\\ 1
0 BRASIL NO MUNDO CONTEMPORÂNEO — Luiz Eduardo Campello
COMPREENSÃO DA ESTRUTURA ECONÔMICA E ADMINIS TRATIVA — A. Delorenzo Neto
A
IMPORTÂNCIA DA LEI SOBRE "USUCAPIÃO ESPECIAL — Hermann M. Gorgen
OS DESPENHADEIROS DA HUMANIDADE — Joao de^can● timburgo
DE OLIVEIRA FILHO, O ADVOGADO DOS DIREITÜJ .CONSTITUCIONAIS ~ J. MoUa Maia ,í O PARADOXO DA LIBERDADE — J. O. de Meira Penna .... VEI^EZUELA VERSUS GUIANA — A. de Lyra Tavares ...... A^IHÍSTÓRIA exige SERIEDADE — Cônego José Geraldo Vi-
JOÃO
>
95
115 119
Thomas
123 133
A ENCfCLiCA Laborem ; EXERCENS "mediante o íraba' LHO" — Ollcon de Paiv^_; BIBLIOGRAFIA, I
f—● ● ● ●Êtv
V
\
\ .109.
Lewis M. Alexander 0^' Enders
■
55
A UNIDADE POPULAR NO BRASIL — Ib Teixeira A RUPTURA DAS CLASSES MÉDIAS — José Canos da Graça:
-"BANCO MUMDIAL E ECONOMIA BRAS.LE RA — Pe.er i Knig.-it ,
47
■ 53 -
79 83 89
O MESSIANISMO NA ECONOMIA — André Pelire OS ESTADOS UNIDOS E OS INVESTIMENTOS COMERCIAIS —
●'
35
EX-PRESO VOLTA À CADEIA — José Thomaz Nabuco REFLEXÃO SOBRE O MUNDO — Abgar Renault ............
DESENVOLVIMENTO DA NOVA TECNOLOG.A OCEÂNICA —
/
31
61
EM OUTRA SOCIEDADE — Amoldo Wald
ESCALADA TRIBUTÁRIA — Carlos Eduardo Bulhões Pedreira
■
23
DIREITO DE PREFERÊNCIA E A INCORPORAÇÃO DE AÇOES
O
/
11
27
igreja E LUTA DE CLASSE — Dom Vjcente Sherer
diqal de Carvalho
, 3
143 158
ll
iu
I.
i
I
ECQNOIVIICO
AMPUA ESCOLA,
Pregado
leilor
Publicamos nesie número o discurso proferido pelo industrial
RETORMAI^
Luiz Eduardo Campello, ao receber o prestigioso título "Homem do
Ano", de 1982, conferido pela Brazllian-American Chamber
of
Com-
merce, em
as
mais
Nova
York, numa cerimônia à qual
assistiram
ilustres personalidades do mundo da economia, das finanças, dos
ne
gócios, dos Estados Unidos e do Brasil. O professor A. Delorenzo
Neto analisa a estrutura
econômica
e
administrativa,
e
concorre
com seus pontos de vista para a respectiva compreensão. O pro fessor Hermann M. Gorgen, que durante os anos do nazismo, refu giou-se no Brasil, tendo lecionado em universidades brasileiras, es creve de Bonn, sobre a importância da lei do "usucapião especial",
lei elaborada pelo professor Miguel Reale, e tão bem acolhida pela opinião pública. O cardeal Dom Vlcento Sherer escreve sobre a Igreja e a luta de classes. Artigo oportuno, nesta fase histórica em que a quase totalidade do clero substituiu Cristo por Marx, acredi
I
tando nessa balela sem nenhum fundamento, a luta de classes.
É assim que os Governos Itinerante e de Integração estão fazendo escola. O programa de construção, ampliação, reforma; e conservação de escolas que o Governo dè São Paulo está cumprindo é mais uma realizaçãodos Governos Itinerante e de Integração.
Dois
artigos sobre o problema da liberdade, o de João de Scantimburgo e o de J. O. de Meira Penna. O jurista João de Oliveira Filho ó estudado. Do general Lyra Tavares um suscinto artigo sobre as reivindicações territoriais da Venezuela contra a Guiana. O cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho trata da História, e exige serie dade para o seu estudo. O nosso colaborador Amoldo Wald foca liza questão jurídica, e o jurista Bulhões Pedreira escreve sobre outro assunto da maior importância, a escalada tributária. Chama mos a atenção para os demais artigos, todos de grande atualidade, notadamente o de André Plttro, sobre o messianismo na economia. O D1GES70 ECONÔMICO continua mantendo, como se vê, a alta qualidade de matérias, que fizeram até hoje o seu justo renome.
<
I
0 Editor
● Goi^rrx> doEst.dtiSP
3ÍW:n5TARIA 01 ESTADO
C<*
PMDUCAÇÀO
C scolarrs (lr> E st.ulo tfr
tie C
nsmiçO^s Paulo
I
N.® 294 — Julho de 1962 — Ano XXXIX
DIGESTO ECONÔMICO
ll
iu
I.
i
I
ECQNOIVIICO
AMPUA ESCOLA,
Pregado
leilor
Publicamos nesie número o discurso proferido pelo industrial
RETORMAI^
Luiz Eduardo Campello, ao receber o prestigioso título "Homem do
Ano", de 1982, conferido pela Brazllian-American Chamber
of
Com-
merce, em
as
mais
Nova
York, numa cerimônia à qual
assistiram
ilustres personalidades do mundo da economia, das finanças, dos
ne
gócios, dos Estados Unidos e do Brasil. O professor A. Delorenzo
Neto analisa a estrutura
econômica
e
administrativa,
e
concorre
com seus pontos de vista para a respectiva compreensão. O pro fessor Hermann M. Gorgen, que durante os anos do nazismo, refu giou-se no Brasil, tendo lecionado em universidades brasileiras, es creve de Bonn, sobre a importância da lei do "usucapião especial",
lei elaborada pelo professor Miguel Reale, e tão bem acolhida pela opinião pública. O cardeal Dom Vlcento Sherer escreve sobre a Igreja e a luta de classes. Artigo oportuno, nesta fase histórica em que a quase totalidade do clero substituiu Cristo por Marx, acredi
I
tando nessa balela sem nenhum fundamento, a luta de classes.
É assim que os Governos Itinerante e de Integração estão fazendo escola. O programa de construção, ampliação, reforma; e conservação de escolas que o Governo dè São Paulo está cumprindo é mais uma realizaçãodos Governos Itinerante e de Integração.
Dois
artigos sobre o problema da liberdade, o de João de Scantimburgo e o de J. O. de Meira Penna. O jurista João de Oliveira Filho ó estudado. Do general Lyra Tavares um suscinto artigo sobre as reivindicações territoriais da Venezuela contra a Guiana. O cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho trata da História, e exige serie dade para o seu estudo. O nosso colaborador Amoldo Wald foca liza questão jurídica, e o jurista Bulhões Pedreira escreve sobre outro assunto da maior importância, a escalada tributária. Chama mos a atenção para os demais artigos, todos de grande atualidade, notadamente o de André Plttro, sobre o messianismo na economia. O D1GES70 ECONÔMICO continua mantendo, como se vê, a alta qualidade de matérias, que fizeram até hoje o seu justo renome.
<
I
0 Editor
● Goi^rrx> doEst.dtiSP
3ÍW:n5TARIA 01 ESTADO
C<*
PMDUCAÇÀO
C scolarrs (lr> E st.ulo tfr
tie C
nsmiçO^s Paulo
I
N.® 294 — Julho de 1962 — Ano XXXIX
DIGESTO ECONÔMICO
DIGESTO
6
preços de energia, esses países sofreram um processo de infla ção importada, enquanto que através do protecionismo emer gente nos países ricos, aqueles correm o risco de "importar” desemprego.
Seja como for, até um leigo pode identificar na presente onda de desemprego certos as-
pectos de natureza “estrutural”, os
quais explicam porque essa
problemática do desemprego é. de tão difícil trato.
Tentativas de reaquecimen-
I
to da economia têm alimentado a fogueira inflacionária sem re duzir significativamente o de semprego.
O ônus social do desempre
go e o mal político dele resul-' tante aumentam o risco de ado
ção de políticas suicidas por governos sob pressão. Um exemplo de uma política suici da, felizmente fora de moda, é a tentativa de eliminar
o de
ECONÔMICO
da criação de distorções. estru turais que agravam o desem prego a- longo prazo. Um outro procedimento sui cida, mas não desprovido de certos atrativos, é o de tentar a eliminação do desemprego através de restrições comer ciais e da adoção de medidas protecionistas.
Os países em desenvolvi mento, por vezes, exageram no protecionismo às "indústrias nascentes”, enquanto os países industrializados vãó alétn, es tendendo esse protecionismo até as "indústrias arcaicas”.
Alguns países industrializa dos adotam o enfoqué simplista de que a rnelhor contribuição que eles podem dar para o de senvolvimento mundial é a de
colocarem as suas respectivas casas em ordem. Tudo isto está
muito bem, mas é difícil colo car-se a casa em ordém duran
te um terremoto...
semprego através da alimenta
É também simplista acredi
ção da inflação. Porém, a ex periência demonstrou que a in flação ajuda a criação de ● em pregos somente a curtíssimo prazo, e mesmo assim, à custa
tar que 0 objetivo.do desenvol vimentos tal ,que possa :ser dei
xado,' exclusivamente, ao sabor das tendências do mercado. Os países recehtemente industria-
DIGESTO
ECONÔMICO
lizados, como é o caso do Bra sil, estão agora se defrontando com uma bizarra aliança de in teresses entre os dois extremos, de um lado os países muito ri cos e de outro os países muito pobres.
Alguns dos países ricos, no
tadamente os Estados Unidos, estão agora adotando uma "tese
gradualista”.
Essa “tese gra-
dualista” aplicável a diversos países em processo de desen volvimento industrial, mas de receitas de nível médio, envol vería o acesso a empréstimos subsidiados provenientes do Banco Mundial e de agências similares, bem como, também, a limitação de seu acesso. a mercados industriais dentro do
esquema geral de preferências. Os países de baixa renda mos
7
1.“^) a maioria desses países está pesadamente endividada, por consequência da crise ener gética e dos seus próprios es forços de industrialização;
2.'^) essa sugestão ocorre justamente quando as taxas de juros comerciais são anormal mente elevadas; 3.'‘) parece ser um castigo para aqueles que se dedicam com eficiência à produção e à competição, porque essa mu dança de atitude ocorre exata mente quando as exportações dos seus manufaturados
come
çavam a obter lugar nos mer cados industrializados.
Se essas soluções suicidas devem ser rejeitadas, qual 0
caminho recomendável?
Eu
tram-se bastante satisfeitos com
acredito que o caminho mais
essa tese, porque ela os coloca em posição privilegiada na con corrência para a obtenção de
promissor é o da “reflação” coordenada. Até então, os paí ses industrializados
têm tenta
mercados.
do várias fórmulas entre si —
Todavia, compreende-se que 0 exercício dessa “graduação prematura” é particularmente amarga para os países “recémindustrializados”, por três- ra
a "Teoria da Locomotiva”, por exemplo, ou a "Teoria do Com boio”, mediante as quais as prin cipais economias mundiais ten tavam Uma expansão coordena da. Talvez, agora, tenha che gado a hora de pensarmos num
financiamento
zões:
e
de
DIGESTO
6
preços de energia, esses países sofreram um processo de infla ção importada, enquanto que através do protecionismo emer gente nos países ricos, aqueles correm o risco de "importar” desemprego.
Seja como for, até um leigo pode identificar na presente onda de desemprego certos as-
pectos de natureza “estrutural”, os
quais explicam porque essa
problemática do desemprego é. de tão difícil trato.
Tentativas de reaquecimen-
I
to da economia têm alimentado a fogueira inflacionária sem re duzir significativamente o de semprego.
O ônus social do desempre
go e o mal político dele resul-' tante aumentam o risco de ado
ção de políticas suicidas por governos sob pressão. Um exemplo de uma política suici da, felizmente fora de moda, é a tentativa de eliminar
o de
ECONÔMICO
da criação de distorções. estru turais que agravam o desem prego a- longo prazo. Um outro procedimento sui cida, mas não desprovido de certos atrativos, é o de tentar a eliminação do desemprego através de restrições comer ciais e da adoção de medidas protecionistas.
Os países em desenvolvi mento, por vezes, exageram no protecionismo às "indústrias nascentes”, enquanto os países industrializados vãó alétn, es tendendo esse protecionismo até as "indústrias arcaicas”.
Alguns países industrializa dos adotam o enfoqué simplista de que a rnelhor contribuição que eles podem dar para o de senvolvimento mundial é a de
colocarem as suas respectivas casas em ordem. Tudo isto está
muito bem, mas é difícil colo car-se a casa em ordém duran
te um terremoto...
semprego através da alimenta
É também simplista acredi
ção da inflação. Porém, a ex periência demonstrou que a in flação ajuda a criação de ● em pregos somente a curtíssimo prazo, e mesmo assim, à custa
tar que 0 objetivo.do desenvol vimentos tal ,que possa :ser dei
xado,' exclusivamente, ao sabor das tendências do mercado. Os países recehtemente industria-
DIGESTO
ECONÔMICO
lizados, como é o caso do Bra sil, estão agora se defrontando com uma bizarra aliança de in teresses entre os dois extremos, de um lado os países muito ri cos e de outro os países muito pobres.
Alguns dos países ricos, no
tadamente os Estados Unidos, estão agora adotando uma "tese
gradualista”.
Essa “tese gra-
dualista” aplicável a diversos países em processo de desen volvimento industrial, mas de receitas de nível médio, envol vería o acesso a empréstimos subsidiados provenientes do Banco Mundial e de agências similares, bem como, também, a limitação de seu acesso. a mercados industriais dentro do
esquema geral de preferências. Os países de baixa renda mos
7
1.“^) a maioria desses países está pesadamente endividada, por consequência da crise ener gética e dos seus próprios es forços de industrialização;
2.'^) essa sugestão ocorre justamente quando as taxas de juros comerciais são anormal mente elevadas; 3.'‘) parece ser um castigo para aqueles que se dedicam com eficiência à produção e à competição, porque essa mu dança de atitude ocorre exata mente quando as exportações dos seus manufaturados
come
çavam a obter lugar nos mer cados industrializados.
Se essas soluções suicidas devem ser rejeitadas, qual 0
caminho recomendável?
Eu
tram-se bastante satisfeitos com
acredito que o caminho mais
essa tese, porque ela os coloca em posição privilegiada na con corrência para a obtenção de
promissor é o da “reflação” coordenada. Até então, os paí ses industrializados
têm tenta
mercados.
do várias fórmulas entre si —
Todavia, compreende-se que 0 exercício dessa “graduação prematura” é particularmente amarga para os países “recémindustrializados”, por três- ra
a "Teoria da Locomotiva”, por exemplo, ou a "Teoria do Com boio”, mediante as quais as prin cipais economias mundiais ten tavam Uma expansão coordena da. Talvez, agora, tenha che gado a hora de pensarmos num
financiamento
zões:
e
de
DIGESTO-
Ü
caminho mais abrangente, en globando os países em desen volvimento, nos quais existem mercados florescentes para as indústrias ociosas dos países ricos. É isso que eu chamo de “reflação externa”.
Após
haver
tratado,
em
linhas gerais, do cenário inter nacional, gostaria dc dizer al gumas palavras sobre a atual situação brasileira. Além de tentarmos enfren
tar os dois demônios que pare cem nos perseguir
incessante
mente — inflação c restrições
decorrentes da balança de pa gamentos —,
ECONÔMICO
ou, outros, que deveria aguardar a melhora das condi 73)
ções econômicas. Eu não concordo com essa
colocação. nas
É,
ocasiões
precisamente, difíceis
que
sc
das corretivas e comece a de monstrar a sua lealdade ao sis
tema democrático, o qual, por
sua vez, permite as modifica ções de liderança, a revisão de políticas e a coexistência pací
sido feita anteriormente — du
rante os anos do milagre (1968/
mento, não tanto pela pressão inflacionária, mas pela neces sidade dc viabilizar o reequi-
líbrio da nossa balança de pa gamentos, desviando produtos para a exportação e restringin do as importações.
fica do conflito de opiniões.
O segundo tema ein debate
sentido.
Esse choque de crescimen to negativo demonstra a neces sidade de alterarmos a compo
sição do nosso crescimento, en fatizando, de um lado, as ativi dades que ajudam no combate à inflação e na melhor distri buição
de
renda,
como,
por
O terceiro tema enfoca a taxa e a composição do cresci mento econômico, Foi um cho que para os brasileiros: no ano passado, pela primeira vez em
exemplo, a agricultura e as in
nossa história recente, o cresci mento do produto nacional foi negativo. Durante muito tempo,
das indústrias do bens d© ex
dústrias de bens
de
consumo
cm massa, e, de outro lado, as que produzam divisas externas, como é o caso da mineração e portação.
con
A despeito das dificuldades
vencional de que a inflação é incompatível com o crescimen-
presentes, o Brasil tem muito a
desmentimos a sabedoria
— novas fronteiras a abrir
nos campos da agricul tura e da mineração; — uma surpreendente bilidade social; — uma
reduzir nossa taxa de cresci
distribuição de rendas sem, con tudo, retardar o crescimento, porque 6 reconhecido que algu ma coisa há que ser feita nesse
evolução. Eleições gerais para todos os níveis de governo, ex ceto 0 da Presidência, serão realizadas em novembro próxi mo. Alguns acham que a libe ralização política deveria ter
mentos.
lítica, para que o povo parti cipe da formulação das medi
empenhados no debate de três
0 processo de instituciona lização política encontra-sc em
to, pois conseguimos ser ao mesmo tempo um país de “alta inflação” e “alto crescimento”. Mas, não conseguimos vencer 0 desafio da balança de paga Simplesmente tivemos que
c 0 da técnica de melhorar a
crescimento econômico.
Q
ECONÔMICO
Lorna necessária a abertura po
estamos, agora,
temas principais: — liberalização política; — distribuição de rendas; — taxa e composição do
DiüESTO
seu favor:
tradição
mo
relativa
mente coerente pa admi nistração pública;
— capacidâde para acomo dações políticas. Não tenho dúvidas de que, ainda em minha geração, o equüibrio de poder mundial so frerá mudanças dramáticas c o Brasil surgirá como um dos
principais
atores
no
cenário
mundial. Esse dia chegará mais cedo do que imaginamos, desde
que nós brasileiros possamos evitar o dilema de Rebeca West de "não aprender as ver
dades que são muito complica das, esquecendo as verdades que são muito simples”. Agora eu quero agradecer
aos meús^ bons atmgòs do R:a-
sil, dos Estados Únidos e do
Canadá por terem estado aqui comigo esta noite
uma noite
que eu jamais esquecerei. Agra deço a todos do fundo do meu coração.
DIGESTO-
Ü
caminho mais abrangente, en globando os países em desen volvimento, nos quais existem mercados florescentes para as indústrias ociosas dos países ricos. É isso que eu chamo de “reflação externa”.
Após
haver
tratado,
em
linhas gerais, do cenário inter nacional, gostaria dc dizer al gumas palavras sobre a atual situação brasileira. Além de tentarmos enfren
tar os dois demônios que pare cem nos perseguir
incessante
mente — inflação c restrições
decorrentes da balança de pa gamentos —,
ECONÔMICO
ou, outros, que deveria aguardar a melhora das condi 73)
ções econômicas. Eu não concordo com essa
colocação. nas
É,
ocasiões
precisamente, difíceis
que
sc
das corretivas e comece a de monstrar a sua lealdade ao sis
tema democrático, o qual, por
sua vez, permite as modifica ções de liderança, a revisão de políticas e a coexistência pací
sido feita anteriormente — du
rante os anos do milagre (1968/
mento, não tanto pela pressão inflacionária, mas pela neces sidade dc viabilizar o reequi-
líbrio da nossa balança de pa gamentos, desviando produtos para a exportação e restringin do as importações.
fica do conflito de opiniões.
O segundo tema ein debate
sentido.
Esse choque de crescimen to negativo demonstra a neces sidade de alterarmos a compo
sição do nosso crescimento, en fatizando, de um lado, as ativi dades que ajudam no combate à inflação e na melhor distri buição
de
renda,
como,
por
O terceiro tema enfoca a taxa e a composição do cresci mento econômico, Foi um cho que para os brasileiros: no ano passado, pela primeira vez em
exemplo, a agricultura e as in
nossa história recente, o cresci mento do produto nacional foi negativo. Durante muito tempo,
das indústrias do bens d© ex
dústrias de bens
de
consumo
cm massa, e, de outro lado, as que produzam divisas externas, como é o caso da mineração e portação.
con
A despeito das dificuldades
vencional de que a inflação é incompatível com o crescimen-
presentes, o Brasil tem muito a
desmentimos a sabedoria
— novas fronteiras a abrir
nos campos da agricul tura e da mineração; — uma surpreendente bilidade social; — uma
reduzir nossa taxa de cresci
distribuição de rendas sem, con tudo, retardar o crescimento, porque 6 reconhecido que algu ma coisa há que ser feita nesse
evolução. Eleições gerais para todos os níveis de governo, ex ceto 0 da Presidência, serão realizadas em novembro próxi mo. Alguns acham que a libe ralização política deveria ter
mentos.
lítica, para que o povo parti cipe da formulação das medi
empenhados no debate de três
0 processo de instituciona lização política encontra-sc em
to, pois conseguimos ser ao mesmo tempo um país de “alta inflação” e “alto crescimento”. Mas, não conseguimos vencer 0 desafio da balança de paga Simplesmente tivemos que
c 0 da técnica de melhorar a
crescimento econômico.
Q
ECONÔMICO
Lorna necessária a abertura po
estamos, agora,
temas principais: — liberalização política; — distribuição de rendas; — taxa e composição do
DiüESTO
seu favor:
tradição
mo
relativa
mente coerente pa admi nistração pública;
— capacidâde para acomo dações políticas. Não tenho dúvidas de que, ainda em minha geração, o equüibrio de poder mundial so frerá mudanças dramáticas c o Brasil surgirá como um dos
principais
atores
no
cenário
mundial. Esse dia chegará mais cedo do que imaginamos, desde
que nós brasileiros possamos evitar o dilema de Rebeca West de "não aprender as ver
dades que são muito complica das, esquecendo as verdades que são muito simples”. Agora eu quero agradecer
aos meús^ bons atmgòs do R:a-
sil, dos Estados Únidos e do
Canadá por terem estado aqui comigo esta noite
uma noite
que eu jamais esquecerei. Agra deço a todos do fundo do meu coração.
Compreensão da
. /*,
Para córripreendèr o Brasil, é preciso ler estas obras de
;
t-'-;
estrutura
econômica e administrativa
João tle Scmiitimbiirgo
GERAL DO BRASIL
V^„,, , (0' Set®i* Ptãlilico}
A CRISE DA REPÚBLICA PRESIDENCIAL
lc1éla§i Centrais
Ò WliER MODERADOR
A. Delorenzo Neto
A eíaboísção de uma polítice de crescimento '
Edições dé Livraria Pioneira Editora
Praça Dírceu Lima>,313 02515 ^ Sãò Páülò
«
.
'V
,
.
é obra cornplexa._
O autor é professor da UNESP.
1) ,.0 séculò/XX está carac-
témzado pelo crescimento.. da
fungão- administrativa do Estadol A;.expansão demográfica e o modo , de : vida- da isociedáde
industrial; incrementaram a or-
ganização dos serviços públi cos. Nas sociedades complexas a. estrutura burocrática ganhou
rélevõ, intensificando-se, cada vez mais^ o seu grau de racio nalização;
A função adminis-
Compreensão da
. /*,
Para córripreendèr o Brasil, é preciso ler estas obras de
;
t-'-;
estrutura
econômica e administrativa
João tle Scmiitimbiirgo
GERAL DO BRASIL
V^„,, , (0' Set®i* Ptãlilico}
A CRISE DA REPÚBLICA PRESIDENCIAL
lc1éla§i Centrais
Ò WliER MODERADOR
A. Delorenzo Neto
A eíaboísção de uma polítice de crescimento '
Edições dé Livraria Pioneira Editora
Praça Dírceu Lima>,313 02515 ^ Sãò Páülò
«
.
'V
,
.
é obra cornplexa._
O autor é professor da UNESP.
1) ,.0 séculò/XX está carac-
témzado pelo crescimento.. da
fungão- administrativa do Estadol A;.expansão demográfica e o modo , de : vida- da isociedáde
industrial; incrementaram a or-
ganização dos serviços públi cos. Nas sociedades complexas a. estrutura burocrática ganhou
rélevõ, intensificando-se, cada vez mais^ o seu grau de racio nalização;
A função adminis-
12
DIG-ESTO
trativa do Estado se acentua
crescimento
por razões sociológicas, e não
concentração metropolitana
unicamente ideológicas. Quando estudamos
o
desen
volvimento, verificamos que ele não se esgota no plano da mul tiplicação de bens materiais: ele atinge as formas de decisão, e as felações daí decorrentes
se resolvem no campo da ad
ministração. Portanto, as eta pas econômicas e não econômi
cas do desenvolvimento neces
sitam de alcançar níveis de efi ciência, através de uma ade
das
ECONÔMICO
cidades
e
a —
do. Por meio dela tornou-se um
nais de desenvolvimento econô mico e social.
organizador de serviços — en
riquecendo, em busca da efi ciência, sua clássica função po
lítica. O Estado passou, assim, a adquirir uma estrutura téc nica servida por um exército
próprias funções. Até o século XIX podíamos conceber um Es tado não intervencionista: a
função
política
predominava
entre seus objetivos, não se
preocupando a não ser com a
organização dos poderes. Era a
plenitude de sua função polí tica. Mas, com o advento da era industrial, e suas conse quências — especialmente o
A empresa pública se apre senta
com
dos,
embora
caracteres
defini
tradicionalmente
industrial) atende a interesses de um indivíduo ou grupo.
II — O governo é, entre to das as associações, a que pos sui autoridade suprema de ca ráter político. III — A autoridade governa mental está sancionada pelo monopólio do poder.
de funcionários especializados.
o interesse Contudo, é
Essa, por assim dizer, “socia
necessário
reconhecer
lização” das atividades estatais é, hoje, um fenômeno irrever
claro que as normas básicas de
IV — A responsabilidade go vernamental, corresponde, em
programação, divisão do
tra
sua exigência, à natureza e di
organização de funções e res
ponsabilidades. orçamento, con
mensão do seu poder. Trata-se de características essenciais da empresa pública ou de gover
tabilidade e pessoal, são úteis
no, independentemente de suas
em todos os tiix)s de adminis tração. Isto é certo enquanto recorremos a princípios mais fwKlaméntais, como normas flexíveis adaptando-se às pe
imperfeições práticas. A tarefa governamental é enorme, com plexa e difícil. O tamanho das operações, a multiplicidade dos propósitos e a complexidade dos programas exigem formas
dade de orientar ou organizar a empresa pública. E isto de corre do crescimento de suas
tica através de planos quadrie
sociedade, enquanto que uma empresa privada (comercial ou
tenha prevalecido era identificá-las.
públicos exigem, quanto aos investimentos de execução. A empresa pública organizada através de regras próprias,
regime capitalista, seja em re gime socialista, passou a reco nhecer a indeclinável necessi
nalizado é dos mais importan tes, pois, 0 Estado procura orientá-la de maneira sistemá
O Estado moderno, seja em
cional.
13
ECONÔMICO
aparece com predominância a função administrativa do Esta
sível. Explica-se em grande parte pela insuficiência do se tor privado em atender os one rosos encargos que os serviços
quada infra-estrutura organiza
DTQBSTO
constitui a própria infra-estru tura do desenvolvimento.O seu
significado sociológico, por to
dos estes motivos, torna-se evidente, até mesmo nos tipos de sociedade em que sua organi zação é precária. Se lembrar
mos como exemplo um caso in termediário
a
sociedade
francesa — verificamos que, se a sua estnjitura econômica
reflete a predominância de em presas privadas, o setor nacio-
também
a importância das diferenças. É
balho, relações de autoridade,
culiaridades de cada associa ção. Os caracteres distintivos
determinam em grande parte as formas particulares de ad ministração e de economia.
Vejamos, pois, numa perspec tiva de comparação, as suas características fundamentais:
I — O governo existe para servir os interesses gerais da
administrativas
especiais.
A
eficácia de uma entidade governamjental
não
deve medir-
se pela maximização de seus recursos, ou redução de seus gastos, senão pela qualidade e intensidade com que realize os propósitos públicos. Seria um
equívoco julgar a empresa pú blica em termos de ganhos e
12
DIG-ESTO
trativa do Estado se acentua
crescimento
por razões sociológicas, e não
concentração metropolitana
unicamente ideológicas. Quando estudamos
o
desen
volvimento, verificamos que ele não se esgota no plano da mul tiplicação de bens materiais: ele atinge as formas de decisão, e as felações daí decorrentes
se resolvem no campo da ad
ministração. Portanto, as eta pas econômicas e não econômi
cas do desenvolvimento neces
sitam de alcançar níveis de efi ciência, através de uma ade
das
ECONÔMICO
cidades
e
a —
do. Por meio dela tornou-se um
nais de desenvolvimento econô mico e social.
organizador de serviços — en
riquecendo, em busca da efi ciência, sua clássica função po
lítica. O Estado passou, assim, a adquirir uma estrutura téc nica servida por um exército
próprias funções. Até o século XIX podíamos conceber um Es tado não intervencionista: a
função
política
predominava
entre seus objetivos, não se
preocupando a não ser com a
organização dos poderes. Era a
plenitude de sua função polí tica. Mas, com o advento da era industrial, e suas conse quências — especialmente o
A empresa pública se apre senta
com
dos,
embora
caracteres
defini
tradicionalmente
industrial) atende a interesses de um indivíduo ou grupo.
II — O governo é, entre to das as associações, a que pos sui autoridade suprema de ca ráter político. III — A autoridade governa mental está sancionada pelo monopólio do poder.
de funcionários especializados.
o interesse Contudo, é
Essa, por assim dizer, “socia
necessário
reconhecer
lização” das atividades estatais é, hoje, um fenômeno irrever
claro que as normas básicas de
IV — A responsabilidade go vernamental, corresponde, em
programação, divisão do
tra
sua exigência, à natureza e di
organização de funções e res
ponsabilidades. orçamento, con
mensão do seu poder. Trata-se de características essenciais da empresa pública ou de gover
tabilidade e pessoal, são úteis
no, independentemente de suas
em todos os tiix)s de adminis tração. Isto é certo enquanto recorremos a princípios mais fwKlaméntais, como normas flexíveis adaptando-se às pe
imperfeições práticas. A tarefa governamental é enorme, com plexa e difícil. O tamanho das operações, a multiplicidade dos propósitos e a complexidade dos programas exigem formas
dade de orientar ou organizar a empresa pública. E isto de corre do crescimento de suas
tica através de planos quadrie
sociedade, enquanto que uma empresa privada (comercial ou
tenha prevalecido era identificá-las.
públicos exigem, quanto aos investimentos de execução. A empresa pública organizada através de regras próprias,
regime capitalista, seja em re gime socialista, passou a reco nhecer a indeclinável necessi
nalizado é dos mais importan tes, pois, 0 Estado procura orientá-la de maneira sistemá
O Estado moderno, seja em
cional.
13
ECONÔMICO
aparece com predominância a função administrativa do Esta
sível. Explica-se em grande parte pela insuficiência do se tor privado em atender os one rosos encargos que os serviços
quada infra-estrutura organiza
DTQBSTO
constitui a própria infra-estru tura do desenvolvimento.O seu
significado sociológico, por to
dos estes motivos, torna-se evidente, até mesmo nos tipos de sociedade em que sua organi zação é precária. Se lembrar
mos como exemplo um caso in termediário
a
sociedade
francesa — verificamos que, se a sua estnjitura econômica
reflete a predominância de em presas privadas, o setor nacio-
também
a importância das diferenças. É
balho, relações de autoridade,
culiaridades de cada associa ção. Os caracteres distintivos
determinam em grande parte as formas particulares de ad ministração e de economia.
Vejamos, pois, numa perspec tiva de comparação, as suas características fundamentais:
I — O governo existe para servir os interesses gerais da
administrativas
especiais.
A
eficácia de uma entidade governamjental
não
deve medir-
se pela maximização de seus recursos, ou redução de seus gastos, senão pela qualidade e intensidade com que realize os propósitos públicos. Seria um
equívoco julgar a empresa pú blica em termos de ganhos e
DIGESTO- ECONÔMICO
14
DIGESTO
ECONÔMICO
do Estado. Dentro- da perspec
de sua eficiência está nos re
sequências da- legislação do tra balho adotada- no País, a-;partir da Revolução: de' 30. Uih: trata
sultados que obtém para aten der.às necessidades , e ideais do
mento : adequado< ao operáiúo, permitiu' que -exigências quali
povo.
tativas
provisação e-0 empirismo.- E dessa forma se impõe-um es quema ● burocrático a - Serviço dos encargos’superiores-do bem social. . ■ ;
perdas — como se fosse uma. empresa comercial. A medida
Em conclusão, podemos afir.-
concorressem:
para
a
melhoria da , mão-de-obra em nossa, indústria. No segundo ca
empresa
moderna deve executar os ser-
mas,
deve especialmente vol
tar-se para novas funções que
consistem em orientar Os processos econômicos. Em última
análise, o que importa é o bem social. Esta a lição da Escola Holandesa, que propugna por uma Economia Social.
2) A administração brasüei-
ra antes de 1930, caótica ou en
tregue a um empirismo simplis ta, tendeu a uma orientação
que, de maneira razoável, aco-
lheu a filosofia da racionaliza ção. Isto é, procurou as vias impessoais que levassem à efi ciência e ao rendimento ddvtra-
balho. Tanto no setor público quanto no setor privado, 'ácentuou-se 0 espírito de reforma para ampliar e remòderriizár os
quadros do pessoal. Nó primei ro caso, foram enormes as cori-
na-infra-estrutura,
nà
comer
cialização urbana,' no sistema financeiro (inclusive área imo
cionalizadorá da Revolução, de 30, foi criado o‘DASP — Departamèh.to Administrativo do Ser
Desenvolvimento, do Presidente
necessidade
viço Públiçò, que inaugurou o sistema do mérito nos quadros
lhor-Sé racionalizavam em bus
da
ca dé üm modelo econôraico-so-
. TTT — Decisão dê absorver,
cial viável, com os I e II Pla
CQmplementarme.nte ao' esforço
viços tradicionais, como os de educação, saúde e segurança:
a
através da'política de fusões e incorporações' — ira' indústria,
biliária) — oü'ã fòrmaçãò de conglomerados financeiros. Há
so, áindá 'sç)b\ã influência ra-
que
certos setores, de estruturas empresariais poderosas, como. a criação de grandes empresas,
■ Depois do Plano de Metas de
pública
mar
tiva de uma sociedade.: moder na planificada não cabe â im
IS
administração
federal.
O
acesso a todos os cárgos públir cos de Carreira .passou a ser
precedido pór conpúrso.. Por tanto, tornou-se necessária umá formação adequada pára. deter minado tipo de especialização administrativa. Não raro, .'par tiam técnicos brasileiros para lòngòs estágios nos Estados Unidos e na Inglatérra.
Cada vez màis, nos últimos trinta anos se acentuou a fun ção ádministrátiva dó Estado; Daí a figura dò füncionário do
minando a administração como seu agèrite .qualificado., o res^
Juscelino Kubitschek, em 1955, as técnicas de planificação me
nos
Macionais
dè
Desenvolvl-
mento, abrangendo - os períodos de .1970. a-1979.
As opções básicas da estra tégia econômica do 2.o PND, são as seguintes: (1)
I — Adoção de regime eco nômico dc mercado, como for ma
de realizar
o' desénvolvi-
niento; com. descentralização' de decisões; mas com, ação norteadora e impulsionadorá do setor público. ● '
de -compatibilizar
tal orientação com á pòlíticà de distribuição, de- renda.
interno, poupança, etcnologia, é capacidade gerençjal externas,
s'èiq ás quais dificilmente .ç.òns-
truiremos, em, prazo, relativamente curto, uma potência in dustrial moderna. Aqui se CO-
ioçà,. obviamente, ,o problema d‘e !ajustar as multinacionais à estratégia nacional. IV — Uso de tecnológiá in
dustrial modèrna,‘comó forma de adquiril’ poder de competi
ção, em grande número de se tores industriais e dè infra-es
trutura. ' Além do problema de émprego,- ê'p'rècisò atender pará-b& eféítoS dé poluição e, em
pònsável.,.Sérn -.essa infrá-estru:
n — Utilização, para a ace leração do deSénvolviménto de
debilita-se a-. própria -atividade
tu -11 -p/ajio Núcl(irísi’'de' Desen</ÕMmentó (1975-1979),' BrasTIla, IBGE, '1975;' Cap. IV;
tura dé homens especializados, perecem.,i.cs serviçQs públicos,
DIGESTO- ECONÔMICO
14
DIGESTO
ECONÔMICO
do Estado. Dentro- da perspec
de sua eficiência está nos re
sequências da- legislação do tra balho adotada- no País, a-;partir da Revolução: de' 30. Uih: trata
sultados que obtém para aten der.às necessidades , e ideais do
mento : adequado< ao operáiúo, permitiu' que -exigências quali
povo.
tativas
provisação e-0 empirismo.- E dessa forma se impõe-um es quema ● burocrático a - Serviço dos encargos’superiores-do bem social. . ■ ;
perdas — como se fosse uma. empresa comercial. A medida
Em conclusão, podemos afir.-
concorressem:
para
a
melhoria da , mão-de-obra em nossa, indústria. No segundo ca
empresa
moderna deve executar os ser-
mas,
deve especialmente vol
tar-se para novas funções que
consistem em orientar Os processos econômicos. Em última
análise, o que importa é o bem social. Esta a lição da Escola Holandesa, que propugna por uma Economia Social.
2) A administração brasüei-
ra antes de 1930, caótica ou en
tregue a um empirismo simplis ta, tendeu a uma orientação
que, de maneira razoável, aco-
lheu a filosofia da racionaliza ção. Isto é, procurou as vias impessoais que levassem à efi ciência e ao rendimento ddvtra-
balho. Tanto no setor público quanto no setor privado, 'ácentuou-se 0 espírito de reforma para ampliar e remòderriizár os
quadros do pessoal. Nó primei ro caso, foram enormes as cori-
na-infra-estrutura,
nà
comer
cialização urbana,' no sistema financeiro (inclusive área imo
cionalizadorá da Revolução, de 30, foi criado o‘DASP — Departamèh.to Administrativo do Ser
Desenvolvimento, do Presidente
necessidade
viço Públiçò, que inaugurou o sistema do mérito nos quadros
lhor-Sé racionalizavam em bus
da
ca dé üm modelo econôraico-so-
. TTT — Decisão dê absorver,
cial viável, com os I e II Pla
CQmplementarme.nte ao' esforço
viços tradicionais, como os de educação, saúde e segurança:
a
através da'política de fusões e incorporações' — ira' indústria,
biliária) — oü'ã fòrmaçãò de conglomerados financeiros. Há
so, áindá 'sç)b\ã influência ra-
que
certos setores, de estruturas empresariais poderosas, como. a criação de grandes empresas,
■ Depois do Plano de Metas de
pública
mar
tiva de uma sociedade.: moder na planificada não cabe â im
IS
administração
federal.
O
acesso a todos os cárgos públir cos de Carreira .passou a ser
precedido pór conpúrso.. Por tanto, tornou-se necessária umá formação adequada pára. deter minado tipo de especialização administrativa. Não raro, .'par tiam técnicos brasileiros para lòngòs estágios nos Estados Unidos e na Inglatérra.
Cada vez màis, nos últimos trinta anos se acentuou a fun ção ádministrátiva dó Estado; Daí a figura dò füncionário do
minando a administração como seu agèrite .qualificado., o res^
Juscelino Kubitschek, em 1955, as técnicas de planificação me
nos
Macionais
dè
Desenvolvl-
mento, abrangendo - os períodos de .1970. a-1979.
As opções básicas da estra tégia econômica do 2.o PND, são as seguintes: (1)
I — Adoção de regime eco nômico dc mercado, como for ma
de realizar
o' desénvolvi-
niento; com. descentralização' de decisões; mas com, ação norteadora e impulsionadorá do setor público. ● '
de -compatibilizar
tal orientação com á pòlíticà de distribuição, de- renda.
interno, poupança, etcnologia, é capacidade gerençjal externas,
s'èiq ás quais dificilmente .ç.òns-
truiremos, em, prazo, relativamente curto, uma potência in dustrial moderna. Aqui se CO-
ioçà,. obviamente, ,o problema d‘e !ajustar as multinacionais à estratégia nacional. IV — Uso de tecnológiá in
dustrial modèrna,‘comó forma de adquiril’ poder de competi
ção, em grande número de se tores industriais e dè infra-es
trutura. ' Além do problema de émprego,- ê'p'rècisò atender pará-b& eféítoS dé poluição e, em
pònsável.,.Sérn -.essa infrá-estru:
n — Utilização, para a ace leração do deSénvolviménto de
debilita-se a-. própria -atividade
tu -11 -p/ajio Núcl(irísi’'de' Desen</ÕMmentó (1975-1979),' BrasTIla, IBGE, '1975;' Cap. IV;
tura dé homens especializados, perecem.,i.cs serviçQs públicos,
DIGESTO
16
geral, de agressão ao meio-am-
biente. V — Incorporação, desde logo, à economia de mercado, do grande espaço brasileiro, ao invés de realizar um modelo geograficamente confinado às áreas já ocupadas. Ao mesmo
tempo, desconcentração da ati
vidade econômica, inclusive da atividade industrial.
VI — Decisão de não adiar
para quando o País for rico, a
melhoria da distribuição de renda e a abertura de oportunida
des para todas as classes, rea
lizando-as simultaneamente com a determinação de manter crescimento acelerado.
0
Além de responsável pela
estratégia e funções públicas propriamente ditas (segurança, justiça, etc.), o Governo consi dera como seu campo de atua ção direta, em relação ao mo delo de mercado:
I — Os setores de infra-es trutura econômica, normalmen te através de empresas gover namentais, em Energia, Trans portes e Comunicações, operan do articuladamente com os Es-
ECONÔMICO
tados e Municípios. Nessas áreas de concessão de serviços públicos, 0 setor privado atuará complementarmente, na forma que for definida. Todavia, as indústrias produtoras de equi pamentos e materiais para tais setores, pertencentes à indús tria de Transformação, não são áreas de responsabilidade do (^verno, e sim da iniciativa privada, n — As áreas de Desenvol-
mento Social, frequentemerilc em ação conjugada com a ini ciativa privada; Educação, Saú de, Previdência Social (a Ha
bitação é caso especial, pois a ação executiva cabe, em geral, ao setor privado).
Constituem campos de atua ção próprios da área privada os setores diretamente produti vos: Indústrias de Transforma
ção, Indústria de ConstruoÃo,
Agricultura e Pecuária, Comér
cio, Seguros, Sistema Financei
ro (ressalvada a função pionei
ra e de estímulo atribuída aos
bancos oficiais).
Nesses setores, não apenas
0 Governo confia seu Desenvol
vimento à iniciativa privada, co-
DIGESTO
ECONÔMICO
mo procura provê-la das condi
17
ganhos de produtividade entre
ções para um desempenho sa
0 produtor e o consumidor. Isso
tisfatório, através de incentivos
corresponde à regra prática (já adotada principalmente no setor industrial), de evitar que os preços dos produtos finais se elevem na mesma proporção
fiscais, financeiros, política de preços e outros estímulos.
Ainda se recomenda o apoio à pequena e média e)mpresa,
dos
pelo reconhecimento de sua im
insumos.
portância econômica e social,
aumentos dos custos dos Com isso se realiza
que possa ocupar
redução real dos preços de bens e serviços, ampliando pro
ou em que possa coexistir com
gressivamente 0 mercado. Nes
nos
setores
a grande empresa. O objetivo é
criar a pequena empresa mo
tas condições, os ganhos de es cala e outras formas de aumen to de produtividade passam a
métodos administrativos, capaz de ter acesso ao crédito, inclu
lucros para o produtor, mas também preços mais baixos pa-
derna, atualizada em sua tec nologia e em sua estrutura e
significar não apenas maiores
sive para capital fixo. Há um
ra
destaque
histórico de ampliação das ba
especial à política
0 consumidor, no processo
contra os abusos do poder ecünômico, executados principal
ses do consumo de massa.
fiscais, regulados no sentido de
sempenho de suas funções .(2)
mente através de instrumentos econômicos. Tais mecanismos serão 0 crédito e os incentivos
evitar práticas oligopolistas, as
Essa, portanto, a diretriz econômica do Governo quanto ao modelo de mercado, e ao de
sim como 0 sistema de controle de preços.
3) Diante desse quadro de responsabilidades, percebem-se
A política de preços é orien
tre organização administrativa e organização econômica.
claramente as
tada no sentido de dividir os
correlações en
(2) Quanto & atuação cio governo, como agente econômico, no Brasil, ler o brilhante ensaio de Werner Baer, Richard Newfarmer e Thomas Trebot — “Considerações sobre 0 Capitalismo Estatal no Brasil: algumas questões e problemas novos” in Pesquisa e Planejamento Econômico, Revista do IPR, Rio de Janeiro, dezembro de 1976, pp. 727-753.
DIGESTO
16
geral, de agressão ao meio-am-
biente. V — Incorporação, desde logo, à economia de mercado, do grande espaço brasileiro, ao invés de realizar um modelo geograficamente confinado às áreas já ocupadas. Ao mesmo
tempo, desconcentração da ati
vidade econômica, inclusive da atividade industrial.
VI — Decisão de não adiar
para quando o País for rico, a
melhoria da distribuição de renda e a abertura de oportunida
des para todas as classes, rea
lizando-as simultaneamente com a determinação de manter crescimento acelerado.
0
Além de responsável pela
estratégia e funções públicas propriamente ditas (segurança, justiça, etc.), o Governo consi dera como seu campo de atua ção direta, em relação ao mo delo de mercado:
I — Os setores de infra-es trutura econômica, normalmen te através de empresas gover namentais, em Energia, Trans portes e Comunicações, operan do articuladamente com os Es-
ECONÔMICO
tados e Municípios. Nessas áreas de concessão de serviços públicos, 0 setor privado atuará complementarmente, na forma que for definida. Todavia, as indústrias produtoras de equi pamentos e materiais para tais setores, pertencentes à indús tria de Transformação, não são áreas de responsabilidade do (^verno, e sim da iniciativa privada, n — As áreas de Desenvol-
mento Social, frequentemerilc em ação conjugada com a ini ciativa privada; Educação, Saú de, Previdência Social (a Ha
bitação é caso especial, pois a ação executiva cabe, em geral, ao setor privado).
Constituem campos de atua ção próprios da área privada os setores diretamente produti vos: Indústrias de Transforma
ção, Indústria de ConstruoÃo,
Agricultura e Pecuária, Comér
cio, Seguros, Sistema Financei
ro (ressalvada a função pionei
ra e de estímulo atribuída aos
bancos oficiais).
Nesses setores, não apenas
0 Governo confia seu Desenvol
vimento à iniciativa privada, co-
DIGESTO
ECONÔMICO
mo procura provê-la das condi
17
ganhos de produtividade entre
ções para um desempenho sa
0 produtor e o consumidor. Isso
tisfatório, através de incentivos
corresponde à regra prática (já adotada principalmente no setor industrial), de evitar que os preços dos produtos finais se elevem na mesma proporção
fiscais, financeiros, política de preços e outros estímulos.
Ainda se recomenda o apoio à pequena e média e)mpresa,
dos
pelo reconhecimento de sua im
insumos.
portância econômica e social,
aumentos dos custos dos Com isso se realiza
que possa ocupar
redução real dos preços de bens e serviços, ampliando pro
ou em que possa coexistir com
gressivamente 0 mercado. Nes
nos
setores
a grande empresa. O objetivo é
criar a pequena empresa mo
tas condições, os ganhos de es cala e outras formas de aumen to de produtividade passam a
métodos administrativos, capaz de ter acesso ao crédito, inclu
lucros para o produtor, mas também preços mais baixos pa-
derna, atualizada em sua tec nologia e em sua estrutura e
significar não apenas maiores
sive para capital fixo. Há um
ra
destaque
histórico de ampliação das ba
especial à política
0 consumidor, no processo
contra os abusos do poder ecünômico, executados principal
ses do consumo de massa.
fiscais, regulados no sentido de
sempenho de suas funções .(2)
mente através de instrumentos econômicos. Tais mecanismos serão 0 crédito e os incentivos
evitar práticas oligopolistas, as
Essa, portanto, a diretriz econômica do Governo quanto ao modelo de mercado, e ao de
sim como 0 sistema de controle de preços.
3) Diante desse quadro de responsabilidades, percebem-se
A política de preços é orien
tre organização administrativa e organização econômica.
claramente as
tada no sentido de dividir os
correlações en
(2) Quanto & atuação cio governo, como agente econômico, no Brasil, ler o brilhante ensaio de Werner Baer, Richard Newfarmer e Thomas Trebot — “Considerações sobre 0 Capitalismo Estatal no Brasil: algumas questões e problemas novos” in Pesquisa e Planejamento Econômico, Revista do IPR, Rio de Janeiro, dezembro de 1976, pp. 727-753.
DIGESTO
18
ECONÔMICO
nos
lizadora, restringidas a inicia
países desenvolvidos conta com um sistema administrativo que lhe assegure os melhores níveis de produção. Daí, a empresa
tiva e a liberdade de empresa, nos situamos num contexto so
O
sistema
econômico
ou 0 Estado recorrerem às téc
nicas de planificação.
Esse processo pode ser en contrado em qualquer subsiste-
ma da sociedade, em qualquer nível de organização que pos sua um
mínimo de autonomia
na escolha de objetivos. Na me dida em que a sociedade se
complexifica, o planejamento deverá ser integrado: neste sentido, é mais correta a deno minação “planejamento social”
ou “desenvolvimento”. Portanto, a noção de planificação se am
plia, partindo da idéia de uma economia planificada para a de
uma sociedade planificada. Tra
ta-se de um conceito genérico que
abrange
a totalidade da
ação de desenvolvimento, den tro da fórmula democrática de Mannheim.
Conforme a sua extensão no sistema econômico-social, che
garemos à sua diversificação ideológica. Assim, quando a planificação é integral e tota(3)
KarI
Mannheim
Cultura
cialista, sendo o Estado o árbi tro dos preços e o detentor dos instrumentos da produção. Quando no contrário, o critério da planificação se fundamenta na preservação da liberdade in dividual, ela poderá ser pro gressiva e gradual. Esta é a orientação indicativa do pla nejamento democrático. Mannheim
tenta
distinção
metodológica
México,
1946.
uma
entre
ambas: no primeiro caso, o ca
ráter compulsório deriva do fa
ECONÔMICO
19
vas em função de recursos hu manos — será relevante a teo
ria de Pierre Maillet. (4) Trata-se de avançada concepção econômica do desenvolvimento com suporte sociológico.
Observou Maillet, atenta mente, as deformações ligadas ao desenvolvimento nos últimos 150 anos. Não somente o cres
cimento de conjunto foi mais variável de um país para outro, mas também, em cada país, o crescimento econômico é acom
panhado de disparidades. Esse fenômeno criou ou ampliou inú
to de se submeter ao controle
meras diferenças, tais como:
do Poder Executivo, ao passo que, no segundo, o controle é o do Poder Legislativo, que atra vés de discussão e participação que lhe são próprias, resguarda
I — modificações da distri
as
liberdades
individuais.
(3)
buição de mão-de-obra entre as atividades, taxa desigual de crescimento das diversas pro duções;
Neste último esquema, conci liando-se liberdade e planifica ção, se atingem, em maior equi
H — desigualdade do cres cimento regional;
líbrio, as metas econômicas e
buição cidades-campos; IV — modificação na distri buição das rendas;
as metas sociais.
4) A fim de compreender
m — subversão da distri
mos 0 sistema econômico, vol
tado à produção de bens, mas sensível às exigências qualitati-
— Libertad y PlanlUcacIõn Social, tradução de
Economica,
estabelecer
DIGESTO
Rubén
Landa,
Fondo de
V — grandes distorções nos preços relativos produtos. (4)
Pierre
Maillet
—
dos
O
“Saber Atuei", n.o 128.
diversos
0 fenômeno mais espeta cular é a modificação da distri buição da população ativa entre agricultura, indústria e servi
ços. No fim do século XVII, a agricultura ocupava cerca de 80% da mão-de-obra, enquanto no restante 0 resultado se repar
tia entre artesãos, comercian
tes e alguns funcionários. Ainda
hoje na índia e Paquistão a
percentagem ultrapassa 70%.
Em
que
compensação nos países atingiram níveis de vida
elevados desce a valores bem
fracos: 5% na Grã-Bretanha. 10% nos Estados Unidos e na
Bélgica, menos de 20% na Fran-
ça, na
Alemanha, na Holanda, Canadá. No nível mundial, calcula-se que, mais ou menos no
em 1950, a população ativa do
globo era, aproximadamente, de
um bilhão, do qual pouco mais da metade trabalhava na agri cultura, e menos de 200 milhões nas minas, indústrias e artesanatos,
Essa deformação
está
estreitamente ligada ao fenô-
meno
do crescimento: resulta
da conjunção de um aumento da produtividade e de uma di versificação das necessidades
expressas pelos consumidores.
Crescimento Econômico,
trod.
de Octavio Mendes Cajado, col.
Difusão Européia do Livro. São Paulo, 1968.
DIGESTO
18
ECONÔMICO
nos
lizadora, restringidas a inicia
países desenvolvidos conta com um sistema administrativo que lhe assegure os melhores níveis de produção. Daí, a empresa
tiva e a liberdade de empresa, nos situamos num contexto so
O
sistema
econômico
ou 0 Estado recorrerem às téc
nicas de planificação.
Esse processo pode ser en contrado em qualquer subsiste-
ma da sociedade, em qualquer nível de organização que pos sua um
mínimo de autonomia
na escolha de objetivos. Na me dida em que a sociedade se
complexifica, o planejamento deverá ser integrado: neste sentido, é mais correta a deno minação “planejamento social”
ou “desenvolvimento”. Portanto, a noção de planificação se am
plia, partindo da idéia de uma economia planificada para a de
uma sociedade planificada. Tra
ta-se de um conceito genérico que
abrange
a totalidade da
ação de desenvolvimento, den tro da fórmula democrática de Mannheim.
Conforme a sua extensão no sistema econômico-social, che
garemos à sua diversificação ideológica. Assim, quando a planificação é integral e tota(3)
KarI
Mannheim
Cultura
cialista, sendo o Estado o árbi tro dos preços e o detentor dos instrumentos da produção. Quando no contrário, o critério da planificação se fundamenta na preservação da liberdade in dividual, ela poderá ser pro gressiva e gradual. Esta é a orientação indicativa do pla nejamento democrático. Mannheim
tenta
distinção
metodológica
México,
1946.
uma
entre
ambas: no primeiro caso, o ca
ráter compulsório deriva do fa
ECONÔMICO
19
vas em função de recursos hu manos — será relevante a teo
ria de Pierre Maillet. (4) Trata-se de avançada concepção econômica do desenvolvimento com suporte sociológico.
Observou Maillet, atenta mente, as deformações ligadas ao desenvolvimento nos últimos 150 anos. Não somente o cres
cimento de conjunto foi mais variável de um país para outro, mas também, em cada país, o crescimento econômico é acom
panhado de disparidades. Esse fenômeno criou ou ampliou inú
to de se submeter ao controle
meras diferenças, tais como:
do Poder Executivo, ao passo que, no segundo, o controle é o do Poder Legislativo, que atra vés de discussão e participação que lhe são próprias, resguarda
I — modificações da distri
as
liberdades
individuais.
(3)
buição de mão-de-obra entre as atividades, taxa desigual de crescimento das diversas pro duções;
Neste último esquema, conci liando-se liberdade e planifica ção, se atingem, em maior equi
H — desigualdade do cres cimento regional;
líbrio, as metas econômicas e
buição cidades-campos; IV — modificação na distri buição das rendas;
as metas sociais.
4) A fim de compreender
m — subversão da distri
mos 0 sistema econômico, vol
tado à produção de bens, mas sensível às exigências qualitati-
— Libertad y PlanlUcacIõn Social, tradução de
Economica,
estabelecer
DIGESTO
Rubén
Landa,
Fondo de
V — grandes distorções nos preços relativos produtos. (4)
Pierre
Maillet
—
dos
O
“Saber Atuei", n.o 128.
diversos
0 fenômeno mais espeta cular é a modificação da distri buição da população ativa entre agricultura, indústria e servi
ços. No fim do século XVII, a agricultura ocupava cerca de 80% da mão-de-obra, enquanto no restante 0 resultado se repar
tia entre artesãos, comercian
tes e alguns funcionários. Ainda
hoje na índia e Paquistão a
percentagem ultrapassa 70%.
Em
que
compensação nos países atingiram níveis de vida
elevados desce a valores bem
fracos: 5% na Grã-Bretanha. 10% nos Estados Unidos e na
Bélgica, menos de 20% na Fran-
ça, na
Alemanha, na Holanda, Canadá. No nível mundial, calcula-se que, mais ou menos no
em 1950, a população ativa do
globo era, aproximadamente, de
um bilhão, do qual pouco mais da metade trabalhava na agri cultura, e menos de 200 milhões nas minas, indústrias e artesanatos,
Essa deformação
está
estreitamente ligada ao fenô-
meno
do crescimento: resulta
da conjunção de um aumento da produtividade e de uma di versificação das necessidades
expressas pelos consumidores.
Crescimento Econômico,
trod.
de Octavio Mendes Cajado, col.
Difusão Européia do Livro. São Paulo, 1968.
,v
■s„-
.>i‘
;»
● > V (
●á"
á.
V
i*.
6>.
importância
'● ^
!> .
.w
í
●y-
●?í
fTJi
da lei sobre
k-
r
r’-
(í(í
■-;●■■■
●●w.
usucapião
vi; r
INSTITUTO DE _
ECONOMIA GASTAO ● *s.’j
VIDIGAL
Hermann IVI. Gôrgen
Conhecer a economia nacional c miindrol. através de estudos constantes de levantamento de dados estatísticos c com o Instituto dc
Considerações sobre
Economia Gastão Vidigai.
lèi de
Mas hSo é isló apenas. Colaborar no intercâmbio de estudos sobre
grande alcance social. O autor é professor universitário
economia e orientar as empresas de pequeno c medio portes sâo algumas de suas atividades.
Associe-se à Associação Comercial de São Paulo c aproveite as vantagens e serviços que o lEGV pode oferecer.
Na legislação brasileira exis-
te a aquisição
de propriedade
mediante a posse "de fato” e ininterrupta de um imóvel ru ral Rua Bon Visin. .Sl - C. Postal 8082 -- Cop 01014 - Telex (11) 2.T.T.S5 - SP - PABX 2.39-1.133,
durante
um
determinado
prazo prescrito por lei. 0 "do-
mínio
é fundado
e garantido
somente por um documento le
gal que se baseia ou numa he rança ou na compra. Quem, po rém, durante anos é “posseiro” incontestado de uma área rural
,v
■s„-
.>i‘
;»
● > V (
●á"
á.
V
i*.
6>.
importância
'● ^
!> .
.w
í
●y-
●?í
fTJi
da lei sobre
k-
r
r’-
(í(í
■-;●■■■
●●w.
usucapião
vi; r
INSTITUTO DE _
ECONOMIA GASTAO ● *s.’j
VIDIGAL
Hermann IVI. Gôrgen
Conhecer a economia nacional c miindrol. através de estudos constantes de levantamento de dados estatísticos c com o Instituto dc
Considerações sobre
Economia Gastão Vidigai.
lèi de
Mas hSo é isló apenas. Colaborar no intercâmbio de estudos sobre
grande alcance social. O autor é professor universitário
economia e orientar as empresas de pequeno c medio portes sâo algumas de suas atividades.
Associe-se à Associação Comercial de São Paulo c aproveite as vantagens e serviços que o lEGV pode oferecer.
Na legislação brasileira exis-
te a aquisição
de propriedade
mediante a posse "de fato” e ininterrupta de um imóvel ru ral Rua Bon Visin. .Sl - C. Postal 8082 -- Cop 01014 - Telex (11) 2.T.T.S5 - SP - PABX 2.39-1.133,
durante
um
determinado
prazo prescrito por lei. 0 "do-
mínio
é fundado
e garantido
somente por um documento le
gal que se baseia ou numa he rança ou na compra. Quem, po rém, durante anos é “posseiro” incontestado de uma área rural
26
DIGESTO
lidar com um tribunal, sc bem
com sua operosidade, a serviço
que a pedido a lei lhe conce
do
de, expressamente,
6/1981, pág. 427).
assistên-
cia judiciária gratuita”.
Com referência a possíveis conflitos, 0 legislador determi nou que, a pedido do autor da
ação de usucapião, o juiz de causa poderá mobilizar a polí cia a fim de garantir a perma nência no imóvel e a integrida de física do novo e legítimo proprietário. Afirmou o presidente Fi gueiredo, ao sancionar a lei,
que ela obedece "à função so cial da propriedade”: “proprie dade se desloca, assim, do pro prietário. que a deixou deserta, para 0 posseiro que a colocou,
ECONÔMICO
interesse
social
(CGB
Esse critério provavelmen te dará novos estímulos à exe
cução das regulamentações do Estatuto da Terra, reunidas na lei n.o 4.504, ds 30.11.1964, que foi uma reforma agrária sem porém surtir efeitos práticos. O Governo está preparando, tam bém para o solo urbano, uma medida legal que deverá regu lamentar a aquisição de pro priedade de terra de modo se melhante, passando com isso n solucionar, sobretudo, o pro blema das favelas, isto é, dos bairros
miseráveis
existentes
em quase todas as grandes ci dades brasileiras.
de classe Dom Vicente Scherer
Cristo não assumiu atitude de
adversário de possuidores de bens. O autor foi cardeal arcebispo de Porto Alegre
Vai-se difundindo em deter minados setores uma doutrina
cerca
inspiradora de atitudqs e ação que não me parecem levar a
portadoras de esquistossomose e de dois a três milhões acometidas por ma
resultados positivos a favor da vida cristã nem de uma mais
Esquistossomose, ainda endêmica
Existem no Brasil
lária, endemias que grassam era grande parte do território nacional As duas parasitoses depauperam fisicamente os doentes e os incapacitam para o tra balho, o que representa grande ônus para a economia nacional e situação social constrangedora. Apesar do desenvolvimento dos meios de investigação, dos conhecimentos adquiridos no campo da bioquímica c da fisiologia dos
esquistossomos e plasmódios e das pesquisas realizadas, que aumentaram 0 ar^nal terapêutico, não se conseguiu ainda o fármaco ideal. Muitas vezes, os fármacos introduzidos e saudados como solução para aquelas parasitoses
caem rapidamente em desuso, diante dos efeitos adversos, quase
graves.
sempre
Na USP vêm sendo desenvolvidas pesquisas no setor e, no Departa
mento de Farmácia da
Faculdade de Ciências Farmacêuticas,
as profas:
Elizabeth Igne Ferreira e Maria Amélia Barata da Silveira, sob orientação (Continua na página 30)
satisfatória organização social.
traçados pela fé e pelo Evan gelho. Multiplicam-se afirma ções e escritos em que aberta
mente se estabelece uma difeclassista e ideologizada, considerando-se pobres e mar
rcnça
ginalizados como aceitos e ami-
à
gos
de Deus e todos os demais,
tradição, que começou pelos do ze apóstolos, a Igreja declara-
que
nao
Em obediência a Cristo e fiel
se universalmente solidária com os mais necessitados de ampa
ro, defesa e promoção. Mas, em manifestações e iniciativas, que
se estão amiudando, observamse inegáveis desvios dos limites
se encontram,
quase
sempre graças ao próprio esfor
ço, nas mesmas lamentáveis
condições, como excluídos do favor e da benevolência do Alto. A idéia exprime-se pela fórmu
la de que “Deus está ao lado do povo”, entendendo-se estas
26
DIGESTO
lidar com um tribunal, sc bem
com sua operosidade, a serviço
que a pedido a lei lhe conce
do
de, expressamente,
6/1981, pág. 427).
assistên-
cia judiciária gratuita”.
Com referência a possíveis conflitos, 0 legislador determi nou que, a pedido do autor da
ação de usucapião, o juiz de causa poderá mobilizar a polí cia a fim de garantir a perma nência no imóvel e a integrida de física do novo e legítimo proprietário. Afirmou o presidente Fi gueiredo, ao sancionar a lei,
que ela obedece "à função so cial da propriedade”: “proprie dade se desloca, assim, do pro prietário. que a deixou deserta, para 0 posseiro que a colocou,
ECONÔMICO
interesse
social
(CGB
Esse critério provavelmen te dará novos estímulos à exe
cução das regulamentações do Estatuto da Terra, reunidas na lei n.o 4.504, ds 30.11.1964, que foi uma reforma agrária sem porém surtir efeitos práticos. O Governo está preparando, tam bém para o solo urbano, uma medida legal que deverá regu lamentar a aquisição de pro priedade de terra de modo se melhante, passando com isso n solucionar, sobretudo, o pro blema das favelas, isto é, dos bairros
miseráveis
existentes
em quase todas as grandes ci dades brasileiras.
de classe Dom Vicente Scherer
Cristo não assumiu atitude de
adversário de possuidores de bens. O autor foi cardeal arcebispo de Porto Alegre
Vai-se difundindo em deter minados setores uma doutrina
cerca
inspiradora de atitudqs e ação que não me parecem levar a
portadoras de esquistossomose e de dois a três milhões acometidas por ma
resultados positivos a favor da vida cristã nem de uma mais
Esquistossomose, ainda endêmica
Existem no Brasil
lária, endemias que grassam era grande parte do território nacional As duas parasitoses depauperam fisicamente os doentes e os incapacitam para o tra balho, o que representa grande ônus para a economia nacional e situação social constrangedora. Apesar do desenvolvimento dos meios de investigação, dos conhecimentos adquiridos no campo da bioquímica c da fisiologia dos
esquistossomos e plasmódios e das pesquisas realizadas, que aumentaram 0 ar^nal terapêutico, não se conseguiu ainda o fármaco ideal. Muitas vezes, os fármacos introduzidos e saudados como solução para aquelas parasitoses
caem rapidamente em desuso, diante dos efeitos adversos, quase
graves.
sempre
Na USP vêm sendo desenvolvidas pesquisas no setor e, no Departa
mento de Farmácia da
Faculdade de Ciências Farmacêuticas,
as profas:
Elizabeth Igne Ferreira e Maria Amélia Barata da Silveira, sob orientação (Continua na página 30)
satisfatória organização social.
traçados pela fé e pelo Evan gelho. Multiplicam-se afirma ções e escritos em que aberta
mente se estabelece uma difeclassista e ideologizada, considerando-se pobres e mar
rcnça
ginalizados como aceitos e ami-
à
gos
de Deus e todos os demais,
tradição, que começou pelos do ze apóstolos, a Igreja declara-
que
nao
Em obediência a Cristo e fiel
se universalmente solidária com os mais necessitados de ampa
ro, defesa e promoção. Mas, em manifestações e iniciativas, que
se estão amiudando, observamse inegáveis desvios dos limites
se encontram,
quase
sempre graças ao próprio esfor
ço, nas mesmas lamentáveis
condições, como excluídos do favor e da benevolência do Alto. A idéia exprime-se pela fórmu
la de que “Deus está ao lado do povo”, entendendo-se estas
23
DIGESTO
ECONÔMICO
palavras no sentido evidente mente restritivo e exclusivista. Uns se consideram santos e predestinados e os outros in cluem-se na “massa damnata"
giosa e educacional. Inúmeras vezes 0 Papa João Paulo II o inculcou no Brasil e em outras
dos esquecidos ou rejeitados.
homens, dirigentes e povo, se gundo as diretrizes e esperan
Mas já toda a história do antigo povo eleito, desde a saí da do Egito pela influência de cisiva das pragas, se conhece como uma sequência de infide
oportunidades. que
Na
conseguirmos
proporção formar
os
ças do Evangelho, estarão cria das condições indispensáveis para a eliminação da opressão, da injustiça e da extrema mi
lidades e idolatrias das multi
séria que, de acordo com os planos de Deus, não deveriam
os poderosos opressores do povo também este atraiu as du ras e veementes apóstrofes dos
existir. Sem isso, não nos dife
dões e dos seus dirigentes. Como
profetas. Tanto os chefes, civis
e religiosos, quanto a multidão desvairada exigiu de Pilatos a
condenação do Salvador., Deus não olha para a bolsa, se , está cheia ou vazia, mas
perscruta
0 coração. Verifica a fidelidade
que lhe conserva, criatura huniana.
ou ,nao,
a
querem
e
proclamam
certos pseudo-refbrmadòres da
teologia e do cristianismo,
co-
mo "o povo que se liberta' ou
organiza para a libertação era sentido econômico, político e social. Formamos uma Igreja de
fidelidade
Na tentativa de indispor ou revoltar os pobres contra os que se acham om melhores condi
ções de vida, em certa literatu ra eclcsial se citam as violen
tas invectivas dos profetas dó .Antigo
A Igreja não se define, se
gundo
renciaremos substancialmente da mentalidade e da filosofia do marxismo.
essencíalmente
transcendente, de ordem reli¬
Testamento
contra
ás
injustiças sociais. Deus sempre as
aborrece
e
condena.
Más
não se pode concluir que ficam excluídos do seu amor e prote
ção os que vivem em condições
mais favoráveis. Deus a todos oferece os auxílios indispensá veis da sua graça e sua prote
ção. Cristo tomou â defesa dos pobres que no coração entronizam e cultuam os mesmos ído-
DIGESTO
ECONÔMICO
los da outra classe esquecida das obrigações que os bens ad quiridos impõem. Cristo não se colocou contra os ricos como adversário no campo social e manteve rela
cionamento amistoso com pes soas abastadas. Ao lado do seu
presépio estavam os reis visi
29
por motivos ascéticos ou de amor à pobreza mas no intuito de auxiliar os pobres e indigen tes. Mesmo a opinião bastante difundida de que o cristianismo antigo se compunha quase so mente da classe pobre é com-
provadamente um exagero ina ceitável.
tantes com as ofertas de ouro,
incenso e mirra. O sepulcro, em que 0 depositaram almas ami gas e compassivas, pertencia a
um discípulo de boa condição social. No
secular e venerado
símbolo da fé repetimos: “Por
ce
Cristo portanto não conhedesprezo ou recusa da pro
priedade e não assumiu a S-titude de adversário jurado dos
possuidores de bens, como fazem
hoje os sacerdotes que se
recusam
a
dizer missa por fa
causa de nós homens e da nossa
lecidos, pela única razão de te-
salvação desceu do céu.” E São
rem
Paulo afirma: “Deus quer que todos os homens se salvem e cheguem a conhecer a verda
de.” Jantou na casa de Zaqueu, que aliás até adquirira os bens de maneira pouco ou nada ho nesta.
As palavras de Cristo con tra os ricos não visara à mu
dança das situações econômicas e sociais, da época mas assina lam os perigos das riquezas, em
que muitos sucumbem, para os superiores valores do Reino de
Justiça e de Amor que Ele pro clama. A comunidade cristã primitiva vendeu os bens não
situação econômica me lhor, ou se negam a benzer uma
loja qualquer de comércio. Tal ojeriza e hostilidade indiscri
minada não provém do esppito de Cristo mas se identifica com alguns chavões de propa
ganda das teorias de Marx e
Engels para os quais todos os bens provêm de roubo e os que
os possuem, por isso, se classi como
ficam
indistintamente
opressores que exploram a outi-a classe que chamam de opri midos.
0
amor
misericordioso
e
salvífico de Deus a todos atinge
e abraça. É doutrina básica da
23
DIGESTO
ECONÔMICO
palavras no sentido evidente mente restritivo e exclusivista. Uns se consideram santos e predestinados e os outros in cluem-se na “massa damnata"
giosa e educacional. Inúmeras vezes 0 Papa João Paulo II o inculcou no Brasil e em outras
dos esquecidos ou rejeitados.
homens, dirigentes e povo, se gundo as diretrizes e esperan
Mas já toda a história do antigo povo eleito, desde a saí da do Egito pela influência de cisiva das pragas, se conhece como uma sequência de infide
oportunidades. que
Na
conseguirmos
proporção formar
os
ças do Evangelho, estarão cria das condições indispensáveis para a eliminação da opressão, da injustiça e da extrema mi
lidades e idolatrias das multi
séria que, de acordo com os planos de Deus, não deveriam
os poderosos opressores do povo também este atraiu as du ras e veementes apóstrofes dos
existir. Sem isso, não nos dife
dões e dos seus dirigentes. Como
profetas. Tanto os chefes, civis
e religiosos, quanto a multidão desvairada exigiu de Pilatos a
condenação do Salvador., Deus não olha para a bolsa, se , está cheia ou vazia, mas
perscruta
0 coração. Verifica a fidelidade
que lhe conserva, criatura huniana.
ou ,nao,
a
querem
e
proclamam
certos pseudo-refbrmadòres da
teologia e do cristianismo,
co-
mo "o povo que se liberta' ou
organiza para a libertação era sentido econômico, político e social. Formamos uma Igreja de
fidelidade
Na tentativa de indispor ou revoltar os pobres contra os que se acham om melhores condi
ções de vida, em certa literatu ra eclcsial se citam as violen
tas invectivas dos profetas dó .Antigo
A Igreja não se define, se
gundo
renciaremos substancialmente da mentalidade e da filosofia do marxismo.
essencíalmente
transcendente, de ordem reli¬
Testamento
contra
ás
injustiças sociais. Deus sempre as
aborrece
e
condena.
Más
não se pode concluir que ficam excluídos do seu amor e prote
ção os que vivem em condições
mais favoráveis. Deus a todos oferece os auxílios indispensá veis da sua graça e sua prote
ção. Cristo tomou â defesa dos pobres que no coração entronizam e cultuam os mesmos ído-
DIGESTO
ECONÔMICO
los da outra classe esquecida das obrigações que os bens ad quiridos impõem. Cristo não se colocou contra os ricos como adversário no campo social e manteve rela
cionamento amistoso com pes soas abastadas. Ao lado do seu
presépio estavam os reis visi
29
por motivos ascéticos ou de amor à pobreza mas no intuito de auxiliar os pobres e indigen tes. Mesmo a opinião bastante difundida de que o cristianismo antigo se compunha quase so mente da classe pobre é com-
provadamente um exagero ina ceitável.
tantes com as ofertas de ouro,
incenso e mirra. O sepulcro, em que 0 depositaram almas ami gas e compassivas, pertencia a
um discípulo de boa condição social. No
secular e venerado
símbolo da fé repetimos: “Por
ce
Cristo portanto não conhedesprezo ou recusa da pro
priedade e não assumiu a S-titude de adversário jurado dos
possuidores de bens, como fazem
hoje os sacerdotes que se
recusam
a
dizer missa por fa
causa de nós homens e da nossa
lecidos, pela única razão de te-
salvação desceu do céu.” E São
rem
Paulo afirma: “Deus quer que todos os homens se salvem e cheguem a conhecer a verda
de.” Jantou na casa de Zaqueu, que aliás até adquirira os bens de maneira pouco ou nada ho nesta.
As palavras de Cristo con tra os ricos não visara à mu
dança das situações econômicas e sociais, da época mas assina lam os perigos das riquezas, em
que muitos sucumbem, para os superiores valores do Reino de
Justiça e de Amor que Ele pro clama. A comunidade cristã primitiva vendeu os bens não
situação econômica me lhor, ou se negam a benzer uma
loja qualquer de comércio. Tal ojeriza e hostilidade indiscri
minada não provém do esppito de Cristo mas se identifica com alguns chavões de propa
ganda das teorias de Marx e
Engels para os quais todos os bens provêm de roubo e os que
os possuem, por isso, se classi como
ficam
indistintamente
opressores que exploram a outi-a classe que chamam de opri midos.
0
amor
misericordioso
e
salvífico de Deus a todos atinge
e abraça. É doutrina básica da
30
DIGESTO
Escritura. Os espíritos de “dura cerviz e de coração incircuncidado” que colocam o prazer, a riqueza e o aproveitamento dos
seus
bens
como ídolo ex
clusivo, novo bezerro de ouro, no altar do seu coração e da sua vida, e também os pobres, que se afastam da fidelidade
ECONÔMICO
despenhadeiros
às exigências da consciência cristã, no dia do juízo sofrerão as consequências de suas op ções, não por serem ricos ou pobres, mas por terem recusado os apelos de conversão e os es tímulos
da
misericórdia
e
da
do
amor do Pai celeste que “sobre
todos faz nascer o sol da graça”.
humanidade
(Continuação da página 26)
do prof. Andrejus Korolkovas, prepararam diversos fármacos potencialmente ativos em esquistossomiase e malária. Agentes e zonas — São três os agentes causadores da esquistossomiase humana: Schitosoma mansonl, responsável pela esquistossomiase intestinal; S. haematobium, que provoca a esquistossomíase vesical; e S. japonicum, agente da esquistossomiase hepatesplênlcaNo Brasil existe apenas a mansônica. Quanto à malária humana, os agentes
João de
Scantímburgo
etiológicos são quatro: Plasmodlom faclparum, P. vivax, P. málarlae e P. ovale (o único que não existe no BrasiD. As zonas de esquistossomiase en
dêmica compreendem extensa faixa litorânea, especialmente nas regiões Nor deste e Leste. Os maiores focos estão nos Estado do Rio Grande do Norte, Pa
Esperemos que pesse a febre alta
raíba Pen^buco. Alagoas, Sergipe, Bahia e Minas Gerais. Em São Paulo,
I
do marxismo.
há focos isolados. A malária existe em quase todo o território nacional, excetuando-se o Rio Grande do Sul, o vale do Paraíba, em São Paulo, parte do Estado do Rio de Janeiro, as áreas secas do Nordeste e as regiões monta
O autor é da Academia Paulista de Letras e da UNESP
nhosas. É provável que o Brasil se coloque entre os maiores focoe de malá-
ria do mundo e a situação tende a agravar-se nos próximos anos, em conse
O dominicano francês, pa
quência do encurtamento das distâncias mediante desenvolvimento das rodovias e de outros meios de transporte, facilitando o acesso da população das
dre Bruckberger, escreveu que
de irrigação e de hidrelétricas constituem meios de disseminar as parasitoses, especialmente a esquistossomiase e a malária, estreitamente ligadas à
na Igreja é para cultuarem o
regiões endêmicas aos centros urbanos. Também a construção de sistemas
água e aos costumes das populações afetadas. Eiradicação — O alto custo das campanhas destinadas ao controle e ã erradicação dessas parasltoses tem levado à paralisação de projetos, enquanto a educação sanitária, que deveria segundo os professores da USP, ser parte integrante dessas campanhas, itóo
leva a resultados satisfatórios, dada a descontinuidade com que são feitas. Paralelamente às medidas profiláticas e outras, como o desenvolvimento de vacinas, deve-se considerar o papel importante da quimioterapia, que objetiva (Continua na página 34)
quando
os homens
se reúnem
Cristo e se impregnarem de seus ensinamentos.
Infelizmen-
te, não é o que observamos. Não faz muito, reuniu-se em Lourdes, na França, o episco pado francês. Segundo uma re vista, não se pronunciou o nome de Cristo uma só vez,
mas se tratou, e muito, de luta
de classes, de problemas econô
micos, de política e de outros temas, para os quais, pela pa lavra e pela ação, os bispos ali reunidos não tinham solução.
A Igreja tem uma doutrina moral. Não tem uma doutrina econômica. As encíclicas so
ciais, de que o Rerum Novarum, foi a precursora e até ho-
30
DIGESTO
Escritura. Os espíritos de “dura cerviz e de coração incircuncidado” que colocam o prazer, a riqueza e o aproveitamento dos
seus
bens
como ídolo ex
clusivo, novo bezerro de ouro, no altar do seu coração e da sua vida, e também os pobres, que se afastam da fidelidade
ECONÔMICO
despenhadeiros
às exigências da consciência cristã, no dia do juízo sofrerão as consequências de suas op ções, não por serem ricos ou pobres, mas por terem recusado os apelos de conversão e os es tímulos
da
misericórdia
e
da
do
amor do Pai celeste que “sobre
todos faz nascer o sol da graça”.
humanidade
(Continuação da página 26)
do prof. Andrejus Korolkovas, prepararam diversos fármacos potencialmente ativos em esquistossomiase e malária. Agentes e zonas — São três os agentes causadores da esquistossomiase humana: Schitosoma mansonl, responsável pela esquistossomiase intestinal; S. haematobium, que provoca a esquistossomíase vesical; e S. japonicum, agente da esquistossomiase hepatesplênlcaNo Brasil existe apenas a mansônica. Quanto à malária humana, os agentes
João de
Scantímburgo
etiológicos são quatro: Plasmodlom faclparum, P. vivax, P. málarlae e P. ovale (o único que não existe no BrasiD. As zonas de esquistossomiase en
dêmica compreendem extensa faixa litorânea, especialmente nas regiões Nor deste e Leste. Os maiores focos estão nos Estado do Rio Grande do Norte, Pa
Esperemos que pesse a febre alta
raíba Pen^buco. Alagoas, Sergipe, Bahia e Minas Gerais. Em São Paulo,
I
do marxismo.
há focos isolados. A malária existe em quase todo o território nacional, excetuando-se o Rio Grande do Sul, o vale do Paraíba, em São Paulo, parte do Estado do Rio de Janeiro, as áreas secas do Nordeste e as regiões monta
O autor é da Academia Paulista de Letras e da UNESP
nhosas. É provável que o Brasil se coloque entre os maiores focoe de malá-
ria do mundo e a situação tende a agravar-se nos próximos anos, em conse
O dominicano francês, pa
quência do encurtamento das distâncias mediante desenvolvimento das rodovias e de outros meios de transporte, facilitando o acesso da população das
dre Bruckberger, escreveu que
de irrigação e de hidrelétricas constituem meios de disseminar as parasitoses, especialmente a esquistossomiase e a malária, estreitamente ligadas à
na Igreja é para cultuarem o
regiões endêmicas aos centros urbanos. Também a construção de sistemas
água e aos costumes das populações afetadas. Eiradicação — O alto custo das campanhas destinadas ao controle e ã erradicação dessas parasltoses tem levado à paralisação de projetos, enquanto a educação sanitária, que deveria segundo os professores da USP, ser parte integrante dessas campanhas, itóo
leva a resultados satisfatórios, dada a descontinuidade com que são feitas. Paralelamente às medidas profiláticas e outras, como o desenvolvimento de vacinas, deve-se considerar o papel importante da quimioterapia, que objetiva (Continua na página 34)
quando
os homens
se reúnem
Cristo e se impregnarem de seus ensinamentos.
Infelizmen-
te, não é o que observamos. Não faz muito, reuniu-se em Lourdes, na França, o episco pado francês. Segundo uma re vista, não se pronunciou o nome de Cristo uma só vez,
mas se tratou, e muito, de luta
de classes, de problemas econô
micos, de política e de outros temas, para os quais, pela pa lavra e pela ação, os bispos ali reunidos não tinham solução.
A Igreja tem uma doutrina moral. Não tem uma doutrina econômica. As encíclicas so
ciais, de que o Rerum Novarum, foi a precursora e até ho-
32
DIGESTO
je é a maior,, sendo atual em
muitos de seus capítulos, tra çam
diretrizes,
técnicas. Os pontífices, depois
de Leão Xni, vêm tendo preo crescente
com
esses
problemas, não contudo, ao pon
to de se despreocuparem com o
Cristo, mas, ao contrário, colo
cando-o sempre no centro d.e suas reflexões. Assim o fizeram 0 grande pontífice de Immorta-
^ XXIII, Paulo VI Paulo n.
pando-lhe as partes necrosadas ou cediças.
estabelecem
normas, mas não se embrenham em proposições estritamente
cupação
ECONÔMICO
João e agora, João
Todos os documentos que deram se filiam a um mesmo pensamento, p de que a Igreja
é mãe mestra, não, contudo,
uma instituição de crítica cer rada de regimes econômicos.
O socialismo, como regime po lítico e econômico, foi condena do por Pio XI, mas os bispos e padres de nosso tempo, so
bretudo no chamado Terceiro
Mundo, insistem em defendê-lo, usando a sovada terminologia
marxista, essa mesma termino
logia que 0 próprio Marx, se tivesse vivido até agora, a
revisaria inteiramente, atuali zando-a, modernizando-a, extir¬
Faz poucos meses, reuni ram-se em Itaici, perto de São Paulo, mais de duzentos bispos, e examinaram, às carreiras, em sessões plenárias, um do
DIGESTO
33
ECONÔMICO
a público para condenar a degeneração dos costumes, pa ra que alguns clérigos acor dassem, embora outros, para espanto de quem aprendeu re ligião em época passada, tives sem discordado do chefe de governo.
cumento antecipadamente pre
parado, urbano.
sobre o uso do solo Ninguém cogitou da
doutrina cristã nem do catecis
É esse um dos motivos por que a secularizacão religiosa cresce no mundo inteiro, e
mo,
crendices
que
não é
ensinado
às
crianças, nem de teologia e de filosofia, mas dessa questão, cuja complexidade, nas cida des modernas escapa até mes mo ao controle dos governos.
Vem no Evangelho segundo
São Mateus, que se deve pro curar,
primeiro,
o reino
dos
céus que tudo o mais nos será concedido por acréscimo. Se se
ensinar ao ser humano, desde a adolescência, que ele deve tomar esse rumo na vida, não se tenha dúvida que o mundo será melhor. A onda de porno grafia que invadiu as bancas de
jornais e revistas, a tela dos
cinemas e o vídeo, em horas
tardias das transmissões, de veria ter sensibilizado bispos e padres. Foi preciso que o presidente da República viesse
rios foram fechados, e alunos destinados ao sacerdócio convi
vem com alunos que se desti nam às várias profissões, e que, portanto, não têm compro missos com assuntos religiosos. O seminarista deve ser pos to em contato com a realidade, deve-se-lhe ensinar o que é mundo, mas para que o con
verta a fé cristã, que expulse
substi
de todos os recintos o mal de-
tuam ao catolicismo. Segundo um notário da capital de São Paulo, somente em seu cartó rio há mais de quatro mil ter reiros de umbanda registrados. Ê a superstição fazendo adep tos, porquanto o homem tem
moniaco, que seja paladino da
anímicas
se
autêntica
moral.
Seminarista
que se envolve com assuntos
temporais,
no
cotidiano
dos
estudos, acaba abandonando o
seminário, sobretudo no mundo moderno,
onde
as
tentações
e
brotoejam com força, incoercí-
quando perde, ou quando não
vel sobre a imaginação dos jo vens. Não tenho esperança de rjue voltem a funcionar os an tigos seminários, ao menos du rante período dilatado de anos.
necessidade do sobrenatural,
lhe ensinam o reto caminho do
Senhor, deíxa-se conquistar por um fetiche. Responsabilidade
essa do clero, que, em grande parcela, está, ele também, secularizado.
Não sei 0 que se ensina aos poucos jovens que procuram o sacerdócio. Em tempos idos,
proferi, durante meses, séries de conferências em antigo se minário. Mas isso foi há anos.
Hoje, tudo mudou. Os seminá-
Já estou, também, desalen tado, diante da insistência com que padres e bispos falam da
“opção pelos pobres”, quando a opção do Cristo foi pela pessoa humana, pelo ser humano, ri co ou pobre. Grande amigo de
Cristo era José de Arimatéia, homem rico. Conheço ricos vir-
32
DIGESTO
je é a maior,, sendo atual em
muitos de seus capítulos, tra çam
diretrizes,
técnicas. Os pontífices, depois
de Leão Xni, vêm tendo preo crescente
com
esses
problemas, não contudo, ao pon
to de se despreocuparem com o
Cristo, mas, ao contrário, colo
cando-o sempre no centro d.e suas reflexões. Assim o fizeram 0 grande pontífice de Immorta-
^ XXIII, Paulo VI Paulo n.
pando-lhe as partes necrosadas ou cediças.
estabelecem
normas, mas não se embrenham em proposições estritamente
cupação
ECONÔMICO
João e agora, João
Todos os documentos que deram se filiam a um mesmo pensamento, p de que a Igreja
é mãe mestra, não, contudo,
uma instituição de crítica cer rada de regimes econômicos.
O socialismo, como regime po lítico e econômico, foi condena do por Pio XI, mas os bispos e padres de nosso tempo, so
bretudo no chamado Terceiro
Mundo, insistem em defendê-lo, usando a sovada terminologia
marxista, essa mesma termino
logia que 0 próprio Marx, se tivesse vivido até agora, a
revisaria inteiramente, atuali zando-a, modernizando-a, extir¬
Faz poucos meses, reuni ram-se em Itaici, perto de São Paulo, mais de duzentos bispos, e examinaram, às carreiras, em sessões plenárias, um do
DIGESTO
33
ECONÔMICO
a público para condenar a degeneração dos costumes, pa ra que alguns clérigos acor dassem, embora outros, para espanto de quem aprendeu re ligião em época passada, tives sem discordado do chefe de governo.
cumento antecipadamente pre
parado, urbano.
sobre o uso do solo Ninguém cogitou da
doutrina cristã nem do catecis
É esse um dos motivos por que a secularizacão religiosa cresce no mundo inteiro, e
mo,
crendices
que
não é
ensinado
às
crianças, nem de teologia e de filosofia, mas dessa questão, cuja complexidade, nas cida des modernas escapa até mes mo ao controle dos governos.
Vem no Evangelho segundo
São Mateus, que se deve pro curar,
primeiro,
o reino
dos
céus que tudo o mais nos será concedido por acréscimo. Se se
ensinar ao ser humano, desde a adolescência, que ele deve tomar esse rumo na vida, não se tenha dúvida que o mundo será melhor. A onda de porno grafia que invadiu as bancas de
jornais e revistas, a tela dos
cinemas e o vídeo, em horas
tardias das transmissões, de veria ter sensibilizado bispos e padres. Foi preciso que o presidente da República viesse
rios foram fechados, e alunos destinados ao sacerdócio convi
vem com alunos que se desti nam às várias profissões, e que, portanto, não têm compro missos com assuntos religiosos. O seminarista deve ser pos to em contato com a realidade, deve-se-lhe ensinar o que é mundo, mas para que o con
verta a fé cristã, que expulse
substi
de todos os recintos o mal de-
tuam ao catolicismo. Segundo um notário da capital de São Paulo, somente em seu cartó rio há mais de quatro mil ter reiros de umbanda registrados. Ê a superstição fazendo adep tos, porquanto o homem tem
moniaco, que seja paladino da
anímicas
se
autêntica
moral.
Seminarista
que se envolve com assuntos
temporais,
no
cotidiano
dos
estudos, acaba abandonando o
seminário, sobretudo no mundo moderno,
onde
as
tentações
e
brotoejam com força, incoercí-
quando perde, ou quando não
vel sobre a imaginação dos jo vens. Não tenho esperança de rjue voltem a funcionar os an tigos seminários, ao menos du rante período dilatado de anos.
necessidade do sobrenatural,
lhe ensinam o reto caminho do
Senhor, deíxa-se conquistar por um fetiche. Responsabilidade
essa do clero, que, em grande parcela, está, ele também, secularizado.
Não sei 0 que se ensina aos poucos jovens que procuram o sacerdócio. Em tempos idos,
proferi, durante meses, séries de conferências em antigo se minário. Mas isso foi há anos.
Hoje, tudo mudou. Os seminá-
Já estou, também, desalen tado, diante da insistência com que padres e bispos falam da
“opção pelos pobres”, quando a opção do Cristo foi pela pessoa humana, pelo ser humano, ri co ou pobre. Grande amigo de
Cristo era José de Arimatéia, homem rico. Conheço ricos vir-
DIGESTO
34
tuosos e pobres portadores dos piores vícios. Ninguém vai ne gar que se deve elevar o nível de vida dos pobres. Mas só o desenvolvimento pode fazê-lo, e esse é função dos empresá rios e do Estado. Mas o pró prio desenvolvimento só não basta.
O homem
não
é
sub
produto do desenvolvimento; é 0 seu sujeito. É a tese que de fendo em “Ilusões
e desilusões
do desenvolvimento”, livro, fe lizmente para mim, seu ator, inteiramente esgotado. Acima do desenvolvimento deve pai
rar, soberana e ordenadora, a lei moral, essa, da qual a
ECONÔMICO
Igreja tem a chave para a sua interpretação e o seu ensino.
Sei que falo no deserto. Até
o Papa, Q grande
pontífice
João Paulo II, que o Espírito Santo, na sua inerrância, nos tirou da Polônia submetida
à
tirania comunista, para ensinar a todos os povos a reta doutri-
naj, até mesmo o Papa fala no deserto.
Mas
Deus
ouvirá
João de Oliveira
Filho, o advogado dos Direitos
as
nossas súplicas, e passará a fe bre alta causada pela peste
marxista, pela secularização, pelo materialismo histórico, es
Constitucionais
ses despenhadeiros pelos quais rola a humanidade. J. Motta Maia
(Continuação da página 30)
a cura do indivíduo parasitado. Toma-se evidente a necessidade de buscai novos fármacos com melhores propriedades que os já disponíveis, tanto no campo dos esquistossomicidas, quanto dos antimalárlcos. A verdade é que a introdução de novos compostos biologicamente ativos é cada vez mais difícil. A elevada quantidade de fármacos existentes e o custo operacional na
produção de novos compostos explicam parcialmente a dificuldade. Sabe-se que, mesmo obedecendo a planejamento racional, a melhor probabilidade de introduzir-se fánmco novo na terapêutica é da ordem de três mil para um. Mesmo assim, os pesquisadores estão convencidos de que a questão tem ae ser resolvida pelos brasileiros porque, apesar de as doenças parasitárias provocarem celeuma a nivel internacional, os países desenvolvidos estão pra
ticamente abandonando a pesquisa sobre novos fármacos para doenças tro-
picai-s e desativando laboratórios, porque não há reversão de lucros, Se se proceder a modificações estruturais em compostos de atividade já estabele cida, os professores entendem que, a par da probabilidade de se obter com postos tão ou mais ativos que os protótipos, há possibilidade de a produção ser mais econômica, do ponto de vista financeiro e de tempo. Um dos proces(Continua na página 4G)
Perfil de ilustre
jurista brasileiro. O autor é advogado no Rio de Janeiro
Nascido em Minas Gerais, cedo João de Oliveira Filho
emigrou para São Paulo, inte grando-se em seu meio cultu ral, como tantos outros minei
ros que galgaram ali as mais altas posições, inclusive na po lítica e na administração.
Mas 0 jovem filho das Mon
tanhas,
ansioso
de formação
jurídica, como ele próprio con fessa — visto que havia falta absoluta de advogados em sua região —, jamais voltou à sua terra.
Deixou-se ficar em São
Paulo, sem se despojar de seu
DIGESTO
34
tuosos e pobres portadores dos piores vícios. Ninguém vai ne gar que se deve elevar o nível de vida dos pobres. Mas só o desenvolvimento pode fazê-lo, e esse é função dos empresá rios e do Estado. Mas o pró prio desenvolvimento só não basta.
O homem
não
é
sub
produto do desenvolvimento; é 0 seu sujeito. É a tese que de fendo em “Ilusões
e desilusões
do desenvolvimento”, livro, fe lizmente para mim, seu ator, inteiramente esgotado. Acima do desenvolvimento deve pai
rar, soberana e ordenadora, a lei moral, essa, da qual a
ECONÔMICO
Igreja tem a chave para a sua interpretação e o seu ensino.
Sei que falo no deserto. Até
o Papa, Q grande
pontífice
João Paulo II, que o Espírito Santo, na sua inerrância, nos tirou da Polônia submetida
à
tirania comunista, para ensinar a todos os povos a reta doutri-
naj, até mesmo o Papa fala no deserto.
Mas
Deus
ouvirá
João de Oliveira
Filho, o advogado dos Direitos
as
nossas súplicas, e passará a fe bre alta causada pela peste
marxista, pela secularização, pelo materialismo histórico, es
Constitucionais
ses despenhadeiros pelos quais rola a humanidade. J. Motta Maia
(Continuação da página 30)
a cura do indivíduo parasitado. Toma-se evidente a necessidade de buscai novos fármacos com melhores propriedades que os já disponíveis, tanto no campo dos esquistossomicidas, quanto dos antimalárlcos. A verdade é que a introdução de novos compostos biologicamente ativos é cada vez mais difícil. A elevada quantidade de fármacos existentes e o custo operacional na
produção de novos compostos explicam parcialmente a dificuldade. Sabe-se que, mesmo obedecendo a planejamento racional, a melhor probabilidade de introduzir-se fánmco novo na terapêutica é da ordem de três mil para um. Mesmo assim, os pesquisadores estão convencidos de que a questão tem ae ser resolvida pelos brasileiros porque, apesar de as doenças parasitárias provocarem celeuma a nivel internacional, os países desenvolvidos estão pra
ticamente abandonando a pesquisa sobre novos fármacos para doenças tro-
picai-s e desativando laboratórios, porque não há reversão de lucros, Se se proceder a modificações estruturais em compostos de atividade já estabele cida, os professores entendem que, a par da probabilidade de se obter com postos tão ou mais ativos que os protótipos, há possibilidade de a produção ser mais econômica, do ponto de vista financeiro e de tempo. Um dos proces(Continua na página 4G)
Perfil de ilustre
jurista brasileiro. O autor é advogado no Rio de Janeiro
Nascido em Minas Gerais, cedo João de Oliveira Filho
emigrou para São Paulo, inte grando-se em seu meio cultu ral, como tantos outros minei
ros que galgaram ali as mais altas posições, inclusive na po lítica e na administração.
Mas 0 jovem filho das Mon
tanhas,
ansioso
de formação
jurídica, como ele próprio con fessa — visto que havia falta absoluta de advogados em sua região —, jamais voltou à sua terra.
Deixou-se ficar em São
Paulo, sem se despojar de seu
36
DIGESTO
caráter mineiro, simples, infor mal, pertinaz nos seus objeti vos e cheio de ambições legí timas.
Em São Paulo, seus melho res companheiros, os de mais
estreita
convivência,
foram
Sampaio Doria e Noé Azevedo.
O primeiro, alagoano, como Al buquerque Lins, que foi um dos maiores governadores paulis tas, e alcançou projeção nacio
ECONÔMICO
Iho e Sampaio Doria foi no Lyceu Rio Branco, onde ambos ti veram participação muito ati va, como seus dirigentes e co mo professores. Constítucíonalísfa por vocação
as
ter-se-ia que desenvolver nessa convivência.
Sampaio Doria fez, da cá
tedra de professor, um apostolado
pelo
Direito.
Quando
caiu sobre a Nação a noite da
Ditadura, com a Constituição de 1937, Sampaio Doria
renun-
ciou à cátedra, como uma mani festação de protesto contra
“Confesso
francamente
—
ferença que possa existir entre
0 direito público geral e o di reito constitucional. Ninguém
pensa que o estudo do direito
torado, na escola do Largo de São Francisco, versou o tema "Conceito de Ordem Pública”, um tema rico de implicações e que se projetaria no futuro, e constituiríam suas preocupa ções através de uma longa atuação forense e na imprensa. Culminou
seus
trabalhos
sobre a Constituição com os Di reitos do Homem
ção do
e a institui
Ombudsman,
que
ele
defendeu para nosso país, ani
estado de exceção que então se
G social dos brasileiros.
A convivência mais estrei entre João de Oliveira Fi-
para que o direito seja real mente um instrumento perma nente de proteção do homem
constitucional se reduza ao co
implantara. ta
ção objetiva, isto é, não apenas , formal, mas de sentido prático,
tese de dou
Sua
mado da flama apostolar pela sorte e pela segurança política
o
que este sustenta uma concep
diz Duguit — que não vejo di
e para
Barbosa.
lista. inclusive uma cátedra na Faculdade de Direito e a láu rea de advogado eminente.
com OS princípios defendidos por Léon Duguit, na medida em
do Direito Público
da
postos no mundo jurídico pau
37
contra o arbítrio.
Campanha Civilista, com Rui Noé Azevedo, mineiro tam bém, conquista os mais altos
ECONÔMICO
A vocação de João de Oli veira Filho para os problemas questões de Direito Constitucio nal, com uma visão objetiva,
nal, como um dos líderes
DIGESTO
Sua concepção dos direitos constitucionais
identificar-se-ia
mentário de alguns textos, os
quais, na França ou nos países estrangeiros, têm o caráter constitucional rígido; desde lo go, 0 direito constitucional ou nada é, ou apenas compreende 0 conjunto das regras relativas à estrutura interna do Estado e
à sua organização, bem como
ao limite dos seus poderes e a pvfppsão das suas obrigações”. (Traité
de Droit
Constitution-
nel, vol. I, pg. 705). A conclusão do notável ju rista da França é que as dou trinas gerais nada representam quando “não repousam na ob servação das instituições posi-;
tivas”, ou seja, se não se rela cionam com a realidade.
Seria, lambém, este o pen samento do nosso maior juris ta de todos os tempos, Pontes de Miranda, quando adverte que "não é em princípios metaiisicos, abstratos, que se deve fundar o direito; nas realidades é que ele vive, porque é fenô meno objetivo, como a queda dos corpos, 0 voo dos pássaros, 0 curso dos rios, o ritmo nictêmero e assim por diante". Nessa
ordem
de
idéias,
Pontes lembra a advertência de Lerminier; “evitemos isolar o Direito e sua ciência do resto
das
coisas
e
da
realidade”
(Pontes de Miranda, in "Siste ma da Ciência Positiva do Di
reito", vol. ni, cap. 1). Essa fidelidade ao princípio objetivo do direito constitucio
nal teria vinculado, por toda a vida, João de Oliveira Filho a Sampaio Doria.
O Instituto dos Advogados Brasileiros, quando de sua Pre sidência, conferiu a Sampaio Doria
a láurea
“Medalha
Tei
xeira de Freitas”, em solenida de que excedeu às praxes co-
36
DIGESTO
caráter mineiro, simples, infor mal, pertinaz nos seus objeti vos e cheio de ambições legí timas.
Em São Paulo, seus melho res companheiros, os de mais
estreita
convivência,
foram
Sampaio Doria e Noé Azevedo.
O primeiro, alagoano, como Al buquerque Lins, que foi um dos maiores governadores paulis tas, e alcançou projeção nacio
ECONÔMICO
Iho e Sampaio Doria foi no Lyceu Rio Branco, onde ambos ti veram participação muito ati va, como seus dirigentes e co mo professores. Constítucíonalísfa por vocação
as
ter-se-ia que desenvolver nessa convivência.
Sampaio Doria fez, da cá
tedra de professor, um apostolado
pelo
Direito.
Quando
caiu sobre a Nação a noite da
Ditadura, com a Constituição de 1937, Sampaio Doria
renun-
ciou à cátedra, como uma mani festação de protesto contra
“Confesso
francamente
—
ferença que possa existir entre
0 direito público geral e o di reito constitucional. Ninguém
pensa que o estudo do direito
torado, na escola do Largo de São Francisco, versou o tema "Conceito de Ordem Pública”, um tema rico de implicações e que se projetaria no futuro, e constituiríam suas preocupa ções através de uma longa atuação forense e na imprensa. Culminou
seus
trabalhos
sobre a Constituição com os Di reitos do Homem
ção do
e a institui
Ombudsman,
que
ele
defendeu para nosso país, ani
estado de exceção que então se
G social dos brasileiros.
A convivência mais estrei entre João de Oliveira Fi-
para que o direito seja real mente um instrumento perma nente de proteção do homem
constitucional se reduza ao co
implantara. ta
ção objetiva, isto é, não apenas , formal, mas de sentido prático,
tese de dou
Sua
mado da flama apostolar pela sorte e pela segurança política
o
que este sustenta uma concep
diz Duguit — que não vejo di
e para
Barbosa.
lista. inclusive uma cátedra na Faculdade de Direito e a láu rea de advogado eminente.
com OS princípios defendidos por Léon Duguit, na medida em
do Direito Público
da
postos no mundo jurídico pau
37
contra o arbítrio.
Campanha Civilista, com Rui Noé Azevedo, mineiro tam bém, conquista os mais altos
ECONÔMICO
A vocação de João de Oli veira Filho para os problemas questões de Direito Constitucio nal, com uma visão objetiva,
nal, como um dos líderes
DIGESTO
Sua concepção dos direitos constitucionais
identificar-se-ia
mentário de alguns textos, os
quais, na França ou nos países estrangeiros, têm o caráter constitucional rígido; desde lo go, 0 direito constitucional ou nada é, ou apenas compreende 0 conjunto das regras relativas à estrutura interna do Estado e
à sua organização, bem como
ao limite dos seus poderes e a pvfppsão das suas obrigações”. (Traité
de Droit
Constitution-
nel, vol. I, pg. 705). A conclusão do notável ju rista da França é que as dou trinas gerais nada representam quando “não repousam na ob servação das instituições posi-;
tivas”, ou seja, se não se rela cionam com a realidade.
Seria, lambém, este o pen samento do nosso maior juris ta de todos os tempos, Pontes de Miranda, quando adverte que "não é em princípios metaiisicos, abstratos, que se deve fundar o direito; nas realidades é que ele vive, porque é fenô meno objetivo, como a queda dos corpos, 0 voo dos pássaros, 0 curso dos rios, o ritmo nictêmero e assim por diante". Nessa
ordem
de
idéias,
Pontes lembra a advertência de Lerminier; “evitemos isolar o Direito e sua ciência do resto
das
coisas
e
da
realidade”
(Pontes de Miranda, in "Siste ma da Ciência Positiva do Di
reito", vol. ni, cap. 1). Essa fidelidade ao princípio objetivo do direito constitucio
nal teria vinculado, por toda a vida, João de Oliveira Filho a Sampaio Doria.
O Instituto dos Advogados Brasileiros, quando de sua Pre sidência, conferiu a Sampaio Doria
a láurea
“Medalha
Tei
xeira de Freitas”, em solenida de que excedeu às praxes co-
DIGESTO
38
ECONÔMICO
muns da mais antiga instituição da cultura jurídica do País; ao
relevância da lei maior, para os
ato de entrega de láurea se as
destinos nacionais.
mar uma consciência sobre a
sociaram várias entidades cul
turais de São Paulo, a começar pela Escola do Largo de São Francisco.
Pode-se dizer que essa pre ferência pelos problemas do di
Estão
nesse
caso
“Poder
Legislativo, poder autêntico”, editado em 1974, e “Quer co nhecer a Constituição?”, que foi, talvez, seu último trabalho sobre Direito Constitucional.
reito constitucional dominaram
Observe-se a linha
Admirador de suas quali dades de constitucionalista, o eminente Otto de Andrade Gil, fazendo-lhe o elogio, observou,
de conduta coerente: primeiro,
com muita justeza, que, se ti
o conceito de
tão rica de implicações para o
vesse sido proporcionada a João de Oliveira Filho a opor
bem comum; depois, a análise,
tunidade de colaborar no ante
de um ponto de vista original, dos Direitos do Homem, culmi
projeto de Constituição de 1967, “talvez que algumas das idéias por ele defendidas, em seus es
toda a sua vida, porque aí se encontrava o instrumento mais
adequado para servir ao povo brasileiro
ordem pública,
nando com 0 estudo, sob várias modalidades, do “ombudsman”.
ou da criação do Advogado do
Povo, instituição bem nacional, cuja origem ele foi descobrir
tudos de Direito Constitucional, tivessem sido vitoriosas, por que ele sabe porfiar pela vitória do que estima”.
nos anais da primeira Assem
bléia Legislativa do Brasil, a de 1823.
Em dois livros que alcança ram ampla circulaçlo, porque dirigidos ao grande público, ele
Tinha
uma
visão
realista
no trato com as questões de di reito, porque entendia que ao direito
estava
reservada uma
grande missão, a de exprimir da “vida humana objetividade"
procurou dar uma versão sim
ou constituir-se em instrumen
plificada dos princípios consti tucionais, como a querer for-
como
to
da coexistência db homem unidade social.
DIGESTO
ECONÔMICO
A posição dos juristas, aqui e em toda parte, exprime esses anseios através do direito.
Ou para referir um dos nossos mais lúcidos juristas, Caio Mai’io da Silva Pereira, nesta sentença:
“Chegou a hora do jurista deixar a especulação abstrata do gabinete. Pela profissão e
pela cultura, adquire, no trato cotidiano, uma vivência huma na e uma experiência existen cial sem paralelo com as outras categorias profissionais” (Caio Mário da Silva Pereira, em “Reformulação da Ordem Jurí dica e outros temas”, ed. Fo
rense, pg. 7). Pregando em várias tribunas
Sua atuação se exercitou em várias tribunas, denotando, a um tempo, sua flama de propagandista de idéias e sua capacidade de trabalho. Maior projeção conquistou, inicialmen te, pela imprensa. Nas páginas
do prestigioso “Jornal do Co mércio” do Rio de Janeiro, sua presença foi freqüente durante
largo período, a começar pela
década de 30, assinando crôni ca forense em que eram versa-
39
dos todos os aspectos da vida judiciária do país, desde as de cisões dos tribunais até o cam
po onde se desenvolvia a ativi dade dos nossos publicistas.
Antes, fizera o mesmo, através da
“Folha da
Manhã” de São
Paulo, e, depois em outros ór gãos da imprensa do Rio de
janeiro, inclusive os especiali
zados, como as revistas e jor nais que se ocuparam das ques tões do foro em geral. A imprensa era um setor importante de sua atuação, mas não era o principal.
Apenas secundava a atua ção nas tribunas forenses, nas
entidades de classe, sobretudo no Instituto dos Advogados Bra sileiros.
Sua crítica, que nada tinha de candente, na forma, expri mia, de maneira persuasiva, o pensamento geral de quantos
lidam no foro. Dirigia-se, so bretudo, aos defeitos da estru tura judicial, com o aparelho forense emperrado e inacessí vel aos desafortunados de bens
materiais, tudo o que conside rava deformação do sistema e significava a negação da jus tiça.
DIGESTO
38
ECONÔMICO
muns da mais antiga instituição da cultura jurídica do País; ao
relevância da lei maior, para os
ato de entrega de láurea se as
destinos nacionais.
mar uma consciência sobre a
sociaram várias entidades cul
turais de São Paulo, a começar pela Escola do Largo de São Francisco.
Pode-se dizer que essa pre ferência pelos problemas do di
Estão
nesse
caso
“Poder
Legislativo, poder autêntico”, editado em 1974, e “Quer co nhecer a Constituição?”, que foi, talvez, seu último trabalho sobre Direito Constitucional.
reito constitucional dominaram
Observe-se a linha
Admirador de suas quali dades de constitucionalista, o eminente Otto de Andrade Gil, fazendo-lhe o elogio, observou,
de conduta coerente: primeiro,
com muita justeza, que, se ti
o conceito de
tão rica de implicações para o
vesse sido proporcionada a João de Oliveira Filho a opor
bem comum; depois, a análise,
tunidade de colaborar no ante
de um ponto de vista original, dos Direitos do Homem, culmi
projeto de Constituição de 1967, “talvez que algumas das idéias por ele defendidas, em seus es
toda a sua vida, porque aí se encontrava o instrumento mais
adequado para servir ao povo brasileiro
ordem pública,
nando com 0 estudo, sob várias modalidades, do “ombudsman”.
ou da criação do Advogado do
Povo, instituição bem nacional, cuja origem ele foi descobrir
tudos de Direito Constitucional, tivessem sido vitoriosas, por que ele sabe porfiar pela vitória do que estima”.
nos anais da primeira Assem
bléia Legislativa do Brasil, a de 1823.
Em dois livros que alcança ram ampla circulaçlo, porque dirigidos ao grande público, ele
Tinha
uma
visão
realista
no trato com as questões de di reito, porque entendia que ao direito
estava
reservada uma
grande missão, a de exprimir da “vida humana objetividade"
procurou dar uma versão sim
ou constituir-se em instrumen
plificada dos princípios consti tucionais, como a querer for-
como
to
da coexistência db homem unidade social.
DIGESTO
ECONÔMICO
A posição dos juristas, aqui e em toda parte, exprime esses anseios através do direito.
Ou para referir um dos nossos mais lúcidos juristas, Caio Mai’io da Silva Pereira, nesta sentença:
“Chegou a hora do jurista deixar a especulação abstrata do gabinete. Pela profissão e
pela cultura, adquire, no trato cotidiano, uma vivência huma na e uma experiência existen cial sem paralelo com as outras categorias profissionais” (Caio Mário da Silva Pereira, em “Reformulação da Ordem Jurí dica e outros temas”, ed. Fo
rense, pg. 7). Pregando em várias tribunas
Sua atuação se exercitou em várias tribunas, denotando, a um tempo, sua flama de propagandista de idéias e sua capacidade de trabalho. Maior projeção conquistou, inicialmen te, pela imprensa. Nas páginas
do prestigioso “Jornal do Co mércio” do Rio de Janeiro, sua presença foi freqüente durante
largo período, a começar pela
década de 30, assinando crôni ca forense em que eram versa-
39
dos todos os aspectos da vida judiciária do país, desde as de cisões dos tribunais até o cam
po onde se desenvolvia a ativi dade dos nossos publicistas.
Antes, fizera o mesmo, através da
“Folha da
Manhã” de São
Paulo, e, depois em outros ór gãos da imprensa do Rio de
janeiro, inclusive os especiali
zados, como as revistas e jor nais que se ocuparam das ques tões do foro em geral. A imprensa era um setor importante de sua atuação, mas não era o principal.
Apenas secundava a atua ção nas tribunas forenses, nas
entidades de classe, sobretudo no Instituto dos Advogados Bra sileiros.
Sua crítica, que nada tinha de candente, na forma, expri mia, de maneira persuasiva, o pensamento geral de quantos
lidam no foro. Dirigia-se, so bretudo, aos defeitos da estru tura judicial, com o aparelho forense emperrado e inacessí vel aos desafortunados de bens
materiais, tudo o que conside rava deformação do sistema e significava a negação da jus tiça.
I
DIGESTO
40
Para
lante sua
tornar
estimu
compreensão de um auditório
propôs-se
reduzidíssimo, mas qualificado, tem que persuadir com a ver dade dos fatos e com a lógica de sua argumentação. Esta nao
mais
atuação,
formular conselhos aos militan
tes do foro, como a dizer-lhes que a oratória forense, se bem
utilizada, é um instrumento va lioso para a defesa dos interes ses legítimos perante a justiça,
capaz de amenizar, em parte, as falhas do sistema incumbi
do, por preceito constitucional, de ditar o direito.
Com esse objetivo, escreveu um pequeno tratado, na estei
ra de outros que o precederam nessa tarefa, intitulado “Falar em Público”, que alcançou vá rias edições, a provar sua acei
tação pelos advogados, sobre
tudo os novos, que se iniciam no ofício, e também sua eficiên cia.
A
eloquência
ECONÔMICO
forense
não
se exprime, é bem de ver, pe las formas correntes da orató ria política ou acadêmica.
Não se exige do advogado forense que ele seja um artista
da arte de falar; um poeta que declame bem seus versos, ou
deve revestir o calor dos gran des condutores de massa, por
que não visa a emocionar, mas convencer, persuadir. La Rochefoucauld aconselliava:
“A verdadeira eloquência consiste em dizer tudo o que se deve e nada além do que se deve”.
Mais expressiva e adequa da à oratória forense é a lição de Calamandrei:
“O diálogo vivo e correto é substituído pelo monólogo com pacto; 0 estimulante vivificante das objeções é comprimido ou postergado; considera-se famo so aquele que consegue chegar até 0 fim de intermináveis pe ríodos massudos sem tomar fô
lego, ainda que, desde a pri meira palavra, toda a gente
diria
tenha compreendido onde quer chegar”.
Donnay — que diz coisas vagas com a máxima violência”. Não:
drei visa a construir a eloquên
0
cia verdadeira, quando ele diz:
um
“indivíduo
orador
forense,
como
falando
à
A advertência de Calaman
DIGESTO
41
ECONÔMICO
Para extirpar
dos costu
de uma aptidão natural, como
mes do pretório aquela tendên-
aquela dos poetas ou dos artis-
to aos juizes, desacreditou as
dar,
cia para o bel-canto, que, quanaudiências, que
as
seria
salas,.
onde
necessário se
faz
a
tas de qualquer espécie: estuestudar
para
sempre,
adquirir cultura e modos de não molestar o
auditório;
an-
justiça, não fossem demasiada-
tes de ascender à tribuna,
te perto da dos magistrados”
também
mente grandes e que a bancada dos advogados estivesse bastan(Pietro Calamandrei, in “Eles, os Juizes, vistos por nós, os
Advogados", parte IV, “Da _pretensa eloquência do Pretório”).
João de Oliveira Filho, co-
organizcu: o plano do discurq que de resto, fazem
os
grandes
orado-
inclusive aqueles que têm q “dom da palavra” como se diz g^n linguagem popular. Por fim,
evitar excesso de mímica e de
citações e, de qualquer modo,
a impregnar de ânimo os
cultivar a preocupação de não cansar o a'uditório, seja pela
iniciantes, confessa que, no co
prolixidade, seja pelo teor da
meço de sua advocacia, tremia
oraçao.
mo
diante dos juizes, mesmo dos jurados, juizes leigos.
A receita que ele apresenta, o advogado novo desini-
para
bir-se:
seguir a lição dos gran
Ele próprio não será um orador da eloquência feita dos
grandes gestos nem dos tropos literários ou de efeito. Era, an tes de tudo, um argumentador
des mestres da oratória forense como o grande Henri Ro-
tranquilo, que não convencería a massa, por não lhes tocar bert, para quem há oradores os sentidos, mas convencia o natos e oradores que se fazem auditório seleto e especializado,
pelo estudo, pelo esforço e per- no foro ou na tribuna das entitinácia.
Alguns preceitos podem ser
dades culturais ou de classe.
Nestas,
expunha suas
idéias
sobre os vários temas jurídicos que lhe cabia versar, seja na
apontados para chegar-se à condição de orador, quando tal tarefa de aperfeiçoamento dos condição não seja resultado institutos jurídicos, seja na de-
I
DIGESTO
40
Para
lante sua
tornar
estimu
compreensão de um auditório
propôs-se
reduzidíssimo, mas qualificado, tem que persuadir com a ver dade dos fatos e com a lógica de sua argumentação. Esta nao
mais
atuação,
formular conselhos aos militan
tes do foro, como a dizer-lhes que a oratória forense, se bem
utilizada, é um instrumento va lioso para a defesa dos interes ses legítimos perante a justiça,
capaz de amenizar, em parte, as falhas do sistema incumbi
do, por preceito constitucional, de ditar o direito.
Com esse objetivo, escreveu um pequeno tratado, na estei
ra de outros que o precederam nessa tarefa, intitulado “Falar em Público”, que alcançou vá rias edições, a provar sua acei
tação pelos advogados, sobre
tudo os novos, que se iniciam no ofício, e também sua eficiên cia.
A
eloquência
ECONÔMICO
forense
não
se exprime, é bem de ver, pe las formas correntes da orató ria política ou acadêmica.
Não se exige do advogado forense que ele seja um artista
da arte de falar; um poeta que declame bem seus versos, ou
deve revestir o calor dos gran des condutores de massa, por
que não visa a emocionar, mas convencer, persuadir. La Rochefoucauld aconselliava:
“A verdadeira eloquência consiste em dizer tudo o que se deve e nada além do que se deve”.
Mais expressiva e adequa da à oratória forense é a lição de Calamandrei:
“O diálogo vivo e correto é substituído pelo monólogo com pacto; 0 estimulante vivificante das objeções é comprimido ou postergado; considera-se famo so aquele que consegue chegar até 0 fim de intermináveis pe ríodos massudos sem tomar fô
lego, ainda que, desde a pri meira palavra, toda a gente
diria
tenha compreendido onde quer chegar”.
Donnay — que diz coisas vagas com a máxima violência”. Não:
drei visa a construir a eloquên
0
cia verdadeira, quando ele diz:
um
“indivíduo
orador
forense,
como
falando
à
A advertência de Calaman
DIGESTO
41
ECONÔMICO
Para extirpar
dos costu
de uma aptidão natural, como
mes do pretório aquela tendên-
aquela dos poetas ou dos artis-
to aos juizes, desacreditou as
dar,
cia para o bel-canto, que, quanaudiências, que
as
seria
salas,.
onde
necessário se
faz
a
tas de qualquer espécie: estuestudar
para
sempre,
adquirir cultura e modos de não molestar o
auditório;
an-
justiça, não fossem demasiada-
tes de ascender à tribuna,
te perto da dos magistrados”
também
mente grandes e que a bancada dos advogados estivesse bastan(Pietro Calamandrei, in “Eles, os Juizes, vistos por nós, os
Advogados", parte IV, “Da _pretensa eloquência do Pretório”).
João de Oliveira Filho, co-
organizcu: o plano do discurq que de resto, fazem
os
grandes
orado-
inclusive aqueles que têm q “dom da palavra” como se diz g^n linguagem popular. Por fim,
evitar excesso de mímica e de
citações e, de qualquer modo,
a impregnar de ânimo os
cultivar a preocupação de não cansar o a'uditório, seja pela
iniciantes, confessa que, no co
prolixidade, seja pelo teor da
meço de sua advocacia, tremia
oraçao.
mo
diante dos juizes, mesmo dos jurados, juizes leigos.
A receita que ele apresenta, o advogado novo desini-
para
bir-se:
seguir a lição dos gran
Ele próprio não será um orador da eloquência feita dos
grandes gestos nem dos tropos literários ou de efeito. Era, an tes de tudo, um argumentador
des mestres da oratória forense como o grande Henri Ro-
tranquilo, que não convencería a massa, por não lhes tocar bert, para quem há oradores os sentidos, mas convencia o natos e oradores que se fazem auditório seleto e especializado,
pelo estudo, pelo esforço e per- no foro ou na tribuna das entitinácia.
Alguns preceitos podem ser
dades culturais ou de classe.
Nestas,
expunha suas
idéias
sobre os vários temas jurídicos que lhe cabia versar, seja na
apontados para chegar-se à condição de orador, quando tal tarefa de aperfeiçoamento dos condição não seja resultado institutos jurídicos, seja na de-
42
DIGESTO
fesa de pleitos forenses a que
catural do
se vinculava.
cano.
sistema interameri-
Questões objetivas de
Os Direitos Fundamentais
Direito Constitucional
do Homem
Não caberia aqui referir to das as publicações — livros, ar
tigos, memoriais forenses, dis cursos — em que se revelou, de maneira permanente, sem solu
ção de continuidade, ao longo de sua existência de advogado atuante, — na justiça de pri
meira instância, que exige es forços quase sobre humanos, e nos tribunais —, mas apenas, destacar alguns aspectos mais
I
ECONÔMICO
relevantes dessa atividade,
No Repertório Enciclopédi co de Direito Brasileiro, encontra-se alentado trabalho de aná
lise da evolução do Poder Judi
ciário no Brasil, detendo-se na organização do nosso Supremo Tribunal Federal, instituído ao modelo da Supreme Court dos Estados Unidos da América. É um valioso estudo de direito
comparado
(Repertório,
vol.
37) em que lhe foi dado abordar a interessante questão da
no-
meação, pelo Ditador, dos presidentes e vice-presidentes do Supremo, numa imitação cari-
Neste trabalho se alteia a
figura do jurista filósofo, ver sando tema atual e que ainda não merecera exame aprofun dado, em comparação com as fontes bíblicas, como ele o fez; Origem Cristã dos Direitos Fundamentais do Homem, pu blicado, inicialmente, em vá rias edições da revista Jurídi ca, editada pela Divisão Jurídi ca do Instituto do Açúcar e do
DIGESTO
43
ECONÔMICO
0 de exigir, do Estado, a pro moção do bem-comum; o de ter, do Estado, a organização da justiça e as leis novas que de vam atender à evolução das
Uma transação entre os ideais
necessidades
indivi
"lei eterna" é o fundamento do
duais; 0 de gozar da proteção do Estado para os objetivos so ciais relativos à saúde, à edu cação, ao desenvolvimento e à
governo do Universo existente no Governante Supremo. Me lhor dir-se-ia que a razão dos homens, organizados politica mente, juridicamente, é um re flexo, embora incompleto dos
sociais
cultura e a outros,
e
todos
con
figurando o que ele denomina prerrogativas constitutivas da liberdade, que ê “o gozo dos di reitos fundamentais mem” .
do
ho
Evidente que tal enumera
Álcool,
constituiu,
posterior
ção não coincide rigorosamen
mente,
monografia
(Forense
te com a da Declaração Uni versal dos Direitos do Homem, nem com as quatro liberdades
Ed., Rio de Janeiro, IDóS) de longa divulgação. Os
direitos
do homem
fundamentais
assevera João de
Oliveira Filho — são os da igual dade, fraternidade, direito ao trabalho; ao salário-mínimo ou, mais precisamente, ao salário
proclamadas
por
Roosevelt.
de, relação direta com o peca
do dos primeiros homens.
Na
Suma Theológica se diz que a
ensinamentos da razão divina, posto que a natureza ou o na tural é a única concepção que
os homens podem nutrir das in tenções de Deus. Por isso toda a pregação de João de Oliveira Filho é impregnada de sentido
cristão, como se viu, afinal, no seu ensaio sobre os direitos hu manos fundamentais.
Muito menos com os editados nela Revolução Francesa. Mas com eles se afinam, além de se inserirem na categoria dos di
sido, esses princípios, procla mados por vários líderes so
reitos naturais.
ciais, sua origem remonta à
para uma vida digna; o de par ticipação nos lucros da empre sa em que trabalha; o da pro
Seria, antes, o direito natu ral cristão, passando pelo direi to natural absoluto proclamado
priedade e livre disposição de
por Santo Agostinho. Ê a lição
seus bens; o da busca da feli cidade no país onde entender
de Santo Tomás de Aquino, que resulta da evolução do pensa mento dos doutores da Igreja.
que melhor possa consegui-la;
cristãos e os fatos da realida
A tese que ele sustenta aqui é a de que, apesar de terem
época muito recuada; tram-se
inseridos
sagrados,
posto
nos
que
encon livros
“foram
pregados por Jesus”. Esses direitos estão nas parábolas; a Igualdade, na parábola do fermento do apóstolo Ma-
42
DIGESTO
fesa de pleitos forenses a que
catural do
se vinculava.
cano.
sistema interameri-
Questões objetivas de
Os Direitos Fundamentais
Direito Constitucional
do Homem
Não caberia aqui referir to das as publicações — livros, ar
tigos, memoriais forenses, dis cursos — em que se revelou, de maneira permanente, sem solu
ção de continuidade, ao longo de sua existência de advogado atuante, — na justiça de pri
meira instância, que exige es forços quase sobre humanos, e nos tribunais —, mas apenas, destacar alguns aspectos mais
I
ECONÔMICO
relevantes dessa atividade,
No Repertório Enciclopédi co de Direito Brasileiro, encontra-se alentado trabalho de aná
lise da evolução do Poder Judi
ciário no Brasil, detendo-se na organização do nosso Supremo Tribunal Federal, instituído ao modelo da Supreme Court dos Estados Unidos da América. É um valioso estudo de direito
comparado
(Repertório,
vol.
37) em que lhe foi dado abordar a interessante questão da
no-
meação, pelo Ditador, dos presidentes e vice-presidentes do Supremo, numa imitação cari-
Neste trabalho se alteia a
figura do jurista filósofo, ver sando tema atual e que ainda não merecera exame aprofun dado, em comparação com as fontes bíblicas, como ele o fez; Origem Cristã dos Direitos Fundamentais do Homem, pu blicado, inicialmente, em vá rias edições da revista Jurídi ca, editada pela Divisão Jurídi ca do Instituto do Açúcar e do
DIGESTO
43
ECONÔMICO
0 de exigir, do Estado, a pro moção do bem-comum; o de ter, do Estado, a organização da justiça e as leis novas que de vam atender à evolução das
Uma transação entre os ideais
necessidades
indivi
"lei eterna" é o fundamento do
duais; 0 de gozar da proteção do Estado para os objetivos so ciais relativos à saúde, à edu cação, ao desenvolvimento e à
governo do Universo existente no Governante Supremo. Me lhor dir-se-ia que a razão dos homens, organizados politica mente, juridicamente, é um re flexo, embora incompleto dos
sociais
cultura e a outros,
e
todos
con
figurando o que ele denomina prerrogativas constitutivas da liberdade, que ê “o gozo dos di reitos fundamentais mem” .
do
ho
Evidente que tal enumera
Álcool,
constituiu,
posterior
ção não coincide rigorosamen
mente,
monografia
(Forense
te com a da Declaração Uni versal dos Direitos do Homem, nem com as quatro liberdades
Ed., Rio de Janeiro, IDóS) de longa divulgação. Os
direitos
do homem
fundamentais
assevera João de
Oliveira Filho — são os da igual dade, fraternidade, direito ao trabalho; ao salário-mínimo ou, mais precisamente, ao salário
proclamadas
por
Roosevelt.
de, relação direta com o peca
do dos primeiros homens.
Na
Suma Theológica se diz que a
ensinamentos da razão divina, posto que a natureza ou o na tural é a única concepção que
os homens podem nutrir das in tenções de Deus. Por isso toda a pregação de João de Oliveira Filho é impregnada de sentido
cristão, como se viu, afinal, no seu ensaio sobre os direitos hu manos fundamentais.
Muito menos com os editados nela Revolução Francesa. Mas com eles se afinam, além de se inserirem na categoria dos di
sido, esses princípios, procla mados por vários líderes so
reitos naturais.
ciais, sua origem remonta à
para uma vida digna; o de par ticipação nos lucros da empre sa em que trabalha; o da pro
Seria, antes, o direito natu ral cristão, passando pelo direi to natural absoluto proclamado
priedade e livre disposição de
por Santo Agostinho. Ê a lição
seus bens; o da busca da feli cidade no país onde entender
de Santo Tomás de Aquino, que resulta da evolução do pensa mento dos doutores da Igreja.
que melhor possa consegui-la;
cristãos e os fatos da realida
A tese que ele sustenta aqui é a de que, apesar de terem
época muito recuada; tram-se
inseridos
sagrados,
posto
nos
que
encon livros
“foram
pregados por Jesus”. Esses direitos estão nas parábolas; a Igualdade, na parábola do fermento do apóstolo Ma-
44
DIGESTO
teus](13^24); 0 direito da Fra ternidade também se encontra
na parábola' 18, 23-a '35 de Ma teus, enquanto o direito do tra
balho pleno, 0 da felicidade ple
na, 0 da emigração e imigração, o. de propriedade, ainda no mesrno apóstolo.
' Sua conclusão é um apelo à paz e a à concórdia entre
05
homens e uma condenação à
ECONÔMICO
mais amplos poderes de inves tigação, como 0 Ombudsman na Suécia e nos países escandi
navos, e 0 Promoter Especial, criado nos Estados Unidos para 0 escandaloso caso Watergate” (in “Ánais na V Conferência Na cional da O.A.B. do Rio de Ja
neiro”, 1974), Essa proposição foi aprova da finalmente na VI Conferên
violência, conquanto admita e
cia da O.A.B., em Salvador,
defenda aquilo a que a própria
em
1976.
DIGESTO -ECONÔMICO
45
Vale destacar como um dos
mais eloqüentes o episódio Haya de La Torre, o combativo líder do APRISMO do Plerú,
perseguido pela ditadura que então país.
se
implantara
em
seu
Consfífucionaís
vestidas do governo ditatorial,
que atingiram, antes, a própria
Presidente do Instituto dos
soberania colombiana em ter
Advogados Brasileiros, no biê nio 1960/62, realizou uma admi
ra Filho alentado trabalho, em forma de parecer, versando im
Pela jnsfífuição do Ombudsma n
to de lei ou de emenda à Cons
nacional, divulgado pelo “Jor nal do Comércio” do Rio. ^
visando a tornar realidade
as
garantias constitucionais, Jòão dé Oliveira Filho dedicou os úl timos aiios de sua vida à pre
gação de uma idéia que lhe pa receu adequada à defesa dos di-
do 0 Juiz do Povo, a quem se
corrupção
do
poder,
com
os
ritório peruano. Sobre o episó dio levado à apreciação da Cor te Internacional de Justiça, de
Haya, escreveu João de Olivei
portantes teses de direito inter
nistração fecunda em iniciati
vas, principalmente sob a for ma de colaboração legislativa
com 0 Congresso Nacional; Ao ]ado disso, a vigilância, a guar da dos direitos constitucionais, onde quer que fossem violados. A ação do lAB, em tais casos,
se distinguia pela prudência,
sugestão foi a impetração de
mas
habeas-corpus ao referido tri bunal, de que resultaria a re quisição do político perseguido, em companhia do embaixador
reação, que se exprimiu em ar
da Colômbia. Fora do territó
tração da justiça, e defenden do, sempre, a preservação dos
ra Filho pela profissão de ad
rio peruano recebería salvoconduto e 0 problema estaria
vogado
vários
resolvido dentro da lei, A de
concepção das garaniias cons
episódios que não caberia refe rir na dimensão deste registro.
cisão da Colômbia, de reque rer 0 habèás-corpus, levou o
titucionais se traduzira, como de resto deve ser, pela submis-
pudesse recorrer, nos casos de opressão, para apresentar, na
Corte, suas queixas”. Um advogado além fronteiras
rèitos humanos.
. , “É preciso, nas democra cias’modernas, autoridade cons titucional que possa perseguir a
lAB.
O Advogado dos Direitos
“Na Constituinte de 1823, o deputado por Alagoas, José de Souza Mello, apresentara proje tituição, no sentido de ser cria
O episódio seria confirma do, tempos depois, por Haya de La Torre, em conferência no
Lima, fora alvo de várias in
Coube-lhe, ainda, já depois de ver aprovada sua sugestão, realizar, com sucesso, uma pes quisa histórica de resultado sur preendente:
Na ordem de considerações,
xar. 0 país.
O líder peruano, refugiado na Embaixada da Colômbia em
Igreja hoje se opõe; a organiza ção-dos-cristãos em um partido o chamado Partido Político Cristão. Um partido em cada nação, de modo a prevenir a violência.
governo do "Peru a conceder sálvo conduto pàra o asilado dei
A paixão de João de Olivei revelou-se
em
sem
excluir
a
enérgica
gumentos jurídicos e em provi dências contra o arbítrio da au
toridade, a desídia na adminis
direitos
constitucionais.
Sua
44
DIGESTO
teus](13^24); 0 direito da Fra ternidade também se encontra
na parábola' 18, 23-a '35 de Ma teus, enquanto o direito do tra
balho pleno, 0 da felicidade ple
na, 0 da emigração e imigração, o. de propriedade, ainda no mesrno apóstolo.
' Sua conclusão é um apelo à paz e a à concórdia entre
05
homens e uma condenação à
ECONÔMICO
mais amplos poderes de inves tigação, como 0 Ombudsman na Suécia e nos países escandi
navos, e 0 Promoter Especial, criado nos Estados Unidos para 0 escandaloso caso Watergate” (in “Ánais na V Conferência Na cional da O.A.B. do Rio de Ja
neiro”, 1974), Essa proposição foi aprova da finalmente na VI Conferên
violência, conquanto admita e
cia da O.A.B., em Salvador,
defenda aquilo a que a própria
em
1976.
DIGESTO -ECONÔMICO
45
Vale destacar como um dos
mais eloqüentes o episódio Haya de La Torre, o combativo líder do APRISMO do Plerú,
perseguido pela ditadura que então país.
se
implantara
em
seu
Consfífucionaís
vestidas do governo ditatorial,
que atingiram, antes, a própria
Presidente do Instituto dos
soberania colombiana em ter
Advogados Brasileiros, no biê nio 1960/62, realizou uma admi
ra Filho alentado trabalho, em forma de parecer, versando im
Pela jnsfífuição do Ombudsma n
to de lei ou de emenda à Cons
nacional, divulgado pelo “Jor nal do Comércio” do Rio. ^
visando a tornar realidade
as
garantias constitucionais, Jòão dé Oliveira Filho dedicou os úl timos aiios de sua vida à pre
gação de uma idéia que lhe pa receu adequada à defesa dos di-
do 0 Juiz do Povo, a quem se
corrupção
do
poder,
com
os
ritório peruano. Sobre o episó dio levado à apreciação da Cor te Internacional de Justiça, de
Haya, escreveu João de Olivei
portantes teses de direito inter
nistração fecunda em iniciati
vas, principalmente sob a for ma de colaboração legislativa
com 0 Congresso Nacional; Ao ]ado disso, a vigilância, a guar da dos direitos constitucionais, onde quer que fossem violados. A ação do lAB, em tais casos,
se distinguia pela prudência,
sugestão foi a impetração de
mas
habeas-corpus ao referido tri bunal, de que resultaria a re quisição do político perseguido, em companhia do embaixador
reação, que se exprimiu em ar
da Colômbia. Fora do territó
tração da justiça, e defenden do, sempre, a preservação dos
ra Filho pela profissão de ad
rio peruano recebería salvoconduto e 0 problema estaria
vogado
vários
resolvido dentro da lei, A de
concepção das garaniias cons
episódios que não caberia refe rir na dimensão deste registro.
cisão da Colômbia, de reque rer 0 habèás-corpus, levou o
titucionais se traduzira, como de resto deve ser, pela submis-
pudesse recorrer, nos casos de opressão, para apresentar, na
Corte, suas queixas”. Um advogado além fronteiras
rèitos humanos.
. , “É preciso, nas democra cias’modernas, autoridade cons titucional que possa perseguir a
lAB.
O Advogado dos Direitos
“Na Constituinte de 1823, o deputado por Alagoas, José de Souza Mello, apresentara proje tituição, no sentido de ser cria
O episódio seria confirma do, tempos depois, por Haya de La Torre, em conferência no
Lima, fora alvo de várias in
Coube-lhe, ainda, já depois de ver aprovada sua sugestão, realizar, com sucesso, uma pes quisa histórica de resultado sur preendente:
Na ordem de considerações,
xar. 0 país.
O líder peruano, refugiado na Embaixada da Colômbia em
Igreja hoje se opõe; a organiza ção-dos-cristãos em um partido o chamado Partido Político Cristão. Um partido em cada nação, de modo a prevenir a violência.
governo do "Peru a conceder sálvo conduto pàra o asilado dei
A paixão de João de Olivei revelou-se
em
sem
excluir
a
enérgica
gumentos jurídicos e em provi dências contra o arbítrio da au
toridade, a desídia na adminis
direitos
constitucionais.
Sua
DIGESTO
48
da liberdade,
De onde concluo
que, daquilo que constitui o maior excesso de liberdade, surge 0 que é a mais dura e mais selvagem forma de escra vidão.”
A idéia é a de que, onde não existam restrições legais ou controles morais — isto .é,
num estado de anarquia —, o valentão torna-se livre de es cravizar a maioria dos brandos e dos humildes. A falta de res
trições permite ao mais forte ou a um grupo de violentos es
tabelecer seu domínio tirânico.
Pelo mesmo motivo, admite-se a intromissão do Estado na eco-
I
nomia, restringindo o livre mecanismo do mercado e estabele cendo controles —
como
o
im-
posto de renda, o salário mí
nimo, as leis previdenciárias,
as grandes corporações estatais na área de serviços — destina
dos todos a proteger os mais pobres contra os abusos dos mais ricos. O Estado
assegura
ECONÔMICO
de que sempre existe a possi bilidade de regimes totalitários se imporem pelo abuso das pró prias liberdades democráticas.
ECONÔMICO
49
Quando Hitler, em janeiro de 1933, foi chamado pelo pre sidente
Hindenburgo
para
as
sumir a Chancelaria do Reich
E corresponde também ao pa
era ele o chefe do maior par
radoxo da tolerância — a sa
tido alemão e estava, portanto, constitucionalmente, com títu los à posição. Em 1930, ele ha
ber, 0 problema sobre se deve mos ou não aceitar, em nome da tolerância e da liberdade, 0 direito de não tolerar os into lerantes. Este último ponto pos sui
muita
atualidade.
Trata-se
de saber se é legítimo colocar fora da lei qualquer indivíduo ou movimento que pregue a in
tolerância,
a
violência
e
a
opressão. Dq mesmo modo co
mo consideramos ilegal o inci tamento ao assassinato, à dis criminação racial e ao retorno da escravidão, não devemos, porventura, proibir a propagan da e o aliciamento e partidos que são inimigos da liberdade e da democracia, mesmo quan do falem ideais?
em
nome
desses
os direitos do cidadão e lhe ga
Convenhamos que o proble ma não é simples. A história
lismo selvagem”.
recente do mundo demonstra a vulnerabilidade da democracia ao totalitarismo e à tirania —
O paradoxo da liberdade corresponde ao paradoxo da democracia — isto é, ao fato
0 que constitui, na verdade, o principal problema político des
rante a liberdade econômica, contra um sistema de “capita
DIGESTO
te
século.
via obtido seis milhões de vo
tos, 36,7% do eleitorado. Havia incentivado o ingresso, nas fi leiras dos S.A., de milhões de comunistas que. também já militarizados, nada mais fizeram do que trocar de camisa. Em março de 1933, valendo-se do
pretexto do incêndio do Reichstag, Hitler convocou novas elei ções em que obteve 44% da vo tação. Daí por diante, impondo sua ditadura por meios legais, obteve maiorias absolutas feno
menais que alcançaram 88% do eleitorado de 43 milhões, em agosto de 1934. O povo alemão claramente escolheu a tirania e
a sustentou,
contra todos os
obstáculos, até o desastre de 1945. E foi uma pequena mino ria de milílares, aristocratas, cristãos e professores socialis tas que encabeçaram a conspi ração de junho de 1944. ser
oferecidos
em
1917,
os bolchevistas
intitula
vam-se os “majoritários”, mas a verdade é que a maioria, na
Duma, estava com os menchevistas,
os
sociais-democratas,
tidos como “minoritários”.
Na América Latina, temos
o caso de Cuba. Fidel Castro, é bem verdade, exilou e baniu um milhão de pessoas, 15% da
população da ilha, mas o que permaneceu lhe presta um apoio confortável. Perón tam
bém ganhou todas as eleições de que participou. Pérez Jiménez, na Venezuela, e Trujillo, na República Dominicana, fo ram perfeitos “caudilhos”, isto é, tiranos no sentido original da
palavra, que receberam maci ço aplauso popular. No Para guai, há 25 anos que Stroessner é reeleito. E nós mesmos não
elegemos
Getúlio
Vargas?
O
drama da antiga UDN, com sua posição ideológica liberal-cons-
Exemplos semelhantes po dem
países. Quem duvida, por exem plo que, na Rússia soviética, o Partido Comunista goze do apoio maciço da população? A "vontade geral” do povo russo não oferece dúvidas, muito em bora não haja alternativa. Em
outros
titucionalista, foi não ter podi do ganhar eleições: o povo pre-
DIGESTO
48
da liberdade,
De onde concluo
que, daquilo que constitui o maior excesso de liberdade, surge 0 que é a mais dura e mais selvagem forma de escra vidão.”
A idéia é a de que, onde não existam restrições legais ou controles morais — isto .é,
num estado de anarquia —, o valentão torna-se livre de es cravizar a maioria dos brandos e dos humildes. A falta de res
trições permite ao mais forte ou a um grupo de violentos es
tabelecer seu domínio tirânico.
Pelo mesmo motivo, admite-se a intromissão do Estado na eco-
I
nomia, restringindo o livre mecanismo do mercado e estabele cendo controles —
como
o
im-
posto de renda, o salário mí
nimo, as leis previdenciárias,
as grandes corporações estatais na área de serviços — destina
dos todos a proteger os mais pobres contra os abusos dos mais ricos. O Estado
assegura
ECONÔMICO
de que sempre existe a possi bilidade de regimes totalitários se imporem pelo abuso das pró prias liberdades democráticas.
ECONÔMICO
49
Quando Hitler, em janeiro de 1933, foi chamado pelo pre sidente
Hindenburgo
para
as
sumir a Chancelaria do Reich
E corresponde também ao pa
era ele o chefe do maior par
radoxo da tolerância — a sa
tido alemão e estava, portanto, constitucionalmente, com títu los à posição. Em 1930, ele ha
ber, 0 problema sobre se deve mos ou não aceitar, em nome da tolerância e da liberdade, 0 direito de não tolerar os into lerantes. Este último ponto pos sui
muita
atualidade.
Trata-se
de saber se é legítimo colocar fora da lei qualquer indivíduo ou movimento que pregue a in
tolerância,
a
violência
e
a
opressão. Dq mesmo modo co
mo consideramos ilegal o inci tamento ao assassinato, à dis criminação racial e ao retorno da escravidão, não devemos, porventura, proibir a propagan da e o aliciamento e partidos que são inimigos da liberdade e da democracia, mesmo quan do falem ideais?
em
nome
desses
os direitos do cidadão e lhe ga
Convenhamos que o proble ma não é simples. A história
lismo selvagem”.
recente do mundo demonstra a vulnerabilidade da democracia ao totalitarismo e à tirania —
O paradoxo da liberdade corresponde ao paradoxo da democracia — isto é, ao fato
0 que constitui, na verdade, o principal problema político des
rante a liberdade econômica, contra um sistema de “capita
DIGESTO
te
século.
via obtido seis milhões de vo
tos, 36,7% do eleitorado. Havia incentivado o ingresso, nas fi leiras dos S.A., de milhões de comunistas que. também já militarizados, nada mais fizeram do que trocar de camisa. Em março de 1933, valendo-se do
pretexto do incêndio do Reichstag, Hitler convocou novas elei ções em que obteve 44% da vo tação. Daí por diante, impondo sua ditadura por meios legais, obteve maiorias absolutas feno
menais que alcançaram 88% do eleitorado de 43 milhões, em agosto de 1934. O povo alemão claramente escolheu a tirania e
a sustentou,
contra todos os
obstáculos, até o desastre de 1945. E foi uma pequena mino ria de milílares, aristocratas, cristãos e professores socialis tas que encabeçaram a conspi ração de junho de 1944. ser
oferecidos
em
1917,
os bolchevistas
intitula
vam-se os “majoritários”, mas a verdade é que a maioria, na
Duma, estava com os menchevistas,
os
sociais-democratas,
tidos como “minoritários”.
Na América Latina, temos
o caso de Cuba. Fidel Castro, é bem verdade, exilou e baniu um milhão de pessoas, 15% da
população da ilha, mas o que permaneceu lhe presta um apoio confortável. Perón tam
bém ganhou todas as eleições de que participou. Pérez Jiménez, na Venezuela, e Trujillo, na República Dominicana, fo ram perfeitos “caudilhos”, isto é, tiranos no sentido original da
palavra, que receberam maci ço aplauso popular. No Para guai, há 25 anos que Stroessner é reeleito. E nós mesmos não
elegemos
Getúlio
Vargas?
O
drama da antiga UDN, com sua posição ideológica liberal-cons-
Exemplos semelhantes po dem
países. Quem duvida, por exem plo que, na Rússia soviética, o Partido Comunista goze do apoio maciço da população? A "vontade geral” do povo russo não oferece dúvidas, muito em bora não haja alternativa. Em
outros
titucionalista, foi não ter podi do ganhar eleições: o povo pre-
DIGESTO
50
feria os demagogos, como a Milton Campos preferiu Gou lart.
É esse 0 paradoxo da liber dade e 0 paradoxo da democra cia. Rousseau tentou, sem su cesso, resolver o problema. Mas foi Kant que, em sua Crítica da
Razão Pura, pela primeira vez encontrou uma resposta ade quada quando pediu que a li berdade de cada um seja res tringida, mas não além do ne
cessário, para salvaguardar no mesmo grau a liberdade de to
dos. Em outras palavras, a li berdade de cada um deve co existir com a de todos. “O di
reito e a justiça
constituem a
soma total das condições que são necessárias para que a li vre escolha de cada um coexis
ta com a de todos os demais, de acordo com uma lei geral de liberdade.” Isso quer dizer,
ECONÔMICO
limpeza pública trafega pelas ruas, sua Liberdade de tráfego está limitada pela luz verme lha, que o proíbe de prosseguir, a fim de que, num pequeno fus ca, possa eu estar seguro de meu próprio direito de tráfego. Karl Popper discute exten samente 0 problema do parado
xo da liberdade e da ameaça
mocrática
a
proposta
para
criar, desenvolver e proteger as instituições poKticas que impe dem a tirania”. De acordo com
sentido
de
e tenacidade, ensinar
ao
no
homem
0 estabelecimento, em sua pró
pria alma, de uma política, no sentido de uma conduta ética, que garanta a liberdade, a se gurança e a justiça da pólis. O problema da democracia constitui assim o de resolver o
essa definição, o propósito de
bui desastres como os registra dos neste século à teoria pla tônica da soberania. Popper
mo. Com efeito, em sua obra
acusa violenta e, a meu ver, in
Notícia sobre ciclamatos
go da democracia. Segundo ele,
grupo de compostos químicos de sabor doce, aproximadamente trinta vezes mais docc que a sacarose. Trata-se de saís de ácido cliclâmico dos quais apenas o de sódio e o de cálcio são empregados como adoçantes. Sua des coberta, como acontece com muitos produtos atuais, foi casual, pelos idos de 1937. Seguiram-se pesquisas que duraram vários anos, estudos esses que
justamente, Platão de ser um aristocrata reacionário, inimi 0 mal estaria na frase de Pla
tão que “os sábios devem diri
gir o governo e os ignorantes o devem seguir”.
Encontro, entretanto, uma contradição fundamental no ar-
razoado de Popper. Ele consi dera como antidemocrático 0
ría ao Fuhrer-prinzip hitleriano.
liberdade e a daqueles que, co
Mas, ao mesmo tempo, confes
mo eu, não marcham pela car tilha do dito demagogo. Quan
sa
do
representativa.
da
a obra platônica se explica pe lo desejo de combatê-la. Ora, Popper descreve como princí pio fundamental da política de
go pelejou, com extraordinária persistência
Platão seria exatamente o mes
tamente necessário para que não ameace a minha própria
caminhão
Popper admite e repete que Platão odiava a tirania. Toda
contra a democracia. Ele atri
fato de Platão postular um princípio de liderança. Insinua
enorme
51
ECONÔMICO
que a tirania totalitária ergue
no terreno político, que a liber dade de propaganda e alicia mento de um demagogo deve ser restringida no grau absolu
um
DIGESTO
que esse princípio corresponde
que não
existe democracia
direta, que toda democracia é
política, 0 grande filósofo gre-
paradoxo da liberdade, evitan do a tentação do despotismopo pulista demagógico. Ciclamato Um pouco de história, é o nome genérico atribuído a um
se estenderam aos laboratórios da Inglaterra (1964) e da República Fedreal
Alemã (1970), onde seu uso era limitado a alimentos e refrigerantes ou bebi das dietéticas, indicadas para diabéticos ou pessoas às quais se prescrevesse
redução do consumo calórico. O mesmo se deu na Irlanda, Bélgica e Luxem burgo, onde seu consumo maior era o cliclamato de sódio como componente de adoçantes de mesa e produtos vendidos em farmácia. Na França e na Itália exigiu-se durante certo tempo receita médica para seu consumo. A partir de 1950 generalizou-se o uso dos ciclamatos em refrigerantes. Como os fabricantes desses produtos usassem grande quantidade de açúcar, os sindicatos dos produtores iniciaram uma campanha tendente a desacreditar
os adoçantes artificiais perante a opinião pública. Dois fatos deram asas a certas restrições aos sais de ácido ciclâmico: em 1959 expirou a patente da fabricação do ciclamato; muitas indústrias começaram a produzi-lo em larga escala. Baixou consideravelmente seu preço e o emprego dos adoçantes artificiais, como sucedâneos do açúcar tornou-se economicamente mais inte ressante. Outro fator curioso que interferiu nessa campanha ostensiva foi uma coincidência meramente formal de que as gestantes que usaram a talidomida, tiveram filhos com atrofias diversas. Isso levou a serem feitas (Continua na página 60}
DIGESTO
50
feria os demagogos, como a Milton Campos preferiu Gou lart.
É esse 0 paradoxo da liber dade e 0 paradoxo da democra cia. Rousseau tentou, sem su cesso, resolver o problema. Mas foi Kant que, em sua Crítica da
Razão Pura, pela primeira vez encontrou uma resposta ade quada quando pediu que a li berdade de cada um seja res tringida, mas não além do ne
cessário, para salvaguardar no mesmo grau a liberdade de to
dos. Em outras palavras, a li berdade de cada um deve co existir com a de todos. “O di
reito e a justiça
constituem a
soma total das condições que são necessárias para que a li vre escolha de cada um coexis
ta com a de todos os demais, de acordo com uma lei geral de liberdade.” Isso quer dizer,
ECONÔMICO
limpeza pública trafega pelas ruas, sua Liberdade de tráfego está limitada pela luz verme lha, que o proíbe de prosseguir, a fim de que, num pequeno fus ca, possa eu estar seguro de meu próprio direito de tráfego. Karl Popper discute exten samente 0 problema do parado
xo da liberdade e da ameaça
mocrática
a
proposta
para
criar, desenvolver e proteger as instituições poKticas que impe dem a tirania”. De acordo com
sentido
de
e tenacidade, ensinar
ao
no
homem
0 estabelecimento, em sua pró
pria alma, de uma política, no sentido de uma conduta ética, que garanta a liberdade, a se gurança e a justiça da pólis. O problema da democracia constitui assim o de resolver o
essa definição, o propósito de
bui desastres como os registra dos neste século à teoria pla tônica da soberania. Popper
mo. Com efeito, em sua obra
acusa violenta e, a meu ver, in
Notícia sobre ciclamatos
go da democracia. Segundo ele,
grupo de compostos químicos de sabor doce, aproximadamente trinta vezes mais docc que a sacarose. Trata-se de saís de ácido cliclâmico dos quais apenas o de sódio e o de cálcio são empregados como adoçantes. Sua des coberta, como acontece com muitos produtos atuais, foi casual, pelos idos de 1937. Seguiram-se pesquisas que duraram vários anos, estudos esses que
justamente, Platão de ser um aristocrata reacionário, inimi 0 mal estaria na frase de Pla
tão que “os sábios devem diri
gir o governo e os ignorantes o devem seguir”.
Encontro, entretanto, uma contradição fundamental no ar-
razoado de Popper. Ele consi dera como antidemocrático 0
ría ao Fuhrer-prinzip hitleriano.
liberdade e a daqueles que, co
Mas, ao mesmo tempo, confes
mo eu, não marcham pela car tilha do dito demagogo. Quan
sa
do
representativa.
da
a obra platônica se explica pe lo desejo de combatê-la. Ora, Popper descreve como princí pio fundamental da política de
go pelejou, com extraordinária persistência
Platão seria exatamente o mes
tamente necessário para que não ameace a minha própria
caminhão
Popper admite e repete que Platão odiava a tirania. Toda
contra a democracia. Ele atri
fato de Platão postular um princípio de liderança. Insinua
enorme
51
ECONÔMICO
que a tirania totalitária ergue
no terreno político, que a liber dade de propaganda e alicia mento de um demagogo deve ser restringida no grau absolu
um
DIGESTO
que esse princípio corresponde
que não
existe democracia
direta, que toda democracia é
política, 0 grande filósofo gre-
paradoxo da liberdade, evitan do a tentação do despotismopo pulista demagógico. Ciclamato Um pouco de história, é o nome genérico atribuído a um
se estenderam aos laboratórios da Inglaterra (1964) e da República Fedreal
Alemã (1970), onde seu uso era limitado a alimentos e refrigerantes ou bebi das dietéticas, indicadas para diabéticos ou pessoas às quais se prescrevesse
redução do consumo calórico. O mesmo se deu na Irlanda, Bélgica e Luxem burgo, onde seu consumo maior era o cliclamato de sódio como componente de adoçantes de mesa e produtos vendidos em farmácia. Na França e na Itália exigiu-se durante certo tempo receita médica para seu consumo. A partir de 1950 generalizou-se o uso dos ciclamatos em refrigerantes. Como os fabricantes desses produtos usassem grande quantidade de açúcar, os sindicatos dos produtores iniciaram uma campanha tendente a desacreditar
os adoçantes artificiais perante a opinião pública. Dois fatos deram asas a certas restrições aos sais de ácido ciclâmico: em 1959 expirou a patente da fabricação do ciclamato; muitas indústrias começaram a produzi-lo em larga escala. Baixou consideravelmente seu preço e o emprego dos adoçantes artificiais, como sucedâneos do açúcar tornou-se economicamente mais inte ressante. Outro fator curioso que interferiu nessa campanha ostensiva foi uma coincidência meramente formal de que as gestantes que usaram a talidomida, tiveram filhos com atrofias diversas. Isso levou a serem feitas (Continua na página 60}
Venezuela
versus Guiana A. de Lyra Tavares Impõe-se ação diplomática para resolver os problemas do continente.
●
O autor é da Academia Brasileira de Letras.
SERVIÇO CENTRAL DE
PROTEÇÃO AO CRÉDITO SCPC O SCPC protege o crédito, financiamento e investimento a pessoas ffeicas desde 1955, quando foi instituído como atividade pioneira da ACSP. Todas as atividades deste órgão estão solidamente apoiadas por modernos serviços de computador.
Isto possibilita responder, com precisão e eficiência, todas
Vem de já 140 anos a dispu ta de fronteiras entre a Vene zuela e a Guiana, antigo domí nio britânico, tornado, autôno mo depois que a Grã-iBretanha, .tradicionalmente colonia lista, .passou a conceder a in
que
tem
dependência aos antigos domínioS do. seu grande império.
Estados
intercalada
entre a
Venezuela e a Guiana uma im
portante área do Território Fe deral de .Roraima.
No final do ano passado, o primeiro-ministro da . Guiana, Ptolomy Reid, viajou para os Unidos
e
outras
na-
çõeSj à procura de apoio para defender-se da- pretensão da
as consultas dos associados.
● A Guiana. herdou assim, de
Associe-se à ACSP e aproveite as vantagens dos serviços do SCPC.
pois de Estado soberano, o lití gio, que. já vinha do século XIX, entre a Venezuela e o ImpéTio britânico. E isso criou
Venezuela sobre a área litigiosa de dois terços do seu'ter
um-problema subjacente, capaz
teria declarado: "Enquanto não estacionam tropas cubanas no nosso país socialista a Venezue la pode atacá-lo militarmente.
de ameaçar a harmonia conti nental, na região Rua Boa Visla. 51 - C. Postal 8082 - Cep 01014
Telex (11) 23355 - SP - PABX 239 1333.
com
reflexos
sobre
amazônica, o Brasil,
ritório. E foi publicada, então,
uma
entrevista,, na qual ele
Venezuela
versus Guiana A. de Lyra Tavares Impõe-se ação diplomática para resolver os problemas do continente.
●
O autor é da Academia Brasileira de Letras.
SERVIÇO CENTRAL DE
PROTEÇÃO AO CRÉDITO SCPC O SCPC protege o crédito, financiamento e investimento a pessoas ffeicas desde 1955, quando foi instituído como atividade pioneira da ACSP. Todas as atividades deste órgão estão solidamente apoiadas por modernos serviços de computador.
Isto possibilita responder, com precisão e eficiência, todas
Vem de já 140 anos a dispu ta de fronteiras entre a Vene zuela e a Guiana, antigo domí nio britânico, tornado, autôno mo depois que a Grã-iBretanha, .tradicionalmente colonia lista, .passou a conceder a in
que
tem
dependência aos antigos domínioS do. seu grande império.
Estados
intercalada
entre a
Venezuela e a Guiana uma im
portante área do Território Fe deral de .Roraima.
No final do ano passado, o primeiro-ministro da . Guiana, Ptolomy Reid, viajou para os Unidos
e
outras
na-
çõeSj à procura de apoio para defender-se da- pretensão da
as consultas dos associados.
● A Guiana. herdou assim, de
Associe-se à ACSP e aproveite as vantagens dos serviços do SCPC.
pois de Estado soberano, o lití gio, que. já vinha do século XIX, entre a Venezuela e o ImpéTio britânico. E isso criou
Venezuela sobre a área litigiosa de dois terços do seu'ter
um-problema subjacente, capaz
teria declarado: "Enquanto não estacionam tropas cubanas no nosso país socialista a Venezue la pode atacá-lo militarmente.
de ameaçar a harmonia conti nental, na região Rua Boa Visla. 51 - C. Postal 8082 - Cep 01014
Telex (11) 23355 - SP - PABX 239 1333.
com
reflexos
sobre
amazônica, o Brasil,
ritório. E foi publicada, então,
uma
entrevista,, na qual ele
DIGfESTO
54
E eu não vejo, pois, nenhuma razão para recusar a assistên cia de nações que nos queiram prestá-la”. Trata-se, pela geografia, de problema que se reflete, por dois lados, na Amazônia brasi leira, em região ainda coberta de florestas e habitada por tri bos indígenas. Confinada, em grande parte, pelos rios Essequibo e Cuyuni, ela contém ricos depósitos de bauxita, o
mineral do alumínio, dispondo, para
a sua
exploração econô
mica, de considerável capaci
dade potencial de energia hi dráulica, a ser aproveitada na instalação
de
usina
hidrelé
trica.
O litígio vem dos tempos da colônia inglesa, no fim do
século passado, quando a GrãBretanha pretendeu ampliar o seu domínio até a atual Venezuela oriental, sendo frustrada
ECONÔMICO
Guiana até o rio Cuyuni, mas a Venezuela nunca aceitou a de
cisão que “foi concertada entre governos de países desenvolvi dos (a Inglaterra e os Estados Unidos) para a definição de fronteiras entre dois países sub desenvolvidos”.
A verdade é que o governo venezuelano
conUnua
contra
esta divisão. E a Guiana, ago ra independente, julga-se amea çada por ela, admitindo recor rer ao apoio de Cuba, no caso de parecer-lhe necessário. A
gou a enviar tropas para a ilha do Cuyuni, mas a questão foi protelada por 12 anos, que expiram em junho próximo. E agora o presidente Forbes Burnham volta a falar dela a pro pósito da crise das Malvinas.
disse,
então, Richard OÍney, como se
o Território de Roraima, o que
a uma decisão arbitrai, invo cando a Doutrina de Monroe.
Cônego José Geraldo Vidígal de Carvalho
disputa gerou uma crise em 1960, quando a Venezuela che
A importância do que está ocorrendo ver-so-á melhor pelo mapa da região, levando em conta a notícia, já oficial, de quo acaba de jorrar “petróleo de boa qualidade na Guiana” a 20 quilômetros da fronteira com
pelos Estados Unidos, que a forçaram a submeter o litígio
exiffe seriedade 0
É preciso ficar com a verdade na história da escravatura. O autor é professor da Universidade Federal de Ouro Preto
Ao ensejo da comemoração do aniversário da
revolta
do
Quilombo dos Palmares, lide rada pelo negro Zumbi, foram feitas assertivas que mostram como ainda se faz história nes
te país, generalizações, emoti
um estudo sério sobre a escra
vatura no Brasil, porque, pato logicamente, se passou a agre
dir a Igreja. Despautérios são divulgados numa linguagem radicalizante
antícientífica
e.
portanto, eivada de falácias, de gritantes sofismas. Ao sadismo das acusações, através de afir
são pra
aumenta o delicado problema e
vidade, unilateralidade, ausên cia de espírito crítico, falta do suporte da investigação cientí fica. Numa perspectiva nitida
ticamente soberanos neste Con¬ tinente”. O Tribunal de Arbi
torna mais urgente a ação di plomática para resolvê-lo, em
ditos católicos estão contribuin
alia a divulgação de boletins e cartilhas, cujo texto, ilustrado por montagens pictoriais, ins-
tragem
favor da harmonia continental.
do para 'dificultar ainda mais
Ula
“Os
Estados Unidos
cretário de Estado
estendeu o
limite
da
mente marxista, atéi periódicos
mativas destituídas de base, se
sutilmente
animosidade
DIGfESTO
54
E eu não vejo, pois, nenhuma razão para recusar a assistên cia de nações que nos queiram prestá-la”. Trata-se, pela geografia, de problema que se reflete, por dois lados, na Amazônia brasi leira, em região ainda coberta de florestas e habitada por tri bos indígenas. Confinada, em grande parte, pelos rios Essequibo e Cuyuni, ela contém ricos depósitos de bauxita, o
mineral do alumínio, dispondo, para
a sua
exploração econô
mica, de considerável capaci
dade potencial de energia hi dráulica, a ser aproveitada na instalação
de
usina
hidrelé
trica.
O litígio vem dos tempos da colônia inglesa, no fim do
século passado, quando a GrãBretanha pretendeu ampliar o seu domínio até a atual Venezuela oriental, sendo frustrada
ECONÔMICO
Guiana até o rio Cuyuni, mas a Venezuela nunca aceitou a de
cisão que “foi concertada entre governos de países desenvolvi dos (a Inglaterra e os Estados Unidos) para a definição de fronteiras entre dois países sub desenvolvidos”.
A verdade é que o governo venezuelano
conUnua
contra
esta divisão. E a Guiana, ago ra independente, julga-se amea çada por ela, admitindo recor rer ao apoio de Cuba, no caso de parecer-lhe necessário. A
gou a enviar tropas para a ilha do Cuyuni, mas a questão foi protelada por 12 anos, que expiram em junho próximo. E agora o presidente Forbes Burnham volta a falar dela a pro pósito da crise das Malvinas.
disse,
então, Richard OÍney, como se
o Território de Roraima, o que
a uma decisão arbitrai, invo cando a Doutrina de Monroe.
Cônego José Geraldo Vidígal de Carvalho
disputa gerou uma crise em 1960, quando a Venezuela che
A importância do que está ocorrendo ver-so-á melhor pelo mapa da região, levando em conta a notícia, já oficial, de quo acaba de jorrar “petróleo de boa qualidade na Guiana” a 20 quilômetros da fronteira com
pelos Estados Unidos, que a forçaram a submeter o litígio
exiffe seriedade 0
É preciso ficar com a verdade na história da escravatura. O autor é professor da Universidade Federal de Ouro Preto
Ao ensejo da comemoração do aniversário da
revolta
do
Quilombo dos Palmares, lide rada pelo negro Zumbi, foram feitas assertivas que mostram como ainda se faz história nes
te país, generalizações, emoti
um estudo sério sobre a escra
vatura no Brasil, porque, pato logicamente, se passou a agre
dir a Igreja. Despautérios são divulgados numa linguagem radicalizante
antícientífica
e.
portanto, eivada de falácias, de gritantes sofismas. Ao sadismo das acusações, através de afir
são pra
aumenta o delicado problema e
vidade, unilateralidade, ausên cia de espírito crítico, falta do suporte da investigação cientí fica. Numa perspectiva nitida
ticamente soberanos neste Con¬ tinente”. O Tribunal de Arbi
torna mais urgente a ação di plomática para resolvê-lo, em
ditos católicos estão contribuin
alia a divulgação de boletins e cartilhas, cujo texto, ilustrado por montagens pictoriais, ins-
tragem
favor da harmonia continental.
do para 'dificultar ainda mais
Ula
“Os
Estados Unidos
cretário de Estado
estendeu o
limite
da
mente marxista, atéi periódicos
mativas destituídas de base, se
sutilmente
animosidade
DIGESTO
56
contra uma Instituição, que sempre se distinguiu pela luta contra a opressão e pela difu são da fraternidade. A religião foi, em todos os tempos, obs táculo à violência.
Sua doutri
na nunca deixou de ser aquela que o Papa João Paulo II ex pôs em pleno Palácio do Pla nalto
em Brasília:
ECONÔMICO
bem e o mal. Asseverar, além
do mais, que houve insensibili dade ante as sevícias e injúrias aos cativos, é subestimar a
força intrínseca do Evangelho que impregnava tantos cora ções nobres. Adite-se que a
abordagem preconceituosa da era da escravidão é antipatrió-
“o homem
tica, dado que explora o senti
não pode ser feito escravo de ninguém nem de nada”. Os discípulos do Nazareno comba teram, desde os albores do
mento alheio. Exageram-se fa tos que fazem da História Pá tria do período colonial e im perial um caos de arbitrarie dades e desumanidades, como se não houvesse, entre leigos e
cristianismo, todo tipo de su jeição ignominiosa, não pela
revolução mas pela evolução. Em 1888, Leão XIII, na Encíclica In plurimís, ensinou que a Igreja estava consciente de
que “a precipitação acarreta ria tumulto e ocasionaria de
trimento tanto para os próprios escravos quanto para o bem co
mum”. Excomungar reis e se nhores, como hoje se preconi za deveria ter sido a medida adotada, só traria mais entra ves a uma das obras de mise
ricórdia que esta Igreja, sem a libertacessar, incentivou: ção dos cativos”. Seu sábio método não é a revolução ar mada, mas a conscientização de princípios éticos, não obs tante
a
ambivalência
entre
o
eclesiásticos, pessoas dotadas de cordialidade e compreensão. São fixadas, enfaticamente, episódios que revelam a excepcionalidade da atuação delituo sa, perversa, de certos tipos doentios, cujo despotismo causa asco
e
merece
condenação.
Numa projeção generaüzadora, se assegura que s6 houve agressões infames aos africa nos, dando-se ênfase à bruta
lidade ocasional. Ninguém, é evidente, vai defender o regi me escravagista ou aplaudir a
iniquidade da exploração. An te, porém, 0 que houve, o posi cionamento do verdadeiro his
toriador não é julgar, mas ana lisar imparcialmente os even-
DIGESTO
57
ECONÔMICO
tos. Cumpre refletir, por exem plo, sobre isto: conhecemos as atrocidades de muitos senhores de escravos, inclusive de sacer
dotes. Ora, os cronistas soem registrar aquilo que causa pas
hoje, seja ele operário qualifi cado, jornaleiro da roça ou fa velado do salário mínimo? Nin guém, por certo, pois aí há apenas rotina do dia a dia e nada mais. Mas neste modesto
história da exceção, esquecidos
mundo de penúria também existe amor, riso, alegrias, tal vez muito mais puras e descon traídas do que as existentes nas invejadas camadas burguesas
do que era comum, natural, ou seja, o respeito à pessoa do
e ricas da sociedade moderna. Mas tais banalidades da vida
mo, não 0 que é normal.
O
insólito prende a atenção pelo
que traz de anormal. Não será, então, que estamos fazendo a
outro? Será que todos os se nhores de escravos eram psi cóticos, sádicos, desumanos,
possuindo personalidade defor mada? Se pode ter havido a fixação de cenas chocantes em vez de outras sem repercussão
são ignoradas, por insossas e
desprovidas de dramaticidade que sempre atrai mais o leitor do que o trivial comum”. Há documentos que patenteiam como os escravos tiveram tambéto seus instantes de felicida
sar esta outra faceta: o que fez
de. A Igreja lhes propiciou, nas Confrarias e Irmandades, es
a .Igreja-a favor do. escravo
paços para momentos de ventu
publicitária, porque não pesqui africano, de que modo atuou nas senzalas, ou a maneira como foi tratada a maioria dos escravos por senhores equili brados e dotados de bom senso. Os .● franceses têm sábio pror vérbio: pas denouvelles, bonnes nouvelles.
O cotidiano do
escravo foi muito menos vio lento., do que se imagina. Eduardo Etzel faz esta ponde'Quem se abalaria a ração: descrever a vida do pobre de
ra.
As
festas
dias santos
religiosas,
mais
os
numerosos
outorgavam-lhes horas
menos
duras. Aliás, o pontífice João Paulo n, falando dia 11 de ju nho de 1980 aos missionários em Manaus,. declarou que ao
lado do cuidado espiritual se completa com o muito a ser feito “para ajudar aos neces sitados a promover-se passan do de situações de miséria e abandono indignas de filhos de
DIGESTO
56
contra uma Instituição, que sempre se distinguiu pela luta contra a opressão e pela difu são da fraternidade. A religião foi, em todos os tempos, obs táculo à violência.
Sua doutri
na nunca deixou de ser aquela que o Papa João Paulo II ex pôs em pleno Palácio do Pla nalto
em Brasília:
ECONÔMICO
bem e o mal. Asseverar, além
do mais, que houve insensibili dade ante as sevícias e injúrias aos cativos, é subestimar a
força intrínseca do Evangelho que impregnava tantos cora ções nobres. Adite-se que a
abordagem preconceituosa da era da escravidão é antipatrió-
“o homem
tica, dado que explora o senti
não pode ser feito escravo de ninguém nem de nada”. Os discípulos do Nazareno comba teram, desde os albores do
mento alheio. Exageram-se fa tos que fazem da História Pá tria do período colonial e im perial um caos de arbitrarie dades e desumanidades, como se não houvesse, entre leigos e
cristianismo, todo tipo de su jeição ignominiosa, não pela
revolução mas pela evolução. Em 1888, Leão XIII, na Encíclica In plurimís, ensinou que a Igreja estava consciente de
que “a precipitação acarreta ria tumulto e ocasionaria de
trimento tanto para os próprios escravos quanto para o bem co
mum”. Excomungar reis e se nhores, como hoje se preconi za deveria ter sido a medida adotada, só traria mais entra ves a uma das obras de mise
ricórdia que esta Igreja, sem a libertacessar, incentivou: ção dos cativos”. Seu sábio método não é a revolução ar mada, mas a conscientização de princípios éticos, não obs tante
a
ambivalência
entre
o
eclesiásticos, pessoas dotadas de cordialidade e compreensão. São fixadas, enfaticamente, episódios que revelam a excepcionalidade da atuação delituo sa, perversa, de certos tipos doentios, cujo despotismo causa asco
e
merece
condenação.
Numa projeção generaüzadora, se assegura que s6 houve agressões infames aos africa nos, dando-se ênfase à bruta
lidade ocasional. Ninguém, é evidente, vai defender o regi me escravagista ou aplaudir a
iniquidade da exploração. An te, porém, 0 que houve, o posi cionamento do verdadeiro his
toriador não é julgar, mas ana lisar imparcialmente os even-
DIGESTO
57
ECONÔMICO
tos. Cumpre refletir, por exem plo, sobre isto: conhecemos as atrocidades de muitos senhores de escravos, inclusive de sacer
dotes. Ora, os cronistas soem registrar aquilo que causa pas
hoje, seja ele operário qualifi cado, jornaleiro da roça ou fa velado do salário mínimo? Nin guém, por certo, pois aí há apenas rotina do dia a dia e nada mais. Mas neste modesto
história da exceção, esquecidos
mundo de penúria também existe amor, riso, alegrias, tal vez muito mais puras e descon traídas do que as existentes nas invejadas camadas burguesas
do que era comum, natural, ou seja, o respeito à pessoa do
e ricas da sociedade moderna. Mas tais banalidades da vida
mo, não 0 que é normal.
O
insólito prende a atenção pelo
que traz de anormal. Não será, então, que estamos fazendo a
outro? Será que todos os se nhores de escravos eram psi cóticos, sádicos, desumanos,
possuindo personalidade defor mada? Se pode ter havido a fixação de cenas chocantes em vez de outras sem repercussão
são ignoradas, por insossas e
desprovidas de dramaticidade que sempre atrai mais o leitor do que o trivial comum”. Há documentos que patenteiam como os escravos tiveram tambéto seus instantes de felicida
sar esta outra faceta: o que fez
de. A Igreja lhes propiciou, nas Confrarias e Irmandades, es
a .Igreja-a favor do. escravo
paços para momentos de ventu
publicitária, porque não pesqui africano, de que modo atuou nas senzalas, ou a maneira como foi tratada a maioria dos escravos por senhores equili brados e dotados de bom senso. Os .● franceses têm sábio pror vérbio: pas denouvelles, bonnes nouvelles.
O cotidiano do
escravo foi muito menos vio lento., do que se imagina. Eduardo Etzel faz esta ponde'Quem se abalaria a ração: descrever a vida do pobre de
ra.
As
festas
dias santos
religiosas,
mais
os
numerosos
outorgavam-lhes horas
menos
duras. Aliás, o pontífice João Paulo n, falando dia 11 de ju nho de 1980 aos missionários em Manaus,. declarou que ao
lado do cuidado espiritual se completa com o muito a ser feito “para ajudar aos neces sitados a promover-se passan do de situações de miséria e abandono indignas de filhos de
‘sô
tUGESTO
Deus á condições mais huma nas de vida”. Enfatizou em se
guida que assim fizeram le giões de missionários antes, “aqui mesmo na América La tina, aqui mesmo no Brasil”. O mesmo Eduardo Etzel, com ra zão, afirmou que “a escravidão
tem sido tema de exploração ideológica”. Em nossos dias. sim, se abusa do escravo, de turpando sua imagem em de fesa de
teses contestáveis.
A
verdade não pode ficar ao arbítrio de percalços inconscien
tes, torcida por recalques
sublimados.
aao
O historiador D.
Oscar de Oliveira, arcebispo de Mariana, já ofereceu dados,
frutos de paciente pesquisa, que indicam como há muito a se investigar metodologicamente, sobre o assunto. Há casos reais, concretos de uma constante cruzada humanitária
nas Gerais e por todo o Bra
sil a favor do cativo, por parte de membros do clero e do lai-
cato. Outro aspecto a ser foca lizado é que não se deve julgar modos de agir dos séculos an
teriores com a cultura presen te, com as categorias atuais.
A
antropologia,
a psicologia
profunda, a sociologia, a peda gogia avançaram extraordina¬
ECONÔMICO
riamente. Muitas situações, atualmente inconcebíveis par-i a
mentalidade
de
antanho,
eram corretas. No campo da didática, quanta modificação para melhor de uma détada para outra, em nosso século XX! Será que se pensa no que dirão os pósteros sobre o com portamento hodierno? As mul tinacionais do crime estão por aí, fazendo novos escravos. Uma sociedade na qual, sinistraraente, se multiplicam aber rações hediondas. Constrange
dora pelas injustiças sociais que campeiam mundo todo. O
DIGESTO
econômico
social que anestesiam a capa
tumbeiros, múíto do que se es
cidade de discernimento, es cravizando multidões aos donos
creveu, carece de todo funda mento. Tragédias houve e ha verá por motivos os mais com plexos. Para sensibilizar a cam panha abolicionista, se desta
do poder econômico.
Nas ca
tastróficas guerras deste fim de milênio, morrem mais pes soas do que todos os escravos
que vieram para o Brasil de
1516 até à abolição do tráfico. A chacina dos judeus no reginazista
me
excede
de
muito
em crueldade o que aqui ocor reu. Pior do que a servidão de outrora é a morte de milhões
dc seres indefesos, assassinados no ventre materno, através do aborto criminoso. É esta civi
preço, pouco significando a vi da humana exposta a irradia
lização, arvorada em juiz do passado, que justifica uma tal prática, tão horripilante! Quem
ções nucleares cancerígenas, a alimentos contaminados por
de que há laboratórios que, pa-
que vale é o lucro a qualquer
ingredientes
químicos
suma
mente danosos, a medicamen
tos mortíferos. Até privacidade pessoal é violada pela tecnolo gia sofisticada. Poluição sono
não estarreceu diante da notícia
ra
melhorarem a qualidade de
seus
cosméticos,
usam
fetos
humanos? Muitos, na ânsia de aumentarem suas rendas, fa¬
cou 0 sofrimento dos cativos. Há notável influxo literário imbricado no discurso histórico.
Lana Lage, deste modo, se ex pressou: “A vida miserável do escravo, o trabalho de sol a sol sob o látego do feitor, os castigos terríveis, a degrada ção, 0 desespero de sua condi ção, foram temas que alimen taram
a
reforma
abolicionista,
fartamente
depois
repetida
por
historiadores
muitos
em
alusão às páginas He sangue escritas pela escravidão em nossa história”. Ê claro que é “impossível enxugar totalmen
te 0 sangue destas páginas”, mas é necessáido um repensar menos emotivo sobre a questão
zem com que moças se engra
escravocrata.
ra, visual, pesregramentos se xuais estampados friamente
videm. visando esta finalidade.
cm conta que a tensão, o con
jornais, revistas e na pró pria televisão, que não respei
Pergunta-se ainda: até on de a literatura do século XIX influiu para deformar o ocor rido? Inúmeras imagens pró prias de um poeta não se com patibilizam com algo exequí
em
tam
nem
a
inocência
das
crianças, muitas, futuros pa trocinadores das mesmas dis
torções. Toda uma paraferná
lia dos meios de comunicação
vel. Assim, no que tange aos
Leve-se
ainda
flito acentuado está constante mente à tona nos mecanismos
que
compõem um sistema de
dominação. Num contexto como este a prevenção de parte a parte é muito mais intensa. Cumpre, pois, sentir o clima do processo para, mais pertinen-
‘sô
tUGESTO
Deus á condições mais huma nas de vida”. Enfatizou em se
guida que assim fizeram le giões de missionários antes, “aqui mesmo na América La tina, aqui mesmo no Brasil”. O mesmo Eduardo Etzel, com ra zão, afirmou que “a escravidão
tem sido tema de exploração ideológica”. Em nossos dias. sim, se abusa do escravo, de turpando sua imagem em de fesa de
teses contestáveis.
A
verdade não pode ficar ao arbítrio de percalços inconscien
tes, torcida por recalques
sublimados.
aao
O historiador D.
Oscar de Oliveira, arcebispo de Mariana, já ofereceu dados,
frutos de paciente pesquisa, que indicam como há muito a se investigar metodologicamente, sobre o assunto. Há casos reais, concretos de uma constante cruzada humanitária
nas Gerais e por todo o Bra
sil a favor do cativo, por parte de membros do clero e do lai-
cato. Outro aspecto a ser foca lizado é que não se deve julgar modos de agir dos séculos an
teriores com a cultura presen te, com as categorias atuais.
A
antropologia,
a psicologia
profunda, a sociologia, a peda gogia avançaram extraordina¬
ECONÔMICO
riamente. Muitas situações, atualmente inconcebíveis par-i a
mentalidade
de
antanho,
eram corretas. No campo da didática, quanta modificação para melhor de uma détada para outra, em nosso século XX! Será que se pensa no que dirão os pósteros sobre o com portamento hodierno? As mul tinacionais do crime estão por aí, fazendo novos escravos. Uma sociedade na qual, sinistraraente, se multiplicam aber rações hediondas. Constrange
dora pelas injustiças sociais que campeiam mundo todo. O
DIGESTO
econômico
social que anestesiam a capa
tumbeiros, múíto do que se es
cidade de discernimento, es cravizando multidões aos donos
creveu, carece de todo funda mento. Tragédias houve e ha verá por motivos os mais com plexos. Para sensibilizar a cam panha abolicionista, se desta
do poder econômico.
Nas ca
tastróficas guerras deste fim de milênio, morrem mais pes soas do que todos os escravos
que vieram para o Brasil de
1516 até à abolição do tráfico. A chacina dos judeus no reginazista
me
excede
de
muito
em crueldade o que aqui ocor reu. Pior do que a servidão de outrora é a morte de milhões
dc seres indefesos, assassinados no ventre materno, através do aborto criminoso. É esta civi
preço, pouco significando a vi da humana exposta a irradia
lização, arvorada em juiz do passado, que justifica uma tal prática, tão horripilante! Quem
ções nucleares cancerígenas, a alimentos contaminados por
de que há laboratórios que, pa-
que vale é o lucro a qualquer
ingredientes
químicos
suma
mente danosos, a medicamen
tos mortíferos. Até privacidade pessoal é violada pela tecnolo gia sofisticada. Poluição sono
não estarreceu diante da notícia
ra
melhorarem a qualidade de
seus
cosméticos,
usam
fetos
humanos? Muitos, na ânsia de aumentarem suas rendas, fa¬
cou 0 sofrimento dos cativos. Há notável influxo literário imbricado no discurso histórico.
Lana Lage, deste modo, se ex pressou: “A vida miserável do escravo, o trabalho de sol a sol sob o látego do feitor, os castigos terríveis, a degrada ção, 0 desespero de sua condi ção, foram temas que alimen taram
a
reforma
abolicionista,
fartamente
depois
repetida
por
historiadores
muitos
em
alusão às páginas He sangue escritas pela escravidão em nossa história”. Ê claro que é “impossível enxugar totalmen
te 0 sangue destas páginas”, mas é necessáido um repensar menos emotivo sobre a questão
zem com que moças se engra
escravocrata.
ra, visual, pesregramentos se xuais estampados friamente
videm. visando esta finalidade.
cm conta que a tensão, o con
jornais, revistas e na pró pria televisão, que não respei
Pergunta-se ainda: até on de a literatura do século XIX influiu para deformar o ocor rido? Inúmeras imagens pró prias de um poeta não se com patibilizam com algo exequí
em
tam
nem
a
inocência
das
crianças, muitas, futuros pa trocinadores das mesmas dis
torções. Toda uma paraferná
lia dos meios de comunicação
vel. Assim, no que tange aos
Leve-se
ainda
flito acentuado está constante mente à tona nos mecanismos
que
compõem um sistema de
dominação. Num contexto como este a prevenção de parte a parte é muito mais intensa. Cumpre, pois, sentir o clima do processo para, mais pertinen-
DIGESTO
80
temente, dirigir a investigação
ECONÔMICO
julgamento de todos. O pas sado, elaborado cientificamen
dos, dos esbulhados, condenan do os prepotentes. Vários fo ram aqueles que, no dizer de D. Silvério, se viram “atraves sados de escrúpulos de cons ciência” e, em consequência,
te, inclui análise de fontes se guras, não afoitas criações, di-
trtavara
das ocorrências. Não se pode basear no procedimento neuró tico de alguns tiranos para o
vagações poéticas, idealizações quiméricas. Colocações artifi cialmente arquitetadas, ma nanciais de falsificações. A má observação dos acontecimentos distorce a realidade. Urge ve rificar qual 0 eficaz empenho
dos bons, dos cristãos autênti cos que jamais deixaram de estar ao lado dos oprimidosy dos sofredores, dos injustiça¬
libertavam seus escravos ou os
mais
cristãmente.
A
O direito de
preferêneia e a
História, com efeito, deve ser escrita com objetividade, sem deturpações e com muita se riedade. Quanto à Escravidão. João
Paulo
II
ensinou
clara
mente, em Fortaleza, que hou ve, por parte da Igreja no Bra sil, um passado comprometido com esforço em prol da Abo lição da Escravatura.
ações em outra sociedade
(Continuação da página 51) algumas pesquisas sob a inspiração dos produtores de açúcar. Estas se realizaram na Inglaterra e foram publicadas, em 1964, onde se procurava demonstrar que se dava algum retardo no crescimento de animais que haviam recebido por via oral grandes quantidades de ciclamato. Seguiu-se verdadeira torrente de pesquisas sobre o açúcar, de êxito publicitário tanto nos Estados Unidos quanto em outros países.; Em contrapartida os laboratórios fabricantes de ciclamatos passaram a dar maior divulgação aos resultados de suas pesquisas científicas, resultando daí um acentuado aumento da credibilidade da segurança que tais adoçantes proporcionam à saúde humana. Por outra parte e concomitantemente definia-se, no congresso norte-americana o con ceito legal de aditivos alimentares. A palavra dos Laboratórios de Pesquisa. A Food and Drugs Administration — (PDA) diante da tragédia da talidomida começou a exigir testes em animais, considerando sobretudo efeitos de qual quer nova droga na fertilidade e na reprodução e possíveis teratologias. Um órgão independente, o Food and Drugs Research Laboratories, de Long Island, Nova Iorque, desenvolveu durante dois anos as mais minuciosas investigações sobre possíveis efeitos dos ciclamatos na reprodução dos ratos. Foi quando (Continua na página 78)
Amoldo Wald
A contribuição para capital societário não é venda. O autor é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro
1. A sofisticação crescente dos acordos de acionistas e a introdução de novas cláusuIas nos estatutos das sociedades têm obrigado os advogados e magistrados a definir, adequa-
cia para a compra de ações que tem sido consagrado convencionalmente pelas partes. Com a criação dos grupos de socieda des de dir-eito e de fato e a proliferação das subsidiárias, uma
damente o direito de preferên-
das questões suscitadas
se
re-
DIGESTO
80
temente, dirigir a investigação
ECONÔMICO
julgamento de todos. O pas sado, elaborado cientificamen
dos, dos esbulhados, condenan do os prepotentes. Vários fo ram aqueles que, no dizer de D. Silvério, se viram “atraves sados de escrúpulos de cons ciência” e, em consequência,
te, inclui análise de fontes se guras, não afoitas criações, di-
trtavara
das ocorrências. Não se pode basear no procedimento neuró tico de alguns tiranos para o
vagações poéticas, idealizações quiméricas. Colocações artifi cialmente arquitetadas, ma nanciais de falsificações. A má observação dos acontecimentos distorce a realidade. Urge ve rificar qual 0 eficaz empenho
dos bons, dos cristãos autênti cos que jamais deixaram de estar ao lado dos oprimidosy dos sofredores, dos injustiça¬
libertavam seus escravos ou os
mais
cristãmente.
A
O direito de
preferêneia e a
História, com efeito, deve ser escrita com objetividade, sem deturpações e com muita se riedade. Quanto à Escravidão. João
Paulo
II
ensinou
clara
mente, em Fortaleza, que hou ve, por parte da Igreja no Bra sil, um passado comprometido com esforço em prol da Abo lição da Escravatura.
ações em outra sociedade
(Continuação da página 51) algumas pesquisas sob a inspiração dos produtores de açúcar. Estas se realizaram na Inglaterra e foram publicadas, em 1964, onde se procurava demonstrar que se dava algum retardo no crescimento de animais que haviam recebido por via oral grandes quantidades de ciclamato. Seguiu-se verdadeira torrente de pesquisas sobre o açúcar, de êxito publicitário tanto nos Estados Unidos quanto em outros países.; Em contrapartida os laboratórios fabricantes de ciclamatos passaram a dar maior divulgação aos resultados de suas pesquisas científicas, resultando daí um acentuado aumento da credibilidade da segurança que tais adoçantes proporcionam à saúde humana. Por outra parte e concomitantemente definia-se, no congresso norte-americana o con ceito legal de aditivos alimentares. A palavra dos Laboratórios de Pesquisa. A Food and Drugs Administration — (PDA) diante da tragédia da talidomida começou a exigir testes em animais, considerando sobretudo efeitos de qual quer nova droga na fertilidade e na reprodução e possíveis teratologias. Um órgão independente, o Food and Drugs Research Laboratories, de Long Island, Nova Iorque, desenvolveu durante dois anos as mais minuciosas investigações sobre possíveis efeitos dos ciclamatos na reprodução dos ratos. Foi quando (Continua na página 78)
Amoldo Wald
A contribuição para capital societário não é venda. O autor é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro
1. A sofisticação crescente dos acordos de acionistas e a introdução de novas cláusuIas nos estatutos das sociedades têm obrigado os advogados e magistrados a definir, adequa-
cia para a compra de ações que tem sido consagrado convencionalmente pelas partes. Com a criação dos grupos de socieda des de dir-eito e de fato e a proliferação das subsidiárias, uma
damente o direito de preferên-
das questões suscitadas
se
re-
DIGESTO
62
ferem à incidência ou não do direito de preferência nos casos em que um dos acionistas uti liza a sua participação acioná ria para integralizar o seu ca pital numa subsidiária ou coli
deve
acionária da empresa, sem a concordância de todas os inte
ressados.
Protege-se, assim, a
affectio societatis que
põe,
na
pressu
empresa fechada, a
convivência harmoniosa de in
O direito de preferência
teresses de pessoas que colabo ram para um fim idêntico, den tro de uma política fixada pela
ser
maioria,
gada.
2.
ECONÔMICO
definido
dentro
do
contexto do direito positivo bra sileiro, recorrendo-se aos vários critérios de interpretação (lite ral, lógico, sistemático e teleológico).
com a adesão inicial
subscrição visa garantir, ao acionista, a manutenção da posiçao social na qual sua parti-
cipacão 0 colocou inicialmente,
sendo assim intuitu pecuniae, a
preferência na venda atende ao
caráter personalista da socie dade de capital fechado, sendo intuitu personae e destinando-se a evitar que haja uma mudanda composição ça substancial
ser
analisada
atendendo
ao
conjunto do ornamento jurídico, caracterizado pelo seu caráter
4. Na confundem
realidade, não s-2 nem se identificam
as preferências para a subscri
ção de
ações,
no
caso de
aquisição das mesmas, no caso de venda a terceiros, a qual em
na
vigente, quais são as normas aplicáveis na última hipótese, que não é prevista pela lei so cietária. Ora, os critérios de interpretação têm dado a maior ênfase à sistematicidade, en tendendo que toda norma deve
unitário. Afirmou-se,
mente não se
quanto o direito de preferência
63
natureza integrada do ato interpretativo, que se realiza num contexto determinado, ou
aumento de capital, com a pos
confunde com a
ECONÔMICO
dos minoritários.
3. A preferência para a aquisição de ações, em virtude de compra e venda, evidente
preferência para a subscrição de ações, na forma prevista pe lo artigo 171 da Lei n.o 6.404, de 15 de dezembro de 1976. En
DIGESTO
sibilidade de diluição da posi ção dos minoritários, e para a nada afeta a proporção inicial entre as participações dos vá rios acionistas, como bem sa lienta SAN TIAGO DANTAS (Problemas de Direito Positivo,
Rio, Forense, 1953, pág. 273). 5.
Afastada
a
identidade
entre a preferência na subscri ção de ações, que tem origem legal, e a -existente para a ven da das mesmas, em virtude de cláusula contratual ou de nor
ma estatutária, cabe examinar, dentro do ordenamentojurídico
assim, a
seja, em função da estrutura global do sistema jurídico. 6.
A
Lei
de
Introdução
manda atender, na aplicação das normas, à analogia e aos
princípios gerais do direito (ar tigo 4.®), de tal modo que se tor na imperativo definir a prefe rência para a aquisição de
ações, atendendo ao que dispõe sobre a matéria a legislação vi
gente. No silêncio da lei comer
cial sobre o direito de prefe rência, cabe recorrer ao que
a 1157, definem o regime legal do direito de preferência. 7. O direito civil brasileiro, quando trata das
cláusulas es
peciais à compra e venda, iden tifica a preferência com a pre-
empção. Esta, .stimologicamente, é formada das duas pala vras prae (antes) e em.ptío (compra) ensejando o vocábulo
latino praemptio, que significa a compra contraíada por ante
cipação, ou seja, a preferência para a compra. FREIRE define
LAUDELINO a
preempçao
como sendo a “preferência que tem 0 primitivo vendedor de readquirir o objeto vendido, quando o comprador tiver de allená-lo; precedência na com pra". (Grande e novíssimo di cionário da língua portuguesa, 3.® edição. Rio, Livraria José
Olympio Editora, 1957, vol. IV, pág. 4101). Por sua vez, PLÁCI DO E SILVA esclarece que a pre ferência consiste no "direito de
reaquisição da coisa vendida, quando o primitivo comprador
dispõe a lei civil, que se aplica
a quer vender, ou o direito de
aos contratos mercantis, ex vi
precedência para compra da coisa (Vocabulário Jurídico,
do disposto no artigo 121 do Có digo Comercial. Incidem, pois, no caso, as normas do Código Civil que, nos seus artigos 1149
Rio, Forense,
1963,
vol. III,
pág. 1200). No mesmo sentido, manifestam-se o Repertório En-
DIGESTO
62
ferem à incidência ou não do direito de preferência nos casos em que um dos acionistas uti liza a sua participação acioná ria para integralizar o seu ca pital numa subsidiária ou coli
deve
acionária da empresa, sem a concordância de todas os inte
ressados.
Protege-se, assim, a
affectio societatis que
põe,
na
pressu
empresa fechada, a
convivência harmoniosa de in
O direito de preferência
teresses de pessoas que colabo ram para um fim idêntico, den tro de uma política fixada pela
ser
maioria,
gada.
2.
ECONÔMICO
definido
dentro
do
contexto do direito positivo bra sileiro, recorrendo-se aos vários critérios de interpretação (lite ral, lógico, sistemático e teleológico).
com a adesão inicial
subscrição visa garantir, ao acionista, a manutenção da posiçao social na qual sua parti-
cipacão 0 colocou inicialmente,
sendo assim intuitu pecuniae, a
preferência na venda atende ao
caráter personalista da socie dade de capital fechado, sendo intuitu personae e destinando-se a evitar que haja uma mudanda composição ça substancial
ser
analisada
atendendo
ao
conjunto do ornamento jurídico, caracterizado pelo seu caráter
4. Na confundem
realidade, não s-2 nem se identificam
as preferências para a subscri
ção de
ações,
no
caso de
aquisição das mesmas, no caso de venda a terceiros, a qual em
na
vigente, quais são as normas aplicáveis na última hipótese, que não é prevista pela lei so cietária. Ora, os critérios de interpretação têm dado a maior ênfase à sistematicidade, en tendendo que toda norma deve
unitário. Afirmou-se,
mente não se
quanto o direito de preferência
63
natureza integrada do ato interpretativo, que se realiza num contexto determinado, ou
aumento de capital, com a pos
confunde com a
ECONÔMICO
dos minoritários.
3. A preferência para a aquisição de ações, em virtude de compra e venda, evidente
preferência para a subscrição de ações, na forma prevista pe lo artigo 171 da Lei n.o 6.404, de 15 de dezembro de 1976. En
DIGESTO
sibilidade de diluição da posi ção dos minoritários, e para a nada afeta a proporção inicial entre as participações dos vá rios acionistas, como bem sa lienta SAN TIAGO DANTAS (Problemas de Direito Positivo,
Rio, Forense, 1953, pág. 273). 5.
Afastada
a
identidade
entre a preferência na subscri ção de ações, que tem origem legal, e a -existente para a ven da das mesmas, em virtude de cláusula contratual ou de nor
ma estatutária, cabe examinar, dentro do ordenamentojurídico
assim, a
seja, em função da estrutura global do sistema jurídico. 6.
A
Lei
de
Introdução
manda atender, na aplicação das normas, à analogia e aos
princípios gerais do direito (ar tigo 4.®), de tal modo que se tor na imperativo definir a prefe rência para a aquisição de
ações, atendendo ao que dispõe sobre a matéria a legislação vi
gente. No silêncio da lei comer
cial sobre o direito de prefe rência, cabe recorrer ao que
a 1157, definem o regime legal do direito de preferência. 7. O direito civil brasileiro, quando trata das
cláusulas es
peciais à compra e venda, iden tifica a preferência com a pre-
empção. Esta, .stimologicamente, é formada das duas pala vras prae (antes) e em.ptío (compra) ensejando o vocábulo
latino praemptio, que significa a compra contraíada por ante
cipação, ou seja, a preferência para a compra. FREIRE define
LAUDELINO a
preempçao
como sendo a “preferência que tem 0 primitivo vendedor de readquirir o objeto vendido, quando o comprador tiver de allená-lo; precedência na com pra". (Grande e novíssimo di cionário da língua portuguesa, 3.® edição. Rio, Livraria José
Olympio Editora, 1957, vol. IV, pág. 4101). Por sua vez, PLÁCI DO E SILVA esclarece que a pre ferência consiste no "direito de
reaquisição da coisa vendida, quando o primitivo comprador
dispõe a lei civil, que se aplica
a quer vender, ou o direito de
aos contratos mercantis, ex vi
precedência para compra da coisa (Vocabulário Jurídico,
do disposto no artigo 121 do Có digo Comercial. Incidem, pois, no caso, as normas do Código Civil que, nos seus artigos 1149
Rio, Forense,
1963,
vol. III,
pág. 1200). No mesmo sentido, manifestam-se o Repertório En-
DIGESTO
64
clclopédlco do Direito Brasilei ro organizado por CARVALHO SANTOS (Rio, Borsoi Editor,
sem data, vol.
XXXVm, pág.
354) e a recente Enciclopédir. Saraiva (S. Paulo, Editora Sa
raiva, 1981, vol. 60, pág. 67). 8. Verifica-se, assim, que somente se pode cogitar de preempção ou de preferência no momento de revenda
do
bem
adquirido, não se aplicando o instituto a outras hipóteses. É
0 que deflui da própria redação dos artigos 1149, 1150 e 1152 do
Código Civil, de acordo com os quais: Art. 1149.
I
A preempção, ou preferência, impõe ao comprador a obrigação de oferecer ao vendedor a coisa que aquele vai vender, ou dar em paga mento, para que
este
use de
seu direito ds prelação na com pra, tanto por tanto”. (Grifa mos) .
“Art. 1150. A União, o Es tado, ou 0 Município, oferecerá ao ex-proprietário o imóvel de
sapropriado, pelo preço por que 0 foi, caso não tenha o destino, para que se desapropriou”.
ECONÔMICO
"Art. 1152. O direito de pre-
empção não se estende se não às situações indicadas nos arts. 1.149 e 1.150, nem a outro direi
to real que não a propriedade”. (Grifamos).
9. Consequentemente, se o comprador primitivo não ven der, nem der em pagamento o
bem objeto da preferência, não ocorre a condição básica neces
sária para que se possa cogitar de preempção, que se encontra sempre vinculada à idéia do
mesmo preço, em dinheiro, que
iria ser pago pelo terceiro adquirente. "Tanto por tanto" es clarece o artigo 1149 e o artigo 1155 se refere à obrigação, pa
ra quem exerce a preferência, de "pagar, em condições iguais, o preço (em dinheiro) encontra do, ou o ajustado".
10. A identificação entre a compra e v-enda e a dação em pagamento que se encontra
no artigo 1149 do Código Ci vil se explica, pois, em ambos
os casos, há uma transferência
do bem mediante pagamento de um preço em dinheiro, embora
na hipótese da dação corra, si multaneamente, uma espécie de compensação entre o preço que
deveria ser pago ao vendedor e
DIGESTO
ECONÔMICO
65
0 débito que o mesmo tinha em relação ao comprador. Assim sendo, a dação em pagamento tem 0 mesmo regime legal que a compra e venda, justificandose que, em relação a ambas, se possa exercer o direito de pre
ferência por existir, casos, um preço nheiro.
11.
nos dois
pago em di
A contrario sensu, não
ocorrendo nem venda, nem da ção em pagamento, não pode incidir a cláusula de preferên cia, por faltar a identidade de valor entre o preço pago em dinheiro pelo terceiro e o que pagaria o titular do direito de preempção. 12.
Toda a doutrina
bra
sileira, desde a elaboração do Esboço de TEIXEIRA DE
FREITAS e, a fortiori, a partir da promulgação do Código Ci vil, reconhece que somente sur ge o direito do titular da prefe rência nos
casos de venda ou
dação em pagamento, excluídas todas as demais hipóteses, tais
13. Efetivamente, antes do Código Civil, já neste sentido se manifestou
TEIXEIRA
DE
FREITAS, no artigo 2090 do seu Esboço, no qual esclareceu que:
"A venda com pacto de pre ferência ou de preempção não dará direito ao vendedor para
recuperar a coisa vendida, se
não quando o comprador quiser vendê-la ou dá-la em pagamento
14. Por sua vez, CLÓVIS BEVlLAQUA, nos seus comen tários ao artigo 1152, escreve que "s2 0 direito de preempção é convencional, só se aplica ao caso de venda ou dação em pa gamento, que equivale à ven da”. (Códígo Civil Comentado,
8.^ edição, Rio, Livraria Fran cisco Alves, 1950, vol. IV, pág. 319, comentário ao artigo 1151). 15. Não diverge deste en tendimento o MINISTRO JOÃO
LUIZ ALVES,
que, a respeito.
ensina:
como a doação, a permuta e o
“A preempção é convencio
confisrimento de bens para rea
nal ou legal. A convencional só se pode estipular para os casos
lização do capital de outra em presa, também denominada “incorporação”, “contribuição”, “entrada” ou "apport".
em que o comprador queira vender a coisa ou dá-la em pa
gamento. Na compra e venda.
DIGESTO
64
clclopédlco do Direito Brasilei ro organizado por CARVALHO SANTOS (Rio, Borsoi Editor,
sem data, vol.
XXXVm, pág.
354) e a recente Enciclopédir. Saraiva (S. Paulo, Editora Sa
raiva, 1981, vol. 60, pág. 67). 8. Verifica-se, assim, que somente se pode cogitar de preempção ou de preferência no momento de revenda
do
bem
adquirido, não se aplicando o instituto a outras hipóteses. É
0 que deflui da própria redação dos artigos 1149, 1150 e 1152 do
Código Civil, de acordo com os quais: Art. 1149.
I
A preempção, ou preferência, impõe ao comprador a obrigação de oferecer ao vendedor a coisa que aquele vai vender, ou dar em paga mento, para que
este
use de
seu direito ds prelação na com pra, tanto por tanto”. (Grifa mos) .
“Art. 1150. A União, o Es tado, ou 0 Município, oferecerá ao ex-proprietário o imóvel de
sapropriado, pelo preço por que 0 foi, caso não tenha o destino, para que se desapropriou”.
ECONÔMICO
"Art. 1152. O direito de pre-
empção não se estende se não às situações indicadas nos arts. 1.149 e 1.150, nem a outro direi
to real que não a propriedade”. (Grifamos).
9. Consequentemente, se o comprador primitivo não ven der, nem der em pagamento o
bem objeto da preferência, não ocorre a condição básica neces
sária para que se possa cogitar de preempção, que se encontra sempre vinculada à idéia do
mesmo preço, em dinheiro, que
iria ser pago pelo terceiro adquirente. "Tanto por tanto" es clarece o artigo 1149 e o artigo 1155 se refere à obrigação, pa
ra quem exerce a preferência, de "pagar, em condições iguais, o preço (em dinheiro) encontra do, ou o ajustado".
10. A identificação entre a compra e v-enda e a dação em pagamento que se encontra
no artigo 1149 do Código Ci vil se explica, pois, em ambos
os casos, há uma transferência
do bem mediante pagamento de um preço em dinheiro, embora
na hipótese da dação corra, si multaneamente, uma espécie de compensação entre o preço que
deveria ser pago ao vendedor e
DIGESTO
ECONÔMICO
65
0 débito que o mesmo tinha em relação ao comprador. Assim sendo, a dação em pagamento tem 0 mesmo regime legal que a compra e venda, justificandose que, em relação a ambas, se possa exercer o direito de pre
ferência por existir, casos, um preço nheiro.
11.
nos dois
pago em di
A contrario sensu, não
ocorrendo nem venda, nem da ção em pagamento, não pode incidir a cláusula de preferên cia, por faltar a identidade de valor entre o preço pago em dinheiro pelo terceiro e o que pagaria o titular do direito de preempção. 12.
Toda a doutrina
bra
sileira, desde a elaboração do Esboço de TEIXEIRA DE
FREITAS e, a fortiori, a partir da promulgação do Código Ci vil, reconhece que somente sur ge o direito do titular da prefe rência nos
casos de venda ou
dação em pagamento, excluídas todas as demais hipóteses, tais
13. Efetivamente, antes do Código Civil, já neste sentido se manifestou
TEIXEIRA
DE
FREITAS, no artigo 2090 do seu Esboço, no qual esclareceu que:
"A venda com pacto de pre ferência ou de preempção não dará direito ao vendedor para
recuperar a coisa vendida, se
não quando o comprador quiser vendê-la ou dá-la em pagamento
14. Por sua vez, CLÓVIS BEVlLAQUA, nos seus comen tários ao artigo 1152, escreve que "s2 0 direito de preempção é convencional, só se aplica ao caso de venda ou dação em pa gamento, que equivale à ven da”. (Códígo Civil Comentado,
8.^ edição, Rio, Livraria Fran cisco Alves, 1950, vol. IV, pág. 319, comentário ao artigo 1151). 15. Não diverge deste en tendimento o MINISTRO JOÃO
LUIZ ALVES,
que, a respeito.
ensina:
como a doação, a permuta e o
“A preempção é convencio
confisrimento de bens para rea
nal ou legal. A convencional só se pode estipular para os casos
lização do capital de outra em presa, também denominada “incorporação”, “contribuição”, “entrada” ou "apport".
em que o comprador queira vender a coisa ou dá-la em pa
gamento. Na compra e venda.
DIGESTO
66
0 comprador-vendedor recebe o mesmo preço que outrem lhe oferecia; na dação em paga mento solve a dívida, tanto por tanto, com o preço que recebe do vendedor-comprador. Em
ECONÔMICO
pode exercer-se nem nas vendas
nas trocas, judiciais, em
execução por dívidas". (João Luiz Alves, Código Civil anota do, 3.a edição, 4.o vol. Rio, Edi tor Borsoi, 1958, pág. 248).
I
16. Por sua vez, CARVA LHO SANTOS esclarece que dcve ser dada uma interpreta ção restritiva às disposições que regem o direito de prefe rência, não sendo possível apli cá-lo por analogia, ou seja, fo ra das hipóteses de venda e da ção £m pagamento. (Código Ci vil Interpretado, 3.a edição. Rio
de Janeiro, Livraria Editora Freitas Bastos, 1945, vol. XVI, pág. 233). 17.
Mais
recentemente
e
lei à venda do imóvel, a dação
pág. 359, n.o 236; SANTIAGO
ro".
em pagamento, e a hipótese de
DANTAS, Programa de direito civl']. Rio, Editora Rio, 1978, vol. n, pág. 240; ANTONIO CHAVES, Lições de direito ci vil, Direito das obrigações, S.
desapropriação,
prevista
no
art. 1150".
A lei exclui qualquer alienaçao que não seja venda ou
dação em pagamento, donde ser permitido ao comprador doar a coisa, trocar, ou entregá-la cosociedade de
mo quota a uma
que venha a participar, sem
fringir
nenhuma
in-
obrigação”.
(Da compra e venda e da troca,
Rio, Forense, 1961, pág. 200). 18.
Idêntica é a posição de
todos os demais civilistas que
tiveram o ensejo de se mani festar sobre os casos de inci dência do direito de preferên
que;
SHINGTON DE BARROS MON
TEIRO,Curso ,de direito civil, Direito das obrigações, 2.a par te, 10.a edição, S. Paulo, Edi tora Saraiva, 1975, pág. 104 e ARNOLDO WALD, Curso de di reito civil Brasileiro, Obriga ções e contratos, 5.a edição, S. Paulo, Revista dos Tribunais, 1979, pág. 217).
trata dação
de
seu Tratado de direito privado,
em
(SEBASTIÃO
DE
PONTES DE MIRANDA, invo
quando não venda ou
pagamento. SOUZA
Da
se de
compra
e
ven
da, 2.a edição, Rio, Foren se, 1956, pág. 380; CAIO MÁ Rio, Forense, 1963, vol. III, pág. 146; MIGUEL MARIA DE
à compra e venda, AGOSTINHO ALVIM
1976, vol. III, pág. 146; ORLAN DO GOMES, Contratos, Rio, Forense, 1959, pág. 290; WA
19. Analisando a questão de modo mais minucioso, no
ferentes observa
comentadores
Paulo, Revista dos Tribunais,
cia, afastando a sua aplicação
dos artigos do Código Civil, re
os
67
outro negócio jurídico com dis posição, sem preço em dinhei
RIO DA SILVA PEREIRA, Instituições de direito civil.
ainda entre
ECONÔMICO
to civil, 3.a edição, Rio, Livra ria Freitas Bastos, 1961, vol. II.
"O direito de preempção ou
preferência está limitado pela
nenhum desses casos, sofre pre
juízo. Fora deles, a preempção não seria possível. Assim, não
DIGESTO
SERPA LOPES, Curso de direi-
ca a doutrina alemã para con cluir que:
“Pressuposto necessário pa ra
0
exercício
do
direito
de
20. E acrescenta o nente e saudoso civilista:
emi
“Se houve fraude à lei, ou propósito de eludir o direito de preempção, pode haver o exer
cício, perante a autoridade ju dicial, do direito formativo ge rador (se há prova do preço dissimulado) ou a ação de in denização”. 21.
Finalmente,
conclui,
com lição que se adapta perfeitamente ao presente caso: “A ENTRADA COM O BEM em sociedade Não se EQUIPARA A COMPRA E VENDA”. (Pontes de Miran da,Tratado de Direito Privado,
tomo XXXIX, Rio de Janeiro,
Editor Borsoi,
pág. 208).
1962, § 4310.6,
22. A matéria, que, como vimos, é mansa e pacífica na doutrina, também o é na juris
prudência que reconhece ex pressamente
a
não
incidência
preempção é o ter em vista o sujeito passivo A VENDA DO BEM OU TÊ-LA CONCLUÍDO.
do não se trata de venda ou
Não basta a doação, a troca, ou
comprova, de modo exaustivo.
do direito de preferência quan dação
em
pagamento,
como
DIGESTO
66
0 comprador-vendedor recebe o mesmo preço que outrem lhe oferecia; na dação em paga mento solve a dívida, tanto por tanto, com o preço que recebe do vendedor-comprador. Em
ECONÔMICO
pode exercer-se nem nas vendas
nas trocas, judiciais, em
execução por dívidas". (João Luiz Alves, Código Civil anota do, 3.a edição, 4.o vol. Rio, Edi tor Borsoi, 1958, pág. 248).
I
16. Por sua vez, CARVA LHO SANTOS esclarece que dcve ser dada uma interpreta ção restritiva às disposições que regem o direito de prefe rência, não sendo possível apli cá-lo por analogia, ou seja, fo ra das hipóteses de venda e da ção £m pagamento. (Código Ci vil Interpretado, 3.a edição. Rio
de Janeiro, Livraria Editora Freitas Bastos, 1945, vol. XVI, pág. 233). 17.
Mais
recentemente
e
lei à venda do imóvel, a dação
pág. 359, n.o 236; SANTIAGO
ro".
em pagamento, e a hipótese de
DANTAS, Programa de direito civl']. Rio, Editora Rio, 1978, vol. n, pág. 240; ANTONIO CHAVES, Lições de direito ci vil, Direito das obrigações, S.
desapropriação,
prevista
no
art. 1150".
A lei exclui qualquer alienaçao que não seja venda ou
dação em pagamento, donde ser permitido ao comprador doar a coisa, trocar, ou entregá-la cosociedade de
mo quota a uma
que venha a participar, sem
fringir
nenhuma
in-
obrigação”.
(Da compra e venda e da troca,
Rio, Forense, 1961, pág. 200). 18.
Idêntica é a posição de
todos os demais civilistas que
tiveram o ensejo de se mani festar sobre os casos de inci dência do direito de preferên
que;
SHINGTON DE BARROS MON
TEIRO,Curso ,de direito civil, Direito das obrigações, 2.a par te, 10.a edição, S. Paulo, Edi tora Saraiva, 1975, pág. 104 e ARNOLDO WALD, Curso de di reito civil Brasileiro, Obriga ções e contratos, 5.a edição, S. Paulo, Revista dos Tribunais, 1979, pág. 217).
trata dação
de
seu Tratado de direito privado,
em
(SEBASTIÃO
DE
PONTES DE MIRANDA, invo
quando não venda ou
pagamento. SOUZA
Da
se de
compra
e
ven
da, 2.a edição, Rio, Foren se, 1956, pág. 380; CAIO MÁ Rio, Forense, 1963, vol. III, pág. 146; MIGUEL MARIA DE
à compra e venda, AGOSTINHO ALVIM
1976, vol. III, pág. 146; ORLAN DO GOMES, Contratos, Rio, Forense, 1959, pág. 290; WA
19. Analisando a questão de modo mais minucioso, no
ferentes observa
comentadores
Paulo, Revista dos Tribunais,
cia, afastando a sua aplicação
dos artigos do Código Civil, re
os
67
outro negócio jurídico com dis posição, sem preço em dinhei
RIO DA SILVA PEREIRA, Instituições de direito civil.
ainda entre
ECONÔMICO
to civil, 3.a edição, Rio, Livra ria Freitas Bastos, 1961, vol. II.
"O direito de preempção ou
preferência está limitado pela
nenhum desses casos, sofre pre
juízo. Fora deles, a preempção não seria possível. Assim, não
DIGESTO
SERPA LOPES, Curso de direi-
ca a doutrina alemã para con cluir que:
“Pressuposto necessário pa ra
0
exercício
do
direito
de
20. E acrescenta o nente e saudoso civilista:
emi
“Se houve fraude à lei, ou propósito de eludir o direito de preempção, pode haver o exer
cício, perante a autoridade ju dicial, do direito formativo ge rador (se há prova do preço dissimulado) ou a ação de in denização”. 21.
Finalmente,
conclui,
com lição que se adapta perfeitamente ao presente caso: “A ENTRADA COM O BEM em sociedade Não se EQUIPARA A COMPRA E VENDA”. (Pontes de Miran da,Tratado de Direito Privado,
tomo XXXIX, Rio de Janeiro,
Editor Borsoi,
pág. 208).
1962, § 4310.6,
22. A matéria, que, como vimos, é mansa e pacífica na doutrina, também o é na juris
prudência que reconhece ex pressamente
a
não
incidência
preempção é o ter em vista o sujeito passivo A VENDA DO BEM OU TÊ-LA CONCLUÍDO.
do não se trata de venda ou
Não basta a doação, a troca, ou
comprova, de modo exaustivo.
do direito de preferência quan dação
em
pagamento,
como
DIGESTO
68
ECONÔMICO
precedente judicial. Seria
um excelente acórdão do Supre
quer
foi
legítima interpretação de nor
mo Tribunal Federal, no qual relator o
eminente
minis
tro GONÇALVES DE OLIVEI RA. Efetivamente, ao julgar o Recurso Extraordinário n.o
plenário do pretório decidiu que:
58.783,
0
ma jurídica.
lho:
■‘Não pode um condômino em coisa indivisível vender a
sua parte a estranho, se outro consorte a quiser, tanto por
23. Na ocasião, a Procura doria Geral da República teve 0 ensejo de salientar que:
venda poderá, depositando o preço, haver para si a parte
do
C.
'^enda não é troca. E bas ta, para se repelir a tese de íncídencíalidade e consequente aplicabilidade do dispositivo suso
transcrito".
24.
O plenário acatou, por
unanimidade, o voto do ilustre relator que teve o seguinte teorTrouxe a causa para julga mento do plenário, por não ci tarem as partes, sobre a inter
pretação do art, 1.139, no par ticular de que se trata, qual-
tanto.
não
O
se
condômino
der
a
quem
conhecimento
vendida a estranho,
dr.
da
se o re
querer no prazo de seis meses”. A meu ver, o preceito tem não
assim
a
Cavalcanti
Fi
às alienações de modo geral: fala em venda, que tem senti do mais restrito” — e logo abai
permuta
seja receber em permuta”. (Da compra e Venda e da Troca,
p. 124, n.o 150, l.a ed.
Também Agostinho Alvim, como Carlos Maximiliano, ci-
Rio,
1961)
troca, como no caso. A propó sito, Carlos Maximiliano é ter“Não pode o consorte recla mar para si o quinhão de ou tro, quando alienado por pro cesso diferente, da venda (me diante troca, por exemplo). Se 0 contrário fosse possível, qual 0 preço a depositar? (Condomí nio, 2.a ed., página 474)”.
mesma
razão não pode ser proibida a troca, porque o consorte a quem se devesse dar preferên cia não poderia dar ao outro condômino a coisa que este de
ou
minante:
‘Pela
xo acrescenta:
em vista exclusivamente a ven
da,
Raimundo
”0 art. 1.139 não se refere
Dispõe o art. 1.139:
Compra e venda. Prefe rência do art. 1139 do Código Civil Não se aplica em caso de permuta ou troca".
não incide o art. 1.139
69
tado na douta sentença de pri meira instância o ilustre juiz
excelso
Civ., pré-transcrito”.
ECONÔMICO
fraude à lei? Convém se fixe a
●●●
‘‘Não há dúvida alguma de que, em se tratando de troca,
DIGESTO
Sebastião de Souza mesmo modo:
do
“Como
normas
resulta
das
de
venda
ou daçãb
em pagamento, feitas pelo com prador. Este poderá, por tan to, doar ou permutar a coisa, sem
oferecê-la
ao
simbo Nonato, Soriano Neto e Orlando Gomes. Em
face
do
direito
civil,
português, cujo Código tem dis posição idêntica ao do nosso art. 1.139, Cunha Gonçalves pontifica:
“O art. 1.566 é inexequível no caso de troca, visto que ne nhum dos co-proprietários pode depositar em juízo a coisa que 0 outro permutante deu em tro ca”. (Princípios de Direito Ci
vil Luso Brasileiro, II. 1.023 n.o 417).
traçadas pelo C. Civil, referen tes a preempção ou preferên cia, esta somente se verifica no caso
magistrado e professor minei ro, além dos pareceres emiti dos, por solicitação dos recor ridos e constantes dos autos, dos professores ministro Oro-
vendedor”.
Estou em que tal conclusão espelha a melhor doutrina Sub meto-a à decisão do plenário. Se 0 antigo condômino não ficar
satisfeito
com
os
novos
co-proprietáriós só lhe restará promover a extiiição do condo mínio, com a venda judicial do imóvel, com as preferências ca
(Da Compra e Venda, 1946, pá gina 379). ,
bíveis.
No mesmo sentido, João Luiz Alves citado pelo saudoso
pelo
Pelo exposto, meu voto é não
conhecimento
do re
curso que, no mérito, se conhe-
DIGESTO
68
ECONÔMICO
precedente judicial. Seria
um excelente acórdão do Supre
quer
foi
legítima interpretação de nor
mo Tribunal Federal, no qual relator o
eminente
minis
tro GONÇALVES DE OLIVEI RA. Efetivamente, ao julgar o Recurso Extraordinário n.o
plenário do pretório decidiu que:
58.783,
0
ma jurídica.
lho:
■‘Não pode um condômino em coisa indivisível vender a
sua parte a estranho, se outro consorte a quiser, tanto por
23. Na ocasião, a Procura doria Geral da República teve 0 ensejo de salientar que:
venda poderá, depositando o preço, haver para si a parte
do
C.
'^enda não é troca. E bas ta, para se repelir a tese de íncídencíalidade e consequente aplicabilidade do dispositivo suso
transcrito".
24.
O plenário acatou, por
unanimidade, o voto do ilustre relator que teve o seguinte teorTrouxe a causa para julga mento do plenário, por não ci tarem as partes, sobre a inter
pretação do art, 1.139, no par ticular de que se trata, qual-
tanto.
não
O
se
condômino
der
a
quem
conhecimento
vendida a estranho,
dr.
da
se o re
querer no prazo de seis meses”. A meu ver, o preceito tem não
assim
a
Cavalcanti
Fi
às alienações de modo geral: fala em venda, que tem senti do mais restrito” — e logo abai
permuta
seja receber em permuta”. (Da compra e Venda e da Troca,
p. 124, n.o 150, l.a ed.
Também Agostinho Alvim, como Carlos Maximiliano, ci-
Rio,
1961)
troca, como no caso. A propó sito, Carlos Maximiliano é ter“Não pode o consorte recla mar para si o quinhão de ou tro, quando alienado por pro cesso diferente, da venda (me diante troca, por exemplo). Se 0 contrário fosse possível, qual 0 preço a depositar? (Condomí nio, 2.a ed., página 474)”.
mesma
razão não pode ser proibida a troca, porque o consorte a quem se devesse dar preferên cia não poderia dar ao outro condômino a coisa que este de
ou
minante:
‘Pela
xo acrescenta:
em vista exclusivamente a ven
da,
Raimundo
”0 art. 1.139 não se refere
Dispõe o art. 1.139:
Compra e venda. Prefe rência do art. 1139 do Código Civil Não se aplica em caso de permuta ou troca".
não incide o art. 1.139
69
tado na douta sentença de pri meira instância o ilustre juiz
excelso
Civ., pré-transcrito”.
ECONÔMICO
fraude à lei? Convém se fixe a
●●●
‘‘Não há dúvida alguma de que, em se tratando de troca,
DIGESTO
Sebastião de Souza mesmo modo:
do
“Como
normas
resulta
das
de
venda
ou daçãb
em pagamento, feitas pelo com prador. Este poderá, por tan to, doar ou permutar a coisa, sem
oferecê-la
ao
simbo Nonato, Soriano Neto e Orlando Gomes. Em
face
do
direito
civil,
português, cujo Código tem dis posição idêntica ao do nosso art. 1.139, Cunha Gonçalves pontifica:
“O art. 1.566 é inexequível no caso de troca, visto que ne nhum dos co-proprietários pode depositar em juízo a coisa que 0 outro permutante deu em tro ca”. (Princípios de Direito Ci
vil Luso Brasileiro, II. 1.023 n.o 417).
traçadas pelo C. Civil, referen tes a preempção ou preferên cia, esta somente se verifica no caso
magistrado e professor minei ro, além dos pareceres emiti dos, por solicitação dos recor ridos e constantes dos autos, dos professores ministro Oro-
vendedor”.
Estou em que tal conclusão espelha a melhor doutrina Sub meto-a à decisão do plenário. Se 0 antigo condômino não ficar
satisfeito
com
os
novos
co-proprietáriós só lhe restará promover a extiiição do condo mínio, com a venda judicial do imóvel, com as preferências ca
(Da Compra e Venda, 1946, pá gina 379). ,
bíveis.
No mesmo sentido, João Luiz Alves citado pelo saudoso
pelo
Pelo exposto, meu voto é não
conhecimento
do re
curso que, no mérito, se conhe-
DIGESTO
70
cido, negaria provimento”. Re vista Trimestral de dência do Supremo
Jurispru Tribunal
Federal, vol. 43, pág. 396). 25.
Salientando que não se
trata de acórdão isolado, o MI NISTRO VITOR NUNES LEAL, teve o ensejo de lembrar que já existia julgamento análogo proferido no RE 54.722 decidi do pela nossa mais alta corte em 9 de junho de 1964 (Revis ta Trimestral citada, pág. 397).
26. Verificamos, pois, que tanto a doutrina quanto a ju risprudência limitam a aplica ção do direito de preferência à compra e venda e à dação em pagamento, excluindo-a nas de mais hipóteses. 27.
Consequentemente,
0
contrato entre as partes deve ser interpretado de acordo com os textos legais e o sentido que
ECONÔMICO
I. A inteligência simples e adequada, que for mais confor me à boa-fé, e ao verdadeiro espírito e natureza do contrato, deverá sempre prevalecer à rigorosa e restrita significação das palavras”.
“Der Vertrag mit dem Dritterí muss ein Kaufvei*trag sein. Der
abschluss
cines
andereii
auf. entgeltliche oder unentgeltliche Veraeusserung
gerichte-
especlalmente o costume do lu gar, onde o contrato deva ter execução, prevalecerá a qual
de compra. A conclusão de um outro contrato, dirigido a alie-
observada
no
comércio
0 terceiro deve ser um contrato
quer inteligência em contrário que se pretenda dar às pala
nação onerosa ou gratuita (tro
vras”.
sociedade) não autoriza ao exer cício do direito de preempção,
28.
Aliás, no direito com
parado, o direito de preferên cia está vinculado à ocorrência
de uma venda, como sc verifi ca pelo texto do artigo 504 do Código Civil Alemão (B. G. B.). de acordo com o qual:
“Aquele que tem direito à preempçáo sobre um objeto,
do artigo 131 do Código Comer
que 0 obrigado tenha concluído,
cial:
com um terceiro- um contrato de venda sobre o referido ob
interpretação, além;das regras sobreditas, será regulada sobre as seguintes bases:
71
nos casos da mesma natureza e
IV. O uso e prática geral mente
pode exercer este direito desde
“Sendo necessário interpre tar as cláusulas do contrato, a
ECONÔMICO
i:en Vertrags Tausch, Schenking, Einbringen in cine G. m. b. II. usw berechtigt nicht sur Ausuebimg des Vorkaufsrechts, auch nicht cine gemischte Schenkung”. (O contrato com
lhes têm sido dado pelos julga dos, pois nos precisos termos '
DIGESTO
jeto”. 29.
PLANCK, nos seus co
mentários ao B.G.B. esclarece, a este respeito, que:
ca, doação,
entrada
em
uma
nem, igualmente, uma doação mista)”. (Ap. Mario Neves Baptista, O pacto de preemp-
béralité; ce n’est pas se qui lui a été promis. Meme solution pour le cas d’échange; si le promettant veut échanger L'ob-
jet du pacte de préférence, c*est parce qu il préfére avoir à sa place la chose qu’il reçoit en contre-échang; or, le stipuiante ne pouvant pas lui donner cette chose, ne peut pas exiger la préférence pour Vechange". (Traité de Droit Civil, v. 19, p. 54, ed. 1908) (Grifamos). 31.
Não há,
pois, dúvida
quanto à ínaplicabilidade do direito de preferência à situa
ções que não configuram uma venda ou uma dação ern pa gamento. 32.
No
direito
brasileiro,
ção e o terceiro adquirente de
não há dúvida alguma que a
má fé, tese de concurso. Reci fe, Imprensa Industrial. 1948,
incorporação de bens para for mação do capital de uma socie
pág._ 74).
dade comercial não se confun
30.
Na Franca, idêntica é
a lição de BAUDRY LACANTINÊRIE ET SAIGNAT, para os quais:
de com a compra e venda e tem um regime legal próprio. 33. Na realidade, a utiliza . , ção de ações ou de outros bens
para a integralizaçâo do capital “Le promettant ne s’est pas interdit de disposer gratuite-
ment.de la chose, et le stipulant nepeut point prétendre droif, par préférence, à
avoir la li-
de uma subsidiária não consti
tui uma compra e venda por faltar-lhe uma das condições básicas para a caracterização do contrato típico, que é o pa-
DIGESTO
70
cido, negaria provimento”. Re vista Trimestral de dência do Supremo
Jurispru Tribunal
Federal, vol. 43, pág. 396). 25.
Salientando que não se
trata de acórdão isolado, o MI NISTRO VITOR NUNES LEAL, teve o ensejo de lembrar que já existia julgamento análogo proferido no RE 54.722 decidi do pela nossa mais alta corte em 9 de junho de 1964 (Revis ta Trimestral citada, pág. 397).
26. Verificamos, pois, que tanto a doutrina quanto a ju risprudência limitam a aplica ção do direito de preferência à compra e venda e à dação em pagamento, excluindo-a nas de mais hipóteses. 27.
Consequentemente,
0
contrato entre as partes deve ser interpretado de acordo com os textos legais e o sentido que
ECONÔMICO
I. A inteligência simples e adequada, que for mais confor me à boa-fé, e ao verdadeiro espírito e natureza do contrato, deverá sempre prevalecer à rigorosa e restrita significação das palavras”.
“Der Vertrag mit dem Dritterí muss ein Kaufvei*trag sein. Der
abschluss
cines
andereii
auf. entgeltliche oder unentgeltliche Veraeusserung
gerichte-
especlalmente o costume do lu gar, onde o contrato deva ter execução, prevalecerá a qual
de compra. A conclusão de um outro contrato, dirigido a alie-
observada
no
comércio
0 terceiro deve ser um contrato
quer inteligência em contrário que se pretenda dar às pala
nação onerosa ou gratuita (tro
vras”.
sociedade) não autoriza ao exer cício do direito de preempção,
28.
Aliás, no direito com
parado, o direito de preferên cia está vinculado à ocorrência
de uma venda, como sc verifi ca pelo texto do artigo 504 do Código Civil Alemão (B. G. B.). de acordo com o qual:
“Aquele que tem direito à preempçáo sobre um objeto,
do artigo 131 do Código Comer
que 0 obrigado tenha concluído,
cial:
com um terceiro- um contrato de venda sobre o referido ob
interpretação, além;das regras sobreditas, será regulada sobre as seguintes bases:
71
nos casos da mesma natureza e
IV. O uso e prática geral mente
pode exercer este direito desde
“Sendo necessário interpre tar as cláusulas do contrato, a
ECONÔMICO
i:en Vertrags Tausch, Schenking, Einbringen in cine G. m. b. II. usw berechtigt nicht sur Ausuebimg des Vorkaufsrechts, auch nicht cine gemischte Schenkung”. (O contrato com
lhes têm sido dado pelos julga dos, pois nos precisos termos '
DIGESTO
jeto”. 29.
PLANCK, nos seus co
mentários ao B.G.B. esclarece, a este respeito, que:
ca, doação,
entrada
em
uma
nem, igualmente, uma doação mista)”. (Ap. Mario Neves Baptista, O pacto de preemp-
béralité; ce n’est pas se qui lui a été promis. Meme solution pour le cas d’échange; si le promettant veut échanger L'ob-
jet du pacte de préférence, c*est parce qu il préfére avoir à sa place la chose qu’il reçoit en contre-échang; or, le stipuiante ne pouvant pas lui donner cette chose, ne peut pas exiger la préférence pour Vechange". (Traité de Droit Civil, v. 19, p. 54, ed. 1908) (Grifamos). 31.
Não há,
pois, dúvida
quanto à ínaplicabilidade do direito de preferência à situa
ções que não configuram uma venda ou uma dação ern pa gamento. 32.
No
direito
brasileiro,
ção e o terceiro adquirente de
não há dúvida alguma que a
má fé, tese de concurso. Reci fe, Imprensa Industrial. 1948,
incorporação de bens para for mação do capital de uma socie
pág._ 74).
dade comercial não se confun
30.
Na Franca, idêntica é
a lição de BAUDRY LACANTINÊRIE ET SAIGNAT, para os quais:
de com a compra e venda e tem um regime legal próprio. 33. Na realidade, a utiliza . , ção de ações ou de outros bens
para a integralizaçâo do capital “Le promettant ne s’est pas interdit de disposer gratuite-
ment.de la chose, et le stipulant nepeut point prétendre droif, par préférence, à
avoir la li-
de uma subsidiária não consti
tui uma compra e venda por faltar-lhe uma das condições básicas para a caracterização do contrato típico, que é o pa-
DIGESTO
72
ECONÔMICO
tuir 0 capital de uma empresa
gamento do preço em dinheiro. Não há venda sem que se pos sa evidenciar a existência dos
pode
ser
considerada
como
três elementos essenciais:
pa da celebração do contrato de sociedade, pelo qual "as pes soas (que) mutuamente se obri gam a combinar seus esforços ou recursos, para lograr fins comuns (artigo 1.363 do Código Civil). Mas, se o investimen to de recursos pode ter uma fi
uma consequência ou uma eta
res
(coisa), consensus (consenso) e pretium (preço), devendo es te ser pago em dinheiro. É o que determina o artigo 1.122 do
Código Civil, quando estabelece que:
"Pelo contrato de compra e
nalidade societária,
parece-nos
venda, um dos contraentes se
que a operaçao em
si constitui
obriga a transferir o domínio
um contrato
de certa coisa e o outro a pa
vista
gar-lhe CERTO PREÇO EM DI
SC aproxima da permuta, pois 0 proprietário das ações, com as quais foi formado o capital
NHEIRO".
34. Sem o pagamento de preço em dinheiro, pode haver permuta, doação e, eventual mente,
contrato
de
sociedade
ou até contrato atípico, mas nunca
ocorrerá
a
compra
e
venda.
35. Neste sentido, já tive mos a ocasião de e«crever que: "Se 0 pagamento não for em dinheiro, o contrato será de
troca. Ss não houver preço, o contrato
se
caracteriza como
doação”. (ARNOLDO WALD, obra citada, pág. 210). 36. A utilização de ações ou de outros bens para consti-
que, do ponto de
estritamente
econômico,
da nova sociedade, recebe quo tas ou ações dessa nova socie dade. Tratar-sc-ia. assim, de uma permuta dos bens Incorpo rados (à sociedade) por quotas ou
ações da
DIGESTO
uma outra empresa e tal situa
ção, por si só, exclui a possi
bilidade do exercício do direi to de preferência, que pressu
fato de pres.5upor
a
mesma,
como já vimos, a identidade dc pagamento entre o terceiro e o titular do direito de preempção. Esse preço não seria represen
tado, no caso,
por
dinheiro,
mas sim por quotas ou ações dc
do de Direito Comercial Brasi
leiro, São Paulo, Duprat & Comp., 1914, vol. III, n.o 986, págs. 377 e 378),.
põe a fungibilidade da presta ção.
Na realidade, é a pró
pria Constituição Federal
que
considera a conferência de bens em empresa como forma nao
de compra c venda, pois tendo atribuído competência
aos Es
tados para cobrar o imposto de transmissão nas alienações dc imóveis (artigo 23 caput). es clareceu o texto constitucional
que tal tributação não incide
“sobre a transmissão de bens direitos INCORPORADOS ou
AO PATRIMÔNIO DE PESSOA JURÍDICA EM REALIZAÇÃO DE CAPITAL” (artigo 23 § 3.o). 39.
Ainda na vigência da
Constituição de 1891, RUI BAR
BOSA DUARTE DE AZEVEDO
e J.X. CARVALHO DE MEN DONÇA, entenderam que não
devia incidir o imposto dc transmissão na incorporação de bens ao capital social, por não se
40.
A
doutrina
brasileira
sempre reconheceu que a incor
38.
nova empresa.
37. Dc qualquer modo, quer se trate de contrato sui generis ou de troca, a preferên cia não pode ser exercida pelo
73
ECONÔMICO
tratar de venda e, neste sen
tido, se consolidou, já naquela época, a jurisprudência. (J.X. Carvalho de Mendonça, Trata-
poração de
bens à sociedade
hão era uma venda^ "uma
mas sim
alienação
excepcional,
condição orgânica
da socieda
de”, que se caracterizava pela
sua finalidade societária. (J.X. Carvalho de Mendonça, obra e local citados).
41.
O Decreto-lei n.o 2.627,
de 26 de setembro de 1940, dis-
iinguia, aliás, como o faz a lei atual, a conferência de bens da
venda, determinando, no artigo 8 (correspondente ao artigo 10 da legislação vigente) que: "A
civil acionis-
responsabilidade
dos
subscritores
tas
que
ou
contribuirem
com
bens para a formação do capi tal social,
será
idêntica à do
vendedor”.
42.
A
simples
equipara
ção, para fins de responsabili dade, comprova que a incorpo
ração de bens não é venda pois, caso contrário, não haveria necessidade da explicita-
DIGESTO
72
ECONÔMICO
tuir 0 capital de uma empresa
gamento do preço em dinheiro. Não há venda sem que se pos sa evidenciar a existência dos
pode
ser
considerada
como
três elementos essenciais:
pa da celebração do contrato de sociedade, pelo qual "as pes soas (que) mutuamente se obri gam a combinar seus esforços ou recursos, para lograr fins comuns (artigo 1.363 do Código Civil). Mas, se o investimen to de recursos pode ter uma fi
uma consequência ou uma eta
res
(coisa), consensus (consenso) e pretium (preço), devendo es te ser pago em dinheiro. É o que determina o artigo 1.122 do
Código Civil, quando estabelece que:
"Pelo contrato de compra e
nalidade societária,
parece-nos
venda, um dos contraentes se
que a operaçao em
si constitui
obriga a transferir o domínio
um contrato
de certa coisa e o outro a pa
vista
gar-lhe CERTO PREÇO EM DI
SC aproxima da permuta, pois 0 proprietário das ações, com as quais foi formado o capital
NHEIRO".
34. Sem o pagamento de preço em dinheiro, pode haver permuta, doação e, eventual mente,
contrato
de
sociedade
ou até contrato atípico, mas nunca
ocorrerá
a
compra
e
venda.
35. Neste sentido, já tive mos a ocasião de e«crever que: "Se 0 pagamento não for em dinheiro, o contrato será de
troca. Ss não houver preço, o contrato
se
caracteriza como
doação”. (ARNOLDO WALD, obra citada, pág. 210). 36. A utilização de ações ou de outros bens para consti-
que, do ponto de
estritamente
econômico,
da nova sociedade, recebe quo tas ou ações dessa nova socie dade. Tratar-sc-ia. assim, de uma permuta dos bens Incorpo rados (à sociedade) por quotas ou
ações da
DIGESTO
uma outra empresa e tal situa
ção, por si só, exclui a possi
bilidade do exercício do direi to de preferência, que pressu
fato de pres.5upor
a
mesma,
como já vimos, a identidade dc pagamento entre o terceiro e o titular do direito de preempção. Esse preço não seria represen
tado, no caso,
por
dinheiro,
mas sim por quotas ou ações dc
do de Direito Comercial Brasi
leiro, São Paulo, Duprat & Comp., 1914, vol. III, n.o 986, págs. 377 e 378),.
põe a fungibilidade da presta ção.
Na realidade, é a pró
pria Constituição Federal
que
considera a conferência de bens em empresa como forma nao
de compra c venda, pois tendo atribuído competência
aos Es
tados para cobrar o imposto de transmissão nas alienações dc imóveis (artigo 23 caput). es clareceu o texto constitucional
que tal tributação não incide
“sobre a transmissão de bens direitos INCORPORADOS ou
AO PATRIMÔNIO DE PESSOA JURÍDICA EM REALIZAÇÃO DE CAPITAL” (artigo 23 § 3.o). 39.
Ainda na vigência da
Constituição de 1891, RUI BAR
BOSA DUARTE DE AZEVEDO
e J.X. CARVALHO DE MEN DONÇA, entenderam que não
devia incidir o imposto dc transmissão na incorporação de bens ao capital social, por não se
40.
A
doutrina
brasileira
sempre reconheceu que a incor
38.
nova empresa.
37. Dc qualquer modo, quer se trate de contrato sui generis ou de troca, a preferên cia não pode ser exercida pelo
73
ECONÔMICO
tratar de venda e, neste sen
tido, se consolidou, já naquela época, a jurisprudência. (J.X. Carvalho de Mendonça, Trata-
poração de
bens à sociedade
hão era uma venda^ "uma
mas sim
alienação
excepcional,
condição orgânica
da socieda
de”, que se caracterizava pela
sua finalidade societária. (J.X. Carvalho de Mendonça, obra e local citados).
41.
O Decreto-lei n.o 2.627,
de 26 de setembro de 1940, dis-
iinguia, aliás, como o faz a lei atual, a conferência de bens da
venda, determinando, no artigo 8 (correspondente ao artigo 10 da legislação vigente) que: "A
civil acionis-
responsabilidade
dos
subscritores
tas
que
ou
contribuirem
com
bens para a formação do capi tal social,
será
idêntica à do
vendedor”.
42.
A
simples
equipara
ção, para fins de responsabili dade, comprova que a incorpo
ração de bens não é venda pois, caso contrário, não haveria necessidade da explicita-
74
DIGESTO
ção contida na mencionada nor ma legal.
43.
Na vigência da antiga
lei das sociedades anônimas, WALDEMAR FERREIRA, en.sináva que:
ECONÔMICO
0 da companhia. Quando feita a título de propriedade, impor
ta, evidentemente, a transmis
DIGESTO
a sociedade anônima.
75
rense, 1953, vol. I, n.° 63, pág.
Comentários à Lei das Socíeda-
108).
des Anônimas, sob a coordena
45.
são definitiva dos bens do subs
critor para a pessoa jurídica —
ECONÔMICO
De acordo com a lição
de TRAJANO
DE
MIRANDA
VALVERDE. os demais autores que trataram da matéria, mais
Ato positivo de alienação, mas de natureza especial, pois não toma, nem a figura da compra e venda, nem a da per muta, nem tampouco se traduz na constituição de uma comu nhão ou de um condomínio.
recentemente, mas ainda na vi gência da antiga lei societária, esclarecem que "a transferên cia de bens do subscritor para
Não é comunhão ou condo
FULGÊNCIO DA CUNHA PEI
(Tratado de Direito Comercial, S. Paulo, edição Saraiva, 1961, 4.0 vol., n.o 646, pág. 113).
mínio, porque os bens entram para o patrimônio da socieda de, que é juridicamente distin to do patrimônio de cada um dos acionistas. Não é compra e
44,. Na mesma ocasião, de
venda, porque falta o requisito
XOTO, Sociedades por ações, S. Paulo. Saraiva, 1972, 1.® vol., n.° 81, pág. 89 e, no mesmo sen tido, RUY CARNEIRO GUIMA RÃES, Sociedades por ações, Rio, Forense, 1960 n.'’ 81. pág.
essencial do preço, sempre ex
95).
presso em dinheiro. Não é per muta, escambo ou troca, por que ás ações que o subscritor recebe pelo valor de seus ben.s
ção da Lei n." 6.404, de 15 do
“A conferência de bens dos
subscritores do capital
para a formação da
companhia nao
constitui venda.
Nem cessão.
Nem toda translação de domí nio de bens, imóveis ou móveis, se realiza por venda, nem conv pra.
Trata-se, no caso,
trato de natureza
de con
específica”.
senvolvendo conceitos doutri nários, TRAJANO DE MIRAN
DA VALVERDE defendeu a na tureza peculiar 'da incorpora
ção de' bens^ nos seguintes ter mos :
'
“A entrada de bens para a
não. extinguem as relações en tre ele e a sociedade, são, an
formação de todo ou parte do
tes de tudo, títulos de sócio. O subscritor entra com dinheiro
capital
de
uma
ou bens, com o fim de adquirir
opera,
na
conformidade
companhia, dos
preceitos reguladores do ato, a
a qualidade de acionista da so ciedade (n.“ 71)”. (Trajano de
transferência de tais
Miranda Valverde, Sociedades
bens do
patrimônio do subscritor
para
por ações, 2.^ edição, Rio, Fo-
0 da sociedade é ato de aliena
ção, de natureza especial, não se confundindo com a compra e venda e permuta”. (CARLOS
46.
Depois
da
promulga
dezembro de 1976. a posição da doutrina não se modificou, pois
o. novo diploma manteve a dis tinção entre a conferência de bens e a compra e venda (arti
ção de ARNOLDO WALD, São Paulo, edição Saraiva, 1980, pá ginas 83/84 e FRAN MARTINS, Comentários à Lei das Socieda
des Anônimas, Rio, Forense, 1977, vol. l.“, página 73). 47. Há quem defenda tra tar-se de uma forma ds paga mento decorrente do contrato
de sociedade, não constituindo, todavia,
nem
uma compra
e
venda, nem uma permuta, nem uma
alienação
sui
generis.
(MODESTO CARVALHOSA, Co
mentários à Lei de Sociedades
Anônimas, S. Paulo, Saraiva, 1977, L° vol., página 48). 48. Por outro lado. afas tando a caracterização da con tribuição em bens como venda, 0
PROFESSOR
PHILOMENO
DA COSTA esclarece que ela “tem a natureza jurídica de uma permuta de bens por ações”. (Philomeno J. da Cos ta, Anotações às companhias, S. Paulo, Editora Revista dos
go 10) e a maioria dos autores
Tribunai.3, 1980,
reconhece que a incorporação
Lembra o eminente jurista pau lista que á troca é "o ato pelo qual duas pessoas se transfe rem reciprocamente a proprie dade de alguma coisa”, incluin-
constitui um contrato sui gene-
rlsj
não se confundindo
nem
com a venda, nem com a per
muta.
(RUBENS
REQUIÃO,
página 170).
74
DIGESTO
ção contida na mencionada nor ma legal.
43.
Na vigência da antiga
lei das sociedades anônimas, WALDEMAR FERREIRA, en.sináva que:
ECONÔMICO
0 da companhia. Quando feita a título de propriedade, impor
ta, evidentemente, a transmis
DIGESTO
a sociedade anônima.
75
rense, 1953, vol. I, n.° 63, pág.
Comentários à Lei das Socíeda-
108).
des Anônimas, sob a coordena
45.
são definitiva dos bens do subs
critor para a pessoa jurídica —
ECONÔMICO
De acordo com a lição
de TRAJANO
DE
MIRANDA
VALVERDE. os demais autores que trataram da matéria, mais
Ato positivo de alienação, mas de natureza especial, pois não toma, nem a figura da compra e venda, nem a da per muta, nem tampouco se traduz na constituição de uma comu nhão ou de um condomínio.
recentemente, mas ainda na vi gência da antiga lei societária, esclarecem que "a transferên cia de bens do subscritor para
Não é comunhão ou condo
FULGÊNCIO DA CUNHA PEI
(Tratado de Direito Comercial, S. Paulo, edição Saraiva, 1961, 4.0 vol., n.o 646, pág. 113).
mínio, porque os bens entram para o patrimônio da socieda de, que é juridicamente distin to do patrimônio de cada um dos acionistas. Não é compra e
44,. Na mesma ocasião, de
venda, porque falta o requisito
XOTO, Sociedades por ações, S. Paulo. Saraiva, 1972, 1.® vol., n.° 81, pág. 89 e, no mesmo sen tido, RUY CARNEIRO GUIMA RÃES, Sociedades por ações, Rio, Forense, 1960 n.'’ 81. pág.
essencial do preço, sempre ex
95).
presso em dinheiro. Não é per muta, escambo ou troca, por que ás ações que o subscritor recebe pelo valor de seus ben.s
ção da Lei n." 6.404, de 15 do
“A conferência de bens dos
subscritores do capital
para a formação da
companhia nao
constitui venda.
Nem cessão.
Nem toda translação de domí nio de bens, imóveis ou móveis, se realiza por venda, nem conv pra.
Trata-se, no caso,
trato de natureza
de con
específica”.
senvolvendo conceitos doutri nários, TRAJANO DE MIRAN
DA VALVERDE defendeu a na tureza peculiar 'da incorpora
ção de' bens^ nos seguintes ter mos :
'
“A entrada de bens para a
não. extinguem as relações en tre ele e a sociedade, são, an
formação de todo ou parte do
tes de tudo, títulos de sócio. O subscritor entra com dinheiro
capital
de
uma
ou bens, com o fim de adquirir
opera,
na
conformidade
companhia, dos
preceitos reguladores do ato, a
a qualidade de acionista da so ciedade (n.“ 71)”. (Trajano de
transferência de tais
Miranda Valverde, Sociedades
bens do
patrimônio do subscritor
para
por ações, 2.^ edição, Rio, Fo-
0 da sociedade é ato de aliena
ção, de natureza especial, não se confundindo com a compra e venda e permuta”. (CARLOS
46.
Depois
da
promulga
dezembro de 1976. a posição da doutrina não se modificou, pois
o. novo diploma manteve a dis tinção entre a conferência de bens e a compra e venda (arti
ção de ARNOLDO WALD, São Paulo, edição Saraiva, 1980, pá ginas 83/84 e FRAN MARTINS, Comentários à Lei das Socieda
des Anônimas, Rio, Forense, 1977, vol. l.“, página 73). 47. Há quem defenda tra tar-se de uma forma ds paga mento decorrente do contrato
de sociedade, não constituindo, todavia,
nem
uma compra
e
venda, nem uma permuta, nem uma
alienação
sui
generis.
(MODESTO CARVALHOSA, Co
mentários à Lei de Sociedades
Anônimas, S. Paulo, Saraiva, 1977, L° vol., página 48). 48. Por outro lado. afas tando a caracterização da con tribuição em bens como venda, 0
PROFESSOR
PHILOMENO
DA COSTA esclarece que ela “tem a natureza jurídica de uma permuta de bens por ações”. (Philomeno J. da Cos ta, Anotações às companhias, S. Paulo, Editora Revista dos
go 10) e a maioria dos autores
Tribunai.3, 1980,
reconhece que a incorporação
Lembra o eminente jurista pau lista que á troca é "o ato pelo qual duas pessoas se transfe rem reciprocamente a proprie dade de alguma coisa”, incluin-
constitui um contrato sui gene-
rlsj
não se confundindo
nem
com a venda, nem com a per
muta.
(RUBENS
REQUIÃO,
página 170).
DIGESTO DIGESTO
76
do, entre os bens suscetíveis de permuta, os "efeitos móveis” entre os quais a própria lei des taca as ações de companhias (artigo 191 do Código Comercial aplicável à permuta, ex vi do disposto no artigo 225 do mes mo diploma legal). (Philomeno
J. da Costa, obra citada, pági nas 180 e 181). 49.
Ck)ncordamos com esta
última posição doutrinária, pois, na realidade, a incorporação de bens para realização de ca pital importa em permuta dos
bens investidos por ações da nova empresa constituída.
Co
tido, assim, 0 status socít, mas
mudando de objeto, ou seja, de sociedade na qual ocorre a par ticipação.
50. Pouco importa, para os fins do presente parecer, se a integralização em bens do ca pital constitui uma verdadeira
permuta, como sustentamos apoiados na lição de PHILO MENO DA COSTA, uma aliena ção sul generis, como enten
outra
com
ações, não ocorre a substitui
ção de um bem (res) por um preço em dinheiro (pretium), mas de um bem por outro o que caracteriza a existência de
uma verdadeira permuta, pou co importando qus os valores ou permutados representem não a aquisição, pela consulen-
te, de um status socil. De fato, a empresa procedeu à .substi tuição da sua vinculação acio nária
inicialmente
existente
mesmo
sistema de
direito, no qual se encontra o nosso.
52.
Na França, por exem
plo, é manso e pacífico que o apport não constitui uma com
pra e venda e que, consequen temente, não se lhe aplica a cláusula convencional de prefe
54. A mesma distinção en tre 0 apport e a venda é feita por todos os autores franceses que trataram da matéria mais recentemente, entre outros
salientando-se,
GEORGES
RI-
PERT (Tralté élémentaire de droit commercial, 9.^ edição atualizada por RENÉ ROBLOT,
Paris, Librairie Générale de Droit et de Jurisprudence, 1977,
vol. I, n.*^ 734, pág. 484), G.
rência .
VUILLERMET (Droit des sociétés commercialeS/ 3.^ edição
VERDE, RUBENS REQUIÃO e
Dunod, 1969, pág. 19) e, ainda, J. HAMEL, G. LAGARD et A.
"L'apport en propriété ressemble à Ia vente; mais s'll y a ressemblance^ í| n'y a pas ídentité. La vente, en effet, im plique transfert de Ia propriété de Ia chose en échange d'un prix ferme; dans Tapport so cial, au contraire, Ia trans-
JAUFFRET
outros, ou 0 pagamento de uma obrigação alternativa decorren
VALHOSA, 0 que
de
ao
do que:
za
capital
tencem
53. Já na obra clássica de PIC e KRÉHER ficou esclare-
te do contrato dc sociedade como sustenta MODESTO CAR-
o
as nossas codificações e per
dem WALDEMAR FERREIRA, TRAJANO DE MIRANDA VAL-
mo já assinalamos, no patrimô
nio da sociedade que integrali-
77
ECONÔMICO
ECONÔMICO
é certo, na
doutrina brasileira^ é que não se trata de venda e que a pró pria Constituição Federal, o Código Civil e a lei societária fizeram a adequada distinção entre a Incorporação de bens à sociedade e a venda, pois, na
quela a contraprestação é re presentada por ações, enquanto nesta (a venda) o preço necessariaments
deve ser pago em
dinheiro.
51.
A
posição
do
direito
com uma sociedade pela vincu
brasileiro também é a de todas
lação com outra entidade, man¬
as legislações que inspiraram
latlon de propriété a pour contre-partie 1'acquísifíon par
Tapporteur d'un droit sur les bénéfices esperés, droit représenté dans les sociétés par actions
revista por G. HUREAU, Paris, (Droit
commer-
cial, 2.^ edição, Paris, Dalloz, 1980, 2.“ vol., pág. 27). 55.
Estes últimos
autores
são categóricos ao afirmar, com base na jurisprudência
francesa, que não se aplica o direito de preferência no caso de utilização das ações para
formação do capital d© outra sociedade (apport). Escrevem, a este respeito que:
tomo I, n.° 26, pág. 42 In fine e
"L’apport en société effectué sans fraude ne constitue pas Ia víolation d'un pacte de préférence ou d un droit de précmption accordé à un tiers, car
43).
ce tiers s'engageaít à verser un
par des titres négotíables". (Paul Pic et Jean líréher, Des sociétés
commerciales.
Paris,
Rousseau & Cie. Editeurs, 1940,
DIGESTO DIGESTO
76
do, entre os bens suscetíveis de permuta, os "efeitos móveis” entre os quais a própria lei des taca as ações de companhias (artigo 191 do Código Comercial aplicável à permuta, ex vi do disposto no artigo 225 do mes mo diploma legal). (Philomeno
J. da Costa, obra citada, pági nas 180 e 181). 49.
Ck)ncordamos com esta
última posição doutrinária, pois, na realidade, a incorporação de bens para realização de ca pital importa em permuta dos
bens investidos por ações da nova empresa constituída.
Co
tido, assim, 0 status socít, mas
mudando de objeto, ou seja, de sociedade na qual ocorre a par ticipação.
50. Pouco importa, para os fins do presente parecer, se a integralização em bens do ca pital constitui uma verdadeira
permuta, como sustentamos apoiados na lição de PHILO MENO DA COSTA, uma aliena ção sul generis, como enten
outra
com
ações, não ocorre a substitui
ção de um bem (res) por um preço em dinheiro (pretium), mas de um bem por outro o que caracteriza a existência de
uma verdadeira permuta, pou co importando qus os valores ou permutados representem não a aquisição, pela consulen-
te, de um status socil. De fato, a empresa procedeu à .substi tuição da sua vinculação acio nária
inicialmente
existente
mesmo
sistema de
direito, no qual se encontra o nosso.
52.
Na França, por exem
plo, é manso e pacífico que o apport não constitui uma com
pra e venda e que, consequen temente, não se lhe aplica a cláusula convencional de prefe
54. A mesma distinção en tre 0 apport e a venda é feita por todos os autores franceses que trataram da matéria mais recentemente, entre outros
salientando-se,
GEORGES
RI-
PERT (Tralté élémentaire de droit commercial, 9.^ edição atualizada por RENÉ ROBLOT,
Paris, Librairie Générale de Droit et de Jurisprudence, 1977,
vol. I, n.*^ 734, pág. 484), G.
rência .
VUILLERMET (Droit des sociétés commercialeS/ 3.^ edição
VERDE, RUBENS REQUIÃO e
Dunod, 1969, pág. 19) e, ainda, J. HAMEL, G. LAGARD et A.
"L'apport en propriété ressemble à Ia vente; mais s'll y a ressemblance^ í| n'y a pas ídentité. La vente, en effet, im plique transfert de Ia propriété de Ia chose en échange d'un prix ferme; dans Tapport so cial, au contraire, Ia trans-
JAUFFRET
outros, ou 0 pagamento de uma obrigação alternativa decorren
VALHOSA, 0 que
de
ao
do que:
za
capital
tencem
53. Já na obra clássica de PIC e KRÉHER ficou esclare-
te do contrato dc sociedade como sustenta MODESTO CAR-
o
as nossas codificações e per
dem WALDEMAR FERREIRA, TRAJANO DE MIRANDA VAL-
mo já assinalamos, no patrimô
nio da sociedade que integrali-
77
ECONÔMICO
ECONÔMICO
é certo, na
doutrina brasileira^ é que não se trata de venda e que a pró pria Constituição Federal, o Código Civil e a lei societária fizeram a adequada distinção entre a Incorporação de bens à sociedade e a venda, pois, na
quela a contraprestação é re presentada por ações, enquanto nesta (a venda) o preço necessariaments
deve ser pago em
dinheiro.
51.
A
posição
do
direito
com uma sociedade pela vincu
brasileiro também é a de todas
lação com outra entidade, man¬
as legislações que inspiraram
latlon de propriété a pour contre-partie 1'acquísifíon par
Tapporteur d'un droit sur les bénéfices esperés, droit représenté dans les sociétés par actions
revista por G. HUREAU, Paris, (Droit
commer-
cial, 2.^ edição, Paris, Dalloz, 1980, 2.“ vol., pág. 27). 55.
Estes últimos
autores
são categóricos ao afirmar, com base na jurisprudência
francesa, que não se aplica o direito de preferência no caso de utilização das ações para
formação do capital d© outra sociedade (apport). Escrevem, a este respeito que:
tomo I, n.° 26, pág. 42 In fine e
"L’apport en société effectué sans fraude ne constitue pas Ia víolation d'un pacte de préférence ou d un droit de précmption accordé à un tiers, car
43).
ce tiers s'engageaít à verser un
par des titres négotíables". (Paul Pic et Jean líréher, Des sociétés
commerciales.
Paris,
Rousseau & Cie. Editeurs, 1940,
DIGESTO
78
prix, non à devenir associé". (Hamel, Lagarde e Jauffrei, ob. citada, pág. 28). 56. Em conclusão, não há dúvida, de acordo com as de terminações expressas da nossa Constituição e das normas le
gais brasileiras vigentes e^ ain da, conforme o entendimento da doutrina, tanto no país quan-
ECONÔMICO
Ex-preso volta
to no exterior, de que a contri buição ou apporl para a forma ção do capital societário não se caracteriza
como
sendo
uma
venda, razão pela qual à mes ma não se aplica o direito de preferência estipulado pelas partes e definido pelos artigos 1.139 e seguintes do Código
a
cadeia
Civil.
(Continuação da página CO) a
PDA
solicitou
da
Academia
Nacional
de
Ciências
xim
estudo
sobre
José Thomaz Nabuco
as
informações científicas relativas aos ciclamatos e a apresentação de um relatório a respeito, o que foi feito em 1968. Em resumo, suas conclusões; "julga que é conveniente estabelecer doses diárias por unidade de peso cor poral. Concluindo que doses diárias de 70mg/Kg ou menos são seguras.” Isso levou a PDA a acrescentar normas para o uso e embalagens de produtos à base de ciclamato, sujeitando-os assim às normas gerais dos aditivos alimentares”. O testemunho dos europeus. No início dos anos 70, o doutor Dietrich Schmahl, do Instituto Nacional do Câncer, de Heidelberg, imciou
um estudo da duração da vida em ratos aos quais administrou ciclamatos e sacarina, isoladamente, bem como em combinação. Completando seu tra
balho, em 1973, Schmahl não notou tumor algum que pudesse ser
atribuído
a qualquer dos compostos testados". Por outro lado as Normas Dietéticas Alimentares Alemãs sofreram alterações em 1975, permitindo o emprego dos ciclamatos em substâncias alimentícias, sem limitações de quantidade. Em bebidas o ciclamato foi permitido até o máximo de 0,8g por litro." Nesta determinação oficial havia justificativas, das quais reportamos a seguinte: “Ademais o emprego de adoçantes artificiais em substâncias dietéticas tor na-se possível em casos de adipose e quando o excesso de peso (obesidade) representa risco para a saüde.” Na Irlanda, Bélgica e Luxemburgo, bem como nos Países Baixos, houve restrições parciais como eco da campanlis realizada nos Estados Unidos, contudo essas restrições eram restringindo a produção industrial, em escala maior. Permitiam o uso dos ciclamatos em
forma de comprimidos, ou gotas de mesa, ou ainda restringindo sua venda nas farmácias. Pez exceção a Itália, cujo Ministério da Saüde autoriza, irres tritamente, o emprego de ciclamatos em alimentos, bebidas e drogas.
Uso reconsiderado. Mais de uma dúzia de pesquisas feitas por ins tituições tais como o Instituto Rijks (dos Países Baixos), a British Industrial (Contínua na página 82)
A prisão não é punição adequada para criminosos em países pobres. O autor é advogado no Rio de Janeiro.
Desesperado por não en contrar emprego, mal sobrevi vendo com a lavagem de carros,
dormindo
em
bancos
de
praça e não querendo cometer outro crime, Lauro Corrêa, de cinquenta anos de idade, em liberdade
condicional
desde
Condenaíio
a
11
anos
de
prisão por ter morto um desa feto numa briga, foi libertado ao fim de seis anos, por bom comportamento. Restavam-lhe, ainda, cinco de condenação, que preferiu passar na cadeia a enfrentar o desemprego.
outubro do ano passado, pediu
para voltar para a prisão e foi atendido pelo juiz, ao consta tar a sua “situação de miserabilidade, digna de amparo Compaixão”. (JB, 3-/6/82, pg.
O
7).
Nada
mostra
melhor
do
que isso como a prisão não é uma punição adequada para criminosos em países pobres.
Nos ricos, 0 desemprego signi fica 0 ócio, com uma pensão
DIGESTO
78
prix, non à devenir associé". (Hamel, Lagarde e Jauffrei, ob. citada, pág. 28). 56. Em conclusão, não há dúvida, de acordo com as de terminações expressas da nossa Constituição e das normas le
gais brasileiras vigentes e^ ain da, conforme o entendimento da doutrina, tanto no país quan-
ECONÔMICO
Ex-preso volta
to no exterior, de que a contri buição ou apporl para a forma ção do capital societário não se caracteriza
como
sendo
uma
venda, razão pela qual à mes ma não se aplica o direito de preferência estipulado pelas partes e definido pelos artigos 1.139 e seguintes do Código
a
cadeia
Civil.
(Continuação da página CO) a
PDA
solicitou
da
Academia
Nacional
de
Ciências
xim
estudo
sobre
José Thomaz Nabuco
as
informações científicas relativas aos ciclamatos e a apresentação de um relatório a respeito, o que foi feito em 1968. Em resumo, suas conclusões; "julga que é conveniente estabelecer doses diárias por unidade de peso cor poral. Concluindo que doses diárias de 70mg/Kg ou menos são seguras.” Isso levou a PDA a acrescentar normas para o uso e embalagens de produtos à base de ciclamato, sujeitando-os assim às normas gerais dos aditivos alimentares”. O testemunho dos europeus. No início dos anos 70, o doutor Dietrich Schmahl, do Instituto Nacional do Câncer, de Heidelberg, imciou
um estudo da duração da vida em ratos aos quais administrou ciclamatos e sacarina, isoladamente, bem como em combinação. Completando seu tra
balho, em 1973, Schmahl não notou tumor algum que pudesse ser
atribuído
a qualquer dos compostos testados". Por outro lado as Normas Dietéticas Alimentares Alemãs sofreram alterações em 1975, permitindo o emprego dos ciclamatos em substâncias alimentícias, sem limitações de quantidade. Em bebidas o ciclamato foi permitido até o máximo de 0,8g por litro." Nesta determinação oficial havia justificativas, das quais reportamos a seguinte: “Ademais o emprego de adoçantes artificiais em substâncias dietéticas tor na-se possível em casos de adipose e quando o excesso de peso (obesidade) representa risco para a saüde.” Na Irlanda, Bélgica e Luxemburgo, bem como nos Países Baixos, houve restrições parciais como eco da campanlis realizada nos Estados Unidos, contudo essas restrições eram restringindo a produção industrial, em escala maior. Permitiam o uso dos ciclamatos em
forma de comprimidos, ou gotas de mesa, ou ainda restringindo sua venda nas farmácias. Pez exceção a Itália, cujo Ministério da Saüde autoriza, irres tritamente, o emprego de ciclamatos em alimentos, bebidas e drogas.
Uso reconsiderado. Mais de uma dúzia de pesquisas feitas por ins tituições tais como o Instituto Rijks (dos Países Baixos), a British Industrial (Contínua na página 82)
A prisão não é punição adequada para criminosos em países pobres. O autor é advogado no Rio de Janeiro.
Desesperado por não en contrar emprego, mal sobrevi vendo com a lavagem de carros,
dormindo
em
bancos
de
praça e não querendo cometer outro crime, Lauro Corrêa, de cinquenta anos de idade, em liberdade
condicional
desde
Condenaíio
a
11
anos
de
prisão por ter morto um desa feto numa briga, foi libertado ao fim de seis anos, por bom comportamento. Restavam-lhe, ainda, cinco de condenação, que preferiu passar na cadeia a enfrentar o desemprego.
outubro do ano passado, pediu
para voltar para a prisão e foi atendido pelo juiz, ao consta tar a sua “situação de miserabilidade, digna de amparo Compaixão”. (JB, 3-/6/82, pg.
O
7).
Nada
mostra
melhor
do
que isso como a prisão não é uma punição adequada para criminosos em países pobres.
Nos ricos, 0 desemprego signi fica 0 ócio, com uma pensão
DIGESTO
80
ECONÔMICO
DIGESTO
ECONÔMICO
81
o qual vale a pena até
que sempre que ele via, diante de si, um acusado que ele iria condenar e sabia que ele iria para uma prisão moderníssima, onde nada lhe faltaria, e que, no fundo da sala, via a sua mu
mesmo cometer um crime. Em
lher e uma escadinha de filhos
mais violar a lei,
vez de dar pensão aos desem pregados, o que está acima de nossas posses, gastamos, por
que iriam ficar ao desamparo, sem ter quem lhes garantisse 0 pão, tinha a impressão de estai' punindo a família mais do que o criminoso. Nada me
também, um péssimo caminho,
do Estado, mas, nos pobres, ele é uma condenação à morte
pela fome e pela miséria. A prisão, em vez de ser uma pu nição, passa a ser um prêmio, para
mês, em média, li há pouco nos jornais, cerca de Cr$ 40 mil para manter encarcerado um preso. É uma mordomia, como não a têm tantas pessoas honestas, que preferem a fome a cometer uma falta.
Acredito que, na cifra des se nosso gasto, não entrem os juros sobre o capital gasto na
construção de cadeias, que não é pouco, e, apesar de tudo o que gastamos, não temos on de acomodar todos os condena dos. Dezenas de milhares, no Rio e em São Paulo, andam soltos e deixam, portanto, de ser punidos por falta de espa
ço onde alojá-lo.s. A prisão não é, positivamente, punição ade quada para países pobres. meu,
que foi
juiz em Porto Rico,
Um amigo
disse-me
lhor do que isto para ilustrar que a pena de prisão não é jus
ta ou adequada, em país al gum. Eia transcende a pessoa do criminoso, indo atingir ino centes e sujeitando a mulher a uma viuvez forçada, que não lhe proporciona a possibilidade de um novo casamento. Não está escrito nas cartas de di
reitos humanos
que nenhuma
pena passará da pessoa do delinqüente? Contou-me um juiz hindu, então (sm 1951) presidente da Suprema Corte de seu país, que uma vez condenou um cri minoso, especialmente perver so, a vinte anos de prisão e a
tantos açoites, e que o conde nado gritou-lhe: “Dê-me trinta anos mas não me dê os açoi tes”. Isso também mostra que
há meios melhores de corrigir um criminoso do que a prisão.
lutar, depois de adequadamen te punidos?
Como meio de recuperá-lo,
Discute-se muito a pena de morte. Há os que são a favor dela e há os que são contra, mas ela encerra, ao meno.s, duas vantagens: a da economia para a sociedade, que despen
educando-o e
fazendo-o
com
preender a necessidade de não
pelas más
a prisão é,
companhias
condenado irá
que o
encontrar, su
de mais de oito milhões de cru
jeito a mil vexames e a indig
zeiros para manter um preso por vinte anos, e a de liberdade para sua mulher refazer a vida
nidades a que
a privação se
xual por vezes leva. A prisão, por certo, não é meio de corri gir ninguém. Talvez nossos antepassados não tenham sido tão inferiores
a nós, em inteligência e coraquando çao, como supomos, usavam de castigos corporais, restituindo, depois, o culpado ao convívio da sociedade e ao sustento
da
família.
Talvez
fossem eles até
superiores a
nós em
misericórdia
justiça,
(hoje diriamos "amor”) e
co-
nhecimento dos problemas. Será que, levados
por um
egoísmo que nos faz fugir das coisas desagradáveis, estamos
jogando homens na mixórdia das prisões, em seu prejuízo e
e encontrar alguém que a auxi lie a criar os filhos. Combate-
se a pena de morte com a pos
sibilidade de erro e, diz-se da boca cheia: “Prefiro que vinte culpados escapem a que um
inocente sofra”, mas erros exis tem em todas as profissões e
não se vai suprimir a cirurgia pelo risco de um erro operatório, ou a engenharia pelo risco de um erro de cálculo.
Se tanta gente é a favor da pena capital, por que não ad mitir, antes dela, o castigo corporal? Bater não é menos do que matar?
Se encarcerarmos, na espe
do de sua família, em vez de
rança de corrigir o criminoso já formado, há de ser mais
restituí-los a uma liberdade sa-
eficaz o nosso trabalho, pondo-
DIGESTO
80
ECONÔMICO
DIGESTO
ECONÔMICO
81
o qual vale a pena até
que sempre que ele via, diante de si, um acusado que ele iria condenar e sabia que ele iria para uma prisão moderníssima, onde nada lhe faltaria, e que, no fundo da sala, via a sua mu
mesmo cometer um crime. Em
lher e uma escadinha de filhos
mais violar a lei,
vez de dar pensão aos desem pregados, o que está acima de nossas posses, gastamos, por
que iriam ficar ao desamparo, sem ter quem lhes garantisse 0 pão, tinha a impressão de estai' punindo a família mais do que o criminoso. Nada me
também, um péssimo caminho,
do Estado, mas, nos pobres, ele é uma condenação à morte
pela fome e pela miséria. A prisão, em vez de ser uma pu nição, passa a ser um prêmio, para
mês, em média, li há pouco nos jornais, cerca de Cr$ 40 mil para manter encarcerado um preso. É uma mordomia, como não a têm tantas pessoas honestas, que preferem a fome a cometer uma falta.
Acredito que, na cifra des se nosso gasto, não entrem os juros sobre o capital gasto na
construção de cadeias, que não é pouco, e, apesar de tudo o que gastamos, não temos on de acomodar todos os condena dos. Dezenas de milhares, no Rio e em São Paulo, andam soltos e deixam, portanto, de ser punidos por falta de espa
ço onde alojá-lo.s. A prisão não é, positivamente, punição ade quada para países pobres. meu,
que foi
juiz em Porto Rico,
Um amigo
disse-me
lhor do que isto para ilustrar que a pena de prisão não é jus
ta ou adequada, em país al gum. Eia transcende a pessoa do criminoso, indo atingir ino centes e sujeitando a mulher a uma viuvez forçada, que não lhe proporciona a possibilidade de um novo casamento. Não está escrito nas cartas de di
reitos humanos
que nenhuma
pena passará da pessoa do delinqüente? Contou-me um juiz hindu, então (sm 1951) presidente da Suprema Corte de seu país, que uma vez condenou um cri minoso, especialmente perver so, a vinte anos de prisão e a
tantos açoites, e que o conde nado gritou-lhe: “Dê-me trinta anos mas não me dê os açoi tes”. Isso também mostra que
há meios melhores de corrigir um criminoso do que a prisão.
lutar, depois de adequadamen te punidos?
Como meio de recuperá-lo,
Discute-se muito a pena de morte. Há os que são a favor dela e há os que são contra, mas ela encerra, ao meno.s, duas vantagens: a da economia para a sociedade, que despen
educando-o e
fazendo-o
com
preender a necessidade de não
pelas más
a prisão é,
companhias
condenado irá
que o
encontrar, su
de mais de oito milhões de cru
jeito a mil vexames e a indig
zeiros para manter um preso por vinte anos, e a de liberdade para sua mulher refazer a vida
nidades a que
a privação se
xual por vezes leva. A prisão, por certo, não é meio de corri gir ninguém. Talvez nossos antepassados não tenham sido tão inferiores
a nós, em inteligência e coraquando çao, como supomos, usavam de castigos corporais, restituindo, depois, o culpado ao convívio da sociedade e ao sustento
da
família.
Talvez
fossem eles até
superiores a
nós em
misericórdia
justiça,
(hoje diriamos "amor”) e
co-
nhecimento dos problemas. Será que, levados
por um
egoísmo que nos faz fugir das coisas desagradáveis, estamos
jogando homens na mixórdia das prisões, em seu prejuízo e
e encontrar alguém que a auxi lie a criar os filhos. Combate-
se a pena de morte com a pos
sibilidade de erro e, diz-se da boca cheia: “Prefiro que vinte culpados escapem a que um
inocente sofra”, mas erros exis tem em todas as profissões e
não se vai suprimir a cirurgia pelo risco de um erro operatório, ou a engenharia pelo risco de um erro de cálculo.
Se tanta gente é a favor da pena capital, por que não ad mitir, antes dela, o castigo corporal? Bater não é menos do que matar?
Se encarcerarmos, na espe
do de sua família, em vez de
rança de corrigir o criminoso já formado, há de ser mais
restituí-los a uma liberdade sa-
eficaz o nosso trabalho, pondo-
DIGESTO
82
0 no caminho certo, enquanto é moço, do que deixando para fazê-lo depois de velho, já ten do perdido a sua virgindade moral com o seu primeiro cri me.
Por isso, o mais importan te é restabelecer o ensino
re
ligioso nas escolas. Desde a Revolução Francesa pode-se di zer que ele está banido, sob o pretexto de que não é lícito im por uma crença a uma crian ça. Mas, é nas aulas de reli gião que se aprende a não ma tar, a não roubar, a não men tir, a não prejudicar o próxi mo.
Ao ensino religioso substi tuiu-se uma campanha intensa
ECONÔMICO
de alfabetização do povo, mas é nas aulas de religião que se acrescenta, a esses ensinamen tos, a idéia de Deus sempre presente e de castigos e re compensas numa vida futura. E, não é melhor ter-se um anal fabeto honesto do que um la drão letrado?
Se a religião não existisse, disse alguém certa vez, seria
“Produto
versal do nosso país, mas, na sua falta, de qualquer religião cristã, cujos princípios univer sais
são os nossos.
deverão
ser feitos na face
Abgar Renault, no término do seu mandato
da embalagem
onde se encontra o nome do produto. E estipula e fixa a porção máxima do produto a ser ingerido: ciclamato — 3,5g por dia. Se transformarmos
Conselho Federal de Educação
no
Há no existir de todos nós,
momentos em
FD*. A ”os’Cpn oUcií'l do BrasU. A Câmara Técnica de
Dietético"
Discurso de agradecimento do conselheiro
preferência, da Religião Cató lica Romana, que é a mais uni
Medicamentosi do Conselho Nacional de Saúde, em 29 de novembro de 1978, resolveu que seria mantida a autorização do uso, como edulcorantes, nos produtos dietéticos, o ácido ciclo-hexilsufâmico e seus sais de sódio e cálcio — nome dientífico e específico dado ao ciclamato — recomendando ainda que os dizeren
Abgar Renault
preciso inventá-la. Por isso, crentes ou não, restabeleçamos o seu ensino nas escolas. De
(Continuação da página 78) Biological Research Associatlon, o Instituto Nacional do Câncer, a Food and Drugs Administration (FDA), a Osaka University School of Medicine (Japão) mostraram aue o ciclamato não tem efeitos cancerígenos. Esses e mais 40J estudos científicos sobre vários aspectos da segurança do ciclamato serviram para instruir um processo sobre aditivos alimentares, apresentado a 15 de novembro d» WS
Reflexão sobre o mundo
das são finais.
Este
é, para
mim e a despeito de mim, um desses momentos,
e dos mais
carregados de pena atual e de prévia saudade. E não vai nessas palavras excesso ou exercício de fácil retórica:
em verdade, não é provável revermo-nos de novo, a não ser fortuitamente.
Uma
da vida é separar Poderemos
das leis
e afastar.
encontrar-nos
e rapidamente, mas
0
seu
ponto final. Dificilmen-
te ouvirei
que as despedi
por
essa quantidade em termos de gotas, teremos o uso permitido de 700 gotas por dia, o que excede qualquer possibilidade de ser o ciclamato consumido
acaso
o
per capita/dia.
precioso, recebe, aqui e agora,
nosso convívio, para mim tão
ouvi vozes
em
de novo. nossas
como
as
reuniões,
as
já familiares ao
meu
coração, dos companheiros a quem tanto admiro e quero bem, a começar pela do nosso presidente ilustríssimo, nas suas lapidares observações, adver tências e esclarecimentos.
Pesa-me também a insegu
rança
com
que
recebo
esta
homenagem, pois tenho cons ciência de que não cheguei a ser 0 conselheiro que quisera e pudera ter sido.
DIGESTO
82
0 no caminho certo, enquanto é moço, do que deixando para fazê-lo depois de velho, já ten do perdido a sua virgindade moral com o seu primeiro cri me.
Por isso, o mais importan te é restabelecer o ensino
re
ligioso nas escolas. Desde a Revolução Francesa pode-se di zer que ele está banido, sob o pretexto de que não é lícito im por uma crença a uma crian ça. Mas, é nas aulas de reli gião que se aprende a não ma tar, a não roubar, a não men tir, a não prejudicar o próxi mo.
Ao ensino religioso substi tuiu-se uma campanha intensa
ECONÔMICO
de alfabetização do povo, mas é nas aulas de religião que se acrescenta, a esses ensinamen tos, a idéia de Deus sempre presente e de castigos e re compensas numa vida futura. E, não é melhor ter-se um anal fabeto honesto do que um la drão letrado?
Se a religião não existisse, disse alguém certa vez, seria
“Produto
versal do nosso país, mas, na sua falta, de qualquer religião cristã, cujos princípios univer sais
são os nossos.
deverão
ser feitos na face
Abgar Renault, no término do seu mandato
da embalagem
onde se encontra o nome do produto. E estipula e fixa a porção máxima do produto a ser ingerido: ciclamato — 3,5g por dia. Se transformarmos
Conselho Federal de Educação
no
Há no existir de todos nós,
momentos em
FD*. A ”os’Cpn oUcií'l do BrasU. A Câmara Técnica de
Dietético"
Discurso de agradecimento do conselheiro
preferência, da Religião Cató lica Romana, que é a mais uni
Medicamentosi do Conselho Nacional de Saúde, em 29 de novembro de 1978, resolveu que seria mantida a autorização do uso, como edulcorantes, nos produtos dietéticos, o ácido ciclo-hexilsufâmico e seus sais de sódio e cálcio — nome dientífico e específico dado ao ciclamato — recomendando ainda que os dizeren
Abgar Renault
preciso inventá-la. Por isso, crentes ou não, restabeleçamos o seu ensino nas escolas. De
(Continuação da página 78) Biological Research Associatlon, o Instituto Nacional do Câncer, a Food and Drugs Administration (FDA), a Osaka University School of Medicine (Japão) mostraram aue o ciclamato não tem efeitos cancerígenos. Esses e mais 40J estudos científicos sobre vários aspectos da segurança do ciclamato serviram para instruir um processo sobre aditivos alimentares, apresentado a 15 de novembro d» WS
Reflexão sobre o mundo
das são finais.
Este
é, para
mim e a despeito de mim, um desses momentos,
e dos mais
carregados de pena atual e de prévia saudade. E não vai nessas palavras excesso ou exercício de fácil retórica:
em verdade, não é provável revermo-nos de novo, a não ser fortuitamente.
Uma
da vida é separar Poderemos
das leis
e afastar.
encontrar-nos
e rapidamente, mas
0
seu
ponto final. Dificilmen-
te ouvirei
que as despedi
por
essa quantidade em termos de gotas, teremos o uso permitido de 700 gotas por dia, o que excede qualquer possibilidade de ser o ciclamato consumido
acaso
o
per capita/dia.
precioso, recebe, aqui e agora,
nosso convívio, para mim tão
ouvi vozes
em
de novo. nossas
como
as
reuniões,
as
já familiares ao
meu
coração, dos companheiros a quem tanto admiro e quero bem, a começar pela do nosso presidente ilustríssimo, nas suas lapidares observações, adver tências e esclarecimentos.
Pesa-me também a insegu
rança
com
que
recebo
esta
homenagem, pois tenho cons ciência de que não cheguei a ser 0 conselheiro que quisera e pudera ter sido.
DIGESTO
84
A causa capital desse dis tanciamento entre o que fui e 0 que estimaria e podería ter continuado a ser foi o longo intervalo
entre o meu afasta
mento deste Conselho, em 1967, e 0 meu retorno, pe¬ ríodo no qual a massa de idéias novas que encontrei — indicações, resoluções, decisões jurisprudenciais, decretos, leis. abandono e troca de rumos, outras orientações sempre pa ra 0 melhor e o mais apropria do à nossa realidade, amplia ção e esclarecimento de hori zontes, esse conjunto de
transformações foi tão rico e perturbador, que dentro dele não logrei mover-me senão com extrema dificuldade.
Em
consequência, a minha contri
buição,
honrada, é certo, e.
tenho esperança, não inútil, alongou-se do que poderia ter
ECONÔMICO
cimento, cujo resultado foi e é
sentir-me
na
estranha
indi-
gência de saber mais do que posso, ou seja, de nada saber. Talvez tenha exagerado o sen tido das palavras de Witgenstein: “Quem sabe apenas Quí mica, não sabe nem Química.”
Além de tudo, passei a so frer o temor de que a educa ção, ao termo de taiítos es forços e estudos de tão nume rosos
cérebros
criadores
no
mundo inteiro, não seja o ins trumento poderoso que deveria ser. Infelizmente, não é ela “uma
cousa em
si” de Kant
C"Ein Ding
an sich
não é uma
transcendência
selbst"), em
relação ao homem: é instru mento neutro ou, pior do que
DIGESTO
ECONÔMICO
minha desesperança, da minha descrença. 0 defeito não é do instrumento; é do seu cria dor e também seu usuário, é de quem se apresenta, ao mes mo tempo, como sujeito e objeto da ação por ele exercida.
que deveria ser a sua tarefa suprema, essencial, e tudo mais que tem criado e ofere cido, por importante que seja, é pouco e é secundário, e es
firmou 0 Japão toguista, e ex plica porque é inócuo e vão o seu esforço para criar na in teligência e na sensibilidade
tabeleceu-se um estado de es
do homem uma
pírito que tem de suportar a
cial apropriada à paz.
e
lósofos estóicos.
intuito.
área educacional, que arrasta ram o meu espírito para outras vias, num deplorável ímpeto de curiosidade
em
incursões
Ao escrever esse pensa mento melancólico, não estou a pensar na educação em nos
so país, mas em escala plane
do homem,
e talvez
a mais
em considera
dios de cultura, mas o homem
e
os seres humanos.
E é nesse
ponto exatamente as raízes do meu
que situo temor, da
a Alemanha hitlerista e o con
estrutura so
Educar um povo não ex clui absolutamente a possibili dade de 0 não fazer para o exercício da paz e a de o fazer para o exercício da guerra.
violência é uma das vocações
ção como 0 só meio de alcan çar-se um estado de paz entre
excursões nas províncias mais distantes e variadas do conhe-
Resfria a minha fé o te meroso sentimento de que a
veemente. Dir-se-á que a vio
tária e tendo-a
em comprometer as suas me tas com as metas do Estado,
se fosse uma
forma de palingenesia dos fi
sido.
Talvez tenham influído em mim atrações intelectuais de várias naturezas mesmo na
Desgraçadamente, não po de ser negado que a educação é instrumento precário, uma de cujas contingências está
as quais nem sempre são acei táveis; isso explica a sua efi cácia na preparação para a guerra, segundo o demonstrou
violência como
de um
mos a teoria das idéias inatas, quer a dos empiristas, quer o behaviorismo, o homem esta rá sempre carregado de culpa.
Aterra-me a verificação, a confirmação diária de que a educação é inepta para man ter 0 mundo em estado de paz ao menos razoável; assim sendo, ela aparece inútil no
isso, dúplice e. portanto, usável em mais de uma direção com mais
85
lência é fruto de
certos está-
é, em última análise, o cria dor da violência, pois é o cria dor da cultura. Quer adote-
Tenho dúvidas pesadas so bre a tese da igualdade fun damental dos homens, apesar do respeito merecido pelos nu merosos
sociólogos,
antropó
logos, médicos, anatomistas, psicólogos, educadores que a
DIGESTO
84
A causa capital desse dis tanciamento entre o que fui e 0 que estimaria e podería ter continuado a ser foi o longo intervalo
entre o meu afasta
mento deste Conselho, em 1967, e 0 meu retorno, pe¬ ríodo no qual a massa de idéias novas que encontrei — indicações, resoluções, decisões jurisprudenciais, decretos, leis. abandono e troca de rumos, outras orientações sempre pa ra 0 melhor e o mais apropria do à nossa realidade, amplia ção e esclarecimento de hori zontes, esse conjunto de
transformações foi tão rico e perturbador, que dentro dele não logrei mover-me senão com extrema dificuldade.
Em
consequência, a minha contri
buição,
honrada, é certo, e.
tenho esperança, não inútil, alongou-se do que poderia ter
ECONÔMICO
cimento, cujo resultado foi e é
sentir-me
na
estranha
indi-
gência de saber mais do que posso, ou seja, de nada saber. Talvez tenha exagerado o sen tido das palavras de Witgenstein: “Quem sabe apenas Quí mica, não sabe nem Química.”
Além de tudo, passei a so frer o temor de que a educa ção, ao termo de taiítos es forços e estudos de tão nume rosos
cérebros
criadores
no
mundo inteiro, não seja o ins trumento poderoso que deveria ser. Infelizmente, não é ela “uma
cousa em
si” de Kant
C"Ein Ding
an sich
não é uma
transcendência
selbst"), em
relação ao homem: é instru mento neutro ou, pior do que
DIGESTO
ECONÔMICO
minha desesperança, da minha descrença. 0 defeito não é do instrumento; é do seu cria dor e também seu usuário, é de quem se apresenta, ao mes mo tempo, como sujeito e objeto da ação por ele exercida.
que deveria ser a sua tarefa suprema, essencial, e tudo mais que tem criado e ofere cido, por importante que seja, é pouco e é secundário, e es
firmou 0 Japão toguista, e ex plica porque é inócuo e vão o seu esforço para criar na in teligência e na sensibilidade
tabeleceu-se um estado de es
do homem uma
pírito que tem de suportar a
cial apropriada à paz.
e
lósofos estóicos.
intuito.
área educacional, que arrasta ram o meu espírito para outras vias, num deplorável ímpeto de curiosidade
em
incursões
Ao escrever esse pensa mento melancólico, não estou a pensar na educação em nos
so país, mas em escala plane
do homem,
e talvez
a mais
em considera
dios de cultura, mas o homem
e
os seres humanos.
E é nesse
ponto exatamente as raízes do meu
que situo temor, da
a Alemanha hitlerista e o con
estrutura so
Educar um povo não ex clui absolutamente a possibili dade de 0 não fazer para o exercício da paz e a de o fazer para o exercício da guerra.
violência é uma das vocações
ção como 0 só meio de alcan çar-se um estado de paz entre
excursões nas províncias mais distantes e variadas do conhe-
Resfria a minha fé o te meroso sentimento de que a
veemente. Dir-se-á que a vio
tária e tendo-a
em comprometer as suas me tas com as metas do Estado,
se fosse uma
forma de palingenesia dos fi
sido.
Talvez tenham influído em mim atrações intelectuais de várias naturezas mesmo na
Desgraçadamente, não po de ser negado que a educação é instrumento precário, uma de cujas contingências está
as quais nem sempre são acei táveis; isso explica a sua efi cácia na preparação para a guerra, segundo o demonstrou
violência como
de um
mos a teoria das idéias inatas, quer a dos empiristas, quer o behaviorismo, o homem esta rá sempre carregado de culpa.
Aterra-me a verificação, a confirmação diária de que a educação é inepta para man ter 0 mundo em estado de paz ao menos razoável; assim sendo, ela aparece inútil no
isso, dúplice e. portanto, usável em mais de uma direção com mais
85
lência é fruto de
certos está-
é, em última análise, o cria dor da violência, pois é o cria dor da cultura. Quer adote-
Tenho dúvidas pesadas so bre a tese da igualdade fun damental dos homens, apesar do respeito merecido pelos nu merosos
sociólogos,
antropó
logos, médicos, anatomistas, psicólogos, educadores que a
DIGESTO
86
ECONÔMICO
0 número das lín
mica não levou homens de Es
guas, que monta a 2.796 (não
tado, políticos, cientistas, so ciólogos, tecnólogos, administradores, economistas c mili tares a falar na supressão das notai lutas armadas, mas bem — apenas os compeliu a
sustentam.
incluídos os dialetos geográfi cos e sociais, estes de castas, classes e ocupações) completa
e agrava a desigualdade e ain da mais divide,
separa e se
grega os homens. Nem por via
aconselhar
de tais dúvidas admito que os homens devam ser traçados
mas tradicionais para serem usadas em lugar das armas
desigualmente. Penso é que eles são desiguais, mas sabs-
nucleares. É como se houves sem dito: Continuemos matan do-nos uns aos outros, mas
tancialmente iguais em algu mas cousas, entre elas a sua capacidade de violência, senão pessoal, seguramente coletiva. O
seu índice
mais
comum
aumento
não cie uma vez;
das
ar
Afastado
atômica,
o uso da bomba
restar-lhes-á,
junta
mente com 0 das armas tradi
Como quer que seja, o im portante é este fato irrepará vel: a educação é apta para educar para a guerra, mas inepta para educar para a paz, por dois motivos supremos: melhora certos índices pes
soais, mas não os altera, não os aperfeiçoa socialmente, na cionalmente, no sentido alme jado e com a amplitude so
cionais, 0 consolo da bomba de nêutrones, no momento de cuja explosão é desenvolvida uma potência de 21 trilJiÕes de watts, isto é, mais do que toda a energia elétrica dos Es tados Unidos, e que foi espe cializada para poupar tudo, salvo os seres vivos, vale dizer
homens e animais.
nhada.
Segundo esse nítido modo de pensar de homens ilustre-
cai a prumo Neste ponto citar 0 fato recente de que a meditação sobre os efeitos de catástrofe de uma guerra atô-
mente educados, a idéia de evitar a guerra é infantilmen te ingênua e o melhor que po de esperar-se é um contínuo
ECONÔMICO
87
intermitir de paz e guerra, auxiliado pelo terrorismo, essa guerra em miniatura.
Em consequência, o que vemos é o mundo civilizado, o mundo educado a gastar um milhão de dólares por mihuto
que
seria possivel resolver os
problemas de educação e saú de do mundo inteiro. No final
do seu dramático apelo, ex clamava: “Senhores! o que vos peço é apenas um por cen to
da
vossa
loucura!
A
sua
voz afundou sem resposta num
em armamentos, sem prcjuizo de despesas ainda maiores
vácuo
com a fabricação de armas nucleares, na facticia espe rança de jamais usá-las.
Diante do conjunto desses fatos, que ocorrem em um mundo 269í de cujos adoles centes
vamos aos
poucos.. .
é
a vocação para a guerra.
o
DIGESTO
A conclusão é trágica, mas irresistivelmente lógica: quan to mais educado o homem, tanto mais apto para matar;
os povos mais civilizados, os povos possuidores dos mais finos aparelha mentos educa cionais são os que matam mais e melhor; de ciuanto mais civilização se vanglorie 0 homem, tanto mais totais se inclinam
Em
as guerras
1968,
a
orçamentos
entre
13
e 18
anos
se
enlregam ao vicio de tóxicos; em um mundo em que a edu cação se desvinculou da reli
gião e guiou para escuro ca minho; em um mundo em que os princípios da moralidade geral foram dominados pela decisão do sentir de cada um, neste mundo sem fé nem lei, como
continuar
sonhando
com
0 foedus pacificum de Kant?
ser.
0 delegado
do
Brasil junto à ONU, embaixa dor Araújo Castro, um dos cimos da nossa diplomacia em todos os tempos, sugeriu que
dos
absoluto.
militares dos
países então representados na quele organismo se deduzisse a importância de um por cen to, com a qual demonstrou
Para crer no êxito da edu cação é fundamental crer em Deus
e crer
no homem.
E
quantos, hoje, crêem em Deus? Que homem
ainda crê no ho
mem?
Perdoai-me estas palavras, que não são de um céptico, mas de quem, após haver con vivido com 0 ensino primário.
DIGESTO
86
ECONÔMICO
0 número das lín
mica não levou homens de Es
guas, que monta a 2.796 (não
tado, políticos, cientistas, so ciólogos, tecnólogos, administradores, economistas c mili tares a falar na supressão das notai lutas armadas, mas bem — apenas os compeliu a
sustentam.
incluídos os dialetos geográfi cos e sociais, estes de castas, classes e ocupações) completa
e agrava a desigualdade e ain da mais divide,
separa e se
grega os homens. Nem por via
aconselhar
de tais dúvidas admito que os homens devam ser traçados
mas tradicionais para serem usadas em lugar das armas
desigualmente. Penso é que eles são desiguais, mas sabs-
nucleares. É como se houves sem dito: Continuemos matan do-nos uns aos outros, mas
tancialmente iguais em algu mas cousas, entre elas a sua capacidade de violência, senão pessoal, seguramente coletiva. O
seu índice
mais
comum
aumento
não cie uma vez;
das
ar
Afastado
atômica,
o uso da bomba
restar-lhes-á,
junta
mente com 0 das armas tradi
Como quer que seja, o im portante é este fato irrepará vel: a educação é apta para educar para a guerra, mas inepta para educar para a paz, por dois motivos supremos: melhora certos índices pes
soais, mas não os altera, não os aperfeiçoa socialmente, na cionalmente, no sentido alme jado e com a amplitude so
cionais, 0 consolo da bomba de nêutrones, no momento de cuja explosão é desenvolvida uma potência de 21 trilJiÕes de watts, isto é, mais do que toda a energia elétrica dos Es tados Unidos, e que foi espe cializada para poupar tudo, salvo os seres vivos, vale dizer
homens e animais.
nhada.
Segundo esse nítido modo de pensar de homens ilustre-
cai a prumo Neste ponto citar 0 fato recente de que a meditação sobre os efeitos de catástrofe de uma guerra atô-
mente educados, a idéia de evitar a guerra é infantilmen te ingênua e o melhor que po de esperar-se é um contínuo
ECONÔMICO
87
intermitir de paz e guerra, auxiliado pelo terrorismo, essa guerra em miniatura.
Em consequência, o que vemos é o mundo civilizado, o mundo educado a gastar um milhão de dólares por mihuto
que
seria possivel resolver os
problemas de educação e saú de do mundo inteiro. No final
do seu dramático apelo, ex clamava: “Senhores! o que vos peço é apenas um por cen to
da
vossa
loucura!
A
sua
voz afundou sem resposta num
em armamentos, sem prcjuizo de despesas ainda maiores
vácuo
com a fabricação de armas nucleares, na facticia espe rança de jamais usá-las.
Diante do conjunto desses fatos, que ocorrem em um mundo 269í de cujos adoles centes
vamos aos
poucos.. .
é
a vocação para a guerra.
o
DIGESTO
A conclusão é trágica, mas irresistivelmente lógica: quan to mais educado o homem, tanto mais apto para matar;
os povos mais civilizados, os povos possuidores dos mais finos aparelha mentos educa cionais são os que matam mais e melhor; de ciuanto mais civilização se vanglorie 0 homem, tanto mais totais se inclinam
Em
as guerras
1968,
a
orçamentos
entre
13
e 18
anos
se
enlregam ao vicio de tóxicos; em um mundo em que a edu cação se desvinculou da reli
gião e guiou para escuro ca minho; em um mundo em que os princípios da moralidade geral foram dominados pela decisão do sentir de cada um, neste mundo sem fé nem lei, como
continuar
sonhando
com
0 foedus pacificum de Kant?
ser.
0 delegado
do
Brasil junto à ONU, embaixa dor Araújo Castro, um dos cimos da nossa diplomacia em todos os tempos, sugeriu que
dos
absoluto.
militares dos
países então representados na quele organismo se deduzisse a importância de um por cen to, com a qual demonstrou
Para crer no êxito da edu cação é fundamental crer em Deus
e crer
no homem.
E
quantos, hoje, crêem em Deus? Que homem
ainda crê no ho
mem?
Perdoai-me estas palavras, que não são de um céptico, mas de quem, após haver con vivido com 0 ensino primário.
DIGESTO
88
com
0
ensino
secundário
e
0 superior, não apenas nas suas respectivas administra ções, senão também, e sobre tudo, nas salas de aula, sen tiu a deterioração, a queda de tônus, o perdimento do proces so
educacional
como
criador
de valores morais, não por de
feitos intrínsecos e específi cos do nosso povo, mas por falhas exógenas e gerais, car regadas de infalível contágio, isto 6, próprias de todo o pla neta, que, a despeito do as sombro dos
riais,
progressos mate
criados
por
espantoso
crescimento científico e tecno
seguro, ainda hoje, de haver sido realmente compensadora a vantagem material por mim que nunca pleiteei. (Ou quem sabe se estou enganado e an do 'saudoso apenas daquele que fui quando era profes sor?). Perdoai-me o pensamento sombrio deste discurso, que desejei breve em palavras, mas só consegui levar a cabo com um longo, arrastado pe sar. É natural que esta hora inste só acorde em mim tris teza — a tristeza de deixar
(91% dos cientistas de todas as épocas foram ou são nossos contemporâneos) se revelou
esta casa ilustríssima ou, mais diretamente, de deixar-vos. Não esquecerei este Conselho
incapaz de apurar-se,
onde me foi concedido o títu lo mais nobre da minha vida
sobretudo
se moralmente convívio cristão
após
elevar-
e criar um entre os ho
mens. Entretanto, guardo sau dade viva do tempo que dediquei ao magistério e não estou
e vim a ter o profundo bem do vosso convívio fraterno, que tantas cousas altas me en sinou. Não vos esquecerei.
do óitiDus espacial Colúmbia, em sua quinta missão, no mês de novembro — o primeiro de uma ampla série de vôos que levai'ão ao espaço satélites e caigas comerciais. A Nasa (Administração Nacional de Aeronáutica c Espaço), ao divulgar o manilesto de carga dos vôos do ônibus espacial até disse
que
o
quinto vôo
assinalará
a primeira vez
tributária Carlos
em
(Continua
que
quatro
na página
94)
Eduardo
Bulhões
A adoção de medidas tributárias a toque de caixa,
Pedreira
leva à
inobservância dos princípios fundamentais da ordem jurídica. O autor é advogado no Rio de Janeiro.
O presidente da República expediu, a 25 de maio passado. 0 Decreto-lei n.o 1.940, crian do contribuição social destina da a custear investimentos de caráter assistencial, e o minis
tro da Fazenda baixou, no úl
timo dia 22, a Portaria n.o 119,
com o escopo de "disciplinar o recolhimento” dessa contribui
Ünibus esp,acial tem programa até 198?
1987,
Escalada
colhida da circunstância de o ter abandonado por um cargo
1945,
lógico,
»
ECONÔMICO
ção.
Na escalada tributária em
servar as
normas constitucio
nais que regulam o poder de tributar e prescrevem garantias individuais.
O Decreto-lei n.o 1.940 e a Portaria n.o 119 são dois exem
plos a mais de atos oriundos do Poder Exeçutivo que se sobre
põem à Copstituição e ao Có digo Tributário Nacional. E a prática reiterada de atos des sa natureza — que pela passi
preendida pela União a partir
vidade dos contribuintes
da década de 70 não há lugar nem conveniência para se ob-
bam por se incorporar ao nos so ordenamento jurídico — es-
aca-
DIGESTO
88
com
0
ensino
secundário
e
0 superior, não apenas nas suas respectivas administra ções, senão também, e sobre tudo, nas salas de aula, sen tiu a deterioração, a queda de tônus, o perdimento do proces so
educacional
como
criador
de valores morais, não por de
feitos intrínsecos e específi cos do nosso povo, mas por falhas exógenas e gerais, car regadas de infalível contágio, isto 6, próprias de todo o pla neta, que, a despeito do as sombro dos
riais,
progressos mate
criados
por
espantoso
crescimento científico e tecno
seguro, ainda hoje, de haver sido realmente compensadora a vantagem material por mim que nunca pleiteei. (Ou quem sabe se estou enganado e an do 'saudoso apenas daquele que fui quando era profes sor?). Perdoai-me o pensamento sombrio deste discurso, que desejei breve em palavras, mas só consegui levar a cabo com um longo, arrastado pe sar. É natural que esta hora inste só acorde em mim tris teza — a tristeza de deixar
(91% dos cientistas de todas as épocas foram ou são nossos contemporâneos) se revelou
esta casa ilustríssima ou, mais diretamente, de deixar-vos. Não esquecerei este Conselho
incapaz de apurar-se,
onde me foi concedido o títu lo mais nobre da minha vida
sobretudo
se moralmente convívio cristão
após
elevar-
e criar um entre os ho
mens. Entretanto, guardo sau dade viva do tempo que dediquei ao magistério e não estou
e vim a ter o profundo bem do vosso convívio fraterno, que tantas cousas altas me en sinou. Não vos esquecerei.
do óitiDus espacial Colúmbia, em sua quinta missão, no mês de novembro — o primeiro de uma ampla série de vôos que levai'ão ao espaço satélites e caigas comerciais. A Nasa (Administração Nacional de Aeronáutica c Espaço), ao divulgar o manilesto de carga dos vôos do ônibus espacial até disse
que
o
quinto vôo
assinalará
a primeira vez
tributária Carlos
em
(Continua
que
quatro
na página
94)
Eduardo
Bulhões
A adoção de medidas tributárias a toque de caixa,
Pedreira
leva à
inobservância dos princípios fundamentais da ordem jurídica. O autor é advogado no Rio de Janeiro.
O presidente da República expediu, a 25 de maio passado. 0 Decreto-lei n.o 1.940, crian do contribuição social destina da a custear investimentos de caráter assistencial, e o minis
tro da Fazenda baixou, no úl
timo dia 22, a Portaria n.o 119,
com o escopo de "disciplinar o recolhimento” dessa contribui
Ünibus esp,acial tem programa até 198?
1987,
Escalada
colhida da circunstância de o ter abandonado por um cargo
1945,
lógico,
»
ECONÔMICO
ção.
Na escalada tributária em
servar as
normas constitucio
nais que regulam o poder de tributar e prescrevem garantias individuais.
O Decreto-lei n.o 1.940 e a Portaria n.o 119 são dois exem
plos a mais de atos oriundos do Poder Exeçutivo que se sobre
põem à Copstituição e ao Có digo Tributário Nacional. E a prática reiterada de atos des sa natureza — que pela passi
preendida pela União a partir
vidade dos contribuintes
da década de 70 não há lugar nem conveniência para se ob-
bam por se incorporar ao nos so ordenamento jurídico — es-
aca-
90
DIGESTO
tá fazendo surgir o que se po dería qualificar de direito tri butário costumeiro, cia União.
A Constituição Federal, no artigo 153, § 39 (na redação in troduzida pela E.mendá Consti tucional n.o 8, de 1977), as.segura aos brasileiros e estran geiros residentes no País que "nenhum tributo será exigido ou . aumentado sem que a lei o estabeleça, nem. cobrado em cada exercício sem que a lei que 0 houver instituído ou au mentado esteja em .vigor antes do início, do exercício financei ro, ressalvados a tarifa alfan
degária e a de transportes, o imposto sobre produtos indus
trializados e
dütros especial
mente indicados ● em lei com-
■pléftíenfâiV'‘áíém'-'do ' 'iniposto lançado por motivo de guerra e demais casos previstos nesta Constitüição”.
' - A regra constitucional expressa nesse dispositivo é, por tanto, a de que não se pode ins
tituir ou aumentar tributo para cobrança no mesmo exercício financeiro, exceto nos casos expressamente
enumerados
na
Constituição ou em lei cornplementaf.
ECONÔMICO
DIGESTO
91
ECONÔMICO
Não há dispositivo da Cons
ções e outros atos administrati
tituição ou de lei complementar que'excetue a contribuição so cial instituída pelo Decreto-lei n.o 1.940 (e Portaria n.o 119) daquela garantia constitucio nal. Assim, deveria a União, ao instituir o novo tributo, res
vos. A Portaria n.o 119 ò n mais recente exemplo dessa
salvar que
0
Decreto-lei n.o
1.940 somente
teria eficácia a
partir de l.o de janeiro de 1983, quando passaria a .ser exigida a contribuição social.
Mas o
redator do Decreto-lei preferiu
ignorar o preceito do artigo 153, § 39, da Constituição, e deter minou, no artigo 7.o do DL n.o 1.940, que ele "produzirá seus efeitos a partir de l.o de ju nho de 1982”.
' Não há dúvida de que a medida é inconstitucional — e de que o fim social declarado para a nova contribuição não
assertiva.
O Código Tributário Nacio nal (CTN) — lei complementar à Constituição — reserva à lei as funções (a) de definir o féito gerador da obrigação tribii tária, a base de cálculo e o su jeito passivo, e (b) de fixar a alíquota. Por força desse prin
cípio, esses elementos da rela ção tributária não podem ser
instituição financeira; portanLo, na aplicação do disposto no
§ 1.0 desse Decreto-lei ó indis pensável 0 recurso à legislação não tributária para essa defi nição.
O conceito ele instituição fi nanceira foi introduzido no or
denamento jurídico brasileiro pela Lei n.o 4.595/64 (lei de re forma bancária) e consta do caput do seu artigo 17. Esse dispositivo legal d-efine como instituições financemas as en
culo, sujeito passivo ou alíquo
tidades que prestam serviços financeiros típicos, e não toda e qualquer entidade sujeita à fiscalização do Banco Central
ta de tributo 6 inconstitucional.
do Brasil.
O Decreto-lei n.o 1.940 es tabeleceu dois regimes distin
retoras, por exemplo, não são
tos no seu artigo l.o:
(a) no
instituições financeiras no sen
§ 1.0 fixou a alíquota de 0,5%
tido próprio do conceito. Ade mais, o § 1.® do artigo 18 da lei
estabelecidos
senão
em
lei.
Assim, ato administrativo que crie fato gerador, base de cál
bruta para a,s
em
as sociedades cor
explica nem justifica que se faça tábula rasa de princípio consagrado pela Constituição.
da
A escalada tributária, po rém, tende a dar foros de legi
seguradoras; .e (b) no § 2.o fi xou a alíquota de 5% sobre
timidade à prática reiterada de
0 imposto ds renda das empre sas prestadoras de serviços.
se subordinam às disposições e disciplina desta lei no que fôr aplicável, as pessoas físicas ou
Nem a lei tributária, nem
jurídicas que exerçam, por con ta própria ou de terceiros, ati-
atos inconstitucionais das au toridades tributárias não só através de leis, mas também de 'decretos, portarias, instru-
receita
Assim,
presas que realizam vendas de mercadorias e para as institulções financeiras
0
e sociedades
Decreto-lei n.o 1.940, definem
de reforma bancária exclui as sociedades corretoras da abran
gência do conceito de institui ção financeira definido no arti go 17, ao dispor que "também
90
DIGESTO
tá fazendo surgir o que se po dería qualificar de direito tri butário costumeiro, cia União.
A Constituição Federal, no artigo 153, § 39 (na redação in troduzida pela E.mendá Consti tucional n.o 8, de 1977), as.segura aos brasileiros e estran geiros residentes no País que "nenhum tributo será exigido ou . aumentado sem que a lei o estabeleça, nem. cobrado em cada exercício sem que a lei que 0 houver instituído ou au mentado esteja em .vigor antes do início, do exercício financei ro, ressalvados a tarifa alfan
degária e a de transportes, o imposto sobre produtos indus
trializados e
dütros especial
mente indicados ● em lei com-
■pléftíenfâiV'‘áíém'-'do ' 'iniposto lançado por motivo de guerra e demais casos previstos nesta Constitüição”.
' - A regra constitucional expressa nesse dispositivo é, por tanto, a de que não se pode ins
tituir ou aumentar tributo para cobrança no mesmo exercício financeiro, exceto nos casos expressamente
enumerados
na
Constituição ou em lei cornplementaf.
ECONÔMICO
DIGESTO
91
ECONÔMICO
Não há dispositivo da Cons
ções e outros atos administrati
tituição ou de lei complementar que'excetue a contribuição so cial instituída pelo Decreto-lei n.o 1.940 (e Portaria n.o 119) daquela garantia constitucio nal. Assim, deveria a União, ao instituir o novo tributo, res
vos. A Portaria n.o 119 ò n mais recente exemplo dessa
salvar que
0
Decreto-lei n.o
1.940 somente
teria eficácia a
partir de l.o de janeiro de 1983, quando passaria a .ser exigida a contribuição social.
Mas o
redator do Decreto-lei preferiu
ignorar o preceito do artigo 153, § 39, da Constituição, e deter minou, no artigo 7.o do DL n.o 1.940, que ele "produzirá seus efeitos a partir de l.o de ju nho de 1982”.
' Não há dúvida de que a medida é inconstitucional — e de que o fim social declarado para a nova contribuição não
assertiva.
O Código Tributário Nacio nal (CTN) — lei complementar à Constituição — reserva à lei as funções (a) de definir o féito gerador da obrigação tribii tária, a base de cálculo e o su jeito passivo, e (b) de fixar a alíquota. Por força desse prin
cípio, esses elementos da rela ção tributária não podem ser
instituição financeira; portanLo, na aplicação do disposto no
§ 1.0 desse Decreto-lei ó indis pensável 0 recurso à legislação não tributária para essa defi nição.
O conceito ele instituição fi nanceira foi introduzido no or
denamento jurídico brasileiro pela Lei n.o 4.595/64 (lei de re forma bancária) e consta do caput do seu artigo 17. Esse dispositivo legal d-efine como instituições financemas as en
culo, sujeito passivo ou alíquo
tidades que prestam serviços financeiros típicos, e não toda e qualquer entidade sujeita à fiscalização do Banco Central
ta de tributo 6 inconstitucional.
do Brasil.
O Decreto-lei n.o 1.940 es tabeleceu dois regimes distin
retoras, por exemplo, não são
tos no seu artigo l.o:
(a) no
instituições financeiras no sen
§ 1.0 fixou a alíquota de 0,5%
tido próprio do conceito. Ade mais, o § 1.® do artigo 18 da lei
estabelecidos
senão
em
lei.
Assim, ato administrativo que crie fato gerador, base de cál
bruta para a,s
em
as sociedades cor
explica nem justifica que se faça tábula rasa de princípio consagrado pela Constituição.
da
A escalada tributária, po rém, tende a dar foros de legi
seguradoras; .e (b) no § 2.o fi xou a alíquota de 5% sobre
timidade à prática reiterada de
0 imposto ds renda das empre sas prestadoras de serviços.
se subordinam às disposições e disciplina desta lei no que fôr aplicável, as pessoas físicas ou
Nem a lei tributária, nem
jurídicas que exerçam, por con ta própria ou de terceiros, ati-
atos inconstitucionais das au toridades tributárias não só através de leis, mas também de 'decretos, portarias, instru-
receita
Assim,
presas que realizam vendas de mercadorias e para as institulções financeiras
0
e sociedades
Decreto-lei n.o 1.940, definem
de reforma bancária exclui as sociedades corretoras da abran
gência do conceito de institui ção financeira definido no arti go 17, ao dispor que "também
P
92
DIGESTO
vidade relacionada com a com
pra e venda de ações e outros quaisquer títulos, realizando nos mercados financeiros e de
capitais operações ou serviços de natureza dos executados pe las instituições financeiras". As
sociedades corretoras (assim como as distribuidoras) não são, portanto, instituições fi
nanceiras, e a elas se equipa ram
apenas para
o efeito
de
sua subordinação ao regime da
Lei n.® 4-595/64, no que lhes fôr aplicável.
Por essa razão, as socieda des corretoras e distribuidoras de valores mobiliários não es-
ECONÔMICO
cessaria, em razão do disposto expressamente na letra B do item I da Portaria n.° 119.
Essa portaiãa ministerial sc encarregou de reconhecer que as sociedades corretoras e dis tribuidoras não estão incluídas
na expressão “instituições fi nanceiras” empregada no § 1.^ do artigo daquele decretolei. Esse reconhecimento está declarado da forma mais expli cita que possível, sem qualquer subterfúgio, no próprio texto da portaria: após regular a co brança da contribuição social à alíquota de 0,5%, ela dispõe, na
letra B, in fine, do item I, que
gamento da contribuição social
tão legalmente sujeitas ao pa
“Para fins do recolhimento de que trata este item, equipa
à alíquota de 0,5% da receita
ram-se às instituições financei
bruta estabelecida no § 1.® do
ras
artigo 1.® do Decreto-lei n. 1.940: (a) elas não se enqua-
dram no conceito de instituição financeira
da
lei
de reforma
bancária; (b) o único que pode ser adotado para efeito da apli cação daquele dispositivo; (c)
já que nem a lei tributária nem 0 Decreto-lei n.o 1.940 contêm definição de instituição finan ceira. A demonstração dessa afirmação não cabe nos limites deste artigo — nem se faz ne-
as sociedades corretoras e
distribuidoras de títulos e valo res mobiliários e as sociedades de arrendamento mercantil”.
Equiparar é ato de, compa rando coisas ou pessoas distin tas, considerá-las iguais para determinado
fira ou
efeito. Só
DIGESTO
ECONÔMICO
93
0,5% da receita bruta são as
a contribuição, devida relativa
empresas que comercializam mercadorias e as instituições financeiras. Equiparar a insti tuições financeiras pessoas ju rídicas que não o são, é criar, ou definir, novo sujeito passivo
mente a produtos que tenham preço de venda no varejo mar cada pelo fabricante uniforme mente para todo o País, será calculada sobre 117,94% desse preço e se tornará devida na saída do produto do fabricante — 0 que é criar base de cál
da obrigação tributária. Devido ao princípio da re serva legal, somente a lei pode definir o sujeito passivo da
obrigação tributária. A conclu são necessária a que se chega
ó a de que a Portaria n.*^ 119 é ré confessa de inconstitucio-
nalidade,
porque,
declarada
mente:
a) equipara as sociedades corretoras e distribuidoras às instituições financeiras, para o fim de lhes exigir a contribui ção social à alíquota de 0,5% da receita bruta;
b) equipara as sociedades de capitalização e as entidades abertas de previdência privada, de fins lucrativos, às socieda-, des seguradoras, para o fim previsto na letra C do seu
se equipara o que é diferente, jamais o que é igual.
item I.
Sujeitos passivos da obriga ção tributária de pagar a con tribuição social à alíquota de
119 reincide em infringir o prin cípio da reserva legal ao dispor na letra C do item I: (a) que
Além disso, a Portaria n.®
culo e fato gerador do tributo; e (b) que, nesse caso, caberá ao fabricante
recolher o
mon
tante apurado, como responsá vel direto e substituto do co merciante varejista — o que é
definir novo sujeito passivo da obrigação tributária.
A adoção de medidas tri butárias a toque de caixa, sem 0 devido cuidado na elaboração das normas, leva irremediavel mente à inobservânciados prin cípios fundamentais da ordem jurídica.
A prevalecer esse procedi mento, chegará o dia em que novamente Francisco Campos se fará ouvir — talvez por so bre 0 Pico da Neblina
sen-
tenciahdo:
“Quando o tributo,
ao
de
invés
condicionado
às
circunstâncias e à capacidade da matéria tributável, tem por efeito, precisamente, destruir a coisa que ele deveria prescr-
P
92
DIGESTO
vidade relacionada com a com
pra e venda de ações e outros quaisquer títulos, realizando nos mercados financeiros e de
capitais operações ou serviços de natureza dos executados pe las instituições financeiras". As
sociedades corretoras (assim como as distribuidoras) não são, portanto, instituições fi
nanceiras, e a elas se equipa ram
apenas para
o efeito
de
sua subordinação ao regime da
Lei n.® 4-595/64, no que lhes fôr aplicável.
Por essa razão, as socieda des corretoras e distribuidoras de valores mobiliários não es-
ECONÔMICO
cessaria, em razão do disposto expressamente na letra B do item I da Portaria n.° 119.
Essa portaiãa ministerial sc encarregou de reconhecer que as sociedades corretoras e dis tribuidoras não estão incluídas
na expressão “instituições fi nanceiras” empregada no § 1.^ do artigo daquele decretolei. Esse reconhecimento está declarado da forma mais expli cita que possível, sem qualquer subterfúgio, no próprio texto da portaria: após regular a co brança da contribuição social à alíquota de 0,5%, ela dispõe, na
letra B, in fine, do item I, que
gamento da contribuição social
tão legalmente sujeitas ao pa
“Para fins do recolhimento de que trata este item, equipa
à alíquota de 0,5% da receita
ram-se às instituições financei
bruta estabelecida no § 1.® do
ras
artigo 1.® do Decreto-lei n. 1.940: (a) elas não se enqua-
dram no conceito de instituição financeira
da
lei
de reforma
bancária; (b) o único que pode ser adotado para efeito da apli cação daquele dispositivo; (c)
já que nem a lei tributária nem 0 Decreto-lei n.o 1.940 contêm definição de instituição finan ceira. A demonstração dessa afirmação não cabe nos limites deste artigo — nem se faz ne-
as sociedades corretoras e
distribuidoras de títulos e valo res mobiliários e as sociedades de arrendamento mercantil”.
Equiparar é ato de, compa rando coisas ou pessoas distin tas, considerá-las iguais para determinado
fira ou
efeito. Só
DIGESTO
ECONÔMICO
93
0,5% da receita bruta são as
a contribuição, devida relativa
empresas que comercializam mercadorias e as instituições financeiras. Equiparar a insti tuições financeiras pessoas ju rídicas que não o são, é criar, ou definir, novo sujeito passivo
mente a produtos que tenham preço de venda no varejo mar cada pelo fabricante uniforme mente para todo o País, será calculada sobre 117,94% desse preço e se tornará devida na saída do produto do fabricante — 0 que é criar base de cál
da obrigação tributária. Devido ao princípio da re serva legal, somente a lei pode definir o sujeito passivo da
obrigação tributária. A conclu são necessária a que se chega
ó a de que a Portaria n.*^ 119 é ré confessa de inconstitucio-
nalidade,
porque,
declarada
mente:
a) equipara as sociedades corretoras e distribuidoras às instituições financeiras, para o fim de lhes exigir a contribui ção social à alíquota de 0,5% da receita bruta;
b) equipara as sociedades de capitalização e as entidades abertas de previdência privada, de fins lucrativos, às socieda-, des seguradoras, para o fim previsto na letra C do seu
se equipara o que é diferente, jamais o que é igual.
item I.
Sujeitos passivos da obriga ção tributária de pagar a con tribuição social à alíquota de
119 reincide em infringir o prin cípio da reserva legal ao dispor na letra C do item I: (a) que
Além disso, a Portaria n.®
culo e fato gerador do tributo; e (b) que, nesse caso, caberá ao fabricante
recolher o
mon
tante apurado, como responsá vel direto e substituto do co merciante varejista — o que é
definir novo sujeito passivo da obrigação tributária.
A adoção de medidas tri butárias a toque de caixa, sem 0 devido cuidado na elaboração das normas, leva irremediavel mente à inobservânciados prin cípios fundamentais da ordem jurídica.
A prevalecer esse procedi mento, chegará o dia em que novamente Francisco Campos se fará ouvir — talvez por so bre 0 Pico da Neblina
sen-
tenciahdo:
“Quando o tributo,
ao
de
invés
condicionado
às
circunstâncias e à capacidade da matéria tributável, tem por efeito, precisamente, destruir a coisa que ele deveria prescr-
DIGESTO
94
ECONÔMICO
var, para que sobre ela possa
governo, nem pode trazer-lhc o
renovar-se futuramente a sua incidência útil, não deve ser considerado como exercício do
nome (...). Tanto em um quan to no outro o que se exteriorizaria, sob os nomes de tributo e governo, não seria o governo,
poder de tributar, nem ê tribu to: como a força que, ao invés de conservar, manter e res guardar a comunidade, de cujo aniquilamento resultaria a sua própria destruição, tem por ob jeto destruí-la, não é governo, nem aparenta os atributos de
nem
o
tributo,
mas,
no
A Unidade Popular no
caso
deste. 0 latrocínio, e no daque le, a força bruta, e, em ambos,
Brasil
a natureza não mudaria com a
adoção de máscaras, etiquetas ou
apelidos".
(Transcrito
do
“Jornal do Brasil”, de 5-6-1982)
(Continuação cia página 88) Ib
nave e.spacial. Plane,ia-se outro vôn provavelmente em fins de junho — antes do início dos vôoc;
-stronautas serão lançados em uma de prova
I
nneríuiionais. O manifesto de cinco anas tambám inclui & nrimeira utili zação do “Spacelab” — O laboratório psna'''al de uso continuo e a pnmciri, excursão tripulada, fora do ônibiis csnacial, para o reparo de um
Até fins desse período estará em onoracão uma frota de auatro ônibus espaciais. O manifesto representa o início das missões operacionab: do ônibus espacial, enauan+o aenarda o dia em que a frota cio quatro ôniDus espaciais frmeione remilarmente, da mesma forma que iim-^ linha, aérea, transportando passageiros e carg.a em base regular con fiável. Para logo depois do último vôo de nrovn oneracional em novembro .'.atélite defeituoso
f t)5.mifesto assinala a realfeação de seis vôc.s om 1983, onze vôos em lOS-t. 15 cm 1985. 16 em 1986. e onze vôos até o mês de novembro de 1987. A.
indúôtria privada será o principal usuário, seguida nelo Denartamenfc de Defesa, a Nasa e outras agênciafi govemamcnta’s norte-americanas . Várias outras nações também utilizarão o ônibus espaci‘^1. entre elos o Canadá,
Colômbia, Alemanha Ocidental, índia. Indonésia, Itália, Austrália, laixemburgo. Japão e a Organização de Comunicações. O quarto e último vôo de prova do ônibus espacial Colúmbia. em junho, terá a duração de sete dias e levará (ao espaço) a primeira carga, do Departamento de Defesa. Este órgão é tanto o principal investidor quanto o principal usuário do ônibus espacial, e planejou cargas ao espaço em mais de uma terça parte dos lançamentos programados. Ele planeja finalmente utilizar o ônibus espa cial em substituição às plataformas de lançamento disponíveis para todos os sitélites de reconhecimento, navegação e coleta de dados do informa ção de inteligência. A quarta missão do Colúmbia levará o primeiro “Ge(Continua na página 108)
Teixeira
Critica à presença de economista antiga colaboradora de Salvador Allende nos meios de comunicação. O autor
é economista. O artigo foi publicado no "Jornal
.
da Tarde'\ de São Paulo, do qual. data vênia. transcrevemos.
o
como
está sublinhado
mais estável, sistema democrá
No
Hino
Nacional,
tico da América Latina desabou
numa virtual arena de sangue
tragicamente
econômica”, traduzida no Pro
e ódio, que culminaria, um pou co mais tarde, em 11 de setem bro de 1973, com a queda do
grama de Ia Unídad Popular.
presidente Salvador
uma
início dos
sob
alternativa
O Chile,
anos
70,
o peso de
de
política
que durante os
seus 163 anos de República in dependente fora um verdadei ro “asilo, contra la opressión”,
em
seu
transformou-se
Allende e
na ascensão da feroz ditadura de Pinochet.
Ainda hoje, as. pessoas se perguntam como um país .ex^
DIGESTO
94
ECONÔMICO
var, para que sobre ela possa
governo, nem pode trazer-lhc o
renovar-se futuramente a sua incidência útil, não deve ser considerado como exercício do
nome (...). Tanto em um quan to no outro o que se exteriorizaria, sob os nomes de tributo e governo, não seria o governo,
poder de tributar, nem ê tribu to: como a força que, ao invés de conservar, manter e res guardar a comunidade, de cujo aniquilamento resultaria a sua própria destruição, tem por ob jeto destruí-la, não é governo, nem aparenta os atributos de
nem
o
tributo,
mas,
no
A Unidade Popular no
caso
deste. 0 latrocínio, e no daque le, a força bruta, e, em ambos,
Brasil
a natureza não mudaria com a
adoção de máscaras, etiquetas ou
apelidos".
(Transcrito
do
“Jornal do Brasil”, de 5-6-1982)
(Continuação cia página 88) Ib
nave e.spacial. Plane,ia-se outro vôn provavelmente em fins de junho — antes do início dos vôoc;
-stronautas serão lançados em uma de prova
I
nneríuiionais. O manifesto de cinco anas tambám inclui & nrimeira utili zação do “Spacelab” — O laboratório psna'''al de uso continuo e a pnmciri, excursão tripulada, fora do ônibiis csnacial, para o reparo de um
Até fins desse período estará em onoracão uma frota de auatro ônibus espaciais. O manifesto representa o início das missões operacionab: do ônibus espacial, enauan+o aenarda o dia em que a frota cio quatro ôniDus espaciais frmeione remilarmente, da mesma forma que iim-^ linha, aérea, transportando passageiros e carg.a em base regular con fiável. Para logo depois do último vôo de nrovn oneracional em novembro .'.atélite defeituoso
f t)5.mifesto assinala a realfeação de seis vôc.s om 1983, onze vôos em lOS-t. 15 cm 1985. 16 em 1986. e onze vôos até o mês de novembro de 1987. A.
indúôtria privada será o principal usuário, seguida nelo Denartamenfc de Defesa, a Nasa e outras agênciafi govemamcnta’s norte-americanas . Várias outras nações também utilizarão o ônibus espaci‘^1. entre elos o Canadá,
Colômbia, Alemanha Ocidental, índia. Indonésia, Itália, Austrália, laixemburgo. Japão e a Organização de Comunicações. O quarto e último vôo de prova do ônibus espacial Colúmbia. em junho, terá a duração de sete dias e levará (ao espaço) a primeira carga, do Departamento de Defesa. Este órgão é tanto o principal investidor quanto o principal usuário do ônibus espacial, e planejou cargas ao espaço em mais de uma terça parte dos lançamentos programados. Ele planeja finalmente utilizar o ônibus espa cial em substituição às plataformas de lançamento disponíveis para todos os sitélites de reconhecimento, navegação e coleta de dados do informa ção de inteligência. A quarta missão do Colúmbia levará o primeiro “Ge(Continua na página 108)
Teixeira
Critica à presença de economista antiga colaboradora de Salvador Allende nos meios de comunicação. O autor
é economista. O artigo foi publicado no "Jornal
.
da Tarde'\ de São Paulo, do qual. data vênia. transcrevemos.
o
como
está sublinhado
mais estável, sistema democrá
No
Hino
Nacional,
tico da América Latina desabou
numa virtual arena de sangue
tragicamente
econômica”, traduzida no Pro
e ódio, que culminaria, um pou co mais tarde, em 11 de setem bro de 1973, com a queda do
grama de Ia Unídad Popular.
presidente Salvador
uma
início dos
sob
alternativa
O Chile,
anos
70,
o peso de
de
política
que durante os
seus 163 anos de República in dependente fora um verdadei ro “asilo, contra la opressión”,
em
seu
transformou-se
Allende e
na ascensão da feroz ditadura de Pinochet.
Ainda hoje, as. pessoas se perguntam como um país .ex^
I
DIGESTO
96
traordinariamente população
sereno,
de
razoavelmente
edu
cada, um país de tantas flores e tantos poetas — dois Prêmios Nobel — pode, em forma súbi ta, metamorfosear-se e acumu lar tanto “ódio en el corazon”, como dizia Pablo Neruda.
Nem mesmo os mais expe rientes políticos chilenos tinham uma explicação para o fenôme no, Um deles, velho senador da
mesmo
uma
ECONÔMICO
distância
muito
grande, quando se considera que, geralmente, quem mais promete mais deve. Qual era o “novo modelo econômico” aplicado nos An des? Em que se apoiava? Quais seus estrategistas? A traumática destruição de um regime constitucional de longa tradição e a ascensão dc uma implacável ditadura termina
DIGESTO
ECONÔMICO
97
desde longo tempo. Sintomas detectados: inflação alta, queda no índice de emprego, redução
da inversão privada, endivida mento exterior, perfil de renda extremamente concentrado, etc. Curiosamente, fora a mesma Cepal que inspirara as reformas distributivas que o governo democrata-cristão
de
Frei havia realizado
Eduardo
e que,
sem dúvida, ajudavam a em purrar a inflação a níveis ele vados, embora sob controle.
DC, me perguntava desolado, junto aos escombros fumegan-
lena com uma espessa nebulo
tes
sidade.
Mas, agora, as reformas de Frei, a chamada Revolucíón en
nossa velha coexistência demo
No final dos anos 60, no Chile, um grupo de economis
crática se tenha esfumado na
tas da comissão de desenvolvi
Líbertad, eram consideradas incipientes. Dizia o ideólogo desse grupo de economistas,
areia?
mento das Nações Unidas, par tindo do princípio de que a
do Palácio La
Moneda —
ram cobrindo
a realidade chi
destruído pelos mísseis da for
ça aérea: “Como é possível que
Em política, como na eco nomia e na guerra, o primeiro que se deve prever é o impre visível — ensina uma velha li ção de pragmatismo. Mas os estrategistas do Programa da
Unidad Popular não puderam imaginar que as mesmas multi dões frenéticas da classe média urbana, que haviam elevado Salvador Allende à Presidência
da República, também o arras tassem à morte. Afinal, da es perança ao desespero não vai
América Latina estava cansada
de aplicar infrutiferamente “modelos estrangeiros ou mo-
netaristas”, se dispôs a conce ber uma solução alternativa pa ra os chilenos. O governo Frei aproximava-se do final de seu mandato. A eleição presidencial estava à vista.
Diagnóstico do grupo da Ce pal: 0 Chile vivia uma depres são aguda, resultante da crise estrutural que vitimava o país
Marshall Wolfe: o desenvolvi mento não está na produção e
sim nas coisas que devem ser produzidas. Quando a economia estabelece como produzir, ela está automaticamente definindo quem são os receptores dessa
produção.
E
textualmente:
o
desejo de reduzir a diferença entre as rendas das massas da
população
previamente
e
o
das
minorias
beneficiadas pelo
crescimento econômico tem de
monstrado
ser
dos e com 0 funcionamento atual das sociedades e das eco nomias.
Em outras palavras: os au mentos salariais, a reforma ha bitacional, a ampliação da pre
vidência, etc. não melhorariam 0 perfil de distribuição de ren
da — como imaginava a Revolución en Libertad de Frei —, porque
se
tratava
de
conse
quências ou de um espelho, e não causas. Só um novo padrão
de desenvolvimento econômico, uma profunda alteração no mo delo produtivo, seria capaz de reverter
as
tendências
domi
nantes.
Foi sob a influência das idéias do norte-americano Mar
shall Wolfe que os economistas
Pedro Vuskovich, Maria da Conceição Tavares, Jacques Chonchol e outros menos vota
dos partiram para a elaboração do Programa da Unidade Po pular. Que diagnosticava o pro grama alternativo? Textualmente:
“Chile vive uma crise pro funda que se manifesta no es-
incompatível
tancamento econômico e social,
com a natureza dos bens e ser
na pobreza generalizada e nas
viços que estão sendo produzi¬
injustiças de toda ordem que
I
DIGESTO
96
traordinariamente população
sereno,
de
razoavelmente
edu
cada, um país de tantas flores e tantos poetas — dois Prêmios Nobel — pode, em forma súbi ta, metamorfosear-se e acumu lar tanto “ódio en el corazon”, como dizia Pablo Neruda.
Nem mesmo os mais expe rientes políticos chilenos tinham uma explicação para o fenôme no, Um deles, velho senador da
mesmo
uma
ECONÔMICO
distância
muito
grande, quando se considera que, geralmente, quem mais promete mais deve. Qual era o “novo modelo econômico” aplicado nos An des? Em que se apoiava? Quais seus estrategistas? A traumática destruição de um regime constitucional de longa tradição e a ascensão dc uma implacável ditadura termina
DIGESTO
ECONÔMICO
97
desde longo tempo. Sintomas detectados: inflação alta, queda no índice de emprego, redução
da inversão privada, endivida mento exterior, perfil de renda extremamente concentrado, etc. Curiosamente, fora a mesma Cepal que inspirara as reformas distributivas que o governo democrata-cristão
de
Frei havia realizado
Eduardo
e que,
sem dúvida, ajudavam a em purrar a inflação a níveis ele vados, embora sob controle.
DC, me perguntava desolado, junto aos escombros fumegan-
lena com uma espessa nebulo
tes
sidade.
Mas, agora, as reformas de Frei, a chamada Revolucíón en
nossa velha coexistência demo
No final dos anos 60, no Chile, um grupo de economis
crática se tenha esfumado na
tas da comissão de desenvolvi
Líbertad, eram consideradas incipientes. Dizia o ideólogo desse grupo de economistas,
areia?
mento das Nações Unidas, par tindo do princípio de que a
do Palácio La
Moneda —
ram cobrindo
a realidade chi
destruído pelos mísseis da for
ça aérea: “Como é possível que
Em política, como na eco nomia e na guerra, o primeiro que se deve prever é o impre visível — ensina uma velha li ção de pragmatismo. Mas os estrategistas do Programa da
Unidad Popular não puderam imaginar que as mesmas multi dões frenéticas da classe média urbana, que haviam elevado Salvador Allende à Presidência
da República, também o arras tassem à morte. Afinal, da es perança ao desespero não vai
América Latina estava cansada
de aplicar infrutiferamente “modelos estrangeiros ou mo-
netaristas”, se dispôs a conce ber uma solução alternativa pa ra os chilenos. O governo Frei aproximava-se do final de seu mandato. A eleição presidencial estava à vista.
Diagnóstico do grupo da Ce pal: 0 Chile vivia uma depres são aguda, resultante da crise estrutural que vitimava o país
Marshall Wolfe: o desenvolvi mento não está na produção e
sim nas coisas que devem ser produzidas. Quando a economia estabelece como produzir, ela está automaticamente definindo quem são os receptores dessa
produção.
E
textualmente:
o
desejo de reduzir a diferença entre as rendas das massas da
população
previamente
e
o
das
minorias
beneficiadas pelo
crescimento econômico tem de
monstrado
ser
dos e com 0 funcionamento atual das sociedades e das eco nomias.
Em outras palavras: os au mentos salariais, a reforma ha bitacional, a ampliação da pre
vidência, etc. não melhorariam 0 perfil de distribuição de ren
da — como imaginava a Revolución en Libertad de Frei —, porque
se
tratava
de
conse
quências ou de um espelho, e não causas. Só um novo padrão
de desenvolvimento econômico, uma profunda alteração no mo delo produtivo, seria capaz de reverter
as
tendências
domi
nantes.
Foi sob a influência das idéias do norte-americano Mar
shall Wolfe que os economistas
Pedro Vuskovich, Maria da Conceição Tavares, Jacques Chonchol e outros menos vota
dos partiram para a elaboração do Programa da Unidade Po pular. Que diagnosticava o pro grama alternativo? Textualmente:
“Chile vive uma crise pro funda que se manifesta no es-
incompatível
tancamento econômico e social,
com a natureza dos bens e ser
na pobreza generalizada e nas
viços que estão sendo produzi¬
injustiças de toda ordem que
DIGESTO
98
sofrem os operários, campone ses e demais setores explorados, assim como na crescente difi culdade que enfrentam empre
gados, pessoal de nível supe rior, empresários pequenos e médios, a mulher e os jovens. Os problemas do Chile podem ser resolvidos. Nosso país con ta com grandes riquezas. O que
ECONÔMICO
ria e comercial; mediante o controle tecnológico que nos
obriga a pagar altíssimas so mas em equipamentos, licenças e patentes; dos empréstimos
ploração imperialista das eco nomias atrasadas efetua-se de muitas maneiras: através de investimentos na mineração e na
atividade industrial, bancá-
consumo
popular,
controlare
mos os preços e deteremos a
Denunciaremos os compro-
prados. Basta um só exemplo:
teraram nada importante. A ex
mos a produção de artigos de
gastar nos Estados Unidos e com a obrigação adicional de transportar em barcos norteamericanos
ça Para o Progresso e realiza das pelo governo Frei não al
Uma Nova Economia para pôr fim à inflação. Aumentare-
norte-americanos em condições usurárias que nos obrigam a
ma que não corresponde às ni»cessidades do nosso tempo. O Chile é um país capitalista, de pendente do imperialismo, do minado pelos setores da bur guesia estruturalraente ligados ao capital estrangeiro, que não podem resolver os problemas fundamentais do país, os quais precisamente derivam de seus privilégios de classe aos que jamais renunciarão voluntaria mente. No Chile, as receitas tistas” estimuladas pela Alian
ECONÔMICO
inflação através da duplicação imediata da Nova Economia;
fracassou no Chile é um sistb-
“reformistas” e “desenvolvimen-
DIGESTO
os produtos
com
desde 1952 até hoje, os norteamericanos investiram na Amé rica Latina 7.473 bilhões de dó lares e levaram 16 bilhões de dólares. A elevação do custo de vida é um inferno nos lares
do povo. Um alto número de chilenos
está
mal-alimentado.
Segundo estatísticas oficiais, a metade dos menores de 15 anos de idade está desnutrida. O la
tifúndio é 0 grande culpado dos problemas alimentares de todos os chilenos e responde pela si tuação de miséria e atraso que caracteriza o campo chileno. O crescimento da nossa economia
é mínimo, etc." Para todos esses males, o novo
modelo
econômico
ofere
cia remédios infalíveis, assim definidos nas primeiras medi das do governo popular.
missos com o Fundo Monetário Internacional e terminaremos
99
da “alternativa” chilena, desenhada por Pedro Vuskovich,
Maria da Conceição Tavares e outros apóstolos do sr. Wolfe, consistiam em buscar uma ace-
leração do crescimento
econô-
mico, uma importante redistribuição da renda em favor dos
assalariados e uma quebra da
inflação chilena, a essa altura até que razoável: 32,5% entre
com as escandalosas desvalori
dezembro de 1969 e o mesmo
zações de nossa moeda;
mês de 1970. De fato, o aumento
Criaremos
imediatamente
do gasto público com a conse-
quente ampliação da demanda
novas fontes de trabalho com
global e o surgimento de novas
os planos de obras públicas e
fontes de trabalho deram
habitação, com a criação de
seus resultados no primeiro ano
novas indústrias e com a exe
do chamado governo popular. 1971 — uma O Chile parecia
cução dos projetos de desen volvimento; Aprofundaremos a reforma agrária que beneficiará tam
bém os médios e pequenos agri cultores, donos de minifúndios, meeiros, empregados e bóias-
autêntica ilha do Tesouro, com os supermercados repletos de mercadorias e compradores, teatros e cinemas lotados, a economia funcionando a pleno vapor.
frias. Etc.”
Enfim, a estatização abso luta que no Chile iria culminar também com a ditadura abso luta.
Em
os
A viabilidade do “novo modelo
também era garantida por um alto grau de subutiliza-
ção da capacidade de produção decorrente do derradeiro esfor ço monetário do ministro da
termos econômicos —
não eleitorais —, os objetivos
Fazenda de Frei, Andrés Zaldívar. Tal espaço havia sido ime-
DIGESTO
98
sofrem os operários, campone ses e demais setores explorados, assim como na crescente difi culdade que enfrentam empre
gados, pessoal de nível supe rior, empresários pequenos e médios, a mulher e os jovens. Os problemas do Chile podem ser resolvidos. Nosso país con ta com grandes riquezas. O que
ECONÔMICO
ria e comercial; mediante o controle tecnológico que nos
obriga a pagar altíssimas so mas em equipamentos, licenças e patentes; dos empréstimos
ploração imperialista das eco nomias atrasadas efetua-se de muitas maneiras: através de investimentos na mineração e na
atividade industrial, bancá-
consumo
popular,
controlare
mos os preços e deteremos a
Denunciaremos os compro-
prados. Basta um só exemplo:
teraram nada importante. A ex
mos a produção de artigos de
gastar nos Estados Unidos e com a obrigação adicional de transportar em barcos norteamericanos
ça Para o Progresso e realiza das pelo governo Frei não al
Uma Nova Economia para pôr fim à inflação. Aumentare-
norte-americanos em condições usurárias que nos obrigam a
ma que não corresponde às ni»cessidades do nosso tempo. O Chile é um país capitalista, de pendente do imperialismo, do minado pelos setores da bur guesia estruturalraente ligados ao capital estrangeiro, que não podem resolver os problemas fundamentais do país, os quais precisamente derivam de seus privilégios de classe aos que jamais renunciarão voluntaria mente. No Chile, as receitas tistas” estimuladas pela Alian
ECONÔMICO
inflação através da duplicação imediata da Nova Economia;
fracassou no Chile é um sistb-
“reformistas” e “desenvolvimen-
DIGESTO
os produtos
com
desde 1952 até hoje, os norteamericanos investiram na Amé rica Latina 7.473 bilhões de dó lares e levaram 16 bilhões de dólares. A elevação do custo de vida é um inferno nos lares
do povo. Um alto número de chilenos
está
mal-alimentado.
Segundo estatísticas oficiais, a metade dos menores de 15 anos de idade está desnutrida. O la
tifúndio é 0 grande culpado dos problemas alimentares de todos os chilenos e responde pela si tuação de miséria e atraso que caracteriza o campo chileno. O crescimento da nossa economia
é mínimo, etc." Para todos esses males, o novo
modelo
econômico
ofere
cia remédios infalíveis, assim definidos nas primeiras medi das do governo popular.
missos com o Fundo Monetário Internacional e terminaremos
99
da “alternativa” chilena, desenhada por Pedro Vuskovich,
Maria da Conceição Tavares e outros apóstolos do sr. Wolfe, consistiam em buscar uma ace-
leração do crescimento
econô-
mico, uma importante redistribuição da renda em favor dos
assalariados e uma quebra da
inflação chilena, a essa altura até que razoável: 32,5% entre
com as escandalosas desvalori
dezembro de 1969 e o mesmo
zações de nossa moeda;
mês de 1970. De fato, o aumento
Criaremos
imediatamente
do gasto público com a conse-
quente ampliação da demanda
novas fontes de trabalho com
global e o surgimento de novas
os planos de obras públicas e
fontes de trabalho deram
habitação, com a criação de
seus resultados no primeiro ano
novas indústrias e com a exe
do chamado governo popular. 1971 — uma O Chile parecia
cução dos projetos de desen volvimento; Aprofundaremos a reforma agrária que beneficiará tam
bém os médios e pequenos agri cultores, donos de minifúndios, meeiros, empregados e bóias-
autêntica ilha do Tesouro, com os supermercados repletos de mercadorias e compradores, teatros e cinemas lotados, a economia funcionando a pleno vapor.
frias. Etc.”
Enfim, a estatização abso luta que no Chile iria culminar também com a ditadura abso luta.
Em
os
A viabilidade do “novo modelo
também era garantida por um alto grau de subutiliza-
ção da capacidade de produção decorrente do derradeiro esfor ço monetário do ministro da
termos econômicos —
não eleitorais —, os objetivos
Fazenda de Frei, Andrés Zaldívar. Tal espaço havia sido ime-
DIGESTO
100
ECONÔMICO DIGESTO
diatamente ocupado por Pedro Vuskovich, já ministro da Eco nomia do governo Allende, ou, como se dizia então no Chile,
“patron y senor” da atividade produtiva. Enquanto hoiuve fô lego de divisas, os resultados foram positivos. A aplicação de uma política fiscal e salarial expansionistas permitiu um au mento do Produto Interno Bruto
(PIB) real de 8,5% em 1971, com uma importante redução do de semprego. Já 0 estabelecimento de um estrito controle de pre ços limitou temporariamente o ritmo de crescimento dos índi ces de custo de vida. Em 1971,
segundo o Estudo Econômico da Cepal, 0 aumento dos preços ao consumidor foi de 22,1% par tindo-se de dezembro de 1970.
Como tudo que é bom dura
pouco, ram
as tendências começa a
reverter
rapidamente
quando, logo no início de 1972. se alcançou a plena utilização da capacidade produtiva e os
projetos de inversão esbarra ram precisamente nos setores em que havia estrangulamen tos. Além disso, a entrega aos
ordinário para o Chile —, que incluía duas siderúrgicas, três
das principais empresas quími cas, várias indústrias de bens de capital, etc., trouxeram gra ves problemas administrativos. Em geral, muitos dos que antes se encontravam nas linhas de produção se acotovelavam ago
ra nos gabinetes da diretoria. As cadeiras dos administrado res de fábricas chegai'am a ga-
nliar o apelido jocoso de “no me joda, companero”. Isto é, na tradução aproximada: “Não me aborreça, camarada”. O desempenho dos setores-
chaves começou a cair assusta doramente, e a economia iniciou um irreversível recuo, em que pese a decidida injeção mone
tária, vale dizer, a continuação da política expansiva com rela ção aos salários e à demanda. A essa altura, o mais estrito controle de preços era impoten
ECONÔMICO
101
das pela expansão do gasto pú blico, logo descobriríam uma atividade
socialmente
muito
Apesar dos preços extremadistribuição dos produtos no mente favoráveis de seu princicâmbio negro que podiam ad- ! pal produto de exportação, o quirir a preços ínfimos nas lo cobre eletrolitico — cuja libra mais importante e rentável: a
jas estatizadas do atacado, desde que fossem membros da Unidade Popular ou das Juntas de Abastecimento e Preços (JAPs).
A reforma agrária, pessoal mente conduzida por Jacques Chonchol, também economista das Nações Unidas, trouxe as mais graves complicações. Um informe da Universidade Cató
lica
mostrou
uma
queda
de
22,5% na colheita 1972-1973, com uma redução de 19% da área plantada. Segundo o insuspeito Estudo Econômico 1974, da Ce pal, a contribuição do setor
te ante a crescente escassez de
agropecuário ao Produto Inter no Bruto de 1973 havia sido
alimentos e artigos de co:'iSUmo. As filas começaram a se
que sua participação relativa se
multiplicar nas lojas e o mer cado negro, a crescer em toda
empregados e a estatização de
a parte. Os trabalhadores, re
cerca de 95 grandes empresas industriais. — um número extra-
oportunidades de emprego cria-
centemente
beneficiados
pelas
tade do total das importações chilenas.
equivalente à de 1965, "com o reduziu
substancialmente". Pa
ra compensar as perdas agríco las, 0 governo recorreu às im portações de alimentos que em 1972 se aproximaram dos 600
milhões de dólares, quase a mer
se elevou de 47,6 centavos de
dólar, em 1972, a 80,8 centavos, média de 1973 —, e um conse quente incremento
de 60%
da
renda de suas exportações, o país viu sua reserva internacio nal cair a níveis mínimos gra ças a uma poiitica cambial que mantinha
a
moeda
altamente
valorizada.
Em resumo; por volta de 1973, 0 Chile encontrava-se ante graves desequilíbrios internos e externos. A produção continua va a cair rapidamente, apesar dos elevados níveis de protecio nismo empregados e a inexis tência de qualquer sombra de competição do produto estran geiro. Nestas condições, as po líticas expansionistas — mone tária, fiscal e salarial — ter minaram traduzindo-se em es
pantosas taxas de inflação. As seguintes, segundo mesmo o insuspeito Estudo Econômico da Cepal, 1974:
DIGESTO
100
ECONÔMICO DIGESTO
diatamente ocupado por Pedro Vuskovich, já ministro da Eco nomia do governo Allende, ou, como se dizia então no Chile,
“patron y senor” da atividade produtiva. Enquanto hoiuve fô lego de divisas, os resultados foram positivos. A aplicação de uma política fiscal e salarial expansionistas permitiu um au mento do Produto Interno Bruto
(PIB) real de 8,5% em 1971, com uma importante redução do de semprego. Já 0 estabelecimento de um estrito controle de pre ços limitou temporariamente o ritmo de crescimento dos índi ces de custo de vida. Em 1971,
segundo o Estudo Econômico da Cepal, 0 aumento dos preços ao consumidor foi de 22,1% par tindo-se de dezembro de 1970.
Como tudo que é bom dura
pouco, ram
as tendências começa a
reverter
rapidamente
quando, logo no início de 1972. se alcançou a plena utilização da capacidade produtiva e os
projetos de inversão esbarra ram precisamente nos setores em que havia estrangulamen tos. Além disso, a entrega aos
ordinário para o Chile —, que incluía duas siderúrgicas, três
das principais empresas quími cas, várias indústrias de bens de capital, etc., trouxeram gra ves problemas administrativos. Em geral, muitos dos que antes se encontravam nas linhas de produção se acotovelavam ago
ra nos gabinetes da diretoria. As cadeiras dos administrado res de fábricas chegai'am a ga-
nliar o apelido jocoso de “no me joda, companero”. Isto é, na tradução aproximada: “Não me aborreça, camarada”. O desempenho dos setores-
chaves começou a cair assusta doramente, e a economia iniciou um irreversível recuo, em que pese a decidida injeção mone
tária, vale dizer, a continuação da política expansiva com rela ção aos salários e à demanda. A essa altura, o mais estrito controle de preços era impoten
ECONÔMICO
101
das pela expansão do gasto pú blico, logo descobriríam uma atividade
socialmente
muito
Apesar dos preços extremadistribuição dos produtos no mente favoráveis de seu princicâmbio negro que podiam ad- ! pal produto de exportação, o quirir a preços ínfimos nas lo cobre eletrolitico — cuja libra mais importante e rentável: a
jas estatizadas do atacado, desde que fossem membros da Unidade Popular ou das Juntas de Abastecimento e Preços (JAPs).
A reforma agrária, pessoal mente conduzida por Jacques Chonchol, também economista das Nações Unidas, trouxe as mais graves complicações. Um informe da Universidade Cató
lica
mostrou
uma
queda
de
22,5% na colheita 1972-1973, com uma redução de 19% da área plantada. Segundo o insuspeito Estudo Econômico 1974, da Ce pal, a contribuição do setor
te ante a crescente escassez de
agropecuário ao Produto Inter no Bruto de 1973 havia sido
alimentos e artigos de co:'iSUmo. As filas começaram a se
que sua participação relativa se
multiplicar nas lojas e o mer cado negro, a crescer em toda
empregados e a estatização de
a parte. Os trabalhadores, re
cerca de 95 grandes empresas industriais. — um número extra-
oportunidades de emprego cria-
centemente
beneficiados
pelas
tade do total das importações chilenas.
equivalente à de 1965, "com o reduziu
substancialmente". Pa
ra compensar as perdas agríco las, 0 governo recorreu às im portações de alimentos que em 1972 se aproximaram dos 600
milhões de dólares, quase a mer
se elevou de 47,6 centavos de
dólar, em 1972, a 80,8 centavos, média de 1973 —, e um conse quente incremento
de 60%
da
renda de suas exportações, o país viu sua reserva internacio nal cair a níveis mínimos gra ças a uma poiitica cambial que mantinha
a
moeda
altamente
valorizada.
Em resumo; por volta de 1973, 0 Chile encontrava-se ante graves desequilíbrios internos e externos. A produção continua va a cair rapidamente, apesar dos elevados níveis de protecio nismo empregados e a inexis tência de qualquer sombra de competição do produto estran geiro. Nestas condições, as po líticas expansionistas — mone tária, fiscal e salarial — ter minaram traduzindo-se em es
pantosas taxas de inflação. As seguintes, segundo mesmo o insuspeito Estudo Econômico da Cepal, 1974:
DIGESTO
102
ECONÔMICO
DIGESTO
ECONÔMICO
país cerca de 11,6 bilhões de dólares, cifra equivalente a:
índices de Preços ao Consumidor
a) Vinte vezes o valor das Ano
Variação %
Dezembro a
anual
dezembro
instalações das minas de Chuquicamata, o maior centro de extração do cobre a céu aberto em todo o mundo;
26,6
27,9
1969 (Frei) ..
32,5
34,9
dívida externa chilena em 1977;
1970 (Frei) ..
30,7
29,3
c) uma vez o total do Pro
1971 (Allende)
20,1
22,1
1972 (Allende)
77,8
163,4
1973 (Allende)
358,8
508,1.(*)
1968 (Frei) ..
Cepal, (*) inclui os meses após
a queda de Allende.
Mas outras fontes, conside rando os preços praticados no mercado negro — ultimamente,
custo
a única fonte de abastecimento
programa da UP.
—, calcularam uma taxa de in flação somente alcançada na Alemanha e na China, no final das duas guerras mundiais. Como
admitiu
um
informe
do
FMI: “O país defrontou-se com uma taxa de inflação que alcan
çou, segundo diversas estimati vas, 560, 650 ou 1.000%. Em 12 meses, o modelo econômico, originalmente construído para frear
a
inflação,
elevara
o
de vida
b) três
equivalente
anos
anteriores
à à
alternativo
mesmo
ano.
Isso significaria, em termos
tornaria a pobre Isabelita Perón
mero joguete do brujo Lopez Rega, sem conhecerem ambos — provavelmente até hoje — 0 que
realmente
aconteceu
no
Após breve e natural perío do de “nojo”, o grupo da Eco
dez do
ria
capitalista” de desenvolvi
mento.
plo currículo acadêmico, como Vuskovich, Maria da Conceição Tavares e Jacques Chonchol? Segundo um levantamento do doutor em economia, o chileno José Pinera Echenique, o n;ovo padrão econômico custou ao
controle cambial, a estatização do comércio externo, etc., que
250 bilhões de dólares, ou mais de quatro, vezes a atual dívida externa. De resto, só em 1983 0 Chile recuperará o nível do dos
mente desenhado por economis tas de brilhante retórica e am
altui”a com graves deficiências
de tecnologia e produtividade, o
país.
vitória
laboriosa
bard, que apressou a morte de
Perón e colocou o país sob 0 fogo cruzado dos montoneros e da ultradireita. Foi o Pacto Social, que incluía a co-gestão do parque industrial, já a essa
brasileiros, uma fatura de uns
PIB que teria alcançado se con tinuasse sua histórica “trajetó
Qual 0 custo econômico do modelo
o valor da
duto Nacional Bruto do Chile, no
chileno a uma
cifra
vezes
103
Imediatamente após o de sastre chileno, o chamado gru po da Economia Nova emigrou para vários países. Boa parte foi conhecer os bons ares do pampa, a Argentina, onde a assessoria culminou com o Pacto
Social, comandado pelo então líder da Confederação Geral Econômica — uma espécie de Flep nacional —, José Ber Gel-
nomia Nova trasladou-se direta
mente das Nações Unidas para as
universidades
Hoje,
novamente,
brasileiras.
conquista
multidões da classe média ur-
bana, seduzidas pelas infinitas promessas de esperança.
Aqui no Brasil, em meados dos anos 70, a ênfase da retóri ca da Economia Nova esteve
colocada na distribuição de renda, na defesa de nova política salarial, na reforma do IR, etc.
Atualmente, ante os níveis in
flacionários e a crescente gra-
vitação da Economia Nova na
DIGESTO
102
ECONÔMICO
DIGESTO
ECONÔMICO
país cerca de 11,6 bilhões de dólares, cifra equivalente a:
índices de Preços ao Consumidor
a) Vinte vezes o valor das Ano
Variação %
Dezembro a
anual
dezembro
instalações das minas de Chuquicamata, o maior centro de extração do cobre a céu aberto em todo o mundo;
26,6
27,9
1969 (Frei) ..
32,5
34,9
dívida externa chilena em 1977;
1970 (Frei) ..
30,7
29,3
c) uma vez o total do Pro
1971 (Allende)
20,1
22,1
1972 (Allende)
77,8
163,4
1973 (Allende)
358,8
508,1.(*)
1968 (Frei) ..
Cepal, (*) inclui os meses após
a queda de Allende.
Mas outras fontes, conside rando os preços praticados no mercado negro — ultimamente,
custo
a única fonte de abastecimento
programa da UP.
—, calcularam uma taxa de in flação somente alcançada na Alemanha e na China, no final das duas guerras mundiais. Como
admitiu
um
informe
do
FMI: “O país defrontou-se com uma taxa de inflação que alcan
çou, segundo diversas estimati vas, 560, 650 ou 1.000%. Em 12 meses, o modelo econômico, originalmente construído para frear
a
inflação,
elevara
o
de vida
b) três
equivalente
anos
anteriores
à à
alternativo
mesmo
ano.
Isso significaria, em termos
tornaria a pobre Isabelita Perón
mero joguete do brujo Lopez Rega, sem conhecerem ambos — provavelmente até hoje — 0 que
realmente
aconteceu
no
Após breve e natural perío do de “nojo”, o grupo da Eco
dez do
ria
capitalista” de desenvolvi
mento.
plo currículo acadêmico, como Vuskovich, Maria da Conceição Tavares e Jacques Chonchol? Segundo um levantamento do doutor em economia, o chileno José Pinera Echenique, o n;ovo padrão econômico custou ao
controle cambial, a estatização do comércio externo, etc., que
250 bilhões de dólares, ou mais de quatro, vezes a atual dívida externa. De resto, só em 1983 0 Chile recuperará o nível do dos
mente desenhado por economis tas de brilhante retórica e am
altui”a com graves deficiências
de tecnologia e produtividade, o
país.
vitória
laboriosa
bard, que apressou a morte de
Perón e colocou o país sob 0 fogo cruzado dos montoneros e da ultradireita. Foi o Pacto Social, que incluía a co-gestão do parque industrial, já a essa
brasileiros, uma fatura de uns
PIB que teria alcançado se con tinuasse sua histórica “trajetó
Qual 0 custo econômico do modelo
o valor da
duto Nacional Bruto do Chile, no
chileno a uma
cifra
vezes
103
Imediatamente após o de sastre chileno, o chamado gru po da Economia Nova emigrou para vários países. Boa parte foi conhecer os bons ares do pampa, a Argentina, onde a assessoria culminou com o Pacto
Social, comandado pelo então líder da Confederação Geral Econômica — uma espécie de Flep nacional —, José Ber Gel-
nomia Nova trasladou-se direta
mente das Nações Unidas para as
universidades
Hoje,
novamente,
brasileiras.
conquista
multidões da classe média ur-
bana, seduzidas pelas infinitas promessas de esperança.
Aqui no Brasil, em meados dos anos 70, a ênfase da retóri ca da Economia Nova esteve
colocada na distribuição de renda, na defesa de nova política salarial, na reforma do IR, etc.
Atualmente, ante os níveis in
flacionários e a crescente gra-
vitação da Economia Nova na
DIGESTO
104
vida do País, seus líderes evo luíram para uma etapa supe rior. Pois é precisamente o que acaba de revelar a professora Maria da Conceição Tavares, em
pleno coração do capitalis
mo brasileiro — a Associação Comercial do Rio —, em mesaredonda de múltiplas presenças,
conformev o testemunho do úl timo número da revista Bolsa:
“O grande dilema da déca
da, completou Maria da Conceiçao
Tavares, reside no fato de
que
0
Brasil tem seguido uma
política externa independente e que às vezes até entra e‘m con flito com as posições norteamericanas, mas que, no plano econômico, se alinha sistemati camente aos Estados Unidos. Ela disse também que a redis-
tribuição de renda, noi Brasil, nao pode ser feita de forma direta, porque o quadro da dis
um pouco
ECONÔMICO
mais franca, em tra-
balho que acaba
de
publicar
através do Instituto de Econo mistas do Rio de Janeiro, sob titulo A Economia Política da Crise. Não se deve estranhar
0
que, em linhas gerais, o atual modelo da Economia
Nova se
as.emeihc bastante ao
progra-
ma
da Unidad Popular chilena.
Em primeiro lugar, porque foi o programa da UP que projetou a professora portuguesa para as luzes do palco universitário; em segundo lugar, porque — como dizia Keynes — até mesmo as
pessoas simples, que imaginam coisas supostamente originais, estão, na realidade, repetindo o pensamento de algum econo mista defunto.
Assim, juntamente com as reformas tradicionais de seu modelo (a reforma agrária, a
DIGESTO
lOS
ECONÔMICO
a) uma reforma
agrária
combine o fator terra
fator
trabalho,
produtividade
que com
0
Economia Política da Crise:
aumentando a
deste
por
um
melhor uso da terra e não pslo
emprego de técnicas
de
alta
densidade de capital”, muito .se melhante ao item 2 (pág. 17) do
programa da UP.
vém perguntar onde
Aqui, con
ficaria o
parque industrial brasileiro e a produtividade do agro; b) rigorosa planificaçâo das in-
públlcas e privadas “inclusive para evitar descontinuidades no aparelho produtivo versões
do sistema, assim como consi deráveis desperdícios de recursos
projetos não tradicionais, na A
ff,
;
c) a renegociação da dívida ex terna", "como um plano de lon
go prazo, pode muito bem ser feita. O que não podemos é continuar a mentir.
Chegar lá
fora e dizer que não temos pro
A reforma
diz
urbana
ela: “Na Órbita propriamente capitalista da questão urbana localiza-se a besta negra da es
peculação imobiliária, que tor na caótica a ocupação do espa ço urbano e joga por terra as melhores intenções e capacida
des de planejamento físico das grandes cidades. Deste ponto
de
vista, a questão fundiária
urbana é talvez mais grave na
deteriorização das condições de vida da maioria da população brasileira do que a questão fun
diária rural, dada a aceleração nas últimas décadas da modifi cação da distribuição da popu lação. Assim, a reforma urba na, em suas múltiplas dimen sões administrativa,
política e
fundiária, tem uma dramática urgência à luz das tendências previsíveis". (A rigor, a refor
programação rigorosa das inver
blemas com
tribuição de renda, é apenas um
sões públicas .e privadas, o pi’0'
mentos”;
ma urbana não é uma idéia tão
espelho. "Essa situação só mu
jeto nacional de desenvolvimen
da se o padrão de desenvolvi mento nacional mudar."
to, etc.),
d) ampliação da demanda glo bal, através do gasto público "porque gasto público não tem nada que ver com inflação”.
nova assim^ já que aplicada em
zes, a vares
Pois resta a pergunta; qual modelo ou padrão ds desenvolvimento da professora 0 novo
Maria da Conceição
Tavares?
Ela também o expõe, em forma
expostas
tantas ve-
professora Conceição Ta-
dsfende agora o que cha-
maríamos reformas não tradi cionais.
No
balanço de paga
Além das
primeiro
conjunto de
medidas Conceição advoga;
idéias
tradicio
nais, a professora Maria da Conceição
Tavares
expõe
os
Cuba, ainda no início dos anos
60,
provocou — além
de um
fantástico êxodo de cubanos da
classe média para os Estados Unidos — uma crise habitacio
nal que perdura até hoje, ofi'^ialmente admitida,
inclusive.
DIGESTO
104
vida do País, seus líderes evo luíram para uma etapa supe rior. Pois é precisamente o que acaba de revelar a professora Maria da Conceição Tavares, em
pleno coração do capitalis
mo brasileiro — a Associação Comercial do Rio —, em mesaredonda de múltiplas presenças,
conformev o testemunho do úl timo número da revista Bolsa:
“O grande dilema da déca
da, completou Maria da Conceiçao
Tavares, reside no fato de
que
0
Brasil tem seguido uma
política externa independente e que às vezes até entra e‘m con flito com as posições norteamericanas, mas que, no plano econômico, se alinha sistemati camente aos Estados Unidos. Ela disse também que a redis-
tribuição de renda, noi Brasil, nao pode ser feita de forma direta, porque o quadro da dis
um pouco
ECONÔMICO
mais franca, em tra-
balho que acaba
de
publicar
através do Instituto de Econo mistas do Rio de Janeiro, sob titulo A Economia Política da Crise. Não se deve estranhar
0
que, em linhas gerais, o atual modelo da Economia
Nova se
as.emeihc bastante ao
progra-
ma
da Unidad Popular chilena.
Em primeiro lugar, porque foi o programa da UP que projetou a professora portuguesa para as luzes do palco universitário; em segundo lugar, porque — como dizia Keynes — até mesmo as
pessoas simples, que imaginam coisas supostamente originais, estão, na realidade, repetindo o pensamento de algum econo mista defunto.
Assim, juntamente com as reformas tradicionais de seu modelo (a reforma agrária, a
DIGESTO
lOS
ECONÔMICO
a) uma reforma
agrária
combine o fator terra
fator
trabalho,
produtividade
que com
0
Economia Política da Crise:
aumentando a
deste
por
um
melhor uso da terra e não pslo
emprego de técnicas
de
alta
densidade de capital”, muito .se melhante ao item 2 (pág. 17) do
programa da UP.
vém perguntar onde
Aqui, con
ficaria o
parque industrial brasileiro e a produtividade do agro; b) rigorosa planificaçâo das in-
públlcas e privadas “inclusive para evitar descontinuidades no aparelho produtivo versões
do sistema, assim como consi deráveis desperdícios de recursos
projetos não tradicionais, na A
ff,
;
c) a renegociação da dívida ex terna", "como um plano de lon
go prazo, pode muito bem ser feita. O que não podemos é continuar a mentir.
Chegar lá
fora e dizer que não temos pro
A reforma
diz
urbana
ela: “Na Órbita propriamente capitalista da questão urbana localiza-se a besta negra da es
peculação imobiliária, que tor na caótica a ocupação do espa ço urbano e joga por terra as melhores intenções e capacida
des de planejamento físico das grandes cidades. Deste ponto
de
vista, a questão fundiária
urbana é talvez mais grave na
deteriorização das condições de vida da maioria da população brasileira do que a questão fun
diária rural, dada a aceleração nas últimas décadas da modifi cação da distribuição da popu lação. Assim, a reforma urba na, em suas múltiplas dimen sões administrativa,
política e
fundiária, tem uma dramática urgência à luz das tendências previsíveis". (A rigor, a refor
programação rigorosa das inver
blemas com
tribuição de renda, é apenas um
sões públicas .e privadas, o pi’0'
mentos”;
ma urbana não é uma idéia tão
espelho. "Essa situação só mu
jeto nacional de desenvolvimen
da se o padrão de desenvolvi mento nacional mudar."
to, etc.),
d) ampliação da demanda glo bal, através do gasto público "porque gasto público não tem nada que ver com inflação”.
nova assim^ já que aplicada em
zes, a vares
Pois resta a pergunta; qual modelo ou padrão ds desenvolvimento da professora 0 novo
Maria da Conceição
Tavares?
Ela também o expõe, em forma
expostas
tantas ve-
professora Conceição Ta-
dsfende agora o que cha-
maríamos reformas não tradi cionais.
No
balanço de paga
Além das
primeiro
conjunto de
medidas Conceição advoga;
idéias
tradicio
nais, a professora Maria da Conceição
Tavares
expõe
os
Cuba, ainda no início dos anos
60,
provocou — além
de um
fantástico êxodo de cubanos da
classe média para os Estados Unidos — uma crise habitacio
nal que perdura até hoje, ofi'^ialmente admitida,
inclusive.
106
DIGESTO
ECONÔMICO DIGESTO
pelo governo cubano na famosa
autocrítica de Castro, em 1969.) Reformas
institucionais
e
homem novo: "Uma estratégia deste tipo envolve um conjunto de reformas institucionais, das quais as
reformas
tais de tipo
instrumen
financeiro, fiscal,
pré-requisitos do programa eco nômico, parecem estar mais próximas por sua evidente fun
cionalidade para qualquer nova expansão do capitalismo do que aquelas que modificariam vi talmente o cotidiano do brasi
leiro comum, convertendo-o em um cidadão”
Organização
das
massas:
E inegável que a diversifica
ção do consumo das classes médias, o luxo, a corrupção e a distribuição desigual de rendas, permite uma geração multiforme de empregos temporá rios, serviços pessoais, autôno mos, emprego informal ou tan
tas designações que se queiram dar a essa massa gigantesca de
ocupações de baixa renda, que
permeiam a base da pirâmide social de nossas grandes cida
des. Esta massa considerável
de ocupação dificilmente poderia ser convertida em emprego
produtivo no sentido capitalista do termo. A única frente de ex pansão imaginável seria a ad missão de que a maioria des
sas horas de trabalho improdu tivo
deveríam
ser
destinadas
em proveito próprio, através de programas
de
treinamento
organização
comunitária,
programas
de
e
em
saneamento,
construção popular e saúde, de que deram exemplo histórico tantas sociedades em transição ao socialismo". (A idéia tam bém foi utilizada no Chile com a formação das Juntas de vizi nhos de Abastecimento e Pre ços (JAP’s) e anteriormente
em Cuba, com os CDEs, Comi tês de Defesa da Revolução, que fiscalizam, administram e policiam os cubanos em cada
quadra de ruas).
Em geral, os demais pontos do novo modelo ou padrão da professora Conceição avançam além dos limites da economia
e se fixam, em forma nítida, no campo politico. Aqui, por exemplo, a estrategista da Unidad Popular chilena estabelece
três distintas tarefas para a so ciedade brasileira:
ECONÔMICO
1) conquista dos governos locais: “O primeiro nível só se resolve com o engajamento po lítico em oposição e tem como objetivo a conquista de maior
espaço político no nível da administração de governos lo cais — municipal e estadual. Recuperar o caráter público destas instâncias, administrálas a favor do povo, dá à ques tão do uso dos recursos um con teúdo inexoravelmente concreto
e imediato. Nesta instância, todos os conhecimentos profis sionais podem ser testados em sua dimensão social e em sua
capacidade operativa. Neste ní vel, não cabe maior reflexão ou transcendência ideológica. A possibilidade de ampliação do nível de organização política e de seu possível efeito transcen dente passa pela prática e não apenas pela ideologia e pela retórica".
2) Conquista dos meios de
comunicação: "O segundo nível consiste na crítica da política econômica realizada pelo regi me, que abrange um espectro ideológico e político mais am plo, e cuja eficácia, apesar da difusa, permeia os meios d' comunicação e se propaga et
107
maior ou menor escala às orga nizações da sociedade. Trata-se basicamente de uma
atividade
formadora de opinião. Nesta, até que os economistas e de mais técnicos da oposição têmse
desempenhado
razoavel
mente”.
ras:
3) Identificação das ruptuFinalmente, o terceiro
nível diz respeito a uma visão estrutural do funcionamento da
economia e identificação dos nexos de ruptura, de molde a visualizar
alternativas
tintas articulações possíveis”.
de dis
estruturais
Se no Chile a Economia No va culminou com um rotundo
fracasso, no Brasil, pelo menos até aqui, na atividade formado ra de opinião, ela tem sido um êxito. De fato, nesse campo, a professora Conceição Tavares é uma presença constante na TV, nos grandes jornais, sem con tar aà grandes tiragens de seus livros. Um jornalista chega a Sordescrevê-la, encantado:
ridente, quase tímida, mas por vezes
dando
boas
risadas
ao
recordar aspectos da infância e adolescência, depois agressiva
106
DIGESTO
ECONÔMICO DIGESTO
pelo governo cubano na famosa
autocrítica de Castro, em 1969.) Reformas
institucionais
e
homem novo: "Uma estratégia deste tipo envolve um conjunto de reformas institucionais, das quais as
reformas
tais de tipo
instrumen
financeiro, fiscal,
pré-requisitos do programa eco nômico, parecem estar mais próximas por sua evidente fun
cionalidade para qualquer nova expansão do capitalismo do que aquelas que modificariam vi talmente o cotidiano do brasi
leiro comum, convertendo-o em um cidadão”
Organização
das
massas:
E inegável que a diversifica
ção do consumo das classes médias, o luxo, a corrupção e a distribuição desigual de rendas, permite uma geração multiforme de empregos temporá rios, serviços pessoais, autôno mos, emprego informal ou tan
tas designações que se queiram dar a essa massa gigantesca de
ocupações de baixa renda, que
permeiam a base da pirâmide social de nossas grandes cida
des. Esta massa considerável
de ocupação dificilmente poderia ser convertida em emprego
produtivo no sentido capitalista do termo. A única frente de ex pansão imaginável seria a ad missão de que a maioria des
sas horas de trabalho improdu tivo
deveríam
ser
destinadas
em proveito próprio, através de programas
de
treinamento
organização
comunitária,
programas
de
e
em
saneamento,
construção popular e saúde, de que deram exemplo histórico tantas sociedades em transição ao socialismo". (A idéia tam bém foi utilizada no Chile com a formação das Juntas de vizi nhos de Abastecimento e Pre ços (JAP’s) e anteriormente
em Cuba, com os CDEs, Comi tês de Defesa da Revolução, que fiscalizam, administram e policiam os cubanos em cada
quadra de ruas).
Em geral, os demais pontos do novo modelo ou padrão da professora Conceição avançam além dos limites da economia
e se fixam, em forma nítida, no campo politico. Aqui, por exemplo, a estrategista da Unidad Popular chilena estabelece
três distintas tarefas para a so ciedade brasileira:
ECONÔMICO
1) conquista dos governos locais: “O primeiro nível só se resolve com o engajamento po lítico em oposição e tem como objetivo a conquista de maior
espaço político no nível da administração de governos lo cais — municipal e estadual. Recuperar o caráter público destas instâncias, administrálas a favor do povo, dá à ques tão do uso dos recursos um con teúdo inexoravelmente concreto
e imediato. Nesta instância, todos os conhecimentos profis sionais podem ser testados em sua dimensão social e em sua
capacidade operativa. Neste ní vel, não cabe maior reflexão ou transcendência ideológica. A possibilidade de ampliação do nível de organização política e de seu possível efeito transcen dente passa pela prática e não apenas pela ideologia e pela retórica".
2) Conquista dos meios de
comunicação: "O segundo nível consiste na crítica da política econômica realizada pelo regi me, que abrange um espectro ideológico e político mais am plo, e cuja eficácia, apesar da difusa, permeia os meios d' comunicação e se propaga et
107
maior ou menor escala às orga nizações da sociedade. Trata-se basicamente de uma
atividade
formadora de opinião. Nesta, até que os economistas e de mais técnicos da oposição têmse
desempenhado
razoavel
mente”.
ras:
3) Identificação das ruptuFinalmente, o terceiro
nível diz respeito a uma visão estrutural do funcionamento da
economia e identificação dos nexos de ruptura, de molde a visualizar
alternativas
tintas articulações possíveis”.
de dis
estruturais
Se no Chile a Economia No va culminou com um rotundo
fracasso, no Brasil, pelo menos até aqui, na atividade formado ra de opinião, ela tem sido um êxito. De fato, nesse campo, a professora Conceição Tavares é uma presença constante na TV, nos grandes jornais, sem con tar aà grandes tiragens de seus livros. Um jornalista chega a Sordescrevê-la, encantado:
ridente, quase tímida, mas por vezes
dando
boas
risadas
ao
recordar aspectos da infância e adolescência, depois agressiva
I
DIGESTO
108
e
retumbante
modelo está..
ao
combater
econômico
que
o
aí
Assim é Maria da Con
ceição Tavares. Ou, pelo me nos, assim parece ser a econo mista projetada pela tragédia chilena
à
ribalta
latino-ameri-
ca. De fato, como escreve Balzac, 0 mais belo da vida são as ilusões da vida.
1)
ECONÔMICO
Programa Básico de Goblerno de la TJnidad Popular, Ias primeras 40 me
didas y los 20 puntos básicos de Ia reforma agraria dei goblerno de la Unldad Popular. Impresora Horizon te, Lira 363, Santiago, junho de 1970.
2) Desarrollo: Imágenes,
A ruptura das classes médias
Conceptos, cri
térios- agentes, opclones por Marshall Wolfe
In
rica
Latina,
Boletln Econômico de Ame
Naclones
Unidas,
Vol.
xvin.
3) A Economia Política da Crise, pro blemas e Impasses da política econô mica brasileira. Vozes,
ceição
Tavares
Maria da Con
e outros.
José Carlos da Graça Wagner (Continuação da página 94) taway Special”, unaa carga pequena e completa de pesquisa científica pa trocinada por uma indústria privada. Por ordem de inscrição reservaramse cerca de 320 “Getaway Specials" nos futuros vôos do ônibus espacial, pai-a 191 experlmentadores, inclusive pequenas empresas, organizações pri vadas e até estudantes de nível secundário. O Colúmbia também levará outro carregamento de instrumentos científicos, a fim de avaliar o am
biente do ônibus espacial em órbita, tal como o conjunto monitor de con taminação, para examinar a contaminação dentro e ao redor do orbitador, capaz de afetar as delicadas experiênciafi das futuras missões.
O primeiro
vôo do Colúmbia, cora uma tripulação de quatro astronautas, levará o pri meiro carregamento comercial, dois satélites de comunicação — um deles construído por uma firma canadense, a fim de proporcionar comunicações e ^●●''nsmissões de. televisão a uma cadeia transcanadense de estações ter
restres. Uma plataforma giratória munida de um aparelho impulsor, a bordo do orbitador, será utilizada para retirar os satélites do interior do ônibus espacial. Logo, os propulsores do estágio superior levarão os saté lites da baixa órbita terreste do ônibus espacial até uma órbita mais ele vada, utilizada pela maioria dos satélites de comunicações — a aproximadamerite 41.000 quilômetros acima da Terra. A missão
de cinco
dias
ter
minará com a primeira aterrissagem do ônibus ^pacial, em uma pista de concreto, no Centro Espacial Kennedy, na Flórida. Até agora, o Co lúmbia só aterrissou em pistas de terra no deserto. Espera-se que a ater-
ri^agem planejada no Centro Espacial Kennedy reduza de várias semanas o período de revisão de que se necessita atualmente para colocar o ônibus» espacial em condições de voltar ao espaço. A sexta missão do ônibus
es
pacial marcada para janeiro de 1983, corr^ponderá ao primeiro lançamen to da nave Challenger. o Challenger. que chegará à plataforma de lança(Continua na página 113)
Apreciação sobre a situação das classes que devem sustentar a sociedade. O autor é advogado. A Revolução de 1964 foi fei ta pela classe média e susten
tada por ela, por seus dois seg mentos mais importantes: os tecnoburocratas privados e os tecnoburocratas estatais, com a participação de um ou tro segmento, intermediário en tre os dois anteriores, que é a classe
média fardada. Este
último se liga, por sentimentos e tradições familiares, mais à tecnocracia privada e, pela sua estrutura hierárquica e inseri da no corpo do Estado, mais à tecnocracia estatal.
Além desses, participou, de medo íntimo do processo polí tico instaurado em 1964, o pe
queno e médio empresário na cionais, cuja mentalidade bási ca se assemelha mais à do as
salariado de nível gerencial. A rigor, embora proprietários de suas empresas, são, na realida de, meros empregados de si mesmos
e,
quase
sempre, os
últimos a receber as suas reti radas “assalariadas”. É verda
de que esses “empresáríos-assalariados” têm o estímulo de se sentir donos do seu destino
I
DIGESTO
108
e
retumbante
modelo está..
ao
combater
econômico
que
o
aí
Assim é Maria da Con
ceição Tavares. Ou, pelo me nos, assim parece ser a econo mista projetada pela tragédia chilena
à
ribalta
latino-ameri-
ca. De fato, como escreve Balzac, 0 mais belo da vida são as ilusões da vida.
1)
ECONÔMICO
Programa Básico de Goblerno de la TJnidad Popular, Ias primeras 40 me
didas y los 20 puntos básicos de Ia reforma agraria dei goblerno de la Unldad Popular. Impresora Horizon te, Lira 363, Santiago, junho de 1970.
2) Desarrollo: Imágenes,
A ruptura das classes médias
Conceptos, cri
térios- agentes, opclones por Marshall Wolfe
In
rica
Latina,
Boletln Econômico de Ame
Naclones
Unidas,
Vol.
xvin.
3) A Economia Política da Crise, pro blemas e Impasses da política econô mica brasileira. Vozes,
ceição
Tavares
Maria da Con
e outros.
José Carlos da Graça Wagner (Continuação da página 94) taway Special”, unaa carga pequena e completa de pesquisa científica pa trocinada por uma indústria privada. Por ordem de inscrição reservaramse cerca de 320 “Getaway Specials" nos futuros vôos do ônibus espacial, pai-a 191 experlmentadores, inclusive pequenas empresas, organizações pri vadas e até estudantes de nível secundário. O Colúmbia também levará outro carregamento de instrumentos científicos, a fim de avaliar o am
biente do ônibus espacial em órbita, tal como o conjunto monitor de con taminação, para examinar a contaminação dentro e ao redor do orbitador, capaz de afetar as delicadas experiênciafi das futuras missões.
O primeiro
vôo do Colúmbia, cora uma tripulação de quatro astronautas, levará o pri meiro carregamento comercial, dois satélites de comunicação — um deles construído por uma firma canadense, a fim de proporcionar comunicações e ^●●''nsmissões de. televisão a uma cadeia transcanadense de estações ter
restres. Uma plataforma giratória munida de um aparelho impulsor, a bordo do orbitador, será utilizada para retirar os satélites do interior do ônibus espacial. Logo, os propulsores do estágio superior levarão os saté lites da baixa órbita terreste do ônibus espacial até uma órbita mais ele vada, utilizada pela maioria dos satélites de comunicações — a aproximadamerite 41.000 quilômetros acima da Terra. A missão
de cinco
dias
ter
minará com a primeira aterrissagem do ônibus ^pacial, em uma pista de concreto, no Centro Espacial Kennedy, na Flórida. Até agora, o Co lúmbia só aterrissou em pistas de terra no deserto. Espera-se que a ater-
ri^agem planejada no Centro Espacial Kennedy reduza de várias semanas o período de revisão de que se necessita atualmente para colocar o ônibus» espacial em condições de voltar ao espaço. A sexta missão do ônibus
es
pacial marcada para janeiro de 1983, corr^ponderá ao primeiro lançamen to da nave Challenger. o Challenger. que chegará à plataforma de lança(Continua na página 113)
Apreciação sobre a situação das classes que devem sustentar a sociedade. O autor é advogado. A Revolução de 1964 foi fei ta pela classe média e susten
tada por ela, por seus dois seg mentos mais importantes: os tecnoburocratas privados e os tecnoburocratas estatais, com a participação de um ou tro segmento, intermediário en tre os dois anteriores, que é a classe
média fardada. Este
último se liga, por sentimentos e tradições familiares, mais à tecnocracia privada e, pela sua estrutura hierárquica e inseri da no corpo do Estado, mais à tecnocracia estatal.
Além desses, participou, de medo íntimo do processo polí tico instaurado em 1964, o pe
queno e médio empresário na cionais, cuja mentalidade bási ca se assemelha mais à do as
salariado de nível gerencial. A rigor, embora proprietários de suas empresas, são, na realida de, meros empregados de si mesmos
e,
quase
sempre, os
últimos a receber as suas reti radas “assalariadas”. É verda
de que esses “empresáríos-assalariados” têm o estímulo de se sentir donos do seu destino
DIGESTO
110
e de ser o seu “emprego" mais garantido do que os outros, por não estar sujeito aos cor tes de pessoal. De outra par te, sentem que o risco que so frem não é. o de perder o em prego mas 0 de comprometer tudo quanto possuem. A rigor, 0 empresário, tecnocrata priva do e profissional liberal pos suem basicamente a mesma mentalidade e visão de vida.
Têm
hábitos
bastante
próxi
mos, ainda que não tenham uma consciência de classe e os problemas que enfrentam te nham características externas bastante distintas.
A fase do “milagre” brasi leiro,
proveniente de
uma in
dustrialização acelerada — que se assemelharia, no campo bio lógico. ao esforço de reduzir o período de gravidez —, criou uma economia totalmente arti ficial, com um sistema de estí
mulos e contra estímulos, de subsídios de todo o tipo, decor rentes de fatores setoriais e conjunturais, sem maior unida de e coerência. Artifícios mais
ECONÔMICO
poder “intramuros" de um sis tema fechado, de marchas e contramarchas, de avanços e recuos, dependentes do maior ou menor peso decisório cir cunstancial dessa ou daquela área do governo ou das esta tais. Em suma, um milagre aparente, sem raeionalidade, ainda que, ao longo do tempo, possa vir a se ajustar, como ocorre com o solo após o ter remoto, por mais destruidor que seja.
É forçoso reconhecer, toda via, que 0 processo econômico
“milagroso", encerrado em 74,
111
administradores — tinha
a
classe média privada se con
embora não
tentou com 0 consumismo de
participasse do poder político e das decisões, podia delas se beneficiar, se aceitasse as re
senfreado, que parecia não ter fim. O poder real decisório, porém, permaneceu com a
gras do jogo. Essa sensação era confirmada pelos resulta
classe
média
tatal,
seja porque
sensação de que,
renciais, decorrentes do com
rar 0 progresso em ordem, que
plicado castelo de cartas, cons truído pelos planejadores esta tais, numa fase favorável da economia internacional, capa
citada, à época, a absorver to dos os artificialismos engenho sos e geniosos, adotados pelo
capitalista, autoritário e permissívista, ocidentalista e les-
trou o poder decisório e conse quentemente 0 poder político, em suas mãos, com a vanta gem de transferir os ônus dos
em grande parte, do jogo de
profissionais liberais, gerentes
es
obteve um
tentora da técnica capaz de ge
medidas de adaptação à no va realidade internacional, deu unidade, nesse período, às clas ses médias acima descritas. A tecnocracia estatal concen
tecnocrática
dos econômicos, propiciando maiores salários aos níveis ge
Brasil, no seu jogo econômico,
sarmônico. feito ao impulso não só das circunstâncias mas,
desmontar. O processo foi de-
e
ECONÔMICO
mas imaginado como ainda real até 1978, retardando as
efeitos de suas decisões para a classe média fardada, que, todavia, se satisfez com a sen sação de que se estava dando “ordem e progresso” ao siste ma econômico. Mas, a classe média privada — empresários,
fáceis de montar do que de
DIGESTO
ao mesmo tempo socialista e
consenso de que eia era a de tornava as demais suas meras
seguidoras fiéis, como porque valeu-se
desse
consenso
para
ocupar todas as áreas de de cisão e controle da economia,
incluindo as empresas estatais, que são ilhas de poder absolu to dentro do corpo administra tivo da Nação. Obteve, destar te, situação de absoluto predo mínio
dentro do Estado,
que
tista, terceiro-mundista e hege-
nem sequer sente ânimo para
monista concentracionário nas
controlá-la eficazmente.
decisões e diluído nas respon
Essa concentração de po der deu impulso à estatização crescente, com a ocupação de
sabilidades.
Em
suma,
na
fase
do
todos os espaços, que os de
“boom”, a classe média farda da se satisfez, de um lado, com a hierarquização da economia, por força de seus próprios há
mais segmentos da classe mé dia perdiam condições de gerir, até porque a poupança nacio
bitos profissionais, e, de outro,
teve a sensação de controlar o
nal foi sendo absorvida e estatizada através de crescente
poder na medida em que a au
aumento da carga tributária, bem como, a poupança parti cular, atraída para organismos estatais e destinada por estes
toridade máxima do Elstado era fruto da relação de forças existentes em seu seio. Já a
DIGESTO
110
e de ser o seu “emprego" mais garantido do que os outros, por não estar sujeito aos cor tes de pessoal. De outra par te, sentem que o risco que so frem não é. o de perder o em prego mas 0 de comprometer tudo quanto possuem. A rigor, 0 empresário, tecnocrata priva do e profissional liberal pos suem basicamente a mesma mentalidade e visão de vida.
Têm
hábitos
bastante
próxi
mos, ainda que não tenham uma consciência de classe e os problemas que enfrentam te nham características externas bastante distintas.
A fase do “milagre” brasi leiro,
proveniente de
uma in
dustrialização acelerada — que se assemelharia, no campo bio lógico. ao esforço de reduzir o período de gravidez —, criou uma economia totalmente arti ficial, com um sistema de estí
mulos e contra estímulos, de subsídios de todo o tipo, decor rentes de fatores setoriais e conjunturais, sem maior unida de e coerência. Artifícios mais
ECONÔMICO
poder “intramuros" de um sis tema fechado, de marchas e contramarchas, de avanços e recuos, dependentes do maior ou menor peso decisório cir cunstancial dessa ou daquela área do governo ou das esta tais. Em suma, um milagre aparente, sem raeionalidade, ainda que, ao longo do tempo, possa vir a se ajustar, como ocorre com o solo após o ter remoto, por mais destruidor que seja.
É forçoso reconhecer, toda via, que 0 processo econômico
“milagroso", encerrado em 74,
111
administradores — tinha
a
classe média privada se con
embora não
tentou com 0 consumismo de
participasse do poder político e das decisões, podia delas se beneficiar, se aceitasse as re
senfreado, que parecia não ter fim. O poder real decisório, porém, permaneceu com a
gras do jogo. Essa sensação era confirmada pelos resulta
classe
média
tatal,
seja porque
sensação de que,
renciais, decorrentes do com
rar 0 progresso em ordem, que
plicado castelo de cartas, cons truído pelos planejadores esta tais, numa fase favorável da economia internacional, capa
citada, à época, a absorver to dos os artificialismos engenho sos e geniosos, adotados pelo
capitalista, autoritário e permissívista, ocidentalista e les-
trou o poder decisório e conse quentemente 0 poder político, em suas mãos, com a vanta gem de transferir os ônus dos
em grande parte, do jogo de
profissionais liberais, gerentes
es
obteve um
tentora da técnica capaz de ge
medidas de adaptação à no va realidade internacional, deu unidade, nesse período, às clas ses médias acima descritas. A tecnocracia estatal concen
tecnocrática
dos econômicos, propiciando maiores salários aos níveis ge
Brasil, no seu jogo econômico,
sarmônico. feito ao impulso não só das circunstâncias mas,
desmontar. O processo foi de-
e
ECONÔMICO
mas imaginado como ainda real até 1978, retardando as
efeitos de suas decisões para a classe média fardada, que, todavia, se satisfez com a sen sação de que se estava dando “ordem e progresso” ao siste ma econômico. Mas, a classe média privada — empresários,
fáceis de montar do que de
DIGESTO
ao mesmo tempo socialista e
consenso de que eia era a de tornava as demais suas meras
seguidoras fiéis, como porque valeu-se
desse
consenso
para
ocupar todas as áreas de de cisão e controle da economia,
incluindo as empresas estatais, que são ilhas de poder absolu to dentro do corpo administra tivo da Nação. Obteve, destar te, situação de absoluto predo mínio
dentro do Estado,
que
tista, terceiro-mundista e hege-
nem sequer sente ânimo para
monista concentracionário nas
controlá-la eficazmente.
decisões e diluído nas respon
Essa concentração de po der deu impulso à estatização crescente, com a ocupação de
sabilidades.
Em
suma,
na
fase
do
todos os espaços, que os de
“boom”, a classe média farda da se satisfez, de um lado, com a hierarquização da economia, por força de seus próprios há
mais segmentos da classe mé dia perdiam condições de gerir, até porque a poupança nacio
bitos profissionais, e, de outro,
teve a sensação de controlar o
nal foi sendo absorvida e estatizada através de crescente
poder na medida em que a au
aumento da carga tributária, bem como, a poupança parti cular, atraída para organismos estatais e destinada por estes
toridade máxima do Elstado era fruto da relação de forças existentes em seu seio. Já a
I
DIGESTO
112
para projetos de ampliação do poder do Estado, no campo
ECONÔMICO
lários as mordomias represen
tativas, pelo menos, de 50% de
econômico, ou seja, no campo dominado pela tecnoburocracia
seus ganhos reais, sem ter, so bre elas, de pagar imposto de
estatal.
renda. Isso sem contar os be nefícios do exercício do poder,
Esse processo de hegemo nia de poder político e econô
mico é, no nosso entender, a causa principal do que pode riamos chamar de ruptura interna das classes médias, criando interesses não apenas divergentes mas antagônicos, que a cessação do “milagre” fez vir à tona. O novo quadro está provocando a atual sensa ção de profunda crise entre o Estado e a sociedade.
Na ver
dade, a crise é entre a classe média tecnocrática estatal e t
classe média privada, que está pagando o preço do artificialib mo de nossa estrutura alta mente estatizada e centraliza
da e que, de outra parte, cons
titui 0 cerne da sociedade, in clusive por ter dado agasalho ao empresariado nacional, em declínio,
e
aos
trabalhadores
especializados, em ascensão. Esse antagonismo se tor nou mais agudo na medida em
que a tecnocracia estatal, sem sofrer maior controle da socie dade, acrescentou aos seus sa-
em termos normais, inclusive as benesses indiretas ou dire
tas decorrentes do prestígio do poder. Sem falar, também, das benesses anormais perante as
quais muitos sucumbem. Todas essas vantagens, representando crescente concentração de ren da e de poder do consumo nes se único segmento das classes
médias, seus
em
detrimento
demais
segmentos
dos a
privada e a fardada —, sobre carregadas com a conta das
DIGESTO
ECONÔMICO
por condições de exprimir po liticamente 0 seu inconformis-
mo, que é o que menos inte ressa à classe média tecnocrá-
tica estatal. Esta não quer re duzir 0 seu poder de decisão e os privilégios auto-outorgados. No momento, o grande capital, imobilizado pelo quadro inter nacional instável, e as classes trabalhadoras, com a expecta tiva do desemprego e do subemprego, são meros expectado”es da crise da ruptura ^’Tgida no seio das classes médias,
113
da em que a classe média pri vada for proletarizada, o fenô meno brasileiro adquirirá os contornos da crise polonesa, sem ter uma União Soviética à
jlharga. De um lado, toda a 'iociedade civil e. de outro, a tecnocracia
estatal.
De
um
lado. todo o povo unido numa “solidariedade” cabocla e de outro a tecnocracia tentando
um novo “pacto de Varsóvia" com
a
classe
média
fardada.
estabilizado-
Diante da ruptura das classes médias o terreno parece estar em processo de acomodação,
ras do processo político, mas nue agora se encontra no cen tro da própria crise. Na medi¬
dêem suporte ao exercício do T^ndor nnlítico. Anui como lá.
tradicionalmente
na busca de novos pactos que
despesas feitas pelos sonhos de
grandeza da tecnocracia esta tal.
Ademais,
enquanto
isso
ocorre, a classe méd'a privala é empobrecida por impostos tarifas de serviços públicos
prestados pelas estatais cujos preços já não representam ape nas 0 custo acrescido de razoá vel remuneração, mas forma
de obtenção de recursos adi cionais para novos projetos de que as estatais são férteis. A classe média privada, em face do cerco econômico a Que está submetida, anseia agora
(Continiiacãn
da
pátrina
108)
mento do Centro Esoacial Kennedy em junho,
!’f'omodarí
fão
leve
de
sete
membros,
embora
viaeem
só
nuatro.
uma tripuleAs
na'*es
Dlscovery e Atlanti.s também e.stão ■^rpgramadas oara lanofwnento pm 3085. O sexto vôo também utilizará pela primeira vez satélites esoaeiais
de comunicação da. Na«a em i”"ar de estações terrestres
oara manter
romunicarões e tranm'Ssão d« dadoc rcm o Challenger. durante sua mis
são de dois dias. A orimeir'» missão rientífica esoacial. ou “Snaoelab” Irá a bordo do Colúmbis. cuio lanf^amento se dará em setembro de 1983 e terá a duração de uma semana. Um cientista euvoneu e um norte-ame
ricano, especialistas na área de carea. estarão a bordo com uma tripula ção de quatro astronautas. O Spacelab, que é reutUIzável e «será .transnortado no compartimento de carga do ônibus especial, para realizar missões de sete a 30 dias de duração, foi construído para a Nasa nela Aeêncln Européia do Espaço, ao custo de 950 milhões de dólares (155 bühões de '■lUzeiros). O "Spacelab” compÕe-se de duas seções, um módulo de labo
ratório a pressão, no qual podem ser realizados experimentos, usando rou pa comum e uma plataforma de carga sem pressão, onde são colocados instrumentos como telescópios, antenas e outros aoarelhos sensores para (Continua na página 118)
I
DIGESTO
112
para projetos de ampliação do poder do Estado, no campo
ECONÔMICO
lários as mordomias represen
tativas, pelo menos, de 50% de
econômico, ou seja, no campo dominado pela tecnoburocracia
seus ganhos reais, sem ter, so bre elas, de pagar imposto de
estatal.
renda. Isso sem contar os be nefícios do exercício do poder,
Esse processo de hegemo nia de poder político e econô
mico é, no nosso entender, a causa principal do que pode riamos chamar de ruptura interna das classes médias, criando interesses não apenas divergentes mas antagônicos, que a cessação do “milagre” fez vir à tona. O novo quadro está provocando a atual sensa ção de profunda crise entre o Estado e a sociedade.
Na ver
dade, a crise é entre a classe média tecnocrática estatal e t
classe média privada, que está pagando o preço do artificialib mo de nossa estrutura alta mente estatizada e centraliza
da e que, de outra parte, cons
titui 0 cerne da sociedade, in clusive por ter dado agasalho ao empresariado nacional, em declínio,
e
aos
trabalhadores
especializados, em ascensão. Esse antagonismo se tor nou mais agudo na medida em
que a tecnocracia estatal, sem sofrer maior controle da socie dade, acrescentou aos seus sa-
em termos normais, inclusive as benesses indiretas ou dire
tas decorrentes do prestígio do poder. Sem falar, também, das benesses anormais perante as
quais muitos sucumbem. Todas essas vantagens, representando crescente concentração de ren da e de poder do consumo nes se único segmento das classes
médias, seus
em
detrimento
demais
segmentos
dos a
privada e a fardada —, sobre carregadas com a conta das
DIGESTO
ECONÔMICO
por condições de exprimir po liticamente 0 seu inconformis-
mo, que é o que menos inte ressa à classe média tecnocrá-
tica estatal. Esta não quer re duzir 0 seu poder de decisão e os privilégios auto-outorgados. No momento, o grande capital, imobilizado pelo quadro inter nacional instável, e as classes trabalhadoras, com a expecta tiva do desemprego e do subemprego, são meros expectado”es da crise da ruptura ^’Tgida no seio das classes médias,
113
da em que a classe média pri vada for proletarizada, o fenô meno brasileiro adquirirá os contornos da crise polonesa, sem ter uma União Soviética à
jlharga. De um lado, toda a 'iociedade civil e. de outro, a tecnocracia
estatal.
De
um
lado. todo o povo unido numa “solidariedade” cabocla e de outro a tecnocracia tentando
um novo “pacto de Varsóvia" com
a
classe
média
fardada.
estabilizado-
Diante da ruptura das classes médias o terreno parece estar em processo de acomodação,
ras do processo político, mas nue agora se encontra no cen tro da própria crise. Na medi¬
dêem suporte ao exercício do T^ndor nnlítico. Anui como lá.
tradicionalmente
na busca de novos pactos que
despesas feitas pelos sonhos de
grandeza da tecnocracia esta tal.
Ademais,
enquanto
isso
ocorre, a classe méd'a privala é empobrecida por impostos tarifas de serviços públicos
prestados pelas estatais cujos preços já não representam ape nas 0 custo acrescido de razoá vel remuneração, mas forma
de obtenção de recursos adi cionais para novos projetos de que as estatais são férteis. A classe média privada, em face do cerco econômico a Que está submetida, anseia agora
(Continiiacãn
da
pátrina
108)
mento do Centro Esoacial Kennedy em junho,
!’f'omodarí
fão
leve
de
sete
membros,
embora
viaeem
só
nuatro.
uma tripuleAs
na'*es
Dlscovery e Atlanti.s também e.stão ■^rpgramadas oara lanofwnento pm 3085. O sexto vôo também utilizará pela primeira vez satélites esoaeiais
de comunicação da. Na«a em i”"ar de estações terrestres
oara manter
romunicarões e tranm'Ssão d« dadoc rcm o Challenger. durante sua mis
são de dois dias. A orimeir'» missão rientífica esoacial. ou “Snaoelab” Irá a bordo do Colúmbis. cuio lanf^amento se dará em setembro de 1983 e terá a duração de uma semana. Um cientista euvoneu e um norte-ame
ricano, especialistas na área de carea. estarão a bordo com uma tripula ção de quatro astronautas. O Spacelab, que é reutUIzável e «será .transnortado no compartimento de carga do ônibus especial, para realizar missões de sete a 30 dias de duração, foi construído para a Nasa nela Aeêncln Européia do Espaço, ao custo de 950 milhões de dólares (155 bühões de '■lUzeiros). O "Spacelab” compÕe-se de duas seções, um módulo de labo
ratório a pressão, no qual podem ser realizados experimentos, usando rou pa comum e uma plataforma de carga sem pressão, onde são colocados instrumentos como telescópios, antenas e outros aoarelhos sensores para (Continua na página 118)
Desenvolvimento da nova
tecnologia oceânica Lewis
0 rápido desenvolvimento de ciência e tecnologia do oceano constitui um desafio aos organismos internacionais. O autor é alto funcionário do governo americano.
INTERCÂMBIO Comunicação constante com os maiores centros cie piodução. transmitindo informações precisas sobre negócios e oportunidades no Brasil e no Mundo
Associe-se à ACSP e usufrua das vantagens do Intercâmbio.
de
Washington — A comunida internacional está enfren
rável
incerteza.
A
Terceira
sobre a Lei do Mar (UNCLOS m) mostra sinais de encami nhar-se eventualmente para um
fim, embora ainda sejam incer
PABX 2.39.133.3.
tas
as
perspectivas
sobre
surgimento ou não de um tra tado compreensivo e obrigató rio dos oceanos, que se torne
tando um período de conside
Conferência das Nações Unidas
Rui) Boa Vista f>l - C. Postal fif>82 - Crp 0J014 - TpIbx (11) 233.S.S - SP
M. Alexander
o
operacional para a maioria dos estados do mundo, dentro da próxima década. A atenção glo bal desde o começo dos anos 70 esteve enfocada na Confe rência da ONU e nos seus es
forços para construir um no-
Desenvolvimento da nova
tecnologia oceânica Lewis
0 rápido desenvolvimento de ciência e tecnologia do oceano constitui um desafio aos organismos internacionais. O autor é alto funcionário do governo americano.
INTERCÂMBIO Comunicação constante com os maiores centros cie piodução. transmitindo informações precisas sobre negócios e oportunidades no Brasil e no Mundo
Associe-se à ACSP e usufrua das vantagens do Intercâmbio.
de
Washington — A comunida internacional está enfren
rável
incerteza.
A
Terceira
sobre a Lei do Mar (UNCLOS m) mostra sinais de encami nhar-se eventualmente para um
fim, embora ainda sejam incer
PABX 2.39.133.3.
tas
as
perspectivas
sobre
surgimento ou não de um tra tado compreensivo e obrigató rio dos oceanos, que se torne
tando um período de conside
Conferência das Nações Unidas
Rui) Boa Vista f>l - C. Postal fif>82 - Crp 0J014 - TpIbx (11) 233.S.S - SP
M. Alexander
o
operacional para a maioria dos estados do mundo, dentro da próxima década. A atenção glo bal desde o começo dos anos 70 esteve enfocada na Confe rência da ONU e nos seus es
forços para construir um no-
DIGESTO
116
vo
regime
jurídico
para
os
oceanos e um novo mecanisrno
ECONÔMICO
ver 0 grau de crescimento dos mecanismos
institucionais
viá
com
veis para lidar com* os novos
os procedimentos de mineração
desenvolvimentos na exploração e aproveitamento do oceano.
organizacional para
lidar
do leito oceânico.
Durante os anos das nego ciações da UNCLOS III, não se silenciou a respeito da ciência e da tecnologia do oceano. No vas oportunidades se desenvol veram em vários campos tais como mineração do oceano, transporte no oceano, conver
A natureza das unidades or
ganizacionais
nos
oceano
fortemente
sofre
negócios o
do im
pacto de dois fenômenos: o re gime dos oceanos nos quais as
também, novos problemas, in cluindo poluição do oceano, aci
unidades operam, e as forças políticas que emanam dos es tados individuais e que agem sozinhas ou coletivamente, en tre si. Um novo regime dos oceanos foi traçado em detalhe no Texto Composto de Negocia
dentes de navegação e a neces
ção Informal,
são da energia do oceano, e ex plorações pesqueiras. Surgiram
sidade
crescente da
conserva
ção da pesca. Alguns desses as suntos debatidos foram aborda
dos, fora dos bastidores da UNCLOS III, através de novos arranjos organizacionais, parti cularmente em níveis bilaterais
e regionais. A maioria dessas organizações, entretanto, mos trou-,se geralmente, inadequa
da
para
a
tarefa
de
orien
tar efetivamente os assuntos re levantes de administração. Pa rece claro que durante a década de 80 a ciência e a tecnologia do oceano continuarão a crescer.
No entanto ninguém pode pre¬
de
revisto.
(ICNT), depois
Este
texto
formou
a base do Esbbço da Convenção da Lei do Mar, que, eventual mente.
se tornará o novo Tra
tado dos Oceanos. Como o tex
to continua em negociação, suas cláusulas não têm força plena, mas muitos estados cos teiros já providenciaram unila teralmente a adoção de alguns dos seus artigos. Um deles per mite a extensão da jurisdição
DIGESTO
ECONÔMICO
117
reitos exclusivos para explorar e aproveitar os recursos natu rais da sua plataforma conti nental adjacente “até a borda exterior da margem continen
menos de um quarto dos países do mundo são “desenvolvidos”, 0 resto “está em desenvolvi mento”. As desigualdades tanto
tal”. Estas duas cláusulas ini
refletem-se
ciaram 0 que pode ser chama do “movimento de apropriação
chamado
do oceano” que, se for adotado
mo as nações do mundo perce bem as oportunidades e custos
por todos os estados costeiros,
pode
ser
oceânicos
nacionais”, ou seja o modo co
nacional.
questão dos interesses oceâ
Destas
áreas
cerca
das, vêm mais de 90% da pesca comercial
e virtualmente o to
que a região oceânica lhes ofenos
Mais termos
especificamente, deste
texto,
a
nicos se dá nas maneiras em
que os governos percebem os
tal de óleo e gás de além-mar.
custos e benefícios relativos as
Quanto às forças políticas,
sociados com a participação vo luntária em várias formas de
dever-se-ia observar que há no mundo atualmente, cerca de 165 estados soberanos, cada um com sua própria percepção de seus interesses nacionais e da
maneira melhor de alcançá-los. Trinta desses estados não são
marítimos, os demais costeiros, embora, para estes, o grau res pectivo de acesso ao mar va rie de 10 milhas de linha cos
ou pesqueira., Outra cláusula garante ao estado costeiro, di-
nômicos
máximo de 200
que
rece.
zona exclusivamente econômica
a um
milhas náuticas da costa, em
no
“interesses
fecharia mais de dois quintos do espaço mundial oceânico dentro de limites de jurisdição
teira no Golfo Persa (Árabe) para o Iraque, a mais de 11.000 milhas nos três oceanos para os Estados Unidos.
nacional
geográficas quanto econômicas,
Em termos de níveis eco
de
desenvolvimento.
organizações internacionais re
lacionadas com 0 oceano. Se, com 0 tempo, os custos de par-
ticipação se mostrarem mais pesados do que os benefícios, o
estado não estará inclinado a envolver-se com as organiza ções multilaterais do oceano. Desenvolvimentos recentes na
Ciência
e na Tecnologia
Durante a década de 1970,
os países se puseram cada vez mais ao par das oportunidades potenciais para eles, através da maior utilização do oceano. A
DIGESTO
116
vo
regime
jurídico
para
os
oceanos e um novo mecanisrno
ECONÔMICO
ver 0 grau de crescimento dos mecanismos
institucionais
viá
com
veis para lidar com* os novos
os procedimentos de mineração
desenvolvimentos na exploração e aproveitamento do oceano.
organizacional para
lidar
do leito oceânico.
Durante os anos das nego ciações da UNCLOS III, não se silenciou a respeito da ciência e da tecnologia do oceano. No vas oportunidades se desenvol veram em vários campos tais como mineração do oceano, transporte no oceano, conver
A natureza das unidades or
ganizacionais
nos
oceano
fortemente
sofre
negócios o
do im
pacto de dois fenômenos: o re gime dos oceanos nos quais as
também, novos problemas, in cluindo poluição do oceano, aci
unidades operam, e as forças políticas que emanam dos es tados individuais e que agem sozinhas ou coletivamente, en tre si. Um novo regime dos oceanos foi traçado em detalhe no Texto Composto de Negocia
dentes de navegação e a neces
ção Informal,
são da energia do oceano, e ex plorações pesqueiras. Surgiram
sidade
crescente da
conserva
ção da pesca. Alguns desses as suntos debatidos foram aborda
dos, fora dos bastidores da UNCLOS III, através de novos arranjos organizacionais, parti cularmente em níveis bilaterais
e regionais. A maioria dessas organizações, entretanto, mos trou-,se geralmente, inadequa
da
para
a
tarefa
de
orien
tar efetivamente os assuntos re levantes de administração. Pa rece claro que durante a década de 80 a ciência e a tecnologia do oceano continuarão a crescer.
No entanto ninguém pode pre¬
de
revisto.
(ICNT), depois
Este
texto
formou
a base do Esbbço da Convenção da Lei do Mar, que, eventual mente.
se tornará o novo Tra
tado dos Oceanos. Como o tex
to continua em negociação, suas cláusulas não têm força plena, mas muitos estados cos teiros já providenciaram unila teralmente a adoção de alguns dos seus artigos. Um deles per mite a extensão da jurisdição
DIGESTO
ECONÔMICO
117
reitos exclusivos para explorar e aproveitar os recursos natu rais da sua plataforma conti nental adjacente “até a borda exterior da margem continen
menos de um quarto dos países do mundo são “desenvolvidos”, 0 resto “está em desenvolvi mento”. As desigualdades tanto
tal”. Estas duas cláusulas ini
refletem-se
ciaram 0 que pode ser chama do “movimento de apropriação
chamado
do oceano” que, se for adotado
mo as nações do mundo perce bem as oportunidades e custos
por todos os estados costeiros,
pode
ser
oceânicos
nacionais”, ou seja o modo co
nacional.
questão dos interesses oceâ
Destas
áreas
cerca
das, vêm mais de 90% da pesca comercial
e virtualmente o to
que a região oceânica lhes ofenos
Mais termos
especificamente, deste
texto,
a
nicos se dá nas maneiras em
que os governos percebem os
tal de óleo e gás de além-mar.
custos e benefícios relativos as
Quanto às forças políticas,
sociados com a participação vo luntária em várias formas de
dever-se-ia observar que há no mundo atualmente, cerca de 165 estados soberanos, cada um com sua própria percepção de seus interesses nacionais e da
maneira melhor de alcançá-los. Trinta desses estados não são
marítimos, os demais costeiros, embora, para estes, o grau res pectivo de acesso ao mar va rie de 10 milhas de linha cos
ou pesqueira., Outra cláusula garante ao estado costeiro, di-
nômicos
máximo de 200
que
rece.
zona exclusivamente econômica
a um
milhas náuticas da costa, em
no
“interesses
fecharia mais de dois quintos do espaço mundial oceânico dentro de limites de jurisdição
teira no Golfo Persa (Árabe) para o Iraque, a mais de 11.000 milhas nos três oceanos para os Estados Unidos.
nacional
geográficas quanto econômicas,
Em termos de níveis eco
de
desenvolvimento.
organizações internacionais re
lacionadas com 0 oceano. Se, com 0 tempo, os custos de par-
ticipação se mostrarem mais pesados do que os benefícios, o
estado não estará inclinado a envolver-se com as organiza ções multilaterais do oceano. Desenvolvimentos recentes na
Ciência
e na Tecnologia
Durante a década de 1970,
os países se puseram cada vez mais ao par das oportunidades potenciais para eles, através da maior utilização do oceano. A
DIGEtíTO
iia
ECONoMlCO
utilização ampliada significa também ampliação de conheci
dá no que é comumente conhe
mento
tecnologia”, ou tornar possível
do ambiente
marinho e
dos avanços tecnológicos. Estes últimos avanços foram geral mente de dois tipos. Um en
cido
como
transferência
de
a novos países um conhecimen
fronteiras
pe-
to já estabelecido, técnicas ou equipamento. Os dois tipos de desenvolvimento são importan
águas
pro
tes em termos de mecanismos
fundas, mineração de nódulos
organizacionais. Uma maneka de avaliar esta importância se
volve
novas
netração em
mais
profundos do leito marítimo, aquisição de novos dados so bre circulação oceânica, ou in
recentes avanços em diversos campos de atividades oceâni
forma
cas.
desenvolvimento
se
na economia André Petíre
verifica através da análise dos
terações ar/mar, Uma segunda de
O messianismo
(Contiuuação da página 113)
dirigi-los em exposição direta no espaço, ao se abrirem as portas do com partimento de carga. A Nasa planeja ainda realifiar em 1983 uma ex cursão tripulada fora do ônibus espacial, a fim do realizar reparos cm um satélite espacial de 75 milhões de dólares (12,3 bilhões de cruzeiros), utilizado para estudar as explosões na superfície do Sol. O satélite cia Nasa, lançado ao espaço em 1980, não pôde funcionar adequadamente, de pois que três fusíveis se queimaram. Os planos assinalam que um astro nauta munido de uma mochila de jatopropulsão sairá da nave o colocará o satélite de modo a que o braço mecânico do ônibus espacial, dc 15 mei;rcs de largura, po.ssa alcançá-lo. Uma vez instalado no compartimento de carga, o satélite será então consertado e novamente colocado no espaf;o, para dar prosseguimento às .suas investigações do Sol. Este chamado sa télite “para ò estudo da atividade solar máxima" foi o primeiro construí do com uma alça que permite sua manipulação pelo braço mecânico do ônibus espacial. O braço foi utilizado com êxito total pelos astronautas, no segundo e terceiro vôos do Colúmbia. Em janeiro de 1984. o ônibu.s
espacial Challenger transportará e lançará o telescópio espacial, um obser vatório óptico destinado a operar em órbita durante 15 anos. O telescópio
espacial permitirá aos cientistas observar o espaço a uma distância sete vezes maior do que até agora se conseguiu. O etlescópio será mantido em órbita por , meio de sucessivos vôos do ônibus espacial, durante os quais 03 astronautas substituirão as peças gastas ou com defeito. Os planejado
res da Nasa esperam chegar a criar uma plataforma, ou estação espacial, que permaneça em órbita ao i’edor da Terra.
Poliíica de reerguimenlo: a fórmula está na moda, mas cobre
sentidos diversos^ segundo as modalidades de que se reveste: reerguimento da moeda e do crédito;
reerguimento da produção; ou
reerguimento do consumo. A história e a teoria nos esclarecem a este respeito.
O autor é professor na Franca. O mérito do presidente Roosevelt que tentou em 19331934 a primeira grande expe riência na matéria, foi o de re correr aos três meios simulta
neamente para levantar uma economia prostrada em uma deflação sem saída e restabe
lecer 0 trabalho de quatorze milhões de desempregados fmais de um quarto da popu-
lação ativa!), o novo presiden te recorreu primeiramente aos meios financeiros e monetá rios. saneando o crédito e des valorizando um dólar bloquea do em sua paridade de antes
da guerra (31-1-1934). .Proce deu, depois, a um aumento dos salários e das rendas dos agri cultores. Realizou, enfim, um
DIGEtíTO
iia
ECONoMlCO
utilização ampliada significa também ampliação de conheci
dá no que é comumente conhe
mento
tecnologia”, ou tornar possível
do ambiente
marinho e
dos avanços tecnológicos. Estes últimos avanços foram geral mente de dois tipos. Um en
cido
como
transferência
de
a novos países um conhecimen
fronteiras
pe-
to já estabelecido, técnicas ou equipamento. Os dois tipos de desenvolvimento são importan
águas
pro
tes em termos de mecanismos
fundas, mineração de nódulos
organizacionais. Uma maneka de avaliar esta importância se
volve
novas
netração em
mais
profundos do leito marítimo, aquisição de novos dados so bre circulação oceânica, ou in
recentes avanços em diversos campos de atividades oceâni
forma
cas.
desenvolvimento
se
na economia André Petíre
verifica através da análise dos
terações ar/mar, Uma segunda de
O messianismo
(Contiuuação da página 113)
dirigi-los em exposição direta no espaço, ao se abrirem as portas do com partimento de carga. A Nasa planeja ainda realifiar em 1983 uma ex cursão tripulada fora do ônibus espacial, a fim do realizar reparos cm um satélite espacial de 75 milhões de dólares (12,3 bilhões de cruzeiros), utilizado para estudar as explosões na superfície do Sol. O satélite cia Nasa, lançado ao espaço em 1980, não pôde funcionar adequadamente, de pois que três fusíveis se queimaram. Os planos assinalam que um astro nauta munido de uma mochila de jatopropulsão sairá da nave o colocará o satélite de modo a que o braço mecânico do ônibus espacial, dc 15 mei;rcs de largura, po.ssa alcançá-lo. Uma vez instalado no compartimento de carga, o satélite será então consertado e novamente colocado no espaf;o, para dar prosseguimento às .suas investigações do Sol. Este chamado sa télite “para ò estudo da atividade solar máxima" foi o primeiro construí do com uma alça que permite sua manipulação pelo braço mecânico do ônibus espacial. O braço foi utilizado com êxito total pelos astronautas, no segundo e terceiro vôos do Colúmbia. Em janeiro de 1984. o ônibu.s
espacial Challenger transportará e lançará o telescópio espacial, um obser vatório óptico destinado a operar em órbita durante 15 anos. O telescópio
espacial permitirá aos cientistas observar o espaço a uma distância sete vezes maior do que até agora se conseguiu. O etlescópio será mantido em órbita por , meio de sucessivos vôos do ônibus espacial, durante os quais 03 astronautas substituirão as peças gastas ou com defeito. Os planejado
res da Nasa esperam chegar a criar uma plataforma, ou estação espacial, que permaneça em órbita ao i’edor da Terra.
Poliíica de reerguimenlo: a fórmula está na moda, mas cobre
sentidos diversos^ segundo as modalidades de que se reveste: reerguimento da moeda e do crédito;
reerguimento da produção; ou
reerguimento do consumo. A história e a teoria nos esclarecem a este respeito.
O autor é professor na Franca. O mérito do presidente Roosevelt que tentou em 19331934 a primeira grande expe riência na matéria, foi o de re correr aos três meios simulta
neamente para levantar uma economia prostrada em uma deflação sem saída e restabe
lecer 0 trabalho de quatorze milhões de desempregados fmais de um quarto da popu-
lação ativa!), o novo presiden te recorreu primeiramente aos meios financeiros e monetá rios. saneando o crédito e des valorizando um dólar bloquea do em sua paridade de antes
da guerra (31-1-1934). .Proce deu, depois, a um aumento dos salários e das rendas dos agri cultores. Realizou, enfim, um
DIGESTO
120
vasto programa de trabalhos públicos.
ECONÔMICO
O terceiro exemplo foi o da 1^’rente Popular em 1936-1937. um
reer-
"consumo
das
via ele a respeito da experiên
massas”, segundo a velha tese socialista (Proudhon, Rodber-
cia alemã, é difícil compreen der seus resultados’'.
i'ratou-se
então
de
guimento pelo
mento: “Nossos assalariados são nossos melhores clientes.”
dos salários tdireto e indireto, semana de quarenta horas) e um aumento das despesas pú-
saíra,
antes
nutras medidas
de
tudo,
tomadas
de
ante
riormente, e se apoiava no im pacto
eufórico
de um retorno
da confiança; a Bolsa o ates tava .
O segundo exemplo de uma política de reerguimento — “reerguimento pela produção — é muito mais peculiar: é o
da política hitleriana de 19331934, durante a guerra. O re médio para um desemprego maciço, seis milhões de traba lhadores, foi solicitado a uma imensa empresa de trabalhos
públicos, essencialmente de ro dovias e armamentos, fjinan-
121
ECONÔMICO
faciante francês, J. de Largentaye se referia expressamen te: “Sem a teoria geral, escre
Viu-se nesta poiitica o pri meiro exemplo de uma “políti ca do poder aquisitivo” dos as salariados. Esta política não era nova no pais dos “altos sa lários” inaugurados por Henry Ford em 1913 com este argu
Ela
DIGESTO
tus, Marx em parte) que via na crise, não uma crise de su perprodução mas de sub consu mo operário. Dai um aumento
bücas (empréstimos e déficit). Foi um desastre.
A desordem
social, a baixa da produção, e a crise de confiança na moeda, comprometeram o que havia de justo nas reformas sociais. Enquanto isto, a teoria ti nha
substituído
os
Que dizia portanto KeynesV Essencialmente isto!
Os clás¬
sicos (liberais) sustentavam o que J. Rueff não cessará de repetir: “Dinheiro e finanças primeiro; economia em segui da; enfim o social. Para re partir muito, Cl preciso primeiro produzir muito”, Keynes in-
de
J.
M.
tanto exercer nenhuma influên cia sobre os acontecimentos,
buir
rendas
aos
desemprega
dos, promovendo-lhes trabalho, mesmo
inútil
“fazer
buracos
no solo”) — social primeiro!
Reencontrando um poder de compra, poderão assim aumen tar seu consumo que abri
rá à produção novos mercados. E a
da mesma forma que o “Mani
Econômico
so de circuito monetário fecha
festo Comunista “de janeiro de
retomada da produção atribr
do sobre si mesmo, sob a di
1848
rá
reção
ção de fevereiro. Foi ao con trário, à experiência Roosevelt e à do dr. Shacht que o pre-
ciada por um sistema engenho
do dr.
Schacht,
dente do Reichsbank.
0 que aconteceu.
presi Sabe-se
não
influenciou
a revolu
o
deve temer, em tal conjuntura, nem a inflação, nem a redução sistemática dos juros (“cheap money”), nem o déficit orça
mentário, para pôr à disposi ção da população novas rendas e, pelo consumo, reerguer o investimento. mesmo
Não
se
deve
negligenciar um certo
protecionismo: enquanto a de flação de um país
contamina
Não foi, no país de Adam
fim”.
Numa situação de sub em
fundamental
acrescentava
0 social; o econômico em se guida; finanças e moeda em
prego, é preciso primeiro atri
obra
Porque,
outros, 0 pleno emprego recon
ensinamen
Keynes, "General Theory of Employement, Interest and Money”, traduzida em francês em 1939: não tinha podido por
mestre de Cambridge, não se
nalmente!
Primeiro
verte a sequência:
tos da história. Em 1936, data
de transformação, apareceu a
moeda. Finanças e moedas fi
em seguida,
quistado, propaga-se em cadeia. Smith. lução?
uma verdadeira revo-
Sedutora
em
seu
pensa
mento, brilhante na forma, es ta revolução teve uma imensa
repercussão, Aliviava o social à economia: o primeiro deixa va de ser um freio; tornavase um motor da segunda.
Depois disso, apareceu 0 reflüxo. Os "monetaristas” des tronaram Keynes, primeiro nos
que lhe permitirão aumentar o
Estados Unidos, e atualmen te na Grã-Bretanha. Os “no
ditos
o liberalismo, ao mesmo tempo
ao
Estado
novos
recursor
orçamento, reembolsar os cré e finalmente reforçar
a
vos economistas”
reabilitaram
DIGESTO
120
vasto programa de trabalhos públicos.
ECONÔMICO
O terceiro exemplo foi o da 1^’rente Popular em 1936-1937. um
reer-
"consumo
das
via ele a respeito da experiên
massas”, segundo a velha tese socialista (Proudhon, Rodber-
cia alemã, é difícil compreen der seus resultados’'.
i'ratou-se
então
de
guimento pelo
mento: “Nossos assalariados são nossos melhores clientes.”
dos salários tdireto e indireto, semana de quarenta horas) e um aumento das despesas pú-
saíra,
antes
nutras medidas
de
tudo,
tomadas
de
ante
riormente, e se apoiava no im pacto
eufórico
de um retorno
da confiança; a Bolsa o ates tava .
O segundo exemplo de uma política de reerguimento — “reerguimento pela produção — é muito mais peculiar: é o
da política hitleriana de 19331934, durante a guerra. O re médio para um desemprego maciço, seis milhões de traba lhadores, foi solicitado a uma imensa empresa de trabalhos
públicos, essencialmente de ro dovias e armamentos, fjinan-
121
ECONÔMICO
faciante francês, J. de Largentaye se referia expressamen te: “Sem a teoria geral, escre
Viu-se nesta poiitica o pri meiro exemplo de uma “políti ca do poder aquisitivo” dos as salariados. Esta política não era nova no pais dos “altos sa lários” inaugurados por Henry Ford em 1913 com este argu
Ela
DIGESTO
tus, Marx em parte) que via na crise, não uma crise de su perprodução mas de sub consu mo operário. Dai um aumento
bücas (empréstimos e déficit). Foi um desastre.
A desordem
social, a baixa da produção, e a crise de confiança na moeda, comprometeram o que havia de justo nas reformas sociais. Enquanto isto, a teoria ti nha
substituído
os
Que dizia portanto KeynesV Essencialmente isto!
Os clás¬
sicos (liberais) sustentavam o que J. Rueff não cessará de repetir: “Dinheiro e finanças primeiro; economia em segui da; enfim o social. Para re partir muito, Cl preciso primeiro produzir muito”, Keynes in-
de
J.
M.
tanto exercer nenhuma influên cia sobre os acontecimentos,
buir
rendas
aos
desemprega
dos, promovendo-lhes trabalho, mesmo
inútil
“fazer
buracos
no solo”) — social primeiro!
Reencontrando um poder de compra, poderão assim aumen tar seu consumo que abri
rá à produção novos mercados. E a
da mesma forma que o “Mani
Econômico
so de circuito monetário fecha
festo Comunista “de janeiro de
retomada da produção atribr
do sobre si mesmo, sob a di
1848
rá
reção
ção de fevereiro. Foi ao con trário, à experiência Roosevelt e à do dr. Shacht que o pre-
ciada por um sistema engenho
do dr.
Schacht,
dente do Reichsbank.
0 que aconteceu.
presi Sabe-se
não
influenciou
a revolu
o
deve temer, em tal conjuntura, nem a inflação, nem a redução sistemática dos juros (“cheap money”), nem o déficit orça
mentário, para pôr à disposi ção da população novas rendas e, pelo consumo, reerguer o investimento. mesmo
Não
se
deve
negligenciar um certo
protecionismo: enquanto a de flação de um país
contamina
Não foi, no país de Adam
fim”.
Numa situação de sub em
fundamental
acrescentava
0 social; o econômico em se guida; finanças e moeda em
prego, é preciso primeiro atri
obra
Porque,
outros, 0 pleno emprego recon
ensinamen
Keynes, "General Theory of Employement, Interest and Money”, traduzida em francês em 1939: não tinha podido por
mestre de Cambridge, não se
nalmente!
Primeiro
verte a sequência:
tos da história. Em 1936, data
de transformação, apareceu a
moeda. Finanças e moedas fi
em seguida,
quistado, propaga-se em cadeia. Smith. lução?
uma verdadeira revo-
Sedutora
em
seu
pensa
mento, brilhante na forma, es ta revolução teve uma imensa
repercussão, Aliviava o social à economia: o primeiro deixa va de ser um freio; tornavase um motor da segunda.
Depois disso, apareceu 0 reflüxo. Os "monetaristas” des tronaram Keynes, primeiro nos
que lhe permitirão aumentar o
Estados Unidos, e atualmen te na Grã-Bretanha. Os “no
ditos
o liberalismo, ao mesmo tempo
ao
Estado
novos
recursor
orçamento, reembolsar os cré e finalmente reforçar
a
vos economistas”
reabilitaram
122
DIGESTO
em que os “novos filósofos” de moliam 0 marxismo. Por toda
a parte o socialismo recuou, an tes de ressurgir bruscamente entre
nós.
Fiel à sua tendência, pro clama, como antigamente, o “reerguimento pelo consumo”. Separa-se entretanto da corren
te keynesiana em dois pontos essenciais: Keynes pretendia combater a deflação; estamos
em plena inflação. Ele preco nizava a baixa do crédito, estamos em plena alta. Portanto . para que o reer
guimento da economia não se torne um reerguimento da in flação — já se anuncia “oficial
mente” 13,5% para este ano —,
três condições se impõem: 1)
Condições econômicas:
que, nas empresas, o agravamento dos encargos sociais,
cujo bem-fundado humano não se contesta, seja compensado por um crescimento da produ
tividade (sem desemprego!) ou por uma redução dos lucros.
Mas a crise já levou a produ
tividade ao extremo e diminuiu as margens.
ECONÔMICO
2) Condições financeiras: que uma alta exorbitante dos juros não venha bloquear todo investimento. Ora esta alta, tributária do exterior, também 0 é do interior. Como esquecer que, em abril, as taxas já atin giam o máximo nos Estados
Unidos, enquanto permaneciam inferiores na França? Não é mais este o caso atualmente...
Os Estados Unidos e os investimentos comerciais
3) Condições psicológicas: que
uma política aventurosa,
Thomas O. Enders
econômica, fiscal e orçamentá ria não abale a confiança na moeda e no crédito público. Mas há uma palavra que os so
Excertos do pronunciamento de Thomas O. Enders,
cialistas não conhecem: é a da
secretário de Estado Adjunto dos EUA para Assuntos Interamericanos,
moeda (1) — atè o dia em que tenham que registrar a sua queda, risca
1924-26,
IV^...
1936,
sem
falar
E que 0 messianismo náo
que em qualquer outra
questão, “são, segundo a pala vra de Marc Bloch a respeito cie outro assunto, os fatos mal vados que fazem explodir as
no mês de maio.
Durante grande parte do período do pós-guerra, os gran des mecanismos do crescimento na economia mundial têm sido 0 comércio e o investimento in ternacionais.
Não estou dizendo que não
belas teorias”.
um segredo que a palavra não aparecia nos relatórios
homens de negócios do Brasil e dos EUA, realizada em Washington,
da
combina com a economia. Ai, mais
na conferência de
Neste ponto, 1981 arbastante recomeçar:
houve um impulso para o cresci apresentados pelos
técnicos do partido aos duzentos especialistas da economia reunidos pelo futuro pre sidente num certo domingo de abril. ^
mento em determinadas econo mias internas. Brasileiros e
norte-americanos
mais
do
que todos — sabem que houve. E no entanto, até mesmo no caso das nossas duas grandes economias continentais, o de sempenho do comércio interna cional ultrapassou regularmen
te, 0 do comércio interno. No período de 1963-1973, o comércio internacional dos EUA cresceu
122
DIGESTO
em que os “novos filósofos” de moliam 0 marxismo. Por toda
a parte o socialismo recuou, an tes de ressurgir bruscamente entre
nós.
Fiel à sua tendência, pro clama, como antigamente, o “reerguimento pelo consumo”. Separa-se entretanto da corren
te keynesiana em dois pontos essenciais: Keynes pretendia combater a deflação; estamos
em plena inflação. Ele preco nizava a baixa do crédito, estamos em plena alta. Portanto . para que o reer
guimento da economia não se torne um reerguimento da in flação — já se anuncia “oficial
mente” 13,5% para este ano —,
três condições se impõem: 1)
Condições econômicas:
que, nas empresas, o agravamento dos encargos sociais,
cujo bem-fundado humano não se contesta, seja compensado por um crescimento da produ
tividade (sem desemprego!) ou por uma redução dos lucros.
Mas a crise já levou a produ
tividade ao extremo e diminuiu as margens.
ECONÔMICO
2) Condições financeiras: que uma alta exorbitante dos juros não venha bloquear todo investimento. Ora esta alta, tributária do exterior, também 0 é do interior. Como esquecer que, em abril, as taxas já atin giam o máximo nos Estados
Unidos, enquanto permaneciam inferiores na França? Não é mais este o caso atualmente...
Os Estados Unidos e os investimentos comerciais
3) Condições psicológicas: que
uma política aventurosa,
Thomas O. Enders
econômica, fiscal e orçamentá ria não abale a confiança na moeda e no crédito público. Mas há uma palavra que os so
Excertos do pronunciamento de Thomas O. Enders,
cialistas não conhecem: é a da
secretário de Estado Adjunto dos EUA para Assuntos Interamericanos,
moeda (1) — atè o dia em que tenham que registrar a sua queda, risca
1924-26,
IV^...
1936,
sem
falar
E que 0 messianismo náo
que em qualquer outra
questão, “são, segundo a pala vra de Marc Bloch a respeito cie outro assunto, os fatos mal vados que fazem explodir as
no mês de maio.
Durante grande parte do período do pós-guerra, os gran des mecanismos do crescimento na economia mundial têm sido 0 comércio e o investimento in ternacionais.
Não estou dizendo que não
belas teorias”.
um segredo que a palavra não aparecia nos relatórios
homens de negócios do Brasil e dos EUA, realizada em Washington,
da
combina com a economia. Ai, mais
na conferência de
Neste ponto, 1981 arbastante recomeçar:
houve um impulso para o cresci apresentados pelos
técnicos do partido aos duzentos especialistas da economia reunidos pelo futuro pre sidente num certo domingo de abril. ^
mento em determinadas econo mias internas. Brasileiros e
norte-americanos
mais
do
que todos — sabem que houve. E no entanto, até mesmo no caso das nossas duas grandes economias continentais, o de sempenho do comércio interna cional ultrapassou regularmen
te, 0 do comércio interno. No período de 1963-1973, o comércio internacional dos EUA cresceu
124
DIGESTO
ECONÔMICO
duas vezes mais depressa do que 0, comércio interno. Se
ocorre com os fluxos de inves
incluirmos, os
canismo
serviços,
tanto
quanto os bens, a parcela do PNB norte-americano que entrqü üa: divisa internacional mais'do que duplicou, na última geração, elevando-se para 12 por cento ou, aproximadamen te, na mesma ' proporção do
grande campeão da exportação, o Japão.
No dinâmico Brasil, o co mércio internacional seguiu re centemente a mesma trajetória. Elevou-se uma vqz e meia maLs
rapidamente do que o comércio interno nos anos 70. Até 1980, cerca de 10 por cento de todos os bens e serviços produzidos no Brasil foram negociados no exterior.
No entanto, nos últimos dois anos, 0 estímulo para o cresci mento do comércio internacional esmoreceu. Em 1981, o comér cio mundial estagnou em volu me, comparado com um cresci
mento de um por cento para
0
PNB. Em 1982, os retornos ini
ciais são ainda desencorajadores.
Até onde conseguimos deci frar as estatísticas, o mesmo
timento, esse outro grande me Até
do
crescimento.
0 início
da década
de
70 verificou-se um rápido
de
senvolvimento
do
investimento
externo direto relativo ao cres
cimento do comércio, do inves timento interno e do PNB.
A
taxa média anual de crescimen to do investimento internacio
nal direto no exterior, para os 13 maiores países da OCED, foi mais de 12 por cento ao ano. Grande parte desse investimen
DIGESTO
Se
125
ECONÔMICO
estivessem
disponíveis
estatísticas para 1981 e 1982 — da maneira como se apresen tam — a história seria até mais
deprimente. Além do mais, re centemente, desenvolveram-se
diferenças nítidas na capacida
de das nações em desenvolvi
trializados.
em desenvolvimento aumentas se
nos
últimos
poucos
anos,
em termos reais e correntes, tal investimento concentrou-se
grandemente em poucos países
e
OCED foi aproximadamente o mesmo, em termos nominais (12.6 por cento). Mas, conside rando as taxas de inflação mai*cadamente elevadas, houve uma nítida desaceleração em termos reais. Os EUA proporcionam uma parcela muito menor do fluxo para o exterior e trans formaram-se em fortes compe tidores para os fluxos entrantes.
zos de comércio e arrefecimen
to de capital para os países
total.
externo direto dos 13 países da
dor, de maneira geral, foi pos sível pelo fato de haverem esses países canalizado o ônus criado pela deterioração em seus pra to, no crescimento do consumo “per capita" nos países indus
— em particular, na Coréia, Formosa, Cingapura, Hong Kong
Desde então, o investimen
te. Esse desempenho, encoraja-
mento atraírem o investimento. Embora o fluxo de investimen
to foi canalizada para os países desenvolvidos, o que represen tou cerca de 70 por cento do
to externo diminuiu. 0 aumento médio anual no investimento
os países industrializados são 5 e 2.5 por cento, respectivamen
Brasil. O investimento direto
em outros países em desenvol vimento apresenta uma tendên cia para a estagnação. Até 0 momento, os países
importadores de petróleo
do
mundo em desenvolvimento con
seguiram manter suas taxas de crescimento em nível razoável,
apesar da estagnação do comére do investimento intemacionais. A taxa anual de aumen
cio
Não é certo que os países em desenvolvimento possam continuar financiando o cresci
mento n(js mesmos
níveis
do
passado. O aumento da dívida e taxas de juros mais altas eleva ram substancialmenteos níveis do serviço de dívida, dificultan do os novos empréstimos. O re sultado é 0 estabelecimento de Lima crescente incerteza quanto
à capacidade dos países em de senvolvimento importadores de petróleo manterem,- sem falar em melhorar, o desempenho de 1973-1980.
Eu hesitaria em-afirmar
prolongamento
dessas
o
tendên
de 5.5 por cento na média anual ao ano, entre 1973 e 1980. Os
cias por toda a década. É o que se conhecia como o “paradig ma de Brookings”— encontrese uma tendência em três quar
algarismos
tos de século
to em seu produto interno bruto baixou apenas um pouco menos
comparáveis
para
consecutivos
de
124
DIGESTO
ECONÔMICO
duas vezes mais depressa do que 0, comércio interno. Se
ocorre com os fluxos de inves
incluirmos, os
canismo
serviços,
tanto
quanto os bens, a parcela do PNB norte-americano que entrqü üa: divisa internacional mais'do que duplicou, na última geração, elevando-se para 12 por cento ou, aproximadamen te, na mesma ' proporção do
grande campeão da exportação, o Japão.
No dinâmico Brasil, o co mércio internacional seguiu re centemente a mesma trajetória. Elevou-se uma vqz e meia maLs
rapidamente do que o comércio interno nos anos 70. Até 1980, cerca de 10 por cento de todos os bens e serviços produzidos no Brasil foram negociados no exterior.
No entanto, nos últimos dois anos, 0 estímulo para o cresci mento do comércio internacional esmoreceu. Em 1981, o comér cio mundial estagnou em volu me, comparado com um cresci
mento de um por cento para
0
PNB. Em 1982, os retornos ini
ciais são ainda desencorajadores.
Até onde conseguimos deci frar as estatísticas, o mesmo
timento, esse outro grande me Até
do
crescimento.
0 início
da década
de
70 verificou-se um rápido
de
senvolvimento
do
investimento
externo direto relativo ao cres
cimento do comércio, do inves timento interno e do PNB.
A
taxa média anual de crescimen to do investimento internacio
nal direto no exterior, para os 13 maiores países da OCED, foi mais de 12 por cento ao ano. Grande parte desse investimen
DIGESTO
Se
125
ECONÔMICO
estivessem
disponíveis
estatísticas para 1981 e 1982 — da maneira como se apresen tam — a história seria até mais
deprimente. Além do mais, re centemente, desenvolveram-se
diferenças nítidas na capacida
de das nações em desenvolvi
trializados.
em desenvolvimento aumentas se
nos
últimos
poucos
anos,
em termos reais e correntes, tal investimento concentrou-se
grandemente em poucos países
e
OCED foi aproximadamente o mesmo, em termos nominais (12.6 por cento). Mas, conside rando as taxas de inflação mai*cadamente elevadas, houve uma nítida desaceleração em termos reais. Os EUA proporcionam uma parcela muito menor do fluxo para o exterior e trans formaram-se em fortes compe tidores para os fluxos entrantes.
zos de comércio e arrefecimen
to de capital para os países
total.
externo direto dos 13 países da
dor, de maneira geral, foi pos sível pelo fato de haverem esses países canalizado o ônus criado pela deterioração em seus pra to, no crescimento do consumo “per capita" nos países indus
— em particular, na Coréia, Formosa, Cingapura, Hong Kong
Desde então, o investimen
te. Esse desempenho, encoraja-
mento atraírem o investimento. Embora o fluxo de investimen
to foi canalizada para os países desenvolvidos, o que represen tou cerca de 70 por cento do
to externo diminuiu. 0 aumento médio anual no investimento
os países industrializados são 5 e 2.5 por cento, respectivamen
Brasil. O investimento direto
em outros países em desenvol vimento apresenta uma tendên cia para a estagnação. Até 0 momento, os países
importadores de petróleo
do
mundo em desenvolvimento con
seguiram manter suas taxas de crescimento em nível razoável,
apesar da estagnação do comére do investimento intemacionais. A taxa anual de aumen
cio
Não é certo que os países em desenvolvimento possam continuar financiando o cresci
mento n(js mesmos
níveis
do
passado. O aumento da dívida e taxas de juros mais altas eleva ram substancialmenteos níveis do serviço de dívida, dificultan do os novos empréstimos. O re sultado é 0 estabelecimento de Lima crescente incerteza quanto
à capacidade dos países em de senvolvimento importadores de petróleo manterem,- sem falar em melhorar, o desempenho de 1973-1980.
Eu hesitaria em-afirmar
prolongamento
dessas
o
tendên
de 5.5 por cento na média anual ao ano, entre 1973 e 1980. Os
cias por toda a década. É o que se conhecia como o “paradig ma de Brookings”— encontrese uma tendência em três quar
algarismos
tos de século
to em seu produto interno bruto baixou apenas um pouco menos
comparáveis
para
consecutivos
de
126
DIGESTO
dados econômicos e afirme-se a
descoberta de uma nova lei.
No entanto, para mim não é óbvia — pergunto-me se é óbvio para os senhores — a maneii*a pela qual tais tendên cias podem ser invertidas.
Ninguém é capaz de iden tificar os sinais de progresso de novos “booms” guiados pelo co mércio
interno.
E na medida em que diminui o crescimento da exportação, existe 0 perigo de muitos países sucumbirem à tentação de ajus tar as importações, para se ade quarem aos lucros atuais, ace lerando assim a tendência para baixo.
Os prejuízos no âmbito da capital são diferentes, mas não menos graves. Países seriamen te endividados podem impor novos controles de capital — no esforço de reter os fundos de que dispõem — ou deixar de satisfazer os compromissos de pagamentos — pondo assim em risco todos os fluxos. Em uma época em que se intensifica a competição mundial por capital, qualquer uma dessas duas hipó teses pode ser prejudicial. Em
ECONÔMICO
DIGESTO
127
ECONÔMICO
um mundo carente de capital,
dades, no passado, tentamos ca
as
atrairão
nalizar os fluxos do investimen
uma parcela desproporcionada de fundos disponíveis.
to estrangeiro. Mas não persis timos, nem fomos bem sucedi dos. O presidente Reagan está
economias
abertas
O significado disso é que os velhos problemas de protecio nismo
e
barreiras
ao
investi
mento se revestem de uma no
va nreência. Quando o comér
profunda e pessoalmente empe
nhado em políticas abertas de comércio e investimento. Houve
muita
conversa
a
tiinidades comerciais é a Inicia tiva da Bacia do Caribe. O fa
to de a região à qual ela se aplica ser economicamente re duzida, minimiza por vezes a dimensão do conceito que enfeixa — a eliminação de todos os
direitos
norte-americanos
(com a única exceção do setor têxtil), combinada com um cré
cio internacional e o investi mento cresciam de maneira ex-
respeito de protecionismo e, de fato, foram fortes as pressões
plo.siva. podíamos enfrentar al-
para a tomada de medidas pro
e 0 apoio do balanço de paga mentos. O ponto fundamental
íiuns afastamentos da nráfien econômica racional. Aíorn nue podemos estão estagnando
tecionistas, como sempre o são,
da iniciativa é o de estimular a
particularmente durante os pe ríodos de lento crescimento.
di.spor de muito menos, mas ar
Mas, na prática, esta Adminis
produtividade e o dinamismo do setor privado nessas economias. Esperamos que a parcela norte-
tração marcou um bom tento,
americana da iniciativa — o co
riscamos muito mais.
Esta Administração não se
unirá à tendência para a restri ção.
Durante
longo
tempo,
os
EUA mantiveram-se na lideran
ça da luta por uma economia internacional
aberta.
Nossas
tarifas médias baixaram para sete por cento, do seu ponto
alto de 35 por cento em 1930. Mais da metade (53 por cento) de todas as importações para os EUA. do Brasil, entraram com isenção de direitos. Quan to ao restante, o real direito pago foi de oito por cento. Ad mito que em algumas oportuni-
quanto a impedir medidas de restrição comercial. Com exce
ção do açúcar, esta Administra ção não impôs novas restrições ao comércio. De fato, até mes mo em uma área política sen
sível como aquela dos calçados, 0 presidente decidiu suspender as restrições c|ue vigoravam antes de assumii’ o cargo. Fez o mesmo também com relação
ao mecanismo de preço de ajus te do aço, quando se deu en
trada a pedidos de direitos al fandegários compensatórios.
Outro indicador do empenho deste governo em maiores opor-
dito tributário de investimento
mércio, o investimento e as me
didas de ajuda às quais acabo de aludir — venham a ser com
pensadas pelos próprios esfor ços dos países da Bacia no sen tido de reduzir os impedimentos internos ao crescimento econô mico. Além do mais, os esfor ços norte-americanos estão sen do complementados por gran
des contribuições do Canadá, do México, da Venezuela e da Colômbia, países que expandi ram
significativamente
o
co
mércio e a assistência financei
ra à região da Bacia.
126
DIGESTO
dados econômicos e afirme-se a
descoberta de uma nova lei.
No entanto, para mim não é óbvia — pergunto-me se é óbvio para os senhores — a maneii*a pela qual tais tendên cias podem ser invertidas.
Ninguém é capaz de iden tificar os sinais de progresso de novos “booms” guiados pelo co mércio
interno.
E na medida em que diminui o crescimento da exportação, existe 0 perigo de muitos países sucumbirem à tentação de ajus tar as importações, para se ade quarem aos lucros atuais, ace lerando assim a tendência para baixo.
Os prejuízos no âmbito da capital são diferentes, mas não menos graves. Países seriamen te endividados podem impor novos controles de capital — no esforço de reter os fundos de que dispõem — ou deixar de satisfazer os compromissos de pagamentos — pondo assim em risco todos os fluxos. Em uma época em que se intensifica a competição mundial por capital, qualquer uma dessas duas hipó teses pode ser prejudicial. Em
ECONÔMICO
DIGESTO
127
ECONÔMICO
um mundo carente de capital,
dades, no passado, tentamos ca
as
atrairão
nalizar os fluxos do investimen
uma parcela desproporcionada de fundos disponíveis.
to estrangeiro. Mas não persis timos, nem fomos bem sucedi dos. O presidente Reagan está
economias
abertas
O significado disso é que os velhos problemas de protecio nismo
e
barreiras
ao
investi
mento se revestem de uma no
va nreência. Quando o comér
profunda e pessoalmente empe
nhado em políticas abertas de comércio e investimento. Houve
muita
conversa
a
tiinidades comerciais é a Inicia tiva da Bacia do Caribe. O fa
to de a região à qual ela se aplica ser economicamente re duzida, minimiza por vezes a dimensão do conceito que enfeixa — a eliminação de todos os
direitos
norte-americanos
(com a única exceção do setor têxtil), combinada com um cré
cio internacional e o investi mento cresciam de maneira ex-
respeito de protecionismo e, de fato, foram fortes as pressões
plo.siva. podíamos enfrentar al-
para a tomada de medidas pro
e 0 apoio do balanço de paga mentos. O ponto fundamental
íiuns afastamentos da nráfien econômica racional. Aíorn nue podemos estão estagnando
tecionistas, como sempre o são,
da iniciativa é o de estimular a
particularmente durante os pe ríodos de lento crescimento.
di.spor de muito menos, mas ar
Mas, na prática, esta Adminis
produtividade e o dinamismo do setor privado nessas economias. Esperamos que a parcela norte-
tração marcou um bom tento,
americana da iniciativa — o co
riscamos muito mais.
Esta Administração não se
unirá à tendência para a restri ção.
Durante
longo
tempo,
os
EUA mantiveram-se na lideran
ça da luta por uma economia internacional
aberta.
Nossas
tarifas médias baixaram para sete por cento, do seu ponto
alto de 35 por cento em 1930. Mais da metade (53 por cento) de todas as importações para os EUA. do Brasil, entraram com isenção de direitos. Quan to ao restante, o real direito pago foi de oito por cento. Ad mito que em algumas oportuni-
quanto a impedir medidas de restrição comercial. Com exce
ção do açúcar, esta Administra ção não impôs novas restrições ao comércio. De fato, até mes mo em uma área política sen
sível como aquela dos calçados, 0 presidente decidiu suspender as restrições c|ue vigoravam antes de assumii’ o cargo. Fez o mesmo também com relação
ao mecanismo de preço de ajus te do aço, quando se deu en
trada a pedidos de direitos al fandegários compensatórios.
Outro indicador do empenho deste governo em maiores opor-
dito tributário de investimento
mércio, o investimento e as me
didas de ajuda às quais acabo de aludir — venham a ser com
pensadas pelos próprios esfor ços dos países da Bacia no sen tido de reduzir os impedimentos internos ao crescimento econô mico. Além do mais, os esfor ços norte-americanos estão sen do complementados por gran
des contribuições do Canadá, do México, da Venezuela e da Colômbia, países que expandi ram
significativamente
o
co
mércio e a assistência financei
ra à região da Bacia.
DIGESTO
128
Sei que alguns líderes lati no-americanos, e provavelmen te alguns de vocês, na audiên cia, estão preocupados com o aspecto preferencial da Inicia
tiva da Bacia do Caribe (IBC). Reconhecemos que isto consti tui
um
afastamento
tradicional
de
nossa
política
comercial
não - discriminatória.
Contudo,
ECONÔMICO
nossa mais recente imposição de quotas às importações norteamericanas de açúcar foi uma ação tomada apenas como me dida de último recurso, em de fesa do programa de apoio do
méstico, aprovado pelo Con gresso, no outono passado. As
desejo ressaltar que isto não re presenta uma inversão desta po
quotas nos foram impostas pelo declínio mundial no preçoí do açúcar. A situação tornou-se ainda mais grave pela inusita
lítica. A IBC foi elaborada para
damente baixa demanda norte-
tratar de uma situação de cri se, uma situação tão grave e importante que exigiu ação sem precedente. Entretanto, a
americana de açúcar, em 1982. fato que se deve, em parte, às importações acima da média, no ano passado. Esperamos que nossa demanda de açúcar im portado retorne a um nível mais normal, em 1983. Esperamos que, até lá, os níveis de quotas por países reflitam mais plena
IBC não é um programa per manente,
mas
limitado
a
um
período específico de 12 anos.
A IBC busca ajudar os países a alcançarem um crescimento que possa manter-se por si, de forma a não precisarem depen der indefinidamente de prefe rências.
Há pouco, mencionei o açú car, e muitos entre vocês estão, sem dúvida, preocupados com nossas recentes medidas nesse
se,tor. Este tem, de fato, cons tituído uma de minhas mais sérias preocupações na área econômica. Mas desejo ressal tar vários pontos: Primeiro,
mente os tradicionais níveis das
exportações
açucareiras
para
os Estados Unidos. não
constituem
ECONÔMICO
tica açucareira norte-america na tem-se voltado para algu mas das condições básicas que respondem por esses desequilí brios. Temos trabalhado para que o Acordo Internacional do Açúcar funcione eficazmente de forma a amortecer as violentas
129
SGP autoriza um país a conce der tratamento de isenção de direitos a produtos de países em desenvolvimento na suposi ção de que esses países neces sitam de uma vantagem prefe rencial temporária a fim de ob terem uma posição segura do
flutuações de oferta e preço,
mercado
que há muito caracterizam o chamado mercado “livre” do
seus produtos não-tradicionais. 0 aspecto de "necessidade com
açúcar. A cooperação da Co munidade Européia nesses es forços foi de vital importância
petitiva” do SGP norte-ameri cano reflete com acuidade es ta filosofia. Se um produto ex
para seu êxito. Lamento termos
portado por um país atinge um
sido incapazes de persuadir a Comunidade a reduzir ou pôr
certo valor em dólar ou parce
fim' às suas exportações subsi diadas de açúcar, ou a coonerar eficazmente com o AIA. En
tretanto, continuaremos a tra balhar com a Comunidade e ou
tros importantes produtores de açúcar, na tentativa de elabo rar
Finalmente, as ações nor te-americanas
DIGESTO
um
sistema
internacional
viável para o produto.
Julgo que, nesta conjuntu
internacional
para
la percentual das exportações norte-americanas,
presume-se
que aquela determinada expor tação já não necessita do pri vilégio especial de tratamento de isenção de direitos. Penso que aqueles entre vocês que pertencem à comunidade dos ne gócios, quer no Brasil ou nos Estados Unidos, concordam em
que estes critérios são razoá
um incidente isolado, mas par
ra, deveria dizer umas poucas
te de um padrão de desiquilíbrios, em escala mundial, e profundamente enraizados, que tiveram graves resultados tan to para os países em desenvol vimento quanto para os produ tores norte-americanos. A polí-
palavras sobre a política de "gradação” do nosso Sistema
veis. Garantem que os países em desenvolvimento que já con quistaram' uma posição firme
Generalizado
no
de
Preferências
(SGP), por entender que é, al gumas vezes, inadequadamente caracterizado como uma medi
da protecionista.
Primeiro, o
mercado
norte-americano
não se sobreponham às oportu nidades comerciais preferen ciais para qualquer produto es pecífico.
DIGESTO
128
Sei que alguns líderes lati no-americanos, e provavelmen te alguns de vocês, na audiên cia, estão preocupados com o aspecto preferencial da Inicia
tiva da Bacia do Caribe (IBC). Reconhecemos que isto consti tui
um
afastamento
tradicional
de
nossa
política
comercial
não - discriminatória.
Contudo,
ECONÔMICO
nossa mais recente imposição de quotas às importações norteamericanas de açúcar foi uma ação tomada apenas como me dida de último recurso, em de fesa do programa de apoio do
méstico, aprovado pelo Con gresso, no outono passado. As
desejo ressaltar que isto não re presenta uma inversão desta po
quotas nos foram impostas pelo declínio mundial no preçoí do açúcar. A situação tornou-se ainda mais grave pela inusita
lítica. A IBC foi elaborada para
damente baixa demanda norte-
tratar de uma situação de cri se, uma situação tão grave e importante que exigiu ação sem precedente. Entretanto, a
americana de açúcar, em 1982. fato que se deve, em parte, às importações acima da média, no ano passado. Esperamos que nossa demanda de açúcar im portado retorne a um nível mais normal, em 1983. Esperamos que, até lá, os níveis de quotas por países reflitam mais plena
IBC não é um programa per manente,
mas
limitado
a
um
período específico de 12 anos.
A IBC busca ajudar os países a alcançarem um crescimento que possa manter-se por si, de forma a não precisarem depen der indefinidamente de prefe rências.
Há pouco, mencionei o açú car, e muitos entre vocês estão, sem dúvida, preocupados com nossas recentes medidas nesse
se,tor. Este tem, de fato, cons tituído uma de minhas mais sérias preocupações na área econômica. Mas desejo ressal tar vários pontos: Primeiro,
mente os tradicionais níveis das
exportações
açucareiras
para
os Estados Unidos. não
constituem
ECONÔMICO
tica açucareira norte-america na tem-se voltado para algu mas das condições básicas que respondem por esses desequilí brios. Temos trabalhado para que o Acordo Internacional do Açúcar funcione eficazmente de forma a amortecer as violentas
129
SGP autoriza um país a conce der tratamento de isenção de direitos a produtos de países em desenvolvimento na suposi ção de que esses países neces sitam de uma vantagem prefe rencial temporária a fim de ob terem uma posição segura do
flutuações de oferta e preço,
mercado
que há muito caracterizam o chamado mercado “livre” do
seus produtos não-tradicionais. 0 aspecto de "necessidade com
açúcar. A cooperação da Co munidade Européia nesses es forços foi de vital importância
petitiva” do SGP norte-ameri cano reflete com acuidade es ta filosofia. Se um produto ex
para seu êxito. Lamento termos
portado por um país atinge um
sido incapazes de persuadir a Comunidade a reduzir ou pôr
certo valor em dólar ou parce
fim' às suas exportações subsi diadas de açúcar, ou a coonerar eficazmente com o AIA. En
tretanto, continuaremos a tra balhar com a Comunidade e ou
tros importantes produtores de açúcar, na tentativa de elabo rar
Finalmente, as ações nor te-americanas
DIGESTO
um
sistema
internacional
viável para o produto.
Julgo que, nesta conjuntu
internacional
para
la percentual das exportações norte-americanas,
presume-se
que aquela determinada expor tação já não necessita do pri vilégio especial de tratamento de isenção de direitos. Penso que aqueles entre vocês que pertencem à comunidade dos ne gócios, quer no Brasil ou nos Estados Unidos, concordam em
que estes critérios são razoá
um incidente isolado, mas par
ra, deveria dizer umas poucas
te de um padrão de desiquilíbrios, em escala mundial, e profundamente enraizados, que tiveram graves resultados tan to para os países em desenvol vimento quanto para os produ tores norte-americanos. A polí-
palavras sobre a política de "gradação” do nosso Sistema
veis. Garantem que os países em desenvolvimento que já con quistaram' uma posição firme
Generalizado
no
de
Preferências
(SGP), por entender que é, al gumas vezes, inadequadamente caracterizado como uma medi
da protecionista.
Primeiro, o
mercado
norte-americano
não se sobreponham às oportu nidades comerciais preferen ciais para qualquer produto es pecífico.
DIGESTO
130
Tem havido alguma contro vérsia sobre certos casos etm que 0 tratamento do SGP não
foi restabelecido para produtos que, a princípio, excediam o critério de necessidade compe
titiva e, subsequentemente, bai xaram desses limites. Porém, não são levados em considera ção dois aspectos marcantes
desta questão. Primeiro, o nú mero de produtos envolvidos representa uma parcela dimi nuta do programa doj SGP —
este ano, apenas dois itens, no caso do Brasil, em relação às exportações totais para os Es tados Unidos, no valor de 27.8
milhões
de dólares. Segundo,
esta política ajuda a preservar as vantagens preferenciais sem pre que forem necessárias pa
ECONÔMICO
perspectivas de mais ajuda pa recem menos promissoras. O êxito dependerá, em grande parte, das providências que to marem para garantir um clima favorável ao investimento. Tal
como o presidente Reagan afir mou, em seu discurso de Fila délfia, a 16 de outubro, a melho ria do clima para os fluxos de capital privado é de vital im portância, pois 0 investimento — tanto doméstico quanto estrané 0 sangue vital para geiro 0 desenvolvimento. Leis e re¬
gulamentações sobre investi mentos, claras e compatíveis, de conformidade com os princípios do Direito Internacional, serão os fatores decisivos para mui tos investidores. Tais práticas atraem
novos
investimentos
e
ra promover maior diversifica
desestimulam
ção das exportações, ao invés
dos internos que atualmente as solam muitos países em desen
de preservar as vantagens pre ferenciais para indústrias que ultrapassaram
o
estágio
ini
cial. ..
Os dirigentes de muitos paí ses em desenvolvimento que se reuniram em Cancún reconhe ceram que 0 investimento dire to maior será vital para sua prosperidade, na década ‘de 1980, principalmente quando as
a
saída
de
fun
volvimento.
Sinto-me
animado,
a
esse
respeito, pelo que acredito ser urra sofisticação e realismo maiores no que se refere ao in vestimento estrangeiro neste hemisfério. Todos aprendemos com a experiência. Atualmente,
as
multinacionais são
empresas muito
mais
DIGESTO
131
ECONÔMICO
sensíveis aos programas e ne cessidades desenvolvimentistas
tipos de casos, bem como de outros sobre disputas referen
de seus países anfitriões, e le
tes a investimentos. Por exem
vam mais a sério suas respon
sabilidades de serem boas ci dadãs dos países que as rece
bem. Os governos e dirigentes econômicos da América Latina,
de sua parte, estão começando a ver através dos velhos slogans sobre a inevitabilidade da ex
plo, em 1981, três países do He misfério (Barbados, Costa Rica e Paraguai) ingressaram no Centro
Internacional
para
duplicando, desta forma, o nú mero de membros do Hemisfé-
ploração pelos investidores es trangeiros. e a automática su
no.
perioridade das decisões gover
na sobre Ai’bitramento Comer cial Internacional conta, atual mente, com 16 membros.
namentais sobre as privadas. O resultado tem sido uma
notável ausência, nos últimos anos. das disputas cáusticas e politicamente carregadas sobre investimentos, que pareciam
dominar as relações norte-latino-americanas
na
década
de
1960 e princípios da de 70. Na primeira metade da década de 1970. tivemos cerca de 80 novas
expropriações, na América La tina, envolvendo companhias norte-americanas. Na segunda metade da década o número de tais casos baixou para quase a metade “ 45. Além do mais,
verifica-se, na região, uma crescente conscientização do
a
Solução de Disputas sobre In vestimentos, do Banco Mundial,
A Convenção Interamerica-
Além do mais, inúmeros go vernos encontram-se reexami nando suas atuais legislações e
práticas, com vistas a aumen tar os incentivos para os inves
timentos. Vários países da Ba cia do Caribe, por exemplo, es
tão explorando a possibilidade dc negociação de tratados bila terais de
investimento com os
Estados Unidos. Um exemplo ainda mais marcante é o inte
resse de vários países, o Peru
entre eles, de aumentar os in centivos a fim de atrair a tec
valor dos mecanismos interna
nologia e 0 capital estrangeiros para a exploração de petró
cionais para a solução desses
leo...
DIGESTO
130
Tem havido alguma contro vérsia sobre certos casos etm que 0 tratamento do SGP não
foi restabelecido para produtos que, a princípio, excediam o critério de necessidade compe
titiva e, subsequentemente, bai xaram desses limites. Porém, não são levados em considera ção dois aspectos marcantes
desta questão. Primeiro, o nú mero de produtos envolvidos representa uma parcela dimi nuta do programa doj SGP —
este ano, apenas dois itens, no caso do Brasil, em relação às exportações totais para os Es tados Unidos, no valor de 27.8
milhões
de dólares. Segundo,
esta política ajuda a preservar as vantagens preferenciais sem pre que forem necessárias pa
ECONÔMICO
perspectivas de mais ajuda pa recem menos promissoras. O êxito dependerá, em grande parte, das providências que to marem para garantir um clima favorável ao investimento. Tal
como o presidente Reagan afir mou, em seu discurso de Fila délfia, a 16 de outubro, a melho ria do clima para os fluxos de capital privado é de vital im portância, pois 0 investimento — tanto doméstico quanto estrané 0 sangue vital para geiro 0 desenvolvimento. Leis e re¬
gulamentações sobre investi mentos, claras e compatíveis, de conformidade com os princípios do Direito Internacional, serão os fatores decisivos para mui tos investidores. Tais práticas atraem
novos
investimentos
e
ra promover maior diversifica
desestimulam
ção das exportações, ao invés
dos internos que atualmente as solam muitos países em desen
de preservar as vantagens pre ferenciais para indústrias que ultrapassaram
o
estágio
ini
cial. ..
Os dirigentes de muitos paí ses em desenvolvimento que se reuniram em Cancún reconhe ceram que 0 investimento dire to maior será vital para sua prosperidade, na década ‘de 1980, principalmente quando as
a
saída
de
fun
volvimento.
Sinto-me
animado,
a
esse
respeito, pelo que acredito ser urra sofisticação e realismo maiores no que se refere ao in vestimento estrangeiro neste hemisfério. Todos aprendemos com a experiência. Atualmente,
as
multinacionais são
empresas muito
mais
DIGESTO
131
ECONÔMICO
sensíveis aos programas e ne cessidades desenvolvimentistas
tipos de casos, bem como de outros sobre disputas referen
de seus países anfitriões, e le
tes a investimentos. Por exem
vam mais a sério suas respon
sabilidades de serem boas ci dadãs dos países que as rece
bem. Os governos e dirigentes econômicos da América Latina,
de sua parte, estão começando a ver através dos velhos slogans sobre a inevitabilidade da ex
plo, em 1981, três países do He misfério (Barbados, Costa Rica e Paraguai) ingressaram no Centro
Internacional
para
duplicando, desta forma, o nú mero de membros do Hemisfé-
ploração pelos investidores es trangeiros. e a automática su
no.
perioridade das decisões gover
na sobre Ai’bitramento Comer cial Internacional conta, atual mente, com 16 membros.
namentais sobre as privadas. O resultado tem sido uma
notável ausência, nos últimos anos. das disputas cáusticas e politicamente carregadas sobre investimentos, que pareciam
dominar as relações norte-latino-americanas
na
década
de
1960 e princípios da de 70. Na primeira metade da década de 1970. tivemos cerca de 80 novas
expropriações, na América La tina, envolvendo companhias norte-americanas. Na segunda metade da década o número de tais casos baixou para quase a metade “ 45. Além do mais,
verifica-se, na região, uma crescente conscientização do
a
Solução de Disputas sobre In vestimentos, do Banco Mundial,
A Convenção Interamerica-
Além do mais, inúmeros go vernos encontram-se reexami nando suas atuais legislações e
práticas, com vistas a aumen tar os incentivos para os inves
timentos. Vários países da Ba cia do Caribe, por exemplo, es
tão explorando a possibilidade dc negociação de tratados bila terais de
investimento com os
Estados Unidos. Um exemplo ainda mais marcante é o inte
resse de vários países, o Peru
entre eles, de aumentar os in centivos a fim de atrair a tec
valor dos mecanismos interna
nologia e 0 capital estrangeiros para a exploração de petró
cionais para a solução desses
leo...
Banco Mundial e
economia
í^3íè'í». *■>!!>●»
vr f<p' '?>■:■
rííTw. >
fi
wm^
’ >
*»f«,
brasileira
>j^
!**
'C,r,.í.^
mwm0:
Peter T. Knlght
DEPARTAMENTO DE
Excertos do trabalho
Brazilian Socio-economics development",
INFORMAÇÕES
posto em prática, em grande parte, pelo Governo brasileiro.
CONFIDENCIAIS - DIC o maior c mais variado arquivo de dados cadastrais das empresas do País;
Um cadastro especial de clientes impontuais à sua disposição. Com correspondentes cm todo o País, informações sobre firmas de quaisquer cidades sâo fornecidas através de rela.órios escritos.
Informações verbais ou de arquivo, consultas especiais, informações de pessoa física, míni-consulta e pesquisa auxiliar de vendas. Aqui. todas as informações sobre cadastros, protestos, incluindo dados pessoais e ainda informações sobre candidatos a locação ou compra de imóveis.
Associe-se à ACSP e utilize as vantagens das informações do DIC.
Introdução
(...) Vem-se formando, em importantes faixas da elite bra sileira — militares, igreja, po
líticos civis, tecnocrátas, inte lectuais e empresários priva dos — 0 consenso de que se de ve tratar da questão social se se quiser atingir a tão defen dida meta de uma sociedade democrática e desenvolvida.
Fíiiii Bo.i Viíifl, 51 ●- C. Postal R082 -- Ci'p fHOl'1 — Teli?x (11( 2.5355 — SP
PABX 23P-1333
Em resposta a fortes pressões das bases, assim como aos
próprios valores que profes sam, os líderes brasileiros de hoje optaram por uma libera lização política gradual e se comprometeram a melhorar as condições de vida dos pobres. Em princípio, o progresso em direção à democracia, a solução de profundos proble mas sociais e o ajustamento estrutural da economia (...) se reforçam mutuamente. Uma democratização bem-sucedida
Banco Mundial e
economia
í^3íè'í». *■>!!>●»
vr f<p' '?>■:■
rííTw. >
fi
wm^
’ >
*»f«,
brasileira
>j^
!**
'C,r,.í.^
mwm0:
Peter T. Knlght
DEPARTAMENTO DE
Excertos do trabalho
Brazilian Socio-economics development",
INFORMAÇÕES
posto em prática, em grande parte, pelo Governo brasileiro.
CONFIDENCIAIS - DIC o maior c mais variado arquivo de dados cadastrais das empresas do País;
Um cadastro especial de clientes impontuais à sua disposição. Com correspondentes cm todo o País, informações sobre firmas de quaisquer cidades sâo fornecidas através de rela.órios escritos.
Informações verbais ou de arquivo, consultas especiais, informações de pessoa física, míni-consulta e pesquisa auxiliar de vendas. Aqui. todas as informações sobre cadastros, protestos, incluindo dados pessoais e ainda informações sobre candidatos a locação ou compra de imóveis.
Associe-se à ACSP e utilize as vantagens das informações do DIC.
Introdução
(...) Vem-se formando, em importantes faixas da elite bra sileira — militares, igreja, po
líticos civis, tecnocrátas, inte lectuais e empresários priva dos — 0 consenso de que se de ve tratar da questão social se se quiser atingir a tão defen dida meta de uma sociedade democrática e desenvolvida.
Fíiiii Bo.i Viíifl, 51 ●- C. Postal R082 -- Ci'p fHOl'1 — Teli?x (11( 2.5355 — SP
PABX 23P-1333
Em resposta a fortes pressões das bases, assim como aos
próprios valores que profes sam, os líderes brasileiros de hoje optaram por uma libera lização política gradual e se comprometeram a melhorar as condições de vida dos pobres. Em princípio, o progresso em direção à democracia, a solução de profundos proble mas sociais e o ajustamento estrutural da economia (...) se reforçam mutuamente. Uma democratização bem-sucedida
DIGESTO
134
fortaleceria o poder político dos
pobres, facilitando as reformas redistributivas necessárias à reestruturação econômica. E é
difícil conceber como o pro cesso de liberalização política, que começou com o presidente Geisel e se intensificou com o
presidente Figueiredo, poderá persistir sem um substancial progresso social e econômico para aqueles que, como o atual Governo admite publicamente, não obtiveram uma porção jus ta do rápido crescimento eco nômico do Brasil.
ECONÔMICO
Por outro lado, embora o progresso em direção à demo cracia possa não beneficiar os mais
pobres
a
curto
prazo,
existe a forte possibilidade de que uma solução autoritária para os atuais problemas eco nômicos seja orientada mais para uma repressão da deman da do que para uma mudança estrutural da economia, favo recendo mais aos ricos que aos pobres. Redísfribuição com crescimento:
Um
desafio para os anos 80
Embora o avanço simultâ Como 0 desenvolvimento neo em direção a estes três ob econômico do Brasil nos anos jetivos constitua o cenário 80 pode atender às necessida ideal, não está, de modo al des sociais? A estratégia eco gum, evidente que isto possa nômica pode ser chamada de ser alcançado. A necessidade redistribuição com crescimento de enfrentar a curto prazo os — mas um crescimento de na prementes problemas econômi tureza qualitativamente dife cos, antes que os elementos rente do registrado nos últimos mais pobres da sociedade bra 15 anos. A idéia él alterar, ao sileira se organizem para de menos marginalmente, o perfil sempenhar um papel efetivo na de investimento e consumo.
política democrática, pode criar uma situação de barganha en tre a profundidade das refor mas distributivas da democracia.
e o alcance
(...) Muitos elementos da estra tégia proposta estão' no Tercei ro Plano Nacional de Desenvol vimento (PND) para 1980-1985
elaborado pelo atual Governo.
DIGESTO
ECONÔMICO
135
(...) Este plano, contudo, não estabelece metas quantitativas nem um prazo para atingi-las.
A estratégia será mais efi ciente se houver uma redistri-
nificaria uma redução das
ex-
portaçdes, já que, como de monstraram pesquisas sobre o assunto, este é um setor de uso intensivo de mão-de-obra.
buição absoluta e relativa, isto é, se a produção adicional for
O Brasil, com um PNB per capita acima de 2 mil dólares,
ue natureza diferente e dirigi
da para pessoas diferentes e se
dispõe dos recursos linanceiros necessários ao atendimento das
a estrutura produtiva existente
necessidades
ior reorientada para servir a estes fins. Isto exige que se “ti re dos ricos para dar aos po
cidadãos denti’o de 10 anos. sem qualquer sacrifício drástico pa
bres”.
A essência da estratégia é
investir em serviços públicos básicos (através do setor estae
em
produtos
básicos
(através do setor privado). Uma reforma agráida, não mencionada no plano do Gover no, podería aumentar o nível
de emprego, a produção de ali mentos
e a demanda
efetiva
para produtos básicos na âi*ea
rural. (...)
O crescimento, para aten der à
demanda interna seria
realizado nas seguintes áreas:
educação, serviços básicos de saúde, de água e esgoto, casas populares, alimentos, vestuário,
bicicletas e ônibus. Isto não sig-
básicas
de
seus
ra os 30% de renda mais ele
vada. Mas, apesar de algum progresso significativo nos últi mos
anos.
0
País
ainda
não
tem a capacidade administrati va necessária à implementação de um plano tão ambicioso. Er radicar a pobreza absoluta en volvería importante mudança de valores entre pobres e ricos. A redistribuição dos inves timentos é uma parte crucial desta estratégia. A clara enun-
ciação da política aHòtada pelo Governo, o estabelecimento de incentivos fiscais adequados, o crescimento
da demanda
oca
sionado pela expansão do em prego nas classes mais baixa.s e 0 apoio gerado pelo processo de redemocratização ajudarão
a convencer os investidores pri-
DIGESTO
134
fortaleceria o poder político dos
pobres, facilitando as reformas redistributivas necessárias à reestruturação econômica. E é
difícil conceber como o pro cesso de liberalização política, que começou com o presidente Geisel e se intensificou com o
presidente Figueiredo, poderá persistir sem um substancial progresso social e econômico para aqueles que, como o atual Governo admite publicamente, não obtiveram uma porção jus ta do rápido crescimento eco nômico do Brasil.
ECONÔMICO
Por outro lado, embora o progresso em direção à demo cracia possa não beneficiar os mais
pobres
a
curto
prazo,
existe a forte possibilidade de que uma solução autoritária para os atuais problemas eco nômicos seja orientada mais para uma repressão da deman da do que para uma mudança estrutural da economia, favo recendo mais aos ricos que aos pobres. Redísfribuição com crescimento:
Um
desafio para os anos 80
Embora o avanço simultâ Como 0 desenvolvimento neo em direção a estes três ob econômico do Brasil nos anos jetivos constitua o cenário 80 pode atender às necessida ideal, não está, de modo al des sociais? A estratégia eco gum, evidente que isto possa nômica pode ser chamada de ser alcançado. A necessidade redistribuição com crescimento de enfrentar a curto prazo os — mas um crescimento de na prementes problemas econômi tureza qualitativamente dife cos, antes que os elementos rente do registrado nos últimos mais pobres da sociedade bra 15 anos. A idéia él alterar, ao sileira se organizem para de menos marginalmente, o perfil sempenhar um papel efetivo na de investimento e consumo.
política democrática, pode criar uma situação de barganha en tre a profundidade das refor mas distributivas da democracia.
e o alcance
(...) Muitos elementos da estra tégia proposta estão' no Tercei ro Plano Nacional de Desenvol vimento (PND) para 1980-1985
elaborado pelo atual Governo.
DIGESTO
ECONÔMICO
135
(...) Este plano, contudo, não estabelece metas quantitativas nem um prazo para atingi-las.
A estratégia será mais efi ciente se houver uma redistri-
nificaria uma redução das
ex-
portaçdes, já que, como de monstraram pesquisas sobre o assunto, este é um setor de uso intensivo de mão-de-obra.
buição absoluta e relativa, isto é, se a produção adicional for
O Brasil, com um PNB per capita acima de 2 mil dólares,
ue natureza diferente e dirigi
da para pessoas diferentes e se
dispõe dos recursos linanceiros necessários ao atendimento das
a estrutura produtiva existente
necessidades
ior reorientada para servir a estes fins. Isto exige que se “ti re dos ricos para dar aos po
cidadãos denti’o de 10 anos. sem qualquer sacrifício drástico pa
bres”.
A essência da estratégia é
investir em serviços públicos básicos (através do setor estae
em
produtos
básicos
(através do setor privado). Uma reforma agráida, não mencionada no plano do Gover no, podería aumentar o nível
de emprego, a produção de ali mentos
e a demanda
efetiva
para produtos básicos na âi*ea
rural. (...)
O crescimento, para aten der à
demanda interna seria
realizado nas seguintes áreas:
educação, serviços básicos de saúde, de água e esgoto, casas populares, alimentos, vestuário,
bicicletas e ônibus. Isto não sig-
básicas
de
seus
ra os 30% de renda mais ele
vada. Mas, apesar de algum progresso significativo nos últi mos
anos.
0
País
ainda
não
tem a capacidade administrati va necessária à implementação de um plano tão ambicioso. Er radicar a pobreza absoluta en volvería importante mudança de valores entre pobres e ricos. A redistribuição dos inves timentos é uma parte crucial desta estratégia. A clara enun-
ciação da política aHòtada pelo Governo, o estabelecimento de incentivos fiscais adequados, o crescimento
da demanda
oca
sionado pela expansão do em prego nas classes mais baixa.s e 0 apoio gerado pelo processo de redemocratização ajudarão
a convencer os investidores pri-
DIGESTO
136
vados de que aplicar no setor cie bens de consumos básicos e/ou reorientar suas instala ções produtivas nesta direção e uma opção lucrativa, a; Ampliando os serviços pubücos básicos e a produção üe bens essenciais.
Estimativas apresentadas em Brazil: Human Resources
üpecíal Report, publicado pelo Banco Mundial em 1979, indi
cam que é possivel alcançar uma cobertura praticamente total das necessidades da po
pulação entre 1990 a 2000, se o Governo investir de 5% a 6%
do PIB por ano até lá, com ta
xação máxima adicional de 2% do PIB. (...)
nas áreas
de saúde e habitação popular) e uma implementação mais rá
DIGESTO
137
ECONÔMICO
rapidez para atender à deman
considerados um investimento era pessoal mais que uma lorma de consumo — um investi
ras. 0 mercado bnasíleiro pa
ra estes produtos é hoje em
da de alimentos e à de biomassa para combustíveis, sem elevar
mento que exige relativamente
grande parte coberto por fabri
poucas
cantes nacionais,
alimentos, prmcipalmente para
divisas
estrangeiras,
que gera grande número de empregos e que aumenta a fle xibilidade da força de trabalho diante dos desafios e oportuni dades do futuro.
u setor privado, provavelmenie.
é
capaz de produzii’
aens de consumo básico com mais eficiência, exceto, talvez,
aiguma.s formas de transporte uroano de massa.
O Governo
oferecidas por fontes brasilei
as
b) Assegurando suprimentos adequados de energia Um estilo de desenvolvi mento menos dependente do
automóvel particular ajudaria resolver o problema energético
a
As
es-
timativas disponíveis indicam que, se persistirem as recen tes tendências de produtividade
agrícola, o Brasil precisará qua se duplicar seu índice anual de
expansão das áreas cultivadas,
ria à sua fabricação e à dos
ções e a produção de energia entre 1978 e 1985 (Homem de
quantidade de energia necessá
materiais usados para produzi-
Melo, 1980).
baixa ou nula e, possivelmente,
a necessidade de uma infraestrutura básica cara exigida
suosidios nas contribuições pa
por este transporte.
ra reduzir o potencial do confli to entre alimentos e combustí
aoeauados — taxação indireta
sobre a mão-de-obra usada na
produção destes bens. Deveria ser oferecido crédito, mas não
que ele consome e diminuindo
Mesmo supondo-se que
se
parta para maiores esforços de
conservação do que os já rea-
pida exigiriara mais recursos financeiros. Mas, mesmo se
contraria o objetivo de
fossem necessários 4% do PIB
mais empregos.
sivo de energia, a demanda to tal de energia na economia bra
Os gastos do Governo com serviços básicos podem ser
carentes?
brasileiro, reduzindo a grande
lizados até hoje, e que se im
poderíam surgir a curto e a longo prazos. (...)
pessoas
para produzir o suficiente para 0 consumo interno, as exporta
subsidiado. Em geral, o crédito subsidiado para as indústrias
em taxação adicional, signifi cativos benefícios econômicos
significativamente o preço dos
lo, economizando o combustível
precisa iornecer os incentivos
ra o seguro social incidentes
Melhores padrões de servi
ço (prmcipalmente
ECONÔMICO
gerar
As tecnologias necessárias
à produção da maioria dos bens de consumo básicos são bem conhecidas e estão disponíveis
para a compra no mercado in ternacional,
quando
não
são
plante um estilo de desenvolvi mento de consumo menos inten sileira deverá continuar
cres
cendo até 0 final deste século-
Escolhas difíceis são inevitá veis. (...)
Pode o total da produção agrícola ser aumentado com
Existem três caminhos pa
vel, aumentar as áreas cultiva das para ambos os fins; prefe rir plantações para combustí vel que se possam desenvolver em terrenos de pequeno ou ne
nhum potencial para a produção de alimentos; e converter em álcool os refugos agrícolas. O aumento dos preços do petróleo e do urânio e do custo da construção de usinas nuclea res
indicam
também
que
a
energia hidrelétrica deverá manter uma vantagem relativa sobre outras formas de produ-
DIGESTO
136
vados de que aplicar no setor cie bens de consumos básicos e/ou reorientar suas instala ções produtivas nesta direção e uma opção lucrativa, a; Ampliando os serviços pubücos básicos e a produção üe bens essenciais.
Estimativas apresentadas em Brazil: Human Resources
üpecíal Report, publicado pelo Banco Mundial em 1979, indi
cam que é possivel alcançar uma cobertura praticamente total das necessidades da po
pulação entre 1990 a 2000, se o Governo investir de 5% a 6%
do PIB por ano até lá, com ta
xação máxima adicional de 2% do PIB. (...)
nas áreas
de saúde e habitação popular) e uma implementação mais rá
DIGESTO
137
ECONÔMICO
rapidez para atender à deman
considerados um investimento era pessoal mais que uma lorma de consumo — um investi
ras. 0 mercado bnasíleiro pa
ra estes produtos é hoje em
da de alimentos e à de biomassa para combustíveis, sem elevar
mento que exige relativamente
grande parte coberto por fabri
poucas
cantes nacionais,
alimentos, prmcipalmente para
divisas
estrangeiras,
que gera grande número de empregos e que aumenta a fle xibilidade da força de trabalho diante dos desafios e oportuni dades do futuro.
u setor privado, provavelmenie.
é
capaz de produzii’
aens de consumo básico com mais eficiência, exceto, talvez,
aiguma.s formas de transporte uroano de massa.
O Governo
oferecidas por fontes brasilei
as
b) Assegurando suprimentos adequados de energia Um estilo de desenvolvi mento menos dependente do
automóvel particular ajudaria resolver o problema energético
a
As
es-
timativas disponíveis indicam que, se persistirem as recen tes tendências de produtividade
agrícola, o Brasil precisará qua se duplicar seu índice anual de
expansão das áreas cultivadas,
ria à sua fabricação e à dos
ções e a produção de energia entre 1978 e 1985 (Homem de
quantidade de energia necessá
materiais usados para produzi-
Melo, 1980).
baixa ou nula e, possivelmente,
a necessidade de uma infraestrutura básica cara exigida
suosidios nas contribuições pa
por este transporte.
ra reduzir o potencial do confli to entre alimentos e combustí
aoeauados — taxação indireta
sobre a mão-de-obra usada na
produção destes bens. Deveria ser oferecido crédito, mas não
que ele consome e diminuindo
Mesmo supondo-se que
se
parta para maiores esforços de
conservação do que os já rea-
pida exigiriara mais recursos financeiros. Mas, mesmo se
contraria o objetivo de
fossem necessários 4% do PIB
mais empregos.
sivo de energia, a demanda to tal de energia na economia bra
Os gastos do Governo com serviços básicos podem ser
carentes?
brasileiro, reduzindo a grande
lizados até hoje, e que se im
poderíam surgir a curto e a longo prazos. (...)
pessoas
para produzir o suficiente para 0 consumo interno, as exporta
subsidiado. Em geral, o crédito subsidiado para as indústrias
em taxação adicional, signifi cativos benefícios econômicos
significativamente o preço dos
lo, economizando o combustível
precisa iornecer os incentivos
ra o seguro social incidentes
Melhores padrões de servi
ço (prmcipalmente
ECONÔMICO
gerar
As tecnologias necessárias
à produção da maioria dos bens de consumo básicos são bem conhecidas e estão disponíveis
para a compra no mercado in ternacional,
quando
não
são
plante um estilo de desenvolvi mento de consumo menos inten sileira deverá continuar
cres
cendo até 0 final deste século-
Escolhas difíceis são inevitá veis. (...)
Pode o total da produção agrícola ser aumentado com
Existem três caminhos pa
vel, aumentar as áreas cultiva das para ambos os fins; prefe rir plantações para combustí vel que se possam desenvolver em terrenos de pequeno ou ne
nhum potencial para a produção de alimentos; e converter em álcool os refugos agrícolas. O aumento dos preços do petróleo e do urânio e do custo da construção de usinas nuclea res
indicam
também
que
a
energia hidrelétrica deverá manter uma vantagem relativa sobre outras formas de produ-
138
DIGESTO
cão de eletricidade até o fim do século.
ECONÔMICO
tárias de expandir os meios de pagamento ao tentarem manter ou
aumentar
o
nível
real
de
c) Reforma financeira
crédito; 2) ampliar a eficiência
No contexto da estratégia
vestimento, reduzindo os incen
econômica
econômica
aqui
proposta,
a
melhor maneira de melliorar o funcionamento do sistema fi nanceiro brasileiro é restaurar
0 apelo das taxas de juros co mo incentivo à mobilização da poupança
interna
e
uma
efi
ciente distribuição do capital. Os
subsídios
ao
crédito
assumiram (nos últimos anos) proporções mente
verdadeira
macroeconômicas
—
quase o equivalente a 5% do
PIB em 1977 e 1978 e, talvez 10% em 1979 (Banco Mundial,
mais ricos.
Uma reforma financeira que minimizasse estas caracte rísticas do sistema financeiro brasileiro poderia ser feita em dois anos e ter como vanta
gens: 1) eliminar um dos prin cipais mecanismos de propa gação da inflação, restringindo o poder das autoridades mone-
decisões
de in
tivos à especulação e elevando 0 custo do capital a um nível real; 3) ampliar o nível de em
prego gerado por unidade de capital investido; 4) reduzir os altos custos administrativos, decorrentes do atual sistema de
crédito subsidiado seletivo; 5) encorajar a poupança interna; 6) diminuir o preço das terras agricultáveis a um nível justifi cado; e 7) eliminar um dos principais mecanismos de con centração da renda da riqueza (o crédito subsidiado).
1981). Estes subsídios são es sencialmente transferências não
retribuídas, muitas vezes dos brasileiros mais pobres para os
das
d) Reforma fiscal
ram
Os incentivos fiscais custa ao Tesouro brasileiro
0 equivalente a 1,8% do PIB em 1978 ( Conjuntura Econômica, 1979). Estes incentivos tendem a distorcer o fator preços con tra o trabalho, em favor do capital, reduzindo assim o po tencial dos investimentos para a geração de empregos. Eles favorecem também
a contínua
concentração de renda.
DIGEStO
139
ÉCONÒMÍCÒ
O primeiro objetivo de uma
com a mão-de-obra contratada,
rqíorma fiscal poderia ser a
embora a proporção de terre nos com rendimento alto e mé dio não variasse de modo signi
elevação da arrecadação geral cie impostos, do equivalente a 26% do PIB em 1978 para 30%
até 1985, além do aumento dos impostos indiretos incidentes sobre os bens de consumo de luxo. Outro objetivo poderia
ser 0 encorajamento da utiliza
ção de mão-de-obra, alterandose os impostos sobre o trabalho, que financiam o sistema de previdência social e o FGTS.
ficativo com 0 tamanho da fa zenda, As grandes fazendas
tendiam a explorar menos mãode-obra do que seria necessá rio para maximizar os lucros, embora
não houvesse escassez
de mão-de-obra disponível.
Isto é uma indicação de que a redistribuição da terra
poderíam
pode, em muitos casos, aumen
ser implementadas gradual mente num período de cinco
tar a produção e o emprego. Mas uma reforma agrária tem
anos e os novos impostos inci
custos que devem ser pesados em relação aos ganhos poten ciais. O Brasil é tão grande e diverso que qualquer reforma deste tipo teria que ser plane jada para atender às necessi dades específicas de cada área. (...) Recentes pronunciamen
Estas
reformas
diríam basicamente sobre os 10% de famílias que recebem mais de 50% da renda indivi dual.
e) Reforma agrária O Banco Mundial e a Sudene examinaram 8 mil fazen
das em 1973-1974 e descobriram que dependendo da zona eco
tos
oficiais
do
Governo e
o
anúncio de reformas limitadas
em algumas áreas onde há vio
lógica, as pequenas fazendas,
lência na disputa entre possei
onde a mão-de-obra é familiar,
ros e donos de terra são um
empregam de cinco a 22 vezes
sinal de que os anos 80 poderão presenciar a primeira reforma agrária séria da história do Brasil.
mais trabalhadores por hecta
re que as grandes proprieda des, que contam basicamente
138
DIGESTO
cão de eletricidade até o fim do século.
ECONÔMICO
tárias de expandir os meios de pagamento ao tentarem manter ou
aumentar
o
nível
real
de
c) Reforma financeira
crédito; 2) ampliar a eficiência
No contexto da estratégia
vestimento, reduzindo os incen
econômica
econômica
aqui
proposta,
a
melhor maneira de melliorar o funcionamento do sistema fi nanceiro brasileiro é restaurar
0 apelo das taxas de juros co mo incentivo à mobilização da poupança
interna
e
uma
efi
ciente distribuição do capital. Os
subsídios
ao
crédito
assumiram (nos últimos anos) proporções mente
verdadeira
macroeconômicas
—
quase o equivalente a 5% do
PIB em 1977 e 1978 e, talvez 10% em 1979 (Banco Mundial,
mais ricos.
Uma reforma financeira que minimizasse estas caracte rísticas do sistema financeiro brasileiro poderia ser feita em dois anos e ter como vanta
gens: 1) eliminar um dos prin cipais mecanismos de propa gação da inflação, restringindo o poder das autoridades mone-
decisões
de in
tivos à especulação e elevando 0 custo do capital a um nível real; 3) ampliar o nível de em
prego gerado por unidade de capital investido; 4) reduzir os altos custos administrativos, decorrentes do atual sistema de
crédito subsidiado seletivo; 5) encorajar a poupança interna; 6) diminuir o preço das terras agricultáveis a um nível justifi cado; e 7) eliminar um dos principais mecanismos de con centração da renda da riqueza (o crédito subsidiado).
1981). Estes subsídios são es sencialmente transferências não
retribuídas, muitas vezes dos brasileiros mais pobres para os
das
d) Reforma fiscal
ram
Os incentivos fiscais custa ao Tesouro brasileiro
0 equivalente a 1,8% do PIB em 1978 ( Conjuntura Econômica, 1979). Estes incentivos tendem a distorcer o fator preços con tra o trabalho, em favor do capital, reduzindo assim o po tencial dos investimentos para a geração de empregos. Eles favorecem também
a contínua
concentração de renda.
DIGEStO
139
ÉCONÒMÍCÒ
O primeiro objetivo de uma
com a mão-de-obra contratada,
rqíorma fiscal poderia ser a
embora a proporção de terre nos com rendimento alto e mé dio não variasse de modo signi
elevação da arrecadação geral cie impostos, do equivalente a 26% do PIB em 1978 para 30%
até 1985, além do aumento dos impostos indiretos incidentes sobre os bens de consumo de luxo. Outro objetivo poderia
ser 0 encorajamento da utiliza
ção de mão-de-obra, alterandose os impostos sobre o trabalho, que financiam o sistema de previdência social e o FGTS.
ficativo com 0 tamanho da fa zenda, As grandes fazendas
tendiam a explorar menos mãode-obra do que seria necessá rio para maximizar os lucros, embora
não houvesse escassez
de mão-de-obra disponível.
Isto é uma indicação de que a redistribuição da terra
poderíam
pode, em muitos casos, aumen
ser implementadas gradual mente num período de cinco
tar a produção e o emprego. Mas uma reforma agrária tem
anos e os novos impostos inci
custos que devem ser pesados em relação aos ganhos poten ciais. O Brasil é tão grande e diverso que qualquer reforma deste tipo teria que ser plane jada para atender às necessi dades específicas de cada área. (...) Recentes pronunciamen
Estas
reformas
diríam basicamente sobre os 10% de famílias que recebem mais de 50% da renda indivi dual.
e) Reforma agrária O Banco Mundial e a Sudene examinaram 8 mil fazen
das em 1973-1974 e descobriram que dependendo da zona eco
tos
oficiais
do
Governo e
o
anúncio de reformas limitadas
em algumas áreas onde há vio
lógica, as pequenas fazendas,
lência na disputa entre possei
onde a mão-de-obra é familiar,
ros e donos de terra são um
empregam de cinco a 22 vezes
sinal de que os anos 80 poderão presenciar a primeira reforma agrária séria da história do Brasil.
mais trabalhadores por hecta
re que as grandes proprieda des, que contam basicamente
DIGESTO
142
considerável, crescer
mais
mesmo
se
lentamente
este ou
solar,
ECONÔMICO
descoberta
de
vacinas
simples e da cura para a es-
quistossomose e para a doença
diminuir. E sempre existirá o mercado de exportação, para
de
05 bens de luxo. produtos bási
Brasil.
cos e bens de capital.
Em resumo, a comunidade internacional pode- facilitar pa ra o Brasil a reorientação de sua política de desenvolvimen
Finalmente, há muitas ma neiras importantes, através das quais as fundações particula res, as instituições de pesqui sa e os think tanks poderíam
prestar ajuda. Bons exemplos são pesquisas sobre novas plantações e tecnologias para a produção de álcool e outros combustíveis de biomassa, de senvolvimento de tecnologia pa ra o aproveitamento da energia
Chagas,
ainda
comuns
no
to, numa direção que favoreça a emergência
do
uma
sociedade
bem
succdida,
País
como
democrática
na
virada
do
século. Não é do interesse das
A Encíclica Laborem Exercens “Mediante o Trabalho
democracias ocidentais que o Bra.sil fracass? em seu esforço.
(Transcrito, data venia, do “Jornal do Brasil”, de 20 6-1982).
Sugerido um SPC para a pessoa jurídica
Glycon de Paiva
São José do Rio Preto
Se exis
te o Serviço de Proteção ao Crédito para proteger o comércio dos clientes maus pagadores, também deveria funcionar um SPC para a pessoa jurídica, a nivel nacional, “a fim de combater empresa.s que causam prejuízos a bancos, comércio e indústria e na maioria dos casos, ficam impimes”. A proposta é do presidente da Associação Comercial e Industrial de São José do Rio Preto (SP), Antônio Mahfuz, que acredita que, se ela for adotada, “a classe empresarial será beneficiada, principalmente as empresas que atuam na área do atacado, as maiores vitimas». Em sua opinião, tem crescido o número de empresas fraudulentas. Conforme sua sugestão, no SPC de São Paulo funcionaria uma central nacional que, mensalmente, divulgaria aos SPC das demais capitais as listas dos novos “negativados” ou “recuperados”. Mahfuz acredita que o serviço podería ser iniciado em maio próximo, caso os serviços de proteção ao crédito das capitais — “que devem liderar a implantação desse sistema” — apoiarem a iniciativa. Em seu entender a firma deveria ser «negativada» se atrasasse 75 dias o pagamento; com atraso de 90 dias, iria para o protesto. Também seriam motivos para a empresa ser incluída naquela lista a conta bancária encerrada, título ou duplicata pro(Gontínua na página 160)
Estudo sobre a
grande encíclica do Santo Padre João Paulo II Estrutura da
Encíclica
subdividem
nos
27
subtítulos
alinhados.
Laborem Exercens (Median te o Trabalho) é uma encíclica
com 20.000 palavras em portu guês (80 páginas datilografa das, espaço dois). A cinco
matéria é exposta sob títulos capitais que se
I — INTRODUÇÃO 1 — Sobre o trabalho humano.
2 — Desenvolvimento
da ação
e do ensino social da Igre¬ ja.
DIGESTO
142
considerável, crescer
mais
mesmo
se
lentamente
este ou
solar,
ECONÔMICO
descoberta
de
vacinas
simples e da cura para a es-
quistossomose e para a doença
diminuir. E sempre existirá o mercado de exportação, para
de
05 bens de luxo. produtos bási
Brasil.
cos e bens de capital.
Em resumo, a comunidade internacional pode- facilitar pa ra o Brasil a reorientação de sua política de desenvolvimen
Finalmente, há muitas ma neiras importantes, através das quais as fundações particula res, as instituições de pesqui sa e os think tanks poderíam
prestar ajuda. Bons exemplos são pesquisas sobre novas plantações e tecnologias para a produção de álcool e outros combustíveis de biomassa, de senvolvimento de tecnologia pa ra o aproveitamento da energia
Chagas,
ainda
comuns
no
to, numa direção que favoreça a emergência
do
uma
sociedade
bem
succdida,
País
como
democrática
na
virada
do
século. Não é do interesse das
A Encíclica Laborem Exercens “Mediante o Trabalho
democracias ocidentais que o Bra.sil fracass? em seu esforço.
(Transcrito, data venia, do “Jornal do Brasil”, de 20 6-1982).
Sugerido um SPC para a pessoa jurídica
Glycon de Paiva
São José do Rio Preto
Se exis
te o Serviço de Proteção ao Crédito para proteger o comércio dos clientes maus pagadores, também deveria funcionar um SPC para a pessoa jurídica, a nivel nacional, “a fim de combater empresa.s que causam prejuízos a bancos, comércio e indústria e na maioria dos casos, ficam impimes”. A proposta é do presidente da Associação Comercial e Industrial de São José do Rio Preto (SP), Antônio Mahfuz, que acredita que, se ela for adotada, “a classe empresarial será beneficiada, principalmente as empresas que atuam na área do atacado, as maiores vitimas». Em sua opinião, tem crescido o número de empresas fraudulentas. Conforme sua sugestão, no SPC de São Paulo funcionaria uma central nacional que, mensalmente, divulgaria aos SPC das demais capitais as listas dos novos “negativados” ou “recuperados”. Mahfuz acredita que o serviço podería ser iniciado em maio próximo, caso os serviços de proteção ao crédito das capitais — “que devem liderar a implantação desse sistema” — apoiarem a iniciativa. Em seu entender a firma deveria ser «negativada» se atrasasse 75 dias o pagamento; com atraso de 90 dias, iria para o protesto. Também seriam motivos para a empresa ser incluída naquela lista a conta bancária encerrada, título ou duplicata pro(Gontínua na página 160)
Estudo sobre a
grande encíclica do Santo Padre João Paulo II Estrutura da
Encíclica
subdividem
nos
27
subtítulos
alinhados.
Laborem Exercens (Median te o Trabalho) é uma encíclica
com 20.000 palavras em portu guês (80 páginas datilografa das, espaço dois). A cinco
matéria é exposta sob títulos capitais que se
I — INTRODUÇÃO 1 — Sobre o trabalho humano.
2 — Desenvolvimento
da ação
e do ensino social da Igre¬ ja.
DIGESTO
144
3 — Trabalho: tão social.
chave da ques
II — O TRABALHO E O HOMEM
1 — O trabalho como o Gênesis o vê.
2 — A técnica e o trabalho, no sentido objetivo. 3 — O homem sujeito ao traba lho, no sentido subjetivo. 4 — Ameaça à hierarquia de valores.
5 — Solidariedade dos que tra balham, 6 — Trabalho e dignidade da pessoa.
7 — Trabalho, sociedade, famí
2 — Produtos de trabalho dire to e indireto.
3 — O problema do emprego. 4 — Salário e subvenção social.
5 — A importância dos sindicatos.
6 — Dignidade
do
V — ESPIRITUALIDADE DO TRABALHO
2 — O
trabalho
mo.
4 — Trabalho e propriedade. 5 — Argumento personalista. IV — DIREITO DO HOMEM AO TRABALHO
na
obra
da
Criação. 3 — Cristo — Homem do trabaIho
humano sob o
ângulo da Cruz e da Revo lução. A extensão das subdivisões são, como anteriormente se viu:
contexto dos
direitos do Homem.
ECONÔMICO
145
pitai e Trabalho (Cinco títulos — 5.300 palavras); IV — Direitos dos trabalhado res (Oito títulos — 5.300 palavras) ; V — Espiritualidade do Tra balho (quatro títulos — 3.000 palavras). ESSÊNCIA DA ENCÍCLICA LABOREM EXERCENS
midas em cada uma das partes acima são as seguintes:
I — O trabalho é a chave da questão social. II — A solidariedade dos te
mas: Trabalho,
família,
sociedade e Nação.
III — Conflito entre
capital e
trabalho
Ti’abalho e
—
propriedade.
IV — O problema do emprego
Resumo da Estrutura
balho
da Encíclica
Igreja a vê.
I — Introdução (Três títulos — 1.600 palavras); II — O Trabalho
e o
Homem
lavras) ; III — Conflito
atual
entre Ca-
humano
como
de posição Igreja.
recomendada
pela
Assim é que a Encíclica Nostris et Nobiscum, por exem plo, de Pio IX condena comu nismo e socialismo; a Rerum Novarum, de 1891, trata da con dição operária; a Quadragési mo Anno de 1931, versa a ques
tão social; a Optatissimo Paxde 1947, fala sobre a paz social.
— Papel da Igreja. V — A face espiritual do tra
(Sete títulos — 5.000 pa 1 — Situação no
DIGESTO
As posições essenciais assu
1 — Papel particular da Igreja.
4 — O trabalho
1 — Dimensões do conflito. 2 — Prioridade do trabalho. 3 —' Economismo e materialis-
trabalho
agrícola. 7 — O deficiente e o trabalho. 8 — O trabalho e a emigração.
lia e Nação. III — CONFLITO ATUAL ENTRE CAPITAL E TRABALHO
ECONÔMICO
a
Significado da Encíclica Laborem Exercens
Como se sabe, uma encícli ca é uma carta solene do papa endereçada à humanidade cató lica, versando tema indicativo
Antecedem Laborem Exercens em seu tema. Esta faz se-
qüência
às mencionadas encí-
clicas.
Objetívam esses pronuncia mentos, essencialmenfe, a ques
tão trabalhista, à luz da situaçao
atual de um mundo
multo
populoso, carente de maiores disponibilidadesde recursos na turais e de alimentos, frente à enorme população pauperizada, enfrentando oferta escassa
trabalho, com
de
milhões de de
sempregados progressivamente desnecessários em mundo me-
canizado,
automatizado e com
putado. A escassez de meio.s
reali-
menta, favorece a tendência egoísta, dos que, apesar de tu do, bastam-se e abastecem-se.
DIGESTO
144
3 — Trabalho: tão social.
chave da ques
II — O TRABALHO E O HOMEM
1 — O trabalho como o Gênesis o vê.
2 — A técnica e o trabalho, no sentido objetivo. 3 — O homem sujeito ao traba lho, no sentido subjetivo. 4 — Ameaça à hierarquia de valores.
5 — Solidariedade dos que tra balham, 6 — Trabalho e dignidade da pessoa.
7 — Trabalho, sociedade, famí
2 — Produtos de trabalho dire to e indireto.
3 — O problema do emprego. 4 — Salário e subvenção social.
5 — A importância dos sindicatos.
6 — Dignidade
do
V — ESPIRITUALIDADE DO TRABALHO
2 — O
trabalho
mo.
4 — Trabalho e propriedade. 5 — Argumento personalista. IV — DIREITO DO HOMEM AO TRABALHO
na
obra
da
Criação. 3 — Cristo — Homem do trabaIho
humano sob o
ângulo da Cruz e da Revo lução. A extensão das subdivisões são, como anteriormente se viu:
contexto dos
direitos do Homem.
ECONÔMICO
145
pitai e Trabalho (Cinco títulos — 5.300 palavras); IV — Direitos dos trabalhado res (Oito títulos — 5.300 palavras) ; V — Espiritualidade do Tra balho (quatro títulos — 3.000 palavras). ESSÊNCIA DA ENCÍCLICA LABOREM EXERCENS
midas em cada uma das partes acima são as seguintes:
I — O trabalho é a chave da questão social. II — A solidariedade dos te
mas: Trabalho,
família,
sociedade e Nação.
III — Conflito entre
capital e
trabalho
Ti’abalho e
—
propriedade.
IV — O problema do emprego
Resumo da Estrutura
balho
da Encíclica
Igreja a vê.
I — Introdução (Três títulos — 1.600 palavras); II — O Trabalho
e o
Homem
lavras) ; III — Conflito
atual
entre Ca-
humano
como
de posição Igreja.
recomendada
pela
Assim é que a Encíclica Nostris et Nobiscum, por exem plo, de Pio IX condena comu nismo e socialismo; a Rerum Novarum, de 1891, trata da con dição operária; a Quadragési mo Anno de 1931, versa a ques
tão social; a Optatissimo Paxde 1947, fala sobre a paz social.
— Papel da Igreja. V — A face espiritual do tra
(Sete títulos — 5.000 pa 1 — Situação no
DIGESTO
As posições essenciais assu
1 — Papel particular da Igreja.
4 — O trabalho
1 — Dimensões do conflito. 2 — Prioridade do trabalho. 3 —' Economismo e materialis-
trabalho
agrícola. 7 — O deficiente e o trabalho. 8 — O trabalho e a emigração.
lia e Nação. III — CONFLITO ATUAL ENTRE CAPITAL E TRABALHO
ECONÔMICO
a
Significado da Encíclica Laborem Exercens
Como se sabe, uma encícli ca é uma carta solene do papa endereçada à humanidade cató lica, versando tema indicativo
Antecedem Laborem Exercens em seu tema. Esta faz se-
qüência
às mencionadas encí-
clicas.
Objetívam esses pronuncia mentos, essencialmenfe, a ques
tão trabalhista, à luz da situaçao
atual de um mundo
multo
populoso, carente de maiores disponibilidadesde recursos na turais e de alimentos, frente à enorme população pauperizada, enfrentando oferta escassa
trabalho, com
de
milhões de de
sempregados progressivamente desnecessários em mundo me-
canizado,
automatizado e com
putado. A escassez de meio.s
reali-
menta, favorece a tendência egoísta, dos que, apesar de tu do, bastam-se e abastecem-se.
DIGESTO
146
ECONÔMICO
cular do ser humano que ao tra
Assim, não ter compaixão ou interesse pelo próximo é po lítica insensivelmente assumida
balho empresta especial quali ficação interior, criador como é
pelos que querem se proteger das formas generalizadas de
dos direitos sociais.
escassez.
I —.introdução
tradução publicada
pela nossa imprensa: "É mediante o trabalho que
dica a encíclica ao trabalho do
Homem, como elemento indis pensável de sua vida. Manifesta receio pela con tínua ameaça de desemprego, ferindo o direito ao trabalho que eleva e dignifica o homem.
o homem deve procurar o pão e
contribuir
para
o
1 e 2 — Trabalho
e da técnica e sobretudo para a
cultural e
moral da sociedade” Mediante o trabalho é a tra
dução que se escolheu para as duas primeiras palavras do texto latino da encíclica que a denominam.
humano
e a Igreja
progresso contínuo das ciências incessante elevação
3. Trabalho^ chave da
so busca a realização de sua humanidade e o desempenho de sua vocação de tornar-se pes
questão social
tornar a vida do humana.
Na Introdução, o papa de
Exercens, elemento do primeiro período da Apresentação, lê-se
cotidiano
147
homem mais
soa. Isso, entretanto, com a li mitação de que: "o trabalho é para o homem; não o homem para o trabalho".
Encíclica
A frase inicial da Apresen tação da encíclica Laborem
assim, na
ECONÔMICO
A solução da questão social centraliza-se no propósito de
DA ENCÍCLICA Revisão dos itens da Laborem Exercens
DIGESTO
O trabalho encontra-se no centro da questão social. Não
se trata apenas de justa solu ção da questão operária de que cogitam Rerum Novarum e Quadragésimo Anno, mas de po
sição que se recomenda face à distribuição desproporcionada de riqueza, de um lado, e de mi
Esclarece o papa que o ho mem é o único animal que tra balha a fim de preencher sua
séria de outro. A questão não se cinge ao operário, mas ao
existência.
dades e injustiças".
Daí a marca
parti-
"âmbito
mundial das
desigual
4. Ameaças à hierarquia
H —I O Trabalho e o Homem 1. Livro do Gênesis
O trabalho, diz o Gênesis, é atividade transitória. Inicia-se no homem empenhado em transformar favoravelmenteum objeto exterior. Com o trabalho 0 homem submete a Terra.
2. O Trabalho e a Técnica
de valores
Até a metade
do
século
XIX, havia tendência de tratar 0
trabalho
como
mercadoria,
vendida no processo de produ ção pelo operário ao patrão capitalista. Ainda hoje, restam resquícios desse economismo materialista. A posição preté rita deixa de tratar o trabalha
Mas a máquina na opinião da encíclica não perturbou o papel
primordial
do
homem
quanto ao trabalho. 3. O Homem sujeito do Trabalho O
valor
trabalho
ético
dor como artífice e como cria
dor, enquanto que o ideal seria considerá-lo sujeito do traba lho que o coloca na finalidade última do processo produtivo que é dar dignidade e impor tância ao homem.
humano
próprio,
frui
indepen
dente de sua natureza.
Diz a Bíblia caber ao ho mem 0 dever de submeter a
Terra. Insiste em que é o ho mem 0 sujeito do trabalho. Nis-
5. Solidariedade
dos operários
O
ininterrupto aperfeiçoa
mento do equipamento indusrial caminha para desmerecer 0 papel do indivíduo na produ-
DIGESTO
146
ECONÔMICO
cular do ser humano que ao tra
Assim, não ter compaixão ou interesse pelo próximo é po lítica insensivelmente assumida
balho empresta especial quali ficação interior, criador como é
pelos que querem se proteger das formas generalizadas de
dos direitos sociais.
escassez.
I —.introdução
tradução publicada
pela nossa imprensa: "É mediante o trabalho que
dica a encíclica ao trabalho do
Homem, como elemento indis pensável de sua vida. Manifesta receio pela con tínua ameaça de desemprego, ferindo o direito ao trabalho que eleva e dignifica o homem.
o homem deve procurar o pão e
contribuir
para
o
1 e 2 — Trabalho
e da técnica e sobretudo para a
cultural e
moral da sociedade” Mediante o trabalho é a tra
dução que se escolheu para as duas primeiras palavras do texto latino da encíclica que a denominam.
humano
e a Igreja
progresso contínuo das ciências incessante elevação
3. Trabalho^ chave da
so busca a realização de sua humanidade e o desempenho de sua vocação de tornar-se pes
questão social
tornar a vida do humana.
Na Introdução, o papa de
Exercens, elemento do primeiro período da Apresentação, lê-se
cotidiano
147
homem mais
soa. Isso, entretanto, com a li mitação de que: "o trabalho é para o homem; não o homem para o trabalho".
Encíclica
A frase inicial da Apresen tação da encíclica Laborem
assim, na
ECONÔMICO
A solução da questão social centraliza-se no propósito de
DA ENCÍCLICA Revisão dos itens da Laborem Exercens
DIGESTO
O trabalho encontra-se no centro da questão social. Não
se trata apenas de justa solu ção da questão operária de que cogitam Rerum Novarum e Quadragésimo Anno, mas de po
sição que se recomenda face à distribuição desproporcionada de riqueza, de um lado, e de mi
Esclarece o papa que o ho mem é o único animal que tra balha a fim de preencher sua
séria de outro. A questão não se cinge ao operário, mas ao
existência.
dades e injustiças".
Daí a marca
parti-
"âmbito
mundial das
desigual
4. Ameaças à hierarquia
H —I O Trabalho e o Homem 1. Livro do Gênesis
O trabalho, diz o Gênesis, é atividade transitória. Inicia-se no homem empenhado em transformar favoravelmenteum objeto exterior. Com o trabalho 0 homem submete a Terra.
2. O Trabalho e a Técnica
de valores
Até a metade
do
século
XIX, havia tendência de tratar 0
trabalho
como
mercadoria,
vendida no processo de produ ção pelo operário ao patrão capitalista. Ainda hoje, restam resquícios desse economismo materialista. A posição preté rita deixa de tratar o trabalha
Mas a máquina na opinião da encíclica não perturbou o papel
primordial
do
homem
quanto ao trabalho. 3. O Homem sujeito do Trabalho O
valor
trabalho
ético
dor como artífice e como cria
dor, enquanto que o ideal seria considerá-lo sujeito do traba lho que o coloca na finalidade última do processo produtivo que é dar dignidade e impor tância ao homem.
humano
próprio,
frui
indepen
dente de sua natureza.
Diz a Bíblia caber ao ho mem 0 dever de submeter a
Terra. Insiste em que é o ho mem 0 sujeito do trabalho. Nis-
5. Solidariedade
dos operários
O
ininterrupto aperfeiçoa
mento do equipamento indusrial caminha para desmerecer 0 papel do indivíduo na produ-
DIGESTO
148
ção industrial, Dessa consideração surge a questão operária no século XrX; a tendência ao agrupamento proletário buscan do defesa contra o assalto à sua
dignidade como pessoa e como utilidade humana no processo industrial o que dá lugar a in justiça e danos.
Simultaneamente,
cresceu
de importância e fortaleceu-se de prestígio a fração capitalista da indústria.
Diversas formas de partici pação operária no processo in dustrial foram imaginadas para contornar levantada
a dificuldade social entre o homem e a
máquina. A tendência à proletarização tem alcançado até a classe social culta cujos conhe
ECONÔMICO
DIGESTO
tanto.
ECONÔMICO
149
Daí, a tendência ao pa
a natureza para adaptá-la às próprias necessidades, o que o
gamento de baixos salários ao
realiza como homem”.
trabalhador, de modo a incre mentar lucros ao capital, além
7. Trabalho e Sociedade
de desinteresse pela segurança da mão-de-obra.
O
trabalho
é
fundamento
sobre o qual se edifica a vida familiar,
Inicialmente
no lar
processa-se a educação dos fi lhos, isto é, 0 árduo mecanismo de
transformação
da
criança
em homem, mediante o traba lho, o que constitui a finalidade principal da educação.
Assim é a família, ao mes mo tempo, uma comunidade de trabalho e uma escola caseira onde se ensina a trabalhar. III — CONFLITO ATUAL entre capital
Dessa
contradição
surgiu,
nesse século, conflito ideológico
entre llíberalismo, capitalismo, marxismo e comunismo, como resultante das divergências en
tre o mundo do capital e o do trabalho. A subsequente etapa da di vergência
foi
0
acréscimo
à
discussão dos aspectos políticos envolvidos e a superveniente criação do conceito de luta de
classe, além do propósito traba lhista de tornar coletiva a pro
priedade,
entregando-a à uni
versalidade proletária.
ja Católica atribui prioridade ao primeiro deles. O homem que trabalha tem tendência a apossar-se do es paço necessário ao assentamen to do seu banco de trabalho, dessa maneira criando regime de propriedade minifundiária. Sua Santidade é de opinião
que 0 trabalho humano partici pa do mistério da criação. Nes ta concepção, o conceito de propriedade fica ligado ao pa trimônio histórico do trabalho humano. 3.
Economísmo
e Materíalismo A atitude de exclusivamen te considerar o trabalho huma
no segundo o aspecto econômi
cimentos dada a abundância de
E TRABALHO
profissionais, necessariamente não determinam emprego in dustrial certo para ela.
Assim, eliminada a proprie
outro lado, o primado atribuído
1. Dimensões do Conflito
dade privada dos meios de pro
às coisas materiais, principal
O homem se desenvolve à medida de seu amor ao traba
dução, abrir-se-ia, segundo o ponto de vista, o caminho para universalização do socialismo
mente a recursos naturais, volta-se para posição materialista.
lho. No século XIX, a marcan
c, por fim, do estabelecimento
6. Trabalho e Dignidade da Pessoa
te intensidade da industrializa 0
trabalho é um bem do
homem, ainda que difícil e pe noso. “É um bem de sua hu manidade porque, mediante
trabalho, o homem transforma
ção mudou 0 mundo, fez eclodir situação de oposição entre trabalho e capital, fatores am bos de produção, um só deles proprietários do capital, entre-
co conduz ao economismo.
A Encíclica Laborem
De
Exer-
do comunismo.
cens opina que o capital é inse parável do trabalho. Não se
2. Prioridade do Trabalho
pode contrapor homens concre
Entre os fatores da produ
ção, trabalho e capital, a Igre-
tos atrás de conceitos. Cum pre, entretanto, prioridade efe
tiva ao trabalho, independente-
DIGESTO
148
ção industrial, Dessa consideração surge a questão operária no século XrX; a tendência ao agrupamento proletário buscan do defesa contra o assalto à sua
dignidade como pessoa e como utilidade humana no processo industrial o que dá lugar a in justiça e danos.
Simultaneamente,
cresceu
de importância e fortaleceu-se de prestígio a fração capitalista da indústria.
Diversas formas de partici pação operária no processo in dustrial foram imaginadas para contornar levantada
a dificuldade social entre o homem e a
máquina. A tendência à proletarização tem alcançado até a classe social culta cujos conhe
ECONÔMICO
DIGESTO
tanto.
ECONÔMICO
149
Daí, a tendência ao pa
a natureza para adaptá-la às próprias necessidades, o que o
gamento de baixos salários ao
realiza como homem”.
trabalhador, de modo a incre mentar lucros ao capital, além
7. Trabalho e Sociedade
de desinteresse pela segurança da mão-de-obra.
O
trabalho
é
fundamento
sobre o qual se edifica a vida familiar,
Inicialmente
no lar
processa-se a educação dos fi lhos, isto é, 0 árduo mecanismo de
transformação
da
criança
em homem, mediante o traba lho, o que constitui a finalidade principal da educação.
Assim é a família, ao mes mo tempo, uma comunidade de trabalho e uma escola caseira onde se ensina a trabalhar. III — CONFLITO ATUAL entre capital
Dessa
contradição
surgiu,
nesse século, conflito ideológico
entre llíberalismo, capitalismo, marxismo e comunismo, como resultante das divergências en
tre o mundo do capital e o do trabalho. A subsequente etapa da di vergência
foi
0
acréscimo
à
discussão dos aspectos políticos envolvidos e a superveniente criação do conceito de luta de
classe, além do propósito traba lhista de tornar coletiva a pro
priedade,
entregando-a à uni
versalidade proletária.
ja Católica atribui prioridade ao primeiro deles. O homem que trabalha tem tendência a apossar-se do es paço necessário ao assentamen to do seu banco de trabalho, dessa maneira criando regime de propriedade minifundiária. Sua Santidade é de opinião
que 0 trabalho humano partici pa do mistério da criação. Nes ta concepção, o conceito de propriedade fica ligado ao pa trimônio histórico do trabalho humano. 3.
Economísmo
e Materíalismo A atitude de exclusivamen te considerar o trabalho huma
no segundo o aspecto econômi
cimentos dada a abundância de
E TRABALHO
profissionais, necessariamente não determinam emprego in dustrial certo para ela.
Assim, eliminada a proprie
outro lado, o primado atribuído
1. Dimensões do Conflito
dade privada dos meios de pro
às coisas materiais, principal
O homem se desenvolve à medida de seu amor ao traba
dução, abrir-se-ia, segundo o ponto de vista, o caminho para universalização do socialismo
mente a recursos naturais, volta-se para posição materialista.
lho. No século XIX, a marcan
c, por fim, do estabelecimento
6. Trabalho e Dignidade da Pessoa
te intensidade da industrializa 0
trabalho é um bem do
homem, ainda que difícil e pe noso. “É um bem de sua hu manidade porque, mediante
trabalho, o homem transforma
ção mudou 0 mundo, fez eclodir situação de oposição entre trabalho e capital, fatores am bos de produção, um só deles proprietários do capital, entre-
co conduz ao economismo.
A Encíclica Laborem
De
Exer-
do comunismo.
cens opina que o capital é inse parável do trabalho. Não se
2. Prioridade do Trabalho
pode contrapor homens concre
Entre os fatores da produ
ção, trabalho e capital, a Igre-
tos atrás de conceitos. Cum pre, entretanto, prioridade efe
tiva ao trabalho, independente-
DIGESTO
150
mente da natureza dos serviços
por ele prestados.
de propriedade privada. Reina espírito de co-participação dos trabalhadores na gestão da em-
Pelo trabalho, penetra-se no
patrimônio já revelado dos re cursos da Terra,
ECONÔMICO
Cabe
obser-
var que, durante muito tempo,
o trabalho humano foi avaliado
pela sua
utilidade econômica apenas; nao pelo significado do ângulo humano da tarefa. 4. Trabalho e Propriedade
A relação entre trabalho e
presa
e
ainda nos seus lucros.
co-proprietários pelo trabalho prestado. Para isso ram-se
A
propriedade adquire-se pelo trabalho. Possui-se para servi-la. Os bens não são apos sados meramente por possuí-
los, mas para que se destinem ao trabalho que produz os bens
exigidos
pelo uso
comum de
todos.
Não cabe na Igreja o con
ceito do capitalismo rígido, sob
o regime de direito exclusivo
Ao Estado cumpre cuidar e conduzir uma justa política tra
5. Argumento Personalista
tivos do trabalhador.
pre respeitar os direitos obje O
trabalho
é
inseparável
rário tenha consciência de que
priedade vê-se subordinado ao
direto e indireto
capital ao trabalho.
cumpre associar o
é capitalista liberal.
direito comum de utilizar todos Os bens de toda a criação.
2. Produtos de trabalho
balhista. Quando se trata de instaurar uma política de tra balho, eticamente correta, cum
conseguir,
do capital, não antinomia dele.
Porque,
ECONÔMICO
trabalho estabelecido entre pro prietário e operário.
Só há verdadeira socializa
ção quando os sócios, conside-
propriedade, como recomenda do pela Igreja, não é coletivista, nem marxista; também, não
para a Igreja, o direito de pro
DIGESTO
Ao receber remuneração pelo seu esforço, cumpre que o ope
trabalha por sua conta, sujei tando-se ao trabalho por inicia
O Estado preside ao trabaindireto, principalmente nas trocas internacionais, nas quais reside situação determi nante de injustiças, provocadas pelo desnível de desenvolvi mento entre países ricos e po bres. 3. O Problema do Emprego
IV — DIREITOS DOS HOMENS
1. Situação no contexto dos direitos do Homem
A
obrigação
de
trabalho
constitui, ao mesmo tempo, fon
te de direitos situados entre os
fundamentais
à pessoa.
Essa
situação, de obrigação e de di reito, inclui-se no contrato de
rios para, em termos mundiais, enfrentar o desemprego.
Será preciso um plano uni versal e harmonioso como já o sugeriu Paulo VT em Populorum
Progressio, isto é, a preocupa ção com a evolução contínua do trabalho humano. Sugeriu aquele papa que a finalidade do sistema educativo é o de senvolvimento da humanidade e sua maturidade.
4. Salário e Subvenção Social
Iho
tiva própria.
AO TRABALHO
151
O problema chave da ética
social é 0 da justa remuneração pelo trabalho executado, aten dendo ao direito de uso comum de bens a isso destinados.
Essa
justa
remuneração
cumpre suficiente para digna mente manter a família, asse
gurando-lhe futuro, respeitadas Existe, em todo o mundo, o problema para o trabalhador encontrar emprego adaptado àqueles capazes de o ter. Isso, porque existe por toda parte um direito à vida e à subsis tência.
A planificação global e a cooperação internacional pare
cem à Sua Santidade necessá-
as exigências da pessoa e sua
forma de vida doméstica, antes de mais nada.
5. A Importância dos Sindicatos O trabalhador tem o direito a associar-se para melhor de
fender interesses vitais. O sin
dicato é expoente da luta pela justiça social.
DIGESTO
150
mente da natureza dos serviços
por ele prestados.
de propriedade privada. Reina espírito de co-participação dos trabalhadores na gestão da em-
Pelo trabalho, penetra-se no
patrimônio já revelado dos re cursos da Terra,
ECONÔMICO
Cabe
obser-
var que, durante muito tempo,
o trabalho humano foi avaliado
pela sua
utilidade econômica apenas; nao pelo significado do ângulo humano da tarefa. 4. Trabalho e Propriedade
A relação entre trabalho e
presa
e
ainda nos seus lucros.
co-proprietários pelo trabalho prestado. Para isso ram-se
A
propriedade adquire-se pelo trabalho. Possui-se para servi-la. Os bens não são apos sados meramente por possuí-
los, mas para que se destinem ao trabalho que produz os bens
exigidos
pelo uso
comum de
todos.
Não cabe na Igreja o con
ceito do capitalismo rígido, sob
o regime de direito exclusivo
Ao Estado cumpre cuidar e conduzir uma justa política tra
5. Argumento Personalista
tivos do trabalhador.
pre respeitar os direitos obje O
trabalho
é
inseparável
rário tenha consciência de que
priedade vê-se subordinado ao
direto e indireto
capital ao trabalho.
cumpre associar o
é capitalista liberal.
direito comum de utilizar todos Os bens de toda a criação.
2. Produtos de trabalho
balhista. Quando se trata de instaurar uma política de tra balho, eticamente correta, cum
conseguir,
do capital, não antinomia dele.
Porque,
ECONÔMICO
trabalho estabelecido entre pro prietário e operário.
Só há verdadeira socializa
ção quando os sócios, conside-
propriedade, como recomenda do pela Igreja, não é coletivista, nem marxista; também, não
para a Igreja, o direito de pro
DIGESTO
Ao receber remuneração pelo seu esforço, cumpre que o ope
trabalha por sua conta, sujei tando-se ao trabalho por inicia
O Estado preside ao trabaindireto, principalmente nas trocas internacionais, nas quais reside situação determi nante de injustiças, provocadas pelo desnível de desenvolvi mento entre países ricos e po bres. 3. O Problema do Emprego
IV — DIREITOS DOS HOMENS
1. Situação no contexto dos direitos do Homem
A
obrigação
de
trabalho
constitui, ao mesmo tempo, fon
te de direitos situados entre os
fundamentais
à pessoa.
Essa
situação, de obrigação e de di reito, inclui-se no contrato de
rios para, em termos mundiais, enfrentar o desemprego.
Será preciso um plano uni versal e harmonioso como já o sugeriu Paulo VT em Populorum
Progressio, isto é, a preocupa ção com a evolução contínua do trabalho humano. Sugeriu aquele papa que a finalidade do sistema educativo é o de senvolvimento da humanidade e sua maturidade.
4. Salário e Subvenção Social
Iho
tiva própria.
AO TRABALHO
151
O problema chave da ética
social é 0 da justa remuneração pelo trabalho executado, aten dendo ao direito de uso comum de bens a isso destinados.
Essa
justa
remuneração
cumpre suficiente para digna mente manter a família, asse
gurando-lhe futuro, respeitadas Existe, em todo o mundo, o problema para o trabalhador encontrar emprego adaptado àqueles capazes de o ter. Isso, porque existe por toda parte um direito à vida e à subsis tência.
A planificação global e a cooperação internacional pare
cem à Sua Santidade necessá-
as exigências da pessoa e sua
forma de vida doméstica, antes de mais nada.
5. A Importância dos Sindicatos O trabalhador tem o direito a associar-se para melhor de
fender interesses vitais. O sin
dicato é expoente da luta pela justiça social.
DIGESTO
152
Uma característica marcan
te do trabalho é sua capacidade de unir trabalhadores e cons truir uma comunidade de inte resses. O limite do interesse dos trabalhadores é o da situação
econômica geral do pais. Compreende-se política trabalhista como constante solicitude pelo bem comum. O trabalhador bus
ca não-somente ter mais como
ainda, ser mais. Segundo Sua Santidade cabe ao trabalhador
o direito de greve mas não o abuso dele.
6. Dignidade do Trabalho Agrícola
Cumpre restituir ao homem do campo seu justo valor como base da sã economia da comu
ECONÔMICO
Iho. À sociedade cumpre inserilo na atividade ao seu alcance,
seja no campo privado ou no público. 8. O Trabalho e a Emigração O
valor
do
trabalho
deve
ser medido por uma só medida, qualquer que seja a nacionali dade, religião ou raça do traba lhador.
3. Cristo — Homem de trabalho Relembra-se Jesus
como o
Desse modo, o suor e a fa
diga exigidos pelo trabalho pro
piciam participação no amor à obra de Cristo, uma vez que o trabalho de cada dia leva sua
cruz.
O progresso
decorrente
carpinteiro de Nazareth, isto é,
do trabalho humano pode con
um homem do trabalho artesa-
tribuir para melhor organizar a sociedade, o que é importante
nal.
Também, São Paulo era
operário, fabricante de tendas, e que assim justificava seu es forço:
“Traballiamos noite e dia,
entre fadigas e privações para não sermos pesados a
DO TRABALHO
para o Reino de Deus.
O tra-
balho humano, remata Sua San
tidade, não só produz os frutos diretos da atividade, como fa vorece a dignidade do Homem, a comunhão fraterna e a líber-
1. Papel particular da Igreja
nenhum de vós.” Um de seus
dade.
lemas era:
A Igreja considera de seu dever pronunciar-se a respeito do trabalho do ponto de vista
“Qualquer coisa que fizer des, fazei-a com todo cora ção como se fora feita para
Com este título conclui-se Laborem Exercens documento
do seu valor humano
e ordem
nidade social. Assim se promo verá a dignidade ao trabalho
por aquele que for encarregado
ximar-se de Deus. 2. O Trabalho
na
o Senhor.”
nao
Quando traballia, o homem apenas transforma mate-
riais mas realiza-se, sai de si,
supera-se. Assim agindo, vale
da missão divina de “submeter obra
da
mais por aquilo que é do que
criação
por aquilo que tem.
O homem pelo seu trabalho
4. O Trabalho humano sob o ângulo da Cruz e da
7, O Deficiente e o Trabalho
derado um de nós. Participa em'
participa da obra do Criador, isto é, 0 trabalho humano é
proporção diversa da mesma
faceta da obra divina. Assim,
humanidade a que pertencemos. Não cabe assim discriminá-lo, excluindo-o do direito ao traba-
converte-se em patrimônio de todos. A criação por sua vez
O deficiente deve ser consi
153
ECONÔMICO
c valorizada polo trabalho hu mano, pela técnica e a cultura.
V — ESPIRITUALIDADE
moral, assim como da espiritua lidade, pela oportunidade de a todos ajudar o trabalho a apro
a Terra”.
DIGESTO
a espiritualidade
do
trabalho
Revolução
“Comerás o pão com o suor da fronte, até que volte à terra da qual foste tirado.”
escrito por João Paulo II para comemorar o nonagésimo ani versário da Encíclica Rerum Novarum. Foi datada de Castel
Gandolfo, aos
14 de setembro
de 1981.
II) — SENTIDO DA ENCÍCLICA LABOREM EXERCENS
A encíclica Laborem Exer
cens surgiu em setembro último para comemorar o nonagésimo aniversário da encíclica Rerum
Novarum, de 1891. Esta é a mais antiga manifestação solene da
DIGESTO
152
Uma característica marcan
te do trabalho é sua capacidade de unir trabalhadores e cons truir uma comunidade de inte resses. O limite do interesse dos trabalhadores é o da situação
econômica geral do pais. Compreende-se política trabalhista como constante solicitude pelo bem comum. O trabalhador bus
ca não-somente ter mais como
ainda, ser mais. Segundo Sua Santidade cabe ao trabalhador
o direito de greve mas não o abuso dele.
6. Dignidade do Trabalho Agrícola
Cumpre restituir ao homem do campo seu justo valor como base da sã economia da comu
ECONÔMICO
Iho. À sociedade cumpre inserilo na atividade ao seu alcance,
seja no campo privado ou no público. 8. O Trabalho e a Emigração O
valor
do
trabalho
deve
ser medido por uma só medida, qualquer que seja a nacionali dade, religião ou raça do traba lhador.
3. Cristo — Homem de trabalho Relembra-se Jesus
como o
Desse modo, o suor e a fa
diga exigidos pelo trabalho pro
piciam participação no amor à obra de Cristo, uma vez que o trabalho de cada dia leva sua
cruz.
O progresso
decorrente
carpinteiro de Nazareth, isto é,
do trabalho humano pode con
um homem do trabalho artesa-
tribuir para melhor organizar a sociedade, o que é importante
nal.
Também, São Paulo era
operário, fabricante de tendas, e que assim justificava seu es forço:
“Traballiamos noite e dia,
entre fadigas e privações para não sermos pesados a
DO TRABALHO
para o Reino de Deus.
O tra-
balho humano, remata Sua San
tidade, não só produz os frutos diretos da atividade, como fa vorece a dignidade do Homem, a comunhão fraterna e a líber-
1. Papel particular da Igreja
nenhum de vós.” Um de seus
dade.
lemas era:
A Igreja considera de seu dever pronunciar-se a respeito do trabalho do ponto de vista
“Qualquer coisa que fizer des, fazei-a com todo cora ção como se fora feita para
Com este título conclui-se Laborem Exercens documento
do seu valor humano
e ordem
nidade social. Assim se promo verá a dignidade ao trabalho
por aquele que for encarregado
ximar-se de Deus. 2. O Trabalho
na
o Senhor.”
nao
Quando traballia, o homem apenas transforma mate-
riais mas realiza-se, sai de si,
supera-se. Assim agindo, vale
da missão divina de “submeter obra
da
mais por aquilo que é do que
criação
por aquilo que tem.
O homem pelo seu trabalho
4. O Trabalho humano sob o ângulo da Cruz e da
7, O Deficiente e o Trabalho
derado um de nós. Participa em'
participa da obra do Criador, isto é, 0 trabalho humano é
proporção diversa da mesma
faceta da obra divina. Assim,
humanidade a que pertencemos. Não cabe assim discriminá-lo, excluindo-o do direito ao traba-
converte-se em patrimônio de todos. A criação por sua vez
O deficiente deve ser consi
153
ECONÔMICO
c valorizada polo trabalho hu mano, pela técnica e a cultura.
V — ESPIRITUALIDADE
moral, assim como da espiritua lidade, pela oportunidade de a todos ajudar o trabalho a apro
a Terra”.
DIGESTO
a espiritualidade
do
trabalho
Revolução
“Comerás o pão com o suor da fronte, até que volte à terra da qual foste tirado.”
escrito por João Paulo II para comemorar o nonagésimo ani versário da Encíclica Rerum Novarum. Foi datada de Castel
Gandolfo, aos
14 de setembro
de 1981.
II) — SENTIDO DA ENCÍCLICA LABOREM EXERCENS
A encíclica Laborem Exer
cens surgiu em setembro último para comemorar o nonagésimo aniversário da encíclica Rerum
Novarum, de 1891. Esta é a mais antiga manifestação solene da
154
DIGESTO
Igreja sobre problemas sociais
ECONÔMICO
e injustiças decorrentes do in
ligados ao trabalho humano co
crível incremento de atividade
letivo, decorrente da produção industrial de massa, estabeleci da como processo a partir da d^coberta do motor a vapor em 1775 e, sucessivamente, do motor elétrico (1862), do motor de explosão (1865), e do motor
do mundo operário^ já objeto d© reciame de profetas sociais co mo Saint Simon^ Marx, Engels e outros. Porque foram elas desacompanhadas do atendi mento das necessidades do ope rário e despreocupadas de sua melhoria de condição, apesar do enorme incremento dos pro ventos introduzidos pelas má quinas que passaram a operar nas empresas onde prestavam serviços. Mediante elas ficara o capi talista rapidamente mais rico e 0 trabalhador mais pobre e so
diesel (1891).
Essas máquinas, pondo ener gia dos combustíveis à disposi ção do homem em quantidades maciças, determinaram mudan ças de comportamento e relacio
namento social da humanidade, absolutamente profundas, des conhecidas anteriormente à invenção do primeiro motor a valor construído pelo escocês James Watt.
0
despreocupado dos problemas humanos do operário. Nessa Encíclica o papa Leão XIII chamou a atenção do Mundo Católico para os perigos
sobre a paz social. Antecedem Laborem
Exercens
endereçada a toda humanidade católica, versando tema indica
tivo de
posição
recomendada
pela Igreja. A encíclica Nostrís et No-
biscum, por exemplo, de Pio IX
no
mesmo
tema que passa a fazer sequên cia com as mencionadas cartas solenes.
Objetivam elas, essencial mente, a questão trabalhista, à luz da situação atual de mundo muito populoso, carente de dis ponibilidades crescentes de recursos naturais e de alimentos, frente a enorme população pauperizada, enfrentando oferta escassa de trabalho, com
mundo mecanizado,
Como se sabe, uma encíclica é uma carta solene do papa
novo mundo mecanizado, tangi do pela fria aplicação do capi talismo liberal, inteiramente
Optatissimo Pax de 1947, fala
Nestes 90 anos, a Igreja não abandonou o operário repetida
mem.
Rerum Novarum significa,
ria; a Quadragésimo Anno, de 1931, versa a questão social; a
Ihões de
mente se manifestando sobre o tema universal denominado daí por diante de "Questão Social":
155
ECONÔMICO
licitado.
Foram tais motores sem dúvida, res nova na história da atividade econômica do ho-
uma abertura crítica sobre
DIGESTO
desempregados
gressivamente em
mi-
pro-
desnecessários mais cada vez automatizado e
Sentido
da
Laborem
Exercens
João Paulo II é de opinião que a solução da questão social centraliza-se no propósito de todos; o de tornar a vida mais humana. Não se cinge a ques
tão ao mundo operário. Expanr de-a para o universo das desi
gualdades e das injustiças. Con sidera 0 papa que o trabalho é elemento indispensável à vida. Receia o desemprego pela ação concorrente das forças mecâni
cas que substituem o trabalho mas tendem ao mesmo tempo deixá-lo órfão de utilidade, per
dendo, dessa maneira, dignida de. Não será digno passar a ser
permanentemente dispensável e cada vez mais.
O trabalho humano goza da
computado.
A escassez desses meios parece, entretanto, favorecer a tendência egoísta dos que, apesar de tudo, bastam-se e abas tecem-se. Assim, não ter com
paixão ou interesse pelo próxi mo é política insensivelmente assumida pelos que querem se proteger das novas formas ge neralizadas de escassez que
condena o comunismo e o socia
diariamente
se
lismo; a Rerum Novarum, de 1891, trata da condição operá-
paisagem parte.
urbana
desenham
por
na
toda
propriedade de fruir valor ético próprio, porque ao homem rea liza-lhe a humanidade e ajuda-o no dizer do papa a transformarse em pessoa, isto é, a ser su
jeito de direitos. O homem inú
til por, falta de trabalho, não se séntè pessoa revestida da dignidàde é da importância, a ele inerentes.
O agrupamento proletário significa um movimento em bus ca de defesa contra o assalto
154
DIGESTO
Igreja sobre problemas sociais
ECONÔMICO
e injustiças decorrentes do in
ligados ao trabalho humano co
crível incremento de atividade
letivo, decorrente da produção industrial de massa, estabeleci da como processo a partir da d^coberta do motor a vapor em 1775 e, sucessivamente, do motor elétrico (1862), do motor de explosão (1865), e do motor
do mundo operário^ já objeto d© reciame de profetas sociais co mo Saint Simon^ Marx, Engels e outros. Porque foram elas desacompanhadas do atendi mento das necessidades do ope rário e despreocupadas de sua melhoria de condição, apesar do enorme incremento dos pro ventos introduzidos pelas má quinas que passaram a operar nas empresas onde prestavam serviços. Mediante elas ficara o capi talista rapidamente mais rico e 0 trabalhador mais pobre e so
diesel (1891).
Essas máquinas, pondo ener gia dos combustíveis à disposi ção do homem em quantidades maciças, determinaram mudan ças de comportamento e relacio
namento social da humanidade, absolutamente profundas, des conhecidas anteriormente à invenção do primeiro motor a valor construído pelo escocês James Watt.
0
despreocupado dos problemas humanos do operário. Nessa Encíclica o papa Leão XIII chamou a atenção do Mundo Católico para os perigos
sobre a paz social. Antecedem Laborem
Exercens
endereçada a toda humanidade católica, versando tema indica
tivo de
posição
recomendada
pela Igreja. A encíclica Nostrís et No-
biscum, por exemplo, de Pio IX
no
mesmo
tema que passa a fazer sequên cia com as mencionadas cartas solenes.
Objetivam elas, essencial mente, a questão trabalhista, à luz da situação atual de mundo muito populoso, carente de dis ponibilidades crescentes de recursos naturais e de alimentos, frente a enorme população pauperizada, enfrentando oferta escassa de trabalho, com
mundo mecanizado,
Como se sabe, uma encíclica é uma carta solene do papa
novo mundo mecanizado, tangi do pela fria aplicação do capi talismo liberal, inteiramente
Optatissimo Pax de 1947, fala
Nestes 90 anos, a Igreja não abandonou o operário repetida
mem.
Rerum Novarum significa,
ria; a Quadragésimo Anno, de 1931, versa a questão social; a
Ihões de
mente se manifestando sobre o tema universal denominado daí por diante de "Questão Social":
155
ECONÔMICO
licitado.
Foram tais motores sem dúvida, res nova na história da atividade econômica do ho-
uma abertura crítica sobre
DIGESTO
desempregados
gressivamente em
mi-
pro-
desnecessários mais cada vez automatizado e
Sentido
da
Laborem
Exercens
João Paulo II é de opinião que a solução da questão social centraliza-se no propósito de todos; o de tornar a vida mais humana. Não se cinge a ques
tão ao mundo operário. Expanr de-a para o universo das desi
gualdades e das injustiças. Con sidera 0 papa que o trabalho é elemento indispensável à vida. Receia o desemprego pela ação concorrente das forças mecâni
cas que substituem o trabalho mas tendem ao mesmo tempo deixá-lo órfão de utilidade, per
dendo, dessa maneira, dignida de. Não será digno passar a ser
permanentemente dispensável e cada vez mais.
O trabalho humano goza da
computado.
A escassez desses meios parece, entretanto, favorecer a tendência egoísta dos que, apesar de tudo, bastam-se e abas tecem-se. Assim, não ter com
paixão ou interesse pelo próxi mo é política insensivelmente assumida pelos que querem se proteger das novas formas ge neralizadas de escassez que
condena o comunismo e o socia
diariamente
se
lismo; a Rerum Novarum, de 1891, trata da condição operá-
paisagem parte.
urbana
desenham
por
na
toda
propriedade de fruir valor ético próprio, porque ao homem rea liza-lhe a humanidade e ajuda-o no dizer do papa a transformarse em pessoa, isto é, a ser su
jeito de direitos. O homem inú
til por, falta de trabalho, não se séntè pessoa revestida da dignidàde é da importância, a ele inerentes.
O agrupamento proletário significa um movimento em bus ca de defesa contra o assalto
156
DIGESTO
ECONÔMICO
à dignidade da pessoa como uti lidade social, decorrente da crescente perfeição das máqui
tura.
nas e do descuidado acréscimo
Trabalho e Capital
como condição de felicidade fu
Compreende-se, de fato, que com o contínuo aperfeiçoamen to do equipamento resultante de incessantes descobertas cientí
ficas, do emprego de robôs, hoje em número superior 100.000 unidades em todo
a 0
mundo. Isso, ao lado da dupli cação
da
população
mundial
cada trinta e cinco anos, esta
belece, e cada
vez mais, um
clima de desemprego, que lhes rouba dignidade e oportunidade de fazê-los socialmente úteis.
conhecimentos,
abundância
de
dada
a
profissionais,
necessariamente determina
em-
uma escola caseira,
filhos
se
ensina
onde aos
a trabalhar,
ser mais.
trabalhar, o da criação
homem divina.
Pensa o papa, que os bens não são apossados meramente por possuí-los, mas para que se en caminhem ao trabalho que pro duz bens necessários ao consu mo de todos.
"Não cabe na Igreja o con
ceito do capitailsmo rígido, sob o regime de direito exclusivo de propriedade privada." Cumpre espírito de co-participação dos trabalhadores na gestão da em presa e em seus lucros.
nismo.
Só há verdadeira soclaíização da empresa quando os
homem,
diz
é
o
um bem
papa,
do
ainda
que difícil e penoso. "O homem transforma assim natureza para adaptá-la às
a próprias necessidades e istoi o realiza.”
prego.
O primeiro local de traba lho da criação diz o papa deve ser a família, empenhada no árduo mecanismo de transfor mar a criança em homem. As sim, a casa familiar cumpre ser
somente ter mais como, ainda,
ficado humano da tarefa. Por
nho do socialismo e o do comu O trabalho
Sabemos que a proletarização dos países desenvolvidos já alcança a classe social culta, cujos
Dos fatores de produção, capital e trabalho só o primei ro é dono da empresa. Dai, a origem, já secular, da oposição de capital ao trabalho, a politização dessa oposição a individualização da classe operária e da luta de classes. Daí, ainda, 0 inevitável propósito trabalhis ta de fazer coletiva a proprie dade, entregando-a à universa lidade proletária. Esse, o cami
157
ECONÔMICO
econômico; também, pelo signi que, ao participa
populacional que intensamente recruta a miséria.
DIGESTO
Prioridade do trabalho
sobre o capital
A Igreja atribui prioridade ao trabalho sobre o capital, mas opina este inseparável daquele. Porque o trabalho não deve ser avaliado apenas pelo ângulo
sócios
consideram-se
prietários
face
ao
co-pro-
trabalho
prestado. Para isso conseguir, cabe associar o capital ao tra balho. ‘Uma característica marcante do trabalho é sua capaci
dade
de unir
trabalhadores e
de construir uma comunidade de interesses. O limite do in teresse dos trabalhadores é o
da situação econômica gera! do país.
Compreende-se política trabalhista como constante so licitude pelo bem comum. Por que o trabalhador
busca não-
Segundo Sua Santidade cabe ao
trabalhador o direito de gre
ve mas não o abuso dele.” Espiritualidade do Trabalho João Paulo II encerra
a
longa encíclica com um concei to novo a que denomina espiri
tualidade do trabalho.
Assim chama à oportunida-
de que goza o trabalhador de
.. todos ajudar de aproximarem-
a
se de Deus, e de participar na obra do Criador. Jesus, por exemplo, vivia como
pinteiro em Nazareth, Sao Paulo tendas. Pensavam fabricava
eles que pelo trabalho, o ho
mem se realiza, sai de si, su
pera-se, passando a valer por aquilo que é mais do que pelo que tem.
Conclui a Encíclica de João Paulo II ao afirmar que o tra balho
não
produz
apenas
os
frutos de cada atividade, senão
que mais três subprodutos mo
rais: dignidade, comunhão entre
pessoas
e liberdade.
Rio
Janeiro,
1982.
de
maio
de
156
DIGESTO
ECONÔMICO
à dignidade da pessoa como uti lidade social, decorrente da crescente perfeição das máqui
tura.
nas e do descuidado acréscimo
Trabalho e Capital
como condição de felicidade fu
Compreende-se, de fato, que com o contínuo aperfeiçoamen to do equipamento resultante de incessantes descobertas cientí
ficas, do emprego de robôs, hoje em número superior 100.000 unidades em todo
a 0
mundo. Isso, ao lado da dupli cação
da
população
mundial
cada trinta e cinco anos, esta
belece, e cada
vez mais, um
clima de desemprego, que lhes rouba dignidade e oportunidade de fazê-los socialmente úteis.
conhecimentos,
abundância
de
dada
a
profissionais,
necessariamente determina
em-
uma escola caseira,
filhos
se
ensina
onde aos
a trabalhar,
ser mais.
trabalhar, o da criação
homem divina.
Pensa o papa, que os bens não são apossados meramente por possuí-los, mas para que se en caminhem ao trabalho que pro duz bens necessários ao consu mo de todos.
"Não cabe na Igreja o con
ceito do capitailsmo rígido, sob o regime de direito exclusivo de propriedade privada." Cumpre espírito de co-participação dos trabalhadores na gestão da em presa e em seus lucros.
nismo.
Só há verdadeira soclaíização da empresa quando os
homem,
diz
é
o
um bem
papa,
do
ainda
que difícil e penoso. "O homem transforma assim natureza para adaptá-la às
a próprias necessidades e istoi o realiza.”
prego.
O primeiro local de traba lho da criação diz o papa deve ser a família, empenhada no árduo mecanismo de transfor mar a criança em homem. As sim, a casa familiar cumpre ser
somente ter mais como, ainda,
ficado humano da tarefa. Por
nho do socialismo e o do comu O trabalho
Sabemos que a proletarização dos países desenvolvidos já alcança a classe social culta, cujos
Dos fatores de produção, capital e trabalho só o primei ro é dono da empresa. Dai, a origem, já secular, da oposição de capital ao trabalho, a politização dessa oposição a individualização da classe operária e da luta de classes. Daí, ainda, 0 inevitável propósito trabalhis ta de fazer coletiva a proprie dade, entregando-a à universa lidade proletária. Esse, o cami
157
ECONÔMICO
econômico; também, pelo signi que, ao participa
populacional que intensamente recruta a miséria.
DIGESTO
Prioridade do trabalho
sobre o capital
A Igreja atribui prioridade ao trabalho sobre o capital, mas opina este inseparável daquele. Porque o trabalho não deve ser avaliado apenas pelo ângulo
sócios
consideram-se
prietários
face
ao
co-pro-
trabalho
prestado. Para isso conseguir, cabe associar o capital ao tra balho. ‘Uma característica marcante do trabalho é sua capaci
dade
de unir
trabalhadores e
de construir uma comunidade de interesses. O limite do in teresse dos trabalhadores é o
da situação econômica gera! do país.
Compreende-se política trabalhista como constante so licitude pelo bem comum. Por que o trabalhador
busca não-
Segundo Sua Santidade cabe ao
trabalhador o direito de gre
ve mas não o abuso dele.” Espiritualidade do Trabalho João Paulo II encerra
a
longa encíclica com um concei to novo a que denomina espiri
tualidade do trabalho.
Assim chama à oportunida-
de que goza o trabalhador de
.. todos ajudar de aproximarem-
a
se de Deus, e de participar na obra do Criador. Jesus, por exemplo, vivia como
pinteiro em Nazareth, Sao Paulo tendas. Pensavam fabricava
eles que pelo trabalho, o ho
mem se realiza, sai de si, su
pera-se, passando a valer por aquilo que é mais do que pelo que tem.
Conclui a Encíclica de João Paulo II ao afirmar que o tra balho
não
produz
apenas
os
frutos de cada atividade, senão
que mais três subprodutos mo
rais: dignidade, comunhão entre
pessoas
e liberdade.
Rio
Janeiro,
1982.
de
maio
de
DIGESTO
Bibliografia
operacionalização dos indicado res da realidade em si mesma. Os indicadores sociais são nú
DADOS DA REALIDADE BRASILEIRA.
INDICADORES SOCIAIS. Petrópolis: Vozes e Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas. 1982, 64p.
A Editora Vozes inaugura, na Estatística brasileira, a pu blicação de Indicadores Sociais,
feitos pelo IBASE — Instituto
Brasileiro de Análises Sociais e
Econômicas, numa complemen-
tação ao trabalho da FIBGE e
de vários Institutos de Pesqui
sas do País. Os indicadores sociais estão reunidos em 9 cate
gorias ou setores: população: 4 fichas; renda: 5; despesa fa miliar: 2; educação: 2; saúde: 4; habitação: 5; força de tra balho: 2; povos indígenas: 3. O formato de fichas destacá
veis favorece a coleção junto com dados de outras fontes e a atualização dos próximos lan çamentos do IBASE-VOZES, Na contra-capa há a obser vação de alguns dados "às ve-
zes precários e deficientes, mas os únicos disponíveis no mo
mento”, 0 que explica serem de 74, 76 e 78 vários indicadores
sobre despesa familiar, rendi
mento e analfabetismo. É pena
esta
relativa
desatualização,
pois resultados parciais do cen
so de 80 já foram publicados em meados de 81. De nualquer
maneira, as fichas serão atua
meros, méídias, proporções, ín dices, que medem o que ocorre OU
expressam uma
tendência.
São informações que nos per
mitem estimar o ponto em que
estamos face ao ponto almeja do com relação a nossos valo res e objetivos; avaliar este ou
aquele projeto e estimar seu alcance junto à população. Daí valiosa contribuição dos indi cadores sociais na compreensão
a
da realidade social e no plane jamento. O que de mais atual traz o livro está nas fichas sobre a
população indígena brasileira, com
159
ECONÔMICO
dados do CIMI, já publi-
cados pela revista do CEDI — Aconteceu — e pelo jornal PORANTIM do próprio CIMI. O CIMI — Conselho Indigenista Missionário, ligado à CNBB,
O IBASE tem neste lança mento
da Vozes
a missão
de
divulgar nossos indicadores so
ciais e certamente, trará, no futuro, números dedicados ex clusivamente a uma só área, num estudo retrospectivo, para compreensão mais ampla da situação atual. A estrutura fun diária, a concentração da ren da, a urbanização, a imigra ção, eis alguns setores onde o IBASE pode contribuir, na área das ciências humanas, cora in formações, as mais atuais pos síveis, para nossos alunos e
nossos pesquisadores da reali dade brasileira. O intercâmbio
com órgãos do governo será desejável na medida em que a
atualização dos dados o exigir. Ninguém nega hoje o valor instrumental dos indicadores so
a própria FUNAI, criada em
ciais na aferição da qualidade de vida e no planejamento. Ao lado da apresentação concisa, precisa e atualizada, deve-se buscar o preço acessível e o
em números, a situação da so
67, em substituição ao SPI, que
ciedade, 0 bem-estar de um povo. Compreendemos todos a
tornara palco de crimes con tra nossos silvícolas, A ilustra
leção, aliados a uma ampla di vulgação do lançamento desta
dificuldade em se definir bem-
ção da ficha 25 não menciona
lizadas no futuro. Os indicadores sociais, sur
tem mais e mais atuais infor
gidos em 1962, têm como obje
mações sobre nossos índios que
tivo mostrar, sinteticamente e
estar, seja na justificação teó rica e/ou pragmática de sua estrutura, seja na escolha e
se
os
índios
Canela
(Rankokra-
mekra) de Barra do Corda/ MA.
formato mais prático para co
série de indicadores sociais. Não só 0 meio acadêmico se
interessa por nossos indicado res sociais; as empresas, as
%
DIGESTO
Bibliografia
operacionalização dos indicado res da realidade em si mesma. Os indicadores sociais são nú
DADOS DA REALIDADE BRASILEIRA.
INDICADORES SOCIAIS. Petrópolis: Vozes e Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas. 1982, 64p.
A Editora Vozes inaugura, na Estatística brasileira, a pu blicação de Indicadores Sociais,
feitos pelo IBASE — Instituto
Brasileiro de Análises Sociais e
Econômicas, numa complemen-
tação ao trabalho da FIBGE e
de vários Institutos de Pesqui
sas do País. Os indicadores sociais estão reunidos em 9 cate
gorias ou setores: população: 4 fichas; renda: 5; despesa fa miliar: 2; educação: 2; saúde: 4; habitação: 5; força de tra balho: 2; povos indígenas: 3. O formato de fichas destacá
veis favorece a coleção junto com dados de outras fontes e a atualização dos próximos lan çamentos do IBASE-VOZES, Na contra-capa há a obser vação de alguns dados "às ve-
zes precários e deficientes, mas os únicos disponíveis no mo
mento”, 0 que explica serem de 74, 76 e 78 vários indicadores
sobre despesa familiar, rendi
mento e analfabetismo. É pena
esta
relativa
desatualização,
pois resultados parciais do cen
so de 80 já foram publicados em meados de 81. De nualquer
maneira, as fichas serão atua
meros, méídias, proporções, ín dices, que medem o que ocorre OU
expressam uma
tendência.
São informações que nos per
mitem estimar o ponto em que
estamos face ao ponto almeja do com relação a nossos valo res e objetivos; avaliar este ou
aquele projeto e estimar seu alcance junto à população. Daí valiosa contribuição dos indi cadores sociais na compreensão
a
da realidade social e no plane jamento. O que de mais atual traz o livro está nas fichas sobre a
população indígena brasileira, com
159
ECONÔMICO
dados do CIMI, já publi-
cados pela revista do CEDI — Aconteceu — e pelo jornal PORANTIM do próprio CIMI. O CIMI — Conselho Indigenista Missionário, ligado à CNBB,
O IBASE tem neste lança mento
da Vozes
a missão
de
divulgar nossos indicadores so
ciais e certamente, trará, no futuro, números dedicados ex clusivamente a uma só área, num estudo retrospectivo, para compreensão mais ampla da situação atual. A estrutura fun diária, a concentração da ren da, a urbanização, a imigra ção, eis alguns setores onde o IBASE pode contribuir, na área das ciências humanas, cora in formações, as mais atuais pos síveis, para nossos alunos e
nossos pesquisadores da reali dade brasileira. O intercâmbio
com órgãos do governo será desejável na medida em que a
atualização dos dados o exigir. Ninguém nega hoje o valor instrumental dos indicadores so
a própria FUNAI, criada em
ciais na aferição da qualidade de vida e no planejamento. Ao lado da apresentação concisa, precisa e atualizada, deve-se buscar o preço acessível e o
em números, a situação da so
67, em substituição ao SPI, que
ciedade, 0 bem-estar de um povo. Compreendemos todos a
tornara palco de crimes con tra nossos silvícolas, A ilustra
leção, aliados a uma ampla di vulgação do lançamento desta
dificuldade em se definir bem-
ção da ficha 25 não menciona
lizadas no futuro. Os indicadores sociais, sur
tem mais e mais atuais infor
gidos em 1962, têm como obje
mações sobre nossos índios que
tivo mostrar, sinteticamente e
estar, seja na justificação teó rica e/ou pragmática de sua estrutura, seja na escolha e
se
os
índios
Canela
(Rankokra-
mekra) de Barra do Corda/ MA.
formato mais prático para co
série de indicadores sociais. Não só 0 meio acadêmico se
interessa por nossos indicado res sociais; as empresas, as
%
\
DIGESTO
160
instituições de pesquisa e os próprios órgãos do governo e administração pública têm nes
tes fascíciilos fonte de consulta
obrigatória. Daí a sugestão pa-
IBASE-VOZES de publicar mensalmente, e por setores ou
ra
áreas, os indicadores sociais, sempre com um retrospecto de duas ou mais décadas até ho
je. É evidente que não dispo mos
de
dados
mais
recentes
sobre alguns temas, digo, para duas ou três décadas atrás. Um
exemplo é o tema de conflitos de terra, mas há órgãos que se dedicam especificamente ao meio rural, como a Pastoral da Terra e a Associação Brasilei ra de Reforma Agrária. Aliás, no Brasil, a Igreja é, através da CNíBB, a instituição mais bem informada sobre as mino¬
ECONÔMICO
rias étnicas e a população ca rente do País. Após o colapso de instituições como o casamen to, a famíla, a universidade, a justiça, restam ainda no País duas instituições respeitadas e/ou temidas pelo povo: A Igreja e as Forças Armadas. Estas se desgastaram no longo exercício do poder e aquela conquista cada vez mais o povo
»»
’ I
iT
” \
● »
através de sua ação pastoral, voltada para as camadas mais carentes da nossa população. Pode-se discutir o antagonismo ou a complementariedade dos
NÚCLEO DE ASSISTÊNCIA
objetivos e da política proposta
GERENCIAL - NAG
por estas duas instituições, mas uma coisa é certa, o que uma perde de prestígio, a outra ga nha de admiração e respeito.
O trabalho do NAG consiste em, através de técnicas de motivação, e fornecimento de instrumental técnico fazer com que os pontos
reuniões
fortes das empresas fiquem MAIS FORTES e os pontos fracos DESAPAREÇAM e ainda, que haja um melhor trabalho de equipe, fator fundamental no desenvolvimento de uma empresa.
Januárfo Francisco Megale
(Continuação da pá^na 142) 'pode se obter. testada, pedidos de falência ou concordata. Segundo Mahfu7 hoje, informações cadastrais. pore'm, o custo é alto e elas heneficiam somente empresas privadas que vivem às custas desses serviços. Além disso, nem sempre os dados correspondem à realidade”. A empresa “negativada” que saldasse o déMto. tornando-se «recuperada», deveria exibir protocolo de re
cuperação «Idêntico ao aplicado às pessoas físicas», mas permanecería dois
anos nos registros como "negativada”, afirmou ele, ao explicar sua pronosta. «A empresa «negativa» não poderia ser atendida por qualquer associado do SPCJ, sob pena deste ser eliminado do quadro dos associados”, acres
centou. A sugestão prevê, ainda, que para a empresa se
deverá preencher proposta de sdeio. com todos os dados
Além de DIAGNÓSTICOS, faz implantações de sistemas administrativos e de gerências tais como: custos, fluxo de informações, contabilidade, controles cie venda, controles de estoque, planejamento de linha de produtos, etc
Este apoio é olerecido às empresas dentro do espírito de que as pequenas e médias carecem de recursos humanos e financeiros e
filiar ao sistema, cadastrais e
com
provantes bancários de idoneidade financeira e pagar taxa para as despesas
e manutenção do serviço. As mensalidades seriam; bancos, CrS 20 mil; in dústria, CrS 1.000; comércio, Cr$ 1.000, e o custo por informação, Cr$ 500.00.
que
independentemente deste fenômeno, devem se organizar para melhor compelir Faça uso de nossos serviços e veja sua empresa sofrer modificações para melhor!
ill)
\
DIGESTO
160
instituições de pesquisa e os próprios órgãos do governo e administração pública têm nes
tes fascíciilos fonte de consulta
obrigatória. Daí a sugestão pa-
IBASE-VOZES de publicar mensalmente, e por setores ou
ra
áreas, os indicadores sociais, sempre com um retrospecto de duas ou mais décadas até ho
je. É evidente que não dispo mos
de
dados
mais
recentes
sobre alguns temas, digo, para duas ou três décadas atrás. Um
exemplo é o tema de conflitos de terra, mas há órgãos que se dedicam especificamente ao meio rural, como a Pastoral da Terra e a Associação Brasilei ra de Reforma Agrária. Aliás, no Brasil, a Igreja é, através da CNíBB, a instituição mais bem informada sobre as mino¬
ECONÔMICO
rias étnicas e a população ca rente do País. Após o colapso de instituições como o casamen to, a famíla, a universidade, a justiça, restam ainda no País duas instituições respeitadas e/ou temidas pelo povo: A Igreja e as Forças Armadas. Estas se desgastaram no longo exercício do poder e aquela conquista cada vez mais o povo
»»
’ I
iT
” \
● »
através de sua ação pastoral, voltada para as camadas mais carentes da nossa população. Pode-se discutir o antagonismo ou a complementariedade dos
NÚCLEO DE ASSISTÊNCIA
objetivos e da política proposta
GERENCIAL - NAG
por estas duas instituições, mas uma coisa é certa, o que uma perde de prestígio, a outra ga nha de admiração e respeito.
O trabalho do NAG consiste em, através de técnicas de motivação, e fornecimento de instrumental técnico fazer com que os pontos
reuniões
fortes das empresas fiquem MAIS FORTES e os pontos fracos DESAPAREÇAM e ainda, que haja um melhor trabalho de equipe, fator fundamental no desenvolvimento de uma empresa.
Januárfo Francisco Megale
(Continuação da pá^na 142) 'pode se obter. testada, pedidos de falência ou concordata. Segundo Mahfu7 hoje, informações cadastrais. pore'm, o custo é alto e elas heneficiam somente empresas privadas que vivem às custas desses serviços. Além disso, nem sempre os dados correspondem à realidade”. A empresa “negativada” que saldasse o déMto. tornando-se «recuperada», deveria exibir protocolo de re
cuperação «Idêntico ao aplicado às pessoas físicas», mas permanecería dois
anos nos registros como "negativada”, afirmou ele, ao explicar sua pronosta. «A empresa «negativa» não poderia ser atendida por qualquer associado do SPCJ, sob pena deste ser eliminado do quadro dos associados”, acres
centou. A sugestão prevê, ainda, que para a empresa se
deverá preencher proposta de sdeio. com todos os dados
Além de DIAGNÓSTICOS, faz implantações de sistemas administrativos e de gerências tais como: custos, fluxo de informações, contabilidade, controles cie venda, controles de estoque, planejamento de linha de produtos, etc
Este apoio é olerecido às empresas dentro do espírito de que as pequenas e médias carecem de recursos humanos e financeiros e
filiar ao sistema, cadastrais e
com
provantes bancários de idoneidade financeira e pagar taxa para as despesas
e manutenção do serviço. As mensalidades seriam; bancos, CrS 20 mil; in dústria, CrS 1.000; comércio, Cr$ 1.000, e o custo por informação, Cr$ 500.00.
que
independentemente deste fenômeno, devem se organizar para melhor compelir Faça uso de nossos serviços e veja sua empresa sofrer modificações para melhor!
ill)