DIGESTO ECONOMICO o
PUBLICAREMOS
PRÓXIMOS
NOS
NÚMEROS
MUNDO DOS NEGÓCIOS NUM PANORAMA MENSAL
Publicado sob os auspícios da:
ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE SAO PAULO
EVOLUÇÃO SOCIAL (I) A.
Presidente:
Guilherme Afif
O TRABALHO TEMPORÁRIO E A
Delorenzo
Neto
Domingos
desenvolvimento
Diretor:
Antônio Gontljo de Carvalho 1947 a 1973
IGUALDADE E LIBERDADE
Diretores:
João de Scantimburgo
Paulo Edmur de Souza Queiroz Wilfrides Alves de Lima
NA
latino-americano
AMÉRICA
J. O. de Melra Penna
Superintendente: Calo Cardoso de Almeida
CEPAL
0 DIgeslo Eoonômico é órgSo mensal de Informações
econômicas
e finan
PSICOLOGIA DO TERRORISMO
ceiras,
A direção nSo se responsabiliza pelos dados cu|s8 fontes estejam devida mente
citadas,
emitidos
em
nem
artigos
pelos
Raoul Bertrand
conceitos
Publicamos a primeira parte de importante documento sobre esta década na América Latina
assinados.
Acelta-se Intercâmbio com publicações
congêneres
nacionais
e estrangeiras.
Assinaturas:
O SISTEMA TRIBUTÁRIO
DIGESTO ECONÔMICO
BRASILEIRO
Assinatura anual .. (E$ 1.400,00 130,00 Número avulso — £$ 150,00 Número atrasado .. £$ Redação e Administração: R. Boa Vista, 51, andar térreo Tol.: 239-1333 — Ramal: 133 Cx. Postal 8.082 — São Paulo
Departamento Comercial Rua Boa Vista. 51 — 6.® andar Tel.: 239-1333 — R.; 167/175 Composto e Impresso nas oficinas do DIARtO
DO COMERCIO.
Afonso Celso Pastore
O Décimo Nono Período de Sessões da Comissão Eco
nômica para a América Latina — celebrado em Montevidéu, Uruguai, entre 4 e 15 de maio de 1981 — proclamou o de cênio de 1980 como a "Déca
mento para o Terceiro Decê
nio das Nações Unidas, cujo texto^ notas, se publica nesta edição, juntamente com as declarações formuladas pelas delegações que justificaram seus votos durante o debate.
da do desenvolvimento latinoDÉCADA DO DESENVOLVIMENTO
LATINO-AMERICANO (2.a Parte) Cepa)
americano" (resolução 422/ XIX) e aprovou um Programa de Ação Regional para a ins
solução^ a Comissão aprovou
trumentação de Estratégia Internacional do Desenvolvi¬
decisões sobre os seguintes
Além da mencionada re um conjunto de resoluções e temas:
DIGESTO ECONOMICO o
PUBLICAREMOS
PRÓXIMOS
NOS
NÚMEROS
MUNDO DOS NEGÓCIOS NUM PANORAMA MENSAL
Publicado sob os auspícios da:
ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE SAO PAULO
EVOLUÇÃO SOCIAL (I) A.
Presidente:
Guilherme Afif
O TRABALHO TEMPORÁRIO E A
Delorenzo
Neto
Domingos
desenvolvimento
Diretor:
Antônio Gontljo de Carvalho 1947 a 1973
IGUALDADE E LIBERDADE
Diretores:
João de Scantimburgo
Paulo Edmur de Souza Queiroz Wilfrides Alves de Lima
NA
latino-americano
AMÉRICA
J. O. de Melra Penna
Superintendente: Calo Cardoso de Almeida
CEPAL
0 DIgeslo Eoonômico é órgSo mensal de Informações
econômicas
e finan
PSICOLOGIA DO TERRORISMO
ceiras,
A direção nSo se responsabiliza pelos dados cu|s8 fontes estejam devida mente
citadas,
emitidos
em
nem
artigos
pelos
Raoul Bertrand
conceitos
Publicamos a primeira parte de importante documento sobre esta década na América Latina
assinados.
Acelta-se Intercâmbio com publicações
congêneres
nacionais
e estrangeiras.
Assinaturas:
O SISTEMA TRIBUTÁRIO
DIGESTO ECONÔMICO
BRASILEIRO
Assinatura anual .. (E$ 1.400,00 130,00 Número avulso — £$ 150,00 Número atrasado .. £$ Redação e Administração: R. Boa Vista, 51, andar térreo Tol.: 239-1333 — Ramal: 133 Cx. Postal 8.082 — São Paulo
Departamento Comercial Rua Boa Vista. 51 — 6.® andar Tel.: 239-1333 — R.; 167/175 Composto e Impresso nas oficinas do DIARtO
DO COMERCIO.
Afonso Celso Pastore
O Décimo Nono Período de Sessões da Comissão Eco
nômica para a América Latina — celebrado em Montevidéu, Uruguai, entre 4 e 15 de maio de 1981 — proclamou o de cênio de 1980 como a "Déca
mento para o Terceiro Decê
nio das Nações Unidas, cujo texto^ notas, se publica nesta edição, juntamente com as declarações formuladas pelas delegações que justificaram seus votos durante o debate.
da do desenvolvimento latinoDÉCADA DO DESENVOLVIMENTO
LATINO-AMERICANO (2.a Parte) Cepa)
americano" (resolução 422/ XIX) e aprovou um Programa de Ação Regional para a ins
solução^ a Comissão aprovou
trumentação de Estratégia Internacional do Desenvolvi¬
decisões sobre os seguintes
Além da mencionada re um conjunto de resoluções e temas:
DIGESTO
4
ECONÔMICO
a inter-
tre os países em desenvolvi mento; cooperação técnica e
conexão hidrográfica do Orenoco, Amazonas e Prata, bem
econômica entre os países do Caribe e os outros países da
Integração física da Amé rica
como
Latina mediante
a
Estrada
Bolivariana
região; apoio bo Decênio In
Marginal da Selva; desenvol vimento de áreas deprimidas;
ternacional da Água Potável e e do Saneamento Ambientai;
aspectos
medidas
institucionais; ener
para
promover
cumprimento
to e sistemas alimentares; co
do
mércio agrícoia e segurança alimentar; apresentação do Plano de Ação Regional ao
Água Potável e do Saneamen
Banco Interamericano de De
senvolvimento cio
(BID);
internacional
e
comér acesso
aos mercados; descentraliza ção das atividades econômi cas e sociais das Nações Uni
das; programa de trabalho e calendário de conferências da
CEPAL; fixação de prioridades no programa de trabalho da CEPAL; projeto de Plano a
prazo médio do
sistema
da
CEPAL para o período 19841989; Instituto Latino-ameri cano de Planificação Econô mica e Social (ILPES); des centralização e fortalecimen to do Centro Latino-america
no de Demografía (CELADB); acesso às fontes de informa
ção; cooperação técnica entre
países em desenvolvimen to; cooperação econômica enOS
Decênio
dos
o
gia; estilos de desenvolvimen
objetivos
internacional da
to Ambiental na América La
tina;
programa
de
trabalho
em recursos hídricos; loca ções humanas; admissão das Antilhas Neeriandesas como
membro associado da CEPAL, e lugar e data do próximo pe ríodo de sessões.
PROGRAMA DE AÇÃO REGIONAL PARA A AMÉRICA LATINA NOS ANOS OITENTA
A SITUAÇÃO ATUAL DO DESENVOLVIMENTO LATINO-AMERICANO
Aos problemas, lafíno-amerícanos nos planos nacional, re gional e internacional
l. Os problemas centrais do desenvolvimento que preva lecem nos países da região po dem referir-se a três aspectos
DIGESTO
ECONÔMICO
essenciais
5
dinamicamente
in-
ter-relacionados e de importân cia similar, que caracterizam a situação e a evolução do processo sócio-econômico. São, em primeiro lugar, a assime tria que se continua a verificar
na estrutura das relações ex ternas, no que se refere à na tureza das correntes de expor tações e importações de bens, à deterioração da relação de preços do intercâmbio e ao au mento do endividamento exter
no; em segundo lugar, o declí nio do ritmo de crescimento da
maioria dos países latino-ame ricanos, originada, em boa parte, na índole destas rela ções externas e nos fatores de instabilidade
e
de
incerteza
que prevalecem na economia mundial; e em terceiro lugar,
e como consequência das ina dequadas estruturas sócio-econômicas vigentes, a conforma ção de sociedades extrema mente destituídas de .eqüidade. Os efeitos e as repercussões desfavoráveis das relações ex ternas de dependência, limi tam
ou
reduzem
os
recursos
atuais ou potenciais necessários para promover as condições e transformações necessárias à
superação
dos
problemas
so
ciais.
2.
ta,
Durante os anos
transformaram-se
seten
profun
damente as formas de inser ção da América Latina na eco
nomia mundial,
intensificou-se
nela o processo
de
internacio
nalização e de vinculação com os países industriais de econo mia de mercado, acentuando-se os efeitos negativos das atuais formas de inserção. Desempe nharam um papel preponderan te neste processo as empresas transnacionais e também o sis
tema bancário privado e as instituições financeiras e mone tárias internacionais. De seu la
do, os governos impulsionaram políticas de maior abertura ex terna nos diversos aspectos econômicos, financeiros e tec
nológicos. Manifestações con cretas das novas relações e problemas que se apresentam, manifestam-se na participação das empresas transnacionais; no ritmo e na composição do comércio exterior; no valor da relação de preços do intercâm
bio; na magnitude decrescente, em têrmos reais, do financia mento externo, nas fontes que 0 provêm e no grau do endi-
DIGESTO
4
ECONÔMICO
a inter-
tre os países em desenvolvi mento; cooperação técnica e
conexão hidrográfica do Orenoco, Amazonas e Prata, bem
econômica entre os países do Caribe e os outros países da
Integração física da Amé rica
como
Latina mediante
a
Estrada
Bolivariana
região; apoio bo Decênio In
Marginal da Selva; desenvol vimento de áreas deprimidas;
ternacional da Água Potável e e do Saneamento Ambientai;
aspectos
medidas
institucionais; ener
para
promover
cumprimento
to e sistemas alimentares; co
do
mércio agrícoia e segurança alimentar; apresentação do Plano de Ação Regional ao
Água Potável e do Saneamen
Banco Interamericano de De
senvolvimento cio
(BID);
internacional
e
comér acesso
aos mercados; descentraliza ção das atividades econômi cas e sociais das Nações Uni
das; programa de trabalho e calendário de conferências da
CEPAL; fixação de prioridades no programa de trabalho da CEPAL; projeto de Plano a
prazo médio do
sistema
da
CEPAL para o período 19841989; Instituto Latino-ameri cano de Planificação Econô mica e Social (ILPES); des centralização e fortalecimen to do Centro Latino-america
no de Demografía (CELADB); acesso às fontes de informa
ção; cooperação técnica entre
países em desenvolvimen to; cooperação econômica enOS
Decênio
dos
o
gia; estilos de desenvolvimen
objetivos
internacional da
to Ambiental na América La
tina;
programa
de
trabalho
em recursos hídricos; loca ções humanas; admissão das Antilhas Neeriandesas como
membro associado da CEPAL, e lugar e data do próximo pe ríodo de sessões.
PROGRAMA DE AÇÃO REGIONAL PARA A AMÉRICA LATINA NOS ANOS OITENTA
A SITUAÇÃO ATUAL DO DESENVOLVIMENTO LATINO-AMERICANO
Aos problemas, lafíno-amerícanos nos planos nacional, re gional e internacional
l. Os problemas centrais do desenvolvimento que preva lecem nos países da região po dem referir-se a três aspectos
DIGESTO
ECONÔMICO
essenciais
5
dinamicamente
in-
ter-relacionados e de importân cia similar, que caracterizam a situação e a evolução do processo sócio-econômico. São, em primeiro lugar, a assime tria que se continua a verificar
na estrutura das relações ex ternas, no que se refere à na tureza das correntes de expor tações e importações de bens, à deterioração da relação de preços do intercâmbio e ao au mento do endividamento exter
no; em segundo lugar, o declí nio do ritmo de crescimento da
maioria dos países latino-ame ricanos, originada, em boa parte, na índole destas rela ções externas e nos fatores de instabilidade
e
de
incerteza
que prevalecem na economia mundial; e em terceiro lugar,
e como consequência das ina dequadas estruturas sócio-econômicas vigentes, a conforma ção de sociedades extrema mente destituídas de .eqüidade. Os efeitos e as repercussões desfavoráveis das relações ex ternas de dependência, limi tam
ou
reduzem
os
recursos
atuais ou potenciais necessários para promover as condições e transformações necessárias à
superação
dos
problemas
so
ciais.
2.
ta,
Durante os anos
transformaram-se
seten
profun
damente as formas de inser ção da América Latina na eco
nomia mundial,
intensificou-se
nela o processo
de
internacio
nalização e de vinculação com os países industriais de econo mia de mercado, acentuando-se os efeitos negativos das atuais formas de inserção. Desempe nharam um papel preponderan te neste processo as empresas transnacionais e também o sis
tema bancário privado e as instituições financeiras e mone tárias internacionais. De seu la
do, os governos impulsionaram políticas de maior abertura ex terna nos diversos aspectos econômicos, financeiros e tec
nológicos. Manifestações con cretas das novas relações e problemas que se apresentam, manifestam-se na participação das empresas transnacionais; no ritmo e na composição do comércio exterior; no valor da relação de preços do intercâm
bio; na magnitude decrescente, em têrmos reais, do financia mento externo, nas fontes que 0 provêm e no grau do endi-
DIGESTO
6
vidamento externo. As persis tentes tendências econômicas recessivas ou o lento ritmo de
crescimentos dos países subde senvolvidos, nos últimos anos, associados com seus proces sos inflacionários, tiveram re percussões negativas nos rit mos e modalidades da ativida de econômica na maioria dos
países da região. 3. A crescente participa ção das empresas transnacionais que dominam setores es tratégicos de maior dinamismo e de mais rápido adiantamento tecnológico, dentro da ativida
de econômica da região, não respeitou, em suas ações, os princípios mantidos pela comu nidade internacional na Carta de
Direitos e
Deveres Econô
ECONÔMICO
estruturais de que padecem muitos países da região. 4. A inflação que afeta a economia mundial incidiu com variada intensidade e com efei
ses exportadores de petróleo conseguiram elevar a relação de preços do intercâmbio com relação aos níveis marcadamente deprimidos dos princí pios do decênio de 1970, Nestes países 0 crescimento econômi co tendeu a elevar-se, e as im
América Latina numa constan te situação de dependência econômica. Assim, enquanto as importações representam bens necessários para manter e au
do, mas deixaram de acumular-se excedentes nas contas externas e, em alguns anos, se
diversificá-las, registram uma baixa proporção de produtos industriais, exportação essa que
registraram déficits
é imprescindível slevar signifi cativamente, para conseguir uma estrutura mais equilibra da nas relações de intercâm bio e participar de modo mais
na conta-
corrente da balança de paga mentos. Nos países não expor
como
limitado
tribuem para
as deformações
atividade econômica
portações continuaram crescen
decênio’ um nível significati vamente inferior ao que se re gistrava no começo do decê
latino-americanas, ao mesmo tempo em que con
mentar a
e 0 processo de crescimento, as exportações, apesar dos avanços que foram feitos para
tecnológica,
economias
mentos, por vários motivos:
importações, determinado espe cialmente pela inflação nos países industriais e pela alta dos preços do petróleo. Assim,
corporação
exportações, estão na base dos problemas de desequilíbrio e dependência externa de muitas
blemas da balança de paga
lho que mantêm os países da
do
nas
trado durante a segunda meta de dos anos setenta, a grande maioria dos países da região teve que enfrentar graves pro I)
financiamento externo e da in
efeito
ternas que tende a perpetuarse pelas políticas protecionis tas e de subsídios a produ ções não competitivas, adota das por muitos países indus trializados, com bases numa
7
divisão internacional do traba
tadores de petróleo, entretan to, esta relação tendeu a dete
seu
ECONÔMICO
tos distintos nos diversos paí ses latino-americanos. Os paí
micos dos Estados, A cana lização, através destas em presas, de significativas pro porções das importações, do assim
DIGESTO
riorar-se — embora
em
dife
rentes proporções —, alcançan nos
dois
últimos
anos
do
nio.
5, Configura-se, deste mo do, uma estrutura assimétrica das relações econômicas ex-
dinâmico no comércio mundial.
Além disso, as crescentes im portações de alimentos efetua das pela maioria dos países da região, constituem um fenôme no sem precedentes, com pro
fundas repercussões que se de vem à dependência externa.
6.
Apesar do aumento de
volume das exportações regis-
0 incremento
do valor das
por exemplo, a mudança nos preços significou em 1978, para a região em conjunto, um in cremento no valor das impor tações de 14.442 milhões de dó lares para os combustíveis e de
25.304
milhões
de
dólares
para as importações de manu
faturados, em relação ao valor das mesmas importações a pre ços de 1970;
II) a deterioração da relação dc preços do intercâmbio; ni) a inflação generalizada nos países industriais de eco
nomia de mercado, que levan tou os preços dos bens manu faturados necessariamente im portados pelos países em de senvolvimento;
IV) o incremento dos serviços financeiros pelo endividamento que se acumulou e pela subida das taxas de juros;
DIGESTO
6
vidamento externo. As persis tentes tendências econômicas recessivas ou o lento ritmo de
crescimentos dos países subde senvolvidos, nos últimos anos, associados com seus proces sos inflacionários, tiveram re percussões negativas nos rit mos e modalidades da ativida de econômica na maioria dos
países da região. 3. A crescente participa ção das empresas transnacionais que dominam setores es tratégicos de maior dinamismo e de mais rápido adiantamento tecnológico, dentro da ativida
de econômica da região, não respeitou, em suas ações, os princípios mantidos pela comu nidade internacional na Carta de
Direitos e
Deveres Econô
ECONÔMICO
estruturais de que padecem muitos países da região. 4. A inflação que afeta a economia mundial incidiu com variada intensidade e com efei
ses exportadores de petróleo conseguiram elevar a relação de preços do intercâmbio com relação aos níveis marcadamente deprimidos dos princí pios do decênio de 1970, Nestes países 0 crescimento econômi co tendeu a elevar-se, e as im
América Latina numa constan te situação de dependência econômica. Assim, enquanto as importações representam bens necessários para manter e au
do, mas deixaram de acumular-se excedentes nas contas externas e, em alguns anos, se
diversificá-las, registram uma baixa proporção de produtos industriais, exportação essa que
registraram déficits
é imprescindível slevar signifi cativamente, para conseguir uma estrutura mais equilibra da nas relações de intercâm bio e participar de modo mais
na conta-
corrente da balança de paga mentos. Nos países não expor
como
limitado
tribuem para
as deformações
atividade econômica
portações continuaram crescen
decênio’ um nível significati vamente inferior ao que se re gistrava no começo do decê
latino-americanas, ao mesmo tempo em que con
mentar a
e 0 processo de crescimento, as exportações, apesar dos avanços que foram feitos para
tecnológica,
economias
mentos, por vários motivos:
importações, determinado espe cialmente pela inflação nos países industriais e pela alta dos preços do petróleo. Assim,
corporação
exportações, estão na base dos problemas de desequilíbrio e dependência externa de muitas
blemas da balança de paga
lho que mantêm os países da
do
nas
trado durante a segunda meta de dos anos setenta, a grande maioria dos países da região teve que enfrentar graves pro I)
financiamento externo e da in
efeito
ternas que tende a perpetuarse pelas políticas protecionis tas e de subsídios a produ ções não competitivas, adota das por muitos países indus trializados, com bases numa
7
divisão internacional do traba
tadores de petróleo, entretan to, esta relação tendeu a dete
seu
ECONÔMICO
tos distintos nos diversos paí ses latino-americanos. Os paí
micos dos Estados, A cana lização, através destas em presas, de significativas pro porções das importações, do assim
DIGESTO
riorar-se — embora
em
dife
rentes proporções —, alcançan nos
dois
últimos
anos
do
nio.
5, Configura-se, deste mo do, uma estrutura assimétrica das relações econômicas ex-
dinâmico no comércio mundial.
Além disso, as crescentes im portações de alimentos efetua das pela maioria dos países da região, constituem um fenôme no sem precedentes, com pro
fundas repercussões que se de vem à dependência externa.
6.
Apesar do aumento de
volume das exportações regis-
0 incremento
do valor das
por exemplo, a mudança nos preços significou em 1978, para a região em conjunto, um in cremento no valor das impor tações de 14.442 milhões de dó lares para os combustíveis e de
25.304
milhões
de
dólares
para as importações de manu
faturados, em relação ao valor das mesmas importações a pre ços de 1970;
II) a deterioração da relação dc preços do intercâmbio; ni) a inflação generalizada nos países industriais de eco
nomia de mercado, que levan tou os preços dos bens manu faturados necessariamente im portados pelos países em de senvolvimento;
IV) o incremento dos serviços financeiros pelo endividamento que se acumulou e pela subida das taxas de juros;
DIGESTO
8
V)
a necessidade de recupe
rar determinados níveis de im
portações, após a retração em meados do decênio de 1970, pa ra sustentar
o incremento
do
produto interno; VI)
de manter
reservas monetárias
em certos
níveis, que se vieram elevan do devido à inflação mundial e pela natureza das entradas de capital que se destinam a in
versões a curto prazo ou a ati
vidades especulativas, e de câmbio das principais moe das de reserva.
O déficit em conta-cor-
anos
acompanhado
setenta
por
e
foi
mudanças
de grande alcance no montan te e na origem do financia mento
se
refere
às
so dos capitais que ingressava América Latina era de ori-
na
oficial e
No entanto, 1970, esses
a longo prazo, no decênio de
capitais
vieram.
em grande proporção, de fon tes privadas (cerca de 85% em 1979), foram obtidos a curto e médio prazos e sujeitos a juros crescentes, com o que o servi ço da dívida em 1980, chegou
externo.
Durante
os
anos setenta, para os países não exportadores de petróleo, 0 déficit chegou, em conse quência, a representar, em mé dia, 3,3% do produto interno bruto, relação muito superior a que se registrava nos anos sessenta, que foi de 1,9%, em
DIGESTO
ECONÔMICO
ções. Por outro lado, torna-se preocupante a continuação des se sistema de financiamento, devido a considerações relati vas ao funcionamento do siste
ma bancário privado, tendo em vista as condições que im põe, bem como a gestão da dí vida por parte dos países que tomam emprestado. 8. tivos
Foram feitos significa progressos nas inver
sões
bilaterais
e
multinacio
das exportações. Resultou des-
nais, tais como a Empresa Navegadora Multinacional do Ca ribe (NAMUCAR) e a Multina
ciável
externa, que
cional Latino Americana Comercializadora de Fertilizantes
em 1965, elevou-se a quase
(MULTIF^R), na infra-estrutu
se processo um aumento apre-
da dívida
de uns 10.000 milhões de dóla-
rente da balança de pagamen tos da maioria dos países, au mentou durante a segunda par dos
que
a representar cerca de 45%
VII) a instabilidade dos tipos
te
No
fontes, nos anos cinquenta e começos dos sessenta, o gros gem
a necessidade
7.
média.
ECONÔMICO
res
150.000 milhões de dólares em
princípios de 1980. Apesar de América Latina a região do mundo que menos gasta em
ser
a
armas,
e
as compras do custoso
sofisticado
armamento
mo'
derno em alguns casos, contri buiram para agravar o problede
ma
e
a
endividamento externo aguçar os desequilíbrios
internos e externos. Elevou-se, em consequência, o grau de
compromisso que representam os serviços financeiros exter nos frente à renda nacional e ao valor corrente das exporta-
ra, em empresas multinacio nais, no campo da energia e na cooperação financeira. Ve rificou-se, também, progresso importante na expansão e di versificação do comércio intraregional, pois tem aumentado a proporção das exportações totais destinadas a países da região, incluindo-se no aumen to bens industriais produtos intermediários e bens de capi tal — frente a exportações des tinadas a outras áreas; para alguns países estas correntes constituiram fator dinâmico de
9
significação em determinadas rubricas. No entanto, os acor dos de integração econômica tropeçaram em algumas difi culdades e não conseguiram, na maioria dos casos, as me tas e objetivos projetados. Observaram-se, pois, entraves e impedimentos no comércio inter-regional. 9.
O ritmo
de
crescimen
to da região, em seu conjunto, durante os anos setenta (algo inferior a 6% ao ano), demons
tra que de fato a região conti nuou
com seu moderado
dina
mismo histórico, sem intensificá-lo como poderia prever-se, dada a experiência mais favo rável dos primeiros anos do de cênio.
ta
Durante
a evolução
países
os
anos
seten
econômica dos
latino-americanos
notadamente
foi
diversificada
e
seus ritmos e estruturas expe
rimentaram mudanças de pro funda significação. As condi ções adversas apontadas acen tuaram-se em países das sub regiões centro americana e do Caribe. Neles, suscitaram-se nos três últimos anos do
decê
nio, quedas no ritmo de cres cimento do produto e, inclusi ve, algunS' pronunciados de-
DIGESTO
8
V)
a necessidade de recupe
rar determinados níveis de im
portações, após a retração em meados do decênio de 1970, pa ra sustentar
o incremento
do
produto interno; VI)
de manter
reservas monetárias
em certos
níveis, que se vieram elevan do devido à inflação mundial e pela natureza das entradas de capital que se destinam a in
versões a curto prazo ou a ati
vidades especulativas, e de câmbio das principais moe das de reserva.
O déficit em conta-cor-
anos
acompanhado
setenta
por
e
foi
mudanças
de grande alcance no montan te e na origem do financia mento
se
refere
às
so dos capitais que ingressava América Latina era de ori-
na
oficial e
No entanto, 1970, esses
a longo prazo, no decênio de
capitais
vieram.
em grande proporção, de fon tes privadas (cerca de 85% em 1979), foram obtidos a curto e médio prazos e sujeitos a juros crescentes, com o que o servi ço da dívida em 1980, chegou
externo.
Durante
os
anos setenta, para os países não exportadores de petróleo, 0 déficit chegou, em conse quência, a representar, em mé dia, 3,3% do produto interno bruto, relação muito superior a que se registrava nos anos sessenta, que foi de 1,9%, em
DIGESTO
ECONÔMICO
ções. Por outro lado, torna-se preocupante a continuação des se sistema de financiamento, devido a considerações relati vas ao funcionamento do siste
ma bancário privado, tendo em vista as condições que im põe, bem como a gestão da dí vida por parte dos países que tomam emprestado. 8. tivos
Foram feitos significa progressos nas inver
sões
bilaterais
e
multinacio
das exportações. Resultou des-
nais, tais como a Empresa Navegadora Multinacional do Ca ribe (NAMUCAR) e a Multina
ciável
externa, que
cional Latino Americana Comercializadora de Fertilizantes
em 1965, elevou-se a quase
(MULTIF^R), na infra-estrutu
se processo um aumento apre-
da dívida
de uns 10.000 milhões de dóla-
rente da balança de pagamen tos da maioria dos países, au mentou durante a segunda par dos
que
a representar cerca de 45%
VII) a instabilidade dos tipos
te
No
fontes, nos anos cinquenta e começos dos sessenta, o gros gem
a necessidade
7.
média.
ECONÔMICO
res
150.000 milhões de dólares em
princípios de 1980. Apesar de América Latina a região do mundo que menos gasta em
ser
a
armas,
e
as compras do custoso
sofisticado
armamento
mo'
derno em alguns casos, contri buiram para agravar o problede
ma
e
a
endividamento externo aguçar os desequilíbrios
internos e externos. Elevou-se, em consequência, o grau de
compromisso que representam os serviços financeiros exter nos frente à renda nacional e ao valor corrente das exporta-
ra, em empresas multinacio nais, no campo da energia e na cooperação financeira. Ve rificou-se, também, progresso importante na expansão e di versificação do comércio intraregional, pois tem aumentado a proporção das exportações totais destinadas a países da região, incluindo-se no aumen to bens industriais produtos intermediários e bens de capi tal — frente a exportações des tinadas a outras áreas; para alguns países estas correntes constituiram fator dinâmico de
9
significação em determinadas rubricas. No entanto, os acor dos de integração econômica tropeçaram em algumas difi culdades e não conseguiram, na maioria dos casos, as me tas e objetivos projetados. Observaram-se, pois, entraves e impedimentos no comércio inter-regional. 9.
O ritmo
de
crescimen
to da região, em seu conjunto, durante os anos setenta (algo inferior a 6% ao ano), demons
tra que de fato a região conti nuou
com seu moderado
dina
mismo histórico, sem intensificá-lo como poderia prever-se, dada a experiência mais favo rável dos primeiros anos do de cênio.
ta
Durante
a evolução
países
os
anos
seten
econômica dos
latino-americanos
notadamente
foi
diversificada
e
seus ritmos e estruturas expe
rimentaram mudanças de pro funda significação. As condi ções adversas apontadas acen tuaram-se em países das sub regiões centro americana e do Caribe. Neles, suscitaram-se nos três últimos anos do
decê
nio, quedas no ritmo de cres cimento do produto e, inclusi ve, algunS' pronunciados de-
DIGESTO
12
força de trabalho, e a maior parte delas se desempenha em trabalhos não qualificados. Em muitos casos
as
mulheres são
objeto de discriminação e de exploração no que concerne a remunerações, condições de trabalho e práticas de contrata
ção, na sua participação da vida política, econômica e só cia; II) as mulheres represen tam uma alta porcentagem da população analfabeta total. In clusive, nos países considera
dos de alto
nível cultural,
a
porcentagem de mulheres com
educação média, técnica e su
perior é baixa. Existe, tam bém, 0 problema especial das jovens que abandonam a esco la por falta de recursos econô
micos,
gravidez,
necessidade
de trabalhar para contribuir para a renda familiar ou ou tras causas; III)
na saúde a
situação é ainda mais crítica, devido aos cuidados especiais exigidos pela gravidez, o parto e a lactância; IV) a legisla ção, enquanto discrimina a mulher, impede sua integra ção no desenvolvimento, e em bora as medidas legislativas não sejam por si só suficien
tes para assegurar a igualda de da mulher, a eliminação de
todas as normas discriminató rias abre caminho para a igual dade. Na região, a discrimina
ção “de fato” apoiou-se e vi-
talizou-se na discriminação "de
jure”.
16.
DIGESTO
ECONÔMICO
A natureza e a dimen
são dos problemas sociais, an
tes mencionados, podem üustrar-se com os indicadores es tatísticos referentes ao conjun
to da região, sobre distribuição de rendas, a magnitude da po
breza extrema e o grau de
ECONÔMICO
13
desemprego aberto é muito al to em muitos países. Cabe, fi
baixa
nalmente, considerar que o rit
parte considerável da força de
mo de
trabalho, o atrazo e a margi
crescimento da
educa
ção primária foi, entre 1970 e 1975, apenas superior ao cres cimento demográfico, e que as taxas de analfabetismo variam
entre 5% e 40% da força de trabalho.
17. Apesar de se ter con seguido uma expansão dos ser viços de saúde em quase todos
os
países da região, e assim
0 indicam os índices de
dimi
más condições de trabalho, a produtividade
de
uma
nalidade de vastos setores so
ciais urbanos e rurais, o anal fabetismo e 0 semi-analfabetis-
mo generalizado, que pesam negativamente na capacidade da força de trabalho, e a limi tada participação da maioria da população na tomada de de cisões
em
todos
os
níveis
e
no processo de desenvolvimen to econômico, social e humano.
B
rendas, cerca de 10% das fa
nuição da mortalidade infantil e 0 aumento de esperança de vida ao nascer, tais serviços estão ainda longe de alcançar
mílias concentram 44% da ren
e
mas
da total, enquanto 40% das fa
essenciais da maioria da popu
postos mostra que não existem
lação, especialmente nas áreas rurais e nas zonas marginais
fatores com suficiente dinamis
ocupação da força de trabalho e da educação. No que se re-
fere à distribuição pessoal de
mílias incluídas em escalas in
feriores só percebem 8%. A magnitude e extensão da po breza pode ser avaliada pelo
satisfazer
as
necessidades
urbanas.
gião, não terem rendas sufi
18. O mais importante de safio é pois, constituído por esse conjunto de problemas so
cientes para
ciais relacionados entre si, que
fato de 40% das famílias da re
cessidades
atender suas ne
essenciais
ou
nor
mais; isso indicaria que, atual mente, cerca de 100 milhões de pessoas
estariam
nessa
situa
ção, O desemprego e o sub emprego afetam um equivalen te a 28% da população econo micamente ativa, sendo que o
afetam
consideráveis
setores
da população nacional, mino rias significativas em alguns países e maioria em outros.
São problemas como a iníqua distribuição da renda, a pobre za crítica, 0 subemprego e as
Perspectiva para
os
anos
oitenta
19.
O exame
econômicos
dos e
proble
sociais
ex
mo cuja atuação espontânea possa mudar a natureza do pro cesso. Mudar pelo menos nos prazos aconselhados pela pru
dência que exige a solução de
tais problemas, com a supera ção das tensões econômicas e
sociais que eles geram. E mais, as perspectivas mostram que tais problemas tendem a recru descer e a ampliar-se.
20. As perspectivas imedia tas da evolução econômica glo-
DIGESTO
12
força de trabalho, e a maior parte delas se desempenha em trabalhos não qualificados. Em muitos casos
as
mulheres são
objeto de discriminação e de exploração no que concerne a remunerações, condições de trabalho e práticas de contrata
ção, na sua participação da vida política, econômica e só cia; II) as mulheres represen tam uma alta porcentagem da população analfabeta total. In clusive, nos países considera
dos de alto
nível cultural,
a
porcentagem de mulheres com
educação média, técnica e su
perior é baixa. Existe, tam bém, 0 problema especial das jovens que abandonam a esco la por falta de recursos econô
micos,
gravidez,
necessidade
de trabalhar para contribuir para a renda familiar ou ou tras causas; III)
na saúde a
situação é ainda mais crítica, devido aos cuidados especiais exigidos pela gravidez, o parto e a lactância; IV) a legisla ção, enquanto discrimina a mulher, impede sua integra ção no desenvolvimento, e em bora as medidas legislativas não sejam por si só suficien
tes para assegurar a igualda de da mulher, a eliminação de
todas as normas discriminató rias abre caminho para a igual dade. Na região, a discrimina
ção “de fato” apoiou-se e vi-
talizou-se na discriminação "de
jure”.
16.
DIGESTO
ECONÔMICO
A natureza e a dimen
são dos problemas sociais, an
tes mencionados, podem üustrar-se com os indicadores es tatísticos referentes ao conjun
to da região, sobre distribuição de rendas, a magnitude da po
breza extrema e o grau de
ECONÔMICO
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desemprego aberto é muito al to em muitos países. Cabe, fi
baixa
nalmente, considerar que o rit
parte considerável da força de
mo de
trabalho, o atrazo e a margi
crescimento da
educa
ção primária foi, entre 1970 e 1975, apenas superior ao cres cimento demográfico, e que as taxas de analfabetismo variam
entre 5% e 40% da força de trabalho.
17. Apesar de se ter con seguido uma expansão dos ser viços de saúde em quase todos
os
países da região, e assim
0 indicam os índices de
dimi
más condições de trabalho, a produtividade
de
uma
nalidade de vastos setores so
ciais urbanos e rurais, o anal fabetismo e 0 semi-analfabetis-
mo generalizado, que pesam negativamente na capacidade da força de trabalho, e a limi tada participação da maioria da população na tomada de de cisões
em
todos
os
níveis
e
no processo de desenvolvimen to econômico, social e humano.
B
rendas, cerca de 10% das fa
nuição da mortalidade infantil e 0 aumento de esperança de vida ao nascer, tais serviços estão ainda longe de alcançar
mílias concentram 44% da ren
e
mas
da total, enquanto 40% das fa
essenciais da maioria da popu
postos mostra que não existem
lação, especialmente nas áreas rurais e nas zonas marginais
fatores com suficiente dinamis
ocupação da força de trabalho e da educação. No que se re-
fere à distribuição pessoal de
mílias incluídas em escalas in
feriores só percebem 8%. A magnitude e extensão da po breza pode ser avaliada pelo
satisfazer
as
necessidades
urbanas.
gião, não terem rendas sufi
18. O mais importante de safio é pois, constituído por esse conjunto de problemas so
cientes para
ciais relacionados entre si, que
fato de 40% das famílias da re
cessidades
atender suas ne
essenciais
ou
nor
mais; isso indicaria que, atual mente, cerca de 100 milhões de pessoas
estariam
nessa
situa
ção, O desemprego e o sub emprego afetam um equivalen te a 28% da população econo micamente ativa, sendo que o
afetam
consideráveis
setores
da população nacional, mino rias significativas em alguns países e maioria em outros.
São problemas como a iníqua distribuição da renda, a pobre za crítica, 0 subemprego e as
Perspectiva para
os
anos
oitenta
19.
O exame
econômicos
dos e
proble
sociais
ex
mo cuja atuação espontânea possa mudar a natureza do pro cesso. Mudar pelo menos nos prazos aconselhados pela pru
dência que exige a solução de
tais problemas, com a supera ção das tensões econômicas e
sociais que eles geram. E mais, as perspectivas mostram que tais problemas tendem a recru descer e a ampliar-se.
20. As perspectivas imedia tas da evolução econômica glo-
DIGESTO
38
mas que pressionam o comér cio intra-regional e extra-règional.
92. Dever-se-ão avaliar as necessidades em matéria de
promoção
e
comercialização
conjunta, quanto à exportação ou importação. Com base nisso poder-se-iam promover proje tos de constituição de empre sas multinacionais
de
93. Deverá ser dado todo 0 apoio necessário às associa ções de produtores tais como a
União de Países Exportadores de Banana (UPEB) e o GEPLACEA assim como às empreX
sas multinacionais de
i
cialização
"
comer
cialização para aproveitamento da capacidade de venda e de compra conjunta da região.
comer-
existentes, a MUL-
TIFER é a Companhia Comercializadora
Multinacional
de
Banana (COMUNBANA) sem pre que as circunstâncias o permitam.
ECONÔMICO
Caribe è em outros países
em
desenvolvimento dentro das as
sociações de produtores existen tes. Os governos deverão conti nuar considerando urgentemen te 0 estabelecimento de
novas
associações de produtores e o fortalecimento das associações existentes. A este respeito re comenda-se que, utilizando um enfoque para cada caso, pres te-se atenção a todas as formas de cooperação entre produtores, exportadores de matérias-pri
mas dos países regionais,
le
vando-se em
as
consideração
condições específicas de cada produto básico e os mercados internacionais.
Entre as ativi
dades que seriam desenvolvidas de' pelas novas associações produtores contar-se-iam as seguintes: I) intercâmbio de informa ção e experiência sobre produ ção, mercados, comercializa
DIGESTO
ECONÔMICO
39
nômico. Dentro dos campos da comercialização assume parti cular importância o estabeleci mento, em um futuro próximo, pelos países interessados, de representações ou outro meca nismo idôneo nas principais
bolsas de produtos básicos, com
produtos básicos que se preten da difundir;
VII) realização de seminá rios para facilitar um desenvol
mitirem
periodicamente
aos
países-membros, e que estejam em condições de desmentir qualquer informação distorcida
III) difusão entre seus mem bros de conhecimentos sobre
inovações em matéria de pro dutividade, produção e melho ramento das qualidades e das normas;
exportação,
retas em diversos campos, co
mo a criação de centros de in vestigação e desenvolvimento e
logias.
94. Os países latino-ameri canos e do Caribe deverão orga nizar-se melhor e aproveitar ao máximo a experiência adquiri da e a tecnologia desenvolvida
II) estabelecimento de es quemas e investigação conjun tos para o desenvolvimento de
mar empresas de produção, comercialização, elaboração e
novos usos e redução dos custos de produção, assim como ou
. ' V) estudo e exame de me-'
dentro da América
tros elementos de caráter
e
eco-
as inversões
vimento harmônico e vigoroso da produção e impulsionar a
comercialização
dos
membros, a fim
de contribuir
mistas para for
armazenamento; canismos de reservas nacionais
países
para a adoção de posições em comum nas negociações que se realizam
Produtos básicos
Latina
VI) constituição de organis
sobre os mercados mundiais de
dos, para por sua vez, as trans
elaboração, transformação, dis tribuição, transporte e tecno
de
e formar ou fortalecer contin
gentes de exportação, assim co mo de outras medidas para a proteção dos preços; mos de consulta, nos casos em que o estimem necessário os paí ses produtores, em relação aos diversos produtos básicos de in teresse para a região. Entre outras atividades, estes organis mos poderão elaborar estraté gias diante de foros de carátei mundial;
0 propósito de que as associa ções contem com informação oportuna sobre preços e merca
IV) adoção de medidas di
ção, políticas
coordenados dentro da região, visando a estabilizar os preços
nas
reuniões
interna
cionais sobre um produto.
95. Com o objetivo de dar impulso às atividades de co
mercialização e distribuição e neutralizar as práticas restriti vas das empresas transnacionais nos países da região, dever-se-ão
utilizar
mecanismos
conjuntos, inclusive com o estabelécimento de empresas mul-
DIGESTO
38
mas que pressionam o comér cio intra-regional e extra-règional.
92. Dever-se-ão avaliar as necessidades em matéria de
promoção
e
comercialização
conjunta, quanto à exportação ou importação. Com base nisso poder-se-iam promover proje tos de constituição de empre sas multinacionais
de
93. Deverá ser dado todo 0 apoio necessário às associa ções de produtores tais como a
União de Países Exportadores de Banana (UPEB) e o GEPLACEA assim como às empreX
sas multinacionais de
i
cialização
"
comer
cialização para aproveitamento da capacidade de venda e de compra conjunta da região.
comer-
existentes, a MUL-
TIFER é a Companhia Comercializadora
Multinacional
de
Banana (COMUNBANA) sem pre que as circunstâncias o permitam.
ECONÔMICO
Caribe è em outros países
em
desenvolvimento dentro das as
sociações de produtores existen tes. Os governos deverão conti nuar considerando urgentemen te 0 estabelecimento de
novas
associações de produtores e o fortalecimento das associações existentes. A este respeito re comenda-se que, utilizando um enfoque para cada caso, pres te-se atenção a todas as formas de cooperação entre produtores, exportadores de matérias-pri
mas dos países regionais,
le
vando-se em
as
consideração
condições específicas de cada produto básico e os mercados internacionais.
Entre as ativi
dades que seriam desenvolvidas de' pelas novas associações produtores contar-se-iam as seguintes: I) intercâmbio de informa ção e experiência sobre produ ção, mercados, comercializa
DIGESTO
ECONÔMICO
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nômico. Dentro dos campos da comercialização assume parti cular importância o estabeleci mento, em um futuro próximo, pelos países interessados, de representações ou outro meca nismo idôneo nas principais
bolsas de produtos básicos, com
produtos básicos que se preten da difundir;
VII) realização de seminá rios para facilitar um desenvol
mitirem
periodicamente
aos
países-membros, e que estejam em condições de desmentir qualquer informação distorcida
III) difusão entre seus mem bros de conhecimentos sobre
inovações em matéria de pro dutividade, produção e melho ramento das qualidades e das normas;
exportação,
retas em diversos campos, co
mo a criação de centros de in vestigação e desenvolvimento e
logias.
94. Os países latino-ameri canos e do Caribe deverão orga nizar-se melhor e aproveitar ao máximo a experiência adquiri da e a tecnologia desenvolvida
II) estabelecimento de es quemas e investigação conjun tos para o desenvolvimento de
mar empresas de produção, comercialização, elaboração e
novos usos e redução dos custos de produção, assim como ou
. ' V) estudo e exame de me-'
dentro da América
tros elementos de caráter
e
eco-
as inversões
vimento harmônico e vigoroso da produção e impulsionar a
comercialização
dos
membros, a fim
de contribuir
mistas para for
armazenamento; canismos de reservas nacionais
países
para a adoção de posições em comum nas negociações que se realizam
Produtos básicos
Latina
VI) constituição de organis
sobre os mercados mundiais de
dos, para por sua vez, as trans
elaboração, transformação, dis tribuição, transporte e tecno
de
e formar ou fortalecer contin
gentes de exportação, assim co mo de outras medidas para a proteção dos preços; mos de consulta, nos casos em que o estimem necessário os paí ses produtores, em relação aos diversos produtos básicos de in teresse para a região. Entre outras atividades, estes organis mos poderão elaborar estraté gias diante de foros de carátei mundial;
0 propósito de que as associa ções contem com informação oportuna sobre preços e merca
IV) adoção de medidas di
ção, políticas
coordenados dentro da região, visando a estabilizar os preços
nas
reuniões
interna
cionais sobre um produto.
95. Com o objetivo de dar impulso às atividades de co
mercialização e distribuição e neutralizar as práticas restriti vas das empresas transnacionais nos países da região, dever-se-ão
utilizar
mecanismos
conjuntos, inclusive com o estabelécimento de empresas mul-
DIGESTO
44
ECONÔMICO
DIGESTO
do,
incluindo-se
aí, além das
fontes tradicionais, as relativas a fontes de energia novas e re
nováveis, de acordo com os pla nos e prioridades nacionais e re gionais.
111.
Dever-se-á, além dis
so, fomentar a cooperação in ternacional em
matéria tecno
lógica e financeira, além de ou tras razões, para o fortaleci mento da capacidade tecnoló gica dos países em desenvolvi
mento, com apoio do trabalho
de
desenvolvimento
com base
em
intra-industriais triais;
interindus-
III) 0 estabelecimento de políticas a longo prazo baseadas em eventuais acordos da região, com setores industriais da co munidade internacional para a
reestruturação das capacidades produtivas, em função de obje tivos e prioridades do desenvol
5 Indústria
112.
Os
países
deverão adotar
da
medidas
região pata
conseguir: . I) 0 fortalecimento e inten sificação do fomento de indús trias básicas, das; agroindús trias, assim como das pequenas e médias empresas em condi
ções de eficiência e produtivi dade;
II) 0 estabelecimento de uma estratégia de desenvolvi mento regional que permita aproveitar as vantagens com
parativas e conseguir acordos
VI) 0 aperfeiçoamento dos planos e estratégias de desen volvimento industrial dos paí ses latino-americanos e do Ca
ribe, que estruturem de for ma coerente na adoção de de
cisões efetivas para a raciona lização do uso e exploração dos recursos naturais;
auspícios da Organização das Nações Unidas para o Desen volvimento
Industrial (ONUD),
com a colaboração dos organis mos regionais competentes, pa ra a definição de ações conjun tas, capazes de facilitar o êxito de processos integrais de rees truturação industrial, incluindose aí, a adoção de políticas efe tivas de reajuste estrutural por parte dos países desenvolvidos;
juntos para incremento da ofer ta exportável de manufaturas
para o desenvolvimento econô
ramos específicos
papel^ regional nas etapas de
consultas relativas aos diferen tes ramos industriais, sob os
X) a identificação, promo ção e execução de projetos con
113. A cooperação pode se dar em setores amplos, entre
IV) a aceleração do procesimportaso de substituição de çoes de forma racional e seletiva, nos casos em que seja ne V) a realização regional de
cionais da região e de projetos de complementação industrial;
cidade científico-tecnológica em
setores industriais prioritários
cessário;
IX) o estabelecimento e ex pansão de indústrias multina
e semimanufaturas.
VII) a ampliação da capa
vimento econômico dos países em desenvolvimento;
de investigação científica e téc nica.
45
industrial
especializações e
ECONÔMICO
mico da região, fortalecendo o seleção, aquisição, assimilação e inovação;
VIII) 0 aperfeiçoamento das legislações nacionais para a re gulamentação da transferência de tecnologia, dos investimentos estrangeiros e das
atividades
dessas empresas a fim de asse
ou mediante
acertos entre empresas de dis
tintos países. As áreas princi pais para isso poderiam ser as da complementação ou progra mação conjunta de atividades industriais de alta densidade e
volume de capital e com merca dos nacionais insuficientes ou
instáveis, como a petroquímica, a indústria do alumínio, a cons trução naval, ou a siderurgia. A produção de bens de capital é
gurar que elas só sejam acei tas quando convenha aos inte resses dos países receptores e que suas atividades se adaptem
um caso especial, já que sua fa bricação contínuo promove
às políticas, legislações, pro
genharia e confere aos países
gramas, metas e objetivas des ses países. A esse respeito se deveria promover um ativo in
optar
tercâmbio de informações sobre as modalidades de operação das empresas
transnacionais
âmbito latino americano.
no
avanço da tecnologia e da
en-
que a realizam a capacidade de entre
alternativas
de
produção. A região, em conjun to, poderia aspirar a um eleva do nível em suas
organizações de países
científicas; grupos poderiam cooperar
em certos
DIGESTO
44
ECONÔMICO
DIGESTO
do,
incluindo-se
aí, além das
fontes tradicionais, as relativas a fontes de energia novas e re
nováveis, de acordo com os pla nos e prioridades nacionais e re gionais.
111.
Dever-se-á, além dis
so, fomentar a cooperação in ternacional em
matéria tecno
lógica e financeira, além de ou tras razões, para o fortaleci mento da capacidade tecnoló gica dos países em desenvolvi
mento, com apoio do trabalho
de
desenvolvimento
com base
em
intra-industriais triais;
interindus-
III) 0 estabelecimento de políticas a longo prazo baseadas em eventuais acordos da região, com setores industriais da co munidade internacional para a
reestruturação das capacidades produtivas, em função de obje tivos e prioridades do desenvol
5 Indústria
112.
Os
países
deverão adotar
da
medidas
região pata
conseguir: . I) 0 fortalecimento e inten sificação do fomento de indús trias básicas, das; agroindús trias, assim como das pequenas e médias empresas em condi
ções de eficiência e produtivi dade;
II) 0 estabelecimento de uma estratégia de desenvolvi mento regional que permita aproveitar as vantagens com
parativas e conseguir acordos
VI) 0 aperfeiçoamento dos planos e estratégias de desen volvimento industrial dos paí ses latino-americanos e do Ca
ribe, que estruturem de for ma coerente na adoção de de
cisões efetivas para a raciona lização do uso e exploração dos recursos naturais;
auspícios da Organização das Nações Unidas para o Desen volvimento
Industrial (ONUD),
com a colaboração dos organis mos regionais competentes, pa ra a definição de ações conjun tas, capazes de facilitar o êxito de processos integrais de rees truturação industrial, incluindose aí, a adoção de políticas efe tivas de reajuste estrutural por parte dos países desenvolvidos;
juntos para incremento da ofer ta exportável de manufaturas
para o desenvolvimento econô
ramos específicos
papel^ regional nas etapas de
consultas relativas aos diferen tes ramos industriais, sob os
X) a identificação, promo ção e execução de projetos con
113. A cooperação pode se dar em setores amplos, entre
IV) a aceleração do procesimportaso de substituição de çoes de forma racional e seletiva, nos casos em que seja ne V) a realização regional de
cionais da região e de projetos de complementação industrial;
cidade científico-tecnológica em
setores industriais prioritários
cessário;
IX) o estabelecimento e ex pansão de indústrias multina
e semimanufaturas.
VII) a ampliação da capa
vimento econômico dos países em desenvolvimento;
de investigação científica e téc nica.
45
industrial
especializações e
ECONÔMICO
mico da região, fortalecendo o seleção, aquisição, assimilação e inovação;
VIII) 0 aperfeiçoamento das legislações nacionais para a re gulamentação da transferência de tecnologia, dos investimentos estrangeiros e das
atividades
dessas empresas a fim de asse
ou mediante
acertos entre empresas de dis
tintos países. As áreas princi pais para isso poderiam ser as da complementação ou progra mação conjunta de atividades industriais de alta densidade e
volume de capital e com merca dos nacionais insuficientes ou
instáveis, como a petroquímica, a indústria do alumínio, a cons trução naval, ou a siderurgia. A produção de bens de capital é
gurar que elas só sejam acei tas quando convenha aos inte resses dos países receptores e que suas atividades se adaptem
um caso especial, já que sua fa bricação contínuo promove
às políticas, legislações, pro
genharia e confere aos países
gramas, metas e objetivas des ses países. A esse respeito se deveria promover um ativo in
optar
tercâmbio de informações sobre as modalidades de operação das empresas
transnacionais
âmbito latino americano.
no
avanço da tecnologia e da
en-
que a realizam a capacidade de entre
alternativas
de
produção. A região, em conjun to, poderia aspirar a um eleva do nível em suas
organizações de países
científicas; grupos poderiam cooperar
em certos
h.
● DIGESTO
46
de especialização técnica, apoiados por um sistema ramos
produtivo integrado. Os grandes projetos dos setores básicos, que geram parte importante da
demanda de bens de capital, abrem oportunidades para'uma frutífera ação complementar entre as empresas da região. 114.
É preciso
identificar
as características gerais do florecimento industrial para que este corresponda aos objetivos de industrialização e desenvol-
ECONÔMICO
mento dos países latino-ame ricanos e do Caribe, e não se centralize em indústrias poluidoras ou não, competitivas ou em inadequada utilização das vantagens competitivas - da re gião. O CEGAN deverá efetuar as reuniões especiais necessá rias na base do estudo que está sendo preparado pelo SELA com 0 apoio da CEP AL e o represehtánte, regional da ONUDI.
A reforma fiscal
no Brasil
(Continua) Roberlo de Oliveira Campos BONN
Telefunken da Alemanha tem ajuda oficial Ameaçados de . fechamento por uma crise que o afeta há vários anos, o importante consórcio eletrotécnico AEG Telefunken — Allgemeine Electricitaets-Gesellschaft —' obteve do governo alemão, a garantia de luna ajuda financeira de .600 milhões de marcos- (aproximadamente-250 milhões de dólares). Esses recursos se des tinam a apoiar as exportações,- mas economistas alemães consideram .que também deverão ser usados para assegurar fundos- disponíveis à empresa, e salvá-la do “naufrágio”. Sem a garantia estatal concedida pelo governo, .di ficilmente a AEG — fundada há 99 anos. ,e atualmente com lama dívida de
cinco bilhões de marcos — conseguiría obter novos empréstimos bancários,
segundo disseram os mesmos- especialistas. .A ajuda governamental objetiva, principalmente, evitar a dispensa de 100 mil trabalhadores da empresa, e estabelece
que
o
setor financeiro privado- deverá facilitar a concessão de
outro crédito, no valor de 27,5 milhões de ma.rcos.--A crise, que afeta diversos setores da economia alemã provocou a quebra- de- 893 pequenas empresas somente no último mês de maio ■(●50,6% a; mais ,do que em maio de-. 1981).
segundo informou ontem, em Wiesbaden, o-Escritório ● Federal. de Estatísticas da -República Federal da Alemanha.- No mesmo -período,- foram tequeridas
A carga fiscal pode ser alcançada com um redimensionamento do papel e das funções
do governo. Palestra do embaixador Roberto de Oliveira
Campos na Associação Comercial de São Pauio^ em iulho de 1982.
O SR. ROBERTO DE OLT VEIRA CAMPOS (sem revi
são do orador) — Meu caro presidente, Guilherme Afif Do mingos, Srs. presidentes da A. C. Regionais. Para economizar saudações, vou valer-me de um recurso de um prefeito de Ma to Grosso que, embaraçado
1.164 falências e concordatas —-38,7 a mais dó: que-em-igual mês .do ano
com a presença de numerosas
passado.
personalidades, limitou-se a di¬
zer: considerem-se saudadas to
das as personalidades a nível de excelência.
Convidado para iniciar este Seminário para Avaliação do Sistema Tributário Nacional, experimento duas desvanta gens: não sendo o primeiro a versai o assunto, pois vários
seminários foram já dirigidos, dificilmente serei original; não
h.
● DIGESTO
46
de especialização técnica, apoiados por um sistema ramos
produtivo integrado. Os grandes projetos dos setores básicos, que geram parte importante da
demanda de bens de capital, abrem oportunidades para'uma frutífera ação complementar entre as empresas da região. 114.
É preciso
identificar
as características gerais do florecimento industrial para que este corresponda aos objetivos de industrialização e desenvol-
ECONÔMICO
mento dos países latino-ame ricanos e do Caribe, e não se centralize em indústrias poluidoras ou não, competitivas ou em inadequada utilização das vantagens competitivas - da re gião. O CEGAN deverá efetuar as reuniões especiais necessá rias na base do estudo que está sendo preparado pelo SELA com 0 apoio da CEP AL e o represehtánte, regional da ONUDI.
A reforma fiscal
no Brasil
(Continua) Roberlo de Oliveira Campos BONN
Telefunken da Alemanha tem ajuda oficial Ameaçados de . fechamento por uma crise que o afeta há vários anos, o importante consórcio eletrotécnico AEG Telefunken — Allgemeine Electricitaets-Gesellschaft —' obteve do governo alemão, a garantia de luna ajuda financeira de .600 milhões de marcos- (aproximadamente-250 milhões de dólares). Esses recursos se des tinam a apoiar as exportações,- mas economistas alemães consideram .que também deverão ser usados para assegurar fundos- disponíveis à empresa, e salvá-la do “naufrágio”. Sem a garantia estatal concedida pelo governo, .di ficilmente a AEG — fundada há 99 anos. ,e atualmente com lama dívida de
cinco bilhões de marcos — conseguiría obter novos empréstimos bancários,
segundo disseram os mesmos- especialistas. .A ajuda governamental objetiva, principalmente, evitar a dispensa de 100 mil trabalhadores da empresa, e estabelece
que
o
setor financeiro privado- deverá facilitar a concessão de
outro crédito, no valor de 27,5 milhões de ma.rcos.--A crise, que afeta diversos setores da economia alemã provocou a quebra- de- 893 pequenas empresas somente no último mês de maio ■(●50,6% a; mais ,do que em maio de-. 1981).
segundo informou ontem, em Wiesbaden, o-Escritório ● Federal. de Estatísticas da -República Federal da Alemanha.- No mesmo -período,- foram tequeridas
A carga fiscal pode ser alcançada com um redimensionamento do papel e das funções
do governo. Palestra do embaixador Roberto de Oliveira
Campos na Associação Comercial de São Pauio^ em iulho de 1982.
O SR. ROBERTO DE OLT VEIRA CAMPOS (sem revi
são do orador) — Meu caro presidente, Guilherme Afif Do mingos, Srs. presidentes da A. C. Regionais. Para economizar saudações, vou valer-me de um recurso de um prefeito de Ma to Grosso que, embaraçado
1.164 falências e concordatas —-38,7 a mais dó: que-em-igual mês .do ano
com a presença de numerosas
passado.
personalidades, limitou-se a di¬
zer: considerem-se saudadas to
das as personalidades a nível de excelência.
Convidado para iniciar este Seminário para Avaliação do Sistema Tributário Nacional, experimento duas desvanta gens: não sendo o primeiro a versai o assunto, pois vários
seminários foram já dirigidos, dificilmente serei original; não
DIG-ESTO
48
tendo participado de seminários anteriores,
provavelmente
se
rei repetitivo. Guilherme Afif criou para mim então uma re ceita do enfado. Talvez por isso ele tenha escolhido uma hora matinal, inapropriada, em prin cípio pela sonolência. Antes de ferir o tema da re forma fiscal, para o qual me
sinto desequipado. por longa ausência e perdida vivência do fato fiscal e administrativo,
gostaria ds pincelar alguns as pectos sociológicos e quiçá fi losóficos, embora Castello Bran co costumasse dizer que não se deve usar a palavra filosofia a propósito de secos e molha dos, do panorama fiscal inter nacional.
ECONÔMICO
americana, teve uma origem muito mais pedestre, fiscal. No Brasil, 0 nascimento da Inconfi dência refletiu em parte o pro testo contra o imposto do ouro.
Quase todas as grandes rebe liões camponesas da história
foram protestos contra a orgia do fisco do senhorio. E quando os historiadores do futuro cavo-
carem os escombros da revolu"
ção islâmica, talvez concluam que a prestidigitação histórica de Khomeini teve como humil
de e prosáica origem o confisco pelo xá das terras do clero.
Não falo nem dessas grandes revoluções, nem dos fenômenos mais pedestres de legitimação da evasão fiscal, como o puja-
dismo, na França, Guilstro, na Dinamarca. Refiro-me, sim, ao
Nota-se emergente, particir reexame que se processa em so larmente no mundo anglo-saxô- ciedades estáveis e modernas nico, a França socialista é no dos limites de tolerância na tável exceção a esta-paisagem, carga tributária e seus efeitos uma reação antifiscalista. Es sobre os incentivos produtivos, ta reação nada tem a ver com e sua manipulação como ins movimentos históricos de rebe
lião fiscal, que destruíram ou construíram nações no passado.
Ninguém ignora a importância do fisco como detonador histó rico de transformações políti
cas. A declaração soberba dos
princípios ■ libertários, em Filadélfia, que criou a democracia
trumento desenvolvimentista ou
antiinflacionário.
A reação anti-fiscalista nos Estados Unidos c na Inglaterra por exemplo, está associada a u!ma ressurreição do moneta-*
rismo. E tem múltiplas origens, Primeiro um certo grau de des-
DIGESTO
49
ECONÔMICO
crença na capacidade manipulativa dos governos, dramatiza da pelo fenômeno da estagflaçâo. Segundo, o revisionismo em
relação a doutrinas cas
tradicionais.
econômi
Revisionismo
particular exemplificado em pelas novas teses da economia pelo lado da oferta. Terceiro, a crise do Estado assistencial, o
Estado providência.
Quarto, o
fenômeno da economia subter-
rânea, ou seja, aquilo que os anglo-saxões chamam de eco nomia informal, e os italianos denominam elegantemente de economia quaternária. A intratabilidade
da
estagflação nos
países industrializados e pelos
métodos keynesianos da admi nistração da procura agregada, através da manipulação fiscal,
verno, acusada de cercear a concorrência e elevar os custos
de investimentos, inclusive por excessiva preocupação ecológi ca, a economia, para utilizar um neologismo corrente. Em
outros
países, como
a
Inglaterra e talvez a Alemanha Federal, as preocupações maiores
sao
com
a
excessiva
ex-
pansão do Estado providência,
que criou uma espiral de gas tos públicos relacionados não
com a melhoria do aparelho nrodutivo. e, sim, com a pro
teção do indivíduo contra os ris
cos e intempéries do mercado. Note-se,
entre
parênteses.
que a França socialista segue
0 oposto. Enquanto a economia pelo lado da oferta visa a esti"
tro gerou a busca de uma no
mular a oferta pela liberação do agente privado, a França persegue o mesmo objetivo pe la intensificação do ator públi"
lado da oferta.
do monetarista, a França virou
redundou de um lado em des
confiança na capacidade manipulativa dos governos, e, de ou
va ortodoxia, a economia pelo Nesta economia, hoje a voga corrente nos Estados Unidos, enfatizam-se dois elementos. De
um lado a desgravação fiscal,
para restaurar incentivos ao in vestidor e ao poupador. De ou tro lado, 0 desmantelamento da intervenção regulatória do go-
co. Num mundo que está viran um reduto keynesiano. Uma outra motivação pava a
reação
antifiscalista, ou, pelo
menos, para uma reconsidera* ção da carga tributária global é a cr se do Estado providência, mais ou menos universal, e não especificamente brasileira. Há
DIG-ESTO
48
tendo participado de seminários anteriores,
provavelmente
se
rei repetitivo. Guilherme Afif criou para mim então uma re ceita do enfado. Talvez por isso ele tenha escolhido uma hora matinal, inapropriada, em prin cípio pela sonolência. Antes de ferir o tema da re forma fiscal, para o qual me
sinto desequipado. por longa ausência e perdida vivência do fato fiscal e administrativo,
gostaria ds pincelar alguns as pectos sociológicos e quiçá fi losóficos, embora Castello Bran co costumasse dizer que não se deve usar a palavra filosofia a propósito de secos e molha dos, do panorama fiscal inter nacional.
ECONÔMICO
americana, teve uma origem muito mais pedestre, fiscal. No Brasil, 0 nascimento da Inconfi dência refletiu em parte o pro testo contra o imposto do ouro.
Quase todas as grandes rebe liões camponesas da história
foram protestos contra a orgia do fisco do senhorio. E quando os historiadores do futuro cavo-
carem os escombros da revolu"
ção islâmica, talvez concluam que a prestidigitação histórica de Khomeini teve como humil
de e prosáica origem o confisco pelo xá das terras do clero.
Não falo nem dessas grandes revoluções, nem dos fenômenos mais pedestres de legitimação da evasão fiscal, como o puja-
dismo, na França, Guilstro, na Dinamarca. Refiro-me, sim, ao
Nota-se emergente, particir reexame que se processa em so larmente no mundo anglo-saxô- ciedades estáveis e modernas nico, a França socialista é no dos limites de tolerância na tável exceção a esta-paisagem, carga tributária e seus efeitos uma reação antifiscalista. Es sobre os incentivos produtivos, ta reação nada tem a ver com e sua manipulação como ins movimentos históricos de rebe
lião fiscal, que destruíram ou construíram nações no passado.
Ninguém ignora a importância do fisco como detonador histó rico de transformações políti
cas. A declaração soberba dos
princípios ■ libertários, em Filadélfia, que criou a democracia
trumento desenvolvimentista ou
antiinflacionário.
A reação anti-fiscalista nos Estados Unidos c na Inglaterra por exemplo, está associada a u!ma ressurreição do moneta-*
rismo. E tem múltiplas origens, Primeiro um certo grau de des-
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ECONÔMICO
crença na capacidade manipulativa dos governos, dramatiza da pelo fenômeno da estagflaçâo. Segundo, o revisionismo em
relação a doutrinas cas
tradicionais.
econômi
Revisionismo
particular exemplificado em pelas novas teses da economia pelo lado da oferta. Terceiro, a crise do Estado assistencial, o
Estado providência.
Quarto, o
fenômeno da economia subter-
rânea, ou seja, aquilo que os anglo-saxões chamam de eco nomia informal, e os italianos denominam elegantemente de economia quaternária. A intratabilidade
da
estagflação nos
países industrializados e pelos
métodos keynesianos da admi nistração da procura agregada, através da manipulação fiscal,
verno, acusada de cercear a concorrência e elevar os custos
de investimentos, inclusive por excessiva preocupação ecológi ca, a economia, para utilizar um neologismo corrente. Em
outros
países, como
a
Inglaterra e talvez a Alemanha Federal, as preocupações maiores
sao
com
a
excessiva
ex-
pansão do Estado providência,
que criou uma espiral de gas tos públicos relacionados não
com a melhoria do aparelho nrodutivo. e, sim, com a pro
teção do indivíduo contra os ris
cos e intempéries do mercado. Note-se,
entre
parênteses.
que a França socialista segue
0 oposto. Enquanto a economia pelo lado da oferta visa a esti"
tro gerou a busca de uma no
mular a oferta pela liberação do agente privado, a França persegue o mesmo objetivo pe la intensificação do ator públi"
lado da oferta.
do monetarista, a França virou
redundou de um lado em des
confiança na capacidade manipulativa dos governos, e, de ou
va ortodoxia, a economia pelo Nesta economia, hoje a voga corrente nos Estados Unidos, enfatizam-se dois elementos. De
um lado a desgravação fiscal,
para restaurar incentivos ao in vestidor e ao poupador. De ou tro lado, 0 desmantelamento da intervenção regulatória do go-
co. Num mundo que está viran um reduto keynesiano. Uma outra motivação pava a
reação
antifiscalista, ou, pelo
menos, para uma reconsidera* ção da carga tributária global é a cr se do Estado providência, mais ou menos universal, e não especificamente brasileira. Há
DIGESTO
50
vários tipos de Estado provi dência. Um tipo clássico é o inglês, que não tem apenas preocupações securitárias, mas visa
ativamente a uma redis-
tribuição de renda. Ê um Es tado redistributivo, que certa mente não levou a Inglaterra a nenhum progresso espetacular nos últimos anos.
Um segundo tipo de Estado providência é o Estado distributivo liberal, da Alemanha Fe deral, em que as preocupações são eminentemente securitárias, dar segurança e proteção ao in divíduo, sem entretanto utilizálo como instrumento de redistribuiçâo de renda.
Começa a surgir uma nova
forma de Estado providência. o
Estado minimalista, que é' o proposto pelo Presidente
Rea-
gan. Estado em que a providên cia se confinaria à proteção dos mais fracos e débeis, enquanto que através de reduções de im criar postos, se procurariam condições para que os indiví duos se exponham mais aos ris cos do mercado. Na
América
Latina
há
um
outro tipo de Estado providên cia, que surgiu particularmen
te no
Uruguai, na
Argentina,
ECONÔMICO
DIGESTO
ECONÔMICO
51
até certo ponto no Chile, em épocas passadas. É o Estado providência prematuro em que se cogitava redistribuir mais do que efetivamente se podia produzir, com resultados de es tagnação econômica e exacer bação inflacionária.
Vários países se dão conta hoje de que existem limites de tolerância fiscal, além dos quais a economia se submerge numa penumbra estatística e busca prêmios à sua capacida de produtiva fora do universo fiscal e legal. Há quem estime
Seja como for a crise do Es tado providência é mundial.
que pelo menos
Uma terceira motivação pa ra uma reação antifiscalista é um alastramento do fenômeno da economia subterrânea. Es ta economia subterrânea do cumenta dramaticamente os li mites de tolerância fiscal. Lem
bremo-nos de que Colin Clark, há quase 30 anos atrás, em seu livro “Conditions of Economics Progress” indicava um limite empírico de 25% do produto na cional bruto, como sendo a fa
tia já máxima que o governo poderia abocanhar, sem provo car inflação ou estagnação. De então para cá poucos governos se ativeram a esse limite. E se considerados
os
vários
níveis
de tributação, as contribuições parafiscais, a gulodice fiscal dos governos ocidentais deve elevar-se entre 35% a 50% do PNB, conforme o país.
um terço da
economia italiana, e talvez a s|ua parte mais dinâmica em termos de diversificação de exportações venha do chamado
“lavoro nero”. em bases fami liares ou semi-airtesanais, es capando da contribuição do fis co, ou melhor, da sua opres
são, e das contribuições assis-
ca
outrossim
um
relutante
re
conhecimento de que os exces sos da carga tributária repre sentam um desestimulo à cria tividade do indivíduo e um es
tímulo ao afrouxamento aos pa drões morais e civis da comu nidade.
É contra este pano de fun do, meus senhores, que desejo agora projetar, em termos mui to genéricos, porque análises detalhadas Já foram feitas e virão a ser feitas em outros se
minários, da experiência brasi leira recente. O
Sistema Tributário Brasi
tenciais. Há também quem es
leiro está
time que nos Estados Unidos e Inglaterra, países de ética fis
nado à complexidade, por dois
cal assaz elevada, ou tradicio nalmente elevada, a economia quaternária se eleve entre 10% a 15% do PNB, sendo de notar que Os índices de desemprego provavelmente sobreestimem o
desemprego efetivo, pela tenta ção de se associar à compen sação
do
desemprego
ocupa
ções não registradas estatisti camente, a fim de contornar o
infelizmente conde
motivos:
Primeiro, a estrutura fe derativa, com três níveis de go verno, federal, estadual e mu nicipal. Segundo, a enorme dis paridade de níveis de desenvol vimento.
O Brasil
são
vários
“brasis”. Há o “Brasil” do Sul, industrializado, com boa capa cidade geradora de receita e li mites de tolerância
fiscal não
fisco.
muito diferente dos países de senvolvidos. Há
0 “Brasil”
do
Esta reação antifiscalista côrrente, com pequenas exce
Nordeste,
necessita
de
transferência
de
ções no mundo ocidental, impli-
renda, para suplementar a re-
substancial
que
DIGESTO
50
vários tipos de Estado provi dência. Um tipo clássico é o inglês, que não tem apenas preocupações securitárias, mas visa
ativamente a uma redis-
tribuição de renda. Ê um Es tado redistributivo, que certa mente não levou a Inglaterra a nenhum progresso espetacular nos últimos anos.
Um segundo tipo de Estado providência é o Estado distributivo liberal, da Alemanha Fe deral, em que as preocupações são eminentemente securitárias, dar segurança e proteção ao in divíduo, sem entretanto utilizálo como instrumento de redistribuiçâo de renda.
Começa a surgir uma nova
forma de Estado providência. o
Estado minimalista, que é' o proposto pelo Presidente
Rea-
gan. Estado em que a providên cia se confinaria à proteção dos mais fracos e débeis, enquanto que através de reduções de im criar postos, se procurariam condições para que os indiví duos se exponham mais aos ris cos do mercado. Na
América
Latina
há
um
outro tipo de Estado providên cia, que surgiu particularmen
te no
Uruguai, na
Argentina,
ECONÔMICO
DIGESTO
ECONÔMICO
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até certo ponto no Chile, em épocas passadas. É o Estado providência prematuro em que se cogitava redistribuir mais do que efetivamente se podia produzir, com resultados de es tagnação econômica e exacer bação inflacionária.
Vários países se dão conta hoje de que existem limites de tolerância fiscal, além dos quais a economia se submerge numa penumbra estatística e busca prêmios à sua capacida de produtiva fora do universo fiscal e legal. Há quem estime
Seja como for a crise do Es tado providência é mundial.
que pelo menos
Uma terceira motivação pa ra uma reação antifiscalista é um alastramento do fenômeno da economia subterrânea. Es ta economia subterrânea do cumenta dramaticamente os li mites de tolerância fiscal. Lem
bremo-nos de que Colin Clark, há quase 30 anos atrás, em seu livro “Conditions of Economics Progress” indicava um limite empírico de 25% do produto na cional bruto, como sendo a fa
tia já máxima que o governo poderia abocanhar, sem provo car inflação ou estagnação. De então para cá poucos governos se ativeram a esse limite. E se considerados
os
vários
níveis
de tributação, as contribuições parafiscais, a gulodice fiscal dos governos ocidentais deve elevar-se entre 35% a 50% do PNB, conforme o país.
um terço da
economia italiana, e talvez a s|ua parte mais dinâmica em termos de diversificação de exportações venha do chamado
“lavoro nero”. em bases fami liares ou semi-airtesanais, es capando da contribuição do fis co, ou melhor, da sua opres
são, e das contribuições assis-
ca
outrossim
um
relutante
re
conhecimento de que os exces sos da carga tributária repre sentam um desestimulo à cria tividade do indivíduo e um es
tímulo ao afrouxamento aos pa drões morais e civis da comu nidade.
É contra este pano de fun do, meus senhores, que desejo agora projetar, em termos mui to genéricos, porque análises detalhadas Já foram feitas e virão a ser feitas em outros se
minários, da experiência brasi leira recente. O
Sistema Tributário Brasi
tenciais. Há também quem es
leiro está
time que nos Estados Unidos e Inglaterra, países de ética fis
nado à complexidade, por dois
cal assaz elevada, ou tradicio nalmente elevada, a economia quaternária se eleve entre 10% a 15% do PNB, sendo de notar que Os índices de desemprego provavelmente sobreestimem o
desemprego efetivo, pela tenta ção de se associar à compen sação
do
desemprego
ocupa
ções não registradas estatisti camente, a fim de contornar o
infelizmente conde
motivos:
Primeiro, a estrutura fe derativa, com três níveis de go verno, federal, estadual e mu nicipal. Segundo, a enorme dis paridade de níveis de desenvol vimento.
O Brasil
são
vários
“brasis”. Há o “Brasil” do Sul, industrializado, com boa capa cidade geradora de receita e li mites de tolerância
fiscal não
fisco.
muito diferente dos países de senvolvidos. Há
0 “Brasil”
do
Esta reação antifiscalista côrrente, com pequenas exce
Nordeste,
necessita
de
transferência
de
ções no mundo ocidental, impli-
renda, para suplementar a re-
substancial
que
DIGESTO DIGESTO
52
ceita própria, Há a nova fron teira do norte e do centro-oes-
te, onde a solução talvez fosse deixar que se formassem novas
empresas, sem quaisquer exi gências legais, previdenciais ou fiscais, onde o problema é criar empresários e não disciplinar empresas.
Agora, um pouco de histó
ria. A última grande revisão do
níveis e ritmos mento regional.
de desenvolvi
isto não bastasse,
há 0 problema das grandes em
presas do Estado. Quando ope ram em setores monopolísticos,
adquirem uma capacidade pró
pria de tributação, disfarçada sob a forma de preços e tari
fas. que às vezes refletem me nos os custos de produção ou as tendências do mercado, do
Tributário
Brasileiro
foi a de 1965, consubstanciada na
A concepção de um sistema fiscal adequado ao Brasil é ta refa de extrema complexidade. Ela exige de um lado uma filo sofia unificadora, para evitar abruptas mudanças ou soluções emergentes e ineficazes. De ou tros, periódicos reajustamentos para refletir os resultados da experimentação e os diferentes
Como se
diferença entre a empresa pri vada e a pública é que aque la é controlada pelo governo, e esta por ninguém,
Sistema
Emenda Constitucional n.o
18, promulgada no governo Castello Branco. Desde então
para cá houve alguns melhora mentos e várias distorções. Não seria injusto dizer-se que se
perdeu um pouco a nitidez con ceituai pela busca de soluções emergenciais. Desde então cres ceu a presença do Estado, ace lerou-se 0 crescimento econô mico e a diversificação estru
tural. É tempo agora de se re pensar todo 0 problema. E as sim o reconheceram o ministro da Fazenda e o ministro do Pla
nejamento, Delfim Netto e Gaivêas, ao constituírem recente mente uma comissão específica voltada para a reforma tribu tária.
de governo, para evitar múlti pla tributação sobre o mesmo fato gerador, e superposição de impostos com disfarces de no
Alinhemos alguns dos prin cípios norteadores da reforma
mais verdade de que jocosida
de quando dizemos que a única
positiva
dos
53
diferentes
níveis
cionários. A técnica de tributa
ção sobre o valor adicionado permitiria fiscalização da cole ta pelo próprio contribuinte, e eliminar-se-ia um
menclatura.
Releva notar que ao con trário do que habitualmente se alega, não havia preocupação de centralização de renda, e sim de descentralização. Não se pode
confundir, em verdade, discipli
estímulo
ar
tificial à integração vertical da empresa, da matéria-prima ao produto final, simplesmente pa ra escapar ao repique do impos
to, abrindo-se assim através desse imposto maior oportuni dade para subcontratação, pelo
na impositiva com concentração
surgimento de pequenas e mé
estatal de renda. Na realidade. sacrificava receitas a União
dias empresas, tão básicas para a consolidação democrática e a diversificação econômica, Fi-
suas, através do fundo de par ticipação dos Estados e Municípios, e através da participação destes ao nível de 60%, depois
reduzido para 40%, no imposto
único sobre combustíveis. Além disso, havia permissão aos Es tados para tributarem direta
nalmente, fornecer elementos estatísticos para a visualização das relações insumo e produtos, para efeitos de planejamento.
Nota-se que a transformação do imposto de vendas para o
mente combustíveis nos postos
imposto do valor adicionado foi
utilizado e cancelado, mas que
e quase irresponsável, pois foi implantada em 4 meses, quando
de distribuição até a alícota máxima de 12%, dispositivo nunca visava a evitar excessivo centralismo burocrático.
Segundo, substituir o impos
de 1965. Primeiro, urgia uma discriminação de rendas e cla ra definição da capaciddae im
que os próprios interesses de preservação ou expansão, Há
ECONÔMICO
ECONÔMICO
to em cascata, de vendas e con
signações,
medida extremamente ousada, na Comunidade Econômica Eu
ropéia o procedimento se de senrolou ao longo de vários anos, tanto na Alemanha quanto na Inglaterra.
pelo imposto esta
dual sobre o valor adicionado.
0 ICM, por três motivos. Esti mava-se que 0 cascateamento tinha importantes efeitos infla-
mo
Federal
O ICM não foi concebido co instrumento de direciona
mento de investimento, e sim como simples instrumento fis-
DIGESTO DIGESTO
52
ceita própria, Há a nova fron teira do norte e do centro-oes-
te, onde a solução talvez fosse deixar que se formassem novas
empresas, sem quaisquer exi gências legais, previdenciais ou fiscais, onde o problema é criar empresários e não disciplinar empresas.
Agora, um pouco de histó
ria. A última grande revisão do
níveis e ritmos mento regional.
de desenvolvi
isto não bastasse,
há 0 problema das grandes em
presas do Estado. Quando ope ram em setores monopolísticos,
adquirem uma capacidade pró
pria de tributação, disfarçada sob a forma de preços e tari
fas. que às vezes refletem me nos os custos de produção ou as tendências do mercado, do
Tributário
Brasileiro
foi a de 1965, consubstanciada na
A concepção de um sistema fiscal adequado ao Brasil é ta refa de extrema complexidade. Ela exige de um lado uma filo sofia unificadora, para evitar abruptas mudanças ou soluções emergentes e ineficazes. De ou tros, periódicos reajustamentos para refletir os resultados da experimentação e os diferentes
Como se
diferença entre a empresa pri vada e a pública é que aque la é controlada pelo governo, e esta por ninguém,
Sistema
Emenda Constitucional n.o
18, promulgada no governo Castello Branco. Desde então
para cá houve alguns melhora mentos e várias distorções. Não seria injusto dizer-se que se
perdeu um pouco a nitidez con ceituai pela busca de soluções emergenciais. Desde então cres ceu a presença do Estado, ace lerou-se 0 crescimento econô mico e a diversificação estru
tural. É tempo agora de se re pensar todo 0 problema. E as sim o reconheceram o ministro da Fazenda e o ministro do Pla
nejamento, Delfim Netto e Gaivêas, ao constituírem recente mente uma comissão específica voltada para a reforma tribu tária.
de governo, para evitar múlti pla tributação sobre o mesmo fato gerador, e superposição de impostos com disfarces de no
Alinhemos alguns dos prin cípios norteadores da reforma
mais verdade de que jocosida
de quando dizemos que a única
positiva
dos
53
diferentes
níveis
cionários. A técnica de tributa
ção sobre o valor adicionado permitiria fiscalização da cole ta pelo próprio contribuinte, e eliminar-se-ia um
menclatura.
Releva notar que ao con trário do que habitualmente se alega, não havia preocupação de centralização de renda, e sim de descentralização. Não se pode
confundir, em verdade, discipli
estímulo
ar
tificial à integração vertical da empresa, da matéria-prima ao produto final, simplesmente pa ra escapar ao repique do impos
to, abrindo-se assim através desse imposto maior oportuni dade para subcontratação, pelo
na impositiva com concentração
surgimento de pequenas e mé
estatal de renda. Na realidade. sacrificava receitas a União
dias empresas, tão básicas para a consolidação democrática e a diversificação econômica, Fi-
suas, através do fundo de par ticipação dos Estados e Municípios, e através da participação destes ao nível de 60%, depois
reduzido para 40%, no imposto
único sobre combustíveis. Além disso, havia permissão aos Es tados para tributarem direta
nalmente, fornecer elementos estatísticos para a visualização das relações insumo e produtos, para efeitos de planejamento.
Nota-se que a transformação do imposto de vendas para o
mente combustíveis nos postos
imposto do valor adicionado foi
utilizado e cancelado, mas que
e quase irresponsável, pois foi implantada em 4 meses, quando
de distribuição até a alícota máxima de 12%, dispositivo nunca visava a evitar excessivo centralismo burocrático.
Segundo, substituir o impos
de 1965. Primeiro, urgia uma discriminação de rendas e cla ra definição da capaciddae im
que os próprios interesses de preservação ou expansão, Há
ECONÔMICO
ECONÔMICO
to em cascata, de vendas e con
signações,
medida extremamente ousada, na Comunidade Econômica Eu
ropéia o procedimento se de senrolou ao longo de vários anos, tanto na Alemanha quanto na Inglaterra.
pelo imposto esta
dual sobre o valor adicionado.
0 ICM, por três motivos. Esti mava-se que 0 cascateamento tinha importantes efeitos infla-
mo
Federal
O ICM não foi concebido co instrumento de direciona
mento de investimento, e sim como simples instrumento fis-
DIGESTO
54
ECONÔMICO
DIGESTO
ECONÔMICO
utilizaram
sentido social e economicamen
mas
através do mecanismo de isen
te desejável, através do sistema de incentivos fiscais, seja seto riais seja regionais.
talvez demasiada
cal.
Os
Estados
o
ção como fator de atração de investidores, com consequências positivas em alguns casos, e ne gativas em outros, pela desor dem competitiva que se insta lou
na concessão desses favo
res.
Inicialmente não se cogitou
de diversificar as alícotas, se gundo a essencialidade dos pro dutos, de vez que esta seletivi dade já existia no IPI. Hoje, que este está reduzido a um pe queno
grupo de produtos
não
essenciais, poder-se-ia talvez pensar em instaurar seletivida de no ICM, com alícotas baixas ou nulas para artigos essen ciais,
particularmente os
agrícolas
e
de
consumo
bens
de
massa, compensando-se a re ceita por alícotas mais eleva
das, para artigos de consumo mais
elitista.
Terceiro, transformar o IR na mola mestra do sistema, acentuando-se duas caracterís ticas: tributação sobre lucros
reais, depois de corrigido o efeito inflacionário; progressi vidade razoável, e não excessi vamente punitiva; direciona mento
de
investimentos
num
Arguia-se àquele tempo que ante o arraigado hábito de so negação os incentivos fiscais constituíam uma forma de subs
tituir a apropriação ilegal de re cursos por uma formação legal de patrimônio, segundo as pre ferências do indivíduo. Era uma
tentativa de converter o vício,
a sonegação, em vktude, o in vestimento socialmente produ tivo.
É inegável que na prática operacional a técnica de incen tivo sofreu várias distorções. Di minuiu, por exemplo, a própria progressividade do IR, porque Os incentivos passaram a bene ficiar desproporcionalmente as classes de alta renda.
As mudanças do nível de in centivos periodicamente cria ram
descontinuidade
na
exe
cução dos projetos, pela incer
através
de
55
uma
técnica
centralista
e
estatizante, a criação dos fun
ceita
dões. Mas valeria talvez termos
Municípios, ou pelos Estados da receita de destinação munici
adotado para os incentivos fis cais globalmente a técnica do Decreto-lei 157, ficando os in centivos depositados em bancos,
à opção dos investidores. A competição entre os bancos levá-los-ia a evitar projetos fan tasmas e a se interessarem pela
boa execução dos projetos, sob pena de perderem terreno na competição interbancária na preferência dos investidores.
Quarto, simplificação do Sis tema Tributário. O imposto do
selo foi eliminado, o imposto sobre transferências reduzido a
proporções modestas, para mi nimizar a sonegação; o imposto
sobre heranças, eticamente de sejável,
aconselhável, foi tem
porariamente minimizado, pois se acreditava que sua aplicação não seria nem justa nem eficaz, antes de se eliminarem os títu
los ao portador. De outra ma
teza dos recursos. Houve abu
neira somente seria tributada a
sos na captação e desperdício de recursos em projetos inviá
mobiliária.
veis.
Procurou-se corrigir ao longo do tempo vários desses defeitos.
me de responsabilidade a reten ção pelo Governo Federal da re
herança imobiliária,
e não a
atribuída
aos
Estados e
pal. É forçoso reconhecer, en tretanto, ante a contínua visco sidade de que sofrem os Esta dos e Municípios do recebimento
desses recursos, que lhes são devidos, que o provérbio portu guês segundo o qual há leis que pegam e leis que não pegam é verdadeiro. Essa lei não pegou. No longo período de 17 anos, mudanças ocorreram para me lhor e para pior. Não tenho tem po hoje, nem informações, nem talvez competência para uma avaliação objetiva do balanço de acertos e desacertos.
O IPI, por exemplo, foi me lhorado e simplificado. Alguns outros impostos sofreram de formações. O lOF foi concebido como uma reserva monetária e
um prêmio de seguro para insti tuições financeiras. Transformou-se hoje num verdadeiro im posto de importação, extrema mente rendoso, mas encarecedor do crédito e da produção.
da
Alguns dos impostos ou contri
distribuição dos recursos cole tados. Configurou-se como cri¬
buições, criados com excelente
Quinto,
automatização
intenção
ética e social, PIS,
DIGESTO
54
ECONÔMICO
DIGESTO
ECONÔMICO
utilizaram
sentido social e economicamen
mas
através do mecanismo de isen
te desejável, através do sistema de incentivos fiscais, seja seto riais seja regionais.
talvez demasiada
cal.
Os
Estados
o
ção como fator de atração de investidores, com consequências positivas em alguns casos, e ne gativas em outros, pela desor dem competitiva que se insta lou
na concessão desses favo
res.
Inicialmente não se cogitou
de diversificar as alícotas, se gundo a essencialidade dos pro dutos, de vez que esta seletivi dade já existia no IPI. Hoje, que este está reduzido a um pe queno
grupo de produtos
não
essenciais, poder-se-ia talvez pensar em instaurar seletivida de no ICM, com alícotas baixas ou nulas para artigos essen ciais,
particularmente os
agrícolas
e
de
consumo
bens
de
massa, compensando-se a re ceita por alícotas mais eleva
das, para artigos de consumo mais
elitista.
Terceiro, transformar o IR na mola mestra do sistema, acentuando-se duas caracterís ticas: tributação sobre lucros
reais, depois de corrigido o efeito inflacionário; progressi vidade razoável, e não excessi vamente punitiva; direciona mento
de
investimentos
num
Arguia-se àquele tempo que ante o arraigado hábito de so negação os incentivos fiscais constituíam uma forma de subs
tituir a apropriação ilegal de re cursos por uma formação legal de patrimônio, segundo as pre ferências do indivíduo. Era uma
tentativa de converter o vício,
a sonegação, em vktude, o in vestimento socialmente produ tivo.
É inegável que na prática operacional a técnica de incen tivo sofreu várias distorções. Di minuiu, por exemplo, a própria progressividade do IR, porque Os incentivos passaram a bene ficiar desproporcionalmente as classes de alta renda.
As mudanças do nível de in centivos periodicamente cria ram
descontinuidade
na
exe
cução dos projetos, pela incer
através
de
55
uma
técnica
centralista
e
estatizante, a criação dos fun
ceita
dões. Mas valeria talvez termos
Municípios, ou pelos Estados da receita de destinação munici
adotado para os incentivos fis cais globalmente a técnica do Decreto-lei 157, ficando os in centivos depositados em bancos,
à opção dos investidores. A competição entre os bancos levá-los-ia a evitar projetos fan tasmas e a se interessarem pela
boa execução dos projetos, sob pena de perderem terreno na competição interbancária na preferência dos investidores.
Quarto, simplificação do Sis tema Tributário. O imposto do
selo foi eliminado, o imposto sobre transferências reduzido a
proporções modestas, para mi nimizar a sonegação; o imposto
sobre heranças, eticamente de sejável,
aconselhável, foi tem
porariamente minimizado, pois se acreditava que sua aplicação não seria nem justa nem eficaz, antes de se eliminarem os títu
los ao portador. De outra ma
teza dos recursos. Houve abu
neira somente seria tributada a
sos na captação e desperdício de recursos em projetos inviá
mobiliária.
veis.
Procurou-se corrigir ao longo do tempo vários desses defeitos.
me de responsabilidade a reten ção pelo Governo Federal da re
herança imobiliária,
e não a
atribuída
aos
Estados e
pal. É forçoso reconhecer, en tretanto, ante a contínua visco sidade de que sofrem os Esta dos e Municípios do recebimento
desses recursos, que lhes são devidos, que o provérbio portu guês segundo o qual há leis que pegam e leis que não pegam é verdadeiro. Essa lei não pegou. No longo período de 17 anos, mudanças ocorreram para me lhor e para pior. Não tenho tem po hoje, nem informações, nem talvez competência para uma avaliação objetiva do balanço de acertos e desacertos.
O IPI, por exemplo, foi me lhorado e simplificado. Alguns outros impostos sofreram de formações. O lOF foi concebido como uma reserva monetária e
um prêmio de seguro para insti tuições financeiras. Transformou-se hoje num verdadeiro im posto de importação, extrema mente rendoso, mas encarecedor do crédito e da produção.
da
Alguns dos impostos ou contri
distribuição dos recursos cole tados. Configurou-se como cri¬
buições, criados com excelente
Quinto,
automatização
intenção
ética e social, PIS,
DIGESTO
56
PASEP, como substitutivo
da
participação nos lucros, e agora 0
Finsocial, perturbaram a ni
tidez conceituai do sistema tri
butário, pois reintroduziram
a
técnica do cascateamento, se é que nao violaram a vedação do
repique tributário, sobre o mesmo fato gerador. Mas, haverá cerlamente analistas mais com
petentes do que eu para
isto,
que há bastante tempo vivo em outros regimes fiscais.
Muito do que se critica no Sistema Tributário reflete menos os erros do Sistema do que
distorção causada pela infla ção. Os contribuintes que so
a
frem
descontos
exemplo,
na
fonte,
por
experimentam maior
desgaste na renda do que as empresas
ou indivíduos de alta
renda. A correção monetária dos recursos descontados na fonte veio atenuar o problema, mas à custa de tornar mais complexo e dispendioso o mecanismo fiscal. Há ainda consideráveis formas de sonegação, co
mo
0 artifício das Houve
ao
longo
soluções
nomia era mais simples, os ins trumentos financeiros menos di ferenciados c 0 ní’'el de sofis
ticação do mercado financeiro bem inferior ao atual.
Curiosamente, se se criaram novos instrumentos fiscais, al
específicos, mas que não
É necessário
primeiro uma
visão integrada da carga tribu tária, não só em seus diversos
níveis, federal, estadual e muni cipal,
mas
em
suas
diversas
contribuiformas, impostos, ções, empréstimos compulsó rios, e até mesmo em certos
casos, preços de tarifas, que são impostos disfarçados. Somente uma visão integrada nos permi tirá determinar se já excede mos ou não 0 limite de tolerân
ria, por exemplo, nunca vingou,
passa a imperar a economia
a despeito de ser eminentemen te racional do ponto de vista econômico. E a tributação indi-
se abate o ânimo produtivo e subterrânea.
Qualquer reforma tributária deve fortalecer a economia mu
ciária sobre evidências externas de riquezas, importante em ou
nicipal, como célula
tros países para detectar atra
ca, As acusações de desperdí cio municipal sempre as julguei exageradas. Esse desperdício é habitualmente temporário, pois
vés do nivel de consumo áreas de sonegação permaneceu letra morta em nossos estatutos. É
louvável
Governo
a
atual
iniciativa
do
em promover
uma nova reforma tributária,
do
tempo
57
ECONÔMICO
cia tributária, a partir do qual
contribuição a esta importante tarefa. Quiçá ousaria eu enun ciar algumas orientações fun damentais que poderiam ser
emergenciais,
DIGESTO
guns deixaram de ser utiliza dos. A contribuição de melho
“goldings”
úteis no atendimento dos programas
nos dispensam de um reexame global, e talvez de uma reatualização do sistema tributário à luz da expenência adquirida desde 1965, quando a nossa eco
segundo
pessoais.
várias
ECONÔMICO
Todos
estudos
já
iniciados.
devemos
dar
a
nossa
tomadas em linha de conta.
democrá
tica e unidade econômica bási
que 0 contribuinte está próximo ao fato fiscal, tem maiores exi gências de serviços concretos e
pode premiar ou punir os admi nistradores muito mente.
mais direta
Mas, 0 fortalecimento da re
ceita
municipal não
significa
indisciplina na criação de no vas formas tributárias nem uma
coleta
descentralizada
e
dis
pendiosa. A coleta pode ser centralizada, desde que a dis tribuição seja automatizada. Deve-se objetivar a médio e
longo prazo que o sistema fis cal se baseie predominantemen
te em impostos diretos, que são os únicos que permitem adequa
da progressividade em função
da distribuição dc renda. Se bem que na Grã-Bretanha e nos
Estados Unidos se procure
hoje aliviar a carga dos impos tos diretos, pois estes alcança ram níveis perturbadores da ca¬ pacidade empresarial, em nos so caso 0 sistema fiscal é ainda fortemente
regressivo,
e
essa
regressividade se tem agravado ao longo do tempo com a cria
ção de novos impostos indi retos-
No final de contas, a dimi
nuição da carga fiscal, p<or to
dos desejada, só pode ser alcancada
com
um
rendimensiona-
mento do papel e das funções do governo. É saudável, por is so, 0 movimento de privatização que 0 Governo Federal vem em preendendo. Só assim, evitare mos que 0 Brasil seja um país capitalista em retórica e criptosocialista em comportamento.
DIGESTO
56
PASEP, como substitutivo
da
participação nos lucros, e agora 0
Finsocial, perturbaram a ni
tidez conceituai do sistema tri
butário, pois reintroduziram
a
técnica do cascateamento, se é que nao violaram a vedação do
repique tributário, sobre o mesmo fato gerador. Mas, haverá cerlamente analistas mais com
petentes do que eu para
isto,
que há bastante tempo vivo em outros regimes fiscais.
Muito do que se critica no Sistema Tributário reflete menos os erros do Sistema do que
distorção causada pela infla ção. Os contribuintes que so
a
frem
descontos
exemplo,
na
fonte,
por
experimentam maior
desgaste na renda do que as empresas
ou indivíduos de alta
renda. A correção monetária dos recursos descontados na fonte veio atenuar o problema, mas à custa de tornar mais complexo e dispendioso o mecanismo fiscal. Há ainda consideráveis formas de sonegação, co
mo
0 artifício das Houve
ao
longo
soluções
nomia era mais simples, os ins trumentos financeiros menos di ferenciados c 0 ní’'el de sofis
ticação do mercado financeiro bem inferior ao atual.
Curiosamente, se se criaram novos instrumentos fiscais, al
específicos, mas que não
É necessário
primeiro uma
visão integrada da carga tribu tária, não só em seus diversos
níveis, federal, estadual e muni cipal,
mas
em
suas
diversas
contribuiformas, impostos, ções, empréstimos compulsó rios, e até mesmo em certos
casos, preços de tarifas, que são impostos disfarçados. Somente uma visão integrada nos permi tirá determinar se já excede mos ou não 0 limite de tolerân
ria, por exemplo, nunca vingou,
passa a imperar a economia
a despeito de ser eminentemen te racional do ponto de vista econômico. E a tributação indi-
se abate o ânimo produtivo e subterrânea.
Qualquer reforma tributária deve fortalecer a economia mu
ciária sobre evidências externas de riquezas, importante em ou
nicipal, como célula
tros países para detectar atra
ca, As acusações de desperdí cio municipal sempre as julguei exageradas. Esse desperdício é habitualmente temporário, pois
vés do nivel de consumo áreas de sonegação permaneceu letra morta em nossos estatutos. É
louvável
Governo
a
atual
iniciativa
do
em promover
uma nova reforma tributária,
do
tempo
57
ECONÔMICO
cia tributária, a partir do qual
contribuição a esta importante tarefa. Quiçá ousaria eu enun ciar algumas orientações fun damentais que poderiam ser
emergenciais,
DIGESTO
guns deixaram de ser utiliza dos. A contribuição de melho
“goldings”
úteis no atendimento dos programas
nos dispensam de um reexame global, e talvez de uma reatualização do sistema tributário à luz da expenência adquirida desde 1965, quando a nossa eco
segundo
pessoais.
várias
ECONÔMICO
Todos
estudos
já
iniciados.
devemos
dar
a
nossa
tomadas em linha de conta.
democrá
tica e unidade econômica bási
que 0 contribuinte está próximo ao fato fiscal, tem maiores exi gências de serviços concretos e
pode premiar ou punir os admi nistradores muito mente.
mais direta
Mas, 0 fortalecimento da re
ceita
municipal não
significa
indisciplina na criação de no vas formas tributárias nem uma
coleta
descentralizada
e
dis
pendiosa. A coleta pode ser centralizada, desde que a dis tribuição seja automatizada. Deve-se objetivar a médio e
longo prazo que o sistema fis cal se baseie predominantemen
te em impostos diretos, que são os únicos que permitem adequa
da progressividade em função
da distribuição dc renda. Se bem que na Grã-Bretanha e nos
Estados Unidos se procure
hoje aliviar a carga dos impos tos diretos, pois estes alcança ram níveis perturbadores da ca¬ pacidade empresarial, em nos so caso 0 sistema fiscal é ainda fortemente
regressivo,
e
essa
regressividade se tem agravado ao longo do tempo com a cria
ção de novos impostos indi retos-
No final de contas, a dimi
nuição da carga fiscal, p<or to
dos desejada, só pode ser alcancada
com
um
rendimensiona-
mento do papel e das funções do governo. É saudável, por is so, 0 movimento de privatização que 0 Governo Federal vem em preendendo. Só assim, evitare mos que 0 Brasil seja um país capitalista em retórica e criptosocialista em comportamento.
DIGESTO
58
Creio ter excedido os limites
ECONÔMICO
de tolerância humana, sem in
caminho de fortalecer o Legis lativo na busca desse equilíbrio.
devida
Não só nossa entidade, como to
sonolência.
Concluirei
com a observação melancólica
do sábio Samuel Johnson, “Infelizmente
só
há
duas
coisas
certas: a morte e os impostos.” (PALMAS) O SR. PRESIDENTE — Sr.
Embaixador, de acordo com a
praxe desta Casa, abriremos os debates, inclusive para os se nhores membros da imprensa, hoje.
Gostaria de ser o primeiro a lançar uma indagação, de ordem política.
Qual 0 papel do Legislativo,
num país onde ele se enfraque
ceu nestes últimos 20 anos, cedendo posições para o Executi vo, onde talvez a visão política maior estivesse dentro do Poder Legislativo, como poder mode rador na aplicação dessa legis lação?
Qual seria o comportamento do Legislativo nesta posição de abertura política, nestas propos tas que 0 senhor acaba de lan çar, e que estamos de acordo, pois coincidem com a maioria daquelas feitas por nossa enti dade, que também escolheu 0
da a Confederação das A.C. do Brasil, através do programa da ação empresarial, comandada
pelo nosso presidente, dr. Ruy Barreto, que acha também que a melhor forma de participação do empresário nas decisões através das Casas de Leis. O SR. ROBERTO DE VEIRA CAMPOS — Meu
é
OLI caro
Afif, espero que seja bom pro feta, atribuindo-me missões le gislativas . No entanto, isto é in certo. O que é certo é que te rei uma demissão do cargo de embaixador.
Acredito que o Legislativo deve desempenhar no processo de redemocratização papel cada
vez mais importante, principal mente através da contribuição fiscal. Um dos principais forma dores da grande democracia norte-americana foi o de que não deve haver taxação sem re presentação. E isso provocou a
revolução de Filadélha. O Le
gislativo é portanto o órgão ade quado para análise de sistemas fiscais e a proposição de leis fiscais, não só porque represen ta os anseios da coletividade,
DIGESTO
ECONÔMICO
59
em: vez da vontade grupai do. Executivo, mas porque o Legis lativo está protegido até cer to ponto do dia a dia do; Execu
tivo. Os ministros do Executivo, e eu ,tenho alguma, experiência disso, estão a tal ponto assober
bados por decisões do dia a dia, que raramente têm tempo para uma visão estratégica para pro blemas econômicos ou políticos. A tirania do cotidiano é simples mente insuportável. O Legisla tivo não sofre a mesma pressão da tirania do cotidiano, e pode ter um fitmo mais descontraído na análise dos fatos tributários.
Mas, nunca acreditei que o Legislativo esteja enfraqueci do ao ponto em que ele acre dita que esteja enfraqueci do .
Ele nunca
virtuosidades
utilizou
certas
implícitas
na
Constituição de 1967, que lhe da va real poder. Obcecados com a idéia da guilhotina, ou decurso de prazo, ou com o aumento de despesas sem a criação de fon tes de receitas, julgou-se ampu
tado e frustrado, esquecendo-se
cutivo. Outros, são os poderes de fiscalização a serem exerci dos através do Tribunal de Con
tas. E finalmente o Legislativo, como grande fórum de debates, pode, se não influenciar a exe
cução ; orçamentária presente, certamente influenciará a com posição orçamentária futura. E 0 Legislativo tem o direito de exigir do Governo Federal a apresentação de orçamentos de investimentos plurianuais. Se exercitados esses poderes, te remos um Legislativo bem me nos fraco do que podería pare cer. Mas 0 clima de abertura vai favorecer a assertividade le
gislativa. E não conheço campo melhor e clima melhor para o
exercício da assertividade legis
lativa do que o problema fiscal. O SR. PRESIDENTE
Es-
tão abertas as perguntas, e eu passaria ao dr. Carlos Alberto
Pereira de Oliveira, do Paraná, para encaminhar sua pergunta. O SR. CARLOS ALBERTO PEREIRA DE OLIVEIRA — Sr.
de que lhe haviam sido atribuí
Embaixador,
das funções muito importantes e
maior atenção a sua palestra, e
faculdades
para satisfação nossa sentimos
talvez
decisivas.
Uma delas, por exemplo,
é
a
passagem de leis delegadas, que bitolassem a ação do Exe¬
ouvimos
com
a
que está perfeitamente de acor do com 0 que pensamos. En
tretanto, no momento em que o
DIGESTO
58
Creio ter excedido os limites
ECONÔMICO
de tolerância humana, sem in
caminho de fortalecer o Legis lativo na busca desse equilíbrio.
devida
Não só nossa entidade, como to
sonolência.
Concluirei
com a observação melancólica
do sábio Samuel Johnson, “Infelizmente
só
há
duas
coisas
certas: a morte e os impostos.” (PALMAS) O SR. PRESIDENTE — Sr.
Embaixador, de acordo com a
praxe desta Casa, abriremos os debates, inclusive para os se nhores membros da imprensa, hoje.
Gostaria de ser o primeiro a lançar uma indagação, de ordem política.
Qual 0 papel do Legislativo,
num país onde ele se enfraque
ceu nestes últimos 20 anos, cedendo posições para o Executi vo, onde talvez a visão política maior estivesse dentro do Poder Legislativo, como poder mode rador na aplicação dessa legis lação?
Qual seria o comportamento do Legislativo nesta posição de abertura política, nestas propos tas que 0 senhor acaba de lan çar, e que estamos de acordo, pois coincidem com a maioria daquelas feitas por nossa enti dade, que também escolheu 0
da a Confederação das A.C. do Brasil, através do programa da ação empresarial, comandada
pelo nosso presidente, dr. Ruy Barreto, que acha também que a melhor forma de participação do empresário nas decisões através das Casas de Leis. O SR. ROBERTO DE VEIRA CAMPOS — Meu
é
OLI caro
Afif, espero que seja bom pro feta, atribuindo-me missões le gislativas . No entanto, isto é in certo. O que é certo é que te rei uma demissão do cargo de embaixador.
Acredito que o Legislativo deve desempenhar no processo de redemocratização papel cada
vez mais importante, principal mente através da contribuição fiscal. Um dos principais forma dores da grande democracia norte-americana foi o de que não deve haver taxação sem re presentação. E isso provocou a
revolução de Filadélha. O Le
gislativo é portanto o órgão ade quado para análise de sistemas fiscais e a proposição de leis fiscais, não só porque represen ta os anseios da coletividade,
DIGESTO
ECONÔMICO
59
em: vez da vontade grupai do. Executivo, mas porque o Legis lativo está protegido até cer to ponto do dia a dia do; Execu
tivo. Os ministros do Executivo, e eu ,tenho alguma, experiência disso, estão a tal ponto assober
bados por decisões do dia a dia, que raramente têm tempo para uma visão estratégica para pro blemas econômicos ou políticos. A tirania do cotidiano é simples mente insuportável. O Legisla tivo não sofre a mesma pressão da tirania do cotidiano, e pode ter um fitmo mais descontraído na análise dos fatos tributários.
Mas, nunca acreditei que o Legislativo esteja enfraqueci do ao ponto em que ele acre dita que esteja enfraqueci do .
Ele nunca
virtuosidades
utilizou
certas
implícitas
na
Constituição de 1967, que lhe da va real poder. Obcecados com a idéia da guilhotina, ou decurso de prazo, ou com o aumento de despesas sem a criação de fon tes de receitas, julgou-se ampu
tado e frustrado, esquecendo-se
cutivo. Outros, são os poderes de fiscalização a serem exerci dos através do Tribunal de Con
tas. E finalmente o Legislativo, como grande fórum de debates, pode, se não influenciar a exe
cução ; orçamentária presente, certamente influenciará a com posição orçamentária futura. E 0 Legislativo tem o direito de exigir do Governo Federal a apresentação de orçamentos de investimentos plurianuais. Se exercitados esses poderes, te remos um Legislativo bem me nos fraco do que podería pare cer. Mas 0 clima de abertura vai favorecer a assertividade le
gislativa. E não conheço campo melhor e clima melhor para o
exercício da assertividade legis
lativa do que o problema fiscal. O SR. PRESIDENTE
Es-
tão abertas as perguntas, e eu passaria ao dr. Carlos Alberto
Pereira de Oliveira, do Paraná, para encaminhar sua pergunta. O SR. CARLOS ALBERTO PEREIRA DE OLIVEIRA — Sr.
de que lhe haviam sido atribuí
Embaixador,
das funções muito importantes e
maior atenção a sua palestra, e
faculdades
para satisfação nossa sentimos
talvez
decisivas.
Uma delas, por exemplo,
é
a
passagem de leis delegadas, que bitolassem a ação do Exe¬
ouvimos
com
a
que está perfeitamente de acor do com 0 que pensamos. En
tretanto, no momento em que o
DIGESTO
60
ECONÔMICO DIGESTO
Governo Federal pede que as entidades de classe apresenteni
sugestões para uma
avaliação
ra econômica, o que não existiu
até agora. O governo continua contendo em suas mãos toda a
do sistema tributário — porque
economia da nação, praticamen
acho que a reforma não se faz necessária, e sim uma avaliação para vermos quais os pontos negativos —, nesse tempo temos
te, restringindo a liberdade po
em
todas as A.C. do Brasil tra
balhado, lutado, reunidos, per dendo tempo, fazendo gastos, para apresentarmos ao governo sugestões objetivas e sérias pa ra dar ao Brasil uma política fiscal de acordo com as nossas
necessidades. E justamenle neste momento é que somos surpreendidos, toda a nação, principalmente os empresários, com um decreto-lei criando Finsocial.
o
Também achamos que
ele
tem uma finalidade das
mais
nobres à assistência social, mas não nos termos em que dita 0 decreto. Não podemos aceitar que medidas deste
tipo, inflacionárias, verdadeiras aberrações, contendo no seu bojo a inconstitucionalidade, venham criar problemas a mais
para os empresários e para a comunidade brasileira.
Por isso, com
a liberdade
política tem que existir abertu-
ECONÔMICO
61
laboração, se sentimos que de fato ele não quer aceitá-las. O SR. ROBERTO DE OLI VEIRA CAMPOS — Entendo
lítica no momento que quiser.
que a contribuição das classes
Será que vale a pena aos empresários continuarem a per der tempo em apresentar su gestões ao governo, se estamos
sentindo que ao governo só in teressam medidas impositivas? Ele não irá ouvir sugestões de
nossa parte. O relator da co missão fiscal, nomeado pelos Ministérios, dizia que o Brasil paga muito pouco imposto, e que é preciso criar novos im postos. Isto até me parece de boche, um avilte à comunidade brasileira. Disse ele que os im
postos no Brasil estão na pro porção de 25% do PNB, en
quanto que em outros países do Ocidente excedem até de 30%.
produtoras, para uma reconsi deração de problema fiscal gl niência, mas um dever patrió tico. O ar de relativa indiferen
ça com que às vezes os buro cratas acolhem essas sugestões não representa uma convicçãq profunda mas apenas um vício burocrático. No fundo eles
se
impressionam com as sugestões, principalmente quando elas con
tém dois capítulos: o das criti cas e 0 das alternativas. O mal nas representações classistas, em muitos casos, é que o pri meiro
é
extremamente desen
volvido, e 0 outro de uma ma
greza
ascética.
Em
havendo
mais
equilíbrio nas
duas par
conta e influenciarão o pensa
outros países.
mento
destas
ções, sr. embaixador,
considera
gostaria
de ouvir de V. Exa. o que po deriamos fazer no sentido
de
prestar ao Governo a nossa co-
ternativas a esse tipo de
im
posto, prestando no caso um grande serviço à comunidade.
li¬
bal, não é apenas uma conve
Mas esqueceu-se de dizer que a renda per capita brasileira é ínfima perante a renda desses Dentro
ciais e previdenciárias, e de juros subvencionados. A contri buição útil que 0 empresariado podería dar é talvez sugerir al
tes, acredito que as contribui ções serão tomadas em linha de do
tecnocrata,
que por falso orgulho ele
ainda
não
0 confesse no momento. Pelo menos isso sucedia comigo. O Finsocial é uma solução
emergencial, para atender aos reclamos de despesas assisten-
Concordo
que o pluralismo
político depende em grande parte do pluralismo econômico. O pluralista economicamente, mais cedo ou mais tarde
gera
reclamo de pluralismo políti co, conquanto a recíproca não verdadeira, para se ter seja um pluralismo político com centralização econômica, Há consciência no Governo de
que a estatização da economia avançou além do limite razoá vel, e isto está na raiz dos mo vimentos de privatização de certos setores. É verdade que há ocasionais incoerências, Às vezes 0 amor do governo pela iniciativa privada é um pouco
0 amor do apache francês que beija a parceira de dança, mas também a esbofeteia. Mas isso
faz parte das contradições humanas.
O
SR.
PRESIDENTE
—
Com a palavra o jornalista Ro berto Appy.
DIGESTO
60
ECONÔMICO DIGESTO
Governo Federal pede que as entidades de classe apresenteni
sugestões para uma
avaliação
ra econômica, o que não existiu
até agora. O governo continua contendo em suas mãos toda a
do sistema tributário — porque
economia da nação, praticamen
acho que a reforma não se faz necessária, e sim uma avaliação para vermos quais os pontos negativos —, nesse tempo temos
te, restringindo a liberdade po
em
todas as A.C. do Brasil tra
balhado, lutado, reunidos, per dendo tempo, fazendo gastos, para apresentarmos ao governo sugestões objetivas e sérias pa ra dar ao Brasil uma política fiscal de acordo com as nossas
necessidades. E justamenle neste momento é que somos surpreendidos, toda a nação, principalmente os empresários, com um decreto-lei criando Finsocial.
o
Também achamos que
ele
tem uma finalidade das
mais
nobres à assistência social, mas não nos termos em que dita 0 decreto. Não podemos aceitar que medidas deste
tipo, inflacionárias, verdadeiras aberrações, contendo no seu bojo a inconstitucionalidade, venham criar problemas a mais
para os empresários e para a comunidade brasileira.
Por isso, com
a liberdade
política tem que existir abertu-
ECONÔMICO
61
laboração, se sentimos que de fato ele não quer aceitá-las. O SR. ROBERTO DE OLI VEIRA CAMPOS — Entendo
lítica no momento que quiser.
que a contribuição das classes
Será que vale a pena aos empresários continuarem a per der tempo em apresentar su gestões ao governo, se estamos
sentindo que ao governo só in teressam medidas impositivas? Ele não irá ouvir sugestões de
nossa parte. O relator da co missão fiscal, nomeado pelos Ministérios, dizia que o Brasil paga muito pouco imposto, e que é preciso criar novos im postos. Isto até me parece de boche, um avilte à comunidade brasileira. Disse ele que os im
postos no Brasil estão na pro porção de 25% do PNB, en
quanto que em outros países do Ocidente excedem até de 30%.
produtoras, para uma reconsi deração de problema fiscal gl niência, mas um dever patrió tico. O ar de relativa indiferen
ça com que às vezes os buro cratas acolhem essas sugestões não representa uma convicçãq profunda mas apenas um vício burocrático. No fundo eles
se
impressionam com as sugestões, principalmente quando elas con
tém dois capítulos: o das criti cas e 0 das alternativas. O mal nas representações classistas, em muitos casos, é que o pri meiro
é
extremamente desen
volvido, e 0 outro de uma ma
greza
ascética.
Em
havendo
mais
equilíbrio nas
duas par
conta e influenciarão o pensa
outros países.
mento
destas
ções, sr. embaixador,
considera
gostaria
de ouvir de V. Exa. o que po deriamos fazer no sentido
de
prestar ao Governo a nossa co-
ternativas a esse tipo de
im
posto, prestando no caso um grande serviço à comunidade.
li¬
bal, não é apenas uma conve
Mas esqueceu-se de dizer que a renda per capita brasileira é ínfima perante a renda desses Dentro
ciais e previdenciárias, e de juros subvencionados. A contri buição útil que 0 empresariado podería dar é talvez sugerir al
tes, acredito que as contribui ções serão tomadas em linha de do
tecnocrata,
que por falso orgulho ele
ainda
não
0 confesse no momento. Pelo menos isso sucedia comigo. O Finsocial é uma solução
emergencial, para atender aos reclamos de despesas assisten-
Concordo
que o pluralismo
político depende em grande parte do pluralismo econômico. O pluralista economicamente, mais cedo ou mais tarde
gera
reclamo de pluralismo políti co, conquanto a recíproca não verdadeira, para se ter seja um pluralismo político com centralização econômica, Há consciência no Governo de
que a estatização da economia avançou além do limite razoá vel, e isto está na raiz dos mo vimentos de privatização de certos setores. É verdade que há ocasionais incoerências, Às vezes 0 amor do governo pela iniciativa privada é um pouco
0 amor do apache francês que beija a parceira de dança, mas também a esbofeteia. Mas isso
faz parte das contradições humanas.
O
SR.
PRESIDENTE
—
Com a palavra o jornalista Ro berto Appy.
DIGBSTO
62
0 SR. ROBERTO-APPY
—
Sr. Embiaxador, o jornalista tem sempre algumas dificulda des a fazer perguntas ao minis tro que deu o imposto de ren da para o jornalista, o qué foi
certamente
uma
medida
muito corajosa, que sempre aplaudimos, apesar de ter so frido muito. Mas, o que nos as sustou, gozando de pagar o im posto de renda é de ver como
gislação.
ECONÔMICO
Para mim foi uma
curiosidade aprender, que o im
posto sobre herança foi provi soriamente suspenso. Não me lembrava deste provisoriamen te.
'
'
'
O SR. ROBERTO DE OLI VEIRA CAMPOS — Minimiza do.
P SR. ROBERTO APPY — E perguntaria se o senhor acre
DIGESTO
ECONÔMICO
63
concordância. Acredito que se deve reforçar a receita dos Es tados. Enfatizei mais a receita municipal, porque os municí
pios
são
mais
desprotegidos
ainda. Mas os Estados também estão mais próximos dos fatos
administrativos, têm mais vi vência dos reclamos populares do que o federal, algo distan te, frequentemente inatingível, e sempre impunível.
essenciaimente
dita que uma reforma tributá ria mais justa não venha a exi ao gir a extinção dos títulos portador.
quando o senhor disse, que te mos que ter uma visão integra
O SR. ROBERTO DE' OLI VEIRA CAMPOS — Posso as
de vazamentos, particularmen
segurar, meu caro Appy, que a eliminação do privilégio fis^ cal dado à classe de jornalis
imposto da herança, porque foi
este IR se tornou para a classe
média cada vez mais
pesado,
mas ouvindo sua brilhante pa lestra,
gostei
da da carga tributária, incluin
do preços e tarifas. Verificamos que através da gasolina paga mos um imposto de quase
45%.
Gostaria de indagar, sobre quatro temas. Numa reforma tributária tem em primeiro lu
gar que dar maior recéita aos Estados, que foram roubados, pouco a pouco na sua arrecada ção. Temos qúe pensar nessas rendas não tributáveis que .atra vés de um episódio que certa^ mente no plano legal era duvi
doso,
mostrou a importância
dessa renda não tributável que
tem que ser reintegrada na lé-
Concordo integralmente que deve haver reintegração de
gar ao minifúndio,enquanto que grandes proprietários, com mais sofisticação financeira, conseguiriam através de artifícios legais, de posse de títulos ao
portador,
escapar ao impacto
tributário. Havia também duas
correntes de opinião: o profes sor Bulhões favorecería a ex
tensão imediata das ações ao portador facilitando a transferibilidade das ações nominati vas por endosso, e com isso, ar-
os elementos mais sofisticados
guia ele, havería maior justiça fiscal, poderiamos melhor gra duar a progressividadee evitar grande parte da evasão fiscal. De outro lado, pesavam as se guintes considerações: O Bra sil era ainda, em 1965, um país digamos pré-capitalista, estava começando a criar um mercado de títulos, uma bolsa de valores, e entendeu-se que a paixão do anonimato era tamanha, dado o nível de educação cívico e fis cal, que a eliminação abrupta de ações e títulos ao portador significaria não uma maior
bem situar ó imposto de renda
da comunidade poderíam ocul
receita fiscal, más um fluxo de
còrhc um imposto universal, em função da renda,’ e não da
tar a propriedade visível, trans
poupança para outras formas, em particular armazenamento de moeda estrangeira. E está vamos preocupados em trazer de volta capitais depositados no exterior.
tas não revelou, ao tempo do Governo Cástello Branco, aliás assaz maltratado pela impren sa, nenhuma intenção particu lar. Tratava-se de um princí pio filosófico. Não havia discri minação específica contra os
jornalistas, e sim um desejo de
categoria funcional.
.
iNas ■ demais ■ observações, encontro uma larga ■medida de
certas receitas não tributáveis.
Hoje há te
no IR.
objeto
de
um grande número Referi-me intenso
sobre o
debate
ao
tempo do Código Tributário. Não havia ninguém a quem não agradasse
eticamente ins
tituir, manter e até agravar o imposto sobre herança. O pro blema prático que se colocava era que só fazia atingir a pro priedade visível, e exatamente
formando em empresas com ações ao portador. Então, aca baríamos
através
do
imposto
de heranças, forçando o parce lamento da propriedade até che-
DIGBSTO
62
0 SR. ROBERTO-APPY
—
Sr. Embiaxador, o jornalista tem sempre algumas dificulda des a fazer perguntas ao minis tro que deu o imposto de ren da para o jornalista, o qué foi
certamente
uma
medida
muito corajosa, que sempre aplaudimos, apesar de ter so frido muito. Mas, o que nos as sustou, gozando de pagar o im posto de renda é de ver como
gislação.
ECONÔMICO
Para mim foi uma
curiosidade aprender, que o im
posto sobre herança foi provi soriamente suspenso. Não me lembrava deste provisoriamen te.
'
'
'
O SR. ROBERTO DE OLI VEIRA CAMPOS — Minimiza do.
P SR. ROBERTO APPY — E perguntaria se o senhor acre
DIGESTO
ECONÔMICO
63
concordância. Acredito que se deve reforçar a receita dos Es tados. Enfatizei mais a receita municipal, porque os municí
pios
são
mais
desprotegidos
ainda. Mas os Estados também estão mais próximos dos fatos
administrativos, têm mais vi vência dos reclamos populares do que o federal, algo distan te, frequentemente inatingível, e sempre impunível.
essenciaimente
dita que uma reforma tributá ria mais justa não venha a exi ao gir a extinção dos títulos portador.
quando o senhor disse, que te mos que ter uma visão integra
O SR. ROBERTO DE' OLI VEIRA CAMPOS — Posso as
de vazamentos, particularmen
segurar, meu caro Appy, que a eliminação do privilégio fis^ cal dado à classe de jornalis
imposto da herança, porque foi
este IR se tornou para a classe
média cada vez mais
pesado,
mas ouvindo sua brilhante pa lestra,
gostei
da da carga tributária, incluin
do preços e tarifas. Verificamos que através da gasolina paga mos um imposto de quase
45%.
Gostaria de indagar, sobre quatro temas. Numa reforma tributária tem em primeiro lu
gar que dar maior recéita aos Estados, que foram roubados, pouco a pouco na sua arrecada ção. Temos qúe pensar nessas rendas não tributáveis que .atra vés de um episódio que certa^ mente no plano legal era duvi
doso,
mostrou a importância
dessa renda não tributável que
tem que ser reintegrada na lé-
Concordo integralmente que deve haver reintegração de
gar ao minifúndio,enquanto que grandes proprietários, com mais sofisticação financeira, conseguiriam através de artifícios legais, de posse de títulos ao
portador,
escapar ao impacto
tributário. Havia também duas
correntes de opinião: o profes sor Bulhões favorecería a ex
tensão imediata das ações ao portador facilitando a transferibilidade das ações nominati vas por endosso, e com isso, ar-
os elementos mais sofisticados
guia ele, havería maior justiça fiscal, poderiamos melhor gra duar a progressividadee evitar grande parte da evasão fiscal. De outro lado, pesavam as se guintes considerações: O Bra sil era ainda, em 1965, um país digamos pré-capitalista, estava começando a criar um mercado de títulos, uma bolsa de valores, e entendeu-se que a paixão do anonimato era tamanha, dado o nível de educação cívico e fis cal, que a eliminação abrupta de ações e títulos ao portador significaria não uma maior
bem situar ó imposto de renda
da comunidade poderíam ocul
receita fiscal, más um fluxo de
còrhc um imposto universal, em função da renda,’ e não da
tar a propriedade visível, trans
poupança para outras formas, em particular armazenamento de moeda estrangeira. E está vamos preocupados em trazer de volta capitais depositados no exterior.
tas não revelou, ao tempo do Governo Cástello Branco, aliás assaz maltratado pela impren sa, nenhuma intenção particu lar. Tratava-se de um princí pio filosófico. Não havia discri minação específica contra os
jornalistas, e sim um desejo de
categoria funcional.
.
iNas ■ demais ■ observações, encontro uma larga ■medida de
certas receitas não tributáveis.
Hoje há te
no IR.
objeto
de
um grande número Referi-me intenso
sobre o
debate
ao
tempo do Código Tributário. Não havia ninguém a quem não agradasse
eticamente ins
tituir, manter e até agravar o imposto sobre herança. O pro blema prático que se colocava era que só fazia atingir a pro priedade visível, e exatamente
formando em empresas com ações ao portador. Então, aca baríamos
através
do
imposto
de heranças, forçando o parce lamento da propriedade até che-
DIGESTO
DIGESTO
64
De então para cá amadurecemos
muito em termos de téc-
fiscal, de concepção de mercado financeiro. É possível que agora seja praticável rever
nica
0 problema.
O
SR.
PRESIDENTE
-
ou
desmentir. Minha intuição é
que
O SR. JOSÉ WILSON SA RAIVA — Sr- Embaixador, o Brasil que parece ler encontra
do uma forma lupiniquim de acrescentar à sua carga tribu tária os preços e tarifas de em presas governamentais, gosta ria que V. Exa. fizesse alguma consideração sobre essa parcela de preços e tarifas, serviços, produtos de empresas governa mentais. que 0 Brasil tem utili zado. Quanto isso tem pesado, no seu entender, quantitativa
carga tributária global,
incluindo os diferentes níveis de governo
e
as
modalidades
de
ônus tributário, é superior a esse limite. E duvido que alguém tenha esses dados. Estamos na fase de adivinhação.
Com a palavra o sr. José Wil son Saraiva.
a
O SR. ROBERTO APPY —
O professor Carlos Longo, da USP, estimou em 52%. O SR. ROBERTO DE OLI VEIRA CAMPOS — Aí já en traríamos na fase do incentivo à economia subterrânea, de so
cialização
avançada.
Franca
mente, gostaria até de ver esses
estudos, não sei em que se ba seia.
mente, para que esta Casa te
Sobre o problema de preços c tarifas, como elementos cons titutivos da carga tributária, lembramos ainda que anterior mente havia o empréstimo com
nha uma percepção maior des te fenômeno na própria refor
disfarçado. E a correção mone
ma tributária.
O SR. ROBERTO DE OLI VEIRA CAMPOS — Foi men cionado aqui que em seminário anterior alguém calculou a car
ga tributária global do Brasil
em cerca de 25%. Não tenho da dos empíricos para confirmar
pulsório, uma forma de tributo tária
também
eliminou
vários
tipos de tributos disfarçados, re presentados por depósitos, con tribuições e poupanças que não eram
devidamente
remunera
dos. O problema de tarifas pode ser
assim
ECONÔMICO
65
ECONÔMICO
concebido:
há
três
atitudes possíveis em relação à política de preços de uma em-
presa estatal monopolística: uma é a cobrança do preço de tarifa abaixo do custo, trata-se de uma subvenção dada ao usuário — quem paga a sub venção é outro problema, al guém pagará, esse alguém
Sr. Embaixador, falava-se na carga tributária de 25%, cal culada pela Fundação Getúlio Vargas, que seria a relação en tre os impostos diretos e indi
será 0 contribuinte geral, que então dá um prêmio ao usuá rio do serviço, de forma aliás
VEIRA CÁRIPOS - Não contri
bastante injusta, porque em principio 0 custo deve ser pago pelo usuário; numa segun da política as tarifas de preços são fixados para cobertura de custos, digamos uma margem de lucro normal, se fosse am pliado, como uma boa demons tração de eficiência produtiva; mas existe uma terceira políti ca, em que através do preço da tarifa se procura não só cobrir 0 custo operacional e o lucro como
também financiar a
retos e 0 Produto Nacional. O SR
gica se faz através do preço ou da tarifa. Em alguns casos, energia elétrica, se tem feito isto. Imagino que em petróleo se esteja fazendo isso.
Ê por fenômenos desta na tureza que acho extremamente difícil se fazer um cálculo do
ROBERTO DE OLI
buição previdenciária... O SR. EDY LUIZ KOGUT
— Não. Agora, o professor Car los Longo, no seu trabalho pro curou adicionar o imposto infla cionário e uma parcela devido aos
serviços da dívida pública,
chegando ao montante próximo dos 55%.
O SR. ROBERTO APPY — Uma vez que o professor Longo
está presente, poderia explicar.
ex
pansão. Esse coeficiente é im portante tributário adicional, que por conveniência metodoló
impacto da carga tributária.
O SR. EDY LUIZ KOGUT —
—
O SR. EDY LUIZ KOGUT Sr. Embaixador, teríamos
que dar ênfase ao aspecto da captação de recursos pelo Es tado. Observamos hoje que o
governo capta ainda no siste ma financeiro 72% do total que é captado através de instrumen tos financeiros não monetários. Se adicionarmosa carga, vamos dizer compulsória, do PIS, FGTS, PASEP, 0 governo capta cerca de 80%. Então, verifica-
DIGESTO
DIGESTO
64
De então para cá amadurecemos
muito em termos de téc-
fiscal, de concepção de mercado financeiro. É possível que agora seja praticável rever
nica
0 problema.
O
SR.
PRESIDENTE
-
ou
desmentir. Minha intuição é
que
O SR. JOSÉ WILSON SA RAIVA — Sr- Embaixador, o Brasil que parece ler encontra
do uma forma lupiniquim de acrescentar à sua carga tribu tária os preços e tarifas de em presas governamentais, gosta ria que V. Exa. fizesse alguma consideração sobre essa parcela de preços e tarifas, serviços, produtos de empresas governa mentais. que 0 Brasil tem utili zado. Quanto isso tem pesado, no seu entender, quantitativa
carga tributária global,
incluindo os diferentes níveis de governo
e
as
modalidades
de
ônus tributário, é superior a esse limite. E duvido que alguém tenha esses dados. Estamos na fase de adivinhação.
Com a palavra o sr. José Wil son Saraiva.
a
O SR. ROBERTO APPY —
O professor Carlos Longo, da USP, estimou em 52%. O SR. ROBERTO DE OLI VEIRA CAMPOS — Aí já en traríamos na fase do incentivo à economia subterrânea, de so
cialização
avançada.
Franca
mente, gostaria até de ver esses
estudos, não sei em que se ba seia.
mente, para que esta Casa te
Sobre o problema de preços c tarifas, como elementos cons titutivos da carga tributária, lembramos ainda que anterior mente havia o empréstimo com
nha uma percepção maior des te fenômeno na própria refor
disfarçado. E a correção mone
ma tributária.
O SR. ROBERTO DE OLI VEIRA CAMPOS — Foi men cionado aqui que em seminário anterior alguém calculou a car
ga tributária global do Brasil
em cerca de 25%. Não tenho da dos empíricos para confirmar
pulsório, uma forma de tributo tária
também
eliminou
vários
tipos de tributos disfarçados, re presentados por depósitos, con tribuições e poupanças que não eram
devidamente
remunera
dos. O problema de tarifas pode ser
assim
ECONÔMICO
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ECONÔMICO
concebido:
há
três
atitudes possíveis em relação à política de preços de uma em-
presa estatal monopolística: uma é a cobrança do preço de tarifa abaixo do custo, trata-se de uma subvenção dada ao usuário — quem paga a sub venção é outro problema, al guém pagará, esse alguém
Sr. Embaixador, falava-se na carga tributária de 25%, cal culada pela Fundação Getúlio Vargas, que seria a relação en tre os impostos diretos e indi
será 0 contribuinte geral, que então dá um prêmio ao usuá rio do serviço, de forma aliás
VEIRA CÁRIPOS - Não contri
bastante injusta, porque em principio 0 custo deve ser pago pelo usuário; numa segun da política as tarifas de preços são fixados para cobertura de custos, digamos uma margem de lucro normal, se fosse am pliado, como uma boa demons tração de eficiência produtiva; mas existe uma terceira políti ca, em que através do preço da tarifa se procura não só cobrir 0 custo operacional e o lucro como
também financiar a
retos e 0 Produto Nacional. O SR
gica se faz através do preço ou da tarifa. Em alguns casos, energia elétrica, se tem feito isto. Imagino que em petróleo se esteja fazendo isso.
Ê por fenômenos desta na tureza que acho extremamente difícil se fazer um cálculo do
ROBERTO DE OLI
buição previdenciária... O SR. EDY LUIZ KOGUT
— Não. Agora, o professor Car los Longo, no seu trabalho pro curou adicionar o imposto infla cionário e uma parcela devido aos
serviços da dívida pública,
chegando ao montante próximo dos 55%.
O SR. ROBERTO APPY — Uma vez que o professor Longo
está presente, poderia explicar.
ex
pansão. Esse coeficiente é im portante tributário adicional, que por conveniência metodoló
impacto da carga tributária.
O SR. EDY LUIZ KOGUT —
—
O SR. EDY LUIZ KOGUT Sr. Embaixador, teríamos
que dar ênfase ao aspecto da captação de recursos pelo Es tado. Observamos hoje que o
governo capta ainda no siste ma financeiro 72% do total que é captado através de instrumen tos financeiros não monetários. Se adicionarmosa carga, vamos dizer compulsória, do PIS, FGTS, PASEP, 0 governo capta cerca de 80%. Então, verifica-
DIGESTO
ü6
mos na economia brasileira um circulo vicioso, o governo atua
em áreas vazias e depois san ciona de alguma forma esses gastos através de algum meca
nismo, não monetário, emissão de moeda, algum imposto... Gostaria que o senhor desse maior ênfase a sua última su
gestão: a diminuição da carga fiscal, através do redimensiona mento do papel do governo. E a participação do Estado como empresário. Como quebrar esse círculo vicioso.
O SR. ROBERTO DE OLI
VEIRA CAMPOS — A capta ção por instrumentos não
mo-
netários e os agregados à car ga fiscal, compõem realmente um panorama bastante inquietante, em torno do desincentivo à atividade privada e crescente socialização da economia. O importante é talvez fazermos uma mudança de eixo. Geral mente calcula-se a despesa e depois se procura um instru mento de receita, capaz de teo ricamente jugular os déficits. A revolução coperniciana que se propõe nos Estados Unidos é fazer
o
reverso:
estimar-se
a
receita, reduzida através da re dução do impostos, c partir pa-
ECONÔMICO
ra estimar as despesas do go verno, procurando reduzi-la ro inevitável, cobrindo a defasagem
exclusivamente
mediante
recursos ao mercado de títulos.
Uma das observações deles é que é uma ilusão pensar que existe uma relação unífoca en tre déficit e tributação. Pelo menos a experiência americana tem revelado que todas as ve zes que aumentam os tributos os déficits não diminuem, eles tendem a aumentar. Mas quan do se reduz a carga fiscal, o déficit tende a diminuir porque há maior ativação econômica e receita fiscal maior. No momen to, na economia americana esse
postulado do que uma redução da carga fiscal implicaria na redução do déficit não está fun cionando, mas eles dizem que é uma situação anômala; há um bloco intratável de despesas mi litares que não tem o mesmo
DIGESTO
ECONÔMICO
do, fazendo com que se elevem as laxas de juros. A segunda, do Estado empresário.
Nos países industrializados,
67
São também os países de mais alta inflação na Europa. No plano intermediário te mos
os
Estados
Unidos
e
a
verificaremos que a inflação é mais grave e renitente nos paises em que a intervenção em presarial do governo é maior, ou a intervenção regulatória é pro nunciada. E a inflação é menor em países em que há pouca in tervenção governamental, seja
França. A França tem substan cial intervenção empresarial e substancial intervenção regula tória, com uma inflação média. Agora, está agravando sua in tervenção empresarial e aumen tando sua atividade regulatória,
empresarial ou regulatória, sen do que a intervenção empresa rial é pior que a regulatória. Nos três países de menor índice de inflação, Suíça, Alemanha e
está subindo, hoje num plano bem superior aos demais paí
Japão, a intervenção é pratica mente inexistente. Uma exceção
é a Áustria, mas os austríacos sempre foram excepcionais, in clusive melhoraram sua econo mia depois de terem exportada seus grandes economistas. Ela tem uma taxa de crescimento
razoável e uma taxa de desem
e como resultado sua inflação
ses. Nos Estados Unidos, a in
tervenção empresarial é peque ● na. A intervenção regulatória era muito grande, aos três ní veis do governo, tudo complica do ainda pela economia, que re tardava a execução dos proje tos, fazia com que seus custos so encarecessem. A recente des-
burocratização reaganiana está ainda por surtir efeito, mas le
efeito de ativação econômica,
prego modesta. O Chile também
vou a uma substancial redução
como seria na despesa produti
melhorou sua economia depois
do coeficiente de inflação, ain
de exportar seus economistas.
da que à custa de substanci-al
Mas a correlação é válida para
desemprego. Os Estados Unidos, portanto, provavelmente segui rão a, tendência de correlação
va normal.
Em nosso caso, temos duas intervenções do Estado, ambas fierigosas. A primeira é do Es tado captador de recursos fi nanceiros, portanto intervindo rio mecanismo financeiro priva¬
os demais países. No outro extremo temos os
países mais intervencionistas, a
Inglaterra e a Itália, tanto como émpresários como reguladores.
positiva entre diminuição de in tervenção governamental e re dução do ritmo inflacionário.
DIGESTO
ü6
mos na economia brasileira um circulo vicioso, o governo atua
em áreas vazias e depois san ciona de alguma forma esses gastos através de algum meca
nismo, não monetário, emissão de moeda, algum imposto... Gostaria que o senhor desse maior ênfase a sua última su
gestão: a diminuição da carga fiscal, através do redimensiona mento do papel do governo. E a participação do Estado como empresário. Como quebrar esse círculo vicioso.
O SR. ROBERTO DE OLI
VEIRA CAMPOS — A capta ção por instrumentos não
mo-
netários e os agregados à car ga fiscal, compõem realmente um panorama bastante inquietante, em torno do desincentivo à atividade privada e crescente socialização da economia. O importante é talvez fazermos uma mudança de eixo. Geral mente calcula-se a despesa e depois se procura um instru mento de receita, capaz de teo ricamente jugular os déficits. A revolução coperniciana que se propõe nos Estados Unidos é fazer
o
reverso:
estimar-se
a
receita, reduzida através da re dução do impostos, c partir pa-
ECONÔMICO
ra estimar as despesas do go verno, procurando reduzi-la ro inevitável, cobrindo a defasagem
exclusivamente
mediante
recursos ao mercado de títulos.
Uma das observações deles é que é uma ilusão pensar que existe uma relação unífoca en tre déficit e tributação. Pelo menos a experiência americana tem revelado que todas as ve zes que aumentam os tributos os déficits não diminuem, eles tendem a aumentar. Mas quan do se reduz a carga fiscal, o déficit tende a diminuir porque há maior ativação econômica e receita fiscal maior. No momen to, na economia americana esse
postulado do que uma redução da carga fiscal implicaria na redução do déficit não está fun cionando, mas eles dizem que é uma situação anômala; há um bloco intratável de despesas mi litares que não tem o mesmo
DIGESTO
ECONÔMICO
do, fazendo com que se elevem as laxas de juros. A segunda, do Estado empresário.
Nos países industrializados,
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São também os países de mais alta inflação na Europa. No plano intermediário te mos
os
Estados
Unidos
e
a
verificaremos que a inflação é mais grave e renitente nos paises em que a intervenção em presarial do governo é maior, ou a intervenção regulatória é pro nunciada. E a inflação é menor em países em que há pouca in tervenção governamental, seja
França. A França tem substan cial intervenção empresarial e substancial intervenção regula tória, com uma inflação média. Agora, está agravando sua in tervenção empresarial e aumen tando sua atividade regulatória,
empresarial ou regulatória, sen do que a intervenção empresa rial é pior que a regulatória. Nos três países de menor índice de inflação, Suíça, Alemanha e
está subindo, hoje num plano bem superior aos demais paí
Japão, a intervenção é pratica mente inexistente. Uma exceção
é a Áustria, mas os austríacos sempre foram excepcionais, in clusive melhoraram sua econo mia depois de terem exportada seus grandes economistas. Ela tem uma taxa de crescimento
razoável e uma taxa de desem
e como resultado sua inflação
ses. Nos Estados Unidos, a in
tervenção empresarial é peque ● na. A intervenção regulatória era muito grande, aos três ní veis do governo, tudo complica do ainda pela economia, que re tardava a execução dos proje tos, fazia com que seus custos so encarecessem. A recente des-
burocratização reaganiana está ainda por surtir efeito, mas le
efeito de ativação econômica,
prego modesta. O Chile também
vou a uma substancial redução
como seria na despesa produti
melhorou sua economia depois
do coeficiente de inflação, ain
de exportar seus economistas.
da que à custa de substanci-al
Mas a correlação é válida para
desemprego. Os Estados Unidos, portanto, provavelmente segui rão a, tendência de correlação
va normal.
Em nosso caso, temos duas intervenções do Estado, ambas fierigosas. A primeira é do Es tado captador de recursos fi nanceiros, portanto intervindo rio mecanismo financeiro priva¬
os demais países. No outro extremo temos os
países mais intervencionistas, a
Inglaterra e a Itália, tanto como émpresários como reguladores.
positiva entre diminuição de in tervenção governamental e re dução do ritmo inflacionário.
DIGESTO
68
ECONÔMICO
acompanhado o ritmo da infla ção, 0 que não deve ser mera
Isso não é orçamento fiscal, novidade e tem sido proposto há algum tempo. Isso forçaria
coincidência: acredito que haja uma correlação entre essas va
duas coisas fundamentais. Uma a
riáveis.
parafiscal de receitas, induzin
No Brasil a intervenção tem
O
SR.
PRESIDENTE
—
Pela citação, vou abrir então a palavra ao economista não exportável, dr. Longo, da USP. O SR.
CARLOS
LONGO —
De fato fiz um exercício aca dêmico sobre o tamanho do se
tor público, incorporando tam bém a medida tradicional do
tamanho do setor público, que
são os dados da Fundação Getúlio Vargas, que incluem as
contribuições
previdenciárias,
para chegar a esse total de 25%, 26%, o tamanho do setor público incluiría então as em presas estatais e o déficit do setor público, implícito nas operações das autoridades mo netárias. Ai chegamos a 50%. Mas 0 grosso desse aumento são as receitas operacionais próprias das empresas estatais
(18%).
Mas, 0 que precisamos real mente é da unificação do siste ma tributário, o que significa ria a integração das operações das autoridades monetárias no
revisão da
nossa
estrutura
do a uma substituição das re
ceitas parafiscais por receitas tributárias. E outra, levaria maior liberdade para a comu nidade poder optar por aquilo que acha prioritário, em fun ção da análise que o Congresso iria fazer, teoricamente, pelo menos sobre as despesas do Governo. E quando se fala em aum.entar a tributação
direta,
dificilmente se deixa de men cionar os títulos ao portador e
os ganhos de
capitais
reais,
isentos de inflação, nas trans ferências "inter vivos” e "Cau sa mortis”.
O
SR.
PRESIDENTE
—
Com a palavra o sr. Paulo Mariano dos Reis Ferraz. O SR. PAULO MARIANO DOS REIS
FERRAZ — Sr- Embaixador, a par dos ensinamentos que ti vemos 0 prazer de ouvir do
senhor, eu queria fazer uma colocação, dizendo que antes do senhor mencionar
que
as
entidades de classe têm reivin
dicações muito gordas e alter nativas magras, nesta Casa já
DIGESTO
69
ECONÔMICO
usamos desta colocação. Quan do 0 Governo estava para au mentar a contribuição de reco lhimento previdenciário, foi
comentar, aliás
passaria
por
uma severa repreensão do Itamarati, de vez que é um princi pio de que em matéria de polí
para
tica externa só fala o ministro
E o re
do Exterior. Sou amigo pessoal
sultado dos trabalhos dessa co
missão foi que não deveriamos
de Schultze, seu substituto, e posso testemunhar que se tra
dar sugestão nenhuma, porque
ta de um homem
tínhamos certeza de que o Go verno iria legislar por decreto, no recesso do Congresso. E realmente aconteceu. Por aí, e indo ao encontro de que dis se 0 nosso colega dr. Carlos Alberto, do Paraná, a dificul dade e as preocupações que
mento
formada uma
comissão
apresentar sugestões.
temos
nesse
relacionamento
com o Governo, sem encontrar mos do outro lado da mesa pes soas com a clareza
meridiana
de pensamento e de conhici mentos que o senhor tem, tor na cada vez mais difícil o pa pel de uma entidade de classe.
Era somente esta colocação
dc
pensa
sereno, muito maduro,
com larga experiência, um eco
nomista especializado em rela ções trabalhistas, foi secretá-
rio de Ti’abalho, secretário do Tesouro, e agora passa
cretário
de Estado.
a Se-
Acredito
que terá um compromissamento menos fervoroso com a OTAN de que tinha o secretário Haig.
Acredito que terá um relaciona mento mais suave com os paí ses árabes. É um bom conhe cedor da América Latina. Não queria avançar além destes co mentários.
O
SR.
PRESIDENTE
—
que queria fazer E se o senhor,
Tem a palavra o sr. Giulio
achar tempo, no final, sobre um
Lattes.
assunto que diz respeito à polí tica internacional, que fizesse um comentário das
repercus
sões mundiais com a demissão
do secretário Haig. O SR. ROBERTO DE OLI VEIRA CAMPOS — Prefiro não
O SR. GIULIO LATTES — Sr. Embaixador, sua brilhante palestra sugere algumas per guntas. Em primeiro lugar, a nível estadual, manifesta-se neste cias:
momento duas tendên uma tendência a uma
DIGESTO
68
ECONÔMICO
acompanhado o ritmo da infla ção, 0 que não deve ser mera
Isso não é orçamento fiscal, novidade e tem sido proposto há algum tempo. Isso forçaria
coincidência: acredito que haja uma correlação entre essas va
duas coisas fundamentais. Uma a
riáveis.
parafiscal de receitas, induzin
No Brasil a intervenção tem
O
SR.
PRESIDENTE
—
Pela citação, vou abrir então a palavra ao economista não exportável, dr. Longo, da USP. O SR.
CARLOS
LONGO —
De fato fiz um exercício aca dêmico sobre o tamanho do se
tor público, incorporando tam bém a medida tradicional do
tamanho do setor público, que
são os dados da Fundação Getúlio Vargas, que incluem as
contribuições
previdenciárias,
para chegar a esse total de 25%, 26%, o tamanho do setor público incluiría então as em presas estatais e o déficit do setor público, implícito nas operações das autoridades mo netárias. Ai chegamos a 50%. Mas 0 grosso desse aumento são as receitas operacionais próprias das empresas estatais
(18%).
Mas, 0 que precisamos real mente é da unificação do siste ma tributário, o que significa ria a integração das operações das autoridades monetárias no
revisão da
nossa
estrutura
do a uma substituição das re
ceitas parafiscais por receitas tributárias. E outra, levaria maior liberdade para a comu nidade poder optar por aquilo que acha prioritário, em fun ção da análise que o Congresso iria fazer, teoricamente, pelo menos sobre as despesas do Governo. E quando se fala em aum.entar a tributação
direta,
dificilmente se deixa de men cionar os títulos ao portador e
os ganhos de
capitais
reais,
isentos de inflação, nas trans ferências "inter vivos” e "Cau sa mortis”.
O
SR.
PRESIDENTE
—
Com a palavra o sr. Paulo Mariano dos Reis Ferraz. O SR. PAULO MARIANO DOS REIS
FERRAZ — Sr- Embaixador, a par dos ensinamentos que ti vemos 0 prazer de ouvir do
senhor, eu queria fazer uma colocação, dizendo que antes do senhor mencionar
que
as
entidades de classe têm reivin
dicações muito gordas e alter nativas magras, nesta Casa já
DIGESTO
69
ECONÔMICO
usamos desta colocação. Quan do 0 Governo estava para au mentar a contribuição de reco lhimento previdenciário, foi
comentar, aliás
passaria
por
uma severa repreensão do Itamarati, de vez que é um princi pio de que em matéria de polí
para
tica externa só fala o ministro
E o re
do Exterior. Sou amigo pessoal
sultado dos trabalhos dessa co
missão foi que não deveriamos
de Schultze, seu substituto, e posso testemunhar que se tra
dar sugestão nenhuma, porque
ta de um homem
tínhamos certeza de que o Go verno iria legislar por decreto, no recesso do Congresso. E realmente aconteceu. Por aí, e indo ao encontro de que dis se 0 nosso colega dr. Carlos Alberto, do Paraná, a dificul dade e as preocupações que
mento
formada uma
comissão
apresentar sugestões.
temos
nesse
relacionamento
com o Governo, sem encontrar mos do outro lado da mesa pes soas com a clareza
meridiana
de pensamento e de conhici mentos que o senhor tem, tor na cada vez mais difícil o pa pel de uma entidade de classe.
Era somente esta colocação
dc
pensa
sereno, muito maduro,
com larga experiência, um eco
nomista especializado em rela ções trabalhistas, foi secretá-
rio de Ti’abalho, secretário do Tesouro, e agora passa
cretário
de Estado.
a Se-
Acredito
que terá um compromissamento menos fervoroso com a OTAN de que tinha o secretário Haig.
Acredito que terá um relaciona mento mais suave com os paí ses árabes. É um bom conhe cedor da América Latina. Não queria avançar além destes co mentários.
O
SR.
PRESIDENTE
—
que queria fazer E se o senhor,
Tem a palavra o sr. Giulio
achar tempo, no final, sobre um
Lattes.
assunto que diz respeito à polí tica internacional, que fizesse um comentário das
repercus
sões mundiais com a demissão
do secretário Haig. O SR. ROBERTO DE OLI VEIRA CAMPOS — Prefiro não
O SR. GIULIO LATTES — Sr. Embaixador, sua brilhante palestra sugere algumas per guntas. Em primeiro lugar, a nível estadual, manifesta-se neste cias:
momento duas tendên uma tendência a uma
DIGESTO
70
maior liberdade de tributação, quase que tendendo a escapar ao controle federal. Pergunta ria se dentro de uma política econômica global seria possí vel admitir-se algum grau de liberdade. Em segundo lugar, há uma rebeldia contra o pre ceito constitucional da isenção do ICM sobre produtos expor táveis, agora ampliado por uma rebeldia contra o fundo de
participação dos Estados, por que a isenção do IPI e do IR
também criam orçamentos
problemas
estaduais,
aos
Creio
que foi V.Exa., com o Dr. Bu lhões, que sugeriram este pre&
ceito constitucional. Como
deríamos
conciliar 0
que não se exporta
po-
preceito
impostos
com a reivindicação estadual?
Com relação ao lOF, ainda que seja um excelente fluxo de
caixa para o Governo, considero-o perverso,
porque é repe
ECONÔMICO
atual, talvez muito mais con juntural do que estrutural.
Finalmente, quando V.Exa. se refere ao redimensionamen
to da atividade do Estado, pro posição que mr parece extre mamente
oportuna,
pergunta
tarefa de
decidir o seu
consu
o
protecionismo
houvesse sido integralmente executado o Código Tributário, aos Estados caberia uma recei ta maior. O fundo de contri
buição, por exemplo, dc 20%, foi durante certa época redu aos
Estados
a
liberdade
de
criar novas configurações tri
sério. A idéia que presidiu a redação do Código Tributário é
acesso ao emprego e ao míni
veria
mo de renda
dos Estados, porque as ex portações não se realizariam,
suficiente.
O SR. ROBERTO DE OLI VEIRA CAMPOS — Sou favo
rável a uma maior alocação de
Em 1965 havia uma anarquia fiscal. Ê necessário que haja
contra
Se
mo e seu investimento. Apenas Estado, 0 bom senso dos dirigentes, se encontrássemos uma geração desvairada, poderia eventualmente intervir para que houvesse um mínimo de investimento assegurado, para que a população pudesse ter
mente à indisciplina tributária.
cionais autoridade para esgri
são problemas diferentes.
butárias, naturalmente caire mos na anarquia fiscal que existia em 1965.
dos produtos importados, e por
mir
da aos três níveis de governo,
o Estado. Se não devíamos atribuir à própria sociedade a
que cria problema de relacio
tempo retira nos foros interna
71
zido para 10%. Mas, se dermos
recursos,
neiro disfarçado, e ao mesmo
ECONÔMICO
ria se não deveriamos começar a cercear a canalização das poupanças compulsórias para
titivo, porque aumenta o custo
namento internacional, por ser considerado um imposto adua
DIGESTO
mas não necessaria
uma nomenclatura tributária ou
menos rígida, que isente de dis farces.
Quanto à intensidade da carga tributária a ser atribuí-
Esse tipo de rebeldia men cionado é algo um pouco mais
que exportar impostos é algo
altamente desejável mas, habi tualmente impraticável. E hauma
erosão
na
receita
os fatores ficariam ociosos, reduzindo a atividade econô
mica. Abriu-se uma possibili dade naquela ocasião que era utilizar 0 lOF em determinados casos para compensações que se
tornassem
necessárias.
Acontece que o lOF acabou servindo a um objetivo direta mente oposto, como um impos
to sobre a importação, para financiar despesas gerais.
É hoje mundial a tendência de se desgravar as exporta ções. É quase uma competitivi dade internacional. Não vejo que poderiamos obter resulta do algum restaurando qual quer tipo de tributação sobre a exportação. Os Estados têm que ser compensados de outra maneira, se é que a compensa ção é devida, porque no fundo é uma grave ilusão imaginar que a manutenção do imposto de importação reforce a recei ta do Estado.
Quanto ao redimensiona mento da atividade do Estado, não entendi bem a expressão “cercear a canalização da pou
pança compulsória para o Es tado”. A não ser que por pou
pança compulsória se entenda a carga fiscal por si mesma.
Aí, a redução da canalização das poupanças compulsórias para o Estado reside no redi mensionamento das despesas do Estado. O Estado tem que abster-se de ser empresário.
Procuramos distinguir en tre as várias funções empresa riais do Estado. Uma primeira função, chamava função pionei ra, o Estado presente nas áreas
onde não houvesse con-
DIGESTO
70
maior liberdade de tributação, quase que tendendo a escapar ao controle federal. Pergunta ria se dentro de uma política econômica global seria possí vel admitir-se algum grau de liberdade. Em segundo lugar, há uma rebeldia contra o pre ceito constitucional da isenção do ICM sobre produtos expor táveis, agora ampliado por uma rebeldia contra o fundo de
participação dos Estados, por que a isenção do IPI e do IR
também criam orçamentos
problemas
estaduais,
aos
Creio
que foi V.Exa., com o Dr. Bu lhões, que sugeriram este pre&
ceito constitucional. Como
deríamos
conciliar 0
que não se exporta
po-
preceito
impostos
com a reivindicação estadual?
Com relação ao lOF, ainda que seja um excelente fluxo de
caixa para o Governo, considero-o perverso,
porque é repe
ECONÔMICO
atual, talvez muito mais con juntural do que estrutural.
Finalmente, quando V.Exa. se refere ao redimensionamen
to da atividade do Estado, pro posição que mr parece extre mamente
oportuna,
pergunta
tarefa de
decidir o seu
consu
o
protecionismo
houvesse sido integralmente executado o Código Tributário, aos Estados caberia uma recei ta maior. O fundo de contri
buição, por exemplo, dc 20%, foi durante certa época redu aos
Estados
a
liberdade
de
criar novas configurações tri
sério. A idéia que presidiu a redação do Código Tributário é
acesso ao emprego e ao míni
veria
mo de renda
dos Estados, porque as ex portações não se realizariam,
suficiente.
O SR. ROBERTO DE OLI VEIRA CAMPOS — Sou favo
rável a uma maior alocação de
Em 1965 havia uma anarquia fiscal. Ê necessário que haja
contra
Se
mo e seu investimento. Apenas Estado, 0 bom senso dos dirigentes, se encontrássemos uma geração desvairada, poderia eventualmente intervir para que houvesse um mínimo de investimento assegurado, para que a população pudesse ter
mente à indisciplina tributária.
cionais autoridade para esgri
são problemas diferentes.
butárias, naturalmente caire mos na anarquia fiscal que existia em 1965.
dos produtos importados, e por
mir
da aos três níveis de governo,
o Estado. Se não devíamos atribuir à própria sociedade a
que cria problema de relacio
tempo retira nos foros interna
71
zido para 10%. Mas, se dermos
recursos,
neiro disfarçado, e ao mesmo
ECONÔMICO
ria se não deveriamos começar a cercear a canalização das poupanças compulsórias para
titivo, porque aumenta o custo
namento internacional, por ser considerado um imposto adua
DIGESTO
mas não necessaria
uma nomenclatura tributária ou
menos rígida, que isente de dis farces.
Quanto à intensidade da carga tributária a ser atribuí-
Esse tipo de rebeldia men cionado é algo um pouco mais
que exportar impostos é algo
altamente desejável mas, habi tualmente impraticável. E hauma
erosão
na
receita
os fatores ficariam ociosos, reduzindo a atividade econô
mica. Abriu-se uma possibili dade naquela ocasião que era utilizar 0 lOF em determinados casos para compensações que se
tornassem
necessárias.
Acontece que o lOF acabou servindo a um objetivo direta mente oposto, como um impos
to sobre a importação, para financiar despesas gerais.
É hoje mundial a tendência de se desgravar as exporta ções. É quase uma competitivi dade internacional. Não vejo que poderiamos obter resulta do algum restaurando qual quer tipo de tributação sobre a exportação. Os Estados têm que ser compensados de outra maneira, se é que a compensa ção é devida, porque no fundo é uma grave ilusão imaginar que a manutenção do imposto de importação reforce a recei ta do Estado.
Quanto ao redimensiona mento da atividade do Estado, não entendi bem a expressão “cercear a canalização da pou
pança compulsória para o Es tado”. A não ser que por pou
pança compulsória se entenda a carga fiscal por si mesma.
Aí, a redução da canalização das poupanças compulsórias para o Estado reside no redi mensionamento das despesas do Estado. O Estado tem que abster-se de ser empresário.
Procuramos distinguir en tre as várias funções empresa riais do Estado. Uma primeira função, chamava função pionei ra, o Estado presente nas áreas
onde não houvesse con-
DIGESTO
72
dições de operação empresarial privada, seja pela ausência do empresário, seja pela carência de
infra-estrutura.
Mas
essa
atividade pioneira é estrita mente temporária. Mas o Esta do pioneiro, como investidor, se
transformou
em
investidor
rotineiro, o que foi uma per versão do conceito original.
sar ninguém na volta a inves timento
receosos os
investido
res de preços e tarifas fixados pelo Governo em nível de sub venção. Para
se
tornar
essas
em
presas capazes de investir, era preciso dar um fortíssimo reajustamento tarifário, o que era absolutamente impossível em
é a figuração
favor de uma empresa estran
supletiva: adicionar-se ao ca pital privado existenl; o "quan-
geira, dificilmente aceitável em
tum”
operação
brasileira, enquanto que existia
Esse conceito também
uma enorme tolerância política
A segunda
para tornar a
viável.
Uma terceira figura seria o que chamamos de investimento
expiatório: após haver expulsa do o capital privado de certos setores, o Estado teria que in tervir como agente residual, quando se tornar politicamente impossível ou economicamente desaconselhável
0
retorno
ao
capital privado. O exemplo que tínhamos
em
vista
era
ferro
vias e energia elétrica. Todos nós sabemos que a velha Com
panhia Paulista de Estrada de Ferro foi expulsa do setor por O
intervenção governamental, governo tinha então que expiar esse
pecado
favor de uma empresa privada
original,
porque
depois de algum tempo não ha via mais condições de interes-
DIGESTO
mente
73
ECONÔMICO
inevitável:
às
vezes
se
definiam áreas de segurança e o Estado passava a investir
nelas frequentemente como in
unidade orçamentária. Temos o déficit das despesas públicas, os subsídios e o déficit das em
presas estatais. E o nosso orça mento
tributário
é
destinado
vestidor exclusivo. A segurança do Estado, no entanto, não reside na natureza do agente
despesas
públicas.
explorador da atividade econô
tributária
corresponde
apenas
a 15% do
total das
despesas
mica
e sim
na
eficiência
da
operação. Em casos cie emer gência sempre se pode nacio nalizar. Isso tornou-se um pos tulado político inelutável, em alguns casos chegamos até a consagrar na Constituição coi sas como: monopólio do petró
tão-somente
para
cobrir
A
as
receita
nacionais se incluirmos os sub sídios e as despesas das esta tais. Como o valor dos subsídios
é uma área opaca, de difícil avaliação, porque cresce a me dida em que a inflação cresce; da
mesma
maneira
o
déficit
leo, que era puramente lei or
das estatais, se considerarmos
violentos reajustamentos tari fários. E com 0 anestésico po
dinária passou a ter um dispo
os
lítico da nacionalização, desen
te, energia nuclear ainda não foi promovida a essa dignidade.
em
foi desvirtuado.
I
ECONÔMICO
relação
ao
Es:ado,
com
volveu-se uma infinita paciên cia no consumidor e no usuário,
que foi possível
atualizar
as
tarifas. E durante muito tempo mesmo essas empresas torna-
ram-se viáveis. Agora, parece que já existe uma defasagem tarifária, não sei, não tenho in vestigado. Mas isto indica o tipo e problema que pode sur gir na configuração do Estado como investidor.
Uma quarta caracterização do Estado investidor
era
o in
vestidor de segurança, conceito
que nunca me agradou muito, mas que era política e militar-
sitivo
O
Tem
constitucional.
SR.
Felizmen
PRESIDENTE
a palavra
o sr.
-
Murillo
Souza Telles.
empréstimos em moeda es
trangeira, cresce à proporção que a inflação cresce e que nossa
moeda se deteriora em
relação à estrangeira. Enquanto não for consegui
da essa unidade orçamentária será muito difícil avaliarmos a
FONSECA
carga tributária necessária à
DE SOUZA TELLES — Queria deixar os meus parabéns, sr. presidente, pela lembrança e pela eficácia de trazer até nós o embaixador Roberto Campos, pelo seu valor.
satisfação desses interesses, se
Sobre o item visão integra da da cai’ga tributária, o pro fessor Longo abordou talvez o
cobrir as despesas, através de
ponto crucial, que é a falta de
uma despesa desconhecida?
O SR.
MURILO
desconhecemos o volume^ dos
subsídios e o volume do déficit
das estatais.
Qual seria a viabilidade de fazermos
um
orçamento
para
uma reforma tributária buscar
os
recursos
para
cobrirmos
DIGESTO
72
dições de operação empresarial privada, seja pela ausência do empresário, seja pela carência de
infra-estrutura.
Mas
essa
atividade pioneira é estrita mente temporária. Mas o Esta do pioneiro, como investidor, se
transformou
em
investidor
rotineiro, o que foi uma per versão do conceito original.
sar ninguém na volta a inves timento
receosos os
investido
res de preços e tarifas fixados pelo Governo em nível de sub venção. Para
se
tornar
essas
em
presas capazes de investir, era preciso dar um fortíssimo reajustamento tarifário, o que era absolutamente impossível em
é a figuração
favor de uma empresa estran
supletiva: adicionar-se ao ca pital privado existenl; o "quan-
geira, dificilmente aceitável em
tum”
operação
brasileira, enquanto que existia
Esse conceito também
uma enorme tolerância política
A segunda
para tornar a
viável.
Uma terceira figura seria o que chamamos de investimento
expiatório: após haver expulsa do o capital privado de certos setores, o Estado teria que in tervir como agente residual, quando se tornar politicamente impossível ou economicamente desaconselhável
0
retorno
ao
capital privado. O exemplo que tínhamos
em
vista
era
ferro
vias e energia elétrica. Todos nós sabemos que a velha Com
panhia Paulista de Estrada de Ferro foi expulsa do setor por O
intervenção governamental, governo tinha então que expiar esse
pecado
favor de uma empresa privada
original,
porque
depois de algum tempo não ha via mais condições de interes-
DIGESTO
mente
73
ECONÔMICO
inevitável:
às
vezes
se
definiam áreas de segurança e o Estado passava a investir
nelas frequentemente como in
unidade orçamentária. Temos o déficit das despesas públicas, os subsídios e o déficit das em
presas estatais. E o nosso orça mento
tributário
é
destinado
vestidor exclusivo. A segurança do Estado, no entanto, não reside na natureza do agente
despesas
públicas.
explorador da atividade econô
tributária
corresponde
apenas
a 15% do
total das
despesas
mica
e sim
na
eficiência
da
operação. Em casos cie emer gência sempre se pode nacio nalizar. Isso tornou-se um pos tulado político inelutável, em alguns casos chegamos até a consagrar na Constituição coi sas como: monopólio do petró
tão-somente
para
cobrir
A
as
receita
nacionais se incluirmos os sub sídios e as despesas das esta tais. Como o valor dos subsídios
é uma área opaca, de difícil avaliação, porque cresce a me dida em que a inflação cresce; da
mesma
maneira
o
déficit
leo, que era puramente lei or
das estatais, se considerarmos
violentos reajustamentos tari fários. E com 0 anestésico po
dinária passou a ter um dispo
os
lítico da nacionalização, desen
te, energia nuclear ainda não foi promovida a essa dignidade.
em
foi desvirtuado.
I
ECONÔMICO
relação
ao
Es:ado,
com
volveu-se uma infinita paciên cia no consumidor e no usuário,
que foi possível
atualizar
as
tarifas. E durante muito tempo mesmo essas empresas torna-
ram-se viáveis. Agora, parece que já existe uma defasagem tarifária, não sei, não tenho in vestigado. Mas isto indica o tipo e problema que pode sur gir na configuração do Estado como investidor.
Uma quarta caracterização do Estado investidor
era
o in
vestidor de segurança, conceito
que nunca me agradou muito, mas que era política e militar-
sitivo
O
Tem
constitucional.
SR.
Felizmen
PRESIDENTE
a palavra
o sr.
-
Murillo
Souza Telles.
empréstimos em moeda es
trangeira, cresce à proporção que a inflação cresce e que nossa
moeda se deteriora em
relação à estrangeira. Enquanto não for consegui
da essa unidade orçamentária será muito difícil avaliarmos a
FONSECA
carga tributária necessária à
DE SOUZA TELLES — Queria deixar os meus parabéns, sr. presidente, pela lembrança e pela eficácia de trazer até nós o embaixador Roberto Campos, pelo seu valor.
satisfação desses interesses, se
Sobre o item visão integra da da cai’ga tributária, o pro fessor Longo abordou talvez o
cobrir as despesas, através de
ponto crucial, que é a falta de
uma despesa desconhecida?
O SR.
MURILO
desconhecemos o volume^ dos
subsídios e o volume do déficit
das estatais.
Qual seria a viabilidade de fazermos
um
orçamento
para
uma reforma tributária buscar
os
recursos
para
cobrirmos
DIGESTO
74
O SR. ROBERTO DE OLI VEIRA CAMPOS — Não é fá cil. Precisaríamos não só de
uma reforma fiscal, mas de uma reforma institucional, o que já tem sido proposta várias vezes.
O
Banco
Central
está
desvirtuado em suas funções, pois deveria ser meramente um controlador
da massa
monetá
ria da expansão do crédito. Ele virou um banco promocional e assistencial, às vezes com rubri
ca de orçamento aberto, como foram durante muito tempo as
subvenções agrícolas. Enquanto ele não voltar às suas funções, não acredito que tenhamos con
dições de racionalizar esse pa
ECONÔMICO
tividade de tudo aquilo que é
público, sua
eficiência,
talvez
publicando-se índices de outros países, seria no nosso entender uma das formas que o empre sariado podería colaborar. O Governo procura desestatizar, mas há cada vez mais tentações para a estatização, E nós fica mos realmente preocupados em como vamos chegar esses limi tes, sem saturar cada vez mais a capacidade contributiva do contribuinte, que está difícil, sobretudo num país em que precisamos cada vez mais de
capital, especialmente na quena e média empresa.
pe
DIGESTO
ECONÔMICO
75
O SR. VITOR FREYSLEBEN MORITZ — Sr- Embaixaxador, o que o senhor acha de dispensarmos um tratamento
mercialização ficam por conta das grandes empresas. Eu
diria
também
das
em
diferenciado para a pequena, micro e média empresa, levan do em consideração que nao e fácil defini-las, mas talvez usando de variáveis, como ca
presas em zonas pioneiras, ca
pital integralizado, número de empregados, faturamento, etc.
mentos governamentais para auxílio da pequena e média em
da sua formação de capital de
presa, linhas especiais de re desconto, simplificação buro crática quanto a sua escritura
Isso
naturalmente
no
sentido
giro.
A segunda pergunta seria com referência aos tão propa lados subsídios. O governo con cede subsídios a determinadas
rentes de infra-estrutura,
que
deveriam receber um tratamen to diferenciado.
Já
existem
vários
instru
ção para pagamento de IR. O problema dos subsídios é talvez 0 mais difícil que o go
verno tem que enfrentar. A so
O SR. ROBERTO DE OLI VEIRA CAMPOS Concordo
áreas econômicas, mas segundo
lução radical, proposta pelo Dr. Bulhões, é simplesmente elimi-
Com a palavra o companheiro
plenamente com a sua coloca ção. Não tenho neniium outro
consta
maioria de outras áreas.
Roberto Schoueri-
comentário a fazer.
norama.
O
SR.
PRESIDENTE
—
O SR. ROBERTO SCHOUE-
Rl — Sr. presidente, sr. Em baixador, quero me unir a to dos felicitando
0
sr. Embaixa-
dor pelo ssu magnífico pronun ciamento.
buição do empresariado, atra vés da comparação de índices de outros países, seria para dar alguma força compulsiva, para
denunciar abusos, corrigir ineficiências e eventualmente ace
lerar 0 processo de privatiza
Perguntaria ao sr. Embai xador sobre as inúmeras
A contri
ção. Seria uma sugestão muito útil.
detrimento da
Não
havería outra alternativa para os subsídios?
O SR. ROBERTO DE OLI VEIRA
CAMPOS
Acredito
que 0 tratamento diferenciado
aqui é possível e desejável. Na verdade já há conscientização no
governo dessa
necessidade
de promover essas empresas. Inclusive a experiência interna
cola
borações que a classe empre sarial podería dar, a forma de procurarmos melhorar a produ-
isso em
0
SR.
PRESIDENTE
—
Tem a palavra o sr. Vitor Moritz, de Sta. Catarina.
cional
tem
demonstrado
que
nar
os vários tipos de subsídios
existentes, inclusive os da agri cultura,
preservando
talvez
apenas o subsídio à taxa de ju
ros
de exportação, que é co
mandada pelo mercado mun dial. Mas politicamente é quase
impossível pensar-se em elimi nação de subsídios à agricultu ra, porquanto até certo ponto eles sejam ilusórios. Alguém tem que pagar essa subvenção. Ela pode ser paga, ou pelo go
elas são grandes criadoras de emprego, são fontes de criati
verno. que só tem duas manei
vidade. A massificação e a co-
sos no op\en market, e nesse
ras de fazê-lo, ou capta recur
DIGESTO
74
O SR. ROBERTO DE OLI VEIRA CAMPOS — Não é fá cil. Precisaríamos não só de
uma reforma fiscal, mas de uma reforma institucional, o que já tem sido proposta várias vezes.
O
Banco
Central
está
desvirtuado em suas funções, pois deveria ser meramente um controlador
da massa
monetá
ria da expansão do crédito. Ele virou um banco promocional e assistencial, às vezes com rubri
ca de orçamento aberto, como foram durante muito tempo as
subvenções agrícolas. Enquanto ele não voltar às suas funções, não acredito que tenhamos con
dições de racionalizar esse pa
ECONÔMICO
tividade de tudo aquilo que é
público, sua
eficiência,
talvez
publicando-se índices de outros países, seria no nosso entender uma das formas que o empre sariado podería colaborar. O Governo procura desestatizar, mas há cada vez mais tentações para a estatização, E nós fica mos realmente preocupados em como vamos chegar esses limi tes, sem saturar cada vez mais a capacidade contributiva do contribuinte, que está difícil, sobretudo num país em que precisamos cada vez mais de
capital, especialmente na quena e média empresa.
pe
DIGESTO
ECONÔMICO
75
O SR. VITOR FREYSLEBEN MORITZ — Sr- Embaixaxador, o que o senhor acha de dispensarmos um tratamento
mercialização ficam por conta das grandes empresas. Eu
diria
também
das
em
diferenciado para a pequena, micro e média empresa, levan do em consideração que nao e fácil defini-las, mas talvez usando de variáveis, como ca
presas em zonas pioneiras, ca
pital integralizado, número de empregados, faturamento, etc.
mentos governamentais para auxílio da pequena e média em
da sua formação de capital de
presa, linhas especiais de re desconto, simplificação buro crática quanto a sua escritura
Isso
naturalmente
no
sentido
giro.
A segunda pergunta seria com referência aos tão propa lados subsídios. O governo con cede subsídios a determinadas
rentes de infra-estrutura,
que
deveriam receber um tratamen to diferenciado.
Já
existem
vários
instru
ção para pagamento de IR. O problema dos subsídios é talvez 0 mais difícil que o go
verno tem que enfrentar. A so
O SR. ROBERTO DE OLI VEIRA CAMPOS Concordo
áreas econômicas, mas segundo
lução radical, proposta pelo Dr. Bulhões, é simplesmente elimi-
Com a palavra o companheiro
plenamente com a sua coloca ção. Não tenho neniium outro
consta
maioria de outras áreas.
Roberto Schoueri-
comentário a fazer.
norama.
O
SR.
PRESIDENTE
—
O SR. ROBERTO SCHOUE-
Rl — Sr. presidente, sr. Em baixador, quero me unir a to dos felicitando
0
sr. Embaixa-
dor pelo ssu magnífico pronun ciamento.
buição do empresariado, atra vés da comparação de índices de outros países, seria para dar alguma força compulsiva, para
denunciar abusos, corrigir ineficiências e eventualmente ace
lerar 0 processo de privatiza
Perguntaria ao sr. Embai xador sobre as inúmeras
A contri
ção. Seria uma sugestão muito útil.
detrimento da
Não
havería outra alternativa para os subsídios?
O SR. ROBERTO DE OLI VEIRA
CAMPOS
Acredito
que 0 tratamento diferenciado
aqui é possível e desejável. Na verdade já há conscientização no
governo dessa
necessidade
de promover essas empresas. Inclusive a experiência interna
cola
borações que a classe empre sarial podería dar, a forma de procurarmos melhorar a produ-
isso em
0
SR.
PRESIDENTE
—
Tem a palavra o sr. Vitor Moritz, de Sta. Catarina.
cional
tem
demonstrado
que
nar
os vários tipos de subsídios
existentes, inclusive os da agri cultura,
preservando
talvez
apenas o subsídio à taxa de ju
ros
de exportação, que é co
mandada pelo mercado mun dial. Mas politicamente é quase
impossível pensar-se em elimi nação de subsídios à agricultu ra, porquanto até certo ponto eles sejam ilusórios. Alguém tem que pagar essa subvenção. Ela pode ser paga, ou pelo go
elas são grandes criadoras de emprego, são fontes de criati
verno. que só tem duas manei
vidade. A massificação e a co-
sos no op\en market, e nesse
ras de fazê-lo, ou capta recur
DIGESTO
76
caso eleva a taxa geral de ju ros da economia, afetando o custo
financeiro
dos
insumos
agrícolas, voltando ao agricul tor sob forma de preços mais caros de fertilizantes, tratores,
insumos agrícolas; ou isto é pago por elevação de impos tos .Se essa diferença é paga pelo setor privado, o que re sulta é uma elevação da taxa de juros aplicada às operações normais
tria.
de
comércio
e
indús
Talvez a eliminação dos
subsídios, como propõe o dr. Bulhões, redundaria numa taxa de juros média mais baixa, por tanto numa redução do custo dos insumos. Mas acho que não
há persuasão possível para o agricultor que o leve a aceitar uma eliminação da subvenção. O que se tem que pensar é num gradual estreitamento da mar gem de subvenção, primeiro para os grandes agricultores, depois para os médios, preser vando a subvenção talvez para
os pequenos
agricultores, que
têm muito pouca defesa contra as incertezas climáticas e, cul tivando uma área pequena não
pode ter compensada uma frus tração de colheita. Além disso, 0 vazamento do crédito agríco la subvencionado é enorme. A
taxa de expansão do
crédito
DIGESTO
ECONÔMICO
nos últimos cinco ou seis anos terá sido de 200% a 300% en quanto que- a taxa de expansão efetiva da produção agrícola deve estar entre 40% a 50%. Esse vazamento é uma tentação quase irresistível, quando se
pode praticar na agricultura taxas de juros de 25%, 30%, 45%, contra uma taxa geral de juros no mercado da ordem de
120%, 150%.
Mas isto é uma
ECONÔMICO
77
próprias instituições políticas,
econômicas e sociais, a partir da própria necessidade do ho mem
em
viver em
sociedade.
Por isso, a tributação define o que cabe ao indivíduo, às orga nizações privadas organizadas pelo indivíduo, e ao Estado, que
é essencialmente o coordenador dos próprios fins que a socie dade dos homens estabelece como seus objetivos essenciais.
receita de perfeição, um con selho impraticável. E como
É evidente que nunca será objetivo dos homens, organiza
futuro político espero dar a re ceita do possível e não um ser
dos em sociedade, a sua própria destruição como pessoa, nem a
mão sobre o desejável. O
SR.
PRESIDENTE
—
Por fim, passaremos a palavra ao nosso coordenador do semi
nário, o dr. José Carlos Graça Wagner, a quem agradeço pela colaboração
prestada
para
o
brilho do seminário que encer rou e deste nosso novo seminá rio regional, que faremos rea
lizar hoje, a partir das 14 ho ras.
O SR. JOSÉ CARLOS GRA
ÇA WAGNER — Agradeço às palavras do sr. presidente e passo à pergunta. Sr. Embai xador, a questão da tributação da receita global do Estado por quaisquer meios está absoluta mente ligada à definição das
eliminação do uso da sua inte
ligência criadora,
pois o ho
mem é essencialmente um ser
criador.
Essa
capacidade
se
damente pela lei. que não só pode deixar fazer, como no Es tado liberal antigo, mas tam bém pode dar o que fazer aos integrantes da sociedade e fa zer os integrantes da socieda
de, através por exemplo de uma legislação tributária de diferen ciação de incidências em razão de objetivos econômicos e so ciais prioritários, não se trata de subsídios, que levem os in divíduos a assumir muitas das
tarefas que o Estado está se auto-atribuindo, em razão do
que chamo de erro do Século XX, ou seja, a idéia de que o Estado é o alfa e o ômega de toda a preocupação econômica e social, e de que o social e o são
sinônimos
de
tal
revela principalmente no cam
estatal
po econômico e social, pela ini ciativa individual ou grupai
modo que ele acaba por mono
dentro do que é lícito no uso de
polizar toda a expressão do im pulso social que cada indivíduo
sua
riscos
tem em si, na própria natureza.
Assim consideradas as coi sas, a iniciativa estatal nesse
as dificuldades, que não são to
setor deve ser rigorosamente
veria
liberdade
com
os
que lhes são inerentes.
complementar, preservando as dimensões
individuais
e fami
liares do homem, que não é apenas um animal social, mas também individual e familiar. A
atividade
coordenadora
do Estado se processa adequa¬
Pergunto, apesar de todas
davia impossibilidades, não de 0 Estado
de suas
desengajar-se
atividades
diretas
de
execução do campo econômico e social para, primeiro, adotar o caminho de devolução não onerosa à sociedade dos meios
de produção possuídos atual mente pelo Estado? Segundo,
DIGESTO
76
caso eleva a taxa geral de ju ros da economia, afetando o custo
financeiro
dos
insumos
agrícolas, voltando ao agricul tor sob forma de preços mais caros de fertilizantes, tratores,
insumos agrícolas; ou isto é pago por elevação de impos tos .Se essa diferença é paga pelo setor privado, o que re sulta é uma elevação da taxa de juros aplicada às operações normais
tria.
de
comércio
e
indús
Talvez a eliminação dos
subsídios, como propõe o dr. Bulhões, redundaria numa taxa de juros média mais baixa, por tanto numa redução do custo dos insumos. Mas acho que não
há persuasão possível para o agricultor que o leve a aceitar uma eliminação da subvenção. O que se tem que pensar é num gradual estreitamento da mar gem de subvenção, primeiro para os grandes agricultores, depois para os médios, preser vando a subvenção talvez para
os pequenos
agricultores, que
têm muito pouca defesa contra as incertezas climáticas e, cul tivando uma área pequena não
pode ter compensada uma frus tração de colheita. Além disso, 0 vazamento do crédito agríco la subvencionado é enorme. A
taxa de expansão do
crédito
DIGESTO
ECONÔMICO
nos últimos cinco ou seis anos terá sido de 200% a 300% en quanto que- a taxa de expansão efetiva da produção agrícola deve estar entre 40% a 50%. Esse vazamento é uma tentação quase irresistível, quando se
pode praticar na agricultura taxas de juros de 25%, 30%, 45%, contra uma taxa geral de juros no mercado da ordem de
120%, 150%.
Mas isto é uma
ECONÔMICO
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próprias instituições políticas,
econômicas e sociais, a partir da própria necessidade do ho mem
em
viver em
sociedade.
Por isso, a tributação define o que cabe ao indivíduo, às orga nizações privadas organizadas pelo indivíduo, e ao Estado, que
é essencialmente o coordenador dos próprios fins que a socie dade dos homens estabelece como seus objetivos essenciais.
receita de perfeição, um con selho impraticável. E como
É evidente que nunca será objetivo dos homens, organiza
futuro político espero dar a re ceita do possível e não um ser
dos em sociedade, a sua própria destruição como pessoa, nem a
mão sobre o desejável. O
SR.
PRESIDENTE
—
Por fim, passaremos a palavra ao nosso coordenador do semi
nário, o dr. José Carlos Graça Wagner, a quem agradeço pela colaboração
prestada
para
o
brilho do seminário que encer rou e deste nosso novo seminá rio regional, que faremos rea
lizar hoje, a partir das 14 ho ras.
O SR. JOSÉ CARLOS GRA
ÇA WAGNER — Agradeço às palavras do sr. presidente e passo à pergunta. Sr. Embai xador, a questão da tributação da receita global do Estado por quaisquer meios está absoluta mente ligada à definição das
eliminação do uso da sua inte
ligência criadora,
pois o ho
mem é essencialmente um ser
criador.
Essa
capacidade
se
damente pela lei. que não só pode deixar fazer, como no Es tado liberal antigo, mas tam bém pode dar o que fazer aos integrantes da sociedade e fa zer os integrantes da socieda
de, através por exemplo de uma legislação tributária de diferen ciação de incidências em razão de objetivos econômicos e so ciais prioritários, não se trata de subsídios, que levem os in divíduos a assumir muitas das
tarefas que o Estado está se auto-atribuindo, em razão do
que chamo de erro do Século XX, ou seja, a idéia de que o Estado é o alfa e o ômega de toda a preocupação econômica e social, e de que o social e o são
sinônimos
de
tal
revela principalmente no cam
estatal
po econômico e social, pela ini ciativa individual ou grupai
modo que ele acaba por mono
dentro do que é lícito no uso de
polizar toda a expressão do im pulso social que cada indivíduo
sua
riscos
tem em si, na própria natureza.
Assim consideradas as coi sas, a iniciativa estatal nesse
as dificuldades, que não são to
setor deve ser rigorosamente
veria
liberdade
com
os
que lhes são inerentes.
complementar, preservando as dimensões
individuais
e fami
liares do homem, que não é apenas um animal social, mas também individual e familiar. A
atividade
coordenadora
do Estado se processa adequa¬
Pergunto, apesar de todas
davia impossibilidades, não de 0 Estado
de suas
desengajar-se
atividades
diretas
de
execução do campo econômico e social para, primeiro, adotar o caminho de devolução não onerosa à sociedade dos meios
de produção possuídos atual mente pelo Estado? Segundo,
DIGESTO
78
para usar o instrumento legis lativo. para levar o indivíduo a usar seu poder criativo, através de piuralidades de iniciativa, para realizar com sentido de serviço não só o desenvolvimen to
econômico como
tem
feito
até agora, mas o desenvolvi mento social sem que o Estado atrapalhe, com a mania de tudo monopolizar? O SR. ROBERTO DE OLI VEIRA CAMPOS — Concordo plenamente com a sua coloca
ção. Lembraria apenas que há duas
posturas
extremas
com
relação a impostos. Um juiz da Corte
Suprema
dos
Estados
Unidos dizia que pagar impos
tos é comprar civilização. Mui tos preferiríam dizer hoje que pagar
impostos
além
de
um
certo limite é simplesmente res tringir opções
opções, substituir as privadas do mercado
por opções públicas frequente mente mal concebidas.
O Estado deve no máximo
traçar campos de atividade econômica considerados priori tários. É exatamente essa dife rença entre a formulação tecnocrática dos objetivos e a per cepção política dos objetivos prioritários que marca a dife rença entre a economia de co^
ECONÔMICO
DIGESTO
mando, centralizada, e a eco nomia de mercado. Hoje,
puras, de
comando,
nos
mesmo
países
socialistas já há concessões no sistema de preços, como finali-
zador da produção: Iugoslávia,
começa
Hungria, a ocorrer
na China, e mesmo Cuba pare ce que agora está começando a responder sinais de mercado. A União Soviética é talvez o país retardatário em reconhecer os sinais de mercado.
Não existe também econo mia de mercado pura. O que
existe, como poderiamos cha mar. é economia de mercado corrigida, temporada por deter minadas concepções políticas. Esta é a essência da economia mista.
No
caso
brasileiro,
o que
nos convém, que é factível, é uma economia mista, em que procuramos debilmente dimi nuir a área de economia de co mando aumentando gradualmente a área
de economia
dC'
mercado, o que nos levaria a maior eficiência. O
SR.
PRESIDENTE
—
Sr. Embaixador, ao encerrar esta reunião, gostaria em pri meiro lugar de agradecer pelo convite aceito, pela visão que
79
nos foi dada,
que muito nos
conforta,
finidas, mas cabe aos políticos
principalmente
definir as missões dos técnicos.
quando V.Exa. demonstra pro fundo conhecimento e sensibili dade com respeito ao papel da micro, pequena e média empre sas na sociedade, que é a nossa
(Entrega-lhe uma pasta). Hoje, gostaria de saudar ao político Roberto Campos, por esta oportunidade. E o que está escrito nesta pasta, senador Roberto Campos, se torne rea lidade, a partir de 15 de novem bro de 1982. pois teremos nesta
não
há mais economias
ECONÔMICO
e
principal bandeira de defesa. E
a
Associação
este
nome
Comercial
única
e
tem
exclusiva
mente por sua tradição, pois na época de suas fundações, em todas as Associações Comer ciais no Brasil, a única ativida de era a do comércio. Manteve
Casa de Leis alguém que tem a sensibilidade para interpretar
0 pensamento de todos nós, a grande massa empresarial. Obrigado, professor Rober
a tradição do nome, mas nós somos entidades empresariais, representativas de todos os seg mentos da economia privada,
dade. A A.C. de São Paulo, e,
rais.
da própria Confederação, tem
inclusive de profissionais libe
E neste instante, esta sua manifestação nos conforta, pois 0 senhor faz colocações políti cas de profunda visão,
0
melhor
caminho
todas as entidades co-irmãs e
suas portas abertas para este
tipo de debate, e o apoio incon dicional a esta bandeira
que,
sinceramente, nos entusiasmou
e
pelo fato de muito representar aquilo que pensamos. E um agradecimento espe cial também ao nosso diretor
haja equilíbrio na aplicação dos nossos códigos tributários, que é 0 que falta hoje: o equi líbrio entre as áreas técnicas e as áreas políticas.
Como diz um grande amigo nosso, desta Casa, o vice-presi dente da República, dr. Aure-
liano Chaves de Mendonça,
tenho certeza, falo em nome de
que
que
para
to Campos, por esta oportuni
os
técnicos cumprem missões de-
da CMTC, Bertholdo Salum, nosso grande amigo, que foi o grande responsável pela vinda do
embaixador
Roberto
Cam
pos, neste dia memorável para nossa entidade.
Muito
(PALMAS).
obrigado
a
todos.
DIGESTO
78
para usar o instrumento legis lativo. para levar o indivíduo a usar seu poder criativo, através de piuralidades de iniciativa, para realizar com sentido de serviço não só o desenvolvimen to
econômico como
tem
feito
até agora, mas o desenvolvi mento social sem que o Estado atrapalhe, com a mania de tudo monopolizar? O SR. ROBERTO DE OLI VEIRA CAMPOS — Concordo plenamente com a sua coloca
ção. Lembraria apenas que há duas
posturas
extremas
com
relação a impostos. Um juiz da Corte
Suprema
dos
Estados
Unidos dizia que pagar impos
tos é comprar civilização. Mui tos preferiríam dizer hoje que pagar
impostos
além
de
um
certo limite é simplesmente res tringir opções
opções, substituir as privadas do mercado
por opções públicas frequente mente mal concebidas.
O Estado deve no máximo
traçar campos de atividade econômica considerados priori tários. É exatamente essa dife rença entre a formulação tecnocrática dos objetivos e a per cepção política dos objetivos prioritários que marca a dife rença entre a economia de co^
ECONÔMICO
DIGESTO
mando, centralizada, e a eco nomia de mercado. Hoje,
puras, de
comando,
nos
mesmo
países
socialistas já há concessões no sistema de preços, como finali-
zador da produção: Iugoslávia,
começa
Hungria, a ocorrer
na China, e mesmo Cuba pare ce que agora está começando a responder sinais de mercado. A União Soviética é talvez o país retardatário em reconhecer os sinais de mercado.
Não existe também econo mia de mercado pura. O que
existe, como poderiamos cha mar. é economia de mercado corrigida, temporada por deter minadas concepções políticas. Esta é a essência da economia mista.
No
caso
brasileiro,
o que
nos convém, que é factível, é uma economia mista, em que procuramos debilmente dimi nuir a área de economia de co mando aumentando gradualmente a área
de economia
dC'
mercado, o que nos levaria a maior eficiência. O
SR.
PRESIDENTE
—
Sr. Embaixador, ao encerrar esta reunião, gostaria em pri meiro lugar de agradecer pelo convite aceito, pela visão que
79
nos foi dada,
que muito nos
conforta,
finidas, mas cabe aos políticos
principalmente
definir as missões dos técnicos.
quando V.Exa. demonstra pro fundo conhecimento e sensibili dade com respeito ao papel da micro, pequena e média empre sas na sociedade, que é a nossa
(Entrega-lhe uma pasta). Hoje, gostaria de saudar ao político Roberto Campos, por esta oportunidade. E o que está escrito nesta pasta, senador Roberto Campos, se torne rea lidade, a partir de 15 de novem bro de 1982. pois teremos nesta
não
há mais economias
ECONÔMICO
e
principal bandeira de defesa. E
a
Associação
este
nome
Comercial
única
e
tem
exclusiva
mente por sua tradição, pois na época de suas fundações, em todas as Associações Comer ciais no Brasil, a única ativida de era a do comércio. Manteve
Casa de Leis alguém que tem a sensibilidade para interpretar
0 pensamento de todos nós, a grande massa empresarial. Obrigado, professor Rober
a tradição do nome, mas nós somos entidades empresariais, representativas de todos os seg mentos da economia privada,
dade. A A.C. de São Paulo, e,
rais.
da própria Confederação, tem
inclusive de profissionais libe
E neste instante, esta sua manifestação nos conforta, pois 0 senhor faz colocações políti cas de profunda visão,
0
melhor
caminho
todas as entidades co-irmãs e
suas portas abertas para este
tipo de debate, e o apoio incon dicional a esta bandeira
que,
sinceramente, nos entusiasmou
e
pelo fato de muito representar aquilo que pensamos. E um agradecimento espe cial também ao nosso diretor
haja equilíbrio na aplicação dos nossos códigos tributários, que é 0 que falta hoje: o equi líbrio entre as áreas técnicas e as áreas políticas.
Como diz um grande amigo nosso, desta Casa, o vice-presi dente da República, dr. Aure-
liano Chaves de Mendonça,
tenho certeza, falo em nome de
que
que
para
to Campos, por esta oportuni
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técnicos cumprem missões de-
da CMTC, Bertholdo Salum, nosso grande amigo, que foi o grande responsável pela vinda do
embaixador
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Muito
(PALMAS).
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todos.
m
ri' %
Tiá
Leôncio de Carvalho e a
wm '.T ,*v
!l.
»?!&</■& tt
í..,
ll.
.V.
&39i^KB3^
reforma do ensmo
r»-'
livre NÚCLEO DE ASSISTÊNCIA
I
Fiávío Gaivão
GERENCIAL - NAG O trabalho do NAG consiste em. através de técnicas de motivação, reuniões e fornecimento de instrumental técnico fazer com que os pontos
Perfil de professor cuja Influência foi expressiva
fortes das empresas fiquem MAIS FORTES e os pontos fracos DESAPAREÇAM e ainda, que haja um melhor trabalho de equipe, fator fundamental no desenvolvimento de uma empresa.
Além de DIAGNÓSTICOS, faz implantações de sistemas administrativos c de gerências-tais como; custos, fluxo de informações, contabilidade, controles de venda, controles de estoque, planejamento de linha de produtos, etc. Este apoio é oferecido às empresas dentro do espírito de que as pequenas e médias carecem de recursos humanos c financeiros e que
independentemente deste fenômeno, devem se organizar para melhor competir. Faça uso de nossos serviços e veja sua empresa sofrer modificações para melhor!
junto aos estudantes.
O autor é professor da Universidade Mackenzie
"É completamente livre o ensino primário
e secundário
no município da Corte
e
0
su-
perior em todo o Império, salvo a inspecção necessária para ga rantir as condições de morali
dade é higiene”.
Isto foi o que dispôs, em
seu artigo 1.®, o Decreto n.° ... Rua Boa Vista. 51 - C Postal H0R2 - Cep 01014 - Tolex (11) 2R355 - SP - PABX 239.i:W3.
7.247, de 19 de abril de 1879, que consubstanciou a chamada “Reforma
Leôncio
de
Carva
lho”.
Em 1979, o transcurso do primeiro centenário dessa re^ forma
do
ensino brasileiro es
tranhamente
passou
desperce
bido da grande imprensa e até
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Leôncio de Carvalho e a
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fortes das empresas fiquem MAIS FORTES e os pontos fracos DESAPAREÇAM e ainda, que haja um melhor trabalho de equipe, fator fundamental no desenvolvimento de uma empresa.
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independentemente deste fenômeno, devem se organizar para melhor competir. Faça uso de nossos serviços e veja sua empresa sofrer modificações para melhor!
junto aos estudantes.
O autor é professor da Universidade Mackenzie
"É completamente livre o ensino primário
e secundário
no município da Corte
e
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su-
perior em todo o Império, salvo a inspecção necessária para ga rantir as condições de morali
dade é higiene”.
Isto foi o que dispôs, em
seu artigo 1.®, o Decreto n.° ... Rua Boa Vista. 51 - C Postal H0R2 - Cep 01014 - Tolex (11) 2R355 - SP - PABX 239.i:W3.
7.247, de 19 de abril de 1879, que consubstanciou a chamada “Reforma
Leôncio
de
Carva
lho”.
Em 1979, o transcurso do primeiro centenário dessa re^ forma
do
ensino brasileiro es
tranhamente
passou
desperce
bido da grande imprensa e até
DIGESTO
82
mesmo dos que nela se dedi cam, regular e especificamente, aos temas da educação.
Do que foi essa reforma, no tocante ao ensino superior, suas causas e objetivos, seu sentido escolar e extra-escolar, seus malogros e resultados, tra
tou, entre nós, com lucidez e proficiência, em t^e de docên cia livre — instituição, aliás, introduzida no Brasil exatamen
te pela Reforma Leôncio
de
ECONÔMICO
ideológico dos bacharéis do Se gundo Império”. A educação, para repetir um truismo, é a mola propulso ra do progresso. Dela é lícito esperar hoje, como ocorria on tem, soluções para os nossos problemas básicos, tanto os que dizem respeito à ordem mate rial da riqueza e do bem-estar
sociais, quanto os que se inse rem no campo dos valores espi rituais, na ordem ético-política.
Carvalho — o ex-diretor da Fa
I
culdade de Educação da Uni versidade de São Paulo, profes sor Roque Spencer Maciel de Barros, nosso antigo compa nheiro de militância jornalísti ca na redação d’0 Estado de S. Paulo”.
Dessa tese, intitulada "A Ilustração Brasileira e a Idéia de Universidade”, disse o sau
doso professor Laerte Ramos
de Carvalho, catedrático de Fi losofia da Educação da Univer sidade de São Paulo e ex-reitor da Universidade de Brasília, que “constitui esforço de valoriza
ção do papel dos nossos "douto-
fase imperial de 1870 a 1889 e representa valiosa con tribuição para a história do que
res
se
na
poderia chamar de itinerário
Como observa Roque Spen cer, os homens que renovaram a
mentalidade
brasileira
nos
fins do Império, definindo os pródromos de um período que se estende desde 1870 até a Pri meira Grande Guerra deste sé
culo — período denominado a "ilustração brasileira” — ensi naram 0 País a acreditar que a educação é a primeira entre
todas as forças inovadoras da sociedade, insistindo muito mais no seu papel criador do que no conservador.
Em fins do século passado, era desolador o quadro ofereci do pelo ensino, em todos os seus graus, no império brasilei ro. Não havia sequer um siste ma de educação nacional. A
DIGESTO
ECONÔMICO
83
instrução primária era defi ciente e a secundária não era, na prática, regular. Assim, to talmente despreparados, os es tudantes — poucos — se apre sentavam aos também poucos cursos superiores em funciona mento, para ingresso nos quais o principal era a carta de reco mendação, 0 “pistolão". Os que ingressavam, na sua imensa maioria, não estavam preocupa dos ou interessados em realizar
uma vocação profissional ou em aprender, em saber, mas, sim, em conseguir tão somente o di ploma — 0 famoso "canudo” — necessário à obtenção de "status” na sociedade da época (e ainda hoje).
Não havia, então, no ensino superior, pesquisa, ou criação. Havia a repetição monocórdica
do que ensinavam, na Europa, determinados professores, cujos livi'os aqui chegavam. Havia o compêndio, aprovado pelo Go verno, forma de cercear a li
berdade de exposição e de pes quisa, de impedir a difusão de
“doutrinas perigosas ou subver sivas”,
convite
à
indolência
tanto de professores quanto de
cultivava a ciência pura, sem o que não é possível alcançar alto nível no campo do ensino superior. Em suma, do ensino supe rior, na situação em que se en contrava, nada se podia espe rar no tocante à formação da quela elite, intelectual e técni ca, saída democraticamente do
seio do próprio povo e cuja po sição de liderança decorresse do saber e da ciência, elite
capaz de colocar o Brasil no nível do século.
Ora, observa Roque Spen cer, se se reserva ao ensino su perior papel fundamental no plano de renovação do País e se
se
reconhece que ele não
está em condições de preencher tal papel, torna-se evidente que é preciso renová-lo.
Mas, qual a idéia diretora que
deveria presidir, então, à
reorgamzaçao Brasil?
do
ensino
no
Para uns, a criação da uni versidade, para outros, a im plantação do ensino livre.
estudos
Segundo o autor de "A Ilus tração Brasileira e a Idéia de
superiores doutrinários, não se
Universidade”, o ideal da liber-
estudantes.
Inexistiam
DIGESTO
82
mesmo dos que nela se dedi cam, regular e especificamente, aos temas da educação.
Do que foi essa reforma, no tocante ao ensino superior, suas causas e objetivos, seu sentido escolar e extra-escolar, seus malogros e resultados, tra
tou, entre nós, com lucidez e proficiência, em t^e de docên cia livre — instituição, aliás, introduzida no Brasil exatamen
te pela Reforma Leôncio
de
ECONÔMICO
ideológico dos bacharéis do Se gundo Império”. A educação, para repetir um truismo, é a mola propulso ra do progresso. Dela é lícito esperar hoje, como ocorria on tem, soluções para os nossos problemas básicos, tanto os que dizem respeito à ordem mate rial da riqueza e do bem-estar
sociais, quanto os que se inse rem no campo dos valores espi rituais, na ordem ético-política.
Carvalho — o ex-diretor da Fa
I
culdade de Educação da Uni versidade de São Paulo, profes sor Roque Spencer Maciel de Barros, nosso antigo compa nheiro de militância jornalísti ca na redação d’0 Estado de S. Paulo”.
Dessa tese, intitulada "A Ilustração Brasileira e a Idéia de Universidade”, disse o sau
doso professor Laerte Ramos
de Carvalho, catedrático de Fi losofia da Educação da Univer sidade de São Paulo e ex-reitor da Universidade de Brasília, que “constitui esforço de valoriza
ção do papel dos nossos "douto-
fase imperial de 1870 a 1889 e representa valiosa con tribuição para a história do que
res
se
na
poderia chamar de itinerário
Como observa Roque Spen cer, os homens que renovaram a
mentalidade
brasileira
nos
fins do Império, definindo os pródromos de um período que se estende desde 1870 até a Pri meira Grande Guerra deste sé
culo — período denominado a "ilustração brasileira” — ensi naram 0 País a acreditar que a educação é a primeira entre
todas as forças inovadoras da sociedade, insistindo muito mais no seu papel criador do que no conservador.
Em fins do século passado, era desolador o quadro ofereci do pelo ensino, em todos os seus graus, no império brasilei ro. Não havia sequer um siste ma de educação nacional. A
DIGESTO
ECONÔMICO
83
instrução primária era defi ciente e a secundária não era, na prática, regular. Assim, to talmente despreparados, os es tudantes — poucos — se apre sentavam aos também poucos cursos superiores em funciona mento, para ingresso nos quais o principal era a carta de reco mendação, 0 “pistolão". Os que ingressavam, na sua imensa maioria, não estavam preocupa dos ou interessados em realizar
uma vocação profissional ou em aprender, em saber, mas, sim, em conseguir tão somente o di ploma — 0 famoso "canudo” — necessário à obtenção de "status” na sociedade da época (e ainda hoje).
Não havia, então, no ensino superior, pesquisa, ou criação. Havia a repetição monocórdica
do que ensinavam, na Europa, determinados professores, cujos livi'os aqui chegavam. Havia o compêndio, aprovado pelo Go verno, forma de cercear a li
berdade de exposição e de pes quisa, de impedir a difusão de
“doutrinas perigosas ou subver sivas”,
convite
à
indolência
tanto de professores quanto de
cultivava a ciência pura, sem o que não é possível alcançar alto nível no campo do ensino superior. Em suma, do ensino supe rior, na situação em que se en contrava, nada se podia espe rar no tocante à formação da quela elite, intelectual e técni ca, saída democraticamente do
seio do próprio povo e cuja po sição de liderança decorresse do saber e da ciência, elite
capaz de colocar o Brasil no nível do século.
Ora, observa Roque Spen cer, se se reserva ao ensino su perior papel fundamental no plano de renovação do País e se
se
reconhece que ele não
está em condições de preencher tal papel, torna-se evidente que é preciso renová-lo.
Mas, qual a idéia diretora que
deveria presidir, então, à
reorgamzaçao Brasil?
do
ensino
no
Para uns, a criação da uni versidade, para outros, a im plantação do ensino livre.
estudos
Segundo o autor de "A Ilus tração Brasileira e a Idéia de
superiores doutrinários, não se
Universidade”, o ideal da liber-
estudantes.
Inexistiam
84
dade de ensino, que não apare ce inopinadamente no quadro brasileiro, transformou-se, a
partir de 1869, "numa autêntica aspiração dos homens cultos" e “de simples idéia entre outras idéias, em matéria de instrução pública, principalmente supe rior, a liberdade passa, agora, a ser a idéia diretora, a chave de um sistema liberal de ins
trução”.
A propósito, Leôncio de Carvalho, na "Memória Históri ca da Faculdade de Direito de São Paulo”, relativa ao ano de 1871, disse 0 seguinte, como registrou o professor Spencer Vampré, na sua história da ve lha escola: "O antigo sistema ainda hoje seguido em nossas academias, oferece gravíssimos inconvenientes, que só poderão ser extirpados por meio de uma medida, que tanto tem de sim ples quanto de eficaz: o ensino livre. Acabemos, inteiramente, nos cursos superiores, com o
carunchoso regime de faltas, li ções e sabatinas, regime de grande vantagem nos estabele cimentos de instrução primária e secundária, mas impróprio para faculdades, cujas aulas são frequentadas por alunos.
DIGESTO
ECONÔMICO
que já devem dispor de um es pírito culto, e, por conseguinte, saber discriminar
o que mais
convém aos seus interesses e às
suas aspirações. Querer compe lir ao trabalho
o estudante de
uma academia, por outros meios, que não sejam o exem plo do mestre, a proficiência das lições e a severidade dos exames, é uma perfeita utopia. Cada um estude com quem qui
ser, e onde lhe for mais cômo do, e venha prestar, depois, na devida ocasião, perante os len tes do instituto oficial, as pro vas determinadas por lei. Conceda-se a todo cidadão o direito
de abrir cursos, em que lecione, e desenvolva qualquer ciência tendo, como único juiz de seu mérito, a opinião independente
do público”. Em 1878, já ministro do Im pério, afirmava Leôncio de Carvalho que a liberdade de ensino “é o sólido alicerce so bre que deve assentar o edifí cio da educação nacional”. Pa ra ele, a liberdade de ensino, fundada na concorrência, na competição, era a causa e a ga rantia da prosperidade norteamericana e do progresso da instrução em todos os países que a tinham adotado.
DIGESTO
ECONÔMICO
85
Todavia, se a liberdade de ensino se transformara em as
piração nacional e se todos a re
clamavam, divergiam os enten dimentos sobre o que ela signi ficava. De forma diferente compreendiam-na o liberal
clássico, o novo liberal cientificista, 0 católico, o positivista. E 0 significadovariava também
ensino superior, secundário e primário. Cada um prestaria o jui’amento conforme a sua pró pria religião e para aqueles pertencentes a seitas que proi bissem juramentos se estabele ceu, no seu lugar, a promessa de bem cumprir os deveres ine rentes a tais funções ou graus acadêmicos.
nos grandes sistemas educacio
nais conhecidos — os da Ingla terra e Estados Unidos, da França e da Alemanha. O que
explica os ataques que a Refor ma Leôncio de Carvalho veio a
sofrer até de parte de tantos que se diziam partidários do ensino livre.
Não cabe aqui a análise do decreto de abril de 1879, mas apenas lembrar que estabele ceu a liberdade de ensino, a qual, no grau superior com
preendia a frequência livre, li berdade de exames, faculdades livres e a docência livre.
A reforma garantiu, outros-
Legalmente abriam-se, assim, as portas das escolas e facul dades aos acatólicos, que pode ríam manifestar o seu pensa mento todo nas teses ou nas cá
tedras. Roque Spencer acha que esta talvez fosse a medida mais importante do projeto de reforma, equivalendo, pelo me nos no seu espírito, a uma au têntica afirmação de liberdade de cátedra, e nivelando, juridi camente, católicos e os adeptos de outros credos religiosos e fi losóficos.
O plano consubstanciado no decreto de
mais
liberal
abril
de 1879 é
possível,
o
consa
sim, os mesmos direitos a todos os cidadãos, independentemente de suas convicções, pondo fim ao relacionamento com a reli
grando este, em seus artigos, as principais conquistas de princí pio no campo das idéias filosofico-políticas do liberalismo e
pensou
diversos reclamos mento pedagógico
gião do Estado. Ó decreto dis 0
juramento
católico
para o exercício de funções no
XIX.
do do
pensa século
84
dade de ensino, que não apare ce inopinadamente no quadro brasileiro, transformou-se, a
partir de 1869, "numa autêntica aspiração dos homens cultos" e “de simples idéia entre outras idéias, em matéria de instrução pública, principalmente supe rior, a liberdade passa, agora, a ser a idéia diretora, a chave de um sistema liberal de ins
trução”.
A propósito, Leôncio de Carvalho, na "Memória Históri ca da Faculdade de Direito de São Paulo”, relativa ao ano de 1871, disse 0 seguinte, como registrou o professor Spencer Vampré, na sua história da ve lha escola: "O antigo sistema ainda hoje seguido em nossas academias, oferece gravíssimos inconvenientes, que só poderão ser extirpados por meio de uma medida, que tanto tem de sim ples quanto de eficaz: o ensino livre. Acabemos, inteiramente, nos cursos superiores, com o
carunchoso regime de faltas, li ções e sabatinas, regime de grande vantagem nos estabele cimentos de instrução primária e secundária, mas impróprio para faculdades, cujas aulas são frequentadas por alunos.
DIGESTO
ECONÔMICO
que já devem dispor de um es pírito culto, e, por conseguinte, saber discriminar
o que mais
convém aos seus interesses e às
suas aspirações. Querer compe lir ao trabalho
o estudante de
uma academia, por outros meios, que não sejam o exem plo do mestre, a proficiência das lições e a severidade dos exames, é uma perfeita utopia. Cada um estude com quem qui
ser, e onde lhe for mais cômo do, e venha prestar, depois, na devida ocasião, perante os len tes do instituto oficial, as pro vas determinadas por lei. Conceda-se a todo cidadão o direito
de abrir cursos, em que lecione, e desenvolva qualquer ciência tendo, como único juiz de seu mérito, a opinião independente
do público”. Em 1878, já ministro do Im pério, afirmava Leôncio de Carvalho que a liberdade de ensino “é o sólido alicerce so bre que deve assentar o edifí cio da educação nacional”. Pa ra ele, a liberdade de ensino, fundada na concorrência, na competição, era a causa e a ga rantia da prosperidade norteamericana e do progresso da instrução em todos os países que a tinham adotado.
DIGESTO
ECONÔMICO
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Todavia, se a liberdade de ensino se transformara em as
piração nacional e se todos a re
clamavam, divergiam os enten dimentos sobre o que ela signi ficava. De forma diferente compreendiam-na o liberal
clássico, o novo liberal cientificista, 0 católico, o positivista. E 0 significadovariava também
ensino superior, secundário e primário. Cada um prestaria o jui’amento conforme a sua pró pria religião e para aqueles pertencentes a seitas que proi bissem juramentos se estabele ceu, no seu lugar, a promessa de bem cumprir os deveres ine rentes a tais funções ou graus acadêmicos.
nos grandes sistemas educacio
nais conhecidos — os da Ingla terra e Estados Unidos, da França e da Alemanha. O que
explica os ataques que a Refor ma Leôncio de Carvalho veio a
sofrer até de parte de tantos que se diziam partidários do ensino livre.
Não cabe aqui a análise do decreto de abril de 1879, mas apenas lembrar que estabele ceu a liberdade de ensino, a qual, no grau superior com
preendia a frequência livre, li berdade de exames, faculdades livres e a docência livre.
A reforma garantiu, outros-
Legalmente abriam-se, assim, as portas das escolas e facul dades aos acatólicos, que pode ríam manifestar o seu pensa mento todo nas teses ou nas cá
tedras. Roque Spencer acha que esta talvez fosse a medida mais importante do projeto de reforma, equivalendo, pelo me nos no seu espírito, a uma au têntica afirmação de liberdade de cátedra, e nivelando, juridi camente, católicos e os adeptos de outros credos religiosos e fi losóficos.
O plano consubstanciado no decreto de
mais
liberal
abril
de 1879 é
possível,
o
consa
sim, os mesmos direitos a todos os cidadãos, independentemente de suas convicções, pondo fim ao relacionamento com a reli
grando este, em seus artigos, as principais conquistas de princí pio no campo das idéias filosofico-políticas do liberalismo e
pensou
diversos reclamos mento pedagógico
gião do Estado. Ó decreto dis 0
juramento
católico
para o exercício de funções no
XIX.
do do
pensa século
DIGESTO
86
O projeto consagrou a ins
trução
obrigatória,
estabele
cendo ainda para o Governo o dever de fornecer meios meninos pobres para que
aos pu
dessem cumprir a exigência feita pela lei; dispensa para os
acatólicos da
tuar-se em dias determinados da semana e sempre antes ou depois das horas destinadas ao
ensino das outras disciplinas; instituiu a co-educação, até a idade de 10 anos, nas escolas primárias; criou jardins de in fância, pequenas bibliotecas e museus nos diferentes distritos
de um mesmo município; con cedeu ao Governo a prerroga tiva de contratar professores ambulantes, que percorressem certo número
de localidades, em cada uma
demorando-se delas o tempo preciso para ministrar a me ninos e meninas, os rudimen tos do ensino primário; con cedeu, ainda, ao Governo a
prerrogativa de criar ou auxi liar, nas províncias, cursos de alfabetização de adultos, além de uma série menor
alcance.
Das medidas gerais, a es sencial foi
a estabelecida
no
artigo 1.® do Decreto que de clarou livre 0 ensino primário e secundário no município da Corte e o superior, em todo o País.
aula de reli
gião, que por isso deveria efe
anualmente um
ECONÔMICO
de medidas de
Muito se criticou — repe timos — a Reforma Leôncio de
DIGESTO
ECONÔMICO
de dispositivos imediatamente
87
fossem postos em execução,
já que limitadas eram as atri buições do Executivo em ma
téria de educação.
No pró
prio preâmbulo do Decreto n.”
7.247, esclareceu-se que, das suas disposições não seriam executadas, antes de aprova ção do Poder Legislativo, as
Carvalho, sem se atentar para
que
uma circunstância
despesa ou dependessem de autorização do mesmo Poder.
fundamen
tal: a de que ela não foi exe cutada como fora concebida. O decreto de abril de 1879 vi gorou apenas em pequena par
te, e em 17 de janeii’o de 1885, pelo de n.o 9.030, fizeram-se modificações no plano dos es
Vale dizer, boa parte dos dis positivos não eram auto-aplicáveis, dependiam de aprova ção ou regulamentação do Legislativo. Por Aviso de 21 de maio
tudos .
Desejoso de implantar, desde logo, a reforma que con cebera, Leôncio de Carvalho fê-lo por decreto, em vez de lei. Se optasse pela via da lei, apresentando o Governo nesse sentido um projeto ao
Poder Legislativo, corria o risco de ver a proposição mo far
nas
casas
do Parlamento
e dc nem chegar a ser discu tida. Mas, por outro lado, bai xando a reforma por decreto — como fez — sujeitava-se a que apenas pequeno número
acarretassem aumento de
de 1879, mandeiram-se pôr em execução alguns artigos do de creto, da competência do Exe cutivo e, embora fossem im portantes, a eles se reduziu toda a reforma de 19 de abril daquele ano. Por tal Aviso en-
traram em vigor, no que se re fere ao ensino superior, a frequência livre, os cursos li vres, a suspensão da exigência do exame de Direito Eclesiás tico para os acatólicos e do
juramento católico obrigató rio, a nova regulamentação dos
concursos
de cátedra
e
alguns outros dispositivos menor importância.
de
Como essência do decreto, 0 que ficou mesmo foi a fre quência livre no curso supe rior. E foi este o motivo prin cipal das críticas e ataques à Reforma Leôncio de Carvalho.
Mas a frequência livre, se não foi um bem, longe esteve de ter sido propriamente um mal.
Roque Spencer observa, a este respeito, que a frequência livre foi “fator de importância no processo de emancipação da inteligência, no progresso das idéias liberais, no terreno
da transformação política”. No que diz respeito às idéias políticas e filosóficas, o ensi no superior brasileiro, antes de 1879, fora mais um instru mento
de
crenças
tradicionais
um centro
conservação
do
das
que
irradiador das no
vas doutrinas, das idéias mo
dernas, que teriam grande im portância para a evolução do Brasil, a partir de 1870. A re forma do ensino, baixada por Leôncio de Cai*valho, deu ao estudante autonomia, indepen dência diante do professor e do compêndio, permitindo-lhe abrir caminhos por sua pró-
DIGESTO
86
O projeto consagrou a ins
trução
obrigatória,
estabele
cendo ainda para o Governo o dever de fornecer meios meninos pobres para que
aos pu
dessem cumprir a exigência feita pela lei; dispensa para os
acatólicos da
tuar-se em dias determinados da semana e sempre antes ou depois das horas destinadas ao
ensino das outras disciplinas; instituiu a co-educação, até a idade de 10 anos, nas escolas primárias; criou jardins de in fância, pequenas bibliotecas e museus nos diferentes distritos
de um mesmo município; con cedeu ao Governo a prerroga tiva de contratar professores ambulantes, que percorressem certo número
de localidades, em cada uma
demorando-se delas o tempo preciso para ministrar a me ninos e meninas, os rudimen tos do ensino primário; con cedeu, ainda, ao Governo a
prerrogativa de criar ou auxi liar, nas províncias, cursos de alfabetização de adultos, além de uma série menor
alcance.
Das medidas gerais, a es sencial foi
a estabelecida
no
artigo 1.® do Decreto que de clarou livre 0 ensino primário e secundário no município da Corte e o superior, em todo o País.
aula de reli
gião, que por isso deveria efe
anualmente um
ECONÔMICO
de medidas de
Muito se criticou — repe timos — a Reforma Leôncio de
DIGESTO
ECONÔMICO
de dispositivos imediatamente
87
fossem postos em execução,
já que limitadas eram as atri buições do Executivo em ma
téria de educação.
No pró
prio preâmbulo do Decreto n.”
7.247, esclareceu-se que, das suas disposições não seriam executadas, antes de aprova ção do Poder Legislativo, as
Carvalho, sem se atentar para
que
uma circunstância
despesa ou dependessem de autorização do mesmo Poder.
fundamen
tal: a de que ela não foi exe cutada como fora concebida. O decreto de abril de 1879 vi gorou apenas em pequena par
te, e em 17 de janeii’o de 1885, pelo de n.o 9.030, fizeram-se modificações no plano dos es
Vale dizer, boa parte dos dis positivos não eram auto-aplicáveis, dependiam de aprova ção ou regulamentação do Legislativo. Por Aviso de 21 de maio
tudos .
Desejoso de implantar, desde logo, a reforma que con cebera, Leôncio de Carvalho fê-lo por decreto, em vez de lei. Se optasse pela via da lei, apresentando o Governo nesse sentido um projeto ao
Poder Legislativo, corria o risco de ver a proposição mo far
nas
casas
do Parlamento
e dc nem chegar a ser discu tida. Mas, por outro lado, bai xando a reforma por decreto — como fez — sujeitava-se a que apenas pequeno número
acarretassem aumento de
de 1879, mandeiram-se pôr em execução alguns artigos do de creto, da competência do Exe cutivo e, embora fossem im portantes, a eles se reduziu toda a reforma de 19 de abril daquele ano. Por tal Aviso en-
traram em vigor, no que se re fere ao ensino superior, a frequência livre, os cursos li vres, a suspensão da exigência do exame de Direito Eclesiás tico para os acatólicos e do
juramento católico obrigató rio, a nova regulamentação dos
concursos
de cátedra
e
alguns outros dispositivos menor importância.
de
Como essência do decreto, 0 que ficou mesmo foi a fre quência livre no curso supe rior. E foi este o motivo prin cipal das críticas e ataques à Reforma Leôncio de Carvalho.
Mas a frequência livre, se não foi um bem, longe esteve de ter sido propriamente um mal.
Roque Spencer observa, a este respeito, que a frequência livre foi “fator de importância no processo de emancipação da inteligência, no progresso das idéias liberais, no terreno
da transformação política”. No que diz respeito às idéias políticas e filosóficas, o ensi no superior brasileiro, antes de 1879, fora mais um instru mento
de
crenças
tradicionais
um centro
conservação
do
das
que
irradiador das no
vas doutrinas, das idéias mo
dernas, que teriam grande im portância para a evolução do Brasil, a partir de 1870. A re forma do ensino, baixada por Leôncio de Cai*valho, deu ao estudante autonomia, indepen dência diante do professor e do compêndio, permitindo-lhe abrir caminhos por sua pró-
DIGESTO
88
pria conta. 0 ensino livre foi
a chave que o liberalismo, na sua
forma
atualizada,
usou
para abrir as portas das esco las superiores e nela instalarse,
sendo inegável a fermenta
ção de idéias novas nas aca demias
e faculdades
depois
impotente — e o ensino não ganhou com ela. Mas, se a pensarmos, limitada mesmo como
foi executada,
significado cresce de
no seu
extra-escolar, ela importância, como
vimos. E nâo nos esqueçamos ainda que ela acaba por ter
uma influência positiva mes mo dentro da escola: depois do
de 1879.
I
ECONÔMICO
Refutando parcialmente Ri vadavia Meyer — outro refor
decreto de 19 de abril, não te-
mador
velho regime do privilégio, da absoluta submissão; criand''.: um problema, ela tinha o mé rito, aos olhos de qualquer ho mem que compreendesse a transformação do País, de mostrar que seria impraticá vel voltar atrás. Era preciso superá-la, sim, mas dialética mente; negá-la, afirmando-a destruí-la, conservando-a. A mentalidade emancipada nao se submetería, espontaneamen
do
ensino
no
Brasil —
Roque Spencer afirma que, se a geração do ensino livre nã(í fez a Abolição e a República, sem dúvida foi ura poderosís simo auxiliar na consolidação desses ideais, trabalhando na transformação da opinião pú blica, na criação de uma opi nião abolicionista e republica na.
F «inda do ilustre espe cialista em Educação o juizo
sobre o que representou o de creto de abril de 1879: “A re forma de Leôncio de Carvalho será um esforço malogrado, se a
ria
mais
sentido ressuscitar
te, a retomar
os
o
ferros que
DIGESTO
ECONÔMICO
89
coisa a emendar ou comple tar, mas é, certo que foram inspiradas pelos princípios da democracia e pelas idéias adiantadas que no assunto pro fessa há muitb tempo o sr. dr. Leôncio de Carvalho".
Para
encerrar
ples crônica, alguma
esta
sim
convém lembrar
coisa
sobre
Carlos
Leôncio de Carvalho que, com 0 decreto de abril de
1879 cer-
tamente se assegui’ou
um lu
gar na história
da educação
no Brasil.
Nasceu ele aos 18 de junho de 1874, no município da Cor te. 0 primeiro centenário de seu
nascimento
foi
devida
mente comemorado na Facul dade de Direito da Universida
de de São Paulo, da qual foi professor, comemoração a que assistimos ainda na qualidade aluno das Arcadas.
Aliado pelo casamento, à família patrícia dos Souza Queiroz. Rico, talentoso, sim pático, Leôncio de Carvalho granjeou em São Paulo, como ficou registrado, grande e pro funda influência pessoal, em especial entre os estudantes.
Como político, niilitóu Partido Liberal.
no
Foi jornalis
ta, tendo sido proprietário “Correio Paulistano’
do
cuja di-
reçãò exerceu a partir de 1871
de 1868 (Gabinete Itaboraí), formando o 27.'^ gabinete do reinado de D. Pedro .II. Presidiu-o o...aísgoanq. João. láns Vieira Cansanção de-Sinimbu (Visconde de Sinimbu), bacha-
"As reformas
tenham muita
de doutor em Direito.
aspecto foi
constou por influência do im perador, D. Pedro II.
ram ao poder, de que estavam afastados desde 16 de julho
é possível que
Sob esse
ministro João Alfredo, ao que
Em 1864, veio para São Paulo, matriculando-se no pri-
e suscintamente:
eão, dos vícios do ensino bra
rém, nomeado por decreto de janeiro de 1871, expedido, pelo
O jornal “A Província de S. Paulo” — hoje ”0 Estado de S. Paulo” — percebeu isso e, ao noticiar a reforma, em sua edição de.-27 de abril de 1879, assim concluiu, opinativa
dades.
corre
siliense de Almeida Melo e com Almeida Reis. Classifica do em terceiro lugar, foi, po
de
sileiro, como um instrumento de transformação das facul
pretendia ser eficaz na
concorrendo com Américo Bra-
antes a prendiam”.
raeiro-ano da Faculdade, pela quar se ; bacharelou em 1868. Logo.ehi 1869 requereu defesa de- .tese, tendo sido aprovado plenamente e recebido o grau
pensarmos como um remédio que
No ano seguinte, inscreveu-se em concursos para len te substituto da Faculdade,
. Em, 1878, os. liberais volta-
DIGESTO
88
pria conta. 0 ensino livre foi
a chave que o liberalismo, na sua
forma
atualizada,
usou
para abrir as portas das esco las superiores e nela instalarse,
sendo inegável a fermenta
ção de idéias novas nas aca demias
e faculdades
depois
impotente — e o ensino não ganhou com ela. Mas, se a pensarmos, limitada mesmo como
foi executada,
significado cresce de
no seu
extra-escolar, ela importância, como
vimos. E nâo nos esqueçamos ainda que ela acaba por ter
uma influência positiva mes mo dentro da escola: depois do
de 1879.
I
ECONÔMICO
Refutando parcialmente Ri vadavia Meyer — outro refor
decreto de 19 de abril, não te-
mador
velho regime do privilégio, da absoluta submissão; criand''.: um problema, ela tinha o mé rito, aos olhos de qualquer ho mem que compreendesse a transformação do País, de mostrar que seria impraticá vel voltar atrás. Era preciso superá-la, sim, mas dialética mente; negá-la, afirmando-a destruí-la, conservando-a. A mentalidade emancipada nao se submetería, espontaneamen
do
ensino
no
Brasil —
Roque Spencer afirma que, se a geração do ensino livre nã(í fez a Abolição e a República, sem dúvida foi ura poderosís simo auxiliar na consolidação desses ideais, trabalhando na transformação da opinião pú blica, na criação de uma opi nião abolicionista e republica na.
F «inda do ilustre espe cialista em Educação o juizo
sobre o que representou o de creto de abril de 1879: “A re forma de Leôncio de Carvalho será um esforço malogrado, se a
ria
mais
sentido ressuscitar
te, a retomar
os
o
ferros que
DIGESTO
ECONÔMICO
89
coisa a emendar ou comple tar, mas é, certo que foram inspiradas pelos princípios da democracia e pelas idéias adiantadas que no assunto pro fessa há muitb tempo o sr. dr. Leôncio de Carvalho".
Para
encerrar
ples crônica, alguma
esta
sim
convém lembrar
coisa
sobre
Carlos
Leôncio de Carvalho que, com 0 decreto de abril de
1879 cer-
tamente se assegui’ou
um lu
gar na história
da educação
no Brasil.
Nasceu ele aos 18 de junho de 1874, no município da Cor te. 0 primeiro centenário de seu
nascimento
foi
devida
mente comemorado na Facul dade de Direito da Universida
de de São Paulo, da qual foi professor, comemoração a que assistimos ainda na qualidade aluno das Arcadas.
Aliado pelo casamento, à família patrícia dos Souza Queiroz. Rico, talentoso, sim pático, Leôncio de Carvalho granjeou em São Paulo, como ficou registrado, grande e pro funda influência pessoal, em especial entre os estudantes.
Como político, niilitóu Partido Liberal.
no
Foi jornalis
ta, tendo sido proprietário “Correio Paulistano’
do
cuja di-
reçãò exerceu a partir de 1871
de 1868 (Gabinete Itaboraí), formando o 27.'^ gabinete do reinado de D. Pedro .II. Presidiu-o o...aísgoanq. João. láns Vieira Cansanção de-Sinimbu (Visconde de Sinimbu), bacha-
"As reformas
tenham muita
de doutor em Direito.
aspecto foi
constou por influência do im perador, D. Pedro II.
ram ao poder, de que estavam afastados desde 16 de julho
é possível que
Sob esse
ministro João Alfredo, ao que
Em 1864, veio para São Paulo, matriculando-se no pri-
e suscintamente:
eão, dos vícios do ensino bra
rém, nomeado por decreto de janeiro de 1871, expedido, pelo
O jornal “A Província de S. Paulo” — hoje ”0 Estado de S. Paulo” — percebeu isso e, ao noticiar a reforma, em sua edição de.-27 de abril de 1879, assim concluiu, opinativa
dades.
corre
siliense de Almeida Melo e com Almeida Reis. Classifica do em terceiro lugar, foi, po
de
sileiro, como um instrumento de transformação das facul
pretendia ser eficaz na
concorrendo com Américo Bra-
antes a prendiam”.
raeiro-ano da Faculdade, pela quar se ; bacharelou em 1868. Logo.ehi 1869 requereu defesa de- .tese, tendo sido aprovado plenamente e recebido o grau
pensarmos como um remédio que
No ano seguinte, inscreveu-se em concursos para len te substituto da Faculdade,
. Em, 1878, os. liberais volta-
DIGESTO
90
rei por Olinda e doutor em direito pela Universidade de lena, o qual, além da presi
forma
do ensino
substituto
no
ECONOMICO
livre.
Seu
gabinete
foi
dência do Conselho, ficou com
Francisco Maria Sodré Perei ra. Cumulativamente com a
a pasta da Agricultura,
pasta do Império, o conselhei
Co
mércio e Obras Públicas.
A pasta do Império foi entregue a Leôncio de Carva lho, que a exerceu até 4 de junho de 1879. Deixou-a em função de incidente criado com a demissão do diretor da Es cola Politécnica da Corte, con servador e católico ultramon-
tano e, pois, adversário da re-
ro Leôncio
de
Carvalho
O Município variações
exer
ceu, por algum tempo, tam bém a de Estrangeiros. No Gabinete Sinimbu, Leôn cio de Carvalho teve colegas ilustres, como Lafayette Ro drigues Pereira (Justiça), Gas par da Silveira Martins (Fa zenda) e 0 general Manoel Luís Osório (Guei*ra).
sobre o tema
Situação de menores sete a 17 anos de idade, mais de um quinto
Eiívsília — Entre os menores brasileiros de
»
são «meninos
José
Luiz de Anhaia
Mello
de rua»; não trabalham nem estudam. Nestas circunstâncias
estão 30,48% dos nordestinos e 12,24% dos paulistas, dos quais 11,13% na região metropolitana do Estado. Já entre os que têm de dez a 17 anos, quase 60% são desocupados, não possuem nenhum rendimento, percentual que atinge a 40,44% no Nordeste. E, embora mais da metade dos menores nessa faixa etá ria participe com 11 a 30",'o da renda mensal familiar, a maior parte deles, quase 80%, são trabalhadores não qualificados do comércio, transportes, co municações e de prestação de .serviços braçais, som qualquer vínculo empregatício nem garantias, situação do exploração na qual se encontram 33,88% das crianças em São Paulo. Essas eram as circunstâncias nas quais viviam os menores brasileiros em 1977, mas que o fundo das Nações Unidas para a Infância Unicef —, responsável pelo desenvolvimento da pesquisa ainda iné dita no País, denuncia ter piorado muito nos üitimos anos. Baseados em da dos oficiais extraídos dos dois últimos censos, os pesquisadores estão atua lizando os números do trabalho, cujos resultados preliminares indicam que as crianças brasileiras estão cada vez mais exploradas e abandonadas do que há 12 anos. Ao dl\mlgar o documento o Unicef mostrou-se preocupado com a alarmante exploração infantil no Brasil e fez uma advertência ao Governo, no sentido de tomar providências imediatas e enérgicas contra os explora dores da mão de-obra menor no País, ocupando legalmente seus jovens.
Muito se caminhou no saneamento econômico-financeiro
do município. O autor é professor de Direito da USP e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado.
I — O Município, pessoa ju rídica de direito público inter no, representa na Federação Brasileira um importante- papeL
Não é sem razão que o mes tre Reale afirma ser a Federa
ção Brasileira tridimensional, ou seja, em termos de União, Estados e Municípios.
Diríamo.5 mais, dificilmente em outra parte do orbe ele é descrito de forma mais elnqüente.
De igual maneira, deve fi car muito claro que o Municí pio não participa da definição do Estado Brasileiro, não é pe-
DIGESTO
90
rei por Olinda e doutor em direito pela Universidade de lena, o qual, além da presi
forma
do ensino
substituto
no
ECONOMICO
livre.
Seu
gabinete
foi
dência do Conselho, ficou com
Francisco Maria Sodré Perei ra. Cumulativamente com a
a pasta da Agricultura,
pasta do Império, o conselhei
Co
mércio e Obras Públicas.
A pasta do Império foi entregue a Leôncio de Carva lho, que a exerceu até 4 de junho de 1879. Deixou-a em função de incidente criado com a demissão do diretor da Es cola Politécnica da Corte, con servador e católico ultramon-
tano e, pois, adversário da re-
ro Leôncio
de
Carvalho
O Município variações
exer
ceu, por algum tempo, tam bém a de Estrangeiros. No Gabinete Sinimbu, Leôn cio de Carvalho teve colegas ilustres, como Lafayette Ro drigues Pereira (Justiça), Gas par da Silveira Martins (Fa zenda) e 0 general Manoel Luís Osório (Guei*ra).
sobre o tema
Situação de menores sete a 17 anos de idade, mais de um quinto
Eiívsília — Entre os menores brasileiros de
»
são «meninos
José
Luiz de Anhaia
Mello
de rua»; não trabalham nem estudam. Nestas circunstâncias
estão 30,48% dos nordestinos e 12,24% dos paulistas, dos quais 11,13% na região metropolitana do Estado. Já entre os que têm de dez a 17 anos, quase 60% são desocupados, não possuem nenhum rendimento, percentual que atinge a 40,44% no Nordeste. E, embora mais da metade dos menores nessa faixa etá ria participe com 11 a 30",'o da renda mensal familiar, a maior parte deles, quase 80%, são trabalhadores não qualificados do comércio, transportes, co municações e de prestação de .serviços braçais, som qualquer vínculo empregatício nem garantias, situação do exploração na qual se encontram 33,88% das crianças em São Paulo. Essas eram as circunstâncias nas quais viviam os menores brasileiros em 1977, mas que o fundo das Nações Unidas para a Infância Unicef —, responsável pelo desenvolvimento da pesquisa ainda iné dita no País, denuncia ter piorado muito nos üitimos anos. Baseados em da dos oficiais extraídos dos dois últimos censos, os pesquisadores estão atua lizando os números do trabalho, cujos resultados preliminares indicam que as crianças brasileiras estão cada vez mais exploradas e abandonadas do que há 12 anos. Ao dl\mlgar o documento o Unicef mostrou-se preocupado com a alarmante exploração infantil no Brasil e fez uma advertência ao Governo, no sentido de tomar providências imediatas e enérgicas contra os explora dores da mão de-obra menor no País, ocupando legalmente seus jovens.
Muito se caminhou no saneamento econômico-financeiro
do município. O autor é professor de Direito da USP e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado.
I — O Município, pessoa ju rídica de direito público inter no, representa na Federação Brasileira um importante- papeL
Não é sem razão que o mes tre Reale afirma ser a Federa
ção Brasileira tridimensional, ou seja, em termos de União, Estados e Municípios.
Diríamo.5 mais, dificilmente em outra parte do orbe ele é descrito de forma mais elnqüente.
De igual maneira, deve fi car muito claro que o Municí pio não participa da definição do Estado Brasileiro, não é pe-
DIGESTO
92
ça fundamental na sua conceituação. No
entanto,
a
autonomia
municipal é princípio constitu cional
e
a
sua
inobservância
pelos Estados componentes oca siona a intervenção’ federal, o
que, de certa forma, é uma ve lada contradição. Se o Município em suas ori gens era uma forma de descen tralização administrativa trans formou-se hoje em dia, sobre tudo no Brasil, em entidade maior.
Tem sua autonomia política e administrativa, tem seus ór gãos executivos e legislativos, não possuindo apenas e por mo tivos óbvios o judiciário, uma vez qúé a nossa Justiça ou è federal ou é estadual.
Os Municípios caracteri zam-se também entre nós pela
sua total e completa disparida
de, seja ela territorial ou em
paquenos Municípios aqui em São Paulo e alhures, que se quer têm a possibilidade de or ganizar a sua vida administra tiva à míngua de meios finan-
pios como 0 de São Paulo e o do Rio dé Janeiro, cujos orça mentos Ultrapassam os de mui tos Estados da Federação, te mos de' outra parte pobres e
DIQESXO
ECONÔMICO:
93
Essa autonomia diz respei to à eleição do prefeito, órgão executivo e vereadores, que comporão a Câmara, órgão le gislativo.
por
A eleição de prefeito tem
exefnplo, um "expert” em finan ças públicas.
suas exceções no caso das Ca
. ceiros
contratar,
para
A nossa experiência no Tri bunal de Contas, tem dado a lume eisse terrível e difícil pro blema.
Ss em São Paulo o fenôme
no aconteceu e se repete, ima ginemos no resto do nosso
Os Municípios têm sua com petência constitucional estabe lecida na Lei Maior, têm pode
res expressos como a União, os tem.
No campo da competência concorrente,
estabelece-se
hierarquia União, Municípios. II
a
Estados
a
e
Constituição,
-estabelece
o
art. 15, três ordens de atribui ções aos Municípios, a saber: políticas, administrativas e fi nanceiras.
a) Autonomia Política
do Sul, Poá, Santa Bárbara do Rio Pardo, Serra Negra e So corro, foram transformadasem
Estâncias turísticas, tendo ha
vido eleições, de imediato, para os cargos de prefeito.
considerados de interesse da segurança nacional e Estâncias
Os vereadores são sempre eleitos, representando propor cionalmente a população dos Municípios.
hidrominerais.
Nos primeiros, os prefeitos são nomeados pelos governado res, com prévia aprovação das Assembléias Legislativas e nos segundos, pelos governadores
Em São Paulo, por força da Lei 1844/78^ as Estâncias hidro minerais, ao todo 13, foram transformadas em Estâncias tu rísticas e com isso os prefeitos respectivos
passaram
a
É bem verdade que a fixa ção de limite máximo (trinta e três — Emenda Constitucional
n.° 22), quebra essa proporcio nalidade, prejudicando a representatividade nos grandes mu nicípios.
Não esquecer que os Esta dos também têm essa propor cionalidade relativa, basta lem brar o caso de São Paulo que
ser
tem uma bancada federal bem
Não há mais em São Paulo
menor daquela a que faria jús (60 deputados íederai^i; deve ria ter 80).
eleitos.
Estâncias
Ex vi legis”, no caso
Atibaia, Camfpos 'do Jordão, Ibirá, Lindoya, Monte Alegre
pitais dos Estados, Municípios
com aprovação do presidente da República.
imenso Brasil.
matéria de rendas.
Se temos entre nós Municí
ECONÔMICO
hidrominerais;
so-
mente municípios de interesse da segurança nacional.
A fixação de subsídios para todos
os
vereadores
foi uma
A partir da Lei Estadual 1844/78, as últimas Estâncias
conquista da Lei Complementar
hidrominerais, a saber: Águas
Esse é o esquema que ga rante aos Municípios sua auto nomia política.
da Prata, Águas de Lindoya, Águas de São Pedro, Amparo,
n.° 25, de 2-7-75.
DIGESTO
92
ça fundamental na sua conceituação. No
entanto,
a
autonomia
municipal é princípio constitu cional
e
a
sua
inobservância
pelos Estados componentes oca siona a intervenção’ federal, o
que, de certa forma, é uma ve lada contradição. Se o Município em suas ori gens era uma forma de descen tralização administrativa trans formou-se hoje em dia, sobre tudo no Brasil, em entidade maior.
Tem sua autonomia política e administrativa, tem seus ór gãos executivos e legislativos, não possuindo apenas e por mo tivos óbvios o judiciário, uma vez qúé a nossa Justiça ou è federal ou é estadual.
Os Municípios caracteri zam-se também entre nós pela
sua total e completa disparida
de, seja ela territorial ou em
paquenos Municípios aqui em São Paulo e alhures, que se quer têm a possibilidade de or ganizar a sua vida administra tiva à míngua de meios finan-
pios como 0 de São Paulo e o do Rio dé Janeiro, cujos orça mentos Ultrapassam os de mui tos Estados da Federação, te mos de' outra parte pobres e
DIQESXO
ECONÔMICO:
93
Essa autonomia diz respei to à eleição do prefeito, órgão executivo e vereadores, que comporão a Câmara, órgão le gislativo.
por
A eleição de prefeito tem
exefnplo, um "expert” em finan ças públicas.
suas exceções no caso das Ca
. ceiros
contratar,
para
A nossa experiência no Tri bunal de Contas, tem dado a lume eisse terrível e difícil pro blema.
Ss em São Paulo o fenôme
no aconteceu e se repete, ima ginemos no resto do nosso
Os Municípios têm sua com petência constitucional estabe lecida na Lei Maior, têm pode
res expressos como a União, os tem.
No campo da competência concorrente,
estabelece-se
hierarquia União, Municípios. II
a
Estados
a
e
Constituição,
-estabelece
o
art. 15, três ordens de atribui ções aos Municípios, a saber: políticas, administrativas e fi nanceiras.
a) Autonomia Política
do Sul, Poá, Santa Bárbara do Rio Pardo, Serra Negra e So corro, foram transformadasem
Estâncias turísticas, tendo ha
vido eleições, de imediato, para os cargos de prefeito.
considerados de interesse da segurança nacional e Estâncias
Os vereadores são sempre eleitos, representando propor cionalmente a população dos Municípios.
hidrominerais.
Nos primeiros, os prefeitos são nomeados pelos governado res, com prévia aprovação das Assembléias Legislativas e nos segundos, pelos governadores
Em São Paulo, por força da Lei 1844/78^ as Estâncias hidro minerais, ao todo 13, foram transformadas em Estâncias tu rísticas e com isso os prefeitos respectivos
passaram
a
É bem verdade que a fixa ção de limite máximo (trinta e três — Emenda Constitucional
n.° 22), quebra essa proporcio nalidade, prejudicando a representatividade nos grandes mu nicípios.
Não esquecer que os Esta dos também têm essa propor cionalidade relativa, basta lem brar o caso de São Paulo que
ser
tem uma bancada federal bem
Não há mais em São Paulo
menor daquela a que faria jús (60 deputados íederai^i; deve ria ter 80).
eleitos.
Estâncias
Ex vi legis”, no caso
Atibaia, Camfpos 'do Jordão, Ibirá, Lindoya, Monte Alegre
pitais dos Estados, Municípios
com aprovação do presidente da República.
imenso Brasil.
matéria de rendas.
Se temos entre nós Municí
ECONÔMICO
hidrominerais;
so-
mente municípios de interesse da segurança nacional.
A fixação de subsídios para todos
os
vereadores
foi uma
A partir da Lei Estadual 1844/78, as últimas Estâncias
conquista da Lei Complementar
hidrominerais, a saber: Águas
Esse é o esquema que ga rante aos Municípios sua auto nomia política.
da Prata, Águas de Lindoya, Águas de São Pedro, Amparo,
n.° 25, de 2-7-75.
DIGESTO
94
b)
Autonomia
Administra¬
ECONÔMICO
Não entendemos
como
al
tiva
guns, que pelo fato de o Muni
O Município tem a faculda de de governar-se a si próprio, sobretudo quando se cuida de
disciplinar seus cípio poder serviços públicos, tenha competência para decretar sua Lei Orgânica.
seu peculiar interesse, fórmula que vem desde a Constituição de 1891, e que diz respeito à de cretação e arrecadação de tri butos e à organização dos ser viços públicos locais.
A expressão peculiar inte resse tem dado azo a uma sé
rie de interpretações, algumas restritivas, outras aumentativas.
De
nossa parte,
diriamos
que 0 peculiar interesse não é interesse privativo, exclusivo
do Município; essa interpreta ção reduziría demais o campo de ação.
Por outro lado, peculiar in teresse não é tudo. O meio ter
mo nos parece razoável: pecu liar interesse é a predominân
cia, é a nota dominante do in teresse do Município União, ou 0 Estado.
sobre a
Nesse conceito de peculiar
interesse é que se insere o outro, de serviços públicos lo cais.
Tal competência nos pare de esfera estadual, pelo menos enquanto convivermos tal com 0 federalismo dual, como se escreve na Constitui ção. ce
c) Autonomia Financeira. A
autonomia
financeira
diz respeito à decretação, ar recadação e aplicação dos tri butos da competência dos Mu nicípios, sem prejuízo da obri gatoriedade de prestação de de contas aos Contas
TVibunais
de
Estaduais.
De primeiro,
houve uma
proliferação exagerada de Tri bunais de Contas Municipais, 0 que encontrou barreira na
Emenda n.® 1, de 1969, que es tabeleceu como único, o Tri bunal de Contas
do Município
de São Paulo
e, assim mes
mo, se a Câmara Municipal o conservasse. De outra parte há a possibilidade do artigo 16, § 3.® da Constituição, para
DIGESTO
ECONÔMICO
que outro Município pudesse ter Tribunal próprio. Dessa disposição nasceu o Tribunal de Contas do Município do Rio de
Janeiro.
Em
matéria
de contas
municipais o que os Tribunais emitem são pareceres. Pare cer, na vereda do Direito Administrativo, é opinião, é manifestação não vinculante sobre determinado assunto.
Contudo, em Resolução do Tribunal
de Contas de São Paulo entendeu-se que nao cabería recurso contra parecer exarado em contas muni-
95
curso contra parecer em
Não tendo como se esta belecer razão e motivo contra
a oposição de todo e qualquer apelo, enveredei pela figura
prevista no artigo 153, § 32, da Constituição, que estatui sobre a figura do direito de petição.
É claro que esse instituto de Direito Constitucional, pa rente próximo do Mandado de
Segurança, do Habeas Corpus e da Ação Popular, é muito mais amplo, mais aberto, mais prenhe de horizontes possibili tando à parte uma nova e ge
cipais.
nérica forma de recurso.
Houve mesmo elaboração de súmula a respeito.
por último,
Na verdade, o que se esta tuiu em São Paulo a respeito de contas municipais tem mui to de costume, ou seja, cons truções jurisprudenciais em torno da
matéria.
Tanto isso é verdade, que em
recente
decisão tal com
portamento jurisprudencial foi modificado por voto de desem
pate por mim proferido, no sentido de que é possível re-
con
tas.
Só
nos resta
considerar,
que não há mais
sentido para emissão de pare
ceres em contas, mas sim jul gamento por parte dos Tribu nais
de Contas.
Poderiamos
sabe, toda essa
evitar,
quem
sorte de pro
blemas .
III — Os Municípios têm configuração variada e vida municipal totalmente diversa. Só como exemplo: existem 152 Municípios em São Paulo
DIGESTO
94
b)
Autonomia
Administra¬
ECONÔMICO
Não entendemos
como
al
tiva
guns, que pelo fato de o Muni
O Município tem a faculda de de governar-se a si próprio, sobretudo quando se cuida de
disciplinar seus cípio poder serviços públicos, tenha competência para decretar sua Lei Orgânica.
seu peculiar interesse, fórmula que vem desde a Constituição de 1891, e que diz respeito à de cretação e arrecadação de tri butos e à organização dos ser viços públicos locais.
A expressão peculiar inte resse tem dado azo a uma sé
rie de interpretações, algumas restritivas, outras aumentativas.
De
nossa parte,
diriamos
que 0 peculiar interesse não é interesse privativo, exclusivo
do Município; essa interpreta ção reduziría demais o campo de ação.
Por outro lado, peculiar in teresse não é tudo. O meio ter
mo nos parece razoável: pecu liar interesse é a predominân
cia, é a nota dominante do in teresse do Município União, ou 0 Estado.
sobre a
Nesse conceito de peculiar
interesse é que se insere o outro, de serviços públicos lo cais.
Tal competência nos pare de esfera estadual, pelo menos enquanto convivermos tal com 0 federalismo dual, como se escreve na Constitui ção. ce
c) Autonomia Financeira. A
autonomia
financeira
diz respeito à decretação, ar recadação e aplicação dos tri butos da competência dos Mu nicípios, sem prejuízo da obri gatoriedade de prestação de de contas aos Contas
TVibunais
de
Estaduais.
De primeiro,
houve uma
proliferação exagerada de Tri bunais de Contas Municipais, 0 que encontrou barreira na
Emenda n.® 1, de 1969, que es tabeleceu como único, o Tri bunal de Contas
do Município
de São Paulo
e, assim mes
mo, se a Câmara Municipal o conservasse. De outra parte há a possibilidade do artigo 16, § 3.® da Constituição, para
DIGESTO
ECONÔMICO
que outro Município pudesse ter Tribunal próprio. Dessa disposição nasceu o Tribunal de Contas do Município do Rio de
Janeiro.
Em
matéria
de contas
municipais o que os Tribunais emitem são pareceres. Pare cer, na vereda do Direito Administrativo, é opinião, é manifestação não vinculante sobre determinado assunto.
Contudo, em Resolução do Tribunal
de Contas de São Paulo entendeu-se que nao cabería recurso contra parecer exarado em contas muni-
95
curso contra parecer em
Não tendo como se esta belecer razão e motivo contra
a oposição de todo e qualquer apelo, enveredei pela figura
prevista no artigo 153, § 32, da Constituição, que estatui sobre a figura do direito de petição.
É claro que esse instituto de Direito Constitucional, pa rente próximo do Mandado de
Segurança, do Habeas Corpus e da Ação Popular, é muito mais amplo, mais aberto, mais prenhe de horizontes possibili tando à parte uma nova e ge
cipais.
nérica forma de recurso.
Houve mesmo elaboração de súmula a respeito.
por último,
Na verdade, o que se esta tuiu em São Paulo a respeito de contas municipais tem mui to de costume, ou seja, cons truções jurisprudenciais em torno da
matéria.
Tanto isso é verdade, que em
recente
decisão tal com
portamento jurisprudencial foi modificado por voto de desem
pate por mim proferido, no sentido de que é possível re-
con
tas.
Só
nos resta
considerar,
que não há mais
sentido para emissão de pare
ceres em contas, mas sim jul gamento por parte dos Tribu nais
de Contas.
Poderiamos
sabe, toda essa
evitar,
quem
sorte de pro
blemas .
III — Os Municípios têm configuração variada e vida municipal totalmente diversa. Só como exemplo: existem 152 Municípios em São Paulo
DIGESTO
96
(dos 572, número total), com população inferior a cinco mil (Lembremos que as nossas Administrações Re
habitantes.
gionais
do Município de São
Paulo, agasalham população superior a trezentos mil habi
ECONÔMICO
IV — No Estado de Paulo são fiscalizados Municípios. 0
exame
São 571
compreende
a
Prefeitura, a Mesa da Câ mara, Autarquias, Sociedades
tantes) .
Anônimas e Fundações.
E esses heróicos prefeitos 0 que podem fazer?
As primeiras prestam suas contas até 31/3, e as Socieda
Com certeza não têm pos sibilidade de contratar sequer um técnico orçamento.
E,
para costurar um
em matéria
de conhe
cimento? Nulos. São, na ver dade, líderes mistos de políti co
e comerciantes.
Que fazer?
É 0 meio termo, é a mo*-
30 dias após
as Assembléias
É
um
trabalho
árduo
e
persistente, que enobrece fis cais e fiscalizados.
E, na verdade, enaltece, e muito, os que criaram a fisca lização municipal pelos Tribu
E veja-se estamos falando
houve na vida econômico-financeira dos municípios em geral. Numa
terra
como
a nos
sa, onde são parcos os pro gressos-em matéria da pública
com a maré média dos gran
administração, por certo, nes se particular, muito se cami
des
nhou.
rios.
dê
atíordo
Para o acadêmico
Josué Monteilo, Goethe influenciou
Nem se pode aquilatar, tal 0 vulto, o que de saneamento
fiscalizadores.
Monteilo
tas.
terística fundamental da vida pública.
dos
Josué
gerais que aprovam suas con
nais.
Imaginemos o Amazonas onde para fiscalização de cer tos Municípios há necessidade de. embarque e desembarque
Goethe
des Anônimas e Fundações até
deração, é a prudência, carac
de São Paulo.
A propósito de
■
Machado de Assis.
Em 1949, por ocasião transcurso do bicentenário
do
los
de
nazismo alemão.
nascimento de Goethe, ainda
persistiam os ressentimentos e
antagonismos que o povo ale mão suscitara com a Segunda
submarinos a
serviço do
As águas do rio do Tempo teriam de correr por muitos anos; para desfazer gradativa mente
as dores do mundo. A
Guerra Mundial. Fazia apenas quatro anos que o conflito ter minara. Tínhamos deixado mui tos dos nossos pracinhas na Itália, no Cemitério de Pistóia. ,E ainda nos revoltava a lem brança dos navios brasileiros
lefonema de um diplomata ale mão, no gabinete de MendèsFrance, não conseguiu conter-
afundados em nossas águas pe¬
se:
propósito, conta-nos Françoise Giroud, num livrò de reminiscências, que Simon Nora, por volta de 1954, ao atender ao te
DIGESTO
96
(dos 572, número total), com população inferior a cinco mil (Lembremos que as nossas Administrações Re
habitantes.
gionais
do Município de São
Paulo, agasalham população superior a trezentos mil habi
ECONÔMICO
IV — No Estado de Paulo são fiscalizados Municípios. 0
exame
São 571
compreende
a
Prefeitura, a Mesa da Câ mara, Autarquias, Sociedades
tantes) .
Anônimas e Fundações.
E esses heróicos prefeitos 0 que podem fazer?
As primeiras prestam suas contas até 31/3, e as Socieda
Com certeza não têm pos sibilidade de contratar sequer um técnico orçamento.
E,
para costurar um
em matéria
de conhe
cimento? Nulos. São, na ver dade, líderes mistos de políti co
e comerciantes.
Que fazer?
É 0 meio termo, é a mo*-
30 dias após
as Assembléias
É
um
trabalho
árduo
e
persistente, que enobrece fis cais e fiscalizados.
E, na verdade, enaltece, e muito, os que criaram a fisca lização municipal pelos Tribu
E veja-se estamos falando
houve na vida econômico-financeira dos municípios em geral. Numa
terra
como
a nos
sa, onde são parcos os pro gressos-em matéria da pública
com a maré média dos gran
administração, por certo, nes se particular, muito se cami
des
nhou.
rios.
dê
atíordo
Para o acadêmico
Josué Monteilo, Goethe influenciou
Nem se pode aquilatar, tal 0 vulto, o que de saneamento
fiscalizadores.
Monteilo
tas.
terística fundamental da vida pública.
dos
Josué
gerais que aprovam suas con
nais.
Imaginemos o Amazonas onde para fiscalização de cer tos Municípios há necessidade de. embarque e desembarque
Goethe
des Anônimas e Fundações até
deração, é a prudência, carac
de São Paulo.
A propósito de
■
Machado de Assis.
Em 1949, por ocasião transcurso do bicentenário
do
los
de
nazismo alemão.
nascimento de Goethe, ainda
persistiam os ressentimentos e
antagonismos que o povo ale mão suscitara com a Segunda
submarinos a
serviço do
As águas do rio do Tempo teriam de correr por muitos anos; para desfazer gradativa mente
as dores do mundo. A
Guerra Mundial. Fazia apenas quatro anos que o conflito ter minara. Tínhamos deixado mui tos dos nossos pracinhas na Itália, no Cemitério de Pistóia. ,E ainda nos revoltava a lem brança dos navios brasileiros
lefonema de um diplomata ale mão, no gabinete de MendèsFrance, não conseguiu conter-
afundados em nossas águas pe¬
se:
propósito, conta-nos Françoise Giroud, num livrò de reminiscências, que Simon Nora, por volta de 1954, ao atender ao te
DIGESTO
08
— Não dirijo a palavra a um alemão!
E o diplomata, com‘ altivez: — Eu o compreendo. Mas só
ECONÔMICO
de
e só serve para pasto de erudi tos e de arqueólogos.”
Goethe,
nas mais
diversas
nha família morreu em Ausch-
aquele. Urgia adquiri-lo.
witz.
identificara com a nossa cultu
ra. Trazia consigo uma pasta repleta. E logo a abriu, sentan
Outro amigo, Trajano Coltzesco, já me havia feito suges tão análoga, prontificando-se a ajudar-me também na aquisi ção de peças importantes, rela tivas a Chateaubriand e a Bal-
zac. Como sempre, a dificulda de se cingia à falta de recursos. E isso constituia uma razão a
mais para redobrar de esforços e não deixar passar a oportu
tálogos de livreiros europeus, oferecendo à venda muita coi sa importante, tanto de Goethe
quanto sobre Goethe, inclusive primeiras edições, edições ilus tradas, riquíssima documenta ção iconográfica, e a preços re
mesmo no momento do centená rio. Goethe está fora de moda
A despeito desse reparo, João Ribeiro teimou na publi cação de seus estudos, e daí re sultou 0 pequeno volume, edi tado
pela
Revista
de
Língua
Portuguesa, que seria a home nagem mais importante ao gê nio de Goethe, no Brasil, em 1932, juntamente com a home nagem da Academia Brasileira, que fez plantar no seu jardim uma goethea, por iniciativa de Roquette Pinto.
nidade única.
do-se ao meu lado.
Estavam ali os últimos ca
99
que 0 sr. se ocupe de Goethe,
lhe quero dizer que toda a mi
Goethe, estava eu na Biblioteca Nacional, como seu diretor, quando fui ali procurado pelo dr. Ernesto Féder, jornalista, escritor, que havia emigrado para o Brasil, fugindo às tribu tações da Guerra, e logo se
ECONÔMICO
ção completa dos famosos Ar quivos Goetheanos e também para o conjunto de 26 retratos fases. Nunca mais seria ofere cido à venda um acervo como
No ano do bicentenário de
DIGESTO
Já
era
tempo
de
repor
alemã
no
seu
acima
das
lugar,
paixões deixadas pela Segunda Guerra Mundial.
Em
1932,
Para a seleção do material a ser comprado, contei com a
ajuda prestimosa de Augusto Meyer e do próprio- dr. Ernesto Féder; para a preparação das vitrinas (as mesmas que ainda lá estão), contei com o bom
gosto e a competência de um
velho amigo, descendente de alemães, Geraldo Günther — o
querido Geraldo que iria mor-
Goethe e a cultura
devido
tas duas coisas importantes: a verba para a instalação de vi trinas permanentes, no vestíbulo da Biblioteca, e os recursos para adquirir na Europa as ra ridades bibliográficas, manus critas e iconográficas, constan tes dos catálogos em meu poder.
por
0 gesto do dr. Ernesto Fé der, levando-me os catálogos, inspirou-me a idéia de realizar, no vestíbulo da Biblioteca Na
cional, uma grande exposição comemorativa
ocasião do
primeiro centenário da morte do poeta, os tempos também
do
bicentenário
de nascimento de Goethe, pon to de partida para reidentificação do País com o gênio ale
nào lhe tinham sido propícios,
mão,
duzidíssimos. O dr. Féder vinhame sugerir examinasse os ca
aqüi no Brasil. João Ribeiro, que escrevera no JORNAL DO
dial.
tálogos, para adquirir-lhe as raridades para a Biblioteca Na cional, chamando sobretudo a minha atenção para uma cole-
BHASEL uma série de pequenos estudos sobre ele, chegara a
acima
suscitados Fui
ao
dos desencontros
pelo conflito ministro
mun
Clemente
receber carta de um leitor com
Mariani, então titular da pasta
esta censura: “Não compreendo
da Educação, e dele obtive es-
rer de repente, alguns anos de pois, numa rua de Berlim.
E a 28 de agosto, com um
discurso do ministro Mariani, outro de Peregrino Júnior, re
presentando a Academia, e ouiro meu, explicando a signifi cação cultural da iniciativa, a
Biblioteca Nacional pôde exibir
0 seu precioso acervo goethiano, em que figuravam dois manus critos, 26 retratos, várias pri meiras edições, algumas edições ilustradas, e a coleção comple ta dos Arquivos Goetheanos. A
DIGESTO
08
— Não dirijo a palavra a um alemão!
E o diplomata, com‘ altivez: — Eu o compreendo. Mas só
ECONÔMICO
de
e só serve para pasto de erudi tos e de arqueólogos.”
Goethe,
nas mais
diversas
nha família morreu em Ausch-
aquele. Urgia adquiri-lo.
witz.
identificara com a nossa cultu
ra. Trazia consigo uma pasta repleta. E logo a abriu, sentan
Outro amigo, Trajano Coltzesco, já me havia feito suges tão análoga, prontificando-se a ajudar-me também na aquisi ção de peças importantes, rela tivas a Chateaubriand e a Bal-
zac. Como sempre, a dificulda de se cingia à falta de recursos. E isso constituia uma razão a
mais para redobrar de esforços e não deixar passar a oportu
tálogos de livreiros europeus, oferecendo à venda muita coi sa importante, tanto de Goethe
quanto sobre Goethe, inclusive primeiras edições, edições ilus tradas, riquíssima documenta ção iconográfica, e a preços re
mesmo no momento do centená rio. Goethe está fora de moda
A despeito desse reparo, João Ribeiro teimou na publi cação de seus estudos, e daí re sultou 0 pequeno volume, edi tado
pela
Revista
de
Língua
Portuguesa, que seria a home nagem mais importante ao gê nio de Goethe, no Brasil, em 1932, juntamente com a home nagem da Academia Brasileira, que fez plantar no seu jardim uma goethea, por iniciativa de Roquette Pinto.
nidade única.
do-se ao meu lado.
Estavam ali os últimos ca
99
que 0 sr. se ocupe de Goethe,
lhe quero dizer que toda a mi
Goethe, estava eu na Biblioteca Nacional, como seu diretor, quando fui ali procurado pelo dr. Ernesto Féder, jornalista, escritor, que havia emigrado para o Brasil, fugindo às tribu tações da Guerra, e logo se
ECONÔMICO
ção completa dos famosos Ar quivos Goetheanos e também para o conjunto de 26 retratos fases. Nunca mais seria ofere cido à venda um acervo como
No ano do bicentenário de
DIGESTO
Já
era
tempo
de
repor
alemã
no
seu
acima
das
lugar,
paixões deixadas pela Segunda Guerra Mundial.
Em
1932,
Para a seleção do material a ser comprado, contei com a
ajuda prestimosa de Augusto Meyer e do próprio- dr. Ernesto Féder; para a preparação das vitrinas (as mesmas que ainda lá estão), contei com o bom
gosto e a competência de um
velho amigo, descendente de alemães, Geraldo Günther — o
querido Geraldo que iria mor-
Goethe e a cultura
devido
tas duas coisas importantes: a verba para a instalação de vi trinas permanentes, no vestíbulo da Biblioteca, e os recursos para adquirir na Europa as ra ridades bibliográficas, manus critas e iconográficas, constan tes dos catálogos em meu poder.
por
0 gesto do dr. Ernesto Fé der, levando-me os catálogos, inspirou-me a idéia de realizar, no vestíbulo da Biblioteca Na
cional, uma grande exposição comemorativa
ocasião do
primeiro centenário da morte do poeta, os tempos também
do
bicentenário
de nascimento de Goethe, pon to de partida para reidentificação do País com o gênio ale
nào lhe tinham sido propícios,
mão,
duzidíssimos. O dr. Féder vinhame sugerir examinasse os ca
aqüi no Brasil. João Ribeiro, que escrevera no JORNAL DO
dial.
tálogos, para adquirir-lhe as raridades para a Biblioteca Na cional, chamando sobretudo a minha atenção para uma cole-
BHASEL uma série de pequenos estudos sobre ele, chegara a
acima
suscitados Fui
ao
dos desencontros
pelo conflito ministro
mun
Clemente
receber carta de um leitor com
Mariani, então titular da pasta
esta censura: “Não compreendo
da Educação, e dele obtive es-
rer de repente, alguns anos de pois, numa rua de Berlim.
E a 28 de agosto, com um
discurso do ministro Mariani, outro de Peregrino Júnior, re
presentando a Academia, e ouiro meu, explicando a signifi cação cultural da iniciativa, a
Biblioteca Nacional pôde exibir
0 seu precioso acervo goethiano, em que figuravam dois manus critos, 26 retratos, várias pri meiras edições, algumas edições ilustradas, e a coleção comple ta dos Arquivos Goetheanos. A
DIGESTO
100
sugestão do dr. Ernesto Féder estava ali vitoriosa, e eu poderia rejubilar-me de ter incor porado à nossa principal insti tuição bibliográfica algumas das peças fundamentais de seu acervo, no plano da cultura
competente, desconhecia essa exposição e bem assim o esfor ço dos que a realizaram. E eu próprio me teria esquecido de la, se não fosse o dever de lem brar a contribuição do dr. Er
alemã.
nesto Féder, de Augusto Meyer,
Entre
as
destacavam-se
peças os
expostas,
retratos
de
Goethe, por mim adquiridos, numerosas primeiras edições, peças bibliográficas brasileiras relativas a Goethe, como o li
vro de João Ribeiro, e dois ma nuscritos, um poema autógrafo, .
ECONÔMICO
dedicado pelo poeta a Adele Soupenhauer, e um' bilhete de
Goethe, datado de 14 de janei ro de 1830, a propósito de pen são por ele concedida a um jo vem artista, Franz Ferency.
Pude assim reunir e expor,
na Biblioteca Nacional, e em vitrinas ajustadas ao prédio, um precioso acervo goethiano,
Ribeiro Zaher,
tão dedicada e
de Geraldo Günther e do minis tro Clemente Mariani a tão
importante iniciativa
glória tranquila de Goethe, quer para o prestígio interna cional da Alemanha.
Embora João Ribeiro haja
afirmado, no seu livrinho sobre Goethe. que a influência do poeta, “toda através da admira ção francesa, foi e ainda é quase nula”, eu tive a boa for tuna de descobrir que Machado de Assis recolheu, na Cena III, de Primeira Parte do Fausto, um dos elementos constitutivos
da
mais
famosa
considerado um dos mais ricos que até então haviam sido apresentados fora da Alema
Cubas.
nha.
roz sabia de cor.
Estou certo de que a atual diretora
nal,
da
Biblioteca
Nacio
minha
boa amiga
Célia
cultural,
numa hora bem diferente da que hoje vivemos, quer para a
Memórias
página
Póstumas
Refiro-me ao
de
das Brás
Capítulo
VII, O Delírio, que Eça de Quei A admiração francesa, a que alude João Ribeiro, era so bretudo a que advinha da fa-
DIGESTO
ECONÔMICO
101
mosa tradução do Fausto por Gerard de Nerval, naturalmente aquela que há de ter lido Ma
chado de Assis, visto que, al guns anos depois de ter escrito as Memórias Póstumas, andava ainda
o romancista a
estudar
alemão com o professor Alexander, conforme se verifica por um caderno de exercícios ma
nuscritos, datado de 1883.
Três ensaístas esmiuçaram as origens de O Delírio: Otto Maria Carpeaux, que lhe des cobriu uma ressonância de Leo-
pardi; Eugênio Gomes, que lhe encontrou o parentesco com um poema de Victor Hugo; e Au gusto Meyer, que remontou a sua origem à literatura alegó rica dia.
e visionária da Idade Mé
Ora, em O Delírio, um gato do Narrador, o Sultão, trans forma-se no hipopótamo, que leva Brás Cubas à origem das idades. No poema de Goethe, o cão
de
Fausto
transforma-se
igualmente em hipopótamo. Em Machado de Assis, a cena se passa no quarto de Brás Cubas; em Goethe, no gabinete do dr. Fausto: “Que fantasma introduzi na minha
casa?
Parece
um hipopótamo, com seus olhos
de fogo e sua mandíbula medo nha.”
Identifiquei outros vestígios de Goethe na obra machadiana.
Mas creio que basta esse para nos dar a certeza de que o mes tre de Dom Casmurro recolheu
no velho poeta um pouco da claridade de seu próprio gênio. NOVA
YORK
O
"boom”
do
Queda no mercado de arte mundo ^ artístico ]nova-iorq?iino, que
perdurou durante vinte anos, durante os quais se tinha a impressão de que havia um comprador para a obra de qualquer artista e quando os revende dores e as casas de leilão conseguiam quebrar os seus próprios recordes de vendas praticamente todos os meses, parece ter passado. As galerias informam que estão recebendo menos clientes, mostrando as obras de menos artistas e vendendo menos obras. Como o mercado está-se
mostrando desacelerado e como os compradores estão levando mais tempo para pagar o que compram, alguns revendedores estão, pela primeira vez, mencionando a possibilidade de cobrar juros sobre pagamentos a longo prazo. Alguns revendedores e certos artistas, evidentemente, continuam flores cendo. Muitos quadros de autoria dos velhos mestres, os Cezannes, os Picassos e as obras dos artistas mais estabelecidos continuara mantendo seu valor, chegando até mesmo a estabelecer novos recordes de vendas. (Continua na página 115)
DIGESTO
100
sugestão do dr. Ernesto Féder estava ali vitoriosa, e eu poderia rejubilar-me de ter incor porado à nossa principal insti tuição bibliográfica algumas das peças fundamentais de seu acervo, no plano da cultura
competente, desconhecia essa exposição e bem assim o esfor ço dos que a realizaram. E eu próprio me teria esquecido de la, se não fosse o dever de lem brar a contribuição do dr. Er
alemã.
nesto Féder, de Augusto Meyer,
Entre
as
destacavam-se
peças os
expostas,
retratos
de
Goethe, por mim adquiridos, numerosas primeiras edições, peças bibliográficas brasileiras relativas a Goethe, como o li
vro de João Ribeiro, e dois ma nuscritos, um poema autógrafo, .
ECONÔMICO
dedicado pelo poeta a Adele Soupenhauer, e um' bilhete de
Goethe, datado de 14 de janei ro de 1830, a propósito de pen são por ele concedida a um jo vem artista, Franz Ferency.
Pude assim reunir e expor,
na Biblioteca Nacional, e em vitrinas ajustadas ao prédio, um precioso acervo goethiano,
Ribeiro Zaher,
tão dedicada e
de Geraldo Günther e do minis tro Clemente Mariani a tão
importante iniciativa
glória tranquila de Goethe, quer para o prestígio interna cional da Alemanha.
Embora João Ribeiro haja
afirmado, no seu livrinho sobre Goethe. que a influência do poeta, “toda através da admira ção francesa, foi e ainda é quase nula”, eu tive a boa for tuna de descobrir que Machado de Assis recolheu, na Cena III, de Primeira Parte do Fausto, um dos elementos constitutivos
da
mais
famosa
considerado um dos mais ricos que até então haviam sido apresentados fora da Alema
Cubas.
nha.
roz sabia de cor.
Estou certo de que a atual diretora
nal,
da
Biblioteca
Nacio
minha
boa amiga
Célia
cultural,
numa hora bem diferente da que hoje vivemos, quer para a
Memórias
página
Póstumas
Refiro-me ao
de
das Brás
Capítulo
VII, O Delírio, que Eça de Quei A admiração francesa, a que alude João Ribeiro, era so bretudo a que advinha da fa-
DIGESTO
ECONÔMICO
101
mosa tradução do Fausto por Gerard de Nerval, naturalmente aquela que há de ter lido Ma
chado de Assis, visto que, al guns anos depois de ter escrito as Memórias Póstumas, andava ainda
o romancista a
estudar
alemão com o professor Alexander, conforme se verifica por um caderno de exercícios ma
nuscritos, datado de 1883.
Três ensaístas esmiuçaram as origens de O Delírio: Otto Maria Carpeaux, que lhe des cobriu uma ressonância de Leo-
pardi; Eugênio Gomes, que lhe encontrou o parentesco com um poema de Victor Hugo; e Au gusto Meyer, que remontou a sua origem à literatura alegó rica dia.
e visionária da Idade Mé
Ora, em O Delírio, um gato do Narrador, o Sultão, trans forma-se no hipopótamo, que leva Brás Cubas à origem das idades. No poema de Goethe, o cão
de
Fausto
transforma-se
igualmente em hipopótamo. Em Machado de Assis, a cena se passa no quarto de Brás Cubas; em Goethe, no gabinete do dr. Fausto: “Que fantasma introduzi na minha
casa?
Parece
um hipopótamo, com seus olhos
de fogo e sua mandíbula medo nha.”
Identifiquei outros vestígios de Goethe na obra machadiana.
Mas creio que basta esse para nos dar a certeza de que o mes tre de Dom Casmurro recolheu
no velho poeta um pouco da claridade de seu próprio gênio. NOVA
YORK
O
"boom”
do
Queda no mercado de arte mundo ^ artístico ]nova-iorq?iino, que
perdurou durante vinte anos, durante os quais se tinha a impressão de que havia um comprador para a obra de qualquer artista e quando os revende dores e as casas de leilão conseguiam quebrar os seus próprios recordes de vendas praticamente todos os meses, parece ter passado. As galerias informam que estão recebendo menos clientes, mostrando as obras de menos artistas e vendendo menos obras. Como o mercado está-se
mostrando desacelerado e como os compradores estão levando mais tempo para pagar o que compram, alguns revendedores estão, pela primeira vez, mencionando a possibilidade de cobrar juros sobre pagamentos a longo prazo. Alguns revendedores e certos artistas, evidentemente, continuam flores cendo. Muitos quadros de autoria dos velhos mestres, os Cezannes, os Picassos e as obras dos artistas mais estabelecidos continuara mantendo seu valor, chegando até mesmo a estabelecer novos recordes de vendas. (Continua na página 115)
A democracia
social e o
nosso sindicalismo Rezende
SERVIÇO CENTRAL DE
Puech
É preciso sanear o sindicalismo brasileiro, diz o ministro do
Superior Tribunal do Trabalho. o SCPC protege o crédito, financiamento e investimento a pessoas
físicas desde 1955, quando foi instituído como atividade pioneira da ACSP. Todas as atividades deste órgão estão solidamente apoiadas por modernos serviços de computador. Isto possibilita responder, com precisão e eficiência, todas as consultas dos associados.
Associe-se à ACSP e aproveite as vantagens dos serviços do SCPC.
7J{k?acz0a^^eiaal Rua Bóã Vfsla. 51 — C. Postal 8082 - Cep 01014 - Telex (II) 23355 - SP - PABX 239-1333.
Na medida em que se con solidar a abertura democrática, há de impor-se a determinação no sentido de> saneamento de nosso sindicalismo.
Dizíamos por esta coluna (“O Estado” de 27-9-81) do mo delo fascista que impera em nossa legislação sindical e que sobrevive há quase cinquenlta anos, logrando escapar imune
inclusive sob a Carta democrá tica de 1946.
Esta sobrevivência, conforme
dissemos
em
nossa
nota
supramencionada, não decorreu de possível
inadvertência do
Constituinte de 1946 — e nisso ousamos discordar do ilustre
prof. Octávio Bueno Magano em seu magistral livro de críti ca ao nosso sindicalismo ("Or-
A democracia
social e o
nosso sindicalismo Rezende
SERVIÇO CENTRAL DE
Puech
É preciso sanear o sindicalismo brasileiro, diz o ministro do
Superior Tribunal do Trabalho. o SCPC protege o crédito, financiamento e investimento a pessoas
físicas desde 1955, quando foi instituído como atividade pioneira da ACSP. Todas as atividades deste órgão estão solidamente apoiadas por modernos serviços de computador. Isto possibilita responder, com precisão e eficiência, todas as consultas dos associados.
Associe-se à ACSP e aproveite as vantagens dos serviços do SCPC.
7J{k?acz0a^^eiaal Rua Bóã Vfsla. 51 — C. Postal 8082 - Cep 01014 - Telex (II) 23355 - SP - PABX 239-1333.
Na medida em que se con solidar a abertura democrática, há de impor-se a determinação no sentido de> saneamento de nosso sindicalismo.
Dizíamos por esta coluna (“O Estado” de 27-9-81) do mo delo fascista que impera em nossa legislação sindical e que sobrevive há quase cinquenlta anos, logrando escapar imune
inclusive sob a Carta democrá tica de 1946.
Esta sobrevivência, conforme
dissemos
em
nossa
nota
supramencionada, não decorreu de possível
inadvertência do
Constituinte de 1946 — e nisso ousamos discordar do ilustre
prof. Octávio Bueno Magano em seu magistral livro de críti ca ao nosso sindicalismo ("Or-
DIGESTO
104
ECONÔMICO
ganização Sindical Brasileira”, I>ág. 70), livro ao qual nos re
cato brasileii”0 na área Estado. Más, se eram
portaremos adiante.
tas
Decorreu, isto sim, da par ticipação, na Constituinte, dos expoentes do Estado Novo e que, ao sobreviverem politica mente, em sua “colaboração” à nova Constituiçãolograramnela
SC
0
normas
regime
do
do es
condizentes
com
Estado
Novo;
notoriamente
contraditó
rias para a democracia de 1946; se novamente adequadas ao regime político implantado
sistas, de que haviam sido pa
em 1967 e 1969 (assegurada ao Poder Público a condição de Estado autoritário); certo que não serão adequadas à demo
ladinos, como é 0 caso do mal-
cracia que pretende o Brasil.
inserir alguns preceitos saudo
sinado art. 159, da Constituição de 1946, mediante o qual se submetia o sindicato ao poder público, ao se lhe deferir “fun
ções delegadas de poder públi co". Advertência houve, do deputado Prado Kelly, na Co missão de Justiça da Consti tuinte e no Plenário, tendo sido recusada sua emenda substitu
tiva
que
expelia
inadequada
condição de nosso sindicalismo:
Essa colocação do sindica to na área do Estado, como a
pretender e conseguir Oliveira Viana, fá-lo necessariamente de direito público, maxima venia do entendimento em contrário dos mestres Russomano e Catharino. E de direito público conforme as palavras expressas de Oliveira Viana, in verbis: “Oficializado, de direito público,
aquela condição que viera tra duzida da “Carta dei Lavoro”
delegada do Estado e, em con
da Itália fascista (art. III).
trolado, fiscalizado e, mesmo,
Tal
pre-
blemas
seria
pág. 112),
aproveitada pelo regime de 1967, dando condições para que tam bém
sobrevivessem
todas
as
segundo
as
normas: da
CLT,
quais
colocado
foi
o
condicionado, con
orientado pelo Estado” (“Pro
sobrevivência do
eéito, da Carta de ,1937
sequência,
sindi-
de
Direito
Sindical”,
Desse sindicalismo anacrô nico faz análise pormenorizada
0 prof. Octávio Bueno Magano no livro supracitado,
cuja lei-
DIGESTO
105
ECONÔMICO
novas
ça e ao investimento, em detri
considerações sobre o assunto.
mento do consumo. Dentro des
tura animou-nos a estas Nessa
obra
o
autor
segue
a
mais ● profunda análise e a mais severa crítica aos textos vigentes, e o faz em momento o mais oportuno.
O notável dessa obra é que
Magano tem em vista — e o confessa na Introdução — a atual conjuntura do País, deli neando e expondo o quanto ne cessário para o saneamento de nossa organização sindical, a
qual, diz o mestre,
era condi
zente com os princípios consti tucionais de 1937, mas que após a Constituição de 1946, e com as “recaídas” que houve no Brasil, já agora está à espera, sob 0 regime prometido,de par ticipação sindical autêntica, não sob a direção e controle do Es tado, mas “espontânea e autôno ma para se caracterizar como autêntica participação” (pág. 135 da obra citada).
Todavia, acrescenta Maga no, estas afirmações profundas, da mais crucial crítica ao Bra sil atual, aludindo aos óbices
do pluralismo desejado: “No elã desenvolvimentista,
o governo
brasileiro foi levado
a adotar
política de estímulo à poupan-
sa perspectiva, instituiu o B\indo
de Garantia do Tempo de
Serviço e o PIS-PASEP; implan tou política salarial destinada a conter reajustes salarais e, com
legislação rigorosa a respeito de greve, dificultou ao máximo as reivindicações sindicais. Os resultados dessa política foram decepcionantes, porque, cora a
mudança da conjuntura interna
cional, derivada da crise do petróleo, o País se viu confron tado com enorme dívida externa
e interna, só comparáveis com a
magnitude de sua dívida so
cial. Tudo resultava de uma vido conceito de sao defeituosa desenvolvimento econômico, que
supõe, sem dúvida,
o
cresci-
mento do produto, mas requer,
de modo ainda mais acentuado, a alteração de estruturas, pro
piciada pelo aumento de esco las, de creches, de vias de co municação e de transporte, de máquinas, de veículos, de im plementos agrícolas, mas tam bém da capacidade aquisitiva dos assalariados, uma vez que
só com a realização de objeti vos sociais é possível falar de genuíno desenvolvimento econô mico (pág. 139).
DIGESTO
104
ECONÔMICO
ganização Sindical Brasileira”, I>ág. 70), livro ao qual nos re
cato brasileii”0 na área Estado. Más, se eram
portaremos adiante.
tas
Decorreu, isto sim, da par ticipação, na Constituinte, dos expoentes do Estado Novo e que, ao sobreviverem politica mente, em sua “colaboração” à nova Constituiçãolograramnela
SC
0
normas
regime
do
do es
condizentes
com
Estado
Novo;
notoriamente
contraditó
rias para a democracia de 1946; se novamente adequadas ao regime político implantado
sistas, de que haviam sido pa
em 1967 e 1969 (assegurada ao Poder Público a condição de Estado autoritário); certo que não serão adequadas à demo
ladinos, como é 0 caso do mal-
cracia que pretende o Brasil.
inserir alguns preceitos saudo
sinado art. 159, da Constituição de 1946, mediante o qual se submetia o sindicato ao poder público, ao se lhe deferir “fun
ções delegadas de poder públi co". Advertência houve, do deputado Prado Kelly, na Co missão de Justiça da Consti tuinte e no Plenário, tendo sido recusada sua emenda substitu
tiva
que
expelia
inadequada
condição de nosso sindicalismo:
Essa colocação do sindica to na área do Estado, como a
pretender e conseguir Oliveira Viana, fá-lo necessariamente de direito público, maxima venia do entendimento em contrário dos mestres Russomano e Catharino. E de direito público conforme as palavras expressas de Oliveira Viana, in verbis: “Oficializado, de direito público,
aquela condição que viera tra duzida da “Carta dei Lavoro”
delegada do Estado e, em con
da Itália fascista (art. III).
trolado, fiscalizado e, mesmo,
Tal
pre-
blemas
seria
pág. 112),
aproveitada pelo regime de 1967, dando condições para que tam bém
sobrevivessem
todas
as
segundo
as
normas: da
CLT,
quais
colocado
foi
o
condicionado, con
orientado pelo Estado” (“Pro
sobrevivência do
eéito, da Carta de ,1937
sequência,
sindi-
de
Direito
Sindical”,
Desse sindicalismo anacrô nico faz análise pormenorizada
0 prof. Octávio Bueno Magano no livro supracitado,
cuja lei-
DIGESTO
105
ECONÔMICO
novas
ça e ao investimento, em detri
considerações sobre o assunto.
mento do consumo. Dentro des
tura animou-nos a estas Nessa
obra
o
autor
segue
a
mais ● profunda análise e a mais severa crítica aos textos vigentes, e o faz em momento o mais oportuno.
O notável dessa obra é que
Magano tem em vista — e o confessa na Introdução — a atual conjuntura do País, deli neando e expondo o quanto ne cessário para o saneamento de nossa organização sindical, a
qual, diz o mestre,
era condi
zente com os princípios consti tucionais de 1937, mas que após a Constituição de 1946, e com as “recaídas” que houve no Brasil, já agora está à espera, sob 0 regime prometido,de par ticipação sindical autêntica, não sob a direção e controle do Es tado, mas “espontânea e autôno ma para se caracterizar como autêntica participação” (pág. 135 da obra citada).
Todavia, acrescenta Maga no, estas afirmações profundas, da mais crucial crítica ao Bra sil atual, aludindo aos óbices
do pluralismo desejado: “No elã desenvolvimentista,
o governo
brasileiro foi levado
a adotar
política de estímulo à poupan-
sa perspectiva, instituiu o B\indo
de Garantia do Tempo de
Serviço e o PIS-PASEP; implan tou política salarial destinada a conter reajustes salarais e, com
legislação rigorosa a respeito de greve, dificultou ao máximo as reivindicações sindicais. Os resultados dessa política foram decepcionantes, porque, cora a
mudança da conjuntura interna
cional, derivada da crise do petróleo, o País se viu confron tado com enorme dívida externa
e interna, só comparáveis com a
magnitude de sua dívida so
cial. Tudo resultava de uma vido conceito de sao defeituosa desenvolvimento econômico, que
supõe, sem dúvida,
o
cresci-
mento do produto, mas requer,
de modo ainda mais acentuado, a alteração de estruturas, pro
piciada pelo aumento de esco las, de creches, de vias de co municação e de transporte, de máquinas, de veículos, de im plementos agrícolas, mas tam bém da capacidade aquisitiva dos assalariados, uma vez que
só com a realização de objeti vos sociais é possível falar de genuíno desenvolvimento econô mico (pág. 139).
106
DIGESTO
Nem por outras razões, no recente livro da OIT, “Las Re laciones Colectivas de Trabajo en America Latina”, o co-autor Artur Bronstein afirma a difi
culdade da negociação cole tiva, essencialmente democrá tica, nos regimes autoritá
rios, pela desconfiança dos go vernos, especialmente nos paí ses de esquema político vol tado para os planos de política econômica monetarista ou de estabilização econômica (pág. 98).
ECONÔMICO
sindical" (pág. 139) (grifos nos sos).
Finalmente, outro ponto repisado nessa mesma obra — e pelo qual tanto temos insistido — é 0 referente à vedação de
sindicalização dos empregados de determinadas categorias, es pecialmente das empresas pú blicas estaduais e municipais (em que resta violada até mes mo
a
regra
Com esse espírito "econô mico” pode sobreviver nossa estrutura sindical, submissa ao
tura democrática... (Aliás o E. TFR, conforme acórdãos de sua
Estado, 0 qual tem combatido
3."' Turma, relator o ministro Torreão Braz, tem assegurado
prof.
Magano, para alcançar
objetivos sociais, o governo se viu forçado
a levar a
efeito
“uma revisão geral de sua polí tica e resolveu mudar de
ru-
mos”, havendo “sinais de que se mostra também receptivo de maior abertura social, o que requer, porém, como condição
imprescindível de realização, o reconhecimento
da
autonomia
os
aumentos
na luta contra
constitucional do
art. 170, § 2.°), tendo sido inútil nosso esforço exegético ofereci do no Prejulgado 44, revogado pelo E. TST justamente quando se esboçava a apregoada aber
inclusive acordos normativos das categorias econômicas e profissionais em suas cláusulas liberalizantes. Mas, como diz o
Estados Unidos, França e Brasil
normativos
a crise Eugênio Gudin
aos
empregados das empresas pú blicas federais, na perfeita exe gese do referido preceito cons
Crítica pertinente à estrutura
das políticas orçamentária
titucional.
e monetária da União.
Acreditamos na prometida democracia. Mas precisamente por acreditarmos é que senti
A depressão que sucedeu à
de exaltar esfor
fase de prosperidade geral de
ços concretos nesse rumo, co mo o que, em matéria de orga nização sindical, oferece o ci tado livro do prof. Octávio Bueno Magano.
cional, menos ainda, regional; estende-se quase ao mundo in teiro com repercussões de uns paises sobre os outros.
mos o dever
1960/70 não
tem
caráter
na
O “golpe” árabe dos preços
do petróleo, imposto ao mundo inteiro, não explica por si só os desequilíbrios verificados. Tenho para meu uso par ticular a opinião de que a ori-
106
DIGESTO
Nem por outras razões, no recente livro da OIT, “Las Re laciones Colectivas de Trabajo en America Latina”, o co-autor Artur Bronstein afirma a difi
culdade da negociação cole tiva, essencialmente democrá tica, nos regimes autoritá
rios, pela desconfiança dos go vernos, especialmente nos paí ses de esquema político vol tado para os planos de política econômica monetarista ou de estabilização econômica (pág. 98).
ECONÔMICO
sindical" (pág. 139) (grifos nos sos).
Finalmente, outro ponto repisado nessa mesma obra — e pelo qual tanto temos insistido — é 0 referente à vedação de
sindicalização dos empregados de determinadas categorias, es pecialmente das empresas pú blicas estaduais e municipais (em que resta violada até mes mo
a
regra
Com esse espírito "econô mico” pode sobreviver nossa estrutura sindical, submissa ao
tura democrática... (Aliás o E. TFR, conforme acórdãos de sua
Estado, 0 qual tem combatido
3."' Turma, relator o ministro Torreão Braz, tem assegurado
prof.
Magano, para alcançar
objetivos sociais, o governo se viu forçado
a levar a
efeito
“uma revisão geral de sua polí tica e resolveu mudar de
ru-
mos”, havendo “sinais de que se mostra também receptivo de maior abertura social, o que requer, porém, como condição
imprescindível de realização, o reconhecimento
da
autonomia
os
aumentos
na luta contra
constitucional do
art. 170, § 2.°), tendo sido inútil nosso esforço exegético ofereci do no Prejulgado 44, revogado pelo E. TST justamente quando se esboçava a apregoada aber
inclusive acordos normativos das categorias econômicas e profissionais em suas cláusulas liberalizantes. Mas, como diz o
Estados Unidos, França e Brasil
normativos
a crise Eugênio Gudin
aos
empregados das empresas pú blicas federais, na perfeita exe gese do referido preceito cons
Crítica pertinente à estrutura
das políticas orçamentária
titucional.
e monetária da União.
Acreditamos na prometida democracia. Mas precisamente por acreditarmos é que senti
A depressão que sucedeu à
de exaltar esfor
fase de prosperidade geral de
ços concretos nesse rumo, co mo o que, em matéria de orga nização sindical, oferece o ci tado livro do prof. Octávio Bueno Magano.
cional, menos ainda, regional; estende-se quase ao mundo in teiro com repercussões de uns paises sobre os outros.
mos o dever
1960/70 não
tem
caráter
na
O “golpe” árabe dos preços
do petróleo, imposto ao mundo inteiro, não explica por si só os desequilíbrios verificados. Tenho para meu uso par ticular a opinião de que a ori-
108
DIGESTO
gem da crise vem do Vietnã que abalou seriamente a lide rança americana. Os
eurodólares
rante três anos, aumentando também a depreciação dos in vestimentos das empresas (54 bilhões).
produto
dos déficits do balanço de pa gamentos
depois aos
americano,
aliados
petrodólares, des
prestigiaram a ordem econô mica e implantaram a infla
ção, 0 desemprego e o desequi líbrio do balanço de pagamen tos.
As medidas ou esquemas de defesa adotados pelos vários
países no combate à inflação, ao desemprego
e à desordem
monetária não têm sido as mesmas. Uns, cojno os Estados
Unidos, têm por objeto a revi talização
ECONÔMICO
da indústria ameri
cana adotando-se, de início, as seguintes:
(1) um corte de 541 bilhões
de dólares na despesa, só es capando as despesas militares
e os “muito necessitados”, eli
minando-se os “pobres margi nais” do rol das despesas pú blicas;
(2) redução, de outro lado, de 10 por cento ao ano nas ta xas do imposto de renda du-
A massa de recursos oriun
dos destas duas providências representa uma forte disponi bilidade para investimentos, isto é, para a revitalização da
DIQESTO
ECONÔMICO
Conselho
são
109
nomeados
por
quatorze anos, alternando-se na presidência de quatro em quatro anos. Devem manter estreita colaboração com o
governo, mas não há relação de dependência. É um freio
poderoso sobre
as
despesas
públicas.
indústria americana.
A França é um' país de boa
Os assessores de Reagan esperam que, graças à redu ção dos impostos, a taxa de investimentos duplicará. Esse estímulo levará os operários a trabalhar horas suplementa
estrutura administrativa, dis põe de um bom serviço públi co civil (“civil Service” na ex pressão inglesa).
Mas a politica como prati cada é muito agitada (pelos
res. Contam com uma alta es
temperamentos latinos). O nú
petacular de produtividade e esperam que as reduções fis cais sejam compensadas pela intensificação da atividade
mero de
econômica. O Produto Nacio nal Bruto crescerá a uma taxa
muito
mais do que
dupla da atual.
Menos impostos, menos gover no,
menos
serviços
sociais
(ouça, presidente Figueiredo). Os Estados
Unidos levam
sobre os outros países uma vantagem estrutural: a de que o Federal
Reserve Bank não
depende do Executivo; só do Congresso. Os membros do
mitado do
partidos é menos li
que na Inglaterra
ou na Alemanha. E as dispu tas ideológicas entre partidos apaixonadas.
A situação econômico-financeira do país é crítica. Foi objeto de nosso último artigo “O socialismo francês em aperturas”. Ao fim do primeiro ano de governo, Mitterrand deu uma guinada que dá a impressão de uma medida de desespero; congelou durante quatro meses (só?) preços e
salários, prática que não se recomendou pela experiência em qualquer outro país. A
França
taxa
inflacionária
tido, a escolha foi feliz: Mitterrand tem gabarito para o cargo.
As experiências socialistas sido feli
zes. Alguns países, mesmo de
na
aproxima-se do triplo
da taxa alemã, quando era de apenas o dobro um ano atrás. A orientação
O socialismo, depois de anos de perseverança, conquistou a maioria do Congresso e a Pre sidência da República. Restrita a seleção aos homens do Par
na Europa não têm
maioria socialista, não têm le vado à execução a sua última expressão.
sócio-econô-
mica dos Estados Unidos e da
França são,
pois, antitéticas.
Os EUA dizem “menos impos tos, menos governo, menos
serviços sociais”. Praticamen te 0 oposto do que diz a Fran ça: “menos empresas privadas, mais governamentais, mais im postos etc.”. O mundo ociden tal deverá, portanto, receber dentro de dois anos
lição de experiência.
uma boa
108
DIGESTO
gem da crise vem do Vietnã que abalou seriamente a lide rança americana. Os
eurodólares
rante três anos, aumentando também a depreciação dos in vestimentos das empresas (54 bilhões).
produto
dos déficits do balanço de pa gamentos
depois aos
americano,
aliados
petrodólares, des
prestigiaram a ordem econô mica e implantaram a infla
ção, 0 desemprego e o desequi líbrio do balanço de pagamen tos.
As medidas ou esquemas de defesa adotados pelos vários
países no combate à inflação, ao desemprego
e à desordem
monetária não têm sido as mesmas. Uns, cojno os Estados
Unidos, têm por objeto a revi talização
ECONÔMICO
da indústria ameri
cana adotando-se, de início, as seguintes:
(1) um corte de 541 bilhões
de dólares na despesa, só es capando as despesas militares
e os “muito necessitados”, eli
minando-se os “pobres margi nais” do rol das despesas pú blicas;
(2) redução, de outro lado, de 10 por cento ao ano nas ta xas do imposto de renda du-
A massa de recursos oriun
dos destas duas providências representa uma forte disponi bilidade para investimentos, isto é, para a revitalização da
DIQESTO
ECONÔMICO
Conselho
são
109
nomeados
por
quatorze anos, alternando-se na presidência de quatro em quatro anos. Devem manter estreita colaboração com o
governo, mas não há relação de dependência. É um freio
poderoso sobre
as
despesas
públicas.
indústria americana.
A França é um' país de boa
Os assessores de Reagan esperam que, graças à redu ção dos impostos, a taxa de investimentos duplicará. Esse estímulo levará os operários a trabalhar horas suplementa
estrutura administrativa, dis põe de um bom serviço públi co civil (“civil Service” na ex pressão inglesa).
Mas a politica como prati cada é muito agitada (pelos
res. Contam com uma alta es
temperamentos latinos). O nú
petacular de produtividade e esperam que as reduções fis cais sejam compensadas pela intensificação da atividade
mero de
econômica. O Produto Nacio nal Bruto crescerá a uma taxa
muito
mais do que
dupla da atual.
Menos impostos, menos gover no,
menos
serviços
sociais
(ouça, presidente Figueiredo). Os Estados
Unidos levam
sobre os outros países uma vantagem estrutural: a de que o Federal
Reserve Bank não
depende do Executivo; só do Congresso. Os membros do
mitado do
partidos é menos li
que na Inglaterra
ou na Alemanha. E as dispu tas ideológicas entre partidos apaixonadas.
A situação econômico-financeira do país é crítica. Foi objeto de nosso último artigo “O socialismo francês em aperturas”. Ao fim do primeiro ano de governo, Mitterrand deu uma guinada que dá a impressão de uma medida de desespero; congelou durante quatro meses (só?) preços e
salários, prática que não se recomendou pela experiência em qualquer outro país. A
França
taxa
inflacionária
tido, a escolha foi feliz: Mitterrand tem gabarito para o cargo.
As experiências socialistas sido feli
zes. Alguns países, mesmo de
na
aproxima-se do triplo
da taxa alemã, quando era de apenas o dobro um ano atrás. A orientação
O socialismo, depois de anos de perseverança, conquistou a maioria do Congresso e a Pre sidência da República. Restrita a seleção aos homens do Par
na Europa não têm
maioria socialista, não têm le vado à execução a sua última expressão.
sócio-econô-
mica dos Estados Unidos e da
França são,
pois, antitéticas.
Os EUA dizem “menos impos tos, menos governo, menos
serviços sociais”. Praticamen te 0 oposto do que diz a Fran ça: “menos empresas privadas, mais governamentais, mais im postos etc.”. O mundo ociden tal deverá, portanto, receber dentro de dois anos
lição de experiência.
uma boa
DIGESTO
110
ECONÔMICO
No nosso caso, não é fácil definir os rumos do programa
ção a Simonsen que se exone
econômico-financeiro
Netto.
do
Go
verno. Menos ainda do Gover no que quer vencer as eleições de 1982.
De irresistível vocação
pelo Governo, Delfim aceitou a pasta que Simonsen não su portou e engoliu a Lei Salarial e tudo.
salários sobre o PNB, a infla
princípios e programas no Brasil é que (como não é raro,
ção é realimentada sem’ cessar.
é militar e quase onipotente. Uma regra que eu aqui citasse hoje poderia ser revogada ama nhã por um simples decreto-lei. E força é dizer que o Governo
não faz cerimônias e^m expe
Outro fato
Vocker como nos Estados Uni
dos, um Banco
Central, com
autoridade sobre o volume da
moeda. Langoni, excelente eco
nomista, não tem outra função que a de imprimir dinheiro no vo e repassá-lo ao Banco do
Há dois fatos de maior im portância, que não se podem omitir e cujas consequências só um mágico poderia enten
Brasil.
um ministro
do Trabalho
de
quem não se ouve mais falar. Poucos dias depois da pro mulgação dessa lei salarial (de que 0 presidente Figueiredo é porque nao a 0 responsável, nomeado ministro vetou) foi do Planejamento, em substitui-
administrador
capital é o de
que aqui não temos um Paul
dir decretos.
der. O primeiro é o de termos uma lei que regulamenta os aumentos dos salários parale lamente à inflação, obra de
e o
E dado o “peso” dos
A dificuldade em formular
na América Latina) o Governo
A empresa
rava, 0 ilustre ministro Delfim
Acresce
a
Roberto Carvalho Cardoso
circunstância
Um comércio débil é o retrato fiel de uma
de termos dois orçamentos: o da Receita e Despesa da União,
economia fraca. O autor é professor da Fundação Getúlio Vargas.
como a conhecemos, e um se
gundo, cognominado de orça mento monetário, que abrange os déficits das empresas esta tais, um incomensurável ser viço de Previdência Social e
Assistência
Médica
e,
“last
but not least” enormes sub venções à lavoura e à expor tação. Sem falar nas obras no vas. nas favelas, etc.
O que é obra para mágico.
A
esmagadora
maioria
da
atividade econômica brasileira
está centrada nas pequenas e médias empresas. Trata-se de um setor especialmente impor tante no contexto de nossa eco
nomia e que não vem mere cendo a devida atenção por parte de nossos dirigentes.
A pequena e média empresa são, naturalmente, o ponto de partida para o desenvolvimen to econômico de uma nação. E no caso específico brasileiro, elas jogam uin papel de impor tância capital.
As empresas normalmente nascem no setor de produção,
DIGESTO
110
ECONÔMICO
No nosso caso, não é fácil definir os rumos do programa
ção a Simonsen que se exone
econômico-financeiro
Netto.
do
Go
verno. Menos ainda do Gover no que quer vencer as eleições de 1982.
De irresistível vocação
pelo Governo, Delfim aceitou a pasta que Simonsen não su portou e engoliu a Lei Salarial e tudo.
salários sobre o PNB, a infla
princípios e programas no Brasil é que (como não é raro,
ção é realimentada sem’ cessar.
é militar e quase onipotente. Uma regra que eu aqui citasse hoje poderia ser revogada ama nhã por um simples decreto-lei. E força é dizer que o Governo
não faz cerimônias e^m expe
Outro fato
Vocker como nos Estados Uni
dos, um Banco
Central, com
autoridade sobre o volume da
moeda. Langoni, excelente eco
nomista, não tem outra função que a de imprimir dinheiro no vo e repassá-lo ao Banco do
Há dois fatos de maior im portância, que não se podem omitir e cujas consequências só um mágico poderia enten
Brasil.
um ministro
do Trabalho
de
quem não se ouve mais falar. Poucos dias depois da pro mulgação dessa lei salarial (de que 0 presidente Figueiredo é porque nao a 0 responsável, nomeado ministro vetou) foi do Planejamento, em substitui-
administrador
capital é o de
que aqui não temos um Paul
dir decretos.
der. O primeiro é o de termos uma lei que regulamenta os aumentos dos salários parale lamente à inflação, obra de
e o
E dado o “peso” dos
A dificuldade em formular
na América Latina) o Governo
A empresa
rava, 0 ilustre ministro Delfim
Acresce
a
Roberto Carvalho Cardoso
circunstância
Um comércio débil é o retrato fiel de uma
de termos dois orçamentos: o da Receita e Despesa da União,
economia fraca. O autor é professor da Fundação Getúlio Vargas.
como a conhecemos, e um se
gundo, cognominado de orça mento monetário, que abrange os déficits das empresas esta tais, um incomensurável ser viço de Previdência Social e
Assistência
Médica
e,
“last
but not least” enormes sub venções à lavoura e à expor tação. Sem falar nas obras no vas. nas favelas, etc.
O que é obra para mágico.
A
esmagadora
maioria
da
atividade econômica brasileira
está centrada nas pequenas e médias empresas. Trata-se de um setor especialmente impor tante no contexto de nossa eco
nomia e que não vem mere cendo a devida atenção por parte de nossos dirigentes.
A pequena e média empresa são, naturalmente, o ponto de partida para o desenvolvimen to econômico de uma nação. E no caso específico brasileiro, elas jogam uin papel de impor tância capital.
As empresas normalmente nascem no setor de produção,
112
DIGESTO
isto é, trazem desde o parto uma profunda identificação com
sua
atividade-fim.
ECONÔMICO
de da empresa: é, em última análise, o Administrador.
Na
Esta nova figura, no nasce
maioria das vezes, sua fecun dação e gestação advêm de uma especialização ou de uma técnica que o recém-nascido empresário domina. Começa então a existir, na prática, uma conjugação natural entre os fatores de produção que vão
douro da atividade econômica, se confundia com o próprio dono da empresa. Naquele pri meiro momento, o então pequeno empresário era o técnico de produção, o comprador, o ven dedor, 0 contato, enfim, era
caracterizar uma atividade eco
tudo; dominava necessariamen
nômica. Classicamente, são três
te todas as fases da produção e comercialização de seu pro
esses fatores: capital, trabalho e equipamento. E o desenvol vimento da atividade econômi
ca começa a revelar a impor tância fundamental que existe na coordenação desses fatores, isto é, a dosagem de cada um deles para a consecução dos objetivos da empresa.
É justamente aqui que apa rece 0 que poderiamos chamar de uni “quarto fator de produ ção”, a Administração. Tendose clara a importância da con jugação dos três fatores clás sicos, nasce a necessidade de um tipo de profissional inse rido
na
atividade
econômica
duto. Entretanto, no momento em que a empresa começa
DIGESTO
ECONÔMICO
da radical
em
sua
118
organiza
ção e, geralmente, ela se en volve num processo que eu chamaria de "auto-sufocação”. Isso ocorre no momento em que a estrutura empresarial cresce tanto que o empresário, por força de seus múltiplos afazeres, afasta-se da linha de frente, perde contato com sua atividade fim. Ele não con segue, agora, manter a mesma
capacidade
de
intervenção
controle de todas
e
as fases da
atividade econômica.
a
crescer — quando passa de pequena para, digamos, média
empresa —, essas relações se
complicam um pouco. A estru
tura certamente muda, mas o espírito que a inspirava perma
No caso do comércio isso é
muito comum: o empresário já não sabe mais que produto está vendendo melhor, não consegue dominar dados sufi cientes para detectar as ten
nece 0 mesmo, isto é, o empresário ainda continua mar-
dências do mercado, tende, en
cando presença
constante
todas as fases dade.
de
negócio,
em
sua ativi
Este quadro tende à cornplicar-se ainda mais quando a empresa se desenvolve e assu me proporções maiores do-que aquelas para as quais tinha si
que tenha capacidade e com petência para manter sempre
do originariamente diménsibnada. Quando passa a ser uma
azeitada e dinâmica a ativida-
grande > empresa^ há uma vira-
fim,
a perder o controle do
a
ser engolido pelo
seu próprio crescimento. Se o empresário não assume uma
postura nova no que se refere à organização, o caminho na tural é o de perder as rédeas de seu negócio.
Se dá muito
valor apenas à produção e se dedica só à sua otimização, ou se fica obcecado pela or ganização
administrativa
sua empresa,
nos
de
dois casos,
peca por excesso de zelo e não resolve seu problema maior: como operacionalizar seu ne gócio e como melhor adminis trá-lo na nova fase.
Nesse crescendo, o empresá rio passa a necessitar de uma nova estrutura para o estabe lecimento de canais
eficientes
de dados e informações dentro de sua empresa. Como já não tem mais condições de estar fisicamente presente em todas as fases de sua atividade, pre cisa estar sempre bem muni ciado de informações sobre to
das as etapas do processo. Ê muito comum o empresário se perder — e com isso compro meter a eficiência de sua emdevido a falhas de presa
alimentação de informações. A falta de uma visualização abrangente e eficaz de toda a estrutura
de
uma
atividade
comercial pode, entre outras coisas, representar um custo social bastante alto: o empre sário começa a experimentar o insucesso. E isto, no que se refere ao comércio, é uma al ternativa perigosa, ainda mais quando se sabe que a econo mia de uma nação é conside-
112
DIGESTO
isto é, trazem desde o parto uma profunda identificação com
sua
atividade-fim.
ECONÔMICO
de da empresa: é, em última análise, o Administrador.
Na
Esta nova figura, no nasce
maioria das vezes, sua fecun dação e gestação advêm de uma especialização ou de uma técnica que o recém-nascido empresário domina. Começa então a existir, na prática, uma conjugação natural entre os fatores de produção que vão
douro da atividade econômica, se confundia com o próprio dono da empresa. Naquele pri meiro momento, o então pequeno empresário era o técnico de produção, o comprador, o ven dedor, 0 contato, enfim, era
caracterizar uma atividade eco
tudo; dominava necessariamen
nômica. Classicamente, são três
te todas as fases da produção e comercialização de seu pro
esses fatores: capital, trabalho e equipamento. E o desenvol vimento da atividade econômi
ca começa a revelar a impor tância fundamental que existe na coordenação desses fatores, isto é, a dosagem de cada um deles para a consecução dos objetivos da empresa.
É justamente aqui que apa rece 0 que poderiamos chamar de uni “quarto fator de produ ção”, a Administração. Tendose clara a importância da con jugação dos três fatores clás sicos, nasce a necessidade de um tipo de profissional inse rido
na
atividade
econômica
duto. Entretanto, no momento em que a empresa começa
DIGESTO
ECONÔMICO
da radical
em
sua
118
organiza
ção e, geralmente, ela se en volve num processo que eu chamaria de "auto-sufocação”. Isso ocorre no momento em que a estrutura empresarial cresce tanto que o empresário, por força de seus múltiplos afazeres, afasta-se da linha de frente, perde contato com sua atividade fim. Ele não con segue, agora, manter a mesma
capacidade
de
intervenção
controle de todas
e
as fases da
atividade econômica.
a
crescer — quando passa de pequena para, digamos, média
empresa —, essas relações se
complicam um pouco. A estru
tura certamente muda, mas o espírito que a inspirava perma
No caso do comércio isso é
muito comum: o empresário já não sabe mais que produto está vendendo melhor, não consegue dominar dados sufi cientes para detectar as ten
nece 0 mesmo, isto é, o empresário ainda continua mar-
dências do mercado, tende, en
cando presença
constante
todas as fases dade.
de
negócio,
em
sua ativi
Este quadro tende à cornplicar-se ainda mais quando a empresa se desenvolve e assu me proporções maiores do-que aquelas para as quais tinha si
que tenha capacidade e com petência para manter sempre
do originariamente diménsibnada. Quando passa a ser uma
azeitada e dinâmica a ativida-
grande > empresa^ há uma vira-
fim,
a perder o controle do
a
ser engolido pelo
seu próprio crescimento. Se o empresário não assume uma
postura nova no que se refere à organização, o caminho na tural é o de perder as rédeas de seu negócio.
Se dá muito
valor apenas à produção e se dedica só à sua otimização, ou se fica obcecado pela or ganização
administrativa
sua empresa,
nos
de
dois casos,
peca por excesso de zelo e não resolve seu problema maior: como operacionalizar seu ne gócio e como melhor adminis trá-lo na nova fase.
Nesse crescendo, o empresá rio passa a necessitar de uma nova estrutura para o estabe lecimento de canais
eficientes
de dados e informações dentro de sua empresa. Como já não tem mais condições de estar fisicamente presente em todas as fases de sua atividade, pre cisa estar sempre bem muni ciado de informações sobre to
das as etapas do processo. Ê muito comum o empresário se perder — e com isso compro meter a eficiência de sua emdevido a falhas de presa
alimentação de informações. A falta de uma visualização abrangente e eficaz de toda a estrutura
de
uma
atividade
comercial pode, entre outras coisas, representar um custo social bastante alto: o empre sário começa a experimentar o insucesso. E isto, no que se refere ao comércio, é uma al ternativa perigosa, ainda mais quando se sabe que a econo mia de uma nação é conside-
DIGESTO
'114
ECONOMICO
rada avançada quando o setor terciário (nele incluído o co
cão”. Há que ser desenvolvida
mércio, obviamente) é expres
mente forte para que o empre
sivo. O desenvolvimento deste setor é um excelente indicador
de progresso econômico.
Dadas as peculiaridades do Brasil, 0 comércio assume um caráter particularmente impor tante, seja pela nossa enorme extensão territorial, seja pelo imenso mercado potencial que ainda temos para explorar. A atividade comercial, no final das contas — e por mais para doxal que isso possa parecer — reduz os custos criando valores
de tempo e de espaço. De tem po, no que diz respeito à sazonalidade; de espaço, quando se considera as diferentes re
giões a serem exploradas. Importa-nos,
fundamental -
mente, ter claro o grande le que de desafios que nos é ofe recido por um país como o Bra sil. E ter clara, ademais, a necessidade de se vencer (sem
pre que se nos apresente) aquilo que chamei de "autosufocação”. No comércio, em particular, não é mais possível que o em
presário fique atrás
do
“bal-
DIGESTO
ECONÔMICO
116
de uma boa administração de seu negócio, de que ele precisa
Com essas e mais questões, uma série de outras. E para manter vivo e produtivo nosso debate, estaremos realizando nos dias 20, 21 e 22 de setem bro deste ano, no Palácio das
ter
Convenções do Anhembi. o II
uma
sensibilidade
sário perceba a 0 concurso
suficiente
importância
de novas téc
nicas para vencer o ponto crí tico da "auto-sufocação”. É o
Encontro
momento de se contar com um
é "O Administrador: Onde Es tamos e Para Onde Vamos”.
Administrador profissional.
É muito pouco produtivo, por outro lado, que o empre sário se dê conta desta neces
sidade quando experimenta complicações no seu negócio. Ele tem que desenvolver uma sensibilidade
clara o bastante
para descobrir a importância de um bom profissional de Ad ministração em determinadas áreas do negócio, antes que essa falha prejudique suas ati vidades. Quanto mais aguçada for essa sensibilidade, mais o empresário tende a crescer, especialmente no comércio.
As instituições
que
congre
gam os diversos ramos da ati vidade comercial são os canais
ideais para esse trabalho de esclarecimento. Nós, Adminis tradores de empresas, estamos preocupados com todas essas
Brasileiro de
Admi-
nistradores, cujo tema central
O
tema do II ENBRA abre
amplas possibilidades de refle tirmos sobre nossa profissão e sobre a inserção de nossa ca tegoria profissional na socie dade brasileira. Possibilita,
também, o aprofundamento de qucstões como essas que aqui
levantei e que dizem respeito, especificamente, à atuação dos administradores
no
setor
co
mercial. Por isso, aproveito a oportunidadepara convidar to dos os interessados a partici parem de nosso encontro. Não podemos — administra dores e comerciantes — per der de vista o fato de que um comércio débil é o retrato fiel de uma economia fraca. E
nossa intenção há que ser a de sempre vencer os desafios,
isto é, crescer sempre.
(Continuação da página 101) Os colecionadores que consideravam a arte como sendo um “investi mento” e que, desta forma, contribuíram para o boom do setor, praticamente desapareceram de cena. O declínio do mercado artístico apresenta paralelos com o declínio apresentado pela Sotheby’s, a famosa casa de leilões, cujo sucesso era uma espécie de barômetro do mundo das artes. Uma queda de 25% em relação às vendas recordistas de 1980/81 (610 milhões de dólares) recentemente forçou a Sotheby’s a abandonar o seu elegante show-room na Madison Avenue, onde também estava localizada sua sede.
A Christíe’s, principal rival da Sotheby’s, também relatou uma queda de 10 a 15% em relação ao seu volume de vendas do ano anterior, quando atingiu a cifra de 320 milhões de dólares. Paul Shanley, editor da revista mensal Art in America, diz que houve uma repentina diminuição no volume de anúncios das galerias norte-america nas; sua revista foi obrigada a compensar essa diminuição solicitando anún cios junto a revendedores europeus. O momento em que o mundo das artes realmente começou a sentir uma recessão pronunciada ocorreu no fim do ano passado. Entre outubro de 1981 e janeiro de 1982 o lucro das notas do tesouro subiu de dez para quase (Continiia na página 121)
DIGESTO
'114
ECONOMICO
rada avançada quando o setor terciário (nele incluído o co
cão”. Há que ser desenvolvida
mércio, obviamente) é expres
mente forte para que o empre
sivo. O desenvolvimento deste setor é um excelente indicador
de progresso econômico.
Dadas as peculiaridades do Brasil, 0 comércio assume um caráter particularmente impor tante, seja pela nossa enorme extensão territorial, seja pelo imenso mercado potencial que ainda temos para explorar. A atividade comercial, no final das contas — e por mais para doxal que isso possa parecer — reduz os custos criando valores
de tempo e de espaço. De tem po, no que diz respeito à sazonalidade; de espaço, quando se considera as diferentes re
giões a serem exploradas. Importa-nos,
fundamental -
mente, ter claro o grande le que de desafios que nos é ofe recido por um país como o Bra sil. E ter clara, ademais, a necessidade de se vencer (sem
pre que se nos apresente) aquilo que chamei de "autosufocação”. No comércio, em particular, não é mais possível que o em
presário fique atrás
do
“bal-
DIGESTO
ECONÔMICO
116
de uma boa administração de seu negócio, de que ele precisa
Com essas e mais questões, uma série de outras. E para manter vivo e produtivo nosso debate, estaremos realizando nos dias 20, 21 e 22 de setem bro deste ano, no Palácio das
ter
Convenções do Anhembi. o II
uma
sensibilidade
sário perceba a 0 concurso
suficiente
importância
de novas téc
nicas para vencer o ponto crí tico da "auto-sufocação”. É o
Encontro
momento de se contar com um
é "O Administrador: Onde Es tamos e Para Onde Vamos”.
Administrador profissional.
É muito pouco produtivo, por outro lado, que o empre sário se dê conta desta neces
sidade quando experimenta complicações no seu negócio. Ele tem que desenvolver uma sensibilidade
clara o bastante
para descobrir a importância de um bom profissional de Ad ministração em determinadas áreas do negócio, antes que essa falha prejudique suas ati vidades. Quanto mais aguçada for essa sensibilidade, mais o empresário tende a crescer, especialmente no comércio.
As instituições
que
congre
gam os diversos ramos da ati vidade comercial são os canais
ideais para esse trabalho de esclarecimento. Nós, Adminis tradores de empresas, estamos preocupados com todas essas
Brasileiro de
Admi-
nistradores, cujo tema central
O
tema do II ENBRA abre
amplas possibilidades de refle tirmos sobre nossa profissão e sobre a inserção de nossa ca tegoria profissional na socie dade brasileira. Possibilita,
também, o aprofundamento de qucstões como essas que aqui
levantei e que dizem respeito, especificamente, à atuação dos administradores
no
setor
co
mercial. Por isso, aproveito a oportunidadepara convidar to dos os interessados a partici parem de nosso encontro. Não podemos — administra dores e comerciantes — per der de vista o fato de que um comércio débil é o retrato fiel de uma economia fraca. E
nossa intenção há que ser a de sempre vencer os desafios,
isto é, crescer sempre.
(Continuação da página 101) Os colecionadores que consideravam a arte como sendo um “investi mento” e que, desta forma, contribuíram para o boom do setor, praticamente desapareceram de cena. O declínio do mercado artístico apresenta paralelos com o declínio apresentado pela Sotheby’s, a famosa casa de leilões, cujo sucesso era uma espécie de barômetro do mundo das artes. Uma queda de 25% em relação às vendas recordistas de 1980/81 (610 milhões de dólares) recentemente forçou a Sotheby’s a abandonar o seu elegante show-room na Madison Avenue, onde também estava localizada sua sede.
A Christíe’s, principal rival da Sotheby’s, também relatou uma queda de 10 a 15% em relação ao seu volume de vendas do ano anterior, quando atingiu a cifra de 320 milhões de dólares. Paul Shanley, editor da revista mensal Art in America, diz que houve uma repentina diminuição no volume de anúncios das galerias norte-america nas; sua revista foi obrigada a compensar essa diminuição solicitando anún cios junto a revendedores europeus. O momento em que o mundo das artes realmente começou a sentir uma recessão pronunciada ocorreu no fim do ano passado. Entre outubro de 1981 e janeiro de 1982 o lucro das notas do tesouro subiu de dez para quase (Continiia na página 121)
) ^'●
./
■
Teologia particulai Jornal do Brasíl
Editorial de critica à obra do franciscano
Leonardo Boff. Foi publicado no "Jornal do Brasil", do qual, data vênia, transcrevemos. A obra do mais conhecido representante da Teologia da
vista eclesiástica. Como a teo
Libertação
no
Leonardo
Boff
dos séculos, por provocar po lêmicas intrincadas (algumas chamadas de bizantinas, como
Brasil — frei está
nova
mente em foco a partir de artigos como o de seu colega de ordem (frei Boaventura
INTERCÂMBIO Comunicação constante com os maiores centros de produção, transmitindo informações precisas sobre negócios e oportunidades no Brasil e no Mundo
Associe-se à ACSP e usufrua das vantagens do Intercâmbio.
Kloppenburg) publicado na re
vista Communío e republicado
pelo Caderno Especial do “JÒR-
-NÀL 00 BRASIL”. 0 artigo se refere
a um dos livros mais
recentes de Boff — Igreja, Ca
risma e Póder (Vozes) — e já teve réplica em uma . outra re-
um Rua Boa Vista 5Í'-C. Postal 8082 - Cep 01014 - Telex (11) 23355 - SP
PABX 239-1333.
logia
celebrizoU-se,
ao
longo
as que resultaram no primeiro cisma da Igreja), convém for necer um roteiro para a “redu ção sociológica” que é á Teo logia da Libertação do próprio
Boff, onde se vê o problema da renovação da Igreja abordado não como um problema pro priamente réligioso, mas como um problema de .estrutura, de
) ^'●
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■
Teologia particulai Jornal do Brasíl
Editorial de critica à obra do franciscano
Leonardo Boff. Foi publicado no "Jornal do Brasil", do qual, data vênia, transcrevemos. A obra do mais conhecido representante da Teologia da
vista eclesiástica. Como a teo
Libertação
no
Leonardo
Boff
dos séculos, por provocar po lêmicas intrincadas (algumas chamadas de bizantinas, como
Brasil — frei está
nova
mente em foco a partir de artigos como o de seu colega de ordem (frei Boaventura
INTERCÂMBIO Comunicação constante com os maiores centros de produção, transmitindo informações precisas sobre negócios e oportunidades no Brasil e no Mundo
Associe-se à ACSP e usufrua das vantagens do Intercâmbio.
Kloppenburg) publicado na re
vista Communío e republicado
pelo Caderno Especial do “JÒR-
-NÀL 00 BRASIL”. 0 artigo se refere
a um dos livros mais
recentes de Boff — Igreja, Ca
risma e Póder (Vozes) — e já teve réplica em uma . outra re-
um Rua Boa Vista 5Í'-C. Postal 8082 - Cep 01014 - Telex (11) 23355 - SP
PABX 239-1333.
logia
celebrizoU-se,
ao
longo
as que resultaram no primeiro cisma da Igreja), convém for necer um roteiro para a “redu ção sociológica” que é á Teo logia da Libertação do próprio
Boff, onde se vê o problema da renovação da Igreja abordado não como um problema pro priamente réligioso, mas como um problema de .estrutura, de
DIGESTO
118
disputa pelo poder — do que resulta uma caricatura da Igre ja como instituição.
“É aqui” — prossegue Boff — “que se faz importante a ve rificação de como o povo faz a passagem do religioso ao polí
Boff descreve o nascimen
tico. Geralmente para ele (o povo), as duas realidades vêm
to da sua Igreja, uma Igreja formada “de baixo para cima" num processo que desemboca diretamente na política: “Tudo,
geralmente, começa com cír culos bíblicos. Depois se passa à criação da pequena comuni dade eclesial de base.
Sua ta
refa, inicialmente, é aprofundar a fé internamente, preparar a liturgia, os sacramentos e a vi
I
ECONÔMICO
da de piedade. Num estágio um pouco mais avançado, passa-se a tarefas de mútua aju da nos problemas da vida dos
membros. Na medida em que estes se organizam e aprofun dam
de
a reflexão, dão-se conta
que
suem
Sua
seus
um
problemas
caráter
marginalização
pos-
estrutural.
é
conse-
quência do tipo de organização elitista, de acumulação priva da, enfim, da própria estrutu ra econômico-social do sistema
capitalista.
Aí emerge a ques
tão política, e 0 tema da liber tação ganha conteúdos concre tos e históricos”.
unidas. Começa pelo religioso. Aí ele se dá conta das injusti ças que são pecado que Deus não quer. Depois passa para a compreensão das estruturas reais que produzem as injusti ças. Importa mudá-las para que não produzam mais o pe
DIGESTO
ECONÔMICO
119
e Poder — “tempos privilegia dos.
Há uma efervescência da
vida eclesial que revigora todo o corpo, dos pés à cabeça. Tan to as bases quanto as cúpulas se
puseram
numa
de renovação.
caminhada
O que daí vai
resultar é certamente um novo rosto da institucionalidade da
Igreja.
Há forças vivas, par
ticularmente nas bases, que não são adequadamente recolhidas nos
condutos
organização
tradicionais
eclesiástica.
da
Elas
Isto é, “o com
demandam nova reestruturação
promisso político nasce da pró pria reflexão da fé que exige mudança”.
e nova divisão eclesiástica do
trabalho e do poder religioso”.
Boff, entretanto, não quer apenas mudar o mundo pela
buição de poder? Partindo das bases para a cúpula. Com as
cado social”.
Como
obter
essa
redistri-
quer, tam
comunidades eclesiais de base,
bém, mudar a própria Igreja — não por uma renovação inte
viver a fé cristã”, “há uma no
alavanca da Igreja:
rior,
como pretendeu e conse
guiu um Francisco de Assis. Na linha da Teologia da Liber
tação. que é obcecada pela questão do poder (isto é, pela dialética hegeliana do senhor e do escravo). Boff quer a mu dança das estruturas de poder da própria Igreja. “Estamos vivendo” — diz a
introdução de
Igreja, Carisma
“forma nova e original de se va redistribuição do poder na comunidade, muito mais parti cipado, evitando-se toda centra
lização e dominação a partii* de um centro de poder. A unida de fé-vida, Evangelho-libertaÇão, se dá concretamente, sem o artifício de difíceis mediações institucionais. ‘Está em curso uma verdadeira eclesiogênese.
a Igreja nascendo da fé dos po bres”.
Na expressão de D. Karl
Josef Romer, bispo-auxiliar do Rio de Janeiro, a Igreja de Boff é “uma Igreja quebrada em duas partes: instituição e co munidade”. E Boff tem a preo cupação de opor uma e outra: “A verdadeira eclesiologia não se encontra nos manuais ou nos escritos dos teólogos: ela se realiza e vigora nas práticas eclesiais, e está sepultada den tro das instituições eclesiásti cas”.
Boff
ainda
não
declara
abolida essa Igreja-instituição:
“Para ser cristão, faz-se mis ter coragem para o provisório, para o histórico, para o dogma, para o direito, para a norma moral e a disciplina litúrgica”. Não fica nenhuma dúvida, en tretanto, de que o dogma e a norma, igualados ao histórico e ao provisório, estarão sempre em estágio de superação pela eclesío^énese que dispensa “di fíceis mediações institucionais.
Uma outra parte do Evan gelho de Boff — expressa em Quem Tem a Palavra na Igre ja? (coleção de ensaios publi cados pela Vozes) — é a his tória de como foi possível o
DIGESTO
118
disputa pelo poder — do que resulta uma caricatura da Igre ja como instituição.
“É aqui” — prossegue Boff — “que se faz importante a ve rificação de como o povo faz a passagem do religioso ao polí
Boff descreve o nascimen
tico. Geralmente para ele (o povo), as duas realidades vêm
to da sua Igreja, uma Igreja formada “de baixo para cima" num processo que desemboca diretamente na política: “Tudo,
geralmente, começa com cír culos bíblicos. Depois se passa à criação da pequena comuni dade eclesial de base.
Sua ta
refa, inicialmente, é aprofundar a fé internamente, preparar a liturgia, os sacramentos e a vi
I
ECONÔMICO
da de piedade. Num estágio um pouco mais avançado, passa-se a tarefas de mútua aju da nos problemas da vida dos
membros. Na medida em que estes se organizam e aprofun dam
de
a reflexão, dão-se conta
que
suem
Sua
seus
um
problemas
caráter
marginalização
pos-
estrutural.
é
conse-
quência do tipo de organização elitista, de acumulação priva da, enfim, da própria estrutu ra econômico-social do sistema
capitalista.
Aí emerge a ques
tão política, e 0 tema da liber tação ganha conteúdos concre tos e históricos”.
unidas. Começa pelo religioso. Aí ele se dá conta das injusti ças que são pecado que Deus não quer. Depois passa para a compreensão das estruturas reais que produzem as injusti ças. Importa mudá-las para que não produzam mais o pe
DIGESTO
ECONÔMICO
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e Poder — “tempos privilegia dos.
Há uma efervescência da
vida eclesial que revigora todo o corpo, dos pés à cabeça. Tan to as bases quanto as cúpulas se
puseram
numa
de renovação.
caminhada
O que daí vai
resultar é certamente um novo rosto da institucionalidade da
Igreja.
Há forças vivas, par
ticularmente nas bases, que não são adequadamente recolhidas nos
condutos
organização
tradicionais
eclesiástica.
da
Elas
Isto é, “o com
demandam nova reestruturação
promisso político nasce da pró pria reflexão da fé que exige mudança”.
e nova divisão eclesiástica do
trabalho e do poder religioso”.
Boff, entretanto, não quer apenas mudar o mundo pela
buição de poder? Partindo das bases para a cúpula. Com as
cado social”.
Como
obter
essa
redistri-
quer, tam
comunidades eclesiais de base,
bém, mudar a própria Igreja — não por uma renovação inte
viver a fé cristã”, “há uma no
alavanca da Igreja:
rior,
como pretendeu e conse
guiu um Francisco de Assis. Na linha da Teologia da Liber
tação. que é obcecada pela questão do poder (isto é, pela dialética hegeliana do senhor e do escravo). Boff quer a mu dança das estruturas de poder da própria Igreja. “Estamos vivendo” — diz a
introdução de
Igreja, Carisma
“forma nova e original de se va redistribuição do poder na comunidade, muito mais parti cipado, evitando-se toda centra
lização e dominação a partii* de um centro de poder. A unida de fé-vida, Evangelho-libertaÇão, se dá concretamente, sem o artifício de difíceis mediações institucionais. ‘Está em curso uma verdadeira eclesiogênese.
a Igreja nascendo da fé dos po bres”.
Na expressão de D. Karl
Josef Romer, bispo-auxiliar do Rio de Janeiro, a Igreja de Boff é “uma Igreja quebrada em duas partes: instituição e co munidade”. E Boff tem a preo cupação de opor uma e outra: “A verdadeira eclesiologia não se encontra nos manuais ou nos escritos dos teólogos: ela se realiza e vigora nas práticas eclesiais, e está sepultada den tro das instituições eclesiásti cas”.
Boff
ainda
não
declara
abolida essa Igreja-instituição:
“Para ser cristão, faz-se mis ter coragem para o provisório, para o histórico, para o dogma, para o direito, para a norma moral e a disciplina litúrgica”. Não fica nenhuma dúvida, en tretanto, de que o dogma e a norma, igualados ao histórico e ao provisório, estarão sempre em estágio de superação pela eclesío^énese que dispensa “di fíceis mediações institucionais.
Uma outra parte do Evan gelho de Boff — expressa em Quem Tem a Palavra na Igre ja? (coleção de ensaios publi cados pela Vozes) — é a his tória de como foi possível o
DIGESTO
120
predomínio patológico (expres são de Boff) da hierarquia so bre o “povo de Deus”. Boff
reconhece
a
necessi
dade de uma função magisterial na Igreja, “mecanismo nor mal pelo qual uma comunidade
religiosa garante a fidelidade à sua identidade originária me diante um corpo de peritos em
tamente
ECONÔMICO
com a racionalização
da religião, e deriva o princí
pio de sua legitimidade de uma
teologia erigida em dogma cuja validade e perpetuação ele ga Está assim aberto o cami
nho para a denúncia — em jar gão marxista — do que havia
A curiosa imagem do “corpo de
base:
peritos” diminui a importância desse magistério (e em rela
da
do que a urbanização contri bui para a racionalização da
religião; quer dizer, propiciou 0 surgimento de um corpo de peritos encarregados da pre servação e exegese oficial e au têntica do capital religioso co mum
a
todos
òs
fiéis.
Assim
aflora uma Ecciesía docens e uma Ecciesia discens”.
Logo a seguir, Boff recor re a. Bordieu (da Revuè Fránçáíse de SocTologie): “O corpo
.£●
●
de sacerdotes tém a vér dire-
121
do discens para o docens, e do
docens para o discens”. “Deve haver troca de saberes, nin guém querendo dominar nin guém." Ante esta redução da rea
comunhão com todos os fiéis”.
to dé Max Weber ter mostra
ECONÔMICO
rante”.
de patológico na Igreja até a aparição das comunidades de
ção à Igreja, deturpa a sua na tureza): ele passa a ser uma função quase técnica. A dimi nuição completa-se com uma análise sociológica: “Foi méri
DIGESTO
“A constituição de
um
corpo de peritos dicotomizados comunidade
vem
acompa
lidade da Igreja a um proble ma de poder, solucionável por uma revolução democrática e
libertadora, talvez se pudesse voltar para o próprio texto do Concilio (Constituição Dei Verbum), que remete para o mis tério da Igreja: “A pregação
nhada de um processo de expropriação objetiva do poder religioso dos demais membros que passam a ser meramente
apostólica, que é expressa de
leigos, destituídos de força pro dutora de bens simbólicos.”
consumação
modo especial nos livros inspi rados, devia conservar-se por
uma sucessão contínua, até a dos
tempos.
Por
isto os apóstolos, transmitindo aquilo que eles próprios rece
beram, exortam os fiéis a man ter as tradições que receberam. (...) Esta tradição, oriunda dos apóstolos, progride na Igreja sob a assistência do Es pírito Santo: cresce, com efei
to, a compreensão tanto das coisas como das palavras transmitidas, seja pela contem plação e estudo dos que crêem, os quais as meditam em seu coração, seja pela pregação da queles que com a sucessão do episcopado receberam o caris ma seguro da verdade.” Este é 0 mistério que se procura em vão nas análises sociológicas da Teologia da Libertação.
(Continuação da página 115)
Boff recorre ainda a um ou tro autor: “Paulo Freire mos
15%; Isto fez com que os investimentos em obras de arte e outros objetos
trou 0 caráter patológico deste tipo de relação qué désumaniza úm pólo e o outro.” Em sua
Outro fator importante foi a lei fiscal de 1981 que, a partir de janeiro de 1982, passou a penalizar o investimento de fundos isentos de impostos em obras de arte ou em antiguidades. Anteriprmente, Investimentos desse tipo
de coleções se tomassem menos atraentes.
opinião, 0 Concilio Vaticano II
eram totalmente isentos de impostos.
Em vez de “um Caminho de uma só mão que ia da'hierar
instalada durante 33 anos.
“equilibrou ém bom tempo a perspectiva, recuperando a sa nidade teológica ameaçada”. quia que ensina para o povo que ápènas oUvia”, Boff quer “um caminho de duas mãos:
A difícil situação financeira generalizada também influiu sobre o movi mento de casas de leilão e galerias. A Sotheby’s reportou uma queda de vendas da ordem de 25%; a Christie’s uma queda dez a 15%. A Sotheby’s teve de despedir 25% dos seus ftmcionários (dois mil espalhados pelo mundo todo), além de, abandonar, a sua sede na Madison Avenue, onde permaneceu
Quárito’ às galerias'de arfe, uíii preenímenle curador de museu, familia rizado com o 'ambiente artistlcõ, disse; “Foi uma temporada bastanfe ruim”. Apesar dé os revendedores que trabalham com "^lerías naturalmente serem bastante' protetores e relutantes em dizer qualquer coisa que possa
DIGESTO
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predomínio patológico (expres são de Boff) da hierarquia so bre o “povo de Deus”. Boff
reconhece
a
necessi
dade de uma função magisterial na Igreja, “mecanismo nor mal pelo qual uma comunidade
religiosa garante a fidelidade à sua identidade originária me diante um corpo de peritos em
tamente
ECONÔMICO
com a racionalização
da religião, e deriva o princí
pio de sua legitimidade de uma
teologia erigida em dogma cuja validade e perpetuação ele ga Está assim aberto o cami
nho para a denúncia — em jar gão marxista — do que havia
A curiosa imagem do “corpo de
base:
peritos” diminui a importância desse magistério (e em rela
da
do que a urbanização contri bui para a racionalização da
religião; quer dizer, propiciou 0 surgimento de um corpo de peritos encarregados da pre servação e exegese oficial e au têntica do capital religioso co mum
a
todos
òs
fiéis.
Assim
aflora uma Ecciesía docens e uma Ecciesia discens”.
Logo a seguir, Boff recor re a. Bordieu (da Revuè Fránçáíse de SocTologie): “O corpo
.£●
●
de sacerdotes tém a vér dire-
121
do discens para o docens, e do
docens para o discens”. “Deve haver troca de saberes, nin guém querendo dominar nin guém." Ante esta redução da rea
comunhão com todos os fiéis”.
to dé Max Weber ter mostra
ECONÔMICO
rante”.
de patológico na Igreja até a aparição das comunidades de
ção à Igreja, deturpa a sua na tureza): ele passa a ser uma função quase técnica. A dimi nuição completa-se com uma análise sociológica: “Foi méri
DIGESTO
“A constituição de
um
corpo de peritos dicotomizados comunidade
vem
acompa
lidade da Igreja a um proble ma de poder, solucionável por uma revolução democrática e
libertadora, talvez se pudesse voltar para o próprio texto do Concilio (Constituição Dei Verbum), que remete para o mis tério da Igreja: “A pregação
nhada de um processo de expropriação objetiva do poder religioso dos demais membros que passam a ser meramente
apostólica, que é expressa de
leigos, destituídos de força pro dutora de bens simbólicos.”
consumação
modo especial nos livros inspi rados, devia conservar-se por
uma sucessão contínua, até a dos
tempos.
Por
isto os apóstolos, transmitindo aquilo que eles próprios rece
beram, exortam os fiéis a man ter as tradições que receberam. (...) Esta tradição, oriunda dos apóstolos, progride na Igreja sob a assistência do Es pírito Santo: cresce, com efei
to, a compreensão tanto das coisas como das palavras transmitidas, seja pela contem plação e estudo dos que crêem, os quais as meditam em seu coração, seja pela pregação da queles que com a sucessão do episcopado receberam o caris ma seguro da verdade.” Este é 0 mistério que se procura em vão nas análises sociológicas da Teologia da Libertação.
(Continuação da página 115)
Boff recorre ainda a um ou tro autor: “Paulo Freire mos
15%; Isto fez com que os investimentos em obras de arte e outros objetos
trou 0 caráter patológico deste tipo de relação qué désumaniza úm pólo e o outro.” Em sua
Outro fator importante foi a lei fiscal de 1981 que, a partir de janeiro de 1982, passou a penalizar o investimento de fundos isentos de impostos em obras de arte ou em antiguidades. Anteriprmente, Investimentos desse tipo
de coleções se tomassem menos atraentes.
opinião, 0 Concilio Vaticano II
eram totalmente isentos de impostos.
Em vez de “um Caminho de uma só mão que ia da'hierar
instalada durante 33 anos.
“equilibrou ém bom tempo a perspectiva, recuperando a sa nidade teológica ameaçada”. quia que ensina para o povo que ápènas oUvia”, Boff quer “um caminho de duas mãos:
A difícil situação financeira generalizada também influiu sobre o movi mento de casas de leilão e galerias. A Sotheby’s reportou uma queda de vendas da ordem de 25%; a Christie’s uma queda dez a 15%. A Sotheby’s teve de despedir 25% dos seus ftmcionários (dois mil espalhados pelo mundo todo), além de, abandonar, a sua sede na Madison Avenue, onde permaneceu
Quárito’ às galerias'de arfe, uíii preenímenle curador de museu, familia rizado com o 'ambiente artistlcõ, disse; “Foi uma temporada bastanfe ruim”. Apesar dé os revendedores que trabalham com "^lerías naturalmente serem bastante' protetores e relutantes em dizer qualquer coisa que possa
DIGESTO
122
ECONÔMICO
prejudicar as vendas, muitos informam terem ouvido relatos de "desastres” dos seus colegas e até mesmo revendedores de sucesso estão demonstrando incertezas em relação à próxima temporada.
Paula Cooper, uma revendedora de Soho, diz: “O mundo artístico pas sou por uma grande crise no ano passado. Eu não sei dizer como será a próxima temporada.” Alguns dos revendedores se mostram relativamente francos quanto às suas dificuldades. Virgínia Zabriskie, que controla a distribuição da produção de escultores modernos famosos como Alexander Archipenko e Elie Nadeiman, diz que esta é a primeira vez em 27 anos que o seu volume de vendas
Uma nova imagem do Supremo
não aumentou em relação ao ano anterior.
O capital de giro também se transformou num sério problema. Os compradores não apenas estão pedindo condições que lhes permitam pagar num prazo mais longo como também não es^ saldando os compromissos assumidos.
Tribunal Federal
Mas os que fazem comércio com obras artísticas não são os únicos afetados pela queda de negócios. Os artistas que não possuem um forte grupo de interessados certamente também irão sofrer. Muitos revendedores explicam que já não podem mais se dar ao luxo de exibir obras de artistas comercialmente desinteressantes e sem sucesso.
Devido ao aumento vertiginoso dos aluguéis, muitos revendedores serão obrigados a seguir o exemplo da Sotheby’s, mudando-se para endereços menos caros. Virgínia Zabriskie, que paga cinco mil dólares anuais pela sua galeria em Paris, a um quarteirão de distância do Centro Pompidou, terá de pagar um aluguel anual de 120 mil dólares anuais se quiser renovar o contrato de locação de sua galeria na Rua 57 em Nova York. Possivelmente nada ó tão surpreendente quanto o fato de os revende dores mencionarem a possibilidade de cobrar uma taxa de juros quase tão elevada quanto à dos bancos. O comércio com obras de arte sempre foi uma “profissão de cavalheiros”, diz John Weber, outro revendedor de Soho. Pelo menos um revendedor, citando a necessidade de ampliar constantemente o acervo, já tomou a decisão de cobrar uma elevada taxa de juros sobre
pagamentos a longo prazo. Sylvian Cole, diretor da Associated Americen Artists, acredita que a galeria de arte na sua atual forma está sendo questionada. Ele acha que a “galeria comercial pública” se tornou tão complexa e dispendiosa — com
Amoldo Wald
É relevante que seja revelado o Supremo Tribunal Federal. O autor é professor da Faculdade de Direito da UERJ.
A progressiva democratiza ção do País está evidenciando para a opinião pública que o “Estado de Direito” não é um
seus custos, publicidade e funcionários — que se pergunta se “todo o siste
mito. nem um simples conceito vazio e que, consequentemente,
Neste meio tempo, revendedores e galerias bem estabelecidas,
mais minuciosamente o órgão
ma de revenda de obras de arte não terá de mudar?”
que
têm em suas coleções obras de artistas financeiramente e criticamente bem-
sucessidos, vêem um outro lado da questão. Nathan Kolodner, da Emmerich, que possui no, seu acervo obras de Helen-Frahkenthaler ■ é Anthony Caro, "diz que “para ntSs, os últimos dois anos, dois anos e meio foram uma época de expansão. Os negócios conti nuam sendo bons, principalmente para obras boas.” Do New York, Times.
se
torna
necessário
conhecer
constitucionalmente incumbido
de garantir a boa aplicação das normas legais vigentes em todo o território nacional. Se o tra
balho
sério, exaustivo, contí¬
nuo
e corajoso
da nossa
Su
prema Corte é. acompanhado pelos advogados que nela militam e se sua história revela que ocupou no cenário da vida
política,
brasileira,
econômica
o
mesmo
e
social
espaço
que 0 seu homônimo norteamericano, 0 grande público nunca se interessou pelas suas atividádes. Neste sentido,
ALIOMAR BALEEIRO chegou a escrever que. embora o
DIGESTO
122
ECONÔMICO
prejudicar as vendas, muitos informam terem ouvido relatos de "desastres” dos seus colegas e até mesmo revendedores de sucesso estão demonstrando incertezas em relação à próxima temporada.
Paula Cooper, uma revendedora de Soho, diz: “O mundo artístico pas sou por uma grande crise no ano passado. Eu não sei dizer como será a próxima temporada.” Alguns dos revendedores se mostram relativamente francos quanto às suas dificuldades. Virgínia Zabriskie, que controla a distribuição da produção de escultores modernos famosos como Alexander Archipenko e Elie Nadeiman, diz que esta é a primeira vez em 27 anos que o seu volume de vendas
Uma nova imagem do Supremo
não aumentou em relação ao ano anterior.
O capital de giro também se transformou num sério problema. Os compradores não apenas estão pedindo condições que lhes permitam pagar num prazo mais longo como também não es^ saldando os compromissos assumidos.
Tribunal Federal
Mas os que fazem comércio com obras artísticas não são os únicos afetados pela queda de negócios. Os artistas que não possuem um forte grupo de interessados certamente também irão sofrer. Muitos revendedores explicam que já não podem mais se dar ao luxo de exibir obras de artistas comercialmente desinteressantes e sem sucesso.
Devido ao aumento vertiginoso dos aluguéis, muitos revendedores serão obrigados a seguir o exemplo da Sotheby’s, mudando-se para endereços menos caros. Virgínia Zabriskie, que paga cinco mil dólares anuais pela sua galeria em Paris, a um quarteirão de distância do Centro Pompidou, terá de pagar um aluguel anual de 120 mil dólares anuais se quiser renovar o contrato de locação de sua galeria na Rua 57 em Nova York. Possivelmente nada ó tão surpreendente quanto o fato de os revende dores mencionarem a possibilidade de cobrar uma taxa de juros quase tão elevada quanto à dos bancos. O comércio com obras de arte sempre foi uma “profissão de cavalheiros”, diz John Weber, outro revendedor de Soho. Pelo menos um revendedor, citando a necessidade de ampliar constantemente o acervo, já tomou a decisão de cobrar uma elevada taxa de juros sobre
pagamentos a longo prazo. Sylvian Cole, diretor da Associated Americen Artists, acredita que a galeria de arte na sua atual forma está sendo questionada. Ele acha que a “galeria comercial pública” se tornou tão complexa e dispendiosa — com
Amoldo Wald
É relevante que seja revelado o Supremo Tribunal Federal. O autor é professor da Faculdade de Direito da UERJ.
A progressiva democratiza ção do País está evidenciando para a opinião pública que o “Estado de Direito” não é um
seus custos, publicidade e funcionários — que se pergunta se “todo o siste
mito. nem um simples conceito vazio e que, consequentemente,
Neste meio tempo, revendedores e galerias bem estabelecidas,
mais minuciosamente o órgão
ma de revenda de obras de arte não terá de mudar?”
que
têm em suas coleções obras de artistas financeiramente e criticamente bem-
sucessidos, vêem um outro lado da questão. Nathan Kolodner, da Emmerich, que possui no, seu acervo obras de Helen-Frahkenthaler ■ é Anthony Caro, "diz que “para ntSs, os últimos dois anos, dois anos e meio foram uma época de expansão. Os negócios conti nuam sendo bons, principalmente para obras boas.” Do New York, Times.
se
torna
necessário
conhecer
constitucionalmente incumbido
de garantir a boa aplicação das normas legais vigentes em todo o território nacional. Se o tra
balho
sério, exaustivo, contí¬
nuo
e corajoso
da nossa
Su
prema Corte é. acompanhado pelos advogados que nela militam e se sua história revela que ocupou no cenário da vida
política,
brasileira,
econômica
o
mesmo
e
social
espaço
que 0 seu homônimo norteamericano, 0 grande público nunca se interessou pelas suas atividádes. Neste sentido,
ALIOMAR BALEEIRO chegou a escrever que. embora o
DIGESTO
124
DIGESTO
bunal fosse respeitado num País irreverente e geralmente aca tado tanto pelo Congresso Na cional, quanto pelo Poder Exe cutivo, existiu sempre "um ha lo de mistério ou, pelo menos, de
desconhecimento
De fato, enquanto a Corte Suprema norte-americana faz parte do folklore norte-america no do mesmo modo que a famí lia real se incorpora à vida do “homem da rua” na Inglaterra, o nosso Supremo Tribunal Fe deral tem sido visto como uma
realidade esotérica a respeito
qual pouco
de filmes de ficção como o re
cente First monday of October
que focaliza o ingresso da primulher no mais alto tri bunal dos Estados Unidos. meira
No Brasil, o que se conhe-
interno”
que “tem velado o Supremo aos olhos da opinião pública”.
da
ECONÔMICO
se escreveu,
comparando-se a nossa biblio
grafia com a existente, por exemplo, nos Estados Unidos, onde a opinião acompanha çpm interesse e até com certo carinho a vida dos tribunais. A
Suprema Corte americana é, necessariamente, visitada pelos turistas e pelos estudiosos, sendo ainda objeto de livros destinados ao grande público
ce
do Supremo Tribunal Fe
deral é o relatório anual, dan do conta de cerca de treze mil julgamentos anuais, as raras notícias que saem na imprensa
em relação a casos mais im
portantes apreciados pela Cor te e os acórdãos hoje publica dos, rápida e religiosamente, na
Revista Trimestral de Ju
risprudência.
Nos
momentos
mais críticos da vida do País, 0 público reconhece a coragem cívica dos juizes da nossa mais alta Corte, coragem definida
HEMINGWAY como sendo dignidade sob pressão, ou se-
por a
ja, a
dignidade que não cede à
pressão.
0 trabalho diário, constru tivo e silencioso dos ministros nem sempre ultrapassa as sa
intitulado
las de sessões pouco freqüentadas pelo público em Brasí
The brethern, no qual se ana
lia. Mesmo quando se trata de
lisa o comportamento dos jui zes e do plenário, num interes sante esforço de reportagem, e
soluções de importantes pro blemas sociais e econômicos, em- relaçãf. aos quais o Supre-
comú
0
bestseller
ECONÔMICO
125
mo procura compor os interes
ses em jogo, superando, mui tas vezes, as deficiências, as contradições e a obsolescência
dos textos legislativos, poucas são
as análises dos mais im
portantes acórdãos da alta Cor te que tenham sido feitas pelos nossos juristas, ao contrário do que acontece em outros países, nos quais as decisões judiciais constituem o material de estu
do de universitários, advogados e professores. A simplicidade franciscana do Supremo e o
silêncio dos
ministros
compõem
dado
têm
que o àqueles
que não os conhecem uma im
pressão de esoterismo que, sem culpa de qualquer das partes, levou 0 público e uma grande parte da própria classe dos ad vogados à mais plena ignorân cia quanto ao que se fazia no mais alto tribunal do Pais. Esta aparente dissociação, ou afastamento, se torna mais séria no momento em que se consolida o Estado de' Direito e se sente a necessidade de
devolver aos juristas a função de elaborar e aplicar as leis, durante muito tempo redigidas por
economistas
'desinteres
sados em relação aos proble-
mas jurídicos e esquecidos de ser 0 direito “a ciência que submete a economia à ética".
Assume, assim, especial re levância 0 contato que o pre sidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Xavier de Albuquerque, teve recentemen te com a imprensa com a fina lidade de abrir ou ampliar os canais de comunicação entre o Poder Judiciário e os jornais, superando assim, na medida do
possível,
0
distanciamento
existente entre o Tribunal e a
opinião pública e fazendo com que haja plena ciência e cons ciência do trabalho que está sendo realizado na área da Jus
tiça. A abertura deste diálogo é tanto mais oportuna que se co gita de uma reforma da justiça correspondendo a um anseio de todos e cuja elaboração não pode, nem deve ser esotérica, mas justifica uma mobilização nacional para dar soluções efi cientes a um problema básico, cujos pontos críticos ainda não foram
resolvidos
satisfatoria
mente pela reforma constitu cional e pela lei orgânica da magistratura.
Por outro lado. a opinião pública acaba de ter o ensejo
DIGESTO
124
DIGESTO
bunal fosse respeitado num País irreverente e geralmente aca tado tanto pelo Congresso Na cional, quanto pelo Poder Exe cutivo, existiu sempre "um ha lo de mistério ou, pelo menos, de
desconhecimento
De fato, enquanto a Corte Suprema norte-americana faz parte do folklore norte-america no do mesmo modo que a famí lia real se incorpora à vida do “homem da rua” na Inglaterra, o nosso Supremo Tribunal Fe deral tem sido visto como uma
realidade esotérica a respeito
qual pouco
de filmes de ficção como o re
cente First monday of October
que focaliza o ingresso da primulher no mais alto tri bunal dos Estados Unidos. meira
No Brasil, o que se conhe-
interno”
que “tem velado o Supremo aos olhos da opinião pública”.
da
ECONÔMICO
se escreveu,
comparando-se a nossa biblio
grafia com a existente, por exemplo, nos Estados Unidos, onde a opinião acompanha çpm interesse e até com certo carinho a vida dos tribunais. A
Suprema Corte americana é, necessariamente, visitada pelos turistas e pelos estudiosos, sendo ainda objeto de livros destinados ao grande público
ce
do Supremo Tribunal Fe
deral é o relatório anual, dan do conta de cerca de treze mil julgamentos anuais, as raras notícias que saem na imprensa
em relação a casos mais im
portantes apreciados pela Cor te e os acórdãos hoje publica dos, rápida e religiosamente, na
Revista Trimestral de Ju
risprudência.
Nos
momentos
mais críticos da vida do País, 0 público reconhece a coragem cívica dos juizes da nossa mais alta Corte, coragem definida
HEMINGWAY como sendo dignidade sob pressão, ou se-
por a
ja, a
dignidade que não cede à
pressão.
0 trabalho diário, constru tivo e silencioso dos ministros nem sempre ultrapassa as sa
intitulado
las de sessões pouco freqüentadas pelo público em Brasí
The brethern, no qual se ana
lia. Mesmo quando se trata de
lisa o comportamento dos jui zes e do plenário, num interes sante esforço de reportagem, e
soluções de importantes pro blemas sociais e econômicos, em- relaçãf. aos quais o Supre-
comú
0
bestseller
ECONÔMICO
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mo procura compor os interes
ses em jogo, superando, mui tas vezes, as deficiências, as contradições e a obsolescência
dos textos legislativos, poucas são
as análises dos mais im
portantes acórdãos da alta Cor te que tenham sido feitas pelos nossos juristas, ao contrário do que acontece em outros países, nos quais as decisões judiciais constituem o material de estu
do de universitários, advogados e professores. A simplicidade franciscana do Supremo e o
silêncio dos
ministros
compõem
dado
têm
que o àqueles
que não os conhecem uma im
pressão de esoterismo que, sem culpa de qualquer das partes, levou 0 público e uma grande parte da própria classe dos ad vogados à mais plena ignorân cia quanto ao que se fazia no mais alto tribunal do Pais. Esta aparente dissociação, ou afastamento, se torna mais séria no momento em que se consolida o Estado de' Direito e se sente a necessidade de
devolver aos juristas a função de elaborar e aplicar as leis, durante muito tempo redigidas por
economistas
'desinteres
sados em relação aos proble-
mas jurídicos e esquecidos de ser 0 direito “a ciência que submete a economia à ética".
Assume, assim, especial re levância 0 contato que o pre sidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Xavier de Albuquerque, teve recentemen te com a imprensa com a fina lidade de abrir ou ampliar os canais de comunicação entre o Poder Judiciário e os jornais, superando assim, na medida do
possível,
0
distanciamento
existente entre o Tribunal e a
opinião pública e fazendo com que haja plena ciência e cons ciência do trabalho que está sendo realizado na área da Jus
tiça. A abertura deste diálogo é tanto mais oportuna que se co gita de uma reforma da justiça correspondendo a um anseio de todos e cuja elaboração não pode, nem deve ser esotérica, mas justifica uma mobilização nacional para dar soluções efi cientes a um problema básico, cujos pontos críticos ainda não foram
resolvidos
satisfatoria
mente pela reforma constitu cional e pela lei orgânica da magistratura.
Por outro lado. a opinião pública acaba de ter o ensejo
DIGESTO
.126
de acompanhar a nomeação dos dois novos ministros da Su
prema Corte, ambos oriundos da classe dos advogados e com
vasta experiência na vida lorense. Embora de formação di ferente, 0 processualista Allretío Buzàid, da Faculdade de Di reito do Estado de São Paulo, e o professor de Economia Po lítica Oscar
Dias Correia, da
Universidade do Estado do Rio
de Janeiro, trazem ao Supremo uma vivência dos conflitos po líticos, econômicos e «ociais,
que conheceram, não como jui zes, mas como consultores ou advogados das partes, ou, ain da, como professores e escri tores, interessados em construir as melhores soluções do ponto de vista doutrinário t
ECONÔMICO
representantes do Ministério Público, advogados e homens DÚblicos, do mesmo modo que nele devem estar representa dos tanto os Estados mais de senvolvidos como aqueles cuja
economia ainda não alcançou os
desejados níveis de cresci
mento. Do diálogo construtivo entre homens de formação e
origem diferentes surge o de nominador comum
que carac
teriza a posição jurisprudencial a mais adequada. No fundo, não sendo o direito uma ciên
cia exata, a sua interpretação
não deixa de atender a certos
aspectos da sensibilidade e da
nersonalidade de cada magis trado. Já se comparou, neste direito à música, sentido,
mo Tribunal Federá, trazendo
afirmando-se que a mesma lei, ou a mesma peça musical, pode ser interpretada diferente mente, de acordo com a for mação do intérprete e a época
assim, à mais Alta Corte, um novo enfoque em relação aos
Em recente palestra feita
prático. Ambos müitaram, por longo tempo, perante a Justiça local e junto ao próprio Supre
Pm oue ocorre a interpretação.
DIGE8TO
127
ECONÔMICO
do a encontrar uma forma prá
tica de seleção dos casos que vai julgar, sob pena de não mais poder cumprir as suas funções com a necessária velo
cidade. Foi esta a razão pela qual se introduziu a “argüição de relevância de questão fe deral”, a fim de permitir que somente
as
causas
da
maior
importância fossem aprecia das” pela Corte, que não é uma terceira instância, mas um tri bunal incumbido de garantir o cumprimento da Constituição e a unidade do direito nacional.
A discussão que se seguiu, en tre 0 magistrado e os demais presentes, a respeito dos crité rios de seleção aplicados pela
dade que a seleção se impÕe para não congestionar o Supre mo Tribunal Federal, como,
aliás, ncorre com o certiorari da Suprema Corte norte-ameri
Alves lembrou que se fala na crise do Supremo Tribunal Fe deral desde 1926 e que, em vir tude da Constituição e das leis,
pelo
julgados.
Ê importante para o País a heterogeneidade da composição do Supremo, que deve abranger ao lado dos juizes de carreira,
Advogados
o Tribunal tem amoliado a sua
competência, vendo-se obriga-
País não pode prescindir do “Supremo Tribunal Federal”, aqui situado como baluarte em defesa da nossa maturidade no
processo de mudança do nosso sistema político”.
para a plenitude do Estado de
no
dos
de Direito, concluindo que a estabilidade institucional do
cessária entre os ministros e a
classe dos advogados. Se é ver
Brasileiros, o ministro Moreira
Instituto
do Trigueiro do Vale lembrou a transcendental importância do papel político da Corte Su prema e as dificuldades do seu exercício enquanto não vigen te, na sua plenitude, o Estado
Parece-nos, assim, muito relevante, para a vida do país,
e
litígios que devem ser
do, inclusive depoimentos de vá rios dos seus membros, Osval
Suprema Corte comprova, por sua vez, a existência de uma reaproximação oportuna e ne
problemas a serem discutidos aos
Numa tese de mestrado pu blicada há oito anos, na qual analisava a função do Supre mo Tribunal Federal, invocan
cana, justifica-se, por outro la do, a fixação e a divulgação dos critérios básicos aplicados
Tribunal
para
conheci
mento dos advogados e do pú blico em geral.
Direito e para o desenvolvi mento da ciência jurídica, que estejam sendo divulgadas a imagem correta da Suprema Corte e a explicação dos pro blemas que enfrenta, ocorren do, simultaneamente, a ade quada reaproximação entre o mais alto Tribunal do País, a classe dos advogados e a opi nião pública.
DIGESTO
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de acompanhar a nomeação dos dois novos ministros da Su
prema Corte, ambos oriundos da classe dos advogados e com
vasta experiência na vida lorense. Embora de formação di ferente, 0 processualista Allretío Buzàid, da Faculdade de Di reito do Estado de São Paulo, e o professor de Economia Po lítica Oscar
Dias Correia, da
Universidade do Estado do Rio
de Janeiro, trazem ao Supremo uma vivência dos conflitos po líticos, econômicos e «ociais,
que conheceram, não como jui zes, mas como consultores ou advogados das partes, ou, ain da, como professores e escri tores, interessados em construir as melhores soluções do ponto de vista doutrinário t
ECONÔMICO
representantes do Ministério Público, advogados e homens DÚblicos, do mesmo modo que nele devem estar representa dos tanto os Estados mais de senvolvidos como aqueles cuja
economia ainda não alcançou os
desejados níveis de cresci
mento. Do diálogo construtivo entre homens de formação e
origem diferentes surge o de nominador comum
que carac
teriza a posição jurisprudencial a mais adequada. No fundo, não sendo o direito uma ciên
cia exata, a sua interpretação
não deixa de atender a certos
aspectos da sensibilidade e da
nersonalidade de cada magis trado. Já se comparou, neste direito à música, sentido,
mo Tribunal Federá, trazendo
afirmando-se que a mesma lei, ou a mesma peça musical, pode ser interpretada diferente mente, de acordo com a for mação do intérprete e a época
assim, à mais Alta Corte, um novo enfoque em relação aos
Em recente palestra feita
prático. Ambos müitaram, por longo tempo, perante a Justiça local e junto ao próprio Supre
Pm oue ocorre a interpretação.
DIGE8TO
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ECONÔMICO
do a encontrar uma forma prá
tica de seleção dos casos que vai julgar, sob pena de não mais poder cumprir as suas funções com a necessária velo
cidade. Foi esta a razão pela qual se introduziu a “argüição de relevância de questão fe deral”, a fim de permitir que somente
as
causas
da
maior
importância fossem aprecia das” pela Corte, que não é uma terceira instância, mas um tri bunal incumbido de garantir o cumprimento da Constituição e a unidade do direito nacional.
A discussão que se seguiu, en tre 0 magistrado e os demais presentes, a respeito dos crité rios de seleção aplicados pela
dade que a seleção se impÕe para não congestionar o Supre mo Tribunal Federal, como,
aliás, ncorre com o certiorari da Suprema Corte norte-ameri
Alves lembrou que se fala na crise do Supremo Tribunal Fe deral desde 1926 e que, em vir tude da Constituição e das leis,
pelo
julgados.
Ê importante para o País a heterogeneidade da composição do Supremo, que deve abranger ao lado dos juizes de carreira,
Advogados
o Tribunal tem amoliado a sua
competência, vendo-se obriga-
País não pode prescindir do “Supremo Tribunal Federal”, aqui situado como baluarte em defesa da nossa maturidade no
processo de mudança do nosso sistema político”.
para a plenitude do Estado de
no
dos
de Direito, concluindo que a estabilidade institucional do
cessária entre os ministros e a
classe dos advogados. Se é ver
Brasileiros, o ministro Moreira
Instituto
do Trigueiro do Vale lembrou a transcendental importância do papel político da Corte Su prema e as dificuldades do seu exercício enquanto não vigen te, na sua plenitude, o Estado
Parece-nos, assim, muito relevante, para a vida do país,
e
litígios que devem ser
do, inclusive depoimentos de vá rios dos seus membros, Osval
Suprema Corte comprova, por sua vez, a existência de uma reaproximação oportuna e ne
problemas a serem discutidos aos
Numa tese de mestrado pu blicada há oito anos, na qual analisava a função do Supre mo Tribunal Federal, invocan
cana, justifica-se, por outro la do, a fixação e a divulgação dos critérios básicos aplicados
Tribunal
para
conheci
mento dos advogados e do pú blico em geral.
Direito e para o desenvolvi mento da ciência jurídica, que estejam sendo divulgadas a imagem correta da Suprema Corte e a explicação dos pro blemas que enfrenta, ocorren do, simultaneamente, a ade quada reaproximação entre o mais alto Tribunal do País, a classe dos advogados e a opi nião pública.
Previsões políticas i *●
t't
.
‘yT7'.-r
.-
-M’’k
.
■
na América
●'. »-T
■Nr-'
João de Scantimburgo
>.V,M ●.*;^.’■vV● .y ü.
C'M
< \
DEPARTAMENTO DE
INFORMAÇÕES CONFIDENCIAIS - DIC O maior e mais variado arquivo de dados cadastrais das empresas do País: Um cadastro especial de clientes impontuais à sua disposição.
Com correspondentes em todo o País, informações sobre firmas de
quaisquer cidades são fornecidas através de relatórios escritos. Informações verbais ou de arquivo, consultas especiais, informações de
A democracia braceja crises no continente americano. O autor é acadêmico
e professor da UNESP. Em meu livro “0 destino da
América Latina”, de 1966, e já esgotado, dedico todo um capí tulo à democracia neste conti
nente. Começando pelos Esta
dos Unidos, demonstrei que a de
pessoa física, míni-consultae pesquisa auxiliar de vendas.
mocracia dos Pais Fundadores era muito diferente da demo
pessoais e ainda informações sobre candidatos a locação ou compra de imóveis. _
cracia do presente. Direi que é diferente da era Reagan. Ainda agora, os jornais e revistas
Aqui, todas as informações sobre cadastros, protestos, incluindo dados
Associe-se a ACSP e utilize as vantagens das informações do DIC.
americanos estão comemorando os dez anos dessa imensa farsa, sinistra e sintomática de uma
época, que foi Watergate. 0 presidente caiu como um_ pato, Rua Boa Vista, 51 - C. Postal 8082 - Ccp 01014 - Tcicx (11) 23355 - SP - PABX 239-13.33.
na armadilha que lhe foi pre parada, Ele, qu-9 não tinha ne cessidade alguma de fazer es cuta no quartel-general do Par tido Democrático, pois estava de posse de todas as pesquisas de opinião que lhe davam vitó ria, encampou, como um novi ço político, a preocupação de indivíduos sem eira nem beira, que instalaram — não se sabe por ordens de quem —, os apa relhos, e acabaram sendo pre sos, ou se deixaram prender, expressamente, para compro meter 0 presidente.
Previsões políticas i *●
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João de Scantimburgo
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INFORMAÇÕES CONFIDENCIAIS - DIC O maior e mais variado arquivo de dados cadastrais das empresas do País: Um cadastro especial de clientes impontuais à sua disposição.
Com correspondentes em todo o País, informações sobre firmas de
quaisquer cidades são fornecidas através de relatórios escritos. Informações verbais ou de arquivo, consultas especiais, informações de
A democracia braceja crises no continente americano. O autor é acadêmico
e professor da UNESP. Em meu livro “0 destino da
América Latina”, de 1966, e já esgotado, dedico todo um capí tulo à democracia neste conti
nente. Começando pelos Esta
dos Unidos, demonstrei que a de
pessoa física, míni-consultae pesquisa auxiliar de vendas.
mocracia dos Pais Fundadores era muito diferente da demo
pessoais e ainda informações sobre candidatos a locação ou compra de imóveis. _
cracia do presente. Direi que é diferente da era Reagan. Ainda agora, os jornais e revistas
Aqui, todas as informações sobre cadastros, protestos, incluindo dados
Associe-se a ACSP e utilize as vantagens das informações do DIC.
americanos estão comemorando os dez anos dessa imensa farsa, sinistra e sintomática de uma
época, que foi Watergate. 0 presidente caiu como um_ pato, Rua Boa Vista, 51 - C. Postal 8082 - Ccp 01014 - Tcicx (11) 23355 - SP - PABX 239-13.33.
na armadilha que lhe foi pre parada, Ele, qu-9 não tinha ne cessidade alguma de fazer es cuta no quartel-general do Par tido Democrático, pois estava de posse de todas as pesquisas de opinião que lhe davam vitó ria, encampou, como um novi ço político, a preocupação de indivíduos sem eira nem beira, que instalaram — não se sabe por ordens de quem —, os apa relhos, e acabaram sendo pre sos, ou se deixaram prender, expressamente, para compro meter 0 presidente.
DIGESTO
130
Po'nessa democracia, as
muuanças já são consideráveis. E.stão longe os dias de Washing ton, Hamilton, Jefferson, Jay,
Adams, Lincoln, e outros vultos
ECONÔMICO
Foi assim no caso Watergate.
ginaram os Pais Fundadores na
época idílica e sem problemas
po de Tocqueville para cá. Os
americana, que impressionou Tocqueville e fez dela a "bête noire" de todo o continente e
desgaste institucional nos Esta dos Unidos é grande. A lima ideo lógica também os vai corroen do, tanto quanto a outras na
de
Tocqueville.
Estados Unidos perderam mui
to de seus caracteres originais.
compa
Atrás, mesmo, do aparente puritanismo de Watergate, pode
rar-se a obra famosa de Toc
mos vislumbrar o trabalho pro
queville, "De la démocratie en Amérique”, com a que funciona nos dias de hoje nos Estados
Unidos, Ver-se-ia que a grande nação americana é outra, dife rente daquela criada pelos Pais Fundadores e consolidada por
algumas gerações de america nos, dos mais dotados aos mais humildes. Sem dúvida, a demo cracia americana é, ainda, só lida, e superior, com exceção da inglesa, às demais do siste ma ocidental, mas é diferente da que foi estabelecida no “The Federalist”, na Declaração da Independência e nos estudos sobre a Constituição de 1787. Como eu disse no livro cita
do, na configuração macropolítica dos Estados Unidos, os re quisitos fundamentais de sua civilização encontram-se pre sentes, mas nas micropolíticas
escapam, em grande parte, às
131
Poderá ser assim em outras circunstâncias. A democracia
observações
eminentes da democracia ame interessante
ECONÔMICO
Tornou-se demasiado complexa a sociedade americana, do tem
ricana. Constituiría, mesmo, um exercício
DIGESTO
fundo das esquerdas, que aba
laram uma instituição original, 0 presidencialismo, e levaram um presidente, o primeiro, a se
demitir, para não ser submeti
do a um “impeachment”, que o
expulsaria do poder. Sucedeu-o 0 primeiro presidente não elei to dos Estados Unidos. É essa síndrome de que também nos Estados Unidos a
democracia está enferma. Po derá ela recuperar-se, não, con
tudo, totalmente. A saúde não lhe voltará
quanto
nunca
já se
mais
por-
infiltraram em
suas instituições — ainda sóli
das, reconhecemos —, ss toxinas da propaganda comunista, o processo ideológico, que de bilita as nações e converte in divíduos, de morigerados, sen
satos, patriotas, em agentes da subversão. Foi assim na guerra
do Vietnã, que não poderia re
gistrar derrota e humilhação.
até do mundo, já não seduz tanto, embora seja ainda sóli da, e vê-se que obra de uma revolução, a maior, a mais vas ta, a mais importante, no jul
gamento de Tocqueville, que já ocorreu na face da Terra, está
durando tanto que nenhum gol pe de Estado a abalou, embora
desde Kennedy nenhum presi dente tenha podido, por um ou outro motivo, disputar ou con cluir o segundo mandato. Ken nedy foi assassinado, Johnson
desistiu, Nixon renunciou, Ford
foi derrotado e Carter também
derrotado, podendo se anteci par qu9 Reagan não terá pos
sibilidade de disputar um se gundo mandato, já pela idade, já pelo desajustamento de seu
de fim do século XVflI. Mas 0
ções. É um mal para a humani dade, mal imenso, porquanto a segurança do sistema ocidental e a paz do mundo depende dos Estados Unidos. Mas é a reali dade. As idéias penetram no
âmago das inteligências, e as seduzem, quando não há prepa ro para rechaçar o que de mal encerram. Em nossa época, é a luta do bem contra o mal, em bora 0 bem não seja amplo e completo. É a luta da luz con tra as trevas, embora a luz não seja viva e forte. Os
Estados
Unidos
estão
em movimento, como a Europa, e todos os outros continentes,
governo com a opinião pública.
como
Não há dúvida, que o "invisible governament”, de que fa lou Elihu Root, ainda prevalece nos Estados Unidos, e a Améri
que acaba de sair traumatizada
ca profunda conserva a sua vo
cação democrática, como a ima-
está
em
movimento
a
América Latina. A Argentina, e humilhada de uma guerra es túpida, à qual a jogaram os generais de Buenos Aires, vai sofrer mudanças que não se po
dem prever. O Brasil, as regis-
DIGESTO
130
Po'nessa democracia, as
muuanças já são consideráveis. E.stão longe os dias de Washing ton, Hamilton, Jefferson, Jay,
Adams, Lincoln, e outros vultos
ECONÔMICO
Foi assim no caso Watergate.
ginaram os Pais Fundadores na
época idílica e sem problemas
po de Tocqueville para cá. Os
americana, que impressionou Tocqueville e fez dela a "bête noire" de todo o continente e
desgaste institucional nos Esta dos Unidos é grande. A lima ideo lógica também os vai corroen do, tanto quanto a outras na
de
Tocqueville.
Estados Unidos perderam mui
to de seus caracteres originais.
compa
Atrás, mesmo, do aparente puritanismo de Watergate, pode
rar-se a obra famosa de Toc
mos vislumbrar o trabalho pro
queville, "De la démocratie en Amérique”, com a que funciona nos dias de hoje nos Estados
Unidos, Ver-se-ia que a grande nação americana é outra, dife rente daquela criada pelos Pais Fundadores e consolidada por
algumas gerações de america nos, dos mais dotados aos mais humildes. Sem dúvida, a demo cracia americana é, ainda, só lida, e superior, com exceção da inglesa, às demais do siste ma ocidental, mas é diferente da que foi estabelecida no “The Federalist”, na Declaração da Independência e nos estudos sobre a Constituição de 1787. Como eu disse no livro cita
do, na configuração macropolítica dos Estados Unidos, os re quisitos fundamentais de sua civilização encontram-se pre sentes, mas nas micropolíticas
escapam, em grande parte, às
131
Poderá ser assim em outras circunstâncias. A democracia
observações
eminentes da democracia ame interessante
ECONÔMICO
Tornou-se demasiado complexa a sociedade americana, do tem
ricana. Constituiría, mesmo, um exercício
DIGESTO
fundo das esquerdas, que aba
laram uma instituição original, 0 presidencialismo, e levaram um presidente, o primeiro, a se
demitir, para não ser submeti
do a um “impeachment”, que o
expulsaria do poder. Sucedeu-o 0 primeiro presidente não elei to dos Estados Unidos. É essa síndrome de que também nos Estados Unidos a
democracia está enferma. Po derá ela recuperar-se, não, con
tudo, totalmente. A saúde não lhe voltará
quanto
nunca
já se
mais
por-
infiltraram em
suas instituições — ainda sóli
das, reconhecemos —, ss toxinas da propaganda comunista, o processo ideológico, que de bilita as nações e converte in divíduos, de morigerados, sen
satos, patriotas, em agentes da subversão. Foi assim na guerra
do Vietnã, que não poderia re
gistrar derrota e humilhação.
até do mundo, já não seduz tanto, embora seja ainda sóli da, e vê-se que obra de uma revolução, a maior, a mais vas ta, a mais importante, no jul
gamento de Tocqueville, que já ocorreu na face da Terra, está
durando tanto que nenhum gol pe de Estado a abalou, embora
desde Kennedy nenhum presi dente tenha podido, por um ou outro motivo, disputar ou con cluir o segundo mandato. Ken nedy foi assassinado, Johnson
desistiu, Nixon renunciou, Ford
foi derrotado e Carter também
derrotado, podendo se anteci par qu9 Reagan não terá pos
sibilidade de disputar um se gundo mandato, já pela idade, já pelo desajustamento de seu
de fim do século XVflI. Mas 0
ções. É um mal para a humani dade, mal imenso, porquanto a segurança do sistema ocidental e a paz do mundo depende dos Estados Unidos. Mas é a reali dade. As idéias penetram no
âmago das inteligências, e as seduzem, quando não há prepa ro para rechaçar o que de mal encerram. Em nossa época, é a luta do bem contra o mal, em bora 0 bem não seja amplo e completo. É a luta da luz con tra as trevas, embora a luz não seja viva e forte. Os
Estados
Unidos
estão
em movimento, como a Europa, e todos os outros continentes,
governo com a opinião pública.
como
Não há dúvida, que o "invisible governament”, de que fa lou Elihu Root, ainda prevalece nos Estados Unidos, e a Améri
que acaba de sair traumatizada
ca profunda conserva a sua vo
cação democrática, como a ima-
está
em
movimento
a
América Latina. A Argentina, e humilhada de uma guerra es túpida, à qual a jogaram os generais de Buenos Aires, vai sofrer mudanças que não se po
dem prever. O Brasil, as regis-
132
tra e muitas, nos últimos vinte anos, notadamente no período
digesto
econômico
Os demais países da Améri
ainda em curso da Revolução de 1964. A América Central é
ca Latina passam pelos mesmos fenômenos. A sociedade liberal, 0 liberalismo político está aba
um caldeirão de crises. Várias
lado, e o econômico muitíssimo
vezes, eu disse que a ditadura
mais. De resto nem se pode fa lar em liberalismo econômico na América Latina. É um con-
de Somoza era ignóbil, mas a sua substituição por outro tira no iria ser pior para o povo da Nicarágua. Foi o que se deu. Santo Tomás no “De Regimine
Principum” já adverte para a
deposição do tirano. É preciso cautela, para que não venha um mais tirano. O comandante
Zero, Edson Pastora, já com provou essa tese, com as suas invectivas contra o governo sandinista, do qual andou por aqui há um mês, um padre "defroqué”, de nome Cardenal, evidentemente dizendo os costu
meiros chavões sobre imperia lismo e capitalismo americanos.
tra-seiiso, comprovado pela realidade. O que se sabe,, de tudo quanto se vê e observa, é que a democracia no continen te americano, dos Estados Uni dos à Argentina, está bracejando crises, umas mais, outras menos intensas. Daí ser dificí
limo fazer prospecções futuras. Neste continente, os chineses têm razão, quando aconselham: "Não se devem fazer previsões, principalmente sobre o futuro”. Não se deve, portanto, fazer previsões em matéria política, ao menos, neste continente.
CONSIDERAIÇÕES SOBRE O EFEITO DA NICOTINA o hábito de fumar é um hábito bastante antigo e o cigarro comum que contém nicotina tem sido utilizado por muitos povos através dos tempos. A
Medicina preocupa-se em alertar os fumantes quanto aos efeitos deletérios do cigarro, e as campanhas de prevenção de certos tipos de câncer não se cansam de apontar o fumo como grande responsável por uma série de alte rações celulares ditas pré-cancerígenas. Os cardiologistas acreditam tam bém que o cigarro possa causai* alterações no sistema cardiovasculai*, moti
vo pelo qual consideram sua utilização em certas circunstâncias quase
um suicídio. Sabemos, no entanto, que o cigarro apresenta vários componentes, sendo cada um responsável por uma alteração quase especifica no organis mo. Na realidade, afeta igualmente o apetite, o humor, o comportamento e, (Contímia na página 149)
Em torno
da “Sociologia de la Educación” de
José M. Quintana A. Delorenzo Neto
Que a educação se torne um verdadeiro modo de vida.
Que não se comerciaiize. O autor
é professor da UNESP. O professor José Maria Quintana Cabanas, catedrático de Sociologia da Educação na Universidade de Barcelona, publicou pelo Editorial Hispano Europea, uma obra realmente magistral, em brilhante tenta-
tiva de abarcar a totalidade dos assuntos educacionais pelo cri vo da interpretação sociológi-
ca. Talvez, seja mesmo o texto mais completo «a atualidade, levando vantagem sobre os congêneres ingleses e america-
132
tra e muitas, nos últimos vinte anos, notadamente no período
digesto
econômico
Os demais países da Améri
ainda em curso da Revolução de 1964. A América Central é
ca Latina passam pelos mesmos fenômenos. A sociedade liberal, 0 liberalismo político está aba
um caldeirão de crises. Várias
lado, e o econômico muitíssimo
vezes, eu disse que a ditadura
mais. De resto nem se pode fa lar em liberalismo econômico na América Latina. É um con-
de Somoza era ignóbil, mas a sua substituição por outro tira no iria ser pior para o povo da Nicarágua. Foi o que se deu. Santo Tomás no “De Regimine
Principum” já adverte para a
deposição do tirano. É preciso cautela, para que não venha um mais tirano. O comandante
Zero, Edson Pastora, já com provou essa tese, com as suas invectivas contra o governo sandinista, do qual andou por aqui há um mês, um padre "defroqué”, de nome Cardenal, evidentemente dizendo os costu
meiros chavões sobre imperia lismo e capitalismo americanos.
tra-seiiso, comprovado pela realidade. O que se sabe,, de tudo quanto se vê e observa, é que a democracia no continen te americano, dos Estados Uni dos à Argentina, está bracejando crises, umas mais, outras menos intensas. Daí ser dificí
limo fazer prospecções futuras. Neste continente, os chineses têm razão, quando aconselham: "Não se devem fazer previsões, principalmente sobre o futuro”. Não se deve, portanto, fazer previsões em matéria política, ao menos, neste continente.
CONSIDERAIÇÕES SOBRE O EFEITO DA NICOTINA o hábito de fumar é um hábito bastante antigo e o cigarro comum que contém nicotina tem sido utilizado por muitos povos através dos tempos. A
Medicina preocupa-se em alertar os fumantes quanto aos efeitos deletérios do cigarro, e as campanhas de prevenção de certos tipos de câncer não se cansam de apontar o fumo como grande responsável por uma série de alte rações celulares ditas pré-cancerígenas. Os cardiologistas acreditam tam bém que o cigarro possa causai* alterações no sistema cardiovasculai*, moti
vo pelo qual consideram sua utilização em certas circunstâncias quase
um suicídio. Sabemos, no entanto, que o cigarro apresenta vários componentes, sendo cada um responsável por uma alteração quase especifica no organis mo. Na realidade, afeta igualmente o apetite, o humor, o comportamento e, (Contímia na página 149)
Em torno
da “Sociologia de la Educación” de
José M. Quintana A. Delorenzo Neto
Que a educação se torne um verdadeiro modo de vida.
Que não se comerciaiize. O autor
é professor da UNESP. O professor José Maria Quintana Cabanas, catedrático de Sociologia da Educação na Universidade de Barcelona, publicou pelo Editorial Hispano Europea, uma obra realmente magistral, em brilhante tenta-
tiva de abarcar a totalidade dos assuntos educacionais pelo cri vo da interpretação sociológi-
ca. Talvez, seja mesmo o texto mais completo «a atualidade, levando vantagem sobre os congêneres ingleses e america-
DIGESTO
134
nos, por ser mais extenso e me nos casuísta. Entre nós, um texto similar podemos encon trar na obra clássica de Fer nando de Azevedo — “Sociolo
gia Educacional”, com a última edição em 1958. Para se verificar a ampli
tude do texto, basta descrever 0 seu plano didático, abrangen do cerca de 500 páginas. A ma téria se distribui por três par tes. assim denominadas: 1. Nociones Prévias; 2. Macrosocíología de la Educación: la Edu cación en ia socíedad; 3. Microsociología de la Educación: la
ECONÔMICO
PARTE II
5.
Influência dei medio social
en la Educación.
6.
7.
Repercusión de Ias circuns tancias ambientales educación.
en la
La
medio
educación
como
9.
cación .
dei nino en su clase so
so
des en educación. 13. La selectividad ds los temas educacionales.
sis
de la educa
ción.
16. La politica educacional y la estratégia educacional.
2.
Concepto de
Ia Sociologia
.
de la Educación.
3.
História de la Sociologia de la Educación.
4.
Métodos de la Sociologia do la Educación.
'sxposição dos aspectos técnicos
educación familiar.
23. El magistério
como grupo
profesional. 24. La instituición escolar. 25. Desescolarización de la so-
17. Planificación educacional. 18 Economia de la educación. 19. Análisis sociológico de la educación actual. 20. Innovacioncs educacionales
requeridas por
a história e a comparação. Na
da educação, ainda aqui logrou êxito a sua análise, incorporan do ao texto as monografias e os dados empíricos dos especia listas mais autorizados. m
— Bibliografia general. Eis, portanto, o amplo pai nel dos temas selecionados para
a sociologia
da
educação,
nuestra so-
ciedad progresiva. 21. Una educación para la sociedad dei futuro.
II
Realcemos, aqui e acolá, a sua originalidade,
destacando,
a nosso ver, o alcance das ino
vações sob 0 ângulo da obser vação e da crítica. O aspecto didático da exposição é irrepre ensível, amparado por fontes seguras em bibliografia correta
e atual. O pensamento
social
da educação se articula, coe rentemente, desde os autores clássicos até os pesquisadores modernos. Apresenta, sem sec tarismos de escola, todas as correntes do pensamento educa
cional, numa
Deixando de lado os temas
clássicos do Tratado, vamos re fletir sobre dois capítulos de real impo]’tância para a com preensão das possibilidades da educação na sociedade contem porânea.
Quintana.
12. La igualdad de oportunida
15. El desarrollo
meno educacional.
22. Aspectos sociológicos de la
cial.
renciado de matérias:
El carácter social dei fenô
conjunto, sem perder de vista
sob a perspectiva do professor
11. Educación y movilidad
14. Educación y desarrollo.
1.
135
ciedad?
Educación y cambio social. Estratificaciónsocial y edu
10. Personalidad relación con cial.
ECONÔMICO
PARTE III
de control social. 8
Educación en los grupos. Por essas três partes se distribuem os capítulos, neste elenco dife
PARTE I
DIGESTO
lúcida
visão do
1. A educação para a socie dade do futuro — Principia 0 eminente professor Quintana por
que.stionar:
Dentro de la
velocidad notable, y cada vez más acelerada, con que se rea liza hoy dia el cambío social, el futuro está ya a la puerta. Por eso la Sociologle ha de tra tar de preverlo, y describirlo, a fim de preparar los câmbios y poder así evitar unas moles tas V desorientadoras crisis, que se prevén
cada
vez más
frecuentes y amplias. Proyectar nuestra
mirada hacia el futuro
DIGESTO
134
nos, por ser mais extenso e me nos casuísta. Entre nós, um texto similar podemos encon trar na obra clássica de Fer nando de Azevedo — “Sociolo
gia Educacional”, com a última edição em 1958. Para se verificar a ampli
tude do texto, basta descrever 0 seu plano didático, abrangen do cerca de 500 páginas. A ma téria se distribui por três par tes. assim denominadas: 1. Nociones Prévias; 2. Macrosocíología de la Educación: la Edu cación en ia socíedad; 3. Microsociología de la Educación: la
ECONÔMICO
PARTE II
5.
Influência dei medio social
en la Educación.
6.
7.
Repercusión de Ias circuns tancias ambientales educación.
en la
La
medio
educación
como
9.
cación .
dei nino en su clase so
so
des en educación. 13. La selectividad ds los temas educacionales.
sis
de la educa
ción.
16. La politica educacional y la estratégia educacional.
2.
Concepto de
Ia Sociologia
.
de la Educación.
3.
História de la Sociologia de la Educación.
4.
Métodos de la Sociologia do la Educación.
'sxposição dos aspectos técnicos
educación familiar.
23. El magistério
como grupo
profesional. 24. La instituición escolar. 25. Desescolarización de la so-
17. Planificación educacional. 18 Economia de la educación. 19. Análisis sociológico de la educación actual. 20. Innovacioncs educacionales
requeridas por
a história e a comparação. Na
da educação, ainda aqui logrou êxito a sua análise, incorporan do ao texto as monografias e os dados empíricos dos especia listas mais autorizados. m
— Bibliografia general. Eis, portanto, o amplo pai nel dos temas selecionados para
a sociologia
da
educação,
nuestra so-
ciedad progresiva. 21. Una educación para la sociedad dei futuro.
II
Realcemos, aqui e acolá, a sua originalidade,
destacando,
a nosso ver, o alcance das ino
vações sob 0 ângulo da obser vação e da crítica. O aspecto didático da exposição é irrepre ensível, amparado por fontes seguras em bibliografia correta
e atual. O pensamento
social
da educação se articula, coe rentemente, desde os autores clássicos até os pesquisadores modernos. Apresenta, sem sec tarismos de escola, todas as correntes do pensamento educa
cional, numa
Deixando de lado os temas
clássicos do Tratado, vamos re fletir sobre dois capítulos de real impo]’tância para a com preensão das possibilidades da educação na sociedade contem porânea.
Quintana.
12. La igualdad de oportunida
15. El desarrollo
meno educacional.
22. Aspectos sociológicos de la
cial.
renciado de matérias:
El carácter social dei fenô
conjunto, sem perder de vista
sob a perspectiva do professor
11. Educación y movilidad
14. Educación y desarrollo.
1.
135
ciedad?
Educación y cambio social. Estratificaciónsocial y edu
10. Personalidad relación con cial.
ECONÔMICO
PARTE III
de control social. 8
Educación en los grupos. Por essas três partes se distribuem os capítulos, neste elenco dife
PARTE I
DIGESTO
lúcida
visão do
1. A educação para a socie dade do futuro — Principia 0 eminente professor Quintana por
que.stionar:
Dentro de la
velocidad notable, y cada vez más acelerada, con que se rea liza hoy dia el cambío social, el futuro está ya a la puerta. Por eso la Sociologle ha de tra tar de preverlo, y describirlo, a fim de preparar los câmbios y poder así evitar unas moles tas V desorientadoras crisis, que se prevén
cada
vez más
frecuentes y amplias. Proyectar nuestra
mirada hacia el futuro
DIGESTO
136
dlfícil y arriesgado. Pero debemos hacerlo (Pág. 349).
es
A
indagação
é
deveras
apaixonante, introduzindo a futurologia na sociologia da edu cação. Como resolver esse grande desafio, que é a prepa ração do mundo do futuro, pa ra aliviá-lo das tensões, rias e contradições?
misé
A rigor verificamos, em nossa época atual, um progres so sem precedentes da investi gação científica, ou seja, no campo da educação. As ques tões que
se
colocam à nossa
análise se inscrevem num con texto educacional: as novas
perspectivas da luta contra a fome, a elaboração de alimen tos sintéticos, 0 aproveitamen
to da energia
solar, o domínio
da energia termo-nuclear, o es
gotamento das matérias-primas, a superação da contaminação do ar e da água, a imunidade
bioquímica
ECONÔMICO
dos meios que se vão indicando
socíedad "industrial".
devemos reconhecer que muitos para as
necessidades da
vida
acordo com a lição dos antropjj-
de medidas .s símbolos para o
pedagógicos transnochados y métodos antimados e improduc-
logos, são eles: a instauração mundo inteiro; a invenção de uma linguagem escrita independente das escritas e das línguas vivas existentes, que permita a
apresentação visual das idéias,
além dos idiomas conhecidos. E, complementarmente,
havería
necessidade de uma língua vique poderia aprendida por uma maioria va comum,
pessoas. A sua função
ser
de
seria a
de desmassificar a vida social, como
instrumento de simplifica
ção e do integração
comunitá-
ria. É de se refletir, neste pas
so, sobre a experiência, tantas vezes negligenciada do Esperanto, como tentativa de língua universal. (1)
total, o aproveita
Como se vê, a perturbadora
em sua crítica: Realmenie nues-
Ler as contribuições do professor Wilson Ferreira Martins, aprosontados ao 66.® ConMundial dc
1581.
Esperanto,
rejlÍ7ado
No viven
ya de Ios modelos y valores dei
pasado (como Ias escuelas de Ia sociedad "preindustrial", que fambién Ias hay), com ídeales
futura, são de tipo cultural. De
nes, 0 uso da comunicação ex-
de
137
tras escuelas son, en cl mejor de ios casoS/ Ias escuelas de Ia
reflexão de Quintana nos leva a um problema de pedagogia prospectiva. Ele mesmo afirma
gresso
ECONÔMICO
tra-sensorial^ etc. Além disso,
mento biológico dos oceanos, o controle da hereditariedade me diante a manipulação dos ge
(1)
DIGESTO
cm
Brasília,
de
25
do
julho a 1.° do
agosto
tivos;
pero adolecen quizá de
espíritu empresarial, masificando a ios alumnos, elaborándolos y tratándolos como hace una fábrica con sus productos, con ia preocupaclón de un ren-
dimíento y efícacía. La socie dad "superíndustrlal", cn cam bio, necesitará algo más. Qn ella ias máquinas cuídaran ya dei frabajo físico y Ias tareas rutinarlas, y al hombre le esta rá
reservada
la
labor
intelec
tual, Ia corriente de ínformación y opintón, la toma de de-
clslones, la creación y la fcrmulación de provtsiones. (pág. 356).
O professor Quintana, em sua teorização,. procura sinte tizar, com otimismo, a ima gem da educação do futuro, que será uma educação: I.
Personalizada:
ao
con
trário da educação massifica-
da, a educação ajudará a pes soa a se tornar autêntica, rea lizando todas as suas possibi lidades, a desprender todas as suas
dimensões
em. torno do
bem e do belo. Será uma edu
cação marcada pela solidarie dade e pela cooperação. n. Individualizada: serão atendidas as necessidades de
cada um em relação à quanti dade, conteúdos e ritmo da ins trução e, também, as suas ne cessidades de caráter psicoló gico, pessoal e moral. III. Científica:
afastar-se-á
da simples intuição do mestre, pois, se privilegiam os dados dos conhecimentos pedagógi cos, psicológicos e sociológicos apurados por métodos compro vados .
ly. Flexível: ao invés de obedecei’ a esquemas rígidos, se adaptará às exigências de cada pessoa e de cada caso. A flexibilidade
é uma das
raras qualidades do futuro:
mais
dos homens
devemos nos trans
formar incessantemente, a fim
de nos encontrarmos sempre adaptados.
DIGESTO
136
dlfícil y arriesgado. Pero debemos hacerlo (Pág. 349).
es
A
indagação
é
deveras
apaixonante, introduzindo a futurologia na sociologia da edu cação. Como resolver esse grande desafio, que é a prepa ração do mundo do futuro, pa ra aliviá-lo das tensões, rias e contradições?
misé
A rigor verificamos, em nossa época atual, um progres so sem precedentes da investi gação científica, ou seja, no campo da educação. As ques tões que
se
colocam à nossa
análise se inscrevem num con texto educacional: as novas
perspectivas da luta contra a fome, a elaboração de alimen tos sintéticos, 0 aproveitamen
to da energia
solar, o domínio
da energia termo-nuclear, o es
gotamento das matérias-primas, a superação da contaminação do ar e da água, a imunidade
bioquímica
ECONÔMICO
dos meios que se vão indicando
socíedad "industrial".
devemos reconhecer que muitos para as
necessidades da
vida
acordo com a lição dos antropjj-
de medidas .s símbolos para o
pedagógicos transnochados y métodos antimados e improduc-
logos, são eles: a instauração mundo inteiro; a invenção de uma linguagem escrita independente das escritas e das línguas vivas existentes, que permita a
apresentação visual das idéias,
além dos idiomas conhecidos. E, complementarmente,
havería
necessidade de uma língua vique poderia aprendida por uma maioria va comum,
pessoas. A sua função
ser
de
seria a
de desmassificar a vida social, como
instrumento de simplifica
ção e do integração
comunitá-
ria. É de se refletir, neste pas
so, sobre a experiência, tantas vezes negligenciada do Esperanto, como tentativa de língua universal. (1)
total, o aproveita
Como se vê, a perturbadora
em sua crítica: Realmenie nues-
Ler as contribuições do professor Wilson Ferreira Martins, aprosontados ao 66.® ConMundial dc
1581.
Esperanto,
rejlÍ7ado
No viven
ya de Ios modelos y valores dei
pasado (como Ias escuelas de Ia sociedad "preindustrial", que fambién Ias hay), com ídeales
futura, são de tipo cultural. De
nes, 0 uso da comunicação ex-
de
137
tras escuelas son, en cl mejor de ios casoS/ Ias escuelas de Ia
reflexão de Quintana nos leva a um problema de pedagogia prospectiva. Ele mesmo afirma
gresso
ECONÔMICO
tra-sensorial^ etc. Além disso,
mento biológico dos oceanos, o controle da hereditariedade me diante a manipulação dos ge
(1)
DIGESTO
cm
Brasília,
de
25
do
julho a 1.° do
agosto
tivos;
pero adolecen quizá de
espíritu empresarial, masificando a ios alumnos, elaborándolos y tratándolos como hace una fábrica con sus productos, con ia preocupaclón de un ren-
dimíento y efícacía. La socie dad "superíndustrlal", cn cam bio, necesitará algo más. Qn ella ias máquinas cuídaran ya dei frabajo físico y Ias tareas rutinarlas, y al hombre le esta rá
reservada
la
labor
intelec
tual, Ia corriente de ínformación y opintón, la toma de de-
clslones, la creación y la fcrmulación de provtsiones. (pág. 356).
O professor Quintana, em sua teorização,. procura sinte tizar, com otimismo, a ima gem da educação do futuro, que será uma educação: I.
Personalizada:
ao
con
trário da educação massifica-
da, a educação ajudará a pes soa a se tornar autêntica, rea lizando todas as suas possibi lidades, a desprender todas as suas
dimensões
em. torno do
bem e do belo. Será uma edu
cação marcada pela solidarie dade e pela cooperação. n. Individualizada: serão atendidas as necessidades de
cada um em relação à quanti dade, conteúdos e ritmo da ins trução e, também, as suas ne cessidades de caráter psicoló gico, pessoal e moral. III. Científica:
afastar-se-á
da simples intuição do mestre, pois, se privilegiam os dados dos conhecimentos pedagógi cos, psicológicos e sociológicos apurados por métodos compro vados .
ly. Flexível: ao invés de obedecei’ a esquemas rígidos, se adaptará às exigências de cada pessoa e de cada caso. A flexibilidade
é uma das
raras qualidades do futuro:
mais
dos homens
devemos nos trans
formar incessantemente, a fim
de nos encontrarmos sempre adaptados.
DIGESTO
138
V. Vífalísfa: preparará os homens não só para a produ ção (pois, sua atividade produ tiva será mínima), senão tam bém para o gozo da vida (ati
vidades
informais,
afetivas,
suprarracionais). A educação será, assim, considerada cada vez menos como investimento, mas
como
consumo.
VI.
Ativa: a aprendiza¬ gem se realizará a partir da iniciativa e desempenho do
suir uma
cultura
ECONÔMICO
de conheci
mentos justapostos é mera informação; ao passo que, a formação consiste em dominar a sua estrutura, sabendo com
preender e localizar de
uma rede
os “nós”
de conhecimen
tos. É 0 que os antigos deno minavam de “associação de idéias” como operação indis pensável juízo. (2) Vm.
aluno. A transmissão da cultu
IX.
ra será autêntica, sem' a im posição de modelos imitados
à formação de
um
se aprenderá a dar resposta a situações novas que se lhe ofe recem.
vn.
Formativa: não se cogitará de dar ao aluno uma suma de conhecimentos, pois estes já se encontram à sua disposição por meio da erudi ção disponível, em manuais e
Permanente.
enciclopédias. O que se dese ja, em nível crítico, é ensinar a
encontrar esses conhecimen-
a teoriza-
çâo do professor Quintana sobrcleva a proposta de educa ção para o Ano 2.000, da “Fun
Européia
tanto
suas idéias
utópica
clara visão
pontos
cruciais
da controvér
sia atual, em termos das pos sibilidades de um sistema
dade de
consciência, de pen
samento, de expressão.
problemas concretos cruciais em qualquer contexto educa
de Cultura”, quanto
às
de auto gestão e
desescolarização e, igualmen te, de oportunidades, quando, a rigor, em linha oposta, se acentuam os estrangulamentos.
escolar,
a escola
privada, a
autonomia universitária, etc. Para dar resposta a essas indagações essenciais, entende 0 professor Quintana que, o que exigem as liberdades de mocráticas é o direito de diá
logo (pág.
269).
Com
de professor-aluno, dada a in
deles, tirar partido. Ora, pos-
de Barcelona, apenas desejan-
que exerce o prirheiro.
DesejDmos
assinalar, no contexto brasileiro, a experiência histórica do
A.
Severo
Batista.
intelectual
Rio
deste
último e a posição de prestígio mente, na prática,
Colégio
Branco, admirável instituição rota-iana de educação do l.® o 2.® graus, que ilustra as idéias do p-ofessor Quintana, dirigida por um educador emérito — 0 professor Norton
algum
pessimismo, considera difícil o diálogo na situação concreta
e,
C2)
Desse
princípio Se desdobram alguns
ferioridade
utilizá-los
de
educação. O espírito democrá tico exige, certamente, a liber
Estamos de acordo com a lição do eminente catedrático
tos, valorizá-los,
da
educação democrática, um dos
escolas confessionais, a gestão
Parece-nos que
um
do uma mais
139
mação política, a liberdade das
IV
dação
ECONÔMICO
cional, como por exemplo: os limites da intervenção estatal, a liberdade de ensino, a for
Democrática.
ou prefabricados. Dessa forma 1^
DIGESTO
Geral
ocorre
que
o aluno adota a mentalidade do professor que saiba expor a
matéria de
maneira
mais
eloqüente e sugestiva, O que é certo é que nossas idéias sao ‘nossas”, quando na reali dade, são as do agente ou am biente que as tenham’ influen ciado sobre nós mesmos. Tra ta-se de uma contingência so¬ ciológica. Um ensinamento que
atravessa os séculos, especial mente desde os gregos, na fi losofia
Ocidental
recomen
da que 0 professor só tem o direito de ensinar honestamen te a verdade. Mas, o difícil é estabelecer qual seja a verda
de. 0 curioso é que nas ideo logias radicais contemporâneas, se procura estabelecer o mo nopólio exclusivo de determi nada verdade. e.xclusiva leva
Essa atitude à não-liber-
dade docente.
Portanto, esta
mos diante de um grave impas se, ilustrado pelas crises suces sivas do ensino universitário, desde a contestação de 1968.
Acreditamos que o profes sor Quintana, em seu comentá rio que deixa agora de ser so
ciológico para ser filosófico, encontra uma solução: o que é relevante numa organização universitária
democrática
nao
é a adoção de uma liberdade de ensino a nível pessoal, e sim
DIGESTO
138
V. Vífalísfa: preparará os homens não só para a produ ção (pois, sua atividade produ tiva será mínima), senão tam bém para o gozo da vida (ati
vidades
informais,
afetivas,
suprarracionais). A educação será, assim, considerada cada vez menos como investimento, mas
como
consumo.
VI.
Ativa: a aprendiza¬ gem se realizará a partir da iniciativa e desempenho do
suir uma
cultura
ECONÔMICO
de conheci
mentos justapostos é mera informação; ao passo que, a formação consiste em dominar a sua estrutura, sabendo com
preender e localizar de
uma rede
os “nós”
de conhecimen
tos. É 0 que os antigos deno minavam de “associação de idéias” como operação indis pensável juízo. (2) Vm.
aluno. A transmissão da cultu
IX.
ra será autêntica, sem' a im posição de modelos imitados
à formação de
um
se aprenderá a dar resposta a situações novas que se lhe ofe recem.
vn.
Formativa: não se cogitará de dar ao aluno uma suma de conhecimentos, pois estes já se encontram à sua disposição por meio da erudi ção disponível, em manuais e
Permanente.
enciclopédias. O que se dese ja, em nível crítico, é ensinar a
encontrar esses conhecimen-
a teoriza-
çâo do professor Quintana sobrcleva a proposta de educa ção para o Ano 2.000, da “Fun
Européia
tanto
suas idéias
utópica
clara visão
pontos
cruciais
da controvér
sia atual, em termos das pos sibilidades de um sistema
dade de
consciência, de pen
samento, de expressão.
problemas concretos cruciais em qualquer contexto educa
de Cultura”, quanto
às
de auto gestão e
desescolarização e, igualmen te, de oportunidades, quando, a rigor, em linha oposta, se acentuam os estrangulamentos.
escolar,
a escola
privada, a
autonomia universitária, etc. Para dar resposta a essas indagações essenciais, entende 0 professor Quintana que, o que exigem as liberdades de mocráticas é o direito de diá
logo (pág.
269).
Com
de professor-aluno, dada a in
deles, tirar partido. Ora, pos-
de Barcelona, apenas desejan-
que exerce o prirheiro.
DesejDmos
assinalar, no contexto brasileiro, a experiência histórica do
A.
Severo
Batista.
intelectual
Rio
deste
último e a posição de prestígio mente, na prática,
Colégio
Branco, admirável instituição rota-iana de educação do l.® o 2.® graus, que ilustra as idéias do p-ofessor Quintana, dirigida por um educador emérito — 0 professor Norton
algum
pessimismo, considera difícil o diálogo na situação concreta
e,
C2)
Desse
princípio Se desdobram alguns
ferioridade
utilizá-los
de
educação. O espírito democrá tico exige, certamente, a liber
Estamos de acordo com a lição do eminente catedrático
tos, valorizá-los,
da
educação democrática, um dos
escolas confessionais, a gestão
Parece-nos que
um
do uma mais
139
mação política, a liberdade das
IV
dação
ECONÔMICO
cional, como por exemplo: os limites da intervenção estatal, a liberdade de ensino, a for
Democrática.
ou prefabricados. Dessa forma 1^
DIGESTO
Geral
ocorre
que
o aluno adota a mentalidade do professor que saiba expor a
matéria de
maneira
mais
eloqüente e sugestiva, O que é certo é que nossas idéias sao ‘nossas”, quando na reali dade, são as do agente ou am biente que as tenham’ influen ciado sobre nós mesmos. Tra ta-se de uma contingência so¬ ciológica. Um ensinamento que
atravessa os séculos, especial mente desde os gregos, na fi losofia
Ocidental
recomen
da que 0 professor só tem o direito de ensinar honestamen te a verdade. Mas, o difícil é estabelecer qual seja a verda
de. 0 curioso é que nas ideo logias radicais contemporâneas, se procura estabelecer o mo nopólio exclusivo de determi nada verdade. e.xclusiva leva
Essa atitude à não-liber-
dade docente.
Portanto, esta
mos diante de um grave impas se, ilustrado pelas crises suces sivas do ensino universitário, desde a contestação de 1968.
Acreditamos que o profes sor Quintana, em seu comentá rio que deixa agora de ser so
ciológico para ser filosófico, encontra uma solução: o que é relevante numa organização universitária
democrática
nao
é a adoção de uma liberdade de ensino a nível pessoal, e sim
DIGESTO
140
a nível institucional.
Será de
sejável um pluralismo ideoló gico num sistema educacional, segundo as várias opções pos síveis em cada escola.
condições,
cada
definir sua linha
escola
Nessas
deve
ideológica e,
ademais, torná-la pública, per mitindo que as famílias pos sam decidir em relação ao ti
po
de escola
preferível para
seus filhos. Isto permitirá que cada professor escolha a esco la mais compatível com suas tendências ideológicas. Preser-
var-se-á, desse modo, a educa ção da confusão no campo das individuais, asseguran do-se com a ética profissional, opções
a liberdade de ensino num con
texto democrático institucional. 2. A desescolarizaçãoda so ciedade — Trata-se de uma tese radical e utópica que Quintana considera "imprópria e
equívoca”. È uma visão pes simista da crise da instituição
escolar, que em sua evolução, não acompanhou o ritmo do de senvolvimento da sociedade. Os
autores mais extremados, como ■ Illich, consideram a escola, em seu fracasso, como inútü, pre
judicial e caduca, ' desejando
mesmo que a sociedade funcio-
ne
sem
ECONÔMICO
escolas. Dentro dessa
concepção radical, sobreleva a crítica de Everett Reimer, que
estudou o meio educacional de Porto Rico,
mas,
com
maior
Pertence
segurança empírica, democrática ele à tendência .
DIGESTO
ECONÔMICO
141
crescimento
demográfico
do
mundo,
necessidades
ele
mentares de controle social exi
I — Evitar que a Escola proteja a injustiça social, isto é, as desigualdades de qualquer
gem a criação de um aparelho burocrático atingindo todos os
deira
as
pretendendo a plena realização
setores da sociedade. Essas técnicas de controle são inse paráveis da cultura. Mantém-
do homem, opondo-se tenaz mente a um tipo de mentalização por meio da educação obri gatória, que leva o homem aos estereótipos da escravidão. De
Ihe a coesão e a integridade. A coerência entre o sistema de controle e a cultura é o que lhe dá legitimidade, com a clara percepcão das neces.'!idades so
nuncia em sua pesquisa, o fra casso social da escola que esti mula a injustiça e a desigual dade, porquanto a população
ciais num determinado momen to histórico. A nossa sociedade funciona por meio de institui
luiu para um conformismo ne fasto, a fim de sobreviver, por
ções, e isto é irreversível. Pen sar o contrário, seria sonhar o modelo das sociedades simples ou segmentárias cuia ação se confinava na unidade de paren
meio da qual se "domesticam”
tesco. Durkheim iá estudara o
socialmente
fenômeno, a propósito das so ciedades heterogêneas, domina das por intensa diferenciação
cresce mais rapidamente que o sistema escolar. A escola evo
os
alunos. Trans
formou-se na "igreja universal da sociedade tecnológica”, in corporando e transmitindo uma
funcional.
ideologia.
Depois de apreciar a con
Enfim, 0 que se nota no mundo da educação é um esta do de crise. Porém, seria ab surdo e infantil engrossarmos as fileiras das derrotistas e ne-
gativistas propondo a desesco larização sistemática. Diante do
tribuição dos especialistas mais
radicais como Ulich, Reimer, Goodman, Lobrot, Alain Gras — o Professor Quintana apresen ta cinco meios para o aperfei çoamento da instituição esco lar, a saber (pág. 461):
tipo. A meta será uma verda
igualdade
de
oportuni
dades.
n — Evitar que a Escola ídeologíze os seus alunos, os manipule e os deixe sem liber
dade. Terá por finalidade aju dá-los a ser pessoas autônomas, plenas e responsáveis.
m — Evitar que a Escola desumanize os indivíduos, preo cupando-se em prepará-los uni camente para a tecnologia e o rendimento. Deverá ensiná-los a viver
todas
as
dimensões
de
sua personalidade. IV — Evitar que a Escola se encerre em si mesma. Have rá de abrir a seus alunos todas
as possibilidades da aprendiza gem, estendendo-lhés assim uma ponte para a educação giobal e
permanente, que será a grande orientação na educação do fu
turo. São recomendáveis, tam bém, as formas extra-escolares de aprendizagem, que devem ser utilizadas de maneira pro dutiva em todos os países.
DIGESTO
140
a nível institucional.
Será de
sejável um pluralismo ideoló gico num sistema educacional, segundo as várias opções pos síveis em cada escola.
condições,
cada
definir sua linha
escola
Nessas
deve
ideológica e,
ademais, torná-la pública, per mitindo que as famílias pos sam decidir em relação ao ti
po
de escola
preferível para
seus filhos. Isto permitirá que cada professor escolha a esco la mais compatível com suas tendências ideológicas. Preser-
var-se-á, desse modo, a educa ção da confusão no campo das individuais, asseguran do-se com a ética profissional, opções
a liberdade de ensino num con
texto democrático institucional. 2. A desescolarizaçãoda so ciedade — Trata-se de uma tese radical e utópica que Quintana considera "imprópria e
equívoca”. È uma visão pes simista da crise da instituição
escolar, que em sua evolução, não acompanhou o ritmo do de senvolvimento da sociedade. Os
autores mais extremados, como ■ Illich, consideram a escola, em seu fracasso, como inútü, pre
judicial e caduca, ' desejando
mesmo que a sociedade funcio-
ne
sem
ECONÔMICO
escolas. Dentro dessa
concepção radical, sobreleva a crítica de Everett Reimer, que
estudou o meio educacional de Porto Rico,
mas,
com
maior
Pertence
segurança empírica, democrática ele à tendência .
DIGESTO
ECONÔMICO
141
crescimento
demográfico
do
mundo,
necessidades
ele
mentares de controle social exi
I — Evitar que a Escola proteja a injustiça social, isto é, as desigualdades de qualquer
gem a criação de um aparelho burocrático atingindo todos os
deira
as
pretendendo a plena realização
setores da sociedade. Essas técnicas de controle são inse paráveis da cultura. Mantém-
do homem, opondo-se tenaz mente a um tipo de mentalização por meio da educação obri gatória, que leva o homem aos estereótipos da escravidão. De
Ihe a coesão e a integridade. A coerência entre o sistema de controle e a cultura é o que lhe dá legitimidade, com a clara percepcão das neces.'!idades so
nuncia em sua pesquisa, o fra casso social da escola que esti mula a injustiça e a desigual dade, porquanto a população
ciais num determinado momen to histórico. A nossa sociedade funciona por meio de institui
luiu para um conformismo ne fasto, a fim de sobreviver, por
ções, e isto é irreversível. Pen sar o contrário, seria sonhar o modelo das sociedades simples ou segmentárias cuia ação se confinava na unidade de paren
meio da qual se "domesticam”
tesco. Durkheim iá estudara o
socialmente
fenômeno, a propósito das so ciedades heterogêneas, domina das por intensa diferenciação
cresce mais rapidamente que o sistema escolar. A escola evo
os
alunos. Trans
formou-se na "igreja universal da sociedade tecnológica”, in corporando e transmitindo uma
funcional.
ideologia.
Depois de apreciar a con
Enfim, 0 que se nota no mundo da educação é um esta do de crise. Porém, seria ab surdo e infantil engrossarmos as fileiras das derrotistas e ne-
gativistas propondo a desesco larização sistemática. Diante do
tribuição dos especialistas mais
radicais como Ulich, Reimer, Goodman, Lobrot, Alain Gras — o Professor Quintana apresen ta cinco meios para o aperfei çoamento da instituição esco lar, a saber (pág. 461):
tipo. A meta será uma verda
igualdade
de
oportuni
dades.
n — Evitar que a Escola ídeologíze os seus alunos, os manipule e os deixe sem liber
dade. Terá por finalidade aju dá-los a ser pessoas autônomas, plenas e responsáveis.
m — Evitar que a Escola desumanize os indivíduos, preo cupando-se em prepará-los uni camente para a tecnologia e o rendimento. Deverá ensiná-los a viver
todas
as
dimensões
de
sua personalidade. IV — Evitar que a Escola se encerre em si mesma. Have rá de abrir a seus alunos todas
as possibilidades da aprendiza gem, estendendo-lhés assim uma ponte para a educação giobal e
permanente, que será a grande orientação na educação do fu
turo. São recomendáveis, tam bém, as formas extra-escolares de aprendizagem, que devem ser utilizadas de maneira pro dutiva em todos os países.
DIGESTO
142
ECONÔMICO
V — Evitar que a Escala se escierose: haverá de praticar
de Kenneth Boulding, ao consi derar “as ciências sociais como
uma
áreas de sensibilidade”, admi tindo ser "muito séria a tensão entre os valores e imagens da comunidade acadêmica e os do
renovação
metodológica.
Este ponto é decisivo para que a Escola funcione em bom nível
técnico, e garanta o seu êxito.
mundo exterior”. (3) Esse pro
Conclui o mestre de Barce
blema
lona, o seu texto monumental, com
esta reflexão:
El
de
los
crítico
surge
porque
método
dades acadêmicas e científicas
profesores,
sino desde el aprendizaje de tos
tende a ser diferente dos existem em volta delas.
alumnos. La función dei maes
Auguremos
tro es Ia de ser incitador de Ia
que
Ao apresentarmos a obra exaustiva de Quintana aos nos sos -estudantes de pedagogia e ciências sociais, quisêramos
lembrar a
de valor universal. (4)
seus comentários lúcidos e
magistrais, possa contribuir à melhor compreensão das insu ficiências da educação formal e
Cap.
O Censo de 1980 revelou resultados surpreendentes. O autor é professor universitário.
redinamizá-la em diálogo aber
to com a comunidade.
E, só
assim, poderá reduzir os pon tos críticos das "áreas de sen sibilidade”, em benefício de
Em 1980, 0 Instituto Brasi leiro de Geografia e Estatística (IBGE) mobilizara cerca de
1 — Cor da pele
um ideal democrático. Que a
o
“IX Censo Geral no Brasil”,
Nas preliminares do Censo houve violentos protestos da parte de associações defenden
educação
pois, um
cuja importância foi esclareci
verdadeiro “modo de vida”, que
da ao povo no país inteiro atra
do a negritude, quando se opu
não se desmoralize ou comer
vés de uma agência de propa
se torne,
cialize, e se eleve à dignidade
Kenneth Boulding — "A obrigação do professor em Ciências Sociais" in William Mor ris ed. — htfective College Teaching.
(4)
Hermann M. Gõrgen
o esforço
de
palavra autorizada
que
do professor Quintana, através
actividad de los alumnos, suscitarles el espíritu de crítica V de auto crítica, darles bibliogra fia y series tutor en sus trabajos. La función de los alumnos es adquirir un bagaje técnico (idiomas, etc.), y seleccionar Ias matérias según sus interes ses. (pág. 462)
(3)
o
sistema de valores das comuni
hay que montarlo no desde Ia ensenanza
Censo:
American Council of Educatlon, Washington,
1970,
8.°.
Atentar para os comentários do professor M. School, Longman Group, London, 1968.
D.
Shlpman em sua Soclology of tho
120 mil interrogadores
para
seram à intenção do IBGE de suprimir a pergunta concer
ganda. Quem, no futuro, tratar
nente à cor da pele, havendo
rá deixar de considerar os resultados desse recenseamento
suspeitas de que o Instituto quisesse encobrir a superiori dade numérica das pessoas de
de temas brasileiros não pode
que corrigiu não poucas supo sições e desvalorizou grande
número de “slogans”.
cor. Jesse Montello, presidente do Instituto, contradisse essa afirmação, alegando que 0
DIGESTO
142
ECONÔMICO
V — Evitar que a Escala se escierose: haverá de praticar
de Kenneth Boulding, ao consi derar “as ciências sociais como
uma
áreas de sensibilidade”, admi tindo ser "muito séria a tensão entre os valores e imagens da comunidade acadêmica e os do
renovação
metodológica.
Este ponto é decisivo para que a Escola funcione em bom nível
técnico, e garanta o seu êxito.
mundo exterior”. (3) Esse pro
Conclui o mestre de Barce
blema
lona, o seu texto monumental, com
esta reflexão:
El
de
los
crítico
surge
porque
método
dades acadêmicas e científicas
profesores,
sino desde el aprendizaje de tos
tende a ser diferente dos existem em volta delas.
alumnos. La función dei maes
Auguremos
tro es Ia de ser incitador de Ia
que
Ao apresentarmos a obra exaustiva de Quintana aos nos sos -estudantes de pedagogia e ciências sociais, quisêramos
lembrar a
de valor universal. (4)
seus comentários lúcidos e
magistrais, possa contribuir à melhor compreensão das insu ficiências da educação formal e
Cap.
O Censo de 1980 revelou resultados surpreendentes. O autor é professor universitário.
redinamizá-la em diálogo aber
to com a comunidade.
E, só
assim, poderá reduzir os pon tos críticos das "áreas de sen sibilidade”, em benefício de
Em 1980, 0 Instituto Brasi leiro de Geografia e Estatística (IBGE) mobilizara cerca de
1 — Cor da pele
um ideal democrático. Que a
o
“IX Censo Geral no Brasil”,
Nas preliminares do Censo houve violentos protestos da parte de associações defenden
educação
pois, um
cuja importância foi esclareci
verdadeiro “modo de vida”, que
da ao povo no país inteiro atra
do a negritude, quando se opu
não se desmoralize ou comer
vés de uma agência de propa
se torne,
cialize, e se eleve à dignidade
Kenneth Boulding — "A obrigação do professor em Ciências Sociais" in William Mor ris ed. — htfective College Teaching.
(4)
Hermann M. Gõrgen
o esforço
de
palavra autorizada
que
do professor Quintana, através
actividad de los alumnos, suscitarles el espíritu de crítica V de auto crítica, darles bibliogra fia y series tutor en sus trabajos. La función de los alumnos es adquirir un bagaje técnico (idiomas, etc.), y seleccionar Ias matérias según sus interes ses. (pág. 462)
(3)
o
sistema de valores das comuni
hay que montarlo no desde Ia ensenanza
Censo:
American Council of Educatlon, Washington,
1970,
8.°.
Atentar para os comentários do professor M. School, Longman Group, London, 1968.
D.
Shlpman em sua Soclology of tho
120 mil interrogadores
para
seram à intenção do IBGE de suprimir a pergunta concer
ganda. Quem, no futuro, tratar
nente à cor da pele, havendo
rá deixar de considerar os resultados desse recenseamento
suspeitas de que o Instituto quisesse encobrir a superiori dade numérica das pessoas de
de temas brasileiros não pode
que corrigiu não poucas supo sições e desvalorizou grande
número de “slogans”.
cor. Jesse Montello, presidente do Instituto, contradisse essa afirmação, alegando que 0
DIGESTO
144
IBGE se orientou somente em
critérios
“rigorosamente
cien
tíficos”.
É de se levar em conta que
0 próprio interrogado declara sua cor. Nos recenseamentos anteriores houve muitas pes soas
que negaram sua cor utilizando numerosas
preta, ‘clareadoras”. denominações Existiam 163 denominações di
ferentes para a cor, a maioria delas para exprimir um “branqueamento”. No Censo de 1970 já não se pôs a pergunta pela cor, visto que os resultados do passado
causaram dúvidas
quanto ao seu depoimento cien tificamente correto.
Frente à maciça resistên
cia dos pretos, o IBGE resig-
ECONÔMICO
branco, preto, amarelo, pardo
0
ECONÔMICO
número
dos
145
brancos
e
diminuiu sensivelmente
essa que Gilberto Freyre tra
do mais para o preto, retinto.
convergindo para os pardos. Mas, há que se levar em conta
tou na sua obra clássica Casa Grande e Senzala. Criou ele a
que, sem dúvida alguma, exis tem entre os brancos pessoas
tese da “morenidade” ou seja — em termos de cor da pele — de um branco levemente es
Existem numerosas expressões para definir o “pardo”: mula-
to, mestiço, mameluco, cabo clo, cafuso, caracterizando a mistura entre branco e preto,
que consideraram sua cor um
bem
como grande escala de
co”. O historiador Sérgio Buar-
tonalidades intermediárias. To
que de Holanda disse: “Qual é 0 mestiço que não afirme que
boradas na base dos recensea-
é branco?”
Daí se pode concluir pela autoconfiança crescente dos par dos, que aumentaram sua par
davia, a redução para quatro cores
’ deixa duvidar da “rigo-
rosidade científica
aspirada.
Não obstante isso, o resultado do Censo é a única base sólida
para a análise do "problema das raças" no Brasil, para o qual existem agora cifras apro ximadas fiáveis.
e
relativamente
con-
Publicamos a seguir os re
melhor ciência —, readmitindo
1960 e 1980. partindo das deno minações da cor aplicadas em
dos
Censos
de
1950,
Ê de se supor, com toda a certeza, que também entre os pretos deve haver muitos que aproveitando-se
de serem
um
pouco mais claros, se fazem registrar como “pardos”. De
1950 a 1980, o número de pretos quase que diminuiu para a me
tade, 0 que implica certa frus
tração para os adeptos, bem autoconfiantes, da negritude no
Brasil.
1960
1980
também conseqüência da tole
rância entre as raças, que re
61,8%
61,03%
54,77%
preto
11,0%
8,71%
5,89%
amarelo
0,6%
0,69%
0,63%
pardo
26,6%
mentos comprovam esta tese.
ticipação na população em cerca
de 50%, desde 1950. “Mula-
sao
designações das quais se
os
sexos,
to”. “mulata” ou “morena” —
orgulham brasileiros de ambos E
existem
muitas
músicas e modinhas folclóricas cantando seus valores. 2 — Religião
1980:
O aumento dos pardos é
branco
curecido, que será o traço ca racterístico da futura “raça” brasileira. As estatísticas ela
branco e índio, preto e índio
pouco mais clara, suficiente para a denominação de "bran
sultados
1950
uma certa tolerância, temática
= entre branco e preto, puxan
pretos
nou-se — provavelmente contra
a pergunta pela cor, mas limi tando a resposta para 4 cores:
DIGESTO
29,50%
38,45%
ge a história e sociedade bra
sileira.
Não se trata aqui de
dizer que não tenha havido ou não hajam problemas raciais — mas, os portugueses, eles mesmos um povo de raça mis
ta,
trouxeram para o Brasil
O resultado do Censo quanto
à religião surpreendeu, pois baseava-se, sem dúvida, num conceito de “religião" bem formalista. Também nesta maté ria foi 0 interrogado a decidir
qual era sua “religião”. Em virtude
da
história
brasileira
ter sido cunhada pela constan te presença da Igreja Católica,
DIGESTO
144
IBGE se orientou somente em
critérios
“rigorosamente
cien
tíficos”.
É de se levar em conta que
0 próprio interrogado declara sua cor. Nos recenseamentos anteriores houve muitas pes soas
que negaram sua cor utilizando numerosas
preta, ‘clareadoras”. denominações Existiam 163 denominações di
ferentes para a cor, a maioria delas para exprimir um “branqueamento”. No Censo de 1970 já não se pôs a pergunta pela cor, visto que os resultados do passado
causaram dúvidas
quanto ao seu depoimento cien tificamente correto.
Frente à maciça resistên
cia dos pretos, o IBGE resig-
ECONÔMICO
branco, preto, amarelo, pardo
0
ECONÔMICO
número
dos
145
brancos
e
diminuiu sensivelmente
essa que Gilberto Freyre tra
do mais para o preto, retinto.
convergindo para os pardos. Mas, há que se levar em conta
tou na sua obra clássica Casa Grande e Senzala. Criou ele a
que, sem dúvida alguma, exis tem entre os brancos pessoas
tese da “morenidade” ou seja — em termos de cor da pele — de um branco levemente es
Existem numerosas expressões para definir o “pardo”: mula-
to, mestiço, mameluco, cabo clo, cafuso, caracterizando a mistura entre branco e preto,
que consideraram sua cor um
bem
como grande escala de
co”. O historiador Sérgio Buar-
tonalidades intermediárias. To
que de Holanda disse: “Qual é 0 mestiço que não afirme que
boradas na base dos recensea-
é branco?”
Daí se pode concluir pela autoconfiança crescente dos par dos, que aumentaram sua par
davia, a redução para quatro cores
’ deixa duvidar da “rigo-
rosidade científica
aspirada.
Não obstante isso, o resultado do Censo é a única base sólida
para a análise do "problema das raças" no Brasil, para o qual existem agora cifras apro ximadas fiáveis.
e
relativamente
con-
Publicamos a seguir os re
melhor ciência —, readmitindo
1960 e 1980. partindo das deno minações da cor aplicadas em
dos
Censos
de
1950,
Ê de se supor, com toda a certeza, que também entre os pretos deve haver muitos que aproveitando-se
de serem
um
pouco mais claros, se fazem registrar como “pardos”. De
1950 a 1980, o número de pretos quase que diminuiu para a me
tade, 0 que implica certa frus
tração para os adeptos, bem autoconfiantes, da negritude no
Brasil.
1960
1980
também conseqüência da tole
rância entre as raças, que re
61,8%
61,03%
54,77%
preto
11,0%
8,71%
5,89%
amarelo
0,6%
0,69%
0,63%
pardo
26,6%
mentos comprovam esta tese.
ticipação na população em cerca
de 50%, desde 1950. “Mula-
sao
designações das quais se
os
sexos,
to”. “mulata” ou “morena” —
orgulham brasileiros de ambos E
existem
muitas
músicas e modinhas folclóricas cantando seus valores. 2 — Religião
1980:
O aumento dos pardos é
branco
curecido, que será o traço ca racterístico da futura “raça” brasileira. As estatísticas ela
branco e índio, preto e índio
pouco mais clara, suficiente para a denominação de "bran
sultados
1950
uma certa tolerância, temática
= entre branco e preto, puxan
pretos
nou-se — provavelmente contra
a pergunta pela cor, mas limi tando a resposta para 4 cores:
DIGESTO
29,50%
38,45%
ge a história e sociedade bra
sileira.
Não se trata aqui de
dizer que não tenha havido ou não hajam problemas raciais — mas, os portugueses, eles mesmos um povo de raça mis
ta,
trouxeram para o Brasil
O resultado do Censo quanto
à religião surpreendeu, pois baseava-se, sem dúvida, num conceito de “religião" bem formalista. Também nesta maté ria foi 0 interrogado a decidir
qual era sua “religião”. Em virtude
da
história
brasileira
ter sido cunhada pela constan te presença da Igreja Católica,
DIGESTO
146
surgiu e continua a existir a equação espontânea, mas pou co refletida; brasileiro = cató¬
lico. O ritual de Igreja Católi ca constitui parte natural da vida do brasileiro: batismo, co
munhão, crisma, casamento na igreja, missa de galo, missas em ação de graças, veneração
dos
santos,
procissões,
cos
tumes religiosos, promessas, membro de uma confraria, en terro, missa de corpo presen
te; padre, cônego, bispo e car tudo isso está intimamente fundido na vida da nação. O brasileiro vive este deal
ECONÔMICO
DIGESTO
ECONÔMICO
147
Ao se confrontar essas ci
mada, em 1889, pela República que se seguiu à Monarquia. E
fras com outras fontes, surgem
se sente orgulhado quando se fala do Brasil como sendo a
Mas, o certo é que:
maior
naçao
católica
do mun-
do. Das suas 1.261 páginas o excelente manual sobre o Bra sil do Ministério das Relações Exteriores, constantemente re editado e atualizado, em rigo rosa obediência à separação entre Igreja e Estado, dedica apenas três quartos de uma página ao tema da religião, constatando-se, porém, em' to das as edições que, apesar des sa separação entre Igreja e Es
“ritmo católico” como fato fun damental indubitável tanto da vida privada como da vida pú blica, não obstante a separação
tado, 0 Brasil é “a maior nação católica do mundo” (cf. p. ex. a edição de 1969, pág. 208). Os
entre Igreja e Estado, procla-
atestam esta afirmação.
resultados
db
recenseamento
dúvidas
bem
fundamentadas.
a) 0 número dos católicos está diminuindo
em cifras abso
lutas, e
leiros em contacto com as re ligiões espíritas afro-cristãs é
estimado em 30 milhões, e o dos seus santuários em mais de 300.000... Somente no Rio de Janeiro existem cerca de 20
federações de terreiros de um banda” (cf. Hermann M. Gõr-
b) 0 número dos protestantes está em ascensão;
gen, Brasilien — Impressionen und Erlebnisse, 2.^ edição, edi
c) 0 número das pessoas sem religião aumentou sensivel
tora Pinguin-Verlag, Innsbruck 1981; capítulo “Religiosidade e fé”, págs., 112-119). Mas, como explicam-se então as percenta gens tão baixas que o Censo registrou a favor dos espíritas
mente.
Os dados sobre os espíri
tas,
averiguados
pelo
Censo,
levam a algumas ponderações de natureza metódica. No Bra
sil, 0 espiritismo é uma reli gião oficialmente reconhecida, onde convergem as mais diver sas atitudes religiosas e “siste mas doutrinários”: a partir dos adeptos, muitas vezes de “alta
(1%), e os altos, averiguados para os católicos (90%)? Neste
contexto, Kloppenburg ressalta a “confusão religiosa”, isto é, “a pluralidade das concepções re ligiosas” que há numa mesma
pessoa, coexistindo uma ao la do da outra (Boaventura Klop
1950
1980
Total de habitantes
Total de habitantes
cultura e formação”, do euro
penburg, O Espiritismo no Bra
31,976 milhões
119 milhões
peu Alain Kardec
90 % (106,1 milhões 6,5% (7,8 milhões) 1,0% (1,7 milhão)
de família francês foi Hippolyte D. du Rivail, 1804-1860) até o analfabeto que, nos cruzamentos das ruas, com pescoço
462 págs.; prefácio). Quer di zer que, em primeira linha to
de galo e charutos pretos, pre
seguida, há os católicos-espíritas, católicos-umbandistas, ca-
católicos
93,7 %
protestantes espíritas (Kardecistas e cultos afro-brasileiros) outras religiões sem religião
3,35% 1,59%
(seu nome
para um despacho para Órixá, 0,80% 0,50%
1,0% 1,5%
(1,6 milhão) (1,8 mühão)
sil, Petrópolis 1964, 2.^ edição,
dos são — com ingênua natu ralidade — católicos. Mas, em
o deus africano. Segundo Boa
tólicos-candombletistas,
ventura Kloppenburg,
cos-macumbeiros, católicos-ma-
0
Brasil
é a maior nação espírita do mundo. “O número dos brasi-
católi-
çons, católicòs-esotéricos, católicos-rosa cruz, católicos-teóso-
DIGESTO
146
surgiu e continua a existir a equação espontânea, mas pou co refletida; brasileiro = cató¬
lico. O ritual de Igreja Católi ca constitui parte natural da vida do brasileiro: batismo, co
munhão, crisma, casamento na igreja, missa de galo, missas em ação de graças, veneração
dos
santos,
procissões,
cos
tumes religiosos, promessas, membro de uma confraria, en terro, missa de corpo presen
te; padre, cônego, bispo e car tudo isso está intimamente fundido na vida da nação. O brasileiro vive este deal
ECONÔMICO
DIGESTO
ECONÔMICO
147
Ao se confrontar essas ci
mada, em 1889, pela República que se seguiu à Monarquia. E
fras com outras fontes, surgem
se sente orgulhado quando se fala do Brasil como sendo a
Mas, o certo é que:
maior
naçao
católica
do mun-
do. Das suas 1.261 páginas o excelente manual sobre o Bra sil do Ministério das Relações Exteriores, constantemente re editado e atualizado, em rigo rosa obediência à separação entre Igreja e Estado, dedica apenas três quartos de uma página ao tema da religião, constatando-se, porém, em' to das as edições que, apesar des sa separação entre Igreja e Es
“ritmo católico” como fato fun damental indubitável tanto da vida privada como da vida pú blica, não obstante a separação
tado, 0 Brasil é “a maior nação católica do mundo” (cf. p. ex. a edição de 1969, pág. 208). Os
entre Igreja e Estado, procla-
atestam esta afirmação.
resultados
db
recenseamento
dúvidas
bem
fundamentadas.
a) 0 número dos católicos está diminuindo
em cifras abso
lutas, e
leiros em contacto com as re ligiões espíritas afro-cristãs é
estimado em 30 milhões, e o dos seus santuários em mais de 300.000... Somente no Rio de Janeiro existem cerca de 20
federações de terreiros de um banda” (cf. Hermann M. Gõr-
b) 0 número dos protestantes está em ascensão;
gen, Brasilien — Impressionen und Erlebnisse, 2.^ edição, edi
c) 0 número das pessoas sem religião aumentou sensivel
tora Pinguin-Verlag, Innsbruck 1981; capítulo “Religiosidade e fé”, págs., 112-119). Mas, como explicam-se então as percenta gens tão baixas que o Censo registrou a favor dos espíritas
mente.
Os dados sobre os espíri
tas,
averiguados
pelo
Censo,
levam a algumas ponderações de natureza metódica. No Bra
sil, 0 espiritismo é uma reli gião oficialmente reconhecida, onde convergem as mais diver sas atitudes religiosas e “siste mas doutrinários”: a partir dos adeptos, muitas vezes de “alta
(1%), e os altos, averiguados para os católicos (90%)? Neste
contexto, Kloppenburg ressalta a “confusão religiosa”, isto é, “a pluralidade das concepções re ligiosas” que há numa mesma
pessoa, coexistindo uma ao la do da outra (Boaventura Klop
1950
1980
Total de habitantes
Total de habitantes
cultura e formação”, do euro
penburg, O Espiritismo no Bra
31,976 milhões
119 milhões
peu Alain Kardec
90 % (106,1 milhões 6,5% (7,8 milhões) 1,0% (1,7 milhão)
de família francês foi Hippolyte D. du Rivail, 1804-1860) até o analfabeto que, nos cruzamentos das ruas, com pescoço
462 págs.; prefácio). Quer di zer que, em primeira linha to
de galo e charutos pretos, pre
seguida, há os católicos-espíritas, católicos-umbandistas, ca-
católicos
93,7 %
protestantes espíritas (Kardecistas e cultos afro-brasileiros) outras religiões sem religião
3,35% 1,59%
(seu nome
para um despacho para Órixá, 0,80% 0,50%
1,0% 1,5%
(1,6 milhão) (1,8 mühão)
sil, Petrópolis 1964, 2.^ edição,
dos são — com ingênua natu ralidade — católicos. Mas, em
o deus africano. Segundo Boa
tólicos-candombletistas,
ventura Kloppenburg,
cos-macumbeiros, católicos-ma-
0
Brasil
é a maior nação espírita do mundo. “O número dos brasi-
católi-
çons, católicòs-esotéricos, católicos-rosa cruz, católicos-teóso-
DIGESTO
148
ECONÔMICO
fos, católicos-astrólogos, católicos-cartomantes, catóEcos-su-
tólicas. Pode-se supor que isto tenha acontecido em mühões
persticiosos. Esse “católico fol clórico” reivindica para si a pluralidade, praticando as mais diversas formas de crença e de visão do mundo, mas, à per gunta do Censo responde: “ca
de casos.
tólico” .
Pesquisa
do
Mercado —
IPEME, realizado nas favelas do Rio de Janeiro já em 1958, revelou que entre os 287.000 in
terrogados
83,5%
ser católicos.
afirmaram
67,7% confessa
ram que “às vezes” assistiam a
cultos
de
umbanda
e
62%
acreditavam nos “despachos” (segundo o novo Aurélio isso
significa um “pagamento ante cipado” feito a Exu, o “mau es pírito”, que obrigará q Orixá competente a conceder o favor
pedido),
mas 98% batizaram
seus filhos na Igreja Católica, fato que confirma a minha te se. Podemos considerar os re sultados dessa ação como típi
quanto ao número dos católi
cos. Já em 1970, a Central para Estatística Religiosa e Inquéri
no Rio
de Janeiro, considerou apenas 84% dos brasileiros discípulos
da Igreja Católica. Em 1968, a
Na Bahia, as mães de san de
falara de apenas 80%! Os cri térios aplicados nas avaliações da Igreja e do IBGE são dife
rentes. Por isso, se podem uti lizar
essas
estimativas somen
te alegando certas reservas e chamando a atenção para os diferentes critérios aplicados. O
crescimento
do número
dos protestantes explica-se pe la forte penetração das Igre jas
livres
norte-americanas,
que muitas vezes dispõem de notáveis recursos financeiros. Acrescenta-se ainda a falta de
sacerdotes da Igreja Católica
publicamente
pede
0
atendimento
religioso
declararam
de vastas regiões, facilitando deste modo as atividades de
que se registra
todas as denominações protes
umbanda
ram no Censo de 1980 como ca-
149
De
1950
a
mal
toma
a
decisão
racional
de se confessar ateísta ou sem
religião.
1980 seu
junto aos intelectuais”, pois, em virtude de sua disposição
No setor da religão, o Cen so de 1980 gerou resultados surpreendentes, provocando dú vidas quase insolúveis. Impe cável quanto à técnica e forma seus métodos chegaram aos limites das possibilidades e de sua capacidade expres
religiosa, o brasileiro simples
siva.
número triplicou, superando o dos espíritas declarados no recenseamento
de
1980.
Nesse
ponto é de constatar “uma in fluência
diminuída
nidades
religiosas,
das
comu
sobretudo
Revista Eclesiástica Brasileira
que dificulta ou até mesmo im
cos.
tos
Entidades católicas averi guaram cifras bem inferiores
ECONÔMICO
Surpreende ainda o cresci mento percentual daqueles que se confessam arreligiosos ou ateístas.
to Social — CERIS,
Um inquérito do Instituto
de
DIGESTO
tantes.
(Continuação da página 132) principalmente, pode alterar os hábitos do indivíduo. Recentes estudos mos tram que o cigarro é capaz de reduzir o desejo de alimentos doces, fazendo com que certos indivíduos tenham mais satisfação ao degustar determina dos alimentos. As pesquisas demonstram após outro fato, que o elemento responsável por tais fatos é a nicotina, sabendo-se que esta é a responsável por certos efeitos fisiológicos e psicológicos que intervém diretamente no metabolismo do indivíduo, bem cx>mo na sua disposição psíquica, pelo que o fumante deficiente abandona o vício. Nos anc» 50, fumar era considerado um hábito psicossociaJ, mas atualmente vários autores insistem em classifi cá-lo entre as dependências sérias, como ocorre com as drogas. A depen dência é definida como uma situação em que os efeitos de uma droga são necessários para manter o bem-estar do indivíduo. O mau humor e as alte
rações apresentadas por um fumante privado de cigarro demonstram facil mente esta definição. Por outro lado, determinados fumantes têm necessi dade de expressar a sua angústia diante da falta do cigarro, sendo comum ouvir alguém dizer que se levantou durante a madrugada e saiu em busca de um bar, pois se encontrava sem cigarros. Trata-se de considerações que
apenas vêm reforçar a dificuldade que certos fumantes apresentam para abandonar o hábito, uma vez que ele faz parte do seu metabolismo e do seu próprio comportamento. Nos Estados Unidos, a população de fumantes de clinou de 42% para 33% desde 1964; por outro lado, alguns dados estatísti cos demonstram que 30% dos fumantes nos Estados Unidos têm a intenção de deixar de fumar, mas apenas 1/5 destes conseguem se abster do cigarro
durante alguns meses. Ê bem conhecido o fato de que as pessoas ganham peso quando deixam de fumar, havendo até trabalhos demonstrando que os
fumantes conseguem manter melhor o peso mesmo com uma dieta isocaló(Continua na página 154)
DIGESTO
148
ECONÔMICO
fos, católicos-astrólogos, católicos-cartomantes, catóEcos-su-
tólicas. Pode-se supor que isto tenha acontecido em mühões
persticiosos. Esse “católico fol clórico” reivindica para si a pluralidade, praticando as mais diversas formas de crença e de visão do mundo, mas, à per gunta do Censo responde: “ca
de casos.
tólico” .
Pesquisa
do
Mercado —
IPEME, realizado nas favelas do Rio de Janeiro já em 1958, revelou que entre os 287.000 in
terrogados
83,5%
ser católicos.
afirmaram
67,7% confessa
ram que “às vezes” assistiam a
cultos
de
umbanda
e
62%
acreditavam nos “despachos” (segundo o novo Aurélio isso
significa um “pagamento ante cipado” feito a Exu, o “mau es pírito”, que obrigará q Orixá competente a conceder o favor
pedido),
mas 98% batizaram
seus filhos na Igreja Católica, fato que confirma a minha te se. Podemos considerar os re sultados dessa ação como típi
quanto ao número dos católi
cos. Já em 1970, a Central para Estatística Religiosa e Inquéri
no Rio
de Janeiro, considerou apenas 84% dos brasileiros discípulos
da Igreja Católica. Em 1968, a
Na Bahia, as mães de san de
falara de apenas 80%! Os cri térios aplicados nas avaliações da Igreja e do IBGE são dife
rentes. Por isso, se podem uti lizar
essas
estimativas somen
te alegando certas reservas e chamando a atenção para os diferentes critérios aplicados. O
crescimento
do número
dos protestantes explica-se pe la forte penetração das Igre jas
livres
norte-americanas,
que muitas vezes dispõem de notáveis recursos financeiros. Acrescenta-se ainda a falta de
sacerdotes da Igreja Católica
publicamente
pede
0
atendimento
religioso
declararam
de vastas regiões, facilitando deste modo as atividades de
que se registra
todas as denominações protes
umbanda
ram no Censo de 1980 como ca-
149
De
1950
a
mal
toma
a
decisão
racional
de se confessar ateísta ou sem
religião.
1980 seu
junto aos intelectuais”, pois, em virtude de sua disposição
No setor da religão, o Cen so de 1980 gerou resultados surpreendentes, provocando dú vidas quase insolúveis. Impe cável quanto à técnica e forma seus métodos chegaram aos limites das possibilidades e de sua capacidade expres
religiosa, o brasileiro simples
siva.
número triplicou, superando o dos espíritas declarados no recenseamento
de
1980.
Nesse
ponto é de constatar “uma in fluência
diminuída
nidades
religiosas,
das
comu
sobretudo
Revista Eclesiástica Brasileira
que dificulta ou até mesmo im
cos.
tos
Entidades católicas averi guaram cifras bem inferiores
ECONÔMICO
Surpreende ainda o cresci mento percentual daqueles que se confessam arreligiosos ou ateístas.
to Social — CERIS,
Um inquérito do Instituto
de
DIGESTO
tantes.
(Continuação da página 132) principalmente, pode alterar os hábitos do indivíduo. Recentes estudos mos tram que o cigarro é capaz de reduzir o desejo de alimentos doces, fazendo com que certos indivíduos tenham mais satisfação ao degustar determina dos alimentos. As pesquisas demonstram após outro fato, que o elemento responsável por tais fatos é a nicotina, sabendo-se que esta é a responsável por certos efeitos fisiológicos e psicológicos que intervém diretamente no metabolismo do indivíduo, bem cx>mo na sua disposição psíquica, pelo que o fumante deficiente abandona o vício. Nos anc» 50, fumar era considerado um hábito psicossociaJ, mas atualmente vários autores insistem em classifi cá-lo entre as dependências sérias, como ocorre com as drogas. A depen dência é definida como uma situação em que os efeitos de uma droga são necessários para manter o bem-estar do indivíduo. O mau humor e as alte
rações apresentadas por um fumante privado de cigarro demonstram facil mente esta definição. Por outro lado, determinados fumantes têm necessi dade de expressar a sua angústia diante da falta do cigarro, sendo comum ouvir alguém dizer que se levantou durante a madrugada e saiu em busca de um bar, pois se encontrava sem cigarros. Trata-se de considerações que
apenas vêm reforçar a dificuldade que certos fumantes apresentam para abandonar o hábito, uma vez que ele faz parte do seu metabolismo e do seu próprio comportamento. Nos Estados Unidos, a população de fumantes de clinou de 42% para 33% desde 1964; por outro lado, alguns dados estatísti cos demonstram que 30% dos fumantes nos Estados Unidos têm a intenção de deixar de fumar, mas apenas 1/5 destes conseguem se abster do cigarro
durante alguns meses. Ê bem conhecido o fato de que as pessoas ganham peso quando deixam de fumar, havendo até trabalhos demonstrando que os
fumantes conseguem manter melhor o peso mesmo com uma dieta isocaló(Continua na página 154)
Weber 0
O.
psicoíogia das revoluções
f
J. O. de Meíra Penna
Weber compreendeu e elaborou a tese dos condutores de revoluções. O autor foi embaixador.
Oferece aos associados a orientação necessária a sua atividade
empresarial, pelos seguintes meios: a) consultas verbais; consultas ]Dor cartas: c) consultas telefônicas.
Elabora, para publicação no Diário do Comércio a seção “Orientação Legal", na qual é selecionada toria a matéria de interesse empresarial.
Weber, em sua Sociologia da Religião, descreve casos em que uma determinada fé acar
reta a crença e a expectativa de uma "revolução” em termos históricos ou políticos. Anali sando a dialética desse fenôme no, o pensador acentua que n motivação psicológica para a esperança
revolucionária
e
o
movimento violento de rebelião 8082 - Cep 0101't - Telex (11) 23355 - SP - PARX 2.50.n:í:í,--
se prendem ao ressentimento. Nesse ponto ele nos oferece uma> daa grandes formulações do problema do ressentimento que, entre outros, seduziu Nietzsche e Max Scheler. 0 res sentimento seria concomitante
com uma ética religiosa parti
cular, muito característica do qus ele chama um povo pária ou um povo de párias — no
Weber 0
O.
psicoíogia das revoluções
f
J. O. de Meíra Penna
Weber compreendeu e elaborou a tese dos condutores de revoluções. O autor foi embaixador.
Oferece aos associados a orientação necessária a sua atividade
empresarial, pelos seguintes meios: a) consultas verbais; consultas ]Dor cartas: c) consultas telefônicas.
Elabora, para publicação no Diário do Comércio a seção “Orientação Legal", na qual é selecionada toria a matéria de interesse empresarial.
Weber, em sua Sociologia da Religião, descreve casos em que uma determinada fé acar
reta a crença e a expectativa de uma "revolução” em termos históricos ou políticos. Anali sando a dialética desse fenôme no, o pensador acentua que n motivação psicológica para a esperança
revolucionária
e
o
movimento violento de rebelião 8082 - Cep 0101't - Telex (11) 23355 - SP - PARX 2.50.n:í:í,--
se prendem ao ressentimento. Nesse ponto ele nos oferece uma> daa grandes formulações do problema do ressentimento que, entre outros, seduziu Nietzsche e Max Scheler. 0 res sentimento seria concomitante
com uma ética religiosa parti
cular, muito característica do qus ele chama um povo pária ou um povo de párias — no
DIGESTO
152
caso, os judeus. Essa ética en sinaria que a distribuição desi gual dos bens mundanos é cau sada pela ilegalidade, usurpação e estado pecaminoso das classes, povos ou nações domi nantes. E que, mais c-edo ou mais tarde, a cólera e a justi
ça onipotente de Deus os puni ríam. Na teodicéia dos não-privilegiados, a procura moralística serve de pretexto para com pensar e satisfazer um desejo,
ECONÔMICO
mida. Essa análise psicológica
de Weber é admirável e, entre outras coisas, explicaria desde logo 0 papel desempenhado pe los judeus e pelo Judaísmo não apenas na colaboração dos ele mentos apocalípticos e utópicos do
Cristianismo,
mas,
desde
Marx, como ideólogos revolu cionários, principalmente ale mães, no período tardio de secularização das promessas ju-
DIGESTO
ECONÔMICO
A parte mais relevante da obra de Weber, no sentido que
a procuramos, reside em sua análise da liderança dita caris mática e que até hoje não foi provavelmente ultrapassada. Em sua Sociologia da Religião ele destaca o papel do asceta como protótipo do profeta revo lucionário, O asceta é um intro vertido que, por disciplina inte rior metódica e áspera, estabe
deu-cristãs.
leceu dentro de si mesmo uma estrutura de ordem ética ra
vingança. O judeu, nos séculos da Diáspora, anteciparia assim, segundo Weber, sua salvação pessoal da extratificação social existente e, por extensão, a sal vação coletiva de seu povo,
Convém desde logo salientar que um paradigma eterno da revolução se encontra no livro bíblico do Êxodo. Não obstante, a luta dos hebreus sob a lide rança carismática de Moisés,
cional.
através da subversão revolucio nária, O povo teria sido esco lhido c chamado por Deus não
para se livrarem do cativeiro faraônico, serviria de arquéti po de toda luta nacional de li
para uma posição de pária, mas para uma de prestígio. A utopia
consciente ou inconsciente, de
revolucionária nutre-se, assim, de tais ressentimentos. A análise de Weber não se
estende, como se vê, ao fenò-
Quando um imperativo divi no requer das fracas e oprimi das criaturas humanas a sujei ção incondicional do mundo às normais ideais de justiça e de virtude, o asceta é chamado de
153
a participar dos conflitos do mundo pode tornar-se um fun dador de seita religiosa, de mo vimento social ou de partido político, como predicador de doutrinas quiliastas mais ou menos irracionais. Mas, num segundo caso, o asceta pode extraverter-se na ação, transformando-se em líder de movimen
to revolucionário, exigindo sem pre, do mundo e de seus fiéis, um grau de ordem racional e
disciplina que corresponda à sua própria ordem e disciplina interior. Isso o transformará, inevitavelmente, em virtude do conflito que gera com um mun do rebelde às suas injunções, num ditador, num tirano e num terrorista. Tal padrão de com
portamento pode ser percebido em personalidades como a de
bertação — de um povo oprimi do contra seu opressor. Mas
sua cela (ou do gabinete de trabalho), a fim de tomar seu lugar soberbo de poder no mun
Cromwell,
não se aplicaria a uma subver são interna, dentro de uma
do, como líder em oposição ao mundo. Seu propósito seria
mesma nação, no sentido origi
Lenin e de um Mao Tsé-tung. Em nossa época, seria o para
então a transformação revolu cionária (ou, como diz Eríc
digma dos ditadores "nacíonal-
Voegelin, “metastática”) do mundo a fim de alcançar aque le ideal que se impôs a si pró
do; Nasser, Khadafi, Kliomeinl,
nal do termo grego stasis. Sa bemos que o episódio do Êxodo
meno
da revolução em si, mas apenas ao fundamento psicoló-
tem
gico do ímpeto de rebelião no
digma para a Teologia da Li bertação, que, nesse sentido,
ressentimento e na forma espe
prefere abandonar o Cristianis
cial de teodicéia do povo, da raça, da clásse ou da seita opri-
Antigo Testamento.
também servido de para
mo e retornar aos motivos do
do
incorruptível
Robespierre, ou mesmo de um
socialistas”
do Terceiro Mun
Fidel Ca.stro, Perón, etc.
prio em sua solidão meditativa.
Em conclusão, podemos as severar que a importante e de
Num primeiro caso. o asce
cisiva contribuição de Weber ao problema da revolução consis-
ta carismático assim chamado
DIGESTO
152
caso, os judeus. Essa ética en sinaria que a distribuição desi gual dos bens mundanos é cau sada pela ilegalidade, usurpação e estado pecaminoso das classes, povos ou nações domi nantes. E que, mais c-edo ou mais tarde, a cólera e a justi
ça onipotente de Deus os puni ríam. Na teodicéia dos não-privilegiados, a procura moralística serve de pretexto para com pensar e satisfazer um desejo,
ECONÔMICO
mida. Essa análise psicológica
de Weber é admirável e, entre outras coisas, explicaria desde logo 0 papel desempenhado pe los judeus e pelo Judaísmo não apenas na colaboração dos ele mentos apocalípticos e utópicos do
Cristianismo,
mas,
desde
Marx, como ideólogos revolu cionários, principalmente ale mães, no período tardio de secularização das promessas ju-
DIGESTO
ECONÔMICO
A parte mais relevante da obra de Weber, no sentido que
a procuramos, reside em sua análise da liderança dita caris mática e que até hoje não foi provavelmente ultrapassada. Em sua Sociologia da Religião ele destaca o papel do asceta como protótipo do profeta revo lucionário, O asceta é um intro vertido que, por disciplina inte rior metódica e áspera, estabe
deu-cristãs.
leceu dentro de si mesmo uma estrutura de ordem ética ra
vingança. O judeu, nos séculos da Diáspora, anteciparia assim, segundo Weber, sua salvação pessoal da extratificação social existente e, por extensão, a sal vação coletiva de seu povo,
Convém desde logo salientar que um paradigma eterno da revolução se encontra no livro bíblico do Êxodo. Não obstante, a luta dos hebreus sob a lide rança carismática de Moisés,
cional.
através da subversão revolucio nária, O povo teria sido esco lhido c chamado por Deus não
para se livrarem do cativeiro faraônico, serviria de arquéti po de toda luta nacional de li
para uma posição de pária, mas para uma de prestígio. A utopia
consciente ou inconsciente, de
revolucionária nutre-se, assim, de tais ressentimentos. A análise de Weber não se
estende, como se vê, ao fenò-
Quando um imperativo divi no requer das fracas e oprimi das criaturas humanas a sujei ção incondicional do mundo às normais ideais de justiça e de virtude, o asceta é chamado de
153
a participar dos conflitos do mundo pode tornar-se um fun dador de seita religiosa, de mo vimento social ou de partido político, como predicador de doutrinas quiliastas mais ou menos irracionais. Mas, num segundo caso, o asceta pode extraverter-se na ação, transformando-se em líder de movimen
to revolucionário, exigindo sem pre, do mundo e de seus fiéis, um grau de ordem racional e
disciplina que corresponda à sua própria ordem e disciplina interior. Isso o transformará, inevitavelmente, em virtude do conflito que gera com um mun do rebelde às suas injunções, num ditador, num tirano e num terrorista. Tal padrão de com
portamento pode ser percebido em personalidades como a de
bertação — de um povo oprimi do contra seu opressor. Mas
sua cela (ou do gabinete de trabalho), a fim de tomar seu lugar soberbo de poder no mun
Cromwell,
não se aplicaria a uma subver são interna, dentro de uma
do, como líder em oposição ao mundo. Seu propósito seria
mesma nação, no sentido origi
Lenin e de um Mao Tsé-tung. Em nossa época, seria o para
então a transformação revolu cionária (ou, como diz Eríc
digma dos ditadores "nacíonal-
Voegelin, “metastática”) do mundo a fim de alcançar aque le ideal que se impôs a si pró
do; Nasser, Khadafi, Kliomeinl,
nal do termo grego stasis. Sa bemos que o episódio do Êxodo
meno
da revolução em si, mas apenas ao fundamento psicoló-
tem
gico do ímpeto de rebelião no
digma para a Teologia da Li bertação, que, nesse sentido,
ressentimento e na forma espe
prefere abandonar o Cristianis
cial de teodicéia do povo, da raça, da clásse ou da seita opri-
Antigo Testamento.
também servido de para
mo e retornar aos motivos do
do
incorruptível
Robespierre, ou mesmo de um
socialistas”
do Terceiro Mun
Fidel Ca.stro, Perón, etc.
prio em sua solidão meditativa.
Em conclusão, podemos as severar que a importante e de
Num primeiro caso. o asce
cisiva contribuição de Weber ao problema da revolução consis-
ta carismático assim chamado
DIGESTO
156
ta essencialmente encarregada da guarda vigilante do comu nismo. Quanto às estruturas po líticas, sabemos, há muito tem
po,
o que
outros descobrem
ECONÔMICO
quando apoiadas sobre crenças religiosas e mal se concebe a permanência de uma casta es tabelecida sobre princípios
de
ateísmo. Dizer que o marxismo
atualmente; que o bolchevismo tenha enganado um grande nú
é, doravante, aqui e ali, uma
mero de imbecis durante muito
a
tempo, obstinados em ver nele
religião,
corresponde
apenas,
modo ds dizer. Uma “nomenklatura' pode, menos um
a democracia total, é bem nor
ainda, ter a pretensão de tor-
mal e estamos pouco inclinados
nar-se uma
a simpatizar com os estados de alma da tolice desiludida. Não tendo que defender nem a pureza da democracia, nem a saúde do comunismo, se ríamos tentados a pensar que a "nomenklatura”
nos
concerne
muito pouco. Entretanto o pro blema tem seu interesse do pon to de vista da política externa.
A oligarquia russa tem qual quer relação com uma autênti ca concepção de aristocracia? Entre os motivos para duvidar, observemos, primeiro, que esta classe dirigente aparece como fabricada à maneira dos cami
nobreza. As aristo-
cracias ocidentais, assim desig nadas, devem sua capacidade de duração às provas revigo rantes impostas pela dupla dis ciplina da religião cristã e da coroa hereditária. Faltando, se ja apenas uma destas duas re ferências, e não tendo de pres tar contas mais do que a si mesmas, as elites de
algumas
nações antigas ou modernas defrontaram insolúveis dificul
dades tanto para a permanên cia de sua instituição quanto para manter sua eficácia políti ca. Que acontecerá à oligarquia
putadores construídos em série.
russa? Por mais importante que seja 0 problema, toca-nos me nos do que a questão de nossas
Além disso ela assume o aspec
próprias
to de casta, noção
totalmente
na França, particularmente. As
estranha a nossos
costumes e aliás as
dem ameaçar a "nomenklatura”
nhões, dos tratores ou dos com
às nossas c a st a s
tradições: autênticas
duraram
elites, no
Ocidente e
carências e os perigos que po permanecem menos
visíveis e
DIGESTO
ECONÔMICO
menos urgentes
em
167
razão da
uma grande vantagem que, des
máquina autoritária à qual es
de dezoito anos, dá a um ho
tá integrada esta casta. Nos sas democracias, afirmando um
mem condições de ser conheci do e respeitado, como qualquer
igualitarismo, aliás frequente mente ilusório, não estão, no
outro poderia ter merecido aos cinquenta anos. São trinta anos que se ganha sem pena.” A ju
fundo, isentas de perigos seme lhantes.
ventude aprecia muito pouco a
A elite, problema principal
obrigação de esperar a quinquagésima primavera... Além
da juventude
disso a fórmula pascaliana dá
Não há futuro sem elite, não há elite fora dos princípios capazes de assegurar sua vita lidade. E 0 problema da elite é essencialmente, o da juventude. Ora, nossos estados se referem a noções que desconhecem as
jovem, saído de uma elite de
a entender gratuitamente que o
realidades
e
as necessidades.
nascimento, não tem mérito e que; ,está resolvido a não fazer sacrifícios mais tarde, o que a
realidade histórica com tanta frequência e tão amplamente desmentiu. Se a personagem é
digna da própria sorte, talvez
Toda geração ascendente tem suas ambições, seus apetites e um desejo natural de manifestar sua superioridade. Em vez de fornecer a esta força da natu
haja para a pátria, trinta anos
reza, leis e obrigações
teresses, serviços e solidarieda-
que a
orientem e, segundo a necessi dade, a aperfeiçoe, fidelidades e tradições que atribuam seu sentido e seu poder aos ardores renovadores
e
às
iniciativas
ambiciosas, insiste-se em igno rar 0 que ninguém pode igno rar. A democracia repete satis feita a fórmula desagradável de Pascal: "Que a nobreza é
ganhos; e se o preconceito igualitário o obriga a pacient^ até a idade madura, talvez haja trinta anos perdidos para os in des da existência coletiva.
A espécie de anátema refe rente a toda noção ds honra he reditária, não impede os nepotismos inconfessáveis, mas vi síveis; não é à-toa que se atin ge certa idade passando por três repúblicas para não ter co nhecimento destas exceções da
i
DIGESTO
156
ta essencialmente encarregada da guarda vigilante do comu nismo. Quanto às estruturas po líticas, sabemos, há muito tem
po,
o que
outros descobrem
ECONÔMICO
quando apoiadas sobre crenças religiosas e mal se concebe a permanência de uma casta es tabelecida sobre princípios
de
ateísmo. Dizer que o marxismo
atualmente; que o bolchevismo tenha enganado um grande nú
é, doravante, aqui e ali, uma
mero de imbecis durante muito
a
tempo, obstinados em ver nele
religião,
corresponde
apenas,
modo ds dizer. Uma “nomenklatura' pode, menos um
a democracia total, é bem nor
ainda, ter a pretensão de tor-
mal e estamos pouco inclinados
nar-se uma
a simpatizar com os estados de alma da tolice desiludida. Não tendo que defender nem a pureza da democracia, nem a saúde do comunismo, se ríamos tentados a pensar que a "nomenklatura”
nos
concerne
muito pouco. Entretanto o pro blema tem seu interesse do pon to de vista da política externa.
A oligarquia russa tem qual quer relação com uma autênti ca concepção de aristocracia? Entre os motivos para duvidar, observemos, primeiro, que esta classe dirigente aparece como fabricada à maneira dos cami
nobreza. As aristo-
cracias ocidentais, assim desig nadas, devem sua capacidade de duração às provas revigo rantes impostas pela dupla dis ciplina da religião cristã e da coroa hereditária. Faltando, se ja apenas uma destas duas re ferências, e não tendo de pres tar contas mais do que a si mesmas, as elites de
algumas
nações antigas ou modernas defrontaram insolúveis dificul
dades tanto para a permanên cia de sua instituição quanto para manter sua eficácia políti ca. Que acontecerá à oligarquia
putadores construídos em série.
russa? Por mais importante que seja 0 problema, toca-nos me nos do que a questão de nossas
Além disso ela assume o aspec
próprias
to de casta, noção
totalmente
na França, particularmente. As
estranha a nossos
costumes e aliás as
dem ameaçar a "nomenklatura”
nhões, dos tratores ou dos com
às nossas c a st a s
tradições: autênticas
duraram
elites, no
Ocidente e
carências e os perigos que po permanecem menos
visíveis e
DIGESTO
ECONÔMICO
menos urgentes
em
167
razão da
uma grande vantagem que, des
máquina autoritária à qual es
de dezoito anos, dá a um ho
tá integrada esta casta. Nos sas democracias, afirmando um
mem condições de ser conheci do e respeitado, como qualquer
igualitarismo, aliás frequente mente ilusório, não estão, no
outro poderia ter merecido aos cinquenta anos. São trinta anos que se ganha sem pena.” A ju
fundo, isentas de perigos seme lhantes.
ventude aprecia muito pouco a
A elite, problema principal
obrigação de esperar a quinquagésima primavera... Além
da juventude
disso a fórmula pascaliana dá
Não há futuro sem elite, não há elite fora dos princípios capazes de assegurar sua vita lidade. E 0 problema da elite é essencialmente, o da juventude. Ora, nossos estados se referem a noções que desconhecem as
jovem, saído de uma elite de
a entender gratuitamente que o
realidades
e
as necessidades.
nascimento, não tem mérito e que; ,está resolvido a não fazer sacrifícios mais tarde, o que a
realidade histórica com tanta frequência e tão amplamente desmentiu. Se a personagem é
digna da própria sorte, talvez
Toda geração ascendente tem suas ambições, seus apetites e um desejo natural de manifestar sua superioridade. Em vez de fornecer a esta força da natu
haja para a pátria, trinta anos
reza, leis e obrigações
teresses, serviços e solidarieda-
que a
orientem e, segundo a necessi dade, a aperfeiçoe, fidelidades e tradições que atribuam seu sentido e seu poder aos ardores renovadores
e
às
iniciativas
ambiciosas, insiste-se em igno rar 0 que ninguém pode igno rar. A democracia repete satis feita a fórmula desagradável de Pascal: "Que a nobreza é
ganhos; e se o preconceito igualitário o obriga a pacient^ até a idade madura, talvez haja trinta anos perdidos para os in des da existência coletiva.
A espécie de anátema refe rente a toda noção ds honra he reditária, não impede os nepotismos inconfessáveis, mas vi síveis; não é à-toa que se atin ge certa idade passando por três repúblicas para não ter co nhecimento destas exceções da
i
DIGESTO
158
regra igualitária, e quando não tendemos naturalmente para a
inveja, reconhecemos muito frequentemente que os resulta dos da honra hereditária foram
médios, honorosos e até mesmo excelentes, as vezes, raramente
catastróficos. Se, nesses casos, o Estado foi convenientemente
servido, por que reclamaria eu da espoliação .9 iria pretender ter sido forçado a vender meu direito de primogenitura por um prato de lentilhas? Pode-se mesmo dizer que o
reconhecimento de um prestí
gio, pelo menos moral, ligado a tradições de serviço, resultaria, talvez, no reconforto e na atri buição de certo patrocínio even tual e algumas chances suple mentares a talentos que, atual mente, nem sempre se podem
gabar
do
paraíso
igualitário.
Lembra-nos o exemplo de artis tas e de sábios emigrados para a América ou outros lugares e
que expressaram, sem reticên
cias, sua opinião a respeito. E, além disso, uma elite hereditá ria que, à diferença da famosa nenhum
moções
modo
conforme
go um poder de exemplo: se lhe acontecesse decepcionar, ainda assim despertaria o sen timento de uma infeliz lacuna e
se perpetuaria, assim, uma só lida noção de serviço nacional. Nos nossos dias, ao contrário, o servidor laborioso -e conscien
te de seu valor, considera com ceticismo retrospectivo o resul tado de seus esforços, numa so ciedade que parece ter perdi do princípios e critérios de ava liação de méritos. Existem di versas profis^sões nas quais na falta de outros motivos de
orientação, levam pessoas a ima ginar que seu principal dever de
estado
revolução,
é trabalhar para a
para
a
subversão
lenta ou rápida, e isso na me lhor boa-fé.
Para enfrentar tempos in
certos, não são demais todas as
estruturas e todas as perspsctivas
morais
capazes
de justifi-
carem eventuais sucessos pes
soais, todas as razões propícias a uma plena e firme consciên cia da época. Uma geração deve surgir, com capacidade
pro
a. tradição
ria, mesmo que tivesse conser
outras
francesa, traria sempre consi-
DIGESTO
ECONÔMICO
169
quais tanto engenho custam ramos do escotismo têm prede para privá-la por parte, preci- . tensões democratizar-se, samente, da psicose igualitária viu-se, por outro lado, um clé e da obsessão mesquinha do rigo atrevido e frívolo elogiar "antielitismo”. diante de um tribunal a honra dos "loubards”. O cinema mon A altivez do “homem novo”, tou outras visões corrompidas e ridículas da honra: 0 aventu como diziam os romanos, e a altivez do herdeiro de uma tra
reiro sedutor, o macho vaido
dição familiar devem unir-se e não se opor num clima estéril de inveja e de hostilidade. 0 homem tem necessidade dos
so e fanfarrão. Esqueceu-se também a honra da linguagem: Victor Hugo queria apagar a distinção entre "palavras senatoriais” e “palavras plebéias”: a linguagem, atualmente em voga, está bem abaixo do plebeu .. Tudo isto é mau agouro para o futuro: quando se voltará a aceitar a criação de uma elite, pela volta a todas as fontes insubstituíveis?
símbolos e das imagens aptas a definir ostsnsivamente a superioridade à qual aspira; esta necessidade é mais presente ainda na criança e no adolescente que se alimentam dos entusiasmos e dos sonhos da cavalaria. Mas enquanto certos (Continuação da página 154)
transmitir tudo 0 que pode ser legado. A escola não basta
“nomenídatura”, não excluísse de
ECONÔMICO
para
vado os meios de formação, dos
era maior, os ratos apresentavam menor ganho de peso, ao passo que essa ausência fazia com que os animais apresentassem ganho de peso normal. Os estudos mais recentes sobre a nicotina tentam provar o seu efeito no cére bro e certos autores acreditam que sua absorção cerebral seja responsável pela maioria dos efeitos conhecãdos. Na realidade, a concentração de nicoti na no cérebro é cinco vezes maior do que no plasma, visto que 90% da ni cotina deixa os pulmões e vai diretamente para o cérebro, em apenas 7
segundos, mais rapidamente que a heroína, quando injetada em veia perifé rica. De acordo com alguns autores, este aspecto é mais importante do que fumar uma dose inteira, porquanto, ao que tudo indic-a, o chamado «prazer de fumar» advém dessa tragada quase inicial que promove o bem-estar, e não do fato de se fumar um cigarro inteiro. O comportamento dos indiví duos muda, sem dúvida, em relação ao cigarro e nas mesmas circunstâncias os fumantes reagem de forma diferente quando se encontram, com ou sem cigarro. Dizer que é um hábito psico-socáal já não é possível, em virtude dos estudos eralizados, pois não se trata de fuga ou de um meio para dis
farçar a posição dos dedos das mace o que seria inconsequente.
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regra igualitária, e quando não tendemos naturalmente para a
inveja, reconhecemos muito frequentemente que os resulta dos da honra hereditária foram
médios, honorosos e até mesmo excelentes, as vezes, raramente
catastróficos. Se, nesses casos, o Estado foi convenientemente
servido, por que reclamaria eu da espoliação .9 iria pretender ter sido forçado a vender meu direito de primogenitura por um prato de lentilhas? Pode-se mesmo dizer que o
reconhecimento de um prestí
gio, pelo menos moral, ligado a tradições de serviço, resultaria, talvez, no reconforto e na atri buição de certo patrocínio even tual e algumas chances suple mentares a talentos que, atual mente, nem sempre se podem
gabar
do
paraíso
igualitário.
Lembra-nos o exemplo de artis tas e de sábios emigrados para a América ou outros lugares e
que expressaram, sem reticên
cias, sua opinião a respeito. E, além disso, uma elite hereditá ria que, à diferença da famosa nenhum
moções
modo
conforme
go um poder de exemplo: se lhe acontecesse decepcionar, ainda assim despertaria o sen timento de uma infeliz lacuna e
se perpetuaria, assim, uma só lida noção de serviço nacional. Nos nossos dias, ao contrário, o servidor laborioso -e conscien
te de seu valor, considera com ceticismo retrospectivo o resul tado de seus esforços, numa so ciedade que parece ter perdi do princípios e critérios de ava liação de méritos. Existem di versas profis^sões nas quais na falta de outros motivos de
orientação, levam pessoas a ima ginar que seu principal dever de
estado
revolução,
é trabalhar para a
para
a
subversão
lenta ou rápida, e isso na me lhor boa-fé.
Para enfrentar tempos in
certos, não são demais todas as
estruturas e todas as perspsctivas
morais
capazes
de justifi-
carem eventuais sucessos pes
soais, todas as razões propícias a uma plena e firme consciên cia da época. Uma geração deve surgir, com capacidade
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a. tradição
ria, mesmo que tivesse conser
outras
francesa, traria sempre consi-
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ECONÔMICO
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quais tanto engenho custam ramos do escotismo têm prede para privá-la por parte, preci- . tensões democratizar-se, samente, da psicose igualitária viu-se, por outro lado, um clé e da obsessão mesquinha do rigo atrevido e frívolo elogiar "antielitismo”. diante de um tribunal a honra dos "loubards”. O cinema mon A altivez do “homem novo”, tou outras visões corrompidas e ridículas da honra: 0 aventu como diziam os romanos, e a altivez do herdeiro de uma tra
reiro sedutor, o macho vaido
dição familiar devem unir-se e não se opor num clima estéril de inveja e de hostilidade. 0 homem tem necessidade dos
so e fanfarrão. Esqueceu-se também a honra da linguagem: Victor Hugo queria apagar a distinção entre "palavras senatoriais” e “palavras plebéias”: a linguagem, atualmente em voga, está bem abaixo do plebeu .. Tudo isto é mau agouro para o futuro: quando se voltará a aceitar a criação de uma elite, pela volta a todas as fontes insubstituíveis?
símbolos e das imagens aptas a definir ostsnsivamente a superioridade à qual aspira; esta necessidade é mais presente ainda na criança e no adolescente que se alimentam dos entusiasmos e dos sonhos da cavalaria. Mas enquanto certos (Continuação da página 154)
transmitir tudo 0 que pode ser legado. A escola não basta
“nomenídatura”, não excluísse de
ECONÔMICO
para
vado os meios de formação, dos
era maior, os ratos apresentavam menor ganho de peso, ao passo que essa ausência fazia com que os animais apresentassem ganho de peso normal. Os estudos mais recentes sobre a nicotina tentam provar o seu efeito no cére bro e certos autores acreditam que sua absorção cerebral seja responsável pela maioria dos efeitos conhecãdos. Na realidade, a concentração de nicoti na no cérebro é cinco vezes maior do que no plasma, visto que 90% da ni cotina deixa os pulmões e vai diretamente para o cérebro, em apenas 7
segundos, mais rapidamente que a heroína, quando injetada em veia perifé rica. De acordo com alguns autores, este aspecto é mais importante do que fumar uma dose inteira, porquanto, ao que tudo indic-a, o chamado «prazer de fumar» advém dessa tragada quase inicial que promove o bem-estar, e não do fato de se fumar um cigarro inteiro. O comportamento dos indiví duos muda, sem dúvida, em relação ao cigarro e nas mesmas circunstâncias os fumantes reagem de forma diferente quando se encontram, com ou sem cigarro. Dizer que é um hábito psico-socáal já não é possível, em virtude dos estudos eralizados, pois não se trata de fuga ou de um meio para dis
farçar a posição dos dedos das mace o que seria inconsequente.
i
160
DIGESTO
ECONOMICO
Vida rías profundezas do oceano
Um mundo de organismos vivos não dependentes da
i
luz solar mas de efusiva energia vulcânica do interior da Terra, íoi descober to no solo do Oceano Pacífico, perto das Ilhas Gálápagos_ Oceanógrafos a
bordo do submersível Alvim, que comporta três pessoas, desceram a uma profundidade de aproximadamente três quilômetros, onde a falta de luz so lar normalmente resulta em. esterilidade no fundo do mar.
têm
V ●17
Üi
as extremidades vermelhas e brilhantes devido â hemoglobina
próxima ao seu exterior. Eles
têm olhos, boca ou intestinos e vivem
através. de \im relacionamento simbólico com a bactéria em seus corpos. A bactéria se alimenta de sulfeto de hidrogênio na passagem das águas; o sulfeto de hidrogênio é trazido h passagem quando o água do mar se infütrâ na fresta onde uma nova crosta está sendo formada e volta carregada
I
de minerais.
Algas marinhas
Natal
Uma
atividade
econômica
I
Ti
I
I
9
I
mari
nha comum em vários países do Círientej especialménte no Japão» poderá se transformar em nova alterna tiva de trabalho para populações praieiras do Rio Grande do Norte. Tratase do cultivo de algas marinhas, cujo “know-how" foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Agora a
instituição tem um plano conjunto com a Sudepe e a "Cialgas” (uma das (luas fábricas que industrializam as algas no Brasil) para divulgar e as?€Ssorar tecnicamente o cultivo dessa importante matéria-prima junto a pescadores. Das algas sa extraem o agar-agar e a carraguenina, substâncias de largo uso na industrialização de alimentos hiunanos e rações animais, ou como componentes de tintas e pneumáticos- entre outros produtos- O desenvolvimento do cultivo de algas marinhas no Rio Grade do Norte começou em 1966- quando o atual coordenador do “Departamento de Ocea Clementino Câmara, nografia e Limnologia” da Universidade FederalcJassificou as espécies comercialmente aproveitáveis. Ele percorreu 3/4 dos 400 quilômetrctô da <X)Sta potiguar e detectou 17 espécies pertencentes a oito famfllas. Em 1975. começaram as tentativas de cultivo das algas, de e pois de eleitas as espécies “gracilaria debilis”. “gracilaria verrucosa
“hypnea muscisforrals”. Aparentemente, o Nordeste é a única região bra
sileira onde abundam essas espécies.
I
AMPUAE
Lá eles encon
traram “fumaças negras”, estruturas parecida com chaminés que expelem água carregada de minerais a temperaturas superiores a 359 graus centígra dos. Entre formas de vida que florescem nas proximidades existem vermes tubulares que têm crescimento superior a três metros de comprimento e um novo tipo de vermes tubulares, que não foi ainda classificado. A expe dição foi realizada pela Instituição de Oceanografia Scripps da Califórnia e patrocinada pela Fundação Nacional de Ciência dos EUA. Os vermes tubu lares
I]
I
j
assim que os Governos Itinerante e de Integração estão fazendo escola. O programa de construção, ampliação, reforma e conservação de escolas que o Governo de São Paulo está cumprindo é mais uma realização dos Governos Itinerante e de Integração. . Gow*no do bsl.dcST* ScCRE r Anu Üí cff>T AÜO
CiimpjinbM (!(● Ci
OAEDUCACAÜ
\r7 Imm
icôes
Escolares do E vIjíIo ue Sau Pooio
-
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DIGESTO
ECONOMICO
Vida rías profundezas do oceano
Um mundo de organismos vivos não dependentes da
i
luz solar mas de efusiva energia vulcânica do interior da Terra, íoi descober to no solo do Oceano Pacífico, perto das Ilhas Gálápagos_ Oceanógrafos a
bordo do submersível Alvim, que comporta três pessoas, desceram a uma profundidade de aproximadamente três quilômetros, onde a falta de luz so lar normalmente resulta em. esterilidade no fundo do mar.
têm
V ●17
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as extremidades vermelhas e brilhantes devido â hemoglobina
próxima ao seu exterior. Eles
têm olhos, boca ou intestinos e vivem
através. de \im relacionamento simbólico com a bactéria em seus corpos. A bactéria se alimenta de sulfeto de hidrogênio na passagem das águas; o sulfeto de hidrogênio é trazido h passagem quando o água do mar se infütrâ na fresta onde uma nova crosta está sendo formada e volta carregada
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de minerais.
Algas marinhas
Natal
Uma
atividade
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Ti
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I
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I
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nha comum em vários países do Círientej especialménte no Japão» poderá se transformar em nova alterna tiva de trabalho para populações praieiras do Rio Grande do Norte. Tratase do cultivo de algas marinhas, cujo “know-how" foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Agora a
instituição tem um plano conjunto com a Sudepe e a "Cialgas” (uma das (luas fábricas que industrializam as algas no Brasil) para divulgar e as?€Ssorar tecnicamente o cultivo dessa importante matéria-prima junto a pescadores. Das algas sa extraem o agar-agar e a carraguenina, substâncias de largo uso na industrialização de alimentos hiunanos e rações animais, ou como componentes de tintas e pneumáticos- entre outros produtos- O desenvolvimento do cultivo de algas marinhas no Rio Grade do Norte começou em 1966- quando o atual coordenador do “Departamento de Ocea Clementino Câmara, nografia e Limnologia” da Universidade FederalcJassificou as espécies comercialmente aproveitáveis. Ele percorreu 3/4 dos 400 quilômetrctô da <X)Sta potiguar e detectou 17 espécies pertencentes a oito famfllas. Em 1975. começaram as tentativas de cultivo das algas, de e pois de eleitas as espécies “gracilaria debilis”. “gracilaria verrucosa
“hypnea muscisforrals”. Aparentemente, o Nordeste é a única região bra
sileira onde abundam essas espécies.
I
AMPUAE
Lá eles encon
traram “fumaças negras”, estruturas parecida com chaminés que expelem água carregada de minerais a temperaturas superiores a 359 graus centígra dos. Entre formas de vida que florescem nas proximidades existem vermes tubulares que têm crescimento superior a três metros de comprimento e um novo tipo de vermes tubulares, que não foi ainda classificado. A expe dição foi realizada pela Instituição de Oceanografia Scripps da Califórnia e patrocinada pela Fundação Nacional de Ciência dos EUA. Os vermes tubu lares
I]
I
j
assim que os Governos Itinerante e de Integração estão fazendo escola. O programa de construção, ampliação, reforma e conservação de escolas que o Governo de São Paulo está cumprindo é mais uma realização dos Governos Itinerante e de Integração. . Gow*no do bsl.dcST* ScCRE r Anu Üí cff>T AÜO
CiimpjinbM (!(● Ci
OAEDUCACAÜ
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Escolares do E vIjíIo ue Sau Pooio
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