DICESTU F.R»deAquino&Cia.Ltda. procuradores
ECONOMICO oB OS AUSPÍCIOS Dn ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE SÃO PAULO E da federação 00 COMERCIO 00 ESTADO DE SÃO PAÜW
ORIENTAÇÃO TÉCNICA NA COMPRA E VENDA DE IMÓVEIS ADMINISTRADORES DE BENS
SUMARIO
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Geo*'gi*™o e Marxismo — Redação • ••••". Casas Populares — Francisco Prestes 'ii j
27
O Transporte Individual e Coletivo na Ci a e
SECÇÃO DE SEGUROS
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Anhaia Melo 28 /
O Algodão em São Paulo — Gartbaldí Dantas
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A Região Amazônica — Gastão Cruls •••• História Econômica do Brasil — Afonso
V"
HID DE JANEIRO CIO. NACIONAL DE SEGUROS GERAIS*'
CorneUu. VandorbiU - J
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Calógeras e a Escola Primária — Sud Mennucc
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MATRIZ AVENIDA RIO BRANCO 91 - 6.<' ANDAR RIO DE JANEIRO
mZZ
j;=/ !
Panorama Econômico
Redação
1
.0
N.o 29
abril de 1947
ANO LII
DIGÍESTTO ECGXOMICO
SÍS
o "DjfTCsto Econômico" apr.rece no primeiro sábado de cada mês.
Empresa
£' publicado pela Editora Comercial Ltda., sob os auspícios da Asso ciação Comercial de São Paulo e da Federação do Ccmcrcio do Esta do dc São Paulo.
lie Transportes Drgeates Ltda.
DÍ3tribu'dores no Brasil:
DISTRirUIDCP.A
EDITORIAL BRASILEIRA LTDA.
Avenida Graça Aranha, 81 — 12." andar — Rio de Janeiro
V fi
Representante na Repúbrca Argentina: iriTEiTl-PREMSA — Florida 223 — Buenos Aires — Argentina Representante em Portugal: ANTÓNiO DO CARMO JÚNIOR
Rua Angelina Vidal, C2 — 1.° Esq. Firmas que anunciam neste número:
Anfonio Nogueira ir Companhia A Serviçal Ltda. A-iSunção S/A.
Campana ir Companhia Casa B. Santana de Eletricidade Ltda. Casa Renato
Cipan
General Motors do Brasil S/A. Grandes Indústrias Minelti Gnmba Lida. IndwAr'.a Farmacêutica Nacional Livraria Francisco Alves
ESCRITÓRIOS CENTRAIS:
iiii RiRitiin Rn
• Ao PAULO
KIO.DI.JANiIRO
PARQUE 0. PEORO II, lORS - Loja 1
Rua Mcrcílio Dias, 12
ftplrllo Sutl.241 TilifODi M4N
Metalúrgica Malarazzo S/A.
(Esq. Av. Rangel Pestana)
Móveis da Aço Fiel Lida.
Sede própria - Ed. Guarany
Nicola GaUucci
Tels.: 2-8?66, 2-6661 e 3-3591
c I u n R11 T»lefon*i S3-07y]
23-0337
RiiEmiD ra ni
Cobrasil
Organização Ruf
Cia. Cervejaria Brahma S/A.
Papelaria c Tipografia Andreotti
Cia. de Cif^arros Souza Cruz
Ponzoni Brandalise S/A.
Cia. Distribuidora Geral "Bras~
Prudência Capitalização
PETXSPOIIS
Refinações de Milho Brasil Refinadora dc Óleos do Brasil
UHPOS.VITOMI
motor"
Cia. Química Duas Âncoras Cia. Siderúrgica Belgo-Mineira Cia. S.K.F. do Brasil
Cia. Telefônica Brasileira
Noschese S/A. Fábrica Orion
F. Coimbra 3/A.
Ford Motor Company
•
jail Dl FIRI
POÇOS DE CIINS
Ltda.
Empreza S.E.S. de Transportes
Metais
m
S/A.
S/A. Comércio e Indústria Souza
Fábrica Aliança de Artefatos de
•
I I I k H I I
Romeu Justo Panzoldo 6- Cia.
Cia. de Terras Norte do Paraná
Urgentes Ltda. Enceradeira Epel Expresso Estrela de Prata
Sll ItlllHINCI
S. Magalhães àr Companhia Serviços líollerith ò- Cia. Silimax Ltda.
Sociedade Paulista de Represen tações Ltda.
Taufic Schahim 6- Irmão.
Cmrh n JirMi 1 1 R I I I
SERVICQSI lECONOMICO^ ISEGUROSI
DE DOMICÍLIO A DOMICÍLIO
In
■irtlRI Iloitih 43 TiIiImi ni
Jl
DIGÍESTTO ECGXOMICO
SÍS
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£' publicado pela Editora Comercial Ltda., sob os auspícios da Asso ciação Comercial de São Paulo e da Federação do Ccmcrcio do Esta do dc São Paulo.
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DÍ3tribu'dores no Brasil:
DISTRirUIDCP.A
EDITORIAL BRASILEIRA LTDA.
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V fi
Representante na Repúbrca Argentina: iriTEiTl-PREMSA — Florida 223 — Buenos Aires — Argentina Representante em Portugal: ANTÓNiO DO CARMO JÚNIOR
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'
'■
'
E^WSSS© %í.
o SENHOR
PRECISARÁ TAMBÉM
DE UM APÔiO...
rí
^BJAM quais forem os seus recursos. ^ presentes e o seu atual padrão
TRANSPORTES
de vida. o senhor necessitará, na sua
velhicei de um apdio seguro que lhe garanta confõrto, descanso e indepen
Rua General Pedra, 34
dência. Isto sd conseguirá se não
RODOVIARI OS
Tel.: 43-0505 — RIO
DE DOMICILIO A DOMICILIO
depender de outras pessoas, nem de parentes, nem de amigos, multo me
^^'cmspoites.
Êt
nos de casas de caridade. Terá de
dispor de um apoio próprio, prepara do pelo sr. mesmo enquanto é tempo e tôdas as facilidades estão em suas mãos- Subscreva títulos da Prudência
Rua Mercúrio, 115
Capitalização e viva com tranqüili
Tels.; 2-3229 - 2-4234
dade. sem maiores apreensões.
i
Proeare «onheeer, tem compromisso,
es plenos do Prudeneio Ccpllellze(õe. nos sues venrogans raofs a
* Oí nossos títulos, alem de outras paron.
goroallos tólldas, iegois, absolutas.
tias. aprcsLTiiaTn as de Imoijets. .Apólices, Obrigações de Guerra. Hip^iiccas, Adianto.
SAO PAULO
I.
Tnenios e Depósitos bancários em din/iciro.
PRUDEKCÍÂ CÁPITÁLIZÁCÁO
■H.
Rua Antonio Prado, 55 SANTOS
♦ COMPANHIA NACIONAL PARA FAVORECER A ECONOMIA •
Rua Chaves Barcelos, 123
Tel.: 6544
Porto Alegro
TaHAM ^ Cài* Je
Yíap/psz* /.Jj
>;huÍ>Í&&Vsí.
Á
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^^'cmspoites.
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dade. sem maiores apreensões.
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* Oí nossos títulos, alem de outras paron.
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-TmR
O TÉCNICO NO LABORATÓRIO E O TRABALHADOR NA MÁQUINA
l LUTAM INCESSANTEMENTE PARA LHE PROPORCIONAR
pM todos os objetos que adquiri* ^ mos para o nosso uso. é.natural que procuremos a melhor qualidade.
NOSSAS
A qualidade, porém, torna-se predi
ESPECIALIDADES»
cado insubstituível em objetos que cxijem garantia de longa durabilida
CALÇADOS EM GERAL — Calçi<ios de couro com solu de borracha, para homens, senhorai e cnançu. Tênis e calçado* de lona para esportes e praia.
de no seu adequado uso: brunidorcs
para arroz, peças de uso industrial. artigos cirúrgicps. Nossos modernos
ARTEFATOS PARA CALÇADOS —Saltos e capas de borracha
processos técnicos de fabricação ga-
para saltos. Solas de borracha para calçados de homens, senhoru e crianças. Lençóis de borracha para solado. Virolas de borra
rantcm a mais alta qualidade, pois representam o fruto de contínuos estudos e minuciosas observações.
cha. Corticiie para calçados de homens e crianças. ITra de Lgaçãc Oueras miudezas. ARTEFATJS DE BORRACHA EM GERAL
Fios elásticos
de borracha de todos os tipos. Lençóis de borracha para dos.
S.II.FaBRICIIS
para cincas elásticas e para hospitais. Tapetes de borracha, desintupidores para pias, pés de cadeira, pncumaticos e cordões para rodas de velocípedes, Pucaros, çuarnições de borracha para
ORION
pratos, rodas dc borracha para balanças, revestimento de rodas para fíns industriais e mais uma ínfiiudade de produtos de borracha-
o MAIS Alio PAORAO
OC CXCUÍNCIA [M ABItrATOS 0{ BORRACHA
FIIBRICBNTES DOS AFJIMDOOS SALTOS DE BORRACHA FÁBRICAS: Rua Marajây 136/158
Gerencia
Rucf*'Cesarlo Alvim^ 297
Confadorla — 9-3 200
ESCRITÓRIO:
Escritório
— —
9-3205 9-3 200
Rua Marajóy 136/158
Endereço Telegrâfico:
São Paulo
CAMPANA
PETTINATI-C-1-d
PANAM — Cju civ Ainis<
TELEFONES:
MARCA
REGISTRADA
-TmR
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2 mandamentos para
XlWercom saúde: AGUA cristalina E PURA!
COMER FRUTAS E SALADAS DE VERDURAS CRUAS COM ABUNDANCIA! * Siga o exemplo de milhões de pessoas que em todo o mundo pro> tegem a saúde com os esterilisadores SALUSI Os esterilisadores SALUS esterilisam scientííicamen
te 8 agua, frutas e verduras, sem
neutralísar-lhes a vitalidade, evitando a transmissão do tifo e de
outras moléstias perigosas. Ha um
ENERGIA/ ALIMENTO A BASE DE
producto SALUS para cada fim, filtros, velas, talhas, moringues e saiadeiras. SALUS! é e sím
bolo de purexa e saúde, de reco nhecida idoneidade scientifíca.
IDEAL GLUCOSE
Salus ÚNICOS FABRICANTES £ DISTRIBUIDORES
Antonio Nogueira & Cia. Ltda. DEPOSITARIA CASA SALUS - RUA XAVIER DE TOLEDO,60 - SAO PAULO RUA DA QUITANDA, 24 - RIO DE JANEIRO
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CIA. DE CIGARROS
Nenhum criador joga fóra propositadamente o leite que produz em sua fazenda ^ porque leite é dinheiro proveniente de trabalho continuo e penoso. Já pensou, entretanto, em quantos latões de leite o senhor desperdiça simplesmente porque deixa de os produzir?
Lembre-se de que para produzirem com eficiência e
economia as vacas leiteiras exigem uma alimentação racional - farta, rica e bem equilibrada. As "RAÇOES concentradas BRASIL" são cuidadosamente calculadas para a obtenção do má ximo rendimento dos seus animais, conservaudo-os fortes e sadios.
Experimente-a hoje mesmo e nunca mais
deixará de usa-la.
^
(Resp. Brennp M. de Andrade, eng.-agro.)
C ô
Pedidos à Caixa Postal, 1117 Produto da Refinadora de Óleos Brasil S/À Rua Xavier de Toledo, 114 - Caixa Postal, 1117 São Paulo
Filial de São Paulo — Rua Alegria, 300
Loja, Vendas a Varejo — Rua José Bonifácio, 308
CIA. DE CIGARROS
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sffi wm wm
PRODUTOS ALIANÇA I S.OOO
ARTIGOS DIFERENTES <■ e c À • o 9
MAX
LOWENSTEIN
& CIA.
SÃO PAULO ESCKITÔPIO: Rm Moniinkw A*di>a<. 4SI rÁBRtCA.- Rm t CAtXA POSIAL, 1511
RIO DE JANEIRO rjftkklin Rooie.rll. 04 - Sali 404
Seus próprios olhos verão, visitando um dos laboralóríos da
Indústria Farmacêutica
Nacional, os
seus aparelhos adequados, es medidas precisas, a esterilização rigorosa, a mani
pulação impecável, a execução de iccníca perfeita — a fim de que possa responder pela pureza, êficócia c segurança dos seus
produtos. Seus próprios olhos verão que a Indústria Farmacêutica ê ciência, cul
tura, saber, esforço e dedicação. Seus pró prios olhos verão o que o Brasil já tem feito com seus cientistas, médicos, farma
cêuticos, técnicos c operários especializados para a saúde e redenção fislca, moral c econômica de milhões do vidas hu manas. Seus próprios
olhos verão, pois
estamos de portas abertas! •* A MOÚSJMA FARMACfunCA NACfONAl Ê FATOR D£ PROGRESSO CIENTÍFICO *
■ «Tii!r.:,ji,;u nifT'-i'i'á^ u ■firrfui '
I^RTO ALEGRE At. Oit.U RocKk 73 1.0 «a4<
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"1'
WESTINGHOUSE . ELECTRIC INTERNflTIOM/qL CO.
NEW yoRK, u.s./q.
Equipamentos Elétricos em ge ral para Industrias, Empresas de Eletricidade e Estradas de Ferro. Ônibus Elétricos "Westram".
;í
Cada macaco no seu galho... COM ÈSTE PROVÉRBIO O povo consagra a A confra-morca ASA
>
é a garonf/a dos rádios WEST POINT JEFFERSON
especialização. A indústria dos rádios, para satisfazer as exigências atuais, só pode ser entregue a engenheiros e técnicos espe cialistas do ramo. Assim procede há 20 anos
Indústria e Comércio Assumpção S''A, fabri HAMILTON
LINCOLN REPRESEiNTflINTESt
"ÇQBRflZIL" - Q\R. DE MINER/qÇ^Q
1
cante dos aparelhos de contra-marca ASA,
com o seu corpo de engenheiros, técnicos e operários especializados, assegurando uma qualidade apropriada às nossas condições climatéricas, ainda não superada por apare
lhos de qualquer proveniência.
E METflLURQIfl BR/^ZIL INDUSTRIA
SOCIED/qDE idíNÓNIM/q BRASILElR/d
E COMÉRCIO
\ RESPONDE PELO QUE VENDE
FUNDADA EM 1917
TELEFONE 4-5136 - RUfl MflRCONI IN." 87, 7" e 8^ ANDAR SflO
PAULO
• FOstAL,2025 • SAOP
PANA.M — c.ia ile AmrcKS
á XiAtfc.).
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irMoinho de Trigo
CAMINHlES FORD
Fabricas de Óleos fllimenticios e Sabão
DURAM MRIS! QRídNDES INDClSíRIflS
£ AQUI ESTÃO
as provas:
MINETTI, OflMBfl, LTD/q.
PROVA N^l Secundo u AllltnM
esUlIstlcas
obtidas nos Estados Unidos, de cada li canitnhSes Ford, construi. dos desde lOZS. 7 enatlnuam no
trabalho, muitos dèlcs nOS mais Árduos serviços.
PROVA N^2 Dados oficisis
norte-americanos
atestam que. de cada J.OOO camlohõea novos, licenciados entre 1928 e 1941, os de
marca Ford
apresentam a mais elevada por.
•GDtaccm de "sobrevivincla".com 619 para cada
mil, enquanto a
marca colocada em segundo togar figura com 543 para cada mil, ou
•eja 14% menoa.
Por isto, 8S pessoas que procuram longa durabilidade e eficiência preferem Ford. Porque os
caminhões Ford são super-rcsistentcs, possuem
PROVA N^3 Bscrilúrio:
Industrias:
Rua São Bento, 365 - 1." andar
Rua Borges de Figueiredo, 510
Tel. rede particular: 3-21G8
Tel. 9-2832 - 9-2990
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construção sólida e reforçada — durom mo/s.
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A dorscSo mòdla de torfo* os camlnh&es Ford em uso dos Es
construção sólida e reforçada — durom mo/s.
FORD
MOTOR
COMPANY
tados Unidos 6 de quase 9 anos!
MAIS DE 31 miihOes de carsos e caminhOes foro fabricados até hoje
A
1
k
CR
©
MilCHOS RECONHECIDOS COMO OS MELHORES NO MERCADO!
Pt
0^ fiOFfi
os
maChos SKF" TEM
MAIOR
DURABI LIDADE
E
PRODUZEM UMA ROSCA PERFEITA CORTAM A ROSCA COM FACILIDADE E RAPIDEZ
PO R QU E t SÃO RETIFICADOS DEPOIS DA TÊMPERA POR PROCESSO ESPECIAL E POR ISSO ELIMINAM
AS FALHAS CAUSADAS PELA TÊMPERA. O PASSO DA
ROSCA É PRATICAMENTE
EXATO DENTRO DE UMA TOLERÂNCIA
0,005 mm UM
ASSENTAMENTO
TÊM
DE
EM 25 mm; ASSEGURANDO ASSIM
PERFIL
DE
INTEGRAL.
ROSCA
EXATO
E
PERFEITA-
Disto, êle não abre mão! Está
MENTE
UNIFORME.
na hora do "seu" Brahma Chopp...
RANHURA PARA CAVACOS EM ANGULO RETO.
e acabou-se! É um verdadeiro FEITOS
feitiço... Seria um capricho? Há
DE
AÇO
SUECO
DA
MAIS
ALTA
QUALIDADE
FABRICADO NAS PRÓPRIAS USINAS DE AÇO DA SKF
motivos... Brahma Chopp—a fa
bulosa cerveja — fascina milhões porque é super-deliciosa! Sele
ção rigorosa dos ingredientes
NAO E O PREÇO DE AQUISIÇÃO QUE E DECISIVO — E SIM A QUALIDADE DO TRABALHO
— eis o segrêdo! Em seu fabri co,s6 entram puríssimo fermento, vigoroso malte, aromático iú-
PRODUZIDO, A RAPIDEZ DE EXECUÇÃO E A DURABILIDADE DO MACHO — EM OUTRAS PALAVRAS:
O
PREÇO
POR
FURO
CORRETAMENTE
EXECUTADO !
pulo. Assim é que se tornou rea
lidade a bebida gostosa e sau
dável, que faz tão entusiásticos admiradores em todo o
Brasil.
fRODUTO DA CtA. CERVE/ARÍA BRAHMA SOCIEDADE ANÔNIMA BRASILEIRA — RIO 0£ JANEIRO — S. PAULO — CURITIBA — PORTO AUCRE
COMPANHIA
DO
ROLAMENTOS .1
> .. /'J.àAti
BRASIL
k
CR
©
MilCHOS RECONHECIDOS COMO OS MELHORES NO MERCADO!
Pt
0^ fiOFfi
os
maChos SKF" TEM
MAIOR
DURABI LIDADE
E
PRODUZEM UMA ROSCA PERFEITA CORTAM A ROSCA COM FACILIDADE E RAPIDEZ
PO R QU E t SÃO RETIFICADOS DEPOIS DA TÊMPERA POR PROCESSO ESPECIAL E POR ISSO ELIMINAM
AS FALHAS CAUSADAS PELA TÊMPERA. O PASSO DA
ROSCA É PRATICAMENTE
EXATO DENTRO DE UMA TOLERÂNCIA
0,005 mm UM
ASSENTAMENTO
TÊM
DE
EM 25 mm; ASSEGURANDO ASSIM
PERFIL
DE
INTEGRAL.
ROSCA
EXATO
E
PERFEITA-
Disto, êle não abre mão! Está
MENTE
UNIFORME.
na hora do "seu" Brahma Chopp...
RANHURA PARA CAVACOS EM ANGULO RETO.
e acabou-se! É um verdadeiro FEITOS
feitiço... Seria um capricho? Há
DE
AÇO
SUECO
DA
MAIS
ALTA
QUALIDADE
FABRICADO NAS PRÓPRIAS USINAS DE AÇO DA SKF
motivos... Brahma Chopp—a fa
bulosa cerveja — fascina milhões porque é super-deliciosa! Sele
ção rigorosa dos ingredientes
NAO E O PREÇO DE AQUISIÇÃO QUE E DECISIVO — E SIM A QUALIDADE DO TRABALHO
— eis o segrêdo! Em seu fabri co,s6 entram puríssimo fermento, vigoroso malte, aromático iú-
PRODUZIDO, A RAPIDEZ DE EXECUÇÃO E A DURABILIDADE DO MACHO — EM OUTRAS PALAVRAS:
O
PREÇO
POR
FURO
CORRETAMENTE
EXECUTADO !
pulo. Assim é que se tornou rea
lidade a bebida gostosa e sau
dável, que faz tão entusiásticos admiradores em todo o
Brasil.
fRODUTO DA CtA. CERVE/ARÍA BRAHMA SOCIEDADE ANÔNIMA BRASILEIRA — RIO 0£ JANEIRO — S. PAULO — CURITIBA — PORTO AUCRE
COMPANHIA
DO
ROLAMENTOS .1
> .. /'J.àAti
BRASIL
Esta elicienle e ultra •rápida máquina elétrica vale também por
ELECTROIIfITIC
um duplicador em seu escritório.
ALLELECTRIC o serflço ordinário de um escritório exige várias có pias para cada trabalho dactilográfico. Para essas có-
para regulagem de qualquer número dc cópias deseiado, até o máximo dc lo! A impressão é uniforme c per
láas, nem sempre perfeitamente legíveis, a dactilógrafa
feita. Os pontos não perfuram o papel. As maiúsculas
oecma um esforço contínuo no bater das teclas, -ubmetendo a máquina a um desgaste violento. A má quina de escrever "Elearomauc" AlI-Electric resolve,
não ficam desmaiadas. A "Electromatic" All-Electric
vale. assim, por um duplicador, no seu escritório, proporcionando-!hc, também, o rendimento Je 3
máquinas c j d.iciilógrafas! Eficiência, Rapidez, Per
iotràamentc, esse problema, porque dá até.jo cópias
feição c Economia, são as caractcristicas próprias da
latidas de uma vez ! Dotada de extrema sensibilidade,
"Elenroniatic". Insercva-sc, hoje, em nossos escritó
a "Elcctromatíi;" AIJ-Eíectric possui uma alavanca
rios para breve recebimento da sua "Electromatic".
li JOGO DE ESCOVAS PARA ESPALHAR
A CERA, LUSTRAR E DE FELTRO PARA
DAR
INDUSTRIAS REUNIDAS INUIAN EPEL LIDA ESCRITÓRIO E LOJA: LARGO DE SAO BENTO. 20 - TELEFONE 3-1724 - S. PAULO
SERVIÇOS HOLLERITH S. A. INSTITUTO BRASILEIRO DE MECANIZAÇÃO
Avenida Graço Àranho, 182- io de Janeiro
BRI LHO
Representantes nas principais cidades do Brosll a.1 ..w
Esta elicienle e ultra •rápida máquina elétrica vale também por
ELECTROIIfITIC
um duplicador em seu escritório.
ALLELECTRIC o serflço ordinário de um escritório exige várias có pias para cada trabalho dactilográfico. Para essas có-
para regulagem de qualquer número dc cópias deseiado, até o máximo dc lo! A impressão é uniforme c per
láas, nem sempre perfeitamente legíveis, a dactilógrafa
feita. Os pontos não perfuram o papel. As maiúsculas
oecma um esforço contínuo no bater das teclas, -ubmetendo a máquina a um desgaste violento. A má quina de escrever "Elearomauc" AlI-Electric resolve,
não ficam desmaiadas. A "Electromatic" All-Electric
vale. assim, por um duplicador, no seu escritório, proporcionando-!hc, também, o rendimento Je 3
máquinas c j d.iciilógrafas! Eficiência, Rapidez, Per
iotràamentc, esse problema, porque dá até.jo cópias
feição c Economia, são as caractcristicas próprias da
latidas de uma vez ! Dotada de extrema sensibilidade,
"Elenroniatic". Insercva-sc, hoje, em nossos escritó
a "Elcctromatíi;" AIJ-Eíectric possui uma alavanca
rios para breve recebimento da sua "Electromatic".
li JOGO DE ESCOVAS PARA ESPALHAR
A CERA, LUSTRAR E DE FELTRO PARA
DAR
INDUSTRIAS REUNIDAS INUIAN EPEL LIDA ESCRITÓRIO E LOJA: LARGO DE SAO BENTO. 20 - TELEFONE 3-1724 - S. PAULO
SERVIÇOS HOLLERITH S. A. INSTITUTO BRASILEIRO DE MECANIZAÇÃO
Avenida Graço Àranho, 182- io de Janeiro
BRI LHO
Representantes nas principais cidades do Brosll a.1 ..w
DIGESTO EEOiOMlCO o MUKOO DOS NEGÚCIDS KUM PfiNDR&Ma MCHSKl Publicado sob os auspícios da
ASSOCIAÇÃO CÜMERCIÃLDE SÃO PAULO
★
FEOERAÇÃO 00 COMÉRCIO 00 ESTAOO OE SÃO PAULO
m
Diretor Superintendente:
AURO SOARES DE MOURA ANDRADE Diretor;
ANTONJO GONTIJO DE CARVALHO
O DIGESTO ECONÔMICO,órgão de informações econômicas e financei
O Digesto Econòmleo publicará no próximo número: PERSPECTIVAS DO COMÉRCIO IN TERNACIONAL — Tcotônio Mon teiro de Barros Fillio.
mercial Ltda.,é publicado no primeiro
ANTÔNIO DA SILVA PRADO - José Honório Rodrigues.
sábado de cada mês,
CASAS POPULARES - Francisco Pres
ras, de propriedade da Editora Co
tes Maia.
A direção não se respr.nsabiliza pelos dados cujas fontes estejam devida mente citadas, nem pelos conceitos emitidos em artigos assinadrs.
eorgismo e iviarxismo Ouau/o í/o ficorgismo não pertenço ao número âc seus klóUitras.
de apreciação a miragem cio impâtio único. Sou muito tradicional e o jorro d'água da cmeção das gotas d'ánua. Em matéria tributária,
(a-pesar-dos defeitos) para a multipUcidoae dos fontes de receita a consttiuir
O PROBLEMA DO PÔRTO DE SAN
rendas públicas.
E mais seguro c menos perigoso nos
REGIÃO SE
—
AGRÍCOLA Everardo
BANANALEN-
Valim
Pereira
de
Souza.
carta recente, que dirigiu ao seEMnhor Luiz Carlos Prestes,^o contista onteiro Lobato, depois de reiterar ao
Montei
Na transcrição de artigos perie-se eitar o nome do DIGESTO ECONÔMICO.
Aceita-se intercâmbio c/publicações congêneres nacionais e estrangeiras.
O USO DA BORRACHA ENTRE OS ÍNDIOS — Gastão Cruls.
chefe comunista os seus protestos de
UM COMERCIANTE DO TEMPO DA INDEPENDÊNCIA - Otávio Tar-
panha política pela aplicação no Brasil dos princípio.s do georgismo. Em sua
quinio de Souza.
ASSINATURAS:
Digesto Econômico
Ano (simples) »
cr$ 30,00
(registrado)
Número do mês: Atrasado : '
crS 36,00 Cr$ 3,00 Cr$ 5,00
★
Redação e Admlnlstrcçõo: VIADUTO BOA VISTA,67 —7.» ANDAR TEL. 3-7499 — CAIXA POSTAL. 240-B
SÃO PAULO
'
TOS — Nelson Werneck Sodré.
★
estima e admiração, sugere-lhe uma cam
resposta, o dirigente máximo do P.C.B.
mas seguindo o critério de unia sição objetiva. Para tanto,
'
aos textos mais autorizados sooic momentosa questão.
O georgismo
Preliminarmente, observemos que — o :ji ,^,rvic,nn
deu a entender que ainda não tem opi- , georgismo, tanto quanto ^ nião firmada a respeito, o que deveria doutrinas com as quais li ter deixado o leitor um tanto descon- características basicas, - tem posiçoes definidas em relação à renda da terra, ctrliido. A matéria, parece-nos, está exigindo embora se inspirassem, neste capitulo,, dos estudiosos cabal esclarecimento. Ha verá identidade entre a doutrina mar
xista e as reformas pleiteadas pelo autor de "Progress and Povcrty"? Se não há
nos estudos dos economistas da escola clássica, inclusive Ricardo.
Vejamos a respeito o fundamento da doutrina do pen.sador americano. As nossas citações serão tiradasi udo prti. t• prio texto de "Progress and Poverty
essa identidade, cm que diferem? Haverá possibilidade de uma conciliação entre ambas? Em que concepção filosó- (edição da "Mpdern Library", No\'l fica se' baseiam? Iorque), o mais famoso liiTO de Herm' É o que veremos a seguir, em traços Georgc. No capitulo II do livro III de rápidos, não com o intuito polêmico, sua obra, assim diz este autor:
DIGESTO EEOiOMlCO o MUKOO DOS NEGÚCIDS KUM PfiNDR&Ma MCHSKl Publicado sob os auspícios da
ASSOCIAÇÃO CÜMERCIÃLDE SÃO PAULO
★
FEOERAÇÃO 00 COMÉRCIO 00 ESTAOO OE SÃO PAULO
m
Diretor Superintendente:
AURO SOARES DE MOURA ANDRADE Diretor;
ANTONJO GONTIJO DE CARVALHO
O DIGESTO ECONÔMICO,órgão de informações econômicas e financei
O Digesto Econòmleo publicará no próximo número: PERSPECTIVAS DO COMÉRCIO IN TERNACIONAL — Tcotônio Mon teiro de Barros Fillio.
mercial Ltda.,é publicado no primeiro
ANTÔNIO DA SILVA PRADO - José Honório Rodrigues.
sábado de cada mês,
CASAS POPULARES - Francisco Pres
ras, de propriedade da Editora Co
tes Maia.
A direção não se respr.nsabiliza pelos dados cujas fontes estejam devida mente citadas, nem pelos conceitos emitidos em artigos assinadrs.
eorgismo e iviarxismo Ouau/o í/o ficorgismo não pertenço ao número âc seus klóUitras.
de apreciação a miragem cio impâtio único. Sou muito tradicional e o jorro d'água da cmeção das gotas d'ánua. Em matéria tributária,
(a-pesar-dos defeitos) para a multipUcidoae dos fontes de receita a consttiuir
O PROBLEMA DO PÔRTO DE SAN
rendas públicas.
E mais seguro c menos perigoso nos
REGIÃO SE
—
AGRÍCOLA Everardo
BANANALEN-
Valim
Pereira
de
Souza.
carta recente, que dirigiu ao seEMnhor Luiz Carlos Prestes,^o contista onteiro Lobato, depois de reiterar ao
Montei
Na transcrição de artigos perie-se eitar o nome do DIGESTO ECONÔMICO.
Aceita-se intercâmbio c/publicações congêneres nacionais e estrangeiras.
O USO DA BORRACHA ENTRE OS ÍNDIOS — Gastão Cruls.
chefe comunista os seus protestos de
UM COMERCIANTE DO TEMPO DA INDEPENDÊNCIA - Otávio Tar-
panha política pela aplicação no Brasil dos princípio.s do georgismo. Em sua
quinio de Souza.
ASSINATURAS:
Digesto Econômico
Ano (simples) »
cr$ 30,00
(registrado)
Número do mês: Atrasado : '
crS 36,00 Cr$ 3,00 Cr$ 5,00
★
Redação e Admlnlstrcçõo: VIADUTO BOA VISTA,67 —7.» ANDAR TEL. 3-7499 — CAIXA POSTAL. 240-B
SÃO PAULO
'
TOS — Nelson Werneck Sodré.
★
estima e admiração, sugere-lhe uma cam
resposta, o dirigente máximo do P.C.B.
mas seguindo o critério de unia sição objetiva. Para tanto,
'
aos textos mais autorizados sooic momentosa questão.
O georgismo
Preliminarmente, observemos que — o :ji ,^,rvic,nn
deu a entender que ainda não tem opi- , georgismo, tanto quanto ^ nião firmada a respeito, o que deveria doutrinas com as quais li ter deixado o leitor um tanto descon- características basicas, - tem posiçoes definidas em relação à renda da terra, ctrliido. A matéria, parece-nos, está exigindo embora se inspirassem, neste capitulo,, dos estudiosos cabal esclarecimento. Ha verá identidade entre a doutrina mar
xista e as reformas pleiteadas pelo autor de "Progress and Povcrty"? Se não há
nos estudos dos economistas da escola clássica, inclusive Ricardo.
Vejamos a respeito o fundamento da doutrina do pen.sador americano. As nossas citações serão tiradasi udo prti. t• prio texto de "Progress and Poverty
essa identidade, cm que diferem? Haverá possibilidade de uma conciliação entre ambas? Em que concepção filosó- (edição da "Mpdern Library", No\'l fica se' baseiam? Iorque), o mais famoso liiTO de Herm' É o que veremos a seguir, em traços Georgc. No capitulo II do livro III de rápidos, não com o intuito polêmico, sua obra, assim diz este autor:
í
Dicesto Econômico
22
"O lèrmo renda, no seu sentido eco-
A renda também .se expressa pelo preço
. nómico — isto é, quando usado, como o xisamos, para distinguir aquela parte do produto que reverte aos detentores da
de venda. Quando a terra é vendida, o
terra ou outras riquezas naturais em \'irtude de sua propriedade — difere da
.acepção do têrmo renda habitualmente
empregado. Sob alguns aspectos essa significação econômica é mais estreita do que a comum; sob outros aspectos, é maiç ampla".
Henry George passa a seguir a estu dar a "significação mais estreita". Lem-
"bra que, na linguagem comum, aplica mos o têrmo renda para os pagamentos pelo uso de prédios, máquinas, imóveis,
etc., assim como pelos pagamentos pelo uso da terra e outras riquezas naturais. E>, ao falarmos da renda de uma casa
ou da renda de uma fazenda, não sepa ramos o preço pelo uso da benfeitoria
do preço pelo uso da terra despida. Mas da significação econômica da ren-
•da são excluídos os pagamentos pelo uso de qualquer dos produtos do esforço humano. Nos pagamentos em conjunto pelo uso de casas, fazendas, etc., cons
titui renda apenas aquela parte rela cionada com a utilização da terra. A parte paga pelo uso de prédios e outras
"benfeitorias já entra na categoria do juro, tal como acontece em relação ao capital. Examinemos agora, sempre baseados
na própria exposição de Henry George, n "significação mais ampla".
aa
Dicesto Económicxí
Na lin
guagem também comum, só falamos de
pagamento que é feito pela propriedade, ou o direito de sua exploração perpétua, é renda transformada ou capitalizada. "Eu compro terra por um pequeno
preço — diz textualmente Henry George — e a conservo até que a possa vender
por um preço .superior, enriquecendo assim não pelo salário, pelo meu traba lho ou pelos juro.s do meu capital, mas pela elevação da renda. Renda, em suma, é a parte da riqueza produzida que o direito exclusivo ao uso dos ele mentos naturais proporciona ao proprie tário. Onde quer que a terra tenlia um valor de troca, aí há renda no sentido
econômico do termo.
Onde quer que
a terra, tendo um valor, seja usada,
pelo proprietário ou pelo arrendatário, aí há renda efetiva; onde quer que ela não seja usada, embora tenha um valor,
aí há renda potencial. É esta capacida de de produzir renda que dá valor à terra. Enquanto a propriedade não con fere nenhuma vantagem, a terra não possui valor".
salários e os lucros podem aumentar
do que lhes sobra depois de subtraída
juntamente com estas últimas.
a renda, ou, em outra liipólese, no que
1A
possam obter sem pagar renda, isto é, do que possam obter na pior terra em
Nos países* progressistas, segundo George, o aumento da renda constitm a chave mediante a qual se compreende
porque os salários e o lucro deixam de aumentar com o aumento das fòrças
produtivas. A riqueza produzida em to da comunidade — explica — divide-se em duas partes demarcadas pelo que se pode chamar a linha da renda. Esta ó fixada pela margem do cultivo, ou a
recompensa que o trabalho e o capital podem obter com a exploração dos re cursos naturais, quando livres, e sem o
produtividade ou da utilidade desta, não ção, mas simplesmente confere ao seu
o valor da terra é baixo, pode verifi taxa de juros, como é comum nos países
novos. E, onde o valor da terra é_alto,
o preço do monopólio da terra.
taxa de juros, como é comum nos países
naturais que o e.sfôrço humano não pode
<lo o proprietário e o empresário se con
produzir ou aumentar.
fundem na mesma pessoa, e é o caso,
Estudando a lei da renda, George
por exemplo, dos fazendeiros paulistas.
observa que é, de fato, uma dedução
•Quando o proprietário e o 'empresário coexistem na mesma pessoa, aquela
lários e os juros tendem a um nível co
da lei da concorrência.
Como os sa
mum, toda aquela parte da produção geral da riqueza, que excede o que o trabalho e o capital empregados pos
pelo seu trabalho e capital constitui a parte de seu ganho que conseguiria se,
sam garantir para si mesmos, se"aplica
.em vez de possuir o solo, o arrendasse.
turais em uso, se encaminha para os pro-
dos quanto aos mais pobres agentes na
em 1917, diz o seguinte ^ respeito da teoria da renda territorial: "Nos países-
capitalistas, a superfície das terras é li mitada, pois é tôda ocupada por cultiva
dores, e os preços dos produtos ajpríco-
las são estabelecidos segundo as despe sas de cultura não num terreno médio, mas num terreno de qualidade inferior,,
e, quanto ao transporte — dos produtosaté o mercado — não segundo condi
ções médias, mas segundo as mais des
qualidade superior (ou nas condições,
proprietário uma parte dos resultados
tido econômico, há também renda quan-
Lenin, idealizador do Estado soviético-
favoráveis. A diferença entre este preço
dessa produção. E^a constitui, portanto, gue-se sobre a limitação da proprieda
Em estudo relativamente
denso, escrito para uma enciclopédia, N.
pagamento de renda. A parte do pro
pode verificar-se uma larga produção de riqueza, apesar de salários baixos e baixa
Er
A concepção marxista da renda Vejamos agora a concepção marxista
duto abaixo desta linha é atribuída aos salários e ao lucro. Tudo o que estiver acima dêsse limite, se encaminha
car-se uma pequena produção de ri queza, não obstante altos salários e alta
proporciona qualquer auxílio à produ
te quanto as fôrças produtivas, é que os
da renda.
uso.
a ou o valor da terra não procede da
de individual em relação aos elementos
íoa é renda, ao passo que a recompensa
dem, na agricultura, do que possam pro duzir o trabalho c o capital, mas apenas
Dadas estas premissas, a conclusão do
âeorgismo não poderia ser outra: a ren-
sário são pessoas distintas. Mas no sen
alugando a sua terra a uma terceira pes-
cairão. Somente quando o valor da terra deixa de aumentar tão ràpidamen-
os proprietários territoriais. Assim, onde
•jrenda quando o proprietário e o empre
parte de seu ganho que pode obter
Assim, os salários e o lucro não depen
prictários da terra .sob a forma de renda.
velhos.
E onde as forças produtivas
aumentam, como aumentam em todos os
países progressistas, os salários e os lu cros podem ser afetados, não pelo au mento, mas pela maneira por que a renda é afetada. Se o valor da terra aumei^a proporcionalmente, todo o aumento da produção será absorvido pela ^renda, e os salários e juros permanecerão inalte rados. Se o valor da terra aumenta em proporção maior que as forças produti vas, a renda absorverá mais do que o aumento produzido. E quando os pro dutos do trabalho e do capital forem muito maiores, os salários e os lucros
e o preço de produção nos terrenos de melhores) constitui a renda diferen
cial". Analisando-a, resumindo o pensa mento de Marx^mostrou que provém dos
diferentes graus de fertilidade dos di versos terrenos, assim como da diferença dos capitais invertidos na cultura. E denuncia o êrro de Ricardo ( bém a "A teoria da mais-valia , de-
Marx, em que a critica de Rodberti^ merece uma atenção particular). Wcardo afirmava que a renda diferencial só aparece em seguida à passagem su cessiva dos melhores terrenos aos ter
renos de qualidade inferior. Verificamse, ao contrário, transições inversas, pas
sando os terrenos de uma categoria^ a. outra (em virtude do progresso da téo-
nica agrícola, do crescimento das cida
des, etc). A famosa "lei da diminui-
ção progressiva da fertilidade do solo não passa, no entender de Lenin, de un». êrro profundo, atestando o desejo de seatribuírem à natureza os defeitos, a»
fraquezas e as contradições do capita lismo.
í
Dicesto Econômico
22
"O lèrmo renda, no seu sentido eco-
A renda também .se expressa pelo preço
. nómico — isto é, quando usado, como o xisamos, para distinguir aquela parte do produto que reverte aos detentores da
de venda. Quando a terra é vendida, o
terra ou outras riquezas naturais em \'irtude de sua propriedade — difere da
.acepção do têrmo renda habitualmente
empregado. Sob alguns aspectos essa significação econômica é mais estreita do que a comum; sob outros aspectos, é maiç ampla".
Henry George passa a seguir a estu dar a "significação mais estreita". Lem-
"bra que, na linguagem comum, aplica mos o têrmo renda para os pagamentos pelo uso de prédios, máquinas, imóveis,
etc., assim como pelos pagamentos pelo uso da terra e outras riquezas naturais. E>, ao falarmos da renda de uma casa
ou da renda de uma fazenda, não sepa ramos o preço pelo uso da benfeitoria
do preço pelo uso da terra despida. Mas da significação econômica da ren-
•da são excluídos os pagamentos pelo uso de qualquer dos produtos do esforço humano. Nos pagamentos em conjunto pelo uso de casas, fazendas, etc., cons
titui renda apenas aquela parte rela cionada com a utilização da terra. A parte paga pelo uso de prédios e outras
"benfeitorias já entra na categoria do juro, tal como acontece em relação ao capital. Examinemos agora, sempre baseados
na própria exposição de Henry George, n "significação mais ampla".
aa
Dicesto Económicxí
Na lin
guagem também comum, só falamos de
pagamento que é feito pela propriedade, ou o direito de sua exploração perpétua, é renda transformada ou capitalizada. "Eu compro terra por um pequeno
preço — diz textualmente Henry George — e a conservo até que a possa vender
por um preço .superior, enriquecendo assim não pelo salário, pelo meu traba lho ou pelos juro.s do meu capital, mas pela elevação da renda. Renda, em suma, é a parte da riqueza produzida que o direito exclusivo ao uso dos ele mentos naturais proporciona ao proprie tário. Onde quer que a terra tenlia um valor de troca, aí há renda no sentido
econômico do termo.
Onde quer que
a terra, tendo um valor, seja usada,
pelo proprietário ou pelo arrendatário, aí há renda efetiva; onde quer que ela não seja usada, embora tenha um valor,
aí há renda potencial. É esta capacida de de produzir renda que dá valor à terra. Enquanto a propriedade não con fere nenhuma vantagem, a terra não possui valor".
salários e os lucros podem aumentar
do que lhes sobra depois de subtraída
juntamente com estas últimas.
a renda, ou, em outra liipólese, no que
1A
possam obter sem pagar renda, isto é, do que possam obter na pior terra em
Nos países* progressistas, segundo George, o aumento da renda constitm a chave mediante a qual se compreende
porque os salários e o lucro deixam de aumentar com o aumento das fòrças
produtivas. A riqueza produzida em to da comunidade — explica — divide-se em duas partes demarcadas pelo que se pode chamar a linha da renda. Esta ó fixada pela margem do cultivo, ou a
recompensa que o trabalho e o capital podem obter com a exploração dos re cursos naturais, quando livres, e sem o
produtividade ou da utilidade desta, não ção, mas simplesmente confere ao seu
o valor da terra é baixo, pode verifi taxa de juros, como é comum nos países
novos. E, onde o valor da terra é_alto,
o preço do monopólio da terra.
taxa de juros, como é comum nos países
naturais que o e.sfôrço humano não pode
<lo o proprietário e o empresário se con
produzir ou aumentar.
fundem na mesma pessoa, e é o caso,
Estudando a lei da renda, George
por exemplo, dos fazendeiros paulistas.
observa que é, de fato, uma dedução
•Quando o proprietário e o 'empresário coexistem na mesma pessoa, aquela
lários e os juros tendem a um nível co
da lei da concorrência.
Como os sa
mum, toda aquela parte da produção geral da riqueza, que excede o que o trabalho e o capital empregados pos
pelo seu trabalho e capital constitui a parte de seu ganho que conseguiria se,
sam garantir para si mesmos, se"aplica
.em vez de possuir o solo, o arrendasse.
turais em uso, se encaminha para os pro-
dos quanto aos mais pobres agentes na
em 1917, diz o seguinte ^ respeito da teoria da renda territorial: "Nos países-
capitalistas, a superfície das terras é li mitada, pois é tôda ocupada por cultiva
dores, e os preços dos produtos ajpríco-
las são estabelecidos segundo as despe sas de cultura não num terreno médio, mas num terreno de qualidade inferior,,
e, quanto ao transporte — dos produtosaté o mercado — não segundo condi
ções médias, mas segundo as mais des
qualidade superior (ou nas condições,
proprietário uma parte dos resultados
tido econômico, há também renda quan-
Lenin, idealizador do Estado soviético-
favoráveis. A diferença entre este preço
dessa produção. E^a constitui, portanto, gue-se sobre a limitação da proprieda
Em estudo relativamente
denso, escrito para uma enciclopédia, N.
pagamento de renda. A parte do pro
pode verificar-se uma larga produção de riqueza, apesar de salários baixos e baixa
Er
A concepção marxista da renda Vejamos agora a concepção marxista
duto abaixo desta linha é atribuída aos salários e ao lucro. Tudo o que estiver acima dêsse limite, se encaminha
car-se uma pequena produção de ri queza, não obstante altos salários e alta
proporciona qualquer auxílio à produ
te quanto as fôrças produtivas, é que os
da renda.
uso.
a ou o valor da terra não procede da
de individual em relação aos elementos
íoa é renda, ao passo que a recompensa
dem, na agricultura, do que possam pro duzir o trabalho c o capital, mas apenas
Dadas estas premissas, a conclusão do
âeorgismo não poderia ser outra: a ren-
sário são pessoas distintas. Mas no sen
alugando a sua terra a uma terceira pes-
cairão. Somente quando o valor da terra deixa de aumentar tão ràpidamen-
os proprietários territoriais. Assim, onde
•jrenda quando o proprietário e o empre
parte de seu ganho que pode obter
Assim, os salários e o lucro não depen
prictários da terra .sob a forma de renda.
velhos.
E onde as forças produtivas
aumentam, como aumentam em todos os
países progressistas, os salários e os lu cros podem ser afetados, não pelo au mento, mas pela maneira por que a renda é afetada. Se o valor da terra aumei^a proporcionalmente, todo o aumento da produção será absorvido pela ^renda, e os salários e juros permanecerão inalte rados. Se o valor da terra aumenta em proporção maior que as forças produti vas, a renda absorverá mais do que o aumento produzido. E quando os pro dutos do trabalho e do capital forem muito maiores, os salários e os lucros
e o preço de produção nos terrenos de melhores) constitui a renda diferen
cial". Analisando-a, resumindo o pensa mento de Marx^mostrou que provém dos
diferentes graus de fertilidade dos di versos terrenos, assim como da diferença dos capitais invertidos na cultura. E denuncia o êrro de Ricardo ( bém a "A teoria da mais-valia , de-
Marx, em que a critica de Rodberti^ merece uma atenção particular). Wcardo afirmava que a renda diferencial só aparece em seguida à passagem su cessiva dos melhores terrenos aos ter
renos de qualidade inferior. Verificamse, ao contrário, transições inversas, pas
sando os terrenos de uma categoria^ a. outra (em virtude do progresso da téo-
nica agrícola, do crescimento das cida
des, etc). A famosa "lei da diminui-
ção progressiva da fertilidade do solo não passa, no entender de Lenin, de un». êrro profundo, atestando o desejo de seatribuírem à natureza os defeitos, a»
fraquezas e as contradições do capita lismo.
A respeito da renda diferencial, pouco mais se poderia dizer para materiali2uir
■ & concepção marxista a respeito, a não
serem alguns exemplos concretos. Lenin explana outro aspecto do pro
blema. Observa que a equiparação do lucro em todos os ramos da indústria e
Dicesto Econômico
Dicesto Econômico
24
para que, com maiores larguezas, se
casca f retirar-llies a castanha. Não é
necessário confi.scur a terra: bastará con fiscar a renda . / . j George não faz a distinção, propna dos
manifestem, através da concorrência ca
pitalista, os efeitos da "renda diferen cial".
Para firmar-se esta con\-Icção,
leia-se o capitulo de "Progrcss and Po-
capital de um setor para outro. Mas a propriedade privada do solo cria lun monopólio e um obstáculo a essa livre
transferência. Dado êsse monopólio, os produtos "da agricultura, — que se distin gue por uma organização do capital de
grau inferior e proporciona, por conse guinte, uma taxa individual mais ele
a nacionalização do solo (isto é, a ex-
ameaça da civiliz;ição moderna à ins
tituição da propriedade privada da ter
do solo.
ser isso impraticável na época imperialista. Aponta-se, a propósito, o exem
ra". E depois: "A pobreza se aprofun
c, a sua apropriação por parte do Esta
forças produtivas, porque a terra, fonte de toda riqueza e campo de todo "tra balho, é monopolizada. Para extirpar a pobreza, proporcionar o.s salários jus
do, o coniza único, dativa
economista norte-americano pre as vias indiretas de um impôsto cujo efeito seria a abolição gra e inelutável da classe dos gran des proprietários fundiários. Quanto ao
tos, os plenos ganhos do lavrador, deve mos, por c-onseguinte, substituir a pro
manter os preços acima da média. Êsse
common ownersiúp")".
preço de monopólio dá nascimento à
A solução que George apresenta pura o problema, dejjois de estudar todas as
Resumindo o sentido desta exposição
simples e a nacionalização do solo, isto
rios são reduzidos enquanto crescem as
vidual ownership of land", no texto in glês), pela propriedade comum ("a
teórica, Lenin observa que a renda di
Combatendo a cxpropnaçao pura e
da enquanto a riqueza cresce, e os salá
vada de lucros, — não entram no jogo inteiramente livre da equiparação, da taxa de lucro. O proprietário territo rial, sendo um monopolizador, segundo a sua doutrina, tem a possibilidade de renda absoluta.
que poderia abalar os pilares em que se apoia. Admitem cm tese, apenas, que
direta do solo, que os geor fere* a esta última — isto é, ao mono propriação pólio da terra — e não aos maiores ou, gistas aliás desacon.selham) possa ser menores êxitos da exploração agrícola feita num regime burguês raoical, mas resultantes das diferenças de fertilidade acrescentam que a liistória já mostrou
dio". "Traçámos — diz Gcorgc — um quadro da distribuição desigual da ri-
pequeno proprietário, o que explora a
priedade individual da terra ("tho indi
terra com os seus próprios braços, com
os de sua esposa e filhos, êsse nada so freria Ao cõntrario, só teria a ganhar com a reforma. "O valor de venda de
sua parcela diminuiria — teóricamente, desapareceria inteiramente. Mas a sua
objeções dos adversários da medida, é tomar a terra propriedade comum, me-
utiliaade para êle não desapareceria.
dianté o confisco da renda ("making land common property by confiscating
Continuaria, como sempre, a servir aos
plo da Rússia. Ali a medida, teorica mente burguesa, foi levada a efeito em , pleno regime da ditadura do proleta
riado, depois da tomada do poder pelos bolcheviques, em 1917.
Aliás, não se
tomou isoladamente. Logo a seguir co-
meçaram a aparecer as primeiras me- ,
didas de socialização agrária, com a for- ' mação de fazendas-modelos de tipo coletivista.
Além destas diferenças econômicas, há outras, de ordem social, entre georgis tas e marxistas. Marx é socialista; Geor-
gcj na classificação de todos os seus dis cípulos — 6 entre os maiores citamos Baldomcro Argente, — é individualista. ^ Socialismo é uma expressão que lhes provoca arrepios e contradita. "Ha no
pode, na hipótese, por exemplo, da na
rent"). Surge, então, a questão prática,
seus objetivos. Enquanto o valor de to dos os outros terrenos diminuiria ou desa pareceria na mesma proporção, êle teria
cionalização do solo. Neste caso, o solo
mas nem por isso menos importante, dos
as mesmas vantagens de sempre, coni a
de.spotismo, que repugna às almas jo
métodos adequados a esta finalidade. George — como bom "radical bur
mesma parcela que tinha antes. Ele teria a perder apenas na medida em que um homem que comprou um par de sapatos pode dlztír que perdeu com uma
Viu Baldomero Argente no socialismo, como no auarquismo, uma tentativa de
subsequente queda do preço,do calçado .
reconstrução social destinada a irreme
Objetivos marxistas
clássica, "Democracia contra Socialismo",
ferencial não pode ser abolida no regi me capitalista, rnas a renda absoluta o
se toma propriedade do Estado. A pas sagem da terra para as mãos do Estado
significaria a supressão do monopójio dos proprietários fundiários e o advento, na agricultura, de uma concorrência mais
larga e mais completa. Eis porque, se gundo Marx, os radicais burgueses, mais de uma vez na história, formulararn esta rei\nndicação.
Quando Lenin, e em geral todos os
marxistas, aludem a radicais burgueses, têm em vista, no mundo contemporâ
neo, a reformadores do tipo dos georgistas. Com efeito, para usarmos aqui a tenninologia do idealizador do Estado soviético, êstes últimos pleiteiam, com
«feito, a abolição da "renda absoluta",
guês", segundo a terminologia marxista
— é muito cauto a êste respeito. Êle não pretende alarmar os costumes atuais
e os hábitos de pensamento em vigor. Acha isso uma desnecessidade.
Nem
mental.
Assim, não propõe a compra
Os marxistas visam especificamente,
ou o confisco da propriedade privada da terra. A primeira providência seria injusta; a segunda, inútil. E esclarece:
inclusive na agricultura, a socialização dos meios de produção, isto é, das fazen das em que haja operários assalariados.
"Dei.xemos aos indivíduos que agora a
Ma.s êles consideram uma etapa para
retêm, se a desejam, a posse do que gostam de chamar a sua terra.
Deixe
mos que continuem a chamá-la sua ter ra. Que a vendam e comprem, her dem ou leguem. Podemos deixar-lhes a
socialismo uma inevitável tendência ao vens", escreveu o estadi.sta que verteu
para o espanhol tòda a obra de George.
diável fracasso.
Marx Hirchs, em obra
demonstrou o erro de classificar George
pretende ampliar a máquina governa
H r
tanto a eliminação do monopólio da ter ra. Diferem dos georgistas, contudo, nos métodos, o que constitui uma dis tinção fundamental. Se êstes preconi zam um impôsto único, classificam-no
;
maria delibéradamente a uma reforma
marxistas, entre renda diferencial e ren da ábspluta, mas é evidente que se re
verty" referente ao "Verdadeiro remé
da economia de um país, em geral, supõe uma completa liberdade de con •queza que constitui uma maldição e uma corrência, a liberdade de transferir-se o
como utópico e irrealizável, porque o Estado é capitalista, e jamais se ani-
como coletivista, êrro em que incidiu o nosso Pedro Lessa, que aliás não era seu partidário.
O próprio George, em polêmica cele bre com Hyndman, advertiu com calor que o "socialismo alemão" não visa outro intuito senão o de estabelecer a tirania
em benefício do povo. Mas o interesse
do povo, conclui, está sempre na li berdade.
A respeito da renda diferencial, pouco mais se poderia dizer para materiali2uir
■ & concepção marxista a respeito, a não
serem alguns exemplos concretos. Lenin explana outro aspecto do pro
blema. Observa que a equiparação do lucro em todos os ramos da indústria e
Dicesto Econômico
Dicesto Econômico
24
para que, com maiores larguezas, se
casca f retirar-llies a castanha. Não é
necessário confi.scur a terra: bastará con fiscar a renda . / . j George não faz a distinção, propna dos
manifestem, através da concorrência ca
pitalista, os efeitos da "renda diferen cial".
Para firmar-se esta con\-Icção,
leia-se o capitulo de "Progrcss and Po-
capital de um setor para outro. Mas a propriedade privada do solo cria lun monopólio e um obstáculo a essa livre
transferência. Dado êsse monopólio, os produtos "da agricultura, — que se distin gue por uma organização do capital de
grau inferior e proporciona, por conse guinte, uma taxa individual mais ele
a nacionalização do solo (isto é, a ex-
ameaça da civiliz;ição moderna à ins
tituição da propriedade privada da ter
do solo.
ser isso impraticável na época imperialista. Aponta-se, a propósito, o exem
ra". E depois: "A pobreza se aprofun
c, a sua apropriação por parte do Esta
forças produtivas, porque a terra, fonte de toda riqueza e campo de todo "tra balho, é monopolizada. Para extirpar a pobreza, proporcionar o.s salários jus
do, o coniza único, dativa
economista norte-americano pre as vias indiretas de um impôsto cujo efeito seria a abolição gra e inelutável da classe dos gran des proprietários fundiários. Quanto ao
tos, os plenos ganhos do lavrador, deve mos, por c-onseguinte, substituir a pro
manter os preços acima da média. Êsse
common ownersiúp")".
preço de monopólio dá nascimento à
A solução que George apresenta pura o problema, dejjois de estudar todas as
Resumindo o sentido desta exposição
simples e a nacionalização do solo, isto
rios são reduzidos enquanto crescem as
vidual ownership of land", no texto in glês), pela propriedade comum ("a
teórica, Lenin observa que a renda di
Combatendo a cxpropnaçao pura e
da enquanto a riqueza cresce, e os salá
vada de lucros, — não entram no jogo inteiramente livre da equiparação, da taxa de lucro. O proprietário territo rial, sendo um monopolizador, segundo a sua doutrina, tem a possibilidade de renda absoluta.
que poderia abalar os pilares em que se apoia. Admitem cm tese, apenas, que
direta do solo, que os geor fere* a esta última — isto é, ao mono propriação pólio da terra — e não aos maiores ou, gistas aliás desacon.selham) possa ser menores êxitos da exploração agrícola feita num regime burguês raoical, mas resultantes das diferenças de fertilidade acrescentam que a liistória já mostrou
dio". "Traçámos — diz Gcorgc — um quadro da distribuição desigual da ri-
pequeno proprietário, o que explora a
priedade individual da terra ("tho indi
terra com os seus próprios braços, com
os de sua esposa e filhos, êsse nada so freria Ao cõntrario, só teria a ganhar com a reforma. "O valor de venda de
sua parcela diminuiria — teóricamente, desapareceria inteiramente. Mas a sua
objeções dos adversários da medida, é tomar a terra propriedade comum, me-
utiliaade para êle não desapareceria.
dianté o confisco da renda ("making land common property by confiscating
Continuaria, como sempre, a servir aos
plo da Rússia. Ali a medida, teorica mente burguesa, foi levada a efeito em , pleno regime da ditadura do proleta
riado, depois da tomada do poder pelos bolcheviques, em 1917.
Aliás, não se
tomou isoladamente. Logo a seguir co-
meçaram a aparecer as primeiras me- ,
didas de socialização agrária, com a for- ' mação de fazendas-modelos de tipo coletivista.
Além destas diferenças econômicas, há outras, de ordem social, entre georgis tas e marxistas. Marx é socialista; Geor-
gcj na classificação de todos os seus dis cípulos — 6 entre os maiores citamos Baldomcro Argente, — é individualista. ^ Socialismo é uma expressão que lhes provoca arrepios e contradita. "Ha no
pode, na hipótese, por exemplo, da na
rent"). Surge, então, a questão prática,
seus objetivos. Enquanto o valor de to dos os outros terrenos diminuiria ou desa pareceria na mesma proporção, êle teria
cionalização do solo. Neste caso, o solo
mas nem por isso menos importante, dos
as mesmas vantagens de sempre, coni a
de.spotismo, que repugna às almas jo
métodos adequados a esta finalidade. George — como bom "radical bur
mesma parcela que tinha antes. Ele teria a perder apenas na medida em que um homem que comprou um par de sapatos pode dlztír que perdeu com uma
Viu Baldomero Argente no socialismo, como no auarquismo, uma tentativa de
subsequente queda do preço,do calçado .
reconstrução social destinada a irreme
Objetivos marxistas
clássica, "Democracia contra Socialismo",
ferencial não pode ser abolida no regi me capitalista, rnas a renda absoluta o
se toma propriedade do Estado. A pas sagem da terra para as mãos do Estado
significaria a supressão do monopójio dos proprietários fundiários e o advento, na agricultura, de uma concorrência mais
larga e mais completa. Eis porque, se gundo Marx, os radicais burgueses, mais de uma vez na história, formulararn esta rei\nndicação.
Quando Lenin, e em geral todos os
marxistas, aludem a radicais burgueses, têm em vista, no mundo contemporâ
neo, a reformadores do tipo dos georgistas. Com efeito, para usarmos aqui a tenninologia do idealizador do Estado soviético, êstes últimos pleiteiam, com
«feito, a abolição da "renda absoluta",
guês", segundo a terminologia marxista
— é muito cauto a êste respeito. Êle não pretende alarmar os costumes atuais
e os hábitos de pensamento em vigor. Acha isso uma desnecessidade.
Nem
mental.
Assim, não propõe a compra
Os marxistas visam especificamente,
ou o confisco da propriedade privada da terra. A primeira providência seria injusta; a segunda, inútil. E esclarece:
inclusive na agricultura, a socialização dos meios de produção, isto é, das fazen das em que haja operários assalariados.
"Dei.xemos aos indivíduos que agora a
Ma.s êles consideram uma etapa para
retêm, se a desejam, a posse do que gostam de chamar a sua terra.
Deixe
mos que continuem a chamá-la sua ter ra. Que a vendam e comprem, her dem ou leguem. Podemos deixar-lhes a
socialismo uma inevitável tendência ao vens", escreveu o estadi.sta que verteu
para o espanhol tòda a obra de George.
diável fracasso.
Marx Hirchs, em obra
demonstrou o erro de classificar George
pretende ampliar a máquina governa
H r
tanto a eliminação do monopólio da ter ra. Diferem dos georgistas, contudo, nos métodos, o que constitui uma dis tinção fundamental. Se êstes preconi zam um impôsto único, classificam-no
;
maria delibéradamente a uma reforma
marxistas, entre renda diferencial e ren da ábspluta, mas é evidente que se re
verty" referente ao "Verdadeiro remé
da economia de um país, em geral, supõe uma completa liberdade de con •queza que constitui uma maldição e uma corrência, a liberdade de transferir-se o
como utópico e irrealizável, porque o Estado é capitalista, e jamais se ani-
como coletivista, êrro em que incidiu o nosso Pedro Lessa, que aliás não era seu partidário.
O próprio George, em polêmica cele bre com Hyndman, advertiu com calor que o "socialismo alemão" não visa outro intuito senão o de estabelecer a tirania
em benefício do povo. Mas o interesse
do povo, conclui, está sempre na li berdade.
Digesto
26
O socialista inglês Hyndman, citado
por Lenin, por sua vez, mostra bem, em sua autobiografia, a hostilidade de Marx em relação a Henry George. "A difu são de um êrro não podia jamais ser útil ao povo, tal era a convicção de Marx.
Deixar um êrro sem rebatação,
era encorajar a desonestidade intelec
tual. Por dez pessoas que ultrapassem George, dizia êle, haverá talvez centenas
que aceitarão os seus pontos de vista, e este perigo é muito grande para que a
gente a êle se exponha". Finalmente, a distinção máxima, de
cepções do mundo absolutamente anta gônicas e inconciliáveis. Essa
distinção nos faz recordar as
palavras candentes de Lafayette, em "Vindicim", contra Sílvio Romero, o qual,
^CASAS ^POPULARES por Fuancisco Prestes Maia
Especial para o "Digesto EcoNÓ^aco""
em obra didática, destinada a alunos de curso superior, escrevera que o sistema
Neste seu segundo artigo sôbre o assunto, o A., depois de uma minuciosa ana
de Spencer é o de Kant rejuvenescido.
lise do problema, observa textualmente: "A nossa solução teria sido uina remo
Estes sistemas são tão antagônicos, como
delação dos institutos existentes ou, à vista do vulto que os planos iam tomar, a
os de George e Marx.
rrinnnn dtim instituto nacionãl dc cosos vovularcs. comvlctado vela organizaçao
Eis, em resumo, a essência das duas
doutrinas, -exposta "sine ira ac studio". São visíveis, em ambas, alguns pontos
ordem fi'osófica: os georgistas são cris-
de contacto. Todavia, as suas divergên
tãos-idealistas, os marxistas, partidários
cias, como vimos, não escapam à aníVise, que as revela profundamente acentuadas.
do materialismo histórico — duas con-
5^-
EcoNÓ\aco
às condições e recursos de caaa regtao.
Por outro lado, os novos melhoramen tos provocaram imediatamente, nos mes
II
As leis reguladoras das locações, ainda que necessárias e úteis para atenuar
o pânico, concorreram para r^uzir as
construções. Com efeito, embora por lógica precaução não atingissem ou atingi.ssem pouco as edificações novas, re
velavam aos proprietários e capitalistas a intenção governamental duma política de restrições, cuja forma e sevendade posteriores não era possíve. prever, e que, à vista dos precedentes europeus, provocavam receio e retração no campo ESTOQUES NORTE-AMERICANOS
tsm qualquer caso, o
regime vara outro deveria estar prevista de modo a não paralisar, como parece entre nos ter sucedido, a atividade que já se vinha desenvolvendo, embora mo destamente, por intermédio dos institutos de aposentadoria".
das construções. , Procurou-se também inculpar as ae-
molições urbanísticas dalgumas cidades isso já foi amplamente discutido e contest^
mos pontos, elevação de arranha-céus com capacidade total muito suf^rior a eliminada, e o próprio material das de molições facilitou e incrementou a^ cons
trução de casas operárias nos subúrbios. Em São Paulo, as demolições são /es; ponsáveis por menos de 2% do déficit de casas, mas suscitaram recons^çoes imediatas com o triplo, ou mais, da ca pacidade destruída, sem falar da edifi
cação futura. Comprovemos com alguns
exemplos concretos.
Para s.bertura da Avenida Ipiranga fo ram demolidos 92 prédios, totalizando 173 habitações (consideremos habitaçao
o maior "record" de toda a história.
do. Realmente, essas demobçoes
cada apartamento, ou, no caso de ho tel, cada conjunto de pelo menPs - ou 3 quartos). Por outro lado, os novos
Conforme declarou o Departamento de Estado Norte-Americano, durante o período de junho a dezembro de 1946, os estoques aumentaram no valor de
mínimas diante do decréscimo ger
avenida somam nada menos de 396 apar
ram prédios obsoletos, insalubres e cor-
tamentos.
O valor em dólar dos estoques em poder dos fabricantes norte-americanos, em dezembro de 1946, oítngiu à quantia de US$20.200.000.000,00, sendo êsté
US$3.000.000.000,00, sendo também êste o maior acréscimo até a^ora verificado em igual espaço de temvo. O "record" anterior fora de US$2.600.000.000,00, no período de junho a dezembro de 1941. Quanto ao acréscimo do segundo'se
como motivo principal da crise.
arranha-céus provocados pela mesma
construções; na maioria das vôzes atingtiços condenados, cuja elimmaça
nas anteciparam.
p
O saldo (223 habitações)
ainda crescerá enormemente com a con
clusão doutros prédios em construção.
mestre do ano passado, o mesmo ficou mais ou menos dividido entre' mercadorias
duráveis e não duráveis, cabendo US$1.850.000.000,00 às primeiras. Os embarques dos fabricantes no mês de dezembro de 1946 importaram em US$12.700.000.000,00, representando um aumento de US$300.ÜÜO.000,00 sôbre o
rrr
total do mês de novembro. Somente as indústrias de ferro, de aço e de móveis
f frtrrrTí
anunciaram declínios no valor de suas entregas, sendo que êsses foram de menos
ffrrrrpfrpirppp
de 5%.
PPF
Digesto
26
O socialista inglês Hyndman, citado
por Lenin, por sua vez, mostra bem, em sua autobiografia, a hostilidade de Marx em relação a Henry George. "A difu são de um êrro não podia jamais ser útil ao povo, tal era a convicção de Marx.
Deixar um êrro sem rebatação,
era encorajar a desonestidade intelec
tual. Por dez pessoas que ultrapassem George, dizia êle, haverá talvez centenas
que aceitarão os seus pontos de vista, e este perigo é muito grande para que a
gente a êle se exponha". Finalmente, a distinção máxima, de
cepções do mundo absolutamente anta gônicas e inconciliáveis. Essa
distinção nos faz recordar as
palavras candentes de Lafayette, em "Vindicim", contra Sílvio Romero, o qual,
^CASAS ^POPULARES por Fuancisco Prestes Maia
Especial para o "Digesto EcoNÓ^aco""
em obra didática, destinada a alunos de curso superior, escrevera que o sistema
Neste seu segundo artigo sôbre o assunto, o A., depois de uma minuciosa ana
de Spencer é o de Kant rejuvenescido.
lise do problema, observa textualmente: "A nossa solução teria sido uina remo
Estes sistemas são tão antagônicos, como
delação dos institutos existentes ou, à vista do vulto que os planos iam tomar, a
os de George e Marx.
rrinnnn dtim instituto nacionãl dc cosos vovularcs. comvlctado vela organizaçao
Eis, em resumo, a essência das duas
doutrinas, -exposta "sine ira ac studio". São visíveis, em ambas, alguns pontos
ordem fi'osófica: os georgistas são cris-
de contacto. Todavia, as suas divergên
tãos-idealistas, os marxistas, partidários
cias, como vimos, não escapam à aníVise, que as revela profundamente acentuadas.
do materialismo histórico — duas con-
5^-
EcoNÓ\aco
às condições e recursos de caaa regtao.
Por outro lado, os novos melhoramen tos provocaram imediatamente, nos mes
II
As leis reguladoras das locações, ainda que necessárias e úteis para atenuar
o pânico, concorreram para r^uzir as
construções. Com efeito, embora por lógica precaução não atingissem ou atingi.ssem pouco as edificações novas, re
velavam aos proprietários e capitalistas a intenção governamental duma política de restrições, cuja forma e sevendade posteriores não era possíve. prever, e que, à vista dos precedentes europeus, provocavam receio e retração no campo ESTOQUES NORTE-AMERICANOS
tsm qualquer caso, o
regime vara outro deveria estar prevista de modo a não paralisar, como parece entre nos ter sucedido, a atividade que já se vinha desenvolvendo, embora mo destamente, por intermédio dos institutos de aposentadoria".
das construções. , Procurou-se também inculpar as ae-
molições urbanísticas dalgumas cidades isso já foi amplamente discutido e contest^
mos pontos, elevação de arranha-céus com capacidade total muito suf^rior a eliminada, e o próprio material das de molições facilitou e incrementou a^ cons
trução de casas operárias nos subúrbios. Em São Paulo, as demolições são /es; ponsáveis por menos de 2% do déficit de casas, mas suscitaram recons^çoes imediatas com o triplo, ou mais, da ca pacidade destruída, sem falar da edifi
cação futura. Comprovemos com alguns
exemplos concretos.
Para s.bertura da Avenida Ipiranga fo ram demolidos 92 prédios, totalizando 173 habitações (consideremos habitaçao
o maior "record" de toda a história.
do. Realmente, essas demobçoes
cada apartamento, ou, no caso de ho tel, cada conjunto de pelo menPs - ou 3 quartos). Por outro lado, os novos
Conforme declarou o Departamento de Estado Norte-Americano, durante o período de junho a dezembro de 1946, os estoques aumentaram no valor de
mínimas diante do decréscimo ger
avenida somam nada menos de 396 apar
ram prédios obsoletos, insalubres e cor-
tamentos.
O valor em dólar dos estoques em poder dos fabricantes norte-americanos, em dezembro de 1946, oítngiu à quantia de US$20.200.000.000,00, sendo êsté
US$3.000.000.000,00, sendo também êste o maior acréscimo até a^ora verificado em igual espaço de temvo. O "record" anterior fora de US$2.600.000.000,00, no período de junho a dezembro de 1941. Quanto ao acréscimo do segundo'se
como motivo principal da crise.
arranha-céus provocados pela mesma
construções; na maioria das vôzes atingtiços condenados, cuja elimmaça
nas anteciparam.
p
O saldo (223 habitações)
ainda crescerá enormemente com a con
clusão doutros prédios em construção.
mestre do ano passado, o mesmo ficou mais ou menos dividido entre' mercadorias
duráveis e não duráveis, cabendo US$1.850.000.000,00 às primeiras. Os embarques dos fabricantes no mês de dezembro de 1946 importaram em US$12.700.000.000,00, representando um aumento de US$300.ÜÜO.000,00 sôbre o
rrr
total do mês de novembro. Somente as indústrias de ferro, de aço e de móveis
f frtrrrTí
anunciaram declínios no valor de suas entregas, sendo que êsses foram de menos
ffrrrrpfrpirppp
de 5%.
PPF
DrciisTo
Dicesto Econômico
somando 100 novos andares.
O alar-
í • -gamento da rua Vieira de Carvalho mo-
Econômico
tas terras em transição da agricultura
46 cèrca
para a criação extensiva.
4.600 do pico anterior à guerra, em
rateamento.
Temos exem
de 5.800 unidades, contra
ços, e porões) e a necessidade de ba
[
tivou a derrubada de 15 casas; provo-
plos tanto na.s zonas velhas montanhosas
da Central e da Mogiana, como no ex
1941. Êsse fato confirma uin reajustamcnlo econômico muito mais rápido do
rar embora sem dispensar uma razoável
tremo da alta Paulista, da alta Sorocabana, etc., onde, em solo relativamen
operariado, em relação à classe média.
e eficaz intervenção oficial, destinada a
Reduzindo as cifras municipais à expres
:
cou, . porém, a constnição de prédia.s muito maiores, dos quais só os do lado ímpar perfazem 85 habitações. O alargamento final do primeiro trecho da rua
apressar e <x)mpletar a cura, melhorar o
são de "habitações" (cada apartamento
padrão e enfrentar as insuficiências que
,
Conceição eliminou II habitações, mas
te fraco e erodível, já os cafesais cedem lugar às pastagens.
um único prédio novo (Germaine) pos-
conta-se como uma habitação) temos aproximadamente:
sempre existiram.
r
'
'
»
y
suí 61 habitações.
Não estão incluídos
os prédios da "Gazeta", o "Sampaio Moreira" e o fronteiro.
Na rua Maria
- Paula eliminarani-se 34 pequenas casas; surgiram arranha-céus, dos quais só os 3 primeiros representam 66 habitações,
I_
havendo mais 2 em construção. No Pi-
1^ ques foram abatidos 41 casebres. Só o menor dos novos ("Cunha Bueno") con-
1^ ta 40 habitações; o Hotel São Paulo tem L' -200 quartos e o "Azteca", em vias de jj!, conclusão, mais de 300. Reunidos, ex-
Ij
cedem o décuplo
Prooidências geraui
do demolido.
Na
rua São Luiz houve apenas 4 demoli-
1939
11.600
rar com a normalização "post-bellum".
1940
A grande queda teve lugar em 42 e 43;
1941 1942 1943 1945
12.100 12.600 8.000 7.400 9.400 15.000
1946
19.000
A crise de habitações tende a melho em 44 a curva de constnições retomava o
movimento ascendente, que se firmou e mas anteriores, de 1941, estão intei
ramente superadas em 1946. É de no tar, distinguindo entre os diversos tipos (1941), retomou o ritmo ascensionul de
-1944 apresenta um "déficit"
trando que o urbanismo municipal, mesmo nas difíceis condições da época, pro-
e quintuplicaram em área de pavimento,
\
%ocou volume de construção imensamen-
ente o ano mínimo e 1946. Isto expri
'
te superior ao sacrificado.
me o predomínio dos prédios de aparta
;
pelo local e pela rapidez da abertura.
No total, porém, o efeito foi desprezítaneidade da crise em muitas cidades do
truir e procurar a casa residencial típi
país (já não falando do estrangeiro),
ca do São Paulo antigo, para se acollier
que, entretanto, não viram empreen
nas colmeias que, inversamente, revelam o enriquecimento da fração mais folga
dimentos urbanísticos, nem demolições: Santos, Campinas, Bragança, Piraju, Rio
O biênio 1945-1946 oferece,
noutro ponto deste artigo:
ficit" atual seria assim a di
incremento de produção, pla
ferença 15.800 menos 4.800
nejamento geral, orientação
= 11.000 hobitações.
industrial e comercial, me lhoramento da viação e dos
transportes, política demo gráfica e imigratória, educa
ao prolongamento do diagra
ção e saneamento, etc. São
ma construído com o coefi ciente do triênio 1939-1941,
todavia medidas muito ge
oferece, ainda assim, uma ponderação interessante ao exagero de cifras maio res (30.000 e mais) que têm sido ale gadas mediante outros critérios de cál'culo.
Admitindo-se nos próximos anos
Claro, Belo Horizonte, Belém, Curitiba,
que aplica os lucros do eomércio e da
Maceió, etc.
indústria.
As dificuldades e restrições
rificado no triênio 1944-1946, teríamos o
Motivos mais profundos e importantes encontram-se na elevação dos preços, nas
também crescentes de inquilinato, renda, tributação, etc., concon"eram no mesmo
dificuldades de construção, no afluxo da
sentido.
"déficit" de habitações superado em 2 anos apenas, ou seja, em 1948. Na realidade pesam contra êste oti
população rural, etc. Quanto a este úl
As orimeiras
cuperação cie 600 mais 4.200 = 4.800 habitações. O "dé
por se referir simplesmente
^,
em
referem-se ao nível econô mico da população, reque rendo medidas enumeradas
Esta cifra é digna de nota. porque, embora arbitrária,
da, capaz de vultosas edificações, em
classificam-se
particulares. ^ —
em compensação, uma re
cimento e a dificuldade crescente da
classe média, que, pelo preço e pelos embaraços de criadagem (e em menor proporção, de transporte) deixa de cons
Estas
duas categorias: gerais e
4.600 = 15.800 habitações.
mentos. Revela, por outro lado, um fato sociològicamente importante: o empobre
vel, máxime à vista das vantagens obtidas. Confirma estas asserções a simul-
mento e o abuso especulativo motivaram certa queda na atividade construtora. Após esta revista da situação, passe mos às providências.
de 5.200 mais 6.000 mais
centagem anterior, relativamente aos to
tais. Em compensação, as casas de mais de 2 pavimentos duplicaram em número
No Rio, a Avenida Presidente Vargas
nas nos consta que no Rio são menos
favoráveis, pois as restrições de financia
mento do triênio 1939-1941, em relação
paulista a mesma importância ou por
talvez haja tido inconveniente maior,
dados recentes do resto do país; ape
a esse ritmo o triênio 1942-
tou a ostentar nas estatísticas da capita!
^
plementar. Estas considerações referemse à cidade de São Paulo. Ignoramos os
vidual e térrea começou a declinar antes
í -céus c-om mais de 250 apartamentos.
1
reagindo apreciàvelmente após a guerra. A ação oficial será importante, mas com
Admitindo-se como regular o cresci
pois dos oulTos tipos (1945) e não vol
Em qualquer caso, convém consignar
o papel da iniciativa privada, que está
habitações
de casas, que a pequena habitação indi
r* ções; acham-se em construção 5 arranlra-
Ji. Nos outros pontos atingidos as mes*, mas proporções se reproduzem, mos
1944
prosseguiu em 45 e 46. As cifras iraixi-
Em resumo, a situação tende a melho
o mesmo coeficiente de crescimento ve
rais e não é possível prender
a elas qualquer orientação ou progra ma prático e imediato de casas popu lares.
Voltemo-nos, por isso, às providencias peculiares à questão.
a) Orientação superior federal e conjugação com os Estados e Municípios, para maior facilidade às atividades cons trutoras.
Mesmo as construções médias
timo, convém consignar, neste Estado,
bém retomaram valentemente em 1945
gência moderna dum melhoramento de
devem ser animadas, porque, em ultima análise, concorrem para o desafogo, ali
uma circunstância: a decadência de cer
o movimento ascendente, atingindo em
padrão (a luta contra os "slums", cortí-
viando as casas mais modestas e colo-
As casas operárias da zona rural tam
mismo um excesso de imigração e a exi
'ki.
DrciisTo
Dicesto Econômico
somando 100 novos andares.
O alar-
í • -gamento da rua Vieira de Carvalho mo-
Econômico
tas terras em transição da agricultura
46 cèrca
para a criação extensiva.
4.600 do pico anterior à guerra, em
rateamento.
Temos exem
de 5.800 unidades, contra
ços, e porões) e a necessidade de ba
[
tivou a derrubada de 15 casas; provo-
plos tanto na.s zonas velhas montanhosas
da Central e da Mogiana, como no ex
1941. Êsse fato confirma uin reajustamcnlo econômico muito mais rápido do
rar embora sem dispensar uma razoável
tremo da alta Paulista, da alta Sorocabana, etc., onde, em solo relativamen
operariado, em relação à classe média.
e eficaz intervenção oficial, destinada a
Reduzindo as cifras municipais à expres
:
cou, . porém, a constnição de prédia.s muito maiores, dos quais só os do lado ímpar perfazem 85 habitações. O alargamento final do primeiro trecho da rua
apressar e <x)mpletar a cura, melhorar o
são de "habitações" (cada apartamento
padrão e enfrentar as insuficiências que
,
Conceição eliminou II habitações, mas
te fraco e erodível, já os cafesais cedem lugar às pastagens.
um único prédio novo (Germaine) pos-
conta-se como uma habitação) temos aproximadamente:
sempre existiram.
r
'
'
»
y
suí 61 habitações.
Não estão incluídos
os prédios da "Gazeta", o "Sampaio Moreira" e o fronteiro.
Na rua Maria
- Paula eliminarani-se 34 pequenas casas; surgiram arranha-céus, dos quais só os 3 primeiros representam 66 habitações,
I_
havendo mais 2 em construção. No Pi-
1^ ques foram abatidos 41 casebres. Só o menor dos novos ("Cunha Bueno") con-
1^ ta 40 habitações; o Hotel São Paulo tem L' -200 quartos e o "Azteca", em vias de jj!, conclusão, mais de 300. Reunidos, ex-
Ij
cedem o décuplo
Prooidências geraui
do demolido.
Na
rua São Luiz houve apenas 4 demoli-
1939
11.600
rar com a normalização "post-bellum".
1940
A grande queda teve lugar em 42 e 43;
1941 1942 1943 1945
12.100 12.600 8.000 7.400 9.400 15.000
1946
19.000
A crise de habitações tende a melho em 44 a curva de constnições retomava o
movimento ascendente, que se firmou e mas anteriores, de 1941, estão intei
ramente superadas em 1946. É de no tar, distinguindo entre os diversos tipos (1941), retomou o ritmo ascensionul de
-1944 apresenta um "déficit"
trando que o urbanismo municipal, mesmo nas difíceis condições da época, pro-
e quintuplicaram em área de pavimento,
\
%ocou volume de construção imensamen-
ente o ano mínimo e 1946. Isto expri
'
te superior ao sacrificado.
me o predomínio dos prédios de aparta
;
pelo local e pela rapidez da abertura.
No total, porém, o efeito foi desprezítaneidade da crise em muitas cidades do
truir e procurar a casa residencial típi
país (já não falando do estrangeiro),
ca do São Paulo antigo, para se acollier
que, entretanto, não viram empreen
nas colmeias que, inversamente, revelam o enriquecimento da fração mais folga
dimentos urbanísticos, nem demolições: Santos, Campinas, Bragança, Piraju, Rio
O biênio 1945-1946 oferece,
noutro ponto deste artigo:
ficit" atual seria assim a di
incremento de produção, pla
ferença 15.800 menos 4.800
nejamento geral, orientação
= 11.000 hobitações.
industrial e comercial, me lhoramento da viação e dos
transportes, política demo gráfica e imigratória, educa
ao prolongamento do diagra
ção e saneamento, etc. São
ma construído com o coefi ciente do triênio 1939-1941,
todavia medidas muito ge
oferece, ainda assim, uma ponderação interessante ao exagero de cifras maio res (30.000 e mais) que têm sido ale gadas mediante outros critérios de cál'culo.
Admitindo-se nos próximos anos
Claro, Belo Horizonte, Belém, Curitiba,
que aplica os lucros do eomércio e da
Maceió, etc.
indústria.
As dificuldades e restrições
rificado no triênio 1944-1946, teríamos o
Motivos mais profundos e importantes encontram-se na elevação dos preços, nas
também crescentes de inquilinato, renda, tributação, etc., concon"eram no mesmo
dificuldades de construção, no afluxo da
sentido.
"déficit" de habitações superado em 2 anos apenas, ou seja, em 1948. Na realidade pesam contra êste oti
população rural, etc. Quanto a este úl
As orimeiras
cuperação cie 600 mais 4.200 = 4.800 habitações. O "dé
por se referir simplesmente
^,
em
referem-se ao nível econô mico da população, reque rendo medidas enumeradas
Esta cifra é digna de nota. porque, embora arbitrária,
da, capaz de vultosas edificações, em
classificam-se
particulares. ^ —
em compensação, uma re
cimento e a dificuldade crescente da
classe média, que, pelo preço e pelos embaraços de criadagem (e em menor proporção, de transporte) deixa de cons
Estas
duas categorias: gerais e
4.600 = 15.800 habitações.
mentos. Revela, por outro lado, um fato sociològicamente importante: o empobre
vel, máxime à vista das vantagens obtidas. Confirma estas asserções a simul-
mento e o abuso especulativo motivaram certa queda na atividade construtora. Após esta revista da situação, passe mos às providências.
de 5.200 mais 6.000 mais
centagem anterior, relativamente aos to
tais. Em compensação, as casas de mais de 2 pavimentos duplicaram em número
No Rio, a Avenida Presidente Vargas
nas nos consta que no Rio são menos
favoráveis, pois as restrições de financia
mento do triênio 1939-1941, em relação
paulista a mesma importância ou por
talvez haja tido inconveniente maior,
dados recentes do resto do país; ape
a esse ritmo o triênio 1942-
tou a ostentar nas estatísticas da capita!
^
plementar. Estas considerações referemse à cidade de São Paulo. Ignoramos os
vidual e térrea começou a declinar antes
í -céus c-om mais de 250 apartamentos.
1
reagindo apreciàvelmente após a guerra. A ação oficial será importante, mas com
Admitindo-se como regular o cresci
pois dos oulTos tipos (1945) e não vol
Em qualquer caso, convém consignar
o papel da iniciativa privada, que está
habitações
de casas, que a pequena habitação indi
r* ções; acham-se em construção 5 arranlra-
Ji. Nos outros pontos atingidos as mes*, mas proporções se reproduzem, mos
1944
prosseguiu em 45 e 46. As cifras iraixi-
Em resumo, a situação tende a melho
o mesmo coeficiente de crescimento ve
rais e não é possível prender
a elas qualquer orientação ou progra ma prático e imediato de casas popu lares.
Voltemo-nos, por isso, às providencias peculiares à questão.
a) Orientação superior federal e conjugação com os Estados e Municípios, para maior facilidade às atividades cons trutoras.
Mesmo as construções médias
timo, convém consignar, neste Estado,
bém retomaram valentemente em 1945
gência moderna dum melhoramento de
devem ser animadas, porque, em ultima análise, concorrem para o desafogo, ali
uma circunstância: a decadência de cer
o movimento ascendente, atingindo em
padrão (a luta contra os "slums", cortí-
viando as casas mais modestas e colo-
As casas operárias da zona rural tam
mismo um excesso de imigração e a exi
'ki.
Digesto Econômico
31
Dicesto Econômico
30
tf
dutores particulares não sejam prejudica
A dificuldade de transporte provoca
cando-as à disposição -dos inqui
dos por uma concorrência semi-oficial;
dois encarecimentos; um, o decorrente
linos de nível econômico inferior.
mas também não é razoável que, por sua insuficiência ou ambição, paralisem
das próprias despesas do serviço, da
ou asfbriem as construções locais.
combustível, etc.; outro, o aumento pu
O ataque dum programa de habita ções devo ser gradual e após preparação
ramente especulativo dos preços, tanto
e exame do mercado de material e mão
portadores e intennediários.
A redução de requisitos legais "de padrão" animará novas cons truções, adaptações e reformas,
freqüentemente embaraçadas por bizantinismos regulamentares ou dos funcionários.
Correntemen
conservação dos veículos, consumo de da parte do produtor, como dos trans
de obra, sob pena de provocar tal eleva
f) Prosseguir os esforços para a pa
te proprietários desleixam as ca
ção de preços, que prejudicará não só as
sas porque qualquer reforma é
dronização dos materiais, por exemplo,
"casas populares", como tòda a ativi
esquadrias, tijolos, etc., onde a varieda
dade construtora da região. Na Ingla terra os preços já estavam dobrados no
sões já acarretam inconvenientes eco
fim da primeira guerra mundial, ao ini
nômicos e construtivos.
oportunidade para as repartições multiplicarem exigências descabi das; Outras dificuldades provem
das próprias caixas de aposentadoria, por
modo a contribuir para o restabeleci mento da normalidade geral e da plena
de e as reduções sucessivas das dimen
g) Política fiscal predial
ciar-se o programa das cons truções. A intensidade do
comodismos e pretextos que só uma desburocratização improvável poderia re
iniciativa privada, que, bem ou mal
mediar.
ainda é o motor predominante da nossa
Sob este título de "orientação supe rior" mais importante será o pensamen
atividade econômica. Na Europa, em situações semelhantes, houve por vê-
vez, subvertendo todos os
e territorial. Êste^ setor e particularmente difícil, por que muitas idéias feitas são
planos e obrigando a uma
ilusórias e porque quasi sem
to fundamental do governo, de que de
zes alteração, aproveitando o governo a oportunidade dum descongelamento gra
tre nós os empreiteiros (aliás
correrão as diretrizes e o vulto do em-
• preendimento. Surge aqui a questão do critério mais ou menos socializante, que
dual e moderado para tirar o seu qui nhão, que destinou ao próprio progra
ma de casas populares. Infelizmente há
se pretenda adotar. b) Evitar que as lefs de inquilinato desanimem a propriedade, as constru ções, as ampliações e as reformas úteis. As medidas contra o abuso da proprie dade freqüentemente degeneram em pe
c) Alteração do regime aduaneiro, l favor dos materiais e apetrechos de cons
nalidades contra a propriedade. As pro
trução, que forem escassos, caros ou
vidências suscitadas nas crises por bons motivos e, às vézes, com exageros com
imperfeitos entre nós: materiais metáli cos, cimento, vidros, aparelhos, tintas,
preensíveis nos momentos de pânico, aca
canos, etc.
bam mantidas por simples inércia, agra
o risco do abuso e uma desconfiança, muito justificada, quanto à honestidade e acêrto das medidas concretas.
d) Incrementar a produção de mate
vando a artificialidade da situação. Me
riais úteis, instalação e ampliação de
didas úteis num determinado momento,
fábricas ou usinas para cimento, cal produtos cerâmicos, extração ou produ ção de areia e brita, etc. Os poderes públicos suscitarão tal aumento de pro
tomam-se contraproducentes com o de correr do tempo. Vimos sobejamente nos anos anteriores os aluguéis congelados, mas os inquilinos se locupletarem pelas sublocações, o que só ineficientemente
dução e o seu barateamento. Em caso
de necessidade, irão até a ação direta.
foi corrigido pela lei 9669 do ano pas
Vastos programas de obras públicas, por
sado. Do natural abandono das casas resultam a sua decadência física, um descuido crescente e o abaixamento do
exemplo, de rodovias, servirão de vo
nível social da ocupação: é a origem de novos "slums", agravando o proble
ma que a lei pretendia resolver.
Um
importante aspecto das leis de emergên
cia é o modo da sua cessação futura, de
lante ou processo regulador nos even tuais desequilíbrios do mercado. É la mentável que cidades dinâmicas ou re
giões progressistas, como São Paulo, ve jam suas obras paradas ou arrastadas por falta oú encarecimento dos materiais mais elementares. É natural que os pro-
ataque duplicou-os mais uma marcba-à-ré desastrosa.
pre surge um inconveniente
En
ou uma injustiça, que se não
é o novo regime< é a altera
espécie quasi extinta) alarmam-se todos os dias, dian
ção em si. A simples mu dança de coeficiente e não
te de mirabolantes planos que, felizmente, não têm passado de leviandades elei
de estrutura, não garante os
objetivos, porque ràpidamen- ^ te o equilíbrio econômico se 1 restabelece ao menos em grande parte, pela transfe
torais ou políticas.
e) melhoria do transpor te férreo e rodoviário, aper feiçoamento das estradas,
rência interna da carga dife
rencial (teoria das incidên cias legal e efetiva dc^ tri
importação de veículos e pe ças, facilidade para a forma
butos).
ção de motoristas e mecâni cos. A Sorocabana e a São
A idéia mais comum é sobrecarregar os terrenos
Paulo-Rio Grande continuam
a "separar" São Paulo do Oeste c
do
Sul, nossos fornecedores de madeira,
Na
zona da Capital a insuficiência rodoviá ria restringe a obtenção da areia, pedregulho, tijolo e cimento. Quando ti vemos a oportunidade de dirigir a admi nistração desta cidade, pretendemos es
boçar um plano rodoviário circundante, que atenderia simu'tâneamente ao comér cio de materiais, à pequena lavoura alimentadora da metrópole, e ao turismo.
Isso não foi ad ante por ter-se O govêmo apossado do recurso legal, que o possi bilitaria: a quota municipal da taxa sôbre combustíveis.
baldios e aliviar as casas e os terrenos
construídos.
A experiência mostra que
os resultados correspondem mediocremente ao objetivo, pois a crise sendo econômica ou social, as medidas fiscais
apenas atingem um lado parcial^ e pe queno da questão, e só a solução eco
nômica, natural do tempo ou apressada pelos" govejiT.os, pode satisfazer. Quando terrenos permanecem baldios, em regra há motivos fortes para isso, ecoiióm cos, urbanísticos, ou outros. E, quando não há, constituem exceções e, portanto, não
pesam na crise. Em muitos casos resul11<1
Cllot?»
v.^%www
tam inconvenientes inesperados, como a
Digesto Econômico
31
Dicesto Econômico
30
tf
dutores particulares não sejam prejudica
A dificuldade de transporte provoca
cando-as à disposição -dos inqui
dos por uma concorrência semi-oficial;
dois encarecimentos; um, o decorrente
linos de nível econômico inferior.
mas também não é razoável que, por sua insuficiência ou ambição, paralisem
das próprias despesas do serviço, da
ou asfbriem as construções locais.
combustível, etc.; outro, o aumento pu
O ataque dum programa de habita ções devo ser gradual e após preparação
ramente especulativo dos preços, tanto
e exame do mercado de material e mão
portadores e intennediários.
A redução de requisitos legais "de padrão" animará novas cons truções, adaptações e reformas,
freqüentemente embaraçadas por bizantinismos regulamentares ou dos funcionários.
Correntemen
conservação dos veículos, consumo de da parte do produtor, como dos trans
de obra, sob pena de provocar tal eleva
f) Prosseguir os esforços para a pa
te proprietários desleixam as ca
ção de preços, que prejudicará não só as
sas porque qualquer reforma é
dronização dos materiais, por exemplo,
"casas populares", como tòda a ativi
esquadrias, tijolos, etc., onde a varieda
dade construtora da região. Na Ingla terra os preços já estavam dobrados no
sões já acarretam inconvenientes eco
fim da primeira guerra mundial, ao ini
nômicos e construtivos.
oportunidade para as repartições multiplicarem exigências descabi das; Outras dificuldades provem
das próprias caixas de aposentadoria, por
modo a contribuir para o restabeleci mento da normalidade geral e da plena
de e as reduções sucessivas das dimen
g) Política fiscal predial
ciar-se o programa das cons truções. A intensidade do
comodismos e pretextos que só uma desburocratização improvável poderia re
iniciativa privada, que, bem ou mal
mediar.
ainda é o motor predominante da nossa
Sob este título de "orientação supe rior" mais importante será o pensamen
atividade econômica. Na Europa, em situações semelhantes, houve por vê-
vez, subvertendo todos os
e territorial. Êste^ setor e particularmente difícil, por que muitas idéias feitas são
planos e obrigando a uma
ilusórias e porque quasi sem
to fundamental do governo, de que de
zes alteração, aproveitando o governo a oportunidade dum descongelamento gra
tre nós os empreiteiros (aliás
correrão as diretrizes e o vulto do em-
• preendimento. Surge aqui a questão do critério mais ou menos socializante, que
dual e moderado para tirar o seu qui nhão, que destinou ao próprio progra
ma de casas populares. Infelizmente há
se pretenda adotar. b) Evitar que as lefs de inquilinato desanimem a propriedade, as constru ções, as ampliações e as reformas úteis. As medidas contra o abuso da proprie dade freqüentemente degeneram em pe
c) Alteração do regime aduaneiro, l favor dos materiais e apetrechos de cons
nalidades contra a propriedade. As pro
trução, que forem escassos, caros ou
vidências suscitadas nas crises por bons motivos e, às vézes, com exageros com
imperfeitos entre nós: materiais metáli cos, cimento, vidros, aparelhos, tintas,
preensíveis nos momentos de pânico, aca
canos, etc.
bam mantidas por simples inércia, agra
o risco do abuso e uma desconfiança, muito justificada, quanto à honestidade e acêrto das medidas concretas.
d) Incrementar a produção de mate
vando a artificialidade da situação. Me
riais úteis, instalação e ampliação de
didas úteis num determinado momento,
fábricas ou usinas para cimento, cal produtos cerâmicos, extração ou produ ção de areia e brita, etc. Os poderes públicos suscitarão tal aumento de pro
tomam-se contraproducentes com o de correr do tempo. Vimos sobejamente nos anos anteriores os aluguéis congelados, mas os inquilinos se locupletarem pelas sublocações, o que só ineficientemente
dução e o seu barateamento. Em caso
de necessidade, irão até a ação direta.
foi corrigido pela lei 9669 do ano pas
Vastos programas de obras públicas, por
sado. Do natural abandono das casas resultam a sua decadência física, um descuido crescente e o abaixamento do
exemplo, de rodovias, servirão de vo
nível social da ocupação: é a origem de novos "slums", agravando o proble
ma que a lei pretendia resolver.
Um
importante aspecto das leis de emergên
cia é o modo da sua cessação futura, de
lante ou processo regulador nos even tuais desequilíbrios do mercado. É la mentável que cidades dinâmicas ou re
giões progressistas, como São Paulo, ve jam suas obras paradas ou arrastadas por falta oú encarecimento dos materiais mais elementares. É natural que os pro-
ataque duplicou-os mais uma marcba-à-ré desastrosa.
pre surge um inconveniente
En
ou uma injustiça, que se não
é o novo regime< é a altera
espécie quasi extinta) alarmam-se todos os dias, dian
ção em si. A simples mu dança de coeficiente e não
te de mirabolantes planos que, felizmente, não têm passado de leviandades elei
de estrutura, não garante os
objetivos, porque ràpidamen- ^ te o equilíbrio econômico se 1 restabelece ao menos em grande parte, pela transfe
torais ou políticas.
e) melhoria do transpor te férreo e rodoviário, aper feiçoamento das estradas,
rência interna da carga dife
rencial (teoria das incidên cias legal e efetiva dc^ tri
importação de veículos e pe ças, facilidade para a forma
butos).
ção de motoristas e mecâni cos. A Sorocabana e a São
A idéia mais comum é sobrecarregar os terrenos
Paulo-Rio Grande continuam
a "separar" São Paulo do Oeste c
do
Sul, nossos fornecedores de madeira,
Na
zona da Capital a insuficiência rodoviá ria restringe a obtenção da areia, pedregulho, tijolo e cimento. Quando ti vemos a oportunidade de dirigir a admi nistração desta cidade, pretendemos es
boçar um plano rodoviário circundante, que atenderia simu'tâneamente ao comér cio de materiais, à pequena lavoura alimentadora da metrópole, e ao turismo.
Isso não foi ad ante por ter-se O govêmo apossado do recurso legal, que o possi bilitaria: a quota municipal da taxa sôbre combustíveis.
baldios e aliviar as casas e os terrenos
construídos.
A experiência mostra que
os resultados correspondem mediocremente ao objetivo, pois a crise sendo econômica ou social, as medidas fiscais
apenas atingem um lado parcial^ e pe queno da questão, e só a solução eco
nômica, natural do tempo ou apressada pelos" govejiT.os, pode satisfazer. Quando terrenos permanecem baldios, em regra há motivos fortes para isso, ecoiióm cos, urbanísticos, ou outros. E, quando não há, constituem exceções e, portanto, não
pesam na crise. Em muitos casos resul11<1
Cllot?»
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tam inconvenientes inesperados, como a
•77r32
33
Dicesto Econômico
DiGESTO Econômico
evitar as rendas excessivas, mas justa mente por motivos opostos. Os terrenos
o interêsse é muito geral c a iniciativa
partido social democrata e ao comu
particular se revela incapaz num deter
nista.
cidades contam para a solução de nume
urbanos e suburbanos vinbam também,
minado setor, fica este em condições de
rosos problemas próximos ou fuhiros:
como em Chicago e outros lugares, de monstrar com baixas prolongadas e es-
transferir-se para atribuição oficial.
O livro mencionado, observa Catarina Bauer, é extremamente interessante e
A Alemanha penetrara nc.sla via desde o começo do-século passado, mas só re
como de típicas fraquezas dogmáticas.
centemente a orientação se estendeu à
Partindo da tese que o inquilino está
maioria dos países civilizatlos. Ê ver dade que, mesmo nos países de maior atividade, a intervenção fieou longe da
o capitalista industrial, o autor procura
desapuriçáü de preciosas reservas terri toriais internas, com que tàcitamente as novas artérias,, parques, escolas, etc. Fo
ram tais reservas que, em São Paulo, tomaram possíveis os parques Pedro II, Aclimação, Siqueira Campos, a canaliza
ção do Tietê, as avenidas Nove de Julho
e Anhangabaú Superior (Itororó), os novos grupos escolares, os parques in fantis, etc.
petaculare.s, a falácia da sua valoriza
ção continua, ou pelo menos, a pro babilidade da hipótese contrária. Por outro lado, mesmo no campo pu ramente doutrinário, os propagandistas
satisfação completa e, por vezes, tem
da taxação pesada esqueciam um ponto: que o valor presente da terra inclui o
Os impostos territoriais, a taxa de me
valor atual da perspectiva das valoriza
J
mesmo retrocedido. Como hoje uma das preocupações go vernamentais é neutralizar o extremis
lhoria e a taxa, ainda mais geral, sobre
ções futuras.
o "unearded increment", bem manipu-
Ê do ver, no fim de tudo isto, que as medidas fiscais perdem muito do seu prestígio no combate às crises do gêne
tem encarado o assunto. A tese ortodoxa
ro que estudamos.
nungsfrage, 1872). Fá-h)-ia o novo Estado, em antítese à idéia de Proudhcn da compra ou aluguel obrigatório dos
'lados, podem auxiliar uma política de con.struções populares, urbanização e pro gresso. Mas levantam também sérias objeções. As incertezas e dificuldades
de Engels pregava apenas o apossamento e distribuição das casas (Zur Woh-
Seu papei torna-se
secundário, e não dispensam providên
de avaliação e imposição, as complica
cias mais incisivas nos aspectos subs
ções decorrentes da variabilidade cio di
tanciais.
nheiro nacional, etc., tornam o proble
mo, convém notar como esta doutrina
ben- necessários, tanto ca.sus como ins
Outra medida fiscal muito defendida
George. Então se acreditava num rápi
atingir
do e crescente aumento de população
pode esquecer que os tributos são o re
em contraste com a imutabindade da
curso indispensável para a manutenção
área territorial, agravada pelo aprovei
da coisa pública e seus gastos inevitá
mente à teoria anarquista da sua elimi
um regime de cessão gratuita. Foi so bretudo na Alemanha que se cnstahzou a divergência de programas. A aristo
ferida à sociedade, por aluguéis ou ar rendamentos. Com a "atenuação' pos
terior 6 gradual do Estado (ccntrànanação imediata) as casas passariam a
tamento de terras cada vez mais infér-
veis.
teis, com o duplo inconveniente de au
ção poderia tomar-se até catastrófica. As
mentar o custo da produção agrícola e exagerar a renda dos proprietários mais
isenções fiscais, como os juros baixos e
afortunados. George, doutro lado do oceano, estava sobretudo impressionado e influenciado pelo caso do Oeste ame
a subsídios, e sua concessão precisa man bilidade e programa, evitando proteções
ra alívio das classes po
ricano.
arbitrárias, doação de reserx'as territo
paradoxal da classe mé
Os conceitos e conclusões eram
e.stendidos às situações urbanas.
Mas
outros favores, eqüivalem na realidade
cracia previdentemente admitia providências pa
ter-se dentro de estritos limites de razoa-
riais urbanísticas, distribuições não equi-
depois vieram as máquinas, os fertili
tativas, favores eleitorais, as atitudes me
zantes e os processos que aumentaram
as colheitas e a produção. Surgiram as
ramente políticas ou demagógicas, tão freqüentes e desastrosas para o patri
estradas e os veículos a motor, que apro
mônio público.
terras e terrenos, pondo-os à maior dis
posição do povo. Êstes fatores agiam em sentido contrário ao da teoria. Ou tras vezes crises agrícolas se manifes
tavam, provocando medidas socializantes
poucos no âmbito dos "serviços públi
(como ainda há pouco na América do 'new-deal", mas desta vez não para
cos", ao mesmo título que os transpor
tes, abastecimento d'água, etc. Quando
quele período do século XIX.
E ta
manha era a oposição do socialismo de Owen e Fourier, que nenhuma aten
começavam a surgir, as perspectivas de novos ambientes (salvo uma observação sobre a necessidade de eliminar a atual
contradição entre o campo e a cidade), os esforços municipais e estatais, a pos sibilidade de organizações construtoras despidas de fins lucrativos, etc. Na
quela época, promover a construção de casas operárias ou me
didas equivalentes, era
"transigir" com a idwceram imidos na oposi
sòmente
para
recusava qualquer me
dida, por reputá-las ineficazes ou mes
mo contraproducentes, antes da revolu ção total. A divergência era sobretudo visível na questão cía habitação, e trans formou-se em cisão franca por volta de 1900. As duas alas resuUantes deram
lugar inâis tarde, após u guerra, ao .'y
pletas e ingênuas, são características da
dia e dos marxistas. O
agitação, parlamentar,
Por indesejável que seja, o problema das casas populares está recaindo aos
Tanto a
tese, como a solução de Engels, incom
logia da classe média,
nizado
Intervenção oficial
do capitalismo e.xpansionista.
bres, contra a oposição
partido proletário, orga
ximaram e ampliaram virtualmente as
continuariam a ser condição inseparável
ção receberam as idéias urbanísticas que
favor tem de ser moderado, pa.ssagei-
Nos municípios pobres a situa
vantagem, e só compreensível numa so
ciedade atrasada: por exemplo, de cam poneses artesãos. Quanto aos "slums",
"cientificc-." aos socialismos "utópicos"
ambientes mudaram muito desde a épo ca de Maltlius, Ricardo, Mil! e Henxy
Não se
mostrar que a habitação própria, como queria Proudhon, no fim das contas cons tituiria uma acomodação absolutamente mínima e uma sujeição mais que uma
menos no período de transição, nao seria abolida a renda da terra, mas trans
é a isenção para as novas casas. Éste as taxas de serviço.
para o proprietário como o operário para
trumentos, pelo povo trabalhador. Ao
ma delic-ado c complexo. As condições
ro, adequado, e nunca evidentemente
revelador tanto das qualidades marxistas
e os radicais permane
ção a quaisquer "refor mas". Só com a Segun
da Internacional surgiu
um espírito mais conci liador e evoluído, admitindo o "housmg' através das "trade unions" e coo-
pera'ivas„ solicijtando o controle mu nicipal dos terrenos e a construção oficial de habitadas econômicas. De pois de 1900, a maioria social demo
crata agia, assim, muito próximo da
•77r32
33
Dicesto Econômico
DiGESTO Econômico
evitar as rendas excessivas, mas justa mente por motivos opostos. Os terrenos
o interêsse é muito geral c a iniciativa
partido social democrata e ao comu
particular se revela incapaz num deter
nista.
cidades contam para a solução de nume
urbanos e suburbanos vinbam também,
minado setor, fica este em condições de
rosos problemas próximos ou fuhiros:
como em Chicago e outros lugares, de monstrar com baixas prolongadas e es-
transferir-se para atribuição oficial.
O livro mencionado, observa Catarina Bauer, é extremamente interessante e
A Alemanha penetrara nc.sla via desde o começo do-século passado, mas só re
como de típicas fraquezas dogmáticas.
centemente a orientação se estendeu à
Partindo da tese que o inquilino está
maioria dos países civilizatlos. Ê ver dade que, mesmo nos países de maior atividade, a intervenção fieou longe da
o capitalista industrial, o autor procura
desapuriçáü de preciosas reservas terri toriais internas, com que tàcitamente as novas artérias,, parques, escolas, etc. Fo
ram tais reservas que, em São Paulo, tomaram possíveis os parques Pedro II, Aclimação, Siqueira Campos, a canaliza
ção do Tietê, as avenidas Nove de Julho
e Anhangabaú Superior (Itororó), os novos grupos escolares, os parques in fantis, etc.
petaculare.s, a falácia da sua valoriza
ção continua, ou pelo menos, a pro babilidade da hipótese contrária. Por outro lado, mesmo no campo pu ramente doutrinário, os propagandistas
satisfação completa e, por vezes, tem
da taxação pesada esqueciam um ponto: que o valor presente da terra inclui o
Os impostos territoriais, a taxa de me
valor atual da perspectiva das valoriza
J
mesmo retrocedido. Como hoje uma das preocupações go vernamentais é neutralizar o extremis
lhoria e a taxa, ainda mais geral, sobre
ções futuras.
o "unearded increment", bem manipu-
Ê do ver, no fim de tudo isto, que as medidas fiscais perdem muito do seu prestígio no combate às crises do gêne
tem encarado o assunto. A tese ortodoxa
ro que estudamos.
nungsfrage, 1872). Fá-h)-ia o novo Estado, em antítese à idéia de Proudhcn da compra ou aluguel obrigatório dos
'lados, podem auxiliar uma política de con.struções populares, urbanização e pro gresso. Mas levantam também sérias objeções. As incertezas e dificuldades
de Engels pregava apenas o apossamento e distribuição das casas (Zur Woh-
Seu papei torna-se
secundário, e não dispensam providên
de avaliação e imposição, as complica
cias mais incisivas nos aspectos subs
ções decorrentes da variabilidade cio di
tanciais.
nheiro nacional, etc., tornam o proble
mo, convém notar como esta doutrina
ben- necessários, tanto ca.sus como ins
Outra medida fiscal muito defendida
George. Então se acreditava num rápi
atingir
do e crescente aumento de população
pode esquecer que os tributos são o re
em contraste com a imutabindade da
curso indispensável para a manutenção
área territorial, agravada pelo aprovei
da coisa pública e seus gastos inevitá
mente à teoria anarquista da sua elimi
um regime de cessão gratuita. Foi so bretudo na Alemanha que se cnstahzou a divergência de programas. A aristo
ferida à sociedade, por aluguéis ou ar rendamentos. Com a "atenuação' pos
terior 6 gradual do Estado (ccntrànanação imediata) as casas passariam a
tamento de terras cada vez mais infér-
veis.
teis, com o duplo inconveniente de au
ção poderia tomar-se até catastrófica. As
mentar o custo da produção agrícola e exagerar a renda dos proprietários mais
isenções fiscais, como os juros baixos e
afortunados. George, doutro lado do oceano, estava sobretudo impressionado e influenciado pelo caso do Oeste ame
a subsídios, e sua concessão precisa man bilidade e programa, evitando proteções
ra alívio das classes po
ricano.
arbitrárias, doação de reserx'as territo
paradoxal da classe mé
Os conceitos e conclusões eram
e.stendidos às situações urbanas.
Mas
outros favores, eqüivalem na realidade
cracia previdentemente admitia providências pa
ter-se dentro de estritos limites de razoa-
riais urbanísticas, distribuições não equi-
depois vieram as máquinas, os fertili
tativas, favores eleitorais, as atitudes me
zantes e os processos que aumentaram
as colheitas e a produção. Surgiram as
ramente políticas ou demagógicas, tão freqüentes e desastrosas para o patri
estradas e os veículos a motor, que apro
mônio público.
terras e terrenos, pondo-os à maior dis
posição do povo. Êstes fatores agiam em sentido contrário ao da teoria. Ou tras vezes crises agrícolas se manifes
tavam, provocando medidas socializantes
poucos no âmbito dos "serviços públi
(como ainda há pouco na América do 'new-deal", mas desta vez não para
cos", ao mesmo título que os transpor
tes, abastecimento d'água, etc. Quando
quele período do século XIX.
E ta
manha era a oposição do socialismo de Owen e Fourier, que nenhuma aten
começavam a surgir, as perspectivas de novos ambientes (salvo uma observação sobre a necessidade de eliminar a atual
contradição entre o campo e a cidade), os esforços municipais e estatais, a pos sibilidade de organizações construtoras despidas de fins lucrativos, etc. Na
quela época, promover a construção de casas operárias ou me
didas equivalentes, era
"transigir" com a idwceram imidos na oposi
sòmente
para
recusava qualquer me
dida, por reputá-las ineficazes ou mes
mo contraproducentes, antes da revolu ção total. A divergência era sobretudo visível na questão cía habitação, e trans formou-se em cisão franca por volta de 1900. As duas alas resuUantes deram
lugar inâis tarde, após u guerra, ao .'y
pletas e ingênuas, são características da
dia e dos marxistas. O
agitação, parlamentar,
Por indesejável que seja, o problema das casas populares está recaindo aos
Tanto a
tese, como a solução de Engels, incom
logia da classe média,
nizado
Intervenção oficial
do capitalismo e.xpansionista.
bres, contra a oposição
partido proletário, orga
ximaram e ampliaram virtualmente as
continuariam a ser condição inseparável
ção receberam as idéias urbanísticas que
favor tem de ser moderado, pa.ssagei-
Nos municípios pobres a situa
vantagem, e só compreensível numa so
ciedade atrasada: por exemplo, de cam poneses artesãos. Quanto aos "slums",
"cientificc-." aos socialismos "utópicos"
ambientes mudaram muito desde a épo ca de Maltlius, Ricardo, Mil! e Henxy
Não se
mostrar que a habitação própria, como queria Proudhon, no fim das contas cons tituiria uma acomodação absolutamente mínima e uma sujeição mais que uma
menos no período de transição, nao seria abolida a renda da terra, mas trans
é a isenção para as novas casas. Éste as taxas de serviço.
para o proprietário como o operário para
trumentos, pelo povo trabalhador. Ao
ma delic-ado c complexo. As condições
ro, adequado, e nunca evidentemente
revelador tanto das qualidades marxistas
e os radicais permane
ção a quaisquer "refor mas". Só com a Segun
da Internacional surgiu
um espírito mais conci liador e evoluído, admitindo o "housmg' através das "trade unions" e coo-
pera'ivas„ solicijtando o controle mu nicipal dos terrenos e a construção oficial de habitadas econômicas. De pois de 1900, a maioria social demo
crata agia, assim, muito próximo da
jj
b
34
Dicesto Econômico 35
Dicesto Econômico
ala esquerda dos reformistas burgue
funções executivas, proceder a interven
ses.
ções concretas ou em pormenores téc
Pela mesma época apareciam na In glaterra os trabalhistas, após a depres são de 1889 e anos seguintes. Os fa-
contrário, convir-llie-á suscitar entidades regionais com liberdade de iniciativa e
bianos, dirigidos por Bemard Shaw e
execução.
S^dney Webb, exerciam sobre eles sen
cal e um estímulo externo. Os serviços
nicos, a fiscalizações entravadoras. Pelo
burocráticos e atuariais absorveram muito
da atenção em prejuízo das atividades
construtoras; a ralta de certos poderes complementares e as divergências dos
Com o que, por um lado
evitaria uma burocracia luxuosa e nu merosa tão ao gosto parasitário da me
projetos com os padrões locais multi plicavam as perdas de tempo. A cen
tem por si argumentos muito lógicos: a existência de massa mais que suficiente de serviço para ocupar-lhe a atenção e,
o que é mais, de serviço especializado
e homogêneo; a possibilidade de mais perfeita coordenação de esforços e pro
sível influência e agitavam a questão das casas populares. Mas, meio poetas
trópole, por outro, concederá a cada re
6 trapalhões, encontraram uma séria crí
tralização entravava as providências, os
dar. caixas entre si para materiais, mão
gião estímulo e autonomia.
tica em William Morris, espécie de
federal poderá reservar-se, quando mui
recursos desviaram-se para . empregos mais fáceis, rápidos ou lucrativos, ou ficavam retidos nos cofres do próprio
do obra, terrenos, etc.
Engels britânico, um tanto medievalista.
Voltemos, porém, à nossa exposição das providências necessárias. A) A primeira coisa a assentar é a
A entidade
to, certa participação executiva no Dis
trito Federal, %dsando experimentação c contacto informativo com o problema. A ação. supervisão, assistência, coorde
definição das entidades que poderão dedicar-se à construção ou exploração das casas e receber as vantagens e fa cilidades conferidas pelo poder público. Essas entidades serão, além da própria administração pública, certas autarquias (institutos de casas populares ou de
nação dos planos tanto técnicos, como sociais e financeiros, terão lugar median te institutos regionais ou estaduais. A
aposentadoria), cooperativas e socieda
dústrias, etc.) e dum "bureau" técnico. Da diretoria devem ser expressamente excluídos, o quanto possível, políticos militantes, cuja mentahdade e moralida de média só poderiam prejudicar. Os
des de lucro limitado e, mais excepcio nalmente, certas instituições filantrópicas. A ação federal cabem mais particular mente as providências e a orientação ge ral, a legislação fundamental, a distri buição das atribuições, a esquematização do sistema, a lei expropriatória, a lei de inquilinato, o estabelecimento do cré dito, a constituição do instituto ou ór gão central. A ação regional é a in dicada para os estudos fiscais, concreti
zação e pormenores, como é fácil per ceber à vista da predominância dos as pectos locais: contacto imediato com as necessidades e classes interessadas, cor relação com os planos urbanísticos e serviço.s municipais, etc. A iniciativa fe deral deve ser, assim, fundamental e
prévia,
Isto responde às reclamações
freqüentemente movidas contra a inér cia municipal no assunto. A entidade federal centralizará os estudos técnicos
sua íQOmpoaição resumirnse-ia a
no seu livro, devido à concorrente pro
cura de aplicação para os grandes recur sos disponíveis. As entiaades admiti das a trabalharem no campo das casas
populares, como delegadas, concessioná
rias ou contratantes, teriam naturalmente
de satisfazer às condições essenciais de
idoneidade, programa, fiscalização e lu cro limitado ou regulamentado. O sis tema constituído do órgão federal predo minantemente orientador e coordena
dor do crédito, e duma série de ins
titutos regionais predomínan-
Em
"í?,*.-
regra não deve caber às municipalida
nliecida entre nós, mas exis
ligados ao governo: caso da Argentina, Uruguai, Peru, Estados Unidos, etc. A nossa solução teria sido uma remo
delação dos institutos existentes ou, à vista do vulto que os planei iam ràpidamente tomar, a criação dum instituto
condições especiais, ou mesmo a socie
dades cívicas ou filantrópicas, cooperati vas, etc. No Brasil os institutos de apo
tente com sucesso nos Estados Unidos.
A grandeza do território, a variedade de condições, a índole democrática do re
gime, o justificam.
Os escritórios regionais compreenderão
i
secções de engenharia e arquitetura
nacional de casas populares, completado
(tanto projeto como construção e fiscali
e adaptabilidade às condições e recursos de cada região. Em qualquer caso a transição dum regime para outro deve ria estar prevista de modo a não para
trema importância para evitar concor
pela organização estadual q^ue dissemos, zação), finanças, estudos sociais e es capaz de grande elasticidade, eficiência tatística, manutenção e ex'ploração de casas e serviços conexos, assistência, etc.
sentadoria tinham sido naturalmente de
signados para isso.
temente executivos, traz uma descentralização pouco co-
des a construção e exploração das casas Doç)ulares. A melhor orientação é atri buí-las preferencialmente a instituições autárquicas, elásticas e menos sujeitas aos riscos da politicagem, ou a socieda des de lucros limitados, ou a instituições pr.vadas (por exemplo de seguros) de
Dispõem de reciu*-
sos enormes, têm contacto imediato com
as classes interessadas, possuem organi zação básica suficiente e conhecem o
problema assistencial em seu conjunto.
Não deverá todavia reter
mercado de títulos a concorrência se
orgãos regionais seriam antes reconheci
dos que nomeados pelo centro.
A orientação adotada era assim admissí
riências, etc.
fazia sentir, como conta Rubens Porto
nominação mais lata, de previdência so cial) foi a adotada no Brasil, Chile, Equador, etc. Outra solução usual é por meio de institutos próprios, diretamente
tivos dos principais interôsses (prefeito,
gerais, estatísticas, orientação e fiscaliza to, legislação substantiva e suas modifi
truíram 3 milhões de casas, o Brasil só
sentadoria (ou, para empregar uma de
associação comercial, federação das in
ção superior, o sistema de financiamen
cações, intercâmbio de idéias e expe
mente para a alta dos terrenos. ^ Até no
A mesma solução, pelas caixas de apo
comissão de poucos membros representa
É sabido que a ação das caixas no mercado imobiliário contribuiu sensivel-
governo central, em apuro permanente. Enquanto a Alemanha e Inglaterra cons fez 10 mil.
uma
gramas. Desaparecerá a concorrência
lisar, como parece entre nos ter suce
dido, a atividade que ja se vinha de senvolvendo, embora modestamente, por
vel, embóra por motivos vários não haja
intermédio dos institutos de aposenta
alcançado sucesso.
doria.
Realmente faltou-
lhes espírito prático, maior liberdade lo-
A solução pela unificação ou coorde i
nação à parte, dos serviços de habitação,
A coordenação das atividades é de ex rência encarecedora de preços (mate riais, mão de obra, terrenos, etc.), du
plicações de serviços (parques infantis municipais e estaduais, bibliotecas muni cipais e estaduais, hospitais próximos e semelhantes, etc.). Êste item é impor
tante, porque a ambição do emprêgo público é tamanha que, ultimamente, os
jj
b
34
Dicesto Econômico 35
Dicesto Econômico
ala esquerda dos reformistas burgue
funções executivas, proceder a interven
ses.
ções concretas ou em pormenores téc
Pela mesma época apareciam na In glaterra os trabalhistas, após a depres são de 1889 e anos seguintes. Os fa-
contrário, convir-llie-á suscitar entidades regionais com liberdade de iniciativa e
bianos, dirigidos por Bemard Shaw e
execução.
S^dney Webb, exerciam sobre eles sen
cal e um estímulo externo. Os serviços
nicos, a fiscalizações entravadoras. Pelo
burocráticos e atuariais absorveram muito
da atenção em prejuízo das atividades
construtoras; a ralta de certos poderes complementares e as divergências dos
Com o que, por um lado
evitaria uma burocracia luxuosa e nu merosa tão ao gosto parasitário da me
projetos com os padrões locais multi plicavam as perdas de tempo. A cen
tem por si argumentos muito lógicos: a existência de massa mais que suficiente de serviço para ocupar-lhe a atenção e,
o que é mais, de serviço especializado
e homogêneo; a possibilidade de mais perfeita coordenação de esforços e pro
sível influência e agitavam a questão das casas populares. Mas, meio poetas
trópole, por outro, concederá a cada re
6 trapalhões, encontraram uma séria crí
tralização entravava as providências, os
dar. caixas entre si para materiais, mão
gião estímulo e autonomia.
tica em William Morris, espécie de
federal poderá reservar-se, quando mui
recursos desviaram-se para . empregos mais fáceis, rápidos ou lucrativos, ou ficavam retidos nos cofres do próprio
do obra, terrenos, etc.
Engels britânico, um tanto medievalista.
Voltemos, porém, à nossa exposição das providências necessárias. A) A primeira coisa a assentar é a
A entidade
to, certa participação executiva no Dis
trito Federal, %dsando experimentação c contacto informativo com o problema. A ação. supervisão, assistência, coorde
definição das entidades que poderão dedicar-se à construção ou exploração das casas e receber as vantagens e fa cilidades conferidas pelo poder público. Essas entidades serão, além da própria administração pública, certas autarquias (institutos de casas populares ou de
nação dos planos tanto técnicos, como sociais e financeiros, terão lugar median te institutos regionais ou estaduais. A
aposentadoria), cooperativas e socieda
dústrias, etc.) e dum "bureau" técnico. Da diretoria devem ser expressamente excluídos, o quanto possível, políticos militantes, cuja mentahdade e moralida de média só poderiam prejudicar. Os
des de lucro limitado e, mais excepcio nalmente, certas instituições filantrópicas. A ação federal cabem mais particular mente as providências e a orientação ge ral, a legislação fundamental, a distri buição das atribuições, a esquematização do sistema, a lei expropriatória, a lei de inquilinato, o estabelecimento do cré dito, a constituição do instituto ou ór gão central. A ação regional é a in dicada para os estudos fiscais, concreti
zação e pormenores, como é fácil per ceber à vista da predominância dos as pectos locais: contacto imediato com as necessidades e classes interessadas, cor relação com os planos urbanísticos e serviço.s municipais, etc. A iniciativa fe deral deve ser, assim, fundamental e
prévia,
Isto responde às reclamações
freqüentemente movidas contra a inér cia municipal no assunto. A entidade federal centralizará os estudos técnicos
sua íQOmpoaição resumirnse-ia a
no seu livro, devido à concorrente pro
cura de aplicação para os grandes recur sos disponíveis. As entiaades admiti das a trabalharem no campo das casas
populares, como delegadas, concessioná
rias ou contratantes, teriam naturalmente
de satisfazer às condições essenciais de
idoneidade, programa, fiscalização e lu cro limitado ou regulamentado. O sis tema constituído do órgão federal predo minantemente orientador e coordena
dor do crédito, e duma série de ins
titutos regionais predomínan-
Em
"í?,*.-
regra não deve caber às municipalida
nliecida entre nós, mas exis
ligados ao governo: caso da Argentina, Uruguai, Peru, Estados Unidos, etc. A nossa solução teria sido uma remo
delação dos institutos existentes ou, à vista do vulto que os planei iam ràpidamente tomar, a criação dum instituto
condições especiais, ou mesmo a socie
dades cívicas ou filantrópicas, cooperati vas, etc. No Brasil os institutos de apo
tente com sucesso nos Estados Unidos.
A grandeza do território, a variedade de condições, a índole democrática do re
gime, o justificam.
Os escritórios regionais compreenderão
i
secções de engenharia e arquitetura
nacional de casas populares, completado
(tanto projeto como construção e fiscali
e adaptabilidade às condições e recursos de cada região. Em qualquer caso a transição dum regime para outro deve ria estar prevista de modo a não para
trema importância para evitar concor
pela organização estadual q^ue dissemos, zação), finanças, estudos sociais e es capaz de grande elasticidade, eficiência tatística, manutenção e ex'ploração de casas e serviços conexos, assistência, etc.
sentadoria tinham sido naturalmente de
signados para isso.
temente executivos, traz uma descentralização pouco co-
des a construção e exploração das casas Doç)ulares. A melhor orientação é atri buí-las preferencialmente a instituições autárquicas, elásticas e menos sujeitas aos riscos da politicagem, ou a socieda des de lucros limitados, ou a instituições pr.vadas (por exemplo de seguros) de
Dispõem de reciu*-
sos enormes, têm contacto imediato com
as classes interessadas, possuem organi zação básica suficiente e conhecem o
problema assistencial em seu conjunto.
Não deverá todavia reter
mercado de títulos a concorrência se
orgãos regionais seriam antes reconheci
dos que nomeados pelo centro.
A orientação adotada era assim admissí
riências, etc.
fazia sentir, como conta Rubens Porto
nominação mais lata, de previdência so cial) foi a adotada no Brasil, Chile, Equador, etc. Outra solução usual é por meio de institutos próprios, diretamente
tivos dos principais interôsses (prefeito,
gerais, estatísticas, orientação e fiscaliza to, legislação substantiva e suas modifi
truíram 3 milhões de casas, o Brasil só
sentadoria (ou, para empregar uma de
associação comercial, federação das in
ção superior, o sistema de financiamen
cações, intercâmbio de idéias e expe
mente para a alta dos terrenos. ^ Até no
A mesma solução, pelas caixas de apo
comissão de poucos membros representa
É sabido que a ação das caixas no mercado imobiliário contribuiu sensivel-
governo central, em apuro permanente. Enquanto a Alemanha e Inglaterra cons fez 10 mil.
uma
gramas. Desaparecerá a concorrência
lisar, como parece entre nos ter suce
dido, a atividade que ja se vinha de senvolvendo, embora modestamente, por
vel, embóra por motivos vários não haja
intermédio dos institutos de aposenta
alcançado sucesso.
doria.
Realmente faltou-
lhes espírito prático, maior liberdade lo-
A solução pela unificação ou coorde i
nação à parte, dos serviços de habitação,
A coordenação das atividades é de ex rência encarecedora de preços (mate riais, mão de obra, terrenos, etc.), du
plicações de serviços (parques infantis municipais e estaduais, bibliotecas muni cipais e estaduais, hospitais próximos e semelhantes, etc.). Êste item é impor
tante, porque a ambição do emprêgo público é tamanha que, ultimamente, os
DiCESTO Econômico
86
de criá-los, sem outro fito verdadeiro
municipal de 1927. Por outro lado a pequenez e descontinuídade dos progra mas particulares raramente permite ou justifica o risco de grandes inversões em
que a consecução de bons lugares ou
aparelhamento, terras, materiais, organi
chefias.
zação, etc., capazes de baratear a cons trução, os aluguéis e os serviços conexos
interessados chegam à perfeição de in ventar serviços e repartições inteiras e
convencer aos governos da necessidade Estas repartições só servem
f)ara mxiltiplicar as formalidades, emoumentos e taxas com que atormentam
o povo trabalhador. A construção e a exploração direta pelas prefeituras ou estados são desaconselháveis por inefi
cientes e sujeitas a explorações políticas. Embora este modo de ação exista há'
muito na Alemanha e, há menos tempo, na Inglaterra e países bálticos, convém atender à diferença de formação e educa
ção política entre êsses países e o nosso. Na Alemanha a interferência direta das
municipalidades data de 150 anos, e, na Inglaterra, é conhecida a tradição municipalizadora, que tem absorvido su cessivamente todos os serviços públicos: transportes, telefone, luz, água, esgotos, etc., entre nós ainda entregues a com-
panliias particulares quiçá na maioria
aos conjuntos residenciais.
Em Nova
Iorque as duas iniciativas, a oficial e a privada, marcham a par. Destacam-se os grandes conjuntos de apartamentos, que ainda recentemente visitamos, às
vêzes conjugados com a demolição de "slums". O mais grandioso é o de Parkchester, verdadeira cidade de 42.000
habitantes (metade da população da ci dade de Campinas) encravada em Bronx, da Metropolitan Life Insurance Company.
Da construção ou administração das
casas poderão encarregar-se emprêsas particulares, as próprias indústrias. Na turalmente as facilidades ou favores di
ferirão conforme o regime e proveito da institutos de aposentadoria ainda não
das entidades
mas e aos pretendentes às casas.
tares que, normalmente, deva caber a essas cai-xas.
O juro variará com o
valor das casas, tipo, tamanho da fa mília e outras condições, de modo a ser
Os favores consistem geralmente em
realmente mínimo no caso de vivendas
empréstimos a longo prazo (20 a 30
mínimas e encargos familiares pesados.
anos) e juro babco (3 a 6%), em todo
Outra limitação dos empréstimos re
caso nunca mais do que custa ao pró
fere-se ao seu vulto relati\'amente aos
prio govêmo. Consistem ainda em fa cilidades fiscais, reduções ou isenções
20% é a boa norma americana; 25 a 30%
e na cessão de certos terrenos. Os juros
são usuais; 40% seria e.xcessivo. A Rússia
salár-os ou vencimentos do candiflato:
serão maiores quando se tratar de pura
adota 10% em certos casos, mas num
aplicação de capital, com poucas restri ções quanto ao uso e aluguel das casas;
regime inteiramente diverso.
serão médios no caso de maiores res
um sistema de bancos, institutos, car
trições em benefício das classes neces sitadas; serão mínimos quando, como
trosados, sem excluir estabelecimentos
A mobilização do crédito requer todo teiras, caixas, etc., convenientemente en
adiante veremos, houver conveniência ex
existentes (bancos, institutos de aposen
cepcional da correção de graves desajustamentos sociais. O juro, quando o
tadoria, caixas econômicas, carteiras imobiliárias), de modo a tirar o máximo
recurso provier de caixas de aposen
j^rrovdito dos recuraos disponíveis, ao mesmo tempo reduzindo as despesas ge rais que decorreriam de novos institutos, muitas vêzes dispensáveis.
tadoria, descerá, notadamente, no caso de as entidades construtoras assumirem o
encargo de certos serviços compleinen-
Convém finalmente observar que os
bem regulamentada e controlada sob os
oferecem a solução completa do proble
pontos de vista técnico e financeiro. A socialização, a par dalgumas vantagens na elasticidade dos programas e regi
classes operárias organizadas, pois res tam os elementos não classificados pro
mes, na maior segurança da reversão dos
fissionalmente.
lucros para a comimidade, na facilidade
assistência profissional e não uma assis
ma assistencial,. adstritos que estão às Doutro modo: é uma
de obtenção de recursos, apresenta in
tência social completa.
convenientes patentes, como o desvio de
frandes capitais nacionais, a ineficiência
instituição das casas populares estendê-
urocrática, as dificuldades técnicas em
Nos países escandinavos há para as
Cabe à nova
la a todos, ao menos no seu campo.
assuntos especializados, a interferência
casas individuais um sistema de constru
política, etc.
ção em que o próprio interessado con tribui com alguma mão de obra sua e
Alega-se ainda que da construção di reta pelo poder público pode ainda re sultar certa concorrência aos particula res e empregos privados, que poderão não mais responder à altura, quando o
B) Após definição
construtoras a lei estabelecerá as moda lidades do crédito e facilidades às mes
locação ou exploração dos imóveis.
das vêzes. A execução pelos particulares não apresenta inconveniente, quando
Pode-se dizer, como Lord Avebury, que tudo é uma questão de meio e opor tunidade, tendo cada época e país a sua especialidade municipalizadora.
37
Digesto Econômico
de sua família. Isto pressupõe um alto nível de educação cívica e certa capa cidade de trabalho, que é facilitado pela estandardizução e simplicidade do pro jeto, por instruções especiais e pela de signação de dias ou horas certas e dis poníveis. Para nós só tem valor ane-
dótico, salvo adaptações muito parciais
governo terminar os seus programas.
e talvez, no interior sertanejo, aprovei
Assim pensava, por exemplo, a comissão
tando a tradição dós mutirões. li t
"liáiVrdiir
FALTA DE FERRO GUSA
Uma constante falta de ferro gusa tem ocasionado ultimamente, nos Estados
Unidos, o fechamento de muitas fundições e obrigado outras a reduzir o índice de
sua produção. Procurando melhorar a situação, as fundições solicitaram ao Office of Temporary Centrais que cancelasse a prioridade para fins de construção de casas, que vem consumindo cêrca de 40% dos suprimentos de ferro industrial. A falta de ferro fundido está prejudicando sèriainente as indústrias de auto móveis, ferramentas, maquinârias, etc. Algumas usinas estão mantendo o seu nível de produção utilizando peças fundidas. Das fornalhas que produziam ferro durante a guerra, uma pelo menos, no Texas, voltará a produzir dentro em breve. Para facilitar o transporte do ferro do Texas para as fundições do sul, procura-se uma taxa de frete especial. Atual mente, a maioria das fundições do sul é obrigada a atender de preferência a en comendas para construção de casas, o que vem contribuindo para que o ferro industrial do sul, seja transportado para o norte.
DiCESTO Econômico
86
de criá-los, sem outro fito verdadeiro
municipal de 1927. Por outro lado a pequenez e descontinuídade dos progra mas particulares raramente permite ou justifica o risco de grandes inversões em
que a consecução de bons lugares ou
aparelhamento, terras, materiais, organi
chefias.
zação, etc., capazes de baratear a cons trução, os aluguéis e os serviços conexos
interessados chegam à perfeição de in ventar serviços e repartições inteiras e
convencer aos governos da necessidade Estas repartições só servem
f)ara mxiltiplicar as formalidades, emoumentos e taxas com que atormentam
o povo trabalhador. A construção e a exploração direta pelas prefeituras ou estados são desaconselháveis por inefi
cientes e sujeitas a explorações políticas. Embora este modo de ação exista há'
muito na Alemanha e, há menos tempo, na Inglaterra e países bálticos, convém atender à diferença de formação e educa
ção política entre êsses países e o nosso. Na Alemanha a interferência direta das
municipalidades data de 150 anos, e, na Inglaterra, é conhecida a tradição municipalizadora, que tem absorvido su cessivamente todos os serviços públicos: transportes, telefone, luz, água, esgotos, etc., entre nós ainda entregues a com-
panliias particulares quiçá na maioria
aos conjuntos residenciais.
Em Nova
Iorque as duas iniciativas, a oficial e a privada, marcham a par. Destacam-se os grandes conjuntos de apartamentos, que ainda recentemente visitamos, às
vêzes conjugados com a demolição de "slums". O mais grandioso é o de Parkchester, verdadeira cidade de 42.000
habitantes (metade da população da ci dade de Campinas) encravada em Bronx, da Metropolitan Life Insurance Company.
Da construção ou administração das
casas poderão encarregar-se emprêsas particulares, as próprias indústrias. Na turalmente as facilidades ou favores di
ferirão conforme o regime e proveito da institutos de aposentadoria ainda não
das entidades
mas e aos pretendentes às casas.
tares que, normalmente, deva caber a essas cai-xas.
O juro variará com o
valor das casas, tipo, tamanho da fa mília e outras condições, de modo a ser
Os favores consistem geralmente em
realmente mínimo no caso de vivendas
empréstimos a longo prazo (20 a 30
mínimas e encargos familiares pesados.
anos) e juro babco (3 a 6%), em todo
Outra limitação dos empréstimos re
caso nunca mais do que custa ao pró
fere-se ao seu vulto relati\'amente aos
prio govêmo. Consistem ainda em fa cilidades fiscais, reduções ou isenções
20% é a boa norma americana; 25 a 30%
e na cessão de certos terrenos. Os juros
são usuais; 40% seria e.xcessivo. A Rússia
salár-os ou vencimentos do candiflato:
serão maiores quando se tratar de pura
adota 10% em certos casos, mas num
aplicação de capital, com poucas restri ções quanto ao uso e aluguel das casas;
regime inteiramente diverso.
serão médios no caso de maiores res
um sistema de bancos, institutos, car
trições em benefício das classes neces sitadas; serão mínimos quando, como
trosados, sem excluir estabelecimentos
A mobilização do crédito requer todo teiras, caixas, etc., convenientemente en
adiante veremos, houver conveniência ex
existentes (bancos, institutos de aposen
cepcional da correção de graves desajustamentos sociais. O juro, quando o
tadoria, caixas econômicas, carteiras imobiliárias), de modo a tirar o máximo
recurso provier de caixas de aposen
j^rrovdito dos recuraos disponíveis, ao mesmo tempo reduzindo as despesas ge rais que decorreriam de novos institutos, muitas vêzes dispensáveis.
tadoria, descerá, notadamente, no caso de as entidades construtoras assumirem o
encargo de certos serviços compleinen-
Convém finalmente observar que os
bem regulamentada e controlada sob os
oferecem a solução completa do proble
pontos de vista técnico e financeiro. A socialização, a par dalgumas vantagens na elasticidade dos programas e regi
classes operárias organizadas, pois res tam os elementos não classificados pro
mes, na maior segurança da reversão dos
fissionalmente.
lucros para a comimidade, na facilidade
assistência profissional e não uma assis
ma assistencial,. adstritos que estão às Doutro modo: é uma
de obtenção de recursos, apresenta in
tência social completa.
convenientes patentes, como o desvio de
frandes capitais nacionais, a ineficiência
instituição das casas populares estendê-
urocrática, as dificuldades técnicas em
Nos países escandinavos há para as
Cabe à nova
la a todos, ao menos no seu campo.
assuntos especializados, a interferência
casas individuais um sistema de constru
política, etc.
ção em que o próprio interessado con tribui com alguma mão de obra sua e
Alega-se ainda que da construção di reta pelo poder público pode ainda re sultar certa concorrência aos particula res e empregos privados, que poderão não mais responder à altura, quando o
B) Após definição
construtoras a lei estabelecerá as moda lidades do crédito e facilidades às mes
locação ou exploração dos imóveis.
das vêzes. A execução pelos particulares não apresenta inconveniente, quando
Pode-se dizer, como Lord Avebury, que tudo é uma questão de meio e opor tunidade, tendo cada época e país a sua especialidade municipalizadora.
37
Digesto Econômico
de sua família. Isto pressupõe um alto nível de educação cívica e certa capa cidade de trabalho, que é facilitado pela estandardizução e simplicidade do pro jeto, por instruções especiais e pela de signação de dias ou horas certas e dis poníveis. Para nós só tem valor ane-
dótico, salvo adaptações muito parciais
governo terminar os seus programas.
e talvez, no interior sertanejo, aprovei
Assim pensava, por exemplo, a comissão
tando a tradição dós mutirões. li t
"liáiVrdiir
FALTA DE FERRO GUSA
Uma constante falta de ferro gusa tem ocasionado ultimamente, nos Estados
Unidos, o fechamento de muitas fundições e obrigado outras a reduzir o índice de
sua produção. Procurando melhorar a situação, as fundições solicitaram ao Office of Temporary Centrais que cancelasse a prioridade para fins de construção de casas, que vem consumindo cêrca de 40% dos suprimentos de ferro industrial. A falta de ferro fundido está prejudicando sèriainente as indústrias de auto móveis, ferramentas, maquinârias, etc. Algumas usinas estão mantendo o seu nível de produção utilizando peças fundidas. Das fornalhas que produziam ferro durante a guerra, uma pelo menos, no Texas, voltará a produzir dentro em breve. Para facilitar o transporte do ferro do Texas para as fundições do sul, procura-se uma taxa de frete especial. Atual mente, a maioria das fundições do sul é obrigada a atender de preferência a en comendas para construção de casas, o que vem contribuindo para que o ferro industrial do sul, seja transportado para o norte.
39
Digesto EcoNÓKnco
O Transporte Individual e Coletivo na Cidade Moderna
mento funcional, mas também organiza
cêrca de 10.000 habitantes, do máximo
ção de movimentos e deslocamentos
do 40.000 que poderá abrigar. Para se ter idéia de como tais cida
diários.
des são favoráveis à vida humana, basta O módulo humano
por Lmz dk Anhaia Melo Especial para o "Digesto Econômico'
E liberdade de movimen
to nos campos internacio
nal, nacional, regional e local.
É apenas a ôste último,
O congestionamento da circulação — observa o A. — causa milhares de aci
dentes, se está tornando cada vez mais perigoso para todos. As ruas atuais não apresentam nenhuma diferenciação em têrmos de suas possíveis funções, cir
externo
people and goods".
Cleveland Rodgers.
dos
movimentos locais.
O urbanismo cuida dos usos da terra
— "the right use to the right land" — e tais usos estão na dependência da
Êsses usos estão relacionados com as
funções da vida coletiva: habitar, tra balhar, recrear.
O transporte, ou a circulação geral,
é o elo que liga as funções vitais, per mitindo o exercício "equilibrado delas. Transporte excessivo em "espaço-tem-
Sem essa liberdade, plena e universal, estragos e misérias da última guerra total.
quilômetros. Uma caminhada de quinze minutos
vence uma distância de 1250 metros.
Um círculo com êsse raio tem área
de 490 hectares, que na densidade de
população de "cidade-jardim" — 75 pes soas por hectare — pode conter 3o.750 pessoas.
20,76 por mil
15,93 por mil
Coeficiente de mortalidade.
Cidades jardins:
Inglaterra:
5,76 por mil 12,20 por mil
Essa população é justamente a que
comparado ao atrito interno das má
quinas, elemento nocivo e parasita. Planejar não é, pois, apenas questão de organização do espaço, ou zonéa-
Não é a limitação da população a única característica da cidade-jardim.
A definição oficial — e a magia do
nome é granderhente explorada — carac teriza bem o que se deve chamar ci dade-jardim. Essa definição, da "Garden Cities and
Towri Planning Association" é a seguin
te: "A garden-city is a town planned for industiy and healthy living; of a
possible a full measuresizeofthat socialmakes life, but not largar; surroun- j||
senvolvida, ambiente caracteristicamen-
the wiiole of the land being in public ownership or held in trust for the ^ j
que haja vida social perfeitamente de
te urbano, com todas as vantagens e estímulo da associação humana e sem metropolitano.
soas, coisas e energia, deve ser reduzi
25 por mil 66 por mil
corresponde ao mínimo necessário para
ma o lar em simples dormitório, o que é inconveniente sob todos os aspectos. A circulação, ou distribuição de pes
soas e bens.
o mundo não se refará tão cedo dos
três milhas por liora ou cêrca de cinco
os inconvenientes do congestionamento
Êsse custo de distribuição, nota acertadamente José Luiz Sert, pode ser
que é liberdade de movimento para pes
O módulo humano, em matéria de cir-
po", para o lugar de trabalho, transfor
uma quinta liberdade, tão necessária como as outras quatro bem conhecidas,
Rodgers na frase cotada como ementa
E, diz com acerto Levvis Mumford,
Cidades jardins:
Inglaterra:
cu ação, é a marcha a pe, na razão de
E essa referência
custo, porque é afinal improdutiva; e o dinheiro e tempo que neJa se gastas sem seriam melhor empregados na ele vação do "standard" da vida das po pulações.
destas notas, uma demanda universal por
A liumanização das cidades é o alvo visado.
Coeficiente de natalidade.
referir.
da ao mínimo em "espaço-tempo" e UÁ hoje, como bem acentua Cleveland
humano.
Coeficiente de mortalidade infantil.
ínaccessível, vale zero.
universal demand for a fifth freedcm: freedom of movement for
dos planos tem que ser o módulo
X Cidades jardins: Inglaterra:
circulação. A solução dêste problema é impossível por meio de medidas de sim
"The global was has created a
em geral.
mado da vida e do indivíduo, a medida
niza o cidadão.
accessibilidade e portanto do transporte. Um pedaço de chão, rural ou urbano,
çada por meio de um novo planejamento.
alguns e não para todos — era do pri
ou se humaniza a cidade ou se desuma-
cunstância que exclui uma consideração apropriada do problema' mcderno da ples correção (alargamento de ruas, res'trições ao tráfego) e só pode ser alcan
i.
natalidade, mortahdade e mortalidade infantil, com os da Inglaterra e Gales,
o campo locai, ou áreas urbanas, que nos vamos
abrange apenas o aspecto interno e não o
Na atual era biotécnica — atual para
comparar os respectivos coeficientes de
, , . j-
É a população da cidade-jardim. ou
o Hpo de urbanismo orgânico cuja ideia foi lançada por Ebenezer Hovyard, em 1898, num livro intitulado Jo-^orrow: a peaceful path for real reform e que foi republicado em 19^02, com o título "Garden Cities of To-morrow .
E há na- Inglaterra duas cidades,
Letchworth e Welwyn. construídas de acordo com os moldes de Hovvard. Letchworth foi fundada
população máxima de 32.000 tes, contando já hoje mais de 20.000, Welwyn data de 1920, contando hoje
ded bv a permanent belt of rural land; community".
É, pois, uma cidade com vida auto- * noma e quanto possível self-suficiente, J destinada à habitação e trabalho e não
simples subúrbio residencial; orgânica-
mente concebida e planejada desde o início; de população que possibilite vida social completa e não maior, e fixada entre 30 e 50.000 pessoas; envolvida por uma cinta verde rural permanente,
destinada a impedir o crescimento em
extensão, além dos limites determinados; ,
a terra sendo propriedade pública, o que
impede a especulação imobiliária e faz , com que o "unearned increment", em vez de ser canalizado para o bolso de
39
Digesto EcoNÓKnco
O Transporte Individual e Coletivo na Cidade Moderna
mento funcional, mas também organiza
cêrca de 10.000 habitantes, do máximo
ção de movimentos e deslocamentos
do 40.000 que poderá abrigar. Para se ter idéia de como tais cida
diários.
des são favoráveis à vida humana, basta O módulo humano
por Lmz dk Anhaia Melo Especial para o "Digesto Econômico'
E liberdade de movimen
to nos campos internacio
nal, nacional, regional e local.
É apenas a ôste último,
O congestionamento da circulação — observa o A. — causa milhares de aci
dentes, se está tornando cada vez mais perigoso para todos. As ruas atuais não apresentam nenhuma diferenciação em têrmos de suas possíveis funções, cir
externo
people and goods".
Cleveland Rodgers.
dos
movimentos locais.
O urbanismo cuida dos usos da terra
— "the right use to the right land" — e tais usos estão na dependência da
Êsses usos estão relacionados com as
funções da vida coletiva: habitar, tra balhar, recrear.
O transporte, ou a circulação geral,
é o elo que liga as funções vitais, per mitindo o exercício "equilibrado delas. Transporte excessivo em "espaço-tem-
Sem essa liberdade, plena e universal, estragos e misérias da última guerra total.
quilômetros. Uma caminhada de quinze minutos
vence uma distância de 1250 metros.
Um círculo com êsse raio tem área
de 490 hectares, que na densidade de
população de "cidade-jardim" — 75 pes soas por hectare — pode conter 3o.750 pessoas.
20,76 por mil
15,93 por mil
Coeficiente de mortalidade.
Cidades jardins:
Inglaterra:
5,76 por mil 12,20 por mil
Essa população é justamente a que
comparado ao atrito interno das má
quinas, elemento nocivo e parasita. Planejar não é, pois, apenas questão de organização do espaço, ou zonéa-
Não é a limitação da população a única característica da cidade-jardim.
A definição oficial — e a magia do
nome é granderhente explorada — carac teriza bem o que se deve chamar ci dade-jardim. Essa definição, da "Garden Cities and
Towri Planning Association" é a seguin
te: "A garden-city is a town planned for industiy and healthy living; of a
possible a full measuresizeofthat socialmakes life, but not largar; surroun- j||
senvolvida, ambiente caracteristicamen-
the wiiole of the land being in public ownership or held in trust for the ^ j
que haja vida social perfeitamente de
te urbano, com todas as vantagens e estímulo da associação humana e sem metropolitano.
soas, coisas e energia, deve ser reduzi
25 por mil 66 por mil
corresponde ao mínimo necessário para
ma o lar em simples dormitório, o que é inconveniente sob todos os aspectos. A circulação, ou distribuição de pes
soas e bens.
o mundo não se refará tão cedo dos
três milhas por liora ou cêrca de cinco
os inconvenientes do congestionamento
Êsse custo de distribuição, nota acertadamente José Luiz Sert, pode ser
que é liberdade de movimento para pes
O módulo humano, em matéria de cir-
po", para o lugar de trabalho, transfor
uma quinta liberdade, tão necessária como as outras quatro bem conhecidas,
Rodgers na frase cotada como ementa
E, diz com acerto Levvis Mumford,
Cidades jardins:
Inglaterra:
cu ação, é a marcha a pe, na razão de
E essa referência
custo, porque é afinal improdutiva; e o dinheiro e tempo que neJa se gastas sem seriam melhor empregados na ele vação do "standard" da vida das po pulações.
destas notas, uma demanda universal por
A liumanização das cidades é o alvo visado.
Coeficiente de natalidade.
referir.
da ao mínimo em "espaço-tempo" e UÁ hoje, como bem acentua Cleveland
humano.
Coeficiente de mortalidade infantil.
ínaccessível, vale zero.
universal demand for a fifth freedcm: freedom of movement for
dos planos tem que ser o módulo
X Cidades jardins: Inglaterra:
circulação. A solução dêste problema é impossível por meio de medidas de sim
"The global was has created a
em geral.
mado da vida e do indivíduo, a medida
niza o cidadão.
accessibilidade e portanto do transporte. Um pedaço de chão, rural ou urbano,
çada por meio de um novo planejamento.
alguns e não para todos — era do pri
ou se humaniza a cidade ou se desuma-
cunstância que exclui uma consideração apropriada do problema' mcderno da ples correção (alargamento de ruas, res'trições ao tráfego) e só pode ser alcan
i.
natalidade, mortahdade e mortalidade infantil, com os da Inglaterra e Gales,
o campo locai, ou áreas urbanas, que nos vamos
abrange apenas o aspecto interno e não o
Na atual era biotécnica — atual para
comparar os respectivos coeficientes de
, , . j-
É a população da cidade-jardim. ou
o Hpo de urbanismo orgânico cuja ideia foi lançada por Ebenezer Hovyard, em 1898, num livro intitulado Jo-^orrow: a peaceful path for real reform e que foi republicado em 19^02, com o título "Garden Cities of To-morrow .
E há na- Inglaterra duas cidades,
Letchworth e Welwyn. construídas de acordo com os moldes de Hovvard. Letchworth foi fundada
população máxima de 32.000 tes, contando já hoje mais de 20.000, Welwyn data de 1920, contando hoje
ded bv a permanent belt of rural land; community".
É, pois, uma cidade com vida auto- * noma e quanto possível self-suficiente, J destinada à habitação e trabalho e não
simples subúrbio residencial; orgânica-
mente concebida e planejada desde o início; de população que possibilite vida social completa e não maior, e fixada entre 30 e 50.000 pessoas; envolvida por uma cinta verde rural permanente,
destinada a impedir o crescimento em
extensão, além dos limites determinados; ,
a terra sendo propriedade pública, o que
impede a especulação imobiliária e faz , com que o "unearned increment", em vez de ser canalizado para o bolso de
40
Digesto Econômico Digesto Econômico
uns poucos felizardos, reverta para o bem geral. Nessas cidades orgânicas, o problema do transporte é de simples solução, pois se resolve com um quarto de hora de
poles industriais da era do capitalismo carbonífero, rendem quasl tão pouco quanto a marcha a pé.
A velocidade foi uma conquista inútil. O afIu.xo, para os centros congestio
saudável marcha a pé, da residência
nados das metrópoles industriais mo-
para o trabalho, sem necessidade de
nonucleadas, de veículos de uso parti
veículos de uso coletivo, e mesmo o de
cular e de veículos de transporte cole
uso pessoal é simples conforto è não
tivo, cria problemas de difícil so'ução.
necessidade.
Como conseqüência do aumento de pressão de uma periferia sempre cres
O dinheiro que deveria ser gasto em transporte coletivo — instalação e uso diário — é empregado na elevação do
cente — e a área varia com o quadrado
"standard" da vida urbana.
tros crescem em altura até atingir os
Êsse é o tipo ideal de organização das funções da vida urbana, pois que elimi
no que é o Empire State Building, em
na o atrito no funcionamento da má
Nova Iorque, com.85 andares, 318 me
quina coletiva.
Infelizmente, consti
tui ainda hoje exceção, porque os res-
do diâmetro — as edificações nos cen cumes vertiginosos do Himalaia urba
tros de altura e 63 elevadores para o transporte vertical.
É evidente que um sistema de ruas destinado a prédios de um ou dois pa vimentes e a uma circulação de algu-
mjis dezenas de veículos a tração animal, não pode servir a pré<^os de dezenas de andares e ao tráfego motorizado de dezenas de milhões de veículos de vá rias espécies.
E ainda há quem se admire do con gestionamento permanente dêsses cen
fonsáveis pelos destinos das massas uranas não abandonam a rotina, o que é
cômodo, nem olham para o futuro.
O congestionamento metropolitano
Nos grandes centros metropolitanos o problema do transporte urbano interno apresenta aspectos verdadeiramente trá gicos.
As distâncias, entre lugar de residên
cia e lugares de recreio e traballio, pas sam a ser enormes, e excessivo o tempo
gasto nesses percursos, e é este que conta.
A observação diária e generalizada mostra que os meios de transporte neotécnicos — automóveis, ônibus, bondes
— usando uma trama viária paleotécnica — as vielas mal traçadas das metró-
tros, e pretenda, ingenuamente, resolvê-
lo com apitos e semáforos e guardas nas
41
2.® — Relacionar or-
0 maior espaço viário
gânicamente, no espaço,
por passageiro trans portado. O espaço viário, em
as áreas funcionais de
residência, trabalho e recreio, por meio de zó-
pés quadrados, que uma pessoa ocupa, servindo-
neamento funcional e lo
cal, a fim de evitar a "fricção do espa ço". O atual sistema de zoneamento por
se dos diversos veículos em uso corrente
nas cidades, é o seguinte:
segregação é absurdo e anti-funcional.
TABELA 1
3." — Criar uma trama viária consti
tuída de supervias rápidas, radiais e
Lotação
ainhamentos, sem cruzamentos de ní
Double-deck
vel e isoladas dos setores, que servem,
motor bus Bonde
por faixas verdes de largura suficiente. A largura mínima dessas supervias deve
Single-deck
ser de 80 a 100 metros.
motor bus Bonde Automóvel Automóvel Automóvel
A não ser que se adotem as medi
das propostas, de ordem de planeja mento e funcional, tudo o que se em
preender no sentido apenas de melhora e aumento do equipamento de transpor te, será inútil e corresponderá à agravação do problema. Mais veículos coletivos em ruas já congestionadas, mais congestionamento,
100 100
•
3 4
50 58
5 7
5 4
22 28
2
56
.
A média de pessoas transportadas por automóvel de uso pessoal, nos Estados Unidos, é apenas ae 1,75 pessoas por carro.
e menos passageiros transportados.
São precisos, pois,
58 automóveis
para transportar 100 pessoas.
Parece paradoxal, mas é verdadeiro.
Um só
bonde transporta essa gente tôda.
esquinas.
Um problema dessa ordem só pode ser resolvido por meio de planejamento racional e não por medidas ingênuas e contraproducentes, ditadas por uma "psi cose de emergência", e que, afinal, de
Pés quadrados
Passageiros ocupados por passageiro
Veículo
perimetrais, destinadas, exclusivamente, à circulação rápida, sem edificações nos
O automóvel de uso particular
É interessante mencionar o número de
O automóvel de uso particular é o menos eficiente de todos os veículos de
transporte íntra-urbano. Ê o que ocupa
veículos, das diversas categorias, neces sários para transportar um determinado número de pessoas. É o seguinte:
nada valem.
É preciso: 1*° — Limitar, de maneira radica^ por
meio de legislação oportuna e inteligen
TABELA 2
Tipo de veículo
te, o crescimento das cidades, tanto ò
Passageiros 500
1.000
5.000
10.000
40.000
80.000
286 17 12 10
562
2.860
1Q7
5.620 334
22.860
34 23 19
227
910
45.700 2 667 1.820
185
740
1.480
10
40
80
crescimento em extensão ou horizontal —
pela criação de uma cinta verde rural —
Automóvel — 1,75 passag.
pomn o n crescimento or<3cm'mor>l-/-» vertical — rcduZÍndo como
Bus — 30 passageiros Eletrobus — 44 passageiros Bonde P.C.C. 54 passag.
drasticamente os gabaritos absurdos per
mitidos pelos regulamentos de zoneamen-
to hoje vigorante, a serviço exclusivo da mais revoltante exploração imobi liária.
'Trânsito Rápido.
114 93
1.340
Trem
do 10 carros — 100 passa geiros por carro
40
Digesto Econômico Digesto Econômico
uns poucos felizardos, reverta para o bem geral. Nessas cidades orgânicas, o problema do transporte é de simples solução, pois se resolve com um quarto de hora de
poles industriais da era do capitalismo carbonífero, rendem quasl tão pouco quanto a marcha a pé.
A velocidade foi uma conquista inútil. O afIu.xo, para os centros congestio
saudável marcha a pé, da residência
nados das metrópoles industriais mo-
para o trabalho, sem necessidade de
nonucleadas, de veículos de uso parti
veículos de uso coletivo, e mesmo o de
cular e de veículos de transporte cole
uso pessoal é simples conforto è não
tivo, cria problemas de difícil so'ução.
necessidade.
Como conseqüência do aumento de pressão de uma periferia sempre cres
O dinheiro que deveria ser gasto em transporte coletivo — instalação e uso diário — é empregado na elevação do
cente — e a área varia com o quadrado
"standard" da vida urbana.
tros crescem em altura até atingir os
Êsse é o tipo ideal de organização das funções da vida urbana, pois que elimi
no que é o Empire State Building, em
na o atrito no funcionamento da má
Nova Iorque, com.85 andares, 318 me
quina coletiva.
Infelizmente, consti
tui ainda hoje exceção, porque os res-
do diâmetro — as edificações nos cen cumes vertiginosos do Himalaia urba
tros de altura e 63 elevadores para o transporte vertical.
É evidente que um sistema de ruas destinado a prédios de um ou dois pa vimentes e a uma circulação de algu-
mjis dezenas de veículos a tração animal, não pode servir a pré<^os de dezenas de andares e ao tráfego motorizado de dezenas de milhões de veículos de vá rias espécies.
E ainda há quem se admire do con gestionamento permanente dêsses cen
fonsáveis pelos destinos das massas uranas não abandonam a rotina, o que é
cômodo, nem olham para o futuro.
O congestionamento metropolitano
Nos grandes centros metropolitanos o problema do transporte urbano interno apresenta aspectos verdadeiramente trá gicos.
As distâncias, entre lugar de residên
cia e lugares de recreio e traballio, pas sam a ser enormes, e excessivo o tempo
gasto nesses percursos, e é este que conta.
A observação diária e generalizada mostra que os meios de transporte neotécnicos — automóveis, ônibus, bondes
— usando uma trama viária paleotécnica — as vielas mal traçadas das metró-
tros, e pretenda, ingenuamente, resolvê-
lo com apitos e semáforos e guardas nas
41
2.® — Relacionar or-
0 maior espaço viário
gânicamente, no espaço,
por passageiro trans portado. O espaço viário, em
as áreas funcionais de
residência, trabalho e recreio, por meio de zó-
pés quadrados, que uma pessoa ocupa, servindo-
neamento funcional e lo
cal, a fim de evitar a "fricção do espa ço". O atual sistema de zoneamento por
se dos diversos veículos em uso corrente
nas cidades, é o seguinte:
segregação é absurdo e anti-funcional.
TABELA 1
3." — Criar uma trama viária consti
tuída de supervias rápidas, radiais e
Lotação
ainhamentos, sem cruzamentos de ní
Double-deck
vel e isoladas dos setores, que servem,
motor bus Bonde
por faixas verdes de largura suficiente. A largura mínima dessas supervias deve
Single-deck
ser de 80 a 100 metros.
motor bus Bonde Automóvel Automóvel Automóvel
A não ser que se adotem as medi
das propostas, de ordem de planeja mento e funcional, tudo o que se em
preender no sentido apenas de melhora e aumento do equipamento de transpor te, será inútil e corresponderá à agravação do problema. Mais veículos coletivos em ruas já congestionadas, mais congestionamento,
100 100
•
3 4
50 58
5 7
5 4
22 28
2
56
.
A média de pessoas transportadas por automóvel de uso pessoal, nos Estados Unidos, é apenas ae 1,75 pessoas por carro.
e menos passageiros transportados.
São precisos, pois,
58 automóveis
para transportar 100 pessoas.
Parece paradoxal, mas é verdadeiro.
Um só
bonde transporta essa gente tôda.
esquinas.
Um problema dessa ordem só pode ser resolvido por meio de planejamento racional e não por medidas ingênuas e contraproducentes, ditadas por uma "psi cose de emergência", e que, afinal, de
Pés quadrados
Passageiros ocupados por passageiro
Veículo
perimetrais, destinadas, exclusivamente, à circulação rápida, sem edificações nos
O automóvel de uso particular
É interessante mencionar o número de
O automóvel de uso particular é o menos eficiente de todos os veículos de
transporte íntra-urbano. Ê o que ocupa
veículos, das diversas categorias, neces sários para transportar um determinado número de pessoas. É o seguinte:
nada valem.
É preciso: 1*° — Limitar, de maneira radica^ por
meio de legislação oportuna e inteligen
TABELA 2
Tipo de veículo
te, o crescimento das cidades, tanto ò
Passageiros 500
1.000
5.000
10.000
40.000
80.000
286 17 12 10
562
2.860
1Q7
5.620 334
22.860
34 23 19
227
910
45.700 2 667 1.820
185
740
1.480
10
40
80
crescimento em extensão ou horizontal —
pela criação de uma cinta verde rural —
Automóvel — 1,75 passag.
pomn o n crescimento or<3cm'mor>l-/-» vertical — rcduZÍndo como
Bus — 30 passageiros Eletrobus — 44 passageiros Bonde P.C.C. 54 passag.
drasticamente os gabaritos absurdos per
mitidos pelos regulamentos de zoneamen-
to hoje vigorante, a serviço exclusivo da mais revoltante exploração imobi liária.
'Trânsito Rápido.
114 93
1.340
Trem
do 10 carros — 100 passa geiros por carro
43
Digesto Econômico Digesto Econó\«co
42
E note-se que os veículos de uso co
O veículo coletivo e seu ref^íme
letivo estão considerados com a carga
normal, passageiro sentado, sem suoe»*lotação.
Acrescente-se que os veícu'os coletivos não estacionam nas ruas, mas nos res
do o alfabeto vitamínico ao doente po
escritórios-.
bre, raquítico e desvitalizado, na saú de... e no bôlso.
escritórios exigiria outro do mesmo nú
Êsses "subways", que Muinford acer-
mero de andares para guarda dos auto
tadamente qualifica de "metropolitan
móveis, porque sendo de 140 pés qua
man-sewers", esgotos humanos, são ex pressão característica "do desperdício
drados a área média de um escritório,
são precisos 150 pés quadrados para
guarda de um automóvel. O menos que se pode pretender é
mana em
cionamento, e que custa em regra muito
intrínseco".
determinada taxa horária.
Estão em uso corrente, nas cidades* americanas, os medidores de estaciona
uma atividade "sem
niel Tumer, e podem ser resumidos
de população, foi de $263.668 por ano,
nos três tópicos a seguir:
tivo de superfície — bondes e ônibus —
Primeiro: — A finali
ou Cr| 5.273,000, com o uso de 3.560 medi
dade do transporte co
dores.
letivo não é lucro, mas
serviço.
Das considerações fei
ser afastado das ruas centrais é o auto móvel de uso pessoal e nunca o veículo coletivo".
O que visa o urbanismo é "o maior bem do maior número" e não a maior comodidade dos mais ricos e influentes.
O lucro é in
direto. Ê problema so cial e não negócio,
tas se conclui, sem pos nos casos de congestionamento agudo dos centros urbanos "o veículo que deve
ções sucessivas, não se adaptam aos re
decer um sistema de transporte cole foram fixados há muito tempo por Da
contestação, que
ção animal. Porisso, mau grado altera
Os princípios básicos a que deve obe
vel, por uma cidade americana de gran
sível
rança de eras passadas, e foram traçadas para uso de pedestres e veículos de tra
vida humana.
1
dos serviços, "a operação deve ser pri vada, absolutamente apolítica". Terceiro: — A fim de que ò público
tenha o melhor serviço pelo menor pre-
dimensões racionais.
As velocidades dependèm da função da rua e da natureza dos veículos cir culantes. Essas velocidades são tam
bém fatores de classificação, determi
nando os dispositivos dâs avenidas de circulação rápida ou lenta, e as diferen ciando das ruas tributárias ou secun dárias.
Uma rede geral de vias deve prever do, necessariamente, as vias dos veículos.
A falta de espaço nas ruas, e a Se qüência dos cruzamentos, tomam muteis as novas possibilidades de locomoção. O congestiopanfento da cinculação, causa de milhares de acidentes, esta-se tornando cada vez mais perigoso para
todos.
As ruas atuais não apresentam
A solução dêste problema e impossível
Segundo: — A fim de evitar os incon
de transporte, o que exige estatísticas e inquéritos precisos, a fim de se fixarem
volume da circulação atual. A largura insuficiente das ruas e cau sa de congestionamento.
venção política pode causar à operação
sistema".
É necessário traçar um novo sistema
caminhos para pedestres, destinados à
venientes, de tôda ordem, que a interr
do
mentalmente as condições de vida nas
quisitos dos veículos modernos, nem ao
nenhuma diferenciação em termos de suas possíveis funções, circunstancias que exclui uma consideração apropriada do problema moderno da circulação.
"Impõe-se a propriedade pública
da a estrutura, urbana e afetou funda
de ruas, adequadas aos meios modernos
Os sistemas de ruas, da maior^,parte das cidades e seus subúrbios, são he-
rização dos terrenos e degradação da
tes conhecidas, abalou violentamente tô
vância, mormente no momento atual de
Transportes
É um paliativo mecânico para a valo
ciso considerar que o uso universal do transporte motorizado, de velocidades an
cidades.
sa civilização mecânica.
valor
mento ou "parking-meters". A média arrecadada, nos últimos cin co anos de restrição de uso do automó
Para solucionar os problemas mais
Vamos transcrevê-los para encerrar es tas notas sobre assunto de tanta
retomada de atividades úteis, no após.guerra, e de reforma das obsoletas aglo merações humanas características da nos
organizado" que as metrópoles represen tam, pois constituem gasto enorme de tempo, energia, dinheiro e vitalidade hu
que a área ocupada nas ruas para esta caro à coletividade, seja paga a uma
A carta do urbanismo, aprovada no
quarto congresso, C.I.A.M., de Ate nas, em 1933, estabeleceu uma série de preceitos relativos aos problemas de circulação e transporte lubanos.
Prometer para metropolitas que tais, um sistema de trânsito rápido, é brin
um edifício da mesma área que o dos
Atenas, 1933.
importantes do transporte urbano é pre
impossível.
guardar em garage, essa garage seria
fego) e só pode ser alcançada por meio
tuação da circulação. A carta do urbanismo.
depauperados, é problema de solução
cadeira de mau gosto. Eqüivale a receitar leite, frutas e to
Cada arranha-céu de 20 andarçs de
dade nenhuma.
subterrâneo em cidades de baixo "stan
dard" de vida, de fraco poder aquisi
de um novo planejamento. Um tipo conhecido de urbanismo aca dêmico, concebido na "grande maneira" e objetivando principalmente efeitos mo numentais, complica muitas vezes a si
nico é banal, não apresentando dificul
Construir linhas de trânsito rápido
tivo das populações e de cofres públicos
sistema.
damentais, a solução do problema téc
bus, bondes e trens de trânsito rápido.
pectivos depósitos; ao contrário do au
(alargamento de ruas, restrições ao trá
Obedecidas estas normas gerais fun
Os veículos de uso co'ctlvo são ôni
tomóvel particular, que transforma as ruas em garages, impedindo a livre cir culação e agravando o congestionamento. Se todos os que trabalham nos centros urbanos usassem o seu automóvel para condução pessoal, e tivessem que o
ço, impõe-se o monopólio, a coordenação e a integração dos diversos elementos do
por meio de medidas de simples correção
conveniência dêstes e não acompanhan As ruas devem ser classificadas de
acordo com as respectivas funções de residência, negócio, indústria e outras. Todos os edifícios, e em maneira es
pecial as habitações, devem ser isolados
da circulação densa, por meio de cortinas verdes.
Resolvidas estas dificuldades, a nova
rêde viária permitirá outras simplifica ções; e por meio de uma organização efi ciente e coordenação racional dos ele mentos urbanos, a circulação pode ser reduzida, ordenada e concentrada nas grandes artérias".
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Digesto Econômico Digesto Econó\«co
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E note-se que os veículos de uso co
O veículo coletivo e seu ref^íme
letivo estão considerados com a carga
normal, passageiro sentado, sem suoe»*lotação.
Acrescente-se que os veícu'os coletivos não estacionam nas ruas, mas nos res
do o alfabeto vitamínico ao doente po
escritórios-.
bre, raquítico e desvitalizado, na saú de... e no bôlso.
escritórios exigiria outro do mesmo nú
Êsses "subways", que Muinford acer-
mero de andares para guarda dos auto
tadamente qualifica de "metropolitan
móveis, porque sendo de 140 pés qua
man-sewers", esgotos humanos, são ex pressão característica "do desperdício
drados a área média de um escritório,
são precisos 150 pés quadrados para
guarda de um automóvel. O menos que se pode pretender é
mana em
cionamento, e que custa em regra muito
intrínseco".
determinada taxa horária.
Estão em uso corrente, nas cidades* americanas, os medidores de estaciona
uma atividade "sem
niel Tumer, e podem ser resumidos
de população, foi de $263.668 por ano,
nos três tópicos a seguir:
tivo de superfície — bondes e ônibus —
Primeiro: — A finali
ou Cr| 5.273,000, com o uso de 3.560 medi
dade do transporte co
dores.
letivo não é lucro, mas
serviço.
Das considerações fei
ser afastado das ruas centrais é o auto móvel de uso pessoal e nunca o veículo coletivo".
O que visa o urbanismo é "o maior bem do maior número" e não a maior comodidade dos mais ricos e influentes.
O lucro é in
direto. Ê problema so cial e não negócio,
tas se conclui, sem pos nos casos de congestionamento agudo dos centros urbanos "o veículo que deve
ções sucessivas, não se adaptam aos re
decer um sistema de transporte cole foram fixados há muito tempo por Da
contestação, que
ção animal. Porisso, mau grado altera
Os princípios básicos a que deve obe
vel, por uma cidade americana de gran
sível
rança de eras passadas, e foram traçadas para uso de pedestres e veículos de tra
vida humana.
1
dos serviços, "a operação deve ser pri vada, absolutamente apolítica". Terceiro: — A fim de que ò público
tenha o melhor serviço pelo menor pre-
dimensões racionais.
As velocidades dependèm da função da rua e da natureza dos veículos cir culantes. Essas velocidades são tam
bém fatores de classificação, determi
nando os dispositivos dâs avenidas de circulação rápida ou lenta, e as diferen ciando das ruas tributárias ou secun dárias.
Uma rede geral de vias deve prever do, necessariamente, as vias dos veículos.
A falta de espaço nas ruas, e a Se qüência dos cruzamentos, tomam muteis as novas possibilidades de locomoção. O congestiopanfento da cinculação, causa de milhares de acidentes, esta-se tornando cada vez mais perigoso para
todos.
As ruas atuais não apresentam
A solução dêste problema e impossível
Segundo: — A fim de evitar os incon
de transporte, o que exige estatísticas e inquéritos precisos, a fim de se fixarem
volume da circulação atual. A largura insuficiente das ruas e cau sa de congestionamento.
venção política pode causar à operação
sistema".
É necessário traçar um novo sistema
caminhos para pedestres, destinados à
venientes, de tôda ordem, que a interr
do
mentalmente as condições de vida nas
quisitos dos veículos modernos, nem ao
nenhuma diferenciação em termos de suas possíveis funções, circunstancias que exclui uma consideração apropriada do problema moderno da circulação.
"Impõe-se a propriedade pública
da a estrutura, urbana e afetou funda
de ruas, adequadas aos meios modernos
Os sistemas de ruas, da maior^,parte das cidades e seus subúrbios, são he-
rização dos terrenos e degradação da
tes conhecidas, abalou violentamente tô
vância, mormente no momento atual de
Transportes
É um paliativo mecânico para a valo
ciso considerar que o uso universal do transporte motorizado, de velocidades an
cidades.
sa civilização mecânica.
valor
mento ou "parking-meters". A média arrecadada, nos últimos cin co anos de restrição de uso do automó
Para solucionar os problemas mais
Vamos transcrevê-los para encerrar es tas notas sobre assunto de tanta
retomada de atividades úteis, no após.guerra, e de reforma das obsoletas aglo merações humanas características da nos
organizado" que as metrópoles represen tam, pois constituem gasto enorme de tempo, energia, dinheiro e vitalidade hu
que a área ocupada nas ruas para esta caro à coletividade, seja paga a uma
A carta do urbanismo, aprovada no
quarto congresso, C.I.A.M., de Ate nas, em 1933, estabeleceu uma série de preceitos relativos aos problemas de circulação e transporte lubanos.
Prometer para metropolitas que tais, um sistema de trânsito rápido, é brin
um edifício da mesma área que o dos
Atenas, 1933.
importantes do transporte urbano é pre
impossível.
guardar em garage, essa garage seria
fego) e só pode ser alcançada por meio
tuação da circulação. A carta do urbanismo.
depauperados, é problema de solução
cadeira de mau gosto. Eqüivale a receitar leite, frutas e to
Cada arranha-céu de 20 andarçs de
dade nenhuma.
subterrâneo em cidades de baixo "stan
dard" de vida, de fraco poder aquisi
de um novo planejamento. Um tipo conhecido de urbanismo aca dêmico, concebido na "grande maneira" e objetivando principalmente efeitos mo numentais, complica muitas vezes a si
nico é banal, não apresentando dificul
Construir linhas de trânsito rápido
tivo das populações e de cofres públicos
sistema.
damentais, a solução do problema téc
bus, bondes e trens de trânsito rápido.
pectivos depósitos; ao contrário do au
(alargamento de ruas, restrições ao trá
Obedecidas estas normas gerais fun
Os veículos de uso co'ctlvo são ôni
tomóvel particular, que transforma as ruas em garages, impedindo a livre cir culação e agravando o congestionamento. Se todos os que trabalham nos centros urbanos usassem o seu automóvel para condução pessoal, e tivessem que o
ço, impõe-se o monopólio, a coordenação e a integração dos diversos elementos do
por meio de medidas de simples correção
conveniência dêstes e não acompanhan As ruas devem ser classificadas de
acordo com as respectivas funções de residência, negócio, indústria e outras. Todos os edifícios, e em maneira es
pecial as habitações, devem ser isolados
da circulação densa, por meio de cortinas verdes.
Resolvidas estas dificuldades, a nova
rêde viária permitirá outras simplifica ções; e por meio de uma organização efi ciente e coordenação racional dos ele mentos urbanos, a circulação pode ser reduzida, ordenada e concentrada nas grandes artérias".
45
Dicesto Econômico
da arrancada algodoeira de 1930 a 1940. A liberação de milhares de braços das lavouras de café, os quais perambula-
vam pelas estradas do interior nos dias negros de 1930 a 1931, sem fontes compensadoras de trabalho, a incapacidade da indústria localizada nos grandes cen tros urbanos de absorver essa massa de
por Gabib.vldi Dantas
egressos da lavoura, a ausência de ou tras fontes de exploração rural remuneradoras, tudo isso aliado ao fato de que começava o mundo a sentir falta de matéria prima adequada iiara os seus teares, em vista do programa de redu ção de colheitas iniciado nos Estados-
Especial paiÍa o "Digesto Econômico" As crises do café e a expansão al^odoeira de São Paulo
^ algodão em São Paulo, na sua fase presente de colheitas avolumadas e impressionante dinamismo comercial, é em grande parte fruto da crise cafeeira
de 1929. Até então, limitava-se a exploraçao da malvácea a regiões do Estado de São Paulo onde, por condições es peciais de clima e solos, o cafeeiro não medrava saüsfatòriamente. Até antes de
1929, a zona típica do algodão paulista era a chamada Baixa Sorocabana, zona
alias, menos propícia à sua exploração do que muitas outras mais distanciadas pelo hinterland", devido a questões de altitude, de extremas variações de tem peratura e até de excesso de precipita
ções pluviométricas. Antes da grande crise cafeeira de 1929, quando o princi
pal produto da economia rural de São
Paulo se esboroou diante do peso de milhões e milhões de sacas em super
ra cafeeira não era compensadora. Plan tava-se, pois, algodão, quando não era possível tratar de café. Chegou-se mes mo, em 1912, quando aqui esteve uma missão de técnicos inglôses, a receber
doeira. Apenas em 1918 chegou o al godão a alcançar certa proeminência
devido exclusivamente à geada que des truiu milhões de cafeeiros. Para suprir a falta das safras de café, plantou-se al godão no meio das lavouras tostadas pelo flagelo climatérico. Chegou então a produção a alcançar níveis animadores. Fora disso, o algodão vegetava, nas lo calidades da Ba xa Sorocabana, nas ter ras já bem exploradas e quase cansadas situadas em redor de Campinas e em outros pontos do Estado, onde a lavou
tuto Agronômico de Campinas orien tavam seus estudos e trabalhos para
a seleção de tipos de maior compri mento de fibras. Foi êsse o ponto de partida decisivo da seleção dos algodões locais.
Com base em experimentações
pacientes, foi possível selecionar de de
zenas de variedades algodoeiras que até então medravam em São Paulo na mais
completa mestiçagem algumas linhagens, cuja propagação se processou cienmicamente, seguindo as normas clássicas da seleção moderna, a ponto de se po
Unidos, deu bases interessantes ao ini
der oferecer à lavoura, quando se ini
com relativa hostilidade a idéia de fo
cio da campanha algodoeira de São
mentar-se a expansão dessa cultura, com
Paulo.
sementes boas, de qualidade comprova
receio de que pudesse roubar os braços
A técnica a serviço da economia agncola
dominantes.
do café. A sua exploração, em escala
Coincidia ainda com essa iiova fase
maior do que se vinha tentando, po
da "produção algodoeira de São Paulo
deria ser considerada uma atividade in-
o trabalho experimental pacientemente
trusa, na frase famosa de um dirigente da época. A crise do café de 1929, com o avil tamento incrível dos preços, com o des
levantado nos meios técnit;os paulistas, tm'.
mantelamento da extraordinária organi zação,rural paulista, com a coincidência
da depressão mundial que impedia qual quer surto industrial capaz de absorver
especialmente no Instituto Agronômico de Campinas, no que dizia respeito a seleção e adaptação de no" 's variedades e à introdução, no setor i oniercial, de métodos modernos de padronização^ e classificação das fibras de que se in cumbiu a Bôlsa de Mercadorias.
o excesso de braços desmobilizados das
Até havia algum tempo, a qualidade do algodão de São Paulo muito deixava a desejar, pois a diminuição progres
fazendas de café arruinadas, tudo isso
foi o ponto de partida, o marco inicial
siva do comprimento comercial dai
produção, raros foram os períodos de
expansão e relativa prosperidade algo-
Baseando-se nessa observação doa meios comerciais, os técnicos do Insti
LI
bibliografia será publicada no trabalho imediato, a ser inserto no próximo nú
produto inferior, a tal ponto que as
próprias fábricas locais nai) p podiam
mero do "Digesio Econômico", o A.
lembra que de qualquer maneira, com anos favoráveis ou desfavoráveis, o fato
é que o algodão em São Paulo consti tui a mais dinâmica realização agrícola dos últimos vinte anos, que, tem sido objeto das mais entusiásticas referências
e a que tem justificado, no campo inter nacional, as mais agressivas atitudes por parte de nações julgadas prejudicadas por êsse expansionismo.
fibras e o abastardament • de outros
caractefrísticos especiais t ansformaram os algodões paulistas em sinônimo de
N' o seu segundo artigo desta série, cuja
3*.
utilizar, senão em condições precárias, e ainda assim para fios e tecidos gros seiros. Ô suprimento industrial paulis ta, para as confecções melhores, vinha obrigatòriamente de fora. O comprimento comercial das fibras paulistas chegou a cair, em alguns anos de 1922 a 1926, abaixo de 20 milí metros, comparando-se ass m aos tipos inferiores da índia.
ciou o no\'o surto do algodão em 1930
da, muito superiores às até então pre Com sementes excelentes, cuidadosa
mente selecionadas, e em quantidades suficientes para atender à procura então
reduzida, foi possível instituir-^e em São Paulo uma organização de distri buição só comparável, em sua eficiên
cia, à que os inglêses já vinham fazen do, no vale do Nilo, para manter as qualidades dos seus famosos algodõesde fibra longa, ou produzir novas linha gens destinadas a substituir as que por ventura se degenerassem, no processo
normal da vida das fibras especiais.
A obrigatoriedade instituída pelo govêmo de São Paulo do plantio do algo dão com sementes oficiais só foi possí
vel, por essas duas condições básicas: em primeiro lugar, porque já havia boas
sementes e em segundo porque as sa fras correntes em 1930 eram de vo lume reduzido, podendo a procura ser atendida satisfatòriamente, com as se
mentes novas, selecionadas ^ com profi ciência no Instituto Agronômico de Cam
pinas e aumentadas nos chamados Cam
pos de Cooperação.
Enquanto os meios científicos reali zavam o que alguns chegaram a chamar o "milagre do algodão", transformando
a qualidade dos tipos produzidos em
45
Dicesto Econômico
da arrancada algodoeira de 1930 a 1940. A liberação de milhares de braços das lavouras de café, os quais perambula-
vam pelas estradas do interior nos dias negros de 1930 a 1931, sem fontes compensadoras de trabalho, a incapacidade da indústria localizada nos grandes cen tros urbanos de absorver essa massa de
por Gabib.vldi Dantas
egressos da lavoura, a ausência de ou tras fontes de exploração rural remuneradoras, tudo isso aliado ao fato de que começava o mundo a sentir falta de matéria prima adequada iiara os seus teares, em vista do programa de redu ção de colheitas iniciado nos Estados-
Especial paiÍa o "Digesto Econômico" As crises do café e a expansão al^odoeira de São Paulo
^ algodão em São Paulo, na sua fase presente de colheitas avolumadas e impressionante dinamismo comercial, é em grande parte fruto da crise cafeeira
de 1929. Até então, limitava-se a exploraçao da malvácea a regiões do Estado de São Paulo onde, por condições es peciais de clima e solos, o cafeeiro não medrava saüsfatòriamente. Até antes de
1929, a zona típica do algodão paulista era a chamada Baixa Sorocabana, zona
alias, menos propícia à sua exploração do que muitas outras mais distanciadas pelo hinterland", devido a questões de altitude, de extremas variações de tem peratura e até de excesso de precipita
ções pluviométricas. Antes da grande crise cafeeira de 1929, quando o princi
pal produto da economia rural de São
Paulo se esboroou diante do peso de milhões e milhões de sacas em super
ra cafeeira não era compensadora. Plan tava-se, pois, algodão, quando não era possível tratar de café. Chegou-se mes mo, em 1912, quando aqui esteve uma missão de técnicos inglôses, a receber
doeira. Apenas em 1918 chegou o al godão a alcançar certa proeminência
devido exclusivamente à geada que des truiu milhões de cafeeiros. Para suprir a falta das safras de café, plantou-se al godão no meio das lavouras tostadas pelo flagelo climatérico. Chegou então a produção a alcançar níveis animadores. Fora disso, o algodão vegetava, nas lo calidades da Ba xa Sorocabana, nas ter ras já bem exploradas e quase cansadas situadas em redor de Campinas e em outros pontos do Estado, onde a lavou
tuto Agronômico de Campinas orien tavam seus estudos e trabalhos para
a seleção de tipos de maior compri mento de fibras. Foi êsse o ponto de partida decisivo da seleção dos algodões locais.
Com base em experimentações
pacientes, foi possível selecionar de de
zenas de variedades algodoeiras que até então medravam em São Paulo na mais
completa mestiçagem algumas linhagens, cuja propagação se processou cienmicamente, seguindo as normas clássicas da seleção moderna, a ponto de se po
Unidos, deu bases interessantes ao ini
der oferecer à lavoura, quando se ini
com relativa hostilidade a idéia de fo
cio da campanha algodoeira de São
mentar-se a expansão dessa cultura, com
Paulo.
sementes boas, de qualidade comprova
receio de que pudesse roubar os braços
A técnica a serviço da economia agncola
dominantes.
do café. A sua exploração, em escala
Coincidia ainda com essa iiova fase
maior do que se vinha tentando, po
da "produção algodoeira de São Paulo
deria ser considerada uma atividade in-
o trabalho experimental pacientemente
trusa, na frase famosa de um dirigente da época. A crise do café de 1929, com o avil tamento incrível dos preços, com o des
levantado nos meios técnit;os paulistas, tm'.
mantelamento da extraordinária organi zação,rural paulista, com a coincidência
da depressão mundial que impedia qual quer surto industrial capaz de absorver
especialmente no Instituto Agronômico de Campinas, no que dizia respeito a seleção e adaptação de no" 's variedades e à introdução, no setor i oniercial, de métodos modernos de padronização^ e classificação das fibras de que se in cumbiu a Bôlsa de Mercadorias.
o excesso de braços desmobilizados das
Até havia algum tempo, a qualidade do algodão de São Paulo muito deixava a desejar, pois a diminuição progres
fazendas de café arruinadas, tudo isso
foi o ponto de partida, o marco inicial
siva do comprimento comercial dai
produção, raros foram os períodos de
expansão e relativa prosperidade algo-
Baseando-se nessa observação doa meios comerciais, os técnicos do Insti
LI
bibliografia será publicada no trabalho imediato, a ser inserto no próximo nú
produto inferior, a tal ponto que as
próprias fábricas locais nai) p podiam
mero do "Digesio Econômico", o A.
lembra que de qualquer maneira, com anos favoráveis ou desfavoráveis, o fato
é que o algodão em São Paulo consti tui a mais dinâmica realização agrícola dos últimos vinte anos, que, tem sido objeto das mais entusiásticas referências
e a que tem justificado, no campo inter nacional, as mais agressivas atitudes por parte de nações julgadas prejudicadas por êsse expansionismo.
fibras e o abastardament • de outros
caractefrísticos especiais t ansformaram os algodões paulistas em sinônimo de
N' o seu segundo artigo desta série, cuja
3*.
utilizar, senão em condições precárias, e ainda assim para fios e tecidos gros seiros. Ô suprimento industrial paulis ta, para as confecções melhores, vinha obrigatòriamente de fora. O comprimento comercial das fibras paulistas chegou a cair, em alguns anos de 1922 a 1926, abaixo de 20 milí metros, comparando-se ass m aos tipos inferiores da índia.
ciou o no\'o surto do algodão em 1930
da, muito superiores às até então pre Com sementes excelentes, cuidadosa
mente selecionadas, e em quantidades suficientes para atender à procura então
reduzida, foi possível instituir-^e em São Paulo uma organização de distri buição só comparável, em sua eficiên
cia, à que os inglêses já vinham fazen do, no vale do Nilo, para manter as qualidades dos seus famosos algodõesde fibra longa, ou produzir novas linha gens destinadas a substituir as que por ventura se degenerassem, no processo
normal da vida das fibras especiais.
A obrigatoriedade instituída pelo govêmo de São Paulo do plantio do algo dão com sementes oficiais só foi possí
vel, por essas duas condições básicas: em primeiro lugar, porque já havia boas
sementes e em segundo porque as sa fras correntes em 1930 eram de vo lume reduzido, podendo a procura ser atendida satisfatòriamente, com as se
mentes novas, selecionadas ^ com profi ciência no Instituto Agronômico de Cam
pinas e aumentadas nos chamados Cam
pos de Cooperação.
Enquanto os meios científicos reali zavam o que alguns chegaram a chamar o "milagre do algodão", transformando
a qualidade dos tipos produzidos em
46
Digesto Econômico 47
Digesto Económicp São Paulo, no setor comercial se inicia va a classificação sob bases modernas,
dispensada pelo governo dos Estados-
com técnicos trazidos da Inglaterra, os
portação, teria de atuar ao menos como
quais formaram escola e deixaram se
incentivo à expansão de outras zonas produtoras, entre as quais se incluía o
guidores, a ponto de ser esse serviço considerado por observadores norte-americanós como modelar e digno de ser imitado, nos Estados-Unidos.
Os resultados desses esforços foram quase imediatos.
De fato "em 1924,
Estado de São Paulo. Se não foi a razão ou a causa decisiva dêsse surto
algodoeiro, deu-lhe, porém, elementos de vida, auxiliou-lhe a propaganda, justifi cou-lhe o interesse geral.
Não era a
dos algodões classificados pela Bôlsa de Mercadorias de São Paulo, 43 por cento
defesa do algodão norte-americano, o "guarda-chuva providencial", que aco
eram de fibra de 22 milímetros de com
bertava a todos, imagem muito sovada
primento, 46 de 22 a 24, e, finalmente, apenas 11 por cento entre 24 e 26. Em
1934, o quadro era o seguinte: apenas 0,20 por cento de fibras entre 26 a 28
milmetros, 99,71 por cento de 28 a 30 milímetros e 0,09 por cento de fibras acima de 30 milímetros".
Um resul
tado dessa ordem bem merecia ser cha
mado de verdadeira revolução técnica, pois modificara radicalmente a qualidade media dos algodões de São Paulo, trans
formando-os de qualidade inferior para padrões especiais, altamente procurados nos centros consumidores do mundo.
A defesa do algodão nos .Estados-Unidos e a expan~ são da produção de S. Paulo Não se pode corcordar
com os técnicos norte-americanos em què a expansão do algodão de São Paulo é
fruto da defesa de preços assumida pelo
governo dos Estados-Unidos, de 1930 em diante, pois o ímpeto da expansão, a força real, a mola vital desse movi
mento foi, sem contestação, a crise cafeeira, a possibilidade de utilizar os bra
ços desmobilizados das lides da princi pal fonte de atividade rural paulista, a falta de outras formas de trabalho or
ganizado em larga escala, a própria coincidência da depressão mundial que impediu qualquer surto industrial ur
L
Unidos à sua principal lavoura de e.x-
bano capaz de absorver os braços saídos
das lavouras de café. Não resta, porém, dúvida de que a garantia de preços
e usada pelos técnicos do grande país amigo, mas certamente um motivo real de estímulo.
Se o governo dos Estados-Unidos jul gava necessário defender os preços in ternos do algodão a níveis elevados, por que abaixo dêles os seus agricultores es tavam condenados à ruina, mas se a es
sas cotações São Paulo podia plantar
algodão ganhando dinheiro, é que as nossas condições eram mais favoráveis do que as da famosa "cottonbelt" norte-americana.
Assim como nos primórdios de sua
lavoura algodoeira, no último quartel do século XVIII, foi o preço alto do algo dão brasileiro, então o artigo de maior
prestígio e volume no comércio inter nacional, que justificou a primeira ta rifa protecionista dos Estados-Unidos, para salvaguarda dos seus agricultores
em, 1930, o amparo dispensado por aquêle país aos seus lavradores auxiliou também a expansão de outras regiões, máxime daquelas onde se pôde começar de baixo, com alicerces firmes, cientifi camente elaborados e cuidadosamente delineados.
A organização algodoeira de São Paulo resultado da união entre as atividades
particulares e os poderes públicos Quando os meios científicos e as en tidades oficiais incumbidas de atender
à expansão algodoeira de São Paulo "im-
puseram" práticas e normas que os paí ses democráticos julgaram "autoritárias", como a obrigatoriedade do plantio de sementes oficiais, a classificação compul
sória dos algodões, a fiscalização rígida dos descaroçadores, o termo não se ajus tava realmente à realidade. Houve, de
fato, essa obrigatoriedade, mas a sua
aceitação se fez mais voluntariamente do que compulsòriamente, porque^ os particulares julgaram então necessária,
tjenéfica, útil, essa intromissão do poder público no campo econômico. Não se
outras partes do país, tradicionalmente
algodoeiras, onde não foi possível jogar
fora a herança do passado, não houve dessa data até agora progresso, mas só retrocesso, do ponto-de-vista da quanti dade e até da qualidade das safras. É mais fácil criar uma organização
nova, com aparelhagem moderna, n^ todos mais -científicos e eficientes, do que aproveitar inventários obsoletos e ineficientes, sob a justificativa de eco nomia e desculpa de que não se dis põem de suficientes capitais para unia
plantavam sementes do governo, porque
transformação radical.
res lhe percebiam as vantagens especiais,
de geração espontânea o ter São Paulo
a lei o obrigava, mas porque os lavrado na produção avolumada.
A união das atividades particulares
com os poderes públicos, a perfeita com preensão das vantagens reciprocas entre
Não é, pois, obra de milhares, nem
invertido completamente, em duas déca das, o eixo econômico do algodão, cen-
tuplicando suas safras de 1930 a 1944,
enquanto regiões antes mais importon-
o quase dirigismo oficial e o princípio da iniciativa particular, tudo isso per
tes, do ponto-de-vista da produção his tórica, mal conseguiam manter os níveis
mitiu em São Paulo uma organização
quedas pronunciadas de colheitas.
econômica inteiramente nova. Não hou
anteriores e, em aí^ns casos, registavam
De fato, em 1934, da produção algo ve assim, a rigor, nem transformação, doeira nacional, 60 por cento provi nem renovação da economia algodoeira' nham da região setentrional, enquanto 40 de São Paulo de 1930 em diante. Hou por cento saíam da meridional, na qual ve realmente criação inteiramente nova de um setor econômico, altamente com
predominava São Paulo. Em 1944, e
plexo, que ia desde o trato das terras
uma colheita nacional dada como sendo
em bases modernas, até os processos
contribuía São Paulo com 483.000, ou
novos de comércio, classificação; benefi-
ciamento, padronagem e enfardamento. Do caos que antes caracterizava a or
ganização algodoeira de São Paulo emer giu coisa completamente diversa, uma
criação especiaí modemissima, apanhan do o que de mais eficiente havia em tôda a parte. Foi ossti
ríizão básica do êxito da
expansão algodoeira de São Paulo de 1930 em diante. Nem renovação, nem transfor
mação, mas criação completamente nova. E tanto é isso verdade, tanto é exato
que São Paulo conseguiu j:hegar a ser a região de maior expansão algodoeira do mundo nas duas ultimas décadas, por ter criado condições e valores com pletamente novos e não adaptado sim plesmente o que já existia, é que em
pouco superior a 587.000 to^ladas, quase 80 por cento. Ciclos de anos chu vosos e ciclos de anos secos
A técnica não faz
milagres. Em produ ção agrícola ainda o tempo é o fator dec sivo. De 1930 em diante, a caracte
rística termo-pluviométrica pauhsta pa rece ter-se modificado.
Em lugM de
anos com pesadas precipitações^ pluvio-
métricas, o "habitat" por excelencia da lavoura cafeeira, São Paulo transformou-
se em região de prolongadas estiagens. De 1925 a 1930, por exemplo, a media
46
Digesto Econômico 47
Digesto Económicp São Paulo, no setor comercial se inicia va a classificação sob bases modernas,
dispensada pelo governo dos Estados-
com técnicos trazidos da Inglaterra, os
portação, teria de atuar ao menos como
quais formaram escola e deixaram se
incentivo à expansão de outras zonas produtoras, entre as quais se incluía o
guidores, a ponto de ser esse serviço considerado por observadores norte-americanós como modelar e digno de ser imitado, nos Estados-Unidos.
Os resultados desses esforços foram quase imediatos.
De fato "em 1924,
Estado de São Paulo. Se não foi a razão ou a causa decisiva dêsse surto
algodoeiro, deu-lhe, porém, elementos de vida, auxiliou-lhe a propaganda, justifi cou-lhe o interesse geral.
Não era a
dos algodões classificados pela Bôlsa de Mercadorias de São Paulo, 43 por cento
defesa do algodão norte-americano, o "guarda-chuva providencial", que aco
eram de fibra de 22 milímetros de com
bertava a todos, imagem muito sovada
primento, 46 de 22 a 24, e, finalmente, apenas 11 por cento entre 24 e 26. Em
1934, o quadro era o seguinte: apenas 0,20 por cento de fibras entre 26 a 28
milmetros, 99,71 por cento de 28 a 30 milímetros e 0,09 por cento de fibras acima de 30 milímetros".
Um resul
tado dessa ordem bem merecia ser cha
mado de verdadeira revolução técnica, pois modificara radicalmente a qualidade media dos algodões de São Paulo, trans
formando-os de qualidade inferior para padrões especiais, altamente procurados nos centros consumidores do mundo.
A defesa do algodão nos .Estados-Unidos e a expan~ são da produção de S. Paulo Não se pode corcordar
com os técnicos norte-americanos em què a expansão do algodão de São Paulo é
fruto da defesa de preços assumida pelo
governo dos Estados-Unidos, de 1930 em diante, pois o ímpeto da expansão, a força real, a mola vital desse movi
mento foi, sem contestação, a crise cafeeira, a possibilidade de utilizar os bra
ços desmobilizados das lides da princi pal fonte de atividade rural paulista, a falta de outras formas de trabalho or
ganizado em larga escala, a própria coincidência da depressão mundial que impediu qualquer surto industrial ur
L
Unidos à sua principal lavoura de e.x-
bano capaz de absorver os braços saídos
das lavouras de café. Não resta, porém, dúvida de que a garantia de preços
e usada pelos técnicos do grande país amigo, mas certamente um motivo real de estímulo.
Se o governo dos Estados-Unidos jul gava necessário defender os preços in ternos do algodão a níveis elevados, por que abaixo dêles os seus agricultores es tavam condenados à ruina, mas se a es
sas cotações São Paulo podia plantar
algodão ganhando dinheiro, é que as nossas condições eram mais favoráveis do que as da famosa "cottonbelt" norte-americana.
Assim como nos primórdios de sua
lavoura algodoeira, no último quartel do século XVIII, foi o preço alto do algo dão brasileiro, então o artigo de maior
prestígio e volume no comércio inter nacional, que justificou a primeira ta rifa protecionista dos Estados-Unidos, para salvaguarda dos seus agricultores
em, 1930, o amparo dispensado por aquêle país aos seus lavradores auxiliou também a expansão de outras regiões, máxime daquelas onde se pôde começar de baixo, com alicerces firmes, cientifi camente elaborados e cuidadosamente delineados.
A organização algodoeira de São Paulo resultado da união entre as atividades
particulares e os poderes públicos Quando os meios científicos e as en tidades oficiais incumbidas de atender
à expansão algodoeira de São Paulo "im-
puseram" práticas e normas que os paí ses democráticos julgaram "autoritárias", como a obrigatoriedade do plantio de sementes oficiais, a classificação compul
sória dos algodões, a fiscalização rígida dos descaroçadores, o termo não se ajus tava realmente à realidade. Houve, de
fato, essa obrigatoriedade, mas a sua
aceitação se fez mais voluntariamente do que compulsòriamente, porque^ os particulares julgaram então necessária,
tjenéfica, útil, essa intromissão do poder público no campo econômico. Não se
outras partes do país, tradicionalmente
algodoeiras, onde não foi possível jogar
fora a herança do passado, não houve dessa data até agora progresso, mas só retrocesso, do ponto-de-vista da quanti dade e até da qualidade das safras. É mais fácil criar uma organização
nova, com aparelhagem moderna, n^ todos mais -científicos e eficientes, do que aproveitar inventários obsoletos e ineficientes, sob a justificativa de eco nomia e desculpa de que não se dis põem de suficientes capitais para unia
plantavam sementes do governo, porque
transformação radical.
res lhe percebiam as vantagens especiais,
de geração espontânea o ter São Paulo
a lei o obrigava, mas porque os lavrado na produção avolumada.
A união das atividades particulares
com os poderes públicos, a perfeita com preensão das vantagens reciprocas entre
Não é, pois, obra de milhares, nem
invertido completamente, em duas déca das, o eixo econômico do algodão, cen-
tuplicando suas safras de 1930 a 1944,
enquanto regiões antes mais importon-
o quase dirigismo oficial e o princípio da iniciativa particular, tudo isso per
tes, do ponto-de-vista da produção his tórica, mal conseguiam manter os níveis
mitiu em São Paulo uma organização
quedas pronunciadas de colheitas.
econômica inteiramente nova. Não hou
anteriores e, em aí^ns casos, registavam
De fato, em 1934, da produção algo ve assim, a rigor, nem transformação, doeira nacional, 60 por cento provi nem renovação da economia algodoeira' nham da região setentrional, enquanto 40 de São Paulo de 1930 em diante. Hou por cento saíam da meridional, na qual ve realmente criação inteiramente nova de um setor econômico, altamente com
predominava São Paulo. Em 1944, e
plexo, que ia desde o trato das terras
uma colheita nacional dada como sendo
em bases modernas, até os processos
contribuía São Paulo com 483.000, ou
novos de comércio, classificação; benefi-
ciamento, padronagem e enfardamento. Do caos que antes caracterizava a or
ganização algodoeira de São Paulo emer giu coisa completamente diversa, uma
criação especiaí modemissima, apanhan do o que de mais eficiente havia em tôda a parte. Foi ossti
ríizão básica do êxito da
expansão algodoeira de São Paulo de 1930 em diante. Nem renovação, nem transfor
mação, mas criação completamente nova. E tanto é isso verdade, tanto é exato
que São Paulo conseguiu j:hegar a ser a região de maior expansão algodoeira do mundo nas duas ultimas décadas, por ter criado condições e valores com pletamente novos e não adaptado sim plesmente o que já existia, é que em
pouco superior a 587.000 to^ladas, quase 80 por cento. Ciclos de anos chu vosos e ciclos de anos secos
A técnica não faz
milagres. Em produ ção agrícola ainda o tempo é o fator dec sivo. De 1930 em diante, a caracte
rística termo-pluviométrica pauhsta pa rece ter-se modificado.
Em lugM de
anos com pesadas precipitações^ pluvio-
métricas, o "habitat" por excelencia da lavoura cafeeira, São Paulo transformou-
se em região de prolongadas estiagens. De 1925 a 1930, por exemplo, a media
48
Dicesto Econômico
pluviométrica das principais regiões agrí
Certamente,'a observação dos fenô
colas paulistas era superior a 1.700 mi
menos meteorológicos permite adapta
límetros anuais.
De 1930 até 1945,
houve pelo menos quatro anos "secos",
ções de cultivo e até a introdução de va
riedades apropriadas ao clima, o qua
quando essa média quase não atingia
poderá anular a influência desfavorável
1.000 mílímetrosi
de chuvas mal distribuídas ou excessivas.
O ano em curso, como o de 1945, pa rece ser, na opinião de alguns meteo rologistas, o início de um ciclo, chuvoso,
ráveis ou desfavoráveis, o fato é que o
De qualquer maneira, com anos favo algodão em São Paulo é a mais dinâ
como o de -1930 a 1944, foi o do ciclo
mica reabzação agrícola e econômica dos
das estiagens, ou pelo menos da predo
últimos vinte anos, a que tem sido obje
minância de anos relativamente secos.
to .das mais entusiastas referências e a
Não sabemos se essas observações são confirmadas cientificamente, mas o fato
que tem justificado no campo interna cional as mais agressivas atitudes por parte de nações julgadas prejudicadas por êsse exjiansionismo.
é que de 1930 em diante os anos re
lativamente secos muito ajudaram a pro dução algodoeira. O algodão não exige muita chuva, mas viceja até melhor, quando não há excesso dela. Por isso, é sempre acertado incluir-se entre as cau sas do êxito e dos resultados satisfatórios
da expansão algodoeira paulista, na fase de 1930 a 1944, a predominância de anos caracterizados pem relativa dificiência de precipitações pluviométricas.
o total
1930 1931 1932 1933
126.444
115.025 84.066
91.0 82.6 64.1 68.7
1934 1935 1936 1937
284.504 296.306 349.853 409.539 438.928 433.353 465.180 510.395
169.608 176.099 147.682 159.421 138.637 140.709 140.909
1942
376.954
1943
496.444
1944(1) 1945(1) 1946(1)
587.193
81.458 104.617 102.208 100.000 100.000
1938
1939 1940 1941
76.416 147.684
340.000 284.000
(1) Estimativas.
48.999 101.536
110.9X1
59,6 60,4
42.2 38,9 34,1 32,4 30.3 21.8 21,6
21.1 17.2 29.4 35,2
se lhe deparou em território venezue lano, embora. esSa mesma formação florística seja peculiar ao imei^o vale do rio-mar. É que, como se sabe, o gran de sábio alemão, por interdição do go-
colaboração no "Dlgesto Econômico",
mica de São Paulo, o advento da produ ção algodoeira, em sua fase moderna, o que o algodão significa hoje para o nosso meio, sob os seus diversos aspec
o eminente escritor Gastâo Cruls nos
nos tem dado excelentes estudos nos
vêmo português, não pôde^ pisar em
tos, o que é afinal o presente, a reali
setis livros. Em trabalhos subsequentes,
solo brasileiro e as observações que to-
oferece uma visão de conjunto da Ama zônia, tão sua conhecida, e da qual já
dade algodoeira paubsta, será o que abordaremos oportunamente.
y
Zona Sul E»TADO DE S PAULO
Ton.
101.652
Especial para o "Dicesto Econômico"
Iniciando, com o presente artigo, a sua
% sôbfê Ton.
por Gastâo Crols
O que representa, em termos de mo
Zona Norte
Ton,
Anos
^'
dificações da fisionomia rural e econô
DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DA PRODUÇÃO DE ALGODÃO NO BRASIL Total
iSS
11.419 17.586 27.417 46.148 114.896 117.207 202.171
250.118 300.291 292.644 324.271 399.484 295.496 391.827 484.973 240.000 184.000
% sôbre o total
9,0
17,4 35,9 31.3 40.4 39.6 57.8 61.1 (55,9 (57,5 69.7
78.2 78,4 78.9
82.8 70,6 04,8
Ton. 3.934 10.500 21.272
3,1
10.3 27,8
23,5 36.0
98.207
33.1
176.810 202.118 248.296
50.5 56,7
273.264
63,1
307.377 380.768
66,1 74.6 75.0
282.665 375.098 483.193 232.000 174.000
Iheu a respeito da flora equmoxial fo
nossos leitores, o A. examinará novos aspectos da região do rio-mar, como os
ram tôdas feitas em região anwzômca
que se prendem às suas possibilidades
que se diga que a Amazônia nao nos cabe integralmente. Se dela possuimos
naturais no terter\o da pecuária, ali ainda incipiente.
% sôbre o total
102.296
34.748
para os quais chamamos a atenção de
49.4
75.5 79.1 68,0 61,0
I
Quando publiquei o meu último tra balho sôbre a Amazônia, "Hiléia
Amazônica", algumas pessoas me pergun
taram se não haveria certa redundân
estrangeira. Porque é preciso também a maior parte, outros tratos dessa mesna região pertencem a países e posses sões estrangeiras: Venezuela, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia e as três Guianas. E não foi por outro motivo que ao meu livro livro não não chamei chamei
"Hiléia Brasilei-
ra", mas "Hiléia Amazônica , ^rque
nele faço o estudo, do ponto de vista da fíora, da fauna, da arqueologia e da etnografia, do que caracteriza a região
cia nêsse título e se não teria sido bas
de uma maneira geral, e não do que se
tante chamar-lhe apenas "Hiléia" para
confina no território nacional. E escla
que logo se designasse tôda a região mais setentrional do nosso país. Como vamos ver, esta ponderação é
descabida e prontamente se desfaz ante alguns argumentos. Em primeiro lugar,
reça-se que neste a Hiléia abrange in tegralmente os Estados do Pará e do Amazonas, q território do Acre, e o norte dos Estados de Mato-Grosso e de Goiás.
nem foi mesmo à floresta brasileira que
Por outro lado, muito depois que
Humboldt aplioou pela primeira vez a
Humboldt descrevesse a sua "Hylae"
palavra grega "Hyfae", na acepção de
uma floresta pluvial equatorial com ca
"bosque", para caracterizar certo tipo de matá, então novo para ele, e que
racterísticas próprias e que correspon de à chamada região amazono-orino-
48
Dicesto Econômico
pluviométrica das principais regiões agrí
Certamente,'a observação dos fenô
colas paulistas era superior a 1.700 mi
menos meteorológicos permite adapta
límetros anuais.
De 1930 até 1945,
houve pelo menos quatro anos "secos",
ções de cultivo e até a introdução de va
riedades apropriadas ao clima, o qua
quando essa média quase não atingia
poderá anular a influência desfavorável
1.000 mílímetrosi
de chuvas mal distribuídas ou excessivas.
O ano em curso, como o de 1945, pa rece ser, na opinião de alguns meteo rologistas, o início de um ciclo, chuvoso,
ráveis ou desfavoráveis, o fato é que o
De qualquer maneira, com anos favo algodão em São Paulo é a mais dinâ
como o de -1930 a 1944, foi o do ciclo
mica reabzação agrícola e econômica dos
das estiagens, ou pelo menos da predo
últimos vinte anos, a que tem sido obje
minância de anos relativamente secos.
to .das mais entusiastas referências e a
Não sabemos se essas observações são confirmadas cientificamente, mas o fato
que tem justificado no campo interna cional as mais agressivas atitudes por parte de nações julgadas prejudicadas por êsse exjiansionismo.
é que de 1930 em diante os anos re
lativamente secos muito ajudaram a pro dução algodoeira. O algodão não exige muita chuva, mas viceja até melhor, quando não há excesso dela. Por isso, é sempre acertado incluir-se entre as cau sas do êxito e dos resultados satisfatórios
da expansão algodoeira paulista, na fase de 1930 a 1944, a predominância de anos caracterizados pem relativa dificiência de precipitações pluviométricas.
o total
1930 1931 1932 1933
126.444
115.025 84.066
91.0 82.6 64.1 68.7
1934 1935 1936 1937
284.504 296.306 349.853 409.539 438.928 433.353 465.180 510.395
169.608 176.099 147.682 159.421 138.637 140.709 140.909
1942
376.954
1943
496.444
1944(1) 1945(1) 1946(1)
587.193
81.458 104.617 102.208 100.000 100.000
1938
1939 1940 1941
76.416 147.684
340.000 284.000
(1) Estimativas.
48.999 101.536
110.9X1
59,6 60,4
42.2 38,9 34,1 32,4 30.3 21.8 21,6
21.1 17.2 29.4 35,2
se lhe deparou em território venezue lano, embora. esSa mesma formação florística seja peculiar ao imei^o vale do rio-mar. É que, como se sabe, o gran de sábio alemão, por interdição do go-
colaboração no "Dlgesto Econômico",
mica de São Paulo, o advento da produ ção algodoeira, em sua fase moderna, o que o algodão significa hoje para o nosso meio, sob os seus diversos aspec
o eminente escritor Gastâo Cruls nos
nos tem dado excelentes estudos nos
vêmo português, não pôde^ pisar em
tos, o que é afinal o presente, a reali
setis livros. Em trabalhos subsequentes,
solo brasileiro e as observações que to-
oferece uma visão de conjunto da Ama zônia, tão sua conhecida, e da qual já
dade algodoeira paubsta, será o que abordaremos oportunamente.
y
Zona Sul E»TADO DE S PAULO
Ton.
101.652
Especial para o "Dicesto Econômico"
Iniciando, com o presente artigo, a sua
% sôbfê Ton.
por Gastâo Crols
O que representa, em termos de mo
Zona Norte
Ton,
Anos
^'
dificações da fisionomia rural e econô
DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DA PRODUÇÃO DE ALGODÃO NO BRASIL Total
iSS
11.419 17.586 27.417 46.148 114.896 117.207 202.171
250.118 300.291 292.644 324.271 399.484 295.496 391.827 484.973 240.000 184.000
% sôbre o total
9,0
17,4 35,9 31.3 40.4 39.6 57.8 61.1 (55,9 (57,5 69.7
78.2 78,4 78.9
82.8 70,6 04,8
Ton. 3.934 10.500 21.272
3,1
10.3 27,8
23,5 36.0
98.207
33.1
176.810 202.118 248.296
50.5 56,7
273.264
63,1
307.377 380.768
66,1 74.6 75.0
282.665 375.098 483.193 232.000 174.000
Iheu a respeito da flora equmoxial fo
nossos leitores, o A. examinará novos aspectos da região do rio-mar, como os
ram tôdas feitas em região anwzômca
que se prendem às suas possibilidades
que se diga que a Amazônia nao nos cabe integralmente. Se dela possuimos
naturais no terter\o da pecuária, ali ainda incipiente.
% sôbre o total
102.296
34.748
para os quais chamamos a atenção de
49.4
75.5 79.1 68,0 61,0
I
Quando publiquei o meu último tra balho sôbre a Amazônia, "Hiléia
Amazônica", algumas pessoas me pergun
taram se não haveria certa redundân
estrangeira. Porque é preciso também a maior parte, outros tratos dessa mesna região pertencem a países e posses sões estrangeiras: Venezuela, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia e as três Guianas. E não foi por outro motivo que ao meu livro livro não não chamei chamei
"Hiléia Brasilei-
ra", mas "Hiléia Amazônica , ^rque
nele faço o estudo, do ponto de vista da fíora, da fauna, da arqueologia e da etnografia, do que caracteriza a região
cia nêsse título e se não teria sido bas
de uma maneira geral, e não do que se
tante chamar-lhe apenas "Hiléia" para
confina no território nacional. E escla
que logo se designasse tôda a região mais setentrional do nosso país. Como vamos ver, esta ponderação é
descabida e prontamente se desfaz ante alguns argumentos. Em primeiro lugar,
reça-se que neste a Hiléia abrange in tegralmente os Estados do Pará e do Amazonas, q território do Acre, e o norte dos Estados de Mato-Grosso e de Goiás.
nem foi mesmo à floresta brasileira que
Por outro lado, muito depois que
Humboldt aplioou pela primeira vez a
Humboldt descrevesse a sua "Hylae"
palavra grega "Hyfae", na acepção de
uma floresta pluvial equatorial com ca
"bosque", para caracterizar certo tipo de matá, então novo para ele, e que
racterísticas próprias e que correspon de à chamada região amazono-orino-
Wv
DtoESTO EcoNóknco
51
Dicesto Econômico
50
etc., demonstrando todos esplêndidos ín cense de Drude, verificou-se que em
outras regiões do globo existem flores ta;; do mesmo tipo, do mesmo complexo climato-edáfico, como acontece na re-
gTio áo Congo, no Indostão e na Indo
dices de aproveitamento industrial. Ate 1910, enquanto a borracha esteve no seu apogeu, só em pequena escala foi feita a exploração desses valiosos produ tos, cuja exportação, realizada quase
pela pujança e espessidão dessa mesma selva, onde os exemplares se compri mem lado a lado, confundindo e ema
ranhando no aito a frondação fechada,
quando não são monstruosos cipós que lhes reforçam as amarras no solo e es
sempre em natureza (na maioria dos casos as próprias sementes tais como ha
temos ainda a Hiléia africana e a Híléii'. insulíndlca asiática.
treitam as ramas em vigorosos abraços. Assim, não raro, para se derrubar uma única árvore é preciso fazer um largo
K assim se explica que não andamos
aceiro à sua volta, desbastando a mata
longe de poder competir com os preços
ao derredor e preparando espaço amplo,
da goma elástica. De lá para cá entre tanto, já se montaram na Amazônia vá
china.
Por isso além da Hiléia amazô
nica ou Hiléia equatorial americana,
errados quando ao nosso trabalho cha mamos "Hiléia Amazônica".
Óbices à exploração econômica
onde o gigante possa tombar. E para se ajuizar o que tudo isso re presenta de tropeços à exploração indus
viam sido colhidas e sujeitas a muitas
avarias), não era compensadora e estava
*K
trial da floresta amazônica, basta lem O vale amazônico é tido como a
maior resei^a florestal do mundo.
Já
truiu a Madeira-Mamoré, os dormentes
necessários à estrada de ferro foram, pa
bilhões de pés cúbicos de madeira e
radoxalmente, importados da Austrália. E, todavia, por quantos títulos de ex
que suas plantas lenhosas montam a
mais de dez mil espécies, entre as quais umas quatro mil abrangem formas ar-
borescentes, enquanto a Europa inteira não contará mais de duzentas espécies desse mesmo tipo.
pautas alfandegárias, embora ainda este jam longe de fornecer as gordas cifras que deles se podem esperar em futuro
brar que, em 1910, quando se cons
foi avaliado que ela possui cinco mil
próximo. No vale amazônico a maioria das ár
Umas não encontrarão símile na dureza
te a floresta amazônica é a infinita va
delas se exala.
queza da flora hileana.
de terra possam reunir-se mais de du
sobretudo, pela abundância das suas
zentas árvores diferentes.
plantas gomíferas, ou daquelas que pro
Se isto, do
Mas ainda não está aí a principal ri
terrenos
de
aluvião.
se toma a sua explora
São as manchas de cam
po, as regiões em que a
so da
ou mesmo uma pobreza, quando encara
sementes, ou ainda das que poderão ser aproveitadas nas indústrias do papel,
sempre fáceis de serem praticadas no emaranha-
ras, cêras, bálsaraos e resinas.
Mas ainda há outros contratempos que
Paul Le Cointe, numa interessante me
se antepõem à exploração sistemática
mória que tem por título "Apontamen
dessas flòrestas. Um deles, é a grande divers dade entre o peso específico das muita;- madeiras que aí se encontram,
mata, mas nem
mento da floresta tropi cal.
Deixando para outros
artigos notícia mais cir cunstanciada
sôbre
as
plantas gomíferas, princi palmente a seringueira, cujo valioso látex foi por muito tempo o "ouro-negro" da região, mas sem esque
tos sòbre as sementes oleaginosas, os bálsamos e as resinas da Floresta Ama
zônica", aponta uns 60 frutos e semen
o que bastante dificulta o seu transpor te pe'os rios, uma vez que algumas flutuam bem e outras quase submergem
tes, inclusive os de muitas palmeiras,
cer ò caucho e a baláta, não será demais
que já mereceram análise e cujos pro-f
quando lançadas à corrente. Embaraço
dade, índice de saponificação, acidez, ponto de fusão, ponto de solidificação,
que aqui se apontem nominalmente al gumas das essências a que aludimos aci ma e que se tomam mais procuradas
ainda digno de atenção, é aquêle criado
autos foram estudados quanto à densi
I
munal dossel de verdura,
haveremos de ver que, aqui e ali, surgem verda deiras clareiras nes;a gre-
dos próprios troncos, ora de frutos e
caminhadas num grande trecho de mata.
quilômetros quadrados.
nha densa e emaranhada.
duzem óleos e essências, ora extraídos
celulose, de matérias corantes, de gordu
abarca apro.xiinadamente sete milhões de
ção, que obriga a aber
ponto de vista botânico, é uma-grande
das tintas e das drogas medícmais, pois que inúmeras são pródigas de pasta de
Manchas de campo
Entretanto, se dominarmos do alto, en
riqueza, não deixa de ser um óbice,
nada madeira, será quase sempre pre ciso realizar penosas buscas e fatigantes
a rosa e a canela.
tro as asas de um avião, êsse desco
tura de veredas e estra das conduzindo ao reces
do economicamente. É que para con seguir algumas boas toras de determi
ca-preciosa, macaca-poranga, e uma in
finidade de louros, cheirando a cravo,
acontece com a vegetação das várzeas Assim, ainda mais difícil
Ela se impõe,
desprende um agradavel perfume: cas-
dprante o período das enchentes, como ou
riedade das espécies que a compõem, fazendo com que num simples hectare
-amarelos; pau-cetim e pau-marfini. Ha verá ainda algiunas que serão particular mente estimadas porque do seu lenho se
tendo dos Andes ao Oceano Atlântico e
fluviais e, destarte, não são inundáveis
textura; ainda outras no perfume que
sobre um fundo de amarelo-ouro; paus-pretos, paus-violetas, paus-rosas e paus-
solos maduros ou terrenos altos, que
já ficam a certa distância das margens
e imputfescibilídade do seu cerne; outras
uma pele de cobra; as saboranas capri chosamente laivadas de castanho ou ro.xo,
Quando se fala na Amazônia, pensa-se logo numa intérmina floresta que se es
chamadas
dam aquelas essências da Amazônia!
coataquiçaua, os angehns, cedros e itaúbas; pela riqueza do colorido, as muirapinimas, muírapírangas e muiragibóías, sarapintadas como um couro de onça ou
terras-firmes", isto é, nos
vores mais preciosas é encontrada nas
celência e variedade não se recomen
no marchetado ou colorido da sua con-
Aliás, o que caracteriza principalmen
rias fábricas e usinas para beneficiamento local desses mesmos produtos, que atualmente figuram com vantagem nas
por êsse ou aquêle motivo. Assim, pela
3ureza do seu cerne são preferenteinente escolhidos o acapu, a acariuba, o
mata tenebrosa e agressi va, angustiante e avassa
ladora, cede o passo às
pradarias verdes, ao ta pete dos raivados macios, onde,a marcha é um pra zer 6 o olhar se desafoga
na amplidão dos horizon tes ilimitados.
Assim, dentro daquela riqueza florestal, há também outra riqueza que, até hoje, quase hão tem sido aproveitada, e são os seus magníficos campos de criação. E não se suponlia que isso seja um
valor desprezível. Pouco menos de um
Wv
DtoESTO EcoNóknco
51
Dicesto Econômico
50
etc., demonstrando todos esplêndidos ín cense de Drude, verificou-se que em
outras regiões do globo existem flores ta;; do mesmo tipo, do mesmo complexo climato-edáfico, como acontece na re-
gTio áo Congo, no Indostão e na Indo
dices de aproveitamento industrial. Ate 1910, enquanto a borracha esteve no seu apogeu, só em pequena escala foi feita a exploração desses valiosos produ tos, cuja exportação, realizada quase
pela pujança e espessidão dessa mesma selva, onde os exemplares se compri mem lado a lado, confundindo e ema
ranhando no aito a frondação fechada,
quando não são monstruosos cipós que lhes reforçam as amarras no solo e es
sempre em natureza (na maioria dos casos as próprias sementes tais como ha
temos ainda a Hiléia africana e a Híléii'. insulíndlca asiática.
treitam as ramas em vigorosos abraços. Assim, não raro, para se derrubar uma única árvore é preciso fazer um largo
K assim se explica que não andamos
aceiro à sua volta, desbastando a mata
longe de poder competir com os preços
ao derredor e preparando espaço amplo,
da goma elástica. De lá para cá entre tanto, já se montaram na Amazônia vá
china.
Por isso além da Hiléia amazô
nica ou Hiléia equatorial americana,
errados quando ao nosso trabalho cha mamos "Hiléia Amazônica".
Óbices à exploração econômica
onde o gigante possa tombar. E para se ajuizar o que tudo isso re presenta de tropeços à exploração indus
viam sido colhidas e sujeitas a muitas
avarias), não era compensadora e estava
*K
trial da floresta amazônica, basta lem O vale amazônico é tido como a
maior resei^a florestal do mundo.
Já
truiu a Madeira-Mamoré, os dormentes
necessários à estrada de ferro foram, pa
bilhões de pés cúbicos de madeira e
radoxalmente, importados da Austrália. E, todavia, por quantos títulos de ex
que suas plantas lenhosas montam a
mais de dez mil espécies, entre as quais umas quatro mil abrangem formas ar-
borescentes, enquanto a Europa inteira não contará mais de duzentas espécies desse mesmo tipo.
pautas alfandegárias, embora ainda este jam longe de fornecer as gordas cifras que deles se podem esperar em futuro
brar que, em 1910, quando se cons
foi avaliado que ela possui cinco mil
próximo. No vale amazônico a maioria das ár
Umas não encontrarão símile na dureza
te a floresta amazônica é a infinita va
delas se exala.
queza da flora hileana.
de terra possam reunir-se mais de du
sobretudo, pela abundância das suas
zentas árvores diferentes.
plantas gomíferas, ou daquelas que pro
Se isto, do
Mas ainda não está aí a principal ri
terrenos
de
aluvião.
se toma a sua explora
São as manchas de cam
po, as regiões em que a
so da
ou mesmo uma pobreza, quando encara
sementes, ou ainda das que poderão ser aproveitadas nas indústrias do papel,
sempre fáceis de serem praticadas no emaranha-
ras, cêras, bálsaraos e resinas.
Mas ainda há outros contratempos que
Paul Le Cointe, numa interessante me
se antepõem à exploração sistemática
mória que tem por título "Apontamen
dessas flòrestas. Um deles, é a grande divers dade entre o peso específico das muita;- madeiras que aí se encontram,
mata, mas nem
mento da floresta tropi cal.
Deixando para outros
artigos notícia mais cir cunstanciada
sôbre
as
plantas gomíferas, princi palmente a seringueira, cujo valioso látex foi por muito tempo o "ouro-negro" da região, mas sem esque
tos sòbre as sementes oleaginosas, os bálsamos e as resinas da Floresta Ama
zônica", aponta uns 60 frutos e semen
o que bastante dificulta o seu transpor te pe'os rios, uma vez que algumas flutuam bem e outras quase submergem
tes, inclusive os de muitas palmeiras,
cer ò caucho e a baláta, não será demais
que já mereceram análise e cujos pro-f
quando lançadas à corrente. Embaraço
dade, índice de saponificação, acidez, ponto de fusão, ponto de solidificação,
que aqui se apontem nominalmente al gumas das essências a que aludimos aci ma e que se tomam mais procuradas
ainda digno de atenção, é aquêle criado
autos foram estudados quanto à densi
I
munal dossel de verdura,
haveremos de ver que, aqui e ali, surgem verda deiras clareiras nes;a gre-
dos próprios troncos, ora de frutos e
caminhadas num grande trecho de mata.
quilômetros quadrados.
nha densa e emaranhada.
duzem óleos e essências, ora extraídos
celulose, de matérias corantes, de gordu
abarca apro.xiinadamente sete milhões de
ção, que obriga a aber
ponto de vista botânico, é uma-grande
das tintas e das drogas medícmais, pois que inúmeras são pródigas de pasta de
Manchas de campo
Entretanto, se dominarmos do alto, en
riqueza, não deixa de ser um óbice,
nada madeira, será quase sempre pre ciso realizar penosas buscas e fatigantes
a rosa e a canela.
tro as asas de um avião, êsse desco
tura de veredas e estra das conduzindo ao reces
do economicamente. É que para con seguir algumas boas toras de determi
ca-preciosa, macaca-poranga, e uma in
finidade de louros, cheirando a cravo,
acontece com a vegetação das várzeas Assim, ainda mais difícil
Ela se impõe,
desprende um agradavel perfume: cas-
dprante o período das enchentes, como ou
riedade das espécies que a compõem, fazendo com que num simples hectare
-amarelos; pau-cetim e pau-marfini. Ha verá ainda algiunas que serão particular mente estimadas porque do seu lenho se
tendo dos Andes ao Oceano Atlântico e
fluviais e, destarte, não são inundáveis
textura; ainda outras no perfume que
sobre um fundo de amarelo-ouro; paus-pretos, paus-violetas, paus-rosas e paus-
solos maduros ou terrenos altos, que
já ficam a certa distância das margens
e imputfescibilídade do seu cerne; outras
uma pele de cobra; as saboranas capri chosamente laivadas de castanho ou ro.xo,
Quando se fala na Amazônia, pensa-se logo numa intérmina floresta que se es
chamadas
dam aquelas essências da Amazônia!
coataquiçaua, os angehns, cedros e itaúbas; pela riqueza do colorido, as muirapinimas, muírapírangas e muiragibóías, sarapintadas como um couro de onça ou
terras-firmes", isto é, nos
vores mais preciosas é encontrada nas
celência e variedade não se recomen
no marchetado ou colorido da sua con-
Aliás, o que caracteriza principalmen
rias fábricas e usinas para beneficiamento local desses mesmos produtos, que atualmente figuram com vantagem nas
por êsse ou aquêle motivo. Assim, pela
3ureza do seu cerne são preferenteinente escolhidos o acapu, a acariuba, o
mata tenebrosa e agressi va, angustiante e avassa
ladora, cede o passo às
pradarias verdes, ao ta pete dos raivados macios, onde,a marcha é um pra zer 6 o olhar se desafoga
na amplidão dos horizon tes ilimitados.
Assim, dentro daquela riqueza florestal, há também outra riqueza que, até hoje, quase hão tem sido aproveitada, e são os seus magníficos campos de criação. E não se suponlia que isso seja um
valor desprezível. Pouco menos de um
'-F.-w.y
•^,-
TT
Digesto Econômico
52
quarto do que somam reunidas as áreas territoriais dos Estados do Pará e do Amazônas. é constituído de campos e outras formações que nao sao a floresta ou hiléia pròpriamente dita. Basta que se recorde que só na re
quilômetros quadrados, com capacidade para um rebanho de 1.500.000 cabeças
do gado. Aí, é verdade, a pecuária já vem sendo explorada, mas taWz nunca possa produzir.
com a Guiana Inglesa e a Venezuela,
Mas isso será assunto de que também cogitaremos, depois que houvermos fa lado nos produtos florestais da hiléia
essas pastagens se desdobram por 35.000
amazônica.
gião do rio Branco, nas nossas divisas
^rs/iãffa írottémtea
haja atingido nem um quinto do que
A zona mint^ira no Brasil Reino
por Afonso Arinos de Melo Franco
Especial para o "Digesto Econômico'
O A. estuda a decadência econômica do Brasil no comêço do século XIX.
Um
aspecto expressivo desta situação pode ser colhido nos testemunhos dos viajantes, que relatam ao vivo o que eram as trocas comerciais havidas entre o Rio de Janeiro, sede da côrte, e a outrora opulentíssima capitania das Minas Gerais. Um
ÜM princípios do
nos testemunhos dos
para o Brasil, a si tuação econômica do
tam ao vivo o que
viajantes, que rela eram
sede da côrte, e a
do sul, não podia mais dar esperanças a ninguém. Inutil mente se tentava substituir a extração
do ouro pela do diamante. Uma e outra estavam chegando ao esgotamento. Enquanto isto se passava, o açúcar, riqueza do norte, atravessava também séria crise devida às guerras napoleôni-
cas e à perturbação geral do comércio
europeu trazida pelo bloqueio inglês. É sabido que a proibição da entrada do
para o exterior, ultimamente, verificaram-sè nas destinadas aos países americanos,
De janeiro a outubro de 1945, as aquisições estadunidenses alcançaram 2.288
toneladas, enquanto na mesma quadra do ano findo os. embarques com êsse destino apenas somaram 126 toneladas. .
dos ao seio da terra.
Então as tropas de mulas desciam carregadas de coisas humildes, sem ne cessidade de guardas protetoras, tocadas
\:via de um modesto comércio interno.
que foi notavelmente conseguida com o descobrimento, que então se fez, do processo de se extrair o produto da
Paraíba e do Paraíbuna, espécies de pos
'
diamantes do sul, e sem exportar açú
car do Norte, pode-se avaliar bem o
à
do Reino, o metal e as pedras arranca
estudar um sucedâneo para êle, coisa
Pràticamente sem exportar ouro nem
A América do Sul, que absorvera 12.839 e 12.452 toneladas do produto, nos
mados até os dentes, os preciosos com
boios que transportavam, para os luxos
apenas pelos pobres mercadores. Desa]M recida, ou quase, a exportação, Minas
beterraba.
dez meses de 1944 e 1945, respectivamente, reduziu as suas importações, em 1946 a 5.200 toneladas. Para essa redução concorreu a Argentina com a maior parcela, como se verá: 1944, 8.106 toneladas, 1945, 5.516, e 1946, 2,448 toneladas.
outrora opulentíssi
ma capitania das Minas Gerais. Passa do era já o tempo em que os orgulhosos dragões- de EI-Rei acompanhavam, ar
tão severa que cs europeus tiveram de
açúcar ae cana vindo da América era
de nosso país.
co
tre o Rio de Janeiro,
A decadência da mineração, riqueza
especialmente os da América do Sul, nossos maiores clientes, sobretudo durante a guerra. Quanto à América do N" orte, sòmente os Estados Unidos que figuravam entre os grandes compradores nesse período tão perturbado do comércio interna cional, aparecem com forte redução nas suas importações de tecidos de algodão
as trocas
merciais havidas en
rilhante.
As diminuições mais sensíveis ocorridas nas remessas de tecidos brasileiros
ex
do a côrte portugue- { sa se transportou í
Eaís não era nada
RETRAÇÃO DE MERCADOS
aspecto
pressivo desta situa ção pode ser colhido
século XIX, quan
Os registros de Matias Barbosa, do tos fiscais e alfandegários estotegica-
mente situados em passagens for^das,
continuavam, é certo, sob a chefia de autoridades miUtares,. como no saudoso
teinoo em que a fôrça armada vigia^
que seria a situação econômica do Brasil
os descaminhos do ouro.
no amanhecer da nova centúria.
soldados aborrecidos se lunitavam a exa-
Mas aquêles
'-F.-w.y
•^,-
TT
Digesto Econômico
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quarto do que somam reunidas as áreas territoriais dos Estados do Pará e do Amazônas. é constituído de campos e outras formações que nao sao a floresta ou hiléia pròpriamente dita. Basta que se recorde que só na re
quilômetros quadrados, com capacidade para um rebanho de 1.500.000 cabeças
do gado. Aí, é verdade, a pecuária já vem sendo explorada, mas taWz nunca possa produzir.
com a Guiana Inglesa e a Venezuela,
Mas isso será assunto de que também cogitaremos, depois que houvermos fa lado nos produtos florestais da hiléia
essas pastagens se desdobram por 35.000
amazônica.
gião do rio Branco, nas nossas divisas
^rs/iãffa írottémtea
haja atingido nem um quinto do que
A zona mint^ira no Brasil Reino
por Afonso Arinos de Melo Franco
Especial para o "Digesto Econômico'
O A. estuda a decadência econômica do Brasil no comêço do século XIX.
Um
aspecto expressivo desta situação pode ser colhido nos testemunhos dos viajantes, que relatam ao vivo o que eram as trocas comerciais havidas entre o Rio de Janeiro, sede da côrte, e a outrora opulentíssima capitania das Minas Gerais. Um
ÜM princípios do
nos testemunhos dos
para o Brasil, a si tuação econômica do
tam ao vivo o que
viajantes, que rela eram
sede da côrte, e a
do sul, não podia mais dar esperanças a ninguém. Inutil mente se tentava substituir a extração
do ouro pela do diamante. Uma e outra estavam chegando ao esgotamento. Enquanto isto se passava, o açúcar, riqueza do norte, atravessava também séria crise devida às guerras napoleôni-
cas e à perturbação geral do comércio
europeu trazida pelo bloqueio inglês. É sabido que a proibição da entrada do
para o exterior, ultimamente, verificaram-sè nas destinadas aos países americanos,
De janeiro a outubro de 1945, as aquisições estadunidenses alcançaram 2.288
toneladas, enquanto na mesma quadra do ano findo os. embarques com êsse destino apenas somaram 126 toneladas. .
dos ao seio da terra.
Então as tropas de mulas desciam carregadas de coisas humildes, sem ne cessidade de guardas protetoras, tocadas
\:via de um modesto comércio interno.
que foi notavelmente conseguida com o descobrimento, que então se fez, do processo de se extrair o produto da
Paraíba e do Paraíbuna, espécies de pos
'
diamantes do sul, e sem exportar açú
car do Norte, pode-se avaliar bem o
à
do Reino, o metal e as pedras arranca
estudar um sucedâneo para êle, coisa
Pràticamente sem exportar ouro nem
A América do Sul, que absorvera 12.839 e 12.452 toneladas do produto, nos
mados até os dentes, os preciosos com
boios que transportavam, para os luxos
apenas pelos pobres mercadores. Desa]M recida, ou quase, a exportação, Minas
beterraba.
dez meses de 1944 e 1945, respectivamente, reduziu as suas importações, em 1946 a 5.200 toneladas. Para essa redução concorreu a Argentina com a maior parcela, como se verá: 1944, 8.106 toneladas, 1945, 5.516, e 1946, 2,448 toneladas.
outrora opulentíssi
ma capitania das Minas Gerais. Passa do era já o tempo em que os orgulhosos dragões- de EI-Rei acompanhavam, ar
tão severa que cs europeus tiveram de
açúcar ae cana vindo da América era
de nosso país.
co
tre o Rio de Janeiro,
A decadência da mineração, riqueza
especialmente os da América do Sul, nossos maiores clientes, sobretudo durante a guerra. Quanto à América do N" orte, sòmente os Estados Unidos que figuravam entre os grandes compradores nesse período tão perturbado do comércio interna cional, aparecem com forte redução nas suas importações de tecidos de algodão
as trocas
merciais havidas en
rilhante.
As diminuições mais sensíveis ocorridas nas remessas de tecidos brasileiros
ex
do a côrte portugue- { sa se transportou í
Eaís não era nada
RETRAÇÃO DE MERCADOS
aspecto
pressivo desta situa ção pode ser colhido
século XIX, quan
Os registros de Matias Barbosa, do tos fiscais e alfandegários estotegica-
mente situados em passagens for^das,
continuavam, é certo, sob a chefia de autoridades miUtares,. como no saudoso
teinoo em que a fôrça armada vigia^
que seria a situação econômica do Brasil
os descaminhos do ouro.
no amanhecer da nova centúria.
soldados aborrecidos se lunitavam a exa-
Mas aquêles
Digesto Econômico
54
55
Digesto Econômico
minar fardos de toucinhos. sacos de fei jão ou outros drodutos inteirarnente in dignos das suas presenças mavórticas. Se acompanharmos o que a propósito escrevem os viajantes da época, teremos um resuino basfante exato da vida
comida habitual era galinha, arroz, fei jão, mandioca. Sòmente uma vez, entre o Rio e Bar-
bacena, Mawe se refere a um sinal mais vigoroso de atividade econômica.
É
quando, perto de Juiz de Fora, encontra
barra, eis b que sugere, com tôda razão, o escritor.
No fundo a administração, tanto quan
to os particulares, custava a se desfazer do sonho do ouro, e não queria facilitar
quase tòdas, tal como notara Mawe, vinham carregadas com o algodão, tado muito para o interior. A velha zbna mineira estava mesmo parada. Luccock acentua o caráter mandrião da
econômica de então, ao qual nao faltara
uma tropa carregada de fardos de al
certa dose de pitoresco.
godão, que seguia rumo ao litoral. Êste
as novas atividades produtivas. O resul
algodão, poróm, enfardado em sacos de
tado era a carestia do produto exporta
quela gente que herdara a preguiça dos pais, criados no tempo feliz do ouro.
do, e a carestia do que vinha da corte. Eschwege informa que um saco de sal, produto indispensável, custava em Vila-
cia dos métodos de trabalho.^ Comercio
Testemunho de viajantes
O primeiro livro, cronologicamente, é o do inglês João Mawe, que obtém em 1809 permissão do príncipe regente para penetrar na capitania de Minas. Êste negociante de pedras, cuja ação e cuja
Êresença entre nós ainda não se acham
em esclarecidas (o bravo Hipólito da
^ Costa, no seu "Correio Brasiliense", o m acusa de contrabandista e conta que êle,
couro cru, vinha do extremo norte da
capitania, da zona de Minas Novas, e estava viajando em lombo de mula havia cerca de três meses.
Diante destas fa
zendas arruinadas o viajante dá largas à sua despeitada melancolia, em amar
gas reflexões. "Que local digno de in veja para um inglês! Gado barato, por cos e galinhas por nada, terra fértil em
cereais, madeira abundante tanto para construção como para combustível,
barro para tijolos, água por todos os lados. E no entanto ps homens in sistem na procura do metal precioso, só apreciando os bens naturais na
medida de dificuldade com que êles são encontrados..."
O barão teutônico Eschwege, des de regresso a Londres, abriu uma casa
para vender as pedras que tinha contra
crevendo a primeira viagem que fez a Minas em 1811, no seu pouco conhe
bandeado no Brasil), não é muito explí cito, mas enfim sempre oferece alguns
cido livro "Joumal von Brasilien", con firma a observação de Mawe sobre esta mania do ouro, que sobrevivia ao tempo
dados.
da mineração.
Mania que esquentava
Fala da pobreza da população fron
as indicações mas esfriava a vontade de
teiriça entre Rio e Minas, do descui
trabalhar. Eschwege reclama contra o
do e atraso da sua agricultura, da quase miséria em que vivia. As casas das fa
zendas arruinadas, os pomares e jardins
antigos cheios de mato, ausência de
gado leiteiro, sendo o leite, quando ha via, tirado às cabras mais fáceis de criar. Todo mundo descontente e se queixando dos impostos, impostos ridiculamente bai xos, como observa o inglês, mas altos de mais para quem não queria trabalhar.
Alguns proprietários ensaiavam, sem resultados convincentes, a cultura do
linho e do trigo. A'fabricação do queijo
absurdo das buscas minuciosas, efetua
das em toda a tropa que descia com suas pobres mercadorias para o Rio. Os
soldados descarregavam os animais, abriam os sacos de mantimentos, espa lhavam às vezes tudo pelo chão à menor
suspeita de contrabando. Que remédio
para o pobre tropeiro vitima de perdas e prejuízos, senão elevar enormemente os preços das suas mercadorias, do seu
arroz, do seu feijão, do seu fubá? E o remédio era simples: uma casa de moe
da em Vila Rica que cunhasse o pouco
era prejudicada pela sujeira dos pro
ouro ainda extraído, em vez de tanto
cessos.
mêdo do seu contrabando em pó ou
De manteiga não se falava. A
-Rica quatro mil réis, preço enorme para
o tempo em que o papel-moeda do Banco do Brasil ainda não começara a
aviltar o valor do dinheiro.
,
Outro inglês, Luccock, que viveu dez anos no Brasil (de 1808 a 1818), ofe
rece materiais preciosos para o estudo da vida econômica do tempo, nas ca pitanias do sul.
Na zona que estamos
examinando, da antiga mineração, seus
dados coincidem plenamente com os dos outros escritores citados.
Observa que,
Vida erradia, abandono dos esforços^ a menor dificuldade, negligência e ignorân
miserável, produção desprezível. O bom Saint-Hilaire, sem du^da o mellior de todos os viajantes coloniais,
tão amigo do Brasil e especialmente dos mineiros, apesar daiSua*grande boa von
lade, não deixa de indicar, no primeiro
livro que escreveu sôbre nós,, a impres são* de decadência que lhe fizera a an
tiga zona do ouro e a lerdeza, a ^bi-
lidade da recuperação econômica. Den sas florestas, rios caudalosos, pastagens
extensas, léguas e léguas de terra fértil,
jante mal encontrava o que comer, na
tudo ao abandono. Aqui e ali um ar raial miserável, com a sua bela igreja sòbre a colina, lembrava tristemente o
quele país de aparência ubérrima. Os fazendeiros chegavam a comprar frangos das tropas que passavam, em vez de
rama econômico da zona mineira, na-
ocorrer o contrário, como era natural o lógico. Quem não tivesse sua espin
cipação política. O cafe ainda nao in
no caminho de Minas, o descuido e a
incultura eram tão grandes que o via
garda de chumbo para matar passari
nhos ou alguma pequena caça de pêlo arriscava-se a dormir sem jantar, depois de uma jornada estafante. No entanto num só dia o viajante encontrou duzentas mulas e o dòbro no dia seguinte,
descendo para o Rio de Janeiro. Mas
esplendor de uma civilização morta. É todo depressão e paralisia o pano quêle escuro amanhecer da nossa eman
vadira a Mata, com a sua formidável
riqueza.
N da R — Por um engano da nossa revisão saiu, no artigo anterior, Caiurú. em vez de Cairu como acertadamente escreveu o autor.
EXPORTAÇÃO DE TECIDOS
, u.^ fíra^il ex-
No período correspondente aos dez meses de 1946, até mi u r ^ portou 13.430 toneladas dé tecidos de algodão,^ no /^.^^'^-^nceira do cruzeiros, segundo elobaração do Serviço de Estatística Econômt n aual íorMinistério da Fazenda, órgão pertencente ao sistema do l- R-
nece outros dados acêrca dos embarques dos refendos
período de 1945, essas exportações haviam atingido o total de - /
no valor de 1.142,1 milhõe, de cruzeiros, e em 1944, no
18.055 toneladas, no valor de 811,1 mühões de cruzeiros. Os tonelada, em 1944, 1945 e 1946 foram, respectivamente, de 50.019,
íAentico
toneladas
, temno' í
50.345 cruzeiros. Verifica-se que a queda na tonelagem exportada coriespondeu a um decréscimo não desprezível no valor unitário.
Digesto Econômico
54
55
Digesto Econômico
minar fardos de toucinhos. sacos de fei jão ou outros drodutos inteirarnente in dignos das suas presenças mavórticas. Se acompanharmos o que a propósito escrevem os viajantes da época, teremos um resuino basfante exato da vida
comida habitual era galinha, arroz, fei jão, mandioca. Sòmente uma vez, entre o Rio e Bar-
bacena, Mawe se refere a um sinal mais vigoroso de atividade econômica.
É
quando, perto de Juiz de Fora, encontra
barra, eis b que sugere, com tôda razão, o escritor.
No fundo a administração, tanto quan
to os particulares, custava a se desfazer do sonho do ouro, e não queria facilitar
quase tòdas, tal como notara Mawe, vinham carregadas com o algodão, tado muito para o interior. A velha zbna mineira estava mesmo parada. Luccock acentua o caráter mandrião da
econômica de então, ao qual nao faltara
uma tropa carregada de fardos de al
certa dose de pitoresco.
godão, que seguia rumo ao litoral. Êste
as novas atividades produtivas. O resul
algodão, poróm, enfardado em sacos de
tado era a carestia do produto exporta
quela gente que herdara a preguiça dos pais, criados no tempo feliz do ouro.
do, e a carestia do que vinha da corte. Eschwege informa que um saco de sal, produto indispensável, custava em Vila-
cia dos métodos de trabalho.^ Comercio
Testemunho de viajantes
O primeiro livro, cronologicamente, é o do inglês João Mawe, que obtém em 1809 permissão do príncipe regente para penetrar na capitania de Minas. Êste negociante de pedras, cuja ação e cuja
Êresença entre nós ainda não se acham
em esclarecidas (o bravo Hipólito da
^ Costa, no seu "Correio Brasiliense", o m acusa de contrabandista e conta que êle,
couro cru, vinha do extremo norte da
capitania, da zona de Minas Novas, e estava viajando em lombo de mula havia cerca de três meses.
Diante destas fa
zendas arruinadas o viajante dá largas à sua despeitada melancolia, em amar
gas reflexões. "Que local digno de in veja para um inglês! Gado barato, por cos e galinhas por nada, terra fértil em
cereais, madeira abundante tanto para construção como para combustível,
barro para tijolos, água por todos os lados. E no entanto ps homens in sistem na procura do metal precioso, só apreciando os bens naturais na
medida de dificuldade com que êles são encontrados..."
O barão teutônico Eschwege, des de regresso a Londres, abriu uma casa
para vender as pedras que tinha contra
crevendo a primeira viagem que fez a Minas em 1811, no seu pouco conhe
bandeado no Brasil), não é muito explí cito, mas enfim sempre oferece alguns
cido livro "Joumal von Brasilien", con firma a observação de Mawe sobre esta mania do ouro, que sobrevivia ao tempo
dados.
da mineração.
Mania que esquentava
Fala da pobreza da população fron
as indicações mas esfriava a vontade de
teiriça entre Rio e Minas, do descui
trabalhar. Eschwege reclama contra o
do e atraso da sua agricultura, da quase miséria em que vivia. As casas das fa
zendas arruinadas, os pomares e jardins
antigos cheios de mato, ausência de
gado leiteiro, sendo o leite, quando ha via, tirado às cabras mais fáceis de criar. Todo mundo descontente e se queixando dos impostos, impostos ridiculamente bai xos, como observa o inglês, mas altos de mais para quem não queria trabalhar.
Alguns proprietários ensaiavam, sem resultados convincentes, a cultura do
linho e do trigo. A'fabricação do queijo
absurdo das buscas minuciosas, efetua
das em toda a tropa que descia com suas pobres mercadorias para o Rio. Os
soldados descarregavam os animais, abriam os sacos de mantimentos, espa lhavam às vezes tudo pelo chão à menor
suspeita de contrabando. Que remédio
para o pobre tropeiro vitima de perdas e prejuízos, senão elevar enormemente os preços das suas mercadorias, do seu
arroz, do seu feijão, do seu fubá? E o remédio era simples: uma casa de moe
da em Vila Rica que cunhasse o pouco
era prejudicada pela sujeira dos pro
ouro ainda extraído, em vez de tanto
cessos.
mêdo do seu contrabando em pó ou
De manteiga não se falava. A
-Rica quatro mil réis, preço enorme para
o tempo em que o papel-moeda do Banco do Brasil ainda não começara a
aviltar o valor do dinheiro.
,
Outro inglês, Luccock, que viveu dez anos no Brasil (de 1808 a 1818), ofe
rece materiais preciosos para o estudo da vida econômica do tempo, nas ca pitanias do sul.
Na zona que estamos
examinando, da antiga mineração, seus
dados coincidem plenamente com os dos outros escritores citados.
Observa que,
Vida erradia, abandono dos esforços^ a menor dificuldade, negligência e ignorân
miserável, produção desprezível. O bom Saint-Hilaire, sem du^da o mellior de todos os viajantes coloniais,
tão amigo do Brasil e especialmente dos mineiros, apesar daiSua*grande boa von
lade, não deixa de indicar, no primeiro
livro que escreveu sôbre nós,, a impres são* de decadência que lhe fizera a an
tiga zona do ouro e a lerdeza, a ^bi-
lidade da recuperação econômica. Den sas florestas, rios caudalosos, pastagens
extensas, léguas e léguas de terra fértil,
jante mal encontrava o que comer, na
tudo ao abandono. Aqui e ali um ar raial miserável, com a sua bela igreja sòbre a colina, lembrava tristemente o
quele país de aparência ubérrima. Os fazendeiros chegavam a comprar frangos das tropas que passavam, em vez de
rama econômico da zona mineira, na-
ocorrer o contrário, como era natural o lógico. Quem não tivesse sua espin
cipação política. O cafe ainda nao in
no caminho de Minas, o descuido e a
incultura eram tão grandes que o via
garda de chumbo para matar passari
nhos ou alguma pequena caça de pêlo arriscava-se a dormir sem jantar, depois de uma jornada estafante. No entanto num só dia o viajante encontrou duzentas mulas e o dòbro no dia seguinte,
descendo para o Rio de Janeiro. Mas
esplendor de uma civilização morta. É todo depressão e paralisia o pano quêle escuro amanhecer da nossa eman
vadira a Mata, com a sua formidável
riqueza.
N da R — Por um engano da nossa revisão saiu, no artigo anterior, Caiurú. em vez de Cairu como acertadamente escreveu o autor.
EXPORTAÇÃO DE TECIDOS
, u.^ fíra^il ex-
No período correspondente aos dez meses de 1946, até mi u r ^ portou 13.430 toneladas dé tecidos de algodão,^ no /^.^^'^-^nceira do cruzeiros, segundo elobaração do Serviço de Estatística Econômt n aual íorMinistério da Fazenda, órgão pertencente ao sistema do l- R-
nece outros dados acêrca dos embarques dos refendos
período de 1945, essas exportações haviam atingido o total de - /
no valor de 1.142,1 milhõe, de cruzeiros, e em 1944, no
18.055 toneladas, no valor de 811,1 mühões de cruzeiros. Os tonelada, em 1944, 1945 e 1946 foram, respectivamente, de 50.019,
íAentico
toneladas
, temno' í
50.345 cruzeiros. Verifica-se que a queda na tonelagem exportada coriespondeu a um decréscimo não desprezível no valor unitário.
57
Digesto Econóaoco
sou a valer meio milhão de libras ester
R grande erise eeonómieo-finaneeira do Brasil nos fins do século XÜII por Afonso d'E. Taunay
'
Especiai. para o
Dicesto Econômico'
(Da Academia Brasileira de Lelras)
linas para atingir o milhão em 1585, dois milhões em 1597 (?) e dois milhões e meio em 1630.
Entram aí em cena os holandeses per turbando imenso a produção açucareira. Donde a alta do produto cuja exportação valeu três milhões de esterlinos em 1635 a três e meio em 1645.
Expulso o "belga", como lhe chama vam os nossos cronistas, e recomeçan
do a produção pernambucana a se ativar,
Era a vida econômica dos colonos brasileiros perturbada, ou antes flagelada,
por uma série de medidas administrativas ineptas e odiosas. As extorsões
do redime tributário, organizado sôbre bases absurdas, eram agravadas pelos privilégios. Asfixiante pára o comércio e o progresso do país mostrou-se, du rante todo o período colonial, a escassez do meio circulante, dando lugar a
complicações que nunca puderam ser evitadas.
ocorreu no entanto a concorrência anti-
Ihana, fruto da restauração brasileira de 1654.
Baixou o valor da exportação a três
^'^DOTou a Exposição Nacional
>
Gomemoratíva do segundo centenário da introdução do ca-
mércio brasileiro.
Num milésimo que inexplicavelmente,
traordinárias as aperturas da Colônia. E duas causas lhe agravavam, ano por ano, a situação eeonómieo-finaneei
quanto aos dois primeiros séculos.
2.535:142$800
E
Ouro
614:400$000
realmente até os últimos anos da era
Fumo
344:650$000
Couros
201:800$000
seiscentista o grande esteio da economia brasileira, senão o único esteio, foi o
produto de
Total
"O mais rico e importante vegetavel* Da doce cana d'onde o assucar brota" como cantou Santa Rita Durão no "Caramuru".
Avalia Roberto Simonsen, com a gran de autoridade que é a sua, £536.000.000 o valor da colonial brasileira cabendo 300.000.000 ao açúcar ou por cento.
Pau Brasil
em exportação deste total sejam 58,8
O ouro e os diamantes arrolam-fe em
seguida com 170 milhões ou 31,7. Mas até 1700 expKJrtou o Brasil mise
48:000$000
3.744:292$80Õ
Foram pois as porcentagens, grosso modo:
Açúcar Ouro
Fumo 9,0 Couros 5,3 Pau Brasil 1,3 Assim a economia brasileira seiscentis
ta girava em tôrno do açúcar em todo o século XVII.
Segundo o gráfico de R. Simonsen ("História Econômica do Brasil", 2, 222) de 1536 a 1570 andou a exporta
ráveis quantidades de ouro de modo
ção açucareira quasi estabilizada quanto
que, em sua plenitude, dominou o açú
ao valor, Nas vizinhanças de 1575 pas-
Achava-se o açúcar em persistente
baixa e decrescera a sua exportação gra
incerta.
mente deserto, em que por completo
Exportação brasileira Para os fins do século e cada vez
mais a
,
,.
j
As autoridades brasileuas, vendo esta
em espécie.
concorrência antilhana vinha
provocando sérias perturbações no mo
vimento da exportação brasileira a que ainda imenso prejudicara o surto epi dêmico da "bicha" (febre amarela) e
67,7 16,6
Épocas de Portugal Econômico").
rio, onde tôdas as transações se faziam
culante, num território imenso, pràtica-
Açúcar
(cf. "Idade do ouro e Diamantes em
faltava qualquer aparelhamento bancá
— tratando-se de homem de tal inteli
gência — mas milésimo que deve ter a exportação do Brasil para Portugal:
Valera o mil réis, em 1641, mais de
sete gramas de ouro para chegar a pouco mais de duas em 1700. Tratou João Lúcio de Azevedo ótimo
ças à competição colonial estrangeira e às epidemias entre a escravatura. Os fornecedores da importação prefe riam levar em retomo à Europa moeda em vez de mercadorias de colocação
ra. A persistente baixa do açúcar e a
época (1927) a mais perfeita verdade. zer em relação ao Brasil Colonial "Saocharum Brasiliae Fulcrum", sobretudo
depois continuada até 1700.
tista a era dos grandes achados de ouro.
liae Fulcrum" o que aliás representa na
ocorrido entre 1700 e 1710, foi esta
restauração portuguesa de 1640. A prin
cípio a mais fundo em 1641, vertical e
quadro da situação econômica do Brasil,
escassez cada vez maior do meio cir
Parafraseando tal lema poderemos di
E o câmbio mostrava a grave depre ciação do real português. Tivera esta enorme depressão com a
ao se encetar na última década seiscen
o preciosíssimo Antonil deixou de fixar
feeiro no Brasil a divisa "Coffea Brasi-
derantíssimo, portantoi
zentos mil em 1680 e a dois milhões em 1690.
car da maneira mais incontestável o co
de 4 milhões. Em 1690 apenas .... £ 2.000.000 mas para um total de 2.300.000 com um coeficiente prepon-
milhões em 1660, a dois,milhões e tre Para os fins do século XVII eram ex
<
Em 1650 exportava o Brasil .... £ 2.750.000 de açúcar para um total
pouco depois outro, formidável, de vaííola dizimadora da escrúvatura per
nambucana,já perturbada pela fuga dos cativos que se açoitavam nos quilombos palmarenses.
Apresenta Roberto Simonsen num dos seus excelentes gráficos (tomo 2, 222) a correlação da exportação do Brasil e do mil réis no período colonial.
evasão do seu já tão escasso numerário, recorreram ao velho método medieval, e
sempre tão ilusório, da elevação do valor nominal da moeda.
Vinha a crise de longa data.
Em
1626 depois do descalabro da bivasão holandesa a Câmara da Cidade do Sa vador pedira que as patacas corressem a 360 réis "para que assim se nao le vasse o dinheiro deste Estado do Brasil
o que é causa de se abater em mmto os preços dos fretes de terra . _ Mas o efeito esperado era e nao podia deixar de ser ilusório porque se os gê neros de consumo encareciam nem por
Entre 1650 e 1670 a linha de expor
isto aumentava em proporção a procura dos importadores europeus. Pela lei de 22 de março de 1663 man
tação geral da colônia quase se super pusera à do açúcar.
quarto o valor das moedas do neino.
üiíjiÚiiAÉji^ilinÉi
dou Dom Afonso VI levantar de um
57
Digesto Econóaoco
sou a valer meio milhão de libras ester
R grande erise eeonómieo-finaneeira do Brasil nos fins do século XÜII por Afonso d'E. Taunay
'
Especiai. para o
Dicesto Econômico'
(Da Academia Brasileira de Lelras)
linas para atingir o milhão em 1585, dois milhões em 1597 (?) e dois milhões e meio em 1630.
Entram aí em cena os holandeses per turbando imenso a produção açucareira. Donde a alta do produto cuja exportação valeu três milhões de esterlinos em 1635 a três e meio em 1645.
Expulso o "belga", como lhe chama vam os nossos cronistas, e recomeçan
do a produção pernambucana a se ativar,
Era a vida econômica dos colonos brasileiros perturbada, ou antes flagelada,
por uma série de medidas administrativas ineptas e odiosas. As extorsões
do redime tributário, organizado sôbre bases absurdas, eram agravadas pelos privilégios. Asfixiante pára o comércio e o progresso do país mostrou-se, du rante todo o período colonial, a escassez do meio circulante, dando lugar a
complicações que nunca puderam ser evitadas.
ocorreu no entanto a concorrência anti-
Ihana, fruto da restauração brasileira de 1654.
Baixou o valor da exportação a três
^'^DOTou a Exposição Nacional
>
Gomemoratíva do segundo centenário da introdução do ca-
mércio brasileiro.
Num milésimo que inexplicavelmente,
traordinárias as aperturas da Colônia. E duas causas lhe agravavam, ano por ano, a situação eeonómieo-finaneei
quanto aos dois primeiros séculos.
2.535:142$800
E
Ouro
614:400$000
realmente até os últimos anos da era
Fumo
344:650$000
Couros
201:800$000
seiscentista o grande esteio da economia brasileira, senão o único esteio, foi o
produto de
Total
"O mais rico e importante vegetavel* Da doce cana d'onde o assucar brota" como cantou Santa Rita Durão no "Caramuru".
Avalia Roberto Simonsen, com a gran de autoridade que é a sua, £536.000.000 o valor da colonial brasileira cabendo 300.000.000 ao açúcar ou por cento.
Pau Brasil
em exportação deste total sejam 58,8
O ouro e os diamantes arrolam-fe em
seguida com 170 milhões ou 31,7. Mas até 1700 expKJrtou o Brasil mise
48:000$000
3.744:292$80Õ
Foram pois as porcentagens, grosso modo:
Açúcar Ouro
Fumo 9,0 Couros 5,3 Pau Brasil 1,3 Assim a economia brasileira seiscentis
ta girava em tôrno do açúcar em todo o século XVII.
Segundo o gráfico de R. Simonsen ("História Econômica do Brasil", 2, 222) de 1536 a 1570 andou a exporta
ráveis quantidades de ouro de modo
ção açucareira quasi estabilizada quanto
que, em sua plenitude, dominou o açú
ao valor, Nas vizinhanças de 1575 pas-
Achava-se o açúcar em persistente
baixa e decrescera a sua exportação gra
incerta.
mente deserto, em que por completo
Exportação brasileira Para os fins do século e cada vez
mais a
,
,.
j
As autoridades brasileuas, vendo esta
em espécie.
concorrência antilhana vinha
provocando sérias perturbações no mo
vimento da exportação brasileira a que ainda imenso prejudicara o surto epi dêmico da "bicha" (febre amarela) e
67,7 16,6
Épocas de Portugal Econômico").
rio, onde tôdas as transações se faziam
culante, num território imenso, pràtica-
Açúcar
(cf. "Idade do ouro e Diamantes em
faltava qualquer aparelhamento bancá
— tratando-se de homem de tal inteli
gência — mas milésimo que deve ter a exportação do Brasil para Portugal:
Valera o mil réis, em 1641, mais de
sete gramas de ouro para chegar a pouco mais de duas em 1700. Tratou João Lúcio de Azevedo ótimo
ças à competição colonial estrangeira e às epidemias entre a escravatura. Os fornecedores da importação prefe riam levar em retomo à Europa moeda em vez de mercadorias de colocação
ra. A persistente baixa do açúcar e a
época (1927) a mais perfeita verdade. zer em relação ao Brasil Colonial "Saocharum Brasiliae Fulcrum", sobretudo
depois continuada até 1700.
tista a era dos grandes achados de ouro.
liae Fulcrum" o que aliás representa na
ocorrido entre 1700 e 1710, foi esta
restauração portuguesa de 1640. A prin
cípio a mais fundo em 1641, vertical e
quadro da situação econômica do Brasil,
escassez cada vez maior do meio cir
Parafraseando tal lema poderemos di
E o câmbio mostrava a grave depre ciação do real português. Tivera esta enorme depressão com a
ao se encetar na última década seiscen
o preciosíssimo Antonil deixou de fixar
feeiro no Brasil a divisa "Coffea Brasi-
derantíssimo, portantoi
zentos mil em 1680 e a dois milhões em 1690.
car da maneira mais incontestável o co
de 4 milhões. Em 1690 apenas .... £ 2.000.000 mas para um total de 2.300.000 com um coeficiente prepon-
milhões em 1660, a dois,milhões e tre Para os fins do século XVII eram ex
<
Em 1650 exportava o Brasil .... £ 2.750.000 de açúcar para um total
pouco depois outro, formidável, de vaííola dizimadora da escrúvatura per
nambucana,já perturbada pela fuga dos cativos que se açoitavam nos quilombos palmarenses.
Apresenta Roberto Simonsen num dos seus excelentes gráficos (tomo 2, 222) a correlação da exportação do Brasil e do mil réis no período colonial.
evasão do seu já tão escasso numerário, recorreram ao velho método medieval, e
sempre tão ilusório, da elevação do valor nominal da moeda.
Vinha a crise de longa data.
Em
1626 depois do descalabro da bivasão holandesa a Câmara da Cidade do Sa vador pedira que as patacas corressem a 360 réis "para que assim se nao le vasse o dinheiro deste Estado do Brasil
o que é causa de se abater em mmto os preços dos fretes de terra . _ Mas o efeito esperado era e nao podia deixar de ser ilusório porque se os gê neros de consumo encareciam nem por
Entre 1650 e 1670 a linha de expor
isto aumentava em proporção a procura dos importadores europeus. Pela lei de 22 de março de 1663 man
tação geral da colônia quase se super pusera à do açúcar.
quarto o valor das moedas do neino.
üiíjiÚiiAÉji^ilinÉi
dou Dom Afonso VI levantar de um
II ifunvjimuiu. 58
OiGESTO Econômico
Dicesto Econômico
As patacas em Portugal começaram a
Circunstâncias peculiares concorriam
correr como se valessem 600 réis, e no
para agravar as angústias da vida geral, partícularmente a d^as classes laboriosas.
Brasil como 640 réis.
Continuava a vigorar a mentalidade de 1622 procurando-se reter o numerá rio na Colônia.
Mas o alvará de 23 de março de 1679
ordenou que as patacas se marcassem
pelo valor corrente pagando os seus de tentores a diferença dos dois \'intens, à Fazenda Real.
Foi isto que deu ensejo à questão da "baixa da moeda" que flagelou o Brasil de fins do século XVII provocan
Asfixíante para o comércio e o progresso
do país, mostrou-se, , durante todo o período coloniah a escassez do meio cir
culante, dando lugar a complicações que nunca puderam ser evitadas.
A princípio não havia dinheiro senão nas capitais, e ésse mesmo só nas mãos
dos ricos e dos grandes traficantes. No interior não se conhecia moeda.
59
Brasil moedas de Espanha, mesmo de pois da cunhagem ser feita na América. Mas o ouro e a prata amoedada na me trópole deviam ser no Brasil marcados
tão muito interessante para os fastos pau listas, caso para nós e algumas autori dades do maior peso, como Severino
antes de entrar em circulação, e quasi
líquido. E para outros controvertido mas apenas, por mero "palpite" e argu
sempre com algum acréscimo de valor. Freqüentemente se mandava recolher as moedas em giro para as carimbar de Tinha por fim tal medida evitar que se
dade de S. Paulo no Jaraguá. Era pois natural que em S. Paulo aparecessem as
do longos e sanguinolentos conflitos em São Paulo.
rard de Lavai em 1610.
que aumentava de estima.
primeiro a chamar a atenção em sua "Paulística".
Brasil, escreve o aventureiro francês.
O governador do Rio de Janeiro, Dom Manuel Lobo, defendendo os interesses
de seus jurisdicionados recusou-se a pu blicar ò alvará.
Representou ao Príncipe Regente, fu
turo Pedro II, que não obstante a eleva ção do valor extrínseco continuava a emigração da moeda. Cada vez mais in
significante na capitania, totalmente in suficiente para o giro comercial se tor nava o meio circulante. A crise em São Paulo
Estudemos porém em São Paulo al
guns reflexos da longa crise quase se cular, em seus principais antecedentes esta questão da escassez extrema do numerário no Brasil seis.centista. Era a vida econômica dos colonos
brasileiros perturbada ou antes flagelada por uma série de medidas administrati vas as mais ineptas e odiosas.
As ex
torsões do regime tributário, organizado sôbrc bases as mais absurdas, eram gra vadas pelos privilégios. "Aos impostos excessivos e vexatórios ainda os exage rava a gana dos rendeiros", diz Rocha
pombo, com toda propriedade (cf. "His tória do Brasil", tomo V, p. 458),
O primeiro ouro do Brasil saiu como todos sabem dos arredores, da contigui-
Em princípio do século XVII, pelo menos,^ havia . enorme ainind.incía de numerário na Bahia conforme depôs Py_ "Nunca vi país em que a prata "seja tão abundante como neste lugar do
mentação chicanista e... fraquíssima.
novo, na Casa dos Contos da Balüa.
especulasse com a moeda, diminuindo-
Sôbre ôles foi Capistrano de Abreu o
Sombra e Álvaro de Sales de Oliveira,
-se-lhe o valor intrínseco, tanto das moe
primeiras moedas feitas no Brasil e que
das de ouro como das de prata: excedia sempre ao preço corrente, não só por
na vila piratiningana surgisse a primei ra Casa da Moeda do país.
As primeiras moedas brasileiras de
que há notícia documental foram de
A especulação 9o cerceio das moedas tomou-se porém vício geral, sobretudo
ouro, dizem-no as mais velhas referên
Quasi que não há dinheiro miúdo, ape
por parte dos ourives, sendo necessário
nas moeda de oito, quatro e dois réis.
mais
cias numisrnáticas ao nosso dispor: os "São Vicente", brasileiros, provàvelmén-
opressivas o vexatórias. Quando não desfalcavam as moedas no peso, fun
a- bela montanha do planalto paulistano.
A metade desta vale cinco soldos (fran ceses) havendo em Portugal procura das moedas de cinco soldos e a de seis
'blancs" para trocá-los por dinheiro miúdo com o fim de lucro.
Por muito pouco se usa de outras moedas que não sejam as de prata". Em muitas capitanias, recorda Rocha Pombo, até meados do sécu'o XVIII, não ^ se generalizou o uso da moeda metálica; e quando ela foi introduzida no Maranhão (de 1724 em diante) cau sou tal desordem em todas as relações da economia interna que as Câmaras e os próprios governadores clamaram para a Corte.
Das medidas que, sôbre o meio cir culante, vinham de Lisboa, provinham, antes de tudo, os grandes inconvenientes e desconcertos com que se lutava, aliás, não pecuUares à colônia, mas a todos
os países da Europa, antes que se ge neralizasse o uso do papel moeda. Era o próprio ouro amoedado, variando e
subindo continuadamente de valor, que produzia todas as perturbações.
tomar
contra
estes
as
medidas
diam o metal para obras.
Contra se-
melliantes abusos compreende-se que não havia meio de repressão possível. No intuito de atalhá-los valia-se a metró
pole, nos seus apuros, do recurso de ir . aumentando o valor dos padrões do mesmo peso.
O processo nada melhorou. Estabele
ceu-se em seguida que moeda alguma
da de Lisboa.
Também corriam no
Estas moedas se chamaram "São Vi
cente", por causa da procedência, as jazidas pobres, descobertas, em fins do século XVI, por Afonso Sardinha, em tomo de S. Paulo, vila da Capitania de
São Vicente, cujo nome oficial era, como se sabe, São Paulo do Campo de Piratininga.
É êste o depoimento de Simão de Vas concelos em porinenores de mera ocor
de prata e de ouro pudesse circular sem orla e serrilha, impondo-se pena rigorosa aos que "a usassem não estando nessas
rência, que se encontra repetido ém suas biografias de João de Ahneida e
condições".
de José de Ancliieta.
Tôdas essas pro\idências mostravam-se
contudo inúteis para remediar os males de que se queixavam os colonos; e nem mesmo quando se pensou que tudo pro, vinha de npo ter o Brasil moeda própria,
^
Quais seriam os cunhos destes Sao
Vicente"? Ninguém o sabe; não e.xiste
hoje uma só peça de nossa numismática que se possa identificar como tal atri buindo-lhe êste nome com alguma segu
e se resolveu fazer a cunhagem na
rança. Isto porém nada significa. Nas
Bahia, nem assim se deu solução àquela
mesmas condições estão inúmeras outras, barras e moedas nossas, por exemplo, cunhadas na Casa da Moeda de São
desordem que afetava tão profundamen te toda a economia da Colônia (Rocha Pombo). * sf«
A moeda que circulava na Bahia e em, outros centros maiores vinha cunha
te fabricados com o metal do Jaraguá,
Abramos porém a propósito de escas
Paulo no decorrer de largo período de
que, segundo dizem os entendidos, não
existe uma só peça identificada. A moeda quinhentista e seiscehtista, chamada "São Vicente", por causa de
sez do meio circulante um parêntese
sua origem, repetimo-lo, poderia ser in
para apresentar aos leitores uma ques-
teiramente diversa da portuguesa, assim
II ifunvjimuiu. 58
OiGESTO Econômico
Dicesto Econômico
As patacas em Portugal começaram a
Circunstâncias peculiares concorriam
correr como se valessem 600 réis, e no
para agravar as angústias da vida geral, partícularmente a d^as classes laboriosas.
Brasil como 640 réis.
Continuava a vigorar a mentalidade de 1622 procurando-se reter o numerá rio na Colônia.
Mas o alvará de 23 de março de 1679
ordenou que as patacas se marcassem
pelo valor corrente pagando os seus de tentores a diferença dos dois \'intens, à Fazenda Real.
Foi isto que deu ensejo à questão da "baixa da moeda" que flagelou o Brasil de fins do século XVII provocan
Asfixíante para o comércio e o progresso
do país, mostrou-se, , durante todo o período coloniah a escassez do meio cir
culante, dando lugar a complicações que nunca puderam ser evitadas.
A princípio não havia dinheiro senão nas capitais, e ésse mesmo só nas mãos
dos ricos e dos grandes traficantes. No interior não se conhecia moeda.
59
Brasil moedas de Espanha, mesmo de pois da cunhagem ser feita na América. Mas o ouro e a prata amoedada na me trópole deviam ser no Brasil marcados
tão muito interessante para os fastos pau listas, caso para nós e algumas autori dades do maior peso, como Severino
antes de entrar em circulação, e quasi
líquido. E para outros controvertido mas apenas, por mero "palpite" e argu
sempre com algum acréscimo de valor. Freqüentemente se mandava recolher as moedas em giro para as carimbar de Tinha por fim tal medida evitar que se
dade de S. Paulo no Jaraguá. Era pois natural que em S. Paulo aparecessem as
do longos e sanguinolentos conflitos em São Paulo.
rard de Lavai em 1610.
que aumentava de estima.
primeiro a chamar a atenção em sua "Paulística".
Brasil, escreve o aventureiro francês.
O governador do Rio de Janeiro, Dom Manuel Lobo, defendendo os interesses
de seus jurisdicionados recusou-se a pu blicar ò alvará.
Representou ao Príncipe Regente, fu
turo Pedro II, que não obstante a eleva ção do valor extrínseco continuava a emigração da moeda. Cada vez mais in
significante na capitania, totalmente in suficiente para o giro comercial se tor nava o meio circulante. A crise em São Paulo
Estudemos porém em São Paulo al
guns reflexos da longa crise quase se cular, em seus principais antecedentes esta questão da escassez extrema do numerário no Brasil seis.centista. Era a vida econômica dos colonos
brasileiros perturbada ou antes flagelada por uma série de medidas administrati vas as mais ineptas e odiosas.
As ex
torsões do regime tributário, organizado sôbrc bases as mais absurdas, eram gra vadas pelos privilégios. "Aos impostos excessivos e vexatórios ainda os exage rava a gana dos rendeiros", diz Rocha
pombo, com toda propriedade (cf. "His tória do Brasil", tomo V, p. 458),
O primeiro ouro do Brasil saiu como todos sabem dos arredores, da contigui-
Em princípio do século XVII, pelo menos,^ havia . enorme ainind.incía de numerário na Bahia conforme depôs Py_ "Nunca vi país em que a prata "seja tão abundante como neste lugar do
mentação chicanista e... fraquíssima.
novo, na Casa dos Contos da Balüa.
especulasse com a moeda, diminuindo-
Sôbre ôles foi Capistrano de Abreu o
Sombra e Álvaro de Sales de Oliveira,
-se-lhe o valor intrínseco, tanto das moe
primeiras moedas feitas no Brasil e que
das de ouro como das de prata: excedia sempre ao preço corrente, não só por
na vila piratiningana surgisse a primei ra Casa da Moeda do país.
As primeiras moedas brasileiras de
que há notícia documental foram de
A especulação 9o cerceio das moedas tomou-se porém vício geral, sobretudo
ouro, dizem-no as mais velhas referên
Quasi que não há dinheiro miúdo, ape
por parte dos ourives, sendo necessário
nas moeda de oito, quatro e dois réis.
mais
cias numisrnáticas ao nosso dispor: os "São Vicente", brasileiros, provàvelmén-
opressivas o vexatórias. Quando não desfalcavam as moedas no peso, fun
a- bela montanha do planalto paulistano.
A metade desta vale cinco soldos (fran ceses) havendo em Portugal procura das moedas de cinco soldos e a de seis
'blancs" para trocá-los por dinheiro miúdo com o fim de lucro.
Por muito pouco se usa de outras moedas que não sejam as de prata". Em muitas capitanias, recorda Rocha Pombo, até meados do sécu'o XVIII, não ^ se generalizou o uso da moeda metálica; e quando ela foi introduzida no Maranhão (de 1724 em diante) cau sou tal desordem em todas as relações da economia interna que as Câmaras e os próprios governadores clamaram para a Corte.
Das medidas que, sôbre o meio cir culante, vinham de Lisboa, provinham, antes de tudo, os grandes inconvenientes e desconcertos com que se lutava, aliás, não pecuUares à colônia, mas a todos
os países da Europa, antes que se ge neralizasse o uso do papel moeda. Era o próprio ouro amoedado, variando e
subindo continuadamente de valor, que produzia todas as perturbações.
tomar
contra
estes
as
medidas
diam o metal para obras.
Contra se-
melliantes abusos compreende-se que não havia meio de repressão possível. No intuito de atalhá-los valia-se a metró
pole, nos seus apuros, do recurso de ir . aumentando o valor dos padrões do mesmo peso.
O processo nada melhorou. Estabele
ceu-se em seguida que moeda alguma
da de Lisboa.
Também corriam no
Estas moedas se chamaram "São Vi
cente", por causa da procedência, as jazidas pobres, descobertas, em fins do século XVI, por Afonso Sardinha, em tomo de S. Paulo, vila da Capitania de
São Vicente, cujo nome oficial era, como se sabe, São Paulo do Campo de Piratininga.
É êste o depoimento de Simão de Vas concelos em porinenores de mera ocor
de prata e de ouro pudesse circular sem orla e serrilha, impondo-se pena rigorosa aos que "a usassem não estando nessas
rência, que se encontra repetido ém suas biografias de João de Ahneida e
condições".
de José de Ancliieta.
Tôdas essas pro\idências mostravam-se
contudo inúteis para remediar os males de que se queixavam os colonos; e nem mesmo quando se pensou que tudo pro, vinha de npo ter o Brasil moeda própria,
^
Quais seriam os cunhos destes Sao
Vicente"? Ninguém o sabe; não e.xiste
hoje uma só peça de nossa numismática que se possa identificar como tal atri buindo-lhe êste nome com alguma segu
e se resolveu fazer a cunhagem na
rança. Isto porém nada significa. Nas
Bahia, nem assim se deu solução àquela
mesmas condições estão inúmeras outras, barras e moedas nossas, por exemplo, cunhadas na Casa da Moeda de São
desordem que afetava tão profundamen te toda a economia da Colônia (Rocha Pombo). * sf«
A moeda que circulava na Bahia e em, outros centros maiores vinha cunha
te fabricados com o metal do Jaraguá,
Abramos porém a propósito de escas
Paulo no decorrer de largo período de
que, segundo dizem os entendidos, não
existe uma só peça identificada. A moeda quinhentista e seiscehtista, chamada "São Vicente", por causa de
sez do meio circulante um parêntese
sua origem, repetimo-lo, poderia ser in
para apresentar aos leitores uma ques-
teiramente diversa da portuguesa, assim
DiCESTo Econômico
60
também denominada, pelo fato de que, em seus cunhos, aparecia a efígie do Santo deste nome, padroeiro da cidade
ca? Da circunstância de que os primei ros guinéus, cujo valor era então de
de Lisboa. Assim não há absolutamente motivos
curo africano da Guiné!
moedas designadas pelos nomes.de pro cedência? De pronto nos ocorre o "ma-
quanto aos valores.
A única coisa que o Provincial afirmou vem a ser, "de ouro se batem moedas,
chamadas (com o mesmo nome da ter ra) de São Vicente". Portanto, "moeda de São Vicente",
a saber, "moeda procedente de São Vicente", "da Capitania de São Vicente
Quanto aos seus cunhos repeti-
mo-Io; nenhum numismata os identifi
cou até à presente data. Talvez para o
futuro se poderá algum dia fazê-lo.
setenta mil oitavas cêrca de duzentos e
cinqüenta quilos de ouro. Isto hoje re
laquez". E na numismática universal o
presentaria um valor intrínseco de sete
niil contos de réis, e uma capacidade
mesmo se dá com o tão conhecido "besante".
aquisitiva talvez trezentas vêzes maior
do que esta quantia. É evidente que tais dados traduzem formidável exageração. Ver-se-ia Afonso
Para nós não pode haver dúvida: as primeiras moedas cunhadas no Brasil
foram de ouro e procederam da Capita nia de São Vicente. E pensamos que a
Sardinha mais rico do que os famosos Fueger, os célebres banqueiros de Augs-
nossa tese reforçará, notavelmente, a
burgo, acerca de quem naquele tempo, em tôda monarquia filipina, circulava o
prova de que a pr.meira Casa da Moeda,
oficial, criada no Brasil, e de que há noticia
documentada
existiu
em
brocardo, "rico como um Fueger!" exa tamente como hoje diríamos rico como
São
Paulo.
É, insofismàvelmente, pelo menos, de
um Rothschild!
Seria admissível no Brasil, de fins da
1633, em diante. A documentação mu
era quinhentista, Creso de tal tomo? e com tão pequena projeção histórica?
nicipal paulistana, as asseverações de
Pedro Taques, os papéis do Arquivo de Mar.nha e Ultramar, que invocaremos,
Outros enigmas
Mas isto nada quer dizer.
cruzados uns quarenta e oito contos de réis, talvez ou aproximadamente umas
Na numismática portuguesa não liá
ü São Vicente brasileiro, de existência
denunciada por Simao de Vasconcelos, haja sido idêntico ao seu homônimo por tuguês quer quanto à cunhagem quer
Segundo o cálculo de Calógeras (As Minas do Brasil I, 29), valendo então a oitava 600 réis, seriam êstes 80.000
vinte shillings, foram cunhados com o
para se estabelecer, como premissa, que
Está o
passado do Brasil cheio de enigmas des ta ordem e de todas as naturezas, em numerosos ramos da heurística.
Foi Cajjistrano quem, com a formi
dável ar^cia, apontou aos estudiosos este caso dos São Vicente brasileiros.
to de concordâncias que para nós a devada a cabo por meio dos austeros pro
cessos da austeríssima escola do mestre
ro cunhado no Brasil.
ras sido cimhadas em Santo Amaro ou em Pernambuco e circulassem sob o nome de "Santo Amaro" e "Pemambu-
cos" ou mais simplesmente "Brasis", ne
nhuma dúvida excitaria este problema. Isto de se designar uma moeda, pelo lugar de origem é fato que muito se repete. Abundam os exemplos de tal,
Como tanto é sabido Afonso Sardinha,
sa em Lisboa, e em 1658, hoje uma das
maiores preciosidades bibliográficas bra sileiras, lê-se: "E no presente já em San Vicente se bate Moeda d'ouro e he ali o dinheiro ordinário" Catorze anos mais tarde, em 1672,
portanto, ao se imprimir a. "Vida do
Padre Joseph de Anchieta" (pag. 134),
publicação aliás póstuma, pormenorizaria a prosa do ilustre Provincial do Bra
sil, recém-falecido no Rio de Janeiro, a
29 de setembro de 1671: "E também farta riqueza, por serem
minadas stias entranlias de ouro, e muito
genero de metaes.
Do ouro se batem
moedas, chamadas (com o mesmo nome
da terra) São Vicente.
E quando isto
escrevo se diz que apparecem minas
de prata de grande rendimento".
Êstes dois tópicos corroboram, iniludivelmente, os documentos afirmativos
de que, já antes de 16^, se fabricava
moeda de oiuo no Brasil, na Capitania
de São Vicente, na Casa da Moeda da
Vila de S. Paulo, a primeira que parece
ter existido em nosso país. Nada mais natural do que a locali
zação de tál estabelecimento em São Paulo, primeir«-. região da Colônia onde surgira o metal do Rei Midas.
ba) e na de Biráçoyava (no sertão do
rio Sorocaba) ouro, prata e ferro, pelos anos de 1597. (Registro Geral da Câ mara de São Paulo, ano de 1600, pags. 36 e 36 v). Destas faisqueiras pobres do Jara guá e Ivuturuna, e da Jaguamimbaba,
■í, w.?»
extraiu Afonso Sardinha, segundo reza o
FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL
seu testamento, de 1594, oitenta mil .cru
quer na numismática portuguesa quer
zados de metal, em pó, o que era imenso
na universal.
para o tempo.
quisito nome, para uma moeda britâni-
Cético e irônico declara Capistrano que, a seu ver, nesse montículo aurífero muito "ogó" haveria,
Haverá pessoa civilizada que ignore o que seja o guinéu? Donde vem tão es
^
Na "Vida do Padre Joam d'Almeida" (Livro IV, pags. 119) biografia impres
Mendes Fradique.
São Paulo), na de Ivuturuna (em Pamai-
Se, ])or acaso,
reluzente...
Vejamos porém o texto exato das refe rências documentais ao primeiro dinhei
mônima de Portugal.
houvessem as primeiras moedas brasilei
Muito "ogd"
ocorria mesmo nesse montão de ouro
negação de tal fato só poderá ser le
nalar tal circunstância à da moeda ho
acertada, de imediatamente querer assi
Evidentemente não.
oportunamente, apresentam tal conjun
e seu filho e homônimo, tiveram a gló ria de descobrir ouro de lavagem nas Serras de Jaguamimbaba e Jaraguá (em
Mas teve a idéia, a nosso ver, pouco
61
Dicksto Econômico
17
Os Estados Unidos completaram o pagamento dos US$2.750.000.000,00 que
subscreveram para o Fundo Monetário Internacional.
Esse pagamento provocou
uma redução de US$678.100.000,00 nas reservas ouro daquêle pots, as quais montam a cêrca de metade do total das reservas mundiais. ..
'
I >■ I I r 11 ■■ niÉ i
....
DiCESTo Econômico
60
também denominada, pelo fato de que, em seus cunhos, aparecia a efígie do Santo deste nome, padroeiro da cidade
ca? Da circunstância de que os primei ros guinéus, cujo valor era então de
de Lisboa. Assim não há absolutamente motivos
curo africano da Guiné!
moedas designadas pelos nomes.de pro cedência? De pronto nos ocorre o "ma-
quanto aos valores.
A única coisa que o Provincial afirmou vem a ser, "de ouro se batem moedas,
chamadas (com o mesmo nome da ter ra) de São Vicente". Portanto, "moeda de São Vicente",
a saber, "moeda procedente de São Vicente", "da Capitania de São Vicente
Quanto aos seus cunhos repeti-
mo-Io; nenhum numismata os identifi
cou até à presente data. Talvez para o
futuro se poderá algum dia fazê-lo.
setenta mil oitavas cêrca de duzentos e
cinqüenta quilos de ouro. Isto hoje re
laquez". E na numismática universal o
presentaria um valor intrínseco de sete
niil contos de réis, e uma capacidade
mesmo se dá com o tão conhecido "besante".
aquisitiva talvez trezentas vêzes maior
do que esta quantia. É evidente que tais dados traduzem formidável exageração. Ver-se-ia Afonso
Para nós não pode haver dúvida: as primeiras moedas cunhadas no Brasil
foram de ouro e procederam da Capita nia de São Vicente. E pensamos que a
Sardinha mais rico do que os famosos Fueger, os célebres banqueiros de Augs-
nossa tese reforçará, notavelmente, a
burgo, acerca de quem naquele tempo, em tôda monarquia filipina, circulava o
prova de que a pr.meira Casa da Moeda,
oficial, criada no Brasil, e de que há noticia
documentada
existiu
em
brocardo, "rico como um Fueger!" exa tamente como hoje diríamos rico como
São
Paulo.
É, insofismàvelmente, pelo menos, de
um Rothschild!
Seria admissível no Brasil, de fins da
1633, em diante. A documentação mu
era quinhentista, Creso de tal tomo? e com tão pequena projeção histórica?
nicipal paulistana, as asseverações de
Pedro Taques, os papéis do Arquivo de Mar.nha e Ultramar, que invocaremos,
Outros enigmas
Mas isto nada quer dizer.
cruzados uns quarenta e oito contos de réis, talvez ou aproximadamente umas
Na numismática portuguesa não liá
ü São Vicente brasileiro, de existência
denunciada por Simao de Vasconcelos, haja sido idêntico ao seu homônimo por tuguês quer quanto à cunhagem quer
Segundo o cálculo de Calógeras (As Minas do Brasil I, 29), valendo então a oitava 600 réis, seriam êstes 80.000
vinte shillings, foram cunhados com o
para se estabelecer, como premissa, que
Está o
passado do Brasil cheio de enigmas des ta ordem e de todas as naturezas, em numerosos ramos da heurística.
Foi Cajjistrano quem, com a formi
dável ar^cia, apontou aos estudiosos este caso dos São Vicente brasileiros.
to de concordâncias que para nós a devada a cabo por meio dos austeros pro
cessos da austeríssima escola do mestre
ro cunhado no Brasil.
ras sido cimhadas em Santo Amaro ou em Pernambuco e circulassem sob o nome de "Santo Amaro" e "Pemambu-
cos" ou mais simplesmente "Brasis", ne
nhuma dúvida excitaria este problema. Isto de se designar uma moeda, pelo lugar de origem é fato que muito se repete. Abundam os exemplos de tal,
Como tanto é sabido Afonso Sardinha,
sa em Lisboa, e em 1658, hoje uma das
maiores preciosidades bibliográficas bra sileiras, lê-se: "E no presente já em San Vicente se bate Moeda d'ouro e he ali o dinheiro ordinário" Catorze anos mais tarde, em 1672,
portanto, ao se imprimir a. "Vida do
Padre Joseph de Anchieta" (pag. 134),
publicação aliás póstuma, pormenorizaria a prosa do ilustre Provincial do Bra
sil, recém-falecido no Rio de Janeiro, a
29 de setembro de 1671: "E também farta riqueza, por serem
minadas stias entranlias de ouro, e muito
genero de metaes.
Do ouro se batem
moedas, chamadas (com o mesmo nome
da terra) São Vicente.
E quando isto
escrevo se diz que apparecem minas
de prata de grande rendimento".
Êstes dois tópicos corroboram, iniludivelmente, os documentos afirmativos
de que, já antes de 16^, se fabricava
moeda de oiuo no Brasil, na Capitania
de São Vicente, na Casa da Moeda da
Vila de S. Paulo, a primeira que parece
ter existido em nosso país. Nada mais natural do que a locali
zação de tál estabelecimento em São Paulo, primeir«-. região da Colônia onde surgira o metal do Rei Midas.
ba) e na de Biráçoyava (no sertão do
rio Sorocaba) ouro, prata e ferro, pelos anos de 1597. (Registro Geral da Câ mara de São Paulo, ano de 1600, pags. 36 e 36 v). Destas faisqueiras pobres do Jara guá e Ivuturuna, e da Jaguamimbaba,
■í, w.?»
extraiu Afonso Sardinha, segundo reza o
FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL
seu testamento, de 1594, oitenta mil .cru
quer na numismática portuguesa quer
zados de metal, em pó, o que era imenso
na universal.
para o tempo.
quisito nome, para uma moeda britâni-
Cético e irônico declara Capistrano que, a seu ver, nesse montículo aurífero muito "ogó" haveria,
Haverá pessoa civilizada que ignore o que seja o guinéu? Donde vem tão es
^
Na "Vida do Padre Joam d'Almeida" (Livro IV, pags. 119) biografia impres
Mendes Fradique.
São Paulo), na de Ivuturuna (em Pamai-
Se, ])or acaso,
reluzente...
Vejamos porém o texto exato das refe rências documentais ao primeiro dinhei
mônima de Portugal.
houvessem as primeiras moedas brasilei
Muito "ogd"
ocorria mesmo nesse montão de ouro
negação de tal fato só poderá ser le
nalar tal circunstância à da moeda ho
acertada, de imediatamente querer assi
Evidentemente não.
oportunamente, apresentam tal conjun
e seu filho e homônimo, tiveram a gló ria de descobrir ouro de lavagem nas Serras de Jaguamimbaba e Jaraguá (em
Mas teve a idéia, a nosso ver, pouco
61
Dicksto Econômico
17
Os Estados Unidos completaram o pagamento dos US$2.750.000.000,00 que
subscreveram para o Fundo Monetário Internacional.
Esse pagamento provocou
uma redução de US$678.100.000,00 nas reservas ouro daquêle pots, as quais montam a cêrca de metade do total das reservas mundiais. ..
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CORNELIUS VANDERBILT 17 9 4
18 7 7
JOSÉ noNOmo noDmcüÉS
consegue o monopólio, aumenta proCTcssivamente as passagens e fretes e so um
apurar
rera para os seus naNuos se dá conta do logro de que fòra vítima.
trazidas
Relações biteriorci, e dire
Nessa luta contra os competidores,
blioteca NacionilJ
Cornelius usou abundantemente do^ re
"{tfos Estados Uni-
Benjamin Franklin
quanto
dos dos oitocen-
tos eram desconhe
nheiro
capital que a ge
em
ração deste século
ra civil americana, uma fortuna de 15
econo
mente juntando di
ções individuais de
ainda era ali de tal modo rara a palavra milionário que, quando usada, ia signi ficativamente grifada. Durante a guer
à
mia, o jovem Van derbilt foi rapida
cidas as incomensuráveis acumula
iria conhecer e exatamente há cem anos
e,
dentro
pouco, come
çou a construir os
seus próprios barcos, dedicando-se à na
vegação de pequena cabotagem. Com a invenção do navio a vapor, em 1817 êle vende seus barcos e se torna capitão
milhões de dólares era encarada como
de um vapor que fazia a rota de Nova Iorque e alguns pontos da costa de New
algo de realmente monumental. Por aí
Jersey, permanecendo doze anos nesse
se pode calcular o espanto que, em 1877,
emprego.
ao morrer Comelius Vanderbilt, o pri meiro dos grandes multi-milionários ame ricanos, causou a notícia de que êle dei xara 105 milhões de dólares, dos quais se calcula que 90 milhões tenham sido adquiridos nos últimos quinze anos de
lher explorava uma taberna em New
sua vida.
Filho de um pobre fazendeiro, Cornelius aos doze anos mal sabia assinar o
nome e j"á aos dezesseis o vemos empre
gado numa pequena barca de transporte
Campeão do monopólio
Especial para o "Dlgesto bcanúmlco'
tor de Obras Raras da Bi
Durante êsse tempo sua mu
Brunswick, New Jersey, para onde êles se haviam mudado, aumentando desse modo os rendimentos da família.
Na "História das Grandes Fortunas Americanas", Gustavus Myers nos conta que aos trinta e cinco anos Cornelius
Vanderbilt já possuía 30.000 dólares. Começa a construir seus próprios vapo res e habilmente vai, pouco a pouco,
deputado Davis, mas durante dois anos
o Congresso nenhum esfôrço fez para
pouco tarde demais o público que acor
JProiessur dü instituto "Uto Branco", do Ministério das
63
curso ao suborno aos agentes do governo local que tinham competência para a
concessão de privilégios no porto de Nova Iorque e fazia quanto estava ^ao
seu alcance para que as remunerações de seus empregados fossem tão baixas quanto longas as horas de serviço. Nos
a ao
veracidade seu
das
revelações
conhecimento.
Em
1870, porém, as queixas de corrupção no sistema postal se tomaram tão nume rosas que, afinal, íoi nomeada uma comissão para apurar os fatos aponta
dos. Como era de esperar, nada resul tou daí, e durante quinze anos Vander bilt e seus associados conseguiram sus tar o andamento de todos os projetos apresentados ao Congresso sobre a re dução do porte de correio. Essa ma nobra em relação a Collins & Co. ren
deu-lhe durante anos importâncias que desempenharam papel fundamental nci
próximos cinco anos desenvolveu grande
enorme crescimento posterior de sua
mente a sua frota mercante e aos qua
fortuna.
renta anos era possuidor de meio mi lhão de dólares.
Nessa época o governo dava subsídios às emprêsas de transporte que se en
carregavam do serviço de correio. Alem do subsídio, elas cobravam uma taxa de porte que, por .si só, já era ^ pratica mente remimeratória. O subsidio, en tretanto, era de tal modo elevado que
dentro de poucos anos de execução des se sistema o serviço postal já estava so brecarregado com um "déficit" de 5 milhões de dólares. O transporte postal para a Califórnia era feito por E. K.
Contra os gastos supérfluos sessenta e nove anos, Comelius
Vanderbilt era um velho forte, alto, ro
busto, cheio de energia e conhècido
como o Comodoro", pelos seus enor mes negócios marítimos. Ia começar
uma nova fase de sua vida, em que deuicou sua atenção quase que exclu-
^vamente às estradas de ferro que outoos haviam construído e sobre as quais ele^ nada sabia senão que elas e suas ações eram uma grande fonte de lucro.
Collins & Co., me
Então, como aos doze anos, seria in
diante um sulDsídio anual de 900.000 dólares. Vanderbilt
capaz de
escrever
de passageiros e carga entre Staten Is-
afastando de seu caminho os concorren tes. Inicialmente, oferece os serviços
land e Manhattan, em Nova Iorque. Cheio de iniciativa, esperto, sem muitos escrúpulos, e intuitivamente desenvol
de seus vapores, tanto de passageiros como de carga, a preços tão baratos que
também
vendo às maravilhas as máximas de
rem de puro prejuízo. Depois, quando
fito de concorrência, mas, em breve,
passava os olhos enquanto tomáva o
entrava em acordo com Collins & Co.,
P^fueno almoço.
no sentido de retirar-se dessa rota e
nômico, Comelius era
deixar-lhe o monopólio mediante uma compensação de 480.000 dólares por ano, depois elevada para 612.000 dó
com os filhos — doze ao todo, afora um
rosamente as despesas domésticas. Me
lares. Em 1858, as manobras de Van
tódico e morigerado se permitia muito
os outros não poàam agüentar por se
A primeira vista, o que mais nos impressiona na cairelra de Cornelius Vanderbilt,
ao lado de sua rápida ascensão, é a facilidade com que conseguia que a legislação se adaptasse aos seus interêsses. Mas logo compreendemos que assim fôsse
quando nos lembramos das observações de Charles Beard de que através dos
séculos e até hoje os interêsses de grupos têm sido reconhecidos como constituindo a verdadeira essência da política, tanto na teoria como na prática.
resolveu
corretamente as pa
explorar uma
lavras mais simples
linha
e suas leituras limi
de vapores para a Califórnia,
com
derbilt foram
tavam-se aos jornais
o
denunciadas
no , Gon-
gresso pelo senador Toombs e pelo
diários, em que êle
Extremamente eco muito severo
que morrera criança — e controlava rigo poucas distrações e apenas aquelas em
que não dispendesse muito.
Conta-se
l.JMIffUllJWpil l.i J
r^
DiGESTO Econômico m ^
CORNELIUS VANDERBILT 17 9 4
18 7 7
JOSÉ noNOmo noDmcüÉS
consegue o monopólio, aumenta proCTcssivamente as passagens e fretes e so um
apurar
rera para os seus naNuos se dá conta do logro de que fòra vítima.
trazidas
Relações biteriorci, e dire
Nessa luta contra os competidores,
blioteca NacionilJ
Cornelius usou abundantemente do^ re
"{tfos Estados Uni-
Benjamin Franklin
quanto
dos dos oitocen-
tos eram desconhe
nheiro
capital que a ge
em
ração deste século
ra civil americana, uma fortuna de 15
econo
mente juntando di
ções individuais de
ainda era ali de tal modo rara a palavra milionário que, quando usada, ia signi ficativamente grifada. Durante a guer
à
mia, o jovem Van derbilt foi rapida
cidas as incomensuráveis acumula
iria conhecer e exatamente há cem anos
e,
dentro
pouco, come
çou a construir os
seus próprios barcos, dedicando-se à na
vegação de pequena cabotagem. Com a invenção do navio a vapor, em 1817 êle vende seus barcos e se torna capitão
milhões de dólares era encarada como
de um vapor que fazia a rota de Nova Iorque e alguns pontos da costa de New
algo de realmente monumental. Por aí
Jersey, permanecendo doze anos nesse
se pode calcular o espanto que, em 1877,
emprego.
ao morrer Comelius Vanderbilt, o pri meiro dos grandes multi-milionários ame ricanos, causou a notícia de que êle dei xara 105 milhões de dólares, dos quais se calcula que 90 milhões tenham sido adquiridos nos últimos quinze anos de
lher explorava uma taberna em New
sua vida.
Filho de um pobre fazendeiro, Cornelius aos doze anos mal sabia assinar o
nome e j"á aos dezesseis o vemos empre
gado numa pequena barca de transporte
Campeão do monopólio
Especial para o "Dlgesto bcanúmlco'
tor de Obras Raras da Bi
Durante êsse tempo sua mu
Brunswick, New Jersey, para onde êles se haviam mudado, aumentando desse modo os rendimentos da família.
Na "História das Grandes Fortunas Americanas", Gustavus Myers nos conta que aos trinta e cinco anos Cornelius
Vanderbilt já possuía 30.000 dólares. Começa a construir seus próprios vapo res e habilmente vai, pouco a pouco,
deputado Davis, mas durante dois anos
o Congresso nenhum esfôrço fez para
pouco tarde demais o público que acor
JProiessur dü instituto "Uto Branco", do Ministério das
63
curso ao suborno aos agentes do governo local que tinham competência para a
concessão de privilégios no porto de Nova Iorque e fazia quanto estava ^ao
seu alcance para que as remunerações de seus empregados fossem tão baixas quanto longas as horas de serviço. Nos
a ao
veracidade seu
das
revelações
conhecimento.
Em
1870, porém, as queixas de corrupção no sistema postal se tomaram tão nume rosas que, afinal, íoi nomeada uma comissão para apurar os fatos aponta
dos. Como era de esperar, nada resul tou daí, e durante quinze anos Vander bilt e seus associados conseguiram sus tar o andamento de todos os projetos apresentados ao Congresso sobre a re dução do porte de correio. Essa ma nobra em relação a Collins & Co. ren
deu-lhe durante anos importâncias que desempenharam papel fundamental nci
próximos cinco anos desenvolveu grande
enorme crescimento posterior de sua
mente a sua frota mercante e aos qua
fortuna.
renta anos era possuidor de meio mi lhão de dólares.
Nessa época o governo dava subsídios às emprêsas de transporte que se en
carregavam do serviço de correio. Alem do subsídio, elas cobravam uma taxa de porte que, por .si só, já era ^ pratica mente remimeratória. O subsidio, en tretanto, era de tal modo elevado que
dentro de poucos anos de execução des se sistema o serviço postal já estava so brecarregado com um "déficit" de 5 milhões de dólares. O transporte postal para a Califórnia era feito por E. K.
Contra os gastos supérfluos sessenta e nove anos, Comelius
Vanderbilt era um velho forte, alto, ro
busto, cheio de energia e conhècido
como o Comodoro", pelos seus enor mes negócios marítimos. Ia começar
uma nova fase de sua vida, em que deuicou sua atenção quase que exclu-
^vamente às estradas de ferro que outoos haviam construído e sobre as quais ele^ nada sabia senão que elas e suas ações eram uma grande fonte de lucro.
Collins & Co., me
Então, como aos doze anos, seria in
diante um sulDsídio anual de 900.000 dólares. Vanderbilt
capaz de
escrever
de passageiros e carga entre Staten Is-
afastando de seu caminho os concorren tes. Inicialmente, oferece os serviços
land e Manhattan, em Nova Iorque. Cheio de iniciativa, esperto, sem muitos escrúpulos, e intuitivamente desenvol
de seus vapores, tanto de passageiros como de carga, a preços tão baratos que
também
vendo às maravilhas as máximas de
rem de puro prejuízo. Depois, quando
fito de concorrência, mas, em breve,
passava os olhos enquanto tomáva o
entrava em acordo com Collins & Co.,
P^fueno almoço.
no sentido de retirar-se dessa rota e
nômico, Comelius era
deixar-lhe o monopólio mediante uma compensação de 480.000 dólares por ano, depois elevada para 612.000 dó
com os filhos — doze ao todo, afora um
rosamente as despesas domésticas. Me
lares. Em 1858, as manobras de Van
tódico e morigerado se permitia muito
os outros não poàam agüentar por se
A primeira vista, o que mais nos impressiona na cairelra de Cornelius Vanderbilt,
ao lado de sua rápida ascensão, é a facilidade com que conseguia que a legislação se adaptasse aos seus interêsses. Mas logo compreendemos que assim fôsse
quando nos lembramos das observações de Charles Beard de que através dos
séculos e até hoje os interêsses de grupos têm sido reconhecidos como constituindo a verdadeira essência da política, tanto na teoria como na prática.
resolveu
corretamente as pa
explorar uma
lavras mais simples
linha
e suas leituras limi
de vapores para a Califórnia,
com
derbilt foram
tavam-se aos jornais
o
denunciadas
no , Gon-
gresso pelo senador Toombs e pelo
diários, em que êle
Extremamente eco muito severo
que morrera criança — e controlava rigo poucas distrações e apenas aquelas em
que não dispendesse muito.
Conta-se
-
. ,luM.
• fvfUn
II I ij.pi,
Digesto Econômico
64
65
Digesto Econômico
que pouco antes 8e morrer, depois de
rar a boa vontade de alguns diretores da companhia no sentido de fazer re
dico lhe prescreveu que tomasse diàriamente um pouco de champagne. Cor-
duzir os dividendos, a fim de que as a^es caíssem. Comprava então um
uma longa doença de oito meses, o mé
nelius fitou-o atônito e reylicou-lhe mui to sério; "Não posso pagar champagne.
Uma garrafa todos os dias! Ohf creio que a soda faria o mesmo efeito". O
homem que viera de baixo, juntando centavo por centavo, não podia acostu mar-se à idéia de qualquer gasto su pérfluo. Por outro lado, se vez por outra fazia — para usar a frase corrente — cortesias com o chapéu alheio, indig-
numero de açÕes suficiente para ga rantir-lhe o controle, procurava tomar
golpe e, às escondidas, fez comprar tòaas as ações disponíveis no mercado.
tava o capital e fazia as estradas-paga
rem altos dividendos mediante passa gens e fretes mais caros. Enquanto havia concorrência, os preços eram man tidos baixos para se elevarem muito mais
depois que havia sido assegurado o monopólio. Por êsse processo, que ao
feita vieram pedir-Uie uma contribuição
mente devido às enormes ^eser^'as em
dinheiro de que Vanderbilt podia dis
Vanderbilt assinou cem dólares em seu
por, seu capital aumentou em 15 anos
nome e cem dólares em nome de um
cêrça de ^ milhões de dólares, ou
amigo.
O outro pagou sem reclamar
citado um donativo para outra campa
seja numa proporção anual de 6 milhões.
nha, apressou-se a assinar também cem dólares em nome de Vanderbilt.
já estavam a 50 dólares, pelo fato de
Ao
se recusou a reembolsar o companheiro. As estradas de ferro
Do ponto de vista financeiro, o gran de sucesso de Comelius Vanderbilt se
verifica nos últimos quinze anos de sua
vida. Êle possuía, então, segundo os cálculos mais otimistas, 20 milhões de
dólares, , e, segundo os mais pessimis tas, 10 milhões. Dez ou vinte milhões, que já eram uma fortuna imensa para a
época, êle os iria empregar na compra de grandes sistemas ferroviários, usando para isso processos de audaciosa espe culação e inusitado efeito.
A facilidade com que êle se apode
rou da primeira estrada de ferro a que
tia às c-tradas pagar mais de lOX de dhidendo, o que estava prejudicando os interesses de Vanderbilt. Êste consegue
a aprovação de um diploma legal que
contratos
lhe
a
termo, Vanderbilt os fez
pagar 170 dólares por ação, realizando em pouco tempo um lucro de milhões
de dólares e adquirindo o controle da estrada de ferro New York and Harlem.
A seguir anexou uma' segunda ferro via, a New York and Hudson River que, de corto modo, era conconentc da
que ele já controlava. A incorporação ferrovias, que era o seu obje tivo final, era porém proibida, pelo
dava o direito de consolidar es-
tradas de ferro, concédendo-Uie pri%â-
légíos e outros direitos que valiam rniIhões de dólares, entre os quais o de aumentar o capital das empresas em
enorme proporção. Em pouco a New York Central e a Hudson River eram
consolidadas e seu capital duplicado.
Quarenta e quatro milhões^ de ações foram imprtessas e distribuídas como prêmio entre os acionistas. Falando ao Comitê Hepbum, que em 1869 fôra designado para investigar essa opera
ção fnanceira das ferrovias consohdadas, o advogado Simon Steme, coriselheiro
de várias organizações comerciais, dizia que tal aumento "não representara tra
Vanderbilt ter conseguido do Conselho
légio para uma linha de transporte em
balho maior do que o de fazer impri
certo trecho da Broadway. Essa his tória tem, certamente, ao lado de seus
mir as ações, sendo notório que o custo das duas estradas era menor do que os
aspectos pouco louváveis, certa dose de
44 milhões de dólares de aurnenm".
humorismo. Durante anos vários capi talistas haviam feito propostas para a obtenção do privilégio, cujo valor, em
Por meio dessa operação Vanderbilt
1863, era calculado em cêrca de 10 milhões de dólares. Vanderbilt e Ceorge Law, afinal, se empenhavam fre-
nètícamente pela concessão, aquêle iun-
to ao Conselho da Administração e este junto à Camara Municipal. Eis que alguns conselheiros conceberam o plano de realizar uma grande especulação na bôlsa: eles dariam o privilégio a Van derbilt, sabendo de antemão que o iudiciárío não homologaria tal concessão, e quando as ações subissem a 100 dó
tras, conforme veremos.
ciário negasse a validade do privilégio,
providências tratava, logo, de assegu
esta ferroiia ficou sob o seu controle, em 1867, e teve seu capital muito au mentado. A lei, entretanto, não permi
Quando os consemeiros e seus amigos
da Cidade de Nova Iorque um privi
d'rigiu suas vistas e na qual'investiu seus milhões, levou-o a conceber o plano de apropriar-se sucessivamente de ou Entre outras
Central, uma das mais ricas do país. Através de várias manipulações, também
quiseram comprar para cumprir os seus
Assim fez com a estrada de ferro
New York and Harlem, cujas ações com prou a 9 dólares e que pouco depois
ser-Uie cobrada esta importância, disse muito zangado que quando queria dar alguma coisa êle mesmo é quem dava e
culada, mas Vanderbilt teve ciência do
cientes, forçava a alta das ações, aumen
fim já operava qua.se que automàtica-
e pouco tempo depois, ao lhe ser soli
A operação sem dúvida fôra bem cal
os serviços econòmicamente mais efi
nava-se se alguém tentava repetir com êle o truque. Assim é que de certa
para determinada campanha política.
seus associados de Wall Strcet, comprar na baixa e entregar aos seus comprado res ao preço combinado de 90 dólares.
lares, eles venderiam a curto prazo pelo preço de 90 dólares.
Quando o judi
as ações cairiam e èles poderiam, com os
quase duplicou sua fortuna anterior.
receio de que pudesse favorecer o mo nopólio.
Não foi difícil a Vanderbilt
arranjar maioria para fazer passar uma
lei permissiva. Novamente, porém, al guns dos congressistas imaginaram apro veitar-se do projeto para uma especula ção vultosa. Fariam crer que o projeto seria aprovado, as ações subiriam e êles
vender am a curto prazo; então, rejei tariam o projeto e seria inevitável a queda das ações. Vanderbilt, como da
Sucessivamente, foram contro.adas a Lake Shore Railroad, a Canada Sou-
them e a Michigan Central. Também elas foram consolidadas e tiveram seu
capital aumentado.
Para garantir os
altos dú^idendos, o processo era, como
ainda hoje, o mais simples: aumentar os
fretes e passagens e fazer o publico pa gar o aumento.
Doações e os herdeiros Pouco antes de sua morte, Comelius
outra vez, soube da trama e comprou
Vanderbilt doou um milhão de dó ares
tòdas as ações oferecidas. Impôs depois o preço de 285 dólares por ação e rea
para a fundação da Universidade Van derbilt em NashviUe, Tennessee, para
lizou outro lucro de milhões de dólares.
a qual seus descendentes têm contribuí
Com o contro'e desta segunda estrada de ferro pensou, a seguir, na New York
do com somas adicionais de tempos em
tempos. Fez igualmente algumas doa-
-
. ,luM.
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II I ij.pi,
Digesto Econômico
64
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dico lhe prescreveu que tomasse diàriamente um pouco de champagne. Cor-
duzir os dividendos, a fim de que as a^es caíssem. Comprava então um
uma longa doença de oito meses, o mé
nelius fitou-o atônito e reylicou-lhe mui to sério; "Não posso pagar champagne.
Uma garrafa todos os dias! Ohf creio que a soda faria o mesmo efeito". O
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numero de açÕes suficiente para ga rantir-lhe o controle, procurava tomar
golpe e, às escondidas, fez comprar tòaas as ações disponíveis no mercado.
tava o capital e fazia as estradas-paga
rem altos dividendos mediante passa gens e fretes mais caros. Enquanto havia concorrência, os preços eram man tidos baixos para se elevarem muito mais
depois que havia sido assegurado o monopólio. Por êsse processo, que ao
feita vieram pedir-Uie uma contribuição
mente devido às enormes ^eser^'as em
dinheiro de que Vanderbilt podia dis
Vanderbilt assinou cem dólares em seu
por, seu capital aumentou em 15 anos
nome e cem dólares em nome de um
cêrça de ^ milhões de dólares, ou
amigo.
O outro pagou sem reclamar
citado um donativo para outra campa
seja numa proporção anual de 6 milhões.
nha, apressou-se a assinar também cem dólares em nome de Vanderbilt.
já estavam a 50 dólares, pelo fato de
Ao
se recusou a reembolsar o companheiro. As estradas de ferro
Do ponto de vista financeiro, o gran de sucesso de Comelius Vanderbilt se
verifica nos últimos quinze anos de sua
vida. Êle possuía, então, segundo os cálculos mais otimistas, 20 milhões de
dólares, , e, segundo os mais pessimis tas, 10 milhões. Dez ou vinte milhões, que já eram uma fortuna imensa para a
época, êle os iria empregar na compra de grandes sistemas ferroviários, usando para isso processos de audaciosa espe culação e inusitado efeito.
A facilidade com que êle se apode
rou da primeira estrada de ferro a que
tia às c-tradas pagar mais de lOX de dhidendo, o que estava prejudicando os interesses de Vanderbilt. Êste consegue
a aprovação de um diploma legal que
contratos
lhe
a
termo, Vanderbilt os fez
pagar 170 dólares por ação, realizando em pouco tempo um lucro de milhões
de dólares e adquirindo o controle da estrada de ferro New York and Harlem.
A seguir anexou uma' segunda ferro via, a New York and Hudson River que, de corto modo, era conconentc da
que ele já controlava. A incorporação ferrovias, que era o seu obje tivo final, era porém proibida, pelo
dava o direito de consolidar es-
tradas de ferro, concédendo-Uie pri%â-
légíos e outros direitos que valiam rniIhões de dólares, entre os quais o de aumentar o capital das empresas em
enorme proporção. Em pouco a New York Central e a Hudson River eram
consolidadas e seu capital duplicado.
Quarenta e quatro milhões^ de ações foram imprtessas e distribuídas como prêmio entre os acionistas. Falando ao Comitê Hepbum, que em 1869 fôra designado para investigar essa opera
ção fnanceira das ferrovias consohdadas, o advogado Simon Steme, coriselheiro
de várias organizações comerciais, dizia que tal aumento "não representara tra
Vanderbilt ter conseguido do Conselho
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balho maior do que o de fazer impri
certo trecho da Broadway. Essa his tória tem, certamente, ao lado de seus
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44 milhões de dólares de aurnenm".
humorismo. Durante anos vários capi talistas haviam feito propostas para a obtenção do privilégio, cujo valor, em
Por meio dessa operação Vanderbilt
1863, era calculado em cêrca de 10 milhões de dólares. Vanderbilt e Ceorge Law, afinal, se empenhavam fre-
nètícamente pela concessão, aquêle iun-
to ao Conselho da Administração e este junto à Camara Municipal. Eis que alguns conselheiros conceberam o plano de realizar uma grande especulação na bôlsa: eles dariam o privilégio a Van derbilt, sabendo de antemão que o iudiciárío não homologaria tal concessão, e quando as ações subissem a 100 dó
tras, conforme veremos.
ciário negasse a validade do privilégio,
providências tratava, logo, de assegu
esta ferroiia ficou sob o seu controle, em 1867, e teve seu capital muito au mentado. A lei, entretanto, não permi
Quando os consemeiros e seus amigos
da Cidade de Nova Iorque um privi
d'rigiu suas vistas e na qual'investiu seus milhões, levou-o a conceber o plano de apropriar-se sucessivamente de ou Entre outras
Central, uma das mais ricas do país. Através de várias manipulações, também
quiseram comprar para cumprir os seus
Assim fez com a estrada de ferro
New York and Harlem, cujas ações com prou a 9 dólares e que pouco depois
ser-Uie cobrada esta importância, disse muito zangado que quando queria dar alguma coisa êle mesmo é quem dava e
culada, mas Vanderbilt teve ciência do
cientes, forçava a alta das ações, aumen
fim já operava qua.se que automàtica-
e pouco tempo depois, ao lhe ser soli
A operação sem dúvida fôra bem cal
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nava-se se alguém tentava repetir com êle o truque. Assim é que de certa
para determinada campanha política.
seus associados de Wall Strcet, comprar na baixa e entregar aos seus comprado res ao preço combinado de 90 dólares.
lares, eles venderiam a curto prazo pelo preço de 90 dólares.
Quando o judi
as ações cairiam e èles poderiam, com os
quase duplicou sua fortuna anterior.
receio de que pudesse favorecer o mo nopólio.
Não foi difícil a Vanderbilt
arranjar maioria para fazer passar uma
lei permissiva. Novamente, porém, al guns dos congressistas imaginaram apro veitar-se do projeto para uma especula ção vultosa. Fariam crer que o projeto seria aprovado, as ações subiriam e êles
vender am a curto prazo; então, rejei tariam o projeto e seria inevitável a queda das ações. Vanderbilt, como da
Sucessivamente, foram contro.adas a Lake Shore Railroad, a Canada Sou-
them e a Michigan Central. Também elas foram consolidadas e tiveram seu
capital aumentado.
Para garantir os
altos dú^idendos, o processo era, como
ainda hoje, o mais simples: aumentar os
fretes e passagens e fazer o publico pa gar o aumento.
Doações e os herdeiros Pouco antes de sua morte, Comelius
outra vez, soube da trama e comprou
Vanderbilt doou um milhão de dó ares
tòdas as ações oferecidas. Impôs depois o preço de 285 dólares por ação e rea
para a fundação da Universidade Van derbilt em NashviUe, Tennessee, para
lizou outro lucro de milhões de dólares.
a qual seus descendentes têm contribuí
Com o contro'e desta segunda estrada de ferro pensou, a seguir, na New York
do com somas adicionais de tempos em
tempos. Fez igualmente algumas doa-
Digesto Econômico
68
ções menores a igrejas e obras de cari
é a facilidade com que conseguia que a
dade, doações essas mesmas insignifi
legislação se adaptasse ao.s seus inte
cantes diante das que mais tarde iriam
resses. Mas logo compreendemos que assim fosse quando nos lembramos das
fazer os multi-milionários americanos. Em.seu testamento instituiu herdeiro
principal
seu
filho
William
Henry
(1821-1885), que merecia tôda sua con
fiança e trabalhara com ele desde que se dedicara às estradas de ferro.
Para
êste ficaram 90 milhões de dólares. Dos
15 milliões restantes, a metade ficou
para os filhos do herdeiro principal e a outra metade, então, para os seus outros
filhos e para o cumprimento de .peque nos legados.
À primeira vista, o que mais nos im pressiona na carreira de Comelius Van-
derbilt, ao lado de sua rápida ascensão,
/7 Pesea em-nas^
observação de Charles Beard de que, através dos séculos e até hoje, os in
Economia Golonlal
teresses de grupos têm sido reconheci dos como constituindo a verdadeira es sência da política, tanto na teoria como na prática. "Os estadistas falam dêles,
por SÉRGIO Buarque de Holanda. (Autor de "Monções" e "Raízes do Brasil")
negociam com êles, pacificam-no.s, le
gislam para eles e em geral procuram
Especial para o "Digesto Econômico
assegurar a predominância de um ou de outro ou o equilíbrio de vários contra um ou outro. Em todo caso, os esta
Se na caça, e principalmente na lavoura, a técnica européia, introduzida com os primeiros colonos e posta a serviço dos métodos indígenas, teve como resultado
distas não falam de homens abstratos e direitos abstratos, mas de homens reais o direitos reais".
tornar ainda mais nocivos êsses métodos,
dificilmente se poderá afirmar o mesmo com relação à pesca. O emprêgo do pari, o recurso freqüente a ervas e cipós
que entroviscam o peixe, foram certa mente admitidos, e de bom grado, velos
primeiros colonos, mas estes não dispu
nham de meios que os tornassem ainda mais nefastos.
No penado compreendido entre os meses de janeiro a outubro do ano nassado de café somaram 12.971.367 sacos, no valor de 5 135,3
pazes de longas viagens e de transportar facilmente o pescado, tomou possível
entre alguns ^ grupos humanos um grau apreciável de sedentariedade. Seu ren dimento chega a ser tão elevado, que parece dispensar qualquer outra ativi dade produtiva. Há populações que se Retirado o meio de sustento que neles subsistir.
Martius, depois de observar
o aspecto doentio e miserável que apre sentam muitos dos nossos pescadores,
ploração sistemática. Para escapar a destruição e ao aniquilamento e que
concluiu que nas terras quentes, onde o mantimento depressa se deteriora,'ao maior ou menor consumo de peixe entre
seus habitantes, corresponde maior ou
menor indolência, pobreza e predispo sição a doenças, o que talvez seja ver dadeiro onde o peixe, por sua extrema
abundância, chega a suprir todas as necessidades, tornando-se alimento ex
rem habitado sempre, desde era muito
clusivo.
remota, áreas de muita caça.
Nos primeiros tempos de São Paulo Se na caça, e principalmente na la voura, a técnica européia, introduzida
portações efetuadas para a Europa, que totalizaram 2.423.089 sacas, no valor de
O mesmo, a certamente em proporções
1.012,0 milhões de cruzeiros, contra 1.104.902 e 754.194 sacas em 1945 o 1944, pos valores, respectivamente, de 352,2 c 217,6 milhões de cruzeiros.
bem maiores, é verdadeiro com relação
à pesca. Isso ja foi notado expressamen
A
coleta de produtos florestais. Mas a pesca, secundada por embarcações ca
voa-se de caça como uma terra lavrada
mento, não raro substituto da lavoura. De certos povos indígenas, rio Chaco especialmente, consta que so não chega ram a possuir lavoura evoluída por te
zeiros, alcançando 289,9 cruzeiros o valor médio por saca. Concoireram de maneira decisiva para o aumento observado em 1946 as ex
que a servissem na agricultura e na
se oferece, já não terão muito de que
aquelas populações primitivas transfe
.oL 365 4 S■ com aportado 11.634.935 sacas, no valor X de 3 3.365,4 milhões de cruzeiros, o valor atinmra médio, por saca de ">89 3 cru zeiros Nos mesmos meses de 1944, quando as restrições impostas pela puerra nos tran^ortes marítimos ainda se achavam em vlena vigência, o montante da exportaç<M havia sido de 10.816.458 sacas, no valor de 3.092,7 milhões de cru
dios, ao ponto dá própria população branca se ver desamparada de braços
fizeram escravas de seus rios e do mar.
rem fàcilmente sua morada para terri tórios menos usados. A caça e comple
cmzeíros o valor médio por saca. Em idôn-
seqüência a redução no número de ín
em animais de tôda casta explica muitas vezes as constantes migrações dos
se gasta, após anos consecutivos de ex
EXPORTAÇÃO DE CAFÉ
te a propósito da região amazônica, onde a diminuição do pescado teve como con
A existência _ de largas áreas opulentas nosso indígenas. Uma paragem despo
TJ Zrfíl
-Í
Digesto Econômico
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ções menores a igrejas e obras de cari
é a facilidade com que conseguia que a
dade, doações essas mesmas insignifi
legislação se adaptasse ao.s seus inte
cantes diante das que mais tarde iriam
resses. Mas logo compreendemos que assim fosse quando nos lembramos das
fazer os multi-milionários americanos. Em.seu testamento instituiu herdeiro
principal
seu
filho
William
Henry
(1821-1885), que merecia tôda sua con
fiança e trabalhara com ele desde que se dedicara às estradas de ferro.
Para
êste ficaram 90 milhões de dólares. Dos
15 milliões restantes, a metade ficou
para os filhos do herdeiro principal e a outra metade, então, para os seus outros
filhos e para o cumprimento de .peque nos legados.
À primeira vista, o que mais nos im pressiona na carreira de Comelius Van-
derbilt, ao lado de sua rápida ascensão,
/7 Pesea em-nas^
observação de Charles Beard de que, através dos séculos e até hoje, os in
Economia Golonlal
teresses de grupos têm sido reconheci dos como constituindo a verdadeira es sência da política, tanto na teoria como na prática. "Os estadistas falam dêles,
por SÉRGIO Buarque de Holanda. (Autor de "Monções" e "Raízes do Brasil")
negociam com êles, pacificam-no.s, le
gislam para eles e em geral procuram
Especial para o "Digesto Econômico
assegurar a predominância de um ou de outro ou o equilíbrio de vários contra um ou outro. Em todo caso, os esta
Se na caça, e principalmente na lavoura, a técnica européia, introduzida com os primeiros colonos e posta a serviço dos métodos indígenas, teve como resultado
distas não falam de homens abstratos e direitos abstratos, mas de homens reais o direitos reais".
tornar ainda mais nocivos êsses métodos,
dificilmente se poderá afirmar o mesmo com relação à pesca. O emprêgo do pari, o recurso freqüente a ervas e cipós
que entroviscam o peixe, foram certa mente admitidos, e de bom grado, velos
primeiros colonos, mas estes não dispu
nham de meios que os tornassem ainda mais nefastos.
No penado compreendido entre os meses de janeiro a outubro do ano nassado de café somaram 12.971.367 sacos, no valor de 5 135,3
pazes de longas viagens e de transportar facilmente o pescado, tomou possível
entre alguns ^ grupos humanos um grau apreciável de sedentariedade. Seu ren dimento chega a ser tão elevado, que parece dispensar qualquer outra ativi dade produtiva. Há populações que se Retirado o meio de sustento que neles subsistir.
Martius, depois de observar
o aspecto doentio e miserável que apre sentam muitos dos nossos pescadores,
ploração sistemática. Para escapar a destruição e ao aniquilamento e que
concluiu que nas terras quentes, onde o mantimento depressa se deteriora,'ao maior ou menor consumo de peixe entre
seus habitantes, corresponde maior ou
menor indolência, pobreza e predispo sição a doenças, o que talvez seja ver dadeiro onde o peixe, por sua extrema
abundância, chega a suprir todas as necessidades, tornando-se alimento ex
rem habitado sempre, desde era muito
clusivo.
remota, áreas de muita caça.
Nos primeiros tempos de São Paulo Se na caça, e principalmente na la voura, a técnica européia, introduzida
portações efetuadas para a Europa, que totalizaram 2.423.089 sacas, no valor de
O mesmo, a certamente em proporções
1.012,0 milhões de cruzeiros, contra 1.104.902 e 754.194 sacas em 1945 o 1944, pos valores, respectivamente, de 352,2 c 217,6 milhões de cruzeiros.
bem maiores, é verdadeiro com relação
à pesca. Isso ja foi notado expressamen
A
coleta de produtos florestais. Mas a pesca, secundada por embarcações ca
voa-se de caça como uma terra lavrada
mento, não raro substituto da lavoura. De certos povos indígenas, rio Chaco especialmente, consta que so não chega ram a possuir lavoura evoluída por te
zeiros, alcançando 289,9 cruzeiros o valor médio por saca. Concoireram de maneira decisiva para o aumento observado em 1946 as ex
que a servissem na agricultura e na
se oferece, já não terão muito de que
aquelas populações primitivas transfe
.oL 365 4 S■ com aportado 11.634.935 sacas, no valor X de 3 3.365,4 milhões de cruzeiros, o valor atinmra médio, por saca de ">89 3 cru zeiros Nos mesmos meses de 1944, quando as restrições impostas pela puerra nos tran^ortes marítimos ainda se achavam em vlena vigência, o montante da exportaç<M havia sido de 10.816.458 sacas, no valor de 3.092,7 milhões de cru
dios, ao ponto dá própria população branca se ver desamparada de braços
fizeram escravas de seus rios e do mar.
rem fàcilmente sua morada para terri tórios menos usados. A caça e comple
cmzeíros o valor médio por saca. Em idôn-
seqüência a redução no número de ín
em animais de tôda casta explica muitas vezes as constantes migrações dos
se gasta, após anos consecutivos de ex
EXPORTAÇÃO DE CAFÉ
te a propósito da região amazônica, onde a diminuição do pescado teve como con
A existência _ de largas áreas opulentas nosso indígenas. Uma paragem despo
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Digesto EcoNÓAnco
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com os primeiros colonos e posta a ser viço dos métodos indígenas, teve como resultado tornar ainda mais nocivos êsses
ma proibição a todos os ribeiros e rios
caudais existentes dentro do termo da
rila. Para tais resoluções teria contri
métodos, dificilmente se poderá afirmar
buído, segundo tôdas as probabilidades,
o mesmo com relação à pesca. O em
alguma vaga reminiscôncia de medidas
prego do pari, o recurso freqüente a
eivas e cipós que entroviscam o peixe, foram certamente admitidos, e de bom
mgulamentares semelliantes que já em Portugal se opunham às pescarias feitas
DiGESTO Econômico
trovisco, da coca, da cal, e tantas outras
fios meraucos pouco resistentes que se
substancias peçonhentas de que no Reino SC fazia largo uso. As várias formas de barragem para cercar pei.xe ocorriam com pouca diferença nos dois conti-
empregavam de ordinário na pesca de gorazes. Em 1572, com a reforma dos regimentos de oficiais mecânicos de Lis boa, procurou-se remediar o abuso me diante imposição de penalidades severas
rentes.
Fabricavam-nas os índios não
grado, pelos primeiros colonos, mas êstes
moradores primitivos de Piratininga de
só de galhos como também de pedra, sendo que as últimas denunciavam, por
não disDunham de meios que os tomas
veriam exercer, porém, uma invencível sedução esses métodos bárbaros, se é
tôda prova. Em expedição realizada aos
sem aiiTda mais nefastos. Salvo se con siderarmos que, desprezando quase sem
pre os processos de conservação do pesca do a que recorriam tradicionalmente os
com materiais peçonhentos.
certo, como afirmou Anchieta, que o
total de peixes graúdos assim obtidos ultrapassava em muitos casos de doze
rio por índios aparentemente extremes
sertão largo, de rios largos e piscosos,
de contacto com bran
resguardar a saúde do povo. A dificul
cos: "qual modo hé cercar o'Rio todo de
que pudessem cuidar
pedras, e bem postas,
de coisas tão miúdas.
transportar a longas diStâncías, a pouca
e no meio hum enca-
Quanto às rêdes de
no das mesmas pedras
arremesso ou de ar
quantidades de pescado. Não falta exemjjlo de epidemias graves atribuídas ao acúmulo de peixe arruinado, que cor rompia a atmosfera em seguida as ricas
pescarias com timbó ou tingui.
Luiz
D Alincourt refere-se a uma dessas epi demias, que assolou toda a freguesia de Mogi-Guaçu em fins do século XVIII:
impedir a destruição inútil de peixe, adotando uma resolução que deveria
"foi tão grande a quantidade de peixe
parecer radical para os costumes do tem
ma o ar, que foi causa de perecer um grande número de pessoas".
sava.
Ficou assentado, com efeito, na
sessão do Conselho de 15 de julho daquele ano, lançar-se pregão em altas vozes para que "se não desse tingui neste rio abaixo da vila tamandoati em
todo ele cõ pena de quinhentos reis por cada pessoa q se achasse dando tingui
pS o conselho e acuzador..." Alguns anos depois, em 1598, estendia-se a mes-
sem coutadas, sem de. fesas, sem governos
dade de se consumirem todos os peixes no lugar, a escassez de meios para os
aproveitado o sobêjo, forçava muitas ve zes ao abandono, nas praias, de grandes
sem pescarias com tingui, uma das
cura que encontrava o artigo.
listana, como seja a necessidade de se
os índios ~, de conservas onde fosse
plantas ictiotóxicas de que então se abu
fatos servem para atestar a grande pro
Botelho Mourão, morgado de Mateus,
favor das providencias da Câmara pau
Outro motivo militaria igualmente em
freqüência entre os colonos — não entre
todo o curso do Tamanduateí se fizes
campos de Guarapuava no ano de 1770, por ordem de D. Luiz Antônio de Sousa
Mas esse instrumento parcimonioso
só podiam .contribuir para que se agra
po: proibiram terminantemente que em
vila de São Paulo, quem fabricasse par gueiros a seis réis, meios pargueiros a três e outros tipos a dois e menos. Tais
depois, em 1587, já havia, pelo menos na
nem sempre seria recurso ideal num
praticar os que corriam no Reino, de vido à carência ou .carestia de sal, êles
os camaristas de São Paulo tentavam
vêzes, uma indústria e um tirocínio a
Souza Pimentel o cerco feito em um
nul.
A verdade é que, já no ano de 1591,
aos infratores. Sabe-se que alguns anos
pôde admirar o explorador Antônio de
indígenas — o moquém e a farinha de peixe ou piracuí —, e impossibilitados de
vasse grandemente o desbarato.
Sôbre os
69
que, apodrecendo,, infestou de tal for
Costumes portugueses
De Portugal, muitos colonos já vinham aptos a aceitar sem relutância os rudes
métodos de pescaria que encontraram praticados entre o gentio. O próprio costume de intoxicar peixes, sem pre juízo de quem os consome, não teria para êles o sabor de uma estranha no
vidade. O tingui e o tiipbó eram rimp.es réplicas americanas do barbasco, do
e na boca do encano hum sesto amanhando
rastão, também apon tadas como de proce
o peixe..."
dência européia, es
Não é
outro o processo que
sas concordariam mais
ainda aplica em nos
com as condições da terra. Principalmente
sos dias o caipira do interior de São Paulo. Anzóis do reino
se
tivessem
malhas
bem apertadas, que é como dão boa renda, arrastando os peixes com suas
crias pequenas — motivo que, no reino, Foi exatamente na pesca fluvial e la-
custre que as influências indígenas che garam a exercer-se e a perdurar entre nós, quase sem temer competição. Dos portugueses veio-nos certamente o an
zol metálico, que substituía com vanta
gem os espinhos tortos usados pelos na turais do país. Só isso explicaria, em verdade, a acolhida que encontrou, tão
grande que pôde torná-lo dos princi pais artigos de resgate. Em Portugal, os oficiais anzoleiros do século XVI te
riam chegado a instituir uma indústria
levou as autoridades zelosas a estabele
cerem prolixos regulamentos fixando a largura mínima das malhas. E difícil exagerar a importância que
assume a pesca na economia alimentar das nossas povoações coloniais. Impor tância que só em parte se pode rela cionar ao uso forçado do peixe nos dias
de jejum e de abstinência preceituados pela Igreja. Outros motivos favoreciam certamente, essa situação, e não já nas terras da marinha, onde ela seria com
preensível, mas no próprio sertão.
As
lucrativa com o fabrico de mercadoria
reservas de pescado que oferecera os
inferior e imprópria destinada ao con
cursos de água não se consomem tão
Assini é que para os
depressa como, por exemplo, a fauna
anzóis pargueiros, os mais sólidos e dis pendiosos, recorriam abusivamente aos
dos campos e das matas. Além disso, onde não faltassem pastagens, não fal-
sumo no Brasil.
Digesto EcoNÓAnco
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com os primeiros colonos e posta a ser viço dos métodos indígenas, teve como resultado tornar ainda mais nocivos êsses
ma proibição a todos os ribeiros e rios
caudais existentes dentro do termo da
rila. Para tais resoluções teria contri
métodos, dificilmente se poderá afirmar
buído, segundo tôdas as probabilidades,
o mesmo com relação à pesca. O em
alguma vaga reminiscôncia de medidas
prego do pari, o recurso freqüente a
eivas e cipós que entroviscam o peixe, foram certamente admitidos, e de bom
mgulamentares semelliantes que já em Portugal se opunham às pescarias feitas
DiGESTO Econômico
trovisco, da coca, da cal, e tantas outras
fios meraucos pouco resistentes que se
substancias peçonhentas de que no Reino SC fazia largo uso. As várias formas de barragem para cercar pei.xe ocorriam com pouca diferença nos dois conti-
empregavam de ordinário na pesca de gorazes. Em 1572, com a reforma dos regimentos de oficiais mecânicos de Lis boa, procurou-se remediar o abuso me diante imposição de penalidades severas
rentes.
Fabricavam-nas os índios não
grado, pelos primeiros colonos, mas êstes
moradores primitivos de Piratininga de
só de galhos como também de pedra, sendo que as últimas denunciavam, por
não disDunham de meios que os tomas
veriam exercer, porém, uma invencível sedução esses métodos bárbaros, se é
tôda prova. Em expedição realizada aos
sem aiiTda mais nefastos. Salvo se con siderarmos que, desprezando quase sem
pre os processos de conservação do pesca do a que recorriam tradicionalmente os
com materiais peçonhentos.
certo, como afirmou Anchieta, que o
total de peixes graúdos assim obtidos ultrapassava em muitos casos de doze
rio por índios aparentemente extremes
sertão largo, de rios largos e piscosos,
de contacto com bran
resguardar a saúde do povo. A dificul
cos: "qual modo hé cercar o'Rio todo de
que pudessem cuidar
pedras, e bem postas,
de coisas tão miúdas.
transportar a longas diStâncías, a pouca
e no meio hum enca-
Quanto às rêdes de
no das mesmas pedras
arremesso ou de ar
quantidades de pescado. Não falta exemjjlo de epidemias graves atribuídas ao acúmulo de peixe arruinado, que cor rompia a atmosfera em seguida as ricas
pescarias com timbó ou tingui.
Luiz
D Alincourt refere-se a uma dessas epi demias, que assolou toda a freguesia de Mogi-Guaçu em fins do século XVIII:
impedir a destruição inútil de peixe, adotando uma resolução que deveria
"foi tão grande a quantidade de peixe
parecer radical para os costumes do tem
ma o ar, que foi causa de perecer um grande número de pessoas".
sava.
Ficou assentado, com efeito, na
sessão do Conselho de 15 de julho daquele ano, lançar-se pregão em altas vozes para que "se não desse tingui neste rio abaixo da vila tamandoati em
todo ele cõ pena de quinhentos reis por cada pessoa q se achasse dando tingui
pS o conselho e acuzador..." Alguns anos depois, em 1598, estendia-se a mes-
sem coutadas, sem de. fesas, sem governos
dade de se consumirem todos os peixes no lugar, a escassez de meios para os
aproveitado o sobêjo, forçava muitas ve zes ao abandono, nas praias, de grandes
sem pescarias com tingui, uma das
cura que encontrava o artigo.
listana, como seja a necessidade de se
os índios ~, de conservas onde fosse
plantas ictiotóxicas de que então se abu
fatos servem para atestar a grande pro
Botelho Mourão, morgado de Mateus,
favor das providencias da Câmara pau
Outro motivo militaria igualmente em
freqüência entre os colonos — não entre
todo o curso do Tamanduateí se fizes
campos de Guarapuava no ano de 1770, por ordem de D. Luiz Antônio de Sousa
Mas esse instrumento parcimonioso
só podiam .contribuir para que se agra
po: proibiram terminantemente que em
vila de São Paulo, quem fabricasse par gueiros a seis réis, meios pargueiros a três e outros tipos a dois e menos. Tais
depois, em 1587, já havia, pelo menos na
nem sempre seria recurso ideal num
praticar os que corriam no Reino, de vido à carência ou .carestia de sal, êles
os camaristas de São Paulo tentavam
vêzes, uma indústria e um tirocínio a
Souza Pimentel o cerco feito em um
nul.
A verdade é que, já no ano de 1591,
aos infratores. Sabe-se que alguns anos
pôde admirar o explorador Antônio de
indígenas — o moquém e a farinha de peixe ou piracuí —, e impossibilitados de
vasse grandemente o desbarato.
Sôbre os
69
que, apodrecendo,, infestou de tal for
Costumes portugueses
De Portugal, muitos colonos já vinham aptos a aceitar sem relutância os rudes
métodos de pescaria que encontraram praticados entre o gentio. O próprio costume de intoxicar peixes, sem pre juízo de quem os consome, não teria para êles o sabor de uma estranha no
vidade. O tingui e o tiipbó eram rimp.es réplicas americanas do barbasco, do
e na boca do encano hum sesto amanhando
rastão, também apon tadas como de proce
o peixe..."
dência européia, es
Não é
outro o processo que
sas concordariam mais
ainda aplica em nos
com as condições da terra. Principalmente
sos dias o caipira do interior de São Paulo. Anzóis do reino
se
tivessem
malhas
bem apertadas, que é como dão boa renda, arrastando os peixes com suas
crias pequenas — motivo que, no reino, Foi exatamente na pesca fluvial e la-
custre que as influências indígenas che garam a exercer-se e a perdurar entre nós, quase sem temer competição. Dos portugueses veio-nos certamente o an
zol metálico, que substituía com vanta
gem os espinhos tortos usados pelos na turais do país. Só isso explicaria, em verdade, a acolhida que encontrou, tão
grande que pôde torná-lo dos princi pais artigos de resgate. Em Portugal, os oficiais anzoleiros do século XVI te
riam chegado a instituir uma indústria
levou as autoridades zelosas a estabele
cerem prolixos regulamentos fixando a largura mínima das malhas. E difícil exagerar a importância que
assume a pesca na economia alimentar das nossas povoações coloniais. Impor tância que só em parte se pode rela cionar ao uso forçado do peixe nos dias
de jejum e de abstinência preceituados pela Igreja. Outros motivos favoreciam certamente, essa situação, e não já nas terras da marinha, onde ela seria com
preensível, mas no próprio sertão.
As
lucrativa com o fabrico de mercadoria
reservas de pescado que oferecera os
inferior e imprópria destinada ao con
cursos de água não se consomem tão
Assini é que para os
depressa como, por exemplo, a fauna
anzóis pargueiros, os mais sólidos e dis pendiosos, recorriam abusivamente aos
dos campos e das matas. Além disso, onde não faltassem pastagens, não fal-
sumo no Brasil.
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tarjam gados trazidos pelos colonos,
deveria tomar accessório o papel da caça
\ CLASSE MÉDIA E AS ELEIÇ0ES DE 19 DE JA^EipO
com o que se podia suprir a veação. Na capitania de Martim Afonso, os re
como fonte de sustento, onde quer que povoadores brancos se tivessem organi
banhos bovinos e suínos subiram desde
zado em núcleos estáveis.
cedo as escarpas alcantiladas da Para-
do que ocorreria durante as jornadas ao
napiacaba, e já pelos meados do século XVI surgem eles no planalto, salteando
sertão remoto, onde a subsistência do europeu, tanto como a do nativo, de-
i
roças de lavradores ou invadindo as ruas do vilarejo andreense. Tudo isso
pendia principalmente da abundância de
>
««r ríT.nvT<! Leite T.eite Ribeiro por Clovis Ribeiro
O contrario
(Professor do Colégio Universitário) Especial para o "Digesto Econômico"
caça.
OUEM pretenda analisar, sem ilusões, a realidade política contemporâ
Resta aproveitar a lição das urnas — co menta o A. e o faz exprimindo uma
opinião individual — tornando conscien te e deliberado um movimento que jo»
instintivo, e estruturar em bases verda deiramente democráticas um grande par
tido da classe média. Êsse,^ que poderá surgir da aglutinação a um único partido pírito duas verdades elementares. A primeira é a de que a compo- de vários outros menores e dos elemen tos pequeno-burgueses sem partido ou s çáo de fôrças políticas na democracia dispersos pelos demais, deverá ser um capitalista está, ordinàriamente, condi poderoso fator de equilíbrio na compo nea há de ter presentes no es
cionada à luta de classes.
Latente ou ostensivo, instintivo ou consciente, e o
espírito de classe que tende a aj^par
M
os homens e a formar suas convicções
políticas, na medida em que, com o
progresso econômico, se processam as d ferenciações sQciais.
A outra verdade é a de que a deniocracia moderna encerra uma contradi ção, pois fundamenta virtualmente o po IMPORTAÇÕES BRITÂNICAS DE FUMO AMERICANO
A medida de emergência recentemente tomada pelo Reino Unido, no sentido de diminuir a sua importação de fumo, virá provàvelmente reduzir de 25% a porção da safra norte-americana importada no ano passado — informa o Escritório de Ex
der político no voto da maioria, median te o siirágio universal e secreto, man tendo, entretanto, o poder econômico como privilégio da minoria. Ora, como no regime democrático capitalista o pro
sição de fôrças de nossa democracia.
dura do proletariado e no segundo a ditadura aa burguesia.
Destarte, se a
luta política se processasse unicamente em dois campos irredutíveis, proletaria do e burguesia, a democracia se tomana
um regime instável, tendente à sua pró pria negação e não haveria ouria alter
nativa entre o comunismo e o fascismo, com esses ou com outros nomes.
Entre aque'as duas classes há, porém uma intermediária, a classe média, em
pansão Comercial do Brasil em Nova Iorque.
gresso econômico conduz a uma crescen te extensão da maioria proletária e a
granda procura por parte das Ilhas Britânicas retomará o seu curso normal em
ria capitalista, decorre que a maioria
cujo predomínio político reside a unica possibilidade de solução democrática para o conflito. Na verdade, a classe média, sem fronteiras definidas entre o proletariado e a burguesia, participa de
1948 ou logo depois.
tende a tornar real o seu poder político virtual e a utilizar-se dêle para arrancar
econômicas aproximam-na do proletaria
a previsão para a importação de fumo no corrente ano é de US$200.000.000.00, em comparação com US$260.000.000,00 do ano passado, sendo US$220.000.000,00 de procedência norte-americana. Embora uma das finalidades da medida de emergência seja conservar o valor do dólar, não ó provável que o
o poder econômico à minoria, ao passo que esta, quando tal ameaça se toma
Os plantadores norte-americanos, porém, alimentam a esperança de que a
De acordo com estatísticas recentemente publicadas pelo govêmo britânico,
uma intensiva concentração da mmo-
total da redução seja feito nos recebimentos dos Estados Unidos.
iminente, tende a conservar o poder eco nômico, usurpando pela fraude ou pela violência o poder político, que de direi
de renda ào governo inglês. Com uma tarifa de US$7,15 por libra de fumo, o seu
duas hipóteses a solução do conflito im porta na negação da democracia, pois no
Acredita-se, também, que essas reduções serão mantidas, relativamente por pouco tempo, poiyue as tarifas de importação constituem uma das principais fontes lucro líquido em 1946, foi de cêrca de US$3,000.000.000,00.
A
to- cabe à maioria.
Em qualquer das
primeiro caso o processo tepd? ^ dita-
certo modo de ambas. Suas condições
do, pois, como esse, vive em geral do produto de seu trabalho, muito mais do que do lucro capitalista. Sob o ponto de vista social, porém, aproxima-se da burguesia, com a qual mantém mais mtima afinidade cultural, no sentido socio
lógico da palavra, e, embora em parte
mínima, participa também do lucro ca pitalista-
Poi" êsse motivo, tem muito
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tarjam gados trazidos pelos colonos,
deveria tomar accessório o papel da caça
\ CLASSE MÉDIA E AS ELEIÇ0ES DE 19 DE JA^EipO
com o que se podia suprir a veação. Na capitania de Martim Afonso, os re
como fonte de sustento, onde quer que povoadores brancos se tivessem organi
banhos bovinos e suínos subiram desde
zado em núcleos estáveis.
cedo as escarpas alcantiladas da Para-
do que ocorreria durante as jornadas ao
napiacaba, e já pelos meados do século XVI surgem eles no planalto, salteando
sertão remoto, onde a subsistência do europeu, tanto como a do nativo, de-
i
roças de lavradores ou invadindo as ruas do vilarejo andreense. Tudo isso
pendia principalmente da abundância de
>
««r ríT.nvT<! Leite T.eite Ribeiro por Clovis Ribeiro
O contrario
(Professor do Colégio Universitário) Especial para o "Digesto Econômico"
caça.
OUEM pretenda analisar, sem ilusões, a realidade política contemporâ
Resta aproveitar a lição das urnas — co menta o A. e o faz exprimindo uma
opinião individual — tornando conscien te e deliberado um movimento que jo»
instintivo, e estruturar em bases verda deiramente democráticas um grande par
tido da classe média. Êsse,^ que poderá surgir da aglutinação a um único partido pírito duas verdades elementares. A primeira é a de que a compo- de vários outros menores e dos elemen tos pequeno-burgueses sem partido ou s çáo de fôrças políticas na democracia dispersos pelos demais, deverá ser um capitalista está, ordinàriamente, condi poderoso fator de equilíbrio na compo nea há de ter presentes no es
cionada à luta de classes.
Latente ou ostensivo, instintivo ou consciente, e o
espírito de classe que tende a aj^par
M
os homens e a formar suas convicções
políticas, na medida em que, com o
progresso econômico, se processam as d ferenciações sQciais.
A outra verdade é a de que a deniocracia moderna encerra uma contradi ção, pois fundamenta virtualmente o po IMPORTAÇÕES BRITÂNICAS DE FUMO AMERICANO
A medida de emergência recentemente tomada pelo Reino Unido, no sentido de diminuir a sua importação de fumo, virá provàvelmente reduzir de 25% a porção da safra norte-americana importada no ano passado — informa o Escritório de Ex
der político no voto da maioria, median te o siirágio universal e secreto, man tendo, entretanto, o poder econômico como privilégio da minoria. Ora, como no regime democrático capitalista o pro
sição de fôrças de nossa democracia.
dura do proletariado e no segundo a ditadura aa burguesia.
Destarte, se a
luta política se processasse unicamente em dois campos irredutíveis, proletaria do e burguesia, a democracia se tomana
um regime instável, tendente à sua pró pria negação e não haveria ouria alter
nativa entre o comunismo e o fascismo, com esses ou com outros nomes.
Entre aque'as duas classes há, porém uma intermediária, a classe média, em
pansão Comercial do Brasil em Nova Iorque.
gresso econômico conduz a uma crescen te extensão da maioria proletária e a
granda procura por parte das Ilhas Britânicas retomará o seu curso normal em
ria capitalista, decorre que a maioria
cujo predomínio político reside a unica possibilidade de solução democrática para o conflito. Na verdade, a classe média, sem fronteiras definidas entre o proletariado e a burguesia, participa de
1948 ou logo depois.
tende a tornar real o seu poder político virtual e a utilizar-se dêle para arrancar
econômicas aproximam-na do proletaria
a previsão para a importação de fumo no corrente ano é de US$200.000.000.00, em comparação com US$260.000.000,00 do ano passado, sendo US$220.000.000,00 de procedência norte-americana. Embora uma das finalidades da medida de emergência seja conservar o valor do dólar, não ó provável que o
o poder econômico à minoria, ao passo que esta, quando tal ameaça se toma
Os plantadores norte-americanos, porém, alimentam a esperança de que a
De acordo com estatísticas recentemente publicadas pelo govêmo britânico,
uma intensiva concentração da mmo-
total da redução seja feito nos recebimentos dos Estados Unidos.
iminente, tende a conservar o poder eco nômico, usurpando pela fraude ou pela violência o poder político, que de direi
de renda ào governo inglês. Com uma tarifa de US$7,15 por libra de fumo, o seu
duas hipóteses a solução do conflito im porta na negação da democracia, pois no
Acredita-se, também, que essas reduções serão mantidas, relativamente por pouco tempo, poiyue as tarifas de importação constituem uma das principais fontes lucro líquido em 1946, foi de cêrca de US$3,000.000.000,00.
A
to- cabe à maioria.
Em qualquer das
primeiro caso o processo tepd? ^ dita-
certo modo de ambas. Suas condições
do, pois, como esse, vive em geral do produto de seu trabalho, muito mais do que do lucro capitalista. Sob o ponto de vista social, porém, aproxima-se da burguesia, com a qual mantém mais mtima afinidade cultural, no sentido socio
lógico da palavra, e, embora em parte
mínima, participa também do lucro ca pitalista-
Poi" êsse motivo, tem muito
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Dicesto EcoNÓAaco Dicesto Econômico
menos vivos os interêsses e o espírito de
classe, subordinando-se, em regra geral,
soa humana. Daí decorre — visto ade mais que o desenvolvimento econômico
aos interêsses da burguesia, a cuja do
canitali^sta conduz inevitavelmente à pla-
minação política serve, ordinariamente, de instrumento mais ou menos passivo. Segundo Marx, o crescente desenvol vimento do capitalismo 'determinaria, porém, uma gradual proletarização da
classe média, até o ponto em que, re duzida a zero, se defrontariam unica
mente o proletariado e a burguesia'ca pitalista, aquêle na plena maturidade de
sua consciência política, empolgado por um inexpiável ódio de c'asse.
Seria
esse o momento da revolução social, da expropriação dos expropriadores, na 'frase revo.ucionaria dos comunistas com a
violenta ^plantação da ditadura do proletariado e o aniquilamento da bur guesia.
?. Processo social que pres deve conduzir a ditadura do proletariado
supõe essa prévia proletarização, isto é
a crescente extensão da maioria prole-
t^a, a reaçao contra tal tendência deve consistir no fortalecimento e na organiza
ção da c.asse media, promovendo-se um
mo^mpto inverso de gradual ascensão do prol^etan^o para a pequena burgue sia media. Era o que sucedia na Inglatem, ja na época de Marx, e sucede hoje em países de alto nível de vida.
Essa organização da classe média, como fôrça predominante no plano poHüco, nao deve, entretanto - é evidente sennr de instrumento à dominação ca
pitalista, nem mesmo restringir-se à mera defesa de seus interêsses de classe, ou limitar-se a um estéril conservadorismo, sob pena de anular-se, pelo afastamen to do inelutavel curso da evolução social. Deve, pelo contrário, orientar-se no sen tido da redenção da classe operária e da superação dos conflitos de classe, me
A nossa evolução política
niticação e esta exige crescente sociali-
No Brasil anterior a 1930 podíamos
<iue a ação política da classe
descansadamente ignorar essas realida
media ha de ter como condição o afas
des.
tamento de tôda influência reacionária ou extremista de classe, como meio de
realização o desenvolvimento ao mais
T
alto grau do espírito de cooperação e de disciplina consciente e como diretriz a progressiva socialização dos meios de
produção. Sòmente por essa forma, libertando-se da sujeição ao reacionarismo capitalista e tomando a direção de um
Permanecíamos em um regime
73
Proclamada a república, manteve-se em nossa política o predomínio da aris tocracia agrária, poderosamente estru turada nos partidos republicanos esta duais, com a única substituição dos ba
econômico semi-feudal, em que as clas
rões do império pelos coronéis da repú
ses sòmente existiam sob forma latente,
blica e a supressão do poder moderador. Foi sòmente a partir da campanha civilista que êsse quadro começou a al-
de sorte que o problema social era ain da um simples caso de policia, na frase pitoresca e incisiva de um dos polí ticos do tempo. Nestes últimos anos, porém, muita água passou sob a ponte e muito sangue loi vertido, em um mun
terar-se. Em face da aristocracia agrá
ria surgia a burguesia das cidades, en
riquecida com o surto do industríahsmo e o desenvolvimento do comércio,
para disputar-lhe o poder, em nome da democracia. Apareceram os partidos
ampo movimento de união nacional, sera posivel à classe média realizar essa gradual transformação da democracia capitalista em, democracia socialista, dentro dos princípios de respeito à li-
do onde cada vez mais os problemas transcendem d.as condições peculiares
berfiade e aos direitos fundamentais da
gonismo do proletariado, nos grandes
preparação do movimento de 1930 foi
pessoa humana. Essa missão histórica sòrnente a classe média poderá realiza-Ja, com a colaboração frátema de um proletariado gradualmente redimido da miséria, da ignorância e do ódio e de
de cada país. As duas últimas eleições
democráticos,
nos mostraram, com significativa evi
dência, o acentuado progresso da cons
campanhas presidenciais, travou-se a luta pelo voto secreto e explodiram as
ciência de classe e o crescente anta
revoltas liberais de 1922 a 1930.
centros, em face da burguesia capita lista e dos partidos políticos conserva
uma burguesia cada vez mais conquistada pela consciência socialista, porque
Conta-se que ao lhe ser anunciada, por um alto dignitáfio da côrte, a to
o espírito de classe, porque é a que tem
contestado aquêle: "Non, Sire, c'est une
mais acentuado o sentimento de nacio
révolution..." Guardadas as propor
nalidade e, finalmente, porque é a que
ções, foi essa a impressão geral, ao se
apresenta o.s maiores valores da ínteli-
rem anunciados os primeiros resultados das eleições de 19 de janeiro, nesta capital: não eram eleições, era uma
revolução.
Agora, passada a primeira
impressão de surprêsa, já é possível ten
ses existem e que estejam desde então
em conflito (fato êste devido à estru
superar êsse conflito, — sôbre tudo isso concordam o cristão e o marxista. Como, porém, superar êsse conflito?
r^ain o marxista, por uma guerra carnal
obra dessa burguesia das cidades, apoia da na classe média, nas massas popula res mais esclarecidas e na juventude mi
mada da Bastilha, exclamara Luiz XVI;
tura capitalista) e que seja preciso
A
litar.
"Mais, c'est une revolte!"; ao que teria
.(1) Cf. Jacques Maritain, "O Huma nismo Integral", pg. 22G: "Que as clas
memoráveis
dores.
e a que tem menos vivos os interêsses e
gência e da cultura (1).
fizeram-se
Sua tarefa era a de desmontar a
máquina eleitoral do perrepismo, me diante a poderosa arma do voto secreto e da justiça eleitoral, e de dar um sen tido mais democrático' à política brasi leira. A luta se confinava, porém, às duas facções da classe dominante, aristo
cracia agrária e biurguesía urbana, cujos interêsses eram contraditórios; os ele mentos da classe média, as massas po
pulares e a juventude militar agiam instintivamente, tomando o partido do
tar uma análise mais objetiva dos fatos, situando-os na evolução política do país.
grupo mais progressista. E assim venceu a revolução de 1930... Mas o movimento foi desviado
É inegável que a política brasileira, durante o império e a chamada repú
de seu objetivo pelo caudilhismo do sr. Getúlio Vargas e, principalmente, pelo
blica velha, foi privilégio da classe do
diante a mais amp^a e fraternal união
voluntàriamente separada da comunhão do resto dos homens e arrasando, ani.
império, representando os mesmos ideais
reflexo de correntes sociais e ideológicas, estranhas à nossa incipiente evolução política, que nos chegavam de países
de tôdas as classes e partidos, em tômo
qu.lando a outra claa.se. Para o cristão,
e interêsses da aristocracia agrária, reve
europeus mais evoluídos.
da idé a de nacionalidade — de nacio-' luta social e temporal, que deve ser naiidade, não de nacionalismo — condi empreendida por todos aquêles que um
zavam-se no govêmo, ao influxo do po
Após o difuso movimento pequeno-
der moderador, com programas e reali
-burguês do tenentismo, que fracassou
constitui o proletariado em cidade
militar, em Jerusalém da Revolução, por uma guerra espiritual e por uma
r
minante.
Liberais e conservadores no
cionada, em plano mais elevado, à idéia
mesmo ideal humano reúne e om cujo
zações semelhantes. Nada mais pareci
pela imaturidade política da classe mé
de humanidade e da dignidade da pes
movimento o referido conflito já está
do com um liberal do que um conser
superado".
dia, ante a sabotagem e a reação da burguesia e dos políticos, tivemos a re volução paulista 6 a constituição wei-
vador, dizia-se; e essa frase represen tava a exata verdade.
72
Dicesto EcoNÓAaco Dicesto Econômico
menos vivos os interêsses e o espírito de
classe, subordinando-se, em regra geral,
soa humana. Daí decorre — visto ade mais que o desenvolvimento econômico
aos interêsses da burguesia, a cuja do
canitali^sta conduz inevitavelmente à pla-
minação política serve, ordinariamente, de instrumento mais ou menos passivo. Segundo Marx, o crescente desenvol vimento do capitalismo 'determinaria, porém, uma gradual proletarização da
classe média, até o ponto em que, re duzida a zero, se defrontariam unica
mente o proletariado e a burguesia'ca pitalista, aquêle na plena maturidade de
sua consciência política, empolgado por um inexpiável ódio de c'asse.
Seria
esse o momento da revolução social, da expropriação dos expropriadores, na 'frase revo.ucionaria dos comunistas com a
violenta ^plantação da ditadura do proletariado e o aniquilamento da bur guesia.
?. Processo social que pres deve conduzir a ditadura do proletariado
supõe essa prévia proletarização, isto é
a crescente extensão da maioria prole-
t^a, a reaçao contra tal tendência deve consistir no fortalecimento e na organiza
ção da c.asse media, promovendo-se um
mo^mpto inverso de gradual ascensão do prol^etan^o para a pequena burgue sia media. Era o que sucedia na Inglatem, ja na época de Marx, e sucede hoje em países de alto nível de vida.
Essa organização da classe média, como fôrça predominante no plano poHüco, nao deve, entretanto - é evidente sennr de instrumento à dominação ca
pitalista, nem mesmo restringir-se à mera defesa de seus interêsses de classe, ou limitar-se a um estéril conservadorismo, sob pena de anular-se, pelo afastamen to do inelutavel curso da evolução social. Deve, pelo contrário, orientar-se no sen tido da redenção da classe operária e da superação dos conflitos de classe, me
A nossa evolução política
niticação e esta exige crescente sociali-
No Brasil anterior a 1930 podíamos
<iue a ação política da classe
descansadamente ignorar essas realida
media ha de ter como condição o afas
des.
tamento de tôda influência reacionária ou extremista de classe, como meio de
realização o desenvolvimento ao mais
T
alto grau do espírito de cooperação e de disciplina consciente e como diretriz a progressiva socialização dos meios de
produção. Sòmente por essa forma, libertando-se da sujeição ao reacionarismo capitalista e tomando a direção de um
Permanecíamos em um regime
73
Proclamada a república, manteve-se em nossa política o predomínio da aris tocracia agrária, poderosamente estru turada nos partidos republicanos esta duais, com a única substituição dos ba
econômico semi-feudal, em que as clas
rões do império pelos coronéis da repú
ses sòmente existiam sob forma latente,
blica e a supressão do poder moderador. Foi sòmente a partir da campanha civilista que êsse quadro começou a al-
de sorte que o problema social era ain da um simples caso de policia, na frase pitoresca e incisiva de um dos polí ticos do tempo. Nestes últimos anos, porém, muita água passou sob a ponte e muito sangue loi vertido, em um mun
terar-se. Em face da aristocracia agrá
ria surgia a burguesia das cidades, en
riquecida com o surto do industríahsmo e o desenvolvimento do comércio,
para disputar-lhe o poder, em nome da democracia. Apareceram os partidos
ampo movimento de união nacional, sera posivel à classe média realizar essa gradual transformação da democracia capitalista em, democracia socialista, dentro dos princípios de respeito à li-
do onde cada vez mais os problemas transcendem d.as condições peculiares
berfiade e aos direitos fundamentais da
gonismo do proletariado, nos grandes
preparação do movimento de 1930 foi
pessoa humana. Essa missão histórica sòrnente a classe média poderá realiza-Ja, com a colaboração frátema de um proletariado gradualmente redimido da miséria, da ignorância e do ódio e de
de cada país. As duas últimas eleições
democráticos,
nos mostraram, com significativa evi
dência, o acentuado progresso da cons
campanhas presidenciais, travou-se a luta pelo voto secreto e explodiram as
ciência de classe e o crescente anta
revoltas liberais de 1922 a 1930.
centros, em face da burguesia capita lista e dos partidos políticos conserva
uma burguesia cada vez mais conquistada pela consciência socialista, porque
Conta-se que ao lhe ser anunciada, por um alto dignitáfio da côrte, a to
o espírito de classe, porque é a que tem
contestado aquêle: "Non, Sire, c'est une
mais acentuado o sentimento de nacio
révolution..." Guardadas as propor
nalidade e, finalmente, porque é a que
ções, foi essa a impressão geral, ao se
apresenta o.s maiores valores da ínteli-
rem anunciados os primeiros resultados das eleições de 19 de janeiro, nesta capital: não eram eleições, era uma
revolução.
Agora, passada a primeira
impressão de surprêsa, já é possível ten
ses existem e que estejam desde então
em conflito (fato êste devido à estru
superar êsse conflito, — sôbre tudo isso concordam o cristão e o marxista. Como, porém, superar êsse conflito?
r^ain o marxista, por uma guerra carnal
obra dessa burguesia das cidades, apoia da na classe média, nas massas popula res mais esclarecidas e na juventude mi
mada da Bastilha, exclamara Luiz XVI;
tura capitalista) e que seja preciso
A
litar.
"Mais, c'est une revolte!"; ao que teria
.(1) Cf. Jacques Maritain, "O Huma nismo Integral", pg. 22G: "Que as clas
memoráveis
dores.
e a que tem menos vivos os interêsses e
gência e da cultura (1).
fizeram-se
Sua tarefa era a de desmontar a
máquina eleitoral do perrepismo, me diante a poderosa arma do voto secreto e da justiça eleitoral, e de dar um sen tido mais democrático' à política brasi leira. A luta se confinava, porém, às duas facções da classe dominante, aristo
cracia agrária e biurguesía urbana, cujos interêsses eram contraditórios; os ele mentos da classe média, as massas po
pulares e a juventude militar agiam instintivamente, tomando o partido do
tar uma análise mais objetiva dos fatos, situando-os na evolução política do país.
grupo mais progressista. E assim venceu a revolução de 1930... Mas o movimento foi desviado
É inegável que a política brasileira, durante o império e a chamada repú
de seu objetivo pelo caudilhismo do sr. Getúlio Vargas e, principalmente, pelo
blica velha, foi privilégio da classe do
diante a mais amp^a e fraternal união
voluntàriamente separada da comunhão do resto dos homens e arrasando, ani.
império, representando os mesmos ideais
reflexo de correntes sociais e ideológicas, estranhas à nossa incipiente evolução política, que nos chegavam de países
de tôdas as classes e partidos, em tômo
qu.lando a outra claa.se. Para o cristão,
e interêsses da aristocracia agrária, reve
europeus mais evoluídos.
da idé a de nacionalidade — de nacio-' luta social e temporal, que deve ser naiidade, não de nacionalismo — condi empreendida por todos aquêles que um
zavam-se no govêmo, ao influxo do po
Após o difuso movimento pequeno-
der moderador, com programas e reali
-burguês do tenentismo, que fracassou
constitui o proletariado em cidade
militar, em Jerusalém da Revolução, por uma guerra espiritual e por uma
r
minante.
Liberais e conservadores no
cionada, em plano mais elevado, à idéia
mesmo ideal humano reúne e om cujo
zações semelhantes. Nada mais pareci
pela imaturidade política da classe mé
de humanidade e da dignidade da pes
movimento o referido conflito já está
do com um liberal do que um conser
superado".
dia, ante a sabotagem e a reação da burguesia e dos políticos, tivemos a re volução paulista 6 a constituição wei-
vador, dizia-se; e essa frase represen tava a exata verdade.
«■t * '. >-i»n,v
"iüíiiw »»«wit'r DiGESTO Econômico
maríana de 1934, cujo destino foi, mais ou menos, o da alemã, substituída pelo
estadonovismo semi-fascista instituído em 1937. Enquanto isso, organizavam-se os sindicatos eleitorais de 1934, sucedi
dos pelos sindicatos corporativistas do Estaoo Novo e elaborava-se uma legis
lação trabalhista, tudo inspirado na Carta dei Lavoro e construído artificialmente,
de cima para baLxo.
E para completar
o quadro de confusão, os integralistas e aliancistas transplantavam para cá o trá
gico conflito comuno-fascista, que iria ensangüentar o mundo, na insensata aventura imperialista do nazismo.
Destarte, durante quinze anos, no sub solo de nossa vida política, convulsionado pelo terremoto estadonovista, as massas populares dos grandes centros,
animadas por ura sindicmismo e por uma legislação trabalhista que lhes davam
um sentido de classe, começaram a ad
e que a eleição de Eduardo Gomes se faria por aclamação. Não sucedeu, porém, assim. Faltou ao moNimento alguma coisa nova e im
prevista: faltou-lhe o apoio das massas
trabalhadoras, cuja consciência política lentamente germinara durante os quinze anos do consulado getulista. Instintiva mente sentia o homem do povo que o governo de Getúlio Vargas, com todos os seus erros e confusionismo, represen tara para ele um progresso sobre o pas
sado, porque destruirá as antigas oligar quias políticas, substituindo-as pela oni
Os velhos quadros partidá
nizados, o estadualisrao da política dos governadores se atenuara com a submis
são dos interventores ao poder central, o voto secreto e a justiça eleitoral eram
conquistas definitivas e do rebanho elei
toral, outrqra tangido pelos cabos perrepistas, muita gente já começava a pen sar pela própria cabeça.
Foi nesse am
lavra de ordem da UDN — democra
Daí a ines
perada popularidade do "pai dos po centros para o Partido Trabalhista Bra
Simultaneamente, emergia das prisões
da ditadura o Cavaleiro da Esperança, tomado legendário pela campanha li
beral da coluna Prestes, que a seu pres
maioria
tígio acrescentava o fascínio de uma
regime instituído em 1937 ou postos à margem pelo estadonovismo, contando
misteriosa Rússia comunista, ainda au-
com a decidida simpatia das classes ar
reolada pela vitória contra os nazistas. Com um realismo que chegava a ser
madas, pareceu, em certo momento, que
inumano, sentiu a separação entre o
a avalanche varreria todos os obstáculos
o sentido classista do PCB, embora afas
tando dêle a maioria da pequena bur guesia socialista.
Asrim, em face dos três partidos que SC apresentavam à luta presidencial, as masras proletárias se dividiram entre o UDN, cuja pregação democrática caia
Delimitaram-se os
campos: de um lado a UDN, agrupan
com as massas populares, dirigida por
políticos desconhecedores das novas rea lidades, armada com uma ^ propaganda doutrinária impenetrável à incipiente
consciência política do povo; de outro
lado o conúbio PSD-PTB, que reunia as
massas queremistas à maquina governa mental, agora manejada pelos interven tores pessedistas; e, finalmente, a parte mais avançada do proletariado, agrupa da sob a bandeira vermelha de Prestes.
Em suma, proletariado e burguesia, ain da confundidos no PSD-PTB^ mas ten perigoso sentido social.
no seio do estadonovismo.
1930,-aclamada pela quase unanimidade dos grandes jornais, apoiada pela imensa do
manteve inflexivelmente a autonomia e
tica, ainda informe e imprecisa, gerada
sileiro. •
dos políticos discordantes
didatura de Eduardo Gomes; dêsse modo
tas e com sua própria consciência polí
Eixo, que surgiu a campanha brigadeiRetomando o curso do movimento
culto de nossas tradições.
dendo a uma nítida delimitação de cam
bres" e o afluxo das massas nos grandes
rista.
nobras pró constituinte e desviando o contingente eleitoral comunista da can
do a maioria da elite burguesa e a parte mais culta da classe media, sem contato
presentadas pelo sindicalismo e pela le gislação traballiista. Julgava que a pa
biente, ao calor dos sentimentos de li berdade nascidos da vitória contra o
que havia conduzido à revolução de
maioria eleitoral e que conser\'a mais
classe média que constitui no Brasil a
burguesia, cujas derrotas ai estavam re
tivava libertar a burguesia da pressão estadonovista, restituindo-lhe os antigos privilégios do liberalismo econômico, re duzidos gelo governo. Temia uma volta ao passado. E em seu espírito, opon do-se às figuras dos velhos políticos tra zidos à tona pelo movimento, a figura de Vargas, popularizada pelo DIP, se identificava com as conquistas trabalhis
rios do perrepismo estavam desorga
tentar o seu carrasco, apoiando as ma
do luta do proletariado e deliberou sus
em terreno estéril.
tremistas.
seu têrmo.
nos industriais, pelos sitiantes e peque nos fazendeiros, em suma, essa grande
certo modo, uma aliança do estado com
o povo, na luta contra os privilégios da
cia e liberdade — não tinha sentido para o proletariado mas, pelo contrário, obje
Afinal, derrotado o fascismo em que se in^irara, chegava o estadonovismo a
trocesso no desenvolvimento do espírito
PCB à campanha udenista traria um re
potência patemal do poder central. Sen
quirir consciência política e a situar-se
no conflito universal das ideologias ex
75
Digesto Econômico
PSD PTB e o PCB, abandonando a
tia que o estadonovismo significara, de
povo e a UDN, percebeu que o apoio do
"/v?rrw"
vivamente o espírito de brasilidade e o
Antes e depois das eleições de 2
de dezembro, ninguém, entretanto, com
preendeu isso. Os dirigentes políticos dos partidos conservadores, mormente os do govêmo, permaneceram cegos e sur dos a essa realidade. Todos, comunis tas ou udenistas, trabalhistas ou pesse
distas, cortejavam exclusivamente o pro letariado, identificado com o povo para fins eleitorais, através de programas gran
diosos, mas vazios de realismo e de sin ceridade. Enquanto isso, essa pobre classe média ai permanecia dispersa e abandonada, numa verdadeira crise de anarquia moral que agravava a desorga nização e a corrupção do aparelhamento administrativo do país, comprimida entre um proletariado que começava a lutar com energia, por suas reivindica
ções de classe, com sua vanguarda po
derosamente organizada no PCB, e uma
burguesia capitalista pletòricamente en
riquecida pelos lucros extraordintóos, egoísta e cega, cujos mentores políticos faziam inúteis mesmas àquêle proleta riado, que lhes voltava com decisão as costas.
Êstes últimos anos representaram o
pos, que ameaçava dar à luta política
calvário da classe média, vítima por ex
A classe média e as eleições de
geral de honorários ou de salários, cuja
19 de janeiro
Entre essas duas fôrças atuantes fal
tava, porém, a que deveria ser a mais
poderosa das três, a classe media. Fal
tava a classe média, constituída por
grande parte da magistratura e dos pro
fissionais liberais, dos intelectuais e jor
celência da inflação, da anarquia admi nistrativa e do desgovêmo. Vivendo em ascensão só muito lentamente acompa
nhava o ritmo inflacionista, obrigado a manter uma certa decência social, edu cando os filhos em vez de fazê-los tobalhar desde os catorze anos, o ho mem da classe média só podia defen der-se como se defendeu, durante êstes anos, matando-se de trabalho ou recor
ria da oficialidade, das classes armadas,
rendo à corrupção gerada e generaliza da pela inflação. Os seus problemas mais
mércio e dos comerciarios, pelos peque-
eram totalmente descurados pelos po-
nalistas, pelo funcionalismo, pela maio
pela quase totalidade do pequeno co
fundamentais, como o de residência,
«■t * '. >-i»n,v
"iüíiiw »»«wit'r DiGESTO Econômico
maríana de 1934, cujo destino foi, mais ou menos, o da alemã, substituída pelo
estadonovismo semi-fascista instituído em 1937. Enquanto isso, organizavam-se os sindicatos eleitorais de 1934, sucedi
dos pelos sindicatos corporativistas do Estaoo Novo e elaborava-se uma legis
lação trabalhista, tudo inspirado na Carta dei Lavoro e construído artificialmente,
de cima para baLxo.
E para completar
o quadro de confusão, os integralistas e aliancistas transplantavam para cá o trá
gico conflito comuno-fascista, que iria ensangüentar o mundo, na insensata aventura imperialista do nazismo.
Destarte, durante quinze anos, no sub solo de nossa vida política, convulsionado pelo terremoto estadonovista, as massas populares dos grandes centros,
animadas por ura sindicmismo e por uma legislação trabalhista que lhes davam
um sentido de classe, começaram a ad
e que a eleição de Eduardo Gomes se faria por aclamação. Não sucedeu, porém, assim. Faltou ao moNimento alguma coisa nova e im
prevista: faltou-lhe o apoio das massas
trabalhadoras, cuja consciência política lentamente germinara durante os quinze anos do consulado getulista. Instintiva mente sentia o homem do povo que o governo de Getúlio Vargas, com todos os seus erros e confusionismo, represen tara para ele um progresso sobre o pas
sado, porque destruirá as antigas oligar quias políticas, substituindo-as pela oni
Os velhos quadros partidá
nizados, o estadualisrao da política dos governadores se atenuara com a submis
são dos interventores ao poder central, o voto secreto e a justiça eleitoral eram
conquistas definitivas e do rebanho elei
toral, outrqra tangido pelos cabos perrepistas, muita gente já começava a pen sar pela própria cabeça.
Foi nesse am
lavra de ordem da UDN — democra
Daí a ines
perada popularidade do "pai dos po centros para o Partido Trabalhista Bra
Simultaneamente, emergia das prisões
da ditadura o Cavaleiro da Esperança, tomado legendário pela campanha li
beral da coluna Prestes, que a seu pres
maioria
tígio acrescentava o fascínio de uma
regime instituído em 1937 ou postos à margem pelo estadonovismo, contando
misteriosa Rússia comunista, ainda au-
com a decidida simpatia das classes ar
reolada pela vitória contra os nazistas. Com um realismo que chegava a ser
madas, pareceu, em certo momento, que
inumano, sentiu a separação entre o
a avalanche varreria todos os obstáculos
o sentido classista do PCB, embora afas
tando dêle a maioria da pequena bur guesia socialista.
Asrim, em face dos três partidos que SC apresentavam à luta presidencial, as masras proletárias se dividiram entre o UDN, cuja pregação democrática caia
Delimitaram-se os
campos: de um lado a UDN, agrupan
com as massas populares, dirigida por
políticos desconhecedores das novas rea lidades, armada com uma ^ propaganda doutrinária impenetrável à incipiente
consciência política do povo; de outro
lado o conúbio PSD-PTB, que reunia as
massas queremistas à maquina governa mental, agora manejada pelos interven tores pessedistas; e, finalmente, a parte mais avançada do proletariado, agrupa da sob a bandeira vermelha de Prestes.
Em suma, proletariado e burguesia, ain da confundidos no PSD-PTB^ mas ten perigoso sentido social.
no seio do estadonovismo.
1930,-aclamada pela quase unanimidade dos grandes jornais, apoiada pela imensa do
manteve inflexivelmente a autonomia e
tica, ainda informe e imprecisa, gerada
sileiro. •
dos políticos discordantes
didatura de Eduardo Gomes; dêsse modo
tas e com sua própria consciência polí
Eixo, que surgiu a campanha brigadeiRetomando o curso do movimento
culto de nossas tradições.
dendo a uma nítida delimitação de cam
bres" e o afluxo das massas nos grandes
rista.
nobras pró constituinte e desviando o contingente eleitoral comunista da can
do a maioria da elite burguesa e a parte mais culta da classe media, sem contato
presentadas pelo sindicalismo e pela le gislação traballiista. Julgava que a pa
biente, ao calor dos sentimentos de li berdade nascidos da vitória contra o
que havia conduzido à revolução de
maioria eleitoral e que conser\'a mais
classe média que constitui no Brasil a
burguesia, cujas derrotas ai estavam re
tivava libertar a burguesia da pressão estadonovista, restituindo-lhe os antigos privilégios do liberalismo econômico, re duzidos gelo governo. Temia uma volta ao passado. E em seu espírito, opon do-se às figuras dos velhos políticos tra zidos à tona pelo movimento, a figura de Vargas, popularizada pelo DIP, se identificava com as conquistas trabalhis
rios do perrepismo estavam desorga
tentar o seu carrasco, apoiando as ma
do luta do proletariado e deliberou sus
em terreno estéril.
tremistas.
seu têrmo.
nos industriais, pelos sitiantes e peque nos fazendeiros, em suma, essa grande
certo modo, uma aliança do estado com
o povo, na luta contra os privilégios da
cia e liberdade — não tinha sentido para o proletariado mas, pelo contrário, obje
Afinal, derrotado o fascismo em que se in^irara, chegava o estadonovismo a
trocesso no desenvolvimento do espírito
PCB à campanha udenista traria um re
potência patemal do poder central. Sen
quirir consciência política e a situar-se
no conflito universal das ideologias ex
75
Digesto Econômico
PSD PTB e o PCB, abandonando a
tia que o estadonovismo significara, de
povo e a UDN, percebeu que o apoio do
"/v?rrw"
vivamente o espírito de brasilidade e o
Antes e depois das eleições de 2
de dezembro, ninguém, entretanto, com
preendeu isso. Os dirigentes políticos dos partidos conservadores, mormente os do govêmo, permaneceram cegos e sur dos a essa realidade. Todos, comunis tas ou udenistas, trabalhistas ou pesse
distas, cortejavam exclusivamente o pro letariado, identificado com o povo para fins eleitorais, através de programas gran
diosos, mas vazios de realismo e de sin ceridade. Enquanto isso, essa pobre classe média ai permanecia dispersa e abandonada, numa verdadeira crise de anarquia moral que agravava a desorga nização e a corrupção do aparelhamento administrativo do país, comprimida entre um proletariado que começava a lutar com energia, por suas reivindica
ções de classe, com sua vanguarda po
derosamente organizada no PCB, e uma
burguesia capitalista pletòricamente en
riquecida pelos lucros extraordintóos, egoísta e cega, cujos mentores políticos faziam inúteis mesmas àquêle proleta riado, que lhes voltava com decisão as costas.
Êstes últimos anos representaram o
pos, que ameaçava dar à luta política
calvário da classe média, vítima por ex
A classe média e as eleições de
geral de honorários ou de salários, cuja
19 de janeiro
Entre essas duas fôrças atuantes fal
tava, porém, a que deveria ser a mais
poderosa das três, a classe media. Fal
tava a classe média, constituída por
grande parte da magistratura e dos pro
fissionais liberais, dos intelectuais e jor
celência da inflação, da anarquia admi nistrativa e do desgovêmo. Vivendo em ascensão só muito lentamente acompa
nhava o ritmo inflacionista, obrigado a manter uma certa decência social, edu cando os filhos em vez de fazê-los tobalhar desde os catorze anos, o ho mem da classe média só podia defen der-se como se defendeu, durante êstes anos, matando-se de trabalho ou recor
ria da oficialidade, das classes armadas,
rendo à corrupção gerada e generaliza da pela inflação. Os seus problemas mais
mércio e dos comerciarios, pelos peque-
eram totalmente descurados pelos po-
nalistas, pelo funcionalismo, pela maio
pela quase totalidade do pequeno co
fundamentais, como o de residência,
TTT
70
Dicesto Econômico
deres públicos, que em seus planos, aliás quase nunca realizados, apenas viam o proletariado, esquecido inteiramente da sofredora classe
média.
Um
decreto
estadual de setembro de 1946, por exem
plo, estabelecia isenção de ciza na aqui
sição de casa própria, instituída como bem de família, ate o liímte máximo de
custo de cinqüenta mil cruzeiros, nesta
capital; como se existisse aqui casa para uma família modesta da classe média
I
por menos de cento e cinqüenta mil
'•
cruzeiros, no pleno apogeu da mais ga nanciosa e descontrolada especulaç<ão
. ,
imobiliária, em que os terrenos urbanos
^
nado por demais patente, no caso da candidatura para o govêmo do Estado. Quanto à UDN, que representava uma
wlta aos ideais de 1930, em que se pe-
trificaram seus dirigentes, sentia que i,avia sido ultrapassada pelo curso dos na-
acontecimentos e pela irresistível evolu
ção social desta tormentosa época con temporânea.
Êsse movimento foi, repetímo-lo, instmhvo. Os eleitores da classe média, mal situados no PSD, na UDN e, em menor escala, militantes do PTB ou sim
Dicesto
77
EcoNÓAaco
Tavares e Prado a 19 de janeiro: dedu
aliança PSP-PCB, votavam no sr. Mario
zidos os votos trabalhistas,
Tavares.
Dutra al
cançou 93.842 votos e Eduardo Go res e Prado, em conjunto, só alcança ram 80.765 votos. Ora, essa diferença de 128.557 votos — atendida a circuns
dos conservadores e de um terceiro que
tos, ao passo que a 19 de janeiro Tava
tância de que a 2 de dezembro foi maior o número de votantes — corres
ponde, aproximadamente, h votação dada a Adhemar de Barros, com exclusão dos
patizantes do PCB, abandonavam êsses
votos comunistas.
chegaram, em três ou quatro anos, a multiplicar o seu preço por dez. E assim, inteiramente abandonada mes-
ras do PSP, à procura de seu centro de gravidade social. Sòmente por essa for
os votos dados a Adhemar de Barros, ex
o da UDN, retirando dêsses partidos con
^ va pelos partídos políticos, irresístivel-
pânh^ do sr, Adheiníir de Bíutos, porque nenhum dirigente político consegue popularizar-se e vencer'apenas por mo tivos de prestígio pessoal ou de propa
, mo pelos inconscientes "quisHngs" que ■I de mando,seu seio-pára posições a classe médiaocupar se fragmentamente empurrada para a esquerda, para
o PCB ou o PTB, onde foi constituir a quadros dirigentes. Em
1
^
bora discordando visceralmente da posi
ção intemacíonalista e do sectarismo
ciassista do comunismo, não obstante sua aversao pelo queremismo, o sofrimento e a revolta afastavam-na cada vez mais dos partidos conservadores, arrastando-a aos poucos para aqueles partídos. A campanha popular do sr. Adhemar T
solução.
Instintivamente sentiu que aí estaria tal vez o seu lugar, equidistante do extre mismo comunista ou da demagogia que-
remista e dos partídos conservadores, in capazes de ter^olhos para os seus pro
blemas, que são os problemas funda mentais do pais, impotentes para conter as ambições pessoais da maioria de seus
dirigentes, sem desprendimento para rea lizar uma política de união e de salva
ção nacional. Sua atitude era negativa, mais do que afirmativa; incorporando-sé ao PSP, dizia nâol aos demais partidos, principalmente ao partido govemista, cujo estreito partidarismo se havia tor
partido^ para irem engrossar as filei
ma se pode explicar o sucesso da cam-
ganda, se não fôr, em ecrto momento, a expressão das aspirações ou do movi mento de uma determinada corrente social.
A análise dos resultados, mesmo in
completos, do pleito de 19 de janeiro, em confronto com o de 2 de dezem
bro, nesta capital, confirma cabalmente o fenômeno.
Êsses resultados -revelam que o ex traordinário desenvolvimento ao PSP foi
conquistado em parte mínima pela fu são com o PPS e PAN e, quasi inteira mente, à custa do PSD e da UDN.
O
PSP elevou sua percentagem sôbre o total de 3,4% a mais de 20%, desconta
Que mostram êsses resultados?
Que
cluídos os dos comunistas, foram des
viados em sua quase totalidade do PSD siderável massa de eleitores da classe
média, que os haviam apoiado a 2 de dezembro.
Indicam ainda que o
PCB e o PTB não ganharam terreno
nesta capital, pelo contrário o perderam ligeiramente, sendo provàvelmente exata a suposição de que o aumento de seus
quaá-os de militantes operários tenha
do, a soma dos votos dados a Dutra e
Eduardo
Gomes,
a 2 de dezembro,
com a soma dos votos alcançados por
termédio, mais accessível
uma certa co
laboração, dentro das diretrizes de sua
atual linha política. Estava assegurada a vitória e preparada a desnorteante surprêsa de 19 de janeiro. Conclusão
Resta aproveitar a lição das umas e, tomando consciente e deliberado um
movimento que foi instintivo, estruturar,
em bases verdadeiramente democráticas,
um grande partido da classe média. Êsse, que poderá surgir da aglutinação a um único partido de vários outros nienores e dos elementos pequeno bur
gueses sem partido ou dispersos pelos
rica — que se iniciará por uma tomada de consciência e pela elevação material
Assim, os números confirmam o que a
mais superficial pesquisa, nas vésperas das eleições, revelava à evidência. A
não ser os elementos da classe média
diretamente ligados a qualquer dos de mais partídos por ínterêsse, amizade ou fíliação partidária mais firme, todos os parte do proletariado se dividia entre o
a calculássemos pela votação para go vernador. Basta confrontar, grosso mo
lhe disputava a adesão das massas pro letárias, deliberou apoiar o partido in
tatísticos.
governador. Enquanto isso, o PCB e o PTB caíam ligeiramente na votação de legendas e o PSD e a UDN caíam espe
E a queda destes dois
Em face de dois parti
demais, deverá ser um poderoso fator do equilíbrio na composição de forças
simpati2;antes da classe média bem maior do que parecem indicar os dados es
dos os votos comunistas, na votação para
tacularmente.
tado das umas.
sido contrabalançado por um êxodo de
demais, com que a gente conversava,
víltímos seria ainda mais acentuada, se
Divididas desse modo em quatro gru
pos as forças políticas que disputavam o govêmo do Estado, ficava o PCB na ex'celente posição de árbitro do resul
mes 115.480, o que soma 209.322 vo
eram adhemaristas, ao passo que a maior PCB e o PTB e os elementos da burgue
sia, mesmo os udenistas, como reação â
de nossa democracia.
Sua missão histó
o moral da classe média, no sentido de
um profundo sentimento de brasilidade, como fonte suprema e perene de nossa cultura — consistirá em adequar as ten
dências socialistas à realidade brasileira
e em promover a mais ampla união na cional para solução de nossos problemas
fundamentais, como o que imporá seu limite natural à expansão do movimento comunista e relegará ao passado o rea cionarismo capitalista ou fascista.
TTT
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Dicesto Econômico
deres públicos, que em seus planos, aliás quase nunca realizados, apenas viam o proletariado, esquecido inteiramente da sofredora classe
média.
Um
decreto
estadual de setembro de 1946, por exem
plo, estabelecia isenção de ciza na aqui
sição de casa própria, instituída como bem de família, ate o liímte máximo de
custo de cinqüenta mil cruzeiros, nesta
capital; como se existisse aqui casa para uma família modesta da classe média
I
por menos de cento e cinqüenta mil
'•
cruzeiros, no pleno apogeu da mais ga nanciosa e descontrolada especulaç<ão
. ,
imobiliária, em que os terrenos urbanos
^
nado por demais patente, no caso da candidatura para o govêmo do Estado. Quanto à UDN, que representava uma
wlta aos ideais de 1930, em que se pe-
trificaram seus dirigentes, sentia que i,avia sido ultrapassada pelo curso dos na-
acontecimentos e pela irresistível evolu
ção social desta tormentosa época con temporânea.
Êsse movimento foi, repetímo-lo, instmhvo. Os eleitores da classe média, mal situados no PSD, na UDN e, em menor escala, militantes do PTB ou sim
Dicesto
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EcoNÓAaco
Tavares e Prado a 19 de janeiro: dedu
aliança PSP-PCB, votavam no sr. Mario
zidos os votos trabalhistas,
Tavares.
Dutra al
cançou 93.842 votos e Eduardo Go res e Prado, em conjunto, só alcança ram 80.765 votos. Ora, essa diferença de 128.557 votos — atendida a circuns
dos conservadores e de um terceiro que
tos, ao passo que a 19 de janeiro Tava
tância de que a 2 de dezembro foi maior o número de votantes — corres
ponde, aproximadamente, h votação dada a Adhemar de Barros, com exclusão dos
patizantes do PCB, abandonavam êsses
votos comunistas.
chegaram, em três ou quatro anos, a multiplicar o seu preço por dez. E assim, inteiramente abandonada mes-
ras do PSP, à procura de seu centro de gravidade social. Sòmente por essa for
os votos dados a Adhemar de Barros, ex
o da UDN, retirando dêsses partidos con
^ va pelos partídos políticos, irresístivel-
pânh^ do sr, Adheiníir de Bíutos, porque nenhum dirigente político consegue popularizar-se e vencer'apenas por mo tivos de prestígio pessoal ou de propa
, mo pelos inconscientes "quisHngs" que ■I de mando,seu seio-pára posições a classe médiaocupar se fragmentamente empurrada para a esquerda, para
o PCB ou o PTB, onde foi constituir a quadros dirigentes. Em
1
^
bora discordando visceralmente da posi
ção intemacíonalista e do sectarismo
ciassista do comunismo, não obstante sua aversao pelo queremismo, o sofrimento e a revolta afastavam-na cada vez mais dos partidos conservadores, arrastando-a aos poucos para aqueles partídos. A campanha popular do sr. Adhemar T
solução.
Instintivamente sentiu que aí estaria tal vez o seu lugar, equidistante do extre mismo comunista ou da demagogia que-
remista e dos partídos conservadores, in capazes de ter^olhos para os seus pro
blemas, que são os problemas funda mentais do pais, impotentes para conter as ambições pessoais da maioria de seus
dirigentes, sem desprendimento para rea lizar uma política de união e de salva
ção nacional. Sua atitude era negativa, mais do que afirmativa; incorporando-sé ao PSP, dizia nâol aos demais partidos, principalmente ao partido govemista, cujo estreito partidarismo se havia tor
partido^ para irem engrossar as filei
ma se pode explicar o sucesso da cam-
ganda, se não fôr, em ecrto momento, a expressão das aspirações ou do movi mento de uma determinada corrente social.
A análise dos resultados, mesmo in
completos, do pleito de 19 de janeiro, em confronto com o de 2 de dezem
bro, nesta capital, confirma cabalmente o fenômeno.
Êsses resultados -revelam que o ex traordinário desenvolvimento ao PSP foi
conquistado em parte mínima pela fu são com o PPS e PAN e, quasi inteira mente, à custa do PSD e da UDN.
O
PSP elevou sua percentagem sôbre o total de 3,4% a mais de 20%, desconta
Que mostram êsses resultados?
Que
cluídos os dos comunistas, foram des
viados em sua quase totalidade do PSD siderável massa de eleitores da classe
média, que os haviam apoiado a 2 de dezembro.
Indicam ainda que o
PCB e o PTB não ganharam terreno
nesta capital, pelo contrário o perderam ligeiramente, sendo provàvelmente exata a suposição de que o aumento de seus
quaá-os de militantes operários tenha
do, a soma dos votos dados a Dutra e
Eduardo
Gomes,
a 2 de dezembro,
com a soma dos votos alcançados por
termédio, mais accessível
uma certa co
laboração, dentro das diretrizes de sua
atual linha política. Estava assegurada a vitória e preparada a desnorteante surprêsa de 19 de janeiro. Conclusão
Resta aproveitar a lição das umas e, tomando consciente e deliberado um
movimento que foi instintivo, estruturar,
em bases verdadeiramente democráticas,
um grande partido da classe média. Êsse, que poderá surgir da aglutinação a um único partido de vários outros nienores e dos elementos pequeno bur
gueses sem partido ou dispersos pelos
rica — que se iniciará por uma tomada de consciência e pela elevação material
Assim, os números confirmam o que a
mais superficial pesquisa, nas vésperas das eleições, revelava à evidência. A
não ser os elementos da classe média
diretamente ligados a qualquer dos de mais partídos por ínterêsse, amizade ou fíliação partidária mais firme, todos os parte do proletariado se dividia entre o
a calculássemos pela votação para go vernador. Basta confrontar, grosso mo
lhe disputava a adesão das massas pro letárias, deliberou apoiar o partido in
tatísticos.
governador. Enquanto isso, o PCB e o PTB caíam ligeiramente na votação de legendas e o PSD e a UDN caíam espe
E a queda destes dois
Em face de dois parti
demais, deverá ser um poderoso fator do equilíbrio na composição de forças
simpati2;antes da classe média bem maior do que parecem indicar os dados es
dos os votos comunistas, na votação para
tacularmente.
tado das umas.
sido contrabalançado por um êxodo de
demais, com que a gente conversava,
víltímos seria ainda mais acentuada, se
Divididas desse modo em quatro gru
pos as forças políticas que disputavam o govêmo do Estado, ficava o PCB na ex'celente posição de árbitro do resul
mes 115.480, o que soma 209.322 vo
eram adhemaristas, ao passo que a maior PCB e o PTB e os elementos da burgue
sia, mesmo os udenistas, como reação â
de nossa democracia.
Sua missão histó
o moral da classe média, no sentido de
um profundo sentimento de brasilidade, como fonte suprema e perene de nossa cultura — consistirá em adequar as ten
dências socialistas à realidade brasileira
e em promover a mais ampla união na cional para solução de nossos problemas
fundamentais, como o que imporá seu limite natural à expansão do movimento comunista e relegará ao passado o rea cionarismo capitalista ou fascista.
79
Digesto Econômico
PROBLEMAS DA PRODUÇÃO por Arnóbio Graça
j
vela terrível perigo. As áreas cultivadas diminuíram, porque, se, em 1939, eram de 13.839.472 hectares, quatro anos
(Catedrádco de Economia Política da
depois, isto é, em 1943, não foram além do total de 13.833.365 hectares.^ Ao
Especial para o "Dicesto Econômico"
demais, o rendimento das terras e^ pre cário pela cultura extensiva, que é um meio de aniquilamento da fecundidade
Faculdade de Direito de Recife)
do solo. Aliás, os vícios de destruição
Arlmithrws ~ comenta o A. - gue o trabalho é o mais impor tante fator da produção e até um^i das leis da vida. Entretanto, o capital exerce também funções indispemáveis ao processo economxco da sociedade. De sorte que devemos lutar contra os abusos do capitalismo, e nao contra o capital, que é riqueza. De vemos, po«, aceitar os rumos da doutrina social da Igreja, onde ha remedws para todas as angústias do Brasil contemporâneo. l — A produção agrí
tem correlação com os movimentos cí
cola e industrial
clicos da economia. Muda com as coIheitasj é mercado da indústria, assim
fonte de matérias primas e um Br-, o processo de como produção — diz dos sustentáculos da alimentação popu Ralph
Fay
—
é
lar. Possui inferioridade técnica, compa
uma cooperação de agentes: "Literally spealdng, it ís a coo-
rada com a indústria, e, para a maioria dos economistas, acha-se inexoràvelmen-
perative enterprise".
Para
Valois,
é
uma colaboração hierarquizada da con cepção e interesse pessoal, da direção e da técnica, da mão-de-obra e do ca
pital. Entretanto, foram os fisiocratas, os primeiros que distinguiram a produ ção agrícola da produção industrial, ba seados em defeituosa inspiração teoló gica: para êles, a agricultura era "obra dixana" e a indústria, uma obra humana.
Reconhece Schmoller que a separação entre a agricultura e a indústria é muito
vantajosa, assemelhando-se à que subsiste enti'e o campo e a cidade, entre os gru pos econômicos e os grupos sociais. List chega a afirmar que "Ia agricultura y
das nossas riquezas, embora remotos,
aproveitadas conforme os princípios
uma vez que procedem da época précolonial, caracterizam, ainda, grande parte da economia brasileira. Vendo ta
aviltando o trabalho, impedindo a de
manho atraso, somente comum aos povos
primitivos ou àqueles que se deixaram vencer pela desagregação, pela supemc alidade e pelo "culto- das virtudes passivas", Alberto Torres declara que "tôda
a
individualismo, atentam contra o pro
gresso do Brasil, esmagando populações, mocratização das terras e desmoralizan
do o nosso regime econômico, político
social. Tudo isto são graves^ problemas,
que o governo do «osso pais deve^^^^^ alente. Necessita
frentar com ânimo
mos de uma no
nossa
de consta, de ex
va politica para a agricultura, apoiada, entre
aparente vitalida tremo a extremo
outros,
do país, da extra
guintes elemen
ção de produtos e
tos:
de limitado esfôr-
nos
se
a) democrati
extensiva, em que
contra o avanço
proporcional".
a nossa terra vai cedendo tudo
das idéias comu
A indústria, em sentido lato, aumenta a utilidade ou o valor das coisas cria
nistas, que tive ram extraordiná rio ê.xito nas úl
quanto possui em
das: o comércio, o crédito e os trans
riqueza
portes. Restritamente, modifica rique zas; converte matérias primas em pro dutos acabados. Daí, as seguintes mo
ao alcance da mão ou de rudimentaríssimos processos
timas eleições de janeiro;
de traballio"... Se persistirmos em tais erros, não há dúvida de que teremos um trágico destino, porquanto os me lancólicos "desertos da Pérsia, da Arabia
ciência agronômica e pela téchica; c) instituição da previdência social para os trabalhadores rurais; d) organização urgente do Banco Nacional de Crédito Agrícola na qua lidade de parte integrante do Banco
dalidades:
1 — Indústrias mercantis: o comér
cio e os transportes. 2 — Indústrias extrativas e de beneficiamento: as dos metais, dos combustí
veis, da borracha, da madeira e fibras, dos couros e peles, etc. 3 — Indústrias manufatureira e ma-
química, etc.
A agricultura está sob o império da
das nossas grandezas. Alem disso, < vastas propriedades sem culturas
te submetida à "lei do rendimento não
Ia industria constituyen los sectores de
geografia e, na opinião de Cassei, não
miséria com a boa sorte do comercio e da indústria, vai perdendo a crença na filosofia do "plantando, dá , que en cheu de entusiasmo o primeiro cronista
zação das terras
Ia producción natural".
Pelo que, ha duas espécies de pro
adquirindo incoercível horror a sua pro fissão e existência. Comparando a sua
ço de exploração
quinofatureira: são as dos minerais, do vestuário e alimentação, do mobiliário, bem como as indústrias têxtil, mecânica,
dução; agrícola e industrial.
e social, o homem do campo revolta-se,
II — Problemas da agricultura nacional Inegàvelmente, a agricultura brasileira está em crise. O seu volume físico re-
natural,
e do Turquestão" foram, outrora, ale gres e prósperos recantos do mundo.
A agricultura nacional não tem orga nização. Os seus produtos, apesar da enorme procura dos consumidores, não são distribuídos com regularidade ~ ®
que não ocorre em outros países onde
liá facilidade de transporte.
O tra
balho é duro, não oferecendo rendimen to, que assegure aos pequenos e mé
dios agricultores, uma vida mais ou menos feliz.
Sem recursos, sem vanta-
•gens e amesquinhado pelo meio físico
b) racionalização das c^turas pela
Central do Brasil;
e) mellioramentos nos transportes e racionalização dos impostos;
f) revisão da política de preços dos produtos agrícolas. III — Industrialização do Brasil
Com referência às indústrias, estamos I no período infantil, a despeito do nosso
79
Digesto Econômico
PROBLEMAS DA PRODUÇÃO por Arnóbio Graça
j
vela terrível perigo. As áreas cultivadas diminuíram, porque, se, em 1939, eram de 13.839.472 hectares, quatro anos
(Catedrádco de Economia Política da
depois, isto é, em 1943, não foram além do total de 13.833.365 hectares.^ Ao
Especial para o "Dicesto Econômico"
demais, o rendimento das terras e^ pre cário pela cultura extensiva, que é um meio de aniquilamento da fecundidade
Faculdade de Direito de Recife)
do solo. Aliás, os vícios de destruição
Arlmithrws ~ comenta o A. - gue o trabalho é o mais impor tante fator da produção e até um^i das leis da vida. Entretanto, o capital exerce também funções indispemáveis ao processo economxco da sociedade. De sorte que devemos lutar contra os abusos do capitalismo, e nao contra o capital, que é riqueza. De vemos, po«, aceitar os rumos da doutrina social da Igreja, onde ha remedws para todas as angústias do Brasil contemporâneo. l — A produção agrí
tem correlação com os movimentos cí
cola e industrial
clicos da economia. Muda com as coIheitasj é mercado da indústria, assim
fonte de matérias primas e um Br-, o processo de como produção — diz dos sustentáculos da alimentação popu Ralph
Fay
—
é
lar. Possui inferioridade técnica, compa
uma cooperação de agentes: "Literally spealdng, it ís a coo-
rada com a indústria, e, para a maioria dos economistas, acha-se inexoràvelmen-
perative enterprise".
Para
Valois,
é
uma colaboração hierarquizada da con cepção e interesse pessoal, da direção e da técnica, da mão-de-obra e do ca
pital. Entretanto, foram os fisiocratas, os primeiros que distinguiram a produ ção agrícola da produção industrial, ba seados em defeituosa inspiração teoló gica: para êles, a agricultura era "obra dixana" e a indústria, uma obra humana.
Reconhece Schmoller que a separação entre a agricultura e a indústria é muito
vantajosa, assemelhando-se à que subsiste enti'e o campo e a cidade, entre os gru pos econômicos e os grupos sociais. List chega a afirmar que "Ia agricultura y
das nossas riquezas, embora remotos,
aproveitadas conforme os princípios
uma vez que procedem da época précolonial, caracterizam, ainda, grande parte da economia brasileira. Vendo ta
aviltando o trabalho, impedindo a de
manho atraso, somente comum aos povos
primitivos ou àqueles que se deixaram vencer pela desagregação, pela supemc alidade e pelo "culto- das virtudes passivas", Alberto Torres declara que "tôda
a
individualismo, atentam contra o pro
gresso do Brasil, esmagando populações, mocratização das terras e desmoralizan
do o nosso regime econômico, político
social. Tudo isto são graves^ problemas,
que o governo do «osso pais deve^^^^^ alente. Necessita
frentar com ânimo
mos de uma no
nossa
de consta, de ex
va politica para a agricultura, apoiada, entre
aparente vitalida tremo a extremo
outros,
do país, da extra
guintes elemen
ção de produtos e
tos:
de limitado esfôr-
nos
se
a) democrati
extensiva, em que
contra o avanço
proporcional".
a nossa terra vai cedendo tudo
das idéias comu
A indústria, em sentido lato, aumenta a utilidade ou o valor das coisas cria
nistas, que tive ram extraordiná rio ê.xito nas úl
quanto possui em
das: o comércio, o crédito e os trans
riqueza
portes. Restritamente, modifica rique zas; converte matérias primas em pro dutos acabados. Daí, as seguintes mo
ao alcance da mão ou de rudimentaríssimos processos
timas eleições de janeiro;
de traballio"... Se persistirmos em tais erros, não há dúvida de que teremos um trágico destino, porquanto os me lancólicos "desertos da Pérsia, da Arabia
ciência agronômica e pela téchica; c) instituição da previdência social para os trabalhadores rurais; d) organização urgente do Banco Nacional de Crédito Agrícola na qua lidade de parte integrante do Banco
dalidades:
1 — Indústrias mercantis: o comér
cio e os transportes. 2 — Indústrias extrativas e de beneficiamento: as dos metais, dos combustí
veis, da borracha, da madeira e fibras, dos couros e peles, etc. 3 — Indústrias manufatureira e ma-
química, etc.
A agricultura está sob o império da
das nossas grandezas. Alem disso, < vastas propriedades sem culturas
te submetida à "lei do rendimento não
Ia industria constituyen los sectores de
geografia e, na opinião de Cassei, não
miséria com a boa sorte do comercio e da indústria, vai perdendo a crença na filosofia do "plantando, dá , que en cheu de entusiasmo o primeiro cronista
zação das terras
Ia producción natural".
Pelo que, ha duas espécies de pro
adquirindo incoercível horror a sua pro fissão e existência. Comparando a sua
ço de exploração
quinofatureira: são as dos minerais, do vestuário e alimentação, do mobiliário, bem como as indústrias têxtil, mecânica,
dução; agrícola e industrial.
e social, o homem do campo revolta-se,
II — Problemas da agricultura nacional Inegàvelmente, a agricultura brasileira está em crise. O seu volume físico re-
natural,
e do Turquestão" foram, outrora, ale gres e prósperos recantos do mundo.
A agricultura nacional não tem orga nização. Os seus produtos, apesar da enorme procura dos consumidores, não são distribuídos com regularidade ~ ®
que não ocorre em outros países onde
liá facilidade de transporte.
O tra
balho é duro, não oferecendo rendimen to, que assegure aos pequenos e mé
dios agricultores, uma vida mais ou menos feliz.
Sem recursos, sem vanta-
•gens e amesquinhado pelo meio físico
b) racionalização das c^turas pela
Central do Brasil;
e) mellioramentos nos transportes e racionalização dos impostos;
f) revisão da política de preços dos produtos agrícolas. III — Industrialização do Brasil
Com referência às indústrias, estamos I no período infantil, a despeito do nosso
80
Digesto Econômico
grande esforço nas regiões do Nordeste, do Centro e do Sul.
Quanto ao carvão mineral, dispomos
Relativamente ao petróleo, as nossas reservas têm dado lugar às mais apai
xonadas controvérsias.
Com o apare-
de apreciáveis jazidas no Rio Grande do
Ciinento do Conselho Nacional do Pe
Sul, em Santa Catarina, Paraná, São
tróleo, em abril de 1938, o trabalho de
Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro,
pesauisas e de extração do precioso lí-
Espírito Santo e Bahia.
De sorte que
qu do tem sido feito no Território do
podemos constatar:
Acre, em Alagoas e na Bahia, porém
PRODUÇÃO DE CARVÃO DE PEDRA
£0 neste último Estado se obteve êxito
NO BRASIL Anos:
Toneladas:
1931 1933
493.760 646.075
1933 1937 1938 1939 1940
1941 1942 1943 1944 1945
1931 a 1945
840.088 762.789 907.224 1.046.975 1.336.301
1.408.079 1.757.021 2.034.311 2.080.750
Aumento: 321 % (I)
um acréscimo de 3212, mas é insufi ciente para satisfazer o consumo nacio
nal e, por isso, somos obrigados a im portar a hulha em proporções, que, feliz mente, têm sido reduzidas:
IMPORTAÇÃO BRASILEIRA DE CARVÃO DE PEDRA Anos:
Toneladas:
1931
1.285.494
1933 1935 1937 1938 1939 1940 1941 1942 1943 1944
1.292.040 1.437.227 1.707.852 1.575.996 1.382.471 1.209.242
1.057.946 616.038 587.425
467.666 660.000
1931 a 1945 Diminuição; 49% (2)
81
gresso Brasileiro da Indústria, efetuado
tes do partido comunista.
em São Paulo, de 9 de dezembro de
industrial que defendemos é aquela que
1944 a 5 de janeiro de 1945, podemos apontar alguns fundamentos dessa viva aspiração do nobre povo sul-americano. t — Democratização da propriedade e das riquezas industriais. .
se firma nos jirincípios expostos acima.
11 — Planificação da economia indus trial.
bertos e explorados: Lobato-Joanes, Can deias, Aratu e Itaparica. Assim, a pro
in — Localização regional das indús
dução bahiana de petróleo, de 1940 a 1j44, foi a seguinte:
IV — Produção de energia e de com
trias.
bustíveis.
V ■— Organização e desenvolvimento 1940 1941 1942 1943 1944
2.089,12 barris de 159 litros 3.120,00 32.831,42 48.153,29
fl
f>
"(3)
O ferro e o aço mostram-se indispenindustrialização nacional. Se é
verdade que somos donos de prodigio
sas reservas de ferro, contudo não temos
ainda uma .indústria siderúrgica respei tável, como a de outros países, embora a Usina de Volta Redonda seja uma formídave realização, um milagre, que está
alargando os nossos horizontes econômi cos. Para Daniel de Carvalho, essa Usina prestará notáveis serviços ao Brasil: evitará a devastação das matasmtensificara "a produção e o beneficiamento do nosso carvão mineral"; for çara a "modificação da linha centro da
Estrada de Ferro Central do Brasil adaptando-a ao transporte de grandes massas; aparelhará os pontos de embar
que e desembarque de carvão; criará
uma frota, de navios carvoeiros" e produz.rá matérias primas para novas in dustrias.
IV — Fundamentos da industrialização do Brasil
Com efeito, as bases definitivas da in
dustrialização do nosso país ainda não foram estabelecidas. Com o apoio dos técnicos e das recomendações do Con-' .fj.tAC-MirfW V I'
das
indústrias
de
base
e
de
transformação. VI — Educação industrial e assistência
fl
57.533,77 " " »'
1.855.591
No quadro acima, verificámos que a nossa produção de carvão de pedra teve
1945
em virtude dos quatro campos, desco
Digesto Econômico
técnica.
VII — Organização do crédito industrim.
VIU — Transportes. IX — Legislação social e fiscal.
. X — Colaboração do capital estran geiro.
XI — Sobrevivência das indústrias, que surgiram durante a guerra. Xn — Exploração de novas matérias primas.
Xin — Racionalização do custo de pro dução industrial.
XrV — Nova política mercantil. XV — Ação contra os trustes e cartéis.
Eis
aí o caminho que o Brasil tem
de percorrer para se tomar uma das
grandes potências industriais do ^Conti nente.
Trata-se de uma difícil transfor
A revolução
É a que exige a democratização da pro priedade, a jilanificação econômica, a produção de energia e de combustíveis, a educação e :issistência técnicas, o cré
dito e a racionalização. Ê a que não considera a colaboração do capital es
trangeiro
como u'a manifestação do
imperialismo.
Quanto à democracia e à planificação,
não há dúvid:i de que podemos con
ciliá-las sem (lesprêzo aos direitos de liberdade, igualdade e fraternidade. A economia plani ficada não é sempre tota litária, como acontece na Rússia sovié tica.
Pode estimular mesmo a iniciativa
privada dentro das linhas essenciais do programa, que fixar as atividades pro dutivas do paí.s.
Aliás, foi o que reco
nheceram os técnicos do referido Con-
ãresso da Indústria, quando recoraen-
aram uma "p ..nificação econômica, ten do por fim, dentro de determinado pe ríodo de temp.' o aumento da produti vidade e a criação de riquezas necessá rias para qu' o Brasil consiga uma su ficiente renda".
De sorte que a inter
venção do Estado, segundo as idéias cardiais da nova democracia, deve: a) pro
teger a iniciativa privada; b)
coorde
nar as forças produtoras para obter a
elevação geral do nível de vida; c)
ra
cionalizar
fe
as
leis
administrativas,
derais, estaduais e municipais, "de piodo nue permita harmonizar e reduzir suas
mação econômica do país, que não deve ser confundida com os planos do socia
exigências, cujo excesso dificulta o de
lismo coletivista. Êste obedece a dire trizes contrárias à existência de uma democracia econômica onde os indiví
da nação"; d)
duos, as empresas e o Estado vivam em harmonia e para o bem .geral. Pois, negando o direito de propriedade pri
nossa industrialização não existe no es
vada, destruindo a liberdade do tra
balho e do capital e estatizando as ri quezas agrícolas, industriais .e comer ciais, o coletivismo submete as pessoas 8 a própria nação à vontade dos dirigen
senvolvimento das atividades produtivas assegiuar permanente
mente o bem comum.
É verdade que êsse entusiasmo pela pírito de muitos estudiosos dos nossos problemas. Dizem êstes que não pos suímos energia, combustíveis, técnica e
capitais para a criação de indústrias à semelhança dos Estados Unidos e da Inglaterra.
Cremos, porém, que esses
pessimistas estão enganados.
Somos do-
80
Digesto Econômico
grande esforço nas regiões do Nordeste, do Centro e do Sul.
Quanto ao carvão mineral, dispomos
Relativamente ao petróleo, as nossas reservas têm dado lugar às mais apai
xonadas controvérsias.
Com o apare-
de apreciáveis jazidas no Rio Grande do
Ciinento do Conselho Nacional do Pe
Sul, em Santa Catarina, Paraná, São
tróleo, em abril de 1938, o trabalho de
Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro,
pesauisas e de extração do precioso lí-
Espírito Santo e Bahia.
De sorte que
qu do tem sido feito no Território do
podemos constatar:
Acre, em Alagoas e na Bahia, porém
PRODUÇÃO DE CARVÃO DE PEDRA
£0 neste último Estado se obteve êxito
NO BRASIL Anos:
Toneladas:
1931 1933
493.760 646.075
1933 1937 1938 1939 1940
1941 1942 1943 1944 1945
1931 a 1945
840.088 762.789 907.224 1.046.975 1.336.301
1.408.079 1.757.021 2.034.311 2.080.750
Aumento: 321 % (I)
um acréscimo de 3212, mas é insufi ciente para satisfazer o consumo nacio
nal e, por isso, somos obrigados a im portar a hulha em proporções, que, feliz mente, têm sido reduzidas:
IMPORTAÇÃO BRASILEIRA DE CARVÃO DE PEDRA Anos:
Toneladas:
1931
1.285.494
1933 1935 1937 1938 1939 1940 1941 1942 1943 1944
1.292.040 1.437.227 1.707.852 1.575.996 1.382.471 1.209.242
1.057.946 616.038 587.425
467.666 660.000
1931 a 1945 Diminuição; 49% (2)
81
gresso Brasileiro da Indústria, efetuado
tes do partido comunista.
em São Paulo, de 9 de dezembro de
industrial que defendemos é aquela que
1944 a 5 de janeiro de 1945, podemos apontar alguns fundamentos dessa viva aspiração do nobre povo sul-americano. t — Democratização da propriedade e das riquezas industriais. .
se firma nos jirincípios expostos acima.
11 — Planificação da economia indus trial.
bertos e explorados: Lobato-Joanes, Can deias, Aratu e Itaparica. Assim, a pro
in — Localização regional das indús
dução bahiana de petróleo, de 1940 a 1j44, foi a seguinte:
IV — Produção de energia e de com
trias.
bustíveis.
V ■— Organização e desenvolvimento 1940 1941 1942 1943 1944
2.089,12 barris de 159 litros 3.120,00 32.831,42 48.153,29
fl
f>
"(3)
O ferro e o aço mostram-se indispenindustrialização nacional. Se é
verdade que somos donos de prodigio
sas reservas de ferro, contudo não temos
ainda uma .indústria siderúrgica respei tável, como a de outros países, embora a Usina de Volta Redonda seja uma formídave realização, um milagre, que está
alargando os nossos horizontes econômi cos. Para Daniel de Carvalho, essa Usina prestará notáveis serviços ao Brasil: evitará a devastação das matasmtensificara "a produção e o beneficiamento do nosso carvão mineral"; for çara a "modificação da linha centro da
Estrada de Ferro Central do Brasil adaptando-a ao transporte de grandes massas; aparelhará os pontos de embar
que e desembarque de carvão; criará
uma frota, de navios carvoeiros" e produz.rá matérias primas para novas in dustrias.
IV — Fundamentos da industrialização do Brasil
Com efeito, as bases definitivas da in
dustrialização do nosso país ainda não foram estabelecidas. Com o apoio dos técnicos e das recomendações do Con-' .fj.tAC-MirfW V I'
das
indústrias
de
base
e
de
transformação. VI — Educação industrial e assistência
fl
57.533,77 " " »'
1.855.591
No quadro acima, verificámos que a nossa produção de carvão de pedra teve
1945
em virtude dos quatro campos, desco
Digesto Econômico
técnica.
VII — Organização do crédito industrim.
VIU — Transportes. IX — Legislação social e fiscal.
. X — Colaboração do capital estran geiro.
XI — Sobrevivência das indústrias, que surgiram durante a guerra. Xn — Exploração de novas matérias primas.
Xin — Racionalização do custo de pro dução industrial.
XrV — Nova política mercantil. XV — Ação contra os trustes e cartéis.
Eis
aí o caminho que o Brasil tem
de percorrer para se tomar uma das
grandes potências industriais do ^Conti nente.
Trata-se de uma difícil transfor
A revolução
É a que exige a democratização da pro priedade, a jilanificação econômica, a produção de energia e de combustíveis, a educação e :issistência técnicas, o cré
dito e a racionalização. Ê a que não considera a colaboração do capital es
trangeiro
como u'a manifestação do
imperialismo.
Quanto à democracia e à planificação,
não há dúvid:i de que podemos con
ciliá-las sem (lesprêzo aos direitos de liberdade, igualdade e fraternidade. A economia plani ficada não é sempre tota litária, como acontece na Rússia sovié tica.
Pode estimular mesmo a iniciativa
privada dentro das linhas essenciais do programa, que fixar as atividades pro dutivas do paí.s.
Aliás, foi o que reco
nheceram os técnicos do referido Con-
ãresso da Indústria, quando recoraen-
aram uma "p ..nificação econômica, ten do por fim, dentro de determinado pe ríodo de temp.' o aumento da produti vidade e a criação de riquezas necessá rias para qu' o Brasil consiga uma su ficiente renda".
De sorte que a inter
venção do Estado, segundo as idéias cardiais da nova democracia, deve: a) pro
teger a iniciativa privada; b)
coorde
nar as forças produtoras para obter a
elevação geral do nível de vida; c)
ra
cionalizar
fe
as
leis
administrativas,
derais, estaduais e municipais, "de piodo nue permita harmonizar e reduzir suas
mação econômica do país, que não deve ser confundida com os planos do socia
exigências, cujo excesso dificulta o de
lismo coletivista. Êste obedece a dire trizes contrárias à existência de uma democracia econômica onde os indiví
da nação"; d)
duos, as empresas e o Estado vivam em harmonia e para o bem .geral. Pois, negando o direito de propriedade pri
nossa industrialização não existe no es
vada, destruindo a liberdade do tra
balho e do capital e estatizando as ri quezas agrícolas, industriais .e comer ciais, o coletivismo submete as pessoas 8 a própria nação à vontade dos dirigen
senvolvimento das atividades produtivas assegiuar permanente
mente o bem comum.
É verdade que êsse entusiasmo pela pírito de muitos estudiosos dos nossos problemas. Dizem êstes que não pos suímos energia, combustíveis, técnica e
capitais para a criação de indústrias à semelhança dos Estados Unidos e da Inglaterra.
Cremos, porém, que esses
pessimistas estão enganados.
Somos do-
Digesto Econômico
S2
nos de imensas quedas d'água, como as do Salto-do-Guaira, de Paulo Afonso, do Salto Grande, de Santa Maria e ou
não quer dizer que sejamos fervorosos partidários do regime capitalista, que produz incontestáveis
males, contudo
Roteiro Historiográíico da Independência
tras, que, se aproveitadas, suprirão uma considerável parte das nossas deficiên
julgamos que é preciso "criarmos ri quezas" e não "socializarmos'a miséria".
por Otávio Tarquinío de Souza
cias em matéria de energia.
Admitimos que o trabalho é o mais im
Especial para o "Digesto EcoNÓ^^co"
O Brasil
dispõe de 50 milhões de cavalos-vapor
portante fator da produção e até uma
no que diz respeito às suas reservas hi dráulicas, ocupando, portanto, o pri meiro lugar no Continente. A explora
exerce também funções indispensáveis ao
ção da hulha e do petróleo apresenta
sorte que devemos lutar contra os abu
boas perspectivas. Relativamente à téc nica e aos capitais, deve o Estado ado tar uma política, de modo a incremen
sos do capitalismo, e não contra o capi tal, que é riqueza. Devemos, pois, acei tar os rumos da doutrina social da Igreja
tar os investimentos de empreendedores
onde ha remédios para todas as an
brasileiros, podendo ainda solicitar a
gústias do Brasil contemporâneo.
cooperação do capital das nações aliadas, máxime dos Estados Unidos da Amé rica do Norte.
Assim, o Brasil será um país ampla mente industrializado, concorrendo com outros centros poderosos do mundo. Isto
das leis da vida. Entretanto, o capital processo econômico da sociedade.
De
Iniciai\do a sua colaboração no "Digesto Econômico", o ilustre historiador Otávio
Tarquinio de Sousa, autor de obras que firmaram a sua reputação como um dos
mais atentos pesquisadores do período da regência, tais como "Bernardo de Vasconcelos", "Evaristo da Veiga", "Diogo Antônio Feijó" e "José Bonifá-
cux
apresenta neste trabalho uma relação crítica das obras capitais para o
perfeito conhecimento da Independência brasileira.
(1) DIGESTO ECONÔMICO — N.o 18 — Maio de 1&45 — Ano II.
(2) DIGESTO ECONÔMICO
N."
18
N.o
22
— Maio de 1945 — Ano II.
(3) DIGESTO ECONÔMICO
— Setembro de 1946 — Ano II
independência do Brasil, na feição particular que assumiu em confronto com a dos demais países da América, só poderá ser bem estudada depois de um conhecimento mais profundo da estada de D. João VI entre nós. Tão grande
CONSUMO TOTAL DE CAFÉ NOS ESTADOS UNIDOS
correu com os seus conselhos — estabe lecendo a liberdade de comércio. "Sua Memória dos benefícios...", feita nu
ma intenção de panegírico, com louvo res tão desmedidos ao rei que rebaixou
aos primeiros cronistas e historiadores, contemporâneos dos acontecimentos. Quem talvez antes de qualquer outro
o autor a um papel menos ^ decente de cortezão, tem na historiografia relativa ao período entre 1808 e 1821 um lugar
teve noção disso foi José da Silva Lisboa no trabalho intitulado "Prosperidade do
de considerável relevo.
Brasil pe^os Liberais Princípios da Nova Legislação", publicado em 1811. Mas
o snr. Robbins, que o povo americano consumiu, durante êsse ano, 2.709.675.000
é na "Memória dos benefícios políticos do
Govêrno de el-rei
nosso
Senhor
tem sido de 16,5 libras.
D. João VI, escr ta em 1818 para come morar a coroação do monarca a 6 de fevereiro dêsse ano, que o futuro vis
exclusivamente, representou um aumento de US$300.000.000,00 nas transações
gamente à suspensão do sistema colo
comerciais entre os Estados Unidos e a América Latina, desde o comêço da
Civilizada", pressentiu o alcance da re solução de D. João - para que con
portuguesa sôbre os sucessos de nossa
libras de café. Calculando-se o consumo por pessoa, veremos que o mesmo é de I9 libras. Os provrios escandinavos, que têm fama de tomar muito café, nunca se aproximaram deste "record", de vez que o seu consumo máximo "per capita" O valor em dólares dessa importação atingiu a US$466.951.000,00. O café,
chamá-lo de "Segundo Pai da Gente
foi a influência da vinda da família real
emancipação nacional, que não escapou
George V. Robbins, presidente da National Coffee Association, declarou, no dia 31 de janeiro — segundo informa o Boletim Americano, de Nova Iorque — ^ importação de café para os Estados Unidos, no ano de 1946, atinou o total de 20.485.000 sacas de 132 libras, de conformidade com as cifras apresen tadas Departamento do Tesouro Norte-Americano. Isso significa, acentuou
de Adam Smith que não hesitou em
conde de Cairu alude expressa e lon
nial, decorrente de um conjunto de me
guerra, em 1940. O snr, Robbins concluiu: "A cooperação, no comércio do café, entre os Estados Unidos e os produtos da América Latina, foi entre os países do Hemisfério
didas, cuja principal se corporificou no
Ocidental. A venda de café aos Estados Unidos incrementou a solidariedade econômica para as nações produtoras^'. i
Silva Lisboa, adepto do liberalismo
decreto de 28 de janeiro de 1808, de
abertura dos portos do Brasil ao comér cio das nações amigas. econômico e de tal maneira admirador
Cronologica
mente será a primeira obra em que
alguns dos aspectos mais importantes do reinado brasileiro de D. João VI se deixam entrever.
É o caso, por exem
plo, da influência inglêsa nessa fase preparatória de nossa independência política. Obras de Cairu
Adversário extremado da Revolução Francesa, detestando a "Galomania que tentou nivelar tôdas as classes e indi
víduos", vendo nos soldados de Napoleão outros "vândalos". Silva Lisboa,
fervoroso católico, emprestou à Ingla
terra o papel de instrumento providen cial para a salvação do mundo. Palavras
Digesto Econômico
S2
nos de imensas quedas d'água, como as do Salto-do-Guaira, de Paulo Afonso, do Salto Grande, de Santa Maria e ou
não quer dizer que sejamos fervorosos partidários do regime capitalista, que produz incontestáveis
males, contudo
Roteiro Historiográíico da Independência
tras, que, se aproveitadas, suprirão uma considerável parte das nossas deficiên
julgamos que é preciso "criarmos ri quezas" e não "socializarmos'a miséria".
por Otávio Tarquinío de Souza
cias em matéria de energia.
Admitimos que o trabalho é o mais im
Especial para o "Digesto EcoNÓ^^co"
O Brasil
dispõe de 50 milhões de cavalos-vapor
portante fator da produção e até uma
no que diz respeito às suas reservas hi dráulicas, ocupando, portanto, o pri meiro lugar no Continente. A explora
exerce também funções indispensáveis ao
ção da hulha e do petróleo apresenta
sorte que devemos lutar contra os abu
boas perspectivas. Relativamente à téc nica e aos capitais, deve o Estado ado tar uma política, de modo a incremen
sos do capitalismo, e não contra o capi tal, que é riqueza. Devemos, pois, acei tar os rumos da doutrina social da Igreja
tar os investimentos de empreendedores
onde ha remédios para todas as an
brasileiros, podendo ainda solicitar a
gústias do Brasil contemporâneo.
cooperação do capital das nações aliadas, máxime dos Estados Unidos da Amé rica do Norte.
Assim, o Brasil será um país ampla mente industrializado, concorrendo com outros centros poderosos do mundo. Isto
das leis da vida. Entretanto, o capital processo econômico da sociedade.
De
Iniciai\do a sua colaboração no "Digesto Econômico", o ilustre historiador Otávio
Tarquinio de Sousa, autor de obras que firmaram a sua reputação como um dos
mais atentos pesquisadores do período da regência, tais como "Bernardo de Vasconcelos", "Evaristo da Veiga", "Diogo Antônio Feijó" e "José Bonifá-
cux
apresenta neste trabalho uma relação crítica das obras capitais para o
perfeito conhecimento da Independência brasileira.
(1) DIGESTO ECONÔMICO — N.o 18 — Maio de 1&45 — Ano II.
(2) DIGESTO ECONÔMICO
N."
18
N.o
22
— Maio de 1945 — Ano II.
(3) DIGESTO ECONÔMICO
— Setembro de 1946 — Ano II
independência do Brasil, na feição particular que assumiu em confronto com a dos demais países da América, só poderá ser bem estudada depois de um conhecimento mais profundo da estada de D. João VI entre nós. Tão grande
CONSUMO TOTAL DE CAFÉ NOS ESTADOS UNIDOS
correu com os seus conselhos — estabe lecendo a liberdade de comércio. "Sua Memória dos benefícios...", feita nu
ma intenção de panegírico, com louvo res tão desmedidos ao rei que rebaixou
aos primeiros cronistas e historiadores, contemporâneos dos acontecimentos. Quem talvez antes de qualquer outro
o autor a um papel menos ^ decente de cortezão, tem na historiografia relativa ao período entre 1808 e 1821 um lugar
teve noção disso foi José da Silva Lisboa no trabalho intitulado "Prosperidade do
de considerável relevo.
Brasil pe^os Liberais Princípios da Nova Legislação", publicado em 1811. Mas
o snr. Robbins, que o povo americano consumiu, durante êsse ano, 2.709.675.000
é na "Memória dos benefícios políticos do
Govêrno de el-rei
nosso
Senhor
tem sido de 16,5 libras.
D. João VI, escr ta em 1818 para come morar a coroação do monarca a 6 de fevereiro dêsse ano, que o futuro vis
exclusivamente, representou um aumento de US$300.000.000,00 nas transações
gamente à suspensão do sistema colo
comerciais entre os Estados Unidos e a América Latina, desde o comêço da
Civilizada", pressentiu o alcance da re solução de D. João - para que con
portuguesa sôbre os sucessos de nossa
libras de café. Calculando-se o consumo por pessoa, veremos que o mesmo é de I9 libras. Os provrios escandinavos, que têm fama de tomar muito café, nunca se aproximaram deste "record", de vez que o seu consumo máximo "per capita" O valor em dólares dessa importação atingiu a US$466.951.000,00. O café,
chamá-lo de "Segundo Pai da Gente
foi a influência da vinda da família real
emancipação nacional, que não escapou
George V. Robbins, presidente da National Coffee Association, declarou, no dia 31 de janeiro — segundo informa o Boletim Americano, de Nova Iorque — ^ importação de café para os Estados Unidos, no ano de 1946, atinou o total de 20.485.000 sacas de 132 libras, de conformidade com as cifras apresen tadas Departamento do Tesouro Norte-Americano. Isso significa, acentuou
de Adam Smith que não hesitou em
conde de Cairu alude expressa e lon
nial, decorrente de um conjunto de me
guerra, em 1940. O snr, Robbins concluiu: "A cooperação, no comércio do café, entre os Estados Unidos e os produtos da América Latina, foi entre os países do Hemisfério
didas, cuja principal se corporificou no
Ocidental. A venda de café aos Estados Unidos incrementou a solidariedade econômica para as nações produtoras^'. i
Silva Lisboa, adepto do liberalismo
decreto de 28 de janeiro de 1808, de
abertura dos portos do Brasil ao comér cio das nações amigas. econômico e de tal maneira admirador
Cronologica
mente será a primeira obra em que
alguns dos aspectos mais importantes do reinado brasileiro de D. João VI se deixam entrever.
É o caso, por exem
plo, da influência inglêsa nessa fase preparatória de nossa independência política. Obras de Cairu
Adversário extremado da Revolução Francesa, detestando a "Galomania que tentou nivelar tôdas as classes e indi
víduos", vendo nos soldados de Napoleão outros "vândalos". Silva Lisboa,
fervoroso católico, emprestou à Ingla
terra o papel de instrumento providen cial para a salvação do mundo. Palavras
84
Dicesto EcoNÓ^aco
textuais suas:
"Adorável Providência
Banco do Brasil; em seguida, a melhoria
85
Dicesto Econômico
Rio de Janeiro entre 1808 e 1821.
fica nisso, porém, o ínterêsse que ela encerra para os estudiosos dessa rase da
Exaustivamente, sem mêdo de alongar-
nossa História; há um outro ponto que
se. nos pormenores menos significativos,
poleônicas e suas imediatas conseqüên
das condições de vida em alguns luga res, sobretudo na cidade do Rio de Ja
cias na Europa) preparou os expedien
neiro e seus arredores, onde as casas
deve ser pôsto em foco: Silva Lisboa,
tes de transmudar o caos em ordem:
rústicas e urbanas se tomaram mais con- •
bom brasileiro, em 1818, quatro anos
ela permitiu que o Govênio Britânico so
História do Reino do Brasil" escreveu
fortáveis devido ao grande número de
a crônica quase dia a dia de tôdas as
mostrasse a Potestade Tutelar da Socie
negociantes ingleses que se estabelece ram no país. Digno de menção tam-
apenas antes da Independência, não so nhava com a emancipação total do seu
país.
D. João VI. Assuntos de natureza polí
nessa tremenda crise (as guerras na-
dade e Civilização". E fez, no seu tom
grandiloquo, a defesa do tratado de co mércio de 19 de fevereiro de 1810 com
a Inglaterra. Todo um capítulo do livro
é consagrado à Justificação do que pa recia a Silva LisDoa o benefício máximo
do Governo de D. João VI. Ao tempo em que foi escrita a "Memória" Já se criticava severamente aquêle ato inter
nacional. O menos que se dizia era que êle liquidara a indústria de Portugal e não passava de "odioso monopmio extorquido por um govêmo que sofria
a mtadura do corpo mercantil do país". O futuro \dsconde de Cairu, invocando as c.rcunstâncias políticas em que fora
assinado o tratado de 1810, procurou mostrar que não seria prudente des gostar um tão grande freguês", genero so amigo e forte companheiro".
Aos
que se espantavam das mercadorias in
glesas pagaram no Brasil 15% de di reitos, ao passo que as (jue vinham de Portugal incorriam numa tributação de 16% e as dos outros países na de 24%,
Silva L-.sboa advertia que nas negocia
ções diplomáticas só se atende à "arit-
métíca política" e não aos cálculos da
^^taboada vulgar". E chegava a dizer: "no sistema de esclarecida Finança dois
Não a desejava. Parecia-lhe su
ficiente a situação de reino unido a
tica e administrativa, festas, cerimônias
políticos do Govêmo de el-rei Nosso
Senhor D. João VI" fosse pxaminado o
que fôra o Brasil elevado em 1815. "O
religiosas, divertimentos populares, des
sistema colonial cessou com a lei da
crições do Rio e de suas ruas, tudo isso
problema da abolição do tráfico de es
união do Brasil ao original patrimônio
cravos, apontado antes como uma causa
da monarquia, corrigindo-se assim ra
de pobreza do que de enriquecimento do Brasil. É verdade que no tratado de 1810 a Inglaterra incluirá cláusula sôbre a gradual extinção do tráfico, e
dicalmente as anomalias que antes por extremo desigualavam a sorte dos filhos
a respeito dos pais nascidos na metró pole..." — proclamava
procurou fixar, mais entusiasmado ainda do que Silva Lisboa com o príncipe por tuguês que veio fundar no Brasil um grande Império. O livro inteiro trai por isso a preocupação de apologia, de
José da Silva Lisboa, como defensor
satisfeito e tão aferrado
dêsse tratado, seria apenas coerente. Mas não o moveu sòmente o pensamen to de não cair em contradição. O com
no mesmo espírito lou-
a
julgava a independên
bate que deu ao tráfico dos negros en
"hórrido parricídio na
vaminheiro da "Memó ria dos benefícios..." do futuro visconde de Cairu. Mas é obra de
contrava apoio em convicções sinceras
e até em mal definidos preconceitos ra
cional de infiéis vassa los e filhos desnatura-
ciais. Silva Lisboa queria a "extirpação
dos".
do cancro da escravidão" (terá sido êle
Essa posição confor mista não foi apenas do
essa
solução,
cia norte-americana um
o criador do lugar-comum?), arrolando os motivos de natureza econômica, social e moral que o induziam a detestar o
autor da "Memória dos
trabalho servil.
explicará só pelos seus pendores de áulico: foi
Para o autor da "Me
mória dos benefícios..." a importação dos africanos se fazia com "muito risco
e grossos fundos" e dela se originava a 'inércia" dos brasileiros que, queren do "viver à custa do suor alheio", afir mavam que "sem africanos não podia Mas a sua anti
tendo já distância que lhe permitia apreciar bem os fatos e os ho mens e servindo-se de
algumas das melhores
voco que se prolongaria até as vésperas da ruptura definitiva com Portugal.
cumento original, deixou-nos Francisco
Varnhagen e Gonçalves dos Santos
integral, com as preciosas notas de Ro
o gôsto da pesquisa direta e do do Adolfo de Varnhagen na sua "História Geral do Brasil" (tomo V da 3.^ edição
VI se viu forçado a seguir, depois que
a terra de Santa Cruz passasse à meta
tergiversar e iludir se tomara impossível
que precedeu imediatamente a Inde pendência é o do padre Luis Gonçalves
Bastava que, não obstante os elogios desmarcados a D. João VI, autor de
doTo Garcia) o primeiro estudo capaz
patia pelos negros era indisfarçável. Não
do ser considerado a história da época
de D. João VI. Varnhagen, visconde de Porto Seguro, foi o verdadeiro renova dor, senão o criador da historiografia
dos Santos, intitulado "Memórias para
brasileira.
servir à História do Reino do Brasil".
çalves dos Santos e José da Silva Lisboa (êste um homem de imenso saber) não passam d® simples cronistas, sem co
politano, Silva Lisboa não se esqueceu
tudo, inspirador de tudo, Silva Lisboa
Menos importante do ponto de vista de
Be invocar fatos em abôno dos seus
abordasse os temas da influência inglô-
crítica histórica do que o de José da
Ao lado dêle, Luis Gon
sa e da abolição da escravidão, para que
Silva Lisboa, o trabalho de Luis Gon
nhecimentos ou pouco preocupados com
a sua "Memória dos benefícios..." me
çalves dos Santos é talvez sem exagero o maior, o mais copioso rol dos aconte
os métodos elementares de investigação
cimentos do Brasil e particularmente do
antes de tudo de exaltar os feitos dos
aos navios ingleses; depois, o fortaleci
recesse particular relevo ria historiogra
mento
fia sôbre o Brasil de 1808 a 1821. Não
crédito do recém-fundado
Noutro tom, com ou
tra largueza de vistas,
fontes sôbre a matéria, historiador com
Outro livro que constitui fonte valiosa de informações e dados sôbre o período
do
de há muito que colhêr.
de um grande número de contemporâ neos, dos mais esclarecidos, num equí
desejava que "a melhor região da Amé rica se convertesse em Negrícia e que
pontos de vista: primeiro, a maior ex portação de gêneros brasileiros graças
consulta obrigatória, on
benefícios...", nem se
e dois, em vez de somar quatro, fre
morfose de Guiné Ocidental".
aplauso sem restrições,
que
qüentemente dão menos de um".
em face da invasão do território metro
ocorrências do reanado bi^asileu» de
bérn é que na "Memória dos benefícios
florescer o Brasil".
Aplaudindo de modo tão completo e irrestrito a política ingle.sa que D. João
o autor das "Memórias para servir à
e estudo dos fatos lústóricos e cuidando
84
Dicesto EcoNÓ^aco
textuais suas:
"Adorável Providência
Banco do Brasil; em seguida, a melhoria
85
Dicesto Econômico
Rio de Janeiro entre 1808 e 1821.
fica nisso, porém, o ínterêsse que ela encerra para os estudiosos dessa rase da
Exaustivamente, sem mêdo de alongar-
nossa História; há um outro ponto que
se. nos pormenores menos significativos,
poleônicas e suas imediatas conseqüên
das condições de vida em alguns luga res, sobretudo na cidade do Rio de Ja
cias na Europa) preparou os expedien
neiro e seus arredores, onde as casas
deve ser pôsto em foco: Silva Lisboa,
tes de transmudar o caos em ordem:
rústicas e urbanas se tomaram mais con- •
bom brasileiro, em 1818, quatro anos
ela permitiu que o Govênio Britânico so
História do Reino do Brasil" escreveu
fortáveis devido ao grande número de
a crônica quase dia a dia de tôdas as
mostrasse a Potestade Tutelar da Socie
negociantes ingleses que se estabelece ram no país. Digno de menção tam-
apenas antes da Independência, não so nhava com a emancipação total do seu
país.
D. João VI. Assuntos de natureza polí
nessa tremenda crise (as guerras na-
dade e Civilização". E fez, no seu tom
grandiloquo, a defesa do tratado de co mércio de 19 de fevereiro de 1810 com
a Inglaterra. Todo um capítulo do livro
é consagrado à Justificação do que pa recia a Silva LisDoa o benefício máximo
do Governo de D. João VI. Ao tempo em que foi escrita a "Memória" Já se criticava severamente aquêle ato inter
nacional. O menos que se dizia era que êle liquidara a indústria de Portugal e não passava de "odioso monopmio extorquido por um govêmo que sofria
a mtadura do corpo mercantil do país". O futuro \dsconde de Cairu, invocando as c.rcunstâncias políticas em que fora
assinado o tratado de 1810, procurou mostrar que não seria prudente des gostar um tão grande freguês", genero so amigo e forte companheiro".
Aos
que se espantavam das mercadorias in
glesas pagaram no Brasil 15% de di reitos, ao passo que as (jue vinham de Portugal incorriam numa tributação de 16% e as dos outros países na de 24%,
Silva L-.sboa advertia que nas negocia
ções diplomáticas só se atende à "arit-
métíca política" e não aos cálculos da
^^taboada vulgar". E chegava a dizer: "no sistema de esclarecida Finança dois
Não a desejava. Parecia-lhe su
ficiente a situação de reino unido a
tica e administrativa, festas, cerimônias
políticos do Govêmo de el-rei Nosso
Senhor D. João VI" fosse pxaminado o
que fôra o Brasil elevado em 1815. "O
religiosas, divertimentos populares, des
sistema colonial cessou com a lei da
crições do Rio e de suas ruas, tudo isso
problema da abolição do tráfico de es
união do Brasil ao original patrimônio
cravos, apontado antes como uma causa
da monarquia, corrigindo-se assim ra
de pobreza do que de enriquecimento do Brasil. É verdade que no tratado de 1810 a Inglaterra incluirá cláusula sôbre a gradual extinção do tráfico, e
dicalmente as anomalias que antes por extremo desigualavam a sorte dos filhos
a respeito dos pais nascidos na metró pole..." — proclamava
procurou fixar, mais entusiasmado ainda do que Silva Lisboa com o príncipe por tuguês que veio fundar no Brasil um grande Império. O livro inteiro trai por isso a preocupação de apologia, de
José da Silva Lisboa, como defensor
satisfeito e tão aferrado
dêsse tratado, seria apenas coerente. Mas não o moveu sòmente o pensamen to de não cair em contradição. O com
no mesmo espírito lou-
a
julgava a independên
bate que deu ao tráfico dos negros en
"hórrido parricídio na
vaminheiro da "Memó ria dos benefícios..." do futuro visconde de Cairu. Mas é obra de
contrava apoio em convicções sinceras
e até em mal definidos preconceitos ra
cional de infiéis vassa los e filhos desnatura-
ciais. Silva Lisboa queria a "extirpação
dos".
do cancro da escravidão" (terá sido êle
Essa posição confor mista não foi apenas do
essa
solução,
cia norte-americana um
o criador do lugar-comum?), arrolando os motivos de natureza econômica, social e moral que o induziam a detestar o
autor da "Memória dos
trabalho servil.
explicará só pelos seus pendores de áulico: foi
Para o autor da "Me
mória dos benefícios..." a importação dos africanos se fazia com "muito risco
e grossos fundos" e dela se originava a 'inércia" dos brasileiros que, queren do "viver à custa do suor alheio", afir mavam que "sem africanos não podia Mas a sua anti
tendo já distância que lhe permitia apreciar bem os fatos e os ho mens e servindo-se de
algumas das melhores
voco que se prolongaria até as vésperas da ruptura definitiva com Portugal.
cumento original, deixou-nos Francisco
Varnhagen e Gonçalves dos Santos
integral, com as preciosas notas de Ro
o gôsto da pesquisa direta e do do Adolfo de Varnhagen na sua "História Geral do Brasil" (tomo V da 3.^ edição
VI se viu forçado a seguir, depois que
a terra de Santa Cruz passasse à meta
tergiversar e iludir se tomara impossível
que precedeu imediatamente a Inde pendência é o do padre Luis Gonçalves
Bastava que, não obstante os elogios desmarcados a D. João VI, autor de
doTo Garcia) o primeiro estudo capaz
patia pelos negros era indisfarçável. Não
do ser considerado a história da época
de D. João VI. Varnhagen, visconde de Porto Seguro, foi o verdadeiro renova dor, senão o criador da historiografia
dos Santos, intitulado "Memórias para
brasileira.
servir à História do Reino do Brasil".
çalves dos Santos e José da Silva Lisboa (êste um homem de imenso saber) não passam d® simples cronistas, sem co
politano, Silva Lisboa não se esqueceu
tudo, inspirador de tudo, Silva Lisboa
Menos importante do ponto de vista de
Be invocar fatos em abôno dos seus
abordasse os temas da influência inglô-
crítica histórica do que o de José da
Ao lado dêle, Luis Gon
sa e da abolição da escravidão, para que
Silva Lisboa, o trabalho de Luis Gon
nhecimentos ou pouco preocupados com
a sua "Memória dos benefícios..." me
çalves dos Santos é talvez sem exagero o maior, o mais copioso rol dos aconte
os métodos elementares de investigação
cimentos do Brasil e particularmente do
antes de tudo de exaltar os feitos dos
aos navios ingleses; depois, o fortaleci
recesse particular relevo ria historiogra
mento
fia sôbre o Brasil de 1808 a 1821. Não
crédito do recém-fundado
Noutro tom, com ou
tra largueza de vistas,
fontes sôbre a matéria, historiador com
Outro livro que constitui fonte valiosa de informações e dados sôbre o período
do
de há muito que colhêr.
de um grande número de contemporâ neos, dos mais esclarecidos, num equí
desejava que "a melhor região da Amé rica se convertesse em Negrícia e que
pontos de vista: primeiro, a maior ex portação de gêneros brasileiros graças
consulta obrigatória, on
benefícios...", nem se
e dois, em vez de somar quatro, fre
morfose de Guiné Ocidental".
aplauso sem restrições,
que
qüentemente dão menos de um".
em face da invasão do território metro
ocorrências do reanado bi^asileu» de
bérn é que na "Memória dos benefícios
florescer o Brasil".
Aplaudindo de modo tão completo e irrestrito a política ingle.sa que D. João
o autor das "Memórias para servir à
e estudo dos fatos lústóricos e cuidando
Digesto Econômico
86
grandes homens, do grande homem que quiseram ver em D. João VI. Na apuração da verdade acerca dos
que o visconde de Porto Seguro percor
acontecimentos brasileiros entre 1808 e
1821, Vambagerí pôs a mesma diligên cia, a mesma curiosidade, o mesmo es
pírito que o animaram ao escrever tôda
dando às suas pesquisas um sentido mais profundo, Oliveira Lima pôde es crever a obra de maior importância até
- "História Geral do Brasil", livro que
hoje no tocante ao período de 1808 a 1821. As melhores fontes, tôdas as fon
superado. Êsse empenho de conhecer e
tes emprestam ao livro uma autoridade
reconstituir o passado não exclui lacunas
sem par. Nada escapou ao investigador meticuloso, que se deteve longamente
e defeitos decorrentes, já de sua concep
ção do trabalho histórico, já do seu feitio pessoal. Na obra considerável que deixou, Vamhagen não chegou a indicar as características do processo de formação da sociedade brasileira, não teve
M
Oliveira Lima. .Retomando os caminhos
rera, a'argando-os, procurando novos,
sob certos aspectos não foi até agora
%
depois: é o "D. João VI no Brasil", de
visão de conjunto.
Na historiografia
brasileira em geral a sua contribuição
consistiu principalmente em procurar e . reunir os dados, os elementos, os teste-
-V munhos, os documentos indispensáveis à reconstituição do passado do Brasil. NisI . so foi inexcedíve!, e a parte de sua / : "História Geral", referente à estada de
nos arquivos e bibliotecas do Brasil, de Portugal, da Inglaterra, dos Estados Unidos e conseguiu fazer um levanta
mento geral dos múltiplos aspectos da vida brasileira de então — a terra, o homem, a sociedade, os costumes, a eco nomia. Não se contentando com a mera
história cronológica e a exibição dos fatos, o autor de "D. João VI no Brasil" dispôs-se a interpretá-los, mostrando as
transformações que se operaram na co munidade brasileira com a transmigra-
lí . ■ D. João VI entre nós, representa copioso Ijl repositório de informações da maior utilidade. Nas sete secções em que se
ção da família real portuguesa, e as re percussões dos acontecimentos que se de senrolaram em outros lugares. Lúcida-
divide o livro, numa arrumação muitas
interesses da sociedade que se formava
vezes imprópria, os fatos se acumulam
bem averiguados, embora aqui e ali sub metidos a um julgamento nem sempre seguro. Mas os antecedentes da regên cia de D. João ainda em Portugal, a
sua chegada aqui e os atos que se seguiam, a situação em que se encon trava a colônia prestes a ser elevada a
mente, soube perceber os conflitos dos
aqui com .os da metrópole que a explo rava, sob certos pontos de vista, como uma feitoría de comércio. Depois do
seu livro não poderá haver mais dúvida
abundância de pormenores e o que fez contínua de pé. Oliveira Lima e seus livros
O grande livro, entretanto, sôbre essa
época, só foi escrito quase um século
contraram a devida e-vpHcação, ourios
conquista da Banda Oriental. Mais do que tudo isso, porém, "D. João VI do Brasil" tem o mérito de pro porcionar aos estudiosos o panorama de tôda a vida brasileira de então: a vida
nos deles imagens verídicas, sem os embelezamentos do panegírico ou as de formações tendenciosas da sátira.
A influência inglêsa na vinda de D. João VI para o Brasil e nos sucessos políticos posteriores, e os efeitos do tratado de comércio de 1810 mereceram
no livro o lugar que a sua importância exigia. O mesmo se poderá dizer das questões diplomáticas em conseqüência
o propósito de abranger todos os acon tecimentos. Muitos pontos obscuros en
cer: a posição conformista, em face de Portugal, pouco antes da ruptura defini
tiva, de grande número de brasileiros.
de colonização e de opressão, a vida econômica sob o signo da exploração
Com a elevação do Brasil a categoria de reino, com a permanência da côrte no
agrícola latifundiária e do trabalho es cravo, o fim do regime colonial ao me
Rio de Janeiro, com as indiscutíveis vantagens que para a antiga colòma
nos na sua feição mais dura, os ecos na
trouxera o regime inaugurado depois da
América portuguesa das mudanças ope radas pela abolição do monopólio e pelo
vinda da família real, muita gente, da
advento da liberdade comercial de que tanto se beneficiaria a Inglaterra, a pro
pagação das novas doutrinas po
-
começaram a ser esclarecidos. Vamha gen salienta com razão um fato que nem sempre se tinha querido reconhe
social e íntima ao cabo de três séculos
mais esclarecida, julgou possível e dese jável que continuasse a união, em pe
de igualdade, com Portugal. Vamha
gen chega a dizer que nessa
corrente estiveram "todos os in
líticas no meio brasileiro. E ainda nos dá a conhecer alguns
divíduos mais respeitáveis, tan to funcionários como escritores
dos efeitos mais diretos da transferência da família real
ou simples pensadores". O cer to é que foi um equivoco bas- • tante generalizado e de que par
para cá no processo de diferen ciação nacional brasileira, a in
dependência retardada no senti do em que evoluiu a das colónias espanholas, mas recebendo por outro lado um grande im pulso, a europeização ou re-europeização mais intensa do Brasil como resul tratado de comércio de 1810.
e os políticos que o cercaram o ambien te de vida em que se moveram, dando-
js-o Vamhagen procurou estudar com
concretizado na tomada de Caiena e na
tado da vinda de D. João VI e da
soube re-criar para o monarca português
e de fundições, o desenvolvimento inte-
formaçces, feito com a paciência e com
òa de D. João VI, em que foram lança das as bases da emancipação do Brasil. Historiador e biógrafo, Oliveira Lima
reino, o episódio da revolução republi
]ec;tual do Brasil através de escritores, viajantes e do jornalismo nascente, tudo
da posição de Portugal na tragédia eu ropéia, das relações com a Espanha, das intrigas platinas e do surto imperialista
sôbre a verdadeira significação da épo-
cana de 1817 em Pernambuco, as ten tativas de exploração de minas de ferro
87
Digesto Econômico
predominância inglêsa assegurada com o O livro
de Oliveira Lima é o ponto mais alto
da historiografia a respeito da fase pre paratória oa emancipação brasileira. Para o estudo pròpriamente da Inde\ pendência, cumpre destacar as tres obras que até agora melhor trataram do assun to: a "História da Independência do
Brasil", de Francisco Adolfo de Vamha
gen, "O Movimento da Independência", 1821-1822, de Oliveira Lima, e "A Ela
boração da Independência", de Tobias Monteiro.
,0 primeiro dêles é, como tudo que escreveu o seu autor, um livro larga mente decumentado, cheio de ótimas in-
ticiparam as figuras mais emi
nentes do movimento libertador, inclusive José Bonifácio, como timbra em destacar, não sem
segunda intenção, o visconde de Porto ' A maneira por que o grande historiógrafo aprecia a ação e a personalidade de José Bonifácio impõe as maiores re servas. Ao homem verdadeiramente no
tável que ligou para sempre o seu nome à história da independência brasileira,
Vamhagen procura amesquinhar o mais possível. As idéias principais das Ins truções do Govêrao de São Pau.o aos deputados às Côrtes de Lisboa, geral mente ariibuidas a José Bonifácio, seu redator, não são dêle, não são do ho
mem de alto saber, cientísta de renome nos-meios cultos do mundo, professor
da universidade de Coimbra, m^bio e secretário da Academia das Ciências de Lisboa, com dez anos de viagens
ppr tôda a Europa e mais de trinta e
Digesto Econômico
86
grandes homens, do grande homem que quiseram ver em D. João VI. Na apuração da verdade acerca dos
que o visconde de Porto Seguro percor
acontecimentos brasileiros entre 1808 e
1821, Vambagerí pôs a mesma diligên cia, a mesma curiosidade, o mesmo es
pírito que o animaram ao escrever tôda
dando às suas pesquisas um sentido mais profundo, Oliveira Lima pôde es crever a obra de maior importância até
- "História Geral do Brasil", livro que
hoje no tocante ao período de 1808 a 1821. As melhores fontes, tôdas as fon
superado. Êsse empenho de conhecer e
tes emprestam ao livro uma autoridade
reconstituir o passado não exclui lacunas
sem par. Nada escapou ao investigador meticuloso, que se deteve longamente
e defeitos decorrentes, já de sua concep
ção do trabalho histórico, já do seu feitio pessoal. Na obra considerável que deixou, Vamhagen não chegou a indicar as características do processo de formação da sociedade brasileira, não teve
M
Oliveira Lima. .Retomando os caminhos
rera, a'argando-os, procurando novos,
sob certos aspectos não foi até agora
%
depois: é o "D. João VI no Brasil", de
visão de conjunto.
Na historiografia
brasileira em geral a sua contribuição
consistiu principalmente em procurar e . reunir os dados, os elementos, os teste-
-V munhos, os documentos indispensáveis à reconstituição do passado do Brasil. NisI . so foi inexcedíve!, e a parte de sua / : "História Geral", referente à estada de
nos arquivos e bibliotecas do Brasil, de Portugal, da Inglaterra, dos Estados Unidos e conseguiu fazer um levanta
mento geral dos múltiplos aspectos da vida brasileira de então — a terra, o homem, a sociedade, os costumes, a eco nomia. Não se contentando com a mera
história cronológica e a exibição dos fatos, o autor de "D. João VI no Brasil" dispôs-se a interpretá-los, mostrando as
transformações que se operaram na co munidade brasileira com a transmigra-
lí . ■ D. João VI entre nós, representa copioso Ijl repositório de informações da maior utilidade. Nas sete secções em que se
ção da família real portuguesa, e as re percussões dos acontecimentos que se de senrolaram em outros lugares. Lúcida-
divide o livro, numa arrumação muitas
interesses da sociedade que se formava
vezes imprópria, os fatos se acumulam
bem averiguados, embora aqui e ali sub metidos a um julgamento nem sempre seguro. Mas os antecedentes da regên cia de D. João ainda em Portugal, a
sua chegada aqui e os atos que se seguiam, a situação em que se encon trava a colônia prestes a ser elevada a
mente, soube perceber os conflitos dos
aqui com .os da metrópole que a explo rava, sob certos pontos de vista, como uma feitoría de comércio. Depois do
seu livro não poderá haver mais dúvida
abundância de pormenores e o que fez contínua de pé. Oliveira Lima e seus livros
O grande livro, entretanto, sôbre essa
época, só foi escrito quase um século
contraram a devida e-vpHcação, ourios
conquista da Banda Oriental. Mais do que tudo isso, porém, "D. João VI do Brasil" tem o mérito de pro porcionar aos estudiosos o panorama de tôda a vida brasileira de então: a vida
nos deles imagens verídicas, sem os embelezamentos do panegírico ou as de formações tendenciosas da sátira.
A influência inglêsa na vinda de D. João VI para o Brasil e nos sucessos políticos posteriores, e os efeitos do tratado de comércio de 1810 mereceram
no livro o lugar que a sua importância exigia. O mesmo se poderá dizer das questões diplomáticas em conseqüência
o propósito de abranger todos os acon tecimentos. Muitos pontos obscuros en
cer: a posição conformista, em face de Portugal, pouco antes da ruptura defini
tiva, de grande número de brasileiros.
de colonização e de opressão, a vida econômica sob o signo da exploração
Com a elevação do Brasil a categoria de reino, com a permanência da côrte no
agrícola latifundiária e do trabalho es cravo, o fim do regime colonial ao me
Rio de Janeiro, com as indiscutíveis vantagens que para a antiga colòma
nos na sua feição mais dura, os ecos na
trouxera o regime inaugurado depois da
América portuguesa das mudanças ope radas pela abolição do monopólio e pelo
vinda da família real, muita gente, da
advento da liberdade comercial de que tanto se beneficiaria a Inglaterra, a pro
pagação das novas doutrinas po
-
começaram a ser esclarecidos. Vamha gen salienta com razão um fato que nem sempre se tinha querido reconhe
social e íntima ao cabo de três séculos
mais esclarecida, julgou possível e dese jável que continuasse a união, em pe
de igualdade, com Portugal. Vamha
gen chega a dizer que nessa
corrente estiveram "todos os in
líticas no meio brasileiro. E ainda nos dá a conhecer alguns
divíduos mais respeitáveis, tan to funcionários como escritores
dos efeitos mais diretos da transferência da família real
ou simples pensadores". O cer to é que foi um equivoco bas- • tante generalizado e de que par
para cá no processo de diferen ciação nacional brasileira, a in
dependência retardada no senti do em que evoluiu a das colónias espanholas, mas recebendo por outro lado um grande im pulso, a europeização ou re-europeização mais intensa do Brasil como resul tratado de comércio de 1810.
e os políticos que o cercaram o ambien te de vida em que se moveram, dando-
js-o Vamhagen procurou estudar com
concretizado na tomada de Caiena e na
tado da vinda de D. João VI e da
soube re-criar para o monarca português
e de fundições, o desenvolvimento inte-
formaçces, feito com a paciência e com
òa de D. João VI, em que foram lança das as bases da emancipação do Brasil. Historiador e biógrafo, Oliveira Lima
reino, o episódio da revolução republi
]ec;tual do Brasil através de escritores, viajantes e do jornalismo nascente, tudo
da posição de Portugal na tragédia eu ropéia, das relações com a Espanha, das intrigas platinas e do surto imperialista
sôbre a verdadeira significação da épo-
cana de 1817 em Pernambuco, as ten tativas de exploração de minas de ferro
87
Digesto Econômico
predominância inglêsa assegurada com o O livro
de Oliveira Lima é o ponto mais alto
da historiografia a respeito da fase pre paratória oa emancipação brasileira. Para o estudo pròpriamente da Inde\ pendência, cumpre destacar as tres obras que até agora melhor trataram do assun to: a "História da Independência do
Brasil", de Francisco Adolfo de Vamha
gen, "O Movimento da Independência", 1821-1822, de Oliveira Lima, e "A Ela
boração da Independência", de Tobias Monteiro.
,0 primeiro dêles é, como tudo que escreveu o seu autor, um livro larga mente decumentado, cheio de ótimas in-
ticiparam as figuras mais emi
nentes do movimento libertador, inclusive José Bonifácio, como timbra em destacar, não sem
segunda intenção, o visconde de Porto ' A maneira por que o grande historiógrafo aprecia a ação e a personalidade de José Bonifácio impõe as maiores re servas. Ao homem verdadeiramente no
tável que ligou para sempre o seu nome à história da independência brasileira,
Vamhagen procura amesquinhar o mais possível. As idéias principais das Ins truções do Govêrao de São Pau.o aos deputados às Côrtes de Lisboa, geral mente ariibuidas a José Bonifácio, seu redator, não são dêle, não são do ho
mem de alto saber, cientísta de renome nos-meios cultos do mundo, professor
da universidade de Coimbra, m^bio e secretário da Academia das Ciências de Lisboa, com dez anos de viagens
ppr tôda a Europa e mais de trinta e
í
Digesto Econômico 88
seis de ausência do Brasil seinpre no desempenho de importantes funções téc nicas e administrativas: em "grande parte não passam do desenvolvimento de muitas idéias do folheto Oliva nelas
(Instruções) citado".
Maior do que
José Bonifácio seria pois o Sr. Oliva, a
quem pertenceriam "em grande parte" as admiráveis Instruções aos deputados paulistas às Côrtes de Lisboa!,..
Em nada também influiu, segundo Varnhagem, o chamado patriarca da In
dependência, na decisão do principe-regente D. Pedro, de ficar no Brasfl. A carta de 24 de dezembro de 1821 da
Junta de São Paulo, redigida por José Bonifácio, ''sabemos não ter sido ela que
contribuiu a resolução do príncipe", afir ma o historiador parcial, acrescentandonenhum outro mérito lhe cabe mais í • que o da energia e veemência da lingua/ gem, se e que essa veemência foi mais
nistro de D. João VI. escrita a um amigo, em que dizia a êste que, se o príncipe quisesse salvar seu pai, e aos
remos de Portugal e do Brasil e também
a si própno, não devia por forma al guma deixar o Brasil". . . Em diversas outras parte do livro, Vamhagen não
esconde a ma-vontade em relação a José Bonifacio_ e uma irreprimível ogeriza a seus irmãos Martim Francisco e Antón-o (Tarlos. A "História da Independên cia do Brasil', pôsto que de consulta obrigatória, deve ser lida com as restrições que o estudo objetivo da História
e.rige dos que se esforçam por atingir o mais possível a verdade.
O Livro que ninguém dispensará é "O Movimento da Independência, 1821-
1822 , de O.iveíra Lima. Seria exagero dar-lhe valor igual ao "D. João VI, no Mas tem o
mesmo rigor crítico, as mesmas qualida
com o exército enciumado, uma e outro sofrendo os inconvenientes da tutela bri
tecimentos. Apoiado nas melhores fon tes, não desprezando nenhum fato, Oli veira Lima consegue fazer do estudo da
tânica 6 da primazia brasileira.
as liumilhações decorrentes-da predomi nância que lograra o reino americano
na superfície, ora subterrâneamente, as
forças de natureza vária que determi naram a nossa emancipação.
As carac
terísticas principais do movimento de separação da metrópole, nas suas dife rentes fases, não lhe escaparam. Nin guém terá talvez discernido mais niti damente o caráter da transação entre o demento nacional mais avançado e o
elemento reacionário, representado pelos portugueses do comércio e da alta administração, que assumiu a independência processada à sombra do trono de um filho de D. João VIj e transação também entre os que sonhavam com governo republicano, como acontecera com as antigas colônias de tôda a Amé
maiores para a unidade nacional.
O conhecimento profundo do reinado
brasdeiro de D. João VI facilitou muito a Oliveira Lima a compreensão dos su cessos de. 1821-1822. Sem falar no sim
ples fato da vinda para o Brasil da fa mília real portuguesa e de sua perma nência aqui, Já por si de grande impor tância, lembra o autor de "O Movimen
to da Independência" a espécie de monarqu a, o novo Império que o Bragança fundara em terras da América: "mo narquia híbrida, misto de absolutismo e
de democracia; absolutismo dos princí
pios, temperado geralmente pela bran-
A seu
ver, a miséria financeira e econômica e
independência brasileira qualquer coisa de vivo, em que se percebam, ora mais
profícua que nociva ao Brasil". E por rica, e os que sem fugir às idéias po aue resolveu D. Pedro ficar? Porque líticas mais realisticamente Jhe foi mostrada uma carta de Tomás queriamdoamomento, ruptura com Portugal sem o Antonio Vila Nova Portugal, antigo mi desmembramento do Brasil, sem riscos
Brasil", do mesmo autor.
89
Dicesto Econômico
merece.
O papel do príncipe-regente
e o seu feitio psicológico, o papel de
explicam aquele surto revolucionário, a
José Bonifácio, a ação do grupo da Maçonaria são apreciados em suas exa
que não faltou o contágio do exemplo
tas proporções, num empenlio visível de
ejpanliol.
evitar conceitos parciais, julgamentos apaixonados. E seguindo o próprio
Houvesse embora nos homens do li beralismo luso fundos ressentimentos
contra o Brasil, nem por ísso, inicialmen te, deixou de ter aqui reflexos simpá ticos o movimento de 1820. Havia tanta
gente satisfeita com as inovações trazi-
aas por D. João VI, e com o regime de reino unido, que a primeira impressão
,1
suas peculiaridades, cada fase bem de limitada, cada fator devidamente desta cado, cada influência analisada como
lhe foi francamente favorável: sem rom
per os vínculos que ligavam Brasil e Portugal, ia inaugurar-se uma
exemplo em "D. João VI no Brasil", não se circunscreveu ao âmbito mera
mente político, interessando-se também pela história social e econômica da épo ca. Capítulos como "A sociedade brasi leira. Nobreza e povo" constituem no vidade em nossa historiografia, miíxime no tempo em que Oliveira Lima escre veu o seu livro.
Contribuição de Tohuis
era de liberdade, de govêmo
representativo,
de
constitucionais.
Muito acerta-
Motiteiro
garantias Obra
de
grande
vulto,
damente Oliveira Lima chama
abrangendo já a fase inicial
o ano de 1821 de "ano do
do
constitucionalismo português",
tempo em que se cuidava pos
Elaboração da Independência" (tomo n.° I da "História do
sível manter a união com a
Império") de Tobias Montei
ex-metrópole, num
engano a
Primeiro Remado, é "A
ro. Sem êste livro,.o de Oli-
\'eira Lima e o de Vamhagen,
que se aeixaram arrastar per
sonagens as mais diferentes, do maduro fosé Bonifácio, com a sua enorme ex
só se poderá estudar a história da in dependência brasileira recorrendo às
periência, ao jovem Evaristo da Veiga, rapaz do Rio de Janeiro, caixeiro de
fontes primárias, aos documentos origi
1'vraria com fumos de poeta e patrio
os dois outros historiadores citados, tem
ta. Só quando as Côrtes de Lisboa pa tentearam os verdadeiros móveis da re
volução de 1820, nas chamadas medidas recolonizadoras, foi que os sucessos po líticos começaram a ter entre nós um colorido nativista e separatista mais in
dura e bondade do príncipe, e demo
tenso, e que se iniciou, com as repre
cracia das maneiras, corrigido o aban dono bonacheírão pela altivez instinti
sentações populares de que resultou a permanência ou a "ficada" entre nós do
nais.
Tobias Monteiro, tanto quanto
o gôsto — mais do que isso — a volúpia da pesquisa, perseguido que é, como já
Híl exatidão; RXatldãO! e confessou, noln pe^ /íjamAnín demônio da
^r»nfpccniT
o que "A Elaboração da Independên cia" revela, como trabalho de investiga
ção, paciência ern recolher os informes ainda aparentemente sem valor, argúcia na reconstituição e interpretação dos fa
tos, não pode deixar de ser pôsto em re'êvo.
va do soberano".
príncipe D. Pedro, já em 1822, o "ano
Apreciando a revolução liberal portu guesa de 1820, pelas repercussões que
do constitucionalismo brasileiro".
brasileira, na sua etapa decisiva, come
Em "O Movimento da Independên cia" está por assim dizer completo o processo de nossa emancipação, com as
tuguesa, Tobias Monteiro principia a sua narrativa analisando as complica-
teve no Brasil, Oliveira Lima define-a
des na exposição das matérias, o meSmo
com justeza como obra da burguesia de
dom de fixar as linhas mestras dos acon
negociantes e lavradores, de mãos dadas •i. Li..
Convencido de que a independência
çou com a chegada da família real por
í
Digesto Econômico 88
seis de ausência do Brasil seinpre no desempenho de importantes funções téc nicas e administrativas: em "grande parte não passam do desenvolvimento de muitas idéias do folheto Oliva nelas
(Instruções) citado".
Maior do que
José Bonifácio seria pois o Sr. Oliva, a
quem pertenceriam "em grande parte" as admiráveis Instruções aos deputados paulistas às Côrtes de Lisboa!,..
Em nada também influiu, segundo Varnhagem, o chamado patriarca da In
dependência, na decisão do principe-regente D. Pedro, de ficar no Brasfl. A carta de 24 de dezembro de 1821 da
Junta de São Paulo, redigida por José Bonifácio, ''sabemos não ter sido ela que
contribuiu a resolução do príncipe", afir ma o historiador parcial, acrescentandonenhum outro mérito lhe cabe mais í • que o da energia e veemência da lingua/ gem, se e que essa veemência foi mais
nistro de D. João VI. escrita a um amigo, em que dizia a êste que, se o príncipe quisesse salvar seu pai, e aos
remos de Portugal e do Brasil e também
a si própno, não devia por forma al guma deixar o Brasil". . . Em diversas outras parte do livro, Vamhagen não
esconde a ma-vontade em relação a José Bonifacio_ e uma irreprimível ogeriza a seus irmãos Martim Francisco e Antón-o (Tarlos. A "História da Independên cia do Brasil', pôsto que de consulta obrigatória, deve ser lida com as restrições que o estudo objetivo da História
e.rige dos que se esforçam por atingir o mais possível a verdade.
O Livro que ninguém dispensará é "O Movimento da Independência, 1821-
1822 , de O.iveíra Lima. Seria exagero dar-lhe valor igual ao "D. João VI, no Mas tem o
mesmo rigor crítico, as mesmas qualida
com o exército enciumado, uma e outro sofrendo os inconvenientes da tutela bri
tecimentos. Apoiado nas melhores fon tes, não desprezando nenhum fato, Oli veira Lima consegue fazer do estudo da
tânica 6 da primazia brasileira.
as liumilhações decorrentes-da predomi nância que lograra o reino americano
na superfície, ora subterrâneamente, as
forças de natureza vária que determi naram a nossa emancipação.
As carac
terísticas principais do movimento de separação da metrópole, nas suas dife rentes fases, não lhe escaparam. Nin guém terá talvez discernido mais niti damente o caráter da transação entre o demento nacional mais avançado e o
elemento reacionário, representado pelos portugueses do comércio e da alta administração, que assumiu a independência processada à sombra do trono de um filho de D. João VIj e transação também entre os que sonhavam com governo republicano, como acontecera com as antigas colônias de tôda a Amé
maiores para a unidade nacional.
O conhecimento profundo do reinado
brasdeiro de D. João VI facilitou muito a Oliveira Lima a compreensão dos su cessos de. 1821-1822. Sem falar no sim
ples fato da vinda para o Brasil da fa mília real portuguesa e de sua perma nência aqui, Já por si de grande impor tância, lembra o autor de "O Movimen
to da Independência" a espécie de monarqu a, o novo Império que o Bragança fundara em terras da América: "mo narquia híbrida, misto de absolutismo e
de democracia; absolutismo dos princí
pios, temperado geralmente pela bran-
A seu
ver, a miséria financeira e econômica e
independência brasileira qualquer coisa de vivo, em que se percebam, ora mais
profícua que nociva ao Brasil". E por rica, e os que sem fugir às idéias po aue resolveu D. Pedro ficar? Porque líticas mais realisticamente Jhe foi mostrada uma carta de Tomás queriamdoamomento, ruptura com Portugal sem o Antonio Vila Nova Portugal, antigo mi desmembramento do Brasil, sem riscos
Brasil", do mesmo autor.
89
Dicesto Econômico
merece.
O papel do príncipe-regente
e o seu feitio psicológico, o papel de
explicam aquele surto revolucionário, a
José Bonifácio, a ação do grupo da Maçonaria são apreciados em suas exa
que não faltou o contágio do exemplo
tas proporções, num empenlio visível de
ejpanliol.
evitar conceitos parciais, julgamentos apaixonados. E seguindo o próprio
Houvesse embora nos homens do li beralismo luso fundos ressentimentos
contra o Brasil, nem por ísso, inicialmen te, deixou de ter aqui reflexos simpá ticos o movimento de 1820. Havia tanta
gente satisfeita com as inovações trazi-
aas por D. João VI, e com o regime de reino unido, que a primeira impressão
,1
suas peculiaridades, cada fase bem de limitada, cada fator devidamente desta cado, cada influência analisada como
lhe foi francamente favorável: sem rom
per os vínculos que ligavam Brasil e Portugal, ia inaugurar-se uma
exemplo em "D. João VI no Brasil", não se circunscreveu ao âmbito mera
mente político, interessando-se também pela história social e econômica da épo ca. Capítulos como "A sociedade brasi leira. Nobreza e povo" constituem no vidade em nossa historiografia, miíxime no tempo em que Oliveira Lima escre veu o seu livro.
Contribuição de Tohuis
era de liberdade, de govêmo
representativo,
de
constitucionais.
Muito acerta-
Motiteiro
garantias Obra
de
grande
vulto,
damente Oliveira Lima chama
abrangendo já a fase inicial
o ano de 1821 de "ano do
do
constitucionalismo português",
tempo em que se cuidava pos
Elaboração da Independência" (tomo n.° I da "História do
sível manter a união com a
Império") de Tobias Montei
ex-metrópole, num
engano a
Primeiro Remado, é "A
ro. Sem êste livro,.o de Oli-
\'eira Lima e o de Vamhagen,
que se aeixaram arrastar per
sonagens as mais diferentes, do maduro fosé Bonifácio, com a sua enorme ex
só se poderá estudar a história da in dependência brasileira recorrendo às
periência, ao jovem Evaristo da Veiga, rapaz do Rio de Janeiro, caixeiro de
fontes primárias, aos documentos origi
1'vraria com fumos de poeta e patrio
os dois outros historiadores citados, tem
ta. Só quando as Côrtes de Lisboa pa tentearam os verdadeiros móveis da re
volução de 1820, nas chamadas medidas recolonizadoras, foi que os sucessos po líticos começaram a ter entre nós um colorido nativista e separatista mais in
dura e bondade do príncipe, e demo
tenso, e que se iniciou, com as repre
cracia das maneiras, corrigido o aban dono bonacheírão pela altivez instinti
sentações populares de que resultou a permanência ou a "ficada" entre nós do
nais.
Tobias Monteiro, tanto quanto
o gôsto — mais do que isso — a volúpia da pesquisa, perseguido que é, como já
Híl exatidão; RXatldãO! e confessou, noln pe^ /íjamAnín demônio da
^r»nfpccniT
o que "A Elaboração da Independên cia" revela, como trabalho de investiga
ção, paciência ern recolher os informes ainda aparentemente sem valor, argúcia na reconstituição e interpretação dos fa
tos, não pode deixar de ser pôsto em re'êvo.
va do soberano".
príncipe D. Pedro, já em 1822, o "ano
Apreciando a revolução liberal portu guesa de 1820, pelas repercussões que
do constitucionalismo brasileiro".
brasileira, na sua etapa decisiva, come
Em "O Movimento da Independên cia" está por assim dizer completo o processo de nossa emancipação, com as
tuguesa, Tobias Monteiro principia a sua narrativa analisando as complica-
teve no Brasil, Oliveira Lima define-a
des na exposição das matérias, o meSmo
com justeza como obra da burguesia de
dom de fixar as linhas mestras dos acon
negociantes e lavradores, de mãos dadas •i. Li..
Convencido de que a independência
çou com a chegada da família real por
KJP""
DiGESTo Econômico
90
ções da política européia que colocaram
cipação brasileira, desses trabalhos que
Portugal entre as ameaças napoleônicas
nenhum estudioso poderá dispensar.
e as imposições da aliança" inglesa, e
para o seu domínio americano. A êsse respeito se sucedem páginas de grande penetração.
Segue-se o exame, ou me
lhor, a dissecaçâo das personalidades de D. João, de D. Carlota Joaquina, a
Além dos livros de Vamhagen, Oli veira Lima e Tobias Monteiro, sem dú vida os trabalhos de maior valor sôbre
a Independência, há vários outros (não
falando nas obras gerais de história do
Corte portuguesa vista a uma luz crua,
Brasil) cuja leitura é necessária à cum-
que tem a particularidade de revelar de
preferência as deformações, as fealda-
preensão desse período histórico por es clarecerem aspectos particulares dos
des, os estigmas mórbidos. O autor de
acontecimentos, tomarem accessíveis al
"A Elaboração da Independência", sem
guns dos documentos capitais c fornece
"parti-pris" certamente, mas com uma
rem informações mais minuciosas acêr-
disposição de pouca simpatia, instaura o julgamento da família real portuguesa,
ca de personagens que desempenharam
^umerando-Ihe as taras, os vícios, as fraqueps. Em toda essa primeira par te do livro - mais de um têrço dêle
caso das "Cartas e mais peças oficiais dirigidas a Sua Majestade o senhor D.
tima e escandalosa.
dução francesa de Eugène Monglave (Paris, de ITmprimerie de A. Henry
acaba quando Tobias Monteiro entra Aqui o seu trabalho cresce de valor e
consegue realizar qualquer coisa que não foi superado até agora. A ação do príncipe D. Pedro, desde a partida do pai para Lisboa, é exposta de uma ma neira que se pode chamar, sem ênfase,
de magistral. Quanto ao papel de José Bonifácio, bem se percebe que Tobias Monteiro, embora sem lhe recusar, como
fizeram e fazem ainda hoje inimigos postumos dos Andradas, uma grande im portância, é dos*que se inclinam a con ceder ao grupo de Ledo e José Clemen
te mais do que merece. É na aprecia ção sôbre o comportamento pessoal, o feitio psicológico, o caráter do ministro
da Independência e de seus irmãos, há muita coisa certa, procedente, fundada,
ao lado de graves injustiças.
obrigatória.
sa D. Leopoldina. Não se poderá abrir mão também de
do "O ano da independência", reúne uma série de conferências pronunciadas
alguns dos trabalhos de Melo Morais, sobretudo a "História do Brasil-Reino e
em 1922, e algumas valem como inter pretações do processo de nossa separa
Brasil-Império, o Brasil Histórico e a História da Independência". São obras
nerável revista de 106 anos os ensaies
e achegas sôbre aspectos, episódios e acontecimentos do tempo da emancipa ção brasileira. Na leitura dela, como na das revistas do Instituto Histórico de
de referências, úteis por certo ao estu
São Paulo, Ceará e Rio Grande do Sul e Arqueológico de Pernambuco, o pes
dioso que saiba escolher, peneirar, dis
quisador não perderá seu tempo.
tinguir.
Do mesmo gênero é a contribuição de Menezes Drummond nas "Anotações"
o estudo biográfico que não de Drummond é o de um con
como José Bonifácio. E já que vem à baila o nome do
dro vai contando ao pai tudo que se abandono as suas reações diante dos
fatos. Importante também para o estu do da época é a "Correspondência ofi cial das províncias do Brasil durante a legislatura das Cortes de Lisboa.. .",
homem que teve o papel mais eminente,
Hípólito da Costa, de tão larga in fluência.
cia particular, em que aparecem, vistos através da crítica ferina e pouco serena dos irmãos Andradas, os homens e os
tes diplomáticos acreditados no Rio de 3
fatos do momento.
Outras cartas que servem a quem
tain and the Independence of Latin
quiser de preferência dedicar-se à his
América), o da Áustria, barão Wenzel
tória íntima e social da época em que
de Mareschal, e o da França coronel
se preparou a Independência são as de
Maler.
Luís Joaquim dos Santos Marrocos, por tuguês a princípio pouco simpático ao Brasil e que acabou brasileiro, oficial
trar os segredos das antecâmaras, são
Como quer que seja, o livro de To
bias Monteiro é, na bibliografia históri
que ocorria; o primeiro representava o
ca relativa aos acontecimentos da eman
vigilante interêsse britânico, e o segun-
reio Brasiliense" ou "Arma
zém Literário", redigido em Londres, de 1808 a 1822, por
ao lado de D. Pedro, na emancipação do Brasil, não devem ser omitidas as "Car
tas Andradinas", peças de correspondên
bem como os ofícios e cartas dos agen
por vezes verdadeiramente preciosas. Não lhes minguavam meios de saber o
Português" e no grande "Cor
nos sucessos e viveu na inti
passa e fixando com mais ou menos
penhados em conhecer tudo, em pene
"Correio do Rio de Janeiro , "O Tamoio"„ sem fhlar no "O Patriota" no "Investigador
chega a 51 Mas o testemunho
midade de pessoas influentes
seus governos por êsses diplomatas, em
Constitucional Fluminense' o
"Despertador Brasiliense", O Espellio", a "Malagueta",
140 páginas em contraste com
cia muitos episódios de 1821-1822 en contram explicação fácilj nela D. Pe
As informações enviadas aos
jornais como "O Reverbero
que se alongam por mais de
temporâneo, que tomou parte
Janeiro, sobretudo o da Inglaterra, H. Chamberlain (ver C. K. Webster, Bri-
Não se poderá também ter uma
mação _pompleta acerca da mentalidade dominante na época sem a consulta de
à própria biografia, anotações
Nessa correspondên
Tenon, 1827).
ção de Portugal. Muitos são nessa ve-
todo, em que os assuntos se misturam
sa cópia de documentos (nem sempre
prensa Nacional de Lisboa, como na tra
O tômo especial, intitula
fragmentárias, escritas sem nenhum mé
fielmente transcritos), de testemunhos,
r
pendência, alguns estudos de consulta
Áustria, estava sempre perto da prince
e se repetem. Mas abrigam uma imen
João VI pelo príncipe real o senhor D. Pedro de Alcântara...", não só na
edição oficial feita em 1822 pela Im
a historiar os acontecimentos mais pròximamente ligados à Independência.
-y
papel de maior ou menor relêvo. Ê o
há um excesso de minúcias de caráter pnvado, prejudicando obra 'de tanto mento e dando-lhe tons de história ín Felizmente isso
do, dada a sua condição de agente da
Obras diversas
forçaram a solução da \'inda de D. João
91
Digesto Econômico
maior da Secretaria dos Negócios do Império. Parece -inútil dizer que a Revista do
Instituto Histórico e Geográfico Bra sileiro contém, sôbre a fase da Inde-
..
Um exame atento dos documentos oti" ciais da fase dramática da Independên cia é absolutamente necessário: os ma
nifestos de 1 a 6 de agôsto de 1822, do último sobretudo, que exprime todo ressentimento de três séculos de opressão
colonial e a certeza de que chegara
para o Brasil a hora de sua libertação.
Finalmente, para se ter um conheci mento em profundidade do estado eco nômico, social e político do país, ao
cabo de três séculos de colonização, níi
um livro que se impõe — "Form^ao do Brasil Contemporâneo", de Caio Pra do Júnior. Não se trata de obra que se enquadre precisamente na historiogra fia da Independência, mas será do maior proveito lê-la com o vagar e a atençao que merece.
KJP""
DiGESTo Econômico
90
ções da política européia que colocaram
cipação brasileira, desses trabalhos que
Portugal entre as ameaças napoleônicas
nenhum estudioso poderá dispensar.
e as imposições da aliança" inglesa, e
para o seu domínio americano. A êsse respeito se sucedem páginas de grande penetração.
Segue-se o exame, ou me
lhor, a dissecaçâo das personalidades de D. João, de D. Carlota Joaquina, a
Além dos livros de Vamhagen, Oli veira Lima e Tobias Monteiro, sem dú vida os trabalhos de maior valor sôbre
a Independência, há vários outros (não
falando nas obras gerais de história do
Corte portuguesa vista a uma luz crua,
Brasil) cuja leitura é necessária à cum-
que tem a particularidade de revelar de
preferência as deformações, as fealda-
preensão desse período histórico por es clarecerem aspectos particulares dos
des, os estigmas mórbidos. O autor de
acontecimentos, tomarem accessíveis al
"A Elaboração da Independência", sem
guns dos documentos capitais c fornece
"parti-pris" certamente, mas com uma
rem informações mais minuciosas acêr-
disposição de pouca simpatia, instaura o julgamento da família real portuguesa,
ca de personagens que desempenharam
^umerando-Ihe as taras, os vícios, as fraqueps. Em toda essa primeira par te do livro - mais de um têrço dêle
caso das "Cartas e mais peças oficiais dirigidas a Sua Majestade o senhor D.
tima e escandalosa.
dução francesa de Eugène Monglave (Paris, de ITmprimerie de A. Henry
acaba quando Tobias Monteiro entra Aqui o seu trabalho cresce de valor e
consegue realizar qualquer coisa que não foi superado até agora. A ação do príncipe D. Pedro, desde a partida do pai para Lisboa, é exposta de uma ma neira que se pode chamar, sem ênfase,
de magistral. Quanto ao papel de José Bonifácio, bem se percebe que Tobias Monteiro, embora sem lhe recusar, como
fizeram e fazem ainda hoje inimigos postumos dos Andradas, uma grande im portância, é dos*que se inclinam a con ceder ao grupo de Ledo e José Clemen
te mais do que merece. É na aprecia ção sôbre o comportamento pessoal, o feitio psicológico, o caráter do ministro
da Independência e de seus irmãos, há muita coisa certa, procedente, fundada,
ao lado de graves injustiças.
obrigatória.
sa D. Leopoldina. Não se poderá abrir mão também de
do "O ano da independência", reúne uma série de conferências pronunciadas
alguns dos trabalhos de Melo Morais, sobretudo a "História do Brasil-Reino e
em 1922, e algumas valem como inter pretações do processo de nossa separa
Brasil-Império, o Brasil Histórico e a História da Independência". São obras
nerável revista de 106 anos os ensaies
e achegas sôbre aspectos, episódios e acontecimentos do tempo da emancipa ção brasileira. Na leitura dela, como na das revistas do Instituto Histórico de
de referências, úteis por certo ao estu
São Paulo, Ceará e Rio Grande do Sul e Arqueológico de Pernambuco, o pes
dioso que saiba escolher, peneirar, dis
quisador não perderá seu tempo.
tinguir.
Do mesmo gênero é a contribuição de Menezes Drummond nas "Anotações"
o estudo biográfico que não de Drummond é o de um con
como José Bonifácio. E já que vem à baila o nome do
dro vai contando ao pai tudo que se abandono as suas reações diante dos
fatos. Importante também para o estu do da época é a "Correspondência ofi cial das províncias do Brasil durante a legislatura das Cortes de Lisboa.. .",
homem que teve o papel mais eminente,
Hípólito da Costa, de tão larga in fluência.
cia particular, em que aparecem, vistos através da crítica ferina e pouco serena dos irmãos Andradas, os homens e os
tes diplomáticos acreditados no Rio de 3
fatos do momento.
Outras cartas que servem a quem
tain and the Independence of Latin
quiser de preferência dedicar-se à his
América), o da Áustria, barão Wenzel
tória íntima e social da época em que
de Mareschal, e o da França coronel
se preparou a Independência são as de
Maler.
Luís Joaquim dos Santos Marrocos, por tuguês a princípio pouco simpático ao Brasil e que acabou brasileiro, oficial
trar os segredos das antecâmaras, são
Como quer que seja, o livro de To
bias Monteiro é, na bibliografia históri
que ocorria; o primeiro representava o
ca relativa aos acontecimentos da eman
vigilante interêsse britânico, e o segun-
reio Brasiliense" ou "Arma
zém Literário", redigido em Londres, de 1808 a 1822, por
ao lado de D. Pedro, na emancipação do Brasil, não devem ser omitidas as "Car
tas Andradinas", peças de correspondên
bem como os ofícios e cartas dos agen
por vezes verdadeiramente preciosas. Não lhes minguavam meios de saber o
Português" e no grande "Cor
nos sucessos e viveu na inti
passa e fixando com mais ou menos
penhados em conhecer tudo, em pene
"Correio do Rio de Janeiro , "O Tamoio"„ sem fhlar no "O Patriota" no "Investigador
chega a 51 Mas o testemunho
midade de pessoas influentes
seus governos por êsses diplomatas, em
Constitucional Fluminense' o
"Despertador Brasiliense", O Espellio", a "Malagueta",
140 páginas em contraste com
cia muitos episódios de 1821-1822 en contram explicação fácilj nela D. Pe
As informações enviadas aos
jornais como "O Reverbero
que se alongam por mais de
temporâneo, que tomou parte
Janeiro, sobretudo o da Inglaterra, H. Chamberlain (ver C. K. Webster, Bri-
Não se poderá também ter uma
mação _pompleta acerca da mentalidade dominante na época sem a consulta de
à própria biografia, anotações
Nessa correspondên
Tenon, 1827).
ção de Portugal. Muitos são nessa ve-
todo, em que os assuntos se misturam
sa cópia de documentos (nem sempre
prensa Nacional de Lisboa, como na tra
O tômo especial, intitula
fragmentárias, escritas sem nenhum mé
fielmente transcritos), de testemunhos,
r
pendência, alguns estudos de consulta
Áustria, estava sempre perto da prince
e se repetem. Mas abrigam uma imen
João VI pelo príncipe real o senhor D. Pedro de Alcântara...", não só na
edição oficial feita em 1822 pela Im
a historiar os acontecimentos mais pròximamente ligados à Independência.
-y
papel de maior ou menor relêvo. Ê o
há um excesso de minúcias de caráter pnvado, prejudicando obra 'de tanto mento e dando-lhe tons de história ín Felizmente isso
do, dada a sua condição de agente da
Obras diversas
forçaram a solução da \'inda de D. João
91
Digesto Econômico
maior da Secretaria dos Negócios do Império. Parece -inútil dizer que a Revista do
Instituto Histórico e Geográfico Bra sileiro contém, sôbre a fase da Inde-
..
Um exame atento dos documentos oti" ciais da fase dramática da Independên cia é absolutamente necessário: os ma
nifestos de 1 a 6 de agôsto de 1822, do último sobretudo, que exprime todo ressentimento de três séculos de opressão
colonial e a certeza de que chegara
para o Brasil a hora de sua libertação.
Finalmente, para se ter um conheci mento em profundidade do estado eco nômico, social e político do país, ao
cabo de três séculos de colonização, níi
um livro que se impõe — "Form^ao do Brasil Contemporâneo", de Caio Pra do Júnior. Não se trata de obra que se enquadre precisamente na historiogra fia da Independência, mas será do maior proveito lê-la com o vagar e a atençao que merece.
Digesto Econômico
Nenhum problema, quando medito sô-
bre o futuro econômico do meu país,
PEClilRli BRUSILEIRil
encaro com tanto otimismo como o da
pecuária.
por Antônio Gontijo de Carvalho
O seu aspecto teórico é de interêsse
"Quem quiser guardar um segrêdo deve arquivá-lo no "Diário Oficial", — cos
menor para um Departamento Adminis
tumava dizer Ferreira Viana.
mal, confiado a um profissional de valor e de indiscutível capacidade de traba lho. Mas, se necessário debatê-lo, nada teria a fazer senão reproduzir o magis tral ensaio, de caráter doutrinário, em que o professor Álvaro da Silveira pul
trativo.
O traba
lho que ora exumamos dos Anais do Conselho Administrativo do Estado de
São Paulo, da lavra do dr. Antpnio Gontifo de Carvalho, atual diretor do
"Digesto Econômico", repleto de obser vações pessoais e de plena atualidade,
examina, de um ângulo objetivo e realistico, a introdução e a criação do "bos
Compete ao da Indústria Ani
Apaixonado nas discussões, como evi
luminoso de Eduardo Prado, sustentava,
na magia de um estilo encantador, que
tura, no Tesouro do Estado, de
formava proséiitós, as maiores heresias.
um crédito especial para aquisi ção de reprodutores, destinados as Estações de Monta da Dire toria de Indústria Animal.
Uma verba é aplicada ao "Mangalarga , o soberbo corcel que se caracteriza pela marcha de surpreendente efeito. Paulo de Lima Correia já exalçou, em interessante monografia, todos os seus
predicados de resistência e velocidade. Insistir em proclamá-los é tarefa desne
Movido por um ódio inexplicável em
boi indiano no Estado de São Paulo, que as nossas pastagens eram superiores às
da Argentina e vaticinava a degenerescôncia do zebu, que se transformaria em
cabrito, com a alegação errônea' de que
aprovação o eminente relator dr. Aguiar
da política sadia.
projeto. Evidente é a necessidade .da sua
O orçamento vigente i não comporta saldos de arrecadação que cubram as despesas com créditos especiais, tem
escritos, para impedir a introdução do
Tratando-se de despesa de caráter re produtivo, manifestou-se favorável à sua Whitaker.
Outra verba destina-se à aquisição do
ráter educacional, proclamava, em seus
crédito.
cessária. Incentivar a sua criação, para ufania da zoocultura brasileira, é obra boi indiano.
homem de ciência, despido, portanto, da serenidade exigível em obra de ca
Ao Departamento Administrativo, co mo um dos órgãos da administração do Estado, compete, em cada caso concreto, examinar as vantagens ou desvantagens de recursos provirem das operações de
O meu trabalho não visa^ defesa do aprovação e o autor do incisivo parecer usufrui, não só nesta casa como em
todo o Estado, pela experiência dos ne gócios públicos e sólida cultura, prestí■"gio acatado.
"bos indicus" e '^os taurús" são gê IP»
Outro, o meu intuito: ex
sido a resposta uniforme da Secretaria
planar, sob um prisma nacional, idéias
da Fazenda, quando ouvida sobre os recursos com que conta o Tesouro para
oriundas de convicções antigas, que con tribuam para a melhoria dos nossos
fazer face a despesas de vulto.
rebanhos.
lente", denominações do utilíssimo ani
mal em .sua linguagem, arrastou Pereira Barreto a quase unanimidade dos nossos
escritores e jornalistas, acarretando, — convicto afirmou na tribuna da Câmara
o deputado Sampaio Vidal, — para o Estaclo de São Paulo, um prejuízo su perior a um milhão de contos de réis. Arnaldo Vieira de Carvalho, embora com urbanidade, secundou-o na campa
tulados "De Re Rústica", que dificultou,
denciou a sua polêmica com o e.spírito
de decreto que autoriza a aber
Na guerra empreendida contra "o monstro do Canges" e "o bicho repe
extensa cultura geral, panfletário, po pecuária.
ao nosso beneplácito o projeto
Produzir é o lema e até
na cria"ção de cabritos há vantagens,
nha, publicando, pelas colunas de um
rém, quando dissertava sôbre coisas de
Interventoria Federal submete
cada zona.
veriza os argumentos de Pereira Barreto,
prosador elegante e médico insigne, de
indicus" no Brasil.
acôrdo com as condições peculiares de .dvertia o solitário de Pedras Altas.
A campanha de Pereira Barreto
Especial para o "Digesto Econômico'
93
neros diferentes.
Confundia, no ardor da luta, o signi
ficado das expressões gênero e espécie
e cometia erros em geologia sôbre a for mação das nossas terras, esquecido de que a planície platina, não atingida pela erosão, é o paraíso das espécies búvinas. Erros agravados, com a apologia da
matutino,
uma
série
de
artigos
inti
com p prestígio do seu nome, grangeado
na cimrgia, ainda mais a. compreensão exata do problema. O zebu era o inimigo comum. Outro, porém, q objetivo colimado. Propugnando a criação exclusiva do gado euro
peu, incidia esse paulista ilustre era êrro não menor.
Na publicística, em defesa do "boi malsinado", excetuou-se apenas um jo
vem de temperamento combativo, escri tor de cujas idéias políticas tantas vezes tenho dissentido.
Alfredo Ellis Júnior, alertando os fa
zendeiros, situou, já naq^uela época, em que a palavTU em prol do zebu era crime de lesa-patriotismo, a questão em seus verdadeiros têrmos.
Dentre os nossos homens públicos,
Antônio Prado, pioneiro da indústria do frio em nosso país, foi quem a encarou com a visão do estadista.
Afastado das
posições oficiais, não pôde impedir a guerra sem tréguas que os governantes,
influenciados pelos "técnicos", moviam contra o zebu.
raça .única pãra um Estado de grande extensão territorial, de terras e climas
Hovos rumos
tão variados.
Nesse êrro não incidiu Assis Brasil,
que aconselhava a criação de gado, de-
Ascendendo Júlio Prestes à presidên
cia do Estado, a pecuária paulista enve-
Digesto Econômico
Nenhum problema, quando medito sô-
bre o futuro econômico do meu país,
PEClilRli BRUSILEIRil
encaro com tanto otimismo como o da
pecuária.
por Antônio Gontijo de Carvalho
O seu aspecto teórico é de interêsse
"Quem quiser guardar um segrêdo deve arquivá-lo no "Diário Oficial", — cos
menor para um Departamento Adminis
tumava dizer Ferreira Viana.
mal, confiado a um profissional de valor e de indiscutível capacidade de traba lho. Mas, se necessário debatê-lo, nada teria a fazer senão reproduzir o magis tral ensaio, de caráter doutrinário, em que o professor Álvaro da Silveira pul
trativo.
O traba
lho que ora exumamos dos Anais do Conselho Administrativo do Estado de
São Paulo, da lavra do dr. Antpnio Gontifo de Carvalho, atual diretor do
"Digesto Econômico", repleto de obser vações pessoais e de plena atualidade,
examina, de um ângulo objetivo e realistico, a introdução e a criação do "bos
Compete ao da Indústria Ani
Apaixonado nas discussões, como evi
luminoso de Eduardo Prado, sustentava,
na magia de um estilo encantador, que
tura, no Tesouro do Estado, de
formava proséiitós, as maiores heresias.
um crédito especial para aquisi ção de reprodutores, destinados as Estações de Monta da Dire toria de Indústria Animal.
Uma verba é aplicada ao "Mangalarga , o soberbo corcel que se caracteriza pela marcha de surpreendente efeito. Paulo de Lima Correia já exalçou, em interessante monografia, todos os seus
predicados de resistência e velocidade. Insistir em proclamá-los é tarefa desne
Movido por um ódio inexplicável em
boi indiano no Estado de São Paulo, que as nossas pastagens eram superiores às
da Argentina e vaticinava a degenerescôncia do zebu, que se transformaria em
cabrito, com a alegação errônea' de que
aprovação o eminente relator dr. Aguiar
da política sadia.
projeto. Evidente é a necessidade .da sua
O orçamento vigente i não comporta saldos de arrecadação que cubram as despesas com créditos especiais, tem
escritos, para impedir a introdução do
Tratando-se de despesa de caráter re produtivo, manifestou-se favorável à sua Whitaker.
Outra verba destina-se à aquisição do
ráter educacional, proclamava, em seus
crédito.
cessária. Incentivar a sua criação, para ufania da zoocultura brasileira, é obra boi indiano.
homem de ciência, despido, portanto, da serenidade exigível em obra de ca
Ao Departamento Administrativo, co mo um dos órgãos da administração do Estado, compete, em cada caso concreto, examinar as vantagens ou desvantagens de recursos provirem das operações de
O meu trabalho não visa^ defesa do aprovação e o autor do incisivo parecer usufrui, não só nesta casa como em
todo o Estado, pela experiência dos ne gócios públicos e sólida cultura, prestí■"gio acatado.
"bos indicus" e '^os taurús" são gê IP»
Outro, o meu intuito: ex
sido a resposta uniforme da Secretaria
planar, sob um prisma nacional, idéias
da Fazenda, quando ouvida sobre os recursos com que conta o Tesouro para
oriundas de convicções antigas, que con tribuam para a melhoria dos nossos
fazer face a despesas de vulto.
rebanhos.
lente", denominações do utilíssimo ani
mal em .sua linguagem, arrastou Pereira Barreto a quase unanimidade dos nossos
escritores e jornalistas, acarretando, — convicto afirmou na tribuna da Câmara
o deputado Sampaio Vidal, — para o Estaclo de São Paulo, um prejuízo su perior a um milhão de contos de réis. Arnaldo Vieira de Carvalho, embora com urbanidade, secundou-o na campa
tulados "De Re Rústica", que dificultou,
denciou a sua polêmica com o e.spírito
de decreto que autoriza a aber
Na guerra empreendida contra "o monstro do Canges" e "o bicho repe
extensa cultura geral, panfletário, po pecuária.
ao nosso beneplácito o projeto
Produzir é o lema e até
na cria"ção de cabritos há vantagens,
nha, publicando, pelas colunas de um
rém, quando dissertava sôbre coisas de
Interventoria Federal submete
cada zona.
veriza os argumentos de Pereira Barreto,
prosador elegante e médico insigne, de
indicus" no Brasil.
acôrdo com as condições peculiares de .dvertia o solitário de Pedras Altas.
A campanha de Pereira Barreto
Especial para o "Digesto Econômico'
93
neros diferentes.
Confundia, no ardor da luta, o signi
ficado das expressões gênero e espécie
e cometia erros em geologia sôbre a for mação das nossas terras, esquecido de que a planície platina, não atingida pela erosão, é o paraíso das espécies búvinas. Erros agravados, com a apologia da
matutino,
uma
série
de
artigos
inti
com p prestígio do seu nome, grangeado
na cimrgia, ainda mais a. compreensão exata do problema. O zebu era o inimigo comum. Outro, porém, q objetivo colimado. Propugnando a criação exclusiva do gado euro
peu, incidia esse paulista ilustre era êrro não menor.
Na publicística, em defesa do "boi malsinado", excetuou-se apenas um jo
vem de temperamento combativo, escri tor de cujas idéias políticas tantas vezes tenho dissentido.
Alfredo Ellis Júnior, alertando os fa
zendeiros, situou, já naq^uela época, em que a palavTU em prol do zebu era crime de lesa-patriotismo, a questão em seus verdadeiros têrmos.
Dentre os nossos homens públicos,
Antônio Prado, pioneiro da indústria do frio em nosso país, foi quem a encarou com a visão do estadista.
Afastado das
posições oficiais, não pôde impedir a guerra sem tréguas que os governantes,
influenciados pelos "técnicos", moviam contra o zebu.
raça .única pãra um Estado de grande extensão territorial, de terras e climas
Hovos rumos
tão variados.
Nesse êrro não incidiu Assis Brasil,
que aconselhava a criação de gado, de-
Ascendendo Júlio Prestes à presidên
cia do Estado, a pecuária paulista enve-
m
Dicesto Econômico
»4
reda por novos rumos. Sua Excelência, que se revelou de um dinamismo cons
Jardy, cavalos adquiridos na Europa por
Recebeu Uberaba os primeiros zebus
somas fabulosas, tornaram não só multi-
há cinqüenta anos. De raças Guzerat e
trutor em sua passagem pelo govêmo,
apaixonado de tudo que se refira à pro
milionários os seus criadores, cuja fama transpôs o continente, como enriquece
Nellore, nomes esses de províncias das índia.-?. Foram adquiridos em Canta-
dução de riquezas, adquiriu para o Es tado reprodutores da raça indiana, a
ram a própria nação. Os shortons que povoam as pastagens de Buenos Aires, de melhor "pedigree", são descenden
mediante condições e prazos determi
galo, município do Estado do Rio de Janeiro. Os fazendeiros, entusiasmados com os primeiros resultados,' iniciaram a
tes de um touro famoso, "Tarquínio",
nados, aos criadores que quisessem me
importação de lotes de reprodutores das
importado da Inglaterra, em princípios
índias Inglesas, dispendendo, com essas importações, milhares de contos de
fim de ceder, a título^ de empréstimo,
lhorar os seus -rebanhos com um sangue novo e forte.
Os resultados dessa orientação, rece bida com reservas, constatei quando, na Exposição Nacional efetuada em Belo Horizonte, assisti a um criador em Cam
pinas, um japonês realista e prático co
mo todos os de sua raça, exibir um práduto que alcança o primeiro prêmio,
do século anterior.
Ao citar esses exemplos da Argentina,
lembro-me do' episódio narrado por insigne parlamentar, que define a menta lidade dos seus homens públicos. Um
brasileiro, percorrendo o interior da gran de República, notou que o trem e.x-
Alaor Prata Soares, Felipe Achê, Alberto Parton, Ângelo Costa e tantos
outros, trouxeram, desde os primórdios,
do tamanho de um car
Tão
ínterêsse
minada estação. Minutos após, um tretn
facilmente criador, como demonstrou o
a dianteira do seu. Estranhando o fato, um argentino, solícito, explicou-lhe-
japonês de Campinas e o • município de
"Es Ia produccion".
Franca atesta com os seus admirávds
produtos. É a diretriz que se impõe.
Contrasta , êsse exemplo com a falta de vagões com que, em nosso país, luta
Não cometo indiscreção, pois o fato é notório em Uberaba, em dizer que a
o fazendeiro para transporte dó seu gado.
fortuna de um dos seus criadores, ava
O exemplo de Uberaba
a sua origem na aquisição de um touro, O problema da pecuária, em país de condições mesológicas como o Brási^ deve ser encarado e resolvido sob o
ponto de vista prático. O exemplo de
Os
dos ■ melhores tipos in dianos. O abandono,
naquele período inicial, é explicável.
Uberaba, que bem conheço, é frisante. Narro-o para conhecimento exato dos criadores paulistas.
Os cria
dores visavam intuito;:
comerciais.e só os pro dutos caracteristícamente indianos alcançavam
fo
bons preços, pois ainda
demonstrado
eram numerosos os re
banhos
tanto ouro tem doado
que transportava gado nassou, tomando
produtos de Old Man, Le Samaritain e
niunerosas
pequena
porcentagem de ossos, pela precocidade no pêso, o Nellore é um
pela terra do boi que
o nosso melhor mercado.
segredo da República Argentina.
beleza, pela
ram as viagens às ín dias Inglêsas e tal o
presso em que viajava parou em deter
Na aquisição de reprodutores está o
ricanos para as regiões do Te.xas. Pela
retes de passeio.
mo "chilled de primeira", o tipo ex portável para a Inglaterra, que ainda é
bitante na época.
lore, que é o preferido dos norte ame
neiro, que nas ruas de
Satisfaz às .exigências dos
contos de réis, preço considerado exor
dores o confessam: o abandono do Nel
Bombaim puxam char-
frigoríficas e a carne é classificada co
denominado "Lontra", em fins do sé
mestiçagem entre êsses tipos.
Maissor, até zebuzinhos
O Estado^ de São Paulo tem sido prin cipalmente invemista, se bem que no Vale do Paraíba predominem raças lei teiras. Possui campos de engorda exu berantes, sem rivais no país, como os de Barretos e Andradina. O zebu, após longas caminhadas a pé, com pastoreio de poucos meses, revigora-se naquelas
culo passado, pela quantia de quatro
Brasil, bovino resultante do cruzamento
das duas raças Gyr e Guzerat, ou da
espécimes magníficos das raças Guzerat, Nel de uma raça "mignon",
liada hoje em dezenas de milhares, tem
Os uberabenses fixaram as suas pre
ferências nas raças Gyr e Guzerat e des prezaram as demais. Hoje estão pratica mente extintos os tipos puros.^ O mes tiço do puro sangue indiano e o Indu-
Houve um êrro lamentável, e os cria
réis.
lecionados em Minas Gerais.
^ Adquirindo finos genitores, tomar-se-á
quele tempo, à metade do custo de cada animal.
lore, Kattiavar ou Gyr,
em concorrência com reprodutores se
pastagens.
95
Dicesto Econômico
nacionais.
A
ainda hoje em Uberaba,
orelha, um dos caracte res mais destacados da
homem de rua que não
raça,
ao Brasil que não há,
pelos teóricos. Mas o maior dos presi
pequena
no
res, ignorantes e teme
rosos, desconfiavam de que os produtos, que as
olhos essas importações
os governos, orientados
é
Nellore e os comprado
discreteie sòbre coisas de Bombaim. Não viam com bons
possuíssem
pequenas,,
não tivessem grande quantidade de
dentes, de Minas Gerais, aquêle cuja
sangue indiano.
vida foi um apostolado ininterrupto em prol dos ideais democráticos, insurgiu-se
o aumento dos rebanhos indianos, di
contra a rotina e a inércia. João Pinhei
ro apoiou decididamente a iniciativa dos uberabenses, permitindo a entrada de zebus no recinto das exposições, ate en
tão vedada. Importou das índias grande quantidade de reprodutores e os distri buiu aos criadores, mediante o paga
mento de duzentos e cinqüenta mil réis
por cabeça, quantia correspondente, na-
Êsse fator de ordem psicológica, com
minuiu e os govèmos, principalmente os de São Paulo, que dispõe de uma aparelhagem ímpar como a da Diretoria de Indústria Animal, devem dirigir os seus estudos para essa raça.
Antes de introduzir-se, em Uberaba, o
zebu, os fazendeiros tentaram improficuamente aumentar os rebanhos, quer
com reprodutores ç^raçus, selecionados
m
Dicesto Econômico
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reda por novos rumos. Sua Excelência, que se revelou de um dinamismo cons
Jardy, cavalos adquiridos na Europa por
Recebeu Uberaba os primeiros zebus
somas fabulosas, tornaram não só multi-
há cinqüenta anos. De raças Guzerat e
trutor em sua passagem pelo govêmo,
apaixonado de tudo que se refira à pro
milionários os seus criadores, cuja fama transpôs o continente, como enriquece
Nellore, nomes esses de províncias das índia.-?. Foram adquiridos em Canta-
dução de riquezas, adquiriu para o Es tado reprodutores da raça indiana, a
ram a própria nação. Os shortons que povoam as pastagens de Buenos Aires, de melhor "pedigree", são descenden
mediante condições e prazos determi
galo, município do Estado do Rio de Janeiro. Os fazendeiros, entusiasmados com os primeiros resultados,' iniciaram a
tes de um touro famoso, "Tarquínio",
nados, aos criadores que quisessem me
importação de lotes de reprodutores das
importado da Inglaterra, em princípios
índias Inglesas, dispendendo, com essas importações, milhares de contos de
fim de ceder, a título^ de empréstimo,
lhorar os seus -rebanhos com um sangue novo e forte.
Os resultados dessa orientação, rece bida com reservas, constatei quando, na Exposição Nacional efetuada em Belo Horizonte, assisti a um criador em Cam
pinas, um japonês realista e prático co
mo todos os de sua raça, exibir um práduto que alcança o primeiro prêmio,
do século anterior.
Ao citar esses exemplos da Argentina,
lembro-me do' episódio narrado por insigne parlamentar, que define a menta lidade dos seus homens públicos. Um
brasileiro, percorrendo o interior da gran de República, notou que o trem e.x-
Alaor Prata Soares, Felipe Achê, Alberto Parton, Ângelo Costa e tantos
outros, trouxeram, desde os primórdios,
do tamanho de um car
Tão
ínterêsse
minada estação. Minutos após, um tretn
facilmente criador, como demonstrou o
a dianteira do seu. Estranhando o fato, um argentino, solícito, explicou-lhe-
japonês de Campinas e o • município de
"Es Ia produccion".
Franca atesta com os seus admirávds
produtos. É a diretriz que se impõe.
Contrasta , êsse exemplo com a falta de vagões com que, em nosso país, luta
Não cometo indiscreção, pois o fato é notório em Uberaba, em dizer que a
o fazendeiro para transporte dó seu gado.
fortuna de um dos seus criadores, ava
O exemplo de Uberaba
a sua origem na aquisição de um touro, O problema da pecuária, em país de condições mesológicas como o Brási^ deve ser encarado e resolvido sob o
ponto de vista prático. O exemplo de
Os
dos ■ melhores tipos in dianos. O abandono,
naquele período inicial, é explicável.
Uberaba, que bem conheço, é frisante. Narro-o para conhecimento exato dos criadores paulistas.
Os cria
dores visavam intuito;:
comerciais.e só os pro dutos caracteristícamente indianos alcançavam
fo
bons preços, pois ainda
demonstrado
eram numerosos os re
banhos
tanto ouro tem doado
que transportava gado nassou, tomando
produtos de Old Man, Le Samaritain e
niunerosas
pequena
porcentagem de ossos, pela precocidade no pêso, o Nellore é um
pela terra do boi que
o nosso melhor mercado.
segredo da República Argentina.
beleza, pela
ram as viagens às ín dias Inglêsas e tal o
presso em que viajava parou em deter
Na aquisição de reprodutores está o
ricanos para as regiões do Te.xas. Pela
retes de passeio.
mo "chilled de primeira", o tipo ex portável para a Inglaterra, que ainda é
bitante na época.
lore, que é o preferido dos norte ame
neiro, que nas ruas de
Satisfaz às .exigências dos
contos de réis, preço considerado exor
dores o confessam: o abandono do Nel
Bombaim puxam char-
frigoríficas e a carne é classificada co
denominado "Lontra", em fins do sé
mestiçagem entre êsses tipos.
Maissor, até zebuzinhos
O Estado^ de São Paulo tem sido prin cipalmente invemista, se bem que no Vale do Paraíba predominem raças lei teiras. Possui campos de engorda exu berantes, sem rivais no país, como os de Barretos e Andradina. O zebu, após longas caminhadas a pé, com pastoreio de poucos meses, revigora-se naquelas
culo passado, pela quantia de quatro
Brasil, bovino resultante do cruzamento
das duas raças Gyr e Guzerat, ou da
espécimes magníficos das raças Guzerat, Nel de uma raça "mignon",
liada hoje em dezenas de milhares, tem
Os uberabenses fixaram as suas pre
ferências nas raças Gyr e Guzerat e des prezaram as demais. Hoje estão pratica mente extintos os tipos puros.^ O mes tiço do puro sangue indiano e o Indu-
Houve um êrro lamentável, e os cria
réis.
lecionados em Minas Gerais.
^ Adquirindo finos genitores, tomar-se-á
quele tempo, à metade do custo de cada animal.
lore, Kattiavar ou Gyr,
em concorrência com reprodutores se
pastagens.
95
Dicesto Econômico
nacionais.
A
ainda hoje em Uberaba,
orelha, um dos caracte res mais destacados da
homem de rua que não
raça,
ao Brasil que não há,
pelos teóricos. Mas o maior dos presi
pequena
no
res, ignorantes e teme
rosos, desconfiavam de que os produtos, que as
olhos essas importações
os governos, orientados
é
Nellore e os comprado
discreteie sòbre coisas de Bombaim. Não viam com bons
possuíssem
pequenas,,
não tivessem grande quantidade de
dentes, de Minas Gerais, aquêle cuja
sangue indiano.
vida foi um apostolado ininterrupto em prol dos ideais democráticos, insurgiu-se
o aumento dos rebanhos indianos, di
contra a rotina e a inércia. João Pinhei
ro apoiou decididamente a iniciativa dos uberabenses, permitindo a entrada de zebus no recinto das exposições, ate en
tão vedada. Importou das índias grande quantidade de reprodutores e os distri buiu aos criadores, mediante o paga
mento de duzentos e cinqüenta mil réis
por cabeça, quantia correspondente, na-
Êsse fator de ordem psicológica, com
minuiu e os govèmos, principalmente os de São Paulo, que dispõe de uma aparelhagem ímpar como a da Diretoria de Indústria Animal, devem dirigir os seus estudos para essa raça.
Antes de introduzir-se, em Uberaba, o
zebu, os fazendeiros tentaram improficuamente aumentar os rebanhos, quer
com reprodutores ç^raçus, selecionados
«
1'
97
Digesto Econômico
■;-7 r-i?
Digesto Econômico
96
por Joaquim Prudente o outros, quer
Nem todos os criadores concordaram
com Herefords, importados da Argenti
com a denominação de "Indu-Brasil"
na por Pedro Macnado, quer com De-
para o mestiço de puro sangue indiano.
vons, comprados por Manuel Alves da
Propuseram a de "Induberaba", em lou
Costa.
vor ao município çue coroou os seus O Indu-Brar.il
tenazes e.sforços com vitória integral. Uberaba fez jus a uma homenagem e o governo federal, rcconhecendo-o, esta
com êsse objetivo. Lenda não constituí
ge de ser a descrita nos romances de Bernardo Guimarães, -r' eram agravadas
o fato de uma vaca Gyr, criada na zona
pelas secas dos meses de agosto e se tembro. O gado énfraquecido, acossa do pela fome e seduzido pelo capim
riamente, produzia vinte e cinco litros
da Serra, no Rio Grande do Sul, por Salvador Pinheiro Machado, que, dia de leite.
verde do brejo, atolava-se e morria se
Embora uma exceção, é ín
dice digno de registo.
não acudído/em tempo.
Hoje, co^ os mesmos campos, po
Aos três anos de idade, o zebu é boi
construindo, ali, um bolo e amplo re cinto, mmiatura do majestoso Parque
voados áe/gado indiano, o criador, em
para o corte, com média de quinze arro
cem vacás, colhe, no mínimo, oitenta
ram-se e morreram de tristeza, veicula
da Água Branca, para exposições perma
da pelo carrapato. Os prejuízos foram
nentes.
Íneocuj^a com os brejais. Raros se ato
bas. O caracu só atinge a êsse peso aos cinco anos. Tomam-se, assim, pal
Devido ao clima tropical e à dureza
-das pastagens, os reprodutores definha
A razão está, porém, com os que
totais.
Em abôno dessa afirmativa, um com-
petentíssimo fimcionário do Ministério
propugnam pelo nome de "Indu-Brasil".
Falo com isenção, pois sou filho daquela
da Agricultura, Durval Garcia de Me-
terra e o meu modo de pensar, quando
nezej, escreveu: "As ex])eriências feitas
se debateu o assunto na Sociedade Ru
cora as raças chamadas finas não pro duziram os efeitos desejados, havenclo o
gado mestiço degenerado a tal ponto / nue o frigorífico não mais o cotava'*. No Brasil, explica-se o definhamento do boi europeu. De um "habitat" su perior passa para um "habitat" inferior.
Com o zebu, dá-se o ín\erso. Superior c o^ novo "habitat". O Indu-Brasil, do Triângulo Mineiro, tem outra desenvol tura que não a tem o zobu das índias
Inglesas.
Cessaram-se as importações
por esta causa e não pelo pavor da febre aftosa, como se assoalhoíi.
Dizia-me um amigo, com a sua "ver
ral do Triângulo Mineiro, não é de todo desconhecido dos meus conterrâneos. ^ Ordena a justiça ciue se proclame: Não
e so Uberaba que dispõe de exemplares magníficos desta raça. Conquista e Araxá, municípios circuiífizinhos, possuem gado não inferior, selecionados com o mesmo apuro, há algumas dezenas de
até altura.
A adoção integral do zebu não -foi,
Vantagens do zebu
Decidindo, o Presidente da Republica, em ato recente, a disputa em prol do nome Indu-Brasil, agiu com patriotis
com
força
própria. Nós sertões de Goiás e em parte con
siderável de Minas Gerais, principal mente nas zonas norte e oeste, o carro
de' boi ainda é meio de transporte.
Eáses carros, antigamente, eram puxa
dos por dez ou oito juntas de bois.
/ Hoje, para o mesmo serviço, doze teuF©9 zebus são suficientes.
Cito esse
fato, para evidenciar a sua robustez, qualidade primordial em um país das condições do BrasU.
O zebu, costeado, é dócil como ne nhum outro.
É a surprêsa que se re
serva a todos os que visitam as fazen
Nas índias, país de origem, o zebu,
animal sagrado, companlieiro insepará vel do homem, é criado em choupanas,
nos casebres da gente humilde.
Perspectivas da pecuária
mo e acerto.
sultados observados, nêsses últimos cin
com a campanlia demolidora de Pereira
qüenta anos, em Uberaba, um dos maio
Barreto. Mas as resistências foram, aos
res centros criadores do país?
Quando só existia o gado crioulo, mis
O Gyr é raça leiteira. Observei, nas
páveis, as desvantagens dessa criação: maior tempo de empate de capital, m-
vemadas ocupadas por mais dois arras, maior número de perdas, ocasionadas pelas pragas que infestam os campos. O zebu é o gado que melhor resiste às penosas e longas camínliadas aos cen tros de engorda. Em Barretos ou Tr s Corações, goza das preferências dos mvemistas, pela rápida saída e ceva tacu. Os frigoríficos o msputam e o preferem. Pagam mais, a sua carne, dois mil reis por anôba, em média, e, se tiver uma
mestiçagem de Gyr, mais acentuada e a
preferência.
Com tão múltiplas qualidades, não há,
com outras raças, no Brasil, confronto
possível. Até o ano fatídico de 1914, não pos
suíamos carne para as necessidades mtemas.
A cidade do Rio de Janeiro a
sumo.
Atualmente, a cifra das nossas
importava da Argentina para o seu con
exportações de carnes congeladas atoge a cerca de duzentos mil contos de reis. Possibilitou essa riqueza a conflagra
fazendas, que inúmeras são as vacas que
ção mundial.
diariamente dão cito litros de leite. Em
produção de gêneros de imprescmdivel
épocas de crias novas, doze ou cator ze. Os produtos do Gyr selecionam-se
necessidade.
raças depauperadas^, o criador, que pos suísse cem vacas, colheria, em cada ano,
que^ o zebu é o boi que convém a um país tropical. É a tese do inglês que
trinta e cinco bezerros, no máximo.
n5n introduz nas índias fndins os ns sev? Here Hprpnão
ainda,máximo esfôrço. As deficiências de
Deflagrada novamente,
devemos orientar os nossos esforços na
tura de pedreiro, caracu e curraleiro,
Mineiro, zona essencialmente pastoril,
fords, Devons e Jerseys,
libertam-se
se divulgasse a lenda de Pereira Barreto.
servadores e muitos se impressionaram
Hoje é ponto assente no Triângulo
esses
das de Uberaba. Aliás, é estranho que
Quais as vantagens do zebu e os re
r. única mestra.
é
do Brasil.
todavia, pacífica. Os mineiros são con
poucos, vencidas pela ex}>eriência, que é
am
anos. Outro argumento, de caráter de cisivo, apresentei: Indu-Brasil é de nominação que sugere idéia nacional. Espalliado de norte a sul, será o boi
ve" habitual: modificam-.se no Brasil: o
zebu e o japonês. O zcbu desenvolve e o japonês, nascido na Noroeste, tem
bezerros^ sadios e resistentes, e não se
Para tão parco resultado, era preciso
pastagens, — cuja fertilidade estava lon■ I I iiriiiiÉIiríli
«
1'
97
Digesto Econômico
■;-7 r-i?
Digesto Econômico
96
por Joaquim Prudente o outros, quer
Nem todos os criadores concordaram
com Herefords, importados da Argenti
com a denominação de "Indu-Brasil"
na por Pedro Macnado, quer com De-
para o mestiço de puro sangue indiano.
vons, comprados por Manuel Alves da
Propuseram a de "Induberaba", em lou
Costa.
vor ao município çue coroou os seus O Indu-Brar.il
tenazes e.sforços com vitória integral. Uberaba fez jus a uma homenagem e o governo federal, rcconhecendo-o, esta
com êsse objetivo. Lenda não constituí
ge de ser a descrita nos romances de Bernardo Guimarães, -r' eram agravadas
o fato de uma vaca Gyr, criada na zona
pelas secas dos meses de agosto e se tembro. O gado énfraquecido, acossa do pela fome e seduzido pelo capim
riamente, produzia vinte e cinco litros
da Serra, no Rio Grande do Sul, por Salvador Pinheiro Machado, que, dia de leite.
verde do brejo, atolava-se e morria se
Embora uma exceção, é ín
dice digno de registo.
não acudído/em tempo.
Hoje, co^ os mesmos campos, po
Aos três anos de idade, o zebu é boi
construindo, ali, um bolo e amplo re cinto, mmiatura do majestoso Parque
voados áe/gado indiano, o criador, em
para o corte, com média de quinze arro
cem vacás, colhe, no mínimo, oitenta
ram-se e morreram de tristeza, veicula
da Água Branca, para exposições perma
da pelo carrapato. Os prejuízos foram
nentes.
Íneocuj^a com os brejais. Raros se ato
bas. O caracu só atinge a êsse peso aos cinco anos. Tomam-se, assim, pal
Devido ao clima tropical e à dureza
-das pastagens, os reprodutores definha
A razão está, porém, com os que
totais.
Em abôno dessa afirmativa, um com-
petentíssimo fimcionário do Ministério
propugnam pelo nome de "Indu-Brasil".
Falo com isenção, pois sou filho daquela
da Agricultura, Durval Garcia de Me-
terra e o meu modo de pensar, quando
nezej, escreveu: "As ex])eriências feitas
se debateu o assunto na Sociedade Ru
cora as raças chamadas finas não pro duziram os efeitos desejados, havenclo o
gado mestiço degenerado a tal ponto / nue o frigorífico não mais o cotava'*. No Brasil, explica-se o definhamento do boi europeu. De um "habitat" su perior passa para um "habitat" inferior.
Com o zebu, dá-se o ín\erso. Superior c o^ novo "habitat". O Indu-Brasil, do Triângulo Mineiro, tem outra desenvol tura que não a tem o zobu das índias
Inglesas.
Cessaram-se as importações
por esta causa e não pelo pavor da febre aftosa, como se assoalhoíi.
Dizia-me um amigo, com a sua "ver
ral do Triângulo Mineiro, não é de todo desconhecido dos meus conterrâneos. ^ Ordena a justiça ciue se proclame: Não
e so Uberaba que dispõe de exemplares magníficos desta raça. Conquista e Araxá, municípios circuiífizinhos, possuem gado não inferior, selecionados com o mesmo apuro, há algumas dezenas de
até altura.
A adoção integral do zebu não -foi,
Vantagens do zebu
Decidindo, o Presidente da Republica, em ato recente, a disputa em prol do nome Indu-Brasil, agiu com patriotis
com
força
própria. Nós sertões de Goiás e em parte con
siderável de Minas Gerais, principal mente nas zonas norte e oeste, o carro
de' boi ainda é meio de transporte.
Eáses carros, antigamente, eram puxa
dos por dez ou oito juntas de bois.
/ Hoje, para o mesmo serviço, doze teuF©9 zebus são suficientes.
Cito esse
fato, para evidenciar a sua robustez, qualidade primordial em um país das condições do BrasU.
O zebu, costeado, é dócil como ne nhum outro.
É a surprêsa que se re
serva a todos os que visitam as fazen
Nas índias, país de origem, o zebu,
animal sagrado, companlieiro insepará vel do homem, é criado em choupanas,
nos casebres da gente humilde.
Perspectivas da pecuária
mo e acerto.
sultados observados, nêsses últimos cin
com a campanlia demolidora de Pereira
qüenta anos, em Uberaba, um dos maio
Barreto. Mas as resistências foram, aos
res centros criadores do país?
Quando só existia o gado crioulo, mis
O Gyr é raça leiteira. Observei, nas
páveis, as desvantagens dessa criação: maior tempo de empate de capital, m-
vemadas ocupadas por mais dois arras, maior número de perdas, ocasionadas pelas pragas que infestam os campos. O zebu é o gado que melhor resiste às penosas e longas camínliadas aos cen tros de engorda. Em Barretos ou Tr s Corações, goza das preferências dos mvemistas, pela rápida saída e ceva tacu. Os frigoríficos o msputam e o preferem. Pagam mais, a sua carne, dois mil reis por anôba, em média, e, se tiver uma
mestiçagem de Gyr, mais acentuada e a
preferência.
Com tão múltiplas qualidades, não há,
com outras raças, no Brasil, confronto
possível. Até o ano fatídico de 1914, não pos
suíamos carne para as necessidades mtemas.
A cidade do Rio de Janeiro a
sumo.
Atualmente, a cifra das nossas
importava da Argentina para o seu con
exportações de carnes congeladas atoge a cerca de duzentos mil contos de reis. Possibilitou essa riqueza a conflagra
fazendas, que inúmeras são as vacas que
ção mundial.
diariamente dão cito litros de leite. Em
produção de gêneros de imprescmdivel
épocas de crias novas, doze ou cator ze. Os produtos do Gyr selecionam-se
necessidade.
raças depauperadas^, o criador, que pos suísse cem vacas, colheria, em cada ano,
que^ o zebu é o boi que convém a um país tropical. É a tese do inglês que
trinta e cinco bezerros, no máximo.
n5n introduz nas índias fndins os ns sev? Here Hprpnão
ainda,máximo esfôrço. As deficiências de
Deflagrada novamente,
devemos orientar os nossos esforços na
tura de pedreiro, caracu e curraleiro,
Mineiro, zona essencialmente pastoril,
fords, Devons e Jerseys,
libertam-se
se divulgasse a lenda de Pereira Barreto.
servadores e muitos se impressionaram
Hoje é ponto assente no Triângulo
esses
das de Uberaba. Aliás, é estranho que
Quais as vantagens do zebu e os re
r. única mestra.
é
do Brasil.
todavia, pacífica. Os mineiros são con
poucos, vencidas pela ex}>eriência, que é
am
anos. Outro argumento, de caráter de cisivo, apresentei: Indu-Brasil é de nominação que sugere idéia nacional. Espalliado de norte a sul, será o boi
ve" habitual: modificam-.se no Brasil: o
zebu e o japonês. O zcbu desenvolve e o japonês, nascido na Noroeste, tem
bezerros^ sadios e resistentes, e não se
Para tão parco resultado, era preciso
pastagens, — cuja fertilidade estava lon■ I I iiriiiiÉIiríli
Digesto Econômico
98
Em períodos anormais, facilmente não se convertem em ouro os "produtos de
da grandeza econômica da nossa terra, o seu papel de amanhã.
sobremesa", frase caustícante com que
Incrementada, em larga escala, a pecuá
Capistrano de Abreu, nos insuperáveis "Capítulos da História Colonial", sinte
ria, com a aquisição e seleção do zebu,
pelos modernos processos de zootecnia,
tiza o panorama econômico do Brasil.
disporá o Brasil, em futuro não remoto,
Fator de integração da unidade nacional, foi o papel que o boi on tem desempenhou. Fator máximo
CALÓGERAS E A ESCOLA PRIMÁRIA
de recursos suficientes para cumprir
por Sun Mennucci
a finalidade que o destino lhe re serva no concêrto das Nações..
Especial papa o "Digesto Econômico' Üu
não
teria
nunca o desejo
de ser biógrafo de Calógeras. to-o
autor
Sin emi
nentemente difí
cil e complexo, uma dessas cabe
Ve"-
ças
muito
estruturadas
bem de
mais e que, porisso mesmo, pu
escaninhos de mil setores,diferentes, rea
mento do conselheiro. Os tempos não estavam ainda maduros, em nossa vida,
go. Calógeras tinha a volúpia da cul
Pj<^no qüinqüenal para a reconstrução do parque auto-
cessar o numero de veículos, até o quinto, quando atingirá a cifra de 478.200 unxdades de todos os tipos.
Já foi mais de uma vez contada aque la passagem entre êle e Rodrigues Alves. O sereno e arguto político paulista, ver dadeiro ímã para atrair em volta de suas administrações os homens, exatamente
adequados para cada cargo, pediu-lhe, ao iniciar um de seus períodos presiden
ciais, que lhe apresentasse um relatório acêrca da situação real de cada um dos sete ministérios em que se repartia o
A f da guerra, fabrtcaram-se do plano a redução do número de tiposnúmero a construir. Antes 136édiferentes. Atualmente, o seu é de y lares
ígua/menfe a construção, em série, de pequenos automóveis ^popu~ de 4 cavalos. ^ ^
governo nacional. E Calógeras apresentou um tão com pleto e perfeito e exaustivo trabalho que
Avaltam-se ^ 15 bilhões de francos as compras necessárias para o reequi-
fez dizer a Rodrigues Alves ser o minei
pamento de 22.000 das 60.000 máquinas existentes. Antes da guerra a indústria automobüxstxca dxspunha, na França, de 800.000 máquinas-feJramentas. Tais as grandes íinhas do primeiro projeto do plano qüinqüenal conhecido
ro capaz de dirigir qualquer uma daque las sete pastas. O que em boa lógica eqüivalia a dizer que Pandiá Calógeras,
pelo nome de
pela visão panorâmica que tinha da vida
Plano Pons , elaborado sobretudo tendo-se em vista a concentra
ção da produção e a redução do número de tipos de veículos.
talhado para ocupar a presidência da República.
tura universal.
mohilxstxco da França data de 1945. Por êle se previu a fabricação de 1.652.000 veiculas 5 anos, sendo 593.000 caminhões e camionetes, 5.000 tratores, 25.000 ônibus e 1.029.000 automóveis de turismo. Para o primeiro ano estxpulou-se a fabricação de 160.000 unidades. Nos anos seguintes aumen-
como alfabetizadora, mas com um paoel profundo e insubstituível a exercer sobt-e a xrida nacional, que lhe deveria ter dado a primazia sôbre todos os demais pro blemas nossos, e que teria determinado a organização dêsse aparelhamento admi nistrativo em moldes outros, bem dif^entes dos que a Primeira República adotou.
deram repartir a atividade pelos lizando em todos êles trabalhos de fôle
PLANO AUTOMOBILÍSTICO FRANCÊS
Calógeras sentia — comenta o A. — a função da escola primária, não apenas
pela sua cultura, pelo preparo técnico,
Êle lá não esteve, apesar dêsse julga
para permitir a ascensão de um homem com aquela envergadura, de um estu
dioso inveterado que se houvesse im-
pôsto à consciência nacional cuidando mais da própria cultura que da política. E foi realmente pena. Se numa das muitas vezes em que coube a Minas Gerais decidir do pleito, elegendo ■ cim-
didato seu para a suprema curul da Na ção, tivessem os homens das Alterosas
apresentado o nome dêsse poço de sa
bedoria, nós, os mestre-escolas brasilei ros podemos ter certeza de que as coisas do ensino teriam tomado um outro e bem diverso rumo, em nossa terra, e
que a Revolução de Trinta não nos sur preenderia tão mal vestidos, nesse capí tulo, como nos encontrou.
Educadores de âmbito regional
Porque Calógeras, que era um cien
brasileira em todos os seus mais varia
tista, e escreveu um tratado clássico
dos aspectos, era o homem realmente
acêrca das minas do Brasil, que era
Digesto Econômico
98
Em períodos anormais, facilmente não se convertem em ouro os "produtos de
da grandeza econômica da nossa terra, o seu papel de amanhã.
sobremesa", frase caustícante com que
Incrementada, em larga escala, a pecuá
Capistrano de Abreu, nos insuperáveis "Capítulos da História Colonial", sinte
ria, com a aquisição e seleção do zebu,
pelos modernos processos de zootecnia,
tiza o panorama econômico do Brasil.
disporá o Brasil, em futuro não remoto,
Fator de integração da unidade nacional, foi o papel que o boi on tem desempenhou. Fator máximo
CALÓGERAS E A ESCOLA PRIMÁRIA
de recursos suficientes para cumprir
por Sun Mennucci
a finalidade que o destino lhe re serva no concêrto das Nações..
Especial papa o "Digesto Econômico' Üu
não
teria
nunca o desejo
de ser biógrafo de Calógeras. to-o
autor
Sin emi
nentemente difí
cil e complexo, uma dessas cabe
Ve"-
ças
muito
estruturadas
bem de
mais e que, porisso mesmo, pu
escaninhos de mil setores,diferentes, rea
mento do conselheiro. Os tempos não estavam ainda maduros, em nossa vida,
go. Calógeras tinha a volúpia da cul
Pj<^no qüinqüenal para a reconstrução do parque auto-
cessar o numero de veículos, até o quinto, quando atingirá a cifra de 478.200 unxdades de todos os tipos.
Já foi mais de uma vez contada aque la passagem entre êle e Rodrigues Alves. O sereno e arguto político paulista, ver dadeiro ímã para atrair em volta de suas administrações os homens, exatamente
adequados para cada cargo, pediu-lhe, ao iniciar um de seus períodos presiden
ciais, que lhe apresentasse um relatório acêrca da situação real de cada um dos sete ministérios em que se repartia o
A f da guerra, fabrtcaram-se do plano a redução do número de tiposnúmero a construir. Antes 136édiferentes. Atualmente, o seu é de y lares
ígua/menfe a construção, em série, de pequenos automóveis ^popu~ de 4 cavalos. ^ ^
governo nacional. E Calógeras apresentou um tão com pleto e perfeito e exaustivo trabalho que
Avaltam-se ^ 15 bilhões de francos as compras necessárias para o reequi-
fez dizer a Rodrigues Alves ser o minei
pamento de 22.000 das 60.000 máquinas existentes. Antes da guerra a indústria automobüxstxca dxspunha, na França, de 800.000 máquinas-feJramentas. Tais as grandes íinhas do primeiro projeto do plano qüinqüenal conhecido
ro capaz de dirigir qualquer uma daque las sete pastas. O que em boa lógica eqüivalia a dizer que Pandiá Calógeras,
pelo nome de
pela visão panorâmica que tinha da vida
Plano Pons , elaborado sobretudo tendo-se em vista a concentra
ção da produção e a redução do número de tipos de veículos.
talhado para ocupar a presidência da República.
tura universal.
mohilxstxco da França data de 1945. Por êle se previu a fabricação de 1.652.000 veiculas 5 anos, sendo 593.000 caminhões e camionetes, 5.000 tratores, 25.000 ônibus e 1.029.000 automóveis de turismo. Para o primeiro ano estxpulou-se a fabricação de 160.000 unidades. Nos anos seguintes aumen-
como alfabetizadora, mas com um paoel profundo e insubstituível a exercer sobt-e a xrida nacional, que lhe deveria ter dado a primazia sôbre todos os demais pro blemas nossos, e que teria determinado a organização dêsse aparelhamento admi nistrativo em moldes outros, bem dif^entes dos que a Primeira República adotou.
deram repartir a atividade pelos lizando em todos êles trabalhos de fôle
PLANO AUTOMOBILÍSTICO FRANCÊS
Calógeras sentia — comenta o A. — a função da escola primária, não apenas
pela sua cultura, pelo preparo técnico,
Êle lá não esteve, apesar dêsse julga
para permitir a ascensão de um homem com aquela envergadura, de um estu
dioso inveterado que se houvesse im-
pôsto à consciência nacional cuidando mais da própria cultura que da política. E foi realmente pena. Se numa das muitas vezes em que coube a Minas Gerais decidir do pleito, elegendo ■ cim-
didato seu para a suprema curul da Na ção, tivessem os homens das Alterosas
apresentado o nome dêsse poço de sa
bedoria, nós, os mestre-escolas brasilei ros podemos ter certeza de que as coisas do ensino teriam tomado um outro e bem diverso rumo, em nossa terra, e
que a Revolução de Trinta não nos sur preenderia tão mal vestidos, nesse capí tulo, como nos encontrou.
Educadores de âmbito regional
Porque Calógeras, que era um cien
brasileira em todos os seus mais varia
tista, e escreveu um tratado clássico
dos aspectos, era o homem realmente
acêrca das minas do Brasil, que era
n.i^rvp-^O
100
DrcESTo
autoridade em economia e finanças, e
cólogo da história, um mestre de socio logia, e que estando ao par de todos os problemas sociais modernos poderia
distância, acuando, pelo isolamento e
equilíbrio e em perfeita harmonia com
pelo desamparo, as massas de iletrados inatingíveis á palavra e à doutrinação do
Pensando em Pandiá Calógeras, domi-'
houvessem dado a oportunidade, talvez
centro. Cumpria neutralizar êsse estado de coisas para manter a nova pátria na
tivesse atingido a proporções para ocupar
sua tradicional unidade.
na-me a impressão de que êle, se Uie aquele lugar.
A tarefa de união nacional, de coesão
haver sido um dos mais brilhantes di
plomatas do país, esse homem entendia também de educação.
Tenho dito e repetido muitas vêzes,
em rodas de amigos, que a prova mais evidente de que o Brasil, nessa matéria, sempre esteve verde, é a de que até agora não possui uma fi gura central, aceita sem discordâncias como representativa da educação nacio nal. Se a Argentina pode
y
O analfabetismo
ãrios, de uma largueza de horizonte que enunciavam um poder de síntese ao mesmo tempo sutil e profundo. Compreendendo o fenômeno histórico
de nossa evolução política, o porque de nossas
apresentar um Sarmiento
preferências
de
povo pelas formas demo
e os Estados Unidos um
I Horace Mann, o Uruguai,
cráticas de governo —
o seu Varela de Siqueira,
testemunhadas através de
uma série ininterru/^ta de
enquanto Cuba faz o mi
movimentos populares que repontaram nos pon
lagre de ter dois, Varona
e Marti, nós, neste largo
tos mais diversos do ter
6 enorme trato de terra,
ritório pátrio e concreti
não temos um nome que
zadas em episódios zeoitais de nossa vida, como
focalize, para o país, todo o esforço e o labor bra sileiros nesse setor.
o espetacular desabe do
To-
Reino Unido, a abdica
.dos os nossos educadores
do do primeiro impera
são de âmbito regional.
dor, a despedida sumária
Tentou-se, não hâ mui-
.to, dar o lugar vacante ao Barão de
e amálgama desses núcleos dispersos por um território fantástico de oito milhões
É que Calógeras tinha a respeito de educação pontos-de-vista típicos e pró-
do segundo — sentia, en tretanto, que em tudo isso houvera
e meio de quilômetros quadrados, só podia, a seu ver, ter um artífice, o mestre-escola.
Dissera-o já em 1911, naquele breviário de "Os jesuítas e o ensino", em^que expõe o seu pensamento em relação à obra educativa:
"Êsse, o intuito da escola primária:
preparar uma democracia inteligente, justa e fraternal, unida por uma cultura comum, guiada por sentimentos progres sistas comuns, essencialmente unos, ex
generalizadas, esforços de progresso in terior ininterrupto, gravitação incessante para o bem, missão que, em regime uni tário, caberia à igreja, e que, na vigên cia da liberdade de pensamento, deve ria recair sôbre o professor elernentar, fôrça insubstituível para a formação dos laços unionais decorrentes da comunhão de ideal, de aspirações e de processos .
E por que se não havia feito êsse trabalho imprescindível ainda em 1927 na sua conferência sôbre "Ministério in compreendido", feita aqui em São Paulo, no Instituto Histórico e Geográfico, vol tico de minlia "Crise Brasileira de "Crise de caráter, crise de ensino,
crise desintegradora, tudo são reflexos de um fenômeno só: a crise da escola primária".
do país".
da esc(3a primária, não apenas como ai-
Há nessa escola primária alguma coisa
nando em acontecimentos totais de que beneficiara a nação, bem poderia, ama
extinga o analfabetismo, pura e simples
proporções para que cá de baixo, onde 'ficamos nós da turba-multa, a perspecti va monumental se mantenha em perfeito
suscitar sentimentos comuns, aspirações
de inquirir, de analisar, de escolher e de se governar. Ê sempre bela a frase lembrada por Pécaut: "Pela alma da escola, ir ao encontro da própria alma
nimo intuito de diminuir os méritos de Abílio César Borges, todos reconhece
tas proporções, aquelas indispensáveis
che" comum dos brasileiros, a tarefa _de
consciente 6 repulsiva, um povo capaz
cia e ao descortino de Calógeras. En
mais para comportar figura sem as exa
"Nada se fez para preencher na es
cola primária, onde se formaria a
Educação":
pròpnamente çonhecimento. E êsse mes mo impulso primário que viera culmi
que quiseram guindá-lo. Ê que o Pan teão Nacional de nossos pró-homens, a peanha que espera o homem certo que deve ocupar-lhe a vaga, é grande de
ção básica.
da responsabilidade moral, dentro em pouco fariam da multidão anônima, in
■ reluta em homologar o julgamento por que percebe que é injusto. Sem o mí
mos que lhe falta porte para o lugar a
que êle empresta ao trabalho da educa
tava êle à carga e pronunciava aquele lapidar aforisma que eu coloquei no pOT-
muito mais impulso instintivo do que
Mas a consciência coletiva
num período que não deixa a mínima dúvida quanto ao valor insubstituível
O sentimento da dignidade unido ao
tremes de intolerância ou de sectarismo.
a mais do que se vive pedindo hoje e êsse algo mais só faz honra à inteligên
Macaúbas.
101
Digesto Econômico ^
Econômico ICO
escreveu a preciosíssima monografia da 'a distribuição das massas. "Política Monetária", Calógeras, que era um historiador substancioso e, como psi
'V
quanto agora se brada aos céus que se mente, como num passe de mágica, a
Calógeras sentia, portanto, a função
fabetizadora, mas com um papel profun do e insubstituível a exercer sôbre a
vida nacional que lhe deveria ter dado a primazia sôbre todos os demais proble mas nossos, e que teria determinado a organização dêsse aparelhamento nistrativo em moldes outros, bem dife
rentes dos que a Primeira Republica
se contra ela própria e chegar até à
escola primária que êle quer e cuja fun ção define naquele parágrafo, é muito
adotou.
auto-mutilação, se o Brasil não tivesse
mais educação que instrução.
nhã se erradamente conduzido, voltar-
E porque não foi ouvido — como não se ouviu a outro gran
povo.
A crise da escola primária
de pensador, seu contemporan^ — Alberto Torres — é que ainda
menos quatro quintos de sua população,
E porque a escola não havia
estamos lutando nesse setor di
analfabetismo que assumia caracteres trágicos pelo fato de nossa carência
realizado o seu "desideratum", verbera-o nesse mesmo libelo.
E a monarquia legara à República um saldo arrazante: o analfabetismo de pelo
quase total de meios de comunicação.
Era o nó terrível da ignorância e da
fícil que traz o atraso de qua'renla anos de incompreensão.
n.i^rvp-^O
100
DrcESTo
autoridade em economia e finanças, e
cólogo da história, um mestre de socio logia, e que estando ao par de todos os problemas sociais modernos poderia
distância, acuando, pelo isolamento e
equilíbrio e em perfeita harmonia com
pelo desamparo, as massas de iletrados inatingíveis á palavra e à doutrinação do
Pensando em Pandiá Calógeras, domi-'
houvessem dado a oportunidade, talvez
centro. Cumpria neutralizar êsse estado de coisas para manter a nova pátria na
tivesse atingido a proporções para ocupar
sua tradicional unidade.
na-me a impressão de que êle, se Uie aquele lugar.
A tarefa de união nacional, de coesão
haver sido um dos mais brilhantes di
plomatas do país, esse homem entendia também de educação.
Tenho dito e repetido muitas vêzes,
em rodas de amigos, que a prova mais evidente de que o Brasil, nessa matéria, sempre esteve verde, é a de que até agora não possui uma fi gura central, aceita sem discordâncias como representativa da educação nacio nal. Se a Argentina pode
y
O analfabetismo
ãrios, de uma largueza de horizonte que enunciavam um poder de síntese ao mesmo tempo sutil e profundo. Compreendendo o fenômeno histórico
de nossa evolução política, o porque de nossas
apresentar um Sarmiento
preferências
de
povo pelas formas demo
e os Estados Unidos um
I Horace Mann, o Uruguai,
cráticas de governo —
o seu Varela de Siqueira,
testemunhadas através de
uma série ininterru/^ta de
enquanto Cuba faz o mi
movimentos populares que repontaram nos pon
lagre de ter dois, Varona
e Marti, nós, neste largo
tos mais diversos do ter
6 enorme trato de terra,
ritório pátrio e concreti
não temos um nome que
zadas em episódios zeoitais de nossa vida, como
focalize, para o país, todo o esforço e o labor bra sileiros nesse setor.
o espetacular desabe do
To-
Reino Unido, a abdica
.dos os nossos educadores
do do primeiro impera
são de âmbito regional.
dor, a despedida sumária
Tentou-se, não hâ mui-
.to, dar o lugar vacante ao Barão de
e amálgama desses núcleos dispersos por um território fantástico de oito milhões
É que Calógeras tinha a respeito de educação pontos-de-vista típicos e pró-
do segundo — sentia, en tretanto, que em tudo isso houvera
e meio de quilômetros quadrados, só podia, a seu ver, ter um artífice, o mestre-escola.
Dissera-o já em 1911, naquele breviário de "Os jesuítas e o ensino", em^que expõe o seu pensamento em relação à obra educativa:
"Êsse, o intuito da escola primária:
preparar uma democracia inteligente, justa e fraternal, unida por uma cultura comum, guiada por sentimentos progres sistas comuns, essencialmente unos, ex
generalizadas, esforços de progresso in terior ininterrupto, gravitação incessante para o bem, missão que, em regime uni tário, caberia à igreja, e que, na vigên cia da liberdade de pensamento, deve ria recair sôbre o professor elernentar, fôrça insubstituível para a formação dos laços unionais decorrentes da comunhão de ideal, de aspirações e de processos .
E por que se não havia feito êsse trabalho imprescindível ainda em 1927 na sua conferência sôbre "Ministério in compreendido", feita aqui em São Paulo, no Instituto Histórico e Geográfico, vol tico de minlia "Crise Brasileira de "Crise de caráter, crise de ensino,
crise desintegradora, tudo são reflexos de um fenômeno só: a crise da escola primária".
do país".
da esc(3a primária, não apenas como ai-
Há nessa escola primária alguma coisa
nando em acontecimentos totais de que beneficiara a nação, bem poderia, ama
extinga o analfabetismo, pura e simples
proporções para que cá de baixo, onde 'ficamos nós da turba-multa, a perspecti va monumental se mantenha em perfeito
suscitar sentimentos comuns, aspirações
de inquirir, de analisar, de escolher e de se governar. Ê sempre bela a frase lembrada por Pécaut: "Pela alma da escola, ir ao encontro da própria alma
nimo intuito de diminuir os méritos de Abílio César Borges, todos reconhece
tas proporções, aquelas indispensáveis
che" comum dos brasileiros, a tarefa _de
consciente 6 repulsiva, um povo capaz
cia e ao descortino de Calógeras. En
mais para comportar figura sem as exa
"Nada se fez para preencher na es
cola primária, onde se formaria a
Educação":
pròpnamente çonhecimento. E êsse mes mo impulso primário que viera culmi
que quiseram guindá-lo. Ê que o Pan teão Nacional de nossos pró-homens, a peanha que espera o homem certo que deve ocupar-lhe a vaga, é grande de
ção básica.
da responsabilidade moral, dentro em pouco fariam da multidão anônima, in
■ reluta em homologar o julgamento por que percebe que é injusto. Sem o mí
mos que lhe falta porte para o lugar a
que êle empresta ao trabalho da educa
tava êle à carga e pronunciava aquele lapidar aforisma que eu coloquei no pOT-
muito mais impulso instintivo do que
Mas a consciência coletiva
num período que não deixa a mínima dúvida quanto ao valor insubstituível
O sentimento da dignidade unido ao
tremes de intolerância ou de sectarismo.
a mais do que se vive pedindo hoje e êsse algo mais só faz honra à inteligên
Macaúbas.
101
Digesto Econômico ^
Econômico ICO
escreveu a preciosíssima monografia da 'a distribuição das massas. "Política Monetária", Calógeras, que era um historiador substancioso e, como psi
'V
quanto agora se brada aos céus que se mente, como num passe de mágica, a
Calógeras sentia, portanto, a função
fabetizadora, mas com um papel profun do e insubstituível a exercer sôbre a
vida nacional que lhe deveria ter dado a primazia sôbre todos os demais proble mas nossos, e que teria determinado a organização dêsse aparelhamento nistrativo em moldes outros, bem dife
rentes dos que a Primeira Republica
se contra ela própria e chegar até à
escola primária que êle quer e cuja fun ção define naquele parágrafo, é muito
adotou.
auto-mutilação, se o Brasil não tivesse
mais educação que instrução.
nhã se erradamente conduzido, voltar-
E porque não foi ouvido — como não se ouviu a outro gran
povo.
A crise da escola primária
de pensador, seu contemporan^ — Alberto Torres — é que ainda
menos quatro quintos de sua população,
E porque a escola não havia
estamos lutando nesse setor di
analfabetismo que assumia caracteres trágicos pelo fato de nossa carência
realizado o seu "desideratum", verbera-o nesse mesmo libelo.
E a monarquia legara à República um saldo arrazante: o analfabetismo de pelo
quase total de meios de comunicação.
Era o nó terrível da ignorância e da
fícil que traz o atraso de qua'renla anos de incompreensão.
■V-
■ : 'Tiw
Digesto
103
Econômico
americana, com a revolução francesa completa-se a vitória da nova forma de
AUTORES E LIVROS
vida7 que é a forma democrática, pela qual o povo toma parte nos negócios públicos.
por CÂNDIDO Mota Filho Especial paba o "Digesto Econômico'
O advento da democracia
O Brasil não pôde furtar-se à tendência sociológica e econômica, muito embora, por muito tempo, ela se mostrasse incerta e vacilante. Aquilo que, na monar quia e mesmo na República, está em relatórios ofi ciais, em lições, em escolas, em artigos esparsos, em discursos parlamentares e conferências se revela em forma generalizada, nos livros de Tavares Bas tos, em Euclides da Cunha e, em nossos dias em
Com a democracia, com a organização
JJos meados do século XDC para cá, a cultura humana, refletindo a uma
condição geral da vida, se mostrou com um caráter evidentemente social
e se transformou até, dentro da filosofia
de muitos pensadores, numa arma de luta pela vida. Essa tendência foi se tomando, cada vez mais visível, com o comer dos anos, até que, com as con seqüências da guerra de 1914, se tomou absorvente.
Por muito tempo, a cultura, no seu aspecto humanista, servia ao homem
desinteressado. O pensador pensava ou
o literato escrevia e não havia entre êles uma preocupação de refletir uma condi
ção de vida.
Quando muito, nesse es-
fôrço, que Julien Benda denominaria de
"bizantinismo", haveria um desejo de melhoria para a condição humana. Mas,
predominantemente, não havia espírito crítico, a arte como documento social, a filosofia como uma expressão de um dado momento histórico.
É bem certo que esse criticismo não apareceu apenas como conseqüência da
guerra.
A guerra o apurou, tomou-lhe
mais fácil a sua expansão.
Porém, êle
se apresentou também como uma con
seqüência da evolução humana, na ci vilização ocidental. Começa com as
heresias do século XVII, quando o teocentrismo começa a ser substituído
o racionalismo
individualista de Descartes. Daí por diante vai crescendo, sem fôrça alguma que possa detê-lo.
Com a monarquia absoluta ou mesmo com as instituições feudais, a socieda de caminhava confiante nos desígnios da Providencia. Todo govêmo era de ori
gem divina, todo poder era um poder supenor aos homens.
Não havia assim
motivo para qualquer inquietação social, consciente ou objetivada.
Com o mo
vimento que se opera na Renascimento,
com a quebra da unidade religiosa, pro vocada por Lutero, — surge a idéia da autonomia do indivíduo e, consequen-
política^.
a idéia da autonomia da vida
Com isso, Maquiavel afirma
tica.
o "Noventa e três".
Numa alta, atmosfera polí
Mesmo os livros de literatura pura
tória do romantismo literário sabe que
êle se mostra tocado por uma grande
aspiração política. Temos a atitude de Byron, morrendo nas charnecas de
Missolongiii, na Grécia, num irrisório so nho político.
Na Itália surgem os poe
tas libertários, desde D'Arzeguo até Man-
zoni, o mesmo acontece com a Espanha
de Quevedo e com Portugal de Garrett. Mas é principalmente na Alemanha e na
França que se propaga o romantismo
político, identificado com o romantismo Uterário.
O próprio Goethe, que pro
cura alhear-se dos conflitos políticos, tem,
dentro de suas preocupações, a figura de Napoleão Bonaparte. Mas, o pensa
mento político germânico surge em ple
no romantismo.
Schiller, que escreve
suas cartas sôbre estética, não perde ocasião de falar nos temas da liber dade humana.
A filosofia aparece, com
meira vez, em "Estado".
mundo interior, na sua exaltação indivi
Dentro dêsse "Estado", as fôrças so ciais sem a unidade religiosa anterior lutam, procuram tomar posição e, para isso, se apoiam no exame crítico da
problema da ordem social. Como con
Daí por diante muias
governos,
ajustar os interêsses em jôgo.
Coni
umana, sustenta a teoria do contrato
tica, surge uma grande literatura polí
Kant, Fichte e Hegel, como filosofia da
condição humana.
a liberdade com a autoridade, a vontade
feral com os direitos da personalidade
êle os poetas e romancistas confessam a sua inquietação social, como Victor Hugo, escrevendo "Os miseráveis ou
a existência concreta da sociedade poiticamente organizada, como uma orga
nização leiga, e com isso fala, pela pri
vido pelas dificuldades que oferecem os obstáculos políticos. E para harmonizar
ças sociais vão se revelando e tomando
se apresentam influenciados pela preo cupação política. Quem conhece a his
®
sensibilidade, sente-se, com isso, envol
social.
consciência.
pelo antropocentrismo. Começa com o mconformismo de Spinoza, com a an-
Êle, que cultiva a
sinceridade por sôbre tôdas as coisas e, consequentemente, o predomínio da
do Estado constitucional, com a consa
gração dos governos de opinião, as for
Gilberto Freire.
tômios, é Rousseau.
liberdade.
Tôda a literatura alemã, no
seu aspecto emocional, no seu culto ao
dualista, apresenta, por isso mesmo, o ciliar a liberdade com a autoridade? Como harmonizar a vontade de cada um com a vontade de todos?
Em França, o movimento romântico toma a mesma densidade.
O primeiro
a formular a questão, em seus devidos
E Rousseau toma-se a base da
cultura romântica, em França.
Com
Mas, com as transformações acarreta
das pelo industrialismo e, principalmen
te, com as imensas concentrações urba
nas que êle provocou, com essa precisão
maior das varias consciências, isto é, da consciência individual e da consciência
dos grupos, das classes, das castas, com essa certeza de que a sociedade deve ser organizada de oaLxo para cima e não mais de cima para baixo, — fascinam os espíritos os problemas sociais. Mas, como se não bastasse essa transfigura
ção, surgiam, para completá-la e assegu rá-la, novas orientações cientificas, o em prego de novos métodos, a consagra ção da observação e da e.xperiencia, en
fim o aparecimento das ciências natu rais.
Não é atoa que Monstesquieu,
antecipando essa visão conjunta, já ex plicasse a lei, como uma decorrência da natureza das coisas. . E também não e
atoa que os grande pensadores do século XVII e XVIII, como Locke e Rousseau, defendessem a tese do contrato social.
Porém, é a partir da escola histórica, que explica o direito como elaboração popular, depois com Saint Simon, que estuda a ordem espontânea da socieda de e sustenta uma teoria geral do pro
gresso natural da humanidade e, com grande pujança com Augusto Comte, que é o verdadeiro fundador da socio
logia, que entramos definitivamente na época de predomínio do pensamento social.
a revolução inglesa, com a revolução .-i,
■V-
■ : 'Tiw
Digesto
103
Econômico
americana, com a revolução francesa completa-se a vitória da nova forma de
AUTORES E LIVROS
vida7 que é a forma democrática, pela qual o povo toma parte nos negócios públicos.
por CÂNDIDO Mota Filho Especial paba o "Digesto Econômico'
O advento da democracia
O Brasil não pôde furtar-se à tendência sociológica e econômica, muito embora, por muito tempo, ela se mostrasse incerta e vacilante. Aquilo que, na monar quia e mesmo na República, está em relatórios ofi ciais, em lições, em escolas, em artigos esparsos, em discursos parlamentares e conferências se revela em forma generalizada, nos livros de Tavares Bas tos, em Euclides da Cunha e, em nossos dias em
Com a democracia, com a organização
JJos meados do século XDC para cá, a cultura humana, refletindo a uma
condição geral da vida, se mostrou com um caráter evidentemente social
e se transformou até, dentro da filosofia
de muitos pensadores, numa arma de luta pela vida. Essa tendência foi se tomando, cada vez mais visível, com o comer dos anos, até que, com as con seqüências da guerra de 1914, se tomou absorvente.
Por muito tempo, a cultura, no seu aspecto humanista, servia ao homem
desinteressado. O pensador pensava ou
o literato escrevia e não havia entre êles uma preocupação de refletir uma condi
ção de vida.
Quando muito, nesse es-
fôrço, que Julien Benda denominaria de
"bizantinismo", haveria um desejo de melhoria para a condição humana. Mas,
predominantemente, não havia espírito crítico, a arte como documento social, a filosofia como uma expressão de um dado momento histórico.
É bem certo que esse criticismo não apareceu apenas como conseqüência da
guerra.
A guerra o apurou, tomou-lhe
mais fácil a sua expansão.
Porém, êle
se apresentou também como uma con
seqüência da evolução humana, na ci vilização ocidental. Começa com as
heresias do século XVII, quando o teocentrismo começa a ser substituído
o racionalismo
individualista de Descartes. Daí por diante vai crescendo, sem fôrça alguma que possa detê-lo.
Com a monarquia absoluta ou mesmo com as instituições feudais, a socieda de caminhava confiante nos desígnios da Providencia. Todo govêmo era de ori
gem divina, todo poder era um poder supenor aos homens.
Não havia assim
motivo para qualquer inquietação social, consciente ou objetivada.
Com o mo
vimento que se opera na Renascimento,
com a quebra da unidade religiosa, pro vocada por Lutero, — surge a idéia da autonomia do indivíduo e, consequen-
política^.
a idéia da autonomia da vida
Com isso, Maquiavel afirma
tica.
o "Noventa e três".
Numa alta, atmosfera polí
Mesmo os livros de literatura pura
tória do romantismo literário sabe que
êle se mostra tocado por uma grande
aspiração política. Temos a atitude de Byron, morrendo nas charnecas de
Missolongiii, na Grécia, num irrisório so nho político.
Na Itália surgem os poe
tas libertários, desde D'Arzeguo até Man-
zoni, o mesmo acontece com a Espanha
de Quevedo e com Portugal de Garrett. Mas é principalmente na Alemanha e na
França que se propaga o romantismo
político, identificado com o romantismo Uterário.
O próprio Goethe, que pro
cura alhear-se dos conflitos políticos, tem,
dentro de suas preocupações, a figura de Napoleão Bonaparte. Mas, o pensa
mento político germânico surge em ple
no romantismo.
Schiller, que escreve
suas cartas sôbre estética, não perde ocasião de falar nos temas da liber dade humana.
A filosofia aparece, com
meira vez, em "Estado".
mundo interior, na sua exaltação indivi
Dentro dêsse "Estado", as fôrças so ciais sem a unidade religiosa anterior lutam, procuram tomar posição e, para isso, se apoiam no exame crítico da
problema da ordem social. Como con
Daí por diante muias
governos,
ajustar os interêsses em jôgo.
Coni
umana, sustenta a teoria do contrato
tica, surge uma grande literatura polí
Kant, Fichte e Hegel, como filosofia da
condição humana.
a liberdade com a autoridade, a vontade
feral com os direitos da personalidade
êle os poetas e romancistas confessam a sua inquietação social, como Victor Hugo, escrevendo "Os miseráveis ou
a existência concreta da sociedade poiticamente organizada, como uma orga
nização leiga, e com isso fala, pela pri
vido pelas dificuldades que oferecem os obstáculos políticos. E para harmonizar
ças sociais vão se revelando e tomando
se apresentam influenciados pela preo cupação política. Quem conhece a his
®
sensibilidade, sente-se, com isso, envol
social.
consciência.
pelo antropocentrismo. Começa com o mconformismo de Spinoza, com a an-
Êle, que cultiva a
sinceridade por sôbre tôdas as coisas e, consequentemente, o predomínio da
do Estado constitucional, com a consa
gração dos governos de opinião, as for
Gilberto Freire.
tômios, é Rousseau.
liberdade.
Tôda a literatura alemã, no
seu aspecto emocional, no seu culto ao
dualista, apresenta, por isso mesmo, o ciliar a liberdade com a autoridade? Como harmonizar a vontade de cada um com a vontade de todos?
Em França, o movimento romântico toma a mesma densidade.
O primeiro
a formular a questão, em seus devidos
E Rousseau toma-se a base da
cultura romântica, em França.
Com
Mas, com as transformações acarreta
das pelo industrialismo e, principalmen
te, com as imensas concentrações urba
nas que êle provocou, com essa precisão
maior das varias consciências, isto é, da consciência individual e da consciência
dos grupos, das classes, das castas, com essa certeza de que a sociedade deve ser organizada de oaLxo para cima e não mais de cima para baixo, — fascinam os espíritos os problemas sociais. Mas, como se não bastasse essa transfigura
ção, surgiam, para completá-la e assegu rá-la, novas orientações cientificas, o em prego de novos métodos, a consagra ção da observação e da e.xperiencia, en
fim o aparecimento das ciências natu rais.
Não é atoa que Monstesquieu,
antecipando essa visão conjunta, já ex plicasse a lei, como uma decorrência da natureza das coisas. . E também não e
atoa que os grande pensadores do século XVII e XVIII, como Locke e Rousseau, defendessem a tese do contrato social.
Porém, é a partir da escola histórica, que explica o direito como elaboração popular, depois com Saint Simon, que estuda a ordem espontânea da socieda de e sustenta uma teoria geral do pro
gresso natural da humanidade e, com grande pujança com Augusto Comte, que é o verdadeiro fundador da socio
logia, que entramos definitivamente na época de predomínio do pensamento social.
a revolução inglesa, com a revolução .-i,
104
Digesto Econômico
Interpretação romanceada da realidade social
Luta pela existência, que Darwin apregoa, luta pela afirmação do ser, que Nietzsche enaltece, tudo isso é condição
O naturalismo literário não teve real
mente outro sentido. O que escreve Balzac e depois o que escrevem Zola
da vida. Em 1850, já se pode falar
ou Eça de Queiroz fonnam uma inter
^^''f^^dores como Galton, Paerson e Malthus. De 1898 até 1912, Durklieim chefia com "L'Anneé sociologiquc", a ofensiva sociológica. E, depois de sua
pretação romanceada da realidade so cial.
E o romance fica, dentro desse
estado de consciência, dessa necessidade
de revelar as dificuldade sociais de for ma crítica ou dramática. Ela traduz
principalmente a vida socialmente desa justada, os males sociais, as desventuras políticas e as desventuras de família. A idéia social de organização, porém, manifesta o seu ponto crucial, na ativi dade econômica. Por isso, à medida que a economia se transforma, a idéia
econômica vai criando força e chega a ser, para um grande número de pensa-
pdores, a chave de todas as soluções humanas.
Ela se amplia, com a inquietação so cial, ^ com os reformadores utópicos e, depois, com o marxismo, que além de se apresentar como uma crítica radical
a^ econorma classica, é uma interpreta ção^ econômica da história, uma expli cação da vida como economia. O economismo
Marx é, nesse passo, um marco de cisivo, porque, com ele, o economismo
se generaliza. Seus adversários, a pre texto de combate-lo, mesmo uma figura de realce como Vilfredo Pareto, só ^ enxergam a vida como economia.
MESTRES M ECOIOMIiT
social do homem, como dado econômico
numa ciência social, com pensadores e
Alfred Marshall fundador da A
por 5. Harcourt-RIvIngton
morto, com os espantosos resultados da
(Membro da Sociedade Heal de Eco
guerra de 1914, a sociologia se genera-
nomia de Londres)
na Alemanha, com
Vundt, Tonnie ou Max Weber, e nos Estados Unidos, com os esforços do Colégio de Filadélfia e do Colégio de Colurnbia e com o traballio de grandes
(Especial para o "Digesto Econômico')
Marsitüll declarou que o aumento rápido
pesquisadores, como Laster Ward ou um
do capital e a marcha intensa para u especialização constiluíarn uma ^ameaça^
II
Dewey.
é geralmente MAUSHALL descendente direto de
pôde furtar-se a essa
tendência sociológica e econômica, muito embora, por muito tempo, ela se mostrasse incerta o vacilante. Aquilo que, na inonarquia e mesmo na Repú blica, esta em relatórios oficiais, em lições, em escolas, em artigos esparsos, em discursos parlamentares e conferências, se revela, em forma generalizada, nos hvros de Tavares Bastos, em Eucli-
tido como o Adam Smith,
Ricardo e Jolm Stuart Mill. Tais como as obras principais dêstes autores, os "Princípios" de Marshall merecidamente se tornaram clássicos.
des da Cunha, Alberto Torres e, em
Como obra
sim como pela apresentação de muitas
perfeita da concorrência, permaneceu na tradição clássica por aceitar um mer
idéias novas, como a formulação e de
cado livre como base dos seus "Prtu-
finição da "elasticidade da procura", o
rípiVjf".
da "firma representativa", o caráter do
y
"dividendo nacional", o reconhecimento
da importância das "esperas", etc., que deram à ciência um novo desenvolvi
reta da maneira por que o seu livro
nomista de seu tempo, declarou que
das eras precedentes, referentes ao mes
Marshall "descobriu todo um sistema de
A Automobile Manujacturers Association revelou aue o total das vendas de
tos econômicos do
universo são con
servados em seu lugar por interdepen
dência e equilíbrio recíprocos".
Mar
automóveis nos Estados Unidos no més de janeiro de 1947, constou de 247.130 unidades, ou sejam 93% do total do mês de dezembro de 1946. Também a pro
shall muito fez para arrancar a econo
dução de camtnhoes em janeiro apresentou um decréscimo de 6% sôbre a de dezena bro. Segundo a referia associação, a príncipal causa dêsse declínio na produção
tanto, insistia em que as leis e raciocí
tem sido a constante falta de materiais.
A maneira por que Marshall se tomou um "economista" vêm narrada por ele mesmo, e as suas explicações são im portantes porque nos fornecem não ape nas o roteiro para a compreensão cor
mento e novas perspectivas. O próprio Lord Keynes, o maior eco Gopémico, mediante o qual os elemen
PRODUÇÃO DE AUTOMÓVEIS
a anular o risco imanentc para o publi
do e matemático método de análise, as
a doutrina da "quase-renda", a noção
tação moderna.
Contudo, acreditava que o dé^
scnvolvimcnto de novas idéias ajudar^
conceito do "excedente do consumidor",
Ela tem des
Jiomem tranqüilidade para a sua inquie
do Estado haviã um monopólio abso-'
luto.
co. Apesar de acentuar a natureza im»
preocupação sociológica.
estavam dormindo te tem satisfeito muita curiosidade, sem entretanto resolver grandes problemas, sem dar ainda ao
real à liberdade da ação econômica, poi.i cm todo grande negócio havia um elo-* mento de "monopólio", e na socializaçãÇf,
científica, distingue-se pelo seu profun
nossos dias, em Gilberto Freire. Estamos assim condicionados a essa
pertado uma porção de demônios que
Economia
mia da estagnação dogmática.
Para
nios econômicos "não constituem ver
dade concreta inviolável, mas apenas, como os definia, "um mecanismo para a descoberta da verdade concreta".
mais famoso se relaciona com as obras
mo assunto, como também com as dos "Meu co
escritores contemporâneos. nhecimento
da
economia",
escreveu,
"começou com a leitura de Mill, quando eu ainda ganhava a minha vida ensinan do matemáticas em Cambridge e quando procurei trasladar as suas doutrinas para
as equações diferenciais, até onde pu desse ser possível, e pondo de lado as que não se prestassem a tanto... Isto se verificou principalmente em 1867-8 . Estudando os "Princípios de Economia
104
Digesto Econômico
Interpretação romanceada da realidade social
Luta pela existência, que Darwin apregoa, luta pela afirmação do ser, que Nietzsche enaltece, tudo isso é condição
O naturalismo literário não teve real
mente outro sentido. O que escreve Balzac e depois o que escrevem Zola
da vida. Em 1850, já se pode falar
ou Eça de Queiroz fonnam uma inter
^^''f^^dores como Galton, Paerson e Malthus. De 1898 até 1912, Durklieim chefia com "L'Anneé sociologiquc", a ofensiva sociológica. E, depois de sua
pretação romanceada da realidade so cial.
E o romance fica, dentro desse
estado de consciência, dessa necessidade
de revelar as dificuldade sociais de for ma crítica ou dramática. Ela traduz
principalmente a vida socialmente desa justada, os males sociais, as desventuras políticas e as desventuras de família. A idéia social de organização, porém, manifesta o seu ponto crucial, na ativi dade econômica. Por isso, à medida que a economia se transforma, a idéia
econômica vai criando força e chega a ser, para um grande número de pensa-
pdores, a chave de todas as soluções humanas.
Ela se amplia, com a inquietação so cial, ^ com os reformadores utópicos e, depois, com o marxismo, que além de se apresentar como uma crítica radical
a^ econorma classica, é uma interpreta ção^ econômica da história, uma expli cação da vida como economia. O economismo
Marx é, nesse passo, um marco de cisivo, porque, com ele, o economismo
se generaliza. Seus adversários, a pre texto de combate-lo, mesmo uma figura de realce como Vilfredo Pareto, só ^ enxergam a vida como economia.
MESTRES M ECOIOMIiT
social do homem, como dado econômico
numa ciência social, com pensadores e
Alfred Marshall fundador da A
por 5. Harcourt-RIvIngton
morto, com os espantosos resultados da
(Membro da Sociedade Heal de Eco
guerra de 1914, a sociologia se genera-
nomia de Londres)
na Alemanha, com
Vundt, Tonnie ou Max Weber, e nos Estados Unidos, com os esforços do Colégio de Filadélfia e do Colégio de Colurnbia e com o traballio de grandes
(Especial para o "Digesto Econômico')
Marsitüll declarou que o aumento rápido
pesquisadores, como Laster Ward ou um
do capital e a marcha intensa para u especialização constiluíarn uma ^ameaça^
II
Dewey.
é geralmente MAUSHALL descendente direto de
pôde furtar-se a essa
tendência sociológica e econômica, muito embora, por muito tempo, ela se mostrasse incerta o vacilante. Aquilo que, na inonarquia e mesmo na Repú blica, esta em relatórios oficiais, em lições, em escolas, em artigos esparsos, em discursos parlamentares e conferências, se revela, em forma generalizada, nos hvros de Tavares Bastos, em Eucli-
tido como o Adam Smith,
Ricardo e Jolm Stuart Mill. Tais como as obras principais dêstes autores, os "Princípios" de Marshall merecidamente se tornaram clássicos.
des da Cunha, Alberto Torres e, em
Como obra
sim como pela apresentação de muitas
perfeita da concorrência, permaneceu na tradição clássica por aceitar um mer
idéias novas, como a formulação e de
cado livre como base dos seus "Prtu-
finição da "elasticidade da procura", o
rípiVjf".
da "firma representativa", o caráter do
y
"dividendo nacional", o reconhecimento
da importância das "esperas", etc., que deram à ciência um novo desenvolvi
reta da maneira por que o seu livro
nomista de seu tempo, declarou que
das eras precedentes, referentes ao mes
Marshall "descobriu todo um sistema de
A Automobile Manujacturers Association revelou aue o total das vendas de
tos econômicos do
universo são con
servados em seu lugar por interdepen
dência e equilíbrio recíprocos".
Mar
automóveis nos Estados Unidos no més de janeiro de 1947, constou de 247.130 unidades, ou sejam 93% do total do mês de dezembro de 1946. Também a pro
shall muito fez para arrancar a econo
dução de camtnhoes em janeiro apresentou um decréscimo de 6% sôbre a de dezena bro. Segundo a referia associação, a príncipal causa dêsse declínio na produção
tanto, insistia em que as leis e raciocí
tem sido a constante falta de materiais.
A maneira por que Marshall se tomou um "economista" vêm narrada por ele mesmo, e as suas explicações são im portantes porque nos fornecem não ape nas o roteiro para a compreensão cor
mento e novas perspectivas. O próprio Lord Keynes, o maior eco Gopémico, mediante o qual os elemen
PRODUÇÃO DE AUTOMÓVEIS
a anular o risco imanentc para o publi
do e matemático método de análise, as
a doutrina da "quase-renda", a noção
tação moderna.
Contudo, acreditava que o dé^
scnvolvimcnto de novas idéias ajudar^
conceito do "excedente do consumidor",
Ela tem des
Jiomem tranqüilidade para a sua inquie
do Estado haviã um monopólio abso-'
luto.
co. Apesar de acentuar a natureza im»
preocupação sociológica.
estavam dormindo te tem satisfeito muita curiosidade, sem entretanto resolver grandes problemas, sem dar ainda ao
real à liberdade da ação econômica, poi.i cm todo grande negócio havia um elo-* mento de "monopólio", e na socializaçãÇf,
científica, distingue-se pelo seu profun
nossos dias, em Gilberto Freire. Estamos assim condicionados a essa
pertado uma porção de demônios que
Economia
mia da estagnação dogmática.
Para
nios econômicos "não constituem ver
dade concreta inviolável, mas apenas, como os definia, "um mecanismo para a descoberta da verdade concreta".
mais famoso se relaciona com as obras
mo assunto, como também com as dos "Meu co
escritores contemporâneos. nhecimento
da
economia",
escreveu,
"começou com a leitura de Mill, quando eu ainda ganhava a minha vida ensinan do matemáticas em Cambridge e quando procurei trasladar as suas doutrinas para
as equações diferenciais, até onde pu desse ser possível, e pondo de lado as que não se prestassem a tanto... Isto se verificou principalmente em 1867-8 . Estudando os "Princípios de Economia
Digesto Econômico Digesto Econóxíioo
106
tado.
Política" de Mill, Marshall entrou em contato com as teorias de Ricardo, que são ali comentadas. "O gênio", escreve
1870, quando transportei para as mate
Marshall, "que deu a Ricardo a possibi lidade de abrir caminho através do ter
tribuição é alicerçada, em primeiro pla
reno escorregadio do raciocínio mate
no, em Adam Smith, Malthus e Ricardo,
mático fez dêle um dos meus heróis".
Assim, "ao mesmo tempo que dava as
e em segundo plano em von Thunen, quanto à substância, e Coumot quanto à
minhas lições particulares, eu transpor
forma... A minha doutrina da quase-
tava o mais que podia os raciocínios de Ricardo para a matemática". Os
renda, embora gradualmente desenvol vida, tomou conteiido em 1868, acom
no que dizem respeito às secções estri tamente analíticas, avançam em linha
direta de Mill para Ricardo e de Ri cardo para Adam Smith.
panhou o transporte que realizei de t6das as principais doutrinas econômicas para as equações diferenciais, de ma
neira que posso dizer que não há gran
de diferença, neste particular, entre a minha posição anterior a 1870 e a mi nha posição atual (1900)". De resto,
Origem das idéias
Já têm havido grandes controvérsias a respeito das fontes em que Marshall se
abeberou para a formulação de algumas de suas idéias. Muitos comentadores de
seus "Princípios" iá afirmaram que êle se filiava à Escola Austríaca de eco des no decurso das décadas de setenta
tica estirpe ricardiana. Economia e Economia Política
-Bawerk e Jevons, e assim por diante.
Na primeira parte desta biografia (1)
Estas criticas suscitaram a indignação
observei que Marshall afirmava ser a economia uma ciência independente. Assim, os seus problemas não poderiam
de Marshall, porque uma pequena in vestigação mostraria a tais escritores a
resolver-se com êxito e as suas leis se
ascensão.
E essas ciências, embora di
ferindo grandemente umas das outras, tinham um pouto de contato, isto é, a
V!
todos os países e em tôdas as épocas... Ao findar do século, o gnipo bioló
da ordem natural.
gico das ciências progredia lentamente,
um movimento para no%'as formas de
organização e talvez uma nova ordem social. Preocupava-se com os resultados
sicos nos primeiros anos da mesma cen túria: e verificou-se uma acentuada.mu
dança no tom das ciências morais e his
movimento geral, e anualmente dedica maior atenção à fíexibilidade da natu reza humana".
Assim, nos "Princípios" de Marshall,
mento dos tratados de Jevons e Men
uma ciência orgânica. Não era uma ciência abstrata, pois o caráter do ho
cidade construtiva.
posteriores, voltou novamente ao tema
Sôbre a questão da concorrência, como coisa oposta ao monopólio, Marshall possuía algumas opiniões definidas. AFirmava que a concorrência poderia produ
do crescimento orgânico. No prefácio à 5.® edição de seu livro escreveu:
adaptáveis ao seu meio. Isto não signi
blemas relativamente estáveis.
Quando
revisava o seu trabalho para as edições
"A Meca dos economistas está mais
dinâmicas: um volume sobre assimtos
cooperando ativamente uns com os ou
relativamente largo às analogias mecâni
tros, seria superior mesmo às melhores
cas... Êste fato... sugeriu a noção de
formas de concorrência". A questão que
que a sua idéia central é estatística.
o preocupava era saber se uma coope rativa ideal era ou não praticavel. Evi
mem influi sôbre os métodos correntes
fontes, e informa sôbre os autores em
de produção, distribuição e consumo de
Escreveu:
riqueza, sendo igualmente por êles afe-
"Minha posição relativamente à teoria do valor e da distribuição estava pràtica-
Nosso principal objetivo se prende ao
(1) Veja_se a edição de março do "Digesto Econômico".
fica, porém, que, do oonto de vista de
básicos precisa, pois, dedicar um espaço
biológicas são mais complexas do que as
mente escrupuloso na citação de suas
que de fato se baseou.
zir as melhores formas de empresas
Marshall, sejam necessàriamente as mais benéficas páfa a coletividade. Não ti nha dúvidas de que "uma ordem eco nômica, realizada por homens virtuosos,
Mas as concepções
Mas tal sugestão é incoireta... O pre sente volume diz respeito às forças do progresso. Êle se relaciona inteiramente
ger. Finalmente, Marshall era extrema
pela mesma razão, isto é, que matassem
e decadência, eliminação e seleção são
terreno de seus futuros escritos antes
que devia, portanto, ser tratada como
benemérita devoção ao bem público, o que é atualmente relativamente raro". Marshall temia o monopólio tanto quan to a socialização prematura — e sempre
introduzidas para resolver mesmo os pro
nâmica econômica.
economia tem um caráter orgânico, e
priedade coletiva dos meios de produção possa matar as energias da humanidade, e interromper o progresso econômico, a não ser que antes de sua introdução todo o povo haja adquirido um poder de
ambos a iniciativa e reduzissem a capa
economia política. Entendia que a "eco nomia" precisava contar com espaço
rascunho de seus "Princípios" foi ela
de tais evoluções. Escreveu: "Há causa prima facie para temer-se que a pro
as concepções biológicas de crescimento
na biologia econômica do que na di
borado em 1867-8, antes do apareci
Julgava que havia
natureza do crescimento orgânico... Finalmente, as especulações da biolo gia realizaram um grande avanço: suas descobertas prenderiam a atenção do
ciência relativamente estável como a
Acreditava que a
dustrialismo. Não os olhava como parte
e se firmavam as idéias referentes à
rem expostas compreensivelmente numa
de de movimentos.
Nesta base Marshall encarava o siste
ma capitalista e o crescimento do in-
preleções universitárias, já percorria o
mais amplo e, sobretudo, com liberda
PToblemas atuais
sua matéria era constante e imutável em
inexatidão de suas hipóteses. Em primeiro lugar, Marshall, nas suas
que as obras de quaisquer dos econo mistas mencionados houvessem sido pu blicadas. Em segundo lugar, o primeiro
fòrça vital e do movimento".
matemático-físico das ciências estava em
tóricas. A economia tem participado do
ciado pela escola da "utilidade margi nal"; as suas teses pertenciam à autên
clararam que êle procurou conciliar as escolas rivais de Menger, Walras, Bõhm-
volume de noções básicas da economia, assim como em outras, deve ser a da
cação: "Marshall extraiu pouco ou mes asseverar que Marshall não foi influen-
ou por mal, são impelidos às mudanças e ao progresso... A idéia central num
Isto se evidencia nesta notável
vista.
uma figura como Lord Keynes, que foi uni dos mais íntimos amigos de Mar shall, declarou, confirmando essa expli
mo nada de Jevons". Podemos, pois,
estudo dos seres humanos que, por bem
passagem dos seus "Princípios": "No começo do último século o grupo
mundo, como acontecera com as dos fí
nomia, a qual impregnou as universida
e oitenta do último século. Alguns de
Desenvolvimentos comuns em re
lação à importância e forma de outras ciências modelaram este seu ponto de
mente tomada entre os anos de 1867 e
máticas a versão das doutrinas de Ri cardo e de Sinith... A teoria da dis
"Princípios" de Marshall, pelo menos
I
• 107
com as fôrças dessa causa-movimento...
dentemente, temia os abusos, — sendo
a natureza humana o que é, — sempre que houvesse um controle artificial. Tal vez acreditasse, com o grande juiz in-
Digesto Econômico Digesto Econóxíioo
106
tado.
Política" de Mill, Marshall entrou em contato com as teorias de Ricardo, que são ali comentadas. "O gênio", escreve
1870, quando transportei para as mate
Marshall, "que deu a Ricardo a possibi lidade de abrir caminho através do ter
tribuição é alicerçada, em primeiro pla
reno escorregadio do raciocínio mate
no, em Adam Smith, Malthus e Ricardo,
mático fez dêle um dos meus heróis".
Assim, "ao mesmo tempo que dava as
e em segundo plano em von Thunen, quanto à substância, e Coumot quanto à
minhas lições particulares, eu transpor
forma... A minha doutrina da quase-
tava o mais que podia os raciocínios de Ricardo para a matemática". Os
renda, embora gradualmente desenvol vida, tomou conteiido em 1868, acom
no que dizem respeito às secções estri tamente analíticas, avançam em linha
direta de Mill para Ricardo e de Ri cardo para Adam Smith.
panhou o transporte que realizei de t6das as principais doutrinas econômicas para as equações diferenciais, de ma
neira que posso dizer que não há gran
de diferença, neste particular, entre a minha posição anterior a 1870 e a mi nha posição atual (1900)". De resto,
Origem das idéias
Já têm havido grandes controvérsias a respeito das fontes em que Marshall se
abeberou para a formulação de algumas de suas idéias. Muitos comentadores de
seus "Princípios" iá afirmaram que êle se filiava à Escola Austríaca de eco des no decurso das décadas de setenta
tica estirpe ricardiana. Economia e Economia Política
-Bawerk e Jevons, e assim por diante.
Na primeira parte desta biografia (1)
Estas criticas suscitaram a indignação
observei que Marshall afirmava ser a economia uma ciência independente. Assim, os seus problemas não poderiam
de Marshall, porque uma pequena in vestigação mostraria a tais escritores a
resolver-se com êxito e as suas leis se
ascensão.
E essas ciências, embora di
ferindo grandemente umas das outras, tinham um pouto de contato, isto é, a
V!
todos os países e em tôdas as épocas... Ao findar do século, o gnipo bioló
da ordem natural.
gico das ciências progredia lentamente,
um movimento para no%'as formas de
organização e talvez uma nova ordem social. Preocupava-se com os resultados
sicos nos primeiros anos da mesma cen túria: e verificou-se uma acentuada.mu
dança no tom das ciências morais e his
movimento geral, e anualmente dedica maior atenção à fíexibilidade da natu reza humana".
Assim, nos "Princípios" de Marshall,
mento dos tratados de Jevons e Men
uma ciência orgânica. Não era uma ciência abstrata, pois o caráter do ho
cidade construtiva.
posteriores, voltou novamente ao tema
Sôbre a questão da concorrência, como coisa oposta ao monopólio, Marshall possuía algumas opiniões definidas. AFirmava que a concorrência poderia produ
do crescimento orgânico. No prefácio à 5.® edição de seu livro escreveu:
adaptáveis ao seu meio. Isto não signi
blemas relativamente estáveis.
Quando
revisava o seu trabalho para as edições
"A Meca dos economistas está mais
dinâmicas: um volume sobre assimtos
cooperando ativamente uns com os ou
relativamente largo às analogias mecâni
tros, seria superior mesmo às melhores
cas... Êste fato... sugeriu a noção de
formas de concorrência". A questão que
que a sua idéia central é estatística.
o preocupava era saber se uma coope rativa ideal era ou não praticavel. Evi
mem influi sôbre os métodos correntes
fontes, e informa sôbre os autores em
de produção, distribuição e consumo de
Escreveu:
riqueza, sendo igualmente por êles afe-
"Minha posição relativamente à teoria do valor e da distribuição estava pràtica-
Nosso principal objetivo se prende ao
(1) Veja_se a edição de março do "Digesto Econômico".
fica, porém, que, do oonto de vista de
básicos precisa, pois, dedicar um espaço
biológicas são mais complexas do que as
mente escrupuloso na citação de suas
que de fato se baseou.
zir as melhores formas de empresas
Marshall, sejam necessàriamente as mais benéficas páfa a coletividade. Não ti nha dúvidas de que "uma ordem eco nômica, realizada por homens virtuosos,
Mas as concepções
Mas tal sugestão é incoireta... O pre sente volume diz respeito às forças do progresso. Êle se relaciona inteiramente
ger. Finalmente, Marshall era extrema
pela mesma razão, isto é, que matassem
e decadência, eliminação e seleção são
terreno de seus futuros escritos antes
que devia, portanto, ser tratada como
benemérita devoção ao bem público, o que é atualmente relativamente raro". Marshall temia o monopólio tanto quan to a socialização prematura — e sempre
introduzidas para resolver mesmo os pro
nâmica econômica.
economia tem um caráter orgânico, e
priedade coletiva dos meios de produção possa matar as energias da humanidade, e interromper o progresso econômico, a não ser que antes de sua introdução todo o povo haja adquirido um poder de
ambos a iniciativa e reduzissem a capa
economia política. Entendia que a "eco nomia" precisava contar com espaço
rascunho de seus "Princípios" foi ela
de tais evoluções. Escreveu: "Há causa prima facie para temer-se que a pro
as concepções biológicas de crescimento
na biologia econômica do que na di
borado em 1867-8, antes do apareci
Julgava que havia
natureza do crescimento orgânico... Finalmente, as especulações da biolo gia realizaram um grande avanço: suas descobertas prenderiam a atenção do
ciência relativamente estável como a
Acreditava que a
dustrialismo. Não os olhava como parte
e se firmavam as idéias referentes à
rem expostas compreensivelmente numa
de de movimentos.
Nesta base Marshall encarava o siste
ma capitalista e o crescimento do in-
preleções universitárias, já percorria o
mais amplo e, sobretudo, com liberda
PToblemas atuais
sua matéria era constante e imutável em
inexatidão de suas hipóteses. Em primeiro lugar, Marshall, nas suas
que as obras de quaisquer dos econo mistas mencionados houvessem sido pu blicadas. Em segundo lugar, o primeiro
fòrça vital e do movimento".
matemático-físico das ciências estava em
tóricas. A economia tem participado do
ciado pela escola da "utilidade margi nal"; as suas teses pertenciam à autên
clararam que êle procurou conciliar as escolas rivais de Menger, Walras, Bõhm-
volume de noções básicas da economia, assim como em outras, deve ser a da
cação: "Marshall extraiu pouco ou mes asseverar que Marshall não foi influen-
ou por mal, são impelidos às mudanças e ao progresso... A idéia central num
Isto se evidencia nesta notável
vista.
uma figura como Lord Keynes, que foi uni dos mais íntimos amigos de Mar shall, declarou, confirmando essa expli
mo nada de Jevons". Podemos, pois,
estudo dos seres humanos que, por bem
passagem dos seus "Princípios": "No começo do último século o grupo
mundo, como acontecera com as dos fí
nomia, a qual impregnou as universida
e oitenta do último século. Alguns de
Desenvolvimentos comuns em re
lação à importância e forma de outras ciências modelaram este seu ponto de
mente tomada entre os anos de 1867 e
máticas a versão das doutrinas de Ri cardo e de Sinith... A teoria da dis
"Princípios" de Marshall, pelo menos
I
• 107
com as fôrças dessa causa-movimento...
dentemente, temia os abusos, — sendo
a natureza humana o que é, — sempre que houvesse um controle artificial. Tal vez acreditasse, com o grande juiz in-
II Digesto
108
glês, Lord Acton, "que o poder corrom pe, e o poder absoluto corrompe de for ma absoluta".
Marshall declarou que o aumento rá
pido do capital e a marcha intensa para a especialização constituíam uma amea ça real à liberdade da ação econômica,
pois em todo grande negócio havia um elemento de "monópolio", e na sociali
zação do Estado havia um monopólio absoluto. Contudo, acreditava que o de senvolvimento de novas idéias ajudaria a anular o risco imanente para o público,
Apesar de acentuar a natureza imper feita da concorrência, permaneceu na tradição clássica por aceitar um mercado
livre como base dos seus "Princípios". Expressou a crença de que o poder da concorrência, mesmo sujeito a uma ori
entação muito rígida da parte do go
Econômico
pareceu...
O ceticismo de Marshall é
os que ainda aceitam as doutrinas de
Karl Marx.
Ao contrário, um dos objetivos mais salientes dos seus "Princípios" era a refutação da teoria do "laissez faire".
Não se incluía, igualmente, entre os Entendia que, mode
rado, o que êle designava como o lado financeiro do socialismo, por "predató rio"^ e "voraz" que fôsse, poderia ser benéfico, e não se opunha, em princípio ao menos, a medidas que diminuíssem
as desigualdades da riqueza, uma vez que fossem realizadas "por meios que ciativa e' a força do caráter".
título.
Mas a sua obra teria resistido à
volvimento econômico e a riqueza da
nação progrediram quase de golpe e de modo ímpar.
Admira, pois, que para
tinuasse? Podemos estranhar que temes
se uma nova forma, a qual implicasse
em novos grilhões ou-reduzisse o avanç-o técnico ao ritmo moroso do pas sado?..., É lícito perguntar onde esta riam os intelectuais progressistas, tão fluentes e escaminhos relativamente à ec-onomia ortodo.xa ou apologética, se houvessem vivido no tempo de Marshall . "Podemos dizer confiantemente que
os "Princípios" de Marshall contóbuiram para o corpo das idéias científicas com elementos que não eram apenas arqui tetônicos", e sim, num certo sentido, de "sua própria autoria", os quais cons tituem ainda "um fermento que atua
Marshall a iniciativa individual, a em
no mundo" e ainda persiste.
prêsa livre e audaciosa do inovador, fôsse o que mais se devia fomentar e encorajar, a fim de que o progresso con
Diante
de "clássico, mesmo na acepção mais
do exposto, êsse autor merece o titulo e.strita do têrmo".
crever o movimento socialista como "o
maior perigo, no momento, ao bem estar
"A principal obra de Marshall estava feita quando a concorrência capitalista chegava ao zênite. Em pouco mais de
prova do tempo"?
109
Era o
veu:
Marshall,
Com o afastamento de barreiras alfande
XVIII e comêço do século XIX, o desen
tente efetuava.
da humanidade".
cessantemente no mundo".
longo panorama de relativa estagnação. gárias e regulamentos, ao fim do século
da Universidade de Cambridge, escre
'com efeito, se qualifica para aquêle
que um breve episódio, ao fim de um
mentos que o sistema social então exis
I^sta de substituir a livre empresa e a iniciativa individual pela administração pública que ôle encarava com alarma. Isto o levou, em carta privada, a des
tituem antes um fermento atuando in
rica, Marshall via nessa iniciafíva como
V
que defendiam a distribuição de rendi
Em comentários sôbre o lugar de Marshall entre os grandes economistas,
"clássico", como alguém que, pela for ma ou pelo conteúdo de suas palavras e atos, afirmou ou indicou idéias arqui tetônicas quanto ao pensamento ou quan to ao sentimento, as quais de alguma maneira são suas também, e que, uma vez criadas, não desaparecem, e cons
disso, com sua larga perspectiva histó
máximas dogmáticas do "laissez faire".
lado administrativo do socialismo, a pro-
Marshall, foi definido como um autor
remoção de obstáculos e restrições. Além
Não que aceitasse as
Apreciações sôhre Marshall
Sohve, da cadeira de Economia Política
com muita ajuda do govêmo, além da
Marshall era individualista
até a medula.
não solapassem as fontes da livre ini
em edição do "Economic Joumal" que
iniciativa individual, a "energia incan sável" dos homens de negócios, que se guiam o seu caminho próprio, e não
agora geralmente aceito — exceto entre
... ,ii
DtcmsTo Econômico
"Tudo isso foi realizado através da
que era em parte uma defesa já desa
verno, estabelece o equilíbrio entre as forças da produção e do consumo.
celebrou o seu centenário, o professor
"'W
um século o sistema da "livre emprêsa" ou da "liberdade econômica" revolucio
nou a técnica industrial, o transporte e as comunicações e aumentou a fôrça
produtiva do país — de fato a sua pro
dução — além de tôda expectativa. Ha
via manchas vergonhosas na sua traje tória, como Marshall muito bem reco
nhecia: abusos e um largo resíduo de pobreza oprimida, que êle, como outros, ansiava por eliminar. Mas desde o mea
"De um certo modo, a sua obra foi
do do último século, pelo menos, êsse
evidentemente "datada". Os seus pie dosos apartes e a sua moralidade afe tada não estão de acôrdo com o gôsto moderno, e a linhà de ataque contra o
guera os rendimentos da massa do povo, apesar de um rápido aumento do seu
sistema firme
número..."
e
substancialmente
er
Já se encontra no Ministério da Fazenda a minuta do contrato de f(^ecimento
ao Ministério da Agricultura, pela Fábrica Nacional de Motores, de 10.000 tra tores agrícolas, a serem entregues à razão de 2.000 por ano.
A Fábrica Nacional de Motores, segundo informou o brigadeiro Guedes Muniz,
tem prontos todos os principais estudos para a adaptação do seu maqmneirio à indústria de tratores. Ultimadas as formalidades do contrato, sera aberta con corrência entre os principais fabricantes de tratores do tipo escolhido na recente reunião de secretários de Agricultura, para a compra da necessária licença de fa bricação. Concluído está também o planejamento das máquinas.
As secções de Cartores, Êmbolos e Engrenagens de motores de aviões, reti rado o maquinário de êmbolos, transformar-se-á na Secçâq de Transmissão dos tratores. As antigas secções de Cilindros e cabeças de cilindros. Eixos de manivelas, e Bielas, acrescidas das máquinas de êmbolos, formarão a Secção de Motores dos tratores. Para completar seu equipamento, a Fábrica necessita apenas de mais 3 máquinas, visto como duas outras, de importação anteriormente prevista, serão obtidas pela modificação de máouinas existentes. Um "hall" de 200x30 metros,
ao lado esquerdo do grande pavilhão das oficinas, já com as plantas todas prontas,
abrigará a linha de montagem.
II Digesto
108
glês, Lord Acton, "que o poder corrom pe, e o poder absoluto corrompe de for ma absoluta".
Marshall declarou que o aumento rá
pido do capital e a marcha intensa para a especialização constituíam uma amea ça real à liberdade da ação econômica,
pois em todo grande negócio havia um elemento de "monópolio", e na sociali
zação do Estado havia um monopólio absoluto. Contudo, acreditava que o de senvolvimento de novas idéias ajudaria a anular o risco imanente para o público,
Apesar de acentuar a natureza imper feita da concorrência, permaneceu na tradição clássica por aceitar um mercado
livre como base dos seus "Princípios". Expressou a crença de que o poder da concorrência, mesmo sujeito a uma ori
entação muito rígida da parte do go
Econômico
pareceu...
O ceticismo de Marshall é
os que ainda aceitam as doutrinas de
Karl Marx.
Ao contrário, um dos objetivos mais salientes dos seus "Princípios" era a refutação da teoria do "laissez faire".
Não se incluía, igualmente, entre os Entendia que, mode
rado, o que êle designava como o lado financeiro do socialismo, por "predató rio"^ e "voraz" que fôsse, poderia ser benéfico, e não se opunha, em princípio ao menos, a medidas que diminuíssem
as desigualdades da riqueza, uma vez que fossem realizadas "por meios que ciativa e' a força do caráter".
título.
Mas a sua obra teria resistido à
volvimento econômico e a riqueza da
nação progrediram quase de golpe e de modo ímpar.
Admira, pois, que para
tinuasse? Podemos estranhar que temes
se uma nova forma, a qual implicasse
em novos grilhões ou-reduzisse o avanç-o técnico ao ritmo moroso do pas sado?..., É lícito perguntar onde esta riam os intelectuais progressistas, tão fluentes e escaminhos relativamente à ec-onomia ortodo.xa ou apologética, se houvessem vivido no tempo de Marshall . "Podemos dizer confiantemente que
os "Princípios" de Marshall contóbuiram para o corpo das idéias científicas com elementos que não eram apenas arqui tetônicos", e sim, num certo sentido, de "sua própria autoria", os quais cons tituem ainda "um fermento que atua
Marshall a iniciativa individual, a em
no mundo" e ainda persiste.
prêsa livre e audaciosa do inovador, fôsse o que mais se devia fomentar e encorajar, a fim de que o progresso con
Diante
de "clássico, mesmo na acepção mais
do exposto, êsse autor merece o titulo e.strita do têrmo".
crever o movimento socialista como "o
maior perigo, no momento, ao bem estar
"A principal obra de Marshall estava feita quando a concorrência capitalista chegava ao zênite. Em pouco mais de
prova do tempo"?
109
Era o
veu:
Marshall,
Com o afastamento de barreiras alfande
XVIII e comêço do século XIX, o desen
tente efetuava.
da humanidade".
cessantemente no mundo".
longo panorama de relativa estagnação. gárias e regulamentos, ao fim do século
da Universidade de Cambridge, escre
'com efeito, se qualifica para aquêle
que um breve episódio, ao fim de um
mentos que o sistema social então exis
I^sta de substituir a livre empresa e a iniciativa individual pela administração pública que ôle encarava com alarma. Isto o levou, em carta privada, a des
tituem antes um fermento atuando in
rica, Marshall via nessa iniciafíva como
V
que defendiam a distribuição de rendi
Em comentários sôbre o lugar de Marshall entre os grandes economistas,
"clássico", como alguém que, pela for ma ou pelo conteúdo de suas palavras e atos, afirmou ou indicou idéias arqui tetônicas quanto ao pensamento ou quan to ao sentimento, as quais de alguma maneira são suas também, e que, uma vez criadas, não desaparecem, e cons
disso, com sua larga perspectiva histó
máximas dogmáticas do "laissez faire".
lado administrativo do socialismo, a pro-
Marshall, foi definido como um autor
remoção de obstáculos e restrições. Além
Não que aceitasse as
Apreciações sôhre Marshall
Sohve, da cadeira de Economia Política
com muita ajuda do govêmo, além da
Marshall era individualista
até a medula.
não solapassem as fontes da livre ini
em edição do "Economic Joumal" que
iniciativa individual, a "energia incan sável" dos homens de negócios, que se guiam o seu caminho próprio, e não
agora geralmente aceito — exceto entre
... ,ii
DtcmsTo Econômico
"Tudo isso foi realizado através da
que era em parte uma defesa já desa
verno, estabelece o equilíbrio entre as forças da produção e do consumo.
celebrou o seu centenário, o professor
"'W
um século o sistema da "livre emprêsa" ou da "liberdade econômica" revolucio
nou a técnica industrial, o transporte e as comunicações e aumentou a fôrça
produtiva do país — de fato a sua pro
dução — além de tôda expectativa. Ha
via manchas vergonhosas na sua traje tória, como Marshall muito bem reco
nhecia: abusos e um largo resíduo de pobreza oprimida, que êle, como outros, ansiava por eliminar. Mas desde o mea
"De um certo modo, a sua obra foi
do do último século, pelo menos, êsse
evidentemente "datada". Os seus pie dosos apartes e a sua moralidade afe tada não estão de acôrdo com o gôsto moderno, e a linhà de ataque contra o
guera os rendimentos da massa do povo, apesar de um rápido aumento do seu
sistema firme
número..."
e
substancialmente
er
Já se encontra no Ministério da Fazenda a minuta do contrato de f(^ecimento
ao Ministério da Agricultura, pela Fábrica Nacional de Motores, de 10.000 tra tores agrícolas, a serem entregues à razão de 2.000 por ano.
A Fábrica Nacional de Motores, segundo informou o brigadeiro Guedes Muniz,
tem prontos todos os principais estudos para a adaptação do seu maqmneirio à indústria de tratores. Ultimadas as formalidades do contrato, sera aberta con corrência entre os principais fabricantes de tratores do tipo escolhido na recente reunião de secretários de Agricultura, para a compra da necessária licença de fa bricação. Concluído está também o planejamento das máquinas.
As secções de Cartores, Êmbolos e Engrenagens de motores de aviões, reti rado o maquinário de êmbolos, transformar-se-á na Secçâq de Transmissão dos tratores. As antigas secções de Cilindros e cabeças de cilindros. Eixos de manivelas, e Bielas, acrescidas das máquinas de êmbolos, formarão a Secção de Motores dos tratores. Para completar seu equipamento, a Fábrica necessita apenas de mais 3 máquinas, visto como duas outras, de importação anteriormente prevista, serão obtidas pela modificação de máouinas existentes. Um "hall" de 200x30 metros,
ao lado esquerdo do grande pavilhão das oficinas, já com as plantas todas prontas,
abrigará a linha de montagem.
111
Digesto Econômico
124.422.886 quilos; em 1944, 172.563.352; em 1945, 185.356.896,
neladas, no valor de Cr$ 3/0.133.2b0,00; São Paulo, com 95.995 hectares e
figurando na lista a caseína, o creme,
4.487.260 toneladas, no valor de Cr$
CUSTO DE VIDA NO DISTRITO FEDERAL
o creme suíço, o doce de leite, a farinha láctea, a lactose, o leite "in natura",
58.070 hectares e 3.153.831 tonela^s,
O Deparían^to ãe Geografia e Estatística da Prefeitura do Distrito Federal, por interr^dxo de sua Secçao de Estudos e Andises, acaba de publicar interes
o leite condensado, o leite em pó, a
manteiga, a margarina, o queijo e o
sante trabalho acôrca do mvel de preços na capital da República
requeijão. Em 1946, dentre os principais arti
tabelas de correlação entre a amfxaçao do meio circulaiüe e o custo de vida.
gos, produzimos: caseína, 1.306.474
O inquérito em aprêço estabelece, vor meio de competente análise das que os efeitos do freto anti-mflactoni^a não serão imediatos. Isto acontece prinpreços não se opera simultâneamente ao aumento do dinheiro posto em circulação, mas com certa marPem de
tempo, indispensável para que se produzam as
duJído nos Lios de pagüLnto. '
Atnl^HlTXcIo (í ÒúSS 100 QO TfXCtO CÍTf*tiI/int/>
1926, aquela repartição faz acompanhar
; certa ma gem ae
repercussões do acrescmo mtro' T t
aZJ""-
T
j
1"°-°"° ,
, o primeiro e o segundo. A partir T 19« ZLJ.T """ """ '"'"í""' \ do papel moedo.Lm o iJice de 257 " "7 / 110, no ano anterior, para 125. Em 1942 o ZiLrZZ Z T"ftu de preços 138, respectivamente; 1943 424 c T63. uma fn.ÍK 2,34. Relação fíelacão ídSnHc, 1844, e 1945, 677 e 234. idêntica, também apresentada entro ^ 559 c 202;.
msmo rSZ de vLaTãn ' " acima, se evidencia que a elevação dos preços
culante. .Assim, sofremos7 7no momento os efeZs ^^ j 7 ^ ^/'^uvs aos inflações de anos anteriores. conJnTdo° f elaborado pelo Departamento de Geografia e Estatística,
zZçZlL^tiítiiZt, ZtZ'iz:zrzZaitrZ'^"^ monetário, ou sela, mediante aperfeiçoarmmtos e Zgrets ZlZnLZleToZZ rZrí"'^'"^ referente ao controle dos preços, _ observa a mesma repartição LIZTZ" " ^ especulações doslutam noaos ae nouvs de aesequuwno desequilíbrio economico economico. 7 il. E, nao obstante a dificuldadeprõprias c^ ' que - pe—
/i
Min
r> nnnoMrInrIn
^
.
*1
x
os orgaos governamentais para obrigar à obediência aos tabelamentos, parecem
indiscutíveis as vantagens que resultam dêsse processo para o interêsse coletivo. BRASIL
Usina do Rio do Peixe
Foi assinado, na pasta da Agricultura, decreto autorizando a Companhia Pau lista de Energia Elétrica, com sede nesta
capital, a ampliar a usina hidroelétrica
sim como da respectiva tubulação aduj». ^paragem de controle, proteção e medição, transformadores e coras aces
sórias.
foi de 120.861.418); leite condensado,
9.166.333 (no ano anterior essa produ ção foi de 8.228.796); leite em pó, 2.684.674 (no ano anterior, 1.824.047); manteiga, 16.367.230 quilos (ano an terior, 14.114.127); queijos, 20.386.661 (ano anterior, 16.617.260), num total de 177.312.156 quilos, conforme dados colhidos na Divisão de Inspecção de Produtos de Origem Animal do Ministé rio da Agricultura. Ccriíi de açúcar
Aumentou sensivelmente a produção
Segundo dados estatísticos, tem sido assaz expressiva e animadora a produ
curso dágua dêsse nome, no município de São José do Rio Pardo. Essa am
ção de laticínios nos últimos quatro
no valor de Cr$ 256.189.130,00. Pa
raíba, Alagoas, Bahia e Santa Catarina
também apresentanim boa produção. Feijão
A produção brasileira de feijão, nos três últimos anos, foi a seguinte: em
1944: área cultivada, 1.349.50o hecta res; produção —
nn
60 quilos; valor, Cr$ i! 1945 _ áxea cultivada: 1.432.190 hec
tares; produção — 16.707.590 sacas de 60 quilos; valor — Cr$
1.177.967.942,00; 1946 (dados sujei tos a retificação): área cultivada, .. 1.402.576 hectares; produção - .... 17.017.590 sacas de 60 quilos e valor
Cr$ 1.255.924.701,00. Essa produção vem aumentando, portanto, em valor de ano para ano.
,
Sobressairam-se, entre os Estados pro
de cana de açúcar no último ano, se-
dutores de feijão, no último ano, os se
de Estatística da Produção do Ministé rio da Agricultura.
378.594 hectares e produção de ....
gnndo dados fornecidos pelo Servi^ Em
1944, em area cultivada de
675.606 hectares, a produção brasileira de cana de açúcar foi de 25.148.948
toneladas, no valor de Cr$ 1.397.644.703,00.
Em 1945, para uma área de 656.921 hectares, essa produção foi de • • • •• • • • 25.178.584 toneladas, valçndo Cr? .. 1 682.099.741,00.
Finalmente, em 1946, conforme dados
ainda sujeitos a retificação, a área cul Produção de Laticínios
denominada Rio do Peixe, situada no
pliação se dará com a instalação de novo grupo hidroelétrico de 2.250 KVA, as
quilos; leite *'in natura", 121.307.485 quilos (no ano anterior essa produção
349.944.743,00; Rio de Janeiro, com
tivada foi de 762.201 hectares, e a
produção de 28.300.336 toneladas, no valor de Cr$ 2.032.126.706,00. Entre os Estados canavieiros salienta
ram-se, no último ano: Minas Gerais,
guintes: Minas Gerais, com area de
4.528.695 sacas de 60 quilos, no valor
de Cr$ 297.950.974; São Paulo, com área de 273.945 e produto de .... 3.195.490 sacas de 60 quilos, no valor
de Cr$ 264.620.253.00; Parana, com
área de 137.412 hectares e produ
ção de 2.246.807 sacas, no valor de Cr$ 148.556.797,00. Ceará, Rio Gran de do Sul, Bahia, Pernambuco e Paraí ba também apresentwam apreciável
produção, naquele período. Alfafa
A produção brasileira de alfafa au
mentou em quantidade e valor, nos três últimos anos, embora a área culti vada tenha diminuído de 1944
anos. A quantidade, em quilos, de sub produtos do leite foi de franca ascensão.
•cm a área de 149.910 hectares e pro
1945 e pouco maior fôsse a de 1946,
dução de 5.364.560 toneladas, no valor
sôbre a do ano anterior.
Em 1943, essa produção atingiu ....
de Cr$ 380.417.201,00; Pernambuco, com 172.400 hectares e 5.201.694 to-
,
A situação dessa cultura, naqueles anos, foi a seguinte: em 1944 — área
111
Digesto Econômico
124.422.886 quilos; em 1944, 172.563.352; em 1945, 185.356.896,
neladas, no valor de Cr$ 3/0.133.2b0,00; São Paulo, com 95.995 hectares e
figurando na lista a caseína, o creme,
4.487.260 toneladas, no valor de Cr$
CUSTO DE VIDA NO DISTRITO FEDERAL
o creme suíço, o doce de leite, a farinha láctea, a lactose, o leite "in natura",
58.070 hectares e 3.153.831 tonela^s,
O Deparían^to ãe Geografia e Estatística da Prefeitura do Distrito Federal, por interr^dxo de sua Secçao de Estudos e Andises, acaba de publicar interes
o leite condensado, o leite em pó, a
manteiga, a margarina, o queijo e o
sante trabalho acôrca do mvel de preços na capital da República
requeijão. Em 1946, dentre os principais arti
tabelas de correlação entre a amfxaçao do meio circulaiüe e o custo de vida.
gos, produzimos: caseína, 1.306.474
O inquérito em aprêço estabelece, vor meio de competente análise das que os efeitos do freto anti-mflactoni^a não serão imediatos. Isto acontece prinpreços não se opera simultâneamente ao aumento do dinheiro posto em circulação, mas com certa marPem de
tempo, indispensável para que se produzam as
duJído nos Lios de pagüLnto. '
Atnl^HlTXcIo (í ÒúSS 100 QO TfXCtO CÍTf*tiI/int/>
1926, aquela repartição faz acompanhar
; certa ma gem ae
repercussões do acrescmo mtro' T t
aZJ""-
T
j
1"°-°"° ,
, o primeiro e o segundo. A partir T 19« ZLJ.T """ """ '"'"í""' \ do papel moedo.Lm o iJice de 257 " "7 / 110, no ano anterior, para 125. Em 1942 o ZiLrZZ Z T"ftu de preços 138, respectivamente; 1943 424 c T63. uma fn.ÍK 2,34. Relação fíelacão ídSnHc, 1844, e 1945, 677 e 234. idêntica, também apresentada entro ^ 559 c 202;.
msmo rSZ de vLaTãn ' " acima, se evidencia que a elevação dos preços
culante. .Assim, sofremos7 7no momento os efeZs ^^ j 7 ^ ^/'^uvs aos inflações de anos anteriores. conJnTdo° f elaborado pelo Departamento de Geografia e Estatística,
zZçZlL^tiítiiZt, ZtZ'iz:zrzZaitrZ'^"^ monetário, ou sela, mediante aperfeiçoarmmtos e Zgrets ZlZnLZleToZZ rZrí"'^'"^ referente ao controle dos preços, _ observa a mesma repartição LIZTZ" " ^ especulações doslutam noaos ae nouvs de aesequuwno desequilíbrio economico economico. 7 il. E, nao obstante a dificuldadeprõprias c^ ' que - pe—
/i
Min
r> nnnoMrInrIn
^
.
*1
x
os orgaos governamentais para obrigar à obediência aos tabelamentos, parecem
indiscutíveis as vantagens que resultam dêsse processo para o interêsse coletivo. BRASIL
Usina do Rio do Peixe
Foi assinado, na pasta da Agricultura, decreto autorizando a Companhia Pau lista de Energia Elétrica, com sede nesta
capital, a ampliar a usina hidroelétrica
sim como da respectiva tubulação aduj». ^paragem de controle, proteção e medição, transformadores e coras aces
sórias.
foi de 120.861.418); leite condensado,
9.166.333 (no ano anterior essa produ ção foi de 8.228.796); leite em pó, 2.684.674 (no ano anterior, 1.824.047); manteiga, 16.367.230 quilos (ano an terior, 14.114.127); queijos, 20.386.661 (ano anterior, 16.617.260), num total de 177.312.156 quilos, conforme dados colhidos na Divisão de Inspecção de Produtos de Origem Animal do Ministé rio da Agricultura. Ccriíi de açúcar
Aumentou sensivelmente a produção
Segundo dados estatísticos, tem sido assaz expressiva e animadora a produ
curso dágua dêsse nome, no município de São José do Rio Pardo. Essa am
ção de laticínios nos últimos quatro
no valor de Cr$ 256.189.130,00. Pa
raíba, Alagoas, Bahia e Santa Catarina
também apresentanim boa produção. Feijão
A produção brasileira de feijão, nos três últimos anos, foi a seguinte: em
1944: área cultivada, 1.349.50o hecta res; produção —
nn
60 quilos; valor, Cr$ i! 1945 _ áxea cultivada: 1.432.190 hec
tares; produção — 16.707.590 sacas de 60 quilos; valor — Cr$
1.177.967.942,00; 1946 (dados sujei tos a retificação): área cultivada, .. 1.402.576 hectares; produção - .... 17.017.590 sacas de 60 quilos e valor
Cr$ 1.255.924.701,00. Essa produção vem aumentando, portanto, em valor de ano para ano.
,
Sobressairam-se, entre os Estados pro
de cana de açúcar no último ano, se-
dutores de feijão, no último ano, os se
de Estatística da Produção do Ministé rio da Agricultura.
378.594 hectares e produção de ....
gnndo dados fornecidos pelo Servi^ Em
1944, em area cultivada de
675.606 hectares, a produção brasileira de cana de açúcar foi de 25.148.948
toneladas, no valor de Cr$ 1.397.644.703,00.
Em 1945, para uma área de 656.921 hectares, essa produção foi de • • • •• • • • 25.178.584 toneladas, valçndo Cr? .. 1 682.099.741,00.
Finalmente, em 1946, conforme dados
ainda sujeitos a retificação, a área cul Produção de Laticínios
denominada Rio do Peixe, situada no
pliação se dará com a instalação de novo grupo hidroelétrico de 2.250 KVA, as
quilos; leite *'in natura", 121.307.485 quilos (no ano anterior essa produção
349.944.743,00; Rio de Janeiro, com
tivada foi de 762.201 hectares, e a
produção de 28.300.336 toneladas, no valor de Cr$ 2.032.126.706,00. Entre os Estados canavieiros salienta
ram-se, no último ano: Minas Gerais,
guintes: Minas Gerais, com area de
4.528.695 sacas de 60 quilos, no valor
de Cr$ 297.950.974; São Paulo, com área de 273.945 e produto de .... 3.195.490 sacas de 60 quilos, no valor
de Cr$ 264.620.253.00; Parana, com
área de 137.412 hectares e produ
ção de 2.246.807 sacas, no valor de Cr$ 148.556.797,00. Ceará, Rio Gran de do Sul, Bahia, Pernambuco e Paraí ba também apresentwam apreciável
produção, naquele período. Alfafa
A produção brasileira de alfafa au
mentou em quantidade e valor, nos três últimos anos, embora a área culti vada tenha diminuído de 1944
anos. A quantidade, em quilos, de sub produtos do leite foi de franca ascensão.
•cm a área de 149.910 hectares e pro
1945 e pouco maior fôsse a de 1946,
dução de 5.364.560 toneladas, no valor
sôbre a do ano anterior.
Em 1943, essa produção atingiu ....
de Cr$ 380.417.201,00; Pernambuco, com 172.400 hectares e 5.201.694 to-
,
A situação dessa cultura, naqueles anos, foi a seguinte: em 1944 — área
112
cultivada, 27.681 hectares; produção,
129.322.850 kgs., no valor de Cr$ .. 57.472.554,00; em 1945 — área cul
tivada, 26.564 hectares; produção, .. 148 405.578 kgs., no valor de Cr$ ..
78.017.457,00; em 1946 (dados sujei
113
Digesto Econômico
Digesto Econômico
cereal on^ de 14.439 hectares, com uma produção de 6.670.581 quilos, no valor de Cr$ 8.618.159,00. Em 1945, em área de 13.800 hectares, essa pro dução subiu para 10.160.350 quilos, no
1941-42, 80.869 e'155.016; 1942-43, 107.890 e 205.350; 1943-44, 119.921 e 231.457; 1944-45, 72.014 e 134.695; 1945-46, 61.687 e 118.281, respecüvamente.
valor de Cr.$ 11.467.702,00. No último
Com a área agora' plantada, é de es-
meio de dólares à Estrada de tória-Minas, destinado a cone u a
cem quilômetros finais do lei o 9 Um porta-voz do referido „
se assentam os trilhos
gistrandü a repercussão do . . dade para desautorizar informações er
tos a retificação): área cultivada, .... 26.972 hectares; produção 149.309.818
ano, segundo informações ainda sujei-
..
perar-se um aumento da safra de 1947,
em nosso país, aproveitou a
kgs, no valor de Cr$ 82.738.443,00.
de 17.195 hectares, com uma produção
retificação, a área cultivada foi
'F'
apesar de ainda não corresponder às grandes colheitas obtidas em 1943 e
rôneas a respeito da Companhia do
No último ano, como nos anteriores, o Estado do Rio Grande do Sul foi o
maior produtor de alfaia. Figurou com uma área cultivada de 19.061 hecta
res e uma produção de 108.279.000 kgs, no valor de Cr$ 53.243.000,00, vindo a seguir São Paulo, com área de 4.643 hectares e produção de
21.811.680 kgs., no valor de CrS ! 18.427.048,00, e Santa Catarina, com hectares e produção
quilos, no valor de Cr$
15.964.682,00. Somente quatro uni dades contribuíram para e.s.sa produção em 1946:
Paraná, com 12.442 hectae 8.083.200 quilos, no valor de
q • ^"^'423,00, Santa Catarina, com 814 hectares, 2.408.698 quilos, no valor de Cr.$ 3.280.264,00, Rio Grande ao Su', 894 hectares, 889.120 quilos, np valor de Cr$ 886.394,00, e o ex-
de 13.496.138 kgs, no valor de Cri
com 45 hectares, Cri ....
6.515.145,00. Milho
Café para as Américas
Em 1944, numa área cultivada de
4.101.315 hectares, o Brasil produziu 92.912.355 sacos de milho de 60 qui los, no valor de Cr$ 3.151.959.924,00. Em 1945, embora diminuindo a área
para 4.092.054 hectares e a produção para 80.735.944 sacos, aumentou o va
lor para Cr$ 3.380.416.551,00.
No
ano de 1946, conforme - dados sujeitos a retificação, aumentou a área para 4.323.334 hectares e a produção para 95.059.969 sacos, continuando a subir o valor, que foi de Cr$ 4.015.052.168,00. Entre os Estados
produtores figura em primeiro lugar São Paulo, com a área cultivada de ....
917.988 hectares e uma produção de 21.845.145 sacos, no valor de CrS .. 982.261.398.00. Centeio
As nossas vendas de café para todos s países da América sofreram redu-
Ça no ano findo, no período compreen-
dido-entre os meses de janeiro a outu-
bHo, compai-adas com as do mesmo período de I945. q total das remessas para os países americanos, de janeiro a
10^49" 126 iu.i4y.i26
'
em ....
sacas, contra 10 525 420
sacas em 1945. Para essa queda con
correu o "déficit" havido nos embar ques para os Estados Unidos, cujo mer-
1944. O Chaco, onde se desenvolveu a
Vale do Rio Doce. frisou que ela é
cultima algodoeira argentina, foi inicial
constituída exclusivamente de
mente um centro de exploração florestal.
brasileiros. Essa companhia e.xpiora, en tre outras subsidiárias, a ferrovia i
BOLÍVIA
ria-Minas.
Pacto com a Argentina
Consumo de café
Notícias de La Paz informam que os
governos da Argentina e da Bolívia con cluíram um pacto de cooperação eco
nômica, financeira e cultural.
O con
vênio em apreço inclui regime adua neiro, disposição financeira, organiza ção de sociedades mistas boliviano-argentinas, inversões de capitais argenti nos na Bolívia, empréstimos para obras
Estados Unidos atingiu quantidao^ ja mais alcançadas anteriormente. Diz a informação o seguinte: "O forte au mento do preço do café, depois do can
viais, seguros e intercâmbio cultural. As disposições finais do tratado di zem respeito à troca de produtos, e
sacas. Antes da guerra o consumo mé
venda de estanho à Argentina. Anexo ao documento há um protocolo, espe cificando as obras públicas a serem rea lizadas.
Excluiu-se um projeto, con
cluído a 8 de março, pelo qual se esti
pula que a Bolívia e a Argentina pro moveriam, conjuntamente, a exploração
que se calcula em vinte milhões de dio era de 16 milhões de sacas por
ano, aproximadamente. A quantidade de café torrado no último exercício atin
giu o total de 20.500.0W" sacas. A correspondente a 1945 foi de 16.839.000 sacas e a, de 1941 foi de 12.530.000 sacas".
Acrescenta o informa que em 1946
das jazidas de ferro e a produção de
as importações do Brasil foram de ...
borracha. Manteve-se a di^osição nu
11.187.891 e as da Colômbia de ... 5.245.871 sacas. Outros mercados re
Do Exterior
de novas atividades econômicas e indus
ceberam de nosso país 4.505.397 sacas (quase três milhões desse total foram
importados pela Europa), o da Colôm
bia 415.592 (a Europa adquiriu apro
triais na Bolívia.
A produção de fibras e sementes de
informou
celamento da fiscalização de preços, nao teve efeito no consumo do ano passacto,
mero três do projeto aludido, a qual ddteitmina qi^e .ttma sociedade r^ista boliviano-argentina cooperará na criação
ximadamente a metade dêsse total). ESTADOS UNIDOS
A mesma fonte declara tambérn que
"as importações da Europa continu:^
Empréstimo à Estrada de Ferro Vitória-Minas
^
Acentuou-se o aumento da nossa pro dução de centeio nos três últimos anos.
seguinte: 1940-41, 50.337 toneladas de
O Banco de Importação e Exportação
Em 1944, a área cultivada com êste
fibras e 93.065 toneladas de sementes;
concedeu o crédito de sete milliões e
algodão, nos últimos anos, tem sido a
O Departamento do
que em 1946 a importação de cale tor rado e o consumo desse.P^j
públicas, comunicações terrestres e flu
.tra 9.837.847 sacassacas de cafe em brasileiro, 1945. con
ARGENTINA Fihras e sementes de algodão
p
sendo de cêrca de 60 por cento da média anterior à guerra, que era de 11.500.000 sacas.
Devido às dificul-
112
cultivada, 27.681 hectares; produção,
129.322.850 kgs., no valor de Cr$ .. 57.472.554,00; em 1945 — área cul
tivada, 26.564 hectares; produção, .. 148 405.578 kgs., no valor de Cr$ ..
78.017.457,00; em 1946 (dados sujei
113
Digesto Econômico
Digesto Econômico
cereal on^ de 14.439 hectares, com uma produção de 6.670.581 quilos, no valor de Cr$ 8.618.159,00. Em 1945, em área de 13.800 hectares, essa pro dução subiu para 10.160.350 quilos, no
1941-42, 80.869 e'155.016; 1942-43, 107.890 e 205.350; 1943-44, 119.921 e 231.457; 1944-45, 72.014 e 134.695; 1945-46, 61.687 e 118.281, respecüvamente.
valor de Cr.$ 11.467.702,00. No último
Com a área agora' plantada, é de es-
meio de dólares à Estrada de tória-Minas, destinado a cone u a
cem quilômetros finais do lei o 9 Um porta-voz do referido „
se assentam os trilhos
gistrandü a repercussão do . . dade para desautorizar informações er
tos a retificação): área cultivada, .... 26.972 hectares; produção 149.309.818
ano, segundo informações ainda sujei-
..
perar-se um aumento da safra de 1947,
em nosso país, aproveitou a
kgs, no valor de Cr$ 82.738.443,00.
de 17.195 hectares, com uma produção
retificação, a área cultivada foi
'F'
apesar de ainda não corresponder às grandes colheitas obtidas em 1943 e
rôneas a respeito da Companhia do
No último ano, como nos anteriores, o Estado do Rio Grande do Sul foi o
maior produtor de alfaia. Figurou com uma área cultivada de 19.061 hecta
res e uma produção de 108.279.000 kgs, no valor de Cr$ 53.243.000,00, vindo a seguir São Paulo, com área de 4.643 hectares e produção de
21.811.680 kgs., no valor de CrS ! 18.427.048,00, e Santa Catarina, com hectares e produção
quilos, no valor de Cr$
15.964.682,00. Somente quatro uni dades contribuíram para e.s.sa produção em 1946:
Paraná, com 12.442 hectae 8.083.200 quilos, no valor de
q • ^"^'423,00, Santa Catarina, com 814 hectares, 2.408.698 quilos, no valor de Cr.$ 3.280.264,00, Rio Grande ao Su', 894 hectares, 889.120 quilos, np valor de Cr$ 886.394,00, e o ex-
de 13.496.138 kgs, no valor de Cri
com 45 hectares, Cri ....
6.515.145,00. Milho
Café para as Américas
Em 1944, numa área cultivada de
4.101.315 hectares, o Brasil produziu 92.912.355 sacos de milho de 60 qui los, no valor de Cr$ 3.151.959.924,00. Em 1945, embora diminuindo a área
para 4.092.054 hectares e a produção para 80.735.944 sacos, aumentou o va
lor para Cr$ 3.380.416.551,00.
No
ano de 1946, conforme - dados sujeitos a retificação, aumentou a área para 4.323.334 hectares e a produção para 95.059.969 sacos, continuando a subir o valor, que foi de Cr$ 4.015.052.168,00. Entre os Estados
produtores figura em primeiro lugar São Paulo, com a área cultivada de ....
917.988 hectares e uma produção de 21.845.145 sacos, no valor de CrS .. 982.261.398.00. Centeio
As nossas vendas de café para todos s países da América sofreram redu-
Ça no ano findo, no período compreen-
dido-entre os meses de janeiro a outu-
bHo, compai-adas com as do mesmo período de I945. q total das remessas para os países americanos, de janeiro a
10^49" 126 iu.i4y.i26
'
em ....
sacas, contra 10 525 420
sacas em 1945. Para essa queda con
correu o "déficit" havido nos embar ques para os Estados Unidos, cujo mer-
1944. O Chaco, onde se desenvolveu a
Vale do Rio Doce. frisou que ela é
cultima algodoeira argentina, foi inicial
constituída exclusivamente de
mente um centro de exploração florestal.
brasileiros. Essa companhia e.xpiora, en tre outras subsidiárias, a ferrovia i
BOLÍVIA
ria-Minas.
Pacto com a Argentina
Consumo de café
Notícias de La Paz informam que os
governos da Argentina e da Bolívia con cluíram um pacto de cooperação eco
nômica, financeira e cultural.
O con
vênio em apreço inclui regime adua neiro, disposição financeira, organiza ção de sociedades mistas boliviano-argentinas, inversões de capitais argenti nos na Bolívia, empréstimos para obras
Estados Unidos atingiu quantidao^ ja mais alcançadas anteriormente. Diz a informação o seguinte: "O forte au mento do preço do café, depois do can
viais, seguros e intercâmbio cultural. As disposições finais do tratado di zem respeito à troca de produtos, e
sacas. Antes da guerra o consumo mé
venda de estanho à Argentina. Anexo ao documento há um protocolo, espe cificando as obras públicas a serem rea lizadas.
Excluiu-se um projeto, con
cluído a 8 de março, pelo qual se esti
pula que a Bolívia e a Argentina pro moveriam, conjuntamente, a exploração
que se calcula em vinte milhões de dio era de 16 milhões de sacas por
ano, aproximadamente. A quantidade de café torrado no último exercício atin
giu o total de 20.500.0W" sacas. A correspondente a 1945 foi de 16.839.000 sacas e a, de 1941 foi de 12.530.000 sacas".
Acrescenta o informa que em 1946
das jazidas de ferro e a produção de
as importações do Brasil foram de ...
borracha. Manteve-se a di^osição nu
11.187.891 e as da Colômbia de ... 5.245.871 sacas. Outros mercados re
Do Exterior
de novas atividades econômicas e indus
ceberam de nosso país 4.505.397 sacas (quase três milhões desse total foram
importados pela Europa), o da Colôm
bia 415.592 (a Europa adquiriu apro
triais na Bolívia.
A produção de fibras e sementes de
informou
celamento da fiscalização de preços, nao teve efeito no consumo do ano passacto,
mero três do projeto aludido, a qual ddteitmina qi^e .ttma sociedade r^ista boliviano-argentina cooperará na criação
ximadamente a metade dêsse total). ESTADOS UNIDOS
A mesma fonte declara tambérn que
"as importações da Europa continu:^
Empréstimo à Estrada de Ferro Vitória-Minas
^
Acentuou-se o aumento da nossa pro dução de centeio nos três últimos anos.
seguinte: 1940-41, 50.337 toneladas de
O Banco de Importação e Exportação
Em 1944, a área cultivada com êste
fibras e 93.065 toneladas de sementes;
concedeu o crédito de sete milliões e
algodão, nos últimos anos, tem sido a
O Departamento do
que em 1946 a importação de cale tor rado e o consumo desse.P^j
públicas, comunicações terrestres e flu
.tra 9.837.847 sacassacas de cafe em brasileiro, 1945. con
ARGENTINA Fihras e sementes de algodão
p
sendo de cêrca de 60 por cento da média anterior à guerra, que era de 11.500.000 sacas.
Devido às dificul-
rT
DicESTo Econômico
114
como a França provàvelmente aproveita
rão a produção das colônias.
Aduz o
informe em questão que o Ministério da Alimentação da Grã-Bretanha ofereceu à África Oriental um contrato de café
que vigorará duíante cinco anos, a
partir de 1° de julho de 1947: A pro dução média de três territórios — Kênia, Tanganica e Uganda — oscila entre 50
VELAS QUE SLMBÜLIZAM
Revelou aquele periódico que a so brecarga de 25% no frete destinado a Santos, cujo porto tem estado obstruído desde setembro último, foi estendida ao Rio de Janeiro, "de modo que cerca de 70% do comércio e.vterior brasileiro está sujeito a uma taxa extra. Em última
instância, êsse ônus recai sòbre os clien
m
tes brasileiros dos armazéns americanos".
mil e 55 mil toneladas (de 1.016 qui los).
O
contrato proposto
—
para
FRANÇA
23.600 toneladas — absorverá aproxi Petróleo
madamente a metade da produção dos citados territórios.
Trtgo para diversos países o govêmo dos Estados Unidos con
cedeu cotas suplementares de cereais e
farinha de trigo a diversos países da Europa e América Latina. Essas cotas que atingem o total de 296.375 tone
entre 200 e 10 mil metros de profundi
dade, em Langlade e Gígean, no Lan-
guedoc.
As sondagens são realizadas
pela Sociedade Nacional de Petróleo do
Languedoc. Transportes internos
ladas, deverão ser embarcadas pròximamente.
Dos trabalhos da Comissão de Moder
Um porta-voz do Departamento de Agricultura declarou à imprensa que, de acordo com tal programa, a França receberá 32 mil tonmadas suplementares de farinha de trigo. As outras cotas
nização dos Transportes Internos con clui-se que, em 1948, o volume do tráfego fluvial atingirá 10 bilhões de toneladas-quilómetro. A navegação dis
de farinha destinam-se à zona britânica da Alemanha, num total de 120 mil to
toneladas. Para chegar-se a este resul
neladas; à Itália, 22 mil toneladas; à Noruega, 11 mil toneladas; à Irlanda, 5 mil toneladas, e a Cuba, 30 mil to
a flotilha fluvial em s^u nível anterior à
neladas.
vial, pondo-se em funcionamento 500
Informa ainda o Departamento da
Agricultura que serão aquinhoados os seguintes países: Bélgica, 5 mil tone ladas de aveia; Egito, 36 mil toneladas de milho; Venezuela e Colômbia, res
pectivamente, 9 e 50 mil toneladas de milho.
m
Foi verificada a presença de petróleo
i
porá de uma flotilha de 3.000.000 de
tado será necessário: 1.° — restabelecer Guerra, fabricando-se 600.000 toneladas
de navios; 2.° — modernizar a parte flu
Quando o sr. começar a encontrar dificuldade nas partidas e notar maior consumo de combus
barcaças; 3.° — melhorar certas vias
tível, mande verificar as velas de seu auto. Se estas estiverem gastas ou cansadas, troqueas Jogo por velas A. C. — e uma nova era
navegáveis, o que exigirá 135.000 tone ladas de aço e 27 milhões de horas de
traballio; 4.° — distribuir o tráfego tão regularmente quanto possível.
começará para seu carro! Exija as legítimas
EGITO
Portos brasileiros
Descoberta petrolífera
VELAS
O "Wall Street Joumal" afirma que "o comércio entre os Estados Unidos e
a América Latina está sofrendo de con
A Standard Oil Co. of New Jersey
descobriu petróleo a 200 quilômetros ao
gestionamento portuário" e que a si
sul de Suez, nos arredores de Ras Sudr,
tuação ameaça tomar-se pior em virtude
na zona de Sinai. É a primeira desco
crescentes dificuldades para qual
quer espécie de atracação.
PRODUTO DA GENERAL M0T0R5
berta feita, em dez anos, pela referida companhia, que pesquisa a zona. ''l<.
áC
rT
DicESTo Econômico
114
como a França provàvelmente aproveita
rão a produção das colônias.
Aduz o
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partir de 1° de julho de 1947: A pro dução média de três territórios — Kênia, Tanganica e Uganda — oscila entre 50
VELAS QUE SLMBÜLIZAM
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m
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w
Companhia Siderúrgica Belgo Mineira Usinas
em
Siderúrgica e (Minas-Gerais)
Monlevade
■■iiai
iHiiai
Programa de venda:
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FERRO PARA FERRADURAS, CANTONEIRAS, ARAME PARA PREGOS, AÇOS COMUNS E ESPECIAIS,
ARAME GALVANIZADO, REDOND^O E OVAL,
5
ARAME PRETO RECOSIDO,
ARAME FARPADO E GRAMPOS PARA CERCA, ARAME COBREADO PARA MOLAS, TRILHOS.
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IBIIBI
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Agência de São Paulo: RUA BOA VISTA, 16 — 8." And. — Tel. : 3-2151 SÃO PAULO
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Kas, Eixos de transmissão. Ferro laminado, Arame preto e galvanizado.
VALVULAS E CONEXÕES WALWORTH, Gachetas, Papelão amianto, Brócas, Limas, Lixas, Serras circulares, e de fita; para Me tais e Madeiras, Talhas, Ferragens e Ferramentas em geral. AUTOMÓVEIS - PEÇAS - SERVIÇO
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Santa Catarina — Brasil
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Sociedade Paulista de Representações Ltda. Rna Paula Souza n.° 354 — Fone: 4-1922 — Telegramas "Soprei*^ SÃO PAULO
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TINa" não é uma experiência: é uma grata afirmação de qua
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industriais, civis. Contratos, distrotos, modificações de firmas, coope
ótimos serviços às donas de caso, por mais de 40 anos. Não
rativas e todos os serviços nas Juntos Comerciais e legalização perante todas os Repartições Publicas, Municipais, Estadoals e Federais.
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REQUEREMOS PROTEÇÃO DA PROPRIEDADE
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INDUSTRIAL, COMERCIAL E CÍVEL PARA:
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S. Paulo: Rua Direito, 64 - 3.® - Tels. 2-8934 e 3-3831 - C. Postais 3631•1421 R.JoneirotAv. AparicloBorges,207-12."pav. -Tel. 42-9285 - C. Postal 3384
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