,

O processo inflacionário e as flutuações monetárias

o poder de compra dessa mesma moe da. (") Assim, em vez de partir dos instrumentos de permuta, como determi

do de alto dinamismo: suas relações

nantes dos fenômenos de preço, parti mos da produção, que condiciona o

As oscilações cíclicas do sistema capita

mudanças de valor da moeda, manifesta

quantum das utilidades em circulação. Na produção e.stão as condições funda mentais de valorização ou desvaloriza

naquele processo e repercutem por tô-

das nas alterações dos níveis de preços, dão resultados desiguais e, por vezes,

de seu valor em

mente formulada, é estável.

Gestação do poder de compra

Passemos agora a considerar o que aconteceria no caso de ocorrerem mo

dificações nas espécies monetárias. Conforme observou Lord Keynes, as

contraditórios para as classes sociai.s. A

ção da moeda.

(Quando a moeda per virtude de um ato

da autoridade competente, que altera o seu estalão aferidor, se denomina, ri

Ora, a produção é um processo dota mutáveis são incessantemente refeitas.

lista, refletindo desajustamentos estru turais mais profundos, exteriorizam-se das as esferas da vida econômica, numa

fenomenologia que vem sendo objeto de estudos pacientes e minudentes. As sim, à própria instabilidade da moeda


54

uma depreciação, mas diminuir a impor

DioESTO EcONÓNtlCO

va dos bens indircto.s o variada: êles di

tância dos valores consignados no ba

versificam-se entre si cru alto grau. Co

lanço;

mo fixar um critério unÍform(í do amor

c) amortização dos valores imobiliza' dos intangíveis fictícios, que não são

tizá-los por uma taxa única? Há, conse-

rea'izáveís, exprimem uma perda já ve rificada, que deve ser distribuída. Tais processos podem aplicar-se aos valores

guintcmenlc, que admitir a amortiza ção constante ou decrescente, consoante

os casos específicos, a fim de evitar a

desagregação da fortuna social.

imobilizados de dois modos: primeiro,

Outros embaraços ainda sc nos de

sôbre o valor inicial dos bens (amorti'

param ao estudar o problema da avalia ção da depreciação. Por exemplo: su

zação cOixstanie) ,■ segundo, sôbre o preço estimado no último balanço (amortiza ção decrescente). Neste último caso, temos um coefi

ciente que diminui com o passar dos anos. Prefere-se aplicar a amortização

ponhamos a maquinaria comprada por Cr$ 400.000,00, amortizada a 10% ao

ano sôbre seu valor de aquisição; ou que decidimos amortizá-la, para substituí-la, de 10% ao ano sôbre seu valor de subs

tituição. No primeiro caso, po demos antecipadamente calcular

constante nos casos indicados nos

itens h e c, acima referidos, A taxa de amortização decrescente é

adotada, ria de regra, para os va lores tangíveis com pequena ta xa de depreciação. Êsse ponto é de certa importância para o de

senvolvimento da emprôsa - desde que constitui um processo por meio do qual

o industrial escapa das exigências do fis co, aumentando as taxas de amortização

sôbre os valores imobilizados, que pas

sam a figurar nos livros por preços abai

xo de seu valor.de utilização. Logo que as taxas de lucro o permitam, êles fa cilitam uma mais elevada taxa de amor

tização, fazendo, por conseqüência, min guar o total avaliado referente aos va

lores imobilizados e reduzindo a impor tância que deveriam pagar ao fisco. O fenômeno deve ser examinado da

seguinte maneira; a depreciação é o fato fundamental; os capitais constituí dos pelos bens indiretos desgastam-se na faina produtiva, baixando o seu valor. Então se avalia o quantum do desgaste experimentado e inscreve-se a estimati

va de sua importância no balanço. Ora, já dissemos que a combinação produti

ã

o período de amortização até o

final; no segundo caso, é dife rente:

a maquinaria, para ser

substituída, exigiria, por hipóte se, Cr$ 450.000,00 — porque modificações da produção e outros fatôres alteraram esse preço de aquisição. Folliet inclina-se pelo valor de aquisi

Dir.K.sTí)

Econóníico

55

histórica, estimulando ou retardando a produção. O Estado, dosde os romanos,

gorosamente, desvalorização; quando, porém, resulta de uma perda de fôrça aquisitiva de fato, se chama depreda ção. Para nosso c-templo, ser\'em ambos

de.sccbriu, nos sons processos de tribu

os casos; por isso falamos aqui sem dis

riqueza social c rcdisljibuída diversa mente, como nos mostra a cbser\*ação

tação, a vantagem de deteriorar a moe da em seu benefício.

"A tendência da

moeda para depreciação — diz Kevncs — foi, no passado, uma contrapartida po

êsse volume cresce, a circulação exige

tivos dos juros compostos e a herança

maior quantidade de moeda, ocasionan do a baixa do ní\'el de preços, o que

de fortunas.

demonstra a alta do valor da moeda. E

derosa adversa

aos resultados cumula Foi

uma

influencia ate

nuante contra a distribuição rígida da riqueza estratificada e o divórcio entre a aliridadc c a propriedade." Keynes vê a deterioração monetária

movida por duas grandes forças: a impccúnia governamental c a cres cente ascensão política das clas ses devedoras.

Mas volvamos ao

ponto parricularmcnlo visado nes tas considerações.

Conviria relembrar que o po der aquisitivo da moeda não re

sulta de qualquer garantia metálica exis

ção^ em caso de aumento do valor de

tente no banco

aquisição, mas constituindo um ftindo

mas do vobime de mercadorias e servi

de renovação que assegure a integrida de do capital. A diferença entre aquôles valores não deriva de qualquer alteração no valor da moeda — que, ex hypofhcsi, inicial

tinção terminológica). Tudo que se troc:i decorre daquela fonte. O volume das transações operadas depende dela. Se

central

ou

Tesouro —

ços a que o quantum. de dinheiro aten

de no processo geral de çirculação da riqueza.

A massa de mercadoria e ser

viços determina, em cotêfo com a quan

vice-versa. São fatos elementares sufi cientemente conhecidos.

O que está movimentando êsse nível de preços, portanto determinando as flu

tuações do poder de compra? Eridentemente, a quantidade de mer cadorias e serviços que se ofe recem pela moeda. Êsse poder de compra se gera no processo produtivo e se manifesta no pro cesso drcuhtório, dois processos de ajustamento mútuo. O go verno emite os signos monetários — mas

é o processo produtivo que dá origem

ao poder aquistivo. Se êsse poder aqui sitivo permanece o mesmo, uma maior

quantidade de moeda tende a distribuílo, a rarefazê-lo nas unidades monetárias.

tidade de moeda, o nível corresponden te de preços, o qual traduz, por sua vez,

O processo inflacionário e as flutuações monetárias

o poder de compra dessa mesma moe da. (") Assim, em vez de partir dos instrumentos de permuta, como determi

do de alto dinamismo: suas relações

nantes dos fenômenos de preço, parti mos da produção, que condiciona o

As oscilações cíclicas do sistema capita

mudanças de valor da moeda, manifesta

quantum das utilidades em circulação. Na produção e.stão as condições funda mentais de valorização ou desvaloriza

naquele processo e repercutem por tô-

das nas alterações dos níveis de preços, dão resultados desiguais e, por vezes,

de seu valor em

mente formulada, é estável.

Gestação do poder de compra

Passemos agora a considerar o que aconteceria no caso de ocorrerem mo

dificações nas espécies monetárias. Conforme observou Lord Keynes, as

contraditórios para as classes sociai.s. A

ção da moeda.

(Quando a moeda per virtude de um ato

da autoridade competente, que altera o seu estalão aferidor, se denomina, ri

Ora, a produção é um processo dota mutáveis são incessantemente refeitas.

lista, refletindo desajustamentos estru turais mais profundos, exteriorizam-se das as esferas da vida econômica, numa

fenomenologia que vem sendo objeto de estudos pacientes e minudentes. As sim, à própria instabilidade da moeda


50

Dicesto EcoNÓNnco

ligam-se outras instabilidades oriundas de causas mais gerais. Quando a moeda-

ouro se impôs aos povos ocidentais, no período anterior à primeira guerra mun

dial, forjaram-se teorias monetárias que justificaram, como última palavra da ciência, o sistema de padrão-ouro: dêle

moeda às transações existentes, não re

side em qualquer regresso às concep ções do passado — mas cm aplicar medi das diferentes e novas, que encontram mais resistência nos intcrôsses estratifica-

Diobsto EcoNÓNnco

57

ferença entre o valor dc aquisição e o

redistribuição arbitrária das fortunas, consumindo, ou, melhor, coniburindo,

valor de sttbsiiltiição, dificultando o cál

dissolvendo, a riqueza sob forma sim

No exemplo anterior, referimos o di culo da amortização, pressupondo sempre a estabilidade no valor da moeda. Agora

bólica clc valores inohiliãrbs e em di

nheiro, deslocando massas de poder de compra, empobrecendo largos setores de

dos do que em razões científicas. Estas,

podemo.s admitir que aqueles dois va

freqüentemente, encobrem as resistên

lores coincidem e não \'ariam.

cias do interesse, de que o estudioso nem sempre toma consciência clara, passando-lhe despercebido o fato de se tor

tos inflacionistas, porém, perturbando

jogo, nem lôdas empresas sucumbem: al

o valor da moeda, determinam uma di

gumas, pela natureza do negócio, encon

vergência nos preços, a qual poderá

tram elementos de ritalidade.

abalado pelas minas descobertas, de

nar um simples veículo das chamadas

alcançar uma diferença enorme.

monstrando que o valor do ouro não era nenhuma virtude intrínseca, mas

idéias dominantes.

a quantidade de trabalho que represen

rá alcançada pelo reconhecimento de sua instabilidade. Explicamo-nos. Re conhecida a impossibilidade de fi.xar-lhe o valor pela ligação com metais — órgãos adequados se incumbiriam de

somas expressas no balanço podem che gar a ser irrisórias. Os valores imobili zados tangíveis podem corresponder,

compete analisar o fato, que nos desvia ria do objetivo destas páginas.

pendia a felicidade e a salubridade das nações.

Debalde o mercado de metal fino foi

tava sua exploração nas minas do Trans-

wall e da Califórnia.

Portanto, era

um va^or determinado como o de qual quer outra mercadoria. Os teóri

cos continuaram

magnetizados

pelo fetiche metálico. As crises contínuas, embora in

termitentes, e as guerras a que se seguiram períodos tremendos

de inflação, provocaram verda

deiros traumatismos na circulação mo

netária — e deixaram brechas que ex puseram a nu as relações íntimas, invisí

veis até então, dos fenômenos superficial mente observados. Pode-se compreen der melhor, à custa dos sacrifícios expe rimentados, a essência do dinheiro. O resultado foi, para grande maioria de estudiosos, a convicção de que o metal

amarelo era uma ilusão desfeita pela realidade.

Fizeram-se tentativas para desfazer es

sa ilusão, organizando uma moeda cujo

A estabilidade do valor da moeda se

Os efei

As

na realidade, a coisa insignificante numa

economia hiperinflacionária. Mas volvamos aos dois valores men

cionados. O *'valor de substituição" po

elementos ativos da produção.

Nesse

Não nos

Para escapar aos efeitos indicados,

resta à emprêsa o reajustamenlo dos %'a-

lores consignados no balanço segundo o pieço de aquisição — uma reavaliação

que alteraria as importâncias registra das na sua contabilidade, em função do

índice de desvalorização experimentado

ajustar, periòdicamente, a moeda

de ser, nominalmente, trezentas vêzes

aos níveis de preços, assegurando à população cortas condições de poder aquisitivo sem grandes flu

superior ao "valor da aquisição", regis trado nos livros, sem que, na realidade,

pelo dinheiro. Ela, entretanto, não advoga essa so

haja discrepância de valor real entre ôles: o que variou foi sòmente o instru

co: reaparecerá a diferença como reser

mento de medida, a moeda. Neste caso, a taxa de amortização sòbre o "valor de

riram manter o statu quo para disfarçar

tuações. Isso não ocorre.

Persistem as

velhas concepções, com fôrça inaudita.

Dentro delas é que nos cabe analisar o problema proposto. O processo inflacionista não exprime uma flutuação periódica da moeda — mas um processo anormal, peculiar a certas fases da história, após as guerras. Por isso mesmo, começadas pelos generais, são liquidadas pelos banqueiros, cha mados para regularização das grandes

, aquisição" não cobre a depreciação so frida pelos bens indiretos de produção: há uma perda da substância líquida, os efeitos inflacionários agem corrosivamen te sôbre a integridade do capital. Enquanto isso se passa no interior da

emprêsa, a inflação vai promovendo uma

lução — porque lhe sai ao encalço o fis va no balanço. Muitas empresas prefe as reservas aos olhos do fisco.

Tomemos um exemplo de Otto Fischer, adaptando-o aos nossos propósitos. Suponhamos que uma emprêsa indus trial qualquer apresente o seguinte ba lanço ao encerrar seu período finan ceiro:

ATIVO

PASSIVO

transações que, na essência, constituem

Não exi^vel

as guerras atuais. E' o que nos afirma Pierre-Mendés France.

Ativo realizável .... Ativo imobilizado ..

Cr$ 200.000,00 Cr$ 300.000,00

•Capital real Capital social

Cr$ 200.000,00 Cr$ 400.000,00

se aferisse em relação com o padrão

A inflação e os valores patrimoniais da

Máquinas

Cr$ 200.000,00

Reservas

Cr$ 100.000,00

de vida de uma família média, condicio

emprêsa

valor, desprendido de estalões metálicos,

nado pelo índice de preços de mercadoría"s 8 serviços indispensáveis à coleti

Cr$ 700.000,00

Cr$ 700.000,00

Como se manifesta a inflação nos va

vidade.

lores patrimoniais da emprêsa — e como

Assim,-o meio, até certo -ponto eficaz, de ajustar periodicamente o valor da

se acusa no seu balanço?

Eis a pergunta central deste ensaio,

Admitamos que se amortizem, com

— e que tal soma equivallia à soma des

taxa de 10% apenas, as máquinas — pa

tinada à sua renovação. Aquêle balanço

ra simplificar ainda mais nosso exemplo

do ano,

será no ano t^:


50

Dicesto EcoNÓNnco

ligam-se outras instabilidades oriundas de causas mais gerais. Quando a moeda-

ouro se impôs aos povos ocidentais, no período anterior à primeira guerra mun

dial, forjaram-se teorias monetárias que justificaram, como última palavra da ciência, o sistema de padrão-ouro: dêle

moeda às transações existentes, não re

side em qualquer regresso às concep ções do passado — mas cm aplicar medi das diferentes e novas, que encontram mais resistência nos intcrôsses estratifica-

Diobsto EcoNÓNnco

57

ferença entre o valor dc aquisição e o

redistribuição arbitrária das fortunas, consumindo, ou, melhor, coniburindo,

valor de sttbsiiltiição, dificultando o cál

dissolvendo, a riqueza sob forma sim

No exemplo anterior, referimos o di culo da amortização, pressupondo sempre a estabilidade no valor da moeda. Agora

bólica clc valores inohiliãrbs e em di

nheiro, deslocando massas de poder de compra, empobrecendo largos setores de

dos do que em razões científicas. Estas,

podemo.s admitir que aqueles dois va

freqüentemente, encobrem as resistên

lores coincidem e não \'ariam.

cias do interesse, de que o estudioso nem sempre toma consciência clara, passando-lhe despercebido o fato de se tor

tos inflacionistas, porém, perturbando

jogo, nem lôdas empresas sucumbem: al

o valor da moeda, determinam uma di

gumas, pela natureza do negócio, encon

vergência nos preços, a qual poderá

tram elementos de ritalidade.

abalado pelas minas descobertas, de

nar um simples veículo das chamadas

alcançar uma diferença enorme.

monstrando que o valor do ouro não era nenhuma virtude intrínseca, mas

idéias dominantes.

a quantidade de trabalho que represen

rá alcançada pelo reconhecimento de sua instabilidade. Explicamo-nos. Re conhecida a impossibilidade de fi.xar-lhe o valor pela ligação com metais — órgãos adequados se incumbiriam de

somas expressas no balanço podem che gar a ser irrisórias. Os valores imobili zados tangíveis podem corresponder,

compete analisar o fato, que nos desvia ria do objetivo destas páginas.

pendia a felicidade e a salubridade das nações.

Debalde o mercado de metal fino foi

tava sua exploração nas minas do Trans-

wall e da Califórnia.

Portanto, era

um va^or determinado como o de qual quer outra mercadoria. Os teóri

cos continuaram

magnetizados

pelo fetiche metálico. As crises contínuas, embora in

termitentes, e as guerras a que se seguiram períodos tremendos

de inflação, provocaram verda

deiros traumatismos na circulação mo

netária — e deixaram brechas que ex puseram a nu as relações íntimas, invisí

veis até então, dos fenômenos superficial mente observados. Pode-se compreen der melhor, à custa dos sacrifícios expe rimentados, a essência do dinheiro. O resultado foi, para grande maioria de estudiosos, a convicção de que o metal

amarelo era uma ilusão desfeita pela realidade.

Fizeram-se tentativas para desfazer es

sa ilusão, organizando uma moeda cujo

A estabilidade do valor da moeda se

Os efei

As

na realidade, a coisa insignificante numa

economia hiperinflacionária. Mas volvamos aos dois valores men

cionados. O *'valor de substituição" po

elementos ativos da produção.

Nesse

Não nos

Para escapar aos efeitos indicados,

resta à emprêsa o reajustamenlo dos %'a-

lores consignados no balanço segundo o pieço de aquisição — uma reavaliação

que alteraria as importâncias registra das na sua contabilidade, em função do

índice de desvalorização experimentado

ajustar, periòdicamente, a moeda

de ser, nominalmente, trezentas vêzes

aos níveis de preços, assegurando à população cortas condições de poder aquisitivo sem grandes flu

superior ao "valor da aquisição", regis trado nos livros, sem que, na realidade,

pelo dinheiro. Ela, entretanto, não advoga essa so

haja discrepância de valor real entre ôles: o que variou foi sòmente o instru

co: reaparecerá a diferença como reser

mento de medida, a moeda. Neste caso, a taxa de amortização sòbre o "valor de

riram manter o statu quo para disfarçar

tuações. Isso não ocorre.

Persistem as

velhas concepções, com fôrça inaudita.

Dentro delas é que nos cabe analisar o problema proposto. O processo inflacionista não exprime uma flutuação periódica da moeda — mas um processo anormal, peculiar a certas fases da história, após as guerras. Por isso mesmo, começadas pelos generais, são liquidadas pelos banqueiros, cha mados para regularização das grandes

, aquisição" não cobre a depreciação so frida pelos bens indiretos de produção: há uma perda da substância líquida, os efeitos inflacionários agem corrosivamen te sôbre a integridade do capital. Enquanto isso se passa no interior da

emprêsa, a inflação vai promovendo uma

lução — porque lhe sai ao encalço o fis va no balanço. Muitas empresas prefe as reservas aos olhos do fisco.

Tomemos um exemplo de Otto Fischer, adaptando-o aos nossos propósitos. Suponhamos que uma emprêsa indus trial qualquer apresente o seguinte ba lanço ao encerrar seu período finan ceiro:

ATIVO

PASSIVO

transações que, na essência, constituem

Não exi^vel

as guerras atuais. E' o que nos afirma Pierre-Mendés France.

Ativo realizável .... Ativo imobilizado ..

Cr$ 200.000,00 Cr$ 300.000,00

•Capital real Capital social

Cr$ 200.000,00 Cr$ 400.000,00

se aferisse em relação com o padrão

A inflação e os valores patrimoniais da

Máquinas

Cr$ 200.000,00

Reservas

Cr$ 100.000,00

de vida de uma família média, condicio

emprêsa

valor, desprendido de estalões metálicos,

nado pelo índice de preços de mercadoría"s 8 serviços indispensáveis à coleti

Cr$ 700.000,00

Cr$ 700.000,00

Como se manifesta a inflação nos va

vidade.

lores patrimoniais da emprêsa — e como

Assim,-o meio, até certo -ponto eficaz, de ajustar periodicamente o valor da

se acusa no seu balanço?

Eis a pergunta central deste ensaio,

Admitamos que se amortizem, com

— e que tal soma equivallia à soma des

taxa de 10% apenas, as máquinas — pa

tinada à sua renovação. Aquêle balanço

ra simplificar ainda mais nosso exemplo

do ano,

será no ano t^:


Dicesto EcoNÓsnco

58

Dícesto

Econômico

MÁQUINAS

59

MAQUINAS CRÉDITO

DÉBITO

Balanço

Cr$ 200.000,00

Compnis

Cr$ 20.000,00

Amortização Balanço

Cr$ 220.000,00

Agora façamos inteiA'Ír o fator de des

DÉBITO

Cr$ 20.000,00 Cr§ 200.000,00

CRÉDITO

Balanço

Cr? 200.000,00

Compra

Cr? 20.(X)0,00

Cr? 220.000,00

Amortização Balanço

Cr? 25.420,00 Cr? 194.580,00

Cr? 220.000,00

Cr? 220.000,00

compras de novas máquinas para a mesma

valorização da moeda. No correr do ano

renovação anterior serão de Cr§ 26.666,60,

t3, admitamos que o dinheiro sofreu um

a fim de manter o mesmo ritmo produti

declínio de poder aquisitivo de 2S%. As

vo. Ao encerrar de t^, teremos:

Qual foi a amortização real proces

sada sob a aparência daqueles 10%?

MÁQUINAS DÉBITO

A saída do impasse, proposta por Otto

Fischer, de quem adaptamos o exemplo,

Apenas de 8,6%. A razão salta aos olhos.

e

outros

Depois da depreciação de 25% que con duziu à moeda2, os pagamentos feitos para aquisição de novas máquinas, as-

a

ser

resultante da porcentagem de amor tização multipÜcada pelo coeficiente

ceiidendo a Cr? 26.666,60, atenderam

de depreciação.

CRÉDITO

à desvalorização efetuada; mas a amor

Cr$

feita em moedaZ^ isto é, em moeda cora

peritos no

imia

ta.\-a

assunto, vem de

amortização

tização continuou insuficiente, porque Balanço

Cr§ 200.000,00

Amortização

Compras

Cr$ 26.666,60

Balanço

outro poder de compra.

Cr? 204.000,00

(•) Cf. Dificuldades do coiürôle mone tário, in "Digesto Econômico", n.o 48, ano IV, n®. 49, ano V.

Cr? 226.666,60

Cr$ 226.666,60

A subida para Cr? 204.000,00 da con

22.666,60

ao fato seguinte: que somávamos duas

ta "máquina" é ilusória, porquanto não

moedas diferentes nos re.speclivos valo

traduz qualquer melhoria ou progresso

res, embora tivessem elas a mesma apa

técnico; revela apenas a nova moeda em circulação, com a depreciação de

rência.

É como se somássemos x me

25% que acarretou. A moeda anterior

tros com y palmos, e ao total denominás semos de (x-|-y) metros. A moedal va

mente em circulação era oxUra moeda

le quatro vezes mais que a mocdaZ. O

porque tinha outro poder de compra.

total Cr? 226.666,60, foi amortizado na

. ...As exportações britânicas em nuirço alcançaram uovo recorde, ultrapassando

Só aparentemente é a mesma. Co

moecUiZ (depreciada de 25%). Ora, no ano t3, enquanto o saldo "máquinas"

cm 7 milhões de libras esterlinas o nível de janeiro, que jôra o mais alto ate então.

mo instrumento

de

medida, é

tra: mede diversamente.

ou

Chamemo-la

moeda^, e a anterior não depreciada de

apresentava-se em Cr? 200.000,00 em

No balanço do exercício do ano t3, ao saldo de Cr? 200.000,00 de moeddl

moedal^ os Cr? 2,6.666,60 em vioedaZ eram iguais a Cr? 25.420,00 em moeda^, Na realidade, a amortização dos Cr? 220.000,00 foi de Cr? 27.333,30 em

foi adicionada a importância de compras

moeda2 = Ct^ 25.420,00 em moedal, e

Cr? 26.666,60 de moeda^, sem atenção

o balanço de t3 toma-se:

moedaK

Essa comunicação foi feita recentemente pelo sr. Harold Wilson, perante a Cdmara dos Comuns., O volume de exportações, que em janeiro tinha\Sido 162 por cento do volume de 1938, provàvelmente alcançaria 162 ou 163 por cento em março. A mé dia diária das exportações em março era 3 por cento abaixo da de janeiro, mas 1 por cento acima da de fevereiro. Embora não citasse estatísticas das importações de março, o sr. Wilson refe riu-se a elas como sendo as mais altas de todos os tempos, e acrescentou que a

brecha entre exjjoriações e importações tinha sido maior que em janeim ou fevehrecha entre exportações e importações tinha sido maior que em janeiro o» feva-eiro.

i


Dicesto EcoNÓsnco

58

Dícesto

Econômico

MÁQUINAS

59

MAQUINAS CRÉDITO

DÉBITO

Balanço

Cr$ 200.000,00

Compnis

Cr$ 20.000,00

Amortização Balanço

Cr$ 220.000,00

Agora façamos inteiA'Ír o fator de des

DÉBITO

Cr$ 20.000,00 Cr§ 200.000,00

CRÉDITO

Balanço

Cr? 200.000,00

Compra

Cr? 20.(X)0,00

Cr? 220.000,00

Amortização Balanço

Cr? 25.420,00 Cr? 194.580,00

Cr? 220.000,00

Cr? 220.000,00

compras de novas máquinas para a mesma

valorização da moeda. No correr do ano

renovação anterior serão de Cr§ 26.666,60,

t3, admitamos que o dinheiro sofreu um

a fim de manter o mesmo ritmo produti

declínio de poder aquisitivo de 2S%. As

vo. Ao encerrar de t^, teremos:

Qual foi a amortização real proces

sada sob a aparência daqueles 10%?

MÁQUINAS DÉBITO

A saída do impasse, proposta por Otto

Fischer, de quem adaptamos o exemplo,

Apenas de 8,6%. A razão salta aos olhos.

e

outros

Depois da depreciação de 25% que con duziu à moeda2, os pagamentos feitos para aquisição de novas máquinas, as-

a

ser

resultante da porcentagem de amor tização multipÜcada pelo coeficiente

ceiidendo a Cr? 26.666,60, atenderam

de depreciação.

CRÉDITO

à desvalorização efetuada; mas a amor

Cr$

feita em moedaZ^ isto é, em moeda cora

peritos no

imia

ta.\-a

assunto, vem de

amortização

tização continuou insuficiente, porque Balanço

Cr§ 200.000,00

Amortização

Compras

Cr$ 26.666,60

Balanço

outro poder de compra.

Cr? 204.000,00

(•) Cf. Dificuldades do coiürôle mone tário, in "Digesto Econômico", n.o 48, ano IV, n®. 49, ano V.

Cr? 226.666,60

Cr$ 226.666,60

A subida para Cr? 204.000,00 da con

22.666,60

ao fato seguinte: que somávamos duas

ta "máquina" é ilusória, porquanto não

moedas diferentes nos re.speclivos valo

traduz qualquer melhoria ou progresso

res, embora tivessem elas a mesma apa

técnico; revela apenas a nova moeda em circulação, com a depreciação de

rência.

É como se somássemos x me

25% que acarretou. A moeda anterior

tros com y palmos, e ao total denominás semos de (x-|-y) metros. A moedal va

mente em circulação era oxUra moeda

le quatro vezes mais que a mocdaZ. O

porque tinha outro poder de compra.

total Cr? 226.666,60, foi amortizado na

. ...As exportações britânicas em nuirço alcançaram uovo recorde, ultrapassando

Só aparentemente é a mesma. Co

moecUiZ (depreciada de 25%). Ora, no ano t3, enquanto o saldo "máquinas"

cm 7 milhões de libras esterlinas o nível de janeiro, que jôra o mais alto ate então.

mo instrumento

de

medida, é

tra: mede diversamente.

ou

Chamemo-la

moeda^, e a anterior não depreciada de

apresentava-se em Cr? 200.000,00 em

No balanço do exercício do ano t3, ao saldo de Cr? 200.000,00 de moeddl

moedal^ os Cr? 2,6.666,60 em vioedaZ eram iguais a Cr? 25.420,00 em moeda^, Na realidade, a amortização dos Cr? 220.000,00 foi de Cr? 27.333,30 em

foi adicionada a importância de compras

moeda2 = Ct^ 25.420,00 em moedal, e

Cr? 26.666,60 de moeda^, sem atenção

o balanço de t3 toma-se:

moedaK

Essa comunicação foi feita recentemente pelo sr. Harold Wilson, perante a Cdmara dos Comuns., O volume de exportações, que em janeiro tinha\Sido 162 por cento do volume de 1938, provàvelmente alcançaria 162 ou 163 por cento em março. A mé dia diária das exportações em março era 3 por cento abaixo da de janeiro, mas 1 por cento acima da de fevereiro. Embora não citasse estatísticas das importações de março, o sr. Wilson refe riu-se a elas como sendo as mais altas de todos os tempos, e acrescentou que a

brecha entre exjjoriações e importações tinha sido maior que em janeim ou fevehrecha entre exportações e importações tinha sido maior que em janeiro o» feva-eiro.

i


Digesto EcoNÓ^^co

O sistema tributário do Brasil

61

2. O impôsto direto-, uma das expressões

Parece que a parte dos impostos dire

da fústiça fiscal. Como é aplicado no

tos pertencentes à União deve futura

PAtrt, Hucon

sistema tributário brasileiro

mente aument.ir em virtude da elevada

produtividade do impôsto de renda. O

(Professor da Universidade de São Paulo

e das Faculdades de Direito da França)

A importância atribuída ao impôsto

mesmo se pode dizer relativ-amento aos

requisito da justiça fiscal, não basta con

síveis do princípio da justiça no sistema

tribuam todos para o fisco: é, alem disso, necessário que se lhes peça a mesma soma de sacrifícios. E aqui surge a se

fiscal. Com efeito, a.s riquezas atingidas nente.s e estáveis c, por conseguinte, pos

Municípios, uma vez que seus impostos, excetuado um (o de jogos e diversões) suo todos diretos, e que à sua receita foi incorporada a parte do imposto de in dústrias e profissões até agora perten

gunda regra, relativa à uniformidade

sível é o seu conbccimenlo ou a sua es

cente aos Estados.

timativa cm função da capacidade de

tico o desenvolvimento da personali

do impôsto, com suas conseqüências fis cais — da progressividade — quando con

zação do impôsto que se operou, con

sidera a importância da matéria tributá

tinua a operar-se e se operará neste após-guerra.

vel; da discriminação — quando atende à origem do rendimento; e — da perso

direto constitui uni dos aspectos mais vi

ni — O problema da justiça fUcal A justiça no impôsto é uma das preo cupações dominantes de tôda nação sadia e democrática, e liga-se mesmo ao progresso desse espírito democrá

L A importância da noção de juitiça fis cal, na atualidade.

por es.sa categoria do impôsto são pernia-

contribuição individual.

Estabelecido segundo uma pre\'isão tido contríírio, dado o elevado rendimen nominativa, o imposto direto assenta, a. to do imposto indireto de vendas e con- " um tempo, .sobre o inventário exato dos .signações e a perda do impôsto de indús trias e profissões em proveito do Mu elementos tributáveis de cada um dos nicípio. contribuintes e sôbre sua situação pes

nalização — quando leva em conta a si

tuação pessoal do proprietário ou de

soal. A realização da justiça fiscal tem como condição necessária justamente es

tentor da matéria tributável.

Não há dúvida que a tendência mo de justiça fiscal em matéria de FAL/vn impostos é invocar regras relativas à

derna ó no sentido de se considerar co

ta de se tomar em consideração a pessoa

mo essencial o princípio da justiça na

do contribuinte.

sua generalidade e uniformidade, clás

tributação e pela tributação. Tôdas as

sicas em ciência das finanças.

nações civilizadas inspiram-se nêsse prin

A proporção entre impostos diretos e indiretos varia segundo os sistemas fis cais dos países e, em relação a determi nado país, de acordo com as épocas.

A primeira dessas regras significa que todos devem pagar impostos, exceção

cípio.

E se até o fim do sécido XIX

a finalidade fiscal — a produtividade do

feita dos casos de absoluta incapacida

impôsto —

de econômica.

posteriormente sobrepõe-se-lhe o fim so cial — o da sua justiça. Por conseguin te, não se considera mais o impôsto ape

impostos diretos côrca de 35% do total dos impostos nacionais (1).

nas como um meio normal de.fornecer

aos impostos federais, uma tendência para uma leve redução, em porcenta

Essa regra põe fim às desigualdades provenientes de privilégios reais e pes soais de que, durante séculos, gozaram, do ponto de vista fiscal, determinados contribuintes. Faz desaparecer o espí

rito de desigualdade fiscal, que se ex primia nesta resposta do Bispo de Sens, a uma exigência fiscal de Ricbelieu, em relação ao clero:

"O costume-antigo era que o povo contribuísse com os seus bens, a no

breza com o seu sangue e o clero com suas preces."

No Brasil, cm 1946, representavam os

constituía o seu fim único,

De 1940 a 1945 nota-se, em relação

numerário à receita pública, mas tam

gem, dos impostos indiretos (de 70,3 pa

bém como uma forma de se realizar á justiça social.

ra 65,6%) e para um aumento, igual

Todavia, na prática, a dificuldade re

side em se conciliarem os dois princí pios — o da produtividade e o da eqüi dade fiscais. Freqüentemente estão estes em oposição. E como a produtividade cor responde ao "primum vivere" de tôda na ção e as despesas públicas aumentam

a...

impôsto de vendas e consignações.

3. E' possível e.xigir.se nwis do imposto de renda?

Seria interessante, do ponto de vista da eqüidade fiscal, fôsse decidida pelo

impôsto de renda a vitória dos impostos diretos. Mas, ó possível e de se desejar mente?

Gerson Augusto da Silva

(Boletim do

ças, n.o 85. Rio, 1948): Impostos diretos:

renda, predial, tenãtorial, licença, trans missão

inter-vivos,

transmissão

causa-

xnortis e de profissões (que, na prática, entretanto, se aproxima do impôsto in direto). Impostos indiretos: consumo, vendas e consignações, importação, sêlo,

L

impôsto de renda e os indiretos a van tagem do extraordinário rendimento do

29,7 para 34,4%).

Conselho Técnico de Economia e Finan

bre dos sistemas tributários modertios.

favor dos impostos diretos: a luta será árdua, pois os impostos diretos têm a seu favor o apreciável rendimento do

que a produtividade ãêsse impôsto au

d"» E' Dossível aceitar-se, nas suas linhas

continuamente, o princípio da justiça

A Constituição de 1946, em seu arti

go 202, tomou nitidamente partido em

mente fraco, dos impostos diretos (de

gerais, a 'classificação proposta pelo Dr.

muitas vezes aparece como a parente po Mas, a fim de que seja satisfeito o

Quanto aos Estados, é de se esperar que se manifeste uma tendência em sen

exportação, jogos e diversões.

A continuar o impôsto de renda orga nizado tal como atualmente está, um aumento da sua arrecadação não é coi sa para se aspirar,

Com efeito: a) a base do impôsto é muito pouco ampla, e, nestas condições, b) todo aumento das taxas do impôsto seria contrário à economia nacional,

a) Atualmente, a base do impôsto de


Digesto EcoNÓ^^co

O sistema tributário do Brasil

61

2. O impôsto direto-, uma das expressões

Parece que a parte dos impostos dire

da fústiça fiscal. Como é aplicado no

tos pertencentes à União deve futura

PAtrt, Hucon

sistema tributário brasileiro

mente aument.ir em virtude da elevada

produtividade do impôsto de renda. O

(Professor da Universidade de São Paulo

e das Faculdades de Direito da França)

A importância atribuída ao impôsto

mesmo se pode dizer relativ-amento aos

requisito da justiça fiscal, não basta con

síveis do princípio da justiça no sistema

tribuam todos para o fisco: é, alem disso, necessário que se lhes peça a mesma soma de sacrifícios. E aqui surge a se

fiscal. Com efeito, a.s riquezas atingidas nente.s e estáveis c, por conseguinte, pos

Municípios, uma vez que seus impostos, excetuado um (o de jogos e diversões) suo todos diretos, e que à sua receita foi incorporada a parte do imposto de in dústrias e profissões até agora perten

gunda regra, relativa à uniformidade

sível é o seu conbccimenlo ou a sua es

cente aos Estados.

timativa cm função da capacidade de

tico o desenvolvimento da personali

do impôsto, com suas conseqüências fis cais — da progressividade — quando con

zação do impôsto que se operou, con

sidera a importância da matéria tributá

tinua a operar-se e se operará neste após-guerra.

vel; da discriminação — quando atende à origem do rendimento; e — da perso

direto constitui uni dos aspectos mais vi

ni — O problema da justiça fUcal A justiça no impôsto é uma das preo cupações dominantes de tôda nação sadia e democrática, e liga-se mesmo ao progresso desse espírito democrá

L A importância da noção de juitiça fis cal, na atualidade.

por es.sa categoria do impôsto são pernia-

contribuição individual.

Estabelecido segundo uma pre\'isão tido contríírio, dado o elevado rendimen nominativa, o imposto direto assenta, a. to do imposto indireto de vendas e con- " um tempo, .sobre o inventário exato dos .signações e a perda do impôsto de indús trias e profissões em proveito do Mu elementos tributáveis de cada um dos nicípio. contribuintes e sôbre sua situação pes

nalização — quando leva em conta a si

tuação pessoal do proprietário ou de

soal. A realização da justiça fiscal tem como condição necessária justamente es

tentor da matéria tributável.

Não há dúvida que a tendência mo de justiça fiscal em matéria de FAL/vn impostos é invocar regras relativas à

derna ó no sentido de se considerar co

ta de se tomar em consideração a pessoa

mo essencial o princípio da justiça na

do contribuinte.

sua generalidade e uniformidade, clás

tributação e pela tributação. Tôdas as

sicas em ciência das finanças.

nações civilizadas inspiram-se nêsse prin

A proporção entre impostos diretos e indiretos varia segundo os sistemas fis cais dos países e, em relação a determi nado país, de acordo com as épocas.

A primeira dessas regras significa que todos devem pagar impostos, exceção

cípio.

E se até o fim do sécido XIX

a finalidade fiscal — a produtividade do

feita dos casos de absoluta incapacida

impôsto —

de econômica.

posteriormente sobrepõe-se-lhe o fim so cial — o da sua justiça. Por conseguin te, não se considera mais o impôsto ape

impostos diretos côrca de 35% do total dos impostos nacionais (1).

nas como um meio normal de.fornecer

aos impostos federais, uma tendência para uma leve redução, em porcenta

Essa regra põe fim às desigualdades provenientes de privilégios reais e pes soais de que, durante séculos, gozaram, do ponto de vista fiscal, determinados contribuintes. Faz desaparecer o espí

rito de desigualdade fiscal, que se ex primia nesta resposta do Bispo de Sens, a uma exigência fiscal de Ricbelieu, em relação ao clero:

"O costume-antigo era que o povo contribuísse com os seus bens, a no

breza com o seu sangue e o clero com suas preces."

No Brasil, cm 1946, representavam os

constituía o seu fim único,

De 1940 a 1945 nota-se, em relação

numerário à receita pública, mas tam

gem, dos impostos indiretos (de 70,3 pa

bém como uma forma de se realizar á justiça social.

ra 65,6%) e para um aumento, igual

Todavia, na prática, a dificuldade re

side em se conciliarem os dois princí pios — o da produtividade e o da eqüi dade fiscais. Freqüentemente estão estes em oposição. E como a produtividade cor responde ao "primum vivere" de tôda na ção e as despesas públicas aumentam

a...

impôsto de vendas e consignações.

3. E' possível e.xigir.se nwis do imposto de renda?

Seria interessante, do ponto de vista da eqüidade fiscal, fôsse decidida pelo

impôsto de renda a vitória dos impostos diretos. Mas, ó possível e de se desejar mente?

Gerson Augusto da Silva

(Boletim do

ças, n.o 85. Rio, 1948): Impostos diretos:

renda, predial, tenãtorial, licença, trans missão

inter-vivos,

transmissão

causa-

xnortis e de profissões (que, na prática, entretanto, se aproxima do impôsto in direto). Impostos indiretos: consumo, vendas e consignações, importação, sêlo,

L

impôsto de renda e os indiretos a van tagem do extraordinário rendimento do

29,7 para 34,4%).

Conselho Técnico de Economia e Finan

bre dos sistemas tributários modertios.

favor dos impostos diretos: a luta será árdua, pois os impostos diretos têm a seu favor o apreciável rendimento do

que a produtividade ãêsse impôsto au

d"» E' Dossível aceitar-se, nas suas linhas

continuamente, o princípio da justiça

A Constituição de 1946, em seu arti

go 202, tomou nitidamente partido em

mente fraco, dos impostos diretos (de

gerais, a 'classificação proposta pelo Dr.

muitas vezes aparece como a parente po Mas, a fim de que seja satisfeito o

Quanto aos Estados, é de se esperar que se manifeste uma tendência em sen

exportação, jogos e diversões.

A continuar o impôsto de renda orga nizado tal como atualmente está, um aumento da sua arrecadação não é coi sa para se aspirar,

Com efeito: a) a base do impôsto é muito pouco ampla, e, nestas condições, b) todo aumento das taxas do impôsto seria contrário à economia nacional,

a) Atualmente, a base do impôsto de


Dicesto Econômico

63

Dicesto Econômico

02

icnda é, na prática, estreita cni deinasia. Erp 1929, 367.233 contribuintes pagavam 63 milhões de cruzeiros de im-

efetuando-se o pagamento do impôsto

bre-taxus do imposto de ronda, bem co

mais locais ou regionais, mas na

mo da redução das isenções o dedu

cionais.

ções pessoais, exatamente com o fito de

pôsto de renda: em 1946, 513.42o con

no lugar onde se encontra a matriz. A vista disso perde sensivelmente de im portância o fato de se concentrar a ar

tribuintes pagavam 2 bilhões e 612 mi-

recadação do impôsto na.s duas unida

do Brasil orienla-se, ao contrário, no

sidão essa que constitui mn fator básico de todos os problemas cconóniicos do

l]iõe.s de cruzeiros ao mesmo título. Is

des da Federação acima indicadas. Mas

to significa que, em 1929, cada con-

nem por isso é monos exato que nesta desproporção geográfica do rendimen

sentido de aumentar a produção e de

país. Em matéria fiscal isto significa

tiibuinte dêste impôsto pagava 170 cru zeiros e, em 1946, 5.300 cruzeiros.

O

que vale ainda dizer não haver dupli cado o número de contribuintes, enquan

to do imposto dc renda existe uma quase certeza de .ser a evasão fi.scal menos acentuada no Estado de São Paulo e

to o impôsto cresceu de cerca de 40 vezes. Êstes dados foram indicados pe

no Distrito Federal que em outros Esta

lo Vice-Presidente da Comissão de Fi

nanças da Câmara Federal dos Depu

ainda aumentadas as taxas do impôsto, chegar-se-á a um resultado de tríplice

tados, em

conseqüência:

seu Relatório

da

Receita

(1947). O aumento do rendimento do impôsto avaliado em valor

dos. b) Se, nestas condições, forem

— o número de contribuintes que su

noininal e corrigido em fun

ção da queda do poder aqui sitivo da moeda (350 a pressionante.

O que ressalta nitidamente desses números é o fato de

condições e de uma maneira geral — fazê-lo através da elevação das taxas

do impôsto, a menos que se queira imitar o selvagem referido por Montcsquieu, "que corta a árvore para obter o fruto". O aumento do rendimento deve ser

de estar a população disseminada por um vastíssimo território.

Em resumo, para se conservarem as

incontestáveis vantagens de produtivi dade e de eqüidade, contidas no siste ma tributário do Brasil, lurge se empre

enda a reorganização completa e geral do aparelho arrecadador e fiscalizador. simples c mais justo — com justeza es

do total do impôsto de ren da; mais da metade dos con

postos, no sistema brasileiro, deve ser

tribuintes desse impôsto re

mente, unia evasão fiscal, explicável não

tividade do impôsto;

— a evasão fiscal aumentará, mesmo

— enfim, o incentivo para a produção será grandemente afetado, pois, é cer to que as taxas do impôsto — particu larmente para as pessoas jurídicas — são muito elevadas.

E não é apenas o desenvolvimento

da produção que se entravará, mas também — conseqüência, aliás, rara

Sem dúvida, não nos devemos esque cer de que a regulamentação do impôs to permite a declaração englobada de

consumo.

lôda a renda, no caso de existirem fi

depois da última guerra, o Govêrno

liais disseminadas por vários Estados,

A se dever, pois, pedir mais ao impôs to de ronda, não se deve — nas presentes

crevia Afonso Arinos de Melo Franco (2)

apenas em função das pessoas físicas e Íurídica.s, mas provàvelmente em fun

dação foram recolhidos no Estado de

butiva e a matéria tributável, à vista

consumo.

de modo a ampliar-se a base do im pôsto. 4. O aumento da produtividade dos im

onde é menos freqüente; e, nestas con dições, prejudicar-se-á a própria produ

São Paulo e no Distrito Federal.

para se apreciar a capacidade ccntri-

em 1945, cerca de 10% dos

pessoas físicas.

buição da arrecadação do impôsto, veri fica-se que (1946) 71,6% dessa arreca

existirem ^dificuldades complementiues

só se podem conseguir aumentando o

nização fiscal, técnica e administrativa,

Aplicar-se-á, assim, cada vez menos, a regra da generalidade e da uniformida de do imposto;

ção também dos Estados. Se, com efeito, se considerar a distri

expandir o mercado interno, coisas que

será cada vez mais restrito:

tes do impôsto de renda. E' incrível que, em cerca de 46 milhões de habitan tes, não atinja o impôsto (1946) senão a 284.318 pessoas j'urídicas e 229.107 Existe, pois, evidente

No momento, a política econômica

buscado através de uma melhor orga

cebia rendimentos entre 12.000 a 30.000 cruzeiros.

existirem poucos contribuin

Não será inócuo insistir aqiü sôbre a imensidão do território brasileiro, imen

portará o pêso do imposto contribuintes pagavam 66%

400%), continua sendo -im

restringir o cün.sumo.

mente levada em conta — se reduzira o

Na Inglaterra, por exemplo,

lançou mão da el0A'ação das taxas e so-

"Reformá-lo, inodémizA-lo, tomá-lo mais

— é um trabalho hercúleo, não há dú

vida. Mas de tal traballio depende, em grande parte, o futuro de nosso povo". Uma vez levada a efeito essa reforma,

buscado i

a) através da reorganização do aparelho arrecadador e fiscalizador. Com isto apresenta-se o problema, particular quanto ao impôsto de renda, e geral quanto aos outros impostos, da reorganização do aparelho arrecadador

não sendo suficiente o aumento da pro dutividade que certamente possibilitará,

e fiscalizador do país. O essencial sôbre o assunto vem exposto no Relatório da Receita para 1947, apresentado ao Con

forma do aparelho arrecadador c fis

gresso.

Os quadros relativos à fiscalização não

sofreram

modificações

numéricas

então, e só então, convirá elevarem-se

as taxas de certos impostos ou talvez criarem-se novos.

Urgente e necessária é, pois, esta re calizador.

b) O aumento da produtividade depen de também de uma distribuição tributá ria melhor e mais flexível.

de da sua repercussão e da sua com

Indispensável será também tomar fle xível a distribuição dos impostos entre a União, os Estados e os Municípios. In sistimos sôbre esse ponto na primeira parte dêste estudo. Não é possível, dada

plexidade, maiores conhecimentos dos agentes do fisco, mais trabalho, e pos

(2) "Herança tributária", in "Digesto Eco

sivelmente

PaulO) janeiro 1949.

de bá quinze anos a esta parte, enquan to as receitas e os impostos aumentaram

consíderàvelmente, exigindo principal mente os impostos modernos, em virtu

estimativas

fiscais

não

nômico , Associação Comercial de São


Dicesto Econômico

63

Dicesto Econômico

02

icnda é, na prática, estreita cni deinasia. Erp 1929, 367.233 contribuintes pagavam 63 milhões de cruzeiros de im-

efetuando-se o pagamento do impôsto

bre-taxus do imposto de ronda, bem co

mais locais ou regionais, mas na

mo da redução das isenções o dedu

cionais.

ções pessoais, exatamente com o fito de

pôsto de renda: em 1946, 513.42o con

no lugar onde se encontra a matriz. A vista disso perde sensivelmente de im portância o fato de se concentrar a ar

tribuintes pagavam 2 bilhões e 612 mi-

recadação do impôsto na.s duas unida

do Brasil orienla-se, ao contrário, no

sidão essa que constitui mn fator básico de todos os problemas cconóniicos do

l]iõe.s de cruzeiros ao mesmo título. Is

des da Federação acima indicadas. Mas

to significa que, em 1929, cada con-

nem por isso é monos exato que nesta desproporção geográfica do rendimen

sentido de aumentar a produção e de

país. Em matéria fiscal isto significa

tiibuinte dêste impôsto pagava 170 cru zeiros e, em 1946, 5.300 cruzeiros.

O

que vale ainda dizer não haver dupli cado o número de contribuintes, enquan

to do imposto dc renda existe uma quase certeza de .ser a evasão fi.scal menos acentuada no Estado de São Paulo e

to o impôsto cresceu de cerca de 40 vezes. Êstes dados foram indicados pe

no Distrito Federal que em outros Esta

lo Vice-Presidente da Comissão de Fi

nanças da Câmara Federal dos Depu

ainda aumentadas as taxas do impôsto, chegar-se-á a um resultado de tríplice

tados, em

conseqüência:

seu Relatório

da

Receita

(1947). O aumento do rendimento do impôsto avaliado em valor

dos. b) Se, nestas condições, forem

— o número de contribuintes que su

noininal e corrigido em fun

ção da queda do poder aqui sitivo da moeda (350 a pressionante.

O que ressalta nitidamente desses números é o fato de

condições e de uma maneira geral — fazê-lo através da elevação das taxas

do impôsto, a menos que se queira imitar o selvagem referido por Montcsquieu, "que corta a árvore para obter o fruto". O aumento do rendimento deve ser

de estar a população disseminada por um vastíssimo território.

Em resumo, para se conservarem as

incontestáveis vantagens de produtivi dade e de eqüidade, contidas no siste ma tributário do Brasil, lurge se empre

enda a reorganização completa e geral do aparelho arrecadador e fiscalizador. simples c mais justo — com justeza es

do total do impôsto de ren da; mais da metade dos con

postos, no sistema brasileiro, deve ser

tribuintes desse impôsto re

mente, unia evasão fiscal, explicável não

tividade do impôsto;

— a evasão fiscal aumentará, mesmo

— enfim, o incentivo para a produção será grandemente afetado, pois, é cer to que as taxas do impôsto — particu larmente para as pessoas jurídicas — são muito elevadas.

E não é apenas o desenvolvimento

da produção que se entravará, mas também — conseqüência, aliás, rara

Sem dúvida, não nos devemos esque cer de que a regulamentação do impôs to permite a declaração englobada de

consumo.

lôda a renda, no caso de existirem fi

depois da última guerra, o Govêrno

liais disseminadas por vários Estados,

A se dever, pois, pedir mais ao impôs to de ronda, não se deve — nas presentes

crevia Afonso Arinos de Melo Franco (2)

apenas em função das pessoas físicas e Íurídica.s, mas provàvelmente em fun

dação foram recolhidos no Estado de

butiva e a matéria tributável, à vista

consumo.

de modo a ampliar-se a base do im pôsto. 4. O aumento da produtividade dos im

onde é menos freqüente; e, nestas con dições, prejudicar-se-á a própria produ

São Paulo e no Distrito Federal.

para se apreciar a capacidade ccntri-

em 1945, cerca de 10% dos

pessoas físicas.

buição da arrecadação do impôsto, veri fica-se que (1946) 71,6% dessa arreca

existirem ^dificuldades complementiues

só se podem conseguir aumentando o

nização fiscal, técnica e administrativa,

Aplicar-se-á, assim, cada vez menos, a regra da generalidade e da uniformida de do imposto;

ção também dos Estados. Se, com efeito, se considerar a distri

expandir o mercado interno, coisas que

será cada vez mais restrito:

tes do impôsto de renda. E' incrível que, em cerca de 46 milhões de habitan tes, não atinja o impôsto (1946) senão a 284.318 pessoas j'urídicas e 229.107 Existe, pois, evidente

No momento, a política econômica

buscado através de uma melhor orga

cebia rendimentos entre 12.000 a 30.000 cruzeiros.

existirem poucos contribuin

Não será inócuo insistir aqiü sôbre a imensidão do território brasileiro, imen

portará o pêso do imposto contribuintes pagavam 66%

400%), continua sendo -im

restringir o cün.sumo.

mente levada em conta — se reduzira o

Na Inglaterra, por exemplo,

lançou mão da el0A'ação das taxas e so-

"Reformá-lo, inodémizA-lo, tomá-lo mais

— é um trabalho hercúleo, não há dú

vida. Mas de tal traballio depende, em grande parte, o futuro de nosso povo". Uma vez levada a efeito essa reforma,

buscado i

a) através da reorganização do aparelho arrecadador e fiscalizador. Com isto apresenta-se o problema, particular quanto ao impôsto de renda, e geral quanto aos outros impostos, da reorganização do aparelho arrecadador

não sendo suficiente o aumento da pro dutividade que certamente possibilitará,

e fiscalizador do país. O essencial sôbre o assunto vem exposto no Relatório da Receita para 1947, apresentado ao Con

forma do aparelho arrecadador c fis

gresso.

Os quadros relativos à fiscalização não

sofreram

modificações

numéricas

então, e só então, convirá elevarem-se

as taxas de certos impostos ou talvez criarem-se novos.

Urgente e necessária é, pois, esta re calizador.

b) O aumento da produtividade depen de também de uma distribuição tributá ria melhor e mais flexível.

de da sua repercussão e da sua com

Indispensável será também tomar fle xível a distribuição dos impostos entre a União, os Estados e os Municípios. In sistimos sôbre esse ponto na primeira parte dêste estudo. Não é possível, dada

plexidade, maiores conhecimentos dos agentes do fisco, mais trabalho, e pos

(2) "Herança tributária", in "Digesto Eco

sivelmente

PaulO) janeiro 1949.

de bá quinze anos a esta parte, enquan to as receitas e os impostos aumentaram

consíderàvelmente, exigindo principal mente os impostos modernos, em virtu

estimativas

fiscais

não

nômico , Associação Comercial de São


DíciáSTO EcoNÓAnco

64

a velocidade atual da evolução econô

ato estritamente financeiro.

mica nacional e mundial, obter uma boa

derado o imposto, a Economia dirige as Finanças. Mas, à medida que, em vir tude do desenvolvimento das despesas públicas, os imposto.s se tornam mais pesados, chegando a exigir da renda

produtividade tributária com uma distri buição dos impostos fixada constitucionalmente.

Sendo mo

r

DíoESTct Econômico

ma clc impôsto. muito falada e sempre

65

presente, i.slo c, a dvsc(doriz<ição da moe

Aumentando n riqueza, cresce o rendi mento dos impostos. Ao contrário, sendo

da.

os impostos excessivos relativamente à si

Em período de inflação a moeda se toma uma cspccie de impôsto oculto: graçtís a ôslc imposto, o Estado reduz sua dívida pública, om capital e em juros. Os primeiros a pagá-la são os por

tuação económic-a. a produção diminui em virtude da sua repercussão sobre o

O Brasil está vivendo um período de rápidas transformações econóniicas. Quando se tem de transpor montanhas a passo de gigante, será pouco indicado vestirem-se pesadas e rígidas armaduras

são as Finanças que dirigem a EconO' mia. O orçamento não se reduz, pois,

de metal e sobrecarregarem-se os pés

renda nacional: influi sôbro as formas •

diante o aumento da sua dívida, são

tam, indo buscar alhures a renumoraçúo

com chumbo.

da produção e da distribuição. Modifica

por ele impicdosamente cMminados atra

que uma tributação excessiva não lhes

vés da inflação.

dá.

nacional adiantamentos de 25, 30 e 40%,

a uma simples antecipação da parte da

É, pois, de se desejar que a distribui

cada vez mais a estrutura da Economia

ção tributária consiga desembaraçar-se da sua armadura constitucional rígida,

e tende a dirigir a e\'ol'ação da conjun

a fim de revestir a forma flexível de

Aí está wne das conseqüâncias fun

uma lei ordinária.

Sem dúvida alguma a produtividade do imposto será com isso beneficiada, e assim também a eqüidade. Reorganização da administração fis

cal, flexibilidade da distribuição tribu

tadores de títulos da dívida pública. Ês-

ses "capitalistas" criados pelo Estado me

Convém, enfim, não perder de vista o

damentais da transformação quaiUitatioa

fato de ser parcial tôda análise de um sistema tributário que só .se referir ao es tado atual da sua organização, da sua pro

do sistema tributário moderno.

dutividade e das suas conseqüências.

tura.

E' um fato dc que nos jjoderemos re gozijar ou temos a lastimar, mas não po demos deixar de levar em consideração. Essa predominância do financeiro em

Um sistema tributário tem um passa

do. O que hoje é, resulta de uma longa evolução, no decurso da qual se assina lam a.s condições do meio, que não se

tária, são, pois, fatos que se impõem.

relação ao econômico implica necessà-

5. Conclusões.

riamente um conhecimento cada vez

podem transgredir; a psicologia da popu lação, suas reações profundas, no perpé

mais exato das possibilidades econômi

tuo volver das coisas.

cas da produtividade fiscal. Quer isto dizer que tôda medida fi

Dupont White in.sistia, com razão, sôbre a idéia de que, "tomar a humani dade em um ponto isolado de sua exis

Ao concluir, reavivemos certas idéias

gerais, algumas das quais já foram aci ma indicadas, idéias básicas na consecu

nanceira e fiscal deve ser precedida e

ção de unia boa produtividade e de uma melhor justiça do sistema tri

fazer-se acompanhar:

butário.

dicações que a ciência econômica moder

E para se compreenderem e resolve

na põe à disposição de quantos estão in

rem os problemas econômicos e financei

— Toda medida financeira tem repercuèsões decisivas sobre a Economia i

— do conhecimento preciso das in

custo de produção e, conseqüentemente, sôbre o consumo. A parle dos capitais disponíveis para novos investimentos di minui: os capitais estrangeiros, j>odcndo, se retraem, ou pelo menos não mais vol

A organização de um sistema fiscal é obra árdua e sem fim, que necessita ser sempre revista e melhorada. Tendo por base o que lhe legou o passado, precisa adaptar-se as condições presentes sem jamais perder de vista os interesses do futuro.

A circunstancia de ter de levar em

consideração o futuro — fato que se im põe à nação em virtude de ser esta pere ne — complica a obra fiscal e toma ain

da mais pesada a tarefa de quantos por ela são responsáveis. Exige-lhes dispo nham de conhecimentos, clarnldência e,

tência é condenar-se a jamais compre

muitas vêzes, façam também o sacrifício

endê-la".

de interèsses políticos imediatos, a fim

de assegurarem a prosperidade geral e permanente da nação.

cumbidos de prever a repercussão dos

ros do Brasil, tão complexos e diversos,

sempre presente o fato de que toda

impostos sôbre os preços; — de dados estatísticos exatos, com

obrigação imprescindível e imperiosa é

vista mais limitado. Era o que. Leon

esta de se tomar sempre em consideração

medida visando o aumento da produtivi

pletos e contínuos — particularmente de

Walras escrevia a seu amigo Georges Re-

dade ou a justiça do impôsto exerce

dados sobre os preços, sôbre a produção

a sua evolução. E mais uma vez insistamos sôbre uma

nard:

uma influência cada vez maior sôbre a

e a renda nacional ~ a fim de avaliar a

situação econômica.

riqueza do país e a sua distribuição,

idéia muito simples, que deve também prevalecer em tôda medida financeira re

estando também em condições de esti

lativa à tributação, a saber:

É, com

efeito, conveniente

ter-se

Quando as despesas públicas são nor mais, quando, por conseguinte, não exi

mar a parte desta riqueza que pode ser

A chave do aumento do rendimento

gem da renda nacional, por conta do im-' econòmicamente absorvida pelo impôsto; posto, senão um adiantamento discreto — do conhecimento objetivo da rea — nos Estados Unidos era apenas de 8%, lidade monetária, a fim de que, além do em 1913 — o orçamento não é senão um mais, não nos esqueçamos de uma for-

dos impostos não está atualmente na ele vação das. taxas dos impostos (medida administrativa), mas no aumento da ri

queza nacional (progresso econômico).

A obra fiscal exclui qualquer ponto de

Deve-se saber o que se faz. Se

se quiser colhêr dentro de pouco tem po, será o caso de se plantarem ce nouras e alface; se se ambicionar

plantar car\'alhos, deve-se ter sabe doria bastante para dizer: os nieus tataranetos a mim dei-erão essa som bra."


DíciáSTO EcoNÓAnco

64

a velocidade atual da evolução econô

ato estritamente financeiro.

mica nacional e mundial, obter uma boa

derado o imposto, a Economia dirige as Finanças. Mas, à medida que, em vir tude do desenvolvimento das despesas públicas, os imposto.s se tornam mais pesados, chegando a exigir da renda

produtividade tributária com uma distri buição dos impostos fixada constitucionalmente.

Sendo mo

r

DíoESTct Econômico

ma clc impôsto. muito falada e sempre

65

presente, i.slo c, a dvsc(doriz<ição da moe

Aumentando n riqueza, cresce o rendi mento dos impostos. Ao contrário, sendo

da.

os impostos excessivos relativamente à si

Em período de inflação a moeda se toma uma cspccie de impôsto oculto: graçtís a ôslc imposto, o Estado reduz sua dívida pública, om capital e em juros. Os primeiros a pagá-la são os por

tuação económic-a. a produção diminui em virtude da sua repercussão sobre o

O Brasil está vivendo um período de rápidas transformações econóniicas. Quando se tem de transpor montanhas a passo de gigante, será pouco indicado vestirem-se pesadas e rígidas armaduras

são as Finanças que dirigem a EconO' mia. O orçamento não se reduz, pois,

de metal e sobrecarregarem-se os pés

renda nacional: influi sôbro as formas •

diante o aumento da sua dívida, são

tam, indo buscar alhures a renumoraçúo

com chumbo.

da produção e da distribuição. Modifica

por ele impicdosamente cMminados atra

que uma tributação excessiva não lhes

vés da inflação.

dá.

nacional adiantamentos de 25, 30 e 40%,

a uma simples antecipação da parte da

É, pois, de se desejar que a distribui

cada vez mais a estrutura da Economia

ção tributária consiga desembaraçar-se da sua armadura constitucional rígida,

e tende a dirigir a e\'ol'ação da conjun

a fim de revestir a forma flexível de

Aí está wne das conseqüâncias fun

uma lei ordinária.

Sem dúvida alguma a produtividade do imposto será com isso beneficiada, e assim também a eqüidade. Reorganização da administração fis

cal, flexibilidade da distribuição tribu

tadores de títulos da dívida pública. Ês-

ses "capitalistas" criados pelo Estado me

Convém, enfim, não perder de vista o

damentais da transformação quaiUitatioa

fato de ser parcial tôda análise de um sistema tributário que só .se referir ao es tado atual da sua organização, da sua pro

do sistema tributário moderno.

dutividade e das suas conseqüências.

tura.

E' um fato dc que nos jjoderemos re gozijar ou temos a lastimar, mas não po demos deixar de levar em consideração. Essa predominância do financeiro em

Um sistema tributário tem um passa

do. O que hoje é, resulta de uma longa evolução, no decurso da qual se assina lam a.s condições do meio, que não se

tária, são, pois, fatos que se impõem.

relação ao econômico implica necessà-

5. Conclusões.

riamente um conhecimento cada vez

podem transgredir; a psicologia da popu lação, suas reações profundas, no perpé

mais exato das possibilidades econômi

tuo volver das coisas.

cas da produtividade fiscal. Quer isto dizer que tôda medida fi

Dupont White in.sistia, com razão, sôbre a idéia de que, "tomar a humani dade em um ponto isolado de sua exis

Ao concluir, reavivemos certas idéias

gerais, algumas das quais já foram aci ma indicadas, idéias básicas na consecu

nanceira e fiscal deve ser precedida e

ção de unia boa produtividade e de uma melhor justiça do sistema tri

fazer-se acompanhar:

butário.

dicações que a ciência econômica moder

E para se compreenderem e resolve

na põe à disposição de quantos estão in

rem os problemas econômicos e financei

— Toda medida financeira tem repercuèsões decisivas sobre a Economia i

— do conhecimento preciso das in

custo de produção e, conseqüentemente, sôbre o consumo. A parle dos capitais disponíveis para novos investimentos di minui: os capitais estrangeiros, j>odcndo, se retraem, ou pelo menos não mais vol

A organização de um sistema fiscal é obra árdua e sem fim, que necessita ser sempre revista e melhorada. Tendo por base o que lhe legou o passado, precisa adaptar-se as condições presentes sem jamais perder de vista os interesses do futuro.

A circunstancia de ter de levar em

consideração o futuro — fato que se im põe à nação em virtude de ser esta pere ne — complica a obra fiscal e toma ain

da mais pesada a tarefa de quantos por ela são responsáveis. Exige-lhes dispo nham de conhecimentos, clarnldência e,

tência é condenar-se a jamais compre

muitas vêzes, façam também o sacrifício

endê-la".

de interèsses políticos imediatos, a fim

de assegurarem a prosperidade geral e permanente da nação.

cumbidos de prever a repercussão dos

ros do Brasil, tão complexos e diversos,

sempre presente o fato de que toda

impostos sôbre os preços; — de dados estatísticos exatos, com

obrigação imprescindível e imperiosa é

vista mais limitado. Era o que. Leon

esta de se tomar sempre em consideração

medida visando o aumento da produtivi

pletos e contínuos — particularmente de

Walras escrevia a seu amigo Georges Re-

dade ou a justiça do impôsto exerce

dados sobre os preços, sôbre a produção

a sua evolução. E mais uma vez insistamos sôbre uma

nard:

uma influência cada vez maior sôbre a

e a renda nacional ~ a fim de avaliar a

situação econômica.

riqueza do país e a sua distribuição,

idéia muito simples, que deve também prevalecer em tôda medida financeira re

estando também em condições de esti

lativa à tributação, a saber:

É, com

efeito, conveniente

ter-se

Quando as despesas públicas são nor mais, quando, por conseguinte, não exi

mar a parte desta riqueza que pode ser

A chave do aumento do rendimento

gem da renda nacional, por conta do im-' econòmicamente absorvida pelo impôsto; posto, senão um adiantamento discreto — do conhecimento objetivo da rea — nos Estados Unidos era apenas de 8%, lidade monetária, a fim de que, além do em 1913 — o orçamento não é senão um mais, não nos esqueçamos de uma for-

dos impostos não está atualmente na ele vação das. taxas dos impostos (medida administrativa), mas no aumento da ri

queza nacional (progresso econômico).

A obra fiscal exclui qualquer ponto de

Deve-se saber o que se faz. Se

se quiser colhêr dentro de pouco tem po, será o caso de se plantarem ce nouras e alface; se se ambicionar

plantar car\'alhos, deve-se ter sabe doria bastante para dizer: os nieus tataranetos a mim dei-erão essa som bra."


i\ *

I>ioESTo Econômico

I^CCDUTOX CI^AXILCII^eX N© MECCA©3 INTEENA.CICNAL

67

entrado, enquanto os demais países pro dutores, em conjunto, entregaram a outra metade.

Daí verifíea-se <pie, do ponto de vista

1 - O caf4'

nacional, o estudo dos preços do café apresenta o enorme interesse de saber

DoniVAL Teixeuia Vieika

mos quais as base.s estruturais de nossa ANÁLISE da posição dos nossos

principais produtos de expor

Apresentdfnos o 1." ar/igo de uma série

tação nos mercados internacio nais toma-se, hoje, mais do que nunca, necessidade impe-

em que o autor aualisarà a posição dos principais produtos do exportação do

■ riosa. Com razão, afirmou o Presidente Dutra, em sua men

sagem à Assembléia, apresentando o

disso, o plantio do cafèzal exige i

Comecemos, pois, nossa análise, falan

acerto comercial — localizando bem os

sua fonnação e o período de pro dução medeiam cinco longos anos, nos quais o capital é empregado

muito antes de qualquer resultado

do do tipo de oferta e procura do café.

Plano SALTE: "Se o Brasil agir com

bem da necessidade da terni roxa e do "bafo do sertão", como elementos indis pensáveis à produção de bom café. .áiétn grande área de terra, e entre a

feeiro internacional.

das nossas possibilidades comerciais.

dução da rubiácea. O cafeicultores sa

ção do produto pelos eonsuinidores tunidade de .s;ibermos até que ponto influímos no mercado ea-

do estabelecer twi critério de avaliação

ngidez. Nao é qualquer lema. nem qualquer clima, que se prestam à pro

economia c, em relação à absor

eventuais, oferece, também, a opor

Brasil no mercado iníeruacionat, visan

na emprêsa cafeeira são dc acentuada

positivo.

Não é possível, portanto, aumentar ou

A oferta é inchustica, quer dizer, a re

diminuir com rapidez a produção ca

lação entre seus preços e as respectivas

feeira, em função das altas ou baixas

quantidades é mais que proporcional, cresctndo o volume da quantidade ofe recida menos que o crescer dos preços.

de preços, corao também não será eco nomicamente ÚU! ao produtor, de uma hora para outra, eliminar parte do ca

mundo e salvaguardando seus interêsses

tància, no conjunto do comércio exterior, produto que chega a representar um terço da e.xportação total do país. é, sem dúvida alguma, o que maior quan

Ocorre tal fato, seja na produção de

fèzal para dedicar-se a outro tipo de

em convênios comerciais — se o Brasil

tidade de cambiais fornece, o maior va

bens perecívei.s — que não resistem, por

cultura, moinentàneamente mais remu-

lor positivo de nossa balança comercial, sendo, portanto, o responsável por boa parte das importações essenciais à so brevivência do Brasil; e note-se que de pendemos, enormemente, da importação

longo tempo, ao pêso dos estoques — e principalmente aqueles cuja produção não. pode ser aumentada ou diminuída

Alem disso, embora seja um produto

mercados estrangeiros que pode suprir, elegendo um critério preferencial para determinadas zonas consumidoras

do

assim proceder, a capacidade de ex portação há de gerar o aperfeiçoamento

da produção, porque as iniciativas par ticulares tudo farão para atender às encomendas".

Para a elaboração de um programa acertado, de orientação das exportações, necessário se torna analisar a posição dos principais produtos de nosso mer cado externo: entre ê!es, sobressaem o

café e o algodão.

Desnecessário seria dizer da impor tância do café; todos sabem que êsse

zenamento, h espera de dias melhores,

do, o Brasil se apresenta como o princi

porque a espera representa um aumen

cesso do produto, resultante do ajusta

pal fornecedor da rubiácea.

to de custo mais que proporcional ao

de produtos essenciais, tais como rnaquinaria, veículos em geral, lubrificantes e

combustíveis, e até mesmo produtos de alimentação, salientando-sc o trigo. Convém ainda lembrar que, no mun Nos anos

grande espaço, sendo por isso bastante dispendiosa. Econòmicamente falando, não é possível pensar em pro\-ocar uma

escassez artificial, pela destruição do ex mento de uma oferta conveniente a um

tir de 1930, a importância do consumo

o produzido, e o fará com tanto maior

se está destruindo o traballio do agri

de café do Brasil diminuiu bastante, mas, apesar de tudo, representa ainda, apro

facilidade

aproximadamente 70% de todo café con

sumido no mundo era brasileiro. A par

to das exportações brasileiras.' Chegou

pela depreciação do produto, seja pelo e

tanto

maior

entusiasmo,

sado representou, em média, 41,57%.

nos Estados Unidos vieram confirmar

quanto mais depressa se verifique certa melhoria nos níveis de preço, pór não saber até onde a alta irá, e se a eleva ção compensará o risco de um prejuízo provável.

Apesar da queda sensível da sua impor-

que o Brasil vem fornecer'^ > 50% do café

Os fatores de produção que entram

1930, ainda representava,"em 1936, 45%

ximadamente, a metade do consumo mundial. As últimas informações sôbre

da exportação brasileira.

o movimento de entradas desse produto

No ano pas

siderável do preço dc custo, visto exigir

empate de capital — procura vender logo

produto, na economia brasileira, é a sua

êle a representar 76% de nossa exporta

sua estocagem pro\'Oca ura aumento con

determinado preço, porque, quando se destrói o estoque, como se fèz no Brasil, principalmente depois dc 1930, com isso

lucro que talvez tenha com a alta, seja

que precederam a guerra de 1914-18,

1

i

S(

que suporta por longo tempo o arma

ràpidamenlc, porque seus fatores de produção não podem fàcilmente desviarse de um para outro setor de atividade, visto serem rígidos. O produtor, diante de um determinado volume de produção, sabendo que não pode esperar, por lon go tempo, preços mais favoráveis —

atividade condutora. A exportação de café representa o maior fator no conjun ção em 1924; depois da crise cafeeira de

nerador.

j

cultor, com a produção e a colheita, e as

riquezas minerais e orgânicas da terra, contidas nas sementes, e que precisam

ser repostas, a menos que se queira o esgotamento do so'o. •

Em conseqüência dessa inelasticidade temos uma dificuldade de ajustamen-


i\ *

I>ioESTo Econômico

I^CCDUTOX CI^AXILCII^eX N© MECCA©3 INTEENA.CICNAL

67

entrado, enquanto os demais países pro dutores, em conjunto, entregaram a outra metade.

Daí verifíea-se <pie, do ponto de vista

1 - O caf4'

nacional, o estudo dos preços do café apresenta o enorme interesse de saber

DoniVAL Teixeuia Vieika

mos quais as base.s estruturais de nossa ANÁLISE da posição dos nossos

principais produtos de expor

Apresentdfnos o 1." ar/igo de uma série

tação nos mercados internacio nais toma-se, hoje, mais do que nunca, necessidade impe-

em que o autor aualisarà a posição dos principais produtos do exportação do

■ riosa. Com razão, afirmou o Presidente Dutra, em sua men

sagem à Assembléia, apresentando o

disso, o plantio do cafèzal exige i

Comecemos, pois, nossa análise, falan

acerto comercial — localizando bem os

sua fonnação e o período de pro dução medeiam cinco longos anos, nos quais o capital é empregado

muito antes de qualquer resultado

do do tipo de oferta e procura do café.

Plano SALTE: "Se o Brasil agir com

bem da necessidade da terni roxa e do "bafo do sertão", como elementos indis pensáveis à produção de bom café. .áiétn grande área de terra, e entre a

feeiro internacional.

das nossas possibilidades comerciais.

dução da rubiácea. O cafeicultores sa

ção do produto pelos eonsuinidores tunidade de .s;ibermos até que ponto influímos no mercado ea-

do estabelecer twi critério de avaliação

ngidez. Nao é qualquer lema. nem qualquer clima, que se prestam à pro

economia c, em relação à absor

eventuais, oferece, também, a opor

Brasil no mercado iníeruacionat, visan

na emprêsa cafeeira são dc acentuada

positivo.

Não é possível, portanto, aumentar ou

A oferta é inchustica, quer dizer, a re

diminuir com rapidez a produção ca

lação entre seus preços e as respectivas

feeira, em função das altas ou baixas

quantidades é mais que proporcional, cresctndo o volume da quantidade ofe recida menos que o crescer dos preços.

de preços, corao também não será eco nomicamente ÚU! ao produtor, de uma hora para outra, eliminar parte do ca

mundo e salvaguardando seus interêsses

tància, no conjunto do comércio exterior, produto que chega a representar um terço da e.xportação total do país. é, sem dúvida alguma, o que maior quan

Ocorre tal fato, seja na produção de

fèzal para dedicar-se a outro tipo de

em convênios comerciais — se o Brasil

tidade de cambiais fornece, o maior va

bens perecívei.s — que não resistem, por

cultura, moinentàneamente mais remu-

lor positivo de nossa balança comercial, sendo, portanto, o responsável por boa parte das importações essenciais à so brevivência do Brasil; e note-se que de pendemos, enormemente, da importação

longo tempo, ao pêso dos estoques — e principalmente aqueles cuja produção não. pode ser aumentada ou diminuída

Alem disso, embora seja um produto

mercados estrangeiros que pode suprir, elegendo um critério preferencial para determinadas zonas consumidoras

do

assim proceder, a capacidade de ex portação há de gerar o aperfeiçoamento

da produção, porque as iniciativas par ticulares tudo farão para atender às encomendas".

Para a elaboração de um programa acertado, de orientação das exportações, necessário se torna analisar a posição dos principais produtos de nosso mer cado externo: entre ê!es, sobressaem o

café e o algodão.

Desnecessário seria dizer da impor tância do café; todos sabem que êsse

zenamento, h espera de dias melhores,

do, o Brasil se apresenta como o princi

porque a espera representa um aumen

cesso do produto, resultante do ajusta

pal fornecedor da rubiácea.

to de custo mais que proporcional ao

de produtos essenciais, tais como rnaquinaria, veículos em geral, lubrificantes e

combustíveis, e até mesmo produtos de alimentação, salientando-sc o trigo. Convém ainda lembrar que, no mun Nos anos

grande espaço, sendo por isso bastante dispendiosa. Econòmicamente falando, não é possível pensar em pro\-ocar uma

escassez artificial, pela destruição do ex mento de uma oferta conveniente a um

tir de 1930, a importância do consumo

o produzido, e o fará com tanto maior

se está destruindo o traballio do agri

de café do Brasil diminuiu bastante, mas, apesar de tudo, representa ainda, apro

facilidade

aproximadamente 70% de todo café con

sumido no mundo era brasileiro. A par

to das exportações brasileiras.' Chegou

pela depreciação do produto, seja pelo e

tanto

maior

entusiasmo,

sado representou, em média, 41,57%.

nos Estados Unidos vieram confirmar

quanto mais depressa se verifique certa melhoria nos níveis de preço, pór não saber até onde a alta irá, e se a eleva ção compensará o risco de um prejuízo provável.

Apesar da queda sensível da sua impor-

que o Brasil vem fornecer'^ > 50% do café

Os fatores de produção que entram

1930, ainda representava,"em 1936, 45%

ximadamente, a metade do consumo mundial. As últimas informações sôbre

da exportação brasileira.

o movimento de entradas desse produto

No ano pas

siderável do preço dc custo, visto exigir

empate de capital — procura vender logo

produto, na economia brasileira, é a sua

êle a representar 76% de nossa exporta

sua estocagem pro\'Oca ura aumento con

determinado preço, porque, quando se destrói o estoque, como se fèz no Brasil, principalmente depois dc 1930, com isso

lucro que talvez tenha com a alta, seja

que precederam a guerra de 1914-18,

1

i

S(

que suporta por longo tempo o arma

ràpidamenlc, porque seus fatores de produção não podem fàcilmente desviarse de um para outro setor de atividade, visto serem rígidos. O produtor, diante de um determinado volume de produção, sabendo que não pode esperar, por lon go tempo, preços mais favoráveis —

atividade condutora. A exportação de café representa o maior fator no conjun ção em 1924; depois da crise cafeeira de

nerador.

j

cultor, com a produção e a colheita, e as

riquezas minerais e orgânicas da terra, contidas nas sementes, e que precisam

ser repostas, a menos que se queira o esgotamento do so'o. •

Em conseqüência dessa inelasticidade temos uma dificuldade de ajustamen-


:r^:F ■ Dtgesto Econômico

68

to das quantidades às flutuações de pre ço, o que obriga o produtor a vender depressa, principalmente quando os pre ços começam a esboçar um movimento

de queda. Isso eqüivale a dizer que o cafeicullor se encontra na posição de menor resistência, no mecanismo das trocas.

Tal verdade se apresenta tanto mais nítida quanto a procura de café, princi palmente no e.xterior, em média ou lon ga duração, é de tipo extra-elástico. Isso significa que a variação de quanti

sentam um grande consumo de café

"per notar

capita" — no

conforme se

intere.ssante

trabalho

pode ela

tica, em relação ao preço, a procura co

Estados apresentam um fraco índice de con.sumo. Verifica-se que csse índice de cai tanto mais rapidamente quanto mais

produto, antes da torração, é extrema mente responsivo às mudanças de preço.

caminhamos dos Estados cconòmicamen-

Verificamos, assim, que paru nós,

geral do custo de vida, quando vemos os preços das utilidades crescerem mais

que o nosso rendimento disponível, sen

do preciso sacrificar alguns bens da escala de nossas preferências, por não mais podermos comprimir o consumo dos demais, diminuímos sensivelmente o vo

E pode observar, embora o

cória, na falsificação do café, amiieutou com o crescer do prcçx). Tomemos, por

exemplo, apenas alguns países: Inglater ra França e Alemanha; o café brasilei ro, com o termino da Primeira Grande Guerra, havia dobrado de preço, em

média, de I9I8 para 1919. Com essa

grandes fornecedores do comércio in ternacional dc café não torrado, encon

tes da guerra entra\"a com 40% na mis

exemplo, esse consumo, em média, é in

tramos uma procura cxtra-elástica, tanto em curta como cm média e longa du

tura do café, passou a S0%; na França, de 50% a 75%, e na Inglaterra de 40% a

ração.

60%.

de 400 gramas e no Piauí a'cança tão somente 1.600 gramas, por habitante. A desproporção entre essas cifras e as do consumo do Distrito Federal e São Paulo, respectivamente 15.200 e 12.600 gramas, estão a nos indicar que naque

gem o supérfluo. No caso de elevação

mistura.

período tomado não seja dos mais sig nificativos, que a composição da chi

volvidos'; nos Estados nordestinos, pbr

queda sensível da procura; pertencem a esse tipo os bens que ocupam os iiltimos lugares na escala de preferências, atendendo a desejos que, dentro da

dendo a necessidades que quase atin

mercial do café cru não o é"; desse modo, o movimento internacional do

69

tc mais prósperos paru os menos desen

ferior a dois quilos "per capita"; chega no território de Ponta Porá a ser apenas

considerados os menos intensos, aten

entretanto, a procura comercial, e neste caso, "enquanto ;i procura do consumi dor para o café torrado é ra/.oàvclmcnte estável e comparativamente inelás-

borado pelo Sr. José dc Queiroz Telles, publicado pela "Folha da Manhã" de 9 dc junho último — todos os demais

dade é mais que proporcional à de pre ços; uma ligeira alta provocará uma

constelação de hábitos do indivíduo, são

Dicesto Econômico

les Estados, onde os rendimentos dispo níveis são fracos, o café ocupa os úl timos lugares na escala de preferências do consumidor.

O Instituto de Pesqui.sas Alimentares da Universidade de Stanford, na Cali fórnia, realizou jjm inquérito sôbre eco nomia cafeeira internacional, magistral mente ressaltado por Wickízer (1). Êsse inquérito, analisando a procura c o con

Tal ob.servação significa que os nossos consumidores estão cm condições de nos

ditar, até certo ponto, os preços de com

alta, na .\'enianha, a chicória, que an

Na América do Sul, nos centros con

sumidores de café, invcntou-sc uma nova

forma de adulteração, mais insidiosa ain

pra, pois, SC oferccerruos o produto a

da do que a mistura de chicória; a ca-

preço.s demasiadamente elevados, a con

ramelização. É sabido que o café

tração da procura far-se-á violentamen

uma vez torrado, perde dc 12% a 20% do peso, conforme a qualidade, de sorte

te, provocando uma paralisação do mer cado, que trará, como conseqüência, a acumulação de estoques, provocadora de uma crise cujo resultado será a bai.xa violenta dos preços. Não só os no.ssos consumidores pode rão retrair-se, diminuindo a procura, co

mo ainda o preço elevado do café per

que uma saca de 60 quilos, depois de torrada, passa a pesar 48 a 50 quilos. Os tòrradores lalino-americanos resol-

\'eram o problema da quebra de um modo muito simples; assim que o cafe, ainda quente, sai do forno, passa por um tabuleiro de açúcar e, ressecado

subirem ainda mais, poderemos, sem grande sacrifício, chegar até a uma eli

sumo do café, chegou a observações que

coólicas, que substituirão o café,

como está, absorN-e o açúcar derretido e o grão enfarta-se e se toma mais brilhante, adquirindo um aspecto

para nós são do mais alto interêsse.

minação, deixando de procurá-los no

Assim, constatou-se que, "sendo o fato

no consumo diário, sejam as falsi ficações, que apresentam maior

o pêso e pode mesmo ultrapassá-

lume daqueles bens; e, se seus preços

mercado.

de tomar café geralmente um hábito, é

mitirá a introdução dc sucedâneos, seja

o chá, o cacau ou as bebidas al

dano porque se introduzem sorra

mais atraente. Recupera, assirii,

lo. Para que a absorção desse

Essa afirmação, à primeira vista, pode

comum observar-se que mudanças mo

rá chocar aos que observem o consumo do café, principalmente nós, paulistas,

teiramente, encobertas pelo nome

deradas no preço provocam fracas res

do produto legítimo.

postas no consumo", mas, "esta é uma

É conhecido o uso generalizado da

grande verdade para a procura de um consumidor especialmente em períodos curtos de tempo, porque hábitos não mudam fàcilmente"; interessa-nos mais,

mistura de café com chicória torrada,

curo. Distinguem os dois tipos clw-

em todos os países da Europa. Isa'tino Costa, em 1922, realizando um inquérito na Europa, teve a oportunidade de obser

puro "torrado"; O café caramclizado,

habituados a consumir sistemática e ma

ciçamente o produto; usamo-lo tanto,

que se nos afigura produto de primeira necessidade. Convém no entanto notar, a esse respeito, que, com exceção do

Distrito Federal, Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, os quais apre

var que as misturas de café e cliicória (1) — Wicklzer, V. S. — The World Coffee Economy — Califórnia, 1943.

„.r. ■

variavam, conforme os países, entie 30% e até 90% de chicória para 100% de

açúcar se faça mais intensamente, aumentam o tempo de torração,

o que traz em resultado café mais es mando ao carameHzado "tostado" e, ao dando um lucro muito maior ao reven

dedor, perde grande parte de suas qua lidades, mas apresenta, para o consumi

dor, uma vantagem: dá uma bebcragem


:r^:F ■ Dtgesto Econômico

68

to das quantidades às flutuações de pre ço, o que obriga o produtor a vender depressa, principalmente quando os pre ços começam a esboçar um movimento

de queda. Isso eqüivale a dizer que o cafeicullor se encontra na posição de menor resistência, no mecanismo das trocas.

Tal verdade se apresenta tanto mais nítida quanto a procura de café, princi palmente no e.xterior, em média ou lon ga duração, é de tipo extra-elástico. Isso significa que a variação de quanti

sentam um grande consumo de café

"per notar

capita" — no

conforme se

intere.ssante

trabalho

pode ela

tica, em relação ao preço, a procura co

Estados apresentam um fraco índice de con.sumo. Verifica-se que csse índice de cai tanto mais rapidamente quanto mais

produto, antes da torração, é extrema mente responsivo às mudanças de preço.

caminhamos dos Estados cconòmicamen-

Verificamos, assim, que paru nós,

geral do custo de vida, quando vemos os preços das utilidades crescerem mais

que o nosso rendimento disponível, sen

do preciso sacrificar alguns bens da escala de nossas preferências, por não mais podermos comprimir o consumo dos demais, diminuímos sensivelmente o vo

E pode observar, embora o

cória, na falsificação do café, amiieutou com o crescer do prcçx). Tomemos, por

exemplo, apenas alguns países: Inglater ra França e Alemanha; o café brasilei ro, com o termino da Primeira Grande Guerra, havia dobrado de preço, em

média, de I9I8 para 1919. Com essa

grandes fornecedores do comércio in ternacional dc café não torrado, encon

tes da guerra entra\"a com 40% na mis

exemplo, esse consumo, em média, é in

tramos uma procura cxtra-elástica, tanto em curta como cm média e longa du

tura do café, passou a S0%; na França, de 50% a 75%, e na Inglaterra de 40% a

ração.

60%.

de 400 gramas e no Piauí a'cança tão somente 1.600 gramas, por habitante. A desproporção entre essas cifras e as do consumo do Distrito Federal e São Paulo, respectivamente 15.200 e 12.600 gramas, estão a nos indicar que naque

gem o supérfluo. No caso de elevação

mistura.

período tomado não seja dos mais sig nificativos, que a composição da chi

volvidos'; nos Estados nordestinos, pbr

queda sensível da procura; pertencem a esse tipo os bens que ocupam os iiltimos lugares na escala de preferências, atendendo a desejos que, dentro da

dendo a necessidades que quase atin

mercial do café cru não o é"; desse modo, o movimento internacional do

69

tc mais prósperos paru os menos desen

ferior a dois quilos "per capita"; chega no território de Ponta Porá a ser apenas

considerados os menos intensos, aten

entretanto, a procura comercial, e neste caso, "enquanto ;i procura do consumi dor para o café torrado é ra/.oàvclmcnte estável e comparativamente inelás-

borado pelo Sr. José dc Queiroz Telles, publicado pela "Folha da Manhã" de 9 dc junho último — todos os demais

dade é mais que proporcional à de pre ços; uma ligeira alta provocará uma

constelação de hábitos do indivíduo, são

Dicesto Econômico

les Estados, onde os rendimentos dispo níveis são fracos, o café ocupa os úl timos lugares na escala de preferências do consumidor.

O Instituto de Pesqui.sas Alimentares da Universidade de Stanford, na Cali fórnia, realizou jjm inquérito sôbre eco nomia cafeeira internacional, magistral mente ressaltado por Wickízer (1). Êsse inquérito, analisando a procura c o con

Tal ob.servação significa que os nossos consumidores estão cm condições de nos

ditar, até certo ponto, os preços de com

alta, na .\'enianha, a chicória, que an

Na América do Sul, nos centros con

sumidores de café, invcntou-sc uma nova

forma de adulteração, mais insidiosa ain

pra, pois, SC oferccerruos o produto a

da do que a mistura de chicória; a ca-

preço.s demasiadamente elevados, a con

ramelização. É sabido que o café

tração da procura far-se-á violentamen

uma vez torrado, perde dc 12% a 20% do peso, conforme a qualidade, de sorte

te, provocando uma paralisação do mer cado, que trará, como conseqüência, a acumulação de estoques, provocadora de uma crise cujo resultado será a bai.xa violenta dos preços. Não só os no.ssos consumidores pode rão retrair-se, diminuindo a procura, co

mo ainda o preço elevado do café per

que uma saca de 60 quilos, depois de torrada, passa a pesar 48 a 50 quilos. Os tòrradores lalino-americanos resol-

\'eram o problema da quebra de um modo muito simples; assim que o cafe, ainda quente, sai do forno, passa por um tabuleiro de açúcar e, ressecado

subirem ainda mais, poderemos, sem grande sacrifício, chegar até a uma eli

sumo do café, chegou a observações que

coólicas, que substituirão o café,

como está, absorN-e o açúcar derretido e o grão enfarta-se e se toma mais brilhante, adquirindo um aspecto

para nós são do mais alto interêsse.

minação, deixando de procurá-los no

Assim, constatou-se que, "sendo o fato

no consumo diário, sejam as falsi ficações, que apresentam maior

o pêso e pode mesmo ultrapassá-

lume daqueles bens; e, se seus preços

mercado.

de tomar café geralmente um hábito, é

mitirá a introdução dc sucedâneos, seja

o chá, o cacau ou as bebidas al

dano porque se introduzem sorra

mais atraente. Recupera, assirii,

lo. Para que a absorção desse

Essa afirmação, à primeira vista, pode

comum observar-se que mudanças mo

rá chocar aos que observem o consumo do café, principalmente nós, paulistas,

teiramente, encobertas pelo nome

deradas no preço provocam fracas res

do produto legítimo.

postas no consumo", mas, "esta é uma

É conhecido o uso generalizado da

grande verdade para a procura de um consumidor especialmente em períodos curtos de tempo, porque hábitos não mudam fàcilmente"; interessa-nos mais,

mistura de café com chicória torrada,

curo. Distinguem os dois tipos clw-

em todos os países da Europa. Isa'tino Costa, em 1922, realizando um inquérito na Europa, teve a oportunidade de obser

puro "torrado"; O café caramclizado,

habituados a consumir sistemática e ma

ciçamente o produto; usamo-lo tanto,

que se nos afigura produto de primeira necessidade. Convém no entanto notar, a esse respeito, que, com exceção do

Distrito Federal, Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, os quais apre

var que as misturas de café e cliicória (1) — Wicklzer, V. S. — The World Coffee Economy — Califórnia, 1943.

„.r. ■

variavam, conforme os países, entie 30% e até 90% de chicória para 100% de

açúcar se faça mais intensamente, aumentam o tempo de torração,

o que traz em resultado café mais es mando ao carameHzado "tostado" e, ao dando um lucro muito maior ao reven

dedor, perde grande parte de suas qua lidades, mas apresenta, para o consumi

dor, uma vantagem: dá uma bebcragem


70

Dici^to Econóahco

DicF-SKi Econômico

Por outro lado, na procura, o fator psico'ógico age poderosamente, uma ver.

escura, chegando, por vêzes, a tingir a

diário, de.sde que se imponha um rea-

que esta seja apenas do 12%, a saca de

xícara, com uma quantidade de pó

justamento do orçamento individual ou

café torrado passava a custar Cr$ 417,00

muito menor.

famihar.

para o torrador.

ainda as despesas de empacotamento,

consumidoras dotadas dc poder aqui

que oscilam entre Cr$ 26,10 c Cr$ 120,50 por saca fracionada, teremos o preço

sitivo mais fraco, por ser café de baixa

cas aproximadamente. O sucedâneo re

É por isso que muito se tem gritado no Brasil cni favor da melhoria du qua lidade do café, e convém dizer que o Instituto Agronômico de Campinas muito tem feito no sentido de permitir o cul tivo mais racional, capaz de fornecer

presenta, pois, de 79% a 88% da impor

melhor produto.

do último revendedor tonia-se bem mo

tação mundial de café, e mesmo que se

Mas a gravidade do fato não pára ai. Verificou-se mais que, enquanto entre

desto.

1909 c 1913, em média, os Estados Uni dos consumiam 39% do café do mundo

fender o varejista norte-americano ou

e a Euriipa 55%, a partir de 1943 os Es tados Unidos passaram a absorver 90% das importaçõe.s mundiais de café. Isto

trar é que qualquer elevação de preço, na fonte produtora, bom como qualquer redução, repercute fortemente no preço

Não se conhece com exatidão a quanto monta o consumo desses sucedâneos, mas

calcula-se que não seja inferior a 18 ou 20 milhões de sacas, para uma impor tação mundial de café de 22.693.000 sa

suponha essa estimativa muito elevada,

não resta a menor dúvida de que a .sua importância é enorme.

Já dissemos que o café do Brasil che gou a representar 70% de todo o café

consumido no mundo, até 1914, e que, depois, aos poucos, foi perdendo sua significa que o café brasileiro, que se posição, representando hoje. aproxima damente, 50% do volume do consumo. Resta-nos acrescentar que, nos Estados

Unido.s, um bom café é representado por uma mistura de 15% a 40% de "mild"

e o restante de café brasileiro bom; mas

destina ao exterior, é entregue a um único pais consumidor; e não é apenas

o Brasil o único vendedor, tendo que entrar em concorrência coin os demais

produtores. Há, portanto, uma situação de monopsônio típico — vários vendedo res para um único comprador. E, nesse caso, os atacadistas norte-americanos,

o café reputado de alta qualidade, que se dirige a paladares mais exigentes e, portanto, a freguesia que paga melhor' não deve conter café do Brasil e .sim considerados em conjunto, podem impor apenas "mild", enquanto os cafés de

baixo preço, que se destinam à popula ção menos favorecida, consistem intei ramente de produto brasileiro.

O Brasil coloca-se, assim, numa posi ção desfavorável, porque ou fornece café

para mistura ou, então, o seu café, quan do puro, dirige-se à massa de consumi

dores para quem o café representa um produto de semi-luxo, artigo de sobre

mesa, facilmente dispensáve\

O que

ocorre, pois, é que quando os preços dêsse café aumentam sensivelmente, co

seus preços, não aceitando os por nós

apresentados.

Tomando-se por base o preço conge

Mas, considerando-se

do custo variável entre Cr$ 443,00 e

qualidade; as altas de pre^-o, quando muito fortes, eliminam boa parte desses

Cr$ 537,50.

Acrescentem-se ainda os

consumidores, e as prcfeiénei.as indiri-

impostos e veremos que o lucro líquido

duais se alteram. Mesmo no caso das camadas consumidoras dotadas de maio res recursos, essas elevações constantes

Não é nossa, porém, a intenção de de outro qualquer. O que queremos mos

de mercado o eleva, sensivelmente, o

preço do varejo, o que representa elimi nação de parte do volume da procura. E cumpre aqui salientar a importân cia dos fatores psicológicos na ofer^ e procura do café. Poderemos ter desejo de não vender, á espera de preço melhor, mas sabemos que, pelo menos por parte do fazendeiro — que não dispõe de crédito e já tem sua produção com prometida por adiantamen

lado até 1945, o varejista norte-ameri

tos recebidos — tal desejo é

cano conseguia colocar sua saca a Cr$

muito remoto e pouco du

558,00, havendo portanto um lucro apa rentemente enorme, porque vendíamos

primeiros a ser cortados no consumo

do volume na torração e admitindo-se

cado do café cru' elevava-se, pois, a Cr$ 337,00; acrescentando-se a redução

ponto temos perdido terreno no consu mo, e as observações a que chegou sáo de que tem hax-ido uma alteração progressi\'a no consumo do café, dexida, provavelmente, a mudanças de gòsto e hábitos dos

consumidores,

aliadas a planos de controle governamental

e

medidas

restritivas de política comer

cial que, no tempo, se lém traduzido por'úma perda de posição de nosso café, eio favor de nossos concorrentes,

tanto mais grave por ser tempo.

chegam sempre tarde para o produtor agrícola, beneficiando apenas aqueles que retêm em mãos os estoques." Mas,

zenamento Cr$ 13,50; o custo de mer

cias, com o fito de examinar até que

dade que é sabido que os

ticamente 100%.

locando-se o produto nos últimos de graus da escala de preferências dessa classe de consumidores, é êle um dos

avaliar a intensidade da substituivão do

café do Brasil pelo de outras procedên

radouro; e tanto isto é ver

financiamentos à produção,

Mas, convém lembrar

do preços do nosso café tèin permitido a preferência continua e crescente para os "mllds". Jorge Kingston procurou

lenta e, por isso, pouco perceptí\'el, em curto espaço de

nossa saca a Cr$ 280,00, deixando, por tanto, uma diferença de Ci$ 278,00, pràque o café pagava de frete transoceânico Cr$ 29,00 por saca, os seguros eleva vam-se a Cr$ 14,50, as despesas de re moção de carga, transporte e arma

quü o café do BrasiL se dirige a massas

retardados como têm sido no Brasil,

mesmo que desejemos reter o estoque,

para obter melhores preços, essa reten

ção será pequena, de curta duração, por sabermos quanto êle pesa, quanto se avo

luma o custo, pois, pelo menos, se lhe acrescenta o preço de armazenamento.

Tais observações são muito

sérias, sobretudo se considerarmos que o café é um dos principais alicerces de

nossa economia. É fácil compreender que, tendo uma oferta inelústica, ao lado de uma procura exlra-eliística, 0

sendo fortemente influenciável pelos fa tores psicológicos, seus preços tendem a níveis mais baixos que os de produtos

cuja oferta e procura obedecem a outros tipos. E, além disso, produtos como o


70

Dici^to Econóahco

DicF-SKi Econômico

Por outro lado, na procura, o fator psico'ógico age poderosamente, uma ver.

escura, chegando, por vêzes, a tingir a

diário, de.sde que se imponha um rea-

que esta seja apenas do 12%, a saca de

xícara, com uma quantidade de pó

justamento do orçamento individual ou

café torrado passava a custar Cr$ 417,00

muito menor.

famihar.

para o torrador.

ainda as despesas de empacotamento,

consumidoras dotadas dc poder aqui

que oscilam entre Cr$ 26,10 c Cr$ 120,50 por saca fracionada, teremos o preço

sitivo mais fraco, por ser café de baixa

cas aproximadamente. O sucedâneo re

É por isso que muito se tem gritado no Brasil cni favor da melhoria du qua lidade do café, e convém dizer que o Instituto Agronômico de Campinas muito tem feito no sentido de permitir o cul tivo mais racional, capaz de fornecer

presenta, pois, de 79% a 88% da impor

melhor produto.

do último revendedor tonia-se bem mo

tação mundial de café, e mesmo que se

Mas a gravidade do fato não pára ai. Verificou-se mais que, enquanto entre

desto.

1909 c 1913, em média, os Estados Uni dos consumiam 39% do café do mundo

fender o varejista norte-americano ou

e a Euriipa 55%, a partir de 1943 os Es tados Unidos passaram a absorver 90% das importaçõe.s mundiais de café. Isto

trar é que qualquer elevação de preço, na fonte produtora, bom como qualquer redução, repercute fortemente no preço

Não se conhece com exatidão a quanto monta o consumo desses sucedâneos, mas

calcula-se que não seja inferior a 18 ou 20 milhões de sacas, para uma impor tação mundial de café de 22.693.000 sa

suponha essa estimativa muito elevada,

não resta a menor dúvida de que a .sua importância é enorme.

Já dissemos que o café do Brasil che gou a representar 70% de todo o café

consumido no mundo, até 1914, e que, depois, aos poucos, foi perdendo sua significa que o café brasileiro, que se posição, representando hoje. aproxima damente, 50% do volume do consumo. Resta-nos acrescentar que, nos Estados

Unido.s, um bom café é representado por uma mistura de 15% a 40% de "mild"

e o restante de café brasileiro bom; mas

destina ao exterior, é entregue a um único pais consumidor; e não é apenas

o Brasil o único vendedor, tendo que entrar em concorrência coin os demais

produtores. Há, portanto, uma situação de monopsônio típico — vários vendedo res para um único comprador. E, nesse caso, os atacadistas norte-americanos,

o café reputado de alta qualidade, que se dirige a paladares mais exigentes e, portanto, a freguesia que paga melhor' não deve conter café do Brasil e .sim considerados em conjunto, podem impor apenas "mild", enquanto os cafés de

baixo preço, que se destinam à popula ção menos favorecida, consistem intei ramente de produto brasileiro.

O Brasil coloca-se, assim, numa posi ção desfavorável, porque ou fornece café

para mistura ou, então, o seu café, quan do puro, dirige-se à massa de consumi

dores para quem o café representa um produto de semi-luxo, artigo de sobre

mesa, facilmente dispensáve\

O que

ocorre, pois, é que quando os preços dêsse café aumentam sensivelmente, co

seus preços, não aceitando os por nós

apresentados.

Tomando-se por base o preço conge

Mas, considerando-se

do custo variável entre Cr$ 443,00 e

qualidade; as altas de pre^-o, quando muito fortes, eliminam boa parte desses

Cr$ 537,50.

Acrescentem-se ainda os

consumidores, e as prcfeiénei.as indiri-

impostos e veremos que o lucro líquido

duais se alteram. Mesmo no caso das camadas consumidoras dotadas de maio res recursos, essas elevações constantes

Não é nossa, porém, a intenção de de outro qualquer. O que queremos mos

de mercado o eleva, sensivelmente, o

preço do varejo, o que representa elimi nação de parte do volume da procura. E cumpre aqui salientar a importân cia dos fatores psicológicos na ofer^ e procura do café. Poderemos ter desejo de não vender, á espera de preço melhor, mas sabemos que, pelo menos por parte do fazendeiro — que não dispõe de crédito e já tem sua produção com prometida por adiantamen

lado até 1945, o varejista norte-ameri

tos recebidos — tal desejo é

cano conseguia colocar sua saca a Cr$

muito remoto e pouco du

558,00, havendo portanto um lucro apa rentemente enorme, porque vendíamos

primeiros a ser cortados no consumo

do volume na torração e admitindo-se

cado do café cru' elevava-se, pois, a Cr$ 337,00; acrescentando-se a redução

ponto temos perdido terreno no consu mo, e as observações a que chegou sáo de que tem hax-ido uma alteração progressi\'a no consumo do café, dexida, provavelmente, a mudanças de gòsto e hábitos dos

consumidores,

aliadas a planos de controle governamental

e

medidas

restritivas de política comer

cial que, no tempo, se lém traduzido por'úma perda de posição de nosso café, eio favor de nossos concorrentes,

tanto mais grave por ser tempo.

chegam sempre tarde para o produtor agrícola, beneficiando apenas aqueles que retêm em mãos os estoques." Mas,

zenamento Cr$ 13,50; o custo de mer

cias, com o fito de examinar até que

dade que é sabido que os

ticamente 100%.

locando-se o produto nos últimos de graus da escala de preferências dessa classe de consumidores, é êle um dos

avaliar a intensidade da substituivão do

café do Brasil pelo de outras procedên

radouro; e tanto isto é ver

financiamentos à produção,

Mas, convém lembrar

do preços do nosso café tèin permitido a preferência continua e crescente para os "mllds". Jorge Kingston procurou

lenta e, por isso, pouco perceptí\'el, em curto espaço de

nossa saca a Cr$ 280,00, deixando, por tanto, uma diferença de Ci$ 278,00, pràque o café pagava de frete transoceânico Cr$ 29,00 por saca, os seguros eleva vam-se a Cr$ 14,50, as despesas de re moção de carga, transporte e arma

quü o café do BrasiL se dirige a massas

retardados como têm sido no Brasil,

mesmo que desejemos reter o estoque,

para obter melhores preços, essa reten

ção será pequena, de curta duração, por sabermos quanto êle pesa, quanto se avo

luma o custo, pois, pelo menos, se lhe acrescenta o preço de armazenamento.

Tais observações são muito

sérias, sobretudo se considerarmos que o café é um dos principais alicerces de

nossa economia. É fácil compreender que, tendo uma oferta inelústica, ao lado de uma procura exlra-eliística, 0

sendo fortemente influenciável pelos fa tores psicológicos, seus preços tendem a níveis mais baixos que os de produtos

cuja oferta e procura obedecem a outros tipos. E, além disso, produtos como o


72

DigESTO EcoNÓAfiGO

café se apresentam' muito mais sensí

da violência com que as crises atingem

veis, nos momentos dc crise, a uma

o café brasileiro.

queda \iolenta de preços, com graves prejuízos para o país produtor. Pasta

analisarmos o que tem ocorrido com êle durante as várias crises internacionais,

para termos ampla confirmação do .afir mado.

Poder-se-ia argumentar que a sensi bilidade do café brasi'eirü às crises eco

nômicas existe também para os concor rentes do Brasil, no mercado internacio

nal, o que é verdade.

Mas é preciso

não esquecer que os cafés dc melhor

classe têm sido menos afetados' pel) declínio de preços. Assim, considerandose a crise de 1930, por exemplo, vimos que sôbre os preços de 1925 a baixa

Noções gerais sobre o imposto

Vcrifica-sc, pois, que a posição do IV

nosso café no mercado internacional está

longe de ser sólida; não .se pode, no

FiiialUladcs ceonéniicos c soeinis cio inipósfo

entanto, abandoná-lo inteiramente à sua

sorte, dada a importância de que se reveste.

JosK Luiz ue Almeida Nocueiua Pokto

Por isso mesmo, no plano

SALTE, tal produto foi beneficiado com

Ação do imposto sòbre a moeda

uma reserva de Cr$ 130.000.000,00, para financiamento à sua produção e melhoria da posição do produto no mercado in ternacional. Convém apenas observar

e os preços

Agindo sobre a produção, a circu lação, a distribuição e o consumo

que precisamos adotar uma política ca-

feeira mais realista, que não perca de vista a situação do mercado exterior c

indiretamente, sôbre o poder a(]uisitivo Há, porém, modalidades

Teoria e Prática":

do "miM" de Costa Rica ou da Co

estivéssemos num inundo sem competi

especificas de ação do impôsto sôbre a

da índia 38% e da Kenia 41%, enquanto

se em um crédito rural organizado em

moeda, no sentido de neutralizar a in flação.

. Exemplo típico dessa intervenção ti

o café Rio, tipo 7, caiu 43% e o Santos

mo'des capazes de atender com eficiên

superior 48%. Note-se, pois, que houve

cia ao agricultor, impedindo que êle

uma diferença de 20% entre o melhor

considerando-se os preços de 1930 sobro

seja explorado e evitando que os,riscos da produção se avolumem e que a po sição de menor resistência do produto

considerada extraordinária, numa propor

1929, as diferenças foram ainda mais

se tome dia a dia mais acentuada.

ção do 20% a 50%, de acordo com a re

acentuadas, pois a queda foi de 17% para Costa Rica e Colômbia, de 42%

situação do algodão é bastante diver

para o Santos superior e de 45% para o Rio, tipo 7, ou seja, uma diferença, entre os extremos, de 28%, e isto no es

paço de um ano, o que dá bem idéia

vemos no Brasil com o chamado "impôs to sobre lucros extraordinários". Êsse tri

buto incidia sôbre a parce'a de lucros

"A guerra atua como poderoso siste ma protecionista para a indústria nacio nal e, por isso mesmo, deve esta por de lado uma parte de seus lucros, para quo não sofra um colapso no momento cm

que êsse .sistema desaparecer brusca mente. Essa previsão, porém, constitui

providência que não pode .ser deixada a cargo dos próprios interessados, pois tòda a economia nacional sofreria as

bilidades de condução da economia bra

con.seqüèncias da imprevidencia dos pro lação existente entre o lucro e o capital dutores. E' preciso que as instalações empregado ou enti-e o lucro atual com que com o uso .se vão tornando gastas e. parado com a média anterior de lucros. com o tempo, obsoletas, sejam substituí Por outro lado, era facultado ao conlri-

sileira são bem maiores, por ser mais

biiintc, em lugar dc pagar o impôsto,

sólida a sua posição econômica.

efetuar depósitos correspondentes ao do

Veremos, em próximo artigo, que a sa da acima descrita e que suas possi

bro da quantia a êle equivalente, depósi tos ôsses que só poderiam ser utilizados para a importação de maquinaria desti nada ao reequipamcnto das empresas ou para atender a prejuízos que comprome tessem a existência das mesmas.

A General Motors" anunciou ter alcançado recorde de produção no ano pas sado com 1.628.000 automóveis e 517.000 caminhões. O recorde anterior corres

pondia a 1941 - ano em que os Estados Unidos entraram na puerra — quando o total de produção foi de 1.864.000 carros, ou mais de 236.000 que no ano passado, ma,? o numero de caminhões foi apenas de 508.000, portanto menos nove mil aue

em 1948.

A propósito dessa finalidade, escreve mos cm nosso "Lucros E.xtraordinários-

da moeda.

caftí concorrencial do brasileiro e este;

suas máquinas e instalações.

das riquezas, ago o impôsto, também,

que, sobretudo, não se faça como se

lômbia foi de 28%, de Tanganica 37%, dores. Para ser eficiente, precisa apoiar-

equipamento das empresas iaíluslriais, então submetidas a um regime de su perprodução, com exce.ssivo desgaste de

'

u.

das num dado momento, para que os

mercados até agora conservados cm xirtude de uma situação de força maior, continuem a se abastecer no país graças

à qualidade c preço dos produtos. Ora, para que haja qualidade boa e preço baixo, é iiidispensável que a maquinaria

seja boa e moclenia. Se se conseguir ês se objetivo, então a época de prosperi

Êsse tributo, além da finalidade fiscal

dade industi-ial que o país atraves.sa,

de proporcionar arrecadação ao erário público, para fazer face às despesas ex cepcionais do período de guerra, tinha uma dupla finalidade econômica: a primeira delas era a de obrigar ao re-

com maior proveito, não apenas paja os

graças ao protecionismo decorrente da guerra, continuará pe'o período de paz

produtores, mas também e principalmen te para toda a coletiridadc, que poderá


72

DigESTO EcoNÓAfiGO

café se apresentam' muito mais sensí

da violência com que as crises atingem

veis, nos momentos dc crise, a uma

o café brasileiro.

queda \iolenta de preços, com graves prejuízos para o país produtor. Pasta

analisarmos o que tem ocorrido com êle durante as várias crises internacionais,

para termos ampla confirmação do .afir mado.

Poder-se-ia argumentar que a sensi bilidade do café brasi'eirü às crises eco

nômicas existe também para os concor rentes do Brasil, no mercado internacio

nal, o que é verdade.

Mas é preciso

não esquecer que os cafés dc melhor

classe têm sido menos afetados' pel) declínio de preços. Assim, considerandose a crise de 1930, por exemplo, vimos que sôbre os preços de 1925 a baixa

Noções gerais sobre o imposto

Vcrifica-sc, pois, que a posição do IV

nosso café no mercado internacional está

longe de ser sólida; não .se pode, no

FiiialUladcs ceonéniicos c soeinis cio inipósfo

entanto, abandoná-lo inteiramente à sua

sorte, dada a importância de que se reveste.

JosK Luiz ue Almeida Nocueiua Pokto

Por isso mesmo, no plano

SALTE, tal produto foi beneficiado com

Ação do imposto sòbre a moeda

uma reserva de Cr$ 130.000.000,00, para financiamento à sua produção e melhoria da posição do produto no mercado in ternacional. Convém apenas observar

e os preços

Agindo sobre a produção, a circu lação, a distribuição e o consumo

que precisamos adotar uma política ca-

feeira mais realista, que não perca de vista a situação do mercado exterior c

indiretamente, sôbre o poder a(]uisitivo Há, porém, modalidades

Teoria e Prática":

do "miM" de Costa Rica ou da Co

estivéssemos num inundo sem competi

especificas de ação do impôsto sôbre a

da índia 38% e da Kenia 41%, enquanto

se em um crédito rural organizado em

moeda, no sentido de neutralizar a in flação.

. Exemplo típico dessa intervenção ti

o café Rio, tipo 7, caiu 43% e o Santos

mo'des capazes de atender com eficiên

superior 48%. Note-se, pois, que houve

cia ao agricultor, impedindo que êle

uma diferença de 20% entre o melhor

considerando-se os preços de 1930 sobro

seja explorado e evitando que os,riscos da produção se avolumem e que a po sição de menor resistência do produto

considerada extraordinária, numa propor

1929, as diferenças foram ainda mais

se tome dia a dia mais acentuada.

ção do 20% a 50%, de acordo com a re

acentuadas, pois a queda foi de 17% para Costa Rica e Colômbia, de 42%

situação do algodão é bastante diver

para o Santos superior e de 45% para o Rio, tipo 7, ou seja, uma diferença, entre os extremos, de 28%, e isto no es

paço de um ano, o que dá bem idéia

vemos no Brasil com o chamado "impôs to sobre lucros extraordinários". Êsse tri

buto incidia sôbre a parce'a de lucros

"A guerra atua como poderoso siste ma protecionista para a indústria nacio nal e, por isso mesmo, deve esta por de lado uma parte de seus lucros, para quo não sofra um colapso no momento cm

que êsse .sistema desaparecer brusca mente. Essa previsão, porém, constitui

providência que não pode .ser deixada a cargo dos próprios interessados, pois tòda a economia nacional sofreria as

bilidades de condução da economia bra

con.seqüèncias da imprevidencia dos pro lação existente entre o lucro e o capital dutores. E' preciso que as instalações empregado ou enti-e o lucro atual com que com o uso .se vão tornando gastas e. parado com a média anterior de lucros. com o tempo, obsoletas, sejam substituí Por outro lado, era facultado ao conlri-

sileira são bem maiores, por ser mais

biiintc, em lugar dc pagar o impôsto,

sólida a sua posição econômica.

efetuar depósitos correspondentes ao do

Veremos, em próximo artigo, que a sa da acima descrita e que suas possi

bro da quantia a êle equivalente, depósi tos ôsses que só poderiam ser utilizados para a importação de maquinaria desti nada ao reequipamcnto das empresas ou para atender a prejuízos que comprome tessem a existência das mesmas.

A General Motors" anunciou ter alcançado recorde de produção no ano pas sado com 1.628.000 automóveis e 517.000 caminhões. O recorde anterior corres

pondia a 1941 - ano em que os Estados Unidos entraram na puerra — quando o total de produção foi de 1.864.000 carros, ou mais de 236.000 que no ano passado, ma,? o numero de caminhões foi apenas de 508.000, portanto menos nove mil aue

em 1948.

A propósito dessa finalidade, escreve mos cm nosso "Lucros E.xtraordinários-

da moeda.

caftí concorrencial do brasileiro e este;

suas máquinas e instalações.

das riquezas, ago o impôsto, também,

que, sobretudo, não se faça como se

lômbia foi de 28%, de Tanganica 37%, dores. Para ser eficiente, precisa apoiar-

equipamento das empresas iaíluslriais, então submetidas a um regime de su perprodução, com exce.ssivo desgaste de

'

u.

das num dado momento, para que os

mercados até agora conservados cm xirtude de uma situação de força maior, continuem a se abastecer no país graças

à qualidade c preço dos produtos. Ora, para que haja qualidade boa e preço baixo, é iiidispensável que a maquinaria

seja boa e moclenia. Se se conseguir ês se objetivo, então a época de prosperi

Êsse tributo, além da finalidade fiscal

dade industi-ial que o país atraves.sa,

de proporcionar arrecadação ao erário público, para fazer face às despesas ex cepcionais do período de guerra, tinha uma dupla finalidade econômica: a primeira delas era a de obrigar ao re-

com maior proveito, não apenas paja os

graças ao protecionismo decorrente da guerra, continuará pe'o período de paz

produtores, mas também e principalmen te para toda a coletiridadc, que poderá


Digksto Econòníico

l'£

consumir produtos bons e baratos ao in vés de consumi-los maus e caros."

A outra finalidade do tributo — esta

relacionada com o aspecto da ação do

impôsto na ordem econômica que esta mos estudando — foi a de tirar da circu

lação grande massa de numerário, for talecendo, assim, o poder aquisitivo da moeda.

"Hofmannsthal, cm seu magnífico tra balho já citado, ao analisar a situação da Argentina, mostra-se contrário, naquele

país, à implantação do "impuesto sobre Ias ganancias cxcesivas", projeto êsse que,

Econômico

75

lucro-base não tcnba sido prevista a co bertura do risco do empreendimento e mormente quando a.s taxa.s do imposto representem um quase confi.sco, como nos Estados Unidos, é realmente irrebi-

Argentina, c de forma muito mais one

Não é de se esperar, porém, que tão grave conseqüência possa vir a se veri ficar no Brasil, pois não só o lucro-base pode ser arbitrado cm 23% do capital —

rosa. Basta \er que na Argentina e nos

citada — era de que, com a restrição

a) estímulo para a realização de em-

das importações, enormes massas de numerário permaneceram vadias em ter

prêsas;

ritório nacional e vieram a ser aplicadas, não em empreendimentos reprodutivos,

2.° — Aumento de consumo interno, por meio de:

b) imigração de capital.

mas sim em estéreis artigos

a) aumento ou, pelo me

o que atende à necessidade de cobertura do;: riscos do empreendimento, assegu rando, ainda, um lucro apreciável ao em

ainda oferece vantagens consideráveis ao capitalista eslrangeiro."

físcüção total ou quase total do lucro (nunca a taxa do imposto poderá al

mannsthal .só teria lugar sc a decreta

ção de impostos sòbre as super-rendas

cançar 50% da parcela de lucros consi

fôsse medida adotada por um país iso lado.

nos, conservação da capaci

derada

dade aquisitiva;

porque resta à empresa a faculdade de

b) aumento da imigração

A medida adotada

no que for possível.

pelo Govêmo, tributando os lucros extraordinários ou exi- .

tação"

gíndo a formação de reservas

Portanto, o impôsto sòbre

especiais, tem como conse

lucros

qüência o recolhimento de

contraproducente, pois impe

grandes massas de capitais, restringindo, portanto, o meio

Brasil ela se tenha orientado — aliás com

mento do parque industrial. Nos de mais países, o propósito foi ou puramen te fiscal, ou o de "esterilizar a inflação",

para usar uma expressão de Keynes. Seria vantajoso êsse impôsto para a economia nacional? tada, escrevemos:

Em nossa obra ci

extraordinários

extraordinária)

c, fina'mente,

constituir "Depósitos de Garantia" ou

adquirir "Certificados de Equipamento",

3." — Aumento da expor seria

o que não representa mais do que a constituição de uma reserva compulsória.

Vejamos, agora, se a tributação dos lucros extraordinários pelo sistema brasi

diria o desenvolvimento das

leiro contraria algum dos princípios que Hofmannsthal preconísa para a economia

empresas, afugentaria o ca

argentina e que .se aplicam, também, à

pital estrangeiro e restringiria o poder aquisitivo da população.

Note-se que a analogia de nossa si tuação econômica com a da Argentina faz com que o raciocínio de Hofmanns thal seja aplicável ao Brasil. Um de seus argumentos merece espe cial destaque: os capitais — diz êle — fugirão dos empreendimentos arriscados, os quais já não oferecem boas perspec tivas: em caso de fracasso, a perda po

derá ser de 100%, enquanto que, em caso de êxito, não restaria para o empreen dedor senão uma pequena • margem de lucro.

Êsse argumento, quando na fixação do

cros até 25% do capital, é evidente que

preendedor — como também porque as taxa.s, em ca.so algum, representam con-

ma decisiva para a elevação

dos preços de todos os pro

Estados Unidos se considera extraordi

nário o lucro que e.xceda de 10? do ca pital, e na Itá'ia dc S?! Assegurando o Brasil a isenção de imposto para os lu

de luxo, contribuindo de for

muito acerto — no sentido do reequipa-

contram om estado de inierra, como a O '

ser convertido em lei. Diz aquele tratadista que os fins econômicos da Argenti na, nação ainda descapitalizada e de 1." — Aumento da produção interna por meio de;

circulante e contribuindo para o fortale cimento do poder aquisitivo do dinheiro." Êsse tipo de tributação, com suas características modernas, foi implanta do também na Inglaterra, nos Estados Unidos, na Argentina e em muitos outros países. Acreditamos, porém, que só no

pois tal tributo existe em quase todos os países, mesmo naqueles que não se en

táve!.

do no Brasi] — escrevemos em nossa obra

dutos.

mentes no pais, pelo fato de existir um

imposto sobre lucros extraordinários,

elaborado em 1940, só em 1943 veio a

escasso consumo interno, devem ser:

"O fenômeno que se vinha verifican

OiorsTo

A conseqüência preiista por Hof

"c) A capacidade aquisitiva da po pulação sofre, reahnente, diminuição, mas apenas para os artigos de laxo, pois só as classes abastadas são alcan çadas pelo tributo, e es.sa conseqüência, longe de ser prejudicial, se nos afigura benéfica, de s ez que só assim hã possi bilidade de baixar o custo de vida, pe'a concentração do valor "do dinheiro.

d) A imigração em nada é afetada

permitindo, portanto, não só uma justa remuneração do capital, como a cober

pelo impôsto; e, finalmente: e) O volume de e.vportação, possi velmente, será aumentado pela amplia ção do parque industrial no período de paz que se seguir à guerra." Hoje, decorridos cinco anos desde a aplicação do impôsto sòbre lucros ex

tura do rí.sco do empreendimento e uma razoável remuneração para o empreen

com precisão se seus resultados no plano

dedor, fator básico na realização de em-

econômico foram ou não satisfatórios. A desvalorização da moeda prosseguiu,

economia nacional:

"a) O estímulo para a realização de empresas não desaparece, pois que o

impôsto só começa a incidir sobre os lu cros que excedam de 25% do capital,

prêsas. Alem disso, o impôsto, no Brasil,

traordinários, ainda não se pode saber

se em muitos casos é elevado, não re

mas também prosseguiram as emissões.

presenta, contudo, um confisco, como em muitos outros países.

O parque industrial não foi reequipado como deveria ter sido, mas as incertezas

b) Os capitalistas estrangeiros não

poéticas da época criaram um ambiente

deixarão de se interessar por investi-

tal de desconfiança, que a maioria dos


Digksto Econòníico

l'£

consumir produtos bons e baratos ao in vés de consumi-los maus e caros."

A outra finalidade do tributo — esta

relacionada com o aspecto da ação do

impôsto na ordem econômica que esta mos estudando — foi a de tirar da circu

lação grande massa de numerário, for talecendo, assim, o poder aquisitivo da moeda.

"Hofmannsthal, cm seu magnífico tra balho já citado, ao analisar a situação da Argentina, mostra-se contrário, naquele

país, à implantação do "impuesto sobre Ias ganancias cxcesivas", projeto êsse que,

Econômico

75

lucro-base não tcnba sido prevista a co bertura do risco do empreendimento e mormente quando a.s taxa.s do imposto representem um quase confi.sco, como nos Estados Unidos, é realmente irrebi-

Argentina, c de forma muito mais one

Não é de se esperar, porém, que tão grave conseqüência possa vir a se veri ficar no Brasil, pois não só o lucro-base pode ser arbitrado cm 23% do capital —

rosa. Basta \er que na Argentina e nos

citada — era de que, com a restrição

a) estímulo para a realização de em-

das importações, enormes massas de numerário permaneceram vadias em ter

prêsas;

ritório nacional e vieram a ser aplicadas, não em empreendimentos reprodutivos,

2.° — Aumento de consumo interno, por meio de:

b) imigração de capital.

mas sim em estéreis artigos

a) aumento ou, pelo me

o que atende à necessidade de cobertura do;: riscos do empreendimento, assegu rando, ainda, um lucro apreciável ao em

ainda oferece vantagens consideráveis ao capitalista eslrangeiro."

físcüção total ou quase total do lucro (nunca a taxa do imposto poderá al

mannsthal .só teria lugar sc a decreta

ção de impostos sòbre as super-rendas

cançar 50% da parcela de lucros consi

fôsse medida adotada por um país iso lado.

nos, conservação da capaci

derada

dade aquisitiva;

porque resta à empresa a faculdade de

b) aumento da imigração

A medida adotada

no que for possível.

pelo Govêmo, tributando os lucros extraordinários ou exi- .

tação"

gíndo a formação de reservas

Portanto, o impôsto sòbre

especiais, tem como conse

lucros

qüência o recolhimento de

contraproducente, pois impe

grandes massas de capitais, restringindo, portanto, o meio

Brasil ela se tenha orientado — aliás com

mento do parque industrial. Nos de mais países, o propósito foi ou puramen te fiscal, ou o de "esterilizar a inflação",

para usar uma expressão de Keynes. Seria vantajoso êsse impôsto para a economia nacional? tada, escrevemos:

Em nossa obra ci

extraordinários

extraordinária)

c, fina'mente,

constituir "Depósitos de Garantia" ou

adquirir "Certificados de Equipamento",

3." — Aumento da expor seria

o que não representa mais do que a constituição de uma reserva compulsória.

Vejamos, agora, se a tributação dos lucros extraordinários pelo sistema brasi

diria o desenvolvimento das

leiro contraria algum dos princípios que Hofmannsthal preconísa para a economia

empresas, afugentaria o ca

argentina e que .se aplicam, também, à

pital estrangeiro e restringiria o poder aquisitivo da população.

Note-se que a analogia de nossa si tuação econômica com a da Argentina faz com que o raciocínio de Hofmanns thal seja aplicável ao Brasil. Um de seus argumentos merece espe cial destaque: os capitais — diz êle — fugirão dos empreendimentos arriscados, os quais já não oferecem boas perspec tivas: em caso de fracasso, a perda po

derá ser de 100%, enquanto que, em caso de êxito, não restaria para o empreen dedor senão uma pequena • margem de lucro.

Êsse argumento, quando na fixação do

cros até 25% do capital, é evidente que

preendedor — como também porque as taxa.s, em ca.so algum, representam con-

ma decisiva para a elevação

dos preços de todos os pro

Estados Unidos se considera extraordi

nário o lucro que e.xceda de 10? do ca pital, e na Itá'ia dc S?! Assegurando o Brasil a isenção de imposto para os lu

de luxo, contribuindo de for

muito acerto — no sentido do reequipa-

contram om estado de inierra, como a O '

ser convertido em lei. Diz aquele tratadista que os fins econômicos da Argenti na, nação ainda descapitalizada e de 1." — Aumento da produção interna por meio de;

circulante e contribuindo para o fortale cimento do poder aquisitivo do dinheiro." Êsse tipo de tributação, com suas características modernas, foi implanta do também na Inglaterra, nos Estados Unidos, na Argentina e em muitos outros países. Acreditamos, porém, que só no

pois tal tributo existe em quase todos os países, mesmo naqueles que não se en

táve!.

do no Brasi] — escrevemos em nossa obra

dutos.

mentes no pais, pelo fato de existir um

imposto sobre lucros extraordinários,

elaborado em 1940, só em 1943 veio a

escasso consumo interno, devem ser:

"O fenômeno que se vinha verifican

OiorsTo

A conseqüência preiista por Hof

"c) A capacidade aquisitiva da po pulação sofre, reahnente, diminuição, mas apenas para os artigos de laxo, pois só as classes abastadas são alcan çadas pelo tributo, e es.sa conseqüência, longe de ser prejudicial, se nos afigura benéfica, de s ez que só assim hã possi bilidade de baixar o custo de vida, pe'a concentração do valor "do dinheiro.

d) A imigração em nada é afetada

permitindo, portanto, não só uma justa remuneração do capital, como a cober

pelo impôsto; e, finalmente: e) O volume de e.vportação, possi velmente, será aumentado pela amplia ção do parque industrial no período de paz que se seguir à guerra." Hoje, decorridos cinco anos desde a aplicação do impôsto sòbre lucros ex

tura do rí.sco do empreendimento e uma razoável remuneração para o empreen

com precisão se seus resultados no plano

dedor, fator básico na realização de em-

econômico foram ou não satisfatórios. A desvalorização da moeda prosseguiu,

economia nacional:

"a) O estímulo para a realização de empresas não desaparece, pois que o

impôsto só começa a incidir sobre os lu cros que excedam de 25% do capital,

prêsas. Alem disso, o impôsto, no Brasil,

traordinários, ainda não se pode saber

se em muitos casos é elevado, não re

mas também prosseguiram as emissões.

presenta, contudo, um confisco, como em muitos outros países.

O parque industrial não foi reequipado como deveria ter sido, mas as incertezas

b) Os capitalistas estrangeiros não

poéticas da época criaram um ambiente

deixarão de se interessar por investi-

tal de desconfiança, que a maioria dos


Dicesto Econókqco

76

contribuintes preferiu pagar o impôsto a confiar o dobro da quantia a ele equi

valente ao Govèmo, para uma futura e incerta liberação.

Contudo, se resultados econômicos benéficos trouxe a medida, eles foram,

por certo, bastante modestos. Ação sôbre a população

O impôsto tem sido usado como ar ma de encorajamento ou repressão à na talidade, em grande número de países. No período anterior à guerra, sob os regimes nazista e fascista, a Alemanha e, principalmente, a Itália, desenvolveram

cidadc.s. noladamcntc da Inglaterra, da

sua prole numerosa. Para evitar esse mal que atenua o efeito psicológico do benefício, foi proposto que o mesmo, de "negativo", se tran.sformasse em "posi

A'emanha, da Itália e do Japão, a sua causa foram as dostruições provocadas

tivo". Os contribuintes pagariam o mes mo impô.sto, qualquer (juc fosse sua con dição, mas, enquanto cjue os celibalários

populações que o conflito dcsxàou dos centros agrícolas ou a queda no ritmo das construções pela carência do mate

ou casais sem filhos sofreriam a incidên

riais.

pela guerra.

Em outras, o afluxo. de

mo se pretendeu adotar no Rio de Ja neiro, obriga os respectivos proprietá rios a construir nos mesmos ou. se não

dispuserem de meios para isso, a \ cndèlos a quem possa e queira edificá-los.

Por essa forma, evita-se que terrenos urbanos sejam cstèri'mcnte conservados à espera de x^alnriznção. enquanto as ci dades necessitam abrigar uma popula

cia de um adicional, os contribuintes de

Estas duas últimas causas, e muito

prole numerosa receberiam um prêmio

ção sempre crescente.

direito.

especialmente a primeira, são re.sponsáveis pe'a falta de habitações nas princi pais cidades brasileiras, notadamcnte no

Nossa política fiscal nesse setor, em bora aparentemente favorável à natali dade, pode ser con.sÍdcrada como indi

Rio de Janeiro e cm São Paulo. As medidas fiscais geralmente ado tadas para corrigir essa situação visam

za fiscal, tendente a forçar o melhor

correspondente á dedução a que tinham

No Brasil ainda não foi adotada

nenhuma medida especifica, de nature

aproveitamento dos prédios residenciais ou a construção de casas. E.\iste. con

um dos seguintes objetivos: obrigar ao máximo aproveitamento dos espaços dis

com o impôsto de transmissão, cujo pro

cional de 15%, 10% o 5% sôbre o impôsto

poníveis nas habitações ou forçar a cons

duto se destina à construção de casas

de renda incide .sobre os ceíibatários,

trução de prédios.

populares.

casais sem filhos ou com um só filho

A legislação alemã do após-giierra de 1914 é um exemplo da primeira moda lidade. Foi instituído um imposto pro gressivo sôbre o número de aposentos dos prédios residenciais e o produto da

uma intensa política demográfica para aiunento da população, e o impôsto.de sempenhou importante papel nessa po lítica, juntamente com os prêmios à na talidade, Hoje, porém, esses dois paí ses desenvolvem uma política oposta, de

ferente, quanto à sua repercussão práti ca. Se é verdade que um inipòsto adi

restrição à natalidade.

as deduções para encargos de família são fixas e não progressivas em razão do

No impôsto de renda alemão, por exemplo, as deduções para encargos de família, que hoje são de 300 marcos

Dici-sto Econômico

depois de certa idade, por outro lado

tudo, um imposto, cobrado juntamente

A política ecofwmica por meio do Ò7ipôsto

dente ao abatimento o inferior à despesa que realmente acarreta o

arrecadação dêsse impôsto destinado á

Do tôda essa longa exposição sobre os fins não fiscais do impôsto, se verifica

construção de casas populares.

que ele pode servir de veiculo da inter

mília do contribuinte, eram, antes de l*'de ja

acréscimo de mais urrui

Legislação mais ou menos análoga foi aplicada na França, logo após a liber

econômica e social.

neiro de 1946, variáveis de 300 a I.OOO marcos,

méstico.

conforme fosse o número de filhos.

lítica

por ano por pessoa da fa

Já a França adota,

número de filhos, e a quantia correspon

pessoa no orçamento do

tação, mas o imposto só incidia sôbre

Como no "Brasil, a po fiscal

adotada

na

Inglaterra e nos Estados Unidos, com relação à

atualmente, uma política

natalidade, pode ser con

fiscal altamente favorável

siderada como indiferen

renda de acordo com o número de filhos

te, de vez que as dedu ções do impôsto de renda para encar gos de família são concedidas na base

do contribuinte.

de uma quantia fixa "per capita"'.

à natalidade, concedendo

deduções progressivas do impôsto de Comentando a legislação francesa,

observa com razão Laufemburger, ern sua obra "Finances Comparées", que o inconveniente dos abatimentos do impos

Ação sôbre a habitação O fenômeno da carência de habitação,

to é que o contribuinte não sente clara-

neste após-guerra, é universal. Dele se ressentem todos os grandes centros urba

mente os benefícios fiscais resultantes de

nos do mundo.

Em algumas grandes

as residôncias insuficientemente ocupa das. Na exposição de motivos que acom panhou o decreto respectivo, dizia-se: "En pénalisant les détenlcurs de locaux

venção do Estado em toda a ordem Pode, mc-mo, se

prestar a uma completa sub\ersáo da ordem social, valendo por uma rc\'0lução.

Êsse sistema de intervenção, contudo, será um bem ou um mal? A resposta

depende, evidentemente, da atitude de

insuffisamment.occupés. Ia taxe nouvelle conslituera un puissant stimulant. aux recherehes que chacun est susceptible de

cada um em face da ação do Estado na

pour choislr lui-même et accueillir sous

interveneionistas, um mal.

ordem econômica e social: para os interfaire dans ses procbes ou ses relations \encionistas, será um bem; para os .antison toit Ia personne isolée qui lui permettra d'éviter le paíment de Timpôt." Quanto à legislação tendente a forçar a construção de prédios, ela encontra seu melhor campo de aplicação no impôsto territorial urbano. Uma tributação ele vada sôbre terrenos não construídos, co

Fazendo-se, porém, abstração dessa preliminar, resta indagar se, como sim

ples veículo de intervenção, o impôsto é ou não adequado. Alguns autores, mesmo modernos — além dos clássicos, como c natural sustentam que o impôsto é uma fraca

'


Dicesto Econókqco

76

contribuintes preferiu pagar o impôsto a confiar o dobro da quantia a ele equi

valente ao Govèmo, para uma futura e incerta liberação.

Contudo, se resultados econômicos benéficos trouxe a medida, eles foram,

por certo, bastante modestos. Ação sôbre a população

O impôsto tem sido usado como ar ma de encorajamento ou repressão à na talidade, em grande número de países. No período anterior à guerra, sob os regimes nazista e fascista, a Alemanha e, principalmente, a Itália, desenvolveram

cidadc.s. noladamcntc da Inglaterra, da

sua prole numerosa. Para evitar esse mal que atenua o efeito psicológico do benefício, foi proposto que o mesmo, de "negativo", se tran.sformasse em "posi

A'emanha, da Itália e do Japão, a sua causa foram as dostruições provocadas

tivo". Os contribuintes pagariam o mes mo impô.sto, qualquer (juc fosse sua con dição, mas, enquanto cjue os celibalários

populações que o conflito dcsxàou dos centros agrícolas ou a queda no ritmo das construções pela carência do mate

ou casais sem filhos sofreriam a incidên

riais.

pela guerra.

Em outras, o afluxo. de

mo se pretendeu adotar no Rio de Ja neiro, obriga os respectivos proprietá rios a construir nos mesmos ou. se não

dispuserem de meios para isso, a \ cndèlos a quem possa e queira edificá-los.

Por essa forma, evita-se que terrenos urbanos sejam cstèri'mcnte conservados à espera de x^alnriznção. enquanto as ci dades necessitam abrigar uma popula

cia de um adicional, os contribuintes de

Estas duas últimas causas, e muito

prole numerosa receberiam um prêmio

ção sempre crescente.

direito.

especialmente a primeira, são re.sponsáveis pe'a falta de habitações nas princi pais cidades brasileiras, notadamcnte no

Nossa política fiscal nesse setor, em bora aparentemente favorável à natali dade, pode ser con.sÍdcrada como indi

Rio de Janeiro e cm São Paulo. As medidas fiscais geralmente ado tadas para corrigir essa situação visam

za fiscal, tendente a forçar o melhor

correspondente á dedução a que tinham

No Brasil ainda não foi adotada

nenhuma medida especifica, de nature

aproveitamento dos prédios residenciais ou a construção de casas. E.\iste. con

um dos seguintes objetivos: obrigar ao máximo aproveitamento dos espaços dis

com o impôsto de transmissão, cujo pro

cional de 15%, 10% o 5% sôbre o impôsto

poníveis nas habitações ou forçar a cons

duto se destina à construção de casas

de renda incide .sobre os ceíibatários,

trução de prédios.

populares.

casais sem filhos ou com um só filho

A legislação alemã do após-giierra de 1914 é um exemplo da primeira moda lidade. Foi instituído um imposto pro gressivo sôbre o número de aposentos dos prédios residenciais e o produto da

uma intensa política demográfica para aiunento da população, e o impôsto.de sempenhou importante papel nessa po lítica, juntamente com os prêmios à na talidade, Hoje, porém, esses dois paí ses desenvolvem uma política oposta, de

ferente, quanto à sua repercussão práti ca. Se é verdade que um inipòsto adi

restrição à natalidade.

as deduções para encargos de família são fixas e não progressivas em razão do

No impôsto de renda alemão, por exemplo, as deduções para encargos de família, que hoje são de 300 marcos

Dici-sto Econômico

depois de certa idade, por outro lado

tudo, um imposto, cobrado juntamente

A política ecofwmica por meio do Ò7ipôsto

dente ao abatimento o inferior à despesa que realmente acarreta o

arrecadação dêsse impôsto destinado á

Do tôda essa longa exposição sobre os fins não fiscais do impôsto, se verifica

construção de casas populares.

que ele pode servir de veiculo da inter

mília do contribuinte, eram, antes de l*'de ja

acréscimo de mais urrui

Legislação mais ou menos análoga foi aplicada na França, logo após a liber

econômica e social.

neiro de 1946, variáveis de 300 a I.OOO marcos,

méstico.

conforme fosse o número de filhos.

lítica

por ano por pessoa da fa

Já a França adota,

número de filhos, e a quantia correspon

pessoa no orçamento do

tação, mas o imposto só incidia sôbre

Como no "Brasil, a po fiscal

adotada

na

Inglaterra e nos Estados Unidos, com relação à

atualmente, uma política

natalidade, pode ser con

fiscal altamente favorável

siderada como indiferen

renda de acordo com o número de filhos

te, de vez que as dedu ções do impôsto de renda para encar gos de família são concedidas na base

do contribuinte.

de uma quantia fixa "per capita"'.

à natalidade, concedendo

deduções progressivas do impôsto de Comentando a legislação francesa,

observa com razão Laufemburger, ern sua obra "Finances Comparées", que o inconveniente dos abatimentos do impos

Ação sôbre a habitação O fenômeno da carência de habitação,

to é que o contribuinte não sente clara-

neste após-guerra, é universal. Dele se ressentem todos os grandes centros urba

mente os benefícios fiscais resultantes de

nos do mundo.

Em algumas grandes

as residôncias insuficientemente ocupa das. Na exposição de motivos que acom panhou o decreto respectivo, dizia-se: "En pénalisant les détenlcurs de locaux

venção do Estado em toda a ordem Pode, mc-mo, se

prestar a uma completa sub\ersáo da ordem social, valendo por uma rc\'0lução.

Êsse sistema de intervenção, contudo, será um bem ou um mal? A resposta

depende, evidentemente, da atitude de

insuffisamment.occupés. Ia taxe nouvelle conslituera un puissant stimulant. aux recherehes que chacun est susceptible de

cada um em face da ação do Estado na

pour choislr lui-même et accueillir sous

interveneionistas, um mal.

ordem econômica e social: para os interfaire dans ses procbes ou ses relations \encionistas, será um bem; para os .antison toit Ia personne isolée qui lui permettra d'éviter le paíment de Timpôt." Quanto à legislação tendente a forçar a construção de prédios, ela encontra seu melhor campo de aplicação no impôsto territorial urbano. Uma tributação ele vada sôbre terrenos não construídos, co

Fazendo-se, porém, abstração dessa preliminar, resta indagar se, como sim

ples veículo de intervenção, o impôsto é ou não adequado. Alguns autores, mesmo modernos — além dos clássicos, como c natural sustentam que o impôsto é uma fraca

'


78

Dicesto

e perigosa arma de jnter\'enção do Es tado. Laufemburger, por e.\emp!o, que é o autor que melhor estuda ésse as pecto da tributação, sustenta em seu "Précís d'Économie et de Légishition Fi-

EcoN6^^ICO

femburger. Por certo, ninguém no Brasil

país se os direitos aduaneiros não a am parassem contra a concorrência estran

resultados satisfatórios.

geira.

O certo é que as conseqüências prá

"lorsque TEtat veut accompiir des refor mes, qu'il !e fasse directement par des

ticas dependem do modo, da ocasião e

mesures appropriées et etalées au grand jour. L'impôt, qui est conçu pour pro-

das condições em que é aplicado o im posto. Um tributo excessivamente pesa

curer au Trésor des ressources financiè-

do pode provocar perturbações sérias na

res, ne peut pas avoír Ia pretention de

ordem econômica, c um muito suave

transformer Ia societé et de modificr Ia

não produz o resultado almejado. Por isso, deve o impô.sto de natureza polí

structure économique du pays". Realmente, a experiência tem demons

trado, em muitos casos, que o fim pre tendido pelo imposto de natureza polí tica nao é alcançado, e Laufemburger se alonga enumerando casos de fracasso de uma política econômica c social ba

seada no imposto. Em outra obra sua,

porém, "Finances Coraparées", aponta muitos resultados práticos de impostos lançados com objetivos políticos. Na verdade, não se pode pretender nem que o impôsto seja uma panacéia para todos os males sociais e econômicos,

Antônio Gontijo de Carvauio

bém, muita indústria não existiria no

nancières", que, na prática, a interven ção por meio do imposto não tem dado E aconselha;

Rui, estudante

contrai matrimônio ou prolifera com o propósito de evitar os adicionais sôbre impôsto dc renda, mas, por certo tam

tica ser objeto dc atento estudo, sob to dos os seus prismas, analisadas tôdas as suas possíveis repercussões, antes de

ser aplicado. Deve, também, tanto quan to possível, distinguir-se do impôsto pu ramente fiscal, não só para que a queda na arrecadação de um não afete a produtivídadè do outro, como para que se tenha uma visão nítida dos objetivos pretendidos e se possa dosar a tributação de acordo com a importância e a urgên cia desse objetivo. Com essas cautelas, pode o imposto, vantajosamente, ser empregado cqmo ar

nem que seja inteiramente inócuo ou

ma de intervenção do Estado na ordem

contraproducente, como pretende Lau

econômica e social.

Antônio Gentil Iliirapitanga foi o mes tre dc primeira.s letras dc Rui Barbosa, quem ensinou o menino prodígio, em quinze dias, a ler, a analisar gramatical mente, a distinguir orações e a conjugar os verbos regulares. Rui fêz preparatórios no "Ginásio Baiano", cujo diretor, Abílio César Bor

ges, Barão de Macaúbas, bá muito pros crevera do seu estabelecimento dc ensi

que ora publicavws foi escrito pelo nosso diretor c constituirá o prefácio ao volu me qtie inserir os, escritos dc Rui

Barbosa quando estudante.

no, reputado em todo o Império, a pal O discípulo dileto de Ernesto Carnei ro Ribeiro, professor de línguas e huma nista dos maiore.s, estudava pelo méto do chissico dc copiar as lições: o mnemônico. A "Casa Rui" arquiva uma Ceo-

mctría e uma Aritmética, caligrafadas

tricula nos cursos superiores. Conquis

tou das mãos do Arcebispo da Bahia a medalha de ouro do Ginásio e proferiu em nome dos colegas a oração da des

pedida. Recomendado a Frei Antônio Patro

Bacharelando, recebeu do êmulo do Vis

cínio de Araújo pelo devotado amigo de sua família, Olímpio Máximo Chaves,

conde do Rio Branco, Silva Pereira, pro

e por Frei Manuel da Conceição Monte

fessor de ciências exatas, o atestado de

por suas próprias mãos.

nar matemáticas até o grau supe

do Mosteiro de São Bento, na Bahia, Rui hospeda-se no CQn\''ento dos Beneditinos em Olinda, a fim de

rior, e de Frei Antônio da Vir

cursar a Faculdade de Direito de

gem Maria Itaparica o certifica

Recife.

que estava preparado para lecio

do de que poderia ensinar filo

Colaborou, aos doze anos, no "Jornal-

país europeu, mas, ainda assim, apenas um quinto da produção americana. A Comissão Econômica da Europa anunciou que a produção européia foi de 63.573.000 toneladas métricas. A produção .soviética se elevou a J6.500.000 fo*

cedido dc uma introdução. O trabalho

matória e a cafua.

sofia racional e moral.

A União Soviética produziu mais ferro e aço em 1948 do que qualquer outro

A "Casa Rt/i Barbosa" está cdUahàa

as obras completas do seu imortal pa trono. Cada volume é anotado e pre

Dada a grande dist:\ncla do Mosteiro à Escola de Direito, após dois meses de conWvência com os mon

zinho Literário" do Ginásio Baiano. Em

ges, transfere-se para Recife, indo mo

ordem cronológica, porém, a primeira

rar na pensão de um inglês. Guilherme

produção que se conhece de Rui é o

Martin Purcel!.

soneto "Ao dia 2 de julho" que recitou,

Os certificados de e.xames de prepara

em'186.5, na sessão comemorativa da data

tórios do Ginásio Baiano não eram vá

baiana, num daqueles freqüentes tor

lidos para a matricula na Faculdade de

neios literários do Ginásio, os tais "ou-

Direito de Pernambuco. Teve que re

neladas(um aumento de 3.500.000 toneladas sôbre 1947); a produção de ferro gusa

teiros" promovidos pelo Barão de Ma

foi de J4.000.000 toneladas um aumento de 2.500.000 toneladas). A produção americana foi de mais de 80 milhões de toneladas mas o aumento

caúbas.

petir as provas e em tôdas obteve Rui a nota plena. Do livro de têrmos de

Concluiu Rui os preparatórios antes de completar a idade legal para a ma-

cido por Colégio das Artes, consta ape-

de produção foi inferior ao da URSS, pois chegou apenas a 3.2/J.000 toneladas-

e.\'ames do antigo Curso Anexo, conhe


78

Dicesto

e perigosa arma de jnter\'enção do Es tado. Laufemburger, por e.\emp!o, que é o autor que melhor estuda ésse as pecto da tributação, sustenta em seu "Précís d'Économie et de Légishition Fi-

EcoN6^^ICO

femburger. Por certo, ninguém no Brasil

país se os direitos aduaneiros não a am parassem contra a concorrência estran

resultados satisfatórios.

geira.

O certo é que as conseqüências prá

"lorsque TEtat veut accompiir des refor mes, qu'il !e fasse directement par des

ticas dependem do modo, da ocasião e

mesures appropriées et etalées au grand jour. L'impôt, qui est conçu pour pro-

das condições em que é aplicado o im posto. Um tributo excessivamente pesa

curer au Trésor des ressources financiè-

do pode provocar perturbações sérias na

res, ne peut pas avoír Ia pretention de

ordem econômica, c um muito suave

transformer Ia societé et de modificr Ia

não produz o resultado almejado. Por isso, deve o impô.sto de natureza polí

structure économique du pays". Realmente, a experiência tem demons

trado, em muitos casos, que o fim pre tendido pelo imposto de natureza polí tica nao é alcançado, e Laufemburger se alonga enumerando casos de fracasso de uma política econômica c social ba

seada no imposto. Em outra obra sua,

porém, "Finances Coraparées", aponta muitos resultados práticos de impostos lançados com objetivos políticos. Na verdade, não se pode pretender nem que o impôsto seja uma panacéia para todos os males sociais e econômicos,

Antônio Gontijo de Carvauio

bém, muita indústria não existiria no

nancières", que, na prática, a interven ção por meio do imposto não tem dado E aconselha;

Rui, estudante

contrai matrimônio ou prolifera com o propósito de evitar os adicionais sôbre impôsto dc renda, mas, por certo tam

tica ser objeto dc atento estudo, sob to dos os seus prismas, analisadas tôdas as suas possíveis repercussões, antes de

ser aplicado. Deve, também, tanto quan to possível, distinguir-se do impôsto pu ramente fiscal, não só para que a queda na arrecadação de um não afete a produtivídadè do outro, como para que se tenha uma visão nítida dos objetivos pretendidos e se possa dosar a tributação de acordo com a importância e a urgên cia desse objetivo. Com essas cautelas, pode o imposto, vantajosamente, ser empregado cqmo ar

nem que seja inteiramente inócuo ou

ma de intervenção do Estado na ordem

contraproducente, como pretende Lau

econômica e social.

Antônio Gentil Iliirapitanga foi o mes tre dc primeira.s letras dc Rui Barbosa, quem ensinou o menino prodígio, em quinze dias, a ler, a analisar gramatical mente, a distinguir orações e a conjugar os verbos regulares. Rui fêz preparatórios no "Ginásio Baiano", cujo diretor, Abílio César Bor

ges, Barão de Macaúbas, bá muito pros crevera do seu estabelecimento dc ensi

que ora publicavws foi escrito pelo nosso diretor c constituirá o prefácio ao volu me qtie inserir os, escritos dc Rui

Barbosa quando estudante.

no, reputado em todo o Império, a pal O discípulo dileto de Ernesto Carnei ro Ribeiro, professor de línguas e huma nista dos maiore.s, estudava pelo méto do chissico dc copiar as lições: o mnemônico. A "Casa Rui" arquiva uma Ceo-

mctría e uma Aritmética, caligrafadas

tricula nos cursos superiores. Conquis

tou das mãos do Arcebispo da Bahia a medalha de ouro do Ginásio e proferiu em nome dos colegas a oração da des

pedida. Recomendado a Frei Antônio Patro

Bacharelando, recebeu do êmulo do Vis

cínio de Araújo pelo devotado amigo de sua família, Olímpio Máximo Chaves,

conde do Rio Branco, Silva Pereira, pro

e por Frei Manuel da Conceição Monte

fessor de ciências exatas, o atestado de

por suas próprias mãos.

nar matemáticas até o grau supe

do Mosteiro de São Bento, na Bahia, Rui hospeda-se no CQn\''ento dos Beneditinos em Olinda, a fim de

rior, e de Frei Antônio da Vir

cursar a Faculdade de Direito de

gem Maria Itaparica o certifica

Recife.

que estava preparado para lecio

do de que poderia ensinar filo

Colaborou, aos doze anos, no "Jornal-

país europeu, mas, ainda assim, apenas um quinto da produção americana. A Comissão Econômica da Europa anunciou que a produção européia foi de 63.573.000 toneladas métricas. A produção .soviética se elevou a J6.500.000 fo*

cedido dc uma introdução. O trabalho

matória e a cafua.

sofia racional e moral.

A União Soviética produziu mais ferro e aço em 1948 do que qualquer outro

A "Casa Rt/i Barbosa" está cdUahàa

as obras completas do seu imortal pa trono. Cada volume é anotado e pre

Dada a grande dist:\ncla do Mosteiro à Escola de Direito, após dois meses de conWvência com os mon

zinho Literário" do Ginásio Baiano. Em

ges, transfere-se para Recife, indo mo

ordem cronológica, porém, a primeira

rar na pensão de um inglês. Guilherme

produção que se conhece de Rui é o

Martin Purcel!.

soneto "Ao dia 2 de julho" que recitou,

Os certificados de e.xames de prepara

em'186.5, na sessão comemorativa da data

tórios do Ginásio Baiano não eram vá

baiana, num daqueles freqüentes tor

lidos para a matricula na Faculdade de

neios literários do Ginásio, os tais "ou-

Direito de Pernambuco. Teve que re

neladas(um aumento de 3.500.000 toneladas sôbre 1947); a produção de ferro gusa

teiros" promovidos pelo Barão de Ma

foi de J4.000.000 toneladas um aumento de 2.500.000 toneladas). A produção americana foi de mais de 80 milhões de toneladas mas o aumento

caúbas.

petir as provas e em tôdas obteve Rui a nota plena. Do livro de têrmos de

Concluiu Rui os preparatórios antes de completar a idade legal para a ma-

cido por Colégio das Artes, consta ape-

de produção foi inferior ao da URSS, pois chegou apenas a 3.2/J.000 toneladas-

e.\'ames do antigo Curso Anexo, conhe


vy:--- ' Dicesto

80

EcoKóxnco

Dicesto Econômico 81

nas a sua aprovação em Francês a 7 de

brilhante conferência que pronunciou

Sancho de Burros Pimentel, de quem se

fevereiro de 1866, em Latim a 13 do mesmo mês, em Geometria a 24, cm Re-

cm São Paulí> sobre "Rui estudante".

riam tantos caLxotcs, este res^xindeume: "Vai ser nosso colega dc ano, é

tóríc-a a 2 de março. Não se encontram

Uly.sses Brandão deu uma interpretação ao c.stranho fato: Drumond profcssasn

fulano, vem de Pernambuco, é um gran

idéias arcaicas c era fanático de Tapa-

de estudante...!"

rePi, o atitor único do Sá e Bcne\'ides

Bustnmante foi o autor desta página

nos arquivos da Faculdade os termos dos outros preparatórios, bem como o da matrícula no primeiro ano do curso ju

em São Paulo; o discípulo, como se vê

rídico. Todos esses exames foram pre

da relaç.ío dos livros adquiridos no Gar

sididos pelo diretor Visconde de Camara-

raux, um "atualizado", iim adversário das

gibe. • Acs 12 de març-o de 1866 matricula-se

doutrinas iillramontanas.

na Faculdade e nove dias depois anun cia, com palavras dc gratidão, ao velho preceptor Barão de Macaúbas, que o amava como a um filho, o ingresso no curso superior.

Em resposta, o emérito educador de tantas gerações vatdcinou futuro radioso ao aluno sem rival.

Costa, apiid Alfredo de Carvalho, Estu

danosas e demoradas conseqüências; a vontade paterna para que conhecesse as

em Recife.

Em 1867, reside no segundo andar da

rua da Matriz, n.° 35, no prédio perten cente a Miguel Joaquim da Costa. Em 12 de março, três dias após a sua matrí cula no 2° ano, adquire na Casa Laiha-

car, antigo Garraux, conforme recibo, os seguintes livros: Story, "Constituição dos

nantes da ida de Rui Barbosa para São "Vim a ter notícia do nome de Rui

Partido Liberal, e Presidente da Pro víncia, bospeda-se no Palácio do Gover

literária.

Não foi amiudada a convÍ\-ência do poe

sem perda de tempo, ã vida política e O Ateneu Paulistano, aos 18 de março

de 1868, celebra a primeira sessão do ano, sob a presidência de Joaquim Nabuco, figura doniinadora, com evidentes

ta com o prosador, embora ti

dotes tribunícios, de impressio

vessem sido até companheiros de casa.'Em São Paulo, Rui

nante beleza física, Foram recebidos como sócios efeti

residiu na antiga Ladeira da

Constituição, hoje rua Florên-

vos os recém-chegados Antô

1^

nio de Castro Alves e Rui Bar bosa, os estudantes Pereira do

cio de Abreu, no Largo de te o Hotel d'Oeste, e na rua

Rêgo, Negreiros Lobato e Ri beiro Rosado, e como sócio ho

da Boa Vista.

norário Luís Cândido Furtado

São Bento, no local onde exis

duas academias, eis as causas determi Pau'o.

da Congregação: "SenÜ-me à frente de um pró-homem do futuro". Com esse primeiro triunfo, atira-se Rui Barbosa,

o número 26, e a Castro Alves o 25.

A luta travada entre João Barbosa de mond; a moléstia que te\'e, com o diag nóstico de congestão cerebral, de tão

sar o 3." ano do curso jurídico.- Apresen tado pelo pai a Saldanha Marinho, do no até encontrar uma "república". Cabe a Rui, na matrícula ao 3.° ano,

Recife.

tro .\lves, Augusto Guimarães, Plínio de Lima e outros, segundo refere Regueira Ignora-se outra atividade cívica de Rrii

de apresentação. Rui chega a São Paulo a fim de cur

escritos dc Rui na sua fase estudantil em

Oliveira e o seu cunhado Luís Antônio; a morte de D. Maria Adélia; o caso Dru

dos Pernambucanos.

de reminiscência e sugestiva; êsse en contro forluito valeu pela melhor carta

E.ssa explicação afasta a de persegui ção de famíha, aventada por biógrafos. Nenhum dos pc.squisadorcs da imen sa "ruiana" conseguiu, até a presente data, descobrir, salvo poesias de amor,

Simples calouro, fêz parte de uma so ciedade abolicionista, fundada por Cas

^ Adriano P^ortes de

Vaidade inoconte, perdoâvel aos que, com legítüno orgulho, não cediam à ri val a primazia da eficiência do ensino. Precedido de fama. Rui é imediatamen te chamado à lição. Manoel Dias de Toledo, o argücnte, que se bacharelou com o nascer da Academia, não repri miu o entusiasmo e o externou a José Bonifácio, o moçu, figura preeniinente

l

Coelho. E' proposta a seguin

Santos Werneck, Feli.x Jo sé da Costa e Souza, Emídio

te tese: "Qual a verdade s6bre Catilina?"

Barbosa em Santos, no dia sete de março

dos Santos Lôbo e Adriano

de 1868, ao desembarcarmos do vapor

Fortes de Bustainante, os mes

"Paulista" para os botes, no meio de uma grande algazarra de estudantes. Nós

mos que figuram com o Rui numa fo

do no ano anterior a proposição de mero

tografia muito conhecida da quadra

O Ateneu já havia discuti

viajávamo.s comumente, naqueles modes

acadêmica, durante dois anos foram os

caráter blerário, muito ao gosto da épo ca: "Qual a influência de Shakespeare

Estados Unidos", 2 volumes; TocqueWle, "Democratie en Amerique", 3 volumes;

tos tempos, com duas canastras de cou ro cru para roupas e um caixote de li

seus companheiros na "república" da La

no teatro moderno?" — tema de cultura

deira da Constituição.

Cherbuliez, "Democratie en Suisse", 2 volumes, "Bertauld", "Liberté", obras

vros. Sendo os livros mais pesados do que as pobres roupas, diziam, quase in

gou por estreita amizade a Joaquim

nos dias velozes em que estamos viven

Matoso, Bemardino e Juoa Pamplona,

do.

que definem os rumos do seu espírito

variavelmente, os catraieiros: — "Ahl o

Jú'io Marcondes Bustamante. Pelas car

liberal e ardentemente político. No segundo ano, foi simplificado pe

moço vai meter isto tudo na cabeça este ano"... Chamou-me a atenção o

tas custodiadas na "Casa Rui" sente-se

que viveu entre "namorados" do seu es

lo professor Menezes Drumond, que lhe votava visceral antipatia, e só a instân

bote que singrava na frente do meu, pe

de". O Barão do Rio Branco, ao traçar,

pírito e do seu coração.

no Instituto

cias resolveu ouvi-lo, em sabatina, a 12

de outubro — depõe Batista Pereira, na

lo número mais avultado de cai.\otes,

com o letreiro muito legível do nome — "Rui Barbosa". Perguntei, então, a

■ Ta

Rui ainda se li

desinteressada e sem maior repercussão O Ateneu Paulistano tinha como divi

sa a tríade: "Deus — Pátria — Liberda Histórico e Geogriífico

São Paulo timbravam sempre em "aper

Brasileiro, o nccrologio do Conselheiro Afonso Pena, focalizou a circunstância de

tar" os alunos transferidos de Recife.

o ínclito brasileiro, nos últimos instan-

Os lentes da Faculdade de Direito de


vy:--- ' Dicesto

80

EcoKóxnco

Dicesto Econômico 81

nas a sua aprovação em Francês a 7 de

brilhante conferência que pronunciou

Sancho de Burros Pimentel, de quem se

fevereiro de 1866, em Latim a 13 do mesmo mês, em Geometria a 24, cm Re-

cm São Paulí> sobre "Rui estudante".

riam tantos caLxotcs, este res^xindeume: "Vai ser nosso colega dc ano, é

tóríc-a a 2 de março. Não se encontram

Uly.sses Brandão deu uma interpretação ao c.stranho fato: Drumond profcssasn

fulano, vem de Pernambuco, é um gran

idéias arcaicas c era fanático de Tapa-

de estudante...!"

rePi, o atitor único do Sá e Bcne\'ides

Bustnmante foi o autor desta página

nos arquivos da Faculdade os termos dos outros preparatórios, bem como o da matrícula no primeiro ano do curso ju

em São Paulo; o discípulo, como se vê

rídico. Todos esses exames foram pre

da relaç.ío dos livros adquiridos no Gar

sididos pelo diretor Visconde de Camara-

raux, um "atualizado", iim adversário das

gibe. • Acs 12 de març-o de 1866 matricula-se

doutrinas iillramontanas.

na Faculdade e nove dias depois anun cia, com palavras dc gratidão, ao velho preceptor Barão de Macaúbas, que o amava como a um filho, o ingresso no curso superior.

Em resposta, o emérito educador de tantas gerações vatdcinou futuro radioso ao aluno sem rival.

Costa, apiid Alfredo de Carvalho, Estu

danosas e demoradas conseqüências; a vontade paterna para que conhecesse as

em Recife.

Em 1867, reside no segundo andar da

rua da Matriz, n.° 35, no prédio perten cente a Miguel Joaquim da Costa. Em 12 de março, três dias após a sua matrí cula no 2° ano, adquire na Casa Laiha-

car, antigo Garraux, conforme recibo, os seguintes livros: Story, "Constituição dos

nantes da ida de Rui Barbosa para São "Vim a ter notícia do nome de Rui

Partido Liberal, e Presidente da Pro víncia, bospeda-se no Palácio do Gover

literária.

Não foi amiudada a convÍ\-ência do poe

sem perda de tempo, ã vida política e O Ateneu Paulistano, aos 18 de março

de 1868, celebra a primeira sessão do ano, sob a presidência de Joaquim Nabuco, figura doniinadora, com evidentes

ta com o prosador, embora ti

dotes tribunícios, de impressio

vessem sido até companheiros de casa.'Em São Paulo, Rui

nante beleza física, Foram recebidos como sócios efeti

residiu na antiga Ladeira da

Constituição, hoje rua Florên-

vos os recém-chegados Antô

1^

nio de Castro Alves e Rui Bar bosa, os estudantes Pereira do

cio de Abreu, no Largo de te o Hotel d'Oeste, e na rua

Rêgo, Negreiros Lobato e Ri beiro Rosado, e como sócio ho

da Boa Vista.

norário Luís Cândido Furtado

São Bento, no local onde exis

duas academias, eis as causas determi Pau'o.

da Congregação: "SenÜ-me à frente de um pró-homem do futuro". Com esse primeiro triunfo, atira-se Rui Barbosa,

o número 26, e a Castro Alves o 25.

A luta travada entre João Barbosa de mond; a moléstia que te\'e, com o diag nóstico de congestão cerebral, de tão

sar o 3." ano do curso jurídico.- Apresen tado pelo pai a Saldanha Marinho, do no até encontrar uma "república". Cabe a Rui, na matrícula ao 3.° ano,

Recife.

tro .\lves, Augusto Guimarães, Plínio de Lima e outros, segundo refere Regueira Ignora-se outra atividade cívica de Rrii

de apresentação. Rui chega a São Paulo a fim de cur

escritos dc Rui na sua fase estudantil em

Oliveira e o seu cunhado Luís Antônio; a morte de D. Maria Adélia; o caso Dru

dos Pernambucanos.

de reminiscência e sugestiva; êsse en contro forluito valeu pela melhor carta

E.ssa explicação afasta a de persegui ção de famíha, aventada por biógrafos. Nenhum dos pc.squisadorcs da imen sa "ruiana" conseguiu, até a presente data, descobrir, salvo poesias de amor,

Simples calouro, fêz parte de uma so ciedade abolicionista, fundada por Cas

^ Adriano P^ortes de

Vaidade inoconte, perdoâvel aos que, com legítüno orgulho, não cediam à ri val a primazia da eficiência do ensino. Precedido de fama. Rui é imediatamen te chamado à lição. Manoel Dias de Toledo, o argücnte, que se bacharelou com o nascer da Academia, não repri miu o entusiasmo e o externou a José Bonifácio, o moçu, figura preeniinente

l

Coelho. E' proposta a seguin

Santos Werneck, Feli.x Jo sé da Costa e Souza, Emídio

te tese: "Qual a verdade s6bre Catilina?"

Barbosa em Santos, no dia sete de março

dos Santos Lôbo e Adriano

de 1868, ao desembarcarmos do vapor

Fortes de Bustainante, os mes

"Paulista" para os botes, no meio de uma grande algazarra de estudantes. Nós

mos que figuram com o Rui numa fo

do no ano anterior a proposição de mero

tografia muito conhecida da quadra

O Ateneu já havia discuti

viajávamo.s comumente, naqueles modes

acadêmica, durante dois anos foram os

caráter blerário, muito ao gosto da épo ca: "Qual a influência de Shakespeare

Estados Unidos", 2 volumes; TocqueWle, "Democratie en Amerique", 3 volumes;

tos tempos, com duas canastras de cou ro cru para roupas e um caixote de li

seus companheiros na "república" da La

no teatro moderno?" — tema de cultura

deira da Constituição.

Cherbuliez, "Democratie en Suisse", 2 volumes, "Bertauld", "Liberté", obras

vros. Sendo os livros mais pesados do que as pobres roupas, diziam, quase in

gou por estreita amizade a Joaquim

nos dias velozes em que estamos viven

Matoso, Bemardino e Juoa Pamplona,

do.

que definem os rumos do seu espírito

variavelmente, os catraieiros: — "Ahl o

Jú'io Marcondes Bustamante. Pelas car

liberal e ardentemente político. No segundo ano, foi simplificado pe

moço vai meter isto tudo na cabeça este ano"... Chamou-me a atenção o

tas custodiadas na "Casa Rui" sente-se

que viveu entre "namorados" do seu es

lo professor Menezes Drumond, que lhe votava visceral antipatia, e só a instân

bote que singrava na frente do meu, pe

de". O Barão do Rio Branco, ao traçar,

pírito e do seu coração.

no Instituto

cias resolveu ouvi-lo, em sabatina, a 12

de outubro — depõe Batista Pereira, na

lo número mais avultado de cai.\otes,

com o letreiro muito legível do nome — "Rui Barbosa". Perguntei, então, a

■ Ta

Rui ainda se li

desinteressada e sem maior repercussão O Ateneu Paulistano tinha como divi

sa a tríade: "Deus — Pátria — Liberda Histórico e Geogriífico

São Paulo timbravam sempre em "aper

Brasileiro, o nccrologio do Conselheiro Afonso Pena, focalizou a circunstância de

tar" os alunos transferidos de Recife.

o ínclito brasileiro, nos últimos instan-

Os lentes da Faculdade de Direito de


Dioksto Econômico

82

Dicesto EcoN'ó>nco

tes de vida, ter repetido a divisa da so ciedade acadêmica.

Rui estréia, em 11 de junho, na im

Findas as formalidades rituais, discur saram Rui Barbosa, Freitas Coutinho e

Pamplona de Menezes, pela Loja Amé

prensa, escrevendo longo artigo sobre "A

rica; Ferreira Nobre, pela Loja Sete dc

Centralização das Academias", no jor

Setembro c Vítorino dc Brito, pela Loja

nal político e literário, fundado por Joa quim Nabuco; "A Independência". Opôs-se à idéia da centralização univer sitária na Corte, pleiteada pela "Im prensa Acadêmica", sob a direção do estudante Cândido Leitão, que obedecia à orientação política do Partido Conser

Amizade.

vador, e, no caso vertente, ao Conselhei

ro Duarte de Azevedo, iusignc romanis-

ta. O argumento in\'ocado pela "Im prensa Acadêmica" era o de que a Fa culdade de Direito de São Paulo não

passava de um sorvedouro improfícuo dos dinheiros públicos. O jornal de Nabuco, de vida efêmera,

Encerrou a sessão Antônio

Carlos, o Vencrável da Loja América. Aplaudidíssimos todos. Rui nunca fêz parte da Loja Amizade, como se espalhou. Só pertenceu ã Loja América, fundada por Américo Brasilíense, político de idéias avançadas.

Iniciado por Bcrnurdino Pamplona, que se caracterizava por ser homem de

ação, "um executivo" dir-sc-ia líoje. Rui não demorou a se eleger orador da "Lo ja" e teve a ventura de enfrentar An

tônio Carlos, ü Vencrável, em defesa do projeto que obrigava a todos os mem

bros .daquela instituição a libertar o ven

contou com redatores do quilate de Mar-

tre de suas escravas e a estabelecer como

tim Cabral e Carvallio Moreira e cola

condição prévia de admissão esse com promisso aos futuros iniciandos.

boradores do porte de Castro Alves e •Rui Barbosa. Eis o seu lema: "Honni

soít qui mal y pense".

Vingada a proposta de autoria de Rui,

o Vencrável renunciou. O pedreiro li Uma sessão cívica realizou-se em São' vre ".sui generis", que confessou nunca

Paulo, em preito à data de 2 de julho, tão cara aos baianos, promoxòda por

Castro Alves e Rui Barbosa, que reci

ter tido o culto da solenidade, a confian

ça no prestígio do sigilo e o res peito das hierarquias suntuosas, procla mou: "... àquele grupo de estudantes e liberais, acidentalmente congregados

taram poesias patrióticas. Longa é a que foi declamada pelo segundo. O "Ipiranga" a reproduziu, precedi

sob o rito maçônico, toca a honra na

da da seguinte nota: "Sentimos também

precedência da idéia que, dois anos de

viva satisfação ao publicar a poesia de

pois, o ato de 2'8 de setembro veio con

Rui Barbosa, pois, ao que se nos afigura,

verter em lei do País". Fundaram ain

só essa produção firma uma reputação

da aqueles jovens filantropos, sedentos

literária". E' digno de registro o co mentário: o jornal de Salvador Mendon

de ideal, escolas noturnas para trabalha

ça não era acadêmico e a fama de Rui

ca educacional de indiscutível resultado.

ainda estava nos seus primórdios. Com grande pompa, em sete de julho,

A passagem fugaz de Rui pela maçona-

regulariza-se a "Loja América". Narram os jornais que foi das cerimônias mais belas em lojas maçônicas. Representa va o Grande Oriente o Dr. Falcão Filho.

dores analfabetos, marco de uma políti ria, cessada com a sua formatura em .

Direito, assinala-se pelo "seu nunca in terrompido desvelo pelos humildes e de serdados da fortuna.

A Academia vivia dias de esplendor

\Êtíá

I

Intelectual. Dois dias após a regulariza ção da Loja América, o Ateneu Paulis

tano realiza nova reunião, sob a presldêhcia dc Joaquim Nabuco. Eh^ge Freitas Coulinbo vice-presidente e os acadêmicos Barres Pimcntel c Toaqúim Matoso mcniljros da Comissão de Reda

ção. As demais comissões ficavam assim

constituídas:

Ciências Sociais, Sampaio

Correia c Guerra

S3

Jcaquim Nabuco, era plena athidadc, disserta sôbre a idéia de progresso, com a apo'ogia do cristianismo e da democra

cia. Caivalho Níoreira, o primeiro orador

do Clube, "dandy", que na diplomacia culminou como embaixador em Londres,

discursa sôbre o trabalho, assunto que já começava a ser objeto de preocupação. Alcncastro, o primeiro secretário, faz o

Coutinho; Ciências

relato da ^ ida da sociedade. Ferreira de

Jurídicas, Carvalho Moreira, Maciel e

Menezes, s(k'io benemérito, arrebata o auditório. Oram os representantes do

Joaquim Matoso; Literatura, Castro Al ves, Rui Barbosa c Joaquim Nabuco. Fo ram sorteadas as seguintes teses: "Por que abortou a revolução de 1848?", dis

tribuída a Joaquim Nabuco; "Qual a in fluência do celibato

"Ensaio Filosófico", do "Culto à Ciên cia" e do "Tributo às Letras".

O "Ipiranga" dá esse remate à crô nica acadêmica: "A poesia de Castro Alves, "Tragédia ao Mar", foi delirante

clerical sobre o de-

senvolvimcnt»

mente

do

aplaiidida>

povo?", a Rui Bar

bem como a poesia

bosa; a dissertação jurídica "A reinci

"A

dência deve ser con siderada circunstan

Rui Barbosa".

cia agravante?^', ao

se romântica.

luminoso artista não

verso e não em pro

Humanidade",

do segundo orador Estava Rui em fa Em

afeito ao estudo da

sa, preferia vasar o

ciência do Direito,

seu pensamento polí

ao genial Castro Al ves. Joaquim Nabu

tico, as suas manifes

tações de júbilo pa

co, seguindo as suas

triótico.

inclinações

tro São José, recita, em 3 de agôsto. a

espiri

No Tea

tuais,' tomou ainda o encargo de debater

poesia

a seguinte proposi

extensa como era do

ção: "São necessá

rias duas câmaras em todo país livre?" O Ateneu Paulistano — instituição aca dêmica de incentivo à arte, de interesse

pelos problemas da política, inegavel mente a de mais intenso fulgor — ainda no mesmo mês, em data de 23, promove no salão da Concórdia, sob a Presidência

do Conselheiro Carvão, a sessão solene comemorativa do seu 16.° aniversário.

"Humaitá",

seu estilo, na ínte

gra reproduzida pela "Imprensa Acadê mica".

A mocidade agita-se e entusiasma-se

ante a atitude de José Bonifácio, o mo ço, na sess.ão parlamentar de 17 de jullio, batendo-se, pela verdade constitucional e regeneração política.

. Nabuco lança, em .sua residência, a

idéia de oferecer um banquete, de lar-


Dioksto Econômico

82

Dicesto EcoN'ó>nco

tes de vida, ter repetido a divisa da so ciedade acadêmica.

Rui estréia, em 11 de junho, na im

Findas as formalidades rituais, discur saram Rui Barbosa, Freitas Coutinho e

Pamplona de Menezes, pela Loja Amé

prensa, escrevendo longo artigo sobre "A

rica; Ferreira Nobre, pela Loja Sete dc

Centralização das Academias", no jor

Setembro c Vítorino dc Brito, pela Loja

nal político e literário, fundado por Joa quim Nabuco; "A Independência". Opôs-se à idéia da centralização univer sitária na Corte, pleiteada pela "Im prensa Acadêmica", sob a direção do estudante Cândido Leitão, que obedecia à orientação política do Partido Conser

Amizade.

vador, e, no caso vertente, ao Conselhei

ro Duarte de Azevedo, iusignc romanis-

ta. O argumento in\'ocado pela "Im prensa Acadêmica" era o de que a Fa culdade de Direito de São Paulo não

passava de um sorvedouro improfícuo dos dinheiros públicos. O jornal de Nabuco, de vida efêmera,

Encerrou a sessão Antônio

Carlos, o Vencrável da Loja América. Aplaudidíssimos todos. Rui nunca fêz parte da Loja Amizade, como se espalhou. Só pertenceu ã Loja América, fundada por Américo Brasilíense, político de idéias avançadas.

Iniciado por Bcrnurdino Pamplona, que se caracterizava por ser homem de

ação, "um executivo" dir-sc-ia líoje. Rui não demorou a se eleger orador da "Lo ja" e teve a ventura de enfrentar An

tônio Carlos, ü Vencrável, em defesa do projeto que obrigava a todos os mem

bros .daquela instituição a libertar o ven

contou com redatores do quilate de Mar-

tre de suas escravas e a estabelecer como

tim Cabral e Carvallio Moreira e cola

condição prévia de admissão esse com promisso aos futuros iniciandos.

boradores do porte de Castro Alves e •Rui Barbosa. Eis o seu lema: "Honni

soít qui mal y pense".

Vingada a proposta de autoria de Rui,

o Vencrável renunciou. O pedreiro li Uma sessão cívica realizou-se em São' vre ".sui generis", que confessou nunca

Paulo, em preito à data de 2 de julho, tão cara aos baianos, promoxòda por

Castro Alves e Rui Barbosa, que reci

ter tido o culto da solenidade, a confian

ça no prestígio do sigilo e o res peito das hierarquias suntuosas, procla mou: "... àquele grupo de estudantes e liberais, acidentalmente congregados

taram poesias patrióticas. Longa é a que foi declamada pelo segundo. O "Ipiranga" a reproduziu, precedi

sob o rito maçônico, toca a honra na

da da seguinte nota: "Sentimos também

precedência da idéia que, dois anos de

viva satisfação ao publicar a poesia de

pois, o ato de 2'8 de setembro veio con

Rui Barbosa, pois, ao que se nos afigura,

verter em lei do País". Fundaram ain

só essa produção firma uma reputação

da aqueles jovens filantropos, sedentos

literária". E' digno de registro o co mentário: o jornal de Salvador Mendon

de ideal, escolas noturnas para trabalha

ça não era acadêmico e a fama de Rui

ca educacional de indiscutível resultado.

ainda estava nos seus primórdios. Com grande pompa, em sete de julho,

A passagem fugaz de Rui pela maçona-

regulariza-se a "Loja América". Narram os jornais que foi das cerimônias mais belas em lojas maçônicas. Representa va o Grande Oriente o Dr. Falcão Filho.

dores analfabetos, marco de uma políti ria, cessada com a sua formatura em .

Direito, assinala-se pelo "seu nunca in terrompido desvelo pelos humildes e de serdados da fortuna.

A Academia vivia dias de esplendor

\Êtíá

I

Intelectual. Dois dias após a regulariza ção da Loja América, o Ateneu Paulis

tano realiza nova reunião, sob a presldêhcia dc Joaquim Nabuco. Eh^ge Freitas Coulinbo vice-presidente e os acadêmicos Barres Pimcntel c Toaqúim Matoso mcniljros da Comissão de Reda

ção. As demais comissões ficavam assim

constituídas:

Ciências Sociais, Sampaio

Correia c Guerra

S3

Jcaquim Nabuco, era plena athidadc, disserta sôbre a idéia de progresso, com a apo'ogia do cristianismo e da democra

cia. Caivalho Níoreira, o primeiro orador

do Clube, "dandy", que na diplomacia culminou como embaixador em Londres,

discursa sôbre o trabalho, assunto que já começava a ser objeto de preocupação. Alcncastro, o primeiro secretário, faz o

Coutinho; Ciências

relato da ^ ida da sociedade. Ferreira de

Jurídicas, Carvalho Moreira, Maciel e

Menezes, s(k'io benemérito, arrebata o auditório. Oram os representantes do

Joaquim Matoso; Literatura, Castro Al ves, Rui Barbosa c Joaquim Nabuco. Fo ram sorteadas as seguintes teses: "Por que abortou a revolução de 1848?", dis

tribuída a Joaquim Nabuco; "Qual a in fluência do celibato

"Ensaio Filosófico", do "Culto à Ciên cia" e do "Tributo às Letras".

O "Ipiranga" dá esse remate à crô nica acadêmica: "A poesia de Castro Alves, "Tragédia ao Mar", foi delirante

clerical sobre o de-

senvolvimcnt»

mente

do

aplaiidida>

povo?", a Rui Bar

bem como a poesia

bosa; a dissertação jurídica "A reinci

"A

dência deve ser con siderada circunstan

Rui Barbosa".

cia agravante?^', ao

se romântica.

luminoso artista não

verso e não em pro

Humanidade",

do segundo orador Estava Rui em fa Em

afeito ao estudo da

sa, preferia vasar o

ciência do Direito,

seu pensamento polí

ao genial Castro Al ves. Joaquim Nabu

tico, as suas manifes

tações de júbilo pa

co, seguindo as suas

triótico.

inclinações

tro São José, recita, em 3 de agôsto. a

espiri

No Tea

tuais,' tomou ainda o encargo de debater

poesia

a seguinte proposi

extensa como era do

ção: "São necessá

rias duas câmaras em todo país livre?" O Ateneu Paulistano — instituição aca dêmica de incentivo à arte, de interesse

pelos problemas da política, inegavel mente a de mais intenso fulgor — ainda no mesmo mês, em data de 23, promove no salão da Concórdia, sob a Presidência

do Conselheiro Carvão, a sessão solene comemorativa do seu 16.° aniversário.

"Humaitá",

seu estilo, na ínte

gra reproduzida pela "Imprensa Acadê mica".

A mocidade agita-se e entusiasma-se

ante a atitude de José Bonifácio, o mo ço, na sess.ão parlamentar de 17 de jullio, batendo-se, pela verdade constitucional e regeneração política.

. Nabuco lança, em .sua residência, a

idéia de oferecer um banquete, de lar-


}.1 84

Dicesto Econômico

mmm

Dicesto Econòaoco

85

gas proporções, ao grande democrata,

presidente efetivo o Castro Alves 1.° ora

"Imprensa Acadêmica", o jornal que nas

mais veemente «icômio da democracia.

e forma uma comissão composta de Barros Pimentel, Pereira de Campos e Guerreiro para levar avante o seu ob

dor.

"arcadas" possuía a mais escolhida co

O original dêsse artigo só há pouco foi

laboração. Assim sendo, o redator-chefe

encontrado.

constituía uma espécie de guia político

E' uma pena que hajam desapareci do numerosos jornais acadêmicos. O

jetivo político.

José Bonifácio recebe

Nabuco recebe o voto de louvor

e o diploma de sócio benemérito.

O autógrafo do discurso de posse,

estrondosa manifestação popular ao de

até bá pouco desconhecido dos investi gadores, dos colecionadores da "ruiana",

sembarcar na Estação da Luz, saudado

foi encontrado no porão da "Casa Rui",

e literário da juventude. Da repercus são das eleições de 68, nada mais pre

incêndio da Faculdade de Direito, em

cisaria acrescentar-se do que ter sido êsse

1880, destruiu preciosidades que permi

por Castro Alves e Joaquim Nabuco. O

entre papéis velhos. Não é de se admi

Andrada, que nos saraus paulistanos re citava de cor as imortais poesias do alu

rar que seja inexaurível o prodigioso

acontecimento a única matéria, em dias

tiriam ao historiador reconstituir, com

seguidos, contida na sessão li\Te dos

acervo intelectual de Rui.

matutinos.

da Faculdade de Direito na vida pau

maior segurança e abundância de mi núcias, o ambiente daquele período áu reo, em que atuanmi tão destacados vul

listana!

tos do País.

no, abraça a ambos e ergue um viva ao Conselheiro Nabuco de Araújo, a cabeça divina" como o classificava o pai de Rui Barbosa.

Em 13 de agôsto realiza-se, no Hotel

de França, o célebre banquete da mocidade ao seu "ídolo". Nabuco é o ora dor oficial. Os tribunos Castro Alves e

Ferreira de Menezes não poderiam dei xar de se fazer ouvir. Afonso Pena brin

da a Martinho Campos e Rui dirige a saudação a data de 17 de julho, símbolo de independência, de amor ao princípio da responsabilidade. Desse discurso con tou-se a data do jubileu cívico de Rui Barbosa, comemorado fervorosamente em todo o País.

Modêlo de filho amantíssimo, Rui es

creve nos "A pedidos" do "Ipiranga" de 25 de setembro, em defesa do pai ataca do pelo comentarista do "Diário de São Paulo", um artigo apaixonado e vio

lento. Poucos dias antes, João Barbo sa de Oliveira havia articulado no jornal

Ainda se

dc.scobrem, para tormcnto de bibliófilos,, inéditos de Balzac. "Rui é um mundo"

é a síntc.se do deslumbramento de Ba

Rui, com Sancho de Barres Pimentel,

tista Pereira.

protesta, nos "A pedidos" do "Correio

Rui, com o seu discurso, imprime no Ateneu feição estritamente política. As teses sòbre Catilina e Shakespeare são

Paulistano", contra a exploração que

substituídas pelos temas da democracia

de discursos em sociedade secreta que

a candidatura de Bemardino Pamplona.

recomenda\'a como norma o culto da "Fé, Esperança e Carida de". Não se pode con cluir que essas orações te nham sido proferidas ou os autógrafos recebido a

Acadêitúca"

ta puro como Macliado de Assis ou

procedia-se

separadamente em todos

Um intelectual que

os anos.

perserutava o futuro, artista que cultuava

A reunião dos

terceiranistas foi presidi

a arte para evangelizar as suas idéias,

da por Sancho de Barros

é o que sempre foi. Efefua-se, a 15 de outubro, a sessão

Pimentel. Rui fundamen

da "Imprensa Acadêmica" presidida pelo

a votação ser nominal.

ta o requerimento para

seu redator-chefe Cândido Leitão que, com o apoio de Rodrigues Alves, cujo

Nabuco discorda e a pro posta de Rui é rejeitada.

nome começa a aparecer nos fastos aca

Foram eleitos pela Academia: Martim Cabral, Joaquim Bento e Bemardino Pamplona, ôste último sufragado pelo grupo de Rui. Nabuco não quis ser

dêmicos, propõe nas eleições para êsse cargo tenham os preparatorianos direito de voto. Nabuco, cuja vontade impe rava no casarão do Largo São Francis co, defende com calor a medida. Rui, o caçula do grupo, contrasta o moço per nambucano, e consegue, em atmosfera

Na "Casa Rui", em data recente, fo

ram descobertas umas páginas inacaba das, amarelecidas pelo tempo, originais

se fazia em tômo do caso, c recomenda A eleição da "Imprensa'

e liberdade. Aliás, Rui nunca foi artis

Constancio Alves.

Tão grande era a projeção

candidato.

redação definitiva. A im

pressão é de esboço. In felizmente, no trecho de maior emotividade, de in

vocação à memória ma terna, houve a interrup

ção, o que decepciona e frustra o leitor, Dizia um educador que o caráter de um homem estava na proporção do culto que tivesse por sua mãe. A estatura mo

ral de Rui pode-se aquilatar pelos frag mentos de tocante e sublime amor filial

de exaltação, que a sua opinião pre

o que provocou a reação do jornal con

Quinze de outubro, para os prepara torianos, cujo mundo se resumia no Lar go de São Francisco, é a data "fatídica"! "Quinze de Outubro", o jornal por êles

valeça por 59 votos contra 17. A Rui,

servador, e daí a réplica de Rui, com o

fundado.

Em dois números consecuti

guarda, em sua preciosa seção de obras

cuja argumentação se baseia em textos

raras, um livro de 284 páginas, em que

pseudônimo de "Um baiano".

rígidos do regimento, e na tradição, repugnava admitir a equiparação dos "bi

vos há artigos de protesto contra a ati tude de Rui, qualificada de antidemo

de Salvador de Mendonça, em represá-lia às preterições de que fôra vítima, um libelo contra o Barão de São Lourenço,

Se bem que fôsse "novel" em São

crática.

Paulo e veteranos os seus companheiros chos" aos estudantes da Faculdade de de turma, Rui já senhoreava o meio, Direito de São Paulo. acadêmico. Na reunião de 11 de outu Era de alto significado na vida acadê bro, do Ateneu Paulistano, Rui é eleito mica a escolha do redator-chefe da

Rui colabora na "Imprensa Acadêmi ca".

Na "Tribuna do Povo", jornal

que não me foi dado manusear, redige,o

artigo de apresentação, no qual faz o IL .

que escreveu. São páginas de um co ração despedaçado pela saudade. A Biblioteca Municipal de São Paulo

Rui, terceiranista de Direito, copiou, com letra uniforme e arredondada, resumos,

notas, e-xcertos e traduções das seguintes obras: "L'Anglatene et Ia vie anglaise",

de Esquirós; "Politique Radicale", de J. Simonj "L'instrution publique et le suf-


}.1 84

Dicesto Econômico

mmm

Dicesto Econòaoco

85

gas proporções, ao grande democrata,

presidente efetivo o Castro Alves 1.° ora

"Imprensa Acadêmica", o jornal que nas

mais veemente «icômio da democracia.

e forma uma comissão composta de Barros Pimentel, Pereira de Campos e Guerreiro para levar avante o seu ob

dor.

"arcadas" possuía a mais escolhida co

O original dêsse artigo só há pouco foi

laboração. Assim sendo, o redator-chefe

encontrado.

constituía uma espécie de guia político

E' uma pena que hajam desapareci do numerosos jornais acadêmicos. O

jetivo político.

José Bonifácio recebe

Nabuco recebe o voto de louvor

e o diploma de sócio benemérito.

O autógrafo do discurso de posse,

estrondosa manifestação popular ao de

até bá pouco desconhecido dos investi gadores, dos colecionadores da "ruiana",

sembarcar na Estação da Luz, saudado

foi encontrado no porão da "Casa Rui",

e literário da juventude. Da repercus são das eleições de 68, nada mais pre

incêndio da Faculdade de Direito, em

cisaria acrescentar-se do que ter sido êsse

1880, destruiu preciosidades que permi

por Castro Alves e Joaquim Nabuco. O

entre papéis velhos. Não é de se admi

Andrada, que nos saraus paulistanos re citava de cor as imortais poesias do alu

rar que seja inexaurível o prodigioso

acontecimento a única matéria, em dias

tiriam ao historiador reconstituir, com

seguidos, contida na sessão li\Te dos

acervo intelectual de Rui.

matutinos.

da Faculdade de Direito na vida pau

maior segurança e abundância de mi núcias, o ambiente daquele período áu reo, em que atuanmi tão destacados vul

listana!

tos do País.

no, abraça a ambos e ergue um viva ao Conselheiro Nabuco de Araújo, a cabeça divina" como o classificava o pai de Rui Barbosa.

Em 13 de agôsto realiza-se, no Hotel

de França, o célebre banquete da mocidade ao seu "ídolo". Nabuco é o ora dor oficial. Os tribunos Castro Alves e

Ferreira de Menezes não poderiam dei xar de se fazer ouvir. Afonso Pena brin

da a Martinho Campos e Rui dirige a saudação a data de 17 de julho, símbolo de independência, de amor ao princípio da responsabilidade. Desse discurso con tou-se a data do jubileu cívico de Rui Barbosa, comemorado fervorosamente em todo o País.

Modêlo de filho amantíssimo, Rui es

creve nos "A pedidos" do "Ipiranga" de 25 de setembro, em defesa do pai ataca do pelo comentarista do "Diário de São Paulo", um artigo apaixonado e vio

lento. Poucos dias antes, João Barbo sa de Oliveira havia articulado no jornal

Ainda se

dc.scobrem, para tormcnto de bibliófilos,, inéditos de Balzac. "Rui é um mundo"

é a síntc.se do deslumbramento de Ba

Rui, com Sancho de Barres Pimentel,

tista Pereira.

protesta, nos "A pedidos" do "Correio

Rui, com o seu discurso, imprime no Ateneu feição estritamente política. As teses sòbre Catilina e Shakespeare são

Paulistano", contra a exploração que

substituídas pelos temas da democracia

de discursos em sociedade secreta que

a candidatura de Bemardino Pamplona.

recomenda\'a como norma o culto da "Fé, Esperança e Carida de". Não se pode con cluir que essas orações te nham sido proferidas ou os autógrafos recebido a

Acadêitúca"

ta puro como Macliado de Assis ou

procedia-se

separadamente em todos

Um intelectual que

os anos.

perserutava o futuro, artista que cultuava

A reunião dos

terceiranistas foi presidi

a arte para evangelizar as suas idéias,

da por Sancho de Barros

é o que sempre foi. Efefua-se, a 15 de outubro, a sessão

Pimentel. Rui fundamen

da "Imprensa Acadêmica" presidida pelo

a votação ser nominal.

ta o requerimento para

seu redator-chefe Cândido Leitão que, com o apoio de Rodrigues Alves, cujo

Nabuco discorda e a pro posta de Rui é rejeitada.

nome começa a aparecer nos fastos aca

Foram eleitos pela Academia: Martim Cabral, Joaquim Bento e Bemardino Pamplona, ôste último sufragado pelo grupo de Rui. Nabuco não quis ser

dêmicos, propõe nas eleições para êsse cargo tenham os preparatorianos direito de voto. Nabuco, cuja vontade impe rava no casarão do Largo São Francis co, defende com calor a medida. Rui, o caçula do grupo, contrasta o moço per nambucano, e consegue, em atmosfera

Na "Casa Rui", em data recente, fo

ram descobertas umas páginas inacaba das, amarelecidas pelo tempo, originais

se fazia em tômo do caso, c recomenda A eleição da "Imprensa'

e liberdade. Aliás, Rui nunca foi artis

Constancio Alves.

Tão grande era a projeção

candidato.

redação definitiva. A im

pressão é de esboço. In felizmente, no trecho de maior emotividade, de in

vocação à memória ma terna, houve a interrup

ção, o que decepciona e frustra o leitor, Dizia um educador que o caráter de um homem estava na proporção do culto que tivesse por sua mãe. A estatura mo

ral de Rui pode-se aquilatar pelos frag mentos de tocante e sublime amor filial

de exaltação, que a sua opinião pre

o que provocou a reação do jornal con

Quinze de outubro, para os prepara torianos, cujo mundo se resumia no Lar go de São Francisco, é a data "fatídica"! "Quinze de Outubro", o jornal por êles

valeça por 59 votos contra 17. A Rui,

servador, e daí a réplica de Rui, com o

fundado.

Em dois números consecuti

guarda, em sua preciosa seção de obras

cuja argumentação se baseia em textos

raras, um livro de 284 páginas, em que

pseudônimo de "Um baiano".

rígidos do regimento, e na tradição, repugnava admitir a equiparação dos "bi

vos há artigos de protesto contra a ati tude de Rui, qualificada de antidemo

de Salvador de Mendonça, em represá-lia às preterições de que fôra vítima, um libelo contra o Barão de São Lourenço,

Se bem que fôsse "novel" em São

crática.

Paulo e veteranos os seus companheiros chos" aos estudantes da Faculdade de de turma, Rui já senhoreava o meio, Direito de São Paulo. acadêmico. Na reunião de 11 de outu Era de alto significado na vida acadê bro, do Ateneu Paulistano, Rui é eleito mica a escolha do redator-chefe da

Rui colabora na "Imprensa Acadêmi ca".

Na "Tribuna do Povo", jornal

que não me foi dado manusear, redige,o

artigo de apresentação, no qual faz o IL .

que escreveu. São páginas de um co ração despedaçado pela saudade. A Biblioteca Municipal de São Paulo

Rui, terceiranista de Direito, copiou, com letra uniforme e arredondada, resumos,

notas, e-xcertos e traduções das seguintes obras: "L'Anglatene et Ia vie anglaise",

de Esquirós; "Politique Radicale", de J. Simonj "L'instrution publique et le suf-


5"í

Dicestc» Econômico 86

DiGESTo Econômico

frage universel", de Laboulaye; "Introdutíon à rhistoire du XIX siède", dc

ma c.scoIa, no Brasil, poderá disputar-lhe a ímorrcdoura glória dc conjunto tão

Gervinus; "Lettres sur rAnglaterre", de Louis Blanc; "Thomaz Jefferson", dc

luminoso.

Comélís de Wítt; "Discours populaires", de Edouard Laboulaye; "Allemands et

bendo que o Dr. João Ferreira de Mou

Français", de Henri Hcne;. "Discours",

São Paulo, convida-o, autorizado pelo

de Montalembert; "Les apotrcs", de Er-

pai, para seu padrinho de crisma, em termos que espelham um coração sen sível e grato. Em 12 de março de 1869 regressa a São l'aulo, via Santos. Cinco dias após,

nest Renan; "Un roí constitutionel —

Leopold 1", de Emile de Laveleye; "L'Espagne et Tesclavagc dans les ilcs de

Cuba et de Porto Rico", de M. Aiigustin Cochin; "L'education des femmes et des

affranchis en Amcríque", de Hippeau; "Les Etats Unis pendant Ia gucrre 18611865", de Auguste Langel; "Macbeth -

The Tempest", de Shakespeare; "Reformateurs et publicistes de FEurope",

:

de Franck; "Les Etats Unís en 1861",

L

de George Froh; "L'Eglise libre dans II Etat Etat libre" rio Montalembert; "O <í/-v ho libre", de mem que ri", de Vitor Hugo; "Omsiderações acerca da Revolução France sa" de Burke; "Histoire des Girondins", de Lamartine; "Decadence de Ia "Monarcbie", de Eugène Pelletan; "Conferên cias" de Laboulaye sôbre Horace Mann.

A relação dessas obras, cuja enumera

Rui passou as ferias na Bahia.

neira de realizá-la e antes de encerrar

to literário e o desenvolvimento inte

ral de fina estirpe mineira.

lectual do estudante que continuava com os mesmos métodos de estudos da sua

fase de preparatórios. Nabuco também reproduziu em caderno trechos de au tores que leu. Em "Minha Formação"

cita os escritores prediletos: são quase todos os de Rui.

1868 é o zênite da gloriosa Facul dade de Direito de São Paulo.

Sob

o mesmo teto, abrigavam-se Rui Bar

A idéia caminha, e em 1.° de abril convoca-se nova reunião do Clube Radi cal. Elói Otoni e Rui Barbosa tecem con

siderações em tomo do programa radi

cal. Funda-se o jornal "Radical Paulis tano". Elege-se a comissão de redação: Rui Barbosa, Américo de Campos, Luís Gama, Bernardino Pamplona e Freitas Coutinho. Américo de Campos era, no

dizer de Rui, jornalista de raça, o Luís

bosa, Castro Alves, Joaquim Nabuco,

Gama o sublime boêmio da redenção dos

Rodrigues Alves e Afonso Pena. Cada um desses nomes bastaria para fi.xar uma

a importância de quinhentos mil réis, pa

época e imortaIi2mr uma turma. Nenhu

ra fundo de reserva, entregue .a Paulo'

cativos.

Angaria-se, entre os presentes,

vel que a sua atração era para o jorna lismo e a tribuna popular.

Jacobina Lacombe e dos que por ele foram consultados.

fluenciados pelos mesmos pensadores po

4

i

Rui profere, eni 12 de setembro, no

E* que e.xistia uma

comunhão dc idéias naqueles jovens in

i

a sessão congratula-se com a presença de Elói Otoni, "uma glória do país", libe

que Rodrigues Alves pontificava. Não me foi possível apurar se Rui fêz parte do "Núcleo Jurídico". Indiibitá-

apesar da alta competência do Américo

J %

ção, embora um tanto longa, entendi de suma importância, permite ajuizar o gos

aiwstilas nxnçosas de cunho coinibrão. Era a falange do "Núcleo Jurídico" em

cílima a identificação dos articulistas,

Rui era um temperamento de luta e

nomeia uma comissão para estudar a ma

Havia um grupo, não numeroso, que

vivia às voltas com os praxistas e as

go o pensamento do Clube, tornou difi

se distinguia por ser um indomado. No

Pamplona

exclusivamente

doutrinária, com grande cópia de artigos,

niões individuais c de refletir cada arti

quanto antes.

é acolhida com entusiasmo.

preocupação exclusiva de uma Faculda de de Ciências Jurídicas.

O critério adotado, dc não haver opi

no 4." ano e engolfado na vida acadêmi ca, da qupi deseja que Deus o aparte

A idéia de Rui

A política, se bem que nobilíssíma o

todos sem assinatura.

comunica, cm carta, ao seu primo Con

os ideais democráticos.

sua atividade, não deveria constituir a

Aos 12 dc abril, surge o "Radical

selheiro A'bino, que esta\'a matriculado

a criação de um jornal que sustentasse

buições mensais para a administração

Paulistano", de feição

ra o auxiliou em sua manutenção eni

reunião do Clube Radical, presidida pe lo seu .afeiçoado Bcrnardino PamplOna. Apresenta e fundamenta o projeto para

gü ou cargo de representação nacional.

do próprio Clube.

Sa

dia 21 daquele mês já comparecia à

Emídio dos Santos Lòbo. A quantia é elevada, dada a inodicidadc dus contri

Clube Radical, a sua conferência sobre "O Elemento Servil". O "Ipiranga",

líticos e, estando em início de sua flo

textualmente, escreve: "O distinto e ilus

ração intelectual. Rui ainda não se ha

trado sr. Rui Barbosa, ocupando ante ontem a tribuna das conferências popu

via distanciado, na magia do estilo e

lares para tratar do elemento servil, se houve por tal forma na discussão da sua

concepção de pensamento, de alguns de seus contemporâneos ilustres que colabo ravam no jornal acadêmico. O "Radical Paulistano", cuja assinatu

tese que mais uma vez confirmou os

foros, de que merecidamente goza. de talento superior". O "Correio Paulista

ra anual de doze mil réis era tomada na

no" reproduz o mesmo extrato publicado

tipografia do "Ipiranga", publicava-se

pelo "Ipiranga", o que denota autenti

uma vez por semana, e professava a dou

cidade 6 prova ter sido distribuído pel^^ trina liberal em toda a sua plenitude, Clube e declara que a matéria foi tra propugnando, principabnente, as seguin tada "com «nu» ilustração não vultes reformas: descentralização; ensino li vre; polícia eletiva; abolição da Guarda

Realmente, causa pasmo a antc\'isao

Nacional; Senado temporário e eletivo;

daquele jo\'en que ainda não havia comp'etado vinte anosl Desenvolve a ar gumentação de que é preciso evitar que

extinção do poder moderador; separação

da judicatura da polícia; substituição do trabalho servil pelo trabalho livre; pre

a mentalidade escravista influa nas ins tituições e costumes pátrios. Mostra-se

sidentes de província eleitos; suspensão e

responsabilidade dos magistrados pelos tribunais superiores e poder legislativo;

magistratura independente, e a escolha dos seus membros fora da ação do go-

vêmd; proibição aos representantes da na ção de aceitarem nomeação para empre

gos públicos e igualmente títulos e con decorações; o? funcionários públicos, uma

vez eleitos, deverão optar pelo emprê-

. ..

adversário da imigração asiática — uma

lição dada, com antecedência de mais cie meio século, a políticos impreviden tes e imediatistas — por considerá-la "uma imigração de coolis, que o pais deve repelir a todo transe, e importa a introdução de outra escravaria, tão vil, tão imoral quanto a escravaria africana".

.


5"í

Dicestc» Econômico 86

DiGESTo Econômico

frage universel", de Laboulaye; "Introdutíon à rhistoire du XIX siède", dc

ma c.scoIa, no Brasil, poderá disputar-lhe a ímorrcdoura glória dc conjunto tão

Gervinus; "Lettres sur rAnglaterre", de Louis Blanc; "Thomaz Jefferson", dc

luminoso.

Comélís de Wítt; "Discours populaires", de Edouard Laboulaye; "Allemands et

bendo que o Dr. João Ferreira de Mou

Français", de Henri Hcne;. "Discours",

São Paulo, convida-o, autorizado pelo

de Montalembert; "Les apotrcs", de Er-

pai, para seu padrinho de crisma, em termos que espelham um coração sen sível e grato. Em 12 de março de 1869 regressa a São l'aulo, via Santos. Cinco dias após,

nest Renan; "Un roí constitutionel —

Leopold 1", de Emile de Laveleye; "L'Espagne et Tesclavagc dans les ilcs de

Cuba et de Porto Rico", de M. Aiigustin Cochin; "L'education des femmes et des

affranchis en Amcríque", de Hippeau; "Les Etats Unis pendant Ia gucrre 18611865", de Auguste Langel; "Macbeth -

The Tempest", de Shakespeare; "Reformateurs et publicistes de FEurope",

:

de Franck; "Les Etats Unís en 1861",

L

de George Froh; "L'Eglise libre dans II Etat Etat libre" rio Montalembert; "O <í/-v ho libre", de mem que ri", de Vitor Hugo; "Omsiderações acerca da Revolução France sa" de Burke; "Histoire des Girondins", de Lamartine; "Decadence de Ia "Monarcbie", de Eugène Pelletan; "Conferên cias" de Laboulaye sôbre Horace Mann.

A relação dessas obras, cuja enumera

Rui passou as ferias na Bahia.

neira de realizá-la e antes de encerrar

to literário e o desenvolvimento inte

ral de fina estirpe mineira.

lectual do estudante que continuava com os mesmos métodos de estudos da sua

fase de preparatórios. Nabuco também reproduziu em caderno trechos de au tores que leu. Em "Minha Formação"

cita os escritores prediletos: são quase todos os de Rui.

1868 é o zênite da gloriosa Facul dade de Direito de São Paulo.

Sob

o mesmo teto, abrigavam-se Rui Bar

A idéia caminha, e em 1.° de abril convoca-se nova reunião do Clube Radi cal. Elói Otoni e Rui Barbosa tecem con

siderações em tomo do programa radi

cal. Funda-se o jornal "Radical Paulis tano". Elege-se a comissão de redação: Rui Barbosa, Américo de Campos, Luís Gama, Bernardino Pamplona e Freitas Coutinho. Américo de Campos era, no

dizer de Rui, jornalista de raça, o Luís

bosa, Castro Alves, Joaquim Nabuco,

Gama o sublime boêmio da redenção dos

Rodrigues Alves e Afonso Pena. Cada um desses nomes bastaria para fi.xar uma

a importância de quinhentos mil réis, pa

época e imortaIi2mr uma turma. Nenhu

ra fundo de reserva, entregue .a Paulo'

cativos.

Angaria-se, entre os presentes,

vel que a sua atração era para o jorna lismo e a tribuna popular.

Jacobina Lacombe e dos que por ele foram consultados.

fluenciados pelos mesmos pensadores po

4

i

Rui profere, eni 12 de setembro, no

E* que e.xistia uma

comunhão dc idéias naqueles jovens in

i

a sessão congratula-se com a presença de Elói Otoni, "uma glória do país", libe

que Rodrigues Alves pontificava. Não me foi possível apurar se Rui fêz parte do "Núcleo Jurídico". Indiibitá-

apesar da alta competência do Américo

J %

ção, embora um tanto longa, entendi de suma importância, permite ajuizar o gos

aiwstilas nxnçosas de cunho coinibrão. Era a falange do "Núcleo Jurídico" em

cílima a identificação dos articulistas,

Rui era um temperamento de luta e

nomeia uma comissão para estudar a ma

Havia um grupo, não numeroso, que

vivia às voltas com os praxistas e as

go o pensamento do Clube, tornou difi

se distinguia por ser um indomado. No

Pamplona

exclusivamente

doutrinária, com grande cópia de artigos,

niões individuais c de refletir cada arti

quanto antes.

é acolhida com entusiasmo.

preocupação exclusiva de uma Faculda de de Ciências Jurídicas.

O critério adotado, dc não haver opi

no 4." ano e engolfado na vida acadêmi ca, da qupi deseja que Deus o aparte

A idéia de Rui

A política, se bem que nobilíssíma o

todos sem assinatura.

comunica, cm carta, ao seu primo Con

os ideais democráticos.

sua atividade, não deveria constituir a

Aos 12 dc abril, surge o "Radical

selheiro A'bino, que esta\'a matriculado

a criação de um jornal que sustentasse

buições mensais para a administração

Paulistano", de feição

ra o auxiliou em sua manutenção eni

reunião do Clube Radical, presidida pe lo seu .afeiçoado Bcrnardino PamplOna. Apresenta e fundamenta o projeto para

gü ou cargo de representação nacional.

do próprio Clube.

Sa

dia 21 daquele mês já comparecia à

Emídio dos Santos Lòbo. A quantia é elevada, dada a inodicidadc dus contri

Clube Radical, a sua conferência sobre "O Elemento Servil". O "Ipiranga",

líticos e, estando em início de sua flo

textualmente, escreve: "O distinto e ilus

ração intelectual. Rui ainda não se ha

trado sr. Rui Barbosa, ocupando ante ontem a tribuna das conferências popu

via distanciado, na magia do estilo e

lares para tratar do elemento servil, se houve por tal forma na discussão da sua

concepção de pensamento, de alguns de seus contemporâneos ilustres que colabo ravam no jornal acadêmico. O "Radical Paulistano", cuja assinatu

tese que mais uma vez confirmou os

foros, de que merecidamente goza. de talento superior". O "Correio Paulista

ra anual de doze mil réis era tomada na

no" reproduz o mesmo extrato publicado

tipografia do "Ipiranga", publicava-se

pelo "Ipiranga", o que denota autenti

uma vez por semana, e professava a dou

cidade 6 prova ter sido distribuído pel^^ trina liberal em toda a sua plenitude, Clube e declara que a matéria foi tra propugnando, principabnente, as seguin tada "com «nu» ilustração não vultes reformas: descentralização; ensino li vre; polícia eletiva; abolição da Guarda

Realmente, causa pasmo a antc\'isao

Nacional; Senado temporário e eletivo;

daquele jo\'en que ainda não havia comp'etado vinte anosl Desenvolve a ar gumentação de que é preciso evitar que

extinção do poder moderador; separação

da judicatura da polícia; substituição do trabalho servil pelo trabalho livre; pre

a mentalidade escravista influa nas ins tituições e costumes pátrios. Mostra-se

sidentes de província eleitos; suspensão e

responsabilidade dos magistrados pelos tribunais superiores e poder legislativo;

magistratura independente, e a escolha dos seus membros fora da ação do go-

vêmd; proibição aos representantes da na ção de aceitarem nomeação para empre

gos públicos e igualmente títulos e con decorações; o? funcionários públicos, uma

vez eleitos, deverão optar pelo emprê-

. ..

adversário da imigração asiática — uma

lição dada, com antecedência de mais cie meio século, a políticos impreviden tes e imediatistas — por considerá-la "uma imigração de coolis, que o pais deve repelir a todo transe, e importa a introdução de outra escravaria, tão vil, tão imoral quanto a escravaria africana".

.


68

Dicesto Econômico DrcESTo

Proclama a necessidade da imigração eu ropéia,

"essencialmente

incompatível

com a manutenção do trabalho servil".

Reivindicou Rui, em discurso proferi

extremados. Não consegui obter resumo da produção do insigne doutrinador. O "Correio Paulistano" diz apenas que hou

69

via sempre a declaração de que eram extensivos às pessoas menos instruídas. Rui estava em tôda parte, e o ho

ve "muito sucesso".

que a "Fraternidade" se tomasse públi ca. Sugeriu, então, o nome de "Frater

nidade Primeira" para conservar a antiga

mem de ação parecia sobrepujar o in

denominaç:lo e diferençar-se da outra.

Radical. Se bem que o ingresso às con

telectual. Nc.ssc ano de 1869, foi ainda

Com Joaquim Níatoso e Santos Lobo,

ferências fosse livre, sòmente os membros

alvo de uma distinção: na sessão mag

Rui redige os estatutos. Rodrigues Al

do Clube, quando eleitos, poderiam dis

na da Sociedade Acadêmica Beneficen

ves, Ferreira Nobre e Teixeira de Car\ a-

cursar.

te, que já contava 16 anos de existên

Iho são encarregados de historiar toda a

Havia disciplina e ordem no Clube

do no salão-nobre da -Faculdade de Di

reito de São Paulo, na fase agitada da campanha civilista, ter sido êle quem

Econômico

tratou, na tribuna dos comícios, pela pri meira vez no Brasil, o problema da es cravidão do negro. Com aquela análise dos problemas

das diretrizes Inflexíveis do Clube, que tinha todas as características de partido

cia, com Carlos Augusto de Car\^alho e

rida secreta da "Fraternidade".

Felix José da Costa, Rui foi eleito para

Barbosa, Luís Gama e Rodrigues Alves,

brasileiros, de tão profunda repercussão, pode-se afirmar, sem erro de perspectiva

político, obrigava-se a apresentar à dire toria, para c.xame, um extrato da pales

a Comissão Econômica.

histórica, que Rui se tomou a figura primaz da sua geração. Rui profere,.em 7 de novembro, nova

400 pessoas, do tôdas as classes sociais,

conferência no Clube Radical, à rua São

e de níveis intelectuais diversos. Obser

dade de São Paulo, para completar o

José, sôbre "A descentralização", maté

vei que, nos convites para as conferên

curso jurídico, veio Rui Barbosa com

ria de sumo interêsse para os liberais

cias de Rui, estampados nos jornais, ha-

grande disposição para as lutas cívicas.

za-se, logo após, em noite de ga'a. li bertando três escravos, paraninfados pe lo bacharelando Rodrigues Alvos. Vera

Assim, em três noites consecutivas (17,

a público o nome do seu presidente; João

O orador, para não se afastar

A Sociedade

os incumbidos de defender os negros

tra, que não era lida. O auditório, sem

Acadêmica Beneficente usufruía prestí gio na Faculdade e era presidida por

mantidos cm cativeiro ilegal e advogar as causas dos escravos desamparados dos

pre numeroso, calculava-se em 300 a

Joaquim Matoso Duque Estrada,

seus senhores. A "Fraternidade Primeira" extoriori-

Ao retomar em março de 1870 à ci

18 e 19 de março) realizou "cabal defe

Francisco Leite Nunes. Carlos Augusto

sa dos princípios democráticos".

Não

de Carvalho é o secretário e José Fer

conbeço o têxto dessas orações.

Mas

reira Nobre o tesoureiro.

sabe-se que a "Loja América", em ses

' r

Rui

»r ■ at-

-Üfe

r-

I;-

m r -4 <

Um bravo a êsse moços que soube

são celebrada aos 21 do aludido mês,

ram guardar tão lindo segredo! Hosana

deliberou q\ie fôsse louvada a "brilhan te exposição". Ato que nos leva a supor que êsses discursos' foram proferidos em loja maçônica. Aos 9 de abril, instalava-se com gran de aparato, na sede da "Loja Amizade",

à juventude, que, sendo fé e sendo es

perança, se sublimava na prática da ca ridade, que é amorl Rui pertenceu às sociedades secretas da Academia. Mas o seu temperamen

to não se adaptava à penumbra. Amava

que era a mais antiga sociedade de pe

o proscênio, a rua. Pouco depois, em 12

dreiros livres da Paulicéia, a "Fratemi-

de junho, pronunciou nova conferência

zação", grêmio abolicionista, do qual fez parte, entre outros, o famoso orador

no Clube R.idiml. O tema não poderia

deixar* de ser político. Rui, que pel^s

Monsenhor Francisco de Paula, o Padre

correligionários era considerado antect-

Chico. Dirigiam o movimento estudan

percussão na Academia. E' qúe, entre

pador do futuro e pelos adversários mo ço de idéias subversivas, ventilou: "A situação política e os fatos que a caracte

as sociedades secretas que pululavam na

rizam".

tes de Direito.

O fato teve imensa re

Faculdade, existia desde 1864 a "Fra

Bem significativo é o trecho do con

ternidade", a primeira que no Brasil le

vite transmitido pelo Clube Radical in-

vantou o facho da liberdade do negro e com ramificações em todos o País.

serto no "Correio Paulistano", em .lua

Rui Barbosa — sempre êle — propôs,

pelo comparecimento do homem do po

em reunião realizada no dia imediato,

vo — os que mais sofrem e os que mais

seção livre: "O Clube insta sobretudo


68

Dicesto Econômico DrcESTo

Proclama a necessidade da imigração eu ropéia,

"essencialmente

incompatível

com a manutenção do trabalho servil".

Reivindicou Rui, em discurso proferi

extremados. Não consegui obter resumo da produção do insigne doutrinador. O "Correio Paulistano" diz apenas que hou

69

via sempre a declaração de que eram extensivos às pessoas menos instruídas. Rui estava em tôda parte, e o ho

ve "muito sucesso".

que a "Fraternidade" se tomasse públi ca. Sugeriu, então, o nome de "Frater

nidade Primeira" para conservar a antiga

mem de ação parecia sobrepujar o in

denominaç:lo e diferençar-se da outra.

Radical. Se bem que o ingresso às con

telectual. Nc.ssc ano de 1869, foi ainda

Com Joaquim Níatoso e Santos Lobo,

ferências fosse livre, sòmente os membros

alvo de uma distinção: na sessão mag

Rui redige os estatutos. Rodrigues Al

do Clube, quando eleitos, poderiam dis

na da Sociedade Acadêmica Beneficen

ves, Ferreira Nobre e Teixeira de Car\ a-

cursar.

te, que já contava 16 anos de existên

Iho são encarregados de historiar toda a

Havia disciplina e ordem no Clube

do no salão-nobre da -Faculdade de Di

reito de São Paulo, na fase agitada da campanha civilista, ter sido êle quem

Econômico

tratou, na tribuna dos comícios, pela pri meira vez no Brasil, o problema da es cravidão do negro. Com aquela análise dos problemas

das diretrizes Inflexíveis do Clube, que tinha todas as características de partido

cia, com Carlos Augusto de Car\^alho e

rida secreta da "Fraternidade".

Felix José da Costa, Rui foi eleito para

Barbosa, Luís Gama e Rodrigues Alves,

brasileiros, de tão profunda repercussão, pode-se afirmar, sem erro de perspectiva

político, obrigava-se a apresentar à dire toria, para c.xame, um extrato da pales

a Comissão Econômica.

histórica, que Rui se tomou a figura primaz da sua geração. Rui profere,.em 7 de novembro, nova

400 pessoas, do tôdas as classes sociais,

conferência no Clube Radical, à rua São

e de níveis intelectuais diversos. Obser

dade de São Paulo, para completar o

José, sôbre "A descentralização", maté

vei que, nos convites para as conferên

curso jurídico, veio Rui Barbosa com

ria de sumo interêsse para os liberais

cias de Rui, estampados nos jornais, ha-

grande disposição para as lutas cívicas.

za-se, logo após, em noite de ga'a. li bertando três escravos, paraninfados pe lo bacharelando Rodrigues Alvos. Vera

Assim, em três noites consecutivas (17,

a público o nome do seu presidente; João

O orador, para não se afastar

A Sociedade

os incumbidos de defender os negros

tra, que não era lida. O auditório, sem

Acadêmica Beneficente usufruía prestí gio na Faculdade e era presidida por

mantidos cm cativeiro ilegal e advogar as causas dos escravos desamparados dos

pre numeroso, calculava-se em 300 a

Joaquim Matoso Duque Estrada,

seus senhores. A "Fraternidade Primeira" extoriori-

Ao retomar em março de 1870 à ci

18 e 19 de março) realizou "cabal defe

Francisco Leite Nunes. Carlos Augusto

sa dos princípios democráticos".

Não

de Carvalho é o secretário e José Fer

conbeço o têxto dessas orações.

Mas

reira Nobre o tesoureiro.

sabe-se que a "Loja América", em ses

' r

Rui

»r ■ at-

-Üfe

r-

I;-

m r -4 <

Um bravo a êsse moços que soube

são celebrada aos 21 do aludido mês,

ram guardar tão lindo segredo! Hosana

deliberou q\ie fôsse louvada a "brilhan te exposição". Ato que nos leva a supor que êsses discursos' foram proferidos em loja maçônica. Aos 9 de abril, instalava-se com gran de aparato, na sede da "Loja Amizade",

à juventude, que, sendo fé e sendo es

perança, se sublimava na prática da ca ridade, que é amorl Rui pertenceu às sociedades secretas da Academia. Mas o seu temperamen

to não se adaptava à penumbra. Amava

que era a mais antiga sociedade de pe

o proscênio, a rua. Pouco depois, em 12

dreiros livres da Paulicéia, a "Fratemi-

de junho, pronunciou nova conferência

zação", grêmio abolicionista, do qual fez parte, entre outros, o famoso orador

no Clube R.idiml. O tema não poderia

deixar* de ser político. Rui, que pel^s

Monsenhor Francisco de Paula, o Padre

correligionários era considerado antect-

Chico. Dirigiam o movimento estudan

percussão na Academia. E' qúe, entre

pador do futuro e pelos adversários mo ço de idéias subversivas, ventilou: "A situação política e os fatos que a caracte

as sociedades secretas que pululavam na

rizam".

tes de Direito.

O fato teve imensa re

Faculdade, existia desde 1864 a "Fra

Bem significativo é o trecho do con

ternidade", a primeira que no Brasil le

vite transmitido pelo Clube Radical in-

vantou o facho da liberdade do negro e com ramificações em todos o País.

serto no "Correio Paulistano", em .lua

Rui Barbosa — sempre êle — propôs,

pelo comparecimento do homem do po

em reunião realizada no dia imediato,

vo — os que mais sofrem e os que mais

seção livre: "O Clube insta sobretudo


Digesto Econômico

90

 aproximação do término do curso juridico. Rui se retrai do jornalismo. O

diretamente devem con]ieccr de onde nascem os nossos males". •»

um "transunto déssc importantíssimo dis

Radical Paulistano cnuidccou.

curso", não satisfez a curiosidade de

Essa nota fotografa o ambiente de agitação reinante nos meios acadêmicos

seus leitores.

demia respira\a pelo.s pulmões da "Im prensa Acadêmica", de orientação eclé tica, dirigida polo liberal Afonso Pena c

contra os dirigentes reacionsirios.

do não era livresco; predominava o es

O

Vê-se, pois, que em São Paulo o estu

A Aca

corpo de delito da falta de seriedade que om grande escala liurava no ensino superior do Brasil. "Uma lição de Direito Romano, em que ao Direito Romano nem remota

mente so alude'"! Rui não generalizava: excetuou, em discurso antológico, como

pelo conservador Rodrigues Alves. Rui escrc\eu, entre outras, as scguintc.s dissertações jurídicas: Ninguém pode

professar, um José Bonifácio, o moço, cuja aula inaugural—"Retroatividade das

Clube Radical distribuiu também êste

pírito de luta, de civismo, de reação li

comunicado, expressivo em seus concei tos: "Deve ser animada entre nós a prá

ser obrigado a demandar em juízo; Es

leis" — deixou profimdo vinco cm seu es

tica de tais reuniões: são elas a escola

beral. Dêsse espírito, era expoente o es tudante Rui Barbosa, orador político por excelência, do um patriotismo inflamá-

tará revogado o artigo 7.° da lei de 30

onde se desenvolve esta virtude que

vol.

cfc agõsto de 1830, em \ ista do que de

pírito, dando-lhe, num relance, a sensa ção da gmndeza da ciência que abraçara.

termina o artigo 310 do Código Criminxil?; Da prova plena e semi-plena; Pe tição inicial e Processo de Embargos à

época, importa ainda não esquecer que,

constitui a força das sociedades livres e

que tão desastradamente nos falta — o civismo — o amor da causa pública. "Todo e qualquer cidadão deve ser

Certa vez, arrebatado pela emoção, proferiu, de improviso, num dos extre mos da rua do São Bento, da sacada do sobrado do Dr. Cúmcra, calorosa

Primeira.

fiscal da República e para isso deve ser

saudação aos soldados brasileiros que

habilitado.

"O povo que não procede assim apo

desfilavam vitoriosos, de regresso dos campos de batalha do Paraguai.

Embora tenham apreciável valor, pe la indicação das fontes, scgurançsr de raciocínio e clareza de. e.xposição, essas

drece na escravidão mais ou menos dis farçada. A nação brasileira está nesse

Ameaçado de reação material pelos conservadores e de processo disciplinar

dissertações não correspondem à fama do

caso.

pelo Dr. Falcfio Filho, Diretor da Fa

estudante. Quando redigiu as aludidas proposições, u última das quais foi entre

culdade de Direito, em três noites con

gue em data posterior à da sua forma

secutivas, pede Rui o auxílio das tropas para a libertação dos pretos. Querendo tirar partido para a causa

tura em Direito, ainda estava com a saúde bastante alterada. Proibido de ler

"Cabe-lhe como uma luva esta frase

de Bancel: "Os povos são cúmplices dos seus tiranos".

Rui, na conferência, examinou o esta

do geral da nossa miséria política e das nossas finanças, os desperdícios oficiais,

o "maldito imperialismo", a instrução pú blica, a guerra, o elemento servil e o

abatimento do espírito nacional. Enfim, uma dissecação.

de Américo de Campos, investe contra

e de qualquer esforço de memória, não freqüentava as aulas: na residência do Dr. Jaime Serva, localizada em frente à antiga Farmácia Veado de Ouro, à rua

os adversários e lança os dardos da sua palavra contra a nefanda instituição.

de São Bento, acompanhava o desenvol vimento do curso jurídico, ouvindo com

Tecendo um hino à liberdade, falou,

sacrifício e tédio, de antigos companhei ros de casa, que o envolveram de cari nho, a leitura de enfadonhas apostilas

que com tanto denodo encarnava, o su

blime agitador, que se achava ao lado

Reconstituindo as circunstâncias da

se os assuntos das dissertações ofereciam

— c de\'iam oferecer, àquele tempo — algum interèsse, bem menor atrativo de

vem apresentar hoje, alteradas as dispo sições legislati\'as fundamentais, c, com elas, a própria doutrina. Não tendo sido publicadas iia ínte

gra as suas conferências populares, que forani os trabalhos de fôlego e de maior erudição e brilho do período acadêmico; não sendo possível a identificação de uma parte considerável da sua obra jor nalística pelos motivos já aqui expostos, e sendo as dissertações juridicas, as que

foram salvas do incêndio, redigidas em fase anormal da sua saúde, o leitor está impossibilitado de ajuizar, com segurança plena, da altura a que se alçou a sua produção acadêmica.

Da impressão causada pelo exame des sas idéias, apesar do caráter panfletário

pela segunda vez, da escada do Hotel de França; pela terceira, de uma casa

do que se levestfrani, dão exata medida estes parágrafos do comentário do "Cor

da mesma rua, sempre ovacionado por enorme massa popular. Entre os que o

reio Paulistano", no assunto insuspeito:

ouviram e narravam, até' bem pouco

"O sr. Rui Barbosa discutiu com gran

Não há quem ignore quanto o es

de proficiência e com fervente aplauso

tempo, o arrojado feito, apontavam-se Bucno de Andrada, provecto representan

tudo por apostilas tem de irracional e deficrente, conduzindo sobretudo à me

dos ouvintes", e mais adiante "o ilustra

te de São Paulo no Parlamento Nacio

cal, correspondem ao prelúdio do "Ouro

do orador, uma das glórias mais ro bustas da geração acadêmica atual, quer pelo seu elevado talento, quer pela fir meza democrática às suas convicções po

morização. O ensino era falho e o pró

nal, e Magalhães Castro, antigo gerente

prio Rui, quando escreveu o notável

do Reno , a tradução em som do nasci

líticas, arrebatou seus ouvintes pelo mo

lavam entre os bacharelandos de Direito.

do período acadêmico, reimpressas em

"Parecer sobre a Reforma do Ensino Su

cia que a Câmara Municipal admitiu a

Benevides, que, no seu entender, era o

possibilidade de suspender o tríduo das

questões sociais".

festas oficiais.

Apesar de prometer

ta Pereira, em relação às poesias de Rui

da Caixa Econômica Federal, no Rio de Janeiro. O gesto de Rui teve tal ressonân

do por que encarou as mais notáveis

Com o mesmo julgamento de Batis

que, reproduzidas pela litografia, circu

perior", reproduziu uma lição de Direito Romano, ministrada pelo Prof. Sá e

volume à parte, os escritos nesse livro

são "as nascentes do Amazonas da pa

lavra brasileira , e,, em imagem musi mento do rio lendário, no conjunto da portentosa "Tetralogia". Em 28 de outubro, fizeram exames e

foram aprovados: Afonso Augusto MoO


Digesto Econômico

90

 aproximação do término do curso juridico. Rui se retrai do jornalismo. O

diretamente devem con]ieccr de onde nascem os nossos males". •»

um "transunto déssc importantíssimo dis

Radical Paulistano cnuidccou.

curso", não satisfez a curiosidade de

Essa nota fotografa o ambiente de agitação reinante nos meios acadêmicos

seus leitores.

demia respira\a pelo.s pulmões da "Im prensa Acadêmica", de orientação eclé tica, dirigida polo liberal Afonso Pena c

contra os dirigentes reacionsirios.

do não era livresco; predominava o es

O

Vê-se, pois, que em São Paulo o estu

A Aca

corpo de delito da falta de seriedade que om grande escala liurava no ensino superior do Brasil. "Uma lição de Direito Romano, em que ao Direito Romano nem remota

mente so alude'"! Rui não generalizava: excetuou, em discurso antológico, como

pelo conservador Rodrigues Alves. Rui escrc\eu, entre outras, as scguintc.s dissertações jurídicas: Ninguém pode

professar, um José Bonifácio, o moço, cuja aula inaugural—"Retroatividade das

Clube Radical distribuiu também êste

pírito de luta, de civismo, de reação li

comunicado, expressivo em seus concei tos: "Deve ser animada entre nós a prá

ser obrigado a demandar em juízo; Es

leis" — deixou profimdo vinco cm seu es

tica de tais reuniões: são elas a escola

beral. Dêsse espírito, era expoente o es tudante Rui Barbosa, orador político por excelência, do um patriotismo inflamá-

tará revogado o artigo 7.° da lei de 30

onde se desenvolve esta virtude que

vol.

cfc agõsto de 1830, em \ ista do que de

pírito, dando-lhe, num relance, a sensa ção da gmndeza da ciência que abraçara.

termina o artigo 310 do Código Criminxil?; Da prova plena e semi-plena; Pe tição inicial e Processo de Embargos à

época, importa ainda não esquecer que,

constitui a força das sociedades livres e

que tão desastradamente nos falta — o civismo — o amor da causa pública. "Todo e qualquer cidadão deve ser

Certa vez, arrebatado pela emoção, proferiu, de improviso, num dos extre mos da rua do São Bento, da sacada do sobrado do Dr. Cúmcra, calorosa

Primeira.

fiscal da República e para isso deve ser

saudação aos soldados brasileiros que

habilitado.

"O povo que não procede assim apo

desfilavam vitoriosos, de regresso dos campos de batalha do Paraguai.

Embora tenham apreciável valor, pe la indicação das fontes, scgurançsr de raciocínio e clareza de. e.xposição, essas

drece na escravidão mais ou menos dis farçada. A nação brasileira está nesse

Ameaçado de reação material pelos conservadores e de processo disciplinar

dissertações não correspondem à fama do

caso.

pelo Dr. Falcfio Filho, Diretor da Fa

estudante. Quando redigiu as aludidas proposições, u última das quais foi entre

culdade de Direito, em três noites con

gue em data posterior à da sua forma

secutivas, pede Rui o auxílio das tropas para a libertação dos pretos. Querendo tirar partido para a causa

tura em Direito, ainda estava com a saúde bastante alterada. Proibido de ler

"Cabe-lhe como uma luva esta frase

de Bancel: "Os povos são cúmplices dos seus tiranos".

Rui, na conferência, examinou o esta

do geral da nossa miséria política e das nossas finanças, os desperdícios oficiais,

o "maldito imperialismo", a instrução pú blica, a guerra, o elemento servil e o

abatimento do espírito nacional. Enfim, uma dissecação.

de Américo de Campos, investe contra

e de qualquer esforço de memória, não freqüentava as aulas: na residência do Dr. Jaime Serva, localizada em frente à antiga Farmácia Veado de Ouro, à rua

os adversários e lança os dardos da sua palavra contra a nefanda instituição.

de São Bento, acompanhava o desenvol vimento do curso jurídico, ouvindo com

Tecendo um hino à liberdade, falou,

sacrifício e tédio, de antigos companhei ros de casa, que o envolveram de cari nho, a leitura de enfadonhas apostilas

que com tanto denodo encarnava, o su

blime agitador, que se achava ao lado

Reconstituindo as circunstâncias da

se os assuntos das dissertações ofereciam

— c de\'iam oferecer, àquele tempo — algum interèsse, bem menor atrativo de

vem apresentar hoje, alteradas as dispo sições legislati\'as fundamentais, c, com elas, a própria doutrina. Não tendo sido publicadas iia ínte

gra as suas conferências populares, que forani os trabalhos de fôlego e de maior erudição e brilho do período acadêmico; não sendo possível a identificação de uma parte considerável da sua obra jor nalística pelos motivos já aqui expostos, e sendo as dissertações juridicas, as que

foram salvas do incêndio, redigidas em fase anormal da sua saúde, o leitor está impossibilitado de ajuizar, com segurança plena, da altura a que se alçou a sua produção acadêmica.

Da impressão causada pelo exame des sas idéias, apesar do caráter panfletário

pela segunda vez, da escada do Hotel de França; pela terceira, de uma casa

do que se levestfrani, dão exata medida estes parágrafos do comentário do "Cor

da mesma rua, sempre ovacionado por enorme massa popular. Entre os que o

reio Paulistano", no assunto insuspeito:

ouviram e narravam, até' bem pouco

"O sr. Rui Barbosa discutiu com gran

Não há quem ignore quanto o es

de proficiência e com fervente aplauso

tempo, o arrojado feito, apontavam-se Bucno de Andrada, provecto representan

tudo por apostilas tem de irracional e deficrente, conduzindo sobretudo à me

dos ouvintes", e mais adiante "o ilustra

te de São Paulo no Parlamento Nacio

cal, correspondem ao prelúdio do "Ouro

do orador, uma das glórias mais ro bustas da geração acadêmica atual, quer pelo seu elevado talento, quer pela fir meza democrática às suas convicções po

morização. O ensino era falho e o pró

nal, e Magalhães Castro, antigo gerente

prio Rui, quando escreveu o notável

do Reno , a tradução em som do nasci

líticas, arrebatou seus ouvintes pelo mo

lavam entre os bacharelandos de Direito.

do período acadêmico, reimpressas em

"Parecer sobre a Reforma do Ensino Su

cia que a Câmara Municipal admitiu a

Benevides, que, no seu entender, era o

possibilidade de suspender o tríduo das

questões sociais".

festas oficiais.

Apesar de prometer

ta Pereira, em relação às poesias de Rui

da Caixa Econômica Federal, no Rio de Janeiro. O gesto de Rui teve tal ressonân

do por que encarou as mais notáveis

Com o mesmo julgamento de Batis

que, reproduzidas pela litografia, circu

perior", reproduziu uma lição de Direito Romano, ministrada pelo Prof. Sá e

volume à parte, os escritos nesse livro

são "as nascentes do Amazonas da pa

lavra brasileira , e,, em imagem musi mento do rio lendário, no conjunto da portentosa "Tetralogia". Em 28 de outubro, fizeram exames e

foram aprovados: Afonso Augusto MoO


pek Justiça e pela Liberdade sagraram o maior dos brasileiros. Senão, vejan>os:

reira Pena, Crispím Jaques Bias Fortes, Francisco de Assis Tavares, Rui Barbosa e Tomé Pires de Ávila Neto. Presidiu o

ato o Dr. Joaquim Inácio Ramalho, emé rito proccssuaÜsta. Rui obteve a nota "plenamente" e recebeu das mãos do Conselheiro Dr. José Maria de Avelaf Brotero o diploma de bacharel em Ciên cias Jurídicas e Sociais. Nesse dia, ofereceu ao pai o livro: "La Republique Americaine", de Brownson, cora a seguinte dedicatória; "A meu pai, mesquinho mas singelo penhor da minha mais profunda gratidão fihal. No dia do meu grau, 28 de outubro de

1870".

O tratado de Methuen

Dr- Rui Barbosa

IV - Os panos

"Ontem concluiu sua carreira acadê mica esse nosso particular amigo, e parte amanhã para o Rio, com destino à sua

Nelson Werneck Sodre

quais obteve do Govêrno permissão de fazer ato logo no primeiro dia de e.xames, a fim de mais depressa tratar de sua

Desde o século XVII a Inglaterra proi biu a exportação de suas lãs, ao mesmo

rêsses lusos, pareceu admitir rela^-ões

tempo que nela se estabelecia a pena

lhorava, também, a situação de Portugal,

de confisco para os panos que tentassem

entrar no país. Vedava-se, assim, a saída de matéria-prima e estabelecia-se mais do que um protecionismo, porque

tabelecimento. Moço ainda, mas notável

pela robutez de inteligência e ilustração,

uma proibição, para o produto acabado

democrata de idéias firmes e definidas,

de procedência externa.

e como tal um caráter político excep

pre, o filho.

co fundamentou-se, no seu primeiro

período, no binômio navegação e panos.

"Fazemos votos pelo seu pronto res

mãe. Sub umbra alarum tuarum". Sem

Foi a época

cional, um sincero e incansável apóstolo

em que se despovoaram os campos, na Inglaterra, transformados em pastagens,

cuja dissertação versou sôbre "letra de

sem dúvida preciosíssimo o concurso que pode 8 há de prestar à causa do povo, â

desenvolvendo-se os centros urbanos, com o estabelecimento das fábricas, ins

câmbio".

causa americana.

os op^erários no local do labor, separado

Rui

não

defendeu

tese.

Da

sua

da nova era que surge para o Brasil, é

turma, o único que obteve o títijo de Doutor em Direito foi Afonso Pena,

Para ultimar essa introdução explica tiva, que não é senão um pequeno repo

tituições de trabalho coletivo, reunindo

"O Dr. Rui Barbosa não leva desta

do local de residência.

província simplesmente o renome aca dêmico. O jornalismo e a tribuna políti

sitório de fatos, o itinerário de um breve

trecho de vida, ainda outro depoimento

respeitáveis e admiradas a sua pena, a

sua palavra, e, mais ainda, a nobreza da consciência com que sabe desdenhar das conveniências do presente, ante as suas convicções e as exigências do futuro."

uma nota que é o fecho de ouro de to do o bem que em São Paulo se disse do festejado acadêmico, -que os cinqüenta anos de luta ininterrupta' pelo Direito,

Arrebatada a

Flandres a primazia na indústria das

ca o popularizaram entre nós, tornando

da época. O "Correio Paulistano" pu blica na primeira página, em destaque,

lidamente desde o Ato de Navegação.

O tratado de 1654, a que já nos referi mos, tornava Portugal um dêsses privi

legiados mercados. Imposto pela força, no governo de Cromwell, traduziu uma iniludível subordinação econômica, a que

as dificuldades lusas desde o momento

da Restauração não permitiam fugir.

r."

11.'. .

i«''.

ítikjí

Jà

menos difíceis entre os dois reinos. Me

talvez menos em virtude de condições internas — de vez que o reinado de D.

João IV fora dedicado quase que in

teiramente à solução do problema mili tar da defesa — do que em conseqüên cia das dificuldades de seus inimigos. No terreno econômico estavam em voga,

então, as idéias protecionistas de Colbert. Portugal acolheu-as. Foi um dos seus introdutores no país o ministro eni

Paris, Duarte Ribeiro de Macedo, em bora sempre seja preciiria a.indiciação dos inovadores de alguma tendência. (25) Coube ao Conde da Ericèira, entretan

do que uma orientação defensiva, face ao expansionismo mercantil britânico.

sua marinha mercante, estabelecido sò-

1. ....í

1661, evidentemente nocivo aos inte-

to constante de referências no brazao das cidades. Procuravam os ingleses,

crescente dos lanifícios — amparando

í\

trazer como contrapeso o tratado de

lítica nitidamente colbertista. (26)

também, abrir ou desenvolver mercados externos que possibilitassem a expansão

Cumpriu-se o vaticínio.

de Portugal, com Carlos II, apesar de

lãs, foi por ela por todos os modos am parada. Dos reflexos dessa situação es pecial é possível üferir pelo aparecimen

essa tendência no desenvolvimento de

jAr..%r

O casamento da infanta D. Catarina,

O

saúde.

prata, que encerrava o sêlo apôsto ao dip'oma esculpiu a inscrição: "À minha

desenvolvimento mercantil britâni

província natal, a Bahia, aonde vai pro curar lenitivo a graves enfermidades de que está padecendo, e em virtude dfls

Numa das faces do estojo de

■WfV

vr.v'• ^•

Diobsto E•o^•*ó^n•o

9a

to, dar execução, no Reino, a uma po O

colbertismo, em parte, não traduzia mais

A França estaria, quiçá, em condições de efetivá-la, apesar da luta tarifária

que provocou. Portugal, muito menos —

e por isso mesmo o colbertismo não foi mais do que um episódio na evolução

econômica lusa. Pombal dar-lhe-ia, mais tarde, em outro período intercalar, e por isso mesmo transitório também, uma estrutura mais firme e realista.

Portugal estava, depois da Restaura ção, na dependência quase absoluta dos fornecimentos externos.

Não só com-


pek Justiça e pela Liberdade sagraram o maior dos brasileiros. Senão, vejan>os:

reira Pena, Crispím Jaques Bias Fortes, Francisco de Assis Tavares, Rui Barbosa e Tomé Pires de Ávila Neto. Presidiu o

ato o Dr. Joaquim Inácio Ramalho, emé rito proccssuaÜsta. Rui obteve a nota "plenamente" e recebeu das mãos do Conselheiro Dr. José Maria de Avelaf Brotero o diploma de bacharel em Ciên cias Jurídicas e Sociais. Nesse dia, ofereceu ao pai o livro: "La Republique Americaine", de Brownson, cora a seguinte dedicatória; "A meu pai, mesquinho mas singelo penhor da minha mais profunda gratidão fihal. No dia do meu grau, 28 de outubro de

1870".

O tratado de Methuen

Dr- Rui Barbosa

IV - Os panos

"Ontem concluiu sua carreira acadê mica esse nosso particular amigo, e parte amanhã para o Rio, com destino à sua

Nelson Werneck Sodre

quais obteve do Govêrno permissão de fazer ato logo no primeiro dia de e.xames, a fim de mais depressa tratar de sua

Desde o século XVII a Inglaterra proi biu a exportação de suas lãs, ao mesmo

rêsses lusos, pareceu admitir rela^-ões

tempo que nela se estabelecia a pena

lhorava, também, a situação de Portugal,

de confisco para os panos que tentassem

entrar no país. Vedava-se, assim, a saída de matéria-prima e estabelecia-se mais do que um protecionismo, porque

tabelecimento. Moço ainda, mas notável

pela robutez de inteligência e ilustração,

uma proibição, para o produto acabado

democrata de idéias firmes e definidas,

de procedência externa.

e como tal um caráter político excep

pre, o filho.

co fundamentou-se, no seu primeiro

período, no binômio navegação e panos.

"Fazemos votos pelo seu pronto res

mãe. Sub umbra alarum tuarum". Sem

Foi a época

cional, um sincero e incansável apóstolo

em que se despovoaram os campos, na Inglaterra, transformados em pastagens,

cuja dissertação versou sôbre "letra de

sem dúvida preciosíssimo o concurso que pode 8 há de prestar à causa do povo, â

desenvolvendo-se os centros urbanos, com o estabelecimento das fábricas, ins

câmbio".

causa americana.

os op^erários no local do labor, separado

Rui

não

defendeu

tese.

Da

sua

da nova era que surge para o Brasil, é

turma, o único que obteve o títijo de Doutor em Direito foi Afonso Pena,

Para ultimar essa introdução explica tiva, que não é senão um pequeno repo

tituições de trabalho coletivo, reunindo

"O Dr. Rui Barbosa não leva desta

do local de residência.

província simplesmente o renome aca dêmico. O jornalismo e a tribuna políti

sitório de fatos, o itinerário de um breve

trecho de vida, ainda outro depoimento

respeitáveis e admiradas a sua pena, a

sua palavra, e, mais ainda, a nobreza da consciência com que sabe desdenhar das conveniências do presente, ante as suas convicções e as exigências do futuro."

uma nota que é o fecho de ouro de to do o bem que em São Paulo se disse do festejado acadêmico, -que os cinqüenta anos de luta ininterrupta' pelo Direito,

Arrebatada a

Flandres a primazia na indústria das

ca o popularizaram entre nós, tornando

da época. O "Correio Paulistano" pu blica na primeira página, em destaque,

lidamente desde o Ato de Navegação.

O tratado de 1654, a que já nos referi mos, tornava Portugal um dêsses privi

legiados mercados. Imposto pela força, no governo de Cromwell, traduziu uma iniludível subordinação econômica, a que

as dificuldades lusas desde o momento

da Restauração não permitiam fugir.

r."

11.'. .

i«''.

ítikjí

Jà

menos difíceis entre os dois reinos. Me

talvez menos em virtude de condições internas — de vez que o reinado de D.

João IV fora dedicado quase que in

teiramente à solução do problema mili tar da defesa — do que em conseqüên cia das dificuldades de seus inimigos. No terreno econômico estavam em voga,

então, as idéias protecionistas de Colbert. Portugal acolheu-as. Foi um dos seus introdutores no país o ministro eni

Paris, Duarte Ribeiro de Macedo, em bora sempre seja preciiria a.indiciação dos inovadores de alguma tendência. (25) Coube ao Conde da Ericèira, entretan

do que uma orientação defensiva, face ao expansionismo mercantil britânico.

sua marinha mercante, estabelecido sò-

1. ....í

1661, evidentemente nocivo aos inte-

to constante de referências no brazao das cidades. Procuravam os ingleses,

crescente dos lanifícios — amparando

í\

trazer como contrapeso o tratado de

lítica nitidamente colbertista. (26)

também, abrir ou desenvolver mercados externos que possibilitassem a expansão

Cumpriu-se o vaticínio.

de Portugal, com Carlos II, apesar de

lãs, foi por ela por todos os modos am parada. Dos reflexos dessa situação es pecial é possível üferir pelo aparecimen

essa tendência no desenvolvimento de

jAr..%r

O casamento da infanta D. Catarina,

O

saúde.

prata, que encerrava o sêlo apôsto ao dip'oma esculpiu a inscrição: "À minha

desenvolvimento mercantil britâni

província natal, a Bahia, aonde vai pro curar lenitivo a graves enfermidades de que está padecendo, e em virtude dfls

Numa das faces do estojo de

■WfV

vr.v'• ^•

Diobsto E•o^•*ó^n•o

9a

to, dar execução, no Reino, a uma po O

colbertismo, em parte, não traduzia mais

A França estaria, quiçá, em condições de efetivá-la, apesar da luta tarifária

que provocou. Portugal, muito menos —

e por isso mesmo o colbertismo não foi mais do que um episódio na evolução

econômica lusa. Pombal dar-lhe-ia, mais tarde, em outro período intercalar, e por isso mesmo transitório também, uma estrutura mais firme e realista.

Portugal estava, depois da Restaura ção, na dependência quase absoluta dos fornecimentos externos.

Não só com-


^

fw.-

«vç;

? •

Y

95

Dicesto Eco^•ó^^co

Holanda, Inglaterra, Franç-a e Itália, re

geiros, nos quais a nobreza mais se comprazia. Tais panos continuaram a entrar,

cebia manufaturas; e mandava-lhes açú

entretanto, uma \ cz que, conforme anota

prava utilidades como alimentos.

Da

car, tabaco, madeiras tintoriais, mais-

João Lúcio do Azevedo, lia\ ia sido proi

tarde ouro e pedras preciosas, produtos coloniais, e do Reino quase que tão so

bido o uso mas não a importação — talvez por descuido, dcsidia, ou mesmo

mente sal e vinlios. Devia, por isso mesmo, empregar todos os esforços no

computava a entrada de oitenta mil

por intenção.

Um balanço do tempo

sentido de produzir uma parte pelo menos daquilo que necessitava para a vida de sua gente. As primeiras mani

ma a asscrção de Vieira: "Depois da pragmática, cresceu tudo aquilo que so

festações nesse sentido traduziram-se

proibia".

nas pragmáticas. Eram estas leis reais destinadas a coibir o luxo. Desde tem

pos muito recuados vinham sendo, períòdicamente, objeto da manifestação

real, mas tinham", quase sempre, teor econômico inequívoco. Tiveram-no tam

bém nessa época. Aquela decretada em

1677 dispunha, em um dos seus arHgos:

"Nenhuma pessoa poderá vestir-se de

pares de meias de seda, o que confir

A pragmática dc 1686 prü.scre\ ia, no vamente, os panos estrangeiros, alegan do que a proteção dispensada às fábricas do Reino as tomava liabiÜtadas ao for

necimento da população.

e de um clero cheios de posses, em contraste com a miséria.

Retê-la seria

da de panos estrangeiros, embora mais formal do que efetiva, perturbou o co mércio inglês, e foram os próprios co merciantes de tecidos da terra de Me-

thuen que insistiram na concessão de pauta favorável aos vinhos portugueses, para que aquela proibição cessasse. O Tratado de Metliuen po.s termo, realmen te, a essa proibição, embora não tivesse

criado uma exclusividade efetiva para os panos britânicos. A afirmação de que fixiou a florescente indústria nacional

precária.

Não havia, em Portugal, na verdade, am

Ao reunirem-se as côrtes de 1668,' já os povos haviam reclamado a ostentação

indústria.

dentes. Como quer que seja, elas pre judicavam a entrada dos-panos estran

nacional não teve, em tempo algum,

independente dos efeitos do aluguel tra

tado, capacidade para se impor, e ja mais alcançaria alto nível. Os partidá

rios do segundo aspecto fundameutam sua opinião ou na deficiência técnica do elemento português, apesar da introdu

para a atividade industrial, voltado que

ostentada, como era inevitável, pela clas se junto à qual qualquer fiscalização era

que o resultado não foi dos rnais evi

dades do Reino em suprimentos, uma

sofreu pausa; para outros, a^ indústria

do-se a esses imperativos primários, sem a satisfação dos quais qualquer política

o seu item relativo à entrada destes as

pragmáticas foram baixadas, e parece

vol — não admitia grande número de hipóteses. Havia que acudir às necessi

da indústria nacional, e traduziu, assim,

uma subordinação econômica que não

ção periódica de operários têxteis espe

difícil, senão impossível, tanto mais que

nos trajes. Em 1686 e em 1698 novas

plena vigência das condições, firmadas por Metliuen. Com o tratado de 1703, efetivamente, o primeiro episódio do colbertismo português estava encerrado. O problema do empobrecimento por tuguês — que o Tratado de Metliuen traduziu com uma eloqüência inexcedí-

Houve opiniões extre

madas: para uns, a franquia aos panos britânicos-acabou por impor o declínio

tir, mas também o que comer. Soman

már-se. A importação era também antiga,

face de um povo empobrecido, de sorte que era natural a expansão do luxo, em

de medidas de alcance realista, e sob a

problema da indústria dos panos pôsto em evidência.

chegou a legislar sobre o feitio das rou pas. A fabricação nacional era efetiva mente antiga, mas jamais chegara a firpor isso mesmo. A proibição de entra

reduzira-se ao desnível de uma nobreza

Só Pombal Uie daria um ritmo

mais vivo de produção — mas através

vez que não faltava apenas o que ves

pano que não seja fabricado neste

eram rigorosamente observadas. Portu

outra.

nacional. Nos debates desenvolvidos em tôrno do Tratado de Metliuen, foi o

A de 1688

Remo; como também não poderá usar de voltas de rendas, cintos, talius, bolchapéusnoquedizer nãodos sejam feitos nele .^ Parece, comentadores da época, que as pragmáticas não

gal aniquilara a sua classe mercantil,

correspondência. Nem se desenvolvera com uma, ou se extinguira de todo com

merece ser considerada com cuidado.

biente propício ao desenvolvimento da Independente do efeito da pauta alfandegária, essa indústria se vi

nha mantendo sempre em nível bai.xo. Sua antigüidade não lhe fornecia outros méritos.

Atravessara fases tarifárias di

versas, da franquia à proibição, e tais alternativas rião tinliam encontrado nela

não enconti*a base de partida, surgiam

os problemas de defesa, em particular no que tocava à área colonial, donde vinham as matérias-primas que alimen tavam o comércio externo. João Lúcio

de Azevedo expõe o problema com cla reza quando escreve: "O credor tinha de ser pago, sob pena de cessarem os suprimentos; e sem êles faltava em Por tugal o comer e o vestir; bem assim o

cializados, ou na incapacidade do luso

estêve, num período histórico muito

longo,' para outras atiridades, que Ibe pareciam mais remuncradoras. ^

I

A tendência protecionista teve os seus

primeiros instantes, muito antes da época ^ que Methuen firmou o tratado que levou o seu nome, com o lançamento das

pragmáticas. (27) D. João V, iniciando

o seu remado três anos depois da assina

tura daquele tratado, firmou disposições que se havia de mandar para o Brasil, severas, no sentido de proteger a indús

de onde cessaria também de vir o ouro".

Essas importações indispensáveis à vida lusa eram pagas com um produto me tropolitano, os vinhos, 8 produtos colo niais, entre os quais aioiltava, pela sua

importância, o ouro do Brasil. O problema do desenvolvimento da indústria lusa, particularmente daquela ligada ao vestutóo, esteve associado ao da balança do .comércio externo. Tra tou-se, desde os tempos mais antigos,

de resolver a questão de permitir ou de

tria nacional dos panos. Francisco An

tônio Corrêa chega a assinalar: "A prag mática de D. João V, que pecava pelo excessivo rigor, era fundamentalmente uma modalidade do protecionismo industiial, como hariam sido algumas 'das an teriores". (28) O impulso dado por D.

João V à indústria lusa, estudado com muita lucidez por Esteves Pereira, tra

duziu-se por várias medidas complementares, entre as quais a reseiva de forne cimento ao exército pela fábrica da Co-

vilhá, o estabelecimento de lanifícios proibir a enti'ada do produto estrangeiro, nas ilhas, a importação de operários, a ao mesmo passo que se fomentava, ou procura de inventos e de modelos. Tudo se deixava ao abandono, a fabricação


^

fw.-

«vç;

? •

Y

95

Dicesto Eco^•ó^^co

Holanda, Inglaterra, Franç-a e Itália, re

geiros, nos quais a nobreza mais se comprazia. Tais panos continuaram a entrar,

cebia manufaturas; e mandava-lhes açú

entretanto, uma \ cz que, conforme anota

prava utilidades como alimentos.

Da

car, tabaco, madeiras tintoriais, mais-

João Lúcio do Azevedo, lia\ ia sido proi

tarde ouro e pedras preciosas, produtos coloniais, e do Reino quase que tão so

bido o uso mas não a importação — talvez por descuido, dcsidia, ou mesmo

mente sal e vinlios. Devia, por isso mesmo, empregar todos os esforços no

computava a entrada de oitenta mil

por intenção.

Um balanço do tempo

sentido de produzir uma parte pelo menos daquilo que necessitava para a vida de sua gente. As primeiras mani

ma a asscrção de Vieira: "Depois da pragmática, cresceu tudo aquilo que so

festações nesse sentido traduziram-se

proibia".

nas pragmáticas. Eram estas leis reais destinadas a coibir o luxo. Desde tem

pos muito recuados vinham sendo, períòdicamente, objeto da manifestação

real, mas tinham", quase sempre, teor econômico inequívoco. Tiveram-no tam

bém nessa época. Aquela decretada em

1677 dispunha, em um dos seus arHgos:

"Nenhuma pessoa poderá vestir-se de

pares de meias de seda, o que confir

A pragmática dc 1686 prü.scre\ ia, no vamente, os panos estrangeiros, alegan do que a proteção dispensada às fábricas do Reino as tomava liabiÜtadas ao for

necimento da população.

e de um clero cheios de posses, em contraste com a miséria.

Retê-la seria

da de panos estrangeiros, embora mais formal do que efetiva, perturbou o co mércio inglês, e foram os próprios co merciantes de tecidos da terra de Me-

thuen que insistiram na concessão de pauta favorável aos vinhos portugueses, para que aquela proibição cessasse. O Tratado de Metliuen po.s termo, realmen te, a essa proibição, embora não tivesse

criado uma exclusividade efetiva para os panos britânicos. A afirmação de que fixiou a florescente indústria nacional

precária.

Não havia, em Portugal, na verdade, am

Ao reunirem-se as côrtes de 1668,' já os povos haviam reclamado a ostentação

indústria.

dentes. Como quer que seja, elas pre judicavam a entrada dos-panos estran

nacional não teve, em tempo algum,

independente dos efeitos do aluguel tra

tado, capacidade para se impor, e ja mais alcançaria alto nível. Os partidá

rios do segundo aspecto fundameutam sua opinião ou na deficiência técnica do elemento português, apesar da introdu

para a atividade industrial, voltado que

ostentada, como era inevitável, pela clas se junto à qual qualquer fiscalização era

que o resultado não foi dos rnais evi

dades do Reino em suprimentos, uma

sofreu pausa; para outros, a^ indústria

do-se a esses imperativos primários, sem a satisfação dos quais qualquer política

o seu item relativo à entrada destes as

pragmáticas foram baixadas, e parece

vol — não admitia grande número de hipóteses. Havia que acudir às necessi

da indústria nacional, e traduziu, assim,

uma subordinação econômica que não

ção periódica de operários têxteis espe

difícil, senão impossível, tanto mais que

nos trajes. Em 1686 e em 1698 novas

plena vigência das condições, firmadas por Metliuen. Com o tratado de 1703, efetivamente, o primeiro episódio do colbertismo português estava encerrado. O problema do empobrecimento por tuguês — que o Tratado de Metliuen traduziu com uma eloqüência inexcedí-

Houve opiniões extre

madas: para uns, a franquia aos panos britânicos-acabou por impor o declínio

tir, mas também o que comer. Soman

már-se. A importação era também antiga,

face de um povo empobrecido, de sorte que era natural a expansão do luxo, em

de medidas de alcance realista, e sob a

problema da indústria dos panos pôsto em evidência.

chegou a legislar sobre o feitio das rou pas. A fabricação nacional era efetiva mente antiga, mas jamais chegara a firpor isso mesmo. A proibição de entra

reduzira-se ao desnível de uma nobreza

Só Pombal Uie daria um ritmo

mais vivo de produção — mas através

vez que não faltava apenas o que ves

pano que não seja fabricado neste

eram rigorosamente observadas. Portu

outra.

nacional. Nos debates desenvolvidos em tôrno do Tratado de Metliuen, foi o

A de 1688

Remo; como também não poderá usar de voltas de rendas, cintos, talius, bolchapéusnoquedizer nãodos sejam feitos nele .^ Parece, comentadores da época, que as pragmáticas não

gal aniquilara a sua classe mercantil,

correspondência. Nem se desenvolvera com uma, ou se extinguira de todo com

merece ser considerada com cuidado.

biente propício ao desenvolvimento da Independente do efeito da pauta alfandegária, essa indústria se vi

nha mantendo sempre em nível bai.xo. Sua antigüidade não lhe fornecia outros méritos.

Atravessara fases tarifárias di

versas, da franquia à proibição, e tais alternativas rião tinliam encontrado nela

não enconti*a base de partida, surgiam

os problemas de defesa, em particular no que tocava à área colonial, donde vinham as matérias-primas que alimen tavam o comércio externo. João Lúcio

de Azevedo expõe o problema com cla reza quando escreve: "O credor tinha de ser pago, sob pena de cessarem os suprimentos; e sem êles faltava em Por tugal o comer e o vestir; bem assim o

cializados, ou na incapacidade do luso

estêve, num período histórico muito

longo,' para outras atiridades, que Ibe pareciam mais remuncradoras. ^

I

A tendência protecionista teve os seus

primeiros instantes, muito antes da época ^ que Methuen firmou o tratado que levou o seu nome, com o lançamento das

pragmáticas. (27) D. João V, iniciando

o seu remado três anos depois da assina

tura daquele tratado, firmou disposições que se havia de mandar para o Brasil, severas, no sentido de proteger a indús

de onde cessaria também de vir o ouro".

Essas importações indispensáveis à vida lusa eram pagas com um produto me tropolitano, os vinhos, 8 produtos colo niais, entre os quais aioiltava, pela sua

importância, o ouro do Brasil. O problema do desenvolvimento da indústria lusa, particularmente daquela ligada ao vestutóo, esteve associado ao da balança do .comércio externo. Tra tou-se, desde os tempos mais antigos,

de resolver a questão de permitir ou de

tria nacional dos panos. Francisco An

tônio Corrêa chega a assinalar: "A prag mática de D. João V, que pecava pelo excessivo rigor, era fundamentalmente uma modalidade do protecionismo industiial, como hariam sido algumas 'das an teriores". (28) O impulso dado por D.

João V à indústria lusa, estudado com muita lucidez por Esteves Pereira, tra

duziu-se por várias medidas complementares, entre as quais a reseiva de forne cimento ao exército pela fábrica da Co-

vilhá, o estabelecimento de lanifícios proibir a enti'ada do produto estrangeiro, nas ilhas, a importação de operários, a ao mesmo passo que se fomentava, ou procura de inventos e de modelos. Tudo se deixava ao abandono, a fabricação


Digesto Econômico ^

DrcESTo EcoNÓxnco 97

em plena %n{;êncía do tratado rjue. con- particularmente depois, medidas outras forme e sempre interessante assinalar, destinadas a impulsionar a indústria na-

luso encontrou o seu segundo epi

não continha senão uma condicional tarifáría. Os panos estrangeiros, de procedencia nao-inglésa. continuaram a enfrar em Portugal, embora fortemente prc-

cional de panos— até que ponto teria o aludido tratado influído para um declínio dessa indústria, acusa<,ão que tem sabido levantar, por toda parte e em

sódio.

amparava anuêlcs vindos da aliada tra-

Um balanço rápido do comércio anclo-

teve reflexos tão poderosos quanto se

dicfona . E a fabricação nacional, com altos e baixos, depois do tratado também

luso nos poderá fornecer algumas informações interessantes a respeito das im-

cuida sobre o desenvolvimento da in

indicados pela cláusula preferencial quo todos os tempos, os seus opositores? contínuou a ter um papel. Não era êsse

portaçÕes portuguésas.

Methuen. Nele havia, o que em regra

Anos

Valor

tem escapado à observação dos estudíc-

sos. uma unilatcralidade curiosa. João '

17ri ...

Lucio de Azevedo compreendeu-a com clareza, quando assinalou: "O desigual

m 1703

esta em que o contrato, obrigatório para

1704

uma partes,e etemporário, perpétuo, para a oLa e facudastabvo só durando

capado à atenção'dos comentoSres ll~ T '"""

400 465 7U241

'76o'fífifi

"cré-icinio expressivo, entre o ""'"J--'!"'---' Tratado de Menos três primeiros anos

" •• j

quando medidas de imindústria lusa foram registra-se um declínio progressivo, declínio que pros^gue nos anos que se seguiram,

J Depois, o movimento começa a t

alcançados,

prolongadamente.

momento de progresso das

aampaio. importações, e também de regresso nas

Slfa rfo Tmt d T\f

canlillsm, e French mercantUism,

das pragmáticas, e seus reflexos sôbre o

dos panos, porque tivesse firmado e

convém ler: Francisco Antônio Corrêa. As antigas leis da pragmática e as indústrias

mantido o Tratado de Methuen.

do luxo. As pragmáticas apareceram tam bém na Espanha, segundo Colmeiro. Historia de Ia economia política em Espaila.

ganização comercial, muito primitiva pa

ra poder defrontar-se com aquela que

(28) — Francisco Antônio Corrêa: Histó

os inglêses utilizaram em seu favor, co mo ja anteriormente outros estrangeiros haviam feito" — anota Francisco An tônio Corrêa. E acrescenta: "Os la-

(29) — João Lúcio de Azevedo: Épocas de Portugal Econômico. (30) — Luís T. de Sampaio: Para a histó ria do Tratado de Methuen, — monogra

nificios foram a mercadoria de pene tração comercial, que os inglêses soube ram aproveitar pelas facilidades que

ria Econômica de Portugal.

fia interessante sob muito títulos.

(31) — A estatística é de Withworth, State of the Irade of Great Britain and its

imports and exports.

(32) — Francisco Antônio Corrêa: Histó ria Econômica de Portugal.

A %T'i

crescer novamente, e atinge ní-

-1

numa análise de Luís T de Samnaiò

exportações correspondentes, com a épo-

influência

Colbert and a Century of French Mer-

qüências, nesse terreno, que lhe fo

funcionamento. Depois, e coin-

gualdades foram apreciados com argúcia rí' ■ Ta

diq

(26) — Para o estudo do colbertismo. ver os trabalhos do Charles Woosley Cole:

cidmdo com o início do reinado de D.

gos em ouro, numa balança co- ,

.1

Inéditas.

do aludido tratado, na verdade interes

desenvolvimento da indústria portu^êsa.

thuen e os dois anos que sc seguem —

1

(25) Duarte Ribeiro de Macedo: Obras

dústria portuguesa de panos. Os efeitos

veu as suas indústrias, em particular a

aspecto, que tem comn r. ^ v •

j

tratado." (32)

Mas isso não era,

ram atribuídas. Portugal não desenvol

™ T

(30)

de Methuen, êsse acordo comercial não

e.xigia.

077100

enquanto tal fS®a CTOvÍnfêncb ou'o gôsfo da Grã-Bretanha^ 99 oLu

marcial constantemente desfa-

evidentemente, uma conseqüência, do

(cm libra.s)

538,193 (31)

vorável. Alguns reflexos dessas desí

corrência

e.studiosos o comentadorcs do Tratado

"Eram as imperfeições da nossa or

1705 1706

direito diferencial, e

verdade, com mercadorias' ao passo que, se fossem importados da França, teriam de ser pagos em moeda. Da parte de Portu gal, os panos inglêses eram pa-

ao contrário do que pareceu a muitos

(27) — Para o estudo das leis denomina

6i5:v73

pe'a Inglaterra eram pagos na ^ ^

industriais portuguêses da época, des-

O que merece ser registrado é que, pro\'idos da preparação que a con

santes e poderosos, não tiveram as conse

o único aspecto curioso do Tratado de

têve em que os vinhos luso.Tr.^. ^

lhes ofereciam os comerciantes e os

ca esplendorosa do ouro brasileiro. En-

®'"

<5®®'»'® ® movimento im-

hmaV o LZ 1 ."'l'™®"® '®"d® tiva portador, a ter início a faseo colbertismo administrahawdo. antes e depois dessa vigência, de Pombal, quando

As distilarias britânicas terão um acréscitno de 50.000 toneladas de cevada

para a fabricação âc whisky durante os próximos doze meses. Aumentando os suprimentos de cevada para 300.000 toneladas, a ínaiísfria da apreciada bebida voltará a ojjerar em lar^a escala. Todo o aumento esperado na produção deverá destinar-se às e.xportações. Os embarques britânicos de bebidas do gcnero — entre as quais o whiskey ocupa lugar preponderante - ultrapassaram, durante o mês passado, os níveis de pré-guerra, com 786.000 galões (mais de 3.000.000 de litros) A média mensal de 1938 jôra de 760.000 galões. Essas exportações vêm aumen tando ràpxdamente desde o fun da guerra.


Digesto Econômico ^

DrcESTo EcoNÓxnco 97

em plena %n{;êncía do tratado rjue. con- particularmente depois, medidas outras forme e sempre interessante assinalar, destinadas a impulsionar a indústria na-

luso encontrou o seu segundo epi

não continha senão uma condicional tarifáría. Os panos estrangeiros, de procedencia nao-inglésa. continuaram a enfrar em Portugal, embora fortemente prc-

cional de panos— até que ponto teria o aludido tratado influído para um declínio dessa indústria, acusa<,ão que tem sabido levantar, por toda parte e em

sódio.

amparava anuêlcs vindos da aliada tra-

Um balanço rápido do comércio anclo-

teve reflexos tão poderosos quanto se

dicfona . E a fabricação nacional, com altos e baixos, depois do tratado também

luso nos poderá fornecer algumas informações interessantes a respeito das im-

cuida sobre o desenvolvimento da in

indicados pela cláusula preferencial quo todos os tempos, os seus opositores? contínuou a ter um papel. Não era êsse

portaçÕes portuguésas.

Methuen. Nele havia, o que em regra

Anos

Valor

tem escapado à observação dos estudíc-

sos. uma unilatcralidade curiosa. João '

17ri ...

Lucio de Azevedo compreendeu-a com clareza, quando assinalou: "O desigual

m 1703

esta em que o contrato, obrigatório para

1704

uma partes,e etemporário, perpétuo, para a oLa e facudastabvo só durando

capado à atenção'dos comentoSres ll~ T '"""

400 465 7U241

'76o'fífifi

"cré-icinio expressivo, entre o ""'"J--'!"'---' Tratado de Menos três primeiros anos

" •• j

quando medidas de imindústria lusa foram registra-se um declínio progressivo, declínio que pros^gue nos anos que se seguiram,

J Depois, o movimento começa a t

alcançados,

prolongadamente.

momento de progresso das

aampaio. importações, e também de regresso nas

Slfa rfo Tmt d T\f

canlillsm, e French mercantUism,

das pragmáticas, e seus reflexos sôbre o

dos panos, porque tivesse firmado e

convém ler: Francisco Antônio Corrêa. As antigas leis da pragmática e as indústrias

mantido o Tratado de Methuen.

do luxo. As pragmáticas apareceram tam bém na Espanha, segundo Colmeiro. Historia de Ia economia política em Espaila.

ganização comercial, muito primitiva pa

ra poder defrontar-se com aquela que

(28) — Francisco Antônio Corrêa: Histó

os inglêses utilizaram em seu favor, co mo ja anteriormente outros estrangeiros haviam feito" — anota Francisco An tônio Corrêa. E acrescenta: "Os la-

(29) — João Lúcio de Azevedo: Épocas de Portugal Econômico. (30) — Luís T. de Sampaio: Para a histó ria do Tratado de Methuen, — monogra

nificios foram a mercadoria de pene tração comercial, que os inglêses soube ram aproveitar pelas facilidades que

ria Econômica de Portugal.

fia interessante sob muito títulos.

(31) — A estatística é de Withworth, State of the Irade of Great Britain and its

imports and exports.

(32) — Francisco Antônio Corrêa: Histó ria Econômica de Portugal.

A %T'i

crescer novamente, e atinge ní-

-1

numa análise de Luís T de Samnaiò

exportações correspondentes, com a épo-

influência

Colbert and a Century of French Mer-

qüências, nesse terreno, que lhe fo

funcionamento. Depois, e coin-

gualdades foram apreciados com argúcia rí' ■ Ta

diq

(26) — Para o estudo do colbertismo. ver os trabalhos do Charles Woosley Cole:

cidmdo com o início do reinado de D.

gos em ouro, numa balança co- ,

.1

Inéditas.

do aludido tratado, na verdade interes

desenvolvimento da indústria portu^êsa.

thuen e os dois anos que sc seguem —

1

(25) Duarte Ribeiro de Macedo: Obras

dústria portuguesa de panos. Os efeitos

veu as suas indústrias, em particular a

aspecto, que tem comn r. ^ v •

j

tratado." (32)

Mas isso não era,

ram atribuídas. Portugal não desenvol

™ T

(30)

de Methuen, êsse acordo comercial não

e.xigia.

077100

enquanto tal fS®a CTOvÍnfêncb ou'o gôsfo da Grã-Bretanha^ 99 oLu

marcial constantemente desfa-

evidentemente, uma conseqüência, do

(cm libra.s)

538,193 (31)

vorável. Alguns reflexos dessas desí

corrência

e.studiosos o comentadorcs do Tratado

"Eram as imperfeições da nossa or

1705 1706

direito diferencial, e

verdade, com mercadorias' ao passo que, se fossem importados da França, teriam de ser pagos em moeda. Da parte de Portu gal, os panos inglêses eram pa-

ao contrário do que pareceu a muitos

(27) — Para o estudo das leis denomina

6i5:v73

pe'a Inglaterra eram pagos na ^ ^

industriais portuguêses da época, des-

O que merece ser registrado é que, pro\'idos da preparação que a con

santes e poderosos, não tiveram as conse

o único aspecto curioso do Tratado de

têve em que os vinhos luso.Tr.^. ^

lhes ofereciam os comerciantes e os

ca esplendorosa do ouro brasileiro. En-

®'"

<5®®'»'® ® movimento im-

hmaV o LZ 1 ."'l'™®"® '®"d® tiva portador, a ter início a faseo colbertismo administrahawdo. antes e depois dessa vigência, de Pombal, quando

As distilarias britânicas terão um acréscitno de 50.000 toneladas de cevada

para a fabricação âc whisky durante os próximos doze meses. Aumentando os suprimentos de cevada para 300.000 toneladas, a ínaiísfria da apreciada bebida voltará a ojjerar em lar^a escala. Todo o aumento esperado na produção deverá destinar-se às e.xportações. Os embarques britânicos de bebidas do gcnero — entre as quais o whiskey ocupa lugar preponderante - ultrapassaram, durante o mês passado, os níveis de pré-guerra, com 786.000 galões (mais de 3.000.000 de litros) A média mensal de 1938 jôra de 760.000 galões. Essas exportações vêm aumen tando ràpxdamente desde o fun da guerra.


José de Alencar e o

I iVUOnc

de Gontas

Deounix? Amorim

TZ-SE que o homem de letras é infenso aos pro blemas administrativos.

Nem sempre.

Alguns

homens de letras, por

outros exemplos, entre êles o de Lamartine, levado ao Ministério de 1848 em

situação agudíssima. Citando fatos a\'ul,sos, sem coordenação cronológica, pode mos lembrar que muitos políticos bra

e.\emplo, passaram pe la vida pública de ma

sileiros, dos que já têm lugar definiti

neira

de letras, tendo-se revelado bons admi

bem

eficiente,

tendo deixado provas de que a vocação literária não c incompatível com a ad

ministração. José de

Alencar, nosso

grande romancista, pode ser apontado como um deles. É provável que ape nas pouca gente saiba que o nosso

vo na História, foram também homens

realidade.

O fato de muitos liomens

de letras não terem senso objetivo ou não revelarem a menor inclinação para as coisas práticas não pode constituir, a

rigor, uma regra. A história de povos cultos, ao contrário do que comumente se supõe, mostra que certos homens de letras têm sido chamados à administra

ção ou à política em momentos difíceis.

dc ampla descentralização administrati

va, prhando as municipalidades das atribuições políticas que lhes foram con

co de Menezes Dória (Barão de Loreto),

feridas e restituindo-Uies o- sou cará

Pedro Luiz Pereira de Sousa, Taunay, ter meramente constitucional, é uma das brilharam ao mesnio tempo nas letras necessidades mais palpitantes da atuali c na políHca.

Loreto e Pedro Luiz

chegaram a ser presidentes de provín

cias. O Barão Homem de Melo, paulis ta culto e realizírdor, geógrafo, historia

dor, presidente de mais de uma pro

dade". Sem perder a seqüência da dis cussão, entrou José de Alencar, vee mentemente, na parte substancial de

seu grande discurso: a fiscalização fi nanceira.

Afirmava então o autor de

um Tribunal com a função especifica de fiscalizar a receita e a despesa:

verno, clestacou-se também como ho

nham tido atividade na seara do ro

"Nossa escrituração, da maneira por que

mem de letras.

é feita, não oferece base para uma fis

Quando faleceu, em

mance, do conto ou da poesia, cultiva

1918, estava às vésperas de entrar pa

ram as letras simultãneamenle com as

ra a Academia Brasileira. Não é, pois,

absorventes preocupações políticas. Hu

vida pública muito agitada, nem por isso estranhos

às fontes clássicas da

cultura.

Ordinariamente, na Côrte como nas

províncias de "vida intelectual mais de senvolvida, era o jornalismo o cami nho da política e da glória literária. José de Alencar, o homem que viria dis cutir questão orçamentária e problemas da despesa pública no Parlamento, sem prejudicar a fama do glorioso romancis ta, saiu do jornalismo, a exemplo do outros literatos e políticos, o que, aliás, era freqüente no Brasil. A vida de

Rui, que teve, podemos dizer, ativida de onímoda, porque foi homem do Di

Chateaubriand, que continua a ser,

reito, Ministro da Fazenda, jornalista,

parlamentar, orador,' purista da língua, poderia por si só justificar o assêrto de que não há incompatibilidade entre as letras e os problemas político-administrativos. Tanto no Império como ainda

A França ainda nos daria

nomes, basta dizer que Odorico Men des, Sotcro dos Reis, Francisco Olaviano de Almeida Rosa, Frankiin Améri

mio haver completado um ano de go

através dos tempos, uma glória das le tras francesas, não foi apenas diplomata, representante da França • junto a velhas côrVcs da Europa, mas político de combatividade.

..uma

administração muito operosa, apesar de

o Visconde do Rio Branco, liomens de

e a administração publica, como se o literato fôsse um homem à margem da

nov-a organização municipal no sentido

Iracema para justificar a existência de

teórico, geralmente atribuído ao litera

Império. Formou-se, entretanto, uma especie de antagonismo entre as letras

tas dc mérito. Para citar apenas algvins

Criticando a organização munici

pal, dizia o deputado cearense:

víncia, inclusive a cia Bahia, onde fôz

manistas, entre tantos outros daquele tempo, eram Zacarias de Góis, Lafayete,

mas administrativos no Parlamento do

de.

nistradores. E' claro que nos referimos aos que fizeram carreira literária, porquo muitos outros, conquanto não te

maior índiam*sta, o consagrado criador de Iracema, foi um deputado muito rea lista, a negação, portanto, do espírito to. Que o diga a participação do ro mancista na discussão de altos proble

na República tivemos literatos na polí tica e na administração, inclusive poe

de admirar que José,de Alencar, sendo literato, mais afeito ao jornal e ao ro

calização como tem direito a exercer o

Legislativo". Continoando, insistia o ora dor: "O poder legislativo não tem da dos para conhecer se houve ou não

mance, lenha levantado quçstoes admi

desperdícios dos dinheiros públicos. Dl-

nistrativas de evidente relevância, no

rei mais: os próprios ministros não po dem sabê-lo em relação aos seus agen

Parlamento Imperial. A instituição do Tribunal de Contas

figura, como se sabe, entre os atos ini ciais do regime republicano. Entretanjá em 1861 José de Alencar, como

deputado, propunha a criação desse órgão. Vê-se, assim, no literato a intui ção prática da moralidade administrati va.

E' notável, sobremodo notável, o

tes subalternos".

Diante de tal situa

ção, José de Alencar indicava, em ter mos francos, a criação do Tribunal de

Contas como proridêncía moralizadora, através destas palavras: "A criação,

pois, <3e um Tribunal de Contas, com posto de membros ritalícios bem remu nerados, incompatíveis com quaisquer

discurso em que Josó de Alencar, como cargos de eleição popular ou de nomea relator da" 2.*'' Comissão de Orçamento, ção do poder executivo, responsáveis pe proferiu na sessão de 2 de agosto de rante o Tribunal de Justiça, quando es 1861, especialmente porque, fazendo crí ta Câmara decrete a sua acusação, é tica geral das condições financeiras do um complemento necessário do governo país, tratou de diversos assuntos, como parlamentar". Eis um dos pontos mais objetivos do a organização da magistratura, a des centralização municipal, a deficiência do

sistema de fiscalização, depois do que

discurso de Alencar. A idéia de um ór

gão deste gênero vinha, aliás, dos tem

proclamou a sua convicção de que o

pos mais recuados de nossa organiza

Tribunal de Contas era uma necessida

ção administrativa. O ministro Rubem

'■ fi'' 'mJw

iàk^


José de Alencar e o

I iVUOnc

de Gontas

Deounix? Amorim

TZ-SE que o homem de letras é infenso aos pro blemas administrativos.

Nem sempre.

Alguns

homens de letras, por

outros exemplos, entre êles o de Lamartine, levado ao Ministério de 1848 em

situação agudíssima. Citando fatos a\'ul,sos, sem coordenação cronológica, pode mos lembrar que muitos políticos bra

e.\emplo, passaram pe la vida pública de ma

sileiros, dos que já têm lugar definiti

neira

de letras, tendo-se revelado bons admi

bem

eficiente,

tendo deixado provas de que a vocação literária não c incompatível com a ad

ministração. José de

Alencar, nosso

grande romancista, pode ser apontado como um deles. É provável que ape nas pouca gente saiba que o nosso

vo na História, foram também homens

realidade.

O fato de muitos liomens

de letras não terem senso objetivo ou não revelarem a menor inclinação para as coisas práticas não pode constituir, a

rigor, uma regra. A história de povos cultos, ao contrário do que comumente se supõe, mostra que certos homens de letras têm sido chamados à administra

ção ou à política em momentos difíceis.

dc ampla descentralização administrati

va, prhando as municipalidades das atribuições políticas que lhes foram con

co de Menezes Dória (Barão de Loreto),

feridas e restituindo-Uies o- sou cará

Pedro Luiz Pereira de Sousa, Taunay, ter meramente constitucional, é uma das brilharam ao mesnio tempo nas letras necessidades mais palpitantes da atuali c na políHca.

Loreto e Pedro Luiz

chegaram a ser presidentes de provín

cias. O Barão Homem de Melo, paulis ta culto e realizírdor, geógrafo, historia

dor, presidente de mais de uma pro

dade". Sem perder a seqüência da dis cussão, entrou José de Alencar, vee mentemente, na parte substancial de

seu grande discurso: a fiscalização fi nanceira.

Afirmava então o autor de

um Tribunal com a função especifica de fiscalizar a receita e a despesa:

verno, clestacou-se também como ho

nham tido atividade na seara do ro

"Nossa escrituração, da maneira por que

mem de letras.

é feita, não oferece base para uma fis

Quando faleceu, em

mance, do conto ou da poesia, cultiva

1918, estava às vésperas de entrar pa

ram as letras simultãneamenle com as

ra a Academia Brasileira. Não é, pois,

absorventes preocupações políticas. Hu

vida pública muito agitada, nem por isso estranhos

às fontes clássicas da

cultura.

Ordinariamente, na Côrte como nas

províncias de "vida intelectual mais de senvolvida, era o jornalismo o cami nho da política e da glória literária. José de Alencar, o homem que viria dis cutir questão orçamentária e problemas da despesa pública no Parlamento, sem prejudicar a fama do glorioso romancis ta, saiu do jornalismo, a exemplo do outros literatos e políticos, o que, aliás, era freqüente no Brasil. A vida de

Rui, que teve, podemos dizer, ativida de onímoda, porque foi homem do Di

Chateaubriand, que continua a ser,

reito, Ministro da Fazenda, jornalista,

parlamentar, orador,' purista da língua, poderia por si só justificar o assêrto de que não há incompatibilidade entre as letras e os problemas político-administrativos. Tanto no Império como ainda

A França ainda nos daria

nomes, basta dizer que Odorico Men des, Sotcro dos Reis, Francisco Olaviano de Almeida Rosa, Frankiin Améri

mio haver completado um ano de go

através dos tempos, uma glória das le tras francesas, não foi apenas diplomata, representante da França • junto a velhas côrVcs da Europa, mas político de combatividade.

..uma

administração muito operosa, apesar de

o Visconde do Rio Branco, liomens de

e a administração publica, como se o literato fôsse um homem à margem da

nov-a organização municipal no sentido

Iracema para justificar a existência de

teórico, geralmente atribuído ao litera

Império. Formou-se, entretanto, uma especie de antagonismo entre as letras

tas dc mérito. Para citar apenas algvins

Criticando a organização munici

pal, dizia o deputado cearense:

víncia, inclusive a cia Bahia, onde fôz

manistas, entre tantos outros daquele tempo, eram Zacarias de Góis, Lafayete,

mas administrativos no Parlamento do

de.

nistradores. E' claro que nos referimos aos que fizeram carreira literária, porquo muitos outros, conquanto não te

maior índiam*sta, o consagrado criador de Iracema, foi um deputado muito rea lista, a negação, portanto, do espírito to. Que o diga a participação do ro mancista na discussão de altos proble

na República tivemos literatos na polí tica e na administração, inclusive poe

de admirar que José,de Alencar, sendo literato, mais afeito ao jornal e ao ro

calização como tem direito a exercer o

Legislativo". Continoando, insistia o ora dor: "O poder legislativo não tem da dos para conhecer se houve ou não

mance, lenha levantado quçstoes admi

desperdícios dos dinheiros públicos. Dl-

nistrativas de evidente relevância, no

rei mais: os próprios ministros não po dem sabê-lo em relação aos seus agen

Parlamento Imperial. A instituição do Tribunal de Contas

figura, como se sabe, entre os atos ini ciais do regime republicano. Entretanjá em 1861 José de Alencar, como

deputado, propunha a criação desse órgão. Vê-se, assim, no literato a intui ção prática da moralidade administrati va.

E' notável, sobremodo notável, o

tes subalternos".

Diante de tal situa

ção, José de Alencar indicava, em ter mos francos, a criação do Tribunal de

Contas como proridêncía moralizadora, através destas palavras: "A criação,

pois, <3e um Tribunal de Contas, com posto de membros ritalícios bem remu nerados, incompatíveis com quaisquer

discurso em que Josó de Alencar, como cargos de eleição popular ou de nomea relator da" 2.*'' Comissão de Orçamento, ção do poder executivo, responsáveis pe proferiu na sessão de 2 de agosto de rante o Tribunal de Justiça, quando es 1861, especialmente porque, fazendo crí ta Câmara decrete a sua acusação, é tica geral das condições financeiras do um complemento necessário do governo país, tratou de diversos assuntos, como parlamentar". Eis um dos pontos mais objetivos do a organização da magistratura, a des centralização municipal, a deficiência do

sistema de fiscalização, depois do que

discurso de Alencar. A idéia de um ór

gão deste gênero vinha, aliás, dos tem

proclamou a sua convicção de que o

pos mais recuados de nossa organiza

Tribunal de Contas era uma necessida

ção administrativa. O ministro Rubem

'■ fi'' 'mJw

iàk^


Dicesto Eco^•ó^nco

100

Diabsto Econômico

101

Rosa, aluai presidente do Tribunal de

entre outros, dois antecedentes muito

de Góis; 2.°) porque o Gabinete Ita

Contas da União, escreveu longo e do

interessantes.

boraí teria de enfrentar, como enfrentou,

Zacarias de Góis reclama\a novo sacri

cumentado trabalho na Recista do Ins

Branco, Ministro da Fazenda, repetia: "O

fício para que a Nação pudesse enfren

tituto Geográfico e Histórico da Bahia (1943), sôbre os antecedentes do Tri

verdadeiro meio de pôr a nossa contabi lidade no pé em que deve colocar-se é

bunal de Contas, instituído pelo De

a criação do Tribunal de Contas, com

creto 966-A, de 7 de novembro de 1890.

posto de homens independentes". Idên

uma fase das mais difíceis da guerra do Paraguai. Já no ano anterior à crise política, Zacarias de Góis, Presidente do Conselho e Ministro da Fazenda, ex punha a situação do país em têrmos

Os apontamentos e comentários coli-

tica opinião seria esposada, em 1879, pe lo Visconde de Ouro Preto, quando pro-

hoje na consciência de todos que é ne

balho mostram cj^ue já no regime colo nial se cogitava de um órgão especial

c'amou "urgentíssima e reclamada pelos

cessário um novo sacrifício da nação,

mais importantes interesses públicos a

para julgar o movirnento da receita e

instituição do Tribunal dc Contas" etc.

despesa do Estado.

Embora tenha sido previsto em discus sões muito antigas, chegando a ser ob

para habilitar o governo a satisfazer não só os empenhos contraídos a fim de sustentar a guerra com o Paraguai, co mo a honra e a dignidade do país o exi

gidos nesse exaustivo e minucioso tra

O Conselho de

Em 1840, Manuel Alves

Fazenda e o Regimento de Contas, orga nizados sob o regime espanhol, eram

jeto de proposta do Parlamento, o Tri

remotos ensaios do Tribunal de Contas.

bunal de Contas é obra da República.

Depois da Independência, apesar de haver a nossa vida política, durante muito tempo, atravessado freqüentes agi

O nome de José de Alencar está na

tações, o que perturbava tôda a

administração, visto que, ao passo que a despesa tem crescido considerávelmen-

Diga-se,

aliás, que a atividade política do

máquina administrativa do nas de um Tribunal de Contas não do 1.° Reinado.

Di-lo ainda o ministro Rubem

Rosa. Em 1826, por exemplo, Felisberto Caldeira Brant Pontes sustenta va a necessidade de um Tribunal deste

gênero, idéia apoiada mais tarde, em 1830, por Bernardo de Vasconcelos, nestes termos: "Eu espero que esta au gusta Câmara julgue indispensável um Tribunal de Contas para examinar o ba lanço da receita e despesa do Estado:

tendo em %àsta, especialmente, o dese

quilíbrio entre a receita e a despesa. Não era'outra a política financeira de Itabo

raí, presidente do Conselho e titular da Fazenda, quando traçou o programa do Gabinete consei^-ador em 1868. Ei-lo, em resumo: "... temos necessidade,

mais que urgente, de tratar de leis de fazenda, e especialmente da decretação de recursos que são e.xigidos imperiosa mente para acudir às obrigações que o Tesouro tem contraído e para terminar, com honra e dignidade, a guerra era que nos achamos empenhados; entendo que não resta tempo este ano para tra tar de outro assunto". Evidentemente,

apesar das divergências partidárias que separavam Conservadores e Liberais, qualquer estadista, fôsse de um partido

de Contas, teve fases bem mar

que parte desta não seja improdutiva".

ou do outro, tendo de assumir a direção

cantes, especialmente quando ti tular da pasta da Justiça do fa

Assim falava o Ministro da Fazenda em

do Govêmo em período de guerra, seria

8 de maio de 1867, apresentando o se

levado, como Itaboraí, a centralizar a

sugeriu a fundação do Tribunal

escapou aos trabalhos legislativos

Ig, as fontes de receita são as mesmas que se criaram há mais de vinte anos,

tar as dificuldades iutemas e externas,

so da renda pública não pode acompa nhar a rápida elevação da despesa, ainda

romancista cearense, além do grande discurso de 1861, em que

cente Estado brasileiro, b projeto

Dizia êle: "Está

gem, senão também os que resultam do desenvolvimento de vários ramos da

turalmente incluído entre os precurso res do Tribunal de Contas.

claros o alarmantes.

lo Gabinete conservador. Como vimos,

lado Gabinete Itaboraí. Neste parti cular, deve-se à erudita e brilhante pena

de Artur Mota possivelmente o melhor trabalho escrito até hoje sôbre o aspecto político da vida de José de Alencar. O

e com semelliantes elementos o progres

guinte quadro das finanças brasileiras:

sua política no problema financeiro. Tal

Receita

orientação seria inevitável. Tome-se, pa ra ilustração, o seguinte fato: o Ga binete Itaboraí viu-se obrigado a emitir,

avaliada em

Despesa Déficit

59.000:000$000

67.742:627$912 8.742:627§912

livro José de Alencar, sua oida e sua

obra põe em foco justamente o que me

Em moeda atual teríamos um déficit

nos se conhecia do romancista: o polí

de oito milhões, setecentos e quarenta e

tico.

dois mil cruzeiros e ainda a fração.

A posição de José de Alencar

quase imediatamente, para cobrir despe sas inadiáveis e aUriar, cOrao recurso

de emergência, as aperturas do país. O novo Gabinete fôra empossado em 16

de julho, e já em agosto era autorizado a emitir 40 mil contos de réis.

Como

no Ministério, precisamente quando os

Tendo recebido a pasta da Fazenda

se vê, o Mirabeau brasileiro, há mais de

conservadores foram chamados ao Go-

em tais condições, Itaboraí traçou uma

cem anos, já considerava o Tribunal de

vôrno, depois da crise do Gabinete li-

Contas um órgão indispensável, frisan

29 de setembro de 70, tendo em xãsta,

beral, não podia deixar de ser suma

política financeira de "escrupulosa eco nomia dos dinheiros públicos" ao apre

do que, sem ele, a lei seria nula.

mente grave, por dois motivos especiais:

sentar o novo Gabinete aos representan

1.°) porque o Gabinete presidido pelo Visconde de Itaboraí (Joaquim José Ro drigues Tôrres) subiu ao poder em con seqüência da rumorosa situação políti ca de 1868, após a saída de Zacarias

tes do povo.

ceira, coincide com as linhas gerais do

raguai, inaugurou-se com a seguinte composição: Presidente — Visconde de Itaboraí, que ocupou a pasta da Fa zenda, como outros presidentes do Con selho; Justiça — José Martiniano de

programa apresentado, pouco depois, pe

Alencar; Estrangeiros — Visconde do

sem esse tribunal a lei é nula".

A história do Tribunal de Contas, à

luz dos atos e projetos que a êle se re ferem, tanto no 1.° como no 2.® Rei nado, tem ótimo roteiro no trabalho aci

ma citado, cujas fontes nos fornecem,

Nota-se que o pensamento do Gabi nete liberal, quanto à situação finan

ivÈlã

O Gabinete de 68, que governou até portanto, a terminação da guerra do Pa


Dicesto Eco^•ó^nco

100

Diabsto Econômico

101

Rosa, aluai presidente do Tribunal de

entre outros, dois antecedentes muito

de Góis; 2.°) porque o Gabinete Ita

Contas da União, escreveu longo e do

interessantes.

boraí teria de enfrentar, como enfrentou,

Zacarias de Góis reclama\a novo sacri

cumentado trabalho na Recista do Ins

Branco, Ministro da Fazenda, repetia: "O

fício para que a Nação pudesse enfren

tituto Geográfico e Histórico da Bahia (1943), sôbre os antecedentes do Tri

verdadeiro meio de pôr a nossa contabi lidade no pé em que deve colocar-se é

bunal de Contas, instituído pelo De

a criação do Tribunal de Contas, com

creto 966-A, de 7 de novembro de 1890.

posto de homens independentes". Idên

uma fase das mais difíceis da guerra do Paraguai. Já no ano anterior à crise política, Zacarias de Góis, Presidente do Conselho e Ministro da Fazenda, ex punha a situação do país em têrmos

Os apontamentos e comentários coli-

tica opinião seria esposada, em 1879, pe lo Visconde de Ouro Preto, quando pro-

hoje na consciência de todos que é ne

balho mostram cj^ue já no regime colo nial se cogitava de um órgão especial

c'amou "urgentíssima e reclamada pelos

cessário um novo sacrifício da nação,

mais importantes interesses públicos a

para julgar o movirnento da receita e

instituição do Tribunal dc Contas" etc.

despesa do Estado.

Embora tenha sido previsto em discus sões muito antigas, chegando a ser ob

para habilitar o governo a satisfazer não só os empenhos contraídos a fim de sustentar a guerra com o Paraguai, co mo a honra e a dignidade do país o exi

gidos nesse exaustivo e minucioso tra

O Conselho de

Em 1840, Manuel Alves

Fazenda e o Regimento de Contas, orga nizados sob o regime espanhol, eram

jeto de proposta do Parlamento, o Tri

remotos ensaios do Tribunal de Contas.

bunal de Contas é obra da República.

Depois da Independência, apesar de haver a nossa vida política, durante muito tempo, atravessado freqüentes agi

O nome de José de Alencar está na

tações, o que perturbava tôda a

administração, visto que, ao passo que a despesa tem crescido considerávelmen-

Diga-se,

aliás, que a atividade política do

máquina administrativa do nas de um Tribunal de Contas não do 1.° Reinado.

Di-lo ainda o ministro Rubem

Rosa. Em 1826, por exemplo, Felisberto Caldeira Brant Pontes sustenta va a necessidade de um Tribunal deste

gênero, idéia apoiada mais tarde, em 1830, por Bernardo de Vasconcelos, nestes termos: "Eu espero que esta au gusta Câmara julgue indispensável um Tribunal de Contas para examinar o ba lanço da receita e despesa do Estado:

tendo em %àsta, especialmente, o dese

quilíbrio entre a receita e a despesa. Não era'outra a política financeira de Itabo

raí, presidente do Conselho e titular da Fazenda, quando traçou o programa do Gabinete consei^-ador em 1868. Ei-lo, em resumo: "... temos necessidade,

mais que urgente, de tratar de leis de fazenda, e especialmente da decretação de recursos que são e.xigidos imperiosa mente para acudir às obrigações que o Tesouro tem contraído e para terminar, com honra e dignidade, a guerra era que nos achamos empenhados; entendo que não resta tempo este ano para tra tar de outro assunto". Evidentemente,

apesar das divergências partidárias que separavam Conservadores e Liberais, qualquer estadista, fôsse de um partido

de Contas, teve fases bem mar

que parte desta não seja improdutiva".

ou do outro, tendo de assumir a direção

cantes, especialmente quando ti tular da pasta da Justiça do fa

Assim falava o Ministro da Fazenda em

do Govêmo em período de guerra, seria

8 de maio de 1867, apresentando o se

levado, como Itaboraí, a centralizar a

sugeriu a fundação do Tribunal

escapou aos trabalhos legislativos

Ig, as fontes de receita são as mesmas que se criaram há mais de vinte anos,

tar as dificuldades iutemas e externas,

so da renda pública não pode acompa nhar a rápida elevação da despesa, ainda

romancista cearense, além do grande discurso de 1861, em que

cente Estado brasileiro, b projeto

Dizia êle: "Está

gem, senão também os que resultam do desenvolvimento de vários ramos da

turalmente incluído entre os precurso res do Tribunal de Contas.

claros o alarmantes.

lo Gabinete conservador. Como vimos,

lado Gabinete Itaboraí. Neste parti cular, deve-se à erudita e brilhante pena

de Artur Mota possivelmente o melhor trabalho escrito até hoje sôbre o aspecto político da vida de José de Alencar. O

e com semelliantes elementos o progres

guinte quadro das finanças brasileiras:

sua política no problema financeiro. Tal

Receita

orientação seria inevitável. Tome-se, pa ra ilustração, o seguinte fato: o Ga binete Itaboraí viu-se obrigado a emitir,

avaliada em

Despesa Déficit

59.000:000$000

67.742:627$912 8.742:627§912

livro José de Alencar, sua oida e sua

obra põe em foco justamente o que me

Em moeda atual teríamos um déficit

nos se conhecia do romancista: o polí

de oito milhões, setecentos e quarenta e

tico.

dois mil cruzeiros e ainda a fração.

A posição de José de Alencar

quase imediatamente, para cobrir despe sas inadiáveis e aUriar, cOrao recurso

de emergência, as aperturas do país. O novo Gabinete fôra empossado em 16

de julho, e já em agosto era autorizado a emitir 40 mil contos de réis.

Como

no Ministério, precisamente quando os

Tendo recebido a pasta da Fazenda

se vê, o Mirabeau brasileiro, há mais de

conservadores foram chamados ao Go-

em tais condições, Itaboraí traçou uma

cem anos, já considerava o Tribunal de

vôrno, depois da crise do Gabinete li-

Contas um órgão indispensável, frisan

29 de setembro de 70, tendo em xãsta,

beral, não podia deixar de ser suma

política financeira de "escrupulosa eco nomia dos dinheiros públicos" ao apre

do que, sem ele, a lei seria nula.

mente grave, por dois motivos especiais:

sentar o novo Gabinete aos representan

1.°) porque o Gabinete presidido pelo Visconde de Itaboraí (Joaquim José Ro drigues Tôrres) subiu ao poder em con seqüência da rumorosa situação políti ca de 1868, após a saída de Zacarias

tes do povo.

ceira, coincide com as linhas gerais do

raguai, inaugurou-se com a seguinte composição: Presidente — Visconde de Itaboraí, que ocupou a pasta da Fa zenda, como outros presidentes do Con selho; Justiça — José Martiniano de

programa apresentado, pouco depois, pe

Alencar; Estrangeiros — Visconde do

sem esse tribunal a lei é nula".

A história do Tribunal de Contas, à

luz dos atos e projetos que a êle se re ferem, tanto no 1.° como no 2.® Rei nado, tem ótimo roteiro no trabalho aci

ma citado, cujas fontes nos fornecem,

Nota-se que o pensamento do Gabi nete liberal, quanto à situação finan

ivÈlã

O Gabinete de 68, que governou até portanto, a terminação da guerra do Pa


Rio Branco; Império — Paulino J. Soa

legislatura, que, colocado em posição

res de Sousa; Marinha — Barão de C>>-

autônoma, com atribuições de revisão e julgamento, cercado de garantias contra

tegipe; Guerra — Barão de Murítiba:

Agriciãtura — Joaquim Antão Fernan des Leão. Houve modificações no Mi

nistério. O próprio José de Alencar saiu antes, isto é, em janeiro de 70. Vê-se que José de Alencar, deten

tor da pasta da Justiça, membro do Governo que atravessou a fase final da

quaisquer ameaças, possa e.xorcer as .suas funções vitaLs no organismo cons-

tituciona!, sem rLsco de converter-se em instituição do ornamento aparaloso e inútil."

ja\a um Tribunal de Contas cujos inem-

guerra contra Solano Lopes,, foi, além

de escritor dos mais festejados até hoje,

aí se lê, ressalta\-a bem a autonomia do

um político de ação. O fato de haver

Tribunal, coerente com as suas convic

compreendido e proclamado enèrgíca-

ções democráticas, porque o inconfun

mente, como deputado, a necessidade,

dível construtor jurídico da República foi sempre um defensor consciente e

com altas expressões políticas, prova que o romancista da Guerra dos Mascates e

d O Guarani era partidário da responsa bilidade administrativa.

A verdadeira

democracia exige fiscalização.

Todo

Governo responsável, desde que saído da legitimidade do voto popular, requer o regime de fiscalização e crítica. José

de Alencar batia-se por êsse princípio

Ivan Lins

Bernardo de Vasconcelos dese-

bro.s füs.sem \italícios c, lògicainento, com lóda independência. Rui, como

indiscutivelmente imperiosa, do Tribu nal de Contas, pensando em harmonia

COMTE E A CORRELAÇÃO DOS FENÔMENOS SOCIAIS

corajoso da fiscalização administrativa.

Era assim que pensava José de Alencar, muito antes da República. Não foi iwr outra razão que o romancista propôs,

no Parlamento do Império, a criação do

sociais, é impossível estu-

Em outros passos estabelece Comte, com clareza meridiana, que, na socie dade, tal qual no organismo de um ser

darem-se os aspectos eco

vivo,' o conjunto determina as partes,

nômicos como se existis

existindo entre os elementos sociais uma

VISTA da interdependên cia

dos

acontecimentos

sem .sozinhos, sem se. en trosarem a cada instante com os outros

que a sociedade concomitantemente apresenta. Há verdadeiro consenso entre

os diversos órgãos sociais e suas funções, e daí decorre, para Augusto Comte, a necessidade

de

serem

os fenômenos

Tribunal de Contas.

econômicos estudados em suas ligações com todos os outros. Eis as próprias

Fontes consultadas

palavras do filósofo:

Artur Mota — José de Alencar. Bri-

"A confissão geral dos nossos economistíis sobre o isolamento necessário de

causahdade recíproca, isto é, leis de cor relação. Há, por e.xemplo, uma adapta ção entre o estado metafísico e as for mas da arte ou da produção econômica, do mesmo modo que há adaptação entre o cérebro do homem e seus membros. Ora em biologia comete-.se erro palpá vel estudando-se um órgão isoladamen

te, sem tomar em consideração os outros, e' sobretudo, sem atentar no animal

vivo. Também em* sociologia existem interações entre todos os grupos de ||

tórico da Bahia — Vol. 69 — 1943.

junto da filosofia social constitaii, impli citamente, um reconhecimento involun

fenômenos: separá-los arbitrariamente é o mesmo que mutilá-los. O fenômeno po lítico, o estético, o jurídico e o econômi

Max Fleiuss — História Administra tiva do Brasil — Relatório do Ministro

tário e decisivo da inanidade cientifica de sua.s teorias. Pe'a natureza do assun

tóricas e se modificam reciprocamente.

entre nós, o sistema de contabilidade or

da Fazenda, Zacarias de Góis e Vas

to, nos estudos sociais, como nos que

çamentária defeituoso no seu mecanismo

concelos — 1867.

são relativos aos corpos vivos, os diver

e fraco na sua execução.

Relatório do Ministro da Fazenda, Rui Barbosa, 1891, pág. 450. Anais da Câmara dos Deputados —

em 1861; trinta anos depois, Rui Bar bosa, Ministro da Fazenda do Govôrno Provisório da República, no relatório de 1891, justificava a instituição do Tri

bunal de Contas com estas palavras: "É, O Governo

Provisório reconheceu a urgência ine vitável de reorganizá-Io; e acredita haver

guet. Rio, 1921.

Revista do Instituto Geográfico e His

lançado os fundamentos para essa re forma radical com a criação de um Tribunal de Contas, corpo de magistra

1861.

tura intermediária à administração e à

do mesmo ano.

Decretos n°s. 4232, de 5 de agôsto de 1868, e 4244, de 15 de setembro

sua p.seudo-ciência em relação ao con

sos aspectos gerais são mutuamente soli dários e racionalmente inseparáveis, a

ponto de não poderem ser esclarecidos senão uns pelos outros. Quando se deixa

co enquadram-se nas mesmas séries his Há, entre êles, para nos ser\irmos de uma concepção devida, em biologia, ao gênio de Hipócmtes, um coíwenío, tanto mais íntimo e pronunciado quanto mais

complexos são os acontecimentos consi derados.

o -mundo das entidades para considerar

as especulações reais, toma-se palpável que a análise econômica ou industrial da sociedade não poderia ser positiva mente realizada fazendo-se abstração de .sua análise intelectual, moral e política,

seja no passado, seja mesmo na atualida de, de sorte que, reciprocamente, essa ir

racional separação fornece irrecusável sin toma da natureza essencialmente metafí

sica das'doutrinas que a tomam por base.

Não se pode separar, no fenômeno social, o aspecto material do espiritual Sendo, portanto, os fenômenos sociais

profundamente conexos, seu estudo real não poderia ser jamais racionalmente

separado. Daí resulta a obrigação per manente de considerar sempre ao mes

mo tempo os diversos aspectos sociais,

não separando a apreciação do desen-


Rio Branco; Império — Paulino J. Soa

legislatura, que, colocado em posição

res de Sousa; Marinha — Barão de C>>-

autônoma, com atribuições de revisão e julgamento, cercado de garantias contra

tegipe; Guerra — Barão de Murítiba:

Agriciãtura — Joaquim Antão Fernan des Leão. Houve modificações no Mi

nistério. O próprio José de Alencar saiu antes, isto é, em janeiro de 70. Vê-se que José de Alencar, deten

tor da pasta da Justiça, membro do Governo que atravessou a fase final da

quaisquer ameaças, possa e.xorcer as .suas funções vitaLs no organismo cons-

tituciona!, sem rLsco de converter-se em instituição do ornamento aparaloso e inútil."

ja\a um Tribunal de Contas cujos inem-

guerra contra Solano Lopes,, foi, além

de escritor dos mais festejados até hoje,

aí se lê, ressalta\-a bem a autonomia do

um político de ação. O fato de haver

Tribunal, coerente com as suas convic

compreendido e proclamado enèrgíca-

ções democráticas, porque o inconfun

mente, como deputado, a necessidade,

dível construtor jurídico da República foi sempre um defensor consciente e

com altas expressões políticas, prova que o romancista da Guerra dos Mascates e

d O Guarani era partidário da responsa bilidade administrativa.

A verdadeira

democracia exige fiscalização.

Todo

Governo responsável, desde que saído da legitimidade do voto popular, requer o regime de fiscalização e crítica. José

de Alencar batia-se por êsse princípio

Ivan Lins

Bernardo de Vasconcelos dese-

bro.s füs.sem \italícios c, lògicainento, com lóda independência. Rui, como

indiscutivelmente imperiosa, do Tribu nal de Contas, pensando em harmonia

COMTE E A CORRELAÇÃO DOS FENÔMENOS SOCIAIS

corajoso da fiscalização administrativa.

Era assim que pensava José de Alencar, muito antes da República. Não foi iwr outra razão que o romancista propôs,

no Parlamento do Império, a criação do

sociais, é impossível estu-

Em outros passos estabelece Comte, com clareza meridiana, que, na socie dade, tal qual no organismo de um ser

darem-se os aspectos eco

vivo,' o conjunto determina as partes,

nômicos como se existis

existindo entre os elementos sociais uma

VISTA da interdependên cia

dos

acontecimentos

sem .sozinhos, sem se. en trosarem a cada instante com os outros

que a sociedade concomitantemente apresenta. Há verdadeiro consenso entre

os diversos órgãos sociais e suas funções, e daí decorre, para Augusto Comte, a necessidade

de

serem

os fenômenos

Tribunal de Contas.

econômicos estudados em suas ligações com todos os outros. Eis as próprias

Fontes consultadas

palavras do filósofo:

Artur Mota — José de Alencar. Bri-

"A confissão geral dos nossos economistíis sobre o isolamento necessário de

causahdade recíproca, isto é, leis de cor relação. Há, por e.xemplo, uma adapta ção entre o estado metafísico e as for mas da arte ou da produção econômica, do mesmo modo que há adaptação entre o cérebro do homem e seus membros. Ora em biologia comete-.se erro palpá vel estudando-se um órgão isoladamen

te, sem tomar em consideração os outros, e' sobretudo, sem atentar no animal

vivo. Também em* sociologia existem interações entre todos os grupos de ||

tórico da Bahia — Vol. 69 — 1943.

junto da filosofia social constitaii, impli citamente, um reconhecimento involun

fenômenos: separá-los arbitrariamente é o mesmo que mutilá-los. O fenômeno po lítico, o estético, o jurídico e o econômi

Max Fleiuss — História Administra tiva do Brasil — Relatório do Ministro

tário e decisivo da inanidade cientifica de sua.s teorias. Pe'a natureza do assun

tóricas e se modificam reciprocamente.

entre nós, o sistema de contabilidade or

da Fazenda, Zacarias de Góis e Vas

to, nos estudos sociais, como nos que

çamentária defeituoso no seu mecanismo

concelos — 1867.

são relativos aos corpos vivos, os diver

e fraco na sua execução.

Relatório do Ministro da Fazenda, Rui Barbosa, 1891, pág. 450. Anais da Câmara dos Deputados —

em 1861; trinta anos depois, Rui Bar bosa, Ministro da Fazenda do Govôrno Provisório da República, no relatório de 1891, justificava a instituição do Tri

bunal de Contas com estas palavras: "É, O Governo

Provisório reconheceu a urgência ine vitável de reorganizá-Io; e acredita haver

guet. Rio, 1921.

Revista do Instituto Geográfico e His

lançado os fundamentos para essa re forma radical com a criação de um Tribunal de Contas, corpo de magistra

1861.

tura intermediária à administração e à

do mesmo ano.

Decretos n°s. 4232, de 5 de agôsto de 1868, e 4244, de 15 de setembro

sua p.seudo-ciência em relação ao con

sos aspectos gerais são mutuamente soli dários e racionalmente inseparáveis, a

ponto de não poderem ser esclarecidos senão uns pelos outros. Quando se deixa

co enquadram-se nas mesmas séries his Há, entre êles, para nos ser\irmos de uma concepção devida, em biologia, ao gênio de Hipócmtes, um coíwenío, tanto mais íntimo e pronunciado quanto mais

complexos são os acontecimentos consi derados.

o -mundo das entidades para considerar

as especulações reais, toma-se palpável que a análise econômica ou industrial da sociedade não poderia ser positiva mente realizada fazendo-se abstração de .sua análise intelectual, moral e política,

seja no passado, seja mesmo na atualida de, de sorte que, reciprocamente, essa ir

racional separação fornece irrecusável sin toma da natureza essencialmente metafí

sica das'doutrinas que a tomam por base.

Não se pode separar, no fenômeno social, o aspecto material do espiritual Sendo, portanto, os fenômenos sociais

profundamente conexos, seu estudo real não poderia ser jamais racionalmente

separado. Daí resulta a obrigação per manente de considerar sempre ao mes

mo tempo os diversos aspectos sociais,

não separando a apreciação do desen-


•

104

DicESTo Econômico

volvímento material da do evolver espi ritual.

Todo estudo Isolado dos diver

tando a entrada dessas mercadorias em seu território. Daí proveio, para o co

sos elementos sociais é, por conseguinte,

mércio francês dc vinhos, vultoso pre

profundamente irracional e deve perma

juízo. porquanto os americanos eram grande.s consumidores dc vinhos de Bor-

necer essencialmente estéril.

E, na Política, salientando quanto o emprego das riquezas depende das opi

deus o Chamjjanlia. Ora, a razão que

niões e sentimentos que prevalecem em

fez, nos Estados Unidos, triunfar o re gime sêco, foi comple.va, mas o purila-

cada momento histórico, patenteia o fi lósofo serem tão ôcas quanto ignóbeis

nismo americano foi, certamente, o seu

as teorias econômicas onde a vida ma

terial é concebida independentemente de qualquer influência mental ou afeti

va. Uma simples mudança nas opiniões humanas, como, por exemplo, a proibi

ção do vinho entre os muçulmanos, pode profundamente modificar o conjunto da existência prática, tanto particular como púbhca.

Não é o que se dá, entre os católicos, com a valorização do peixe e dos ovos

elemento principal. Vemos, assim, a prosperidade de uma região vinícola francesa ameaçada por um fenômeno re ligioso que se produziu em outra e.x-

Comte aos economistas de seu tempo; "O homem não é somente um ser

I

•

economia política ãs teorias dos juristas, que também só consideravam um ho

mem abstrato, separado de tudo quanto o cerca. Para Comte, ao contrário, era preciso subsistir esse absouitismo, tanto

na teoria como na prática.

Devendo

adaptar-se às condições de tempo e de lugar, não seria possível haver uma le gislação econômica uni\ ersal,' capaz de indiferentemente ap'icar-se a todos os países e a todas as suas fases evolutivas, tese que tamanha importância adqui riria na escola histórica alemã.

Contribuindo para fazer triunfar a

tiplicar o.s e.xemplos." Reciprocamen te, a descoberta da imprensa, dos mo

noção de sociedades variáveis — frisa

tores de explosão, da luz elétrica, dos

Mauduit — prestou Augusto Comte o mais relevante serviço à economia po

rádios etc., provocou, por sua vez, inú

lítica.

meras modificações no conjunto das ca racterísticas intelectuais e morais das massas humanas.

Comte, a economia política e a noção de sociedades variáveis

Outra critica de Comte nos economis

Nesta senda seguia, aliiis, as pegadas

do Abade Galinni em seus "Diálogos sôbre o comércio do trigo", onde mos tra deverem os princípios aplicar-se aos tempos, aos lugares e às circunstâncias: Qual o reino de que se quer falar? Onde está situado? Quais os seus cos tumes, as suas opiniões, as vantagens a

econômico, é ainda religioso, esteta, al

tas liberais era o caráter absoluto de

serem nele obtidas e os riscos a evi

truísta, e apenas à custa de um artifício é que se pode considerar isoladamente um único dos aspectos da natureza hu mana. Sejamos ou não organicistas. a

suas conclusões, por falta de se servirem

tar?"

da historia como instrumento de inves tigação, sendo, no fundo, as diversas

comp'exidade dos fenômenos sociais de

um tipo político imutável.

um lado, e, de outro, as suas ações e reações mútuas, são observações de fato

as leis econômicas se verificariam eni

que se impõem a todos. Considerar al guém o homem exclusivamente como produtor de riqueza é mutilar o ser real e condenar-se a um conhecimento

escolas dominada.s pela consideração de Para os economistas liberais, de fato,

qualquer lugar e em todos os tempps. A política que delas deduziam era sus

cetível de aplicação geral e universal.

'A realidade prática disciplina os desvios teóricos .

Mas, no próprio apogeu do liberalis mo, a necessidade de uma supervisão dos acontecimentos econômicos, e, conse qüentemente, de uma regulamentação da indústria e do comércio, se fez niti damente sentir.

incompleto. Quem não vê, efetivamen

Ficavam, deste modo, alheios ao relativismo histórico, acreditando haverem

te, que o menor fenômeno econômico é

formulado leis que exprimiam verdades

ocorrem na Inglaterra. A de 1812 cau sa 7.000 falências, cujo contxa-golpe se faz sentir na França. Mercadorias bri

influenciado por uma série de causas de

outra ordem?

Querem um exemplo?

Há alguns anos, como se sabe, os Es

tados Unidos da América proibiram o consumo de vinhos e de álcool, interdi-

universais, comuns a todos os tempos e

a todas as nações, tal qual as leis físicas. O laisser falte parecia ser a conclusão prática da ciência econômica, válida para todos os meios, assemelhando-se a

«

103

Seria fácil mul

tremidade do mundo.

na quaresma e na semana santa?

Entre outros, tece Mauduit os se guintes comentários a esta crítica de

r

-•

Dicesto EcoNÓ^^co

De 1810 a 1825 quatro crises gra\'es

tânicas passam a ser vendidas a preço

fervorosos das idéias liberais, são os primeiros a lhes riolar os princípios es senciais desde que se vêem atingidos em seus interesses. Coligam-se e obtêm do governo a majoração dos direitos aduaneiros. E, assim, as realidades lan çam por terra os princípios apriorísticos,

puramente abstratos, impondo aos in dustriais da França a sua férrea disci plina.

Não era sem razão que Comte increpava a trilha de abstrações cada vez maiores pe'a qual enveredara a economia política em seu tempo. Consoante Gide

e Rist, com os sucessores de J. B. Say e de Ricardo tomou a Economia Polí

tica um caráter cada vez mais abstrato; tendeu, em alguns autores, a reduzir-se

a pequeno número de proposições teóri cas, formuladas como teoremas de geo

metria... Transformou-se, enfim, num ^

corpo de doutrinas bastante frio, cujos ■ laços com a vida econômica real eram ^ cada vez menos perceptíveis, parecendo sofrer, nas palavras de Schmoller,' de "uma espécie de anemia".

"Enquanto Adam Smith - comenta, por outro lado, Ingram — se esforçava por encerrar-se no mundo real, descre

vendo tão exatamente quanto possível as situações dos homens e das coisas, Ricardo e seus continuadores, ao con

trário, flutuavam num mundo perma nente de abstrações. Quando citavam casqs para alicerçar doutrinas, eram hi potéticos. Seu gosto £a\'orito era ima

ginar o comércio dê dois selvagens e pesquisar-lhe os resultados prováveis." Compreende-se, .assim, quanta razão assistia a Coumot em não considerar a ação dos economistas sobre o curso dos acontecimentos mais eficaz do que a dos

ví'íssimo no mercado francês. E os in

gramátícos sobre o evolver da lingua

dustriais franceses, apesar de adeptos

gem...


•

104

DicESTo Econômico

volvímento material da do evolver espi ritual.

Todo estudo Isolado dos diver

tando a entrada dessas mercadorias em seu território. Daí proveio, para o co

sos elementos sociais é, por conseguinte,

mércio francês dc vinhos, vultoso pre

profundamente irracional e deve perma

juízo. porquanto os americanos eram grande.s consumidores dc vinhos de Bor-

necer essencialmente estéril.

E, na Política, salientando quanto o emprego das riquezas depende das opi

deus o Chamjjanlia. Ora, a razão que

niões e sentimentos que prevalecem em

fez, nos Estados Unidos, triunfar o re gime sêco, foi comple.va, mas o purila-

cada momento histórico, patenteia o fi lósofo serem tão ôcas quanto ignóbeis

nismo americano foi, certamente, o seu

as teorias econômicas onde a vida ma

terial é concebida independentemente de qualquer influência mental ou afeti

va. Uma simples mudança nas opiniões humanas, como, por exemplo, a proibi

ção do vinho entre os muçulmanos, pode profundamente modificar o conjunto da existência prática, tanto particular como púbhca.

Não é o que se dá, entre os católicos, com a valorização do peixe e dos ovos

elemento principal. Vemos, assim, a prosperidade de uma região vinícola francesa ameaçada por um fenômeno re ligioso que se produziu em outra e.x-

Comte aos economistas de seu tempo; "O homem não é somente um ser

I

•

economia política ãs teorias dos juristas, que também só consideravam um ho

mem abstrato, separado de tudo quanto o cerca. Para Comte, ao contrário, era preciso subsistir esse absouitismo, tanto

na teoria como na prática.

Devendo

adaptar-se às condições de tempo e de lugar, não seria possível haver uma le gislação econômica uni\ ersal,' capaz de indiferentemente ap'icar-se a todos os países e a todas as suas fases evolutivas, tese que tamanha importância adqui riria na escola histórica alemã.

Contribuindo para fazer triunfar a

tiplicar o.s e.xemplos." Reciprocamen te, a descoberta da imprensa, dos mo

noção de sociedades variáveis — frisa

tores de explosão, da luz elétrica, dos

Mauduit — prestou Augusto Comte o mais relevante serviço à economia po

rádios etc., provocou, por sua vez, inú

lítica.

meras modificações no conjunto das ca racterísticas intelectuais e morais das massas humanas.

Comte, a economia política e a noção de sociedades variáveis

Outra critica de Comte nos economis

Nesta senda seguia, aliiis, as pegadas

do Abade Galinni em seus "Diálogos sôbre o comércio do trigo", onde mos tra deverem os princípios aplicar-se aos tempos, aos lugares e às circunstâncias: Qual o reino de que se quer falar? Onde está situado? Quais os seus cos tumes, as suas opiniões, as vantagens a

econômico, é ainda religioso, esteta, al

tas liberais era o caráter absoluto de

serem nele obtidas e os riscos a evi

truísta, e apenas à custa de um artifício é que se pode considerar isoladamente um único dos aspectos da natureza hu mana. Sejamos ou não organicistas. a

suas conclusões, por falta de se servirem

tar?"

da historia como instrumento de inves tigação, sendo, no fundo, as diversas

comp'exidade dos fenômenos sociais de

um tipo político imutável.

um lado, e, de outro, as suas ações e reações mútuas, são observações de fato

as leis econômicas se verificariam eni

que se impõem a todos. Considerar al guém o homem exclusivamente como produtor de riqueza é mutilar o ser real e condenar-se a um conhecimento

escolas dominada.s pela consideração de Para os economistas liberais, de fato,

qualquer lugar e em todos os tempps. A política que delas deduziam era sus

cetível de aplicação geral e universal.

'A realidade prática disciplina os desvios teóricos .

Mas, no próprio apogeu do liberalis mo, a necessidade de uma supervisão dos acontecimentos econômicos, e, conse qüentemente, de uma regulamentação da indústria e do comércio, se fez niti damente sentir.

incompleto. Quem não vê, efetivamen

Ficavam, deste modo, alheios ao relativismo histórico, acreditando haverem

te, que o menor fenômeno econômico é

formulado leis que exprimiam verdades

ocorrem na Inglaterra. A de 1812 cau sa 7.000 falências, cujo contxa-golpe se faz sentir na França. Mercadorias bri

influenciado por uma série de causas de

outra ordem?

Querem um exemplo?

Há alguns anos, como se sabe, os Es

tados Unidos da América proibiram o consumo de vinhos e de álcool, interdi-

universais, comuns a todos os tempos e

a todas as nações, tal qual as leis físicas. O laisser falte parecia ser a conclusão prática da ciência econômica, válida para todos os meios, assemelhando-se a

«

103

Seria fácil mul

tremidade do mundo.

na quaresma e na semana santa?

Entre outros, tece Mauduit os se guintes comentários a esta crítica de

r

-•

Dicesto EcoNÓ^^co

De 1810 a 1825 quatro crises gra\'es

tânicas passam a ser vendidas a preço

fervorosos das idéias liberais, são os primeiros a lhes riolar os princípios es senciais desde que se vêem atingidos em seus interesses. Coligam-se e obtêm do governo a majoração dos direitos aduaneiros. E, assim, as realidades lan çam por terra os princípios apriorísticos,

puramente abstratos, impondo aos in dustriais da França a sua férrea disci plina.

Não era sem razão que Comte increpava a trilha de abstrações cada vez maiores pe'a qual enveredara a economia política em seu tempo. Consoante Gide

e Rist, com os sucessores de J. B. Say e de Ricardo tomou a Economia Polí

tica um caráter cada vez mais abstrato; tendeu, em alguns autores, a reduzir-se

a pequeno número de proposições teóri cas, formuladas como teoremas de geo

metria... Transformou-se, enfim, num ^

corpo de doutrinas bastante frio, cujos ■ laços com a vida econômica real eram ^ cada vez menos perceptíveis, parecendo sofrer, nas palavras de Schmoller,' de "uma espécie de anemia".

"Enquanto Adam Smith - comenta, por outro lado, Ingram — se esforçava por encerrar-se no mundo real, descre

vendo tão exatamente quanto possível as situações dos homens e das coisas, Ricardo e seus continuadores, ao con

trário, flutuavam num mundo perma nente de abstrações. Quando citavam casqs para alicerçar doutrinas, eram hi potéticos. Seu gosto £a\'orito era ima

ginar o comércio dê dois selvagens e pesquisar-lhe os resultados prováveis." Compreende-se, .assim, quanta razão assistia a Coumot em não considerar a ação dos economistas sobre o curso dos acontecimentos mais eficaz do que a dos

ví'íssimo no mercado francês. E os in

gramátícos sobre o evolver da lingua

dustriais franceses, apesar de adeptos

gem...


DiCKàTO Econômico

103

Digesto Econômico

Caráter científico da crítica econômica de Comte

"Mais do que os seus contemporâneos — ressalta Mauduit — não só apontou

Comte os defeitos práticos do industrialismo, como atacou a economia política

em sua própria essência. Combateu-a não apenas pelas suas conseqüências, mas, elevando o debate, increpou-lhe o método e afinal lhe negou o nome e a

qualidade de ciência. Teve o filósofo em mira destruir o individualismo anár

quico e arruinar a ciência incompleta e imperfeita dos economistas, para edificar, em seu lugar, a sociologia, a ciên cia nova, que semria de base à reor

ganização social.

Eis porque a refor

ma da sociedade em Augusto Comte e sua crítica da ciência econômi ca são essencialmente um esfor

idées cconomiques d'Augu>ilü Comtc'\

estampada cm 1919, e Roger Mauduit no \'olume "Augiistc Comte ct Ia scien« ce économiquc", saído a lume em 1929.

tantos, o tenha ignorado. Não leram o

Curso de Filosofia Po^tiva, concluído,

desde 1842. Nesta obra, porém, emite

inglê.ses, para melhor disfarçarem os seus

Hildcbrando. Tão análogas até que al

fêz Augusto Comte um balanço dos

guns economistas, como Ingram e Hector

Denis, julgaram poder ligar a tendên

.trabalhos daqueles que, em épocas di versas, o haviam precedido na mesma

cia histórica em Economia Política à

senda. Como não podia debcar de .ser,

filosofia positiva.

não escaparam os economistas a esse

plágios, segundo adverte Schiatareila., desancaram de rijo o fundador da filoso fia positiva, pensando assim pòr a salvo o que dôlc haviam pilliado. Outros, como o alemão Knies, confessam a com

pleta paridade de suas idéias com as de Comte, pretendendo, porém, jamais o haverem lido: qualquer semelhança se ria mera coincidência...

Entretanto, atesta Ingram — tudo

quanto possui algum valor na metodo logia de Knies se acha, com maior am plidão, em Comte, recebendo

balanço. Em vários passos da Filosofia

tamos como constituindo o fundo das concepções dos historicistas foram ni

o da Política Positha aprecia-lhes Comte

tidamente

formuladas por Augusto

"A primeira refere-se à necessidade de estudar os fenômenos econômicos em

tários a esse respeito.

suas relações com todos os outros: "A análise econômica e industrial da socie

vista eminentemente filosófico

riador

abstração de sua análise intelectual, mo-

e científico que Comte conde nou a economia política liberal, e, dêste ponto de vista, seu es-

francamente prevenido contm

Política

Augusto Comte — Charles Rist.

que extrema superficialidade por vezes

"A segunda é o emprego da história como instimmento de investigação na

mais ou menos literárias ou declamató

Histórica — representada, como se sabe, na Alemanha, por Ilildebrando, Roscher, Knies, Schmoller, Wagner, Lombart ^

ciência social.

rias da época."

Comte, precursor da Escola Histórica

Brentano.

sito da "escola histórica e a questão

economia política, verdadeira revolução, não só dando origem à chamada Escola Histórica, como ainda pondo por terra

métodos".

Provavam os comentários dêste últiníQ _ aos olhos de Stuart Mill — "de

era capaz Comte", que êle, todavia, considerava um filósofo comparável, se não superior a Descartes e Leibnitz...

Eis, de fato, como êle apre.

da Filosofia Positiva introduzindo, na

Et pour cause,

porquanto era nada divergiam, na essên cia, os princípios econômicos do publi cista inglês dos que eram professados pelos economistas \isados pelo filósofo...

presente".

cia a influência de Comte sôbre a Esco/q

tes de concluir" — escreve Rist a prop^..

Mill enormemente com os seus comen

ral e política, quer no passado quer no

fòrço distingue-se de todas as críticas

"Impõe-se agora uma observação, an

Apesar de haver sofrido forte influên cia do filósofo francês, irritou-se Stuart

P%- 198) — não poderia positiva mente realizar-se desde que se fizesse

Economia

as idéias gerais e os métodos.

Comte.

"da majores" da filosofia. Ê o que confirma um histo da

Ao empreender fundar a sociologia,

As três idéias essenciais que aj^on-

método, isto é, de um ponto de

Acabam as ponderações do fundador

sôbre a Economia Política

Comte idéias análogas às de Knies e

dade — diz êle (Filosofia Positiva, t.

Foi em nome do

Sri/orf Mitt c o julgamento de Comte

Alguns economistas, principalmente

dêlc a marca que distingue os

ço científico.

107

em 1876, Maréchal na monografia "Lcs

Deve esta apoiar-se —

diz êle — "na análise racional do con junto do desenvolvimento verificado até

Foi, contudo, uma observação extre mamente infeliz — comentava, na Enci-

clopédia Britânica, um historiador das

Iroje no escol da espécie humana", e, para regenerar a Economia Política, va-

doutrinas econômicas. Não a teria feito

ticina favoràvelmente "a predileção do nosso século, sempre crescente em tôda

progresso ulterior do pensamento euro peu e até onde iam penetrar as linhas gerais da crítica de Comte, propagan-

parte, pelos trabalhos históricos" (Filosofia Positiva, t. IV, págs. 168 e

Stuart MiU se houvesse podido prever o

207). "Finalmente, estava convencido de

escola histórica alemã.

o famoso mote da ortodoxia liberal:

"Encontra-.se flagrante analogia entre as idéias que acabamos de expor e as de um filósofo cuja ação direta sôbre

"laisser faire, laisser passer". Ê o que

os estudos econômicos foi muito fra

que êste método permitiria a previsão

bre o especialista: é que a êste, limitado

evidenciam

do-se por uma via independente: a da Aí está a superioridade do filósofo sô

ca, quase nula, mas a quem não po

racional, atributo que reúne o conjunto

ao horizonte de suas investigações de

econômicas, como Ingram, Hector Denis,

demos deixar de referir-nos:

das diversas condições destinadas à ca

cada instante, escapam muitas vezes as

Gide e Rist, e autores como Schiatareila,

Comte.

historiadores das doutrinas

Augusto

no livro "La Filosofia Positiva E Gli

"É bastante curioso que a escola his

Ultimi Economisti Inglesi", publicado

tórica, com os seus primeiros represen-

racterização do verdadeiro espírito fun damental da política." T?r -fr •*" -i-

★ -A- ★ A ★ A

pectos que o filósofo descobre e aponta à pesquisa do próprio especialista... v

Yv

'/< X M

^ h


DiCKàTO Econômico

103

Digesto Econômico

Caráter científico da crítica econômica de Comte

"Mais do que os seus contemporâneos — ressalta Mauduit — não só apontou

Comte os defeitos práticos do industrialismo, como atacou a economia política

em sua própria essência. Combateu-a não apenas pelas suas conseqüências, mas, elevando o debate, increpou-lhe o método e afinal lhe negou o nome e a

qualidade de ciência. Teve o filósofo em mira destruir o individualismo anár

quico e arruinar a ciência incompleta e imperfeita dos economistas, para edificar, em seu lugar, a sociologia, a ciên cia nova, que semria de base à reor

ganização social.

Eis porque a refor

ma da sociedade em Augusto Comte e sua crítica da ciência econômi ca são essencialmente um esfor

idées cconomiques d'Augu>ilü Comtc'\

estampada cm 1919, e Roger Mauduit no \'olume "Augiistc Comte ct Ia scien« ce économiquc", saído a lume em 1929.

tantos, o tenha ignorado. Não leram o

Curso de Filosofia Po^tiva, concluído,

desde 1842. Nesta obra, porém, emite

inglê.ses, para melhor disfarçarem os seus

Hildcbrando. Tão análogas até que al

fêz Augusto Comte um balanço dos

guns economistas, como Ingram e Hector

Denis, julgaram poder ligar a tendên

.trabalhos daqueles que, em épocas di versas, o haviam precedido na mesma

cia histórica em Economia Política à

senda. Como não podia debcar de .ser,

filosofia positiva.

não escaparam os economistas a esse

plágios, segundo adverte Schiatareila., desancaram de rijo o fundador da filoso fia positiva, pensando assim pòr a salvo o que dôlc haviam pilliado. Outros, como o alemão Knies, confessam a com

pleta paridade de suas idéias com as de Comte, pretendendo, porém, jamais o haverem lido: qualquer semelhança se ria mera coincidência...

Entretanto, atesta Ingram — tudo

quanto possui algum valor na metodo logia de Knies se acha, com maior am plidão, em Comte, recebendo

balanço. Em vários passos da Filosofia

tamos como constituindo o fundo das concepções dos historicistas foram ni

o da Política Positha aprecia-lhes Comte

tidamente

formuladas por Augusto

"A primeira refere-se à necessidade de estudar os fenômenos econômicos em

tários a esse respeito.

suas relações com todos os outros: "A análise econômica e industrial da socie

vista eminentemente filosófico

riador

abstração de sua análise intelectual, mo-

e científico que Comte conde nou a economia política liberal, e, dêste ponto de vista, seu es-

francamente prevenido contm

Política

Augusto Comte — Charles Rist.

que extrema superficialidade por vezes

"A segunda é o emprego da história como instimmento de investigação na

mais ou menos literárias ou declamató

Histórica — representada, como se sabe, na Alemanha, por Ilildebrando, Roscher, Knies, Schmoller, Wagner, Lombart ^

ciência social.

rias da época."

Comte, precursor da Escola Histórica

Brentano.

sito da "escola histórica e a questão

economia política, verdadeira revolução, não só dando origem à chamada Escola Histórica, como ainda pondo por terra

métodos".

Provavam os comentários dêste últiníQ _ aos olhos de Stuart Mill — "de

era capaz Comte", que êle, todavia, considerava um filósofo comparável, se não superior a Descartes e Leibnitz...

Eis, de fato, como êle apre.

da Filosofia Positiva introduzindo, na

Et pour cause,

porquanto era nada divergiam, na essên cia, os princípios econômicos do publi cista inglês dos que eram professados pelos economistas \isados pelo filósofo...

presente".

cia a influência de Comte sôbre a Esco/q

tes de concluir" — escreve Rist a prop^..

Mill enormemente com os seus comen

ral e política, quer no passado quer no

fòrço distingue-se de todas as críticas

"Impõe-se agora uma observação, an

Apesar de haver sofrido forte influên cia do filósofo francês, irritou-se Stuart

P%- 198) — não poderia positiva mente realizar-se desde que se fizesse

Economia

as idéias gerais e os métodos.

Comte.

"da majores" da filosofia. Ê o que confirma um histo da

Ao empreender fundar a sociologia,

As três idéias essenciais que aj^on-

método, isto é, de um ponto de

Acabam as ponderações do fundador

sôbre a Economia Política

Comte idéias análogas às de Knies e

dade — diz êle (Filosofia Positiva, t.

Foi em nome do

Sri/orf Mitt c o julgamento de Comte

Alguns economistas, principalmente

dêlc a marca que distingue os

ço científico.

107

em 1876, Maréchal na monografia "Lcs

Deve esta apoiar-se —

diz êle — "na análise racional do con junto do desenvolvimento verificado até

Foi, contudo, uma observação extre mamente infeliz — comentava, na Enci-

clopédia Britânica, um historiador das

Iroje no escol da espécie humana", e, para regenerar a Economia Política, va-

doutrinas econômicas. Não a teria feito

ticina favoràvelmente "a predileção do nosso século, sempre crescente em tôda

progresso ulterior do pensamento euro peu e até onde iam penetrar as linhas gerais da crítica de Comte, propagan-

parte, pelos trabalhos históricos" (Filosofia Positiva, t. IV, págs. 168 e

Stuart MiU se houvesse podido prever o

207). "Finalmente, estava convencido de

escola histórica alemã.

o famoso mote da ortodoxia liberal:

"Encontra-.se flagrante analogia entre as idéias que acabamos de expor e as de um filósofo cuja ação direta sôbre

"laisser faire, laisser passer". Ê o que

os estudos econômicos foi muito fra

que êste método permitiria a previsão

bre o especialista: é que a êste, limitado

evidenciam

do-se por uma via independente: a da Aí está a superioridade do filósofo sô

ca, quase nula, mas a quem não po

racional, atributo que reúne o conjunto

ao horizonte de suas investigações de

econômicas, como Ingram, Hector Denis,

demos deixar de referir-nos:

das diversas condições destinadas à ca

cada instante, escapam muitas vezes as

Gide e Rist, e autores como Schiatareila,

Comte.

historiadores das doutrinas

Augusto

no livro "La Filosofia Positiva E Gli

"É bastante curioso que a escola his

Ultimi Economisti Inglesi", publicado

tórica, com os seus primeiros represen-

racterização do verdadeiro espírito fun damental da política." T?r -fr •*" -i-

★ -A- ★ A ★ A

pectos que o filósofo descobre e aponta à pesquisa do próprio especialista... v

Yv

'/< X M

^ h


r

Oportunismo poiíticp Otávio TAnQUÍNio de Sousa

^Ta sua Memória dos benefícios púhliCOS do govérno de el-rei nosso se nhor D. João VI, escrita em 1818, o fu turo Visconde de Cairu afirmava: "o sis tema colonial cessou com a lei de união

do Brasil ao original patrimônio da mo

longa estada cm Portugal poderia à pri meira vista explicar a preferência por essa solução, nem dc jioHticos nascidos na antiga metrópole ou nela formados, vale a pena recordar outros, do indiscu

tível cunho nativista, alguns até cabo

narquia, corrigindo-se assim radicalmen

clos ou mulatos, vários deles com um

te as anomalias • que antes por extremo

passado (revolucionário dc lutas pela emancipação e pela República. Desse es

desigualavam a sorte dos filhos a res peito dos pais nascidos na metrópole"; e tão contente se mostrava com as trans

tado de espírito nenhuma pro\'a mais

con^vincente se apontará do que a acei

formações operadas entre nós desde a chegada de D. João VI que, receoso de

tação do mandato de deputado às Côrtes de Lisboa. Viajar para Portugal e

atitude mais radical, ousava.classificar a

tomar assento no Soberano Congresso,

independência norte-ameri cana de "hórrido parricí-

•V

como

dio nacional de infiéis vas salos e filhos desnatura-

Não se leve apenas à conta dos pendores de áu

adormecidas

Ynísta: era o resultado de

estiveram "todos os indivíduos mais res

e

Mgarves,

intransigên

cias nativistas ou exaltações

Uma convicção sincera, o

gen chegou a dizer que nessa corrente

Brasil

Antonio Feijó, Antônio

republicanas.

Sendo sob certos aspectos homens mais de seu tempo do que do seu país, deixaram-se empolgar pelo movimento constítucionalista português, expressão

inglêsa também houve ■'

\ ''

o do constitucionalis-

^mbora nos dirigentes da

^evolução liberal do Pôr-

• •

® indlsfarçáveis ressenti-

'mentes contra o Brasil, ^em assim deixou ela de ^er aqui as repercussões ^ais simpáticas. De tal

'h \\

Franklin.

Como muitos

dos nossos homens polí

Janeira atuara favoràvelmente a mutação

^pal que ninguém atinou com a exata ®'gnificação daquele movimento. Acre-

sem as antigas colônias inglêsas, um grande império com o seu parlamento geral-e as suas câmaras nacionais. Des sa idéia só se desiludiu quando verifi cou que com o governo da metrópole

política conseqüente à vinda da família

tícia da revolução constítucionalista do Pòrto, ao regime de reino unido deram

sileiros de várias regiões, nortistas, nor destinos, sulistas, paraenses, cearenses,

a sua adesão todos quantos no Brasil fluência das novas idéias. A lista é real

paraibanos, pernambucanos, baianos, fluminenses, paulistas. Por motivos es peciais, cúja explicação exigiria maior

mente impressionante e nela se arrolam alguns dos maiores nomes de então.

desenvolvimento, só os mineiros adiaram

condição se deixaram arrastar, desde o experiente e maduro José Bonifá

a ida para Portugal e acabaram não par

cio

Tomaram assento, nas Cortes

é o do grande Benjamin

dependente,partíddriosdo

cesa e na independência americana, bra

tindo.

meiro nome que ocorre

regime do reino-imido, Franklin supôs

critores ou simples pensadores" (síc). Em verdade, quando chegou aqui a no

Sem falar de José Bonifácio, cuja

lhor, que cuidou possível

ticos do período pre-in-

atenuada e retardada das idéias revolu

tinham opinião política ou sofriam a in

muita gente, e da me

a continuação dos laços com a Inglaterra. O pri

Houvesse

peitáveis, tanto funcionários como es

cionárias culminantes na Revolução Fran

ano, abolida qualquer ligação com a exBastante diferente do nosso foi o processo da

metrópole.

ricana. Mas na América

'^ossa história política coportuguês.

e a tutela britânica, os sucessos polihCOS se tingiram entre nós de uma colo ração natiVista e separatista cujo des fecho, com base no "Fico" d^ príncipe D. Pedro, em janeiro de 18-^, sena a independência em setembro do mesmo

emancipação norte-ame

Manuel da Silva Bueno ^orninado com acerto em

monarquia luso-brasüeira, gal,

ceres da Bahia, onde penara pelo cri me de rebeldia contra o poder real. Pam Lisboa seguiram igualmente Cipriano ■Barata, agitador contumaz, e o padre Agostinho Gomes, envolvidos ou sus peitos de cumplicidade na inconfidên cia baiana de 1798, e os paulistas, bem pauhstas, padre Diogo

se

do reino-unido de Portu

lico de José da Silva Lis boa essa posição confor-

ção; Antônio Carlos, mal saído dos cár

assembléia

constituinte portuguesa, im plicava sem dúvida alguma a aceitação do regime da

dos".

modo de ver e de sentir de um grande número de contemporâneos. Vamha-

a

lisboetas, republicanos de 1817 como caixeiro de Hvraria e poeta nas horas José Martiniano de Alencar e o vigário vagas. Virgínio Rodrigues Campeio, aquêle as Côrtes de Lisboa, train deputado pelo Ceará e êsle pela Paraí doSóosquando verdadeiros móveis da revolução ba; monsenhor Francisco Muniz Tavares, constítucionalista, entraram a demonstrar também revolucionário de 1817 e mais inequivocamente nas medidas co.oni^ p tarde historiador da malograda insurrei ras a reação contra a primazia brasileira

c Antônio Paes de Barros. O ano de 1821 foi de-

pomposamente

chamava

109

DicESTo Econômico

j3itou-se que, sem a ruptura dos víncu-

los que ligavam os dois reinos, iria inaugurar-se uma era de liberdade, de go-

^'srno

representativo,

Constitucionais Atlântico. até

nos

Homens

Evaristo

de

dois

franquias

lados

da

mais

da

Veiga,

do

diversa

moço

çntão de pouco mais de vinte anos.

possível uma federação em que entras

não haveria relações sem a marca de

uma sujeição ultrajante e nociva. . Até

então queria que tanto os ingleses da América como os da Europa tudo fi zessem "com zêlo sincero e incansável, a fim de impedir que se quebrasse o

nobre vaso de cristal que era o Império


r

Oportunismo poiíticp Otávio TAnQUÍNio de Sousa

^Ta sua Memória dos benefícios púhliCOS do govérno de el-rei nosso se nhor D. João VI, escrita em 1818, o fu turo Visconde de Cairu afirmava: "o sis tema colonial cessou com a lei de união

do Brasil ao original patrimônio da mo

longa estada cm Portugal poderia à pri meira vista explicar a preferência por essa solução, nem dc jioHticos nascidos na antiga metrópole ou nela formados, vale a pena recordar outros, do indiscu

tível cunho nativista, alguns até cabo

narquia, corrigindo-se assim radicalmen

clos ou mulatos, vários deles com um

te as anomalias • que antes por extremo

passado (revolucionário dc lutas pela emancipação e pela República. Desse es

desigualavam a sorte dos filhos a res peito dos pais nascidos na metrópole"; e tão contente se mostrava com as trans

tado de espírito nenhuma pro\'a mais

con^vincente se apontará do que a acei

formações operadas entre nós desde a chegada de D. João VI que, receoso de

tação do mandato de deputado às Côrtes de Lisboa. Viajar para Portugal e

atitude mais radical, ousava.classificar a

tomar assento no Soberano Congresso,

independência norte-ameri cana de "hórrido parricí-

•V

como

dio nacional de infiéis vas salos e filhos desnatura-

Não se leve apenas à conta dos pendores de áu

adormecidas

Ynísta: era o resultado de

estiveram "todos os indivíduos mais res

e

Mgarves,

intransigên

cias nativistas ou exaltações

Uma convicção sincera, o

gen chegou a dizer que nessa corrente

Brasil

Antonio Feijó, Antônio

republicanas.

Sendo sob certos aspectos homens mais de seu tempo do que do seu país, deixaram-se empolgar pelo movimento constítucionalista português, expressão

inglêsa também houve ■'

\ ''

o do constitucionalis-

^mbora nos dirigentes da

^evolução liberal do Pôr-

• •

® indlsfarçáveis ressenti-

'mentes contra o Brasil, ^em assim deixou ela de ^er aqui as repercussões ^ais simpáticas. De tal

'h \\

Franklin.

Como muitos

dos nossos homens polí

Janeira atuara favoràvelmente a mutação

^pal que ninguém atinou com a exata ®'gnificação daquele movimento. Acre-

sem as antigas colônias inglêsas, um grande império com o seu parlamento geral-e as suas câmaras nacionais. Des sa idéia só se desiludiu quando verifi cou que com o governo da metrópole

política conseqüente à vinda da família

tícia da revolução constítucionalista do Pòrto, ao regime de reino unido deram

sileiros de várias regiões, nortistas, nor destinos, sulistas, paraenses, cearenses,

a sua adesão todos quantos no Brasil fluência das novas idéias. A lista é real

paraibanos, pernambucanos, baianos, fluminenses, paulistas. Por motivos es peciais, cúja explicação exigiria maior

mente impressionante e nela se arrolam alguns dos maiores nomes de então.

desenvolvimento, só os mineiros adiaram

condição se deixaram arrastar, desde o experiente e maduro José Bonifá

a ida para Portugal e acabaram não par

cio

Tomaram assento, nas Cortes

é o do grande Benjamin

dependente,partíddriosdo

cesa e na independência americana, bra

tindo.

meiro nome que ocorre

regime do reino-imido, Franklin supôs

critores ou simples pensadores" (síc). Em verdade, quando chegou aqui a no

Sem falar de José Bonifácio, cuja

lhor, que cuidou possível

ticos do período pre-in-

atenuada e retardada das idéias revolu

tinham opinião política ou sofriam a in

muita gente, e da me

a continuação dos laços com a Inglaterra. O pri

Houvesse

peitáveis, tanto funcionários como es

cionárias culminantes na Revolução Fran

ano, abolida qualquer ligação com a exBastante diferente do nosso foi o processo da

metrópole.

ricana. Mas na América

'^ossa história política coportuguês.

e a tutela britânica, os sucessos polihCOS se tingiram entre nós de uma colo ração natiVista e separatista cujo des fecho, com base no "Fico" d^ príncipe D. Pedro, em janeiro de 18-^, sena a independência em setembro do mesmo

emancipação norte-ame

Manuel da Silva Bueno ^orninado com acerto em

monarquia luso-brasüeira, gal,

ceres da Bahia, onde penara pelo cri me de rebeldia contra o poder real. Pam Lisboa seguiram igualmente Cipriano ■Barata, agitador contumaz, e o padre Agostinho Gomes, envolvidos ou sus peitos de cumplicidade na inconfidên cia baiana de 1798, e os paulistas, bem pauhstas, padre Diogo

se

do reino-unido de Portu

lico de José da Silva Lis boa essa posição confor-

ção; Antônio Carlos, mal saído dos cár

assembléia

constituinte portuguesa, im plicava sem dúvida alguma a aceitação do regime da

dos".

modo de ver e de sentir de um grande número de contemporâneos. Vamha-

a

lisboetas, republicanos de 1817 como caixeiro de Hvraria e poeta nas horas José Martiniano de Alencar e o vigário vagas. Virgínio Rodrigues Campeio, aquêle as Côrtes de Lisboa, train deputado pelo Ceará e êsle pela Paraí doSóosquando verdadeiros móveis da revolução ba; monsenhor Francisco Muniz Tavares, constítucionalista, entraram a demonstrar também revolucionário de 1817 e mais inequivocamente nas medidas co.oni^ p tarde historiador da malograda insurrei ras a reação contra a primazia brasileira

c Antônio Paes de Barros. O ano de 1821 foi de-

pomposamente

chamava

109

DicESTo Econômico

j3itou-se que, sem a ruptura dos víncu-

los que ligavam os dois reinos, iria inaugurar-se uma era de liberdade, de go-

^'srno

representativo,

Constitucionais Atlântico. até

nos

Homens

Evaristo

de

dois

franquias

lados

da

mais

da

Veiga,

do

diversa

moço

çntão de pouco mais de vinte anos.

possível uma federação em que entras

não haveria relações sem a marca de

uma sujeição ultrajante e nociva. . Até

então queria que tanto os ingleses da América como os da Europa tudo fi zessem "com zêlo sincero e incansável, a fim de impedir que se quebrasse o

nobre vaso de cristal que era o Império


Dicestò Ecoxóinco

110

Britânico". Os mais argutos estudiosos de sua vida e de sua ação política tes

bora inglês dc na.scinuiito, proclama va que o mundo era sua pátria e o bem-

^Fornia e conteúdo do orçamento)

fazer a sua religião. Pcnscguido pelos tories de Londres, cm cujo.s clubes se via tratado como um réprobo proscrito,

temunham que foi cheio de tristeza que escolheu o caminho da separaçao. Outro também que muito se esforçou para defender a manutenção da xmidade imperial foi John Dichson, incamação do wltig americano. A ésse advo

gado â América cio Norte se. impunha

desterrado, com os livros lançados ao fo go, pouco maí.s dc um ano depois de che

Guilherme Moojen

(Secretário da Comissão de Orçamento' do Estado do Rio Grande do Sul)

'^'em-se entendido o orçamento, mo-

gado de Filadélfia sorria como um gran

com o Conimon Sensc, trabalho que lo

demamente, como um planò de tra balho expresso em dinheiro, dizendo o

de ideal a América dentro do Império

grou imensa notoriedade, posto que seu

q.ue o Governo se propõe realizar den

Britânico, e só a crueza do imperialis

hvro mais importante seja Thc Right of A/«n, refutação magistral das opiniões de

PO>

mo do "mesmo nome féz arrefecer o seu entusiasmo. À mesma corrente se filiou

durante algum tempo Samuel Adams, pioneiro da independência e democrata

Burke.

sincero pretendendo preservar os inte-

Afinal, lá como aqiii, na América do Norte coino no Bra.sil, os homens não se

rêsses americanos à sombra da Constitui

moveram só por belos princípios e ques

ção 0 da liberdade inglesas. Na mesma

tões ab.stratas c, sob a aparência de idéias

posição não se colocou propriamente Thomas Paine, o Tom Paine que John Adams,. num arremesso de paixão, cha

c doutrina.s, foram influenciados.pelos in teresses de .sua classe e da comunidade

^ que pertenciam. Sua grandeza terá con.sistido em saber discernir, ao cabo de

mou de asqueroso; mas abafando qual quer pendor idealista ou sentimental, exa minou o problema da emancipação sob

hesitações e dúvidas, o rumo verdadeiro dos acontecimentos. Oportunismo, sini.

o ângulo da conveniência ou das van tagens econômicas. Que seria mais lítil?

ajustamento à oportunidade histórica,

Continuar a união com a Inglaterra ou estabelecer um governo autônomo? Em

Oportunismo, entenda-se, no sentido de numa visão lúcida e realista das neces

sidades do tempo.

tro de um determinado período de temÊsse plano de realizações futuras,

elaborado cuidadosamente pelo Executi- afetados pelo programa de trabalho do e, após, submetido, nas democracias, Govêmo. Os grandes objetivos que o Govêmo no Legi.slativo, deve ser formulado com tôda clareza de modo a ser compreendi

concisa, uma vez que as justificativas manifestada nesse documento, de das propostas parciais devem trazer to os esclarecimentos em minúcia; de ^ndo a não deixar nenhuma dúvida, dos ve ser incisiva, de modo a ficar bem o mesmo apresentar-se com todos claro quais os objeti\'Os que o Govêmo dados e elementos que lhe deram Para que a intenção do Executivo

visa atingir, através de seu programa

Daí a preocupação

A mensagem deve dizer da situação

JX IJICIlôajJciii ucvc

três aspectos; 1) . a mensagem;

empregada na perfuração de poços de petróleo e de gás, de maneira a simplificar a operação. Essa descoberta provocou um grande aurnento da procura do qáohracho e os preços desse produto, que oscilavam entre US$ 0,08 e US$ 0,10 subiram para US$ 0,20 a libra.

Cêrca de 90 por cento do quebracho importado pelos Estados Unidos provêm

da Argentina sendo o restante fornecido pelo Brasil e pelo Paraguai. Cêrca de 60 por cento das importações são consumidos pela indústria de couros e os outros 40

por cento pela indústria do petróleo. A importação média do quebracho nos últimos

wa

*^entistas em apresentar êsse documen financeira do , Govêmo . no passado e no com forma e conteúdo bem definidos. presente, e quais as tendências para o

Com relação à sua forma e conteúdo,

Durante muitos anos o extrato de^ quebracho importado pelos Estados Unidos

tem eni vista atingir, e.xpressos na pro

do, em todos os seus aspectos, por êsse posta orçamentária, eni têrnios de di tiltimo poder, que vai examiná-lo e apro- nheiro, devem ser destacados na mensa gem. Entretanto, a mesma deve ser ^ú-lo, bem como pelos cidadãos.

^ maioria dos autores vê o orçamento

era consumido inteirameirte pela indústria de couros. Há cêrca da nove anos entretanto, descobriu-se que êsse produto pode controlar a viscosidade da lama

Tanto a União como,os Estados mem

bros e as comunas têm os seus proble mas econômicos e sociais peeuhares e as mensagens que acompanharem os seus respectivos orçamentos devem acen tuar até que extensão serão os mesmos

,

2) as estimativas de despesa e de receita (o orçamento propriamen te dito);

demonstrações financeiras e ■ 3) ' as aeraoi v

futuro; deve dizer, também, da situação econômica, tal como movimento de ne

gócios, produção, indústria, salários, pre ços etc., porquanto a primeira decorre da segunda. Cabem na mensagem, obrigatòriamencomentários quanto a despesas, por te, — - u/^nm fTíícfne exemplo: gastos com on custeio dos ser-

A" mensagL orçamentária - A men- viços, percentagens de gastos com pessagem que^ acompanha o orçamento, soai e mateml; gastos com atividades-

seiá do Presidente da República, do Go- fms e atividades-meios, com investimenvernador ou do Prefeito, conforme fôr tos de capitais (tais como construção de

o caso deve expressar as linhas mestras prédios, estradas, pontes, usinas etc.), si-

da poiiUca que norteou o Govêmo ao tuaçao da drnda pubbca etc.

elabórar a sua proposta orçamentaria.

Quanto à receita, cabem comentários

anos atinge a cêrca de 1.000.000 toneladas anuais, no valor de US$ 400.000.000. ■ Ai


Dicestò Ecoxóinco

110

Britânico". Os mais argutos estudiosos de sua vida e de sua ação política tes

bora inglês dc na.scinuiito, proclama va que o mundo era sua pátria e o bem-

^Fornia e conteúdo do orçamento)

fazer a sua religião. Pcnscguido pelos tories de Londres, cm cujo.s clubes se via tratado como um réprobo proscrito,

temunham que foi cheio de tristeza que escolheu o caminho da separaçao. Outro também que muito se esforçou para defender a manutenção da xmidade imperial foi John Dichson, incamação do wltig americano. A ésse advo

gado â América cio Norte se. impunha

desterrado, com os livros lançados ao fo go, pouco maí.s dc um ano depois de che

Guilherme Moojen

(Secretário da Comissão de Orçamento' do Estado do Rio Grande do Sul)

'^'em-se entendido o orçamento, mo-

gado de Filadélfia sorria como um gran

com o Conimon Sensc, trabalho que lo

demamente, como um planò de tra balho expresso em dinheiro, dizendo o

de ideal a América dentro do Império

grou imensa notoriedade, posto que seu

q.ue o Governo se propõe realizar den

Britânico, e só a crueza do imperialis

hvro mais importante seja Thc Right of A/«n, refutação magistral das opiniões de

PO>

mo do "mesmo nome féz arrefecer o seu entusiasmo. À mesma corrente se filiou

durante algum tempo Samuel Adams, pioneiro da independência e democrata

Burke.

sincero pretendendo preservar os inte-

Afinal, lá como aqiii, na América do Norte coino no Bra.sil, os homens não se

rêsses americanos à sombra da Constitui

moveram só por belos princípios e ques

ção 0 da liberdade inglesas. Na mesma

tões ab.stratas c, sob a aparência de idéias

posição não se colocou propriamente Thomas Paine, o Tom Paine que John Adams,. num arremesso de paixão, cha

c doutrina.s, foram influenciados.pelos in teresses de .sua classe e da comunidade

^ que pertenciam. Sua grandeza terá con.sistido em saber discernir, ao cabo de

mou de asqueroso; mas abafando qual quer pendor idealista ou sentimental, exa minou o problema da emancipação sob

hesitações e dúvidas, o rumo verdadeiro dos acontecimentos. Oportunismo, sini.

o ângulo da conveniência ou das van tagens econômicas. Que seria mais lítil?

ajustamento à oportunidade histórica,

Continuar a união com a Inglaterra ou estabelecer um governo autônomo? Em

Oportunismo, entenda-se, no sentido de numa visão lúcida e realista das neces

sidades do tempo.

tro de um determinado período de temÊsse plano de realizações futuras,

elaborado cuidadosamente pelo Executi- afetados pelo programa de trabalho do e, após, submetido, nas democracias, Govêmo. Os grandes objetivos que o Govêmo no Legi.slativo, deve ser formulado com tôda clareza de modo a ser compreendi

concisa, uma vez que as justificativas manifestada nesse documento, de das propostas parciais devem trazer to os esclarecimentos em minúcia; de ^ndo a não deixar nenhuma dúvida, dos ve ser incisiva, de modo a ficar bem o mesmo apresentar-se com todos claro quais os objeti\'Os que o Govêmo dados e elementos que lhe deram Para que a intenção do Executivo

visa atingir, através de seu programa

Daí a preocupação

A mensagem deve dizer da situação

JX IJICIlôajJciii ucvc

três aspectos; 1) . a mensagem;

empregada na perfuração de poços de petróleo e de gás, de maneira a simplificar a operação. Essa descoberta provocou um grande aurnento da procura do qáohracho e os preços desse produto, que oscilavam entre US$ 0,08 e US$ 0,10 subiram para US$ 0,20 a libra.

Cêrca de 90 por cento do quebracho importado pelos Estados Unidos provêm

da Argentina sendo o restante fornecido pelo Brasil e pelo Paraguai. Cêrca de 60 por cento das importações são consumidos pela indústria de couros e os outros 40

por cento pela indústria do petróleo. A importação média do quebracho nos últimos

wa

*^entistas em apresentar êsse documen financeira do , Govêmo . no passado e no com forma e conteúdo bem definidos. presente, e quais as tendências para o

Com relação à sua forma e conteúdo,

Durante muitos anos o extrato de^ quebracho importado pelos Estados Unidos

tem eni vista atingir, e.xpressos na pro

do, em todos os seus aspectos, por êsse posta orçamentária, eni têrnios de di tiltimo poder, que vai examiná-lo e apro- nheiro, devem ser destacados na mensa gem. Entretanto, a mesma deve ser ^ú-lo, bem como pelos cidadãos.

^ maioria dos autores vê o orçamento

era consumido inteirameirte pela indústria de couros. Há cêrca da nove anos entretanto, descobriu-se que êsse produto pode controlar a viscosidade da lama

Tanto a União como,os Estados mem

bros e as comunas têm os seus proble mas econômicos e sociais peeuhares e as mensagens que acompanharem os seus respectivos orçamentos devem acen tuar até que extensão serão os mesmos

,

2) as estimativas de despesa e de receita (o orçamento propriamen te dito);

demonstrações financeiras e ■ 3) ' as aeraoi v

futuro; deve dizer, também, da situação econômica, tal como movimento de ne

gócios, produção, indústria, salários, pre ços etc., porquanto a primeira decorre da segunda. Cabem na mensagem, obrigatòriamencomentários quanto a despesas, por te, — - u/^nm fTíícfne exemplo: gastos com on custeio dos ser-

A" mensagL orçamentária - A men- viços, percentagens de gastos com pessagem que^ acompanha o orçamento, soai e mateml; gastos com atividades-

seiá do Presidente da República, do Go- fms e atividades-meios, com investimenvernador ou do Prefeito, conforme fôr tos de capitais (tais como construção de

o caso deve expressar as linhas mestras prédios, estradas, pontes, usinas etc.), si-

da poiiUca que norteou o Govêmo ao tuaçao da drnda pubbca etc.

elabórar a sua proposta orçamentaria.

Quanto à receita, cabem comentários

anos atinge a cêrca de 1.000.000 toneladas anuais, no valor de US$ 400.000.000. ■ Ai


113 112

Dicesto Ecoxó.Nfico

sôbre os meios de financiar a despesa

Estados membros e Municípios do Brasil não obriga exprussainente a apresentação da mensagem orçamentária acompanban<lo a proposta de orçamento, muitos Es tados c Municípios não tèm ouNoado aos .seus respectivos corpos legi.slalivos, jun tamente' com a proposta geral, a mensa gem orçamentária, que define a polí

proposta; comentários sôbre a receita

em geral e, em especial, sôbre as princi pais rendas; criação, alteração ou supres são de tributos; constituição de fundos

com aplicação especial; realização de operações de crédito etc.

Constitui a mensagem orçamentária um dos mais importantes documentos

tica econômica c financeira do Gover

do Govêrno, por meio do qual o Chefe

no e as principais transformações a ocor

Executivo comparece perante o Legis

rerem através o anteprojeto de orça

lativo definindo políticas, fazendo reco

mento. Êsse fato, conforme atesta a e.x-

mendações e justificando o seu pedido

periencia, tem ocasionado sérios incon

de meios para execução de seu plano

venientes. Entre estes, são do citar-se

os dois mais sérios: para o Legislativo

de trabalho.

Um orçamento que não venha acom

qtie, no desconhecimento, de fato ou

panhado de mensagem é um orçamento

oficialmente, da política orçamentána vi-

sem \ida; é um documento s^m

fôrça e sem responsabi'idade, ou mellior, é um conglomerado de algarismos de receita e des-

/%'

i

KVil! '

pesas.

O Presidente dos E.U.A. en-

guintes palavras:

"Nesta Mensagem, todos os esforços

foram feitos para apresentar o Progra ma do Orçamento Federal com tanta

clareza quanto permitirem suas com plexidades. Todos os cidadãos têm interêsse no Orçamento. Ambas as faces do Orçamento estão em contato com sua vida diária.

Eu considero como meu

dever dar-lhes informações completas sô bre o que o seu Govémo se propõe rea lizar". (The Budget of the United States, 1948, Message of the President, pág. M-62).

Como o Decreto-Lei n.° 2.416, de 17

de julho de 1940, que tomou obrigatória a padronização dos Orçamentos dos

muitas vêxes planos de trabalho v.sados nas propostas orçanrentánas; de outro líido, como

o Executivo, que

cerrou a sua mensagem, de 57

páginas, que acompanhou o or çamento daquele país, para o exercício de 1948, apresentado ao Congresso no dia 3' de janeiro de 1947, com as se

-^uda pelo Executivo,

^

da administração e que e su-

., , posto conhecer das suas neces^idades, vê o seu plano de trabalho pre judicado e, muitas vezes, é colocado na completa impossibilidade de cumprir o

DiCESTO ECrtNÓMK..

tras, dando uma idéia do mesmo logo à primeira vista, principalmente para aqueles que têm interêsse geral nesse documento.

A êsse sumário seguem-se outros mais amplos, di,scriiríinando o orçamento na

parte da despesa, cm termos de funções, unidades administrativas, objeto, elemen tos, caráter etc. e, na parte referente à receita, pela natureza, espécie, fontes etc., isto é, conforme o sistema dc clas sificação escolhido.

Os sumários em apreço devem ser or ganizados de modo a pormitirern com pleta decomposição de todos os títulos e rubricas, a fim de que aquêlcs que vao votar o orçamento e aqueles que vao executá-lo

e fiscalizar

essa

execução

que nesses dois países o

considerado como um plano

'j-cssa

nistiação, plano êsse quo se cm duas faces: de um lado, o p' mente das atividades do Governo

um período de tempo determina o . outro, o balanceamento dos

cessários ao financiamento desse p Assim, nos Estados Unidos, o _

Orçamento e da Contabilidade ® (Budget íind Aceounting Act, prescreve o seguinte: Art. 201. - O Presidente

.. /

ao Congresso, no primeiro dia de e*. sessão ordinária, o orçamento, que e terá resumida e detalhadamente:

a) estimativas das despesas e

das

dotações a seu juízo necessárias para a manutenção do Govêrno, durante o

possam obter todos os elementos informalix'Os indispensáveis para uma inter

eício financeiro seguinte,

pretação clara dêsse documento.

rentes ao Poder Legislativo e ao Supre^

Os sistemas de classificação e especia

lização da despesa serão objeto de estu do à parte. As demonstrações financeiras c anexos

~ A fim de que a proposta orçamentíuia

seja fàci^mente entendida pelos poderes

as estimativas, para êsse exercício,

mo Tribunal dos Estados Unidos, 9^^

serão transmitidas ao Presidente no dia 15 de outubro ou antes, sendo por e incluído no Orçamento, sem re\ãsão;

b) estimativas das receitas do vêrno durante o exercício vindouro, o

orçamento modificado pelo Legislativo.

competentes ou por quem quer que te

conformidade com as leis existentes na

EstiTTuitiva da receita e da desjjesa oao as estimativas da receita e da des pesa que constituem propriamente o or

nha interôsse em conhece-la, tem sido

praxe, nos países possuidores de boa

época em que o orçamento fòr trans

çamento.

Como que abrindo o orçamento, tem

sido praxe utilíssima nos principais paí

técnica orçamentária, vir a mesma acom

panhada de maior ou menor cópia de demonstrativos, contendo dados eluci

dativos sôbre a proposta orçamentária

mitido e, também, de conformidade com

as propostas de novas receitas, se a houver, contidas no orçamento;

c) a despesa e a receita do Gover

no, durante a último exercício finan

ses a apresentação de um sumário de monstrando, em linhas gerais, as fontes

e sôbre a situação financeira presente e passada.

ceiro completo;

pesa do Governo, para o exercício fi

ção da despesa, bem como um cotejo entre a receita e a despesa, o qual pos sibilita inferir, de relance, da situação

Êsses dados, em muitos governos, são exigidos por leis que os discriminam taxativamente e, em outros, são garantio dos pela praxe.

de equilíbrio, de déficit ou de superávit. Êsse sumário tem a virtude de espelhar,

nanceiras acompanham o orçamento ape

de onde a receita provém e a destina-

muitas vezes em uma única página, todo o orçamento, em suas linhas mes

Em nosso país, as demonstrações fi

nas como anexos, an passo que, na Jn^ glaterra e nos Estados Unidos, elas fa'zem parte integrante do mesmo, isso por

d) estimativa da receita e da des nanceiro em curso;

e) o montante das dotações anuais

permanentes, ou outras, inclusive saldo de dotações para c.xercícios anteriores,

vigorando para despesa durante o cxer-; cício financeiro em curso, a partir de 1.^ de novembro de cada ano;


113 112

Dicesto Ecoxó.Nfico

sôbre os meios de financiar a despesa

Estados membros e Municípios do Brasil não obriga exprussainente a apresentação da mensagem orçamentária acompanban<lo a proposta de orçamento, muitos Es tados c Municípios não tèm ouNoado aos .seus respectivos corpos legi.slalivos, jun tamente' com a proposta geral, a mensa gem orçamentária, que define a polí

proposta; comentários sôbre a receita

em geral e, em especial, sôbre as princi pais rendas; criação, alteração ou supres são de tributos; constituição de fundos

com aplicação especial; realização de operações de crédito etc.

Constitui a mensagem orçamentária um dos mais importantes documentos

tica econômica c financeira do Gover

do Govêrno, por meio do qual o Chefe

no e as principais transformações a ocor

Executivo comparece perante o Legis

rerem através o anteprojeto de orça

lativo definindo políticas, fazendo reco

mento. Êsse fato, conforme atesta a e.x-

mendações e justificando o seu pedido

periencia, tem ocasionado sérios incon

de meios para execução de seu plano

venientes. Entre estes, são do citar-se

os dois mais sérios: para o Legislativo

de trabalho.

Um orçamento que não venha acom

qtie, no desconhecimento, de fato ou

panhado de mensagem é um orçamento

oficialmente, da política orçamentána vi-

sem \ida; é um documento s^m

fôrça e sem responsabi'idade, ou mellior, é um conglomerado de algarismos de receita e des-

/%'

i

KVil! '

pesas.

O Presidente dos E.U.A. en-

guintes palavras:

"Nesta Mensagem, todos os esforços

foram feitos para apresentar o Progra ma do Orçamento Federal com tanta

clareza quanto permitirem suas com plexidades. Todos os cidadãos têm interêsse no Orçamento. Ambas as faces do Orçamento estão em contato com sua vida diária.

Eu considero como meu

dever dar-lhes informações completas sô bre o que o seu Govémo se propõe rea lizar". (The Budget of the United States, 1948, Message of the President, pág. M-62).

Como o Decreto-Lei n.° 2.416, de 17

de julho de 1940, que tomou obrigatória a padronização dos Orçamentos dos

muitas vêxes planos de trabalho v.sados nas propostas orçanrentánas; de outro líido, como

o Executivo, que

cerrou a sua mensagem, de 57

páginas, que acompanhou o or çamento daquele país, para o exercício de 1948, apresentado ao Congresso no dia 3' de janeiro de 1947, com as se

-^uda pelo Executivo,

^

da administração e que e su-

., , posto conhecer das suas neces^idades, vê o seu plano de trabalho pre judicado e, muitas vezes, é colocado na completa impossibilidade de cumprir o

DiCESTO ECrtNÓMK..

tras, dando uma idéia do mesmo logo à primeira vista, principalmente para aqueles que têm interêsse geral nesse documento.

A êsse sumário seguem-se outros mais amplos, di,scriiríinando o orçamento na

parte da despesa, cm termos de funções, unidades administrativas, objeto, elemen tos, caráter etc. e, na parte referente à receita, pela natureza, espécie, fontes etc., isto é, conforme o sistema dc clas sificação escolhido.

Os sumários em apreço devem ser or ganizados de modo a pormitirern com pleta decomposição de todos os títulos e rubricas, a fim de que aquêlcs que vao votar o orçamento e aqueles que vao executá-lo

e fiscalizar

essa

execução

que nesses dois países o

considerado como um plano

'j-cssa

nistiação, plano êsse quo se cm duas faces: de um lado, o p' mente das atividades do Governo

um período de tempo determina o . outro, o balanceamento dos

cessários ao financiamento desse p Assim, nos Estados Unidos, o _

Orçamento e da Contabilidade ® (Budget íind Aceounting Act, prescreve o seguinte: Art. 201. - O Presidente

.. /

ao Congresso, no primeiro dia de e*. sessão ordinária, o orçamento, que e terá resumida e detalhadamente:

a) estimativas das despesas e

das

dotações a seu juízo necessárias para a manutenção do Govêrno, durante o

possam obter todos os elementos informalix'Os indispensáveis para uma inter

eício financeiro seguinte,

pretação clara dêsse documento.

rentes ao Poder Legislativo e ao Supre^

Os sistemas de classificação e especia

lização da despesa serão objeto de estu do à parte. As demonstrações financeiras c anexos

~ A fim de que a proposta orçamentíuia

seja fàci^mente entendida pelos poderes

as estimativas, para êsse exercício,

mo Tribunal dos Estados Unidos, 9^^

serão transmitidas ao Presidente no dia 15 de outubro ou antes, sendo por e incluído no Orçamento, sem re\ãsão;

b) estimativas das receitas do vêrno durante o exercício vindouro, o

orçamento modificado pelo Legislativo.

competentes ou por quem quer que te

conformidade com as leis existentes na

EstiTTuitiva da receita e da desjjesa oao as estimativas da receita e da des pesa que constituem propriamente o or

nha interôsse em conhece-la, tem sido

praxe, nos países possuidores de boa

época em que o orçamento fòr trans

çamento.

Como que abrindo o orçamento, tem

sido praxe utilíssima nos principais paí

técnica orçamentária, vir a mesma acom

panhada de maior ou menor cópia de demonstrativos, contendo dados eluci

dativos sôbre a proposta orçamentária

mitido e, também, de conformidade com

as propostas de novas receitas, se a houver, contidas no orçamento;

c) a despesa e a receita do Gover

no, durante a último exercício finan

ses a apresentação de um sumário de monstrando, em linhas gerais, as fontes

e sôbre a situação financeira presente e passada.

ceiro completo;

pesa do Governo, para o exercício fi

ção da despesa, bem como um cotejo entre a receita e a despesa, o qual pos sibilita inferir, de relance, da situação

Êsses dados, em muitos governos, são exigidos por leis que os discriminam taxativamente e, em outros, são garantio dos pela praxe.

de equilíbrio, de déficit ou de superávit. Êsse sumário tem a virtude de espelhar,

nanceiras acompanham o orçamento ape

de onde a receita provém e a destina-

muitas vezes em uma única página, todo o orçamento, em suas linhas mes

Em nosso país, as demonstrações fi

nas como anexos, an passo que, na Jn^ glaterra e nos Estados Unidos, elas fa'zem parte integrante do mesmo, isso por

d) estimativa da receita e da des nanceiro em curso;

e) o montante das dotações anuais

permanentes, ou outras, inclusive saldo de dotações para c.xercícios anteriores,

vigorando para despesa durante o cxer-; cício financeiro em curso, a partir de 1.^ de novembro de cada ano;


-■•/.-•.rTvy

114

DiC£âTo Econômico

f) balanço das condições do Tesou

3.° — quadros demonstrativos dos im

ro ao encerrar o último exercício finan

postos efetivamente pagos nos trõs últi

ceiro, das previsões das condições do Te

mos exercícios, em cada União;

souro ao encerrar o exercício financeiro

em curso, e das condições do Tesouro

Estado da

4." — relação das verbas do material,

previstas até o fim do exercício finan

que, em virtude da impossibilidade de

ceiro vindouro, se forem adotadas as

serem os pagamentos eleluados no Te

propostas contidas no orçamento; g) todos os fatos essenciais rela

souro ou nas suas Dc egacias, o devem ser nas repartições interessadas, median te adiantamentos sujeitos ao regime de

tivos à dívida fundada e outras dívidas

do Govêmo; e h) tantos demonstrativos e dados fi nanceiros quantos, em sua opinião, se

comprovação posterior;

fizerem necessários ou forem solicitados,

mentares;

a fim de tornar conhecida, em todos

— relação das verbas para as quais poderá o Governo abrir créditos suple 6.° - tabela dos créditos adicionais

os detalhes possíveis, a situação finan

abertos no último exercício;

ceira do Governo.

7.° — balanço e ccmtas do exercício encerrado em 30 de abril do ano ante

* * st;

Nos Estados membros da União Ame ricana os orçamentos são elaborados

sob as mais variadas formas, não ha

vendo nenhuma disposição legal visan do um orçamento uniforme.

Todavia,

alguns Estados criaram, com grande su cesso, um orçamento-padrão para uso de seus condados: entre esses Estados

figuram

a

Califórnia.

rior, devidamente verificados pelo Tribunal de Contas;

8° - demonstração por Mío^stério, dos sa dos da despesa empenhada duran te o ultimo ano financeiro". *

dade Pública, de autoria

New Jersey e Maine.

de J. F. de Morais Jú

No Brasil, o velho Re-

nior e Ubaldo Lobo, apre

gu'amento da Contabili

sentado ao Governo da

dade Pública da União

União, em 1940. propoe

(Dec. n.o 15.783, de 8

o seguinte:

de novembro de 1922)

"Art. 49 - O orçomcn-

em seu art. 45, estabele ce que a proposta de or

to será acompanhado de quadros

çamento será "acompa-"

nhada dos seguintes documentos: 1'° — tabelas explicativas de todas as

verbas da despesa fixada para cada

diseríminativos

da despesa, nos quais as subconsignações serão distribuídas em

itens, para fins administrativos. ^ Art. 63 -- Acompanharão a proposta

MnistóriO;^com os detalhas exigidos no ornamentaria os segCerdo^tís:^ 7

,

demonstrativos da re-

dl L S' contendo as especificações

dito ad»cinrial:

das pelos Ministérios, nuanto â dccpesa

da p^oécie em oup dpvía ser ovro:

TII — as -nronotíi-as parciais fomuda-

e receita, ecm Índ'ca«^ão hisMficada das

alterações feitas ne^o "Dcnar^omento AdminislTati\'o do Serviço Público;

1 — 0 código geral da classificação

40) _ d''mon<ftrac5o. por tomais de

verbas, da demesa pmnenhada durante o idtinio ano financeiro."

IV — as sciinintes demonstrações e ba ral da RepúbRca, relativos ao último exer cício encerrado:

a) demonstração final da execução do orçamento;

b) balanço geral da receita arrecada da e despesa paga. com a esnecificação dos saldos em caixa e em poder de res ponsáveis;

c) balanço das repartições industriais da União, com indicação da proveniência e importância dos recursos forneci

dos o da respectiva produção concluída c em andamento;

d) balanço geral do ativo e do passivo, moniais e suas causas;

e) explicação minuciosa do motivo das divergôncias que resultem do con fronto estabelecido;

f) indicação da espécie em que deve

ser realizada a de.spesa. 2.°) — relação das verbas do mate

rial cujos pagamentos devam ser efetua dos nas repartições intere3sadas. median te adiantamentos sujeitos ao regime de comprovação posterior, em virtude da impossibilidade de serem tais pagamentos efetuados diretamente pelo Tesouro Na cional 6 suas Delegacias;

3.0) — relação dos créditos suple mentares, extraordinários e especiais

dos serviços contemplados no orçamento;

abertos no dicação:

trata o art. 49, as quais apenas servirão

abriu o crédito;

II - as tabelas explicativas, de que

o) da tmnnrtâncn de cada crédito e

:f:

lanços orfTan'7ados nela Contndoria Ge

dente e indicação das variações patri

O Anteprojeto de Lei de Contabili

b) do fim nara que foi aberto o cré

de subsídio ao escla^-ecimento dn Câma ra. "a votação das dotações alobais:

em confronto com o do exercício prece *

115

Dicesto Econômico

último exercício com in '

a) do número e data do decreto que

^

Os omamentos dos Estados tnpmhms e Municípios do Brasil, em face do De-

creio-Lei n.® 2.416. de 17 de julho de 1940. vem sendo elaborados, quanto â forma, debaixo de um padrão único. De acôrdo com o art 2.® do men

cionado

Decreto-Lei,

o

orçamento

"será acompanhado das seguintes de monstrações:

1 — demonstração da receita pela sua incidência:

2 — demonstração da despesa pelos seus elementos nos órgãos admi nistrativos;

3 — demonstração da desnesa peios seus elementos em cada .serviço;

4 — demonstração da despe.sa por ser viço em cada órgão administra tivo".

Além das demonstrações acima, de acôrdo com o art. 6.®, § 1.® do mesmo Decreto-Lei, "a proposta será acompa nhada dos seguintes anexos: 1 — tabe as explicativas da receita e da despesa; 2 — quadros comparativos entre as previsões e dotações do último orçamento e os da proposta; 3 — quadros demonstrativos e compa

rativos dn receita apurada no úl timo exercício;

4 _ quadros demonstrativos e compa rativos da de.spesa realizada nO último exercício;


-■•/.-•.rTvy

114

DiC£âTo Econômico

f) balanço das condições do Tesou

3.° — quadros demonstrativos dos im

ro ao encerrar o último exercício finan

postos efetivamente pagos nos trõs últi

ceiro, das previsões das condições do Te

mos exercícios, em cada União;

souro ao encerrar o exercício financeiro

em curso, e das condições do Tesouro

Estado da

4." — relação das verbas do material,

previstas até o fim do exercício finan

que, em virtude da impossibilidade de

ceiro vindouro, se forem adotadas as

serem os pagamentos eleluados no Te

propostas contidas no orçamento; g) todos os fatos essenciais rela

souro ou nas suas Dc egacias, o devem ser nas repartições interessadas, median te adiantamentos sujeitos ao regime de

tivos à dívida fundada e outras dívidas

do Govêmo; e h) tantos demonstrativos e dados fi nanceiros quantos, em sua opinião, se

comprovação posterior;

fizerem necessários ou forem solicitados,

mentares;

a fim de tornar conhecida, em todos

— relação das verbas para as quais poderá o Governo abrir créditos suple 6.° - tabela dos créditos adicionais

os detalhes possíveis, a situação finan

abertos no último exercício;

ceira do Governo.

7.° — balanço e ccmtas do exercício encerrado em 30 de abril do ano ante

* * st;

Nos Estados membros da União Ame ricana os orçamentos são elaborados

sob as mais variadas formas, não ha

vendo nenhuma disposição legal visan do um orçamento uniforme.

Todavia,

alguns Estados criaram, com grande su cesso, um orçamento-padrão para uso de seus condados: entre esses Estados

figuram

a

Califórnia.

rior, devidamente verificados pelo Tribunal de Contas;

8° - demonstração por Mío^stério, dos sa dos da despesa empenhada duran te o ultimo ano financeiro". *

dade Pública, de autoria

New Jersey e Maine.

de J. F. de Morais Jú

No Brasil, o velho Re-

nior e Ubaldo Lobo, apre

gu'amento da Contabili

sentado ao Governo da

dade Pública da União

União, em 1940. propoe

(Dec. n.o 15.783, de 8

o seguinte:

de novembro de 1922)

"Art. 49 - O orçomcn-

em seu art. 45, estabele ce que a proposta de or

to será acompanhado de quadros

çamento será "acompa-"

nhada dos seguintes documentos: 1'° — tabelas explicativas de todas as

verbas da despesa fixada para cada

diseríminativos

da despesa, nos quais as subconsignações serão distribuídas em

itens, para fins administrativos. ^ Art. 63 -- Acompanharão a proposta

MnistóriO;^com os detalhas exigidos no ornamentaria os segCerdo^tís:^ 7

,

demonstrativos da re-

dl L S' contendo as especificações

dito ad»cinrial:

das pelos Ministérios, nuanto â dccpesa

da p^oécie em oup dpvía ser ovro:

TII — as -nronotíi-as parciais fomuda-

e receita, ecm Índ'ca«^ão hisMficada das

alterações feitas ne^o "Dcnar^omento AdminislTati\'o do Serviço Público;

1 — 0 código geral da classificação

40) _ d''mon<ftrac5o. por tomais de

verbas, da demesa pmnenhada durante o idtinio ano financeiro."

IV — as sciinintes demonstrações e ba ral da RepúbRca, relativos ao último exer cício encerrado:

a) demonstração final da execução do orçamento;

b) balanço geral da receita arrecada da e despesa paga. com a esnecificação dos saldos em caixa e em poder de res ponsáveis;

c) balanço das repartições industriais da União, com indicação da proveniência e importância dos recursos forneci

dos o da respectiva produção concluída c em andamento;

d) balanço geral do ativo e do passivo, moniais e suas causas;

e) explicação minuciosa do motivo das divergôncias que resultem do con fronto estabelecido;

f) indicação da espécie em que deve

ser realizada a de.spesa. 2.°) — relação das verbas do mate

rial cujos pagamentos devam ser efetua dos nas repartições intere3sadas. median te adiantamentos sujeitos ao regime de comprovação posterior, em virtude da impossibilidade de serem tais pagamentos efetuados diretamente pelo Tesouro Na cional 6 suas Delegacias;

3.0) — relação dos créditos suple mentares, extraordinários e especiais

dos serviços contemplados no orçamento;

abertos no dicação:

trata o art. 49, as quais apenas servirão

abriu o crédito;

II - as tabelas explicativas, de que

o) da tmnnrtâncn de cada crédito e

:f:

lanços orfTan'7ados nela Contndoria Ge

dente e indicação das variações patri

O Anteprojeto de Lei de Contabili

b) do fim nara que foi aberto o cré

de subsídio ao escla^-ecimento dn Câma ra. "a votação das dotações alobais:

em confronto com o do exercício prece *

115

Dicesto Econômico

último exercício com in '

a) do número e data do decreto que

^

Os omamentos dos Estados tnpmhms e Municípios do Brasil, em face do De-

creio-Lei n.® 2.416. de 17 de julho de 1940. vem sendo elaborados, quanto â forma, debaixo de um padrão único. De acôrdo com o art 2.® do men

cionado

Decreto-Lei,

o

orçamento

"será acompanhado das seguintes de monstrações:

1 — demonstração da receita pela sua incidência:

2 — demonstração da despesa pelos seus elementos nos órgãos admi nistrativos;

3 — demonstração da desnesa peios seus elementos em cada .serviço;

4 — demonstração da despe.sa por ser viço em cada órgão administra tivo".

Além das demonstrações acima, de acôrdo com o art. 6.®, § 1.® do mesmo Decreto-Lei, "a proposta será acompa nhada dos seguintes anexos: 1 — tabe as explicativas da receita e da despesa; 2 — quadros comparativos entre as previsões e dotações do último orçamento e os da proposta; 3 — quadros demonstrativos e compa

rativos dn receita apurada no úl timo exercício;

4 _ quadros demonstrativos e compa rativos da de.spesa realizada nO último exercício;


Trry!

no

Dígesto

^ — quadros de créditos adicionais

abertos no último exercício;

6 — balanços e demonstrações dos re sultados do último exercício;

-- análise da despesa por serviços e elementos".

EcoNÓAnco

partamentos, Repartiçõe.s etc, e sua justificação.

projeto de orçamento enviado ao Poder Legislativo todos os anteprojetos de leis, sôbre as modificações propostas no orça mento, que criam ou exlinguem serviços, tributos, cargos ctc.

* ^ íí« —

O Orçamento pode apresentar-se sob

^ A promulgação do Decreto-Lei n.®

diferente forma e conteúdo; todavia,

verdade orçamentária no âmbito dos Es-

cados completani-se dc tal modo que o

^omo não houvesse então em nosso país um órgão de representação popular para

orçamento que não atentar para os

-•416 foi um notável passo em prol da

^dos membros e Municípios do Brasil, «ame e aprovação dos orçamentos, o

Üecreto-Lei acima omitiu dois importan tíssimos elementos de informação, os quais são condição imprescindível para que os Legislativos estaduais e munici

pais possam compreender com a clare2^

A economia do trabalho

Constitui boa praxo anexar ao ante

os três aspectos principais acima desta mos está fadado a não ser entendido

pelo•Lcgis'ativo e,..mesmo, pelosnon próprios i» . tetécnicos na matéria que nbam tomado parte direta

^ LONGO e dramático caminho por que

ripo. perturbações ner\'Osas. Não pre

percorreu o trabalho através dos sé culos transformou-se, depois do indus-

cisamos falar das moléstias profissionais, dos trabalhadores em minas, dos traba-

trialismo, numa verdadeira ascensão.

_

monstratívos financeiros anexos ao

mento como que o animam; o ^ l^ecisa o anteprojeto de orçamento que çamentário que os relegar está « é enviado pelos respectivos Exe cutivos; os elementos em apreço são os ser um simples documento de. conlabi i dade de despesa e receita, isto e, corn seguintest pletamente despido do importante signi L°) a Mensagem do Executivo;. ficado que se quer emprestar, de do • ) as propostas parciais formuladas cumento de lhe planejamento executivo e pelas Secretarias de Estado, De contrôle legislativo.

fábricas de vidro ou em fábricas de

como a base da vida social, assim como

gem indeclinável na luta pela produção.

pela valorização do trabalhador.

E

esta se intensifica, em nossos dias, com

ciitm-s '35 por cento das solas produzidas no país são feitas com vez mais mni<! utilizados em outras ^ couro e osdos plásticos flexíveis de vinil estão sendo cada partes calçados. d08

\dos vroer^so^ ^ Iseqüêncfa dn tmh ° IdoT rXL

-^948, foram curtidas nos Estados Unidos,

ídSp 750.000.000. Apesar produção nos cortumes é elevado, em con^^rtidos e do desperdício oriundo

por auilónú>frn" quilômetro , dispensam semelhantes plásticos, pioduzidos ojjerações. uniformemente, "por metro ou

certos produtos químicos de alto teor tóxico; nem. lembrar as neuroses, as

psiconeuroses e a.s sinistroses provocadas pelo trabalho. Queremos acentuar que

o resguardo e o amparo da máquina humana se apresenta como uma vanta

Assim, não é de hoje que se estuda a fisiologia do trabalho, para que se

possa enfrentar não só as fadigas des

^ consagração do tema "trabalho" — nas constituições dos povos livres. Mas, ao lado do valor social e político

necessárias, como ainda eliminar mo léstias explicáveis.

do trabalhador, surgiu o problema da proteção especial do homem que traba

de rendimento, num trabalhador inuti

lha, na .sua condição individual. E esse cuidado não visa ape nas a defesa da digni dade do trabalhador, ítmeaçado por uma condição de vida avil tante, ameaçado na

sua integridade física

rancm iWáíína de p^icos twj Estádios Unidos oferece grandes esperrnrU.fnt. r f<^cdidade da aquisição de materiais, pela grande variedade de (lúcfrin^ que «ode oferecer e pelo rápido intensificando progresso das opesquisas A ince/fccio,s vem paulatinamente emprêgocientíficas. de outros mate-

lliadores em máquinas e caldeiras, em

Antigamente o trabalho era uma mal dição. Foi xdsto como uma conseqüên cia do pecado original e se mostrou, por prolongado tempo, como um sacrifício c depois como um motivo de exploração. Já o século XIX coloca o trabalho

o esfôrço politico se desdobra na luta

elaboração.

A mensagem orçamentária ®

CÂNDIDO Mota Filho

o na sua saúde pelo ambiente desprovido

de higiene e de se gurança. Visa tam bém a produção, a

capacidade de rendi mento do homem que trabalha. O trabalho, por certo, não é mais um castigo. Mas, para a grande massa, é um sacrifício, pelas dificuldades e riscos que tem a enfrentar. Por sua

Muitas vezes se consegue um alto teor lizado, com a correção simples de um defeito qualquer. Anotamos

mesmo,

de uma feita, no Ins tituto de Pesquisas

Juveni.s, um jovem de dezoito anos, de com

portamento irregular, irritadiço e revoltado,

desprovido de qual quer capacidade para o trabalho. Entretan

to, o seu comporta mento decorria apenas

de um defeito de vista. Coirigido este

pelo oculista, tornou-se um trabalhador eficiente e de alto teor de rendimento.

E se fatores pes.soais preponderam, os

fatores mesológicos tambcm. O haha-

na altura ou o trabalho em subter vez, por mais fascinante que seja ele, Iho râneo, o trabalho no campo, em ambieuprovoca fadigas, desconfianças e, não


Trry!

no

Dígesto

^ — quadros de créditos adicionais

abertos no último exercício;

6 — balanços e demonstrações dos re sultados do último exercício;

-- análise da despesa por serviços e elementos".

EcoNÓAnco

partamentos, Repartiçõe.s etc, e sua justificação.

projeto de orçamento enviado ao Poder Legislativo todos os anteprojetos de leis, sôbre as modificações propostas no orça mento, que criam ou exlinguem serviços, tributos, cargos ctc.

* ^ íí« —

O Orçamento pode apresentar-se sob

^ A promulgação do Decreto-Lei n.®

diferente forma e conteúdo; todavia,

verdade orçamentária no âmbito dos Es-

cados completani-se dc tal modo que o

^omo não houvesse então em nosso país um órgão de representação popular para

orçamento que não atentar para os

-•416 foi um notável passo em prol da

^dos membros e Municípios do Brasil, «ame e aprovação dos orçamentos, o

Üecreto-Lei acima omitiu dois importan tíssimos elementos de informação, os quais são condição imprescindível para que os Legislativos estaduais e munici

pais possam compreender com a clare2^

A economia do trabalho

Constitui boa praxo anexar ao ante

os três aspectos principais acima desta mos está fadado a não ser entendido

pelo•Lcgis'ativo e,..mesmo, pelosnon próprios i» . tetécnicos na matéria que nbam tomado parte direta

^ LONGO e dramático caminho por que

ripo. perturbações ner\'Osas. Não pre

percorreu o trabalho através dos sé culos transformou-se, depois do indus-

cisamos falar das moléstias profissionais, dos trabalhadores em minas, dos traba-

trialismo, numa verdadeira ascensão.

_

monstratívos financeiros anexos ao

mento como que o animam; o ^ l^ecisa o anteprojeto de orçamento que çamentário que os relegar está « é enviado pelos respectivos Exe cutivos; os elementos em apreço são os ser um simples documento de. conlabi i dade de despesa e receita, isto e, corn seguintest pletamente despido do importante signi L°) a Mensagem do Executivo;. ficado que se quer emprestar, de do • ) as propostas parciais formuladas cumento de lhe planejamento executivo e pelas Secretarias de Estado, De contrôle legislativo.

fábricas de vidro ou em fábricas de

como a base da vida social, assim como

gem indeclinável na luta pela produção.

pela valorização do trabalhador.

E

esta se intensifica, em nossos dias, com

ciitm-s '35 por cento das solas produzidas no país são feitas com vez mais mni<! utilizados em outras ^ couro e osdos plásticos flexíveis de vinil estão sendo cada partes calçados. d08

\dos vroer^so^ ^ Iseqüêncfa dn tmh ° IdoT rXL

-^948, foram curtidas nos Estados Unidos,

ídSp 750.000.000. Apesar produção nos cortumes é elevado, em con^^rtidos e do desperdício oriundo

por auilónú>frn" quilômetro , dispensam semelhantes plásticos, pioduzidos ojjerações. uniformemente, "por metro ou

certos produtos químicos de alto teor tóxico; nem. lembrar as neuroses, as

psiconeuroses e a.s sinistroses provocadas pelo trabalho. Queremos acentuar que

o resguardo e o amparo da máquina humana se apresenta como uma vanta

Assim, não é de hoje que se estuda a fisiologia do trabalho, para que se

possa enfrentar não só as fadigas des

^ consagração do tema "trabalho" — nas constituições dos povos livres. Mas, ao lado do valor social e político

necessárias, como ainda eliminar mo léstias explicáveis.

do trabalhador, surgiu o problema da proteção especial do homem que traba

de rendimento, num trabalhador inuti

lha, na .sua condição individual. E esse cuidado não visa ape nas a defesa da digni dade do trabalhador, ítmeaçado por uma condição de vida avil tante, ameaçado na

sua integridade física

rancm iWáíína de p^icos twj Estádios Unidos oferece grandes esperrnrU.fnt. r f<^cdidade da aquisição de materiais, pela grande variedade de (lúcfrin^ que «ode oferecer e pelo rápido intensificando progresso das opesquisas A ince/fccio,s vem paulatinamente emprêgocientíficas. de outros mate-

lliadores em máquinas e caldeiras, em

Antigamente o trabalho era uma mal dição. Foi xdsto como uma conseqüên cia do pecado original e se mostrou, por prolongado tempo, como um sacrifício c depois como um motivo de exploração. Já o século XIX coloca o trabalho

o esfôrço politico se desdobra na luta

elaboração.

A mensagem orçamentária ®

CÂNDIDO Mota Filho

o na sua saúde pelo ambiente desprovido

de higiene e de se gurança. Visa tam bém a produção, a

capacidade de rendi mento do homem que trabalha. O trabalho, por certo, não é mais um castigo. Mas, para a grande massa, é um sacrifício, pelas dificuldades e riscos que tem a enfrentar. Por sua

Muitas vezes se consegue um alto teor lizado, com a correção simples de um defeito qualquer. Anotamos

mesmo,

de uma feita, no Ins tituto de Pesquisas

Juveni.s, um jovem de dezoito anos, de com

portamento irregular, irritadiço e revoltado,

desprovido de qual quer capacidade para o trabalho. Entretan

to, o seu comporta mento decorria apenas

de um defeito de vista. Coirigido este

pelo oculista, tornou-se um trabalhador eficiente e de alto teor de rendimento.

E se fatores pes.soais preponderam, os

fatores mesológicos tambcm. O haha-

na altura ou o trabalho em subter vez, por mais fascinante que seja ele, Iho râneo, o trabalho no campo, em ambieuprovoca fadigas, desconfianças e, não


118

te feohado, em ambiente frio ou qiiene — eviVe atitudes diversas por parte ao trabalhador.

Êcfe deve, assim, merecer o maior

0111 ado por parte das emorêsas e por parte do Estado, pomue não é a ra cionalização do trabalho nue dá a ôlê rnaior capacidade de produção: mas a

^a defesa e amparo e a con<:cí(^ncia que

c e tem de que a sua vida merece o resneito que merece toda vida dif^na.

Podemos assecurar. pe'a experiência ouG temos no assunto, aue os resnlta-

0.S obtidos por essa orientação excedem sempre as melhores expectativas,

A economia, como o seu étimo ereco ern esclarece, é uma forma de orcanização do lar. Ela. como orrranizar^ão

de interêsses fundamentais da vida, tem suas raiVes na totalidade socim e na moralidade pessoal. Por ela

o homem harmoniza o interôsse de cada um com o interêsse de todos. E é iii.s-

tamento no campo do trabalho nue es.sa

harmonia se reveste de importância inexcedivel,

O trabalho é o centro da vida eco nômica. Mas êle tem. por sua vez. a sua economia própria, que o toma mais lecundo.

As medidas aue se tomam para a pre venção de acidentes no trabalho, a de dicação no tratamento do doente, o esfôrco pela reeducação, readaptação e reabilitação dos acidentados ou incapa citados; os métodos que se usam para a seleção e orientação profissionais ou para o contró'e da aprendizagem; os cuida

dos que se empregam para com a mu lher que traballia e para o filho do tra

balhador, enfim, para que haía real mente um lar proletário — comp'etam-se com outras, como as que se referem à

alimentação e à cultura. E com as am

plas, perspectivas que êsse quadro ofe-

119

Digesto Econômico

Dicesto ECONÒRtlCO

reoe, dentro dn qual o homem readqni.

Precisamos vê-lo, na objetixridade de seu

u\a das horas nmis dramáticas da huma

re. pelo trabalho, a.s pcrsnpcfivas de uma vida dicna — uma sociedad" consepim firmar realmente a sua saúde eco

slgiiificadu, como a expressão econômica

nidade, proclamou o Presidente Roose-

que reúne em si, mais do que qualquer

velt as quatro liberdades, ao referir-se à

outro, o sentido orgânico da cooperação

luta contra a miséria e a opressão, pro*

social.

clamou o direito à segurança econômica* Essa segurança, como nota Georges Gur\'itch, deu motivo para que o "Ins tituto de Planificação de Recursos Na

nômica.

1

O Brasi' está fazendo, nesse sentido,

Trabalhar, criando riqueza, ou melhor,

uma imnroscínnante experiência, não s6

fixando valores, é reconhecer a \àda

através do E^inclo comn atra^'cs dc ins. tituicncs particulares. E podemos mes

como coexistência.

mo afirmar que. com essa evoeríência. está o Brasil reformando as ba'íes hu manas de sua economia, estabelecendo um sistema solidarista de reforma social

Aquilo que se chamava, no século pas sado, "a conspiração do feudalismo in

dustrial e das oligarquias financeiras", se explicava, em grande parte, por ê.sse desconhecimento do valor total do tra

cionais", nos Estados Unidos, pub ic^' se, em janeiro de 1943, um projeto de uma nova declaração de direitos, como um sistema de garantias vitais ao tra

balhador, garantias essas que foram

da guerra de 1914 objetivaram êsse va

aprovadas pela 26.® Conferência nacional do Trabalho, reunida em 1944, em Filadélfia. E ficou então estabele cida "uma proteção adequada da vida e da saúde dos trabalhadores em tôdas

lor e, entre e'as, a Constituição brasi leira de 1934. E a Constituição de 1946, no seu art. 157, estabelece: — "A legis

as ocupações". Náo há nesse esfôrço apenas o reco

só se explica para a defesa do homem no gaipo. Em tôda hi.stória econômica,

lação do trabalho e a da previdência

uma questão de interôsse. A vitalidade

o que se observa é. primeiramente, a

além de outros que visem à mellioria da

capacidade de certos indivíduos, de cer

condição dos trabalhadores:

tas clas.ses e de certo.s povos, de po.ssuirem a consciência dessa interdepen

ração diária do trabalho não excedente

e nossibilitanclo meio.s nara que ^

política futiKa seja, toda e^a, calcada na instiça social.

A economia surfriu. na sua expre«sà<) atual, como uma decorrência da neces-

sidade de cooperação. A economia não é mais um sistema de concorrência, mas

um sistema de interdenpndência.

Ela

balho, o que eqüivale dizer, de seu valor econômico.

As constituições promulgadas depois

social obedecerão aos seguintes preceitos,

V — du

econômica do mundo moderno depende dessa solidariedade humana no esfôrço

pela criação das utilidades.

manal remunerado, preferentemente aos

O trabalhador é o liomem social. Ê. assim, o homem autêntico, aquele que ape'a sempre para o seu semelhante, no

ciado no Renascimento, aue se proce^con

domingos e, no limite das exigências téc

dizer de Marx Weber, para tomar a vida

pe'a consagração da iniciativa individual

nicas das empresas, nos feriados civis e

possível. '

p da livre concorrência, deu* a imnre«-

religiosos, de acôrdo com a tradição lo-

são d^e ouc a economia se alomizam e .«-e transformara numa odiosa comneHcão de apetites. No entanto, o P''ónrio Marx

cah VII — férias anuais remuneradas;

dência.

O formidável movimento burffuês, ini

a oito horas, exceto nos casos e condi ções previstas em -lei; VI — repouso se

nhecimento de direitos, mas há também

reconheceu no Manifesto Comuni.sta o

VIII — higiene e segurança do trabalho; IX — proibição de trabalho a menores de quatorze anos; em indústrias insa

aspecto construtivo e conjunto desse mo

lubres, a mulheres e menores de dezoito

vimento.

anos; e de ti'abalho noturno a menores

Agora, visto o processo social sobre outro ângulo e colocadas as conquistas no campo de sua fixação definida, com

a colocação do trabalho, como va^or so

cial, em seu justo lugar, não podemos mais dcixá-Io flutuar entre receios de

uns, explorações .políticas de outros,

de dezoito anos, respeitadas, em qual quer caso, as condições estabelecidas em

Não é o fruto do racionalismo do sé

culo passado, nem do raaleriali.smo dos nossos dias. Mas o homem reposto no seu destino, diante, como diz Weber, de uma expectativa detenninada (From

Max Weber — Essays on Sociolog)-)*

Pela coinpreensão do • significado do trabalho, recupera a sociedade o seu

lei e as exceçõs admitidas pe'o Juiz com

equilíbrio. E e'a só consegue chegar a

petente; X — direito da gestante a des

êsse fim pela compreensão também da valorização da economia do trabalho.

canso antes e depois do parto, sem pre

juízo do emprego nem salário". Quando, em 7 de junho de I94I, nu-

Cremos que, dêsse modo. diminuirão


118

te feohado, em ambiente frio ou qiiene — eviVe atitudes diversas por parte ao trabalhador.

Êcfe deve, assim, merecer o maior

0111 ado por parte das emorêsas e por parte do Estado, pomue não é a ra cionalização do trabalho nue dá a ôlê rnaior capacidade de produção: mas a

^a defesa e amparo e a con<:cí(^ncia que

c e tem de que a sua vida merece o resneito que merece toda vida dif^na.

Podemos assecurar. pe'a experiência ouG temos no assunto, aue os resnlta-

0.S obtidos por essa orientação excedem sempre as melhores expectativas,

A economia, como o seu étimo ereco ern esclarece, é uma forma de orcanização do lar. Ela. como orrranizar^ão

de interêsses fundamentais da vida, tem suas raiVes na totalidade socim e na moralidade pessoal. Por ela

o homem harmoniza o interôsse de cada um com o interêsse de todos. E é iii.s-

tamento no campo do trabalho nue es.sa

harmonia se reveste de importância inexcedivel,

O trabalho é o centro da vida eco nômica. Mas êle tem. por sua vez. a sua economia própria, que o toma mais lecundo.

As medidas aue se tomam para a pre venção de acidentes no trabalho, a de dicação no tratamento do doente, o esfôrco pela reeducação, readaptação e reabilitação dos acidentados ou incapa citados; os métodos que se usam para a seleção e orientação profissionais ou para o contró'e da aprendizagem; os cuida

dos que se empregam para com a mu lher que traballia e para o filho do tra

balhador, enfim, para que haía real mente um lar proletário — comp'etam-se com outras, como as que se referem à

alimentação e à cultura. E com as am

plas, perspectivas que êsse quadro ofe-

119

Digesto Econômico

Dicesto ECONÒRtlCO

reoe, dentro dn qual o homem readqni.

Precisamos vê-lo, na objetixridade de seu

u\a das horas nmis dramáticas da huma

re. pelo trabalho, a.s pcrsnpcfivas de uma vida dicna — uma sociedad" consepim firmar realmente a sua saúde eco

slgiiificadu, como a expressão econômica

nidade, proclamou o Presidente Roose-

que reúne em si, mais do que qualquer

velt as quatro liberdades, ao referir-se à

outro, o sentido orgânico da cooperação

luta contra a miséria e a opressão, pro*

social.

clamou o direito à segurança econômica* Essa segurança, como nota Georges Gur\'itch, deu motivo para que o "Ins tituto de Planificação de Recursos Na

nômica.

1

O Brasi' está fazendo, nesse sentido,

Trabalhar, criando riqueza, ou melhor,

uma imnroscínnante experiência, não s6

fixando valores, é reconhecer a \àda

através do E^inclo comn atra^'cs dc ins. tituicncs particulares. E podemos mes

como coexistência.

mo afirmar que. com essa evoeríência. está o Brasil reformando as ba'íes hu manas de sua economia, estabelecendo um sistema solidarista de reforma social

Aquilo que se chamava, no século pas sado, "a conspiração do feudalismo in

dustrial e das oligarquias financeiras", se explicava, em grande parte, por ê.sse desconhecimento do valor total do tra

cionais", nos Estados Unidos, pub ic^' se, em janeiro de 1943, um projeto de uma nova declaração de direitos, como um sistema de garantias vitais ao tra

balhador, garantias essas que foram

da guerra de 1914 objetivaram êsse va

aprovadas pela 26.® Conferência nacional do Trabalho, reunida em 1944, em Filadélfia. E ficou então estabele cida "uma proteção adequada da vida e da saúde dos trabalhadores em tôdas

lor e, entre e'as, a Constituição brasi leira de 1934. E a Constituição de 1946, no seu art. 157, estabelece: — "A legis

as ocupações". Náo há nesse esfôrço apenas o reco

só se explica para a defesa do homem no gaipo. Em tôda hi.stória econômica,

lação do trabalho e a da previdência

uma questão de interôsse. A vitalidade

o que se observa é. primeiramente, a

além de outros que visem à mellioria da

capacidade de certos indivíduos, de cer

condição dos trabalhadores:

tas clas.ses e de certo.s povos, de po.ssuirem a consciência dessa interdepen

ração diária do trabalho não excedente

e nossibilitanclo meio.s nara que ^

política futiKa seja, toda e^a, calcada na instiça social.

A economia surfriu. na sua expre«sà<) atual, como uma decorrência da neces-

sidade de cooperação. A economia não é mais um sistema de concorrência, mas

um sistema de interdenpndência.

Ela

balho, o que eqüivale dizer, de seu valor econômico.

As constituições promulgadas depois

social obedecerão aos seguintes preceitos,

V — du

econômica do mundo moderno depende dessa solidariedade humana no esfôrço

pela criação das utilidades.

manal remunerado, preferentemente aos

O trabalhador é o liomem social. Ê. assim, o homem autêntico, aquele que ape'a sempre para o seu semelhante, no

ciado no Renascimento, aue se proce^con

domingos e, no limite das exigências téc

dizer de Marx Weber, para tomar a vida

pe'a consagração da iniciativa individual

nicas das empresas, nos feriados civis e

possível. '

p da livre concorrência, deu* a imnre«-

religiosos, de acôrdo com a tradição lo-

são d^e ouc a economia se alomizam e .«-e transformara numa odiosa comneHcão de apetites. No entanto, o P''ónrio Marx

cah VII — férias anuais remuneradas;

dência.

O formidável movimento burffuês, ini

a oito horas, exceto nos casos e condi ções previstas em -lei; VI — repouso se

nhecimento de direitos, mas há também

reconheceu no Manifesto Comuni.sta o

VIII — higiene e segurança do trabalho; IX — proibição de trabalho a menores de quatorze anos; em indústrias insa

aspecto construtivo e conjunto desse mo

lubres, a mulheres e menores de dezoito

vimento.

anos; e de ti'abalho noturno a menores

Agora, visto o processo social sobre outro ângulo e colocadas as conquistas no campo de sua fixação definida, com

a colocação do trabalho, como va^or so

cial, em seu justo lugar, não podemos mais dcixá-Io flutuar entre receios de

uns, explorações .políticas de outros,

de dezoito anos, respeitadas, em qual quer caso, as condições estabelecidas em

Não é o fruto do racionalismo do sé

culo passado, nem do raaleriali.smo dos nossos dias. Mas o homem reposto no seu destino, diante, como diz Weber, de uma expectativa detenninada (From

Max Weber — Essays on Sociolog)-)*

Pela coinpreensão do • significado do trabalho, recupera a sociedade o seu

lei e as exceçõs admitidas pe'o Juiz com

equilíbrio. E e'a só consegue chegar a

petente; X — direito da gestante a des

êsse fim pela compreensão também da valorização da economia do trabalho.

canso antes e depois do parto, sem pre

juízo do emprego nem salário". Quando, em 7 de junho de I94I, nu-

Cremos que, dêsse modo. diminuirão


r 120

Digksto Eco^•6^nco

as folhagens enganadoras das teorias po líticas, e a solução do problema social deixará de ser a exclusividade de um

grupo, de um partido ou de uína seita.

P

para ser, sem o menor traço de demag|>. , gia, um problema do homem para a sociedade e um problema da sociedade ;'i para o homem. ]

O comércio terrestre c íluvial da Capitania de São Paulo/ em 1801 (no<;iimenfoH Inéditos do Arquivo Nacional) Afonso de E. Taunay

^|os passados artigos cm que analisa

po Alegre (Rezende). Ainda não co

mos, um por um, os quadros esta tísticos do Capitão-General Antônio Ma nuel de Melo Castro e Mendonça,(1797-

nífica floresta do distrito que SpLx e

1802) quadros que constituem documen tos inéditos do Arquivo Nacional, exa minamos, de acôrdo com os dados ofi

ciais, o que foi o intercâmbio marítimo e comercial da capitania de São Paulo cm 1801. Falta-nos agora, para con

meçara a formidável derrubada da mag

Martius presenciaram, anancando-lhcs veementes protestos contra a destruição de tão admirável mataria.

Assim é que os reclamos da cultura cafeeira ainda eram muito moderados cm matéria de ferramenta e de escravos.

O Rio de Janeiro, centro consumidor de múltiplas exigências, capital do ouro cluir tal exame, aduzir os dados relativos ao movimento dos registros terrestre.^ de que fôra, e brevemente capital do cate, Piraí, Moji-Guaçu, Pôrto do Meira, determinava o afluxo considerá\'el de gê neros para o seu mercado, como se de Campanha do Toledo, Guarda da Ex trema, Curitiba e Pôrto Feliz.

Não esqueçamos que nesse milésimo do 1801 a fronteira paulista-fluminense era o. Rio Piraí, desde as nascentes até a foz, no local onde mais tarde surgiu

Barra do Piraí, e que a Capitania de São Paulo compreende o atual Paraná e o oeste catarinense da Sena do Mar aos

espanhóis confinantes. No cômputo da impor

tação paulista via Piraí

ZtnlZ Zíl ■ , ; -

ou seia miiír iZimnnm^^

para os mercados estrangeiros.

Te 057Tlt! wfr ^ T embírqnes induiram 226.911 carros esneciais Tnmn sendo o lesto representado por caminhões e veículos aToZMJi^a h7f^^ capacidade de produção da indústria AZ2mn7 a rZtZ grandemente desde o período de pré-gucrra.

aue ZT'j cam^hZ tr77Z n ^

representavam a mais ele vada parcela os escravos

"í"» •embarques britânicos de autmnóoch,

^ ® produzir, no ramo, entre 53 e 50 por cento mais produzidos, em 1943 335.000 automóveis, 177.000 ® ^^5.000 tratores agrícolas. Quanto aos

que então, valeriam, uns

pelos outros, entre 100 e

150 mil réis. Não é exagerado calcular em 25 contos de réis o que significa tal item.

Estava a cultura do café em seus pn-

mórdios de Serra Acima. Pequenas la vouras se abriam em Bananal, Arcas,

sobretudo em São João Marços e Cam

preende de diversas ríibricas do nosso

quadro. . O outro registro na fronteira fluminen

se não era senão mera barreira de ,. Por êle passaram, em 1801, 2.609 bois, 15 cavalos e 90 bêslas, no valor de

animais.

12.990$000 réis.

O mais importante dos registros pau listas e mineiros era o de Moji-Gu.açu, onde se averbou um morimento cie 71:318$810, assim discriminado:

Importação Exportação

2:1S7$800 69:131$010

Por Moji-Guaçu passava o abastem-

mento comercial de grande zona do de pois chamado Sul de Minas.

O quadro n.° 18 da estatística de Melo

Castro e Mendonça consigna as segulnnnrcelas:


r 120

Digksto Eco^•6^nco

as folhagens enganadoras das teorias po líticas, e a solução do problema social deixará de ser a exclusividade de um

grupo, de um partido ou de uína seita.

P

para ser, sem o menor traço de demag|>. , gia, um problema do homem para a sociedade e um problema da sociedade ;'i para o homem. ]

O comércio terrestre c íluvial da Capitania de São Paulo/ em 1801 (no<;iimenfoH Inéditos do Arquivo Nacional) Afonso de E. Taunay

^|os passados artigos cm que analisa

po Alegre (Rezende). Ainda não co

mos, um por um, os quadros esta tísticos do Capitão-General Antônio Ma nuel de Melo Castro e Mendonça,(1797-

nífica floresta do distrito que SpLx e

1802) quadros que constituem documen tos inéditos do Arquivo Nacional, exa minamos, de acôrdo com os dados ofi

ciais, o que foi o intercâmbio marítimo e comercial da capitania de São Paulo cm 1801. Falta-nos agora, para con

meçara a formidável derrubada da mag

Martius presenciaram, anancando-lhcs veementes protestos contra a destruição de tão admirável mataria.

Assim é que os reclamos da cultura cafeeira ainda eram muito moderados cm matéria de ferramenta e de escravos.

O Rio de Janeiro, centro consumidor de múltiplas exigências, capital do ouro cluir tal exame, aduzir os dados relativos ao movimento dos registros terrestre.^ de que fôra, e brevemente capital do cate, Piraí, Moji-Guaçu, Pôrto do Meira, determinava o afluxo considerá\'el de gê neros para o seu mercado, como se de Campanha do Toledo, Guarda da Ex trema, Curitiba e Pôrto Feliz.

Não esqueçamos que nesse milésimo do 1801 a fronteira paulista-fluminense era o. Rio Piraí, desde as nascentes até a foz, no local onde mais tarde surgiu

Barra do Piraí, e que a Capitania de São Paulo compreende o atual Paraná e o oeste catarinense da Sena do Mar aos

espanhóis confinantes. No cômputo da impor

tação paulista via Piraí

ZtnlZ Zíl ■ , ; -

ou seia miiír iZimnnm^^

para os mercados estrangeiros.

Te 057Tlt! wfr ^ T embírqnes induiram 226.911 carros esneciais Tnmn sendo o lesto representado por caminhões e veículos aToZMJi^a h7f^^ capacidade de produção da indústria AZ2mn7 a rZtZ grandemente desde o período de pré-gucrra.

aue ZT'j cam^hZ tr77Z n ^

representavam a mais ele vada parcela os escravos

"í"» •embarques britânicos de autmnóoch,

^ ® produzir, no ramo, entre 53 e 50 por cento mais produzidos, em 1943 335.000 automóveis, 177.000 ® ^^5.000 tratores agrícolas. Quanto aos

que então, valeriam, uns

pelos outros, entre 100 e

150 mil réis. Não é exagerado calcular em 25 contos de réis o que significa tal item.

Estava a cultura do café em seus pn-

mórdios de Serra Acima. Pequenas la vouras se abriam em Bananal, Arcas,

sobretudo em São João Marços e Cam

preende de diversas ríibricas do nosso

quadro. . O outro registro na fronteira fluminen

se não era senão mera barreira de ,. Por êle passaram, em 1801, 2.609 bois, 15 cavalos e 90 bêslas, no valor de

animais.

12.990$000 réis.

O mais importante dos registros pau listas e mineiros era o de Moji-Gu.açu, onde se averbou um morimento cie 71:318$810, assim discriminado:

Importação Exportação

2:1S7$800 69:131$010

Por Moji-Guaçu passava o abastem-

mento comercial de grande zona do de pois chamado Sul de Minas.

O quadro n.° 18 da estatística de Melo

Castro e Mendonça consigna as segulnnnrcelas:


,,s

122

• Dicksto Econômico

Fazendas

368 fardos

Ferro

297 arrôbas

Aço

48

Ferragens

Fazendas Ferro

Pólvora Chumbo

25 barris e 36 > libras

Doces

99 arrôbas

Pólvora

Escravos

22

Sal

Alavancas Almocafres

9

Alavancas

264

Foices

128

Enxadas Machados

Machados

34

Foices

Enxadas

10

Almocafres

81 arrôba.s

Farinha de trigo ....

76

Potros Mulas

M-

I

Ftónha de milho

ííos ribeiros auríferos das fronteiras

' :•:

a- cfes abai"xo

'li

258 •

2cai^

^0 árrobas li

^

, ,. .^,3 1"^'

Vieram de Goiás para São Paulo:

Açúcar

1.074 arrôbas

Rapaduras

Farinlia de trigo^

^

Bois

1

pirpc

^

,2 barris e 1.984 medidas

inineiro eram os do Porto do Meira, ou

1,560

mento do primeiro assim se discriminou:

99

Exportação para Minas Gerais Importação cie Minas Gerais

^

apresentou o intercâmbio paulista-goiano do que o

registro de Moji-Guaçu, como nos indicam

.

Total

124:813S140 > I;943S850 ^

126:756$990

sal

Cavalos

Béstas

12:5018920

5678960

••••■■•••

A exportação compreendeu:

Exportação Importação Total

>1

1 rpaistro de Moji-Guaçu para o comércio Muito menos importantes do que« no xeg Extrema. O movi-

60 árrôbas

d«

->•-

^ ^

& algodão-:;;;:

33 400

Bois

alqueires

1.008 arrôbas n 5.040

Algodão tecido

1*.

Mulas

484

T: Z fraco rendimento, andava animada. A exportação mineira por Moji-Guaçu compreendeu: ;•••-■ Fannha de trigo

'iv

Farmha de trigo Potros

71

« "

21 barris e 74 libras

Chapéus

lagen^ n^ro considerável de almocafres predominante sôbre o das demais ferde São Panlo

54

Escravos

2 caixões

Doces

fardos anôbas

.

Açò Chumbo

"

2 caixões

Chapéus

l:

Paia Goiás seguiram:

3.882 alqueires

Sal

Dicesto Econômico

;

13:089?880 '

-

,»•

íl'-'


,,s

122

• Dicksto Econômico

Fazendas

368 fardos

Ferro

297 arrôbas

Aço

48

Ferragens

Fazendas Ferro

Pólvora Chumbo

25 barris e 36 > libras

Doces

99 arrôbas

Pólvora

Escravos

22

Sal

Alavancas Almocafres

9

Alavancas

264

Foices

128

Enxadas Machados

Machados

34

Foices

Enxadas

10

Almocafres

81 arrôba.s

Farinha de trigo ....

76

Potros Mulas

M-

I

Ftónha de milho

ííos ribeiros auríferos das fronteiras

' :•:

a- cfes abai"xo

'li

258 •

2cai^

^0 árrobas li

^

, ,. .^,3 1"^'

Vieram de Goiás para São Paulo:

Açúcar

1.074 arrôbas

Rapaduras

Farinlia de trigo^

^

Bois

1

pirpc

^

,2 barris e 1.984 medidas

inineiro eram os do Porto do Meira, ou

1,560

mento do primeiro assim se discriminou:

99

Exportação para Minas Gerais Importação cie Minas Gerais

^

apresentou o intercâmbio paulista-goiano do que o

registro de Moji-Guaçu, como nos indicam

.

Total

124:813S140 > I;943S850 ^

126:756$990

sal

Cavalos

Béstas

12:5018920

5678960

••••■■•••

A exportação compreendeu:

Exportação Importação Total

>1

1 rpaistro de Moji-Guaçu para o comércio Muito menos importantes do que« no xeg Extrema. O movi-

60 árrôbas

d«

->•-

^ ^

& algodão-:;;;:

33 400

Bois

alqueires

1.008 arrôbas n 5.040

Algodão tecido

1*.

Mulas

484

T: Z fraco rendimento, andava animada. A exportação mineira por Moji-Guaçu compreendeu: ;•••-■ Fannha de trigo

'iv

Farmha de trigo Potros

71

« "

21 barris e 74 libras

Chapéus

lagen^ n^ro considerável de almocafres predominante sôbre o das demais ferde São Panlo

54

Escravos

2 caixões

Doces

fardos anôbas

.

Açò Chumbo

"

2 caixões

Chapéus

l:

Paia Goiás seguiram:

3.882 alqueires

Sal

Dicesto Econômico

;

13:089?880 '

-

,»•

íl'-'


f.

Dicesto EcoNÓ^^co

Dicesto EcoNó>.aGr%.

'(t

'.V,' ' A , r'

í

Farinha de trigo .

42 arrôbas 24

Toucinho

133

Fumo

165 870

Queijos Bois

Exporlaçúo

Importaç<áo de Minas Gerais . ,

1.048 arrÔbas

Fannlia de milho ....

1.751 alqueires 799 166

"

5

"

Arroz

Toucinho

Vinho ..

24 medidas

9:7685280

Potros

21

7:3505480

Bôslas

166 580

E a importação:

Foices

Chapéus de palha ,. Potros Mulas' Galinhas

I

jg alqueires

Farinha de milno

'.

Milho

,

-

>,

jg

»

187 arrôbas

^

25.040

1.397 16.240 ^

881 arrôbas

Fannha de tr^o ••••

_ 2.046 arrôbas

Fumo Queijos

Pólvora .; Chumbo

341 alqueires varas

Pano de algodão

^

Milho

Feijão

Machados Enxadas

4:5915120

E importou:

Farinha de trigo

Ferro

:

Exportou São Paulo;

A exportação compreendeu:

Vinho Vinagre Aguardente Pano de algodão ...

■

13

Exportação para Minas Gerais

Sal Toucinho

3.t)bi?3faU

Total

assim discriminado:

Galinhas

g.Seo

Importação

O movimento do Registro da Guarda da Extrema atingiu 17:118$760, total

Bois

1-5 f

Insignificante o mo\4mento do Registro da Campanha do" Toledo:

E a importação:

Farinha de milho

'

31 arrobas

150

Bois

V. . ^ de j ^ vimos, elevado movimento no segundo Teve o Registro ^untib., rnmo lájelaüvos aos primeiros seis meses: semestre de 1801, aliás omissos os oau 118;786§120

Importação 992

26 arrôbas 343 medidas 31 30

340 varas 39 arrôbas 11 13

18:264$690

Exportação

alqueires

^

,

137:0505810

Total

. -

1

«lA do Sul" cifrou-se em eqüinos e bovinos, comO;

A importação do "Continente ao o" de esperar, assim discriminados:

i

>

2.148g

Cavalos ••••

12

-

4 584

Bois

1 barril

6 arrôbas 120 189 1.211

' 20

A carga de retômo para p mesmo Conlinente do Sul comp„eudeu uumeroso! artigos: 115 arrôbas

Açúcar Ferro

4

"


f.

Dicesto EcoNÓ^^co

Dicesto EcoNó>.aGr%.

'(t

'.V,' ' A , r'

í

Farinha de trigo .

42 arrôbas 24

Toucinho

133

Fumo

165 870

Queijos Bois

Exporlaçúo

Importaç<áo de Minas Gerais . ,

1.048 arrÔbas

Fannlia de milho ....

1.751 alqueires 799 166

"

5

"

Arroz

Toucinho

Vinho ..

24 medidas

9:7685280

Potros

21

7:3505480

Bôslas

166 580

E a importação:

Foices

Chapéus de palha ,. Potros Mulas' Galinhas

I

jg alqueires

Farinha de milno

'.

Milho

,

-

>,

jg

»

187 arrôbas

^

25.040

1.397 16.240 ^

881 arrôbas

Fannha de tr^o ••••

_ 2.046 arrôbas

Fumo Queijos

Pólvora .; Chumbo

341 alqueires varas

Pano de algodão

^

Milho

Feijão

Machados Enxadas

4:5915120

E importou:

Farinha de trigo

Ferro

:

Exportou São Paulo;

A exportação compreendeu:

Vinho Vinagre Aguardente Pano de algodão ...

■

13

Exportação para Minas Gerais

Sal Toucinho

3.t)bi?3faU

Total

assim discriminado:

Galinhas

g.Seo

Importação

O movimento do Registro da Guarda da Extrema atingiu 17:118$760, total

Bois

1-5 f

Insignificante o mo\4mento do Registro da Campanha do" Toledo:

E a importação:

Farinha de milho

'

31 arrobas

150

Bois

V. . ^ de j ^ vimos, elevado movimento no segundo Teve o Registro ^untib., rnmo lájelaüvos aos primeiros seis meses: semestre de 1801, aliás omissos os oau 118;786§120

Importação 992

26 arrôbas 343 medidas 31 30

340 varas 39 arrôbas 11 13

18:264$690

Exportação

alqueires

^

,

137:0505810

Total

. -

1

«lA do Sul" cifrou-se em eqüinos e bovinos, comO;

A importação do "Continente ao o" de esperar, assim discriminados:

i

>

2.148g

Cavalos ••••

12

-

4 584

Bois

1 barril

6 arrôbas 120 189 1.211

' 20

A carga de retômo para p mesmo Conlinente do Sul comp„eudeu uumeroso! artigos: 115 arrôbas

Açúcar Ferro

4

"


126

Dicxsto EcoNíÓNnoo"

Aço

Farinha de trigo .. Fumo Anil Arroz

Sal

"

8

4 alqueires 155

Azeite doce

4 frasqueiras

Vinagre

^

Escravos

Machados Enxadas Foices

Aguardente ......

7.691 medidas

Almocafres

Vinho

6 3 8 34 2.405 30

Pregos sortidos

8.000

Cravos de ferrar

6 0^0

Alavancas Fazendas

'

Pano de algodão

3.260 varas

Vinagre Melado Escravos

Kapaduras

Chapéus de palha . Pano de algudâo . Colchas de algodão Kèdes de algodão .,

2.800 varas

A importação de Mato

-

estatística em terras de Sno Paulo, o ^ ^utor

44 fardos

Grosso só poderia ser em artigos preciosos, como o

Quadro Estatísfiro, ura bibliografia na-

4 libras

ouro em primeiro lii<rar, a

12 meias

ria do comércio do Brasil Central é o

último dos quadros do Capitão-General: o Mapa dos gêneros, mercadorias e

efeitos que sairam desta capitania de

São Paulo para a de Cuiabá e Mato Gros so, pe.o Porto Feliz no ano de 1801" Tal exportação partiu tôda do único

pôrto fiuvial, cabeça de linha, a velha

Sal Farinha de mandioca .. Feijão Farinha de trigo .... Marmelada

Ferro Aço

Chapas de cobre .... Cera do Reino Chumbo Vinho .; Aguardente do Reino.. Aguardente da Terra.. Malvásía

5 caixões

Póhmra

Capados

44 8

Fazendas

Documento interessante para a histó

,,

Loucas

Cuxonilha Soa Pólvora

b

4 arrôbas 8 30

127

DtcKSTo Econômico

1

Araraitaguaba crismada pelo próprio Melo Castro e Mendonça em Pôrto P^eliz. É o seguinte o'arro.amento dos gôneros embarcados nos canoões de mon

ção que, pelo Tietê e Paraná abaixo, e

Pardo acima, varavam em Camapuã pa ra descerem o Coxim e o Taquari, para depois navegarem, a contra-conente, peio Paraguai, São Lourenço e Cuiabá: 820 alqueires 785 400

"

100 .arrôbas 24 16

" "

50 22

"

16 48 6 25 3

ponia, a sa^saparrilha, e cional. mais alguns medicamentos correntes de alto emnrêco no tempo.

"

q çj-ame dos diversos quadros que transcrevemos ^eva-nos a algumas con-

Mas a tal re-meito silenciam por com- gjjerações interessantes referentes à expleto as estatísticas do Caoitão-Gencra do café da Capitania, em 1801. Antônio Manuel de Melo Castro e Menminúscula, pois nem sequer atindonça, precursor si TWrufl Ucet c^n%p nero magnis do verdadeiro patriarca

millião de arrôbas. 253 arrobas

Por Santos " Paranaguá

"

34 3

" São Sebastião *

" Antonina

^

" Ubatuba " Guaratuba " Parati

» »» .•

" Cananéia

;■*

Registro de Phal

Total

167 frasqueiras

j

'

^

"

252

"

44 3 24

» »» "

564

"

-

"


126

Dicxsto EcoNíÓNnoo"

Aço

Farinha de trigo .. Fumo Anil Arroz

Sal

"

8

4 alqueires 155

Azeite doce

4 frasqueiras

Vinagre

^

Escravos

Machados Enxadas Foices

Aguardente ......

7.691 medidas

Almocafres

Vinho

6 3 8 34 2.405 30

Pregos sortidos

8.000

Cravos de ferrar

6 0^0

Alavancas Fazendas

'

Pano de algodão

3.260 varas

Vinagre Melado Escravos

Kapaduras

Chapéus de palha . Pano de algudâo . Colchas de algodão Kèdes de algodão .,

2.800 varas

A importação de Mato

-

estatística em terras de Sno Paulo, o ^ ^utor

44 fardos

Grosso só poderia ser em artigos preciosos, como o

Quadro Estatísfiro, ura bibliografia na-

4 libras

ouro em primeiro lii<rar, a

12 meias

ria do comércio do Brasil Central é o

último dos quadros do Capitão-General: o Mapa dos gêneros, mercadorias e

efeitos que sairam desta capitania de

São Paulo para a de Cuiabá e Mato Gros so, pe.o Porto Feliz no ano de 1801" Tal exportação partiu tôda do único

pôrto fiuvial, cabeça de linha, a velha

Sal Farinha de mandioca .. Feijão Farinha de trigo .... Marmelada

Ferro Aço

Chapas de cobre .... Cera do Reino Chumbo Vinho .; Aguardente do Reino.. Aguardente da Terra.. Malvásía

5 caixões

Póhmra

Capados

44 8

Fazendas

Documento interessante para a histó

,,

Loucas

Cuxonilha Soa Pólvora

b

4 arrôbas 8 30

127

DtcKSTo Econômico

1

Araraitaguaba crismada pelo próprio Melo Castro e Mendonça em Pôrto P^eliz. É o seguinte o'arro.amento dos gôneros embarcados nos canoões de mon

ção que, pelo Tietê e Paraná abaixo, e

Pardo acima, varavam em Camapuã pa ra descerem o Coxim e o Taquari, para depois navegarem, a contra-conente, peio Paraguai, São Lourenço e Cuiabá: 820 alqueires 785 400

"

100 .arrôbas 24 16

" "

50 22

"

16 48 6 25 3

ponia, a sa^saparrilha, e cional. mais alguns medicamentos correntes de alto emnrêco no tempo.

"

q çj-ame dos diversos quadros que transcrevemos ^eva-nos a algumas con-

Mas a tal re-meito silenciam por com- gjjerações interessantes referentes à expleto as estatísticas do Caoitão-Gencra do café da Capitania, em 1801. Antônio Manuel de Melo Castro e Menminúscula, pois nem sequer atindonça, precursor si TWrufl Ucet c^n%p nero magnis do verdadeiro patriarca

millião de arrôbas. 253 arrobas

Por Santos " Paranaguá

"

34 3

" São Sebastião *

" Antonina

^

" Ubatuba " Guaratuba " Parati

» »» .•

" Cananéia

;■*

Registro de Phal

Total

167 frasqueiras

j

'

^

"

252

"

44 3 24

» »» "

564

"

-

"


^TWT

Dioesto

O deserto da formiga BAJIROS FomEIBA

^^UANTX) foi procurado dar um senti- cencia progressiva e transformava-se, ^ do social às p'alafortnas políticas, lentamente, num molambo. os partídos^incluiram o cultivo das ter

ras que circundam a Capital. Prome

tiam transformar em vergéis solidões inçadas de saúva, que esperam, nociva

Ao cabo de dez gerações tornara-se o

Cumbica, antes de ser

um campo de aviação e um colossal

ia o sangue faltando nas extremidades.

loteamento, permaneceu longos anos co

E as antigas povoaçõcs subsidiárias ane-

mo várzea abandonada.

mizavam-sc, entrando em declínio.

cente e certa. contundentes.

Disso havia exemplos

Fôra terra de

sesmaria, dada com a obrigação explí cita de a povoar e fazer produzir. Fi zera parte dos domínios de Amador

Biieno da Veiga e passou a integrar a solidão que circunda a Capital. Solidão que é, em última análise, a transposição

da terra esgotada norte-americana para o nosso meio subtropical.

A "estrada

do tabaco" tem similar paulistano nesse anel de sertão onde se multiplica a j saúva e o "barba de bode", capim sem [proteínas, que é apenas celulose, único elemento vegetal que consegue renovar-

ção progressiva dos elementos fcrtilizan-.

[agricultar. Mas um regime superabun■dante de chuvas densas lavou o solo.

[^O sol tropical torrou a terra/ e, finalmenijto, o fogo destruiu os microorganismos

[|de que resulta a fertilidade, j A medida que o solo se mumificava, j O homem acompanhava-o na degeneres-

das insepultas.

Húmus e sais minerais

foram irreparàvelmente levados pelas en

xurradas para os córregos tributários dos grandes rios que vão derramar, na pla nície platina, as reservas acumuladas dii-

ponente, que se nos afigura demasiada mente grande em relação à vida ve^e- •

uma restauração. As populações, po

rém. continuam sua vida miserável, no mesmo isolamento e ignorância dos sé

Nem árvores de

lômetros do Largo da Sé, c em todas as direções cio quaclrante, é assim. Mus, à medida que o itinerante se afasta, galga os picqs mais altos das serras que

escala, há convincente amostra nas so

deserto. Faltou a copa protetora sobre

qui'ômetros do Largo da Sé. Freqüen temente, têm ao centro um templo im

bodo". Cobre a terra uma espécie de

A hostilidade c completa ao homem,

enquanto Koma arde". Do que pode acontecer em futuro

morros cujos flancos íngremes ficaram desprotegidos e que a erosão lavou, e.xpondo rochedos antes ocultos, como ossa

jchado fez o deserto. Derrubou para

Assim acontece com Nazaré, M'Bov,

Bom Sucesso, Colônia, e o sertão de Guarulhos. que não dista mais de trinta

cido pela denominação dc "barba de

que criou êsses desertos e sc aprimorou, durante séculos, em mantê-lo e em au mentá-lo. Num raio de 30 a -10 qui

criminoso. É o mesmo que tanger a lira

icontra hoje lenha para queimar. O ma-

clco.s de grandezas perdidas. Hoje, al gumas povoações que se esfarelam por ali parecem croslas de chagas. .Mgumas são ihistres na história, prósperas no passado, mas misérrimas no presente.

tativa presente e atesta o esplendor repérrimo, que nem dá para sustentar o ~ moto. Outras vêzes, o declínio foi ta mais .sóbrio dos ruminantes, por ser manho que o templo ruiu e por ser obra digna de reparos mereceu o desvelo de apenas celuhise, e que se tornou conhe apática melancolia.

fosfórico corram para o mar. É idiota, é

Três séculos de exploração irracional da terra, antes coberta por florestas, deu o

contram ainda ruínas que foram nú-

porte desenvolvido se encontram à mar gem dos caminhos oferecendo sombra.

anos milhões de toneladas de anidrido

lidões que envolvem a capital paulista.

lencarou como elemento hostil, não en-

■»

e do bolchevismo e deixam que todos os

Os filhos daquela gente que enfrentou a [floresta, que teve de dominá-la, e a

te povoadas no passado, e nelas se en

primeira vez. uma impressão de espanto.

apenas sustenta um capim rústico, pau I • ..

Huxley faz uma advertência oportu

proxiino a humanidade, e em grande

No entanto, fato expressivo, essas soli

breza que causa, a quem o conhece pela

tuoso do conjunto de arranha-céus da Capital. Enquanto na cidade um metro quadrado de terreno vale, por vêzes. milhares dc cruzeiros, no lugar onde o viajante pisa um alqueire de terra pou co significa, porque nada produz. De tão causticado por queimadas, o solo

na do perigo que representa a elimina

se na primavera naquele exaurimento total. Como habitantes, encontram-se os remanescentes de antigas populações.

dões venerá\ eis já foram apreciàvelmen-

tiva que se estende aos oMios do via

repetição calamitosa dos processos roti

tes do solo, quando põe na bôca de um cientista que utiliza como personagem pensante: "Vivem a falar do progresso

nha que tem São Paulo como centro.

desprotegidas. Ê.SSC anel de solidão é de tamanha po

jante c que tem por fundo o perfil sun

A

neiros ia agravando o mal.

ranto séculos nas nossas terras, deixadas

relê%o êssc primeiro plano da perspec

Podia-se considerar este como

a soma exata de todos os erros prati cados. Enquanto a cidade, no centro dessa ampla circunferência do desolação, crescia, como coraçao que se hipertrofia,

mente infecundas, uma valorização cres

1Í19

O contra.stc cresce à medida que sc torna maior a distancia e ganha então

símbolo resignado dês.se paupcrismo mesológico.

Econômico

✓

I

circundam

a Paulicéin, vai-se modifi

cando aquele pungente aspecto de aban dono. Depois, bruscamente, tudo muda. São me'horcs os caminhos. Vão surgin do casas, em maior número; encontram-

se já povoações menos antigas e mais

ricas, onde o padrão de vida se pa tenteia mais elevado. É que se ul trapassou o anel de pobreza extrema e

culos anteriores, devido, sobretudo, à falta de caminhos. Quem \ é as minia turas dos mapas dos arredores, em re

levo, compreende tal segregação e esse abandono. O solo aparece revohàdo de

montanhas e colinas, e um mar tempes tuoso que se solidificou. Os terrenos

i,

mais planos estendem-se nessas reproduções como nigosas fôlhas de repolho de quintal. Caminhos primitivos enroscam-

\

se pelos espigões. atando antigos núcleos que jazem semi-perdidos enbe as cor-

covas das montanhas. E que raonta-

No seu conjunto dão a impressão de uma paisagem lunar. Talvez por isso,

„ sohdao e tamanha e os caminhos tá poucos e ruins■ ^'êzes completa.

;\o

''Agregação ó por

Eis um caso bem expressivo. Num

de inverno de 1940, rumava paia a secular que envolve a Capital, simètri; dia Capital um avlao de passageiros, piwcamente quase, como uma teia de ara


^TWT

Dioesto

O deserto da formiga BAJIROS FomEIBA

^^UANTX) foi procurado dar um senti- cencia progressiva e transformava-se, ^ do social às p'alafortnas políticas, lentamente, num molambo. os partídos^incluiram o cultivo das ter

ras que circundam a Capital. Prome

tiam transformar em vergéis solidões inçadas de saúva, que esperam, nociva

Ao cabo de dez gerações tornara-se o

Cumbica, antes de ser

um campo de aviação e um colossal

ia o sangue faltando nas extremidades.

loteamento, permaneceu longos anos co

E as antigas povoaçõcs subsidiárias ane-

mo várzea abandonada.

mizavam-sc, entrando em declínio.

cente e certa. contundentes.

Disso havia exemplos

Fôra terra de

sesmaria, dada com a obrigação explí cita de a povoar e fazer produzir. Fi zera parte dos domínios de Amador

Biieno da Veiga e passou a integrar a solidão que circunda a Capital. Solidão que é, em última análise, a transposição

da terra esgotada norte-americana para o nosso meio subtropical.

A "estrada

do tabaco" tem similar paulistano nesse anel de sertão onde se multiplica a j saúva e o "barba de bode", capim sem [proteínas, que é apenas celulose, único elemento vegetal que consegue renovar-

ção progressiva dos elementos fcrtilizan-.

[agricultar. Mas um regime superabun■dante de chuvas densas lavou o solo.

[^O sol tropical torrou a terra/ e, finalmenijto, o fogo destruiu os microorganismos

[|de que resulta a fertilidade, j A medida que o solo se mumificava, j O homem acompanhava-o na degeneres-

das insepultas.

Húmus e sais minerais

foram irreparàvelmente levados pelas en

xurradas para os córregos tributários dos grandes rios que vão derramar, na pla nície platina, as reservas acumuladas dii-

ponente, que se nos afigura demasiada mente grande em relação à vida ve^e- •

uma restauração. As populações, po

rém. continuam sua vida miserável, no mesmo isolamento e ignorância dos sé

Nem árvores de

lômetros do Largo da Sé, c em todas as direções cio quaclrante, é assim. Mus, à medida que o itinerante se afasta, galga os picqs mais altos das serras que

escala, há convincente amostra nas so

deserto. Faltou a copa protetora sobre

qui'ômetros do Largo da Sé. Freqüen temente, têm ao centro um templo im

bodo". Cobre a terra uma espécie de

A hostilidade c completa ao homem,

enquanto Koma arde". Do que pode acontecer em futuro

morros cujos flancos íngremes ficaram desprotegidos e que a erosão lavou, e.xpondo rochedos antes ocultos, como ossa

jchado fez o deserto. Derrubou para

Assim acontece com Nazaré, M'Bov,

Bom Sucesso, Colônia, e o sertão de Guarulhos. que não dista mais de trinta

cido pela denominação dc "barba de

que criou êsses desertos e sc aprimorou, durante séculos, em mantê-lo e em au mentá-lo. Num raio de 30 a -10 qui

criminoso. É o mesmo que tanger a lira

icontra hoje lenha para queimar. O ma-

clco.s de grandezas perdidas. Hoje, al gumas povoações que se esfarelam por ali parecem croslas de chagas. .Mgumas são ihistres na história, prósperas no passado, mas misérrimas no presente.

tativa presente e atesta o esplendor repérrimo, que nem dá para sustentar o ~ moto. Outras vêzes, o declínio foi ta mais .sóbrio dos ruminantes, por ser manho que o templo ruiu e por ser obra digna de reparos mereceu o desvelo de apenas celuhise, e que se tornou conhe apática melancolia.

fosfórico corram para o mar. É idiota, é

Três séculos de exploração irracional da terra, antes coberta por florestas, deu o

contram ainda ruínas que foram nú-

porte desenvolvido se encontram à mar gem dos caminhos oferecendo sombra.

anos milhões de toneladas de anidrido

lidões que envolvem a capital paulista.

lencarou como elemento hostil, não en-

■»

e do bolchevismo e deixam que todos os

Os filhos daquela gente que enfrentou a [floresta, que teve de dominá-la, e a

te povoadas no passado, e nelas se en

primeira vez. uma impressão de espanto.

apenas sustenta um capim rústico, pau I • ..

Huxley faz uma advertência oportu

proxiino a humanidade, e em grande

No entanto, fato expressivo, essas soli

breza que causa, a quem o conhece pela

tuoso do conjunto de arranha-céus da Capital. Enquanto na cidade um metro quadrado de terreno vale, por vêzes. milhares dc cruzeiros, no lugar onde o viajante pisa um alqueire de terra pou co significa, porque nada produz. De tão causticado por queimadas, o solo

na do perigo que representa a elimina

se na primavera naquele exaurimento total. Como habitantes, encontram-se os remanescentes de antigas populações.

dões venerá\ eis já foram apreciàvelmen-

tiva que se estende aos oMios do via

repetição calamitosa dos processos roti

tes do solo, quando põe na bôca de um cientista que utiliza como personagem pensante: "Vivem a falar do progresso

nha que tem São Paulo como centro.

desprotegidas. Ê.SSC anel de solidão é de tamanha po

jante c que tem por fundo o perfil sun

A

neiros ia agravando o mal.

ranto séculos nas nossas terras, deixadas

relê%o êssc primeiro plano da perspec

Podia-se considerar este como

a soma exata de todos os erros prati cados. Enquanto a cidade, no centro dessa ampla circunferência do desolação, crescia, como coraçao que se hipertrofia,

mente infecundas, uma valorização cres

1Í19

O contra.stc cresce à medida que sc torna maior a distancia e ganha então

símbolo resignado dês.se paupcrismo mesológico.

Econômico

✓

I

circundam

a Paulicéin, vai-se modifi

cando aquele pungente aspecto de aban dono. Depois, bruscamente, tudo muda. São me'horcs os caminhos. Vão surgin do casas, em maior número; encontram-

se já povoações menos antigas e mais

ricas, onde o padrão de vida se pa tenteia mais elevado. É que se ul trapassou o anel de pobreza extrema e

culos anteriores, devido, sobretudo, à falta de caminhos. Quem \ é as minia turas dos mapas dos arredores, em re

levo, compreende tal segregação e esse abandono. O solo aparece revohàdo de

montanhas e colinas, e um mar tempes tuoso que se solidificou. Os terrenos

i,

mais planos estendem-se nessas reproduções como nigosas fôlhas de repolho de quintal. Caminhos primitivos enroscam-

\

se pelos espigões. atando antigos núcleos que jazem semi-perdidos enbe as cor-

covas das montanhas. E que raonta-

No seu conjunto dão a impressão de uma paisagem lunar. Talvez por isso,

„ sohdao e tamanha e os caminhos tá poucos e ruins■ ^'êzes completa.

;\o

''Agregação ó por

Eis um caso bem expressivo. Num

de inverno de 1940, rumava paia a secular que envolve a Capital, simètri; dia Capital um avlao de passageiros, piwcamente quase, como uma teia de ara


Dicesto EcoNóxaco

130

ra frio durante a noite e uma neblina

ciou. mais uma vez, o que era n terrível solidão que envolve São Paulo. Os so

Dzcesto

131

EcoNÔ^nco

Oro, numa das publicações do Serviço Saiutário, datada de ly41, aparecia a

espêssa cobria a terra. A cidade estava próxima, mas o pilôto não a enxergava através daquela geléia pardacenta, que

corros não podiam chegar, porque não

mortaiidá'de du uno.

havia caminhos. Era a Icrrn. ine.xorável,

e cinqüenta óbitos.

se estendia a perder de vista. Em cima,

cheia de cipós e de precipícios. Os fe ridos estavam na pior situação. O so

casamentos, nascimentos, óbitos.

era o céu azul e o sol bri'hante, anun

Subia a duzentos

O io.heto narrava Era

mo-nos cruzado oom diversas tropas de burros, carregados de mercadorias des tinadas à geme que vive segregada na serra: querosene para as laiiiparuias funiarentas com que aiumiavaiu, de noite,

minucioso no que respeitava ao movi

os cômodos das suas precárias caws de

barro; sabão, paninhos baratos para vostuiino — ü abiomiaraente necessário para

Os aparelhos

corro enviado não podia nlcançá-^os.

mento dcmogróxico. An, enquanto nou

de bordo acusavam mais de mil metros

Abriram-se picadas no mato c dilicentes e abnegados elementos da turma de .sal vamento meteram-se pela mata. Anda

tros municípios era grande o numero de matrimônios com esnangeiros, os consór

uma vida primitiva como há dois séculos,

cios dos nazarenos só se efetuavam entre

nos sertões,

ciando um dia glorioso.

de altitude e o rádio indicava que o

campo de pouso distava poucos quilô metros. Subitamente, houve um choque

forte. As asas despedaçaram-se contra

grandes árvores e a fuselagem investiu contra um morro que se erguia defronte. O aparelho batera de encontro ao pico mais alto da serra em cujos contrafortes se estendem as matas do Horto Flo

restal, até onde se chega, com facilida-

ram horas e horas perdidos na sel\*a, soltando erítos e disparando tiros. Só ao cabo de um dia e uma noite atingi

gistrados, nos duzentos e cinqüenta deiuntüs só havia uma causa conlieclda.

à vista de São Paulo, no sertão do mu

Matara-o uma bala. Os óbitos restantes

nicípio da Capital. Os homens que socorreram os feridos

figuravam sob a rubrica de causas igno

metros para o outro, e nada teria acon tecido. Mas a fatalidade tracara-lhe o

rumo para a morte. O avião foi-se des troçando pela mata, deixando por entre as copas pedaços de asas e cadáveres de passaÉ;eíro.s. Quando a fuselagem caiu

radas, o que significa falta de assistên

ração da madeira e o fabrico de carvão.

cia módica. Indagar as causas era uma

Solidão, só solidão. Durante quilôme

tentação. E saímos numa niunhã de mar

tros não se via um casebre à beira do

tas narrando n odisséia conti nental da subida das trilhas,

caminho. Mais para a frente, a paisa gem modificou-se. Foram aparecendo

que o carro se apro.ximava dos coutra-

casas humi.des aqui e além. Cesdobra-

marginadas de abismos, da

fortcs da Serra da Cantareira.

rain-se peia planura tapetes verdes, de

Guaru.lios, e que ia piorando à medida A rodo

Serra do Mar. Um dos guar

via estadual era uma monlunlia russa

todos os matizes, até ao amarelo. Eram

das da Rádio Patrulha, que

que, em certo ponto, se tornou uma tri-

.arrozais em começo de maturação. E

liia. O motor do carro roncava para vencer as rampas fortes. Tronco,s de madeira serviam de suportes a aterros

por fim, por detrás de umu prega do

informar que encontrara os feridos e

que ameaçavam ruir, de tão antigos.

indicar a direção. Pareceria exagêro se

A "estrada" não dava passagem para dois

não fôs^e fato constatado pe'a repor

veículos. Se outro aparecesse, um ti nha que recuar até um trecho mais

tagem dos jornais e por diversas teste munhas que participaram da singular aventura de ir salvar os passageiros de

plano e mais largo. E foi o que aconte ceu. Em determinado ponto, apareceu um caminhão carregado de carvão e foi preciso retroceder. O motorista prague java alto. — Por favor — gritou — recue um

um avião caído nos arredores da ter

ceira metrópole do continente. Nazaré

ao solo. nem todos tinham morrido. Es

I

tavam mal feridos, mas puderam arras

A quarenta e cinco quilômetros mais

pouco, porque ai o barranco é mais

ou menos, fica a cidade de Nazaré,

largo. Nunca mais aqui volto. Vim por engano buscar carvão, mas é a pri

corros não deviam tardar. Consideraram-

sede de antigo município do mesmo no me. Terra de gente ilustre e de pa

trada, é trilha de tropeiro.

se salvos, Mas foi aí que se eviden

droeira milagrosa, de grande devoro.

tar-se.

A poucos qui'ômetros viam a

Capital. A cidade estava perto e os so

pe.as encostas até à beira dos brejos, encharcados pelas chuvas que espirravam água debaixo dos pneus. Como única atividade, encontrava-se a explo

ço, peia estrada que liga a povoação a

peçando a cada passo, para

tragédia guiara o aparelho até a'i. Mais

A estrada continuava sendo a velha

trilha dos tropeiros, que ora grimpava até ao alto dos morros, ora despencava

cas às das crônicas dos jesuí

sou esfarrapado, exausto, tro

cem metros para um lado. mais cem

ticar-se a "causa mortis" dos óbitos re

e transportar os mortos. Pas,sara-se isso

fôra prestar socorros, regres

trens do "famway" da Cantareira. A

Mus, ao vcri-

ram o loca' e puderam socorrer os vivos

e os transportaram contavam dificuldades em tudo idênti

Je, e por 80 centavos, nos pequenos

brasileiros do muitas gerações. Smtuma, por certo, de i.süiamencü.

meira e a última vez.

Isto não é es

E assim era. Durante o trajeto tínha-

terreno, emergiu, como um presipe, a velha e ilustre cidade de Nazaré, com sua igreja ampla, no alto de morro in-

grcnie. Tudo aquilo parcela, de longe, ( uma miniatura dc museu, com os sobra- St

dos muito antigos, de paredes de taipa e largos beirais, ladeando a rua prin cipal, ladeira forte de terra batida.

A cidade era um verdadeiro tropel de casas, dispostas em volta do morro e com grandes quintais, onde vermellia-

vam as cerejas de_ café. salpicando de

rubro a fo hagem viçosa. Tudo paz nas ruas desertas.

* '

Delegacia de Polidia, cadeia. Prefeituia, num ecUlcio só. de sóMa e amta construção. Havia luz elétrica, melhora monto recentrssimo, e lelefoue. com m-


Dicesto EcoNóxaco

130

ra frio durante a noite e uma neblina

ciou. mais uma vez, o que era n terrível solidão que envolve São Paulo. Os so

Dzcesto

131

EcoNÔ^nco

Oro, numa das publicações do Serviço Saiutário, datada de ly41, aparecia a

espêssa cobria a terra. A cidade estava próxima, mas o pilôto não a enxergava através daquela geléia pardacenta, que

corros não podiam chegar, porque não

mortaiidá'de du uno.

havia caminhos. Era a Icrrn. ine.xorável,

e cinqüenta óbitos.

se estendia a perder de vista. Em cima,

cheia de cipós e de precipícios. Os fe ridos estavam na pior situação. O so

casamentos, nascimentos, óbitos.

era o céu azul e o sol bri'hante, anun

Subia a duzentos

O io.heto narrava Era

mo-nos cruzado oom diversas tropas de burros, carregados de mercadorias des tinadas à geme que vive segregada na serra: querosene para as laiiiparuias funiarentas com que aiumiavaiu, de noite,

minucioso no que respeitava ao movi

os cômodos das suas precárias caws de

barro; sabão, paninhos baratos para vostuiino — ü abiomiaraente necessário para

Os aparelhos

corro enviado não podia nlcançá-^os.

mento dcmogróxico. An, enquanto nou

de bordo acusavam mais de mil metros

Abriram-se picadas no mato c dilicentes e abnegados elementos da turma de .sal vamento meteram-se pela mata. Anda

tros municípios era grande o numero de matrimônios com esnangeiros, os consór

uma vida primitiva como há dois séculos,

cios dos nazarenos só se efetuavam entre

nos sertões,

ciando um dia glorioso.

de altitude e o rádio indicava que o

campo de pouso distava poucos quilô metros. Subitamente, houve um choque

forte. As asas despedaçaram-se contra

grandes árvores e a fuselagem investiu contra um morro que se erguia defronte. O aparelho batera de encontro ao pico mais alto da serra em cujos contrafortes se estendem as matas do Horto Flo

restal, até onde se chega, com facilida-

ram horas e horas perdidos na sel\*a, soltando erítos e disparando tiros. Só ao cabo de um dia e uma noite atingi

gistrados, nos duzentos e cinqüenta deiuntüs só havia uma causa conlieclda.

à vista de São Paulo, no sertão do mu

Matara-o uma bala. Os óbitos restantes

nicípio da Capital. Os homens que socorreram os feridos

figuravam sob a rubrica de causas igno

metros para o outro, e nada teria acon tecido. Mas a fatalidade tracara-lhe o

rumo para a morte. O avião foi-se des troçando pela mata, deixando por entre as copas pedaços de asas e cadáveres de passaÉ;eíro.s. Quando a fuselagem caiu

radas, o que significa falta de assistên

ração da madeira e o fabrico de carvão.

cia módica. Indagar as causas era uma

Solidão, só solidão. Durante quilôme

tentação. E saímos numa niunhã de mar

tros não se via um casebre à beira do

tas narrando n odisséia conti nental da subida das trilhas,

caminho. Mais para a frente, a paisa gem modificou-se. Foram aparecendo

que o carro se apro.ximava dos coutra-

casas humi.des aqui e além. Cesdobra-

marginadas de abismos, da

fortcs da Serra da Cantareira.

rain-se peia planura tapetes verdes, de

Guaru.lios, e que ia piorando à medida A rodo

Serra do Mar. Um dos guar

via estadual era uma monlunlia russa

todos os matizes, até ao amarelo. Eram

das da Rádio Patrulha, que

que, em certo ponto, se tornou uma tri-

.arrozais em começo de maturação. E

liia. O motor do carro roncava para vencer as rampas fortes. Tronco,s de madeira serviam de suportes a aterros

por fim, por detrás de umu prega do

informar que encontrara os feridos e

que ameaçavam ruir, de tão antigos.

indicar a direção. Pareceria exagêro se

A "estrada" não dava passagem para dois

não fôs^e fato constatado pe'a repor

veículos. Se outro aparecesse, um ti nha que recuar até um trecho mais

tagem dos jornais e por diversas teste munhas que participaram da singular aventura de ir salvar os passageiros de

plano e mais largo. E foi o que aconte ceu. Em determinado ponto, apareceu um caminhão carregado de carvão e foi preciso retroceder. O motorista prague java alto. — Por favor — gritou — recue um

um avião caído nos arredores da ter

ceira metrópole do continente. Nazaré

ao solo. nem todos tinham morrido. Es

I

tavam mal feridos, mas puderam arras

A quarenta e cinco quilômetros mais

pouco, porque ai o barranco é mais

ou menos, fica a cidade de Nazaré,

largo. Nunca mais aqui volto. Vim por engano buscar carvão, mas é a pri

corros não deviam tardar. Consideraram-

sede de antigo município do mesmo no me. Terra de gente ilustre e de pa

trada, é trilha de tropeiro.

se salvos, Mas foi aí que se eviden

droeira milagrosa, de grande devoro.

tar-se.

A poucos qui'ômetros viam a

Capital. A cidade estava perto e os so

pe.as encostas até à beira dos brejos, encharcados pelas chuvas que espirravam água debaixo dos pneus. Como única atividade, encontrava-se a explo

ço, peia estrada que liga a povoação a

peçando a cada passo, para

tragédia guiara o aparelho até a'i. Mais

A estrada continuava sendo a velha

trilha dos tropeiros, que ora grimpava até ao alto dos morros, ora despencava

cas às das crônicas dos jesuí

sou esfarrapado, exausto, tro

cem metros para um lado. mais cem

ticar-se a "causa mortis" dos óbitos re

e transportar os mortos. Pas,sara-se isso

fôra prestar socorros, regres

trens do "famway" da Cantareira. A

Mus, ao vcri-

ram o loca' e puderam socorrer os vivos

e os transportaram contavam dificuldades em tudo idênti

Je, e por 80 centavos, nos pequenos

brasileiros do muitas gerações. Smtuma, por certo, de i.süiamencü.

meira e a última vez.

Isto não é es

E assim era. Durante o trajeto tínha-

terreno, emergiu, como um presipe, a velha e ilustre cidade de Nazaré, com sua igreja ampla, no alto de morro in-

grcnie. Tudo aquilo parcela, de longe, ( uma miniatura dc museu, com os sobra- St

dos muito antigos, de paredes de taipa e largos beirais, ladeando a rua prin cipal, ladeira forte de terra batida.

A cidade era um verdadeiro tropel de casas, dispostas em volta do morro e com grandes quintais, onde vermellia-

vam as cerejas de_ café. salpicando de

rubro a fo hagem viçosa. Tudo paz nas ruas desertas.

* '

Delegacia de Polidia, cadeia. Prefeituia, num ecUlcio só. de sóMa e amta construção. Havia luz elétrica, melhora monto recentrssimo, e lelefoue. com m-


biníi pública, inovação mais recente ain da, mas que funcionava mal.

sertão, com grande igreja e grande ro

Entramos ali e conversamos c-om o prefeito. Vamo.s, então, obtendo escla

Suas casas são pintadas desse delicioso côr-de-rosa caipira cpic eqüivale a um

recimentos sôbre os hábitos daque'a gen te que vive com abundância de gêneros,

verso lírico. ..

onde tudo sobra e nada falta, e uma galinha custa ainda 5 cruzeiros, devido à falta de caminlios permitindo a ex

portação. Há estrada melhor, mas por Atibaia, representando um grande ro deio.

Miséria, no sentido aflitivo do

tôrmo, não se conhecia ali. Mas não ha via médico, nem farmacêutico formado. Contaram-nos um caso que dispensa co

É o velho hábito de comer içá com

farinha, manjar muito apreciado dos \cIhos tempos do Brasil colônia. Bom Sucesso fica num antigo aldeamonlo do índios, n poucos quilômetros de São Miguel, ou seja a trinta quilô

maria, vem minguando cie ano para ano.

Lá .se verifica uma re

gressão progressiva: as ruínas aumentam.

Cemitério grande, com jazigos de

metros mais ou monos do marco zero

mármore, de famílias ilustres, já desa

da Capital. Geiitü que morre naquelas redondez.as é conduzida para o cemitério em uma

parecidas ou tjuc mudaram. Gente que passa a cavalo, montada em animais magros, sustentados com "barba de bode". O cavaleiro descalço, o polegar

rede, hamboleando ao passo dos ho mens que conduzem o cadáver. Os acompanhantes vão-se revezando, pres

fincado no estribo, o corpo bamboleando. Roupa de algodão, mesmo nos dias frios.

tando assim a última, sincera o realmen te útil lionienagem no defunto.

Camisa desabotoada, chapéu de

mentários: um doente coberto de pús abas largas. Nossa Senhora do Bom tulas, morfético de diagnosticar de longe, Sucesso é a padroeira, na igreja grande precisava ser removido para. um Icprosário. Mas como proceder, se era preciso prévio exame de médico, atestando a moléstia? O farmacêutico é que via os

gente de maiores recursos. Porque os

chove, fica intransitável. Uma grande romaria em agôsto. Então a serra pró

que viviam pelos matos vizinhos conten de Nazaré e uma mezinha do curan-

deiro local, que, se não curava, também não causava maior dano. Para os casos

extremos, só mesmo Nossa Senhora, que lá estava no altar-mor da grande igreja, capaz de abrigar multidões. Por isso o prefeito insistia num centro de saúde, que tardava, enquanto se construiam, por todo o Estado, obras suntuárias que não eram tão urgentes. Bom Sucesso

Acontecia isso numa cidade que dista pouco mais de quarenta quilômetros da Capital, já no outro lado da Serra da Cantareira. Mas, muito aquém, exis tem populações vivendo pior. Bom Su cesso, outrora praça-forte da boca do

ali conserva um aspecto arcaico e cho cante. A própria paisagem toma-sc uma

espécie de museu quando a população local passa. Terra cansada, talada pela formiga e pelo fogo, pouco produz, e a sobrie dade das populações contenta-se por isso com mandioca e feijão. A came constitui alimento excepcional, por ser

vaca doente, a criança em vias de mor rer, porque não há médico nem vete

tavam-se com uma promessa de N. S.

Desde a vida ató a morte, tudo por

e antiga, cuja sala dos milagres está repleta de oferendas e promessas. Tudo Nossa Senhora guarda e protege. A

doentes, receitava e aviava os remédios. Isso, nos casos mais complicados, do

133

Dicksto EcoNÓ^nco

DxG£STO Econókuco

132

rinário próximo e a estrada, quando

xima despovoa-se e converge ã antiga e decrépita povoação, que regurgíln. Cônegos chamados da Capital vão ce lebrar a missa solene. Sai grande pro cissão, precedida de noites de muita animação com frenéticos batuques e far to amor pelos matos próximos.

escassa a criação, onde antes a paston-

cia representou a principal atiridnde agrária. Em relação ao passado, é as sombroso o aspecto presente. Uma tar de, com o dr. Aureliano Leite, que com

tanto carinho tem estudado as coisas do

Depois da festa, volta a monotonia.

passado, e o sr. Campos Aguirre, do

Quando chove, a estrada fica péssima.

Instituto Histórico, andamos palmilhando

Então, nem pode por ali passar o carro do comerciante sírio que abastece tôda a gente das redondezas e que levava

parte desses ermos onde havia nnnas

veneráveis e de perdida tradição. Uma

delas, por sua vastidão, parecia ter sido grande igreja "de jesuítas, que por ali

para a Santa Casa os casos de extrema

unçâo que N. S. do Bom Sucesso não

tiveram minerações, e onde existiram al-

quisera salvar.

uma vez, ali de passagem, ouvimos dizer: — Coroné, aqui está o veneno prás

deamentos de índios no século XVIIIHavia notícia de remota exploração aurífera. O dr. Aureliano Leite procurava

formiga. Mas cuidado com êíe. Não vá comer agora as içás, porque morre in-

os restos das construções da grande fa

venenado".

antepassado, que tivera,, por aquelas

Foi numa venda que,

zenda de Amador Bueno da Veiga, seu

4 l—...

imediações, quinhentos índios para ser-

\"i-lo e muito maior número de cabeça> ^ de gado para enriquecê-lo. O pau' i

Belchior de Pontes, que o visitara, des crevera a prosperidade daquele luaio

ral paulista. Mas não se encontrar^r'^ mais as ruínas daquela Tróia. So

solaçáo, e a dez quilômetros de Gua^ rulhos, ponto terminal do "tram\^ay da Cantareira. Dos antigos moradores não havia notícia.

A maior

gente que ficou preferira vender as or ras lierdadas e continuou ser\indo t ®

empregado ao comprador, geralmeo c pessoa de havercs da Capital, que dese

java ter chácara para descanso, e on vai gastar, dentro em pouco, ate qo chegue o dia de desânimo, dinheiro sei

conta, na esperança de «r a ter

|^

fartas, que nunca obterá. Porque o ; mem que hão produziu para si ni ^

produzirá para o amo. Mesmo porq [

o braço escasseia, impõe-se aceitar

!'

quer um, o traballiador anda disperso, ^ ' grande a falta de condução e os r i deios impostos pela topografia loca o nam maiores as distancias.

Não há linlias de ônibus ligando os„ núcleos antigos, porque péssimas sa^ , as estradas e hostí o terreno, oo

peitos estabelecem a ligação

'

com os centros de abastecimento, o

próximo dos quais é Guarulhos. 1 pitai figura apenas como fundo dec • tivo, servindo de painel a desohç^

Muita daquela gente cresce e ^ ter vindo a São Paulo, considerando a distância excessivamente longa deviclo^a dificuldade de transporte. O que s.io realmente trinta ou quarenta qui ome p tros, sabe-o muito bem quem pei corre ^ essa distância, não nos macios assentos de um cano moderno, mas pelo pr pno,

pé. ou gingando no lombo de

magro, quase fúnebre, como saído da.s|


biníi pública, inovação mais recente ain da, mas que funcionava mal.

sertão, com grande igreja e grande ro

Entramos ali e conversamos c-om o prefeito. Vamo.s, então, obtendo escla

Suas casas são pintadas desse delicioso côr-de-rosa caipira cpic eqüivale a um

recimentos sôbre os hábitos daque'a gen te que vive com abundância de gêneros,

verso lírico. ..

onde tudo sobra e nada falta, e uma galinha custa ainda 5 cruzeiros, devido à falta de caminlios permitindo a ex

portação. Há estrada melhor, mas por Atibaia, representando um grande ro deio.

Miséria, no sentido aflitivo do

tôrmo, não se conhecia ali. Mas não ha via médico, nem farmacêutico formado. Contaram-nos um caso que dispensa co

É o velho hábito de comer içá com

farinha, manjar muito apreciado dos \cIhos tempos do Brasil colônia. Bom Sucesso fica num antigo aldeamonlo do índios, n poucos quilômetros de São Miguel, ou seja a trinta quilô

maria, vem minguando cie ano para ano.

Lá .se verifica uma re

gressão progressiva: as ruínas aumentam.

Cemitério grande, com jazigos de

metros mais ou monos do marco zero

mármore, de famílias ilustres, já desa

da Capital. Geiitü que morre naquelas redondez.as é conduzida para o cemitério em uma

parecidas ou tjuc mudaram. Gente que passa a cavalo, montada em animais magros, sustentados com "barba de bode". O cavaleiro descalço, o polegar

rede, hamboleando ao passo dos ho mens que conduzem o cadáver. Os acompanhantes vão-se revezando, pres

fincado no estribo, o corpo bamboleando. Roupa de algodão, mesmo nos dias frios.

tando assim a última, sincera o realmen te útil lionienagem no defunto.

Camisa desabotoada, chapéu de

mentários: um doente coberto de pús abas largas. Nossa Senhora do Bom tulas, morfético de diagnosticar de longe, Sucesso é a padroeira, na igreja grande precisava ser removido para. um Icprosário. Mas como proceder, se era preciso prévio exame de médico, atestando a moléstia? O farmacêutico é que via os

gente de maiores recursos. Porque os

chove, fica intransitável. Uma grande romaria em agôsto. Então a serra pró

que viviam pelos matos vizinhos conten de Nazaré e uma mezinha do curan-

deiro local, que, se não curava, também não causava maior dano. Para os casos

extremos, só mesmo Nossa Senhora, que lá estava no altar-mor da grande igreja, capaz de abrigar multidões. Por isso o prefeito insistia num centro de saúde, que tardava, enquanto se construiam, por todo o Estado, obras suntuárias que não eram tão urgentes. Bom Sucesso

Acontecia isso numa cidade que dista pouco mais de quarenta quilômetros da Capital, já no outro lado da Serra da Cantareira. Mas, muito aquém, exis tem populações vivendo pior. Bom Su cesso, outrora praça-forte da boca do

ali conserva um aspecto arcaico e cho cante. A própria paisagem toma-sc uma

espécie de museu quando a população local passa. Terra cansada, talada pela formiga e pelo fogo, pouco produz, e a sobrie dade das populações contenta-se por isso com mandioca e feijão. A came constitui alimento excepcional, por ser

vaca doente, a criança em vias de mor rer, porque não há médico nem vete

tavam-se com uma promessa de N. S.

Desde a vida ató a morte, tudo por

e antiga, cuja sala dos milagres está repleta de oferendas e promessas. Tudo Nossa Senhora guarda e protege. A

doentes, receitava e aviava os remédios. Isso, nos casos mais complicados, do

133

Dicksto EcoNÓ^nco

DxG£STO Econókuco

132

rinário próximo e a estrada, quando

xima despovoa-se e converge ã antiga e decrépita povoação, que regurgíln. Cônegos chamados da Capital vão ce lebrar a missa solene. Sai grande pro cissão, precedida de noites de muita animação com frenéticos batuques e far to amor pelos matos próximos.

escassa a criação, onde antes a paston-

cia representou a principal atiridnde agrária. Em relação ao passado, é as sombroso o aspecto presente. Uma tar de, com o dr. Aureliano Leite, que com

tanto carinho tem estudado as coisas do

Depois da festa, volta a monotonia.

passado, e o sr. Campos Aguirre, do

Quando chove, a estrada fica péssima.

Instituto Histórico, andamos palmilhando

Então, nem pode por ali passar o carro do comerciante sírio que abastece tôda a gente das redondezas e que levava

parte desses ermos onde havia nnnas

veneráveis e de perdida tradição. Uma

delas, por sua vastidão, parecia ter sido grande igreja "de jesuítas, que por ali

para a Santa Casa os casos de extrema

unçâo que N. S. do Bom Sucesso não

tiveram minerações, e onde existiram al-

quisera salvar.

uma vez, ali de passagem, ouvimos dizer: — Coroné, aqui está o veneno prás

deamentos de índios no século XVIIIHavia notícia de remota exploração aurífera. O dr. Aureliano Leite procurava

formiga. Mas cuidado com êíe. Não vá comer agora as içás, porque morre in-

os restos das construções da grande fa

venenado".

antepassado, que tivera,, por aquelas

Foi numa venda que,

zenda de Amador Bueno da Veiga, seu

4 l—...

imediações, quinhentos índios para ser-

\"i-lo e muito maior número de cabeça> ^ de gado para enriquecê-lo. O pau' i

Belchior de Pontes, que o visitara, des crevera a prosperidade daquele luaio

ral paulista. Mas não se encontrar^r'^ mais as ruínas daquela Tróia. So

solaçáo, e a dez quilômetros de Gua^ rulhos, ponto terminal do "tram\^ay da Cantareira. Dos antigos moradores não havia notícia.

A maior

gente que ficou preferira vender as or ras lierdadas e continuou ser\indo t ®

empregado ao comprador, geralmeo c pessoa de havercs da Capital, que dese

java ter chácara para descanso, e on vai gastar, dentro em pouco, ate qo chegue o dia de desânimo, dinheiro sei

conta, na esperança de «r a ter

|^

fartas, que nunca obterá. Porque o ; mem que hão produziu para si ni ^

produzirá para o amo. Mesmo porq [

o braço escasseia, impõe-se aceitar

!'

quer um, o traballiador anda disperso, ^ ' grande a falta de condução e os r i deios impostos pela topografia loca o nam maiores as distancias.

Não há linlias de ônibus ligando os„ núcleos antigos, porque péssimas sa^ , as estradas e hostí o terreno, oo

peitos estabelecem a ligação

'

com os centros de abastecimento, o

próximo dos quais é Guarulhos. 1 pitai figura apenas como fundo dec • tivo, servindo de painel a desohç^

Muita daquela gente cresce e ^ ter vindo a São Paulo, considerando a distância excessivamente longa deviclo^a dificuldade de transporte. O que s.io realmente trinta ou quarenta qui ome p tros, sabe-o muito bem quem pei corre ^ essa distância, não nos macios assentos de um cano moderno, mas pelo pr pno,

pé. ou gingando no lombo de

magro, quase fúnebre, como saído da.s|


Drc£STO

134

Econômico

135

Dicfsto EcoxÔNnco

páginas do Apocalipse para interpretar uma das suas béstas...

milho crescia viçoso e os cochos de ar roz ondeavam nas terras de brejo. E as

cabeças de gado multiplicavam-se, indiGrandezas passadas e perdidas

fercmes a novas normas agnco.as, no

eniusia-nio enriquecedor do café que

Nem sempre, porém, aquilo foi deso lação e pobreza. Houve umpo em que

e.Mgia grandes renuncias, a começar pelo

a planície onde só medra "barba de

Havia, sim, alguns pés de café, que

boue" sustentou grandes rebaniios e as encostas produziiam cereais e madeiras de lei.

Ainda se encontram vastos so

brados, sedes de fazendas antigas, atesj\ tando uma prosperidade que passou,

jrl/ Logo no süpé da Serra da Cantarei ra ha uma dessas fazendas, que cons titui um mundo de evocações. Figura

nos documentos antigos e a casa da sede

destaca-se na paisagem, não como uma

fi ;'

abctnuoitu da cstubiJidade antiga. cresciam viçosos, junto da mata densa. Mas os grãos coihiüos apenas da\ am pa ra o con.suino dos muradorcs.

Dois cãe.s mansos latem. Aparecem, depois, os empregados. É permitida a xisita à velha casa da sede. As paredes, de taipa, estão bom con.scrvada.s e sólidas. * Janelas largas iluminam as salas espaçosas, salas como nessa época se usavam, vastas, bom vas tas, para abrigarem, com confôrto, as 'famílias numerosas.

Ao lado direito da

porta principal está o altar da família,

Assmi

onde se realizavam os casamentos dos

pernianuccu a fazenda do Bananal,

senhores e do.s empregados. Altar fe chado, com portas pintadas com ima

muito antiga, mas sempre habitada, com

a veiiia seue de parecies de taipa, pHinorosamento conservada, mantendo os

Nas proximidades ainda se N-êem paredes de taipa da velha fazenda :

dos jesuítas, cercadas de jaboticabeiras I enormes, cujas copas se entrelaçam, re velando muitos séculos de existência. E o ribeirão das La\Tas continua cor- ■

rendo, arrastando finíssimas palhetas dc j ouro dos terrenos antigamente cmlonidos. Mas a essa época de mineração, :

permitida pe'o trabalho gracioso dos ín- i dios catequizados e reunidos em aldca- , menlos, sucedeu-se uma fase pastoril, j mais estável e compensadora, que agüen- :

gens, de um sabor primitivo, com toa

tou todas as transformações por que pas

lha a\m, crucifixo ao centro, rodeado

sou a lavoura de São Paulo.

seus senhores.

de várias esculturas de santos de grande

E hoje a antiga casa alveja no alto de pequena co.íua, no centro de amplo

devoção.

de vida, animando a solidão.

amueatro.

Por ali passaram numerosas gerações de uma famuia ilustre que deu varões

Do campo da Cumbica, a casa resi

Ali, há muitos anos, vinha um sacer dote celebrar missas aos domingos, para os moradores o servos. Ao lado, duas

dencial destaca-se ao longe, num ce

alcovas mostram os catres antigos, pois

notáveis, entre outros João Jlueno e

nário alpestre. Um verde vivo, cheio do tonalidades, desce do alto dos morros,

ruma, mas toda branca, como uma nota

Lams.

Bananal constitui a sua mais perfeita •expressão. Itapccerlca

lição, a fazenda sobreviveu porque se

candü por entre morros, permitindo o

Mas, a solidão não abrange apenas o os quartos, em contraste com as s.alas, setor norte e leste da Capitah Forma um anel niie tem por centro esta rica i eram de exíguas dimensões. Tudo com um gostinho de museu cidade de São Paulo. No extremo opos habitado, em que moradores modernos to há a mesma pobreza e a mesma de-^ povoam coisas antigas. Velhas fotogra solação. Que é hoje M'Boy, cuja igreja antiga, fias decoram as paredes. Rostos graves, sem um sorriso, posando para a posle- recentemente restaurada, conriderada

dedicou à criação de gado.

Sua área

acesso aos automóveis até ao vasto pá

ridado.

vastíssima foi subdividida e deu mais

tio que antecede a entrada da casa re

A proprietária da fazenda conversa e sua palavra 6 cheia de evocações. Vai

Cerqueira César. Era então um grande domínio às portas da Capital, abran gendo mais de três mil alqueires de matas e pastagens. Dezenas üe escravos ali trabauiaram e, quando veio a abo

com largas manclias escuras das fioreslus que vcsiem as encostas. Nos flancos

íngreme.-; rebanhos pastam mansamen te.

Uma estrada estreita vai-se enros-

três grandes fazendas de mais de oilocentos alqueires cada uma; — Cumbica,

sidência!.

Santo Anconio e Bananal. A antiga sede

subindo encosta, descendo encosta. Por

da úitima continuou sendo habitada.

fim, no alto de uma ladeira íngreme,

Aquela g.eba vastíssima não e.'dgiu muüança nem abandono.

Por isso, a

O auto rodou vagarosamente até ali, abre-se um terreiro.

madeira tosca descansam algumas de zenas de bois mestiços. Em voita, um

igualmente farta. Acabou a escravatura. Mas o trabaÜiü pacífico e fecundo pros seguiu do mesmo modo. Iodos os anos

longe, a cidade de São Paulo.

resta para as novas plantações modestas, que assegurassem a fartura da mesa. O

escravos.

Num cercado de

vida a.i continuou, patriarcal e sosse gada. Talvez monótona, mas sempre

o machado derrubava um trecho da flo

uma jóia arnuitetônica, revela sua graiideza passada? Cinza quente da foguei ra extinta. A gente que por ali vive até ao tempo da escravatura, nuando leva a mesma existência humilde de seus determinada pessoa da sua família deu irmãos da zona norte. Bem próxima, Itapeoerica é um símbolo e uma ex em troca de um terreno um casal de pressão de decadência. Por volta de 1934, quando foi funda Mas há coi.sas mais antigas por. ali, mais velhas ainda. Essas, porém, em da, a Comissão de Assistência Social ruínas. Próximo cio tanque de Santo passou a elaborar estatísticas das mais

panorama amplo se estende.

Vê-se, ao Nas

reüondezas, um silêncio majestoso, que brado apenas pelo cantarolar dos ribei ros que descem da serra, rolando por entre pedras, aos tombos, formando pe quenas cascatas.

¥

Antônio, já em plena serra, existe a "casa de pedra", construção que data

dos jesuítas, que ali estiveram, explo

exorcssivas e concludentes sôbre a situa

ção das nossas populações. E loco Rapecerica se destacou, porque a maior

renda do município era constituída pelo cemitério. Assim se morria nanu^'® Mais distante fica o "bicame", aqueduto extenso, que levava a água para terra, tão vizinha de São Pau'o. Fomos a lavagem do cascalho no bairro das jjtó lá, onde o prefeito, que era tam-

rando o ouro de aluvião.


Drc£STO

134

Econômico

135

Dicfsto EcoxÔNnco

páginas do Apocalipse para interpretar uma das suas béstas...

milho crescia viçoso e os cochos de ar roz ondeavam nas terras de brejo. E as

cabeças de gado multiplicavam-se, indiGrandezas passadas e perdidas

fercmes a novas normas agnco.as, no

eniusia-nio enriquecedor do café que

Nem sempre, porém, aquilo foi deso lação e pobreza. Houve umpo em que

e.Mgia grandes renuncias, a começar pelo

a planície onde só medra "barba de

Havia, sim, alguns pés de café, que

boue" sustentou grandes rebaniios e as encostas produziiam cereais e madeiras de lei.

Ainda se encontram vastos so

brados, sedes de fazendas antigas, atesj\ tando uma prosperidade que passou,

jrl/ Logo no süpé da Serra da Cantarei ra ha uma dessas fazendas, que cons titui um mundo de evocações. Figura

nos documentos antigos e a casa da sede

destaca-se na paisagem, não como uma

fi ;'

abctnuoitu da cstubiJidade antiga. cresciam viçosos, junto da mata densa. Mas os grãos coihiüos apenas da\ am pa ra o con.suino dos muradorcs.

Dois cãe.s mansos latem. Aparecem, depois, os empregados. É permitida a xisita à velha casa da sede. As paredes, de taipa, estão bom con.scrvada.s e sólidas. * Janelas largas iluminam as salas espaçosas, salas como nessa época se usavam, vastas, bom vas tas, para abrigarem, com confôrto, as 'famílias numerosas.

Ao lado direito da

porta principal está o altar da família,

Assmi

onde se realizavam os casamentos dos

pernianuccu a fazenda do Bananal,

senhores e do.s empregados. Altar fe chado, com portas pintadas com ima

muito antiga, mas sempre habitada, com

a veiiia seue de parecies de taipa, pHinorosamento conservada, mantendo os

Nas proximidades ainda se N-êem paredes de taipa da velha fazenda :

dos jesuítas, cercadas de jaboticabeiras I enormes, cujas copas se entrelaçam, re velando muitos séculos de existência. E o ribeirão das La\Tas continua cor- ■

rendo, arrastando finíssimas palhetas dc j ouro dos terrenos antigamente cmlonidos. Mas a essa época de mineração, :

permitida pe'o trabalho gracioso dos ín- i dios catequizados e reunidos em aldca- , menlos, sucedeu-se uma fase pastoril, j mais estável e compensadora, que agüen- :

gens, de um sabor primitivo, com toa

tou todas as transformações por que pas

lha a\m, crucifixo ao centro, rodeado

sou a lavoura de São Paulo.

seus senhores.

de várias esculturas de santos de grande

E hoje a antiga casa alveja no alto de pequena co.íua, no centro de amplo

devoção.

de vida, animando a solidão.

amueatro.

Por ali passaram numerosas gerações de uma famuia ilustre que deu varões

Do campo da Cumbica, a casa resi

Ali, há muitos anos, vinha um sacer dote celebrar missas aos domingos, para os moradores o servos. Ao lado, duas

dencial destaca-se ao longe, num ce

alcovas mostram os catres antigos, pois

notáveis, entre outros João Jlueno e

nário alpestre. Um verde vivo, cheio do tonalidades, desce do alto dos morros,

ruma, mas toda branca, como uma nota

Lams.

Bananal constitui a sua mais perfeita •expressão. Itapccerlca

lição, a fazenda sobreviveu porque se

candü por entre morros, permitindo o

Mas, a solidão não abrange apenas o os quartos, em contraste com as s.alas, setor norte e leste da Capitah Forma um anel niie tem por centro esta rica i eram de exíguas dimensões. Tudo com um gostinho de museu cidade de São Paulo. No extremo opos habitado, em que moradores modernos to há a mesma pobreza e a mesma de-^ povoam coisas antigas. Velhas fotogra solação. Que é hoje M'Boy, cuja igreja antiga, fias decoram as paredes. Rostos graves, sem um sorriso, posando para a posle- recentemente restaurada, conriderada

dedicou à criação de gado.

Sua área

acesso aos automóveis até ao vasto pá

ridado.

vastíssima foi subdividida e deu mais

tio que antecede a entrada da casa re

A proprietária da fazenda conversa e sua palavra 6 cheia de evocações. Vai

Cerqueira César. Era então um grande domínio às portas da Capital, abran gendo mais de três mil alqueires de matas e pastagens. Dezenas üe escravos ali trabauiaram e, quando veio a abo

com largas manclias escuras das fioreslus que vcsiem as encostas. Nos flancos

íngreme.-; rebanhos pastam mansamen te.

Uma estrada estreita vai-se enros-

três grandes fazendas de mais de oilocentos alqueires cada uma; — Cumbica,

sidência!.

Santo Anconio e Bananal. A antiga sede

subindo encosta, descendo encosta. Por

da úitima continuou sendo habitada.

fim, no alto de uma ladeira íngreme,

Aquela g.eba vastíssima não e.'dgiu muüança nem abandono.

Por isso, a

O auto rodou vagarosamente até ali, abre-se um terreiro.

madeira tosca descansam algumas de zenas de bois mestiços. Em voita, um

igualmente farta. Acabou a escravatura. Mas o trabaÜiü pacífico e fecundo pros seguiu do mesmo modo. Iodos os anos

longe, a cidade de São Paulo.

resta para as novas plantações modestas, que assegurassem a fartura da mesa. O

escravos.

Num cercado de

vida a.i continuou, patriarcal e sosse gada. Talvez monótona, mas sempre

o machado derrubava um trecho da flo

uma jóia arnuitetônica, revela sua graiideza passada? Cinza quente da foguei ra extinta. A gente que por ali vive até ao tempo da escravatura, nuando leva a mesma existência humilde de seus determinada pessoa da sua família deu irmãos da zona norte. Bem próxima, Itapeoerica é um símbolo e uma ex em troca de um terreno um casal de pressão de decadência. Por volta de 1934, quando foi funda Mas há coi.sas mais antigas por. ali, mais velhas ainda. Essas, porém, em da, a Comissão de Assistência Social ruínas. Próximo cio tanque de Santo passou a elaborar estatísticas das mais

panorama amplo se estende.

Vê-se, ao Nas

reüondezas, um silêncio majestoso, que brado apenas pelo cantarolar dos ribei ros que descem da serra, rolando por entre pedras, aos tombos, formando pe quenas cascatas.

¥

Antônio, já em plena serra, existe a "casa de pedra", construção que data

dos jesuítas, que ali estiveram, explo

exorcssivas e concludentes sôbre a situa

ção das nossas populações. E loco Rapecerica se destacou, porque a maior

renda do município era constituída pelo cemitério. Assim se morria nanu^'® Mais distante fica o "bicame", aqueduto extenso, que levava a água para terra, tão vizinha de São Pau'o. Fomos a lavagem do cascalho no bairro das jjtó lá, onde o prefeito, que era tam-

rando o ouro de aluvião.


I»-';

130

OicF-TTo EcovAxnco

bém o farmacêutico, passou a contar a história triste daquela gente. A ma

lária dizimava a população. Não havia a menor proteção ao homem. Só o ja ponês ali prosperava. Conhecia diversos nipônicos que, tendo chegado sem um tostão, se haviam retirado com mais de cem contos. Faltavam recursos de tôda

ordem. Bastava olhar para o interior das casas. Não tinham cama, a maior parte. Os moradores dormiam em cima

de esteiras. E êsse fato era depois por nós constatado, ao passarmos defronte

das vetustas casas seculares, de largos beirais, e por cujas janelas abertas se viam os quartos tendo apenas uma manta como mobília.

Procuramos, em vão, um lugar para do Serviço Sanitário, que ali fôra em

almoçar. Não havia onde. Um medico

inspeção, contou-nos

de

pneumonia, e larga

da num quarto fe

arroz. Horta, ninguém faz. Unia famí

lia de colonos europeus cstabcleceu-se certa vez. num dêsscs meios de gente

largada. Começou a ensinar que o arroz, temperado com banha e cebola, assirn como o feijão, c com umas fôlbas de

.salsa, ficava mais saboroso. Planlon grande horta e fêz propaganda. Come çaram os pedidos, que atendia com pra zer. Primeiro de cebolas, depois de sal sa, a seguir de couvcs. Era uma vitória. A dona da casa rejubilava com o sitMas, um dia

Talvez porque fal

chado, Onde vinha

tassem

sendo assistida por

scmenlcsl

Deu sementes. Mas,

uma curandeira. Tu

do ali era tão pobre que só a morte dava

tatinha. As culturas invariáveis con sistem em mandioca, batata doce e fei jão. Uma vez por outra, alguóin seníoia

pô.s-se a matutar. Afinal, a sua horta desaparecia e não via nenhuma cm volta.

criança que fura vi atacada

priedadcs a que servem do divisa, mas não se divisa um único pv.scador nom se encontra um só habitante cpic so dv ao trabalho de annar uma r<\le. Rara mente -SC depara uma plantação de ba

ces.so.

o caso triste de uma

sitar,

I. » ^ .

_

renda, a maior de todas, à municipali dade.

passados meses, os pedidos ainda conti nuavam. Então, re

solveu tomar uma atitude decisiva que

É êsse o meio. Vejamos agora o ho

pareceu um desafôro para os vizinhos: não dava nem mais uma cabeça dê

mem, por via de regra um depaupera do devido a uma alimentação insuficien te, composta de dois pratos invariáveis:

cebola. Quem quisesse, que plantasse. - Mas, como plantar — disseram —^ se nas nossas terras tem tanta formiga?

farinha e feijão. Quando há alteração, limita-se à ordem; feijão e farinha. Ca na-de-açúcar, que constitui cultura muito divulgada entre os sitiantes do interiir

do Estado, não se vê crescer. Não se enxerga uma cana, quanto mais uma

simples touceira. Rios piscosos correm

freqüentemente por entre pequenas pro-

E ninguém phantoii. O arroz e o feijão voltaram a não ser temperados. Êsses fatos parecem profundamente es tranhos e até inexplicáveis. O chamado "caipira" surge, assim, ao homem da cidade, como um elemen to impre.stável que se impõe substítuii-. No entanto, há explicação e ate cien-

Dicesto Econômico

Não constituí

fez em £ãn Paulo pe'üs fins do século

um fenômeno local. Enconlr.i-sc no.s Estados Unidos, no México, cm outros

ciUKla a Capital pertenceu, em parte, a

tifica. para o .seu caso.

paí.svs da América. Não difere muito o iioniem das colônias européias da África. O prof- Willems, num estudo sôbre culturas sertanejas, olxserva que o nosso caboclo não é u.ssiin cm consenuéncia do resultado de hihriclação raliíe possui uma cultura própria, niic Iht? f"i transmitida, há imrilas ge

rações, pelos pais.'"A transmissão ocor reu durante séculos sem alterações in cisivas, porque êsse patrimônio pro\ou gcr equipamento adapta(i\'0 adequa do p'^ra garantir a sobrevivência da poulação cabocla". Em tais condiç-õcs, f interrupção do pruccs.so nmllissccular . transmissão tradicional só j^ode ser

feita

aproveitamento dos elemen-

considerados desejáveis e que reve-

ni possibilidade de evolução. Eis os demonstrativos que pudemos obserno sertão de Guarulhos, existe o

pass.u t-.

Esse mesmo deserto que eir-

antigos aldeamcntos de índios.

f, ficou «tabolcculo .juc ""liibro o,s fórosác 1SS4,extintas rtun.das .u,s tcnuo., do artigo primeiro

da Io. 2,6,2, de 20 dc outubro de 1R75, passariam a pertencer aos municípios on de tais terrenos cxisUssein. Começaram, i-ntao, esses municípios, a fazer aforamcntos em grande c.scala. A teira era

prãticamente dada a quem a trabalhavê Em Itapeconca e sertão de Santo Ama ro, ja hax iam conseguido propriedade e ainda com subvenção mensal, os colo nos ulemaes procedentes da Baviera Os nacionais pag;uam um fôro diminuto' ' como se pode constatar pelo livro dos

Eis doi. cast!s eíueXivt em

r„ominaclo buino cbs L.vr.s cm ter- V"n • , antes loram aldeamento de inonde, posteriormente, sc fizeram

l^^plorações auriferas que ficaram abandonada.s. '

_

„

'

Pouco valia, entat), a terra. Para ciu■dação, citaremos os seguintes casos: f izenda de Banamd, com cerca de

mil alqueires, foi avaliada, em 1828, no inventário de Mateus da. Silva Bueno, por 550 mil réis. Em 1871, era penho-

rada e arrematada por quatro contos do réis.

Vejamos, agora, um outro aspecto da mesma questão. Os nfaramentos e os foreiros Muito se vem falando na distribuição

da terra a quem a trabalha. Vem a .propósito, por isso, descrever o que se

Assim

f^üi em Guarulhos. em São Miguel, em

Araújo recebe

P''^g<^udo de fôro 1836, Inácio Rodrigues de Azevedo re

cebe um terreno de 20 alqueires pi

gandü 640 réis de i-ôro. Pari povêarem suas tenas, os municípios distribuíram milhares de alqueires.

Vejamos t.gora como vivem os desce..-

dentes dos antigos foreiros.

Dois ™ms descendentes de um dos

maiores agricultores do bairro das La

vras apresentavam uma divergência pro

funda. Ambos tinham já vendido parte das terras herdadas e havidas por fôro, a pessoas da Capital que tinham resol vido ali adquirir propriedades de re creio, prevendo a de.svalorÍ2ação da moeda. E, diga-se de passagem, com praram as terras por uma bagatela.

O

alqueire foi-lhes vendido a menos de 200 mil réis. Um desses irmãos, de


I»-';

130

OicF-TTo EcovAxnco

bém o farmacêutico, passou a contar a história triste daquela gente. A ma

lária dizimava a população. Não havia a menor proteção ao homem. Só o ja ponês ali prosperava. Conhecia diversos nipônicos que, tendo chegado sem um tostão, se haviam retirado com mais de cem contos. Faltavam recursos de tôda

ordem. Bastava olhar para o interior das casas. Não tinham cama, a maior parte. Os moradores dormiam em cima

de esteiras. E êsse fato era depois por nós constatado, ao passarmos defronte

das vetustas casas seculares, de largos beirais, e por cujas janelas abertas se viam os quartos tendo apenas uma manta como mobília.

Procuramos, em vão, um lugar para do Serviço Sanitário, que ali fôra em

almoçar. Não havia onde. Um medico

inspeção, contou-nos

de

pneumonia, e larga

da num quarto fe

arroz. Horta, ninguém faz. Unia famí

lia de colonos europeus cstabcleceu-se certa vez. num dêsscs meios de gente

largada. Começou a ensinar que o arroz, temperado com banha e cebola, assirn como o feijão, c com umas fôlbas de

.salsa, ficava mais saboroso. Planlon grande horta e fêz propaganda. Come çaram os pedidos, que atendia com pra zer. Primeiro de cebolas, depois de sal sa, a seguir de couvcs. Era uma vitória. A dona da casa rejubilava com o sitMas, um dia

Talvez porque fal

chado, Onde vinha

tassem

sendo assistida por

scmenlcsl

Deu sementes. Mas,

uma curandeira. Tu

do ali era tão pobre que só a morte dava

tatinha. As culturas invariáveis con sistem em mandioca, batata doce e fei jão. Uma vez por outra, alguóin seníoia

pô.s-se a matutar. Afinal, a sua horta desaparecia e não via nenhuma cm volta.

criança que fura vi atacada

priedadcs a que servem do divisa, mas não se divisa um único pv.scador nom se encontra um só habitante cpic so dv ao trabalho de annar uma r<\le. Rara mente -SC depara uma plantação de ba

ces.so.

o caso triste de uma

sitar,

I. » ^ .

_

renda, a maior de todas, à municipali dade.

passados meses, os pedidos ainda conti nuavam. Então, re

solveu tomar uma atitude decisiva que

É êsse o meio. Vejamos agora o ho

pareceu um desafôro para os vizinhos: não dava nem mais uma cabeça dê

mem, por via de regra um depaupera do devido a uma alimentação insuficien te, composta de dois pratos invariáveis:

cebola. Quem quisesse, que plantasse. - Mas, como plantar — disseram —^ se nas nossas terras tem tanta formiga?

farinha e feijão. Quando há alteração, limita-se à ordem; feijão e farinha. Ca na-de-açúcar, que constitui cultura muito divulgada entre os sitiantes do interiir

do Estado, não se vê crescer. Não se enxerga uma cana, quanto mais uma

simples touceira. Rios piscosos correm

freqüentemente por entre pequenas pro-

E ninguém phantoii. O arroz e o feijão voltaram a não ser temperados. Êsses fatos parecem profundamente es tranhos e até inexplicáveis. O chamado "caipira" surge, assim, ao homem da cidade, como um elemen to impre.stável que se impõe substítuii-. No entanto, há explicação e ate cien-

Dicesto Econômico

Não constituí

fez em £ãn Paulo pe'üs fins do século

um fenômeno local. Enconlr.i-sc no.s Estados Unidos, no México, cm outros

ciUKla a Capital pertenceu, em parte, a

tifica. para o .seu caso.

paí.svs da América. Não difere muito o iioniem das colônias européias da África. O prof- Willems, num estudo sôbre culturas sertanejas, olxserva que o nosso caboclo não é u.ssiin cm consenuéncia do resultado de hihriclação raliíe possui uma cultura própria, niic Iht? f"i transmitida, há imrilas ge

rações, pelos pais.'"A transmissão ocor reu durante séculos sem alterações in cisivas, porque êsse patrimônio pro\ou gcr equipamento adapta(i\'0 adequa do p'^ra garantir a sobrevivência da poulação cabocla". Em tais condiç-õcs, f interrupção do pruccs.so nmllissccular . transmissão tradicional só j^ode ser

feita

aproveitamento dos elemen-

considerados desejáveis e que reve-

ni possibilidade de evolução. Eis os demonstrativos que pudemos obserno sertão de Guarulhos, existe o

pass.u t-.

Esse mesmo deserto que eir-

antigos aldeamcntos de índios.

f, ficou «tabolcculo .juc ""liibro o,s fórosác 1SS4,extintas rtun.das .u,s tcnuo., do artigo primeiro

da Io. 2,6,2, de 20 dc outubro de 1R75, passariam a pertencer aos municípios on de tais terrenos cxisUssein. Começaram, i-ntao, esses municípios, a fazer aforamcntos em grande c.scala. A teira era

prãticamente dada a quem a trabalhavê Em Itapeconca e sertão de Santo Ama ro, ja hax iam conseguido propriedade e ainda com subvenção mensal, os colo nos ulemaes procedentes da Baviera Os nacionais pag;uam um fôro diminuto' ' como se pode constatar pelo livro dos

Eis doi. cast!s eíueXivt em

r„ominaclo buino cbs L.vr.s cm ter- V"n • , antes loram aldeamento de inonde, posteriormente, sc fizeram

l^^plorações auriferas que ficaram abandonada.s. '

_

„

'

Pouco valia, entat), a terra. Para ciu■dação, citaremos os seguintes casos: f izenda de Banamd, com cerca de

mil alqueires, foi avaliada, em 1828, no inventário de Mateus da. Silva Bueno, por 550 mil réis. Em 1871, era penho-

rada e arrematada por quatro contos do réis.

Vejamos, agora, um outro aspecto da mesma questão. Os nfaramentos e os foreiros Muito se vem falando na distribuição

da terra a quem a trabalha. Vem a .propósito, por isso, descrever o que se

Assim

f^üi em Guarulhos. em São Miguel, em

Araújo recebe

P''^g<^udo de fôro 1836, Inácio Rodrigues de Azevedo re

cebe um terreno de 20 alqueires pi

gandü 640 réis de i-ôro. Pari povêarem suas tenas, os municípios distribuíram milhares de alqueires.

Vejamos t.gora como vivem os desce..-

dentes dos antigos foreiros.

Dois ™ms descendentes de um dos

maiores agricultores do bairro das La

vras apresentavam uma divergência pro

funda. Ambos tinham já vendido parte das terras herdadas e havidas por fôro, a pessoas da Capital que tinham resol vido ali adquirir propriedades de re creio, prevendo a de.svalorÍ2ação da moeda. E, diga-se de passagem, com praram as terras por uma bagatela.

O

alqueire foi-lhes vendido a menos de 200 mil réis. Um desses irmãos, de


S-l

Dicesto Econômico

m

maíj inicíatíva, adquiriu uma junta de

Tinham Impostos atrasados, o inventário

bois e passou a viver melhor, oferecen-

por fazer. Couberam, a cada um, três

do-se para arar a terra — coisa que nin-. contos de réis.

guém sabia fazer — aos proprietários

ram da região.

139

Dicesto EcoNÓ^^co

Os mais novos sumi

O mais velho ficou

ção. ao qual pagava 150 mO réis por

grande. Çuase perdera a mulher, por

mês.

falta de recursos — exnlicou.

E''a isto em 1941.

Mas. como

a estrada fósse ficando cada vez pior.

Um outro tipo. bem curin«o. era um

reduziu os seus passeios ao sítio e. um

anti<rn fiiyilMro naval da Marinha dos

dia. mudou-se para Santo Amaro, le vando o gado com cie.

Estados Unidos, mas alemão de nasci- j

mais prósperos, e para transportar le

pelas proximidades, mendigando serviço,

nha do mato para a estrada. O outro manteve-se num alqueire de terra, tra balhando por dia, em capinas. Sua ali

era num lugar, ora noutro. Arranjou uma

tapera à beira da f.slrada, para onde SC mudou, com a inullicr, que sofria das

mentação resumia-se era café com fa

faculdades mentais, e quatro filhos me

tipos oxnressivos. ês-íT-s idos de fora. e

rinha e feijão com mandioca. Com a

nores, dois dos quais faleceram por

todos alemães. Um deles, chama^am-no

a.ta da lenha, o irmão mais ativo, dono

fa ta de assistência médica.

do Pio. não s.ih^mns pornne.

dos bois, passou a comerciar e ganhou

sítio, onde foi construída boa residência,

tr.onio-lo retirando lodo dn fundo de um

dinheiro, enquanto o outro continuava

seguiu um nordestino que, habituado a trabalhar, plantou árvores e cana, f^z

da c pobre. Visítamo-lo na sua nenne-

com o mesmo sistema de vida, o que

eqüivale a dizer cada vez mais pobre. Um seu vizinho, homem doente, já viúvo pela terceira vez, em conseqüên cia do abandono em que as mulheres ficavam na ocasião do parto, limitava-se

a colher algum milho, plantado em

covas, na propriedade que herdara de seus pais e que acabou também venden do em péssimas condições. Não fizera

f1

Ainda nas Laxras encontram-se alguns

Para èsse

ribeiro, nara arlubar anuc^a tepa can,sa-

na propriedade agrícola de miatro al queires. onde criava quinhentas gali nhas lechorns de cuios ovos vi\ia. Ti

grande horta, plantação de milho e ba tatinha, e criou porcos com mandioca. Ganhou dinheiro. Mas um dia também

se deixou influenciar pelo meio e achou melhor largar o corpo, torrando o di-

nha bom cavalo, cômoda "aranha", e variado instmmental ag'"'cola. desde o arado revcsível ao sulcador. Um caninzal macrnífico ondeava. ao vento. Não

nlieiro que o patrão lhe dava, na es perança de fartas colheitas.

ora pisado por animais. Diàriamente. cor

Houve, no entanto, no local, exemplos de louvável iniciativa.

tava uma carrnca de forragem e Icvava-a

Um alemão,

os inventários necessários por morte das

dono de grande casa de móveis, fêz

espôsas. Tinha já filhos adolescentes. E quando chegou a ocasião de assinar a

um brejo um excelente campo por» ^

Encon-

para o e^^tábulo. onde mantinha duas vacas 'eiteiras. Vimo-lo. uma tarde, coIhéndo ótimas batatas, e indagamos;

mento. Ah ^âvia uma esoécie de aven tura de Robinson Crusoé. sem

de e.sffircn nem nreocunacÕes.

Deixit-

ra-se assimilar pe'o meio. até onde uma mulher enérgica, à oual confinr.i o ^ trato das vacas, oue andav.im largadas

pe'as várzea-! prAvimas. Ela tirava n leite o cuidava dos filhos. È'e. do leite faria manteifra. numa mánuina moderna oue

adniiirira para êssc fim. Com o produto oue ficava, sem nata mas rico cm oro- t

temas, alimentava pahnhas e poreos.

A manteiga, ia vendê-la em Guanilhos. pinta mente com os ovos nue sohmvam e a banha oue extrata dos capados aba tidos e nun engordava num cerrado de fTTn,''atác. Paria não em cas-a — misturan

do farehr>>in de trirm cora fubá — sabo roso e nhamentp nutritivo. E como dispunl^a dp i^rri bmifi. comecou a nensar

escritura de venda, entregando as terras

p'antaçáo de arroz. Levou um trator, cultivou o terreno, abriu canais,

livres e desembaraçadas, acabou só re

lizQu maravilhas. Mas, quando chegoo

cebendo dois contos de róis, e a pro messa de mais algum dinheiro. Mas os

a ocasião das colheitas, os caminhos, devido às chuvas, ficaram intransitáveis,

le^horns, vacas holandesas, mas batata caípirra porque semente está muita car

sem esfôrço. RePeHn refleMu. e achou

impostos de transmissão, despesas de in

faltou gente e perdeu bom dinheiro-

ro"'...

ventários etc., absorveram tudo. Ficou

Desanimou.

yotp<! de abelhas, nue foram aumentando. Aeabnn poseiundo ouarenta. Mensal-

traballiando para o comprador, agora empregado na terra que lhe pertencera, só lastimando que o novo proprietário

lhe exigisse uma certa porção de serviço que não estava habituado a prestar a si mesmo. Acabou sendo despedido das terras, passando a morar numa tapera. Fato idêntico acontecera com outro

lá bem de vida. Mas um dia a es-

oual a mp'hor rmneira d" anrrivei^-^-lo a «"obicão. Em volta havia muiK for miga. mie nn breio. não. Pôs lá rm-

um médico da Capital, que também,

pôsa teve um comôco de infccção tetã-

cheio de boa vontade e bucolisnío, p^"®' curou fazer várias cu'turas lucrativas, como tomates, alcaxofras e repôlho.

nica e qua.se morreu; impôs-se hospi

fio b'e'o. voltando carre<Tado com latas j

talizá-la e desistiu do "mato". Encontramo-lo. dois anos depois, na cidade. Morava numa das travessas

fôlhas de abacate e brotos de laran'eira.

-v.

Fracassou por falta de gente experiente.

t

Filho de fazendeiro, não desanimou.

;í í

Adaptou-se às dificuldades. Levou gado rústico e soltou-o nas pastagens. A ter ra, que tinha sido arada, estava coberta de viçoso capim gordura. Criou tam

acabou, aceitou uma oferta de 10 contos

peixes experimentou patos. Tinha ape nas um empregado para cuidar da cria-

Eram três irmãos.

— "Non. senhorr. Caipirras," Galinhas

Alugou, então o sido a

vizinho seu, que vegetara num sitio de vinte alqueires, vendendo lenha e crian do formiga... No dia em que a lenha pela propriedade.

— Holandesas?

,

convinha ao seu temperamento. Tinha

bém galinhas. Num grande tanque de

m.enfre. arregaras'a as caleas e metía-se

de mel. com mie temnera^^a o chá de ; Atormentax-n-o porém uma meoeuna-

da Av. Lins de Vasconce'09. Pergunta- cão; a edueacão dos filhos. A ler e a mos-lhe como ia a chácara. , e.screver m^inara-os é1e. em ea^a. nos

— Vendi-a — respondeu. E não me deixou saudades.

Tudo ia muito bem. pretendia au mentar a sua criação de galinhas para

seus m'Vtínlns e longos x'anares eotidia- j

pos. O pior pra encinar-ihps uma nti- j fissão. E estr-va p^nsacln em mudarso. para re.soh'PT o problema nne se

duas mil aves de alta postura, mas o

agravava à medida em que as crianç.as

abandono em que ali viviam era muito

iam crescendo.


S-l

Dicesto Econômico

m

maíj inicíatíva, adquiriu uma junta de

Tinham Impostos atrasados, o inventário

bois e passou a viver melhor, oferecen-

por fazer. Couberam, a cada um, três

do-se para arar a terra — coisa que nin-. contos de réis.

guém sabia fazer — aos proprietários

ram da região.

139

Dicesto EcoNÓ^^co

Os mais novos sumi

O mais velho ficou

ção. ao qual pagava 150 mO réis por

grande. Çuase perdera a mulher, por

mês.

falta de recursos — exnlicou.

E''a isto em 1941.

Mas. como

a estrada fósse ficando cada vez pior.

Um outro tipo. bem curin«o. era um

reduziu os seus passeios ao sítio e. um

anti<rn fiiyilMro naval da Marinha dos

dia. mudou-se para Santo Amaro, le vando o gado com cie.

Estados Unidos, mas alemão de nasci- j

mais prósperos, e para transportar le

pelas proximidades, mendigando serviço,

nha do mato para a estrada. O outro manteve-se num alqueire de terra, tra balhando por dia, em capinas. Sua ali

era num lugar, ora noutro. Arranjou uma

tapera à beira da f.slrada, para onde SC mudou, com a inullicr, que sofria das

mentação resumia-se era café com fa

faculdades mentais, e quatro filhos me

tipos oxnressivos. ês-íT-s idos de fora. e

rinha e feijão com mandioca. Com a

nores, dois dos quais faleceram por

todos alemães. Um deles, chama^am-no

a.ta da lenha, o irmão mais ativo, dono

fa ta de assistência médica.

do Pio. não s.ih^mns pornne.

dos bois, passou a comerciar e ganhou

sítio, onde foi construída boa residência,

tr.onio-lo retirando lodo dn fundo de um

dinheiro, enquanto o outro continuava

seguiu um nordestino que, habituado a trabalhar, plantou árvores e cana, f^z

da c pobre. Visítamo-lo na sua nenne-

com o mesmo sistema de vida, o que

eqüivale a dizer cada vez mais pobre. Um seu vizinho, homem doente, já viúvo pela terceira vez, em conseqüên cia do abandono em que as mulheres ficavam na ocasião do parto, limitava-se

a colher algum milho, plantado em

covas, na propriedade que herdara de seus pais e que acabou também venden do em péssimas condições. Não fizera

f1

Ainda nas Laxras encontram-se alguns

Para èsse

ribeiro, nara arlubar anuc^a tepa can,sa-

na propriedade agrícola de miatro al queires. onde criava quinhentas gali nhas lechorns de cuios ovos vi\ia. Ti

grande horta, plantação de milho e ba tatinha, e criou porcos com mandioca. Ganhou dinheiro. Mas um dia também

se deixou influenciar pelo meio e achou melhor largar o corpo, torrando o di-

nha bom cavalo, cômoda "aranha", e variado instmmental ag'"'cola. desde o arado revcsível ao sulcador. Um caninzal macrnífico ondeava. ao vento. Não

nlieiro que o patrão lhe dava, na es perança de fartas colheitas.

ora pisado por animais. Diàriamente. cor

Houve, no entanto, no local, exemplos de louvável iniciativa.

tava uma carrnca de forragem e Icvava-a

Um alemão,

os inventários necessários por morte das

dono de grande casa de móveis, fêz

espôsas. Tinha já filhos adolescentes. E quando chegou a ocasião de assinar a

um brejo um excelente campo por» ^

Encon-

para o e^^tábulo. onde mantinha duas vacas 'eiteiras. Vimo-lo. uma tarde, coIhéndo ótimas batatas, e indagamos;

mento. Ah ^âvia uma esoécie de aven tura de Robinson Crusoé. sem

de e.sffircn nem nreocunacÕes.

Deixit-

ra-se assimilar pe'o meio. até onde uma mulher enérgica, à oual confinr.i o ^ trato das vacas, oue andav.im largadas

pe'as várzea-! prAvimas. Ela tirava n leite o cuidava dos filhos. È'e. do leite faria manteifra. numa mánuina moderna oue

adniiirira para êssc fim. Com o produto oue ficava, sem nata mas rico cm oro- t

temas, alimentava pahnhas e poreos.

A manteiga, ia vendê-la em Guanilhos. pinta mente com os ovos nue sohmvam e a banha oue extrata dos capados aba tidos e nun engordava num cerrado de fTTn,''atác. Paria não em cas-a — misturan

do farehr>>in de trirm cora fubá — sabo roso e nhamentp nutritivo. E como dispunl^a dp i^rri bmifi. comecou a nensar

escritura de venda, entregando as terras

p'antaçáo de arroz. Levou um trator, cultivou o terreno, abriu canais,

livres e desembaraçadas, acabou só re

lizQu maravilhas. Mas, quando chegoo

cebendo dois contos de róis, e a pro messa de mais algum dinheiro. Mas os

a ocasião das colheitas, os caminhos, devido às chuvas, ficaram intransitáveis,

le^horns, vacas holandesas, mas batata caípirra porque semente está muita car

sem esfôrço. RePeHn refleMu. e achou

impostos de transmissão, despesas de in

faltou gente e perdeu bom dinheiro-

ro"'...

ventários etc., absorveram tudo. Ficou

Desanimou.

yotp<! de abelhas, nue foram aumentando. Aeabnn poseiundo ouarenta. Mensal-

traballiando para o comprador, agora empregado na terra que lhe pertencera, só lastimando que o novo proprietário

lhe exigisse uma certa porção de serviço que não estava habituado a prestar a si mesmo. Acabou sendo despedido das terras, passando a morar numa tapera. Fato idêntico acontecera com outro

lá bem de vida. Mas um dia a es-

oual a mp'hor rmneira d" anrrivei^-^-lo a «"obicão. Em volta havia muiK for miga. mie nn breio. não. Pôs lá rm-

um médico da Capital, que também,

pôsa teve um comôco de infccção tetã-

cheio de boa vontade e bucolisnío, p^"®' curou fazer várias cu'turas lucrativas, como tomates, alcaxofras e repôlho.

nica e qua.se morreu; impôs-se hospi

fio b'e'o. voltando carre<Tado com latas j

talizá-la e desistiu do "mato". Encontramo-lo. dois anos depois, na cidade. Morava numa das travessas

fôlhas de abacate e brotos de laran'eira.

-v.

Fracassou por falta de gente experiente.

t

Filho de fazendeiro, não desanimou.

;í í

Adaptou-se às dificuldades. Levou gado rústico e soltou-o nas pastagens. A ter ra, que tinha sido arada, estava coberta de viçoso capim gordura. Criou tam

acabou, aceitou uma oferta de 10 contos

peixes experimentou patos. Tinha ape nas um empregado para cuidar da cria-

Eram três irmãos.

— "Non. senhorr. Caipirras," Galinhas

Alugou, então o sido a

vizinho seu, que vegetara num sitio de vinte alqueires, vendendo lenha e crian do formiga... No dia em que a lenha pela propriedade.

— Holandesas?

,

convinha ao seu temperamento. Tinha

bém galinhas. Num grande tanque de

m.enfre. arregaras'a as caleas e metía-se

de mel. com mie temnera^^a o chá de ; Atormentax-n-o porém uma meoeuna-

da Av. Lins de Vasconce'09. Pergunta- cão; a edueacão dos filhos. A ler e a mos-lhe como ia a chácara. , e.screver m^inara-os é1e. em ea^a. nos

— Vendi-a — respondeu. E não me deixou saudades.

Tudo ia muito bem. pretendia au mentar a sua criação de galinhas para

seus m'Vtínlns e longos x'anares eotidia- j

pos. O pior pra encinar-ihps uma nti- j fissão. E estr-va p^nsacln em mudarso. para re.soh'PT o problema nne se

duas mil aves de alta postura, mas o

agravava à medida em que as crianç.as

abandono em que ali viviam era muito

iam crescendo.


■-.t-

140

DrcKSTO

Tinha um \'izinho, também alemão, de mudas de árvores ornamentais e de

formigas. Todo esfôrço isolado pere ceu. E assim tinha mesmo que acon tecer, pois impunha-.sc uma colabora

flores.

ção geral, com assistência técnica e re

com o qual pouco falava, e que vi\na

Aliás, a sua pequena chácara, de um a queire apenas, era uma miniatura de

parque de "grand-seigneur". . . Resol vera a dificuldade de transporte com as visitas de um fillho, que ia passar com êle os fins de semana, e levava para os pais os gêneros alimentícios e trazia para a cidade mudas de plantas, que

vendia por bom preço a compradof.-s certos. Êsse alemão fôra jardineiro do

f parque do Ipiranga e conhecia bem o

ofício. À noite, colhia abundante pes cado no rio que servia de divisa à sua propriedade. Armava arapucas a bichos do mato e com essas "diversões" ali mentava-se bem.

Mas, quando chegou a falta de ga solina, entrou em crise.

I

Próximo estava a propriedade do um

holandês, que ali Ia, anteriormente, todas as semanas passar o domingo.

Plantou

1 árvores frutíferas variadas, entre as quais

muitas laranjeiras de qualidade. Mas as formigas causaram uma desolação. Ficaram apenas as laranjeiras, com cujos frutos fazia vinho. Foi espaçando as suas visitas, até que acabou por passar à frente a propriedade, que tanto entu siasmo lhe causara.

Tôdas essas chácaras e esses sítios re

presentavam pequenas parcelas de anti gos terrenos de fôro, já resgatados, mas 1 que, em sua maioria, nem a mãos de

cursos amplos para qualquer iniciativa poder triunfar.

Valerá a pena trazer gente para essas

nos europeus.

ii braços.

A saúva não tardou a devorar

Em êssc niunicipio, na ocasião, um ui.. grande fornecedor de cereais da Capital. Um recenscamenlo da época acusa uma

nunca foram ultrapassadas. A cada adul to foi paga a quantia de 160 réis por

população de 5.470 alnias. sendo 542

dia, c a cada menor, 80 réis. Se se levar em consideração o eleva

lavouras de cereais, exportando madei ra e cairão e fabricando algum vinho. Tivera já uma fábrica de ferro, nos começos do século X\TII, mas que ficara destruída por abandono. O fato é que os chamados alemães de Santo Amaro aparecem, por meados do século passado, em Colônia, que se tomou o núcleo principal, donde passa ram a irradiar por todo o município de Santo Amaro. No arquivo do sr. Cam

cem, sem exagero.

Distribuídos esses colonos pelos ser

Ne.ssc tempo, eram. as

tões que circunda\'am a Capital, por

viagens marítimas cheias de incerteza.

Feitas cm navios morosos, usando como

aviso de 21 de março de 1828, eram cedidas a cada família 400 braças de

as velas soltas, além cie caras apresen

terras

fôrça propu'sora o vento que entumcscia tavam sérios riscos.

la\Tadias.

gura o do "Medusa", cujos sobreviven

à custa

garam a um feroz canibalismo, para não perecerem de fome. Em tais condições, os imigrantes ou eram aventureiros que

anos.

tes, abandonados em jangadas, se entre

_

Nesse remoto ano do 1827, cUidOU o Govômo da então Província Sao Paulo de trazer colonos, voltando as suas

do Estado.

2.°) — Donativo em gado, a ser pago em espécie ou valor ao cabo de quatro

3.°) — Propriedade dos terrenos cul

jogavam o seu destino no pano verde do risco de uma viagem marítirníi* ,

contrato firmado

1.°) — Alimentação por ano c meio,

naufrágio.s célebres, entre os quais fí"

Atlântico, ou pessoas de muitos res que incluíam entre as diversões o

O

entre o Estado e os colonos instituía:

São dessa época os

tivados.

4.°) — Isenção de impostos durante

.'1 1

oito anos.

5.°) —• Obrigação de pegarem em ar mas em caso de perigo e sujeição dos filhos ao recrutamento.

6.°) — Direito de médico e pároco à

vistas para a Alemanha.

custa do Estado, por ano e meio.

Ainda não existia ali a unidade re sultante da guerra vitoriosa de 1870, que deu a hegemonia à Prússia. Havia

foram feitas com 304 colonos gennânicos a serem empregados nas estradas e

vários reinos e foi dos Estados meridio

nais germânicos, da Baviera, sobretudo,

i

tropeçaram na formiga e na falta de

Convém desde logo salientar que não ficaram largados no mato, c o Govêrno da província pês em prática medidas que

de ouro — e o ínfimo custo dos gêneros, pode-se multiplicar essa quantia por

Em 1827, São Paulo procurou povoar seus sertões com a introdução de colo

ram no dia 8 de novembro.

: radicais transformações, mas desde logo

141

eqüivalendo, então, 4.500 a uma libra A imigração alemã

cj[ue emigraram 926 indivíduos.

Os novos donos, impelidos por bucó-

EcoNÓAnco

do poder aquisitivo da nossa moeda —

terras?

I neto haviam chegado,

i lico entusiasmo, quiseram levar a cabo

Digiísto

Ecovóxífco

Chega Foram

logo distribuídos pelos arredores da Ca

pital, onde 336 ficaram. Com os restan tes, formou o Governo vários núcleos, um dôles em Itapecerica. Êsses colonlos,

{ as árvores frutíferas para ali levadas.

anos depois, dispersaram-se por Santo

L E a falia de braços incrementava as

Amaro.

Em 1836 e 1837 mais duas tentativas

• \5

na fábrica de ferro de Ipanema. Depois

dessas , experiências oficiais, o senador Vergueiro estabeleceu na sua fazenda de Ibicaba a colônia desse mesmo nome,

que chegou a reunir mil alemães. Ao fim de alguns anos, êsses colonos dispersaram-se, talvez porque as terras de Itapecerica, devido à topografia aci dentada, não lhes conviessem, e aparece

ram em vários pontos de Santo Amaro.

escravos e 426 fogos.

Tinha prósperas

pos Aguirre, onde se encontram dados dos mais valiosos sobre o passado, fo mos encontrar os nomes dos colonos iUemães que registraram as suas proprieda

des entre 1847 e 1850. Com terras em

Colônia e Cipó, aparecem os sobreno mes Gilger, Shunk, Goldefrie, Shune, Ficher, Emel, MüUer, Eniilar, Paulman.

Rosemback, Reimbejg, Walter. E em Var-

gem Grande, Jacurituba, Itaim, Bolmlnm, Boi^uaçu. Bororé. Caucásia, os sobreno mes" de Classer, Nebar, Varcange, Ablas, Rocomback, Beber, Cherek, Elfmstem, Thevaster, Junck, Strabourgen, Gilger,

Zillig, Phumin, Packer, Carbog, Cnsty, Doll, Carback e Sílex.

Com o elemento indígena passaram a

efetuar-se cmzamento.ç, e os inventários realizados trinta anos depois já acusam um progre.ssi\'o caldeamento. Aumenta

va a população dos sertões. E no velho

caminho de Cipó, no ponto em que se

bifiirca a estrada para Colônia, funda ram os descendentes um novo núcleo,

que recebeu o nome de Parelhciros.

A Eslrada de Ferro Sorocabana, quan

do precisou conduzir material para o

ramal Mairinque-Santos, aproveitou o ca

minho antigo, alargou-o, e surgiu a atual


■-.t-

140

DrcKSTO

Tinha um \'izinho, também alemão, de mudas de árvores ornamentais e de

formigas. Todo esfôrço isolado pere ceu. E assim tinha mesmo que acon tecer, pois impunha-.sc uma colabora

flores.

ção geral, com assistência técnica e re

com o qual pouco falava, e que vi\na

Aliás, a sua pequena chácara, de um a queire apenas, era uma miniatura de

parque de "grand-seigneur". . . Resol vera a dificuldade de transporte com as visitas de um fillho, que ia passar com êle os fins de semana, e levava para os pais os gêneros alimentícios e trazia para a cidade mudas de plantas, que

vendia por bom preço a compradof.-s certos. Êsse alemão fôra jardineiro do

f parque do Ipiranga e conhecia bem o

ofício. À noite, colhia abundante pes cado no rio que servia de divisa à sua propriedade. Armava arapucas a bichos do mato e com essas "diversões" ali mentava-se bem.

Mas, quando chegou a falta de ga solina, entrou em crise.

I

Próximo estava a propriedade do um

holandês, que ali Ia, anteriormente, todas as semanas passar o domingo.

Plantou

1 árvores frutíferas variadas, entre as quais

muitas laranjeiras de qualidade. Mas as formigas causaram uma desolação. Ficaram apenas as laranjeiras, com cujos frutos fazia vinho. Foi espaçando as suas visitas, até que acabou por passar à frente a propriedade, que tanto entu siasmo lhe causara.

Tôdas essas chácaras e esses sítios re

presentavam pequenas parcelas de anti gos terrenos de fôro, já resgatados, mas 1 que, em sua maioria, nem a mãos de

cursos amplos para qualquer iniciativa poder triunfar.

Valerá a pena trazer gente para essas

nos europeus.

ii braços.

A saúva não tardou a devorar

Em êssc niunicipio, na ocasião, um ui.. grande fornecedor de cereais da Capital. Um recenscamenlo da época acusa uma

nunca foram ultrapassadas. A cada adul to foi paga a quantia de 160 réis por

população de 5.470 alnias. sendo 542

dia, c a cada menor, 80 réis. Se se levar em consideração o eleva

lavouras de cereais, exportando madei ra e cairão e fabricando algum vinho. Tivera já uma fábrica de ferro, nos começos do século X\TII, mas que ficara destruída por abandono. O fato é que os chamados alemães de Santo Amaro aparecem, por meados do século passado, em Colônia, que se tomou o núcleo principal, donde passa ram a irradiar por todo o município de Santo Amaro. No arquivo do sr. Cam

cem, sem exagero.

Distribuídos esses colonos pelos ser

Ne.ssc tempo, eram. as

tões que circunda\'am a Capital, por

viagens marítimas cheias de incerteza.

Feitas cm navios morosos, usando como

aviso de 21 de março de 1828, eram cedidas a cada família 400 braças de

as velas soltas, além cie caras apresen

terras

fôrça propu'sora o vento que entumcscia tavam sérios riscos.

la\Tadias.

gura o do "Medusa", cujos sobreviven

à custa

garam a um feroz canibalismo, para não perecerem de fome. Em tais condições, os imigrantes ou eram aventureiros que

anos.

tes, abandonados em jangadas, se entre

_

Nesse remoto ano do 1827, cUidOU o Govômo da então Província Sao Paulo de trazer colonos, voltando as suas

do Estado.

2.°) — Donativo em gado, a ser pago em espécie ou valor ao cabo de quatro

3.°) — Propriedade dos terrenos cul

jogavam o seu destino no pano verde do risco de uma viagem marítirníi* ,

contrato firmado

1.°) — Alimentação por ano c meio,

naufrágio.s célebres, entre os quais fí"

Atlântico, ou pessoas de muitos res que incluíam entre as diversões o

O

entre o Estado e os colonos instituía:

São dessa época os

tivados.

4.°) — Isenção de impostos durante

.'1 1

oito anos.

5.°) —• Obrigação de pegarem em ar mas em caso de perigo e sujeição dos filhos ao recrutamento.

6.°) — Direito de médico e pároco à

vistas para a Alemanha.

custa do Estado, por ano e meio.

Ainda não existia ali a unidade re sultante da guerra vitoriosa de 1870, que deu a hegemonia à Prússia. Havia

foram feitas com 304 colonos gennânicos a serem empregados nas estradas e

vários reinos e foi dos Estados meridio

nais germânicos, da Baviera, sobretudo,

i

tropeçaram na formiga e na falta de

Convém desde logo salientar que não ficaram largados no mato, c o Govêrno da província pês em prática medidas que

de ouro — e o ínfimo custo dos gêneros, pode-se multiplicar essa quantia por

Em 1827, São Paulo procurou povoar seus sertões com a introdução de colo

ram no dia 8 de novembro.

: radicais transformações, mas desde logo

141

eqüivalendo, então, 4.500 a uma libra A imigração alemã

cj[ue emigraram 926 indivíduos.

Os novos donos, impelidos por bucó-

EcoNÓAnco

do poder aquisitivo da nossa moeda —

terras?

I neto haviam chegado,

i lico entusiasmo, quiseram levar a cabo

Digiísto

Ecovóxífco

Chega Foram

logo distribuídos pelos arredores da Ca

pital, onde 336 ficaram. Com os restan tes, formou o Governo vários núcleos, um dôles em Itapecerica. Êsses colonlos,

{ as árvores frutíferas para ali levadas.

anos depois, dispersaram-se por Santo

L E a falia de braços incrementava as

Amaro.

Em 1836 e 1837 mais duas tentativas

• \5

na fábrica de ferro de Ipanema. Depois

dessas , experiências oficiais, o senador Vergueiro estabeleceu na sua fazenda de Ibicaba a colônia desse mesmo nome,

que chegou a reunir mil alemães. Ao fim de alguns anos, êsses colonos dispersaram-se, talvez porque as terras de Itapecerica, devido à topografia aci dentada, não lhes conviessem, e aparece

ram em vários pontos de Santo Amaro.

escravos e 426 fogos.

Tinha prósperas

pos Aguirre, onde se encontram dados dos mais valiosos sobre o passado, fo mos encontrar os nomes dos colonos iUemães que registraram as suas proprieda

des entre 1847 e 1850. Com terras em

Colônia e Cipó, aparecem os sobreno mes Gilger, Shunk, Goldefrie, Shune, Ficher, Emel, MüUer, Eniilar, Paulman.

Rosemback, Reimbejg, Walter. E em Var-

gem Grande, Jacurituba, Itaim, Bolmlnm, Boi^uaçu. Bororé. Caucásia, os sobreno mes" de Classer, Nebar, Varcange, Ablas, Rocomback, Beber, Cherek, Elfmstem, Thevaster, Junck, Strabourgen, Gilger,

Zillig, Phumin, Packer, Carbog, Cnsty, Doll, Carback e Sílex.

Com o elemento indígena passaram a

efetuar-se cmzamento.ç, e os inventários realizados trinta anos depois já acusam um progre.ssi\'o caldeamento. Aumenta

va a população dos sertões. E no velho

caminho de Cipó, no ponto em que se

bifiirca a estrada para Colônia, funda ram os descendentes um novo núcleo,

que recebeu o nome de Parelhciros.

A Eslrada de Ferro Sorocabana, quan

do precisou conduzir material para o

ramal Mairinque-Santos, aproveitou o ca

minho antigo, alargou-o, e surgiu a atual


Dicesto EcoNÓ^^co

142

rodovia que passa nor Parelheíros e ter

caiPisa aberta, um cbapéu iá sem for-

mina na estação Encenheiro Marsiilac. ''mato .sôbre os c.abclos. FÍ'cram-se su

Os caipiras lotiros

Quando a Light estendeu as suas linhas até Santo Amaro e os paulis tanos, à falta de arrabaldes pitores

cos, elegeram a represa pasreio domini cal, passou-se a comentar um estranho fenômeno.

Dos sertões limítrofes do

grande lago artificial saíam estranhos habitantes, que contrastavam profunda mente com a população da \'ila. Eram louros, de um louro auase branco por vÔ7.es, e de De'c alvíssima, salpicada de sardas. O sol não lhes amorena^a a

epiderme. O mais que sucedia era quei má-la, dando-lhe um aspecto vermelho.

posições e comentários.

E ouando se

efetuou o ultimo rPcen'"eamcnlo. mocos

idos da cid-^de nacmavnm-se de en

contrar aquôles "tinos arianos", qvie constituíam nm formal desmentido às teorias da .simcrjnridadp raciah

Foi assim tirada a conclusão de oue o alemão, niuindo larcado cm contacto

com a natureza não tín^a as oua ida des tão anrpjToadas uelos líderes do na zismo.

Aliás, iá Carrel comentara que

o sentimento c.stético riode dcsanarecer

de povos altamente evoluídos e criadores de prandes civilizações, citando o exem

plo dos eníncio.s oue erpucram a ma^* vi ha simétrica das pirâmMcs e temn os

O mais curioso é que se tratava de gente de maneiras simples, freqüentemente des calça. de falar arrastado, em tudo igual

fnmocn»:. o. mios descendentes estão hote

ao caboclo, cuspinhando de lado e a

O fato é nuc os netos dos antigos

grande distância. Para fumar, puxavam do bolso um pedaço de fumo, que

picavam morosamente, e depois moíam na palma da mão, enrolando, em sc2ui-

da, a massa semi-pegajo.sa numa palha

tão afundados na lama nuc nem ternT)0

tôm nora admirar o brilho das esto^ as. bávaros ehegados no Bmsil e conside

rados colonos esplêndidos cm nada se diferençavam dos velhos cainiras. Mmtos eram analfabetos. Desconheciam in

teiramente a hncüa de seus avós. EyI

do mi'ho.

3^ IA»?

*

_

,

primiam-se' com a mc^ma termínoloma

143

Dicesto Econômico

Fôra o primltix'0 agrupamento, a nú revela mais de um século de. existénpn^t^iros ciu. ü empório local pertence a um descendente do antigo Klein. É um co:onos do sul da Alemanha lo_caluado.s I V 1 r^fíncia de ^no laulo, cleo resultante da

p..lo Governo da prOVM

^

moço de cabelo louro, afável, sem des-

Vai-se hoie até Ia com

,

volvo-so através de terreno pouco aci-

coniianças, que conta alguma coisa interessante mas que ouviu dizer... Seu avô lutara ali com grandes dificuldades, devido ao Isolamento em que vixiara to dos. Não existia estrada, mas apenas

São duas filas de casas ao lado da es

dos espigões, e por onde os burros eram conduzidos piua transportar a produção. Quando o tempo corria mal para a la

tü.

voura, não tinham do que comer. A alimentação consistia em feijão com fa rinha, palmito que iam cortar no mato, carne de purcc ou -galinha. Para obte rem certos artigos de que aueciam, como vestuário, sal e oleo, canegavam burros

dade, do automóvel. A estrada de.sen-

dsntado, próprio po'" " ogr.cu.tura. Oito quilômetros antes f;ca Parelheuros, a pequena povoação fundada pelos des cendentes dos primeiros p<;voadores, trada. com igrqja e grande cenuténo. Ali. nas pedras dos sepmcros !e-se o testemunho de progressivo- caldeamenOs sobrenomes de K em._ Shunk,

Rotemberg, estão entrelaçados com Sil-

x-as. Pereiras Sousas da população local.

Piá uma venda com bastante movimen

um caminho tortuoso, correndo ao longo

to, pertencente a Bento Klein. bisneto com cereais, que iam vender em Pinhei do primeiro colono dêsse nome. Seus ros. Levavam, por vêzes, ovos e ga netos falam corretamente o português, e enquanto uns são louros, outros sao

linhas.

morenos. Crianças de pele trigueira têm

que não deixara saudades.

Perdiam' três dias na viagem

de ida e de vo.ta. Tempo duro, aquêle,

olhos azuis e cabe'os negros. E Bento

Colônia era, então, um fim de mundo.

Klein, com simplicidade cabocla, afirma que ignora inteiramente 0 passado de seu

Por isso, pouco a pouco, muitos foram

remoto ancestral.

Santo Amaro.

Não sabe uma pa

mudando para ponto mais próximo dc As terras nada valiam.

caracteríriica do caboclo. Se Ihesjnda-

lavra de alemão e não tem a menor

Um bom sítiu raro encontrava compra

noção do que seja a A'emanha. E um

dor por três contos de réis.

nação imprópria, porque eram legítimos

biam responder. Nada lhes fôra contado

país da Europa. Nisso se resume quanto

filhos da terra.

nem lhes ínteres,sava. E^-am puras

Passaram a .ser conhecidos como os

caipiras alemães de Santo Amaro, desig As fôrças telúricas lia-

viam absorvido os velhos colonos. Seus

descendentes, que se haviam cruzado com a população indígena, esquecida naqueles sertões, e que criaram uma civi

lização própria, haviam assimilado os há bitos locais.

Iam à então Vila de Santo Amaro ven

der a produção de seus sítios, levando,

em 'ombo de burro, milho e feijão — so bretudo — e galinhas e porcos. Outro.s vendiam peixe pescado a anzol nos ri beiros e córregos. Muitas vêzes descal ços, uma calça de brim remendada, a

pavam algo do seus nsecndentcs. não sa

prec«ÕPs do meio ambiente.

.

Só sabiam que seus pais Hnham sído enterrados no cemitério de Colônia, mi® ficava a 32 quilômetros de Santo Amut'UMuito perto quando há estradas,

muito distante quando apenas existam maus caminhos.

Depois, essa situação modificou-se. Com

a abertura da estrada para Engenheiro Marsi lac pa.s.saram as terras a ter maior valor, A procura da lenha e do carvão determinou a melhoria das condições de vida da população local,

Muitos desesperaram. Outros ficaram

sabe. Como os outros descendentes dos velhos alemães, mostra-se indiferente ao

e fizeram bem.

passado. Só lhe interessa a sua rida presento c que o negócio prospere. Co

ploração da madeira. Outras atividades surgiram, depois. Com a guerra, a lenlia passara a ter grande procura e toda

mo todo habitante do sertão, retrai-se à curiosidade do forasteiro.

Depois de oito .quilômetros mais de estrada, chega-se a Co onia, onde se des taca a igreja antiga, de estilo muito sim

ples, tendo ao lado grande cemitério. As casas são de parede de taipa, idên

ticas às antigas construções da vila de Santo Amaro. Há também casas de ma

deira. Poucas, porém. A maior porte

A abertura da estra

da da Sorocabana foi que permitiu a ex

gente que tinha matas eslava ganhando dinlieiro. Haria descendentes dos anti

gos coionos que estavam bem. possuindo haveres avaliados em mais de um mi lhão de cruzeiros.

Outros, porém, tinham vendido ôs

terras e mudado para outros pontos. Haviam preferido trabalhar como ope rários, ou arranjado emprêgo na cidade.


Dicesto EcoNÓ^^co

142

rodovia que passa nor Parelheíros e ter

caiPisa aberta, um cbapéu iá sem for-

mina na estação Encenheiro Marsiilac. ''mato .sôbre os c.abclos. FÍ'cram-se su

Os caipiras lotiros

Quando a Light estendeu as suas linhas até Santo Amaro e os paulis tanos, à falta de arrabaldes pitores

cos, elegeram a represa pasreio domini cal, passou-se a comentar um estranho fenômeno.

Dos sertões limítrofes do

grande lago artificial saíam estranhos habitantes, que contrastavam profunda mente com a população da \'ila. Eram louros, de um louro auase branco por vÔ7.es, e de De'c alvíssima, salpicada de sardas. O sol não lhes amorena^a a

epiderme. O mais que sucedia era quei má-la, dando-lhe um aspecto vermelho.

posições e comentários.

E ouando se

efetuou o ultimo rPcen'"eamcnlo. mocos

idos da cid-^de nacmavnm-se de en

contrar aquôles "tinos arianos", qvie constituíam nm formal desmentido às teorias da .simcrjnridadp raciah

Foi assim tirada a conclusão de oue o alemão, niuindo larcado cm contacto

com a natureza não tín^a as oua ida des tão anrpjToadas uelos líderes do na zismo.

Aliás, iá Carrel comentara que

o sentimento c.stético riode dcsanarecer

de povos altamente evoluídos e criadores de prandes civilizações, citando o exem

plo dos eníncio.s oue erpucram a ma^* vi ha simétrica das pirâmMcs e temn os

O mais curioso é que se tratava de gente de maneiras simples, freqüentemente des calça. de falar arrastado, em tudo igual

fnmocn»:. o. mios descendentes estão hote

ao caboclo, cuspinhando de lado e a

O fato é nuc os netos dos antigos

grande distância. Para fumar, puxavam do bolso um pedaço de fumo, que

picavam morosamente, e depois moíam na palma da mão, enrolando, em sc2ui-

da, a massa semi-pegajo.sa numa palha

tão afundados na lama nuc nem ternT)0

tôm nora admirar o brilho das esto^ as. bávaros ehegados no Bmsil e conside

rados colonos esplêndidos cm nada se diferençavam dos velhos cainiras. Mmtos eram analfabetos. Desconheciam in

teiramente a hncüa de seus avós. EyI

do mi'ho.

3^ IA»?

*

_

,

primiam-se' com a mc^ma termínoloma

143

Dicesto Econômico

Fôra o primltix'0 agrupamento, a nú revela mais de um século de. existénpn^t^iros ciu. ü empório local pertence a um descendente do antigo Klein. É um co:onos do sul da Alemanha lo_caluado.s I V 1 r^fíncia de ^no laulo, cleo resultante da

p..lo Governo da prOVM

^

moço de cabelo louro, afável, sem des-

Vai-se hoie até Ia com

,

volvo-so através de terreno pouco aci-

coniianças, que conta alguma coisa interessante mas que ouviu dizer... Seu avô lutara ali com grandes dificuldades, devido ao Isolamento em que vixiara to dos. Não existia estrada, mas apenas

São duas filas de casas ao lado da es

dos espigões, e por onde os burros eram conduzidos piua transportar a produção. Quando o tempo corria mal para a la

tü.

voura, não tinham do que comer. A alimentação consistia em feijão com fa rinha, palmito que iam cortar no mato, carne de purcc ou -galinha. Para obte rem certos artigos de que aueciam, como vestuário, sal e oleo, canegavam burros

dade, do automóvel. A estrada de.sen-

dsntado, próprio po'" " ogr.cu.tura. Oito quilômetros antes f;ca Parelheuros, a pequena povoação fundada pelos des cendentes dos primeiros p<;voadores, trada. com igrqja e grande cenuténo. Ali. nas pedras dos sepmcros !e-se o testemunho de progressivo- caldeamenOs sobrenomes de K em._ Shunk,

Rotemberg, estão entrelaçados com Sil-

x-as. Pereiras Sousas da população local.

Piá uma venda com bastante movimen

um caminho tortuoso, correndo ao longo

to, pertencente a Bento Klein. bisneto com cereais, que iam vender em Pinhei do primeiro colono dêsse nome. Seus ros. Levavam, por vêzes, ovos e ga netos falam corretamente o português, e enquanto uns são louros, outros sao

linhas.

morenos. Crianças de pele trigueira têm

que não deixara saudades.

Perdiam' três dias na viagem

de ida e de vo.ta. Tempo duro, aquêle,

olhos azuis e cabe'os negros. E Bento

Colônia era, então, um fim de mundo.

Klein, com simplicidade cabocla, afirma que ignora inteiramente 0 passado de seu

Por isso, pouco a pouco, muitos foram

remoto ancestral.

Santo Amaro.

Não sabe uma pa

mudando para ponto mais próximo dc As terras nada valiam.

caracteríriica do caboclo. Se Ihesjnda-

lavra de alemão e não tem a menor

Um bom sítiu raro encontrava compra

noção do que seja a A'emanha. E um

dor por três contos de réis.

nação imprópria, porque eram legítimos

biam responder. Nada lhes fôra contado

país da Europa. Nisso se resume quanto

filhos da terra.

nem lhes ínteres,sava. E^-am puras

Passaram a .ser conhecidos como os

caipiras alemães de Santo Amaro, desig As fôrças telúricas lia-

viam absorvido os velhos colonos. Seus

descendentes, que se haviam cruzado com a população indígena, esquecida naqueles sertões, e que criaram uma civi

lização própria, haviam assimilado os há bitos locais.

Iam à então Vila de Santo Amaro ven

der a produção de seus sítios, levando,

em 'ombo de burro, milho e feijão — so bretudo — e galinhas e porcos. Outro.s vendiam peixe pescado a anzol nos ri beiros e córregos. Muitas vêzes descal ços, uma calça de brim remendada, a

pavam algo do seus nsecndentcs. não sa

prec«ÕPs do meio ambiente.

.

Só sabiam que seus pais Hnham sído enterrados no cemitério de Colônia, mi® ficava a 32 quilômetros de Santo Amut'UMuito perto quando há estradas,

muito distante quando apenas existam maus caminhos.

Depois, essa situação modificou-se. Com

a abertura da estrada para Engenheiro Marsi lac pa.s.saram as terras a ter maior valor, A procura da lenha e do carvão determinou a melhoria das condições de vida da população local,

Muitos desesperaram. Outros ficaram

sabe. Como os outros descendentes dos velhos alemães, mostra-se indiferente ao

e fizeram bem.

passado. Só lhe interessa a sua rida presento c que o negócio prospere. Co

ploração da madeira. Outras atividades surgiram, depois. Com a guerra, a lenlia passara a ter grande procura e toda

mo todo habitante do sertão, retrai-se à curiosidade do forasteiro.

Depois de oito .quilômetros mais de estrada, chega-se a Co onia, onde se des taca a igreja antiga, de estilo muito sim

ples, tendo ao lado grande cemitério. As casas são de parede de taipa, idên

ticas às antigas construções da vila de Santo Amaro. Há também casas de ma

deira. Poucas, porém. A maior porte

A abertura da estra

da da Sorocabana foi que permitiu a ex

gente que tinha matas eslava ganhando dinlieiro. Haria descendentes dos anti

gos coionos que estavam bem. possuindo haveres avaliados em mais de um mi lhão de cruzeiros.

Outros, porém, tinham vendido ôs

terras e mudado para outros pontos. Haviam preferido trabalhar como ope rários, ou arranjado emprêgo na cidade.


Dioesto l*:c:()NÓMirO

144

Nessas condições, dos antigos colonos

lhes trazem ohrigações c eompensa<,-ôes

existiam descí-ndentes prósperos, conscr-

mútuas.

vando-se nas terras herdadas, a que juntaram outras que foram adquirindo

Essa socicdiicle po.ssni uni tipo de fanií ia c associação vicinal. regimes clc IraballK) c técnicíLS destinadas a produzir

dos que desistiam; e outros que viviam do seu trabalho cotidiano nos empregos conseguidos nas mais variadas profissões. Como centro pròpriamenle agrícola, Colônia não apresenta evoluçfio. O impulso recebido foi devido, so bretudo, às matas, que outrora haviam sido a causa de tantos desáninios pela dificuldade do destocainento do solo.

A população de origem alemã perdeu inteiramente as características raciais. Os

artefatos necessários, sistemas <le trocas meios de transporte, práticas tradicionais para lidar com fõrças solirenaturuis, csi-

de povoaclores. Miiilos imigrantes apor-

mes e são igualmente simples. Como já existem esco!a.s, man dam as crianças aprender. E

.sali<3nla - aprenderam quc o

isso não sèm sacrifício, porque

modo c e viver caipira é o único po.ssivel em determinadas cir cunstancias. E atiuéles quo não

dezenas de pequenos alunos per-

.puseram aprender, fracassaram

correm diàriamente trcs e qua

porque os seus métodos eram

tro quilômetros para compare

"superiores". Mas os "alemães'* e "italianos" acaboclados sobreviveram e contribuirain para o povoamento

dos

.sertões.

Exemplos não faltam. Na eoUônia Fe

liz, no Rio Grande do Sul, os imigraivO julgamento que se faz dôsses ele mentos alienígenas que "retrocedem" até ao meio ambiente, quando este se ca-

tes alemães resolveram, em 1846 tra balhar apenas dois ou três dias

Tacteriza pelo "atraso", foi estudado pelo

semana. A venda do milho e feijão lheS dera apenas algumas patacas, preço que

ST. Emílio Wil'ems, professor de antro

não compensava o trabalho nem o trans

pologia da Faculdade de Filosofia, Ciên cias e Letras, que explica esse estado de civilização. Diz ele que culturas sertanejas do Brasil têm sua organização social, quer dizer, os seus componentes

vivem numa rede de interligações que

ras ou dias não representa probleim* nenhum.

ccmeuL»-

Qualquer regime de trabalho contém formas de cooperação e divisão do tra

Oue significa para as culturas caboclas balho. A mudança do regime afeta no* interx-enção deliberada o dirigida da ci- ccssàriamente a organização e.xístente, dos vili/ação urbana? Sigmfica-lhcs a eh- indivíduos integrados no grupo hásico intenso exige alimentação diferente, so bretudo maior número de refeições. Café-

Lidos arpu no último século —

Unia cwilização cabocla

dança súbita do .sistema tradicional para ,>' irabaMio permanente, o sr. Willems

obrigações (pie o sistema social impõe'a I ' ímc a filosofia do "plantando da deve .seus membro.s, e uma educação pa/u ^ -..bsliluída por outra, mais produtransmitir o patrimônio cultural scni tanto bastaria, no entender que a arte cie ler e e.screver poJsa ter| tiva - • Para ' ao caboclo as vanuma função na transmissão tradicional. do loigo, j intensificação

caboclo. Têm os mesmos costu

calço ao grupo e.scolar de Parelhciros.

çã o e.xata do tempo, a diferença de ho

que, entre nós, é geralmente a família-

Há mais de rpiatro .séculos cpie essa so- • indígena determinaram uma grande mis cicdade vive, crê, trabalha, .s(i diverte e tura de cabe'os pretos com olhos azuis educa. Durante (-sses (piatro séculos o e côr morena, com olhos pretos, cabelos caboclo não dci.wu de conrpustar os louros e pele branca. Moral e mental sertões e de enchê-los pouco a pouco

cerem às aulas. Grande número vai des

c, nientand» as dificuldades da mu

■m naç:»> ^le elementos julgados indcsoja-

nhccimentos para tratar doentes e parluricntcs, jogos e festas para compensar as

sucessivos cruzamentos com o elemento

mente, não apresentam diferenciações do

145

Dif.f.sTO Econ<5mico

porte. O resto do tempo empregavamno em bebedeiras.

Constitui esse fato

um exemplo da quebra de um padrão cultural; o trabalho permanente cede lugar ao trabalho intermitente, devido aO grau de desenvolvimento econóx-nico local.

s creformador. o cnxêrlo deAch^^e. comentos desejados por exemplo,

Ora, ura regime de trabalho mais

rapadura, feijão e farinha não represen tam a base adequada para o regime de trabalho que se encontra, noutras regi<3"'^

"'S'""aírk-ol"». P"--'"escolhidas f"da.s utuíSulc. 1 «...iJas sementes "éJUo. . .

e, lalve/, dt g

Na roa-

preciso mudar um

'"'"'Irò. £"trabaili° roultissecujar, regime ossc

O.UO representa um complexo f ç traços consistemcultuem

rnl inteiro.

'

baseado nas

do muitas gerações, cm há- .

mais evoluídas. E assim todos os esfoiços tendem a desaparecer.

Aliás, não é s6 entre nós que se en

contra esse "atraso".

Verifica-se em

determinadas regiões dos Estados Uni

dos e do México, onde os esforços fei

tos para a mudança do antigo regime fracassaram. Lúcio Mendieta y Nucs conta que, no Mé,\ico, muitas crianças , da região do Terascos, ao voltarem .los

Motores l,itos-mo técnicas

adquiridosemna maneiras .nfancia, em de seus lares, esquecem-se das pala\Tas dos |

q«é naturaisq

dificilmente se poderia imaestímulos.

formação de

as quais são ju'gadas tao

8'""'' „ nue o regime de trabalho nao

ser substituído por outro sem que

P

nm mudanças em outras esferas da

"Turi caboc'a. Pois o regime de trabaílw está quase sempre ligado a determi

nadas concepções do tempo, á organiKi-

ção da famPia, á alimentação, à religiao ao descanso e às aüvidades recreativas, Como entre 'certos Índios, a expressão "amanhã" ou "dispois de amanha fre qüentemente não encerra, para o cabo clo, a idéia de um dia certo, mas sim

plesmente o tempo que segue o dia de

hoje. Em condições de vida que nunca Rnfrendram a necessidade de uma medi-

mestres e seguem os costumes de seus maiores, quo lhes merecem mais respei to e carinho.

E na África o esforço

feito pela França para elevar os indíge nas obtém. freqüentemente resultados

contrários. A escola passa a induzir à ociosidade, pois o rapaz que volta da es cola fica cheio de arrogância e considerase tão superior aos seus que não obede ce mais aos pais, despreza os conselhos e não quer mais trabalhar na roça.

' Por ai se deduz que o menosprêzo vo

tado ao elemento que promoveu o po voamento dos sertões de Santo Amaro,

apesar do "regresso" ao meio caipira,

não é fundamentado. Os colonos que para ali foram encontraram as mesmas dificul

dades que obrigaram a população ante-


Dioesto l*:c:()NÓMirO

144

Nessas condições, dos antigos colonos

lhes trazem ohrigações c eompensa<,-ôes

existiam descí-ndentes prósperos, conscr-

mútuas.

vando-se nas terras herdadas, a que juntaram outras que foram adquirindo

Essa socicdiicle po.ssni uni tipo de fanií ia c associação vicinal. regimes clc IraballK) c técnicíLS destinadas a produzir

dos que desistiam; e outros que viviam do seu trabalho cotidiano nos empregos conseguidos nas mais variadas profissões. Como centro pròpriamenle agrícola, Colônia não apresenta evoluçfio. O impulso recebido foi devido, so bretudo, às matas, que outrora haviam sido a causa de tantos desáninios pela dificuldade do destocainento do solo.

A população de origem alemã perdeu inteiramente as características raciais. Os

artefatos necessários, sistemas <le trocas meios de transporte, práticas tradicionais para lidar com fõrças solirenaturuis, csi-

de povoaclores. Miiilos imigrantes apor-

mes e são igualmente simples. Como já existem esco!a.s, man dam as crianças aprender. E

.sali<3nla - aprenderam quc o

isso não sèm sacrifício, porque

modo c e viver caipira é o único po.ssivel em determinadas cir cunstancias. E atiuéles quo não

dezenas de pequenos alunos per-

.puseram aprender, fracassaram

correm diàriamente trcs e qua

porque os seus métodos eram

tro quilômetros para compare

"superiores". Mas os "alemães'* e "italianos" acaboclados sobreviveram e contribuirain para o povoamento

dos

.sertões.

Exemplos não faltam. Na eoUônia Fe

liz, no Rio Grande do Sul, os imigraivO julgamento que se faz dôsses ele mentos alienígenas que "retrocedem" até ao meio ambiente, quando este se ca-

tes alemães resolveram, em 1846 tra balhar apenas dois ou três dias

Tacteriza pelo "atraso", foi estudado pelo

semana. A venda do milho e feijão lheS dera apenas algumas patacas, preço que

ST. Emílio Wil'ems, professor de antro

não compensava o trabalho nem o trans

pologia da Faculdade de Filosofia, Ciên cias e Letras, que explica esse estado de civilização. Diz ele que culturas sertanejas do Brasil têm sua organização social, quer dizer, os seus componentes

vivem numa rede de interligações que

ras ou dias não representa probleim* nenhum.

ccmeuL»-

Qualquer regime de trabalho contém formas de cooperação e divisão do tra

Oue significa para as culturas caboclas balho. A mudança do regime afeta no* interx-enção deliberada o dirigida da ci- ccssàriamente a organização e.xístente, dos vili/ação urbana? Sigmfica-lhcs a eh- indivíduos integrados no grupo hásico intenso exige alimentação diferente, so bretudo maior número de refeições. Café-

Lidos arpu no último século —

Unia cwilização cabocla

dança súbita do .sistema tradicional para ,>' irabaMio permanente, o sr. Willems

obrigações (pie o sistema social impõe'a I ' ímc a filosofia do "plantando da deve .seus membro.s, e uma educação pa/u ^ -..bsliluída por outra, mais produtransmitir o patrimônio cultural scni tanto bastaria, no entender que a arte cie ler e e.screver poJsa ter| tiva - • Para ' ao caboclo as vanuma função na transmissão tradicional. do loigo, j intensificação

caboclo. Têm os mesmos costu

calço ao grupo e.scolar de Parelhciros.

çã o e.xata do tempo, a diferença de ho

que, entre nós, é geralmente a família-

Há mais de rpiatro .séculos cpie essa so- • indígena determinaram uma grande mis cicdade vive, crê, trabalha, .s(i diverte e tura de cabe'os pretos com olhos azuis educa. Durante (-sses (piatro séculos o e côr morena, com olhos pretos, cabelos caboclo não dci.wu de conrpustar os louros e pele branca. Moral e mental sertões e de enchê-los pouco a pouco

cerem às aulas. Grande número vai des

c, nientand» as dificuldades da mu

■m naç:»> ^le elementos julgados indcsoja-

nhccimentos para tratar doentes e parluricntcs, jogos e festas para compensar as

sucessivos cruzamentos com o elemento

mente, não apresentam diferenciações do

145

Dif.f.sTO Econ<5mico

porte. O resto do tempo empregavamno em bebedeiras.

Constitui esse fato

um exemplo da quebra de um padrão cultural; o trabalho permanente cede lugar ao trabalho intermitente, devido aO grau de desenvolvimento econóx-nico local.

s creformador. o cnxêrlo deAch^^e. comentos desejados por exemplo,

Ora, ura regime de trabalho mais

rapadura, feijão e farinha não represen tam a base adequada para o regime de trabalho que se encontra, noutras regi<3"'^

"'S'""aírk-ol"». P"--'"escolhidas f"da.s utuíSulc. 1 «...iJas sementes "éJUo. . .

e, lalve/, dt g

Na roa-

preciso mudar um

'"'"'Irò. £"trabaili° roultissecujar, regime ossc

O.UO representa um complexo f ç traços consistemcultuem

rnl inteiro.

'

baseado nas

do muitas gerações, cm há- .

mais evoluídas. E assim todos os esfoiços tendem a desaparecer.

Aliás, não é s6 entre nós que se en

contra esse "atraso".

Verifica-se em

determinadas regiões dos Estados Uni

dos e do México, onde os esforços fei

tos para a mudança do antigo regime fracassaram. Lúcio Mendieta y Nucs conta que, no Mé,\ico, muitas crianças , da região do Terascos, ao voltarem .los

Motores l,itos-mo técnicas

adquiridosemna maneiras .nfancia, em de seus lares, esquecem-se das pala\Tas dos |

q«é naturaisq

dificilmente se poderia imaestímulos.

formação de

as quais são ju'gadas tao

8'""'' „ nue o regime de trabalho nao

ser substituído por outro sem que

P

nm mudanças em outras esferas da

"Turi caboc'a. Pois o regime de trabaílw está quase sempre ligado a determi

nadas concepções do tempo, á organiKi-

ção da famPia, á alimentação, à religiao ao descanso e às aüvidades recreativas, Como entre 'certos Índios, a expressão "amanhã" ou "dispois de amanha fre qüentemente não encerra, para o cabo clo, a idéia de um dia certo, mas sim

plesmente o tempo que segue o dia de

hoje. Em condições de vida que nunca Rnfrendram a necessidade de uma medi-

mestres e seguem os costumes de seus maiores, quo lhes merecem mais respei to e carinho.

E na África o esforço

feito pela França para elevar os indíge nas obtém. freqüentemente resultados

contrários. A escola passa a induzir à ociosidade, pois o rapaz que volta da es cola fica cheio de arrogância e considerase tão superior aos seus que não obede ce mais aos pais, despreza os conselhos e não quer mais trabalhar na roça.

' Por ai se deduz que o menosprêzo vo

tado ao elemento que promoveu o po voamento dos sertões de Santo Amaro,

apesar do "regresso" ao meio caipira,

não é fundamentado. Os colonos que para ali foram encontraram as mesmas dificul

dades que obrigaram a população ante-


Mossvsto

Monsanto Chemical Companv

ONYX INTERNATtONAL

S>. leu'i - USA

Jo't»y C->v • USA

Produtos inicrmediórios. Produtos químicos poro todos os índústrios, insetieidos, hcrbici-

dos. rodentícidos. MoterJois plásticos. Colos

Produtos poro omociomento, deserigorduromenlo. lingimento. ocobomento. e»c.. iso

SímO'

indúsirio tâiiíl.

poro comperssodos. etc.

DURAND & HUGUENIN S. A.

fabrique zuricoise oe

Boi.lc.o . bulro

representados por:

gazes À BIÜTER RENDIMENTO DE'

2u/>oue - Su'<o

Cororstos oo eromo especloi» poro

esiomporio de olqodòo. sedo, "toyon", etc.

Gozes de sedo poro quadros

Cotonics "Indigosol"

de esiomporio. Gozes de sedo

TRABALHO, ECONO MIA DE TEMPO, ECO

poro peneiras, etc.

NOMIA DE ESFORÇO, EXATIDÃO. VENANGO ENGIN6ERING

iMU niEHYnnfluuc press mfg. co.

PhtJadelDhio - USa

Modôlo 9 10 53• Opera ção elétrica-10 colunot

MouoF O*'co(j •

de capocidodo, total zondo até 9i9.999.Ç99.90

Móquinos pneumóticos poro

Prerssos e mâqulnoi hidráulicos

lingimento de meados,meios, fios em rocas, ele

poro iniecòo e moldogem de motérios plásticos

^ Fácil de adaptar manivela para operação manual.Existe a mesma máquina só manual e mais de 40 modelos dife DOLLFUS a NOACK S. A. MuJhoute - Fronço

BUffALO.ELEtTRO-CHEHlCAL Co Ihc fiullolo .

feiiros e panos técnicos poro todos os indústrias

Peróxido de hidrogênio poro

rentes de máquinas de somar elétricas e manuais para todos os fins. Peça uma demonstração no seu serviço.

olveiomentos nos índústrios de 'ecidos e de popel. processos

químicos, fins soniiórios, etc.

CIA. BURROUGHS DO BRASIL/ INC. ESCRITÓRIO CENTRAL: Rio de Janeiro - Roa da Alfândega, 81-A - l.» FILIAL EM SÃO PAULO: Largo PoLi ndC, 51 - sobrelo|a

RepresertrocÔes poro o Qrosii de

AGENTES EM: Reeife, Salvador, Belo Horizonte, Santos, Gourú, Porto Alegre, Pelolai, Florianópolis o uriliba.

RiO DE. JANEIRO

SAO SÀO PAULO PAULO

Ruo Conselheiro Soroivo, 16

ftuQ Mortim Burchord ftuo Burchord, 608

Coi..

237 . T.. 23.55,. Co,„ Po.o,, ,535.,1

Telegromos: 'COLOR

Telegromos: "COLOR" Agertfes nos prirtcipois cidodes do pois

CURITIBA C r..i >. r.

Telegramas: "COLOR"

Onde hâ negócios há lugar para as Máquinas

Burroughs@ Mâquinai de Somar, Calcular, de Contabilidade o de .itoflillco ★ Caixas Realstrodoras ir Serviço de Monutençõo ★ AcoMoriot.


Mossvsto

Monsanto Chemical Companv

ONYX INTERNATtONAL

S>. leu'i - USA

Jo't»y C->v • USA

Produtos inicrmediórios. Produtos químicos poro todos os índústrios, insetieidos, hcrbici-

dos. rodentícidos. MoterJois plásticos. Colos

Produtos poro omociomento, deserigorduromenlo. lingimento. ocobomento. e»c.. iso

SímO'

indúsirio tâiiíl.

poro comperssodos. etc.

DURAND & HUGUENIN S. A.

fabrique zuricoise oe

Boi.lc.o . bulro

representados por:

gazes À BIÜTER RENDIMENTO DE'

2u/>oue - Su'<o

Cororstos oo eromo especloi» poro

esiomporio de olqodòo. sedo, "toyon", etc.

Gozes de sedo poro quadros

Cotonics "Indigosol"

de esiomporio. Gozes de sedo

TRABALHO, ECONO MIA DE TEMPO, ECO

poro peneiras, etc.

NOMIA DE ESFORÇO, EXATIDÃO. VENANGO ENGIN6ERING

iMU niEHYnnfluuc press mfg. co.

PhtJadelDhio - USa

Modôlo 9 10 53• Opera ção elétrica-10 colunot

MouoF O*'co(j •

de capocidodo, total zondo até 9i9.999.Ç99.90

Móquinos pneumóticos poro

Prerssos e mâqulnoi hidráulicos

lingimento de meados,meios, fios em rocas, ele

poro iniecòo e moldogem de motérios plásticos

^ Fácil de adaptar manivela para operação manual.Existe a mesma máquina só manual e mais de 40 modelos dife DOLLFUS a NOACK S. A. MuJhoute - Fronço

BUffALO.ELEtTRO-CHEHlCAL Co Ihc fiullolo .

feiiros e panos técnicos poro todos os indústrias

Peróxido de hidrogênio poro

rentes de máquinas de somar elétricas e manuais para todos os fins. Peça uma demonstração no seu serviço.

olveiomentos nos índústrios de 'ecidos e de popel. processos

químicos, fins soniiórios, etc.

CIA. BURROUGHS DO BRASIL/ INC. ESCRITÓRIO CENTRAL: Rio de Janeiro - Roa da Alfândega, 81-A - l.» FILIAL EM SÃO PAULO: Largo PoLi ndC, 51 - sobrelo|a

RepresertrocÔes poro o Qrosii de

AGENTES EM: Reeife, Salvador, Belo Horizonte, Santos, Gourú, Porto Alegre, Pelolai, Florianópolis o uriliba.

RiO DE. JANEIRO

SAO SÀO PAULO PAULO

Ruo Conselheiro Soroivo, 16

ftuQ Mortim Burchord ftuo Burchord, 608

Coi..

237 . T.. 23.55,. Co,„ Po.o,, ,535.,1

Telegromos: 'COLOR

Telegromos: "COLOR" Agertfes nos prirtcipois cidodes do pois

CURITIBA C r..i >. r.

Telegramas: "COLOR"

Onde hâ negócios há lugar para as Máquinas

Burroughs@ Mâquinai de Somar, Calcular, de Contabilidade o de .itoflillco ★ Caixas Realstrodoras ir Serviço de Monutençõo ★ AcoMoriot.


tí

BANCO

MERCANTIL

DE SÃO PAULO S. A.

Comercio-lndustría-lnstalações

Endereço Telegráíico: "MERCAPAULO" CAPITAL CrS 60.000.000,00 RESERVAS CrS 44.500.000,00

• \

OPERAÇÕES BANCÁRIAS EM GERAL -y

Correspondenles nas principais praças do país e do exterior

•v;:„• ií*

K

PEDRO FARINA-S. A.

Depósitos a prazo fixo e de prévio aviso — Depósitos a prazo fixo com pagamento mensal de juros — Depósitos em Contas

-1

1^*:-

Correntes de movimento.

m,

Cofres particulares de aluguel na CASA FORTE MA T R I Z :

Rua Álvares Penteado, 165

ENGENHEIROS EMPREITEIROS

f.•

H

São Paulo

Filial de CAMPINAS

Filial do RIO DE JANEIRO

Rua Barão de Jaguara, 1158

Avenida Graça Arana, 182-B

Caixa Postal. 347 Telefone 2560

Cx. Postal 1579 - Tel.: 43-8860 Caixa Postal "Vasp" 44

Filial de CURITIBA

Filial de SANTOS

Rua Dr. Muricy, 653

Rua 15 de Novembro. 132

Caixa Postal 443

Telefone 7271

Telefones 4064 e 4427

Caixa Postal 570

AGÊNCIAS:

RUA SENADOR QUEIROZ n.o 96 Telefone 3-9974

Caixa Postal 4077 — Telefone 6-6391

URBANAS: Bom Retiro, Brás, Pinheiros, Santana, ro. Vila Prudente e 24 de Maio.

São Paulo

Santo Ama-

> •

Americana, Araras, Atibáia, Bariri, Bernardino de Campos, Cam

RUA EVAHISTO DA VEIGA,45 - S. 403 Telefone 32-7961

bará, Campos de Jordão, Capivari, Chavanles, Cornélio Procopio, Garça, Guararapes, Guaxupé, Ibitinga, Indaiatuba, Itajobi, Itapeva, Itú, Leme, Limeira, Lins, Londrina, Marilia, Maringá, Mogi das Cruzes, Mcgi-Guaçu, Novo Horizonte, Olímpia, Ourinhos, Pal-

Rio de Janeiro

mital, Pindamonhangaba, Pirajuí, Piratininga, Porto Feliz, Quintana. Ribeirão Preto, Rio Claro, Salto. Santa Bárbara d'Oeste, Santa Cruz do Rio Pardo. Santo André, São Caetano do Sul, São João da Boa Vista, Sertãozinho. Sorocaba, e Vera Cruz.

:íL

ÚÁ


tí

BANCO

MERCANTIL

DE SÃO PAULO S. A.

Comercio-lndustría-lnstalações

Endereço Telegráíico: "MERCAPAULO" CAPITAL CrS 60.000.000,00 RESERVAS CrS 44.500.000,00

• \

OPERAÇÕES BANCÁRIAS EM GERAL -y

Correspondenles nas principais praças do país e do exterior

•v;:„• ií*

K

PEDRO FARINA-S. A.

Depósitos a prazo fixo e de prévio aviso — Depósitos a prazo fixo com pagamento mensal de juros — Depósitos em Contas

-1

1^*:-

Correntes de movimento.

m,

Cofres particulares de aluguel na CASA FORTE MA T R I Z :

Rua Álvares Penteado, 165

ENGENHEIROS EMPREITEIROS

f.•

H

São Paulo

Filial de CAMPINAS

Filial do RIO DE JANEIRO

Rua Barão de Jaguara, 1158

Avenida Graça Arana, 182-B

Caixa Postal. 347 Telefone 2560

Cx. Postal 1579 - Tel.: 43-8860 Caixa Postal "Vasp" 44

Filial de CURITIBA

Filial de SANTOS

Rua Dr. Muricy, 653

Rua 15 de Novembro. 132

Caixa Postal 443

Telefone 7271

Telefones 4064 e 4427

Caixa Postal 570

AGÊNCIAS:

RUA SENADOR QUEIROZ n.o 96 Telefone 3-9974

Caixa Postal 4077 — Telefone 6-6391

URBANAS: Bom Retiro, Brás, Pinheiros, Santana, ro. Vila Prudente e 24 de Maio.

São Paulo

Santo Ama-

> •

Americana, Araras, Atibáia, Bariri, Bernardino de Campos, Cam

RUA EVAHISTO DA VEIGA,45 - S. 403 Telefone 32-7961

bará, Campos de Jordão, Capivari, Chavanles, Cornélio Procopio, Garça, Guararapes, Guaxupé, Ibitinga, Indaiatuba, Itajobi, Itapeva, Itú, Leme, Limeira, Lins, Londrina, Marilia, Maringá, Mogi das Cruzes, Mcgi-Guaçu, Novo Horizonte, Olímpia, Ourinhos, Pal-

Rio de Janeiro

mital, Pindamonhangaba, Pirajuí, Piratininga, Porto Feliz, Quintana. Ribeirão Preto, Rio Claro, Salto. Santa Bárbara d'Oeste, Santa Cruz do Rio Pardo. Santo André, São Caetano do Sul, São João da Boa Vista, Sertãozinho. Sorocaba, e Vera Cruz.

:íL

ÚÁ


E. MOSELE O DEPARTAMENTO

S. A. ESTABELECIMENTOS

DIA e

VINÍCOLAS

NOITE

INDÚSTRIAS E COMÉRCIO MATRIZ: CAXIAS DO SUL

RIO GRANDE DO SUL

BRASIL

TELEGRAMAS: "MOSELE"

FONE. 39G

CAIXA POSTAL. 34

Escrilórios com Depósilos: SÃO PAULO

Rua Américo Brasiliensc, 234

Higiene Confàrto

Alegria Bem-estar

Teleg.: "MOSELE"

Fone. 3-4956

Caixa Poslal, 120-A

AQUECEOUR DE AGUA

LDBOR f"ornccc figu'»

RIO DE JANEIRO Teleg.: "MOSELE" Telcionc. 43-9361

horo.

* tiahheiro

PRODUTOS MOSELE Champagne Grande Gala

Champagne Az de Ouro,

'

quente corrente qua quer

Rua Mairink Veiga. 28 — 2.o - S/4

★ Coainha * Copa ★ ovandoria

m/doce

séca

Champagne Dorée (Uvas Moscatel) Suco de Uva Scxtuplo

ECONOMICO

Suco de Uvas Simples Integral

pratico

Espuma Alva Espuma Roséc

âm

Frizante Branco, m/d. e m/s.

Frlzante Tinto, m/d. e m/s.

SEGURO

mm

Quinado Vermouth Âmbar

Vermouth Branco, doce e sêco Vermouth Gemado O. K. Cognac Bagaceira

Gr. Vinho doce (tipo Grandjó^ Gr. Vinho sêco (tipo Southernes)

é um repositório precioso de informações guardadas sob sigilo

Branco sêco Rieling Branco sêco tipo Rene

absoluto e cori/iadas exctusiirae diretamente aosinteressados.

Moscatel licoroso Reserva Estra-Velho Malvasia Adamado

Barbera gfs. achamp. Barbera Alta Classe Cabernet Alta Classe Bonarda Alta Classe

Clarete, sêco e suave

A q uecim en to

Refrigeração•Ar condicionado

Vinho Tinto de Mesa PRODUZIDOS E ENGARRAFADOS NA ORIGEM

FÁBRICAS PRÓPRIAS DE GARRAFAS, BARRIS E CAIXAS.

RUA DA CONSOLAÇÃO, 2.766 - FONE 8-6862

VIADUTO BOA VISTA, 67" 9? ANDAR - FONE-3-1112

END. TtLEG.: "INDUTÉRMtCA" - SAO PAILQ Gráfica São José — Rua GalvSo Bueno. 230 — Telefone: 6-4812 — ggg


E. MOSELE O DEPARTAMENTO

S. A. ESTABELECIMENTOS

DIA e

VINÍCOLAS

NOITE

INDÚSTRIAS E COMÉRCIO MATRIZ: CAXIAS DO SUL

RIO GRANDE DO SUL

BRASIL

TELEGRAMAS: "MOSELE"

FONE. 39G

CAIXA POSTAL. 34

Escrilórios com Depósilos: SÃO PAULO

Rua Américo Brasiliensc, 234

Higiene Confàrto

Alegria Bem-estar

Teleg.: "MOSELE"

Fone. 3-4956

Caixa Poslal, 120-A

AQUECEOUR DE AGUA

LDBOR f"ornccc figu'»

RIO DE JANEIRO Teleg.: "MOSELE" Telcionc. 43-9361

horo.

* tiahheiro

PRODUTOS MOSELE Champagne Grande Gala

Champagne Az de Ouro,

'

quente corrente qua quer

Rua Mairink Veiga. 28 — 2.o - S/4

★ Coainha * Copa ★ ovandoria

m/doce

séca

Champagne Dorée (Uvas Moscatel) Suco de Uva Scxtuplo

ECONOMICO

Suco de Uvas Simples Integral

pratico

Espuma Alva Espuma Roséc

âm

Frizante Branco, m/d. e m/s.

Frlzante Tinto, m/d. e m/s.

SEGURO

mm

Quinado Vermouth Âmbar

Vermouth Branco, doce e sêco Vermouth Gemado O. K. Cognac Bagaceira

Gr. Vinho doce (tipo Grandjó^ Gr. Vinho sêco (tipo Southernes)

é um repositório precioso de informações guardadas sob sigilo

Branco sêco Rieling Branco sêco tipo Rene

absoluto e cori/iadas exctusiirae diretamente aosinteressados.

Moscatel licoroso Reserva Estra-Velho Malvasia Adamado

Barbera gfs. achamp. Barbera Alta Classe Cabernet Alta Classe Bonarda Alta Classe

Clarete, sêco e suave

A q uecim en to

Refrigeração•Ar condicionado

Vinho Tinto de Mesa PRODUZIDOS E ENGARRAFADOS NA ORIGEM

FÁBRICAS PRÓPRIAS DE GARRAFAS, BARRIS E CAIXAS.

RUA DA CONSOLAÇÃO, 2.766 - FONE 8-6862

VIADUTO BOA VISTA, 67" 9? ANDAR - FONE-3-1112

END. TtLEG.: "INDUTÉRMtCA" - SAO PAILQ Gráfica São José — Rua GalvSo Bueno. 230 — Telefone: 6-4812 — ggg


. ■ i.

dos fcmpo^,,.

■..

V-

'i"

• , ■ '-■ -MU']

-• .kl '■

•), ,

*V-'

..

.■•' vw, ■ ■ ■}' • -

v<

»'í , .J

t^5

t .' ' W)

■ ■

■■

: ;v

" •

L

,

- ■

-..

.

•

.'.- ,

,

••■■• ' '. .

.v^iV: • ■■•':;

. : '1

nfmcsmr/ ommMfm msiLim

PBctüTc j^ffrABCTKA

•^-> . '^' ■ • (. -tr';. i".

: .v:

. ;

■^/-i ■■'\ r •/«%,5.--'. .-v-;A-r.r: •., .t-V v.; ' t.. . 'Aii-iSr

ÇTICA PáUt!

€ é€/rtf^ /

.

•}r

: •

K

'

il. )/

,I ^

VI •

rwí!£#%#v«.e

• í- »<' .♦ . ,»

1^ ■. Qt.' ' . "


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
DIGESTO ECONÔMICO, número 56, julho 1949 by Diário do Comércio - Issuu