Skip to main content

DIGESTO ECONÔMICO, número 292, maio 1982

Page 1

ECOIMOMICO SUMÁRIO EMPRESA PRIVADA E DESESTATIZAÇÃO — Herculano Borges da Fonseca

3

SISTEMAS ECONÔMICOS CONTEMPORÂNEOS Corrêa O

PROCESSO Neto

ESTABILIZAÇÃO Paiva

IMIGRATÓRIO

NO

BRASIL-II

Manoel

Pio

15

— A.

Delorenzo 35

POPULACIONAL

NO

BRASIL

Giycon de 47

JOÃO PAULO II — Líder pontificai — Thomas Moinar

64

OS EFEITOS DA FALÊNCIA SOBRE A ALIENAÇÃO FIDUCIÃRIA — Amoldo Wald

QUANDO VOCÊ ÉTRAIADO NA PALMA DA MAO, NUNCA MAIS ESQUECE.

73

O TRABALHO DA PAULIPETRO — Osvaldo Palma

91

REAGAN E A AMEAÇA COMUNISTA NA AMÉRICA LATINA — Januário Francisco Megale

101

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO COM NAS — Carlos Geraldo Langoni

106

O HOMEM

RESTRIÇÕES

EXTER

DAS CIÊNCIAS E AS CIÊNCIAS DO HOMEM — José

Dervin Mantovani

BIBLIOGRAFIA

119

;

139

VIAGEM GOSTOSA, CONFORTÁVEL

ERÁPDAÉSÍNALDE

MUITOS TOQUES DE CARINHO.

CARINHO QUE COMEÇA

EM TERRA E CONTINUA NO AR. MAIS CORTESIA AQUI,

MAIS ATENÇÃO AU, MAIS AMOR EM TUDO QUE FAZ. VOE

VASP. E DESCUBRA A ALEGRIA DE SER TRATADO NA

PALMA DA MÃO. COM MUITO, MUITO CARINHO.

UUTOQUEDECARINHOEMTUDOOUEFAZ

Capa: Estampamos o logotipo da Associação Comercial de São Paulo enti dade empresarial dedicada á defesa da livre empresa, da liberdade de

iniciativa-

N,“ 292 — Maio de 1982 — Ano XXXIX — DIGESTO

ECONÔMICO

J


ECONOMICO SUMÁRIO EMPRESA PRIVADA E DESESTATIZAÇÃO— Herculano Borges da

Fonseca

3

SISTEMAS ECONÔMICOS CONTEMPORÂNEOS Corrêa O

PROCESSO Neto

ESTABILIZAÇÃO

IMIGRATÓRIO

NO

BRASIL-ll

Manoel Pio 15

●

A.

Delorenzo 35

POPULACIONAL

NO

BRASIL

Glycon de

Paiva

47

JOÃO PAULO II — Líder pontificai — Thomas Moinar

64

OS EFEITOS DA FALÊNCIA SOBRE A ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA — Amoldo Wald

QUANDO VOCÊ É TRAIADO NA PALMA DA MÃO, NUNCA MAIS ESQUECE.

73

O TRABALHO DA PAULIPETRO — Osvaldo Palma

91

REAGAN E A AMEAÇA COMUNISTA NA AMÉRICA LATINA — Januário Francisco Megale

101

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO COM NAS — Carlos Geraldo Langoni

106

RESTRIÇÕES

EXTER

O HOMEM DAS CIÊNCIAS E AS CIÊNCIAS DO HOMEM — José Dervin

Mantovani

BIBLIOGRAFIA

119

;

139

VIAGEM GOSTOSA, CONPORTAVEL

E RÁPIDA É SINAL DE

Capa;

MUITOS TOQUES DE CARINHO

CARINHO QUE COMEÇA EM TERKAE CONTINUA NO AR MAIS CORTESIA AQUI.

Estampamos o logotipo da Associação Comercial de São Paulo enti dade empresarial dedicada á defesa da livre empresa, da liberdade

MAIS ATENÇÃO AU, MAIS AMOR EM TUDO QUE FAZ. VOE VASP. E DESCUBRA A ALEGRIA

de

iniciativa-

DE SER TRATADO NA

PALMA DA MÃO COM MUITO.

N.“ 292 — Maio de 1982 — Ano XXXIX — DIGESTO

MUITO CARINHO.

1 UM TOQUE DE CARINHO EM TU DO QUE FAZ

ECONÔMICO


DIGESTO ECONOMiCO O

MUNDO

NUM

DOS

PUBLICAREMOS

PRÓXIMOS

NOS

NÚMEROS

NEGÓCIOS

PANORAMA

MENSAL

COMPREENSÃO

Publicado sob os auspícios da:

SOCIAL

ASSOCIAÇÃO COMERCIAL

DA

E

ESTRUTURA

POLÍTICA

A- Delorenzo Neto

DE SÀO PAULO

Empresa privada e

Presidente:

Guilherme Afif Domingos

A COMPETÊNCIA DO "ÓRGÃO ESPECIAL"

Diretor:

Antônio Gontljo de Carvalho

Arnaldo

desestatização

Wald

1947 a 1973

Diretores:-

João de Scantimburgo

SUBLIMEMENTE

Paulo Edmur de Souza Queiroz Wilfrldes Alves de Lima

João

DE VOLTAIRE

O DIgesto Econômico é órgão mensal econômicas

HUMANOS

Scantimburgo

Herculano Borges da Fonseca

Superintendente; Calo Cardoso de Almeida de Informações

de

A MARCUSE

José Guilherme Merquior

e finan

O autor^ presidente da

ceiras.

Comissão de Valores Mobiliários, preconiza

A direção não se responsabiliza pelos dados cuias lontes mente ciladas, nem emitidos em artigos

Simpósio Nacional sobre Desestatização, O DIREITO DE VIVER

Assinaturas;

Eugênio Gudin

DIGESTO ECONÔMICO Assinatura anual .. £S 1.400,00 Número avulso £$ 130.00 Número atrasado .. £S 150,00

CULTURA E EDUCACÃO Adonias

Redaçãe e Administração: R. Boa Vista, 51, andar térreo 239-1333

Ramal:

Filho

CONFUSOS "ISMOS'

133

Gilberto Freyre

Cx. Postal 8,082 — São Paulo Departamento Comercial

Rua Boa Vista, 51 — 6.“ andar Tel.: 239-1333 — R.; 167/175 Composto e impresso nas oficinas do DIÁRIO

DO

COMERCIO.

Palestra proferida no

Miguel Reale

Aceita-se intercâmbio com publicações congêneres nacionais e estrangeiras.

Tel.:

uma semana de economia moderna.

A CRIANCA E O DIABO

esteiam devida pelos conceitos assinados.

no Rio.

“Senhores,

terreno da Economia para que

Entendendo que é chegado o momento de ser lançada uma semana da economia moderna, em São Paulo, que é o mesmo grande Estado pioneiro onde, há sessenta anos atrás, foi de flagrada a Semana da Arte

0

Moderna. O

PARADOXO

DA

LIBERDADE

J.

Melra

Penna

O.

da

Brasil

tutela

libertando-se

excessiva

em

que

da

tem

vivido, sob 0 domínio de teorias econômicas formuladas e suge ridas para explicarem e equa cionarem problemas do mundo industrial localizado no Hemis fério Norte — encontre as solu

das artes plásticas e da litera

ções mais autênticas e oportu nas para enfrentar os desafios de uma nação em desenvolvi

tura deverá

mento, não produtora de petró-

Aquela revolução no campo ser

repetida

no


DIGESTO ECONOMiCO O

MUNDO

NUM

DOS

PUBLICAREMOS

PRÓXIMOS

NOS

NÚMEROS

NEGÓCIOS

PANORAMA

MENSAL

COMPREENSÃO

Publicado sob os auspícios da:

SOCIAL

ASSOCIAÇÃO COMERCIAL

DA

E

ESTRUTURA

POLÍTICA

A- Delorenzo Neto

DE SÀO PAULO

Empresa privada e

Presidente:

Guilherme Afif Domingos

A COMPETÊNCIA DO "ÓRGÃO ESPECIAL"

Diretor:

Antônio Gontljo de Carvalho

Arnaldo

desestatização

Wald

1947 a 1973

Diretores:-

João de Scantimburgo

SUBLIMEMENTE

Paulo Edmur de Souza Queiroz Wilfrldes Alves de Lima

João

DE VOLTAIRE

O DIgesto Econômico é órgão mensal econômicas

HUMANOS

Scantimburgo

Herculano Borges da Fonseca

Superintendente; Calo Cardoso de Almeida de Informações

de

A MARCUSE

José Guilherme Merquior

e finan

O autor^ presidente da

ceiras.

Comissão de Valores Mobiliários, preconiza

A direção não se responsabiliza pelos dados cuias lontes mente ciladas, nem emitidos em artigos

Simpósio Nacional sobre Desestatização, O DIREITO DE VIVER

Assinaturas;

Eugênio Gudin

DIGESTO ECONÔMICO Assinatura anual .. £S 1.400,00 Número avulso £$ 130.00 Número atrasado .. £S 150,00

CULTURA E EDUCACÃO Adonias

Redaçãe e Administração: R. Boa Vista, 51, andar térreo 239-1333

Ramal:

Filho

CONFUSOS "ISMOS'

133

Gilberto Freyre

Cx. Postal 8,082 — São Paulo Departamento Comercial

Rua Boa Vista, 51 — 6.“ andar Tel.: 239-1333 — R.; 167/175 Composto e impresso nas oficinas do DIÁRIO

DO

COMERCIO.

Palestra proferida no

Miguel Reale

Aceita-se intercâmbio com publicações congêneres nacionais e estrangeiras.

Tel.:

uma semana de economia moderna.

A CRIANCA E O DIABO

esteiam devida pelos conceitos assinados.

no Rio.

“Senhores,

terreno da Economia para que

Entendendo que é chegado o momento de ser lançada uma semana da economia moderna, em São Paulo, que é o mesmo grande Estado pioneiro onde, há sessenta anos atrás, foi de flagrada a Semana da Arte

0

Moderna. O

PARADOXO

DA

LIBERDADE

J.

Melra

Penna

O.

da

Brasil

tutela

libertando-se

excessiva

em

que

da

tem

vivido, sob 0 domínio de teorias econômicas formuladas e suge ridas para explicarem e equa cionarem problemas do mundo industrial localizado no Hemis fério Norte — encontre as solu

das artes plásticas e da litera

ções mais autênticas e oportu nas para enfrentar os desafios de uma nação em desenvolvi

tura deverá

mento, não produtora de petró-

Aquela revolução no campo ser

repetida

no


DIGESTO

4

de tecnologia

e

gundo as palavras

ECONÔMICO

sábias

de

leo,

carente

com

imenso contingente popu

Pio Xn na histórica Encíclica

lacional,' que cresce em ritmo quase três vezes maior do que 0 das velhas potências capita listas ocidentais.

“Sobre as necessidades da hora

presente".

5

DIGESTO ECONÔMICO

A partir do mandamento constitucional há de promoverse uma campanha nacional de esclarecimento, onde se estabe leçam as características bási

e, se possível, anuladas as cau sas determinantes

da

lução pacífica e profunda, que

O tema desta comunicação suscita, antes de mais nada. algumas indagações que recla mam resposta clara, pronta e

leve

verdadeira:

instituições motrizes e motiva

“Eliminada a causa,

l.°) Por que, em País onde tantos são favoráveis à empre sa privada e ao sistema de livre iniciativa, chegou-se a grau tão elevado de estatização?

dores de um sistema econômi

efeito".

Esta deverá ser uma revo

em

conta

as sucessivas

teorias que têm apontado novos rumos para as nações que lide ram a marcha da civilização, mas que seja, principalmente, capaz de propor soluções e po líticas verdadeiramenteadequa das, que se coadunem com a realidade

deste

País-continen-

te, onde convivem as dispari dades da maior riqueza e sofis ticação em simbiose com espan tosa pobreza e primitivismo.

2.®) Quais os motivos que explicam o fenômeno, quando se sabe que a própria Carta Magna dispõe taxativamente no seu artigo 170: //

Às empresas privadas com

Esta revolução deverá bus

pete, preferenclalmente, com o

car 0 caminho ainda não encon

estímulo e o apoio do Estado, organizar e explorar as ativi

trado e a trilha a ser percor rida para que o Brasil atinja a plenitude democrática, fun dada numa economia que vise à melhor produção e distribui

ção de riquezas e onde a mis são do Estado seja a de "fis

calizar, auxiliar e ordenar as atividades particulares e indi viduais da vida nacional, fazendo-as convergir harmonica-

mente para o bem comum’

se-

dades econômicas.

"§ 1.° — Apenas em caráter suplementar da iniciativa pri vada 0 Estado organizará e ex plorará diretamente a atividade econômica.

/#

Senhores, esta é uma dire triz da Lei maior deste País e não, apenas, um parágrafo de Estatuto de partido político.

cas

do

mecanismo

econômico

estatiza

ção, esta continuará crescendo e desafiando todos os bons pro pósitos dos Governos e do em presariado nacional. Como en

do mercado, da importância da

sina 0 brocardo latino:

livre iniciativa e do lucro como

fa

co capaz de propiciar a incor poração ao mercado de todas as parcelas da população, em regime de pleno emprego da mão-de-obra e plena utilização dos fatores de produção dispo níveis.

Não seria concebível que a estatização

tenha

acontecido

por mero acaso ou

em virtude

da atuação de forças poderosas e ocultas, dificilmente detectáveis. Há-de existir uma ou mais

explicações

racionais

para

a

causa

folMtur

"Subla-

effecfus

cessa

—

o

Tentemos, pois, identificar as causas da estatização, que foram capazes de transformar 0 Brasil — pais em que sempre houve nítido e insofismável pre domínio da empresa privada — num dos modelos mais expres

sivos de economia em proces so acelerado de estatização. Parece haver, pelo menos, três razões que explicariam a ocorrência

da

estatização

no

vierem a ser criados tais ins

Brasil, além de outras de natu reza mais ampla, resultantes das profundas alterações ocor ridas na economia capitalista, a partir da Grande Depressão da terceira década, que deter minaram uma ingerência cada vez mais forte do Governo na Economia, principalmente ob servada depois do “New Deal"

trumentos, mas não forem — ao mesmo tempo — combatidas

velt.

ocorrência. Sem as conhecer mos, não dever-se-ia cometer a

imprudência de sugerir uma série de instrumentos institucio nais e financeiros capazes de

viabilizarem a atuação da em-

presa privada no processo de

desestatização. Isso porque, se

do Presidente Flanklin Roose-


DIGESTO

4

de tecnologia

e

gundo as palavras

ECONÔMICO

sábias

de

leo,

carente

com

imenso contingente popu

Pio Xn na histórica Encíclica

lacional,' que cresce em ritmo quase três vezes maior do que 0 das velhas potências capita listas ocidentais.

“Sobre as necessidades da hora

presente".

5

DIGESTO ECONÔMICO

A partir do mandamento constitucional há de promoverse uma campanha nacional de esclarecimento, onde se estabe leçam as características bási

e, se possível, anuladas as cau sas determinantes

da

lução pacífica e profunda, que

O tema desta comunicação suscita, antes de mais nada. algumas indagações que recla mam resposta clara, pronta e

leve

verdadeira:

instituições motrizes e motiva

“Eliminada a causa,

l.°) Por que, em País onde tantos são favoráveis à empre sa privada e ao sistema de livre iniciativa, chegou-se a grau tão elevado de estatização?

dores de um sistema econômi

efeito".

Esta deverá ser uma revo

em

conta

as sucessivas

teorias que têm apontado novos rumos para as nações que lide ram a marcha da civilização, mas que seja, principalmente, capaz de propor soluções e po líticas verdadeiramenteadequa das, que se coadunem com a realidade

deste

País-continen-

te, onde convivem as dispari dades da maior riqueza e sofis ticação em simbiose com espan tosa pobreza e primitivismo.

2.®) Quais os motivos que explicam o fenômeno, quando se sabe que a própria Carta Magna dispõe taxativamente no seu artigo 170: //

Às empresas privadas com

Esta revolução deverá bus

pete, preferenclalmente, com o

car 0 caminho ainda não encon

estímulo e o apoio do Estado, organizar e explorar as ativi

trado e a trilha a ser percor rida para que o Brasil atinja a plenitude democrática, fun dada numa economia que vise à melhor produção e distribui

ção de riquezas e onde a mis são do Estado seja a de "fis

calizar, auxiliar e ordenar as atividades particulares e indi viduais da vida nacional, fazendo-as convergir harmonica-

mente para o bem comum’

se-

dades econômicas.

"§ 1.° — Apenas em caráter suplementar da iniciativa pri vada 0 Estado organizará e ex plorará diretamente a atividade econômica.

/#

Senhores, esta é uma dire triz da Lei maior deste País e não, apenas, um parágrafo de Estatuto de partido político.

cas

do

mecanismo

econômico

estatiza

ção, esta continuará crescendo e desafiando todos os bons pro pósitos dos Governos e do em presariado nacional. Como en

do mercado, da importância da

sina 0 brocardo latino:

livre iniciativa e do lucro como

fa

co capaz de propiciar a incor poração ao mercado de todas as parcelas da população, em regime de pleno emprego da mão-de-obra e plena utilização dos fatores de produção dispo níveis.

Não seria concebível que a estatização

tenha

acontecido

por mero acaso ou

em virtude

da atuação de forças poderosas e ocultas, dificilmente detectáveis. Há-de existir uma ou mais

explicações

racionais

para

a

causa

folMtur

"Subla-

effecfus

cessa

—

o

Tentemos, pois, identificar as causas da estatização, que foram capazes de transformar 0 Brasil — pais em que sempre houve nítido e insofismável pre domínio da empresa privada — num dos modelos mais expres

sivos de economia em proces so acelerado de estatização. Parece haver, pelo menos, três razões que explicariam a ocorrência

da

estatização

no

vierem a ser criados tais ins

Brasil, além de outras de natu reza mais ampla, resultantes das profundas alterações ocor ridas na economia capitalista, a partir da Grande Depressão da terceira década, que deter minaram uma ingerência cada vez mais forte do Governo na Economia, principalmente ob servada depois do “New Deal"

trumentos, mas não forem — ao mesmo tempo — combatidas

velt.

ocorrência. Sem as conhecer mos, não dever-se-ia cometer a

imprudência de sugerir uma série de instrumentos institucio nais e financeiros capazes de

viabilizarem a atuação da em-

presa privada no processo de

desestatização. Isso porque, se

do Presidente Flanklin Roose-


6

DIGESTO ECONÔMICO

A primeira daquelas razões é evidenciada pela criação das empresas estatais ou de econo mia mista que foram fundadas por motivo de segurança na

deu, entretanto, em condições

cional ou em virtude da carên

diado e taxas de câmbio favo ráveis.

cia, no mercado interno, de grandes capitais capazes de fi nanciar investimentos com lon

Para se obviarem os incon

go prazo de maturação e baixo retorno, tais como, por exem plo, 0 das grandes siderúrgicas.

venientes da estatização resul

A segunda razão da estatização parece ter provindo do

um

endividamento crescente de cer tas empresas privadas tradicio

nais (tais como, indústrias têx teis, editoras, etc.) junto a ins

tituições financeiras oficiais e órgãos públicos. A pouco e pouco, o controle efetivo de tais empresas passou a ser feito pe

f

assaz vantajosas para os be neficiários, permitindo-lhes a construção de vastos parques industriais, com crédito subsi

lo credor e elas — sem nada terem a ver com problemas de segurança nacional — passaram

a ser administradas por órgãos do Governo. Não se pode dei xar de assinalar, entretanto, que em vários casos ocorreu a participação substancial de em

presas

mistas

ou

instituições

governamentais, como Banco do Brasil e Banco Nacional do De

senvolvimento Econômico, no suprimento de fundos, que se

tante

de

tal

endividamento,

cumpre salientar .que nos falta mecanismo formal de re-

estrutração das empresas que permita evitar-se sua concorda

ta ou falência- As empresas po

deríam ser reorganizadas du rante um período em

que

seus

débitos deixariam de ser exigiveis, e passariam a ser geridas

por outros administradores. O

método é utilizado nos Estados Unidos, onde o sistema é admi

nistrado, via Poder Judiciário,

tal como nas hipóteses de concordatas e falências.

A terceira razão da estati

zação parece residir na própria dinâmica do crescimento e no fortalecimento das empresas

mistas e pára-estatais — dota

das de amplos recursos, muita vez de monopólio de atuação e

DIGESTO

ECONÔMICO

lhes permite certas vezes dei xarem de dedicar-se exclusiva mente à finalidade fundamen

tal, que justificou sua criação, para encaminharem-se em dire ção a outras atividades cone

xas, subsidiárias, paralelas e, até mesmo, estranhas, num pro cesso de crescimento tentacular difícil de ser controlado.

Para que se tenha uma no

ção do vulto do problema recorde-se que, ao encerrar o exercício de 1981, os dispêndios estimados das empresas esta tais montaram a Cr$ 8,7 tri lhões, comparados com Cr$ 6,8 trilhões no início do período, enquanto que ao final do exer cício de 1981 a receita do Te

souro Nacional alcançou Cr$ 2.262 bilhões ao lado de dispên dios de Cr$ 2.259 bilhões, do que resultou um pequeno supe

rávit de caixa de Cr$ 3 bilhões. Não podemos deixar, neste passo, de elogiar a firmeza e a

lucidez da política determinada pelo Presidente João Figueire

do no sentido de que, em 1982, da mesma forma que em 1981, sejam somente realizados gas

de uma autonomia administra

tos compatíveis com a previsão das fontes existentes. Da

tiva quase que absoluta — que

mesma forma, na execução do

7

orçamento SEST, a locação dos recursos está prioritariamente dirigida a programas e proje tos com os menores prazos de maturação e que, sem gerar pressões indesejáveis no Balan ço de Pagamentos e nas taxas de inflação, permitam manter a atividade econômica do Bra

sil em nível compatível com sua capacidade de crescimento. As sinale-se, também, o acerto da orientação no sentido de que,

apenas excetuando-se o projeto de minério dê ferro de

Cara

jás, com repercussões quase imediatas em nossas exporta ções, nenhum novo projeto seja iniciado pelas empresas esta tais. em 1982.

Como vemos, estão sendo seguidas as diretrizes gerais de governo estabelecidas pelo Pre sidente da República no início de seu mandato, que determi naram a redução do coeficien te de tutela do Estado sobre a

sociedade graças à simplifica ção dos mecanismos de incen tivos ao setor privado, à desburocratização e à maior ampli. tude ao jogo das forças do mer cado.

Malgrado todos os esforços governamentais no sentido da


6

DIGESTO ECONÔMICO

A primeira daquelas razões é evidenciada pela criação das empresas estatais ou de econo mia mista que foram fundadas por motivo de segurança na

deu, entretanto, em condições

cional ou em virtude da carên

diado e taxas de câmbio favo ráveis.

cia, no mercado interno, de grandes capitais capazes de fi nanciar investimentos com lon

Para se obviarem os incon

go prazo de maturação e baixo retorno, tais como, por exem plo, 0 das grandes siderúrgicas.

venientes da estatização resul

A segunda razão da estatização parece ter provindo do

um

endividamento crescente de cer tas empresas privadas tradicio

nais (tais como, indústrias têx teis, editoras, etc.) junto a ins

tituições financeiras oficiais e órgãos públicos. A pouco e pouco, o controle efetivo de tais empresas passou a ser feito pe

f

assaz vantajosas para os be neficiários, permitindo-lhes a construção de vastos parques industriais, com crédito subsi

lo credor e elas — sem nada terem a ver com problemas de segurança nacional — passaram

a ser administradas por órgãos do Governo. Não se pode dei xar de assinalar, entretanto, que em vários casos ocorreu a participação substancial de em

presas

mistas

ou

instituições

governamentais, como Banco do Brasil e Banco Nacional do De

senvolvimento Econômico, no suprimento de fundos, que se

tante

de

tal

endividamento,

cumpre salientar .que nos falta mecanismo formal de re-

estrutração das empresas que permita evitar-se sua concorda

ta ou falência- As empresas po

deríam ser reorganizadas du rante um período em

que

seus

débitos deixariam de ser exigiveis, e passariam a ser geridas

por outros administradores. O

método é utilizado nos Estados Unidos, onde o sistema é admi

nistrado, via Poder Judiciário,

tal como nas hipóteses de concordatas e falências.

A terceira razão da estati

zação parece residir na própria dinâmica do crescimento e no fortalecimento das empresas

mistas e pára-estatais — dota

das de amplos recursos, muita vez de monopólio de atuação e

DIGESTO

ECONÔMICO

lhes permite certas vezes dei xarem de dedicar-se exclusiva mente à finalidade fundamen

tal, que justificou sua criação, para encaminharem-se em dire ção a outras atividades cone

xas, subsidiárias, paralelas e, até mesmo, estranhas, num pro cesso de crescimento tentacular difícil de ser controlado.

Para que se tenha uma no

ção do vulto do problema recorde-se que, ao encerrar o exercício de 1981, os dispêndios estimados das empresas esta tais montaram a Cr$ 8,7 tri lhões, comparados com Cr$ 6,8 trilhões no início do período, enquanto que ao final do exer cício de 1981 a receita do Te

souro Nacional alcançou Cr$ 2.262 bilhões ao lado de dispên dios de Cr$ 2.259 bilhões, do que resultou um pequeno supe

rávit de caixa de Cr$ 3 bilhões. Não podemos deixar, neste passo, de elogiar a firmeza e a

lucidez da política determinada pelo Presidente João Figueire

do no sentido de que, em 1982, da mesma forma que em 1981, sejam somente realizados gas

de uma autonomia administra

tos compatíveis com a previsão das fontes existentes. Da

tiva quase que absoluta — que

mesma forma, na execução do

7

orçamento SEST, a locação dos recursos está prioritariamente dirigida a programas e proje tos com os menores prazos de maturação e que, sem gerar pressões indesejáveis no Balan ço de Pagamentos e nas taxas de inflação, permitam manter a atividade econômica do Bra

sil em nível compatível com sua capacidade de crescimento. As sinale-se, também, o acerto da orientação no sentido de que,

apenas excetuando-se o projeto de minério dê ferro de

Cara

jás, com repercussões quase imediatas em nossas exporta ções, nenhum novo projeto seja iniciado pelas empresas esta tais. em 1982.

Como vemos, estão sendo seguidas as diretrizes gerais de governo estabelecidas pelo Pre sidente da República no início de seu mandato, que determi naram a redução do coeficien te de tutela do Estado sobre a

sociedade graças à simplifica ção dos mecanismos de incen tivos ao setor privado, à desburocratização e à maior ampli. tude ao jogo das forças do mer cado.

Malgrado todos os esforços governamentais no sentido da


8

DIGESTO

ECONÔMICO

Abertas, comemorativo do dé

desestatização e a crescente preocupação do empresariado nacional com este processo que

cimo aniversário de existência

tem eivado a economia brasilei.

porque nesse dia ficou grave

ra de tantos erros e vícios, que comprometem e perturbam a emergência do Brasil moderno

mente enfermo, mas que foram ditas pelo ilustre Ministro da Fazenda, Professor Ernane Galvêas, outro batalhador in

como um dos maiores Estados

liberais e democráticos do mun

do, há-de reconhecer-se que chegou 0 momento de deflagrarse uma campanha nacional de

esclarecimento popular que con duza à promoção da livre em presa e da economia de merca do, como a única fórmuía ca¬ paz de

enfrentar

os

imensos

percalços que o País tem de vencer nesta fase crítica de sua história.

da ABRASCA, e que não 0 fez,

cansável em prol da desestatização e livre iniciativa. Na qualidade de presidente da Comissão de Valores Mobi

liários, entendo que é preciso dar-se ênfase especial e priori dade excepcional aos projetos de desenvolvimento do merca

do de capitais. Isso porque, so mente quando for transformada

a

estrutura do mercado, me

diante 0 fortalecimento de fon

"No amplo contexto da eco nomia nacional, destaca-se um segmento da maior importância que não pode ser esquecido nem negligenciado, seja qual for a política monetária, fiscal e salarial que se pretenda adotar:

tes privadas de recursos, assim como da intermediação desses recursos, é que poder-se-á cor

rigir, desde a origem, uma das causas do processo de estatização.

Efetivamente,

a

economia

o das companhias abertas de capital privado nacional". Es tas são palavras memoráveis

brasileira ainda é muito pobre, na prática, de mecanismos pri

que seriam pronunciadas pelo

go prazo para as empresas, eis que se encontra ainda quase

Excelentíssimo Senhor Presi dente da República na Sessão Solene

de

Encerramento

do

m Congresso das Companhias

vados de financiamento de lon que

exclusivamente

nas

maos

do Estado a capacidade de reu nir e. alocar recursos, através

9

DIGESTO ECONÔMICO

de instituições públicas,

para

as operações de financiamento de longo prazo às empresas pri vadas. Isso faz com que a for

mação bruta de capital fixo das empresas provenha, em grande parte, de fontes estatais de fi

nanciamento, o que cria vín culos indesejáveis de dependên cia e clientela dos empresários

privados nacionais ao Governo. Impõe-se,

consequentemen

te, a criação de um forte mer cado de capitais no País que,

lados a pacotes de subsídios 0 incentivos de diversas

nature

zas, contribuirá para eliminar importante fonte de pressão in flacionária. Finalmente, mas não menos importante, evitará que 0 volume de distribuição de financiamento de longo prazo

— hoje preponderantemente de responsabüidade estatal — sofra variações indesejáveis ao sabor de políticas de estabili zação de curto prazo.

A privatização -de empresas

embora não eliminando 0 papel

em que õ Estado mantenha ele

das instituições oficiais de cré

vada concentração de ações com direito a voto ou que de

dito, possa substituir com van

tagem, para as faixas das gran

des e médias empresas priva das nacionais, a função de pro porcionar recursos de longo e

médio prazos. Disso resultarão imensas vantagens, tanto para

as empresas, quanto para 0 Es

tado, pois mercado de capitais e, em particular, o de ações, oferece às empresas uma fon te de capital de risco como al ternativa de endividamento, in duzindo

uma

administração

mais profissional e democrati zando a propriedade de seu ca pital. De outro lado, a diminui ção relativa do papel do Esta do no fornecimento de recursos

de longo e médio «prazos, atre-

tenha, mesmo, a totalidade do capital social poderia ser faci

litada caso se procurasse privatizar tais empresas mediante a

venda, pelo Estado, de 16,7%

das ações ordinárias com direi to a voto, a um ou mais gru pos controladores, desde que se utilize a faculdade prevista

na Lei n.o 6.404, e que até 2/3 do total do capital social se jam constituídos por ações pre ferenciais. Dessa maneira, 0

grupo privado controlador po deria, com relativamente pouco capital, passar a exercer 0 con trole, ficando 0 resto das ações da empresa que estivesse sen do privatizada para ser vendi-


8

DIGESTO

ECONÔMICO

Abertas, comemorativo do dé

desestatização e a crescente preocupação do empresariado nacional com este processo que

cimo aniversário de existência

tem eivado a economia brasilei.

porque nesse dia ficou grave

ra de tantos erros e vícios, que comprometem e perturbam a emergência do Brasil moderno

mente enfermo, mas que foram ditas pelo ilustre Ministro da Fazenda, Professor Ernane Galvêas, outro batalhador in

como um dos maiores Estados

liberais e democráticos do mun

do, há-de reconhecer-se que chegou 0 momento de deflagrarse uma campanha nacional de

esclarecimento popular que con duza à promoção da livre em presa e da economia de merca do, como a única fórmuía ca¬ paz de

enfrentar

os

imensos

percalços que o País tem de vencer nesta fase crítica de sua história.

da ABRASCA, e que não 0 fez,

cansável em prol da desestatização e livre iniciativa. Na qualidade de presidente da Comissão de Valores Mobi

liários, entendo que é preciso dar-se ênfase especial e priori dade excepcional aos projetos de desenvolvimento do merca

do de capitais. Isso porque, so mente quando for transformada

a

estrutura do mercado, me

diante 0 fortalecimento de fon

"No amplo contexto da eco nomia nacional, destaca-se um segmento da maior importância que não pode ser esquecido nem negligenciado, seja qual for a política monetária, fiscal e salarial que se pretenda adotar:

tes privadas de recursos, assim como da intermediação desses recursos, é que poder-se-á cor

rigir, desde a origem, uma das causas do processo de estatização.

Efetivamente,

a

economia

o das companhias abertas de capital privado nacional". Es tas são palavras memoráveis

brasileira ainda é muito pobre, na prática, de mecanismos pri

que seriam pronunciadas pelo

go prazo para as empresas, eis que se encontra ainda quase

Excelentíssimo Senhor Presi dente da República na Sessão Solene

de

Encerramento

do

m Congresso das Companhias

vados de financiamento de lon que

exclusivamente

nas

maos

do Estado a capacidade de reu nir e. alocar recursos, através

9

DIGESTO ECONÔMICO

de instituições públicas,

para

as operações de financiamento de longo prazo às empresas pri vadas. Isso faz com que a for

mação bruta de capital fixo das empresas provenha, em grande parte, de fontes estatais de fi

nanciamento, o que cria vín culos indesejáveis de dependên cia e clientela dos empresários

privados nacionais ao Governo. Impõe-se,

consequentemen

te, a criação de um forte mer cado de capitais no País que,

lados a pacotes de subsídios 0 incentivos de diversas

nature

zas, contribuirá para eliminar importante fonte de pressão in flacionária. Finalmente, mas não menos importante, evitará que 0 volume de distribuição de financiamento de longo prazo

— hoje preponderantemente de responsabüidade estatal — sofra variações indesejáveis ao sabor de políticas de estabili zação de curto prazo.

A privatização -de empresas

embora não eliminando 0 papel

em que õ Estado mantenha ele

das instituições oficiais de cré

vada concentração de ações com direito a voto ou que de

dito, possa substituir com van

tagem, para as faixas das gran

des e médias empresas priva das nacionais, a função de pro porcionar recursos de longo e

médio prazos. Disso resultarão imensas vantagens, tanto para

as empresas, quanto para 0 Es

tado, pois mercado de capitais e, em particular, o de ações, oferece às empresas uma fon te de capital de risco como al ternativa de endividamento, in duzindo

uma

administração

mais profissional e democrati zando a propriedade de seu ca pital. De outro lado, a diminui ção relativa do papel do Esta do no fornecimento de recursos

de longo e médio «prazos, atre-

tenha, mesmo, a totalidade do capital social poderia ser faci

litada caso se procurasse privatizar tais empresas mediante a

venda, pelo Estado, de 16,7%

das ações ordinárias com direi to a voto, a um ou mais gru pos controladores, desde que se utilize a faculdade prevista

na Lei n.o 6.404, e que até 2/3 do total do capital social se jam constituídos por ações pre ferenciais. Dessa maneira, 0

grupo privado controlador po deria, com relativamente pouco capital, passar a exercer 0 con trole, ficando 0 resto das ações da empresa que estivesse sen do privatizada para ser vendi-


10

DIGESTO

do ao público. Isso faria com que 0 mercado tivesse cada vez

mais dimensão e houvesse uma participação cada vez mais ex pressiva da comunidade na ca

pitalização das empresas aber tas nacionais.

Não desejo terminar estas

observações sem, antes, repe

tir um ponto de vista filosófi

co que reputo da maior impor tância: o verdadeiro sucesso da

privatização

das

empresas só

será alcançado quando for pos sível atingir-se, no País. um grau de estabilidade econômi

ca que, de fato, permita o flo

rescimento de um mercado de

capitais bastante expressivo e que contribua, verdadeiramente, no sentido de um funcionamen

to da economia a serviço do

Homem e voltado para o bem comum. O mercado deve servir

aos objetivos permanentes da política econômica; o desenvol vimento equilibrado e susten

tado da economia, pleno empre go da mão-de-obra. a estabili dade relativa de preços e a dis tribuição equitativa da renda nacional. Isso porque a priori dade cabe ao setor real da eco

nomia; 0 que importa é que ha ja uma produção crescente de riqueza que seja distribuída de

ECONÔMICO

modo adequado, um crescimen to harmonioso dos setores pri

mário,

secundário e

terciário

da economia, de sorte que o fa tor trabalho esteja ocupado e participe de forma devida da

DIGESTO ECONÔMICO

preendimento. O empréstimo é recurso complementar e tempo rário. De modo algum relaciona o indivíduo ao destino empre sarial, a não ser em termos de

renda produzida. Em outras pa lavras, as políticas monetárias

garantia do crédito. Provavel mente pela integração do acio nista ao empreendimento, o Fis

e fiscais deverão estar a servi

co inclui os dividendos no lucro

ço da economia real, e a moeda e 0 crédito existirem sempre em suprimento adequado e em função das necessidades do de

global registrado na empresa. O juro é dedutível como despe sa, por pertencer à pessoa alheia ao empreendimento.

senvolvimento econômico

e so

cial da Nação.

Permito-me ler, a seguir, algumas sugestões de políticas a serem adotadas em favor do

fortalecimento da empresa pri vada, que solicitei ao eminente mestre e homem público Pro

fessor Octávio Gouvêa de Bu

lhões. A este grande brasileiro,

que tanto tem feito em prol da livre empresa e da democracia capitalista neste País. rendo minhas homenagens, que são, também, estou certo, de todos os demais participantes deste Fórum.

“O capital acionário ou ca¬ pitai por quotas traduz a essên cia da produção capitalista. Ex pressa a incorporação de recur sos dos indivíduos

Há notório equívoco nesse raciocínio fiscal. O lucro é dos

em

um

em-

acionistas. O imposto de ren da exigido da empresa é uma ficção tributária, admissível apenas em relação ao lucro re tido. Os lucros retidos não são da empresa. Constituem, impli citamente, a poupança dos acio nistas. É a parcela da renda do acionista não utilizada pes soalmente. Mas sendo renda auferida é taxável. Por conve

niência administrativa, o impos

to de renda que incide sobre es sa parcela poupada e retida é pago pela empresa, como se contribuinte fosse. Estender, porém, essa incidência tributá

ria à renda distribuída, ou se ja aos dividendos, cujo montan te serve de base ao pagamen

to do imposto de renda dos in¬

11

divíduos é, inquestionavelmen te incorrer em dupla taxação. A dupla incidência, tributá ria sobre o dividendo transfor

ma-o em renda sobrecarregada

de imposto, em relação à ren da creditícia, cujo imposto re cai apenas na esfera da renda disponível.

Tão ostensiva e violenta discriminação contra o dividen do vem contribuindo para o de clínio do capital próprio das em

presas. Em seu lugar, sobe o endividámêhtõ.' Sob

a

nefasta'

influência do Fisco, as empre sas solicitam empréstimos, em vez de lançarem ações novas, e Os que poupam são induzidos a financiar empréstimos em vez de participarem das empresas. Nos Estados Unidos, duran te alguns anos, não obstante a discriminação fiscal, a poupan ça, embora em proporções de crescentes, ainda procurava aplicações em ações. Nesse pe ríodo, a taxa de juros era man tida em nível baixo. O finan ciamento creditício era alimen

tado pela expansão monetária. A finalidade era aumentar o consumo de modo a favorecer

o aumento da produção e, tam bém, favorecer os investimen-


10

DIGESTO

do ao público. Isso faria com que 0 mercado tivesse cada vez

mais dimensão e houvesse uma participação cada vez mais ex pressiva da comunidade na ca

pitalização das empresas aber tas nacionais.

Não desejo terminar estas

observações sem, antes, repe

tir um ponto de vista filosófi

co que reputo da maior impor tância: o verdadeiro sucesso da

privatização

das

empresas só

será alcançado quando for pos sível atingir-se, no País. um grau de estabilidade econômi

ca que, de fato, permita o flo

rescimento de um mercado de

capitais bastante expressivo e que contribua, verdadeiramente, no sentido de um funcionamen

to da economia a serviço do

Homem e voltado para o bem comum. O mercado deve servir

aos objetivos permanentes da política econômica; o desenvol vimento equilibrado e susten

tado da economia, pleno empre go da mão-de-obra. a estabili dade relativa de preços e a dis tribuição equitativa da renda nacional. Isso porque a priori dade cabe ao setor real da eco

nomia; 0 que importa é que ha ja uma produção crescente de riqueza que seja distribuída de

ECONÔMICO

modo adequado, um crescimen to harmonioso dos setores pri

mário,

secundário e

terciário

da economia, de sorte que o fa tor trabalho esteja ocupado e participe de forma devida da

DIGESTO ECONÔMICO

preendimento. O empréstimo é recurso complementar e tempo rário. De modo algum relaciona o indivíduo ao destino empre sarial, a não ser em termos de

renda produzida. Em outras pa lavras, as políticas monetárias

garantia do crédito. Provavel mente pela integração do acio nista ao empreendimento, o Fis

e fiscais deverão estar a servi

co inclui os dividendos no lucro

ço da economia real, e a moeda e 0 crédito existirem sempre em suprimento adequado e em função das necessidades do de

global registrado na empresa. O juro é dedutível como despe sa, por pertencer à pessoa alheia ao empreendimento.

senvolvimento econômico

e so

cial da Nação.

Permito-me ler, a seguir, algumas sugestões de políticas a serem adotadas em favor do

fortalecimento da empresa pri vada, que solicitei ao eminente mestre e homem público Pro

fessor Octávio Gouvêa de Bu

lhões. A este grande brasileiro,

que tanto tem feito em prol da livre empresa e da democracia capitalista neste País. rendo minhas homenagens, que são, também, estou certo, de todos os demais participantes deste Fórum.

“O capital acionário ou ca¬ pitai por quotas traduz a essên cia da produção capitalista. Ex pressa a incorporação de recur sos dos indivíduos

Há notório equívoco nesse raciocínio fiscal. O lucro é dos

em

um

em-

acionistas. O imposto de ren da exigido da empresa é uma ficção tributária, admissível apenas em relação ao lucro re tido. Os lucros retidos não são da empresa. Constituem, impli citamente, a poupança dos acio nistas. É a parcela da renda do acionista não utilizada pes soalmente. Mas sendo renda auferida é taxável. Por conve

niência administrativa, o impos

to de renda que incide sobre es sa parcela poupada e retida é pago pela empresa, como se contribuinte fosse. Estender, porém, essa incidência tributá

ria à renda distribuída, ou se ja aos dividendos, cujo montan te serve de base ao pagamen

to do imposto de renda dos in¬

11

divíduos é, inquestionavelmen te incorrer em dupla taxação. A dupla incidência, tributá ria sobre o dividendo transfor

ma-o em renda sobrecarregada

de imposto, em relação à ren da creditícia, cujo imposto re cai apenas na esfera da renda disponível.

Tão ostensiva e violenta discriminação contra o dividen do vem contribuindo para o de clínio do capital próprio das em

presas. Em seu lugar, sobe o endividámêhtõ.' Sob

a

nefasta'

influência do Fisco, as empre sas solicitam empréstimos, em vez de lançarem ações novas, e Os que poupam são induzidos a financiar empréstimos em vez de participarem das empresas. Nos Estados Unidos, duran te alguns anos, não obstante a discriminação fiscal, a poupan ça, embora em proporções de crescentes, ainda procurava aplicações em ações. Nesse pe ríodo, a taxa de juros era man tida em nível baixo. O finan ciamento creditício era alimen

tado pela expansão monetária. A finalidade era aumentar o consumo de modo a favorecer

o aumento da produção e, tam bém, favorecer os investimen-


DIGESTO ECONÔMICO DIGESTO

12

tos. Estes, porém, não corres pondiam à expectativa. O im posto de renda e as crescentes contribuições para a previdên

estimular, simultaneamente, a poupança destinada à empresa e incentivar o espírito empre

cia social anulavam o estímulo

capital próprio. Esse o motivo

do aumento dos preços. Pode mos, pois. dizer que antes de

do alvitre ‘da supressão do im

1973, já se esboçava, nos Es tados Unidos, um clima de in

flação e recessão, resultante do enfraquecimento econômico das empresas.

sarial com base no aumento de

posto exigido das pessoas jurí dicas sobre a distribuição de dividendos relacionados à subs crição de ações novas.

A restrição da isenção aos dividendos relacionados à subs

Reconhecendo a descapitalização das empresas, o Gover no dos Estados Unidos procura moderar o imposto de renda.

crição de ações liovas, tem o

Instituiu a depreciação acele

empreendimentos. Por outro la do, a restrição diminui a perda

rada e concedeu um crédito fis cal, ambas medidas estimulado-

ras da compra de novos equi pamentos.

Acredito haver no mencio

nado estímulo fiscal um lapso

importante propósito de ligar a

isenção à entrada de capital próprio

no

financiamento

dos

inicial em receita do Tesouro. No curso de um prazo de cinco anos, as empresas já fortaleci

das, a renda nacional acresci da e a receita do Tesouro au mentada, a medida seria gene-

psicológico que nos deve ser vir de lição. A medida fiscal americana é uma política de

ralizada aos antigos acionistas, beneficiados, indiretamente, du

fortalecimento financeiro da empresa e incentivo à remode

de progresso e redução do en-

lação do processo produtivo. Deixa, contudo, de envolver di retamente 0 acionista. Não co-

rante o quinquênio, pelo surto dividamento.

A generalização da medida depois de adotado o fortaleci

gita da poupança dos indivíduos voltada à iniciativa empresa rial. Na presente fase em que

mento financeiro das empresas,

nos

discriminação

encontramos

cumpre-nos

13

ECONÔMICO

correspondería à lógica tribu tária, eliminando a deplorável contra

os

divi-

dendos, mantida por grave er

ro de duplicidade de taxação. Cabe

acrescentar

que

o

lucro empresarial advém do acréscimo de renda proporcio nado pelo investimento, finan ciado pela poupança. Poupam os que aplicam seus recursos na expectativa de uma renda. Pou

ção

mento profissional, na perspec tiva de

uma melhoria

salarial

no futuro. Poupam os que utUizam seu tempo no presente em

somas

aplicáveis

na

e pequenas empresas, cujos di videndos venham a reforçar os

salários, as aposentadorias e as pensões. É a maneira de asso ciar-se 0 acréscimo da renda com 0 acréscimo de sua distri

buição.

pam os que subscrevem ações hoje para receber dividendos amanhã. Poupam os que utili zam seu tempo no aperfeiçoa

de

subscrição de ações, de grandes

Atualmente, a participação de lucros

em acréscimos sala

riais significa transferência de renda, Do mesmo modo, as apo sentadorias e pensões da pre vidência social significam trans ferência de renda. No correr do

pesquisas para a melhoria da próxima produção. Muitos esforços que são ge nuinamente poupanças de futu

tempo, essas sucessivas transfe rências acabarão por enfraque cer as empresas em sua lucra tividade a tal ponto que será di fícil contar com suprimentos

ros

adicionais de produto, a par da

renda

dei

xam de ser identificados,

acréscimos

de

no

tumulto

da atividade

econômi

ca.

compreensível

que

É

se

pressão do aumento de consu

mo.

É

conduz

um ao

desequilíbrio simultâneo

mal

que de

adote um sistema de contribui

duas calamidades: a inflação e

ções de poupança — distribui-

a recessão”.

Caranguejo usa visão para o acasalamento

o

límulo ou

carangyejoferradura tem sido hà. muito tempo objeto de estudos sobre a psicologia da

visâo. Mas 0 papel da visão no próprio comportamento do animal foi pouco investigado até agora. Três cientistas do Laborató’‘io de Biologia Marinha de Woods Hole. Ma^^sachusets. usaram então alg”ns arti^clos vis”i3is para ver como eles afetavam o comportamento dos caranguejos durante a épo ca do cruzamento. Todas as primaveras, o Itaulo procura as praias de (Continua na página 73)


DIGESTO ECONÔMICO DIGESTO

12

tos. Estes, porém, não corres pondiam à expectativa. O im posto de renda e as crescentes contribuições para a previdên

estimular, simultaneamente, a poupança destinada à empresa e incentivar o espírito empre

cia social anulavam o estímulo

capital próprio. Esse o motivo

do aumento dos preços. Pode mos, pois. dizer que antes de

do alvitre ‘da supressão do im

1973, já se esboçava, nos Es tados Unidos, um clima de in

flação e recessão, resultante do enfraquecimento econômico das empresas.

sarial com base no aumento de

posto exigido das pessoas jurí dicas sobre a distribuição de dividendos relacionados à subs crição de ações novas.

A restrição da isenção aos dividendos relacionados à subs

Reconhecendo a descapitalização das empresas, o Gover no dos Estados Unidos procura moderar o imposto de renda.

crição de ações liovas, tem o

Instituiu a depreciação acele

empreendimentos. Por outro la do, a restrição diminui a perda

rada e concedeu um crédito fis cal, ambas medidas estimulado-

ras da compra de novos equi pamentos.

Acredito haver no mencio

nado estímulo fiscal um lapso

importante propósito de ligar a

isenção à entrada de capital próprio

no

financiamento

dos

inicial em receita do Tesouro. No curso de um prazo de cinco anos, as empresas já fortaleci

das, a renda nacional acresci da e a receita do Tesouro au mentada, a medida seria gene-

psicológico que nos deve ser vir de lição. A medida fiscal americana é uma política de

ralizada aos antigos acionistas, beneficiados, indiretamente, du

fortalecimento financeiro da empresa e incentivo à remode

de progresso e redução do en-

lação do processo produtivo. Deixa, contudo, de envolver di retamente 0 acionista. Não co-

rante o quinquênio, pelo surto dividamento.

A generalização da medida depois de adotado o fortaleci

gita da poupança dos indivíduos voltada à iniciativa empresa rial. Na presente fase em que

mento financeiro das empresas,

nos

discriminação

encontramos

cumpre-nos

13

ECONÔMICO

correspondería à lógica tribu tária, eliminando a deplorável contra

os

divi-

dendos, mantida por grave er

ro de duplicidade de taxação. Cabe

acrescentar

que

o

lucro empresarial advém do acréscimo de renda proporcio nado pelo investimento, finan ciado pela poupança. Poupam os que aplicam seus recursos na expectativa de uma renda. Pou

ção

mento profissional, na perspec tiva de

uma melhoria

salarial

no futuro. Poupam os que utUizam seu tempo no presente em

somas

aplicáveis

na

e pequenas empresas, cujos di videndos venham a reforçar os

salários, as aposentadorias e as pensões. É a maneira de asso ciar-se 0 acréscimo da renda com 0 acréscimo de sua distri

buição.

pam os que subscrevem ações hoje para receber dividendos amanhã. Poupam os que utili zam seu tempo no aperfeiçoa

de

subscrição de ações, de grandes

Atualmente, a participação de lucros

em acréscimos sala

riais significa transferência de renda, Do mesmo modo, as apo sentadorias e pensões da pre vidência social significam trans ferência de renda. No correr do

pesquisas para a melhoria da próxima produção. Muitos esforços que são ge nuinamente poupanças de futu

tempo, essas sucessivas transfe rências acabarão por enfraque cer as empresas em sua lucra tividade a tal ponto que será di fícil contar com suprimentos

ros

adicionais de produto, a par da

renda

dei

xam de ser identificados,

acréscimos

de

no

tumulto

da atividade

econômi

ca.

compreensível

que

É

se

pressão do aumento de consu

mo.

É

conduz

um ao

desequilíbrio simultâneo

mal

que de

adote um sistema de contribui

duas calamidades: a inflação e

ções de poupança — distribui-

a recessão”.

Caranguejo usa visão para o acasalamento

o

límulo ou

carangyejoferradura tem sido hà. muito tempo objeto de estudos sobre a psicologia da

visâo. Mas 0 papel da visão no próprio comportamento do animal foi pouco investigado até agora. Três cientistas do Laborató’‘io de Biologia Marinha de Woods Hole. Ma^^sachusets. usaram então alg”ns arti^clos vis”i3is para ver como eles afetavam o comportamento dos caranguejos durante a épo ca do cruzamento. Todas as primaveras, o Itaulo procura as praias de (Continua na página 73)


J,**

s.

● V

n

x^

«<

●<.. - '«*<-.

Econômicos

Contemporâneos h

V-'V.-..V

.●* .. ^V1

■

Manoel

f

Pio

Corrêa

Uma defesa erudita da economia de mercado. O autor é

ex-embaixador e atualmente presidente da Siemens. O texto é de conferência na E.S.G.

INTERCÂMBIO Comunicação constante com os maiores centros de produção, transmitindo informações precisas sobre negócios e oportunidades no Brasil e no Mundo.

Associe-se à ACSP e usufrua das vantagens do Intercâmbio.

Rua Boa Vista. 51 - C. Postal 8082 - Ccp 01014 - Telex (11) 23355 - SP - PABX 239-1333.

I — Os sistemas em presença

O tema que me foi propos to, e sobre o qual terei hoje a subida honra de dissertar pe rante

este

auditório

de

escol,

não exige longa enumeração dos sistemas que juntos vamos examinar: são dois, e apenas dois, em essência básica, os sistemas econômicos contempo râneos; o sistema fundado na

livre economia de mercado, e 0 sistema que postula o plane jamento central e autoritário, pelo poder político, da econo mia e do mercado. Ao primei ro se dá, por convenção mais

do que por exata razão, o no me de “capitalismo'* e ao segundo, também mais por con venção semântica do que por corresponder a uma justa defi

nição, 0 nome de “socialismo”.


J,**

s.

● V

n

x^

«<

●<.. - '«*<-.

Econômicos

Contemporâneos h

V-'V.-..V

.●* .. ^V1

■

Manoel

f

Pio

Corrêa

Uma defesa erudita da economia de mercado. O autor é

ex-embaixador e atualmente presidente da Siemens. O texto é de conferência na E.S.G.

INTERCÂMBIO Comunicação constante com os maiores centros de produção, transmitindo informações precisas sobre negócios e oportunidades no Brasil e no Mundo.

Associe-se à ACSP e usufrua das vantagens do Intercâmbio.

Rua Boa Vista. 51 - C. Postal 8082 - Ccp 01014 - Telex (11) 23355 - SP - PABX 239-1333.

I — Os sistemas em presença

O tema que me foi propos to, e sobre o qual terei hoje a subida honra de dissertar pe rante

este

auditório

de

escol,

não exige longa enumeração dos sistemas que juntos vamos examinar: são dois, e apenas dois, em essência básica, os sistemas econômicos contempo râneos; o sistema fundado na

livre economia de mercado, e 0 sistema que postula o plane jamento central e autoritário, pelo poder político, da econo mia e do mercado. Ao primei ro se dá, por convenção mais

do que por exata razão, o no me de “capitalismo'* e ao segundo, também mais por con venção semântica do que por corresponder a uma justa defi

nição, 0 nome de “socialismo”.


10

DIGESTO

Bem sei que há quem distinga a existência de um terceiro sis

tema, dito de “economia mis ta”; mas na verdade não exis te “economia mista”; existem, sim, diversos graus de penetra ção ou perversão de um siste ma econômico capitalista por

instituições ou práticas inspira das do conceito de planejamen

to central autoritário, limitan

do ou invalidando parcialmente 0 livre jogo das forças do mer cado; mas a essência do siste ma permanece inconfundível em seus fundamentos e em sua filosofia.

Quaisquer que sejam, po rém, as exceções ou concessões

feitas sob um ou outro regime,

a observação mostra que elas não alteram a condição básica

de dualidade, de dicotomia, e de

incompatibilidade

visceral

entre os dois sistemas. É claro

que

em

qualquer

país, mesmo capitalista, como

em qualquer empresa, sobretu do privada, como em qualquer vida humana, é necessária, de

sejável e indispensável uma certa e eficaz medida de pla nejamento; mas, como apontou

certa

vez

o

ministro

Delfim

Netto, que vou citar aqui qua se textualmente, “quanto mais

ECONÔMICO

0 indivíduo ou a empresa pu der ordenar suas operações,

DIGESTO

ECONÔMICO

17

II — O contexto político pertinente a cada sistema

to, se tenta uülizar a mesma técnica para o sistema econô mico como um todo, a coisa po

Tive ensejo de escrever em dada ocasião que "o regime eco

de ser diferente”.

nômico e 0 político são duas fa

Em suma, uma vez "ressal vadas todas as ressalvas”, per manece intacta a lição de Walter Eucken, de que “a opção do sistema é dicotômica”. Ou, co

mo disse Daniel Vüley, “o mer cado, de um lado, e a planificação,

do

outro,

constituem

duas soluções antitéticas, am

bas

logicamente corretas,

do

mesmo problema inalterável; o

da coordenação, em âmbito glo bal, dos diversos elementos da vida econômica”.

Reconhecemos que é possí

vel, em medida apreciável, mas restrita, combinar certos ele mentos próprios a um e a outro

dos sistemas, e que na realida de isso ocorre em todos os re gimes existentes; rnas quaisquer que sejam as modificações que se imaginem, em um siste ma e no outro, jamais a mistu

ra de ambos poderia dar

ori-

gem a uma forma mediana, que

representasse de algum modo um terceiro sistema”.

ces de um mesmo fato históri co",

Poder-se-ia

mesmo

que

a

fundamental

diferença

dizer

entre

os dois

sistemas

reside

menos

na

estrutura

mate

sua

desembocam

com

em

igual

conceitos

diversos da sociedade, do com

econômico

tanto melhor; quando, entretan

mas

inexorabilidade

rial do que em sua feição mo

ral, isto é, em seu contexto po lítico. Com efeito, um sistema econômico é a expressão mate

rial de uma filosofia política. Chefes de empresa e tecnocra-

tas, tanto do campo socialista como do capitalista, trabalham com a mesma ferramenta pro

fissional, possuem os mesmos conhecimentos, interpretam os mesmos fenômenos. O que os diferencia é a convicção moral

de cada um de seu papel e de seus deveres para com a comu nidade a que pertencem, uma diferenciação ética e subjetiva bem mais do que técnica e ob jetiva. Essas diferenças de con ceito desembocam, é certo, em tratamento diverso dos fenôme

nos econômicos, em divergên cias radicais na estruturação e no funcionamento do mercado;

portamento político, e das con vicções éticas no plano ideoló gico. As causas e os efeitos interreagem; mas a conclusão é inequívoca, de cristalina clare za. de lógica incisiva como a navalha na carne: a liberdade econômica é sinônima e condi

ção fundamental da liberdade política; a economia dirigida tende

fatalmente

à arbitrarie

dade governamental, ao cercea mento das liberdades públicas junto com a da iniciativa pri

vada. Livre economia, Id est democracia. Pode, na verdade, em

casos

existir

uma

raros

na

economia

ílistória. de

mer

cado sem liberdade política; mas a recíproca não é verda

deira, não pode existir liberda de política sem uma livre eco nomia.

À ética, à lógica e à mo¬ ral da liberdade”, a doutrina econômica socialista opõe sua própria ética. Essa ética é fun dada no ideal de prover a abun dância em uma sociedade sem

classes, e postula o axioma de que 0 meio para tal fim é a estatização da economia. Ocorre, porém, que, como faz observar


10

DIGESTO

Bem sei que há quem distinga a existência de um terceiro sis

tema, dito de “economia mis ta”; mas na verdade não exis te “economia mista”; existem, sim, diversos graus de penetra ção ou perversão de um siste ma econômico capitalista por

instituições ou práticas inspira das do conceito de planejamen

to central autoritário, limitan

do ou invalidando parcialmente 0 livre jogo das forças do mer cado; mas a essência do siste ma permanece inconfundível em seus fundamentos e em sua filosofia.

Quaisquer que sejam, po rém, as exceções ou concessões

feitas sob um ou outro regime,

a observação mostra que elas não alteram a condição básica

de dualidade, de dicotomia, e de

incompatibilidade

visceral

entre os dois sistemas. É claro

que

em

qualquer

país, mesmo capitalista, como

em qualquer empresa, sobretu do privada, como em qualquer vida humana, é necessária, de

sejável e indispensável uma certa e eficaz medida de pla nejamento; mas, como apontou

certa

vez

o

ministro

Delfim

Netto, que vou citar aqui qua se textualmente, “quanto mais

ECONÔMICO

0 indivíduo ou a empresa pu der ordenar suas operações,

DIGESTO

ECONÔMICO

17

II — O contexto político pertinente a cada sistema

to, se tenta uülizar a mesma técnica para o sistema econô mico como um todo, a coisa po

Tive ensejo de escrever em dada ocasião que "o regime eco

de ser diferente”.

nômico e 0 político são duas fa

Em suma, uma vez "ressal vadas todas as ressalvas”, per manece intacta a lição de Walter Eucken, de que “a opção do sistema é dicotômica”. Ou, co

mo disse Daniel Vüley, “o mer cado, de um lado, e a planificação,

do

outro,

constituem

duas soluções antitéticas, am

bas

logicamente corretas,

do

mesmo problema inalterável; o

da coordenação, em âmbito glo bal, dos diversos elementos da vida econômica”.

Reconhecemos que é possí

vel, em medida apreciável, mas restrita, combinar certos ele mentos próprios a um e a outro

dos sistemas, e que na realida de isso ocorre em todos os re gimes existentes; rnas quaisquer que sejam as modificações que se imaginem, em um siste ma e no outro, jamais a mistu

ra de ambos poderia dar

ori-

gem a uma forma mediana, que

representasse de algum modo um terceiro sistema”.

ces de um mesmo fato históri co",

Poder-se-ia

mesmo

que

a

fundamental

diferença

dizer

entre

os dois

sistemas

reside

menos

na

estrutura

mate

sua

desembocam

com

em

igual

conceitos

diversos da sociedade, do com

econômico

tanto melhor; quando, entretan

mas

inexorabilidade

rial do que em sua feição mo

ral, isto é, em seu contexto po lítico. Com efeito, um sistema econômico é a expressão mate

rial de uma filosofia política. Chefes de empresa e tecnocra-

tas, tanto do campo socialista como do capitalista, trabalham com a mesma ferramenta pro

fissional, possuem os mesmos conhecimentos, interpretam os mesmos fenômenos. O que os diferencia é a convicção moral

de cada um de seu papel e de seus deveres para com a comu nidade a que pertencem, uma diferenciação ética e subjetiva bem mais do que técnica e ob jetiva. Essas diferenças de con ceito desembocam, é certo, em tratamento diverso dos fenôme

nos econômicos, em divergên cias radicais na estruturação e no funcionamento do mercado;

portamento político, e das con vicções éticas no plano ideoló gico. As causas e os efeitos interreagem; mas a conclusão é inequívoca, de cristalina clare za. de lógica incisiva como a navalha na carne: a liberdade econômica é sinônima e condi

ção fundamental da liberdade política; a economia dirigida tende

fatalmente

à arbitrarie

dade governamental, ao cercea mento das liberdades públicas junto com a da iniciativa pri

vada. Livre economia, Id est democracia. Pode, na verdade, em

casos

existir

uma

raros

na

economia

ílistória. de

mer

cado sem liberdade política; mas a recíproca não é verda

deira, não pode existir liberda de política sem uma livre eco nomia.

À ética, à lógica e à mo¬ ral da liberdade”, a doutrina econômica socialista opõe sua própria ética. Essa ética é fun dada no ideal de prover a abun dância em uma sociedade sem

classes, e postula o axioma de que 0 meio para tal fim é a estatização da economia. Ocorre, porém, que, como faz observar


DIGESTO

18

ECONÔMICO

DIGESTO

livre

ECONÔMICO

economia:

eles

19

não

são

0 grande mestre Eugênio Gu-

lor

din, é justamente nas grandes

dentro do processo de consecu ção daqueles objetivos.

politizados

Ao contrário, não existe em país algum um “Partido Capi talista”, nem no mundo uma “Internacional Capitalista”, nem

mente, organizadamente, siste maticamente propagadores, ex positores, catequistas. Os seus adversários, ao contrário, são por definição comprometidos ideologicamente e organizados politicamente, inclusive para a ação de conquista da opinião pública nos países onde ainda não detêm o poder político.

nações industriais mais apega das ao capitalismo privado que mais se aproxima de sua rea lização esse ideal socialista, de “prover a abundância em uma sociedade sem classes”.

intrínseco

do

ser

humano

se realizam “Congressos Capi

Outra diferença fundamen tal — e que assume na ordem prática das coisas tremenda importância, é que o socialis

talistas”. O capitalismo, ou por melhor nome a economia de marcado, é uma doutrina aco

lhida por muitas organizações

mo, além de uma doutrina eco

políticas, adotada como sistema

nômica, é um movimento polí tico^ e isso não só na ordem nacional, como na ordem inter nacional. Existem “Partidos So cialistas em muitos países; existe uma “Internacional So

de Estado em muitos países, in clusive no nosso; mas não é

cialista” à qual são filiados to dos esses partidos nacionais; existe uma propaganda ativa, constante, mundial, da doutri na socialista, através de órgãos

rio mas não uma dialética; não é exclusiva nem intransigente,

de imprensa, de agremiações, de congressos internacionais.

A diferença essencial, por tanto, entre o capitalismo e o socialismo

não

está

nos

seus

objetivos, que são essencial mente os mesmos — promover

a prosperidade do grupo social, mas na sua conceituação dos meios para atingir esses objeti

vos, e na sua estimativa do va¬

tanto uma ideologia como uma

como

tais,

muito

menos politicamente militantes como tais, muito menos ativa

Além do apoio assegurado

de áreas políticas e ideológicas militantes e organizadas, a ní

uma conotação semântica fa vorável, ligada ao vocábulo

der mágico da palavra” existe,

cional, a doutrina

nição a do Socialismo, em cujos estandartes se poderia inscre

ver, como 0 fez nos seus o sul tão Suleiman ao adotar para a

fé do Islã 0 símbolo da Lua

Crescente: ut totum impleat orbem". para que chegue a abarcar a esfera inteira”. Nes U

sa diferença vital reside a gran de desvantagem dos adeptos da

nal Socialista”. Friamente con

siderados, tais rótulos são bas tante ingenuamente pleonásticos: ‘SOCIAL”, diz qualquer di

socialista se beneficia ainda de

vel nacional e a nível interna

nos fanática. Ela tem um ideá

dade, sem pretensões ecumêni cas, sem a ambição de alastra mento mundial que é por defi

que sofreguidão, no presente e no passado, as agremiações po líticas dos mais diversos mati zes procuram incluir na respec tiva denominação uma ou outra dessas palavras, certas de as sim atrair simpatias e apoio. A essa norma não faltou sequer 0 hitlerismo, cujo partido se in titulava, como se sabe, “Nacio

cionário, significa “da Socieda de ou relativo a ela”, não há, portanto, atividade ou organiza ção política que não seja so-

convicção moral e intelectual, não é proselitizante, muito me

sua vocação é realizar-se indi vidualmente em cada comuni

bulo "SOCIAL” e seu derivado “SOCIALISMO". Basta ver com

econômica

ciai”. Mas, não obstante, o “po

“SOCIAL” e seus derivados. Or-

e

tega y Gasset escreveu sobre “o poder mágico das palavras”:

mica

esse poder cria valores total mente dissociados de seu sig

nificado, conferindo poderes for tíssimos de atração ou repul são, de alto interesse para ex ploração política. Assim existe o “carisma das

palavras”, criando preconceitos favoráveis, e dela se reveste tudo 0 que se reclama do vocá¬

favorece fortemente os pro-

pagandistas da doutrina econô “SOCIALISTA”

Também os favorece o fato

histórico de que em muitos paí ses os partidos políticos de de nominação socialista esposaram’ e defenderam os interesses e di reitos das classes trabalhadoras

— até 0 momento em que o So cialismo conquista o poder em forma absoluta e o seu triunfo

varre todas as conquistas dos


DIGESTO

18

ECONÔMICO

DIGESTO

livre

ECONÔMICO

economia:

eles

19

não

são

0 grande mestre Eugênio Gu-

lor

din, é justamente nas grandes

dentro do processo de consecu ção daqueles objetivos.

politizados

Ao contrário, não existe em país algum um “Partido Capi talista”, nem no mundo uma “Internacional Capitalista”, nem

mente, organizadamente, siste maticamente propagadores, ex positores, catequistas. Os seus adversários, ao contrário, são por definição comprometidos ideologicamente e organizados politicamente, inclusive para a ação de conquista da opinião pública nos países onde ainda não detêm o poder político.

nações industriais mais apega das ao capitalismo privado que mais se aproxima de sua rea lização esse ideal socialista, de “prover a abundância em uma sociedade sem classes”.

intrínseco

do

ser

humano

se realizam “Congressos Capi

Outra diferença fundamen tal — e que assume na ordem prática das coisas tremenda importância, é que o socialis

talistas”. O capitalismo, ou por melhor nome a economia de marcado, é uma doutrina aco

lhida por muitas organizações

mo, além de uma doutrina eco

políticas, adotada como sistema

nômica, é um movimento polí tico^ e isso não só na ordem nacional, como na ordem inter nacional. Existem “Partidos So cialistas em muitos países; existe uma “Internacional So

de Estado em muitos países, in clusive no nosso; mas não é

cialista” à qual são filiados to dos esses partidos nacionais; existe uma propaganda ativa, constante, mundial, da doutri na socialista, através de órgãos

rio mas não uma dialética; não é exclusiva nem intransigente,

de imprensa, de agremiações, de congressos internacionais.

A diferença essencial, por tanto, entre o capitalismo e o socialismo

não

está

nos

seus

objetivos, que são essencial mente os mesmos — promover

a prosperidade do grupo social, mas na sua conceituação dos meios para atingir esses objeti

vos, e na sua estimativa do va¬

tanto uma ideologia como uma

como

tais,

muito

menos politicamente militantes como tais, muito menos ativa

Além do apoio assegurado

de áreas políticas e ideológicas militantes e organizadas, a ní

uma conotação semântica fa vorável, ligada ao vocábulo

der mágico da palavra” existe,

cional, a doutrina

nição a do Socialismo, em cujos estandartes se poderia inscre

ver, como 0 fez nos seus o sul tão Suleiman ao adotar para a

fé do Islã 0 símbolo da Lua

Crescente: ut totum impleat orbem". para que chegue a abarcar a esfera inteira”. Nes U

sa diferença vital reside a gran de desvantagem dos adeptos da

nal Socialista”. Friamente con

siderados, tais rótulos são bas tante ingenuamente pleonásticos: ‘SOCIAL”, diz qualquer di

socialista se beneficia ainda de

vel nacional e a nível interna

nos fanática. Ela tem um ideá

dade, sem pretensões ecumêni cas, sem a ambição de alastra mento mundial que é por defi

que sofreguidão, no presente e no passado, as agremiações po líticas dos mais diversos mati zes procuram incluir na respec tiva denominação uma ou outra dessas palavras, certas de as sim atrair simpatias e apoio. A essa norma não faltou sequer 0 hitlerismo, cujo partido se in titulava, como se sabe, “Nacio

cionário, significa “da Socieda de ou relativo a ela”, não há, portanto, atividade ou organiza ção política que não seja so-

convicção moral e intelectual, não é proselitizante, muito me

sua vocação é realizar-se indi vidualmente em cada comuni

bulo "SOCIAL” e seu derivado “SOCIALISMO". Basta ver com

econômica

ciai”. Mas, não obstante, o “po

“SOCIAL” e seus derivados. Or-

e

tega y Gasset escreveu sobre “o poder mágico das palavras”:

mica

esse poder cria valores total mente dissociados de seu sig

nificado, conferindo poderes for tíssimos de atração ou repul são, de alto interesse para ex ploração política. Assim existe o “carisma das

palavras”, criando preconceitos favoráveis, e dela se reveste tudo 0 que se reclama do vocá¬

favorece fortemente os pro-

pagandistas da doutrina econô “SOCIALISTA”

Também os favorece o fato

histórico de que em muitos paí ses os partidos políticos de de nominação socialista esposaram’ e defenderam os interesses e di reitos das classes trabalhadoras

— até 0 momento em que o So cialismo conquista o poder em forma absoluta e o seu triunfo

varre todas as conquistas dos


DIGESTO

20

trabalhadores,

acabando

auto

maticamente com as liberdades

- sindicais, o direito de livre as sociação, 0 direito de greve, a liberdade de trabalho, o direito

de manifestação pública e ou tras coisas que só existem nos países capitalistas. A Polô nia desses tempos demons

tra que, em um economia socialista, tiva

de

livre

país de a tenta

associação

sin

dical é tida como um de safio direto ao sistema socialis

ta como tal. A Nicarágua, tam bém, depois de instaurar uma “ordem socialista”, acaba de

“proibir qualquer tipo de pro testo trabalhista que prejudique a produção agrícola, industrial ou comercial.

O Governo será

inflexível com os trabalhadores que não respeitarem a Lei" — segundo comunicado oficial do Ministério do Trabalho.

O processo de implantação

ECONÔMICO

roso herdeiro do romantismo; uma vez ocupado todo o espaço político pelo sistema socialista,

a ocupação do espaço econômi co segue-se por uma lógica de ferro, que inelutavelmente eli mina a liberdade de opções, quer para a produção, quer pa ra as relações trabalhistas. O êxito do sistema político exige uma tutela absoluta

do Estado

testemunho da História demons

tra que 0 modelo político não pode ser independente do siste ma econômico, um condiciona

0 outro, e a liberdade econômi ca é indispensável para a ma nutenção da liberdade política.

qualquer grau de iniciativa pri vada em escala significativa.

so”, que consiste na extensão gradual da tutela do Estado so

Existe, sem dúvida

//

e tem

mesmo larga aceitação nos paí ses

que

não

fazem

parte

do

“Bloco Socialista", a noção de

do sistema socialista apresen ta-se, com efeito, sob dois as pectos bem diversos, nas fases respectivamente precedente e posterior a um completo domí

que pode existir um “socialismo

nio sobre a economia. Na fase

ção econômica dos países co munistas, sem, no entanto, apli car as restrições à liberdade in-

de luta pela conquista desse do mínio, 0 socialismo é um gene-

dividual que ali se observam; ou seja, implementar um siste ma econômico rigidamente di rigido dentro de um modelo po lítico aberto. Trata-se, evidentemente, de uma ilusão, pois, co mo aponta Milton Friedman, o

sobre a economia, e a preserva ção dessa tutela por sua vez de. pende do poder total do Gover no. O fator político e o econô mico interreagem e encontram um equilíbrio incompatível com

III — "Socialismo democrático e "Socialismo ínsídioso

democrático”, não consubstan ciai com o “socialismo totalitá

rio”. Em suma, há quem con sidere possível adotar as carac

terísticas básicas da organiza

21

DIGESTO ECONÔMICO

Outra coisa é o que eu cha maria

de

socialismo insidio-

bre a economia, reduzindo pro

gressivamente a liberdade de ação da iniciativa privada e neutralizando o jogo das forças

do mercado. O processo tende a desembocar no modelo econô mico dito de “Capitalismo' de Estado" — essencialmenteindis

tinguível do “Estado Socialista”, embora mantendo a aparência,

ou a sombra, de economia de mercado.

Tomemos um exemplo clás sico, da socialização da econo

mia pelo método indolor, ou sob anestesia: o caso da Suécia. Ali

pode-se constatar estatistica mente que 90% da indústria es tá em mãos da empresa priva

da. No entanto, nas palavras de um eminente

economista socia

lista sueco, 0 dr. Rudolf Meidner, “a natureza da proprieda de das empresas é irrelevante. O importante, é que o controle do capital está hoje divorciado do poder de decisão na empre sa. Os acionistas não dispõem do poder decisório, eles apenas recebem os seus dividendos".

Note-se que a Suécia evita assim cs percalços, riscos e des

gastes da estatização direta. O método é mais sutil e mais efi

caz. Ele começa pelo rigoroso controle do crédito pelo poder central, e por uma política fis

cal que torne cada vez mais di fícil

0

autofinanciamento das

empresas privadas, tornando-as dependentes de empréstimos oficiais para seus investimentos e sua expansão. A partir daí já se torna possível um grau con

siderável de ingerência nas de cisões da empresa, inclusive

quanto à sua política de produ ção e até quanto à localização de suas unidades fabris. Nas pa lavras de Roland Huntford, “o

poder é transferido dos acionis-


DIGESTO

20

trabalhadores,

acabando

auto

maticamente com as liberdades

- sindicais, o direito de livre as sociação, 0 direito de greve, a liberdade de trabalho, o direito

de manifestação pública e ou tras coisas que só existem nos países capitalistas. A Polô nia desses tempos demons

tra que, em um economia socialista, tiva

de

livre

país de a tenta

associação

sin

dical é tida como um de safio direto ao sistema socialis

ta como tal. A Nicarágua, tam bém, depois de instaurar uma “ordem socialista”, acaba de

“proibir qualquer tipo de pro testo trabalhista que prejudique a produção agrícola, industrial ou comercial.

O Governo será

inflexível com os trabalhadores que não respeitarem a Lei" — segundo comunicado oficial do Ministério do Trabalho.

O processo de implantação

ECONÔMICO

roso herdeiro do romantismo; uma vez ocupado todo o espaço político pelo sistema socialista,

a ocupação do espaço econômi co segue-se por uma lógica de ferro, que inelutavelmente eli mina a liberdade de opções, quer para a produção, quer pa ra as relações trabalhistas. O êxito do sistema político exige uma tutela absoluta

do Estado

testemunho da História demons

tra que 0 modelo político não pode ser independente do siste ma econômico, um condiciona

0 outro, e a liberdade econômi ca é indispensável para a ma nutenção da liberdade política.

qualquer grau de iniciativa pri vada em escala significativa.

so”, que consiste na extensão gradual da tutela do Estado so

Existe, sem dúvida

//

e tem

mesmo larga aceitação nos paí ses

que

não

fazem

parte

do

“Bloco Socialista", a noção de

do sistema socialista apresen ta-se, com efeito, sob dois as pectos bem diversos, nas fases respectivamente precedente e posterior a um completo domí

que pode existir um “socialismo

nio sobre a economia. Na fase

ção econômica dos países co munistas, sem, no entanto, apli car as restrições à liberdade in-

de luta pela conquista desse do mínio, 0 socialismo é um gene-

dividual que ali se observam; ou seja, implementar um siste ma econômico rigidamente di rigido dentro de um modelo po lítico aberto. Trata-se, evidentemente, de uma ilusão, pois, co mo aponta Milton Friedman, o

sobre a economia, e a preserva ção dessa tutela por sua vez de. pende do poder total do Gover no. O fator político e o econô mico interreagem e encontram um equilíbrio incompatível com

III — "Socialismo democrático e "Socialismo ínsídioso

democrático”, não consubstan ciai com o “socialismo totalitá

rio”. Em suma, há quem con sidere possível adotar as carac

terísticas básicas da organiza

21

DIGESTO ECONÔMICO

Outra coisa é o que eu cha maria

de

socialismo insidio-

bre a economia, reduzindo pro

gressivamente a liberdade de ação da iniciativa privada e neutralizando o jogo das forças

do mercado. O processo tende a desembocar no modelo econô mico dito de “Capitalismo' de Estado" — essencialmenteindis

tinguível do “Estado Socialista”, embora mantendo a aparência,

ou a sombra, de economia de mercado.

Tomemos um exemplo clás sico, da socialização da econo

mia pelo método indolor, ou sob anestesia: o caso da Suécia. Ali

pode-se constatar estatistica mente que 90% da indústria es tá em mãos da empresa priva

da. No entanto, nas palavras de um eminente

economista socia

lista sueco, 0 dr. Rudolf Meidner, “a natureza da proprieda de das empresas é irrelevante. O importante, é que o controle do capital está hoje divorciado do poder de decisão na empre sa. Os acionistas não dispõem do poder decisório, eles apenas recebem os seus dividendos".

Note-se que a Suécia evita assim cs percalços, riscos e des

gastes da estatização direta. O método é mais sutil e mais efi

caz. Ele começa pelo rigoroso controle do crédito pelo poder central, e por uma política fis

cal que torne cada vez mais di fícil

0

autofinanciamento das

empresas privadas, tornando-as dependentes de empréstimos oficiais para seus investimentos e sua expansão. A partir daí já se torna possível um grau con

siderável de ingerência nas de cisões da empresa, inclusive

quanto à sua política de produ ção e até quanto à localização de suas unidades fabris. Nas pa lavras de Roland Huntford, “o

poder é transferido dos acionis-


22

DIGESTO

tas para o Governo, sem modiflcar a forma de propriedade".

Escolhi um exemplo extre mo, em

que a forma

exterior

do sistema econômico é preser

vada, mas seu conteúdo intrín seco é destruído, não por revo lução política, ma.s por pro gressão

administrativa.

O

re

sultado final, porém, acarreta uma configuração filosófica, negativa dos valores democrá

ticos

em

relação à liberdade

dos cidadãos frente à onipo tência e à onipresença estatal. IV — Presença do Estado na economia no sistema

ECONÔMICO

que 0 mercado não pode fazer por si só, isto é, determinar, ar bitrar e implementar as regras do jogo”. Somente o anarquista

mais

ter

que...

"ainda que haja restri ções quanto ao grau de planejamento compatível com a preservação de

Num

sentido

geral,

o

planejamento é politica mente neutro. Pode abrir

ça é, aliás, basicamente neces

se fomentar

dem pública, e portanto a or dem

econômica,

economias

de

mesmo

mercado-

nas Como

escreveu Milton Friedman, "o papel do Governo é fazer algo

sa, da intenção dos pla nejadores".

te colega Roberto de Oliveira Campos escreveu com razão

menos carregados, nas economias capitalistas. Essa presen sária no sentido de que o Esta do existe para assegurar a or

burocracia^ ocorreram a

do Estado planejador, o cará

um modelo não socialis

ou

mável a

muito além da

to da economia. O meu eminen

recurso ao planejamento não implica necessaria mente nenhuma tendenciosidade socializante.

matizes

flets de maneira insofis

namental

Estado no próprio planejamen

e formas distorsivas

com

área de operação gover

0 mestre aponta todos os fatores: a presença necessária

sonhar com a total ausência do

ta de desenvolvimento, o

fato

23

despeito, e não por cau

tipo dos pichadores de paredes

de Paris de maio de 1968, pode

ECONÔMICO

capacidade gerencial da

mais utópico e mais infantil, do

capitalista; formas positivas A presença do Estado na economia é um postulado nas economias socialistas; ela é um

DIGESTO

as portas à socialização controle

e

orientação governamen tais excessivos sobre a atividade econômica.

Na

realidade,

as

inter

venções "socializa ntes dos últimos anos, atra vés do alargamento da

fi

basicamente neutro

desse

planejamento, .e a possibilidade do ultrapassamento da intenção do planejador, com alastramen to da presença estatal na eco nomia em grau que excede a capacidade gerencial de seus recursos humanos, ou invade áreas que a lógica do sistema vigente reservaria à iniciativa privada. Há poucos dias, o ilustre presidente do Banco Central

do Brasil, professor Carlos Ge raldo Langoni, em brilhante conferência pronunciada neste

mesmo recinto, devia dizer por sua

vez:

"...0 crescimento desor

denado do setor público,

e, em especial, do con junto de empresas esta tais, lado a lado com a multiplicação de subsí dios e de incentivos, re-

falta

de

uma

base institucional que crie limitações naturais à expansão do setor pú blico”.

Essa expansão pode assu mir vários aspectos, percorrer várias etapas, inclusive even tualmente produzir distorsões do mercado e deformações filo sóficas do regims político. Em suma, a presença do Estado na economia de mercado pode ser “terapêutica” ou "patológica”. Não falamos, é claro, da pre sença naqueles setores ou fun ções que incumbem necessaria mente ao Estado na mais estri

ta definição das responsabilida

des do Governo: educação, saú de, habitação, defesa nacional, justiça, relações exteriores; as três primeiras áreas com im portantes interfaces com a eco

nomia. Falamos, sim. da presen ça nas áreas vocacionalmente procuradas pela iniciativa pri vada, ou seja a produção e dis

tribuição de bens e serviços. Para justificar a presença do Estado nesses campos, que é susceptível de introduzir mo

dificações importantes no regi me de concorrência econômica


22

DIGESTO

tas para o Governo, sem modiflcar a forma de propriedade".

Escolhi um exemplo extre mo, em

que a forma

exterior

do sistema econômico é preser

vada, mas seu conteúdo intrín seco é destruído, não por revo lução política, ma.s por pro gressão

administrativa.

O

re

sultado final, porém, acarreta uma configuração filosófica, negativa dos valores democrá

ticos

em

relação à liberdade

dos cidadãos frente à onipo tência e à onipresença estatal. IV — Presença do Estado na economia no sistema

ECONÔMICO

que 0 mercado não pode fazer por si só, isto é, determinar, ar bitrar e implementar as regras do jogo”. Somente o anarquista

mais

ter

que...

"ainda que haja restri ções quanto ao grau de planejamento compatível com a preservação de

Num

sentido

geral,

o

planejamento é politica mente neutro. Pode abrir

ça é, aliás, basicamente neces

se fomentar

dem pública, e portanto a or dem

econômica,

economias

de

mesmo

mercado-

nas Como

escreveu Milton Friedman, "o papel do Governo é fazer algo

sa, da intenção dos pla nejadores".

te colega Roberto de Oliveira Campos escreveu com razão

menos carregados, nas economias capitalistas. Essa presen sária no sentido de que o Esta do existe para assegurar a or

burocracia^ ocorreram a

do Estado planejador, o cará

um modelo não socialis

ou

mável a

muito além da

to da economia. O meu eminen

recurso ao planejamento não implica necessaria mente nenhuma tendenciosidade socializante.

matizes

flets de maneira insofis

namental

Estado no próprio planejamen

e formas distorsivas

com

área de operação gover

0 mestre aponta todos os fatores: a presença necessária

sonhar com a total ausência do

ta de desenvolvimento, o

fato

23

despeito, e não por cau

tipo dos pichadores de paredes

de Paris de maio de 1968, pode

ECONÔMICO

capacidade gerencial da

mais utópico e mais infantil, do

capitalista; formas positivas A presença do Estado na economia é um postulado nas economias socialistas; ela é um

DIGESTO

as portas à socialização controle

e

orientação governamen tais excessivos sobre a atividade econômica.

Na

realidade,

as

inter

venções "socializa ntes dos últimos anos, atra vés do alargamento da

fi

basicamente neutro

desse

planejamento, .e a possibilidade do ultrapassamento da intenção do planejador, com alastramen to da presença estatal na eco nomia em grau que excede a capacidade gerencial de seus recursos humanos, ou invade áreas que a lógica do sistema vigente reservaria à iniciativa privada. Há poucos dias, o ilustre presidente do Banco Central

do Brasil, professor Carlos Ge raldo Langoni, em brilhante conferência pronunciada neste

mesmo recinto, devia dizer por sua

vez:

"...0 crescimento desor

denado do setor público,

e, em especial, do con junto de empresas esta tais, lado a lado com a multiplicação de subsí dios e de incentivos, re-

falta

de

uma

base institucional que crie limitações naturais à expansão do setor pú blico”.

Essa expansão pode assu mir vários aspectos, percorrer várias etapas, inclusive even tualmente produzir distorsões do mercado e deformações filo sóficas do regims político. Em suma, a presença do Estado na economia de mercado pode ser “terapêutica” ou "patológica”. Não falamos, é claro, da pre sença naqueles setores ou fun ções que incumbem necessaria mente ao Estado na mais estri

ta definição das responsabilida

des do Governo: educação, saú de, habitação, defesa nacional, justiça, relações exteriores; as três primeiras áreas com im portantes interfaces com a eco

nomia. Falamos, sim. da presen ça nas áreas vocacionalmente procuradas pela iniciativa pri vada, ou seja a produção e dis

tribuição de bens e serviços. Para justificar a presença do Estado nesses campos, que é susceptível de introduzir mo

dificações importantes no regi me de concorrência econômica


DIGESTO

24

em que se funda a economia de

vos que pessoalmente me esca

mercado,

pam,

costuma-se

invocar

várias teorias.

ou desenvolvidos, da presença pioneira ou supletiva do Estado em setores em que a iniciativa

privada não pode ou não quer

atuar, seja por insuficiência de recursos

financeiros ou

maa

que

encontraram

larga aceitação mundial, enten

Uma delas é a teoria, não raro válida aliás em países in suficientemente capitalizados

de co-

nhecimentos técnicos, seja pela

baixa rentabilidade e longo pra zo de maturação econômica dos

projetos necessários. É a teoria dita do "preenchimento dos es paços vazios”: em tese, o Esta do supre à carência de investi

f

ECONÔMICO

dores privados, em princípio a título apenas temporário, até que 0 setor privado possa orga nizar-se para enfrentar os mes mos desafios.

Outra tese é a dos "setores econômicos sensíveis” ou dos "píncaros dominantes da econo mia”. Ela invoca a razão de Es

tado, e os interesses da segu

rança econômica nacional,

ou

mesmo da segurança nacional pura e simples, para justificar ou 0 monopólio ou a tutela do

de-se que, por exemplo, o trans porte ferroviário, os sistemas de telecomunicações, a geração e distribuição de energia e ou tros serviços públicos devam ser monopólio do Estado. É certo que historicamente tais serviços têm sido prestados com alto grau de eficiência, e com plena satisfação para os usuá rios, por empresas privadas; mas é inegável que a tendência prevalecente no mundo ociden tal tem corrido no sentido da

estatização dessas atividades. Dentro da mesma ordem de

idéias, postula-se a autoridade normativa do Estado, sobrepos ta às leis do mercado, e a pre sença de capitais públicos em setores de tecnologia de ponta, tidos como de crucial importân

DIGESTO

25

ECONÔMICO

ção intelectual, uma atividads-

meio em uma atividade-fim. É 0

que buscou, em seu tempo, evi tar as consequências recessi

vas do “choque do petróleo”, de modo a manter uma taxa signi

Nação”.

mico mediante uma estratégia de substituição de importa

E acrescenta aquel? arguto observador: Já vi empresas

do Estado, que começaram efi

cientes, sucumbirem ao longo do caminho ao assalto

combi

nado do empreguismo, da poli-

tização dos gerentes, da indife rença pelos custos de produção e da aceitação de déficits de

operação como estilo normal de

de

crescimento

econô

ções: intensificando a produção nacional de bens de capital em vez

de

trazê-los

do

exterior.

Essa estratégia conduziu a uma

forte ampliação da presença do Estado na economia, como se pode ver pelas cifras que vou citar.

Em 1973, 0 investimento es

vida. Estas coisas podem ocor-

tatal foi

rer, e também ocorrem, na em presa privada. Mas com uma vital diferença: não persistem indefinidamente, já que mais

investimento privado; em 1979, ele 0 superou, passando a re presentar mais de metade do investimento total no País.

cedo ou mais tarde sobrevem a

Mais do que isso: recente estudo do professor Martone, da USP, demonstra que, em 1979, dos ativos das 50 maiores empresas estatais, 659o estão na

punição da falência.

//

vas, ou seja, em competição di

deforma-

uma opção

ficativa

ção parcial da economia reside,

por

de

preservação aos interesses da

atividades diretament© produti

transformar-se,

sim, em

0 risco de a empresa estatal

esquecer que é mero instrumen to, transformando-se em objeti vo e sobrepondo a sua própria

O perigo, para as econo mias de mercado, da estatiza

da economia. Assim, por moti-

ideológica, e

grande parte,

pansão da presença estatal na

Estado sobre certos segmentos

vação

que Roberto Campos chamou

cia para o desenvolvimento e aparelhamento industrial do país.

em primeiro lugar, na tendên cia à proliferação de empresas públicas; e também no risco de

inequivocamente de uma moti

Convém ressaltar que a ex

economia, e isso nas áreas de

reta com 0 setor privado

na

busca de recursos financeiros e

físicos, deriva, no caso do Bra sil, não necessariamente ou

menos de metade do

área de infra-estrutura, mas 35% correspondem a processos de produção de bens privados. “Numa economia capitalista não é esse um espaço que compete

ao Estado ocupar”,

conclui o


DIGESTO

24

em que se funda a economia de

vos que pessoalmente me esca

mercado,

pam,

costuma-se

invocar

várias teorias.

ou desenvolvidos, da presença pioneira ou supletiva do Estado em setores em que a iniciativa

privada não pode ou não quer

atuar, seja por insuficiência de recursos

financeiros ou

maa

que

encontraram

larga aceitação mundial, enten

Uma delas é a teoria, não raro válida aliás em países in suficientemente capitalizados

de co-

nhecimentos técnicos, seja pela

baixa rentabilidade e longo pra zo de maturação econômica dos

projetos necessários. É a teoria dita do "preenchimento dos es paços vazios”: em tese, o Esta do supre à carência de investi

f

ECONÔMICO

dores privados, em princípio a título apenas temporário, até que 0 setor privado possa orga nizar-se para enfrentar os mes mos desafios.

Outra tese é a dos "setores econômicos sensíveis” ou dos "píncaros dominantes da econo mia”. Ela invoca a razão de Es

tado, e os interesses da segu

rança econômica nacional,

ou

mesmo da segurança nacional pura e simples, para justificar ou 0 monopólio ou a tutela do

de-se que, por exemplo, o trans porte ferroviário, os sistemas de telecomunicações, a geração e distribuição de energia e ou tros serviços públicos devam ser monopólio do Estado. É certo que historicamente tais serviços têm sido prestados com alto grau de eficiência, e com plena satisfação para os usuá rios, por empresas privadas; mas é inegável que a tendência prevalecente no mundo ociden tal tem corrido no sentido da

estatização dessas atividades. Dentro da mesma ordem de

idéias, postula-se a autoridade normativa do Estado, sobrepos ta às leis do mercado, e a pre sença de capitais públicos em setores de tecnologia de ponta, tidos como de crucial importân

DIGESTO

25

ECONÔMICO

ção intelectual, uma atividads-

meio em uma atividade-fim. É 0

que buscou, em seu tempo, evi tar as consequências recessi

vas do “choque do petróleo”, de modo a manter uma taxa signi

Nação”.

mico mediante uma estratégia de substituição de importa

E acrescenta aquel? arguto observador: Já vi empresas

do Estado, que começaram efi

cientes, sucumbirem ao longo do caminho ao assalto

combi

nado do empreguismo, da poli-

tização dos gerentes, da indife rença pelos custos de produção e da aceitação de déficits de

operação como estilo normal de

de

crescimento

econô

ções: intensificando a produção nacional de bens de capital em vez

de

trazê-los

do

exterior.

Essa estratégia conduziu a uma

forte ampliação da presença do Estado na economia, como se pode ver pelas cifras que vou citar.

Em 1973, 0 investimento es

vida. Estas coisas podem ocor-

tatal foi

rer, e também ocorrem, na em presa privada. Mas com uma vital diferença: não persistem indefinidamente, já que mais

investimento privado; em 1979, ele 0 superou, passando a re presentar mais de metade do investimento total no País.

cedo ou mais tarde sobrevem a

Mais do que isso: recente estudo do professor Martone, da USP, demonstra que, em 1979, dos ativos das 50 maiores empresas estatais, 659o estão na

punição da falência.

//

vas, ou seja, em competição di

deforma-

uma opção

ficativa

ção parcial da economia reside,

por

de

preservação aos interesses da

atividades diretament© produti

transformar-se,

sim, em

0 risco de a empresa estatal

esquecer que é mero instrumen to, transformando-se em objeti vo e sobrepondo a sua própria

O perigo, para as econo mias de mercado, da estatiza

da economia. Assim, por moti-

ideológica, e

grande parte,

pansão da presença estatal na

Estado sobre certos segmentos

vação

que Roberto Campos chamou

cia para o desenvolvimento e aparelhamento industrial do país.

em primeiro lugar, na tendên cia à proliferação de empresas públicas; e também no risco de

inequivocamente de uma moti

Convém ressaltar que a ex

economia, e isso nas áreas de

reta com 0 setor privado

na

busca de recursos financeiros e

físicos, deriva, no caso do Bra sil, não necessariamente ou

menos de metade do

área de infra-estrutura, mas 35% correspondem a processos de produção de bens privados. “Numa economia capitalista não é esse um espaço que compete

ao Estado ocupar”,

conclui o


26

DIGESTO

Professor Julian Chacel ao ana. Usar o referido estudo. Expressiva, essencial e sá

bia providência foi a criação da SEST, e a obtenção, pela primei ra vez no Brasil, de uma visão consolidada do dispêndio global

do setor público, visão essa que revelou de forma eloquente o

ECONÔMICO

pela Nação destinou-se a refor çar a cobertura de dispêndios atípicos do setor público em economia de mercado. “À luz

dessas cifras, a atividade em presarial do Estado parece ser consideravelmente mais rele vante do que o cumprimento de suas funções essenciais em uma economia capitalista”.

“crescimento desmesurado da participação do Governo na ati vidade econômica, espocialmente através da expansão das em

Eis porque reveste valor histórico, de transcendente im portância, 0 recente Decreto do

presas

presidente da República, fun

estatais”,

como

diz

o

Professor Carlos von Doellinger. O oportuno cadastramento determinado pelo ilustre minis tro - chefe da Secretaria de

Planejamento demonstra,

por

exemplo, que em 1980 o dispên

dio consolidado das

empresas

estatais foi quase cinco vezes o

gasto total da Administração' Pederal.

A receita orçamentária da União foi de 1,2 trilhão de cru zeiros: os recursos das empre sas estatais totalizaram três tri

lhões de cruzeiros. Da Receita Federal, a metade foi transferi

da para outros orçamentos, de sorte que, como faz notar o pro fessor von Doellinger, a metade da carga tributária

suportada

dado em Exposição de Motivos de seu ministro Extraordinário

para a Desburocratização, Hé lio Beltrão, que em sua carrei ra soube aliar os mais belos do tes de homem de Estado aos de grande empresário. Esse Decre to veio mostrar que o senhor presidente da República e seus ministros, cuja posição é bem

conhecida, e acima de qualquer dúvida, consideram chegado 0 momento de manifestar clara

mente sua determinação de fazer cumprir a Coinstituição no

tocante ao regime econômico,

mantendo aberto para o Brasil

0 caminho da livre economia, na qual a intervenção direta do

Estado é excepcional e tempo

rária.

DIGESTO

V — O

ECONÔMICO

sistema

econômico

liberal: o Capitalismo. Suas limitações e seus pontos vulneráveis.

27

ciso que ele não seja dependen te do poder político para o seu ganha-pão, para sua atividade profissional. Os intelectuais dis

sidentes que conseguem fugir A

expressão

CAPITALIS.

MO” foi, como se sabe, cunhada por Karl Marx, seu maior ini

migo; aliás impropriamente, co

dos países do “Bloco Socialista”

nos demonstram que sem liber dade econômica não berdade intelectual.

existe li

mo demonstrou o professor Eu gênio Gudin. Mais apropriada lhe seria a denominação de “LIBERALISMO”, não por asso ciação histórica com o liberalismo econômico do século XIX, hoje defunto, mas pela estreita associação do sistema com o go

No entanto, manifesta-se frequentemente, na acepção po pular e na literatura política, uma antítese conceituai, e para. doxal, entre o capitalismo e a liberdade que ele assegura, e o progresso que ele promove, fi lhe emprestado quase maquinal-

zo das liberdades individuais e

mente o caráter de sistema fa vorável aos ricos e hostil aos

com a própria noção de liber dade. Como diz Milton Friedman, “a organização econômica desempenha um papel duplo na

promoção de uma sociedade li vre: de um' lado, a liberdade econômica é parte da liberdade entendida em sentido mais am

pobres.

Oportuno parece oferecer uma definição do sistema capi talista, e vou buscá-la na fór mula exemplar do professor Glycon de Paiva:

plo. e portanto um fim em si

“São dois os característi

própria; por outro lado, a liber

cos essenciais do capita lismo: empresa privada e

dade econômica

é um instru

mento indispensável para o go zo da liberdade política”. Expli

do sistema capitalista é a

ca-se isso facümente: para que um homem seja livre de seus

tação do risco inseparável

atos, de suas opções, de suas manifestações de opinião, é pre-

mercado

livre.

O

móvel

busca de lucro sob a limi da

atividade nesse siste-

ma

.


26

DIGESTO

Professor Julian Chacel ao ana. Usar o referido estudo. Expressiva, essencial e sá

bia providência foi a criação da SEST, e a obtenção, pela primei ra vez no Brasil, de uma visão consolidada do dispêndio global

do setor público, visão essa que revelou de forma eloquente o

ECONÔMICO

pela Nação destinou-se a refor çar a cobertura de dispêndios atípicos do setor público em economia de mercado. “À luz

dessas cifras, a atividade em presarial do Estado parece ser consideravelmente mais rele vante do que o cumprimento de suas funções essenciais em uma economia capitalista”.

“crescimento desmesurado da participação do Governo na ati vidade econômica, espocialmente através da expansão das em

Eis porque reveste valor histórico, de transcendente im portância, 0 recente Decreto do

presas

presidente da República, fun

estatais”,

como

diz

o

Professor Carlos von Doellinger. O oportuno cadastramento determinado pelo ilustre minis tro - chefe da Secretaria de

Planejamento demonstra,

por

exemplo, que em 1980 o dispên

dio consolidado das

empresas

estatais foi quase cinco vezes o

gasto total da Administração' Pederal.

A receita orçamentária da União foi de 1,2 trilhão de cru zeiros: os recursos das empre sas estatais totalizaram três tri

lhões de cruzeiros. Da Receita Federal, a metade foi transferi

da para outros orçamentos, de sorte que, como faz notar o pro fessor von Doellinger, a metade da carga tributária

suportada

dado em Exposição de Motivos de seu ministro Extraordinário

para a Desburocratização, Hé lio Beltrão, que em sua carrei ra soube aliar os mais belos do tes de homem de Estado aos de grande empresário. Esse Decre to veio mostrar que o senhor presidente da República e seus ministros, cuja posição é bem

conhecida, e acima de qualquer dúvida, consideram chegado 0 momento de manifestar clara

mente sua determinação de fazer cumprir a Coinstituição no

tocante ao regime econômico,

mantendo aberto para o Brasil

0 caminho da livre economia, na qual a intervenção direta do

Estado é excepcional e tempo

rária.

DIGESTO

V — O

ECONÔMICO

sistema

econômico

liberal: o Capitalismo. Suas limitações e seus pontos vulneráveis.

27

ciso que ele não seja dependen te do poder político para o seu ganha-pão, para sua atividade profissional. Os intelectuais dis

sidentes que conseguem fugir A

expressão

CAPITALIS.

MO” foi, como se sabe, cunhada por Karl Marx, seu maior ini

migo; aliás impropriamente, co

dos países do “Bloco Socialista”

nos demonstram que sem liber dade econômica não berdade intelectual.

existe li

mo demonstrou o professor Eu gênio Gudin. Mais apropriada lhe seria a denominação de “LIBERALISMO”, não por asso ciação histórica com o liberalismo econômico do século XIX, hoje defunto, mas pela estreita associação do sistema com o go

No entanto, manifesta-se frequentemente, na acepção po pular e na literatura política, uma antítese conceituai, e para. doxal, entre o capitalismo e a liberdade que ele assegura, e o progresso que ele promove, fi lhe emprestado quase maquinal-

zo das liberdades individuais e

mente o caráter de sistema fa vorável aos ricos e hostil aos

com a própria noção de liber dade. Como diz Milton Friedman, “a organização econômica desempenha um papel duplo na

promoção de uma sociedade li vre: de um' lado, a liberdade econômica é parte da liberdade entendida em sentido mais am

pobres.

Oportuno parece oferecer uma definição do sistema capi talista, e vou buscá-la na fór mula exemplar do professor Glycon de Paiva:

plo. e portanto um fim em si

“São dois os característi

própria; por outro lado, a liber

cos essenciais do capita lismo: empresa privada e

dade econômica

é um instru

mento indispensável para o go zo da liberdade política”. Expli

do sistema capitalista é a

ca-se isso facümente: para que um homem seja livre de seus

tação do risco inseparável

atos, de suas opções, de suas manifestações de opinião, é pre-

mercado

livre.

O

móvel

busca de lucro sob a limi da

atividade nesse siste-

ma

.


29

DIGESTO ECONÔMICO DIGESTO

28

Nessa fórmula convém aten.

tar para a parte atribuída ao fator risco. Empresar é arris car, calculando o risco. A capa cidade de aceitar e de calcular riscos dá a medida do êxito em

ECONÔMICO

te é a carga negativa atribuída, intencionalmente por uns, in conscientemente por outros, à noção de LUCRO, que os mais convictos partidários da econo mia de mercado mostram-se às

presarial, que depende, em últi ma análise, da capacidade de

vezes intimidados por ela, acua dos a uma posição defensiva e

satisfazer o mercado. A recom

exculpatória, não ousando pro

pensa do acerto empresarial é

clamar esta verdade simples e cristalina, que LUCRO não é nem crime nem' vergonha é MERITÓRIO e BENÉFICO; suas vantagens não afagam apenas beneficiários individuais,

0 lucro: o fracasso pune a quem não consegue aceitação no mer cado utilizando inteligentem'en-

te os fatores de produção. A concorrência aguça o engenho para

evitar

o

fracasso

ante

competidores mais eficientes, e

mas se estendem a toda a es trutura social.

serve o interesse da comunida

Nos próprios termos de sua definição, o sistema capitalista encerra logo o gérmen da po

O ministro Delfim Netto, que tem o dom da frase pito resca e incisiva, disse alguma vez que o Brasil, graças a Deus, perdeu enfim a vergonha de ser um país capitalista: é certa a

lêmica. Trata-se

termo de

"boutade", mas restam conside

LUCRO, ao qual se prende, no conceito de espíritos desprepa

ráveis bolsões de "capitalismo

de, cujas preferências os em

presários porfiam em obter.

rados

ou

mal

do

doutrinados,

uma conotação pejorativa, as sociada à idéia de ganância e

envergonhado”,

onde

transpa

recem, às vezes, os reflexos do que só pode ser um preconceito

arraigado no subconsciente. É

mesmo de espoliação. O LU CRO, nesse conceito, (e isto é um perigo seríssimo para a so

assim que temos ouvido, de vá rios setores, apelos aos empre sários para que reduzam os

brevivência

seus LUCROS a fim de concor

da

economia

de

mercado) aparece como algo de injusto, de predatório. Tão for-

rer para a redução do custo de vida.

Ora, nenhuma lógica permi te a confusão entre PREÇO e LUCRO, nem consequentemente o apelo à redução dos LUCROS — desde, é claro, que não se trate de lucros fraudulentos, ou ilícitos, ou abusivos como deri vados de monopólio, cartel, ou

outras práticas que a lei proibe e coibe. Se um empresário con segue realizar lucro, ele mere ce 0 aplauso público: primeiro, porque ele demonstrou eficiên cia na otimização do uso dos meios de produção ao seu dis por, e segundo porque na me dida em que realiza lucros au menta a sua capacidade de autofinanciamento e diminui a sua

necessidade de pressionar o sis tema

financeiro

buscando

di

nheiro alheio, cujo alto custo é fator de pressão sobre os pre

ços e portanto sobre a inflação. Além disso, os bons lucros, em regime de livre concorrência, vão beneficiar o consumidor, já porque a tendência será repas sar parte deles para os preços a fim de melhorar a posição

competitiva da empresa, já por que os lucros servem para fi nanciar o desenvolvimento de novos produtos, mais aperfei çoados, satisfazendo a necessi dade ou os desejos do mercado.

Enfim, os lucros permitem no vos investimentos, com a con sequente criação de novas fren tes de trabalho, e, com a pro cura de mão-de-obra, melhora rem as condições do mercado salarial para os trabalhadores.

LUCRO, portanto, é VIRTUDE, e não VÍCIO. O objetivo de qualquer sis tema econômico é, ou deve ser, o de criar para todos os que vivem sob o seu regime o má ximo de bem-estar e segurança,

com dignidade e liberdade, ou seja, dar a todos o mais amplo acesso possível aos benefícios da civilização. Convém, pois, observar qual o desempenho respectivo dos sistemas econô micos de que nos ocupamos, no tocante à consecução desse ob jetivo.

Nesse contexto, é lógico surgir a pergunta: como se faz que 0 sistema capitalista co

nheça quadros de recessão, de dificuldades geradoras de des conforto social, quando em tese 0 livre jogo das forças do mer

cado deve gerar prosperidade sempre crescente? A resposta a essa pergunta necessita um li geiro retrospecto histórico.


29

DIGESTO ECONÔMICO DIGESTO

28

Nessa fórmula convém aten.

tar para a parte atribuída ao fator risco. Empresar é arris car, calculando o risco. A capa cidade de aceitar e de calcular riscos dá a medida do êxito em

ECONÔMICO

te é a carga negativa atribuída, intencionalmente por uns, in conscientemente por outros, à noção de LUCRO, que os mais convictos partidários da econo mia de mercado mostram-se às

presarial, que depende, em últi ma análise, da capacidade de

vezes intimidados por ela, acua dos a uma posição defensiva e

satisfazer o mercado. A recom

exculpatória, não ousando pro

pensa do acerto empresarial é

clamar esta verdade simples e cristalina, que LUCRO não é nem crime nem' vergonha é MERITÓRIO e BENÉFICO; suas vantagens não afagam apenas beneficiários individuais,

0 lucro: o fracasso pune a quem não consegue aceitação no mer cado utilizando inteligentem'en-

te os fatores de produção. A concorrência aguça o engenho para

evitar

o

fracasso

ante

competidores mais eficientes, e

mas se estendem a toda a es trutura social.

serve o interesse da comunida

Nos próprios termos de sua definição, o sistema capitalista encerra logo o gérmen da po

O ministro Delfim Netto, que tem o dom da frase pito resca e incisiva, disse alguma vez que o Brasil, graças a Deus, perdeu enfim a vergonha de ser um país capitalista: é certa a

lêmica. Trata-se

termo de

"boutade", mas restam conside

LUCRO, ao qual se prende, no conceito de espíritos desprepa

ráveis bolsões de "capitalismo

de, cujas preferências os em

presários porfiam em obter.

rados

ou

mal

do

doutrinados,

uma conotação pejorativa, as sociada à idéia de ganância e

envergonhado”,

onde

transpa

recem, às vezes, os reflexos do que só pode ser um preconceito

arraigado no subconsciente. É

mesmo de espoliação. O LU CRO, nesse conceito, (e isto é um perigo seríssimo para a so

assim que temos ouvido, de vá rios setores, apelos aos empre sários para que reduzam os

brevivência

seus LUCROS a fim de concor

da

economia

de

mercado) aparece como algo de injusto, de predatório. Tão for-

rer para a redução do custo de vida.

Ora, nenhuma lógica permi te a confusão entre PREÇO e LUCRO, nem consequentemente o apelo à redução dos LUCROS — desde, é claro, que não se trate de lucros fraudulentos, ou ilícitos, ou abusivos como deri vados de monopólio, cartel, ou

outras práticas que a lei proibe e coibe. Se um empresário con segue realizar lucro, ele mere ce 0 aplauso público: primeiro, porque ele demonstrou eficiên cia na otimização do uso dos meios de produção ao seu dis por, e segundo porque na me dida em que realiza lucros au menta a sua capacidade de autofinanciamento e diminui a sua

necessidade de pressionar o sis tema

financeiro

buscando

di

nheiro alheio, cujo alto custo é fator de pressão sobre os pre

ços e portanto sobre a inflação. Além disso, os bons lucros, em regime de livre concorrência, vão beneficiar o consumidor, já porque a tendência será repas sar parte deles para os preços a fim de melhorar a posição

competitiva da empresa, já por que os lucros servem para fi nanciar o desenvolvimento de novos produtos, mais aperfei çoados, satisfazendo a necessi dade ou os desejos do mercado.

Enfim, os lucros permitem no vos investimentos, com a con sequente criação de novas fren tes de trabalho, e, com a pro cura de mão-de-obra, melhora rem as condições do mercado salarial para os trabalhadores.

LUCRO, portanto, é VIRTUDE, e não VÍCIO. O objetivo de qualquer sis tema econômico é, ou deve ser, o de criar para todos os que vivem sob o seu regime o má ximo de bem-estar e segurança,

com dignidade e liberdade, ou seja, dar a todos o mais amplo acesso possível aos benefícios da civilização. Convém, pois, observar qual o desempenho respectivo dos sistemas econô micos de que nos ocupamos, no tocante à consecução desse ob jetivo.

Nesse contexto, é lógico surgir a pergunta: como se faz que 0 sistema capitalista co

nheça quadros de recessão, de dificuldades geradoras de des conforto social, quando em tese 0 livre jogo das forças do mer

cado deve gerar prosperidade sempre crescente? A resposta a essa pergunta necessita um li geiro retrospecto histórico.


30

DIGESTO

A experiência ensina, e a ciência explica, que a econo mia é cíclica, oferecendo fases de expansão que, ao exceder as possibilidades sadias do merca do, são moderadas por fases de

ECONÔMICO

DIGESTO ECONÔMICO

31

investimentos produtivos essen ciais, dando preeminência à poupança sobre o consumo como

Na frase do eminente mes

tre Octávio de Bulhões, o Oci dente “embarcou nessa canoa", tese

meio de recuperar a economia.

novamente

dinheiro fácil para alimentar as fornalhas da economia, e não

voltar à expansão para'satisfa. zer demandas reprimidas e dar vazão a energias acumuladas.

Mas o mundo ocidental em ge ral, acostumado a largas doses de assistencialismo estatal, pre feriu praticar um “Keynesianis-

mentos produtivos. Ao mesmo tempo, comprova-se a idéia da

estagnação,

para

Aconteceu que um concur so de circunstâncias, no fim da

década

cio

dos

dos

30,

20

e

prolongou

no

iní

anor

malmente uma fase de estagnação nas economias desen

volvidas do Ocidente. A desusa

da demora da recuperação le vou 0 grande economista, Lord

Keynes, ao observar a persis

tente retração no consumo , e na

utilização dos equipamentos in dustriais, a defender estímulos ao consumo com meio de pro mover o aumento da produção; e a advogar, para isso, uma

forte expansão das despesas go vernamentais, mesmo que esses gastos tivessem que ser finan

ciados por empréstimos ou por emissão de moeda, aceitando os riscos inerentes a tal política, contanto

que

ela

restabelecimento

da

levasse

ao

economia.

aceitando

a

Providencial'

do “Estado como fonte de

necessariamente

Assistência

Social

com

investi

como

mo sem Keynes”, aplicando po líticas tributárias paralisantes da acumulação de lucros, a fim

fator

de financiar a escalada “benefícios sociais” cada

da Economia (a chamada “Welfare Economics”), ou seja a idéia da prioridade do bem-estar sobre a produção. Com essa fórmula, persistentemente man tida por um verdadeiro “tabu

mais amplos, gerando pesados orçamentos de inatividade sem contrapartidade produtividade.

Dois países desconfiaramdos méritos de tal sistema, e opta ram por enfrentar resolutamen

político” intocável, a Grã-Breta nha, pátria de Lord Keynes, entrou em flagrante decadência econômica, que a alijou da pri meira

linha

das

Grandes

dos vez

Po

tências.

É que, no intervalo, havia ocorrido a Segunda Guerra Mundial, exigindo grandes sa crifícios para a recuperação dos países atingidos.

cuperação. Uma coisa é certa:

só uma forte e sadia economia

capitalista pode suportar (por algum tempo) uma forma so cialista de administração.

Permanece válido, tam bém 0 fato de que, na prática, se me é lícito encerrar esta pa lestra citando-me a mim mes

mo, "o que é visível, palpável, inegável,

íncontrovertível,

é

que, em fermos de eficiência no processo de satisfazer as neces

te e sem ilusões os desafios e

sidades ou os desejos dos ho

cia, "qualidade de vida", con

que a produtividade é o cami nho da prosperidade. Foram o Japão e a Alemanha Ocidental:

socialistas

mostrar o acerto da sua opção. Sobre as ruínas e a devastação da guerra, cedo ergueram pujantes economias, na vanguar da do progresso e do bem-estar social.

Em nossos dias, de novo atravessam

k

fase

os sacrifícios da recuperação econômica, aceitando a tese de

e os resultados não tardaram a

O próprio Keynes, entre o panorama mundial modificado, reconsiderou sua doutrina, pre conizando, em um livro esque cido (“How to pay for the War”) uma terapêutica baseada em

dentais de mercado uma

de estagnação, que afeta tam bém o Brasil; mas continua válido 0 receituário para ace lerar 0 processo cíclico de re

as

economias

oci-

mens,

em

termos de abundân

forto e bem-estar, as economias

ficam

bem

longe,

atrás das capitalistas. Basta comparar a quantidade e, sobre tudo, a qualidade dos bens e ser

viços oferecidos à população nos países da Europa Ocidental e nos da Oriental".

“Se, no campo das viagens espaciais,

do

armamento

nu

clear, da aeronáutica militar, o Bloco comunista pode, sem dú vida,

emparelhar

com o Oci-


30

DIGESTO

A experiência ensina, e a ciência explica, que a econo mia é cíclica, oferecendo fases de expansão que, ao exceder as possibilidades sadias do merca do, são moderadas por fases de

ECONÔMICO

DIGESTO ECONÔMICO

31

investimentos produtivos essen ciais, dando preeminência à poupança sobre o consumo como

Na frase do eminente mes

tre Octávio de Bulhões, o Oci dente “embarcou nessa canoa", tese

meio de recuperar a economia.

novamente

dinheiro fácil para alimentar as fornalhas da economia, e não

voltar à expansão para'satisfa. zer demandas reprimidas e dar vazão a energias acumuladas.

Mas o mundo ocidental em ge ral, acostumado a largas doses de assistencialismo estatal, pre feriu praticar um “Keynesianis-

mentos produtivos. Ao mesmo tempo, comprova-se a idéia da

estagnação,

para

Aconteceu que um concur so de circunstâncias, no fim da

década

cio

dos

dos

30,

20

e

prolongou

no

iní

anor

malmente uma fase de estagnação nas economias desen

volvidas do Ocidente. A desusa

da demora da recuperação le vou 0 grande economista, Lord

Keynes, ao observar a persis

tente retração no consumo , e na

utilização dos equipamentos in dustriais, a defender estímulos ao consumo com meio de pro mover o aumento da produção; e a advogar, para isso, uma

forte expansão das despesas go vernamentais, mesmo que esses gastos tivessem que ser finan

ciados por empréstimos ou por emissão de moeda, aceitando os riscos inerentes a tal política, contanto

que

ela

restabelecimento

da

levasse

ao

economia.

aceitando

a

Providencial'

do “Estado como fonte de

necessariamente

Assistência

Social

com

investi

como

mo sem Keynes”, aplicando po líticas tributárias paralisantes da acumulação de lucros, a fim

fator

de financiar a escalada “benefícios sociais” cada

da Economia (a chamada “Welfare Economics”), ou seja a idéia da prioridade do bem-estar sobre a produção. Com essa fórmula, persistentemente man tida por um verdadeiro “tabu

mais amplos, gerando pesados orçamentos de inatividade sem contrapartidade produtividade.

Dois países desconfiaramdos méritos de tal sistema, e opta ram por enfrentar resolutamen

político” intocável, a Grã-Breta nha, pátria de Lord Keynes, entrou em flagrante decadência econômica, que a alijou da pri meira

linha

das

Grandes

dos vez

Po

tências.

É que, no intervalo, havia ocorrido a Segunda Guerra Mundial, exigindo grandes sa crifícios para a recuperação dos países atingidos.

cuperação. Uma coisa é certa:

só uma forte e sadia economia

capitalista pode suportar (por algum tempo) uma forma so cialista de administração.

Permanece válido, tam bém 0 fato de que, na prática, se me é lícito encerrar esta pa lestra citando-me a mim mes

mo, "o que é visível, palpável, inegável,

íncontrovertível,

é

que, em fermos de eficiência no processo de satisfazer as neces

te e sem ilusões os desafios e

sidades ou os desejos dos ho

cia, "qualidade de vida", con

que a produtividade é o cami nho da prosperidade. Foram o Japão e a Alemanha Ocidental:

socialistas

mostrar o acerto da sua opção. Sobre as ruínas e a devastação da guerra, cedo ergueram pujantes economias, na vanguar da do progresso e do bem-estar social.

Em nossos dias, de novo atravessam

k

fase

os sacrifícios da recuperação econômica, aceitando a tese de

e os resultados não tardaram a

O próprio Keynes, entre o panorama mundial modificado, reconsiderou sua doutrina, pre conizando, em um livro esque cido (“How to pay for the War”) uma terapêutica baseada em

dentais de mercado uma

de estagnação, que afeta tam bém o Brasil; mas continua válido 0 receituário para ace lerar 0 processo cíclico de re

as

economias

oci-

mens,

em

termos de abundân

forto e bem-estar, as economias

ficam

bem

longe,

atrás das capitalistas. Basta comparar a quantidade e, sobre tudo, a qualidade dos bens e ser

viços oferecidos à população nos países da Europa Ocidental e nos da Oriental".

“Se, no campo das viagens espaciais,

do

armamento

nu

clear, da aeronáutica militar, o Bloco comunista pode, sem dú vida,

emparelhar

com o Oci-


DIGESTO

32

dente, é pasmoso ainda hoje, naquilo que tange à vida diária dos cidadãos, os serviços e bens de cpnsumo, a indigência da qualidade, a escassez ou ine xistência da escolha, o atraso técnico e, em muitos casos, a escassez da própria oferta.

“Está, portanto, provado que, em termos de assegurar 0 bem-estar do homem no pla no material, as economias ca pitalistas estão vários anos-luz à frente das economias socia

listas. E não se diga que esses confortos materiais são, nas

sociedades capitalistas, um pri.

vilégio de minorias cada vez menores: ao contrário do que

predisse Marx (que se enga nou redondamente nessa

como

em outras predições), as socie

dades capitalistas, longe de

se

proletarizarem cada vez mais e de cavarem cada vez mais

fundo 0 fosso entre o proleta riado

(sempre mais numeroso

e mais pobre) e a burgue sia (sempre comparativamen te mais rica), o que se dá é exatamente o contrário. À me dida justamente em que as so ciedades industriais atingem o pleno desenvolvimento capita lista, 0 operariado tende a

DIGESTO

ECONÔMICO

identificar-se com a burguesia em. termos de nível

de vida e

de mentalidade;

a prosperida

de individual vai

na razão

di

reta da prosperidade geral,

e

não

na

inversa.

As

sociedades

capitalistas plenamente evoluí das são singularmente mais igualitárias do que as comunis

tas. O achatamento da pirâmi de salarial é flagrante nos paí ses ricos: um operário suiço tem um padrão de vida e um salá

rio real infinitamente mais pró ximos aos do diretor de sua fá

brica do que o seu congênere de qualquer país comunista. No Brasil ainda estamos, é claro, infinitamente longe dessa similitude; mas justamente por isso é bom sabermos qual o modelo que desejamos, e as duas Europas nos oferecem as "vitri nas” para a escolha. Um mo

torista de táxi londrino vai pas sar suas férias

em'

Majorca,

um bombeiro-encanador pari siense nas praias do Adriático, um torneiro bávaro mais opu lento chega até Bangkok. Um lazer quase luxuoso já lhes é acessível; todos têm mesa far ta, boas roupas, automóvel, te levisão a cores e outras como-

ECONÔMICO

33

didades e prazeres similares aos da burguesia. Onde está o

“proletariado” e, especialmen te, o Lumpenproletarlaf, o “pro letariado em farrapos", de Marx ?

Certamente

não

nos

países plenamente capitalistas, onde ele é uma espécie em ex

tinção — não pela miséria, mas pela fartura e pelo progresso social. Oxalá assim seja tam bém no' Brasil”.

zada, em- que o trabalho dos ho mens seja canalizado para me tas e atividades não escolhidas

livremente por eles próprios, ela propugna por uma sociedade aberta dentro de uma economia aberta, sociedade dotada d^ grande mobilidade vertical, on de a ninguém seja veda do concorrer pela preferên cia do mercado e pelo êxi to

"Onde está, então, o pecado

do capitalismo ? Se o "progressismo" é querer e realizar o progresso tecnológico das na ções, ele pode ostentar um de sempenho impressionante. Se ser “progressista”'é querer a li berdade dos trabalhadores, en tão é nos países plenamente capitalistas, e não nos outros, que vemos firme e florescente a liberdade sindical, a força trabalhista como uma das com

ponentes da economia”.

econômico,

mas onde esse

êxito dependa da capacidade de bem servir e seja o prê mio da operosidade e da efi ciência, para que o constante aperfeiçoamento leve à cres

cente satisfação

dos desejos,

necessidades e preferências do povo, sendo este sempre o úl timo árbitro do mérito das ati

vidades econômicas e dos pro dutos e serviços oferecidos. Li

berdade de escolha pelo públi co, liberdade de iniciativa pelo produtor, liberdadie de opções no mercado de trábalho; todas essas liberdades fazem a liber

economia de

dade da economia, sem a qual

mercado é consubstanciai com

qualquer outra liberdade é ilu

a da verdadeira Democracia. Contra a idéia de uma socieda

sória, e em qualquer contexto perde o seu significado a pala

de discricionariamente organi-

vra "Liberdade".

“A moral da


DIGESTO

32

dente, é pasmoso ainda hoje, naquilo que tange à vida diária dos cidadãos, os serviços e bens de cpnsumo, a indigência da qualidade, a escassez ou ine xistência da escolha, o atraso técnico e, em muitos casos, a escassez da própria oferta.

“Está, portanto, provado que, em termos de assegurar 0 bem-estar do homem no pla no material, as economias ca pitalistas estão vários anos-luz à frente das economias socia

listas. E não se diga que esses confortos materiais são, nas

sociedades capitalistas, um pri.

vilégio de minorias cada vez menores: ao contrário do que

predisse Marx (que se enga nou redondamente nessa

como

em outras predições), as socie

dades capitalistas, longe de

se

proletarizarem cada vez mais e de cavarem cada vez mais

fundo 0 fosso entre o proleta riado

(sempre mais numeroso

e mais pobre) e a burgue sia (sempre comparativamen te mais rica), o que se dá é exatamente o contrário. À me dida justamente em que as so ciedades industriais atingem o pleno desenvolvimento capita lista, 0 operariado tende a

DIGESTO

ECONÔMICO

identificar-se com a burguesia em. termos de nível

de vida e

de mentalidade;

a prosperida

de individual vai

na razão

di

reta da prosperidade geral,

e

não

na

inversa.

As

sociedades

capitalistas plenamente evoluí das são singularmente mais igualitárias do que as comunis

tas. O achatamento da pirâmi de salarial é flagrante nos paí ses ricos: um operário suiço tem um padrão de vida e um salá

rio real infinitamente mais pró ximos aos do diretor de sua fá

brica do que o seu congênere de qualquer país comunista. No Brasil ainda estamos, é claro, infinitamente longe dessa similitude; mas justamente por isso é bom sabermos qual o modelo que desejamos, e as duas Europas nos oferecem as "vitri nas” para a escolha. Um mo

torista de táxi londrino vai pas sar suas férias

em'

Majorca,

um bombeiro-encanador pari siense nas praias do Adriático, um torneiro bávaro mais opu lento chega até Bangkok. Um lazer quase luxuoso já lhes é acessível; todos têm mesa far ta, boas roupas, automóvel, te levisão a cores e outras como-

ECONÔMICO

33

didades e prazeres similares aos da burguesia. Onde está o

“proletariado” e, especialmen te, o Lumpenproletarlaf, o “pro letariado em farrapos", de Marx ?

Certamente

não

nos

países plenamente capitalistas, onde ele é uma espécie em ex

tinção — não pela miséria, mas pela fartura e pelo progresso social. Oxalá assim seja tam bém no' Brasil”.

zada, em- que o trabalho dos ho mens seja canalizado para me tas e atividades não escolhidas

livremente por eles próprios, ela propugna por uma sociedade aberta dentro de uma economia aberta, sociedade dotada d^ grande mobilidade vertical, on de a ninguém seja veda do concorrer pela preferên cia do mercado e pelo êxi to

"Onde está, então, o pecado

do capitalismo ? Se o "progressismo" é querer e realizar o progresso tecnológico das na ções, ele pode ostentar um de sempenho impressionante. Se ser “progressista”'é querer a li berdade dos trabalhadores, en tão é nos países plenamente capitalistas, e não nos outros, que vemos firme e florescente a liberdade sindical, a força trabalhista como uma das com

ponentes da economia”.

econômico,

mas onde esse

êxito dependa da capacidade de bem servir e seja o prê mio da operosidade e da efi ciência, para que o constante aperfeiçoamento leve à cres

cente satisfação

dos desejos,

necessidades e preferências do povo, sendo este sempre o úl timo árbitro do mérito das ati

vidades econômicas e dos pro dutos e serviços oferecidos. Li

berdade de escolha pelo públi co, liberdade de iniciativa pelo produtor, liberdadie de opções no mercado de trábalho; todas essas liberdades fazem a liber

economia de

dade da economia, sem a qual

mercado é consubstanciai com

qualquer outra liberdade é ilu

a da verdadeira Democracia. Contra a idéia de uma socieda

sória, e em qualquer contexto perde o seu significado a pala

de discricionariamente organi-

vra "Liberdade".

“A moral da


P

34

DIGESTO

ECONÔMICO

O Processo

Imigratório no Brasil A. Delorenzo Neto

(M) Um estudo sobre a

distribuição irregular dos fluxos

ECONOMIA GASTAO VIDIGAL Conhecer a economia nacional e mundial, através de estudos constantes de levantamento de dados estatísticos é com o Instituto de

Economia Gastâo Vidigal. Mas não é isto apenas. Colaborar no intercâmbio de estudos sobre economia e orientar as empresas de pequeno e médio portes sâo algumas de suas atividades.

Associe-se à Associação Comercial de São Paulo e aproveite as vantagens e serviços que o lEGV pode oferecer.

imigratórios^ suas causas e efeitos. A Pesquisa

O autor é professor da UNESP — S. Paulo (continuação)

Comparativa

Lembremos algumas con

clusões da pesquisa sociológica de interesse econômico.

Sob 0 patrocínio da Escola de Sociologia e Política de São Paulo, se realizaram ou publica ram as mais notáveis análises do

Rua Boa Vista. 51 — C. Poslal 8082 — Cep 01014 — Telex (11) 23355 — SP — PABX 239-1333,

roshi

Saito, sobre

japoneses, a

alemães e

respectivamente,

monografia

de

José

e

Artur

Rios, sobre os imigrantes ita lianos e a de Henrique Rattner sobre a imigração judaica. III) Acrescentem-se as interpre' tações econômica e demográfi ca, em notáveis monografias de

processo imigratório no Brasil, em obras que se tornaram clás

Vicente

sicas como as de Willems e Hi-

Olavo Baptista Filho.

Unzer

de

Almeida

e


P

34

DIGESTO

ECONÔMICO

O Processo

Imigratório no Brasil A. Delorenzo Neto

(M) Um estudo sobre a

distribuição irregular dos fluxos

ECONOMIA GASTAO VIDIGAL Conhecer a economia nacional e mundial, através de estudos constantes de levantamento de dados estatísticos é com o Instituto de

Economia Gastâo Vidigal. Mas não é isto apenas. Colaborar no intercâmbio de estudos sobre economia e orientar as empresas de pequeno e médio portes sâo algumas de suas atividades.

Associe-se à Associação Comercial de São Paulo e aproveite as vantagens e serviços que o lEGV pode oferecer.

imigratórios^ suas causas e efeitos. A Pesquisa

O autor é professor da UNESP — S. Paulo (continuação)

Comparativa

Lembremos algumas con

clusões da pesquisa sociológica de interesse econômico.

Sob 0 patrocínio da Escola de Sociologia e Política de São Paulo, se realizaram ou publica ram as mais notáveis análises do

Rua Boa Vista. 51 — C. Poslal 8082 — Cep 01014 — Telex (11) 23355 — SP — PABX 239-1333,

roshi

Saito, sobre

japoneses, a

alemães e

respectivamente,

monografia

de

José

e

Artur

Rios, sobre os imigrantes ita lianos e a de Henrique Rattner sobre a imigração judaica. III) Acrescentem-se as interpre' tações econômica e demográfi ca, em notáveis monografias de

processo imigratório no Brasil, em obras que se tornaram clás

Vicente

sicas como as de Willems e Hi-

Olavo Baptista Filho.

Unzer

de

Almeida

e


DIGESTO

36

Retenhamos alguns pontos essenciais dessas investigações,

ECONÔMICO

tuíram a massa mais considerável na imi

quanto aos italianos, japoneses

gração italiana para

e judeus.

0 Brasil.

Imigrantes italianos —

II — Os que vieram para

Esses imigrantes apesar de suas diferenças étnicas e lingüíisticas, apresentavam pelo menos dois pontos de identidade — a tradição romana e a reli gião católica. Integraram-se

marcados pelo gover

1.

com

facilidade

na

massa

da

população brasileira e seus des

cendentes destacando-se, hoje, não apenas nas atividades eco

nômicas, mas, também na po lítica. na administração e na vida cultural do País. Nas re¬ giões em que foram mais nu merosos introduziram modis mos característicos e novos há

bitos, entre os quais o uso vul garizado das

tícias.

massas

alimen

Segundo Rios, o grupo

italiano no Brasil não pode ser

pequenos no,

em

mentos

lotes,

de

empreendi oficiais

de

colonização, e povoa

ram parte do Espíri to

Santo,

do

Grande

do

III — Os que abandonaram o trabalho agrícola e vieram para as cida des ou já possuindo profissões urbanas na

Itália, vieram direta

ram

para

as

fazen

do de São Paulo, co mo colonos, e consti-

que a do grupo II, devido ao

menor isolamento, maior conta to com os nacionais, tipo de

trutura

da

comunidade

e

das

relações com a sociedade bra

sileira, Saito, em sua obra mo numental, investigando espe cialmente a área rural do Es

tado de São Paulo, pode esta belecer quatro fases que repre sentam a sua dinâmica:

I — A formação de núcleos, por parte de imigrados, permi tiu-lhes

votar, e, dessa maneira, obter

favores para a colônia, tais co-

ccjntatos com “caboclos” que, em geral, conheciam apenas técnicas rudimentares de pro

mo

dução e viviam de uma econo

nia brasileira lhes permitisse

estradas, escolas, etc. Os

italianos dos grandes centros resistiam mais à naturalização,

que lhes parecia uma espécie

2.

Imigrantes japoneses —

Assim como a imigração italiana, a japonesa foi bastante po

sitiva para a economia brasi

leira, embora seu processo de assimilação fosse mais lento. Segundo a lição de Saito, alguns

ocupação, etc. Os italianos das

[3J

colônias do

(4)

sul assimilaram-se

parâmetros podem ser destaca dos em relação aos japoneses no Brasil. (4) Ao tratar da es

porção, a fim de que a cidada

milassem mais depressa.

sim, a assimilação dos grupos I e III foi muito mais rápida

37

Os italianos das colônias se

naturalizavam em maior pro

neiro.

foram profundamente diversos:

das de café do Esta

gração social. (3)

de crime de lesa-pátria, muito embora o contacto, em maior escala com brasileiros, os assi

As atitudes e reações para com a Itália e o novo país fo' ram inteiramente diversas. As

I — Os italianos que vie

drões grupais. As percentagens de naturalização, paradoxalmen te, seguiram linhas divergentes, o que mostra a profunda dife rença que existe entre esse pro cesso de integração política e a assimilação, processo de inte

mente para grandes centros como São Paulo ou Rio de Ja

estudado como um bloco, sendo

preciso dividi-lo em três gran des subgrupos, cujos destinos

menos rapidamente, porém, os efeitos dessa assimilação foram menos desintegradores dos pa

Para

ná, Santa Catarina e do Rio Sul.

DIGESTO ECONÔMICO

mia

de

o

'estabelecimento

subsistência.

de

Assim

sendo, os lavradores japoneses facilmente os sobrepujam no processo de competição, que por sua vez possibilitou, entre os grupos, uma relação de con vivência, cuja natureza variava segundo o tipo de contato. Em

geral, os “caboclos” das cama das mais baixas, na sua maio* ria agregados, foram fonte de força de trabalho para o produ tor japonês. Os da mais alta, forneceram-lhesfatores de pro-

Ver as conclusões de José Artur Rios, na Op. c/f. na Bibliografia, pág. 71. Ver 0 texto de Hlroshl Salto “O Japonês no Estado de São Paulo" in São' Paulo Espirito, Povo. Instituições, citado — Bibliografia, pág. 95 e segs.


DIGESTO

36

Retenhamos alguns pontos essenciais dessas investigações,

ECONÔMICO

tuíram a massa mais considerável na imi

quanto aos italianos, japoneses

gração italiana para

e judeus.

0 Brasil.

Imigrantes italianos —

II — Os que vieram para

Esses imigrantes apesar de suas diferenças étnicas e lingüíisticas, apresentavam pelo menos dois pontos de identidade — a tradição romana e a reli gião católica. Integraram-se

marcados pelo gover

1.

com

facilidade

na

massa

da

população brasileira e seus des

cendentes destacando-se, hoje, não apenas nas atividades eco

nômicas, mas, também na po lítica. na administração e na vida cultural do País. Nas re¬ giões em que foram mais nu merosos introduziram modis mos característicos e novos há

bitos, entre os quais o uso vul garizado das

tícias.

massas

alimen

Segundo Rios, o grupo

italiano no Brasil não pode ser

pequenos no,

em

mentos

lotes,

de

empreendi oficiais

de

colonização, e povoa

ram parte do Espíri to

Santo,

do

Grande

do

III — Os que abandonaram o trabalho agrícola e vieram para as cida des ou já possuindo profissões urbanas na

Itália, vieram direta

ram

para

as

fazen

do de São Paulo, co mo colonos, e consti-

que a do grupo II, devido ao

menor isolamento, maior conta to com os nacionais, tipo de

trutura

da

comunidade

e

das

relações com a sociedade bra

sileira, Saito, em sua obra mo numental, investigando espe cialmente a área rural do Es

tado de São Paulo, pode esta belecer quatro fases que repre sentam a sua dinâmica:

I — A formação de núcleos, por parte de imigrados, permi tiu-lhes

votar, e, dessa maneira, obter

favores para a colônia, tais co-

ccjntatos com “caboclos” que, em geral, conheciam apenas técnicas rudimentares de pro

mo

dução e viviam de uma econo

nia brasileira lhes permitisse

estradas, escolas, etc. Os

italianos dos grandes centros resistiam mais à naturalização,

que lhes parecia uma espécie

2.

Imigrantes japoneses —

Assim como a imigração italiana, a japonesa foi bastante po

sitiva para a economia brasi

leira, embora seu processo de assimilação fosse mais lento. Segundo a lição de Saito, alguns

ocupação, etc. Os italianos das

[3J

colônias do

(4)

sul assimilaram-se

parâmetros podem ser destaca dos em relação aos japoneses no Brasil. (4) Ao tratar da es

porção, a fim de que a cidada

milassem mais depressa.

sim, a assimilação dos grupos I e III foi muito mais rápida

37

Os italianos das colônias se

naturalizavam em maior pro

neiro.

foram profundamente diversos:

das de café do Esta

gração social. (3)

de crime de lesa-pátria, muito embora o contacto, em maior escala com brasileiros, os assi

As atitudes e reações para com a Itália e o novo país fo' ram inteiramente diversas. As

I — Os italianos que vie

drões grupais. As percentagens de naturalização, paradoxalmen te, seguiram linhas divergentes, o que mostra a profunda dife rença que existe entre esse pro cesso de integração política e a assimilação, processo de inte

mente para grandes centros como São Paulo ou Rio de Ja

estudado como um bloco, sendo

preciso dividi-lo em três gran des subgrupos, cujos destinos

menos rapidamente, porém, os efeitos dessa assimilação foram menos desintegradores dos pa

Para

ná, Santa Catarina e do Rio Sul.

DIGESTO ECONÔMICO

mia

de

o

'estabelecimento

subsistência.

de

Assim

sendo, os lavradores japoneses facilmente os sobrepujam no processo de competição, que por sua vez possibilitou, entre os grupos, uma relação de con vivência, cuja natureza variava segundo o tipo de contato. Em

geral, os “caboclos” das cama das mais baixas, na sua maio* ria agregados, foram fonte de força de trabalho para o produ tor japonês. Os da mais alta, forneceram-lhesfatores de pro-

Ver as conclusões de José Artur Rios, na Op. c/f. na Bibliografia, pág. 71. Ver 0 texto de Hlroshl Salto “O Japonês no Estado de São Paulo" in São' Paulo Espirito, Povo. Instituições, citado — Bibliografia, pág. 95 e segs.


DIGESTO

38

dução. como a terra e os meios de transporte.

clusive os moradores brasilei ros. apresenta estrutura dife rente da anterior. A camada

zação planejada e, com menor intensidade nas cooperativas agrícolas. Mesmo quando to mam feição política, a repercus são se restringe ao âmbito lo cal e não chega a manifestarse de forma organizada no plano nacional.

baixa continua, na sua maioria,

IV — Finalmente, a relação

constituída de "caboclos"; a média, antes tênue, adquire ca ráter novo p-elo aparecimento

grupai toma novamente um as pecto equilibrado, o qual não

de

mer

cas. porém, é acompanhado de

cantis, arrendatários e peque nos proprietários japoneses. A superior, como dantes, formada de grandes proprietários e ne

relações sociais mais íntimas e simpatòticas. Com o amadureci mento da nova geração, molda

II — Com o passar do tem po. em geral, ao cabo de alguns anos. a comunidade local, in

pequenos

produtores

gociantes, notando-se agora

a

presença de alguns japoneses.

III — Nesse estágio, justa mente, a relação intergrupal de competição degenera às vezes cm conflito, resultante da mo-

dalidade do imigrado. que sai da po.sição de pequeno produtor

fica adstrito a trocas econômi

da antes pelos padrões de com portamento da cultura brasilei ra do que pelos da japonesa, o grupo japonês já não pode ser, nesta altura, considerado "um estranho”, mas tendent? a se

homogeneizar ao grupo domi nante, inclusive por meio de casamentos mistos. A força

e passa para a de empreende dor, .competindo com elementos brasileiros da camada alta lo

econômica do grupo alienígena projeta-se no cenário político local e, se porventura surgem

cal. Estes, para se garantirem no seu status. lançam mão de

pretados em termos de compe

recursos compensatórios, atri buindo ao processo competitivo um caráter político ou racial. Tais

atritos

foram

observados

nos grandes núcleos de

coloni¬

conflitos,

estes

DIGESTO

ECONÔMICO

não

são

inter

tição entre o alienígena e o na tivo. mas no plano nacional. Segundo o professor Saito. no interior do Estado de São Paulo, bem como nas áreas

ECONÔMICO

39

adjacentes, as comunidades de origem japonesa ou já atingi ram ou estão próximas de al cançar esta última fase. Calcula-se que

existam

no

Brasil, mais de 1 milhão de ja poneses e seus descendentes que se distinguem em pelo me nos quatro grupos, a saber; 1)

Trata-se de

um

processo

imigratório com características

especiais, dada a peculiaridade dos diversos grupos judaicos. Os

japoneses, italianos,

portugue

ses e outros quando emigram. faz.em-no.

em

geral,

com

ção

econômica.

procurando

os issel, nascidos no Japão; os

adquirir riqueza e prestígio so

nissei, filhos dos antecendentes, mas nascidos no Brasil; 3)

pois, voltarem à terra de

os sansei, netos dos primeiros, representantes da terceira geragão; 4) os yonsei, os menos nu merosos e que constituem a

quarta geração. Passando gradualmente das atividades agrícolas às ativi dades urbanas, os nipo-brasileiros já se destacam com gran de notoriedade nas ciências, na economia, na administração e

na política. A assimilação dos

o

objetivo de melhorar sua situa

cial no Novo Mundo. para. de gem.

on-

O judeu, via de regra

abandona seu país de residên cia para não mais voltar. Sua

emigração

não

é

provocada

apenas pela insegurança eco nômica: antes de tudo é a exis tência física, a sobrevivência própria e a dos seus que está em perigo e o obriga ao êxodo. (Basta lembrar a titulo de ilus tração, os "progroms”, no fim do século passado, na Rússia e na Romênia, ou as horríveis

japoneses incorporou, portanto, novos valores, fortalecendo a grande família que é a comu

matanças,

nidade nacional.

Os outro.s imigrantes deixam a família no país de origem, fi cando a este ligadas, pois. por

3. Imigrantes judeus — Se guiremos de perto, as grandes linhas da pesquisa do professor Rattner sobr,3 o processo de imigração judaica. (51 [5)

Para uma

análise aprofundada,

ler

o seu

durante

a

Guerra

Civil na Rússia Soviética, pelas tropas

contra-revolucionárias).

inúmeros laços culturais e sen

timentais, e pensando na pos sibilidade de voltar para lá ou estudo na

logia e Poütlca, São Paulo, Junho de 1965, pág, 121

Revista Soefo/op/a. e

segs,

Escola de Socio


DIGESTO

38

dução. como a terra e os meios de transporte.

clusive os moradores brasilei ros. apresenta estrutura dife rente da anterior. A camada

zação planejada e, com menor intensidade nas cooperativas agrícolas. Mesmo quando to mam feição política, a repercus são se restringe ao âmbito lo cal e não chega a manifestarse de forma organizada no plano nacional.

baixa continua, na sua maioria,

IV — Finalmente, a relação

constituída de "caboclos"; a média, antes tênue, adquire ca ráter novo p-elo aparecimento

grupai toma novamente um as pecto equilibrado, o qual não

de

mer

cas. porém, é acompanhado de

cantis, arrendatários e peque nos proprietários japoneses. A superior, como dantes, formada de grandes proprietários e ne

relações sociais mais íntimas e simpatòticas. Com o amadureci mento da nova geração, molda

II — Com o passar do tem po. em geral, ao cabo de alguns anos. a comunidade local, in

pequenos

produtores

gociantes, notando-se agora

a

presença de alguns japoneses.

III — Nesse estágio, justa mente, a relação intergrupal de competição degenera às vezes cm conflito, resultante da mo-

dalidade do imigrado. que sai da po.sição de pequeno produtor

fica adstrito a trocas econômi

da antes pelos padrões de com portamento da cultura brasilei ra do que pelos da japonesa, o grupo japonês já não pode ser, nesta altura, considerado "um estranho”, mas tendent? a se

homogeneizar ao grupo domi nante, inclusive por meio de casamentos mistos. A força

e passa para a de empreende dor, .competindo com elementos brasileiros da camada alta lo

econômica do grupo alienígena projeta-se no cenário político local e, se porventura surgem

cal. Estes, para se garantirem no seu status. lançam mão de

pretados em termos de compe

recursos compensatórios, atri buindo ao processo competitivo um caráter político ou racial. Tais

atritos

foram

observados

nos grandes núcleos de

coloni¬

conflitos,

estes

DIGESTO

ECONÔMICO

não

são

inter

tição entre o alienígena e o na tivo. mas no plano nacional. Segundo o professor Saito. no interior do Estado de São Paulo, bem como nas áreas

ECONÔMICO

39

adjacentes, as comunidades de origem japonesa ou já atingi ram ou estão próximas de al cançar esta última fase. Calcula-se que

existam

no

Brasil, mais de 1 milhão de ja poneses e seus descendentes que se distinguem em pelo me nos quatro grupos, a saber; 1)

Trata-se de

um

processo

imigratório com características

especiais, dada a peculiaridade dos diversos grupos judaicos. Os

japoneses, italianos,

portugue

ses e outros quando emigram. faz.em-no.

em

geral,

com

ção

econômica.

procurando

os issel, nascidos no Japão; os

adquirir riqueza e prestígio so

nissei, filhos dos antecendentes, mas nascidos no Brasil; 3)

pois, voltarem à terra de

os sansei, netos dos primeiros, representantes da terceira geragão; 4) os yonsei, os menos nu merosos e que constituem a

quarta geração. Passando gradualmente das atividades agrícolas às ativi dades urbanas, os nipo-brasileiros já se destacam com gran de notoriedade nas ciências, na economia, na administração e

na política. A assimilação dos

o

objetivo de melhorar sua situa

cial no Novo Mundo. para. de gem.

on-

O judeu, via de regra

abandona seu país de residên cia para não mais voltar. Sua

emigração

não

é

provocada

apenas pela insegurança eco nômica: antes de tudo é a exis tência física, a sobrevivência própria e a dos seus que está em perigo e o obriga ao êxodo. (Basta lembrar a titulo de ilus tração, os "progroms”, no fim do século passado, na Rússia e na Romênia, ou as horríveis

japoneses incorporou, portanto, novos valores, fortalecendo a grande família que é a comu

matanças,

nidade nacional.

Os outro.s imigrantes deixam a família no país de origem, fi cando a este ligadas, pois. por

3. Imigrantes judeus — Se guiremos de perto, as grandes linhas da pesquisa do professor Rattner sobr,3 o processo de imigração judaica. (51 [5)

Para uma

análise aprofundada,

ler

o seu

durante

a

Guerra

Civil na Rússia Soviética, pelas tropas

contra-revolucionárias).

inúmeros laços culturais e sen

timentais, e pensando na pos sibilidade de voltar para lá ou estudo na

logia e Poütlca, São Paulo, Junho de 1965, pág, 121

Revista Soefo/op/a. e

segs,

Escola de Socio


40

na de transferir todos os seus

portanto,

para o país adotivo. Muitos ju deus, ao contrário, vieram como fugitivos, acompanhados ou não por alguns poucos fami liares sobreviventes, tendo pra ticamente rompido todos os contactos com o país de ori gem.

Os

imigrantes

portugueses

e italianos, por exemplo, encon tram na sociedade brasileira, condições e padrões culturais instrumentais — a língua co mum, no caso do português, e

a religião católica, no caso de ambos

9

que

facilitam

sua

aceitação e posterior integra

ção na sociedade adotiva.

O

imigrante judeu, ao invés, vem

de ambiente social e cultural

completamente diferente. Ade mais, a própria vivência no país de origem e a consciência coletiva dos sofrimentos do

grupo, através séculos pelas mãos dos "gentios”, provocam nele um sentimento fundamen

tal de insegurança, que explica seu

natural

retraimento

e

a

restrição de suas relações so ciais. O imigrante judeu de pri meira geração entra apenas em relações simbióticas com o seu mundo ambiente, sofrendo.

DIGESTO

ECONÔMICO

oerta

"dessocializa-

ção”, com consequentes mudan ças em suas atitudes e valores. Essa dificuldade inicial de con

tacto, agravada pela descon fiança quase congênita dos ju

deus para com os “gentios”, oriunda das experiências das gerações passadas é, sem dú vida, a causa determinante da fundação, persistência e, à me dida que progridem economica mente, ampliação das pequenas comunidades, a base da ori gem geográfica comum, pelos imigrantes da primeira gera ção. Por meio dessas comuni dades

tentaram

eles

DIGESTO

ECONÔMICO

memente sua industrialização e

ção característica

estrutura econômico-social; pas

décadas.

sou de sociedade fechada, patrimonialista, com característi cas particularistas (onde foi relativamente fácil aos judeus

através de novos canais de co

manterem-se coesos e segrega-

dos,

como grupo cultural), a

quência,

principalmente,

de

dois fatores: I

o próprio dinamismo da sociedade brasileira: esta a

partir de 1940, acelerou enor-

também,

municação, orientar suas ativi

dades e participar do processo de desenvolvimento social, eco* nômico e cultural do País, mui to além dos limites de seu gru po primário.

pirações ^educacionais e políti(democráticas) dão ensejo a mudanças, não apenas de es truturas, mas de padrões de

cas

comportamento e de tipos de solidariedade;

II — a lentrada em cena da

dição especial de simbiose com a sociedade brasileira sofreu mudança radical em conse

das últimas

judaicas no Brasil restringemse, praticamente, às capitais

chamada "segunda geração”, nascida e educada aqui, dese-

encontrado no Brasil. Essa con

Tentam,

sociedade de massas, cujas as

tuir, de certa maneira, o estilo sua sinagoga, seus cantores e rabinos, e os respectivos servi ços comunitários, a fim de man terem íntegra sua identidade cultural distinta, apesar do am biente hospitaleiro e tolerante

e ascensão social, engendrado e estimulado pela industrializa

urbanização, provocando trans formações profundas em sua

reconsti

de vida dos "Stetl”, ao redor de

41

josa

por

de atender, cada vez mais,

forças das circunstâncias

da vida profissional, econômica e social, às solicitações da so ciedade mais ampla.

Os componentes da segun da e da terceira geração, que, sendo membros, por formação

e aspiração, da classe média já

As comunidades

estaduais: as maiores estão si

tuadas no Rio, em São Paulo, no Recife, em Belo Horizonte, em Porto Alegre e em Curitiba. Essas comunidades se renovam e se reestruturam, tanto em seus aspectos religiosos quanto nos educacionais e culturais. A vida urbana e a industrializa

ção, com base na ciência e na

tecnologia modernas, favorecem a aproximação física e cultu ral dos indivíduos e grupos de origens diferentes. Isso explica a concentração de quase toda a população judaica do Brasil nas poucas capitais estaduais

formada em nossa sociedade urbana e industrial, não visam

referidas.

apenas à mudança interna da

quadro cultural dos judeus no Brasil, assim como em São Pau lo, onde militam cerca de 100.000 é extremamente signifi-

estrutura e dos valores de seu,

grupo: estão empenhados num processo intenso de mobilidade

Segundo Anita Novinsky, o


40

na de transferir todos os seus

portanto,

para o país adotivo. Muitos ju deus, ao contrário, vieram como fugitivos, acompanhados ou não por alguns poucos fami liares sobreviventes, tendo pra ticamente rompido todos os contactos com o país de ori gem.

Os

imigrantes

portugueses

e italianos, por exemplo, encon tram na sociedade brasileira, condições e padrões culturais instrumentais — a língua co mum, no caso do português, e

a religião católica, no caso de ambos

9

que

facilitam

sua

aceitação e posterior integra

ção na sociedade adotiva.

O

imigrante judeu, ao invés, vem

de ambiente social e cultural

completamente diferente. Ade mais, a própria vivência no país de origem e a consciência coletiva dos sofrimentos do

grupo, através séculos pelas mãos dos "gentios”, provocam nele um sentimento fundamen

tal de insegurança, que explica seu

natural

retraimento

e

a

restrição de suas relações so ciais. O imigrante judeu de pri meira geração entra apenas em relações simbióticas com o seu mundo ambiente, sofrendo.

DIGESTO

ECONÔMICO

oerta

"dessocializa-

ção”, com consequentes mudan ças em suas atitudes e valores. Essa dificuldade inicial de con

tacto, agravada pela descon fiança quase congênita dos ju

deus para com os “gentios”, oriunda das experiências das gerações passadas é, sem dú vida, a causa determinante da fundação, persistência e, à me dida que progridem economica mente, ampliação das pequenas comunidades, a base da ori gem geográfica comum, pelos imigrantes da primeira gera ção. Por meio dessas comuni dades

tentaram

eles

DIGESTO

ECONÔMICO

memente sua industrialização e

ção característica

estrutura econômico-social; pas

décadas.

sou de sociedade fechada, patrimonialista, com característi cas particularistas (onde foi relativamente fácil aos judeus

através de novos canais de co

manterem-se coesos e segrega-

dos,

como grupo cultural), a

quência,

principalmente,

de

dois fatores: I

o próprio dinamismo da sociedade brasileira: esta a

partir de 1940, acelerou enor-

também,

municação, orientar suas ativi

dades e participar do processo de desenvolvimento social, eco* nômico e cultural do País, mui to além dos limites de seu gru po primário.

pirações ^educacionais e políti(democráticas) dão ensejo a mudanças, não apenas de es truturas, mas de padrões de

cas

comportamento e de tipos de solidariedade;

II — a lentrada em cena da

dição especial de simbiose com a sociedade brasileira sofreu mudança radical em conse

das últimas

judaicas no Brasil restringemse, praticamente, às capitais

chamada "segunda geração”, nascida e educada aqui, dese-

encontrado no Brasil. Essa con

Tentam,

sociedade de massas, cujas as

tuir, de certa maneira, o estilo sua sinagoga, seus cantores e rabinos, e os respectivos servi ços comunitários, a fim de man terem íntegra sua identidade cultural distinta, apesar do am biente hospitaleiro e tolerante

e ascensão social, engendrado e estimulado pela industrializa

urbanização, provocando trans formações profundas em sua

reconsti

de vida dos "Stetl”, ao redor de

41

josa

por

de atender, cada vez mais,

forças das circunstâncias

da vida profissional, econômica e social, às solicitações da so ciedade mais ampla.

Os componentes da segun da e da terceira geração, que, sendo membros, por formação

e aspiração, da classe média já

As comunidades

estaduais: as maiores estão si

tuadas no Rio, em São Paulo, no Recife, em Belo Horizonte, em Porto Alegre e em Curitiba. Essas comunidades se renovam e se reestruturam, tanto em seus aspectos religiosos quanto nos educacionais e culturais. A vida urbana e a industrializa

ção, com base na ciência e na

tecnologia modernas, favorecem a aproximação física e cultu ral dos indivíduos e grupos de origens diferentes. Isso explica a concentração de quase toda a população judaica do Brasil nas poucas capitais estaduais

formada em nossa sociedade urbana e industrial, não visam

referidas.

apenas à mudança interna da

quadro cultural dos judeus no Brasil, assim como em São Pau lo, onde militam cerca de 100.000 é extremamente signifi-

estrutura e dos valores de seu,

grupo: estão empenhados num processo intenso de mobilidade

Segundo Anita Novinsky, o


42

DIGESTO

cativo, A atmosfera de liberda

ECONÔMICO

Como é essencial para

a

de em que vivem está produ

grandeza de qualquer nação a

zindo uma aculturação e assi milação em ritmo bastante in

ocupação racional do territó rio, evidentemente conviria re

tenso. Participam hoje, de ma

DIGESTO ECONÔMICO

CAPITULO 7 — MIGRAÇÕES E HATURALIZAÇÕES I — Imigrante} entrados

neira ativa, em todos os ramos política do Estado, Conclusão Geral

ESPECinCAÇAO

TOTAL

Delgado de Carvalho a Pierre

se percebem através da reflexão tsórica — as causas e

George, afastados preconceitos

1970

1971

1972

1973

1974

197S

C.613

C.B87

6.378

8.767

5.931

6.766

11.S66

Masculino

3.717

3.570

3.369

4-642

3.010

3.662

6.594

Fomininu

2.896

3.317

3.009

4.125

2.921

3,104

4-972

Segundo grupos de idade

e objeções esdrúxulas, os imi grantes abrem caminho, sob novas formas de trabalho, à cooperação universal.

efeitos, de caráter sociológico e político, da distribuição irre gular dos fluxos imigratórios.

1969

Segundo o sexo

lição dos nossos intérpretes, de

Ao longo desta exposição,

caráter permanente segundo vários aspectos — 1H9-75

IMIGRANTES PERMANENTES

tomar 0 tema da política de imigração face às nossas po tencialidades geo-econômicas. Sob a perspectiva da melhor

da vida econômica, cultural e

43

Dc

0

503

709

771

1.133

910

1.019

1.329

Dc

7 a

11

anos

388

470

559

690

443

533

981

Do

12 a

17

anos

566

554

651

793

444

462

765

Dc

18

a 59

anos

4.731

4.656

4.085

5.744

3.905

4.538

8.295

423

498

312

407

229

164

196

De 60

a

6 anos

anos e mais

Segundo a profissão

ANEXOS

0

Agricultores Atividades domésticas

(Pelos quadros se observa a evolução das entradas de imi-

^

Sobre

cs« «; h

Qtuação dos Israelitas em São Paulo, consultar o ensaio do Anita Novinsky Povo, Instituições, cit. na Bibliografia, pág. 109 e segs.

ma ^

114

64

69

108

612

594

722

1.342

326

579

324

658

404

812

1.836

132

178

73

200

170

138

358

294

199

125

124

46

91

145

12

17

90

75

44

5

12

Prolissões de nivcl universitário

277

235

267

385

259

379

755

Profissões

642

1.912

296

631

516

SC9

743

345

483

260

455

232

248

502

761

525

832

BOS

478

594

1.442

podem ser analisados sob três vez

fosse

E os elementos

envolvidos

nesse

processo

1.34G

1.431

1.954

2-297

1.565

405

1.804

aspectos; o psicológico, o cultural e o sociológico. Talapr irlado dar um destaque ao elemento econômico. como variável funda-

ler

5.704

5.633

4.275

6.431

4.314

9.900

Não sabem ler (1)

909

1

257

2.103

2.336

1.617

(2) 1.666

bl?og?ifla^^pâg ^ 2!ffl

°

Religiosos

Sem profiss.ão (menores o aposentados) ..

de alternativas da política de imigração, verificar a sua análise a pro¬ pósito de is^rael In Israell Soclety, Basic Books, New York, 1968, Cap. 7,o. tendências da política de Imigração no Brasil, consultar a comunicacão de E

K Hahardt ~ l^mígraçao e Emprego, apresentada ao '●Seminário sobre Ações do

Sabem

Segundo o estado civil

Minis-

° "'■aoalno no Campo do Emprego e Funções do Sistema Nacional de Empreoo — SINE , em Brasília, de 27 de setembro a 6 de outubro de 1978, ed. mimeografndo Quanto a Argentina, o estudo mais completo, sob perspectiva soclolóqlca, é a análise de GIno Germanl — "La asimilaclón de los Inmigrantes en Ia Argentina y ol fenômeno dei regreso en Ia Inmlgración reclentd" in Revista Interamericana de Ciências Socloles

vol. 1. n,o 1, Union Panamericana. Washington. 1961. pp.

1-28,

1

Segundo a Instrução

Immlgrants, citado na Bi-

°

diversas

Técnicos diversos

s®’’ reallzados, em face das exigências da es

trutura Instituc onal da sociedade adotiva.

49

2.470

66

Operários não qualificados

a? A ° Gsorge — Mlgratlons Internationoles, cit. na Blttllografia, pág. 79, e ■'LP convém recordar a opinião de Eisenstadt, para quem o processo de absorSo ..ff ® integração na sociedade adotiva, é o resultado da interação, ^ * as_espectativas e os desejos do imigrante em relação ao novo pais; e, de

64

1.620

299

Operários qualilicados

Imigrações, sob o ângulo comparativo em estudos de casos, consultar a obra

22 1.537

104

Estudantes

in

205 2.206

478

Executivos

(61

125

1.667

112

Engenheiros

lidades de integração na comunidade nacional).

253 493

465

Comerciantes

^antes e as tendências da naturalização, portanto suas possibi

253 1.648

Casados

2.996

3.180

2.918

4.179

3.070

3.526

6.153

Solteiros

3.328

3.370

3.264

4,315

2.673

3.083

5.116

Viúvos

157

296

162

220

141

112

i71

Separados, dcsqiiilndos e divorciados ....

30

39

34

49

46

45

117

')

9

A

1

Sem declaração FOffTR -- Dcpfttlamenio fU

Sem dcclaraçlo

de

Nacional

inatniç&o.

de M&o-<lc.Obra. inclusive

Dlvi«áo dc Mlgra"ào.

menores.

9


42

DIGESTO

cativo, A atmosfera de liberda

ECONÔMICO

Como é essencial para

a

de em que vivem está produ

grandeza de qualquer nação a

zindo uma aculturação e assi milação em ritmo bastante in

ocupação racional do territó rio, evidentemente conviria re

tenso. Participam hoje, de ma

DIGESTO ECONÔMICO

CAPITULO 7 — MIGRAÇÕES E HATURALIZAÇÕES I — Imigrante} entrados

neira ativa, em todos os ramos política do Estado, Conclusão Geral

ESPECinCAÇAO

TOTAL

Delgado de Carvalho a Pierre

se percebem através da reflexão tsórica — as causas e

George, afastados preconceitos

1970

1971

1972

1973

1974

197S

C.613

C.B87

6.378

8.767

5.931

6.766

11.S66

Masculino

3.717

3.570

3.369

4-642

3.010

3.662

6.594

Fomininu

2.896

3.317

3.009

4.125

2.921

3,104

4-972

Segundo grupos de idade

e objeções esdrúxulas, os imi grantes abrem caminho, sob novas formas de trabalho, à cooperação universal.

efeitos, de caráter sociológico e político, da distribuição irre gular dos fluxos imigratórios.

1969

Segundo o sexo

lição dos nossos intérpretes, de

Ao longo desta exposição,

caráter permanente segundo vários aspectos — 1H9-75

IMIGRANTES PERMANENTES

tomar 0 tema da política de imigração face às nossas po tencialidades geo-econômicas. Sob a perspectiva da melhor

da vida econômica, cultural e

43

Dc

0

503

709

771

1.133

910

1.019

1.329

Dc

7 a

11

anos

388

470

559

690

443

533

981

Do

12 a

17

anos

566

554

651

793

444

462

765

Dc

18

a 59

anos

4.731

4.656

4.085

5.744

3.905

4.538

8.295

423

498

312

407

229

164

196

De 60

a

6 anos

anos e mais

Segundo a profissão

ANEXOS

0

Agricultores Atividades domésticas

(Pelos quadros se observa a evolução das entradas de imi-

^

Sobre

cs« «; h

Qtuação dos Israelitas em São Paulo, consultar o ensaio do Anita Novinsky Povo, Instituições, cit. na Bibliografia, pág. 109 e segs.

ma ^

114

64

69

108

612

594

722

1.342

326

579

324

658

404

812

1.836

132

178

73

200

170

138

358

294

199

125

124

46

91

145

12

17

90

75

44

5

12

Prolissões de nivcl universitário

277

235

267

385

259

379

755

Profissões

642

1.912

296

631

516

SC9

743

345

483

260

455

232

248

502

761

525

832

BOS

478

594

1.442

podem ser analisados sob três vez

fosse

E os elementos

envolvidos

nesse

processo

1.34G

1.431

1.954

2-297

1.565

405

1.804

aspectos; o psicológico, o cultural e o sociológico. Talapr irlado dar um destaque ao elemento econômico. como variável funda-

ler

5.704

5.633

4.275

6.431

4.314

9.900

Não sabem ler (1)

909

1

257

2.103

2.336

1.617

(2) 1.666

bl?og?ifla^^pâg ^ 2!ffl

°

Religiosos

Sem profiss.ão (menores o aposentados) ..

de alternativas da política de imigração, verificar a sua análise a pro¬ pósito de is^rael In Israell Soclety, Basic Books, New York, 1968, Cap. 7,o. tendências da política de Imigração no Brasil, consultar a comunicacão de E

K Hahardt ~ l^mígraçao e Emprego, apresentada ao '●Seminário sobre Ações do

Sabem

Segundo o estado civil

Minis-

° "'■aoalno no Campo do Emprego e Funções do Sistema Nacional de Empreoo — SINE , em Brasília, de 27 de setembro a 6 de outubro de 1978, ed. mimeografndo Quanto a Argentina, o estudo mais completo, sob perspectiva soclolóqlca, é a análise de GIno Germanl — "La asimilaclón de los Inmigrantes en Ia Argentina y ol fenômeno dei regreso en Ia Inmlgración reclentd" in Revista Interamericana de Ciências Socloles

vol. 1. n,o 1, Union Panamericana. Washington. 1961. pp.

1-28,

1

Segundo a Instrução

Immlgrants, citado na Bi-

°

diversas

Técnicos diversos

s®’’ reallzados, em face das exigências da es

trutura Instituc onal da sociedade adotiva.

49

2.470

66

Operários não qualificados

a? A ° Gsorge — Mlgratlons Internationoles, cit. na Blttllografia, pág. 79, e ■'LP convém recordar a opinião de Eisenstadt, para quem o processo de absorSo ..ff ® integração na sociedade adotiva, é o resultado da interação, ^ * as_espectativas e os desejos do imigrante em relação ao novo pais; e, de

64

1.620

299

Operários qualilicados

Imigrações, sob o ângulo comparativo em estudos de casos, consultar a obra

22 1.537

104

Estudantes

in

205 2.206

478

Executivos

(61

125

1.667

112

Engenheiros

lidades de integração na comunidade nacional).

253 493

465

Comerciantes

^antes e as tendências da naturalização, portanto suas possibi

253 1.648

Casados

2.996

3.180

2.918

4.179

3.070

3.526

6.153

Solteiros

3.328

3.370

3.264

4,315

2.673

3.083

5.116

Viúvos

157

296

162

220

141

112

i71

Separados, dcsqiiilndos e divorciados ....

30

39

34

49

46

45

117

')

9

A

1

Sem declaração FOffTR -- Dcpfttlamenio fU

Sem dcclaraçlo

de

Nacional

inatniç&o.

de M&o-<lc.Obra. inclusive

Dlvi«áo dc Mlgra"ào.

menores.

9


DIGESTO 44

DIGESTO

45

ECONÔMICO

ECONÔMICO CAPITULO 7 — MIGRAÇÕES E NATURALIZAÇÔES 6 ' NaIuralIzDçôos concedidas^ segundo o sexo, o pais de

CAPITULO 7 — MIGRAÇÕES E NATURALIZAÇÕES

iclonalldsde o as Unidades da Federação de resldtnclo ■ 19it-77 NATURALIZí\ÇOES CONCEDID.AS

2 — Imigrantes enirados em caráter permanente, segundo o pais de nacionalidade — 19(9-7$

ESPECinCAÇAO

IMIGRANTES PERM/\NENTES

1971

1970

1972

1973

19G9

1970

1071

1972

1973

197-j

1975

I97S

1977

3.813

3.»(

2.8M

4.839

5.092

5.207

5.281

4.081

4.488

4.514

Miisculino

2.481

2.223

1.728

3.052

3.364

3.404

3.S83

2.644

2.921

Feminino

1.332

1.323

1.136

1.782

1.710

1.803

1.698

1.437

1.545

2.873 1.661

257 83

208

90

112

89

76

151 82

86 319 203 330

40

34

650 142 271

516

53 397

161

121

34 451 113 204 .33 60 54 46 295 97

23 386 124 260

Segundo o sexo

PAIS DE NACIONALIDADE 1969

19G8

TOTAL

1974

1975

Segundo o pais dc nacionalidade 189

174

107

183

133

Arcentina

43

41

247

IBS

174

131

170

140 53 142

89 65 389

88

55 208

47 49

221

29

23

278 46

302

49

56

44

40

-12

Grácia

58

●19

56

42

HO

78

59

Hungria

145

134

55

SC

64 92

109

59

58

115

64

63

71

51

243

328

495

333 48 596

Alemanha Ociilenlal Alemanha Ocidental

524

535

354

D35

404

1,248

041

..

Argentina

97

Áustria

22

29

Bélgica

89

104

Bolívia

45

103

Canadá

58

34

Chile

32

71

China Coréia

432

444

Dinamarca

38

24

15

13

16

568

546

281

470

225

244

410

810

Portugal

406

675

1.068

874

1.014

1.414

França

Homúnia

62

71

101

72

146

175

Síria, Líbano e Armênia

Grécia

3

3

10

13

5

32

TchccoEslováqiiia

18

128

69

143

77

109

239

Ttirciuia

3

1

1

2

26

26

31

233

301

262

270

Egito Espanha Estados

Unidos

...

Holanda Hungria Índia Inglaterra

276

370

623

77S

1.093

Áustria

49

29

36

14

121

China

63

83

36

93

164

94

143

46

115

Egito Espanha

29

78

43

224

305

860

226

897

,358

1.895

1.190

204

14

44

57

34

2

Irlanda Isrnel Itália Iugoslávia

171

281

6

6

15

11

13

14

15

21

78

França

118

700

1.203

198

319

Iugoslávia Japão

320

536

14

41

URSS Outros

478

1,356

11

25

10

11

10

3

17

Roraima

496

435

260

472

25

75

lU

Fará

Jordânia

3

20

14

17

37

9

12

Líbano

n

9

9

7

46

1

31

20

11

24 8

9

29

77

63

83

48

Peru

26

Polônia

21

19

32

9

14

36

26

18

10

39

1.933

1.773

807

1.095

581

●126

939

3

5

Suécia

15

67

59

69

85

Suiça

19

86

62

91

Portugal Romênia

1

7 185

325

5

6

8

202

IIO

203

Venezuela

31

25

13

19

9

25

.Apátridas

6

10

14

10

12

22

643

279

27

119

93

740

8.815

8.887

8.378

B.767

5.931

6.786

Divi^o dc

Mlgraç&o.

Outros TOTAL

165

27

17

274

469

Derojifimtnto KftCional dc

MáO'dc-Obra,

59

331

440

613

485

22 28 46 622

4

-1

11

5

5

30

1

1

I

9

12

34

266

550

39

02

184

10

27.5

564

(J>

DivIsÁo dí

3

4

4

3

2 5

15

18

.10

36

64

21

4

1

3

13 3

1

3

4 6

l

6

1

6

4

6

1

1

■>

4

3 5 4

4

4

4 3

13

4

7

l

4 3

6

1

2

1

G

38

25

14

II

19

2 2 30 123 10 715 2.911 510

l

6

4 101

5

99 3 922

e

243 26

769 1.333 274 18

202 12

176

243

368

7

15

30

51

39

22

21 23

23 33

18

1.924

28

Sem declaração

588

1

1 2

1

1

i If. 97 7 976 1.937 416

Santa Catarina Rio Grande do Sul Mato Grosso Ooiái Distrito Federal

FOCTE -FONTK

51

2

Paraná

711 11

25 19

69 595

43 23 98 636

25 28

46

33 79 445

..

Bahia Minas Gerais

Eapirilo Santo

23

37 78

19

l

Alagoas Sergipe

Riode Janeiro São Paulo

283

372

23

183

674 216 261

1

Ceará Rio Grande do Norte

6

URSS

323

- ●

Paraiba Pernambuco

199

Uruguai

358

Maranhão Piauí

39

17

907 88

428

287

Amapá

54

19

1.160 85

33

215

1

Amazonas

21

4

592 110

20

437 138 433 30 38 101 566

Rondônia

402

27

●159

382 129 397

Acre

535

Paraguai

158

026 157 359 29

123 889 315 543 158

Federação dc residência

254

Panamá

395

I2I

947

81

168

90 112 449 93 735

Segundo as Unidades da

357

Noruega

370

133

290 252 56 35 105 308

..

36

1.321 226

290 709

Polônia

134

63 51 55 388 59 625 143

57 300 90 249

Israel Itália

79

477

Japão

li)

28

B

18

32 1 1 31 139 17

525

756

2.904

2.840 872 24

3

.30 119

994

28

289 85 21 .35

3 &;(4iUstÍ<

iU'pu»7ÜM Arabc Uiihjft

<ÍA

Secre Lona'Geral

<fo

MtRi&liírio

Ou

4

41 37 45

32 3 5

39 141 13 834 2.575 1.117

4

3 33

3

3 8

1

28 3

3 49

48

116 12 788 2.125 487

1

84 10 729 2.019 1.U3

36

30

39

285 47 .34

214 22

.30

55

217 33 28 47 10

12

33

5 39 7 3 48 107 15 634 2.055 1.091 41 264 31 30 14


DIGESTO 44

DIGESTO

45

ECONÔMICO

ECONÔMICO CAPITULO 7 — MIGRAÇÕES E NATURALIZAÇÔES 6 ' NaIuralIzDçôos concedidas^ segundo o sexo, o pais de

CAPITULO 7 — MIGRAÇÕES E NATURALIZAÇÕES

iclonalldsde o as Unidades da Federação de resldtnclo ■ 19it-77 NATURALIZí\ÇOES CONCEDID.AS

2 — Imigrantes enirados em caráter permanente, segundo o pais de nacionalidade — 19(9-7$

ESPECinCAÇAO

IMIGRANTES PERM/\NENTES

1971

1970

1972

1973

19G9

1970

1071

1972

1973

197-j

1975

I97S

1977

3.813

3.»(

2.8M

4.839

5.092

5.207

5.281

4.081

4.488

4.514

Miisculino

2.481

2.223

1.728

3.052

3.364

3.404

3.S83

2.644

2.921

Feminino

1.332

1.323

1.136

1.782

1.710

1.803

1.698

1.437

1.545

2.873 1.661

257 83

208

90

112

89

76

151 82

86 319 203 330

40

34

650 142 271

516

53 397

161

121

34 451 113 204 .33 60 54 46 295 97

23 386 124 260

Segundo o sexo

PAIS DE NACIONALIDADE 1969

19G8

TOTAL

1974

1975

Segundo o pais dc nacionalidade 189

174

107

183

133

Arcentina

43

41

247

IBS

174

131

170

140 53 142

89 65 389

88

55 208

47 49

221

29

23

278 46

302

49

56

44

40

-12

Grácia

58

●19

56

42

HO

78

59

Hungria

145

134

55

SC

64 92

109

59

58

115

64

63

71

51

243

328

495

333 48 596

Alemanha Ociilenlal Alemanha Ocidental

524

535

354

D35

404

1,248

041

..

Argentina

97

Áustria

22

29

Bélgica

89

104

Bolívia

45

103

Canadá

58

34

Chile

32

71

China Coréia

432

444

Dinamarca

38

24

15

13

16

568

546

281

470

225

244

410

810

Portugal

406

675

1.068

874

1.014

1.414

França

Homúnia

62

71

101

72

146

175

Síria, Líbano e Armênia

Grécia

3

3

10

13

5

32

TchccoEslováqiiia

18

128

69

143

77

109

239

Ttirciuia

3

1

1

2

26

26

31

233

301

262

270

Egito Espanha Estados

Unidos

...

Holanda Hungria Índia Inglaterra

276

370

623

77S

1.093

Áustria

49

29

36

14

121

China

63

83

36

93

164

94

143

46

115

Egito Espanha

29

78

43

224

305

860

226

897

,358

1.895

1.190

204

14

44

57

34

2

Irlanda Isrnel Itália Iugoslávia

171

281

6

6

15

11

13

14

15

21

78

França

118

700

1.203

198

319

Iugoslávia Japão

320

536

14

41

URSS Outros

478

1,356

11

25

10

11

10

3

17

Roraima

496

435

260

472

25

75

lU

Fará

Jordânia

3

20

14

17

37

9

12

Líbano

n

9

9

7

46

1

31

20

11

24 8

9

29

77

63

83

48

Peru

26

Polônia

21

19

32

9

14

36

26

18

10

39

1.933

1.773

807

1.095

581

●126

939

3

5

Suécia

15

67

59

69

85

Suiça

19

86

62

91

Portugal Romênia

1

7 185

325

5

6

8

202

IIO

203

Venezuela

31

25

13

19

9

25

.Apátridas

6

10

14

10

12

22

643

279

27

119

93

740

8.815

8.887

8.378

B.767

5.931

6.786

Divi^o dc

Mlgraç&o.

Outros TOTAL

165

27

17

274

469

Derojifimtnto KftCional dc

MáO'dc-Obra,

59

331

440

613

485

22 28 46 622

4

-1

11

5

5

30

1

1

I

9

12

34

266

550

39

02

184

10

27.5

564

(J>

DivIsÁo dí

3

4

4

3

2 5

15

18

.10

36

64

21

4

1

3

13 3

1

3

4 6

l

6

1

6

4

6

1

1

■>

4

3 5 4

4

4

4 3

13

4

7

l

4 3

6

1

2

1

G

38

25

14

II

19

2 2 30 123 10 715 2.911 510

l

6

4 101

5

99 3 922

e

243 26

769 1.333 274 18

202 12

176

243

368

7

15

30

51

39

22

21 23

23 33

18

1.924

28

Sem declaração

588

1

1 2

1

1

i If. 97 7 976 1.937 416

Santa Catarina Rio Grande do Sul Mato Grosso Ooiái Distrito Federal

FOCTE -FONTK

51

2

Paraná

711 11

25 19

69 595

43 23 98 636

25 28

46

33 79 445

..

Bahia Minas Gerais

Eapirilo Santo

23

37 78

19

l

Alagoas Sergipe

Riode Janeiro São Paulo

283

372

23

183

674 216 261

1

Ceará Rio Grande do Norte

6

URSS

323

- ●

Paraiba Pernambuco

199

Uruguai

358

Maranhão Piauí

39

17

907 88

428

287

Amapá

54

19

1.160 85

33

215

1

Amazonas

21

4

592 110

20

437 138 433 30 38 101 566

Rondônia

402

27

●159

382 129 397

Acre

535

Paraguai

158

026 157 359 29

123 889 315 543 158

Federação dc residência

254

Panamá

395

I2I

947

81

168

90 112 449 93 735

Segundo as Unidades da

357

Noruega

370

133

290 252 56 35 105 308

..

36

1.321 226

290 709

Polônia

134

63 51 55 388 59 625 143

57 300 90 249

Israel Itália

79

477

Japão

li)

28

B

18

32 1 1 31 139 17

525

756

2.904

2.840 872 24

3

.30 119

994

28

289 85 21 .35

3 &;(4iUstÍ<

iU'pu»7ÜM Arabc Uiihjft

<ÍA

Secre Lona'Geral

<fo

MtRi&liírio

Ou

4

41 37 45

32 3 5

39 141 13 834 2.575 1.117

4

3 33

3

3 8

1

28 3

3 49

48

116 12 788 2.125 487

1

84 10 729 2.019 1.U3

36

30

39

285 47 .34

214 22

.30

55

217 33 28 47 10

12

33

5 39 7 3 48 107 15 634 2.055 1.091 41 264 31 30 14


46

DIGESTO

ECONÔMICO

Bibliografia Consultada

Estabilização

1. Aroldo de Azevedo — Geografia do Brasil, Companhia Edi tora Nacional, São Paulo, 1970.

2. Emílio Willems — A Aculturação dos Alemães no Companhia Editora Nacional, São Paulo, 1946.

Brasil,

populacional no

3. IBGE — Geografia do Brasil, Tomo III^ Região Sudeste, Rio de Janeiro, 1977.

Brasil

4. Hiroshi Saito — O Japonês no Brasil, Fundação de Sociolo gia e Política, São Paulo, 1961.

5. José Arthur Rios — Aspectos Políticos da Assimilação do Ita liano no Brasil, Fundação Escola de Sociologia e Política, São Paulo, 1959.

Glycon de Paiva

6. J.V. Freitas Marcondes e Osmar Pimentel — São Paulo

I

—

Espirito, Povo — Instituições, Livraria Pioneira Editora, São Paulo, 1968.

7. Julio de Revoredo — Immigração, Empresa Graphica vista dos Tribunais”, São Paulo, 1934.

Não se pode governar sem um a!vo racional de um

"Re

teto populacional. O

autor é um dos maiores especialistas

8. Olavo Baptista B^lho — População e Desenvolvimento (In terpretação da Dinâmica Demográfica), Livraria Pioneira

em demografia.

Editora, São Paulo, 1965.

9. Pierre George — Les Mígrations Internationales, Universitaires de France, Paris, 1977.

Growth is vital for poverty reduction, but it is not enough, McNamara

Presses

10. R. Haddock Lobo — Pequena História da Economia,

I — O Caso

Mar

tins, São Paulo, 1964.

11. S.N. Eisenstadt — The Absorption of Immigrants, Routledge and Kegan Paul, London, 1954. 12. Vicente Uhzer de Almeida e Octavio Teixeira Sobrinho

—

Migração RuraMJrbana (Aspectos da convergência de popu lação), Secretaria da Agricultura, São Paulo, 1951.

Brasileiro

natalidade

e a taxa de morta

lidade, medidas ambas por mü habitantes e por ano. A taxa de natalidade varia

Presentemente assistimos, e verdade desde 1965, a um movimento mundial de declínio da taxa de crescimento demo

entre 45 e 12 nascimentos por mil habitantes e por ano, con forme 0 grau de cultura das

gráfico do mundo. Como sabi

superior, 45 nascimentos anuais por mil habitantes, caracteriza povos muito atrasados princi-

em

do, essa grandeza é a diferen ça de duas outras: a taxa de

populações nacionais. O limite


46

DIGESTO

ECONÔMICO

Bibliografia Consultada

Estabilização

1. Aroldo de Azevedo — Geografia do Brasil, Companhia Edi tora Nacional, São Paulo, 1970.

2. Emílio Willems — A Aculturação dos Alemães no Companhia Editora Nacional, São Paulo, 1946.

Brasil,

populacional no

3. IBGE — Geografia do Brasil, Tomo III^ Região Sudeste, Rio de Janeiro, 1977.

Brasil

4. Hiroshi Saito — O Japonês no Brasil, Fundação de Sociolo gia e Política, São Paulo, 1961.

5. José Arthur Rios — Aspectos Políticos da Assimilação do Ita liano no Brasil, Fundação Escola de Sociologia e Política, São Paulo, 1959.

Glycon de Paiva

6. J.V. Freitas Marcondes e Osmar Pimentel — São Paulo

I

—

Espirito, Povo — Instituições, Livraria Pioneira Editora, São Paulo, 1968.

7. Julio de Revoredo — Immigração, Empresa Graphica vista dos Tribunais”, São Paulo, 1934.

Não se pode governar sem um a!vo racional de um

"Re

teto populacional. O

autor é um dos maiores especialistas

8. Olavo Baptista B^lho — População e Desenvolvimento (In terpretação da Dinâmica Demográfica), Livraria Pioneira

em demografia.

Editora, São Paulo, 1965.

9. Pierre George — Les Mígrations Internationales, Universitaires de France, Paris, 1977.

Growth is vital for poverty reduction, but it is not enough, McNamara

Presses

10. R. Haddock Lobo — Pequena História da Economia,

I — O Caso

Mar

tins, São Paulo, 1964.

11. S.N. Eisenstadt — The Absorption of Immigrants, Routledge and Kegan Paul, London, 1954. 12. Vicente Uhzer de Almeida e Octavio Teixeira Sobrinho

—

Migração RuraMJrbana (Aspectos da convergência de popu lação), Secretaria da Agricultura, São Paulo, 1951.

Brasileiro

natalidade

e a taxa de morta

lidade, medidas ambas por mü habitantes e por ano. A taxa de natalidade varia

Presentemente assistimos, e verdade desde 1965, a um movimento mundial de declínio da taxa de crescimento demo

entre 45 e 12 nascimentos por mil habitantes e por ano, con forme 0 grau de cultura das

gráfico do mundo. Como sabi

superior, 45 nascimentos anuais por mil habitantes, caracteriza povos muito atrasados princi-

em

do, essa grandeza é a diferen ça de duas outras: a taxa de

populações nacionais. O limite


48

DIGESTO

palmente do interior da África. O limite inferior 12 a 15, cons titui a regra nos países cultos

da Europa (Suécia, Dinamarca, Finlândia, Alemanha Federal etc. assim como o Japão e pai~ ses da América do Norte).

Das 156 nações que inte gram 0 mundo atual, 26 ofere cem reduzidas taxas de natali

dade, ao passo que as restan tes 130 nações apresentam-se com taxas de natalidade habi

tualmente superiores a trinta nascimentos por mil habitantes

9

e por ano.

nações que oferecem taxas de natalidade reduzidas integram o que às vezes se .chama de

Primeiro Mundo — dos países desenvolvidos, ou ainda development countries. Os restantes

130 países, com taxas de nata ordem de 30 nasci

mentos por ano e por mil, in tegram o que frequentemente se denomina

Terceiro

Mundo.

Os países que o integram são referidos como nações em de senvolvimento developlng countries.

Essa

cionada com a taxa de natali

dade, assim não se comporta em relação a taxa de mortali dade. A dispersão dessa taxa. 9 a 15 mortes por mil habitan tes e por ano, é muito menos sensível ao grau de cultura das populações e à situação econô mica do povo. Essa situação instalou-se

definitivamente

a

partir de 1942, fazendo hoje quarenta anos, período a partir do qual se divulgou o uso de certos remédios de enorme po tencial curativo como sulfas. antibióticos e cortizonas.

DIGESTO

ECONÔMICO

49

muito acusada sobre o cresci mento demográfico.

No Brasil, por exemplo, o crescimento demográfico de outrora não atingia nem 2% ao

ano. Em 35 anos, de 1900 a 1935, a população brasileira apenas dobrou dos 17 milhões do prin

cípio do século. Isto é. cresceu de apenas 1,4% ao ano no in tervalo apontado. Já em 1960, sob 0 efeito acumulado das mencionadas drogas cresceu até

3,1%, mais do dobro da cifra

que vigia no referido período. Assim, essas drogas ao mesmo

Cumpre relembrar que as

lidade da

ECONÔMICO

diversidade

econômi

ca, tão estreitamente

correla¬

Tais drogas, de custo baixo, foram rapidamente distribuídas pelo mundo, de modo a, e por toda parte, equalizar níveis de mortalidade, independentemen te do grau de civilização e de riqueza das populações por elas servidas. Anteriormente a essas im portantes descobertas com tão grande reflexo sobre o volume

populacional, as cifras de mor talidade mediam-se em torno de

20 nos poucos países desenvol vidos de entâe; e de 25 a 40, na queles numeríi(sos países subde senvolvidos, situação que de terminava repercussão negativa

tempo que salvaram milhões de vidas

simultânea

mente

aumentaram

e

enorme0

nosso

contingente de pobreza, hoje da ordem de 40 milhões de pessoas destitutas.

De fato, outro não seria o resultado uma vez que a inten sidade do processo de desen volvimento econômico do País, que apenas se encontrava aprestado para enfrentar cres cimento demográfico muito me nor, quase subitamente viu-se solicitado a arcar com as con

sequências

de

uma

taxa

de

crescimento demográfico quase duas

vezes superior.

Posteriormente, e aos pou cos, a consciência nacional co meçou a se dar conta da mu

dança de situação demográfica ocorrida, e dos danos conse quentes ao crescimento desta-

ramelado. A ocorrência passou a preocupar a iniciativa priva

da que se interessou pela divul gação

de

métodos

anticonce

pcionais e a emitir opiniões, a partir de 1945, sete anos após a

aplicação

generalizada

dos

antibióticos no mundo.

Em 1966, estabeleceu-se no Rio uma sociedade civil sob (1 nome de Bem Estar Familiar no

Brasil — BEMFAM, que se encarregou de

coordenar

os es

forços privados nascentes, ori entados para a generalização de um procedimento nacional que instituísse hábitos firmes de paternidade responsável.

É dessa época (1965) a vul garização da pílula anticonce

pcional — Pílula Pincus, a qual de muito facilitou a ação edu cativa da BEMFAM. Sob o im pacto deste e de outros esfor ços, a taxa de crescimento de

mográfico brasileiro começou discretamente a acusar quedas.


48

DIGESTO

palmente do interior da África. O limite inferior 12 a 15, cons titui a regra nos países cultos

da Europa (Suécia, Dinamarca, Finlândia, Alemanha Federal etc. assim como o Japão e pai~ ses da América do Norte).

Das 156 nações que inte gram 0 mundo atual, 26 ofere cem reduzidas taxas de natali

dade, ao passo que as restan tes 130 nações apresentam-se com taxas de natalidade habi

tualmente superiores a trinta nascimentos por mil habitantes

9

e por ano.

nações que oferecem taxas de natalidade reduzidas integram o que às vezes se .chama de

Primeiro Mundo — dos países desenvolvidos, ou ainda development countries. Os restantes

130 países, com taxas de nata ordem de 30 nasci

mentos por ano e por mil, in tegram o que frequentemente se denomina

Terceiro

Mundo.

Os países que o integram são referidos como nações em de senvolvimento developlng countries.

Essa

cionada com a taxa de natali

dade, assim não se comporta em relação a taxa de mortali dade. A dispersão dessa taxa. 9 a 15 mortes por mil habitan tes e por ano, é muito menos sensível ao grau de cultura das populações e à situação econô mica do povo. Essa situação instalou-se

definitivamente

a

partir de 1942, fazendo hoje quarenta anos, período a partir do qual se divulgou o uso de certos remédios de enorme po tencial curativo como sulfas. antibióticos e cortizonas.

DIGESTO

ECONÔMICO

49

muito acusada sobre o cresci mento demográfico.

No Brasil, por exemplo, o crescimento demográfico de outrora não atingia nem 2% ao

ano. Em 35 anos, de 1900 a 1935, a população brasileira apenas dobrou dos 17 milhões do prin

cípio do século. Isto é. cresceu de apenas 1,4% ao ano no in tervalo apontado. Já em 1960, sob 0 efeito acumulado das mencionadas drogas cresceu até

3,1%, mais do dobro da cifra

que vigia no referido período. Assim, essas drogas ao mesmo

Cumpre relembrar que as

lidade da

ECONÔMICO

diversidade

econômi

ca, tão estreitamente

correla¬

Tais drogas, de custo baixo, foram rapidamente distribuídas pelo mundo, de modo a, e por toda parte, equalizar níveis de mortalidade, independentemen te do grau de civilização e de riqueza das populações por elas servidas. Anteriormente a essas im portantes descobertas com tão grande reflexo sobre o volume

populacional, as cifras de mor talidade mediam-se em torno de

20 nos poucos países desenvol vidos de entâe; e de 25 a 40, na queles numeríi(sos países subde senvolvidos, situação que de terminava repercussão negativa

tempo que salvaram milhões de vidas

simultânea

mente

aumentaram

e

enorme0

nosso

contingente de pobreza, hoje da ordem de 40 milhões de pessoas destitutas.

De fato, outro não seria o resultado uma vez que a inten sidade do processo de desen volvimento econômico do País, que apenas se encontrava aprestado para enfrentar cres cimento demográfico muito me nor, quase subitamente viu-se solicitado a arcar com as con

sequências

de

uma

taxa

de

crescimento demográfico quase duas

vezes superior.

Posteriormente, e aos pou cos, a consciência nacional co meçou a se dar conta da mu

dança de situação demográfica ocorrida, e dos danos conse quentes ao crescimento desta-

ramelado. A ocorrência passou a preocupar a iniciativa priva

da que se interessou pela divul gação

de

métodos

anticonce

pcionais e a emitir opiniões, a partir de 1945, sete anos após a

aplicação

generalizada

dos

antibióticos no mundo.

Em 1966, estabeleceu-se no Rio uma sociedade civil sob (1 nome de Bem Estar Familiar no

Brasil — BEMFAM, que se encarregou de

coordenar

os es

forços privados nascentes, ori entados para a generalização de um procedimento nacional que instituísse hábitos firmes de paternidade responsável.

É dessa época (1965) a vul garização da pílula anticonce

pcional — Pílula Pincus, a qual de muito facilitou a ação edu cativa da BEMFAM. Sob o im pacto deste e de outros esfor ços, a taxa de crescimento de

mográfico brasileiro começou discretamente a acusar quedas.


DIGE3TO

50

Já, em 1980 a taxa atingia 2,47%, valor menor de sete dé

Considerações sobre os resultados do Censo de 1.^

cimos da taxa máxima jamais

de setembro de 1980

registrada entre nós.

População em 1980

virtude da divulgação

119.099.000 habitantes

da prática anterior, principal mente pela BEMFAM, o acrés cimo anual da população do Brasil que poderia atingir hoje

Atualmente 1982 123.000.000 habitantes

Em

3.800.000

I

ECONÔMICO

indivíduos

se

nada

fosse feito, vê-se reduzido a 3.000.000, em virtude do decrés cimo de 0,7 na taxa em 15 anos do crescimento demográfico, do que resultaram oitocentos mil nascimentos a menos por ano.

Estima-se que essa queda, progressiva

com

o correr dos

anos, e com o esforço educati vo, possivelmente conduzirá a uma cifra anual de

acréscimo

populacional no ano 2000 da or dem

de

um

milhão

e meio de

indivíduos apenas, oriundos de população acumulada da ordem de 170 milhões de habitantes,

Os acréscimos de população anual obedeceram às seguintes taxas;

1960 — 2,99% 1960 — 1970 — 2,89% 1970 — 1980 — 2,49%

1950

Entre 1950 e 1980, a natali dade caiu de 43,2 nascimentos por 1.000 habitantes-ano para 33, isto é, decréscimo de um nascimento por mil cada 3 anos. Desse modo, para estabilizar-se

a população sob natalidade de nove por mil, seriam necessá rios se escoassem mais de 70

anos para copsegui-lo, isto( é, cumpriria aguardar-se o ano de 2050 sob o atual regime muito incompleto de contenção conce-

montante bem inferior ao ante

pcional.

riormente previsto por vários

Mas, sob o império de sério esforço nacional de esclareci

autores

utilizando as altas ta

xas de crescimento do passada. A taxa de crescimento rondará

por 1% cifra habitual entre paí ses desenvolvidos.

mento, esse importante evento deverá ocorrer antes, em duas ou três dezenas de anos apenas, lá pela altura do ano 2020.

DIGESTO

ECONÔMICO

51

Aliás, a redução natal ma

Envelhecímento da

nifestou-se visível entre nós a

população brasileira

partir de 1940, embora mais cia. ramente a partir de 1950. Cer tamente mediu o fenômeno

apreciável queda da fecundidade da mulher brasileira de 6,21 filhos em 1950 para 4,25 em 1977. Já por considerações des se andamento, a estabilização

populacional, visando 2,2 filhos por casal (taxa de estabiliza ção populacional) demoraria 27 anos. Esse caminho nos condu ziría ao ano 2005, quinze anos

sobre o prazo acima assinalado.

A

principal

causa

dessa

A persistência do decrésci

mo de natalidade, a partir de

1965, vem se traduzindo por envelhecimento da população, co mo bem salienta o IBGE. As

sim, o grupo etário de 0-14 anos, decresceu em 1980 de 42,1% em 1970, e para 37,4%, em 1980, uma queda de 11%^ O grupo de

15-64 anos, com 54,8% em 1970, aumentou para 58,3%, em 1980, um incremento de 6,4%. Final mente, 0 de 65 anos e mais, de 3,1% em 1970, passou para 4,3% em 1980, aumento de

queda de fecundidade tem sido

38,7%.

(8 milhões de mulheres férteis

trinta anos, de 1950 a 1980,

atribuída ao já pronunciado uso de anticoncepcionais entre nós em

25 milhões de integrantes da

população nacional feminina, um terço dela), mas o fenômeno viu-se parti,cularmente acentuado pela importante mi

ou

gração das mulheres do campo para a urbes. Aí rapidamente adquirem novos hábitos trans mitidos por contigüidade e es barram com a disponibilidade fácU de anticoncepcionais.

Com o envelhecimento de 0

percentual de pessoas com 50 anos cresceu de 33,3%; o de 60 anos, 45,6%; e o de 65 anos e

mais, 68,2%. Isto é, na popula ção brasileira aumentou a par ticipação de velho, face à re

dução do número de jovens pro. vocado pelo motivo alegado. Cresceu por isso, entre nós, a esperança média de viver, de 53 anos como era a um decê

nio, para 58 anos hoje.


DIGE3TO

50

Já, em 1980 a taxa atingia 2,47%, valor menor de sete dé

Considerações sobre os resultados do Censo de 1.^

cimos da taxa máxima jamais

de setembro de 1980

registrada entre nós.

População em 1980

virtude da divulgação

119.099.000 habitantes

da prática anterior, principal mente pela BEMFAM, o acrés cimo anual da população do Brasil que poderia atingir hoje

Atualmente 1982 123.000.000 habitantes

Em

3.800.000

I

ECONÔMICO

indivíduos

se

nada

fosse feito, vê-se reduzido a 3.000.000, em virtude do decrés cimo de 0,7 na taxa em 15 anos do crescimento demográfico, do que resultaram oitocentos mil nascimentos a menos por ano.

Estima-se que essa queda, progressiva

com

o correr dos

anos, e com o esforço educati vo, possivelmente conduzirá a uma cifra anual de

acréscimo

populacional no ano 2000 da or dem

de

um

milhão

e meio de

indivíduos apenas, oriundos de população acumulada da ordem de 170 milhões de habitantes,

Os acréscimos de população anual obedeceram às seguintes taxas;

1960 — 2,99% 1960 — 1970 — 2,89% 1970 — 1980 — 2,49%

1950

Entre 1950 e 1980, a natali dade caiu de 43,2 nascimentos por 1.000 habitantes-ano para 33, isto é, decréscimo de um nascimento por mil cada 3 anos. Desse modo, para estabilizar-se

a população sob natalidade de nove por mil, seriam necessá rios se escoassem mais de 70

anos para copsegui-lo, isto( é, cumpriria aguardar-se o ano de 2050 sob o atual regime muito incompleto de contenção conce-

montante bem inferior ao ante

pcional.

riormente previsto por vários

Mas, sob o império de sério esforço nacional de esclareci

autores

utilizando as altas ta

xas de crescimento do passada. A taxa de crescimento rondará

por 1% cifra habitual entre paí ses desenvolvidos.

mento, esse importante evento deverá ocorrer antes, em duas ou três dezenas de anos apenas, lá pela altura do ano 2020.

DIGESTO

ECONÔMICO

51

Aliás, a redução natal ma

Envelhecímento da

nifestou-se visível entre nós a

população brasileira

partir de 1940, embora mais cia. ramente a partir de 1950. Cer tamente mediu o fenômeno

apreciável queda da fecundidade da mulher brasileira de 6,21 filhos em 1950 para 4,25 em 1977. Já por considerações des se andamento, a estabilização

populacional, visando 2,2 filhos por casal (taxa de estabiliza ção populacional) demoraria 27 anos. Esse caminho nos condu ziría ao ano 2005, quinze anos

sobre o prazo acima assinalado.

A

principal

causa

dessa

A persistência do decrésci

mo de natalidade, a partir de

1965, vem se traduzindo por envelhecimento da população, co mo bem salienta o IBGE. As

sim, o grupo etário de 0-14 anos, decresceu em 1980 de 42,1% em 1970, e para 37,4%, em 1980, uma queda de 11%^ O grupo de

15-64 anos, com 54,8% em 1970, aumentou para 58,3%, em 1980, um incremento de 6,4%. Final mente, 0 de 65 anos e mais, de 3,1% em 1970, passou para 4,3% em 1980, aumento de

queda de fecundidade tem sido

38,7%.

(8 milhões de mulheres férteis

trinta anos, de 1950 a 1980,

atribuída ao já pronunciado uso de anticoncepcionais entre nós em

25 milhões de integrantes da

população nacional feminina, um terço dela), mas o fenômeno viu-se parti,cularmente acentuado pela importante mi

ou

gração das mulheres do campo para a urbes. Aí rapidamente adquirem novos hábitos trans mitidos por contigüidade e es barram com a disponibilidade fácU de anticoncepcionais.

Com o envelhecimento de 0

percentual de pessoas com 50 anos cresceu de 33,3%; o de 60 anos, 45,6%; e o de 65 anos e

mais, 68,2%. Isto é, na popula ção brasileira aumentou a par ticipação de velho, face à re

dução do número de jovens pro. vocado pelo motivo alegado. Cresceu por isso, entre nós, a esperança média de viver, de 53 anos como era a um decê

nio, para 58 anos hoje.


DIGESTO

52

ECONÔMICO

mecanização e, principalmente

Urbanização

conhecimentos

Característica da atual po

pulação brasileira é sua voca ção citadina. A população de hoje é 68% urbana e apenas 32% rural. Aliás urbanização è sempre paralela de crescimen to econômico. De fato, a popu lação rural do Primeiro Mundo, países desenvolvidos, é normal mente inferior a 10%. Os Es tados Unidos, por exemplo, só contam 4% da população no campo.

técnicos

mais

elevados do habitante rural. O

repetido insucesso agrícola na Rússia é histórico.

Concentração urbana

não

combina com a insistente

preocupação de alguns políticos dc esquerda com reforma agrá ria.

movimento

aliás

sem

ex

pressão nos países desenvolvi dos. Por toda parte a urbaniza ção crescente enfraqueceu a po lítica favorável a esse tipo de reforma porque a agricultura passa a depender de técnica apurada, escala cada vez maior, exigindo capital, eletrificação e

ritório especificamente ocupa do pelas cidades brasileiras. Isso significa não mais que 1% do território nacional. O terço

pérrima e quase esquecida pela

cional, sob altíssima densidade demográfica; 1.583 pessoas por Km2 na cidade de São Paulo,

1.395 na do Rio; 1.066 no Reci

fe, e assim por diante. Isto é,

rurais do Brasil.

ção de serviços. Consequente mente, a pressão sobre a posse de terras no campo tenderá a diminuir, o que de certo modo

áreas que somam menos de 100.000 Km2, tal aproximada mente a extensão global do ter

trações metropolitanas que re têm um terço da população na

à

medida do nosso desenvolvi

53

complementar da população na

da população rural prosseguirá mento Industrial e o da presta

ECONÔMICO

O Brasil conta nove concen

nove grandes cidades brasilei ras abrigam tanta gente quanto o fazem as vastíssimas regiões

Assim, entre nós, a queda

DIGESTO

O terço brasileiro para com

pletar

a população vive

em

mais de 2.000 cidades interioranas. Boa parte dos seus ha bitantes

todavia

sonha

viver

mais junto ao mar, em uma das nove regiões metropolitanas. Caracteriza-se

o Brasil

co

mo país de população muito po larizada, distribuída em dois terços do seu montante por um pouco mais de 2.000 centros ur banos de ocupação.

Isto é, dois terços dos bra sileiros, os metropolitanos e os citadinos do Interior, vivem em

cional espalha-se diluída, pau

área agrícola e pastoril do País, cobrindo cerca de 2 milhões de

quilômetros

quadrados, tal o

fico dos anos cinquenta, con forme medidas no ano final dos seguintes períodos: 1900 — 1,98%

1920 — 2,88% 1940 — 1,49% 1950 — 2,39% 1960 — 2,99% 1970 — 2,89% 1980 — 2,49%

Evoluiu

pois a população

tamanho do ecúmeno brasilei-

brasileira, após 1900, de um mínimo de 1940 para o máximo

ro.

em 1960, quando se iniciou que

Crescimento populacional no Brasil

Em números

redondos,

a

população brasileira no início

da que perdurou posteriormen te a 1965. Trata-se de época do início da divulgação da pílula anticoncepcional Pincus, diariamente consumida no Brasil

do século, media 17 milhões de habitantes; 31 milhões, em 1920; 41 milhões, em 1940; 52 milhões, em 1950; 70 milhões, em 1960; 93 milhões em 1970 e 119 mi

por quase um terço das lheres em idade fértil,

lhões em 1980. Ascendeu o crescimento po

Com apenas um terço das mulheres brasileiras usando pí lulas anticoncepcionais, conse guiu-se, no decênio, queda de

pulacional de um mínimo

na

altura dos anos quarenta, para um máximo que perdurou por

mu

Queda do crescimento demográfico

7 décimos na taxa de cresci

dez anos, de 1960 a 1970. Em 1970, tornou-se claro a presen te queda da taxa de crescimen to demográfico, trazendo de volta, segundo versão do IBGE,

férteis, tarefa difícil dada a po breza cultural de grande par

cifras de crescimento demográ-

te das mulheres do povo, mas

mento demográfico. A genera lização imediata dessa prática para todo universo de mulheres


DIGESTO

52

ECONÔMICO

mecanização e, principalmente

Urbanização

conhecimentos

Característica da atual po

pulação brasileira é sua voca ção citadina. A população de hoje é 68% urbana e apenas 32% rural. Aliás urbanização è sempre paralela de crescimen to econômico. De fato, a popu lação rural do Primeiro Mundo, países desenvolvidos, é normal mente inferior a 10%. Os Es tados Unidos, por exemplo, só contam 4% da população no campo.

técnicos

mais

elevados do habitante rural. O

repetido insucesso agrícola na Rússia é histórico.

Concentração urbana

não

combina com a insistente

preocupação de alguns políticos dc esquerda com reforma agrá ria.

movimento

aliás

sem

ex

pressão nos países desenvolvi dos. Por toda parte a urbaniza ção crescente enfraqueceu a po lítica favorável a esse tipo de reforma porque a agricultura passa a depender de técnica apurada, escala cada vez maior, exigindo capital, eletrificação e

ritório especificamente ocupa do pelas cidades brasileiras. Isso significa não mais que 1% do território nacional. O terço

pérrima e quase esquecida pela

cional, sob altíssima densidade demográfica; 1.583 pessoas por Km2 na cidade de São Paulo,

1.395 na do Rio; 1.066 no Reci

fe, e assim por diante. Isto é,

rurais do Brasil.

ção de serviços. Consequente mente, a pressão sobre a posse de terras no campo tenderá a diminuir, o que de certo modo

áreas que somam menos de 100.000 Km2, tal aproximada mente a extensão global do ter

trações metropolitanas que re têm um terço da população na

à

medida do nosso desenvolvi

53

complementar da população na

da população rural prosseguirá mento Industrial e o da presta

ECONÔMICO

O Brasil conta nove concen

nove grandes cidades brasilei ras abrigam tanta gente quanto o fazem as vastíssimas regiões

Assim, entre nós, a queda

DIGESTO

O terço brasileiro para com

pletar

a população vive

em

mais de 2.000 cidades interioranas. Boa parte dos seus ha bitantes

todavia

sonha

viver

mais junto ao mar, em uma das nove regiões metropolitanas. Caracteriza-se

o Brasil

co

mo país de população muito po larizada, distribuída em dois terços do seu montante por um pouco mais de 2.000 centros ur banos de ocupação.

Isto é, dois terços dos bra sileiros, os metropolitanos e os citadinos do Interior, vivem em

cional espalha-se diluída, pau

área agrícola e pastoril do País, cobrindo cerca de 2 milhões de

quilômetros

quadrados, tal o

fico dos anos cinquenta, con forme medidas no ano final dos seguintes períodos: 1900 — 1,98%

1920 — 2,88% 1940 — 1,49% 1950 — 2,39% 1960 — 2,99% 1970 — 2,89% 1980 — 2,49%

Evoluiu

pois a população

tamanho do ecúmeno brasilei-

brasileira, após 1900, de um mínimo de 1940 para o máximo

ro.

em 1960, quando se iniciou que

Crescimento populacional no Brasil

Em números

redondos,

a

população brasileira no início

da que perdurou posteriormen te a 1965. Trata-se de época do início da divulgação da pílula anticoncepcional Pincus, diariamente consumida no Brasil

do século, media 17 milhões de habitantes; 31 milhões, em 1920; 41 milhões, em 1940; 52 milhões, em 1950; 70 milhões, em 1960; 93 milhões em 1970 e 119 mi

por quase um terço das lheres em idade fértil,

lhões em 1980. Ascendeu o crescimento po

Com apenas um terço das mulheres brasileiras usando pí lulas anticoncepcionais, conse guiu-se, no decênio, queda de

pulacional de um mínimo

na

altura dos anos quarenta, para um máximo que perdurou por

mu

Queda do crescimento demográfico

7 décimos na taxa de cresci

dez anos, de 1960 a 1970. Em 1970, tornou-se claro a presen te queda da taxa de crescimen to demográfico, trazendo de volta, segundo versão do IBGE,

férteis, tarefa difícil dada a po breza cultural de grande par

cifras de crescimento demográ-

te das mulheres do povo, mas

mento demográfico. A genera lização imediata dessa prática para todo universo de mulheres


DIGESTO

54

que poderá conduzir o Brasil à estabilização populacional pou co depois do ano 2000, a menos que descobertas espetaculares no campo da reprodução huma na, sejam capazes de abrevia rem o prazo.

Nesse campo, vale estudar a Tabela III, constante de um artigo Jo presidente do IBGE, Jessé Montello, publicado no n.® 287 do Digesto Econômico, on de figuram taxas de fecundida-

ECONÔMICO

cundidade de 27,4%, ao passo que aquelas da cidade, acusam taxa de apenas 16,5%, ou seja diferença de 40% em relação ao campo, causado em parte, pe lo fácil acesso na cidade a an

ticoncepcionais e à facilidade de prática precoce de aborto. Li

ga-se, portanto, a intensifica

ção da urbanização no Brasil, principalmente a partir de 1960, à queda da taxa de natalidade acusada desde 1965.

de da mulher brasileira de 1940

O Gráfico n do mesmo ar

a 1977. Essas taxas atingiram um máximo de 6,28 filhos por

tigo demonstra ainda: queda brusca de na a) talidade a partir de 1955 o que

mulher em 1960, caindo conti nuamente daí por diante, até 4,25 filhos em 1977, isto é, que

sugere 24 nascimentos por mü em 1990;

b) — queda da taxa de cres cimento demográfico a partir

da de um terço da fecundidade em 17 anos. Isso aproxima damente corresponde a uma

de 1965 a caminho da taxa de

unidade

1,6% ao ano em 1990;

em

cada

6

anos.

As

sim, as duas unidades de fecundidade que ainda impedem estabilização populacional no Brasil (4,25 em lugar de 2,2) seriam vencidas em 12 anos, equilibrando-se portanto a po pulação nacional antes do ano 2000.

Mostra ademais o IBGE, que entre mulheres férteis de 20 a

34 anos, as que vivem no cam

po fruem taxa específica de fe-

c) — estabilização da taxa de

mortalidade

em

oito

mor-

tes por mil habitantes por ano, a partir de 1975. Essas condições se traduzi rão na prática em população de 140 milhões em 1990; e 170 mi lhões no ano 2000, número esse inferior às projeções feitas a poucos anos atrás que previam 200 milhões de habitantes por ocasião do segundo milênio.

DIGESTO

ECONÔMICO

55

Como está, o Brasil apre

De outro lado, a mecaniza

senta a segunda maior taxa de crescimento demográfico do mundo: 2,5 apenas inferior a

ção intensa das fazendas e os serviços de empreiteiras volan

da Indonésia.

vantagem,

tes,

substituem

pessoal

com

praticamente

redu

zido à família do proprietário

É possível consiga, a se guir, a taxa da índia (2,12%), depois a da China (1,67%) lá pelo ano 1995 e, finalmente, a do Japão pelo ano 2000 (1,1%)

Nessa ordem de idéias tal vez se possa imaginar um limi

entrando

a

definitivamente

daí

por diante no rol dos países de senvolvidos. Outra aproximação dessa previsão é a que resultar do li

mite superior da urbanização no Brasil, atualmente em torno de 68% da população nacional, restando 32% para a população rural.

Esse

número

era

de

44%

em 1970, isto é, a ruralização vem

decrescendo

à

taxa

de

1,2% ao ano. A menor taxa de ruralização que se conhece no

mundo é a americana, de 4% ao ano, tornada possível pelo ta manho ótimo das fazendas ame ricanas limitadas a 500 acres e a serem operadas pela família

residente o que é possível pelo intenso

uso

agrícola,

de

de

equipamento

eletrificação

ru

ral, de perfeita assistência téc nica oficial.

da fazenda.

te de ruralização de 10% para população

brasileira,

taxa

que poderá acontecer até o ano

2000 a julgar pelo que se pas sou entre 1970 e 1980.

Cumpre observar que essa necessária redução de pessoal rural

não se

coaduna

com

os

propósitos divulgados de uma política nacional de reforma agrária frequentemente apre goada. Porque, e cada vez mais, 0 campo seleciona tomadores, exigindo gente preparada para a tarefa, habilitada quanto a técnicas e recursos e de mais elevado nível, aprestos esses inexistentes entre os possíveis beneficiados por uma reforma agrária feita "no lápis". População Ativa

A população economicamen te ativa do Brasil compreende número redondo, 44 milhões de pessoas. Esse total pode ser dividido em duas parcelas:


DIGESTO

54

que poderá conduzir o Brasil à estabilização populacional pou co depois do ano 2000, a menos que descobertas espetaculares no campo da reprodução huma na, sejam capazes de abrevia rem o prazo.

Nesse campo, vale estudar a Tabela III, constante de um artigo Jo presidente do IBGE, Jessé Montello, publicado no n.® 287 do Digesto Econômico, on de figuram taxas de fecundida-

ECONÔMICO

cundidade de 27,4%, ao passo que aquelas da cidade, acusam taxa de apenas 16,5%, ou seja diferença de 40% em relação ao campo, causado em parte, pe lo fácil acesso na cidade a an

ticoncepcionais e à facilidade de prática precoce de aborto. Li

ga-se, portanto, a intensifica

ção da urbanização no Brasil, principalmente a partir de 1960, à queda da taxa de natalidade acusada desde 1965.

de da mulher brasileira de 1940

O Gráfico n do mesmo ar

a 1977. Essas taxas atingiram um máximo de 6,28 filhos por

tigo demonstra ainda: queda brusca de na a) talidade a partir de 1955 o que

mulher em 1960, caindo conti nuamente daí por diante, até 4,25 filhos em 1977, isto é, que

sugere 24 nascimentos por mü em 1990;

b) — queda da taxa de cres cimento demográfico a partir

da de um terço da fecundidade em 17 anos. Isso aproxima damente corresponde a uma

de 1965 a caminho da taxa de

unidade

1,6% ao ano em 1990;

em

cada

6

anos.

As

sim, as duas unidades de fecundidade que ainda impedem estabilização populacional no Brasil (4,25 em lugar de 2,2) seriam vencidas em 12 anos, equilibrando-se portanto a po pulação nacional antes do ano 2000.

Mostra ademais o IBGE, que entre mulheres férteis de 20 a

34 anos, as que vivem no cam

po fruem taxa específica de fe-

c) — estabilização da taxa de

mortalidade

em

oito

mor-

tes por mil habitantes por ano, a partir de 1975. Essas condições se traduzi rão na prática em população de 140 milhões em 1990; e 170 mi lhões no ano 2000, número esse inferior às projeções feitas a poucos anos atrás que previam 200 milhões de habitantes por ocasião do segundo milênio.

DIGESTO

ECONÔMICO

55

Como está, o Brasil apre

De outro lado, a mecaniza

senta a segunda maior taxa de crescimento demográfico do mundo: 2,5 apenas inferior a

ção intensa das fazendas e os serviços de empreiteiras volan

da Indonésia.

vantagem,

tes,

substituem

pessoal

com

praticamente

redu

zido à família do proprietário

É possível consiga, a se guir, a taxa da índia (2,12%), depois a da China (1,67%) lá pelo ano 1995 e, finalmente, a do Japão pelo ano 2000 (1,1%)

Nessa ordem de idéias tal vez se possa imaginar um limi

entrando

a

definitivamente

daí

por diante no rol dos países de senvolvidos. Outra aproximação dessa previsão é a que resultar do li

mite superior da urbanização no Brasil, atualmente em torno de 68% da população nacional, restando 32% para a população rural.

Esse

número

era

de

44%

em 1970, isto é, a ruralização vem

decrescendo

à

taxa

de

1,2% ao ano. A menor taxa de ruralização que se conhece no

mundo é a americana, de 4% ao ano, tornada possível pelo ta manho ótimo das fazendas ame ricanas limitadas a 500 acres e a serem operadas pela família

residente o que é possível pelo intenso

uso

agrícola,

de

de

equipamento

eletrificação

ru

ral, de perfeita assistência téc nica oficial.

da fazenda.

te de ruralização de 10% para população

brasileira,

taxa

que poderá acontecer até o ano

2000 a julgar pelo que se pas sou entre 1970 e 1980.

Cumpre observar que essa necessária redução de pessoal rural

não se

coaduna

com

os

propósitos divulgados de uma política nacional de reforma agrária frequentemente apre goada. Porque, e cada vez mais, 0 campo seleciona tomadores, exigindo gente preparada para a tarefa, habilitada quanto a técnicas e recursos e de mais elevado nível, aprestos esses inexistentes entre os possíveis beneficiados por uma reforma agrária feita "no lápis". População Ativa

A população economicamen te ativa do Brasil compreende número redondo, 44 milhões de pessoas. Esse total pode ser dividido em duas parcelas:


DIGESTO

56

a) — 64,4% delas com sa lário até

2 mínimos — apenas

faturando 22,3% do rendimento mensal global; b) — 35,6% delas, com ren dimentos acima de 2 salários mínimos faturando 77,7% do rendimento mensal global da população ativa.

De outro lado, 30,7% da po pulação ativa é rural; 25,3% é

ECONÔMICO

viços do lar, estudantes, apo sentados, presos, doentes e in válidos.

Há 37,2 milhões de mulhe res no Brasil com mais de 15 Dessas

anos.

24

milhões

Da

mão-de-obra

da. 59,4% até um

remunera

recebem pagamento

salário-mínimo:

29,4%,

Apurou-se ainda essencial mente 0 seguinte nos campos de instrução, trabalho, moradia

e cinco, 10%: entre cinco e dez, 6.6%; entre 10 e 20 salários-mínimos 2,7% e 1,4% do total da

e estado

44%

comercial

e

cívil;

Instrução

— Primeiro grau . 20,0 milhões — Segundo grau .. 3,3 milhões 1,3 milhões — Superior Trabalho

Remunerados

ou

não.

traba

lham 88 milhões de pessoas, das

quais 61 milhões nas cidades e 27 milhões no campo. O índice de alfabetização dos que tra balham é de apenas 69%. De

les, 44 milhões de pessoas são

mão-de-obra recebe mais de 20 salários-mínimos mensais (acima de 240 mil cruzeiros), Nes sa categoria, figuram apenas 616.000 pessoas em todo o Bra sil.

lhões de habitantes:

23,5% alugadas. O esforço para

possuir moradia própria é mui to expressivo no Brasil.

anos, das quais 58% casadas. 5% viúvas e 2,5% divorciadas.

e

País. à época

a)

— O crescimento popu

lacional

perdeu

velocidade no

decênio a razão de 6 a 7 déci mos de 1%: O número de filhos b) da mulher (taxa de fecundidade) acha-se em franco declí nio;

c) — D particularmente ele vado o número de proprietários da casa própria no Brasil, 61% das moradias do País;

d) — Finalmente — o povo brasileiro

nada

tem

(20.000

Desenvolvimen

contava 78 mi crescia à

taxa próxima de 3.5^ a maior entre nós jamais medida.

sobre o Brasil

de

rico:

O Brasil conta com 26,4 mi

lhões de residências, das quais, 61% próprias, 15,5% cedidas e

lhões de pessoas maiores de 15

ser-

Revelações do Censo de 1980

rio americano por ano),

neração de 50%). Os 44% mi dos, tripulam as classes:

lheres.

to", uma conferência de Glycon de Paiva tratando da população brasileira como problema. O

Moradia — Estado Civil

(índice de remu

lhões restantes, não remunera

milhões mulheres. São casados 63% dos homens e 70% das mu

apenas 5% dos que trabalham vencem o nível médio de salá

Conta 0 País com 74,6 mi

remuneradas

“Natalidade

mães.

prestadora de serviços urbanos.

e

57

ECONÔMICO

Delas 46% são homens e 55,6%

são

entre um e dois salários-mínimos; entre 2 e 3 salários-mínimos mensais. 11,5%; entre três

industrial

DIGESTO

dólares

II — Estudos Anteriores sobre a

População Brasileira

Sobre a relação entre popu lação e progresso, a Carta Mensal da CNC publicou, em agosto de 1963, faz hoje 18 anos, sob o n.o 101, sob o título

O objeto, do autor, segundo ü confessa em Comentário Fi' nai, era "aos conselheiros e lei tores da Carta, criar-lheis a con

vicção soberana da existência de um problema básico, central, fulcro fundamental de todos os

outros problemas econômicos e sociais dciste nosso querido pais".

No mês seguinte. Djacir Menezes. Carta Mensal n.o 102, motivado pela exposição de

agosto, retomou o assunto sob ângulo "O Malthusianismo,

o

suas

implicações e implicân

cias" . Muito contribuiu para atrair o interesse nacional so bre tema crucial.

Finalmente, em dezembro do mesmo ano. nosso eminente

confrade padre Ávila, em "De senvolvimento

e

Natalidade".

Carta Mensal n.o 105, de de zembro de 1963. produziu um excelente exame da matéria da


DIGESTO

56

a) — 64,4% delas com sa lário até

2 mínimos — apenas

faturando 22,3% do rendimento mensal global; b) — 35,6% delas, com ren dimentos acima de 2 salários mínimos faturando 77,7% do rendimento mensal global da população ativa.

De outro lado, 30,7% da po pulação ativa é rural; 25,3% é

ECONÔMICO

viços do lar, estudantes, apo sentados, presos, doentes e in válidos.

Há 37,2 milhões de mulhe res no Brasil com mais de 15 Dessas

anos.

24

milhões

Da

mão-de-obra

da. 59,4% até um

remunera

recebem pagamento

salário-mínimo:

29,4%,

Apurou-se ainda essencial mente 0 seguinte nos campos de instrução, trabalho, moradia

e cinco, 10%: entre cinco e dez, 6.6%; entre 10 e 20 salários-mínimos 2,7% e 1,4% do total da

e estado

44%

comercial

e

cívil;

Instrução

— Primeiro grau . 20,0 milhões — Segundo grau .. 3,3 milhões 1,3 milhões — Superior Trabalho

Remunerados

ou

não.

traba

lham 88 milhões de pessoas, das

quais 61 milhões nas cidades e 27 milhões no campo. O índice de alfabetização dos que tra balham é de apenas 69%. De

les, 44 milhões de pessoas são

mão-de-obra recebe mais de 20 salários-mínimos mensais (acima de 240 mil cruzeiros), Nes sa categoria, figuram apenas 616.000 pessoas em todo o Bra sil.

lhões de habitantes:

23,5% alugadas. O esforço para

possuir moradia própria é mui to expressivo no Brasil.

anos, das quais 58% casadas. 5% viúvas e 2,5% divorciadas.

e

País. à época

a)

— O crescimento popu

lacional

perdeu

velocidade no

decênio a razão de 6 a 7 déci mos de 1%: O número de filhos b) da mulher (taxa de fecundidade) acha-se em franco declí nio;

c) — D particularmente ele vado o número de proprietários da casa própria no Brasil, 61% das moradias do País;

d) — Finalmente — o povo brasileiro

nada

tem

(20.000

Desenvolvimen

contava 78 mi crescia à

taxa próxima de 3.5^ a maior entre nós jamais medida.

sobre o Brasil

de

rico:

O Brasil conta com 26,4 mi

lhões de residências, das quais, 61% próprias, 15,5% cedidas e

lhões de pessoas maiores de 15

ser-

Revelações do Censo de 1980

rio americano por ano),

neração de 50%). Os 44% mi dos, tripulam as classes:

lheres.

to", uma conferência de Glycon de Paiva tratando da população brasileira como problema. O

Moradia — Estado Civil

(índice de remu

lhões restantes, não remunera

milhões mulheres. São casados 63% dos homens e 70% das mu

apenas 5% dos que trabalham vencem o nível médio de salá

Conta 0 País com 74,6 mi

remuneradas

“Natalidade

mães.

prestadora de serviços urbanos.

e

57

ECONÔMICO

Delas 46% são homens e 55,6%

são

entre um e dois salários-mínimos; entre 2 e 3 salários-mínimos mensais. 11,5%; entre três

industrial

DIGESTO

dólares

II — Estudos Anteriores sobre a

População Brasileira

Sobre a relação entre popu lação e progresso, a Carta Mensal da CNC publicou, em agosto de 1963, faz hoje 18 anos, sob o n.o 101, sob o título

O objeto, do autor, segundo ü confessa em Comentário Fi' nai, era "aos conselheiros e lei tores da Carta, criar-lheis a con

vicção soberana da existência de um problema básico, central, fulcro fundamental de todos os

outros problemas econômicos e sociais dciste nosso querido pais".

No mês seguinte. Djacir Menezes. Carta Mensal n.o 102, motivado pela exposição de

agosto, retomou o assunto sob ângulo "O Malthusianismo,

o

suas

implicações e implicân

cias" . Muito contribuiu para atrair o interesse nacional so bre tema crucial.

Finalmente, em dezembro do mesmo ano. nosso eminente

confrade padre Ávila, em "De senvolvimento

e

Natalidade".

Carta Mensal n.o 105, de de zembro de 1963. produziu um excelente exame da matéria da


58

Conferência

da

Carta

Mensal

n.o 101,. ressaltando essencial' mente: “I — Reparos Criticos; n — A posição da Igreja; O Aspecto demo-econômico do problema.; o Aspecto Moral do problema; e finalmente, o Pro blema no Brasil”.

Esses trabalhos, difundidos pela Carta Mensal, posterior mente o verificamos, tiveram inusitada repercussão por toda parte. Verificamo*lo posterior* mente ao comparecer a encon

tros sobre população em vários Estados nos últimos 15 anos.

Em 1966, três anos depois, participamos da fundação

da

BEMFAM, entidade que a si tomou o encargo da difusão de

conh.ecimentos e da pregação de comportamento em relação a adaptação da natalidade bra

sileira à economia que nos

é

possível de modo a não aumen tar sem remédio o número de

pobres do País, O assunto tornou-se assim muito conhecido do povo brasi leiro, principalmente depois da difusão da pílula PIncus naque le ano, aqui vulgarizada pela BEMFAM entre a população pobre, através de uma cente¬

DIGESTO

ECONÔMICO

clínicas

estabelecidas

to antes de um quarto de sécu

particularmente no Nordeste, além do apoio conseguido dos

lo, salvo insuspeitadas desco bertas no campo da reprodução humana, conforme anterior mente explicado, capazes de apontar acusado atalho para o fim colimado. Quem viver,

na

de

governos locais.

A título de exemplo,

um

esquema de difusão das técni

cas de controle conce-pcional foi projetado e aplicado no Rio Grande do Norte, conduzido nos 150 municípios daquele Estado pelois maiorais de cada lugar. A experiência conduziu a resul tados excepcionais. Foi depois adotado na Ásia "Rio Grande do

sob o nome Norte Con-

tract".

Em 1967, 0 número de mu lheres brasileiras que usavam pílulas era apenas 100.mil, se gundo recenseamento particularmente procedido; hoje, são 8 milhões de mulheres de um total de 27 milhões de mulheres

férteis que neste ano de 1981 integram a população brasilei ra . A queda do crescimento de

mográfico brasileiro, jâ o dis semos, tem sido acentuada. Ron

da agora, por nível inferior a 2,5% ao ano, uma queda de sete décimos de um por cento desde 1967. É um bom começo, mas o caminho a percorrer até a estabilização é longo ainda.

Não o trilharemos por comple-

DIGESTO

59

ECONÔMICO

modo a atingir e talvez ultra passar a casa ds 200 milhões de habitantes. O que importa assinalar é que não se pode pia. nejar e governar sem um alvo racional de um teto populacio nal.

verá.

Cabe reproduzir para con cluir, opinião recente do prof. Jessé Montello, presidente do IBGE, sobre a matéria que tratamos. Admite ele que a fecundidade brasileira se encontra

em procesiso cadente, buscan do mero nível de reposição o

III — Conclusão Final

Encerramos essa longa ex

posição com uma nota sobr.e o conceito de entropia o qual ten de a conduzir os habitantes da

Terra para uma situação que

já se denomina

qual alcançará lá pelo ano 2000. a menos de vinte anos de hoje. A mais elevada população por ele admitida para o Brasil ocorrerá no século XXI, e não ultrapassará 275 milhões de ha

de

Insistiremos, ainda, so

bre a bipartição da Terra em um hemisfério de povos ricos, o setentrional; e outro, parti cularmente pobre, 0 meridio

bitantes, cifra estsa pouco su perior ao nível da população americana de hoje, mais próxi ma ainda da atual população

nal.

da URSS.

jo, mais ou menos

O nível de reposição popu lacional seria atingido, segundo ele, no ano 2000. Mas, em vir tude do momento populacional disponível nos milhões de me ninas existentes no ano 2000, a

população crescerá lentamente durante alguns anos ainda, de

sociedade

frugal.

Para

ísgo,

relembramos

que 0 termo entropia, inventado em

1850, é a medida do arran

ordenado,

das partículas elementares que integram uma massa qualquer. Esse arranjo modifica-se para 0 lado da ordem pela absorção de energia externa à massa, mais frequentemente para o la do da desordem, se houver per

da de .energia. A medida

do


58

Conferência

da

Carta

Mensal

n.o 101,. ressaltando essencial' mente: “I — Reparos Criticos; n — A posição da Igreja; O Aspecto demo-econômico do problema.; o Aspecto Moral do problema; e finalmente, o Pro blema no Brasil”.

Esses trabalhos, difundidos pela Carta Mensal, posterior mente o verificamos, tiveram inusitada repercussão por toda parte. Verificamo*lo posterior* mente ao comparecer a encon

tros sobre população em vários Estados nos últimos 15 anos.

Em 1966, três anos depois, participamos da fundação

da

BEMFAM, entidade que a si tomou o encargo da difusão de

conh.ecimentos e da pregação de comportamento em relação a adaptação da natalidade bra

sileira à economia que nos

é

possível de modo a não aumen tar sem remédio o número de

pobres do País, O assunto tornou-se assim muito conhecido do povo brasi leiro, principalmente depois da difusão da pílula PIncus naque le ano, aqui vulgarizada pela BEMFAM entre a população pobre, através de uma cente¬

DIGESTO

ECONÔMICO

clínicas

estabelecidas

to antes de um quarto de sécu

particularmente no Nordeste, além do apoio conseguido dos

lo, salvo insuspeitadas desco bertas no campo da reprodução humana, conforme anterior mente explicado, capazes de apontar acusado atalho para o fim colimado. Quem viver,

na

de

governos locais.

A título de exemplo,

um

esquema de difusão das técni

cas de controle conce-pcional foi projetado e aplicado no Rio Grande do Norte, conduzido nos 150 municípios daquele Estado pelois maiorais de cada lugar. A experiência conduziu a resul tados excepcionais. Foi depois adotado na Ásia "Rio Grande do

sob o nome Norte Con-

tract".

Em 1967, 0 número de mu lheres brasileiras que usavam pílulas era apenas 100.mil, se gundo recenseamento particularmente procedido; hoje, são 8 milhões de mulheres de um total de 27 milhões de mulheres

férteis que neste ano de 1981 integram a população brasilei ra . A queda do crescimento de

mográfico brasileiro, jâ o dis semos, tem sido acentuada. Ron

da agora, por nível inferior a 2,5% ao ano, uma queda de sete décimos de um por cento desde 1967. É um bom começo, mas o caminho a percorrer até a estabilização é longo ainda.

Não o trilharemos por comple-

DIGESTO

59

ECONÔMICO

modo a atingir e talvez ultra passar a casa ds 200 milhões de habitantes. O que importa assinalar é que não se pode pia. nejar e governar sem um alvo racional de um teto populacio nal.

verá.

Cabe reproduzir para con cluir, opinião recente do prof. Jessé Montello, presidente do IBGE, sobre a matéria que tratamos. Admite ele que a fecundidade brasileira se encontra

em procesiso cadente, buscan do mero nível de reposição o

III — Conclusão Final

Encerramos essa longa ex

posição com uma nota sobr.e o conceito de entropia o qual ten de a conduzir os habitantes da

Terra para uma situação que

já se denomina

qual alcançará lá pelo ano 2000. a menos de vinte anos de hoje. A mais elevada população por ele admitida para o Brasil ocorrerá no século XXI, e não ultrapassará 275 milhões de ha

de

Insistiremos, ainda, so

bre a bipartição da Terra em um hemisfério de povos ricos, o setentrional; e outro, parti cularmente pobre, 0 meridio

bitantes, cifra estsa pouco su perior ao nível da população americana de hoje, mais próxi ma ainda da atual população

nal.

da URSS.

jo, mais ou menos

O nível de reposição popu lacional seria atingido, segundo ele, no ano 2000. Mas, em vir tude do momento populacional disponível nos milhões de me ninas existentes no ano 2000, a

população crescerá lentamente durante alguns anos ainda, de

sociedade

frugal.

Para

ísgo,

relembramos

que 0 termo entropia, inventado em

1850, é a medida do arran

ordenado,

das partículas elementares que integram uma massa qualquer. Esse arranjo modifica-se para 0 lado da ordem pela absorção de energia externa à massa, mais frequentemente para o la do da desordem, se houver per

da de .energia. A medida

do


DIGESTO

60

arranjo particular

pode

pois

acusar acréscimo de ordem na

massa energética ou, ao con trário, maior desordem. No primeiro caso, diz-se que a en tropia da massa diminuiu; no segundo, que aumentou. A unidade de entropia sistema

de

no

medidas CGS é o

clausius, equivalente a uma ca loria por grau Kelvin.

Em

nosso

constantemente

planeta,

vê-se

aumentada

a

desordem física, isto é, sua en tropia, à medida que o equilí brio natural restante é pertur bado pela intervenção humana, avaliada pelo aumento da po pulação de homens e animais domésticos, destrutiva dos ecos sistemas naturais.

O estágio final do inevitá vel incremento entrópico temse denominado catástrofe

mal-

thusiana, feição que já se de monstra agressi^amente visível

em países como a índia, China, Bangladesh e, entre nós, qua

ECONÔMICO

DIGESTO

necessidades

da fabrica

ção.

O que chamamos "produti vidade alta” é produção de energia livre sob baixa entro pia. O país atrasado tem ten dência a produzir bens indus triais com maior dispêndioi de energia livre, isto é, sob produ

61

1981, do The Population cil, New York.

Diferença de Renda entre

te o total desarranjo das molé culas dos combustíveis, no afã de libertá-las para atendimento das

ECONÔMICO

Norte-Sul

Coun-

Entre o hemisfério Norte e

Em 1978, avaliou-se o Pro

o hemisfério Sul, como acima

duto Mundial, isto é, o fatura

relembrado, reina enorme dife

mento global dos bens produzi dos no mundo e dos serviços prestados durante um ano, pela soma de 8,5 trilhões de dólares, relativos à população de 4,2 bilhões de habitantes, medida na época. A origem desse pro

rença de riqueza e de Poder. Exemplifica-se a asserção pe las cifras a seguir transcritas de levantamento de Paul

De-

meny, publicado no Vol. 7, nú mero 2, da Population and De* velopment Review, de junho de

duto subdivide-se assim:

tividade baixa.

Malthus alegava, no princí pio do

século XIX, que o au

mento do habitante

em

Essa afirmativa tem sido deno

minada de dilema entrópico, is

elevação pia.

sob

em

População

em

Milhões

de

habitantes em

1012 us$

núme

ros crescentes tend.s a exceder aos meios de sua subsistência.

to é, pouca energia livre

Hemisférios

Renda Global

1978

Renda individual

US$ em 1978

Norte

7,0

1.200

6.000

Sul

1,5

3.000

500

8,5

4.200

MUNDO

...

Crescimento

populacional entre

1960

e

1970 (Milhões

de habitantes) 200 1.200 1.400

trilhões

desmedida da entro

Quando se esgotarem a.s atuais fontes energéticas, e passar o homem a depender, com quase exclusividade, da

energia solar, a sociedade hu

se todo 0 Nordeste.

mana se reduzirá ao que ora se batiza de sociedade frugal,

De outro lado, a produção industrial é importante forma de fixação da energia, median-

cujo volume, segundo alguns autores, não poderá ultrapassar de um bilhão de pessoas.

Verifica-se, assim, que o he misfério Sul tem quase três ve zes mais gente do que o hemis fério Norte, mas os povos que 0 habitam são doze vezes mais pobres do que aqueles.

Conclui-se do exposto que a

por uma política de queda de cidida de fertilidade, único meio à disposição da humani dade para tentar equilibrar a sociedade, ainda que a custo de certa frugalidade, o que não deixa de relembrar situação dos povos no Mundo Antigo e na

diferença cultural entre os he

Idade Média.

misférios é tal que a situação descrita só pode ser minorada

Rio de Janeiro, 25 de mar ço de 1982.


DIGESTO

60

arranjo particular

pode

pois

acusar acréscimo de ordem na

massa energética ou, ao con trário, maior desordem. No primeiro caso, diz-se que a en tropia da massa diminuiu; no segundo, que aumentou. A unidade de entropia sistema

de

no

medidas CGS é o

clausius, equivalente a uma ca loria por grau Kelvin.

Em

nosso

constantemente

planeta,

vê-se

aumentada

a

desordem física, isto é, sua en tropia, à medida que o equilí brio natural restante é pertur bado pela intervenção humana, avaliada pelo aumento da po pulação de homens e animais domésticos, destrutiva dos ecos sistemas naturais.

O estágio final do inevitá vel incremento entrópico temse denominado catástrofe

mal-

thusiana, feição que já se de monstra agressi^amente visível

em países como a índia, China, Bangladesh e, entre nós, qua

ECONÔMICO

DIGESTO

necessidades

da fabrica

ção.

O que chamamos "produti vidade alta” é produção de energia livre sob baixa entro pia. O país atrasado tem ten dência a produzir bens indus triais com maior dispêndioi de energia livre, isto é, sob produ

61

1981, do The Population cil, New York.

Diferença de Renda entre

te o total desarranjo das molé culas dos combustíveis, no afã de libertá-las para atendimento das

ECONÔMICO

Norte-Sul

Coun-

Entre o hemisfério Norte e

Em 1978, avaliou-se o Pro

o hemisfério Sul, como acima

duto Mundial, isto é, o fatura

relembrado, reina enorme dife

mento global dos bens produzi dos no mundo e dos serviços prestados durante um ano, pela soma de 8,5 trilhões de dólares, relativos à população de 4,2 bilhões de habitantes, medida na época. A origem desse pro

rença de riqueza e de Poder. Exemplifica-se a asserção pe las cifras a seguir transcritas de levantamento de Paul

De-

meny, publicado no Vol. 7, nú mero 2, da Population and De* velopment Review, de junho de

duto subdivide-se assim:

tividade baixa.

Malthus alegava, no princí pio do

século XIX, que o au

mento do habitante

em

Essa afirmativa tem sido deno

minada de dilema entrópico, is

elevação pia.

sob

em

População

em

Milhões

de

habitantes em

1012 us$

núme

ros crescentes tend.s a exceder aos meios de sua subsistência.

to é, pouca energia livre

Hemisférios

Renda Global

1978

Renda individual

US$ em 1978

Norte

7,0

1.200

6.000

Sul

1,5

3.000

500

8,5

4.200

MUNDO

...

Crescimento

populacional entre

1960

e

1970 (Milhões

de habitantes) 200 1.200 1.400

trilhões

desmedida da entro

Quando se esgotarem a.s atuais fontes energéticas, e passar o homem a depender, com quase exclusividade, da

energia solar, a sociedade hu

se todo 0 Nordeste.

mana se reduzirá ao que ora se batiza de sociedade frugal,

De outro lado, a produção industrial é importante forma de fixação da energia, median-

cujo volume, segundo alguns autores, não poderá ultrapassar de um bilhão de pessoas.

Verifica-se, assim, que o he misfério Sul tem quase três ve zes mais gente do que o hemis fério Norte, mas os povos que 0 habitam são doze vezes mais pobres do que aqueles.

Conclui-se do exposto que a

por uma política de queda de cidida de fertilidade, único meio à disposição da humani dade para tentar equilibrar a sociedade, ainda que a custo de certa frugalidade, o que não deixa de relembrar situação dos povos no Mundo Antigo e na

diferença cultural entre os he

Idade Média.

misférios é tal que a situação descrita só pode ser minorada

Rio de Janeiro, 25 de mar ço de 1982.


DIGESTO

62

ECONÔMICO

DIGESTO

ECONÔMICO

63

ANEXO

Os dez grandes problemas atuais do mundo segundo o Clube de Roma

DECRÉSCIMO E ACRÉSCIMO POPULACIONAL SEGUNDO

São eles, tais problemas, segundo sua importância relativa,

segundo o Clube de Roma:

Rop Fod

INEP-PARIS

da

Alomaoh.

>3

Lu xoreburgo

Sulç« I

1 — Explosão demográfica;

I

HoU&dt

t

AusUu o;

2 — Ausência de plano para atender aos problemas de po breza da quarta parte da humanidade;

<

Suecià I

3

Dlu«marc«

Finldodla

3 — Abuso na utilização dos quatro sistemas biológicos que sustentam a humanidade: terras de cultivo; pastagens; florestas e fauna oceânica;

ú; Râi

Uaido

<

Q K

Bdiçu Noruog* Rop Daiu

4 — Crise da economia mundial sob a influência de desordem

monetária e financeira, inflação, desemprego e esgota mento das fontes energéticas;

5 — Despesas militares mundiais crescentes; 6 — Males sociais em expansão como consumo de drogas, violência e terrorismo;

Fr«Dça

Itália PI m;:

KuQgría

i

I

I

YugoiIaVu N I

Bulgicia

t O I

PoIôdm

O < I I

Is l4&dl4

3 I (

O

Grecu I

7 — Desenvolvimento técnico incompleto, anárquico e de mau rendimento;

8 — Esclerose progressiva das instituições políticas e admi nistrativas;

I

Tcb^coolovàquia

O I I

URSS I

Postugal

O X Z ><

♦

Rümânia I

Eapaoha |.i I

Irlanda I

9 — Dois confrontos internacionais graves; o de Leste-Oeste e o de Norte-Sul;

10 — Particular pobreza de líderes e de liderança para bem gerir os negócios do mundo.

0

s


DIGESTO

62

ECONÔMICO

DIGESTO

ECONÔMICO

63

ANEXO

Os dez grandes problemas atuais do mundo segundo o Clube de Roma

DECRÉSCIMO E ACRÉSCIMO POPULACIONAL SEGUNDO

São eles, tais problemas, segundo sua importância relativa,

segundo o Clube de Roma:

Rop Fod

INEP-PARIS

da

Alomaoh.

>3

Lu xoreburgo

Sulç« I

1 — Explosão demográfica;

I

HoU&dt

t

AusUu o;

2 — Ausência de plano para atender aos problemas de po breza da quarta parte da humanidade;

<

Suecià I

3

Dlu«marc«

Finldodla

3 — Abuso na utilização dos quatro sistemas biológicos que sustentam a humanidade: terras de cultivo; pastagens; florestas e fauna oceânica;

ú; Râi

Uaido

<

Q K

Bdiçu Noruog* Rop Daiu

4 — Crise da economia mundial sob a influência de desordem

monetária e financeira, inflação, desemprego e esgota mento das fontes energéticas;

5 — Despesas militares mundiais crescentes; 6 — Males sociais em expansão como consumo de drogas, violência e terrorismo;

Fr«Dça

Itália PI m;:

KuQgría

i

I

I

YugoiIaVu N I

Bulgicia

t O I

PoIôdm

O < I I

Is l4&dl4

3 I (

O

Grecu I

7 — Desenvolvimento técnico incompleto, anárquico e de mau rendimento;

8 — Esclerose progressiva das instituições políticas e admi nistrativas;

I

Tcb^coolovàquia

O I I

URSS I

Postugal

O X Z ><

♦

Rümânia I

Eapaoha |.i I

Irlanda I

9 — Dois confrontos internacionais graves; o de Leste-Oeste e o de Norte-Sul;

10 — Particular pobreza de líderes e de liderança para bem gerir os negócios do mundo.

0

s


João Paulo II

Líder pontificai

o fenômeno Woityla não cessa de surpreender, e as visitas do soberano pontífice a diversos países

do planeta indicam claramente um estilo nOvo, atrás da

qual se percebe iguafmente uma certa

idéia da posição da igreja nó mundo contemporâneo. Thomas Moinar

p

Fiquemos, portanto, com a liderança, e observemos inicial mente que existem duas espé

zir: é incumbido de sondar a

Na minha opinião, as viagens

opinião dos membros de seu grupo, de extrair daí uma espé

do papa explicam-se por duas considerações, uma de técnica pastoral, outra de política reli giosa. Num século em que mes mo sem querer as “midia” fa

cie de

soma

ou

consenso, de

cies dela em nosso declinante fim do meio século: o do “secre-

modo que, em seguida, só lhes

tário-geral’' dos partidos,

proponha

mo

vimentos. sindicatos e burocra cias totalitárias: e o do “leader”

o

que esperam, em

vez de ditar ou impor uma von tade pessoal.

de tamanho poder que a perso nagem do secretário-geral é frequentemente aureolada de um verdadeiro culto da perso nalidade.

em Contradição

com

seu anonimato oficial. 0 segun. do em verdade não é líder pois se lhe inculca (notadamente nos Estados Unidos) o hábi

to

de

“seguir”

para

condu¬

zem

um

mens

e

biombo

entre

os

ho

para ser “pastoral”; quer dizer, tranquilizador, mediador, fonte de bondade e verdade. As mul

tidões que vêm ver e aclamar 0 pontífice recuperam-se na ca ridade do Cristo e de um certo modo revivem o Evangelho, o

o poder e o público, ou, final

que seria impossível diante da televisão. O próprio Henri Fes-

claro que o papa atual

mente, entre o mundo e nós —

quet admite que nos seus múl

não segue nem um nem outro destes dois métodos. Ele não

pois isso pertence à natureza simplificadora e sensacionalista dos meios de comunicação —,

tiplos contatos com a humani dade inquieta, o papa não perde

torna-se

absolutamente

que ele não usa esse mistério

pensável

estar presente para

democrata. O primeiro dissimu la sob seu título modesto o foco

O autor é professor nos Estados Unidos.

É

propõe uma utopia politicoideológica, como o faz o secre tário-geral, em nome da qual sacrifica-se liberdade, digni dade e vidas; e age a serviço de uma verdade divina não su

jeita ao consenso e à delibera ção cotidiana dos participantes.

os

acontecimentos,

indis

nada do mistério que o envolve; ao

se

expor.

‘Mediatizar”

a

ver e mostrar-se: fazer-se tan

Verdade é evidentemente dife¬

gível, direto, comunicativo, e, no mais amplo sentido da pa lavra, quando se trata do papa.

rente do que “representar” o ideal ou o interesse provisório de um Partido.


João Paulo II

Líder pontificai

o fenômeno Woityla não cessa de surpreender, e as visitas do soberano pontífice a diversos países

do planeta indicam claramente um estilo nOvo, atrás da

qual se percebe iguafmente uma certa

idéia da posição da igreja nó mundo contemporâneo. Thomas Moinar

p

Fiquemos, portanto, com a liderança, e observemos inicial mente que existem duas espé

zir: é incumbido de sondar a

Na minha opinião, as viagens

opinião dos membros de seu grupo, de extrair daí uma espé

do papa explicam-se por duas considerações, uma de técnica pastoral, outra de política reli giosa. Num século em que mes mo sem querer as “midia” fa

cie de

soma

ou

consenso, de

cies dela em nosso declinante fim do meio século: o do “secre-

modo que, em seguida, só lhes

tário-geral’' dos partidos,

proponha

mo

vimentos. sindicatos e burocra cias totalitárias: e o do “leader”

o

que esperam, em

vez de ditar ou impor uma von tade pessoal.

de tamanho poder que a perso nagem do secretário-geral é frequentemente aureolada de um verdadeiro culto da perso nalidade.

em Contradição

com

seu anonimato oficial. 0 segun. do em verdade não é líder pois se lhe inculca (notadamente nos Estados Unidos) o hábi

to

de

“seguir”

para

condu¬

zem

um

mens

e

biombo

entre

os

ho

para ser “pastoral”; quer dizer, tranquilizador, mediador, fonte de bondade e verdade. As mul

tidões que vêm ver e aclamar 0 pontífice recuperam-se na ca ridade do Cristo e de um certo modo revivem o Evangelho, o

o poder e o público, ou, final

que seria impossível diante da televisão. O próprio Henri Fes-

claro que o papa atual

mente, entre o mundo e nós —

quet admite que nos seus múl

não segue nem um nem outro destes dois métodos. Ele não

pois isso pertence à natureza simplificadora e sensacionalista dos meios de comunicação —,

tiplos contatos com a humani dade inquieta, o papa não perde

torna-se

absolutamente

que ele não usa esse mistério

pensável

estar presente para

democrata. O primeiro dissimu la sob seu título modesto o foco

O autor é professor nos Estados Unidos.

É

propõe uma utopia politicoideológica, como o faz o secre tário-geral, em nome da qual sacrifica-se liberdade, digni dade e vidas; e age a serviço de uma verdade divina não su

jeita ao consenso e à delibera ção cotidiana dos participantes.

os

acontecimentos,

indis

nada do mistério que o envolve; ao

se

expor.

‘Mediatizar”

a

ver e mostrar-se: fazer-se tan

Verdade é evidentemente dife¬

gível, direto, comunicativo, e, no mais amplo sentido da pa lavra, quando se trata do papa.

rente do que “representar” o ideal ou o interesse provisório de um Partido.


66

DIGESTO

A segunda motivação do papa é, parece-me, de ordem política. Os reis de França, e não somente os de França, ti nham

a hábito de se deslocar

com frequência para verificar

“de visu” como iam as coisas, limitar sem mediação o poder dos barões e outros feudais, e, por este ato concreto de gover no, proteger as populações. No estado em que se encontra atualmente a Igreja — estado quase-feudal em que os bisposbarões desafiam a Roma e onde os secretários-gerais dos conse lhos episcopais conduzem os

negócios como bem lhes parece

0

— o único modo de reconduzir a seu centro o governo da Igre

ja, é ir ver; fazer contrapeso; admoestar pessoalmente; res tabelecer as relações

com

os

fiéis; encarnar, novamente, o

Cristo, se me permitem dizê-lo.

Em resumo, em nosso universo saturado de palavras, de ima gens, de slogans e outras abs trações, foi preciso mostrar o concreto para reencontrar d

real. Retomar as rédeas do go verno.

Voltar

a ser

monarca

frente a tudo e contra tudo, no seio de uma democracia anár

quica e já poluente.

ECONÔMICO

É aqui no entanto que se infiltra nas viagens pontificais, uma espécie de ambiguidade—, ambigüidade, segundo penso, desejada, e talvez mesmo im posta ao papa no extraordiná rio esforço por ele desenvolvido de restaurar a ordem, oU de atingir uma nova ordem. É ver dade que João Paulo II admo esta, por toda parte, episcopado, clérigo e teólogos; deve ser seu objetivo principal, embora sem ilusões excessivas. Mas pelo próprio caráter de sua pre

sença, de suas conversas, de seus discursos, de seus gestos, o papa se dirige sobretudo às massas de fiéis, entre os quais provoca freqüentemente rea ções “medievais”. No Brasil grita-se: “Tu és o nosso rei!” Apresentam-lhe petições (notadamente os índios de Manaus). Apresentam queixas dos abusos dos funcionários do governo. Estas coisas acontecem no Bra

sil (no México o papa era ainda demasiado “novo” para tornar-

se significativo), mas também acontecem na Polônia, embora é claro, tacitamente. Todas estas manifestações públicas, e a atitude do papa a esse respeito, foram interpre.

DIGESTO

67

ECONÔMICO

tadas pela imprensa progressis ta como outras tantas provas do favor pontificai em relação ao episcopado e ao clero "en gajados”. Convém aqui ser pru dente. A nível superficial po-

der-se-ia dizer que João Paulo II continua a obra de recupe ração dos operários e dos tra balhadores rurais em “países de missão”, e que ele acrescenta a estas duas categorias já an tigas, as novas, das minorias e dos marginais. Pode-se pen sar igualmente que jogando com a ambigüidade de sua si tuação de chefe espiritual con vidado pelos governos vigentes, 0 papa se conduz como “sub versivo

seus

da

apelos

ordem

reinante”:

a favor

de

uma

“sociedade justa”, sua indigna ção em relação aos ricos en quanto só ricos, seus atos, como a doação do anel pontificai à favela do Rio, que se pode cer tamente interpretar segundo o espírito do Evangelho, apare cem

a

um

mundo

tal

como

é

Pois, 0 que vão fazer bispos e ministros, no Brasil, após a partida do papa? Os primeiros se proclamarão justificados, en corajados, os segundos, sentirse-ão repreendidos, julgados. Um conselheiro da presidência não declarou que a imensa e inesperada afluência das mas sas já modificou de imediato as relações de força, no Brasil, entre a Igreja e o EstadO:? Todo 0 mundo compreende que é em favor

dos Arns e dos Helder

Câmara; em favor também do castro-allendismo,

mais

ativo

atualmente do que nunca. E isto apesar de todos os discursos pontificais, em que João Paulo reafirma

o

ensinamento

da

Igreja: nada de substituição clerical aos poderes temporais legítimos, respeito às atribui ções dos homens públicos, con denação da luta de homens de Igreja pelo poder. Releva-se entretanto esta meia-frase: “A

Igreja tem como objetivo o homem

na

sua

dimensão

trans-

cendental, mas também no con

(e tal como é obstinada e du

texto concreto de sua situação

radouramente) como suprema aprovação concedida à revolta, quando não à teologia da liber tação.

histórica contemporânea”. Parece-me que a partir

— do “mas”, a frase é uma extrapo lação do princípio inicial, que


66

DIGESTO

A segunda motivação do papa é, parece-me, de ordem política. Os reis de França, e não somente os de França, ti nham

a hábito de se deslocar

com frequência para verificar

“de visu” como iam as coisas, limitar sem mediação o poder dos barões e outros feudais, e, por este ato concreto de gover no, proteger as populações. No estado em que se encontra atualmente a Igreja — estado quase-feudal em que os bisposbarões desafiam a Roma e onde os secretários-gerais dos conse lhos episcopais conduzem os

negócios como bem lhes parece

0

— o único modo de reconduzir a seu centro o governo da Igre

ja, é ir ver; fazer contrapeso; admoestar pessoalmente; res tabelecer as relações

com

os

fiéis; encarnar, novamente, o

Cristo, se me permitem dizê-lo.

Em resumo, em nosso universo saturado de palavras, de ima gens, de slogans e outras abs trações, foi preciso mostrar o concreto para reencontrar d

real. Retomar as rédeas do go verno.

Voltar

a ser

monarca

frente a tudo e contra tudo, no seio de uma democracia anár

quica e já poluente.

ECONÔMICO

É aqui no entanto que se infiltra nas viagens pontificais, uma espécie de ambiguidade—, ambigüidade, segundo penso, desejada, e talvez mesmo im posta ao papa no extraordiná rio esforço por ele desenvolvido de restaurar a ordem, oU de atingir uma nova ordem. É ver dade que João Paulo II admo esta, por toda parte, episcopado, clérigo e teólogos; deve ser seu objetivo principal, embora sem ilusões excessivas. Mas pelo próprio caráter de sua pre

sença, de suas conversas, de seus discursos, de seus gestos, o papa se dirige sobretudo às massas de fiéis, entre os quais provoca freqüentemente rea ções “medievais”. No Brasil grita-se: “Tu és o nosso rei!” Apresentam-lhe petições (notadamente os índios de Manaus). Apresentam queixas dos abusos dos funcionários do governo. Estas coisas acontecem no Bra

sil (no México o papa era ainda demasiado “novo” para tornar-

se significativo), mas também acontecem na Polônia, embora é claro, tacitamente. Todas estas manifestações públicas, e a atitude do papa a esse respeito, foram interpre.

DIGESTO

67

ECONÔMICO

tadas pela imprensa progressis ta como outras tantas provas do favor pontificai em relação ao episcopado e ao clero "en gajados”. Convém aqui ser pru dente. A nível superficial po-

der-se-ia dizer que João Paulo II continua a obra de recupe ração dos operários e dos tra balhadores rurais em “países de missão”, e que ele acrescenta a estas duas categorias já an tigas, as novas, das minorias e dos marginais. Pode-se pen sar igualmente que jogando com a ambigüidade de sua si tuação de chefe espiritual con vidado pelos governos vigentes, 0 papa se conduz como “sub versivo

seus

da

apelos

ordem

reinante”:

a favor

de

uma

“sociedade justa”, sua indigna ção em relação aos ricos en quanto só ricos, seus atos, como a doação do anel pontificai à favela do Rio, que se pode cer tamente interpretar segundo o espírito do Evangelho, apare cem

a

um

mundo

tal

como

é

Pois, 0 que vão fazer bispos e ministros, no Brasil, após a partida do papa? Os primeiros se proclamarão justificados, en corajados, os segundos, sentirse-ão repreendidos, julgados. Um conselheiro da presidência não declarou que a imensa e inesperada afluência das mas sas já modificou de imediato as relações de força, no Brasil, entre a Igreja e o EstadO:? Todo 0 mundo compreende que é em favor

dos Arns e dos Helder

Câmara; em favor também do castro-allendismo,

mais

ativo

atualmente do que nunca. E isto apesar de todos os discursos pontificais, em que João Paulo reafirma

o

ensinamento

da

Igreja: nada de substituição clerical aos poderes temporais legítimos, respeito às atribui ções dos homens públicos, con denação da luta de homens de Igreja pelo poder. Releva-se entretanto esta meia-frase: “A

Igreja tem como objetivo o homem

na

sua

dimensão

trans-

cendental, mas também no con

(e tal como é obstinada e du

texto concreto de sua situação

radouramente) como suprema aprovação concedida à revolta, quando não à teologia da liber tação.

histórica contemporânea”. Parece-me que a partir

— do “mas”, a frase é uma extrapo lação do princípio inicial, que


68

DIGESTO

alguns não deixarão de inter pretar a seu proveito.

ECONÔMICO

de uma aposentadoria hiperantecipada, seja de uma televisão a cores.

●Y*

“Se vocês têm o direito de

Ao lado da "política”, Joãoi Paulo consagra igualmentetem

po à “cultura” que ele define, notadamente diante da UNES

CO, como a própria substância de uma nação, o que a faz vi ver e lhe dá sua verdadeira identidade. Definição admirá vel com efeito: o que dá à nação seu “ímpeto”, seus sobres saltos na crise (veja-se a Hun

gria de 1956),

dade

profunda,

sua personali

sua

língua,

sua literatura, a arte e os sím

bolos, os poemas e os cantos, a lembrança da glória e da hu milhação, os grandes homens

do passado e os grandes pro jetos do devir. Sobre tudo isso, o

papa

polonês

sabe

muito.

Pergunta-se no entanto se a pa lavra “cultura” não é automa ticamente interpretada em nos sos dias como acesso universal ao consumo e ao lazer, e à me canização de um e de outro. Assim, 0 que a multidão e seus manipuladores puderam reter das palavras do papa, é a rei vindicação, seja de uma quinta

semana dei férias pagas, seja

dizer sua palavra sobre a ati vidade econômica e industrial, declara o papa aos trabalhado res de São Paulo, vocês tam bém têm 0 dever de orientá-la

segundo as exigências da lei moral que é justiça, dignidade, amor”. Tem-se o direito de per guntar se os operários e os sin dicatos que os enquadram, coimpreendem “justiça, dignidade, amor” com tanto empenho quan to

“atividade

econômica

e

in

dustrial”. O desequilíbrio ideo lógico da época falseia o sen tido das palavras e faz escor regar sobre seu significado pro fundo, até os assessores do so berano pontífice. É sentida a interpretação política favorável, pouco importando o conteúdo evangélico... Tudo estaria acontecendo como se, na trilha da encícli-

ca “Populorum progressio” de Paulo VI, o pontífice atual se pronunciasse, ele também, a favor

do

famoso

“cambio

de

estructuras” que se traduz aos nossos olhos como revolução

DIGESTO

69

ECONÔMICO

sangrenta na Nicarágua, em Salvador e em outros lugares. Nesta visão de coisas, a vio lência verdadeira

está do lado

das instituições, não passando, a da rua, de uma contraviolência, legitimada em conse quência. João Paulo n conde na, é claro, em numerosas oca siões a teologia da libertação, 0 modelo ideológico que ela propõe, e a luta de classes que dela decorre segundo o esque ma marxista; mas, como o observa o correspondente do "Monde”, ele não parece que rer

estabelecer

um

curto-cir

cuito nas conferências episco pais que atuam em cada paás. O que resulta, de fato, em caucionar essa política e sua ideo logia de destruição. Quando o rei se afasta, os senhores feu dais retomam as coisas em suas mãos.

a menos que o papa não a de sencoraje expressamente, a fun sociaisdação de partidos transcendentalistas”, em subs

tituição

das

formações

cristãs-democratas

e

ditas

cristas-

sociais da América Latina. É conhecido o de que puderam

servir estes partidos na França (MRP), no Chile, na Nicarágua, etc.; batedores do allendismo, do sandinismo, e de outras ca tástrofes nacionais.

0 mesmo

destino teriam os partidos que

se procurassem organizar em torno das palavras pontificais. Mas

0

método

de

João

Paulo n não é tão fácil de se

fixar; suas vtóitas oferecem ainda outro aspecto, talvez de alcance imenso para o conjunto da Igreja. Está absolutamente fora de dúvida que o papa se

empenhou na obra hercúlea de neutralizar a ideologia reinan

te, feita de dialética materia lista, de luta de classes, de utoEis um aspecto do método de João Paulo n, aspecto im portante e, de algum modo, inquietante. Poder-se-ia dizer que a transcendência encontra-se aí

imanentizada, e mais exata mente, socializada. A tentação será grande, nos anos que vêm.

pismo. Ora, sem opor sábias disputas

à doutrina marxista

nem à doutrina liberal, mostra

sua fragilidade e inadequação radical, ou seja a ausência nela, de qualquer fundamento na na tureza humana. Sucessiva e in

cansavelmente, na Europa e na


68

DIGESTO

alguns não deixarão de inter pretar a seu proveito.

ECONÔMICO

de uma aposentadoria hiperantecipada, seja de uma televisão a cores.

●Y*

“Se vocês têm o direito de

Ao lado da "política”, Joãoi Paulo consagra igualmentetem

po à “cultura” que ele define, notadamente diante da UNES

CO, como a própria substância de uma nação, o que a faz vi ver e lhe dá sua verdadeira identidade. Definição admirá vel com efeito: o que dá à nação seu “ímpeto”, seus sobres saltos na crise (veja-se a Hun

gria de 1956),

dade

profunda,

sua personali

sua

língua,

sua literatura, a arte e os sím

bolos, os poemas e os cantos, a lembrança da glória e da hu milhação, os grandes homens

do passado e os grandes pro jetos do devir. Sobre tudo isso, o

papa

polonês

sabe

muito.

Pergunta-se no entanto se a pa lavra “cultura” não é automa ticamente interpretada em nos sos dias como acesso universal ao consumo e ao lazer, e à me canização de um e de outro. Assim, 0 que a multidão e seus manipuladores puderam reter das palavras do papa, é a rei vindicação, seja de uma quinta

semana dei férias pagas, seja

dizer sua palavra sobre a ati vidade econômica e industrial, declara o papa aos trabalhado res de São Paulo, vocês tam bém têm 0 dever de orientá-la

segundo as exigências da lei moral que é justiça, dignidade, amor”. Tem-se o direito de per guntar se os operários e os sin dicatos que os enquadram, coimpreendem “justiça, dignidade, amor” com tanto empenho quan to

“atividade

econômica

e

in

dustrial”. O desequilíbrio ideo lógico da época falseia o sen tido das palavras e faz escor regar sobre seu significado pro fundo, até os assessores do so berano pontífice. É sentida a interpretação política favorável, pouco importando o conteúdo evangélico... Tudo estaria acontecendo como se, na trilha da encícli-

ca “Populorum progressio” de Paulo VI, o pontífice atual se pronunciasse, ele também, a favor

do

famoso

“cambio

de

estructuras” que se traduz aos nossos olhos como revolução

DIGESTO

69

ECONÔMICO

sangrenta na Nicarágua, em Salvador e em outros lugares. Nesta visão de coisas, a vio lência verdadeira

está do lado

das instituições, não passando, a da rua, de uma contraviolência, legitimada em conse quência. João Paulo n conde na, é claro, em numerosas oca siões a teologia da libertação, 0 modelo ideológico que ela propõe, e a luta de classes que dela decorre segundo o esque ma marxista; mas, como o observa o correspondente do "Monde”, ele não parece que rer

estabelecer

um

curto-cir

cuito nas conferências episco pais que atuam em cada paás. O que resulta, de fato, em caucionar essa política e sua ideo logia de destruição. Quando o rei se afasta, os senhores feu dais retomam as coisas em suas mãos.

a menos que o papa não a de sencoraje expressamente, a fun sociaisdação de partidos transcendentalistas”, em subs

tituição

das

formações

cristãs-democratas

e

ditas

cristas-

sociais da América Latina. É conhecido o de que puderam

servir estes partidos na França (MRP), no Chile, na Nicarágua, etc.; batedores do allendismo, do sandinismo, e de outras ca tástrofes nacionais.

0 mesmo

destino teriam os partidos que

se procurassem organizar em torno das palavras pontificais. Mas

0

método

de

João

Paulo n não é tão fácil de se

fixar; suas vtóitas oferecem ainda outro aspecto, talvez de alcance imenso para o conjunto da Igreja. Está absolutamente fora de dúvida que o papa se

empenhou na obra hercúlea de neutralizar a ideologia reinan

te, feita de dialética materia lista, de luta de classes, de utoEis um aspecto do método de João Paulo n, aspecto im portante e, de algum modo, inquietante. Poder-se-ia dizer que a transcendência encontra-se aí

imanentizada, e mais exata mente, socializada. A tentação será grande, nos anos que vêm.

pismo. Ora, sem opor sábias disputas

à doutrina marxista

nem à doutrina liberal, mostra

sua fragilidade e inadequação radical, ou seja a ausência nela, de qualquer fundamento na na tureza humana. Sucessiva e in

cansavelmente, na Europa e na


70

DIGESTO

América, ele relembra o nasci mento cristão das nações, as exigências da unidade no bem comum, a colaboração das di versas vocações humanas, o direito dos pais, o serviço aos necessitados, a necessidade so cial da autoridade, a legitimi

dade do poder político indepen dente do poder espiritual, enfim a dimensão transcendente do homem que, menosprezada ou a,penas negligenciada, faz de nós brutos infra-humanos. São

verdades antigas, mas o papa as reitera do alto de sua posi ção que é literalmente univer

ECONÔMICO

usada com estudantes; lingua gem que de certo modo não ig nora ideologias mas as absorve, reduzindo-as a estado de cons

truções mesquinhas, ansiosas de verdade na má direção. A equação do papa, ainda em Belo Horizonte, sobre o "envelheci mento” do jovem cristão quan do adere às ideologias, sua ad vertência de que a sociedade sem classes cria imediatamente

novas

classes,

sua

afirmação

de que só o amor aproxima o que é diferente, e que é a única revolução que não trai o ho mem

●, eis encarnada

uma

mensagem

DIGESTO

71

ECONÔMICO

do este último termo com duas

noções esquecidas, das quais ao mesmo tempo ele promove a reabilitação: as de "nação” e “cultura".

São

admiráveis

os

novos

perfis que ele recorta da vida material e espiritual dos ho mens de hoje, estes famosos homens modernos tão conforta velmente estabelecidos em suas

idéias recebidas, nas suas con vicções inculcadas pelo jornal da manhã e pela tela da noite. Será ele um novo Lamennais que pretendería realizar a alian

logia, embora esteja na moda, nos meios progressistas, falar

ça da Igreja e do povo? Sim, há um pouco disso no método de João Paulo II. No entanto, um século e meio após Lamen nais, não é mais o mesmo povo, e não é mais o mesmo papa. O “povo” retorna de muitas ilu sões, e todos aqueles que o en quadram já não são ideólogos desvairados. O populismo, em resumo, sob diversas etiquetas, amadureceu, e a Igreja de João Paulo II mostra-se pronta a co-

do cristianismo como de uma

optar com ele.

era o único a me revelar seu

“ideologia” entre outras. Ele crê que o tempo está maduro

verdadeiro conteúdo e

seu va

para aquilo que acabo de des

lor; quis defendê-los com Ele”. Eis uma linguagem ainda não

crever como fusão do transcen

precisamente: no espírito do papa não se trata aqui do “po vo” enquanto classes sociais an tagônicas, mas da humanidade organizada em sociedades, e

sal,

nenhum

homem público

podendo atualmente aproximar, se do seu imenso prestígio.

É aqui que reside o segredo de seu “estilo”, esta "fusão do

transcendente e do popular”, inédita até hoje, com a exceção de alguns santos. Aos estudan tes de Belo Horizonte ele re

corda seu próprio passado de estudante, quando

confrontava

suas convicções de justiça so cial com a mensagem de Jesus Cristo: "Compreendí que Ele

que torna desde agora caducas as idéias falsas sobre o homem e sobre a socie

dade. Repetir isso de Varsóvia a Curitiba, do Kinshasa à UNESCO, é levar a tocha purificadora a todos os recantos da

ideologia que devora a huma nidade.

João Paulo n não tem ideo

dente e do popular, enriquecen-

Falando mais

principalmente do fermento ca tólico. O papa parece, persua dido de que as ideologias che garam a um ponto de desgaste suficiente e que é o momento de adiantar a sabedoria do Evan

gelho coma ponto de união. É, em verdade, um risco a correr, embora não haja, pro vavelmente, "alternativa”. Um risco e até mesmo dois. — O primeiro, que acima considera mos, é 0 de trazer reforços à causa socialista, sempre mar xista de certo modo. No entan

to, como João Paulo II repele conjuntamente o marxismo e o capitalismo (e nisto ele tem ra zão), não lhe resta, de fato, nas perspectivas em que ele se co

loca, senão explorar um certo "socialismo”, através do qual pretende fazer passar muita

coisa da mensagem cristã. O perigo, aqui evidente, é o de uma politização da Igreja à qual 0 papa empresta seu prestígio inatacável. — O segundo risco, nós também já o mencionamos, é esta socialização da trans

cendência pela qual João Paulo n chegaria ao conceito obscuro de Teilhard sobre a "hominiza-

ção” do homem, enquanto espe ra sua "divinização”. Este peri-


70

DIGESTO

América, ele relembra o nasci mento cristão das nações, as exigências da unidade no bem comum, a colaboração das di versas vocações humanas, o direito dos pais, o serviço aos necessitados, a necessidade so cial da autoridade, a legitimi

dade do poder político indepen dente do poder espiritual, enfim a dimensão transcendente do homem que, menosprezada ou a,penas negligenciada, faz de nós brutos infra-humanos. São

verdades antigas, mas o papa as reitera do alto de sua posi ção que é literalmente univer

ECONÔMICO

usada com estudantes; lingua gem que de certo modo não ig nora ideologias mas as absorve, reduzindo-as a estado de cons

truções mesquinhas, ansiosas de verdade na má direção. A equação do papa, ainda em Belo Horizonte, sobre o "envelheci mento” do jovem cristão quan do adere às ideologias, sua ad vertência de que a sociedade sem classes cria imediatamente

novas

classes,

sua

afirmação

de que só o amor aproxima o que é diferente, e que é a única revolução que não trai o ho mem

●, eis encarnada

uma

mensagem

DIGESTO

71

ECONÔMICO

do este último termo com duas

noções esquecidas, das quais ao mesmo tempo ele promove a reabilitação: as de "nação” e “cultura".

São

admiráveis

os

novos

perfis que ele recorta da vida material e espiritual dos ho mens de hoje, estes famosos homens modernos tão conforta velmente estabelecidos em suas

idéias recebidas, nas suas con vicções inculcadas pelo jornal da manhã e pela tela da noite. Será ele um novo Lamennais que pretendería realizar a alian

logia, embora esteja na moda, nos meios progressistas, falar

ça da Igreja e do povo? Sim, há um pouco disso no método de João Paulo II. No entanto, um século e meio após Lamen nais, não é mais o mesmo povo, e não é mais o mesmo papa. O “povo” retorna de muitas ilu sões, e todos aqueles que o en quadram já não são ideólogos desvairados. O populismo, em resumo, sob diversas etiquetas, amadureceu, e a Igreja de João Paulo II mostra-se pronta a co-

do cristianismo como de uma

optar com ele.

era o único a me revelar seu

“ideologia” entre outras. Ele crê que o tempo está maduro

verdadeiro conteúdo e

seu va

para aquilo que acabo de des

lor; quis defendê-los com Ele”. Eis uma linguagem ainda não

crever como fusão do transcen

precisamente: no espírito do papa não se trata aqui do “po vo” enquanto classes sociais an tagônicas, mas da humanidade organizada em sociedades, e

sal,

nenhum

homem público

podendo atualmente aproximar, se do seu imenso prestígio.

É aqui que reside o segredo de seu “estilo”, esta "fusão do

transcendente e do popular”, inédita até hoje, com a exceção de alguns santos. Aos estudan tes de Belo Horizonte ele re

corda seu próprio passado de estudante, quando

confrontava

suas convicções de justiça so cial com a mensagem de Jesus Cristo: "Compreendí que Ele

que torna desde agora caducas as idéias falsas sobre o homem e sobre a socie

dade. Repetir isso de Varsóvia a Curitiba, do Kinshasa à UNESCO, é levar a tocha purificadora a todos os recantos da

ideologia que devora a huma nidade.

João Paulo n não tem ideo

dente e do popular, enriquecen-

Falando mais

principalmente do fermento ca tólico. O papa parece, persua dido de que as ideologias che garam a um ponto de desgaste suficiente e que é o momento de adiantar a sabedoria do Evan

gelho coma ponto de união. É, em verdade, um risco a correr, embora não haja, pro vavelmente, "alternativa”. Um risco e até mesmo dois. — O primeiro, que acima considera mos, é 0 de trazer reforços à causa socialista, sempre mar xista de certo modo. No entan

to, como João Paulo II repele conjuntamente o marxismo e o capitalismo (e nisto ele tem ra zão), não lhe resta, de fato, nas perspectivas em que ele se co

loca, senão explorar um certo "socialismo”, através do qual pretende fazer passar muita

coisa da mensagem cristã. O perigo, aqui evidente, é o de uma politização da Igreja à qual 0 papa empresta seu prestígio inatacável. — O segundo risco, nós também já o mencionamos, é esta socialização da trans

cendência pela qual João Paulo n chegaria ao conceito obscuro de Teilhard sobre a "hominiza-

ção” do homem, enquanto espe ra sua "divinização”. Este peri-


72

go se

DIGESTO

torna maior tendo em

vista que, como as massas, os filósofos também crêem no fim da transcendência... Deus está

morto, ensina Nietzsche, e Heidegger acrescenta que a me tafísica a ele se juntou em seu túmulo. Espaço portanto para a utopia, para a fraternidade uni versal, para os amanhãs que cantam e o socialismo de rosto humano.

9

Não há dúvida de que o pa pa sabe tudo isso, e também que, por temperamento, ele gos ta dos riscos a correr, confian do na promessa do Cristo de manter a Igreja no caminho da Verdade. Cabe portanto esperar

ECONÔMICO

desenvolvimentos nos quais o conservadorismo e o integrismo, não menos que o progressismo, terão ocasião de espan tar-se, ou seja, de não compre ender mais nada. Acreditamos, de nosso lado, que a mistura de alta espiritualidade e de “populismo” do melhor quilate, pode constituir uma fonte de inspi ração não somente para o pon tífice, mas para todos quantos

Os efeitos da falência sobre a

alienação fiduciária

queiram ajudá-lo em suas tare fas. Nosso mundo está corrom Amoldo Wald

pido por idéias falsas e pelos malandros. Só um ato de cora

gem

espiritual — o papa nos

dá a cada dia o modelo e o mé

Oportuno estudo sobre

todo — é capaz de redimi-lo.

tema sempre debatido.

substituíssem es

na hora do cruzamento, Havia moldes de três formas diferentes: cubos, semiesferas e um semelhante à concha das fêmeas adultas. Os moldes tinham lTês cores diferentes: preto, cinza e

guejos escolheríam para o acasalamento. Os machos preferiram claramente os moldes com a mesma forma de uma fêmea caranguejo e, depois, as semiesferas aos cubos. Mas não ficou claro ee a escolha foi feita ati^nrès do tato. da visão ou de ambos. Houve, entretanto, outra evidência da impor

tância da visão.

Os machos foram

atraídos mais frequentemente pelos

moldes pretos e, em segundo lugar, pelos de cor ctnza, tons que mais se parecem com a concha da fêmea da espécie. Os pesquisadores concluiram que a visão desempenha um papel específico no comportamento do ifmülo durante o acasalamento, embora outros sentidos também possam estar envol vidos na ação. O relatório foi publicado na edição de 4 de março do jornal Nature.

(JB)

da Facufdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro.

fêmeas

branco. As falsas fêmeas foram distribuídas ao acaso abaixo da. linha da maré alta e cuidadosamente observadas durante oito maxés altas — quatro durante a noite e quatro durante o dia — para ver quais delas os caran

O autor é

professor catedrático

(Conclusão da página 13) Cap Cod para construir seus ninhos. Mas os machos são mais numerosos cjue as fêmeas e os cientistas colocariam diversos moldes de cimento que

1. O Decreto-lei n.o 911, de 1.10.1969, equiparou o deve

ções, OS tribunais reconheceram

dor

ma, frisando, todavia, sempre

ou

alienante

fiduciário

ao

depositário para o fim exclusivo de admitir, no seu art. 4.o, a conversão

da

busca

e apreen

são em ação de depósito. Tra ta-se de uma norma excepcional que amplia a responsabilidade

do devedor que, para este fim, passa a ser considerado depo sitário. Após algumas hesita-

a constitucionalidade dessa nor

que a sua interpretação devia ser

declaratória

ou restritiva,

por ser a prisão do depositário

uma exceção ao princípio geral constitucional, que não admite

a prisão por dívida (art. 153 § 17), inspirando-se de uma tra dição

do

direito

vem da Lei Petélia.

romano que


72

go se

DIGESTO

torna maior tendo em

vista que, como as massas, os filósofos também crêem no fim da transcendência... Deus está

morto, ensina Nietzsche, e Heidegger acrescenta que a me tafísica a ele se juntou em seu túmulo. Espaço portanto para a utopia, para a fraternidade uni versal, para os amanhãs que cantam e o socialismo de rosto humano.

9

Não há dúvida de que o pa pa sabe tudo isso, e também que, por temperamento, ele gos ta dos riscos a correr, confian do na promessa do Cristo de manter a Igreja no caminho da Verdade. Cabe portanto esperar

ECONÔMICO

desenvolvimentos nos quais o conservadorismo e o integrismo, não menos que o progressismo, terão ocasião de espan tar-se, ou seja, de não compre ender mais nada. Acreditamos, de nosso lado, que a mistura de alta espiritualidade e de “populismo” do melhor quilate, pode constituir uma fonte de inspi ração não somente para o pon tífice, mas para todos quantos

Os efeitos da falência sobre a

alienação fiduciária

queiram ajudá-lo em suas tare fas. Nosso mundo está corrom Amoldo Wald

pido por idéias falsas e pelos malandros. Só um ato de cora

gem

espiritual — o papa nos

dá a cada dia o modelo e o mé

Oportuno estudo sobre

todo — é capaz de redimi-lo.

tema sempre debatido.

substituíssem es

na hora do cruzamento, Havia moldes de três formas diferentes: cubos, semiesferas e um semelhante à concha das fêmeas adultas. Os moldes tinham lTês cores diferentes: preto, cinza e

guejos escolheríam para o acasalamento. Os machos preferiram claramente os moldes com a mesma forma de uma fêmea caranguejo e, depois, as semiesferas aos cubos. Mas não ficou claro ee a escolha foi feita ati^nrès do tato. da visão ou de ambos. Houve, entretanto, outra evidência da impor

tância da visão.

Os machos foram

atraídos mais frequentemente pelos

moldes pretos e, em segundo lugar, pelos de cor ctnza, tons que mais se parecem com a concha da fêmea da espécie. Os pesquisadores concluiram que a visão desempenha um papel específico no comportamento do ifmülo durante o acasalamento, embora outros sentidos também possam estar envol vidos na ação. O relatório foi publicado na edição de 4 de março do jornal Nature.

(JB)

da Facufdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro.

fêmeas

branco. As falsas fêmeas foram distribuídas ao acaso abaixo da. linha da maré alta e cuidadosamente observadas durante oito maxés altas — quatro durante a noite e quatro durante o dia — para ver quais delas os caran

O autor é

professor catedrático

(Conclusão da página 13) Cap Cod para construir seus ninhos. Mas os machos são mais numerosos cjue as fêmeas e os cientistas colocariam diversos moldes de cimento que

1. O Decreto-lei n.o 911, de 1.10.1969, equiparou o deve

ções, OS tribunais reconheceram

dor

ma, frisando, todavia, sempre

ou

alienante

fiduciário

ao

depositário para o fim exclusivo de admitir, no seu art. 4.o, a conversão

da

busca

e apreen

são em ação de depósito. Tra ta-se de uma norma excepcional que amplia a responsabilidade

do devedor que, para este fim, passa a ser considerado depo sitário. Após algumas hesita-

a constitucionalidade dessa nor

que a sua interpretação devia ser

declaratória

ou restritiva,

por ser a prisão do depositário

uma exceção ao princípio geral constitucional, que não admite

a prisão por dívida (art. 153 § 17), inspirando-se de uma tra dição

do

direito

vem da Lei Petélia.

romano que


DIGESTO

74

2.

Determina o art. 4.o

-

do Decreto-lei que:

posse do devedor, o credor po derá requerer a conversão do pedido de busca e apreensão, nos mesmos autos, em ação de

depósito, na forma prevista no

Capítulo n, do Título I, do Li vro IV, do Código de Processo Civil”.

3.

Na realidade, a norma

somente é aplicável no caso de

f

caber a busca e apreensão, que a legislação não admite no caso de falência, regulamentado de modo específico no art. 7.o do mesmo diploma, de acordo com 0 qual:

“Art.

7.0 — Na falência do

devedor alienante, fica assegu rado ao credor ou proprietário fíducíário 0 direito de pedir, na forma prevista na lei, à resüfuição do

bem

alienado fidu-

ciariamenfe”.

4. Há, assim, evidentemen te, dois regimes distintos para a .execução da alienação fiduciária, que são os seguintes:

a) não havendo falência, ca be a busca e apreensão, que

DIGESTO

pode ser convertida em ação de depósito;

“Art. 4.0 — Se 0 bem alie

nado fiduciariamente não for encontrado ou não se achar na

ECONÔMICO

b) ocorrendo a falência do

devedor, deve ser pedida a res tituição, que não admite a sua conversão em ação de depósito pois a lei não consagrou essa possibilidade que exigiría a formação de texto legal expresso.

5.

Aliás, a própria Exposição

de Motivos do Decreto-lei tra ta das duas situações como sendo distintas e merecendo so

luções próprias. Assim o emi nente Ministro Delfim Netto, ao

apresentar

o

Decreto-lei

n.o

guida,

ECONÔMICO

proceder

à venda

75

do

mesmo”.

dos ou não oom gravames em favor de terceiros.

6. A exposição ministerial reserva explicitamente a hipó tese de ser admissível a ação de depósito ao caso da busca e apreensão, que presume a Inexistência

de

concordata

decretada a falência, a liipótese é de restituição que se re solve, nos termos da lei falimentar, In natura, pela efetiva devolução, ou em dinheiro, pelo pagamento do equivalente, 0 legislador não previu que, len

do ocorrido a falência, fosse possível propor a ação de de

tica do texto legal:

cabería contra o administrador

pósito que, em tese, somente

da Massa Falida, ou seja, o sin

"0 projeto admite que, não sendo encontrado o bem dado em garantia, possa ser intenta da a ação de depósito. 0 credor preferindo, também poderá re nunciar à garantia e executar

dico, mas jamais podería ser proposta contra os antigos ad ministradores que perderam o poder de dispor dos bens so ciais, em virtude da arrecada ção dos mesmos nos termos da

os bens do devedor, nos termos do contrato. Na hipótese de concordata ou falência, o ad-

lei de falências.

quirente

do legislador foi lógica e coe rente, pois a lei falimentar dá ao síndico os poderes necessá rios para arrecadar todos os

fiduciário — daaa

a

sua condição de credor privile giado — terá direito â restitui ção do bem, podendo, em se-

7.

Na realidade, a posição

Entre esses

bens, se incluem os alienados fiduciariamente que, após a ar

recadação, poderão ser objeto de restituição.

8.

ou

falência. A contrario sensu, se impetrada a concordata ou

911, teceu as seguintes conside rações, que comprovam qual deve ser a interpretação autên

bens sociais, sejam eles onera

Aliás, a própria resti

tuição pressupõe a arrecada ção, só se podendo pedir a de volução daquilo que efetivamen te foi arrecadado pelo sindico em favor da massa.

Se os bens

não foram arrecadados, os ter ceiros interessados poderão in tentar contra o síndico as ações cabíveis para obrigá-lo a pro ceder à arrecadação ou responsabilizá-Io pelas suas omissões. 0 que não é possível é preten der constranger, pela ação de depósito, os antigos administra dores, que não mais podem in tervir na gestão da massa

falida e, consequentemente, não têm

legitimidade para reaver

de terceiros os bens sociais restituendos.

9. Toda a sistemática pro cessual vincula, aliás, a pri são do depositário à busca e apreensão, como também se verifica pelo art. 905 do Código de Processo Civil que conside-


DIGESTO

74

2.

Determina o art. 4.o

-

do Decreto-lei que:

posse do devedor, o credor po derá requerer a conversão do pedido de busca e apreensão, nos mesmos autos, em ação de

depósito, na forma prevista no

Capítulo n, do Título I, do Li vro IV, do Código de Processo Civil”.

3.

Na realidade, a norma

somente é aplicável no caso de

f

caber a busca e apreensão, que a legislação não admite no caso de falência, regulamentado de modo específico no art. 7.o do mesmo diploma, de acordo com 0 qual:

“Art.

7.0 — Na falência do

devedor alienante, fica assegu rado ao credor ou proprietário fíducíário 0 direito de pedir, na forma prevista na lei, à resüfuição do

bem

alienado fidu-

ciariamenfe”.

4. Há, assim, evidentemen te, dois regimes distintos para a .execução da alienação fiduciária, que são os seguintes:

a) não havendo falência, ca be a busca e apreensão, que

DIGESTO

pode ser convertida em ação de depósito;

“Art. 4.0 — Se 0 bem alie

nado fiduciariamente não for encontrado ou não se achar na

ECONÔMICO

b) ocorrendo a falência do

devedor, deve ser pedida a res tituição, que não admite a sua conversão em ação de depósito pois a lei não consagrou essa possibilidade que exigiría a formação de texto legal expresso.

5.

Aliás, a própria Exposição

de Motivos do Decreto-lei tra ta das duas situações como sendo distintas e merecendo so

luções próprias. Assim o emi nente Ministro Delfim Netto, ao

apresentar

o

Decreto-lei

n.o

guida,

ECONÔMICO

proceder

à venda

75

do

mesmo”.

dos ou não oom gravames em favor de terceiros.

6. A exposição ministerial reserva explicitamente a hipó tese de ser admissível a ação de depósito ao caso da busca e apreensão, que presume a Inexistência

de

concordata

decretada a falência, a liipótese é de restituição que se re solve, nos termos da lei falimentar, In natura, pela efetiva devolução, ou em dinheiro, pelo pagamento do equivalente, 0 legislador não previu que, len

do ocorrido a falência, fosse possível propor a ação de de

tica do texto legal:

cabería contra o administrador

pósito que, em tese, somente

da Massa Falida, ou seja, o sin

"0 projeto admite que, não sendo encontrado o bem dado em garantia, possa ser intenta da a ação de depósito. 0 credor preferindo, também poderá re nunciar à garantia e executar

dico, mas jamais podería ser proposta contra os antigos ad ministradores que perderam o poder de dispor dos bens so ciais, em virtude da arrecada ção dos mesmos nos termos da

os bens do devedor, nos termos do contrato. Na hipótese de concordata ou falência, o ad-

lei de falências.

quirente

do legislador foi lógica e coe rente, pois a lei falimentar dá ao síndico os poderes necessá rios para arrecadar todos os

fiduciário — daaa

a

sua condição de credor privile giado — terá direito â restitui ção do bem, podendo, em se-

7.

Na realidade, a posição

Entre esses

bens, se incluem os alienados fiduciariamente que, após a ar

recadação, poderão ser objeto de restituição.

8.

ou

falência. A contrario sensu, se impetrada a concordata ou

911, teceu as seguintes conside rações, que comprovam qual deve ser a interpretação autên

bens sociais, sejam eles onera

Aliás, a própria resti

tuição pressupõe a arrecada ção, só se podendo pedir a de volução daquilo que efetivamen te foi arrecadado pelo sindico em favor da massa.

Se os bens

não foram arrecadados, os ter ceiros interessados poderão in tentar contra o síndico as ações cabíveis para obrigá-lo a pro ceder à arrecadação ou responsabilizá-Io pelas suas omissões. 0 que não é possível é preten der constranger, pela ação de depósito, os antigos administra dores, que não mais podem in tervir na gestão da massa

falida e, consequentemente, não têm

legitimidade para reaver

de terceiros os bens sociais restituendos.

9. Toda a sistemática pro cessual vincula, aliás, a pri são do depositário à busca e apreensão, como também se verifica pelo art. 905 do Código de Processo Civil que conside-


76

ra

DIGESTO

ambas

as

medidas

como

complementares, ao determinar que:

"Art. 905 — Sem prejuízo do depósito ou da prisão do réu, é lícito ao autor promover a busca e apreensão da coisa. Se esta for encontrada ou entre

gue voluntariamente pelo réu, cessará a prisão e será devol vido 0 equivalente em dinhei ro”.

10. Ao contrário, na falên cia, não cabendo mais a busca e apreensão, a prisão não po de ser

9

pedida

nem contra

o

sindico, que deve arrecadar os bens da empresa, nem contra

os antigos administradores, que perderam a legitimidade para

praticarem qualquer ato em relação aos mesmos bens. 11.

Comentando o Decreto-

lei n.o 911, na sua monografia

sobre a garantia fiduciária, esclarece

o

magistrado

RESTTFFE

PAULO

que, após a

decretação da falência, defxa de ter aplicação o art. 4.o do men

cionado diploma, não mais se admitindo nem a busca e apre

DIGESTO ECONÔMICO

ECONÔMICO

77

cargo do síndico, sob imediata direção e superintendência do juiz, pudesse a dita ação ser in

“Na falência do devedor não

ação de depósito, que lhe SU'

se admite a ação de busca e apreensão, uma vez que o art. 7.0 do decreto-lei assegura o pedido de restituição, na forma da Lei de Falência, como já

cede íquando negativa aquela, com o regime falimentar, em face das disposições dos arti

tentada

gos 40 e 59 da Lei de Falências.

gais da administração da falên¬

decidiu com descortínio o Tri

bunal de Justiça de São Paulo, através da assentando:

l.a

Câmara Civil,

‘Vindo

a

falir

o

devedor de bem alienado fiduciariamente, o direito do credor é 0 de pedir a restituição com base no art. 76 da Lei Falimentar”, acrescentando: “Em ra zão da diversidade de ritos pro

cessuais, impraticável a conver são do pedido de busca e apre ensão em restituição.” (RT 427/ 136). 12.

E

acrescentai:

“O

legislador

demonstrou

sábia coerência ao dar a -solu

ção da restituição em caso de falência. Remédio eficacíssimo, traz a vantagem de retirar a autonomia das medidas reser vadas normalmente ao credor

e proprietário fiduciário, con ferindo ao pedido a conotação

de incidente da falência, subor dinado à competência do foro

falimentar.

Ao

arredar,

de

ensão, nem a ação de deposi to. Escreve a esse respeito o

outra parte, a ação de busca e

Juiz paulista que:

absoluta

apreensão,

vista

a

incompatibilidade

teve

em

da

contra

os

titulares

le-

cia.

Com efeito, desde o momen

to da abertura da falência, per de o devedor o direito de ad ministrar os seus bens ou deles

dispor (art. 40), passando a ad ministração da falência a ser exercida pelo síndico, sob a imediata direção e superinten dência do juiz.Não se compreen-

deria como pudesse, quem já não dirige os hegócios e não tem a disponibilidade dos bens,

ser compelido, sob pena de pri são, a praticar atos que por lei está proibido, como restituir os

bens da massa ou o seu equi valente em dinheiro (art. 1287 do Código Civil e art. 902 do novo Código de Processo Civil). Admitir-se a ação de depó sito do art. AP do Decreto-lei nP 911

contra

o devedor fidu-

ciante em regime de falência, seria aceitar que o comando le gal envolva uma impossibilida de jurídica que conduz ao ab surdo. Sem se falar que não passaria pela' cabeça de nin guém que, estando a adminis tração

dos

bens

da

massa

a

É o que foi por nós mostra do em decisão proferida na 9.^ Vara Cível em princípio de 1972, que alcançou grande re percussão (Diário Comércio & Indústria de 5.4.1972, pág. 4; O Estado de São Paulo, de 9.4. 72, pág. 166), porque mais ra dical ainda nosso entendfmento, uma vez que a ação de busca e apreensão fora ajuizada an tes da declaração da falência e mesmo a conversão da ação de busca e apreensão em ação de depósito se dera momentos antes da quebra. Enfeixamos o decisório na

seguinte Súmula: 'Alienação fiduciária — Ação de depósito contra diretor de firma falida — Incabível quando sobrevenha

a falência porque perde o deve

dor, desde o momento da de cretação da quebra, a adminis tração e disponibilidade dos seus bens, que passam á ser exercidos pelo síndico, sob ime diata direção e superintendên cia do juiz (arts. 40 e 59 da Lei


76

ra

DIGESTO

ambas

as

medidas

como

complementares, ao determinar que:

"Art. 905 — Sem prejuízo do depósito ou da prisão do réu, é lícito ao autor promover a busca e apreensão da coisa. Se esta for encontrada ou entre

gue voluntariamente pelo réu, cessará a prisão e será devol vido 0 equivalente em dinhei ro”.

10. Ao contrário, na falên cia, não cabendo mais a busca e apreensão, a prisão não po de ser

9

pedida

nem contra

o

sindico, que deve arrecadar os bens da empresa, nem contra

os antigos administradores, que perderam a legitimidade para

praticarem qualquer ato em relação aos mesmos bens. 11.

Comentando o Decreto-

lei n.o 911, na sua monografia

sobre a garantia fiduciária, esclarece

o

magistrado

RESTTFFE

PAULO

que, após a

decretação da falência, defxa de ter aplicação o art. 4.o do men

cionado diploma, não mais se admitindo nem a busca e apre

DIGESTO ECONÔMICO

ECONÔMICO

77

cargo do síndico, sob imediata direção e superintendência do juiz, pudesse a dita ação ser in

“Na falência do devedor não

ação de depósito, que lhe SU'

se admite a ação de busca e apreensão, uma vez que o art. 7.0 do decreto-lei assegura o pedido de restituição, na forma da Lei de Falência, como já

cede íquando negativa aquela, com o regime falimentar, em face das disposições dos arti

tentada

gos 40 e 59 da Lei de Falências.

gais da administração da falên¬

decidiu com descortínio o Tri

bunal de Justiça de São Paulo, através da assentando:

l.a

Câmara Civil,

‘Vindo

a

falir

o

devedor de bem alienado fiduciariamente, o direito do credor é 0 de pedir a restituição com base no art. 76 da Lei Falimentar”, acrescentando: “Em ra zão da diversidade de ritos pro

cessuais, impraticável a conver são do pedido de busca e apre ensão em restituição.” (RT 427/ 136). 12.

E

acrescentai:

“O

legislador

demonstrou

sábia coerência ao dar a -solu

ção da restituição em caso de falência. Remédio eficacíssimo, traz a vantagem de retirar a autonomia das medidas reser vadas normalmente ao credor

e proprietário fiduciário, con ferindo ao pedido a conotação

de incidente da falência, subor dinado à competência do foro

falimentar.

Ao

arredar,

de

ensão, nem a ação de deposi to. Escreve a esse respeito o

outra parte, a ação de busca e

Juiz paulista que:

absoluta

apreensão,

vista

a

incompatibilidade

teve

em

da

contra

os

titulares

le-

cia.

Com efeito, desde o momen

to da abertura da falência, per de o devedor o direito de ad ministrar os seus bens ou deles

dispor (art. 40), passando a ad ministração da falência a ser exercida pelo síndico, sob a imediata direção e superinten dência do juiz.Não se compreen-

deria como pudesse, quem já não dirige os hegócios e não tem a disponibilidade dos bens,

ser compelido, sob pena de pri são, a praticar atos que por lei está proibido, como restituir os

bens da massa ou o seu equi valente em dinheiro (art. 1287 do Código Civil e art. 902 do novo Código de Processo Civil). Admitir-se a ação de depó sito do art. AP do Decreto-lei nP 911

contra

o devedor fidu-

ciante em regime de falência, seria aceitar que o comando le gal envolva uma impossibilida de jurídica que conduz ao ab surdo. Sem se falar que não passaria pela' cabeça de nin guém que, estando a adminis tração

dos

bens

da

massa

a

É o que foi por nós mostra do em decisão proferida na 9.^ Vara Cível em princípio de 1972, que alcançou grande re percussão (Diário Comércio & Indústria de 5.4.1972, pág. 4; O Estado de São Paulo, de 9.4. 72, pág. 166), porque mais ra dical ainda nosso entendfmento, uma vez que a ação de busca e apreensão fora ajuizada an tes da declaração da falência e mesmo a conversão da ação de busca e apreensão em ação de depósito se dera momentos antes da quebra. Enfeixamos o decisório na

seguinte Súmula: 'Alienação fiduciária — Ação de depósito contra diretor de firma falida — Incabível quando sobrevenha

a falência porque perde o deve

dor, desde o momento da de cretação da quebra, a adminis tração e disponibilidade dos seus bens, que passam á ser exercidos pelo síndico, sob ime diata direção e superintendên cia do juiz (arts. 40 e 59 da Lei


DIGESTO

78

de Falências). Ao credor cabe 0 direito de pedir a restituição dos

bens

alienados

fiducíaria-

mente em garantia, na forma do art.

7.

do

Decreto-lei

n.° 911,

combinado com o art. 76 da Lei

de Falências, e não mais a pri

são do devedor como deposi tário infiel, por não aplicação, ao caso, do art. 4.® do Decretolei n° 911, de 1969. A única pos sibilidade de decretação de pri são do falido é por um dos mo tivos relacionados à fa‘lfa de

cumprimento de deveres impos tos pela Lei de Falências, nos

termos do art. 35, entre os quais

9

não se enquadra, evidentemen te, a prisão por infidelidade de positária, pelo simples fato de

já não ter o falido a guarda ou disponibilidade dos seus bens ou direitos. A falência prejudica o andamento das ações de busca

e apreensão e de depósito. E, exatamente, para resguardo do superprivilégio inerente aos créditos garantidos por aliena

ção fiduciária, é que a lei asse gura ao credor ou proprietário fiduciário, na falência do de vedor, 0 direito de pedir resti

ECONÔMICO

Essa orientação foi fixada em outro caso pela l.a Câmara do 2.° Tribunal de Alçada Ci vil de São Paulo, em 26.2.1973, no agravo de instrumento n.® 2836, cujo acórdão vem relata do pelo Juiz Nóbrega de Salles. Mesmo declinando da com

petência daquele Tribunal em favor do Tribunal de Justiça, em face da competência priva

tiva deste, por força da Lei de Organização Judiciária do Es tado para apreciação dos re cursos que envolvam interesse de massa falida, não deixou passar a oportunidade de mani festar-se contra o andamento e

solução dados à ação de depó sito em primeira instância. É a seguinte a íntegra do jul gado: "Acordam, em 1.^ Câmara do 2.® Tribunal de Alçada Civil, por votação unânime, não co nhecer do recurso e ordenar re messa dos autos ao Tribunal de

Justiça, que é o competente pa ra apreciação do recurso, des de que se trata de massa fali da”.

DIGESTO

79

ECONÔMICO

gais, em ação de depêsito Que lhe move a firma omissis". “Vê-se

da

certidão

de fls.

que 0 Juízo da 6.^ Vara Cível desta Capital decretou a falên

cia da agravante, ante impossi bilidade de cumprimento da con

cordata,

nomeado síndico,

aguardando-se diligência de ar

recadação de bens, dentre os quais, provavelmente, se encon tram aqueles objetos da ação de depósito”.

“Assim, como salienta a Procuradoria da Justiça, a re ferida ação não poderia ter con

tinuado, desde que importa em verdadeira execução individual, cabendo à agravada ingressar na falência com pedido concer nente”. NETO,

(PAULO Garantia

RESTIFFE Fiduciária^

Young da Costa Manso (Revis ta de Jurisprudência do Tribu nal de Justiça de São Pauto,

vol. 25, pág. 220). 14. Por sua vez, o Supre mo Tribunal Federal, pela sua Egrégia Segunda Turma, teve o ensejo de decidir que, decre

tada a falência, não mais po de prosperar a ação de depó sito, só podendo o credor re querer a restituição. Efetiva mente, ao apreciar o Recurso Extraordinário n.o 79.384, em 12.11.1974, a Egrégia Turma acompanhando o eminente e

culto relator, o Ministro Leitão de Abreu, não conheceu do re curso contra decisão do Tribu

nal de

1975, pág. 220). 13.

Uma

falência,

Justiça de São

Paulo

cuja ementa era a seguinte: “Falência. Profa-ida a sen

vez

entendeu

decretada

a

a

Egrégia

tença declaratória, suspendese ação de depósito movida

Terceira Câmara Cível do Tri

contra sócios da falida,

bunal de Justiça do Estado de São Paulo que devia ser orde nada “a suspensão do processo

nos autos da execução indivi dual. O credor interessado de

de

depósito,

prisão

dos

revogando-se

sócios d'a

a

verá

falida”,

revo-

gando-se a prisão decretada pedir a restituição

dos

bens ou de seu equivalente em

da

dinheiro, no processo da falên

lências, com preferência sobre

“Rebela-se a recorrente con

qual foi relator o atual presi

todos os créditos, por mais pri vilegiados que sejam”.

tra despacho Que decretou a pri são de seus representantes le-

dente daquela Corte, o eminen

cia. Agravo de instrumento a oue se dá provimento”. (Fls.

tuição, na forma da Lei de Fa

conforme

te

e

decisão

culto

unânime

Desembargador

74)


DIGESTO

78

de Falências). Ao credor cabe 0 direito de pedir a restituição dos

bens

alienados

fiducíaria-

mente em garantia, na forma do art.

7.

do

Decreto-lei

n.° 911,

combinado com o art. 76 da Lei

de Falências, e não mais a pri

são do devedor como deposi tário infiel, por não aplicação, ao caso, do art. 4.® do Decretolei n° 911, de 1969. A única pos sibilidade de decretação de pri são do falido é por um dos mo tivos relacionados à fa‘lfa de

cumprimento de deveres impos tos pela Lei de Falências, nos

termos do art. 35, entre os quais

9

não se enquadra, evidentemen te, a prisão por infidelidade de positária, pelo simples fato de

já não ter o falido a guarda ou disponibilidade dos seus bens ou direitos. A falência prejudica o andamento das ações de busca

e apreensão e de depósito. E, exatamente, para resguardo do superprivilégio inerente aos créditos garantidos por aliena

ção fiduciária, é que a lei asse gura ao credor ou proprietário fiduciário, na falência do de vedor, 0 direito de pedir resti

ECONÔMICO

Essa orientação foi fixada em outro caso pela l.a Câmara do 2.° Tribunal de Alçada Ci vil de São Paulo, em 26.2.1973, no agravo de instrumento n.® 2836, cujo acórdão vem relata do pelo Juiz Nóbrega de Salles. Mesmo declinando da com

petência daquele Tribunal em favor do Tribunal de Justiça, em face da competência priva

tiva deste, por força da Lei de Organização Judiciária do Es tado para apreciação dos re cursos que envolvam interesse de massa falida, não deixou passar a oportunidade de mani festar-se contra o andamento e

solução dados à ação de depó sito em primeira instância. É a seguinte a íntegra do jul gado: "Acordam, em 1.^ Câmara do 2.® Tribunal de Alçada Civil, por votação unânime, não co nhecer do recurso e ordenar re messa dos autos ao Tribunal de

Justiça, que é o competente pa ra apreciação do recurso, des de que se trata de massa fali da”.

DIGESTO

79

ECONÔMICO

gais, em ação de depêsito Que lhe move a firma omissis". “Vê-se

da

certidão

de fls.

que 0 Juízo da 6.^ Vara Cível desta Capital decretou a falên

cia da agravante, ante impossi bilidade de cumprimento da con

cordata,

nomeado síndico,

aguardando-se diligência de ar

recadação de bens, dentre os quais, provavelmente, se encon tram aqueles objetos da ação de depósito”.

“Assim, como salienta a Procuradoria da Justiça, a re ferida ação não poderia ter con

tinuado, desde que importa em verdadeira execução individual, cabendo à agravada ingressar na falência com pedido concer nente”. NETO,

(PAULO Garantia

RESTIFFE Fiduciária^

Young da Costa Manso (Revis ta de Jurisprudência do Tribu nal de Justiça de São Pauto,

vol. 25, pág. 220). 14. Por sua vez, o Supre mo Tribunal Federal, pela sua Egrégia Segunda Turma, teve o ensejo de decidir que, decre

tada a falência, não mais po de prosperar a ação de depó sito, só podendo o credor re querer a restituição. Efetiva mente, ao apreciar o Recurso Extraordinário n.o 79.384, em 12.11.1974, a Egrégia Turma acompanhando o eminente e

culto relator, o Ministro Leitão de Abreu, não conheceu do re curso contra decisão do Tribu

nal de

1975, pág. 220). 13.

Uma

falência,

Justiça de São

Paulo

cuja ementa era a seguinte: “Falência. Profa-ida a sen

vez

entendeu

decretada

a

a

Egrégia

tença declaratória, suspendese ação de depósito movida

Terceira Câmara Cível do Tri

contra sócios da falida,

bunal de Justiça do Estado de São Paulo que devia ser orde nada “a suspensão do processo

nos autos da execução indivi dual. O credor interessado de

de

depósito,

prisão

dos

revogando-se

sócios d'a

a

verá

falida”,

revo-

gando-se a prisão decretada pedir a restituição

dos

bens ou de seu equivalente em

da

dinheiro, no processo da falên

lências, com preferência sobre

“Rebela-se a recorrente con

qual foi relator o atual presi

todos os créditos, por mais pri vilegiados que sejam”.

tra despacho Que decretou a pri são de seus representantes le-

dente daquela Corte, o eminen

cia. Agravo de instrumento a oue se dá provimento”. (Fls.

tuição, na forma da Lei de Fa

conforme

te

e

decisão

culto

unânime

Desembargador

74)


DIGESTO

80

15. O acórdão

confirmado

tinha salientado que: posto contra a decisão que, nu ma ação de depósito, ordenou a prisão dos representantes le gais da sociedade falida. Alega a agravante, com esse objeti vo, que os bens estão sob a tu tela e administração do síndi co, não podendo exigir-se que a falida, pelos seus antigos ge rentes, entregua a coisa depo sitada, sob pena de prisão.

Os bens, doutro lado, esta vam sob garantia fiduciária, cabendo, pois, simplesmente, o pedido de sua restituição, na falência, conforme o disposto no art. 7.o, do DEC-LEI 911, da 1.10.69” (f. 74). A falida tem interesse em que se declare suspensa a

ação de depósito, em virtude

cassando-se,

por

via de consequência, o manda

do de prisão dos

sócios, tidos

como depositários infiéis.

E, realmente, decretada a falência, no curso da ação de depósito, esta não deveria prosseguir. Caberia à agravada pedir,

na falência, a restituição

bens ou de seu equivalente em dinheiro.

"Trata-se de recurso inter

da falência,

ECONÔMICO

dos

O que não se concebe é que, aberta a falência, ainda se prossiga numa execução in dividual coercitiva, dirigida contra os sócios da falida.

Pelo exposto, sem diver gência, o Tribunal de Justiça, em

Terceira

Câmara

Civil,

provê ao agravo, para ordenar a suspensão do processo do de

pósito,

revogando-se a prisão

dos sócios da falida” (f. 75).

16. O parecer da Procura doria Geral da República foi o seguinte:

DIGESTO

ECONÔMICO

81

bem -em cuja posse se achava

ma prevista na lei, a restitui

o falido.

ção do bem alienado

Sustenta a recorrente, con trariamente

ao

esposado pela

decisão re

autoria do Procurador Walter José de Medeiros, com aprova

ção do Procurador-Geral, subs

tituto, Oscar Corrêa Pina. está assim concebido:

“Cuida-se de saber

direito de pedir a restituição do bem alienado. E isto foi o que decidiu o v. acórdão com

manda deu início antes do de

Não há, assim, lugar para a invocação ao m:t'. 24 § 2.o,

creto de quebra do devedor. Com

arrimo na letra a da

norma constitucional

permissi

va, acoima de vulnerado o art.

24, § 2.0, da Lei Falimentar. Não lhe socorre, porém, ra¬ Sobre razoável, a interpre tação dada pela decisão ataca da ao artigo 7.o do DL 911/69 parece a mais acertada, tendo em vista a nova regulamenta ção legal sobre a alienação fi

duciária, que, se,

so

sofreu flagrante

no

particular, modificação

fiduciário o di

reito de pedir a restituição do

na:

"Produzindo

a

falência o

pre à financeira pedir a resti tuição do bem em cuja posse se achava o falido” (Alienação

911/69 em seu art. 7.o:

do ao credor

Ademais, a orientação em balada pela decisão recorrida tem a respaldá-la o magistério de Orlando Glomes, quando so bre a matéria assim prelecio-

dispõe o DL.

de bem alienado fiduciariamisn-

ser sustada, ou não, assegura

do Decreto-lei n.o 7661, de 1945, genericamente citado pela re corrente, que não especifica sequer a natureza de seu cré dito para enquadrá-lo em qual quer das várias hipóteses ali previstas.

vencimento antecipado do con trato de financiamento, cum

brevindo a declaração de fa lência quando em curso ação de depósito contra o devedor

Com efeito,

batido.

Lei Fali

em face da vetusta mentar .

te, deve esta última demanda

quanto se asse

gura ao credor fiduciário é o

corrida, que a ação de depósi to deve prosseguir com o sín dico, pois, como credor de ti tulo não sujeito a rateio, à de

zao.

“O parecer da Procura doria Geral da República, da

Ora, tudo

entendimento

r.

fiducia-

riamente.”

"Na falência do devedor alienante, fica assegurado ao credor ou proprietário fiduciá rio o direito de pedir, na for-

Fiduciária em 133).

Garantia, pâg.

Trata-se, como se vê, de interpretação razoável que tem


DIGESTO

80

15. O acórdão

confirmado

tinha salientado que: posto contra a decisão que, nu ma ação de depósito, ordenou a prisão dos representantes le gais da sociedade falida. Alega a agravante, com esse objeti vo, que os bens estão sob a tu tela e administração do síndi co, não podendo exigir-se que a falida, pelos seus antigos ge rentes, entregua a coisa depo sitada, sob pena de prisão.

Os bens, doutro lado, esta vam sob garantia fiduciária, cabendo, pois, simplesmente, o pedido de sua restituição, na falência, conforme o disposto no art. 7.o, do DEC-LEI 911, da 1.10.69” (f. 74). A falida tem interesse em que se declare suspensa a

ação de depósito, em virtude

cassando-se,

por

via de consequência, o manda

do de prisão dos

sócios, tidos

como depositários infiéis.

E, realmente, decretada a falência, no curso da ação de depósito, esta não deveria prosseguir. Caberia à agravada pedir,

na falência, a restituição

bens ou de seu equivalente em dinheiro.

"Trata-se de recurso inter

da falência,

ECONÔMICO

dos

O que não se concebe é que, aberta a falência, ainda se prossiga numa execução in dividual coercitiva, dirigida contra os sócios da falida.

Pelo exposto, sem diver gência, o Tribunal de Justiça, em

Terceira

Câmara

Civil,

provê ao agravo, para ordenar a suspensão do processo do de

pósito,

revogando-se a prisão

dos sócios da falida” (f. 75).

16. O parecer da Procura doria Geral da República foi o seguinte:

DIGESTO

ECONÔMICO

81

bem -em cuja posse se achava

ma prevista na lei, a restitui

o falido.

ção do bem alienado

Sustenta a recorrente, con trariamente

ao

esposado pela

decisão re

autoria do Procurador Walter José de Medeiros, com aprova

ção do Procurador-Geral, subs

tituto, Oscar Corrêa Pina. está assim concebido:

“Cuida-se de saber

direito de pedir a restituição do bem alienado. E isto foi o que decidiu o v. acórdão com

manda deu início antes do de

Não há, assim, lugar para a invocação ao m:t'. 24 § 2.o,

creto de quebra do devedor. Com

arrimo na letra a da

norma constitucional

permissi

va, acoima de vulnerado o art.

24, § 2.0, da Lei Falimentar. Não lhe socorre, porém, ra¬ Sobre razoável, a interpre tação dada pela decisão ataca da ao artigo 7.o do DL 911/69 parece a mais acertada, tendo em vista a nova regulamenta ção legal sobre a alienação fi

duciária, que, se,

so

sofreu flagrante

no

particular, modificação

fiduciário o di

reito de pedir a restituição do

na:

"Produzindo

a

falência o

pre à financeira pedir a resti tuição do bem em cuja posse se achava o falido” (Alienação

911/69 em seu art. 7.o:

do ao credor

Ademais, a orientação em balada pela decisão recorrida tem a respaldá-la o magistério de Orlando Glomes, quando so bre a matéria assim prelecio-

dispõe o DL.

de bem alienado fiduciariamisn-

ser sustada, ou não, assegura

do Decreto-lei n.o 7661, de 1945, genericamente citado pela re corrente, que não especifica sequer a natureza de seu cré dito para enquadrá-lo em qual quer das várias hipóteses ali previstas.

vencimento antecipado do con trato de financiamento, cum

brevindo a declaração de fa lência quando em curso ação de depósito contra o devedor

Com efeito,

batido.

Lei Fali

em face da vetusta mentar .

te, deve esta última demanda

quanto se asse

gura ao credor fiduciário é o

corrida, que a ação de depósi to deve prosseguir com o sín dico, pois, como credor de ti tulo não sujeito a rateio, à de

zao.

“O parecer da Procura doria Geral da República, da

Ora, tudo

entendimento

r.

fiducia-

riamente.”

"Na falência do devedor alienante, fica assegurado ao credor ou proprietário fiduciá rio o direito de pedir, na for-

Fiduciária em 133).

Garantia, pâg.

Trata-se, como se vê, de interpretação razoável que tem


DIGESTO econômico

82

a cohfortá-la a opinião da dou

trina, não merecendo por isto, 0 v. acórdão recorrido, a cen

sura que se lhe quer impor. Como apoio na Súmula 400, opina-se, pelo não conhecimen to do apelo último, ou, even tualmente pelo seu improvimento." (F. 115-17). 17. Finalmente, o voto do relator acompanhado por una nimidade pela Turma foi do seguinte teor: "Razoável

também se me

afigura a exegese emprestada pela decisão

recorrida ao art.

7.0 do DL. 911, de 1.10.69. Na

de Falências. Ao proceder des sa maneira, assegurou, entre tanto, plenamente, o direito do credor fiduciário, que é o de pedir a restituição do bem alienado fiduciariamente. Essa regra se aplica ainda que te nha sido movida

contra o de

vedor, antes da falência, ação

de depósito.

como é evidente, pelos ilícitos penais de caráter falimentar, em que houver incorrido, não havendo falar-se, por conse guinte, em vantagem que pos sa ele tirar da própria quebra. Por estes fundamentos, não conheço do recurso”. (Revista

se prescreve; por

Trimestral

ficarem suspensas, prosseguin do com o síndico, as ações e execuções que, antes da falên cia, hajam iniciado os credores por títulos não sujeitos a ra teio.

O Dl. 911, que alterou a re

dação do art. 66, da Lei 4728, de 14.7.65, dispositivo no qual se disciplinou a alienação fi duciária em garantia, estabele ceu, no art. 7.o, em caso de falência do devedor alienante. regra na qual não se faz a dis tinção estabelecida pela Lei

de Jurisprudência

do Supremo Tribunal Federal, vol. 72, págs. 274 a 277).

18. Se no caso de ação de depósito já julgada procedente 0 Supremo Tribunal Federal entendeu que a prisão devia ser revogada e que a única alternativa, para o credor, con sistia em pedir a restituição, a fortiori a tese se aplica, no presente caso, em que, julgada a restituição, pretendeu, poste riormente, o credor obter a prisão civil dos antigos admi nistradores da devedora.

83

19. Acresce que os poderes dos sócios gerentes sobre os bens sociais desaparecem com a

decretação da falência, sendo

A violação da lei

consistiría,

no caso, no comportamento do

gerente que após a decretação

evidente que os sócios não os

da falência fossem buscar em mãos de terceiros os bens alie

podem arrecadar

nados

para entre

gá-los ao banco

credor,

pois

somente o síndico poderá fazê* lo.

Responde o alie-

nante, porém no juízo criminal,

Lei de Falência, art. 24 § 2.o, certo, não

DIGESTO ECONÔMICO

20. É preciso atender

particular,

ao

art. 40 da Lei

que

no

dispõe o

cabe, entre outros

Falimentar de

"arrecadar os bens e li

vros do falido, e tê-los sob a sua guarda, con forme se dispõe no título

Desde o mo

rv, fazendo

de locação do falido..." (Art. 63, inciso IH do De

§ 1.0 — Não pod'0 0 deve dor, desd^ aquele momento, ato que se

ou indiretamen-

te, aos bens, interessies, direi tos -e obrigações compreendidos na falência, sob pena

de nu-

lidade, que o juiz pronunciará de

ofício

independenbemente

de prova de prejuízo”.

21. Assim sendo, a atuação dos sócios gerentes para apre ender os bens dados em garan tia importaria em violação da lei e responsabilidade pessoal.

as necessá

rias averiguações, inclu sive quanto aos contratos

administrar os seus bens e de les dispor.

praticar qualquer

deveres, o

dia

mento da abertura da falência, ou da decretação do sequestro, 0 devedor perde o direito de

refira, direta

numa

falimentar, é da competência exclusiva do síndico a quem

acordo com o qual: 'Art. 40

fiduciariamente,

atuação que, nos termos da lei

creto-lei n.o 7661

de

...

21.6.1945).

22. Não há, pois, qualquer dúvida quanto à impossibilida de jurídica absoluta que têm os sócios gerentes de proceder à arrecadação dos bens da fa lida para, em seguida, entregálos ao cnedor garantido pela alienação fiduciária. 23.

Tanto a doutrina como

a jurisprudência reconhecem que não existe qualquer dúvi da razoável que possa’ser sus citada na interpretação do art.


DIGESTO econômico

82

a cohfortá-la a opinião da dou

trina, não merecendo por isto, 0 v. acórdão recorrido, a cen

sura que se lhe quer impor. Como apoio na Súmula 400, opina-se, pelo não conhecimen to do apelo último, ou, even tualmente pelo seu improvimento." (F. 115-17). 17. Finalmente, o voto do relator acompanhado por una nimidade pela Turma foi do seguinte teor: "Razoável

também se me

afigura a exegese emprestada pela decisão

recorrida ao art.

7.0 do DL. 911, de 1.10.69. Na

de Falências. Ao proceder des sa maneira, assegurou, entre tanto, plenamente, o direito do credor fiduciário, que é o de pedir a restituição do bem alienado fiduciariamente. Essa regra se aplica ainda que te nha sido movida

contra o de

vedor, antes da falência, ação

de depósito.

como é evidente, pelos ilícitos penais de caráter falimentar, em que houver incorrido, não havendo falar-se, por conse guinte, em vantagem que pos sa ele tirar da própria quebra. Por estes fundamentos, não conheço do recurso”. (Revista

se prescreve; por

Trimestral

ficarem suspensas, prosseguin do com o síndico, as ações e execuções que, antes da falên cia, hajam iniciado os credores por títulos não sujeitos a ra teio.

O Dl. 911, que alterou a re

dação do art. 66, da Lei 4728, de 14.7.65, dispositivo no qual se disciplinou a alienação fi duciária em garantia, estabele ceu, no art. 7.o, em caso de falência do devedor alienante. regra na qual não se faz a dis tinção estabelecida pela Lei

de Jurisprudência

do Supremo Tribunal Federal, vol. 72, págs. 274 a 277).

18. Se no caso de ação de depósito já julgada procedente 0 Supremo Tribunal Federal entendeu que a prisão devia ser revogada e que a única alternativa, para o credor, con sistia em pedir a restituição, a fortiori a tese se aplica, no presente caso, em que, julgada a restituição, pretendeu, poste riormente, o credor obter a prisão civil dos antigos admi nistradores da devedora.

83

19. Acresce que os poderes dos sócios gerentes sobre os bens sociais desaparecem com a

decretação da falência, sendo

A violação da lei

consistiría,

no caso, no comportamento do

gerente que após a decretação

evidente que os sócios não os

da falência fossem buscar em mãos de terceiros os bens alie

podem arrecadar

nados

para entre

gá-los ao banco

credor,

pois

somente o síndico poderá fazê* lo.

Responde o alie-

nante, porém no juízo criminal,

Lei de Falência, art. 24 § 2.o, certo, não

DIGESTO ECONÔMICO

20. É preciso atender

particular,

ao

art. 40 da Lei

que

no

dispõe o

cabe, entre outros

Falimentar de

"arrecadar os bens e li

vros do falido, e tê-los sob a sua guarda, con forme se dispõe no título

Desde o mo

rv, fazendo

de locação do falido..." (Art. 63, inciso IH do De

§ 1.0 — Não pod'0 0 deve dor, desd^ aquele momento, ato que se

ou indiretamen-

te, aos bens, interessies, direi tos -e obrigações compreendidos na falência, sob pena

de nu-

lidade, que o juiz pronunciará de

ofício

independenbemente

de prova de prejuízo”.

21. Assim sendo, a atuação dos sócios gerentes para apre ender os bens dados em garan tia importaria em violação da lei e responsabilidade pessoal.

as necessá

rias averiguações, inclu sive quanto aos contratos

administrar os seus bens e de les dispor.

praticar qualquer

deveres, o

dia

mento da abertura da falência, ou da decretação do sequestro, 0 devedor perde o direito de

refira, direta

numa

falimentar, é da competência exclusiva do síndico a quem

acordo com o qual: 'Art. 40

fiduciariamente,

atuação que, nos termos da lei

creto-lei n.o 7661

de

...

21.6.1945).

22. Não há, pois, qualquer dúvida quanto à impossibilida de jurídica absoluta que têm os sócios gerentes de proceder à arrecadação dos bens da fa lida para, em seguida, entregálos ao cnedor garantido pela alienação fiduciária. 23.

Tanto a doutrina como

a jurisprudência reconhecem que não existe qualquer dúvi da razoável que possa’ser sus citada na interpretação do art.


DIGESTO

84

40 da Lei transcrito.

Fabmentar

acima

daquela sentença (declaratória da falência)

24. TRAJANO DE MIRAN

Este desapossamento tem caráter imperativo. É de ordem pública. Reveste-se, por isso mesmo, do caráter de generali

DA VALVERDE, autor do pro jeto que veio a transformar-se na L^i de Falências, escreve a este respeito que: “Tirando*se ao falido o di reito de administrar seus bens

e deles dispor, perde ele a pos se direta de tais bens, que pas

sa para o síndico, e cuja toma da se faz pela arrecadação, que equivale, assim, à penhora das execuções singulares. O síndico, como o inventariante no espólio, é que fica com a

9

ECONÔMICO

possjs corporal e a administra

ção dos bens, competindo-lhe dispor do ativo do patrimônio do falido, pelo

modo e forma

determinados na lei”.

(TRAJANO DE MIRANDA VALVERDE, Comentários 'à

Lei de Falências, Rio, Foren se, 1948, vol. I, pág. 230, n.o 248). 25. Por sua vez, WALDEMAR FERREIRA esclarece que 0 d-esapossamento dos bens do falido não depende de en trega dos mesmos ao síndico "porque opera desdie lo' gò, ex vi legls, da data

dade".

(Tratado de direito comercial,

S. Paulo, Saraiva, 1965, vol. 14, pág. 494, n.® 3709). 26. O Tribunal de Justiça de São Paulo pela sua Egrégia Quinta Câmara Cível já teve o ensejo de decidir, interpretando o artigo 40 da Lei Falimentar, que, "desde que o falido perde a administração e disposição dos seus bens, não pode dar execução a contrato de crédito

pela ação de depósito” dão

unânime da

5.a

(acór Câmara

DIGESTO ECONÔMICO

85

intentada a ação de depósito após a decretação da falência. A opção que a lei atribui ao de vedor, nos casos de alienação fiduciária, entre pagar o valor devido (art. 3.° e seus parágra fos do Decreto-lei 911) e entre gar os bens dados em garantia deve ser sempre exercida pelo

síndico, como bem salienta par te da doutrina que admite essa alternativa. (RUBENS REQUIÃO, Curso de Direito Fallmentar,- Saraiva, São Paulo, o 1975, 1.® volume, pág. 244, n. 226).

28- A totalidade da doutri na reconhece, outrossim, que o bem dado em alienação fidu ciária deve ser arrecadado pe lo síndico, embora possa não integrar a -massa falida, pois

dade de assistente. A contrario

sensu, não pode ser, no caso,

nem réu, nem autor. Conseqüentemente, não é admissível que a ação de depósito possa ser intentada contra os antigos sócios gerentes da empresa fa lida e a fortiorl que contra eles seja julgada procedente. assun, Verificamos, que, de acordo com a letra, o espírito e a sistemática da lei:

30.

a) não pode ser intentada ação de depósito pontra a mas sa falida, só cabendo no caso a restituição legalmente prevista;

conforme salientam ORLANDO

b) se, em' tese e ad argumentandum, a ação de depósito pudesse ser intentada, somente poderia sê-lo contra a massa falida representada pelo síndi

GOMES (Alienação fiduciária em garantia, 4.a edição, São

administradores.

Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo, no agravo de petição n.° 166.526, do qual foi relator 0 eminente Desembargador To ledo Piza, in Revista dós Tribu nais, vol. 394, pág. 184).

tratar-se-ia de posse exercida em nome alheio nomine alieno),

27. Na realidade, em to das as restituições e nas ações

CARLOS

que contra ela são propostas, a massa falida é sempre repre sentada pelo seu síndico e não pelos seus antigos administrado, res. Contra eles não pode ser

tar 0 falido pode intervir nas ações contra a massa na quali

Paulo, Revista dos Tribunais, 1975, pág. 144, n. 103) e JOSÉ MOREIRA

ALVES

(Da alienação fiduciária em ga rantia, l.a edição, S. Paulo, Sa raiva, 1975, pág. 167). 29. Acresce que nos ter mos do art. 36 da LelTalimen-

co

e nunca contra os antigos

(Revista

dos

Tribunais, vol. 394, pág. 184 e 427, pág. 136 e Revista de Juris prudência do Tribunal de Jus tiça de São Paulo, vol. 25, pág. 220).

31. A prisão do depositário infiel prevista pelos artigos 1287 do Código Civil e 904 do Código


DIGESTO

84

40 da Lei transcrito.

Fabmentar

acima

daquela sentença (declaratória da falência)

24. TRAJANO DE MIRAN

Este desapossamento tem caráter imperativo. É de ordem pública. Reveste-se, por isso mesmo, do caráter de generali

DA VALVERDE, autor do pro jeto que veio a transformar-se na L^i de Falências, escreve a este respeito que: “Tirando*se ao falido o di reito de administrar seus bens

e deles dispor, perde ele a pos se direta de tais bens, que pas

sa para o síndico, e cuja toma da se faz pela arrecadação, que equivale, assim, à penhora das execuções singulares. O síndico, como o inventariante no espólio, é que fica com a

9

ECONÔMICO

possjs corporal e a administra

ção dos bens, competindo-lhe dispor do ativo do patrimônio do falido, pelo

modo e forma

determinados na lei”.

(TRAJANO DE MIRANDA VALVERDE, Comentários 'à

Lei de Falências, Rio, Foren se, 1948, vol. I, pág. 230, n.o 248). 25. Por sua vez, WALDEMAR FERREIRA esclarece que 0 d-esapossamento dos bens do falido não depende de en trega dos mesmos ao síndico "porque opera desdie lo' gò, ex vi legls, da data

dade".

(Tratado de direito comercial,

S. Paulo, Saraiva, 1965, vol. 14, pág. 494, n.® 3709). 26. O Tribunal de Justiça de São Paulo pela sua Egrégia Quinta Câmara Cível já teve o ensejo de decidir, interpretando o artigo 40 da Lei Falimentar, que, "desde que o falido perde a administração e disposição dos seus bens, não pode dar execução a contrato de crédito

pela ação de depósito” dão

unânime da

5.a

(acór Câmara

DIGESTO ECONÔMICO

85

intentada a ação de depósito após a decretação da falência. A opção que a lei atribui ao de vedor, nos casos de alienação fiduciária, entre pagar o valor devido (art. 3.° e seus parágra fos do Decreto-lei 911) e entre gar os bens dados em garantia deve ser sempre exercida pelo

síndico, como bem salienta par te da doutrina que admite essa alternativa. (RUBENS REQUIÃO, Curso de Direito Fallmentar,- Saraiva, São Paulo, o 1975, 1.® volume, pág. 244, n. 226).

28- A totalidade da doutri na reconhece, outrossim, que o bem dado em alienação fidu ciária deve ser arrecadado pe lo síndico, embora possa não integrar a -massa falida, pois

dade de assistente. A contrario

sensu, não pode ser, no caso,

nem réu, nem autor. Conseqüentemente, não é admissível que a ação de depósito possa ser intentada contra os antigos sócios gerentes da empresa fa lida e a fortiorl que contra eles seja julgada procedente. assun, Verificamos, que, de acordo com a letra, o espírito e a sistemática da lei:

30.

a) não pode ser intentada ação de depósito pontra a mas sa falida, só cabendo no caso a restituição legalmente prevista;

conforme salientam ORLANDO

b) se, em' tese e ad argumentandum, a ação de depósito pudesse ser intentada, somente poderia sê-lo contra a massa falida representada pelo síndi

GOMES (Alienação fiduciária em garantia, 4.a edição, São

administradores.

Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo, no agravo de petição n.° 166.526, do qual foi relator 0 eminente Desembargador To ledo Piza, in Revista dós Tribu nais, vol. 394, pág. 184).

tratar-se-ia de posse exercida em nome alheio nomine alieno),

27. Na realidade, em to das as restituições e nas ações

CARLOS

que contra ela são propostas, a massa falida é sempre repre sentada pelo seu síndico e não pelos seus antigos administrado, res. Contra eles não pode ser

tar 0 falido pode intervir nas ações contra a massa na quali

Paulo, Revista dos Tribunais, 1975, pág. 144, n. 103) e JOSÉ MOREIRA

ALVES

(Da alienação fiduciária em ga rantia, l.a edição, S. Paulo, Sa raiva, 1975, pág. 167). 29. Acresce que nos ter mos do art. 36 da LelTalimen-

co

e nunca contra os antigos

(Revista

dos

Tribunais, vol. 394, pág. 184 e 427, pág. 136 e Revista de Juris prudência do Tribunal de Jus tiça de São Paulo, vol. 25, pág. 220).

31. A prisão do depositário infiel prevista pelos artigos 1287 do Código Civil e 904 do Código


DIGESTO

86

de Processo Civil, que não se confunde com as sanções pe nais, nem com a prisão admi nistrativa, constitui uma medi da coercitiva para obrigar o dervedor a cumprir as suas obri. gações, nos casos excepcionais

33.

ECONÔMICO

Por sua vez, WASHIN

GTON DE BARROS

MONTEI

RO, ao analisar a prisão do de positário infiel ensina

que:

de depositário infiel ou de ali

“Para a decretação da pri são, que não é propriamente uma pena, mas medida compul

mentando.

sória de natureza civil ou admi

32. O Repertório Enciclo pédico esclarece neste sentido que:

"A prisão civil não objetiva, desta maneira, a imputaçâo de uma penalidade ou castigo, mas a compelir o faltoso ou inadim plente a realçar determinada obrigação não observada, seja prestar alimentos devidos, de volver o depósito, ou pagar a dívida rural. Em síntese, se im põe para coagir o faltoso ou omisso a fazer o que é de sua

obrigação ou dever, não impor tando, pois, em condenação cri minal, uma vez que é tão so mente meio legal compulsório de obter o cumprimento de de terminado dever. Não é uma pe. na

.

(CARVALHO SANTOS e ou tros, Repertório Enciclopédico do direito brasileiro. Rio, Bor soi, vol. XXXDC, pág. 216).

nistrativa, não importa que o depositário tenha agido com culpa ou dolo. Só pode ser de cretada, porém, no curso da ação de depósito, em que se as segure plena defesa ao devedor, desde que existam seguros ele mentos comprobatórios da in fidelidade”.

“O processo de habeas-corpus não comporta apreciação da legitimidade da referida san ção. Ainda que haja responsá veis solidários, só o verdadeiro

DIGESTO

ECONÔMICO

“Protegendo de modo parti, cular a confiança que é o fun damento do contrato de depósi to, a lei civil admite a prisão do depositário infiel, como me dida coercitiva a fim de obrigálo a devolver a coisa depositada.

A medida é cabível tanto no

depósito voluntário, como no de-

pósito necessário, sendo previs ta pelo art. 1287 do CC, que fixa um prazo máximo de um ano para a prisão administrativa.

Embora a Constituição Federal proiba a prisão por dívida, re conhece de modo expresso a possibilidade de prisão do de positário infiel e do devedor de alimentos (art. 153, § 17 da Emenda Constitucional 1, de 1969).

34. Do nosso lado já tive mos o ensejo de escrever a es

Entende^e que a palavra depositário empregada pela lei civil não deve sofrer interpre tação extensiva, diante da seve ridade da sanção estabelecida. Assim, a jurisprudência não tem equiparado o inventariante ao depositário e tem havido os cilação no tocante à situação' do comprador com reserva de domínio, especialmente quando

te respeito que:

0 contrato não o considera ex-

depositário deve sofrer as con

sequências da relapsia”. (Curso de direito civil, Di reitos das obrigações, 2.a Par

te, lO.a edição, S. Paulo, Sarai va, 1975, págs. 236 e 237).

87

plicitamente como depositário da coisa até o pagamento da to talidade do débito. Leis espe ciais equipararam ao depositá rio 0 leiloeiro, em relação ao preço por ele recebido na venda em hasta pública e o alienante fiduciário, no tocante ao bem alienado fiduciariamente (art. 4.° do Decreto-lei 911

de

—

1.10.1969)”-

(ARNOLDO WALD, Obriga ções e Contratos, 5.a edição, S. Paulo, Revista dos Tribunais, 1979, págs. 324 e 325, n.o 156). 35. CLÓVIS BEVILÁQUA

esclarece que a prisão do de

positário inhel tem. as suas ori

gens nas Ordenações Filipinas

(Livro 4, 76, § 5.o) e no art. 284 do Código Comercial que deter mina:

“Não entregando o deposi tário a coisa depositada no pra zo de quarenta e oito horas da intimação judicial, será preso até que se efetue a entrega do depósito ou do seu valor equiva lente”.

36.

Acrescenta o autor do

projeto do Código Civil que o art.

1287 também encontra as

suas raízes nos artigos 2060 do

Código Napoleão e 2094 do Co-


DIGESTO

86

de Processo Civil, que não se confunde com as sanções pe nais, nem com a prisão admi nistrativa, constitui uma medi da coercitiva para obrigar o dervedor a cumprir as suas obri. gações, nos casos excepcionais

33.

ECONÔMICO

Por sua vez, WASHIN

GTON DE BARROS

MONTEI

RO, ao analisar a prisão do de positário infiel ensina

que:

de depositário infiel ou de ali

“Para a decretação da pri são, que não é propriamente uma pena, mas medida compul

mentando.

sória de natureza civil ou admi

32. O Repertório Enciclo pédico esclarece neste sentido que:

"A prisão civil não objetiva, desta maneira, a imputaçâo de uma penalidade ou castigo, mas a compelir o faltoso ou inadim plente a realçar determinada obrigação não observada, seja prestar alimentos devidos, de volver o depósito, ou pagar a dívida rural. Em síntese, se im põe para coagir o faltoso ou omisso a fazer o que é de sua

obrigação ou dever, não impor tando, pois, em condenação cri minal, uma vez que é tão so mente meio legal compulsório de obter o cumprimento de de terminado dever. Não é uma pe. na

.

(CARVALHO SANTOS e ou tros, Repertório Enciclopédico do direito brasileiro. Rio, Bor soi, vol. XXXDC, pág. 216).

nistrativa, não importa que o depositário tenha agido com culpa ou dolo. Só pode ser de cretada, porém, no curso da ação de depósito, em que se as segure plena defesa ao devedor, desde que existam seguros ele mentos comprobatórios da in fidelidade”.

“O processo de habeas-corpus não comporta apreciação da legitimidade da referida san ção. Ainda que haja responsá veis solidários, só o verdadeiro

DIGESTO

ECONÔMICO

“Protegendo de modo parti, cular a confiança que é o fun damento do contrato de depósi to, a lei civil admite a prisão do depositário infiel, como me dida coercitiva a fim de obrigálo a devolver a coisa depositada.

A medida é cabível tanto no

depósito voluntário, como no de-

pósito necessário, sendo previs ta pelo art. 1287 do CC, que fixa um prazo máximo de um ano para a prisão administrativa.

Embora a Constituição Federal proiba a prisão por dívida, re conhece de modo expresso a possibilidade de prisão do de positário infiel e do devedor de alimentos (art. 153, § 17 da Emenda Constitucional 1, de 1969).

34. Do nosso lado já tive mos o ensejo de escrever a es

Entende^e que a palavra depositário empregada pela lei civil não deve sofrer interpre tação extensiva, diante da seve ridade da sanção estabelecida. Assim, a jurisprudência não tem equiparado o inventariante ao depositário e tem havido os cilação no tocante à situação' do comprador com reserva de domínio, especialmente quando

te respeito que:

0 contrato não o considera ex-

depositário deve sofrer as con

sequências da relapsia”. (Curso de direito civil, Di reitos das obrigações, 2.a Par

te, lO.a edição, S. Paulo, Sarai va, 1975, págs. 236 e 237).

87

plicitamente como depositário da coisa até o pagamento da to talidade do débito. Leis espe ciais equipararam ao depositá rio 0 leiloeiro, em relação ao preço por ele recebido na venda em hasta pública e o alienante fiduciário, no tocante ao bem alienado fiduciariamente (art. 4.° do Decreto-lei 911

de

—

1.10.1969)”-

(ARNOLDO WALD, Obriga ções e Contratos, 5.a edição, S. Paulo, Revista dos Tribunais, 1979, págs. 324 e 325, n.o 156). 35. CLÓVIS BEVILÁQUA

esclarece que a prisão do de

positário inhel tem. as suas ori

gens nas Ordenações Filipinas

(Livro 4, 76, § 5.o) e no art. 284 do Código Comercial que deter mina:

“Não entregando o deposi tário a coisa depositada no pra zo de quarenta e oito horas da intimação judicial, será preso até que se efetue a entrega do depósito ou do seu valor equiva lente”.

36.

Acrescenta o autor do

projeto do Código Civil que o art.

1287 também encontra as

suas raízes nos artigos 2060 do

Código Napoleão e 2094 do Co-


DIGESTO

88

dice Civile italiano de 1865 que, ambos, admitem a prisão como medida coercitiva para obrigar o depositário infiel a devolver o bem no caso de ter ocorrido

ECONÔMICO

sua própria natureza, se desti nava a ser utilizado e repassa do para terceiros dos quais so mente o síndico pode obter a sua devolução.

37.

Conclui CLÓVIS BEVI

“A prisão de que tratava es te artigo (1278), era meio co)ercltivo para obter-se a restituição do depósito. Terminava, logo que esta se dava”.

(Código Civil Comentado, 6.a edição, Rio, Edição da Li vraria Francisco Alves, 1947, vol. V, pág, 27).

p

38. É, assim, evidente que, tratando-se de medida coerciti va ou compulsiva destinada a

89

ECONÔMICO

(HENRI, JEAN MAZEAUD,

b) se a ação de depósito pudesse ser intentada, deveria

Leçons de droit cívil, 4.a edi ção, Paris, Éditions Montchrestien, 1974, Tomo III, vol. 2, pág.

sê*lo contra a massa falida re

e

“subdepositário'

LÉON

ET

749 n.^ 1501).

depósito necessário. LÁQUA que:

DIGESTO

39. Não constituindo a pri. são civil uma pena, mas uma medida que se destina a obri gar 0 depositário a restituir o que lhe foi entregue, é evidente que somente se concebe a sua aplicação quando o depositário ou quem a ele legalmente foi equiparado tem condições de devolver, pois, ad impossibilia nemo tenetur. No caso, os consulentes não têm qualquer ação

para reaver os engradados de positados que se encontram na

posse de terceiros compradores. 40.

O nosso direito não ad

41.

Assim sendo não tendo

o depositário condições legais de reaver de terceiros os bens

depositados, a medida coerciti va não lhe pode ser aplicada por completa impossibilidade de ser alcançado o objeto que a medida legal visa a alcançar.

42.

Pelo exposto concluí

mos que:

a) uma vez decretada a fa lência a lei determina que não mais pode ser intentada a ação de depósito, só admitindo a res tituição, conforme jurisprudên cia do Supremo Tribunal Fe

presentada pelo síndico e ja mais contra os antigos admi nistradores da empresa, de acordo com o que dispõe o art. 40 da Lei Falimentar e demais

disposições do mesmo diploma legal;

c) a prisão civil é medida coercitiva ou compulsiva, não constituindo uma pena, e destina-se a obrigar o depositário a devolver o bem depositado. Assim sendo, se. aquele que a lei ou 0 contrato equipara ao depositário não tem condições jurídicas de reaver os bens dos terceiros, nas mãos dos quais se encontram, para devolvê-los ao depositante é evidente que descabe a prisão civil nos ter mos em que foi definida pela Constituição e pelo Código Civil.

alcançar um fim determinado, a prisão civil não pode ser apli

mite

reaver de terceiros os bens de

deral e das

cada

positados, após a decretação da falência, quando a representa ção da massa passou a perten

país;

cer exclusivamente ao síndico.

Cana-de-açúcar em tubos de ensaio bustível de origem fós

sil, ganhou grande interesse a introdução de novas técnicas para melho ramento genético da cana-de-açúcar, produtora de álcool. De acordo com o prof. Otto J. Crocomo. da Escola de Agricultura “Luiz de Queiroz”, da

a

quem

evidentemente

não tem condições jurídicas e fáticas de devolver o objeto do depósito, por estar o mesmo comprovadamente em mãos de terceiros, importando a decre tação da falência em retirar dos sócios gerentes da empresa

qualquer legitimidade para rea. ver aquilo que, nas suas mãos, foi depositado, mas que, pela

que

o depositário possa

Outras soluções existem em le gislações que permitem, em todas as oportunidades, ao de positário reaver os bens de terceiros, como ocorre na juris. prudência francesa que cuida das relações entre depositário

demais

cortes do

— Com a crise de com

USP, o objetivo de qualquer programa de melhoramento é a manipulação de populações geneticamente vwiáveís, possibilitando a identificação e se leção de características desejáveis. As técnicas de cultura de células e de tecidos de plantae e o produto de sua fusão permitem manipular os genes vegetais em tubos de -ensaio, em condições assépticas, sem recurso às téc(Contlnua na página 100)


DIGESTO

88

dice Civile italiano de 1865 que, ambos, admitem a prisão como medida coercitiva para obrigar o depositário infiel a devolver o bem no caso de ter ocorrido

ECONÔMICO

sua própria natureza, se desti nava a ser utilizado e repassa do para terceiros dos quais so mente o síndico pode obter a sua devolução.

37.

Conclui CLÓVIS BEVI

“A prisão de que tratava es te artigo (1278), era meio co)ercltivo para obter-se a restituição do depósito. Terminava, logo que esta se dava”.

(Código Civil Comentado, 6.a edição, Rio, Edição da Li vraria Francisco Alves, 1947, vol. V, pág, 27).

p

38. É, assim, evidente que, tratando-se de medida coerciti va ou compulsiva destinada a

89

ECONÔMICO

(HENRI, JEAN MAZEAUD,

b) se a ação de depósito pudesse ser intentada, deveria

Leçons de droit cívil, 4.a edi ção, Paris, Éditions Montchrestien, 1974, Tomo III, vol. 2, pág.

sê*lo contra a massa falida re

e

“subdepositário'

LÉON

ET

749 n.^ 1501).

depósito necessário. LÁQUA que:

DIGESTO

39. Não constituindo a pri. são civil uma pena, mas uma medida que se destina a obri gar 0 depositário a restituir o que lhe foi entregue, é evidente que somente se concebe a sua aplicação quando o depositário ou quem a ele legalmente foi equiparado tem condições de devolver, pois, ad impossibilia nemo tenetur. No caso, os consulentes não têm qualquer ação

para reaver os engradados de positados que se encontram na

posse de terceiros compradores. 40.

O nosso direito não ad

41.

Assim sendo não tendo

o depositário condições legais de reaver de terceiros os bens

depositados, a medida coerciti va não lhe pode ser aplicada por completa impossibilidade de ser alcançado o objeto que a medida legal visa a alcançar.

42.

Pelo exposto concluí

mos que:

a) uma vez decretada a fa lência a lei determina que não mais pode ser intentada a ação de depósito, só admitindo a res tituição, conforme jurisprudên cia do Supremo Tribunal Fe

presentada pelo síndico e ja mais contra os antigos admi nistradores da empresa, de acordo com o que dispõe o art. 40 da Lei Falimentar e demais

disposições do mesmo diploma legal;

c) a prisão civil é medida coercitiva ou compulsiva, não constituindo uma pena, e destina-se a obrigar o depositário a devolver o bem depositado. Assim sendo, se. aquele que a lei ou 0 contrato equipara ao depositário não tem condições jurídicas de reaver os bens dos terceiros, nas mãos dos quais se encontram, para devolvê-los ao depositante é evidente que descabe a prisão civil nos ter mos em que foi definida pela Constituição e pelo Código Civil.

alcançar um fim determinado, a prisão civil não pode ser apli

mite

reaver de terceiros os bens de

deral e das

cada

positados, após a decretação da falência, quando a representa ção da massa passou a perten

país;

cer exclusivamente ao síndico.

Cana-de-açúcar em tubos de ensaio bustível de origem fós

sil, ganhou grande interesse a introdução de novas técnicas para melho ramento genético da cana-de-açúcar, produtora de álcool. De acordo com o prof. Otto J. Crocomo. da Escola de Agricultura “Luiz de Queiroz”, da

a

quem

evidentemente

não tem condições jurídicas e fáticas de devolver o objeto do depósito, por estar o mesmo comprovadamente em mãos de terceiros, importando a decre tação da falência em retirar dos sócios gerentes da empresa

qualquer legitimidade para rea. ver aquilo que, nas suas mãos, foi depositado, mas que, pela

que

o depositário possa

Outras soluções existem em le gislações que permitem, em todas as oportunidades, ao de positário reaver os bens de terceiros, como ocorre na juris. prudência francesa que cuida das relações entre depositário

demais

cortes do

— Com a crise de com

USP, o objetivo de qualquer programa de melhoramento é a manipulação de populações geneticamente vwiáveís, possibilitando a identificação e se leção de características desejáveis. As técnicas de cultura de células e de tecidos de plantae e o produto de sua fusão permitem manipular os genes vegetais em tubos de -ensaio, em condições assépticas, sem recurso às téc(Contlnua na página 100)


P

o trabalho da

Paulipetro Osvaldo Palma

A Paulipetro está aberta

SERVIÇO CENTRAL DE PROTEÇÃO AO CRÉDITO

a todos os interessados. Palestra do secretárió Osvaldo Palma na . Câmara de Comércio

SCPC

Brasil-Alemanha em março.

Íq?c:° ‘^®d‘Íp-/'nanciamcnto e invesiimento a pessoas

í*' '"stituído como atividade pioneira da

ACSP. Todas as atividades deste Órgão estão solidamente apoiadas por modernos serviços de computador

Isto possibilita responder. com precisão e eficiência, todas as consultas dos associados

Associe-se â ACSP e aproveite as vantagens dos serviços do SCPC.

A coincidência entre a crise

1979, conseguiram eles drenar

que agora afeta as nações pro dutoras de petróleo e a nova

centenas de bilhões de dólares

onda dc críticas à Paulipetro justifica que falemos com a maior franqueza e objetivi dade.

seus pre

ços, principalmente effi' 1974 e Rua Boa Wsla, 51 — C. PoSal 8082 — Cep 01014 — Telex (11) 23355 — SP - PABX 239-1333.

do mercado,

lançaram*se,

en

tão, em ambiciosas programas

O quadro dos países produ tores é bem conhecido, na dé cada passada, através dos au mentos radicais dos

dos países consumidores, na certeza de que haviam definitivamente adquirido o comando

de desenvolvimento

programa

dos para se mantertem viáveis pelas expectativas de preços e receitas crescentes das expor

tações do seu píetróleo.


P

o trabalho da

Paulipetro Osvaldo Palma

A Paulipetro está aberta

SERVIÇO CENTRAL DE PROTEÇÃO AO CRÉDITO

a todos os interessados. Palestra do secretárió Osvaldo Palma na . Câmara de Comércio

SCPC

Brasil-Alemanha em março.

Íq?c:° ‘^®d‘Íp-/'nanciamcnto e invesiimento a pessoas

í*' '"stituído como atividade pioneira da

ACSP. Todas as atividades deste Órgão estão solidamente apoiadas por modernos serviços de computador

Isto possibilita responder. com precisão e eficiência, todas as consultas dos associados

Associe-se â ACSP e aproveite as vantagens dos serviços do SCPC.

A coincidência entre a crise

1979, conseguiram eles drenar

que agora afeta as nações pro dutoras de petróleo e a nova

centenas de bilhões de dólares

onda dc críticas à Paulipetro justifica que falemos com a maior franqueza e objetivi dade.

seus pre

ços, principalmente effi' 1974 e Rua Boa Wsla, 51 — C. PoSal 8082 — Cep 01014 — Telex (11) 23355 — SP - PABX 239-1333.

do mercado,

lançaram*se,

en

tão, em ambiciosas programas

O quadro dos países produ tores é bem conhecido, na dé cada passada, através dos au mentos radicais dos

dos países consumidores, na certeza de que haviam definitivamente adquirido o comando

de desenvolvimento

programa

dos para se mantertem viáveis pelas expectativas de preços e receitas crescentes das expor

tações do seu píetróleo.


DIGESTO

92

Os primeiros efeitos de tal orientação sobre os países con sumidores foram a generaliza ção da inflação e da estagna ção econômica. A inflação, como resultado das repercus sões dos novos preços da ener

gia e dos subprodutos do pe tróleo, sobre todas as ativida des econômicas. A estagnação, como consequência da perda de poder aquisitivo resultante das centenas de bilhões pagos pelo petróleo le, igualmente, pela inflação implantada. A estagflação ainda não foi supe

rada. E é imprevisível quando isto acontecerá. As doutrinas econômicas conhecidas não en contraram resposta para a

inédita combinação ds inflação com estagnação. A cooperação econômica mais abrangente e concreta, levando a uma nova ordem econômica mundial mais

compatível com as novas reali dades, poderia ser a saída. Mas, as angústias econômicosociais de cada nação consu midora têm sido mais decisivas

do que a força dos fatos que comprovam a profundidade da interdependência, da qual a própria crise energética tem

ECONÔMICO

Em lugar de mais coopera ção temos visto mais protecio nismo, mais obstáculos ao co

mércio internacional, a pouco inteligente opção por tentativas de soluções em âmbito estrita mente nacional que só tem in crementado a escala do proble ma que todos confrontamos.

É

verdade,

porém,

que

existem fortes indícios de um

possível equilíbrio entre o po derio dos produtores sobre o mercado e aquele dos consumi dores.

A

demanda

de

petróleo

vem sendo reduzida o qua, so mado aos estoques existentes'

nos países consumidores, que brou, no momento, a força dos produtores. A opção da OPEP pela re dução da produção e pela osci lação dos preços nos mercados sob contrato e spot represen tam um

alívio

de uma

crise

que já perdura quase dez anos.

A nova situação,

porém,

faz-me lembrar a história do homem que se viu morando

num só quarto

com mulher,

três filhos e os sogros. Buscan

sido a mais dramática demons

do uma solução, ouviu ele o

tração.

conselho de

incluir

um

bode

DIGESTO

93

ECONÔMICO

como hóspede. Como a coisa se tornara ainda mais insuportá

vel, voltou ele ao conselheiro que sugeriu que também aco lhesse a vaca leiteira. Desespe rado,

novamentsí regressou ao

seu conselheiro que lhe sugeriu

De outro, no prazo destina do a ter efeitos mais duradou-

de políticas

ros

conservacio-

nistas, do incremento às pes quisas

de fontes

petrolíferas

locais e de fontss alternativas de energia.

não deixasse de acolher o ca

chorro da

família.

O

espaço

que tinha, já inabitável para ele e os três filhos,' transfor mou-se num inferno. Então, o conselheiro sugeriu que retiras se o cachorro, na semana sub sequente foi a vez da vaca e, finalmente, do bode. E ele,

Mantida a tendência declinante nos preços por prazo ra

zoável, poderá ocorrer uma li geira recuperação das econo mias com provável recupera

ção, mesmo que parcial, do consumo de petróleo. É sobre tal hipótese que os países pro

gros, voltaram a respirar. Pa

dutores estão apostando. Pare ce evidente que, vindo a ga

vido.

consequências de um tal cená

com mulher, três filhos e os so

recia-lhe que tudo esüva resol

O quadro atual, de declínio dos preços de petróleo, pode levar-nos a

problema

ilusão

de

definitivamente

mesma

re

solvido .

nhar a realidade dos fatos, as

rio tenderíam

a se traduzir,

numa primeira etapa, na esta bilização dos preços logo segui da por novos reajustamentos.

Isto, logicamente, se não vier mos

a esquecer que, como

o

A redução da demanda in ternacional de petróleo resul

homem da história que acabei

tou da intensidade da crise dos

mercado não implica eni mu

preços.

De um lado, da recessão que significou não apenas que bra do crescimento como, prin cipalmente, diminuição das atividades econômicas em ge ral.

de contar, a situação atual do

danças estruturais, que continuaremos

vivendo

apertada-

mente num quarto já insuportá vel que nos obriga a manter a família no seu número atual com a alternativa da alegria

provisória de novos filhos a ser


DIGESTO

92

Os primeiros efeitos de tal orientação sobre os países con sumidores foram a generaliza ção da inflação e da estagna ção econômica. A inflação, como resultado das repercus sões dos novos preços da ener

gia e dos subprodutos do pe tróleo, sobre todas as ativida des econômicas. A estagnação, como consequência da perda de poder aquisitivo resultante das centenas de bilhões pagos pelo petróleo le, igualmente, pela inflação implantada. A estagflação ainda não foi supe

rada. E é imprevisível quando isto acontecerá. As doutrinas econômicas conhecidas não en contraram resposta para a

inédita combinação ds inflação com estagnação. A cooperação econômica mais abrangente e concreta, levando a uma nova ordem econômica mundial mais

compatível com as novas reali dades, poderia ser a saída. Mas, as angústias econômicosociais de cada nação consu midora têm sido mais decisivas

do que a força dos fatos que comprovam a profundidade da interdependência, da qual a própria crise energética tem

ECONÔMICO

Em lugar de mais coopera ção temos visto mais protecio nismo, mais obstáculos ao co

mércio internacional, a pouco inteligente opção por tentativas de soluções em âmbito estrita mente nacional que só tem in crementado a escala do proble ma que todos confrontamos.

É

verdade,

porém,

que

existem fortes indícios de um

possível equilíbrio entre o po derio dos produtores sobre o mercado e aquele dos consumi dores.

A

demanda

de

petróleo

vem sendo reduzida o qua, so mado aos estoques existentes'

nos países consumidores, que brou, no momento, a força dos produtores. A opção da OPEP pela re dução da produção e pela osci lação dos preços nos mercados sob contrato e spot represen tam um

alívio

de uma

crise

que já perdura quase dez anos.

A nova situação,

porém,

faz-me lembrar a história do homem que se viu morando

num só quarto

com mulher,

três filhos e os sogros. Buscan

sido a mais dramática demons

do uma solução, ouviu ele o

tração.

conselho de

incluir

um

bode

DIGESTO

93

ECONÔMICO

como hóspede. Como a coisa se tornara ainda mais insuportá

vel, voltou ele ao conselheiro que sugeriu que também aco lhesse a vaca leiteira. Desespe rado,

novamentsí regressou ao

seu conselheiro que lhe sugeriu

De outro, no prazo destina do a ter efeitos mais duradou-

de políticas

ros

conservacio-

nistas, do incremento às pes quisas

de fontes

petrolíferas

locais e de fontss alternativas de energia.

não deixasse de acolher o ca

chorro da

família.

O

espaço

que tinha, já inabitável para ele e os três filhos,' transfor mou-se num inferno. Então, o conselheiro sugeriu que retiras se o cachorro, na semana sub sequente foi a vez da vaca e, finalmente, do bode. E ele,

Mantida a tendência declinante nos preços por prazo ra

zoável, poderá ocorrer uma li geira recuperação das econo mias com provável recupera

ção, mesmo que parcial, do consumo de petróleo. É sobre tal hipótese que os países pro

gros, voltaram a respirar. Pa

dutores estão apostando. Pare ce evidente que, vindo a ga

vido.

consequências de um tal cená

com mulher, três filhos e os so

recia-lhe que tudo esüva resol

O quadro atual, de declínio dos preços de petróleo, pode levar-nos a

problema

ilusão

de

definitivamente

mesma

re

solvido .

nhar a realidade dos fatos, as

rio tenderíam

a se traduzir,

numa primeira etapa, na esta bilização dos preços logo segui da por novos reajustamentos.

Isto, logicamente, se não vier mos

a esquecer que, como

o

A redução da demanda in ternacional de petróleo resul

homem da história que acabei

tou da intensidade da crise dos

mercado não implica eni mu

preços.

De um lado, da recessão que significou não apenas que bra do crescimento como, prin cipalmente, diminuição das atividades econômicas em ge ral.

de contar, a situação atual do

danças estruturais, que continuaremos

vivendo

apertada-

mente num quarto já insuportá vel que nos obriga a manter a família no seu número atual com a alternativa da alegria

provisória de novos filhos a ser


94

DIGESTO

superada pelo peso dos proble mas que traria. Não podemos permitir que isto aconteça

De 1973 a 1981, segundo es tudos realizados pela Organiza ção de Cooperação Econômica

e Desenvolvimento, que congre ga

os

países

do Ocidente,

industrializados

a proporção do

consumo do petróleo no Produ to Nacional Bruto destes mes mos países baixou em cerca de vinte e oito por cento como re.sultado das políticas conservacionistas. Também foi acentua

I

da no Brasil tanto jwr efeito de políticas de maximização do uso combustível quanto da redu ção das atividades econômicas.

De 1857 quando primeiro se descobriu petróleo, até recente mente, perto de quatro milhões de poços foram perfurados. Conhecem-se seiscentas ba cias sedimentares no mundo das quais cento e sessenta são

comercialmente produtoras, duzentas e quarenta- foram mo destamente exploradas e duzentas continuam praticamente

inexploradas. Ê claro que o pe-

ECONÔMICO

tróleo é um bem não renovável

tendente a se

esgotar,

mas

tudo indica que as reservas co nhecidas sejam inferiores as

DIGESTO

93

ECONÔMICO

Em 1978 foram perfurados no mundo 62 mil e 225 poços com uma metragem de 94 mi

pelo Brasil traduzem a perfu ração de apenas cinco mil po ços desde o início dos traba

lhões de metros. Em 1979 foram

efetivamente existentes que, descobertas, prolongariam a era do petróleo até o pleno desen volvimento de energias alter nativas. E este é apenas um aspecto a justificar o esforço que se faz para a descoberta de novas reservas. O outro, evi dentemente, está na necessida de dos países consumidores re duzirem o seu dispêndio com as importações de hidrocarbonetos tanto para liberarem recursos para os seus planos de desen

lhos ordenados de pesquisa e

perfurados globalmente 94 mü e 600 poços para uma metra gem de 97 milhões. Em 1980 foram perfurados 84 mil poços para uma metragem de 123 mi

perfuração

volvimento ou crescimento eco

mos as nossas reservas conhe

nômico quanto para a seguran ça nacional.

cidas. Evidentemente, a grande maioria dos poços aqui abertos mostrou-se não produtiva. Mas os que revelaram a existência de petróleo e gás mais do que compensaram os investimentos

A crise levou todos os paí ses com bacias sedimentares a

incrementarem seus esforços de pesquisa e perfuração. E enfa tizo perfuração porque há uma tendência a esquecer que só se pode ter certeza de que uma bacia

esconde hidrocarbonetos

ou não quando se perfura. Cito apenas estatísticas so bre desenvolvimentos recentes para comprovar a afirmação que acabo de fazer.

lhões .

No mesmo período, as per furações no Brasil progredi ram de 302 poços em 1978 para 385 em 1979 e 492 em 1980. Foi

principalmente esta dinamização dos trabalhos de perfura ção qUe permitiu aumentásse

realizados. Em 1981 os trabalhos brasi

em princípios dos

anos cincoenta. Num só ano o

Canadá, para não citar os Es perfura bem mais do que cinco mil poços.

tados

Unidos

Os americanos abriram 93 mil

poços apenas em 1980.

A estas alturas, por razões óbvias, não podemos afirmar de forma alguma que não existe no subsolo brasileiro petróleo

bastante para que cheguemos à autosuficiência ou, até mesmo, a exportá-lo. Muitos anos ain da se passarão até que tenha mos a resposta definitiva para as dúvidas que assaltam aque les que preferem não acreditar que os investimentos com pes

quisa e perfuração são justifi

cados. Eu, pessoalmente, apoia do no que dizem técnicos bra

leiros foram ainda mais inten

sileiros e estrangeiros, prefiro

sos. E só no período foram au mentadas em cerca de 11,79& das reservas brasileiras de pe" tróleo e gás.

confiar em que chegaremos a descobrir petróleo suficiente para as nossas necessidades surpreendendo aos pessimistas e apressando as condições para

Não podemos esquecer que os resultados obtidos até agora

um surto

inédito de desenvol*

vimento econômico e social.


94

DIGESTO

superada pelo peso dos proble mas que traria. Não podemos permitir que isto aconteça

De 1973 a 1981, segundo es tudos realizados pela Organiza ção de Cooperação Econômica

e Desenvolvimento, que congre ga

os

países

do Ocidente,

industrializados

a proporção do

consumo do petróleo no Produ to Nacional Bruto destes mes mos países baixou em cerca de vinte e oito por cento como re.sultado das políticas conservacionistas. Também foi acentua

I

da no Brasil tanto jwr efeito de políticas de maximização do uso combustível quanto da redu ção das atividades econômicas.

De 1857 quando primeiro se descobriu petróleo, até recente mente, perto de quatro milhões de poços foram perfurados. Conhecem-se seiscentas ba cias sedimentares no mundo das quais cento e sessenta são

comercialmente produtoras, duzentas e quarenta- foram mo destamente exploradas e duzentas continuam praticamente

inexploradas. Ê claro que o pe-

ECONÔMICO

tróleo é um bem não renovável

tendente a se

esgotar,

mas

tudo indica que as reservas co nhecidas sejam inferiores as

DIGESTO

93

ECONÔMICO

Em 1978 foram perfurados no mundo 62 mil e 225 poços com uma metragem de 94 mi

pelo Brasil traduzem a perfu ração de apenas cinco mil po ços desde o início dos traba

lhões de metros. Em 1979 foram

efetivamente existentes que, descobertas, prolongariam a era do petróleo até o pleno desen volvimento de energias alter nativas. E este é apenas um aspecto a justificar o esforço que se faz para a descoberta de novas reservas. O outro, evi dentemente, está na necessida de dos países consumidores re duzirem o seu dispêndio com as importações de hidrocarbonetos tanto para liberarem recursos para os seus planos de desen

lhos ordenados de pesquisa e

perfurados globalmente 94 mü e 600 poços para uma metra gem de 97 milhões. Em 1980 foram perfurados 84 mil poços para uma metragem de 123 mi

perfuração

volvimento ou crescimento eco

mos as nossas reservas conhe

nômico quanto para a seguran ça nacional.

cidas. Evidentemente, a grande maioria dos poços aqui abertos mostrou-se não produtiva. Mas os que revelaram a existência de petróleo e gás mais do que compensaram os investimentos

A crise levou todos os paí ses com bacias sedimentares a

incrementarem seus esforços de pesquisa e perfuração. E enfa tizo perfuração porque há uma tendência a esquecer que só se pode ter certeza de que uma bacia

esconde hidrocarbonetos

ou não quando se perfura. Cito apenas estatísticas so bre desenvolvimentos recentes para comprovar a afirmação que acabo de fazer.

lhões .

No mesmo período, as per furações no Brasil progredi ram de 302 poços em 1978 para 385 em 1979 e 492 em 1980. Foi

principalmente esta dinamização dos trabalhos de perfura ção qUe permitiu aumentásse

realizados. Em 1981 os trabalhos brasi

em princípios dos

anos cincoenta. Num só ano o

Canadá, para não citar os Es perfura bem mais do que cinco mil poços.

tados

Unidos

Os americanos abriram 93 mil

poços apenas em 1980.

A estas alturas, por razões óbvias, não podemos afirmar de forma alguma que não existe no subsolo brasileiro petróleo

bastante para que cheguemos à autosuficiência ou, até mesmo, a exportá-lo. Muitos anos ain da se passarão até que tenha mos a resposta definitiva para as dúvidas que assaltam aque les que preferem não acreditar que os investimentos com pes

quisa e perfuração são justifi

cados. Eu, pessoalmente, apoia do no que dizem técnicos bra

leiros foram ainda mais inten

sileiros e estrangeiros, prefiro

sos. E só no período foram au mentadas em cerca de 11,79& das reservas brasileiras de pe" tróleo e gás.

confiar em que chegaremos a descobrir petróleo suficiente para as nossas necessidades surpreendendo aos pessimistas e apressando as condições para

Não podemos esquecer que os resultados obtidos até agora

um surto

inédito de desenvol*

vimento econômico e social.


96

DIGESTO

ECONÔMICO

Para isto, porém, precisa

limitou à preocupação com a

mos ampliar cada vez mais as pesquisas e as atividades de perfuração.

necessidade de se criar condi

Os contratos de risco foram

uma forma inteligente de via bilizar a multiplicação da pes' quisa e da perfuração em bus ca do petróleo pois que estão atraindo capitais de risco e tec nologia de fontes diversas daquelas da Petrobrás. Como 0 estado economica mente mais poderoso do País,

São Paulo não poderia ausen tar-se da responsabilidade de participar diretamente de. um esforço que é nacionalmente fundamental. Quanto mais ra pidamente pesquisarmos o nos

so subsolo, tanto mais rapida mente poderemos ter exceden tes para aplicar no desenvolvi

mento de todas as demais ati

vidades econômicas e para as transformações estruturais que são essenciais na solução dos problemas sociais do País.

A filosofia que orientou a implantação da Paulipetro não .se inspirou, apenas, no fato de que as

repercussões da

crise

energética estavam prejudican do o contínuo crescimento de São Paulo e do Brasil e não se

DIGESTO

ECONÔMICO

97

o

a ser descobertos. Também ur

ções para uma melhor distri buição nacional do desenvolvi

Consórcio Paulipetro como a área por nós escolhida para a pesquisa de hidrocarbonetos íoi

mento e de seus efeitos.

tecnicamente tomada. Não liou-

ge destacar que o IPT vem prestando magníficos serviços ao desenvolvimento tecnológico de São Paulo e do Brasil há maio de 80 anos. E que o seu

Teve, também, a inspirá-la. a idéia federalista, a defesa do restabelecimento de um grau crescente de autonomia para os Estados.

O sucesso da Paulipetro repercutirá sobre o Balanço Na cional de Pagamentos, grande inibidor

de

retomada

de

uma

taxa adequada de desenvolvi mento, quanto também, sobre o movimento visando ao restabe lecimento de um equilíbrio mais lógico entre o poder cen tral e o dos Estados e Municí

pios. Descentralização que to dos reconhecem como absoluta mente essencial para a maioi

liberação das forças econômi cas e sociais regionais no sen tido

de

um

desenvolvimento

mais compatível com as neces sidades e realidades de cada região do País. Uma tal descen tralização também 'será decisi va contribuição para o fortale

cimento da iniciativa privada que é o caminho que escolhe mos para

fazer do Brasil um

país economicamente próspero e politicamente livre.

A

decisão

de

se

criar

ve nenhum espírito de aventu(Interrupção: Dr. Paíma mostrará documentos).

rismo.

As críticas que se fazem à Paulipetro inspiram-se em que a iniciativa esteja identificada com

0 governador

Paulo Ma-

luf. É a ele que se procura atin gir quando se procura desmoralizar

os técnicos da CESP

e

do IPT que orientam o empre endimento, técnicos com apre ciável

conceito

internacional

sendo que no caso do IPT a própria Petrobrás recorre aos seus serviços técnicos. O racional por trás da cam panha é 0 ds- que se a Paulipe" tro

tiver

sucesso

tornará

Ma-

luf imbatível em quaisquer am bições políticas que possa ter.

A injustiça que assim se comete demonstra-se, em pri meiro lugar, no fato de que o prazo de um mandato de gover nador não é suficiente para que empresa alguma avance de pes quisas da perfuração para o re conhecimento e a marcação de campos produtivos qüè venhani

corpo técnico, que foi ouvido na escolha da área a ser pesquisa

da, não aceitaria participar de atividades aventureiras que pu dessem

destruir

o

conceito

de

que gozam eles e a instituição. se

A bacia do Paraná incluientre as áreas reservadas

pela Petrobrás para serem ex ploradas mediante contratos de risco. E ainda no mês de abril novas secções desta bacia serão licitadas. Trata-se de

uma

bacia se

dimentar que oferece a dificul dade de um derrame de basal

to que precisa ser atravessado para se poder verificar sua po tencialidade em petróleo e gás. A Petrobrás tanto acredita naa possibilidades da região que reservou todos os blocos ao

noroeste

do

rio

Paraná,

desde Jatai, em Goiás, até Co xim, no Mato Grosso, e outras áreas no Paraná e Santa Cata

rina, para as suas próprias pes quisas.


96

DIGESTO

ECONÔMICO

Para isto, porém, precisa

limitou à preocupação com a

mos ampliar cada vez mais as pesquisas e as atividades de perfuração.

necessidade de se criar condi

Os contratos de risco foram

uma forma inteligente de via bilizar a multiplicação da pes' quisa e da perfuração em bus ca do petróleo pois que estão atraindo capitais de risco e tec nologia de fontes diversas daquelas da Petrobrás. Como 0 estado economica mente mais poderoso do País,

São Paulo não poderia ausen tar-se da responsabilidade de participar diretamente de. um esforço que é nacionalmente fundamental. Quanto mais ra pidamente pesquisarmos o nos

so subsolo, tanto mais rapida mente poderemos ter exceden tes para aplicar no desenvolvi

mento de todas as demais ati

vidades econômicas e para as transformações estruturais que são essenciais na solução dos problemas sociais do País.

A filosofia que orientou a implantação da Paulipetro não .se inspirou, apenas, no fato de que as

repercussões da

crise

energética estavam prejudican do o contínuo crescimento de São Paulo e do Brasil e não se

DIGESTO

ECONÔMICO

97

o

a ser descobertos. Também ur

ções para uma melhor distri buição nacional do desenvolvi

Consórcio Paulipetro como a área por nós escolhida para a pesquisa de hidrocarbonetos íoi

mento e de seus efeitos.

tecnicamente tomada. Não liou-

ge destacar que o IPT vem prestando magníficos serviços ao desenvolvimento tecnológico de São Paulo e do Brasil há maio de 80 anos. E que o seu

Teve, também, a inspirá-la. a idéia federalista, a defesa do restabelecimento de um grau crescente de autonomia para os Estados.

O sucesso da Paulipetro repercutirá sobre o Balanço Na cional de Pagamentos, grande inibidor

de

retomada

de

uma

taxa adequada de desenvolvi mento, quanto também, sobre o movimento visando ao restabe lecimento de um equilíbrio mais lógico entre o poder cen tral e o dos Estados e Municí

pios. Descentralização que to dos reconhecem como absoluta mente essencial para a maioi

liberação das forças econômi cas e sociais regionais no sen tido

de

um

desenvolvimento

mais compatível com as neces sidades e realidades de cada região do País. Uma tal descen tralização também 'será decisi va contribuição para o fortale

cimento da iniciativa privada que é o caminho que escolhe mos para

fazer do Brasil um

país economicamente próspero e politicamente livre.

A

decisão

de

se

criar

ve nenhum espírito de aventu(Interrupção: Dr. Paíma mostrará documentos).

rismo.

As críticas que se fazem à Paulipetro inspiram-se em que a iniciativa esteja identificada com

0 governador

Paulo Ma-

luf. É a ele que se procura atin gir quando se procura desmoralizar

os técnicos da CESP

e

do IPT que orientam o empre endimento, técnicos com apre ciável

conceito

internacional

sendo que no caso do IPT a própria Petrobrás recorre aos seus serviços técnicos. O racional por trás da cam panha é 0 ds- que se a Paulipe" tro

tiver

sucesso

tornará

Ma-

luf imbatível em quaisquer am bições políticas que possa ter.

A injustiça que assim se comete demonstra-se, em pri meiro lugar, no fato de que o prazo de um mandato de gover nador não é suficiente para que empresa alguma avance de pes quisas da perfuração para o re conhecimento e a marcação de campos produtivos qüè venhani

corpo técnico, que foi ouvido na escolha da área a ser pesquisa

da, não aceitaria participar de atividades aventureiras que pu dessem

destruir

o

conceito

de

que gozam eles e a instituição. se

A bacia do Paraná incluientre as áreas reservadas

pela Petrobrás para serem ex ploradas mediante contratos de risco. E ainda no mês de abril novas secções desta bacia serão licitadas. Trata-se de

uma

bacia se

dimentar que oferece a dificul dade de um derrame de basal

to que precisa ser atravessado para se poder verificar sua po tencialidade em petróleo e gás. A Petrobrás tanto acredita naa possibilidades da região que reservou todos os blocos ao

noroeste

do

rio

Paraná,

desde Jatai, em Goiás, até Co xim, no Mato Grosso, e outras áreas no Paraná e Santa Cata

rina, para as suas próprias pes quisas.


98

DIGESTO

As atividades nela desenvol

vidas pela Paulipetro já tive ram um primeiro resultado no desenvolvimento de tecnologias de prospecção em áreas com derrames basálticos abrindo, então, maiores possibilidades de exploração bem sucedida em toda a bacia.

O poço de Cuiabá Paülista, no qual foi encontrado gás, vi nha sendo perfurado como um

poço estratigráfico, isto é, para maiores conhecimentos das qua lidades

e

características

do

subsolo. Com a descoberta do

gás agora, três novos poços se

rão perfurados para se còmpletar a avaliação do campo — estes três novos poços foram oficialmente aprovados por téc nicos e diretoria da Petrobrás pois que os termos do contra

to de risco dizem que, uma vez demonstrada

de

uma

a comercialidade

descoberta,

investimentos embolsados.

feitos

todos

os

serão

re-

Não se desconhece que o grau de comercialização de um campo não se mede pela rela ção custo-benefício de um único

ECONÔMICO

concluídas as demais perfura ções. Cuiabá Paulista comprovou definitivamente a existência de hidrocarbonetos na bacia do Paraná.

Os trabalhos realizados pe los técnicos do IPT, e pelas em presas nacionais que desenvol

veram as perfurações, também

demonstram que, ao contrário do que se afirmava antes, os corpos basálticos representam um dos fatores mais importan tes na acumulação de hidrocar bonetos na bacia do Paraná e, provavelmente, nas demais ba cias também marcadas pela presença de basalto. O poço de Cuiabá Paulista atingiu a uma profundidade de

5.145 metros e o seu custo, até agora, oscila ao redor dos vin te milhões de dólares, o equi valente ao consumo nacional de petróleo de vinte horas. Os po ços de desenvolvimento deverão custar ao redor de 8 milhões de dólares.

Ao que nos consta, não são os poços mais caros até agora

poço e, sim, pelo conhecimen

perfurados em nosso país.

to de sua potencialidade total.

Os resultados obtidos em Cuiabá Paulista são mais do que encorajadores.

É o que saberemos a respeito de

Cuiabá

Paulista

uma

vez

DIGESTO

ECONÔMICO

99

Já dizia eu que o novo qua dro

internacional

da

oferta

e

demanda de petróleo implica no risco de esquecermos que não

como para dispormos de exce dentes para importar e, princi palmente, pelos seus efeitos ime diatos sobre o nível de empre

pendência de importação de hi-

go e, no prazo, sobre a reestru turação e modernização de nos

drocarbonetos.

sa

muda a realidade da nossa de

Terá,

de ime

diato, reflexos positivos sobre a balança de pagamentos tra duzindo-se em menores gástos em dólares no ano corrente.

A meu ver, porém, este re lativo alivio, de uma crise que já perdura há quase dez anos, precisa ser por nós utilizado para incrementarmos amda mais o empenho em políticas conservacionistas, a pesquisa de hidrocarbonetos em nosso próprio território e o desenvol vimento das fontes alternativas renováveis ou não.

Não podemos esquecer, em hipótese alguma, que a questão está em encontrarmos soluções definitivas para a nossa depen

dência de energia importada e, não, em buscarmos apenas meios

e

maneiras

de

reduzir

economia

interna.

O esforço de exportaçãb é,

então, fundamental pricipalmente pelos seus efeitos estratégi cos sobre a qualidade da nossa economia.

Devemos prosseguir, apoian do de forma crescente, o Proálcool e 0 Procarvão, o xisto, a

turfa, as biomassas, a energia solar, a energia nuclear etc., entre outros esforços que reali

zamos, como meios de reduzir mos a nossa dependência exter na de hidrocarbonetos e de li berarmos recursos para o desenvolvimento.

E, não podemos deixar de incrementar

cada

vez

mais a

pesquisa de petróleo em nosso solo porque, em última análise, trata-^ de conquistarmos as

seus efeitos negativos sobre a

condições para um desenvolvi

nossa economia.

mento mais compatível com as

Precisamos continuar o es

forço de exportação para mu darmos a tendência de cresci mento de nossa dívida externa

roalidaues do nosso atraso eco nômico.

Não são apenas as minhas funções de secretário da indús-


98

DIGESTO

As atividades nela desenvol

vidas pela Paulipetro já tive ram um primeiro resultado no desenvolvimento de tecnologias de prospecção em áreas com derrames basálticos abrindo, então, maiores possibilidades de exploração bem sucedida em toda a bacia.

O poço de Cuiabá Paülista, no qual foi encontrado gás, vi nha sendo perfurado como um

poço estratigráfico, isto é, para maiores conhecimentos das qua lidades

e

características

do

subsolo. Com a descoberta do

gás agora, três novos poços se

rão perfurados para se còmpletar a avaliação do campo — estes três novos poços foram oficialmente aprovados por téc nicos e diretoria da Petrobrás pois que os termos do contra

to de risco dizem que, uma vez demonstrada

de

uma

a comercialidade

descoberta,

investimentos embolsados.

feitos

todos

os

serão

re-

Não se desconhece que o grau de comercialização de um campo não se mede pela rela ção custo-benefício de um único

ECONÔMICO

concluídas as demais perfura ções. Cuiabá Paulista comprovou definitivamente a existência de hidrocarbonetos na bacia do Paraná.

Os trabalhos realizados pe los técnicos do IPT, e pelas em presas nacionais que desenvol

veram as perfurações, também

demonstram que, ao contrário do que se afirmava antes, os corpos basálticos representam um dos fatores mais importan tes na acumulação de hidrocar bonetos na bacia do Paraná e, provavelmente, nas demais ba cias também marcadas pela presença de basalto. O poço de Cuiabá Paulista atingiu a uma profundidade de

5.145 metros e o seu custo, até agora, oscila ao redor dos vin te milhões de dólares, o equi valente ao consumo nacional de petróleo de vinte horas. Os po ços de desenvolvimento deverão custar ao redor de 8 milhões de dólares.

Ao que nos consta, não são os poços mais caros até agora

poço e, sim, pelo conhecimen

perfurados em nosso país.

to de sua potencialidade total.

Os resultados obtidos em Cuiabá Paulista são mais do que encorajadores.

É o que saberemos a respeito de

Cuiabá

Paulista

uma

vez

DIGESTO

ECONÔMICO

99

Já dizia eu que o novo qua dro

internacional

da

oferta

e

demanda de petróleo implica no risco de esquecermos que não

como para dispormos de exce dentes para importar e, princi palmente, pelos seus efeitos ime diatos sobre o nível de empre

pendência de importação de hi-

go e, no prazo, sobre a reestru turação e modernização de nos

drocarbonetos.

sa

muda a realidade da nossa de

Terá,

de ime

diato, reflexos positivos sobre a balança de pagamentos tra duzindo-se em menores gástos em dólares no ano corrente.

A meu ver, porém, este re lativo alivio, de uma crise que já perdura há quase dez anos, precisa ser por nós utilizado para incrementarmos amda mais o empenho em políticas conservacionistas, a pesquisa de hidrocarbonetos em nosso próprio território e o desenvol vimento das fontes alternativas renováveis ou não.

Não podemos esquecer, em hipótese alguma, que a questão está em encontrarmos soluções definitivas para a nossa depen

dência de energia importada e, não, em buscarmos apenas meios

e

maneiras

de

reduzir

economia

interna.

O esforço de exportaçãb é,

então, fundamental pricipalmente pelos seus efeitos estratégi cos sobre a qualidade da nossa economia.

Devemos prosseguir, apoian do de forma crescente, o Proálcool e 0 Procarvão, o xisto, a

turfa, as biomassas, a energia solar, a energia nuclear etc., entre outros esforços que reali

zamos, como meios de reduzir mos a nossa dependência exter na de hidrocarbonetos e de li berarmos recursos para o desenvolvimento.

E, não podemos deixar de incrementar

cada

vez

mais a

pesquisa de petróleo em nosso solo porque, em última análise, trata-^ de conquistarmos as

seus efeitos negativos sobre a

condições para um desenvolvi

nossa economia.

mento mais compatível com as

Precisamos continuar o es

forço de exportação para mu darmos a tendência de cresci mento de nossa dívida externa

roalidaues do nosso atraso eco nômico.

Não são apenas as minhas funções de secretário da indús-


DIGESTO

100

tiia, comércio, ciência e tecno logia, que me levam a apoiar a Paulipetro de cujo conselho sou

presidente. É o fato de que,

como brasileiro, não poderia deixar de apoiar toda e qual quer iniciativa que tenha por objetivo livrar-nos dos males da dependência externa dos quais estamos sofrendo tão terriveis consequências nas for mas de redução das atividades econômicas, desemprego e o desespero de tantos.

ECONÔMICO

A Paulipetro desafia a to dos Os seus críticos a que ve nham até lá para conhecerem todos os detalhes de como tra

Reagan e a ameaça

balha e do muito que está rea lizando em benefício do Pais.

Não temos segredos. As portas do consórcio estão aber tas a quem queira conhecê-lo na intimidade.

Creio que todos os brasi leiros sem exceção deveriam estar torcendo pelo nosso su

comunista

na América Latina

cesso.

(Continuação da página 89)

9

nicas convencionais que envolvem cruzamentos no campo. A meta final é conseguir em laboratório o que usualmente leva 10 ou mais anos para ser atingido pelos métodos tradicionais. Toma-se possível o manuseio de sis- ● temas vegetais ao nível celular no. “melhoramento assexuado de plantas”, uma vez que, em muitas espécies, o fator limitante é a ausência de va riabilidade genética, apesar de a reprodução sexual ser o modo natural de amplificar a base genética de uma população. Na técnica in vitro, porém, encontra-se

um

meio de

“contornar

o sexo” cultlvando-se tecido

somático

ou pólen, anteras ou eixos embrionários, em meios de cultura apropriados que podem “auxiliar” no aumento da diversidade genética, ou mesmo submetendo-se esses explantes a agentes mutagênlcos químicos ou físicos, in dutores de poliploidia. Para várias espécies vegetais como tomate, fumo. plantas hortfcolas, ornamentais e, mais recentemente, cana-de-açúcar, já foi comprovada a capacidade de regeneração de plantas inteiras a partir de tecido somático. Experiências — A cultura de células e tecidos de canade-açúcar a partir de tecido meristemático de determinado clone, em meio sólido e depois em culturas líqüidas, foi iniciado há 20 anos no Havaí. Células dessas culturas foram isoladas e induzidas à formação de massas celulares não diferenciadas, os calos, obtendo-se diferentes subclones. cada

um apresentando número diferente de cromossomos. Teve início então programa para produção e isolamento de subclones para melhoramento das características agronômicas em cana-de-açúcar. Laboratórios dos Es tados Unidos e de Formosa também passaram a utilizar a técnica de (Continua na página 195)

Januário Francisco Megale

A U.R.S.S.^ através de seu satélite, Cuba, e agora, Nicarágua, ameaça a América

Latina. O autor é professor da USP. O tema foi debatido no Centro de Estudos Sociais e Políticos da A.C.S.P.

Qualquer iniciante em Re lações Internacionais ou Estu dos Estratégicos sabe que 0 movimento comunista interna cional visa ao domínio do mun internacional do. O adjetivo

tem aqui o seu valor pleno, uma vez que a União Soviética per segue seu objetivo de domínio

mundial desde o antigo Império Russo que se transformou, em três séculos, do pequeno Estado de Moscou no maior império da

história mundial, estendendo-se por um território de 21 milhões de quilômetros quadrados, e do minando uma população étnica tí culturalmente heterogênea.


DIGESTO

100

tiia, comércio, ciência e tecno logia, que me levam a apoiar a Paulipetro de cujo conselho sou

presidente. É o fato de que,

como brasileiro, não poderia deixar de apoiar toda e qual quer iniciativa que tenha por objetivo livrar-nos dos males da dependência externa dos quais estamos sofrendo tão terriveis consequências nas for mas de redução das atividades econômicas, desemprego e o desespero de tantos.

ECONÔMICO

A Paulipetro desafia a to dos Os seus críticos a que ve nham até lá para conhecerem todos os detalhes de como tra

Reagan e a ameaça

balha e do muito que está rea lizando em benefício do Pais.

Não temos segredos. As portas do consórcio estão aber tas a quem queira conhecê-lo na intimidade.

Creio que todos os brasi leiros sem exceção deveriam estar torcendo pelo nosso su

comunista

na América Latina

cesso.

(Continuação da página 89)

9

nicas convencionais que envolvem cruzamentos no campo. A meta final é conseguir em laboratório o que usualmente leva 10 ou mais anos para ser atingido pelos métodos tradicionais. Toma-se possível o manuseio de sis- ● temas vegetais ao nível celular no. “melhoramento assexuado de plantas”, uma vez que, em muitas espécies, o fator limitante é a ausência de va riabilidade genética, apesar de a reprodução sexual ser o modo natural de amplificar a base genética de uma população. Na técnica in vitro, porém, encontra-se

um

meio de

“contornar

o sexo” cultlvando-se tecido

somático

ou pólen, anteras ou eixos embrionários, em meios de cultura apropriados que podem “auxiliar” no aumento da diversidade genética, ou mesmo submetendo-se esses explantes a agentes mutagênlcos químicos ou físicos, in dutores de poliploidia. Para várias espécies vegetais como tomate, fumo. plantas hortfcolas, ornamentais e, mais recentemente, cana-de-açúcar, já foi comprovada a capacidade de regeneração de plantas inteiras a partir de tecido somático. Experiências — A cultura de células e tecidos de canade-açúcar a partir de tecido meristemático de determinado clone, em meio sólido e depois em culturas líqüidas, foi iniciado há 20 anos no Havaí. Células dessas culturas foram isoladas e induzidas à formação de massas celulares não diferenciadas, os calos, obtendo-se diferentes subclones. cada

um apresentando número diferente de cromossomos. Teve início então programa para produção e isolamento de subclones para melhoramento das características agronômicas em cana-de-açúcar. Laboratórios dos Es tados Unidos e de Formosa também passaram a utilizar a técnica de (Continua na página 195)

Januário Francisco Megale

A U.R.S.S.^ através de seu satélite, Cuba, e agora, Nicarágua, ameaça a América

Latina. O autor é professor da USP. O tema foi debatido no Centro de Estudos Sociais e Políticos da A.C.S.P.

Qualquer iniciante em Re lações Internacionais ou Estu dos Estratégicos sabe que 0 movimento comunista interna cional visa ao domínio do mun internacional do. O adjetivo

tem aqui o seu valor pleno, uma vez que a União Soviética per segue seu objetivo de domínio

mundial desde o antigo Império Russo que se transformou, em três séculos, do pequeno Estado de Moscou no maior império da

história mundial, estendendo-se por um território de 21 milhões de quilômetros quadrados, e do minando uma população étnica tí culturalmente heterogênea.


102

DIGESTO

O

avanço

comunista

na

ECONÔMICO

efetivo militar armado soviéti

e nos países capitalistas a de cisão de planejamento depende de votação pelos políticos elei

co, que introduziu uma nova fi

tos em voto popular, na União

gura na política mundial: país

Soviética, a decisão centrali zada independe da vontade po pular. O totalitarismo defende acima de tudo o Estado, a po

África e na Ásia já conta com

satélite de satélite, como é o caso de Cuba em Angola. Na América Latina, Cuba é a pon ta de lança da União Soviética que investe milhões de dólares

por dia na manutenção de um ponto de apoio político e estra tégico, uma vez que a econo

mia cubana não compensa, em si, sua satelitização ao bloco

soviético. Vale a estratégia do domínio desta ilha, ao lado dos EE.UU. e parte física e cultu ral da América Latina.

A bipolaridade

do

mundial é ainda válida.

poder As

duas maiores potên^^ias mun diais rivalizam-se na busca de sustentação de seus respecti vos domínios econômico e po lítico. A superioridade estraté gica dos EE.UU. de décadas anteriores foi lentamente supe rada pelo avanço soviético

tência militar, e em segundo plano 0 bem-estar de seus ci dadãos.

O governo Reagan está le vando a sério o avanço comu nista na América Latina. Des de a crise dos mísseis em Cuba,

com 0 presidente Kennedy, só agora os EE.UU. voltam à po-sição de alerta geral face à penetração comunista na re gião. O discurso de Reagan na

OEA, descontando as medidas de salvaguarda do capitalismo americano, dá o grito de alar ma face ao surgimento de no vas Cubas, a surgirem dos con flitos atuais em Nicarágua, El Salvador e Guatemala. Reagan

através não só da espionagem,

apela para a ajuda mútua de todos os americanos (Norte, Centro e Sul) ao povo do Ca

mas sobretudo pela permanen

ribe e da

te busca de novos armamentos

pois “a liberdade não pode so

e pelo crescente índice de in vestimento nas Forças Arma das. Enquanto que nos EE.UU.

breviver se nossos vizinhos vi

América

Central,

vem na miséria e na opres são”. Continua o presidente:

DIGESTO

ECONÔMICO

103

"Eu sempre acreditei que este hemisfélrio é um lugar espe cial com um destino especial. Eu acredito que estamos des tinados a nos tornar a chama de esperança para a humani dade toda." Mais do que nun ca hoje a união de todos os países latino-americanos é ne

Estados Americanos dependem estratégica e militarmente dos EE.UU. para a segurança do hemisfério face à ameaça co

munista. Há mais interdepen dência do que dependência uni lateral. O que os países latino-

americanos temem é que a po

portações de petróleo e mais da

lítica econômica protecionista dos EE.UU. e o poder de suas empresas que captam royalties e dominam a tecnologia indus trial, continuem a ditar as re gras do comércio internacional, onde as empresas nacionais saem perdendo sem o apoio de seus próprios 'governos nacio

metade dos minerais estratégi

nais.

Canal do Panamá ou pelo Gol

As Américas, Latina e do Norte perfazem uma população de 600 milhões de pessoas, cuja aspiração de liberdade está ameaçada pela permanente, sétria, competente e oportunis ta guerra revolucionária comu nista. A história é clara, lem bra o presidente americano: "Em nenhum ponto de sua his tória sórdida, as promessas do

cessária para salvaguardar a liberdade. A esperança de Reagan está baseada na defesa dos próprios interesses da sobera

nia

norte-americana.

metade

Quase

do coméircio

norte-

americano, dois terços das im

cos importados passam

pelo

fo do México. O presidente ad

verte; “Que não haja engano: 0 bem-estar e a segurança dos nossos vizinhos nesta região são de. interesse

vital

para

nós.”

É oportuno lembrar aqui

duas observações. Primeiro, o í.nteresse político e econômico

dos EE.UU. pelo Caribe se vmcuia a sua economia

caráter de

e

a

seu

potência ocidental

líder do sistema capitalista e da democracia. Segundo os demais membros da Organização dos

comunismo foram transforma das em realidade. Em todos os

lugares ele explorou e agravou sofrimentos econômicos tempo rários para assumir o poder e depois para institucionalizar a

’


102

DIGESTO

O

avanço

comunista

na

ECONÔMICO

efetivo militar armado soviéti

e nos países capitalistas a de cisão de planejamento depende de votação pelos políticos elei

co, que introduziu uma nova fi

tos em voto popular, na União

gura na política mundial: país

Soviética, a decisão centrali zada independe da vontade po pular. O totalitarismo defende acima de tudo o Estado, a po

África e na Ásia já conta com

satélite de satélite, como é o caso de Cuba em Angola. Na América Latina, Cuba é a pon ta de lança da União Soviética que investe milhões de dólares

por dia na manutenção de um ponto de apoio político e estra tégico, uma vez que a econo

mia cubana não compensa, em si, sua satelitização ao bloco

soviético. Vale a estratégia do domínio desta ilha, ao lado dos EE.UU. e parte física e cultu ral da América Latina.

A bipolaridade

do

mundial é ainda válida.

poder As

duas maiores potên^^ias mun diais rivalizam-se na busca de sustentação de seus respecti vos domínios econômico e po lítico. A superioridade estraté gica dos EE.UU. de décadas anteriores foi lentamente supe rada pelo avanço soviético

tência militar, e em segundo plano 0 bem-estar de seus ci dadãos.

O governo Reagan está le vando a sério o avanço comu nista na América Latina. Des de a crise dos mísseis em Cuba,

com 0 presidente Kennedy, só agora os EE.UU. voltam à po-sição de alerta geral face à penetração comunista na re gião. O discurso de Reagan na

OEA, descontando as medidas de salvaguarda do capitalismo americano, dá o grito de alar ma face ao surgimento de no vas Cubas, a surgirem dos con flitos atuais em Nicarágua, El Salvador e Guatemala. Reagan

através não só da espionagem,

apela para a ajuda mútua de todos os americanos (Norte, Centro e Sul) ao povo do Ca

mas sobretudo pela permanen

ribe e da

te busca de novos armamentos

pois “a liberdade não pode so

e pelo crescente índice de in vestimento nas Forças Arma das. Enquanto que nos EE.UU.

breviver se nossos vizinhos vi

América

Central,

vem na miséria e na opres são”. Continua o presidente:

DIGESTO

ECONÔMICO

103

"Eu sempre acreditei que este hemisfélrio é um lugar espe cial com um destino especial. Eu acredito que estamos des tinados a nos tornar a chama de esperança para a humani dade toda." Mais do que nun ca hoje a união de todos os países latino-americanos é ne

Estados Americanos dependem estratégica e militarmente dos EE.UU. para a segurança do hemisfério face à ameaça co

munista. Há mais interdepen dência do que dependência uni lateral. O que os países latino-

americanos temem é que a po

portações de petróleo e mais da

lítica econômica protecionista dos EE.UU. e o poder de suas empresas que captam royalties e dominam a tecnologia indus trial, continuem a ditar as re gras do comércio internacional, onde as empresas nacionais saem perdendo sem o apoio de seus próprios 'governos nacio

metade dos minerais estratégi

nais.

Canal do Panamá ou pelo Gol

As Américas, Latina e do Norte perfazem uma população de 600 milhões de pessoas, cuja aspiração de liberdade está ameaçada pela permanente, sétria, competente e oportunis ta guerra revolucionária comu nista. A história é clara, lem bra o presidente americano: "Em nenhum ponto de sua his tória sórdida, as promessas do

cessária para salvaguardar a liberdade. A esperança de Reagan está baseada na defesa dos próprios interesses da sobera

nia

norte-americana.

metade

Quase

do coméircio

norte-

americano, dois terços das im

cos importados passam

pelo

fo do México. O presidente ad

verte; “Que não haja engano: 0 bem-estar e a segurança dos nossos vizinhos nesta região são de. interesse

vital

para

nós.”

É oportuno lembrar aqui

duas observações. Primeiro, o í.nteresse político e econômico

dos EE.UU. pelo Caribe se vmcuia a sua economia

caráter de

e

a

seu

potência ocidental

líder do sistema capitalista e da democracia. Segundo os demais membros da Organização dos

comunismo foram transforma das em realidade. Em todos os

lugares ele explorou e agravou sofrimentos econômicos tempo rários para assumir o poder e depois para institucionalizar a

’


DIGESTO

104

privação econômica e para su primir os direitos humanos.

como instituição, é digna de respeito e orgulho do povo bra

Neste exato momento, existem no mundo todo seis milhões de

sileiro e só 0 desconhecimento de sua história e de sua missão

pessoas que são refugiadas de

pode tolerar esta indiferença e

sistemas

certa aversão à classe militar.

comunistas.

Até

o

momento, mais de um milhão de cubanos preferiram fugir da tirania comunista.”

Vale a

pena a leitura do discurso pre sidencial, mesmo sabendo que as palavras perdem seu alcan

ce muitas vezes ao serem pos tas em prática. Mas não será o caso agora, pois o governo americano toma consciência de sua perda estratégica face à permanente e programada cor rida armamentista da União Soviética.

I

ECONÔMICO

Nos EE.UU. 0 povo tem or gulho de suas Forças Arma das, cientes de sua missão, de sua disciplina e de seu efhos

cujo objetivo primordial é a defesa dos cidadãos, das insti tuições e da pátria. Infelizmente, no Brasil não acontece 0 mesmo. O povo não se inte

ressa, desconhece, e alguns in divíduos em todas as classes sociais, tem certa aversão aos

Diante do acelerado proces so de mudança social que atra vessamos a partir da década de 60, com a perda de prestí gio das instituições como a fa mília, a universidade, a edu

cação, a justiça, temos ainda no País duas instituições res peitadas pelo povo: As Forças Armadas e a Igreja. A Igreja, nestes dez últimos anos, voltouse aos pobres e contribui pa ra combater um traço de nosso caráter nacional: sua ação

pastoral se volta a uma prática política com pontos positivos e com alguns exageros em certos setores. As Forças Armadas no governo desde 64, sofreram certo desgaste político, mas continuam

ainda

a

merecer

respeito face ao colapso de nossa classe ípolítica.. Igreja e

militares são os dois gigantes

de patriotismo e de sentimen

que procuram liderar o povo brasileiro para a construção de uma nação forte, de uma po tência mundial cuja população

to cívico. A corporação militar,

tenha uma qualidade de vida

militares. Isto é fruto da falta

DIGESTO

ECONÔMICO

inteira digna, cuja população participe dos frutos de nosso crescimento econômico. É nes¬ te sentido que a Igreja se bate pela melhor distribuição de renda, que se volta para as po pulações carentes de nossas metrópoles, para os posseiros, para nossos índios que perdem

105

seu bem material indispensá vel — a terra.

O diálogo entre Igreja e militares é a única solução pa ra 0 Brasil sair deste impasse político-institucional e liderar a

América

do

Sul no

sentido

de preservar nosso hemisfério da calamidade do comunismo.

(Conclu.são da página 100) cultura de tecidos de cana-de-açúcar, com bons resultados — aumento na variabilidade genética, obtenção de plantas aneuplóides a partir de células em suspensão e seleção de linhas resistentes a doenças. No Brasil, o la boratório de cultura de tecidos da seção de bioquímica de plantas do Cen tro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) foi o pioneiro da introdu

ção dessa técnica. Miais recentemente, a seção de fisiologia e matologia do Planalsucar, em Araras, implantou laboratório especializado em cultu ra de tecidos de cana-de-açúcar, como técnica auxiliar altamente promis sora. Novas linhagens — A metodologia desenvolvida nos laboratórios bra sileiros permite a cultura asséptica de tecido somático de cana-de-açúcar com alta freqüência de regeneração de plantas, o que constitui ponto im portante em qualquer programa que empregue essa técnica. Grande nú mero de plantinhas pode ser produzido em laboratório em condições to talmente controladas. As plantas controladas são em seguida submetidas a testes de campo dentro de programa específico de melhoramento de cana. Antes, porém, ou ao mesmo tempo, são submetidas a triagem por métodos bioquímicos. Para o geneticista, instrumento de alto interesse é a fusão de protoplastos isolados de espécies geneticamente distantes, o que possibilita desenvolvimento de novas linhagens. Essa técnica permite o manuseio das moléculas DNA (ácido desoxiribonucléico). que são o mate rial genético herdável: codificam para as características que se de.seja transferir de uma para outra variedade, uma vez que protoplastos isola dos são capazes de incorporar DNA intactos ou não. Para o fítopatologlsta, o uso da técnica permite erradicar doenças e obter clones livres de patógeno, com restabelecimento do vigor e aumento da produção. Pode-se ainda obter clones de cana resistentes à seca, a altas temperaturas ou ao frio. Em Piracicaba foi desenvolvida metodologia aplicando-se a técnica da cultura de tecidos para seleção de variedades de cana-de-açúcar tole rantes a herbicidas ao nível celular. (Boletim da USP)


DIGESTO

104

privação econômica e para su primir os direitos humanos.

como instituição, é digna de respeito e orgulho do povo bra

Neste exato momento, existem no mundo todo seis milhões de

sileiro e só 0 desconhecimento de sua história e de sua missão

pessoas que são refugiadas de

pode tolerar esta indiferença e

sistemas

certa aversão à classe militar.

comunistas.

Até

o

momento, mais de um milhão de cubanos preferiram fugir da tirania comunista.”

Vale a

pena a leitura do discurso pre sidencial, mesmo sabendo que as palavras perdem seu alcan

ce muitas vezes ao serem pos tas em prática. Mas não será o caso agora, pois o governo americano toma consciência de sua perda estratégica face à permanente e programada cor rida armamentista da União Soviética.

I

ECONÔMICO

Nos EE.UU. 0 povo tem or gulho de suas Forças Arma das, cientes de sua missão, de sua disciplina e de seu efhos

cujo objetivo primordial é a defesa dos cidadãos, das insti tuições e da pátria. Infelizmente, no Brasil não acontece 0 mesmo. O povo não se inte

ressa, desconhece, e alguns in divíduos em todas as classes sociais, tem certa aversão aos

Diante do acelerado proces so de mudança social que atra vessamos a partir da década de 60, com a perda de prestí gio das instituições como a fa mília, a universidade, a edu

cação, a justiça, temos ainda no País duas instituições res peitadas pelo povo: As Forças Armadas e a Igreja. A Igreja, nestes dez últimos anos, voltouse aos pobres e contribui pa ra combater um traço de nosso caráter nacional: sua ação

pastoral se volta a uma prática política com pontos positivos e com alguns exageros em certos setores. As Forças Armadas no governo desde 64, sofreram certo desgaste político, mas continuam

ainda

a

merecer

respeito face ao colapso de nossa classe ípolítica.. Igreja e

militares são os dois gigantes

de patriotismo e de sentimen

que procuram liderar o povo brasileiro para a construção de uma nação forte, de uma po tência mundial cuja população

to cívico. A corporação militar,

tenha uma qualidade de vida

militares. Isto é fruto da falta

DIGESTO

ECONÔMICO

inteira digna, cuja população participe dos frutos de nosso crescimento econômico. É nes¬ te sentido que a Igreja se bate pela melhor distribuição de renda, que se volta para as po pulações carentes de nossas metrópoles, para os posseiros, para nossos índios que perdem

105

seu bem material indispensá vel — a terra.

O diálogo entre Igreja e militares é a única solução pa ra 0 Brasil sair deste impasse político-institucional e liderar a

América

do

Sul no

sentido

de preservar nosso hemisfério da calamidade do comunismo.

(Conclu.são da página 100) cultura de tecidos de cana-de-açúcar, com bons resultados — aumento na variabilidade genética, obtenção de plantas aneuplóides a partir de células em suspensão e seleção de linhas resistentes a doenças. No Brasil, o la boratório de cultura de tecidos da seção de bioquímica de plantas do Cen tro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) foi o pioneiro da introdu

ção dessa técnica. Miais recentemente, a seção de fisiologia e matologia do Planalsucar, em Araras, implantou laboratório especializado em cultu ra de tecidos de cana-de-açúcar, como técnica auxiliar altamente promis sora. Novas linhagens — A metodologia desenvolvida nos laboratórios bra sileiros permite a cultura asséptica de tecido somático de cana-de-açúcar com alta freqüência de regeneração de plantas, o que constitui ponto im portante em qualquer programa que empregue essa técnica. Grande nú mero de plantinhas pode ser produzido em laboratório em condições to talmente controladas. As plantas controladas são em seguida submetidas a testes de campo dentro de programa específico de melhoramento de cana. Antes, porém, ou ao mesmo tempo, são submetidas a triagem por métodos bioquímicos. Para o geneticista, instrumento de alto interesse é a fusão de protoplastos isolados de espécies geneticamente distantes, o que possibilita desenvolvimento de novas linhagens. Essa técnica permite o manuseio das moléculas DNA (ácido desoxiribonucléico). que são o mate rial genético herdável: codificam para as características que se de.seja transferir de uma para outra variedade, uma vez que protoplastos isola dos são capazes de incorporar DNA intactos ou não. Para o fítopatologlsta, o uso da técnica permite erradicar doenças e obter clones livres de patógeno, com restabelecimento do vigor e aumento da produção. Pode-se ainda obter clones de cana resistentes à seca, a altas temperaturas ou ao frio. Em Piracicaba foi desenvolvida metodologia aplicando-se a técnica da cultura de tecidos para seleção de variedades de cana-de-açúcar tole rantes a herbicidas ao nível celular. (Boletim da USP)


Desenvolvimento eoonômieo co O

restrições externas

O Brasj] defende o crescimento dos

empréstimos do Banco Interamericano de Desenvolvimento, BID. O autor é presidente do Banco Central.

O texto foi apresentado na reunião do BID, em Cartagena, Colômbia, em março último.

Carlos Geraldo Langoni

O caso brasileiro é ilustra

tivo do árduo trabalho que está sendo realizado para corrigir os desequilíbrios externos e inter nos, caracterizados por fortes pressões inflacionárias e eleva

p

dos déficits em conta corrente, dentro do contexto institucional de um regims político

aberto,

que assegura a liberdade de ex-

pressão e participação dos di ferentes

segmentos

da

socie-

com a estratégia adotada no pe ríodo subsequente ao primeiro choque do petróleo (1974/1978), Algumas simulações suge rem que 0 efeito da elevação do preço do petróleo acima da tendência média das outras im

doméstica

mente maior

em

relativa

comparação

missão, com maior intensidade,

para hoje atingir valores reais da ordem de 5% ao ano. De di fícil mensuração, mas certa

méstica.

commodities especialmente relevantes para a nossa balan

A partir de meados de 1980, o Brasil vem aplicando uma es tratégia de política econômica que procura estabelecer um elo lógico entre o curto e o lon

Com

lor crescentemente positivo, em termos reais, em compara ca (taxa real nula ou modesta mente positiva), representou acréscimo direto de 7,1 bilhões de dólares no endividamento,

desprezíveis,

são

A superposição do choque do petróleo com o choque

endividamento

externo.

não

dessas limitações físicas e fi nanceiras para a economia do

financeiro

ção com sua tendência históri

economia

com endividamento, tornando necessária, portanto, a trans

queda generalizada no preço de

A partir de 1979, a super posição do choque financeiro,

da

um

mente

dade.

um esforço de ajustamento

brasileira partem de

portações, no período 1973/ 1981, contribui com cerca de 62% para o aumento de nosso

relação à taxa de juros, seu va

marcado por taxas de juros ex ternas fortemente positivas em termos reais, com o novo cho que do petróleo passou a exigir

vida

patamar inferior à inflação mundial, logo após a primeira crise do petróleo (1974/75),

os efeitos indiretos, através da

ça comercial — e da própria valorização rápida do dólar que dificulta a condução da política cambial e a manutenção da competitividade dos manufatu

rados brasileiros na Europa e no Japão.

trutural.

entre 1978 e 1981.

Assim é que as taxas de ju ros implícitas no serviço da dí¬

A consequência imediata é

a impossibilidade de-prosseguir na

estratégia

go prazos, entre as mudanças conjunturais e as alterações mais profundas de caráter es

de

crescimento

Do ponto de vista conjuntu ral, há um grande empenho na aplicação, coerente e harmôni-


Desenvolvimento eoonômieo co O

restrições externas

O Brasj] defende o crescimento dos

empréstimos do Banco Interamericano de Desenvolvimento, BID. O autor é presidente do Banco Central.

O texto foi apresentado na reunião do BID, em Cartagena, Colômbia, em março último.

Carlos Geraldo Langoni

O caso brasileiro é ilustra

tivo do árduo trabalho que está sendo realizado para corrigir os desequilíbrios externos e inter nos, caracterizados por fortes pressões inflacionárias e eleva

p

dos déficits em conta corrente, dentro do contexto institucional de um regims político

aberto,

que assegura a liberdade de ex-

pressão e participação dos di ferentes

segmentos

da

socie-

com a estratégia adotada no pe ríodo subsequente ao primeiro choque do petróleo (1974/1978), Algumas simulações suge rem que 0 efeito da elevação do preço do petróleo acima da tendência média das outras im

doméstica

mente maior

em

relativa

comparação

missão, com maior intensidade,

para hoje atingir valores reais da ordem de 5% ao ano. De di fícil mensuração, mas certa

méstica.

commodities especialmente relevantes para a nossa balan

A partir de meados de 1980, o Brasil vem aplicando uma es tratégia de política econômica que procura estabelecer um elo lógico entre o curto e o lon

Com

lor crescentemente positivo, em termos reais, em compara ca (taxa real nula ou modesta mente positiva), representou acréscimo direto de 7,1 bilhões de dólares no endividamento,

desprezíveis,

são

A superposição do choque do petróleo com o choque

endividamento

externo.

não

dessas limitações físicas e fi nanceiras para a economia do

financeiro

ção com sua tendência históri

economia

com endividamento, tornando necessária, portanto, a trans

queda generalizada no preço de

A partir de 1979, a super posição do choque financeiro,

da

um

mente

dade.

um esforço de ajustamento

brasileira partem de

portações, no período 1973/ 1981, contribui com cerca de 62% para o aumento de nosso

relação à taxa de juros, seu va

marcado por taxas de juros ex ternas fortemente positivas em termos reais, com o novo cho que do petróleo passou a exigir

vida

patamar inferior à inflação mundial, logo após a primeira crise do petróleo (1974/75),

os efeitos indiretos, através da

ça comercial — e da própria valorização rápida do dólar que dificulta a condução da política cambial e a manutenção da competitividade dos manufatu

rados brasileiros na Europa e no Japão.

trutural.

entre 1978 e 1981.

Assim é que as taxas de ju ros implícitas no serviço da dí¬

A consequência imediata é

a impossibilidade de-prosseguir na

estratégia

go prazos, entre as mudanças conjunturais e as alterações mais profundas de caráter es

de

crescimento

Do ponto de vista conjuntu ral, há um grande empenho na aplicação, coerente e harmôni-


DIGESTO

108

ca, de políticas monetária

e

ECONÔMICO

de rigorosa política monetária,

méstico, a prevalência de taxas

não houver o simultâneo suces

de juros positivas, em

preços .3 de taxas de juros com

reais,

é consequência inevitá

vel da

necessidade de refletir

A expansão monetária vemse mantendo significativamenic abaixo do crescimento dos -pre

ços, 0 que assegura seu caráter restritivo, situando-se atual mente (fevereiro/1982) na faixa de 70% nos últimos 12 me A liberdade de

ses.

taxas de

juros, assim como o mecanis mo de correção monetária (in

dexação) que reflete com fide evolução dos preços internos, garante a remunera

lidade

a

ção real da poupança, viabili zando

0

crescimento da

pou

pança voluntária, mesmo num contexto de fortes pressões in flacionárias.

A flexibilidade de taxas de

juros é, também, instrumento extremamente

eficiente

à

ex

pansão do crédito doméstico, reduzindo as possibilidades de especulação com estoques e facilitando a eliminação do ex cesso de demanda agregada. Por outro lado, dada a in

tegração hoje existente entre o mercado

financeiro internacio-

termos

internamente as flutuações das

taxas externas e, simultanea

mente, manter um diferencial qua torne atraente a demanda privada por empréstimos ex ternos.

Finalmenbe, vale ressaltar que a flexibilidade de taxas de juros e 0 realismo da correção monetária reabilitaram o mer cado de títulos públicos, que se

so na redução do déficit públi co. Na realidade, os dois pro

blemas estão interligados, já que a acumulação de déficits públicos leva, mais cedo ou mais tarde, ao descontrole mo nar a aceleração dos pr-eços. O Brasil vive uma situação até certo ponto curiosa, em que o déficit público é originário não de desequilíbrios de caixa do Tesouro, que tem sido supe-

ravitário, mas sim da massa de implícitos no crédito, que não estão incluídos como despesas

prazo, como também para o fi

de capital, e também da cons

do déficit

não

inflacionário

público. Ano passa

do, a colocação líquida de títu los públicos totalizou Cr$ 550 bilhões (5,9 bilhões de dólares), 0 que dá uma idéia da impor tância do open-maí^ket no con junto das políticas de curto prazo.

subsídios diretos ao consumo e

telação de empresas estatais cujo volume de investimento é hoje pelo menos três vezes su perior àquele definido no orça mento Federal.

No

caso

brasileiro,

como

no

de

econo

outras

mias, é impossível ter êxito no combate à inflação e no equilí brio do balanço de pagamentos se, paraklamente à execução

ficit público deve ocorrer atra vés de cortes de despedas e não com aumento exag'crado da carga tributária.

Na prática, alguma revisão do nível de tributação

acaba

sendo inevitável, especialmente por causa de dofasagens entre a base tributária e o efetivo recolhimento dos impostos que

acabam por afetar o nível real de receita e, também, pela ri

gidez imposta na. indivisibilida de de certos investimentos em fase de implantação.

No caso brasileiro, há gran de esforço para reduzir a mas sa de subsídios através de um

processo gradual de reajuste de preços administrados (petróleo, trigo) e revisão dos níveis no minais das taxas de juros nos

A importância do setor público

■

também

cional sobre o setor privado, é

essencial prosseguir na contínua redução do déficit público. Idealmente, a contenção do dé

netário que acaba por sancio

vem constituindo em importan te mecanismo não só para o controle da liquidez a curto nanciamento

109

ECONÔMICO

nal e o mercado financeiro do

fiscal restritivas num ambiente onde convivem liberdade de realismo cambial.

DIGESTO

A experiência brasileira su gere que, a fim de evitar que o ônus do processo de ajusta mento, associado à implemen tação de políticas restritivas, recaia de maneira ""despropor-

programas de crédito a setores

prioritários, como agricul

tura e exportação. Com relação às empresas estatais, novos mecanismos

institucionais

de

controle foram estabelecidos (Secretaria de Controle de Em

presas Estatais — SEST), per mitindo a determinação de ní-


DIGESTO

108

ca, de políticas monetária

e

ECONÔMICO

de rigorosa política monetária,

méstico, a prevalência de taxas

não houver o simultâneo suces

de juros positivas, em

preços .3 de taxas de juros com

reais,

é consequência inevitá

vel da

necessidade de refletir

A expansão monetária vemse mantendo significativamenic abaixo do crescimento dos -pre

ços, 0 que assegura seu caráter restritivo, situando-se atual mente (fevereiro/1982) na faixa de 70% nos últimos 12 me A liberdade de

ses.

taxas de

juros, assim como o mecanis mo de correção monetária (in

dexação) que reflete com fide evolução dos preços internos, garante a remunera

lidade

a

ção real da poupança, viabili zando

0

crescimento da

pou

pança voluntária, mesmo num contexto de fortes pressões in flacionárias.

A flexibilidade de taxas de

juros é, também, instrumento extremamente

eficiente

à

ex

pansão do crédito doméstico, reduzindo as possibilidades de especulação com estoques e facilitando a eliminação do ex cesso de demanda agregada. Por outro lado, dada a in

tegração hoje existente entre o mercado

financeiro internacio-

termos

internamente as flutuações das

taxas externas e, simultanea

mente, manter um diferencial qua torne atraente a demanda privada por empréstimos ex ternos.

Finalmenbe, vale ressaltar que a flexibilidade de taxas de juros e 0 realismo da correção monetária reabilitaram o mer cado de títulos públicos, que se

so na redução do déficit públi co. Na realidade, os dois pro

blemas estão interligados, já que a acumulação de déficits públicos leva, mais cedo ou mais tarde, ao descontrole mo nar a aceleração dos pr-eços. O Brasil vive uma situação até certo ponto curiosa, em que o déficit público é originário não de desequilíbrios de caixa do Tesouro, que tem sido supe-

ravitário, mas sim da massa de implícitos no crédito, que não estão incluídos como despesas

prazo, como também para o fi

de capital, e também da cons

do déficit

não

inflacionário

público. Ano passa

do, a colocação líquida de títu los públicos totalizou Cr$ 550 bilhões (5,9 bilhões de dólares), 0 que dá uma idéia da impor tância do open-maí^ket no con junto das políticas de curto prazo.

subsídios diretos ao consumo e

telação de empresas estatais cujo volume de investimento é hoje pelo menos três vezes su perior àquele definido no orça mento Federal.

No

caso

brasileiro,

como

no

de

econo

outras

mias, é impossível ter êxito no combate à inflação e no equilí brio do balanço de pagamentos se, paraklamente à execução

ficit público deve ocorrer atra vés de cortes de despedas e não com aumento exag'crado da carga tributária.

Na prática, alguma revisão do nível de tributação

acaba

sendo inevitável, especialmente por causa de dofasagens entre a base tributária e o efetivo recolhimento dos impostos que

acabam por afetar o nível real de receita e, também, pela ri

gidez imposta na. indivisibilida de de certos investimentos em fase de implantação.

No caso brasileiro, há gran de esforço para reduzir a mas sa de subsídios através de um

processo gradual de reajuste de preços administrados (petróleo, trigo) e revisão dos níveis no minais das taxas de juros nos

A importância do setor público

■

também

cional sobre o setor privado, é

essencial prosseguir na contínua redução do déficit público. Idealmente, a contenção do dé

netário que acaba por sancio

vem constituindo em importan te mecanismo não só para o controle da liquidez a curto nanciamento

109

ECONÔMICO

nal e o mercado financeiro do

fiscal restritivas num ambiente onde convivem liberdade de realismo cambial.

DIGESTO

A experiência brasileira su gere que, a fim de evitar que o ônus do processo de ajusta mento, associado à implemen tação de políticas restritivas, recaia de maneira ""despropor-

programas de crédito a setores

prioritários, como agricul

tura e exportação. Com relação às empresas estatais, novos mecanismos

institucionais

de

controle foram estabelecidos (Secretaria de Controle de Em

presas Estatais — SEST), per mitindo a determinação de ní-


DIGESTO

110

ECONÔMICO

DIGESTO ECONÔMICO

veis globais de investimento pú

controle da sociedade civil so

blico compatíveis com as me tas macroeconômicas de impor tação e crescimento do endivi

bre 0 Estado, através da limi tação dos mecanismos hoje existentes de auto-expansão.

as bases para novo ciclo de crescimento auto-sustentado já adaptado aos parâmetros esta belecidos pela crise energética.

É fácil antecipar que aqui está o ponto de contato, cujos

ra o disciplinamento do setor

damento externo, além do uso mais eficiente dos recursos dis

poníveis. Dado 0 peso relativo deste

setor

no

endividamento

externo (68% da dívida global) e nas outras importações, ex

ceto petróleo (30%), é fácil per ceber por que o controle ade quado do setor público é precondição não só para o corribate à inflação, mas também pa

ra 0 equilíbrio do balanço de pagamentos.

contornos

ainda

não

estão

su

ficientemente definidos, entre o processo de desenvolvimento político e a modernização eco nômica cuja essência é a con tínua elevação da eficiência e produtividade. A crise energé tica derrubou o mito de que o planejamento rígido e a presen ça maciça do Estado seriam por si sós capazes de imunizar

Estima-se que nos últimos três anos o déficit público bra

as

sileiro tenha

binação de recessão, desempre go e inflação.

decrescido

cerca

de 8% do PIB, em 1979, para cerca de 5%, em 1981. A meta nos próximos anos é chegar a algo em torno de 2% do PIB, valor este compatível com ní vel substancialmente menor de

inflação e ritmo sustentável de endividamento.

O disciplinamento do setor público exige mais do que coe rência no planejamento e na

execução orçamentária. É im prescindível implem‘entar refor mas institucionais que, em últi ma instância, restabeleçam o

economias

de

seus

efeitos

negativos sintetizados na com

Pelo contrário, exemplos recentes sugerem que a adapta ção parece ser mais rápida e, socialmente, menos dolorosa tanto mais flexível seja o ar ranjo institucional. Dotar a eco

nomia brasileira, assim como muitas economias em desenvol

vimento, destes graus adicio nais de flexibilidade parece ser o grande desafio a superar, im prescindível, a nosso ver, para romper o perigoso círculo inflação-com-estagnação e criar

De qualquer forma, já ago público permite ao Brasil pros seguir administrando com rigor

0 endividamento externo, man¬ tendo seu ritmo de crescimen

to compatível com a expecta tiva de expansão de suas expor tações e com a própria evolu ção do mercado financeiro in

ternacional no que diz respeito à liquidez e capitalização. A conquista de espaços no

setor externo

Com a diminuição gradual do déficit em conta corrente, as necessidades

de

empréstimos

111

16,1% em dólares constantes), ao mesmo tempo que as reser vas internacionais se elevaram

em US$ 600 milhões, atingindo US$ 7,5 bilhões ao final do pe ríodo.

O resultado mais espetacu lar foi sem dúvida a obtenção de um superávit de US$ 1,2 bi lhão na balança comercial, mesmo tendo que arcar com gastos brutos na importação de

petróleo da ordem de US$ 10,6 bilhões. Este superávit reflete

não apenas a contrapartida ex terna de esforço de contenção

da demanda agregada, mas também a rápida resposta aos

estímulos fiscais, creditícios e

cambiais das exportações bra sileiras, que chegaram a atin

gir US$ 23,3 bilhões ao final do

em moeda para financiar o ba

ano passado.

lanço de pagamentos também estão-se reduzindo, mesmo le

O Brasil conta hoje com um moderno setor exportador, cujas

vando em consideração a necessidade de recomposição do nível atual de reservas interna cionais. Em 1981, como reflexo

direto da aplicação de poUticas monetária e fiscal restritivas,

0 déficit em. conta corrente caiu em US$ 1,1 bilhão, em termos nominais, e em US$ 2,1 bilhões a preços de 1980 (queda de

características

essenciais

são

0 rápido ritmo de crescimento

(20% ao ano no período 1974/ 1981) e a contínua diversificação de mercados e produtos, com tendência clara para queda na participação relativa dos pro

dutos primários (hoje represen

tando 38% do total). Assim é

que, apesar do comportamento


DIGESTO

110

ECONÔMICO

DIGESTO ECONÔMICO

veis globais de investimento pú

controle da sociedade civil so

blico compatíveis com as me tas macroeconômicas de impor tação e crescimento do endivi

bre 0 Estado, através da limi tação dos mecanismos hoje existentes de auto-expansão.

as bases para novo ciclo de crescimento auto-sustentado já adaptado aos parâmetros esta belecidos pela crise energética.

É fácil antecipar que aqui está o ponto de contato, cujos

ra o disciplinamento do setor

damento externo, além do uso mais eficiente dos recursos dis

poníveis. Dado 0 peso relativo deste

setor

no

endividamento

externo (68% da dívida global) e nas outras importações, ex

ceto petróleo (30%), é fácil per ceber por que o controle ade quado do setor público é precondição não só para o corribate à inflação, mas também pa

ra 0 equilíbrio do balanço de pagamentos.

contornos

ainda

não

estão

su

ficientemente definidos, entre o processo de desenvolvimento político e a modernização eco nômica cuja essência é a con tínua elevação da eficiência e produtividade. A crise energé tica derrubou o mito de que o planejamento rígido e a presen ça maciça do Estado seriam por si sós capazes de imunizar

Estima-se que nos últimos três anos o déficit público bra

as

sileiro tenha

binação de recessão, desempre go e inflação.

decrescido

cerca

de 8% do PIB, em 1979, para cerca de 5%, em 1981. A meta nos próximos anos é chegar a algo em torno de 2% do PIB, valor este compatível com ní vel substancialmente menor de

inflação e ritmo sustentável de endividamento.

O disciplinamento do setor público exige mais do que coe rência no planejamento e na

execução orçamentária. É im prescindível implem‘entar refor mas institucionais que, em últi ma instância, restabeleçam o

economias

de

seus

efeitos

negativos sintetizados na com

Pelo contrário, exemplos recentes sugerem que a adapta ção parece ser mais rápida e, socialmente, menos dolorosa tanto mais flexível seja o ar ranjo institucional. Dotar a eco

nomia brasileira, assim como muitas economias em desenvol

vimento, destes graus adicio nais de flexibilidade parece ser o grande desafio a superar, im prescindível, a nosso ver, para romper o perigoso círculo inflação-com-estagnação e criar

De qualquer forma, já ago público permite ao Brasil pros seguir administrando com rigor

0 endividamento externo, man¬ tendo seu ritmo de crescimen

to compatível com a expecta tiva de expansão de suas expor tações e com a própria evolu ção do mercado financeiro in

ternacional no que diz respeito à liquidez e capitalização. A conquista de espaços no

setor externo

Com a diminuição gradual do déficit em conta corrente, as necessidades

de

empréstimos

111

16,1% em dólares constantes), ao mesmo tempo que as reser vas internacionais se elevaram

em US$ 600 milhões, atingindo US$ 7,5 bilhões ao final do pe ríodo.

O resultado mais espetacu lar foi sem dúvida a obtenção de um superávit de US$ 1,2 bi lhão na balança comercial, mesmo tendo que arcar com gastos brutos na importação de

petróleo da ordem de US$ 10,6 bilhões. Este superávit reflete

não apenas a contrapartida ex terna de esforço de contenção

da demanda agregada, mas também a rápida resposta aos

estímulos fiscais, creditícios e

cambiais das exportações bra sileiras, que chegaram a atin

gir US$ 23,3 bilhões ao final do

em moeda para financiar o ba

ano passado.

lanço de pagamentos também estão-se reduzindo, mesmo le

O Brasil conta hoje com um moderno setor exportador, cujas

vando em consideração a necessidade de recomposição do nível atual de reservas interna cionais. Em 1981, como reflexo

direto da aplicação de poUticas monetária e fiscal restritivas,

0 déficit em. conta corrente caiu em US$ 1,1 bilhão, em termos nominais, e em US$ 2,1 bilhões a preços de 1980 (queda de

características

essenciais

são

0 rápido ritmo de crescimento

(20% ao ano no período 1974/ 1981) e a contínua diversificação de mercados e produtos, com tendência clara para queda na participação relativa dos pro

dutos primários (hoje represen

tando 38% do total). Assim é

que, apesar do comportamento


DIGESTO

112

claramente

desfavorável

dos

mercados internacionais, as ex portações de manufaturados cresceram 30% no ano passa¬ do.

O elemento-chave por irás dessa evolução positiva, que favorece o gerenciamento de

nossa dívida externa é,

sem

dúvida, a política de minidesvalorizações cambiais, cuja sistemática, ao refletir o com portamento da inflação domés tica, vis-a-vis à inflação exter na, assegura a manutenção de adequada rentabilidade real ao setor exportador.

A quebra de tendência

9

inflacionária

A

aplicação

do

conjunto

harmônico de políticas mone tária, fiscal e cambial também

teve reflexos favoráveis no pro cesso inflacionário. Reverteu-se

a perigosa tendência para rá pida aceleração dos preços que,

durante certo período, colocou a inflação brasileira na casa dos 3 dígitos, ameaçando trans formar-se em hiperinflaçãü. Os resultados

são

mais

nítidos

quando se compara à taxa mé dia

anualizada

mestre de 1980,

do

último

tri

que apontava

para

uma

ECONôMr O

inflação de

140%,

com aquela observada já no fi nal de 1981 (80%). É difícil esperar progresso mais rápido se recordarmos que 1981 foi marcado por um pro cesso de eliminação simultânea dos controles sobre preços e taxas de juros. Há ainda que le var em consideração o fato de ser a economia brasileira total

mente indexada e, no momento, com sobre-indexação — isto é, correção

monetária

maior

do

que a inflação — para uma par cela significativa dos salários.

DIGESTO ECONÔMICO

A quebra de tendência in flacionária e 0 superávit da ba lança comercial refletem, de forma inequívoca, a rápida res posta e capacidade de adapta ção da economia brasileira aos novos parâmetros explicitados pela crise mundial. Seria ine

vitável que este ajustamento ti vesse algum impacto negativo, ainda que transitório, sobre a capacidade de crescimento da economia, especialmente sobre

0 setor industrial. Assim é que, segundo dados preliminares, o crescimento do produto interno

bruto teria sido negativo em

Vale ressaltar que um fa tor ponderável na reversão de' expectativas foi a evidência concreta de que o Governo co

1981, fato absolutamente inédito na moderna história da econo mia brasileira.

meçava a ter sucesso no con

O Ajustamento Estrutural

trole de déficit público. E este é outro importante elo, nem' sempre suficientemen te destacado, entre a política fiscal lato senso e inflação, num contexto em que as decisões governamentais passam a ter peso crescente na avaliação in dividual das tendências futuras

da economia. Hoje, mais do que nunca, é necessário reavaliar o papel do Governo como forma dor de expectativas — para o bem ou para o mal.

Com respeito a este resultar do valem duas observações fun

damentais. A primeira é de que o custo social do processo de ajustamento teria sido substan. cialmene maior se o País ca

minhasse para a hiperinflação e crise cambial. A segunda é de que estão em curso alterações

de natiireza estrutural que, ao

modificar

de forma definitiva

0 perfil de consumo e a própria composição e natureza qualita-

113

tiva da máquina de produção, completarão o ciclo de ajusta mento da economia, tornando-a mais resistente a futuros e no

vos choques externos.

Este vetor estrutural do pro. cesso de ajustamento reflete a convergência de prioridades go vernamentais fixadas na agri cultura, exportação e energia, com a resposta privada à sina lização correta dos preços rela tivos, que orientam no sentido de significativa realocação de investimentos.

Não se trata, apenas, do rá pido aumento da produção do méstica de petróleo que, supe rando as expectativas, já atin giu cerca de 220 mil barris diá rios, com boas possibilidades de atingir 500 mil ao final de 1985.

Nem, tão-somene, da forte re dução do consumo de derivados (queda de 8% em 1981) a partir do momento em que se adotou corajoso política de preços rea listas. Tão pouco, ainda, da po lítica de diversificação de fon tes energéticas, que assegura

substancial aumento da produ ção de eletricidade (22 milhões de kW/h em 1982) e de álcool (4,8 bilhões de litros em 1982)


DIGESTO

112

claramente

desfavorável

dos

mercados internacionais, as ex portações de manufaturados cresceram 30% no ano passa¬ do.

O elemento-chave por irás dessa evolução positiva, que favorece o gerenciamento de

nossa dívida externa é,

sem

dúvida, a política de minidesvalorizações cambiais, cuja sistemática, ao refletir o com portamento da inflação domés tica, vis-a-vis à inflação exter na, assegura a manutenção de adequada rentabilidade real ao setor exportador.

A quebra de tendência

9

inflacionária

A

aplicação

do

conjunto

harmônico de políticas mone tária, fiscal e cambial também

teve reflexos favoráveis no pro cesso inflacionário. Reverteu-se

a perigosa tendência para rá pida aceleração dos preços que,

durante certo período, colocou a inflação brasileira na casa dos 3 dígitos, ameaçando trans formar-se em hiperinflaçãü. Os resultados

são

mais

nítidos

quando se compara à taxa mé dia

anualizada

mestre de 1980,

do

último

tri

que apontava

para

uma

ECONôMr O

inflação de

140%,

com aquela observada já no fi nal de 1981 (80%). É difícil esperar progresso mais rápido se recordarmos que 1981 foi marcado por um pro cesso de eliminação simultânea dos controles sobre preços e taxas de juros. Há ainda que le var em consideração o fato de ser a economia brasileira total

mente indexada e, no momento, com sobre-indexação — isto é, correção

monetária

maior

do

que a inflação — para uma par cela significativa dos salários.

DIGESTO ECONÔMICO

A quebra de tendência in flacionária e 0 superávit da ba lança comercial refletem, de forma inequívoca, a rápida res posta e capacidade de adapta ção da economia brasileira aos novos parâmetros explicitados pela crise mundial. Seria ine

vitável que este ajustamento ti vesse algum impacto negativo, ainda que transitório, sobre a capacidade de crescimento da economia, especialmente sobre

0 setor industrial. Assim é que, segundo dados preliminares, o crescimento do produto interno

bruto teria sido negativo em

Vale ressaltar que um fa tor ponderável na reversão de' expectativas foi a evidência concreta de que o Governo co

1981, fato absolutamente inédito na moderna história da econo mia brasileira.

meçava a ter sucesso no con

O Ajustamento Estrutural

trole de déficit público. E este é outro importante elo, nem' sempre suficientemen te destacado, entre a política fiscal lato senso e inflação, num contexto em que as decisões governamentais passam a ter peso crescente na avaliação in dividual das tendências futuras

da economia. Hoje, mais do que nunca, é necessário reavaliar o papel do Governo como forma dor de expectativas — para o bem ou para o mal.

Com respeito a este resultar do valem duas observações fun

damentais. A primeira é de que o custo social do processo de ajustamento teria sido substan. cialmene maior se o País ca

minhasse para a hiperinflação e crise cambial. A segunda é de que estão em curso alterações

de natiireza estrutural que, ao

modificar

de forma definitiva

0 perfil de consumo e a própria composição e natureza qualita-

113

tiva da máquina de produção, completarão o ciclo de ajusta mento da economia, tornando-a mais resistente a futuros e no

vos choques externos.

Este vetor estrutural do pro. cesso de ajustamento reflete a convergência de prioridades go vernamentais fixadas na agri cultura, exportação e energia, com a resposta privada à sina lização correta dos preços rela tivos, que orientam no sentido de significativa realocação de investimentos.

Não se trata, apenas, do rá pido aumento da produção do méstica de petróleo que, supe rando as expectativas, já atin giu cerca de 220 mil barris diá rios, com boas possibilidades de atingir 500 mil ao final de 1985.

Nem, tão-somene, da forte re dução do consumo de derivados (queda de 8% em 1981) a partir do momento em que se adotou corajoso política de preços rea listas. Tão pouco, ainda, da po lítica de diversificação de fon tes energéticas, que assegura

substancial aumento da produ ção de eletricidade (22 milhões de kW/h em 1982) e de álcool (4,8 bilhões de litros em 1982)


DIGESTO

114

e que vai reduzir de maneira drástica nossa dependência em termos de energia.

O aspecto mais relevante é que a crise atual, ao dramatizar a

escassez

relativa

de certos

fatores de produção, como ener gia, insumos importados e ca pital externo, forçou a revisão de mecanismos artificiais que distorciam a alocação eficiente de recursos. Já há, na econo mia brasileira, uma saudável redescoberta do velho conceito

de vantagens comparativas, na medida em que o realismo das taxas de juros já não permite a manutenção de uma trajetória de desenvolvimento calcada no

conceito de “industrialização a qualquer custo".

.

Hoje, no Brasil, o investi-, mento privado volta-se para a agricultura, a agroindústria e a mineração, setores de alta ren tabilidade econômica e social e, além do mais, fontes geradoras

ECONÔMICO

das políticas de curto prazb cuja implementação coerente é que dá o fôlego necessário para que a economia brasileira vá reconquistando pouco a pouco graus de liberdade que permi tirão, a médio prazo, a retoma da ordenada econômico.

do

crescimento

Os Ventos Externos

Este processo de transição entre o curto e o longo prazo será tanto mais rápido e menos

oneroso do ponto de vista social quanto mais favoráveis forem os fatores externos. Depois de três sucessivos anos de aceleração do preço do

petróleo em termos reais, 1982 parece versão

apontar para uma re amdesta tendência

sibilidade aos aspectos conjun

pliando as possibilidades para o ajustamento mais rápido dos balanços de pagamentos dos países importadores de petróleo. Para o Brasil, este quadro favo rável oferece a perspectiva de obtenção de um' superávit de U$ 3 bilhões, na balança comer cial, 0 que, por si só, represen taria importante marco no es forço de reduzir nosso desequi

turais, a complementação lógica

líbrio externo.

de divisas.

É este ajuste estrutural que se está processando de forma dinâmica, ainda que pouco vi sível, mascarado pela hipersen-

DIGESTO

ECONÔMICO

Permanece, entretanto, a incerteza quanto à evolução das taxas de juros externas cujo comportamento recente é forte mente regressivo no que concer

ne à distribuição de renda en tre países: seu impacto é pro porcionalmente maior justamen te para aqueles países com bai xo nível de renda em que maior é o peso relativo das exporta ções de primários (com exce ção óbvia de petróleo) e do en dividamento externo. Há, hoje, clara evidência de que os Esta dos Unidos poderiam perseguir uma trajetória de estabilização com’ menores externalidades, na medida em que houvesse melhor articulação entre política mo netária e política íiscal.

A simultaneidade de apertq monetário e déficit público, ca racterístico também da conjun tura americana atual, leva, ine vitavelmente, à explosão de ta xas de juros, cuja reversão fica na dependência exclusiva da queda de demanda por crédito associada ao processo recessi vo.

115

lenta

a reversão da demanda

por crédito, transferindo, dessa forma, a parcela fundamental dos custos de ajustamento para outros países. As incertezas com relação à evolução da eco nomia americana ampliam-se na medida em que permanece o conflito, a curto e médio pra zos, entre a disposição de cor tar impostos e a rigidez de cer tas despesas. Lado a lado com a incerteza relacionada com as taxas de ju

ros externas, permanece a ten dência para a ampliação das barreiras

não

tarifárias

nos

países industrializados, dificul tando 0 acesso especialmente de produtos não tradicionais dos países em desenvolvimento. Mais grave, porém, é a tendên. cia recente para se estender também ao mercado financeiro internacional barreiras artifi

ciais, através da inapropriada extrapolação a países inteiros de regras de controle aplicadas domesticamenteaos bancos pri vados, justamente o único ins

A estrutura tributária dos

trumento concreto e eficaz de

Estados Unidos, ao permitir o abatimento integral das despe

num mercado fortemente com

sas de juros, tanto das pessoas físicas como jurídicas, torna

reciclagem

dos

petrodólares

petitivo, como é o mercado de eurodólares.


DIGESTO

114

e que vai reduzir de maneira drástica nossa dependência em termos de energia.

O aspecto mais relevante é que a crise atual, ao dramatizar a

escassez

relativa

de certos

fatores de produção, como ener gia, insumos importados e ca pital externo, forçou a revisão de mecanismos artificiais que distorciam a alocação eficiente de recursos. Já há, na econo mia brasileira, uma saudável redescoberta do velho conceito

de vantagens comparativas, na medida em que o realismo das taxas de juros já não permite a manutenção de uma trajetória de desenvolvimento calcada no

conceito de “industrialização a qualquer custo".

.

Hoje, no Brasil, o investi-, mento privado volta-se para a agricultura, a agroindústria e a mineração, setores de alta ren tabilidade econômica e social e, além do mais, fontes geradoras

ECONÔMICO

das políticas de curto prazb cuja implementação coerente é que dá o fôlego necessário para que a economia brasileira vá reconquistando pouco a pouco graus de liberdade que permi tirão, a médio prazo, a retoma da ordenada econômico.

do

crescimento

Os Ventos Externos

Este processo de transição entre o curto e o longo prazo será tanto mais rápido e menos

oneroso do ponto de vista social quanto mais favoráveis forem os fatores externos. Depois de três sucessivos anos de aceleração do preço do

petróleo em termos reais, 1982 parece versão

apontar para uma re amdesta tendência

sibilidade aos aspectos conjun

pliando as possibilidades para o ajustamento mais rápido dos balanços de pagamentos dos países importadores de petróleo. Para o Brasil, este quadro favo rável oferece a perspectiva de obtenção de um' superávit de U$ 3 bilhões, na balança comer cial, 0 que, por si só, represen taria importante marco no es forço de reduzir nosso desequi

turais, a complementação lógica

líbrio externo.

de divisas.

É este ajuste estrutural que se está processando de forma dinâmica, ainda que pouco vi sível, mascarado pela hipersen-

DIGESTO

ECONÔMICO

Permanece, entretanto, a incerteza quanto à evolução das taxas de juros externas cujo comportamento recente é forte mente regressivo no que concer

ne à distribuição de renda en tre países: seu impacto é pro porcionalmente maior justamen te para aqueles países com bai xo nível de renda em que maior é o peso relativo das exporta ções de primários (com exce ção óbvia de petróleo) e do en dividamento externo. Há, hoje, clara evidência de que os Esta dos Unidos poderiam perseguir uma trajetória de estabilização com’ menores externalidades, na medida em que houvesse melhor articulação entre política mo netária e política íiscal.

A simultaneidade de apertq monetário e déficit público, ca racterístico também da conjun tura americana atual, leva, ine vitavelmente, à explosão de ta xas de juros, cuja reversão fica na dependência exclusiva da queda de demanda por crédito associada ao processo recessi vo.

115

lenta

a reversão da demanda

por crédito, transferindo, dessa forma, a parcela fundamental dos custos de ajustamento para outros países. As incertezas com relação à evolução da eco nomia americana ampliam-se na medida em que permanece o conflito, a curto e médio pra zos, entre a disposição de cor tar impostos e a rigidez de cer tas despesas. Lado a lado com a incerteza relacionada com as taxas de ju

ros externas, permanece a ten dência para a ampliação das barreiras

não

tarifárias

nos

países industrializados, dificul tando 0 acesso especialmente de produtos não tradicionais dos países em desenvolvimento. Mais grave, porém, é a tendên. cia recente para se estender também ao mercado financeiro internacional barreiras artifi

ciais, através da inapropriada extrapolação a países inteiros de regras de controle aplicadas domesticamenteaos bancos pri vados, justamente o único ins

A estrutura tributária dos

trumento concreto e eficaz de

Estados Unidos, ao permitir o abatimento integral das despe

num mercado fortemente com

sas de juros, tanto das pessoas físicas como jurídicas, torna

reciclagem

dos

petrodólares

petitivo, como é o mercado de eurodólares.


DIGESTO

116

O paradoxo da graduação Simultaneamente, a pretex to de dificuldades orçamentá rias domésticas, nota-se cres cente cerco de restrições ao aporte de novos recursos às

instituições multüaterais que, em função do quadro descrito anteriormente,

deveríam

am

pliar seu papel, especialmente na oferta de crédito de longo prazo, indispensável ao finan ciamento do ajustamento estru tural do balanço de paga

ECONÔMICO

ressuscitou-

ECONÔMICO

117

pelo significado quantitativo para o país .em termos de apor

nas condições de acesso não apenas ao mercado financeiro,

te

em

mas também ao comércio inter

face do nosso volume global de

nacional, colidindo com o prin cípio duramente conquistado dos "sistemas de preferência”.

de recursos

investimento

— modesto ou

mesmo

em

relação ao aporte anual de em préstimos em moeda, mas sim pela sua concepção discricioná ria, que pretende deixar ao ar bítrio burocrático a categorização de países, numa visão me cânica e simplista do processo de desenvolvimento que descar ta a essência de sua

natureza

Finalmente, o Brasil rejei ta 0 conceito de graduação, por considerar que a conjuntu ra atual exige uma ampliação do acesso de todos os países em desenvolvimento a um volume maior de recursos .em termos

reais, especialmente nas pou cas fontes existentes para cré

social.

mentos.

Curiosamente,

DIGESTO

Na realidade, uma das li

ditos

com

características

de

"graduação” como uma fórmu la mágica capaz de acomodar demanda crescente por recur sos e novos clientes, sem ata

ções da crise mundial recente é que ela eliminou de uma vez por todas o mito da categorizaçâo de problemas por .estágios de desenvolvimento': déficit pú blico, inflação, desequilíbrio

vel do BID implicaria, em bre

car o -essencial que é o esfor

externo não são apenas expres

ve tempo, a exclusão de cerca

ço do ções.

são ou privilégio do subdesen

volvimento,

de 13 países do grupo de mu tuários de seus empréstimos, isto é, mais da metade dos 25

se

o

conceito

anacrônico

capital dessas

de

institui

O

Brasil

considera

esses

eventos

isolados

que con.sti-

tuem, no seu conjunto, grave retrocesso ao espírito de coope ração internacional que mar cou a evolução da economia mundial no pós-guerra. Em par ticular, julga-se inaceitável o conceito de graduação, não

mas passaram

a

ser problemas crônicos de di ferentes países, independente-

longo prazo.

Somente

para

ilustrar,

a

aplicação do critério de renda per capita para graduação a ní

renda

países membros hoje beneficiá rios, dando-se por quase certo

O Brasil rejeita o conceito de graduação por considerá-lo o Cavalo de Tróia que, no seu bojo, levaria automaticamente a uma reversão mais ampla

que a maioria dos demais seria excluída num período relativa mente curto. Ou seja, nessa versão radical, graduação se ria uma forma talvez elegante de decretar a médio prazo a morte da Instituição.

mente

de

seu

nível de

“per capita”.

A posição brasileira

A sugestão brasileira é por isso

mesmo

crescimento

a

de

dos

defender

o

.empréstimos

do BID em termos reais, ao mesmo tempo que se introduz explicitamente a idéia de dife renciação dos custos financei ros dos empréstimos entre paí ses em diferentes estágios de desenvolvimento. Haveria, por tanto, um processo gradual de maturação (e não graduação), realizado naturalmente através

do ajustamento das taxas de juros efetivas incidentes sobre os empréstimos do BID, refle tindo diferentes participações no aporte de capital novo. Este ajustamento do custo efetivo das empréstimos, com ônus crescentes para os países de maior

desenvolvim.snto

relati

vo, que arcariam com taxas efetivas mais próximas às do

mercado, e paralela redução de custos para os países de menor desenvolvimento, permitiría si multaneamente a ampliação de recursos para todos os países em processo de desenvolvimen to e a progressiva redução dos desníveis entre eles existentes.


DIGESTO

116

O paradoxo da graduação Simultaneamente, a pretex to de dificuldades orçamentá rias domésticas, nota-se cres cente cerco de restrições ao aporte de novos recursos às

instituições multüaterais que, em função do quadro descrito anteriormente,

deveríam

am

pliar seu papel, especialmente na oferta de crédito de longo prazo, indispensável ao finan ciamento do ajustamento estru tural do balanço de paga

ECONÔMICO

ressuscitou-

ECONÔMICO

117

pelo significado quantitativo para o país .em termos de apor

nas condições de acesso não apenas ao mercado financeiro,

te

em

mas também ao comércio inter

face do nosso volume global de

nacional, colidindo com o prin cípio duramente conquistado dos "sistemas de preferência”.

de recursos

investimento

— modesto ou

mesmo

em

relação ao aporte anual de em préstimos em moeda, mas sim pela sua concepção discricioná ria, que pretende deixar ao ar bítrio burocrático a categorização de países, numa visão me cânica e simplista do processo de desenvolvimento que descar ta a essência de sua

natureza

Finalmente, o Brasil rejei ta 0 conceito de graduação, por considerar que a conjuntu ra atual exige uma ampliação do acesso de todos os países em desenvolvimento a um volume maior de recursos .em termos

reais, especialmente nas pou cas fontes existentes para cré

social.

mentos.

Curiosamente,

DIGESTO

Na realidade, uma das li

ditos

com

características

de

"graduação” como uma fórmu la mágica capaz de acomodar demanda crescente por recur sos e novos clientes, sem ata

ções da crise mundial recente é que ela eliminou de uma vez por todas o mito da categorizaçâo de problemas por .estágios de desenvolvimento': déficit pú blico, inflação, desequilíbrio

vel do BID implicaria, em bre

car o -essencial que é o esfor

externo não são apenas expres

ve tempo, a exclusão de cerca

ço do ções.

são ou privilégio do subdesen

volvimento,

de 13 países do grupo de mu tuários de seus empréstimos, isto é, mais da metade dos 25

se

o

conceito

anacrônico

capital dessas

de

institui

O

Brasil

considera

esses

eventos

isolados

que con.sti-

tuem, no seu conjunto, grave retrocesso ao espírito de coope ração internacional que mar cou a evolução da economia mundial no pós-guerra. Em par ticular, julga-se inaceitável o conceito de graduação, não

mas passaram

a

ser problemas crônicos de di ferentes países, independente-

longo prazo.

Somente

para

ilustrar,

a

aplicação do critério de renda per capita para graduação a ní

renda

países membros hoje beneficiá rios, dando-se por quase certo

O Brasil rejeita o conceito de graduação por considerá-lo o Cavalo de Tróia que, no seu bojo, levaria automaticamente a uma reversão mais ampla

que a maioria dos demais seria excluída num período relativa mente curto. Ou seja, nessa versão radical, graduação se ria uma forma talvez elegante de decretar a médio prazo a morte da Instituição.

mente

de

seu

nível de

“per capita”.

A posição brasileira

A sugestão brasileira é por isso

mesmo

crescimento

a

de

dos

defender

o

.empréstimos

do BID em termos reais, ao mesmo tempo que se introduz explicitamente a idéia de dife renciação dos custos financei ros dos empréstimos entre paí ses em diferentes estágios de desenvolvimento. Haveria, por tanto, um processo gradual de maturação (e não graduação), realizado naturalmente através

do ajustamento das taxas de juros efetivas incidentes sobre os empréstimos do BID, refle tindo diferentes participações no aporte de capital novo. Este ajustamento do custo efetivo das empréstimos, com ônus crescentes para os países de maior

desenvolvim.snto

relati

vo, que arcariam com taxas efetivas mais próximas às do

mercado, e paralela redução de custos para os países de menor desenvolvimento, permitiría si multaneamente a ampliação de recursos para todos os países em processo de desenvolvimen to e a progressiva redução dos desníveis entre eles existentes.


DIGESTO

118

São estas, senhores gover

ECONÔMICO

nadores, a visão e as sugestões

com restrições orçamentárias, venham a ofus

objetivas do Brasil neste qua dro complexo da economia

car todo um passado de coope ração internacional que am

mundial.

Devemos

usar

nossa

criatividade para buscar novas soluções para enfrentar o desa

relacionados

mércio, integrou

os

Nunca, porém, deixemos que problemas estritamente de curto prazo, tais como aqueles

grandes instituições multilaterais de que o BID é hoje vivo

"era

da

exemplo.

Doença de Chagas tem novos estudos

ciências e as

mercados

incerteza”.

desta

9

pliou as oportunidades de co financeiros e se cristalizou nas

fio

O homem das

Uma

equipe

escola

de

ciências do home] O

da José

medici

na do St. George's Hospital descobriu um tipo de anticorpo, chamado CE5, que pode facilitar a compreensão das causas da doença de Chagas. Este anticorpo reage tanto em presença de certos tipos de tecidos nervosos e musculares quanto do parasita imicelular Trypanosoma cruzi, causador da doença. As células atacadas pelo CE5 — células nervosos sensoriais.

células Purkinje do cerebèlo

e as dos músculo do coração

O autor é

professor da Universidade do

— mostraram

Maranhão.

sinais de deterioração nos pacientes portadores do mal de Chagas. O Try panosoma cruzi não cati^ diretamente a degeneração destas células e os cientistas tentam provar a idéia, já cogitada há algum tempo, de que ela provoca Tim fenômeno em que as defesas imunológicas do corpo se voltam, contra os tecidos do próprio organismo. Isto poderia facilmente ocorrer se o parasita tiver o mesmo tipo de antigeno que o tecido afetado (antígeno é uma molécula de superfície reconhecida como estranha pelos anti corpos). Nas experiências com o CE5 eles descobriram um novo tip>o de entígeno comum a todos estes tipcs de tecidos afetados e ao parasita. Sepa rando as proteínas destes tecidc» verificaram que algumas delas, de diver sos pesos moleculares, reagiram ao anticorpo. Isto se explicaria pelo fato de que, provavelmente, o antigeno não é uma. proteína mas uma sequência de peptídeos (subunidades protéicas) que é comum a diferentes proteínas.

As ciências empíricas apa receram no bojo do mesmo pro mo. Respondia, porém, a neces sidades do avanço técnico e o

pesquisas voltavam-se para atender a medicina, e mais ti veram o sentido de reduzir o homem aos seus aspectos bio lógicos que 0 de elevar a sua

desenvolvimento do seu discur

compreensão como ser íntegro.

so foi orientado para este fim. Seu impacto na reflexão sobre

tica de Linneu marca a confi

cesso

de emersão do humanis

0 homem não foi significativo,

ao Trypa-

mesmo no caso dos próceres da

nosoma cruzi e aos tecidos nervosos e musculares dos mamíferos seja o causador da doença, .mas se eles puderem isolá-lo e injetá-lo em camúndongos, com o desenvolvimento dos sintomas do mal, estas evidências se fortalecerão. A informação está na revista New Scientist, de 18 »ie março.

celso, Da Vinci, Eustáquio, Fa-

Até agora não há evidência direta de que um antigeno comum

(JB).

Dervil Manfovaní

anatomia

humana como Para-

lópio, etc. Embora se tratasse

de eminentes humanistas, suas

0 aparecimento da sistemá

guração da qual partimos, na qual a linguagem científica re cupera para o homem a acep ção de síntese de característi cas, na denominação de "Homo sapiens".


DIGESTO

118

São estas, senhores gover

ECONÔMICO

nadores, a visão e as sugestões

com restrições orçamentárias, venham a ofus

objetivas do Brasil neste qua dro complexo da economia

car todo um passado de coope ração internacional que am

mundial.

Devemos

usar

nossa

criatividade para buscar novas soluções para enfrentar o desa

relacionados

mércio, integrou

os

Nunca, porém, deixemos que problemas estritamente de curto prazo, tais como aqueles

grandes instituições multilaterais de que o BID é hoje vivo

"era

da

exemplo.

Doença de Chagas tem novos estudos

ciências e as

mercados

incerteza”.

desta

9

pliou as oportunidades de co financeiros e se cristalizou nas

fio

O homem das

Uma

equipe

escola

de

ciências do home] O

da José

medici

na do St. George's Hospital descobriu um tipo de anticorpo, chamado CE5, que pode facilitar a compreensão das causas da doença de Chagas. Este anticorpo reage tanto em presença de certos tipos de tecidos nervosos e musculares quanto do parasita imicelular Trypanosoma cruzi, causador da doença. As células atacadas pelo CE5 — células nervosos sensoriais.

células Purkinje do cerebèlo

e as dos músculo do coração

O autor é

professor da Universidade do

— mostraram

Maranhão.

sinais de deterioração nos pacientes portadores do mal de Chagas. O Try panosoma cruzi não cati^ diretamente a degeneração destas células e os cientistas tentam provar a idéia, já cogitada há algum tempo, de que ela provoca Tim fenômeno em que as defesas imunológicas do corpo se voltam, contra os tecidos do próprio organismo. Isto poderia facilmente ocorrer se o parasita tiver o mesmo tipo de antigeno que o tecido afetado (antígeno é uma molécula de superfície reconhecida como estranha pelos anti corpos). Nas experiências com o CE5 eles descobriram um novo tip>o de entígeno comum a todos estes tipcs de tecidos afetados e ao parasita. Sepa rando as proteínas destes tecidc» verificaram que algumas delas, de diver sos pesos moleculares, reagiram ao anticorpo. Isto se explicaria pelo fato de que, provavelmente, o antigeno não é uma. proteína mas uma sequência de peptídeos (subunidades protéicas) que é comum a diferentes proteínas.

As ciências empíricas apa receram no bojo do mesmo pro mo. Respondia, porém, a neces sidades do avanço técnico e o

pesquisas voltavam-se para atender a medicina, e mais ti veram o sentido de reduzir o homem aos seus aspectos bio lógicos que 0 de elevar a sua

desenvolvimento do seu discur

compreensão como ser íntegro.

so foi orientado para este fim. Seu impacto na reflexão sobre

tica de Linneu marca a confi

cesso

de emersão do humanis

0 homem não foi significativo,

ao Trypa-

mesmo no caso dos próceres da

nosoma cruzi e aos tecidos nervosos e musculares dos mamíferos seja o causador da doença, .mas se eles puderem isolá-lo e injetá-lo em camúndongos, com o desenvolvimento dos sintomas do mal, estas evidências se fortalecerão. A informação está na revista New Scientist, de 18 »ie março.

celso, Da Vinci, Eustáquio, Fa-

Até agora não há evidência direta de que um antigeno comum

(JB).

Dervil Manfovaní

anatomia

humana como Para-

lópio, etc. Embora se tratasse

de eminentes humanistas, suas

0 aparecimento da sistemá

guração da qual partimos, na qual a linguagem científica re cupera para o homem a acep ção de síntese de característi cas, na denominação de "Homo sapiens".


120

DIGESTO

No entanto, os critérios de classificação eram baseados apenas nos aspectos denomina dos biológicos do organismo humano. O mesmo procedimen

ECONÔMICO

Consideremos que desde o século XV se dava a expansão ultramarina.

Povos

os

mais

comporta-

diferentes se davam por conhe cer. Entretanto, até o século XIX a teoria produzida sobre 0 homem não conseguia captar

mentais dos outros seres vivos,

a sua diversidade cultural ou,

mas razões ético-religiosas e de método limitavam este pro cedimento a tal campo, e só paulatinamente franqueava-lhe a área do homem, até então

se

to

científico

tudo

dos

atribuía-se ao

aspectos

es

considerada inteiramente cons

tituída de subjetividade e assim legada à reflexão metafísica.

No século XIX o positivis

o fazia,

ocultava-a

justa

mente sob 0 manto da “natu reza humana” universal e eterna.

Curioso é que

a interpre

tação deste fenômeno tenha aparecido novamente invertida nos textos correntes.

A obser

vação objetiva de povos estra

mo estendeu a abordagem cien

nhos é tida como fundamento da

tífica também aos aspectos ima-

percepção da objetividade do homem europeu civilizado, de

teriais e comportamentais do homem, recuperando toda a compreensão do fenômeno hu

mano como objeto de pesquisa científica.

Entretanto, a abordagem positivista não implicou uma extensão da acepção da totali

dade do homem; antes repre sentou uma segmentação da sua continuidade

empírico. (1)

como

fenômeno

suas relações sociais, etc. Linton, por exemplo, consi dera que "... a compreensão da cultura pelos cientistas moder nos derivou grandemente do es tudo de culturas não européias, cuja observação pode ser faci litada pelo contraste. Aqueles

p. 49.

A nosso ver dá-se o contrá rio, ou seja, apenas no momen to em que o homem europeu volta-se para a própria objeti vidade é que se torna possivel a observação objetiva de povos estranhos.

Em páginas anteriores foi demonstrado que o fenômeno humano já se manifestava obje tivamente como particularida de na forma do Estado. A in dividualidade humana só se deu, porém, a conhecer, no momento historicamente dado pela Revo

Em suma, o europeu ape nas pode apreender-se com ob

jetividade quando se vê objetivizado pelas próprias relações sociais que engendra historica mente. Ademais, só pode apre ender objetivamente as socie dades estranhas quando vem a conhecer a sua própria objeti vidade.

A partir de então é possível a observação empírica do fenô meno humano, assim como o estudo da sua diversidade e de

suas características particula

lução Industrial, quando a má quina deixa de ser objeto do

res.

homem e este passa a ser seu

rica do homem, conquanto se

objeto; quando, de consumidor de seus produtos, o homem pas sa a ser consumido (na forma de trabalho) pelo processo de sua produção; quando a atividade

ja produto da sua coisificação histórica, omite a sua continui dade empírica. Se as relações

humana — o trabalho — deixa

de se manifestar apenas como uma aptidão artesanal subjeti

Porém, esta coisificação teó

burguesas separam

o homem

de suas características, então a teoria estuda as característi cas em separado. Ao

fundarem-se sobre as

va e assume a forma de horas

pectos empiricamente observá

que não conhecem outra cultu

de trabalho^ passíveis de serem

veis do seu objeto, as ciências

ra, senão a própria^ não po

vendidas e compradas tanto quanto um saco de batatas, as

dem conhecer ta...

nem mesmo es

(1)

LJNTON, Ralph. Condicionamento sócio-cultural da Personalidade, 1950, In: PEREIRA, Luiz e FORACCHI, Marlállce Mencarlni, (org) Educação e Sociedade. São Paulo, Ed, Nacional, 1969,

121

DIGESTO ECONÔMICO

sumindo

forma

teoricamente

perceptível separada da subje tividade humana.

sociais involuntariamente omi

tem a sua integralidade empí rica.

É frequente a idéia de que as ciências sociais são imatu-


120

DIGESTO

No entanto, os critérios de classificação eram baseados apenas nos aspectos denomina dos biológicos do organismo humano. O mesmo procedimen

ECONÔMICO

Consideremos que desde o século XV se dava a expansão ultramarina.

Povos

os

mais

comporta-

diferentes se davam por conhe cer. Entretanto, até o século XIX a teoria produzida sobre 0 homem não conseguia captar

mentais dos outros seres vivos,

a sua diversidade cultural ou,

mas razões ético-religiosas e de método limitavam este pro cedimento a tal campo, e só paulatinamente franqueava-lhe a área do homem, até então

se

to

científico

tudo

dos

atribuía-se ao

aspectos

es

considerada inteiramente cons

tituída de subjetividade e assim legada à reflexão metafísica.

No século XIX o positivis

o fazia,

ocultava-a

justa

mente sob 0 manto da “natu reza humana” universal e eterna.

Curioso é que

a interpre

tação deste fenômeno tenha aparecido novamente invertida nos textos correntes.

A obser

vação objetiva de povos estra

mo estendeu a abordagem cien

nhos é tida como fundamento da

tífica também aos aspectos ima-

percepção da objetividade do homem europeu civilizado, de

teriais e comportamentais do homem, recuperando toda a compreensão do fenômeno hu

mano como objeto de pesquisa científica.

Entretanto, a abordagem positivista não implicou uma extensão da acepção da totali

dade do homem; antes repre sentou uma segmentação da sua continuidade

empírico. (1)

como

fenômeno

suas relações sociais, etc. Linton, por exemplo, consi dera que "... a compreensão da cultura pelos cientistas moder nos derivou grandemente do es tudo de culturas não européias, cuja observação pode ser faci litada pelo contraste. Aqueles

p. 49.

A nosso ver dá-se o contrá rio, ou seja, apenas no momen to em que o homem europeu volta-se para a própria objeti vidade é que se torna possivel a observação objetiva de povos estranhos.

Em páginas anteriores foi demonstrado que o fenômeno humano já se manifestava obje tivamente como particularida de na forma do Estado. A in dividualidade humana só se deu, porém, a conhecer, no momento historicamente dado pela Revo

Em suma, o europeu ape nas pode apreender-se com ob

jetividade quando se vê objetivizado pelas próprias relações sociais que engendra historica mente. Ademais, só pode apre ender objetivamente as socie dades estranhas quando vem a conhecer a sua própria objeti vidade.

A partir de então é possível a observação empírica do fenô meno humano, assim como o estudo da sua diversidade e de

suas características particula

lução Industrial, quando a má quina deixa de ser objeto do

res.

homem e este passa a ser seu

rica do homem, conquanto se

objeto; quando, de consumidor de seus produtos, o homem pas sa a ser consumido (na forma de trabalho) pelo processo de sua produção; quando a atividade

ja produto da sua coisificação histórica, omite a sua continui dade empírica. Se as relações

humana — o trabalho — deixa

de se manifestar apenas como uma aptidão artesanal subjeti

Porém, esta coisificação teó

burguesas separam

o homem

de suas características, então a teoria estuda as característi cas em separado. Ao

fundarem-se sobre as

va e assume a forma de horas

pectos empiricamente observá

que não conhecem outra cultu

de trabalho^ passíveis de serem

veis do seu objeto, as ciências

ra, senão a própria^ não po

vendidas e compradas tanto quanto um saco de batatas, as

dem conhecer ta...

nem mesmo es

(1)

LJNTON, Ralph. Condicionamento sócio-cultural da Personalidade, 1950, In: PEREIRA, Luiz e FORACCHI, Marlállce Mencarlni, (org) Educação e Sociedade. São Paulo, Ed, Nacional, 1969,

121

DIGESTO ECONÔMICO

sumindo

forma

teoricamente

perceptível separada da subje tividade humana.

sociais involuntariamente omi

tem a sua integralidade empí rica.

É frequente a idéia de que as ciências sociais são imatu-


122

DIGESTO ECONÔMICO

ras devido a que não conse guem utilizar eficientemente métodos científicos convencio

imateriais; revê-se, mesmo, os

aperfeiçoados no âmbito

milenarmente intocáveis funda, mentos de antiquíssimas ciên

das ciências naturais. A nosso ver esse critério de maturida

cias como a Matemática, Física

nais,

de é falacioso, pois justamen

te a adoção de tais métodos, que aproximam as ciências fí

sicas de seu

objeto

natural,

distancia as ciências sociais da

Totalidade de seu objeto.

A “imaturidade”, é, portan to,

9

veis da observação de relações

aparente.

As ciências

so

ciais são, pelo contrário, o sin toma de plena maturação do procedimento científico, em que este toma-se metodologicamente capaz de abordar complexos fenômenos até então me-

ramente pensados pela Filoso fia.

Com o advento dessas ciên cias enriquece-se o acervo de

técnicas de investigação (como a extrospecção, a análise com

parativa,

modelos

abstratos,

etc., que já figuravam como procedimento científico mas fo ram

desenvolvidas

à exaustão

pelas ciências sociais); agudiza-se a intuição, base do pro

cedimento

empírico,

aperfei

çoada nas condições desfavorá-

e Biologia.

A Topologia

questiona os

postulados euclidianos da Geo

metria induzida por procedi mento^ análogos nas ciências sociais; o caráter nomotético generalizante da Biologia e Fí sica vai sendo igualmente re visto e as generalizações ques tionadas a partir de princípios formulados pela teoria da his tória, etc. No entanto as ciências so ciais ainda não conseguem dis tinguir rigorosamente o modo específico de objetividade as sumido por seu objeto. Assim sendo, uma relação social era vista como “coisa” da mesma maneira em que uma pedra ou um punhado de beterrabas o era. As relações de causalida

de envolvidas por pedras e be terrabas deveríam possuir si milares no campo do ser social. A tarefa das ciências sociais era descobri-las e enunciá-las em forma de leis, a exemplo das ciências da natureza.

DIGESTO

123

ECONÔMICO

A isto se dedicaram infru tiferamente os pioneiros e di versas gerações de cientistas

como evidências empíricas pe las ciências sociais positivas.

sociais, municiados pela ilusão

recentes gerações

metodológica de um empirismo que não reconhecia que o fenô meno humano, como resulta do e sua constituição históri ca manifesta-se empiricamente seccionado em suas caracterís

ticas abstratas. Aspectos abs tratos revestem-se de aparên cia empírica como Sistema So cial, Estado, Sistema Econômi co, etc. Dadas historicamente como entidades objetivas essas “categorias objetivas” como tal são apreendidas pelas ciências sociais, mas todas as tentati vas de identificação de séries causais e estabelecimento de leis exclusivamente no âmbito

de cada uma delas produziram

Por esta razão é comum as

gos, cientistas poKticos, econo mistas políticos, psicólogos, etc, admitirem humildemente a fa

lência

festa-se

nas

humana

mani

categorias

como

objetividade, mas estas catego rias mantêm em seu

discursos

de

suas

como expediente para a recu

peração da Totalidade do pla no de determinações em que se

desenvolve seu objeto especí fico. Tais

ciências aos poucos

passam a revelar seus objetos ao fim de seu discurso e não durante o mesmo. Definem-se pe

los seus objetivos e não mais

pelo campo empírico, que pàssa

a

manifestar-se sob forma

de um amálgama de níveis de causalidade.

Essa ver,

tendência,

a

nosso

significa 0 esgotamento da

contribuição do positivismo e 0 início de sua superação.

modo de

ser as determinações subjeti vas de sua gênese causai.

dos

respectivas disciplinas e adota rem posturas interdisciplinares

resultados insatisfatórios. A intencionalidade

de sociólo

Entendemos que à Antropo

logia cabe um lugar privilegia do

nesse

processo.

Tendo-se

propriedades teleológi-

constituído sob influências di

cas do processo social oriundas da atuação da intencionalidade

retas do humanismo, desenvol

subjetiva não são reconhecidas

das teorias biológicas sobre a

As

veu sua

linguagem no

escopo


122

DIGESTO ECONÔMICO

ras devido a que não conse guem utilizar eficientemente métodos científicos convencio

imateriais; revê-se, mesmo, os

aperfeiçoados no âmbito

milenarmente intocáveis funda, mentos de antiquíssimas ciên

das ciências naturais. A nosso ver esse critério de maturida

cias como a Matemática, Física

nais,

de é falacioso, pois justamen

te a adoção de tais métodos, que aproximam as ciências fí

sicas de seu

objeto

natural,

distancia as ciências sociais da

Totalidade de seu objeto.

A “imaturidade”, é, portan to,

9

veis da observação de relações

aparente.

As ciências

so

ciais são, pelo contrário, o sin toma de plena maturação do procedimento científico, em que este toma-se metodologicamente capaz de abordar complexos fenômenos até então me-

ramente pensados pela Filoso fia.

Com o advento dessas ciên cias enriquece-se o acervo de

técnicas de investigação (como a extrospecção, a análise com

parativa,

modelos

abstratos,

etc., que já figuravam como procedimento científico mas fo ram

desenvolvidas

à exaustão

pelas ciências sociais); agudiza-se a intuição, base do pro

cedimento

empírico,

aperfei

çoada nas condições desfavorá-

e Biologia.

A Topologia

questiona os

postulados euclidianos da Geo

metria induzida por procedi mento^ análogos nas ciências sociais; o caráter nomotético generalizante da Biologia e Fí sica vai sendo igualmente re visto e as generalizações ques tionadas a partir de princípios formulados pela teoria da his tória, etc. No entanto as ciências so ciais ainda não conseguem dis tinguir rigorosamente o modo específico de objetividade as sumido por seu objeto. Assim sendo, uma relação social era vista como “coisa” da mesma maneira em que uma pedra ou um punhado de beterrabas o era. As relações de causalida

de envolvidas por pedras e be terrabas deveríam possuir si milares no campo do ser social. A tarefa das ciências sociais era descobri-las e enunciá-las em forma de leis, a exemplo das ciências da natureza.

DIGESTO

123

ECONÔMICO

A isto se dedicaram infru tiferamente os pioneiros e di versas gerações de cientistas

como evidências empíricas pe las ciências sociais positivas.

sociais, municiados pela ilusão

recentes gerações

metodológica de um empirismo que não reconhecia que o fenô meno humano, como resulta do e sua constituição históri ca manifesta-se empiricamente seccionado em suas caracterís

ticas abstratas. Aspectos abs tratos revestem-se de aparên cia empírica como Sistema So cial, Estado, Sistema Econômi co, etc. Dadas historicamente como entidades objetivas essas “categorias objetivas” como tal são apreendidas pelas ciências sociais, mas todas as tentati vas de identificação de séries causais e estabelecimento de leis exclusivamente no âmbito

de cada uma delas produziram

Por esta razão é comum as

gos, cientistas poKticos, econo mistas políticos, psicólogos, etc, admitirem humildemente a fa

lência

festa-se

nas

humana

mani

categorias

como

objetividade, mas estas catego rias mantêm em seu

discursos

de

suas

como expediente para a recu

peração da Totalidade do pla no de determinações em que se

desenvolve seu objeto especí fico. Tais

ciências aos poucos

passam a revelar seus objetos ao fim de seu discurso e não durante o mesmo. Definem-se pe

los seus objetivos e não mais

pelo campo empírico, que pàssa

a

manifestar-se sob forma

de um amálgama de níveis de causalidade.

Essa ver,

tendência,

a

nosso

significa 0 esgotamento da

contribuição do positivismo e 0 início de sua superação.

modo de

ser as determinações subjeti vas de sua gênese causai.

dos

respectivas disciplinas e adota rem posturas interdisciplinares

resultados insatisfatórios. A intencionalidade

de sociólo

Entendemos que à Antropo

logia cabe um lugar privilegia do

nesse

processo.

Tendo-se

propriedades teleológi-

constituído sob influências di

cas do processo social oriundas da atuação da intencionalidade

retas do humanismo, desenvol

subjetiva não são reconhecidas

das teorias biológicas sobre a

As

veu sua

linguagem no

escopo


124

DIGESTO

origem do homem, orientandose por tentativas de sínteses, o que a levava a totalizar seu objeto buscando os níveis teó ricos capazes de restituir-lhe a universalidade.

A esta marca

de origem

acrescenta-se a singularidade de seu campo entre as ciências positivas. Enquanto às demais ciências sociais tocava a abor

dagem de características par

ciais do homem civilizado, à Antropologia coube estudar glo balmente sociedades péias.

nao

euro-

Ocorre que, como já vimos,

a sociedade civilizada manifes

ta-se ao conhecimento como um conjunto de formas diferen tes, isto é, como Sistema So cial. Estado, Sistema Produti vo, etc. Nas sociedades ditas

primitivas, entretanto, estas for mações não se manifestam ob jetivamente. Ali a Totalidade do fenômeno humano se dá nãò apenas como nível abstrato de determinações. mas também

como forma aparente, pois as relações de parentesco não se diferenciam plenamente das re¬ (2)

lações sociais, econômicas, de poder, etc.

Kluckhohn, expõe com cla reza esta peculiaridade da An tropologia: “Um pressuposto implícito (das ciências sociais) tem sido o de que o comporta mento humano tem lugar numa série de compartimentos im permeáveis. Por isto 0 econo mista devia estudar o “homem

econômico”, o cientista o “ho mem político”, 0 sociólogo 0

"homem social”, etc. Ao antro pólogo, acostumado a trabalhar entre grupos primitivos onde 0 comércio é muitas vezes um

processo religioso e onde o “go verno” é inseparável do resto

da vida social, essas categorias distintas e separadas pareciam

resultar da rigidez da organi zação acadêmica. Para ele, tal classificação parece impedir 0 acompanhamento dos prolDlemas aonde quer que nos duzam”.

p.

280.

con¬

ta)

Estamos conscientes de que

a diversidade de

tos

de

culturas

casos

concre-

particulares

restringe bastante esta última

asserção, mas em comparação com a sociedade civilizada cre-

KLUCKHOHN, Clyde. AnUopologle. um espelho para o homem.

1972|

DIGESTO

ECONÔMICO

Belo Horizonte. Itatiaia

*

125

ECONÔMICO

mos que a generalização pode ser feita, como o faz Jõnnies por exemplo.

(3)

Foi inevitável que a influ ência das

demais

ciências

so

ciais levasse antropólogos de campo a tentar localizar a seg mentação formal da sociedade européia nas comunidades di tas primitivas, 0 que resultou na tendência da Antropologia de constituir-se uma arena

as ciências sociais tendem a ver as sociedades ditas primi tivas por uma ótica teórica ela borada a partir da observação

empírica das sociedades bur guesas e a Antropologia, ao contrário, tende a ver esta úl tima através daquelas.

es

pecífica do entrechoque dos dis cursos teóricos das ciências so

ciais. Assim vemos aparecerem a Antropologia Social, Antro pologia Política, Antropologia

Econômica, etc, principalmente na França onde a influência positivista é maior.

Desta forma, o desenvolvi mento recente da Antropologia é 0 inverso do das demais ciên

cias humanas. Enquanto estas tendem

ao

plinário

para

discurso interdisci-

explicação

de

uma característica específica da Totalidade humana, a Antro pologia tende a estudar as ca racterísticas para explicar a

A implicação mais impor tante deste fato é a de que, pa ra as ciências sociais, as ca racterísticas são objeto empí rico e a Totalidade é o plano abstrato de causalidade, en quanto para a Antropologia es

ta relação se inverte, sendo a Totalidade o objeto empírico e as

características

‘cons-

os

tructos” explicativos. Tais

tendências

parecem

vir paulatinamente a dar con sistência a uma Teoria Social

íntegra onde a Antropologia fa rá 0 papel de Teoria Sintética e as demais ciências humanas

os seus braços analíticos e na

qual 0 objeto nuclear será o ho. mem

como Unidade e como To-

Totalidade.

talidade, o que, aliás, é um pro jeto antigo da Antropologia.

Com a progressiva comu nhão da perspectiva empírica.

Vejamos, então, como esta se manifesta para realizá-lo.

13)

TONNIES, Ferdinand. Comunidad y Socledad,

Buenos Aires, Ed. Losada, 1947.


124

DIGESTO

origem do homem, orientandose por tentativas de sínteses, o que a levava a totalizar seu objeto buscando os níveis teó ricos capazes de restituir-lhe a universalidade.

A esta marca

de origem

acrescenta-se a singularidade de seu campo entre as ciências positivas. Enquanto às demais ciências sociais tocava a abor

dagem de características par

ciais do homem civilizado, à Antropologia coube estudar glo balmente sociedades péias.

nao

euro-

Ocorre que, como já vimos,

a sociedade civilizada manifes

ta-se ao conhecimento como um conjunto de formas diferen tes, isto é, como Sistema So cial. Estado, Sistema Produti vo, etc. Nas sociedades ditas

primitivas, entretanto, estas for mações não se manifestam ob jetivamente. Ali a Totalidade do fenômeno humano se dá nãò apenas como nível abstrato de determinações. mas também

como forma aparente, pois as relações de parentesco não se diferenciam plenamente das re¬ (2)

lações sociais, econômicas, de poder, etc.

Kluckhohn, expõe com cla reza esta peculiaridade da An tropologia: “Um pressuposto implícito (das ciências sociais) tem sido o de que o comporta mento humano tem lugar numa série de compartimentos im permeáveis. Por isto 0 econo mista devia estudar o “homem

econômico”, o cientista o “ho mem político”, 0 sociólogo 0

"homem social”, etc. Ao antro pólogo, acostumado a trabalhar entre grupos primitivos onde 0 comércio é muitas vezes um

processo religioso e onde o “go verno” é inseparável do resto

da vida social, essas categorias distintas e separadas pareciam

resultar da rigidez da organi zação acadêmica. Para ele, tal classificação parece impedir 0 acompanhamento dos prolDlemas aonde quer que nos duzam”.

p.

280.

con¬

ta)

Estamos conscientes de que

a diversidade de

tos

de

culturas

casos

concre-

particulares

restringe bastante esta última

asserção, mas em comparação com a sociedade civilizada cre-

KLUCKHOHN, Clyde. AnUopologle. um espelho para o homem.

1972|

DIGESTO

ECONÔMICO

Belo Horizonte. Itatiaia

*

125

ECONÔMICO

mos que a generalização pode ser feita, como o faz Jõnnies por exemplo.

(3)

Foi inevitável que a influ ência das

demais

ciências

so

ciais levasse antropólogos de campo a tentar localizar a seg mentação formal da sociedade européia nas comunidades di tas primitivas, 0 que resultou na tendência da Antropologia de constituir-se uma arena

as ciências sociais tendem a ver as sociedades ditas primi tivas por uma ótica teórica ela borada a partir da observação

empírica das sociedades bur guesas e a Antropologia, ao contrário, tende a ver esta úl tima através daquelas.

es

pecífica do entrechoque dos dis cursos teóricos das ciências so

ciais. Assim vemos aparecerem a Antropologia Social, Antro pologia Política, Antropologia

Econômica, etc, principalmente na França onde a influência positivista é maior.

Desta forma, o desenvolvi mento recente da Antropologia é 0 inverso do das demais ciên

cias humanas. Enquanto estas tendem

ao

plinário

para

discurso interdisci-

explicação

de

uma característica específica da Totalidade humana, a Antro pologia tende a estudar as ca racterísticas para explicar a

A implicação mais impor tante deste fato é a de que, pa ra as ciências sociais, as ca racterísticas são objeto empí rico e a Totalidade é o plano abstrato de causalidade, en quanto para a Antropologia es

ta relação se inverte, sendo a Totalidade o objeto empírico e as

características

‘cons-

os

tructos” explicativos. Tais

tendências

parecem

vir paulatinamente a dar con sistência a uma Teoria Social

íntegra onde a Antropologia fa rá 0 papel de Teoria Sintética e as demais ciências humanas

os seus braços analíticos e na

qual 0 objeto nuclear será o ho. mem

como Unidade e como To-

Totalidade.

talidade, o que, aliás, é um pro jeto antigo da Antropologia.

Com a progressiva comu nhão da perspectiva empírica.

Vejamos, então, como esta se manifesta para realizá-lo.

13)

TONNIES, Ferdinand. Comunidad y Socledad,

Buenos Aires, Ed. Losada, 1947.


126

DIGESTO

Tentativa de interpretação da história da Antropologia

A Antropologia já surge co mo um esforço de síntese. Sol

Tax descreve as polêmicas que acompanharam o seu apareci mento no início do século pas sado.

ECONÔMICO

destas associações; em todos os países europeus se discu tiam problemas como o se tais sociedades deveríam ou não congregar

ou

conservar

em

seus quadros a filósofos, polí ticos, etc. Outra discussão re

ferida por Tax dizia respeito

As “sociedades de estudos

ao ingresso de estudiosos de anatomia e história natural.

sobre o Homem” que brotavam,

Nas últimas décadas do sé

então, descontroladamente, nos

principais

países

colonialistas

europeus e nos Estados Unidos, congregavam cientistas das di-

especialidades, desde que se dedicassem ao estudo de versas

povos

estranhos.

Inicialmente foram forma das para instruir viajantes sobre costumes de terras estra nhas. Passaram depois a dedi car-se a abordagem científica

de problemas ligados à questão abolicionista e à defesa dos povos, ditos primitivos. Debates e cisões sucedem-

se em tais sociedades a partir de meados do século, envol vendo questões de semântica e de metodologia. Os termos “an tropológica” e "etnológica se

alternavam 14)

nas

adjetivações

culo,

entretanto,

“os

termos

Antropologia, Etnologia, Etnografia, Arqueologia, Pré-histó ria, Filosofia e Linguística estabeleceram-se definitivamen te... Em alguns lugares essesramos do estudo do homem uni ficaram-se

tros...

mais

do

que

ou-

mas de maneira ge¬

ral... a Antropologia Geral tor nou-se logo, na Inglaterra e na Europa, a síntese característi ca desta ciência”,

Por outro lado, já nas suas

127

DIGESTO ECONÔMICO

tropologia concentrou seu inte resse num único organismo — 0 Homem — e tentou compre ender todas as espécies de fe nômenos na medida em que a afetam... (Assim, é) possível considerar a Antropologia co mo a primeira de uma série de ciências sintetizadoras".

Realmente, estatuindo o ho mem como um fenômeno e não

como síntese de fenômenos, a

que ocorram na natureza, a AnSol. Início da Ciência do Homem, In; TAX. Sol (org) Panorama da Antropologia,

Rio de Janeiro, Fundo de Cultura, 1966, p. 13/14.

^

**

à sua

descrição racional: a Antropo

logia física. Mas a pesquisa das origens conduz igualmente

sim

riores da espécie humana como

sintética.

A síntese

está

na Antropologia, e não apenas em seu objeto. Para explicar a este último, a Antropologia deve valer-se de metodologias já desenvolvidas por outras

ciências,

constituifido-se,

por

tanto, em sua síntese, mas não se relaciona com seu objeto co mo um conjunto de ciências.

Ao fazê-lo, estatui seu próprio

demais ciências naturais e so-

quer

e

a paleontologia e a pré-história à descrição dos estádios ante

mo Zoologia, Fisiologia ou Ge nética num aspecto importan onde

é o da Evolução Natural da es

pécie humana. A pesquisa das origens conduz às classificações

Antropologia não é uma aborda gem multidisciplinária, mas

método.

de tipos limitados,

Segundo Copans "o primeiro campo empírico a tomar forma

biológicas das raças

origens, a Antropologia diferiu das ciências conhecidas co-

te: enquanto estas últimas se tem concentrado em fenômenos

da como estas características abstratas se concretizam em seu objeto: o homem.

Assim sendo, enquanto as

ciais estudam características

abstratas a partir de fenômenos

concretos, a Antropologia estu-

cada vez mais acentuada entre a origem e a evolução do ser humano como espécie natural e

como

ser

social que explica

a constituição de disciplinas científicas autônomas . (®) Ao nosso ver este autor se

equivoca. O campo empírico inaugural da Antropologia não

é a Evolução Natural da espé-

cie humana: é já, em suas ori-

gens, a diversidade de costu-

mes levantada à evidência pelo

colonialismo.

Campo e divisões da Antropologia.

A Antropologia

1945, In: MUSSOLINl, GlOCONOA alll. Antropologia,

(5)

UNION,

(6)

COPANS, Jean. "Da Etnologia à Antropologia”. In: COPANS, Jean et ciência das sociedades ‘primitives? LIaboa, EdIçSea 70, 1977, ,p. 24,

(org),

Ralph.

espécie social (fabricação de utensílios, etc.). Ê a distinção

op. cit., p. 4.


126

DIGESTO

Tentativa de interpretação da história da Antropologia

A Antropologia já surge co mo um esforço de síntese. Sol

Tax descreve as polêmicas que acompanharam o seu apareci mento no início do século pas sado.

ECONÔMICO

destas associações; em todos os países europeus se discu tiam problemas como o se tais sociedades deveríam ou não congregar

ou

conservar

em

seus quadros a filósofos, polí ticos, etc. Outra discussão re

ferida por Tax dizia respeito

As “sociedades de estudos

ao ingresso de estudiosos de anatomia e história natural.

sobre o Homem” que brotavam,

Nas últimas décadas do sé

então, descontroladamente, nos

principais

países

colonialistas

europeus e nos Estados Unidos, congregavam cientistas das di-

especialidades, desde que se dedicassem ao estudo de versas

povos

estranhos.

Inicialmente foram forma das para instruir viajantes sobre costumes de terras estra nhas. Passaram depois a dedi car-se a abordagem científica

de problemas ligados à questão abolicionista e à defesa dos povos, ditos primitivos. Debates e cisões sucedem-

se em tais sociedades a partir de meados do século, envol vendo questões de semântica e de metodologia. Os termos “an tropológica” e "etnológica se

alternavam 14)

nas

adjetivações

culo,

entretanto,

“os

termos

Antropologia, Etnologia, Etnografia, Arqueologia, Pré-histó ria, Filosofia e Linguística estabeleceram-se definitivamen te... Em alguns lugares essesramos do estudo do homem uni ficaram-se

tros...

mais

do

que

ou-

mas de maneira ge¬

ral... a Antropologia Geral tor nou-se logo, na Inglaterra e na Europa, a síntese característi ca desta ciência”,

Por outro lado, já nas suas

127

DIGESTO ECONÔMICO

tropologia concentrou seu inte resse num único organismo — 0 Homem — e tentou compre ender todas as espécies de fe nômenos na medida em que a afetam... (Assim, é) possível considerar a Antropologia co mo a primeira de uma série de ciências sintetizadoras".

Realmente, estatuindo o ho mem como um fenômeno e não

como síntese de fenômenos, a

que ocorram na natureza, a AnSol. Início da Ciência do Homem, In; TAX. Sol (org) Panorama da Antropologia,

Rio de Janeiro, Fundo de Cultura, 1966, p. 13/14.

^

**

à sua

descrição racional: a Antropo

logia física. Mas a pesquisa das origens conduz igualmente

sim

riores da espécie humana como

sintética.

A síntese

está

na Antropologia, e não apenas em seu objeto. Para explicar a este último, a Antropologia deve valer-se de metodologias já desenvolvidas por outras

ciências,

constituifido-se,

por

tanto, em sua síntese, mas não se relaciona com seu objeto co mo um conjunto de ciências.

Ao fazê-lo, estatui seu próprio

demais ciências naturais e so-

quer

e

a paleontologia e a pré-história à descrição dos estádios ante

mo Zoologia, Fisiologia ou Ge nética num aspecto importan onde

é o da Evolução Natural da es

pécie humana. A pesquisa das origens conduz às classificações

Antropologia não é uma aborda gem multidisciplinária, mas

método.

de tipos limitados,

Segundo Copans "o primeiro campo empírico a tomar forma

biológicas das raças

origens, a Antropologia diferiu das ciências conhecidas co-

te: enquanto estas últimas se tem concentrado em fenômenos

da como estas características abstratas se concretizam em seu objeto: o homem.

Assim sendo, enquanto as

ciais estudam características

abstratas a partir de fenômenos

concretos, a Antropologia estu-

cada vez mais acentuada entre a origem e a evolução do ser humano como espécie natural e

como

ser

social que explica

a constituição de disciplinas científicas autônomas . (®) Ao nosso ver este autor se

equivoca. O campo empírico inaugural da Antropologia não

é a Evolução Natural da espé-

cie humana: é já, em suas ori-

gens, a diversidade de costu-

mes levantada à evidência pelo

colonialismo.

Campo e divisões da Antropologia.

A Antropologia

1945, In: MUSSOLINl, GlOCONOA alll. Antropologia,

(5)

UNION,

(6)

COPANS, Jean. "Da Etnologia à Antropologia”. In: COPANS, Jean et ciência das sociedades ‘primitives? LIaboa, EdIçSea 70, 1977, ,p. 24,

(org),

Ralph.

espécie social (fabricação de utensílios, etc.). Ê a distinção

op. cit., p. 4.


128

DIGESTO

era orientada pela questão abo licionista e pelo esforço de de

fesa de sociedades primitivas, como já observamos no texto de

Tax atrás reproduzido. A ques tão da evolução biológica foi re corrida inicialmente como sub sídio para a explicação destes fenômenos.

Entretanto,

após

recorrida,

ganha corpo e alcança matizar todo 0 escopo da disciplina.

A idéia central era de que a Teoria da Evolução poderia endossar ou refutar

a

escravi-

dão e o colonialismo. Ao

con-

trárío da sugestão de Copans, indistinguiam-se, então dens biofisiológicas e do

comportamento

as

or-

sociais

humano

o

que justificava a explicação deste comportamento por aque la teoria.

ECONÔMICO

DIGESTO

ECONÔ^MICO

129

natural. A capacidade de um organismo se transformar num organismo mais complexo é uma capacidade do organismo original e não de seu contexto ambiental, o qual aparece ape

No entanto, o princípio da

to) do mesmo ou a sua atrofia

Evolução é inicialmente formu lado no campo da História Na tural, mais especificamente pe la Anatomia comparada e Pa leontologia.

e desaparecimento, respectiva mente. As transformações do organismo assim estabelecidas num ser vivo projetam-se aos

A evidência fóssil da evo lução necessitava uma síntese

se manifestem em indivíduos de

sadora.

ambos os sexos. Concluindo, tais transformações perfazem uma tendência que vai de organis mos mais simples ao mais com

A apresentação do mecanis mo intrínseco que outorga ca ráter evolutivo às transforma

científica. Sua formulação co mo lei aparece em sucessivos momentos do século passado, dos quais mencionaremos os principais representados nas teorias de Lamarck e Darwin.

Em Lamarck aparece niti damente a idéia de que os se res vivos são determinados pe las relações entre o ambiente natural

e

suas

necessidades.

Sua teoria pode ser resumida como segue: grandes alterações no ambiente provocam altera ções correspondentes nas neces

O próprio Darwin confessa que a idéia de seleção natural lhe foi sugerida pelas teorias

sidades dos seres vivos. O sur gimento de novas necessidades

de Malthus, um dos fundadores da Economia Política, o que é

gas, por sua vez^ atribui ou re tira funções a diferentes órgãos

sintoma de que o fenômeno da Evolução era mais perceptível no campo hoje legado à Antro pologia Cultural que ao da An tropologia Física.

destes seres.

ou 0 desaparecimento de anti

O exercício mais

intenso ou a ociosidade prolon gada de cada órgão promove o aperfeiçoamento (concebido co mo fortalecimento e crescimen-

seus descendentes pelo vínculo da hereditariedade, desde que

plexo: o homem-

cionalista de que “a função faz 0 órgão”.

É importante notar que o mais

ções permanecia, então, aquém dos limites históricos de conhe

A regularidade básica de causa-efeito implícita nesta teo ria é o conhecido chavão fun-

ponto

nas como circunstância catali-

vulnerável

dessa

teoria virá com posterioridade a constituir-se justamente em seu mérito histórico. A orien

tação das transformações, e por

cimento científico, razão pela

qual só pode aparecer na fórmula heurística da “capacidade de se transformar”.

Esta fragilidade da teoria lamarckiana provocou a insa tisfação dos estudiosos e o apa recimento da Teoria de Dar win.

“Em cada espécie

nascem

muitos mais indivíduos do que

que podem sobreviver, disso

conseguinte o fenômeno da evo

os

lução em si^ aparecem em La-

decorre uma luta sempre reite

característi

rada pela existência, donde se

ca do ser que evolui e não da causalidade externa já reconhe

segue que todo indivíduo por

marck como uma

cida pelo autor e já figurado nesta teoria como o ambiente

tador de uma variação que lhe

seja vantajosa, ainda que em pequeno grau, terá maior pro-

(6.A) Uma exposição detalhada, flue Inclui a formulação em leis, e acompanhada de uma lúcida interpretação aparece em SIMPSON, George Gaylord: Haverá plano e finalidade da natureza?

In;

MUSSOLINI,

Gloconda.

(org)

op.

cit.


128

DIGESTO

era orientada pela questão abo licionista e pelo esforço de de

fesa de sociedades primitivas, como já observamos no texto de

Tax atrás reproduzido. A ques tão da evolução biológica foi re corrida inicialmente como sub sídio para a explicação destes fenômenos.

Entretanto,

após

recorrida,

ganha corpo e alcança matizar todo 0 escopo da disciplina.

A idéia central era de que a Teoria da Evolução poderia endossar ou refutar

a

escravi-

dão e o colonialismo. Ao

con-

trárío da sugestão de Copans, indistinguiam-se, então dens biofisiológicas e do

comportamento

as

or-

sociais

humano

o

que justificava a explicação deste comportamento por aque la teoria.

ECONÔMICO

DIGESTO

ECONÔ^MICO

129

natural. A capacidade de um organismo se transformar num organismo mais complexo é uma capacidade do organismo original e não de seu contexto ambiental, o qual aparece ape

No entanto, o princípio da

to) do mesmo ou a sua atrofia

Evolução é inicialmente formu lado no campo da História Na tural, mais especificamente pe la Anatomia comparada e Pa leontologia.

e desaparecimento, respectiva mente. As transformações do organismo assim estabelecidas num ser vivo projetam-se aos

A evidência fóssil da evo lução necessitava uma síntese

se manifestem em indivíduos de

sadora.

ambos os sexos. Concluindo, tais transformações perfazem uma tendência que vai de organis mos mais simples ao mais com

A apresentação do mecanis mo intrínseco que outorga ca ráter evolutivo às transforma

científica. Sua formulação co mo lei aparece em sucessivos momentos do século passado, dos quais mencionaremos os principais representados nas teorias de Lamarck e Darwin.

Em Lamarck aparece niti damente a idéia de que os se res vivos são determinados pe las relações entre o ambiente natural

e

suas

necessidades.

Sua teoria pode ser resumida como segue: grandes alterações no ambiente provocam altera ções correspondentes nas neces

O próprio Darwin confessa que a idéia de seleção natural lhe foi sugerida pelas teorias

sidades dos seres vivos. O sur gimento de novas necessidades

de Malthus, um dos fundadores da Economia Política, o que é

gas, por sua vez^ atribui ou re tira funções a diferentes órgãos

sintoma de que o fenômeno da Evolução era mais perceptível no campo hoje legado à Antro pologia Cultural que ao da An tropologia Física.

destes seres.

ou 0 desaparecimento de anti

O exercício mais

intenso ou a ociosidade prolon gada de cada órgão promove o aperfeiçoamento (concebido co mo fortalecimento e crescimen-

seus descendentes pelo vínculo da hereditariedade, desde que

plexo: o homem-

cionalista de que “a função faz 0 órgão”.

É importante notar que o mais

ções permanecia, então, aquém dos limites históricos de conhe

A regularidade básica de causa-efeito implícita nesta teo ria é o conhecido chavão fun-

ponto

nas como circunstância catali-

vulnerável

dessa

teoria virá com posterioridade a constituir-se justamente em seu mérito histórico. A orien

tação das transformações, e por

cimento científico, razão pela

qual só pode aparecer na fórmula heurística da “capacidade de se transformar”.

Esta fragilidade da teoria lamarckiana provocou a insa tisfação dos estudiosos e o apa recimento da Teoria de Dar win.

“Em cada espécie

nascem

muitos mais indivíduos do que

que podem sobreviver, disso

conseguinte o fenômeno da evo

os

lução em si^ aparecem em La-

decorre uma luta sempre reite

característi

rada pela existência, donde se

ca do ser que evolui e não da causalidade externa já reconhe

segue que todo indivíduo por

marck como uma

cida pelo autor e já figurado nesta teoria como o ambiente

tador de uma variação que lhe

seja vantajosa, ainda que em pequeno grau, terá maior pro-

(6.A) Uma exposição detalhada, flue Inclui a formulação em leis, e acompanhada de uma lúcida interpretação aparece em SIMPSON, George Gaylord: Haverá plano e finalidade da natureza?

In;

MUSSOLINI,

Gloconda.

(org)

op.

cit.


130

DIGESTO

ECONÔMICO

habilidade de sobreviver, nas

bui valores às transformações,

condições complexas e por ve

orientando-as como processo evolutivo. Em linguagem não muito figurada, o ambiente produz as formas específicas de

zes variáveis de vida e ser as sim selecionado naturalmente.

Devido ao forte princípio da he reditariedade, toda a varieda

de selecionada, tenderá a propagar-se em sua forma nova e modificada”.

Nas próprias palavras de Darwin, reportadas por Montagu, assim se expressa resumi damente a Teoria da Seleção Natural,

Observa-se que nela, ao contrário de Lamarck, não exis te nenhuma orientação das transformações ocorridas em organismos vivos no suceder de

suas gerações. A orientação evolutiva é uma função do am biente nas variações. O sentido destas

últimas

é

totalmente

seres

vivos

no

sentido

mesmo

em que as relações sociais pro duzem os meios de subsistência humana atribuindo valores a transformações de matériasprimas.

do ser

ganismo pelo ambiente é mais

onde 0 processo de reprodução significa ontologicamente adap tação ao ambiente, pode-se já

que evolui, mas sim no parâ metro ambiental da evolução

convincente que a vaga e gra tuita idéia da variação por he

como

reditariedade.

falar de êxito

vo

so”.

ou

de

fracas

É bem verdade que o

tar que, na teoria de Darwin,

samente do ponto de vista ontológico — os limites de um me

(7) (8)

nético”. Descontados os concei

está contida no interior

sição não ultrapassa — preci

casso adaptativo, ou seja: “atri¬

A evolução, portanto, é ação do ambiente sobre a ma téria-prima das transforma ções. Nas palavras de Julian Huxley: "... um mecanismo bá sico fundamenta a evolução or gânica, a seleção darwiniana agindo sobre o mecanismo ge

valores. Na natureza orgânica,

Ê também interessante no

êxito ou fra

entre 1835 e 1837, portanto mais de 20 anos antes da publicação em 1859 da "Origem das espé cies de Darwin, o autor Edward Blyth, “... publicou vários ar tigos... (os quais) contêm to da a parte essencial de uma teoria da Seleção Natural... Mas Blyth argumentou que a Selcção Natural (termo que ele não usou) era um agente que mantinha as espécies constan tes, não um que as mudava”.

conteúdo do fenômeno da evolu ção.

tos introduzidos pelo avanço da genética, esta fórmula é reco nhecível na Teoria da Seleção em sua versão original. (9)

autor acrescenta que este pro cesso valorativo distingue-se do social devido a que “essa opo

mo indicador de

131

ECONÔMICO

São palavras do füósofo 'na natureza Georg Lucáks: inorgânica, as mudanças de um ●modo de ser para outro não têm, é claro, nada a ver com os

aleatório e destituído de qual quer tipo de finalidade.

0 parâmetro ambiental das mu danças atua nos seres vivos co

DIGESTO

ro ser - de - outro - modo”, po rém não por isso deixa de admi tir 0 processo valorativo como

Com efeito,

A causalidade agora já não

um

mecanismo

valorati-

dería

com

melhor

sucesso

in

terpretar 0 fato de que perma neciam sucessivas

transforma

ções de organismos muito após as alterações ambientais as te rem desencadeado, e que as

Num certo sentido pode-se mesmo considerar o princípio darwiniano

de

Assim se realentou o prin cípio de Lamarck, o qual po

Este detalhe daria origem a férteis polêmicas desenvolvidas ao longo do acúmulo da evidên cia fóssil da evolução.

básico

na teoria

Darwin o princípio positivista da determinação viciosa do or

como um

convincente argumento de que as espécies não evoluem. Rela

transformações determinadas

obedeciam tendências

a por

ta Dobzhans, a propósito, que

prolongado período de tempo, a

DARWIN, Charles. A origem das Espécies. Apud: MONTAGU, Ashiey. O conceito de raça e o mecanismo de formação das raças humanas, 1950, In: "MUSSOLINI, Gioconda

(9)

1954,

(órg) op.

cit.,

LUCAKS,

Georg,

CIO] DOBZHANSKY, Theodoslus, op. cit., p. 146.

p. 7. op.

cit.,

p.

7.

HUXLEY, cit.,

p.

Jullan.

O

Processo

Evolutivo,

22.

In:

MUSSOLINI,

Gioconda,

(org]

op.


130

DIGESTO

ECONÔMICO

habilidade de sobreviver, nas

bui valores às transformações,

condições complexas e por ve

orientando-as como processo evolutivo. Em linguagem não muito figurada, o ambiente produz as formas específicas de

zes variáveis de vida e ser as sim selecionado naturalmente.

Devido ao forte princípio da he reditariedade, toda a varieda

de selecionada, tenderá a propagar-se em sua forma nova e modificada”.

Nas próprias palavras de Darwin, reportadas por Montagu, assim se expressa resumi damente a Teoria da Seleção Natural,

Observa-se que nela, ao contrário de Lamarck, não exis te nenhuma orientação das transformações ocorridas em organismos vivos no suceder de

suas gerações. A orientação evolutiva é uma função do am biente nas variações. O sentido destas

últimas

é

totalmente

seres

vivos

no

sentido

mesmo

em que as relações sociais pro duzem os meios de subsistência humana atribuindo valores a transformações de matériasprimas.

do ser

ganismo pelo ambiente é mais

onde 0 processo de reprodução significa ontologicamente adap tação ao ambiente, pode-se já

que evolui, mas sim no parâ metro ambiental da evolução

convincente que a vaga e gra tuita idéia da variação por he

como

reditariedade.

falar de êxito

vo

so”.

ou

de

fracas

É bem verdade que o

tar que, na teoria de Darwin,

samente do ponto de vista ontológico — os limites de um me

(7) (8)

nético”. Descontados os concei

está contida no interior

sição não ultrapassa — preci

casso adaptativo, ou seja: “atri¬

A evolução, portanto, é ação do ambiente sobre a ma téria-prima das transforma ções. Nas palavras de Julian Huxley: "... um mecanismo bá sico fundamenta a evolução or gânica, a seleção darwiniana agindo sobre o mecanismo ge

valores. Na natureza orgânica,

Ê também interessante no

êxito ou fra

entre 1835 e 1837, portanto mais de 20 anos antes da publicação em 1859 da "Origem das espé cies de Darwin, o autor Edward Blyth, “... publicou vários ar tigos... (os quais) contêm to da a parte essencial de uma teoria da Seleção Natural... Mas Blyth argumentou que a Selcção Natural (termo que ele não usou) era um agente que mantinha as espécies constan tes, não um que as mudava”.

conteúdo do fenômeno da evolu ção.

tos introduzidos pelo avanço da genética, esta fórmula é reco nhecível na Teoria da Seleção em sua versão original. (9)

autor acrescenta que este pro cesso valorativo distingue-se do social devido a que “essa opo

mo indicador de

131

ECONÔMICO

São palavras do füósofo 'na natureza Georg Lucáks: inorgânica, as mudanças de um ●modo de ser para outro não têm, é claro, nada a ver com os

aleatório e destituído de qual quer tipo de finalidade.

0 parâmetro ambiental das mu danças atua nos seres vivos co

DIGESTO

ro ser - de - outro - modo”, po rém não por isso deixa de admi tir 0 processo valorativo como

Com efeito,

A causalidade agora já não

um

mecanismo

valorati-

dería

com

melhor

sucesso

in

terpretar 0 fato de que perma neciam sucessivas

transforma

ções de organismos muito após as alterações ambientais as te rem desencadeado, e que as

Num certo sentido pode-se mesmo considerar o princípio darwiniano

de

Assim se realentou o prin cípio de Lamarck, o qual po

Este detalhe daria origem a férteis polêmicas desenvolvidas ao longo do acúmulo da evidên cia fóssil da evolução.

básico

na teoria

Darwin o princípio positivista da determinação viciosa do or

como um

convincente argumento de que as espécies não evoluem. Rela

transformações determinadas

obedeciam tendências

a por

ta Dobzhans, a propósito, que

prolongado período de tempo, a

DARWIN, Charles. A origem das Espécies. Apud: MONTAGU, Ashiey. O conceito de raça e o mecanismo de formação das raças humanas, 1950, In: "MUSSOLINI, Gioconda

(9)

1954,

(órg) op.

cit.,

LUCAKS,

Georg,

CIO] DOBZHANSKY, Theodoslus, op. cit., p. 146.

p. 7. op.

cit.,

p.

7.

HUXLEY, cit.,

p.

Jullan.

O

Processo

Evolutivo,

22.

In:

MUSSOLINI,

Gioconda,

(org]

op.


132

DIGESTO

despeito

'das

alterações

am

bientais.

Na evolução filética dos equídeos temos um clássico exemplo deste fenômeno. Des de o Eoceno até os tempos atuais, ou seja, um período que cobre aproximadamente 60 mi lhões de anos,, verificoú-s-e uma tendência ininterrupta à espe cialização monodáctila da fór mula digital e ao aumento do tamanho.

Similar, mas menos eluci dativo, foi a filogenia da Ordem dos Primatas que manteve du

rante 70 milhões de anos, des de o Paleoceno, aproximada mente, as tendências de redu

ção do focinho, expansão e ela

boração do cérebro, redução do aparelho olfativo,, transforma ção de garras em unhas com desenvolvimento de almofadas tácteis na parte interna dos

ECONÔMICO

parecem obedecer a orientações ●endógenas aos organismos e,

mano como finalidade ou como

se segue:

resultado máximo do processo

“A contribuição de Mor gan consiste em demonstrar a

plicasse satisfatoriamente, re presentava-a com maior pro priedade que a da Seleção Na

tural, visto que

o aperfeiçoa

não ambientais.

evolutivo.

Apenas o avanço da genéti ca poderia solucionar este pro

Levi-Strauss, mesmo consi derando que a “interpretação evolutiva é. em etnologia, a re

blema — e efetivamente o fez

— abrindo a possibilidade de um novo esforço de síntese da Antropologia que, como vere mos mais adiante, capitalizou a investigação deste tema geran

clt.,

p.

140.

biológico”,

acrescenta em

ção Natural.

rior ao outro”.

Entretanto, os estudos Evolução, embora tendo

da se

se davam nos fenômenos huma nos, como já foi discutido em páginas anteriores.

(11) SIMPSON, George Claylord. O significddo da Evolução. op.

mo

do a Teoria Sintética da Sele

tória Natural, se haviam gestado a partir de evidências que

(org)

percussão direta do evolucionis-

nota de rodapé: "Isto tornou-se verdade (apenas) nos fins do século passado... (pois) o evolucionismo sociológico é ante

Estes fenômenos se desen volveram em ambos os casos indiferentes às profundas revo luções ambientais ocorridas ao

CLARK. W.E.

A nosso ver o impacto des ta obra não se dava apenas na teoria social, mas também e principalmente na própria teo ria evolutiva, levantando a

mento dos órgãos nestes casos

va nestes exemplos, assim como em outros, e embora a teoria Lamarckiana original não os ex

dedos, etc. C12>

(12) LE GROS

133

ECONÔMICO

Assim sendo, é de se supor que um peso considerável nos objetivos dos estudos da Evolu ção tenha sido a interpretação da evolução social. Realmente, mesmo as obras pioneiras da Teoria da Evolução — "Filoso fia Zoológica” de Lamarck e "A Estirpe do Homem de Darwin — colocam o organismo hu

A aparência de finalidade do processo evolutivo é ostensi

aperfeiçoado através de deba tes travados no âmbito da His

longo de sua vigência.

DIGESTO

A classificação dos Primatas, 1959,

Era,

portanto,

inevitável

que cedo ou tarde, o princípio da evolução se estendesse tam

bém diretamente aos aspectos sociais do homem. A publicação de

"Sociedades Primitivas” de

Lewis Morgan não foi o primei ro mas sim

o mais polêmico

sintoma desta extensão.

questão do estabelecimento de seus limites.

A contribuição de Morgan foi resumida por Capans, como

importância decisiva das rela ções d^ parentesco em deter

minado estádio das sociedades

humanas. Explica também

passagem de um estádio a ou

tro (selvageria, barbárie e Cl-

vilização) a partir das correla

ções entre as formas de pro dução, formas de parentesco e formas

MUSSOüNI,

Gloconda

p.

15.

(14) COPANS, Jean, op. cit., p. 26.

de consciência

so

cial”.

Para tentarmos ir além da

interpretação corrente do evolucionismo cultural e procurar

mos reconstituir a dimensão de

seu impacto não podemos nos bastar com a informação de que esta teoria foi refutada pela

■evidência empírica.

(13) LEVI. STRAUSS, Cloude. Antropologia Estrutural. In:

a

Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro, 1967.

4


132

DIGESTO

despeito

'das

alterações

am

bientais.

Na evolução filética dos equídeos temos um clássico exemplo deste fenômeno. Des de o Eoceno até os tempos atuais, ou seja, um período que cobre aproximadamente 60 mi lhões de anos,, verificoú-s-e uma tendência ininterrupta à espe cialização monodáctila da fór mula digital e ao aumento do tamanho.

Similar, mas menos eluci dativo, foi a filogenia da Ordem dos Primatas que manteve du

rante 70 milhões de anos, des de o Paleoceno, aproximada mente, as tendências de redu

ção do focinho, expansão e ela

boração do cérebro, redução do aparelho olfativo,, transforma ção de garras em unhas com desenvolvimento de almofadas tácteis na parte interna dos

ECONÔMICO

parecem obedecer a orientações ●endógenas aos organismos e,

mano como finalidade ou como

se segue:

resultado máximo do processo

“A contribuição de Mor gan consiste em demonstrar a

plicasse satisfatoriamente, re presentava-a com maior pro priedade que a da Seleção Na

tural, visto que

o aperfeiçoa

não ambientais.

evolutivo.

Apenas o avanço da genéti ca poderia solucionar este pro

Levi-Strauss, mesmo consi derando que a “interpretação evolutiva é. em etnologia, a re

blema — e efetivamente o fez

— abrindo a possibilidade de um novo esforço de síntese da Antropologia que, como vere mos mais adiante, capitalizou a investigação deste tema geran

clt.,

p.

140.

biológico”,

acrescenta em

ção Natural.

rior ao outro”.

Entretanto, os estudos Evolução, embora tendo

da se

se davam nos fenômenos huma nos, como já foi discutido em páginas anteriores.

(11) SIMPSON, George Claylord. O significddo da Evolução. op.

mo

do a Teoria Sintética da Sele

tória Natural, se haviam gestado a partir de evidências que

(org)

percussão direta do evolucionis-

nota de rodapé: "Isto tornou-se verdade (apenas) nos fins do século passado... (pois) o evolucionismo sociológico é ante

Estes fenômenos se desen volveram em ambos os casos indiferentes às profundas revo luções ambientais ocorridas ao

CLARK. W.E.

A nosso ver o impacto des ta obra não se dava apenas na teoria social, mas também e principalmente na própria teo ria evolutiva, levantando a

mento dos órgãos nestes casos

va nestes exemplos, assim como em outros, e embora a teoria Lamarckiana original não os ex

dedos, etc. C12>

(12) LE GROS

133

ECONÔMICO

Assim sendo, é de se supor que um peso considerável nos objetivos dos estudos da Evolu ção tenha sido a interpretação da evolução social. Realmente, mesmo as obras pioneiras da Teoria da Evolução — "Filoso fia Zoológica” de Lamarck e "A Estirpe do Homem de Darwin — colocam o organismo hu

A aparência de finalidade do processo evolutivo é ostensi

aperfeiçoado através de deba tes travados no âmbito da His

longo de sua vigência.

DIGESTO

A classificação dos Primatas, 1959,

Era,

portanto,

inevitável

que cedo ou tarde, o princípio da evolução se estendesse tam

bém diretamente aos aspectos sociais do homem. A publicação de

"Sociedades Primitivas” de

Lewis Morgan não foi o primei ro mas sim

o mais polêmico

sintoma desta extensão.

questão do estabelecimento de seus limites.

A contribuição de Morgan foi resumida por Capans, como

importância decisiva das rela ções d^ parentesco em deter

minado estádio das sociedades

humanas. Explica também

passagem de um estádio a ou

tro (selvageria, barbárie e Cl-

vilização) a partir das correla

ções entre as formas de pro dução, formas de parentesco e formas

MUSSOüNI,

Gloconda

p.

15.

(14) COPANS, Jean, op. cit., p. 26.

de consciência

so

cial”.

Para tentarmos ir além da

interpretação corrente do evolucionismo cultural e procurar

mos reconstituir a dimensão de

seu impacto não podemos nos bastar com a informação de que esta teoria foi refutada pela

■evidência empírica.

(13) LEVI. STRAUSS, Cloude. Antropologia Estrutural. In:

a

Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro, 1967.

4


134

DIGESTO

A idéia de evolução não poderia jamais ter aparecido nas sociedades ditas primitivas. Tampouco poderia ser elabora da na antiguidade clássica ou idade média européia. Por algo Copans atribui ao século XIX europeu o caráter

de evolucionista: "o progresso técnico e econômico é prova in contestável de uma certa evo

lução histórica”.

Em

suma.

o processo evolutivo se intensi

ficava, manifestando efeitos no

decurso de poucas gerações, o que o tornava perceptível para o homem daquela época. No entanto, a mesma Revo lução Industrial que revelava a evolução, ocultava a sua dinâ mica: as relações sociais pro duzidas pela Revolução Indus trial

não

apareciam

como

momentos

articulares

do

os

pro

cesso evolutivo.

Já vimos em páginas ante riores que este é o momento em que as relações sociais apresentam-se com forma objetiva suficiente para serem captadas separadamente dos homens concretos

que

as

contraem.

Cumpre agora destacar que sua (15) tdem,

p. 25/26,

ECONÔMICO

objetivação as manifesta pul sadas por pulias mestras, por dias de pagamento, por picos de demanda comercial, safras agrícolas, etc.

Enquanto as relações so ciais apareciam como reitera das mecanicamente pela má quina ou pelo dinheiro ou em suma por qualquer forma capi tal, este aparecia como "dado”, como se jamais tivesse sido en gendrado, como se não se cons

tituísse de relações sociais (trabalho) objetivadas, como '●'natural”

em suma.

A sociedade articulada pelo capital era tida como produto ra das relações sociais. O ho mem social como produto do meio social. Um produto reite rado pelo contexto, em relações que

se repetem mecanicamen

DIGESTO

135

ECONÔMICO

mente histórica

e natural das

problema de fundo: a oposição

relações sociais

(historicamen

Homem-natureza

manifesta-se

forma aperfeiçoada de Ho-

te dadas e consubstanciadas no

na

capital) era a condição do "progresso” histórico das rela ções sociais.

mem-sociedade, e esta distinção

ontológica era oculta na fórmu la positivista Homem-coisa. Esta generalização orienta-

A Teoria da Evolução esta

va assentada sobre um princi pio mecanicista de ciclo vicioso.

va

busca das conexões da de uma forma sim-

a

passagem

Portanto, o século XIX não foi apenas evolucionista. Foi também o século do mecanicismo. O Homem do século XIX se via inserido em relações que

pies para outra mais complexa, busca

esta que,

a partir de

Morgan, se estende a todos os aspectos biológicos e sociais do Homem.

se reproduziam mecanicamente

0 confronto da idéia de

à sua revelia, e tinha que con

ciliar esta reiteração inaltera

oposição Homem-coisa campo empírico perfez um pre

da, esta “ordem” que o deter minava, com a evidência da

blema: coisa'

transformação evolutiva a pos-

mente

teriori, o "progresso”, cuja ar ticulação dinâmica não se dera a cónhecer nem no campo do

Sintética da Evolução Natural,

com

como

no

conceito

0

de

figuravam diferentenatureza e sociedade;

rapidamente se descobria, com 0 apoio metodológico da Teoria

formas de aperfeiçoamento

te, de- maneira inalterada.

social nem no da natureza.

De forma análoga a natu reza chegou, como vimos, a ser

Na verdade, a justaposição formal dos princípios antagôni

Biológico do Homem na Nature

interpretada como parâmetro ambiental objetivo da evolução

cos evolucionista e mecanicista

da

que caracterizavam o modo de

aperfeiçoamento

pensar do século da industria lização novamente eclipsava o antagonismo através da síntese teórica, mas não o eliminava.

social.

das espécies. A "ordem” da na

tureza aparecia como parâme tro do “progresso” das espécies tanto quanto se pudera consta tar que a "ordem” aparente¬

Volta

a

aparecer,

cientificamente

as

agora

elaborado,

o

za mas permaneciam suspeiçao

as

ao

nível

formas de Homem

do

Neste ponto, o cremos, es

tão dados os pressupostos gno-

seólogos para

o processo de

“cissiparização” da Antropolo gia que em Linton figura como

<


134

DIGESTO

A idéia de evolução não poderia jamais ter aparecido nas sociedades ditas primitivas. Tampouco poderia ser elabora da na antiguidade clássica ou idade média européia. Por algo Copans atribui ao século XIX europeu o caráter

de evolucionista: "o progresso técnico e econômico é prova in contestável de uma certa evo

lução histórica”.

Em

suma.

o processo evolutivo se intensi

ficava, manifestando efeitos no

decurso de poucas gerações, o que o tornava perceptível para o homem daquela época. No entanto, a mesma Revo lução Industrial que revelava a evolução, ocultava a sua dinâ mica: as relações sociais pro duzidas pela Revolução Indus trial

não

apareciam

como

momentos

articulares

do

os

pro

cesso evolutivo.

Já vimos em páginas ante riores que este é o momento em que as relações sociais apresentam-se com forma objetiva suficiente para serem captadas separadamente dos homens concretos

que

as

contraem.

Cumpre agora destacar que sua (15) tdem,

p. 25/26,

ECONÔMICO

objetivação as manifesta pul sadas por pulias mestras, por dias de pagamento, por picos de demanda comercial, safras agrícolas, etc.

Enquanto as relações so ciais apareciam como reitera das mecanicamente pela má quina ou pelo dinheiro ou em suma por qualquer forma capi tal, este aparecia como "dado”, como se jamais tivesse sido en gendrado, como se não se cons

tituísse de relações sociais (trabalho) objetivadas, como '●'natural”

em suma.

A sociedade articulada pelo capital era tida como produto ra das relações sociais. O ho mem social como produto do meio social. Um produto reite rado pelo contexto, em relações que

se repetem mecanicamen

DIGESTO

135

ECONÔMICO

mente histórica

e natural das

problema de fundo: a oposição

relações sociais

(historicamen

Homem-natureza

manifesta-se

forma aperfeiçoada de Ho-

te dadas e consubstanciadas no

na

capital) era a condição do "progresso” histórico das rela ções sociais.

mem-sociedade, e esta distinção

ontológica era oculta na fórmu la positivista Homem-coisa. Esta generalização orienta-

A Teoria da Evolução esta

va assentada sobre um princi pio mecanicista de ciclo vicioso.

va

busca das conexões da de uma forma sim-

a

passagem

Portanto, o século XIX não foi apenas evolucionista. Foi também o século do mecanicismo. O Homem do século XIX se via inserido em relações que

pies para outra mais complexa, busca

esta que,

a partir de

Morgan, se estende a todos os aspectos biológicos e sociais do Homem.

se reproduziam mecanicamente

0 confronto da idéia de

à sua revelia, e tinha que con

ciliar esta reiteração inaltera

oposição Homem-coisa campo empírico perfez um pre

da, esta “ordem” que o deter minava, com a evidência da

blema: coisa'

transformação evolutiva a pos-

mente

teriori, o "progresso”, cuja ar ticulação dinâmica não se dera a cónhecer nem no campo do

Sintética da Evolução Natural,

com

como

no

conceito

0

de

figuravam diferentenatureza e sociedade;

rapidamente se descobria, com 0 apoio metodológico da Teoria

formas de aperfeiçoamento

te, de- maneira inalterada.

social nem no da natureza.

De forma análoga a natu reza chegou, como vimos, a ser

Na verdade, a justaposição formal dos princípios antagôni

Biológico do Homem na Nature

interpretada como parâmetro ambiental objetivo da evolução

cos evolucionista e mecanicista

da

que caracterizavam o modo de

aperfeiçoamento

pensar do século da industria lização novamente eclipsava o antagonismo através da síntese teórica, mas não o eliminava.

social.

das espécies. A "ordem” da na

tureza aparecia como parâme tro do “progresso” das espécies tanto quanto se pudera consta tar que a "ordem” aparente¬

Volta

a

aparecer,

cientificamente

as

agora

elaborado,

o

za mas permaneciam suspeiçao

as

ao

nível

formas de Homem

do

Neste ponto, o cremos, es

tão dados os pressupostos gno-

seólogos para

o processo de

“cissiparização” da Antropolo gia que em Linton figura como

<


136

DIGESTO

decorrente do "Gigantismo” da Ciência. Até Morgan os mais especializados e diversos estudos sobre o homem no âm

bito da Antropologia eram igualados pelo denominador comum de um objeto contínuo.

A partir de Morgan começam a se dar as dificuldades de extra polar sumariamente as sínteses

da Antropologia Física para a Antropologia Cultural ,e viceversa. Aparece então a divisão

entre tais ramos da Antropo logia .

A

presente

interpretação

implica que esta cissiparidade traça um limite, no campo em-

pírico da Antropologia, especi ficamente entre a Paleontologia Humana e a Etnologia. A Arqueologia justifica-se como o ramo

complementário

da

pri-

meira, enquanto a Somatologia poderá aparecer como uma ex tensão, embora pioneira, da se gunda. A divisão matricial cor riqueira, que figura em Linton e que opõe ramos idiográfico.s (Paleontologia e Arqueologia) aos ramos nomotéticos

(Soma

tologia e Etnolografia-linguísti(16) Linton.

Ralph,

op.

cit.,

ECONÔMICO

ECONÔMICO

ca), dsve-se, assim o cremos,

recenceavam

apenas

menos

monstruosos

e

a

razão

gnoseológicas

que a critérios de epistemologia formal.

Com efeito, a oposição homem-ambiente natural não exis

te no campo empírico de forma imediata, ou seja, não possui o mesmo significado que a oposi ção animal-ambiente natural.

Os animais usufruem condições de

sobrevivência

naturalmente

dadas. O homem deve produzir estas condições, ou então pere

ce. Assim sendo, a validade da oposição modelar homem-natureza é a de um "constructo” ex

plicativo que funciona como pano de fundo da oposição homem-cultura que é o modo de ser espscificamente humano.

Este seria o rumo a ser to

mado pelas pesquisas da Pa leontologia humana.

É comum a versão de que a genética e a teoria das mu

tações não puderam convencer os darvdnistas do início do sé culo corrente devido a que as

evidências de mutações perce bidas e estudadas ' até então

p. 4.

(17) Na nomenclatura anglo-saxônica aqui adotada, segundo exposta no artigo de Linton que

vem sendo citado, (p. 10). o termo etnologia refere-se apenas ao estudo da diversidade cultural.

DIGESTO

137

os

casos

aberrantes

de

mutações, e não aqueles mais frequentes e de efeito menos

ostensivos, justamente os que explicam o caráter gradual e contínuo das transformações.

A nosso ver essa interpre tação é incorreta. Cremos que os teóricos da Seleção Natural, assimilariam de bom grado o princípio de mutação original e até mesmo poderiam intuir o

fenômeno da micromutação (através de uma mera “redução de escala”), se não tivessem, por influência da teoria positi vista objetivada pelas Relações Sociais da época, adotado os modelos de causalidade extrínseca e afastado a idéia de de

terminações intrínsecas e, com estas últimas, toda a preocupa ção ontológica. Com os anos

trinta deste

século e os avanços então veri ficados na genética, a evidên cia de que as mutações gênicas eram o mecanismo responsável por toda e qualquer transfor mação dos seres vivos se tor

nou irrefutável. Via-se, ade mais, que as mutações gênicas são um fenômeno quase que

universal no mecanismo de he constituindo-se

reditariedade,

na regra e não na exceção, em bora disfarçadas pela reduzida dimensão de seus efeitos feno-

típicos.

Inda mais, a alteração de uma característica fenotipica pode estar radicada não apenas em uma mutação determinante, mas a várias delas cujos efei tos combinados acentuam a ca

racterística mutante, e isto faz com que várias mutações favo ráveis e selecionadas positiva

mente pelo ambiente, dissemi nando-se por uma população, fatalmente se combinam e re-

combinam à sorte das gerações sucedem, originando que se uma

tendência

contínua

pode

prolongar-se

que

espantosa

mente desde que alterações ambientais não a tornem des vantajosas. Assim sendo, as mutações

emprestam às variações fenotípicas um caráter contínuo e orientado, sempre tendendo ao aperfeiçoamento, agora conce bido como a estruturação gené tica cada vez mais complexa de características seletivamen-


136

DIGESTO

decorrente do "Gigantismo” da Ciência. Até Morgan os mais especializados e diversos estudos sobre o homem no âm

bito da Antropologia eram igualados pelo denominador comum de um objeto contínuo.

A partir de Morgan começam a se dar as dificuldades de extra polar sumariamente as sínteses

da Antropologia Física para a Antropologia Cultural ,e viceversa. Aparece então a divisão

entre tais ramos da Antropo logia .

A

presente

interpretação

implica que esta cissiparidade traça um limite, no campo em-

pírico da Antropologia, especi ficamente entre a Paleontologia Humana e a Etnologia. A Arqueologia justifica-se como o ramo

complementário

da

pri-

meira, enquanto a Somatologia poderá aparecer como uma ex tensão, embora pioneira, da se gunda. A divisão matricial cor riqueira, que figura em Linton e que opõe ramos idiográfico.s (Paleontologia e Arqueologia) aos ramos nomotéticos

(Soma

tologia e Etnolografia-linguísti(16) Linton.

Ralph,

op.

cit.,

ECONÔMICO

ECONÔMICO

ca), dsve-se, assim o cremos,

recenceavam

apenas

menos

monstruosos

e

a

razão

gnoseológicas

que a critérios de epistemologia formal.

Com efeito, a oposição homem-ambiente natural não exis

te no campo empírico de forma imediata, ou seja, não possui o mesmo significado que a oposi ção animal-ambiente natural.

Os animais usufruem condições de

sobrevivência

naturalmente

dadas. O homem deve produzir estas condições, ou então pere

ce. Assim sendo, a validade da oposição modelar homem-natureza é a de um "constructo” ex

plicativo que funciona como pano de fundo da oposição homem-cultura que é o modo de ser espscificamente humano.

Este seria o rumo a ser to

mado pelas pesquisas da Pa leontologia humana.

É comum a versão de que a genética e a teoria das mu

tações não puderam convencer os darvdnistas do início do sé culo corrente devido a que as

evidências de mutações perce bidas e estudadas ' até então

p. 4.

(17) Na nomenclatura anglo-saxônica aqui adotada, segundo exposta no artigo de Linton que

vem sendo citado, (p. 10). o termo etnologia refere-se apenas ao estudo da diversidade cultural.

DIGESTO

137

os

casos

aberrantes

de

mutações, e não aqueles mais frequentes e de efeito menos

ostensivos, justamente os que explicam o caráter gradual e contínuo das transformações.

A nosso ver essa interpre tação é incorreta. Cremos que os teóricos da Seleção Natural, assimilariam de bom grado o princípio de mutação original e até mesmo poderiam intuir o

fenômeno da micromutação (através de uma mera “redução de escala”), se não tivessem, por influência da teoria positi vista objetivada pelas Relações Sociais da época, adotado os modelos de causalidade extrínseca e afastado a idéia de de

terminações intrínsecas e, com estas últimas, toda a preocupa ção ontológica. Com os anos

trinta deste

século e os avanços então veri ficados na genética, a evidên cia de que as mutações gênicas eram o mecanismo responsável por toda e qualquer transfor mação dos seres vivos se tor

nou irrefutável. Via-se, ade mais, que as mutações gênicas são um fenômeno quase que

universal no mecanismo de he constituindo-se

reditariedade,

na regra e não na exceção, em bora disfarçadas pela reduzida dimensão de seus efeitos feno-

típicos.

Inda mais, a alteração de uma característica fenotipica pode estar radicada não apenas em uma mutação determinante, mas a várias delas cujos efei tos combinados acentuam a ca

racterística mutante, e isto faz com que várias mutações favo ráveis e selecionadas positiva

mente pelo ambiente, dissemi nando-se por uma população, fatalmente se combinam e re-

combinam à sorte das gerações sucedem, originando que se uma

tendência

contínua

pode

prolongar-se

que

espantosa

mente desde que alterações ambientais não a tornem des vantajosas. Assim sendo, as mutações

emprestam às variações fenotípicas um caráter contínuo e orientado, sempre tendendo ao aperfeiçoamento, agora conce bido como a estruturação gené tica cada vez mais complexa de características seletivamen-


138

DIGESTO

ts vantajosas de início mesmo que esta vantagem seletiva ve nha a desaparecer,, neutrali

zando a variação, e desde que não se transforme

em desvan

tagem .

ECONÔMICO

BIBLIOGRAFIA

Em resumo, estas são as contribuições da escola denomi nada por Huxley como a Teoria Genética da Seleção Natural, e por Simpson, Teoria Sintética da Seleção Natural.

Kevista da Universidade Mackenzie Ano I n.o 1 — 1981

A psicologia aplicada ao trânsito

— A alta frequência de aci

dentes automobilísticos no Brasil, principalmente nas ultrapassagens, é tema de vários estudos realizados pelo prof. Reinier J. A. Rozestraten. do Departa mento de Psicologia e Educação da Faculdade de Filosofia. Ciências e Le tras de Ribeirão Preto, da USP. com auxílio do CNPq. Ele interessou-se por pesquisas em percepção em campo aberto depois de manter contatos com

o médico argentino Antonio Battro, que bavia trabalhado durante três anos com Jean Piaget. Inicialmente, colaborou com pesquisas sobre eaüidistâncias e paralelas, desenvolvendo posteriormente trabalhos sobre ilusões de Ponzo e de Oppel-Kundt. em laboratório e em camno aberto, e ainda sobre

avaliação de distâncias por bissecão e trissecão. Depois, passou para o campo aplicado da psicologia do trânsito, com destaque para a parte perceptiva na aual nodem ser usados métodos psicofísicos, determinando limiares fno sentido que o termo adquiriu na fisiologia: excitacão mínima canaz de pro duzir uma sensação) para a legibilidade de placas e a avaliação de dis tâncias. A partir de 1975. desenvolveu proieto sobre «Percepcão em camno aberto: avaliação dos erros perceptivos nas ilusões visuais e nas situações de trânsito», com a colaboração de bolsistas. Para as avaliações, o CNPq subvencionou a construção de campo exnerimental de nercepcão de 300 x 35 m, tntrapassagem — Os trabalhos em trissecão mostraram aue a alta frequên

cia de acidentes nas ultrapassagens pode ser explicada pelo menos em par te. pelo fato de o motorista subestimar a distância

entre

o

seu

carro

e

o

veículo que ele quer ultrapassar e superestimar a distância que o separa do carro ^que vem em sentido contrário. Outro fator agravante é a avaliação errônea

de

velocidades.

A centenária instituição de

em curso de Especialização em

ensino, hoje Universidade Mac

Estudos (Brasileiros, destinado a professores e coordenadores

kenzie, edita 0 primeiro número

de sua revista

científica:

revista da universidade MACKENZIE. O Professor Flávio Galvão, Diretor da Revista,

é jornalista, advogado e um dos poucos especialistas brasi leiros em assuntos militares, na

áíea de Relações Internacio nais e Estudos Estratégicos no Brasil. Iniciativa digna de elo

gios, 0 lançamento desta RE

VISTA surge quando as Uni versidades particulares lideram 0 ensino superior em número

(Contínua na página 143)

penho dos professores Meira Mattos, seu diretor, Amaral

Gurgel e Olavo Batista Filho,

foi concluído em 1978 por 44,

1979 por 46, e em 1980 por 56 professores secundários e em

universitários, sendo que

Universidade.

A Universidade Mackenzie

procura assim contribuir para a qualificação de nossos pro

nível de ensino no País.

contribui assim câmbio cientifico

para

em

1981 a quarta turma concluiu este curso que dá direito ao programa de doutorado da

de matrículas e aprimoram o

A Universidade Mackenzie

O prof. Rozestraten estudou também, em laboratório e em camno aber to. a avaliação de extensões sagitais de um objeto em posição vertical, si tuação análoga àquela em que se vê o motorista quando avalia o comnrimento de um caminhão para ultrapassá-lo. olhando-o por trás e pelo lado esquerdo. Enquanto os resultados em laboratório, de 1 a 4 m„ mostram erro progressivo de estimação, no campo aberto observa-se melhora na

de Estudo de Problemas Brasi leiros. Este curso, com o em

o inter

através

da

revista, projetando o seu nome entre as diversas instituições de ensino superior no País. Es ta Universidade é a pioneira

fessores universitários através

de

pós-graduação,

num

passado de ensino eficien

lastreada

te e com perspectivas de igua lar-se, em nível e qualidade profissional, às melhores Uni versidades do País.


138

DIGESTO

ts vantajosas de início mesmo que esta vantagem seletiva ve nha a desaparecer,, neutrali

zando a variação, e desde que não se transforme

em desvan

tagem .

ECONÔMICO

BIBLIOGRAFIA

Em resumo, estas são as contribuições da escola denomi nada por Huxley como a Teoria Genética da Seleção Natural, e por Simpson, Teoria Sintética da Seleção Natural.

Kevista da Universidade Mackenzie Ano I n.o 1 — 1981

A psicologia aplicada ao trânsito

— A alta frequência de aci

dentes automobilísticos no Brasil, principalmente nas ultrapassagens, é tema de vários estudos realizados pelo prof. Reinier J. A. Rozestraten. do Departa mento de Psicologia e Educação da Faculdade de Filosofia. Ciências e Le tras de Ribeirão Preto, da USP. com auxílio do CNPq. Ele interessou-se por pesquisas em percepção em campo aberto depois de manter contatos com

o médico argentino Antonio Battro, que bavia trabalhado durante três anos com Jean Piaget. Inicialmente, colaborou com pesquisas sobre eaüidistâncias e paralelas, desenvolvendo posteriormente trabalhos sobre ilusões de Ponzo e de Oppel-Kundt. em laboratório e em camno aberto, e ainda sobre

avaliação de distâncias por bissecão e trissecão. Depois, passou para o campo aplicado da psicologia do trânsito, com destaque para a parte perceptiva na aual nodem ser usados métodos psicofísicos, determinando limiares fno sentido que o termo adquiriu na fisiologia: excitacão mínima canaz de pro duzir uma sensação) para a legibilidade de placas e a avaliação de dis tâncias. A partir de 1975. desenvolveu proieto sobre «Percepcão em camno aberto: avaliação dos erros perceptivos nas ilusões visuais e nas situações de trânsito», com a colaboração de bolsistas. Para as avaliações, o CNPq subvencionou a construção de campo exnerimental de nercepcão de 300 x 35 m, tntrapassagem — Os trabalhos em trissecão mostraram aue a alta frequên

cia de acidentes nas ultrapassagens pode ser explicada pelo menos em par te. pelo fato de o motorista subestimar a distância

entre

o

seu

carro

e

o

veículo que ele quer ultrapassar e superestimar a distância que o separa do carro ^que vem em sentido contrário. Outro fator agravante é a avaliação errônea

de

velocidades.

A centenária instituição de

em curso de Especialização em

ensino, hoje Universidade Mac

Estudos (Brasileiros, destinado a professores e coordenadores

kenzie, edita 0 primeiro número

de sua revista

científica:

revista da universidade MACKENZIE. O Professor Flávio Galvão, Diretor da Revista,

é jornalista, advogado e um dos poucos especialistas brasi leiros em assuntos militares, na

áíea de Relações Internacio nais e Estudos Estratégicos no Brasil. Iniciativa digna de elo

gios, 0 lançamento desta RE

VISTA surge quando as Uni versidades particulares lideram 0 ensino superior em número

(Contínua na página 143)

penho dos professores Meira Mattos, seu diretor, Amaral

Gurgel e Olavo Batista Filho,

foi concluído em 1978 por 44,

1979 por 46, e em 1980 por 56 professores secundários e em

universitários, sendo que

Universidade.

A Universidade Mackenzie

procura assim contribuir para a qualificação de nossos pro

nível de ensino no País.

contribui assim câmbio cientifico

para

em

1981 a quarta turma concluiu este curso que dá direito ao programa de doutorado da

de matrículas e aprimoram o

A Universidade Mackenzie

O prof. Rozestraten estudou também, em laboratório e em camno aber to. a avaliação de extensões sagitais de um objeto em posição vertical, si tuação análoga àquela em que se vê o motorista quando avalia o comnrimento de um caminhão para ultrapassá-lo. olhando-o por trás e pelo lado esquerdo. Enquanto os resultados em laboratório, de 1 a 4 m„ mostram erro progressivo de estimação, no campo aberto observa-se melhora na

de Estudo de Problemas Brasi leiros. Este curso, com o em

o inter

através

da

revista, projetando o seu nome entre as diversas instituições de ensino superior no País. Es ta Universidade é a pioneira

fessores universitários através

de

pós-graduação,

num

passado de ensino eficien

lastreada

te e com perspectivas de igua lar-se, em nível e qualidade profissional, às melhores Uni versidades do País.


DIGESTO

140

ECONÔMICO

As grandes religiões Feliclen Challay — (trad. Alcântara Silveira)

tes no mundo.

Inicia-se com o

pensamento de Ernest Renan: "A religião é a mais alta e atraente das manifestações da natureza humana”. O autor de

nomina o livro de Pequena His

tória das grandes religiões, tal 0 resumo que faz de tema tão amplo.

O totemismo inicia o livro, pois esta religião que subordina um grupo de homens, chamado clã, a determinada espécie de seres sagrados ou, por vezes, de coisas sagradas,

chamadas

tótens, está no início das preo cupações dos povos tribais ou das culturas ágrafas para com o transcendental. O totemismo tem três idéias fundamentais: 0

tótem, 0 mana e o tabu.

O animismo é a religião que coloca em toda a natureza

espíritos mais ou menos análo-

homem. É, como o totemismo. a religião dos povo.s gos ao

forneceu

aos

homens

to capítulo. O sinismo nos é co

cas, 0 judaísmo é ainda prati cado em nos50s dias.

ele e seus sucessores, A doutri

ágrafos e tribais. "O animismo uma

primeira hipótese que permite estudar o mundo; encorajou os primitivos de outrora, encoraja os primitivos de hoje na tenta tiva de agir sobre a natureza, que eles acreditam povoada de espíritos análogos aos seus. Po

de-se dizer^ com Augusto Com-

na de Confúcio dirige-se à ra zão do homem, excluindo toda metafísica. O grande princípio

da lógica confuciana é: "o que se sabe, saber que se sabe; o que não se sabe, saber que não se sabe: isto é saber verdadei ramente.” O taoísmo, pouco co nhecido, opõe-se ao confucionis-

mo, por ter tido uma profunda

te, que ele conseguiu tirar o espírito humano de seu torpor animal." (pág. 41).

origem metafísica, antes de se tornar popular. Suas três prin cipais virtudes são: economia, modéstia, piedade.

A religião do Egito é trata da em seguida, com suas sobre-

No Japão a religião autóc tone é o xintoísmo, uma forma

vivências

do

totemismo e do

animismo, completadas pelo politeismo. As religiões da índia: vedumo, bramanismo, hinduísmo, jainismo e budismo são vis tas resumidamente. O Rig-Veda, com 1028 hinos teria sido composto entre 1500 e 1000 a. C., sendo a mais antiga bíblia da humanidade.

As religiões da China: si nismo, confucionismo, taoísmo, budismo chinês ocupam o quin-

141

nhecido através de cinco textos

sagrados, os King, anteriores a Confúcio, mas retocados por

Ibrasa: São Paulo 1981 — 287 p. (Coleção Gnose, 1) O livro é um compêndio das mais diversas religiões existen

DIGESTO ECONÔMICO

original de animismo. Todos os

mortos tornam-se deuses, e vi vos e mortos dependem uns dos outros. Houve sincretismo entre xintoísmo e o budismo levado

ao Japão pelos coreanos.

As religiões dos germanos, dos celtas, da Grécia e Itália, 0 cristianismo e enfim

mismo, com

o isla-

estas o autor en

cerra seu livro.

No último capítulo o autor comenta Salomon Reinach e Emile Durkheim antes de con

cluir que o estudo histórico das religiões particulares parece conduzir-nos á religião univer

sal, como aspiração de todos os fiéis desta nova igreja. “A re ligião universal, cujos elemen tos seriam emprestados de to das as religiões particulares, poderia ser uma fé superior a cada uma delas; superior em

relação à verdade; em dilata da inteligência; em espírito de justiça e de paz; amplo amor”, (pág. 270). Este livro enriquece o acer

vo bibliográfico nacional sobre No Irã, 0 masdeísmo e seu livro sagrado Zenda Avesta de

rivam da antiga religião ariana, modificada pelo profeta Zaratrusta, que nela introduziu o monoteísmo. Entre as religiões

da Ásia Ocidental, hoje históri-

0 tema, que já traduziu M.

Eliade e que aguarda a tradu ção de Weber, Durkheim, Le Bras, Levy-Bruhl e outros cien tistas sociais que pesquisaram a religião como uma instituição social.

I


DIGESTO

140

ECONÔMICO

As grandes religiões Feliclen Challay — (trad. Alcântara Silveira)

tes no mundo.

Inicia-se com o

pensamento de Ernest Renan: "A religião é a mais alta e atraente das manifestações da natureza humana”. O autor de

nomina o livro de Pequena His

tória das grandes religiões, tal 0 resumo que faz de tema tão amplo.

O totemismo inicia o livro, pois esta religião que subordina um grupo de homens, chamado clã, a determinada espécie de seres sagrados ou, por vezes, de coisas sagradas,

chamadas

tótens, está no início das preo cupações dos povos tribais ou das culturas ágrafas para com o transcendental. O totemismo tem três idéias fundamentais: 0

tótem, 0 mana e o tabu.

O animismo é a religião que coloca em toda a natureza

espíritos mais ou menos análo-

homem. É, como o totemismo. a religião dos povo.s gos ao

forneceu

aos

homens

to capítulo. O sinismo nos é co

cas, 0 judaísmo é ainda prati cado em nos50s dias.

ele e seus sucessores, A doutri

ágrafos e tribais. "O animismo uma

primeira hipótese que permite estudar o mundo; encorajou os primitivos de outrora, encoraja os primitivos de hoje na tenta tiva de agir sobre a natureza, que eles acreditam povoada de espíritos análogos aos seus. Po

de-se dizer^ com Augusto Com-

na de Confúcio dirige-se à ra zão do homem, excluindo toda metafísica. O grande princípio

da lógica confuciana é: "o que se sabe, saber que se sabe; o que não se sabe, saber que não se sabe: isto é saber verdadei ramente.” O taoísmo, pouco co nhecido, opõe-se ao confucionis-

mo, por ter tido uma profunda

te, que ele conseguiu tirar o espírito humano de seu torpor animal." (pág. 41).

origem metafísica, antes de se tornar popular. Suas três prin cipais virtudes são: economia, modéstia, piedade.

A religião do Egito é trata da em seguida, com suas sobre-

No Japão a religião autóc tone é o xintoísmo, uma forma

vivências

do

totemismo e do

animismo, completadas pelo politeismo. As religiões da índia: vedumo, bramanismo, hinduísmo, jainismo e budismo são vis tas resumidamente. O Rig-Veda, com 1028 hinos teria sido composto entre 1500 e 1000 a. C., sendo a mais antiga bíblia da humanidade.

As religiões da China: si nismo, confucionismo, taoísmo, budismo chinês ocupam o quin-

141

nhecido através de cinco textos

sagrados, os King, anteriores a Confúcio, mas retocados por

Ibrasa: São Paulo 1981 — 287 p. (Coleção Gnose, 1) O livro é um compêndio das mais diversas religiões existen

DIGESTO ECONÔMICO

original de animismo. Todos os

mortos tornam-se deuses, e vi vos e mortos dependem uns dos outros. Houve sincretismo entre xintoísmo e o budismo levado

ao Japão pelos coreanos.

As religiões dos germanos, dos celtas, da Grécia e Itália, 0 cristianismo e enfim

mismo, com

o isla-

estas o autor en

cerra seu livro.

No último capítulo o autor comenta Salomon Reinach e Emile Durkheim antes de con

cluir que o estudo histórico das religiões particulares parece conduzir-nos á religião univer

sal, como aspiração de todos os fiéis desta nova igreja. “A re ligião universal, cujos elemen tos seriam emprestados de to das as religiões particulares, poderia ser uma fé superior a cada uma delas; superior em

relação à verdade; em dilata da inteligência; em espírito de justiça e de paz; amplo amor”, (pág. 270). Este livro enriquece o acer

vo bibliográfico nacional sobre No Irã, 0 masdeísmo e seu livro sagrado Zenda Avesta de

rivam da antiga religião ariana, modificada pelo profeta Zaratrusta, que nela introduziu o monoteísmo. Entre as religiões

da Ásia Ocidental, hoje históri-

0 tema, que já traduziu M.

Eliade e que aguarda a tradu ção de Weber, Durkheim, Le Bras, Levy-Bruhl e outros cien tistas sociais que pesquisaram a religião como uma instituição social.

I


DIGESTO

142

ECONÔMICO

(Retournez les fuslls) — Jean Ziegler

Rio; Zahar, 1982 — 175 p (Biblioteca de Ciências Sociais, Sociologia) O autor se propõe a cum prir a tarefa primordial da so ciologia: “fazer a crítica per manente, incansável, rigorosa das superestruturas,

das

múl

tiplas organizações de relações de produção materiais, simbóli cas, que freiam, bloqueiam ou paralisam a livre criatividade dos homens, privando-os de uma parte essencial de suas vi

ferentes consciências da classe

nas sociedades do Terceiro Mundo; consciência de classe

possível, consciência de classe si

e consciência

de

classe

para si.

Em vários capítulos o autor parte de episódios reais alguns corriqueiros, tirando daí ila

das”. (pág. 27). Neste sentido aborda vários temas, o que faz

ções, sejam teóricas, sejam prá

do texto peça de múltiplas apli cações na discussão de idéias, ou seja, propõe à discussão te mas diversos, mas todos vin culados entre si pelo sentido de

de consciência de classe:

oposição, de complementariedade e de antinomia entre infra-

estrutura e superestrutura.

O primeiro texto': Os funda mentos da desigualdade entre os homens fala pouco da estratificação social, mas traz Luckács e sua tipologia de cons ciência de classe correta e fal

sa, atribuída e psicológica e a

ticas e explicativas de valores, o en

contro fortuito com menino po bre em Olinda, o magistério de Hegel em Berlim, a conversa com Edson Carneiro no Rio, o encontro na Liga dos Comunis tas Iugoslavos no outono de

1978, a observação de Jean Jaurés, a panfletagem em 1934 de Tchang

Kai

Chek

sobre

Mao

Tse Tung, etc. O estudo

ses de Marx: 1) a escassez ge ra, na sociedade primitiva, a divisão do trabalho; 2) desta

mentários. Informativo e útil, mas não propriamente um ma

divisão

co, pelo menos em sua exigên

nascem as

classes

so-t

ciais; 3) O Estado é o aparelho

classificação do autor das di

em

143

DIGESTO ECONÔMICO

mais extenso do

livro é dedicado à ação do Es tado, cuja explicação para o autor se articula em quatro te-

de opressão das classes vitorio sas, e 4) qualquer Estado, seja qual for a classe que o domina,

está destinado a ser abolido, ultrapassado. Esta quarta tese não encontrou evidência empíri ca em sociedade alguma até ho je, íiem mesmo fia URSS, onde a Nomenklatura adquire não só prestígio social em decorrência do poder político, mas também impunidade face à corrupção interna do aparelho de Estado. Leia-se a respeito M. Voslenski.

nual no sentido de livro didáti

cia de atender a um programa

calcado em objetivos pedagógi cos

definidos.

Como

leitura

complementar é fonte indispen sável para os temas que trata, não em profundidade, pois o au":or optou pela diversidade ou variedade de tópicos, deixando de lado a profundidade em um ou dois temas. A tradução depôt mais contra a Editora, creio eu, do que propriamente contra a tradutora e o revisor. A Zahar não é a única editora nacional

a incorrer neste deslize. O livro é uma coletânea de

pequenos estudos, ensaios e co(Continuação

Januário Francisco Megale

da página 138)

estimação, de 4 para 24 m., o que, segundo o .professor, pode ser enten dido como adaptação ou prova de que nem sempre as medidas tomadas em pequena escala podem ser transpostas para escala maior, no campo aberto. Placas — Outra parte da pesquisa dirigiu-se para a legibilidade das placas rodoviárias, estudadas sob diversos aspectos: quanto ao contraste de cores

do fundo e da figura (letras ou números), quanto ao tipo de letras, quanto à distância entre as letras e as palavras, quanto à distância entre as li nhas e, finalmente, quanto à altura das letras para boa legibilidade a 100 metros. O contraste foi estudado pelos métodos de classificação e ordena ção, partindo-se de 81 combinações de cores julgadas em situações de luz natural (dia) e de luz artificial (noite). Dois grupos independentes de juizes

mostrou

preferência por

fundo branco com letras

vermelhas, pretas

ou

(Continua na página 144)


DIGESTO

142

ECONÔMICO

(Retournez les fuslls) — Jean Ziegler

Rio; Zahar, 1982 — 175 p (Biblioteca de Ciências Sociais, Sociologia) O autor se propõe a cum prir a tarefa primordial da so ciologia: “fazer a crítica per manente, incansável, rigorosa das superestruturas,

das

múl

tiplas organizações de relações de produção materiais, simbóli cas, que freiam, bloqueiam ou paralisam a livre criatividade dos homens, privando-os de uma parte essencial de suas vi

ferentes consciências da classe

nas sociedades do Terceiro Mundo; consciência de classe

possível, consciência de classe si

e consciência

de

classe

para si.

Em vários capítulos o autor parte de episódios reais alguns corriqueiros, tirando daí ila

das”. (pág. 27). Neste sentido aborda vários temas, o que faz

ções, sejam teóricas, sejam prá

do texto peça de múltiplas apli cações na discussão de idéias, ou seja, propõe à discussão te mas diversos, mas todos vin culados entre si pelo sentido de

de consciência de classe:

oposição, de complementariedade e de antinomia entre infra-

estrutura e superestrutura.

O primeiro texto': Os funda mentos da desigualdade entre os homens fala pouco da estratificação social, mas traz Luckács e sua tipologia de cons ciência de classe correta e fal

sa, atribuída e psicológica e a

ticas e explicativas de valores, o en

contro fortuito com menino po bre em Olinda, o magistério de Hegel em Berlim, a conversa com Edson Carneiro no Rio, o encontro na Liga dos Comunis tas Iugoslavos no outono de

1978, a observação de Jean Jaurés, a panfletagem em 1934 de Tchang

Kai

Chek

sobre

Mao

Tse Tung, etc. O estudo

ses de Marx: 1) a escassez ge ra, na sociedade primitiva, a divisão do trabalho; 2) desta

mentários. Informativo e útil, mas não propriamente um ma

divisão

co, pelo menos em sua exigên

nascem as

classes

so-t

ciais; 3) O Estado é o aparelho

classificação do autor das di

em

143

DIGESTO ECONÔMICO

mais extenso do

livro é dedicado à ação do Es tado, cuja explicação para o autor se articula em quatro te-

de opressão das classes vitorio sas, e 4) qualquer Estado, seja qual for a classe que o domina,

está destinado a ser abolido, ultrapassado. Esta quarta tese não encontrou evidência empíri ca em sociedade alguma até ho je, íiem mesmo fia URSS, onde a Nomenklatura adquire não só prestígio social em decorrência do poder político, mas também impunidade face à corrupção interna do aparelho de Estado. Leia-se a respeito M. Voslenski.

nual no sentido de livro didáti

cia de atender a um programa

calcado em objetivos pedagógi cos

definidos.

Como

leitura

complementar é fonte indispen sável para os temas que trata, não em profundidade, pois o au":or optou pela diversidade ou variedade de tópicos, deixando de lado a profundidade em um ou dois temas. A tradução depôt mais contra a Editora, creio eu, do que propriamente contra a tradutora e o revisor. A Zahar não é a única editora nacional

a incorrer neste deslize. O livro é uma coletânea de

pequenos estudos, ensaios e co(Continuação

Januário Francisco Megale

da página 138)

estimação, de 4 para 24 m., o que, segundo o .professor, pode ser enten dido como adaptação ou prova de que nem sempre as medidas tomadas em pequena escala podem ser transpostas para escala maior, no campo aberto. Placas — Outra parte da pesquisa dirigiu-se para a legibilidade das placas rodoviárias, estudadas sob diversos aspectos: quanto ao contraste de cores

do fundo e da figura (letras ou números), quanto ao tipo de letras, quanto à distância entre as letras e as palavras, quanto à distância entre as li nhas e, finalmente, quanto à altura das letras para boa legibilidade a 100 metros. O contraste foi estudado pelos métodos de classificação e ordena ção, partindo-se de 81 combinações de cores julgadas em situações de luz natural (dia) e de luz artificial (noite). Dois grupos independentes de juizes

mostrou

preferência por

fundo branco com letras

vermelhas, pretas

ou

(Continua na página 144)


DIGESTO

144

ECONÔMICO

(Conclusão da página 143)

azuis na luz natural, ou por fundo amarelo com letras pretas; na luz arti ficial, fundo preto ou escuro com letras brancas. Placas que satisfizeram aos dois grupos nas duas condições eram de fundo branco com letras vermelhas ou azul escuro, ou fundo preto com letras amarelas. No campo aberto, trabalhando com placas maiores à distância maior, houve preferência, tanto na luz natural quanto na artificial, por fundo azul (médio) ou verde (usado nas placas do DER) com letras brancas. O mate rial reflexivo é preferível ao material simples. À noite, houve preferência por placas com letra branca reflexiva sobre fundo verde ou azul também

reflexivo. Para escolha do melhor tipo de letras nas placas rodoviárias, equipe

a

do prof. Rozestraten utilizou 73 variantes, chegando à conclusão,

mediante classificação e leituras em situação taquistoscópica, de que o tipo de letras usadas pelo DER pauli.sta é de excelente legibilidade, ao lado dos tipos Folio Normal Largo, Futura Meio Preto, Univers 55 e Futura Normal.

Outro resultado confirma que as distâncias usadas pelo DER entre as letras nas placas coincidem com as distâncias indicadas como ótimas no laborató rio para 5 metros, mas são muito pequenas para uma legibilidade eficiente a 40 metros. Quanto ao tamanho das letras, o estudo mostrou que os carac teres de 10 cm de altura são lidos à distância máxima de 70 m. Para legi bilidade a 100 m., as letras devem ter o mínimo 20 cm de altura, e a 200 m, 30 cm. Estilo perceptivo — De setembro de 1979 a setembro de 1980, o prof,

Rozestraten realizou pesquisa sobre o estilo perceptivo

no

Psicologia do Trânsito do Organisme National de Sécurité

Laboratório Routière

o estudo dos movimentos oculares durante o

ligadas ao trânsito — Atualmente, o pròf. Rozestraten

dirigir.

Preto, e orienta equipe de psicólogos do DETRAN de

Subcomitê Brasileiro

de Ribeirão

São Paulo a respeito

de pesquisa sobre conhecimento dos sinais de trânsito Desde março de 81, preside o

Atividades

coordena a Divisão

de Psicologia de Trânsito dentro da Sociedade de Psicologia

pelos motoristas.

de Comportamento

Plumano e Comunicações dentro do Trânsito, que pertence ao

REFORMA ESCOLA,

CONSERIAESCOLA. I

dê em

Montlhéry na França. Usando os vários tipos de testes de DependênciaIndependência dq campo perceptivo de Witkin e outros, estudou sua corre lação com acidentes de trânsito. O fator perceptivo no trânsito, conforme o professor, precisa ainda de muitas pesquisas, especialmente quanto à percepção rápida e quanto à percepção de objetos em movimento, bem como

CONSTUOI ESCOLA, AMPUAESCOIA, É assim que os Governos Itinerante e de Integração estão fazendo escola. O programa de construção, ampliação, reforma e conservação de escolas que o Governo de São Paulo está cumprindo é mais uma realização dos Governos Itinerante e de Integração.

Comitê Bra

sileiro de Transportes e Tráfego, da Associação Brasileira de Normas Téc nicas. Mais recentemente, foi convidado pelo Conselho Federal de Psicologia para

propor e presidir comissão

para reestudo

das

normas

psicotécnico de motoristas, que poderá ter consequências cional.

(Boletim

da

USP)

em

para

exame

âmbito

na

Governo doEsrdeSP ScCRETARIA DE ESTADO

Conesp

DA EDUCACÃO

C

pLinhij de Const

Escolares do Estado da Sào Paulo Ttah«llv>p

I m ^ nc ao S<K Lft I


DIGESTO

144

ECONÔMICO

(Conclusão da página 143)

azuis na luz natural, ou por fundo amarelo com letras pretas; na luz arti ficial, fundo preto ou escuro com letras brancas. Placas que satisfizeram aos dois grupos nas duas condições eram de fundo branco com letras vermelhas ou azul escuro, ou fundo preto com letras amarelas. No campo aberto, trabalhando com placas maiores à distância maior, houve preferência, tanto na luz natural quanto na artificial, por fundo azul (médio) ou verde (usado nas placas do DER) com letras brancas. O mate rial reflexivo é preferível ao material simples. À noite, houve preferência por placas com letra branca reflexiva sobre fundo verde ou azul também

reflexivo. Para escolha do melhor tipo de letras nas placas rodoviárias, equipe

a

do prof. Rozestraten utilizou 73 variantes, chegando à conclusão,

mediante classificação e leituras em situação taquistoscópica, de que o tipo de letras usadas pelo DER pauli.sta é de excelente legibilidade, ao lado dos tipos Folio Normal Largo, Futura Meio Preto, Univers 55 e Futura Normal.

Outro resultado confirma que as distâncias usadas pelo DER entre as letras nas placas coincidem com as distâncias indicadas como ótimas no laborató rio para 5 metros, mas são muito pequenas para uma legibilidade eficiente a 40 metros. Quanto ao tamanho das letras, o estudo mostrou que os carac teres de 10 cm de altura são lidos à distância máxima de 70 m. Para legi bilidade a 100 m., as letras devem ter o mínimo 20 cm de altura, e a 200 m, 30 cm. Estilo perceptivo — De setembro de 1979 a setembro de 1980, o prof,

Rozestraten realizou pesquisa sobre o estilo perceptivo

no

Psicologia do Trânsito do Organisme National de Sécurité

Laboratório Routière

o estudo dos movimentos oculares durante o

ligadas ao trânsito — Atualmente, o pròf. Rozestraten

dirigir.

Preto, e orienta equipe de psicólogos do DETRAN de

Subcomitê Brasileiro

de Ribeirão

São Paulo a respeito

de pesquisa sobre conhecimento dos sinais de trânsito Desde março de 81, preside o

Atividades

coordena a Divisão

de Psicologia de Trânsito dentro da Sociedade de Psicologia

pelos motoristas.

de Comportamento

Plumano e Comunicações dentro do Trânsito, que pertence ao

REFORMA ESCOLA,

CONSERIAESCOLA. I

dê em

Montlhéry na França. Usando os vários tipos de testes de DependênciaIndependência dq campo perceptivo de Witkin e outros, estudou sua corre lação com acidentes de trânsito. O fator perceptivo no trânsito, conforme o professor, precisa ainda de muitas pesquisas, especialmente quanto à percepção rápida e quanto à percepção de objetos em movimento, bem como

CONSTUOI ESCOLA, AMPUAESCOIA, É assim que os Governos Itinerante e de Integração estão fazendo escola. O programa de construção, ampliação, reforma e conservação de escolas que o Governo de São Paulo está cumprindo é mais uma realização dos Governos Itinerante e de Integração.

Comitê Bra

sileiro de Transportes e Tráfego, da Associação Brasileira de Normas Téc nicas. Mais recentemente, foi convidado pelo Conselho Federal de Psicologia para

propor e presidir comissão

para reestudo

das

normas

psicotécnico de motoristas, que poderá ter consequências cional.

(Boletim

da

USP)

em

para

exame

âmbito

na

Governo doEsrdeSP ScCRETARIA DE ESTADO

Conesp

DA EDUCACÃO

C

pLinhij de Const

Escolares do Estado da Sào Paulo Ttah«llv>p

I m ^ nc ao S<K Lft I


NÚCLEO DE ASSISTÊNCIA gerencial - NAG O yabalho do NAG consiste em, através de técnicas de motivação,

reuniões de instrumental técnico fazer com que os pontos , e orrnecimento ,

fiquem MAIS FORTES e os pontos fracos UtSAKAKhvAM e ainda, que haja um melhor trabalho de equipe, fator

fundamental no desenvolvimento de uma empresa. Além de DIAGNÓSTICOS, faz implantações'de sistemas administrativos e de gerências tais como: custos, fluxo de informações, contabilidade, controles de venda, controles de estoque, planejamento de linha de produtos, «tc.

Este apoio é oferecido às empresas dentro do espírito de que r/ as pequenas e . médias carecem de recursos humanos e financeiros e que , ,

independentemente deste fenômeno, devem se organizar para melhor competir.

Faça uso de nossos serviços e veja sua empresa sofrer modificações para melhor!

Rua Boa Vista, 51 — C. Postal 8082 — Cep 01014 — Telex (11) '23355 — SP — PABX 239-1333.


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
DIGESTO ECONÔMICO, número 292, maio 1982 by Diário do Comércio - Issuu