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DIGESTO ECONÔMICO, número 29, abril 1947

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DICESTU F.R»deAquino&Cia.Ltda. procuradores

ECONOMICO oB OS AUSPÍCIOS Dn ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE SÃO PAULO E da federação 00 COMERCIO 00 ESTADO DE SÃO PAÜW

ORIENTAÇÃO TÉCNICA NA COMPRA E VENDA DE IMÓVEIS ADMINISTRADORES DE BENS

SUMARIO

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27

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SECÇÃO DE SEGUROS

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Panorama Econômico

Redação

1

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N.o 29

abril de 1947

ANO LII


DIGÍESTTO ECGXOMICO

SÍS

o "DjfTCsto Econômico" apr.rece no primeiro sábado de cada mês.

Empresa

£' publicado pela Editora Comercial Ltda., sob os auspícios da Asso ciação Comercial de São Paulo e da Federação do Ccmcrcio do Esta do dc São Paulo.

lie Transportes Drgeates Ltda.

DÍ3tribu'dores no Brasil:

DISTRirUIDCP.A

EDITORIAL BRASILEIRA LTDA.

Avenida Graça Aranha, 81 — 12." andar — Rio de Janeiro

V fi

Representante na Repúbrca Argentina: iriTEiTl-PREMSA — Florida 223 — Buenos Aires — Argentina Representante em Portugal: ANTÓNiO DO CARMO JÚNIOR

Rua Angelina Vidal, C2 — 1.° Esq. Firmas que anunciam neste número:

Anfonio Nogueira ir Companhia A Serviçal Ltda. A-iSunção S/A.

Campana ir Companhia Casa B. Santana de Eletricidade Ltda. Casa Renato

Cipan

General Motors do Brasil S/A. Grandes Indústrias Minelti Gnmba Lida. IndwAr'.a Farmacêutica Nacional Livraria Francisco Alves

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(Esq. Av. Rangel Pestana)

Móveis da Aço Fiel Lida.

Sede própria - Ed. Guarany

Nicola GaUucci

Tels.: 2-8?66, 2-6661 e 3-3591

c I u n R11 T»lefon*i S3-07y]

23-0337

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Cobrasil

Organização Ruf

Cia. Cervejaria Brahma S/A.

Papelaria c Tipografia Andreotti

Cia. de Cif^arros Souza Cruz

Ponzoni Brandalise S/A.

Cia. Distribuidora Geral "Bras~

Prudência Capitalização

PETXSPOIIS

Refinações de Milho Brasil Refinadora dc Óleos do Brasil

UHPOS.VITOMI

motor"

Cia. Química Duas Âncoras Cia. Siderúrgica Belgo-Mineira Cia. S.K.F. do Brasil

Cia. Telefônica Brasileira

Noschese S/A. Fábrica Orion

F. Coimbra 3/A.

Ford Motor Company

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Empreza S.E.S. de Transportes

Metais

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S/A.

S/A. Comércio e Indústria Souza

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Cia. de Terras Norte do Paraná

Urgentes Ltda. Enceradeira Epel Expresso Estrela de Prata

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Sociedade Paulista de Represen tações Ltda.

Taufic Schahim 6- Irmão.

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SERVICQSI lECONOMICO^ ISEGUROSI

DE DOMICÍLIO A DOMICÍLIO

In

■irtlRI Iloitih 43 TiIiImi ni

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o SENHOR

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DE UM APÔiO...

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^BJAM quais forem os seus recursos. ^ presentes e o seu atual padrão

TRANSPORTES

de vida. o senhor necessitará, na sua

velhicei de um apdio seguro que lhe garanta confõrto, descanso e indepen

Rua General Pedra, 34

dência. Isto sd conseguirá se não

RODOVIARI OS

Tel.: 43-0505 — RIO

DE DOMICILIO A DOMICILIO

depender de outras pessoas, nem de parentes, nem de amigos, multo me

^^'cmspoites.

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nos de casas de caridade. Terá de

dispor de um apoio próprio, prepara do pelo sr. mesmo enquanto é tempo e tôdas as facilidades estão em suas mãos- Subscreva títulos da Prudência

Rua Mercúrio, 115

Capitalização e viva com tranqüili

Tels.; 2-3229 - 2-4234

dade. sem maiores apreensões.

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Proeare «onheeer, tem compromisso,

es plenos do Prudeneio Ccpllellze(õe. nos sues venrogans raofs a

* Oí nossos títulos, alem de outras paron.

goroallos tólldas, iegois, absolutas.

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O TÉCNICO NO LABORATÓRIO E O TRABALHADOR NA MÁQUINA

l LUTAM INCESSANTEMENTE PARA LHE PROPORCIONAR

pM todos os objetos que adquiri* ^ mos para o nosso uso. é.natural que procuremos a melhor qualidade.

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A qualidade, porém, torna-se predi

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cado insubstituível em objetos que cxijem garantia de longa durabilida

CALÇADOS EM GERAL — Calçi<ios de couro com solu de borracha, para homens, senhorai e cnançu. Tênis e calçado* de lona para esportes e praia.

de no seu adequado uso: brunidorcs

para arroz, peças de uso industrial. artigos cirúrgicps. Nossos modernos

ARTEFATOS PARA CALÇADOS —Saltos e capas de borracha

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para saltos. Solas de borracha para calçados de homens, senhoru e crianças. Lençóis de borracha para solado. Virolas de borra

rantcm a mais alta qualidade, pois representam o fruto de contínuos estudos e minuciosas observações.

cha. Corticiie para calçados de homens e crianças. ITra de Lgaçãc Oueras miudezas. ARTEFATJS DE BORRACHA EM GERAL

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de borracha de todos os tipos. Lençóis de borracha para dos.

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para cincas elásticas e para hospitais. Tapetes de borracha, desintupidores para pias, pés de cadeira, pncumaticos e cordões para rodas de velocípedes, Pucaros, çuarnições de borracha para

ORION

pratos, rodas dc borracha para balanças, revestimento de rodas para fíns industriais e mais uma ínfiiudade de produtos de borracha-

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Confadorla — 9-3 200

ESCRITÓRIO:

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9-3205 9-3 200

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Antonio Nogueira & Cia. Ltda. DEPOSITARIA CASA SALUS - RUA XAVIER DE TOLEDO,60 - SAO PAULO RUA DA QUITANDA, 24 - RIO DE JANEIRO


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CIA. DE CIGARROS

Nenhum criador joga fóra propositadamente o leite que produz em sua fazenda ^ porque leite é dinheiro proveniente de trabalho continuo e penoso. Já pensou, entretanto, em quantos latões de leite o senhor desperdiça simplesmente porque deixa de os produzir?

Lembre-se de que para produzirem com eficiência e

economia as vacas leiteiras exigem uma alimentação racional - farta, rica e bem equilibrada. As "RAÇOES concentradas BRASIL" são cuidadosamente calculadas para a obtenção do má ximo rendimento dos seus animais, conservaudo-os fortes e sadios.

Experimente-a hoje mesmo e nunca mais

deixará de usa-la.

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(Resp. Brennp M. de Andrade, eng.-agro.)

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Pedidos à Caixa Postal, 1117 Produto da Refinadora de Óleos Brasil S/À Rua Xavier de Toledo, 114 - Caixa Postal, 1117 São Paulo

Filial de São Paulo — Rua Alegria, 300

Loja, Vendas a Varejo — Rua José Bonifácio, 308


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PRODUTOS ALIANÇA I S.OOO

ARTIGOS DIFERENTES <■ e c À • o 9

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SÃO PAULO ESCKITÔPIO: Rm Moniinkw A*di>a<. 4SI rÁBRtCA.- Rm t CAtXA POSIAL, 1511

RIO DE JANEIRO rjftkklin Rooie.rll. 04 - Sali 404

Seus próprios olhos verão, visitando um dos laboralóríos da

Indústria Farmacêutica

Nacional, os

seus aparelhos adequados, es medidas precisas, a esterilização rigorosa, a mani

pulação impecável, a execução de iccníca perfeita — a fim de que possa responder pela pureza, êficócia c segurança dos seus

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tura, saber, esforço e dedicação. Seus pró prios olhos verão o que o Brasil já tem feito com seus cientistas, médicos, farma

cêuticos, técnicos c operários especializados para a saúde e redenção fislca, moral c econômica de milhões do vidas hu manas. Seus próprios

olhos verão, pois

estamos de portas abertas! •* A MOÚSJMA FARMACfunCA NACfONAl Ê FATOR D£ PROGRESSO CIENTÍFICO *

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I^RTO ALEGRE At. Oit.U RocKk 73 1.0 «a4<


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MilCHOS RECONHECIDOS COMO OS MELHORES NO MERCADO!

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os

maChos SKF" TEM

MAIOR

DURABI LIDADE

E

PRODUZEM UMA ROSCA PERFEITA CORTAM A ROSCA COM FACILIDADE E RAPIDEZ

PO R QU E t SÃO RETIFICADOS DEPOIS DA TÊMPERA POR PROCESSO ESPECIAL E POR ISSO ELIMINAM

AS FALHAS CAUSADAS PELA TÊMPERA. O PASSO DA

ROSCA É PRATICAMENTE

EXATO DENTRO DE UMA TOLERÂNCIA

0,005 mm UM

ASSENTAMENTO

TÊM

DE

EM 25 mm; ASSEGURANDO ASSIM

PERFIL

DE

INTEGRAL.

ROSCA

EXATO

E

PERFEITA-

Disto, êle não abre mão! Está

MENTE

UNIFORME.

na hora do "seu" Brahma Chopp...

RANHURA PARA CAVACOS EM ANGULO RETO.

e acabou-se! É um verdadeiro FEITOS

feitiço... Seria um capricho? Há

DE

AÇO

SUECO

DA

MAIS

ALTA

QUALIDADE

FABRICADO NAS PRÓPRIAS USINAS DE AÇO DA SKF

motivos... Brahma Chopp—a fa

bulosa cerveja — fascina milhões porque é super-deliciosa! Sele

ção rigorosa dos ingredientes

NAO E O PREÇO DE AQUISIÇÃO QUE E DECISIVO — E SIM A QUALIDADE DO TRABALHO

— eis o segrêdo! Em seu fabri co,s6 entram puríssimo fermento, vigoroso malte, aromático iú-

PRODUZIDO, A RAPIDEZ DE EXECUÇÃO E A DURABILIDADE DO MACHO — EM OUTRAS PALAVRAS:

O

PREÇO

POR

FURO

CORRETAMENTE

EXECUTADO !

pulo. Assim é que se tornou rea

lidade a bebida gostosa e sau

dável, que faz tão entusiásticos admiradores em todo o

Brasil.

fRODUTO DA CtA. CERVE/ARÍA BRAHMA SOCIEDADE ANÔNIMA BRASILEIRA — RIO 0£ JANEIRO — S. PAULO — CURITIBA — PORTO AUCRE

COMPANHIA

DO

ROLAMENTOS .1

> .. /'J.àAti

BRASIL


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maChos SKF" TEM

MAIOR

DURABI LIDADE

E

PRODUZEM UMA ROSCA PERFEITA CORTAM A ROSCA COM FACILIDADE E RAPIDEZ

PO R QU E t SÃO RETIFICADOS DEPOIS DA TÊMPERA POR PROCESSO ESPECIAL E POR ISSO ELIMINAM

AS FALHAS CAUSADAS PELA TÊMPERA. O PASSO DA

ROSCA É PRATICAMENTE

EXATO DENTRO DE UMA TOLERÂNCIA

0,005 mm UM

ASSENTAMENTO

TÊM

DE

EM 25 mm; ASSEGURANDO ASSIM

PERFIL

DE

INTEGRAL.

ROSCA

EXATO

E

PERFEITA-

Disto, êle não abre mão! Está

MENTE

UNIFORME.

na hora do "seu" Brahma Chopp...

RANHURA PARA CAVACOS EM ANGULO RETO.

e acabou-se! É um verdadeiro FEITOS

feitiço... Seria um capricho? Há

DE

AÇO

SUECO

DA

MAIS

ALTA

QUALIDADE

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motivos... Brahma Chopp—a fa

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NAO E O PREÇO DE AQUISIÇÃO QUE E DECISIVO — E SIM A QUALIDADE DO TRABALHO

— eis o segrêdo! Em seu fabri co,s6 entram puríssimo fermento, vigoroso malte, aromático iú-

PRODUZIDO, A RAPIDEZ DE EXECUÇÃO E A DURABILIDADE DO MACHO — EM OUTRAS PALAVRAS:

O

PREÇO

POR

FURO

CORRETAMENTE

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Brasil.

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ROLAMENTOS .1

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Esta elicienle e ultra •rápida máquina elétrica vale também por

ELECTROIIfITIC

um duplicador em seu escritório.

ALLELECTRIC o serflço ordinário de um escritório exige várias có pias para cada trabalho dactilográfico. Para essas có-

para regulagem de qualquer número dc cópias deseiado, até o máximo dc lo! A impressão é uniforme c per

láas, nem sempre perfeitamente legíveis, a dactilógrafa

feita. Os pontos não perfuram o papel. As maiúsculas

oecma um esforço contínuo no bater das teclas, -ubmetendo a máquina a um desgaste violento. A má quina de escrever "Elearomauc" AlI-Electric resolve,

não ficam desmaiadas. A "Electromatic" All-Electric

vale. assim, por um duplicador, no seu escritório, proporcionando-!hc, também, o rendimento Je 3

máquinas c j d.iciilógrafas! Eficiência, Rapidez, Per

iotràamentc, esse problema, porque dá até.jo cópias

feição c Economia, são as caractcristicas próprias da

latidas de uma vez ! Dotada de extrema sensibilidade,

"Elenroniatic". Insercva-sc, hoje, em nossos escritó

a "Elcctromatíi;" AIJ-Eíectric possui uma alavanca

rios para breve recebimento da sua "Electromatic".

li JOGO DE ESCOVAS PARA ESPALHAR

A CERA, LUSTRAR E DE FELTRO PARA

DAR

INDUSTRIAS REUNIDAS INUIAN EPEL LIDA ESCRITÓRIO E LOJA: LARGO DE SAO BENTO. 20 - TELEFONE 3-1724 - S. PAULO

SERVIÇOS HOLLERITH S. A. INSTITUTO BRASILEIRO DE MECANIZAÇÃO

Avenida Graço Àranho, 182- io de Janeiro

BRI LHO

Representantes nas principais cidades do Brosll a.1 ..w


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DIGESTO EEOiOMlCO o MUKOO DOS NEGÚCIDS KUM PfiNDR&Ma MCHSKl Publicado sob os auspícios da

ASSOCIAÇÃO CÜMERCIÃLDE SÃO PAULO

★

FEOERAÇÃO 00 COMÉRCIO 00 ESTAOO OE SÃO PAULO

m

Diretor Superintendente:

AURO SOARES DE MOURA ANDRADE Diretor;

ANTONJO GONTIJO DE CARVALHO

O DIGESTO ECONÔMICO,órgão de informações econômicas e financei

O Digesto Econòmleo publicará no próximo número: PERSPECTIVAS DO COMÉRCIO IN TERNACIONAL — Tcotônio Mon teiro de Barros Fillio.

mercial Ltda.,é publicado no primeiro

ANTÔNIO DA SILVA PRADO - José Honório Rodrigues.

sábado de cada mês,

CASAS POPULARES - Francisco Pres

ras, de propriedade da Editora Co

tes Maia.

A direção não se respr.nsabiliza pelos dados cujas fontes estejam devida mente citadas, nem pelos conceitos emitidos em artigos assinadrs.

eorgismo e iviarxismo Ouau/o í/o ficorgismo não pertenço ao número âc seus klóUitras.

de apreciação a miragem cio impâtio único. Sou muito tradicional e o jorro d'água da cmeção das gotas d'ánua. Em matéria tributária,

(a-pesar-dos defeitos) para a multipUcidoae dos fontes de receita a consttiuir

O PROBLEMA DO PÔRTO DE SAN

rendas públicas.

E mais seguro c menos perigoso nos

REGIÃO SE

—

AGRÍCOLA Everardo

BANANALEN-

Valim

Pereira

de

Souza.

carta recente, que dirigiu ao seEMnhor Luiz Carlos Prestes,^o contista onteiro Lobato, depois de reiterar ao

Montei

Na transcrição de artigos perie-se eitar o nome do DIGESTO ECONÔMICO.

Aceita-se intercâmbio c/publicações congêneres nacionais e estrangeiras.

O USO DA BORRACHA ENTRE OS ÍNDIOS — Gastão Cruls.

chefe comunista os seus protestos de

UM COMERCIANTE DO TEMPO DA INDEPENDÊNCIA - Otávio Tar-

panha política pela aplicação no Brasil dos princípio.s do georgismo. Em sua

quinio de Souza.

ASSINATURAS:

Digesto Econômico

Ano (simples) »

cr$ 30,00

(registrado)

Número do mês: Atrasado : '

crS 36,00 Cr$ 3,00 Cr$ 5,00

★

Redação e Admlnlstrcçõo: VIADUTO BOA VISTA,67 —7.» ANDAR TEL. 3-7499 — CAIXA POSTAL. 240-B

SÃO PAULO

'

TOS — Nelson Werneck Sodré.

★

estima e admiração, sugere-lhe uma cam

resposta, o dirigente máximo do P.C.B.

mas seguindo o critério de unia sição objetiva. Para tanto,

'

aos textos mais autorizados sooic momentosa questão.

O georgismo

Preliminarmente, observemos que — o :ji ,^,rvic,nn

deu a entender que ainda não tem opi- , georgismo, tanto quanto ^ nião firmada a respeito, o que deveria doutrinas com as quais li ter deixado o leitor um tanto descon- características basicas, - tem posiçoes definidas em relação à renda da terra, ctrliido. A matéria, parece-nos, está exigindo embora se inspirassem, neste capitulo,, dos estudiosos cabal esclarecimento. Ha verá identidade entre a doutrina mar

xista e as reformas pleiteadas pelo autor de "Progress and Povcrty"? Se não há

nos estudos dos economistas da escola clássica, inclusive Ricardo.

Vejamos a respeito o fundamento da doutrina do pen.sador americano. As nossas citações serão tiradasi udo prti. t• prio texto de "Progress and Poverty

essa identidade, cm que diferem? Haverá possibilidade de uma conciliação entre ambas? Em que concepção filosó- (edição da "Mpdern Library", No\'l fica se' baseiam? Iorque), o mais famoso liiTO de Herm' É o que veremos a seguir, em traços Georgc. No capitulo II do livro III de rápidos, não com o intuito polêmico, sua obra, assim diz este autor:


DIGESTO EEOiOMlCO o MUKOO DOS NEGÚCIDS KUM PfiNDR&Ma MCHSKl Publicado sob os auspícios da

ASSOCIAÇÃO CÜMERCIÃLDE SÃO PAULO

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AURO SOARES DE MOURA ANDRADE Diretor;

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O DIGESTO ECONÔMICO,órgão de informações econômicas e financei

O Digesto Econòmleo publicará no próximo número: PERSPECTIVAS DO COMÉRCIO IN TERNACIONAL — Tcotônio Mon teiro de Barros Fillio.

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A direção não se respr.nsabiliza pelos dados cujas fontes estejam devida mente citadas, nem pelos conceitos emitidos em artigos assinadrs.

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de apreciação a miragem cio impâtio único. Sou muito tradicional e o jorro d'água da cmeção das gotas d'ánua. Em matéria tributária,

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O PROBLEMA DO PÔRTO DE SAN

rendas públicas.

E mais seguro c menos perigoso nos

REGIÃO SE

—

AGRÍCOLA Everardo

BANANALEN-

Valim

Pereira

de

Souza.

carta recente, que dirigiu ao seEMnhor Luiz Carlos Prestes,^o contista onteiro Lobato, depois de reiterar ao

Montei

Na transcrição de artigos perie-se eitar o nome do DIGESTO ECONÔMICO.

Aceita-se intercâmbio c/publicações congêneres nacionais e estrangeiras.

O USO DA BORRACHA ENTRE OS ÍNDIOS — Gastão Cruls.

chefe comunista os seus protestos de

UM COMERCIANTE DO TEMPO DA INDEPENDÊNCIA - Otávio Tar-

panha política pela aplicação no Brasil dos princípio.s do georgismo. Em sua

quinio de Souza.

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Digesto Econômico

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mas seguindo o critério de unia sição objetiva. Para tanto,

'

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O georgismo

Preliminarmente, observemos que — o :ji ,^,rvic,nn

deu a entender que ainda não tem opi- , georgismo, tanto quanto ^ nião firmada a respeito, o que deveria doutrinas com as quais li ter deixado o leitor um tanto descon- características basicas, - tem posiçoes definidas em relação à renda da terra, ctrliido. A matéria, parece-nos, está exigindo embora se inspirassem, neste capitulo,, dos estudiosos cabal esclarecimento. Ha verá identidade entre a doutrina mar

xista e as reformas pleiteadas pelo autor de "Progress and Povcrty"? Se não há

nos estudos dos economistas da escola clássica, inclusive Ricardo.

Vejamos a respeito o fundamento da doutrina do pen.sador americano. As nossas citações serão tiradasi udo prti. t• prio texto de "Progress and Poverty

essa identidade, cm que diferem? Haverá possibilidade de uma conciliação entre ambas? Em que concepção filosó- (edição da "Mpdern Library", No\'l fica se' baseiam? Iorque), o mais famoso liiTO de Herm' É o que veremos a seguir, em traços Georgc. No capitulo II do livro III de rápidos, não com o intuito polêmico, sua obra, assim diz este autor:


í

Dicesto Econômico

22

"O lèrmo renda, no seu sentido eco-

A renda também .se expressa pelo preço

. nómico — isto é, quando usado, como o xisamos, para distinguir aquela parte do produto que reverte aos detentores da

de venda. Quando a terra é vendida, o

terra ou outras riquezas naturais em \'irtude de sua propriedade — difere da

.acepção do têrmo renda habitualmente

empregado. Sob alguns aspectos essa significação econômica é mais estreita do que a comum; sob outros aspectos, é maiç ampla".

Henry George passa a seguir a estu dar a "significação mais estreita". Lem-

"bra que, na linguagem comum, aplica mos o têrmo renda para os pagamentos pelo uso de prédios, máquinas, imóveis,

etc., assim como pelos pagamentos pelo uso da terra e outras riquezas naturais. E>, ao falarmos da renda de uma casa

ou da renda de uma fazenda, não sepa ramos o preço pelo uso da benfeitoria

do preço pelo uso da terra despida. Mas da significação econômica da ren-

•da são excluídos os pagamentos pelo uso de qualquer dos produtos do esforço humano. Nos pagamentos em conjunto pelo uso de casas, fazendas, etc., cons

titui renda apenas aquela parte rela cionada com a utilização da terra. A parte paga pelo uso de prédios e outras

"benfeitorias já entra na categoria do juro, tal como acontece em relação ao capital. Examinemos agora, sempre baseados

na própria exposição de Henry George, n "significação mais ampla".

aa

Dicesto Económicxí

Na lin

guagem também comum, só falamos de

pagamento que é feito pela propriedade, ou o direito de sua exploração perpétua, é renda transformada ou capitalizada. "Eu compro terra por um pequeno

preço — diz textualmente Henry George — e a conservo até que a possa vender

por um preço .superior, enriquecendo assim não pelo salário, pelo meu traba lho ou pelos juro.s do meu capital, mas pela elevação da renda. Renda, em suma, é a parte da riqueza produzida que o direito exclusivo ao uso dos ele mentos naturais proporciona ao proprie tário. Onde quer que a terra tenlia um valor de troca, aí há renda no sentido

econômico do termo.

Onde quer que

a terra, tendo um valor, seja usada,

pelo proprietário ou pelo arrendatário, aí há renda efetiva; onde quer que ela não seja usada, embora tenha um valor,

aí há renda potencial. É esta capacida de de produzir renda que dá valor à terra. Enquanto a propriedade não con fere nenhuma vantagem, a terra não possui valor".

salários e os lucros podem aumentar

do que lhes sobra depois de subtraída

juntamente com estas últimas.

a renda, ou, em outra liipólese, no que

1A

possam obter sem pagar renda, isto é, do que possam obter na pior terra em

Nos países* progressistas, segundo George, o aumento da renda constitm a chave mediante a qual se compreende

porque os salários e o lucro deixam de aumentar com o aumento das fòrças

produtivas. A riqueza produzida em to da comunidade — explica — divide-se em duas partes demarcadas pelo que se pode chamar a linha da renda. Esta ó fixada pela margem do cultivo, ou a

recompensa que o trabalho e o capital podem obter com a exploração dos re cursos naturais, quando livres, e sem o

produtividade ou da utilidade desta, não ção, mas simplesmente confere ao seu

o valor da terra é baixo, pode verifi taxa de juros, como é comum nos países

novos. E, onde o valor da terra é_alto,

o preço do monopólio da terra.

taxa de juros, como é comum nos países

naturais que o e.sfôrço humano não pode

<lo o proprietário e o empresário se con

produzir ou aumentar.

fundem na mesma pessoa, e é o caso,

Estudando a lei da renda, George

por exemplo, dos fazendeiros paulistas.

observa que é, de fato, uma dedução

•Quando o proprietário e o 'empresário coexistem na mesma pessoa, aquela

lários e os juros tendem a um nível co

da lei da concorrência.

Como os sa

mum, toda aquela parte da produção geral da riqueza, que excede o que o trabalho e o capital empregados pos

pelo seu trabalho e capital constitui a parte de seu ganho que conseguiria se,

sam garantir para si mesmos, se"aplica

.em vez de possuir o solo, o arrendasse.

turais em uso, se encaminha para os pro-

dos quanto aos mais pobres agentes na

em 1917, diz o seguinte ^ respeito da teoria da renda territorial: "Nos países-

capitalistas, a superfície das terras é li mitada, pois é tôda ocupada por cultiva

dores, e os preços dos produtos ajpríco-

las são estabelecidos segundo as despe sas de cultura não num terreno médio, mas num terreno de qualidade inferior,,

e, quanto ao transporte — dos produtosaté o mercado — não segundo condi

ções médias, mas segundo as mais des

qualidade superior (ou nas condições,

proprietário uma parte dos resultados

tido econômico, há também renda quan-

Lenin, idealizador do Estado soviético-

favoráveis. A diferença entre este preço

dessa produção. E^a constitui, portanto, gue-se sobre a limitação da proprieda

Em estudo relativamente

denso, escrito para uma enciclopédia, N.

pagamento de renda. A parte do pro

pode verificar-se uma larga produção de riqueza, apesar de salários baixos e baixa

Er

A concepção marxista da renda Vejamos agora a concepção marxista

duto abaixo desta linha é atribuída aos salários e ao lucro. Tudo o que estiver acima dêsse limite, se encaminha

car-se uma pequena produção de ri queza, não obstante altos salários e alta

proporciona qualquer auxílio à produ

te quanto as fôrças produtivas, é que os

da renda.

uso.

a ou o valor da terra não procede da

de individual em relação aos elementos

íoa é renda, ao passo que a recompensa

dem, na agricultura, do que possam pro duzir o trabalho c o capital, mas apenas

Dadas estas premissas, a conclusão do

âeorgismo não poderia ser outra: a ren-

sário são pessoas distintas. Mas no sen

alugando a sua terra a uma terceira pes-

cairão. Somente quando o valor da terra deixa de aumentar tão ràpidamen-

os proprietários territoriais. Assim, onde

•jrenda quando o proprietário e o empre

parte de seu ganho que pode obter

Assim, os salários e o lucro não depen

prictários da terra .sob a forma de renda.

velhos.

E onde as forças produtivas

aumentam, como aumentam em todos os

países progressistas, os salários e os lu cros podem ser afetados, não pelo au mento, mas pela maneira por que a renda é afetada. Se o valor da terra aumei^a proporcionalmente, todo o aumento da produção será absorvido pela ^renda, e os salários e juros permanecerão inalte rados. Se o valor da terra aumenta em proporção maior que as forças produti vas, a renda absorverá mais do que o aumento produzido. E quando os pro dutos do trabalho e do capital forem muito maiores, os salários e os lucros

e o preço de produção nos terrenos de melhores) constitui a renda diferen

cial". Analisando-a, resumindo o pensa mento de Marx^mostrou que provém dos

diferentes graus de fertilidade dos di versos terrenos, assim como da diferença dos capitais invertidos na cultura. E denuncia o êrro de Ricardo ( bém a "A teoria da mais-valia , de-

Marx, em que a critica de Rodberti^ merece uma atenção particular). Wcardo afirmava que a renda diferencial só aparece em seguida à passagem su cessiva dos melhores terrenos aos ter

renos de qualidade inferior. Verificamse, ao contrário, transições inversas, pas

sando os terrenos de uma categoria^ a. outra (em virtude do progresso da téo-

nica agrícola, do crescimento das cida

des, etc). A famosa "lei da diminui-

ção progressiva da fertilidade do solo não passa, no entender de Lenin, de un». êrro profundo, atestando o desejo de seatribuírem à natureza os defeitos, a»

fraquezas e as contradições do capita lismo.


í

Dicesto Econômico

22

"O lèrmo renda, no seu sentido eco-

A renda também .se expressa pelo preço

. nómico — isto é, quando usado, como o xisamos, para distinguir aquela parte do produto que reverte aos detentores da

de venda. Quando a terra é vendida, o

terra ou outras riquezas naturais em \'irtude de sua propriedade — difere da

.acepção do têrmo renda habitualmente

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Henry George passa a seguir a estu dar a "significação mais estreita". Lem-

"bra que, na linguagem comum, aplica mos o têrmo renda para os pagamentos pelo uso de prédios, máquinas, imóveis,

etc., assim como pelos pagamentos pelo uso da terra e outras riquezas naturais. E>, ao falarmos da renda de uma casa

ou da renda de uma fazenda, não sepa ramos o preço pelo uso da benfeitoria

do preço pelo uso da terra despida. Mas da significação econômica da ren-

•da são excluídos os pagamentos pelo uso de qualquer dos produtos do esforço humano. Nos pagamentos em conjunto pelo uso de casas, fazendas, etc., cons

titui renda apenas aquela parte rela cionada com a utilização da terra. A parte paga pelo uso de prédios e outras

"benfeitorias já entra na categoria do juro, tal como acontece em relação ao capital. Examinemos agora, sempre baseados

na própria exposição de Henry George, n "significação mais ampla".

aa

Dicesto Económicxí

Na lin

guagem também comum, só falamos de

pagamento que é feito pela propriedade, ou o direito de sua exploração perpétua, é renda transformada ou capitalizada. "Eu compro terra por um pequeno

preço — diz textualmente Henry George — e a conservo até que a possa vender

por um preço .superior, enriquecendo assim não pelo salário, pelo meu traba lho ou pelos juro.s do meu capital, mas pela elevação da renda. Renda, em suma, é a parte da riqueza produzida que o direito exclusivo ao uso dos ele mentos naturais proporciona ao proprie tário. Onde quer que a terra tenlia um valor de troca, aí há renda no sentido

econômico do termo.

Onde quer que

a terra, tendo um valor, seja usada,

pelo proprietário ou pelo arrendatário, aí há renda efetiva; onde quer que ela não seja usada, embora tenha um valor,

aí há renda potencial. É esta capacida de de produzir renda que dá valor à terra. Enquanto a propriedade não con fere nenhuma vantagem, a terra não possui valor".

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do que lhes sobra depois de subtraída

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1A

possam obter sem pagar renda, isto é, do que possam obter na pior terra em

Nos países* progressistas, segundo George, o aumento da renda constitm a chave mediante a qual se compreende

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produtivas. A riqueza produzida em to da comunidade — explica — divide-se em duas partes demarcadas pelo que se pode chamar a linha da renda. Esta ó fixada pela margem do cultivo, ou a

recompensa que o trabalho e o capital podem obter com a exploração dos re cursos naturais, quando livres, e sem o

produtividade ou da utilidade desta, não ção, mas simplesmente confere ao seu

o valor da terra é baixo, pode verifi taxa de juros, como é comum nos países

novos. E, onde o valor da terra é_alto,

o preço do monopólio da terra.

taxa de juros, como é comum nos países

naturais que o e.sfôrço humano não pode

<lo o proprietário e o empresário se con

produzir ou aumentar.

fundem na mesma pessoa, e é o caso,

Estudando a lei da renda, George

por exemplo, dos fazendeiros paulistas.

observa que é, de fato, uma dedução

•Quando o proprietário e o 'empresário coexistem na mesma pessoa, aquela

lários e os juros tendem a um nível co

da lei da concorrência.

Como os sa

mum, toda aquela parte da produção geral da riqueza, que excede o que o trabalho e o capital empregados pos

pelo seu trabalho e capital constitui a parte de seu ganho que conseguiria se,

sam garantir para si mesmos, se"aplica

.em vez de possuir o solo, o arrendasse.

turais em uso, se encaminha para os pro-

dos quanto aos mais pobres agentes na

em 1917, diz o seguinte ^ respeito da teoria da renda territorial: "Nos países-

capitalistas, a superfície das terras é li mitada, pois é tôda ocupada por cultiva

dores, e os preços dos produtos ajpríco-

las são estabelecidos segundo as despe sas de cultura não num terreno médio, mas num terreno de qualidade inferior,,

e, quanto ao transporte — dos produtosaté o mercado — não segundo condi

ções médias, mas segundo as mais des

qualidade superior (ou nas condições,

proprietário uma parte dos resultados

tido econômico, há também renda quan-

Lenin, idealizador do Estado soviético-

favoráveis. A diferença entre este preço

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Em estudo relativamente

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pagamento de renda. A parte do pro

pode verificar-se uma larga produção de riqueza, apesar de salários baixos e baixa

Er

A concepção marxista da renda Vejamos agora a concepção marxista

duto abaixo desta linha é atribuída aos salários e ao lucro. Tudo o que estiver acima dêsse limite, se encaminha

car-se uma pequena produção de ri queza, não obstante altos salários e alta

proporciona qualquer auxílio à produ

te quanto as fôrças produtivas, é que os

da renda.

uso.

a ou o valor da terra não procede da

de individual em relação aos elementos

íoa é renda, ao passo que a recompensa

dem, na agricultura, do que possam pro duzir o trabalho c o capital, mas apenas

Dadas estas premissas, a conclusão do

âeorgismo não poderia ser outra: a ren-

sário são pessoas distintas. Mas no sen

alugando a sua terra a uma terceira pes-

cairão. Somente quando o valor da terra deixa de aumentar tão ràpidamen-

os proprietários territoriais. Assim, onde

•jrenda quando o proprietário e o empre

parte de seu ganho que pode obter

Assim, os salários e o lucro não depen

prictários da terra .sob a forma de renda.

velhos.

E onde as forças produtivas

aumentam, como aumentam em todos os

países progressistas, os salários e os lu cros podem ser afetados, não pelo au mento, mas pela maneira por que a renda é afetada. Se o valor da terra aumei^a proporcionalmente, todo o aumento da produção será absorvido pela ^renda, e os salários e juros permanecerão inalte rados. Se o valor da terra aumenta em proporção maior que as forças produti vas, a renda absorverá mais do que o aumento produzido. E quando os pro dutos do trabalho e do capital forem muito maiores, os salários e os lucros

e o preço de produção nos terrenos de melhores) constitui a renda diferen

cial". Analisando-a, resumindo o pensa mento de Marx^mostrou que provém dos

diferentes graus de fertilidade dos di versos terrenos, assim como da diferença dos capitais invertidos na cultura. E denuncia o êrro de Ricardo ( bém a "A teoria da mais-valia , de-

Marx, em que a critica de Rodberti^ merece uma atenção particular). Wcardo afirmava que a renda diferencial só aparece em seguida à passagem su cessiva dos melhores terrenos aos ter

renos de qualidade inferior. Verificamse, ao contrário, transições inversas, pas

sando os terrenos de uma categoria^ a. outra (em virtude do progresso da téo-

nica agrícola, do crescimento das cida

des, etc). A famosa "lei da diminui-

ção progressiva da fertilidade do solo não passa, no entender de Lenin, de un». êrro profundo, atestando o desejo de seatribuírem à natureza os defeitos, a»

fraquezas e as contradições do capita lismo.


A respeito da renda diferencial, pouco mais se poderia dizer para materiali2uir

■ & concepção marxista a respeito, a não

serem alguns exemplos concretos. Lenin explana outro aspecto do pro

blema. Observa que a equiparação do lucro em todos os ramos da indústria e

Dicesto Econômico

Dicesto Econômico

24

para que, com maiores larguezas, se

casca f retirar-llies a castanha. Não é

necessário confi.scur a terra: bastará con fiscar a renda . / . j George não faz a distinção, propna dos

manifestem, através da concorrência ca

pitalista, os efeitos da "renda diferen cial".

Para firmar-se esta con\-Icção,

leia-se o capitulo de "Progrcss and Po-

capital de um setor para outro. Mas a propriedade privada do solo cria lun monopólio e um obstáculo a essa livre

transferência. Dado êsse monopólio, os produtos "da agricultura, — que se distin gue por uma organização do capital de

grau inferior e proporciona, por conse guinte, uma taxa individual mais ele

a nacionalização do solo (isto é, a ex-

ameaça da civiliz;ição moderna à ins

tituição da propriedade privada da ter

do solo.

ser isso impraticável na época imperialista. Aponta-se, a propósito, o exem

ra". E depois: "A pobreza se aprofun

c, a sua apropriação por parte do Esta

forças produtivas, porque a terra, fonte de toda riqueza e campo de todo "tra balho, é monopolizada. Para extirpar a pobreza, proporcionar o.s salários jus

do, o coniza único, dativa

economista norte-americano pre as vias indiretas de um impôsto cujo efeito seria a abolição gra e inelutável da classe dos gran des proprietários fundiários. Quanto ao

tos, os plenos ganhos do lavrador, deve mos, por c-onseguinte, substituir a pro

manter os preços acima da média. Êsse

common ownersiúp")".

preço de monopólio dá nascimento à

A solução que George apresenta pura o problema, dejjois de estudar todas as

Resumindo o sentido desta exposição

simples e a nacionalização do solo, isto

rios são reduzidos enquanto crescem as

vidual ownership of land", no texto in glês), pela propriedade comum ("a

teórica, Lenin observa que a renda di

Combatendo a cxpropnaçao pura e

da enquanto a riqueza cresce, e os salá

vada de lucros, — não entram no jogo inteiramente livre da equiparação, da taxa de lucro. O proprietário territo rial, sendo um monopolizador, segundo a sua doutrina, tem a possibilidade de renda absoluta.

que poderia abalar os pilares em que se apoia. Admitem cm tese, apenas, que

direta do solo, que os geor fere* a esta última — isto é, ao mono propriação pólio da terra — e não aos maiores ou, gistas aliás desacon.selham) possa ser menores êxitos da exploração agrícola feita num regime burguês raoical, mas resultantes das diferenças de fertilidade acrescentam que a liistória já mostrou

dio". "Traçámos — diz Gcorgc — um quadro da distribuição desigual da ri-

pequeno proprietário, o que explora a

priedade individual da terra ("tho indi

terra com os seus próprios braços, com

os de sua esposa e filhos, êsse nada so freria Ao cõntrario, só teria a ganhar com a reforma. "O valor de venda de

sua parcela diminuiria — teóricamente, desapareceria inteiramente. Mas a sua

objeções dos adversários da medida, é tomar a terra propriedade comum, me-

utiliaade para êle não desapareceria.

dianté o confisco da renda ("making land common property by confiscating

Continuaria, como sempre, a servir aos

plo da Rússia. Ali a medida, teorica mente burguesa, foi levada a efeito em , pleno regime da ditadura do proleta

riado, depois da tomada do poder pelos bolcheviques, em 1917.

Aliás, não se

tomou isoladamente. Logo a seguir co-

meçaram a aparecer as primeiras me- ,

didas de socialização agrária, com a for- ' mação de fazendas-modelos de tipo coletivista.

Além destas diferenças econômicas, há outras, de ordem social, entre georgis tas e marxistas. Marx é socialista; Geor-

gcj na classificação de todos os seus dis cípulos — 6 entre os maiores citamos Baldomcro Argente, — é individualista. ^ Socialismo é uma expressão que lhes provoca arrepios e contradita. "Ha no

pode, na hipótese, por exemplo, da na

rent"). Surge, então, a questão prática,

seus objetivos. Enquanto o valor de to dos os outros terrenos diminuiria ou desa pareceria na mesma proporção, êle teria

cionalização do solo. Neste caso, o solo

mas nem por isso menos importante, dos

as mesmas vantagens de sempre, coni a

de.spotismo, que repugna às almas jo

métodos adequados a esta finalidade. George — como bom "radical bur

mesma parcela que tinha antes. Ele teria a perder apenas na medida em que um homem que comprou um par de sapatos pode dlztír que perdeu com uma

Viu Baldomero Argente no socialismo, como no auarquismo, uma tentativa de

subsequente queda do preço,do calçado .

reconstrução social destinada a irreme

Objetivos marxistas

clássica, "Democracia contra Socialismo",

ferencial não pode ser abolida no regi me capitalista, rnas a renda absoluta o

se toma propriedade do Estado. A pas sagem da terra para as mãos do Estado

significaria a supressão do monopójio dos proprietários fundiários e o advento, na agricultura, de uma concorrência mais

larga e mais completa. Eis porque, se gundo Marx, os radicais burgueses, mais de uma vez na história, formulararn esta rei\nndicação.

Quando Lenin, e em geral todos os

marxistas, aludem a radicais burgueses, têm em vista, no mundo contemporâ

neo, a reformadores do tipo dos georgistas. Com efeito, para usarmos aqui a tenninologia do idealizador do Estado soviético, êstes últimos pleiteiam, com

«feito, a abolição da "renda absoluta",

guês", segundo a terminologia marxista

— é muito cauto a êste respeito. Êle não pretende alarmar os costumes atuais

e os hábitos de pensamento em vigor. Acha isso uma desnecessidade.

Nem

mental.

Assim, não propõe a compra

Os marxistas visam especificamente,

ou o confisco da propriedade privada da terra. A primeira providência seria injusta; a segunda, inútil. E esclarece:

inclusive na agricultura, a socialização dos meios de produção, isto é, das fazen das em que haja operários assalariados.

"Dei.xemos aos indivíduos que agora a

Ma.s êles consideram uma etapa para

retêm, se a desejam, a posse do que gostam de chamar a sua terra.

Deixe

mos que continuem a chamá-la sua ter ra. Que a vendam e comprem, her dem ou leguem. Podemos deixar-lhes a

socialismo uma inevitável tendência ao vens", escreveu o estadi.sta que verteu

para o espanhol tòda a obra de George.

diável fracasso.

Marx Hirchs, em obra

demonstrou o erro de classificar George

pretende ampliar a máquina governa

H r

tanto a eliminação do monopólio da ter ra. Diferem dos georgistas, contudo, nos métodos, o que constitui uma dis tinção fundamental. Se êstes preconi zam um impôsto único, classificam-no

;

maria delibéradamente a uma reforma

marxistas, entre renda diferencial e ren da ábspluta, mas é evidente que se re

verty" referente ao "Verdadeiro remé

da economia de um país, em geral, supõe uma completa liberdade de con •queza que constitui uma maldição e uma corrência, a liberdade de transferir-se o

como utópico e irrealizável, porque o Estado é capitalista, e jamais se ani-

como coletivista, êrro em que incidiu o nosso Pedro Lessa, que aliás não era seu partidário.

O próprio George, em polêmica cele bre com Hyndman, advertiu com calor que o "socialismo alemão" não visa outro intuito senão o de estabelecer a tirania

em benefício do povo. Mas o interesse

do povo, conclui, está sempre na li berdade.


A respeito da renda diferencial, pouco mais se poderia dizer para materiali2uir

■ & concepção marxista a respeito, a não

serem alguns exemplos concretos. Lenin explana outro aspecto do pro

blema. Observa que a equiparação do lucro em todos os ramos da indústria e

Dicesto Econômico

Dicesto Econômico

24

para que, com maiores larguezas, se

casca f retirar-llies a castanha. Não é

necessário confi.scur a terra: bastará con fiscar a renda . / . j George não faz a distinção, propna dos

manifestem, através da concorrência ca

pitalista, os efeitos da "renda diferen cial".

Para firmar-se esta con\-Icção,

leia-se o capitulo de "Progrcss and Po-

capital de um setor para outro. Mas a propriedade privada do solo cria lun monopólio e um obstáculo a essa livre

transferência. Dado êsse monopólio, os produtos "da agricultura, — que se distin gue por uma organização do capital de

grau inferior e proporciona, por conse guinte, uma taxa individual mais ele

a nacionalização do solo (isto é, a ex-

ameaça da civiliz;ição moderna à ins

tituição da propriedade privada da ter

do solo.

ser isso impraticável na época imperialista. Aponta-se, a propósito, o exem

ra". E depois: "A pobreza se aprofun

c, a sua apropriação por parte do Esta

forças produtivas, porque a terra, fonte de toda riqueza e campo de todo "tra balho, é monopolizada. Para extirpar a pobreza, proporcionar o.s salários jus

do, o coniza único, dativa

economista norte-americano pre as vias indiretas de um impôsto cujo efeito seria a abolição gra e inelutável da classe dos gran des proprietários fundiários. Quanto ao

tos, os plenos ganhos do lavrador, deve mos, por c-onseguinte, substituir a pro

manter os preços acima da média. Êsse

common ownersiúp")".

preço de monopólio dá nascimento à

A solução que George apresenta pura o problema, dejjois de estudar todas as

Resumindo o sentido desta exposição

simples e a nacionalização do solo, isto

rios são reduzidos enquanto crescem as

vidual ownership of land", no texto in glês), pela propriedade comum ("a

teórica, Lenin observa que a renda di

Combatendo a cxpropnaçao pura e

da enquanto a riqueza cresce, e os salá

vada de lucros, — não entram no jogo inteiramente livre da equiparação, da taxa de lucro. O proprietário territo rial, sendo um monopolizador, segundo a sua doutrina, tem a possibilidade de renda absoluta.

que poderia abalar os pilares em que se apoia. Admitem cm tese, apenas, que

direta do solo, que os geor fere* a esta última — isto é, ao mono propriação pólio da terra — e não aos maiores ou, gistas aliás desacon.selham) possa ser menores êxitos da exploração agrícola feita num regime burguês raoical, mas resultantes das diferenças de fertilidade acrescentam que a liistória já mostrou

dio". "Traçámos — diz Gcorgc — um quadro da distribuição desigual da ri-

pequeno proprietário, o que explora a

priedade individual da terra ("tho indi

terra com os seus próprios braços, com

os de sua esposa e filhos, êsse nada so freria Ao cõntrario, só teria a ganhar com a reforma. "O valor de venda de

sua parcela diminuiria — teóricamente, desapareceria inteiramente. Mas a sua

objeções dos adversários da medida, é tomar a terra propriedade comum, me-

utiliaade para êle não desapareceria.

dianté o confisco da renda ("making land common property by confiscating

Continuaria, como sempre, a servir aos

plo da Rússia. Ali a medida, teorica mente burguesa, foi levada a efeito em , pleno regime da ditadura do proleta

riado, depois da tomada do poder pelos bolcheviques, em 1917.

Aliás, não se

tomou isoladamente. Logo a seguir co-

meçaram a aparecer as primeiras me- ,

didas de socialização agrária, com a for- ' mação de fazendas-modelos de tipo coletivista.

Além destas diferenças econômicas, há outras, de ordem social, entre georgis tas e marxistas. Marx é socialista; Geor-

gcj na classificação de todos os seus dis cípulos — 6 entre os maiores citamos Baldomcro Argente, — é individualista. ^ Socialismo é uma expressão que lhes provoca arrepios e contradita. "Ha no

pode, na hipótese, por exemplo, da na

rent"). Surge, então, a questão prática,

seus objetivos. Enquanto o valor de to dos os outros terrenos diminuiria ou desa pareceria na mesma proporção, êle teria

cionalização do solo. Neste caso, o solo

mas nem por isso menos importante, dos

as mesmas vantagens de sempre, coni a

de.spotismo, que repugna às almas jo

métodos adequados a esta finalidade. George — como bom "radical bur

mesma parcela que tinha antes. Ele teria a perder apenas na medida em que um homem que comprou um par de sapatos pode dlztír que perdeu com uma

Viu Baldomero Argente no socialismo, como no auarquismo, uma tentativa de

subsequente queda do preço,do calçado .

reconstrução social destinada a irreme

Objetivos marxistas

clássica, "Democracia contra Socialismo",

ferencial não pode ser abolida no regi me capitalista, rnas a renda absoluta o

se toma propriedade do Estado. A pas sagem da terra para as mãos do Estado

significaria a supressão do monopójio dos proprietários fundiários e o advento, na agricultura, de uma concorrência mais

larga e mais completa. Eis porque, se gundo Marx, os radicais burgueses, mais de uma vez na história, formulararn esta rei\nndicação.

Quando Lenin, e em geral todos os

marxistas, aludem a radicais burgueses, têm em vista, no mundo contemporâ

neo, a reformadores do tipo dos georgistas. Com efeito, para usarmos aqui a tenninologia do idealizador do Estado soviético, êstes últimos pleiteiam, com

«feito, a abolição da "renda absoluta",

guês", segundo a terminologia marxista

— é muito cauto a êste respeito. Êle não pretende alarmar os costumes atuais

e os hábitos de pensamento em vigor. Acha isso uma desnecessidade.

Nem

mental.

Assim, não propõe a compra

Os marxistas visam especificamente,

ou o confisco da propriedade privada da terra. A primeira providência seria injusta; a segunda, inútil. E esclarece:

inclusive na agricultura, a socialização dos meios de produção, isto é, das fazen das em que haja operários assalariados.

"Dei.xemos aos indivíduos que agora a

Ma.s êles consideram uma etapa para

retêm, se a desejam, a posse do que gostam de chamar a sua terra.

Deixe

mos que continuem a chamá-la sua ter ra. Que a vendam e comprem, her dem ou leguem. Podemos deixar-lhes a

socialismo uma inevitável tendência ao vens", escreveu o estadi.sta que verteu

para o espanhol tòda a obra de George.

diável fracasso.

Marx Hirchs, em obra

demonstrou o erro de classificar George

pretende ampliar a máquina governa

H r

tanto a eliminação do monopólio da ter ra. Diferem dos georgistas, contudo, nos métodos, o que constitui uma dis tinção fundamental. Se êstes preconi zam um impôsto único, classificam-no

;

maria delibéradamente a uma reforma

marxistas, entre renda diferencial e ren da ábspluta, mas é evidente que se re

verty" referente ao "Verdadeiro remé

da economia de um país, em geral, supõe uma completa liberdade de con •queza que constitui uma maldição e uma corrência, a liberdade de transferir-se o

como utópico e irrealizável, porque o Estado é capitalista, e jamais se ani-

como coletivista, êrro em que incidiu o nosso Pedro Lessa, que aliás não era seu partidário.

O próprio George, em polêmica cele bre com Hyndman, advertiu com calor que o "socialismo alemão" não visa outro intuito senão o de estabelecer a tirania

em benefício do povo. Mas o interesse

do povo, conclui, está sempre na li berdade.


Digesto

26

O socialista inglês Hyndman, citado

por Lenin, por sua vez, mostra bem, em sua autobiografia, a hostilidade de Marx em relação a Henry George. "A difu são de um êrro não podia jamais ser útil ao povo, tal era a convicção de Marx.

Deixar um êrro sem rebatação,

era encorajar a desonestidade intelec

tual. Por dez pessoas que ultrapassem George, dizia êle, haverá talvez centenas

que aceitarão os seus pontos de vista, e este perigo é muito grande para que a

gente a êle se exponha". Finalmente, a distinção máxima, de

cepções do mundo absolutamente anta gônicas e inconciliáveis. Essa

distinção nos faz recordar as

palavras candentes de Lafayette, em "Vindicim", contra Sílvio Romero, o qual,

^CASAS ^POPULARES por Fuancisco Prestes Maia

Especial para o "Digesto EcoNÓ^aco""

em obra didática, destinada a alunos de curso superior, escrevera que o sistema

Neste seu segundo artigo sôbre o assunto, o A., depois de uma minuciosa ana

de Spencer é o de Kant rejuvenescido.

lise do problema, observa textualmente: "A nossa solução teria sido uina remo

Estes sistemas são tão antagônicos, como

delação dos institutos existentes ou, à vista do vulto que os planos iam tomar, a

os de George e Marx.

rrinnnn dtim instituto nacionãl dc cosos vovularcs. comvlctado vela organizaçao

Eis, em resumo, a essência das duas

doutrinas, -exposta "sine ira ac studio". São visíveis, em ambas, alguns pontos

ordem fi'osófica: os georgistas são cris-

de contacto. Todavia, as suas divergên

tãos-idealistas, os marxistas, partidários

cias, como vimos, não escapam à aníVise, que as revela profundamente acentuadas.

do materialismo histórico — duas con-

5^-

EcoNÓ\aco

às condições e recursos de caaa regtao.

Por outro lado, os novos melhoramen tos provocaram imediatamente, nos mes

II

As leis reguladoras das locações, ainda que necessárias e úteis para atenuar

o pânico, concorreram para r^uzir as

construções. Com efeito, embora por lógica precaução não atingissem ou atingi.ssem pouco as edificações novas, re

velavam aos proprietários e capitalistas a intenção governamental duma política de restrições, cuja forma e sevendade posteriores não era possíve. prever, e que, à vista dos precedentes europeus, provocavam receio e retração no campo ESTOQUES NORTE-AMERICANOS

tsm qualquer caso, o

regime vara outro deveria estar prevista de modo a não paralisar, como parece entre nos ter sucedido, a atividade que já se vinha desenvolvendo, embora mo destamente, por intermédio dos institutos de aposentadoria".

das construções. , Procurou-se também inculpar as ae-

molições urbanísticas dalgumas cidades isso já foi amplamente discutido e contest^

mos pontos, elevação de arranha-céus com capacidade total muito suf^rior a eliminada, e o próprio material das de molições facilitou e incrementou a^ cons

trução de casas operárias nos subúrbios. Em São Paulo, as demolições são /es; ponsáveis por menos de 2% do déficit de casas, mas suscitaram recons^çoes imediatas com o triplo, ou mais, da ca pacidade destruída, sem falar da edifi

cação futura. Comprovemos com alguns

exemplos concretos.

Para s.bertura da Avenida Ipiranga fo ram demolidos 92 prédios, totalizando 173 habitações (consideremos habitaçao

o maior "record" de toda a história.

do. Realmente, essas demobçoes

cada apartamento, ou, no caso de ho tel, cada conjunto de pelo menPs - ou 3 quartos). Por outro lado, os novos

Conforme declarou o Departamento de Estado Norte-Americano, durante o período de junho a dezembro de 1946, os estoques aumentaram no valor de

mínimas diante do decréscimo ger

avenida somam nada menos de 396 apar

ram prédios obsoletos, insalubres e cor-

tamentos.

O valor em dólar dos estoques em poder dos fabricantes norte-americanos, em dezembro de 1946, oítngiu à quantia de US$20.200.000.000,00, sendo êsté

US$3.000.000.000,00, sendo também êste o maior acréscimo até a^ora verificado em igual espaço de temvo. O "record" anterior fora de US$2.600.000.000,00, no período de junho a dezembro de 1941. Quanto ao acréscimo do segundo'se

como motivo principal da crise.

arranha-céus provocados pela mesma

construções; na maioria das vôzes atingtiços condenados, cuja elimmaça

nas anteciparam.

p

O saldo (223 habitações)

ainda crescerá enormemente com a con

clusão doutros prédios em construção.

mestre do ano passado, o mesmo ficou mais ou menos dividido entre' mercadorias

duráveis e não duráveis, cabendo US$1.850.000.000,00 às primeiras. Os embarques dos fabricantes no mês de dezembro de 1946 importaram em US$12.700.000.000,00, representando um aumento de US$300.ÜÜO.000,00 sôbre o

rrr

total do mês de novembro. Somente as indústrias de ferro, de aço e de móveis

f frtrrrTí

anunciaram declínios no valor de suas entregas, sendo que êsses foram de menos

ffrrrrpfrpirppp

de 5%.

PPF


Digesto

26

O socialista inglês Hyndman, citado

por Lenin, por sua vez, mostra bem, em sua autobiografia, a hostilidade de Marx em relação a Henry George. "A difu são de um êrro não podia jamais ser útil ao povo, tal era a convicção de Marx.

Deixar um êrro sem rebatação,

era encorajar a desonestidade intelec

tual. Por dez pessoas que ultrapassem George, dizia êle, haverá talvez centenas

que aceitarão os seus pontos de vista, e este perigo é muito grande para que a

gente a êle se exponha". Finalmente, a distinção máxima, de

cepções do mundo absolutamente anta gônicas e inconciliáveis. Essa

distinção nos faz recordar as

palavras candentes de Lafayette, em "Vindicim", contra Sílvio Romero, o qual,

^CASAS ^POPULARES por Fuancisco Prestes Maia

Especial para o "Digesto EcoNÓ^aco""

em obra didática, destinada a alunos de curso superior, escrevera que o sistema

Neste seu segundo artigo sôbre o assunto, o A., depois de uma minuciosa ana

de Spencer é o de Kant rejuvenescido.

lise do problema, observa textualmente: "A nossa solução teria sido uina remo

Estes sistemas são tão antagônicos, como

delação dos institutos existentes ou, à vista do vulto que os planos iam tomar, a

os de George e Marx.

rrinnnn dtim instituto nacionãl dc cosos vovularcs. comvlctado vela organizaçao

Eis, em resumo, a essência das duas

doutrinas, -exposta "sine ira ac studio". São visíveis, em ambas, alguns pontos

ordem fi'osófica: os georgistas são cris-

de contacto. Todavia, as suas divergên

tãos-idealistas, os marxistas, partidários

cias, como vimos, não escapam à aníVise, que as revela profundamente acentuadas.

do materialismo histórico — duas con-

5^-

EcoNÓ\aco

às condições e recursos de caaa regtao.

Por outro lado, os novos melhoramen tos provocaram imediatamente, nos mes

II

As leis reguladoras das locações, ainda que necessárias e úteis para atenuar

o pânico, concorreram para r^uzir as

construções. Com efeito, embora por lógica precaução não atingissem ou atingi.ssem pouco as edificações novas, re

velavam aos proprietários e capitalistas a intenção governamental duma política de restrições, cuja forma e sevendade posteriores não era possíve. prever, e que, à vista dos precedentes europeus, provocavam receio e retração no campo ESTOQUES NORTE-AMERICANOS

tsm qualquer caso, o

regime vara outro deveria estar prevista de modo a não paralisar, como parece entre nos ter sucedido, a atividade que já se vinha desenvolvendo, embora mo destamente, por intermédio dos institutos de aposentadoria".

das construções. , Procurou-se também inculpar as ae-

molições urbanísticas dalgumas cidades isso já foi amplamente discutido e contest^

mos pontos, elevação de arranha-céus com capacidade total muito suf^rior a eliminada, e o próprio material das de molições facilitou e incrementou a^ cons

trução de casas operárias nos subúrbios. Em São Paulo, as demolições são /es; ponsáveis por menos de 2% do déficit de casas, mas suscitaram recons^çoes imediatas com o triplo, ou mais, da ca pacidade destruída, sem falar da edifi

cação futura. Comprovemos com alguns

exemplos concretos.

Para s.bertura da Avenida Ipiranga fo ram demolidos 92 prédios, totalizando 173 habitações (consideremos habitaçao

o maior "record" de toda a história.

do. Realmente, essas demobçoes

cada apartamento, ou, no caso de ho tel, cada conjunto de pelo menPs - ou 3 quartos). Por outro lado, os novos

Conforme declarou o Departamento de Estado Norte-Americano, durante o período de junho a dezembro de 1946, os estoques aumentaram no valor de

mínimas diante do decréscimo ger

avenida somam nada menos de 396 apar

ram prédios obsoletos, insalubres e cor-

tamentos.

O valor em dólar dos estoques em poder dos fabricantes norte-americanos, em dezembro de 1946, oítngiu à quantia de US$20.200.000.000,00, sendo êsté

US$3.000.000.000,00, sendo também êste o maior acréscimo até a^ora verificado em igual espaço de temvo. O "record" anterior fora de US$2.600.000.000,00, no período de junho a dezembro de 1941. Quanto ao acréscimo do segundo'se

como motivo principal da crise.

arranha-céus provocados pela mesma

construções; na maioria das vôzes atingtiços condenados, cuja elimmaça

nas anteciparam.

p

O saldo (223 habitações)

ainda crescerá enormemente com a con

clusão doutros prédios em construção.

mestre do ano passado, o mesmo ficou mais ou menos dividido entre' mercadorias

duráveis e não duráveis, cabendo US$1.850.000.000,00 às primeiras. Os embarques dos fabricantes no mês de dezembro de 1946 importaram em US$12.700.000.000,00, representando um aumento de US$300.ÜÜO.000,00 sôbre o

rrr

total do mês de novembro. Somente as indústrias de ferro, de aço e de móveis

f frtrrrTí

anunciaram declínios no valor de suas entregas, sendo que êsses foram de menos

ffrrrrpfrpirppp

de 5%.

PPF


DrciisTo

Dicesto Econômico

somando 100 novos andares.

O alar-

í • -gamento da rua Vieira de Carvalho mo-

Econômico

tas terras em transição da agricultura

46 cèrca

para a criação extensiva.

4.600 do pico anterior à guerra, em

rateamento.

Temos exem

de 5.800 unidades, contra

ços, e porões) e a necessidade de ba

[

tivou a derrubada de 15 casas; provo-

plos tanto na.s zonas velhas montanhosas

da Central e da Mogiana, como no ex

1941. Êsse fato confirma uin reajustamcnlo econômico muito mais rápido do

rar embora sem dispensar uma razoável

tremo da alta Paulista, da alta Sorocabana, etc., onde, em solo relativamen

operariado, em relação à classe média.

e eficaz intervenção oficial, destinada a

Reduzindo as cifras municipais à expres

:

cou, . porém, a constnição de prédia.s muito maiores, dos quais só os do lado ímpar perfazem 85 habitações. O alargamento final do primeiro trecho da rua

apressar e <x)mpletar a cura, melhorar o

são de "habitações" (cada apartamento

padrão e enfrentar as insuficiências que

,

Conceição eliminou II habitações, mas

te fraco e erodível, já os cafesais cedem lugar às pastagens.

um único prédio novo (Germaine) pos-

conta-se como uma habitação) temos aproximadamente:

sempre existiram.

r

'

'

»

y

suí 61 habitações.

Não estão incluídos

os prédios da "Gazeta", o "Sampaio Moreira" e o fronteiro.

Na rua Maria

- Paula eliminarani-se 34 pequenas casas; surgiram arranha-céus, dos quais só os 3 primeiros representam 66 habitações,

I_

havendo mais 2 em construção. No Pi-

1^ ques foram abatidos 41 casebres. Só o menor dos novos ("Cunha Bueno") con-

1^ ta 40 habitações; o Hotel São Paulo tem L' -200 quartos e o "Azteca", em vias de jj!, conclusão, mais de 300. Reunidos, ex-

Ij

cedem o décuplo

Prooidências geraui

do demolido.

Na

rua São Luiz houve apenas 4 demoli-

1939

11.600

rar com a normalização "post-bellum".

1940

A grande queda teve lugar em 42 e 43;

1941 1942 1943 1945

12.100 12.600 8.000 7.400 9.400 15.000

1946

19.000

A crise de habitações tende a melho em 44 a curva de constnições retomava o

movimento ascendente, que se firmou e mas anteriores, de 1941, estão intei

ramente superadas em 1946. É de no tar, distinguindo entre os diversos tipos (1941), retomou o ritmo ascensionul de

-1944 apresenta um "déficit"

trando que o urbanismo municipal, mesmo nas difíceis condições da época, pro-

e quintuplicaram em área de pavimento,

\

%ocou volume de construção imensamen-

ente o ano mínimo e 1946. Isto expri

'

te superior ao sacrificado.

me o predomínio dos prédios de aparta

;

pelo local e pela rapidez da abertura.

No total, porém, o efeito foi desprezítaneidade da crise em muitas cidades do

truir e procurar a casa residencial típi

país (já não falando do estrangeiro),

ca do São Paulo antigo, para se acollier

que, entretanto, não viram empreen

nas colmeias que, inversamente, revelam o enriquecimento da fração mais folga

dimentos urbanísticos, nem demolições: Santos, Campinas, Bragança, Piraju, Rio

O biênio 1945-1946 oferece,

noutro ponto deste artigo:

ficit" atual seria assim a di

incremento de produção, pla

ferença 15.800 menos 4.800

nejamento geral, orientação

= 11.000 hobitações.

industrial e comercial, me lhoramento da viação e dos

transportes, política demo gráfica e imigratória, educa

ao prolongamento do diagra

ção e saneamento, etc. São

ma construído com o coefi ciente do triênio 1939-1941,

todavia medidas muito ge

oferece, ainda assim, uma ponderação interessante ao exagero de cifras maio res (30.000 e mais) que têm sido ale gadas mediante outros critérios de cál'culo.

Admitindo-se nos próximos anos

Claro, Belo Horizonte, Belém, Curitiba,

que aplica os lucros do eomércio e da

Maceió, etc.

indústria.

As dificuldades e restrições

rificado no triênio 1944-1946, teríamos o

Motivos mais profundos e importantes encontram-se na elevação dos preços, nas

também crescentes de inquilinato, renda, tributação, etc., concon"eram no mesmo

dificuldades de construção, no afluxo da

sentido.

"déficit" de habitações superado em 2 anos apenas, ou seja, em 1948. Na realidade pesam contra êste oti

população rural, etc. Quanto a este úl

As orimeiras

cuperação cie 600 mais 4.200 = 4.800 habitações. O "dé

por se referir simplesmente

^,

em

referem-se ao nível econô mico da população, reque rendo medidas enumeradas

Esta cifra é digna de nota. porque, embora arbitrária,

da, capaz de vultosas edificações, em

classificam-se

particulares. ^ —

em compensação, uma re

cimento e a dificuldade crescente da

classe média, que, pelo preço e pelos embaraços de criadagem (e em menor proporção, de transporte) deixa de cons

Estas

duas categorias: gerais e

4.600 = 15.800 habitações.

mentos. Revela, por outro lado, um fato sociològicamente importante: o empobre

vel, máxime à vista das vantagens obtidas. Confirma estas asserções a simul-

mento e o abuso especulativo motivaram certa queda na atividade construtora. Após esta revista da situação, passe mos às providências.

de 5.200 mais 6.000 mais

centagem anterior, relativamente aos to

tais. Em compensação, as casas de mais de 2 pavimentos duplicaram em número

No Rio, a Avenida Presidente Vargas

nas nos consta que no Rio são menos

favoráveis, pois as restrições de financia

mento do triênio 1939-1941, em relação

paulista a mesma importância ou por

talvez haja tido inconveniente maior,

dados recentes do resto do país; ape

a esse ritmo o triênio 1942-

tou a ostentar nas estatísticas da capita!

^

plementar. Estas considerações referemse à cidade de São Paulo. Ignoramos os

vidual e térrea começou a declinar antes

í -céus c-om mais de 250 apartamentos.

1

reagindo apreciàvelmente após a guerra. A ação oficial será importante, mas com

Admitindo-se como regular o cresci

pois dos oulTos tipos (1945) e não vol

Em qualquer caso, convém consignar

o papel da iniciativa privada, que está

habitações

de casas, que a pequena habitação indi

r* ções; acham-se em construção 5 arranlra-

Ji. Nos outros pontos atingidos as mes*, mas proporções se reproduzem, mos

1944

prosseguiu em 45 e 46. As cifras iraixi-

Em resumo, a situação tende a melho

o mesmo coeficiente de crescimento ve

rais e não é possível prender

a elas qualquer orientação ou progra ma prático e imediato de casas popu lares.

Voltemo-nos, por isso, às providencias peculiares à questão.

a) Orientação superior federal e conjugação com os Estados e Municípios, para maior facilidade às atividades cons trutoras.

Mesmo as construções médias

timo, convém consignar, neste Estado,

bém retomaram valentemente em 1945

gência moderna dum melhoramento de

devem ser animadas, porque, em ultima análise, concorrem para o desafogo, ali

uma circunstância: a decadência de cer

o movimento ascendente, atingindo em

padrão (a luta contra os "slums", cortí-

viando as casas mais modestas e colo-

As casas operárias da zona rural tam

mismo um excesso de imigração e a exi

'ki.


DrciisTo

Dicesto Econômico

somando 100 novos andares.

O alar-

í • -gamento da rua Vieira de Carvalho mo-

Econômico

tas terras em transição da agricultura

46 cèrca

para a criação extensiva.

4.600 do pico anterior à guerra, em

rateamento.

Temos exem

de 5.800 unidades, contra

ços, e porões) e a necessidade de ba

[

tivou a derrubada de 15 casas; provo-

plos tanto na.s zonas velhas montanhosas

da Central e da Mogiana, como no ex

1941. Êsse fato confirma uin reajustamcnlo econômico muito mais rápido do

rar embora sem dispensar uma razoável

tremo da alta Paulista, da alta Sorocabana, etc., onde, em solo relativamen

operariado, em relação à classe média.

e eficaz intervenção oficial, destinada a

Reduzindo as cifras municipais à expres

:

cou, . porém, a constnição de prédia.s muito maiores, dos quais só os do lado ímpar perfazem 85 habitações. O alargamento final do primeiro trecho da rua

apressar e <x)mpletar a cura, melhorar o

são de "habitações" (cada apartamento

padrão e enfrentar as insuficiências que

,

Conceição eliminou II habitações, mas

te fraco e erodível, já os cafesais cedem lugar às pastagens.

um único prédio novo (Germaine) pos-

conta-se como uma habitação) temos aproximadamente:

sempre existiram.

r

'

'

»

y

suí 61 habitações.

Não estão incluídos

os prédios da "Gazeta", o "Sampaio Moreira" e o fronteiro.

Na rua Maria

- Paula eliminarani-se 34 pequenas casas; surgiram arranha-céus, dos quais só os 3 primeiros representam 66 habitações,

I_

havendo mais 2 em construção. No Pi-

1^ ques foram abatidos 41 casebres. Só o menor dos novos ("Cunha Bueno") con-

1^ ta 40 habitações; o Hotel São Paulo tem L' -200 quartos e o "Azteca", em vias de jj!, conclusão, mais de 300. Reunidos, ex-

Ij

cedem o décuplo

Prooidências geraui

do demolido.

Na

rua São Luiz houve apenas 4 demoli-

1939

11.600

rar com a normalização "post-bellum".

1940

A grande queda teve lugar em 42 e 43;

1941 1942 1943 1945

12.100 12.600 8.000 7.400 9.400 15.000

1946

19.000

A crise de habitações tende a melho em 44 a curva de constnições retomava o

movimento ascendente, que se firmou e mas anteriores, de 1941, estão intei

ramente superadas em 1946. É de no tar, distinguindo entre os diversos tipos (1941), retomou o ritmo ascensionul de

-1944 apresenta um "déficit"

trando que o urbanismo municipal, mesmo nas difíceis condições da época, pro-

e quintuplicaram em área de pavimento,

\

%ocou volume de construção imensamen-

ente o ano mínimo e 1946. Isto expri

'

te superior ao sacrificado.

me o predomínio dos prédios de aparta

;

pelo local e pela rapidez da abertura.

No total, porém, o efeito foi desprezítaneidade da crise em muitas cidades do

truir e procurar a casa residencial típi

país (já não falando do estrangeiro),

ca do São Paulo antigo, para se acollier

que, entretanto, não viram empreen

nas colmeias que, inversamente, revelam o enriquecimento da fração mais folga

dimentos urbanísticos, nem demolições: Santos, Campinas, Bragança, Piraju, Rio

O biênio 1945-1946 oferece,

noutro ponto deste artigo:

ficit" atual seria assim a di

incremento de produção, pla

ferença 15.800 menos 4.800

nejamento geral, orientação

= 11.000 hobitações.

industrial e comercial, me lhoramento da viação e dos

transportes, política demo gráfica e imigratória, educa

ao prolongamento do diagra

ção e saneamento, etc. São

ma construído com o coefi ciente do triênio 1939-1941,

todavia medidas muito ge

oferece, ainda assim, uma ponderação interessante ao exagero de cifras maio res (30.000 e mais) que têm sido ale gadas mediante outros critérios de cál'culo.

Admitindo-se nos próximos anos

Claro, Belo Horizonte, Belém, Curitiba,

que aplica os lucros do eomércio e da

Maceió, etc.

indústria.

As dificuldades e restrições

rificado no triênio 1944-1946, teríamos o

Motivos mais profundos e importantes encontram-se na elevação dos preços, nas

também crescentes de inquilinato, renda, tributação, etc., concon"eram no mesmo

dificuldades de construção, no afluxo da

sentido.

"déficit" de habitações superado em 2 anos apenas, ou seja, em 1948. Na realidade pesam contra êste oti

população rural, etc. Quanto a este úl

As orimeiras

cuperação cie 600 mais 4.200 = 4.800 habitações. O "dé

por se referir simplesmente

^,

em

referem-se ao nível econô mico da população, reque rendo medidas enumeradas

Esta cifra é digna de nota. porque, embora arbitrária,

da, capaz de vultosas edificações, em

classificam-se

particulares. ^ —

em compensação, uma re

cimento e a dificuldade crescente da

classe média, que, pelo preço e pelos embaraços de criadagem (e em menor proporção, de transporte) deixa de cons

Estas

duas categorias: gerais e

4.600 = 15.800 habitações.

mentos. Revela, por outro lado, um fato sociològicamente importante: o empobre

vel, máxime à vista das vantagens obtidas. Confirma estas asserções a simul-

mento e o abuso especulativo motivaram certa queda na atividade construtora. Após esta revista da situação, passe mos às providências.

de 5.200 mais 6.000 mais

centagem anterior, relativamente aos to

tais. Em compensação, as casas de mais de 2 pavimentos duplicaram em número

No Rio, a Avenida Presidente Vargas

nas nos consta que no Rio são menos

favoráveis, pois as restrições de financia

mento do triênio 1939-1941, em relação

paulista a mesma importância ou por

talvez haja tido inconveniente maior,

dados recentes do resto do país; ape

a esse ritmo o triênio 1942-

tou a ostentar nas estatísticas da capita!

^

plementar. Estas considerações referemse à cidade de São Paulo. Ignoramos os

vidual e térrea começou a declinar antes

í -céus c-om mais de 250 apartamentos.

1

reagindo apreciàvelmente após a guerra. A ação oficial será importante, mas com

Admitindo-se como regular o cresci

pois dos oulTos tipos (1945) e não vol

Em qualquer caso, convém consignar

o papel da iniciativa privada, que está

habitações

de casas, que a pequena habitação indi

r* ções; acham-se em construção 5 arranlra-

Ji. Nos outros pontos atingidos as mes*, mas proporções se reproduzem, mos

1944

prosseguiu em 45 e 46. As cifras iraixi-

Em resumo, a situação tende a melho

o mesmo coeficiente de crescimento ve

rais e não é possível prender

a elas qualquer orientação ou progra ma prático e imediato de casas popu lares.

Voltemo-nos, por isso, às providencias peculiares à questão.

a) Orientação superior federal e conjugação com os Estados e Municípios, para maior facilidade às atividades cons trutoras.

Mesmo as construções médias

timo, convém consignar, neste Estado,

bém retomaram valentemente em 1945

gência moderna dum melhoramento de

devem ser animadas, porque, em ultima análise, concorrem para o desafogo, ali

uma circunstância: a decadência de cer

o movimento ascendente, atingindo em

padrão (a luta contra os "slums", cortí-

viando as casas mais modestas e colo-

As casas operárias da zona rural tam

mismo um excesso de imigração e a exi

'ki.


Digesto Econômico

31

Dicesto Econômico

30

tf

dutores particulares não sejam prejudica

A dificuldade de transporte provoca

cando-as à disposição -dos inqui

dos por uma concorrência semi-oficial;

dois encarecimentos; um, o decorrente

linos de nível econômico inferior.

mas também não é razoável que, por sua insuficiência ou ambição, paralisem

das próprias despesas do serviço, da

ou asfbriem as construções locais.

combustível, etc.; outro, o aumento pu

O ataque dum programa de habita ções devo ser gradual e após preparação

ramente especulativo dos preços, tanto

e exame do mercado de material e mão

portadores e intennediários.

A redução de requisitos legais "de padrão" animará novas cons truções, adaptações e reformas,

freqüentemente embaraçadas por bizantinismos regulamentares ou dos funcionários.

Correntemen

conservação dos veículos, consumo de da parte do produtor, como dos trans

de obra, sob pena de provocar tal eleva

f) Prosseguir os esforços para a pa

te proprietários desleixam as ca

ção de preços, que prejudicará não só as

sas porque qualquer reforma é

dronização dos materiais, por exemplo,

"casas populares", como tòda a ativi

esquadrias, tijolos, etc., onde a varieda

dade construtora da região. Na Ingla terra os preços já estavam dobrados no

sões já acarretam inconvenientes eco

fim da primeira guerra mundial, ao ini

nômicos e construtivos.

oportunidade para as repartições multiplicarem exigências descabi das; Outras dificuldades provem

das próprias caixas de aposentadoria, por

modo a contribuir para o restabeleci mento da normalidade geral e da plena

de e as reduções sucessivas das dimen

g) Política fiscal predial

ciar-se o programa das cons truções. A intensidade do

comodismos e pretextos que só uma desburocratização improvável poderia re

iniciativa privada, que, bem ou mal

mediar.

ainda é o motor predominante da nossa

Sob este título de "orientação supe rior" mais importante será o pensamen

atividade econômica. Na Europa, em situações semelhantes, houve por vê-

vez, subvertendo todos os

e territorial. Êste^ setor e particularmente difícil, por que muitas idéias feitas são

planos e obrigando a uma

ilusórias e porque quasi sem

to fundamental do governo, de que de

zes alteração, aproveitando o governo a oportunidade dum descongelamento gra

tre nós os empreiteiros (aliás

correrão as diretrizes e o vulto do em-

• preendimento. Surge aqui a questão do critério mais ou menos socializante, que

dual e moderado para tirar o seu qui nhão, que destinou ao próprio progra

ma de casas populares. Infelizmente há

se pretenda adotar. b) Evitar que as lefs de inquilinato desanimem a propriedade, as constru ções, as ampliações e as reformas úteis. As medidas contra o abuso da proprie dade freqüentemente degeneram em pe

c) Alteração do regime aduaneiro, l favor dos materiais e apetrechos de cons

nalidades contra a propriedade. As pro

trução, que forem escassos, caros ou

vidências suscitadas nas crises por bons motivos e, às vézes, com exageros com

imperfeitos entre nós: materiais metáli cos, cimento, vidros, aparelhos, tintas,

preensíveis nos momentos de pânico, aca

canos, etc.

bam mantidas por simples inércia, agra

o risco do abuso e uma desconfiança, muito justificada, quanto à honestidade e acêrto das medidas concretas.

d) Incrementar a produção de mate

vando a artificialidade da situação. Me

riais úteis, instalação e ampliação de

didas úteis num determinado momento,

fábricas ou usinas para cimento, cal produtos cerâmicos, extração ou produ ção de areia e brita, etc. Os poderes públicos suscitarão tal aumento de pro

tomam-se contraproducentes com o de correr do tempo. Vimos sobejamente nos anos anteriores os aluguéis congelados, mas os inquilinos se locupletarem pelas sublocações, o que só ineficientemente

dução e o seu barateamento. Em caso

de necessidade, irão até a ação direta.

foi corrigido pela lei 9669 do ano pas

Vastos programas de obras públicas, por

sado. Do natural abandono das casas resultam a sua decadência física, um descuido crescente e o abaixamento do

exemplo, de rodovias, servirão de vo

nível social da ocupação: é a origem de novos "slums", agravando o proble

ma que a lei pretendia resolver.

Um

importante aspecto das leis de emergên

cia é o modo da sua cessação futura, de

lante ou processo regulador nos even tuais desequilíbrios do mercado. É la mentável que cidades dinâmicas ou re

giões progressistas, como São Paulo, ve jam suas obras paradas ou arrastadas por falta oú encarecimento dos materiais mais elementares. É natural que os pro-

ataque duplicou-os mais uma marcba-à-ré desastrosa.

pre surge um inconveniente

En

ou uma injustiça, que se não

é o novo regime< é a altera

espécie quasi extinta) alarmam-se todos os dias, dian

ção em si. A simples mu dança de coeficiente e não

te de mirabolantes planos que, felizmente, não têm passado de leviandades elei

de estrutura, não garante os

objetivos, porque ràpidamen- ^ te o equilíbrio econômico se 1 restabelece ao menos em grande parte, pela transfe

torais ou políticas.

e) melhoria do transpor te férreo e rodoviário, aper feiçoamento das estradas,

rência interna da carga dife

rencial (teoria das incidên cias legal e efetiva dc^ tri

importação de veículos e pe ças, facilidade para a forma

butos).

ção de motoristas e mecâni cos. A Sorocabana e a São

A idéia mais comum é sobrecarregar os terrenos

Paulo-Rio Grande continuam

a "separar" São Paulo do Oeste c

do

Sul, nossos fornecedores de madeira,

Na

zona da Capital a insuficiência rodoviá ria restringe a obtenção da areia, pedregulho, tijolo e cimento. Quando ti vemos a oportunidade de dirigir a admi nistração desta cidade, pretendemos es

boçar um plano rodoviário circundante, que atenderia simu'tâneamente ao comér cio de materiais, à pequena lavoura alimentadora da metrópole, e ao turismo.

Isso não foi ad ante por ter-se O govêmo apossado do recurso legal, que o possi bilitaria: a quota municipal da taxa sôbre combustíveis.

baldios e aliviar as casas e os terrenos

construídos.

A experiência mostra que

os resultados correspondem mediocremente ao objetivo, pois a crise sendo econômica ou social, as medidas fiscais

apenas atingem um lado parcial^ e pe queno da questão, e só a solução eco

nômica, natural do tempo ou apressada pelos" govejiT.os, pode satisfazer. Quando terrenos permanecem baldios, em regra há motivos fortes para isso, ecoiióm cos, urbanísticos, ou outros. E, quando não há, constituem exceções e, portanto, não

pesam na crise. Em muitos casos resul11<1

Cllot?»

v.^%www

tam inconvenientes inesperados, como a


Digesto Econômico

31

Dicesto Econômico

30

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dutores particulares não sejam prejudica

A dificuldade de transporte provoca

cando-as à disposição -dos inqui

dos por uma concorrência semi-oficial;

dois encarecimentos; um, o decorrente

linos de nível econômico inferior.

mas também não é razoável que, por sua insuficiência ou ambição, paralisem

das próprias despesas do serviço, da

ou asfbriem as construções locais.

combustível, etc.; outro, o aumento pu

O ataque dum programa de habita ções devo ser gradual e após preparação

ramente especulativo dos preços, tanto

e exame do mercado de material e mão

portadores e intennediários.

A redução de requisitos legais "de padrão" animará novas cons truções, adaptações e reformas,

freqüentemente embaraçadas por bizantinismos regulamentares ou dos funcionários.

Correntemen

conservação dos veículos, consumo de da parte do produtor, como dos trans

de obra, sob pena de provocar tal eleva

f) Prosseguir os esforços para a pa

te proprietários desleixam as ca

ção de preços, que prejudicará não só as

sas porque qualquer reforma é

dronização dos materiais, por exemplo,

"casas populares", como tòda a ativi

esquadrias, tijolos, etc., onde a varieda

dade construtora da região. Na Ingla terra os preços já estavam dobrados no

sões já acarretam inconvenientes eco

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nômicos e construtivos.

oportunidade para as repartições multiplicarem exigências descabi das; Outras dificuldades provem

das próprias caixas de aposentadoria, por

modo a contribuir para o restabeleci mento da normalidade geral e da plena

de e as reduções sucessivas das dimen

g) Política fiscal predial

ciar-se o programa das cons truções. A intensidade do

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iniciativa privada, que, bem ou mal

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ainda é o motor predominante da nossa

Sob este título de "orientação supe rior" mais importante será o pensamen

atividade econômica. Na Europa, em situações semelhantes, houve por vê-

vez, subvertendo todos os

e territorial. Êste^ setor e particularmente difícil, por que muitas idéias feitas são

planos e obrigando a uma

ilusórias e porque quasi sem

to fundamental do governo, de que de

zes alteração, aproveitando o governo a oportunidade dum descongelamento gra

tre nós os empreiteiros (aliás

correrão as diretrizes e o vulto do em-

• preendimento. Surge aqui a questão do critério mais ou menos socializante, que

dual e moderado para tirar o seu qui nhão, que destinou ao próprio progra

ma de casas populares. Infelizmente há

se pretenda adotar. b) Evitar que as lefs de inquilinato desanimem a propriedade, as constru ções, as ampliações e as reformas úteis. As medidas contra o abuso da proprie dade freqüentemente degeneram em pe

c) Alteração do regime aduaneiro, l favor dos materiais e apetrechos de cons

nalidades contra a propriedade. As pro

trução, que forem escassos, caros ou

vidências suscitadas nas crises por bons motivos e, às vézes, com exageros com

imperfeitos entre nós: materiais metáli cos, cimento, vidros, aparelhos, tintas,

preensíveis nos momentos de pânico, aca

canos, etc.

bam mantidas por simples inércia, agra

o risco do abuso e uma desconfiança, muito justificada, quanto à honestidade e acêrto das medidas concretas.

d) Incrementar a produção de mate

vando a artificialidade da situação. Me

riais úteis, instalação e ampliação de

didas úteis num determinado momento,

fábricas ou usinas para cimento, cal produtos cerâmicos, extração ou produ ção de areia e brita, etc. Os poderes públicos suscitarão tal aumento de pro

tomam-se contraproducentes com o de correr do tempo. Vimos sobejamente nos anos anteriores os aluguéis congelados, mas os inquilinos se locupletarem pelas sublocações, o que só ineficientemente

dução e o seu barateamento. Em caso

de necessidade, irão até a ação direta.

foi corrigido pela lei 9669 do ano pas

Vastos programas de obras públicas, por

sado. Do natural abandono das casas resultam a sua decadência física, um descuido crescente e o abaixamento do

exemplo, de rodovias, servirão de vo

nível social da ocupação: é a origem de novos "slums", agravando o proble

ma que a lei pretendia resolver.

Um

importante aspecto das leis de emergên

cia é o modo da sua cessação futura, de

lante ou processo regulador nos even tuais desequilíbrios do mercado. É la mentável que cidades dinâmicas ou re

giões progressistas, como São Paulo, ve jam suas obras paradas ou arrastadas por falta oú encarecimento dos materiais mais elementares. É natural que os pro-

ataque duplicou-os mais uma marcba-à-ré desastrosa.

pre surge um inconveniente

En

ou uma injustiça, que se não

é o novo regime< é a altera

espécie quasi extinta) alarmam-se todos os dias, dian

ção em si. A simples mu dança de coeficiente e não

te de mirabolantes planos que, felizmente, não têm passado de leviandades elei

de estrutura, não garante os

objetivos, porque ràpidamen- ^ te o equilíbrio econômico se 1 restabelece ao menos em grande parte, pela transfe

torais ou políticas.

e) melhoria do transpor te férreo e rodoviário, aper feiçoamento das estradas,

rência interna da carga dife

rencial (teoria das incidên cias legal e efetiva dc^ tri

importação de veículos e pe ças, facilidade para a forma

butos).

ção de motoristas e mecâni cos. A Sorocabana e a São

A idéia mais comum é sobrecarregar os terrenos

Paulo-Rio Grande continuam

a "separar" São Paulo do Oeste c

do

Sul, nossos fornecedores de madeira,

Na

zona da Capital a insuficiência rodoviá ria restringe a obtenção da areia, pedregulho, tijolo e cimento. Quando ti vemos a oportunidade de dirigir a admi nistração desta cidade, pretendemos es

boçar um plano rodoviário circundante, que atenderia simu'tâneamente ao comér cio de materiais, à pequena lavoura alimentadora da metrópole, e ao turismo.

Isso não foi ad ante por ter-se O govêmo apossado do recurso legal, que o possi bilitaria: a quota municipal da taxa sôbre combustíveis.

baldios e aliviar as casas e os terrenos

construídos.

A experiência mostra que

os resultados correspondem mediocremente ao objetivo, pois a crise sendo econômica ou social, as medidas fiscais

apenas atingem um lado parcial^ e pe queno da questão, e só a solução eco

nômica, natural do tempo ou apressada pelos" govejiT.os, pode satisfazer. Quando terrenos permanecem baldios, em regra há motivos fortes para isso, ecoiióm cos, urbanísticos, ou outros. E, quando não há, constituem exceções e, portanto, não

pesam na crise. Em muitos casos resul11<1

Cllot?»

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tam inconvenientes inesperados, como a


•77r32

33

Dicesto Econômico

DiGESTO Econômico

evitar as rendas excessivas, mas justa mente por motivos opostos. Os terrenos

o interêsse é muito geral c a iniciativa

partido social democrata e ao comu

particular se revela incapaz num deter

nista.

cidades contam para a solução de nume

urbanos e suburbanos vinbam também,

minado setor, fica este em condições de

rosos problemas próximos ou fuhiros:

como em Chicago e outros lugares, de monstrar com baixas prolongadas e es-

transferir-se para atribuição oficial.

O livro mencionado, observa Catarina Bauer, é extremamente interessante e

A Alemanha penetrara nc.sla via desde o começo do-século passado, mas só re

como de típicas fraquezas dogmáticas.

centemente a orientação se estendeu à

Partindo da tese que o inquilino está

maioria dos países civilizatlos. Ê ver dade que, mesmo nos países de maior atividade, a intervenção fieou longe da

o capitalista industrial, o autor procura

desapuriçáü de preciosas reservas terri toriais internas, com que tàcitamente as novas artérias,, parques, escolas, etc. Fo

ram tais reservas que, em São Paulo, tomaram possíveis os parques Pedro II, Aclimação, Siqueira Campos, a canaliza

ção do Tietê, as avenidas Nove de Julho

e Anhangabaú Superior (Itororó), os novos grupos escolares, os parques in fantis, etc.

petaculare.s, a falácia da sua valoriza

ção continua, ou pelo menos, a pro babilidade da hipótese contrária. Por outro lado, mesmo no campo pu ramente doutrinário, os propagandistas

satisfação completa e, por vezes, tem

da taxação pesada esqueciam um ponto: que o valor presente da terra inclui o

Os impostos territoriais, a taxa de me

valor atual da perspectiva das valoriza

J

mesmo retrocedido. Como hoje uma das preocupações go vernamentais é neutralizar o extremis

lhoria e a taxa, ainda mais geral, sobre

ções futuras.

o "unearded increment", bem manipu-

Ê do ver, no fim de tudo isto, que as medidas fiscais perdem muito do seu prestígio no combate às crises do gêne

tem encarado o assunto. A tese ortodoxa

ro que estudamos.

nungsfrage, 1872). Fá-h)-ia o novo Estado, em antítese à idéia de Proudhcn da compra ou aluguel obrigatório dos

'lados, podem auxiliar uma política de con.struções populares, urbanização e pro gresso. Mas levantam também sérias objeções. As incertezas e dificuldades

de Engels pregava apenas o apossamento e distribuição das casas (Zur Woh-

Seu papei torna-se

secundário, e não dispensam providên

de avaliação e imposição, as complica

cias mais incisivas nos aspectos subs

ções decorrentes da variabilidade cio di

tanciais.

nheiro nacional, etc., tornam o proble

mo, convém notar como esta doutrina

ben- necessários, tanto ca.sus como ins

Outra medida fiscal muito defendida

George. Então se acreditava num rápi

atingir

do e crescente aumento de população

pode esquecer que os tributos são o re

em contraste com a imutabindade da

curso indispensável para a manutenção

área territorial, agravada pelo aprovei

da coisa pública e seus gastos inevitá

mente à teoria anarquista da sua elimi

um regime de cessão gratuita. Foi so bretudo na Alemanha que se cnstahzou a divergência de programas. A aristo

ferida à sociedade, por aluguéis ou ar rendamentos. Com a "atenuação' pos

terior 6 gradual do Estado (ccntrànanação imediata) as casas passariam a

tamento de terras cada vez mais infér-

veis.

teis, com o duplo inconveniente de au

ção poderia tomar-se até catastrófica. As

mentar o custo da produção agrícola e exagerar a renda dos proprietários mais

isenções fiscais, como os juros baixos e

afortunados. George, doutro lado do oceano, estava sobretudo impressionado e influenciado pelo caso do Oeste ame

a subsídios, e sua concessão precisa man bilidade e programa, evitando proteções

ra alívio das classes po

ricano.

arbitrárias, doação de reserx'as territo

paradoxal da classe mé

Os conceitos e conclusões eram

e.stendidos às situações urbanas.

Mas

outros favores, eqüivalem na realidade

cracia previdentemente admitia providências pa

ter-se dentro de estritos limites de razoa-

riais urbanísticas, distribuições não equi-

depois vieram as máquinas, os fertili

tativas, favores eleitorais, as atitudes me

zantes e os processos que aumentaram

as colheitas e a produção. Surgiram as

ramente políticas ou demagógicas, tão freqüentes e desastrosas para o patri

estradas e os veículos a motor, que apro

mônio público.

terras e terrenos, pondo-os à maior dis

posição do povo. Êstes fatores agiam em sentido contrário ao da teoria. Ou tras vezes crises agrícolas se manifes

tavam, provocando medidas socializantes

poucos no âmbito dos "serviços públi

(como ainda há pouco na América do 'new-deal", mas desta vez não para

cos", ao mesmo título que os transpor

tes, abastecimento d'água, etc. Quando

quele período do século XIX.

E ta

manha era a oposição do socialismo de Owen e Fourier, que nenhuma aten

começavam a surgir, as perspectivas de novos ambientes (salvo uma observação sobre a necessidade de eliminar a atual

contradição entre o campo e a cidade), os esforços municipais e estatais, a pos sibilidade de organizações construtoras despidas de fins lucrativos, etc. Na

quela época, promover a construção de casas operárias ou me

didas equivalentes, era

"transigir" com a idwceram imidos na oposi

sòmente

para

recusava qualquer me

dida, por reputá-las ineficazes ou mes

mo contraproducentes, antes da revolu ção total. A divergência era sobretudo visível na questão cía habitação, e trans formou-se em cisão franca por volta de 1900. As duas alas resuUantes deram

lugar inâis tarde, após u guerra, ao .'y

pletas e ingênuas, são características da

dia e dos marxistas. O

agitação, parlamentar,

Por indesejável que seja, o problema das casas populares está recaindo aos

Tanto a

tese, como a solução de Engels, incom

logia da classe média,

nizado

Intervenção oficial

do capitalismo e.xpansionista.

bres, contra a oposição

partido proletário, orga

ximaram e ampliaram virtualmente as

continuariam a ser condição inseparável

ção receberam as idéias urbanísticas que

favor tem de ser moderado, pa.ssagei-

Nos municípios pobres a situa

vantagem, e só compreensível numa so

ciedade atrasada: por exemplo, de cam poneses artesãos. Quanto aos "slums",

"cientificc-." aos socialismos "utópicos"

ambientes mudaram muito desde a épo ca de Maltlius, Ricardo, Mil! e Henxy

Não se

mostrar que a habitação própria, como queria Proudhon, no fim das contas cons tituiria uma acomodação absolutamente mínima e uma sujeição mais que uma

menos no período de transição, nao seria abolida a renda da terra, mas trans

é a isenção para as novas casas. Éste as taxas de serviço.

para o proprietário como o operário para

trumentos, pelo povo trabalhador. Ao

ma delic-ado c complexo. As condições

ro, adequado, e nunca evidentemente

revelador tanto das qualidades marxistas

e os radicais permane

ção a quaisquer "refor mas". Só com a Segun

da Internacional surgiu

um espírito mais conci liador e evoluído, admitindo o "housmg' através das "trade unions" e coo-

pera'ivas„ solicijtando o controle mu nicipal dos terrenos e a construção oficial de habitadas econômicas. De pois de 1900, a maioria social demo

crata agia, assim, muito próximo da


•77r32

33

Dicesto Econômico

DiGESTO Econômico

evitar as rendas excessivas, mas justa mente por motivos opostos. Os terrenos

o interêsse é muito geral c a iniciativa

partido social democrata e ao comu

particular se revela incapaz num deter

nista.

cidades contam para a solução de nume

urbanos e suburbanos vinbam também,

minado setor, fica este em condições de

rosos problemas próximos ou fuhiros:

como em Chicago e outros lugares, de monstrar com baixas prolongadas e es-

transferir-se para atribuição oficial.

O livro mencionado, observa Catarina Bauer, é extremamente interessante e

A Alemanha penetrara nc.sla via desde o começo do-século passado, mas só re

como de típicas fraquezas dogmáticas.

centemente a orientação se estendeu à

Partindo da tese que o inquilino está

maioria dos países civilizatlos. Ê ver dade que, mesmo nos países de maior atividade, a intervenção fieou longe da

o capitalista industrial, o autor procura

desapuriçáü de preciosas reservas terri toriais internas, com que tàcitamente as novas artérias,, parques, escolas, etc. Fo

ram tais reservas que, em São Paulo, tomaram possíveis os parques Pedro II, Aclimação, Siqueira Campos, a canaliza

ção do Tietê, as avenidas Nove de Julho

e Anhangabaú Superior (Itororó), os novos grupos escolares, os parques in fantis, etc.

petaculare.s, a falácia da sua valoriza

ção continua, ou pelo menos, a pro babilidade da hipótese contrária. Por outro lado, mesmo no campo pu ramente doutrinário, os propagandistas

satisfação completa e, por vezes, tem

da taxação pesada esqueciam um ponto: que o valor presente da terra inclui o

Os impostos territoriais, a taxa de me

valor atual da perspectiva das valoriza

J

mesmo retrocedido. Como hoje uma das preocupações go vernamentais é neutralizar o extremis

lhoria e a taxa, ainda mais geral, sobre

ções futuras.

o "unearded increment", bem manipu-

Ê do ver, no fim de tudo isto, que as medidas fiscais perdem muito do seu prestígio no combate às crises do gêne

tem encarado o assunto. A tese ortodoxa

ro que estudamos.

nungsfrage, 1872). Fá-h)-ia o novo Estado, em antítese à idéia de Proudhcn da compra ou aluguel obrigatório dos

'lados, podem auxiliar uma política de con.struções populares, urbanização e pro gresso. Mas levantam também sérias objeções. As incertezas e dificuldades

de Engels pregava apenas o apossamento e distribuição das casas (Zur Woh-

Seu papei torna-se

secundário, e não dispensam providên

de avaliação e imposição, as complica

cias mais incisivas nos aspectos subs

ções decorrentes da variabilidade cio di

tanciais.

nheiro nacional, etc., tornam o proble

mo, convém notar como esta doutrina

ben- necessários, tanto ca.sus como ins

Outra medida fiscal muito defendida

George. Então se acreditava num rápi

atingir

do e crescente aumento de população

pode esquecer que os tributos são o re

em contraste com a imutabindade da

curso indispensável para a manutenção

área territorial, agravada pelo aprovei

da coisa pública e seus gastos inevitá

mente à teoria anarquista da sua elimi

um regime de cessão gratuita. Foi so bretudo na Alemanha que se cnstahzou a divergência de programas. A aristo

ferida à sociedade, por aluguéis ou ar rendamentos. Com a "atenuação' pos

terior 6 gradual do Estado (ccntrànanação imediata) as casas passariam a

tamento de terras cada vez mais infér-

veis.

teis, com o duplo inconveniente de au

ção poderia tomar-se até catastrófica. As

mentar o custo da produção agrícola e exagerar a renda dos proprietários mais

isenções fiscais, como os juros baixos e

afortunados. George, doutro lado do oceano, estava sobretudo impressionado e influenciado pelo caso do Oeste ame

a subsídios, e sua concessão precisa man bilidade e programa, evitando proteções

ra alívio das classes po

ricano.

arbitrárias, doação de reserx'as territo

paradoxal da classe mé

Os conceitos e conclusões eram

e.stendidos às situações urbanas.

Mas

outros favores, eqüivalem na realidade

cracia previdentemente admitia providências pa

ter-se dentro de estritos limites de razoa-

riais urbanísticas, distribuições não equi-

depois vieram as máquinas, os fertili

tativas, favores eleitorais, as atitudes me

zantes e os processos que aumentaram

as colheitas e a produção. Surgiram as

ramente políticas ou demagógicas, tão freqüentes e desastrosas para o patri

estradas e os veículos a motor, que apro

mônio público.

terras e terrenos, pondo-os à maior dis

posição do povo. Êstes fatores agiam em sentido contrário ao da teoria. Ou tras vezes crises agrícolas se manifes

tavam, provocando medidas socializantes

poucos no âmbito dos "serviços públi

(como ainda há pouco na América do 'new-deal", mas desta vez não para

cos", ao mesmo título que os transpor

tes, abastecimento d'água, etc. Quando

quele período do século XIX.

E ta

manha era a oposição do socialismo de Owen e Fourier, que nenhuma aten

começavam a surgir, as perspectivas de novos ambientes (salvo uma observação sobre a necessidade de eliminar a atual

contradição entre o campo e a cidade), os esforços municipais e estatais, a pos sibilidade de organizações construtoras despidas de fins lucrativos, etc. Na

quela época, promover a construção de casas operárias ou me

didas equivalentes, era

"transigir" com a idwceram imidos na oposi

sòmente

para

recusava qualquer me

dida, por reputá-las ineficazes ou mes

mo contraproducentes, antes da revolu ção total. A divergência era sobretudo visível na questão cía habitação, e trans formou-se em cisão franca por volta de 1900. As duas alas resuUantes deram

lugar inâis tarde, após u guerra, ao .'y

pletas e ingênuas, são características da

dia e dos marxistas. O

agitação, parlamentar,

Por indesejável que seja, o problema das casas populares está recaindo aos

Tanto a

tese, como a solução de Engels, incom

logia da classe média,

nizado

Intervenção oficial

do capitalismo e.xpansionista.

bres, contra a oposição

partido proletário, orga

ximaram e ampliaram virtualmente as

continuariam a ser condição inseparável

ção receberam as idéias urbanísticas que

favor tem de ser moderado, pa.ssagei-

Nos municípios pobres a situa

vantagem, e só compreensível numa so

ciedade atrasada: por exemplo, de cam poneses artesãos. Quanto aos "slums",

"cientificc-." aos socialismos "utópicos"

ambientes mudaram muito desde a épo ca de Maltlius, Ricardo, Mil! e Henxy

Não se

mostrar que a habitação própria, como queria Proudhon, no fim das contas cons tituiria uma acomodação absolutamente mínima e uma sujeição mais que uma

menos no período de transição, nao seria abolida a renda da terra, mas trans

é a isenção para as novas casas. Éste as taxas de serviço.

para o proprietário como o operário para

trumentos, pelo povo trabalhador. Ao

ma delic-ado c complexo. As condições

ro, adequado, e nunca evidentemente

revelador tanto das qualidades marxistas

e os radicais permane

ção a quaisquer "refor mas". Só com a Segun

da Internacional surgiu

um espírito mais conci liador e evoluído, admitindo o "housmg' através das "trade unions" e coo-

pera'ivas„ solicijtando o controle mu nicipal dos terrenos e a construção oficial de habitadas econômicas. De pois de 1900, a maioria social demo

crata agia, assim, muito próximo da


jj

b

34

Dicesto Econômico 35

Dicesto Econômico

ala esquerda dos reformistas burgue

funções executivas, proceder a interven

ses.

ções concretas ou em pormenores téc

Pela mesma época apareciam na In glaterra os trabalhistas, após a depres são de 1889 e anos seguintes. Os fa-

contrário, convir-llie-á suscitar entidades regionais com liberdade de iniciativa e

bianos, dirigidos por Bemard Shaw e

execução.

S^dney Webb, exerciam sobre eles sen

cal e um estímulo externo. Os serviços

nicos, a fiscalizações entravadoras. Pelo

burocráticos e atuariais absorveram muito

da atenção em prejuízo das atividades

construtoras; a ralta de certos poderes complementares e as divergências dos

Com o que, por um lado

evitaria uma burocracia luxuosa e nu merosa tão ao gosto parasitário da me

projetos com os padrões locais multi plicavam as perdas de tempo. A cen

tem por si argumentos muito lógicos: a existência de massa mais que suficiente de serviço para ocupar-lhe a atenção e,

o que é mais, de serviço especializado

e homogêneo; a possibilidade de mais perfeita coordenação de esforços e pro

sível influência e agitavam a questão das casas populares. Mas, meio poetas

trópole, por outro, concederá a cada re

6 trapalhões, encontraram uma séria crí

tralização entravava as providências, os

dar. caixas entre si para materiais, mão

gião estímulo e autonomia.

tica em William Morris, espécie de

federal poderá reservar-se, quando mui

recursos desviaram-se para . empregos mais fáceis, rápidos ou lucrativos, ou ficavam retidos nos cofres do próprio

do obra, terrenos, etc.

Engels britânico, um tanto medievalista.

Voltemos, porém, à nossa exposição das providências necessárias. A) A primeira coisa a assentar é a

A entidade

to, certa participação executiva no Dis

trito Federal, %dsando experimentação c contacto informativo com o problema. A ação. supervisão, assistência, coorde

definição das entidades que poderão dedicar-se à construção ou exploração das casas e receber as vantagens e fa cilidades conferidas pelo poder público. Essas entidades serão, além da própria administração pública, certas autarquias (institutos de casas populares ou de

nação dos planos tanto técnicos, como sociais e financeiros, terão lugar median te institutos regionais ou estaduais. A

aposentadoria), cooperativas e socieda

dústrias, etc.) e dum "bureau" técnico. Da diretoria devem ser expressamente excluídos, o quanto possível, políticos militantes, cuja mentahdade e moralida de média só poderiam prejudicar. Os

des de lucro limitado e, mais excepcio nalmente, certas instituições filantrópicas. A ação federal cabem mais particular mente as providências e a orientação ge ral, a legislação fundamental, a distri buição das atribuições, a esquematização do sistema, a lei expropriatória, a lei de inquilinato, o estabelecimento do cré dito, a constituição do instituto ou ór gão central. A ação regional é a in dicada para os estudos fiscais, concreti

zação e pormenores, como é fácil per ceber à vista da predominância dos as pectos locais: contacto imediato com as necessidades e classes interessadas, cor relação com os planos urbanísticos e serviço.s municipais, etc. A iniciativa fe deral deve ser, assim, fundamental e

prévia,

Isto responde às reclamações

freqüentemente movidas contra a inér cia municipal no assunto. A entidade federal centralizará os estudos técnicos

sua íQOmpoaição resumirnse-ia a

no seu livro, devido à concorrente pro

cura de aplicação para os grandes recur sos disponíveis. As entiaades admiti das a trabalharem no campo das casas

populares, como delegadas, concessioná

rias ou contratantes, teriam naturalmente

de satisfazer às condições essenciais de

idoneidade, programa, fiscalização e lu cro limitado ou regulamentado. O sis tema constituído do órgão federal predo minantemente orientador e coordena

dor do crédito, e duma série de ins

titutos regionais predomínan-

Em

"í?,*.-

regra não deve caber às municipalida

nliecida entre nós, mas exis

ligados ao governo: caso da Argentina, Uruguai, Peru, Estados Unidos, etc. A nossa solução teria sido uma remo

delação dos institutos existentes ou, à vista do vulto que os planei iam ràpidamente tomar, a criação dum instituto

condições especiais, ou mesmo a socie

dades cívicas ou filantrópicas, cooperati vas, etc. No Brasil os institutos de apo

tente com sucesso nos Estados Unidos.

A grandeza do território, a variedade de condições, a índole democrática do re

gime, o justificam.

Os escritórios regionais compreenderão

i

secções de engenharia e arquitetura

nacional de casas populares, completado

(tanto projeto como construção e fiscali

e adaptabilidade às condições e recursos de cada região. Em qualquer caso a transição dum regime para outro deve ria estar prevista de modo a não para

trema importância para evitar concor

pela organização estadual q^ue dissemos, zação), finanças, estudos sociais e es capaz de grande elasticidade, eficiência tatística, manutenção e ex'ploração de casas e serviços conexos, assistência, etc.

sentadoria tinham sido naturalmente de

signados para isso.

temente executivos, traz uma descentralização pouco co-

des a construção e exploração das casas Doç)ulares. A melhor orientação é atri buí-las preferencialmente a instituições autárquicas, elásticas e menos sujeitas aos riscos da politicagem, ou a socieda des de lucros limitados, ou a instituições pr.vadas (por exemplo de seguros) de

Dispõem de reciu*-

sos enormes, têm contacto imediato com

as classes interessadas, possuem organi zação básica suficiente e conhecem o

problema assistencial em seu conjunto.

Não deverá todavia reter

mercado de títulos a concorrência se

orgãos regionais seriam antes reconheci

dos que nomeados pelo centro.

A orientação adotada era assim admissí

riências, etc.

fazia sentir, como conta Rubens Porto

nominação mais lata, de previdência so cial) foi a adotada no Brasil, Chile, Equador, etc. Outra solução usual é por meio de institutos próprios, diretamente

tivos dos principais interôsses (prefeito,

gerais, estatísticas, orientação e fiscaliza to, legislação substantiva e suas modifi

truíram 3 milhões de casas, o Brasil só

sentadoria (ou, para empregar uma de

associação comercial, federação das in

ção superior, o sistema de financiamen

cações, intercâmbio de idéias e expe

mente para a alta dos terrenos. ^ Até no

A mesma solução, pelas caixas de apo

comissão de poucos membros representa

É sabido que a ação das caixas no mercado imobiliário contribuiu sensivel-

governo central, em apuro permanente. Enquanto a Alemanha e Inglaterra cons fez 10 mil.

uma

gramas. Desaparecerá a concorrência

lisar, como parece entre nos ter suce

dido, a atividade que ja se vinha de senvolvendo, embora modestamente, por

vel, embóra por motivos vários não haja

intermédio dos institutos de aposenta

alcançado sucesso.

doria.

Realmente faltou-

lhes espírito prático, maior liberdade lo-

A solução pela unificação ou coorde i

nação à parte, dos serviços de habitação,

A coordenação das atividades é de ex rência encarecedora de preços (mate riais, mão de obra, terrenos, etc.), du

plicações de serviços (parques infantis municipais e estaduais, bibliotecas muni cipais e estaduais, hospitais próximos e semelhantes, etc.). Êste item é impor

tante, porque a ambição do emprêgo público é tamanha que, ultimamente, os


jj

b

34

Dicesto Econômico 35

Dicesto Econômico

ala esquerda dos reformistas burgue

funções executivas, proceder a interven

ses.

ções concretas ou em pormenores téc

Pela mesma época apareciam na In glaterra os trabalhistas, após a depres são de 1889 e anos seguintes. Os fa-

contrário, convir-llie-á suscitar entidades regionais com liberdade de iniciativa e

bianos, dirigidos por Bemard Shaw e

execução.

S^dney Webb, exerciam sobre eles sen

cal e um estímulo externo. Os serviços

nicos, a fiscalizações entravadoras. Pelo

burocráticos e atuariais absorveram muito

da atenção em prejuízo das atividades

construtoras; a ralta de certos poderes complementares e as divergências dos

Com o que, por um lado

evitaria uma burocracia luxuosa e nu merosa tão ao gosto parasitário da me

projetos com os padrões locais multi plicavam as perdas de tempo. A cen

tem por si argumentos muito lógicos: a existência de massa mais que suficiente de serviço para ocupar-lhe a atenção e,

o que é mais, de serviço especializado

e homogêneo; a possibilidade de mais perfeita coordenação de esforços e pro

sível influência e agitavam a questão das casas populares. Mas, meio poetas

trópole, por outro, concederá a cada re

6 trapalhões, encontraram uma séria crí

tralização entravava as providências, os

dar. caixas entre si para materiais, mão

gião estímulo e autonomia.

tica em William Morris, espécie de

federal poderá reservar-se, quando mui

recursos desviaram-se para . empregos mais fáceis, rápidos ou lucrativos, ou ficavam retidos nos cofres do próprio

do obra, terrenos, etc.

Engels britânico, um tanto medievalista.

Voltemos, porém, à nossa exposição das providências necessárias. A) A primeira coisa a assentar é a

A entidade

to, certa participação executiva no Dis

trito Federal, %dsando experimentação c contacto informativo com o problema. A ação. supervisão, assistência, coorde

definição das entidades que poderão dedicar-se à construção ou exploração das casas e receber as vantagens e fa cilidades conferidas pelo poder público. Essas entidades serão, além da própria administração pública, certas autarquias (institutos de casas populares ou de

nação dos planos tanto técnicos, como sociais e financeiros, terão lugar median te institutos regionais ou estaduais. A

aposentadoria), cooperativas e socieda

dústrias, etc.) e dum "bureau" técnico. Da diretoria devem ser expressamente excluídos, o quanto possível, políticos militantes, cuja mentahdade e moralida de média só poderiam prejudicar. Os

des de lucro limitado e, mais excepcio nalmente, certas instituições filantrópicas. A ação federal cabem mais particular mente as providências e a orientação ge ral, a legislação fundamental, a distri buição das atribuições, a esquematização do sistema, a lei expropriatória, a lei de inquilinato, o estabelecimento do cré dito, a constituição do instituto ou ór gão central. A ação regional é a in dicada para os estudos fiscais, concreti

zação e pormenores, como é fácil per ceber à vista da predominância dos as pectos locais: contacto imediato com as necessidades e classes interessadas, cor relação com os planos urbanísticos e serviço.s municipais, etc. A iniciativa fe deral deve ser, assim, fundamental e

prévia,

Isto responde às reclamações

freqüentemente movidas contra a inér cia municipal no assunto. A entidade federal centralizará os estudos técnicos

sua íQOmpoaição resumirnse-ia a

no seu livro, devido à concorrente pro

cura de aplicação para os grandes recur sos disponíveis. As entiaades admiti das a trabalharem no campo das casas

populares, como delegadas, concessioná

rias ou contratantes, teriam naturalmente

de satisfazer às condições essenciais de

idoneidade, programa, fiscalização e lu cro limitado ou regulamentado. O sis tema constituído do órgão federal predo minantemente orientador e coordena

dor do crédito, e duma série de ins

titutos regionais predomínan-

Em

"í?,*.-

regra não deve caber às municipalida

nliecida entre nós, mas exis

ligados ao governo: caso da Argentina, Uruguai, Peru, Estados Unidos, etc. A nossa solução teria sido uma remo

delação dos institutos existentes ou, à vista do vulto que os planei iam ràpidamente tomar, a criação dum instituto

condições especiais, ou mesmo a socie

dades cívicas ou filantrópicas, cooperati vas, etc. No Brasil os institutos de apo

tente com sucesso nos Estados Unidos.

A grandeza do território, a variedade de condições, a índole democrática do re

gime, o justificam.

Os escritórios regionais compreenderão

i

secções de engenharia e arquitetura

nacional de casas populares, completado

(tanto projeto como construção e fiscali

e adaptabilidade às condições e recursos de cada região. Em qualquer caso a transição dum regime para outro deve ria estar prevista de modo a não para

trema importância para evitar concor

pela organização estadual q^ue dissemos, zação), finanças, estudos sociais e es capaz de grande elasticidade, eficiência tatística, manutenção e ex'ploração de casas e serviços conexos, assistência, etc.

sentadoria tinham sido naturalmente de

signados para isso.

temente executivos, traz uma descentralização pouco co-

des a construção e exploração das casas Doç)ulares. A melhor orientação é atri buí-las preferencialmente a instituições autárquicas, elásticas e menos sujeitas aos riscos da politicagem, ou a socieda des de lucros limitados, ou a instituições pr.vadas (por exemplo de seguros) de

Dispõem de reciu*-

sos enormes, têm contacto imediato com

as classes interessadas, possuem organi zação básica suficiente e conhecem o

problema assistencial em seu conjunto.

Não deverá todavia reter

mercado de títulos a concorrência se

orgãos regionais seriam antes reconheci

dos que nomeados pelo centro.

A orientação adotada era assim admissí

riências, etc.

fazia sentir, como conta Rubens Porto

nominação mais lata, de previdência so cial) foi a adotada no Brasil, Chile, Equador, etc. Outra solução usual é por meio de institutos próprios, diretamente

tivos dos principais interôsses (prefeito,

gerais, estatísticas, orientação e fiscaliza to, legislação substantiva e suas modifi

truíram 3 milhões de casas, o Brasil só

sentadoria (ou, para empregar uma de

associação comercial, federação das in

ção superior, o sistema de financiamen

cações, intercâmbio de idéias e expe

mente para a alta dos terrenos. ^ Até no

A mesma solução, pelas caixas de apo

comissão de poucos membros representa

É sabido que a ação das caixas no mercado imobiliário contribuiu sensivel-

governo central, em apuro permanente. Enquanto a Alemanha e Inglaterra cons fez 10 mil.

uma

gramas. Desaparecerá a concorrência

lisar, como parece entre nos ter suce

dido, a atividade que ja se vinha de senvolvendo, embora modestamente, por

vel, embóra por motivos vários não haja

intermédio dos institutos de aposenta

alcançado sucesso.

doria.

Realmente faltou-

lhes espírito prático, maior liberdade lo-

A solução pela unificação ou coorde i

nação à parte, dos serviços de habitação,

A coordenação das atividades é de ex rência encarecedora de preços (mate riais, mão de obra, terrenos, etc.), du

plicações de serviços (parques infantis municipais e estaduais, bibliotecas muni cipais e estaduais, hospitais próximos e semelhantes, etc.). Êste item é impor

tante, porque a ambição do emprêgo público é tamanha que, ultimamente, os


DiCESTO Econômico

86

de criá-los, sem outro fito verdadeiro

municipal de 1927. Por outro lado a pequenez e descontinuídade dos progra mas particulares raramente permite ou justifica o risco de grandes inversões em

que a consecução de bons lugares ou

aparelhamento, terras, materiais, organi

chefias.

zação, etc., capazes de baratear a cons trução, os aluguéis e os serviços conexos

interessados chegam à perfeição de in ventar serviços e repartições inteiras e

convencer aos governos da necessidade Estas repartições só servem

f)ara mxiltiplicar as formalidades, emoumentos e taxas com que atormentam

o povo trabalhador. A construção e a exploração direta pelas prefeituras ou estados são desaconselháveis por inefi

cientes e sujeitas a explorações políticas. Embora este modo de ação exista há'

muito na Alemanha e, há menos tempo, na Inglaterra e países bálticos, convém atender à diferença de formação e educa

ção política entre êsses países e o nosso. Na Alemanha a interferência direta das

municipalidades data de 150 anos, e, na Inglaterra, é conhecida a tradição municipalizadora, que tem absorvido su cessivamente todos os serviços públicos: transportes, telefone, luz, água, esgotos, etc., entre nós ainda entregues a com-

panliias particulares quiçá na maioria

aos conjuntos residenciais.

Em Nova

Iorque as duas iniciativas, a oficial e a privada, marcham a par. Destacam-se os grandes conjuntos de apartamentos, que ainda recentemente visitamos, às

vêzes conjugados com a demolição de "slums". O mais grandioso é o de Parkchester, verdadeira cidade de 42.000

habitantes (metade da população da ci dade de Campinas) encravada em Bronx, da Metropolitan Life Insurance Company.

Da construção ou administração das

casas poderão encarregar-se emprêsas particulares, as próprias indústrias. Na turalmente as facilidades ou favores di

ferirão conforme o regime e proveito da institutos de aposentadoria ainda não

das entidades

mas e aos pretendentes às casas.

tares que, normalmente, deva caber a essas cai-xas.

O juro variará com o

valor das casas, tipo, tamanho da fa mília e outras condições, de modo a ser

Os favores consistem geralmente em

realmente mínimo no caso de vivendas

empréstimos a longo prazo (20 a 30

mínimas e encargos familiares pesados.

anos) e juro babco (3 a 6%), em todo

Outra limitação dos empréstimos re

caso nunca mais do que custa ao pró

fere-se ao seu vulto relati\'amente aos

prio govêmo. Consistem ainda em fa cilidades fiscais, reduções ou isenções

20% é a boa norma americana; 25 a 30%

e na cessão de certos terrenos. Os juros

são usuais; 40% seria e.xcessivo. A Rússia

salár-os ou vencimentos do candiflato:

serão maiores quando se tratar de pura

adota 10% em certos casos, mas num

aplicação de capital, com poucas restri ções quanto ao uso e aluguel das casas;

regime inteiramente diverso.

serão médios no caso de maiores res

um sistema de bancos, institutos, car

trições em benefício das classes neces sitadas; serão mínimos quando, como

trosados, sem excluir estabelecimentos

A mobilização do crédito requer todo teiras, caixas, etc., convenientemente en

adiante veremos, houver conveniência ex

existentes (bancos, institutos de aposen

cepcional da correção de graves desajustamentos sociais. O juro, quando o

tadoria, caixas econômicas, carteiras imobiliárias), de modo a tirar o máximo

recurso provier de caixas de aposen

j^rrovdito dos recuraos disponíveis, ao mesmo tempo reduzindo as despesas ge rais que decorreriam de novos institutos, muitas vêzes dispensáveis.

tadoria, descerá, notadamente, no caso de as entidades construtoras assumirem o

encargo de certos serviços compleinen-

Convém finalmente observar que os

bem regulamentada e controlada sob os

oferecem a solução completa do proble

pontos de vista técnico e financeiro. A socialização, a par dalgumas vantagens na elasticidade dos programas e regi

classes operárias organizadas, pois res tam os elementos não classificados pro

mes, na maior segurança da reversão dos

fissionalmente.

lucros para a comimidade, na facilidade

assistência profissional e não uma assis

ma assistencial,. adstritos que estão às Doutro modo: é uma

de obtenção de recursos, apresenta in

tência social completa.

convenientes patentes, como o desvio de

frandes capitais nacionais, a ineficiência

instituição das casas populares estendê-

urocrática, as dificuldades técnicas em

Nos países escandinavos há para as

Cabe à nova

la a todos, ao menos no seu campo.

assuntos especializados, a interferência

casas individuais um sistema de constru

política, etc.

ção em que o próprio interessado con tribui com alguma mão de obra sua e

Alega-se ainda que da construção di reta pelo poder público pode ainda re sultar certa concorrência aos particula res e empregos privados, que poderão não mais responder à altura, quando o

B) Após definição

construtoras a lei estabelecerá as moda lidades do crédito e facilidades às mes

locação ou exploração dos imóveis.

das vêzes. A execução pelos particulares não apresenta inconveniente, quando

Pode-se dizer, como Lord Avebury, que tudo é uma questão de meio e opor tunidade, tendo cada época e país a sua especialidade municipalizadora.

37

Digesto Econômico

de sua família. Isto pressupõe um alto nível de educação cívica e certa capa cidade de trabalho, que é facilitado pela estandardizução e simplicidade do pro jeto, por instruções especiais e pela de signação de dias ou horas certas e dis poníveis. Para nós só tem valor ane-

dótico, salvo adaptações muito parciais

governo terminar os seus programas.

e talvez, no interior sertanejo, aprovei

Assim pensava, por exemplo, a comissão

tando a tradição dós mutirões. li t

"liáiVrdiir

FALTA DE FERRO GUSA

Uma constante falta de ferro gusa tem ocasionado ultimamente, nos Estados

Unidos, o fechamento de muitas fundições e obrigado outras a reduzir o índice de

sua produção. Procurando melhorar a situação, as fundições solicitaram ao Office of Temporary Centrais que cancelasse a prioridade para fins de construção de casas, que vem consumindo cêrca de 40% dos suprimentos de ferro industrial. A falta de ferro fundido está prejudicando sèriainente as indústrias de auto móveis, ferramentas, maquinârias, etc. Algumas usinas estão mantendo o seu nível de produção utilizando peças fundidas. Das fornalhas que produziam ferro durante a guerra, uma pelo menos, no Texas, voltará a produzir dentro em breve. Para facilitar o transporte do ferro do Texas para as fundições do sul, procura-se uma taxa de frete especial. Atual mente, a maioria das fundições do sul é obrigada a atender de preferência a en comendas para construção de casas, o que vem contribuindo para que o ferro industrial do sul, seja transportado para o norte.


DiCESTO Econômico

86

de criá-los, sem outro fito verdadeiro

municipal de 1927. Por outro lado a pequenez e descontinuídade dos progra mas particulares raramente permite ou justifica o risco de grandes inversões em

que a consecução de bons lugares ou

aparelhamento, terras, materiais, organi

chefias.

zação, etc., capazes de baratear a cons trução, os aluguéis e os serviços conexos

interessados chegam à perfeição de in ventar serviços e repartições inteiras e

convencer aos governos da necessidade Estas repartições só servem

f)ara mxiltiplicar as formalidades, emoumentos e taxas com que atormentam

o povo trabalhador. A construção e a exploração direta pelas prefeituras ou estados são desaconselháveis por inefi

cientes e sujeitas a explorações políticas. Embora este modo de ação exista há'

muito na Alemanha e, há menos tempo, na Inglaterra e países bálticos, convém atender à diferença de formação e educa

ção política entre êsses países e o nosso. Na Alemanha a interferência direta das

municipalidades data de 150 anos, e, na Inglaterra, é conhecida a tradição municipalizadora, que tem absorvido su cessivamente todos os serviços públicos: transportes, telefone, luz, água, esgotos, etc., entre nós ainda entregues a com-

panliias particulares quiçá na maioria

aos conjuntos residenciais.

Em Nova

Iorque as duas iniciativas, a oficial e a privada, marcham a par. Destacam-se os grandes conjuntos de apartamentos, que ainda recentemente visitamos, às

vêzes conjugados com a demolição de "slums". O mais grandioso é o de Parkchester, verdadeira cidade de 42.000

habitantes (metade da população da ci dade de Campinas) encravada em Bronx, da Metropolitan Life Insurance Company.

Da construção ou administração das

casas poderão encarregar-se emprêsas particulares, as próprias indústrias. Na turalmente as facilidades ou favores di

ferirão conforme o regime e proveito da institutos de aposentadoria ainda não

das entidades

mas e aos pretendentes às casas.

tares que, normalmente, deva caber a essas cai-xas.

O juro variará com o

valor das casas, tipo, tamanho da fa mília e outras condições, de modo a ser

Os favores consistem geralmente em

realmente mínimo no caso de vivendas

empréstimos a longo prazo (20 a 30

mínimas e encargos familiares pesados.

anos) e juro babco (3 a 6%), em todo

Outra limitação dos empréstimos re

caso nunca mais do que custa ao pró

fere-se ao seu vulto relati\'amente aos

prio govêmo. Consistem ainda em fa cilidades fiscais, reduções ou isenções

20% é a boa norma americana; 25 a 30%

e na cessão de certos terrenos. Os juros

são usuais; 40% seria e.xcessivo. A Rússia

salár-os ou vencimentos do candiflato:

serão maiores quando se tratar de pura

adota 10% em certos casos, mas num

aplicação de capital, com poucas restri ções quanto ao uso e aluguel das casas;

regime inteiramente diverso.

serão médios no caso de maiores res

um sistema de bancos, institutos, car

trições em benefício das classes neces sitadas; serão mínimos quando, como

trosados, sem excluir estabelecimentos

A mobilização do crédito requer todo teiras, caixas, etc., convenientemente en

adiante veremos, houver conveniência ex

existentes (bancos, institutos de aposen

cepcional da correção de graves desajustamentos sociais. O juro, quando o

tadoria, caixas econômicas, carteiras imobiliárias), de modo a tirar o máximo

recurso provier de caixas de aposen

j^rrovdito dos recuraos disponíveis, ao mesmo tempo reduzindo as despesas ge rais que decorreriam de novos institutos, muitas vêzes dispensáveis.

tadoria, descerá, notadamente, no caso de as entidades construtoras assumirem o

encargo de certos serviços compleinen-

Convém finalmente observar que os

bem regulamentada e controlada sob os

oferecem a solução completa do proble

pontos de vista técnico e financeiro. A socialização, a par dalgumas vantagens na elasticidade dos programas e regi

classes operárias organizadas, pois res tam os elementos não classificados pro

mes, na maior segurança da reversão dos

fissionalmente.

lucros para a comimidade, na facilidade

assistência profissional e não uma assis

ma assistencial,. adstritos que estão às Doutro modo: é uma

de obtenção de recursos, apresenta in

tência social completa.

convenientes patentes, como o desvio de

frandes capitais nacionais, a ineficiência

instituição das casas populares estendê-

urocrática, as dificuldades técnicas em

Nos países escandinavos há para as

Cabe à nova

la a todos, ao menos no seu campo.

assuntos especializados, a interferência

casas individuais um sistema de constru

política, etc.

ção em que o próprio interessado con tribui com alguma mão de obra sua e

Alega-se ainda que da construção di reta pelo poder público pode ainda re sultar certa concorrência aos particula res e empregos privados, que poderão não mais responder à altura, quando o

B) Após definição

construtoras a lei estabelecerá as moda lidades do crédito e facilidades às mes

locação ou exploração dos imóveis.

das vêzes. A execução pelos particulares não apresenta inconveniente, quando

Pode-se dizer, como Lord Avebury, que tudo é uma questão de meio e opor tunidade, tendo cada época e país a sua especialidade municipalizadora.

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Digesto Econômico

de sua família. Isto pressupõe um alto nível de educação cívica e certa capa cidade de trabalho, que é facilitado pela estandardizução e simplicidade do pro jeto, por instruções especiais e pela de signação de dias ou horas certas e dis poníveis. Para nós só tem valor ane-

dótico, salvo adaptações muito parciais

governo terminar os seus programas.

e talvez, no interior sertanejo, aprovei

Assim pensava, por exemplo, a comissão

tando a tradição dós mutirões. li t

"liáiVrdiir

FALTA DE FERRO GUSA

Uma constante falta de ferro gusa tem ocasionado ultimamente, nos Estados

Unidos, o fechamento de muitas fundições e obrigado outras a reduzir o índice de

sua produção. Procurando melhorar a situação, as fundições solicitaram ao Office of Temporary Centrais que cancelasse a prioridade para fins de construção de casas, que vem consumindo cêrca de 40% dos suprimentos de ferro industrial. A falta de ferro fundido está prejudicando sèriainente as indústrias de auto móveis, ferramentas, maquinârias, etc. Algumas usinas estão mantendo o seu nível de produção utilizando peças fundidas. Das fornalhas que produziam ferro durante a guerra, uma pelo menos, no Texas, voltará a produzir dentro em breve. Para facilitar o transporte do ferro do Texas para as fundições do sul, procura-se uma taxa de frete especial. Atual mente, a maioria das fundições do sul é obrigada a atender de preferência a en comendas para construção de casas, o que vem contribuindo para que o ferro industrial do sul, seja transportado para o norte.


39

Digesto EcoNÓKnco

O Transporte Individual e Coletivo na Cidade Moderna

mento funcional, mas também organiza

cêrca de 10.000 habitantes, do máximo

ção de movimentos e deslocamentos

do 40.000 que poderá abrigar. Para se ter idéia de como tais cida

diários.

des são favoráveis à vida humana, basta O módulo humano

por Lmz dk Anhaia Melo Especial para o "Digesto Econômico'

E liberdade de movimen

to nos campos internacio

nal, nacional, regional e local.

É apenas a ôste último,

O congestionamento da circulação — observa o A. — causa milhares de aci

dentes, se está tornando cada vez mais perigoso para todos. As ruas atuais não apresentam nenhuma diferenciação em têrmos de suas possíveis funções, cir

externo

people and goods".

Cleveland Rodgers.

dos

movimentos locais.

O urbanismo cuida dos usos da terra

— "the right use to the right land" — e tais usos estão na dependência da

Êsses usos estão relacionados com as

funções da vida coletiva: habitar, tra balhar, recrear.

O transporte, ou a circulação geral,

é o elo que liga as funções vitais, per mitindo o exercício "equilibrado delas. Transporte excessivo em "espaço-tem-

Sem essa liberdade, plena e universal, estragos e misérias da última guerra total.

quilômetros. Uma caminhada de quinze minutos

vence uma distância de 1250 metros.

Um círculo com êsse raio tem área

de 490 hectares, que na densidade de

população de "cidade-jardim" — 75 pes soas por hectare — pode conter 3o.750 pessoas.

20,76 por mil

15,93 por mil

Coeficiente de mortalidade.

Cidades jardins:

Inglaterra:

5,76 por mil 12,20 por mil

Essa população é justamente a que

comparado ao atrito interno das má

quinas, elemento nocivo e parasita. Planejar não é, pois, apenas questão de organização do espaço, ou zonéa-

Não é a limitação da população a única característica da cidade-jardim.

A definição oficial — e a magia do

nome é granderhente explorada — carac teriza bem o que se deve chamar ci dade-jardim. Essa definição, da "Garden Cities and

Towri Planning Association" é a seguin

te: "A garden-city is a town planned for industiy and healthy living; of a

possible a full measuresizeofthat socialmakes life, but not largar; surroun- j||

senvolvida, ambiente caracteristicamen-

the wiiole of the land being in public ownership or held in trust for the ^ j

que haja vida social perfeitamente de

te urbano, com todas as vantagens e estímulo da associação humana e sem metropolitano.

soas, coisas e energia, deve ser reduzi

25 por mil 66 por mil

corresponde ao mínimo necessário para

ma o lar em simples dormitório, o que é inconveniente sob todos os aspectos. A circulação, ou distribuição de pes

soas e bens.

o mundo não se refará tão cedo dos

três milhas por liora ou cêrca de cinco

os inconvenientes do congestionamento

Êsse custo de distribuição, nota acertadamente José Luiz Sert, pode ser

que é liberdade de movimento para pes

O módulo humano, em matéria de cir-

po", para o lugar de trabalho, transfor

uma quinta liberdade, tão necessária como as outras quatro bem conhecidas,

Rodgers na frase cotada como ementa

E, diz com acerto Levvis Mumford,

Cidades jardins:

Inglaterra:

cu ação, é a marcha a pe, na razão de

E essa referência

custo, porque é afinal improdutiva; e o dinheiro e tempo que neJa se gastas sem seriam melhor empregados na ele vação do "standard" da vida das po pulações.

destas notas, uma demanda universal por

A liumanização das cidades é o alvo visado.

Coeficiente de natalidade.

referir.

da ao mínimo em "espaço-tempo" e UÁ hoje, como bem acentua Cleveland

humano.

Coeficiente de mortalidade infantil.

ínaccessível, vale zero.

universal demand for a fifth freedcm: freedom of movement for

dos planos tem que ser o módulo

X Cidades jardins: Inglaterra:

circulação. A solução dêste problema é impossível por meio de medidas de sim

"The global was has created a

em geral.

mado da vida e do indivíduo, a medida

niza o cidadão.

accessibilidade e portanto do transporte. Um pedaço de chão, rural ou urbano,

çada por meio de um novo planejamento.

alguns e não para todos — era do pri

ou se humaniza a cidade ou se desuma-

cunstância que exclui uma consideração apropriada do problema' mcderno da ples correção (alargamento de ruas, res'trições ao tráfego) e só pode ser alcan

i.

natalidade, mortahdade e mortalidade infantil, com os da Inglaterra e Gales,

o campo locai, ou áreas urbanas, que nos vamos

abrange apenas o aspecto interno e não o

Na atual era biotécnica — atual para

comparar os respectivos coeficientes de

, , . j-

É a população da cidade-jardim. ou

o Hpo de urbanismo orgânico cuja ideia foi lançada por Ebenezer Hovyard, em 1898, num livro intitulado Jo-^orrow: a peaceful path for real reform e que foi republicado em 19^02, com o título "Garden Cities of To-morrow .

E há na- Inglaterra duas cidades,

Letchworth e Welwyn. construídas de acordo com os moldes de Hovvard. Letchworth foi fundada

população máxima de 32.000 tes, contando já hoje mais de 20.000, Welwyn data de 1920, contando hoje

ded bv a permanent belt of rural land; community".

É, pois, uma cidade com vida auto- * noma e quanto possível self-suficiente, J destinada à habitação e trabalho e não

simples subúrbio residencial; orgânica-

mente concebida e planejada desde o início; de população que possibilite vida social completa e não maior, e fixada entre 30 e 50.000 pessoas; envolvida por uma cinta verde rural permanente,

destinada a impedir o crescimento em

extensão, além dos limites determinados; ,

a terra sendo propriedade pública, o que

impede a especulação imobiliária e faz , com que o "unearned increment", em vez de ser canalizado para o bolso de


39

Digesto EcoNÓKnco

O Transporte Individual e Coletivo na Cidade Moderna

mento funcional, mas também organiza

cêrca de 10.000 habitantes, do máximo

ção de movimentos e deslocamentos

do 40.000 que poderá abrigar. Para se ter idéia de como tais cida

diários.

des são favoráveis à vida humana, basta O módulo humano

por Lmz dk Anhaia Melo Especial para o "Digesto Econômico'

E liberdade de movimen

to nos campos internacio

nal, nacional, regional e local.

É apenas a ôste último,

O congestionamento da circulação — observa o A. — causa milhares de aci

dentes, se está tornando cada vez mais perigoso para todos. As ruas atuais não apresentam nenhuma diferenciação em têrmos de suas possíveis funções, cir

externo

people and goods".

Cleveland Rodgers.

dos

movimentos locais.

O urbanismo cuida dos usos da terra

— "the right use to the right land" — e tais usos estão na dependência da

Êsses usos estão relacionados com as

funções da vida coletiva: habitar, tra balhar, recrear.

O transporte, ou a circulação geral,

é o elo que liga as funções vitais, per mitindo o exercício "equilibrado delas. Transporte excessivo em "espaço-tem-

Sem essa liberdade, plena e universal, estragos e misérias da última guerra total.

quilômetros. Uma caminhada de quinze minutos

vence uma distância de 1250 metros.

Um círculo com êsse raio tem área

de 490 hectares, que na densidade de

população de "cidade-jardim" — 75 pes soas por hectare — pode conter 3o.750 pessoas.

20,76 por mil

15,93 por mil

Coeficiente de mortalidade.

Cidades jardins:

Inglaterra:

5,76 por mil 12,20 por mil

Essa população é justamente a que

comparado ao atrito interno das má

quinas, elemento nocivo e parasita. Planejar não é, pois, apenas questão de organização do espaço, ou zonéa-

Não é a limitação da população a única característica da cidade-jardim.

A definição oficial — e a magia do

nome é granderhente explorada — carac teriza bem o que se deve chamar ci dade-jardim. Essa definição, da "Garden Cities and

Towri Planning Association" é a seguin

te: "A garden-city is a town planned for industiy and healthy living; of a

possible a full measuresizeofthat socialmakes life, but not largar; surroun- j||

senvolvida, ambiente caracteristicamen-

the wiiole of the land being in public ownership or held in trust for the ^ j

que haja vida social perfeitamente de

te urbano, com todas as vantagens e estímulo da associação humana e sem metropolitano.

soas, coisas e energia, deve ser reduzi

25 por mil 66 por mil

corresponde ao mínimo necessário para

ma o lar em simples dormitório, o que é inconveniente sob todos os aspectos. A circulação, ou distribuição de pes

soas e bens.

o mundo não se refará tão cedo dos

três milhas por liora ou cêrca de cinco

os inconvenientes do congestionamento

Êsse custo de distribuição, nota acertadamente José Luiz Sert, pode ser

que é liberdade de movimento para pes

O módulo humano, em matéria de cir-

po", para o lugar de trabalho, transfor

uma quinta liberdade, tão necessária como as outras quatro bem conhecidas,

Rodgers na frase cotada como ementa

E, diz com acerto Levvis Mumford,

Cidades jardins:

Inglaterra:

cu ação, é a marcha a pe, na razão de

E essa referência

custo, porque é afinal improdutiva; e o dinheiro e tempo que neJa se gastas sem seriam melhor empregados na ele vação do "standard" da vida das po pulações.

destas notas, uma demanda universal por

A liumanização das cidades é o alvo visado.

Coeficiente de natalidade.

referir.

da ao mínimo em "espaço-tempo" e UÁ hoje, como bem acentua Cleveland

humano.

Coeficiente de mortalidade infantil.

ínaccessível, vale zero.

universal demand for a fifth freedcm: freedom of movement for

dos planos tem que ser o módulo

X Cidades jardins: Inglaterra:

circulação. A solução dêste problema é impossível por meio de medidas de sim

"The global was has created a

em geral.

mado da vida e do indivíduo, a medida

niza o cidadão.

accessibilidade e portanto do transporte. Um pedaço de chão, rural ou urbano,

çada por meio de um novo planejamento.

alguns e não para todos — era do pri

ou se humaniza a cidade ou se desuma-

cunstância que exclui uma consideração apropriada do problema' mcderno da ples correção (alargamento de ruas, res'trições ao tráfego) e só pode ser alcan

i.

natalidade, mortahdade e mortalidade infantil, com os da Inglaterra e Gales,

o campo locai, ou áreas urbanas, que nos vamos

abrange apenas o aspecto interno e não o

Na atual era biotécnica — atual para

comparar os respectivos coeficientes de

, , . j-

É a população da cidade-jardim. ou

o Hpo de urbanismo orgânico cuja ideia foi lançada por Ebenezer Hovyard, em 1898, num livro intitulado Jo-^orrow: a peaceful path for real reform e que foi republicado em 19^02, com o título "Garden Cities of To-morrow .

E há na- Inglaterra duas cidades,

Letchworth e Welwyn. construídas de acordo com os moldes de Hovvard. Letchworth foi fundada

população máxima de 32.000 tes, contando já hoje mais de 20.000, Welwyn data de 1920, contando hoje

ded bv a permanent belt of rural land; community".

É, pois, uma cidade com vida auto- * noma e quanto possível self-suficiente, J destinada à habitação e trabalho e não

simples subúrbio residencial; orgânica-

mente concebida e planejada desde o início; de população que possibilite vida social completa e não maior, e fixada entre 30 e 50.000 pessoas; envolvida por uma cinta verde rural permanente,

destinada a impedir o crescimento em

extensão, além dos limites determinados; ,

a terra sendo propriedade pública, o que

impede a especulação imobiliária e faz , com que o "unearned increment", em vez de ser canalizado para o bolso de


40

Digesto Econômico Digesto Econômico

uns poucos felizardos, reverta para o bem geral. Nessas cidades orgânicas, o problema do transporte é de simples solução, pois se resolve com um quarto de hora de

poles industriais da era do capitalismo carbonífero, rendem quasl tão pouco quanto a marcha a pé.

A velocidade foi uma conquista inútil. O afIu.xo, para os centros congestio

saudável marcha a pé, da residência

nados das metrópoles industriais mo-

para o trabalho, sem necessidade de

nonucleadas, de veículos de uso parti

veículos de uso coletivo, e mesmo o de

cular e de veículos de transporte cole

uso pessoal é simples conforto è não

tivo, cria problemas de difícil so'ução.

necessidade.

Como conseqüência do aumento de pressão de uma periferia sempre cres

O dinheiro que deveria ser gasto em transporte coletivo — instalação e uso diário — é empregado na elevação do

cente — e a área varia com o quadrado

"standard" da vida urbana.

tros crescem em altura até atingir os

Êsse é o tipo ideal de organização das funções da vida urbana, pois que elimi

no que é o Empire State Building, em

na o atrito no funcionamento da má

Nova Iorque, com.85 andares, 318 me

quina coletiva.

Infelizmente, consti

tui ainda hoje exceção, porque os res-

do diâmetro — as edificações nos cen cumes vertiginosos do Himalaia urba

tros de altura e 63 elevadores para o transporte vertical.

É evidente que um sistema de ruas destinado a prédios de um ou dois pa vimentes e a uma circulação de algu-

mjis dezenas de veículos a tração animal, não pode servir a pré<^os de dezenas de andares e ao tráfego motorizado de dezenas de milhões de veículos de vá rias espécies.

E ainda há quem se admire do con gestionamento permanente dêsses cen

fonsáveis pelos destinos das massas uranas não abandonam a rotina, o que é

cômodo, nem olham para o futuro.

O congestionamento metropolitano

Nos grandes centros metropolitanos o problema do transporte urbano interno apresenta aspectos verdadeiramente trá gicos.

As distâncias, entre lugar de residên

cia e lugares de recreio e traballio, pas sam a ser enormes, e excessivo o tempo

gasto nesses percursos, e é este que conta.

A observação diária e generalizada mostra que os meios de transporte neotécnicos — automóveis, ônibus, bondes

— usando uma trama viária paleotécnica — as vielas mal traçadas das metró-

tros, e pretenda, ingenuamente, resolvê-

lo com apitos e semáforos e guardas nas

41

2.® — Relacionar or-

0 maior espaço viário

gânicamente, no espaço,

por passageiro trans portado. O espaço viário, em

as áreas funcionais de

residência, trabalho e recreio, por meio de zó-

pés quadrados, que uma pessoa ocupa, servindo-

neamento funcional e lo

cal, a fim de evitar a "fricção do espa ço". O atual sistema de zoneamento por

se dos diversos veículos em uso corrente

nas cidades, é o seguinte:

segregação é absurdo e anti-funcional.

TABELA 1

3." — Criar uma trama viária consti

tuída de supervias rápidas, radiais e

Lotação

ainhamentos, sem cruzamentos de ní

Double-deck

vel e isoladas dos setores, que servem,

motor bus Bonde

por faixas verdes de largura suficiente. A largura mínima dessas supervias deve

Single-deck

ser de 80 a 100 metros.

motor bus Bonde Automóvel Automóvel Automóvel

A não ser que se adotem as medi

das propostas, de ordem de planeja mento e funcional, tudo o que se em

preender no sentido apenas de melhora e aumento do equipamento de transpor te, será inútil e corresponderá à agravação do problema. Mais veículos coletivos em ruas já congestionadas, mais congestionamento,

100 100

•

3 4

50 58

5 7

5 4

22 28

2

56

.

A média de pessoas transportadas por automóvel de uso pessoal, nos Estados Unidos, é apenas ae 1,75 pessoas por carro.

e menos passageiros transportados.

São precisos, pois,

58 automóveis

para transportar 100 pessoas.

Parece paradoxal, mas é verdadeiro.

Um só

bonde transporta essa gente tôda.

esquinas.

Um problema dessa ordem só pode ser resolvido por meio de planejamento racional e não por medidas ingênuas e contraproducentes, ditadas por uma "psi cose de emergência", e que, afinal, de

Pés quadrados

Passageiros ocupados por passageiro

Veículo

perimetrais, destinadas, exclusivamente, à circulação rápida, sem edificações nos

O automóvel de uso particular

É interessante mencionar o número de

O automóvel de uso particular é o menos eficiente de todos os veículos de

transporte íntra-urbano. Ê o que ocupa

veículos, das diversas categorias, neces sários para transportar um determinado número de pessoas. É o seguinte:

nada valem.

É preciso: 1*° — Limitar, de maneira radica^ por

meio de legislação oportuna e inteligen

TABELA 2

Tipo de veículo

te, o crescimento das cidades, tanto ò

Passageiros 500

1.000

5.000

10.000

40.000

80.000

286 17 12 10

562

2.860

1Q7

5.620 334

22.860

34 23 19

227

910

45.700 2 667 1.820

185

740

1.480

10

40

80

crescimento em extensão ou horizontal —

pela criação de uma cinta verde rural —

Automóvel — 1,75 passag.

pomn o n crescimento or<3cm'mor>l-/-» vertical — rcduZÍndo como

Bus — 30 passageiros Eletrobus — 44 passageiros Bonde P.C.C. 54 passag.

drasticamente os gabaritos absurdos per

mitidos pelos regulamentos de zoneamen-

to hoje vigorante, a serviço exclusivo da mais revoltante exploração imobi liária.

'Trânsito Rápido.

114 93

1.340

Trem

do 10 carros — 100 passa geiros por carro


40

Digesto Econômico Digesto Econômico

uns poucos felizardos, reverta para o bem geral. Nessas cidades orgânicas, o problema do transporte é de simples solução, pois se resolve com um quarto de hora de

poles industriais da era do capitalismo carbonífero, rendem quasl tão pouco quanto a marcha a pé.

A velocidade foi uma conquista inútil. O afIu.xo, para os centros congestio

saudável marcha a pé, da residência

nados das metrópoles industriais mo-

para o trabalho, sem necessidade de

nonucleadas, de veículos de uso parti

veículos de uso coletivo, e mesmo o de

cular e de veículos de transporte cole

uso pessoal é simples conforto è não

tivo, cria problemas de difícil so'ução.

necessidade.

Como conseqüência do aumento de pressão de uma periferia sempre cres

O dinheiro que deveria ser gasto em transporte coletivo — instalação e uso diário — é empregado na elevação do

cente — e a área varia com o quadrado

"standard" da vida urbana.

tros crescem em altura até atingir os

Êsse é o tipo ideal de organização das funções da vida urbana, pois que elimi

no que é o Empire State Building, em

na o atrito no funcionamento da má

Nova Iorque, com.85 andares, 318 me

quina coletiva.

Infelizmente, consti

tui ainda hoje exceção, porque os res-

do diâmetro — as edificações nos cen cumes vertiginosos do Himalaia urba

tros de altura e 63 elevadores para o transporte vertical.

É evidente que um sistema de ruas destinado a prédios de um ou dois pa vimentes e a uma circulação de algu-

mjis dezenas de veículos a tração animal, não pode servir a pré<^os de dezenas de andares e ao tráfego motorizado de dezenas de milhões de veículos de vá rias espécies.

E ainda há quem se admire do con gestionamento permanente dêsses cen

fonsáveis pelos destinos das massas uranas não abandonam a rotina, o que é

cômodo, nem olham para o futuro.

O congestionamento metropolitano

Nos grandes centros metropolitanos o problema do transporte urbano interno apresenta aspectos verdadeiramente trá gicos.

As distâncias, entre lugar de residên

cia e lugares de recreio e traballio, pas sam a ser enormes, e excessivo o tempo

gasto nesses percursos, e é este que conta.

A observação diária e generalizada mostra que os meios de transporte neotécnicos — automóveis, ônibus, bondes

— usando uma trama viária paleotécnica — as vielas mal traçadas das metró-

tros, e pretenda, ingenuamente, resolvê-

lo com apitos e semáforos e guardas nas

41

2.® — Relacionar or-

0 maior espaço viário

gânicamente, no espaço,

por passageiro trans portado. O espaço viário, em

as áreas funcionais de

residência, trabalho e recreio, por meio de zó-

pés quadrados, que uma pessoa ocupa, servindo-

neamento funcional e lo

cal, a fim de evitar a "fricção do espa ço". O atual sistema de zoneamento por

se dos diversos veículos em uso corrente

nas cidades, é o seguinte:

segregação é absurdo e anti-funcional.

TABELA 1

3." — Criar uma trama viária consti

tuída de supervias rápidas, radiais e

Lotação

ainhamentos, sem cruzamentos de ní

Double-deck

vel e isoladas dos setores, que servem,

motor bus Bonde

por faixas verdes de largura suficiente. A largura mínima dessas supervias deve

Single-deck

ser de 80 a 100 metros.

motor bus Bonde Automóvel Automóvel Automóvel

A não ser que se adotem as medi

das propostas, de ordem de planeja mento e funcional, tudo o que se em

preender no sentido apenas de melhora e aumento do equipamento de transpor te, será inútil e corresponderá à agravação do problema. Mais veículos coletivos em ruas já congestionadas, mais congestionamento,

100 100

•

3 4

50 58

5 7

5 4

22 28

2

56

.

A média de pessoas transportadas por automóvel de uso pessoal, nos Estados Unidos, é apenas ae 1,75 pessoas por carro.

e menos passageiros transportados.

São precisos, pois,

58 automóveis

para transportar 100 pessoas.

Parece paradoxal, mas é verdadeiro.

Um só

bonde transporta essa gente tôda.

esquinas.

Um problema dessa ordem só pode ser resolvido por meio de planejamento racional e não por medidas ingênuas e contraproducentes, ditadas por uma "psi cose de emergência", e que, afinal, de

Pés quadrados

Passageiros ocupados por passageiro

Veículo

perimetrais, destinadas, exclusivamente, à circulação rápida, sem edificações nos

O automóvel de uso particular

É interessante mencionar o número de

O automóvel de uso particular é o menos eficiente de todos os veículos de

transporte íntra-urbano. Ê o que ocupa

veículos, das diversas categorias, neces sários para transportar um determinado número de pessoas. É o seguinte:

nada valem.

É preciso: 1*° — Limitar, de maneira radica^ por

meio de legislação oportuna e inteligen

TABELA 2

Tipo de veículo

te, o crescimento das cidades, tanto ò

Passageiros 500

1.000

5.000

10.000

40.000

80.000

286 17 12 10

562

2.860

1Q7

5.620 334

22.860

34 23 19

227

910

45.700 2 667 1.820

185

740

1.480

10

40

80

crescimento em extensão ou horizontal —

pela criação de uma cinta verde rural —

Automóvel — 1,75 passag.

pomn o n crescimento or<3cm'mor>l-/-» vertical — rcduZÍndo como

Bus — 30 passageiros Eletrobus — 44 passageiros Bonde P.C.C. 54 passag.

drasticamente os gabaritos absurdos per

mitidos pelos regulamentos de zoneamen-

to hoje vigorante, a serviço exclusivo da mais revoltante exploração imobi liária.

'Trânsito Rápido.

114 93

1.340

Trem

do 10 carros — 100 passa geiros por carro


43

Digesto Econômico Digesto Econó\«co

42

E note-se que os veículos de uso co

O veículo coletivo e seu ref^íme

letivo estão considerados com a carga

normal, passageiro sentado, sem suoe»*lotação.

Acrescente-se que os veícu'os coletivos não estacionam nas ruas, mas nos res

do o alfabeto vitamínico ao doente po

escritórios-.

bre, raquítico e desvitalizado, na saú de... e no bôlso.

escritórios exigiria outro do mesmo nú

Êsses "subways", que Muinford acer-

mero de andares para guarda dos auto

tadamente qualifica de "metropolitan

móveis, porque sendo de 140 pés qua

man-sewers", esgotos humanos, são ex pressão característica "do desperdício

drados a área média de um escritório,

são precisos 150 pés quadrados para

guarda de um automóvel. O menos que se pode pretender é

mana em

cionamento, e que custa em regra muito

intrínseco".

determinada taxa horária.

Estão em uso corrente, nas cidades* americanas, os medidores de estaciona

uma atividade "sem

niel Tumer, e podem ser resumidos

de população, foi de $263.668 por ano,

nos três tópicos a seguir:

tivo de superfície — bondes e ônibus —

Primeiro: — A finali

ou Cr| 5.273,000, com o uso de 3.560 medi

dade do transporte co

dores.

letivo não é lucro, mas

serviço.

Das considerações fei

ser afastado das ruas centrais é o auto móvel de uso pessoal e nunca o veículo coletivo".

O que visa o urbanismo é "o maior bem do maior número" e não a maior comodidade dos mais ricos e influentes.

O lucro é in

direto. Ê problema so cial e não negócio,

tas se conclui, sem pos nos casos de congestionamento agudo dos centros urbanos "o veículo que deve

ções sucessivas, não se adaptam aos re

decer um sistema de transporte cole foram fixados há muito tempo por Da

contestação, que

ção animal. Porisso, mau grado altera

Os princípios básicos a que deve obe

vel, por uma cidade americana de gran

sível

rança de eras passadas, e foram traçadas para uso de pedestres e veículos de tra

vida humana.

1

dos serviços, "a operação deve ser pri vada, absolutamente apolítica". Terceiro: — A fim de que ò público

tenha o melhor serviço pelo menor pre-

dimensões racionais.

As velocidades dependèm da função da rua e da natureza dos veículos cir culantes. Essas velocidades são tam

bém fatores de classificação, determi

nando os dispositivos dâs avenidas de circulação rápida ou lenta, e as diferen ciando das ruas tributárias ou secun dárias.

Uma rede geral de vias deve prever do, necessariamente, as vias dos veículos.

A falta de espaço nas ruas, e a Se qüência dos cruzamentos, tomam muteis as novas possibilidades de locomoção. O congestiopanfento da cinculação, causa de milhares de acidentes, esta-se tornando cada vez mais perigoso para

todos.

As ruas atuais não apresentam

A solução dêste problema e impossível

Segundo: — A fim de evitar os incon

de transporte, o que exige estatísticas e inquéritos precisos, a fim de se fixarem

volume da circulação atual. A largura insuficiente das ruas e cau sa de congestionamento.

venção política pode causar à operação

sistema".

É necessário traçar um novo sistema

caminhos para pedestres, destinados à

venientes, de tôda ordem, que a interr

do

mentalmente as condições de vida nas

quisitos dos veículos modernos, nem ao

nenhuma diferenciação em termos de suas possíveis funções, circunstancias que exclui uma consideração apropriada do problema moderno da circulação.

"Impõe-se a propriedade pública

da a estrutura, urbana e afetou funda

de ruas, adequadas aos meios modernos

Os sistemas de ruas, da maior^,parte das cidades e seus subúrbios, são he-

rização dos terrenos e degradação da

tes conhecidas, abalou violentamente tô

vância, mormente no momento atual de

Transportes

É um paliativo mecânico para a valo

ciso considerar que o uso universal do transporte motorizado, de velocidades an

cidades.

sa civilização mecânica.

valor

mento ou "parking-meters". A média arrecadada, nos últimos cin co anos de restrição de uso do automó

Para solucionar os problemas mais

Vamos transcrevê-los para encerrar es tas notas sobre assunto de tanta

retomada de atividades úteis, no após.guerra, e de reforma das obsoletas aglo merações humanas características da nos

organizado" que as metrópoles represen tam, pois constituem gasto enorme de tempo, energia, dinheiro e vitalidade hu

que a área ocupada nas ruas para esta caro à coletividade, seja paga a uma

A carta do urbanismo, aprovada no

quarto congresso, C.I.A.M., de Ate nas, em 1933, estabeleceu uma série de preceitos relativos aos problemas de circulação e transporte lubanos.

Prometer para metropolitas que tais, um sistema de trânsito rápido, é brin

um edifício da mesma área que o dos

Atenas, 1933.

importantes do transporte urbano é pre

impossível.

guardar em garage, essa garage seria

fego) e só pode ser alcançada por meio

tuação da circulação. A carta do urbanismo.

depauperados, é problema de solução

cadeira de mau gosto. Eqüivale a receitar leite, frutas e to

Cada arranha-céu de 20 andarçs de

dade nenhuma.

subterrâneo em cidades de baixo "stan

dard" de vida, de fraco poder aquisi

de um novo planejamento. Um tipo conhecido de urbanismo aca dêmico, concebido na "grande maneira" e objetivando principalmente efeitos mo numentais, complica muitas vezes a si

nico é banal, não apresentando dificul

Construir linhas de trânsito rápido

tivo das populações e de cofres públicos

sistema.

damentais, a solução do problema téc

bus, bondes e trens de trânsito rápido.

pectivos depósitos; ao contrário do au

(alargamento de ruas, restrições ao trá

Obedecidas estas normas gerais fun

Os veículos de uso co'ctlvo são ôni

tomóvel particular, que transforma as ruas em garages, impedindo a livre cir culação e agravando o congestionamento. Se todos os que trabalham nos centros urbanos usassem o seu automóvel para condução pessoal, e tivessem que o

ço, impõe-se o monopólio, a coordenação e a integração dos diversos elementos do

por meio de medidas de simples correção

conveniência dêstes e não acompanhan As ruas devem ser classificadas de

acordo com as respectivas funções de residência, negócio, indústria e outras. Todos os edifícios, e em maneira es

pecial as habitações, devem ser isolados

da circulação densa, por meio de cortinas verdes.

Resolvidas estas dificuldades, a nova

rêde viária permitirá outras simplifica ções; e por meio de uma organização efi ciente e coordenação racional dos ele mentos urbanos, a circulação pode ser reduzida, ordenada e concentrada nas grandes artérias".


43

Digesto Econômico Digesto Econó\«co

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E note-se que os veículos de uso co

O veículo coletivo e seu ref^íme

letivo estão considerados com a carga

normal, passageiro sentado, sem suoe»*lotação.

Acrescente-se que os veícu'os coletivos não estacionam nas ruas, mas nos res

do o alfabeto vitamínico ao doente po

escritórios-.

bre, raquítico e desvitalizado, na saú de... e no bôlso.

escritórios exigiria outro do mesmo nú

Êsses "subways", que Muinford acer-

mero de andares para guarda dos auto

tadamente qualifica de "metropolitan

móveis, porque sendo de 140 pés qua

man-sewers", esgotos humanos, são ex pressão característica "do desperdício

drados a área média de um escritório,

são precisos 150 pés quadrados para

guarda de um automóvel. O menos que se pode pretender é

mana em

cionamento, e que custa em regra muito

intrínseco".

determinada taxa horária.

Estão em uso corrente, nas cidades* americanas, os medidores de estaciona

uma atividade "sem

niel Tumer, e podem ser resumidos

de população, foi de $263.668 por ano,

nos três tópicos a seguir:

tivo de superfície — bondes e ônibus —

Primeiro: — A finali

ou Cr| 5.273,000, com o uso de 3.560 medi

dade do transporte co

dores.

letivo não é lucro, mas

serviço.

Das considerações fei

ser afastado das ruas centrais é o auto móvel de uso pessoal e nunca o veículo coletivo".

O que visa o urbanismo é "o maior bem do maior número" e não a maior comodidade dos mais ricos e influentes.

O lucro é in

direto. Ê problema so cial e não negócio,

tas se conclui, sem pos nos casos de congestionamento agudo dos centros urbanos "o veículo que deve

ções sucessivas, não se adaptam aos re

decer um sistema de transporte cole foram fixados há muito tempo por Da

contestação, que

ção animal. Porisso, mau grado altera

Os princípios básicos a que deve obe

vel, por uma cidade americana de gran

sível

rança de eras passadas, e foram traçadas para uso de pedestres e veículos de tra

vida humana.

1

dos serviços, "a operação deve ser pri vada, absolutamente apolítica". Terceiro: — A fim de que ò público

tenha o melhor serviço pelo menor pre-

dimensões racionais.

As velocidades dependèm da função da rua e da natureza dos veículos cir culantes. Essas velocidades são tam

bém fatores de classificação, determi

nando os dispositivos dâs avenidas de circulação rápida ou lenta, e as diferen ciando das ruas tributárias ou secun dárias.

Uma rede geral de vias deve prever do, necessariamente, as vias dos veículos.

A falta de espaço nas ruas, e a Se qüência dos cruzamentos, tomam muteis as novas possibilidades de locomoção. O congestiopanfento da cinculação, causa de milhares de acidentes, esta-se tornando cada vez mais perigoso para

todos.

As ruas atuais não apresentam

A solução dêste problema e impossível

Segundo: — A fim de evitar os incon

de transporte, o que exige estatísticas e inquéritos precisos, a fim de se fixarem

volume da circulação atual. A largura insuficiente das ruas e cau sa de congestionamento.

venção política pode causar à operação

sistema".

É necessário traçar um novo sistema

caminhos para pedestres, destinados à

venientes, de tôda ordem, que a interr

do

mentalmente as condições de vida nas

quisitos dos veículos modernos, nem ao

nenhuma diferenciação em termos de suas possíveis funções, circunstancias que exclui uma consideração apropriada do problema moderno da circulação.

"Impõe-se a propriedade pública

da a estrutura, urbana e afetou funda

de ruas, adequadas aos meios modernos

Os sistemas de ruas, da maior^,parte das cidades e seus subúrbios, são he-

rização dos terrenos e degradação da

tes conhecidas, abalou violentamente tô

vância, mormente no momento atual de

Transportes

É um paliativo mecânico para a valo

ciso considerar que o uso universal do transporte motorizado, de velocidades an

cidades.

sa civilização mecânica.

valor

mento ou "parking-meters". A média arrecadada, nos últimos cin co anos de restrição de uso do automó

Para solucionar os problemas mais

Vamos transcrevê-los para encerrar es tas notas sobre assunto de tanta

retomada de atividades úteis, no após.guerra, e de reforma das obsoletas aglo merações humanas características da nos

organizado" que as metrópoles represen tam, pois constituem gasto enorme de tempo, energia, dinheiro e vitalidade hu

que a área ocupada nas ruas para esta caro à coletividade, seja paga a uma

A carta do urbanismo, aprovada no

quarto congresso, C.I.A.M., de Ate nas, em 1933, estabeleceu uma série de preceitos relativos aos problemas de circulação e transporte lubanos.

Prometer para metropolitas que tais, um sistema de trânsito rápido, é brin

um edifício da mesma área que o dos

Atenas, 1933.

importantes do transporte urbano é pre

impossível.

guardar em garage, essa garage seria

fego) e só pode ser alcançada por meio

tuação da circulação. A carta do urbanismo.

depauperados, é problema de solução

cadeira de mau gosto. Eqüivale a receitar leite, frutas e to

Cada arranha-céu de 20 andarçs de

dade nenhuma.

subterrâneo em cidades de baixo "stan

dard" de vida, de fraco poder aquisi

de um novo planejamento. Um tipo conhecido de urbanismo aca dêmico, concebido na "grande maneira" e objetivando principalmente efeitos mo numentais, complica muitas vezes a si

nico é banal, não apresentando dificul

Construir linhas de trânsito rápido

tivo das populações e de cofres públicos

sistema.

damentais, a solução do problema téc

bus, bondes e trens de trânsito rápido.

pectivos depósitos; ao contrário do au

(alargamento de ruas, restrições ao trá

Obedecidas estas normas gerais fun

Os veículos de uso co'ctlvo são ôni

tomóvel particular, que transforma as ruas em garages, impedindo a livre cir culação e agravando o congestionamento. Se todos os que trabalham nos centros urbanos usassem o seu automóvel para condução pessoal, e tivessem que o

ço, impõe-se o monopólio, a coordenação e a integração dos diversos elementos do

por meio de medidas de simples correção

conveniência dêstes e não acompanhan As ruas devem ser classificadas de

acordo com as respectivas funções de residência, negócio, indústria e outras. Todos os edifícios, e em maneira es

pecial as habitações, devem ser isolados

da circulação densa, por meio de cortinas verdes.

Resolvidas estas dificuldades, a nova

rêde viária permitirá outras simplifica ções; e por meio de uma organização efi ciente e coordenação racional dos ele mentos urbanos, a circulação pode ser reduzida, ordenada e concentrada nas grandes artérias".


45

Dicesto Econômico

da arrancada algodoeira de 1930 a 1940. A liberação de milhares de braços das lavouras de café, os quais perambula-

vam pelas estradas do interior nos dias negros de 1930 a 1931, sem fontes compensadoras de trabalho, a incapacidade da indústria localizada nos grandes cen tros urbanos de absorver essa massa de

por Gabib.vldi Dantas

egressos da lavoura, a ausência de ou tras fontes de exploração rural remuneradoras, tudo isso aliado ao fato de que começava o mundo a sentir falta de matéria prima adequada iiara os seus teares, em vista do programa de redu ção de colheitas iniciado nos Estados-

Especial paiÍa o "Digesto Econômico" As crises do café e a expansão al^odoeira de São Paulo

^ algodão em São Paulo, na sua fase presente de colheitas avolumadas e impressionante dinamismo comercial, é em grande parte fruto da crise cafeeira

de 1929. Até então, limitava-se a exploraçao da malvácea a regiões do Estado de São Paulo onde, por condições es peciais de clima e solos, o cafeeiro não medrava saüsfatòriamente. Até antes de

1929, a zona típica do algodão paulista era a chamada Baixa Sorocabana, zona

alias, menos propícia à sua exploração do que muitas outras mais distanciadas pelo hinterland", devido a questões de altitude, de extremas variações de tem peratura e até de excesso de precipita

ções pluviométricas. Antes da grande crise cafeeira de 1929, quando o princi

pal produto da economia rural de São

Paulo se esboroou diante do peso de milhões e milhões de sacas em super

ra cafeeira não era compensadora. Plan tava-se, pois, algodão, quando não era possível tratar de café. Chegou-se mes mo, em 1912, quando aqui esteve uma missão de técnicos inglôses, a receber

doeira. Apenas em 1918 chegou o al godão a alcançar certa proeminência

devido exclusivamente à geada que des truiu milhões de cafeeiros. Para suprir a falta das safras de café, plantou-se al godão no meio das lavouras tostadas pelo flagelo climatérico. Chegou então a produção a alcançar níveis animadores. Fora disso, o algodão vegetava, nas lo calidades da Ba xa Sorocabana, nas ter ras já bem exploradas e quase cansadas situadas em redor de Campinas e em outros pontos do Estado, onde a lavou

tuto Agronômico de Campinas orien tavam seus estudos e trabalhos para

a seleção de tipos de maior compri mento de fibras. Foi êsse o ponto de partida decisivo da seleção dos algodões locais.

Com base em experimentações

pacientes, foi possível selecionar de de

zenas de variedades algodoeiras que até então medravam em São Paulo na mais

completa mestiçagem algumas linhagens, cuja propagação se processou cienmicamente, seguindo as normas clássicas da seleção moderna, a ponto de se po

Unidos, deu bases interessantes ao ini

der oferecer à lavoura, quando se ini

com relativa hostilidade a idéia de fo

cio da campanha algodoeira de São

mentar-se a expansão dessa cultura, com

Paulo.

sementes boas, de qualidade comprova

receio de que pudesse roubar os braços

A técnica a serviço da economia agncola

dominantes.

do café. A sua exploração, em escala

Coincidia ainda com essa iiova fase

maior do que se vinha tentando, po

da "produção algodoeira de São Paulo

deria ser considerada uma atividade in-

o trabalho experimental pacientemente

trusa, na frase famosa de um dirigente da época. A crise do café de 1929, com o avil tamento incrível dos preços, com o des

levantado nos meios técnit;os paulistas, tm'.

mantelamento da extraordinária organi zação,rural paulista, com a coincidência

da depressão mundial que impedia qual quer surto industrial capaz de absorver

especialmente no Instituto Agronômico de Campinas, no que dizia respeito a seleção e adaptação de no" 's variedades e à introdução, no setor i oniercial, de métodos modernos de padronização^ e classificação das fibras de que se in cumbiu a Bôlsa de Mercadorias.

o excesso de braços desmobilizados das

Até havia algum tempo, a qualidade do algodão de São Paulo muito deixava a desejar, pois a diminuição progres

fazendas de café arruinadas, tudo isso

foi o ponto de partida, o marco inicial

siva do comprimento comercial dai

produção, raros foram os períodos de

expansão e relativa prosperidade algo-

Baseando-se nessa observação doa meios comerciais, os técnicos do Insti

LI

bibliografia será publicada no trabalho imediato, a ser inserto no próximo nú

produto inferior, a tal ponto que as

próprias fábricas locais nai) p podiam

mero do "Digesio Econômico", o A.

lembra que de qualquer maneira, com anos favoráveis ou desfavoráveis, o fato

é que o algodão em São Paulo consti tui a mais dinâmica realização agrícola dos últimos vinte anos, que, tem sido objeto das mais entusiásticas referências

e a que tem justificado, no campo inter nacional, as mais agressivas atitudes por parte de nações julgadas prejudicadas por êsse expansionismo.

fibras e o abastardament • de outros

caractefrísticos especiais t ansformaram os algodões paulistas em sinônimo de

N' o seu segundo artigo desta série, cuja

3*.

utilizar, senão em condições precárias, e ainda assim para fios e tecidos gros seiros. Ô suprimento industrial paulis ta, para as confecções melhores, vinha obrigatòriamente de fora. O comprimento comercial das fibras paulistas chegou a cair, em alguns anos de 1922 a 1926, abaixo de 20 milí metros, comparando-se ass m aos tipos inferiores da índia.

ciou o no\'o surto do algodão em 1930

da, muito superiores às até então pre Com sementes excelentes, cuidadosa

mente selecionadas, e em quantidades suficientes para atender à procura então

reduzida, foi possível instituir-^e em São Paulo uma organização de distri buição só comparável, em sua eficiên

cia, à que os inglêses já vinham fazen do, no vale do Nilo, para manter as qualidades dos seus famosos algodõesde fibra longa, ou produzir novas linha gens destinadas a substituir as que por ventura se degenerassem, no processo

normal da vida das fibras especiais.

A obrigatoriedade instituída pelo govêmo de São Paulo do plantio do algo dão com sementes oficiais só foi possí

vel, por essas duas condições básicas: em primeiro lugar, porque já havia boas

sementes e em segundo porque as sa fras correntes em 1930 eram de vo lume reduzido, podendo a procura ser atendida satisfatòriamente, com as se

mentes novas, selecionadas ^ com profi ciência no Instituto Agronômico de Cam

pinas e aumentadas nos chamados Cam

pos de Cooperação.

Enquanto os meios científicos reali zavam o que alguns chegaram a chamar o "milagre do algodão", transformando

a qualidade dos tipos produzidos em


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Dicesto Econômico

da arrancada algodoeira de 1930 a 1940. A liberação de milhares de braços das lavouras de café, os quais perambula-

vam pelas estradas do interior nos dias negros de 1930 a 1931, sem fontes compensadoras de trabalho, a incapacidade da indústria localizada nos grandes cen tros urbanos de absorver essa massa de

por Gabib.vldi Dantas

egressos da lavoura, a ausência de ou tras fontes de exploração rural remuneradoras, tudo isso aliado ao fato de que começava o mundo a sentir falta de matéria prima adequada iiara os seus teares, em vista do programa de redu ção de colheitas iniciado nos Estados-

Especial paiÍa o "Digesto Econômico" As crises do café e a expansão al^odoeira de São Paulo

^ algodão em São Paulo, na sua fase presente de colheitas avolumadas e impressionante dinamismo comercial, é em grande parte fruto da crise cafeeira

de 1929. Até então, limitava-se a exploraçao da malvácea a regiões do Estado de São Paulo onde, por condições es peciais de clima e solos, o cafeeiro não medrava saüsfatòriamente. Até antes de

1929, a zona típica do algodão paulista era a chamada Baixa Sorocabana, zona

alias, menos propícia à sua exploração do que muitas outras mais distanciadas pelo hinterland", devido a questões de altitude, de extremas variações de tem peratura e até de excesso de precipita

ções pluviométricas. Antes da grande crise cafeeira de 1929, quando o princi

pal produto da economia rural de São

Paulo se esboroou diante do peso de milhões e milhões de sacas em super

ra cafeeira não era compensadora. Plan tava-se, pois, algodão, quando não era possível tratar de café. Chegou-se mes mo, em 1912, quando aqui esteve uma missão de técnicos inglôses, a receber

doeira. Apenas em 1918 chegou o al godão a alcançar certa proeminência

devido exclusivamente à geada que des truiu milhões de cafeeiros. Para suprir a falta das safras de café, plantou-se al godão no meio das lavouras tostadas pelo flagelo climatérico. Chegou então a produção a alcançar níveis animadores. Fora disso, o algodão vegetava, nas lo calidades da Ba xa Sorocabana, nas ter ras já bem exploradas e quase cansadas situadas em redor de Campinas e em outros pontos do Estado, onde a lavou

tuto Agronômico de Campinas orien tavam seus estudos e trabalhos para

a seleção de tipos de maior compri mento de fibras. Foi êsse o ponto de partida decisivo da seleção dos algodões locais.

Com base em experimentações

pacientes, foi possível selecionar de de

zenas de variedades algodoeiras que até então medravam em São Paulo na mais

completa mestiçagem algumas linhagens, cuja propagação se processou cienmicamente, seguindo as normas clássicas da seleção moderna, a ponto de se po

Unidos, deu bases interessantes ao ini

der oferecer à lavoura, quando se ini

com relativa hostilidade a idéia de fo

cio da campanha algodoeira de São

mentar-se a expansão dessa cultura, com

Paulo.

sementes boas, de qualidade comprova

receio de que pudesse roubar os braços

A técnica a serviço da economia agncola

dominantes.

do café. A sua exploração, em escala

Coincidia ainda com essa iiova fase

maior do que se vinha tentando, po

da "produção algodoeira de São Paulo

deria ser considerada uma atividade in-

o trabalho experimental pacientemente

trusa, na frase famosa de um dirigente da época. A crise do café de 1929, com o avil tamento incrível dos preços, com o des

levantado nos meios técnit;os paulistas, tm'.

mantelamento da extraordinária organi zação,rural paulista, com a coincidência

da depressão mundial que impedia qual quer surto industrial capaz de absorver

especialmente no Instituto Agronômico de Campinas, no que dizia respeito a seleção e adaptação de no" 's variedades e à introdução, no setor i oniercial, de métodos modernos de padronização^ e classificação das fibras de que se in cumbiu a Bôlsa de Mercadorias.

o excesso de braços desmobilizados das

Até havia algum tempo, a qualidade do algodão de São Paulo muito deixava a desejar, pois a diminuição progres

fazendas de café arruinadas, tudo isso

foi o ponto de partida, o marco inicial

siva do comprimento comercial dai

produção, raros foram os períodos de

expansão e relativa prosperidade algo-

Baseando-se nessa observação doa meios comerciais, os técnicos do Insti

LI

bibliografia será publicada no trabalho imediato, a ser inserto no próximo nú

produto inferior, a tal ponto que as

próprias fábricas locais nai) p podiam

mero do "Digesio Econômico", o A.

lembra que de qualquer maneira, com anos favoráveis ou desfavoráveis, o fato

é que o algodão em São Paulo consti tui a mais dinâmica realização agrícola dos últimos vinte anos, que, tem sido objeto das mais entusiásticas referências

e a que tem justificado, no campo inter nacional, as mais agressivas atitudes por parte de nações julgadas prejudicadas por êsse expansionismo.

fibras e o abastardament • de outros

caractefrísticos especiais t ansformaram os algodões paulistas em sinônimo de

N' o seu segundo artigo desta série, cuja

3*.

utilizar, senão em condições precárias, e ainda assim para fios e tecidos gros seiros. Ô suprimento industrial paulis ta, para as confecções melhores, vinha obrigatòriamente de fora. O comprimento comercial das fibras paulistas chegou a cair, em alguns anos de 1922 a 1926, abaixo de 20 milí metros, comparando-se ass m aos tipos inferiores da índia.

ciou o no\'o surto do algodão em 1930

da, muito superiores às até então pre Com sementes excelentes, cuidadosa

mente selecionadas, e em quantidades suficientes para atender à procura então

reduzida, foi possível instituir-^e em São Paulo uma organização de distri buição só comparável, em sua eficiên

cia, à que os inglêses já vinham fazen do, no vale do Nilo, para manter as qualidades dos seus famosos algodõesde fibra longa, ou produzir novas linha gens destinadas a substituir as que por ventura se degenerassem, no processo

normal da vida das fibras especiais.

A obrigatoriedade instituída pelo govêmo de São Paulo do plantio do algo dão com sementes oficiais só foi possí

vel, por essas duas condições básicas: em primeiro lugar, porque já havia boas

sementes e em segundo porque as sa fras correntes em 1930 eram de vo lume reduzido, podendo a procura ser atendida satisfatòriamente, com as se

mentes novas, selecionadas ^ com profi ciência no Instituto Agronômico de Cam

pinas e aumentadas nos chamados Cam

pos de Cooperação.

Enquanto os meios científicos reali zavam o que alguns chegaram a chamar o "milagre do algodão", transformando

a qualidade dos tipos produzidos em


46

Digesto Econômico 47

Digesto Económicp São Paulo, no setor comercial se inicia va a classificação sob bases modernas,

dispensada pelo governo dos Estados-

com técnicos trazidos da Inglaterra, os

portação, teria de atuar ao menos como

quais formaram escola e deixaram se

incentivo à expansão de outras zonas produtoras, entre as quais se incluía o

guidores, a ponto de ser esse serviço considerado por observadores norte-americanós como modelar e digno de ser imitado, nos Estados-Unidos.

Os resultados desses esforços foram quase imediatos.

De fato "em 1924,

Estado de São Paulo. Se não foi a razão ou a causa decisiva dêsse surto

algodoeiro, deu-lhe, porém, elementos de vida, auxiliou-lhe a propaganda, justifi cou-lhe o interesse geral.

Não era a

dos algodões classificados pela Bôlsa de Mercadorias de São Paulo, 43 por cento

defesa do algodão norte-americano, o "guarda-chuva providencial", que aco

eram de fibra de 22 milímetros de com

bertava a todos, imagem muito sovada

primento, 46 de 22 a 24, e, finalmente, apenas 11 por cento entre 24 e 26. Em

1934, o quadro era o seguinte: apenas 0,20 por cento de fibras entre 26 a 28

milmetros, 99,71 por cento de 28 a 30 milímetros e 0,09 por cento de fibras acima de 30 milímetros".

Um resul

tado dessa ordem bem merecia ser cha

mado de verdadeira revolução técnica, pois modificara radicalmente a qualidade media dos algodões de São Paulo, trans

formando-os de qualidade inferior para padrões especiais, altamente procurados nos centros consumidores do mundo.

A defesa do algodão nos .Estados-Unidos e a expan~ são da produção de S. Paulo Não se pode corcordar

com os técnicos norte-americanos em què a expansão do algodão de São Paulo é

fruto da defesa de preços assumida pelo

governo dos Estados-Unidos, de 1930 em diante, pois o ímpeto da expansão, a força real, a mola vital desse movi

mento foi, sem contestação, a crise cafeeira, a possibilidade de utilizar os bra

ços desmobilizados das lides da princi pal fonte de atividade rural paulista, a falta de outras formas de trabalho or

ganizado em larga escala, a própria coincidência da depressão mundial que impediu qualquer surto industrial ur

L

Unidos à sua principal lavoura de e.x-

bano capaz de absorver os braços saídos

das lavouras de café. Não resta, porém, dúvida de que a garantia de preços

e usada pelos técnicos do grande país amigo, mas certamente um motivo real de estímulo.

Se o governo dos Estados-Unidos jul gava necessário defender os preços in ternos do algodão a níveis elevados, por que abaixo dêles os seus agricultores es tavam condenados à ruina, mas se a es

sas cotações São Paulo podia plantar

algodão ganhando dinheiro, é que as nossas condições eram mais favoráveis do que as da famosa "cottonbelt" norte-americana.

Assim como nos primórdios de sua

lavoura algodoeira, no último quartel do século XVIII, foi o preço alto do algo dão brasileiro, então o artigo de maior

prestígio e volume no comércio inter nacional, que justificou a primeira ta rifa protecionista dos Estados-Unidos, para salvaguarda dos seus agricultores

em, 1930, o amparo dispensado por aquêle país aos seus lavradores auxiliou também a expansão de outras regiões, máxime daquelas onde se pôde começar de baixo, com alicerces firmes, cientifi camente elaborados e cuidadosamente delineados.

A organização algodoeira de São Paulo resultado da união entre as atividades

particulares e os poderes públicos Quando os meios científicos e as en tidades oficiais incumbidas de atender

à expansão algodoeira de São Paulo "im-

puseram" práticas e normas que os paí ses democráticos julgaram "autoritárias", como a obrigatoriedade do plantio de sementes oficiais, a classificação compul

sória dos algodões, a fiscalização rígida dos descaroçadores, o termo não se ajus tava realmente à realidade. Houve, de

fato, essa obrigatoriedade, mas a sua

aceitação se fez mais voluntariamente do que compulsòriamente, porque^ os particulares julgaram então necessária,

tjenéfica, útil, essa intromissão do poder público no campo econômico. Não se

outras partes do país, tradicionalmente

algodoeiras, onde não foi possível jogar

fora a herança do passado, não houve dessa data até agora progresso, mas só retrocesso, do ponto-de-vista da quanti dade e até da qualidade das safras. É mais fácil criar uma organização

nova, com aparelhagem moderna, n^ todos mais -científicos e eficientes, do que aproveitar inventários obsoletos e ineficientes, sob a justificativa de eco nomia e desculpa de que não se dis põem de suficientes capitais para unia

plantavam sementes do governo, porque

transformação radical.

res lhe percebiam as vantagens especiais,

de geração espontânea o ter São Paulo

a lei o obrigava, mas porque os lavrado na produção avolumada.

A união das atividades particulares

com os poderes públicos, a perfeita com preensão das vantagens reciprocas entre

Não é, pois, obra de milhares, nem

invertido completamente, em duas déca das, o eixo econômico do algodão, cen-

tuplicando suas safras de 1930 a 1944,

enquanto regiões antes mais importon-

o quase dirigismo oficial e o princípio da iniciativa particular, tudo isso per

tes, do ponto-de-vista da produção his tórica, mal conseguiam manter os níveis

mitiu em São Paulo uma organização

quedas pronunciadas de colheitas.

econômica inteiramente nova. Não hou

anteriores e, em aí^ns casos, registavam

De fato, em 1934, da produção algo ve assim, a rigor, nem transformação, doeira nacional, 60 por cento provi nem renovação da economia algodoeira' nham da região setentrional, enquanto 40 de São Paulo de 1930 em diante. Hou por cento saíam da meridional, na qual ve realmente criação inteiramente nova de um setor econômico, altamente com

predominava São Paulo. Em 1944, e

plexo, que ia desde o trato das terras

uma colheita nacional dada como sendo

em bases modernas, até os processos

contribuía São Paulo com 483.000, ou

novos de comércio, classificação; benefi-

ciamento, padronagem e enfardamento. Do caos que antes caracterizava a or

ganização algodoeira de São Paulo emer giu coisa completamente diversa, uma

criação especiaí modemissima, apanhan do o que de mais eficiente havia em tôda a parte. Foi ossti

ríizão básica do êxito da

expansão algodoeira de São Paulo de 1930 em diante. Nem renovação, nem transfor

mação, mas criação completamente nova. E tanto é isso verdade, tanto é exato

que São Paulo conseguiu j:hegar a ser a região de maior expansão algodoeira do mundo nas duas ultimas décadas, por ter criado condições e valores com pletamente novos e não adaptado sim plesmente o que já existia, é que em

pouco superior a 587.000 to^ladas, quase 80 por cento. Ciclos de anos chu vosos e ciclos de anos secos

A técnica não faz

milagres. Em produ ção agrícola ainda o tempo é o fator dec sivo. De 1930 em diante, a caracte

rística termo-pluviométrica pauhsta pa rece ter-se modificado.

Em lugM de

anos com pesadas precipitações^ pluvio-

métricas, o "habitat" por excelencia da lavoura cafeeira, São Paulo transformou-

se em região de prolongadas estiagens. De 1925 a 1930, por exemplo, a media


46

Digesto Econômico 47

Digesto Económicp São Paulo, no setor comercial se inicia va a classificação sob bases modernas,

dispensada pelo governo dos Estados-

com técnicos trazidos da Inglaterra, os

portação, teria de atuar ao menos como

quais formaram escola e deixaram se

incentivo à expansão de outras zonas produtoras, entre as quais se incluía o

guidores, a ponto de ser esse serviço considerado por observadores norte-americanós como modelar e digno de ser imitado, nos Estados-Unidos.

Os resultados desses esforços foram quase imediatos.

De fato "em 1924,

Estado de São Paulo. Se não foi a razão ou a causa decisiva dêsse surto

algodoeiro, deu-lhe, porém, elementos de vida, auxiliou-lhe a propaganda, justifi cou-lhe o interesse geral.

Não era a

dos algodões classificados pela Bôlsa de Mercadorias de São Paulo, 43 por cento

defesa do algodão norte-americano, o "guarda-chuva providencial", que aco

eram de fibra de 22 milímetros de com

bertava a todos, imagem muito sovada

primento, 46 de 22 a 24, e, finalmente, apenas 11 por cento entre 24 e 26. Em

1934, o quadro era o seguinte: apenas 0,20 por cento de fibras entre 26 a 28

milmetros, 99,71 por cento de 28 a 30 milímetros e 0,09 por cento de fibras acima de 30 milímetros".

Um resul

tado dessa ordem bem merecia ser cha

mado de verdadeira revolução técnica, pois modificara radicalmente a qualidade media dos algodões de São Paulo, trans

formando-os de qualidade inferior para padrões especiais, altamente procurados nos centros consumidores do mundo.

A defesa do algodão nos .Estados-Unidos e a expan~ são da produção de S. Paulo Não se pode corcordar

com os técnicos norte-americanos em què a expansão do algodão de São Paulo é

fruto da defesa de preços assumida pelo

governo dos Estados-Unidos, de 1930 em diante, pois o ímpeto da expansão, a força real, a mola vital desse movi

mento foi, sem contestação, a crise cafeeira, a possibilidade de utilizar os bra

ços desmobilizados das lides da princi pal fonte de atividade rural paulista, a falta de outras formas de trabalho or

ganizado em larga escala, a própria coincidência da depressão mundial que impediu qualquer surto industrial ur

L

Unidos à sua principal lavoura de e.x-

bano capaz de absorver os braços saídos

das lavouras de café. Não resta, porém, dúvida de que a garantia de preços

e usada pelos técnicos do grande país amigo, mas certamente um motivo real de estímulo.

Se o governo dos Estados-Unidos jul gava necessário defender os preços in ternos do algodão a níveis elevados, por que abaixo dêles os seus agricultores es tavam condenados à ruina, mas se a es

sas cotações São Paulo podia plantar

algodão ganhando dinheiro, é que as nossas condições eram mais favoráveis do que as da famosa "cottonbelt" norte-americana.

Assim como nos primórdios de sua

lavoura algodoeira, no último quartel do século XVIII, foi o preço alto do algo dão brasileiro, então o artigo de maior

prestígio e volume no comércio inter nacional, que justificou a primeira ta rifa protecionista dos Estados-Unidos, para salvaguarda dos seus agricultores

em, 1930, o amparo dispensado por aquêle país aos seus lavradores auxiliou também a expansão de outras regiões, máxime daquelas onde se pôde começar de baixo, com alicerces firmes, cientifi camente elaborados e cuidadosamente delineados.

A organização algodoeira de São Paulo resultado da união entre as atividades

particulares e os poderes públicos Quando os meios científicos e as en tidades oficiais incumbidas de atender

à expansão algodoeira de São Paulo "im-

puseram" práticas e normas que os paí ses democráticos julgaram "autoritárias", como a obrigatoriedade do plantio de sementes oficiais, a classificação compul

sória dos algodões, a fiscalização rígida dos descaroçadores, o termo não se ajus tava realmente à realidade. Houve, de

fato, essa obrigatoriedade, mas a sua

aceitação se fez mais voluntariamente do que compulsòriamente, porque^ os particulares julgaram então necessária,

tjenéfica, útil, essa intromissão do poder público no campo econômico. Não se

outras partes do país, tradicionalmente

algodoeiras, onde não foi possível jogar

fora a herança do passado, não houve dessa data até agora progresso, mas só retrocesso, do ponto-de-vista da quanti dade e até da qualidade das safras. É mais fácil criar uma organização

nova, com aparelhagem moderna, n^ todos mais -científicos e eficientes, do que aproveitar inventários obsoletos e ineficientes, sob a justificativa de eco nomia e desculpa de que não se dis põem de suficientes capitais para unia

plantavam sementes do governo, porque

transformação radical.

res lhe percebiam as vantagens especiais,

de geração espontânea o ter São Paulo

a lei o obrigava, mas porque os lavrado na produção avolumada.

A união das atividades particulares

com os poderes públicos, a perfeita com preensão das vantagens reciprocas entre

Não é, pois, obra de milhares, nem

invertido completamente, em duas déca das, o eixo econômico do algodão, cen-

tuplicando suas safras de 1930 a 1944,

enquanto regiões antes mais importon-

o quase dirigismo oficial e o princípio da iniciativa particular, tudo isso per

tes, do ponto-de-vista da produção his tórica, mal conseguiam manter os níveis

mitiu em São Paulo uma organização

quedas pronunciadas de colheitas.

econômica inteiramente nova. Não hou

anteriores e, em aí^ns casos, registavam

De fato, em 1934, da produção algo ve assim, a rigor, nem transformação, doeira nacional, 60 por cento provi nem renovação da economia algodoeira' nham da região setentrional, enquanto 40 de São Paulo de 1930 em diante. Hou por cento saíam da meridional, na qual ve realmente criação inteiramente nova de um setor econômico, altamente com

predominava São Paulo. Em 1944, e

plexo, que ia desde o trato das terras

uma colheita nacional dada como sendo

em bases modernas, até os processos

contribuía São Paulo com 483.000, ou

novos de comércio, classificação; benefi-

ciamento, padronagem e enfardamento. Do caos que antes caracterizava a or

ganização algodoeira de São Paulo emer giu coisa completamente diversa, uma

criação especiaí modemissima, apanhan do o que de mais eficiente havia em tôda a parte. Foi ossti

ríizão básica do êxito da

expansão algodoeira de São Paulo de 1930 em diante. Nem renovação, nem transfor

mação, mas criação completamente nova. E tanto é isso verdade, tanto é exato

que São Paulo conseguiu j:hegar a ser a região de maior expansão algodoeira do mundo nas duas ultimas décadas, por ter criado condições e valores com pletamente novos e não adaptado sim plesmente o que já existia, é que em

pouco superior a 587.000 to^ladas, quase 80 por cento. Ciclos de anos chu vosos e ciclos de anos secos

A técnica não faz

milagres. Em produ ção agrícola ainda o tempo é o fator dec sivo. De 1930 em diante, a caracte

rística termo-pluviométrica pauhsta pa rece ter-se modificado.

Em lugM de

anos com pesadas precipitações^ pluvio-

métricas, o "habitat" por excelencia da lavoura cafeeira, São Paulo transformou-

se em região de prolongadas estiagens. De 1925 a 1930, por exemplo, a media


48

Dicesto Econômico

pluviométrica das principais regiões agrí

Certamente,'a observação dos fenô

colas paulistas era superior a 1.700 mi

menos meteorológicos permite adapta

límetros anuais.

De 1930 até 1945,

houve pelo menos quatro anos "secos",

ções de cultivo e até a introdução de va

riedades apropriadas ao clima, o qua

quando essa média quase não atingia

poderá anular a influência desfavorável

1.000 mílímetrosi

de chuvas mal distribuídas ou excessivas.

O ano em curso, como o de 1945, pa rece ser, na opinião de alguns meteo rologistas, o início de um ciclo, chuvoso,

ráveis ou desfavoráveis, o fato é que o

De qualquer maneira, com anos favo algodão em São Paulo é a mais dinâ

como o de -1930 a 1944, foi o do ciclo

mica reabzação agrícola e econômica dos

das estiagens, ou pelo menos da predo

últimos vinte anos, a que tem sido obje

minância de anos relativamente secos.

to .das mais entusiastas referências e a

Não sabemos se essas observações são confirmadas cientificamente, mas o fato

que tem justificado no campo interna cional as mais agressivas atitudes por parte de nações julgadas prejudicadas por êsse exjiansionismo.

é que de 1930 em diante os anos re

lativamente secos muito ajudaram a pro dução algodoeira. O algodão não exige muita chuva, mas viceja até melhor, quando não há excesso dela. Por isso, é sempre acertado incluir-se entre as cau sas do êxito e dos resultados satisfatórios

da expansão algodoeira paulista, na fase de 1930 a 1944, a predominância de anos caracterizados pem relativa dificiência de precipitações pluviométricas.

o total

1930 1931 1932 1933

126.444

115.025 84.066

91.0 82.6 64.1 68.7

1934 1935 1936 1937

284.504 296.306 349.853 409.539 438.928 433.353 465.180 510.395

169.608 176.099 147.682 159.421 138.637 140.709 140.909

1942

376.954

1943

496.444

1944(1) 1945(1) 1946(1)

587.193

81.458 104.617 102.208 100.000 100.000

1938

1939 1940 1941

76.416 147.684

340.000 284.000

(1) Estimativas.

48.999 101.536

110.9X1

59,6 60,4

42.2 38,9 34,1 32,4 30.3 21.8 21,6

21.1 17.2 29.4 35,2

se lhe deparou em território venezue lano, embora. esSa mesma formação florística seja peculiar ao imei^o vale do rio-mar. É que, como se sabe, o gran de sábio alemão, por interdição do go-

colaboração no "Dlgesto Econômico",

mica de São Paulo, o advento da produ ção algodoeira, em sua fase moderna, o que o algodão significa hoje para o nosso meio, sob os seus diversos aspec

o eminente escritor Gastâo Cruls nos

nos tem dado excelentes estudos nos

vêmo português, não pôde^ pisar em

tos, o que é afinal o presente, a reali

setis livros. Em trabalhos subsequentes,

solo brasileiro e as observações que to-

oferece uma visão de conjunto da Ama zônia, tão sua conhecida, e da qual já

dade algodoeira paubsta, será o que abordaremos oportunamente.

y

Zona Sul E»TADO DE S PAULO

Ton.

101.652

Especial para o "Dicesto Econômico"

Iniciando, com o presente artigo, a sua

% sôbfê Ton.

por Gastâo Crols

O que representa, em termos de mo

Zona Norte

Ton,

Anos

^'

dificações da fisionomia rural e econô

DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DA PRODUÇÃO DE ALGODÃO NO BRASIL Total

iSS

11.419 17.586 27.417 46.148 114.896 117.207 202.171

250.118 300.291 292.644 324.271 399.484 295.496 391.827 484.973 240.000 184.000

% sôbre o total

9,0

17,4 35,9 31.3 40.4 39.6 57.8 61.1 (55,9 (57,5 69.7

78.2 78,4 78.9

82.8 70,6 04,8

Ton. 3.934 10.500 21.272

3,1

10.3 27,8

23,5 36.0

98.207

33.1

176.810 202.118 248.296

50.5 56,7

273.264

63,1

307.377 380.768

66,1 74.6 75.0

282.665 375.098 483.193 232.000 174.000

Iheu a respeito da flora equmoxial fo

nossos leitores, o A. examinará novos aspectos da região do rio-mar, como os

ram tôdas feitas em região anwzômca

que se prendem às suas possibilidades

que se diga que a Amazônia nao nos cabe integralmente. Se dela possuimos

naturais no terter\o da pecuária, ali ainda incipiente.

% sôbre o total

102.296

34.748

para os quais chamamos a atenção de

49.4

75.5 79.1 68,0 61,0

I

Quando publiquei o meu último tra balho sôbre a Amazônia, "Hiléia

Amazônica", algumas pessoas me pergun

taram se não haveria certa redundân

estrangeira. Porque é preciso também a maior parte, outros tratos dessa mesna região pertencem a países e posses sões estrangeiras: Venezuela, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia e as três Guianas. E não foi por outro motivo que ao meu livro livro não não chamei chamei

"Hiléia Brasilei-

ra", mas "Hiléia Amazônica , ^rque

nele faço o estudo, do ponto de vista da fíora, da fauna, da arqueologia e da etnografia, do que caracteriza a região

cia nêsse título e se não teria sido bas

de uma maneira geral, e não do que se

tante chamar-lhe apenas "Hiléia" para

confina no território nacional. E escla

que logo se designasse tôda a região mais setentrional do nosso país. Como vamos ver, esta ponderação é

descabida e prontamente se desfaz ante alguns argumentos. Em primeiro lugar,

reça-se que neste a Hiléia abrange in tegralmente os Estados do Pará e do Amazonas, q território do Acre, e o norte dos Estados de Mato-Grosso e de Goiás.

nem foi mesmo à floresta brasileira que

Por outro lado, muito depois que

Humboldt aplioou pela primeira vez a

Humboldt descrevesse a sua "Hylae"

palavra grega "Hyfae", na acepção de

uma floresta pluvial equatorial com ca

"bosque", para caracterizar certo tipo de matá, então novo para ele, e que

racterísticas próprias e que correspon de à chamada região amazono-orino-


48

Dicesto Econômico

pluviométrica das principais regiões agrí

Certamente,'a observação dos fenô

colas paulistas era superior a 1.700 mi

menos meteorológicos permite adapta

límetros anuais.

De 1930 até 1945,

houve pelo menos quatro anos "secos",

ções de cultivo e até a introdução de va

riedades apropriadas ao clima, o qua

quando essa média quase não atingia

poderá anular a influência desfavorável

1.000 mílímetrosi

de chuvas mal distribuídas ou excessivas.

O ano em curso, como o de 1945, pa rece ser, na opinião de alguns meteo rologistas, o início de um ciclo, chuvoso,

ráveis ou desfavoráveis, o fato é que o

De qualquer maneira, com anos favo algodão em São Paulo é a mais dinâ

como o de -1930 a 1944, foi o do ciclo

mica reabzação agrícola e econômica dos

das estiagens, ou pelo menos da predo

últimos vinte anos, a que tem sido obje

minância de anos relativamente secos.

to .das mais entusiastas referências e a

Não sabemos se essas observações são confirmadas cientificamente, mas o fato

que tem justificado no campo interna cional as mais agressivas atitudes por parte de nações julgadas prejudicadas por êsse exjiansionismo.

é que de 1930 em diante os anos re

lativamente secos muito ajudaram a pro dução algodoeira. O algodão não exige muita chuva, mas viceja até melhor, quando não há excesso dela. Por isso, é sempre acertado incluir-se entre as cau sas do êxito e dos resultados satisfatórios

da expansão algodoeira paulista, na fase de 1930 a 1944, a predominância de anos caracterizados pem relativa dificiência de precipitações pluviométricas.

o total

1930 1931 1932 1933

126.444

115.025 84.066

91.0 82.6 64.1 68.7

1934 1935 1936 1937

284.504 296.306 349.853 409.539 438.928 433.353 465.180 510.395

169.608 176.099 147.682 159.421 138.637 140.709 140.909

1942

376.954

1943

496.444

1944(1) 1945(1) 1946(1)

587.193

81.458 104.617 102.208 100.000 100.000

1938

1939 1940 1941

76.416 147.684

340.000 284.000

(1) Estimativas.

48.999 101.536

110.9X1

59,6 60,4

42.2 38,9 34,1 32,4 30.3 21.8 21,6

21.1 17.2 29.4 35,2

se lhe deparou em território venezue lano, embora. esSa mesma formação florística seja peculiar ao imei^o vale do rio-mar. É que, como se sabe, o gran de sábio alemão, por interdição do go-

colaboração no "Dlgesto Econômico",

mica de São Paulo, o advento da produ ção algodoeira, em sua fase moderna, o que o algodão significa hoje para o nosso meio, sob os seus diversos aspec

o eminente escritor Gastâo Cruls nos

nos tem dado excelentes estudos nos

vêmo português, não pôde^ pisar em

tos, o que é afinal o presente, a reali

setis livros. Em trabalhos subsequentes,

solo brasileiro e as observações que to-

oferece uma visão de conjunto da Ama zônia, tão sua conhecida, e da qual já

dade algodoeira paubsta, será o que abordaremos oportunamente.

y

Zona Sul E»TADO DE S PAULO

Ton.

101.652

Especial para o "Dicesto Econômico"

Iniciando, com o presente artigo, a sua

% sôbfê Ton.

por Gastâo Crols

O que representa, em termos de mo

Zona Norte

Ton,

Anos

^'

dificações da fisionomia rural e econô

DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DA PRODUÇÃO DE ALGODÃO NO BRASIL Total

iSS

11.419 17.586 27.417 46.148 114.896 117.207 202.171

250.118 300.291 292.644 324.271 399.484 295.496 391.827 484.973 240.000 184.000

% sôbre o total

9,0

17,4 35,9 31.3 40.4 39.6 57.8 61.1 (55,9 (57,5 69.7

78.2 78,4 78.9

82.8 70,6 04,8

Ton. 3.934 10.500 21.272

3,1

10.3 27,8

23,5 36.0

98.207

33.1

176.810 202.118 248.296

50.5 56,7

273.264

63,1

307.377 380.768

66,1 74.6 75.0

282.665 375.098 483.193 232.000 174.000

Iheu a respeito da flora equmoxial fo

nossos leitores, o A. examinará novos aspectos da região do rio-mar, como os

ram tôdas feitas em região anwzômca

que se prendem às suas possibilidades

que se diga que a Amazônia nao nos cabe integralmente. Se dela possuimos

naturais no terter\o da pecuária, ali ainda incipiente.

% sôbre o total

102.296

34.748

para os quais chamamos a atenção de

49.4

75.5 79.1 68,0 61,0

I

Quando publiquei o meu último tra balho sôbre a Amazônia, "Hiléia

Amazônica", algumas pessoas me pergun

taram se não haveria certa redundân

estrangeira. Porque é preciso também a maior parte, outros tratos dessa mesna região pertencem a países e posses sões estrangeiras: Venezuela, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia e as três Guianas. E não foi por outro motivo que ao meu livro livro não não chamei chamei

"Hiléia Brasilei-

ra", mas "Hiléia Amazônica , ^rque

nele faço o estudo, do ponto de vista da fíora, da fauna, da arqueologia e da etnografia, do que caracteriza a região

cia nêsse título e se não teria sido bas

de uma maneira geral, e não do que se

tante chamar-lhe apenas "Hiléia" para

confina no território nacional. E escla

que logo se designasse tôda a região mais setentrional do nosso país. Como vamos ver, esta ponderação é

descabida e prontamente se desfaz ante alguns argumentos. Em primeiro lugar,

reça-se que neste a Hiléia abrange in tegralmente os Estados do Pará e do Amazonas, q território do Acre, e o norte dos Estados de Mato-Grosso e de Goiás.

nem foi mesmo à floresta brasileira que

Por outro lado, muito depois que

Humboldt aplioou pela primeira vez a

Humboldt descrevesse a sua "Hylae"

palavra grega "Hyfae", na acepção de

uma floresta pluvial equatorial com ca

"bosque", para caracterizar certo tipo de matá, então novo para ele, e que

racterísticas próprias e que correspon de à chamada região amazono-orino-


Wv

DtoESTO EcoNóknco

51

Dicesto Econômico

50

etc., demonstrando todos esplêndidos ín cense de Drude, verificou-se que em

outras regiões do globo existem flores ta;; do mesmo tipo, do mesmo complexo climato-edáfico, como acontece na re-

gTio áo Congo, no Indostão e na Indo

dices de aproveitamento industrial. Ate 1910, enquanto a borracha esteve no seu apogeu, só em pequena escala foi feita a exploração desses valiosos produ tos, cuja exportação, realizada quase

pela pujança e espessidão dessa mesma selva, onde os exemplares se compri mem lado a lado, confundindo e ema

ranhando no aito a frondação fechada,

quando não são monstruosos cipós que lhes reforçam as amarras no solo e es

sempre em natureza (na maioria dos casos as próprias sementes tais como ha

temos ainda a Hiléia africana e a Híléii'. insulíndlca asiática.

treitam as ramas em vigorosos abraços. Assim, não raro, para se derrubar uma única árvore é preciso fazer um largo

K assim se explica que não andamos

aceiro à sua volta, desbastando a mata

longe de poder competir com os preços

ao derredor e preparando espaço amplo,

da goma elástica. De lá para cá entre tanto, já se montaram na Amazônia vá

china.

Por isso além da Hiléia amazô

nica ou Hiléia equatorial americana,

errados quando ao nosso trabalho cha mamos "Hiléia Amazônica".

Óbices à exploração econômica

onde o gigante possa tombar. E para se ajuizar o que tudo isso re presenta de tropeços à exploração indus

viam sido colhidas e sujeitas a muitas

avarias), não era compensadora e estava

*K

trial da floresta amazônica, basta lem O vale amazônico é tido como a

maior resei^a florestal do mundo.

Já

truiu a Madeira-Mamoré, os dormentes

necessários à estrada de ferro foram, pa

bilhões de pés cúbicos de madeira e

radoxalmente, importados da Austrália. E, todavia, por quantos títulos de ex

que suas plantas lenhosas montam a

mais de dez mil espécies, entre as quais umas quatro mil abrangem formas ar-

borescentes, enquanto a Europa inteira não contará mais de duzentas espécies desse mesmo tipo.

pautas alfandegárias, embora ainda este jam longe de fornecer as gordas cifras que deles se podem esperar em futuro

brar que, em 1910, quando se cons

foi avaliado que ela possui cinco mil

próximo. No vale amazônico a maioria das ár

Umas não encontrarão símile na dureza

te a floresta amazônica é a infinita va

delas se exala.

queza da flora hileana.

de terra possam reunir-se mais de du

sobretudo, pela abundância das suas

zentas árvores diferentes.

plantas gomíferas, ou daquelas que pro

Se isto, do

Mas ainda não está aí a principal ri

terrenos

de

aluvião.

se toma a sua explora

São as manchas de cam

po, as regiões em que a

so da

ou mesmo uma pobreza, quando encara

sementes, ou ainda das que poderão ser aproveitadas nas indústrias do papel,

sempre fáceis de serem praticadas no emaranha-

ras, cêras, bálsaraos e resinas.

Mas ainda há outros contratempos que

Paul Le Cointe, numa interessante me

se antepõem à exploração sistemática

mória que tem por título "Apontamen

dessas flòrestas. Um deles, é a grande divers dade entre o peso específico das muita;- madeiras que aí se encontram,

mata, mas nem

mento da floresta tropi cal.

Deixando para outros

artigos notícia mais cir cunstanciada

sôbre

as

plantas gomíferas, princi palmente a seringueira, cujo valioso látex foi por muito tempo o "ouro-negro" da região, mas sem esque

tos sòbre as sementes oleaginosas, os bálsamos e as resinas da Floresta Ama

zônica", aponta uns 60 frutos e semen

o que bastante dificulta o seu transpor te pe'os rios, uma vez que algumas flutuam bem e outras quase submergem

tes, inclusive os de muitas palmeiras,

cer ò caucho e a baláta, não será demais

que já mereceram análise e cujos pro-f

quando lançadas à corrente. Embaraço

dade, índice de saponificação, acidez, ponto de fusão, ponto de solidificação,

que aqui se apontem nominalmente al gumas das essências a que aludimos aci ma e que se tomam mais procuradas

ainda digno de atenção, é aquêle criado

autos foram estudados quanto à densi

I

munal dossel de verdura,

haveremos de ver que, aqui e ali, surgem verda deiras clareiras nes;a gre-

dos próprios troncos, ora de frutos e

caminhadas num grande trecho de mata.

quilômetros quadrados.

nha densa e emaranhada.

duzem óleos e essências, ora extraídos

celulose, de matérias corantes, de gordu

abarca apro.xiinadamente sete milhões de

ção, que obriga a aber

ponto de vista botânico, é uma-grande

das tintas e das drogas medícmais, pois que inúmeras são pródigas de pasta de

Manchas de campo

Entretanto, se dominarmos do alto, en

riqueza, não deixa de ser um óbice,

nada madeira, será quase sempre pre ciso realizar penosas buscas e fatigantes

a rosa e a canela.

tro as asas de um avião, êsse desco

tura de veredas e estra das conduzindo ao reces

do economicamente. É que para con seguir algumas boas toras de determi

ca-preciosa, macaca-poranga, e uma in

finidade de louros, cheirando a cravo,

acontece com a vegetação das várzeas Assim, ainda mais difícil

Ela se impõe,

desprende um agradavel perfume: cas-

dprante o período das enchentes, como ou

riedade das espécies que a compõem, fazendo com que num simples hectare

-amarelos; pau-cetim e pau-marfini. Ha verá ainda algiunas que serão particular mente estimadas porque do seu lenho se

tendo dos Andes ao Oceano Atlântico e

fluviais e, destarte, não são inundáveis

textura; ainda outras no perfume que

sobre um fundo de amarelo-ouro; paus-pretos, paus-violetas, paus-rosas e paus-

solos maduros ou terrenos altos, que

já ficam a certa distância das margens

e imputfescibilídade do seu cerne; outras

uma pele de cobra; as saboranas capri chosamente laivadas de castanho ou ro.xo,

Quando se fala na Amazônia, pensa-se logo numa intérmina floresta que se es

chamadas

dam aquelas essências da Amazônia!

coataquiçaua, os angehns, cedros e itaúbas; pela riqueza do colorido, as muirapinimas, muírapírangas e muiragibóías, sarapintadas como um couro de onça ou

terras-firmes", isto é, nos

vores mais preciosas é encontrada nas

celência e variedade não se recomen

no marchetado ou colorido da sua con-

Aliás, o que caracteriza principalmen

rias fábricas e usinas para beneficiamento local desses mesmos produtos, que atualmente figuram com vantagem nas

por êsse ou aquêle motivo. Assim, pela

3ureza do seu cerne são preferenteinente escolhidos o acapu, a acariuba, o

mata tenebrosa e agressi va, angustiante e avassa

ladora, cede o passo às

pradarias verdes, ao ta pete dos raivados macios, onde,a marcha é um pra zer 6 o olhar se desafoga

na amplidão dos horizon tes ilimitados.

Assim, dentro daquela riqueza florestal, há também outra riqueza que, até hoje, quase hão tem sido aproveitada, e são os seus magníficos campos de criação. E não se suponlia que isso seja um

valor desprezível. Pouco menos de um


Wv

DtoESTO EcoNóknco

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Dicesto Econômico

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etc., demonstrando todos esplêndidos ín cense de Drude, verificou-se que em

outras regiões do globo existem flores ta;; do mesmo tipo, do mesmo complexo climato-edáfico, como acontece na re-

gTio áo Congo, no Indostão e na Indo

dices de aproveitamento industrial. Ate 1910, enquanto a borracha esteve no seu apogeu, só em pequena escala foi feita a exploração desses valiosos produ tos, cuja exportação, realizada quase

pela pujança e espessidão dessa mesma selva, onde os exemplares se compri mem lado a lado, confundindo e ema

ranhando no aito a frondação fechada,

quando não são monstruosos cipós que lhes reforçam as amarras no solo e es

sempre em natureza (na maioria dos casos as próprias sementes tais como ha

temos ainda a Hiléia africana e a Híléii'. insulíndlca asiática.

treitam as ramas em vigorosos abraços. Assim, não raro, para se derrubar uma única árvore é preciso fazer um largo

K assim se explica que não andamos

aceiro à sua volta, desbastando a mata

longe de poder competir com os preços

ao derredor e preparando espaço amplo,

da goma elástica. De lá para cá entre tanto, já se montaram na Amazônia vá

china.

Por isso além da Hiléia amazô

nica ou Hiléia equatorial americana,

errados quando ao nosso trabalho cha mamos "Hiléia Amazônica".

Óbices à exploração econômica

onde o gigante possa tombar. E para se ajuizar o que tudo isso re presenta de tropeços à exploração indus

viam sido colhidas e sujeitas a muitas

avarias), não era compensadora e estava

*K

trial da floresta amazônica, basta lem O vale amazônico é tido como a

maior resei^a florestal do mundo.

Já

truiu a Madeira-Mamoré, os dormentes

necessários à estrada de ferro foram, pa

bilhões de pés cúbicos de madeira e

radoxalmente, importados da Austrália. E, todavia, por quantos títulos de ex

que suas plantas lenhosas montam a

mais de dez mil espécies, entre as quais umas quatro mil abrangem formas ar-

borescentes, enquanto a Europa inteira não contará mais de duzentas espécies desse mesmo tipo.

pautas alfandegárias, embora ainda este jam longe de fornecer as gordas cifras que deles se podem esperar em futuro

brar que, em 1910, quando se cons

foi avaliado que ela possui cinco mil

próximo. No vale amazônico a maioria das ár

Umas não encontrarão símile na dureza

te a floresta amazônica é a infinita va

delas se exala.

queza da flora hileana.

de terra possam reunir-se mais de du

sobretudo, pela abundância das suas

zentas árvores diferentes.

plantas gomíferas, ou daquelas que pro

Se isto, do

Mas ainda não está aí a principal ri

terrenos

de

aluvião.

se toma a sua explora

São as manchas de cam

po, as regiões em que a

so da

ou mesmo uma pobreza, quando encara

sementes, ou ainda das que poderão ser aproveitadas nas indústrias do papel,

sempre fáceis de serem praticadas no emaranha-

ras, cêras, bálsaraos e resinas.

Mas ainda há outros contratempos que

Paul Le Cointe, numa interessante me

se antepõem à exploração sistemática

mória que tem por título "Apontamen

dessas flòrestas. Um deles, é a grande divers dade entre o peso específico das muita;- madeiras que aí se encontram,

mata, mas nem

mento da floresta tropi cal.

Deixando para outros

artigos notícia mais cir cunstanciada

sôbre

as

plantas gomíferas, princi palmente a seringueira, cujo valioso látex foi por muito tempo o "ouro-negro" da região, mas sem esque

tos sòbre as sementes oleaginosas, os bálsamos e as resinas da Floresta Ama

zônica", aponta uns 60 frutos e semen

o que bastante dificulta o seu transpor te pe'os rios, uma vez que algumas flutuam bem e outras quase submergem

tes, inclusive os de muitas palmeiras,

cer ò caucho e a baláta, não será demais

que já mereceram análise e cujos pro-f

quando lançadas à corrente. Embaraço

dade, índice de saponificação, acidez, ponto de fusão, ponto de solidificação,

que aqui se apontem nominalmente al gumas das essências a que aludimos aci ma e que se tomam mais procuradas

ainda digno de atenção, é aquêle criado

autos foram estudados quanto à densi

I

munal dossel de verdura,

haveremos de ver que, aqui e ali, surgem verda deiras clareiras nes;a gre-

dos próprios troncos, ora de frutos e

caminhadas num grande trecho de mata.

quilômetros quadrados.

nha densa e emaranhada.

duzem óleos e essências, ora extraídos

celulose, de matérias corantes, de gordu

abarca apro.xiinadamente sete milhões de

ção, que obriga a aber

ponto de vista botânico, é uma-grande

das tintas e das drogas medícmais, pois que inúmeras são pródigas de pasta de

Manchas de campo

Entretanto, se dominarmos do alto, en

riqueza, não deixa de ser um óbice,

nada madeira, será quase sempre pre ciso realizar penosas buscas e fatigantes

a rosa e a canela.

tro as asas de um avião, êsse desco

tura de veredas e estra das conduzindo ao reces

do economicamente. É que para con seguir algumas boas toras de determi

ca-preciosa, macaca-poranga, e uma in

finidade de louros, cheirando a cravo,

acontece com a vegetação das várzeas Assim, ainda mais difícil

Ela se impõe,

desprende um agradavel perfume: cas-

dprante o período das enchentes, como ou

riedade das espécies que a compõem, fazendo com que num simples hectare

-amarelos; pau-cetim e pau-marfini. Ha verá ainda algiunas que serão particular mente estimadas porque do seu lenho se

tendo dos Andes ao Oceano Atlântico e

fluviais e, destarte, não são inundáveis

textura; ainda outras no perfume que

sobre um fundo de amarelo-ouro; paus-pretos, paus-violetas, paus-rosas e paus-

solos maduros ou terrenos altos, que

já ficam a certa distância das margens

e imputfescibilídade do seu cerne; outras

uma pele de cobra; as saboranas capri chosamente laivadas de castanho ou ro.xo,

Quando se fala na Amazônia, pensa-se logo numa intérmina floresta que se es

chamadas

dam aquelas essências da Amazônia!

coataquiçaua, os angehns, cedros e itaúbas; pela riqueza do colorido, as muirapinimas, muírapírangas e muiragibóías, sarapintadas como um couro de onça ou

terras-firmes", isto é, nos

vores mais preciosas é encontrada nas

celência e variedade não se recomen

no marchetado ou colorido da sua con-

Aliás, o que caracteriza principalmen

rias fábricas e usinas para beneficiamento local desses mesmos produtos, que atualmente figuram com vantagem nas

por êsse ou aquêle motivo. Assim, pela

3ureza do seu cerne são preferenteinente escolhidos o acapu, a acariuba, o

mata tenebrosa e agressi va, angustiante e avassa

ladora, cede o passo às

pradarias verdes, ao ta pete dos raivados macios, onde,a marcha é um pra zer 6 o olhar se desafoga

na amplidão dos horizon tes ilimitados.

Assim, dentro daquela riqueza florestal, há também outra riqueza que, até hoje, quase hão tem sido aproveitada, e são os seus magníficos campos de criação. E não se suponlia que isso seja um

valor desprezível. Pouco menos de um


'-F.-w.y

•^,-

TT

Digesto Econômico

52

quarto do que somam reunidas as áreas territoriais dos Estados do Pará e do Amazônas. é constituído de campos e outras formações que nao sao a floresta ou hiléia pròpriamente dita. Basta que se recorde que só na re

quilômetros quadrados, com capacidade para um rebanho de 1.500.000 cabeças

do gado. Aí, é verdade, a pecuária já vem sendo explorada, mas taWz nunca possa produzir.

com a Guiana Inglesa e a Venezuela,

Mas isso será assunto de que também cogitaremos, depois que houvermos fa lado nos produtos florestais da hiléia

essas pastagens se desdobram por 35.000

amazônica.

gião do rio Branco, nas nossas divisas

^rs/iãffa írottémtea

haja atingido nem um quinto do que

A zona mint^ira no Brasil Reino

por Afonso Arinos de Melo Franco

Especial para o "Digesto Econômico'

O A. estuda a decadência econômica do Brasil no comêço do século XIX.

Um

aspecto expressivo desta situação pode ser colhido nos testemunhos dos viajantes, que relatam ao vivo o que eram as trocas comerciais havidas entre o Rio de Janeiro, sede da côrte, e a outrora opulentíssima capitania das Minas Gerais. Um

ÜM princípios do

nos testemunhos dos

para o Brasil, a si tuação econômica do

tam ao vivo o que

viajantes, que rela eram

sede da côrte, e a

do sul, não podia mais dar esperanças a ninguém. Inutil mente se tentava substituir a extração

do ouro pela do diamante. Uma e outra estavam chegando ao esgotamento. Enquanto isto se passava, o açúcar, riqueza do norte, atravessava também séria crise devida às guerras napoleôni-

cas e à perturbação geral do comércio

europeu trazida pelo bloqueio inglês. É sabido que a proibição da entrada do

para o exterior, ultimamente, verificaram-sè nas destinadas aos países americanos,

De janeiro a outubro de 1945, as aquisições estadunidenses alcançaram 2.288

toneladas, enquanto na mesma quadra do ano findo os. embarques com êsse destino apenas somaram 126 toneladas. .

dos ao seio da terra.

Então as tropas de mulas desciam carregadas de coisas humildes, sem ne cessidade de guardas protetoras, tocadas

\:via de um modesto comércio interno.

que foi notavelmente conseguida com o descobrimento, que então se fez, do processo de se extrair o produto da

Paraíba e do Paraíbuna, espécies de pos

'

diamantes do sul, e sem exportar açú

car do Norte, pode-se avaliar bem o

à

do Reino, o metal e as pedras arranca

estudar um sucedâneo para êle, coisa

Pràticamente sem exportar ouro nem

A América do Sul, que absorvera 12.839 e 12.452 toneladas do produto, nos

mados até os dentes, os preciosos com

boios que transportavam, para os luxos

apenas pelos pobres mercadores. Desa]M recida, ou quase, a exportação, Minas

beterraba.

dez meses de 1944 e 1945, respectivamente, reduziu as suas importações, em 1946 a 5.200 toneladas. Para essa redução concorreu a Argentina com a maior parcela, como se verá: 1944, 8.106 toneladas, 1945, 5.516, e 1946, 2,448 toneladas.

outrora opulentíssi

ma capitania das Minas Gerais. Passa do era já o tempo em que os orgulhosos dragões- de EI-Rei acompanhavam, ar

tão severa que cs europeus tiveram de

açúcar ae cana vindo da América era

de nosso país.

co

tre o Rio de Janeiro,

A decadência da mineração, riqueza

especialmente os da América do Sul, nossos maiores clientes, sobretudo durante a guerra. Quanto à América do N" orte, sòmente os Estados Unidos que figuravam entre os grandes compradores nesse período tão perturbado do comércio interna cional, aparecem com forte redução nas suas importações de tecidos de algodão

as trocas

merciais havidas en

rilhante.

As diminuições mais sensíveis ocorridas nas remessas de tecidos brasileiros

ex

do a côrte portugue- { sa se transportou í

Eaís não era nada

RETRAÇÃO DE MERCADOS

aspecto

pressivo desta situa ção pode ser colhido

século XIX, quan

Os registros de Matias Barbosa, do tos fiscais e alfandegários estotegica-

mente situados em passagens for^das,

continuavam, é certo, sob a chefia de autoridades miUtares,. como no saudoso

teinoo em que a fôrça armada vigia^

que seria a situação econômica do Brasil

os descaminhos do ouro.

no amanhecer da nova centúria.

soldados aborrecidos se lunitavam a exa-

Mas aquêles


'-F.-w.y

•^,-

TT

Digesto Econômico

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quarto do que somam reunidas as áreas territoriais dos Estados do Pará e do Amazônas. é constituído de campos e outras formações que nao sao a floresta ou hiléia pròpriamente dita. Basta que se recorde que só na re

quilômetros quadrados, com capacidade para um rebanho de 1.500.000 cabeças

do gado. Aí, é verdade, a pecuária já vem sendo explorada, mas taWz nunca possa produzir.

com a Guiana Inglesa e a Venezuela,

Mas isso será assunto de que também cogitaremos, depois que houvermos fa lado nos produtos florestais da hiléia

essas pastagens se desdobram por 35.000

amazônica.

gião do rio Branco, nas nossas divisas

^rs/iãffa írottémtea

haja atingido nem um quinto do que

A zona mint^ira no Brasil Reino

por Afonso Arinos de Melo Franco

Especial para o "Digesto Econômico'

O A. estuda a decadência econômica do Brasil no comêço do século XIX.

Um

aspecto expressivo desta situação pode ser colhido nos testemunhos dos viajantes, que relatam ao vivo o que eram as trocas comerciais havidas entre o Rio de Janeiro, sede da côrte, e a outrora opulentíssima capitania das Minas Gerais. Um

ÜM princípios do

nos testemunhos dos

para o Brasil, a si tuação econômica do

tam ao vivo o que

viajantes, que rela eram

sede da côrte, e a

do sul, não podia mais dar esperanças a ninguém. Inutil mente se tentava substituir a extração

do ouro pela do diamante. Uma e outra estavam chegando ao esgotamento. Enquanto isto se passava, o açúcar, riqueza do norte, atravessava também séria crise devida às guerras napoleôni-

cas e à perturbação geral do comércio

europeu trazida pelo bloqueio inglês. É sabido que a proibição da entrada do

para o exterior, ultimamente, verificaram-sè nas destinadas aos países americanos,

De janeiro a outubro de 1945, as aquisições estadunidenses alcançaram 2.288

toneladas, enquanto na mesma quadra do ano findo os. embarques com êsse destino apenas somaram 126 toneladas. .

dos ao seio da terra.

Então as tropas de mulas desciam carregadas de coisas humildes, sem ne cessidade de guardas protetoras, tocadas

\:via de um modesto comércio interno.

que foi notavelmente conseguida com o descobrimento, que então se fez, do processo de se extrair o produto da

Paraíba e do Paraíbuna, espécies de pos

'

diamantes do sul, e sem exportar açú

car do Norte, pode-se avaliar bem o

à

do Reino, o metal e as pedras arranca

estudar um sucedâneo para êle, coisa

Pràticamente sem exportar ouro nem

A América do Sul, que absorvera 12.839 e 12.452 toneladas do produto, nos

mados até os dentes, os preciosos com

boios que transportavam, para os luxos

apenas pelos pobres mercadores. Desa]M recida, ou quase, a exportação, Minas

beterraba.

dez meses de 1944 e 1945, respectivamente, reduziu as suas importações, em 1946 a 5.200 toneladas. Para essa redução concorreu a Argentina com a maior parcela, como se verá: 1944, 8.106 toneladas, 1945, 5.516, e 1946, 2,448 toneladas.

outrora opulentíssi

ma capitania das Minas Gerais. Passa do era já o tempo em que os orgulhosos dragões- de EI-Rei acompanhavam, ar

tão severa que cs europeus tiveram de

açúcar ae cana vindo da América era

de nosso país.

co

tre o Rio de Janeiro,

A decadência da mineração, riqueza

especialmente os da América do Sul, nossos maiores clientes, sobretudo durante a guerra. Quanto à América do N" orte, sòmente os Estados Unidos que figuravam entre os grandes compradores nesse período tão perturbado do comércio interna cional, aparecem com forte redução nas suas importações de tecidos de algodão

as trocas

merciais havidas en

rilhante.

As diminuições mais sensíveis ocorridas nas remessas de tecidos brasileiros

ex

do a côrte portugue- { sa se transportou í

Eaís não era nada

RETRAÇÃO DE MERCADOS

aspecto

pressivo desta situa ção pode ser colhido

século XIX, quan

Os registros de Matias Barbosa, do tos fiscais e alfandegários estotegica-

mente situados em passagens for^das,

continuavam, é certo, sob a chefia de autoridades miUtares,. como no saudoso

teinoo em que a fôrça armada vigia^

que seria a situação econômica do Brasil

os descaminhos do ouro.

no amanhecer da nova centúria.

soldados aborrecidos se lunitavam a exa-

Mas aquêles


Digesto Econômico

54

55

Digesto Econômico

minar fardos de toucinhos. sacos de fei jão ou outros drodutos inteirarnente in dignos das suas presenças mavórticas. Se acompanharmos o que a propósito escrevem os viajantes da época, teremos um resuino basfante exato da vida

comida habitual era galinha, arroz, fei jão, mandioca. Sòmente uma vez, entre o Rio e Bar-

bacena, Mawe se refere a um sinal mais vigoroso de atividade econômica.

É

quando, perto de Juiz de Fora, encontra

barra, eis b que sugere, com tôda razão, o escritor.

No fundo a administração, tanto quan

to os particulares, custava a se desfazer do sonho do ouro, e não queria facilitar

quase tòdas, tal como notara Mawe, vinham carregadas com o algodão, tado muito para o interior. A velha zbna mineira estava mesmo parada. Luccock acentua o caráter mandrião da

econômica de então, ao qual nao faltara

uma tropa carregada de fardos de al

certa dose de pitoresco.

godão, que seguia rumo ao litoral. Êste

as novas atividades produtivas. O resul

algodão, poróm, enfardado em sacos de

tado era a carestia do produto exporta

quela gente que herdara a preguiça dos pais, criados no tempo feliz do ouro.

do, e a carestia do que vinha da corte. Eschwege informa que um saco de sal, produto indispensável, custava em Vila-

cia dos métodos de trabalho.^ Comercio

Testemunho de viajantes

O primeiro livro, cronologicamente, é o do inglês João Mawe, que obtém em 1809 permissão do príncipe regente para penetrar na capitania de Minas. Êste negociante de pedras, cuja ação e cuja

Êresença entre nós ainda não se acham

em esclarecidas (o bravo Hipólito da

^ Costa, no seu "Correio Brasiliense", o m acusa de contrabandista e conta que êle,

couro cru, vinha do extremo norte da

capitania, da zona de Minas Novas, e estava viajando em lombo de mula havia cerca de três meses.

Diante destas fa

zendas arruinadas o viajante dá largas à sua despeitada melancolia, em amar

gas reflexões. "Que local digno de in veja para um inglês! Gado barato, por cos e galinhas por nada, terra fértil em

cereais, madeira abundante tanto para construção como para combustível,

barro para tijolos, água por todos os lados. E no entanto ps homens in sistem na procura do metal precioso, só apreciando os bens naturais na

medida de dificuldade com que êles são encontrados..."

O barão teutônico Eschwege, des de regresso a Londres, abriu uma casa

para vender as pedras que tinha contra

crevendo a primeira viagem que fez a Minas em 1811, no seu pouco conhe

bandeado no Brasil), não é muito explí cito, mas enfim sempre oferece alguns

cido livro "Joumal von Brasilien", con firma a observação de Mawe sobre esta mania do ouro, que sobrevivia ao tempo

dados.

da mineração.

Mania que esquentava

Fala da pobreza da população fron

as indicações mas esfriava a vontade de

teiriça entre Rio e Minas, do descui

trabalhar. Eschwege reclama contra o

do e atraso da sua agricultura, da quase miséria em que vivia. As casas das fa

zendas arruinadas, os pomares e jardins

antigos cheios de mato, ausência de

gado leiteiro, sendo o leite, quando ha via, tirado às cabras mais fáceis de criar. Todo mundo descontente e se queixando dos impostos, impostos ridiculamente bai xos, como observa o inglês, mas altos de mais para quem não queria trabalhar.

Alguns proprietários ensaiavam, sem resultados convincentes, a cultura do

linho e do trigo. A'fabricação do queijo

absurdo das buscas minuciosas, efetua

das em toda a tropa que descia com suas pobres mercadorias para o Rio. Os

soldados descarregavam os animais, abriam os sacos de mantimentos, espa lhavam às vezes tudo pelo chão à menor

suspeita de contrabando. Que remédio

para o pobre tropeiro vitima de perdas e prejuízos, senão elevar enormemente os preços das suas mercadorias, do seu

arroz, do seu feijão, do seu fubá? E o remédio era simples: uma casa de moe

da em Vila Rica que cunhasse o pouco

era prejudicada pela sujeira dos pro

ouro ainda extraído, em vez de tanto

cessos.

mêdo do seu contrabando em pó ou

De manteiga não se falava. A

-Rica quatro mil réis, preço enorme para

o tempo em que o papel-moeda do Banco do Brasil ainda não começara a

aviltar o valor do dinheiro.

,

Outro inglês, Luccock, que viveu dez anos no Brasil (de 1808 a 1818), ofe

rece materiais preciosos para o estudo da vida econômica do tempo, nas ca pitanias do sul.

Na zona que estamos

examinando, da antiga mineração, seus

dados coincidem plenamente com os dos outros escritores citados.

Observa que,

Vida erradia, abandono dos esforços^ a menor dificuldade, negligência e ignorân

miserável, produção desprezível. O bom Saint-Hilaire, sem du^da o mellior de todos os viajantes coloniais,

tão amigo do Brasil e especialmente dos mineiros, apesar daiSua*grande boa von

lade, não deixa de indicar, no primeiro

livro que escreveu sôbre nós,, a impres são* de decadência que lhe fizera a an

tiga zona do ouro e a lerdeza, a ^bi-

lidade da recuperação econômica. Den sas florestas, rios caudalosos, pastagens

extensas, léguas e léguas de terra fértil,

jante mal encontrava o que comer, na

tudo ao abandono. Aqui e ali um ar raial miserável, com a sua bela igreja sòbre a colina, lembrava tristemente o

quele país de aparência ubérrima. Os fazendeiros chegavam a comprar frangos das tropas que passavam, em vez de

rama econômico da zona mineira, na-

ocorrer o contrário, como era natural o lógico. Quem não tivesse sua espin

cipação política. O cafe ainda nao in

no caminho de Minas, o descuido e a

incultura eram tão grandes que o via

garda de chumbo para matar passari

nhos ou alguma pequena caça de pêlo arriscava-se a dormir sem jantar, depois de uma jornada estafante. No entanto num só dia o viajante encontrou duzentas mulas e o dòbro no dia seguinte,

descendo para o Rio de Janeiro. Mas

esplendor de uma civilização morta. É todo depressão e paralisia o pano quêle escuro amanhecer da nossa eman

vadira a Mata, com a sua formidável

riqueza.

N da R — Por um engano da nossa revisão saiu, no artigo anterior, Caiurú. em vez de Cairu como acertadamente escreveu o autor.

EXPORTAÇÃO DE TECIDOS

, u.^ fíra^il ex-

No período correspondente aos dez meses de 1946, até mi u r ^ portou 13.430 toneladas dé tecidos de algodão,^ no /^.^^'^-^nceira do cruzeiros, segundo elobaração do Serviço de Estatística Econômt n aual íorMinistério da Fazenda, órgão pertencente ao sistema do l- R-

nece outros dados acêrca dos embarques dos refendos

período de 1945, essas exportações haviam atingido o total de - /

no valor de 1.142,1 milhõe, de cruzeiros, e em 1944, no

18.055 toneladas, no valor de 811,1 mühões de cruzeiros. Os tonelada, em 1944, 1945 e 1946 foram, respectivamente, de 50.019,

íAentico

toneladas

, temno' í

50.345 cruzeiros. Verifica-se que a queda na tonelagem exportada coriespondeu a um decréscimo não desprezível no valor unitário.


Digesto Econômico

54

55

Digesto Econômico

minar fardos de toucinhos. sacos de fei jão ou outros drodutos inteirarnente in dignos das suas presenças mavórticas. Se acompanharmos o que a propósito escrevem os viajantes da época, teremos um resuino basfante exato da vida

comida habitual era galinha, arroz, fei jão, mandioca. Sòmente uma vez, entre o Rio e Bar-

bacena, Mawe se refere a um sinal mais vigoroso de atividade econômica.

É

quando, perto de Juiz de Fora, encontra

barra, eis b que sugere, com tôda razão, o escritor.

No fundo a administração, tanto quan

to os particulares, custava a se desfazer do sonho do ouro, e não queria facilitar

quase tòdas, tal como notara Mawe, vinham carregadas com o algodão, tado muito para o interior. A velha zbna mineira estava mesmo parada. Luccock acentua o caráter mandrião da

econômica de então, ao qual nao faltara

uma tropa carregada de fardos de al

certa dose de pitoresco.

godão, que seguia rumo ao litoral. Êste

as novas atividades produtivas. O resul

algodão, poróm, enfardado em sacos de

tado era a carestia do produto exporta

quela gente que herdara a preguiça dos pais, criados no tempo feliz do ouro.

do, e a carestia do que vinha da corte. Eschwege informa que um saco de sal, produto indispensável, custava em Vila-

cia dos métodos de trabalho.^ Comercio

Testemunho de viajantes

O primeiro livro, cronologicamente, é o do inglês João Mawe, que obtém em 1809 permissão do príncipe regente para penetrar na capitania de Minas. Êste negociante de pedras, cuja ação e cuja

Êresença entre nós ainda não se acham

em esclarecidas (o bravo Hipólito da

^ Costa, no seu "Correio Brasiliense", o m acusa de contrabandista e conta que êle,

couro cru, vinha do extremo norte da

capitania, da zona de Minas Novas, e estava viajando em lombo de mula havia cerca de três meses.

Diante destas fa

zendas arruinadas o viajante dá largas à sua despeitada melancolia, em amar

gas reflexões. "Que local digno de in veja para um inglês! Gado barato, por cos e galinhas por nada, terra fértil em

cereais, madeira abundante tanto para construção como para combustível,

barro para tijolos, água por todos os lados. E no entanto ps homens in sistem na procura do metal precioso, só apreciando os bens naturais na

medida de dificuldade com que êles são encontrados..."

O barão teutônico Eschwege, des de regresso a Londres, abriu uma casa

para vender as pedras que tinha contra

crevendo a primeira viagem que fez a Minas em 1811, no seu pouco conhe

bandeado no Brasil), não é muito explí cito, mas enfim sempre oferece alguns

cido livro "Joumal von Brasilien", con firma a observação de Mawe sobre esta mania do ouro, que sobrevivia ao tempo

dados.

da mineração.

Mania que esquentava

Fala da pobreza da população fron

as indicações mas esfriava a vontade de

teiriça entre Rio e Minas, do descui

trabalhar. Eschwege reclama contra o

do e atraso da sua agricultura, da quase miséria em que vivia. As casas das fa

zendas arruinadas, os pomares e jardins

antigos cheios de mato, ausência de

gado leiteiro, sendo o leite, quando ha via, tirado às cabras mais fáceis de criar. Todo mundo descontente e se queixando dos impostos, impostos ridiculamente bai xos, como observa o inglês, mas altos de mais para quem não queria trabalhar.

Alguns proprietários ensaiavam, sem resultados convincentes, a cultura do

linho e do trigo. A'fabricação do queijo

absurdo das buscas minuciosas, efetua

das em toda a tropa que descia com suas pobres mercadorias para o Rio. Os

soldados descarregavam os animais, abriam os sacos de mantimentos, espa lhavam às vezes tudo pelo chão à menor

suspeita de contrabando. Que remédio

para o pobre tropeiro vitima de perdas e prejuízos, senão elevar enormemente os preços das suas mercadorias, do seu

arroz, do seu feijão, do seu fubá? E o remédio era simples: uma casa de moe

da em Vila Rica que cunhasse o pouco

era prejudicada pela sujeira dos pro

ouro ainda extraído, em vez de tanto

cessos.

mêdo do seu contrabando em pó ou

De manteiga não se falava. A

-Rica quatro mil réis, preço enorme para

o tempo em que o papel-moeda do Banco do Brasil ainda não começara a

aviltar o valor do dinheiro.

,

Outro inglês, Luccock, que viveu dez anos no Brasil (de 1808 a 1818), ofe

rece materiais preciosos para o estudo da vida econômica do tempo, nas ca pitanias do sul.

Na zona que estamos

examinando, da antiga mineração, seus

dados coincidem plenamente com os dos outros escritores citados.

Observa que,

Vida erradia, abandono dos esforços^ a menor dificuldade, negligência e ignorân

miserável, produção desprezível. O bom Saint-Hilaire, sem du^da o mellior de todos os viajantes coloniais,

tão amigo do Brasil e especialmente dos mineiros, apesar daiSua*grande boa von

lade, não deixa de indicar, no primeiro

livro que escreveu sôbre nós,, a impres são* de decadência que lhe fizera a an

tiga zona do ouro e a lerdeza, a ^bi-

lidade da recuperação econômica. Den sas florestas, rios caudalosos, pastagens

extensas, léguas e léguas de terra fértil,

jante mal encontrava o que comer, na

tudo ao abandono. Aqui e ali um ar raial miserável, com a sua bela igreja sòbre a colina, lembrava tristemente o

quele país de aparência ubérrima. Os fazendeiros chegavam a comprar frangos das tropas que passavam, em vez de

rama econômico da zona mineira, na-

ocorrer o contrário, como era natural o lógico. Quem não tivesse sua espin

cipação política. O cafe ainda nao in

no caminho de Minas, o descuido e a

incultura eram tão grandes que o via

garda de chumbo para matar passari

nhos ou alguma pequena caça de pêlo arriscava-se a dormir sem jantar, depois de uma jornada estafante. No entanto num só dia o viajante encontrou duzentas mulas e o dòbro no dia seguinte,

descendo para o Rio de Janeiro. Mas

esplendor de uma civilização morta. É todo depressão e paralisia o pano quêle escuro amanhecer da nossa eman

vadira a Mata, com a sua formidável

riqueza.

N da R — Por um engano da nossa revisão saiu, no artigo anterior, Caiurú. em vez de Cairu como acertadamente escreveu o autor.

EXPORTAÇÃO DE TECIDOS

, u.^ fíra^il ex-

No período correspondente aos dez meses de 1946, até mi u r ^ portou 13.430 toneladas dé tecidos de algodão,^ no /^.^^'^-^nceira do cruzeiros, segundo elobaração do Serviço de Estatística Econômt n aual íorMinistério da Fazenda, órgão pertencente ao sistema do l- R-

nece outros dados acêrca dos embarques dos refendos

período de 1945, essas exportações haviam atingido o total de - /

no valor de 1.142,1 milhõe, de cruzeiros, e em 1944, no

18.055 toneladas, no valor de 811,1 mühões de cruzeiros. Os tonelada, em 1944, 1945 e 1946 foram, respectivamente, de 50.019,

íAentico

toneladas

, temno' í

50.345 cruzeiros. Verifica-se que a queda na tonelagem exportada coriespondeu a um decréscimo não desprezível no valor unitário.


57

Digesto Econóaoco

sou a valer meio milhão de libras ester

R grande erise eeonómieo-finaneeira do Brasil nos fins do século XÜII por Afonso d'E. Taunay

'

Especiai. para o

Dicesto Econômico'

(Da Academia Brasileira de Lelras)

linas para atingir o milhão em 1585, dois milhões em 1597 (?) e dois milhões e meio em 1630.

Entram aí em cena os holandeses per turbando imenso a produção açucareira. Donde a alta do produto cuja exportação valeu três milhões de esterlinos em 1635 a três e meio em 1645.

Expulso o "belga", como lhe chama vam os nossos cronistas, e recomeçan

do a produção pernambucana a se ativar,

Era a vida econômica dos colonos brasileiros perturbada, ou antes flagelada,

por uma série de medidas administrativas ineptas e odiosas. As extorsões

do redime tributário, organizado sôbre bases absurdas, eram agravadas pelos privilégios. Asfixiante pára o comércio e o progresso do país mostrou-se, du rante todo o período colonial, a escassez do meio circulante, dando lugar a

complicações que nunca puderam ser evitadas.

ocorreu no entanto a concorrência anti-

Ihana, fruto da restauração brasileira de 1654.

Baixou o valor da exportação a três

^'^DOTou a Exposição Nacional

>

Gomemoratíva do segundo centenário da introdução do ca-

mércio brasileiro.

Num milésimo que inexplicavelmente,

traordinárias as aperturas da Colônia. E duas causas lhe agravavam, ano por ano, a situação eeonómieo-finaneei

quanto aos dois primeiros séculos.

2.535:142$800

E

Ouro

614:400$000

realmente até os últimos anos da era

Fumo

344:650$000

Couros

201:800$000

seiscentista o grande esteio da economia brasileira, senão o único esteio, foi o

produto de

Total

"O mais rico e importante vegetavel* Da doce cana d'onde o assucar brota" como cantou Santa Rita Durão no "Caramuru".

Avalia Roberto Simonsen, com a gran de autoridade que é a sua, £536.000.000 o valor da colonial brasileira cabendo 300.000.000 ao açúcar ou por cento.

Pau Brasil

em exportação deste total sejam 58,8

O ouro e os diamantes arrolam-fe em

seguida com 170 milhões ou 31,7. Mas até 1700 expKJrtou o Brasil mise

48:000$000

3.744:292$80Õ

Foram pois as porcentagens, grosso modo:

Açúcar Ouro

Fumo 9,0 Couros 5,3 Pau Brasil 1,3 Assim a economia brasileira seiscentis

ta girava em tôrno do açúcar em todo o século XVII.

Segundo o gráfico de R. Simonsen ("História Econômica do Brasil", 2, 222) de 1536 a 1570 andou a exporta

ráveis quantidades de ouro de modo

ção açucareira quasi estabilizada quanto

que, em sua plenitude, dominou o açú

ao valor, Nas vizinhanças de 1575 pas-

Achava-se o açúcar em persistente

baixa e decrescera a sua exportação gra

incerta.

mente deserto, em que por completo

Exportação brasileira Para os fins do século e cada vez

mais a

,

,.

j

As autoridades brasileuas, vendo esta

em espécie.

concorrência antilhana vinha

provocando sérias perturbações no mo

vimento da exportação brasileira a que ainda imenso prejudicara o surto epi dêmico da "bicha" (febre amarela) e

67,7 16,6

Épocas de Portugal Econômico").

rio, onde tôdas as transações se faziam

culante, num território imenso, pràtica-

Açúcar

(cf. "Idade do ouro e Diamantes em

faltava qualquer aparelhamento bancá

— tratando-se de homem de tal inteli

gência — mas milésimo que deve ter a exportação do Brasil para Portugal:

Valera o mil réis, em 1641, mais de

sete gramas de ouro para chegar a pouco mais de duas em 1700. Tratou João Lúcio de Azevedo ótimo

ças à competição colonial estrangeira e às epidemias entre a escravatura. Os fornecedores da importação prefe riam levar em retomo à Europa moeda em vez de mercadorias de colocação

ra. A persistente baixa do açúcar e a

época (1927) a mais perfeita verdade. zer em relação ao Brasil Colonial "Saocharum Brasiliae Fulcrum", sobretudo

depois continuada até 1700.

tista a era dos grandes achados de ouro.

liae Fulcrum" o que aliás representa na

ocorrido entre 1700 e 1710, foi esta

restauração portuguesa de 1640. A prin

cípio a mais fundo em 1641, vertical e

quadro da situação econômica do Brasil,

escassez cada vez maior do meio cir

Parafraseando tal lema poderemos di

E o câmbio mostrava a grave depre ciação do real português. Tivera esta enorme depressão com a

ao se encetar na última década seiscen

o preciosíssimo Antonil deixou de fixar

feeiro no Brasil a divisa "Coffea Brasi-

derantíssimo, portantoi

zentos mil em 1680 e a dois milhões em 1690.

car da maneira mais incontestável o co

de 4 milhões. Em 1690 apenas .... £ 2.000.000 mas para um total de 2.300.000 com um coeficiente prepon-

milhões em 1660, a dois,milhões e tre Para os fins do século XVII eram ex

<

Em 1650 exportava o Brasil .... £ 2.750.000 de açúcar para um total

pouco depois outro, formidável, de vaííola dizimadora da escrúvatura per

nambucana,já perturbada pela fuga dos cativos que se açoitavam nos quilombos palmarenses.

Apresenta Roberto Simonsen num dos seus excelentes gráficos (tomo 2, 222) a correlação da exportação do Brasil e do mil réis no período colonial.

evasão do seu já tão escasso numerário, recorreram ao velho método medieval, e

sempre tão ilusório, da elevação do valor nominal da moeda.

Vinha a crise de longa data.

Em

1626 depois do descalabro da bivasão holandesa a Câmara da Cidade do Sa vador pedira que as patacas corressem a 360 réis "para que assim se nao le vasse o dinheiro deste Estado do Brasil

o que é causa de se abater em mmto os preços dos fretes de terra . _ Mas o efeito esperado era e nao podia deixar de ser ilusório porque se os gê neros de consumo encareciam nem por

Entre 1650 e 1670 a linha de expor

isto aumentava em proporção a procura dos importadores europeus. Pela lei de 22 de março de 1663 man

tação geral da colônia quase se super pusera à do açúcar.

quarto o valor das moedas do neino.

üiíjiÚiiAÉji^ilinÉi

dou Dom Afonso VI levantar de um


57

Digesto Econóaoco

sou a valer meio milhão de libras ester

R grande erise eeonómieo-finaneeira do Brasil nos fins do século XÜII por Afonso d'E. Taunay

'

Especiai. para o

Dicesto Econômico'

(Da Academia Brasileira de Lelras)

linas para atingir o milhão em 1585, dois milhões em 1597 (?) e dois milhões e meio em 1630.

Entram aí em cena os holandeses per turbando imenso a produção açucareira. Donde a alta do produto cuja exportação valeu três milhões de esterlinos em 1635 a três e meio em 1645.

Expulso o "belga", como lhe chama vam os nossos cronistas, e recomeçan

do a produção pernambucana a se ativar,

Era a vida econômica dos colonos brasileiros perturbada, ou antes flagelada,

por uma série de medidas administrativas ineptas e odiosas. As extorsões

do redime tributário, organizado sôbre bases absurdas, eram agravadas pelos privilégios. Asfixiante pára o comércio e o progresso do país mostrou-se, du rante todo o período colonial, a escassez do meio circulante, dando lugar a

complicações que nunca puderam ser evitadas.

ocorreu no entanto a concorrência anti-

Ihana, fruto da restauração brasileira de 1654.

Baixou o valor da exportação a três

^'^DOTou a Exposição Nacional

>

Gomemoratíva do segundo centenário da introdução do ca-

mércio brasileiro.

Num milésimo que inexplicavelmente,

traordinárias as aperturas da Colônia. E duas causas lhe agravavam, ano por ano, a situação eeonómieo-finaneei

quanto aos dois primeiros séculos.

2.535:142$800

E

Ouro

614:400$000

realmente até os últimos anos da era

Fumo

344:650$000

Couros

201:800$000

seiscentista o grande esteio da economia brasileira, senão o único esteio, foi o

produto de

Total

"O mais rico e importante vegetavel* Da doce cana d'onde o assucar brota" como cantou Santa Rita Durão no "Caramuru".

Avalia Roberto Simonsen, com a gran de autoridade que é a sua, £536.000.000 o valor da colonial brasileira cabendo 300.000.000 ao açúcar ou por cento.

Pau Brasil

em exportação deste total sejam 58,8

O ouro e os diamantes arrolam-fe em

seguida com 170 milhões ou 31,7. Mas até 1700 expKJrtou o Brasil mise

48:000$000

3.744:292$80Õ

Foram pois as porcentagens, grosso modo:

Açúcar Ouro

Fumo 9,0 Couros 5,3 Pau Brasil 1,3 Assim a economia brasileira seiscentis

ta girava em tôrno do açúcar em todo o século XVII.

Segundo o gráfico de R. Simonsen ("História Econômica do Brasil", 2, 222) de 1536 a 1570 andou a exporta

ráveis quantidades de ouro de modo

ção açucareira quasi estabilizada quanto

que, em sua plenitude, dominou o açú

ao valor, Nas vizinhanças de 1575 pas-

Achava-se o açúcar em persistente

baixa e decrescera a sua exportação gra

incerta.

mente deserto, em que por completo

Exportação brasileira Para os fins do século e cada vez

mais a

,

,.

j

As autoridades brasileuas, vendo esta

em espécie.

concorrência antilhana vinha

provocando sérias perturbações no mo

vimento da exportação brasileira a que ainda imenso prejudicara o surto epi dêmico da "bicha" (febre amarela) e

67,7 16,6

Épocas de Portugal Econômico").

rio, onde tôdas as transações se faziam

culante, num território imenso, pràtica-

Açúcar

(cf. "Idade do ouro e Diamantes em

faltava qualquer aparelhamento bancá

— tratando-se de homem de tal inteli

gência — mas milésimo que deve ter a exportação do Brasil para Portugal:

Valera o mil réis, em 1641, mais de

sete gramas de ouro para chegar a pouco mais de duas em 1700. Tratou João Lúcio de Azevedo ótimo

ças à competição colonial estrangeira e às epidemias entre a escravatura. Os fornecedores da importação prefe riam levar em retomo à Europa moeda em vez de mercadorias de colocação

ra. A persistente baixa do açúcar e a

época (1927) a mais perfeita verdade. zer em relação ao Brasil Colonial "Saocharum Brasiliae Fulcrum", sobretudo

depois continuada até 1700.

tista a era dos grandes achados de ouro.

liae Fulcrum" o que aliás representa na

ocorrido entre 1700 e 1710, foi esta

restauração portuguesa de 1640. A prin

cípio a mais fundo em 1641, vertical e

quadro da situação econômica do Brasil,

escassez cada vez maior do meio cir

Parafraseando tal lema poderemos di

E o câmbio mostrava a grave depre ciação do real português. Tivera esta enorme depressão com a

ao se encetar na última década seiscen

o preciosíssimo Antonil deixou de fixar

feeiro no Brasil a divisa "Coffea Brasi-

derantíssimo, portantoi

zentos mil em 1680 e a dois milhões em 1690.

car da maneira mais incontestável o co

de 4 milhões. Em 1690 apenas .... £ 2.000.000 mas para um total de 2.300.000 com um coeficiente prepon-

milhões em 1660, a dois,milhões e tre Para os fins do século XVII eram ex

<

Em 1650 exportava o Brasil .... £ 2.750.000 de açúcar para um total

pouco depois outro, formidável, de vaííola dizimadora da escrúvatura per

nambucana,já perturbada pela fuga dos cativos que se açoitavam nos quilombos palmarenses.

Apresenta Roberto Simonsen num dos seus excelentes gráficos (tomo 2, 222) a correlação da exportação do Brasil e do mil réis no período colonial.

evasão do seu já tão escasso numerário, recorreram ao velho método medieval, e

sempre tão ilusório, da elevação do valor nominal da moeda.

Vinha a crise de longa data.

Em

1626 depois do descalabro da bivasão holandesa a Câmara da Cidade do Sa vador pedira que as patacas corressem a 360 réis "para que assim se nao le vasse o dinheiro deste Estado do Brasil

o que é causa de se abater em mmto os preços dos fretes de terra . _ Mas o efeito esperado era e nao podia deixar de ser ilusório porque se os gê neros de consumo encareciam nem por

Entre 1650 e 1670 a linha de expor

isto aumentava em proporção a procura dos importadores europeus. Pela lei de 22 de março de 1663 man

tação geral da colônia quase se super pusera à do açúcar.

quarto o valor das moedas do neino.

üiíjiÚiiAÉji^ilinÉi

dou Dom Afonso VI levantar de um


II ifunvjimuiu. 58

OiGESTO Econômico

Dicesto Econômico

As patacas em Portugal começaram a

Circunstâncias peculiares concorriam

correr como se valessem 600 réis, e no

para agravar as angústias da vida geral, partícularmente a d^as classes laboriosas.

Brasil como 640 réis.

Continuava a vigorar a mentalidade de 1622 procurando-se reter o numerá rio na Colônia.

Mas o alvará de 23 de março de 1679

ordenou que as patacas se marcassem

pelo valor corrente pagando os seus de tentores a diferença dos dois \'intens, à Fazenda Real.

Foi isto que deu ensejo à questão da "baixa da moeda" que flagelou o Brasil de fins do século XVII provocan

Asfixíante para o comércio e o progresso

do país, mostrou-se, , durante todo o período coloniah a escassez do meio cir

culante, dando lugar a complicações que nunca puderam ser evitadas.

A princípio não havia dinheiro senão nas capitais, e ésse mesmo só nas mãos

dos ricos e dos grandes traficantes. No interior não se conhecia moeda.

59

Brasil moedas de Espanha, mesmo de pois da cunhagem ser feita na América. Mas o ouro e a prata amoedada na me trópole deviam ser no Brasil marcados

tão muito interessante para os fastos pau listas, caso para nós e algumas autori dades do maior peso, como Severino

antes de entrar em circulação, e quasi

líquido. E para outros controvertido mas apenas, por mero "palpite" e argu

sempre com algum acréscimo de valor. Freqüentemente se mandava recolher as moedas em giro para as carimbar de Tinha por fim tal medida evitar que se

dade de S. Paulo no Jaraguá. Era pois natural que em S. Paulo aparecessem as

do longos e sanguinolentos conflitos em São Paulo.

rard de Lavai em 1610.

que aumentava de estima.

primeiro a chamar a atenção em sua "Paulística".

Brasil, escreve o aventureiro francês.

O governador do Rio de Janeiro, Dom Manuel Lobo, defendendo os interesses

de seus jurisdicionados recusou-se a pu blicar ò alvará.

Representou ao Príncipe Regente, fu

turo Pedro II, que não obstante a eleva ção do valor extrínseco continuava a emigração da moeda. Cada vez mais in

significante na capitania, totalmente in suficiente para o giro comercial se tor nava o meio circulante. A crise em São Paulo

Estudemos porém em São Paulo al

guns reflexos da longa crise quase se cular, em seus principais antecedentes esta questão da escassez extrema do numerário no Brasil seis.centista. Era a vida econômica dos colonos

brasileiros perturbada ou antes flagelada por uma série de medidas administrati vas as mais ineptas e odiosas.

As ex

torsões do regime tributário, organizado sôbrc bases as mais absurdas, eram gra vadas pelos privilégios. "Aos impostos excessivos e vexatórios ainda os exage rava a gana dos rendeiros", diz Rocha

pombo, com toda propriedade (cf. "His tória do Brasil", tomo V, p. 458),

O primeiro ouro do Brasil saiu como todos sabem dos arredores, da contigui-

Em princípio do século XVII, pelo menos,^ havia . enorme ainind.incía de numerário na Bahia conforme depôs Py_ "Nunca vi país em que a prata "seja tão abundante como neste lugar do

mentação chicanista e... fraquíssima.

novo, na Casa dos Contos da Balüa.

especulasse com a moeda, diminuindo-

Sôbre ôles foi Capistrano de Abreu o

Sombra e Álvaro de Sales de Oliveira,

-se-lhe o valor intrínseco, tanto das moe

primeiras moedas feitas no Brasil e que

das de ouro como das de prata: excedia sempre ao preço corrente, não só por

na vila piratiningana surgisse a primei ra Casa da Moeda do país.

As primeiras moedas brasileiras de

que há notícia documental foram de

A especulação 9o cerceio das moedas tomou-se porém vício geral, sobretudo

ouro, dizem-no as mais velhas referên

Quasi que não há dinheiro miúdo, ape

por parte dos ourives, sendo necessário

nas moeda de oito, quatro e dois réis.

mais

cias numisrnáticas ao nosso dispor: os "São Vicente", brasileiros, provàvelmén-

opressivas o vexatórias. Quando não desfalcavam as moedas no peso, fun

a- bela montanha do planalto paulistano.

A metade desta vale cinco soldos (fran ceses) havendo em Portugal procura das moedas de cinco soldos e a de seis

'blancs" para trocá-los por dinheiro miúdo com o fim de lucro.

Por muito pouco se usa de outras moedas que não sejam as de prata". Em muitas capitanias, recorda Rocha Pombo, até meados do sécu'o XVIII, não ^ se generalizou o uso da moeda metálica; e quando ela foi introduzida no Maranhão (de 1724 em diante) cau sou tal desordem em todas as relações da economia interna que as Câmaras e os próprios governadores clamaram para a Corte.

Das medidas que, sôbre o meio cir culante, vinham de Lisboa, provinham, antes de tudo, os grandes inconvenientes e desconcertos com que se lutava, aliás, não pecuUares à colônia, mas a todos

os países da Europa, antes que se ge neralizasse o uso do papel moeda. Era o próprio ouro amoedado, variando e

subindo continuadamente de valor, que produzia todas as perturbações.

tomar

contra

estes

as

medidas

diam o metal para obras.

Contra se-

melliantes abusos compreende-se que não havia meio de repressão possível. No intuito de atalhá-los valia-se a metró

pole, nos seus apuros, do recurso de ir . aumentando o valor dos padrões do mesmo peso.

O processo nada melhorou. Estabele

ceu-se em seguida que moeda alguma

da de Lisboa.

Também corriam no

Estas moedas se chamaram "São Vi

cente", por causa da procedência, as jazidas pobres, descobertas, em fins do século XVI, por Afonso Sardinha, em tomo de S. Paulo, vila da Capitania de

São Vicente, cujo nome oficial era, como se sabe, São Paulo do Campo de Piratininga.

É êste o depoimento de Simão de Vas concelos em porinenores de mera ocor

de prata e de ouro pudesse circular sem orla e serrilha, impondo-se pena rigorosa aos que "a usassem não estando nessas

rência, que se encontra repetido ém suas biografias de João de Ahneida e

condições".

de José de Ancliieta.

Tôdas essas pro\idências mostravam-se

contudo inúteis para remediar os males de que se queixavam os colonos; e nem mesmo quando se pensou que tudo pro, vinha de npo ter o Brasil moeda própria,

^

Quais seriam os cunhos destes Sao

Vicente"? Ninguém o sabe; não e.xiste

hoje uma só peça de nossa numismática que se possa identificar como tal atri buindo-lhe êste nome com alguma segu

e se resolveu fazer a cunhagem na

rança. Isto porém nada significa. Nas

Bahia, nem assim se deu solução àquela

mesmas condições estão inúmeras outras, barras e moedas nossas, por exemplo, cunhadas na Casa da Moeda de São

desordem que afetava tão profundamen te toda a economia da Colônia (Rocha Pombo). * sf«

A moeda que circulava na Bahia e em, outros centros maiores vinha cunha

te fabricados com o metal do Jaraguá,

Abramos porém a propósito de escas

Paulo no decorrer de largo período de

que, segundo dizem os entendidos, não

existe uma só peça identificada. A moeda quinhentista e seiscehtista, chamada "São Vicente", por causa de

sez do meio circulante um parêntese

sua origem, repetimo-lo, poderia ser in

para apresentar aos leitores uma ques-

teiramente diversa da portuguesa, assim


II ifunvjimuiu. 58

OiGESTO Econômico

Dicesto Econômico

As patacas em Portugal começaram a

Circunstâncias peculiares concorriam

correr como se valessem 600 réis, e no

para agravar as angústias da vida geral, partícularmente a d^as classes laboriosas.

Brasil como 640 réis.

Continuava a vigorar a mentalidade de 1622 procurando-se reter o numerá rio na Colônia.

Mas o alvará de 23 de março de 1679

ordenou que as patacas se marcassem

pelo valor corrente pagando os seus de tentores a diferença dos dois \'intens, à Fazenda Real.

Foi isto que deu ensejo à questão da "baixa da moeda" que flagelou o Brasil de fins do século XVII provocan

Asfixíante para o comércio e o progresso

do país, mostrou-se, , durante todo o período coloniah a escassez do meio cir

culante, dando lugar a complicações que nunca puderam ser evitadas.

A princípio não havia dinheiro senão nas capitais, e ésse mesmo só nas mãos

dos ricos e dos grandes traficantes. No interior não se conhecia moeda.

59

Brasil moedas de Espanha, mesmo de pois da cunhagem ser feita na América. Mas o ouro e a prata amoedada na me trópole deviam ser no Brasil marcados

tão muito interessante para os fastos pau listas, caso para nós e algumas autori dades do maior peso, como Severino

antes de entrar em circulação, e quasi

líquido. E para outros controvertido mas apenas, por mero "palpite" e argu

sempre com algum acréscimo de valor. Freqüentemente se mandava recolher as moedas em giro para as carimbar de Tinha por fim tal medida evitar que se

dade de S. Paulo no Jaraguá. Era pois natural que em S. Paulo aparecessem as

do longos e sanguinolentos conflitos em São Paulo.

rard de Lavai em 1610.

que aumentava de estima.

primeiro a chamar a atenção em sua "Paulística".

Brasil, escreve o aventureiro francês.

O governador do Rio de Janeiro, Dom Manuel Lobo, defendendo os interesses

de seus jurisdicionados recusou-se a pu blicar ò alvará.

Representou ao Príncipe Regente, fu

turo Pedro II, que não obstante a eleva ção do valor extrínseco continuava a emigração da moeda. Cada vez mais in

significante na capitania, totalmente in suficiente para o giro comercial se tor nava o meio circulante. A crise em São Paulo

Estudemos porém em São Paulo al

guns reflexos da longa crise quase se cular, em seus principais antecedentes esta questão da escassez extrema do numerário no Brasil seis.centista. Era a vida econômica dos colonos

brasileiros perturbada ou antes flagelada por uma série de medidas administrati vas as mais ineptas e odiosas.

As ex

torsões do regime tributário, organizado sôbrc bases as mais absurdas, eram gra vadas pelos privilégios. "Aos impostos excessivos e vexatórios ainda os exage rava a gana dos rendeiros", diz Rocha

pombo, com toda propriedade (cf. "His tória do Brasil", tomo V, p. 458),

O primeiro ouro do Brasil saiu como todos sabem dos arredores, da contigui-

Em princípio do século XVII, pelo menos,^ havia . enorme ainind.incía de numerário na Bahia conforme depôs Py_ "Nunca vi país em que a prata "seja tão abundante como neste lugar do

mentação chicanista e... fraquíssima.

novo, na Casa dos Contos da Balüa.

especulasse com a moeda, diminuindo-

Sôbre ôles foi Capistrano de Abreu o

Sombra e Álvaro de Sales de Oliveira,

-se-lhe o valor intrínseco, tanto das moe

primeiras moedas feitas no Brasil e que

das de ouro como das de prata: excedia sempre ao preço corrente, não só por

na vila piratiningana surgisse a primei ra Casa da Moeda do país.

As primeiras moedas brasileiras de

que há notícia documental foram de

A especulação 9o cerceio das moedas tomou-se porém vício geral, sobretudo

ouro, dizem-no as mais velhas referên

Quasi que não há dinheiro miúdo, ape

por parte dos ourives, sendo necessário

nas moeda de oito, quatro e dois réis.

mais

cias numisrnáticas ao nosso dispor: os "São Vicente", brasileiros, provàvelmén-

opressivas o vexatórias. Quando não desfalcavam as moedas no peso, fun

a- bela montanha do planalto paulistano.

A metade desta vale cinco soldos (fran ceses) havendo em Portugal procura das moedas de cinco soldos e a de seis

'blancs" para trocá-los por dinheiro miúdo com o fim de lucro.

Por muito pouco se usa de outras moedas que não sejam as de prata". Em muitas capitanias, recorda Rocha Pombo, até meados do sécu'o XVIII, não ^ se generalizou o uso da moeda metálica; e quando ela foi introduzida no Maranhão (de 1724 em diante) cau sou tal desordem em todas as relações da economia interna que as Câmaras e os próprios governadores clamaram para a Corte.

Das medidas que, sôbre o meio cir culante, vinham de Lisboa, provinham, antes de tudo, os grandes inconvenientes e desconcertos com que se lutava, aliás, não pecuUares à colônia, mas a todos

os países da Europa, antes que se ge neralizasse o uso do papel moeda. Era o próprio ouro amoedado, variando e

subindo continuadamente de valor, que produzia todas as perturbações.

tomar

contra

estes

as

medidas

diam o metal para obras.

Contra se-

melliantes abusos compreende-se que não havia meio de repressão possível. No intuito de atalhá-los valia-se a metró

pole, nos seus apuros, do recurso de ir . aumentando o valor dos padrões do mesmo peso.

O processo nada melhorou. Estabele

ceu-se em seguida que moeda alguma

da de Lisboa.

Também corriam no

Estas moedas se chamaram "São Vi

cente", por causa da procedência, as jazidas pobres, descobertas, em fins do século XVI, por Afonso Sardinha, em tomo de S. Paulo, vila da Capitania de

São Vicente, cujo nome oficial era, como se sabe, São Paulo do Campo de Piratininga.

É êste o depoimento de Simão de Vas concelos em porinenores de mera ocor

de prata e de ouro pudesse circular sem orla e serrilha, impondo-se pena rigorosa aos que "a usassem não estando nessas

rência, que se encontra repetido ém suas biografias de João de Ahneida e

condições".

de José de Ancliieta.

Tôdas essas pro\idências mostravam-se

contudo inúteis para remediar os males de que se queixavam os colonos; e nem mesmo quando se pensou que tudo pro, vinha de npo ter o Brasil moeda própria,

^

Quais seriam os cunhos destes Sao

Vicente"? Ninguém o sabe; não e.xiste

hoje uma só peça de nossa numismática que se possa identificar como tal atri buindo-lhe êste nome com alguma segu

e se resolveu fazer a cunhagem na

rança. Isto porém nada significa. Nas

Bahia, nem assim se deu solução àquela

mesmas condições estão inúmeras outras, barras e moedas nossas, por exemplo, cunhadas na Casa da Moeda de São

desordem que afetava tão profundamen te toda a economia da Colônia (Rocha Pombo). * sf«

A moeda que circulava na Bahia e em, outros centros maiores vinha cunha

te fabricados com o metal do Jaraguá,

Abramos porém a propósito de escas

Paulo no decorrer de largo período de

que, segundo dizem os entendidos, não

existe uma só peça identificada. A moeda quinhentista e seiscehtista, chamada "São Vicente", por causa de

sez do meio circulante um parêntese

sua origem, repetimo-lo, poderia ser in

para apresentar aos leitores uma ques-

teiramente diversa da portuguesa, assim


DiCESTo Econômico

60

também denominada, pelo fato de que, em seus cunhos, aparecia a efígie do Santo deste nome, padroeiro da cidade

ca? Da circunstância de que os primei ros guinéus, cujo valor era então de

de Lisboa. Assim não há absolutamente motivos

curo africano da Guiné!

moedas designadas pelos nomes.de pro cedência? De pronto nos ocorre o "ma-

quanto aos valores.

A única coisa que o Provincial afirmou vem a ser, "de ouro se batem moedas,

chamadas (com o mesmo nome da ter ra) de São Vicente". Portanto, "moeda de São Vicente",

a saber, "moeda procedente de São Vicente", "da Capitania de São Vicente

Quanto aos seus cunhos repeti-

mo-Io; nenhum numismata os identifi

cou até à presente data. Talvez para o

futuro se poderá algum dia fazê-lo.

setenta mil oitavas cêrca de duzentos e

cinqüenta quilos de ouro. Isto hoje re

laquez". E na numismática universal o

presentaria um valor intrínseco de sete

niil contos de réis, e uma capacidade

mesmo se dá com o tão conhecido "besante".

aquisitiva talvez trezentas vêzes maior

do que esta quantia. É evidente que tais dados traduzem formidável exageração. Ver-se-ia Afonso

Para nós não pode haver dúvida: as primeiras moedas cunhadas no Brasil

foram de ouro e procederam da Capita nia de São Vicente. E pensamos que a

Sardinha mais rico do que os famosos Fueger, os célebres banqueiros de Augs-

nossa tese reforçará, notavelmente, a

burgo, acerca de quem naquele tempo, em tôda monarquia filipina, circulava o

prova de que a pr.meira Casa da Moeda,

oficial, criada no Brasil, e de que há noticia

documentada

existiu

em

brocardo, "rico como um Fueger!" exa tamente como hoje diríamos rico como

São

Paulo.

É, insofismàvelmente, pelo menos, de

um Rothschild!

Seria admissível no Brasil, de fins da

1633, em diante. A documentação mu

era quinhentista, Creso de tal tomo? e com tão pequena projeção histórica?

nicipal paulistana, as asseverações de

Pedro Taques, os papéis do Arquivo de Mar.nha e Ultramar, que invocaremos,

Outros enigmas

Mas isto nada quer dizer.

cruzados uns quarenta e oito contos de réis, talvez ou aproximadamente umas

Na numismática portuguesa não liá

ü São Vicente brasileiro, de existência

denunciada por Simao de Vasconcelos, haja sido idêntico ao seu homônimo por tuguês quer quanto à cunhagem quer

Segundo o cálculo de Calógeras (As Minas do Brasil I, 29), valendo então a oitava 600 réis, seriam êstes 80.000

vinte shillings, foram cunhados com o

para se estabelecer, como premissa, que

Está o

passado do Brasil cheio de enigmas des ta ordem e de todas as naturezas, em numerosos ramos da heurística.

Foi Cajjistrano quem, com a formi

dável ar^cia, apontou aos estudiosos este caso dos São Vicente brasileiros.

to de concordâncias que para nós a devada a cabo por meio dos austeros pro

cessos da austeríssima escola do mestre

ro cunhado no Brasil.

ras sido cimhadas em Santo Amaro ou em Pernambuco e circulassem sob o nome de "Santo Amaro" e "Pemambu-

cos" ou mais simplesmente "Brasis", ne

nhuma dúvida excitaria este problema. Isto de se designar uma moeda, pelo lugar de origem é fato que muito se repete. Abundam os exemplos de tal,

Como tanto é sabido Afonso Sardinha,

sa em Lisboa, e em 1658, hoje uma das

maiores preciosidades bibliográficas bra sileiras, lê-se: "E no presente já em San Vicente se bate Moeda d'ouro e he ali o dinheiro ordinário" Catorze anos mais tarde, em 1672,

portanto, ao se imprimir a. "Vida do

Padre Joseph de Anchieta" (pag. 134),

publicação aliás póstuma, pormenorizaria a prosa do ilustre Provincial do Bra

sil, recém-falecido no Rio de Janeiro, a

29 de setembro de 1671: "E também farta riqueza, por serem

minadas stias entranlias de ouro, e muito

genero de metaes.

Do ouro se batem

moedas, chamadas (com o mesmo nome

da terra) São Vicente.

E quando isto

escrevo se diz que apparecem minas

de prata de grande rendimento".

Êstes dois tópicos corroboram, iniludivelmente, os documentos afirmativos

de que, já antes de 16^, se fabricava

moeda de oiuo no Brasil, na Capitania

de São Vicente, na Casa da Moeda da

Vila de S. Paulo, a primeira que parece

ter existido em nosso país. Nada mais natural do que a locali

zação de tál estabelecimento em São Paulo, primeir«-. região da Colônia onde surgira o metal do Rei Midas.

ba) e na de Biráçoyava (no sertão do

rio Sorocaba) ouro, prata e ferro, pelos anos de 1597. (Registro Geral da Câ mara de São Paulo, ano de 1600, pags. 36 e 36 v). Destas faisqueiras pobres do Jara guá e Ivuturuna, e da Jaguamimbaba,

■í, w.?»

extraiu Afonso Sardinha, segundo reza o

FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL

seu testamento, de 1594, oitenta mil .cru

quer na numismática portuguesa quer

zados de metal, em pó, o que era imenso

na universal.

para o tempo.

quisito nome, para uma moeda britâni-

Cético e irônico declara Capistrano que, a seu ver, nesse montículo aurífero muito "ogó" haveria,

Haverá pessoa civilizada que ignore o que seja o guinéu? Donde vem tão es

^

Na "Vida do Padre Joam d'Almeida" (Livro IV, pags. 119) biografia impres

Mendes Fradique.

São Paulo), na de Ivuturuna (em Pamai-

Se, ])or acaso,

reluzente...

Vejamos porém o texto exato das refe rências documentais ao primeiro dinhei

mônima de Portugal.

houvessem as primeiras moedas brasilei

Muito "ogd"

ocorria mesmo nesse montão de ouro

negação de tal fato só poderá ser le

nalar tal circunstância à da moeda ho

acertada, de imediatamente querer assi

Evidentemente não.

oportunamente, apresentam tal conjun

e seu filho e homônimo, tiveram a gló ria de descobrir ouro de lavagem nas Serras de Jaguamimbaba e Jaraguá (em

Mas teve a idéia, a nosso ver, pouco

61

Dicksto Econômico

17

Os Estados Unidos completaram o pagamento dos US$2.750.000.000,00 que

subscreveram para o Fundo Monetário Internacional.

Esse pagamento provocou

uma redução de US$678.100.000,00 nas reservas ouro daquêle pots, as quais montam a cêrca de metade do total das reservas mundiais. ..

'

I >■ I I r 11 ■■ niÉ i

....


DiCESTo Econômico

60

também denominada, pelo fato de que, em seus cunhos, aparecia a efígie do Santo deste nome, padroeiro da cidade

ca? Da circunstância de que os primei ros guinéus, cujo valor era então de

de Lisboa. Assim não há absolutamente motivos

curo africano da Guiné!

moedas designadas pelos nomes.de pro cedência? De pronto nos ocorre o "ma-

quanto aos valores.

A única coisa que o Provincial afirmou vem a ser, "de ouro se batem moedas,

chamadas (com o mesmo nome da ter ra) de São Vicente". Portanto, "moeda de São Vicente",

a saber, "moeda procedente de São Vicente", "da Capitania de São Vicente

Quanto aos seus cunhos repeti-

mo-Io; nenhum numismata os identifi

cou até à presente data. Talvez para o

futuro se poderá algum dia fazê-lo.

setenta mil oitavas cêrca de duzentos e

cinqüenta quilos de ouro. Isto hoje re

laquez". E na numismática universal o

presentaria um valor intrínseco de sete

niil contos de réis, e uma capacidade

mesmo se dá com o tão conhecido "besante".

aquisitiva talvez trezentas vêzes maior

do que esta quantia. É evidente que tais dados traduzem formidável exageração. Ver-se-ia Afonso

Para nós não pode haver dúvida: as primeiras moedas cunhadas no Brasil

foram de ouro e procederam da Capita nia de São Vicente. E pensamos que a

Sardinha mais rico do que os famosos Fueger, os célebres banqueiros de Augs-

nossa tese reforçará, notavelmente, a

burgo, acerca de quem naquele tempo, em tôda monarquia filipina, circulava o

prova de que a pr.meira Casa da Moeda,

oficial, criada no Brasil, e de que há noticia

documentada

existiu

em

brocardo, "rico como um Fueger!" exa tamente como hoje diríamos rico como

São

Paulo.

É, insofismàvelmente, pelo menos, de

um Rothschild!

Seria admissível no Brasil, de fins da

1633, em diante. A documentação mu

era quinhentista, Creso de tal tomo? e com tão pequena projeção histórica?

nicipal paulistana, as asseverações de

Pedro Taques, os papéis do Arquivo de Mar.nha e Ultramar, que invocaremos,

Outros enigmas

Mas isto nada quer dizer.

cruzados uns quarenta e oito contos de réis, talvez ou aproximadamente umas

Na numismática portuguesa não liá

ü São Vicente brasileiro, de existência

denunciada por Simao de Vasconcelos, haja sido idêntico ao seu homônimo por tuguês quer quanto à cunhagem quer

Segundo o cálculo de Calógeras (As Minas do Brasil I, 29), valendo então a oitava 600 réis, seriam êstes 80.000

vinte shillings, foram cunhados com o

para se estabelecer, como premissa, que

Está o

passado do Brasil cheio de enigmas des ta ordem e de todas as naturezas, em numerosos ramos da heurística.

Foi Cajjistrano quem, com a formi

dável ar^cia, apontou aos estudiosos este caso dos São Vicente brasileiros.

to de concordâncias que para nós a devada a cabo por meio dos austeros pro

cessos da austeríssima escola do mestre

ro cunhado no Brasil.

ras sido cimhadas em Santo Amaro ou em Pernambuco e circulassem sob o nome de "Santo Amaro" e "Pemambu-

cos" ou mais simplesmente "Brasis", ne

nhuma dúvida excitaria este problema. Isto de se designar uma moeda, pelo lugar de origem é fato que muito se repete. Abundam os exemplos de tal,

Como tanto é sabido Afonso Sardinha,

sa em Lisboa, e em 1658, hoje uma das

maiores preciosidades bibliográficas bra sileiras, lê-se: "E no presente já em San Vicente se bate Moeda d'ouro e he ali o dinheiro ordinário" Catorze anos mais tarde, em 1672,

portanto, ao se imprimir a. "Vida do

Padre Joseph de Anchieta" (pag. 134),

publicação aliás póstuma, pormenorizaria a prosa do ilustre Provincial do Bra

sil, recém-falecido no Rio de Janeiro, a

29 de setembro de 1671: "E também farta riqueza, por serem

minadas stias entranlias de ouro, e muito

genero de metaes.

Do ouro se batem

moedas, chamadas (com o mesmo nome

da terra) São Vicente.

E quando isto

escrevo se diz que apparecem minas

de prata de grande rendimento".

Êstes dois tópicos corroboram, iniludivelmente, os documentos afirmativos

de que, já antes de 16^, se fabricava

moeda de oiuo no Brasil, na Capitania

de São Vicente, na Casa da Moeda da

Vila de S. Paulo, a primeira que parece

ter existido em nosso país. Nada mais natural do que a locali

zação de tál estabelecimento em São Paulo, primeir«-. região da Colônia onde surgira o metal do Rei Midas.

ba) e na de Biráçoyava (no sertão do

rio Sorocaba) ouro, prata e ferro, pelos anos de 1597. (Registro Geral da Câ mara de São Paulo, ano de 1600, pags. 36 e 36 v). Destas faisqueiras pobres do Jara guá e Ivuturuna, e da Jaguamimbaba,

■í, w.?»

extraiu Afonso Sardinha, segundo reza o

FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL

seu testamento, de 1594, oitenta mil .cru

quer na numismática portuguesa quer

zados de metal, em pó, o que era imenso

na universal.

para o tempo.

quisito nome, para uma moeda britâni-

Cético e irônico declara Capistrano que, a seu ver, nesse montículo aurífero muito "ogó" haveria,

Haverá pessoa civilizada que ignore o que seja o guinéu? Donde vem tão es

^

Na "Vida do Padre Joam d'Almeida" (Livro IV, pags. 119) biografia impres

Mendes Fradique.

São Paulo), na de Ivuturuna (em Pamai-

Se, ])or acaso,

reluzente...

Vejamos porém o texto exato das refe rências documentais ao primeiro dinhei

mônima de Portugal.

houvessem as primeiras moedas brasilei

Muito "ogd"

ocorria mesmo nesse montão de ouro

negação de tal fato só poderá ser le

nalar tal circunstância à da moeda ho

acertada, de imediatamente querer assi

Evidentemente não.

oportunamente, apresentam tal conjun

e seu filho e homônimo, tiveram a gló ria de descobrir ouro de lavagem nas Serras de Jaguamimbaba e Jaraguá (em

Mas teve a idéia, a nosso ver, pouco

61

Dicksto Econômico

17

Os Estados Unidos completaram o pagamento dos US$2.750.000.000,00 que

subscreveram para o Fundo Monetário Internacional.

Esse pagamento provocou

uma redução de US$678.100.000,00 nas reservas ouro daquêle pots, as quais montam a cêrca de metade do total das reservas mundiais. ..

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DiGESTO Econômico m ^

CORNELIUS VANDERBILT 17 9 4

18 7 7

JOSÉ noNOmo noDmcüÉS

consegue o monopólio, aumenta proCTcssivamente as passagens e fretes e so um

apurar

rera para os seus naNuos se dá conta do logro de que fòra vítima.

trazidas

Relações biteriorci, e dire

Nessa luta contra os competidores,

blioteca NacionilJ

Cornelius usou abundantemente do^ re

"{tfos Estados Uni-

Benjamin Franklin

quanto

dos dos oitocen-

tos eram desconhe

nheiro

capital que a ge

em

ração deste século

ra civil americana, uma fortuna de 15

econo

mente juntando di

ções individuais de

ainda era ali de tal modo rara a palavra milionário que, quando usada, ia signi ficativamente grifada. Durante a guer

à

mia, o jovem Van derbilt foi rapida

cidas as incomensuráveis acumula

iria conhecer e exatamente há cem anos

e,

dentro

pouco, come

çou a construir os

seus próprios barcos, dedicando-se à na

vegação de pequena cabotagem. Com a invenção do navio a vapor, em 1817 êle vende seus barcos e se torna capitão

milhões de dólares era encarada como

de um vapor que fazia a rota de Nova Iorque e alguns pontos da costa de New

algo de realmente monumental. Por aí

Jersey, permanecendo doze anos nesse

se pode calcular o espanto que, em 1877,

emprego.

ao morrer Comelius Vanderbilt, o pri meiro dos grandes multi-milionários ame ricanos, causou a notícia de que êle dei xara 105 milhões de dólares, dos quais se calcula que 90 milhões tenham sido adquiridos nos últimos quinze anos de

lher explorava uma taberna em New

sua vida.

Filho de um pobre fazendeiro, Cornelius aos doze anos mal sabia assinar o

nome e j"á aos dezesseis o vemos empre

gado numa pequena barca de transporte

Campeão do monopólio

Especial para o "Dlgesto bcanúmlco'

tor de Obras Raras da Bi

Durante êsse tempo sua mu

Brunswick, New Jersey, para onde êles se haviam mudado, aumentando desse modo os rendimentos da família.

Na "História das Grandes Fortunas Americanas", Gustavus Myers nos conta que aos trinta e cinco anos Cornelius

Vanderbilt já possuía 30.000 dólares. Começa a construir seus próprios vapo res e habilmente vai, pouco a pouco,

deputado Davis, mas durante dois anos

o Congresso nenhum esfôrço fez para

pouco tarde demais o público que acor

JProiessur dü instituto "Uto Branco", do Ministério das

63

curso ao suborno aos agentes do governo local que tinham competência para a

concessão de privilégios no porto de Nova Iorque e fazia quanto estava ^ao

seu alcance para que as remunerações de seus empregados fossem tão baixas quanto longas as horas de serviço. Nos

a ao

veracidade seu

das

revelações

conhecimento.

Em

1870, porém, as queixas de corrupção no sistema postal se tomaram tão nume rosas que, afinal, íoi nomeada uma comissão para apurar os fatos aponta

dos. Como era de esperar, nada resul tou daí, e durante quinze anos Vander bilt e seus associados conseguiram sus tar o andamento de todos os projetos apresentados ao Congresso sobre a re dução do porte de correio. Essa ma nobra em relação a Collins & Co. ren

deu-lhe durante anos importâncias que desempenharam papel fundamental nci

próximos cinco anos desenvolveu grande

enorme crescimento posterior de sua

mente a sua frota mercante e aos qua

fortuna.

renta anos era possuidor de meio mi lhão de dólares.

Nessa época o governo dava subsídios às emprêsas de transporte que se en

carregavam do serviço de correio. Alem do subsídio, elas cobravam uma taxa de porte que, por .si só, já era ^ pratica mente remimeratória. O subsidio, en tretanto, era de tal modo elevado que

dentro de poucos anos de execução des se sistema o serviço postal já estava so brecarregado com um "déficit" de 5 milhões de dólares. O transporte postal para a Califórnia era feito por E. K.

Contra os gastos supérfluos sessenta e nove anos, Comelius

Vanderbilt era um velho forte, alto, ro

busto, cheio de energia e conhècido

como o Comodoro", pelos seus enor mes negócios marítimos. Ia começar

uma nova fase de sua vida, em que deuicou sua atenção quase que exclu-

^vamente às estradas de ferro que outoos haviam construído e sobre as quais ele^ nada sabia senão que elas e suas ações eram uma grande fonte de lucro.

Collins & Co., me

Então, como aos doze anos, seria in

diante um sulDsídio anual de 900.000 dólares. Vanderbilt

capaz de

escrever

de passageiros e carga entre Staten Is-

afastando de seu caminho os concorren tes. Inicialmente, oferece os serviços

land e Manhattan, em Nova Iorque. Cheio de iniciativa, esperto, sem muitos escrúpulos, e intuitivamente desenvol

de seus vapores, tanto de passageiros como de carga, a preços tão baratos que

também

vendo às maravilhas as máximas de

rem de puro prejuízo. Depois, quando

fito de concorrência, mas, em breve,

passava os olhos enquanto tomáva o

entrava em acordo com Collins & Co.,

P^fueno almoço.

no sentido de retirar-se dessa rota e

nômico, Comelius era

deixar-lhe o monopólio mediante uma compensação de 480.000 dólares por ano, depois elevada para 612.000 dó

com os filhos — doze ao todo, afora um

rosamente as despesas domésticas. Me

lares. Em 1858, as manobras de Van

tódico e morigerado se permitia muito

os outros não poàam agüentar por se

A primeira vista, o que mais nos impressiona na cairelra de Cornelius Vanderbilt,

ao lado de sua rápida ascensão, é a facilidade com que conseguia que a legislação se adaptasse aos seus interêsses. Mas logo compreendemos que assim fôsse

quando nos lembramos das observações de Charles Beard de que através dos

séculos e até hoje os interêsses de grupos têm sido reconhecidos como constituindo a verdadeira essência da política, tanto na teoria como na prática.

resolveu

corretamente as pa

explorar uma

lavras mais simples

linha

e suas leituras limi

de vapores para a Califórnia,

com

derbilt foram

tavam-se aos jornais

o

denunciadas

no , Gon-

gresso pelo senador Toombs e pelo

diários, em que êle

Extremamente eco muito severo

que morrera criança — e controlava rigo poucas distrações e apenas aquelas em

que não dispendesse muito.

Conta-se


l.JMIffUllJWpil l.i J

r^

DiGESTO Econômico m ^

CORNELIUS VANDERBILT 17 9 4

18 7 7

JOSÉ noNOmo noDmcüÉS

consegue o monopólio, aumenta proCTcssivamente as passagens e fretes e so um

apurar

rera para os seus naNuos se dá conta do logro de que fòra vítima.

trazidas

Relações biteriorci, e dire

Nessa luta contra os competidores,

blioteca NacionilJ

Cornelius usou abundantemente do^ re

"{tfos Estados Uni-

Benjamin Franklin

quanto

dos dos oitocen-

tos eram desconhe

nheiro

capital que a ge

em

ração deste século

ra civil americana, uma fortuna de 15

econo

mente juntando di

ções individuais de

ainda era ali de tal modo rara a palavra milionário que, quando usada, ia signi ficativamente grifada. Durante a guer

à

mia, o jovem Van derbilt foi rapida

cidas as incomensuráveis acumula

iria conhecer e exatamente há cem anos

e,

dentro

pouco, come

çou a construir os

seus próprios barcos, dedicando-se à na

vegação de pequena cabotagem. Com a invenção do navio a vapor, em 1817 êle vende seus barcos e se torna capitão

milhões de dólares era encarada como

de um vapor que fazia a rota de Nova Iorque e alguns pontos da costa de New

algo de realmente monumental. Por aí

Jersey, permanecendo doze anos nesse

se pode calcular o espanto que, em 1877,

emprego.

ao morrer Comelius Vanderbilt, o pri meiro dos grandes multi-milionários ame ricanos, causou a notícia de que êle dei xara 105 milhões de dólares, dos quais se calcula que 90 milhões tenham sido adquiridos nos últimos quinze anos de

lher explorava uma taberna em New

sua vida.

Filho de um pobre fazendeiro, Cornelius aos doze anos mal sabia assinar o

nome e j"á aos dezesseis o vemos empre

gado numa pequena barca de transporte

Campeão do monopólio

Especial para o "Dlgesto bcanúmlco'

tor de Obras Raras da Bi

Durante êsse tempo sua mu

Brunswick, New Jersey, para onde êles se haviam mudado, aumentando desse modo os rendimentos da família.

Na "História das Grandes Fortunas Americanas", Gustavus Myers nos conta que aos trinta e cinco anos Cornelius

Vanderbilt já possuía 30.000 dólares. Começa a construir seus próprios vapo res e habilmente vai, pouco a pouco,

deputado Davis, mas durante dois anos

o Congresso nenhum esfôrço fez para

pouco tarde demais o público que acor

JProiessur dü instituto "Uto Branco", do Ministério das

63

curso ao suborno aos agentes do governo local que tinham competência para a

concessão de privilégios no porto de Nova Iorque e fazia quanto estava ^ao

seu alcance para que as remunerações de seus empregados fossem tão baixas quanto longas as horas de serviço. Nos

a ao

veracidade seu

das

revelações

conhecimento.

Em

1870, porém, as queixas de corrupção no sistema postal se tomaram tão nume rosas que, afinal, íoi nomeada uma comissão para apurar os fatos aponta

dos. Como era de esperar, nada resul tou daí, e durante quinze anos Vander bilt e seus associados conseguiram sus tar o andamento de todos os projetos apresentados ao Congresso sobre a re dução do porte de correio. Essa ma nobra em relação a Collins & Co. ren

deu-lhe durante anos importâncias que desempenharam papel fundamental nci

próximos cinco anos desenvolveu grande

enorme crescimento posterior de sua

mente a sua frota mercante e aos qua

fortuna.

renta anos era possuidor de meio mi lhão de dólares.

Nessa época o governo dava subsídios às emprêsas de transporte que se en

carregavam do serviço de correio. Alem do subsídio, elas cobravam uma taxa de porte que, por .si só, já era ^ pratica mente remimeratória. O subsidio, en tretanto, era de tal modo elevado que

dentro de poucos anos de execução des se sistema o serviço postal já estava so brecarregado com um "déficit" de 5 milhões de dólares. O transporte postal para a Califórnia era feito por E. K.

Contra os gastos supérfluos sessenta e nove anos, Comelius

Vanderbilt era um velho forte, alto, ro

busto, cheio de energia e conhècido

como o Comodoro", pelos seus enor mes negócios marítimos. Ia começar

uma nova fase de sua vida, em que deuicou sua atenção quase que exclu-

^vamente às estradas de ferro que outoos haviam construído e sobre as quais ele^ nada sabia senão que elas e suas ações eram uma grande fonte de lucro.

Collins & Co., me

Então, como aos doze anos, seria in

diante um sulDsídio anual de 900.000 dólares. Vanderbilt

capaz de

escrever

de passageiros e carga entre Staten Is-

afastando de seu caminho os concorren tes. Inicialmente, oferece os serviços

land e Manhattan, em Nova Iorque. Cheio de iniciativa, esperto, sem muitos escrúpulos, e intuitivamente desenvol

de seus vapores, tanto de passageiros como de carga, a preços tão baratos que

também

vendo às maravilhas as máximas de

rem de puro prejuízo. Depois, quando

fito de concorrência, mas, em breve,

passava os olhos enquanto tomáva o

entrava em acordo com Collins & Co.,

P^fueno almoço.

no sentido de retirar-se dessa rota e

nômico, Comelius era

deixar-lhe o monopólio mediante uma compensação de 480.000 dólares por ano, depois elevada para 612.000 dó

com os filhos — doze ao todo, afora um

rosamente as despesas domésticas. Me

lares. Em 1858, as manobras de Van

tódico e morigerado se permitia muito

os outros não poàam agüentar por se

A primeira vista, o que mais nos impressiona na cairelra de Cornelius Vanderbilt,

ao lado de sua rápida ascensão, é a facilidade com que conseguia que a legislação se adaptasse aos seus interêsses. Mas logo compreendemos que assim fôsse

quando nos lembramos das observações de Charles Beard de que através dos

séculos e até hoje os interêsses de grupos têm sido reconhecidos como constituindo a verdadeira essência da política, tanto na teoria como na prática.

resolveu

corretamente as pa

explorar uma

lavras mais simples

linha

e suas leituras limi

de vapores para a Califórnia,

com

derbilt foram

tavam-se aos jornais

o

denunciadas

no , Gon-

gresso pelo senador Toombs e pelo

diários, em que êle

Extremamente eco muito severo

que morrera criança — e controlava rigo poucas distrações e apenas aquelas em

que não dispendesse muito.

Conta-se


-

. ,luM.

• fvfUn

II I ij.pi,

Digesto Econômico

64

65

Digesto Econômico

que pouco antes 8e morrer, depois de

rar a boa vontade de alguns diretores da companhia no sentido de fazer re

dico lhe prescreveu que tomasse diàriamente um pouco de champagne. Cor-

duzir os dividendos, a fim de que as a^es caíssem. Comprava então um

uma longa doença de oito meses, o mé

nelius fitou-o atônito e reylicou-lhe mui to sério; "Não posso pagar champagne.

Uma garrafa todos os dias! Ohf creio que a soda faria o mesmo efeito". O

homem que viera de baixo, juntando centavo por centavo, não podia acostu mar-se à idéia de qualquer gasto su pérfluo. Por outro lado, se vez por outra fazia — para usar a frase corrente — cortesias com o chapéu alheio, indig-

numero de açÕes suficiente para ga rantir-lhe o controle, procurava tomar

golpe e, às escondidas, fez comprar tòaas as ações disponíveis no mercado.

tava o capital e fazia as estradas-paga

rem altos dividendos mediante passa gens e fretes mais caros. Enquanto havia concorrência, os preços eram man tidos baixos para se elevarem muito mais

depois que havia sido assegurado o monopólio. Por êsse processo, que ao

feita vieram pedir-Uie uma contribuição

mente devido às enormes ^eser^'as em

dinheiro de que Vanderbilt podia dis

Vanderbilt assinou cem dólares em seu

por, seu capital aumentou em 15 anos

nome e cem dólares em nome de um

cêrça de ^ milhões de dólares, ou

amigo.

O outro pagou sem reclamar

citado um donativo para outra campa

seja numa proporção anual de 6 milhões.

nha, apressou-se a assinar também cem dólares em nome de Vanderbilt.

já estavam a 50 dólares, pelo fato de

Ao

se recusou a reembolsar o companheiro. As estradas de ferro

Do ponto de vista financeiro, o gran de sucesso de Comelius Vanderbilt se

verifica nos últimos quinze anos de sua

vida. Êle possuía, então, segundo os cálculos mais otimistas, 20 milhões de

dólares, , e, segundo os mais pessimis tas, 10 milhões. Dez ou vinte milhões, que já eram uma fortuna imensa para a

época, êle os iria empregar na compra de grandes sistemas ferroviários, usando para isso processos de audaciosa espe culação e inusitado efeito.

A facilidade com que êle se apode

rou da primeira estrada de ferro a que

tia às c-tradas pagar mais de lOX de dhidendo, o que estava prejudicando os interesses de Vanderbilt. Êste consegue

a aprovação de um diploma legal que

contratos

lhe

a

termo, Vanderbilt os fez

pagar 170 dólares por ação, realizando em pouco tempo um lucro de milhões

de dólares e adquirindo o controle da estrada de ferro New York and Harlem.

A seguir anexou uma' segunda ferro via, a New York and Hudson River que, de corto modo, era conconentc da

que ele já controlava. A incorporação ferrovias, que era o seu obje tivo final, era porém proibida, pelo

dava o direito de consolidar es-

tradas de ferro, concédendo-Uie pri%â-

légíos e outros direitos que valiam rniIhões de dólares, entre os quais o de aumentar o capital das empresas em

enorme proporção. Em pouco a New York Central e a Hudson River eram

consolidadas e seu capital duplicado.

Quarenta e quatro milhões^ de ações foram imprtessas e distribuídas como prêmio entre os acionistas. Falando ao Comitê Hepbum, que em 1869 fôra designado para investigar essa opera

ção fnanceira das ferrovias consohdadas, o advogado Simon Steme, coriselheiro

de várias organizações comerciais, dizia que tal aumento "não representara tra

Vanderbilt ter conseguido do Conselho

légio para uma linha de transporte em

balho maior do que o de fazer impri

certo trecho da Broadway. Essa his tória tem, certamente, ao lado de seus

mir as ações, sendo notório que o custo das duas estradas era menor do que os

aspectos pouco louváveis, certa dose de

44 milhões de dólares de aurnenm".

humorismo. Durante anos vários capi talistas haviam feito propostas para a obtenção do privilégio, cujo valor, em

Por meio dessa operação Vanderbilt

1863, era calculado em cêrca de 10 milhões de dólares. Vanderbilt e Ceorge Law, afinal, se empenhavam fre-

nètícamente pela concessão, aquêle iun-

to ao Conselho da Administração e este junto à Camara Municipal. Eis que alguns conselheiros conceberam o plano de realizar uma grande especulação na bôlsa: eles dariam o privilégio a Van derbilt, sabendo de antemão que o iudiciárío não homologaria tal concessão, e quando as ações subissem a 100 dó

tras, conforme veremos.

ciário negasse a validade do privilégio,

providências tratava, logo, de assegu

esta ferroiia ficou sob o seu controle, em 1867, e teve seu capital muito au mentado. A lei, entretanto, não permi

Quando os consemeiros e seus amigos

da Cidade de Nova Iorque um privi

d'rigiu suas vistas e na qual'investiu seus milhões, levou-o a conceber o plano de apropriar-se sucessivamente de ou Entre outras

Central, uma das mais ricas do país. Através de várias manipulações, também

quiseram comprar para cumprir os seus

Assim fez com a estrada de ferro

New York and Harlem, cujas ações com prou a 9 dólares e que pouco depois

ser-Uie cobrada esta importância, disse muito zangado que quando queria dar alguma coisa êle mesmo é quem dava e

culada, mas Vanderbilt teve ciência do

cientes, forçava a alta das ações, aumen

fim já operava qua.se que automàtica-

e pouco tempo depois, ao lhe ser soli

A operação sem dúvida fôra bem cal

os serviços econòmicamente mais efi

nava-se se alguém tentava repetir com êle o truque. Assim é que de certa

para determinada campanha política.

seus associados de Wall Strcet, comprar na baixa e entregar aos seus comprado res ao preço combinado de 90 dólares.

lares, eles venderiam a curto prazo pelo preço de 90 dólares.

Quando o judi

as ações cairiam e èles poderiam, com os

quase duplicou sua fortuna anterior.

receio de que pudesse favorecer o mo nopólio.

Não foi difícil a Vanderbilt

arranjar maioria para fazer passar uma

lei permissiva. Novamente, porém, al guns dos congressistas imaginaram apro veitar-se do projeto para uma especula ção vultosa. Fariam crer que o projeto seria aprovado, as ações subiriam e êles

vender am a curto prazo; então, rejei tariam o projeto e seria inevitável a queda das ações. Vanderbilt, como da

Sucessivamente, foram contro.adas a Lake Shore Railroad, a Canada Sou-

them e a Michigan Central. Também elas foram consolidadas e tiveram seu

capital aumentado.

Para garantir os

altos dú^idendos, o processo era, como

ainda hoje, o mais simples: aumentar os

fretes e passagens e fazer o publico pa gar o aumento.

Doações e os herdeiros Pouco antes de sua morte, Comelius

outra vez, soube da trama e comprou

Vanderbilt doou um milhão de dó ares

tòdas as ações oferecidas. Impôs depois o preço de 285 dólares por ação e rea

para a fundação da Universidade Van derbilt em NashviUe, Tennessee, para

lizou outro lucro de milhões de dólares.

a qual seus descendentes têm contribuí

Com o contro'e desta segunda estrada de ferro pensou, a seguir, na New York

do com somas adicionais de tempos em

tempos. Fez igualmente algumas doa-


-

. ,luM.

• fvfUn

II I ij.pi,

Digesto Econômico

64

65

Digesto Econômico

que pouco antes 8e morrer, depois de

rar a boa vontade de alguns diretores da companhia no sentido de fazer re

dico lhe prescreveu que tomasse diàriamente um pouco de champagne. Cor-

duzir os dividendos, a fim de que as a^es caíssem. Comprava então um

uma longa doença de oito meses, o mé

nelius fitou-o atônito e reylicou-lhe mui to sério; "Não posso pagar champagne.

Uma garrafa todos os dias! Ohf creio que a soda faria o mesmo efeito". O

homem que viera de baixo, juntando centavo por centavo, não podia acostu mar-se à idéia de qualquer gasto su pérfluo. Por outro lado, se vez por outra fazia — para usar a frase corrente — cortesias com o chapéu alheio, indig-

numero de açÕes suficiente para ga rantir-lhe o controle, procurava tomar

golpe e, às escondidas, fez comprar tòaas as ações disponíveis no mercado.

tava o capital e fazia as estradas-paga

rem altos dividendos mediante passa gens e fretes mais caros. Enquanto havia concorrência, os preços eram man tidos baixos para se elevarem muito mais

depois que havia sido assegurado o monopólio. Por êsse processo, que ao

feita vieram pedir-Uie uma contribuição

mente devido às enormes ^eser^'as em

dinheiro de que Vanderbilt podia dis

Vanderbilt assinou cem dólares em seu

por, seu capital aumentou em 15 anos

nome e cem dólares em nome de um

cêrça de ^ milhões de dólares, ou

amigo.

O outro pagou sem reclamar

citado um donativo para outra campa

seja numa proporção anual de 6 milhões.

nha, apressou-se a assinar também cem dólares em nome de Vanderbilt.

já estavam a 50 dólares, pelo fato de

Ao

se recusou a reembolsar o companheiro. As estradas de ferro

Do ponto de vista financeiro, o gran de sucesso de Comelius Vanderbilt se

verifica nos últimos quinze anos de sua

vida. Êle possuía, então, segundo os cálculos mais otimistas, 20 milhões de

dólares, , e, segundo os mais pessimis tas, 10 milhões. Dez ou vinte milhões, que já eram uma fortuna imensa para a

época, êle os iria empregar na compra de grandes sistemas ferroviários, usando para isso processos de audaciosa espe culação e inusitado efeito.

A facilidade com que êle se apode

rou da primeira estrada de ferro a que

tia às c-tradas pagar mais de lOX de dhidendo, o que estava prejudicando os interesses de Vanderbilt. Êste consegue

a aprovação de um diploma legal que

contratos

lhe

a

termo, Vanderbilt os fez

pagar 170 dólares por ação, realizando em pouco tempo um lucro de milhões

de dólares e adquirindo o controle da estrada de ferro New York and Harlem.

A seguir anexou uma' segunda ferro via, a New York and Hudson River que, de corto modo, era conconentc da

que ele já controlava. A incorporação ferrovias, que era o seu obje tivo final, era porém proibida, pelo

dava o direito de consolidar es-

tradas de ferro, concédendo-Uie pri%â-

légíos e outros direitos que valiam rniIhões de dólares, entre os quais o de aumentar o capital das empresas em

enorme proporção. Em pouco a New York Central e a Hudson River eram

consolidadas e seu capital duplicado.

Quarenta e quatro milhões^ de ações foram imprtessas e distribuídas como prêmio entre os acionistas. Falando ao Comitê Hepbum, que em 1869 fôra designado para investigar essa opera

ção fnanceira das ferrovias consohdadas, o advogado Simon Steme, coriselheiro

de várias organizações comerciais, dizia que tal aumento "não representara tra

Vanderbilt ter conseguido do Conselho

légio para uma linha de transporte em

balho maior do que o de fazer impri

certo trecho da Broadway. Essa his tória tem, certamente, ao lado de seus

mir as ações, sendo notório que o custo das duas estradas era menor do que os

aspectos pouco louváveis, certa dose de

44 milhões de dólares de aurnenm".

humorismo. Durante anos vários capi talistas haviam feito propostas para a obtenção do privilégio, cujo valor, em

Por meio dessa operação Vanderbilt

1863, era calculado em cêrca de 10 milhões de dólares. Vanderbilt e Ceorge Law, afinal, se empenhavam fre-

nètícamente pela concessão, aquêle iun-

to ao Conselho da Administração e este junto à Camara Municipal. Eis que alguns conselheiros conceberam o plano de realizar uma grande especulação na bôlsa: eles dariam o privilégio a Van derbilt, sabendo de antemão que o iudiciárío não homologaria tal concessão, e quando as ações subissem a 100 dó

tras, conforme veremos.

ciário negasse a validade do privilégio,

providências tratava, logo, de assegu

esta ferroiia ficou sob o seu controle, em 1867, e teve seu capital muito au mentado. A lei, entretanto, não permi

Quando os consemeiros e seus amigos

da Cidade de Nova Iorque um privi

d'rigiu suas vistas e na qual'investiu seus milhões, levou-o a conceber o plano de apropriar-se sucessivamente de ou Entre outras

Central, uma das mais ricas do país. Através de várias manipulações, também

quiseram comprar para cumprir os seus

Assim fez com a estrada de ferro

New York and Harlem, cujas ações com prou a 9 dólares e que pouco depois

ser-Uie cobrada esta importância, disse muito zangado que quando queria dar alguma coisa êle mesmo é quem dava e

culada, mas Vanderbilt teve ciência do

cientes, forçava a alta das ações, aumen

fim já operava qua.se que automàtica-

e pouco tempo depois, ao lhe ser soli

A operação sem dúvida fôra bem cal

os serviços econòmicamente mais efi

nava-se se alguém tentava repetir com êle o truque. Assim é que de certa

para determinada campanha política.

seus associados de Wall Strcet, comprar na baixa e entregar aos seus comprado res ao preço combinado de 90 dólares.

lares, eles venderiam a curto prazo pelo preço de 90 dólares.

Quando o judi

as ações cairiam e èles poderiam, com os

quase duplicou sua fortuna anterior.

receio de que pudesse favorecer o mo nopólio.

Não foi difícil a Vanderbilt

arranjar maioria para fazer passar uma

lei permissiva. Novamente, porém, al guns dos congressistas imaginaram apro veitar-se do projeto para uma especula ção vultosa. Fariam crer que o projeto seria aprovado, as ações subiriam e êles

vender am a curto prazo; então, rejei tariam o projeto e seria inevitável a queda das ações. Vanderbilt, como da

Sucessivamente, foram contro.adas a Lake Shore Railroad, a Canada Sou-

them e a Michigan Central. Também elas foram consolidadas e tiveram seu

capital aumentado.

Para garantir os

altos dú^idendos, o processo era, como

ainda hoje, o mais simples: aumentar os

fretes e passagens e fazer o publico pa gar o aumento.

Doações e os herdeiros Pouco antes de sua morte, Comelius

outra vez, soube da trama e comprou

Vanderbilt doou um milhão de dó ares

tòdas as ações oferecidas. Impôs depois o preço de 285 dólares por ação e rea

para a fundação da Universidade Van derbilt em NashviUe, Tennessee, para

lizou outro lucro de milhões de dólares.

a qual seus descendentes têm contribuí

Com o contro'e desta segunda estrada de ferro pensou, a seguir, na New York

do com somas adicionais de tempos em

tempos. Fez igualmente algumas doa-


Digesto Econômico

68

ções menores a igrejas e obras de cari

é a facilidade com que conseguia que a

dade, doações essas mesmas insignifi

legislação se adaptasse ao.s seus inte

cantes diante das que mais tarde iriam

resses. Mas logo compreendemos que assim fosse quando nos lembramos das

fazer os multi-milionários americanos. Em.seu testamento instituiu herdeiro

principal

seu

filho

William

Henry

(1821-1885), que merecia tôda sua con

fiança e trabalhara com ele desde que se dedicara às estradas de ferro.

Para

êste ficaram 90 milhões de dólares. Dos

15 milliões restantes, a metade ficou

para os filhos do herdeiro principal e a outra metade, então, para os seus outros

filhos e para o cumprimento de .peque nos legados.

À primeira vista, o que mais nos im pressiona na carreira de Comelius Van-

derbilt, ao lado de sua rápida ascensão,

/7 Pesea em-nas^

observação de Charles Beard de que, através dos séculos e até hoje, os in

Economia Golonlal

teresses de grupos têm sido reconheci dos como constituindo a verdadeira es sência da política, tanto na teoria como na prática. "Os estadistas falam dêles,

por SÉRGIO Buarque de Holanda. (Autor de "Monções" e "Raízes do Brasil")

negociam com êles, pacificam-no.s, le

gislam para eles e em geral procuram

Especial para o "Digesto Econômico

assegurar a predominância de um ou de outro ou o equilíbrio de vários contra um ou outro. Em todo caso, os esta

Se na caça, e principalmente na lavoura, a técnica européia, introduzida com os primeiros colonos e posta a serviço dos métodos indígenas, teve como resultado

distas não falam de homens abstratos e direitos abstratos, mas de homens reais o direitos reais".

tornar ainda mais nocivos êsses métodos,

dificilmente se poderá afirmar o mesmo com relação à pesca. O emprêgo do pari, o recurso freqüente a ervas e cipós

que entroviscam o peixe, foram certa mente admitidos, e de bom grado, velos

primeiros colonos, mas estes não dispu

nham de meios que os tornassem ainda mais nefastos.

No penado compreendido entre os meses de janeiro a outubro do ano nassado de café somaram 12.971.367 sacos, no valor de 5 135,3

pazes de longas viagens e de transportar facilmente o pescado, tomou possível

entre alguns ^ grupos humanos um grau apreciável de sedentariedade. Seu ren dimento chega a ser tão elevado, que parece dispensar qualquer outra ativi dade produtiva. Há populações que se Retirado o meio de sustento que neles subsistir.

Martius, depois de observar

o aspecto doentio e miserável que apre sentam muitos dos nossos pescadores,

ploração sistemática. Para escapar a destruição e ao aniquilamento e que

concluiu que nas terras quentes, onde o mantimento depressa se deteriora,'ao maior ou menor consumo de peixe entre

seus habitantes, corresponde maior ou

menor indolência, pobreza e predispo sição a doenças, o que talvez seja ver dadeiro onde o peixe, por sua extrema

abundância, chega a suprir todas as necessidades, tornando-se alimento ex

rem habitado sempre, desde era muito

clusivo.

remota, áreas de muita caça.

Nos primeiros tempos de São Paulo Se na caça, e principalmente na la voura, a técnica européia, introduzida

portações efetuadas para a Europa, que totalizaram 2.423.089 sacas, no valor de

O mesmo, a certamente em proporções

1.012,0 milhões de cruzeiros, contra 1.104.902 e 754.194 sacas em 1945 o 1944, pos valores, respectivamente, de 352,2 c 217,6 milhões de cruzeiros.

bem maiores, é verdadeiro com relação

à pesca. Isso ja foi notado expressamen

A

coleta de produtos florestais. Mas a pesca, secundada por embarcações ca

voa-se de caça como uma terra lavrada

mento, não raro substituto da lavoura. De certos povos indígenas, rio Chaco especialmente, consta que so não chega ram a possuir lavoura evoluída por te

zeiros, alcançando 289,9 cruzeiros o valor médio por saca. Concoireram de maneira decisiva para o aumento observado em 1946 as ex

que a servissem na agricultura e na

se oferece, já não terão muito de que

aquelas populações primitivas transfe

.oL 365 4 S■ com aportado 11.634.935 sacas, no valor X de 3 3.365,4 milhões de cruzeiros, o valor atinmra médio, por saca de ">89 3 cru zeiros Nos mesmos meses de 1944, quando as restrições impostas pela puerra nos tran^ortes marítimos ainda se achavam em vlena vigência, o montante da exportaç<M havia sido de 10.816.458 sacas, no valor de 3.092,7 milhões de cru

dios, ao ponto dá própria população branca se ver desamparada de braços

fizeram escravas de seus rios e do mar.

rem fàcilmente sua morada para terri tórios menos usados. A caça e comple

cmzeíros o valor médio por saca. Em idôn-

seqüência a redução no número de ín

em animais de tôda casta explica muitas vezes as constantes migrações dos

se gasta, após anos consecutivos de ex

EXPORTAÇÃO DE CAFÉ

te a propósito da região amazônica, onde a diminuição do pescado teve como con

A existência _ de largas áreas opulentas nosso indígenas. Uma paragem despo

TJ Zrfíl

-Í


Digesto Econômico

68

ções menores a igrejas e obras de cari

é a facilidade com que conseguia que a

dade, doações essas mesmas insignifi

legislação se adaptasse ao.s seus inte

cantes diante das que mais tarde iriam

resses. Mas logo compreendemos que assim fosse quando nos lembramos das

fazer os multi-milionários americanos. Em.seu testamento instituiu herdeiro

principal

seu

filho

William

Henry

(1821-1885), que merecia tôda sua con

fiança e trabalhara com ele desde que se dedicara às estradas de ferro.

Para

êste ficaram 90 milhões de dólares. Dos

15 milliões restantes, a metade ficou

para os filhos do herdeiro principal e a outra metade, então, para os seus outros

filhos e para o cumprimento de .peque nos legados.

À primeira vista, o que mais nos im pressiona na carreira de Comelius Van-

derbilt, ao lado de sua rápida ascensão,

/7 Pesea em-nas^

observação de Charles Beard de que, através dos séculos e até hoje, os in

Economia Golonlal

teresses de grupos têm sido reconheci dos como constituindo a verdadeira es sência da política, tanto na teoria como na prática. "Os estadistas falam dêles,

por SÉRGIO Buarque de Holanda. (Autor de "Monções" e "Raízes do Brasil")

negociam com êles, pacificam-no.s, le

gislam para eles e em geral procuram

Especial para o "Digesto Econômico

assegurar a predominância de um ou de outro ou o equilíbrio de vários contra um ou outro. Em todo caso, os esta

Se na caça, e principalmente na lavoura, a técnica européia, introduzida com os primeiros colonos e posta a serviço dos métodos indígenas, teve como resultado

distas não falam de homens abstratos e direitos abstratos, mas de homens reais o direitos reais".

tornar ainda mais nocivos êsses métodos,

dificilmente se poderá afirmar o mesmo com relação à pesca. O emprêgo do pari, o recurso freqüente a ervas e cipós

que entroviscam o peixe, foram certa mente admitidos, e de bom grado, velos

primeiros colonos, mas estes não dispu

nham de meios que os tornassem ainda mais nefastos.

No penado compreendido entre os meses de janeiro a outubro do ano nassado de café somaram 12.971.367 sacos, no valor de 5 135,3

pazes de longas viagens e de transportar facilmente o pescado, tomou possível

entre alguns ^ grupos humanos um grau apreciável de sedentariedade. Seu ren dimento chega a ser tão elevado, que parece dispensar qualquer outra ativi dade produtiva. Há populações que se Retirado o meio de sustento que neles subsistir.

Martius, depois de observar

o aspecto doentio e miserável que apre sentam muitos dos nossos pescadores,

ploração sistemática. Para escapar a destruição e ao aniquilamento e que

concluiu que nas terras quentes, onde o mantimento depressa se deteriora,'ao maior ou menor consumo de peixe entre

seus habitantes, corresponde maior ou

menor indolência, pobreza e predispo sição a doenças, o que talvez seja ver dadeiro onde o peixe, por sua extrema

abundância, chega a suprir todas as necessidades, tornando-se alimento ex

rem habitado sempre, desde era muito

clusivo.

remota, áreas de muita caça.

Nos primeiros tempos de São Paulo Se na caça, e principalmente na la voura, a técnica européia, introduzida

portações efetuadas para a Europa, que totalizaram 2.423.089 sacas, no valor de

O mesmo, a certamente em proporções

1.012,0 milhões de cruzeiros, contra 1.104.902 e 754.194 sacas em 1945 o 1944, pos valores, respectivamente, de 352,2 c 217,6 milhões de cruzeiros.

bem maiores, é verdadeiro com relação

à pesca. Isso ja foi notado expressamen

A

coleta de produtos florestais. Mas a pesca, secundada por embarcações ca

voa-se de caça como uma terra lavrada

mento, não raro substituto da lavoura. De certos povos indígenas, rio Chaco especialmente, consta que so não chega ram a possuir lavoura evoluída por te

zeiros, alcançando 289,9 cruzeiros o valor médio por saca. Concoireram de maneira decisiva para o aumento observado em 1946 as ex

que a servissem na agricultura e na

se oferece, já não terão muito de que

aquelas populações primitivas transfe

.oL 365 4 S■ com aportado 11.634.935 sacas, no valor X de 3 3.365,4 milhões de cruzeiros, o valor atinmra médio, por saca de ">89 3 cru zeiros Nos mesmos meses de 1944, quando as restrições impostas pela puerra nos tran^ortes marítimos ainda se achavam em vlena vigência, o montante da exportaç<M havia sido de 10.816.458 sacas, no valor de 3.092,7 milhões de cru

dios, ao ponto dá própria população branca se ver desamparada de braços

fizeram escravas de seus rios e do mar.

rem fàcilmente sua morada para terri tórios menos usados. A caça e comple

cmzeíros o valor médio por saca. Em idôn-

seqüência a redução no número de ín

em animais de tôda casta explica muitas vezes as constantes migrações dos

se gasta, após anos consecutivos de ex

EXPORTAÇÃO DE CAFÉ

te a propósito da região amazônica, onde a diminuição do pescado teve como con

A existência _ de largas áreas opulentas nosso indígenas. Uma paragem despo

TJ Zrfíl

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Digesto EcoNÓAnco

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com os primeiros colonos e posta a ser viço dos métodos indígenas, teve como resultado tornar ainda mais nocivos êsses

ma proibição a todos os ribeiros e rios

caudais existentes dentro do termo da

rila. Para tais resoluções teria contri

métodos, dificilmente se poderá afirmar

buído, segundo tôdas as probabilidades,

o mesmo com relação à pesca. O em

alguma vaga reminiscôncia de medidas

prego do pari, o recurso freqüente a

eivas e cipós que entroviscam o peixe, foram certamente admitidos, e de bom

mgulamentares semelliantes que já em Portugal se opunham às pescarias feitas

DiGESTO Econômico

trovisco, da coca, da cal, e tantas outras

fios meraucos pouco resistentes que se

substancias peçonhentas de que no Reino SC fazia largo uso. As várias formas de barragem para cercar pei.xe ocorriam com pouca diferença nos dois conti-

empregavam de ordinário na pesca de gorazes. Em 1572, com a reforma dos regimentos de oficiais mecânicos de Lis boa, procurou-se remediar o abuso me diante imposição de penalidades severas

rentes.

Fabricavam-nas os índios não

grado, pelos primeiros colonos, mas êstes

moradores primitivos de Piratininga de

só de galhos como também de pedra, sendo que as últimas denunciavam, por

não disDunham de meios que os tomas

veriam exercer, porém, uma invencível sedução esses métodos bárbaros, se é

tôda prova. Em expedição realizada aos

sem aiiTda mais nefastos. Salvo se con siderarmos que, desprezando quase sem

pre os processos de conservação do pesca do a que recorriam tradicionalmente os

com materiais peçonhentos.

certo, como afirmou Anchieta, que o

total de peixes graúdos assim obtidos ultrapassava em muitos casos de doze

rio por índios aparentemente extremes

sertão largo, de rios largos e piscosos,

de contacto com bran

resguardar a saúde do povo. A dificul

cos: "qual modo hé cercar o'Rio todo de

que pudessem cuidar

pedras, e bem postas,

de coisas tão miúdas.

transportar a longas diStâncías, a pouca

e no meio hum enca-

Quanto às rêdes de

no das mesmas pedras

arremesso ou de ar

quantidades de pescado. Não falta exemjjlo de epidemias graves atribuídas ao acúmulo de peixe arruinado, que cor rompia a atmosfera em seguida as ricas

pescarias com timbó ou tingui.

Luiz

D Alincourt refere-se a uma dessas epi demias, que assolou toda a freguesia de Mogi-Guaçu em fins do século XVIII:

impedir a destruição inútil de peixe, adotando uma resolução que deveria

"foi tão grande a quantidade de peixe

parecer radical para os costumes do tem

ma o ar, que foi causa de perecer um grande número de pessoas".

sava.

Ficou assentado, com efeito, na

sessão do Conselho de 15 de julho daquele ano, lançar-se pregão em altas vozes para que "se não desse tingui neste rio abaixo da vila tamandoati em

todo ele cõ pena de quinhentos reis por cada pessoa q se achasse dando tingui

pS o conselho e acuzador..." Alguns anos depois, em 1598, estendia-se a mes-

sem coutadas, sem de. fesas, sem governos

dade de se consumirem todos os peixes no lugar, a escassez de meios para os

aproveitado o sobêjo, forçava muitas ve zes ao abandono, nas praias, de grandes

sem pescarias com tingui, uma das

cura que encontrava o artigo.

listana, como seja a necessidade de se

os índios ~, de conservas onde fosse

plantas ictiotóxicas de que então se abu

fatos servem para atestar a grande pro

Botelho Mourão, morgado de Mateus,

favor das providencias da Câmara pau

Outro motivo militaria igualmente em

freqüência entre os colonos — não entre

todo o curso do Tamanduateí se fizes

campos de Guarapuava no ano de 1770, por ordem de D. Luiz Antônio de Sousa

Mas esse instrumento parcimonioso

só podiam .contribuir para que se agra

po: proibiram terminantemente que em

vila de São Paulo, quem fabricasse par gueiros a seis réis, meios pargueiros a três e outros tipos a dois e menos. Tais

depois, em 1587, já havia, pelo menos na

nem sempre seria recurso ideal num

praticar os que corriam no Reino, de vido à carência ou .carestia de sal, êles

os camaristas de São Paulo tentavam

vêzes, uma indústria e um tirocínio a

Souza Pimentel o cerco feito em um

nul.

A verdade é que, já no ano de 1591,

aos infratores. Sabe-se que alguns anos

pôde admirar o explorador Antônio de

indígenas — o moquém e a farinha de peixe ou piracuí —, e impossibilitados de

vasse grandemente o desbarato.

Sôbre os

69

que, apodrecendo,, infestou de tal for

Costumes portugueses

De Portugal, muitos colonos já vinham aptos a aceitar sem relutância os rudes

métodos de pescaria que encontraram praticados entre o gentio. O próprio costume de intoxicar peixes, sem pre juízo de quem os consome, não teria para êles o sabor de uma estranha no

vidade. O tingui e o tiipbó eram rimp.es réplicas americanas do barbasco, do

e na boca do encano hum sesto amanhando

rastão, também apon tadas como de proce

o peixe..."

dência européia, es

Não é

outro o processo que

sas concordariam mais

ainda aplica em nos

com as condições da terra. Principalmente

sos dias o caipira do interior de São Paulo. Anzóis do reino

se

tivessem

malhas

bem apertadas, que é como dão boa renda, arrastando os peixes com suas

crias pequenas — motivo que, no reino, Foi exatamente na pesca fluvial e la-

custre que as influências indígenas che garam a exercer-se e a perdurar entre nós, quase sem temer competição. Dos portugueses veio-nos certamente o an

zol metálico, que substituía com vanta

gem os espinhos tortos usados pelos na turais do país. Só isso explicaria, em verdade, a acolhida que encontrou, tão

grande que pôde torná-lo dos princi pais artigos de resgate. Em Portugal, os oficiais anzoleiros do século XVI te

riam chegado a instituir uma indústria

levou as autoridades zelosas a estabele

cerem prolixos regulamentos fixando a largura mínima das malhas. E difícil exagerar a importância que

assume a pesca na economia alimentar das nossas povoações coloniais. Impor tância que só em parte se pode rela cionar ao uso forçado do peixe nos dias

de jejum e de abstinência preceituados pela Igreja. Outros motivos favoreciam certamente, essa situação, e não já nas terras da marinha, onde ela seria com

preensível, mas no próprio sertão.

As

lucrativa com o fabrico de mercadoria

reservas de pescado que oferecera os

inferior e imprópria destinada ao con

cursos de água não se consomem tão

Assini é que para os

depressa como, por exemplo, a fauna

anzóis pargueiros, os mais sólidos e dis pendiosos, recorriam abusivamente aos

dos campos e das matas. Além disso, onde não faltassem pastagens, não fal-

sumo no Brasil.


Digesto EcoNÓAnco

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com os primeiros colonos e posta a ser viço dos métodos indígenas, teve como resultado tornar ainda mais nocivos êsses

ma proibição a todos os ribeiros e rios

caudais existentes dentro do termo da

rila. Para tais resoluções teria contri

métodos, dificilmente se poderá afirmar

buído, segundo tôdas as probabilidades,

o mesmo com relação à pesca. O em

alguma vaga reminiscôncia de medidas

prego do pari, o recurso freqüente a

eivas e cipós que entroviscam o peixe, foram certamente admitidos, e de bom

mgulamentares semelliantes que já em Portugal se opunham às pescarias feitas

DiGESTO Econômico

trovisco, da coca, da cal, e tantas outras

fios meraucos pouco resistentes que se

substancias peçonhentas de que no Reino SC fazia largo uso. As várias formas de barragem para cercar pei.xe ocorriam com pouca diferença nos dois conti-

empregavam de ordinário na pesca de gorazes. Em 1572, com a reforma dos regimentos de oficiais mecânicos de Lis boa, procurou-se remediar o abuso me diante imposição de penalidades severas

rentes.

Fabricavam-nas os índios não

grado, pelos primeiros colonos, mas êstes

moradores primitivos de Piratininga de

só de galhos como também de pedra, sendo que as últimas denunciavam, por

não disDunham de meios que os tomas

veriam exercer, porém, uma invencível sedução esses métodos bárbaros, se é

tôda prova. Em expedição realizada aos

sem aiiTda mais nefastos. Salvo se con siderarmos que, desprezando quase sem

pre os processos de conservação do pesca do a que recorriam tradicionalmente os

com materiais peçonhentos.

certo, como afirmou Anchieta, que o

total de peixes graúdos assim obtidos ultrapassava em muitos casos de doze

rio por índios aparentemente extremes

sertão largo, de rios largos e piscosos,

de contacto com bran

resguardar a saúde do povo. A dificul

cos: "qual modo hé cercar o'Rio todo de

que pudessem cuidar

pedras, e bem postas,

de coisas tão miúdas.

transportar a longas diStâncías, a pouca

e no meio hum enca-

Quanto às rêdes de

no das mesmas pedras

arremesso ou de ar

quantidades de pescado. Não falta exemjjlo de epidemias graves atribuídas ao acúmulo de peixe arruinado, que cor rompia a atmosfera em seguida as ricas

pescarias com timbó ou tingui.

Luiz

D Alincourt refere-se a uma dessas epi demias, que assolou toda a freguesia de Mogi-Guaçu em fins do século XVIII:

impedir a destruição inútil de peixe, adotando uma resolução que deveria

"foi tão grande a quantidade de peixe

parecer radical para os costumes do tem

ma o ar, que foi causa de perecer um grande número de pessoas".

sava.

Ficou assentado, com efeito, na

sessão do Conselho de 15 de julho daquele ano, lançar-se pregão em altas vozes para que "se não desse tingui neste rio abaixo da vila tamandoati em

todo ele cõ pena de quinhentos reis por cada pessoa q se achasse dando tingui

pS o conselho e acuzador..." Alguns anos depois, em 1598, estendia-se a mes-

sem coutadas, sem de. fesas, sem governos

dade de se consumirem todos os peixes no lugar, a escassez de meios para os

aproveitado o sobêjo, forçava muitas ve zes ao abandono, nas praias, de grandes

sem pescarias com tingui, uma das

cura que encontrava o artigo.

listana, como seja a necessidade de se

os índios ~, de conservas onde fosse

plantas ictiotóxicas de que então se abu

fatos servem para atestar a grande pro

Botelho Mourão, morgado de Mateus,

favor das providencias da Câmara pau

Outro motivo militaria igualmente em

freqüência entre os colonos — não entre

todo o curso do Tamanduateí se fizes

campos de Guarapuava no ano de 1770, por ordem de D. Luiz Antônio de Sousa

Mas esse instrumento parcimonioso

só podiam .contribuir para que se agra

po: proibiram terminantemente que em

vila de São Paulo, quem fabricasse par gueiros a seis réis, meios pargueiros a três e outros tipos a dois e menos. Tais

depois, em 1587, já havia, pelo menos na

nem sempre seria recurso ideal num

praticar os que corriam no Reino, de vido à carência ou .carestia de sal, êles

os camaristas de São Paulo tentavam

vêzes, uma indústria e um tirocínio a

Souza Pimentel o cerco feito em um

nul.

A verdade é que, já no ano de 1591,

aos infratores. Sabe-se que alguns anos

pôde admirar o explorador Antônio de

indígenas — o moquém e a farinha de peixe ou piracuí —, e impossibilitados de

vasse grandemente o desbarato.

Sôbre os

69

que, apodrecendo,, infestou de tal for

Costumes portugueses

De Portugal, muitos colonos já vinham aptos a aceitar sem relutância os rudes

métodos de pescaria que encontraram praticados entre o gentio. O próprio costume de intoxicar peixes, sem pre juízo de quem os consome, não teria para êles o sabor de uma estranha no

vidade. O tingui e o tiipbó eram rimp.es réplicas americanas do barbasco, do

e na boca do encano hum sesto amanhando

rastão, também apon tadas como de proce

o peixe..."

dência européia, es

Não é

outro o processo que

sas concordariam mais

ainda aplica em nos

com as condições da terra. Principalmente

sos dias o caipira do interior de São Paulo. Anzóis do reino

se

tivessem

malhas

bem apertadas, que é como dão boa renda, arrastando os peixes com suas

crias pequenas — motivo que, no reino, Foi exatamente na pesca fluvial e la-

custre que as influências indígenas che garam a exercer-se e a perdurar entre nós, quase sem temer competição. Dos portugueses veio-nos certamente o an

zol metálico, que substituía com vanta

gem os espinhos tortos usados pelos na turais do país. Só isso explicaria, em verdade, a acolhida que encontrou, tão

grande que pôde torná-lo dos princi pais artigos de resgate. Em Portugal, os oficiais anzoleiros do século XVI te

riam chegado a instituir uma indústria

levou as autoridades zelosas a estabele

cerem prolixos regulamentos fixando a largura mínima das malhas. E difícil exagerar a importância que

assume a pesca na economia alimentar das nossas povoações coloniais. Impor tância que só em parte se pode rela cionar ao uso forçado do peixe nos dias

de jejum e de abstinência preceituados pela Igreja. Outros motivos favoreciam certamente, essa situação, e não já nas terras da marinha, onde ela seria com

preensível, mas no próprio sertão.

As

lucrativa com o fabrico de mercadoria

reservas de pescado que oferecera os

inferior e imprópria destinada ao con

cursos de água não se consomem tão

Assini é que para os

depressa como, por exemplo, a fauna

anzóis pargueiros, os mais sólidos e dis pendiosos, recorriam abusivamente aos

dos campos e das matas. Além disso, onde não faltassem pastagens, não fal-

sumo no Brasil.


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DicESTo Econômico

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tarjam gados trazidos pelos colonos,

deveria tomar accessório o papel da caça

\ CLASSE MÉDIA E AS ELEIÇ0ES DE 19 DE JA^EipO

com o que se podia suprir a veação. Na capitania de Martim Afonso, os re

como fonte de sustento, onde quer que povoadores brancos se tivessem organi

banhos bovinos e suínos subiram desde

zado em núcleos estáveis.

cedo as escarpas alcantiladas da Para-

do que ocorreria durante as jornadas ao

napiacaba, e já pelos meados do século XVI surgem eles no planalto, salteando

sertão remoto, onde a subsistência do europeu, tanto como a do nativo, de-

i

roças de lavradores ou invadindo as ruas do vilarejo andreense. Tudo isso

pendia principalmente da abundância de

>

««r ríT.nvT<! Leite T.eite Ribeiro por Clovis Ribeiro

O contrario

(Professor do Colégio Universitário) Especial para o "Digesto Econômico"

caça.

OUEM pretenda analisar, sem ilusões, a realidade política contemporâ

Resta aproveitar a lição das urnas — co menta o A. e o faz exprimindo uma

opinião individual — tornando conscien te e deliberado um movimento que jo»

instintivo, e estruturar em bases verda deiramente democráticas um grande par

tido da classe média. Êsse,^ que poderá surgir da aglutinação a um único partido pírito duas verdades elementares. A primeira é a de que a compo- de vários outros menores e dos elemen tos pequeno-burgueses sem partido ou s çáo de fôrças políticas na democracia dispersos pelos demais, deverá ser um capitalista está, ordinàriamente, condi poderoso fator de equilíbrio na compo nea há de ter presentes no es

cionada à luta de classes.

Latente ou ostensivo, instintivo ou consciente, e o

espírito de classe que tende a aj^par

M

os homens e a formar suas convicções

políticas, na medida em que, com o

progresso econômico, se processam as d ferenciações sQciais.

A outra verdade é a de que a deniocracia moderna encerra uma contradi ção, pois fundamenta virtualmente o po IMPORTAÇÕES BRITÂNICAS DE FUMO AMERICANO

A medida de emergência recentemente tomada pelo Reino Unido, no sentido de diminuir a sua importação de fumo, virá provàvelmente reduzir de 25% a porção da safra norte-americana importada no ano passado — informa o Escritório de Ex

der político no voto da maioria, median te o siirágio universal e secreto, man tendo, entretanto, o poder econômico como privilégio da minoria. Ora, como no regime democrático capitalista o pro

sição de fôrças de nossa democracia.

dura do proletariado e no segundo a ditadura aa burguesia.

Destarte, se a

luta política se processasse unicamente em dois campos irredutíveis, proletaria do e burguesia, a democracia se tomana

um regime instável, tendente à sua pró pria negação e não haveria ouria alter

nativa entre o comunismo e o fascismo, com esses ou com outros nomes.

Entre aque'as duas classes há, porém uma intermediária, a classe média, em

pansão Comercial do Brasil em Nova Iorque.

gresso econômico conduz a uma crescen te extensão da maioria proletária e a

granda procura por parte das Ilhas Britânicas retomará o seu curso normal em

ria capitalista, decorre que a maioria

cujo predomínio político reside a unica possibilidade de solução democrática para o conflito. Na verdade, a classe média, sem fronteiras definidas entre o proletariado e a burguesia, participa de

1948 ou logo depois.

tende a tornar real o seu poder político virtual e a utilizar-se dêle para arrancar

econômicas aproximam-na do proletaria

a previsão para a importação de fumo no corrente ano é de US$200.000.000.00, em comparação com US$260.000.000,00 do ano passado, sendo US$220.000.000,00 de procedência norte-americana. Embora uma das finalidades da medida de emergência seja conservar o valor do dólar, não ó provável que o

o poder econômico à minoria, ao passo que esta, quando tal ameaça se toma

Os plantadores norte-americanos, porém, alimentam a esperança de que a

De acordo com estatísticas recentemente publicadas pelo govêmo britânico,

uma intensiva concentração da mmo-

total da redução seja feito nos recebimentos dos Estados Unidos.

iminente, tende a conservar o poder eco nômico, usurpando pela fraude ou pela violência o poder político, que de direi

de renda ào governo inglês. Com uma tarifa de US$7,15 por libra de fumo, o seu

duas hipóteses a solução do conflito im porta na negação da democracia, pois no

Acredita-se, também, que essas reduções serão mantidas, relativamente por pouco tempo, poiyue as tarifas de importação constituem uma das principais fontes lucro líquido em 1946, foi de cêrca de US$3,000.000.000,00.

A

to- cabe à maioria.

Em qualquer das

primeiro caso o processo tepd? ^ dita-

certo modo de ambas. Suas condições

do, pois, como esse, vive em geral do produto de seu trabalho, muito mais do que do lucro capitalista. Sob o ponto de vista social, porém, aproxima-se da burguesia, com a qual mantém mais mtima afinidade cultural, no sentido socio

lógico da palavra, e, embora em parte

mínima, participa também do lucro ca pitalista-

Poi" êsse motivo, tem muito


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tarjam gados trazidos pelos colonos,

deveria tomar accessório o papel da caça

\ CLASSE MÉDIA E AS ELEIÇ0ES DE 19 DE JA^EipO

com o que se podia suprir a veação. Na capitania de Martim Afonso, os re

como fonte de sustento, onde quer que povoadores brancos se tivessem organi

banhos bovinos e suínos subiram desde

zado em núcleos estáveis.

cedo as escarpas alcantiladas da Para-

do que ocorreria durante as jornadas ao

napiacaba, e já pelos meados do século XVI surgem eles no planalto, salteando

sertão remoto, onde a subsistência do europeu, tanto como a do nativo, de-

i

roças de lavradores ou invadindo as ruas do vilarejo andreense. Tudo isso

pendia principalmente da abundância de

>

««r ríT.nvT<! Leite T.eite Ribeiro por Clovis Ribeiro

O contrario

(Professor do Colégio Universitário) Especial para o "Digesto Econômico"

caça.

OUEM pretenda analisar, sem ilusões, a realidade política contemporâ

Resta aproveitar a lição das urnas — co menta o A. e o faz exprimindo uma

opinião individual — tornando conscien te e deliberado um movimento que jo»

instintivo, e estruturar em bases verda deiramente democráticas um grande par

tido da classe média. Êsse,^ que poderá surgir da aglutinação a um único partido pírito duas verdades elementares. A primeira é a de que a compo- de vários outros menores e dos elemen tos pequeno-burgueses sem partido ou s çáo de fôrças políticas na democracia dispersos pelos demais, deverá ser um capitalista está, ordinàriamente, condi poderoso fator de equilíbrio na compo nea há de ter presentes no es

cionada à luta de classes.

Latente ou ostensivo, instintivo ou consciente, e o

espírito de classe que tende a aj^par

M

os homens e a formar suas convicções

políticas, na medida em que, com o

progresso econômico, se processam as d ferenciações sQciais.

A outra verdade é a de que a deniocracia moderna encerra uma contradi ção, pois fundamenta virtualmente o po IMPORTAÇÕES BRITÂNICAS DE FUMO AMERICANO

A medida de emergência recentemente tomada pelo Reino Unido, no sentido de diminuir a sua importação de fumo, virá provàvelmente reduzir de 25% a porção da safra norte-americana importada no ano passado — informa o Escritório de Ex

der político no voto da maioria, median te o siirágio universal e secreto, man tendo, entretanto, o poder econômico como privilégio da minoria. Ora, como no regime democrático capitalista o pro

sição de fôrças de nossa democracia.

dura do proletariado e no segundo a ditadura aa burguesia.

Destarte, se a

luta política se processasse unicamente em dois campos irredutíveis, proletaria do e burguesia, a democracia se tomana

um regime instável, tendente à sua pró pria negação e não haveria ouria alter

nativa entre o comunismo e o fascismo, com esses ou com outros nomes.

Entre aque'as duas classes há, porém uma intermediária, a classe média, em

pansão Comercial do Brasil em Nova Iorque.

gresso econômico conduz a uma crescen te extensão da maioria proletária e a

granda procura por parte das Ilhas Britânicas retomará o seu curso normal em

ria capitalista, decorre que a maioria

cujo predomínio político reside a unica possibilidade de solução democrática para o conflito. Na verdade, a classe média, sem fronteiras definidas entre o proletariado e a burguesia, participa de

1948 ou logo depois.

tende a tornar real o seu poder político virtual e a utilizar-se dêle para arrancar

econômicas aproximam-na do proletaria

a previsão para a importação de fumo no corrente ano é de US$200.000.000.00, em comparação com US$260.000.000,00 do ano passado, sendo US$220.000.000,00 de procedência norte-americana. Embora uma das finalidades da medida de emergência seja conservar o valor do dólar, não ó provável que o

o poder econômico à minoria, ao passo que esta, quando tal ameaça se toma

Os plantadores norte-americanos, porém, alimentam a esperança de que a

De acordo com estatísticas recentemente publicadas pelo govêmo britânico,

uma intensiva concentração da mmo-

total da redução seja feito nos recebimentos dos Estados Unidos.

iminente, tende a conservar o poder eco nômico, usurpando pela fraude ou pela violência o poder político, que de direi

de renda ào governo inglês. Com uma tarifa de US$7,15 por libra de fumo, o seu

duas hipóteses a solução do conflito im porta na negação da democracia, pois no

Acredita-se, também, que essas reduções serão mantidas, relativamente por pouco tempo, poiyue as tarifas de importação constituem uma das principais fontes lucro líquido em 1946, foi de cêrca de US$3,000.000.000,00.

A

to- cabe à maioria.

Em qualquer das

primeiro caso o processo tepd? ^ dita-

certo modo de ambas. Suas condições

do, pois, como esse, vive em geral do produto de seu trabalho, muito mais do que do lucro capitalista. Sob o ponto de vista social, porém, aproxima-se da burguesia, com a qual mantém mais mtima afinidade cultural, no sentido socio

lógico da palavra, e, embora em parte

mínima, participa também do lucro ca pitalista-

Poi" êsse motivo, tem muito


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Dicesto EcoNÓAaco Dicesto Econômico

menos vivos os interêsses e o espírito de

classe, subordinando-se, em regra geral,

soa humana. Daí decorre — visto ade mais que o desenvolvimento econômico

aos interêsses da burguesia, a cuja do

canitali^sta conduz inevitavelmente à pla-

minação política serve, ordinariamente, de instrumento mais ou menos passivo. Segundo Marx, o crescente desenvol vimento do capitalismo 'determinaria, porém, uma gradual proletarização da

classe média, até o ponto em que, re duzida a zero, se defrontariam unica

mente o proletariado e a burguesia'ca pitalista, aquêle na plena maturidade de

sua consciência política, empolgado por um inexpiável ódio de c'asse.

Seria

esse o momento da revolução social, da expropriação dos expropriadores, na 'frase revo.ucionaria dos comunistas com a

violenta ^plantação da ditadura do proletariado e o aniquilamento da bur guesia.

?. Processo social que pres deve conduzir a ditadura do proletariado

supõe essa prévia proletarização, isto é

a crescente extensão da maioria prole-

t^a, a reaçao contra tal tendência deve consistir no fortalecimento e na organiza

ção da c.asse media, promovendo-se um

mo^mpto inverso de gradual ascensão do prol^etan^o para a pequena burgue sia media. Era o que sucedia na Inglatem, ja na época de Marx, e sucede hoje em países de alto nível de vida.

Essa organização da classe média, como fôrça predominante no plano poHüco, nao deve, entretanto - é evidente sennr de instrumento à dominação ca

pitalista, nem mesmo restringir-se à mera defesa de seus interêsses de classe, ou limitar-se a um estéril conservadorismo, sob pena de anular-se, pelo afastamen to do inelutavel curso da evolução social. Deve, pelo contrário, orientar-se no sen tido da redenção da classe operária e da superação dos conflitos de classe, me

A nossa evolução política

niticação e esta exige crescente sociali-

No Brasil anterior a 1930 podíamos

<iue a ação política da classe

descansadamente ignorar essas realida

media ha de ter como condição o afas

des.

tamento de tôda influência reacionária ou extremista de classe, como meio de

realização o desenvolvimento ao mais

T

alto grau do espírito de cooperação e de disciplina consciente e como diretriz a progressiva socialização dos meios de

produção. Sòmente por essa forma, libertando-se da sujeição ao reacionarismo capitalista e tomando a direção de um

Permanecíamos em um regime

73

Proclamada a república, manteve-se em nossa política o predomínio da aris tocracia agrária, poderosamente estru turada nos partidos republicanos esta duais, com a única substituição dos ba

econômico semi-feudal, em que as clas

rões do império pelos coronéis da repú

ses sòmente existiam sob forma latente,

blica e a supressão do poder moderador. Foi sòmente a partir da campanha civilista que êsse quadro começou a al-

de sorte que o problema social era ain da um simples caso de policia, na frase pitoresca e incisiva de um dos polí ticos do tempo. Nestes últimos anos, porém, muita água passou sob a ponte e muito sangue loi vertido, em um mun

terar-se. Em face da aristocracia agrá

ria surgia a burguesia das cidades, en

riquecida com o surto do industríahsmo e o desenvolvimento do comércio,

para disputar-lhe o poder, em nome da democracia. Apareceram os partidos

ampo movimento de união nacional, sera posivel à classe média realizar essa gradual transformação da democracia capitalista em, democracia socialista, dentro dos princípios de respeito à li-

do onde cada vez mais os problemas transcendem d.as condições peculiares

berfiade e aos direitos fundamentais da

gonismo do proletariado, nos grandes

preparação do movimento de 1930 foi

pessoa humana. Essa missão histórica sòrnente a classe média poderá realiza-Ja, com a colaboração frátema de um proletariado gradualmente redimido da miséria, da ignorância e do ódio e de

de cada país. As duas últimas eleições

democráticos,

nos mostraram, com significativa evi

dência, o acentuado progresso da cons

campanhas presidenciais, travou-se a luta pelo voto secreto e explodiram as

ciência de classe e o crescente anta

revoltas liberais de 1922 a 1930.

centros, em face da burguesia capita lista e dos partidos políticos conserva

uma burguesia cada vez mais conquistada pela consciência socialista, porque

Conta-se que ao lhe ser anunciada, por um alto dignitáfio da côrte, a to

o espírito de classe, porque é a que tem

contestado aquêle: "Non, Sire, c'est une

mais acentuado o sentimento de nacio

révolution..." Guardadas as propor

nalidade e, finalmente, porque é a que

ções, foi essa a impressão geral, ao se

apresenta o.s maiores valores da ínteli-

rem anunciados os primeiros resultados das eleições de 19 de janeiro, nesta capital: não eram eleições, era uma

revolução.

Agora, passada a primeira

impressão de surprêsa, já é possível ten

ses existem e que estejam desde então

em conflito (fato êste devido à estru

superar êsse conflito, — sôbre tudo isso concordam o cristão e o marxista. Como, porém, superar êsse conflito?

r^ain o marxista, por uma guerra carnal

obra dessa burguesia das cidades, apoia da na classe média, nas massas popula res mais esclarecidas e na juventude mi

mada da Bastilha, exclamara Luiz XVI;

tura capitalista) e que seja preciso

A

litar.

"Mais, c'est une revolte!"; ao que teria

.(1) Cf. Jacques Maritain, "O Huma nismo Integral", pg. 22G: "Que as clas

memoráveis

dores.

e a que tem menos vivos os interêsses e

gência e da cultura (1).

fizeram-se

Sua tarefa era a de desmontar a

máquina eleitoral do perrepismo, me diante a poderosa arma do voto secreto e da justiça eleitoral, e de dar um sen tido mais democrático' à política brasi leira. A luta se confinava, porém, às duas facções da classe dominante, aristo

cracia agrária e biurguesía urbana, cujos interêsses eram contraditórios; os ele mentos da classe média, as massas po

pulares e a juventude militar agiam instintivamente, tomando o partido do

tar uma análise mais objetiva dos fatos, situando-os na evolução política do país.

grupo mais progressista. E assim venceu a revolução de 1930... Mas o movimento foi desviado

É inegável que a política brasileira, durante o império e a chamada repú

de seu objetivo pelo caudilhismo do sr. Getúlio Vargas e, principalmente, pelo

blica velha, foi privilégio da classe do

diante a mais amp^a e fraternal união

voluntàriamente separada da comunhão do resto dos homens e arrasando, ani.

império, representando os mesmos ideais

reflexo de correntes sociais e ideológicas, estranhas à nossa incipiente evolução política, que nos chegavam de países

de tôdas as classes e partidos, em tômo

qu.lando a outra claa.se. Para o cristão,

e interêsses da aristocracia agrária, reve

europeus mais evoluídos.

da idé a de nacionalidade — de nacio-' luta social e temporal, que deve ser naiidade, não de nacionalismo — condi empreendida por todos aquêles que um

zavam-se no govêmo, ao influxo do po

Após o difuso movimento pequeno-

der moderador, com programas e reali

-burguês do tenentismo, que fracassou

constitui o proletariado em cidade

militar, em Jerusalém da Revolução, por uma guerra espiritual e por uma

r

minante.

Liberais e conservadores no

cionada, em plano mais elevado, à idéia

mesmo ideal humano reúne e om cujo

zações semelhantes. Nada mais pareci

pela imaturidade política da classe mé

de humanidade e da dignidade da pes

movimento o referido conflito já está

do com um liberal do que um conser

superado".

dia, ante a sabotagem e a reação da burguesia e dos políticos, tivemos a re volução paulista 6 a constituição wei-

vador, dizia-se; e essa frase represen tava a exata verdade.


72

Dicesto EcoNÓAaco Dicesto Econômico

menos vivos os interêsses e o espírito de

classe, subordinando-se, em regra geral,

soa humana. Daí decorre — visto ade mais que o desenvolvimento econômico

aos interêsses da burguesia, a cuja do

canitali^sta conduz inevitavelmente à pla-

minação política serve, ordinariamente, de instrumento mais ou menos passivo. Segundo Marx, o crescente desenvol vimento do capitalismo 'determinaria, porém, uma gradual proletarização da

classe média, até o ponto em que, re duzida a zero, se defrontariam unica

mente o proletariado e a burguesia'ca pitalista, aquêle na plena maturidade de

sua consciência política, empolgado por um inexpiável ódio de c'asse.

Seria

esse o momento da revolução social, da expropriação dos expropriadores, na 'frase revo.ucionaria dos comunistas com a

violenta ^plantação da ditadura do proletariado e o aniquilamento da bur guesia.

?. Processo social que pres deve conduzir a ditadura do proletariado

supõe essa prévia proletarização, isto é

a crescente extensão da maioria prole-

t^a, a reaçao contra tal tendência deve consistir no fortalecimento e na organiza

ção da c.asse media, promovendo-se um

mo^mpto inverso de gradual ascensão do prol^etan^o para a pequena burgue sia media. Era o que sucedia na Inglatem, ja na época de Marx, e sucede hoje em países de alto nível de vida.

Essa organização da classe média, como fôrça predominante no plano poHüco, nao deve, entretanto - é evidente sennr de instrumento à dominação ca

pitalista, nem mesmo restringir-se à mera defesa de seus interêsses de classe, ou limitar-se a um estéril conservadorismo, sob pena de anular-se, pelo afastamen to do inelutavel curso da evolução social. Deve, pelo contrário, orientar-se no sen tido da redenção da classe operária e da superação dos conflitos de classe, me

A nossa evolução política

niticação e esta exige crescente sociali-

No Brasil anterior a 1930 podíamos

<iue a ação política da classe

descansadamente ignorar essas realida

media ha de ter como condição o afas

des.

tamento de tôda influência reacionária ou extremista de classe, como meio de

realização o desenvolvimento ao mais

T

alto grau do espírito de cooperação e de disciplina consciente e como diretriz a progressiva socialização dos meios de

produção. Sòmente por essa forma, libertando-se da sujeição ao reacionarismo capitalista e tomando a direção de um

Permanecíamos em um regime

73

Proclamada a república, manteve-se em nossa política o predomínio da aris tocracia agrária, poderosamente estru turada nos partidos republicanos esta duais, com a única substituição dos ba

econômico semi-feudal, em que as clas

rões do império pelos coronéis da repú

ses sòmente existiam sob forma latente,

blica e a supressão do poder moderador. Foi sòmente a partir da campanha civilista que êsse quadro começou a al-

de sorte que o problema social era ain da um simples caso de policia, na frase pitoresca e incisiva de um dos polí ticos do tempo. Nestes últimos anos, porém, muita água passou sob a ponte e muito sangue loi vertido, em um mun

terar-se. Em face da aristocracia agrá

ria surgia a burguesia das cidades, en

riquecida com o surto do industríahsmo e o desenvolvimento do comércio,

para disputar-lhe o poder, em nome da democracia. Apareceram os partidos

ampo movimento de união nacional, sera posivel à classe média realizar essa gradual transformação da democracia capitalista em, democracia socialista, dentro dos princípios de respeito à li-

do onde cada vez mais os problemas transcendem d.as condições peculiares

berfiade e aos direitos fundamentais da

gonismo do proletariado, nos grandes

preparação do movimento de 1930 foi

pessoa humana. Essa missão histórica sòrnente a classe média poderá realiza-Ja, com a colaboração frátema de um proletariado gradualmente redimido da miséria, da ignorância e do ódio e de

de cada país. As duas últimas eleições

democráticos,

nos mostraram, com significativa evi

dência, o acentuado progresso da cons

campanhas presidenciais, travou-se a luta pelo voto secreto e explodiram as

ciência de classe e o crescente anta

revoltas liberais de 1922 a 1930.

centros, em face da burguesia capita lista e dos partidos políticos conserva

uma burguesia cada vez mais conquistada pela consciência socialista, porque

Conta-se que ao lhe ser anunciada, por um alto dignitáfio da côrte, a to

o espírito de classe, porque é a que tem

contestado aquêle: "Non, Sire, c'est une

mais acentuado o sentimento de nacio

révolution..." Guardadas as propor

nalidade e, finalmente, porque é a que

ções, foi essa a impressão geral, ao se

apresenta o.s maiores valores da ínteli-

rem anunciados os primeiros resultados das eleições de 19 de janeiro, nesta capital: não eram eleições, era uma

revolução.

Agora, passada a primeira

impressão de surprêsa, já é possível ten

ses existem e que estejam desde então

em conflito (fato êste devido à estru

superar êsse conflito, — sôbre tudo isso concordam o cristão e o marxista. Como, porém, superar êsse conflito?

r^ain o marxista, por uma guerra carnal

obra dessa burguesia das cidades, apoia da na classe média, nas massas popula res mais esclarecidas e na juventude mi

mada da Bastilha, exclamara Luiz XVI;

tura capitalista) e que seja preciso

A

litar.

"Mais, c'est une revolte!"; ao que teria

.(1) Cf. Jacques Maritain, "O Huma nismo Integral", pg. 22G: "Que as clas

memoráveis

dores.

e a que tem menos vivos os interêsses e

gência e da cultura (1).

fizeram-se

Sua tarefa era a de desmontar a

máquina eleitoral do perrepismo, me diante a poderosa arma do voto secreto e da justiça eleitoral, e de dar um sen tido mais democrático' à política brasi leira. A luta se confinava, porém, às duas facções da classe dominante, aristo

cracia agrária e biurguesía urbana, cujos interêsses eram contraditórios; os ele mentos da classe média, as massas po

pulares e a juventude militar agiam instintivamente, tomando o partido do

tar uma análise mais objetiva dos fatos, situando-os na evolução política do país.

grupo mais progressista. E assim venceu a revolução de 1930... Mas o movimento foi desviado

É inegável que a política brasileira, durante o império e a chamada repú

de seu objetivo pelo caudilhismo do sr. Getúlio Vargas e, principalmente, pelo

blica velha, foi privilégio da classe do

diante a mais amp^a e fraternal união

voluntàriamente separada da comunhão do resto dos homens e arrasando, ani.

império, representando os mesmos ideais

reflexo de correntes sociais e ideológicas, estranhas à nossa incipiente evolução política, que nos chegavam de países

de tôdas as classes e partidos, em tômo

qu.lando a outra claa.se. Para o cristão,

e interêsses da aristocracia agrária, reve

europeus mais evoluídos.

da idé a de nacionalidade — de nacio-' luta social e temporal, que deve ser naiidade, não de nacionalismo — condi empreendida por todos aquêles que um

zavam-se no govêmo, ao influxo do po

Após o difuso movimento pequeno-

der moderador, com programas e reali

-burguês do tenentismo, que fracassou

constitui o proletariado em cidade

militar, em Jerusalém da Revolução, por uma guerra espiritual e por uma

r

minante.

Liberais e conservadores no

cionada, em plano mais elevado, à idéia

mesmo ideal humano reúne e om cujo

zações semelhantes. Nada mais pareci

pela imaturidade política da classe mé

de humanidade e da dignidade da pes

movimento o referido conflito já está

do com um liberal do que um conser

superado".

dia, ante a sabotagem e a reação da burguesia e dos políticos, tivemos a re volução paulista 6 a constituição wei-

vador, dizia-se; e essa frase represen tava a exata verdade.


«■t * '. >-i»n,v

"iüíiiw »»«wit'r DiGESTO Econômico

maríana de 1934, cujo destino foi, mais ou menos, o da alemã, substituída pelo

estadonovismo semi-fascista instituído em 1937. Enquanto isso, organizavam-se os sindicatos eleitorais de 1934, sucedi

dos pelos sindicatos corporativistas do Estaoo Novo e elaborava-se uma legis

lação trabalhista, tudo inspirado na Carta dei Lavoro e construído artificialmente,

de cima para baLxo.

E para completar

o quadro de confusão, os integralistas e aliancistas transplantavam para cá o trá

gico conflito comuno-fascista, que iria ensangüentar o mundo, na insensata aventura imperialista do nazismo.

Destarte, durante quinze anos, no sub solo de nossa vida política, convulsionado pelo terremoto estadonovista, as massas populares dos grandes centros,

animadas por ura sindicmismo e por uma legislação trabalhista que lhes davam

um sentido de classe, começaram a ad

e que a eleição de Eduardo Gomes se faria por aclamação. Não sucedeu, porém, assim. Faltou ao moNimento alguma coisa nova e im

prevista: faltou-lhe o apoio das massas

trabalhadoras, cuja consciência política lentamente germinara durante os quinze anos do consulado getulista. Instintiva mente sentia o homem do povo que o governo de Getúlio Vargas, com todos os seus erros e confusionismo, represen tara para ele um progresso sobre o pas

sado, porque destruirá as antigas oligar quias políticas, substituindo-as pela oni

Os velhos quadros partidá

nizados, o estadualisrao da política dos governadores se atenuara com a submis

são dos interventores ao poder central, o voto secreto e a justiça eleitoral eram

conquistas definitivas e do rebanho elei

toral, outrqra tangido pelos cabos perrepistas, muita gente já começava a pen sar pela própria cabeça.

Foi nesse am

lavra de ordem da UDN — democra

Daí a ines

perada popularidade do "pai dos po centros para o Partido Trabalhista Bra

Simultaneamente, emergia das prisões

da ditadura o Cavaleiro da Esperança, tomado legendário pela campanha li

beral da coluna Prestes, que a seu pres

maioria

tígio acrescentava o fascínio de uma

regime instituído em 1937 ou postos à margem pelo estadonovismo, contando

misteriosa Rússia comunista, ainda au-

com a decidida simpatia das classes ar

reolada pela vitória contra os nazistas. Com um realismo que chegava a ser

madas, pareceu, em certo momento, que

inumano, sentiu a separação entre o

a avalanche varreria todos os obstáculos

o sentido classista do PCB, embora afas

tando dêle a maioria da pequena bur guesia socialista.

Asrim, em face dos três partidos que SC apresentavam à luta presidencial, as masras proletárias se dividiram entre o UDN, cuja pregação democrática caia

Delimitaram-se os

campos: de um lado a UDN, agrupan

com as massas populares, dirigida por

políticos desconhecedores das novas rea lidades, armada com uma ^ propaganda doutrinária impenetrável à incipiente

consciência política do povo; de outro

lado o conúbio PSD-PTB, que reunia as

massas queremistas à maquina governa mental, agora manejada pelos interven tores pessedistas; e, finalmente, a parte mais avançada do proletariado, agrupa da sob a bandeira vermelha de Prestes.

Em suma, proletariado e burguesia, ain da confundidos no PSD-PTB^ mas ten perigoso sentido social.

no seio do estadonovismo.

1930,-aclamada pela quase unanimidade dos grandes jornais, apoiada pela imensa do

manteve inflexivelmente a autonomia e

tica, ainda informe e imprecisa, gerada

sileiro. •

dos políticos discordantes

didatura de Eduardo Gomes; dêsse modo

tas e com sua própria consciência polí

Eixo, que surgiu a campanha brigadeiRetomando o curso do movimento

culto de nossas tradições.

dendo a uma nítida delimitação de cam

bres" e o afluxo das massas nos grandes

rista.

nobras pró constituinte e desviando o contingente eleitoral comunista da can

do a maioria da elite burguesa e a parte mais culta da classe media, sem contato

presentadas pelo sindicalismo e pela le gislação traballiista. Julgava que a pa

biente, ao calor dos sentimentos de li berdade nascidos da vitória contra o

que havia conduzido à revolução de

maioria eleitoral e que conser\'a mais

classe média que constitui no Brasil a

burguesia, cujas derrotas ai estavam re

tivava libertar a burguesia da pressão estadonovista, restituindo-lhe os antigos privilégios do liberalismo econômico, re duzidos gelo governo. Temia uma volta ao passado. E em seu espírito, opon do-se às figuras dos velhos políticos tra zidos à tona pelo movimento, a figura de Vargas, popularizada pelo DIP, se identificava com as conquistas trabalhis

rios do perrepismo estavam desorga

tentar o seu carrasco, apoiando as ma

do luta do proletariado e deliberou sus

em terreno estéril.

tremistas.

seu têrmo.

nos industriais, pelos sitiantes e peque nos fazendeiros, em suma, essa grande

certo modo, uma aliança do estado com

o povo, na luta contra os privilégios da

cia e liberdade — não tinha sentido para o proletariado mas, pelo contrário, obje

Afinal, derrotado o fascismo em que se in^irara, chegava o estadonovismo a

trocesso no desenvolvimento do espírito

PCB à campanha udenista traria um re

potência patemal do poder central. Sen

quirir consciência política e a situar-se

no conflito universal das ideologias ex

75

Digesto Econômico

PSD PTB e o PCB, abandonando a

tia que o estadonovismo significara, de

povo e a UDN, percebeu que o apoio do

"/v?rrw"

vivamente o espírito de brasilidade e o

Antes e depois das eleições de 2

de dezembro, ninguém, entretanto, com

preendeu isso. Os dirigentes políticos dos partidos conservadores, mormente os do govêmo, permaneceram cegos e sur dos a essa realidade. Todos, comunis tas ou udenistas, trabalhistas ou pesse

distas, cortejavam exclusivamente o pro letariado, identificado com o povo para fins eleitorais, através de programas gran

diosos, mas vazios de realismo e de sin ceridade. Enquanto isso, essa pobre classe média ai permanecia dispersa e abandonada, numa verdadeira crise de anarquia moral que agravava a desorga nização e a corrupção do aparelhamento administrativo do país, comprimida entre um proletariado que começava a lutar com energia, por suas reivindica

ções de classe, com sua vanguarda po

derosamente organizada no PCB, e uma

burguesia capitalista pletòricamente en

riquecida pelos lucros extraordintóos, egoísta e cega, cujos mentores políticos faziam inúteis mesmas àquêle proleta riado, que lhes voltava com decisão as costas.

Êstes últimos anos representaram o

pos, que ameaçava dar à luta política

calvário da classe média, vítima por ex

A classe média e as eleições de

geral de honorários ou de salários, cuja

19 de janeiro

Entre essas duas fôrças atuantes fal

tava, porém, a que deveria ser a mais

poderosa das três, a classe media. Fal

tava a classe média, constituída por

grande parte da magistratura e dos pro

fissionais liberais, dos intelectuais e jor

celência da inflação, da anarquia admi nistrativa e do desgovêmo. Vivendo em ascensão só muito lentamente acompa

nhava o ritmo inflacionista, obrigado a manter uma certa decência social, edu cando os filhos em vez de fazê-los tobalhar desde os catorze anos, o ho mem da classe média só podia defen der-se como se defendeu, durante êstes anos, matando-se de trabalho ou recor

ria da oficialidade, das classes armadas,

rendo à corrupção gerada e generaliza da pela inflação. Os seus problemas mais

mércio e dos comerciarios, pelos peque-

eram totalmente descurados pelos po-

nalistas, pelo funcionalismo, pela maio

pela quase totalidade do pequeno co

fundamentais, como o de residência,


«■t * '. >-i»n,v

"iüíiiw »»«wit'r DiGESTO Econômico

maríana de 1934, cujo destino foi, mais ou menos, o da alemã, substituída pelo

estadonovismo semi-fascista instituído em 1937. Enquanto isso, organizavam-se os sindicatos eleitorais de 1934, sucedi

dos pelos sindicatos corporativistas do Estaoo Novo e elaborava-se uma legis

lação trabalhista, tudo inspirado na Carta dei Lavoro e construído artificialmente,

de cima para baLxo.

E para completar

o quadro de confusão, os integralistas e aliancistas transplantavam para cá o trá

gico conflito comuno-fascista, que iria ensangüentar o mundo, na insensata aventura imperialista do nazismo.

Destarte, durante quinze anos, no sub solo de nossa vida política, convulsionado pelo terremoto estadonovista, as massas populares dos grandes centros,

animadas por ura sindicmismo e por uma legislação trabalhista que lhes davam

um sentido de classe, começaram a ad

e que a eleição de Eduardo Gomes se faria por aclamação. Não sucedeu, porém, assim. Faltou ao moNimento alguma coisa nova e im

prevista: faltou-lhe o apoio das massas

trabalhadoras, cuja consciência política lentamente germinara durante os quinze anos do consulado getulista. Instintiva mente sentia o homem do povo que o governo de Getúlio Vargas, com todos os seus erros e confusionismo, represen tara para ele um progresso sobre o pas

sado, porque destruirá as antigas oligar quias políticas, substituindo-as pela oni

Os velhos quadros partidá

nizados, o estadualisrao da política dos governadores se atenuara com a submis

são dos interventores ao poder central, o voto secreto e a justiça eleitoral eram

conquistas definitivas e do rebanho elei

toral, outrqra tangido pelos cabos perrepistas, muita gente já começava a pen sar pela própria cabeça.

Foi nesse am

lavra de ordem da UDN — democra

Daí a ines

perada popularidade do "pai dos po centros para o Partido Trabalhista Bra

Simultaneamente, emergia das prisões

da ditadura o Cavaleiro da Esperança, tomado legendário pela campanha li

beral da coluna Prestes, que a seu pres

maioria

tígio acrescentava o fascínio de uma

regime instituído em 1937 ou postos à margem pelo estadonovismo, contando

misteriosa Rússia comunista, ainda au-

com a decidida simpatia das classes ar

reolada pela vitória contra os nazistas. Com um realismo que chegava a ser

madas, pareceu, em certo momento, que

inumano, sentiu a separação entre o

a avalanche varreria todos os obstáculos

o sentido classista do PCB, embora afas

tando dêle a maioria da pequena bur guesia socialista.

Asrim, em face dos três partidos que SC apresentavam à luta presidencial, as masras proletárias se dividiram entre o UDN, cuja pregação democrática caia

Delimitaram-se os

campos: de um lado a UDN, agrupan

com as massas populares, dirigida por

políticos desconhecedores das novas rea lidades, armada com uma ^ propaganda doutrinária impenetrável à incipiente

consciência política do povo; de outro

lado o conúbio PSD-PTB, que reunia as

massas queremistas à maquina governa mental, agora manejada pelos interven tores pessedistas; e, finalmente, a parte mais avançada do proletariado, agrupa da sob a bandeira vermelha de Prestes.

Em suma, proletariado e burguesia, ain da confundidos no PSD-PTB^ mas ten perigoso sentido social.

no seio do estadonovismo.

1930,-aclamada pela quase unanimidade dos grandes jornais, apoiada pela imensa do

manteve inflexivelmente a autonomia e

tica, ainda informe e imprecisa, gerada

sileiro. •

dos políticos discordantes

didatura de Eduardo Gomes; dêsse modo

tas e com sua própria consciência polí

Eixo, que surgiu a campanha brigadeiRetomando o curso do movimento

culto de nossas tradições.

dendo a uma nítida delimitação de cam

bres" e o afluxo das massas nos grandes

rista.

nobras pró constituinte e desviando o contingente eleitoral comunista da can

do a maioria da elite burguesa e a parte mais culta da classe media, sem contato

presentadas pelo sindicalismo e pela le gislação traballiista. Julgava que a pa

biente, ao calor dos sentimentos de li berdade nascidos da vitória contra o

que havia conduzido à revolução de

maioria eleitoral e que conser\'a mais

classe média que constitui no Brasil a

burguesia, cujas derrotas ai estavam re

tivava libertar a burguesia da pressão estadonovista, restituindo-lhe os antigos privilégios do liberalismo econômico, re duzidos gelo governo. Temia uma volta ao passado. E em seu espírito, opon do-se às figuras dos velhos políticos tra zidos à tona pelo movimento, a figura de Vargas, popularizada pelo DIP, se identificava com as conquistas trabalhis

rios do perrepismo estavam desorga

tentar o seu carrasco, apoiando as ma

do luta do proletariado e deliberou sus

em terreno estéril.

tremistas.

seu têrmo.

nos industriais, pelos sitiantes e peque nos fazendeiros, em suma, essa grande

certo modo, uma aliança do estado com

o povo, na luta contra os privilégios da

cia e liberdade — não tinha sentido para o proletariado mas, pelo contrário, obje

Afinal, derrotado o fascismo em que se in^irara, chegava o estadonovismo a

trocesso no desenvolvimento do espírito

PCB à campanha udenista traria um re

potência patemal do poder central. Sen

quirir consciência política e a situar-se

no conflito universal das ideologias ex

75

Digesto Econômico

PSD PTB e o PCB, abandonando a

tia que o estadonovismo significara, de

povo e a UDN, percebeu que o apoio do

"/v?rrw"

vivamente o espírito de brasilidade e o

Antes e depois das eleições de 2

de dezembro, ninguém, entretanto, com

preendeu isso. Os dirigentes políticos dos partidos conservadores, mormente os do govêmo, permaneceram cegos e sur dos a essa realidade. Todos, comunis tas ou udenistas, trabalhistas ou pesse

distas, cortejavam exclusivamente o pro letariado, identificado com o povo para fins eleitorais, através de programas gran

diosos, mas vazios de realismo e de sin ceridade. Enquanto isso, essa pobre classe média ai permanecia dispersa e abandonada, numa verdadeira crise de anarquia moral que agravava a desorga nização e a corrupção do aparelhamento administrativo do país, comprimida entre um proletariado que começava a lutar com energia, por suas reivindica

ções de classe, com sua vanguarda po

derosamente organizada no PCB, e uma

burguesia capitalista pletòricamente en

riquecida pelos lucros extraordintóos, egoísta e cega, cujos mentores políticos faziam inúteis mesmas àquêle proleta riado, que lhes voltava com decisão as costas.

Êstes últimos anos representaram o

pos, que ameaçava dar à luta política

calvário da classe média, vítima por ex

A classe média e as eleições de

geral de honorários ou de salários, cuja

19 de janeiro

Entre essas duas fôrças atuantes fal

tava, porém, a que deveria ser a mais

poderosa das três, a classe media. Fal

tava a classe média, constituída por

grande parte da magistratura e dos pro

fissionais liberais, dos intelectuais e jor

celência da inflação, da anarquia admi nistrativa e do desgovêmo. Vivendo em ascensão só muito lentamente acompa

nhava o ritmo inflacionista, obrigado a manter uma certa decência social, edu cando os filhos em vez de fazê-los tobalhar desde os catorze anos, o ho mem da classe média só podia defen der-se como se defendeu, durante êstes anos, matando-se de trabalho ou recor

ria da oficialidade, das classes armadas,

rendo à corrupção gerada e generaliza da pela inflação. Os seus problemas mais

mércio e dos comerciarios, pelos peque-

eram totalmente descurados pelos po-

nalistas, pelo funcionalismo, pela maio

pela quase totalidade do pequeno co

fundamentais, como o de residência,


TTT

70

Dicesto Econômico

deres públicos, que em seus planos, aliás quase nunca realizados, apenas viam o proletariado, esquecido inteiramente da sofredora classe

média.

Um

decreto

estadual de setembro de 1946, por exem

plo, estabelecia isenção de ciza na aqui

sição de casa própria, instituída como bem de família, ate o liímte máximo de

custo de cinqüenta mil cruzeiros, nesta

capital; como se existisse aqui casa para uma família modesta da classe média

I

por menos de cento e cinqüenta mil

'•

cruzeiros, no pleno apogeu da mais ga nanciosa e descontrolada especulaç<ão

. ,

imobiliária, em que os terrenos urbanos

^

nado por demais patente, no caso da candidatura para o govêmo do Estado. Quanto à UDN, que representava uma

wlta aos ideais de 1930, em que se pe-

trificaram seus dirigentes, sentia que i,avia sido ultrapassada pelo curso dos na-

acontecimentos e pela irresistível evolu

ção social desta tormentosa época con temporânea.

Êsse movimento foi, repetímo-lo, instmhvo. Os eleitores da classe média, mal situados no PSD, na UDN e, em menor escala, militantes do PTB ou sim

Dicesto

77

EcoNÓAaco

Tavares e Prado a 19 de janeiro: dedu

aliança PSP-PCB, votavam no sr. Mario

zidos os votos trabalhistas,

Tavares.

Dutra al

cançou 93.842 votos e Eduardo Go res e Prado, em conjunto, só alcança ram 80.765 votos. Ora, essa diferença de 128.557 votos — atendida a circuns

dos conservadores e de um terceiro que

tos, ao passo que a 19 de janeiro Tava

tância de que a 2 de dezembro foi maior o número de votantes — corres

ponde, aproximadamente, h votação dada a Adhemar de Barros, com exclusão dos

patizantes do PCB, abandonavam êsses

votos comunistas.

chegaram, em três ou quatro anos, a multiplicar o seu preço por dez. E assim, inteiramente abandonada mes-

ras do PSP, à procura de seu centro de gravidade social. Sòmente por essa for

os votos dados a Adhemar de Barros, ex

o da UDN, retirando dêsses partidos con

^ va pelos partídos políticos, irresístivel-

pânh^ do sr, Adheiníir de Bíutos, porque nenhum dirigente político consegue popularizar-se e vencer'apenas por mo tivos de prestígio pessoal ou de propa

, mo pelos inconscientes "quisHngs" que ■I de mando,seu seio-pára posições a classe médiaocupar se fragmentamente empurrada para a esquerda, para

o PCB ou o PTB, onde foi constituir a quadros dirigentes. Em

1

^

bora discordando visceralmente da posi

ção intemacíonalista e do sectarismo

ciassista do comunismo, não obstante sua aversao pelo queremismo, o sofrimento e a revolta afastavam-na cada vez mais dos partidos conservadores, arrastando-a aos poucos para aqueles partídos. A campanha popular do sr. Adhemar T

solução.

Instintivamente sentiu que aí estaria tal vez o seu lugar, equidistante do extre mismo comunista ou da demagogia que-

remista e dos partídos conservadores, in capazes de ter^olhos para os seus pro

blemas, que são os problemas funda mentais do pais, impotentes para conter as ambições pessoais da maioria de seus

dirigentes, sem desprendimento para rea lizar uma política de união e de salva

ção nacional. Sua atitude era negativa, mais do que afirmativa; incorporando-sé ao PSP, dizia nâol aos demais partidos, principalmente ao partido govemista, cujo estreito partidarismo se havia tor

partido^ para irem engrossar as filei

ma se pode explicar o sucesso da cam-

ganda, se não fôr, em ecrto momento, a expressão das aspirações ou do movi mento de uma determinada corrente social.

A análise dos resultados, mesmo in

completos, do pleito de 19 de janeiro, em confronto com o de 2 de dezem

bro, nesta capital, confirma cabalmente o fenômeno.

Êsses resultados -revelam que o ex traordinário desenvolvimento ao PSP foi

conquistado em parte mínima pela fu são com o PPS e PAN e, quasi inteira mente, à custa do PSD e da UDN.

O

PSP elevou sua percentagem sôbre o total de 3,4% a mais de 20%, desconta

Que mostram êsses resultados?

Que

cluídos os dos comunistas, foram des

viados em sua quase totalidade do PSD siderável massa de eleitores da classe

média, que os haviam apoiado a 2 de dezembro.

Indicam ainda que o

PCB e o PTB não ganharam terreno

nesta capital, pelo contrário o perderam ligeiramente, sendo provàvelmente exata a suposição de que o aumento de seus

quaá-os de militantes operários tenha

do, a soma dos votos dados a Dutra e

Eduardo

Gomes,

a 2 de dezembro,

com a soma dos votos alcançados por

termédio, mais accessível

uma certa co

laboração, dentro das diretrizes de sua

atual linha política. Estava assegurada a vitória e preparada a desnorteante surprêsa de 19 de janeiro. Conclusão

Resta aproveitar a lição das umas e, tomando consciente e deliberado um

movimento que foi instintivo, estruturar,

em bases verdadeiramente democráticas,

um grande partido da classe média. Êsse, que poderá surgir da aglutinação a um único partido de vários outros nienores e dos elementos pequeno bur

gueses sem partido ou dispersos pelos

rica — que se iniciará por uma tomada de consciência e pela elevação material

Assim, os números confirmam o que a

mais superficial pesquisa, nas vésperas das eleições, revelava à evidência. A

não ser os elementos da classe média

diretamente ligados a qualquer dos de mais partídos por ínterêsse, amizade ou fíliação partidária mais firme, todos os parte do proletariado se dividia entre o

a calculássemos pela votação para go vernador. Basta confrontar, grosso mo

lhe disputava a adesão das massas pro letárias, deliberou apoiar o partido in

tatísticos.

governador. Enquanto isso, o PCB e o PTB caíam ligeiramente na votação de legendas e o PSD e a UDN caíam espe

E a queda destes dois

Em face de dois parti

demais, deverá ser um poderoso fator do equilíbrio na composição de forças

simpati2;antes da classe média bem maior do que parecem indicar os dados es

dos os votos comunistas, na votação para

tacularmente.

tado das umas.

sido contrabalançado por um êxodo de

demais, com que a gente conversava,

víltímos seria ainda mais acentuada, se

Divididas desse modo em quatro gru

pos as forças políticas que disputavam o govêmo do Estado, ficava o PCB na ex'celente posição de árbitro do resul

mes 115.480, o que soma 209.322 vo

eram adhemaristas, ao passo que a maior PCB e o PTB e os elementos da burgue

sia, mesmo os udenistas, como reação â

de nossa democracia.

Sua missão histó

o moral da classe média, no sentido de

um profundo sentimento de brasilidade, como fonte suprema e perene de nossa cultura — consistirá em adequar as ten

dências socialistas à realidade brasileira

e em promover a mais ampla união na cional para solução de nossos problemas

fundamentais, como o que imporá seu limite natural à expansão do movimento comunista e relegará ao passado o rea cionarismo capitalista ou fascista.


TTT

70

Dicesto Econômico

deres públicos, que em seus planos, aliás quase nunca realizados, apenas viam o proletariado, esquecido inteiramente da sofredora classe

média.

Um

decreto

estadual de setembro de 1946, por exem

plo, estabelecia isenção de ciza na aqui

sição de casa própria, instituída como bem de família, ate o liímte máximo de

custo de cinqüenta mil cruzeiros, nesta

capital; como se existisse aqui casa para uma família modesta da classe média

I

por menos de cento e cinqüenta mil

'•

cruzeiros, no pleno apogeu da mais ga nanciosa e descontrolada especulaç<ão

. ,

imobiliária, em que os terrenos urbanos

^

nado por demais patente, no caso da candidatura para o govêmo do Estado. Quanto à UDN, que representava uma

wlta aos ideais de 1930, em que se pe-

trificaram seus dirigentes, sentia que i,avia sido ultrapassada pelo curso dos na-

acontecimentos e pela irresistível evolu

ção social desta tormentosa época con temporânea.

Êsse movimento foi, repetímo-lo, instmhvo. Os eleitores da classe média, mal situados no PSD, na UDN e, em menor escala, militantes do PTB ou sim

Dicesto

77

EcoNÓAaco

Tavares e Prado a 19 de janeiro: dedu

aliança PSP-PCB, votavam no sr. Mario

zidos os votos trabalhistas,

Tavares.

Dutra al

cançou 93.842 votos e Eduardo Go res e Prado, em conjunto, só alcança ram 80.765 votos. Ora, essa diferença de 128.557 votos — atendida a circuns

dos conservadores e de um terceiro que

tos, ao passo que a 19 de janeiro Tava

tância de que a 2 de dezembro foi maior o número de votantes — corres

ponde, aproximadamente, h votação dada a Adhemar de Barros, com exclusão dos

patizantes do PCB, abandonavam êsses

votos comunistas.

chegaram, em três ou quatro anos, a multiplicar o seu preço por dez. E assim, inteiramente abandonada mes-

ras do PSP, à procura de seu centro de gravidade social. Sòmente por essa for

os votos dados a Adhemar de Barros, ex

o da UDN, retirando dêsses partidos con

^ va pelos partídos políticos, irresístivel-

pânh^ do sr, Adheiníir de Bíutos, porque nenhum dirigente político consegue popularizar-se e vencer'apenas por mo tivos de prestígio pessoal ou de propa

, mo pelos inconscientes "quisHngs" que ■I de mando,seu seio-pára posições a classe médiaocupar se fragmentamente empurrada para a esquerda, para

o PCB ou o PTB, onde foi constituir a quadros dirigentes. Em

1

^

bora discordando visceralmente da posi

ção intemacíonalista e do sectarismo

ciassista do comunismo, não obstante sua aversao pelo queremismo, o sofrimento e a revolta afastavam-na cada vez mais dos partidos conservadores, arrastando-a aos poucos para aqueles partídos. A campanha popular do sr. Adhemar T

solução.

Instintivamente sentiu que aí estaria tal vez o seu lugar, equidistante do extre mismo comunista ou da demagogia que-

remista e dos partídos conservadores, in capazes de ter^olhos para os seus pro

blemas, que são os problemas funda mentais do pais, impotentes para conter as ambições pessoais da maioria de seus

dirigentes, sem desprendimento para rea lizar uma política de união e de salva

ção nacional. Sua atitude era negativa, mais do que afirmativa; incorporando-sé ao PSP, dizia nâol aos demais partidos, principalmente ao partido govemista, cujo estreito partidarismo se havia tor

partido^ para irem engrossar as filei

ma se pode explicar o sucesso da cam-

ganda, se não fôr, em ecrto momento, a expressão das aspirações ou do movi mento de uma determinada corrente social.

A análise dos resultados, mesmo in

completos, do pleito de 19 de janeiro, em confronto com o de 2 de dezem

bro, nesta capital, confirma cabalmente o fenômeno.

Êsses resultados -revelam que o ex traordinário desenvolvimento ao PSP foi

conquistado em parte mínima pela fu são com o PPS e PAN e, quasi inteira mente, à custa do PSD e da UDN.

O

PSP elevou sua percentagem sôbre o total de 3,4% a mais de 20%, desconta

Que mostram êsses resultados?

Que

cluídos os dos comunistas, foram des

viados em sua quase totalidade do PSD siderável massa de eleitores da classe

média, que os haviam apoiado a 2 de dezembro.

Indicam ainda que o

PCB e o PTB não ganharam terreno

nesta capital, pelo contrário o perderam ligeiramente, sendo provàvelmente exata a suposição de que o aumento de seus

quaá-os de militantes operários tenha

do, a soma dos votos dados a Dutra e

Eduardo

Gomes,

a 2 de dezembro,

com a soma dos votos alcançados por

termédio, mais accessível

uma certa co

laboração, dentro das diretrizes de sua

atual linha política. Estava assegurada a vitória e preparada a desnorteante surprêsa de 19 de janeiro. Conclusão

Resta aproveitar a lição das umas e, tomando consciente e deliberado um

movimento que foi instintivo, estruturar,

em bases verdadeiramente democráticas,

um grande partido da classe média. Êsse, que poderá surgir da aglutinação a um único partido de vários outros nienores e dos elementos pequeno bur

gueses sem partido ou dispersos pelos

rica — que se iniciará por uma tomada de consciência e pela elevação material

Assim, os números confirmam o que a

mais superficial pesquisa, nas vésperas das eleições, revelava à evidência. A

não ser os elementos da classe média

diretamente ligados a qualquer dos de mais partídos por ínterêsse, amizade ou fíliação partidária mais firme, todos os parte do proletariado se dividia entre o

a calculássemos pela votação para go vernador. Basta confrontar, grosso mo

lhe disputava a adesão das massas pro letárias, deliberou apoiar o partido in

tatísticos.

governador. Enquanto isso, o PCB e o PTB caíam ligeiramente na votação de legendas e o PSD e a UDN caíam espe

E a queda destes dois

Em face de dois parti

demais, deverá ser um poderoso fator do equilíbrio na composição de forças

simpati2;antes da classe média bem maior do que parecem indicar os dados es

dos os votos comunistas, na votação para

tacularmente.

tado das umas.

sido contrabalançado por um êxodo de

demais, com que a gente conversava,

víltímos seria ainda mais acentuada, se

Divididas desse modo em quatro gru

pos as forças políticas que disputavam o govêmo do Estado, ficava o PCB na ex'celente posição de árbitro do resul

mes 115.480, o que soma 209.322 vo

eram adhemaristas, ao passo que a maior PCB e o PTB e os elementos da burgue

sia, mesmo os udenistas, como reação â

de nossa democracia.

Sua missão histó

o moral da classe média, no sentido de

um profundo sentimento de brasilidade, como fonte suprema e perene de nossa cultura — consistirá em adequar as ten

dências socialistas à realidade brasileira

e em promover a mais ampla união na cional para solução de nossos problemas

fundamentais, como o que imporá seu limite natural à expansão do movimento comunista e relegará ao passado o rea cionarismo capitalista ou fascista.


79

Digesto Econômico

PROBLEMAS DA PRODUÇÃO por Arnóbio Graça

j

vela terrível perigo. As áreas cultivadas diminuíram, porque, se, em 1939, eram de 13.839.472 hectares, quatro anos

(Catedrádco de Economia Política da

depois, isto é, em 1943, não foram além do total de 13.833.365 hectares.^ Ao

Especial para o "Dicesto Econômico"

demais, o rendimento das terras e^ pre cário pela cultura extensiva, que é um meio de aniquilamento da fecundidade

Faculdade de Direito de Recife)

do solo. Aliás, os vícios de destruição

Arlmithrws ~ comenta o A. - gue o trabalho é o mais impor tante fator da produção e até um^i das leis da vida. Entretanto, o capital exerce também funções indispemáveis ao processo economxco da sociedade. De sorte que devemos lutar contra os abusos do capitalismo, e nao contra o capital, que é riqueza. De vemos, po«, aceitar os rumos da doutrina social da Igreja, onde ha remedws para todas as angústias do Brasil contemporâneo. l — A produção agrí

tem correlação com os movimentos cí

cola e industrial

clicos da economia. Muda com as coIheitasj é mercado da indústria, assim

fonte de matérias primas e um Br-, o processo de como produção — diz dos sustentáculos da alimentação popu Ralph

Fay

—

é

lar. Possui inferioridade técnica, compa

uma cooperação de agentes: "Literally spealdng, it ís a coo-

rada com a indústria, e, para a maioria dos economistas, acha-se inexoràvelmen-

perative enterprise".

Para

Valois,

é

uma colaboração hierarquizada da con cepção e interesse pessoal, da direção e da técnica, da mão-de-obra e do ca

pital. Entretanto, foram os fisiocratas, os primeiros que distinguiram a produ ção agrícola da produção industrial, ba seados em defeituosa inspiração teoló gica: para êles, a agricultura era "obra dixana" e a indústria, uma obra humana.

Reconhece Schmoller que a separação entre a agricultura e a indústria é muito

vantajosa, assemelhando-se à que subsiste enti'e o campo e a cidade, entre os gru pos econômicos e os grupos sociais. List chega a afirmar que "Ia agricultura y

das nossas riquezas, embora remotos,

aproveitadas conforme os princípios

uma vez que procedem da época précolonial, caracterizam, ainda, grande parte da economia brasileira. Vendo ta

aviltando o trabalho, impedindo a de

manho atraso, somente comum aos povos

primitivos ou àqueles que se deixaram vencer pela desagregação, pela supemc alidade e pelo "culto- das virtudes passivas", Alberto Torres declara que "tôda

a

individualismo, atentam contra o pro

gresso do Brasil, esmagando populações, mocratização das terras e desmoralizan

do o nosso regime econômico, político

social. Tudo isto são graves^ problemas,

que o governo do «osso pais deve^^^^^ alente. Necessita

frentar com ânimo

mos de uma no

nossa

de consta, de ex

va politica para a agricultura, apoiada, entre

aparente vitalida tremo a extremo

outros,

do país, da extra

guintes elemen

ção de produtos e

tos:

de limitado esfôr-

nos

se

a) democrati

extensiva, em que

contra o avanço

proporcional".

a nossa terra vai cedendo tudo

das idéias comu

A indústria, em sentido lato, aumenta a utilidade ou o valor das coisas cria

nistas, que tive ram extraordiná rio ê.xito nas úl

quanto possui em

das: o comércio, o crédito e os trans

riqueza

portes. Restritamente, modifica rique zas; converte matérias primas em pro dutos acabados. Daí, as seguintes mo

ao alcance da mão ou de rudimentaríssimos processos

timas eleições de janeiro;

de traballio"... Se persistirmos em tais erros, não há dúvida de que teremos um trágico destino, porquanto os me lancólicos "desertos da Pérsia, da Arabia

ciência agronômica e pela téchica; c) instituição da previdência social para os trabalhadores rurais; d) organização urgente do Banco Nacional de Crédito Agrícola na qua lidade de parte integrante do Banco

dalidades:

1 — Indústrias mercantis: o comér

cio e os transportes. 2 — Indústrias extrativas e de beneficiamento: as dos metais, dos combustí

veis, da borracha, da madeira e fibras, dos couros e peles, etc. 3 — Indústrias manufatureira e ma-

química, etc.

A agricultura está sob o império da

das nossas grandezas. Alem disso, < vastas propriedades sem culturas

te submetida à "lei do rendimento não

Ia industria constituyen los sectores de

geografia e, na opinião de Cassei, não

miséria com a boa sorte do comercio e da indústria, vai perdendo a crença na filosofia do "plantando, dá , que en cheu de entusiasmo o primeiro cronista

zação das terras

Ia producción natural".

Pelo que, ha duas espécies de pro

adquirindo incoercível horror a sua pro fissão e existência. Comparando a sua

ço de exploração

quinofatureira: são as dos minerais, do vestuário e alimentação, do mobiliário, bem como as indústrias têxtil, mecânica,

dução; agrícola e industrial.

e social, o homem do campo revolta-se,

II — Problemas da agricultura nacional Inegàvelmente, a agricultura brasileira está em crise. O seu volume físico re-

natural,

e do Turquestão" foram, outrora, ale gres e prósperos recantos do mundo.

A agricultura nacional não tem orga nização. Os seus produtos, apesar da enorme procura dos consumidores, não são distribuídos com regularidade ~ ®

que não ocorre em outros países onde

liá facilidade de transporte.

O tra

balho é duro, não oferecendo rendimen to, que assegure aos pequenos e mé

dios agricultores, uma vida mais ou menos feliz.

Sem recursos, sem vanta-

•gens e amesquinhado pelo meio físico

b) racionalização das c^turas pela

Central do Brasil;

e) mellioramentos nos transportes e racionalização dos impostos;

f) revisão da política de preços dos produtos agrícolas. III — Industrialização do Brasil

Com referência às indústrias, estamos I no período infantil, a despeito do nosso


79

Digesto Econômico

PROBLEMAS DA PRODUÇÃO por Arnóbio Graça

j

vela terrível perigo. As áreas cultivadas diminuíram, porque, se, em 1939, eram de 13.839.472 hectares, quatro anos

(Catedrádco de Economia Política da

depois, isto é, em 1943, não foram além do total de 13.833.365 hectares.^ Ao

Especial para o "Dicesto Econômico"

demais, o rendimento das terras e^ pre cário pela cultura extensiva, que é um meio de aniquilamento da fecundidade

Faculdade de Direito de Recife)

do solo. Aliás, os vícios de destruição

Arlmithrws ~ comenta o A. - gue o trabalho é o mais impor tante fator da produção e até um^i das leis da vida. Entretanto, o capital exerce também funções indispemáveis ao processo economxco da sociedade. De sorte que devemos lutar contra os abusos do capitalismo, e nao contra o capital, que é riqueza. De vemos, po«, aceitar os rumos da doutrina social da Igreja, onde ha remedws para todas as angústias do Brasil contemporâneo. l — A produção agrí

tem correlação com os movimentos cí

cola e industrial

clicos da economia. Muda com as coIheitasj é mercado da indústria, assim

fonte de matérias primas e um Br-, o processo de como produção — diz dos sustentáculos da alimentação popu Ralph

Fay

—

é

lar. Possui inferioridade técnica, compa

uma cooperação de agentes: "Literally spealdng, it ís a coo-

rada com a indústria, e, para a maioria dos economistas, acha-se inexoràvelmen-

perative enterprise".

Para

Valois,

é

uma colaboração hierarquizada da con cepção e interesse pessoal, da direção e da técnica, da mão-de-obra e do ca

pital. Entretanto, foram os fisiocratas, os primeiros que distinguiram a produ ção agrícola da produção industrial, ba seados em defeituosa inspiração teoló gica: para êles, a agricultura era "obra dixana" e a indústria, uma obra humana.

Reconhece Schmoller que a separação entre a agricultura e a indústria é muito

vantajosa, assemelhando-se à que subsiste enti'e o campo e a cidade, entre os gru pos econômicos e os grupos sociais. List chega a afirmar que "Ia agricultura y

das nossas riquezas, embora remotos,

aproveitadas conforme os princípios

uma vez que procedem da época précolonial, caracterizam, ainda, grande parte da economia brasileira. Vendo ta

aviltando o trabalho, impedindo a de

manho atraso, somente comum aos povos

primitivos ou àqueles que se deixaram vencer pela desagregação, pela supemc alidade e pelo "culto- das virtudes passivas", Alberto Torres declara que "tôda

a

individualismo, atentam contra o pro

gresso do Brasil, esmagando populações, mocratização das terras e desmoralizan

do o nosso regime econômico, político

social. Tudo isto são graves^ problemas,

que o governo do «osso pais deve^^^^^ alente. Necessita

frentar com ânimo

mos de uma no

nossa

de consta, de ex

va politica para a agricultura, apoiada, entre

aparente vitalida tremo a extremo

outros,

do país, da extra

guintes elemen

ção de produtos e

tos:

de limitado esfôr-

nos

se

a) democrati

extensiva, em que

contra o avanço

proporcional".

a nossa terra vai cedendo tudo

das idéias comu

A indústria, em sentido lato, aumenta a utilidade ou o valor das coisas cria

nistas, que tive ram extraordiná rio ê.xito nas úl

quanto possui em

das: o comércio, o crédito e os trans

riqueza

portes. Restritamente, modifica rique zas; converte matérias primas em pro dutos acabados. Daí, as seguintes mo

ao alcance da mão ou de rudimentaríssimos processos

timas eleições de janeiro;

de traballio"... Se persistirmos em tais erros, não há dúvida de que teremos um trágico destino, porquanto os me lancólicos "desertos da Pérsia, da Arabia

ciência agronômica e pela téchica; c) instituição da previdência social para os trabalhadores rurais; d) organização urgente do Banco Nacional de Crédito Agrícola na qua lidade de parte integrante do Banco

dalidades:

1 — Indústrias mercantis: o comér

cio e os transportes. 2 — Indústrias extrativas e de beneficiamento: as dos metais, dos combustí

veis, da borracha, da madeira e fibras, dos couros e peles, etc. 3 — Indústrias manufatureira e ma-

química, etc.

A agricultura está sob o império da

das nossas grandezas. Alem disso, < vastas propriedades sem culturas

te submetida à "lei do rendimento não

Ia industria constituyen los sectores de

geografia e, na opinião de Cassei, não

miséria com a boa sorte do comercio e da indústria, vai perdendo a crença na filosofia do "plantando, dá , que en cheu de entusiasmo o primeiro cronista

zação das terras

Ia producción natural".

Pelo que, ha duas espécies de pro

adquirindo incoercível horror a sua pro fissão e existência. Comparando a sua

ço de exploração

quinofatureira: são as dos minerais, do vestuário e alimentação, do mobiliário, bem como as indústrias têxtil, mecânica,

dução; agrícola e industrial.

e social, o homem do campo revolta-se,

II — Problemas da agricultura nacional Inegàvelmente, a agricultura brasileira está em crise. O seu volume físico re-

natural,

e do Turquestão" foram, outrora, ale gres e prósperos recantos do mundo.

A agricultura nacional não tem orga nização. Os seus produtos, apesar da enorme procura dos consumidores, não são distribuídos com regularidade ~ ®

que não ocorre em outros países onde

liá facilidade de transporte.

O tra

balho é duro, não oferecendo rendimen to, que assegure aos pequenos e mé

dios agricultores, uma vida mais ou menos feliz.

Sem recursos, sem vanta-

•gens e amesquinhado pelo meio físico

b) racionalização das c^turas pela

Central do Brasil;

e) mellioramentos nos transportes e racionalização dos impostos;

f) revisão da política de preços dos produtos agrícolas. III — Industrialização do Brasil

Com referência às indústrias, estamos I no período infantil, a despeito do nosso


80

Digesto Econômico

grande esforço nas regiões do Nordeste, do Centro e do Sul.

Quanto ao carvão mineral, dispomos

Relativamente ao petróleo, as nossas reservas têm dado lugar às mais apai

xonadas controvérsias.

Com o apare-

de apreciáveis jazidas no Rio Grande do

Ciinento do Conselho Nacional do Pe

Sul, em Santa Catarina, Paraná, São

tróleo, em abril de 1938, o trabalho de

Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro,

pesauisas e de extração do precioso lí-

Espírito Santo e Bahia.

De sorte que

qu do tem sido feito no Território do

podemos constatar:

Acre, em Alagoas e na Bahia, porém

PRODUÇÃO DE CARVÃO DE PEDRA

£0 neste último Estado se obteve êxito

NO BRASIL Anos:

Toneladas:

1931 1933

493.760 646.075

1933 1937 1938 1939 1940

1941 1942 1943 1944 1945

1931 a 1945

840.088 762.789 907.224 1.046.975 1.336.301

1.408.079 1.757.021 2.034.311 2.080.750

Aumento: 321 % (I)

um acréscimo de 3212, mas é insufi ciente para satisfazer o consumo nacio

nal e, por isso, somos obrigados a im portar a hulha em proporções, que, feliz mente, têm sido reduzidas:

IMPORTAÇÃO BRASILEIRA DE CARVÃO DE PEDRA Anos:

Toneladas:

1931

1.285.494

1933 1935 1937 1938 1939 1940 1941 1942 1943 1944

1.292.040 1.437.227 1.707.852 1.575.996 1.382.471 1.209.242

1.057.946 616.038 587.425

467.666 660.000

1931 a 1945 Diminuição; 49% (2)

81

gresso Brasileiro da Indústria, efetuado

tes do partido comunista.

em São Paulo, de 9 de dezembro de

industrial que defendemos é aquela que

1944 a 5 de janeiro de 1945, podemos apontar alguns fundamentos dessa viva aspiração do nobre povo sul-americano. t — Democratização da propriedade e das riquezas industriais. .

se firma nos jirincípios expostos acima.

11 — Planificação da economia indus trial.

bertos e explorados: Lobato-Joanes, Can deias, Aratu e Itaparica. Assim, a pro

in — Localização regional das indús

dução bahiana de petróleo, de 1940 a 1j44, foi a seguinte:

IV — Produção de energia e de com

trias.

bustíveis.

V ■— Organização e desenvolvimento 1940 1941 1942 1943 1944

2.089,12 barris de 159 litros 3.120,00 32.831,42 48.153,29

fl

f>

"(3)

O ferro e o aço mostram-se indispenindustrialização nacional. Se é

verdade que somos donos de prodigio

sas reservas de ferro, contudo não temos

ainda uma .indústria siderúrgica respei tável, como a de outros países, embora a Usina de Volta Redonda seja uma formídave realização, um milagre, que está

alargando os nossos horizontes econômi cos. Para Daniel de Carvalho, essa Usina prestará notáveis serviços ao Brasil: evitará a devastação das matasmtensificara "a produção e o beneficiamento do nosso carvão mineral"; for çara a "modificação da linha centro da

Estrada de Ferro Central do Brasil adaptando-a ao transporte de grandes massas; aparelhará os pontos de embar

que e desembarque de carvão; criará

uma frota, de navios carvoeiros" e produz.rá matérias primas para novas in dustrias.

IV — Fundamentos da industrialização do Brasil

Com efeito, as bases definitivas da in

dustrialização do nosso país ainda não foram estabelecidas. Com o apoio dos técnicos e das recomendações do Con-' .fj.tAC-MirfW V I'

das

indústrias

de

base

e

de

transformação. VI — Educação industrial e assistência

fl

57.533,77 " " »'

1.855.591

No quadro acima, verificámos que a nossa produção de carvão de pedra teve

1945

em virtude dos quatro campos, desco

Digesto Econômico

técnica.

VII — Organização do crédito industrim.

VIU — Transportes. IX — Legislação social e fiscal.

. X — Colaboração do capital estran geiro.

XI — Sobrevivência das indústrias, que surgiram durante a guerra. Xn — Exploração de novas matérias primas.

Xin — Racionalização do custo de pro dução industrial.

XrV — Nova política mercantil. XV — Ação contra os trustes e cartéis.

Eis

aí o caminho que o Brasil tem

de percorrer para se tomar uma das

grandes potências industriais do ^Conti nente.

Trata-se de uma difícil transfor

A revolução

É a que exige a democratização da pro priedade, a jilanificação econômica, a produção de energia e de combustíveis, a educação e :issistência técnicas, o cré

dito e a racionalização. Ê a que não considera a colaboração do capital es

trangeiro

como u'a manifestação do

imperialismo.

Quanto à democracia e à planificação,

não há dúvid:i de que podemos con

ciliá-las sem (lesprêzo aos direitos de liberdade, igualdade e fraternidade. A economia plani ficada não é sempre tota litária, como acontece na Rússia sovié tica.

Pode estimular mesmo a iniciativa

privada dentro das linhas essenciais do programa, que fixar as atividades pro dutivas do paí.s.

Aliás, foi o que reco

nheceram os técnicos do referido Con-

ãresso da Indústria, quando recoraen-

aram uma "p ..nificação econômica, ten do por fim, dentro de determinado pe ríodo de temp.' o aumento da produti vidade e a criação de riquezas necessá rias para qu' o Brasil consiga uma su ficiente renda".

De sorte que a inter

venção do Estado, segundo as idéias cardiais da nova democracia, deve: a) pro

teger a iniciativa privada; b)

coorde

nar as forças produtoras para obter a

elevação geral do nível de vida; c)

ra

cionalizar

fe

as

leis

administrativas,

derais, estaduais e municipais, "de piodo nue permita harmonizar e reduzir suas

mação econômica do país, que não deve ser confundida com os planos do socia

exigências, cujo excesso dificulta o de

lismo coletivista. Êste obedece a dire trizes contrárias à existência de uma democracia econômica onde os indiví

da nação"; d)

duos, as empresas e o Estado vivam em harmonia e para o bem .geral. Pois, negando o direito de propriedade pri

nossa industrialização não existe no es

vada, destruindo a liberdade do tra

balho e do capital e estatizando as ri quezas agrícolas, industriais .e comer ciais, o coletivismo submete as pessoas 8 a própria nação à vontade dos dirigen

senvolvimento das atividades produtivas assegiuar permanente

mente o bem comum.

É verdade que êsse entusiasmo pela pírito de muitos estudiosos dos nossos problemas. Dizem êstes que não pos suímos energia, combustíveis, técnica e

capitais para a criação de indústrias à semelhança dos Estados Unidos e da Inglaterra.

Cremos, porém, que esses

pessimistas estão enganados.

Somos do-


80

Digesto Econômico

grande esforço nas regiões do Nordeste, do Centro e do Sul.

Quanto ao carvão mineral, dispomos

Relativamente ao petróleo, as nossas reservas têm dado lugar às mais apai

xonadas controvérsias.

Com o apare-

de apreciáveis jazidas no Rio Grande do

Ciinento do Conselho Nacional do Pe

Sul, em Santa Catarina, Paraná, São

tróleo, em abril de 1938, o trabalho de

Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro,

pesauisas e de extração do precioso lí-

Espírito Santo e Bahia.

De sorte que

qu do tem sido feito no Território do

podemos constatar:

Acre, em Alagoas e na Bahia, porém

PRODUÇÃO DE CARVÃO DE PEDRA

£0 neste último Estado se obteve êxito

NO BRASIL Anos:

Toneladas:

1931 1933

493.760 646.075

1933 1937 1938 1939 1940

1941 1942 1943 1944 1945

1931 a 1945

840.088 762.789 907.224 1.046.975 1.336.301

1.408.079 1.757.021 2.034.311 2.080.750

Aumento: 321 % (I)

um acréscimo de 3212, mas é insufi ciente para satisfazer o consumo nacio

nal e, por isso, somos obrigados a im portar a hulha em proporções, que, feliz mente, têm sido reduzidas:

IMPORTAÇÃO BRASILEIRA DE CARVÃO DE PEDRA Anos:

Toneladas:

1931

1.285.494

1933 1935 1937 1938 1939 1940 1941 1942 1943 1944

1.292.040 1.437.227 1.707.852 1.575.996 1.382.471 1.209.242

1.057.946 616.038 587.425

467.666 660.000

1931 a 1945 Diminuição; 49% (2)

81

gresso Brasileiro da Indústria, efetuado

tes do partido comunista.

em São Paulo, de 9 de dezembro de

industrial que defendemos é aquela que

1944 a 5 de janeiro de 1945, podemos apontar alguns fundamentos dessa viva aspiração do nobre povo sul-americano. t — Democratização da propriedade e das riquezas industriais. .

se firma nos jirincípios expostos acima.

11 — Planificação da economia indus trial.

bertos e explorados: Lobato-Joanes, Can deias, Aratu e Itaparica. Assim, a pro

in — Localização regional das indús

dução bahiana de petróleo, de 1940 a 1j44, foi a seguinte:

IV — Produção de energia e de com

trias.

bustíveis.

V ■— Organização e desenvolvimento 1940 1941 1942 1943 1944

2.089,12 barris de 159 litros 3.120,00 32.831,42 48.153,29

fl

f>

"(3)

O ferro e o aço mostram-se indispenindustrialização nacional. Se é

verdade que somos donos de prodigio

sas reservas de ferro, contudo não temos

ainda uma .indústria siderúrgica respei tável, como a de outros países, embora a Usina de Volta Redonda seja uma formídave realização, um milagre, que está

alargando os nossos horizontes econômi cos. Para Daniel de Carvalho, essa Usina prestará notáveis serviços ao Brasil: evitará a devastação das matasmtensificara "a produção e o beneficiamento do nosso carvão mineral"; for çara a "modificação da linha centro da

Estrada de Ferro Central do Brasil adaptando-a ao transporte de grandes massas; aparelhará os pontos de embar

que e desembarque de carvão; criará

uma frota, de navios carvoeiros" e produz.rá matérias primas para novas in dustrias.

IV — Fundamentos da industrialização do Brasil

Com efeito, as bases definitivas da in

dustrialização do nosso país ainda não foram estabelecidas. Com o apoio dos técnicos e das recomendações do Con-' .fj.tAC-MirfW V I'

das

indústrias

de

base

e

de

transformação. VI — Educação industrial e assistência

fl

57.533,77 " " »'

1.855.591

No quadro acima, verificámos que a nossa produção de carvão de pedra teve

1945

em virtude dos quatro campos, desco

Digesto Econômico

técnica.

VII — Organização do crédito industrim.

VIU — Transportes. IX — Legislação social e fiscal.

. X — Colaboração do capital estran geiro.

XI — Sobrevivência das indústrias, que surgiram durante a guerra. Xn — Exploração de novas matérias primas.

Xin — Racionalização do custo de pro dução industrial.

XrV — Nova política mercantil. XV — Ação contra os trustes e cartéis.

Eis

aí o caminho que o Brasil tem

de percorrer para se tomar uma das

grandes potências industriais do ^Conti nente.

Trata-se de uma difícil transfor

A revolução

É a que exige a democratização da pro priedade, a jilanificação econômica, a produção de energia e de combustíveis, a educação e :issistência técnicas, o cré

dito e a racionalização. Ê a que não considera a colaboração do capital es

trangeiro

como u'a manifestação do

imperialismo.

Quanto à democracia e à planificação,

não há dúvid:i de que podemos con

ciliá-las sem (lesprêzo aos direitos de liberdade, igualdade e fraternidade. A economia plani ficada não é sempre tota litária, como acontece na Rússia sovié tica.

Pode estimular mesmo a iniciativa

privada dentro das linhas essenciais do programa, que fixar as atividades pro dutivas do paí.s.

Aliás, foi o que reco

nheceram os técnicos do referido Con-

ãresso da Indústria, quando recoraen-

aram uma "p ..nificação econômica, ten do por fim, dentro de determinado pe ríodo de temp.' o aumento da produti vidade e a criação de riquezas necessá rias para qu' o Brasil consiga uma su ficiente renda".

De sorte que a inter

venção do Estado, segundo as idéias cardiais da nova democracia, deve: a) pro

teger a iniciativa privada; b)

coorde

nar as forças produtoras para obter a

elevação geral do nível de vida; c)

ra

cionalizar

fe

as

leis

administrativas,

derais, estaduais e municipais, "de piodo nue permita harmonizar e reduzir suas

mação econômica do país, que não deve ser confundida com os planos do socia

exigências, cujo excesso dificulta o de

lismo coletivista. Êste obedece a dire trizes contrárias à existência de uma democracia econômica onde os indiví

da nação"; d)

duos, as empresas e o Estado vivam em harmonia e para o bem .geral. Pois, negando o direito de propriedade pri

nossa industrialização não existe no es

vada, destruindo a liberdade do tra

balho e do capital e estatizando as ri quezas agrícolas, industriais .e comer ciais, o coletivismo submete as pessoas 8 a própria nação à vontade dos dirigen

senvolvimento das atividades produtivas assegiuar permanente

mente o bem comum.

É verdade que êsse entusiasmo pela pírito de muitos estudiosos dos nossos problemas. Dizem êstes que não pos suímos energia, combustíveis, técnica e

capitais para a criação de indústrias à semelhança dos Estados Unidos e da Inglaterra.

Cremos, porém, que esses

pessimistas estão enganados.

Somos do-


Digesto Econômico

S2

nos de imensas quedas d'água, como as do Salto-do-Guaira, de Paulo Afonso, do Salto Grande, de Santa Maria e ou

não quer dizer que sejamos fervorosos partidários do regime capitalista, que produz incontestáveis

males, contudo

Roteiro Historiográíico da Independência

tras, que, se aproveitadas, suprirão uma considerável parte das nossas deficiên

julgamos que é preciso "criarmos ri quezas" e não "socializarmos'a miséria".

por Otávio Tarquinío de Souza

cias em matéria de energia.

Admitimos que o trabalho é o mais im

Especial para o "Digesto EcoNÓ^^co"

O Brasil

dispõe de 50 milhões de cavalos-vapor

portante fator da produção e até uma

no que diz respeito às suas reservas hi dráulicas, ocupando, portanto, o pri meiro lugar no Continente. A explora

exerce também funções indispensáveis ao

ção da hulha e do petróleo apresenta

sorte que devemos lutar contra os abu

boas perspectivas. Relativamente à téc nica e aos capitais, deve o Estado ado tar uma política, de modo a incremen

sos do capitalismo, e não contra o capi tal, que é riqueza. Devemos, pois, acei tar os rumos da doutrina social da Igreja

tar os investimentos de empreendedores

onde ha remédios para todas as an

brasileiros, podendo ainda solicitar a

gústias do Brasil contemporâneo.

cooperação do capital das nações aliadas, máxime dos Estados Unidos da Amé rica do Norte.

Assim, o Brasil será um país ampla mente industrializado, concorrendo com outros centros poderosos do mundo. Isto

das leis da vida. Entretanto, o capital processo econômico da sociedade.

De

Iniciai\do a sua colaboração no "Digesto Econômico", o ilustre historiador Otávio

Tarquinio de Sousa, autor de obras que firmaram a sua reputação como um dos

mais atentos pesquisadores do período da regência, tais como "Bernardo de Vasconcelos", "Evaristo da Veiga", "Diogo Antônio Feijó" e "José Bonifá-

cux

apresenta neste trabalho uma relação crítica das obras capitais para o

perfeito conhecimento da Independência brasileira.

(1) DIGESTO ECONÔMICO — N.o 18 — Maio de 1&45 — Ano II.

(2) DIGESTO ECONÔMICO

N."

18

N.o

22

— Maio de 1945 — Ano II.

(3) DIGESTO ECONÔMICO

— Setembro de 1946 — Ano II

independência do Brasil, na feição particular que assumiu em confronto com a dos demais países da América, só poderá ser bem estudada depois de um conhecimento mais profundo da estada de D. João VI entre nós. Tão grande

CONSUMO TOTAL DE CAFÉ NOS ESTADOS UNIDOS

correu com os seus conselhos — estabe lecendo a liberdade de comércio. "Sua Memória dos benefícios...", feita nu

ma intenção de panegírico, com louvo res tão desmedidos ao rei que rebaixou

aos primeiros cronistas e historiadores, contemporâneos dos acontecimentos. Quem talvez antes de qualquer outro

o autor a um papel menos ^ decente de cortezão, tem na historiografia relativa ao período entre 1808 e 1821 um lugar

teve noção disso foi José da Silva Lisboa no trabalho intitulado "Prosperidade do

de considerável relevo.

Brasil pe^os Liberais Princípios da Nova Legislação", publicado em 1811. Mas

o snr. Robbins, que o povo americano consumiu, durante êsse ano, 2.709.675.000

é na "Memória dos benefícios políticos do

Govêrno de el-rei

nosso

Senhor

tem sido de 16,5 libras.

D. João VI, escr ta em 1818 para come morar a coroação do monarca a 6 de fevereiro dêsse ano, que o futuro vis

exclusivamente, representou um aumento de US$300.000.000,00 nas transações

gamente à suspensão do sistema colo

comerciais entre os Estados Unidos e a América Latina, desde o comêço da

Civilizada", pressentiu o alcance da re solução de D. João - para que con

portuguesa sôbre os sucessos de nossa

libras de café. Calculando-se o consumo por pessoa, veremos que o mesmo é de I9 libras. Os provrios escandinavos, que têm fama de tomar muito café, nunca se aproximaram deste "record", de vez que o seu consumo máximo "per capita" O valor em dólares dessa importação atingiu a US$466.951.000,00. O café,

chamá-lo de "Segundo Pai da Gente

foi a influência da vinda da família real

emancipação nacional, que não escapou

George V. Robbins, presidente da National Coffee Association, declarou, no dia 31 de janeiro — segundo informa o Boletim Americano, de Nova Iorque — ^ importação de café para os Estados Unidos, no ano de 1946, atinou o total de 20.485.000 sacas de 132 libras, de conformidade com as cifras apresen tadas Departamento do Tesouro Norte-Americano. Isso significa, acentuou

de Adam Smith que não hesitou em

conde de Cairu alude expressa e lon

nial, decorrente de um conjunto de me

guerra, em 1940. O snr, Robbins concluiu: "A cooperação, no comércio do café, entre os Estados Unidos e os produtos da América Latina, foi entre os países do Hemisfério

didas, cuja principal se corporificou no

Ocidental. A venda de café aos Estados Unidos incrementou a solidariedade econômica para as nações produtoras^'. i

Silva Lisboa, adepto do liberalismo

decreto de 28 de janeiro de 1808, de

abertura dos portos do Brasil ao comér cio das nações amigas. econômico e de tal maneira admirador

Cronologica

mente será a primeira obra em que

alguns dos aspectos mais importantes do reinado brasileiro de D. João VI se deixam entrever.

É o caso, por exem

plo, da influência inglêsa nessa fase preparatória de nossa independência política. Obras de Cairu

Adversário extremado da Revolução Francesa, detestando a "Galomania que tentou nivelar tôdas as classes e indi

víduos", vendo nos soldados de Napoleão outros "vândalos". Silva Lisboa,

fervoroso católico, emprestou à Ingla

terra o papel de instrumento providen cial para a salvação do mundo. Palavras


Digesto Econômico

S2

nos de imensas quedas d'água, como as do Salto-do-Guaira, de Paulo Afonso, do Salto Grande, de Santa Maria e ou

não quer dizer que sejamos fervorosos partidários do regime capitalista, que produz incontestáveis

males, contudo

Roteiro Historiográíico da Independência

tras, que, se aproveitadas, suprirão uma considerável parte das nossas deficiên

julgamos que é preciso "criarmos ri quezas" e não "socializarmos'a miséria".

por Otávio Tarquinío de Souza

cias em matéria de energia.

Admitimos que o trabalho é o mais im

Especial para o "Digesto EcoNÓ^^co"

O Brasil

dispõe de 50 milhões de cavalos-vapor

portante fator da produção e até uma

no que diz respeito às suas reservas hi dráulicas, ocupando, portanto, o pri meiro lugar no Continente. A explora

exerce também funções indispensáveis ao

ção da hulha e do petróleo apresenta

sorte que devemos lutar contra os abu

boas perspectivas. Relativamente à téc nica e aos capitais, deve o Estado ado tar uma política, de modo a incremen

sos do capitalismo, e não contra o capi tal, que é riqueza. Devemos, pois, acei tar os rumos da doutrina social da Igreja

tar os investimentos de empreendedores

onde ha remédios para todas as an

brasileiros, podendo ainda solicitar a

gústias do Brasil contemporâneo.

cooperação do capital das nações aliadas, máxime dos Estados Unidos da Amé rica do Norte.

Assim, o Brasil será um país ampla mente industrializado, concorrendo com outros centros poderosos do mundo. Isto

das leis da vida. Entretanto, o capital processo econômico da sociedade.

De

Iniciai\do a sua colaboração no "Digesto Econômico", o ilustre historiador Otávio

Tarquinio de Sousa, autor de obras que firmaram a sua reputação como um dos

mais atentos pesquisadores do período da regência, tais como "Bernardo de Vasconcelos", "Evaristo da Veiga", "Diogo Antônio Feijó" e "José Bonifá-

cux

apresenta neste trabalho uma relação crítica das obras capitais para o

perfeito conhecimento da Independência brasileira.

(1) DIGESTO ECONÔMICO — N.o 18 — Maio de 1&45 — Ano II.

(2) DIGESTO ECONÔMICO

N."

18

N.o

22

— Maio de 1945 — Ano II.

(3) DIGESTO ECONÔMICO

— Setembro de 1946 — Ano II

independência do Brasil, na feição particular que assumiu em confronto com a dos demais países da América, só poderá ser bem estudada depois de um conhecimento mais profundo da estada de D. João VI entre nós. Tão grande

CONSUMO TOTAL DE CAFÉ NOS ESTADOS UNIDOS

correu com os seus conselhos — estabe lecendo a liberdade de comércio. "Sua Memória dos benefícios...", feita nu

ma intenção de panegírico, com louvo res tão desmedidos ao rei que rebaixou

aos primeiros cronistas e historiadores, contemporâneos dos acontecimentos. Quem talvez antes de qualquer outro

o autor a um papel menos ^ decente de cortezão, tem na historiografia relativa ao período entre 1808 e 1821 um lugar

teve noção disso foi José da Silva Lisboa no trabalho intitulado "Prosperidade do

de considerável relevo.

Brasil pe^os Liberais Princípios da Nova Legislação", publicado em 1811. Mas

o snr. Robbins, que o povo americano consumiu, durante êsse ano, 2.709.675.000

é na "Memória dos benefícios políticos do

Govêrno de el-rei

nosso

Senhor

tem sido de 16,5 libras.

D. João VI, escr ta em 1818 para come morar a coroação do monarca a 6 de fevereiro dêsse ano, que o futuro vis

exclusivamente, representou um aumento de US$300.000.000,00 nas transações

gamente à suspensão do sistema colo

comerciais entre os Estados Unidos e a América Latina, desde o comêço da

Civilizada", pressentiu o alcance da re solução de D. João - para que con

portuguesa sôbre os sucessos de nossa

libras de café. Calculando-se o consumo por pessoa, veremos que o mesmo é de I9 libras. Os provrios escandinavos, que têm fama de tomar muito café, nunca se aproximaram deste "record", de vez que o seu consumo máximo "per capita" O valor em dólares dessa importação atingiu a US$466.951.000,00. O café,

chamá-lo de "Segundo Pai da Gente

foi a influência da vinda da família real

emancipação nacional, que não escapou

George V. Robbins, presidente da National Coffee Association, declarou, no dia 31 de janeiro — segundo informa o Boletim Americano, de Nova Iorque — ^ importação de café para os Estados Unidos, no ano de 1946, atinou o total de 20.485.000 sacas de 132 libras, de conformidade com as cifras apresen tadas Departamento do Tesouro Norte-Americano. Isso significa, acentuou

de Adam Smith que não hesitou em

conde de Cairu alude expressa e lon

nial, decorrente de um conjunto de me

guerra, em 1940. O snr, Robbins concluiu: "A cooperação, no comércio do café, entre os Estados Unidos e os produtos da América Latina, foi entre os países do Hemisfério

didas, cuja principal se corporificou no

Ocidental. A venda de café aos Estados Unidos incrementou a solidariedade econômica para as nações produtoras^'. i

Silva Lisboa, adepto do liberalismo

decreto de 28 de janeiro de 1808, de

abertura dos portos do Brasil ao comér cio das nações amigas. econômico e de tal maneira admirador

Cronologica

mente será a primeira obra em que

alguns dos aspectos mais importantes do reinado brasileiro de D. João VI se deixam entrever.

É o caso, por exem

plo, da influência inglêsa nessa fase preparatória de nossa independência política. Obras de Cairu

Adversário extremado da Revolução Francesa, detestando a "Galomania que tentou nivelar tôdas as classes e indi

víduos", vendo nos soldados de Napoleão outros "vândalos". Silva Lisboa,

fervoroso católico, emprestou à Ingla

terra o papel de instrumento providen cial para a salvação do mundo. Palavras


84

Dicesto EcoNÓ^aco

textuais suas:

"Adorável Providência

Banco do Brasil; em seguida, a melhoria

85

Dicesto Econômico

Rio de Janeiro entre 1808 e 1821.

fica nisso, porém, o ínterêsse que ela encerra para os estudiosos dessa rase da

Exaustivamente, sem mêdo de alongar-

nossa História; há um outro ponto que

se. nos pormenores menos significativos,

poleônicas e suas imediatas conseqüên

das condições de vida em alguns luga res, sobretudo na cidade do Rio de Ja

cias na Europa) preparou os expedien

neiro e seus arredores, onde as casas

deve ser pôsto em foco: Silva Lisboa,

tes de transmudar o caos em ordem:

rústicas e urbanas se tomaram mais con- •

bom brasileiro, em 1818, quatro anos

ela permitiu que o Govênio Britânico so

História do Reino do Brasil" escreveu

fortáveis devido ao grande número de

a crônica quase dia a dia de tôdas as

mostrasse a Potestade Tutelar da Socie

negociantes ingleses que se estabelece ram no país. Digno de menção tam-

apenas antes da Independência, não so nhava com a emancipação total do seu

país.

D. João VI. Assuntos de natureza polí

nessa tremenda crise (as guerras na-

dade e Civilização". E fez, no seu tom

grandiloquo, a defesa do tratado de co mércio de 19 de fevereiro de 1810 com

a Inglaterra. Todo um capítulo do livro

é consagrado à Justificação do que pa recia a Silva LisDoa o benefício máximo

do Governo de D. João VI. Ao tempo em que foi escrita a "Memória" Já se criticava severamente aquêle ato inter

nacional. O menos que se dizia era que êle liquidara a indústria de Portugal e não passava de "odioso monopmio extorquido por um govêmo que sofria

a mtadura do corpo mercantil do país". O futuro \dsconde de Cairu, invocando as c.rcunstâncias políticas em que fora

assinado o tratado de 1810, procurou mostrar que não seria prudente des gostar um tão grande freguês", genero so amigo e forte companheiro".

Aos

que se espantavam das mercadorias in

glesas pagaram no Brasil 15% de di reitos, ao passo que as (jue vinham de Portugal incorriam numa tributação de 16% e as dos outros países na de 24%,

Silva L-.sboa advertia que nas negocia

ções diplomáticas só se atende à "arit-

métíca política" e não aos cálculos da

^^taboada vulgar". E chegava a dizer: "no sistema de esclarecida Finança dois

Não a desejava. Parecia-lhe su

ficiente a situação de reino unido a

tica e administrativa, festas, cerimônias

políticos do Govêmo de el-rei Nosso

Senhor D. João VI" fosse pxaminado o

que fôra o Brasil elevado em 1815. "O

religiosas, divertimentos populares, des

sistema colonial cessou com a lei da

crições do Rio e de suas ruas, tudo isso

problema da abolição do tráfico de es

união do Brasil ao original patrimônio

cravos, apontado antes como uma causa

da monarquia, corrigindo-se assim ra

de pobreza do que de enriquecimento do Brasil. É verdade que no tratado de 1810 a Inglaterra incluirá cláusula sôbre a gradual extinção do tráfico, e

dicalmente as anomalias que antes por extremo desigualavam a sorte dos filhos

a respeito dos pais nascidos na metró pole..." — proclamava

procurou fixar, mais entusiasmado ainda do que Silva Lisboa com o príncipe por tuguês que veio fundar no Brasil um grande Império. O livro inteiro trai por isso a preocupação de apologia, de

José da Silva Lisboa, como defensor

satisfeito e tão aferrado

dêsse tratado, seria apenas coerente. Mas não o moveu sòmente o pensamen to de não cair em contradição. O com

no mesmo espírito lou-

a

julgava a independên

bate que deu ao tráfico dos negros en

"hórrido parricídio na

vaminheiro da "Memó ria dos benefícios..." do futuro visconde de Cairu. Mas é obra de

contrava apoio em convicções sinceras

e até em mal definidos preconceitos ra

cional de infiéis vassa los e filhos desnatura-

ciais. Silva Lisboa queria a "extirpação

dos".

do cancro da escravidão" (terá sido êle

Essa posição confor mista não foi apenas do

essa

solução,

cia norte-americana um

o criador do lugar-comum?), arrolando os motivos de natureza econômica, social e moral que o induziam a detestar o

autor da "Memória dos

trabalho servil.

explicará só pelos seus pendores de áulico: foi

Para o autor da "Me

mória dos benefícios..." a importação dos africanos se fazia com "muito risco

e grossos fundos" e dela se originava a 'inércia" dos brasileiros que, queren do "viver à custa do suor alheio", afir mavam que "sem africanos não podia Mas a sua anti

tendo já distância que lhe permitia apreciar bem os fatos e os ho mens e servindo-se de

algumas das melhores

voco que se prolongaria até as vésperas da ruptura definitiva com Portugal.

cumento original, deixou-nos Francisco

Varnhagen e Gonçalves dos Santos

integral, com as preciosas notas de Ro

o gôsto da pesquisa direta e do do Adolfo de Varnhagen na sua "História Geral do Brasil" (tomo V da 3.^ edição

VI se viu forçado a seguir, depois que

a terra de Santa Cruz passasse à meta

tergiversar e iludir se tomara impossível

que precedeu imediatamente a Inde pendência é o do padre Luis Gonçalves

Bastava que, não obstante os elogios desmarcados a D. João VI, autor de

doTo Garcia) o primeiro estudo capaz

patia pelos negros era indisfarçável. Não

do ser considerado a história da época

de D. João VI. Varnhagen, visconde de Porto Seguro, foi o verdadeiro renova dor, senão o criador da historiografia

dos Santos, intitulado "Memórias para

brasileira.

servir à História do Reino do Brasil".

çalves dos Santos e José da Silva Lisboa (êste um homem de imenso saber) não passam d® simples cronistas, sem co

politano, Silva Lisboa não se esqueceu

tudo, inspirador de tudo, Silva Lisboa

Menos importante do ponto de vista de

Be invocar fatos em abôno dos seus

abordasse os temas da influência inglô-

crítica histórica do que o de José da

Ao lado dêle, Luis Gon

sa e da abolição da escravidão, para que

Silva Lisboa, o trabalho de Luis Gon

nhecimentos ou pouco preocupados com

a sua "Memória dos benefícios..." me

çalves dos Santos é talvez sem exagero o maior, o mais copioso rol dos aconte

os métodos elementares de investigação

cimentos do Brasil e particularmente do

antes de tudo de exaltar os feitos dos

aos navios ingleses; depois, o fortaleci

recesse particular relevo ria historiogra

mento

fia sôbre o Brasil de 1808 a 1821. Não

crédito do recém-fundado

Noutro tom, com ou

tra largueza de vistas,

fontes sôbre a matéria, historiador com

Outro livro que constitui fonte valiosa de informações e dados sôbre o período

do

de há muito que colhêr.

de um grande número de contemporâ neos, dos mais esclarecidos, num equí

desejava que "a melhor região da Amé rica se convertesse em Negrícia e que

pontos de vista: primeiro, a maior ex portação de gêneros brasileiros graças

consulta obrigatória, on

benefícios...", nem se

e dois, em vez de somar quatro, fre

morfose de Guiné Ocidental".

aplauso sem restrições,

que

qüentemente dão menos de um".

em face da invasão do território metro

ocorrências do reanado bi^asileu» de

bérn é que na "Memória dos benefícios

florescer o Brasil".

Aplaudindo de modo tão completo e irrestrito a política ingle.sa que D. João

o autor das "Memórias para servir à

e estudo dos fatos lústóricos e cuidando


84

Dicesto EcoNÓ^aco

textuais suas:

"Adorável Providência

Banco do Brasil; em seguida, a melhoria

85

Dicesto Econômico

Rio de Janeiro entre 1808 e 1821.

fica nisso, porém, o ínterêsse que ela encerra para os estudiosos dessa rase da

Exaustivamente, sem mêdo de alongar-

nossa História; há um outro ponto que

se. nos pormenores menos significativos,

poleônicas e suas imediatas conseqüên

das condições de vida em alguns luga res, sobretudo na cidade do Rio de Ja

cias na Europa) preparou os expedien

neiro e seus arredores, onde as casas

deve ser pôsto em foco: Silva Lisboa,

tes de transmudar o caos em ordem:

rústicas e urbanas se tomaram mais con- •

bom brasileiro, em 1818, quatro anos

ela permitiu que o Govênio Britânico so

História do Reino do Brasil" escreveu

fortáveis devido ao grande número de

a crônica quase dia a dia de tôdas as

mostrasse a Potestade Tutelar da Socie

negociantes ingleses que se estabelece ram no país. Digno de menção tam-

apenas antes da Independência, não so nhava com a emancipação total do seu

país.

D. João VI. Assuntos de natureza polí

nessa tremenda crise (as guerras na-

dade e Civilização". E fez, no seu tom

grandiloquo, a defesa do tratado de co mércio de 19 de fevereiro de 1810 com

a Inglaterra. Todo um capítulo do livro

é consagrado à Justificação do que pa recia a Silva LisDoa o benefício máximo

do Governo de D. João VI. Ao tempo em que foi escrita a "Memória" Já se criticava severamente aquêle ato inter

nacional. O menos que se dizia era que êle liquidara a indústria de Portugal e não passava de "odioso monopmio extorquido por um govêmo que sofria

a mtadura do corpo mercantil do país". O futuro \dsconde de Cairu, invocando as c.rcunstâncias políticas em que fora

assinado o tratado de 1810, procurou mostrar que não seria prudente des gostar um tão grande freguês", genero so amigo e forte companheiro".

Aos

que se espantavam das mercadorias in

glesas pagaram no Brasil 15% de di reitos, ao passo que as (jue vinham de Portugal incorriam numa tributação de 16% e as dos outros países na de 24%,

Silva L-.sboa advertia que nas negocia

ções diplomáticas só se atende à "arit-

métíca política" e não aos cálculos da

^^taboada vulgar". E chegava a dizer: "no sistema de esclarecida Finança dois

Não a desejava. Parecia-lhe su

ficiente a situação de reino unido a

tica e administrativa, festas, cerimônias

políticos do Govêmo de el-rei Nosso

Senhor D. João VI" fosse pxaminado o

que fôra o Brasil elevado em 1815. "O

religiosas, divertimentos populares, des

sistema colonial cessou com a lei da

crições do Rio e de suas ruas, tudo isso

problema da abolição do tráfico de es

união do Brasil ao original patrimônio

cravos, apontado antes como uma causa

da monarquia, corrigindo-se assim ra

de pobreza do que de enriquecimento do Brasil. É verdade que no tratado de 1810 a Inglaterra incluirá cláusula sôbre a gradual extinção do tráfico, e

dicalmente as anomalias que antes por extremo desigualavam a sorte dos filhos

a respeito dos pais nascidos na metró pole..." — proclamava

procurou fixar, mais entusiasmado ainda do que Silva Lisboa com o príncipe por tuguês que veio fundar no Brasil um grande Império. O livro inteiro trai por isso a preocupação de apologia, de

José da Silva Lisboa, como defensor

satisfeito e tão aferrado

dêsse tratado, seria apenas coerente. Mas não o moveu sòmente o pensamen to de não cair em contradição. O com

no mesmo espírito lou-

a

julgava a independên

bate que deu ao tráfico dos negros en

"hórrido parricídio na

vaminheiro da "Memó ria dos benefícios..." do futuro visconde de Cairu. Mas é obra de

contrava apoio em convicções sinceras

e até em mal definidos preconceitos ra

cional de infiéis vassa los e filhos desnatura-

ciais. Silva Lisboa queria a "extirpação

dos".

do cancro da escravidão" (terá sido êle

Essa posição confor mista não foi apenas do

essa

solução,

cia norte-americana um

o criador do lugar-comum?), arrolando os motivos de natureza econômica, social e moral que o induziam a detestar o

autor da "Memória dos

trabalho servil.

explicará só pelos seus pendores de áulico: foi

Para o autor da "Me

mória dos benefícios..." a importação dos africanos se fazia com "muito risco

e grossos fundos" e dela se originava a 'inércia" dos brasileiros que, queren do "viver à custa do suor alheio", afir mavam que "sem africanos não podia Mas a sua anti

tendo já distância que lhe permitia apreciar bem os fatos e os ho mens e servindo-se de

algumas das melhores

voco que se prolongaria até as vésperas da ruptura definitiva com Portugal.

cumento original, deixou-nos Francisco

Varnhagen e Gonçalves dos Santos

integral, com as preciosas notas de Ro

o gôsto da pesquisa direta e do do Adolfo de Varnhagen na sua "História Geral do Brasil" (tomo V da 3.^ edição

VI se viu forçado a seguir, depois que

a terra de Santa Cruz passasse à meta

tergiversar e iludir se tomara impossível

que precedeu imediatamente a Inde pendência é o do padre Luis Gonçalves

Bastava que, não obstante os elogios desmarcados a D. João VI, autor de

doTo Garcia) o primeiro estudo capaz

patia pelos negros era indisfarçável. Não

do ser considerado a história da época

de D. João VI. Varnhagen, visconde de Porto Seguro, foi o verdadeiro renova dor, senão o criador da historiografia

dos Santos, intitulado "Memórias para

brasileira.

servir à História do Reino do Brasil".

çalves dos Santos e José da Silva Lisboa (êste um homem de imenso saber) não passam d® simples cronistas, sem co

politano, Silva Lisboa não se esqueceu

tudo, inspirador de tudo, Silva Lisboa

Menos importante do ponto de vista de

Be invocar fatos em abôno dos seus

abordasse os temas da influência inglô-

crítica histórica do que o de José da

Ao lado dêle, Luis Gon

sa e da abolição da escravidão, para que

Silva Lisboa, o trabalho de Luis Gon

nhecimentos ou pouco preocupados com

a sua "Memória dos benefícios..." me

çalves dos Santos é talvez sem exagero o maior, o mais copioso rol dos aconte

os métodos elementares de investigação

cimentos do Brasil e particularmente do

antes de tudo de exaltar os feitos dos

aos navios ingleses; depois, o fortaleci

recesse particular relevo ria historiogra

mento

fia sôbre o Brasil de 1808 a 1821. Não

crédito do recém-fundado

Noutro tom, com ou

tra largueza de vistas,

fontes sôbre a matéria, historiador com

Outro livro que constitui fonte valiosa de informações e dados sôbre o período

do

de há muito que colhêr.

de um grande número de contemporâ neos, dos mais esclarecidos, num equí

desejava que "a melhor região da Amé rica se convertesse em Negrícia e que

pontos de vista: primeiro, a maior ex portação de gêneros brasileiros graças

consulta obrigatória, on

benefícios...", nem se

e dois, em vez de somar quatro, fre

morfose de Guiné Ocidental".

aplauso sem restrições,

que

qüentemente dão menos de um".

em face da invasão do território metro

ocorrências do reanado bi^asileu» de

bérn é que na "Memória dos benefícios

florescer o Brasil".

Aplaudindo de modo tão completo e irrestrito a política ingle.sa que D. João

o autor das "Memórias para servir à

e estudo dos fatos lústóricos e cuidando


Digesto Econômico

86

grandes homens, do grande homem que quiseram ver em D. João VI. Na apuração da verdade acerca dos

que o visconde de Porto Seguro percor

acontecimentos brasileiros entre 1808 e

1821, Vambagerí pôs a mesma diligên cia, a mesma curiosidade, o mesmo es

pírito que o animaram ao escrever tôda

dando às suas pesquisas um sentido mais profundo, Oliveira Lima pôde es crever a obra de maior importância até

- "História Geral do Brasil", livro que

hoje no tocante ao período de 1808 a 1821. As melhores fontes, tôdas as fon

superado. Êsse empenho de conhecer e

tes emprestam ao livro uma autoridade

reconstituir o passado não exclui lacunas

sem par. Nada escapou ao investigador meticuloso, que se deteve longamente

e defeitos decorrentes, já de sua concep

ção do trabalho histórico, já do seu feitio pessoal. Na obra considerável que deixou, Vamhagen não chegou a indicar as características do processo de formação da sociedade brasileira, não teve

M

Oliveira Lima. .Retomando os caminhos

rera, a'argando-os, procurando novos,

sob certos aspectos não foi até agora

%

depois: é o "D. João VI no Brasil", de

visão de conjunto.

Na historiografia

brasileira em geral a sua contribuição

consistiu principalmente em procurar e . reunir os dados, os elementos, os teste-

-V munhos, os documentos indispensáveis à reconstituição do passado do Brasil. NisI . so foi inexcedíve!, e a parte de sua / : "História Geral", referente à estada de

nos arquivos e bibliotecas do Brasil, de Portugal, da Inglaterra, dos Estados Unidos e conseguiu fazer um levanta

mento geral dos múltiplos aspectos da vida brasileira de então — a terra, o homem, a sociedade, os costumes, a eco nomia. Não se contentando com a mera

história cronológica e a exibição dos fatos, o autor de "D. João VI no Brasil" dispôs-se a interpretá-los, mostrando as

transformações que se operaram na co munidade brasileira com a transmigra-

lí . ■ D. João VI entre nós, representa copioso Ijl repositório de informações da maior utilidade. Nas sete secções em que se

ção da família real portuguesa, e as re percussões dos acontecimentos que se de senrolaram em outros lugares. Lúcida-

divide o livro, numa arrumação muitas

interesses da sociedade que se formava

vezes imprópria, os fatos se acumulam

bem averiguados, embora aqui e ali sub metidos a um julgamento nem sempre seguro. Mas os antecedentes da regên cia de D. João ainda em Portugal, a

sua chegada aqui e os atos que se seguiam, a situação em que se encon trava a colônia prestes a ser elevada a

mente, soube perceber os conflitos dos

aqui com .os da metrópole que a explo rava, sob certos pontos de vista, como uma feitoría de comércio. Depois do

seu livro não poderá haver mais dúvida

abundância de pormenores e o que fez contínua de pé. Oliveira Lima e seus livros

O grande livro, entretanto, sôbre essa

época, só foi escrito quase um século

contraram a devida e-vpHcação, ourios

conquista da Banda Oriental. Mais do que tudo isso, porém, "D. João VI do Brasil" tem o mérito de pro porcionar aos estudiosos o panorama de tôda a vida brasileira de então: a vida

nos deles imagens verídicas, sem os embelezamentos do panegírico ou as de formações tendenciosas da sátira.

A influência inglêsa na vinda de D. João VI para o Brasil e nos sucessos políticos posteriores, e os efeitos do tratado de comércio de 1810 mereceram

no livro o lugar que a sua importância exigia. O mesmo se poderá dizer das questões diplomáticas em conseqüência

o propósito de abranger todos os acon tecimentos. Muitos pontos obscuros en

cer: a posição conformista, em face de Portugal, pouco antes da ruptura defini

tiva, de grande número de brasileiros.

de colonização e de opressão, a vida econômica sob o signo da exploração

Com a elevação do Brasil a categoria de reino, com a permanência da côrte no

agrícola latifundiária e do trabalho es cravo, o fim do regime colonial ao me

Rio de Janeiro, com as indiscutíveis vantagens que para a antiga colòma

nos na sua feição mais dura, os ecos na

trouxera o regime inaugurado depois da

América portuguesa das mudanças ope radas pela abolição do monopólio e pelo

vinda da família real, muita gente, da

advento da liberdade comercial de que tanto se beneficiaria a Inglaterra, a pro

pagação das novas doutrinas po

-

começaram a ser esclarecidos. Vamha gen salienta com razão um fato que nem sempre se tinha querido reconhe

social e íntima ao cabo de três séculos

mais esclarecida, julgou possível e dese jável que continuasse a união, em pe

de igualdade, com Portugal. Vamha

gen chega a dizer que nessa

corrente estiveram "todos os in

líticas no meio brasileiro. E ainda nos dá a conhecer alguns

divíduos mais respeitáveis, tan to funcionários como escritores

dos efeitos mais diretos da transferência da família real

ou simples pensadores". O cer to é que foi um equivoco bas- • tante generalizado e de que par

para cá no processo de diferen ciação nacional brasileira, a in

dependência retardada no senti do em que evoluiu a das colónias espanholas, mas recebendo por outro lado um grande im pulso, a europeização ou re-europeização mais intensa do Brasil como resul tratado de comércio de 1810.

e os políticos que o cercaram o ambien te de vida em que se moveram, dando-

js-o Vamhagen procurou estudar com

concretizado na tomada de Caiena e na

tado da vinda de D. João VI e da

soube re-criar para o monarca português

e de fundições, o desenvolvimento inte-

formaçces, feito com a paciência e com

òa de D. João VI, em que foram lança das as bases da emancipação do Brasil. Historiador e biógrafo, Oliveira Lima

reino, o episódio da revolução republi

]ec;tual do Brasil através de escritores, viajantes e do jornalismo nascente, tudo

da posição de Portugal na tragédia eu ropéia, das relações com a Espanha, das intrigas platinas e do surto imperialista

sôbre a verdadeira significação da épo-

cana de 1817 em Pernambuco, as ten tativas de exploração de minas de ferro

87

Digesto Econômico

predominância inglêsa assegurada com o O livro

de Oliveira Lima é o ponto mais alto

da historiografia a respeito da fase pre paratória oa emancipação brasileira. Para o estudo pròpriamente da Inde\ pendência, cumpre destacar as tres obras que até agora melhor trataram do assun to: a "História da Independência do

Brasil", de Francisco Adolfo de Vamha

gen, "O Movimento da Independência", 1821-1822, de Oliveira Lima, e "A Ela

boração da Independência", de Tobias Monteiro.

,0 primeiro dêles é, como tudo que escreveu o seu autor, um livro larga mente decumentado, cheio de ótimas in-

ticiparam as figuras mais emi

nentes do movimento libertador, inclusive José Bonifácio, como timbra em destacar, não sem

segunda intenção, o visconde de Porto ' A maneira por que o grande historiógrafo aprecia a ação e a personalidade de José Bonifácio impõe as maiores re servas. Ao homem verdadeiramente no

tável que ligou para sempre o seu nome à história da independência brasileira,

Vamhagen procura amesquinhar o mais possível. As idéias principais das Ins truções do Govêrao de São Pau.o aos deputados às Côrtes de Lisboa, geral mente ariibuidas a José Bonifácio, seu redator, não são dêle, não são do ho

mem de alto saber, cientísta de renome nos-meios cultos do mundo, professor

da universidade de Coimbra, m^bio e secretário da Academia das Ciências de Lisboa, com dez anos de viagens

ppr tôda a Europa e mais de trinta e


Digesto Econômico

86

grandes homens, do grande homem que quiseram ver em D. João VI. Na apuração da verdade acerca dos

que o visconde de Porto Seguro percor

acontecimentos brasileiros entre 1808 e

1821, Vambagerí pôs a mesma diligên cia, a mesma curiosidade, o mesmo es

pírito que o animaram ao escrever tôda

dando às suas pesquisas um sentido mais profundo, Oliveira Lima pôde es crever a obra de maior importância até

- "História Geral do Brasil", livro que

hoje no tocante ao período de 1808 a 1821. As melhores fontes, tôdas as fon

superado. Êsse empenho de conhecer e

tes emprestam ao livro uma autoridade

reconstituir o passado não exclui lacunas

sem par. Nada escapou ao investigador meticuloso, que se deteve longamente

e defeitos decorrentes, já de sua concep

ção do trabalho histórico, já do seu feitio pessoal. Na obra considerável que deixou, Vamhagen não chegou a indicar as características do processo de formação da sociedade brasileira, não teve

M

Oliveira Lima. .Retomando os caminhos

rera, a'argando-os, procurando novos,

sob certos aspectos não foi até agora

%

depois: é o "D. João VI no Brasil", de

visão de conjunto.

Na historiografia

brasileira em geral a sua contribuição

consistiu principalmente em procurar e . reunir os dados, os elementos, os teste-

-V munhos, os documentos indispensáveis à reconstituição do passado do Brasil. NisI . so foi inexcedíve!, e a parte de sua / : "História Geral", referente à estada de

nos arquivos e bibliotecas do Brasil, de Portugal, da Inglaterra, dos Estados Unidos e conseguiu fazer um levanta

mento geral dos múltiplos aspectos da vida brasileira de então — a terra, o homem, a sociedade, os costumes, a eco nomia. Não se contentando com a mera

história cronológica e a exibição dos fatos, o autor de "D. João VI no Brasil" dispôs-se a interpretá-los, mostrando as

transformações que se operaram na co munidade brasileira com a transmigra-

lí . ■ D. João VI entre nós, representa copioso Ijl repositório de informações da maior utilidade. Nas sete secções em que se

ção da família real portuguesa, e as re percussões dos acontecimentos que se de senrolaram em outros lugares. Lúcida-

divide o livro, numa arrumação muitas

interesses da sociedade que se formava

vezes imprópria, os fatos se acumulam

bem averiguados, embora aqui e ali sub metidos a um julgamento nem sempre seguro. Mas os antecedentes da regên cia de D. João ainda em Portugal, a

sua chegada aqui e os atos que se seguiam, a situação em que se encon trava a colônia prestes a ser elevada a

mente, soube perceber os conflitos dos

aqui com .os da metrópole que a explo rava, sob certos pontos de vista, como uma feitoría de comércio. Depois do

seu livro não poderá haver mais dúvida

abundância de pormenores e o que fez contínua de pé. Oliveira Lima e seus livros

O grande livro, entretanto, sôbre essa

época, só foi escrito quase um século

contraram a devida e-vpHcação, ourios

conquista da Banda Oriental. Mais do que tudo isso, porém, "D. João VI do Brasil" tem o mérito de pro porcionar aos estudiosos o panorama de tôda a vida brasileira de então: a vida

nos deles imagens verídicas, sem os embelezamentos do panegírico ou as de formações tendenciosas da sátira.

A influência inglêsa na vinda de D. João VI para o Brasil e nos sucessos políticos posteriores, e os efeitos do tratado de comércio de 1810 mereceram

no livro o lugar que a sua importância exigia. O mesmo se poderá dizer das questões diplomáticas em conseqüência

o propósito de abranger todos os acon tecimentos. Muitos pontos obscuros en

cer: a posição conformista, em face de Portugal, pouco antes da ruptura defini

tiva, de grande número de brasileiros.

de colonização e de opressão, a vida econômica sob o signo da exploração

Com a elevação do Brasil a categoria de reino, com a permanência da côrte no

agrícola latifundiária e do trabalho es cravo, o fim do regime colonial ao me

Rio de Janeiro, com as indiscutíveis vantagens que para a antiga colòma

nos na sua feição mais dura, os ecos na

trouxera o regime inaugurado depois da

América portuguesa das mudanças ope radas pela abolição do monopólio e pelo

vinda da família real, muita gente, da

advento da liberdade comercial de que tanto se beneficiaria a Inglaterra, a pro

pagação das novas doutrinas po

-

começaram a ser esclarecidos. Vamha gen salienta com razão um fato que nem sempre se tinha querido reconhe

social e íntima ao cabo de três séculos

mais esclarecida, julgou possível e dese jável que continuasse a união, em pe

de igualdade, com Portugal. Vamha

gen chega a dizer que nessa

corrente estiveram "todos os in

líticas no meio brasileiro. E ainda nos dá a conhecer alguns

divíduos mais respeitáveis, tan to funcionários como escritores

dos efeitos mais diretos da transferência da família real

ou simples pensadores". O cer to é que foi um equivoco bas- • tante generalizado e de que par

para cá no processo de diferen ciação nacional brasileira, a in

dependência retardada no senti do em que evoluiu a das colónias espanholas, mas recebendo por outro lado um grande im pulso, a europeização ou re-europeização mais intensa do Brasil como resul tratado de comércio de 1810.

e os políticos que o cercaram o ambien te de vida em que se moveram, dando-

js-o Vamhagen procurou estudar com

concretizado na tomada de Caiena e na

tado da vinda de D. João VI e da

soube re-criar para o monarca português

e de fundições, o desenvolvimento inte-

formaçces, feito com a paciência e com

òa de D. João VI, em que foram lança das as bases da emancipação do Brasil. Historiador e biógrafo, Oliveira Lima

reino, o episódio da revolução republi

]ec;tual do Brasil através de escritores, viajantes e do jornalismo nascente, tudo

da posição de Portugal na tragédia eu ropéia, das relações com a Espanha, das intrigas platinas e do surto imperialista

sôbre a verdadeira significação da épo-

cana de 1817 em Pernambuco, as ten tativas de exploração de minas de ferro

87

Digesto Econômico

predominância inglêsa assegurada com o O livro

de Oliveira Lima é o ponto mais alto

da historiografia a respeito da fase pre paratória oa emancipação brasileira. Para o estudo pròpriamente da Inde\ pendência, cumpre destacar as tres obras que até agora melhor trataram do assun to: a "História da Independência do

Brasil", de Francisco Adolfo de Vamha

gen, "O Movimento da Independência", 1821-1822, de Oliveira Lima, e "A Ela

boração da Independência", de Tobias Monteiro.

,0 primeiro dêles é, como tudo que escreveu o seu autor, um livro larga mente decumentado, cheio de ótimas in-

ticiparam as figuras mais emi

nentes do movimento libertador, inclusive José Bonifácio, como timbra em destacar, não sem

segunda intenção, o visconde de Porto ' A maneira por que o grande historiógrafo aprecia a ação e a personalidade de José Bonifácio impõe as maiores re servas. Ao homem verdadeiramente no

tável que ligou para sempre o seu nome à história da independência brasileira,

Vamhagen procura amesquinhar o mais possível. As idéias principais das Ins truções do Govêrao de São Pau.o aos deputados às Côrtes de Lisboa, geral mente ariibuidas a José Bonifácio, seu redator, não são dêle, não são do ho

mem de alto saber, cientísta de renome nos-meios cultos do mundo, professor

da universidade de Coimbra, m^bio e secretário da Academia das Ciências de Lisboa, com dez anos de viagens

ppr tôda a Europa e mais de trinta e


í

Digesto Econômico 88

seis de ausência do Brasil seinpre no desempenho de importantes funções téc nicas e administrativas: em "grande parte não passam do desenvolvimento de muitas idéias do folheto Oliva nelas

(Instruções) citado".

Maior do que

José Bonifácio seria pois o Sr. Oliva, a

quem pertenceriam "em grande parte" as admiráveis Instruções aos deputados paulistas às Côrtes de Lisboa!,..

Em nada também influiu, segundo Varnhagem, o chamado patriarca da In

dependência, na decisão do principe-regente D. Pedro, de ficar no Brasfl. A carta de 24 de dezembro de 1821 da

Junta de São Paulo, redigida por José Bonifácio, ''sabemos não ter sido ela que

contribuiu a resolução do príncipe", afir ma o historiador parcial, acrescentandonenhum outro mérito lhe cabe mais í • que o da energia e veemência da lingua/ gem, se e que essa veemência foi mais

nistro de D. João VI. escrita a um amigo, em que dizia a êste que, se o príncipe quisesse salvar seu pai, e aos

remos de Portugal e do Brasil e também

a si própno, não devia por forma al guma deixar o Brasil". . . Em diversas outras parte do livro, Vamhagen não

esconde a ma-vontade em relação a José Bonifacio_ e uma irreprimível ogeriza a seus irmãos Martim Francisco e Antón-o (Tarlos. A "História da Independên cia do Brasil', pôsto que de consulta obrigatória, deve ser lida com as restrições que o estudo objetivo da História

e.rige dos que se esforçam por atingir o mais possível a verdade.

O Livro que ninguém dispensará é "O Movimento da Independência, 1821-

1822 , de O.iveíra Lima. Seria exagero dar-lhe valor igual ao "D. João VI, no Mas tem o

mesmo rigor crítico, as mesmas qualida

com o exército enciumado, uma e outro sofrendo os inconvenientes da tutela bri

tecimentos. Apoiado nas melhores fon tes, não desprezando nenhum fato, Oli veira Lima consegue fazer do estudo da

tânica 6 da primazia brasileira.

as liumilhações decorrentes-da predomi nância que lograra o reino americano

na superfície, ora subterrâneamente, as

forças de natureza vária que determi naram a nossa emancipação.

As carac

terísticas principais do movimento de separação da metrópole, nas suas dife rentes fases, não lhe escaparam. Nin guém terá talvez discernido mais niti damente o caráter da transação entre o demento nacional mais avançado e o

elemento reacionário, representado pelos portugueses do comércio e da alta administração, que assumiu a independência processada à sombra do trono de um filho de D. João VIj e transação também entre os que sonhavam com governo republicano, como acontecera com as antigas colônias de tôda a Amé

maiores para a unidade nacional.

O conhecimento profundo do reinado

brasdeiro de D. João VI facilitou muito a Oliveira Lima a compreensão dos su cessos de. 1821-1822. Sem falar no sim

ples fato da vinda para o Brasil da fa mília real portuguesa e de sua perma nência aqui, Já por si de grande impor tância, lembra o autor de "O Movimen

to da Independência" a espécie de monarqu a, o novo Império que o Bragança fundara em terras da América: "mo narquia híbrida, misto de absolutismo e

de democracia; absolutismo dos princí

pios, temperado geralmente pela bran-

A seu

ver, a miséria financeira e econômica e

independência brasileira qualquer coisa de vivo, em que se percebam, ora mais

profícua que nociva ao Brasil". E por rica, e os que sem fugir às idéias po aue resolveu D. Pedro ficar? Porque líticas mais realisticamente Jhe foi mostrada uma carta de Tomás queriamdoamomento, ruptura com Portugal sem o Antonio Vila Nova Portugal, antigo mi desmembramento do Brasil, sem riscos

Brasil", do mesmo autor.

89

Dicesto Econômico

merece.

O papel do príncipe-regente

e o seu feitio psicológico, o papel de

explicam aquele surto revolucionário, a

José Bonifácio, a ação do grupo da Maçonaria são apreciados em suas exa

que não faltou o contágio do exemplo

tas proporções, num empenlio visível de

ejpanliol.

evitar conceitos parciais, julgamentos apaixonados. E seguindo o próprio

Houvesse embora nos homens do li beralismo luso fundos ressentimentos

contra o Brasil, nem por ísso, inicialmen te, deixou de ter aqui reflexos simpá ticos o movimento de 1820. Havia tanta

gente satisfeita com as inovações trazi-

aas por D. João VI, e com o regime de reino unido, que a primeira impressão

,1

suas peculiaridades, cada fase bem de limitada, cada fator devidamente desta cado, cada influência analisada como

lhe foi francamente favorável: sem rom

per os vínculos que ligavam Brasil e Portugal, ia inaugurar-se uma

exemplo em "D. João VI no Brasil", não se circunscreveu ao âmbito mera

mente político, interessando-se também pela história social e econômica da épo ca. Capítulos como "A sociedade brasi leira. Nobreza e povo" constituem no vidade em nossa historiografia, miíxime no tempo em que Oliveira Lima escre veu o seu livro.

Contribuição de Tohuis

era de liberdade, de govêmo

representativo,

de

constitucionais.

Muito acerta-

Motiteiro

garantias Obra

de

grande

vulto,

damente Oliveira Lima chama

abrangendo já a fase inicial

o ano de 1821 de "ano do

do

constitucionalismo português",

tempo em que se cuidava pos

Elaboração da Independência" (tomo n.° I da "História do

sível manter a união com a

Império") de Tobias Montei

ex-metrópole, num

engano a

Primeiro Remado, é "A

ro. Sem êste livro,.o de Oli-

\'eira Lima e o de Vamhagen,

que se aeixaram arrastar per

sonagens as mais diferentes, do maduro fosé Bonifácio, com a sua enorme ex

só se poderá estudar a história da in dependência brasileira recorrendo às

periência, ao jovem Evaristo da Veiga, rapaz do Rio de Janeiro, caixeiro de

fontes primárias, aos documentos origi

1'vraria com fumos de poeta e patrio

os dois outros historiadores citados, tem

ta. Só quando as Côrtes de Lisboa pa tentearam os verdadeiros móveis da re

volução de 1820, nas chamadas medidas recolonizadoras, foi que os sucessos po líticos começaram a ter entre nós um colorido nativista e separatista mais in

dura e bondade do príncipe, e demo

tenso, e que se iniciou, com as repre

cracia das maneiras, corrigido o aban dono bonacheírão pela altivez instinti

sentações populares de que resultou a permanência ou a "ficada" entre nós do

nais.

Tobias Monteiro, tanto quanto

o gôsto — mais do que isso — a volúpia da pesquisa, perseguido que é, como já

Híl exatidão; RXatldãO! e confessou, noln pe^ /íjamAnín demônio da

^r»nfpccniT

o que "A Elaboração da Independên cia" revela, como trabalho de investiga

ção, paciência ern recolher os informes ainda aparentemente sem valor, argúcia na reconstituição e interpretação dos fa

tos, não pode deixar de ser pôsto em re'êvo.

va do soberano".

príncipe D. Pedro, já em 1822, o "ano

Apreciando a revolução liberal portu guesa de 1820, pelas repercussões que

do constitucionalismo brasileiro".

brasileira, na sua etapa decisiva, come

Em "O Movimento da Independên cia" está por assim dizer completo o processo de nossa emancipação, com as

tuguesa, Tobias Monteiro principia a sua narrativa analisando as complica-

teve no Brasil, Oliveira Lima define-a

des na exposição das matérias, o meSmo

com justeza como obra da burguesia de

dom de fixar as linhas mestras dos acon

negociantes e lavradores, de mãos dadas •i. Li..

Convencido de que a independência

çou com a chegada da família real por


í

Digesto Econômico 88

seis de ausência do Brasil seinpre no desempenho de importantes funções téc nicas e administrativas: em "grande parte não passam do desenvolvimento de muitas idéias do folheto Oliva nelas

(Instruções) citado".

Maior do que

José Bonifácio seria pois o Sr. Oliva, a

quem pertenceriam "em grande parte" as admiráveis Instruções aos deputados paulistas às Côrtes de Lisboa!,..

Em nada também influiu, segundo Varnhagem, o chamado patriarca da In

dependência, na decisão do principe-regente D. Pedro, de ficar no Brasfl. A carta de 24 de dezembro de 1821 da

Junta de São Paulo, redigida por José Bonifácio, ''sabemos não ter sido ela que

contribuiu a resolução do príncipe", afir ma o historiador parcial, acrescentandonenhum outro mérito lhe cabe mais í • que o da energia e veemência da lingua/ gem, se e que essa veemência foi mais

nistro de D. João VI. escrita a um amigo, em que dizia a êste que, se o príncipe quisesse salvar seu pai, e aos

remos de Portugal e do Brasil e também

a si própno, não devia por forma al guma deixar o Brasil". . . Em diversas outras parte do livro, Vamhagen não

esconde a ma-vontade em relação a José Bonifacio_ e uma irreprimível ogeriza a seus irmãos Martim Francisco e Antón-o (Tarlos. A "História da Independên cia do Brasil', pôsto que de consulta obrigatória, deve ser lida com as restrições que o estudo objetivo da História

e.rige dos que se esforçam por atingir o mais possível a verdade.

O Livro que ninguém dispensará é "O Movimento da Independência, 1821-

1822 , de O.iveíra Lima. Seria exagero dar-lhe valor igual ao "D. João VI, no Mas tem o

mesmo rigor crítico, as mesmas qualida

com o exército enciumado, uma e outro sofrendo os inconvenientes da tutela bri

tecimentos. Apoiado nas melhores fon tes, não desprezando nenhum fato, Oli veira Lima consegue fazer do estudo da

tânica 6 da primazia brasileira.

as liumilhações decorrentes-da predomi nância que lograra o reino americano

na superfície, ora subterrâneamente, as

forças de natureza vária que determi naram a nossa emancipação.

As carac

terísticas principais do movimento de separação da metrópole, nas suas dife rentes fases, não lhe escaparam. Nin guém terá talvez discernido mais niti damente o caráter da transação entre o demento nacional mais avançado e o

elemento reacionário, representado pelos portugueses do comércio e da alta administração, que assumiu a independência processada à sombra do trono de um filho de D. João VIj e transação também entre os que sonhavam com governo republicano, como acontecera com as antigas colônias de tôda a Amé

maiores para a unidade nacional.

O conhecimento profundo do reinado

brasdeiro de D. João VI facilitou muito a Oliveira Lima a compreensão dos su cessos de. 1821-1822. Sem falar no sim

ples fato da vinda para o Brasil da fa mília real portuguesa e de sua perma nência aqui, Já por si de grande impor tância, lembra o autor de "O Movimen

to da Independência" a espécie de monarqu a, o novo Império que o Bragança fundara em terras da América: "mo narquia híbrida, misto de absolutismo e

de democracia; absolutismo dos princí

pios, temperado geralmente pela bran-

A seu

ver, a miséria financeira e econômica e

independência brasileira qualquer coisa de vivo, em que se percebam, ora mais

profícua que nociva ao Brasil". E por rica, e os que sem fugir às idéias po aue resolveu D. Pedro ficar? Porque líticas mais realisticamente Jhe foi mostrada uma carta de Tomás queriamdoamomento, ruptura com Portugal sem o Antonio Vila Nova Portugal, antigo mi desmembramento do Brasil, sem riscos

Brasil", do mesmo autor.

89

Dicesto Econômico

merece.

O papel do príncipe-regente

e o seu feitio psicológico, o papel de

explicam aquele surto revolucionário, a

José Bonifácio, a ação do grupo da Maçonaria são apreciados em suas exa

que não faltou o contágio do exemplo

tas proporções, num empenlio visível de

ejpanliol.

evitar conceitos parciais, julgamentos apaixonados. E seguindo o próprio

Houvesse embora nos homens do li beralismo luso fundos ressentimentos

contra o Brasil, nem por ísso, inicialmen te, deixou de ter aqui reflexos simpá ticos o movimento de 1820. Havia tanta

gente satisfeita com as inovações trazi-

aas por D. João VI, e com o regime de reino unido, que a primeira impressão

,1

suas peculiaridades, cada fase bem de limitada, cada fator devidamente desta cado, cada influência analisada como

lhe foi francamente favorável: sem rom

per os vínculos que ligavam Brasil e Portugal, ia inaugurar-se uma

exemplo em "D. João VI no Brasil", não se circunscreveu ao âmbito mera

mente político, interessando-se também pela história social e econômica da épo ca. Capítulos como "A sociedade brasi leira. Nobreza e povo" constituem no vidade em nossa historiografia, miíxime no tempo em que Oliveira Lima escre veu o seu livro.

Contribuição de Tohuis

era de liberdade, de govêmo

representativo,

de

constitucionais.

Muito acerta-

Motiteiro

garantias Obra

de

grande

vulto,

damente Oliveira Lima chama

abrangendo já a fase inicial

o ano de 1821 de "ano do

do

constitucionalismo português",

tempo em que se cuidava pos

Elaboração da Independência" (tomo n.° I da "História do

sível manter a união com a

Império") de Tobias Montei

ex-metrópole, num

engano a

Primeiro Remado, é "A

ro. Sem êste livro,.o de Oli-

\'eira Lima e o de Vamhagen,

que se aeixaram arrastar per

sonagens as mais diferentes, do maduro fosé Bonifácio, com a sua enorme ex

só se poderá estudar a história da in dependência brasileira recorrendo às

periência, ao jovem Evaristo da Veiga, rapaz do Rio de Janeiro, caixeiro de

fontes primárias, aos documentos origi

1'vraria com fumos de poeta e patrio

os dois outros historiadores citados, tem

ta. Só quando as Côrtes de Lisboa pa tentearam os verdadeiros móveis da re

volução de 1820, nas chamadas medidas recolonizadoras, foi que os sucessos po líticos começaram a ter entre nós um colorido nativista e separatista mais in

dura e bondade do príncipe, e demo

tenso, e que se iniciou, com as repre

cracia das maneiras, corrigido o aban dono bonacheírão pela altivez instinti

sentações populares de que resultou a permanência ou a "ficada" entre nós do

nais.

Tobias Monteiro, tanto quanto

o gôsto — mais do que isso — a volúpia da pesquisa, perseguido que é, como já

Híl exatidão; RXatldãO! e confessou, noln pe^ /íjamAnín demônio da

^r»nfpccniT

o que "A Elaboração da Independên cia" revela, como trabalho de investiga

ção, paciência ern recolher os informes ainda aparentemente sem valor, argúcia na reconstituição e interpretação dos fa

tos, não pode deixar de ser pôsto em re'êvo.

va do soberano".

príncipe D. Pedro, já em 1822, o "ano

Apreciando a revolução liberal portu guesa de 1820, pelas repercussões que

do constitucionalismo brasileiro".

brasileira, na sua etapa decisiva, come

Em "O Movimento da Independên cia" está por assim dizer completo o processo de nossa emancipação, com as

tuguesa, Tobias Monteiro principia a sua narrativa analisando as complica-

teve no Brasil, Oliveira Lima define-a

des na exposição das matérias, o meSmo

com justeza como obra da burguesia de

dom de fixar as linhas mestras dos acon

negociantes e lavradores, de mãos dadas •i. Li..

Convencido de que a independência

çou com a chegada da família real por


KJP""

DiGESTo Econômico

90

ções da política européia que colocaram

cipação brasileira, desses trabalhos que

Portugal entre as ameaças napoleônicas

nenhum estudioso poderá dispensar.

e as imposições da aliança" inglesa, e

para o seu domínio americano. A êsse respeito se sucedem páginas de grande penetração.

Segue-se o exame, ou me

lhor, a dissecaçâo das personalidades de D. João, de D. Carlota Joaquina, a

Além dos livros de Vamhagen, Oli veira Lima e Tobias Monteiro, sem dú vida os trabalhos de maior valor sôbre

a Independência, há vários outros (não

falando nas obras gerais de história do

Corte portuguesa vista a uma luz crua,

Brasil) cuja leitura é necessária à cum-

que tem a particularidade de revelar de

preferência as deformações, as fealda-

preensão desse período histórico por es clarecerem aspectos particulares dos

des, os estigmas mórbidos. O autor de

acontecimentos, tomarem accessíveis al

"A Elaboração da Independência", sem

guns dos documentos capitais c fornece

"parti-pris" certamente, mas com uma

rem informações mais minuciosas acêr-

disposição de pouca simpatia, instaura o julgamento da família real portuguesa,

ca de personagens que desempenharam

^umerando-Ihe as taras, os vícios, as fraqueps. Em toda essa primeira par te do livro - mais de um têrço dêle

caso das "Cartas e mais peças oficiais dirigidas a Sua Majestade o senhor D.

tima e escandalosa.

dução francesa de Eugène Monglave (Paris, de ITmprimerie de A. Henry

acaba quando Tobias Monteiro entra Aqui o seu trabalho cresce de valor e

consegue realizar qualquer coisa que não foi superado até agora. A ação do príncipe D. Pedro, desde a partida do pai para Lisboa, é exposta de uma ma neira que se pode chamar, sem ênfase,

de magistral. Quanto ao papel de José Bonifácio, bem se percebe que Tobias Monteiro, embora sem lhe recusar, como

fizeram e fazem ainda hoje inimigos postumos dos Andradas, uma grande im portância, é dos*que se inclinam a con ceder ao grupo de Ledo e José Clemen

te mais do que merece. É na aprecia ção sôbre o comportamento pessoal, o feitio psicológico, o caráter do ministro

da Independência e de seus irmãos, há muita coisa certa, procedente, fundada,

ao lado de graves injustiças.

obrigatória.

sa D. Leopoldina. Não se poderá abrir mão também de

do "O ano da independência", reúne uma série de conferências pronunciadas

alguns dos trabalhos de Melo Morais, sobretudo a "História do Brasil-Reino e

em 1922, e algumas valem como inter pretações do processo de nossa separa

Brasil-Império, o Brasil Histórico e a História da Independência". São obras

nerável revista de 106 anos os ensaies

e achegas sôbre aspectos, episódios e acontecimentos do tempo da emancipa ção brasileira. Na leitura dela, como na das revistas do Instituto Histórico de

de referências, úteis por certo ao estu

São Paulo, Ceará e Rio Grande do Sul e Arqueológico de Pernambuco, o pes

dioso que saiba escolher, peneirar, dis

quisador não perderá seu tempo.

tinguir.

Do mesmo gênero é a contribuição de Menezes Drummond nas "Anotações"

o estudo biográfico que não de Drummond é o de um con

como José Bonifácio. E já que vem à baila o nome do

dro vai contando ao pai tudo que se abandono as suas reações diante dos

fatos. Importante também para o estu do da época é a "Correspondência ofi cial das províncias do Brasil durante a legislatura das Cortes de Lisboa.. .",

homem que teve o papel mais eminente,

Hípólito da Costa, de tão larga in fluência.

cia particular, em que aparecem, vistos através da crítica ferina e pouco serena dos irmãos Andradas, os homens e os

tes diplomáticos acreditados no Rio de 3

fatos do momento.

Outras cartas que servem a quem

tain and the Independence of Latin

quiser de preferência dedicar-se à his

América), o da Áustria, barão Wenzel

tória íntima e social da época em que

de Mareschal, e o da França coronel

se preparou a Independência são as de

Maler.

Luís Joaquim dos Santos Marrocos, por tuguês a princípio pouco simpático ao Brasil e que acabou brasileiro, oficial

trar os segredos das antecâmaras, são

Como quer que seja, o livro de To

bias Monteiro é, na bibliografia históri

que ocorria; o primeiro representava o

ca relativa aos acontecimentos da eman

vigilante interêsse britânico, e o segun-

reio Brasiliense" ou "Arma

zém Literário", redigido em Londres, de 1808 a 1822, por

ao lado de D. Pedro, na emancipação do Brasil, não devem ser omitidas as "Car

tas Andradinas", peças de correspondên

bem como os ofícios e cartas dos agen

por vezes verdadeiramente preciosas. Não lhes minguavam meios de saber o

Português" e no grande "Cor

nos sucessos e viveu na inti

passa e fixando com mais ou menos

penhados em conhecer tudo, em pene

"Correio do Rio de Janeiro , "O Tamoio"„ sem fhlar no "O Patriota" no "Investigador

chega a 51 Mas o testemunho

midade de pessoas influentes

seus governos por êsses diplomatas, em

Constitucional Fluminense' o

"Despertador Brasiliense", O Espellio", a "Malagueta",

140 páginas em contraste com

cia muitos episódios de 1821-1822 en contram explicação fácilj nela D. Pe

As informações enviadas aos

jornais como "O Reverbero

que se alongam por mais de

temporâneo, que tomou parte

Janeiro, sobretudo o da Inglaterra, H. Chamberlain (ver C. K. Webster, Bri-

Não se poderá também ter uma

mação _pompleta acerca da mentalidade dominante na época sem a consulta de

à própria biografia, anotações

Nessa correspondên

Tenon, 1827).

ção de Portugal. Muitos são nessa ve-

todo, em que os assuntos se misturam

sa cópia de documentos (nem sempre

prensa Nacional de Lisboa, como na tra

O tômo especial, intitula

fragmentárias, escritas sem nenhum mé

fielmente transcritos), de testemunhos,

r

pendência, alguns estudos de consulta

Áustria, estava sempre perto da prince

e se repetem. Mas abrigam uma imen

João VI pelo príncipe real o senhor D. Pedro de Alcântara...", não só na

edição oficial feita em 1822 pela Im

a historiar os acontecimentos mais pròximamente ligados à Independência.

-y

papel de maior ou menor relêvo. Ê o

há um excesso de minúcias de caráter pnvado, prejudicando obra 'de tanto mento e dando-lhe tons de história ín Felizmente isso

do, dada a sua condição de agente da

Obras diversas

forçaram a solução da \'inda de D. João

91

Digesto Econômico

maior da Secretaria dos Negócios do Império. Parece -inútil dizer que a Revista do

Instituto Histórico e Geográfico Bra sileiro contém, sôbre a fase da Inde-

..

Um exame atento dos documentos oti" ciais da fase dramática da Independên cia é absolutamente necessário: os ma

nifestos de 1 a 6 de agôsto de 1822, do último sobretudo, que exprime todo ressentimento de três séculos de opressão

colonial e a certeza de que chegara

para o Brasil a hora de sua libertação.

Finalmente, para se ter um conheci mento em profundidade do estado eco nômico, social e político do país, ao

cabo de três séculos de colonização, níi

um livro que se impõe — "Form^ao do Brasil Contemporâneo", de Caio Pra do Júnior. Não se trata de obra que se enquadre precisamente na historiogra fia da Independência, mas será do maior proveito lê-la com o vagar e a atençao que merece.


KJP""

DiGESTo Econômico

90

ções da política européia que colocaram

cipação brasileira, desses trabalhos que

Portugal entre as ameaças napoleônicas

nenhum estudioso poderá dispensar.

e as imposições da aliança" inglesa, e

para o seu domínio americano. A êsse respeito se sucedem páginas de grande penetração.

Segue-se o exame, ou me

lhor, a dissecaçâo das personalidades de D. João, de D. Carlota Joaquina, a

Além dos livros de Vamhagen, Oli veira Lima e Tobias Monteiro, sem dú vida os trabalhos de maior valor sôbre

a Independência, há vários outros (não

falando nas obras gerais de história do

Corte portuguesa vista a uma luz crua,

Brasil) cuja leitura é necessária à cum-

que tem a particularidade de revelar de

preferência as deformações, as fealda-

preensão desse período histórico por es clarecerem aspectos particulares dos

des, os estigmas mórbidos. O autor de

acontecimentos, tomarem accessíveis al

"A Elaboração da Independência", sem

guns dos documentos capitais c fornece

"parti-pris" certamente, mas com uma

rem informações mais minuciosas acêr-

disposição de pouca simpatia, instaura o julgamento da família real portuguesa,

ca de personagens que desempenharam

^umerando-Ihe as taras, os vícios, as fraqueps. Em toda essa primeira par te do livro - mais de um têrço dêle

caso das "Cartas e mais peças oficiais dirigidas a Sua Majestade o senhor D.

tima e escandalosa.

dução francesa de Eugène Monglave (Paris, de ITmprimerie de A. Henry

acaba quando Tobias Monteiro entra Aqui o seu trabalho cresce de valor e

consegue realizar qualquer coisa que não foi superado até agora. A ação do príncipe D. Pedro, desde a partida do pai para Lisboa, é exposta de uma ma neira que se pode chamar, sem ênfase,

de magistral. Quanto ao papel de José Bonifácio, bem se percebe que Tobias Monteiro, embora sem lhe recusar, como

fizeram e fazem ainda hoje inimigos postumos dos Andradas, uma grande im portância, é dos*que se inclinam a con ceder ao grupo de Ledo e José Clemen

te mais do que merece. É na aprecia ção sôbre o comportamento pessoal, o feitio psicológico, o caráter do ministro

da Independência e de seus irmãos, há muita coisa certa, procedente, fundada,

ao lado de graves injustiças.

obrigatória.

sa D. Leopoldina. Não se poderá abrir mão também de

do "O ano da independência", reúne uma série de conferências pronunciadas

alguns dos trabalhos de Melo Morais, sobretudo a "História do Brasil-Reino e

em 1922, e algumas valem como inter pretações do processo de nossa separa

Brasil-Império, o Brasil Histórico e a História da Independência". São obras

nerável revista de 106 anos os ensaies

e achegas sôbre aspectos, episódios e acontecimentos do tempo da emancipa ção brasileira. Na leitura dela, como na das revistas do Instituto Histórico de

de referências, úteis por certo ao estu

São Paulo, Ceará e Rio Grande do Sul e Arqueológico de Pernambuco, o pes

dioso que saiba escolher, peneirar, dis

quisador não perderá seu tempo.

tinguir.

Do mesmo gênero é a contribuição de Menezes Drummond nas "Anotações"

o estudo biográfico que não de Drummond é o de um con

como José Bonifácio. E já que vem à baila o nome do

dro vai contando ao pai tudo que se abandono as suas reações diante dos

fatos. Importante também para o estu do da época é a "Correspondência ofi cial das províncias do Brasil durante a legislatura das Cortes de Lisboa.. .",

homem que teve o papel mais eminente,

Hípólito da Costa, de tão larga in fluência.

cia particular, em que aparecem, vistos através da crítica ferina e pouco serena dos irmãos Andradas, os homens e os

tes diplomáticos acreditados no Rio de 3

fatos do momento.

Outras cartas que servem a quem

tain and the Independence of Latin

quiser de preferência dedicar-se à his

América), o da Áustria, barão Wenzel

tória íntima e social da época em que

de Mareschal, e o da França coronel

se preparou a Independência são as de

Maler.

Luís Joaquim dos Santos Marrocos, por tuguês a princípio pouco simpático ao Brasil e que acabou brasileiro, oficial

trar os segredos das antecâmaras, são

Como quer que seja, o livro de To

bias Monteiro é, na bibliografia históri

que ocorria; o primeiro representava o

ca relativa aos acontecimentos da eman

vigilante interêsse britânico, e o segun-

reio Brasiliense" ou "Arma

zém Literário", redigido em Londres, de 1808 a 1822, por

ao lado de D. Pedro, na emancipação do Brasil, não devem ser omitidas as "Car

tas Andradinas", peças de correspondên

bem como os ofícios e cartas dos agen

por vezes verdadeiramente preciosas. Não lhes minguavam meios de saber o

Português" e no grande "Cor

nos sucessos e viveu na inti

passa e fixando com mais ou menos

penhados em conhecer tudo, em pene

"Correio do Rio de Janeiro , "O Tamoio"„ sem fhlar no "O Patriota" no "Investigador

chega a 51 Mas o testemunho

midade de pessoas influentes

seus governos por êsses diplomatas, em

Constitucional Fluminense' o

"Despertador Brasiliense", O Espellio", a "Malagueta",

140 páginas em contraste com

cia muitos episódios de 1821-1822 en contram explicação fácilj nela D. Pe

As informações enviadas aos

jornais como "O Reverbero

que se alongam por mais de

temporâneo, que tomou parte

Janeiro, sobretudo o da Inglaterra, H. Chamberlain (ver C. K. Webster, Bri-

Não se poderá também ter uma

mação _pompleta acerca da mentalidade dominante na época sem a consulta de

à própria biografia, anotações

Nessa correspondên

Tenon, 1827).

ção de Portugal. Muitos são nessa ve-

todo, em que os assuntos se misturam

sa cópia de documentos (nem sempre

prensa Nacional de Lisboa, como na tra

O tômo especial, intitula

fragmentárias, escritas sem nenhum mé

fielmente transcritos), de testemunhos,

r

pendência, alguns estudos de consulta

Áustria, estava sempre perto da prince

e se repetem. Mas abrigam uma imen

João VI pelo príncipe real o senhor D. Pedro de Alcântara...", não só na

edição oficial feita em 1822 pela Im

a historiar os acontecimentos mais pròximamente ligados à Independência.

-y

papel de maior ou menor relêvo. Ê o

há um excesso de minúcias de caráter pnvado, prejudicando obra 'de tanto mento e dando-lhe tons de história ín Felizmente isso

do, dada a sua condição de agente da

Obras diversas

forçaram a solução da \'inda de D. João

91

Digesto Econômico

maior da Secretaria dos Negócios do Império. Parece -inútil dizer que a Revista do

Instituto Histórico e Geográfico Bra sileiro contém, sôbre a fase da Inde-

..

Um exame atento dos documentos oti" ciais da fase dramática da Independên cia é absolutamente necessário: os ma

nifestos de 1 a 6 de agôsto de 1822, do último sobretudo, que exprime todo ressentimento de três séculos de opressão

colonial e a certeza de que chegara

para o Brasil a hora de sua libertação.

Finalmente, para se ter um conheci mento em profundidade do estado eco nômico, social e político do país, ao

cabo de três séculos de colonização, níi

um livro que se impõe — "Form^ao do Brasil Contemporâneo", de Caio Pra do Júnior. Não se trata de obra que se enquadre precisamente na historiogra fia da Independência, mas será do maior proveito lê-la com o vagar e a atençao que merece.


Digesto Econômico

Nenhum problema, quando medito sô-

bre o futuro econômico do meu país,

PEClilRli BRUSILEIRil

encaro com tanto otimismo como o da

pecuária.

por Antônio Gontijo de Carvalho

O seu aspecto teórico é de interêsse

"Quem quiser guardar um segrêdo deve arquivá-lo no "Diário Oficial", — cos

menor para um Departamento Adminis

tumava dizer Ferreira Viana.

mal, confiado a um profissional de valor e de indiscutível capacidade de traba lho. Mas, se necessário debatê-lo, nada teria a fazer senão reproduzir o magis tral ensaio, de caráter doutrinário, em que o professor Álvaro da Silveira pul

trativo.

O traba

lho que ora exumamos dos Anais do Conselho Administrativo do Estado de

São Paulo, da lavra do dr. Antpnio Gontifo de Carvalho, atual diretor do

"Digesto Econômico", repleto de obser vações pessoais e de plena atualidade,

examina, de um ângulo objetivo e realistico, a introdução e a criação do "bos

Compete ao da Indústria Ani

Apaixonado nas discussões, como evi

luminoso de Eduardo Prado, sustentava,

na magia de um estilo encantador, que

tura, no Tesouro do Estado, de

formava proséiitós, as maiores heresias.

um crédito especial para aquisi ção de reprodutores, destinados as Estações de Monta da Dire toria de Indústria Animal.

Uma verba é aplicada ao "Mangalarga , o soberbo corcel que se caracteriza pela marcha de surpreendente efeito. Paulo de Lima Correia já exalçou, em interessante monografia, todos os seus

predicados de resistência e velocidade. Insistir em proclamá-los é tarefa desne

Movido por um ódio inexplicável em

boi indiano no Estado de São Paulo, que as nossas pastagens eram superiores às

da Argentina e vaticinava a degenerescôncia do zebu, que se transformaria em

cabrito, com a alegação errônea' de que

aprovação o eminente relator dr. Aguiar

da política sadia.

projeto. Evidente é a necessidade .da sua

O orçamento vigente i não comporta saldos de arrecadação que cubram as despesas com créditos especiais, tem

escritos, para impedir a introdução do

Tratando-se de despesa de caráter re produtivo, manifestou-se favorável à sua Whitaker.

Outra verba destina-se à aquisição do

ráter educacional, proclamava, em seus

crédito.

cessária. Incentivar a sua criação, para ufania da zoocultura brasileira, é obra boi indiano.

homem de ciência, despido, portanto, da serenidade exigível em obra de ca

Ao Departamento Administrativo, co mo um dos órgãos da administração do Estado, compete, em cada caso concreto, examinar as vantagens ou desvantagens de recursos provirem das operações de

O meu trabalho não visa^ defesa do aprovação e o autor do incisivo parecer usufrui, não só nesta casa como em

todo o Estado, pela experiência dos ne gócios públicos e sólida cultura, prestí■"gio acatado.

"bos indicus" e '^os taurús" são gê IP»

Outro, o meu intuito: ex

sido a resposta uniforme da Secretaria

planar, sob um prisma nacional, idéias

da Fazenda, quando ouvida sobre os recursos com que conta o Tesouro para

oriundas de convicções antigas, que con tribuam para a melhoria dos nossos

fazer face a despesas de vulto.

rebanhos.

lente", denominações do utilíssimo ani

mal em .sua linguagem, arrastou Pereira Barreto a quase unanimidade dos nossos

escritores e jornalistas, acarretando, — convicto afirmou na tribuna da Câmara

o deputado Sampaio Vidal, — para o Estaclo de São Paulo, um prejuízo su perior a um milhão de contos de réis. Arnaldo Vieira de Carvalho, embora com urbanidade, secundou-o na campa

tulados "De Re Rústica", que dificultou,

denciou a sua polêmica com o e.spírito

de decreto que autoriza a aber

Na guerra empreendida contra "o monstro do Canges" e "o bicho repe

extensa cultura geral, panfletário, po pecuária.

ao nosso beneplácito o projeto

Produzir é o lema e até

na cria"ção de cabritos há vantagens,

nha, publicando, pelas colunas de um

rém, quando dissertava sôbre coisas de

Interventoria Federal submete

cada zona.

veriza os argumentos de Pereira Barreto,

prosador elegante e médico insigne, de

indicus" no Brasil.

acôrdo com as condições peculiares de .dvertia o solitário de Pedras Altas.

A campanha de Pereira Barreto

Especial para o "Digesto Econômico'

93

neros diferentes.

Confundia, no ardor da luta, o signi

ficado das expressões gênero e espécie

e cometia erros em geologia sôbre a for mação das nossas terras, esquecido de que a planície platina, não atingida pela erosão, é o paraíso das espécies búvinas. Erros agravados, com a apologia da

matutino,

uma

série

de

artigos

inti

com p prestígio do seu nome, grangeado

na cimrgia, ainda mais a. compreensão exata do problema. O zebu era o inimigo comum. Outro, porém, q objetivo colimado. Propugnando a criação exclusiva do gado euro

peu, incidia esse paulista ilustre era êrro não menor.

Na publicística, em defesa do "boi malsinado", excetuou-se apenas um jo

vem de temperamento combativo, escri tor de cujas idéias políticas tantas vezes tenho dissentido.

Alfredo Ellis Júnior, alertando os fa

zendeiros, situou, já naq^uela época, em que a palavTU em prol do zebu era crime de lesa-patriotismo, a questão em seus verdadeiros têrmos.

Dentre os nossos homens públicos,

Antônio Prado, pioneiro da indústria do frio em nosso país, foi quem a encarou com a visão do estadista.

Afastado das

posições oficiais, não pôde impedir a guerra sem tréguas que os governantes,

influenciados pelos "técnicos", moviam contra o zebu.

raça .única pãra um Estado de grande extensão territorial, de terras e climas

Hovos rumos

tão variados.

Nesse êrro não incidiu Assis Brasil,

que aconselhava a criação de gado, de-

Ascendendo Júlio Prestes à presidên

cia do Estado, a pecuária paulista enve-


Digesto Econômico

Nenhum problema, quando medito sô-

bre o futuro econômico do meu país,

PEClilRli BRUSILEIRil

encaro com tanto otimismo como o da

pecuária.

por Antônio Gontijo de Carvalho

O seu aspecto teórico é de interêsse

"Quem quiser guardar um segrêdo deve arquivá-lo no "Diário Oficial", — cos

menor para um Departamento Adminis

tumava dizer Ferreira Viana.

mal, confiado a um profissional de valor e de indiscutível capacidade de traba lho. Mas, se necessário debatê-lo, nada teria a fazer senão reproduzir o magis tral ensaio, de caráter doutrinário, em que o professor Álvaro da Silveira pul

trativo.

O traba

lho que ora exumamos dos Anais do Conselho Administrativo do Estado de

São Paulo, da lavra do dr. Antpnio Gontifo de Carvalho, atual diretor do

"Digesto Econômico", repleto de obser vações pessoais e de plena atualidade,

examina, de um ângulo objetivo e realistico, a introdução e a criação do "bos

Compete ao da Indústria Ani

Apaixonado nas discussões, como evi

luminoso de Eduardo Prado, sustentava,

na magia de um estilo encantador, que

tura, no Tesouro do Estado, de

formava proséiitós, as maiores heresias.

um crédito especial para aquisi ção de reprodutores, destinados as Estações de Monta da Dire toria de Indústria Animal.

Uma verba é aplicada ao "Mangalarga , o soberbo corcel que se caracteriza pela marcha de surpreendente efeito. Paulo de Lima Correia já exalçou, em interessante monografia, todos os seus

predicados de resistência e velocidade. Insistir em proclamá-los é tarefa desne

Movido por um ódio inexplicável em

boi indiano no Estado de São Paulo, que as nossas pastagens eram superiores às

da Argentina e vaticinava a degenerescôncia do zebu, que se transformaria em

cabrito, com a alegação errônea' de que

aprovação o eminente relator dr. Aguiar

da política sadia.

projeto. Evidente é a necessidade .da sua

O orçamento vigente i não comporta saldos de arrecadação que cubram as despesas com créditos especiais, tem

escritos, para impedir a introdução do

Tratando-se de despesa de caráter re produtivo, manifestou-se favorável à sua Whitaker.

Outra verba destina-se à aquisição do

ráter educacional, proclamava, em seus

crédito.

cessária. Incentivar a sua criação, para ufania da zoocultura brasileira, é obra boi indiano.

homem de ciência, despido, portanto, da serenidade exigível em obra de ca

Ao Departamento Administrativo, co mo um dos órgãos da administração do Estado, compete, em cada caso concreto, examinar as vantagens ou desvantagens de recursos provirem das operações de

O meu trabalho não visa^ defesa do aprovação e o autor do incisivo parecer usufrui, não só nesta casa como em

todo o Estado, pela experiência dos ne gócios públicos e sólida cultura, prestí■"gio acatado.

"bos indicus" e '^os taurús" são gê IP»

Outro, o meu intuito: ex

sido a resposta uniforme da Secretaria

planar, sob um prisma nacional, idéias

da Fazenda, quando ouvida sobre os recursos com que conta o Tesouro para

oriundas de convicções antigas, que con tribuam para a melhoria dos nossos

fazer face a despesas de vulto.

rebanhos.

lente", denominações do utilíssimo ani

mal em .sua linguagem, arrastou Pereira Barreto a quase unanimidade dos nossos

escritores e jornalistas, acarretando, — convicto afirmou na tribuna da Câmara

o deputado Sampaio Vidal, — para o Estaclo de São Paulo, um prejuízo su perior a um milhão de contos de réis. Arnaldo Vieira de Carvalho, embora com urbanidade, secundou-o na campa

tulados "De Re Rústica", que dificultou,

denciou a sua polêmica com o e.spírito

de decreto que autoriza a aber

Na guerra empreendida contra "o monstro do Canges" e "o bicho repe

extensa cultura geral, panfletário, po pecuária.

ao nosso beneplácito o projeto

Produzir é o lema e até

na cria"ção de cabritos há vantagens,

nha, publicando, pelas colunas de um

rém, quando dissertava sôbre coisas de

Interventoria Federal submete

cada zona.

veriza os argumentos de Pereira Barreto,

prosador elegante e médico insigne, de

indicus" no Brasil.

acôrdo com as condições peculiares de .dvertia o solitário de Pedras Altas.

A campanha de Pereira Barreto

Especial para o "Digesto Econômico'

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neros diferentes.

Confundia, no ardor da luta, o signi

ficado das expressões gênero e espécie

e cometia erros em geologia sôbre a for mação das nossas terras, esquecido de que a planície platina, não atingida pela erosão, é o paraíso das espécies búvinas. Erros agravados, com a apologia da

matutino,

uma

série

de

artigos

inti

com p prestígio do seu nome, grangeado

na cimrgia, ainda mais a. compreensão exata do problema. O zebu era o inimigo comum. Outro, porém, q objetivo colimado. Propugnando a criação exclusiva do gado euro

peu, incidia esse paulista ilustre era êrro não menor.

Na publicística, em defesa do "boi malsinado", excetuou-se apenas um jo

vem de temperamento combativo, escri tor de cujas idéias políticas tantas vezes tenho dissentido.

Alfredo Ellis Júnior, alertando os fa

zendeiros, situou, já naq^uela época, em que a palavTU em prol do zebu era crime de lesa-patriotismo, a questão em seus verdadeiros têrmos.

Dentre os nossos homens públicos,

Antônio Prado, pioneiro da indústria do frio em nosso país, foi quem a encarou com a visão do estadista.

Afastado das

posições oficiais, não pôde impedir a guerra sem tréguas que os governantes,

influenciados pelos "técnicos", moviam contra o zebu.

raça .única pãra um Estado de grande extensão territorial, de terras e climas

Hovos rumos

tão variados.

Nesse êrro não incidiu Assis Brasil,

que aconselhava a criação de gado, de-

Ascendendo Júlio Prestes à presidên

cia do Estado, a pecuária paulista enve-


m

Dicesto Econômico

»4

reda por novos rumos. Sua Excelência, que se revelou de um dinamismo cons

Jardy, cavalos adquiridos na Europa por

Recebeu Uberaba os primeiros zebus

somas fabulosas, tornaram não só multi-

há cinqüenta anos. De raças Guzerat e

trutor em sua passagem pelo govêmo,

apaixonado de tudo que se refira à pro

milionários os seus criadores, cuja fama transpôs o continente, como enriquece

Nellore, nomes esses de províncias das índia.-?. Foram adquiridos em Canta-

dução de riquezas, adquiriu para o Es tado reprodutores da raça indiana, a

ram a própria nação. Os shortons que povoam as pastagens de Buenos Aires, de melhor "pedigree", são descenden

mediante condições e prazos determi

galo, município do Estado do Rio de Janeiro. Os fazendeiros, entusiasmados com os primeiros resultados,' iniciaram a

tes de um touro famoso, "Tarquínio",

nados, aos criadores que quisessem me

importação de lotes de reprodutores das

importado da Inglaterra, em princípios

índias Inglesas, dispendendo, com essas importações, milhares de contos de

fim de ceder, a título^ de empréstimo,

lhorar os seus -rebanhos com um sangue novo e forte.

Os resultados dessa orientação, rece bida com reservas, constatei quando, na Exposição Nacional efetuada em Belo Horizonte, assisti a um criador em Cam

pinas, um japonês realista e prático co

mo todos os de sua raça, exibir um práduto que alcança o primeiro prêmio,

do século anterior.

Ao citar esses exemplos da Argentina,

lembro-me do' episódio narrado por insigne parlamentar, que define a menta lidade dos seus homens públicos. Um

brasileiro, percorrendo o interior da gran de República, notou que o trem e.x-

Alaor Prata Soares, Felipe Achê, Alberto Parton, Ângelo Costa e tantos

outros, trouxeram, desde os primórdios,

do tamanho de um car

Tão

ínterêsse

minada estação. Minutos após, um tretn

facilmente criador, como demonstrou o

a dianteira do seu. Estranhando o fato, um argentino, solícito, explicou-lhe-

japonês de Campinas e o • município de

"Es Ia produccion".

Franca atesta com os seus admirávds

produtos. É a diretriz que se impõe.

Contrasta , êsse exemplo com a falta de vagões com que, em nosso país, luta

Não cometo indiscreção, pois o fato é notório em Uberaba, em dizer que a

o fazendeiro para transporte dó seu gado.

fortuna de um dos seus criadores, ava

O exemplo de Uberaba

a sua origem na aquisição de um touro, O problema da pecuária, em país de condições mesológicas como o Brási^ deve ser encarado e resolvido sob o

ponto de vista prático. O exemplo de

Os

dos ■ melhores tipos in dianos. O abandono,

naquele período inicial, é explicável.

Uberaba, que bem conheço, é frisante. Narro-o para conhecimento exato dos criadores paulistas.

Os cria

dores visavam intuito;:

comerciais.e só os pro dutos caracteristícamente indianos alcançavam

fo

bons preços, pois ainda

demonstrado

eram numerosos os re

banhos

tanto ouro tem doado

que transportava gado nassou, tomando

produtos de Old Man, Le Samaritain e

niunerosas

pequena

porcentagem de ossos, pela precocidade no pêso, o Nellore é um

pela terra do boi que

o nosso melhor mercado.

segredo da República Argentina.

beleza, pela

ram as viagens às ín dias Inglêsas e tal o

presso em que viajava parou em deter

Na aquisição de reprodutores está o

ricanos para as regiões do Te.xas. Pela

retes de passeio.

mo "chilled de primeira", o tipo ex portável para a Inglaterra, que ainda é

bitante na época.

lore, que é o preferido dos norte ame

neiro, que nas ruas de

Satisfaz às .exigências dos

contos de réis, preço considerado exor

dores o confessam: o abandono do Nel

Bombaim puxam char-

frigoríficas e a carne é classificada co

denominado "Lontra", em fins do sé

mestiçagem entre êsses tipos.

Maissor, até zebuzinhos

O Estado^ de São Paulo tem sido prin cipalmente invemista, se bem que no Vale do Paraíba predominem raças lei teiras. Possui campos de engorda exu berantes, sem rivais no país, como os de Barretos e Andradina. O zebu, após longas caminhadas a pé, com pastoreio de poucos meses, revigora-se naquelas

culo passado, pela quantia de quatro

Brasil, bovino resultante do cruzamento

das duas raças Gyr e Guzerat, ou da

espécimes magníficos das raças Guzerat, Nel de uma raça "mignon",

liada hoje em dezenas de milhares, tem

Os uberabenses fixaram as suas pre

ferências nas raças Gyr e Guzerat e des prezaram as demais. Hoje estão pratica mente extintos os tipos puros.^ O mes tiço do puro sangue indiano e o Indu-

Houve um êrro lamentável, e os cria

réis.

lecionados em Minas Gerais.

^ Adquirindo finos genitores, tomar-se-á

quele tempo, à metade do custo de cada animal.

lore, Kattiavar ou Gyr,

em concorrência com reprodutores se

pastagens.

95

Dicesto Econômico

nacionais.

A

ainda hoje em Uberaba,

orelha, um dos caracte res mais destacados da

homem de rua que não

raça,

ao Brasil que não há,

pelos teóricos. Mas o maior dos presi

pequena

no

res, ignorantes e teme

rosos, desconfiavam de que os produtos, que as

olhos essas importações

os governos, orientados

é

Nellore e os comprado

discreteie sòbre coisas de Bombaim. Não viam com bons

possuíssem

pequenas,,

não tivessem grande quantidade de

dentes, de Minas Gerais, aquêle cuja

sangue indiano.

vida foi um apostolado ininterrupto em prol dos ideais democráticos, insurgiu-se

o aumento dos rebanhos indianos, di

contra a rotina e a inércia. João Pinhei

ro apoiou decididamente a iniciativa dos uberabenses, permitindo a entrada de zebus no recinto das exposições, ate en

tão vedada. Importou das índias grande quantidade de reprodutores e os distri buiu aos criadores, mediante o paga

mento de duzentos e cinqüenta mil réis

por cabeça, quantia correspondente, na-

Êsse fator de ordem psicológica, com

minuiu e os govèmos, principalmente os de São Paulo, que dispõe de uma aparelhagem ímpar como a da Diretoria de Indústria Animal, devem dirigir os seus estudos para essa raça.

Antes de introduzir-se, em Uberaba, o

zebu, os fazendeiros tentaram improficuamente aumentar os rebanhos, quer

com reprodutores ç^raçus, selecionados


m

Dicesto Econômico

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reda por novos rumos. Sua Excelência, que se revelou de um dinamismo cons

Jardy, cavalos adquiridos na Europa por

Recebeu Uberaba os primeiros zebus

somas fabulosas, tornaram não só multi-

há cinqüenta anos. De raças Guzerat e

trutor em sua passagem pelo govêmo,

apaixonado de tudo que se refira à pro

milionários os seus criadores, cuja fama transpôs o continente, como enriquece

Nellore, nomes esses de províncias das índia.-?. Foram adquiridos em Canta-

dução de riquezas, adquiriu para o Es tado reprodutores da raça indiana, a

ram a própria nação. Os shortons que povoam as pastagens de Buenos Aires, de melhor "pedigree", são descenden

mediante condições e prazos determi

galo, município do Estado do Rio de Janeiro. Os fazendeiros, entusiasmados com os primeiros resultados,' iniciaram a

tes de um touro famoso, "Tarquínio",

nados, aos criadores que quisessem me

importação de lotes de reprodutores das

importado da Inglaterra, em princípios

índias Inglesas, dispendendo, com essas importações, milhares de contos de

fim de ceder, a título^ de empréstimo,

lhorar os seus -rebanhos com um sangue novo e forte.

Os resultados dessa orientação, rece bida com reservas, constatei quando, na Exposição Nacional efetuada em Belo Horizonte, assisti a um criador em Cam

pinas, um japonês realista e prático co

mo todos os de sua raça, exibir um práduto que alcança o primeiro prêmio,

do século anterior.

Ao citar esses exemplos da Argentina,

lembro-me do' episódio narrado por insigne parlamentar, que define a menta lidade dos seus homens públicos. Um

brasileiro, percorrendo o interior da gran de República, notou que o trem e.x-

Alaor Prata Soares, Felipe Achê, Alberto Parton, Ângelo Costa e tantos

outros, trouxeram, desde os primórdios,

do tamanho de um car

Tão

ínterêsse

minada estação. Minutos após, um tretn

facilmente criador, como demonstrou o

a dianteira do seu. Estranhando o fato, um argentino, solícito, explicou-lhe-

japonês de Campinas e o • município de

"Es Ia produccion".

Franca atesta com os seus admirávds

produtos. É a diretriz que se impõe.

Contrasta , êsse exemplo com a falta de vagões com que, em nosso país, luta

Não cometo indiscreção, pois o fato é notório em Uberaba, em dizer que a

o fazendeiro para transporte dó seu gado.

fortuna de um dos seus criadores, ava

O exemplo de Uberaba

a sua origem na aquisição de um touro, O problema da pecuária, em país de condições mesológicas como o Brási^ deve ser encarado e resolvido sob o

ponto de vista prático. O exemplo de

Os

dos ■ melhores tipos in dianos. O abandono,

naquele período inicial, é explicável.

Uberaba, que bem conheço, é frisante. Narro-o para conhecimento exato dos criadores paulistas.

Os cria

dores visavam intuito;:

comerciais.e só os pro dutos caracteristícamente indianos alcançavam

fo

bons preços, pois ainda

demonstrado

eram numerosos os re

banhos

tanto ouro tem doado

que transportava gado nassou, tomando

produtos de Old Man, Le Samaritain e

niunerosas

pequena

porcentagem de ossos, pela precocidade no pêso, o Nellore é um

pela terra do boi que

o nosso melhor mercado.

segredo da República Argentina.

beleza, pela

ram as viagens às ín dias Inglêsas e tal o

presso em que viajava parou em deter

Na aquisição de reprodutores está o

ricanos para as regiões do Te.xas. Pela

retes de passeio.

mo "chilled de primeira", o tipo ex portável para a Inglaterra, que ainda é

bitante na época.

lore, que é o preferido dos norte ame

neiro, que nas ruas de

Satisfaz às .exigências dos

contos de réis, preço considerado exor

dores o confessam: o abandono do Nel

Bombaim puxam char-

frigoríficas e a carne é classificada co

denominado "Lontra", em fins do sé

mestiçagem entre êsses tipos.

Maissor, até zebuzinhos

O Estado^ de São Paulo tem sido prin cipalmente invemista, se bem que no Vale do Paraíba predominem raças lei teiras. Possui campos de engorda exu berantes, sem rivais no país, como os de Barretos e Andradina. O zebu, após longas caminhadas a pé, com pastoreio de poucos meses, revigora-se naquelas

culo passado, pela quantia de quatro

Brasil, bovino resultante do cruzamento

das duas raças Gyr e Guzerat, ou da

espécimes magníficos das raças Guzerat, Nel de uma raça "mignon",

liada hoje em dezenas de milhares, tem

Os uberabenses fixaram as suas pre

ferências nas raças Gyr e Guzerat e des prezaram as demais. Hoje estão pratica mente extintos os tipos puros.^ O mes tiço do puro sangue indiano e o Indu-

Houve um êrro lamentável, e os cria

réis.

lecionados em Minas Gerais.

^ Adquirindo finos genitores, tomar-se-á

quele tempo, à metade do custo de cada animal.

lore, Kattiavar ou Gyr,

em concorrência com reprodutores se

pastagens.

95

Dicesto Econômico

nacionais.

A

ainda hoje em Uberaba,

orelha, um dos caracte res mais destacados da

homem de rua que não

raça,

ao Brasil que não há,

pelos teóricos. Mas o maior dos presi

pequena

no

res, ignorantes e teme

rosos, desconfiavam de que os produtos, que as

olhos essas importações

os governos, orientados

é

Nellore e os comprado

discreteie sòbre coisas de Bombaim. Não viam com bons

possuíssem

pequenas,,

não tivessem grande quantidade de

dentes, de Minas Gerais, aquêle cuja

sangue indiano.

vida foi um apostolado ininterrupto em prol dos ideais democráticos, insurgiu-se

o aumento dos rebanhos indianos, di

contra a rotina e a inércia. João Pinhei

ro apoiou decididamente a iniciativa dos uberabenses, permitindo a entrada de zebus no recinto das exposições, ate en

tão vedada. Importou das índias grande quantidade de reprodutores e os distri buiu aos criadores, mediante o paga

mento de duzentos e cinqüenta mil réis

por cabeça, quantia correspondente, na-

Êsse fator de ordem psicológica, com

minuiu e os govèmos, principalmente os de São Paulo, que dispõe de uma aparelhagem ímpar como a da Diretoria de Indústria Animal, devem dirigir os seus estudos para essa raça.

Antes de introduzir-se, em Uberaba, o

zebu, os fazendeiros tentaram improficuamente aumentar os rebanhos, quer

com reprodutores ç^raçus, selecionados


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1'

97

Digesto Econômico

■;-7 r-i?

Digesto Econômico

96

por Joaquim Prudente o outros, quer

Nem todos os criadores concordaram

com Herefords, importados da Argenti

com a denominação de "Indu-Brasil"

na por Pedro Macnado, quer com De-

para o mestiço de puro sangue indiano.

vons, comprados por Manuel Alves da

Propuseram a de "Induberaba", em lou

Costa.

vor ao município çue coroou os seus O Indu-Brar.il

tenazes e.sforços com vitória integral. Uberaba fez jus a uma homenagem e o governo federal, rcconhecendo-o, esta

com êsse objetivo. Lenda não constituí

ge de ser a descrita nos romances de Bernardo Guimarães, -r' eram agravadas

o fato de uma vaca Gyr, criada na zona

pelas secas dos meses de agosto e se tembro. O gado énfraquecido, acossa do pela fome e seduzido pelo capim

riamente, produzia vinte e cinco litros

da Serra, no Rio Grande do Sul, por Salvador Pinheiro Machado, que, dia de leite.

verde do brejo, atolava-se e morria se

Embora uma exceção, é ín

dice digno de registo.

não acudído/em tempo.

Hoje, co^ os mesmos campos, po

Aos três anos de idade, o zebu é boi

construindo, ali, um bolo e amplo re cinto, mmiatura do majestoso Parque

voados áe/gado indiano, o criador, em

para o corte, com média de quinze arro

cem vacás, colhe, no mínimo, oitenta

ram-se e morreram de tristeza, veicula

da Água Branca, para exposições perma

da pelo carrapato. Os prejuízos foram

nentes.

Íneocuj^a com os brejais. Raros se ato

bas. O caracu só atinge a êsse peso aos cinco anos. Tomam-se, assim, pal

Devido ao clima tropical e à dureza

-das pastagens, os reprodutores definha

A razão está, porém, com os que

totais.

Em abôno dessa afirmativa, um com-

petentíssimo fimcionário do Ministério

propugnam pelo nome de "Indu-Brasil".

Falo com isenção, pois sou filho daquela

da Agricultura, Durval Garcia de Me-

terra e o meu modo de pensar, quando

nezej, escreveu: "As ex])eriências feitas

se debateu o assunto na Sociedade Ru

cora as raças chamadas finas não pro duziram os efeitos desejados, havenclo o

gado mestiço degenerado a tal ponto / nue o frigorífico não mais o cotava'*. No Brasil, explica-se o definhamento do boi europeu. De um "habitat" su perior passa para um "habitat" inferior.

Com o zebu, dá-se o ín\erso. Superior c o^ novo "habitat". O Indu-Brasil, do Triângulo Mineiro, tem outra desenvol tura que não a tem o zobu das índias

Inglesas.

Cessaram-se as importações

por esta causa e não pelo pavor da febre aftosa, como se assoalhoíi.

Dizia-me um amigo, com a sua "ver

ral do Triângulo Mineiro, não é de todo desconhecido dos meus conterrâneos. ^ Ordena a justiça ciue se proclame: Não

e so Uberaba que dispõe de exemplares magníficos desta raça. Conquista e Araxá, municípios circuiífizinhos, possuem gado não inferior, selecionados com o mesmo apuro, há algumas dezenas de

até altura.

A adoção integral do zebu não -foi,

Vantagens do zebu

Decidindo, o Presidente da Republica, em ato recente, a disputa em prol do nome Indu-Brasil, agiu com patriotis

com

força

própria. Nós sertões de Goiás e em parte con

siderável de Minas Gerais, principal mente nas zonas norte e oeste, o carro

de' boi ainda é meio de transporte.

Eáses carros, antigamente, eram puxa

dos por dez ou oito juntas de bois.

/ Hoje, para o mesmo serviço, doze teuF©9 zebus são suficientes.

Cito esse

fato, para evidenciar a sua robustez, qualidade primordial em um país das condições do BrasU.

O zebu, costeado, é dócil como ne nhum outro.

É a surprêsa que se re

serva a todos os que visitam as fazen

Nas índias, país de origem, o zebu,

animal sagrado, companlieiro insepará vel do homem, é criado em choupanas,

nos casebres da gente humilde.

Perspectivas da pecuária

mo e acerto.

sultados observados, nêsses últimos cin

com a campanlia demolidora de Pereira

qüenta anos, em Uberaba, um dos maio

Barreto. Mas as resistências foram, aos

res centros criadores do país?

Quando só existia o gado crioulo, mis

O Gyr é raça leiteira. Observei, nas

páveis, as desvantagens dessa criação: maior tempo de empate de capital, m-

vemadas ocupadas por mais dois arras, maior número de perdas, ocasionadas pelas pragas que infestam os campos. O zebu é o gado que melhor resiste às penosas e longas camínliadas aos cen tros de engorda. Em Barretos ou Tr s Corações, goza das preferências dos mvemistas, pela rápida saída e ceva tacu. Os frigoríficos o msputam e o preferem. Pagam mais, a sua carne, dois mil reis por anôba, em média, e, se tiver uma

mestiçagem de Gyr, mais acentuada e a

preferência.

Com tão múltiplas qualidades, não há,

com outras raças, no Brasil, confronto

possível. Até o ano fatídico de 1914, não pos

suíamos carne para as necessidades mtemas.

A cidade do Rio de Janeiro a

sumo.

Atualmente, a cifra das nossas

importava da Argentina para o seu con

exportações de carnes congeladas atoge a cerca de duzentos mil contos de reis. Possibilitou essa riqueza a conflagra

fazendas, que inúmeras são as vacas que

ção mundial.

diariamente dão cito litros de leite. Em

produção de gêneros de imprescmdivel

épocas de crias novas, doze ou cator ze. Os produtos do Gyr selecionam-se

necessidade.

raças depauperadas^, o criador, que pos suísse cem vacas, colheria, em cada ano,

que^ o zebu é o boi que convém a um país tropical. É a tese do inglês que

trinta e cinco bezerros, no máximo.

n5n introduz nas índias fndins os ns sev? Here Hprpnão

ainda,máximo esfôrço. As deficiências de

Deflagrada novamente,

devemos orientar os nossos esforços na

tura de pedreiro, caracu e curraleiro,

Mineiro, zona essencialmente pastoril,

fords, Devons e Jerseys,

libertam-se

se divulgasse a lenda de Pereira Barreto.

servadores e muitos se impressionaram

Hoje é ponto assente no Triângulo

esses

das de Uberaba. Aliás, é estranho que

Quais as vantagens do zebu e os re

r. única mestra.

é

do Brasil.

todavia, pacífica. Os mineiros são con

poucos, vencidas pela ex}>eriência, que é

am

anos. Outro argumento, de caráter de cisivo, apresentei: Indu-Brasil é de nominação que sugere idéia nacional. Espalliado de norte a sul, será o boi

ve" habitual: modificam-.se no Brasil: o

zebu e o japonês. O zcbu desenvolve e o japonês, nascido na Noroeste, tem

bezerros^ sadios e resistentes, e não se

Para tão parco resultado, era preciso

pastagens, — cuja fertilidade estava lon■ I I iiriiiiÉIiríli


«

1'

97

Digesto Econômico

■;-7 r-i?

Digesto Econômico

96

por Joaquim Prudente o outros, quer

Nem todos os criadores concordaram

com Herefords, importados da Argenti

com a denominação de "Indu-Brasil"

na por Pedro Macnado, quer com De-

para o mestiço de puro sangue indiano.

vons, comprados por Manuel Alves da

Propuseram a de "Induberaba", em lou

Costa.

vor ao município çue coroou os seus O Indu-Brar.il

tenazes e.sforços com vitória integral. Uberaba fez jus a uma homenagem e o governo federal, rcconhecendo-o, esta

com êsse objetivo. Lenda não constituí

ge de ser a descrita nos romances de Bernardo Guimarães, -r' eram agravadas

o fato de uma vaca Gyr, criada na zona

pelas secas dos meses de agosto e se tembro. O gado énfraquecido, acossa do pela fome e seduzido pelo capim

riamente, produzia vinte e cinco litros

da Serra, no Rio Grande do Sul, por Salvador Pinheiro Machado, que, dia de leite.

verde do brejo, atolava-se e morria se

Embora uma exceção, é ín

dice digno de registo.

não acudído/em tempo.

Hoje, co^ os mesmos campos, po

Aos três anos de idade, o zebu é boi

construindo, ali, um bolo e amplo re cinto, mmiatura do majestoso Parque

voados áe/gado indiano, o criador, em

para o corte, com média de quinze arro

cem vacás, colhe, no mínimo, oitenta

ram-se e morreram de tristeza, veicula

da Água Branca, para exposições perma

da pelo carrapato. Os prejuízos foram

nentes.

Íneocuj^a com os brejais. Raros se ato

bas. O caracu só atinge a êsse peso aos cinco anos. Tomam-se, assim, pal

Devido ao clima tropical e à dureza

-das pastagens, os reprodutores definha

A razão está, porém, com os que

totais.

Em abôno dessa afirmativa, um com-

petentíssimo fimcionário do Ministério

propugnam pelo nome de "Indu-Brasil".

Falo com isenção, pois sou filho daquela

da Agricultura, Durval Garcia de Me-

terra e o meu modo de pensar, quando

nezej, escreveu: "As ex])eriências feitas

se debateu o assunto na Sociedade Ru

cora as raças chamadas finas não pro duziram os efeitos desejados, havenclo o

gado mestiço degenerado a tal ponto / nue o frigorífico não mais o cotava'*. No Brasil, explica-se o definhamento do boi europeu. De um "habitat" su perior passa para um "habitat" inferior.

Com o zebu, dá-se o ín\erso. Superior c o^ novo "habitat". O Indu-Brasil, do Triângulo Mineiro, tem outra desenvol tura que não a tem o zobu das índias

Inglesas.

Cessaram-se as importações

por esta causa e não pelo pavor da febre aftosa, como se assoalhoíi.

Dizia-me um amigo, com a sua "ver

ral do Triângulo Mineiro, não é de todo desconhecido dos meus conterrâneos. ^ Ordena a justiça ciue se proclame: Não

e so Uberaba que dispõe de exemplares magníficos desta raça. Conquista e Araxá, municípios circuiífizinhos, possuem gado não inferior, selecionados com o mesmo apuro, há algumas dezenas de

até altura.

A adoção integral do zebu não -foi,

Vantagens do zebu

Decidindo, o Presidente da Republica, em ato recente, a disputa em prol do nome Indu-Brasil, agiu com patriotis

com

força

própria. Nós sertões de Goiás e em parte con

siderável de Minas Gerais, principal mente nas zonas norte e oeste, o carro

de' boi ainda é meio de transporte.

Eáses carros, antigamente, eram puxa

dos por dez ou oito juntas de bois.

/ Hoje, para o mesmo serviço, doze teuF©9 zebus são suficientes.

Cito esse

fato, para evidenciar a sua robustez, qualidade primordial em um país das condições do BrasU.

O zebu, costeado, é dócil como ne nhum outro.

É a surprêsa que se re

serva a todos os que visitam as fazen

Nas índias, país de origem, o zebu,

animal sagrado, companlieiro insepará vel do homem, é criado em choupanas,

nos casebres da gente humilde.

Perspectivas da pecuária

mo e acerto.

sultados observados, nêsses últimos cin

com a campanlia demolidora de Pereira

qüenta anos, em Uberaba, um dos maio

Barreto. Mas as resistências foram, aos

res centros criadores do país?

Quando só existia o gado crioulo, mis

O Gyr é raça leiteira. Observei, nas

páveis, as desvantagens dessa criação: maior tempo de empate de capital, m-

vemadas ocupadas por mais dois arras, maior número de perdas, ocasionadas pelas pragas que infestam os campos. O zebu é o gado que melhor resiste às penosas e longas camínliadas aos cen tros de engorda. Em Barretos ou Tr s Corações, goza das preferências dos mvemistas, pela rápida saída e ceva tacu. Os frigoríficos o msputam e o preferem. Pagam mais, a sua carne, dois mil reis por anôba, em média, e, se tiver uma

mestiçagem de Gyr, mais acentuada e a

preferência.

Com tão múltiplas qualidades, não há,

com outras raças, no Brasil, confronto

possível. Até o ano fatídico de 1914, não pos

suíamos carne para as necessidades mtemas.

A cidade do Rio de Janeiro a

sumo.

Atualmente, a cifra das nossas

importava da Argentina para o seu con

exportações de carnes congeladas atoge a cerca de duzentos mil contos de reis. Possibilitou essa riqueza a conflagra

fazendas, que inúmeras são as vacas que

ção mundial.

diariamente dão cito litros de leite. Em

produção de gêneros de imprescmdivel

épocas de crias novas, doze ou cator ze. Os produtos do Gyr selecionam-se

necessidade.

raças depauperadas^, o criador, que pos suísse cem vacas, colheria, em cada ano,

que^ o zebu é o boi que convém a um país tropical. É a tese do inglês que

trinta e cinco bezerros, no máximo.

n5n introduz nas índias fndins os ns sev? Here Hprpnão

ainda,máximo esfôrço. As deficiências de

Deflagrada novamente,

devemos orientar os nossos esforços na

tura de pedreiro, caracu e curraleiro,

Mineiro, zona essencialmente pastoril,

fords, Devons e Jerseys,

libertam-se

se divulgasse a lenda de Pereira Barreto.

servadores e muitos se impressionaram

Hoje é ponto assente no Triângulo

esses

das de Uberaba. Aliás, é estranho que

Quais as vantagens do zebu e os re

r. única mestra.

é

do Brasil.

todavia, pacífica. Os mineiros são con

poucos, vencidas pela ex}>eriência, que é

am

anos. Outro argumento, de caráter de cisivo, apresentei: Indu-Brasil é de nominação que sugere idéia nacional. Espalliado de norte a sul, será o boi

ve" habitual: modificam-.se no Brasil: o

zebu e o japonês. O zcbu desenvolve e o japonês, nascido na Noroeste, tem

bezerros^ sadios e resistentes, e não se

Para tão parco resultado, era preciso

pastagens, — cuja fertilidade estava lon■ I I iiriiiiÉIiríli


Digesto Econômico

98

Em períodos anormais, facilmente não se convertem em ouro os "produtos de

da grandeza econômica da nossa terra, o seu papel de amanhã.

sobremesa", frase caustícante com que

Incrementada, em larga escala, a pecuá

Capistrano de Abreu, nos insuperáveis "Capítulos da História Colonial", sinte

ria, com a aquisição e seleção do zebu,

pelos modernos processos de zootecnia,

tiza o panorama econômico do Brasil.

disporá o Brasil, em futuro não remoto,

Fator de integração da unidade nacional, foi o papel que o boi on tem desempenhou. Fator máximo

CALÓGERAS E A ESCOLA PRIMÁRIA

de recursos suficientes para cumprir

por Sun Mennucci

a finalidade que o destino lhe re serva no concêrto das Nações..

Especial papa o "Digesto Econômico' Üu

não

teria

nunca o desejo

de ser biógrafo de Calógeras. to-o

autor

Sin emi

nentemente difí

cil e complexo, uma dessas cabe

Ve"-

ças

muito

estruturadas

bem de

mais e que, porisso mesmo, pu

escaninhos de mil setores,diferentes, rea

mento do conselheiro. Os tempos não estavam ainda maduros, em nossa vida,

go. Calógeras tinha a volúpia da cul

Pj<^no qüinqüenal para a reconstrução do parque auto-

cessar o numero de veículos, até o quinto, quando atingirá a cifra de 478.200 unxdades de todos os tipos.

Já foi mais de uma vez contada aque la passagem entre êle e Rodrigues Alves. O sereno e arguto político paulista, ver dadeiro ímã para atrair em volta de suas administrações os homens, exatamente

adequados para cada cargo, pediu-lhe, ao iniciar um de seus períodos presiden

ciais, que lhe apresentasse um relatório acêrca da situação real de cada um dos sete ministérios em que se repartia o

A f da guerra, fabrtcaram-se do plano a redução do número de tiposnúmero a construir. Antes 136édiferentes. Atualmente, o seu é de y lares

ígua/menfe a construção, em série, de pequenos automóveis ^popu~ de 4 cavalos. ^ ^

governo nacional. E Calógeras apresentou um tão com pleto e perfeito e exaustivo trabalho que

Avaltam-se ^ 15 bilhões de francos as compras necessárias para o reequi-

fez dizer a Rodrigues Alves ser o minei

pamento de 22.000 das 60.000 máquinas existentes. Antes da guerra a indústria automobüxstxca dxspunha, na França, de 800.000 máquinas-feJramentas. Tais as grandes íinhas do primeiro projeto do plano qüinqüenal conhecido

ro capaz de dirigir qualquer uma daque las sete pastas. O que em boa lógica eqüivalia a dizer que Pandiá Calógeras,

pelo nome de

pela visão panorâmica que tinha da vida

Plano Pons , elaborado sobretudo tendo-se em vista a concentra

ção da produção e a redução do número de tipos de veículos.

talhado para ocupar a presidência da República.

tura universal.

mohilxstxco da França data de 1945. Por êle se previu a fabricação de 1.652.000 veiculas 5 anos, sendo 593.000 caminhões e camionetes, 5.000 tratores, 25.000 ônibus e 1.029.000 automóveis de turismo. Para o primeiro ano estxpulou-se a fabricação de 160.000 unidades. Nos anos seguintes aumen-

como alfabetizadora, mas com um paoel profundo e insubstituível a exercer sobt-e a xrida nacional, que lhe deveria ter dado a primazia sôbre todos os demais pro blemas nossos, e que teria determinado a organização dêsse aparelhamento admi nistrativo em moldes outros, bem dif^entes dos que a Primeira República adotou.

deram repartir a atividade pelos lizando em todos êles trabalhos de fôle

PLANO AUTOMOBILÍSTICO FRANCÊS

Calógeras sentia — comenta o A. — a função da escola primária, não apenas

pela sua cultura, pelo preparo técnico,

Êle lá não esteve, apesar dêsse julga

para permitir a ascensão de um homem com aquela envergadura, de um estu

dioso inveterado que se houvesse im-

pôsto à consciência nacional cuidando mais da própria cultura que da política. E foi realmente pena. Se numa das muitas vezes em que coube a Minas Gerais decidir do pleito, elegendo ■ cim-

didato seu para a suprema curul da Na ção, tivessem os homens das Alterosas

apresentado o nome dêsse poço de sa

bedoria, nós, os mestre-escolas brasilei ros podemos ter certeza de que as coisas do ensino teriam tomado um outro e bem diverso rumo, em nossa terra, e

que a Revolução de Trinta não nos sur preenderia tão mal vestidos, nesse capí tulo, como nos encontrou.

Educadores de âmbito regional

Porque Calógeras, que era um cien

brasileira em todos os seus mais varia

tista, e escreveu um tratado clássico

dos aspectos, era o homem realmente

acêrca das minas do Brasil, que era


Digesto Econômico

98

Em períodos anormais, facilmente não se convertem em ouro os "produtos de

da grandeza econômica da nossa terra, o seu papel de amanhã.

sobremesa", frase caustícante com que

Incrementada, em larga escala, a pecuá

Capistrano de Abreu, nos insuperáveis "Capítulos da História Colonial", sinte

ria, com a aquisição e seleção do zebu,

pelos modernos processos de zootecnia,

tiza o panorama econômico do Brasil.

disporá o Brasil, em futuro não remoto,

Fator de integração da unidade nacional, foi o papel que o boi on tem desempenhou. Fator máximo

CALÓGERAS E A ESCOLA PRIMÁRIA

de recursos suficientes para cumprir

por Sun Mennucci

a finalidade que o destino lhe re serva no concêrto das Nações..

Especial papa o "Digesto Econômico' Üu

não

teria

nunca o desejo

de ser biógrafo de Calógeras. to-o

autor

Sin emi

nentemente difí

cil e complexo, uma dessas cabe

Ve"-

ças

muito

estruturadas

bem de

mais e que, porisso mesmo, pu

escaninhos de mil setores,diferentes, rea

mento do conselheiro. Os tempos não estavam ainda maduros, em nossa vida,

go. Calógeras tinha a volúpia da cul

Pj<^no qüinqüenal para a reconstrução do parque auto-

cessar o numero de veículos, até o quinto, quando atingirá a cifra de 478.200 unxdades de todos os tipos.

Já foi mais de uma vez contada aque la passagem entre êle e Rodrigues Alves. O sereno e arguto político paulista, ver dadeiro ímã para atrair em volta de suas administrações os homens, exatamente

adequados para cada cargo, pediu-lhe, ao iniciar um de seus períodos presiden

ciais, que lhe apresentasse um relatório acêrca da situação real de cada um dos sete ministérios em que se repartia o

A f da guerra, fabrtcaram-se do plano a redução do número de tiposnúmero a construir. Antes 136édiferentes. Atualmente, o seu é de y lares

ígua/menfe a construção, em série, de pequenos automóveis ^popu~ de 4 cavalos. ^ ^

governo nacional. E Calógeras apresentou um tão com pleto e perfeito e exaustivo trabalho que

Avaltam-se ^ 15 bilhões de francos as compras necessárias para o reequi-

fez dizer a Rodrigues Alves ser o minei

pamento de 22.000 das 60.000 máquinas existentes. Antes da guerra a indústria automobüxstxca dxspunha, na França, de 800.000 máquinas-feJramentas. Tais as grandes íinhas do primeiro projeto do plano qüinqüenal conhecido

ro capaz de dirigir qualquer uma daque las sete pastas. O que em boa lógica eqüivalia a dizer que Pandiá Calógeras,

pelo nome de

pela visão panorâmica que tinha da vida

Plano Pons , elaborado sobretudo tendo-se em vista a concentra

ção da produção e a redução do número de tipos de veículos.

talhado para ocupar a presidência da República.

tura universal.

mohilxstxco da França data de 1945. Por êle se previu a fabricação de 1.652.000 veiculas 5 anos, sendo 593.000 caminhões e camionetes, 5.000 tratores, 25.000 ônibus e 1.029.000 automóveis de turismo. Para o primeiro ano estxpulou-se a fabricação de 160.000 unidades. Nos anos seguintes aumen-

como alfabetizadora, mas com um paoel profundo e insubstituível a exercer sobt-e a xrida nacional, que lhe deveria ter dado a primazia sôbre todos os demais pro blemas nossos, e que teria determinado a organização dêsse aparelhamento admi nistrativo em moldes outros, bem dif^entes dos que a Primeira República adotou.

deram repartir a atividade pelos lizando em todos êles trabalhos de fôle

PLANO AUTOMOBILÍSTICO FRANCÊS

Calógeras sentia — comenta o A. — a função da escola primária, não apenas

pela sua cultura, pelo preparo técnico,

Êle lá não esteve, apesar dêsse julga

para permitir a ascensão de um homem com aquela envergadura, de um estu

dioso inveterado que se houvesse im-

pôsto à consciência nacional cuidando mais da própria cultura que da política. E foi realmente pena. Se numa das muitas vezes em que coube a Minas Gerais decidir do pleito, elegendo ■ cim-

didato seu para a suprema curul da Na ção, tivessem os homens das Alterosas

apresentado o nome dêsse poço de sa

bedoria, nós, os mestre-escolas brasilei ros podemos ter certeza de que as coisas do ensino teriam tomado um outro e bem diverso rumo, em nossa terra, e

que a Revolução de Trinta não nos sur preenderia tão mal vestidos, nesse capí tulo, como nos encontrou.

Educadores de âmbito regional

Porque Calógeras, que era um cien

brasileira em todos os seus mais varia

tista, e escreveu um tratado clássico

dos aspectos, era o homem realmente

acêrca das minas do Brasil, que era


n.i^rvp-^O

100

DrcESTo

autoridade em economia e finanças, e

cólogo da história, um mestre de socio logia, e que estando ao par de todos os problemas sociais modernos poderia

distância, acuando, pelo isolamento e

equilíbrio e em perfeita harmonia com

pelo desamparo, as massas de iletrados inatingíveis á palavra e à doutrinação do

Pensando em Pandiá Calógeras, domi-'

houvessem dado a oportunidade, talvez

centro. Cumpria neutralizar êsse estado de coisas para manter a nova pátria na

tivesse atingido a proporções para ocupar

sua tradicional unidade.

na-me a impressão de que êle, se Uie aquele lugar.

A tarefa de união nacional, de coesão

haver sido um dos mais brilhantes di

plomatas do país, esse homem entendia também de educação.

Tenho dito e repetido muitas vêzes,

em rodas de amigos, que a prova mais evidente de que o Brasil, nessa matéria, sempre esteve verde, é a de que até agora não possui uma fi gura central, aceita sem discordâncias como representativa da educação nacio nal. Se a Argentina pode

y

O analfabetismo

ãrios, de uma largueza de horizonte que enunciavam um poder de síntese ao mesmo tempo sutil e profundo. Compreendendo o fenômeno histórico

de nossa evolução política, o porque de nossas

apresentar um Sarmiento

preferências

de

povo pelas formas demo

e os Estados Unidos um

I Horace Mann, o Uruguai,

cráticas de governo —

o seu Varela de Siqueira,

testemunhadas através de

uma série ininterru/^ta de

enquanto Cuba faz o mi

movimentos populares que repontaram nos pon

lagre de ter dois, Varona

e Marti, nós, neste largo

tos mais diversos do ter

6 enorme trato de terra,

ritório pátrio e concreti

não temos um nome que

zadas em episódios zeoitais de nossa vida, como

focalize, para o país, todo o esforço e o labor bra sileiros nesse setor.

o espetacular desabe do

To-

Reino Unido, a abdica

.dos os nossos educadores

do do primeiro impera

são de âmbito regional.

dor, a despedida sumária

Tentou-se, não hâ mui-

.to, dar o lugar vacante ao Barão de

e amálgama desses núcleos dispersos por um território fantástico de oito milhões

É que Calógeras tinha a respeito de educação pontos-de-vista típicos e pró-

do segundo — sentia, en tretanto, que em tudo isso houvera

e meio de quilômetros quadrados, só podia, a seu ver, ter um artífice, o mestre-escola.

Dissera-o já em 1911, naquele breviário de "Os jesuítas e o ensino", em^que expõe o seu pensamento em relação à obra educativa:

"Êsse, o intuito da escola primária:

preparar uma democracia inteligente, justa e fraternal, unida por uma cultura comum, guiada por sentimentos progres sistas comuns, essencialmente unos, ex

generalizadas, esforços de progresso in terior ininterrupto, gravitação incessante para o bem, missão que, em regime uni tário, caberia à igreja, e que, na vigên cia da liberdade de pensamento, deve ria recair sôbre o professor elernentar, fôrça insubstituível para a formação dos laços unionais decorrentes da comunhão de ideal, de aspirações e de processos .

E por que se não havia feito êsse trabalho imprescindível ainda em 1927 na sua conferência sôbre "Ministério in compreendido", feita aqui em São Paulo, no Instituto Histórico e Geográfico, vol tico de minlia "Crise Brasileira de "Crise de caráter, crise de ensino,

crise desintegradora, tudo são reflexos de um fenômeno só: a crise da escola primária".

do país".

da esc(3a primária, não apenas como ai-

Há nessa escola primária alguma coisa

nando em acontecimentos totais de que beneficiara a nação, bem poderia, ama

extinga o analfabetismo, pura e simples

proporções para que cá de baixo, onde 'ficamos nós da turba-multa, a perspecti va monumental se mantenha em perfeito

suscitar sentimentos comuns, aspirações

de inquirir, de analisar, de escolher e de se governar. Ê sempre bela a frase lembrada por Pécaut: "Pela alma da escola, ir ao encontro da própria alma

nimo intuito de diminuir os méritos de Abílio César Borges, todos reconhece

tas proporções, aquelas indispensáveis

che" comum dos brasileiros, a tarefa _de

consciente 6 repulsiva, um povo capaz

cia e ao descortino de Calógeras. En

mais para comportar figura sem as exa

"Nada se fez para preencher na es

cola primária, onde se formaria a

Educação":

pròpnamente çonhecimento. E êsse mes mo impulso primário que viera culmi

que quiseram guindá-lo. Ê que o Pan teão Nacional de nossos pró-homens, a peanha que espera o homem certo que deve ocupar-lhe a vaga, é grande de

ção básica.

da responsabilidade moral, dentro em pouco fariam da multidão anônima, in

■ reluta em homologar o julgamento por que percebe que é injusto. Sem o mí

mos que lhe falta porte para o lugar a

que êle empresta ao trabalho da educa

tava êle à carga e pronunciava aquele lapidar aforisma que eu coloquei no pOT-

muito mais impulso instintivo do que

Mas a consciência coletiva

num período que não deixa a mínima dúvida quanto ao valor insubstituível

O sentimento da dignidade unido ao

tremes de intolerância ou de sectarismo.

a mais do que se vive pedindo hoje e êsse algo mais só faz honra à inteligên

Macaúbas.

101

Digesto Econômico ^

Econômico ICO

escreveu a preciosíssima monografia da 'a distribuição das massas. "Política Monetária", Calógeras, que era um historiador substancioso e, como psi

'V

quanto agora se brada aos céus que se mente, como num passe de mágica, a

Calógeras sentia, portanto, a função

fabetizadora, mas com um papel profun do e insubstituível a exercer sôbre a

vida nacional que lhe deveria ter dado a primazia sôbre todos os demais proble mas nossos, e que teria determinado a organização dêsse aparelhamento nistrativo em moldes outros, bem dife

rentes dos que a Primeira Republica

se contra ela própria e chegar até à

escola primária que êle quer e cuja fun ção define naquele parágrafo, é muito

adotou.

auto-mutilação, se o Brasil não tivesse

mais educação que instrução.

nhã se erradamente conduzido, voltar-

E porque não foi ouvido — como não se ouviu a outro gran

povo.

A crise da escola primária

de pensador, seu contemporan^ — Alberto Torres — é que ainda

menos quatro quintos de sua população,

E porque a escola não havia

estamos lutando nesse setor di

analfabetismo que assumia caracteres trágicos pelo fato de nossa carência

realizado o seu "desideratum", verbera-o nesse mesmo libelo.

E a monarquia legara à República um saldo arrazante: o analfabetismo de pelo

quase total de meios de comunicação.

Era o nó terrível da ignorância e da

fícil que traz o atraso de qua'renla anos de incompreensão.


n.i^rvp-^O

100

DrcESTo

autoridade em economia e finanças, e

cólogo da história, um mestre de socio logia, e que estando ao par de todos os problemas sociais modernos poderia

distância, acuando, pelo isolamento e

equilíbrio e em perfeita harmonia com

pelo desamparo, as massas de iletrados inatingíveis á palavra e à doutrinação do

Pensando em Pandiá Calógeras, domi-'

houvessem dado a oportunidade, talvez

centro. Cumpria neutralizar êsse estado de coisas para manter a nova pátria na

tivesse atingido a proporções para ocupar

sua tradicional unidade.

na-me a impressão de que êle, se Uie aquele lugar.

A tarefa de união nacional, de coesão

haver sido um dos mais brilhantes di

plomatas do país, esse homem entendia também de educação.

Tenho dito e repetido muitas vêzes,

em rodas de amigos, que a prova mais evidente de que o Brasil, nessa matéria, sempre esteve verde, é a de que até agora não possui uma fi gura central, aceita sem discordâncias como representativa da educação nacio nal. Se a Argentina pode

y

O analfabetismo

ãrios, de uma largueza de horizonte que enunciavam um poder de síntese ao mesmo tempo sutil e profundo. Compreendendo o fenômeno histórico

de nossa evolução política, o porque de nossas

apresentar um Sarmiento

preferências

de

povo pelas formas demo

e os Estados Unidos um

I Horace Mann, o Uruguai,

cráticas de governo —

o seu Varela de Siqueira,

testemunhadas através de

uma série ininterru/^ta de

enquanto Cuba faz o mi

movimentos populares que repontaram nos pon

lagre de ter dois, Varona

e Marti, nós, neste largo

tos mais diversos do ter

6 enorme trato de terra,

ritório pátrio e concreti

não temos um nome que

zadas em episódios zeoitais de nossa vida, como

focalize, para o país, todo o esforço e o labor bra sileiros nesse setor.

o espetacular desabe do

To-

Reino Unido, a abdica

.dos os nossos educadores

do do primeiro impera

são de âmbito regional.

dor, a despedida sumária

Tentou-se, não hâ mui-

.to, dar o lugar vacante ao Barão de

e amálgama desses núcleos dispersos por um território fantástico de oito milhões

É que Calógeras tinha a respeito de educação pontos-de-vista típicos e pró-

do segundo — sentia, en tretanto, que em tudo isso houvera

e meio de quilômetros quadrados, só podia, a seu ver, ter um artífice, o mestre-escola.

Dissera-o já em 1911, naquele breviário de "Os jesuítas e o ensino", em^que expõe o seu pensamento em relação à obra educativa:

"Êsse, o intuito da escola primária:

preparar uma democracia inteligente, justa e fraternal, unida por uma cultura comum, guiada por sentimentos progres sistas comuns, essencialmente unos, ex

generalizadas, esforços de progresso in terior ininterrupto, gravitação incessante para o bem, missão que, em regime uni tário, caberia à igreja, e que, na vigên cia da liberdade de pensamento, deve ria recair sôbre o professor elernentar, fôrça insubstituível para a formação dos laços unionais decorrentes da comunhão de ideal, de aspirações e de processos .

E por que se não havia feito êsse trabalho imprescindível ainda em 1927 na sua conferência sôbre "Ministério in compreendido", feita aqui em São Paulo, no Instituto Histórico e Geográfico, vol tico de minlia "Crise Brasileira de "Crise de caráter, crise de ensino,

crise desintegradora, tudo são reflexos de um fenômeno só: a crise da escola primária".

do país".

da esc(3a primária, não apenas como ai-

Há nessa escola primária alguma coisa

nando em acontecimentos totais de que beneficiara a nação, bem poderia, ama

extinga o analfabetismo, pura e simples

proporções para que cá de baixo, onde 'ficamos nós da turba-multa, a perspecti va monumental se mantenha em perfeito

suscitar sentimentos comuns, aspirações

de inquirir, de analisar, de escolher e de se governar. Ê sempre bela a frase lembrada por Pécaut: "Pela alma da escola, ir ao encontro da própria alma

nimo intuito de diminuir os méritos de Abílio César Borges, todos reconhece

tas proporções, aquelas indispensáveis

che" comum dos brasileiros, a tarefa _de

consciente 6 repulsiva, um povo capaz

cia e ao descortino de Calógeras. En

mais para comportar figura sem as exa

"Nada se fez para preencher na es

cola primária, onde se formaria a

Educação":

pròpnamente çonhecimento. E êsse mes mo impulso primário que viera culmi

que quiseram guindá-lo. Ê que o Pan teão Nacional de nossos pró-homens, a peanha que espera o homem certo que deve ocupar-lhe a vaga, é grande de

ção básica.

da responsabilidade moral, dentro em pouco fariam da multidão anônima, in

■ reluta em homologar o julgamento por que percebe que é injusto. Sem o mí

mos que lhe falta porte para o lugar a

que êle empresta ao trabalho da educa

tava êle à carga e pronunciava aquele lapidar aforisma que eu coloquei no pOT-

muito mais impulso instintivo do que

Mas a consciência coletiva

num período que não deixa a mínima dúvida quanto ao valor insubstituível

O sentimento da dignidade unido ao

tremes de intolerância ou de sectarismo.

a mais do que se vive pedindo hoje e êsse algo mais só faz honra à inteligên

Macaúbas.

101

Digesto Econômico ^

Econômico ICO

escreveu a preciosíssima monografia da 'a distribuição das massas. "Política Monetária", Calógeras, que era um historiador substancioso e, como psi

'V

quanto agora se brada aos céus que se mente, como num passe de mágica, a

Calógeras sentia, portanto, a função

fabetizadora, mas com um papel profun do e insubstituível a exercer sôbre a

vida nacional que lhe deveria ter dado a primazia sôbre todos os demais proble mas nossos, e que teria determinado a organização dêsse aparelhamento nistrativo em moldes outros, bem dife

rentes dos que a Primeira Republica

se contra ela própria e chegar até à

escola primária que êle quer e cuja fun ção define naquele parágrafo, é muito

adotou.

auto-mutilação, se o Brasil não tivesse

mais educação que instrução.

nhã se erradamente conduzido, voltar-

E porque não foi ouvido — como não se ouviu a outro gran

povo.

A crise da escola primária

de pensador, seu contemporan^ — Alberto Torres — é que ainda

menos quatro quintos de sua população,

E porque a escola não havia

estamos lutando nesse setor di

analfabetismo que assumia caracteres trágicos pelo fato de nossa carência

realizado o seu "desideratum", verbera-o nesse mesmo libelo.

E a monarquia legara à República um saldo arrazante: o analfabetismo de pelo

quase total de meios de comunicação.

Era o nó terrível da ignorância e da

fícil que traz o atraso de qua'renla anos de incompreensão.


■V-

■ : 'Tiw

Digesto

103

Econômico

americana, com a revolução francesa completa-se a vitória da nova forma de

AUTORES E LIVROS

vida7 que é a forma democrática, pela qual o povo toma parte nos negócios públicos.

por CÂNDIDO Mota Filho Especial paba o "Digesto Econômico'

O advento da democracia

O Brasil não pôde furtar-se à tendência sociológica e econômica, muito embora, por muito tempo, ela se mostrasse incerta e vacilante. Aquilo que, na monar quia e mesmo na República, está em relatórios ofi ciais, em lições, em escolas, em artigos esparsos, em discursos parlamentares e conferências se revela em forma generalizada, nos livros de Tavares Bas tos, em Euclides da Cunha e, em nossos dias em

Com a democracia, com a organização

JJos meados do século XDC para cá, a cultura humana, refletindo a uma

condição geral da vida, se mostrou com um caráter evidentemente social

e se transformou até, dentro da filosofia

de muitos pensadores, numa arma de luta pela vida. Essa tendência foi se tomando, cada vez mais visível, com o comer dos anos, até que, com as con seqüências da guerra de 1914, se tomou absorvente.

Por muito tempo, a cultura, no seu aspecto humanista, servia ao homem

desinteressado. O pensador pensava ou

o literato escrevia e não havia entre êles uma preocupação de refletir uma condi

ção de vida.

Quando muito, nesse es-

fôrço, que Julien Benda denominaria de

"bizantinismo", haveria um desejo de melhoria para a condição humana. Mas,

predominantemente, não havia espírito crítico, a arte como documento social, a filosofia como uma expressão de um dado momento histórico.

É bem certo que esse criticismo não apareceu apenas como conseqüência da

guerra.

A guerra o apurou, tomou-lhe

mais fácil a sua expansão.

Porém, êle

se apresentou também como uma con

seqüência da evolução humana, na ci vilização ocidental. Começa com as

heresias do século XVII, quando o teocentrismo começa a ser substituído

o racionalismo

individualista de Descartes. Daí por diante vai crescendo, sem fôrça alguma que possa detê-lo.

Com a monarquia absoluta ou mesmo com as instituições feudais, a socieda de caminhava confiante nos desígnios da Providencia. Todo govêmo era de ori

gem divina, todo poder era um poder supenor aos homens.

Não havia assim

motivo para qualquer inquietação social, consciente ou objetivada.

Com o mo

vimento que se opera na Renascimento,

com a quebra da unidade religiosa, pro vocada por Lutero, — surge a idéia da autonomia do indivíduo e, consequen-

política^.

a idéia da autonomia da vida

Com isso, Maquiavel afirma

tica.

o "Noventa e três".

Numa alta, atmosfera polí

Mesmo os livros de literatura pura

tória do romantismo literário sabe que

êle se mostra tocado por uma grande

aspiração política. Temos a atitude de Byron, morrendo nas charnecas de

Missolongiii, na Grécia, num irrisório so nho político.

Na Itália surgem os poe

tas libertários, desde D'Arzeguo até Man-

zoni, o mesmo acontece com a Espanha

de Quevedo e com Portugal de Garrett. Mas é principalmente na Alemanha e na

França que se propaga o romantismo

político, identificado com o romantismo Uterário.

O próprio Goethe, que pro

cura alhear-se dos conflitos políticos, tem,

dentro de suas preocupações, a figura de Napoleão Bonaparte. Mas, o pensa

mento político germânico surge em ple

no romantismo.

Schiller, que escreve

suas cartas sôbre estética, não perde ocasião de falar nos temas da liber dade humana.

A filosofia aparece, com

meira vez, em "Estado".

mundo interior, na sua exaltação indivi

Dentro dêsse "Estado", as fôrças so ciais sem a unidade religiosa anterior lutam, procuram tomar posição e, para isso, se apoiam no exame crítico da

problema da ordem social. Como con

Daí por diante muias

governos,

ajustar os interêsses em jôgo.

Coni

umana, sustenta a teoria do contrato

tica, surge uma grande literatura polí

Kant, Fichte e Hegel, como filosofia da

condição humana.

a liberdade com a autoridade, a vontade

feral com os direitos da personalidade

êle os poetas e romancistas confessam a sua inquietação social, como Victor Hugo, escrevendo "Os miseráveis ou

a existência concreta da sociedade poiticamente organizada, como uma orga

nização leiga, e com isso fala, pela pri

vido pelas dificuldades que oferecem os obstáculos políticos. E para harmonizar

ças sociais vão se revelando e tomando

se apresentam influenciados pela preo cupação política. Quem conhece a his

®

sensibilidade, sente-se, com isso, envol

social.

consciência.

pelo antropocentrismo. Começa com o mconformismo de Spinoza, com a an-

Êle, que cultiva a

sinceridade por sôbre tôdas as coisas e, consequentemente, o predomínio da

do Estado constitucional, com a consa

gração dos governos de opinião, as for

Gilberto Freire.

tômios, é Rousseau.

liberdade.

Tôda a literatura alemã, no

seu aspecto emocional, no seu culto ao

dualista, apresenta, por isso mesmo, o ciliar a liberdade com a autoridade? Como harmonizar a vontade de cada um com a vontade de todos?

Em França, o movimento romântico toma a mesma densidade.

O primeiro

a formular a questão, em seus devidos

E Rousseau toma-se a base da

cultura romântica, em França.

Com

Mas, com as transformações acarreta

das pelo industrialismo e, principalmen

te, com as imensas concentrações urba

nas que êle provocou, com essa precisão

maior das varias consciências, isto é, da consciência individual e da consciência

dos grupos, das classes, das castas, com essa certeza de que a sociedade deve ser organizada de oaLxo para cima e não mais de cima para baixo, — fascinam os espíritos os problemas sociais. Mas, como se não bastasse essa transfigura

ção, surgiam, para completá-la e assegu rá-la, novas orientações cientificas, o em prego de novos métodos, a consagra ção da observação e da e.xperiencia, en

fim o aparecimento das ciências natu rais.

Não é atoa que Monstesquieu,

antecipando essa visão conjunta, já ex plicasse a lei, como uma decorrência da natureza das coisas. . E também não e

atoa que os grande pensadores do século XVII e XVIII, como Locke e Rousseau, defendessem a tese do contrato social.

Porém, é a partir da escola histórica, que explica o direito como elaboração popular, depois com Saint Simon, que estuda a ordem espontânea da socieda de e sustenta uma teoria geral do pro

gresso natural da humanidade e, com grande pujança com Augusto Comte, que é o verdadeiro fundador da socio

logia, que entramos definitivamente na época de predomínio do pensamento social.

a revolução inglesa, com a revolução .-i,


■V-

■ : 'Tiw

Digesto

103

Econômico

americana, com a revolução francesa completa-se a vitória da nova forma de

AUTORES E LIVROS

vida7 que é a forma democrática, pela qual o povo toma parte nos negócios públicos.

por CÂNDIDO Mota Filho Especial paba o "Digesto Econômico'

O advento da democracia

O Brasil não pôde furtar-se à tendência sociológica e econômica, muito embora, por muito tempo, ela se mostrasse incerta e vacilante. Aquilo que, na monar quia e mesmo na República, está em relatórios ofi ciais, em lições, em escolas, em artigos esparsos, em discursos parlamentares e conferências se revela em forma generalizada, nos livros de Tavares Bas tos, em Euclides da Cunha e, em nossos dias em

Com a democracia, com a organização

JJos meados do século XDC para cá, a cultura humana, refletindo a uma

condição geral da vida, se mostrou com um caráter evidentemente social

e se transformou até, dentro da filosofia

de muitos pensadores, numa arma de luta pela vida. Essa tendência foi se tomando, cada vez mais visível, com o comer dos anos, até que, com as con seqüências da guerra de 1914, se tomou absorvente.

Por muito tempo, a cultura, no seu aspecto humanista, servia ao homem

desinteressado. O pensador pensava ou

o literato escrevia e não havia entre êles uma preocupação de refletir uma condi

ção de vida.

Quando muito, nesse es-

fôrço, que Julien Benda denominaria de

"bizantinismo", haveria um desejo de melhoria para a condição humana. Mas,

predominantemente, não havia espírito crítico, a arte como documento social, a filosofia como uma expressão de um dado momento histórico.

É bem certo que esse criticismo não apareceu apenas como conseqüência da

guerra.

A guerra o apurou, tomou-lhe

mais fácil a sua expansão.

Porém, êle

se apresentou também como uma con

seqüência da evolução humana, na ci vilização ocidental. Começa com as

heresias do século XVII, quando o teocentrismo começa a ser substituído

o racionalismo

individualista de Descartes. Daí por diante vai crescendo, sem fôrça alguma que possa detê-lo.

Com a monarquia absoluta ou mesmo com as instituições feudais, a socieda de caminhava confiante nos desígnios da Providencia. Todo govêmo era de ori

gem divina, todo poder era um poder supenor aos homens.

Não havia assim

motivo para qualquer inquietação social, consciente ou objetivada.

Com o mo

vimento que se opera na Renascimento,

com a quebra da unidade religiosa, pro vocada por Lutero, — surge a idéia da autonomia do indivíduo e, consequen-

política^.

a idéia da autonomia da vida

Com isso, Maquiavel afirma

tica.

o "Noventa e três".

Numa alta, atmosfera polí

Mesmo os livros de literatura pura

tória do romantismo literário sabe que

êle se mostra tocado por uma grande

aspiração política. Temos a atitude de Byron, morrendo nas charnecas de

Missolongiii, na Grécia, num irrisório so nho político.

Na Itália surgem os poe

tas libertários, desde D'Arzeguo até Man-

zoni, o mesmo acontece com a Espanha

de Quevedo e com Portugal de Garrett. Mas é principalmente na Alemanha e na

França que se propaga o romantismo

político, identificado com o romantismo Uterário.

O próprio Goethe, que pro

cura alhear-se dos conflitos políticos, tem,

dentro de suas preocupações, a figura de Napoleão Bonaparte. Mas, o pensa

mento político germânico surge em ple

no romantismo.

Schiller, que escreve

suas cartas sôbre estética, não perde ocasião de falar nos temas da liber dade humana.

A filosofia aparece, com

meira vez, em "Estado".

mundo interior, na sua exaltação indivi

Dentro dêsse "Estado", as fôrças so ciais sem a unidade religiosa anterior lutam, procuram tomar posição e, para isso, se apoiam no exame crítico da

problema da ordem social. Como con

Daí por diante muias

governos,

ajustar os interêsses em jôgo.

Coni

umana, sustenta a teoria do contrato

tica, surge uma grande literatura polí

Kant, Fichte e Hegel, como filosofia da

condição humana.

a liberdade com a autoridade, a vontade

feral com os direitos da personalidade

êle os poetas e romancistas confessam a sua inquietação social, como Victor Hugo, escrevendo "Os miseráveis ou

a existência concreta da sociedade poiticamente organizada, como uma orga

nização leiga, e com isso fala, pela pri

vido pelas dificuldades que oferecem os obstáculos políticos. E para harmonizar

ças sociais vão se revelando e tomando

se apresentam influenciados pela preo cupação política. Quem conhece a his

®

sensibilidade, sente-se, com isso, envol

social.

consciência.

pelo antropocentrismo. Começa com o mconformismo de Spinoza, com a an-

Êle, que cultiva a

sinceridade por sôbre tôdas as coisas e, consequentemente, o predomínio da

do Estado constitucional, com a consa

gração dos governos de opinião, as for

Gilberto Freire.

tômios, é Rousseau.

liberdade.

Tôda a literatura alemã, no

seu aspecto emocional, no seu culto ao

dualista, apresenta, por isso mesmo, o ciliar a liberdade com a autoridade? Como harmonizar a vontade de cada um com a vontade de todos?

Em França, o movimento romântico toma a mesma densidade.

O primeiro

a formular a questão, em seus devidos

E Rousseau toma-se a base da

cultura romântica, em França.

Com

Mas, com as transformações acarreta

das pelo industrialismo e, principalmen

te, com as imensas concentrações urba

nas que êle provocou, com essa precisão

maior das varias consciências, isto é, da consciência individual e da consciência

dos grupos, das classes, das castas, com essa certeza de que a sociedade deve ser organizada de oaLxo para cima e não mais de cima para baixo, — fascinam os espíritos os problemas sociais. Mas, como se não bastasse essa transfigura

ção, surgiam, para completá-la e assegu rá-la, novas orientações cientificas, o em prego de novos métodos, a consagra ção da observação e da e.xperiencia, en

fim o aparecimento das ciências natu rais.

Não é atoa que Monstesquieu,

antecipando essa visão conjunta, já ex plicasse a lei, como uma decorrência da natureza das coisas. . E também não e

atoa que os grande pensadores do século XVII e XVIII, como Locke e Rousseau, defendessem a tese do contrato social.

Porém, é a partir da escola histórica, que explica o direito como elaboração popular, depois com Saint Simon, que estuda a ordem espontânea da socieda de e sustenta uma teoria geral do pro

gresso natural da humanidade e, com grande pujança com Augusto Comte, que é o verdadeiro fundador da socio

logia, que entramos definitivamente na época de predomínio do pensamento social.

a revolução inglesa, com a revolução .-i,


104

Digesto Econômico

Interpretação romanceada da realidade social

Luta pela existência, que Darwin apregoa, luta pela afirmação do ser, que Nietzsche enaltece, tudo isso é condição

O naturalismo literário não teve real

mente outro sentido. O que escreve Balzac e depois o que escrevem Zola

da vida. Em 1850, já se pode falar

ou Eça de Queiroz fonnam uma inter

^^''f^^dores como Galton, Paerson e Malthus. De 1898 até 1912, Durklieim chefia com "L'Anneé sociologiquc", a ofensiva sociológica. E, depois de sua

pretação romanceada da realidade so cial.

E o romance fica, dentro desse

estado de consciência, dessa necessidade

de revelar as dificuldade sociais de for ma crítica ou dramática. Ela traduz

principalmente a vida socialmente desa justada, os males sociais, as desventuras políticas e as desventuras de família. A idéia social de organização, porém, manifesta o seu ponto crucial, na ativi dade econômica. Por isso, à medida que a economia se transforma, a idéia

econômica vai criando força e chega a ser, para um grande número de pensa-

pdores, a chave de todas as soluções humanas.

Ela se amplia, com a inquietação so cial, ^ com os reformadores utópicos e, depois, com o marxismo, que além de se apresentar como uma crítica radical

a^ econorma classica, é uma interpreta ção^ econômica da história, uma expli cação da vida como economia. O economismo

Marx é, nesse passo, um marco de cisivo, porque, com ele, o economismo

se generaliza. Seus adversários, a pre texto de combate-lo, mesmo uma figura de realce como Vilfredo Pareto, só ^ enxergam a vida como economia.

MESTRES M ECOIOMIiT

social do homem, como dado econômico

numa ciência social, com pensadores e

Alfred Marshall fundador da A

por 5. Harcourt-RIvIngton

morto, com os espantosos resultados da

(Membro da Sociedade Heal de Eco

guerra de 1914, a sociologia se genera-

nomia de Londres)

na Alemanha, com

Vundt, Tonnie ou Max Weber, e nos Estados Unidos, com os esforços do Colégio de Filadélfia e do Colégio de Colurnbia e com o traballio de grandes

(Especial para o "Digesto Econômico')

Marsitüll declarou que o aumento rápido

pesquisadores, como Laster Ward ou um

do capital e a marcha intensa para u especialização constiluíarn uma ^ameaça^

II

Dewey.

é geralmente MAUSHALL descendente direto de

pôde furtar-se a essa

tendência sociológica e econômica, muito embora, por muito tempo, ela se mostrasse incerta o vacilante. Aquilo que, na inonarquia e mesmo na Repú blica, esta em relatórios oficiais, em lições, em escolas, em artigos esparsos, em discursos parlamentares e conferências, se revela, em forma generalizada, nos hvros de Tavares Bastos, em Eucli-

tido como o Adam Smith,

Ricardo e Jolm Stuart Mill. Tais como as obras principais dêstes autores, os "Princípios" de Marshall merecidamente se tornaram clássicos.

des da Cunha, Alberto Torres e, em

Como obra

sim como pela apresentação de muitas

perfeita da concorrência, permaneceu na tradição clássica por aceitar um mer

idéias novas, como a formulação e de

cado livre como base dos seus "Prtu-

finição da "elasticidade da procura", o

rípiVjf".

da "firma representativa", o caráter do

y

"dividendo nacional", o reconhecimento

da importância das "esperas", etc., que deram à ciência um novo desenvolvi

reta da maneira por que o seu livro

nomista de seu tempo, declarou que

das eras precedentes, referentes ao mes

Marshall "descobriu todo um sistema de

A Automobile Manujacturers Association revelou aue o total das vendas de

tos econômicos do

universo são con

servados em seu lugar por interdepen

dência e equilíbrio recíprocos".

Mar

automóveis nos Estados Unidos no més de janeiro de 1947, constou de 247.130 unidades, ou sejam 93% do total do mês de dezembro de 1946. Também a pro

shall muito fez para arrancar a econo

dução de camtnhoes em janeiro apresentou um decréscimo de 6% sôbre a de dezena bro. Segundo a referia associação, a príncipal causa dêsse declínio na produção

tanto, insistia em que as leis e raciocí

tem sido a constante falta de materiais.

A maneira por que Marshall se tomou um "economista" vêm narrada por ele mesmo, e as suas explicações são im portantes porque nos fornecem não ape nas o roteiro para a compreensão cor

mento e novas perspectivas. O próprio Lord Keynes, o maior eco Gopémico, mediante o qual os elemen

PRODUÇÃO DE AUTOMÓVEIS

a anular o risco imanentc para o publi

do e matemático método de análise, as

a doutrina da "quase-renda", a noção

tação moderna.

Contudo, acreditava que o dé^

scnvolvimcnto de novas idéias ajudar^

conceito do "excedente do consumidor",

Ela tem des

Jiomem tranqüilidade para a sua inquie

do Estado haviã um monopólio abso-'

luto.

co. Apesar de acentuar a natureza im»

preocupação sociológica.

estavam dormindo te tem satisfeito muita curiosidade, sem entretanto resolver grandes problemas, sem dar ainda ao

real à liberdade da ação econômica, poi.i cm todo grande negócio havia um elo-* mento de "monopólio", e na socializaçãÇf,

científica, distingue-se pelo seu profun

nossos dias, em Gilberto Freire. Estamos assim condicionados a essa

pertado uma porção de demônios que

Economia

mia da estagnação dogmática.

Para

nios econômicos "não constituem ver

dade concreta inviolável, mas apenas, como os definia, "um mecanismo para a descoberta da verdade concreta".

mais famoso se relaciona com as obras

mo assunto, como também com as dos "Meu co

escritores contemporâneos. nhecimento

da

economia",

escreveu,

"começou com a leitura de Mill, quando eu ainda ganhava a minha vida ensinan do matemáticas em Cambridge e quando procurei trasladar as suas doutrinas para

as equações diferenciais, até onde pu desse ser possível, e pondo de lado as que não se prestassem a tanto... Isto se verificou principalmente em 1867-8 . Estudando os "Princípios de Economia


104

Digesto Econômico

Interpretação romanceada da realidade social

Luta pela existência, que Darwin apregoa, luta pela afirmação do ser, que Nietzsche enaltece, tudo isso é condição

O naturalismo literário não teve real

mente outro sentido. O que escreve Balzac e depois o que escrevem Zola

da vida. Em 1850, já se pode falar

ou Eça de Queiroz fonnam uma inter

^^''f^^dores como Galton, Paerson e Malthus. De 1898 até 1912, Durklieim chefia com "L'Anneé sociologiquc", a ofensiva sociológica. E, depois de sua

pretação romanceada da realidade so cial.

E o romance fica, dentro desse

estado de consciência, dessa necessidade

de revelar as dificuldade sociais de for ma crítica ou dramática. Ela traduz

principalmente a vida socialmente desa justada, os males sociais, as desventuras políticas e as desventuras de família. A idéia social de organização, porém, manifesta o seu ponto crucial, na ativi dade econômica. Por isso, à medida que a economia se transforma, a idéia

econômica vai criando força e chega a ser, para um grande número de pensa-

pdores, a chave de todas as soluções humanas.

Ela se amplia, com a inquietação so cial, ^ com os reformadores utópicos e, depois, com o marxismo, que além de se apresentar como uma crítica radical

a^ econorma classica, é uma interpreta ção^ econômica da história, uma expli cação da vida como economia. O economismo

Marx é, nesse passo, um marco de cisivo, porque, com ele, o economismo

se generaliza. Seus adversários, a pre texto de combate-lo, mesmo uma figura de realce como Vilfredo Pareto, só ^ enxergam a vida como economia.

MESTRES M ECOIOMIiT

social do homem, como dado econômico

numa ciência social, com pensadores e

Alfred Marshall fundador da A

por 5. Harcourt-RIvIngton

morto, com os espantosos resultados da

(Membro da Sociedade Heal de Eco

guerra de 1914, a sociologia se genera-

nomia de Londres)

na Alemanha, com

Vundt, Tonnie ou Max Weber, e nos Estados Unidos, com os esforços do Colégio de Filadélfia e do Colégio de Colurnbia e com o traballio de grandes

(Especial para o "Digesto Econômico')

Marsitüll declarou que o aumento rápido

pesquisadores, como Laster Ward ou um

do capital e a marcha intensa para u especialização constiluíarn uma ^ameaça^

II

Dewey.

é geralmente MAUSHALL descendente direto de

pôde furtar-se a essa

tendência sociológica e econômica, muito embora, por muito tempo, ela se mostrasse incerta o vacilante. Aquilo que, na inonarquia e mesmo na Repú blica, esta em relatórios oficiais, em lições, em escolas, em artigos esparsos, em discursos parlamentares e conferências, se revela, em forma generalizada, nos hvros de Tavares Bastos, em Eucli-

tido como o Adam Smith,

Ricardo e Jolm Stuart Mill. Tais como as obras principais dêstes autores, os "Princípios" de Marshall merecidamente se tornaram clássicos.

des da Cunha, Alberto Torres e, em

Como obra

sim como pela apresentação de muitas

perfeita da concorrência, permaneceu na tradição clássica por aceitar um mer

idéias novas, como a formulação e de

cado livre como base dos seus "Prtu-

finição da "elasticidade da procura", o

rípiVjf".

da "firma representativa", o caráter do

y

"dividendo nacional", o reconhecimento

da importância das "esperas", etc., que deram à ciência um novo desenvolvi

reta da maneira por que o seu livro

nomista de seu tempo, declarou que

das eras precedentes, referentes ao mes

Marshall "descobriu todo um sistema de

A Automobile Manujacturers Association revelou aue o total das vendas de

tos econômicos do

universo são con

servados em seu lugar por interdepen

dência e equilíbrio recíprocos".

Mar

automóveis nos Estados Unidos no més de janeiro de 1947, constou de 247.130 unidades, ou sejam 93% do total do mês de dezembro de 1946. Também a pro

shall muito fez para arrancar a econo

dução de camtnhoes em janeiro apresentou um decréscimo de 6% sôbre a de dezena bro. Segundo a referia associação, a príncipal causa dêsse declínio na produção

tanto, insistia em que as leis e raciocí

tem sido a constante falta de materiais.

A maneira por que Marshall se tomou um "economista" vêm narrada por ele mesmo, e as suas explicações são im portantes porque nos fornecem não ape nas o roteiro para a compreensão cor

mento e novas perspectivas. O próprio Lord Keynes, o maior eco Gopémico, mediante o qual os elemen

PRODUÇÃO DE AUTOMÓVEIS

a anular o risco imanentc para o publi

do e matemático método de análise, as

a doutrina da "quase-renda", a noção

tação moderna.

Contudo, acreditava que o dé^

scnvolvimcnto de novas idéias ajudar^

conceito do "excedente do consumidor",

Ela tem des

Jiomem tranqüilidade para a sua inquie

do Estado haviã um monopólio abso-'

luto.

co. Apesar de acentuar a natureza im»

preocupação sociológica.

estavam dormindo te tem satisfeito muita curiosidade, sem entretanto resolver grandes problemas, sem dar ainda ao

real à liberdade da ação econômica, poi.i cm todo grande negócio havia um elo-* mento de "monopólio", e na socializaçãÇf,

científica, distingue-se pelo seu profun

nossos dias, em Gilberto Freire. Estamos assim condicionados a essa

pertado uma porção de demônios que

Economia

mia da estagnação dogmática.

Para

nios econômicos "não constituem ver

dade concreta inviolável, mas apenas, como os definia, "um mecanismo para a descoberta da verdade concreta".

mais famoso se relaciona com as obras

mo assunto, como também com as dos "Meu co

escritores contemporâneos. nhecimento

da

economia",

escreveu,

"começou com a leitura de Mill, quando eu ainda ganhava a minha vida ensinan do matemáticas em Cambridge e quando procurei trasladar as suas doutrinas para

as equações diferenciais, até onde pu desse ser possível, e pondo de lado as que não se prestassem a tanto... Isto se verificou principalmente em 1867-8 . Estudando os "Princípios de Economia


Digesto Econômico Digesto Econóxíioo

106

tado.

Política" de Mill, Marshall entrou em contato com as teorias de Ricardo, que são ali comentadas. "O gênio", escreve

1870, quando transportei para as mate

Marshall, "que deu a Ricardo a possibi lidade de abrir caminho através do ter

tribuição é alicerçada, em primeiro pla

reno escorregadio do raciocínio mate

no, em Adam Smith, Malthus e Ricardo,

mático fez dêle um dos meus heróis".

Assim, "ao mesmo tempo que dava as

e em segundo plano em von Thunen, quanto à substância, e Coumot quanto à

minhas lições particulares, eu transpor

forma... A minha doutrina da quase-

tava o mais que podia os raciocínios de Ricardo para a matemática". Os

renda, embora gradualmente desenvol vida, tomou conteiido em 1868, acom

no que dizem respeito às secções estri tamente analíticas, avançam em linha

direta de Mill para Ricardo e de Ri cardo para Adam Smith.

panhou o transporte que realizei de t6das as principais doutrinas econômicas para as equações diferenciais, de ma

neira que posso dizer que não há gran

de diferença, neste particular, entre a minha posição anterior a 1870 e a mi nha posição atual (1900)". De resto,

Origem das idéias

Já têm havido grandes controvérsias a respeito das fontes em que Marshall se

abeberou para a formulação de algumas de suas idéias. Muitos comentadores de

seus "Princípios" iá afirmaram que êle se filiava à Escola Austríaca de eco des no decurso das décadas de setenta

tica estirpe ricardiana. Economia e Economia Política

-Bawerk e Jevons, e assim por diante.

Na primeira parte desta biografia (1)

Estas criticas suscitaram a indignação

observei que Marshall afirmava ser a economia uma ciência independente. Assim, os seus problemas não poderiam

de Marshall, porque uma pequena in vestigação mostraria a tais escritores a

resolver-se com êxito e as suas leis se

ascensão.

E essas ciências, embora di

ferindo grandemente umas das outras, tinham um pouto de contato, isto é, a

V!

todos os países e em tôdas as épocas... Ao findar do século, o gnipo bioló

da ordem natural.

gico das ciências progredia lentamente,

um movimento para no%'as formas de

organização e talvez uma nova ordem social. Preocupava-se com os resultados

sicos nos primeiros anos da mesma cen túria: e verificou-se uma acentuada.mu

dança no tom das ciências morais e his

movimento geral, e anualmente dedica maior atenção à fíexibilidade da natu reza humana".

Assim, nos "Princípios" de Marshall,

mento dos tratados de Jevons e Men

uma ciência orgânica. Não era uma ciência abstrata, pois o caráter do ho

cidade construtiva.

posteriores, voltou novamente ao tema

Sôbre a questão da concorrência, como coisa oposta ao monopólio, Marshall possuía algumas opiniões definidas. AFirmava que a concorrência poderia produ

do crescimento orgânico. No prefácio à 5.® edição de seu livro escreveu:

adaptáveis ao seu meio. Isto não signi

blemas relativamente estáveis.

Quando

revisava o seu trabalho para as edições

"A Meca dos economistas está mais

dinâmicas: um volume sobre assimtos

cooperando ativamente uns com os ou

relativamente largo às analogias mecâni

tros, seria superior mesmo às melhores

cas... Êste fato... sugeriu a noção de

formas de concorrência". A questão que

que a sua idéia central é estatística.

o preocupava era saber se uma coope rativa ideal era ou não praticavel. Evi

mem influi sôbre os métodos correntes

fontes, e informa sôbre os autores em

de produção, distribuição e consumo de

Escreveu:

riqueza, sendo igualmente por êles afe-

"Minha posição relativamente à teoria do valor e da distribuição estava pràtica-

Nosso principal objetivo se prende ao

(1) Veja_se a edição de março do "Digesto Econômico".

fica, porém, que, do oonto de vista de

básicos precisa, pois, dedicar um espaço

biológicas são mais complexas do que as

mente escrupuloso na citação de suas

que de fato se baseou.

zir as melhores formas de empresas

Marshall, sejam necessàriamente as mais benéficas páfa a coletividade. Não ti nha dúvidas de que "uma ordem eco nômica, realizada por homens virtuosos,

Mas as concepções

Mas tal sugestão é incoireta... O pre sente volume diz respeito às forças do progresso. Êle se relaciona inteiramente

ger. Finalmente, Marshall era extrema

pela mesma razão, isto é, que matassem

e decadência, eliminação e seleção são

terreno de seus futuros escritos antes

que devia, portanto, ser tratada como

benemérita devoção ao bem público, o que é atualmente relativamente raro". Marshall temia o monopólio tanto quan to a socialização prematura — e sempre

introduzidas para resolver mesmo os pro

nâmica econômica.

economia tem um caráter orgânico, e

priedade coletiva dos meios de produção possa matar as energias da humanidade, e interromper o progresso econômico, a não ser que antes de sua introdução todo o povo haja adquirido um poder de

ambos a iniciativa e reduzissem a capa

economia política. Entendia que a "eco nomia" precisava contar com espaço

rascunho de seus "Princípios" foi ela

de tais evoluções. Escreveu: "Há causa prima facie para temer-se que a pro

as concepções biológicas de crescimento

na biologia econômica do que na di

borado em 1867-8, antes do apareci

Julgava que havia

natureza do crescimento orgânico... Finalmente, as especulações da biolo gia realizaram um grande avanço: suas descobertas prenderiam a atenção do

ciência relativamente estável como a

Acreditava que a

dustrialismo. Não os olhava como parte

e se firmavam as idéias referentes à

rem expostas compreensivelmente numa

de de movimentos.

Nesta base Marshall encarava o siste

ma capitalista e o crescimento do in-

preleções universitárias, já percorria o

mais amplo e, sobretudo, com liberda

PToblemas atuais

sua matéria era constante e imutável em

inexatidão de suas hipóteses. Em primeiro lugar, Marshall, nas suas

que as obras de quaisquer dos econo mistas mencionados houvessem sido pu blicadas. Em segundo lugar, o primeiro

fòrça vital e do movimento".

matemático-físico das ciências estava em

tóricas. A economia tem participado do

ciado pela escola da "utilidade margi nal"; as suas teses pertenciam à autên

clararam que êle procurou conciliar as escolas rivais de Menger, Walras, Bõhm-

volume de noções básicas da economia, assim como em outras, deve ser a da

cação: "Marshall extraiu pouco ou mes asseverar que Marshall não foi influen-

ou por mal, são impelidos às mudanças e ao progresso... A idéia central num

Isto se evidencia nesta notável

vista.

uma figura como Lord Keynes, que foi uni dos mais íntimos amigos de Mar shall, declarou, confirmando essa expli

mo nada de Jevons". Podemos, pois,

estudo dos seres humanos que, por bem

passagem dos seus "Princípios": "No começo do último século o grupo

mundo, como acontecera com as dos fí

nomia, a qual impregnou as universida

e oitenta do último século. Alguns de

Desenvolvimentos comuns em re

lação à importância e forma de outras ciências modelaram este seu ponto de

mente tomada entre os anos de 1867 e

máticas a versão das doutrinas de Ri cardo e de Sinith... A teoria da dis

"Princípios" de Marshall, pelo menos

I

• 107

com as fôrças dessa causa-movimento...

dentemente, temia os abusos, — sendo

a natureza humana o que é, — sempre que houvesse um controle artificial. Tal vez acreditasse, com o grande juiz in-


Digesto Econômico Digesto Econóxíioo

106

tado.

Política" de Mill, Marshall entrou em contato com as teorias de Ricardo, que são ali comentadas. "O gênio", escreve

1870, quando transportei para as mate

Marshall, "que deu a Ricardo a possibi lidade de abrir caminho através do ter

tribuição é alicerçada, em primeiro pla

reno escorregadio do raciocínio mate

no, em Adam Smith, Malthus e Ricardo,

mático fez dêle um dos meus heróis".

Assim, "ao mesmo tempo que dava as

e em segundo plano em von Thunen, quanto à substância, e Coumot quanto à

minhas lições particulares, eu transpor

forma... A minha doutrina da quase-

tava o mais que podia os raciocínios de Ricardo para a matemática". Os

renda, embora gradualmente desenvol vida, tomou conteiido em 1868, acom

no que dizem respeito às secções estri tamente analíticas, avançam em linha

direta de Mill para Ricardo e de Ri cardo para Adam Smith.

panhou o transporte que realizei de t6das as principais doutrinas econômicas para as equações diferenciais, de ma

neira que posso dizer que não há gran

de diferença, neste particular, entre a minha posição anterior a 1870 e a mi nha posição atual (1900)". De resto,

Origem das idéias

Já têm havido grandes controvérsias a respeito das fontes em que Marshall se

abeberou para a formulação de algumas de suas idéias. Muitos comentadores de

seus "Princípios" iá afirmaram que êle se filiava à Escola Austríaca de eco des no decurso das décadas de setenta

tica estirpe ricardiana. Economia e Economia Política

-Bawerk e Jevons, e assim por diante.

Na primeira parte desta biografia (1)

Estas criticas suscitaram a indignação

observei que Marshall afirmava ser a economia uma ciência independente. Assim, os seus problemas não poderiam

de Marshall, porque uma pequena in vestigação mostraria a tais escritores a

resolver-se com êxito e as suas leis se

ascensão.

E essas ciências, embora di

ferindo grandemente umas das outras, tinham um pouto de contato, isto é, a

V!

todos os países e em tôdas as épocas... Ao findar do século, o gnipo bioló

da ordem natural.

gico das ciências progredia lentamente,

um movimento para no%'as formas de

organização e talvez uma nova ordem social. Preocupava-se com os resultados

sicos nos primeiros anos da mesma cen túria: e verificou-se uma acentuada.mu

dança no tom das ciências morais e his

movimento geral, e anualmente dedica maior atenção à fíexibilidade da natu reza humana".

Assim, nos "Princípios" de Marshall,

mento dos tratados de Jevons e Men

uma ciência orgânica. Não era uma ciência abstrata, pois o caráter do ho

cidade construtiva.

posteriores, voltou novamente ao tema

Sôbre a questão da concorrência, como coisa oposta ao monopólio, Marshall possuía algumas opiniões definidas. AFirmava que a concorrência poderia produ

do crescimento orgânico. No prefácio à 5.® edição de seu livro escreveu:

adaptáveis ao seu meio. Isto não signi

blemas relativamente estáveis.

Quando

revisava o seu trabalho para as edições

"A Meca dos economistas está mais

dinâmicas: um volume sobre assimtos

cooperando ativamente uns com os ou

relativamente largo às analogias mecâni

tros, seria superior mesmo às melhores

cas... Êste fato... sugeriu a noção de

formas de concorrência". A questão que

que a sua idéia central é estatística.

o preocupava era saber se uma coope rativa ideal era ou não praticavel. Evi

mem influi sôbre os métodos correntes

fontes, e informa sôbre os autores em

de produção, distribuição e consumo de

Escreveu:

riqueza, sendo igualmente por êles afe-

"Minha posição relativamente à teoria do valor e da distribuição estava pràtica-

Nosso principal objetivo se prende ao

(1) Veja_se a edição de março do "Digesto Econômico".

fica, porém, que, do oonto de vista de

básicos precisa, pois, dedicar um espaço

biológicas são mais complexas do que as

mente escrupuloso na citação de suas

que de fato se baseou.

zir as melhores formas de empresas

Marshall, sejam necessàriamente as mais benéficas páfa a coletividade. Não ti nha dúvidas de que "uma ordem eco nômica, realizada por homens virtuosos,

Mas as concepções

Mas tal sugestão é incoireta... O pre sente volume diz respeito às forças do progresso. Êle se relaciona inteiramente

ger. Finalmente, Marshall era extrema

pela mesma razão, isto é, que matassem

e decadência, eliminação e seleção são

terreno de seus futuros escritos antes

que devia, portanto, ser tratada como

benemérita devoção ao bem público, o que é atualmente relativamente raro". Marshall temia o monopólio tanto quan to a socialização prematura — e sempre

introduzidas para resolver mesmo os pro

nâmica econômica.

economia tem um caráter orgânico, e

priedade coletiva dos meios de produção possa matar as energias da humanidade, e interromper o progresso econômico, a não ser que antes de sua introdução todo o povo haja adquirido um poder de

ambos a iniciativa e reduzissem a capa

economia política. Entendia que a "eco nomia" precisava contar com espaço

rascunho de seus "Princípios" foi ela

de tais evoluções. Escreveu: "Há causa prima facie para temer-se que a pro

as concepções biológicas de crescimento

na biologia econômica do que na di

borado em 1867-8, antes do apareci

Julgava que havia

natureza do crescimento orgânico... Finalmente, as especulações da biolo gia realizaram um grande avanço: suas descobertas prenderiam a atenção do

ciência relativamente estável como a

Acreditava que a

dustrialismo. Não os olhava como parte

e se firmavam as idéias referentes à

rem expostas compreensivelmente numa

de de movimentos.

Nesta base Marshall encarava o siste

ma capitalista e o crescimento do in-

preleções universitárias, já percorria o

mais amplo e, sobretudo, com liberda

PToblemas atuais

sua matéria era constante e imutável em

inexatidão de suas hipóteses. Em primeiro lugar, Marshall, nas suas

que as obras de quaisquer dos econo mistas mencionados houvessem sido pu blicadas. Em segundo lugar, o primeiro

fòrça vital e do movimento".

matemático-físico das ciências estava em

tóricas. A economia tem participado do

ciado pela escola da "utilidade margi nal"; as suas teses pertenciam à autên

clararam que êle procurou conciliar as escolas rivais de Menger, Walras, Bõhm-

volume de noções básicas da economia, assim como em outras, deve ser a da

cação: "Marshall extraiu pouco ou mes asseverar que Marshall não foi influen-

ou por mal, são impelidos às mudanças e ao progresso... A idéia central num

Isto se evidencia nesta notável

vista.

uma figura como Lord Keynes, que foi uni dos mais íntimos amigos de Mar shall, declarou, confirmando essa expli

mo nada de Jevons". Podemos, pois,

estudo dos seres humanos que, por bem

passagem dos seus "Princípios": "No começo do último século o grupo

mundo, como acontecera com as dos fí

nomia, a qual impregnou as universida

e oitenta do último século. Alguns de

Desenvolvimentos comuns em re

lação à importância e forma de outras ciências modelaram este seu ponto de

mente tomada entre os anos de 1867 e

máticas a versão das doutrinas de Ri cardo e de Sinith... A teoria da dis

"Princípios" de Marshall, pelo menos

I

• 107

com as fôrças dessa causa-movimento...

dentemente, temia os abusos, — sendo

a natureza humana o que é, — sempre que houvesse um controle artificial. Tal vez acreditasse, com o grande juiz in-


II Digesto

108

glês, Lord Acton, "que o poder corrom pe, e o poder absoluto corrompe de for ma absoluta".

Marshall declarou que o aumento rá

pido do capital e a marcha intensa para a especialização constituíam uma amea ça real à liberdade da ação econômica,

pois em todo grande negócio havia um elemento de "monópolio", e na sociali

zação do Estado havia um monopólio absoluto. Contudo, acreditava que o de senvolvimento de novas idéias ajudaria a anular o risco imanente para o público,

Apesar de acentuar a natureza imper feita da concorrência, permaneceu na tradição clássica por aceitar um mercado

livre como base dos seus "Princípios". Expressou a crença de que o poder da concorrência, mesmo sujeito a uma ori

entação muito rígida da parte do go

Econômico

pareceu...

O ceticismo de Marshall é

os que ainda aceitam as doutrinas de

Karl Marx.

Ao contrário, um dos objetivos mais salientes dos seus "Princípios" era a refutação da teoria do "laissez faire".

Não se incluía, igualmente, entre os Entendia que, mode

rado, o que êle designava como o lado financeiro do socialismo, por "predató rio"^ e "voraz" que fôsse, poderia ser benéfico, e não se opunha, em princípio ao menos, a medidas que diminuíssem

as desigualdades da riqueza, uma vez que fossem realizadas "por meios que ciativa e' a força do caráter".

título.

Mas a sua obra teria resistido à

volvimento econômico e a riqueza da

nação progrediram quase de golpe e de modo ímpar.

Admira, pois, que para

tinuasse? Podemos estranhar que temes

se uma nova forma, a qual implicasse

em novos grilhões ou-reduzisse o avanç-o técnico ao ritmo moroso do pas sado?..., É lícito perguntar onde esta riam os intelectuais progressistas, tão fluentes e escaminhos relativamente à ec-onomia ortodo.xa ou apologética, se houvessem vivido no tempo de Marshall . "Podemos dizer confiantemente que

os "Princípios" de Marshall contóbuiram para o corpo das idéias científicas com elementos que não eram apenas arqui tetônicos", e sim, num certo sentido, de "sua própria autoria", os quais cons tituem ainda "um fermento que atua

Marshall a iniciativa individual, a em

no mundo" e ainda persiste.

prêsa livre e audaciosa do inovador, fôsse o que mais se devia fomentar e encorajar, a fim de que o progresso con

Diante

de "clássico, mesmo na acepção mais

do exposto, êsse autor merece o titulo e.strita do têrmo".

crever o movimento socialista como "o

maior perigo, no momento, ao bem estar

"A principal obra de Marshall estava feita quando a concorrência capitalista chegava ao zênite. Em pouco mais de

prova do tempo"?

109

Era o

veu:

Marshall,

Com o afastamento de barreiras alfande

XVIII e comêço do século XIX, o desen

tente efetuava.

da humanidade".

cessantemente no mundo".

longo panorama de relativa estagnação. gárias e regulamentos, ao fim do século

da Universidade de Cambridge, escre

'com efeito, se qualifica para aquêle

que um breve episódio, ao fim de um

mentos que o sistema social então exis

I^sta de substituir a livre empresa e a iniciativa individual pela administração pública que ôle encarava com alarma. Isto o levou, em carta privada, a des

tituem antes um fermento atuando in

rica, Marshall via nessa iniciafíva como

V

que defendiam a distribuição de rendi

Em comentários sôbre o lugar de Marshall entre os grandes economistas,

"clássico", como alguém que, pela for ma ou pelo conteúdo de suas palavras e atos, afirmou ou indicou idéias arqui tetônicas quanto ao pensamento ou quan to ao sentimento, as quais de alguma maneira são suas também, e que, uma vez criadas, não desaparecem, e cons

disso, com sua larga perspectiva histó

máximas dogmáticas do "laissez faire".

lado administrativo do socialismo, a pro-

Marshall, foi definido como um autor

remoção de obstáculos e restrições. Além

Não que aceitasse as

Apreciações sôhre Marshall

Sohve, da cadeira de Economia Política

com muita ajuda do govêmo, além da

Marshall era individualista

até a medula.

não solapassem as fontes da livre ini

em edição do "Economic Joumal" que

iniciativa individual, a "energia incan sável" dos homens de negócios, que se guiam o seu caminho próprio, e não

agora geralmente aceito — exceto entre

... ,ii

DtcmsTo Econômico

"Tudo isso foi realizado através da

que era em parte uma defesa já desa

verno, estabelece o equilíbrio entre as forças da produção e do consumo.

celebrou o seu centenário, o professor

"'W

um século o sistema da "livre emprêsa" ou da "liberdade econômica" revolucio

nou a técnica industrial, o transporte e as comunicações e aumentou a fôrça

produtiva do país — de fato a sua pro

dução — além de tôda expectativa. Ha

via manchas vergonhosas na sua traje tória, como Marshall muito bem reco

nhecia: abusos e um largo resíduo de pobreza oprimida, que êle, como outros, ansiava por eliminar. Mas desde o mea

"De um certo modo, a sua obra foi

do do último século, pelo menos, êsse

evidentemente "datada". Os seus pie dosos apartes e a sua moralidade afe tada não estão de acôrdo com o gôsto moderno, e a linhà de ataque contra o

guera os rendimentos da massa do povo, apesar de um rápido aumento do seu

sistema firme

número..."

e

substancialmente

er

Já se encontra no Ministério da Fazenda a minuta do contrato de f(^ecimento

ao Ministério da Agricultura, pela Fábrica Nacional de Motores, de 10.000 tra tores agrícolas, a serem entregues à razão de 2.000 por ano.

A Fábrica Nacional de Motores, segundo informou o brigadeiro Guedes Muniz,

tem prontos todos os principais estudos para a adaptação do seu maqmneirio à indústria de tratores. Ultimadas as formalidades do contrato, sera aberta con corrência entre os principais fabricantes de tratores do tipo escolhido na recente reunião de secretários de Agricultura, para a compra da necessária licença de fa bricação. Concluído está também o planejamento das máquinas.

As secções de Cartores, Êmbolos e Engrenagens de motores de aviões, reti rado o maquinário de êmbolos, transformar-se-á na Secçâq de Transmissão dos tratores. As antigas secções de Cilindros e cabeças de cilindros. Eixos de manivelas, e Bielas, acrescidas das máquinas de êmbolos, formarão a Secção de Motores dos tratores. Para completar seu equipamento, a Fábrica necessita apenas de mais 3 máquinas, visto como duas outras, de importação anteriormente prevista, serão obtidas pela modificação de máouinas existentes. Um "hall" de 200x30 metros,

ao lado esquerdo do grande pavilhão das oficinas, já com as plantas todas prontas,

abrigará a linha de montagem.


II Digesto

108

glês, Lord Acton, "que o poder corrom pe, e o poder absoluto corrompe de for ma absoluta".

Marshall declarou que o aumento rá

pido do capital e a marcha intensa para a especialização constituíam uma amea ça real à liberdade da ação econômica,

pois em todo grande negócio havia um elemento de "monópolio", e na sociali

zação do Estado havia um monopólio absoluto. Contudo, acreditava que o de senvolvimento de novas idéias ajudaria a anular o risco imanente para o público,

Apesar de acentuar a natureza imper feita da concorrência, permaneceu na tradição clássica por aceitar um mercado

livre como base dos seus "Princípios". Expressou a crença de que o poder da concorrência, mesmo sujeito a uma ori

entação muito rígida da parte do go

Econômico

pareceu...

O ceticismo de Marshall é

os que ainda aceitam as doutrinas de

Karl Marx.

Ao contrário, um dos objetivos mais salientes dos seus "Princípios" era a refutação da teoria do "laissez faire".

Não se incluía, igualmente, entre os Entendia que, mode

rado, o que êle designava como o lado financeiro do socialismo, por "predató rio"^ e "voraz" que fôsse, poderia ser benéfico, e não se opunha, em princípio ao menos, a medidas que diminuíssem

as desigualdades da riqueza, uma vez que fossem realizadas "por meios que ciativa e' a força do caráter".

título.

Mas a sua obra teria resistido à

volvimento econômico e a riqueza da

nação progrediram quase de golpe e de modo ímpar.

Admira, pois, que para

tinuasse? Podemos estranhar que temes

se uma nova forma, a qual implicasse

em novos grilhões ou-reduzisse o avanç-o técnico ao ritmo moroso do pas sado?..., É lícito perguntar onde esta riam os intelectuais progressistas, tão fluentes e escaminhos relativamente à ec-onomia ortodo.xa ou apologética, se houvessem vivido no tempo de Marshall . "Podemos dizer confiantemente que

os "Princípios" de Marshall contóbuiram para o corpo das idéias científicas com elementos que não eram apenas arqui tetônicos", e sim, num certo sentido, de "sua própria autoria", os quais cons tituem ainda "um fermento que atua

Marshall a iniciativa individual, a em

no mundo" e ainda persiste.

prêsa livre e audaciosa do inovador, fôsse o que mais se devia fomentar e encorajar, a fim de que o progresso con

Diante

de "clássico, mesmo na acepção mais

do exposto, êsse autor merece o titulo e.strita do têrmo".

crever o movimento socialista como "o

maior perigo, no momento, ao bem estar

"A principal obra de Marshall estava feita quando a concorrência capitalista chegava ao zênite. Em pouco mais de

prova do tempo"?

109

Era o

veu:

Marshall,

Com o afastamento de barreiras alfande

XVIII e comêço do século XIX, o desen

tente efetuava.

da humanidade".

cessantemente no mundo".

longo panorama de relativa estagnação. gárias e regulamentos, ao fim do século

da Universidade de Cambridge, escre

'com efeito, se qualifica para aquêle

que um breve episódio, ao fim de um

mentos que o sistema social então exis

I^sta de substituir a livre empresa e a iniciativa individual pela administração pública que ôle encarava com alarma. Isto o levou, em carta privada, a des

tituem antes um fermento atuando in

rica, Marshall via nessa iniciafíva como

V

que defendiam a distribuição de rendi

Em comentários sôbre o lugar de Marshall entre os grandes economistas,

"clássico", como alguém que, pela for ma ou pelo conteúdo de suas palavras e atos, afirmou ou indicou idéias arqui tetônicas quanto ao pensamento ou quan to ao sentimento, as quais de alguma maneira são suas também, e que, uma vez criadas, não desaparecem, e cons

disso, com sua larga perspectiva histó

máximas dogmáticas do "laissez faire".

lado administrativo do socialismo, a pro-

Marshall, foi definido como um autor

remoção de obstáculos e restrições. Além

Não que aceitasse as

Apreciações sôhre Marshall

Sohve, da cadeira de Economia Política

com muita ajuda do govêmo, além da

Marshall era individualista

até a medula.

não solapassem as fontes da livre ini

em edição do "Economic Joumal" que

iniciativa individual, a "energia incan sável" dos homens de negócios, que se guiam o seu caminho próprio, e não

agora geralmente aceito — exceto entre

... ,ii

DtcmsTo Econômico

"Tudo isso foi realizado através da

que era em parte uma defesa já desa

verno, estabelece o equilíbrio entre as forças da produção e do consumo.

celebrou o seu centenário, o professor

"'W

um século o sistema da "livre emprêsa" ou da "liberdade econômica" revolucio

nou a técnica industrial, o transporte e as comunicações e aumentou a fôrça

produtiva do país — de fato a sua pro

dução — além de tôda expectativa. Ha

via manchas vergonhosas na sua traje tória, como Marshall muito bem reco

nhecia: abusos e um largo resíduo de pobreza oprimida, que êle, como outros, ansiava por eliminar. Mas desde o mea

"De um certo modo, a sua obra foi

do do último século, pelo menos, êsse

evidentemente "datada". Os seus pie dosos apartes e a sua moralidade afe tada não estão de acôrdo com o gôsto moderno, e a linhà de ataque contra o

guera os rendimentos da massa do povo, apesar de um rápido aumento do seu

sistema firme

número..."

e

substancialmente

er

Já se encontra no Ministério da Fazenda a minuta do contrato de f(^ecimento

ao Ministério da Agricultura, pela Fábrica Nacional de Motores, de 10.000 tra tores agrícolas, a serem entregues à razão de 2.000 por ano.

A Fábrica Nacional de Motores, segundo informou o brigadeiro Guedes Muniz,

tem prontos todos os principais estudos para a adaptação do seu maqmneirio à indústria de tratores. Ultimadas as formalidades do contrato, sera aberta con corrência entre os principais fabricantes de tratores do tipo escolhido na recente reunião de secretários de Agricultura, para a compra da necessária licença de fa bricação. Concluído está também o planejamento das máquinas.

As secções de Cartores, Êmbolos e Engrenagens de motores de aviões, reti rado o maquinário de êmbolos, transformar-se-á na Secçâq de Transmissão dos tratores. As antigas secções de Cilindros e cabeças de cilindros. Eixos de manivelas, e Bielas, acrescidas das máquinas de êmbolos, formarão a Secção de Motores dos tratores. Para completar seu equipamento, a Fábrica necessita apenas de mais 3 máquinas, visto como duas outras, de importação anteriormente prevista, serão obtidas pela modificação de máouinas existentes. Um "hall" de 200x30 metros,

ao lado esquerdo do grande pavilhão das oficinas, já com as plantas todas prontas,

abrigará a linha de montagem.


111

Digesto Econômico

124.422.886 quilos; em 1944, 172.563.352; em 1945, 185.356.896,

neladas, no valor de Cr$ 3/0.133.2b0,00; São Paulo, com 95.995 hectares e

figurando na lista a caseína, o creme,

4.487.260 toneladas, no valor de Cr$

CUSTO DE VIDA NO DISTRITO FEDERAL

o creme suíço, o doce de leite, a farinha láctea, a lactose, o leite "in natura",

58.070 hectares e 3.153.831 tonela^s,

O Deparían^to ãe Geografia e Estatística da Prefeitura do Distrito Federal, por interr^dxo de sua Secçao de Estudos e Andises, acaba de publicar interes

o leite condensado, o leite em pó, a

manteiga, a margarina, o queijo e o

sante trabalho acôrca do mvel de preços na capital da República

requeijão. Em 1946, dentre os principais arti

tabelas de correlação entre a amfxaçao do meio circulaiüe e o custo de vida.

gos, produzimos: caseína, 1.306.474

O inquérito em aprêço estabelece, vor meio de competente análise das que os efeitos do freto anti-mflactoni^a não serão imediatos. Isto acontece prinpreços não se opera simultâneamente ao aumento do dinheiro posto em circulação, mas com certa marPem de

tempo, indispensável para que se produzam as

duJído nos Lios de pagüLnto. '

Atnl^HlTXcIo (í ÒúSS 100 QO TfXCtO CÍTf*tiI/int/>

1926, aquela repartição faz acompanhar

; certa ma gem ae

repercussões do acrescmo mtro' T t

aZJ""-

T

j

1"°-°"° ,

, o primeiro e o segundo. A partir T 19« ZLJ.T """ """ '"'"í""' \ do papel moedo.Lm o iJice de 257 " "7 / 110, no ano anterior, para 125. Em 1942 o ZiLrZZ Z T"ftu de preços 138, respectivamente; 1943 424 c T63. uma fn.ÍK 2,34. Relação fíelacão ídSnHc, 1844, e 1945, 677 e 234. idêntica, também apresentada entro ^ 559 c 202;.

msmo rSZ de vLaTãn ' " acima, se evidencia que a elevação dos preços

culante. .Assim, sofremos7 7no momento os efeZs ^^ j 7 ^ ^/'^uvs aos inflações de anos anteriores. conJnTdo° f elaborado pelo Departamento de Geografia e Estatística,

zZçZlL^tiítiiZt, ZtZ'iz:zrzZaitrZ'^"^ monetário, ou sela, mediante aperfeiçoarmmtos e Zgrets ZlZnLZleToZZ rZrí"'^'"^ referente ao controle dos preços, _ observa a mesma repartição LIZTZ" " ^ especulações doslutam noaos ae nouvs de aesequuwno desequilíbrio economico economico. 7 il. E, nao obstante a dificuldadeprõprias c^ ' que - pe—

/i

Min

r> nnnoMrInrIn

^

.

*1

x

os orgaos governamentais para obrigar à obediência aos tabelamentos, parecem

indiscutíveis as vantagens que resultam dêsse processo para o interêsse coletivo. BRASIL

Usina do Rio do Peixe

Foi assinado, na pasta da Agricultura, decreto autorizando a Companhia Pau lista de Energia Elétrica, com sede nesta

capital, a ampliar a usina hidroelétrica

sim como da respectiva tubulação aduj». ^paragem de controle, proteção e medição, transformadores e coras aces

sórias.

foi de 120.861.418); leite condensado,

9.166.333 (no ano anterior essa produ ção foi de 8.228.796); leite em pó, 2.684.674 (no ano anterior, 1.824.047); manteiga, 16.367.230 quilos (ano an terior, 14.114.127); queijos, 20.386.661 (ano anterior, 16.617.260), num total de 177.312.156 quilos, conforme dados colhidos na Divisão de Inspecção de Produtos de Origem Animal do Ministé rio da Agricultura. Ccriíi de açúcar

Aumentou sensivelmente a produção

Segundo dados estatísticos, tem sido assaz expressiva e animadora a produ

curso dágua dêsse nome, no município de São José do Rio Pardo. Essa am

ção de laticínios nos últimos quatro

no valor de Cr$ 256.189.130,00. Pa

raíba, Alagoas, Bahia e Santa Catarina

também apresentanim boa produção. Feijão

A produção brasileira de feijão, nos três últimos anos, foi a seguinte: em

1944: área cultivada, 1.349.50o hecta res; produção —

nn

60 quilos; valor, Cr$ i! 1945 _ áxea cultivada: 1.432.190 hec

tares; produção — 16.707.590 sacas de 60 quilos; valor — Cr$

1.177.967.942,00; 1946 (dados sujei tos a retificação): área cultivada, .. 1.402.576 hectares; produção - .... 17.017.590 sacas de 60 quilos e valor

Cr$ 1.255.924.701,00. Essa produção vem aumentando, portanto, em valor de ano para ano.

,

Sobressairam-se, entre os Estados pro

de cana de açúcar no último ano, se-

dutores de feijão, no último ano, os se

de Estatística da Produção do Ministé rio da Agricultura.

378.594 hectares e produção de ....

gnndo dados fornecidos pelo Servi^ Em

1944, em area cultivada de

675.606 hectares, a produção brasileira de cana de açúcar foi de 25.148.948

toneladas, no valor de Cr$ 1.397.644.703,00.

Em 1945, para uma área de 656.921 hectares, essa produção foi de • • • •• • • • 25.178.584 toneladas, valçndo Cr? .. 1 682.099.741,00.

Finalmente, em 1946, conforme dados

ainda sujeitos a retificação, a área cul Produção de Laticínios

denominada Rio do Peixe, situada no

pliação se dará com a instalação de novo grupo hidroelétrico de 2.250 KVA, as

quilos; leite *'in natura", 121.307.485 quilos (no ano anterior essa produção

349.944.743,00; Rio de Janeiro, com

tivada foi de 762.201 hectares, e a

produção de 28.300.336 toneladas, no valor de Cr$ 2.032.126.706,00. Entre os Estados canavieiros salienta

ram-se, no último ano: Minas Gerais,

guintes: Minas Gerais, com area de

4.528.695 sacas de 60 quilos, no valor

de Cr$ 297.950.974; São Paulo, com área de 273.945 e produto de .... 3.195.490 sacas de 60 quilos, no valor

de Cr$ 264.620.253.00; Parana, com

área de 137.412 hectares e produ

ção de 2.246.807 sacas, no valor de Cr$ 148.556.797,00. Ceará, Rio Gran de do Sul, Bahia, Pernambuco e Paraí ba também apresentwam apreciável

produção, naquele período. Alfafa

A produção brasileira de alfafa au

mentou em quantidade e valor, nos três últimos anos, embora a área culti vada tenha diminuído de 1944

anos. A quantidade, em quilos, de sub produtos do leite foi de franca ascensão.

•cm a área de 149.910 hectares e pro

1945 e pouco maior fôsse a de 1946,

dução de 5.364.560 toneladas, no valor

sôbre a do ano anterior.

Em 1943, essa produção atingiu ....

de Cr$ 380.417.201,00; Pernambuco, com 172.400 hectares e 5.201.694 to-

,

A situação dessa cultura, naqueles anos, foi a seguinte: em 1944 — área


111

Digesto Econômico

124.422.886 quilos; em 1944, 172.563.352; em 1945, 185.356.896,

neladas, no valor de Cr$ 3/0.133.2b0,00; São Paulo, com 95.995 hectares e

figurando na lista a caseína, o creme,

4.487.260 toneladas, no valor de Cr$

CUSTO DE VIDA NO DISTRITO FEDERAL

o creme suíço, o doce de leite, a farinha láctea, a lactose, o leite "in natura",

58.070 hectares e 3.153.831 tonela^s,

O Deparían^to ãe Geografia e Estatística da Prefeitura do Distrito Federal, por interr^dxo de sua Secçao de Estudos e Andises, acaba de publicar interes

o leite condensado, o leite em pó, a

manteiga, a margarina, o queijo e o

sante trabalho acôrca do mvel de preços na capital da República

requeijão. Em 1946, dentre os principais arti

tabelas de correlação entre a amfxaçao do meio circulaiüe e o custo de vida.

gos, produzimos: caseína, 1.306.474

O inquérito em aprêço estabelece, vor meio de competente análise das que os efeitos do freto anti-mflactoni^a não serão imediatos. Isto acontece prinpreços não se opera simultâneamente ao aumento do dinheiro posto em circulação, mas com certa marPem de

tempo, indispensável para que se produzam as

duJído nos Lios de pagüLnto. '

Atnl^HlTXcIo (í ÒúSS 100 QO TfXCtO CÍTf*tiI/int/>

1926, aquela repartição faz acompanhar

; certa ma gem ae

repercussões do acrescmo mtro' T t

aZJ""-

T

j

1"°-°"° ,

, o primeiro e o segundo. A partir T 19« ZLJ.T """ """ '"'"í""' \ do papel moedo.Lm o iJice de 257 " "7 / 110, no ano anterior, para 125. Em 1942 o ZiLrZZ Z T"ftu de preços 138, respectivamente; 1943 424 c T63. uma fn.ÍK 2,34. Relação fíelacão ídSnHc, 1844, e 1945, 677 e 234. idêntica, também apresentada entro ^ 559 c 202;.

msmo rSZ de vLaTãn ' " acima, se evidencia que a elevação dos preços

culante. .Assim, sofremos7 7no momento os efeZs ^^ j 7 ^ ^/'^uvs aos inflações de anos anteriores. conJnTdo° f elaborado pelo Departamento de Geografia e Estatística,

zZçZlL^tiítiiZt, ZtZ'iz:zrzZaitrZ'^"^ monetário, ou sela, mediante aperfeiçoarmmtos e Zgrets ZlZnLZleToZZ rZrí"'^'"^ referente ao controle dos preços, _ observa a mesma repartição LIZTZ" " ^ especulações doslutam noaos ae nouvs de aesequuwno desequilíbrio economico economico. 7 il. E, nao obstante a dificuldadeprõprias c^ ' que - pe—

/i

Min

r> nnnoMrInrIn

^

.

*1

x

os orgaos governamentais para obrigar à obediência aos tabelamentos, parecem

indiscutíveis as vantagens que resultam dêsse processo para o interêsse coletivo. BRASIL

Usina do Rio do Peixe

Foi assinado, na pasta da Agricultura, decreto autorizando a Companhia Pau lista de Energia Elétrica, com sede nesta

capital, a ampliar a usina hidroelétrica

sim como da respectiva tubulação aduj». ^paragem de controle, proteção e medição, transformadores e coras aces

sórias.

foi de 120.861.418); leite condensado,

9.166.333 (no ano anterior essa produ ção foi de 8.228.796); leite em pó, 2.684.674 (no ano anterior, 1.824.047); manteiga, 16.367.230 quilos (ano an terior, 14.114.127); queijos, 20.386.661 (ano anterior, 16.617.260), num total de 177.312.156 quilos, conforme dados colhidos na Divisão de Inspecção de Produtos de Origem Animal do Ministé rio da Agricultura. Ccriíi de açúcar

Aumentou sensivelmente a produção

Segundo dados estatísticos, tem sido assaz expressiva e animadora a produ

curso dágua dêsse nome, no município de São José do Rio Pardo. Essa am

ção de laticínios nos últimos quatro

no valor de Cr$ 256.189.130,00. Pa

raíba, Alagoas, Bahia e Santa Catarina

também apresentanim boa produção. Feijão

A produção brasileira de feijão, nos três últimos anos, foi a seguinte: em

1944: área cultivada, 1.349.50o hecta res; produção —

nn

60 quilos; valor, Cr$ i! 1945 _ áxea cultivada: 1.432.190 hec

tares; produção — 16.707.590 sacas de 60 quilos; valor — Cr$

1.177.967.942,00; 1946 (dados sujei tos a retificação): área cultivada, .. 1.402.576 hectares; produção - .... 17.017.590 sacas de 60 quilos e valor

Cr$ 1.255.924.701,00. Essa produção vem aumentando, portanto, em valor de ano para ano.

,

Sobressairam-se, entre os Estados pro

de cana de açúcar no último ano, se-

dutores de feijão, no último ano, os se

de Estatística da Produção do Ministé rio da Agricultura.

378.594 hectares e produção de ....

gnndo dados fornecidos pelo Servi^ Em

1944, em area cultivada de

675.606 hectares, a produção brasileira de cana de açúcar foi de 25.148.948

toneladas, no valor de Cr$ 1.397.644.703,00.

Em 1945, para uma área de 656.921 hectares, essa produção foi de • • • •• • • • 25.178.584 toneladas, valçndo Cr? .. 1 682.099.741,00.

Finalmente, em 1946, conforme dados

ainda sujeitos a retificação, a área cul Produção de Laticínios

denominada Rio do Peixe, situada no

pliação se dará com a instalação de novo grupo hidroelétrico de 2.250 KVA, as

quilos; leite *'in natura", 121.307.485 quilos (no ano anterior essa produção

349.944.743,00; Rio de Janeiro, com

tivada foi de 762.201 hectares, e a

produção de 28.300.336 toneladas, no valor de Cr$ 2.032.126.706,00. Entre os Estados canavieiros salienta

ram-se, no último ano: Minas Gerais,

guintes: Minas Gerais, com area de

4.528.695 sacas de 60 quilos, no valor

de Cr$ 297.950.974; São Paulo, com área de 273.945 e produto de .... 3.195.490 sacas de 60 quilos, no valor

de Cr$ 264.620.253.00; Parana, com

área de 137.412 hectares e produ

ção de 2.246.807 sacas, no valor de Cr$ 148.556.797,00. Ceará, Rio Gran de do Sul, Bahia, Pernambuco e Paraí ba também apresentwam apreciável

produção, naquele período. Alfafa

A produção brasileira de alfafa au

mentou em quantidade e valor, nos três últimos anos, embora a área culti vada tenha diminuído de 1944

anos. A quantidade, em quilos, de sub produtos do leite foi de franca ascensão.

•cm a área de 149.910 hectares e pro

1945 e pouco maior fôsse a de 1946,

dução de 5.364.560 toneladas, no valor

sôbre a do ano anterior.

Em 1943, essa produção atingiu ....

de Cr$ 380.417.201,00; Pernambuco, com 172.400 hectares e 5.201.694 to-

,

A situação dessa cultura, naqueles anos, foi a seguinte: em 1944 — área


112

cultivada, 27.681 hectares; produção,

129.322.850 kgs., no valor de Cr$ .. 57.472.554,00; em 1945 — área cul

tivada, 26.564 hectares; produção, .. 148 405.578 kgs., no valor de Cr$ ..

78.017.457,00; em 1946 (dados sujei

113

Digesto Econômico

Digesto Econômico

cereal on^ de 14.439 hectares, com uma produção de 6.670.581 quilos, no valor de Cr$ 8.618.159,00. Em 1945, em área de 13.800 hectares, essa pro dução subiu para 10.160.350 quilos, no

1941-42, 80.869 e'155.016; 1942-43, 107.890 e 205.350; 1943-44, 119.921 e 231.457; 1944-45, 72.014 e 134.695; 1945-46, 61.687 e 118.281, respecüvamente.

valor de Cr.$ 11.467.702,00. No último

Com a área agora' plantada, é de es-

meio de dólares à Estrada de tória-Minas, destinado a cone u a

cem quilômetros finais do lei o 9 Um porta-voz do referido „

se assentam os trilhos

gistrandü a repercussão do . . dade para desautorizar informações er

tos a retificação): área cultivada, .... 26.972 hectares; produção 149.309.818

ano, segundo informações ainda sujei-

..

perar-se um aumento da safra de 1947,

em nosso país, aproveitou a

kgs, no valor de Cr$ 82.738.443,00.

de 17.195 hectares, com uma produção

retificação, a área cultivada foi

'F'

apesar de ainda não corresponder às grandes colheitas obtidas em 1943 e

rôneas a respeito da Companhia do

No último ano, como nos anteriores, o Estado do Rio Grande do Sul foi o

maior produtor de alfaia. Figurou com uma área cultivada de 19.061 hecta

res e uma produção de 108.279.000 kgs, no valor de Cr$ 53.243.000,00, vindo a seguir São Paulo, com área de 4.643 hectares e produção de

21.811.680 kgs., no valor de CrS ! 18.427.048,00, e Santa Catarina, com hectares e produção

quilos, no valor de Cr$

15.964.682,00. Somente quatro uni dades contribuíram para e.s.sa produção em 1946:

Paraná, com 12.442 hectae 8.083.200 quilos, no valor de

q • ^"^'423,00, Santa Catarina, com 814 hectares, 2.408.698 quilos, no valor de Cr.$ 3.280.264,00, Rio Grande ao Su', 894 hectares, 889.120 quilos, np valor de Cr$ 886.394,00, e o ex-

de 13.496.138 kgs, no valor de Cri

com 45 hectares, Cri ....

6.515.145,00. Milho

Café para as Américas

Em 1944, numa área cultivada de

4.101.315 hectares, o Brasil produziu 92.912.355 sacos de milho de 60 qui los, no valor de Cr$ 3.151.959.924,00. Em 1945, embora diminuindo a área

para 4.092.054 hectares e a produção para 80.735.944 sacos, aumentou o va

lor para Cr$ 3.380.416.551,00.

No

ano de 1946, conforme - dados sujeitos a retificação, aumentou a área para 4.323.334 hectares e a produção para 95.059.969 sacos, continuando a subir o valor, que foi de Cr$ 4.015.052.168,00. Entre os Estados

produtores figura em primeiro lugar São Paulo, com a área cultivada de ....

917.988 hectares e uma produção de 21.845.145 sacos, no valor de CrS .. 982.261.398.00. Centeio

As nossas vendas de café para todos s países da América sofreram redu-

Ça no ano findo, no período compreen-

dido-entre os meses de janeiro a outu-

bHo, compai-adas com as do mesmo período de I945. q total das remessas para os países americanos, de janeiro a

10^49" 126 iu.i4y.i26

'

em ....

sacas, contra 10 525 420

sacas em 1945. Para essa queda con

correu o "déficit" havido nos embar ques para os Estados Unidos, cujo mer-

1944. O Chaco, onde se desenvolveu a

Vale do Rio Doce. frisou que ela é

cultima algodoeira argentina, foi inicial

constituída exclusivamente de

mente um centro de exploração florestal.

brasileiros. Essa companhia e.xpiora, en tre outras subsidiárias, a ferrovia i

BOLÍVIA

ria-Minas.

Pacto com a Argentina

Consumo de café

Notícias de La Paz informam que os

governos da Argentina e da Bolívia con cluíram um pacto de cooperação eco

nômica, financeira e cultural.

O con

vênio em apreço inclui regime adua neiro, disposição financeira, organiza ção de sociedades mistas boliviano-argentinas, inversões de capitais argenti nos na Bolívia, empréstimos para obras

Estados Unidos atingiu quantidao^ ja mais alcançadas anteriormente. Diz a informação o seguinte: "O forte au mento do preço do café, depois do can

viais, seguros e intercâmbio cultural. As disposições finais do tratado di zem respeito à troca de produtos, e

sacas. Antes da guerra o consumo mé

venda de estanho à Argentina. Anexo ao documento há um protocolo, espe cificando as obras públicas a serem rea lizadas.

Excluiu-se um projeto, con

cluído a 8 de março, pelo qual se esti

pula que a Bolívia e a Argentina pro moveriam, conjuntamente, a exploração

que se calcula em vinte milhões de dio era de 16 milhões de sacas por

ano, aproximadamente. A quantidade de café torrado no último exercício atin

giu o total de 20.500.0W" sacas. A correspondente a 1945 foi de 16.839.000 sacas e a, de 1941 foi de 12.530.000 sacas".

Acrescenta o informa que em 1946

das jazidas de ferro e a produção de

as importações do Brasil foram de ...

borracha. Manteve-se a di^osição nu

11.187.891 e as da Colômbia de ... 5.245.871 sacas. Outros mercados re

Do Exterior

de novas atividades econômicas e indus

ceberam de nosso país 4.505.397 sacas (quase três milhões desse total foram

importados pela Europa), o da Colôm

bia 415.592 (a Europa adquiriu apro

triais na Bolívia.

A produção de fibras e sementes de

informou

celamento da fiscalização de preços, nao teve efeito no consumo do ano passacto,

mero três do projeto aludido, a qual ddteitmina qi^e .ttma sociedade r^ista boliviano-argentina cooperará na criação

ximadamente a metade dêsse total). ESTADOS UNIDOS

A mesma fonte declara tambérn que

"as importações da Europa continu:^

Empréstimo à Estrada de Ferro Vitória-Minas

^

Acentuou-se o aumento da nossa pro dução de centeio nos três últimos anos.

seguinte: 1940-41, 50.337 toneladas de

O Banco de Importação e Exportação

Em 1944, a área cultivada com êste

fibras e 93.065 toneladas de sementes;

concedeu o crédito de sete milliões e

algodão, nos últimos anos, tem sido a

O Departamento do

que em 1946 a importação de cale tor rado e o consumo desse.P^j

públicas, comunicações terrestres e flu

.tra 9.837.847 sacassacas de cafe em brasileiro, 1945. con

ARGENTINA Fihras e sementes de algodão

p

sendo de cêrca de 60 por cento da média anterior à guerra, que era de 11.500.000 sacas.

Devido às dificul-


112

cultivada, 27.681 hectares; produção,

129.322.850 kgs., no valor de Cr$ .. 57.472.554,00; em 1945 — área cul

tivada, 26.564 hectares; produção, .. 148 405.578 kgs., no valor de Cr$ ..

78.017.457,00; em 1946 (dados sujei

113

Digesto Econômico

Digesto Econômico

cereal on^ de 14.439 hectares, com uma produção de 6.670.581 quilos, no valor de Cr$ 8.618.159,00. Em 1945, em área de 13.800 hectares, essa pro dução subiu para 10.160.350 quilos, no

1941-42, 80.869 e'155.016; 1942-43, 107.890 e 205.350; 1943-44, 119.921 e 231.457; 1944-45, 72.014 e 134.695; 1945-46, 61.687 e 118.281, respecüvamente.

valor de Cr.$ 11.467.702,00. No último

Com a área agora' plantada, é de es-

meio de dólares à Estrada de tória-Minas, destinado a cone u a

cem quilômetros finais do lei o 9 Um porta-voz do referido „

se assentam os trilhos

gistrandü a repercussão do . . dade para desautorizar informações er

tos a retificação): área cultivada, .... 26.972 hectares; produção 149.309.818

ano, segundo informações ainda sujei-

..

perar-se um aumento da safra de 1947,

em nosso país, aproveitou a

kgs, no valor de Cr$ 82.738.443,00.

de 17.195 hectares, com uma produção

retificação, a área cultivada foi

'F'

apesar de ainda não corresponder às grandes colheitas obtidas em 1943 e

rôneas a respeito da Companhia do

No último ano, como nos anteriores, o Estado do Rio Grande do Sul foi o

maior produtor de alfaia. Figurou com uma área cultivada de 19.061 hecta

res e uma produção de 108.279.000 kgs, no valor de Cr$ 53.243.000,00, vindo a seguir São Paulo, com área de 4.643 hectares e produção de

21.811.680 kgs., no valor de CrS ! 18.427.048,00, e Santa Catarina, com hectares e produção

quilos, no valor de Cr$

15.964.682,00. Somente quatro uni dades contribuíram para e.s.sa produção em 1946:

Paraná, com 12.442 hectae 8.083.200 quilos, no valor de

q • ^"^'423,00, Santa Catarina, com 814 hectares, 2.408.698 quilos, no valor de Cr.$ 3.280.264,00, Rio Grande ao Su', 894 hectares, 889.120 quilos, np valor de Cr$ 886.394,00, e o ex-

de 13.496.138 kgs, no valor de Cri

com 45 hectares, Cri ....

6.515.145,00. Milho

Café para as Américas

Em 1944, numa área cultivada de

4.101.315 hectares, o Brasil produziu 92.912.355 sacos de milho de 60 qui los, no valor de Cr$ 3.151.959.924,00. Em 1945, embora diminuindo a área

para 4.092.054 hectares e a produção para 80.735.944 sacos, aumentou o va

lor para Cr$ 3.380.416.551,00.

No

ano de 1946, conforme - dados sujeitos a retificação, aumentou a área para 4.323.334 hectares e a produção para 95.059.969 sacos, continuando a subir o valor, que foi de Cr$ 4.015.052.168,00. Entre os Estados

produtores figura em primeiro lugar São Paulo, com a área cultivada de ....

917.988 hectares e uma produção de 21.845.145 sacos, no valor de CrS .. 982.261.398.00. Centeio

As nossas vendas de café para todos s países da América sofreram redu-

Ça no ano findo, no período compreen-

dido-entre os meses de janeiro a outu-

bHo, compai-adas com as do mesmo período de I945. q total das remessas para os países americanos, de janeiro a

10^49" 126 iu.i4y.i26

'

em ....

sacas, contra 10 525 420

sacas em 1945. Para essa queda con

correu o "déficit" havido nos embar ques para os Estados Unidos, cujo mer-

1944. O Chaco, onde se desenvolveu a

Vale do Rio Doce. frisou que ela é

cultima algodoeira argentina, foi inicial

constituída exclusivamente de

mente um centro de exploração florestal.

brasileiros. Essa companhia e.xpiora, en tre outras subsidiárias, a ferrovia i

BOLÍVIA

ria-Minas.

Pacto com a Argentina

Consumo de café

Notícias de La Paz informam que os

governos da Argentina e da Bolívia con cluíram um pacto de cooperação eco

nômica, financeira e cultural.

O con

vênio em apreço inclui regime adua neiro, disposição financeira, organiza ção de sociedades mistas boliviano-argentinas, inversões de capitais argenti nos na Bolívia, empréstimos para obras

Estados Unidos atingiu quantidao^ ja mais alcançadas anteriormente. Diz a informação o seguinte: "O forte au mento do preço do café, depois do can

viais, seguros e intercâmbio cultural. As disposições finais do tratado di zem respeito à troca de produtos, e

sacas. Antes da guerra o consumo mé

venda de estanho à Argentina. Anexo ao documento há um protocolo, espe cificando as obras públicas a serem rea lizadas.

Excluiu-se um projeto, con

cluído a 8 de março, pelo qual se esti

pula que a Bolívia e a Argentina pro moveriam, conjuntamente, a exploração

que se calcula em vinte milhões de dio era de 16 milhões de sacas por

ano, aproximadamente. A quantidade de café torrado no último exercício atin

giu o total de 20.500.0W" sacas. A correspondente a 1945 foi de 16.839.000 sacas e a, de 1941 foi de 12.530.000 sacas".

Acrescenta o informa que em 1946

das jazidas de ferro e a produção de

as importações do Brasil foram de ...

borracha. Manteve-se a di^osição nu

11.187.891 e as da Colômbia de ... 5.245.871 sacas. Outros mercados re

Do Exterior

de novas atividades econômicas e indus

ceberam de nosso país 4.505.397 sacas (quase três milhões desse total foram

importados pela Europa), o da Colôm

bia 415.592 (a Europa adquiriu apro

triais na Bolívia.

A produção de fibras e sementes de

informou

celamento da fiscalização de preços, nao teve efeito no consumo do ano passacto,

mero três do projeto aludido, a qual ddteitmina qi^e .ttma sociedade r^ista boliviano-argentina cooperará na criação

ximadamente a metade dêsse total). ESTADOS UNIDOS

A mesma fonte declara tambérn que

"as importações da Europa continu:^

Empréstimo à Estrada de Ferro Vitória-Minas

^

Acentuou-se o aumento da nossa pro dução de centeio nos três últimos anos.

seguinte: 1940-41, 50.337 toneladas de

O Banco de Importação e Exportação

Em 1944, a área cultivada com êste

fibras e 93.065 toneladas de sementes;

concedeu o crédito de sete milliões e

algodão, nos últimos anos, tem sido a

O Departamento do

que em 1946 a importação de cale tor rado e o consumo desse.P^j

públicas, comunicações terrestres e flu

.tra 9.837.847 sacassacas de cafe em brasileiro, 1945. con

ARGENTINA Fihras e sementes de algodão

p

sendo de cêrca de 60 por cento da média anterior à guerra, que era de 11.500.000 sacas.

Devido às dificul-


rT

DicESTo Econômico

114

como a França provàvelmente aproveita

rão a produção das colônias.

Aduz o

informe em questão que o Ministério da Alimentação da Grã-Bretanha ofereceu à África Oriental um contrato de café

que vigorará duíante cinco anos, a

partir de 1° de julho de 1947: A pro dução média de três territórios — Kênia, Tanganica e Uganda — oscila entre 50

VELAS QUE SLMBÜLIZAM

Revelou aquele periódico que a so brecarga de 25% no frete destinado a Santos, cujo porto tem estado obstruído desde setembro último, foi estendida ao Rio de Janeiro, "de modo que cerca de 70% do comércio e.vterior brasileiro está sujeito a uma taxa extra. Em última

instância, êsse ônus recai sòbre os clien

m

tes brasileiros dos armazéns americanos".

mil e 55 mil toneladas (de 1.016 qui los).

O

contrato proposto

—

para

FRANÇA

23.600 toneladas — absorverá aproxi Petróleo

madamente a metade da produção dos citados territórios.

Trtgo para diversos países o govêmo dos Estados Unidos con

cedeu cotas suplementares de cereais e

farinha de trigo a diversos países da Europa e América Latina. Essas cotas que atingem o total de 296.375 tone

entre 200 e 10 mil metros de profundi

dade, em Langlade e Gígean, no Lan-

guedoc.

As sondagens são realizadas

pela Sociedade Nacional de Petróleo do

Languedoc. Transportes internos

ladas, deverão ser embarcadas pròximamente.

Dos trabalhos da Comissão de Moder

Um porta-voz do Departamento de Agricultura declarou à imprensa que, de acordo com tal programa, a França receberá 32 mil tonmadas suplementares de farinha de trigo. As outras cotas

nização dos Transportes Internos con clui-se que, em 1948, o volume do tráfego fluvial atingirá 10 bilhões de toneladas-quilómetro. A navegação dis

de farinha destinam-se à zona britânica da Alemanha, num total de 120 mil to

toneladas. Para chegar-se a este resul

neladas; à Itália, 22 mil toneladas; à Noruega, 11 mil toneladas; à Irlanda, 5 mil toneladas, e a Cuba, 30 mil to

a flotilha fluvial em s^u nível anterior à

neladas.

vial, pondo-se em funcionamento 500

Informa ainda o Departamento da

Agricultura que serão aquinhoados os seguintes países: Bélgica, 5 mil tone ladas de aveia; Egito, 36 mil toneladas de milho; Venezuela e Colômbia, res

pectivamente, 9 e 50 mil toneladas de milho.

m

Foi verificada a presença de petróleo

i

porá de uma flotilha de 3.000.000 de

tado será necessário: 1.° — restabelecer Guerra, fabricando-se 600.000 toneladas

de navios; 2.° — modernizar a parte flu

Quando o sr. começar a encontrar dificuldade nas partidas e notar maior consumo de combus

barcaças; 3.° — melhorar certas vias

tível, mande verificar as velas de seu auto. Se estas estiverem gastas ou cansadas, troqueas Jogo por velas A. C. — e uma nova era

navegáveis, o que exigirá 135.000 tone ladas de aço e 27 milhões de horas de

traballio; 4.° — distribuir o tráfego tão regularmente quanto possível.

começará para seu carro! Exija as legítimas

EGITO

Portos brasileiros

Descoberta petrolífera

VELAS

O "Wall Street Joumal" afirma que "o comércio entre os Estados Unidos e

a América Latina está sofrendo de con

A Standard Oil Co. of New Jersey

descobriu petróleo a 200 quilômetros ao

gestionamento portuário" e que a si

sul de Suez, nos arredores de Ras Sudr,

tuação ameaça tomar-se pior em virtude

na zona de Sinai. É a primeira desco

crescentes dificuldades para qual

quer espécie de atracação.

PRODUTO DA GENERAL M0T0R5

berta feita, em dez anos, pela referida companhia, que pesquisa a zona. ''l<.

áC


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Companhia Siderúrgica Belgo Mineira Usinas

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Siderúrgica e (Minas-Gerais)

Monlevade

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ARAME GALVANIZADO, REDOND^O E OVAL,

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ARAME PRETO RECOSIDO,

ARAME FARPADO E GRAMPOS PARA CERCA, ARAME COBREADO PARA MOLAS, TRILHOS.

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Agência de São Paulo: RUA BOA VISTA, 16 — 8." And. — Tel. : 3-2151 SÃO PAULO

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