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I
O.
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I
r
CONSIRM ESCOLA, AMPUA ESCOLA, REFORMA ESCOLA,
CONSERVA ESCOLA.
ECOiMOIVIICO SUMÁRIO A SEMANA DE ARTE MODERNA — João d© Scantimburgo MÉTODO PAULO
..
FREIRE — Dom Vrcente Scherer
3 17
O BRASIL DO TERCEIRO MUNDO — Eugênio Gudin
23
ESQUERDA E DIREITA — J. O. d© Meira Penna
27
EM LOUVOR DE UMA BIOGRAFIA — Josué Montello
31
SUBTERRÂNEOS DE BIZÂNCIO — Jornal do Brasil
37
A TRAGÉDIA POSITIVISTA — Lenildo Tabosa Pessoa
41
OS
47
DIREITOS
HUMANOS
— Julian
Marias
EMPRESA DO FUTURO — Trajano Pupo Neto
55 ^
O PROJETO CARAJÁS — Sérgio P. Quintella
6?
IDÉIAS DE DOXIADIS — A. Delorenzo Neto
76
ANTl-ROMANTICO JOÃO CAMILLO — Vivaldi Moreira
86
OS EFEITOS SOCIAIS DA REDUÇÃO DA DURAÇÃO DO TRA
É assim que os Governos Itinerante e de Integração estão fazendo escola.
BALHO
"UM
e conservação de escolas que o Governo de São Paulo está cumprindo é mais uma realização dos Governos Itinerante e de Integração.
PRATICADO
Cone&n
Cornpur>liiü üe Construe fios
DAEOUCACÂO
Escolares (Io Esiailo de Sâo Paulo
PELO
103
PARTIDO COMUNISTA" — Flà-
Gaivão
127
bibliografia
143
Capa:
O Teatro Municipal de S. Paulo ilustra artigo de Joio de Scantim burgo sobre a Semana de Arte Moderna. N.o 290 - Março
Sao Paukj. vida nova ScCRETARIA DE ESTADO
GC^fERNO PIMJLO
CRIME
/ 91
Boisard
A PARTILHA DOS EMPREGOS — Barney Olmstad
vio
O programa de construção, ampliação, reforma
— Plerre
de
1982 . Ano
XXXIX — DIGESTO
ECONÔMICO
!/■
r
CONSIRM ESCOLA, AMPUA ESCOLA, REFORMA ESCOLA,
CONSERVA ESCOLA.
ECOiMOIVIICO SUMÁRIO A SEMANA DE ARTE MODERNA — João d© Scantimburgo MÉTODO PAULO
..
FREIRE — Dom Vrcente Scherer
3 17
O BRASIL DO TERCEIRO MUNDO — Eugênio Gudin
23
ESQUERDA E DIREITA — J. O. d© Meira Penna
27
EM LOUVOR DE UMA BIOGRAFIA — Josué Montello
31
SUBTERRÂNEOS DE BIZÂNCIO — Jornal do Brasil
37
A TRAGÉDIA POSITIVISTA — Lenildo Tabosa Pessoa
41
OS
47
DIREITOS
HUMANOS
— Julian
Marias
EMPRESA DO FUTURO — Trajano Pupo Neto
55 ^
O PROJETO CARAJÁS — Sérgio P. Quintella
6?
IDÉIAS DE DOXIADIS — A. Delorenzo Neto
76
ANTl-ROMANTICO JOÃO CAMILLO — Vivaldi Moreira
86
OS EFEITOS SOCIAIS DA REDUÇÃO DA DURAÇÃO DO TRA
É assim que os Governos Itinerante e de Integração estão fazendo escola.
BALHO
"UM
e conservação de escolas que o Governo de São Paulo está cumprindo é mais uma realização dos Governos Itinerante e de Integração.
PRATICADO
Cone&n
Cornpur>liiü üe Construe fios
DAEOUCACÂO
Escolares (Io Esiailo de Sâo Paulo
PELO
103
PARTIDO COMUNISTA" — Flà-
Gaivão
127
bibliografia
143
Capa:
O Teatro Municipal de S. Paulo ilustra artigo de Joio de Scantim burgo sobre a Semana de Arte Moderna. N.o 290 - Março
Sao Paukj. vida nova ScCRETARIA DE ESTADO
GC^fERNO PIMJLO
CRIME
/ 91
Boisard
A PARTILHA DOS EMPREGOS — Barney Olmstad
vio
O programa de construção, ampliação, reforma
— Plerre
de
1982 . Ano
XXXIX — DIGESTO
ECONÔMICO
!/■
DICESTO ECONOMICO
PUBLICAREMOS
O MUNDO DOS NEGÓCIOS NUM PANORAMA MENSAL
Publicado seb es auspícios da:
O
NOS
PRÓXIMOS
NÚMEROS
PROCESSO
IMIGRATÓRIO
NO
ASSOCIAÇÃO COMERCIAL
A.
DE SÃO PAULO
BRASIL
Delorenzo
A Semana de Arte Moderna
O) Neto
Diretor:
Antônio Gontijo de Carvalho 1947 a 1973
'■POLÍTICA
DO
Diretores:
João de Scantimburgo Paulo Edmur de Souza Queiroz
NACIONAL
CONTEXTO
DENTRO
POLÍTICO
UNIVERSAL"
J.
O.
Meira
Penna
João de Scantimburgo
Wilfrides Alves de Lima
Superintendente: Guilherme Afif Domingos o DIgeato Econômico é órgão mensal d»
Informações
econômicas
e finan
ceiras.
O HOMEM DAS CIÊNCIAS E AS CIÊNCIAS
Uma análise nova das
DO HOMEM
origens da Semana de Arte Moderna de 1922. O trabalho é capítulo de um livro sobre "Os Paulistas". O autor é
José Dervil MantovanI
A direção não lesponsabllíza pelos dados cu|as fontes esteiam devida mente
citadas,
emitidos
em
nem
artigos
pelos
da Academia Paulista de Letras.
conceitos
assinados.
Asslnaturas:
O PAPEL MODERADOR DA CLASSE MÉDIA Eduardo José Daros
DIGESTO ECONÔMICO Assinatura anual .. <£$ 1.400.00 130,00 Número avulso €$ 150,00 Número atrasado .. £$
DISTRIBUIÇÃO DE RENDA
Aceita-se intercâmbio com publicações
congêneres
nacionais
e estrangeires.
Redação e Administração: R. Boa Vista, 51, andar térreo Tel.:
239-1333
Ramal:
NO BRASIL Hermann
M. Gorgen
133
6.'’ andar Rua Boa Vista, 51 Tel.: 239-1333 — R.: 167/175 Composto e Impresso nas oficinas do DIÁRIO
DO
COMERCIO.
clima de paixão. Atraída à confusa, imprópria e eletrizada área da ideologia, acabou sendo fartamente explorada genericamenpelas correntes, te classificadas distas,
Cx. Postal 8.082 — São Paulo
Departamento Comerciai
A Semana de Arte Moder na foi envolvida há anos em
AS FUNÇÕES DA LINGUAGEM EM "OS SERTÕES" Márcio
José
Lauria
como
esquer-
Quando transcorreu o
seu cinquentenário,
os
nistas
a exaltaram
como
se
houvera
sido obra de
seus
fi
liados.
De
seus
prosa, uns bons,
comu-
veis, ficaram poucas amos tras. Na sua origem, a Sema na teve, ao que parece, uma finalidade, a de sacudir, com gargalhadas estrepitosas, pia das ferinas, versos caóticos, discursos mal-escritos, o torpor provinciano da pequena elite econômica da
cidade de cerca
de quinhentos mil habitantes. Se ainda hoje, apesar de suas dimensões megalopolitanas, São
e sua
Paulo mais se assemelha a um
outros sofrí-
bazar do que a uma grande e
versos
DICESTO ECONOMICO
PUBLICAREMOS
O MUNDO DOS NEGÓCIOS NUM PANORAMA MENSAL
Publicado seb es auspícios da:
O
NOS
PRÓXIMOS
NÚMEROS
PROCESSO
IMIGRATÓRIO
NO
ASSOCIAÇÃO COMERCIAL
A.
DE SÃO PAULO
BRASIL
Delorenzo
A Semana de Arte Moderna
O) Neto
Diretor:
Antônio Gontijo de Carvalho 1947 a 1973
'■POLÍTICA
DO
Diretores:
João de Scantimburgo Paulo Edmur de Souza Queiroz
NACIONAL
CONTEXTO
DENTRO
POLÍTICO
UNIVERSAL"
J.
O.
Meira
Penna
João de Scantimburgo
Wilfrides Alves de Lima
Superintendente: Guilherme Afif Domingos o DIgeato Econômico é órgão mensal d»
Informações
econômicas
e finan
ceiras.
O HOMEM DAS CIÊNCIAS E AS CIÊNCIAS
Uma análise nova das
DO HOMEM
origens da Semana de Arte Moderna de 1922. O trabalho é capítulo de um livro sobre "Os Paulistas". O autor é
José Dervil MantovanI
A direção não lesponsabllíza pelos dados cu|as fontes esteiam devida mente
citadas,
emitidos
em
nem
artigos
pelos
da Academia Paulista de Letras.
conceitos
assinados.
Asslnaturas:
O PAPEL MODERADOR DA CLASSE MÉDIA Eduardo José Daros
DIGESTO ECONÔMICO Assinatura anual .. <£$ 1.400.00 130,00 Número avulso €$ 150,00 Número atrasado .. £$
DISTRIBUIÇÃO DE RENDA
Aceita-se intercâmbio com publicações
congêneres
nacionais
e estrangeires.
Redação e Administração: R. Boa Vista, 51, andar térreo Tel.:
239-1333
Ramal:
NO BRASIL Hermann
M. Gorgen
133
6.'’ andar Rua Boa Vista, 51 Tel.: 239-1333 — R.: 167/175 Composto e Impresso nas oficinas do DIÁRIO
DO
COMERCIO.
clima de paixão. Atraída à confusa, imprópria e eletrizada área da ideologia, acabou sendo fartamente explorada genericamenpelas correntes, te classificadas distas,
Cx. Postal 8.082 — São Paulo
Departamento Comerciai
A Semana de Arte Moder na foi envolvida há anos em
AS FUNÇÕES DA LINGUAGEM EM "OS SERTÕES" Márcio
José
Lauria
como
esquer-
Quando transcorreu o
seu cinquentenário,
os
nistas
a exaltaram
como
se
houvera
sido obra de
seus
fi
liados.
De
seus
prosa, uns bons,
comu-
veis, ficaram poucas amos tras. Na sua origem, a Sema na teve, ao que parece, uma finalidade, a de sacudir, com gargalhadas estrepitosas, pia das ferinas, versos caóticos, discursos mal-escritos, o torpor provinciano da pequena elite econômica da
cidade de cerca
de quinhentos mil habitantes. Se ainda hoje, apesar de suas dimensões megalopolitanas, São
e sua
Paulo mais se assemelha a um
outros sofrí-
bazar do que a uma grande e
versos
DIGESTO
4
adiantada
metrópole,
ECONÔMICO
pode-se
Saint Honoré, da rue de Rivo-
imaginar, voando nas asas da fantasia, o que era o início da
li, do Boulevard Haussmaun e outros lugares do parisianismo,
década de
sempre
20.
Cuidavam das
tentadoramente
sedu-
tor.
fábricas alguns industriais não assimilados, ainda, pelos pau Importávamos pratícamenlistas de nomes portugueses, te tudo, e assim como os pau com antepassados .entre os bra- listas consumiam vinhos de zões do Castelo de Cintra ou na Bordeaux, “foie gras” de Stras-
genealogia de Silva Leme. Fa
bourg, vestiam camisas do Dou-
zendeiros, como os Prados, co
cet, lembravam-se do Café de
gitavam de política e café, dois
La Paix, de L’Operá, do Bois de Boulogne com nostalgia de quem ansiava por voltar para lá, e gozar as delícias dos lu cros acumulados no Brasil, tam bém importávamos cultura.
mananciais da fortuna, em país onde 0 Estado sempre foi todo-
poderoso, e onde o café cons tituiu, até há poucos
anos, a
principal riqueza econômica da Nação. Os comerciantes, quase nada contavam. Proprietários
urbanos, residentes na avenida Paulista e adjacências,
rece
biam para chás, almoços e jan tares
os
amigos,
sempre
os
mesmos, que nunca chegavam
Éramos, desde
a Renascença,
um prolongamento transatlân tico da velha Europa, mais cir
Guedes
Penteado
o
abriu
seu
tro
tão parcimonioso que seus queridos poetas franceses, esbanjou palavras. Ou- Que lhe fecundaram a inspira
mulato
de
talento,
Lima
Barreto, abria janelas para o
social. Aluísio Azevedo, também mulato, lançara-se romance
no
realismo tão
cru quanto o
de Zola. A renovação caminha-
va. Mas, com a guerra pouco
havia criado, merecendo a duradoura honra das estantes, Bilac, até ao fim da vida, que se
ção.
Os movimentos políticos, a
filosofia hegeliana, triunfante no fim do século, o idealismo alemão, estendendo o seu man to sobre a cultura ocidental, o
marx-engelianismo, rebentos da
árvore hegeliana, a política burguesa da era vitoriana, a ascensao
do
pragmatismo
de
coincidiu com o fim da guerra,
Peieroe, matriz do pragmatismo
a mais estúpida dessa imensa estupidez que é a guerra, exer-
de James, as reações de Berg-
ceu uma espécie de chefatura
intelectual.
Mas esse
era um here-
gon e Blondel, a encíclica Pa-
cendi, a crise modernista, aba
lando as colunas da Igreja, tu do somado iria engendrar o movimento modernista que dializou
através
Inda, ao cair vibrando a lança,
“maitre
à penser
eram
francófilos. Na guerra de
14/18, as explosões de antiger-
diano, marmóreo, que, na sua
embora tivesse animado com o
ligião, mas a crise modernista, no seio da Igreja, . havia rece-
rio
Nacionalista, o embrião de to dos os nacionalismos que envol-
francês.
Basta
main des Prés,
cendência
francesa
sobre
o
França, do mundo
naquela época. Os modernistas
seu verbo, o seu prestígio, di-
colonial
da
Em prol do Estiló!
parecíamos e, sob muitos as pectos, éramos, parte do impé consultar os jornais da época para se ter a medida da as
do Faubourg
nunca
nasceu na Itália, mas se mun-
salões franceses de Saint Ger-
salão, réplica provinciana dos
crever,
profissão de fé prometia
manismo foram tamanhas que
D. Olivia
tica ainda se conservasse fiel
inovador de gênio, âtico no es- aos cânones do passado, de
poeta lecomtedelisleano,
cipavam pouco da vida cultu Nessa época,
sobre’os paulistas. A prosa já dernista, embora na arte poé^
havia tido Machado de Assis,
atraente dama, que subjugou o mundo durante alguns séculos.
Todos, na sociedade paulistana,
dano.
Brasil, e, no que nos interessa, pecto Bilac era, portanto, mo-
cunscritamente, no século XX, da França, essa formidável e
aos trezentos de Gedeão, segun do os memoralistas da época. As damas da sociedade parti ral, senão no estritamente mun
5
DIOESTO ECONÔMICO
não se preocuparam com a re
gamos 0 seu “charme", a Liga bido em 1907 o ferro-em-brasa do papa Pio X, com a encicliveram o povo brasileiro nas dé-
cadas de 20 e 30. Sob esse as-
ca
Pacendl
dominici
gregis.
consagrada às doutrinas moder
nistas, de modernisiarum doc-
DIGESTO
4
adiantada
metrópole,
ECONÔMICO
pode-se
Saint Honoré, da rue de Rivo-
imaginar, voando nas asas da fantasia, o que era o início da
li, do Boulevard Haussmaun e outros lugares do parisianismo,
década de
sempre
20.
Cuidavam das
tentadoramente
sedu-
tor.
fábricas alguns industriais não assimilados, ainda, pelos pau Importávamos pratícamenlistas de nomes portugueses, te tudo, e assim como os pau com antepassados .entre os bra- listas consumiam vinhos de zões do Castelo de Cintra ou na Bordeaux, “foie gras” de Stras-
genealogia de Silva Leme. Fa
bourg, vestiam camisas do Dou-
zendeiros, como os Prados, co
cet, lembravam-se do Café de
gitavam de política e café, dois
La Paix, de L’Operá, do Bois de Boulogne com nostalgia de quem ansiava por voltar para lá, e gozar as delícias dos lu cros acumulados no Brasil, tam bém importávamos cultura.
mananciais da fortuna, em país onde 0 Estado sempre foi todo-
poderoso, e onde o café cons tituiu, até há poucos
anos, a
principal riqueza econômica da Nação. Os comerciantes, quase nada contavam. Proprietários
urbanos, residentes na avenida Paulista e adjacências,
rece
biam para chás, almoços e jan tares
os
amigos,
sempre
os
mesmos, que nunca chegavam
Éramos, desde
a Renascença,
um prolongamento transatlân tico da velha Europa, mais cir
Guedes
Penteado
o
abriu
seu
tro
tão parcimonioso que seus queridos poetas franceses, esbanjou palavras. Ou- Que lhe fecundaram a inspira
mulato
de
talento,
Lima
Barreto, abria janelas para o
social. Aluísio Azevedo, também mulato, lançara-se romance
no
realismo tão
cru quanto o
de Zola. A renovação caminha-
va. Mas, com a guerra pouco
havia criado, merecendo a duradoura honra das estantes, Bilac, até ao fim da vida, que se
ção.
Os movimentos políticos, a
filosofia hegeliana, triunfante no fim do século, o idealismo alemão, estendendo o seu man to sobre a cultura ocidental, o
marx-engelianismo, rebentos da
árvore hegeliana, a política burguesa da era vitoriana, a ascensao
do
pragmatismo
de
coincidiu com o fim da guerra,
Peieroe, matriz do pragmatismo
a mais estúpida dessa imensa estupidez que é a guerra, exer-
de James, as reações de Berg-
ceu uma espécie de chefatura
intelectual.
Mas esse
era um here-
gon e Blondel, a encíclica Pa-
cendi, a crise modernista, aba
lando as colunas da Igreja, tu do somado iria engendrar o movimento modernista que dializou
através
Inda, ao cair vibrando a lança,
“maitre
à penser
eram
francófilos. Na guerra de
14/18, as explosões de antiger-
diano, marmóreo, que, na sua
embora tivesse animado com o
ligião, mas a crise modernista, no seio da Igreja, . havia rece-
rio
Nacionalista, o embrião de to dos os nacionalismos que envol-
francês.
Basta
main des Prés,
cendência
francesa
sobre
o
França, do mundo
naquela época. Os modernistas
seu verbo, o seu prestígio, di-
colonial
da
Em prol do Estiló!
parecíamos e, sob muitos as pectos, éramos, parte do impé consultar os jornais da época para se ter a medida da as
do Faubourg
nunca
nasceu na Itália, mas se mun-
salões franceses de Saint Ger-
salão, réplica provinciana dos
crever,
profissão de fé prometia
manismo foram tamanhas que
D. Olivia
tica ainda se conservasse fiel
inovador de gênio, âtico no es- aos cânones do passado, de
poeta lecomtedelisleano,
cipavam pouco da vida cultu Nessa época,
sobre’os paulistas. A prosa já dernista, embora na arte poé^
havia tido Machado de Assis,
atraente dama, que subjugou o mundo durante alguns séculos.
Todos, na sociedade paulistana,
dano.
Brasil, e, no que nos interessa, pecto Bilac era, portanto, mo-
cunscritamente, no século XX, da França, essa formidável e
aos trezentos de Gedeão, segun do os memoralistas da época. As damas da sociedade parti ral, senão no estritamente mun
5
DIOESTO ECONÔMICO
não se preocuparam com a re
gamos 0 seu “charme", a Liga bido em 1907 o ferro-em-brasa do papa Pio X, com a encicliveram o povo brasileiro nas dé-
cadas de 20 e 30. Sob esse as-
ca
Pacendl
dominici
gregis.
consagrada às doutrinas moder
nistas, de modernisiarum doc-
6
DIGESTO ECONÔMICO
frinis. Pio X declarou guerra — é bem a palavra — contra os
modernistas,
arguidos
de
agnósticos, fechados, rigorosa mente, acentua o pontífice, no círculo dos fenômenos, ou das coisas que aparecem, sem te
rem a faculdade, nem o direi to de lhes ultrapassar os limi tes, para chegarem até Deus. A encíclica restringiu-se, por tanto,
aos modernismos teoló
gico e filosófico (1). Mas, pas sar das áreas teológica e filo sófica para outras do pensa mento foi um passo. O moder nismo
não ficaria restrito aos
teólogos e filósofos pouco lidos, Iria expandir-se, para abarcar 0 grande público, através da literatura, da pintura, da escul tura, do teatro, da música. Es tava em marcha há anos o im
pacto modernista contra o pen
cia do idealismo alemão sobre 0 pensamento ocidental. Temos
ta que não há ações isoladas na face da Terra; verdade e
um dos capítulos, não de menor importância, por ter abar cado a maior parcela de públi
entretecem, combaten
do-se, não raro saindo vence dor. sobretudo com o moder
nismo, 0 segundo contra a pri
meira,
Se
em
nossos
dias o
choque entre a verdade e 0 er¬ ro, e as verdades e os erros,
já não impressionam senão no campo político-ideológico, no fim do século XIX e início do
XX provocaram inúmeras polê
micas, e, no estrito campo teológico-filosófico, a intervenção corajosa e oportuna de Pio X. Bréhier ligou a agitação daquele período ao movimento romântico. “Como ele, é rico e confuso; como ele dá origem a obras
de
notabüíssima beleza
meio de defesa ou ataque (2)
(1) Claude Treamontant. La crise moderniste, SeulI, Paris, 1979, p. 221 e ss — Au coeur .2)
e ..
da crise do mundo moderno, da
qual 0 modernismo nas artes é
samento cristão: Pio IX já ha literária e como ele, também, via dado 0 Syllabus, do alto da se presta frequentemente à fal cadeira de Pedro, anatemizan- ta de sinceridade ou ao chardo os erros modernos. Leão latanismo; caiu-se facilmente Xin ocupara-se das “coisas no no perigo de unir a filosofia vas”, mas ficara cautelosamen aos interesses de grupo: Igre te na posição antimodernista. ja, nação ou classe, e transfor Essa era a posição da Igreja. mar a busca da verdade em O modernismo vinha da influên-
Seria longo remontar às origens
dito e repetido vezes sem con erro se
'^<^f^nlste. cartas de MaurJce Blondel e outros, Aubier, Paris,
Êmlle Brehier, Historia de Ia filosofia, Editorial
1960, oosslm
Sudamericana, Buenos Aires, li p. 852
7
DIGESTO ECONÔMICO
co no Ocidente europeu e, por
via da repercussão, na Améri ca. Confirma-se nas origens do modernismo
e
seu desenvolvi
mento, a tese que vimos, reiteradamente, defendendo, a da implicação das idéias, umas
nas outras, e a da longa heran ça dos erros, todos concatenaestuando no século XX, dos, com força impetuosa. Inicialmente
o modernismo preocu-
pou apenas a Igreja docente. O subjetivismo gnoseológico de Kant e as derivações que se lhe seguiram, o idealismo transcen dental de Fichte, Schelling e
Hegel, até o irracionalismo fi-
deístico de Jacobi, Fries e Sch-
leiermacher, o que vemos é o antigo realismo derivar para o individualismo exacerbado (3). Quando irrompe na Alemanha 0 romantismo, e, na França,
pela batalha do “Hernani”, era a exaltação do eu, o narcisis(3)
mo
que
O
romantismo
operou
a
grande transformação do século XIX, sobre os destroços da tra dição, que a revolução franceabalara até às profundezas. É 0 encadeamento das idéias de qus falamos.
sa
Pode revestir a capa do ri dículo 0 que dizemos. Fazer o modernismo brasileiro mergu lhar as suas origens na Prússia de Frederico II é
exagerado, mas quem estuda a fonte das
tomam,
idéias e o rumo que
não deve
ficar
preso
a situações de espaço e tem po. Temos de ir longe, poderia
mos ir, mesmo, ainda mais lon
ge (4)^ mas fiquemos por aqui, no encontro do
indivíduo
con
sigo mesmo. Era preciso igno rar 0 passado, romper com as
tradições,
e,
começando tudo
de novo, emancipar o individuo
Robert Legros. Le ieune Hegel et Ia nelssance de e 63.
pu
derivista, o roteiro é completo.
Cornélio Fabro. verbete ‘■Modernismo", In Enciclopédia Cattolica. G.C. 1860. p. 87
se
reboarem no santuário da fé, onde foram condenados pela encíclica PacendI, de 7 de tembro de 1907. Da Aufkiarüng racionalista ao subjetivismo
rença, 1952.
(4)
individualista
nham em curso, para, afinal,
Saussonl, Fio-
Ia pensée romantlque, Onsla, Bruxelas.
6
DIGESTO ECONÔMICO
frinis. Pio X declarou guerra — é bem a palavra — contra os
modernistas,
arguidos
de
agnósticos, fechados, rigorosa mente, acentua o pontífice, no círculo dos fenômenos, ou das coisas que aparecem, sem te
rem a faculdade, nem o direi to de lhes ultrapassar os limi tes, para chegarem até Deus. A encíclica restringiu-se, por tanto,
aos modernismos teoló
gico e filosófico (1). Mas, pas sar das áreas teológica e filo sófica para outras do pensa mento foi um passo. O moder nismo
não ficaria restrito aos
teólogos e filósofos pouco lidos, Iria expandir-se, para abarcar 0 grande público, através da literatura, da pintura, da escul tura, do teatro, da música. Es tava em marcha há anos o im
pacto modernista contra o pen
cia do idealismo alemão sobre 0 pensamento ocidental. Temos
ta que não há ações isoladas na face da Terra; verdade e
um dos capítulos, não de menor importância, por ter abar cado a maior parcela de públi
entretecem, combaten
do-se, não raro saindo vence dor. sobretudo com o moder
nismo, 0 segundo contra a pri
meira,
Se
em
nossos
dias o
choque entre a verdade e 0 er¬ ro, e as verdades e os erros,
já não impressionam senão no campo político-ideológico, no fim do século XIX e início do
XX provocaram inúmeras polê
micas, e, no estrito campo teológico-filosófico, a intervenção corajosa e oportuna de Pio X. Bréhier ligou a agitação daquele período ao movimento romântico. “Como ele, é rico e confuso; como ele dá origem a obras
de
notabüíssima beleza
meio de defesa ou ataque (2)
(1) Claude Treamontant. La crise moderniste, SeulI, Paris, 1979, p. 221 e ss — Au coeur .2)
e ..
da crise do mundo moderno, da
qual 0 modernismo nas artes é
samento cristão: Pio IX já ha literária e como ele, também, via dado 0 Syllabus, do alto da se presta frequentemente à fal cadeira de Pedro, anatemizan- ta de sinceridade ou ao chardo os erros modernos. Leão latanismo; caiu-se facilmente Xin ocupara-se das “coisas no no perigo de unir a filosofia vas”, mas ficara cautelosamen aos interesses de grupo: Igre te na posição antimodernista. ja, nação ou classe, e transfor Essa era a posição da Igreja. mar a busca da verdade em O modernismo vinha da influên-
Seria longo remontar às origens
dito e repetido vezes sem con erro se
'^<^f^nlste. cartas de MaurJce Blondel e outros, Aubier, Paris,
Êmlle Brehier, Historia de Ia filosofia, Editorial
1960, oosslm
Sudamericana, Buenos Aires, li p. 852
7
DIGESTO ECONÔMICO
co no Ocidente europeu e, por
via da repercussão, na Améri ca. Confirma-se nas origens do modernismo
e
seu desenvolvi
mento, a tese que vimos, reiteradamente, defendendo, a da implicação das idéias, umas
nas outras, e a da longa heran ça dos erros, todos concatenaestuando no século XX, dos, com força impetuosa. Inicialmente
o modernismo preocu-
pou apenas a Igreja docente. O subjetivismo gnoseológico de Kant e as derivações que se lhe seguiram, o idealismo transcen dental de Fichte, Schelling e
Hegel, até o irracionalismo fi-
deístico de Jacobi, Fries e Sch-
leiermacher, o que vemos é o antigo realismo derivar para o individualismo exacerbado (3). Quando irrompe na Alemanha 0 romantismo, e, na França,
pela batalha do “Hernani”, era a exaltação do eu, o narcisis(3)
mo
que
O
romantismo
operou
a
grande transformação do século XIX, sobre os destroços da tra dição, que a revolução franceabalara até às profundezas. É 0 encadeamento das idéias de qus falamos.
sa
Pode revestir a capa do ri dículo 0 que dizemos. Fazer o modernismo brasileiro mergu lhar as suas origens na Prússia de Frederico II é
exagerado, mas quem estuda a fonte das
tomam,
idéias e o rumo que
não deve
ficar
preso
a situações de espaço e tem po. Temos de ir longe, poderia
mos ir, mesmo, ainda mais lon
ge (4)^ mas fiquemos por aqui, no encontro do
indivíduo
con
sigo mesmo. Era preciso igno rar 0 passado, romper com as
tradições,
e,
começando tudo
de novo, emancipar o individuo
Robert Legros. Le ieune Hegel et Ia nelssance de e 63.
pu
derivista, o roteiro é completo.
Cornélio Fabro. verbete ‘■Modernismo", In Enciclopédia Cattolica. G.C. 1860. p. 87
se
reboarem no santuário da fé, onde foram condenados pela encíclica PacendI, de 7 de tembro de 1907. Da Aufkiarüng racionalista ao subjetivismo
rença, 1952.
(4)
individualista
nham em curso, para, afinal,
Saussonl, Fio-
Ia pensée romantlque, Onsla, Bruxelas.
8
DIGESTO ECONÔMICO
de rançosos idade
compromissos de
caduca.
0
modernismo
em arte veio a ser uma das ex-
pressões da revolução que sa code 0 mundo, do século passa do aos nossos dias, e continua
rá no futuro
mesmo itinerário pelo afora, porquanto hoje
de acordo com Maritain, quan do diz 0 filósofo que a "poesia moderna não deve ser julgada e compreendida na perspectiva da estética clássica e da mera
literatura." É preciso distan ciar-se^ e Maritain cita Mallar-
g
DIGESTO ECONÔMICO
de" foi-lhe revelado
em Paris
des do ateísmo modernista.
(6)*'. Esse manifesto
era deli
Toda esta longa introdução foi elaborada para chegarmos ao modernismo brasileiro, ini cialmente chamado futurismo.
redação todo o ardor peninsu
periência”, uma das modalida
mé, precursor do modernismo
Evidentemente, os modernistas paulistas não eram versados
francês e mundial, quando
rante. Marinetti pusera em sua
lar. Era 0 Manifesto
do
que
Chesterton chamaria um luná tico. Hoje faz rir. mas, na épo-
foi tomado a sério, Publide cou-o em 20 de fevereiro
ca
está incorporado até a corren tes espirituais de forte e densa fé na imortalidade da alma e na onipotência de Deus. Mas
o
em filosofia. Não haviam mer
poeta fala de sua luta contra
gulhado nos abismos do pensa
Deus (5).
Deve-se, pois,
jul
mento, de onde se volta com os
nas suas origens, no seu desen volvimento, no seu apogeu, em
Figaro”. Marinetti
subversão
revolucionária
que
Agostinho, Santo
Tomás, Des-
da ciência e da tecnologia, ain-
filosófica desses
engatinhamento. Como bom ita liano, estuante de vida, o fun
fins do século XIX e início do século XX, 0 modernismo cons tituía — e até hoje não o per deu — um compromisso acer tado com 0 futuro. Rompeu com 0 real, desvencilhou
o
m-
divíduo de qualquer submissão à verdade absoluta; o felativismo passou a ser a regra defi
nitiva em filosofia; a liberda de sem os entraves naturais que lhe são opostos em todas as sociedades humanas impôsse como o cânone supremo na arte.
Daí ao
Estado
forte foi
um passo. Ao individualismo atomizado se opõe o totalitaris mo. É 0 fenômeno do nosso sé culo, como não o conheceram as idades passadas. Estamos (5)
gá-lo antes na perspectiva da se infiltrou na civilização e na cultura do mundo moderno, ao parecer, sem paradeiro. Quan
do o modernismo se espraiou,
conduziu no seu movimento 0 imanentismo, sob cujo signo nasceu. Não havia mais regras
a obedecer. Não havia mais padrões aos quais ficar circuns crito. O individualismo tornouse livre de restrições
invenção,
chamada,
e cada
circuns-
tancialmente, experiência, uma
pré-socráticos, Platão, Aristóteles, Plotino, Seneca, Santo cartes, Kant,
descendência
cumes
da
Hegel e toda a
sabedoria. Espírito
im-
presisionado com as conquistas da nos difíceis
equilíbrios do
a nosso ver
inconscientemente,
época, foi a Paris, visitou Ro-
na linha da contestação religio-
ma
sa
e
outras cidades ilustres.
‘Regressando cm
1912, Oswald
da Europa,
de Andrade
fazia-se o primeiro importador do "futurismo” de que
tivera
apenas notícia no Velho Mun
gando o combate ao academismo, guerreando as quinquilha-
Jacquoe Maritain, Creative intuition in art au poetry, Pantheon Books, 1053, p. 177 e es.
mostrava-se
dador do futurismo colocava-se
mente, de chapéu na cabeça chado, estava fazendo uma “ex¬
Le
irriquieto, Oswald de Andrade,
do. O Manifesto Futurista, de Marinetti, anunciando o com
numa procissão, e quase foi lin
parisiense
o jornal
que era rico, ao menos para a
das manifestações de liberda de, ou do que era entendido como liberdade. Quando Flávio
de Carvalho entrou, ostensiva
1909
promisso da literatura com a nova civilização técnica, pre
nas e os museus
e exaltando o
culto às “palavras em liberda-
filosófica, como procura-
e
demonstrar antes. Vinha à laia de iconoclasta, derrubando mos
ídolos, invectivando o passado,
desafiando as tradições caras
mais
de sua pátria e de sua
época. Suas "primeiras
vonta-
des” eram onze:
1 amor
— Queremos cantar
do
o
perigo, o hábito da
energia e da temeridade.
2 _ Os
elementos
essen
ciais de nossa poesia são a coragem, a
audácia e a revolta.
16] Mário da Silva Brito. História do Modernismo Brasileiro. Saraiva, São Paulo, 1956, p. 26.
8
DIGESTO ECONÔMICO
de rançosos idade
compromissos de
caduca.
0
modernismo
em arte veio a ser uma das ex-
pressões da revolução que sa code 0 mundo, do século passa do aos nossos dias, e continua
rá no futuro
mesmo itinerário pelo afora, porquanto hoje
de acordo com Maritain, quan do diz 0 filósofo que a "poesia moderna não deve ser julgada e compreendida na perspectiva da estética clássica e da mera
literatura." É preciso distan ciar-se^ e Maritain cita Mallar-
g
DIGESTO ECONÔMICO
de" foi-lhe revelado
em Paris
des do ateísmo modernista.
(6)*'. Esse manifesto
era deli
Toda esta longa introdução foi elaborada para chegarmos ao modernismo brasileiro, ini cialmente chamado futurismo.
redação todo o ardor peninsu
periência”, uma das modalida
mé, precursor do modernismo
Evidentemente, os modernistas paulistas não eram versados
francês e mundial, quando
rante. Marinetti pusera em sua
lar. Era 0 Manifesto
do
que
Chesterton chamaria um luná tico. Hoje faz rir. mas, na épo-
foi tomado a sério, Publide cou-o em 20 de fevereiro
ca
está incorporado até a corren tes espirituais de forte e densa fé na imortalidade da alma e na onipotência de Deus. Mas
o
em filosofia. Não haviam mer
poeta fala de sua luta contra
gulhado nos abismos do pensa
Deus (5).
Deve-se, pois,
jul
mento, de onde se volta com os
nas suas origens, no seu desen volvimento, no seu apogeu, em
Figaro”. Marinetti
subversão
revolucionária
que
Agostinho, Santo
Tomás, Des-
da ciência e da tecnologia, ain-
filosófica desses
engatinhamento. Como bom ita liano, estuante de vida, o fun
fins do século XIX e início do século XX, 0 modernismo cons tituía — e até hoje não o per deu — um compromisso acer tado com 0 futuro. Rompeu com 0 real, desvencilhou
o
m-
divíduo de qualquer submissão à verdade absoluta; o felativismo passou a ser a regra defi
nitiva em filosofia; a liberda de sem os entraves naturais que lhe são opostos em todas as sociedades humanas impôsse como o cânone supremo na arte.
Daí ao
Estado
forte foi
um passo. Ao individualismo atomizado se opõe o totalitaris mo. É 0 fenômeno do nosso sé culo, como não o conheceram as idades passadas. Estamos (5)
gá-lo antes na perspectiva da se infiltrou na civilização e na cultura do mundo moderno, ao parecer, sem paradeiro. Quan
do o modernismo se espraiou,
conduziu no seu movimento 0 imanentismo, sob cujo signo nasceu. Não havia mais regras
a obedecer. Não havia mais padrões aos quais ficar circuns crito. O individualismo tornouse livre de restrições
invenção,
chamada,
e cada
circuns-
tancialmente, experiência, uma
pré-socráticos, Platão, Aristóteles, Plotino, Seneca, Santo cartes, Kant,
descendência
cumes
da
Hegel e toda a
sabedoria. Espírito
im-
presisionado com as conquistas da nos difíceis
equilíbrios do
a nosso ver
inconscientemente,
época, foi a Paris, visitou Ro-
na linha da contestação religio-
ma
sa
e
outras cidades ilustres.
‘Regressando cm
1912, Oswald
da Europa,
de Andrade
fazia-se o primeiro importador do "futurismo” de que
tivera
apenas notícia no Velho Mun
gando o combate ao academismo, guerreando as quinquilha-
Jacquoe Maritain, Creative intuition in art au poetry, Pantheon Books, 1053, p. 177 e es.
mostrava-se
dador do futurismo colocava-se
mente, de chapéu na cabeça chado, estava fazendo uma “ex¬
Le
irriquieto, Oswald de Andrade,
do. O Manifesto Futurista, de Marinetti, anunciando o com
numa procissão, e quase foi lin
parisiense
o jornal
que era rico, ao menos para a
das manifestações de liberda de, ou do que era entendido como liberdade. Quando Flávio
de Carvalho entrou, ostensiva
1909
promisso da literatura com a nova civilização técnica, pre
nas e os museus
e exaltando o
culto às “palavras em liberda-
filosófica, como procura-
e
demonstrar antes. Vinha à laia de iconoclasta, derrubando mos
ídolos, invectivando o passado,
desafiando as tradições caras
mais
de sua pátria e de sua
época. Suas "primeiras
vonta-
des” eram onze:
1 amor
— Queremos cantar
do
o
perigo, o hábito da
energia e da temeridade.
2 _ Os
elementos
essen
ciais de nossa poesia são a coragem, a
audácia e a revolta.
16] Mário da Silva Brito. História do Modernismo Brasileiro. Saraiva, São Paulo, 1956, p. 26.
12
diqesto econômico
Semana. Esta inspirou-se nos futuristas italianos, em Appolinaire; em Cendrars e outros escritores, mais ou menos do minados na Europa pela ânsia da inovação, seduzidos que es tavam pela demolição política e social do Ocidente, iniciada na guerra.
Depois da revolução fran cesa, a história registrou o bo-
napartismo, o surto do libera lismo burguês, os movimentos operários, o Manifesto Comu nista, 0 Syllabus, as encíclicas
Rerum Novarum, Pacendí e outras, a carnificina de 1914-18, o suicídio da Europa, a desinte
gração de impérios, que pare ciam sólidos, a revolução rus sa. a URSS. e a década de 20 com a seqüela de todos os males que as grandes revolu ções teológicas e filosóficas engendraram no Ocidente. O fu turismo veio se encaixar nesse
drama. Rompeu com o passa do. Os futuristas — como
auto
se
denominavam — de São
cente de
Carvalho e quantos
com eles se aparentassem nas letras. Louvaram
0
novo
em
pintura, escultura, musica, lite
ratura
com
arrasando o passado, palavras cáusticas. A
“Pauiicéia Desvairada”, eviden te exagero ou licença poética
de Mário de Andrade fôra um marco. Outros se lhe
empare
lham na história do modernis mo (10), naqueles domínios da cultura. Não fazemos a histó ria do modernismo, nem da Se mana. Essa obra já foi reali
zada, pelos autores que citamos neste capítulo. Deixamo-la
re-
gistrada como um acontecimen
to paulista, um desses eventos
que abalam as colunas dos tem plos
porquanto
conquistam
adeptos, graças aos quais se prolongam cronologicamente. Yan (João Fernando) de
Almeida Prado (11) participou
da Semana. Tiqha 25 anos de idade. Já era grande bibliófilo
e iria despontar como um dos maiores historiadores do perío do Colonial do Brasil. Mas não atribui à Semana a importân
Paulo também romperam com 0 passado, zurzíndo Bilac, Al berto de Oliveira, Raimundo
cia que lhe assinalam
Correia, Francisca
historiadores e cronistas. Para
Júlia, Vi¬
os
seus
MO) P.M. Bardi. O Modernismo no Brasil. Sudameris, São Paulo, 1978 oasaim (11) Yan (J.F.) de Almeida Prado, A grande Semana de Arte Moderòa Edart. S8o Paulo passim.
13
DIGESTO ECONÔMICO
Yan de Almeida Prado a Semana
de Arte Moderna nome que
teria
sugerido
a
esposa
na, mal iluminada pela Compa nhia do Gás e pela Light. Pro movendo a Semana, como ha viam feito com o futurismo os
italianos, alcançariam resulta do. Segundo Yan, era uma es pécie de- atividade de "camelots” literários, sofregamente
praticada
por
moços sem outro lazer que não
os cabarés, o cinema e os bai les de damas e cavalheiros, mais ou
menos cerimoniosos.
Mário de Andrade no "Prefácio Interessantíssimo” recusa ade são ao futurismo de Oswald de Andrade e se confessa passa-
dista. Mas teve o mau gosto de escrever
uma
Ode ao
A digestão bem feita
de
Paulo Prado, num almoço, casa da ave na velha e bela nida Higienópolis, não pas sou de brincadeira de jovens, entediados na cidade provincia
demagógicos,
[burguês níquel, o burguês-burguês!
bur-
guês”, primaríssima, sem rela
de
[São Paulo! O homem-curva! O homem-
[nádegas!
Quem seria o burguês
de
Mário de Andrade? Não houve
burgueses em São Paulo. Fran cisco Matarazzo I? Um mem
bro das classes médias superionobilitado pelo rei da Itáres Outros italianos? Todos lia. membros
das
classes médias
superiores. Então, que burguês
era esse, cantado pelo papa do
modernismo?
Mário de Andrade, que não
quis aderir de pronto ^s novas idéias e
até elogiou Bilac, _
o
execrado parnasiano foi tradi-
cionalista
pertenceu
religião, pois uma irmesmo a
em
mandade e usou opa (12). No Interessantíssimo” “Prefácio afirmou não querer discípu-
los. Não Os teve. Granjeou mul tidão de amigos,
admiradoincondicio-
muito.
ção alguma com o burguês já
res,
louvadores
nais.
Cultivou-os
alguns versos do poema de Má
0 maior epistológrafo do Bra sil. Ninguém escreveu tantas
fartamente estudado. Leiaimos
rio de Andrade:
Eu insulto 0 burguês! O (i2) Iviarlo da Silva Brito. op. cit.
Foi
cartas, aos mais variados des tinatários. Deixou um roman¬
12
diqesto econômico
Semana. Esta inspirou-se nos futuristas italianos, em Appolinaire; em Cendrars e outros escritores, mais ou menos do minados na Europa pela ânsia da inovação, seduzidos que es tavam pela demolição política e social do Ocidente, iniciada na guerra.
Depois da revolução fran cesa, a história registrou o bo-
napartismo, o surto do libera lismo burguês, os movimentos operários, o Manifesto Comu nista, 0 Syllabus, as encíclicas
Rerum Novarum, Pacendí e outras, a carnificina de 1914-18, o suicídio da Europa, a desinte
gração de impérios, que pare ciam sólidos, a revolução rus sa. a URSS. e a década de 20 com a seqüela de todos os males que as grandes revolu ções teológicas e filosóficas engendraram no Ocidente. O fu turismo veio se encaixar nesse
drama. Rompeu com o passa do. Os futuristas — como
auto
se
denominavam — de São
cente de
Carvalho e quantos
com eles se aparentassem nas letras. Louvaram
0
novo
em
pintura, escultura, musica, lite
ratura
com
arrasando o passado, palavras cáusticas. A
“Pauiicéia Desvairada”, eviden te exagero ou licença poética
de Mário de Andrade fôra um marco. Outros se lhe
empare
lham na história do modernis mo (10), naqueles domínios da cultura. Não fazemos a histó ria do modernismo, nem da Se mana. Essa obra já foi reali
zada, pelos autores que citamos neste capítulo. Deixamo-la
re-
gistrada como um acontecimen
to paulista, um desses eventos
que abalam as colunas dos tem plos
porquanto
conquistam
adeptos, graças aos quais se prolongam cronologicamente. Yan (João Fernando) de
Almeida Prado (11) participou
da Semana. Tiqha 25 anos de idade. Já era grande bibliófilo
e iria despontar como um dos maiores historiadores do perío do Colonial do Brasil. Mas não atribui à Semana a importân
Paulo também romperam com 0 passado, zurzíndo Bilac, Al berto de Oliveira, Raimundo
cia que lhe assinalam
Correia, Francisca
historiadores e cronistas. Para
Júlia, Vi¬
os
seus
MO) P.M. Bardi. O Modernismo no Brasil. Sudameris, São Paulo, 1978 oasaim (11) Yan (J.F.) de Almeida Prado, A grande Semana de Arte Moderòa Edart. S8o Paulo passim.
13
DIGESTO ECONÔMICO
Yan de Almeida Prado a Semana
de Arte Moderna nome que
teria
sugerido
a
esposa
na, mal iluminada pela Compa nhia do Gás e pela Light. Pro movendo a Semana, como ha viam feito com o futurismo os
italianos, alcançariam resulta do. Segundo Yan, era uma es pécie de- atividade de "camelots” literários, sofregamente
praticada
por
moços sem outro lazer que não
os cabarés, o cinema e os bai les de damas e cavalheiros, mais ou
menos cerimoniosos.
Mário de Andrade no "Prefácio Interessantíssimo” recusa ade são ao futurismo de Oswald de Andrade e se confessa passa-
dista. Mas teve o mau gosto de escrever
uma
Ode ao
A digestão bem feita
de
Paulo Prado, num almoço, casa da ave na velha e bela nida Higienópolis, não pas sou de brincadeira de jovens, entediados na cidade provincia
demagógicos,
[burguês níquel, o burguês-burguês!
bur-
guês”, primaríssima, sem rela
de
[São Paulo! O homem-curva! O homem-
[nádegas!
Quem seria o burguês
de
Mário de Andrade? Não houve
burgueses em São Paulo. Fran cisco Matarazzo I? Um mem
bro das classes médias superionobilitado pelo rei da Itáres Outros italianos? Todos lia. membros
das
classes médias
superiores. Então, que burguês
era esse, cantado pelo papa do
modernismo?
Mário de Andrade, que não
quis aderir de pronto ^s novas idéias e
até elogiou Bilac, _
o
execrado parnasiano foi tradi-
cionalista
pertenceu
religião, pois uma irmesmo a
em
mandade e usou opa (12). No Interessantíssimo” “Prefácio afirmou não querer discípu-
los. Não Os teve. Granjeou mul tidão de amigos,
admiradoincondicio-
muito.
ção alguma com o burguês já
res,
louvadores
nais.
Cultivou-os
alguns versos do poema de Má
0 maior epistológrafo do Bra sil. Ninguém escreveu tantas
fartamente estudado. Leiaimos
rio de Andrade:
Eu insulto 0 burguês! O (i2) Iviarlo da Silva Brito. op. cit.
Foi
cartas, aos mais variados des tinatários. Deixou um roman¬
14
DIQESTO ECONÔMICO
ce, Macunaíma, que merece a perenidade das estantes. É um
retrato do Brasil, sobre o qual tudo o que era preciso escre
ver foi escrito, até com exage ro. De 1922 à sua morte, Má rio de Andrade foi considerado
o líder do modernismo, condi ção que aceitou, embora de iní cio tenha repelido o envolvi mento de Qswald de Andrade. Mais lido mais-‘declamado,
mais famoso do que Mário de Andrade, foi Menotti Del Ficchia. Autor do Manifesto da Semana, procurou as influên
cias italianas, e, embora ade rindo entusiasticamente ao modernismo, não deixou de ser
d'annunziano em poesia
e
ro-
mance, e lírico no "Juca Mula to”, um dos mais famosos e for mosos poemas já escritos
no
Brasil, tão famoso que acabou nome de praça.
O modernismo paulista foi
eclético. Teve pintores, escul tores, prosadores, poetas, mú
sicos e até mecenas. Dona Olí-
via Guedes Penteado, dama ri ca, flor do patriciado do pla nalto,
afrancesada nos costu
mes, nos ambientes em que vi veu
e
na
sólida
fl3) P.M. Bardi, op. cit.
franco-
15
DIGESTO ECONÔMICO
filia que nunca escondeu. A Se
va Paulicéia.
mana de Arte Moderna foi tra zida de fora. Appolinaire teve cópias, Marinetti, Papini e ou
quando este livro foi escrito,, o repertório das transformações por que passou e passa o Bra sil não se esgota no reduzido espaço de um capítulo. O de
tros futuristas da Itália e
da
França passaram pelo decal que, em São Paulo. Nem po dería ser diferente. Os paulis tas — e estrangeiros que parti ciparam da Semana — estavam impregnados de influência ita
De 1922 a
1982,
senvolvimento industrial mudou a fisionomia da cidade. Em 1922 eram 500 mil habitantes e uma
sociedade pequena, onde todos se
conheciam. Em 1982 são 12
liana e francesa. O modernis
milhões incluindo a Grande São
mo teve cultores fora de
São
Paulo, com todas as caracterís
boliço é mais intenso er as
ca¬
clatura
Paulo, mas foi aqui “onde o re-
ticas da megalópole da nomende Lewis Munford.
beças quentes não descansam”,
Resta da
polga 0 Brasil com "Juca Mu lato j título inovador e inusita do de uma rapsódia que revela e enuncia um sentido inédito de brasílidade, de permeio a uma mística até então não percebi da (13) . Como se ve„ a Sema na de Arte Moderna continua,
mória de Mário e_Oswald de
na Paulicéia que Menotti emc:_.’
60 anos depois, a suscitar con trovérsia. polêmicas, debates. Há posições radicalizadas que
nada consegue demover, importa recenceá-las. O importa é a ressonância
Não que seis
décadas depois, de uma alegre,
ruidosa, bulhenta promoção de
moços da que, então, se chama-
Semana a nostalgia
de alguns, a fidelidade à me
Andrade — que não eram pa
rentes; eram homônimos. — a
amizade a Menotti Del Picchia e Yan de Almeida Prado, com mais alguns, os derradeiros sobreviventes daquele espantosa mente longínquo ano do primei-
ro centenário da Independência.
_
.
fi
Não julgamos a Semana de Arte Moderna. Colocamo-la no
quadro da vasta, longa, ampla relação entre o modernismo ge rado pelo racionalismo filosófiCO e pelo individualismo r-eli-
gioso, e esgalhado
nos vários
da cultura, na arte, nas letras, na música, nos costu
ramos
mes, no agnosticismo, na rutudo real, na quebra dos câno
ra
nes morais, em suma, na gran
de crise do mundo moderno. É um episódio da repercussão
desse fenômeno, em São Paulo,
que nao se deu conta de ser a
caixa acústica onde vieram re
percutir essas ondas lançadas
velha Europa, em longínquo passado. Concluo, sem tomar
na
partido, lembrando que os pau listas desvendaram o roteiro do modernismo no Brasil, constituindo-se
na sua
vanguarda.
Não fazemos julgamentos ^ de valor. Somente a constatação.
U.S.P- pCSCJuiSâ llora IBCdlCinal
o estudo sistemático das
plantas medicinais, em
razSo de vigoroso ressurgimento da fitoterapia (tratamento de doenças tome-se a cada dia mais atual e importante. com substâncias vegetais), Os motivos dessa crescente utilização de vegetais encontram explicação no receio das pessoas quanto aos perigos dos excessos no no uso irracional de fármacos e na degradaçao geral do ambiente humano, Na opinião do
prof. Paulo Chanel Deodato de Preitas, do Departamento
de Farmácia, da
Faculdade de Ci^cias Farmacêuticas, da Universidade (Continua na página 32)
14
DIQESTO ECONÔMICO
ce, Macunaíma, que merece a perenidade das estantes. É um
retrato do Brasil, sobre o qual tudo o que era preciso escre
ver foi escrito, até com exage ro. De 1922 à sua morte, Má rio de Andrade foi considerado
o líder do modernismo, condi ção que aceitou, embora de iní cio tenha repelido o envolvi mento de Qswald de Andrade. Mais lido mais-‘declamado,
mais famoso do que Mário de Andrade, foi Menotti Del Ficchia. Autor do Manifesto da Semana, procurou as influên
cias italianas, e, embora ade rindo entusiasticamente ao modernismo, não deixou de ser
d'annunziano em poesia
e
ro-
mance, e lírico no "Juca Mula to”, um dos mais famosos e for mosos poemas já escritos
no
Brasil, tão famoso que acabou nome de praça.
O modernismo paulista foi
eclético. Teve pintores, escul tores, prosadores, poetas, mú
sicos e até mecenas. Dona Olí-
via Guedes Penteado, dama ri ca, flor do patriciado do pla nalto,
afrancesada nos costu
mes, nos ambientes em que vi veu
e
na
sólida
fl3) P.M. Bardi, op. cit.
franco-
15
DIGESTO ECONÔMICO
filia que nunca escondeu. A Se
va Paulicéia.
mana de Arte Moderna foi tra zida de fora. Appolinaire teve cópias, Marinetti, Papini e ou
quando este livro foi escrito,, o repertório das transformações por que passou e passa o Bra sil não se esgota no reduzido espaço de um capítulo. O de
tros futuristas da Itália e
da
França passaram pelo decal que, em São Paulo. Nem po dería ser diferente. Os paulis tas — e estrangeiros que parti ciparam da Semana — estavam impregnados de influência ita
De 1922 a
1982,
senvolvimento industrial mudou a fisionomia da cidade. Em 1922 eram 500 mil habitantes e uma
sociedade pequena, onde todos se
conheciam. Em 1982 são 12
liana e francesa. O modernis
milhões incluindo a Grande São
mo teve cultores fora de
São
Paulo, com todas as caracterís
boliço é mais intenso er as
ca¬
clatura
Paulo, mas foi aqui “onde o re-
ticas da megalópole da nomende Lewis Munford.
beças quentes não descansam”,
Resta da
polga 0 Brasil com "Juca Mu lato j título inovador e inusita do de uma rapsódia que revela e enuncia um sentido inédito de brasílidade, de permeio a uma mística até então não percebi da (13) . Como se ve„ a Sema na de Arte Moderna continua,
mória de Mário e_Oswald de
na Paulicéia que Menotti emc:_.’
60 anos depois, a suscitar con trovérsia. polêmicas, debates. Há posições radicalizadas que
nada consegue demover, importa recenceá-las. O importa é a ressonância
Não que seis
décadas depois, de uma alegre,
ruidosa, bulhenta promoção de
moços da que, então, se chama-
Semana a nostalgia
de alguns, a fidelidade à me
Andrade — que não eram pa
rentes; eram homônimos. — a
amizade a Menotti Del Picchia e Yan de Almeida Prado, com mais alguns, os derradeiros sobreviventes daquele espantosa mente longínquo ano do primei-
ro centenário da Independência.
_
.
fi
Não julgamos a Semana de Arte Moderna. Colocamo-la no
quadro da vasta, longa, ampla relação entre o modernismo ge rado pelo racionalismo filosófiCO e pelo individualismo r-eli-
gioso, e esgalhado
nos vários
da cultura, na arte, nas letras, na música, nos costu
ramos
mes, no agnosticismo, na rutudo real, na quebra dos câno
ra
nes morais, em suma, na gran
de crise do mundo moderno. É um episódio da repercussão
desse fenômeno, em São Paulo,
que nao se deu conta de ser a
caixa acústica onde vieram re
percutir essas ondas lançadas
velha Europa, em longínquo passado. Concluo, sem tomar
na
partido, lembrando que os pau listas desvendaram o roteiro do modernismo no Brasil, constituindo-se
na sua
vanguarda.
Não fazemos julgamentos ^ de valor. Somente a constatação.
U.S.P- pCSCJuiSâ llora IBCdlCinal
o estudo sistemático das
plantas medicinais, em
razSo de vigoroso ressurgimento da fitoterapia (tratamento de doenças tome-se a cada dia mais atual e importante. com substâncias vegetais), Os motivos dessa crescente utilização de vegetais encontram explicação no receio das pessoas quanto aos perigos dos excessos no no uso irracional de fármacos e na degradaçao geral do ambiente humano, Na opinião do
prof. Paulo Chanel Deodato de Preitas, do Departamento
de Farmácia, da
Faculdade de Ci^cias Farmacêuticas, da Universidade (Continua na página 32)
Método Paulo
Freire - apreciação e crítica Dom
SERVIÇO CENTRAL DE
f
educacional que afasta os alunos da visão
SCPC O SCPC protege o credito, financiamento e investimento ^0^0 atividade pioíeira da ACSP. Todas as atividades deste orgâo esfâo solidamente apoiadas
As publicações de Paulo Freire e as idéias nelas expres sas alcançaram vasta divulga
Isto possibilita responder, com precisSo e eficiência, todas
e influenciaram principalmente professores e educadores, tam bém de parcela, mais ou me
por modernos serviços de computador
as consultas dos associados Associe-se à ACSP e aproveite as vantagens dos serviços do SCPC,
ção, penetraram a mentalidade
nos reduzida, de religiosas de
cristã. acertadas
e
merecedoras de
apoio e louvor. Assim, uma acentuada e dominadora aspi ração por maior justiça social e por inovadoras medidas eco nômicas caracterizam sua opu
lenta produção. Acentua forte mente. e com razão, que a edu
nosso
cação não se limitará à monó
País como igualmente em ou;tros do continente latino-ame ricano. Há. sem dúvida, nas posições filosófico-doutrinárias desse autor pontos e colocações
tona e fria transmissão de co
dicadas
Rua Boa Visla, 51 — C. Postal 8082 - Cep 01014 — Telex (11) 23355 — SP - PABX 239-1333.
Scherer
O sistema
PROTEÇÃO AO CRÉDITO a ncssoa^
Vicente
ao
ensino
em
nhecimentos, mas exige a par ticipação do aluno e do edu cando no propósito e na tarefa
do mestre de, comunicando-lhe
Método Paulo
Freire - apreciação e crítica Dom
SERVIÇO CENTRAL DE
f
educacional que afasta os alunos da visão
SCPC O SCPC protege o credito, financiamento e investimento ^0^0 atividade pioíeira da ACSP. Todas as atividades deste orgâo esfâo solidamente apoiadas
As publicações de Paulo Freire e as idéias nelas expres sas alcançaram vasta divulga
Isto possibilita responder, com precisSo e eficiência, todas
e influenciaram principalmente professores e educadores, tam bém de parcela, mais ou me
por modernos serviços de computador
as consultas dos associados Associe-se à ACSP e aproveite as vantagens dos serviços do SCPC,
ção, penetraram a mentalidade
nos reduzida, de religiosas de
cristã. acertadas
e
merecedoras de
apoio e louvor. Assim, uma acentuada e dominadora aspi ração por maior justiça social e por inovadoras medidas eco nômicas caracterizam sua opu
lenta produção. Acentua forte mente. e com razão, que a edu
nosso
cação não se limitará à monó
País como igualmente em ou;tros do continente latino-ame ricano. Há. sem dúvida, nas posições filosófico-doutrinárias desse autor pontos e colocações
tona e fria transmissão de co
dicadas
Rua Boa Visla, 51 — C. Postal 8082 - Cep 01014 — Telex (11) 23355 — SP - PABX 239-1333.
Scherer
O sistema
PROTEÇÃO AO CRÉDITO a ncssoa^
Vicente
ao
ensino
em
nhecimentos, mas exige a par ticipação do aluno e do edu cando no propósito e na tarefa
do mestre de, comunicando-lhe
DIGESTO
18
os tesouros do saber, formar a sua personalidade e torná-lo capaz de interpretar a reali dade julgando-a por si mesmo correta e objetivamente. Neste
de educação
criticando o hábito
"Pedagogia do oprimido”, pas-
ra depreciativa, de
constante de uma sucessão re petida sem cessar de uma tese aceita, de sua imediata antíte
se contrária, resultando destaluta uma nova síntese. Repetese este processo sem interrup ção (Cf. "Conscientização” e
sentido fala Freire, de manei bancária,
ECONÔMICO
exclusivamente
transmitir
noções e doutrinas ao espírito receptivo de ouvintes passivos.
Exprime -esta palavra a noção
de que, por vezes, o ensino se identifica e assemelha a um depósito que se faz em estabe lecimento de crédito, com a
passividade
forçada
do
estu
dante.
Mas a filosofia educacional
subjacente ao pensamento de Paulo Freire não se concilia e não se harmoniza com os prin cípios da doutrina cristã e com eles está em
chocante e irre-
conciliável contradição. Aceita
sim).
A própria expressão de "opressores e oprimidos muito em voga em certa espécie de literatura eclesial, se origi Manifesto comunista de Marx de 1848: 'Livres e escravos, patrícios e plebeus, na do
barões e servos da gleba, mes tres e subordinados, em uma palavra, opressores e oprimi dos, estão frente a frente sempre empenhados em uma luta ininterrupta, velada umas ve
zes e outras franca e aberta. em uma luta que conduz em ca da etapa à transformação revo
formalmente a dialética hegeliana e a interpretação marxis ta da história, no sentido de
lucionária de todo 0 regime so cial ou ao extermínio de ambas
que o desenvolvimento e a evo
explicação e a justificação apresentada da inexorável e insuprimível "luta de classes”, base e quinta-essência da in terpretação .marxista da histó ria e do processo da produção,
lução não só no campo da pro dução mas da mesma maneirai nos setores da cultura, das
artes, da religião, etc. é efeito cego e fatal da oposição inafastável existente na realidade,
as classes beligerantes".
É a
Ê a filosofia substancial de to-
DIGESTO ECONÔMICO
19
do 0 sistema adotado nos regi
velam iniludivelmente agnósti
mes comunistas. Insistente mente fala Freire de transfor
cas e plenamente laicistas. Pro
mação ou “liberação revolu cionária” cujo sentido, rumo e objetivos se tornam claros
põe como objeto prioritário e exclusivo a formação do ho mem capaz e decidido de se en gajar na luta
transformadora
"Reconhecemos
e revolucionária no sentido in
que na supressão das contradi ções entre "opressores e opri midos”, que só pode ser pro gramada e realizada por estes (os oprimidos), está implícito o desaparecimento dos primeiros como classe que oprime” (Pe
dicado. A filosofia cristã, aos invés, e principalmente o Evan gelho, ou a educação cristã, na tradição e em todos os do cumentos da Igreja, colocam
e manifestos:
muito mais alto a finalidade do
dagogia do Oprimido, p. 56).
esforço educacional na família, na escola e na Igreja. Visa ela
Pensar em conciliação entre as classes conflitantes, em qual quer base e condição, torna-se
das as suas virtualidades e ta lentos naturais apontando-lhe
impossível, “dado o antagonis mo indisfarçável existente en
os ideais da justiça, da retidão, da solidariedade, da indepen
a desenvolver no educando to
tre uma e outra” (Pedagogia do
dência, da ternura, da colabo
Oprimido, p. 168). Era alguns
ração, do trabalho, enfim
setores da Igreja muito se em prega hoje a expressão "educa ção libertadora” que admite uma explicação ortodoxa e
e indispensáveis de uma per feita humanização.
aceitável, mas oertamente en cerra ambiguidade e polivalên-
cia„ pois, provém da termino logia marxista de
outro con
teúdo e sentido, oposto e con traditório com o primeiro. Antropologia Agnóstica
O conceito de educação e a antropologia de Freire
se re¬
todos os valores
de
permanentes
Estas disposições retas de ordem natural se elevam e transcendentalLzampelas luzes e influências do Evangelho que
propõe como modelo a pessoa divino-humana de Cristo para 0 inserimento no seu reino de
graça
e de esperanças imor
tais.
Tudo isto está completa
mente ausente na obra de Frei-
DIGESTO
18
os tesouros do saber, formar a sua personalidade e torná-lo capaz de interpretar a reali dade julgando-a por si mesmo correta e objetivamente. Neste
de educação
criticando o hábito
"Pedagogia do oprimido”, pas-
ra depreciativa, de
constante de uma sucessão re petida sem cessar de uma tese aceita, de sua imediata antíte
se contrária, resultando destaluta uma nova síntese. Repetese este processo sem interrup ção (Cf. "Conscientização” e
sentido fala Freire, de manei bancária,
ECONÔMICO
exclusivamente
transmitir
noções e doutrinas ao espírito receptivo de ouvintes passivos.
Exprime -esta palavra a noção
de que, por vezes, o ensino se identifica e assemelha a um depósito que se faz em estabe lecimento de crédito, com a
passividade
forçada
do
estu
dante.
Mas a filosofia educacional
subjacente ao pensamento de Paulo Freire não se concilia e não se harmoniza com os prin cípios da doutrina cristã e com eles está em
chocante e irre-
conciliável contradição. Aceita
sim).
A própria expressão de "opressores e oprimidos muito em voga em certa espécie de literatura eclesial, se origi Manifesto comunista de Marx de 1848: 'Livres e escravos, patrícios e plebeus, na do
barões e servos da gleba, mes tres e subordinados, em uma palavra, opressores e oprimi dos, estão frente a frente sempre empenhados em uma luta ininterrupta, velada umas ve
zes e outras franca e aberta. em uma luta que conduz em ca da etapa à transformação revo
formalmente a dialética hegeliana e a interpretação marxis ta da história, no sentido de
lucionária de todo 0 regime so cial ou ao extermínio de ambas
que o desenvolvimento e a evo
explicação e a justificação apresentada da inexorável e insuprimível "luta de classes”, base e quinta-essência da in terpretação .marxista da histó ria e do processo da produção,
lução não só no campo da pro dução mas da mesma maneirai nos setores da cultura, das
artes, da religião, etc. é efeito cego e fatal da oposição inafastável existente na realidade,
as classes beligerantes".
É a
Ê a filosofia substancial de to-
DIGESTO ECONÔMICO
19
do 0 sistema adotado nos regi
velam iniludivelmente agnósti
mes comunistas. Insistente mente fala Freire de transfor
cas e plenamente laicistas. Pro
mação ou “liberação revolu cionária” cujo sentido, rumo e objetivos se tornam claros
põe como objeto prioritário e exclusivo a formação do ho mem capaz e decidido de se en gajar na luta
transformadora
"Reconhecemos
e revolucionária no sentido in
que na supressão das contradi ções entre "opressores e opri midos”, que só pode ser pro gramada e realizada por estes (os oprimidos), está implícito o desaparecimento dos primeiros como classe que oprime” (Pe
dicado. A filosofia cristã, aos invés, e principalmente o Evan gelho, ou a educação cristã, na tradição e em todos os do cumentos da Igreja, colocam
e manifestos:
muito mais alto a finalidade do
dagogia do Oprimido, p. 56).
esforço educacional na família, na escola e na Igreja. Visa ela
Pensar em conciliação entre as classes conflitantes, em qual quer base e condição, torna-se
das as suas virtualidades e ta lentos naturais apontando-lhe
impossível, “dado o antagonis mo indisfarçável existente en
os ideais da justiça, da retidão, da solidariedade, da indepen
a desenvolver no educando to
tre uma e outra” (Pedagogia do
dência, da ternura, da colabo
Oprimido, p. 168). Era alguns
ração, do trabalho, enfim
setores da Igreja muito se em prega hoje a expressão "educa ção libertadora” que admite uma explicação ortodoxa e
e indispensáveis de uma per feita humanização.
aceitável, mas oertamente en cerra ambiguidade e polivalên-
cia„ pois, provém da termino logia marxista de
outro con
teúdo e sentido, oposto e con traditório com o primeiro. Antropologia Agnóstica
O conceito de educação e a antropologia de Freire
se re¬
todos os valores
de
permanentes
Estas disposições retas de ordem natural se elevam e transcendentalLzampelas luzes e influências do Evangelho que
propõe como modelo a pessoa divino-humana de Cristo para 0 inserimento no seu reino de
graça
e de esperanças imor
tais.
Tudo isto está completa
mente ausente na obra de Frei-
DIGESTO
20
re. A mudança e a modificação que propõe não é o homem que vive segundo o Evangelho nem a “nova criatura” das epístolas
paulistanas mas o cidadão que pela práxis ou, luta revolucio nária destrói as demais classes
que
todas
considera
opresso
ras, superando assim a contra dição hegeliana, presente na realidade, pela sobrevivência de uma só classe, a dos anti gos oprimidos que instaurarão o novo regime imaginado e so nhado.
Para Freire a educação tradicional é “doimesticadora,
paternalista, vertical, manipuladora, alienante”.
A pedago
gia deverá transformar a men
I
talidade dos alunos para a lu ta de classes e o processo de “libertação” como a entende. Pela conscientização interpre tada nesse sentido o oprimido se politizará e por meio dela os homens, através de uma práxis revolucionária, superam a situação de objetos e assu mem 0 papel de sujeitos da história. Entende a cultura co
mo “superestrutura capaz de manter na infra-estrutura, revolucionariamente transforman-
ECONÔMICO
do-se, supervivências do pas (Pedagogia do Oprimi do, p. 186). Julga os povos la sado
tino-americanos
sociedades fe
chadas e delas
apenas Cuba
de
faz
Fidel
Castro
honrosa
exceção (Conscientização, p. 66). Uma igreja que não “de
nuncia” e não assume a práxis revolucionária
é
uma
igreja
estacionária e "castra a dimen
são profética” (As Igrejas ed.
DIGESTO ECONÔMICO
tação da sociedade sem
21
clas
ses. “As Igrejas em geral es tão
aliadas
às
classes
domi
nantes numa ação verdadeira mente anestesiadora que serve à superestrutura ideológica burguesa. Por isso se querem ser verdadeiramenteproféticas devem sacudir a concepção “elitista” para renascer com os oprimidos. Para isto deveríam renunciar a seus mitos (!) que
hesp., p. 17).
lhes são tão caros, o mito de
As citações nas obras de Freire, como fonte inspiradora e confirmação de suas propo sições, são quase todas de corifeus do marxismo teórico in
saber^ o mito de que sua tare
ternacional: Marx, Fromm, Althusser, Che Guevara, Hegel, Goldmann, Sartre, Mao-TseTung e até Hugo Assmann. Fi del Castro e Che Guevara servem de modelo para a eman cipação das massas latino-ame ricanas oprimidas.
Segundo Freire as Igrejas, que ele equipara todas na mes ma valia ou desvalia e indiferentismo, só se tornam aceitá veis enquanto adotam ou não a práxis revolucionária de transformação para a implan-
sua superioridade, o mito de sua pureza de alma, o mito de suas virtudes, o mito do seu
lo Freire de propor e divulgar o modo como imagina e inter preta
a realidade
recomendar
um
social método
e de de
transformação das estruturas existentes para outras mais justas e fraternas. Minha in tenção se restringe a mostrar que sua concepção e suas teo rias
conflitam
frontalmente
com 0 pensamento e a doutri na do Evangelho e da Igreja e não correspondem às exigên cias de uma ordem pública que respeite sequer os postulados de uma sociologia fundamenta da e inspirada nos direitos es
fa é salvar as almas" (As Igre
senciais e intocáveis da pessoa
jas ed. hesp., p. 8).
humana.
Tudo isto nada
tem
a ver
com 0 aprofundamento e o co nhecimento das verdades fun
damentais da mensagem de Cristo, nem com a vida espiri tual, nem com uma busca in cessante do “reino de Deus e
de sua justiça”, mas serve a uma teologia política de liber
tação no sentido marxista que consiste na escravidão imperante nos países de dominação
Penso que
o suposto pro-
gressismo de numerosos edu cadores, inclusive religiosos ou religiosas, e não poucas mani festações de setores da Igreja, obedecem, com certeza incons cientemente, à linha de pensa mento que se encontra nos li vros de Paulo Freire. Este sis tema insensivelmente afasta
leitores,
mestres e alunos da
visão cristã do homem, da so
comunista.
ciedade e do mundo.
Evidentemente nao se nega ou discute o direito de Pau¬
Quanto tudo isto contraria os postulados de uma autênti-
DIGESTO
20
re. A mudança e a modificação que propõe não é o homem que vive segundo o Evangelho nem a “nova criatura” das epístolas
paulistanas mas o cidadão que pela práxis ou, luta revolucio nária destrói as demais classes
que
todas
considera
opresso
ras, superando assim a contra dição hegeliana, presente na realidade, pela sobrevivência de uma só classe, a dos anti gos oprimidos que instaurarão o novo regime imaginado e so nhado.
Para Freire a educação tradicional é “doimesticadora,
paternalista, vertical, manipuladora, alienante”.
A pedago
gia deverá transformar a men
I
talidade dos alunos para a lu ta de classes e o processo de “libertação” como a entende. Pela conscientização interpre tada nesse sentido o oprimido se politizará e por meio dela os homens, através de uma práxis revolucionária, superam a situação de objetos e assu mem 0 papel de sujeitos da história. Entende a cultura co
mo “superestrutura capaz de manter na infra-estrutura, revolucionariamente transforman-
ECONÔMICO
do-se, supervivências do pas (Pedagogia do Oprimi do, p. 186). Julga os povos la sado
tino-americanos
sociedades fe
chadas e delas
apenas Cuba
de
faz
Fidel
Castro
honrosa
exceção (Conscientização, p. 66). Uma igreja que não “de
nuncia” e não assume a práxis revolucionária
é
uma
igreja
estacionária e "castra a dimen
são profética” (As Igrejas ed.
DIGESTO ECONÔMICO
tação da sociedade sem
21
clas
ses. “As Igrejas em geral es tão
aliadas
às
classes
domi
nantes numa ação verdadeira mente anestesiadora que serve à superestrutura ideológica burguesa. Por isso se querem ser verdadeiramenteproféticas devem sacudir a concepção “elitista” para renascer com os oprimidos. Para isto deveríam renunciar a seus mitos (!) que
hesp., p. 17).
lhes são tão caros, o mito de
As citações nas obras de Freire, como fonte inspiradora e confirmação de suas propo sições, são quase todas de corifeus do marxismo teórico in
saber^ o mito de que sua tare
ternacional: Marx, Fromm, Althusser, Che Guevara, Hegel, Goldmann, Sartre, Mao-TseTung e até Hugo Assmann. Fi del Castro e Che Guevara servem de modelo para a eman cipação das massas latino-ame ricanas oprimidas.
Segundo Freire as Igrejas, que ele equipara todas na mes ma valia ou desvalia e indiferentismo, só se tornam aceitá veis enquanto adotam ou não a práxis revolucionária de transformação para a implan-
sua superioridade, o mito de sua pureza de alma, o mito de suas virtudes, o mito do seu
lo Freire de propor e divulgar o modo como imagina e inter preta
a realidade
recomendar
um
social método
e de de
transformação das estruturas existentes para outras mais justas e fraternas. Minha in tenção se restringe a mostrar que sua concepção e suas teo rias
conflitam
frontalmente
com 0 pensamento e a doutri na do Evangelho e da Igreja e não correspondem às exigên cias de uma ordem pública que respeite sequer os postulados de uma sociologia fundamenta da e inspirada nos direitos es
fa é salvar as almas" (As Igre
senciais e intocáveis da pessoa
jas ed. hesp., p. 8).
humana.
Tudo isto nada
tem
a ver
com 0 aprofundamento e o co nhecimento das verdades fun
damentais da mensagem de Cristo, nem com a vida espiri tual, nem com uma busca in cessante do “reino de Deus e
de sua justiça”, mas serve a uma teologia política de liber
tação no sentido marxista que consiste na escravidão imperante nos países de dominação
Penso que
o suposto pro-
gressismo de numerosos edu cadores, inclusive religiosos ou religiosas, e não poucas mani festações de setores da Igreja, obedecem, com certeza incons cientemente, à linha de pensa mento que se encontra nos li vros de Paulo Freire. Este sis tema insensivelmente afasta
leitores,
mestres e alunos da
visão cristã do homem, da so
comunista.
ciedade e do mundo.
Evidentemente nao se nega ou discute o direito de Pau¬
Quanto tudo isto contraria os postulados de uma autênti-
DIGESTO
22
ECONÔMICO
valores fundamentais do homem
gica quando se realiza partin do da práxis que recorre à aná
ficou
lise
ca ordem cristã promotora dos expresso
em
numerosas
passagens dos discursos do pa pa em nosso país. ‘‘A libertação cristã, diz o papa, não recorre a nenhuma
marxista.
As
suas
quências são a total politização
da existência cristã, a dissolu ção da linguagem da fé na das ciências
do
sociais e o esvazia da dimensão transcen
ciasse de violência, nem à dia
mento
lética da luta de classes nem à
dental da salvação cristã” (João Paulo II, Discurso na
práxis ou análise marxista pe los riscos de ideologização a que se expõe a reflexão teoló-
O Brasil
conse
catedral do Rio de Janeiro
Terceiro Mundo
di
rigido ao CELAM).
(Continuação da página 15) de São Paulo, a substituição parcial dos medicamentos industrializados por plantas medicinais tem sido muitas vezes preconizada como forma de evitar-se o consumo abusivo de agentes terapêuticos, atualmente em nível inquletador. Outro aspecto, importante, segundo o professor, é o fato de tecnicamente, podermos obter diversos produtos terapêuticos químicamente puros, a partir de vegetais, sob custos menores do que similares processados por sínteses. Ressalta-se que novas substâncias, com ação mais eficaz, são isoladas periodicamente de diferentes espécies vegetais. Flora medicinal — A Organização Mxmdial de Saúde (OMS) tem, a partir de sua 31.“ Assem bléia em maio de 1978, estimulado pesquisas que, paulatinamente, incen tivam os países a retomar o inventário de seus recursos terapêuticos pró prios, entre os quais os produtos vegetais ocupam lugar de destaque. “Entre tanto” — pondera o prof. Chanel — “este renascer do interesse por tais propriedades curativas das plantas está suscitando a questão de saber-se
que direção seguir para obtenção de maior sucesso no trabalho experimen tal. Com certeza, é impossível considerar o estudo minucioso de cada \una das mais de 150.000 espécies de vegetais existentes no Brasil, mesmo que todos os ncesos cientistas participassem do projeto. Ao mesmo tempo, con vém lembrar que o mínimo de estudo e pesquisa concretizados, em relação
à composição química e ação terapêutica das plantas medicinais, nos leva à concentração de trabalho científico sobre aquelas variedades tradicional mente usadas na medicina popular, portanto já testadas em muitos séculos de experiência caseira acumulada e transmitida de geração a geração.
Assim, muitas plantas de nossa flora, usadas popularmente há muito tempo, estão a exigir estudos profundos dos cientistas brasileiros. Pouco se sabe (Continua na página 26)
Eugênio Gudin
Não devemos bancar Pangloss, mas agir e progredir. O autor é "maitre
à penser" de gerações. Sempre usei da crítica pa ra construir. Nunca pãra des
truir. Jamais recorrí à demago
gia. Nunca elogiei ninguém pa ra
bajular,
nem
mesmo
por
amizade. Fiz e faço o que pos so para tentar ajudar o Brasil a desatolar-se de seus imensos problemas de País do Terceiro
Mundo. E faço-o sem qualquer interesse, antes com sacrifício. Por isso mesmo não me conformo em ver-nos chegar
ao fim do Século XX economi
camente pobres, carentes de educação política, falhos de cultura. E os protestos ou cla mores que brotam de meus ar
tigos só visam a desídia, a in capacidade, quando não o des caso dos governantes e dos po líticos responsáveis .pelo bem público. Inclusive os coloniza dores, cuja marca até hoje per dura sobre nossa gente, sua cultura e seu povo.
DIGESTO
22
ECONÔMICO
valores fundamentais do homem
gica quando se realiza partin do da práxis que recorre à aná
ficou
lise
ca ordem cristã promotora dos expresso
em
numerosas
passagens dos discursos do pa pa em nosso país. ‘‘A libertação cristã, diz o papa, não recorre a nenhuma
marxista.
As
suas
quências são a total politização
da existência cristã, a dissolu ção da linguagem da fé na das ciências
do
sociais e o esvazia da dimensão transcen
ciasse de violência, nem à dia
mento
lética da luta de classes nem à
dental da salvação cristã” (João Paulo II, Discurso na
práxis ou análise marxista pe los riscos de ideologização a que se expõe a reflexão teoló-
O Brasil
conse
catedral do Rio de Janeiro
Terceiro Mundo
di
rigido ao CELAM).
(Continuação da página 15) de São Paulo, a substituição parcial dos medicamentos industrializados por plantas medicinais tem sido muitas vezes preconizada como forma de evitar-se o consumo abusivo de agentes terapêuticos, atualmente em nível inquletador. Outro aspecto, importante, segundo o professor, é o fato de tecnicamente, podermos obter diversos produtos terapêuticos químicamente puros, a partir de vegetais, sob custos menores do que similares processados por sínteses. Ressalta-se que novas substâncias, com ação mais eficaz, são isoladas periodicamente de diferentes espécies vegetais. Flora medicinal — A Organização Mxmdial de Saúde (OMS) tem, a partir de sua 31.“ Assem bléia em maio de 1978, estimulado pesquisas que, paulatinamente, incen tivam os países a retomar o inventário de seus recursos terapêuticos pró prios, entre os quais os produtos vegetais ocupam lugar de destaque. “Entre tanto” — pondera o prof. Chanel — “este renascer do interesse por tais propriedades curativas das plantas está suscitando a questão de saber-se
que direção seguir para obtenção de maior sucesso no trabalho experimen tal. Com certeza, é impossível considerar o estudo minucioso de cada \una das mais de 150.000 espécies de vegetais existentes no Brasil, mesmo que todos os ncesos cientistas participassem do projeto. Ao mesmo tempo, con vém lembrar que o mínimo de estudo e pesquisa concretizados, em relação
à composição química e ação terapêutica das plantas medicinais, nos leva à concentração de trabalho científico sobre aquelas variedades tradicional mente usadas na medicina popular, portanto já testadas em muitos séculos de experiência caseira acumulada e transmitida de geração a geração.
Assim, muitas plantas de nossa flora, usadas popularmente há muito tempo, estão a exigir estudos profundos dos cientistas brasileiros. Pouco se sabe (Continua na página 26)
Eugênio Gudin
Não devemos bancar Pangloss, mas agir e progredir. O autor é "maitre
à penser" de gerações. Sempre usei da crítica pa ra construir. Nunca pãra des
truir. Jamais recorrí à demago
gia. Nunca elogiei ninguém pa ra
bajular,
nem
mesmo
por
amizade. Fiz e faço o que pos so para tentar ajudar o Brasil a desatolar-se de seus imensos problemas de País do Terceiro
Mundo. E faço-o sem qualquer interesse, antes com sacrifício. Por isso mesmo não me conformo em ver-nos chegar
ao fim do Século XX economi
camente pobres, carentes de educação política, falhos de cultura. E os protestos ou cla mores que brotam de meus ar
tigos só visam a desídia, a in capacidade, quando não o des caso dos governantes e dos po líticos responsáveis .pelo bem público. Inclusive os coloniza dores, cuja marca até hoje per dura sobre nossa gente, sua cultura e seu povo.
DIGESTO
24
O fato primordial é que a
destrói
são
os
ECONÔMICO
homens,
Mais
25
DIGESTO ECONÔMICO
mais recente:
a Alemanha e o
colonização espanhola (Portu gal veio depois), ao contrário
precisamente para usar as pa lavras do eminente professor
Japão foram, na última guer ra, arrasados ao nível do chão;
da colonização inglesa da Amé rica do Norte, se caracteriza va pelo espirito de integral lealdade à Coroa, a qual visa
Roy Harrod, de Oxford: “Nos países em desenvolvimento, es te depende principalmente da
nada sobrou a não ser o ale mão e 0 japonês. Hoje, trinta
nos das colônias ibéricas eram
taxa a que os quadros humanos de empreendedores, de enge nheiros de produção, de geren tes, de inspetores, de projetadores, de desenhistas, de con
simples submissos prepostos da
tadores, “et hoc genus omne”,
va
sobretudo
a descoberta de
metais preciosos e outras ri quezas (pau-brasil). Os gover
Coroa, sem terero jamais cogi tado de qualquer governo
au
tônomo, por limitado que fos se. A Igreja era o outro único ingrediente dessa formação e uma suspeita de heterodoxia era pior do que de deslealdade à pátria-mãe.
E quando no Século XIX as colônias ibéricas se declararam
independentes da Espanha e Portugal, a Coroa espanhola e a Igreja estavam dois séculos atrasados na marcha da civi lização. Quando elas se libera ram em 1825, éncontravam-se
praticamente no Século XVI, quando a Europa já estava no Século
XIX.
Não se constrói um país ou uma civilização com riquezas materiais. Quem constrói, quem
se desenvolvem. As taxas de crescimento e expansão desses quadros humanos impõem uma limitação muito mais importan te ao desenvolvimento do país
do que a escassez de capital,
conquanto este também tenha seu lugar”.
Outro não é o pensamento
de
Eça
de
Queiróz
(“Os
Maias”): “A desgraça de Por tugal é a falta de gente. Este é um país sem pessoal. Querse um bispo? Não há bispo. Quer-se um economista? Não
anos passados, são os dois po vos de maior potencial e maior
prosperidade
econômica
do
mundo.
como
de Portugal, a falta de gente capaz de levar o país à frente. O que eu fustigo são os inca
do Produto Nacional Bruto per
pazes
ou
Brasil,
os desleixados
que
praticaram e praticam erros graves, quando não, crimes contra o Brasil.
Eça, cuja linguagem foi dez
Aqui reproduzo os algarismos capita de vários países: US$ DÓLAR 1979
Brasil
..
tugueses do que a minha com a Ibéria, conta a história de um deputado português que de vol
USA
..
à pergunta de um seu colega sobre o valor dos deputados in
gleses, respondeu: São homens idéias
e
fatos.
Oradores;
ora
e
Mesmo antes de passar 13
o
anos no Nordeste, sempre sen-
1.800
..
Argentina Espanha . Itália
ta de uma viagem a Londres,
opiniões em Querem, por demonstração
numérica dessa triste imagem?
vezes mais severa com os por
dores como nós, não os há. citar
sei
que 0 conserva atolado no Ter ceiro Mundo, é, como diz Eça
do
estofador”.
Mas basta
só
aquele deputado português foi infelicidade
preparados. Mas como orado res? — interpelou o outro. Só
as provas.
Também eu
buscar minhas idéias e fatos. exemplo, uma
A
há um economista. Tudo assim! Veja V. Exa. mesmo nas pro fissões subalternas. Quer-se um bom estofador? Não há um bom
Abundam os exemplares
ti como um golpe de punhal o quadro de pobreza e de misé ria de uma pobre mulher es quálida, com uma lata d’água na cabeça e três filhos subnu tridos atrelados à sua saia; um quadro pungente e doloroso.
Os
.
.
algarismos
2.200 4.380
5.250 10.600
retratam
nossa pobreza e nossa miséna.
Economicamente
regula-
vários países asiátiafricanos. E eu não sei cos e olhar para baixo quando se tra mos
com
ta de meu país.
Felizmente, a partir de 1822, temos melhorado o teor médio de nossa população com a
imigração européia. Foi com
DIGESTO
24
O fato primordial é que a
destrói
são
os
ECONÔMICO
homens,
Mais
25
DIGESTO ECONÔMICO
mais recente:
a Alemanha e o
colonização espanhola (Portu gal veio depois), ao contrário
precisamente para usar as pa lavras do eminente professor
Japão foram, na última guer ra, arrasados ao nível do chão;
da colonização inglesa da Amé rica do Norte, se caracteriza va pelo espirito de integral lealdade à Coroa, a qual visa
Roy Harrod, de Oxford: “Nos países em desenvolvimento, es te depende principalmente da
nada sobrou a não ser o ale mão e 0 japonês. Hoje, trinta
nos das colônias ibéricas eram
taxa a que os quadros humanos de empreendedores, de enge nheiros de produção, de geren tes, de inspetores, de projetadores, de desenhistas, de con
simples submissos prepostos da
tadores, “et hoc genus omne”,
va
sobretudo
a descoberta de
metais preciosos e outras ri quezas (pau-brasil). Os gover
Coroa, sem terero jamais cogi tado de qualquer governo
au
tônomo, por limitado que fos se. A Igreja era o outro único ingrediente dessa formação e uma suspeita de heterodoxia era pior do que de deslealdade à pátria-mãe.
E quando no Século XIX as colônias ibéricas se declararam
independentes da Espanha e Portugal, a Coroa espanhola e a Igreja estavam dois séculos atrasados na marcha da civi lização. Quando elas se libera ram em 1825, éncontravam-se
praticamente no Século XVI, quando a Europa já estava no Século
XIX.
Não se constrói um país ou uma civilização com riquezas materiais. Quem constrói, quem
se desenvolvem. As taxas de crescimento e expansão desses quadros humanos impõem uma limitação muito mais importan te ao desenvolvimento do país
do que a escassez de capital,
conquanto este também tenha seu lugar”.
Outro não é o pensamento
de
Eça
de
Queiróz
(“Os
Maias”): “A desgraça de Por tugal é a falta de gente. Este é um país sem pessoal. Querse um bispo? Não há bispo. Quer-se um economista? Não
anos passados, são os dois po vos de maior potencial e maior
prosperidade
econômica
do
mundo.
como
de Portugal, a falta de gente capaz de levar o país à frente. O que eu fustigo são os inca
do Produto Nacional Bruto per
pazes
ou
Brasil,
os desleixados
que
praticaram e praticam erros graves, quando não, crimes contra o Brasil.
Eça, cuja linguagem foi dez
Aqui reproduzo os algarismos capita de vários países: US$ DÓLAR 1979
Brasil
..
tugueses do que a minha com a Ibéria, conta a história de um deputado português que de vol
USA
..
à pergunta de um seu colega sobre o valor dos deputados in
gleses, respondeu: São homens idéias
e
fatos.
Oradores;
ora
e
Mesmo antes de passar 13
o
anos no Nordeste, sempre sen-
1.800
..
Argentina Espanha . Itália
ta de uma viagem a Londres,
opiniões em Querem, por demonstração
numérica dessa triste imagem?
vezes mais severa com os por
dores como nós, não os há. citar
sei
que 0 conserva atolado no Ter ceiro Mundo, é, como diz Eça
do
estofador”.
Mas basta
só
aquele deputado português foi infelicidade
preparados. Mas como orado res? — interpelou o outro. Só
as provas.
Também eu
buscar minhas idéias e fatos. exemplo, uma
A
há um economista. Tudo assim! Veja V. Exa. mesmo nas pro fissões subalternas. Quer-se um bom estofador? Não há um bom
Abundam os exemplares
ti como um golpe de punhal o quadro de pobreza e de misé ria de uma pobre mulher es quálida, com uma lata d’água na cabeça e três filhos subnu tridos atrelados à sua saia; um quadro pungente e doloroso.
Os
.
.
algarismos
2.200 4.380
5.250 10.600
retratam
nossa pobreza e nossa miséna.
Economicamente
regula-
vários países asiátiafricanos. E eu não sei cos e olhar para baixo quando se tra mos
com
ta de meu país.
Felizmente, a partir de 1822, temos melhorado o teor médio de nossa população com a
imigração européia. Foi com
26
OS ingleses que aprendemos a trabalhar em bancos e em es tradas de ferro, com os ita
lianos Matarazzo, Crespi, etc. aprendemos indústrias. A voca ção dominante do português é 0 comércio (que lhes vem em
parte das índias). O português quer é comprar e vender. Inú meros são no Brasil os comer
ciantes portugueses desde o atacado, dos tecidos até os se cos e molhados. Um português meu amigo a quem eu me quei xava, durante a guerra passa
da, do preço tão elevado que aqui me pediam para chapas de aço (que eu precisava para caldeiras no Nordeste), deu-me a seguinte resposta que bem traduz a alma do comerciante
f
português: "Estás enganado. É 0 importador, que importa a a mermercadoria e reputa cadoria, pela qual te cobra
agora este preço”. (Este con ceito de reputar a mercadoria quer dizer simplesmente criar a escassez para reduzir a ofer ta e levantar o preço. Não é
DIGESTO
ECONÔMICO
essa a gente de que precisa mos para levantar este país).
Nem podemos esquecer que fazemos parte da América La tina, originária da Ibéria. A Argentina teve um Perón e ain da está na balbúrdia política; nós do Brasil tivemos uma di tadura de 15 anos como desfe
cho de uma campanha para restaurar a democracia; a Ve nezuela teve mais presidentes, do que anos de independência; no Peru é constante a agitação; no Paraguai é eterna a ditadu ra
a Bolívia...
Nem
falemos.
Pertencemos por fatalidade histórica e geográfica a essa mesma América Latina. E é muito melhor analisar-se e co
nhecer a si próprio (saber pa ra prover) a fim de agir para progredir, do que bancar os Pangloss, que se ufanam de seu país e por isso deixam-se ficar no Terceiro Mundo. Tal vez 0 Reino dos Céus virá com pensá-los.
(Continuado da página ZZ) a respeito, por exemplo, da jurubeba (solanum paniculatum) tanto usada para os males do fígado, como também a capova ou pariparoba (potomorphc umbellata); da catuaba (anemopaegma mirandum) tida por alguns como afrodisíaca; da planta conhecida vulgaxmente como pata-de-vaca (bauhinia Continua na página 36)
J. O. de Meira
Penna
Conceitos ambíguos, são
bem colocados pelo autor, embaixador aposentado e autor de vários livros.
Durante a blitz em Londres, uma das bombas nazistas caiu sobre o edifício do Parlamen
to, às margens do Tâmisa, des
truindo a Câmara dos Comuns.
Depois da guerra, tratou-se de reconstruí-la.
Pensou-se
em
modificar seu arranjo, de acor do com 0 modelo dos Parla mentos continentais, em forma de semicírculo. Churchill, po rém, em sua imensa sabedoria,
se senta de um lado da sala, enfrentando paralelamente a bancada da "leal oposição de Sua Majestade”. Quando mu dam os partidos no poder, mu
dam as respectivas posições. O arranjo mantido por Churchill possui um profundo sentido simbólico do pragmatismo e do bom senso britânicos.
Foi na Revolução Francesa
exigiu a reconstrução em obe
que os conceitos modernos de “esquerda” e “direita" se cria
diência ao modelo tradicional em que a bancada do governo
tiva dos deputados mais radi-
ram na base da posição respec
26
OS ingleses que aprendemos a trabalhar em bancos e em es tradas de ferro, com os ita
lianos Matarazzo, Crespi, etc. aprendemos indústrias. A voca ção dominante do português é 0 comércio (que lhes vem em
parte das índias). O português quer é comprar e vender. Inú meros são no Brasil os comer
ciantes portugueses desde o atacado, dos tecidos até os se cos e molhados. Um português meu amigo a quem eu me quei xava, durante a guerra passa
da, do preço tão elevado que aqui me pediam para chapas de aço (que eu precisava para caldeiras no Nordeste), deu-me a seguinte resposta que bem traduz a alma do comerciante
f
português: "Estás enganado. É 0 importador, que importa a a mermercadoria e reputa cadoria, pela qual te cobra
agora este preço”. (Este con ceito de reputar a mercadoria quer dizer simplesmente criar a escassez para reduzir a ofer ta e levantar o preço. Não é
DIGESTO
ECONÔMICO
essa a gente de que precisa mos para levantar este país).
Nem podemos esquecer que fazemos parte da América La tina, originária da Ibéria. A Argentina teve um Perón e ain da está na balbúrdia política; nós do Brasil tivemos uma di tadura de 15 anos como desfe
cho de uma campanha para restaurar a democracia; a Ve nezuela teve mais presidentes, do que anos de independência; no Peru é constante a agitação; no Paraguai é eterna a ditadu ra
a Bolívia...
Nem
falemos.
Pertencemos por fatalidade histórica e geográfica a essa mesma América Latina. E é muito melhor analisar-se e co
nhecer a si próprio (saber pa ra prover) a fim de agir para progredir, do que bancar os Pangloss, que se ufanam de seu país e por isso deixam-se ficar no Terceiro Mundo. Tal vez 0 Reino dos Céus virá com pensá-los.
(Continuado da página ZZ) a respeito, por exemplo, da jurubeba (solanum paniculatum) tanto usada para os males do fígado, como também a capova ou pariparoba (potomorphc umbellata); da catuaba (anemopaegma mirandum) tida por alguns como afrodisíaca; da planta conhecida vulgaxmente como pata-de-vaca (bauhinia Continua na página 36)
J. O. de Meira
Penna
Conceitos ambíguos, são
bem colocados pelo autor, embaixador aposentado e autor de vários livros.
Durante a blitz em Londres, uma das bombas nazistas caiu sobre o edifício do Parlamen
to, às margens do Tâmisa, des
truindo a Câmara dos Comuns.
Depois da guerra, tratou-se de reconstruí-la.
Pensou-se
em
modificar seu arranjo, de acor do com 0 modelo dos Parla mentos continentais, em forma de semicírculo. Churchill, po rém, em sua imensa sabedoria,
se senta de um lado da sala, enfrentando paralelamente a bancada da "leal oposição de Sua Majestade”. Quando mu dam os partidos no poder, mu
dam as respectivas posições. O arranjo mantido por Churchill possui um profundo sentido simbólico do pragmatismo e do bom senso britânicos.
Foi na Revolução Francesa
exigiu a reconstrução em obe
que os conceitos modernos de “esquerda” e “direita" se cria
diência ao modelo tradicional em que a bancada do governo
tiva dos deputados mais radi-
ram na base da posição respec
28
DIGESTO
cais e dos moderados vis-à-vis
a colocação centrista
da Pre
sidência da Assembléia. Poste
ECONÔMICO
do mal e da mentira, o partido do diabo Ahriman. Quem não partilha da ideologia da moda
riormente, os termos “esquer da” e “direita” adquiriram co
é um conservador e reacioná
notações ideológicas, reservan
Mal absoluto.
do-se 0 primeiro para aqueles que se consideram progressis tas, liberais ou revolucionários
rio detestável, representante do Vale lembrar que os pos tulados nacional-socialistas, vi
derados. Na prática, contudo,
gentes entre a Intelilgentsla, correspondem aos que, antes da II Guerra Mundial (sou,
o esquema ideológico francês perdeu todo sentido no desen
graças a Deus, suficientemente velho para me lembrar), ser
volvimento
viam
e o segundo para os que se pro clamam conservadores ou mo
histórico,
embora
continue em sua brilhante
car
reira, corrompendo todo pen samento político.
Em nosso país, estimulada talvez pela atmosfera de aber tura que provocou certo desarvoramento
mental
coletivo
a
Ideocracia parece querer arrimar-se
nos
preconceitos
lógicos como numa
ideo
tábua de
salvação, especialmente nessa que divide maniqueisticamente
a vida politica entre “esquer da” e “direita”,
Como é sim-
pies, fácil, elementar! Como para os antigos persas, a divi são adquire conteúdos éticos:
a “esquerda" representa o par tido da luz, da justiça e da ver dade; e a “direita” o partido
de
roteiro
à
dii-eita de
então. Raymond Aron observa,
com ironia, que, naquela época em que dominava o que Bernard-Henri Levy chamou a “Ideologia Francesa”, ele era acusado de judeu comunista e
esquerdista — tal qual é tido hoje como “direitista” e “rea cionário”, muito embora mante nha exatamente as mesmas opi niões sobre a problemática po lítica e social da França.
Em recente artigo numa de nossas grandes revistas sema
nais, li a tese extravagante que “só a esquerda é democrática”.
A direita com
seria
“incompatível
a democracia”...
O arti
culista não se dá ao
trabalho
de definir o que entende pela
DIGESTO ECONÔMICO
29
“peçonha conservadora” de di reita. Mas implícita no quali ficativo está a idéia de que quem não partilha das posições vagamente socializantes-libera-
democracias? Quem seria en tão democrático, a Líbia do co
ronel Khadafi, ou a Cuba do Napoleão do Caribe, ou o Maputo
de Zamora Machel?
A san
lóides-nacionalistas da folha é,
dice é flagrante.
ípso facto, um execrável rea cionário, um partidário da Men tira absoluta' e lacaio do que o
Dizia-se que quem não é revolucionáriona juventude não tem coração, e quem não é con
aiatolá
Khomeini
chama
de
“Grande Satã”. Ora, sem que se possa definir exatamente o que seja “conservador” e “di reitista”, verifico que os regi mes dominantes hoje na Itália, Portugal, Espanha, Inglaterra,
Suíça, Países Baixos e Estados Unidos (para só citar alguns que são exemplares) melhor
correspondem ao que se cha-. ma um governo “conservador” do que a um governo “esquer dista”. Então 0 país da senhora Thatcher, a “dama de ferro”, ou o do presidente Reagan não são democracias? E a Itália, a
Espanha e Portugal não são democracias porque não entre garam
seus
governos
nhores Berlinger,
aos
se
Gonzales e
Cunhai? A própria França dita “socialista” de Mitterrand, por
que 0 não entregou a Marchais?
A Suíça, a Holanda, a Bélgica,
a Suécia, o Japão não serão
servador na idade madura não
tem cabeça. O ditado é peri goso. Será que o reverendíssimo arcebispo Dom Hélder Câ mara
não
tinha
sentimentos,
quando seminarista, e perdeu hoje a cuca? Que eu saiba, ele foi fascista na mocidade...
um
O ideal de esquerda sugere indivíduo preocupado com
a liberdade, atento aos direitos humanos, forte em sua solici tude com os pobres e oprimi
dos, marcado por suas tendên cias antimilitaristas ou paci fistas. Não vejo que qualquer um desses soberbos princípios se aplique, por exemplo, à União Soviética, a qual recebe
grande simpatia da “esquerda” vulgar. A URSS é de fato um regime radicalmente conserva dor. Sua ideologia sustenta-se nas idéias obsoletas de um eco nomista alemão do século pas-
28
DIGESTO
cais e dos moderados vis-à-vis
a colocação centrista
da Pre
sidência da Assembléia. Poste
ECONÔMICO
do mal e da mentira, o partido do diabo Ahriman. Quem não partilha da ideologia da moda
riormente, os termos “esquer da” e “direita” adquiriram co
é um conservador e reacioná
notações ideológicas, reservan
Mal absoluto.
do-se 0 primeiro para aqueles que se consideram progressis tas, liberais ou revolucionários
rio detestável, representante do Vale lembrar que os pos tulados nacional-socialistas, vi
derados. Na prática, contudo,
gentes entre a Intelilgentsla, correspondem aos que, antes da II Guerra Mundial (sou,
o esquema ideológico francês perdeu todo sentido no desen
graças a Deus, suficientemente velho para me lembrar), ser
volvimento
viam
e o segundo para os que se pro clamam conservadores ou mo
histórico,
embora
continue em sua brilhante
car
reira, corrompendo todo pen samento político.
Em nosso país, estimulada talvez pela atmosfera de aber tura que provocou certo desarvoramento
mental
coletivo
a
Ideocracia parece querer arrimar-se
nos
preconceitos
lógicos como numa
ideo
tábua de
salvação, especialmente nessa que divide maniqueisticamente
a vida politica entre “esquer da” e “direita”,
Como é sim-
pies, fácil, elementar! Como para os antigos persas, a divi são adquire conteúdos éticos:
a “esquerda" representa o par tido da luz, da justiça e da ver dade; e a “direita” o partido
de
roteiro
à
dii-eita de
então. Raymond Aron observa,
com ironia, que, naquela época em que dominava o que Bernard-Henri Levy chamou a “Ideologia Francesa”, ele era acusado de judeu comunista e
esquerdista — tal qual é tido hoje como “direitista” e “rea cionário”, muito embora mante nha exatamente as mesmas opi niões sobre a problemática po lítica e social da França.
Em recente artigo numa de nossas grandes revistas sema
nais, li a tese extravagante que “só a esquerda é democrática”.
A direita com
seria
“incompatível
a democracia”...
O arti
culista não se dá ao
trabalho
de definir o que entende pela
DIGESTO ECONÔMICO
29
“peçonha conservadora” de di reita. Mas implícita no quali ficativo está a idéia de que quem não partilha das posições vagamente socializantes-libera-
democracias? Quem seria en tão democrático, a Líbia do co
ronel Khadafi, ou a Cuba do Napoleão do Caribe, ou o Maputo
de Zamora Machel?
A san
lóides-nacionalistas da folha é,
dice é flagrante.
ípso facto, um execrável rea cionário, um partidário da Men tira absoluta' e lacaio do que o
Dizia-se que quem não é revolucionáriona juventude não tem coração, e quem não é con
aiatolá
Khomeini
chama
de
“Grande Satã”. Ora, sem que se possa definir exatamente o que seja “conservador” e “di reitista”, verifico que os regi mes dominantes hoje na Itália, Portugal, Espanha, Inglaterra,
Suíça, Países Baixos e Estados Unidos (para só citar alguns que são exemplares) melhor
correspondem ao que se cha-. ma um governo “conservador” do que a um governo “esquer dista”. Então 0 país da senhora Thatcher, a “dama de ferro”, ou o do presidente Reagan não são democracias? E a Itália, a
Espanha e Portugal não são democracias porque não entre garam
seus
governos
nhores Berlinger,
aos
se
Gonzales e
Cunhai? A própria França dita “socialista” de Mitterrand, por
que 0 não entregou a Marchais?
A Suíça, a Holanda, a Bélgica,
a Suécia, o Japão não serão
servador na idade madura não
tem cabeça. O ditado é peri goso. Será que o reverendíssimo arcebispo Dom Hélder Câ mara
não
tinha
sentimentos,
quando seminarista, e perdeu hoje a cuca? Que eu saiba, ele foi fascista na mocidade...
um
O ideal de esquerda sugere indivíduo preocupado com
a liberdade, atento aos direitos humanos, forte em sua solici tude com os pobres e oprimi
dos, marcado por suas tendên cias antimilitaristas ou paci fistas. Não vejo que qualquer um desses soberbos princípios se aplique, por exemplo, à União Soviética, a qual recebe
grande simpatia da “esquerda” vulgar. A URSS é de fato um regime radicalmente conserva dor. Sua ideologia sustenta-se nas idéias obsoletas de um eco nomista alemão do século pas-
DIGESTO
30
ECONÔMICO
sado. Trata-se na verdade do sistema mais reacionário e au toritário que vigora no mundo
princípio comunista “a cada um, segundo suas necessidades,
(se excetuarmos, talvez, o Irã
cidade” não é igualitário e es
do aiatolá). E a Polônia de Jaruzelski, será progressista ou conservadora? E Walesa, um
de aplicação na “área socialis ta”. Na verdade, o país mais
de cada um, segundo sua capa tá mais distante do que nunca
anti-
igualitário que conheço, políti
russo, poderá ser agredido co mo “direitista”? Vê-se por es sas simples observações como é difícil classificar ideologica mente os partidos e sistemas.
ca e socialmente, é a Suíça — e não se poderia encontrar país
católico
antimarxista
e
E a China de Deng Xiaoping, é conservadora ou pro gressista? Certamente o esfor ço de modernização, de aber tura e de inclinação para o Ocidente a colocaria na direi
ta ideológica. Mas o esquerdismo foi denunciado por Lenin como “a doença infantil" do co munismo. ..
mais conservador. Admiro tam
bém a Noruega, onde o parti do no poder é conservador — que não se peja de se designar de direita (em norueguês Hõyre). Sendo a monarquia norue
guesa um dos países mais de mocráticos que conheço, tam bém para sua defesa contra o
imperialismo
soviético
gasta
dez vezes o montante
per ca
pita das despesas militares bra sileiras. Mas é pacifista!
A
posição
não-ideológica
Será o igualitarismo o cri tério decisivo para caracteri zar a "esquerda”? Não creio. Em seu Programa de Gotha,
correta não é, qm suma, nem
publicado em 1875 quando já
mento e os ditames do bom senso. A melhor posição é no
era velho,
Marx
considera o
à esquerda, nem à direita — mas uma coisa ou outra, con forme as circunstânciasdo mo
igualitarismo uma falsa posi ção do socialismo utópico, pois, conforme argumenta, os ho
centro, conforme o antigo con
mens não são iguais em sua ca
ção da mentalidade política, após a blltz totalitária.
pacidade de produção. Aliás, o
selho délfico:
cesso".
Impõe-se
‘Nada
em
Josué
Monteilo
Apreciação sobre o último livro do acadêmico Pedro Calmon.
O autor é romancista e membro da Academia Brasileira de Letras.
Um dia destes, pelo meio da tarde, bateram-me à porta com
visto que, pelo peso e a indicação da procedência, era de li-
alguma insistência. E como a empregada estava fora, no seu duro ofício de comprar presen
vros que se tratava,
tes de Natal, eu próprio fui atender. Esperava por mim um senhor moreno, em mangas de camisa, com um embrulho.
ex-
Assinei o papel do recibo,
a reconstru
recolhi o pacote e saí a procurar pela casa um cantinho disponível para deixar livros,
Eu estivera lendo, pouco an tes, o novo livro de Pedro CaP mon, FranMin Dória, Barão de Loreto, e era triplo o meu in teresse por essa leitura: pri meiro, por se tratar da biogra-
fia de um dos fundadores da Academia Brasileira; segundo„ por ter sido o biografado o 31 ° governador de minha terra;
DIGESTO
30
ECONÔMICO
sado. Trata-se na verdade do sistema mais reacionário e au toritário que vigora no mundo
princípio comunista “a cada um, segundo suas necessidades,
(se excetuarmos, talvez, o Irã
cidade” não é igualitário e es
do aiatolá). E a Polônia de Jaruzelski, será progressista ou conservadora? E Walesa, um
de aplicação na “área socialis ta”. Na verdade, o país mais
de cada um, segundo sua capa tá mais distante do que nunca
anti-
igualitário que conheço, políti
russo, poderá ser agredido co mo “direitista”? Vê-se por es sas simples observações como é difícil classificar ideologica mente os partidos e sistemas.
ca e socialmente, é a Suíça — e não se poderia encontrar país
católico
antimarxista
e
E a China de Deng Xiaoping, é conservadora ou pro gressista? Certamente o esfor ço de modernização, de aber tura e de inclinação para o Ocidente a colocaria na direi
ta ideológica. Mas o esquerdismo foi denunciado por Lenin como “a doença infantil" do co munismo. ..
mais conservador. Admiro tam
bém a Noruega, onde o parti do no poder é conservador — que não se peja de se designar de direita (em norueguês Hõyre). Sendo a monarquia norue
guesa um dos países mais de mocráticos que conheço, tam bém para sua defesa contra o
imperialismo
soviético
gasta
dez vezes o montante
per ca
pita das despesas militares bra sileiras. Mas é pacifista!
A
posição
não-ideológica
Será o igualitarismo o cri tério decisivo para caracteri zar a "esquerda”? Não creio. Em seu Programa de Gotha,
correta não é, qm suma, nem
publicado em 1875 quando já
mento e os ditames do bom senso. A melhor posição é no
era velho,
Marx
considera o
à esquerda, nem à direita — mas uma coisa ou outra, con forme as circunstânciasdo mo
igualitarismo uma falsa posi ção do socialismo utópico, pois, conforme argumenta, os ho
centro, conforme o antigo con
mens não são iguais em sua ca
ção da mentalidade política, após a blltz totalitária.
pacidade de produção. Aliás, o
selho délfico:
cesso".
Impõe-se
‘Nada
em
Josué
Monteilo
Apreciação sobre o último livro do acadêmico Pedro Calmon.
O autor é romancista e membro da Academia Brasileira de Letras.
Um dia destes, pelo meio da tarde, bateram-me à porta com
visto que, pelo peso e a indicação da procedência, era de li-
alguma insistência. E como a empregada estava fora, no seu duro ofício de comprar presen
vros que se tratava,
tes de Natal, eu próprio fui atender. Esperava por mim um senhor moreno, em mangas de camisa, com um embrulho.
ex-
Assinei o papel do recibo,
a reconstru
recolhi o pacote e saí a procurar pela casa um cantinho disponível para deixar livros,
Eu estivera lendo, pouco an tes, o novo livro de Pedro CaP mon, FranMin Dória, Barão de Loreto, e era triplo o meu in teresse por essa leitura: pri meiro, por se tratar da biogra-
fia de um dos fundadores da Academia Brasileira; segundo„ por ter sido o biografado o 31 ° governador de minha terra;
DIGESTO
32
ECONÔMICO
DIGESTO ECONÔMICO
33
terceiro, por ser uma obra de
edição de Pedro Calmon, mui
tem tempo para escrever livros,
rosidade do querido confrade e
Calmon.
tos livros de Pedro Calmon ali
pareceres e artigos de jornal.
companheiro. Ele não perde tempo. E com uma disposição ecumênica para tudo. Ele ja mais pensará, como Marcei
Sentei de novo na poltrona ao pé da janela, disposto a con cluir a biografia de Franklin Dória, e consegui percorrer mais algumas páginas da vida digna e austera desse varão da
Monarquia, que soube conciliar 0 Ministério da Guerra com a
inspiração romântica, escreven do versos líricos com a mesma
pena com que dava as suas or dens
militares.
cadeira
na Academia.
Assis
Chateaubriand
costu
mava dizer que só está preocu pado quem não está ocupado.
Eu também penso assim. Por isso mesmo nunca vi Pe
De vez em quando, porém, interrompia a leitura, quase ce dendo à curiosidade de
na estante, à disposição de mi nha curiosidade e do meu gos to da leitura, além de saber que 0 mestre baiano anda ago ra a refazer a biografia de Gregório de Matos, patrono de sua
abrir
a caixa de papelão do embru
lho, para saber que livro novo, de vários volumes, esperava
dro Calmon preocupado — nem sequer para pagar as presta ções da dívida do Instituto His
sempre o encontrei devidamen
te ocupado. Escreve, dá ordens,
barbante da Editora.
providencia uma pesquisa, con corda com os convites para con
da leitura, desatei o barbante, abri 0 papel e quem dali me
sai é 0 próprio Pedro Calmon, sob a forma dos sete volumes compactos de sua História do
Brasil — devidamente corrigi da e atualizada.
momento, com um novo livro
de Pedro Calmon, uma
ferências, faz as conferências, viaja, lê, debate, não falta a casamentos e batizados, compa rece às missas de sétimo dia, está em todas as solenidades
universitárias, vai ao Liceu Li terário Português, assiste às sessões da Academia e do Con
Assim, aqui estou eu, neste nova
Brasileira, ali chegou, por vol
ta das seis e meia, já com as luzes acesas, o nosso confrade Antonio Carneiro Leão. E ao
dar com Peregrino, no vestibulo do edifício, perguntou-lhe: — Que é que vamos ter hoje na pauta, como ordem do dia?
selho Federal de Cultura, dis cursa nas praças públicas, ao pé dos monumentos, e ainda
Proust,
que uma dás vanta
gens da morte é que ela nos li vra dos compromissos sociais. Calmon se regala com os com
promissos. E neles se sente em
plenitude, embora não lhe fal te, nessas ocasiões, o risinho afiado, que sempre traz na pon
ta da língua para as ocasiões
E Peregrino, caminhando pa
adequadas.
— Já tivemos, Mestre. Por
ma da alta sociedade se quei
ra a saída:
que a sessão já terminou.
tórico, na Caixa Econômica — e pela razão simples de que
por mim, envolto no papel e no Afinal, no primeiro intervalo
Ao tempo em que Peregri no Júnior presidia a Academia
—oOo—
Pedro Calmon nunca chega ria a tanto,
Ele se atrasa, é certo, porque está fazendo ou
tras coisas. Mas sempre che ga quando a sessão está quase acabando. O quase é a sua es pecialidade. E como tem sem
pre algo para dizer, e de mui to interesse, o seu quase se
transforma, por força da fluên cia do orador, na sessão pro longada, com 0 acompanhamen to de nossos aplausos.
Vejo no embrulho e no livro novo dois testemunhos da ope-
Assim, quando a ilustre da
xava de seus males recentes da
coluna, Mestre Calmon obser vou, compreensivo:
— Já sei, já sei. Coluna sociai.
A biografia do Barão de Lo reto, nem por ter sido uma su-
gestão de amigos e companhei-
ros, escrita com extraordinária rapidez, traz em si o tom por-
fiado da lamparina da madru
gada. A viúva de Franklin Dó ria, quando doou ao Instituto
Histórico os papéis de seu ma
rido, devidamente organizados, fiou-se em que, de futuro, apa
recería 0 biógrafo para o Ba-
DIGESTO
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ECONÔMICO
DIGESTO ECONÔMICO
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terceiro, por ser uma obra de
edição de Pedro Calmon, mui
tem tempo para escrever livros,
rosidade do querido confrade e
Calmon.
tos livros de Pedro Calmon ali
pareceres e artigos de jornal.
companheiro. Ele não perde tempo. E com uma disposição ecumênica para tudo. Ele ja mais pensará, como Marcei
Sentei de novo na poltrona ao pé da janela, disposto a con cluir a biografia de Franklin Dória, e consegui percorrer mais algumas páginas da vida digna e austera desse varão da
Monarquia, que soube conciliar 0 Ministério da Guerra com a
inspiração romântica, escreven do versos líricos com a mesma
pena com que dava as suas or dens
militares.
cadeira
na Academia.
Assis
Chateaubriand
costu
mava dizer que só está preocu pado quem não está ocupado.
Eu também penso assim. Por isso mesmo nunca vi Pe
De vez em quando, porém, interrompia a leitura, quase ce dendo à curiosidade de
na estante, à disposição de mi nha curiosidade e do meu gos to da leitura, além de saber que 0 mestre baiano anda ago ra a refazer a biografia de Gregório de Matos, patrono de sua
abrir
a caixa de papelão do embru
lho, para saber que livro novo, de vários volumes, esperava
dro Calmon preocupado — nem sequer para pagar as presta ções da dívida do Instituto His
sempre o encontrei devidamen
te ocupado. Escreve, dá ordens,
barbante da Editora.
providencia uma pesquisa, con corda com os convites para con
da leitura, desatei o barbante, abri 0 papel e quem dali me
sai é 0 próprio Pedro Calmon, sob a forma dos sete volumes compactos de sua História do
Brasil — devidamente corrigi da e atualizada.
momento, com um novo livro
de Pedro Calmon, uma
ferências, faz as conferências, viaja, lê, debate, não falta a casamentos e batizados, compa rece às missas de sétimo dia, está em todas as solenidades
universitárias, vai ao Liceu Li terário Português, assiste às sessões da Academia e do Con
Assim, aqui estou eu, neste nova
Brasileira, ali chegou, por vol
ta das seis e meia, já com as luzes acesas, o nosso confrade Antonio Carneiro Leão. E ao
dar com Peregrino, no vestibulo do edifício, perguntou-lhe: — Que é que vamos ter hoje na pauta, como ordem do dia?
selho Federal de Cultura, dis cursa nas praças públicas, ao pé dos monumentos, e ainda
Proust,
que uma dás vanta
gens da morte é que ela nos li vra dos compromissos sociais. Calmon se regala com os com
promissos. E neles se sente em
plenitude, embora não lhe fal te, nessas ocasiões, o risinho afiado, que sempre traz na pon
ta da língua para as ocasiões
E Peregrino, caminhando pa
adequadas.
— Já tivemos, Mestre. Por
ma da alta sociedade se quei
ra a saída:
que a sessão já terminou.
tórico, na Caixa Econômica — e pela razão simples de que
por mim, envolto no papel e no Afinal, no primeiro intervalo
Ao tempo em que Peregri no Júnior presidia a Academia
—oOo—
Pedro Calmon nunca chega ria a tanto,
Ele se atrasa, é certo, porque está fazendo ou
tras coisas. Mas sempre che ga quando a sessão está quase acabando. O quase é a sua es pecialidade. E como tem sem
pre algo para dizer, e de mui to interesse, o seu quase se
transforma, por força da fluên cia do orador, na sessão pro longada, com 0 acompanhamen to de nossos aplausos.
Vejo no embrulho e no livro novo dois testemunhos da ope-
Assim, quando a ilustre da
xava de seus males recentes da
coluna, Mestre Calmon obser vou, compreensivo:
— Já sei, já sei. Coluna sociai.
A biografia do Barão de Lo reto, nem por ter sido uma su-
gestão de amigos e companhei-
ros, escrita com extraordinária rapidez, traz em si o tom por-
fiado da lamparina da madru
gada. A viúva de Franklin Dó ria, quando doou ao Instituto
Histórico os papéis de seu ma
rido, devidamente organizados, fiou-se em que, de futuro, apa
recería 0 biógrafo para o Ba-
DIGESTO
34
rão.
Ao escritor
competiría
apenas aproveitar a massa de subsídios informativos, acrescentaria
a
naturalmente
Loreto, escrito com intenção co memorativa.
que as
ECO^NÔMICO
Vejo, pela bibliografia do li
tado e presidente de província,
vro de Calmon, que lhe faltou, sobre a figura do Barão de Lo reto, uma contribuição merece dora de registro. Mas logo me nessa apresso em dizer que, omissão sensível o culpado sou
ministro de Estado e acadêmi
eu.
informações complementares, encontráveis também nos pa péis do Instituto. Franklin Dória, que foi depu
co, publicou livros, baixou atos administrativos, advogou, cons pirou, acompanhou o Imperador no exílio, só teve o seu nome lembrado, depois de morto, pe la reverência da Academia Bra
sileira, e pelo sentimento de gratidão do Ministério do Exér cito.
Como ministro da Guerra, Franklin Dória criou a Biblio teca do Exército. E essa cria ção, misturada a numerosos ou
tros atos administrativos, iria constituir, andando o tempo, a principal razão para que
lhe
evocassem o nome e a obra. O transcurso do centenário dessa
criação, há poucos dias, deu pretexto à solenidade evocativa de seu grande nome, ao mes mo tempo em que se procedia ao lançamento do livro de Pe dro Calmon sobre o Barão de
DIGESTO
ECONÔMICO
dos prelos da Imprensa Nacio nal, e o presidente Vargas, do Palácio do Catete.
Homem prudente e cautelo so, Ataulfo não quis expor seu livro às iras políticas, dada a circunstância de que o volume fechava com o discurso do mi
nistro recebendo o presidente na Academia. E obteve de um
Refiro-me ao estudo com que 0 ministro Ataulfo de Paiva —
de tão escassa produção lite rária — contribuiu para a sole
nidade com que, a 30 de julho de 1936, a Academia Brasileira festejou 0 centenário de nas cimento de Franklin Dória.
Esse estudo faz parte de um livro do ministro, Discursos na Academia, de que se conhecem
dois exemplares: um, que está
amigo que lhe guardasse toda a edição. Em 1950, quando Vargas vol
tou ao Catete, o amigo de Ataul fo procurou o ministro, para saber se a hora não era apro
priada para sbltar o livro. Mes tre Ataulfo meditou, olhando 0 volume, e achou que o mais recomendável era continuar a esconder o livro. E o livro con tinuou escondido até que
no Museu da Imprensa Nacio
morreu o ministro, matou-se o
nal; outro, que está comigo. Devo 0 meu exemplar ao dr. Brito Pereira, antigo diretor da
presidente, e o amigo de Ataul
Imprensa Nacional.
pria casa.
O livro do ministro foi im
presso ali, por
cômoda, que levara para a pró Desse auto-de-fé escaparam
0 volume que Ataulfo mandou
do presidente Vargas. Mas qui
encadernar nas oficinas da Im
seram as circunstâncias
prensa Nacional (e que não foi buscar) e o que está em meu
saíssem, ao mesmo tempo, o livro e 0 presidente: o livro,
Eu esperava
dar a Pedro
Calmon, como subsídio aó seu livro sobre o Barão de Loreto, 0 estudo de Ataulfo. Mas, en quanto esperava que o livro ainda estivesse na fase da pes quisa e da redação, já o vo lume do meu fraterno amigo me era entregue por seu autor. Estou certo de que Pedro Calmon gostaria de ter asso ciado ao seu livro o depoimen to de Ataulfo.
Certa vez, ao chegar à Aca demia para a sessão de quin ta-feira, disse Ataulfo a Cal mon, enquanto temperava o seu chá:
— Tenho uma boa notícia a
lhe dar. Estou arranjando pa ra você uma grã-cruz. E Calmon, muito
muito
novo e
modesto:
fo decidiu dar fim à edição in
determinação que
35
poder.
— Eu não mereço tanta hon ra, meu querido amigo. Ataulfo balançou a cabeça, concordando:
— Por isso mesmo é que estou tratando de lhe arranjar a grã-cruz.
DIGESTO
34
rão.
Ao escritor
competiría
apenas aproveitar a massa de subsídios informativos, acrescentaria
a
naturalmente
Loreto, escrito com intenção co memorativa.
que as
ECO^NÔMICO
Vejo, pela bibliografia do li
tado e presidente de província,
vro de Calmon, que lhe faltou, sobre a figura do Barão de Lo reto, uma contribuição merece dora de registro. Mas logo me nessa apresso em dizer que, omissão sensível o culpado sou
ministro de Estado e acadêmi
eu.
informações complementares, encontráveis também nos pa péis do Instituto. Franklin Dória, que foi depu
co, publicou livros, baixou atos administrativos, advogou, cons pirou, acompanhou o Imperador no exílio, só teve o seu nome lembrado, depois de morto, pe la reverência da Academia Bra
sileira, e pelo sentimento de gratidão do Ministério do Exér cito.
Como ministro da Guerra, Franklin Dória criou a Biblio teca do Exército. E essa cria ção, misturada a numerosos ou
tros atos administrativos, iria constituir, andando o tempo, a principal razão para que
lhe
evocassem o nome e a obra. O transcurso do centenário dessa
criação, há poucos dias, deu pretexto à solenidade evocativa de seu grande nome, ao mes mo tempo em que se procedia ao lançamento do livro de Pe dro Calmon sobre o Barão de
DIGESTO
ECONÔMICO
dos prelos da Imprensa Nacio nal, e o presidente Vargas, do Palácio do Catete.
Homem prudente e cautelo so, Ataulfo não quis expor seu livro às iras políticas, dada a circunstância de que o volume fechava com o discurso do mi
nistro recebendo o presidente na Academia. E obteve de um
Refiro-me ao estudo com que 0 ministro Ataulfo de Paiva —
de tão escassa produção lite rária — contribuiu para a sole
nidade com que, a 30 de julho de 1936, a Academia Brasileira festejou 0 centenário de nas cimento de Franklin Dória.
Esse estudo faz parte de um livro do ministro, Discursos na Academia, de que se conhecem
dois exemplares: um, que está
amigo que lhe guardasse toda a edição. Em 1950, quando Vargas vol
tou ao Catete, o amigo de Ataul fo procurou o ministro, para saber se a hora não era apro
priada para sbltar o livro. Mes tre Ataulfo meditou, olhando 0 volume, e achou que o mais recomendável era continuar a esconder o livro. E o livro con tinuou escondido até que
no Museu da Imprensa Nacio
morreu o ministro, matou-se o
nal; outro, que está comigo. Devo 0 meu exemplar ao dr. Brito Pereira, antigo diretor da
presidente, e o amigo de Ataul
Imprensa Nacional.
pria casa.
O livro do ministro foi im
presso ali, por
cômoda, que levara para a pró Desse auto-de-fé escaparam
0 volume que Ataulfo mandou
do presidente Vargas. Mas qui
encadernar nas oficinas da Im
seram as circunstâncias
prensa Nacional (e que não foi buscar) e o que está em meu
saíssem, ao mesmo tempo, o livro e 0 presidente: o livro,
Eu esperava
dar a Pedro
Calmon, como subsídio aó seu livro sobre o Barão de Loreto, 0 estudo de Ataulfo. Mas, en quanto esperava que o livro ainda estivesse na fase da pes quisa e da redação, já o vo lume do meu fraterno amigo me era entregue por seu autor. Estou certo de que Pedro Calmon gostaria de ter asso ciado ao seu livro o depoimen to de Ataulfo.
Certa vez, ao chegar à Aca demia para a sessão de quin ta-feira, disse Ataulfo a Cal mon, enquanto temperava o seu chá:
— Tenho uma boa notícia a
lhe dar. Estou arranjando pa ra você uma grã-cruz. E Calmon, muito
muito
novo e
modesto:
fo decidiu dar fim à edição in
determinação que
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poder.
— Eu não mereço tanta hon ra, meu querido amigo. Ataulfo balançou a cabeça, concordando:
— Por isso mesmo é que estou tratando de lhe arranjar a grã-cruz.
DIGESTO
36
Na realidade, já a merecia. Como
continuaria a merecer
outras mais, com a sua ope rosidade, 0 seu espírito públi co, 0 seu grande saber, a sua
ECONÔMICO
Subterrâneos
cordialidade — tudo isso a re
fletir-se em cada página que lhe sai da pena veloz, ou em cada discurso que pronuncia sempre com os nossos aplausos.
de
(Continuação da pápna 26) forficata) utilizada como antidiabético, o mesmo
acontecendo com
o
pau-
ferro (caesalpinia ferrea). Dezenaa de exemplos poderíam ser relacionados, pois só a farmacopéia brasileira em sua primeira edição relacionou 215 plantas medicinais, das quais apenas cerca de 30 nor cento, na sua maioria
Bizâncio
estrangeiras, foram alvo de estudos científicos”.
"E não são poucos os casos” — continua o professor — “em que pes quisas vêm confirmar indicações e usos de vegetais, oriundos da medicina popular. Os tão conhecidos digitálicos, para tratamento de doenças do coração, foram assim introduzidos na medicina científica.
O
mesmo
acon
Jornal
teceu com a atropina e outros alcalóides relacionados que agem sobre o sistema nervoso central e autônomo (usados nos casos de cólicas do trato gastrointestinal), sendo obtidas de elgumas espécies da família das sola-
náceas, como a beladona (atropa belladona) e o meimendro (hyoscyamu» niger), ambos já usados na Antiguidade. No Brasil, crescem com extrema facilidade plantas produtoras destes mesmos princípios: estramônio (datura stramonium), conhecida popularmente como (flgueira-do-inferno” ou "figueira-brava" e outras espécies deste mesmo gênero como a datura sua-
"Jornal do Brasi!'\ "data venia" transcrito, sobre a morte de Susiov.
— alcalóide de largo emprego em oftalmologia — é obtida no NorteNordeste por meio de folhas das árvores do gênero pilocarpus — o Jaborandi.
parasitos intestinais e, por isso, é terapeuticamente indicado como antihelmíntico, se bem que deva ser utilizado com cuidado. Pesquisa — A ação
terapêutica das plantas é devida a alguns compostos químicos por elas elaborados, conhecidos sob a denominação de “princípios ativos, bem como outras substâncias, aparentemente inativas, mas que também agem como coadjuvantes na ação terapêutica”. A importância da atividade científica, relacionada à flora medicinal, aglutina o trabalho do químico, que deverá
(Continua na página 40)
Brasil
Quando passar a "era Brejnev" vão entrar em choque duas tendências na URSS. É o que focaliza o editorial do
veolens, conhecida como "saia-branca” ou “trombeteira”. Hoje, a pilocarpina
Há muito se empregam as plantas purgatlvas como o ruibarbo (rheum palmatum), o sene (cassia sp.) ou os aloés (que representam o suco desse cado das espécies do gênero aloe), entre nós conhecido como babosa. A erva-de-santa-maria (chenopodíum ambrosioides), muito comum no Brasil, com um cheiro característico devido a seu óleo essencial, é utilizada pelo povo como vermífugo, em doenças genericamente tratadas de amarelão”. O seu óleo volátil apresenta compostos com forte ação tóxica para os
do
nável. Supunha-se que Mikhail
antecedeu a Brejnev na "gran de viagem”. Era o segundo ho mem do -regime, em prestígio e influência. A partir de agora, quem influenciará quem? Esse denso mistério é parte integrante do sistema que go verna a URSS; condiciona e realimenta este sistema. Segun do análises correntes, por
Susiov exercería forte influên cia neste processo, Mas Susiov
um período mais estável da his-
A morte, por esclerose, do principal ideólogo soviético, Mikhail Susiov, coincide com um momento
muito
especial
na
evolução do império que é go vernado de
Moscou. Estamos,
ao que tudo indica, nos estágios finais da "era Brejnev”: o pro blema sucessório já é incontor-
exemplo, a “era Brejnev” seria
DIGESTO
36
Na realidade, já a merecia. Como
continuaria a merecer
outras mais, com a sua ope rosidade, 0 seu espírito públi co, 0 seu grande saber, a sua
ECONÔMICO
Subterrâneos
cordialidade — tudo isso a re
fletir-se em cada página que lhe sai da pena veloz, ou em cada discurso que pronuncia sempre com os nossos aplausos.
de
(Continuação da pápna 26) forficata) utilizada como antidiabético, o mesmo
acontecendo com
o
pau-
ferro (caesalpinia ferrea). Dezenaa de exemplos poderíam ser relacionados, pois só a farmacopéia brasileira em sua primeira edição relacionou 215 plantas medicinais, das quais apenas cerca de 30 nor cento, na sua maioria
Bizâncio
estrangeiras, foram alvo de estudos científicos”.
"E não são poucos os casos” — continua o professor — “em que pes quisas vêm confirmar indicações e usos de vegetais, oriundos da medicina popular. Os tão conhecidos digitálicos, para tratamento de doenças do coração, foram assim introduzidos na medicina científica.
O
mesmo
acon
Jornal
teceu com a atropina e outros alcalóides relacionados que agem sobre o sistema nervoso central e autônomo (usados nos casos de cólicas do trato gastrointestinal), sendo obtidas de elgumas espécies da família das sola-
náceas, como a beladona (atropa belladona) e o meimendro (hyoscyamu» niger), ambos já usados na Antiguidade. No Brasil, crescem com extrema facilidade plantas produtoras destes mesmos princípios: estramônio (datura stramonium), conhecida popularmente como (flgueira-do-inferno” ou "figueira-brava" e outras espécies deste mesmo gênero como a datura sua-
"Jornal do Brasi!'\ "data venia" transcrito, sobre a morte de Susiov.
— alcalóide de largo emprego em oftalmologia — é obtida no NorteNordeste por meio de folhas das árvores do gênero pilocarpus — o Jaborandi.
parasitos intestinais e, por isso, é terapeuticamente indicado como antihelmíntico, se bem que deva ser utilizado com cuidado. Pesquisa — A ação
terapêutica das plantas é devida a alguns compostos químicos por elas elaborados, conhecidos sob a denominação de “princípios ativos, bem como outras substâncias, aparentemente inativas, mas que também agem como coadjuvantes na ação terapêutica”. A importância da atividade científica, relacionada à flora medicinal, aglutina o trabalho do químico, que deverá
(Continua na página 40)
Brasil
Quando passar a "era Brejnev" vão entrar em choque duas tendências na URSS. É o que focaliza o editorial do
veolens, conhecida como "saia-branca” ou “trombeteira”. Hoje, a pilocarpina
Há muito se empregam as plantas purgatlvas como o ruibarbo (rheum palmatum), o sene (cassia sp.) ou os aloés (que representam o suco desse cado das espécies do gênero aloe), entre nós conhecido como babosa. A erva-de-santa-maria (chenopodíum ambrosioides), muito comum no Brasil, com um cheiro característico devido a seu óleo essencial, é utilizada pelo povo como vermífugo, em doenças genericamente tratadas de amarelão”. O seu óleo volátil apresenta compostos com forte ação tóxica para os
do
nável. Supunha-se que Mikhail
antecedeu a Brejnev na "gran de viagem”. Era o segundo ho mem do -regime, em prestígio e influência. A partir de agora, quem influenciará quem? Esse denso mistério é parte integrante do sistema que go verna a URSS; condiciona e realimenta este sistema. Segun do análises correntes, por
Susiov exercería forte influên cia neste processo, Mas Susiov
um período mais estável da his-
A morte, por esclerose, do principal ideólogo soviético, Mikhail Susiov, coincide com um momento
muito
especial
na
evolução do império que é go vernado de
Moscou. Estamos,
ao que tudo indica, nos estágios finais da "era Brejnev”: o pro blema sucessório já é incontor-
exemplo, a “era Brejnev” seria
DIGESTO
38
tória russa, mais previsível, mais razoável na sua política interna e externa. De repente, os fatos começaram a corroer essa versão; e estamos quase de volta à guerra-fria.
O que a morte de Suslov torna claro, entretanto, é que
uma geração está passando, na União Soviética; uma geração extremamente homogênea, ape sar das sacudidelas provocadas por uma ou outra depuração; geração consciente de um po der que chegou ao auge; e quando o poder cresce muito não só se torna mais apetitoso,
I
como não há nenhum estímulo
para uma mudança de orienta ção.
Esse poder cresceu, em boa parte, ás expensas do poderio norte-americano; cresceu no sentido de que se modificou a relação de poder — e não só em termos absolutos.
ECONÔMICO
das
militar. O Welfare cresceu, en
continua vulnerável em setores
vontade de poder” diminuía. Chegou-se a perigosos níveis de (in) segurança com relação aos que existiam antes; até que os republicanos fizeram soar o alarma e elegeram Ronald Reagan. quanto a
A perspectiva, agora, é de que as superpotências mais uma vez equilibrem seus arse nais — e é neste sentido que apontam as negociações de Ge
gundo após-guerra, uma
se pre-
eminência indiscutível em todos
os setores. E essa própria cul
minância
enfraqueceu,
prova
velmente, algumas molas da ex pansão
americana.
bem, sentindo-se
Vivendo
seguros,
os
etnias
não
russas.
39
EUA não tinham por que perse guir eternamente a liderança em terrenos como o estratégico-
Desas
tres como o da produção agrí cola mostram o quanto o país
básicos da produção. Este é 0 programa à es pera da geração pós-Brejnev.
Que acontecerá a partir de ago ra? Há, nesse ponto, duas li nhas possíveis de raciocínio.
Para os otimistas, que es peculam a partir do equilíbrio militar obtido pela URSS com relação aos EUA (e que se transformou até em superiori
dade em alguns setores), a no
nebra: EUA e URSS voltam a
va
discutir 0 desarmamento, ape sar de tudo, porque isto é de
vel ao tradicional "complexo de inferioridade” que obrigava o seu país a correr atrás do Oci dente. Essa geração, segundo esta análise, teria uma com preensão maior das complexi
seu mútuo interesse.
Essa estabilização, mesmo se ainda em elaboração, em meio a intensa guerrilha verbal,
deixa à mostra os problemas não resolvidos que ficaram na ■esteira da ascensão da URSS a
Os EUA atingiram, no
DIGESTO ECONÔMICO
superpotência equivalente, pe la força bruta, à outra. O império
se
cionalismo
movimenta.
O
na
não é um espinho
apenas no que se refere aos satélites: há uma bomba demo
gráfica em ação dentro da URSS, com 0 crescimento veloz
geração será menos sensí
dades do mundo não desenvol
vido,. que são dificilmente re duzíveis a dogmas marxistas, e também das dificuldades inter
nas
da
URSS,
que
exigem
maior eficiência operacional — 0 que é sinônimo de descentra lização.
Para um kremlinólogo como
Seweryn Bialer, a “era Brejnev” aparece como um período
sem equivalente no passado russo — e, possivelmente, no futuro. Período de crescimen
to contínuo e de afirmação na cional; mas, ao mesmo tempo» período de verdadeira esclerose
oligárquica. A próxima gera ção, acha Bialer, tende a ser cínica, composta de pessoas que subiram no Partido quando a desestalinização lançava pe dras contra os grandes valores do passado. Este cinismo tra balharia no sentido de reformas
econômicas pragmáticas, e de um afastamento ainda do espectro estalinista.
maior
Esta, a análise otimista. A isto é preciso contrapor o fato de que permanece intacto o gi gantesco aparelho que é como uma máquina de lixar aspere zas e originalidades; que cons trói laços de interesse e de lealdade pessoal e ensina todos os futuros líderes a lutarem até
a morte pelo poder, a não con fiarem em ninguém. O segredo continua a ser a alma do sistema de governo so viético; e neste sistema o que
se produz com mais facilidade são lideranças sombrias, fecha das, redes de
influência onde
DIGESTO
38
tória russa, mais previsível, mais razoável na sua política interna e externa. De repente, os fatos começaram a corroer essa versão; e estamos quase de volta à guerra-fria.
O que a morte de Suslov torna claro, entretanto, é que
uma geração está passando, na União Soviética; uma geração extremamente homogênea, ape sar das sacudidelas provocadas por uma ou outra depuração; geração consciente de um po der que chegou ao auge; e quando o poder cresce muito não só se torna mais apetitoso,
I
como não há nenhum estímulo
para uma mudança de orienta ção.
Esse poder cresceu, em boa parte, ás expensas do poderio norte-americano; cresceu no sentido de que se modificou a relação de poder — e não só em termos absolutos.
ECONÔMICO
das
militar. O Welfare cresceu, en
continua vulnerável em setores
vontade de poder” diminuía. Chegou-se a perigosos níveis de (in) segurança com relação aos que existiam antes; até que os republicanos fizeram soar o alarma e elegeram Ronald Reagan. quanto a
A perspectiva, agora, é de que as superpotências mais uma vez equilibrem seus arse nais — e é neste sentido que apontam as negociações de Ge
gundo após-guerra, uma
se pre-
eminência indiscutível em todos
os setores. E essa própria cul
minância
enfraqueceu,
prova
velmente, algumas molas da ex pansão
americana.
bem, sentindo-se
Vivendo
seguros,
os
etnias
não
russas.
39
EUA não tinham por que perse guir eternamente a liderança em terrenos como o estratégico-
Desas
tres como o da produção agrí cola mostram o quanto o país
básicos da produção. Este é 0 programa à es pera da geração pós-Brejnev.
Que acontecerá a partir de ago ra? Há, nesse ponto, duas li nhas possíveis de raciocínio.
Para os otimistas, que es peculam a partir do equilíbrio militar obtido pela URSS com relação aos EUA (e que se transformou até em superiori
dade em alguns setores), a no
nebra: EUA e URSS voltam a
va
discutir 0 desarmamento, ape sar de tudo, porque isto é de
vel ao tradicional "complexo de inferioridade” que obrigava o seu país a correr atrás do Oci dente. Essa geração, segundo esta análise, teria uma com preensão maior das complexi
seu mútuo interesse.
Essa estabilização, mesmo se ainda em elaboração, em meio a intensa guerrilha verbal,
deixa à mostra os problemas não resolvidos que ficaram na ■esteira da ascensão da URSS a
Os EUA atingiram, no
DIGESTO ECONÔMICO
superpotência equivalente, pe la força bruta, à outra. O império
se
cionalismo
movimenta.
O
na
não é um espinho
apenas no que se refere aos satélites: há uma bomba demo
gráfica em ação dentro da URSS, com 0 crescimento veloz
geração será menos sensí
dades do mundo não desenvol
vido,. que são dificilmente re duzíveis a dogmas marxistas, e também das dificuldades inter
nas
da
URSS,
que
exigem
maior eficiência operacional — 0 que é sinônimo de descentra lização.
Para um kremlinólogo como
Seweryn Bialer, a “era Brejnev” aparece como um período
sem equivalente no passado russo — e, possivelmente, no futuro. Período de crescimen
to contínuo e de afirmação na cional; mas, ao mesmo tempo» período de verdadeira esclerose
oligárquica. A próxima gera ção, acha Bialer, tende a ser cínica, composta de pessoas que subiram no Partido quando a desestalinização lançava pe dras contra os grandes valores do passado. Este cinismo tra balharia no sentido de reformas
econômicas pragmáticas, e de um afastamento ainda do espectro estalinista.
maior
Esta, a análise otimista. A isto é preciso contrapor o fato de que permanece intacto o gi gantesco aparelho que é como uma máquina de lixar aspere zas e originalidades; que cons trói laços de interesse e de lealdade pessoal e ensina todos os futuros líderes a lutarem até
a morte pelo poder, a não con fiarem em ninguém. O segredo continua a ser a alma do sistema de governo so viético; e neste sistema o que
se produz com mais facilidade são lideranças sombrias, fecha das, redes de
influência onde
DIGESTO
40
sobressaem os astutos, e não os
competentes, ou inteligentes. O aumento de poder tam
bém propiciou, sob a capa da ideologia, a realização de desíg nios que lembram cada vez mais os de Pedro, o Grande — pedra de toque das aspirações e ambições nacionais. A ortodo xia que Suslov saiu a defender quando a Polônia já estava em
ECONÔMICO
plena efervescência é um álibi perfeito para a supremacia de
Moscou, a Constantinopla
de
um novo império bizantino. Essas
duas
tendências
en
txagédia
trarão oertamente em choque quando terminar de passar a "geração Brejnev”. A morte de Mikhail Suslov indica que este momento está
cada vez mais
® w ®
próximo.
(Continuação da página 36) determinar a estrutura dos compostos constituintes de uma planta; do botânico, aue.irâ classificá-la e estudar seu desenvolvimento; do farmacólogo, que avaliará sua atividade biológica; e do agrônomo, para estabe lecer as condições adequadas ao crescimento das espécies. Esta integração, segundo o prof. Chanel, vem sendo promovida pelo setor de Parmacognos da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP: com o Instituto Agro nômico de Campinas (aclimatação de plantas exóticas para evitar sua im portação); Instituto de Ciências Biomédicas (avaliação da atividade bio lógica de extratos de plantas); e com o Instituto de Química, onde há plano em andamento, visando ao isolamento e à identificação dos consti tuintes de plantas tradicionalmente usadas pelo povo. Atividade — Explica o prof. Paulo Chanel que o trabalho desenvolvido pelo setor de Biofarmacogncsia, no Departamento de Farmácia, é o reflexo do próprio conceito de Biofarmacognosia (ciência farmacêutica que tem por objetivo o conheci mento dos fármacos, provenientes dos reinos da natureza: animal e ve getai, principalmente os do último tipo). Seu campo de estudo abrange a aplicação da física, da química e, especialmente, da biologia para co nhecimento dos produtos vegetais em função do seu uso terapêutico. Abrange, assim, o estudo das plantas medicinais nos diversos aspectos: origem, cultura, colheita, preparação e conservação das drogas vegetais; e conheci mento anatômico e histológico do vegetal, objetivando sua identificação por meio des caracteres macroscópicos e microscópicos. Isto possibilita a detecção de adulterantes ou falsificação das drogas (mesmo sob forma de pós), ocorrência, infelizmente, muito frequente. A análise qualitativa dos com postos químicos constituintes dos vegetais, por exemplo: alcalóides, flavonóides, óleos essenciais, saponinas; bem como a análise quantitativa destes (Continua na pglna 45)
®
n
positmsta Lentido Tabosa
Pessoa
A justificação do direito totalitário
peio positivismo jurídico. O autor ê jornalista e professor. O artigo foi orig/naríamente publicado no "Jornal da Tarde".
A história do pensamento hu mano apresenta alguns aspec tos curiosos e surpreendentes, como a influência que determinadas idéias, aparentemente sem nenhum
vínculo
com
a
realidade, vêm a ter no pró
prio
destino da Humanidade.
sais pudesse representar
algo
mais que um mero esnobismo de filósofos com tempo suficien te para se dedicar a especula
ções acadêmicas. Entretanto, o nominalismo, corrente filosófi ca que se caracteriza exatamen te pela citada negação, está na
Ninguém, por exemplo, suspei
raiz de muitas das
taria, à primeira vista, que a negação dos conceitos univer-
sofreu ou continua sofrendo.
que 0 homem
tragédias
contemporâneo
DIGESTO
40
sobressaem os astutos, e não os
competentes, ou inteligentes. O aumento de poder tam
bém propiciou, sob a capa da ideologia, a realização de desíg nios que lembram cada vez mais os de Pedro, o Grande — pedra de toque das aspirações e ambições nacionais. A ortodo xia que Suslov saiu a defender quando a Polônia já estava em
ECONÔMICO
plena efervescência é um álibi perfeito para a supremacia de
Moscou, a Constantinopla
de
um novo império bizantino. Essas
duas
tendências
en
txagédia
trarão oertamente em choque quando terminar de passar a "geração Brejnev”. A morte de Mikhail Suslov indica que este momento está
cada vez mais
® w ®
próximo.
(Continuação da página 36) determinar a estrutura dos compostos constituintes de uma planta; do botânico, aue.irâ classificá-la e estudar seu desenvolvimento; do farmacólogo, que avaliará sua atividade biológica; e do agrônomo, para estabe lecer as condições adequadas ao crescimento das espécies. Esta integração, segundo o prof. Chanel, vem sendo promovida pelo setor de Parmacognos da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP: com o Instituto Agro nômico de Campinas (aclimatação de plantas exóticas para evitar sua im portação); Instituto de Ciências Biomédicas (avaliação da atividade bio lógica de extratos de plantas); e com o Instituto de Química, onde há plano em andamento, visando ao isolamento e à identificação dos consti tuintes de plantas tradicionalmente usadas pelo povo. Atividade — Explica o prof. Paulo Chanel que o trabalho desenvolvido pelo setor de Biofarmacogncsia, no Departamento de Farmácia, é o reflexo do próprio conceito de Biofarmacognosia (ciência farmacêutica que tem por objetivo o conheci mento dos fármacos, provenientes dos reinos da natureza: animal e ve getai, principalmente os do último tipo). Seu campo de estudo abrange a aplicação da física, da química e, especialmente, da biologia para co nhecimento dos produtos vegetais em função do seu uso terapêutico. Abrange, assim, o estudo das plantas medicinais nos diversos aspectos: origem, cultura, colheita, preparação e conservação das drogas vegetais; e conheci mento anatômico e histológico do vegetal, objetivando sua identificação por meio des caracteres macroscópicos e microscópicos. Isto possibilita a detecção de adulterantes ou falsificação das drogas (mesmo sob forma de pós), ocorrência, infelizmente, muito frequente. A análise qualitativa dos com postos químicos constituintes dos vegetais, por exemplo: alcalóides, flavonóides, óleos essenciais, saponinas; bem como a análise quantitativa destes (Continua na pglna 45)
®
n
positmsta Lentido Tabosa
Pessoa
A justificação do direito totalitário
peio positivismo jurídico. O autor ê jornalista e professor. O artigo foi orig/naríamente publicado no "Jornal da Tarde".
A história do pensamento hu mano apresenta alguns aspec tos curiosos e surpreendentes, como a influência que determinadas idéias, aparentemente sem nenhum
vínculo
com
a
realidade, vêm a ter no pró
prio
destino da Humanidade.
sais pudesse representar
algo
mais que um mero esnobismo de filósofos com tempo suficien te para se dedicar a especula
ções acadêmicas. Entretanto, o nominalismo, corrente filosófi ca que se caracteriza exatamen te pela citada negação, está na
Ninguém, por exemplo, suspei
raiz de muitas das
taria, à primeira vista, que a negação dos conceitos univer-
sofreu ou continua sofrendo.
que 0 homem
tragédias
contemporâneo
42
DIGESTO
Para citar um exemplo con
creto, as tentativas de rompi mento do círculo fechado das éticas
hedonistas
levaram
nu
merosas correntes do pensa mento a procurar superar o individualismo que constituía sua principal característica. Entretanto, as correntes que negavam os universais não po diam aceitar a existência da Humanidade, um conceito uni
versal, a não ser como um re curso
verbal
ou
oratório
e
ECONÔMICO
aos interesses de determinado grupo restrito é moralmente li
cito. A única diferença prática está no critério de seleção dos grupos,
que
no
fascismo
é o
nacional, no nazismo o racial, e
no
comunismo, o ideológico
revolucionário.
Para os três movimentos o recurso ao ter
ror ou à invasão de países são
perfeitamente
lícitos e bons,
desde que correspondam aos interesses do grupo que se tem em
vista.
não podiam, conseqüentemente, substituir à ética individualis ta uma ética humanista. Em
Augusto Comte supera essas trágicas limitações nominalis
vez da Humanidade, observa vam os nominalistas, o que exis te concretamente são os gru pos restritos. Como conseqüên-
tas e as primitivas éticas indi vidualistas, desenvolvendo uma verdadeira religião da Humani dade. Mas 0 faz em um contex
cia, a ética a ser elaborada pa
to ético-filosófico em que um certo empirismo limita e con-
ra superar o individualismo he donista era a ética do
grupo
restrito.
lução da nova
Surgiu, assim, a moral que está na base e justifica a ação de três
movimentos históricos
de nossos tempos, aparentemen te antagônicos mas, na realida de, unidos por profundas afini dades: 0 fascismo, o nazismo e
0
diciona, logo de partida, a evü-
comunismo,
A concepção
básica de cada um deles é a
de que tudo o que corresponde
corrente.
No
campo do Direito, o desejo lou
vável de manter o bem supe
rior da certeza jurídica leva os
seguidores da nova religião a
imunizar o Direito de toda in fluência externa, concebendo 0 ordenamento jurídico como au-
tônomo e hermético. Isso, entretanto, significa também pri var o Direito de seu fundamen
to jusnaturalista, predispondo-
DIGESTO
43
ECONÔMICO
0 à justificação antecipada de qualquer lei, desde que pro' mulgada de acordo com deter minado formalismo ou ritualis-
mo jurídico.
Curiosa e paradoxalmente, o positivismo, que tem no cria dor da religião da Humanida de. Augusto Comte, seu sumn
sacerdote,
chega, na prática,
à justificação do direito totali tário nascido no seio de uma das anteriores éticas do grupo
restrito. E, sob esse
aspecto,
outro
história
fato
curioso
do pensamento
na
humano é o
acorrentamento de certas
in
teligências, às vezes até mesmo geniais, pelos dogmas de de¬ terminadas escolas cujos limi tes não se animam a transpor,
ü suplemento Cultura, de O Estado de S, Paulo, publicou, em novembro último, um arti go de Tércio Sampaio Ferraz Jr.
sobre Hans Kelsen,
mem
bro ilustre da Escola de Vie
na e, sem nenhuma dúvida, um genial teórico do Direito. Talvez nem todos os leito res do interessante artigo te
nham dado a devida importân cia, inclusive em relação a nos
sa vida política quotidiana, tão
rica
em
slogans e lugares-co-
muns quão pobre em verdadei ro pensamento, a um episódio aparentemente contraditório da vida do grande jurista. Judeu de nascimento e vítima da per
seguição nazista, Kelsen
teve
de abandonar a Europa e
se
refugiar nos Estados Unidos, onde não hesitou em procla mar que 0 direito nazista, por injusto e imoral que o conside rasse, ainda assim era um di reito válido e legítimo. Estaria
inteiramente
divor
ciado da realidade quem tiras se dessa afirmação a conclu são simplista de que ele era um simpatizante do nazismo, 0 que, evidentemente, não era
nem podia ser. Ele era apenas a vítima de uma suposta “neu tralidade científica” que. com 0 pretexto de salvaguardar o Direito, termina destruindo-o e transformando-o em instrumen
to de defesa de qualquer Hitler ou Stalin que tenha o rudimen tar cuidado de fazer
leis que
justifiquem seus atos, em vez de agir à revelia da lei. O curioso ou mesmo espan
toso no caso de Kelsen, tendose em vista sua inteligência pri
vilegiada e genial, é que, no
42
DIGESTO
Para citar um exemplo con
creto, as tentativas de rompi mento do círculo fechado das éticas
hedonistas
levaram
nu
merosas correntes do pensa mento a procurar superar o individualismo que constituía sua principal característica. Entretanto, as correntes que negavam os universais não po diam aceitar a existência da Humanidade, um conceito uni
versal, a não ser como um re curso
verbal
ou
oratório
e
ECONÔMICO
aos interesses de determinado grupo restrito é moralmente li
cito. A única diferença prática está no critério de seleção dos grupos,
que
no
fascismo
é o
nacional, no nazismo o racial, e
no
comunismo, o ideológico
revolucionário.
Para os três movimentos o recurso ao ter
ror ou à invasão de países são
perfeitamente
lícitos e bons,
desde que correspondam aos interesses do grupo que se tem em
vista.
não podiam, conseqüentemente, substituir à ética individualis ta uma ética humanista. Em
Augusto Comte supera essas trágicas limitações nominalis
vez da Humanidade, observa vam os nominalistas, o que exis te concretamente são os gru pos restritos. Como conseqüên-
tas e as primitivas éticas indi vidualistas, desenvolvendo uma verdadeira religião da Humani dade. Mas 0 faz em um contex
cia, a ética a ser elaborada pa
to ético-filosófico em que um certo empirismo limita e con-
ra superar o individualismo he donista era a ética do
grupo
restrito.
lução da nova
Surgiu, assim, a moral que está na base e justifica a ação de três
movimentos históricos
de nossos tempos, aparentemen te antagônicos mas, na realida de, unidos por profundas afini dades: 0 fascismo, o nazismo e
0
diciona, logo de partida, a evü-
comunismo,
A concepção
básica de cada um deles é a
de que tudo o que corresponde
corrente.
No
campo do Direito, o desejo lou
vável de manter o bem supe
rior da certeza jurídica leva os
seguidores da nova religião a
imunizar o Direito de toda in fluência externa, concebendo 0 ordenamento jurídico como au-
tônomo e hermético. Isso, entretanto, significa também pri var o Direito de seu fundamen
to jusnaturalista, predispondo-
DIGESTO
43
ECONÔMICO
0 à justificação antecipada de qualquer lei, desde que pro' mulgada de acordo com deter minado formalismo ou ritualis-
mo jurídico.
Curiosa e paradoxalmente, o positivismo, que tem no cria dor da religião da Humanida de. Augusto Comte, seu sumn
sacerdote,
chega, na prática,
à justificação do direito totali tário nascido no seio de uma das anteriores éticas do grupo
restrito. E, sob esse
aspecto,
outro
história
fato
curioso
do pensamento
na
humano é o
acorrentamento de certas
in
teligências, às vezes até mesmo geniais, pelos dogmas de de¬ terminadas escolas cujos limi tes não se animam a transpor,
ü suplemento Cultura, de O Estado de S, Paulo, publicou, em novembro último, um arti go de Tércio Sampaio Ferraz Jr.
sobre Hans Kelsen,
mem
bro ilustre da Escola de Vie
na e, sem nenhuma dúvida, um genial teórico do Direito. Talvez nem todos os leito res do interessante artigo te
nham dado a devida importân cia, inclusive em relação a nos
sa vida política quotidiana, tão
rica
em
slogans e lugares-co-
muns quão pobre em verdadei ro pensamento, a um episódio aparentemente contraditório da vida do grande jurista. Judeu de nascimento e vítima da per
seguição nazista, Kelsen
teve
de abandonar a Europa e
se
refugiar nos Estados Unidos, onde não hesitou em procla mar que 0 direito nazista, por injusto e imoral que o conside rasse, ainda assim era um di reito válido e legítimo. Estaria
inteiramente
divor
ciado da realidade quem tiras se dessa afirmação a conclu são simplista de que ele era um simpatizante do nazismo, 0 que, evidentemente, não era
nem podia ser. Ele era apenas a vítima de uma suposta “neu tralidade científica” que. com 0 pretexto de salvaguardar o Direito, termina destruindo-o e transformando-o em instrumen
to de defesa de qualquer Hitler ou Stalin que tenha o rudimen tar cuidado de fazer
leis que
justifiquem seus atos, em vez de agir à revelia da lei. O curioso ou mesmo espan
toso no caso de Kelsen, tendose em vista sua inteligência pri
vilegiada e genial, é que, no
44
DIGESTO
seio da própria Escola de Vie na, houve tomadas de posição
diferentes e, sem dúvida, mais lúcidas, ou pelo menos coerentes do que a sua.
mais
Alfred Verdross, posto
pe
rante a evidência da impossibi lidade de encontrar um funda
mento para o Direito no contex
to da escola positivista, adere ao jusnaturalismo. Dois defen
sores, como Kelsen, da norma pacta sunt servanda (os pactos devem ser observados) como fundamento do Direito. A. Ca-
vaglieri e Dionísio
Anzilotti,
percebem a incoerência de sua
posição à luz das premissas po sitivistas do Direito como orde namento autônomo e hermético e tentam ambos uma volta
atrás, o primeiro proclamando que a norma é a posteriori e se funda na prática dos Estados e
o segundo tentando sua aplicação ao
restringir direito con
vencional.
ECONÔMICO
positivistas, nem tenta um re paro, como Cavaglieri e Anzi lotti, nem deixa o positivismo, como
Verdross.
Sua teoria da Constituição, ao apelar para os requisitos da efetividade política e social, na realidade recorre a uma expli cação quase que apenas mecâ
nica para a obrigatoriedade de
cada norma em particular, co mo parte de uma pirâmide que culmina na norma fundamental.
O que realmente fundamenta a
obrigatoriedade, em sua visão, é a concepção do ordenamen to jurídico como uma ordem social de paz.
Entretanto, essa concepção já não é compatível com o po sitivismo, por ser suprapositi-
DIGESTO
ECONÔMICO
da desordem nazista, apesar de sua condição de judeu e de ví tima, como um direito válido e legítimo. Ê a tragédia positivista da ausência de qualquer padrão para julgamento da norma po sitiva, fato sobre o qual deviam refletir os papagaios de nossa
45
política, antes pensar
que o
Estado de Direito, expressão, aliás, inventada por George
Jellinek no contexto jurídico po sitivista, ou a Constituinte, re presentam, por si sós, garan tias de uma autêntica
ordem
jurídica.
(Continuação da pág:ina 40) princípios ativos, por processos fisico-químicos e biológicos, são objetivos considerados prioritários. Numerosos trabalhos elaboraxios pelos docentes do setor de Blofarmacognosia, do Departamento de Farmácia, demonstram a preocupação com o desenvolvimento da fitoterapia. Pesquisas publicadas em revistas nacionais e estrangeiras, teses defendidas e outros meios de publicações apontam a amplitude dessa área de conhecimento, envolvendo
a caracterização de vegetais ainda não pesquisados, a análise de princípios ativos, a formação destes compostos no próprio vegetal e influências exer cidas sobre eles por fatores extrínsecos e intrínsecos até novas metodolo gias relativas à obtenção e identificação de princípios ativos naturais. Vale
ressaltar que a Faculdade de Ciências Farmacêuticas, por intermédio do Centro de Controle do Departamento de Fannácia, em conjunto com o setor de Biofarmacognosia, tem realizado o controle de qualidade das drogas vegetais e demais preparações fitoterápicas. Esse trabalho, feito mediante
va e por apelar para princípio.s que, como observa Verdross,
convênio
não são postos, mas supostos pelo Direito. Pof outro lado,
quantificação dos princípios ativos;
com firmas ou pessoas interessadas, inclui: identificação dos vegetais utilizados com finalidades medicamentosas (pureza ou adulteração);
e análise de produtos farmacêuticos,
apesar
quando Kelsen diz que o Direi
que têm em sua fórmula constituintes vegetais.
de desenvolver de forma mais
to, por ser uma ordem, exclui
profunda e genial a teoria
qualquer norma
O prof. Paulo Chanel conclui com um alerta; “Apesar da importância de que se reveste o trabalho de padronização de drogas vegetais, conside rando-se que tém como fim a saúde, lamentavelmente, entre nós, o con trole de fitoterápicos é, ainda, incipiente".
Kelsen, entretanto,
da
norma fundamental e de cair, por isso mesmo, em uma posi ção ainda mais incoerente e in compatível com os postulados
que instaure
uma desordem, não oferece ne nhum critério para que se jul gue efetivamente o que é uma
desordem. Daí
sua aceitação
(Do
Boletim
da
USP)
44
DIGESTO
seio da própria Escola de Vie na, houve tomadas de posição
diferentes e, sem dúvida, mais lúcidas, ou pelo menos coerentes do que a sua.
mais
Alfred Verdross, posto
pe
rante a evidência da impossibi lidade de encontrar um funda
mento para o Direito no contex
to da escola positivista, adere ao jusnaturalismo. Dois defen
sores, como Kelsen, da norma pacta sunt servanda (os pactos devem ser observados) como fundamento do Direito. A. Ca-
vaglieri e Dionísio
Anzilotti,
percebem a incoerência de sua
posição à luz das premissas po sitivistas do Direito como orde namento autônomo e hermético e tentam ambos uma volta
atrás, o primeiro proclamando que a norma é a posteriori e se funda na prática dos Estados e
o segundo tentando sua aplicação ao
restringir direito con
vencional.
ECONÔMICO
positivistas, nem tenta um re paro, como Cavaglieri e Anzi lotti, nem deixa o positivismo, como
Verdross.
Sua teoria da Constituição, ao apelar para os requisitos da efetividade política e social, na realidade recorre a uma expli cação quase que apenas mecâ
nica para a obrigatoriedade de
cada norma em particular, co mo parte de uma pirâmide que culmina na norma fundamental.
O que realmente fundamenta a
obrigatoriedade, em sua visão, é a concepção do ordenamen to jurídico como uma ordem social de paz.
Entretanto, essa concepção já não é compatível com o po sitivismo, por ser suprapositi-
DIGESTO
ECONÔMICO
da desordem nazista, apesar de sua condição de judeu e de ví tima, como um direito válido e legítimo. Ê a tragédia positivista da ausência de qualquer padrão para julgamento da norma po sitiva, fato sobre o qual deviam refletir os papagaios de nossa
45
política, antes pensar
que o
Estado de Direito, expressão, aliás, inventada por George
Jellinek no contexto jurídico po sitivista, ou a Constituinte, re presentam, por si sós, garan tias de uma autêntica
ordem
jurídica.
(Continuação da pág:ina 40) princípios ativos, por processos fisico-químicos e biológicos, são objetivos considerados prioritários. Numerosos trabalhos elaboraxios pelos docentes do setor de Blofarmacognosia, do Departamento de Farmácia, demonstram a preocupação com o desenvolvimento da fitoterapia. Pesquisas publicadas em revistas nacionais e estrangeiras, teses defendidas e outros meios de publicações apontam a amplitude dessa área de conhecimento, envolvendo
a caracterização de vegetais ainda não pesquisados, a análise de princípios ativos, a formação destes compostos no próprio vegetal e influências exer cidas sobre eles por fatores extrínsecos e intrínsecos até novas metodolo gias relativas à obtenção e identificação de princípios ativos naturais. Vale
ressaltar que a Faculdade de Ciências Farmacêuticas, por intermédio do Centro de Controle do Departamento de Fannácia, em conjunto com o setor de Biofarmacognosia, tem realizado o controle de qualidade das drogas vegetais e demais preparações fitoterápicas. Esse trabalho, feito mediante
va e por apelar para princípio.s que, como observa Verdross,
convênio
não são postos, mas supostos pelo Direito. Pof outro lado,
quantificação dos princípios ativos;
com firmas ou pessoas interessadas, inclui: identificação dos vegetais utilizados com finalidades medicamentosas (pureza ou adulteração);
e análise de produtos farmacêuticos,
apesar
quando Kelsen diz que o Direi
que têm em sua fórmula constituintes vegetais.
de desenvolver de forma mais
to, por ser uma ordem, exclui
profunda e genial a teoria
qualquer norma
O prof. Paulo Chanel conclui com um alerta; “Apesar da importância de que se reveste o trabalho de padronização de drogas vegetais, conside rando-se que tém como fim a saúde, lamentavelmente, entre nós, o con trole de fitoterápicos é, ainda, incipiente".
Kelsen, entretanto,
da
norma fundamental e de cair, por isso mesmo, em uma posi ção ainda mais incoerente e in compatível com os postulados
que instaure
uma desordem, não oferece ne nhum critério para que se jul gue efetivamente o que é uma
desordem. Daí
sua aceitação
(Do
Boletim
da
USP)
Os Direitos
I
.Humanos Julian
Marias
Uma exposição sobre o tema atual dos direitos bumanos, pelo pensador espanhol, da f.
f
INSTITUTO DE ECONOMIA GASTAO VIDIGAL Conhecer a economia nacional e mundial, através de estudos constantes de levantamento de dados estatísticos é com o Instituto de
Economia Gast5o Vidigal. Mas não é isto apenas. Colaborar no intercâmbio de estudos sobre economia e orientar as empresas de pequeno e médio portes são algumas de suas atividades. Associe-se à Associação Comercial de São Paulo e aproveite as vantagens e serviços que o lEGV pode oferecer.
linha
de
Ortega
Telex (11) 23355 - SP - PABX 239-1333.
Gasset.
Há 30 anos, com maior in sistência desds as declarações de 35 países em Helsinque, tão criticamente revisadas em Ma dri fala-se sem parar em direi tos humanos. O tema chegou a
direitos humanos e quais são os requisitos de sua existência, suas conexões, sua relação com
ser central nas conversas,
partes. Se a expressão direitos hu manos quer dizer algo que não
nas
discussões políticas, nos discur sos dos dirigentes, na impren sa. Porém, na medida em que se foi transformando
em
um
“tópico", ou lugar-comum, seu
Rua Boa Vista, 51 — C. Postal 8082 — Ccp 01014
y
conteúdo foi perdendo a nitidez. Como a moeda que passa de mão em mão ou circula pelos balcões, ninguém pára a fim de olhar, de ver o que significam
as liberdades e com os valores
que parecem apreciáveis à hu manidade ou a algumas de suas
seja uma redundância terá que significar os direitos que per tencem aos homens como tais, independentemente de suas
condições ou de sua situação. Esses direitos seriam forçosamente abstratos e assim eram
na "Declaração dos Direitos do-
Os Direitos
I
.Humanos Julian
Marias
Uma exposição sobre o tema atual dos direitos bumanos, pelo pensador espanhol, da f.
f
INSTITUTO DE ECONOMIA GASTAO VIDIGAL Conhecer a economia nacional e mundial, através de estudos constantes de levantamento de dados estatísticos é com o Instituto de
Economia Gast5o Vidigal. Mas não é isto apenas. Colaborar no intercâmbio de estudos sobre economia e orientar as empresas de pequeno e médio portes são algumas de suas atividades. Associe-se à Associação Comercial de São Paulo e aproveite as vantagens e serviços que o lEGV pode oferecer.
linha
de
Ortega
Telex (11) 23355 - SP - PABX 239-1333.
Gasset.
Há 30 anos, com maior in sistência desds as declarações de 35 países em Helsinque, tão criticamente revisadas em Ma dri fala-se sem parar em direi tos humanos. O tema chegou a
direitos humanos e quais são os requisitos de sua existência, suas conexões, sua relação com
ser central nas conversas,
partes. Se a expressão direitos hu manos quer dizer algo que não
nas
discussões políticas, nos discur sos dos dirigentes, na impren sa. Porém, na medida em que se foi transformando
em
um
“tópico", ou lugar-comum, seu
Rua Boa Vista, 51 — C. Postal 8082 — Ccp 01014
y
conteúdo foi perdendo a nitidez. Como a moeda que passa de mão em mão ou circula pelos balcões, ninguém pára a fim de olhar, de ver o que significam
as liberdades e com os valores
que parecem apreciáveis à hu manidade ou a algumas de suas
seja uma redundância terá que significar os direitos que per tencem aos homens como tais, independentemente de suas
condições ou de sua situação. Esses direitos seriam forçosamente abstratos e assim eram
na "Declaração dos Direitos do-
DIGESTO
48
ECONÔMICO
que se referiam, em princípios,
te — os fetos. O contrário, que é esquecido, é que se têm deve
não
aos franceses de fins do
res para com essas realidades;
século XVm, mas a qualquer homem e a qualquer cidadão.
0 fato de não serem sujeitos de direito não implica que se pos sa fazer com elas o que bem se entenda. Seria preciso comple tar as declarações de direitos
Homem e do Cidadão" de 1789,
Entretanto, todas as "decla rações" (e não falemos nas de
nossa época) são históricas, li gadas às circunstâncias atuais ou puramente utópicas. A maio ria dos direitos enumeradosnão teria sentido em outros tem
pos e, naturalmente, sua pro moção
ou realização — se-
ria impossível. Os direitos que se propõem, reclamam ou exi gem, dependem de um sistema de valores aceito e de um re
pertório de possibilidades reais ou que se consideram reais.
Para quem?
Porém, há uma questão de licada e que costuma ser pas sada por alto: a do sujeito dos direitos. Não é questão tão cla
ra: principalmente quando apa recem realidades que não têm direitos, que não são propria mente sujeitos de direitos. As coisas em geral, a natureza, a paisagem, as obras de arte, os
animais, juridicamente — entendamo-nos bem, juridicamen-
com cartas de deveres parale las. Não há deveres para com
as cidades, os idiomas, os mo numentos, o passado, a conti nuidade histórica?
DIGESTO ECONÔMICO
49
Quando o exercício dos direitos
direitos. Espera-se do Estado —
se torna impossível, não há ne
e talvez além do devido — uma
cessidade de preocupar-se negá-los.
tas esferas da vida, o cumpri
em
de certas formas de sociedade
Um pressuposto, aceito sem crítica, de quase todas as de clarações de direitos e de suas reivindicações é que se trata de defender os direitos dos in
divíduos
perante
o
Estado.
Principalmente quando se fala
capital que me parece o verda deiro eixo da questão: o dever de tornar possíveis os direitos.
em relações internacionais esta é a única coisa em que se pen sa; porém é apenas uma das possibilidades. Pode acontecer que os Direitos Humanos este
De outra forma, são puramente utópicos, meramente nominais, vazios, inoperantes... O exer cício dos direitos pressupõe condições reais muito precisas. Penso, por exemplo, na paz, na ordem que permite a convivên
cia, na criação de riqueza, na’ qualidade dos conhecimentos que se tem direito a aprender, na verdade das informações qu& se tem direito a receber...
jam ameaçados ou sejam nega dos ou entorpecidos ou viola dos por indivíduos singulares, por grupos sociais ou políticos, por partidos, etc. O liberalismo puro contentar-se-ía com a neu tralidade do Estado, com o
“respeito” aos direitos; basta ria que 0 Estado não violasse
reitos correspondentes, embora
03 direitos. Mas, em nossa épo ca, esse liberalismo puro (que não é tão puro, mas impurificado pelo preconceito indivi dualista do século XIX) não se
se mantenha farisaicamente seu reconhecimento verbal.
aceita: exige-se a promoção, a aplicação, a realização desses
Faltando-se aos deveres para com a realidade, automatica mente produz-se a perda dos di
intervenção em mui
mento de uma ampla série de funções que levem à realização
As condições
um
E entre os deveres há
<enérgica
que se consideram valiosas.
Porém,, se assim for, e se pensarmos com um mínimo de consequência, o Estado tem de Impor as condições de realiza ção desses direitos; isto é, tem de defendê-los contra os que os atacam
ou
os
tornam
im-
possíveis. 0 Estado não pode ficar "neutro” diante dos inimigos dos Direitos Hu
manos, simples testemunha de sua destruição por grupos
ou
minorias, à custa da maioria da população, ou seja, dos titu lares desses direitcfâ. Há o di reito e o dever de defender os
direitos de todos, eficazmente, contra os que rejeitam a convi vência ou negam a liberdade dos outros. 0 Estado não pode
lavar as mãos, declarando que ele não viola os Direitos Huma
nos, porque, se não os defende, viola o direito decisivo dos ci¬
dadãos a que seus direitos sedefendidos e garantidos pelo poder público.
jam
DIGESTO
48
ECONÔMICO
que se referiam, em princípios,
te — os fetos. O contrário, que é esquecido, é que se têm deve
não
aos franceses de fins do
res para com essas realidades;
século XVm, mas a qualquer homem e a qualquer cidadão.
0 fato de não serem sujeitos de direito não implica que se pos sa fazer com elas o que bem se entenda. Seria preciso comple tar as declarações de direitos
Homem e do Cidadão" de 1789,
Entretanto, todas as "decla rações" (e não falemos nas de
nossa época) são históricas, li gadas às circunstâncias atuais ou puramente utópicas. A maio ria dos direitos enumeradosnão teria sentido em outros tem
pos e, naturalmente, sua pro moção
ou realização — se-
ria impossível. Os direitos que se propõem, reclamam ou exi gem, dependem de um sistema de valores aceito e de um re
pertório de possibilidades reais ou que se consideram reais.
Para quem?
Porém, há uma questão de licada e que costuma ser pas sada por alto: a do sujeito dos direitos. Não é questão tão cla
ra: principalmente quando apa recem realidades que não têm direitos, que não são propria mente sujeitos de direitos. As coisas em geral, a natureza, a paisagem, as obras de arte, os
animais, juridicamente — entendamo-nos bem, juridicamen-
com cartas de deveres parale las. Não há deveres para com
as cidades, os idiomas, os mo numentos, o passado, a conti nuidade histórica?
DIGESTO ECONÔMICO
49
Quando o exercício dos direitos
direitos. Espera-se do Estado —
se torna impossível, não há ne
e talvez além do devido — uma
cessidade de preocupar-se negá-los.
tas esferas da vida, o cumpri
em
de certas formas de sociedade
Um pressuposto, aceito sem crítica, de quase todas as de clarações de direitos e de suas reivindicações é que se trata de defender os direitos dos in
divíduos
perante
o
Estado.
Principalmente quando se fala
capital que me parece o verda deiro eixo da questão: o dever de tornar possíveis os direitos.
em relações internacionais esta é a única coisa em que se pen sa; porém é apenas uma das possibilidades. Pode acontecer que os Direitos Humanos este
De outra forma, são puramente utópicos, meramente nominais, vazios, inoperantes... O exer cício dos direitos pressupõe condições reais muito precisas. Penso, por exemplo, na paz, na ordem que permite a convivên
cia, na criação de riqueza, na’ qualidade dos conhecimentos que se tem direito a aprender, na verdade das informações qu& se tem direito a receber...
jam ameaçados ou sejam nega dos ou entorpecidos ou viola dos por indivíduos singulares, por grupos sociais ou políticos, por partidos, etc. O liberalismo puro contentar-se-ía com a neu tralidade do Estado, com o
“respeito” aos direitos; basta ria que 0 Estado não violasse
reitos correspondentes, embora
03 direitos. Mas, em nossa épo ca, esse liberalismo puro (que não é tão puro, mas impurificado pelo preconceito indivi dualista do século XIX) não se
se mantenha farisaicamente seu reconhecimento verbal.
aceita: exige-se a promoção, a aplicação, a realização desses
Faltando-se aos deveres para com a realidade, automatica mente produz-se a perda dos di
intervenção em mui
mento de uma ampla série de funções que levem à realização
As condições
um
E entre os deveres há
<enérgica
que se consideram valiosas.
Porém,, se assim for, e se pensarmos com um mínimo de consequência, o Estado tem de Impor as condições de realiza ção desses direitos; isto é, tem de defendê-los contra os que os atacam
ou
os
tornam
im-
possíveis. 0 Estado não pode ficar "neutro” diante dos inimigos dos Direitos Hu
manos, simples testemunha de sua destruição por grupos
ou
minorias, à custa da maioria da população, ou seja, dos titu lares desses direitcfâ. Há o di reito e o dever de defender os
direitos de todos, eficazmente, contra os que rejeitam a convi vência ou negam a liberdade dos outros. 0 Estado não pode
lavar as mãos, declarando que ele não viola os Direitos Huma
nos, porque, se não os defende, viola o direito decisivo dos ci¬
dadãos a que seus direitos sedefendidos e garantidos pelo poder público.
jam
50
DIGESTO
dos direitos; porém, e os
Os que negam
Porém, há outro aspecto da questão, ainda mais grave,, e sobre o qual inúmeras lutas se dedicam a lançar tinta e con fusão. Há Estados que negam os direitos humanos (ou parte essencial deles), embora te nham assinado todas as decla
rações imagináveis e os façam constar de suas constituições.
Isto é esquecido e pensa-se ape nas nas exceções dos Estados que em geral respeitam os
direitos humanos (por exem plo, devido a medidas ex traordinárias de defesa ou para assegurá-los). Em com
pensação,,
tende-se
a
ECONÔMICO
esque-
Estacer aqueles outros dos cujo sistema permanente exclui os direitos humanos
(ou seja, esse sistema é aceito, considerado bom e admissível,,
esses Estados são vistos em pé de igualdade com os demais, por exemplo nas organizações internacionais; sublinham-se e comentam-se apenas algumas violações suplementares que afetam alguns indivíduos que tentam protestar da situação de todos). Quero dizer que se che ga a pensar nos chamados "dis sidentes” como a única violação
DIGESTO ECONÔMICO
51
mi
ele, casar-se, escolher seus es
coloquial se chama “pensar co
lhões de
homens e
mulheres
tudos ou sua profissão, expres
mo querer”, vicia boa parte do
que nem
se atrevem
a contes
sar e comunicar seu pensamen to, suas opiniões ou desejos,, praticar sua religião ou abs
que hoje se diz, do que se faz e, acima de tudo, do que se
tar, que não têm nenhuma pos
sibilidade real de tentar,
me-
nos ainda
sua
ter-se disso, associar-se, etc., e
Os sofismas acumulam-se e
no outro caso, contra o terro rista que dispara contra os ou tros ou faz explodir bombas ou sequestra cidadãos; contra o
de expressar
dissidência?
dominam os pareceres sobre a situação do mundo atual: equipara-se o Estado que estabele ce e sustenta os direitos no qual são realmente vigentes (embo ra possam sofrer ocasional le
são), ao Estado que suprime e proíbe esses mesmos direitos, no qual não têm nenhuma vi gência. Duas
liberdades
Um passo a mais, que se dá todos os dias, é uma nova e mais monstruosa equipara ção: a do que quer exercer seus direitos com o que quer destruir
esses direitos.
poder coativo é exercido, em contra
ta-se da
aquele
que
quer deslocar-se dentro de seu
país, viajar, mudar de residên
cia, sair do país, voltar para
liberdade
de
exercer
os direitos, no outro, o que se reclama
é
a
liberdade
contra
os direitos, a liberdade de vio lá-los
Dir-se-
á que isso não é possível. Com essa expressão, certamente que não; porém, pensemos que o um caso,
assaltante, contra o grevista violento que impede os outros de trabalhar, contra o que ameaça os que não pagam um “imposto”, contra o que se apodera pela força da rua com grupos armados e torna im possível seu uso pelos demais ou perturba os transportes pú blicos ou embaraça as comuni cações, etc. Em um caso, tra
e destruí-los.
Uma consideração do ver dadeiro sentido dos direitos hu manos não
ficaria
levássemos
incompleta se em
conta
as
condições de sua realização. O que se chama em inglês wishful thinking, o pensamento desiderativo, o que em espanhol
deixa de fazer.
Temos cUrelto ao Impossí vel? Esta é a pergunta capital que seria preciso enfrentar. Bastaria tê-la presente para perceber que toda consideração abstrata e não circunstancial dos chamados “direitos huma
nos” (da amplíssima lista que hoje assim se considera) é va e, no fundo, destrutiva.
A que temos direito Podemos falar
em
um di
reito à prosperidade de antes da prosperidade?. Quero di
zer, que sentido tem o direito a participar da prosperidade se esta não existe ou, ao me
nos, não há condições objeti vas para que se produza? Po dería ocorrer, até, que em no me desse direito fossem des
truídas essas condições, fosse comprometida sua possibilida de, ao menos em um futuro pre visível, de significação concre ta e global.
50
DIGESTO
dos direitos; porém, e os
Os que negam
Porém, há outro aspecto da questão, ainda mais grave,, e sobre o qual inúmeras lutas se dedicam a lançar tinta e con fusão. Há Estados que negam os direitos humanos (ou parte essencial deles), embora te nham assinado todas as decla
rações imagináveis e os façam constar de suas constituições.
Isto é esquecido e pensa-se ape nas nas exceções dos Estados que em geral respeitam os
direitos humanos (por exem plo, devido a medidas ex traordinárias de defesa ou para assegurá-los). Em com
pensação,,
tende-se
a
ECONÔMICO
esque-
Estacer aqueles outros dos cujo sistema permanente exclui os direitos humanos
(ou seja, esse sistema é aceito, considerado bom e admissível,,
esses Estados são vistos em pé de igualdade com os demais, por exemplo nas organizações internacionais; sublinham-se e comentam-se apenas algumas violações suplementares que afetam alguns indivíduos que tentam protestar da situação de todos). Quero dizer que se che ga a pensar nos chamados "dis sidentes” como a única violação
DIGESTO ECONÔMICO
51
mi
ele, casar-se, escolher seus es
coloquial se chama “pensar co
lhões de
homens e
mulheres
tudos ou sua profissão, expres
mo querer”, vicia boa parte do
que nem
se atrevem
a contes
sar e comunicar seu pensamen to, suas opiniões ou desejos,, praticar sua religião ou abs
que hoje se diz, do que se faz e, acima de tudo, do que se
tar, que não têm nenhuma pos
sibilidade real de tentar,
me-
nos ainda
sua
ter-se disso, associar-se, etc., e
Os sofismas acumulam-se e
no outro caso, contra o terro rista que dispara contra os ou tros ou faz explodir bombas ou sequestra cidadãos; contra o
de expressar
dissidência?
dominam os pareceres sobre a situação do mundo atual: equipara-se o Estado que estabele ce e sustenta os direitos no qual são realmente vigentes (embo ra possam sofrer ocasional le
são), ao Estado que suprime e proíbe esses mesmos direitos, no qual não têm nenhuma vi gência. Duas
liberdades
Um passo a mais, que se dá todos os dias, é uma nova e mais monstruosa equipara ção: a do que quer exercer seus direitos com o que quer destruir
esses direitos.
poder coativo é exercido, em contra
ta-se da
aquele
que
quer deslocar-se dentro de seu
país, viajar, mudar de residên
cia, sair do país, voltar para
liberdade
de
exercer
os direitos, no outro, o que se reclama
é
a
liberdade
contra
os direitos, a liberdade de vio lá-los
Dir-se-
á que isso não é possível. Com essa expressão, certamente que não; porém, pensemos que o um caso,
assaltante, contra o grevista violento que impede os outros de trabalhar, contra o que ameaça os que não pagam um “imposto”, contra o que se apodera pela força da rua com grupos armados e torna im possível seu uso pelos demais ou perturba os transportes pú blicos ou embaraça as comuni cações, etc. Em um caso, tra
e destruí-los.
Uma consideração do ver dadeiro sentido dos direitos hu manos não
ficaria
levássemos
incompleta se em
conta
as
condições de sua realização. O que se chama em inglês wishful thinking, o pensamento desiderativo, o que em espanhol
deixa de fazer.
Temos cUrelto ao Impossí vel? Esta é a pergunta capital que seria preciso enfrentar. Bastaria tê-la presente para perceber que toda consideração abstrata e não circunstancial dos chamados “direitos huma
nos” (da amplíssima lista que hoje assim se considera) é va e, no fundo, destrutiva.
A que temos direito Podemos falar
em
um di
reito à prosperidade de antes da prosperidade?. Quero di
zer, que sentido tem o direito a participar da prosperidade se esta não existe ou, ao me
nos, não há condições objeti vas para que se produza? Po dería ocorrer, até, que em no me desse direito fossem des
truídas essas condições, fosse comprometida sua possibilida de, ao menos em um futuro pre visível, de significação concre ta e global.
52
DIGESTO
Quando se fala em um di reito universal ao ensino, é pre ciso perguntar primeiro se é realmente possível, se se pode pagar; e mais ainda: se real mente se conta, em número su
ficiente, com a capacidacie e a vocação dos que teriam de ensinar (ou tratar dos doentes
ou construir habitações ou pro duzir os materiais e instrumen
tos necessários para muitos di
reitos que
facilmente se pro
clamam) .
E
ção,
insisto
porque um
dos
na voca
direitos
que se reconhecem é o de não
impor a escravidão, nem mes
mo um trabalho obrigatório, e poderia acontecer que a satis
fação de muitos direitos ligei ramente reconhecidos só pode ría ser atendida violando esse outro direito que acabamos de proclamar. E não estou falan
do em hipótese: em muitos paí ses
os
realizar
cidadãos
negam-se
inúmeros
necessários, urgentes,
a
trabalhos
e deles
se encarregam cidadãos de ou
tros países menos afortunados. É admissível essa situação? E, acima de tudo, é sustentável
com 0 passar do tempo, justa mente se forem superadas as profundas desigualdades de
ECONÔMICO
53
DIGESTO
ECONÔMICO
que vivem muitos dos que cla
formal,
excessivamente
"tem-
uma interessante e valiosa cul
mam contra
poral”, reduzida aos interesses particulares do detalhe da vi da humana, com esquecimen
da maioria das leituras interes
to de seu conjunto, de sua sig
Para mim a coisa é clara: a al
nificação global, de seu hori zonte. Eu pessoalmente prefe-
fabetização sem liberdade é um instrumento de escravidão. Sig nifica, nem mais nem menos,
elas?
Onde nos
leva
esta refle
xão? A evidência de que há um sistema de direitos, assim co mo há um sistema das liberda
des, que só podem existir em conexão, de maneira que se uma
delas é violada ficam fe
ridas
todas
as
outras.
Costu
ma-se dizer, e repete-se sem pensar demais, que minha li berdade termina onde começa a do outro; não que isto não seja verdade, mas não é a ver dade primária e mais impor tante:
minha
liberdade
termi
na onde começa outra liberda de; são elas que se limitam, que existem em interação e em contexto. Não é meramente pos sível conflito entre os sujeitos; é a coerência objetiva das li berdades reais, que mutuamen te se condicionam, se tornam possíveis, se reclamam e se
E não nos esqueçamos dos valores subjacentes, os que ser vem de fundamento e justifica ção para cada um dos direitos em seu exercício efetivo. Cos tuma-se dar uma lista dema
dogmática,
limitados
e, ao mesmo tempo, mais um direito: o direito à eleição das figuras de vida.
demasiado
santes. O que acontece, então?
a impossibilidade de escapar à lavagem cerebral. E os direitos em sentido es¬
trito, jurídico? As ações jurí dicas para reclamar os direi
Alfabetização e escravidão
Um exemplo esclarecerá o que quero dizer. As organiza ções internacionais, alguns re gimes autoritários, certos par
tos humanos, quem se atreve rá a exercê-las nos países em que
nao
exercidas
há
direitos?
nos
países
Serão
que
os
tidos políticos insistem prima
respeitam, quando o Estado re
riamente na alfabetização. Um analfabeto é quase um empesteado, e muitos regimes conse
trui-los. É preciso plos?
solva limitar o direito de des-
guem 0 que poderiamos cha
A
mar de justificação pela alfa betização: se 0 resultado de uma campanha é a diminuição do analfabetismo em um terço,
configuram.
siado
riria conteúdos mais
tura tradicional e da proibição
0 regime é excelente, faça
o
que quiser com os cidadãos (ou 0 que se lhes possa chamar).
Pois bem, a alfabetização, em
si mesma admirável e desejá vel, não 0 é tanto quando vem acompanhada de leituras obri gatórias que talvez destruam
uma
dar exem
medida
O decisivo seria chegar a medida da liberdade (e
dos direitos). Não é fácil, cer
tamente, porque o humano é muito complexo; mas, há algum tempo, propus um instrumento prático de medida, consistente simplesmente em responder a três perguntas: 1. O que posso fazer? 2. O que não posso fa-
52
DIGESTO
Quando se fala em um di reito universal ao ensino, é pre ciso perguntar primeiro se é realmente possível, se se pode pagar; e mais ainda: se real mente se conta, em número su
ficiente, com a capacidacie e a vocação dos que teriam de ensinar (ou tratar dos doentes
ou construir habitações ou pro duzir os materiais e instrumen
tos necessários para muitos di
reitos que
facilmente se pro
clamam) .
E
ção,
insisto
porque um
dos
na voca
direitos
que se reconhecem é o de não
impor a escravidão, nem mes
mo um trabalho obrigatório, e poderia acontecer que a satis
fação de muitos direitos ligei ramente reconhecidos só pode ría ser atendida violando esse outro direito que acabamos de proclamar. E não estou falan
do em hipótese: em muitos paí ses
os
realizar
cidadãos
negam-se
inúmeros
necessários, urgentes,
a
trabalhos
e deles
se encarregam cidadãos de ou
tros países menos afortunados. É admissível essa situação? E, acima de tudo, é sustentável
com 0 passar do tempo, justa mente se forem superadas as profundas desigualdades de
ECONÔMICO
53
DIGESTO
ECONÔMICO
que vivem muitos dos que cla
formal,
excessivamente
"tem-
uma interessante e valiosa cul
mam contra
poral”, reduzida aos interesses particulares do detalhe da vi da humana, com esquecimen
da maioria das leituras interes
to de seu conjunto, de sua sig
Para mim a coisa é clara: a al
nificação global, de seu hori zonte. Eu pessoalmente prefe-
fabetização sem liberdade é um instrumento de escravidão. Sig nifica, nem mais nem menos,
elas?
Onde nos
leva
esta refle
xão? A evidência de que há um sistema de direitos, assim co mo há um sistema das liberda
des, que só podem existir em conexão, de maneira que se uma
delas é violada ficam fe
ridas
todas
as
outras.
Costu
ma-se dizer, e repete-se sem pensar demais, que minha li berdade termina onde começa a do outro; não que isto não seja verdade, mas não é a ver dade primária e mais impor tante:
minha
liberdade
termi
na onde começa outra liberda de; são elas que se limitam, que existem em interação e em contexto. Não é meramente pos sível conflito entre os sujeitos; é a coerência objetiva das li berdades reais, que mutuamen te se condicionam, se tornam possíveis, se reclamam e se
E não nos esqueçamos dos valores subjacentes, os que ser vem de fundamento e justifica ção para cada um dos direitos em seu exercício efetivo. Cos tuma-se dar uma lista dema
dogmática,
limitados
e, ao mesmo tempo, mais um direito: o direito à eleição das figuras de vida.
demasiado
santes. O que acontece, então?
a impossibilidade de escapar à lavagem cerebral. E os direitos em sentido es¬
trito, jurídico? As ações jurí dicas para reclamar os direi
Alfabetização e escravidão
Um exemplo esclarecerá o que quero dizer. As organiza ções internacionais, alguns re gimes autoritários, certos par
tos humanos, quem se atreve rá a exercê-las nos países em que
nao
exercidas
há
direitos?
nos
países
Serão
que
os
tidos políticos insistem prima
respeitam, quando o Estado re
riamente na alfabetização. Um analfabeto é quase um empesteado, e muitos regimes conse
trui-los. É preciso plos?
solva limitar o direito de des-
guem 0 que poderiamos cha
A
mar de justificação pela alfa betização: se 0 resultado de uma campanha é a diminuição do analfabetismo em um terço,
configuram.
siado
riria conteúdos mais
tura tradicional e da proibição
0 regime é excelente, faça
o
que quiser com os cidadãos (ou 0 que se lhes possa chamar).
Pois bem, a alfabetização, em
si mesma admirável e desejá vel, não 0 é tanto quando vem acompanhada de leituras obri gatórias que talvez destruam
uma
dar exem
medida
O decisivo seria chegar a medida da liberdade (e
dos direitos). Não é fácil, cer
tamente, porque o humano é muito complexo; mas, há algum tempo, propus um instrumento prático de medida, consistente simplesmente em responder a três perguntas: 1. O que posso fazer? 2. O que não posso fa-
54
zer? 3. O que me podem fazer?
(Naturalmente, ao fazer essas perguntas não se deve pensar unicamente no poder do Esta
DIGESTO
dos direitos humanos em cada sociedade e mostraria as me
resa
didas que é preciso tomar pa ra assegurá-los e torná-los efe
do, mas na situação total con
tivos para rever e renovar seu
creta em que se vive em cada país, época, situação.) A resposta sincera a estas perguntas daria uma imagem bastante precisa da liberdade e
conteúdo à luz dos valores que se aceitam
e que
Futuro
verdadeira
mente se querem realizar, que respondem ao que cada um de nós quer ser.
Trajano Pupo Neto
300 vezes mais doce do que açúcar
I
●3 .i3
ECONÔMICO
A
estévia
é
um
arbusto comum, que produz um adoçante com capacidade de 300 vezes maior do que o açúcar extraído da cana, sendo originalmente localizada na região do Amambaí, na fronteira entre o Brasil e Paraguai. O processo extrativo foi desenvolvido pelos japoneses e está confirmado que açúcar, sacarina, e outras substâncias’ adoçantes podem ser substituídas pela estévia. O novo produto não contém calorias, nem fermentos e resiste às altas temperaturas, sem mudar de cor, sendo sua fabricação relatívamente barata. Os japoneses, por meios científicos, provaram seu caráter inofensivo ao organismo hu
mano. Assim, no Japão os cristais adoçantes da estévia já estão sendo aplicados, com êxito, em bebidas, refrescos, doces das mais variadas espé
cies, alimentos para diabéticos, conservas e produtos medicinais, pelas fir
mas Morinaga, Kanebo e Meiji, utilizando-se o registro comercial de «Steviaside». No Brasil, as empresas Johnson e Johnson, Parke Davis, Knorr e Antárctica pretendem produzir o «Steviaside»; por enquanto faltam, porém, quantidades suficientes da matéria-prima para a produção em maior escala. Os índios Guarani, desde sempre, sabiam do efeito da planta usando-a como adoçante no chá-mate. Em 1905, foi dada a essa planta o nome cien tífico de «Stevia rebaudiana bertoní», depois de os botânicos Rebaudi (pa
raguaio) e Bertoni (italiano) a ter pesquisado, No começo da década dos setenta, 03 japoneses colheram as sementes da planta em Amambaí, fizeram testes no Japão, chegando ao resultado que, ao cultivar estévia numa área de
70.000 hectares, todas as importações de açúcar
poderiam
sendo a população, mesmo assim, suficientemente abastecida.
ser
cortadas,
Em
1980
o
Japão produziu 500 toneladas de folhas secas de estévia, ocupando o pri meiro lugar entre os produtores da espécie do mundo. Entrementes, os
institutos agrônomos do Japão forneceram mudas à Coréia do Sul, Formosa,
(Continua na página 85)
O Brasil é um país economicamente
responsável. Os homens que respondem por sua política econômico-financeira são
altamente
capazes.
O
autor
é
administrador de empresas.
1) O Mundo Atual
Dizer que o mundo vive em
total intranquilidade, fustigado
pela violência, seria sublinhar
o óbvio. Mas é fundamental que para destaquemos este fato, podermos enfrentá-lo, com co ragem e determinação.
A bipolarização de
forças,
circunscrita ao campo diplomá tico. precisa ser rapidamente eliminada, buscando-se compre ensão e respeito mútuos. Urge encontrarmos
um novo
equilí
brio, que só perdurará se, para 0 seu estabelecimento, forem levadas, na devida conta, as le gítimas aspirações de todos os povos.
en-
As nações têm um conteú
genhos nucleares, produz um impasse político, que poderá
do humano e sentimental. São diferentes umas das outras, ca
trazer desastrosas consequên cias para a Humanidade. A con
tória, língua, tradições, valores,
alicerçada nos mortíferos
frontação
direta,
atualmente
da qual com o seu espírito, his ambições e glórias, bem como
54
zer? 3. O que me podem fazer?
(Naturalmente, ao fazer essas perguntas não se deve pensar unicamente no poder do Esta
DIGESTO
dos direitos humanos em cada sociedade e mostraria as me
resa
didas que é preciso tomar pa ra assegurá-los e torná-los efe
do, mas na situação total con
tivos para rever e renovar seu
creta em que se vive em cada país, época, situação.) A resposta sincera a estas perguntas daria uma imagem bastante precisa da liberdade e
conteúdo à luz dos valores que se aceitam
e que
Futuro
verdadeira
mente se querem realizar, que respondem ao que cada um de nós quer ser.
Trajano Pupo Neto
300 vezes mais doce do que açúcar
I
●3 .i3
ECONÔMICO
A
estévia
é
um
arbusto comum, que produz um adoçante com capacidade de 300 vezes maior do que o açúcar extraído da cana, sendo originalmente localizada na região do Amambaí, na fronteira entre o Brasil e Paraguai. O processo extrativo foi desenvolvido pelos japoneses e está confirmado que açúcar, sacarina, e outras substâncias’ adoçantes podem ser substituídas pela estévia. O novo produto não contém calorias, nem fermentos e resiste às altas temperaturas, sem mudar de cor, sendo sua fabricação relatívamente barata. Os japoneses, por meios científicos, provaram seu caráter inofensivo ao organismo hu
mano. Assim, no Japão os cristais adoçantes da estévia já estão sendo aplicados, com êxito, em bebidas, refrescos, doces das mais variadas espé
cies, alimentos para diabéticos, conservas e produtos medicinais, pelas fir
mas Morinaga, Kanebo e Meiji, utilizando-se o registro comercial de «Steviaside». No Brasil, as empresas Johnson e Johnson, Parke Davis, Knorr e Antárctica pretendem produzir o «Steviaside»; por enquanto faltam, porém, quantidades suficientes da matéria-prima para a produção em maior escala. Os índios Guarani, desde sempre, sabiam do efeito da planta usando-a como adoçante no chá-mate. Em 1905, foi dada a essa planta o nome cien tífico de «Stevia rebaudiana bertoní», depois de os botânicos Rebaudi (pa
raguaio) e Bertoni (italiano) a ter pesquisado, No começo da década dos setenta, 03 japoneses colheram as sementes da planta em Amambaí, fizeram testes no Japão, chegando ao resultado que, ao cultivar estévia numa área de
70.000 hectares, todas as importações de açúcar
poderiam
sendo a população, mesmo assim, suficientemente abastecida.
ser
cortadas,
Em
1980
o
Japão produziu 500 toneladas de folhas secas de estévia, ocupando o pri meiro lugar entre os produtores da espécie do mundo. Entrementes, os
institutos agrônomos do Japão forneceram mudas à Coréia do Sul, Formosa,
(Continua na página 85)
O Brasil é um país economicamente
responsável. Os homens que respondem por sua política econômico-financeira são
altamente
capazes.
O
autor
é
administrador de empresas.
1) O Mundo Atual
Dizer que o mundo vive em
total intranquilidade, fustigado
pela violência, seria sublinhar
o óbvio. Mas é fundamental que para destaquemos este fato, podermos enfrentá-lo, com co ragem e determinação.
A bipolarização de
forças,
circunscrita ao campo diplomá tico. precisa ser rapidamente eliminada, buscando-se compre ensão e respeito mútuos. Urge encontrarmos
um novo
equilí
brio, que só perdurará se, para 0 seu estabelecimento, forem levadas, na devida conta, as le gítimas aspirações de todos os povos.
en-
As nações têm um conteú
genhos nucleares, produz um impasse político, que poderá
do humano e sentimental. São diferentes umas das outras, ca
trazer desastrosas consequên cias para a Humanidade. A con
tória, língua, tradições, valores,
alicerçada nos mortíferos
frontação
direta,
atualmente
da qual com o seu espírito, his ambições e glórias, bem como
56
DIGESTO
ECONÔMICO
com os seus fracassos. O equi
vimentos
líbrio dinâmico do mundo se faz
cos desta última metade do sé
não só pela soma de valores cul turais idênticos ou semelhantes, mas igualmente pelo respeito às diferenças e às peculiarida des de cada nação, inteligente mente compreendidas, de par
culo XX exigem de nós uma nova postura, em profunda re flexão. A interação do biológi co, do social e da máquina abre fascinantes perspectivas, que tanto nos poderão levar a uma
te a parte, e com razoáveis con cessões, recíprocas e oportunas. Aqui está o grande desafio. Se não conseguirmos dominálo, não haverá futuro e, portan to, tampouco existirá a empre
sa do amanhã. Assim, diria eu, seremos capazes de estruturar
um consenso universal, que se alicerce em nossos sonhos, idealismos e básicos valores cultu
rais e que, dessa forma,
nos
possa trazer de volta a ausên
cia do medo e a certeza da se gurança, individual e coletiva? Minha resposta seria afirmati va, desde que os homens e as nações passem a compartilhar e
a
promover
um
mesmo
sen
timento de Paz e de Justiça, abolindo-se a brutalidade apa vorante das guerras.
O futuro do homem não po de ser considerado apenas co mo a sobrevivência de seu or
ganismo biológico. Os vertigi nosos e abrangentes desenvol¬
técnico-sócio-científi-
qualidade de vida muito supe rior àquela que conhecemos até agora, como nos poderão ani quilar, tudo dependendo da nos sa capacidade e habilidade em equilibrarmos estes fatores. 2) A Empresa do Futuro:
um
universo de negócios, renovado Partindo do pressuposto de que
venceremos
o formidável
desafio — e disso estou plena mente
convencido,
conforme
afirmei —, temos que nos prepa rar para dirigirmos um univer so empresarial, completamente
novo, já no desenrolar desta década
de
80.
DIGESTO ECONÔMICO
3) A Sociedade c!a Informação: a Telemática
bidirecicnal, interativa, como ocorre hoje com o telefone tra dicional. Tais experiências já
Estamos adentrando uma nova cultura: a Sociedade da
estão sendo intensivamente con
Informação. “No final desta dé cada, a informação valerá mais que ouro, o petróleo ou qual quer outra riqueza material”, segundo o prof. Seymour Papert, diretor do Laboratório de Inteligência Ai’tificial, do M.I.T. Foram, ademais, dois
nos
cientistas
franceses — Simon
Nora e Alain Mine —, que cria ram o neologismo “Telemáti ca”, para caracterizar a fusão das telecomunicações com a informática.
Os administradores empre sariais do futuro disporão, as
sim, de formidáveis novos ins trumentos, para auxiliá-los em suas tomadas de decisões e res
pectivas implementações, no cerne dos quais se situa o
computador, uma
ferramenta
A empresa do futuro neces sitará de uma estrutura admi
poderosa e versátil, dotada de
nistrativa muito mais comple xa, mais ágil e mais flexível, para poder dominar e incorpo
tica.
rar as recentes e maravilhosas conquistas do gênio humano.
57
velocidade operacional fantás Temos que visualizar a exis tência de, pelo menos, um computador, em cada domicí lio, acoplado à uma televisão
duzidas
em Columbus, Ohio,
Estados
Unidos
e
em
Hi-
gashi Hikoma e Tama, no Ja pão. Como mais um passo nesta direção revolucionária, já che gamos aos robôs, cuja utiliza
ção começa a se expandir, rá pida e profundamente, nas mais diversas etapas dos sistemas de produção e de administração. Como
bem
ilustra
Arthur
Clarke, “quando chegarmos ao final de 1990, poderemos estar usando um relógio de pulso com tela de recepção de informa ções vindas de qualquer ponto
da Terra, via satélite” São oportunidades magnífi cas, que .poderão trazer incal culáveis benefícios, desde que
adequadamente manipuladas pe la inteligência humana. E aqui está 0 ponto-chave: o elemen to humano precisa ser manti do no centro do processo, co mo seu comandante supremo,
cabendo-lhe, sempre, a última decisão, a derradeira volta do parafuso.
56
DIGESTO
ECONÔMICO
com os seus fracassos. O equi
vimentos
líbrio dinâmico do mundo se faz
cos desta última metade do sé
não só pela soma de valores cul turais idênticos ou semelhantes, mas igualmente pelo respeito às diferenças e às peculiarida des de cada nação, inteligente mente compreendidas, de par
culo XX exigem de nós uma nova postura, em profunda re flexão. A interação do biológi co, do social e da máquina abre fascinantes perspectivas, que tanto nos poderão levar a uma
te a parte, e com razoáveis con cessões, recíprocas e oportunas. Aqui está o grande desafio. Se não conseguirmos dominálo, não haverá futuro e, portan to, tampouco existirá a empre
sa do amanhã. Assim, diria eu, seremos capazes de estruturar
um consenso universal, que se alicerce em nossos sonhos, idealismos e básicos valores cultu
rais e que, dessa forma,
nos
possa trazer de volta a ausên
cia do medo e a certeza da se gurança, individual e coletiva? Minha resposta seria afirmati va, desde que os homens e as nações passem a compartilhar e
a
promover
um
mesmo
sen
timento de Paz e de Justiça, abolindo-se a brutalidade apa vorante das guerras.
O futuro do homem não po de ser considerado apenas co mo a sobrevivência de seu or
ganismo biológico. Os vertigi nosos e abrangentes desenvol¬
técnico-sócio-científi-
qualidade de vida muito supe rior àquela que conhecemos até agora, como nos poderão ani quilar, tudo dependendo da nos sa capacidade e habilidade em equilibrarmos estes fatores. 2) A Empresa do Futuro:
um
universo de negócios, renovado Partindo do pressuposto de que
venceremos
o formidável
desafio — e disso estou plena mente
convencido,
conforme
afirmei —, temos que nos prepa rar para dirigirmos um univer so empresarial, completamente
novo, já no desenrolar desta década
de
80.
DIGESTO ECONÔMICO
3) A Sociedade c!a Informação: a Telemática
bidirecicnal, interativa, como ocorre hoje com o telefone tra dicional. Tais experiências já
Estamos adentrando uma nova cultura: a Sociedade da
estão sendo intensivamente con
Informação. “No final desta dé cada, a informação valerá mais que ouro, o petróleo ou qual quer outra riqueza material”, segundo o prof. Seymour Papert, diretor do Laboratório de Inteligência Ai’tificial, do M.I.T. Foram, ademais, dois
nos
cientistas
franceses — Simon
Nora e Alain Mine —, que cria ram o neologismo “Telemáti ca”, para caracterizar a fusão das telecomunicações com a informática.
Os administradores empre sariais do futuro disporão, as
sim, de formidáveis novos ins trumentos, para auxiliá-los em suas tomadas de decisões e res
pectivas implementações, no cerne dos quais se situa o
computador, uma
ferramenta
A empresa do futuro neces sitará de uma estrutura admi
poderosa e versátil, dotada de
nistrativa muito mais comple xa, mais ágil e mais flexível, para poder dominar e incorpo
tica.
rar as recentes e maravilhosas conquistas do gênio humano.
57
velocidade operacional fantás Temos que visualizar a exis tência de, pelo menos, um computador, em cada domicí lio, acoplado à uma televisão
duzidas
em Columbus, Ohio,
Estados
Unidos
e
em
Hi-
gashi Hikoma e Tama, no Ja pão. Como mais um passo nesta direção revolucionária, já che gamos aos robôs, cuja utiliza
ção começa a se expandir, rá pida e profundamente, nas mais diversas etapas dos sistemas de produção e de administração. Como
bem
ilustra
Arthur
Clarke, “quando chegarmos ao final de 1990, poderemos estar usando um relógio de pulso com tela de recepção de informa ções vindas de qualquer ponto
da Terra, via satélite” São oportunidades magnífi cas, que .poderão trazer incal culáveis benefícios, desde que
adequadamente manipuladas pe la inteligência humana. E aqui está 0 ponto-chave: o elemen to humano precisa ser manti do no centro do processo, co mo seu comandante supremo,
cabendo-lhe, sempre, a última decisão, a derradeira volta do parafuso.
I
Õ8
DIGESTO
4) As Dimensões da Empresa do Futuro
A empresa do futuro tende
rá a ganhar maiores dimensões, mas sem se agigantar para não correr o risco de se desumani-
zar. Entretanto, só assim po derá conviver, com probabili dades de sucesso, com o cres cente envolvimento do
nos
Estado
negócios econômicos, até
que se cumpra o ciclo histórico
ECONÔMICO
fíceis, ainda que tenhamos de sacrificar, temporariamente, uma parcela dos lucros. Preci samos buscar uma integração perfeita e completa entre o ca pital (acionistas, proprietários) e 0 trabalho (colaboradores em todos os níveis).
Neste contexto, a empresa do futuro será muito mais hu
mana, mais rentável e mais fe liz do que a de hoje.
universal.
6) A Filosofia da Empresa do Futuro
5) Os Recursos Humanos
A empresa do cisa
definir
bem
futuro
pre
claramente
sua filosofia, sua própria razão
vê-los
mos claro,
a
de ser, que deve superar o ob jetivo de puro lucro econômi co, 0 qual, entretanto, deixe é legítimo e essen
grande missão empresarial do futuro. É mister motivá-los- e estimulá-los a se integrarem de tal forma na empresa que ve
cial à sua sobrevivência e de
nham a considerá-la como se,
saber fazê-lo, de modo que não
realmente, a eles' também per tencesse, e que, de sua atuação
individual, dependesse o suces so da mesma. Devemos dar-lhes a segurança da continuidadeno emprego, mesmo em tempos di-
59
nada, somos
ção
do-nos, consequentemente, a responsabilidade de levarmos nossa contribuição para o apri
contribuiram,
de
alguma
forma.
A empresa do futuro, como,
senvolvimento, Responsável por uma importante parcela da criação de riquezas, precisa
destrua nem agrave o equilí
brio social. Pelo contrário, para que, de sua atuação, profícua e consciente, possa resultar uma sociedade mais equânime, em que todos possam usufruir dos
cidadãos, caben-
moramento de tal atividade. Na
aliás, a de hoje, precisa ser,
realidade, devemos atuar den
antes e acima de tudo, ética, moral, responsável. Deve es truturar-se de forma a poder absorver, continuamente, con
tro de um contexto ainda
tingentes jovens, ao menos na
no
mais
amplo e, cônscios de nossos de veres sociais, precisamos apli car, também nossas energias, encaminhamento e na solu
medida em que se retiram os mais velhos, no outro extremo
ção dos problemas comunitá rios, como empresas e como
do elo administrativo.
cidadãos.
Entre-
mentes, todos devem aprender
tível prioridade número um, situando-se nos mais altos ní veis administrativos. Atrair os melhores talentos e desenvol será
ECONÔMICO
benefícios, para cuja consecu
a
O setor de recursos huma¬ nos deverá assumir a indiscu
intensamente
DIGESTO
somar as respectivas
expe
riências e entusiasmos, com concessões e estímulos recípro cos — tudo visando a melhoria
da empresa, a qual, consoante já destaquei, devem considerar, também, como sua. 7) O Elemento Político
Nas sociedades pluralistas, como a nossa, todas as institui ções, inclusive as de natureza
Esta
militância
global
é
ainda mais importante no UI
Mundo,
onde
os
talentos,
a
despeito dos enormes esforços e da aceleração recente do pro gresso educacional, ainda são insuficientes, em número, para que os administradores de em presas se restrinjam ao exer cício de suas atividades técni cas.
Que os homens são iguais
ao nascer, é uma verdade in
econômica,
sofismável. Somos todos, cria
incorporam, necessariamente, o
turas de Deus, concebidas à Sua imagem e semelhança. En tretanto, na realidade do mun do biológico, cada gene é uma entidade própria. Ademais, di
fundamentalmente
elemento político. Assim, os di rigentes empresariais de ama
nhã, como os de hoje, devem participar da vida político-partidária, porque, antes de mais
verso é 0 ambiente em que ca-
I
Õ8
DIGESTO
4) As Dimensões da Empresa do Futuro
A empresa do futuro tende
rá a ganhar maiores dimensões, mas sem se agigantar para não correr o risco de se desumani-
zar. Entretanto, só assim po derá conviver, com probabili dades de sucesso, com o cres cente envolvimento do
nos
Estado
negócios econômicos, até
que se cumpra o ciclo histórico
ECONÔMICO
fíceis, ainda que tenhamos de sacrificar, temporariamente, uma parcela dos lucros. Preci samos buscar uma integração perfeita e completa entre o ca pital (acionistas, proprietários) e 0 trabalho (colaboradores em todos os níveis).
Neste contexto, a empresa do futuro será muito mais hu
mana, mais rentável e mais fe liz do que a de hoje.
universal.
6) A Filosofia da Empresa do Futuro
5) Os Recursos Humanos
A empresa do cisa
definir
bem
futuro
pre
claramente
sua filosofia, sua própria razão
vê-los
mos claro,
a
de ser, que deve superar o ob jetivo de puro lucro econômi co, 0 qual, entretanto, deixe é legítimo e essen
grande missão empresarial do futuro. É mister motivá-los- e estimulá-los a se integrarem de tal forma na empresa que ve
cial à sua sobrevivência e de
nham a considerá-la como se,
saber fazê-lo, de modo que não
realmente, a eles' também per tencesse, e que, de sua atuação
individual, dependesse o suces so da mesma. Devemos dar-lhes a segurança da continuidadeno emprego, mesmo em tempos di-
59
nada, somos
ção
do-nos, consequentemente, a responsabilidade de levarmos nossa contribuição para o apri
contribuiram,
de
alguma
forma.
A empresa do futuro, como,
senvolvimento, Responsável por uma importante parcela da criação de riquezas, precisa
destrua nem agrave o equilí
brio social. Pelo contrário, para que, de sua atuação, profícua e consciente, possa resultar uma sociedade mais equânime, em que todos possam usufruir dos
cidadãos, caben-
moramento de tal atividade. Na
aliás, a de hoje, precisa ser,
realidade, devemos atuar den
antes e acima de tudo, ética, moral, responsável. Deve es truturar-se de forma a poder absorver, continuamente, con
tro de um contexto ainda
tingentes jovens, ao menos na
no
mais
amplo e, cônscios de nossos de veres sociais, precisamos apli car, também nossas energias, encaminhamento e na solu
medida em que se retiram os mais velhos, no outro extremo
ção dos problemas comunitá rios, como empresas e como
do elo administrativo.
cidadãos.
Entre-
mentes, todos devem aprender
tível prioridade número um, situando-se nos mais altos ní veis administrativos. Atrair os melhores talentos e desenvol será
ECONÔMICO
benefícios, para cuja consecu
a
O setor de recursos huma¬ nos deverá assumir a indiscu
intensamente
DIGESTO
somar as respectivas
expe
riências e entusiasmos, com concessões e estímulos recípro cos — tudo visando a melhoria
da empresa, a qual, consoante já destaquei, devem considerar, também, como sua. 7) O Elemento Político
Nas sociedades pluralistas, como a nossa, todas as institui ções, inclusive as de natureza
Esta
militância
global
é
ainda mais importante no UI
Mundo,
onde
os
talentos,
a
despeito dos enormes esforços e da aceleração recente do pro gresso educacional, ainda são insuficientes, em número, para que os administradores de em presas se restrinjam ao exer cício de suas atividades técni cas.
Que os homens são iguais
ao nascer, é uma verdade in
econômica,
sofismável. Somos todos, cria
incorporam, necessariamente, o
turas de Deus, concebidas à Sua imagem e semelhança. En tretanto, na realidade do mun do biológico, cada gene é uma entidade própria. Ademais, di
fundamentalmente
elemento político. Assim, os di rigentes empresariais de ama
nhã, como os de hoje, devem participar da vida político-partidária, porque, antes de mais
verso é 0 ambiente em que ca-
DIGESTO
60
da um nasce. Ao respirar, ao
abrir os olhos, cada ser se de fronta com um exterior, que não é 0 mesmo para todos. Há diferentes regiões, em diferen ciados estágios de desenvolvi mento, oferecendo maiores ou menores oportunidades, cuja existência não depende do in divíduo que nelas veio ao Mun do, mas que podem ser sérios fatores ou expansivos ou limitativos de seu poder futuro de realizações pessoais.
Daí a necessidade de pro curarmos reduzir o fosso que separa e marginaliza grande parte da Humanidade.
p
8) A Responsabilidade Social do Dirigente de Empresas do Futuro
Ao empresário do futuro, com sua superior responsabili
dade de cidadão, cabe estimu lar, pelo exemplo, e comparti lhar suas experiências e seus
frutos com os demais, em to dos os níveis e latitudes, para aprimoramento
da
sociedade
universal.
impor
seus
siste-
DIGESTO ECONÔMICO
61
mas, modos ou processos. Ofe recer oportunidades de coope ração. Tornar-se disponível. Vi ver e deixar viver. Que cada um, afinal, possa escolher a solução que melhor lhe aprouver. Mas que esteja seguro de que não está sozinho, abando
reencontre a paz duradoura e a felicidade pessoal de seus
nado, na imensidão desta Ter-
Jango Goulart como presidente.
ra.
9) Conclusão: Mensagem de Esperança Uma mensagem de espe rança. Não podemos permitir a
Em fins de 1961, instalouse no Brasil um governo com forte conteúdo centralizador, sob a influência de comunistas
tutelados
por
Moscou,
tendo
trabalhadores se insurgindo contra os patrões (tivemos
março de 1964); os estudantes contra os professores; os mili tares de patentes mais baixas (de sargentos a soldados) que brando a disciplina das Forças Armadas. No campo econômi co, com uma economia forte mente centralizada, o quadro era caótico; após atingir mais de 80% em 1963, a inflação subiu em março de 1964; o dé ficit estimado do orçamento fe deral era superior ao total da arrecadação prevista para aquele exercício. No setor ex terno, o Brasil simplesmente suspendera os pagamentos de
sublime para que o mantivesse sempre voltado para o Céu co mo suprema aspiração.
Estou seguro de que o ad ministrador de empresas do fu turo não faltará à sua imensa
tribuir, com coragem e dedica ção, para que o nosso Mundo
de 3%.
Durante esse período (se tembro de 1961 — março de 1964), os líderes empresariais, notadamente de São Paulo e do
a si mesmo, destruindo, assas
encurvados, olham para o chão. Deus deu ao homem um rosto
O
Rio de Janeiro, sentindo a gra
imediatamente
Enquanto os outros animais,
moratória.
P.I.B. caira para 1,6%, frente a um crescimento populacional
Os resultados foram altamente
gritude, ao homem negando-se
nos guerreiros.
de
em moeda declaração
desastrosos. No campo político, chegamos a uma agitação qua se que generalizada, com os
mais de 300 greves, no Estado de São Paulo,, nos 12 meses
sinando seus irmãos. Precisa mos de mais estadistas e me
seus comprofissos estrangeira, numa unilateral
concidadãos.
volta ao obscurantismo, à ne
responsabilidade e saberá con
Deve saber fazê-lo, todavia, sem tentar
ECONÔMICO
anteriores
a
vidade da situação, que se de teriorava rapidamente, organi zaram duas entidades, através das quais passaram a atuar econômica e politicamente: a Anpes (Associação Nacional de Programação Econômica e So cial) e 0 Ipes (Instituto de Pes quisas Econômicas e Sociais). Do ponto de vista econômico, defendia-se a primazia da eco nomia descentralizada sobre a
centralizada
(esta, a adotada,
mais e mais, pelo governo
da
época). Pouco tempo antes, ha viam sido fundadas as Escolas
de Administração de Empresas, da Fundação Getúlio Vargas (São Paulo) e a da Universida de Católica (São Paulo). Destas escolas saíram grandes talen tos empresariais, treinados na doutrina descentralizada da li
vre empresa. Do ponto de vis-
DIGESTO
60
da um nasce. Ao respirar, ao
abrir os olhos, cada ser se de fronta com um exterior, que não é 0 mesmo para todos. Há diferentes regiões, em diferen ciados estágios de desenvolvi mento, oferecendo maiores ou menores oportunidades, cuja existência não depende do in divíduo que nelas veio ao Mun do, mas que podem ser sérios fatores ou expansivos ou limitativos de seu poder futuro de realizações pessoais.
Daí a necessidade de pro curarmos reduzir o fosso que separa e marginaliza grande parte da Humanidade.
p
8) A Responsabilidade Social do Dirigente de Empresas do Futuro
Ao empresário do futuro, com sua superior responsabili
dade de cidadão, cabe estimu lar, pelo exemplo, e comparti lhar suas experiências e seus
frutos com os demais, em to dos os níveis e latitudes, para aprimoramento
da
sociedade
universal.
impor
seus
siste-
DIGESTO ECONÔMICO
61
mas, modos ou processos. Ofe recer oportunidades de coope ração. Tornar-se disponível. Vi ver e deixar viver. Que cada um, afinal, possa escolher a solução que melhor lhe aprouver. Mas que esteja seguro de que não está sozinho, abando
reencontre a paz duradoura e a felicidade pessoal de seus
nado, na imensidão desta Ter-
Jango Goulart como presidente.
ra.
9) Conclusão: Mensagem de Esperança Uma mensagem de espe rança. Não podemos permitir a
Em fins de 1961, instalouse no Brasil um governo com forte conteúdo centralizador, sob a influência de comunistas
tutelados
por
Moscou,
tendo
trabalhadores se insurgindo contra os patrões (tivemos
março de 1964); os estudantes contra os professores; os mili tares de patentes mais baixas (de sargentos a soldados) que brando a disciplina das Forças Armadas. No campo econômi co, com uma economia forte mente centralizada, o quadro era caótico; após atingir mais de 80% em 1963, a inflação subiu em março de 1964; o dé ficit estimado do orçamento fe deral era superior ao total da arrecadação prevista para aquele exercício. No setor ex terno, o Brasil simplesmente suspendera os pagamentos de
sublime para que o mantivesse sempre voltado para o Céu co mo suprema aspiração.
Estou seguro de que o ad ministrador de empresas do fu turo não faltará à sua imensa
tribuir, com coragem e dedica ção, para que o nosso Mundo
de 3%.
Durante esse período (se tembro de 1961 — março de 1964), os líderes empresariais, notadamente de São Paulo e do
a si mesmo, destruindo, assas
encurvados, olham para o chão. Deus deu ao homem um rosto
O
Rio de Janeiro, sentindo a gra
imediatamente
Enquanto os outros animais,
moratória.
P.I.B. caira para 1,6%, frente a um crescimento populacional
Os resultados foram altamente
gritude, ao homem negando-se
nos guerreiros.
de
em moeda declaração
desastrosos. No campo político, chegamos a uma agitação qua se que generalizada, com os
mais de 300 greves, no Estado de São Paulo,, nos 12 meses
sinando seus irmãos. Precisa mos de mais estadistas e me
seus comprofissos estrangeira, numa unilateral
concidadãos.
volta ao obscurantismo, à ne
responsabilidade e saberá con
Deve saber fazê-lo, todavia, sem tentar
ECONÔMICO
anteriores
a
vidade da situação, que se de teriorava rapidamente, organi zaram duas entidades, através das quais passaram a atuar econômica e politicamente: a Anpes (Associação Nacional de Programação Econômica e So cial) e 0 Ipes (Instituto de Pes quisas Econômicas e Sociais). Do ponto de vista econômico, defendia-se a primazia da eco nomia descentralizada sobre a
centralizada
(esta, a adotada,
mais e mais, pelo governo
da
época). Pouco tempo antes, ha viam sido fundadas as Escolas
de Administração de Empresas, da Fundação Getúlio Vargas (São Paulo) e a da Universida de Católica (São Paulo). Destas escolas saíram grandes talen tos empresariais, treinados na doutrina descentralizada da li
vre empresa. Do ponto de vis-
DIGESTO
62
ECONÔMICO
ta político, a atuação era mais sutil, pois que o governo não permitia outro tipo de militân
namento da dívida externa, ten do sido restaurada a credibili
cia. As
campo interno, visando resta belecer a confiança na moeda, foi instituída a indexação (cor reção monetária), inicialmente sobre os depósitos e emprésti mos bancários, estendendo-se, gradativamente, aos outros se
mulheres também
se
organizaram (Camde — Cam panha da Mulher pela Demo cracia, no Rio; e MAF — Mo vimento de Arregimentação Fe minina e União Cívica Femini
na, em São Paulo). O maior problema dos empresários foi convencer as lideranças milita res que o governo do sr. Jango Goulart não estava
obedecendo
a Constituição do País, não mais representando o poder le gítimo que cabia às Forças Ar madas
dade do Brasil no Exterior. No
Podemos dividir a grosso modo, em 5 (cinco) períodos a evolução recente da economia brasileira, como segue. 1.0 Período: 1964/1967
Superada esta barreira, as li deranças civis, inclusive as mu
e
lheres, e os militares, deflagra
to:
ram uma revolução que„
derramamento de sangue,
sem se
tornou vitoriosa, em 31 de mar ço de 1964. O chefe militar foi o general Humberto Castello Branco, a seguir eleito presi dente do Brasil.
Integrado por elementos al tamente competentes, o novo
governo passou rapidamente a superar o caos que se havia im
plantado. Já em 1964, a infla ção foi baixada 91%.
Restauração das finanças retomada
do
desenvolvimen¬
Com forte participação dos líderes empresariais privados, que eram os responsáveis pelo setor econômico-financeiro, os resultados positivos começaram a surgir rapidamente, o P.I.B. cresceu de 2,9%, para 5% e a inflação caiu para 25%.
63
10% em média e redução da in flação de 25% para 15%.
Sem negligenciar a agricul-v tura, passaram a ser estimula dos o desenvolvimento indus trial e 0 setor de exportações, com resultados auspiciosos.
3.« Período: 1974/1978 O primeiro
tores da economia.
sustentar e defender.
DIGESTO ECONÔMICO
choque petrolí-
fero.
80% do petróleo consumido,
o
Brasil foi excessivamente lento em adaptar sua economia à nova realidade. Ajudado pelas forças deflagradas no período anterior, o País continuou crescendo a taxas muito eleva
das (14% P.I.B. em 1974) e a inflação aumentava apenas len tamente.
situação,
apesar
dos
grandes esforços de exportação para criar divisas (aliás, com
Procedeu-se ao reescalo-
P.I.B., em termos reais,
de
xide.3valorização de 30%, con trariamente à política de minidesvalorização, que vinha sen-' do seguida desde 1968.
foi violento. A partir daí, no tou-se um retraimento empre sarial, começando a surgir uma
O milagre brasileiro. do
importado, o Brasil, em dezem bro de 1979, promove uma ma-
máximo de US$
de
9,8% para 6% ,e a inflação au
período áureo,
tações, para criar divisas com as quais pagar pelo petróleo
4,7 bilhões em 1974, melhorou para US$ 1 bilhão, em 1978.
caiu
mentou de
Este foi 0
Brasil continuava a gastar uma enorme quantidade de divisas estrangeiras para importação de petróleo. Este dispêndio che gou a atingir cerca de 60% do total das importações do País. Visando a estimular as expor
comercial,,
O P.I.B.
2.0 Período: 1968/1973
com taxas de crescimento
Apesar dos esforços feitos para superar a crise energéti ca, com sucesso na redução do consumo dos produtos petrolí feros e na produção de substi
O impacto sobre as finan ças empresariais, notadamente aquelas entidades com dívidas em moeda estrangeira e as com elevado conteúdo importador,
bastante sucesso), passou a se deteriorar.
de 144% para
Do segundo choque petrolí fero até hoje.
tutos, notadamente o álcool, o
Após o choque de outubro de 1973. embora importando
A
4.® Período: 1979/1980
34% para 41%.
déficit da balança que atingiu o
O
DIGESTO
62
ECONÔMICO
ta político, a atuação era mais sutil, pois que o governo não permitia outro tipo de militân
namento da dívida externa, ten do sido restaurada a credibili
cia. As
campo interno, visando resta belecer a confiança na moeda, foi instituída a indexação (cor reção monetária), inicialmente sobre os depósitos e emprésti mos bancários, estendendo-se, gradativamente, aos outros se
mulheres também
se
organizaram (Camde — Cam panha da Mulher pela Demo cracia, no Rio; e MAF — Mo vimento de Arregimentação Fe minina e União Cívica Femini
na, em São Paulo). O maior problema dos empresários foi convencer as lideranças milita res que o governo do sr. Jango Goulart não estava
obedecendo
a Constituição do País, não mais representando o poder le gítimo que cabia às Forças Ar madas
dade do Brasil no Exterior. No
Podemos dividir a grosso modo, em 5 (cinco) períodos a evolução recente da economia brasileira, como segue. 1.0 Período: 1964/1967
Superada esta barreira, as li deranças civis, inclusive as mu
e
lheres, e os militares, deflagra
to:
ram uma revolução que„
derramamento de sangue,
sem se
tornou vitoriosa, em 31 de mar ço de 1964. O chefe militar foi o general Humberto Castello Branco, a seguir eleito presi dente do Brasil.
Integrado por elementos al tamente competentes, o novo
governo passou rapidamente a superar o caos que se havia im
plantado. Já em 1964, a infla ção foi baixada 91%.
Restauração das finanças retomada
do
desenvolvimen¬
Com forte participação dos líderes empresariais privados, que eram os responsáveis pelo setor econômico-financeiro, os resultados positivos começaram a surgir rapidamente, o P.I.B. cresceu de 2,9%, para 5% e a inflação caiu para 25%.
63
10% em média e redução da in flação de 25% para 15%.
Sem negligenciar a agricul-v tura, passaram a ser estimula dos o desenvolvimento indus trial e 0 setor de exportações, com resultados auspiciosos.
3.« Período: 1974/1978 O primeiro
tores da economia.
sustentar e defender.
DIGESTO ECONÔMICO
choque petrolí-
fero.
80% do petróleo consumido,
o
Brasil foi excessivamente lento em adaptar sua economia à nova realidade. Ajudado pelas forças deflagradas no período anterior, o País continuou crescendo a taxas muito eleva
das (14% P.I.B. em 1974) e a inflação aumentava apenas len tamente.
situação,
apesar
dos
grandes esforços de exportação para criar divisas (aliás, com
Procedeu-se ao reescalo-
P.I.B., em termos reais,
de
xide.3valorização de 30%, con trariamente à política de minidesvalorização, que vinha sen-' do seguida desde 1968.
foi violento. A partir daí, no tou-se um retraimento empre sarial, começando a surgir uma
O milagre brasileiro. do
importado, o Brasil, em dezem bro de 1979, promove uma ma-
máximo de US$
de
9,8% para 6% ,e a inflação au
período áureo,
tações, para criar divisas com as quais pagar pelo petróleo
4,7 bilhões em 1974, melhorou para US$ 1 bilhão, em 1978.
caiu
mentou de
Este foi 0
Brasil continuava a gastar uma enorme quantidade de divisas estrangeiras para importação de petróleo. Este dispêndio che gou a atingir cerca de 60% do total das importações do País. Visando a estimular as expor
comercial,,
O P.I.B.
2.0 Período: 1968/1973
com taxas de crescimento
Apesar dos esforços feitos para superar a crise energéti ca, com sucesso na redução do consumo dos produtos petrolí feros e na produção de substi
O impacto sobre as finan ças empresariais, notadamente aquelas entidades com dívidas em moeda estrangeira e as com elevado conteúdo importador,
bastante sucesso), passou a se deteriorar.
de 144% para
Do segundo choque petrolí fero até hoje.
tutos, notadamente o álcool, o
Após o choque de outubro de 1973. embora importando
A
4.® Período: 1979/1980
34% para 41%.
déficit da balança que atingiu o
O
DIG3STO
64
desconfiança interna em rela
ção à moeda brasileira. Para restabelecer
a
con
fiança, o Governo cometeu um erro. talvez ainda maior: pre fixou as taxas de indexação (correção monetária) para o ano de 1980 em 50%, o mesmo fazendo com a desvalorização cambial. Foram, também, esta belecidos de juros.
tetos para as taxas
Os resultados foram desas
trosos: pressão sobre as impor tações e formação de estoques elevados, com uma aceleração
do processo inflacionário, que atingiu três dígitos,, pela pri meira vez desde a vitória
Revolução de
da
Março de 1964:
110%, e um P.I.B. de 8%, de notando uma aquecida.
economia super-
ECONÔMICO
juros mas instituiu controle da expansão quantitativa do cré dito em moeda nacional, esti mulando as empresas a toma rem recursos no Exterior,, para ajudar a fechar o "gap” do ba lanço ds pagamentos; liberou maioria dos preços internos, até então administrados pelo
Os resultados positivos já começam a aparecer: a infla ção diminuiu de intensidade, devendo
encerrar
o
ano
com
95/98%; a balança comercial, após mostrar déficits de cerca de US$ 3 bilhões em 1979 e 1980, já apresenta um superávit, que deverá se aproximar a US$ 1 bilhão, no fim do exercício. Para chegar a estes resul
tados,
1982:
tivemos
que enfrentar
perávits comerciais) redução da inflação e do desemprego.
Retomada do
Desenvolvimento
A despeito dos sérios pro
blemas enfrentados,
o Brasil
adentra 1982 com um P.I.B. de
US$ 280 bilhões e uma renda per capita de US$ 2,300.00.
choques abalaram a economia mundial: a quadruplicação dos
O Brasil é um país econo micamente responsável. Os ho
anos,
preços do petróleo^ em 1973; o
política
a elevação violenta das taxas de juros internacionais.
altamente capazes, coímo já o provaram no passado. Estou convencido de que o País reto mará, em 1982, o seu vigoroso
Tendo absorvido o impacto dos dois choques petrolíferos e
em face, agora, de uma impor tante redução dos juros inter
nacionais, e, ademais, cem ba se nos
resultados
obtidos em
encerrare
de desenvolvimento econômico.
timular as exportações: impôs
mos 0 ano com um P.I.B. neu
dificuldades burocráticas as im
tro, isto é, igual ao crescimen to populacional: 2,4%.
As prioridades são: agri cultura; aceleração e substitui ção das importações (com su-
Reconhecendo o sério erro
em que havia incorrido, o Go verno deu uma guinada de 180 graus: adotou minidesvaloriza-
ções mais aceleradas, para es portações; liberou as taxas de
recessão
no decorrer
de
1981, com diminuição sensível da produção industrial e surgi mento de desemprego. Todavia, a agricultura e o setor de ser
viços têm sido positivos.
sim^ possivelmente
mens que respondem por sua
segundo salto dos preços do pe tróleo, no decorrer de 1979, e,
As
1981
em 1981); b) superávit da ba lança comercial: US$ 2,5/3 bi lhões (versus US$ 1 bilhão em
1981); c) crescimento do P.I.B: 5% (versus 2,4% em 1981).
8
1981 (redução da inflação e ob tenção de superávit na balan ça comercial) o Brasil se lan ça em 1982 com o objetivo de retomar segura mas cautelosa mente, 0 seu tradicional ritmo
uma 5.® Pe: íodo:
Assim, estimamos, para 1982:
a) inflação, 80% (versus 95/98%
três
Nos últimos
Governo.
65
DIGESTO ECONÔMICO
na
econômico-financeira,
maioria
empresários,
são
ritmo de desenvolvimento, sob
um regime econômico aberto e descentralizado.
Regras básicas para enfrentar altas taxas inflacionárias
Em face das altas taxas de
inflação, agravadas com a re cessão de 1981, e que deverão continuar ainda por alguns anos,
os empresários brasileiros cria ram
diversas
regras
básicas
para ajudá-los a enfrentar a
situação de maneira rentável. Eis algumas dessas regras:
DIG3STO
64
desconfiança interna em rela
ção à moeda brasileira. Para restabelecer
a
con
fiança, o Governo cometeu um erro. talvez ainda maior: pre fixou as taxas de indexação (correção monetária) para o ano de 1980 em 50%, o mesmo fazendo com a desvalorização cambial. Foram, também, esta belecidos de juros.
tetos para as taxas
Os resultados foram desas
trosos: pressão sobre as impor tações e formação de estoques elevados, com uma aceleração
do processo inflacionário, que atingiu três dígitos,, pela pri meira vez desde a vitória
Revolução de
da
Março de 1964:
110%, e um P.I.B. de 8%, de notando uma aquecida.
economia super-
ECONÔMICO
juros mas instituiu controle da expansão quantitativa do cré dito em moeda nacional, esti mulando as empresas a toma rem recursos no Exterior,, para ajudar a fechar o "gap” do ba lanço ds pagamentos; liberou maioria dos preços internos, até então administrados pelo
Os resultados positivos já começam a aparecer: a infla ção diminuiu de intensidade, devendo
encerrar
o
ano
com
95/98%; a balança comercial, após mostrar déficits de cerca de US$ 3 bilhões em 1979 e 1980, já apresenta um superávit, que deverá se aproximar a US$ 1 bilhão, no fim do exercício. Para chegar a estes resul
tados,
1982:
tivemos
que enfrentar
perávits comerciais) redução da inflação e do desemprego.
Retomada do
Desenvolvimento
A despeito dos sérios pro
blemas enfrentados,
o Brasil
adentra 1982 com um P.I.B. de
US$ 280 bilhões e uma renda per capita de US$ 2,300.00.
choques abalaram a economia mundial: a quadruplicação dos
O Brasil é um país econo micamente responsável. Os ho
anos,
preços do petróleo^ em 1973; o
política
a elevação violenta das taxas de juros internacionais.
altamente capazes, coímo já o provaram no passado. Estou convencido de que o País reto mará, em 1982, o seu vigoroso
Tendo absorvido o impacto dos dois choques petrolíferos e
em face, agora, de uma impor tante redução dos juros inter
nacionais, e, ademais, cem ba se nos
resultados
obtidos em
encerrare
de desenvolvimento econômico.
timular as exportações: impôs
mos 0 ano com um P.I.B. neu
dificuldades burocráticas as im
tro, isto é, igual ao crescimen to populacional: 2,4%.
As prioridades são: agri cultura; aceleração e substitui ção das importações (com su-
Reconhecendo o sério erro
em que havia incorrido, o Go verno deu uma guinada de 180 graus: adotou minidesvaloriza-
ções mais aceleradas, para es portações; liberou as taxas de
recessão
no decorrer
de
1981, com diminuição sensível da produção industrial e surgi mento de desemprego. Todavia, a agricultura e o setor de ser
viços têm sido positivos.
sim^ possivelmente
mens que respondem por sua
segundo salto dos preços do pe tróleo, no decorrer de 1979, e,
As
1981
em 1981); b) superávit da ba lança comercial: US$ 2,5/3 bi lhões (versus US$ 1 bilhão em
1981); c) crescimento do P.I.B: 5% (versus 2,4% em 1981).
8
1981 (redução da inflação e ob tenção de superávit na balan ça comercial) o Brasil se lan ça em 1982 com o objetivo de retomar segura mas cautelosa mente, 0 seu tradicional ritmo
uma 5.® Pe: íodo:
Assim, estimamos, para 1982:
a) inflação, 80% (versus 95/98%
três
Nos últimos
Governo.
65
DIGESTO ECONÔMICO
na
econômico-financeira,
maioria
empresários,
são
ritmo de desenvolvimento, sob
um regime econômico aberto e descentralizado.
Regras básicas para enfrentar altas taxas inflacionárias
Em face das altas taxas de
inflação, agravadas com a re cessão de 1981, e que deverão continuar ainda por alguns anos,
os empresários brasileiros cria ram
diversas
regras
básicas
para ajudá-los a enfrentar a
situação de maneira rentável. Eis algumas dessas regras:
I
86
DIGESTO
1) Procurar fortalecer a equify position" para reduzir os custos financeiros.
A razão principal para es ta política está nos exorbitan tes custos dos empréstimos, que atingiram 130/140%, nominais, com uma inflação de 110% em 1980 — e que prossegue muito elevada em 1981 (95/98%). Em bora não seja fácil converter
dívida em equity, quando o cash floíw está sendo compri mido, há algumas possibilida
des, tais como a venda de pro priedades não essenciais à con
duta dos negócios; o aumento
das dívidas pela obtenção de prazos mais longos para paga mentos e somente liquidar
as
obrigações da empresa, inclu
ECONÔMICO
Desta
forma, reduzem-se as necessidades de fundos (que são tão dispendiosos). 4) Rever cuidadosamente as importações
Esta é uma providência ne¬ cessária, não só porque a polí tica do Governo é reduzi-las ao mínimo
mas
em termos
de empresa,
não imobiliza recursos
esta
no de-
2) Dar prioridade ao "cash fiow" sobre as vendas e lucros
Aja como se o dinheiro fos se seu e não da empresa.
3) Reduzir drasticamente os estoques.
É 0 óbvio mas nem sempre lembrado
pelos
empresários.
Os brasileiros devem participar, sem inibir a participação de capitais estrangeiros. O autor é o atual presidente da Companhia do Jari, é engenheiro e
correr do processo de impor tação. As firmas devem procu
rar suprir-se, ao máximo, no
administrador de empresas.
mercado interno.
5) Reduzir ao mínimo os prazos de venda
sive impostos e taxas, no dia do vencimento,
Sérgio F. Quintella
também porque,
Esta é uma importante pro vidência, que deve ser tomada,
O
chamado
Programa
Grande Carajás — na realidade um plano global de desenvolvi mento para a Amazônia Orien tal — começa a despertar na sociedade brasileira intensos
e
gem de lucro.
salutares debates. Interessados no tema, multiplicam-se as reu
6) Reduzir a força de trabalho
niões de empresários, professo res universitários e associações
mesmo com sacrifício da mar
ao estritamente
necessário
É outra providência óbvia mas que brada.
nem
sempre é lem
de classe. Inúmeros têm sido os
artigos assinados e os editoriais dos nossos principais jornais e revistas trazendo valiosas e ino vadoras contribuições à com preensão das dimensões do Pro-
grama, do seu impacto na or ganização da sociedade e da sua importância para a econo mia nacional.
O Grande Carajás nasceu
da concepção estratégica de Eliezer Batista (presidente da
Companhia Vale do Rio Doce) para o aproveitamento integra do das riquezas hidroelétricas,
minerais,
agrícolas
e flores
tais da região, buscando tirar 0 máximo partido da infra-es trutura de transportes do mi nério de ferro (ferrovia de 900
I
86
DIGESTO
1) Procurar fortalecer a equify position" para reduzir os custos financeiros.
A razão principal para es ta política está nos exorbitan tes custos dos empréstimos, que atingiram 130/140%, nominais, com uma inflação de 110% em 1980 — e que prossegue muito elevada em 1981 (95/98%). Em bora não seja fácil converter
dívida em equity, quando o cash floíw está sendo compri mido, há algumas possibilida
des, tais como a venda de pro priedades não essenciais à con
duta dos negócios; o aumento
das dívidas pela obtenção de prazos mais longos para paga mentos e somente liquidar
as
obrigações da empresa, inclu
ECONÔMICO
Desta
forma, reduzem-se as necessidades de fundos (que são tão dispendiosos). 4) Rever cuidadosamente as importações
Esta é uma providência ne¬ cessária, não só porque a polí tica do Governo é reduzi-las ao mínimo
mas
em termos
de empresa,
não imobiliza recursos
esta
no de-
2) Dar prioridade ao "cash fiow" sobre as vendas e lucros
Aja como se o dinheiro fos se seu e não da empresa.
3) Reduzir drasticamente os estoques.
É 0 óbvio mas nem sempre lembrado
pelos
empresários.
Os brasileiros devem participar, sem inibir a participação de capitais estrangeiros. O autor é o atual presidente da Companhia do Jari, é engenheiro e
correr do processo de impor tação. As firmas devem procu
rar suprir-se, ao máximo, no
administrador de empresas.
mercado interno.
5) Reduzir ao mínimo os prazos de venda
sive impostos e taxas, no dia do vencimento,
Sérgio F. Quintella
também porque,
Esta é uma importante pro vidência, que deve ser tomada,
O
chamado
Programa
Grande Carajás — na realidade um plano global de desenvolvi mento para a Amazônia Orien tal — começa a despertar na sociedade brasileira intensos
e
gem de lucro.
salutares debates. Interessados no tema, multiplicam-se as reu
6) Reduzir a força de trabalho
niões de empresários, professo res universitários e associações
mesmo com sacrifício da mar
ao estritamente
necessário
É outra providência óbvia mas que brada.
nem
sempre é lem
de classe. Inúmeros têm sido os
artigos assinados e os editoriais dos nossos principais jornais e revistas trazendo valiosas e ino vadoras contribuições à com preensão das dimensões do Pro-
grama, do seu impacto na or ganização da sociedade e da sua importância para a econo mia nacional.
O Grande Carajás nasceu
da concepção estratégica de Eliezer Batista (presidente da
Companhia Vale do Rio Doce) para o aproveitamento integra do das riquezas hidroelétricas,
minerais,
agrícolas
e flores
tais da região, buscando tirar 0 máximo partido da infra-es trutura de transportes do mi nério de ferro (ferrovia de 900
DIGESTO
68
km e porto de águas profun das de São Luís) e da carência mundial de certos produtos me¬
Segmento
talúrgicos e agrícolas. O Pro
grama, como concebido, leva va ao seguinte quadro resumo: Receita Anual (US$ bi)
investi mentos
US$ bilhões
ECONÔMICO
População Abrangida (mil)
Empregos Diretos
(mil)
Minero-metalúrgico Agrícola
28,1
9,2
380
67
8,1
Pecuária
1,7
6.5 0.7
624 152
Reflorestamento
1,3
0,6
3.400 840 980
39,2
17,00
5.600
1.022
Subtota]
179
DIGESTO ECONÔMICO
* Não obstante as magníficas condições intrínsecas, a escala dos investimentos (cerca de 60 bilhões de dólares) traz preo cupações especiais na escolha correta do modelo de capitali zação de cada empreendimento, sobretudo pela importância de utilizar o Programa como ins trumento fundamental no esfor
ço de consolidação da econo mia aberta de mercado.
Infra-estrutura:
Comunidade Residencial Outros
Sistemas
14,6 7,9
TOTAL
GERAL
61.7
Pontos controversos 225 1.244 h estimado n estimado
17,0
Há cerca de seis meses ti
vemos ocasião de publicar um trabalho
sobre
a
Amazônia
Oiental que representava, à
6.844
1.247
(interno e externo) com escas sez comprovada para a maio ria dos produtos a serem ofer tados.
época, uma tentativa de divul gar de forma resumida os tra balhos até então elaborados.
Procurávamos
naquela
oportunidade, além de indicar as enormes potencialidades da
região, ressaltar três aspectos particularmente
relevantes,
a
saber:
*
69
O programa indicativo apre
senta enorme vitalidade, inclu sive por atender a mercados
■* Os projetos individuais têm a sua viabilidade praticamente assegurada pela conjugação fe liz de vários fatores, entre eles
disponibilidade de energia elé trica, abundância de minerais
de teor e qualidade excepcio
Temos tido oportunidade de participar de alguns debates sobre o Grande Carajás e, desta experiência, parece possível in dicar cinco pontos repetidamen te apresentados como contro versos e que resumem algumas posições de dúvida ou mesmo de oposição ao Programa. Sem outro objetivo senão o de con
tribuir para o desejado estudo
do tema, de forma organizada e sistemática, mencionaríamos os
seguintes
como
elementos
de controvérsia:
concentrada
1. As dimensões “amazônias"
em um único local e infra-estru
dos compromissos globais indu
tura para o transporte de gran des massas a grandes distân
ziram à concentração de recuideslosos na área-programa
nais,
cias.
localização
cando investimentos de outras
regiões (e de outros setores") que continuariam demandando elevada prioridade. 2. Com relação aos ecossis temas da região — sobretudo atentando para o que vem sen* do discutido nos foros interna cionais e no ambiente universi tário brasileiro — procura-se analisar as eventuais altera
ções do mesmo, especialmente em decorrência
da ocupação
agrícola e pastoril e da intro dução da grande exploração flo restal, utilizando a vocação de porções da área para este ti
po de aproveitamento
econô
mico.
3. Os modernos empreendi mentos minerais e metalúrgi cos são sabidamente capital in tensivos. As estimativas preli minares de geração de empre gos nesse segmento econômico indicam a criação
de
70
mil
empregos diretos com desfavo rável relação capital/emprego. Sendo alta a prioridade, em ter
mos nacionais, que se deve Jar a geração de oportunidade de trabalho, questiona-se a adequa
ção do Programa a este obje tivo.
4. Os projetos metalúrgicos: alumínio, cobre, manganês (e
DIGESTO
68
km e porto de águas profun das de São Luís) e da carência mundial de certos produtos me¬
Segmento
talúrgicos e agrícolas. O Pro
grama, como concebido, leva va ao seguinte quadro resumo: Receita Anual (US$ bi)
investi mentos
US$ bilhões
ECONÔMICO
População Abrangida (mil)
Empregos Diretos
(mil)
Minero-metalúrgico Agrícola
28,1
9,2
380
67
8,1
Pecuária
1,7
6.5 0.7
624 152
Reflorestamento
1,3
0,6
3.400 840 980
39,2
17,00
5.600
1.022
Subtota]
179
DIGESTO ECONÔMICO
* Não obstante as magníficas condições intrínsecas, a escala dos investimentos (cerca de 60 bilhões de dólares) traz preo cupações especiais na escolha correta do modelo de capitali zação de cada empreendimento, sobretudo pela importância de utilizar o Programa como ins trumento fundamental no esfor
ço de consolidação da econo mia aberta de mercado.
Infra-estrutura:
Comunidade Residencial Outros
Sistemas
14,6 7,9
TOTAL
GERAL
61.7
Pontos controversos 225 1.244 h estimado n estimado
17,0
Há cerca de seis meses ti
vemos ocasião de publicar um trabalho
sobre
a
Amazônia
Oiental que representava, à
6.844
1.247
(interno e externo) com escas sez comprovada para a maio ria dos produtos a serem ofer tados.
época, uma tentativa de divul gar de forma resumida os tra balhos até então elaborados.
Procurávamos
naquela
oportunidade, além de indicar as enormes potencialidades da
região, ressaltar três aspectos particularmente
relevantes,
a
saber:
*
69
O programa indicativo apre
senta enorme vitalidade, inclu sive por atender a mercados
■* Os projetos individuais têm a sua viabilidade praticamente assegurada pela conjugação fe liz de vários fatores, entre eles
disponibilidade de energia elé trica, abundância de minerais
de teor e qualidade excepcio
Temos tido oportunidade de participar de alguns debates sobre o Grande Carajás e, desta experiência, parece possível in dicar cinco pontos repetidamen te apresentados como contro versos e que resumem algumas posições de dúvida ou mesmo de oposição ao Programa. Sem outro objetivo senão o de con
tribuir para o desejado estudo
do tema, de forma organizada e sistemática, mencionaríamos os
seguintes
como
elementos
de controvérsia:
concentrada
1. As dimensões “amazônias"
em um único local e infra-estru
dos compromissos globais indu
tura para o transporte de gran des massas a grandes distân
ziram à concentração de recuideslosos na área-programa
nais,
cias.
localização
cando investimentos de outras
regiões (e de outros setores") que continuariam demandando elevada prioridade. 2. Com relação aos ecossis temas da região — sobretudo atentando para o que vem sen* do discutido nos foros interna cionais e no ambiente universi tário brasileiro — procura-se analisar as eventuais altera
ções do mesmo, especialmente em decorrência
da ocupação
agrícola e pastoril e da intro dução da grande exploração flo restal, utilizando a vocação de porções da área para este ti
po de aproveitamento
econô
mico.
3. Os modernos empreendi mentos minerais e metalúrgi cos são sabidamente capital in tensivos. As estimativas preli minares de geração de empre gos nesse segmento econômico indicam a criação
de
70
mil
empregos diretos com desfavo rável relação capital/emprego. Sendo alta a prioridade, em ter
mos nacionais, que se deve Jar a geração de oportunidade de trabalho, questiona-se a adequa
ção do Programa a este obje tivo.
4. Os projetos metalúrgicos: alumínio, cobre, manganês (e
DIGESTO
70
ferro-ligas), níquel, sinter, se mi-acabados, etc., caracterizam-se por serem energia in tensivos, isto é, incorporam ao produto final elevados coefi cientes de energia elétrica. Daí resulta o problema da correta utilização dos mananciais hi droelétricos
das
bacias
seten
trionais do Tocantins, Araguaia
e Xingu e, especialmente, o das
ECONÔMICO
DIGESTO ECONÔMICO
71
(US$ 6 bilhões/ano a preços atuais) e que a economia cres ça, era média, entre 4% e 6% ao ano, os comprometimentos anuais de recursos não ultra passariam 8,5% da formação bruta de capital. Por outro la do, há suficiente evidência pa ra concluir-se que, tratando-se de Programa que compreende
te, excedentes exportáveis que atingirão em 1981 US$ 25 bi lhões; quando implantado, o Grande Carajás aumentará as exportações globais para US$ 42 bilhões/ano (US$ 17 bilhões
projetos de relação
de aumento)^ com investimen tos
marginais de US$ 60 bi
lhões, isto é, de cerca de 10% do atual estoque total de capi
tarifas de energia elétrica a se
produto muito favorável e ele
tal. Por outro lado, o saldo po sitivo previsto de divisas será
rem atribuídas
vada taxa interna de retorno,
muito elevado, sobretudo
a esses pro
jetos.
a realização do Grande Cara
5. Finalmente, considerando-
se que os projetos metalúrgicos representam
investimentos
es-
timados em 40 bilhões de dó lares (inclusive infra-estrutu ra), coloca-se a questão do con-
trole nacional sobre esses pro jetos, bem como do grau e for ma da participação do capital privado.
jás provocará resultados posi tivos não só para a economia regional (Norte e Nordeste), mas para toda a economia na cional.
Dadas as características de programa
substitutivo
de
im
portação (o Brasil importa atualmente cerca de US$ 500 milhões/ano somente em cobre
Considerações em torno da$ controvérsias
Com relação ao primeiro dos pontos controversos, cremos ne cessário trazer os números ab
solutos do Programa a padrões macroeconômicos de aferição. Admitindo-se que os investi mentos sejam realizados dentro de um
capital/
horizonte
de 10
anos
e alumínio) e exportador de produtos minerais, metalúrgi
cos e agrícolas, o Grande Cara jás trará importantes efeitos na correção de
alguns
desequilí
por
tratar-se de produtos (manufa turados ou agrícolas) em que os principais insumos são es sencialmente de origem nacio nal (energia elétrica, minérios, redutores, etc.). Nâo há, também, como ig norar a extrema oportunidade do programa na captação da poupança externa — sobretudo capitais de risco — inclusive por tratar-se de elenco de opor tunidades de investimento de
importância vital e estratégica para muitas grandes empresas
brios hoje identificados na eco
internacionais.
nomia brasileira.
enorme potencialidade para o
cabe Assim, por exemplo, mencionar que o estoque total de capital (da ordem de US$ 600 bilhões) produz, atualmen-
Daí
decorre
capital privado nacional, caso seja capaz de mobilizar-se ra pidamente e de forma ade quada.
Âs questões sociais
As preocupações de ordem
social vêm ganhando, no Bra sil, crescente importância e destaque, até mesmo como fa tor de hierarquia maior na definição de prioridades. Den tro deste enfoque, avultam as questões relativas à geração de empregos para atender à de manda da ordem de 1,5 milhão de pessoas/ano. Não há como invalidar a assertiva de que os projetos minero-metalúrgicos, por serem capital intensivos, não
atendem
isoladamente
ao
objetivo de ampliar as oportu nidades de emprego.
Elntretanto, o programa glo bal — isto é, os projetos agrí colas e florestais incluídos — absorve mais de 1 milhão de
trabalhadores (7 milhões de pessoas diretamente beneficia das), sem considerar a parce la
enorme e não
totalmente
quantificada de empregos vin culados às atividades indus triais de 2.a e 3.a geração e as de serviço, especialmente
comércio, transporte, bancos e serviços públicos. Por outro lado, é admissível um valor mais elevado para o
DIGESTO
70
ferro-ligas), níquel, sinter, se mi-acabados, etc., caracterizam-se por serem energia in tensivos, isto é, incorporam ao produto final elevados coefi cientes de energia elétrica. Daí resulta o problema da correta utilização dos mananciais hi droelétricos
das
bacias
seten
trionais do Tocantins, Araguaia
e Xingu e, especialmente, o das
ECONÔMICO
DIGESTO ECONÔMICO
71
(US$ 6 bilhões/ano a preços atuais) e que a economia cres ça, era média, entre 4% e 6% ao ano, os comprometimentos anuais de recursos não ultra passariam 8,5% da formação bruta de capital. Por outro la do, há suficiente evidência pa ra concluir-se que, tratando-se de Programa que compreende
te, excedentes exportáveis que atingirão em 1981 US$ 25 bi lhões; quando implantado, o Grande Carajás aumentará as exportações globais para US$ 42 bilhões/ano (US$ 17 bilhões
projetos de relação
de aumento)^ com investimen tos
marginais de US$ 60 bi
lhões, isto é, de cerca de 10% do atual estoque total de capi
tarifas de energia elétrica a se
produto muito favorável e ele
tal. Por outro lado, o saldo po sitivo previsto de divisas será
rem atribuídas
vada taxa interna de retorno,
muito elevado, sobretudo
a esses pro
jetos.
a realização do Grande Cara
5. Finalmente, considerando-
se que os projetos metalúrgicos representam
investimentos
es-
timados em 40 bilhões de dó lares (inclusive infra-estrutu ra), coloca-se a questão do con-
trole nacional sobre esses pro jetos, bem como do grau e for ma da participação do capital privado.
jás provocará resultados posi tivos não só para a economia regional (Norte e Nordeste), mas para toda a economia na cional.
Dadas as características de programa
substitutivo
de
im
portação (o Brasil importa atualmente cerca de US$ 500 milhões/ano somente em cobre
Considerações em torno da$ controvérsias
Com relação ao primeiro dos pontos controversos, cremos ne cessário trazer os números ab
solutos do Programa a padrões macroeconômicos de aferição. Admitindo-se que os investi mentos sejam realizados dentro de um
capital/
horizonte
de 10
anos
e alumínio) e exportador de produtos minerais, metalúrgi
cos e agrícolas, o Grande Cara jás trará importantes efeitos na correção de
alguns
desequilí
por
tratar-se de produtos (manufa turados ou agrícolas) em que os principais insumos são es sencialmente de origem nacio nal (energia elétrica, minérios, redutores, etc.). Nâo há, também, como ig norar a extrema oportunidade do programa na captação da poupança externa — sobretudo capitais de risco — inclusive por tratar-se de elenco de opor tunidades de investimento de
importância vital e estratégica para muitas grandes empresas
brios hoje identificados na eco
internacionais.
nomia brasileira.
enorme potencialidade para o
cabe Assim, por exemplo, mencionar que o estoque total de capital (da ordem de US$ 600 bilhões) produz, atualmen-
Daí
decorre
capital privado nacional, caso seja capaz de mobilizar-se ra pidamente e de forma ade quada.
Âs questões sociais
As preocupações de ordem
social vêm ganhando, no Bra sil, crescente importância e destaque, até mesmo como fa tor de hierarquia maior na definição de prioridades. Den tro deste enfoque, avultam as questões relativas à geração de empregos para atender à de manda da ordem de 1,5 milhão de pessoas/ano. Não há como invalidar a assertiva de que os projetos minero-metalúrgicos, por serem capital intensivos, não
atendem
isoladamente
ao
objetivo de ampliar as oportu nidades de emprego.
Elntretanto, o programa glo bal — isto é, os projetos agrí colas e florestais incluídos — absorve mais de 1 milhão de
trabalhadores (7 milhões de pessoas diretamente beneficia das), sem considerar a parce la
enorme e não
totalmente
quantificada de empregos vin culados às atividades indus triais de 2.a e 3.a geração e as de serviço, especialmente
comércio, transporte, bancos e serviços públicos. Por outro lado, é admissível um valor mais elevado para o
72
DIGESTO
custo por emprego em regiões a desenvolver, tendo em vista 0 natural interesse social e eco nômico do País em distribuir
a sua população
região, de tal sorte a evitar que posições radicais venham a conturbar a racional colocação do problema.
de maneira
mais uniforme no território na cional.
Finalmente — e ainda
no
contexto das preocupações so ciais — os problemas de natu reza ecológica e de preserva ção da Amazônia. Este é, real mente, um aspecto que deve
merecer de todos nós, brasilei ros, a mais alta atenção, evi tando por todos os meios qtfe
ca de 2,2 mil km ao sistema hi-
exigirá que estejam disponíveis,
via navegável que de Aruanã (Goiás) desemboca em Belém
para consumo, cerca de 5,8 mil MW de energia firme e cons tante, correspondentes a cerca de 10 mil MW de capacidade instalada.
Certamente tais
nú
de 22 mil MW — e se levarmos
em consideração o fato de que a demanda deste segmento sig nificará a exaustão do poten
verno federal, com o apoio das comunidades
acadêmicas
0
científicas nacionais, defina os parâmetros a que se devem su bordinar os vários projetos que começam a ser implantados na
mento, além de adicionar cerca de 800/850 MW firmes ao po bilidade de se acrescentar cer
Há que haver, por isso, cuida
É, assim, urgente que o Go
Isabel, já em fase de planeja
A operação dos projetos do segmento minero-metalúrgico
dos especiais na ocupação agrí cola e na exploração florestal, de forma a viabilizar sob o pon to de vista econômico a ocupa ção da região, mas atendendo a preceitos ecológicos de apli cação extremamente rígida.
ma indicada e que a implanta ção da hidrelétrica de Santa
elemento fundamental à possi
equilíbrio ecológico da região.
de nós afete negativamente o
73
DIGBSTO ECONÔMICO
tencial energético do País, será
Energia Elétrica Demanda e Tarifas
meros são impressionantes, mormente se o compararmos com a capacidade que temos hoje instalada no País — cerca
a ação ou omissão de cada um
f
ECONÔMICO
cial hídrico de uma de nossas
mais importantes bacias ainda não exploradas — a bacia se tentrional dos rios Araguaia e Tocantins.
É importante,
no entanto,
considerar que somente a hi
drelétrica
de
Tucuruí,
em
adiantado estágio de constru ção, será capaz de atender a mais de 60% da demanda aci-
droviário
brasileiro,
criando
(Pará) e que será condição in dispensável à plena viabiliza ção dos projetos do segmento agropecuário e florestal. No que diz respeito ao aspecto da tarifa elétrica, parece-
nos adequada a política do Go verno Federal no sentido de via
bilizar, através de redução ta
rifária e de fórmula pararaétrica estável no longo prazo, a
operação de unidades indus triais nas quais a energia elé trica constitua um fator
de re
instituir mecanismos
para garantir que tal benefício não seja expatriado sob a for ma de preços de exportação in feriores àqueles prevalecentes no mercado
internacional
formação situadas fora do País. Um rigido controle dos contra tos de exportação, adequando os preços de venda aos vigen tes no mercado internacional, será portanto indispensável pa ra fazer com que o incentivo tarifário utilizado traga reais e proveitosos benefícios à econo mia nacional.
0 Modelo de Capitalização e os Projetos MInero-Metalúrgicos
Ao longo do processo de conhecimento, estudo e debate sobre o Grande Carajás, temos sido despertados pela necessi dade de encontrar proposições
objetivas e que viabilizem a participação majoritária do ca pital nacional, e, neste, predo mine 0 capital privado.
levo na formação do custo de produção. No entanto, será fun damental
benefício às indústrias de trans
o
que, se viesse a acontecer, sig
nificaria de fato repassar tal
Não parece haver dúvidas — nem dificuldades maiores —
em atribuir ao empresário pri vado nacional a responsabilida de pela condução dos progra
mas agrícolas, pecuários e flo restais. Embora a escala pre
tendida na agricultura (10 mi lhões de toneladas de grãos) en volva técnicas
modernas
produção e comercialização,
de
o
72
DIGESTO
custo por emprego em regiões a desenvolver, tendo em vista 0 natural interesse social e eco nômico do País em distribuir
a sua população
região, de tal sorte a evitar que posições radicais venham a conturbar a racional colocação do problema.
de maneira
mais uniforme no território na cional.
Finalmente — e ainda
no
contexto das preocupações so ciais — os problemas de natu reza ecológica e de preserva ção da Amazônia. Este é, real mente, um aspecto que deve
merecer de todos nós, brasilei ros, a mais alta atenção, evi tando por todos os meios qtfe
ca de 2,2 mil km ao sistema hi-
exigirá que estejam disponíveis,
via navegável que de Aruanã (Goiás) desemboca em Belém
para consumo, cerca de 5,8 mil MW de energia firme e cons tante, correspondentes a cerca de 10 mil MW de capacidade instalada.
Certamente tais
nú
de 22 mil MW — e se levarmos
em consideração o fato de que a demanda deste segmento sig nificará a exaustão do poten
verno federal, com o apoio das comunidades
acadêmicas
0
científicas nacionais, defina os parâmetros a que se devem su bordinar os vários projetos que começam a ser implantados na
mento, além de adicionar cerca de 800/850 MW firmes ao po bilidade de se acrescentar cer
Há que haver, por isso, cuida
É, assim, urgente que o Go
Isabel, já em fase de planeja
A operação dos projetos do segmento minero-metalúrgico
dos especiais na ocupação agrí cola e na exploração florestal, de forma a viabilizar sob o pon to de vista econômico a ocupa ção da região, mas atendendo a preceitos ecológicos de apli cação extremamente rígida.
ma indicada e que a implanta ção da hidrelétrica de Santa
elemento fundamental à possi
equilíbrio ecológico da região.
de nós afete negativamente o
73
DIGBSTO ECONÔMICO
tencial energético do País, será
Energia Elétrica Demanda e Tarifas
meros são impressionantes, mormente se o compararmos com a capacidade que temos hoje instalada no País — cerca
a ação ou omissão de cada um
f
ECONÔMICO
cial hídrico de uma de nossas
mais importantes bacias ainda não exploradas — a bacia se tentrional dos rios Araguaia e Tocantins.
É importante,
no entanto,
considerar que somente a hi
drelétrica
de
Tucuruí,
em
adiantado estágio de constru ção, será capaz de atender a mais de 60% da demanda aci-
droviário
brasileiro,
criando
(Pará) e que será condição in dispensável à plena viabiliza ção dos projetos do segmento agropecuário e florestal. No que diz respeito ao aspecto da tarifa elétrica, parece-
nos adequada a política do Go verno Federal no sentido de via
bilizar, através de redução ta
rifária e de fórmula pararaétrica estável no longo prazo, a
operação de unidades indus triais nas quais a energia elé trica constitua um fator
de re
instituir mecanismos
para garantir que tal benefício não seja expatriado sob a for ma de preços de exportação in feriores àqueles prevalecentes no mercado
internacional
formação situadas fora do País. Um rigido controle dos contra tos de exportação, adequando os preços de venda aos vigen tes no mercado internacional, será portanto indispensável pa ra fazer com que o incentivo tarifário utilizado traga reais e proveitosos benefícios à econo mia nacional.
0 Modelo de Capitalização e os Projetos MInero-Metalúrgicos
Ao longo do processo de conhecimento, estudo e debate sobre o Grande Carajás, temos sido despertados pela necessi dade de encontrar proposições
objetivas e que viabilizem a participação majoritária do ca pital nacional, e, neste, predo mine 0 capital privado.
levo na formação do custo de produção. No entanto, será fun damental
benefício às indústrias de trans
o
que, se viesse a acontecer, sig
nificaria de fato repassar tal
Não parece haver dúvidas — nem dificuldades maiores —
em atribuir ao empresário pri vado nacional a responsabilida de pela condução dos progra
mas agrícolas, pecuários e flo restais. Embora a escala pre
tendida na agricultura (10 mi lhões de toneladas de grãos) en volva técnicas
modernas
produção e comercialização,
de
o
DIGESTO
74
extraordinário dinamismo e
a
pronta resposta dos novos em
presários agrícolas brasileiros aos incentivos capitalistas são elementos suficientes para con firmar a vocação natural do capital privado como impulsio nador da ocupação territorial. Ao contrário — e este é de
fato um dos pontos de contro vérsia maiores
parece haver
dúvidas sobre a capacidade do empresário nacional em parti cipar, como nos segmentos agrí colas, na liderança efetiva da implantação dos grandes em preendimentos minerais e me talúrgicos. Desta dúvida resul ta, então, a convicção de alguns que somente ao capital estatal seria possível a alocação de re cursos nos níveis necessários à manutenção do controle nacio
nal sobre o programa; e resul ta, também, a colocação extre-’ ma de que, na ausência da par
ECONÔMICO
presença do capital nacional estatal, privado e internacional.
Assim, dividimos o segmen to minero-metalúrgico
em cin
co fases, a saber: pesquisa, mi neração, beneficiamento, meta lurgia e produtos acabados. Pa
ra cada segmento, ter-se-iam níveis de participação ou pre sença diversa dos capitais na cionais e estrangeiros. O grá fico sugere, numa primeira tentativa, esta proposição, quando se procura identificar a
intensidade de participação
do
capital estatal, privado e inter nacional nos vários componen tes de um projeto típico.
Desta forma,, ao capital na cional seria
reservada
forte
participação na pesquisa mine ral, mineração e beneficiamen to, com predominância crescen te do capital privado nesta se
do ao estatal
rajás correria o risco de ser in
no sentido inverso.
ternacionalizado . Na busca do modelo de li
Quanto aos segmentos me talúrgico e de produtos acaba dos, respeitando-se suas carac
pretá-los a partir de seus com ponentes economicamente viá veis, e, então, sugerir níveis de
maior presença
terísticas de forte dependência do capital e mercado, poder-seia ter a participação mais sig nificativa do capital estrangei ro na metalurgia e„ com menor
ECONÔMICO
75
formulação de objetivos para desenvolvimento de programa
incidência, no segmento de pro dutos acabados, cabendo ao ca pital nacional, numa relação in
com 0 alcance do Grande Cara
versa, presença crescente e significativa a partir da meta lurgia para o segmento de pro
jás, garantindo aos brasileiros o controle, bem como a adequa da valoração das riquezas na cionais, sem inibir contudo a neces-sária abertura à partici pação do capital estrangeiro.
dutos acabados.
A partir desta proposição, pretendemos alcançar um ba lanço adequado no contexto da
Exemplos de investimentos para.efeito demonstrativo Tabela 1 — Consumos unitários Cobre
37,70 t minério 1,0% Cu/t concentrado com 32% de Cu 3,30 t concentrado/t cobre metálico Alumínio
2,27 t minério 47%
ALO 2
aproveitável/t alumlna calcinada 3
2,00 t a!umina/t alumínio primário Manganês 3,30 t minério 40% Mn/t FeMn Tabela
2 — Investimentos Investimentos
quência dos segmentos, caben
ticipação estatal, o Grande Ca
derança do capital nacionalprocuramos desagregar os vá rios projetos de forma a inter
DIGESTO
—
US9
(1) Metalurgia
Cobre
Mineraç&o 37,7 t X 3,3 t X US3 = US$ 1,776
Manganês 3.3 =
US9
t x USS
130
T7S$ 130
1.181
—
40
Total
Beneficiamento
153,3 t X U89 358
Alumínio 2,27 t x 2,0 t x US$ 732,0 t x US8 625 =
(2) t/proãuto final
1,0 t X T7S3 3.438 US$ 6.305
■ÜS$ 3.438 1,0
t X
US$
3.500
= USS 870
USS 1.000
1.0 t X USS 870 =
USS
870
USS
1.000
(1)
Os investimentos acima indicados são aproximados, devendo ser en tendidos somente como válidos para efeito demonstrativo.
(2)
Consideram-se unidades integradas mina/beneficiamento/metalu rgia ou mina/metalurgia com produção cativa de minério e concentrado. Deixamos de publicar um gráfico.
(3)
DIGESTO
74
extraordinário dinamismo e
a
pronta resposta dos novos em
presários agrícolas brasileiros aos incentivos capitalistas são elementos suficientes para con firmar a vocação natural do capital privado como impulsio nador da ocupação territorial. Ao contrário — e este é de
fato um dos pontos de contro vérsia maiores
parece haver
dúvidas sobre a capacidade do empresário nacional em parti cipar, como nos segmentos agrí colas, na liderança efetiva da implantação dos grandes em preendimentos minerais e me talúrgicos. Desta dúvida resul ta, então, a convicção de alguns que somente ao capital estatal seria possível a alocação de re cursos nos níveis necessários à manutenção do controle nacio
nal sobre o programa; e resul ta, também, a colocação extre-’ ma de que, na ausência da par
ECONÔMICO
presença do capital nacional estatal, privado e internacional.
Assim, dividimos o segmen to minero-metalúrgico
em cin
co fases, a saber: pesquisa, mi neração, beneficiamento, meta lurgia e produtos acabados. Pa
ra cada segmento, ter-se-iam níveis de participação ou pre sença diversa dos capitais na cionais e estrangeiros. O grá fico sugere, numa primeira tentativa, esta proposição, quando se procura identificar a
intensidade de participação
do
capital estatal, privado e inter nacional nos vários componen tes de um projeto típico.
Desta forma,, ao capital na cional seria
reservada
forte
participação na pesquisa mine ral, mineração e beneficiamen to, com predominância crescen te do capital privado nesta se
do ao estatal
rajás correria o risco de ser in
no sentido inverso.
ternacionalizado . Na busca do modelo de li
Quanto aos segmentos me talúrgico e de produtos acaba dos, respeitando-se suas carac
pretá-los a partir de seus com ponentes economicamente viá veis, e, então, sugerir níveis de
maior presença
terísticas de forte dependência do capital e mercado, poder-seia ter a participação mais sig nificativa do capital estrangei ro na metalurgia e„ com menor
ECONÔMICO
75
formulação de objetivos para desenvolvimento de programa
incidência, no segmento de pro dutos acabados, cabendo ao ca pital nacional, numa relação in
com 0 alcance do Grande Cara
versa, presença crescente e significativa a partir da meta lurgia para o segmento de pro
jás, garantindo aos brasileiros o controle, bem como a adequa da valoração das riquezas na cionais, sem inibir contudo a neces-sária abertura à partici pação do capital estrangeiro.
dutos acabados.
A partir desta proposição, pretendemos alcançar um ba lanço adequado no contexto da
Exemplos de investimentos para.efeito demonstrativo Tabela 1 — Consumos unitários Cobre
37,70 t minério 1,0% Cu/t concentrado com 32% de Cu 3,30 t concentrado/t cobre metálico Alumínio
2,27 t minério 47%
ALO 2
aproveitável/t alumlna calcinada 3
2,00 t a!umina/t alumínio primário Manganês 3,30 t minério 40% Mn/t FeMn Tabela
2 — Investimentos Investimentos
quência dos segmentos, caben
ticipação estatal, o Grande Ca
derança do capital nacionalprocuramos desagregar os vá rios projetos de forma a inter
DIGESTO
—
US9
(1) Metalurgia
Cobre
Mineraç&o 37,7 t X 3,3 t X US3 = US$ 1,776
Manganês 3.3 =
US9
t x USS
130
T7S$ 130
1.181
—
40
Total
Beneficiamento
153,3 t X U89 358
Alumínio 2,27 t x 2,0 t x US$ 732,0 t x US8 625 =
(2) t/proãuto final
1,0 t X T7S3 3.438 US$ 6.305
■ÜS$ 3.438 1,0
t X
US$
3.500
= USS 870
USS 1.000
1.0 t X USS 870 =
USS
870
USS
1.000
(1)
Os investimentos acima indicados são aproximados, devendo ser en tendidos somente como válidos para efeito demonstrativo.
(2)
Consideram-se unidades integradas mina/beneficiamento/metalu rgia ou mina/metalurgia com produção cativa de minério e concentrado. Deixamos de publicar um gráfico.
(3)
Idéias de Doxiadis ■
nova concepção da evolução urbana Assenta Doxiadis seus pos tulados em nova aproximação — a Ekística. Esta palavra provem do griego "oikos”, que significa casa, ou domicílio, ou habitação. É a ciência dos agrupamentos humanos. Coor dena as ciências econômicas e sociais, as ciências políticas e administrativas, a tecnologia e a estética num todo coerente, e leva à criação de um novo tipo de habitat
humano. Para tra
balhar neste habitat, o arquite to devis enriquecer seus conhe cimentos para ser capaz de dominar os referidos campos e colaborar com os especialistas
da comunidade, isto é, com o urbanista, o planejador, o eco
única equipe. Tem a possibili dade de conduzir esta equipe como um coordenador até uma
certa dimensão
de seu objeto.
É uma exigência multidisciplinar. em busca de decisões inte gradas ao nível do chamado
“setor humano”. Vive a arqui tetura uma fase «kística, por que o arquiteto está forçado a possuir muito mais conheci mentos e maior habilidade do que anteriormente. Do contrá
rio, não poderá
dar resposta
cabal aos problemas atuais. Passou-se vertiginosamente de uma época de meros mestres de obras à de construtores de
cidades. Hoje a duração de uma vida é insuficiente para
nomista, o geógrafo e o soció
enfrentar o ritmo das mudan ças. Daí a necessidade de
logo como
aprender
membros
de uma
ekística,
para
se
O processo gradual
da construção dos setores humanos levará à construção da cidade do futuro
O
autor é professor universitário. A.
Delorenzo
Neto
alcançar o conhecimento pro fundo e entender os problemas de nossa geração. No passado, o arquiteto, inclusive em seus melhores momentos, estava confinado nos limites
de uma
comunidade que coincidia com
uma pequena cidade, não enten dendo seu interesse além de' seus limites. A única excessão,
ou seja, um plano que se esten dia para além dos limites da cidade é o da Atenas clássica, que estava fisicamente ligada ao Porto do Pireu por meio de largas muralhas. Esta ação» di tada por razões de segurança, é o único caso que conhecemos de uma planificação de constru ções se estendendo para além dos limites de uma pequena comunidade urbana.
As pressões do povo e da economia são tais^ hoje, que a atividade de construção há de coordenar-se
em zonas
vez maiores. Isto é válido
cada
não
só para zonas urbanas das megalópoles, como também para as zonas rurais que tenham atingido uma síntese de funções rústicas e urbanas. Hoje já não basta a técnica e a arte: é im
prescindível a ciência. Assim, a atividade do arquiteto, em seu
conjunto já não cresce de mo do natural. Portanto, haverá de ser concebida e dirigida pela
ekística, a ciência que esclare ce os problemas das populações e define o caminho que a arqui tetura e as
vem seguir.
ciências afins de
Idéias de Doxiadis ■
nova concepção da evolução urbana Assenta Doxiadis seus pos tulados em nova aproximação — a Ekística. Esta palavra provem do griego "oikos”, que significa casa, ou domicílio, ou habitação. É a ciência dos agrupamentos humanos. Coor dena as ciências econômicas e sociais, as ciências políticas e administrativas, a tecnologia e a estética num todo coerente, e leva à criação de um novo tipo de habitat
humano. Para tra
balhar neste habitat, o arquite to devis enriquecer seus conhe cimentos para ser capaz de dominar os referidos campos e colaborar com os especialistas
da comunidade, isto é, com o urbanista, o planejador, o eco
única equipe. Tem a possibili dade de conduzir esta equipe como um coordenador até uma
certa dimensão
de seu objeto.
É uma exigência multidisciplinar. em busca de decisões inte gradas ao nível do chamado
“setor humano”. Vive a arqui tetura uma fase «kística, por que o arquiteto está forçado a possuir muito mais conheci mentos e maior habilidade do que anteriormente. Do contrá
rio, não poderá
dar resposta
cabal aos problemas atuais. Passou-se vertiginosamente de uma época de meros mestres de obras à de construtores de
cidades. Hoje a duração de uma vida é insuficiente para
nomista, o geógrafo e o soció
enfrentar o ritmo das mudan ças. Daí a necessidade de
logo como
aprender
membros
de uma
ekística,
para
se
O processo gradual
da construção dos setores humanos levará à construção da cidade do futuro
O
autor é professor universitário. A.
Delorenzo
Neto
alcançar o conhecimento pro fundo e entender os problemas de nossa geração. No passado, o arquiteto, inclusive em seus melhores momentos, estava confinado nos limites
de uma
comunidade que coincidia com
uma pequena cidade, não enten dendo seu interesse além de' seus limites. A única excessão,
ou seja, um plano que se esten dia para além dos limites da cidade é o da Atenas clássica, que estava fisicamente ligada ao Porto do Pireu por meio de largas muralhas. Esta ação» di tada por razões de segurança, é o único caso que conhecemos de uma planificação de constru ções se estendendo para além dos limites de uma pequena comunidade urbana.
As pressões do povo e da economia são tais^ hoje, que a atividade de construção há de coordenar-se
em zonas
vez maiores. Isto é válido
cada
não
só para zonas urbanas das megalópoles, como também para as zonas rurais que tenham atingido uma síntese de funções rústicas e urbanas. Hoje já não basta a técnica e a arte: é im
prescindível a ciência. Assim, a atividade do arquiteto, em seu
conjunto já não cresce de mo do natural. Portanto, haverá de ser concebida e dirigida pela
ekística, a ciência que esclare ce os problemas das populações e define o caminho que a arqui tetura e as
vem seguir.
ciências afins de
DIGESTO
78
Outra idéia fecunda de Do xiadis é a de cidade dinâmica
— a dinápolis. É a cidade do futuro, concebida como uma cidade que pode estender-se e estar sempre preparada para criar um novo
centro e novos
bairros. Hoje assistimos uma migração progressiva do cam po para a cidade, de sorte que
DIOESTO ECONÔMICO
79
vas soluções, encontramos to das as dificuldades oriundas da
porque não tinha mais espaço
especulação
imobiliária e
de
se esta grave consequência,
um aumento terrenos.
exorbitante
dos
necessário
de sem pr.ecedentes, tanto que a quarta dimensão, a intangível dimensão do tempo, se tornou progressivamente mais impor tante que as três dimensões fí
sicas. Neste sentido, nossas ci
Doxiadis
tenta
descobrir
conceito de
cidade
dades chegaram a ser quadri-
um novo
dimensionais
que ultrapasse a cidade estáti ca, cujas forças restritivas ain
ram-se em
transforma-
cidades
dinâmicas.
para expandir-se. Para evitar-
é
controlar o cresci
mento da cidade de modo que a metrópole moderna possa de senvolver-se em uma direção.
Assim, somente por meio deste esquema o centro e a periferia manterão um equilíbrio cons tante enquanto a cidade se es tender sobre espaços intactos ou ainda sem habitações. A dinápolis assumirá uma forma geométrica, com base num sis
A falta <ie compreensão deste processo de mudança é respon
da pesam sobre nós, e passar humano”, — a dinápolis. Esta ousada cidade do futuro, aten derá a duas funções. Existem primeiramente aquelas funções
pre com menos de cem mil ha
sável pelos muitos erros atuais de planificação urbana. A me nor reflexão, talvez mesmo uma visão panorâmica da cidade contemporânea provará o
que interessam à cidade intei
absurdo do descuido em que a
tema retilineo de eixos, através
bitantes. Estas zonas apareciam
ra, não importando que estejam
aos seus habitantes, como ex pressões físicas estáticas, que haviam conquistado as duas di mensões representadas pelo comprimento e largura àe suas cidades. Esta situação mo
deixamos, especialmente seu centro. Onde existe a
em
de uma expansão parabólica. A dinápolis evitará o estrangula mento urbano, a morte da ci dade.
a criação arquitetônica se situa nas áreas urbanas. No passado, há dois séculos, as zonas ur banas se formavam de peque nas comunidades, quase sem
p
ECONÔMICO
dificou-se nos
últimos
séculos.
As cidades estáticas do passa
do, rodeadas de muralhas, rom peram suas barreiras e se es tenderam sobre o campo. Atual mente, as cidades têm crescido sem cessar, e conquistaram,
também, a terceira dimensão, a
em ne
cessidade de ruas largas para trânsito denso, as estreitamos; onde necessitamos de amplos espaços para estacionamento na proximidade dos edifícios oficiais, encontramos as facili dades reduzidas; onde necessi tamos de grandes áreas para funções públicas e privadas, elas são pequenas e irregula res; onde necessitamos de li berdade para novos projetos e
da altura, desenvolvendo-se ver ticalmente em diversos pavi
novas exigências, só existe
mentes. Durante as últimas dé
mos; e, finalmente, onde temos a necessidade de desapropriar para melhor acomodar as no¬
cadas, as cidades cresceram e
se organizaram a uma velocida-
menor espaço para nos
o
mover
mos à cidade fundada no “setor
seu
centro.
Denominamo-
las funções "centrais”. Existem em segundo
lugar as funções
"periféricas", a saber, as per tencentes a edifícios individuais e a conglomerados de edifícios.
A cidade do passado se compu nha de duas partes: o centro e a periferia, habitualmente re sidencial. Mas, durante as duas
últimas gerações, e devido
à
contínua expansão da cidade, o centro das mesmas se dilatou
até à zona edificada da perife ria, alterando sua estrutura e criando uma variedade de pro blemas difíceis ou insolúveis. A expansão concêntrica das
cidades estrangulou o seu centro
Não se trata de uma idéia
forjada pela mente de um teó rico: ao contrário, alcançou sua realização em vários exemplos. Entre os mais característicos, aí estão os projetos de Doxiadis para as cidades de Jartum (Su dão) e de Islamabad (Paquis tão) e, recentemente, o de Washington (USA). Aplicou-se o princípio à reorganização de uma cidade existente, no primeiro e terceiro ca sos; no segundo, cuidou-se da implantação de uma
DIGESTO
78
Outra idéia fecunda de Do xiadis é a de cidade dinâmica
— a dinápolis. É a cidade do futuro, concebida como uma cidade que pode estender-se e estar sempre preparada para criar um novo
centro e novos
bairros. Hoje assistimos uma migração progressiva do cam po para a cidade, de sorte que
DIOESTO ECONÔMICO
79
vas soluções, encontramos to das as dificuldades oriundas da
porque não tinha mais espaço
especulação
imobiliária e
de
se esta grave consequência,
um aumento terrenos.
exorbitante
dos
necessário
de sem pr.ecedentes, tanto que a quarta dimensão, a intangível dimensão do tempo, se tornou progressivamente mais impor tante que as três dimensões fí
sicas. Neste sentido, nossas ci
Doxiadis
tenta
descobrir
conceito de
cidade
dades chegaram a ser quadri-
um novo
dimensionais
que ultrapasse a cidade estáti ca, cujas forças restritivas ain
ram-se em
transforma-
cidades
dinâmicas.
para expandir-se. Para evitar-
é
controlar o cresci
mento da cidade de modo que a metrópole moderna possa de senvolver-se em uma direção.
Assim, somente por meio deste esquema o centro e a periferia manterão um equilíbrio cons tante enquanto a cidade se es tender sobre espaços intactos ou ainda sem habitações. A dinápolis assumirá uma forma geométrica, com base num sis
A falta <ie compreensão deste processo de mudança é respon
da pesam sobre nós, e passar humano”, — a dinápolis. Esta ousada cidade do futuro, aten derá a duas funções. Existem primeiramente aquelas funções
pre com menos de cem mil ha
sável pelos muitos erros atuais de planificação urbana. A me nor reflexão, talvez mesmo uma visão panorâmica da cidade contemporânea provará o
que interessam à cidade intei
absurdo do descuido em que a
tema retilineo de eixos, através
bitantes. Estas zonas apareciam
ra, não importando que estejam
aos seus habitantes, como ex pressões físicas estáticas, que haviam conquistado as duas di mensões representadas pelo comprimento e largura àe suas cidades. Esta situação mo
deixamos, especialmente seu centro. Onde existe a
em
de uma expansão parabólica. A dinápolis evitará o estrangula mento urbano, a morte da ci dade.
a criação arquitetônica se situa nas áreas urbanas. No passado, há dois séculos, as zonas ur banas se formavam de peque nas comunidades, quase sem
p
ECONÔMICO
dificou-se nos
últimos
séculos.
As cidades estáticas do passa
do, rodeadas de muralhas, rom peram suas barreiras e se es tenderam sobre o campo. Atual mente, as cidades têm crescido sem cessar, e conquistaram,
também, a terceira dimensão, a
em ne
cessidade de ruas largas para trânsito denso, as estreitamos; onde necessitamos de amplos espaços para estacionamento na proximidade dos edifícios oficiais, encontramos as facili dades reduzidas; onde necessi tamos de grandes áreas para funções públicas e privadas, elas são pequenas e irregula res; onde necessitamos de li berdade para novos projetos e
da altura, desenvolvendo-se ver ticalmente em diversos pavi
novas exigências, só existe
mentes. Durante as últimas dé
mos; e, finalmente, onde temos a necessidade de desapropriar para melhor acomodar as no¬
cadas, as cidades cresceram e
se organizaram a uma velocida-
menor espaço para nos
o
mover
mos à cidade fundada no “setor
seu
centro.
Denominamo-
las funções "centrais”. Existem em segundo
lugar as funções
"periféricas", a saber, as per tencentes a edifícios individuais e a conglomerados de edifícios.
A cidade do passado se compu nha de duas partes: o centro e a periferia, habitualmente re sidencial. Mas, durante as duas
últimas gerações, e devido
à
contínua expansão da cidade, o centro das mesmas se dilatou
até à zona edificada da perife ria, alterando sua estrutura e criando uma variedade de pro blemas difíceis ou insolúveis. A expansão concêntrica das
cidades estrangulou o seu centro
Não se trata de uma idéia
forjada pela mente de um teó rico: ao contrário, alcançou sua realização em vários exemplos. Entre os mais característicos, aí estão os projetos de Doxiadis para as cidades de Jartum (Su dão) e de Islamabad (Paquis tão) e, recentemente, o de Washington (USA). Aplicou-se o princípio à reorganização de uma cidade existente, no primeiro e terceiro ca sos; no segundo, cuidou-se da implantação de uma
DIGESTO ECONÔMICO DIGESTO
80
Capital completamente nova. (1) Neste mesmo sentido se co locam as reformulações de Bag
condições normais, percorrer trinta minutos para ir ao tra balho, ao teatro, ao mercado
dá e Atenas entre dezenas de
etc., então a distância de dois
projetos vitoriosos, readaptan-, do estruturas antigas à cidade
quilômetros <e meio parece ser a distância máxima que se po
do futuro.
de admitir num setor sob o con
A concepção de Doxiadis assenta numa unidade básica — o setor humano. Ela se origina do fato de que os núcleos urba nos de hoje não possuem um
trole completo do homem. Pa rece que sua forma ideal é a oblonga, com um comprimento
único mentor, senão quatro: o homem, o automóvel, o avião e 0 projétü. Nestas circunstân
tantes possam percorrer distân cias até 800 metros para ir às casas comerciais, à escola, ao parque ou aos centros culturais ou sociais, ou para atender as
cias devemos
9
manter a
todo
tran&e a dominância do primei ro que deve controlar a síntese total da cidade. Isto não é pos sível em zonas extensas,. O ho
mem não pode andar a pé dis tâncias maiores de tres quilô metros, sendo esta já talvez ex
tros, de tal sorte que os habi
outras necessidades básicas de seu bairro ou comunidade. O centro do setor será reservado
NO PASSADO: Cidade estática
Addade
ExpansSo da cidade
O centro
Ejtpansâo,/*' do centro
A expansSo concêntrica c^ongula o centro, que passa a ter dificuldades com
outras funçOes que não ihesfid próprias.
NO FUTURO; Dinápolís Acidade
O automóvel nele entra com ve
locidade reduzida, mas sem o
cer de que é preciso respeitar a relativamente
fora dele com grande velocida de. É evidente que a criação de
às distâncias. Estas podem ser
um setor ou núcleo humano não
de um quilômetro, dois quilô metros ou dois quilômetros e meio: em caso algum devem
era necessária no passado, por quanto toda comunidade se
ultrapassar a três quilômetros. Se preisumirmos que os habi
na.
tantes das cidades podem,
reforma de nossas cidades. As
(1)
(Teoria de Doxiadis)
exclusivamente para pedestres.
cruzar, realmenté.
em
EVOLUÇÃO DA CIDADE
máximo entre 800 a 1.600 me
cessiva. Temos de nos conven escala humana
81
ECONÔMICO
Circulará
O centro
confundia com a escala huma
Hoje,
aparece ele
uma necessidade absoluta
como na
A contribuição de Doxiadis ao Brasil está consubstanciada em seu exaustivo estudo — — Guanabara, a Plan of Development, Doxiadis Associates, Atenas, 1965.
Fig. I — Dascidades estáticasàs cidades dinâmicas: ocrescimenioemufflaúoicadírcçáopennitea
expansSodocemrofem nenhuma diTiculdade.
DIGESTO ECONÔMICO DIGESTO
80
Capital completamente nova. (1) Neste mesmo sentido se co locam as reformulações de Bag
condições normais, percorrer trinta minutos para ir ao tra balho, ao teatro, ao mercado
dá e Atenas entre dezenas de
etc., então a distância de dois
projetos vitoriosos, readaptan-, do estruturas antigas à cidade
quilômetros <e meio parece ser a distância máxima que se po
do futuro.
de admitir num setor sob o con
A concepção de Doxiadis assenta numa unidade básica — o setor humano. Ela se origina do fato de que os núcleos urba nos de hoje não possuem um
trole completo do homem. Pa rece que sua forma ideal é a oblonga, com um comprimento
único mentor, senão quatro: o homem, o automóvel, o avião e 0 projétü. Nestas circunstân
tantes possam percorrer distân cias até 800 metros para ir às casas comerciais, à escola, ao parque ou aos centros culturais ou sociais, ou para atender as
cias devemos
9
manter a
todo
tran&e a dominância do primei ro que deve controlar a síntese total da cidade. Isto não é pos sível em zonas extensas,. O ho
mem não pode andar a pé dis tâncias maiores de tres quilô metros, sendo esta já talvez ex
tros, de tal sorte que os habi
outras necessidades básicas de seu bairro ou comunidade. O centro do setor será reservado
NO PASSADO: Cidade estática
Addade
ExpansSo da cidade
O centro
Ejtpansâo,/*' do centro
A expansSo concêntrica c^ongula o centro, que passa a ter dificuldades com
outras funçOes que não ihesfid próprias.
NO FUTURO; Dinápolís Acidade
O automóvel nele entra com ve
locidade reduzida, mas sem o
cer de que é preciso respeitar a relativamente
fora dele com grande velocida de. É evidente que a criação de
às distâncias. Estas podem ser
um setor ou núcleo humano não
de um quilômetro, dois quilô metros ou dois quilômetros e meio: em caso algum devem
era necessária no passado, por quanto toda comunidade se
ultrapassar a três quilômetros. Se preisumirmos que os habi
na.
tantes das cidades podem,
reforma de nossas cidades. As
(1)
(Teoria de Doxiadis)
exclusivamente para pedestres.
cruzar, realmenté.
em
EVOLUÇÃO DA CIDADE
máximo entre 800 a 1.600 me
cessiva. Temos de nos conven escala humana
81
ECONÔMICO
Circulará
O centro
confundia com a escala huma
Hoje,
aparece ele
uma necessidade absoluta
como na
A contribuição de Doxiadis ao Brasil está consubstanciada em seu exaustivo estudo — — Guanabara, a Plan of Development, Doxiadis Associates, Atenas, 1965.
Fig. I — Dascidades estáticasàs cidades dinâmicas: ocrescimenioemufflaúoicadírcçáopennitea
expansSodocemrofem nenhuma diTiculdade.
ANEXO
DIGESTO
82
ECONÔMICO
Fonte: Demetrius latrides — «Le rôle des Sciences sociales dans 1' amenagement du territoire; point de vue d'un praticien” in Revue Internationale
des Sciences Sociales, Unesco, n.o 4, Paris, 1966, pág. 517.
A CIDADEDOFUTURO
A função das ciências
(Interpretação de Doxiadis)
n
snciais no urbanismo
1
SOCUU
1
5
ÉCOHOMIOUE
POLITIOUE
DÉVELOPPEmEHT
I
i
TECHHOLOCIOUE
3
EKISTlOUE
Fig. 2 — A parabólica dinápoUs tomará formas relilineas.
Doxiadis
estabelece
como
forma
terminal
da
evolução
urbana, no futuro, a “ecumenópolis” cuja hierarquia de funções permite maior aproveitamento e poupança no seu uso, movimen tos e interligações. A estrutura da "ecumenópolis” parte dos blocos residenciais, que passam a ser interligados sob a forma de setores e estes, sob a forma de supersetores. Esta trama orgâ
nica reflete, a partir de módulos básicos, as diferentes escalas de agrupamentos humanos. (2). (2)
Ler os textos essenciais de Doxiadis — Urban Renewol ond the Future of the American City, Public Administration Service, 1966; Ehistics: An Iníroduction to the Science of
Humsn Settlements, Hutchinson, London. 1968; e, The Two Headed Eagle (From the Past to the Future of Human Settlements). Lycabettus Press, Athens, 1972; e, ainda. Action for Human Settlements. W. W. Norton, New York, 1976.
FIG. 1 - Estrutura da Planificação apresentada por latridea inspirado em Doxiadis.
ANEXO
DIGESTO
82
ECONÔMICO
Fonte: Demetrius latrides — «Le rôle des Sciences sociales dans 1' amenagement du territoire; point de vue d'un praticien” in Revue Internationale
des Sciences Sociales, Unesco, n.o 4, Paris, 1966, pág. 517.
A CIDADEDOFUTURO
A função das ciências
(Interpretação de Doxiadis)
n
snciais no urbanismo
1
SOCUU
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ÉCOHOMIOUE
POLITIOUE
DÉVELOPPEmEHT
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TECHHOLOCIOUE
3
EKISTlOUE
Fig. 2 — A parabólica dinápoUs tomará formas relilineas.
Doxiadis
estabelece
como
forma
terminal
da
evolução
urbana, no futuro, a “ecumenópolis” cuja hierarquia de funções permite maior aproveitamento e poupança no seu uso, movimen tos e interligações. A estrutura da "ecumenópolis” parte dos blocos residenciais, que passam a ser interligados sob a forma de setores e estes, sob a forma de supersetores. Esta trama orgâ
nica reflete, a partir de módulos básicos, as diferentes escalas de agrupamentos humanos. (2). (2)
Ler os textos essenciais de Doxiadis — Urban Renewol ond the Future of the American City, Public Administration Service, 1966; Ehistics: An Iníroduction to the Science of
Humsn Settlements, Hutchinson, London. 1968; e, The Two Headed Eagle (From the Past to the Future of Human Settlements). Lycabettus Press, Athens, 1972; e, ainda. Action for Human Settlements. W. W. Norton, New York, 1976.
FIG. 1 - Estrutura da Planificação apresentada por latridea inspirado em Doxiadis.
I
85
DIQESTO ECONÔMICO S Z
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*
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U o s-i D.
PRINCIPALES
g
□ cn CO
□ C
DémegcepKie
Éducalien
ScienCBl poliliquat/ Adminittrolien
I:
cn
to U a (0 10
CO
u 10
Pioieoien el itrvicft leeioui
Sa{iol«gi«
Estes setores irão substituir
:
da cidade do
NbIIb
Peu Impettenie
é
Aitat imperionle linporlonlQ
Tr«t importoní$
elas poderão criar uma estru tura de base da nova arquite
pectivamente conforme o
ta
manho da família e o desempe nho das funções de acordo com a natureza da cidade. Quando os veículos desempenham papel
predominante, necessitamos de unidade básica ampla, e ela é
0 setor, correspondendo a vá
D
E
XI
CO
tura, a fim de libertá-la da ti
f-i
cu
rania do automóvel. Essa nova
arqlíitetura revelará uma
quadra (city block).
+» C
c: CD
D
r-1
(-3
□.
I
*
futuro. Somente
suprir as necessi
dades urbanas da “dinápolis” à "dinametrópole”. O processo gradual da construção dos se tores humanos levará, por cer to,, à criação da cidade do futu ro. Essa a concepção que deve presidir a construção de casas e edifícios d.e maior porte, res
rias dezenas de blocos residen ciais. A menor unidade perma necerá 0 núcleo residencial ou
CM
Csniributien cèslle
o
antigo núcleo urbano (city block) e chegarão a ser a base
□ D «10 -P O c .H QJ
Piychlolrie
ser
e serviços, possuindo o seu próprio sistema de transporte.
.1-4
CO tu Fh
deverá
;;(3es centralizadas, instituições
U c < QJ
Piychologle toeialo
objetivo de
a
concebido como uma unidade, e terá de ser autônomo o quan to lhe seja possível, com fun-
●f-i
10 ■D
terão de reestruturar-s.e sob
O setor humano
.H
PtychelsQio cliniqva
va síntese, concebendo zonas cada vez mais amplas com o
base do novo módulo que é o do setor. A reestruturação de Bagdá e Eastwick (Filadélfia) seguiu esta orientação para um novo aproveitamento do espaço.
SCIENCES SOCIALES
AnthropBleglo cu1ivr«Ms
velhas cidades que eram divi didas em unidades residenciais,
cn
no-
(Continuação da página 54)
Indonésia e Tailândia, os quais, por sua vez, começaram a cultivar a estévia. No estado de São Paulo, o cultivo foi iniciado no ano de 1977, em Capão Bonito, numa área de 2 hectares, e, em seguida, em Itapuru, em 10 hectares. A firma «Agro Industrial e Comercial Viveiros Guarani», aí localizada, é a linica empresa no Brasil que comercializa essa planta. Graças às atividades
de promoção da «Guarani», até o mês de abril de 1980 procedeu-se à plan tação em Míracema do Norte/Goiás (12 ha), Comélio Procôpio/Paran á (10 ha), e em Itapuru. Outras ej^riências estão sendo feitas em Curitibanos/ Sta. Catarina, na «Chocolates Pan» (sul de Minas Gerais) e em outras cidades.
A estévia é uma planta muito robusta. A primeira safra se dá passados 120 dias, persistindo a capacidade produtora durante 5 anos. Quando bem (Contínua na página 90)
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predominante, necessitamos de unidade básica ampla, e ela é
0 setor, correspondendo a vá
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arqlíitetura revelará uma
quadra (city block).
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I
*
futuro. Somente
suprir as necessi
dades urbanas da “dinápolis” à "dinametrópole”. O processo gradual da construção dos se tores humanos levará, por cer to,, à criação da cidade do futu ro. Essa a concepção que deve presidir a construção de casas e edifícios d.e maior porte, res
rias dezenas de blocos residen ciais. A menor unidade perma necerá 0 núcleo residencial ou
CM
Csniributien cèslle
o
antigo núcleo urbano (city block) e chegarão a ser a base
□ D «10 -P O c .H QJ
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e serviços, possuindo o seu próprio sistema de transporte.
.1-4
CO tu Fh
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U c < QJ
Piychologle toeialo
objetivo de
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concebido como uma unidade, e terá de ser autônomo o quan to lhe seja possível, com fun-
●f-i
10 ■D
terão de reestruturar-s.e sob
O setor humano
.H
PtychelsQio cliniqva
va síntese, concebendo zonas cada vez mais amplas com o
base do novo módulo que é o do setor. A reestruturação de Bagdá e Eastwick (Filadélfia) seguiu esta orientação para um novo aproveitamento do espaço.
SCIENCES SOCIALES
AnthropBleglo cu1ivr«Ms
velhas cidades que eram divi didas em unidades residenciais,
cn
no-
(Continuação da página 54)
Indonésia e Tailândia, os quais, por sua vez, começaram a cultivar a estévia. No estado de São Paulo, o cultivo foi iniciado no ano de 1977, em Capão Bonito, numa área de 2 hectares, e, em seguida, em Itapuru, em 10 hectares. A firma «Agro Industrial e Comercial Viveiros Guarani», aí localizada, é a linica empresa no Brasil que comercializa essa planta. Graças às atividades
de promoção da «Guarani», até o mês de abril de 1980 procedeu-se à plan tação em Míracema do Norte/Goiás (12 ha), Comélio Procôpio/Paran á (10 ha), e em Itapuru. Outras ej^riências estão sendo feitas em Curitibanos/ Sta. Catarina, na «Chocolates Pan» (sul de Minas Gerais) e em outras cidades.
A estévia é uma planta muito robusta. A primeira safra se dá passados 120 dias, persistindo a capacidade produtora durante 5 anos. Quando bem (Contínua na página 90)
mu-rwmaiittico Evocação de um dos maiores pensadores políticos brasileiros.
O autor é da
Vivaldi
WJoreira
Academia Mineira de Letras.
Quando, desta mesa em que escrevo, lanço um olhar sobre as obras do meu saudoso con
frade
de Academia e
amigo
ses frondeurs do
doutor em todos esses ramos e
man
acolhem um elenco de concep ções e a elas se aferram com
cidade de sua obra.
Não capacidade de produzir, era um esteta da palavra, não
exclusividade, maltratando os que não as comungam, e vo
há tempos, a propósito de seu
ruído,
que
tratado
da
Escreví,
Harmonia Políti-
dos vocábulos e, as vezes, re pensava de modo diverso as próprias idéias. Era, porém,
direito.
ca”, em cujo frontispicio teve
Era um expositor calmo, com
a bondade de colocar meu no
um
os temas e seus conexos de modo como o lavrador trata as
um pensador
trabalhador. como
E
já houve
poucos no Brasil. Sou tentado
a dizer que João
Camillo per
tenceu à estirpe dos Faria Brito, Jackson de Figueiredo e
Tristão
de Athayde
pelo po
ciferam 0
a torto e a
método talvez
haurido
Tomás de Aquino,
em
abordando
leiras, limpando-as para a semeadura ou lançando de vez as sementes. Nutria o desejo de realizar um "corpus" com a
totalidade de
seus
livros
e
me, que João Camillo perten cia à família dos Francisco Suarez, dos Antônio de Souza de Macedo, dos Visconde do Uruguay. E por que não dizer, do moderno Burdeau? E sem pre que
conversava com
magnetizado
por sua
inteligência
e
ele.
enorme
capacidade de
der e pertinácia de suas aná
se Deus o houvesse reservado
lises, capacidade de girar o pensamento em torno de deter minados valores que seu espí
para o mundo, possivelmente, 0 teria concluído. Sempre lhe dizia que ele era o nosso Oli
tins. Emparelhava-o ao genia-
rito
veira Martins com sinal posi
lóide lusitano
defendia
heroicamente
com a integridade de sua al-
sociais",
pologia, da Economia e até da
Com esse, João Camillo
João-Camillo de Oliveira Torres, fico estarrecido com sua
fabuloso
de ciências
publicista português um João Camillo com sinal negativo. teve uma irmandade, pelos rumos na ambição da organi-
se importava com a repetição
blioteca
ma apostolar. Manso, não fa zia alarde de suas convicções, não as proclamava como es
tivo,
embora
não
considere o
abarcar os problemas e resu mi-los numa simples frase, lembrava-me de Oliveira Mar que programou
e quase levou a cabo uma “bi-
frequentando os amplos terri tórios da História,
da Antro
Religião. João Camillo era um
pretendia, assim, realizar uma espécie de Novum Organun, semelhante ao do inglês Francis Bacon. Oliveira Martins
partiu para a composição
de
livros de um dado racional, se não de todo baseado na ciência positiva, pelo menos com forte parentesco com seus
0 positivismo comteano.
João
Camillo, por sua vez, se pren de ao tomismo e ao providen-
cialismo de Boussuet. Para se a exatidão desta verificar afirmativa, que não é mero
impressionismo ou julgamento apressado, baste-nos ler um ‘A de seus possantes livros, Teoria Geral da História”. Es-
mu-rwmaiittico Evocação de um dos maiores pensadores políticos brasileiros.
O autor é da
Vivaldi
WJoreira
Academia Mineira de Letras.
Quando, desta mesa em que escrevo, lanço um olhar sobre as obras do meu saudoso con
frade
de Academia e
amigo
ses frondeurs do
doutor em todos esses ramos e
man
acolhem um elenco de concep ções e a elas se aferram com
cidade de sua obra.
Não capacidade de produzir, era um esteta da palavra, não
exclusividade, maltratando os que não as comungam, e vo
há tempos, a propósito de seu
ruído,
que
tratado
da
Escreví,
Harmonia Políti-
dos vocábulos e, as vezes, re pensava de modo diverso as próprias idéias. Era, porém,
direito.
ca”, em cujo frontispicio teve
Era um expositor calmo, com
a bondade de colocar meu no
um
os temas e seus conexos de modo como o lavrador trata as
um pensador
trabalhador. como
E
já houve
poucos no Brasil. Sou tentado
a dizer que João
Camillo per
tenceu à estirpe dos Faria Brito, Jackson de Figueiredo e
Tristão
de Athayde
pelo po
ciferam 0
a torto e a
método talvez
haurido
Tomás de Aquino,
em
abordando
leiras, limpando-as para a semeadura ou lançando de vez as sementes. Nutria o desejo de realizar um "corpus" com a
totalidade de
seus
livros
e
me, que João Camillo perten cia à família dos Francisco Suarez, dos Antônio de Souza de Macedo, dos Visconde do Uruguay. E por que não dizer, do moderno Burdeau? E sem pre que
conversava com
magnetizado
por sua
inteligência
e
ele.
enorme
capacidade de
der e pertinácia de suas aná
se Deus o houvesse reservado
lises, capacidade de girar o pensamento em torno de deter minados valores que seu espí
para o mundo, possivelmente, 0 teria concluído. Sempre lhe dizia que ele era o nosso Oli
tins. Emparelhava-o ao genia-
rito
veira Martins com sinal posi
lóide lusitano
defendia
heroicamente
com a integridade de sua al-
sociais",
pologia, da Economia e até da
Com esse, João Camillo
João-Camillo de Oliveira Torres, fico estarrecido com sua
fabuloso
de ciências
publicista português um João Camillo com sinal negativo. teve uma irmandade, pelos rumos na ambição da organi-
se importava com a repetição
blioteca
ma apostolar. Manso, não fa zia alarde de suas convicções, não as proclamava como es
tivo,
embora
não
considere o
abarcar os problemas e resu mi-los numa simples frase, lembrava-me de Oliveira Mar que programou
e quase levou a cabo uma “bi-
frequentando os amplos terri tórios da História,
da Antro
Religião. João Camillo era um
pretendia, assim, realizar uma espécie de Novum Organun, semelhante ao do inglês Francis Bacon. Oliveira Martins
partiu para a composição
de
livros de um dado racional, se não de todo baseado na ciência positiva, pelo menos com forte parentesco com seus
0 positivismo comteano.
João
Camillo, por sua vez, se pren de ao tomismo e ao providen-
cialismo de Boussuet. Para se a exatidão desta verificar afirmativa, que não é mero
impressionismo ou julgamento apressado, baste-nos ler um ‘A de seus possantes livros, Teoria Geral da História”. Es-
DIGESTO
88
sa
tentativa de
desvendar o
sentido da História, João millo a colocou
Ca-
como preocu
pação máxima de nosso tem po. E o "sentido" nós só o en contramos na crença numa fi
nalidade buscada no ideal, isto
reinado, de
ECONÔMICO
sua tutela
sobre
89
DIGESTO ECONÔMICO
absoluta fé nos valores espiri
nós.
tuais
Nada do que existe escapa à História, que não é só o re gistro impassível dos aconte cimentos, mas força reitora, condutora, matriz da humani
aristotélico-tomista. Jamais fez
dentro
concessões
ao
da
cardinália
romantismo
em
qualquer dos departamentos das chamadas ciências do es
pírito, sem contudo, entregar-
é, como colmatagem de uma vida disparada para o infinito, e que nós identificamos como
dade. Sem História não há vi da, pois é, ela o desdobramen
se ao pragmatismo de um Carl Schmitt (fascismo-autoritaris-
to
mo) de
os
olho vetor, segmento em reta que leva a Deus como ponto final, entidade suprema que nos mostra só o bem, desaguando no eterno retorno, na palingenésia do gênero huma no. Daí sua teoria do tempoorgânico ou daquilo que o jesuíta-arqueólogo afirmou: “Es
Gramsci
tamos em vias de descobrir
ção geral, inoculando seu ve neno sutil e embriagante, pre
valores
do
cristianismo.
Fora daí não há salvação para João Camillo de
Oliveira Tor
res, pensador religioso, cris tão, católico, que baseou suas reflexões e pesquisas nos en-
sinamentos de Tomás de Aquino, e daí desenvolveu seu uni verso mental, sempre retifica do ou conferido pela ortodoxia
católica.
dos
capítulos
mais
densos de sua
‘Teoria
Geral
da
quando
trata do
no
mundo
Num
História”,
tempo e situação” da História, cita
uma passagem de Teilhard de Chardin: Toute réalité
expérimentale est, par nature, historique”. Acha-se implícita
sucessivo dos
eventos, o
o
Tempo". E para João Camillo só descobre o tempo aquele que caminha para Deus. Tan to no plano individual quanto no tocante às nações. Filio-
me,
modestamente,
humilde
mente, a esta corrente, certo de que fora dela só há desa lento e angústia. Desde “O Homem e a Mon
nesta afirmativa de Chardin a
tanha”, com que o caudaloso
declaração de que tudo é His tória e Deus olha, vigia os ho-
pensador fez
mens,
mento
através desse instruinsubstituível de seu
sua estréia nas
letras, até “Democracia Co roada”, manteve-se João Ca millo numa linha coerente de
um lado, ou, de
um
(marxismo-liberal), de outro, ambos confluentes na mesma negação total do espirito. Derivam os dois de
papai Hegel tratado
que precisa ser
com reserva e
cuida
do, pegado com pinças, como
os materiais atômicos, a fim de
não
difundir a contamina
conizado como
o “mais verda
deiro". Todavia, a pretensão de atingir uma realidade nun ca é sacrificada e jamais con
quistada. Em Hegel, que gal gou 0 ápice do romantismo, o Estado (forma visível da temporalidade da vontade divina), apareceu como instrumento de
agentes
superiores e no
qual
se corporificam a ironia e a intriga de que o homem isola do se torna vítima.
tico, prisioneiro
O român
das reservas
subjetivas, não reencontra a realidade que busca nem em si mesmo, nem na sociedade, nem no desenvolvimento histó
rico, nem no Deus da metafí sica tradicional. E assim, cria,
para seu uso, uma totalidade que lhe parece contar o real. Pura mistificação do intelecto, que precisa de compensação, apoio, para o sustentar no meio das fantasmagorias. O universo todo, a arte completa, a ciência inteira, eis o que os românticos sempre tentaram abocanhar através da filosofia da natureza. A filosofia da
natureza do Renascimento, an tes da grande virada estabe lecida por Descartes, não era romântica, pois ainda se acha va impregnada de laivos do tomismo. Com à emancipação do homem da orientação cristocêntrica é que chegamos até 0 absurdo de Rousseau que fa zia tudo girar em torno do ego. A Sociedade e a História, o Universo e a Humanidade não tinham outra finalidade, não
desempenhavam outra utilida de a não ser a de fornecer materiais à atividade do eu.
Dai 0 grande cisma do Oci dente gerado pelo romantismo
DIGESTO
88
sa
tentativa de
desvendar o
sentido da História, João millo a colocou
Ca-
como preocu
pação máxima de nosso tem po. E o "sentido" nós só o en contramos na crença numa fi
nalidade buscada no ideal, isto
reinado, de
ECONÔMICO
sua tutela
sobre
89
DIGESTO ECONÔMICO
absoluta fé nos valores espiri
nós.
tuais
Nada do que existe escapa à História, que não é só o re gistro impassível dos aconte cimentos, mas força reitora, condutora, matriz da humani
aristotélico-tomista. Jamais fez
dentro
concessões
ao
da
cardinália
romantismo
em
qualquer dos departamentos das chamadas ciências do es
pírito, sem contudo, entregar-
é, como colmatagem de uma vida disparada para o infinito, e que nós identificamos como
dade. Sem História não há vi da, pois é, ela o desdobramen
se ao pragmatismo de um Carl Schmitt (fascismo-autoritaris-
to
mo) de
os
olho vetor, segmento em reta que leva a Deus como ponto final, entidade suprema que nos mostra só o bem, desaguando no eterno retorno, na palingenésia do gênero huma no. Daí sua teoria do tempoorgânico ou daquilo que o jesuíta-arqueólogo afirmou: “Es
Gramsci
tamos em vias de descobrir
ção geral, inoculando seu ve neno sutil e embriagante, pre
valores
do
cristianismo.
Fora daí não há salvação para João Camillo de
Oliveira Tor
res, pensador religioso, cris tão, católico, que baseou suas reflexões e pesquisas nos en-
sinamentos de Tomás de Aquino, e daí desenvolveu seu uni verso mental, sempre retifica do ou conferido pela ortodoxia
católica.
dos
capítulos
mais
densos de sua
‘Teoria
Geral
da
quando
trata do
no
mundo
Num
História”,
tempo e situação” da História, cita
uma passagem de Teilhard de Chardin: Toute réalité
expérimentale est, par nature, historique”. Acha-se implícita
sucessivo dos
eventos, o
o
Tempo". E para João Camillo só descobre o tempo aquele que caminha para Deus. Tan to no plano individual quanto no tocante às nações. Filio-
me,
modestamente,
humilde
mente, a esta corrente, certo de que fora dela só há desa lento e angústia. Desde “O Homem e a Mon
nesta afirmativa de Chardin a
tanha”, com que o caudaloso
declaração de que tudo é His tória e Deus olha, vigia os ho-
pensador fez
mens,
mento
através desse instruinsubstituível de seu
sua estréia nas
letras, até “Democracia Co roada”, manteve-se João Ca millo numa linha coerente de
um lado, ou, de
um
(marxismo-liberal), de outro, ambos confluentes na mesma negação total do espirito. Derivam os dois de
papai Hegel tratado
que precisa ser
com reserva e
cuida
do, pegado com pinças, como
os materiais atômicos, a fim de
não
difundir a contamina
conizado como
o “mais verda
deiro". Todavia, a pretensão de atingir uma realidade nun ca é sacrificada e jamais con
quistada. Em Hegel, que gal gou 0 ápice do romantismo, o Estado (forma visível da temporalidade da vontade divina), apareceu como instrumento de
agentes
superiores e no
qual
se corporificam a ironia e a intriga de que o homem isola do se torna vítima.
tico, prisioneiro
O român
das reservas
subjetivas, não reencontra a realidade que busca nem em si mesmo, nem na sociedade, nem no desenvolvimento histó
rico, nem no Deus da metafí sica tradicional. E assim, cria,
para seu uso, uma totalidade que lhe parece contar o real. Pura mistificação do intelecto, que precisa de compensação, apoio, para o sustentar no meio das fantasmagorias. O universo todo, a arte completa, a ciência inteira, eis o que os românticos sempre tentaram abocanhar através da filosofia da natureza. A filosofia da
natureza do Renascimento, an tes da grande virada estabe lecida por Descartes, não era romântica, pois ainda se acha va impregnada de laivos do tomismo. Com à emancipação do homem da orientação cristocêntrica é que chegamos até 0 absurdo de Rousseau que fa zia tudo girar em torno do ego. A Sociedade e a História, o Universo e a Humanidade não tinham outra finalidade, não
desempenhavam outra utilida de a não ser a de fornecer materiais à atividade do eu.
Dai 0 grande cisma do Oci dente gerado pelo romantismo
DIGESTO
90
de que foi inimigo permanen
tourd,
te 0 pensador
Camillo,
quando o filho de João Camil-
e afanosa
lo pergunta-me se desejo es crever um artigo sobre o pai. Curioso é que, com a última reflexão lida no volume, justamente a lembrança de João
João
com sua tranquila
tarefa de restabelecer
verda
des.
Inimigo declarado tanto de Hobbes, que criou o Levia-
Carnet
d'un
Emígré,
thann e nele acreditava como
Camillo me
instância suprema, quanto de Rousseau, que plantou a se
“Si Dieu n'existe pas je n’écris plus une ligne”. Pode ser a
mente da
desobediência
veio à mente:
com
ementa da vida exuberante de
idéias que João Camillo em preendeu e realizou em pleni
dor, obra dos homens sob ins piração divina, capaz de diri gir a sociedade, distribuir justiça, praticar o bem entre
tude.
Bela obra a sua, em vários
os deserdados filhos de Eva. Encontrava-me lendo um
setores, todos confluindo para a dignidade do homem como imagem de Deus, filho obe diente do Senhor, Senhor dos
livro
mundos, Senhor da História.
do
francês
Jean
Du-
^ ji
—
pleta, João Camillo pregava a fórmula de um Estado ordena-
.<l\
ECONÔMICO
Pierre Boisard
Com o título: "Balanço das pesquisas sobre a redução da
duração do trabalho", o Centro
de Estudos do Emprego, da França, publicou um estudo de Pierre Boisard. Encontrar-se-á a seguir um extrato deste trabalho, consagrado aos efeitos sociais da redução da duração
(Continuação da página 85) cuidada, a estévia produz 3 a 4 vezes por ano, fornecendo 2 a 3 toneladas por hectare na primeira safra e, nos próximos anos. 5 toneladas
de
vez. Uma tonelada de folhas secas fornece mais ou menos 120
de cris
kg.
cada
tais adoçantes, enquanto que a cana-de-açúcar produz 110 kg. de sacarose
por tonelada, em média.
Atualmente, 1 kg. de folhas secas gera US$ 1,50
crescendo a sua procura a galope.
Obviamente, o caso da estévia dos nossos dias.
será uma das maiores aventuras agrícolas
A “Agro Industrial e Comercial Viveiros Guarani” já se
preparou para produzir e vender mudas em maiores quantidades.
do trabalho.
Se as consequências econô micas da redução da duração do trabalho começam a ser es
tudadas,
efeitos
propria
mente sociais estão, quanto, abandonados.
os
por en
les que têm implicações econô micas imediatas, tais como o absenteísmo ou os acidentes do trabalho. Ainda assim são abor dados sob um ângulo estreita
conta
mente economista. Não se po de deixar de constatar que em
entre os efeitos sociais, aque-
muitos outros ângulos as inte-
Só
são
levados
em
DIGESTO
90
de que foi inimigo permanen
tourd,
te 0 pensador
Camillo,
quando o filho de João Camil-
e afanosa
lo pergunta-me se desejo es crever um artigo sobre o pai. Curioso é que, com a última reflexão lida no volume, justamente a lembrança de João
João
com sua tranquila
tarefa de restabelecer
verda
des.
Inimigo declarado tanto de Hobbes, que criou o Levia-
Carnet
d'un
Emígré,
thann e nele acreditava como
Camillo me
instância suprema, quanto de Rousseau, que plantou a se
“Si Dieu n'existe pas je n’écris plus une ligne”. Pode ser a
mente da
desobediência
veio à mente:
com
ementa da vida exuberante de
idéias que João Camillo em preendeu e realizou em pleni
dor, obra dos homens sob ins piração divina, capaz de diri gir a sociedade, distribuir justiça, praticar o bem entre
tude.
Bela obra a sua, em vários
os deserdados filhos de Eva. Encontrava-me lendo um
setores, todos confluindo para a dignidade do homem como imagem de Deus, filho obe diente do Senhor, Senhor dos
livro
mundos, Senhor da História.
do
francês
Jean
Du-
^ ji
—
pleta, João Camillo pregava a fórmula de um Estado ordena-
.<l\
ECONÔMICO
Pierre Boisard
Com o título: "Balanço das pesquisas sobre a redução da
duração do trabalho", o Centro
de Estudos do Emprego, da França, publicou um estudo de Pierre Boisard. Encontrar-se-á a seguir um extrato deste trabalho, consagrado aos efeitos sociais da redução da duração
(Continuação da página 85) cuidada, a estévia produz 3 a 4 vezes por ano, fornecendo 2 a 3 toneladas por hectare na primeira safra e, nos próximos anos. 5 toneladas
de
vez. Uma tonelada de folhas secas fornece mais ou menos 120
de cris
kg.
cada
tais adoçantes, enquanto que a cana-de-açúcar produz 110 kg. de sacarose
por tonelada, em média.
Atualmente, 1 kg. de folhas secas gera US$ 1,50
crescendo a sua procura a galope.
Obviamente, o caso da estévia dos nossos dias.
será uma das maiores aventuras agrícolas
A “Agro Industrial e Comercial Viveiros Guarani” já se
preparou para produzir e vender mudas em maiores quantidades.
do trabalho.
Se as consequências econô micas da redução da duração do trabalho começam a ser es
tudadas,
efeitos
propria
mente sociais estão, quanto, abandonados.
os
por en
les que têm implicações econô micas imediatas, tais como o absenteísmo ou os acidentes do trabalho. Ainda assim são abor dados sob um ângulo estreita
conta
mente economista. Não se po de deixar de constatar que em
entre os efeitos sociais, aque-
muitos outros ângulos as inte-
Só
são
levados
em
DIGESTO
DIGESTO ECONÔMICO
92
Consequências sobre.as condições de trabalho
rações do social e do econômi co não são exploradas. Não
existe pesquisa
siste
mática sobre os efeitos sociais
da redução da duração do tra balho. Entretanto, vários es tudos abordarn esta questão de maneira incidental, em parti cular os que se referem à or ganização do tempo ou aos ce nários de crescimento alterna tivo. Abordar estes estudos é
penoso. A gente se vê reduzido a uma espécie de “patchwork”, a uma mistura de elementos de
tipos e de origens extremamen te diversificados. Para contor
nar a dificuldade restringimos fortemente o
número de estu
dos de referência, com o ris co de negligenciar alguns im portantes. Só retivemos aque les que nos pareceram os mais significativos. Reduzir a duração do tra
balho não é, apenas, nem mes mo
principalmente,
trabalhar
durante menos tempo, é, sobre tudo, ter mais tempo para fa zer outra coisa. É esta “outra
coisa” que nos interessa aqui. rue de
As consequências sociais da redução do tempo de traba lho
se manifestam
tanto
nele
como fora dele. Vejamos pri meiramente as consequências imediatas sobre o local do tra balho.
Primeira consequência po sitiva esperada com a redução do tempo de trabalho: a dimi nuição do absenteísmo. Expe riências de trabalho de tempo
parcial tornaram evidente im portante baixa no absenteísmo (1), com relação à duração nor mal. Este fenômeno pode ser considerado geral em toda re dução hebdomadária do traba lho? É provável que a diminui ção do absenteísmo seja fun ção da flexibilidade dos horá rios mais do que da sua redu ção. Na medida em que a di minuição do tempo de trabalho estiver associada flexibilidade dos
com maior horários o f
absenteísmo poderá ser redu zido. Em compensação a ma¬
[*]
Ministério do Trabalho, 51,
(1]
"O trabalho de tempo parcial na Suécia" em Intersoclal n.° 45. Janeiro de 1979. Os resultados das experiências francesas concordam com o que foi observado na Suécia.
Ia Chaussée-d'Antln, 75009 Paris.
93
ECONÔMICO
nutenção da rigidez dos horá rios, mesmo no caso de uma duração hebdomadária reduzi da, arrisca não afetar signifi cativamente 0 nível de absen-
Iho, entretanto, sob a condição de que não venha substituir ou
tras medidas de melhoria das
condições de trabalho, continua sendo um fator importante de
teísmo.
redução do risco industrial. Es
Que relação existe entre duração de trabalho e aciden
dições de trabalho é sublinha da por M. Aubry e J. M. Qua-
tes do trabalho? Foi constata
zan
do que a maioria dos acidentes
tório para o colóquio sobre a
ta relação entre duração e con
de trabalho acontece durante a
na
conclusão do seu rela-
“partilha
do
trabalho”
(3):
Se
uma
diminuição
do
balho e os setores de forte ta
“Concluindo, é bom insistir so bre 0 caráter interdependente das duas noções: duração do trabalho e condições de traba-
xa de acidentes (2). Isto não basta, entretanto, para afirmar
tempo de trabalho e um arran
última hora da jornada. Exis te uma correlação entre os se
tores de longa duração do tra
que uma redução do tempo de trabalho traria automaticamen
te uma redução do número de acidentes. Para que os aciden tes imputáveis à fadiga sejam reduzidos, é preciso ainda que a duração menor do trabalho não seja anulada por uma
então mais depressa
e os
riscos seriam aumentados. Uma
diminuição do tempo de traba(2)
jo do seu tempo constituem condição da melhoria da vida no
mesmo
trabalho, uma modi
ficação do seu conteúdo é, tam
bém necessária para atrair um
movimento importante
na or
ganização do tempo.”
in-
tensificação no ritmo do traba lho. Isso porque, a fadiga vi ría
lho.
Enfim, pode ser que a re
dução da duração do trabalho favoreça aumentos de produti
vidade, não somente porque di
minui a fadiga, mas igualmen-
Dr. P. Bugard "Le dossier fatigue". Paris Ed. Stock. 1978. G. Mury ”Le sang Ouvrler". Ed. du
Cerf.
baího e sociedade", Universidade Paris IX — Dauphine.
DIGESTO
DIGESTO ECONÔMICO
92
Consequências sobre.as condições de trabalho
rações do social e do econômi co não são exploradas. Não
existe pesquisa
siste
mática sobre os efeitos sociais
da redução da duração do tra balho. Entretanto, vários es tudos abordarn esta questão de maneira incidental, em parti cular os que se referem à or ganização do tempo ou aos ce nários de crescimento alterna tivo. Abordar estes estudos é
penoso. A gente se vê reduzido a uma espécie de “patchwork”, a uma mistura de elementos de
tipos e de origens extremamen te diversificados. Para contor
nar a dificuldade restringimos fortemente o
número de estu
dos de referência, com o ris co de negligenciar alguns im portantes. Só retivemos aque les que nos pareceram os mais significativos. Reduzir a duração do tra
balho não é, apenas, nem mes mo
principalmente,
trabalhar
durante menos tempo, é, sobre tudo, ter mais tempo para fa zer outra coisa. É esta “outra
coisa” que nos interessa aqui. rue de
As consequências sociais da redução do tempo de traba lho
se manifestam
tanto
nele
como fora dele. Vejamos pri meiramente as consequências imediatas sobre o local do tra balho.
Primeira consequência po sitiva esperada com a redução do tempo de trabalho: a dimi nuição do absenteísmo. Expe riências de trabalho de tempo
parcial tornaram evidente im portante baixa no absenteísmo (1), com relação à duração nor mal. Este fenômeno pode ser considerado geral em toda re dução hebdomadária do traba lho? É provável que a diminui ção do absenteísmo seja fun ção da flexibilidade dos horá rios mais do que da sua redu ção. Na medida em que a di minuição do tempo de trabalho estiver associada flexibilidade dos
com maior horários o f
absenteísmo poderá ser redu zido. Em compensação a ma¬
[*]
Ministério do Trabalho, 51,
(1]
"O trabalho de tempo parcial na Suécia" em Intersoclal n.° 45. Janeiro de 1979. Os resultados das experiências francesas concordam com o que foi observado na Suécia.
Ia Chaussée-d'Antln, 75009 Paris.
93
ECONÔMICO
nutenção da rigidez dos horá rios, mesmo no caso de uma duração hebdomadária reduzi da, arrisca não afetar signifi cativamente 0 nível de absen-
Iho, entretanto, sob a condição de que não venha substituir ou
tras medidas de melhoria das
condições de trabalho, continua sendo um fator importante de
teísmo.
redução do risco industrial. Es
Que relação existe entre duração de trabalho e aciden
dições de trabalho é sublinha da por M. Aubry e J. M. Qua-
tes do trabalho? Foi constata
zan
do que a maioria dos acidentes
tório para o colóquio sobre a
ta relação entre duração e con
de trabalho acontece durante a
na
conclusão do seu rela-
“partilha
do
trabalho”
(3):
Se
uma
diminuição
do
balho e os setores de forte ta
“Concluindo, é bom insistir so bre 0 caráter interdependente das duas noções: duração do trabalho e condições de traba-
xa de acidentes (2). Isto não basta, entretanto, para afirmar
tempo de trabalho e um arran
última hora da jornada. Exis te uma correlação entre os se
tores de longa duração do tra
que uma redução do tempo de trabalho traria automaticamen
te uma redução do número de acidentes. Para que os aciden tes imputáveis à fadiga sejam reduzidos, é preciso ainda que a duração menor do trabalho não seja anulada por uma
então mais depressa
e os
riscos seriam aumentados. Uma
diminuição do tempo de traba(2)
jo do seu tempo constituem condição da melhoria da vida no
mesmo
trabalho, uma modi
ficação do seu conteúdo é, tam
bém necessária para atrair um
movimento importante
na or
ganização do tempo.”
in-
tensificação no ritmo do traba lho. Isso porque, a fadiga vi ría
lho.
Enfim, pode ser que a re
dução da duração do trabalho favoreça aumentos de produti
vidade, não somente porque di
minui a fadiga, mas igualmen-
Dr. P. Bugard "Le dossier fatigue". Paris Ed. Stock. 1978. G. Mury ”Le sang Ouvrler". Ed. du
Cerf.
baího e sociedade", Universidade Paris IX — Dauphine.
DIGESTO
94
te porque, instaurando um no vo equilíbrio entre tempo de trabalho e tempo livre, atenua 0 caráter de trabalho imposto. Entretanto, isto é discutível, se 0 tempo consagrado ao traba lho perder a posição central de importância que ocupa atual mente. Nestas condições have
ECONÔMICO
generalização do trabalho fixo poderia igualmente contrariar a melhoria resultante da redu
ção do tempo de trabalho. Tan
to quanto a duração global, os horários
e os ritmos intervém
sobre as condições, o interes se e os efeitos do trabalho (4).
Enfim, 0 interesse pelo traba
95
DIGESTO ECONÔMICO
ração. Antes de apresentar mi galhas de reflexões sobre esse ponto, devemos abordar o pro blema do tempo fora do traba
lho, ligado ao trabalho, isto é, a amplitude da jornada de tra balho.
Dispomos, infelizmente, de poucos elementos estatísticos quanto a medida da amplitude
da jornada de trabalho. Num estudo mais completo sobre a estrutura e a evolução dessa
jornada (5) Baudoin Seys observa
que
entre 1959
e 1974 a
O tempo ligado ao trabalho
duração hebdomadária do tra balho passou de 45,3 horas pa
A evolução do tempo liga do ao trabalho aparece menos positiva que a evolução da du ração média do trabalho. Uma parte da redução do tempo de trabalho foi absorvida pelo alongamento dos tempos de transporte. O alcance da redu ção do trabalho fica, aí, con sideravelmente reduzido. Se o
ra 43,0 horas, mas que, ao mes-
quências da redução do traba
tempo a considerar, na medida
trabalho.
lho permanece, paradoxalmen te, centrada no trabalho e ig
em que se
estuda os efeitos
econômicos
de
nora 0 tempo fora do trabalho.
do tempo de trabalho, é o efeti vamente trabalhado, o tempo de referência em contraposi ção na medida em que se foca
terá os efeitos que se pode es perar de uma redução da du ração cotidiana do trabalho. A
Muitos estudos tratam da or ganização do tempo, dos laze res, mas nenhum, de nosso co nhecimento, considera as con sequências sobre a vida fora do trabalho resultante de uma baixa significativa da sua du-
(4)
trabalho". Pesquisa sobre a construção mecâ¬
rá
fortalecimento
do
interesse
pelo trabalho, que se torna uma
lho não depende essencialmen te de sua duração, mas de seu
ocupação entre outras, ou, ao
conteúdo
e das condições ge
contrário, acentuar-se-á a desafeição pelo mesmo? A esta interrogação, não existe res
redução da jornada pode favo
posta “a priori". Parece-nos que
das de melhoria das condições
tudo depende tanto do conteú do do trabalho como de sua in
serção na vida, isto é, do arranjo geral do tempo.
Em conclusão, os resulta dos positivos da redução do trabalho sobre ele próprio de pendem amplamente das moda lidades desta redução e das me
didas complementares que con¬ cernem ao conteúdo
do traba
lho. É evidente que uma quinta
semana de férias pagas, não
William ... Grossin "Duração ..
e horários de
rais em que ele se efetua. A recer
a ação
de outras medi
de trabalho, não pode substituílas.
Tempo para
A reflexão sobre as conse
nica e eletrica na regiao parisiense, em "O trabalho e o tempo", Paris
pos,
1969.
viver
edição Anthro-
uma
variação
liza 0 aspecto social, é a am plitude da jornada de trabalho, devendo o tempo de transporte ser considerado como parte in
tegrante do tempo obrigatório. (5)
mo
tempo, a média do tempo
de trajeto diário passou de 43 minutos
51
minutos, ou
mana, na
base de cinco dias de
trabalho hebdomadário. Na re
gião parisiense o aumento do tempo de transporte foi de 50 minutos, mais de um terço, por
tanto, do ganho em tempo de Uma nova redução da du
ração de trabalho, arriscaria ser
absorvida pela ampliação
do tempo de transporte se não houver organização do espaço, especialmente
a da
distância
do lugar de moradia ao lugar do trabalho e aos locais de abastecimento e lazer. O au mento da duração do transpor-
Baudoin Seys “Os horários de trabalho em 1974' Julho-agosto de 1975.
para
seja, 40 minutos a mais por se-
Economia e Estatística n.® 69
DIGESTO
94
te porque, instaurando um no vo equilíbrio entre tempo de trabalho e tempo livre, atenua 0 caráter de trabalho imposto. Entretanto, isto é discutível, se 0 tempo consagrado ao traba lho perder a posição central de importância que ocupa atual mente. Nestas condições have
ECONÔMICO
generalização do trabalho fixo poderia igualmente contrariar a melhoria resultante da redu
ção do tempo de trabalho. Tan
to quanto a duração global, os horários
e os ritmos intervém
sobre as condições, o interes se e os efeitos do trabalho (4).
Enfim, 0 interesse pelo traba
95
DIGESTO ECONÔMICO
ração. Antes de apresentar mi galhas de reflexões sobre esse ponto, devemos abordar o pro blema do tempo fora do traba
lho, ligado ao trabalho, isto é, a amplitude da jornada de tra balho.
Dispomos, infelizmente, de poucos elementos estatísticos quanto a medida da amplitude
da jornada de trabalho. Num estudo mais completo sobre a estrutura e a evolução dessa
jornada (5) Baudoin Seys observa
que
entre 1959
e 1974 a
O tempo ligado ao trabalho
duração hebdomadária do tra balho passou de 45,3 horas pa
A evolução do tempo liga do ao trabalho aparece menos positiva que a evolução da du ração média do trabalho. Uma parte da redução do tempo de trabalho foi absorvida pelo alongamento dos tempos de transporte. O alcance da redu ção do trabalho fica, aí, con sideravelmente reduzido. Se o
ra 43,0 horas, mas que, ao mes-
quências da redução do traba
tempo a considerar, na medida
trabalho.
lho permanece, paradoxalmen te, centrada no trabalho e ig
em que se
estuda os efeitos
econômicos
de
nora 0 tempo fora do trabalho.
do tempo de trabalho, é o efeti vamente trabalhado, o tempo de referência em contraposi ção na medida em que se foca
terá os efeitos que se pode es perar de uma redução da du ração cotidiana do trabalho. A
Muitos estudos tratam da or ganização do tempo, dos laze res, mas nenhum, de nosso co nhecimento, considera as con sequências sobre a vida fora do trabalho resultante de uma baixa significativa da sua du-
(4)
trabalho". Pesquisa sobre a construção mecâ¬
rá
fortalecimento
do
interesse
pelo trabalho, que se torna uma
lho não depende essencialmen te de sua duração, mas de seu
ocupação entre outras, ou, ao
conteúdo
e das condições ge
contrário, acentuar-se-á a desafeição pelo mesmo? A esta interrogação, não existe res
redução da jornada pode favo
posta “a priori". Parece-nos que
das de melhoria das condições
tudo depende tanto do conteú do do trabalho como de sua in
serção na vida, isto é, do arranjo geral do tempo.
Em conclusão, os resulta dos positivos da redução do trabalho sobre ele próprio de pendem amplamente das moda lidades desta redução e das me
didas complementares que con¬ cernem ao conteúdo
do traba
lho. É evidente que uma quinta
semana de férias pagas, não
William ... Grossin "Duração ..
e horários de
rais em que ele se efetua. A recer
a ação
de outras medi
de trabalho, não pode substituílas.
Tempo para
A reflexão sobre as conse
nica e eletrica na regiao parisiense, em "O trabalho e o tempo", Paris
pos,
1969.
viver
edição Anthro-
uma
variação
liza 0 aspecto social, é a am plitude da jornada de trabalho, devendo o tempo de transporte ser considerado como parte in
tegrante do tempo obrigatório. (5)
mo
tempo, a média do tempo
de trajeto diário passou de 43 minutos
51
minutos, ou
mana, na
base de cinco dias de
trabalho hebdomadário. Na re
gião parisiense o aumento do tempo de transporte foi de 50 minutos, mais de um terço, por
tanto, do ganho em tempo de Uma nova redução da du
ração de trabalho, arriscaria ser
absorvida pela ampliação
do tempo de transporte se não houver organização do espaço, especialmente
a da
distância
do lugar de moradia ao lugar do trabalho e aos locais de abastecimento e lazer. O au mento da duração do transpor-
Baudoin Seys “Os horários de trabalho em 1974' Julho-agosto de 1975.
para
seja, 40 minutos a mais por se-
Economia e Estatística n.® 69
DIGESTO
96
ECONÔMICO
DIGESTO ECONÔMICO
te é desfavorável a uma redu
ção da
duração
cotidiana
do
trabalho, que é, por outro lado, a modalidade mais desejável de redução do trabalho. A fle
xibilidade dos horários^ expe riência tentada há alguns anos, sob o impulso principalmente do CATRAL (6), é uma neces sidade para reduzir o tempo desperdiçado em transportes. A organização do tempo Viu-se que as modalidades
de redução do trabalho no que se refere aos efeitos, importam quase tanto quanto o volume
desta redução. As reivindica ções atuais referem-se à sema
na de 35 horas, mas esta pode traduzir-se, seja por um alon gamento do feriado do fim de
semana, seja por uma redução de uma hora na duração coti diana. Esta segunda solução parece
preferível,
na medida
em que permite uma integra
ção mais harmoniosa do tempo consagrado ao trabalho no conjunto do tempo vivido. Mas
existem outros meios de agir (6j (7J
sobre tempo de trabalho: dura ção das férias anuais, idade de aposentadoria, interrupções no curso da vida ativa, etc. Nes te campo as possibilidades são ilimitadas, embora as soluções que prevalecem atualmente, sejam de uma dolorosa rigidez.
Numa obra recente, é propos ta toda uma gama de organi zações possíveis do tempo mo dificando totalmente a relação tempo de trabalho/tempo livre,
(7).
O autor, Guy Aznar, ex
plora possibilidades novas de inserção do trabalho na exis tência que oferecem aos indi
víduos maior liberdade da ges tão de seu tempo. Ele procura abolir as separações brutais entre vida de trabalho e vida dita inativa, fatoj- de frustra ção e rigidez profissional e cultural.
Abordam-se aqui, como em múltiplas reflexões sobre a du ração de trabalho, os degraus do reino da Utopia, onde nem Thomas More pode ser visto como precursor neste caminho, ele que falava em jornada de
Comitê para o estudo e a organização dos horários de trabalho e dos tempos de lazeres
na
região parisiense.
Guy Aznar "Não aos lazeres, não à aposentadoria". Galilée. 1978.
97
para experimentar essas pro postas cuja flexibilidade deve ria permitir a facilidade de aplicação.
seis horas (8). Mas quando se trata de pensar no futuro, as virtudes
pela
euristicas
utopia
do
desvio
já fizeram suas
provas. Outros estudos, estudos,
Trabalho
aliás, que se mantêm distantes da utopia, propõem sistemas de organização do tempo, seja no quadro da economia atual: J. de Chalendar (9) seja no de uma
economia
livre —>
trabalho obrigatório
A redução da duração do trabalho apresenta, como é di to frequentemente, o risco de
alternativa:
uma extensão do
Claude Paturle (10). Um núme
trabalho ne
gro. Esta asserção precisa ser
ro da revista "SXH) Avenir" é
verificada. Ê provável que uma redução do trabalho com salá rios .mais baixos, levaria os
consagrado a essa questão (11). O interesse de todos es tes estudos é que propõem mo dalidades novas de gestão do tempo, eliminando os desperdí cios, introduzindo maior liber dade e autorizandointerrupções da vida ativa para a formação profissional ou geral, assegu
assalariados a compensarem a
diferença através do
trabalho
negro. A questão da compensa
ção e do nível dos salários re presenta em relação a este pro blema um papel determinante. Uma pesquisa sobre os com
portamentos dos trabalhadores
rando, ao mesmo tempo, a pre servação dos direitos dos tra balhadores. Unia redução do trabalho podería ser a ocasião
em desemprego parcial, nos traria sobre o assunto interes santes indicações.
(81
Na Utopia, redigida em 1516. Thomas More escrevia: "Quando eu digo que meus
(9)
Jacques de
insulares
que em conseaucncia devem ter falta de muitas coisas necessárias à vida. De modo algum é verdadeiro que seu trabalho sc mostre demasiado curto para atrair em seu favor tudo quanto seja deseiavei, tanto para sua manutenção como para os prazeres da vida, pelo contrario este trapamo só
trabalham
seis
horas
por dia.
talvez
vocês
imaginam
gera multo mais do que para necessidades." Chalendar:
"A organização
Dossier FIPAD. n.® 3, janeiro de
do
tempo
(11) "Organizar 0 tempo” 2000 Avenir. n “ 43 — 2.“ Fratiçaise.
e estratégias
de
desenvolvimento".
'979.
trimestre de 1970. Parta, A Documentatlon
DIGESTO
96
ECONÔMICO
DIGESTO ECONÔMICO
te é desfavorável a uma redu
ção da
duração
cotidiana
do
trabalho, que é, por outro lado, a modalidade mais desejável de redução do trabalho. A fle
xibilidade dos horários^ expe riência tentada há alguns anos, sob o impulso principalmente do CATRAL (6), é uma neces sidade para reduzir o tempo desperdiçado em transportes. A organização do tempo Viu-se que as modalidades
de redução do trabalho no que se refere aos efeitos, importam quase tanto quanto o volume
desta redução. As reivindica ções atuais referem-se à sema
na de 35 horas, mas esta pode traduzir-se, seja por um alon gamento do feriado do fim de
semana, seja por uma redução de uma hora na duração coti diana. Esta segunda solução parece
preferível,
na medida
em que permite uma integra
ção mais harmoniosa do tempo consagrado ao trabalho no conjunto do tempo vivido. Mas
existem outros meios de agir (6j (7J
sobre tempo de trabalho: dura ção das férias anuais, idade de aposentadoria, interrupções no curso da vida ativa, etc. Nes te campo as possibilidades são ilimitadas, embora as soluções que prevalecem atualmente, sejam de uma dolorosa rigidez.
Numa obra recente, é propos ta toda uma gama de organi zações possíveis do tempo mo dificando totalmente a relação tempo de trabalho/tempo livre,
(7).
O autor, Guy Aznar, ex
plora possibilidades novas de inserção do trabalho na exis tência que oferecem aos indi
víduos maior liberdade da ges tão de seu tempo. Ele procura abolir as separações brutais entre vida de trabalho e vida dita inativa, fatoj- de frustra ção e rigidez profissional e cultural.
Abordam-se aqui, como em múltiplas reflexões sobre a du ração de trabalho, os degraus do reino da Utopia, onde nem Thomas More pode ser visto como precursor neste caminho, ele que falava em jornada de
Comitê para o estudo e a organização dos horários de trabalho e dos tempos de lazeres
na
região parisiense.
Guy Aznar "Não aos lazeres, não à aposentadoria". Galilée. 1978.
97
para experimentar essas pro postas cuja flexibilidade deve ria permitir a facilidade de aplicação.
seis horas (8). Mas quando se trata de pensar no futuro, as virtudes
pela
euristicas
utopia
do
desvio
já fizeram suas
provas. Outros estudos, estudos,
Trabalho
aliás, que se mantêm distantes da utopia, propõem sistemas de organização do tempo, seja no quadro da economia atual: J. de Chalendar (9) seja no de uma
economia
livre —>
trabalho obrigatório
A redução da duração do trabalho apresenta, como é di to frequentemente, o risco de
alternativa:
uma extensão do
Claude Paturle (10). Um núme
trabalho ne
gro. Esta asserção precisa ser
ro da revista "SXH) Avenir" é
verificada. Ê provável que uma redução do trabalho com salá rios .mais baixos, levaria os
consagrado a essa questão (11). O interesse de todos es tes estudos é que propõem mo dalidades novas de gestão do tempo, eliminando os desperdí cios, introduzindo maior liber dade e autorizandointerrupções da vida ativa para a formação profissional ou geral, assegu
assalariados a compensarem a
diferença através do
trabalho
negro. A questão da compensa
ção e do nível dos salários re presenta em relação a este pro blema um papel determinante. Uma pesquisa sobre os com
portamentos dos trabalhadores
rando, ao mesmo tempo, a pre servação dos direitos dos tra balhadores. Unia redução do trabalho podería ser a ocasião
em desemprego parcial, nos traria sobre o assunto interes santes indicações.
(81
Na Utopia, redigida em 1516. Thomas More escrevia: "Quando eu digo que meus
(9)
Jacques de
insulares
que em conseaucncia devem ter falta de muitas coisas necessárias à vida. De modo algum é verdadeiro que seu trabalho sc mostre demasiado curto para atrair em seu favor tudo quanto seja deseiavei, tanto para sua manutenção como para os prazeres da vida, pelo contrario este trapamo só
trabalham
seis
horas
por dia.
talvez
vocês
imaginam
gera multo mais do que para necessidades." Chalendar:
"A organização
Dossier FIPAD. n.® 3, janeiro de
do
tempo
(11) "Organizar 0 tempo” 2000 Avenir. n “ 43 — 2.“ Fratiçaise.
e estratégias
de
desenvolvimento".
'979.
trimestre de 1970. Parta, A Documentatlon
98
DIGESTO
No seu livro (12) Charly Boyadjian relata que o traba lho negro em sua usina dimi nuiu até a partir da instaura ção do desemprego parcial. As.
sim Mar^ um de seus camara das de usina: “não, depois do desemprego, eu labuto rara mente no negro. (3ompreendi (...) Agora, acabou. Não di
go que, de vez em quando, um bico rápido e bem pago... pa ra comprar bobagens. Mas há limites. Eu estava realmente cansado de fazer oito horas de
usina e depois disso de cinco
a seis horas no negro” (13). O aumento do tempo livre pode-
ria, portanto^ ser o melhor antídoto contra o trabalho negro.
Se há, realmente, desgosto
em
relação ao trabalho assalaria
do, por que não o haveria, tam bém, em relação ao negro. A menos que
se
trate
de outra
coisa que não seja a procura exclusiva
de um
aumento de
rendimentos.
Há
trabalho ne
cit..
p.
Trata-se,
frequentemente,
para um operário ou um em pregado desqualificado, do exercício de trabalho de tipo artesanal no quadro de suas relações de vizinhança ou amis tosas.
Embora
se
trate ainda
de um trabalho mercantilixado, não se trata mais de um traba
lho
assalariado.
A
ampliação
de tal fenômeno não teria ex
ultrapassado."
A primeira preocupação não é mais 0 aumento de rendas pa
“Sei agora o que trinta c duas horas de trabalho querem dizer. Para mim e para outros
ra ampliação do consumo^ mas
a usina se torna um contratem
po” (15). Como expressão viva da transformação da vida tra zida pelo desemprego parcial, a passagem de 46 horas para 32 horas hebdomadárias, a obra
desenvolvimento
de
ros testemunhos escritos sobre a felicidade de trabalhar me
por uma redução da sua dura ção repentina e importante.
Medidas
favorecendo
esse
desenvolvimento, a criação, por
exemplo, de pequenos ateliers de
consertos
no
nível
distri
tal, a locação de materiais, etc., permitiríam a utilização não deformada do tempo livre, com a retração da esfera do traba
lho mercantilizado (14).
entre
cada
semana
e
laror"
Que ocupações?
transfor
Fazem-nos
sistema e modos
tudos
sobre
a
muita falta
es
utilização
do
no au
tempo liberado pela redução do
tor, uma diminuição importan
trabalho. É evidente que aqui,
te da duração do trabalho não provoca, apenas, a diminuição da fadiga, permitindo maior
dução são determinantes. Uma
tural.
Se acreditarmos
também, as modalidades de re das
raras
explorações
deste
disponibilidade ela garante uma
problema é uma sondagem SO
abertura para o conjunto de atividades que os antigos ho
FRES efetuada de 27 de outu
rários inibiam.
Essa
1978,
"trabalho
nhas
mam 0 conjunto da vida fora
de relações, lazeres, vida cul
sua riqueza relacionai.
ver. E quando os horários re tornam a 40 horas, o sentimen to geral é de decepção.
de C. Boyadjian é um dos ra
do trabalho:
com
o aumento do tempo para vi
Por limitado que seja, es te livro nos abre, apesar disso, uma nova direção de pesquisa, a das transformações da vida fora do trabalho provocadas
tis
123.
quanto
A usina — contratempo
nos. Estas quatorze horas ga
mercantil, arbítrio junto ao qual aquele caro aos economistas falso
99
ECONÔMICO
clusivamente consequências ne gativas, desde que fosse orien tado para formas não mercan
(14) No seu relatório, já citado, ao colóquio sobre a Partilha do Trabalho, X. Greffe e J. Gaudln escrevem; A partilha do trabalho aparece como a possibilidade da escolher novos modos de vida a partir de iim arbítrio novo entre trabalho mercantil e trabalho não aôa tão
DIGBBTO
gro e trabalho negro.
(12) Charly Boyadjian "A noite das máquinas", Les Presaes d‘auJourd’hui. (13) Op.
ECONÔMICO
diminuição
provoca,
ao mesmo tempo, uma trans formação em relação ao tra balho e ao consumo mercantil. (15) C.
Boyadjian, op. cit..
(i6) Sondagem SOFRES;
p. 122.
bro a 2 de novembro de 19TO com mostragem representativa da população em idade de 18 anos e mais (16).
Além de questões sobre o desemprego, esta sondagem se
Le Nouvel Observateur, "você quer viver sem trabalhar?" 4/11/78.
98
DIGESTO
No seu livro (12) Charly Boyadjian relata que o traba lho negro em sua usina dimi nuiu até a partir da instaura ção do desemprego parcial. As.
sim Mar^ um de seus camara das de usina: “não, depois do desemprego, eu labuto rara mente no negro. (3ompreendi (...) Agora, acabou. Não di
go que, de vez em quando, um bico rápido e bem pago... pa ra comprar bobagens. Mas há limites. Eu estava realmente cansado de fazer oito horas de
usina e depois disso de cinco
a seis horas no negro” (13). O aumento do tempo livre pode-
ria, portanto^ ser o melhor antídoto contra o trabalho negro.
Se há, realmente, desgosto
em
relação ao trabalho assalaria
do, por que não o haveria, tam bém, em relação ao negro. A menos que
se
trate
de outra
coisa que não seja a procura exclusiva
de um
aumento de
rendimentos.
Há
trabalho ne
cit..
p.
Trata-se,
frequentemente,
para um operário ou um em pregado desqualificado, do exercício de trabalho de tipo artesanal no quadro de suas relações de vizinhança ou amis tosas.
Embora
se
trate ainda
de um trabalho mercantilixado, não se trata mais de um traba
lho
assalariado.
A
ampliação
de tal fenômeno não teria ex
ultrapassado."
A primeira preocupação não é mais 0 aumento de rendas pa
“Sei agora o que trinta c duas horas de trabalho querem dizer. Para mim e para outros
ra ampliação do consumo^ mas
a usina se torna um contratem
po” (15). Como expressão viva da transformação da vida tra zida pelo desemprego parcial, a passagem de 46 horas para 32 horas hebdomadárias, a obra
desenvolvimento
de
ros testemunhos escritos sobre a felicidade de trabalhar me
por uma redução da sua dura ção repentina e importante.
Medidas
favorecendo
esse
desenvolvimento, a criação, por
exemplo, de pequenos ateliers de
consertos
no
nível
distri
tal, a locação de materiais, etc., permitiríam a utilização não deformada do tempo livre, com a retração da esfera do traba
lho mercantilizado (14).
entre
cada
semana
e
laror"
Que ocupações?
transfor
Fazem-nos
sistema e modos
tudos
sobre
a
muita falta
es
utilização
do
no au
tempo liberado pela redução do
tor, uma diminuição importan
trabalho. É evidente que aqui,
te da duração do trabalho não provoca, apenas, a diminuição da fadiga, permitindo maior
dução são determinantes. Uma
tural.
Se acreditarmos
também, as modalidades de re das
raras
explorações
deste
disponibilidade ela garante uma
problema é uma sondagem SO
abertura para o conjunto de atividades que os antigos ho
FRES efetuada de 27 de outu
rários inibiam.
Essa
1978,
"trabalho
nhas
mam 0 conjunto da vida fora
de relações, lazeres, vida cul
sua riqueza relacionai.
ver. E quando os horários re tornam a 40 horas, o sentimen to geral é de decepção.
de C. Boyadjian é um dos ra
do trabalho:
com
o aumento do tempo para vi
Por limitado que seja, es te livro nos abre, apesar disso, uma nova direção de pesquisa, a das transformações da vida fora do trabalho provocadas
tis
123.
quanto
A usina — contratempo
nos. Estas quatorze horas ga
mercantil, arbítrio junto ao qual aquele caro aos economistas falso
99
ECONÔMICO
clusivamente consequências ne gativas, desde que fosse orien tado para formas não mercan
(14) No seu relatório, já citado, ao colóquio sobre a Partilha do Trabalho, X. Greffe e J. Gaudln escrevem; A partilha do trabalho aparece como a possibilidade da escolher novos modos de vida a partir de iim arbítrio novo entre trabalho mercantil e trabalho não aôa tão
DIGBBTO
gro e trabalho negro.
(12) Charly Boyadjian "A noite das máquinas", Les Presaes d‘auJourd’hui. (13) Op.
ECONÔMICO
diminuição
provoca,
ao mesmo tempo, uma trans formação em relação ao tra balho e ao consumo mercantil. (15) C.
Boyadjian, op. cit..
(i6) Sondagem SOFRES;
p. 122.
bro a 2 de novembro de 19TO com mostragem representativa da população em idade de 18 anos e mais (16).
Além de questões sobre o desemprego, esta sondagem se
Le Nouvel Observateur, "você quer viver sem trabalhar?" 4/11/78.
100
DIGESTO
refere ao
trabalho como obri
gação: 43% dos sondados res pondem positivamente à ques tão: "Gostariam de poder vi ver sem serem obrigados a trabalhar?”;
sobre o
interesse
pelo trabalho e pela ocupação do tempo livre, uma das ques tões é assim formulada: “Se a
duração do trabalho fosse re duzida a menos
de trinta ho
ras por semana, você consa graria seu tempo livre a...”, segue-se uma série de propos tas entre as quais a vida de família, que obteve 53% das preferências e “fazer mais coi
sas por você mesmo, comprar menos fora”, 39%.
Concebe-se facilmente o in
teresse de um estudo aprofun dado sobre estas questões para precisar a configuração das formas de utilizar o tempo li vre, na hipótese de seu aumen to significativo.
Tempo livre e novas exigências
O aumento do tempo livre a
partir de um
certo limiar
induz, necessariamente, novas exigências sociais, culturais, esportivas, turísticas, associa tivas,
artesanais, etc, Recen-
ECONÔMICO
101
DIGESTO ECONÔMICO
seá-las e quantificá-las não basta. Antes de mais nada porque estas exigências não estão fi xadas de uma vez por todas,
COS são grandes, em razão da configuração atual do urbanis
mo, da inadequação dos equi
sequências
elas variam em função das mo dalidades da redução e tam bém em função das medidas políticas que as acompanham bem como da resposta dos
dades individuais e sociais em
blinhar,
matéria de lazeres, do agrava
tante trabalho'de reflexão fei
agentes e permitem a criação e a ampliação de serviços mercantilizados ou não e de equi pamentos sócio-culturaís. As férias pagas estiveram assim na base do desenvolvimento de
serviços e de indústrias funda das sobre o turismo. Um pro longamento das férias pagas se traduziría, provavelmente, em aumento da demanda nesse se
tor. Em contraposição uma re dução hebdomadária do traba lho se traduziría por um au mento de outras demandas em outros setores da indústria e
dos
serviços.
É
pertinente
a
questão das modalidades de sa
tisfação destas novas deman das: extensão de serviços mercantílizados e do consumo mer
cantil, desenvolvimento de equi pamentos sócio-culturais, en corajamento à vida associati va, ou... passividade do sfisteraa. Neste último caso os ris-
pamentos coletivos às necessi
mento de problemas ligados ao urbanismo, à moradia e ao meio ambiente em geral. Com efeito, o aumento do tempo fo ra do trabalho, tornará neces
cias provavelmente pelo menos tão importantes quanto as con
imediatas,
infeliz
mente não foi feito. Deve-se su
entretanto,
o impor
to pelo Collectif Adret que já deu lugar à publicação de uma obra ligando testemunhos con cretos sobre a duração do tra
balho, a proposições relativas
sariamente mais agudas as desfuncionalidades da vida citadina e doméstica, problemas
a um outro tipo de crescimen to fundado sobre um tempo de
que já existem, mas reduzidos em razão de que o essencial do tempo de vigilia durante a se
Para Adret, atualmente, a verdadeira dificuldade é nãx) reduzir o tempo de trabalho ,
mana, se passa no trabalho e nos transportes.
Uma política
trabalho reduzido
-por isso como
de acompa
nhamento se impõe, portanto, e ela pode oferecer possibili-
(17).
propõe imediatamente primeiro passo para duas
horas por dia, a semana de 32 horas sem diniinuição os sa
pregos seja nas indústrias in-
lários mais baixos. Com o objetivo de diminuir a duraçao do trabalho, Adret propõe redu-
mandas ligadas aos lazeres,
pela redução dos desperdícios
dades da criação de novos em-
teressadas no aumento das de-
seja nos serviços públicos ou
privados criados para respon der às novas necessidades so
ciais. O estudo das consequên cias indiretas da redução do trabalho a nível econômico e
a nível do emprego, consequên-
zir a produção principalmente
e das produções inúteis, aumen
tar a produtividade graças ao progresso, técnico, transformar
uma parte do trabalho ligado. ou seja, 0 trabalho assalariado em
trabalho livre, pela criação
de pequenos ateliers de monta-
li7) Adret "Trabalhar duas horas por dia", Ed. du Seuil, 1977
100
DIGESTO
refere ao
trabalho como obri
gação: 43% dos sondados res pondem positivamente à ques tão: "Gostariam de poder vi ver sem serem obrigados a trabalhar?”;
sobre o
interesse
pelo trabalho e pela ocupação do tempo livre, uma das ques tões é assim formulada: “Se a
duração do trabalho fosse re duzida a menos
de trinta ho
ras por semana, você consa graria seu tempo livre a...”, segue-se uma série de propos tas entre as quais a vida de família, que obteve 53% das preferências e “fazer mais coi
sas por você mesmo, comprar menos fora”, 39%.
Concebe-se facilmente o in
teresse de um estudo aprofun dado sobre estas questões para precisar a configuração das formas de utilizar o tempo li vre, na hipótese de seu aumen to significativo.
Tempo livre e novas exigências
O aumento do tempo livre a
partir de um
certo limiar
induz, necessariamente, novas exigências sociais, culturais, esportivas, turísticas, associa tivas,
artesanais, etc, Recen-
ECONÔMICO
101
DIGESTO ECONÔMICO
seá-las e quantificá-las não basta. Antes de mais nada porque estas exigências não estão fi xadas de uma vez por todas,
COS são grandes, em razão da configuração atual do urbanis
mo, da inadequação dos equi
sequências
elas variam em função das mo dalidades da redução e tam bém em função das medidas políticas que as acompanham bem como da resposta dos
dades individuais e sociais em
blinhar,
matéria de lazeres, do agrava
tante trabalho'de reflexão fei
agentes e permitem a criação e a ampliação de serviços mercantilizados ou não e de equi pamentos sócio-culturaís. As férias pagas estiveram assim na base do desenvolvimento de
serviços e de indústrias funda das sobre o turismo. Um pro longamento das férias pagas se traduziría, provavelmente, em aumento da demanda nesse se
tor. Em contraposição uma re dução hebdomadária do traba lho se traduziría por um au mento de outras demandas em outros setores da indústria e
dos
serviços.
É
pertinente
a
questão das modalidades de sa
tisfação destas novas deman das: extensão de serviços mercantílizados e do consumo mer
cantil, desenvolvimento de equi pamentos sócio-culturais, en corajamento à vida associati va, ou... passividade do sfisteraa. Neste último caso os ris-
pamentos coletivos às necessi
mento de problemas ligados ao urbanismo, à moradia e ao meio ambiente em geral. Com efeito, o aumento do tempo fo ra do trabalho, tornará neces
cias provavelmente pelo menos tão importantes quanto as con
imediatas,
infeliz
mente não foi feito. Deve-se su
entretanto,
o impor
to pelo Collectif Adret que já deu lugar à publicação de uma obra ligando testemunhos con cretos sobre a duração do tra
balho, a proposições relativas
sariamente mais agudas as desfuncionalidades da vida citadina e doméstica, problemas
a um outro tipo de crescimen to fundado sobre um tempo de
que já existem, mas reduzidos em razão de que o essencial do tempo de vigilia durante a se
Para Adret, atualmente, a verdadeira dificuldade é nãx) reduzir o tempo de trabalho ,
mana, se passa no trabalho e nos transportes.
Uma política
trabalho reduzido
-por isso como
de acompa
nhamento se impõe, portanto, e ela pode oferecer possibili-
(17).
propõe imediatamente primeiro passo para duas
horas por dia, a semana de 32 horas sem diniinuição os sa
pregos seja nas indústrias in-
lários mais baixos. Com o objetivo de diminuir a duraçao do trabalho, Adret propõe redu-
mandas ligadas aos lazeres,
pela redução dos desperdícios
dades da criação de novos em-
teressadas no aumento das de-
seja nos serviços públicos ou
privados criados para respon der às novas necessidades so
ciais. O estudo das consequên cias indiretas da redução do trabalho a nível econômico e
a nível do emprego, consequên-
zir a produção principalmente
e das produções inúteis, aumen
tar a produtividade graças ao progresso, técnico, transformar
uma parte do trabalho ligado. ou seja, 0 trabalho assalariado em
trabalho livre, pela criação
de pequenos ateliers de monta-
li7) Adret "Trabalhar duas horas por dia", Ed. du Seuil, 1977
102
DIQESTO ECONÔMICO
gem nos bairros e pela retoma da das tarefas sociais privati vas de especialistas, por não especialistas. Economia
de
tempo,
economia
do
tempo
do à produção. A diminuição do trabalho não é mais, nesta perspectiva, o lado menor do
crescimento, mas a finalidade essencial
do
desenvolvimento
çada. Não se trata de aumentar
econômico (18). A uma econo mia produtivista se substitui uma economia do tempo na qual a produção limitada ao que é socialmente necessário, é subordinada ao desenvolvi mento das potencialidades do tempo livre. O desenvolvimento
cada
das
Fundamentalmente, para além de algumas propostas mais ousadas, o interesse da medida
do
coletivo Adret está
na nova lógica econômica avan vez
produção,
mais
o
mas sim
volume
da
de procu
rar os melhores meios para ga nhar tempo livre e ampliar a liberdade desse tempo subtrai-
forças
produtivas,
(16) Ver Serge Moecovici em "Por que us Ecologlatos fazem política?"
Alemanha compra urânio brasileiro Hospe, disse que dentro de 2 anos a
nesta
nova finalidade, não se mede mais pelo volume da produção, mas pelo grau de liberdade do uso do tempo (...).
Alemanha
Ed. du
Seuil, 1978.
Bonn — O porta-voz da iniciará
KWU,
Joachin
a importação de
urânio brasileiro, de acordo com o convênio de cooperação de 1975. O Brasil conta no ano corrente com uma produção de 500 toneladas de urâ nio, o que possibilitaria manter 40 usinas atômicas do tipo Angra II du
rante um período de 30 anos. A Alemanha, com 11 usinas em funcictfiamento, importa anualmente cerca de 400 toneladas de urânio natural da África. Austrália e d©. União Soviética. Para a Alemanha é muito impor
tante que o urânio venha de um país com estabilidade política. Aê nego ciações sobre a importação estão sendo feitas pela Euratom. Nesee ensejo,
o ST. Hospe ressaltou que já hoje a transferência tecnológica do Brasil está dando lucros. O Brasil registra encomendas do exterior, tal cc»no da Ar
gentina, à qual fornecerá peças para a usina de Atucha II. consequência da transferência tecnológica teuto-brasilelra.
Com este título, a "Revue Internationale du travai!"
(Genebra) publicou o seguinte artigo de
Barney Olmsted, co-diretora de "New Ways to Work", de Paio Alto, Califórnia.
Devemos estar abertos à transformação e modificar nos sas leis e nossos hábitos de
nutenção dos conceitos rígidos atuais (1).
modo a multiplicar as possibi lidades de organização do tem po de trabalho. Os problemas em jogo são demasiado nume rosos e
concernem tantas pes
soas que não se justifica a ma-
tem
Há uma dezena de anos, aumentado sempre o in
teresse pelas novas maneiras de organizar o tempo de tra balho. O horário flexível, a
(I) Extrato da declaração feita por Midge Miller, representante de seu Estado, por ocasiao do debate sobre os diferentes horários de trabalho, que se desenvolveu na Subcomis são do Senado dos Estados Unidos sobre o emprego, a miséria e os trabalhadores migrantes, a 7 o 8 de abril de
1976.
102
DIQESTO ECONÔMICO
gem nos bairros e pela retoma da das tarefas sociais privati vas de especialistas, por não especialistas. Economia
de
tempo,
economia
do
tempo
do à produção. A diminuição do trabalho não é mais, nesta perspectiva, o lado menor do
crescimento, mas a finalidade essencial
do
desenvolvimento
çada. Não se trata de aumentar
econômico (18). A uma econo mia produtivista se substitui uma economia do tempo na qual a produção limitada ao que é socialmente necessário, é subordinada ao desenvolvi mento das potencialidades do tempo livre. O desenvolvimento
cada
das
Fundamentalmente, para além de algumas propostas mais ousadas, o interesse da medida
do
coletivo Adret está
na nova lógica econômica avan vez
produção,
mais
o
mas sim
volume
da
de procu
rar os melhores meios para ga nhar tempo livre e ampliar a liberdade desse tempo subtrai-
forças
produtivas,
(16) Ver Serge Moecovici em "Por que us Ecologlatos fazem política?"
Alemanha compra urânio brasileiro Hospe, disse que dentro de 2 anos a
nesta
nova finalidade, não se mede mais pelo volume da produção, mas pelo grau de liberdade do uso do tempo (...).
Alemanha
Ed. du
Seuil, 1978.
Bonn — O porta-voz da iniciará
KWU,
Joachin
a importação de
urânio brasileiro, de acordo com o convênio de cooperação de 1975. O Brasil conta no ano corrente com uma produção de 500 toneladas de urâ nio, o que possibilitaria manter 40 usinas atômicas do tipo Angra II du
rante um período de 30 anos. A Alemanha, com 11 usinas em funcictfiamento, importa anualmente cerca de 400 toneladas de urânio natural da África. Austrália e d©. União Soviética. Para a Alemanha é muito impor
tante que o urânio venha de um país com estabilidade política. Aê nego ciações sobre a importação estão sendo feitas pela Euratom. Nesee ensejo,
o ST. Hospe ressaltou que já hoje a transferência tecnológica do Brasil está dando lucros. O Brasil registra encomendas do exterior, tal cc»no da Ar
gentina, à qual fornecerá peças para a usina de Atucha II. consequência da transferência tecnológica teuto-brasilelra.
Com este título, a "Revue Internationale du travai!"
(Genebra) publicou o seguinte artigo de
Barney Olmsted, co-diretora de "New Ways to Work", de Paio Alto, Califórnia.
Devemos estar abertos à transformação e modificar nos sas leis e nossos hábitos de
nutenção dos conceitos rígidos atuais (1).
modo a multiplicar as possibi lidades de organização do tem po de trabalho. Os problemas em jogo são demasiado nume rosos e
concernem tantas pes
soas que não se justifica a ma-
tem
Há uma dezena de anos, aumentado sempre o in
teresse pelas novas maneiras de organizar o tempo de tra balho. O horário flexível, a
(I) Extrato da declaração feita por Midge Miller, representante de seu Estado, por ocasiao do debate sobre os diferentes horários de trabalho, que se desenvolveu na Subcomis são do Senado dos Estados Unidos sobre o emprego, a miséria e os trabalhadores migrantes, a 7 o 8 de abril de
1976.
104
DIGESTO
jornada contínua, a contração da semana de trabalho, a par tilha do trabalho, a partilha dos empregos, as férias espe ciais, são alguns sistemas re centes que traduzem a preo
ECONÔMICO
empregos que não sejam de tempo integral. Nós nos propomos neste artigo resumir um dos últimos métodos de redução do tempo de trabalho: a partilha dos em
105
DIGESTO ECONÔMICO
lha do trabalho” e “partilha de
um emprego”, e não se vê mui to bem 0 que diferencia este último sistema do conceito clássico do trabalho em tempo
de tempo integral assim que a situação econômica melhore. A partilha dos empregos se diferencia do trabalho de tem
As causas desta moda cres
interesse muito vivo nos Esta
A partilha dos empregos e uma forma de trabalho em
po parcial tradicional em dois aspectos: por um lado, visa a reorganizar atividades que de mandam qualificações superio res e que oferecem a possibili
cente são numerosas e comple xas: transformações na natu
dos Unidos. Depois de termos examinado as vantagens e os
tempo parcial voluntário e per manente (3). Até agora, foi
dade de fazer carreira e que não se prestam nem a uma re
utilizada
essencialmente para
dução de horário, nem a um
responder à necessidade, de tal ou qual trabalhador, de redu
fracionamento entre duas pes
cupação nesse
crescente
de
inovar
campo.
reza da mão-de-obra, devidas, em grande parte, a uma par ticipação feminina cada vez mais intensa; reconhecimento do fato de que o ritmo atual do crescimento econômico
nao
pregos. Trata-se de uma fórmu.
la que é, atualmente, objeto de
inconvenientes, descreveremos os meios pelos quais se proce de a esta partilha, antes de estudar consequências de maior alcance que decorrem do sis tema.
permite fornecer um emprego a todos aqueles que querem
0 que é a partilha dos
trabalhar e têm necessidade de
empregos
fazê-lo; desejo de “personali
zar” o tempo de trabalho, quer dizer de
prever horários
que
levem em conta a correlação entre a vida profissional e os outros aspectos da existência de cada um. As tentativas de considerar estes diferentes fa
tores, têm consistido seja introduzir
maior
em
flexibilidade
na semana clássica de quarenta horas, seja em estabelecer ho rários de trabalho que corres pondam à necessidade nova de (2)
Na prática, temas
parcial.
zir sensivelmente seu tempo de
trabalho (de 30 a 50% por exemplo). A partilha do traba lho, traduz o modo pelo qual o.
uma empresa reage de imedia to
frente
a
uma
conjuntura
soas que trabalhem em tempo
parcial; por outro lado, supõe frequentemente uma colaborae contatos estreitos entre os interessados. çao
O interesse inspirado
por esta fórmufa
desfavorável. Destinado origiEntende-se geralmente co partilha de um emprego “quando duas pessoas detêm
nariamente a conservar o pes
mo
soal em seus lugares, este sis tema visa a repartir um volu
em comum a responsabilidade
me de trabalho menor entre a
de um único e mesmo posto de tempo integral, remuneração e vantagens sociais sendo cal culadas numa base proporcio nal” (2). Como a terminologia
mão-de-obra existente. As redu ções de horário não são geral
te nestes últimos dez anos. Os trabalhadores de tempo parcml
mente superiores a 20% e fica entendido que os trabalhadores
da mão-de-obra total (4). Di-
neste campo não é fixada e frequentemente se revela im precisa, tem-se, muitas vezes a
representam atualmente 21%
fatores estão na origem
seus
(3)
Allan Cohen observam que "o conceito
Gadon
versos
tempo parcial, tal como é utilizado no quadro da modificação
emprego permanente de
imnlirn rertaa Dossibilidades de adiantamento, contrariamente ao que ee proouzia ^
passado cTm o trate
tendência de confundir “parti-
de tempo pardal” Ver '■"l»™''™ needs (Reading (Massachusetts) Addiwn
integrating organizational and individual Wesley,
esta definição , , é entendida num sentido muito amplo, de modo a visar sis-
mais complicados (partilha de tres postos entre cinco trabalhadores. por exemplo).
parcial aumentou sensivelmen
reencontrarão Herman
empregos
Nos Estados Unidoa,, a de manda de empregos* de tempo
(4)
1979). p. 67.
Escritório das estatísticos do trabalho dos Estados Unidos. 1974.
104
DIGESTO
jornada contínua, a contração da semana de trabalho, a par tilha do trabalho, a partilha dos empregos, as férias espe ciais, são alguns sistemas re centes que traduzem a preo
ECONÔMICO
empregos que não sejam de tempo integral. Nós nos propomos neste artigo resumir um dos últimos métodos de redução do tempo de trabalho: a partilha dos em
105
DIGESTO ECONÔMICO
lha do trabalho” e “partilha de
um emprego”, e não se vê mui to bem 0 que diferencia este último sistema do conceito clássico do trabalho em tempo
de tempo integral assim que a situação econômica melhore. A partilha dos empregos se diferencia do trabalho de tem
As causas desta moda cres
interesse muito vivo nos Esta
A partilha dos empregos e uma forma de trabalho em
po parcial tradicional em dois aspectos: por um lado, visa a reorganizar atividades que de mandam qualificações superio res e que oferecem a possibili
cente são numerosas e comple xas: transformações na natu
dos Unidos. Depois de termos examinado as vantagens e os
tempo parcial voluntário e per manente (3). Até agora, foi
dade de fazer carreira e que não se prestam nem a uma re
utilizada
essencialmente para
dução de horário, nem a um
responder à necessidade, de tal ou qual trabalhador, de redu
fracionamento entre duas pes
cupação nesse
crescente
de
inovar
campo.
reza da mão-de-obra, devidas, em grande parte, a uma par ticipação feminina cada vez mais intensa; reconhecimento do fato de que o ritmo atual do crescimento econômico
nao
pregos. Trata-se de uma fórmu.
la que é, atualmente, objeto de
inconvenientes, descreveremos os meios pelos quais se proce de a esta partilha, antes de estudar consequências de maior alcance que decorrem do sis tema.
permite fornecer um emprego a todos aqueles que querem
0 que é a partilha dos
trabalhar e têm necessidade de
empregos
fazê-lo; desejo de “personali
zar” o tempo de trabalho, quer dizer de
prever horários
que
levem em conta a correlação entre a vida profissional e os outros aspectos da existência de cada um. As tentativas de considerar estes diferentes fa
tores, têm consistido seja introduzir
maior
em
flexibilidade
na semana clássica de quarenta horas, seja em estabelecer ho rários de trabalho que corres pondam à necessidade nova de (2)
Na prática, temas
parcial.
zir sensivelmente seu tempo de
trabalho (de 30 a 50% por exemplo). A partilha do traba lho, traduz o modo pelo qual o.
uma empresa reage de imedia to
frente
a
uma
conjuntura
soas que trabalhem em tempo
parcial; por outro lado, supõe frequentemente uma colaborae contatos estreitos entre os interessados. çao
O interesse inspirado
por esta fórmufa
desfavorável. Destinado origiEntende-se geralmente co partilha de um emprego “quando duas pessoas detêm
nariamente a conservar o pes
mo
soal em seus lugares, este sis tema visa a repartir um volu
em comum a responsabilidade
me de trabalho menor entre a
de um único e mesmo posto de tempo integral, remuneração e vantagens sociais sendo cal culadas numa base proporcio nal” (2). Como a terminologia
mão-de-obra existente. As redu ções de horário não são geral
te nestes últimos dez anos. Os trabalhadores de tempo parcml
mente superiores a 20% e fica entendido que os trabalhadores
da mão-de-obra total (4). Di-
neste campo não é fixada e frequentemente se revela im precisa, tem-se, muitas vezes a
representam atualmente 21%
fatores estão na origem
seus
(3)
Allan Cohen observam que "o conceito
Gadon
versos
tempo parcial, tal como é utilizado no quadro da modificação
emprego permanente de
imnlirn rertaa Dossibilidades de adiantamento, contrariamente ao que ee proouzia ^
passado cTm o trate
tendência de confundir “parti-
de tempo pardal” Ver '■"l»™''™ needs (Reading (Massachusetts) Addiwn
integrating organizational and individual Wesley,
esta definição , , é entendida num sentido muito amplo, de modo a visar sis-
mais complicados (partilha de tres postos entre cinco trabalhadores. por exemplo).
parcial aumentou sensivelmen
reencontrarão Herman
empregos
Nos Estados Unidoa,, a de manda de empregos* de tempo
(4)
1979). p. 67.
Escritório das estatísticos do trabalho dos Estados Unidos. 1974.
106
DIGESTO ECONÔMICO
desta
tendência:
um
número
mite aos empregadores respon
crescente de mulheres desejo
der à demanda dos trabalhado
sas
res desejosos de reduzirem seu
de
terem
uma
atividade
profissional, afastamento cres cente éntre as aspirações dos trabalhadores e a natureza de seu trabalho, preferência cada vez mais acentuada pelo tempo livre com relação ao trabalho e à remuneração. O aumento do número de trabalhadores em
tempo parcial foi acompanhado de uma mudança no plano qua
litativo. Pessoas
com qualifi
cações superiores manifestam atualmente cada vez maior in teresse por esta fórmula. Um
recente artigo de revista traça va 0 retrato de um analista-
planíficador, de um professor universitário e de um autuário
que,
todos,
trabalhavam,
no
máximo, vinte e cinco horas por semana (5). Mas as
possi-
bilidades de emprego de tempo parcial
permanecem muito
li
mitadas para esta categoria de pessoas e, em número crescen
te de casos, o sistema da par tilha dos empregos é que per¬
horário.
2. A utilização atual do slatema na
América do Norte
Esta fórmula não é desco
nhecida
na Europa,
sobretudo nos
mas foi
Estados Unidos
e, em medida menor, no Ca nadá que foi experimentada (6). Não se possuem dados quanto ao número exato dos trabalha
dores que a aplicam,
pois é
essencialmente
utüüada em individual, por acordo
tudos, atividades públicas —, ou que deviam trabalhar menos por
razoes
de saúde. Mais re-
centemente, dois outros motivos
pessoas que trabalham numa mesma empresa e tal fórmula
pode
representar
uma
opção
oferecida permanentemente ao pessoal.
Até agora, é, sobretudo, no setor público que foram feitas
experiências deste gênero.
Na
escala dos Estados, a Califór
nia,'Massachusetts, Maryland e
cessidade de prever um perío
mais tempo livre (7) e a ne
Wiscoisin executam atualmente projetos pilotos, O núraero dos trabalhadores visados
do de transição antes da apo-
é compreendido entre 50 e 2.057.
apareceram:
0 desejo de
ter
sentadoria.
Nesses quatro anos, os em
o
Uma lei oferecendo aos traba lhadores a possibilidade de
tária através de acordo entre trabalhadores e empregadores.
tada pelas autoridades federais
Conta-se assim entre eles pos
e do Oregon.
empregador.
Na origem, o trabalho de tempo parcial era considerado como um res
.
mas
“assunto de mulheas ooiniôes
a
este
respeito evoluiram na medida
em que a estrutura familiar e 0 modo de vida começavam a permitir aos homens considerar seriamente a possibilidade de
trabalhar em tempo parcial, e
Na Suécia, a partilha doa empregos foi praticada
N„ Re,„„ Unido, o„ T.S eTáío°g^^T»“oÍ'd'o”'S,“C
21^ If diversos barwus há alguns anos. Um projôfo do lel vlsartdo autorizar a partilha de postos de insUto^or foi recenlomente colocado 8ede-Wurtemberg.
Os primeiros a se interessarem pela partilha dos empregos fo ram homens e mulheres que ti nham obrigações imperiosas fora de sua atividade profissio nal remunerada — família, es
seu
(6)
parlamento de
até mesmo a incitá-los a isso.
pregos
Jeremy Main; "Go6d jobs are beginnino to 90 part-tJriie". Monay (Chicago), outubro de 1977.
no
107
ECONÔMICO
base direto entre os interessados e
(5)
graní, IJa
DIGESTO
mais
diversos
foram
objeto de uma partilha volun
tos de engenheiro civil, de ad ministrador de pessoal, de con
selheiro para a saúde mental, de professor, de técnicos de la boratório, de diretor de progra
mas, de controlador. Diante do
interesse crescente concedido a esta fórmula, é, às vezes,
ex-
perimentada atualmente por um número bastante grande de 17)
optar pelo horário de trabalho
reduzido foi recentemente ado
e pelas dos Estados do Hawai Várias cidades, condados e
circunscrições escolares permi tem, também, a certos membros
de seu pessoal escolher a par tilha ou 0 fracionamento de seu posto,
Paralelamente,
a voga
deste sistema estende-se no se
tor privado e muitas grandes
sociedades têm recorrido a ele
Daniel Yankelovich ("The new psyt-hological contracts
at work". Psychology Today (De! «locava a
(Califórnia! maio de 1978h%evela uma pesquisa de 1977 na qual
questão seguinte: "O que é que dá mais sentido à sua vida: sua ou seus lazeres?" Vinte e sete por cento dos homens interrogados tinha respondido "Meus
lazeres".
106
DIGESTO ECONÔMICO
desta
tendência:
um
número
mite aos empregadores respon
crescente de mulheres desejo
der à demanda dos trabalhado
sas
res desejosos de reduzirem seu
de
terem
uma
atividade
profissional, afastamento cres cente éntre as aspirações dos trabalhadores e a natureza de seu trabalho, preferência cada vez mais acentuada pelo tempo livre com relação ao trabalho e à remuneração. O aumento do número de trabalhadores em
tempo parcial foi acompanhado de uma mudança no plano qua
litativo. Pessoas
com qualifi
cações superiores manifestam atualmente cada vez maior in teresse por esta fórmula. Um
recente artigo de revista traça va 0 retrato de um analista-
planíficador, de um professor universitário e de um autuário
que,
todos,
trabalhavam,
no
máximo, vinte e cinco horas por semana (5). Mas as
possi-
bilidades de emprego de tempo parcial
permanecem muito
li
mitadas para esta categoria de pessoas e, em número crescen
te de casos, o sistema da par tilha dos empregos é que per¬
horário.
2. A utilização atual do slatema na
América do Norte
Esta fórmula não é desco
nhecida
na Europa,
sobretudo nos
mas foi
Estados Unidos
e, em medida menor, no Ca nadá que foi experimentada (6). Não se possuem dados quanto ao número exato dos trabalha
dores que a aplicam,
pois é
essencialmente
utüüada em individual, por acordo
tudos, atividades públicas —, ou que deviam trabalhar menos por
razoes
de saúde. Mais re-
centemente, dois outros motivos
pessoas que trabalham numa mesma empresa e tal fórmula
pode
representar
uma
opção
oferecida permanentemente ao pessoal.
Até agora, é, sobretudo, no setor público que foram feitas
experiências deste gênero.
Na
escala dos Estados, a Califór
nia,'Massachusetts, Maryland e
cessidade de prever um perío
mais tempo livre (7) e a ne
Wiscoisin executam atualmente projetos pilotos, O núraero dos trabalhadores visados
do de transição antes da apo-
é compreendido entre 50 e 2.057.
apareceram:
0 desejo de
ter
sentadoria.
Nesses quatro anos, os em
o
Uma lei oferecendo aos traba lhadores a possibilidade de
tária através de acordo entre trabalhadores e empregadores.
tada pelas autoridades federais
Conta-se assim entre eles pos
e do Oregon.
empregador.
Na origem, o trabalho de tempo parcial era considerado como um res
.
mas
“assunto de mulheas ooiniôes
a
este
respeito evoluiram na medida
em que a estrutura familiar e 0 modo de vida começavam a permitir aos homens considerar seriamente a possibilidade de
trabalhar em tempo parcial, e
Na Suécia, a partilha doa empregos foi praticada
N„ Re,„„ Unido, o„ T.S eTáío°g^^T»“oÍ'd'o”'S,“C
21^ If diversos barwus há alguns anos. Um projôfo do lel vlsartdo autorizar a partilha de postos de insUto^or foi recenlomente colocado 8ede-Wurtemberg.
Os primeiros a se interessarem pela partilha dos empregos fo ram homens e mulheres que ti nham obrigações imperiosas fora de sua atividade profissio nal remunerada — família, es
seu
(6)
parlamento de
até mesmo a incitá-los a isso.
pregos
Jeremy Main; "Go6d jobs are beginnino to 90 part-tJriie". Monay (Chicago), outubro de 1977.
no
107
ECONÔMICO
base direto entre os interessados e
(5)
graní, IJa
DIGESTO
mais
diversos
foram
objeto de uma partilha volun
tos de engenheiro civil, de ad ministrador de pessoal, de con
selheiro para a saúde mental, de professor, de técnicos de la boratório, de diretor de progra
mas, de controlador. Diante do
interesse crescente concedido a esta fórmula, é, às vezes,
ex-
perimentada atualmente por um número bastante grande de 17)
optar pelo horário de trabalho
reduzido foi recentemente ado
e pelas dos Estados do Hawai Várias cidades, condados e
circunscrições escolares permi tem, também, a certos membros
de seu pessoal escolher a par tilha ou 0 fracionamento de seu posto,
Paralelamente,
a voga
deste sistema estende-se no se
tor privado e muitas grandes
sociedades têm recorrido a ele
Daniel Yankelovich ("The new psyt-hological contracts
at work". Psychology Today (De! «locava a
(Califórnia! maio de 1978h%evela uma pesquisa de 1977 na qual
questão seguinte: "O que é que dá mais sentido à sua vida: sua ou seus lazeres?" Vinte e sete por cento dos homens interrogados tinha respondido "Meus
lazeres".
108
DIGESTO ECONÔMICO
109
DIGESTO ECONÔMICO
(8). Entretanto, neste setor, só
partilha do tempo de trabalho,
pregador
um número restrito de assala riados trabalham nestas condi
da tarefa e da remuneração.
conjunto. É no círculo dos ami
ções e, quando se pratica a partilha dos empregos, é geral mente na sequência de negocia ções individuais mais do que a título de solução oferecida ao conjunto do pessoal, como é o caso no setor público.
 formação da equipo
3.
Os métodos de pariiiha dos empregos
As equipes de trabalhadores, em caso de partilha de cargo, são
constituídas
que
têm,
análogas
por
pessoas
seja qualificações — no fracionamento seja
complementares, neste
Os elementos essenciais a
estudar são, em l.o lugar, a formação da equipe, conside rando o modo pelo qual as qua lificações e a experiência de
cada um dos interessados se completam umas às outras cor-
respondendo às exigências do emprego; em segundo lugar. a (8)
Entre
da equipe é muito variável: po
de colaboração até uma coordenação muito intensa. (9). Co mo a idéia da partilha quase
sempre
dos
formadas do seguinte modo: o trabalhador desejoso de utilizar
esta fórmula, procura ele pró prio, um parceiro, depois os in teressados apresentam
ao
em-
as empresas privadas que praticam a partilha dos postos, pode-se citar notadaHewle.,.P»k.,d (cienecessitam
pouca cola-
boraçao ou nenhuma colaboraçao. daqueles que exigem uma coordenação muito grande entre os membros da equipe, acabou-se por adotar o termo ■‘fracionamento” para de
signar os casos em que o emprego é pura e simplesmente partilhado um emprego de
tempo Integral
dando nascimento a dois empregos
temjio
em dois postos, de
tempo
unicamente
entre traba
lhadores que prefiram traba lhar em tempo parcial, e te nham, entre si, certas afinida des que permitam boa colabo ração
nos
casos
de
empre
gos que exijam coordenação.
vem
assalaria
dos, as equipes são geralmente
(9) A fim_ de diferenciar os empregos facilmente partüháveis, que
em
fazer
sobre
de ir da ausência quase total
dos.
trabalho
caso
tes, iguais ou não, entre duas normaliza
procuram
qualificações a partilha
a tarefa a realizar, O grau de colaboração entre os membros
estão
gas, ou através de um anúncio, que se encontra um parceiroTem acontecido, entretanto que 0 empregador mesmo for ma equipes com pessoas que parcial. Qualquer que seja o método utilizado, dois fatos pre cisam ser levados cm considelaçào: o recrutamento deve se
interessa, então, o tempo de serviço
versando,
não
em
gos, dos parentes ou dos cole
Os métodos que permitem reorganizar um posto de tempo integral fracionando-o em par pessoas
sua candidatura
parcial.
Por “partilha , visa-se o caso em que duas pessoas são responsáveis conjuntamente pelo total de um posto único de tempo Integral.
O tempo de trabalho, a tarefa e a remuneração
Quando se trata de repartir 0 tempo de trabalho, a tarefa,
a remuneração e as vantagens
sociais, è preciso, evidentemen-
te, levar em conta a natureza do trabalho a ser efetuado e as necessidades dos assalariados, procurando sempre tirar o me
lhor partido possível das quali
ficações e da experiência com binadas daqueles que partilham um
cargo.
Pode-se dividir a semana de trabaiho de diversos modos:
dia de trabalho e um dia uma meia jornada de trabalho e uma meia jorna Mas da livre, por exemplo,
um
livre, ou
pode-se também prever um sis tema de rotação aumentado, de modo a que cada um dos mem bros da equipe trabalhe um mês em dois, que se revezem de seis em seis meses, etc.
Qualquer que seja o sistema escolhido, é preciso que respon da ao mesmo tempo às neces sidades do trabalho e às neces
sidades dos trabalhadores. Cargos
que
continuidade
supoe
muito longa não deve ser par
tilhado em meios períodos. O trabalhador que deseja reduzir seu horário para ter mais tem
po para consagrar a seus filhos, evidentemente,
não
podería,
rosos
trabalhadores
trabalhar em período integral um mês em cada dois. Numede tempo
reduzido têm horários flexíveis eles estabelessem por duas ou quatro semanas, reorgani-
que
zando-os em função das exigên cias do trabalho.
Para a divisão das tarefas,
é preciso que os dois parceiros considerem as funções ligadas
108
DIGESTO ECONÔMICO
109
DIGESTO ECONÔMICO
(8). Entretanto, neste setor, só
partilha do tempo de trabalho,
pregador
um número restrito de assala riados trabalham nestas condi
da tarefa e da remuneração.
conjunto. É no círculo dos ami
ções e, quando se pratica a partilha dos empregos, é geral mente na sequência de negocia ções individuais mais do que a título de solução oferecida ao conjunto do pessoal, como é o caso no setor público.
 formação da equipo
3.
Os métodos de pariiiha dos empregos
As equipes de trabalhadores, em caso de partilha de cargo, são
constituídas
que
têm,
análogas
por
pessoas
seja qualificações — no fracionamento seja
complementares, neste
Os elementos essenciais a
estudar são, em l.o lugar, a formação da equipe, conside rando o modo pelo qual as qua lificações e a experiência de
cada um dos interessados se completam umas às outras cor-
respondendo às exigências do emprego; em segundo lugar. a (8)
Entre
da equipe é muito variável: po
de colaboração até uma coordenação muito intensa. (9). Co mo a idéia da partilha quase
sempre
dos
formadas do seguinte modo: o trabalhador desejoso de utilizar
esta fórmula, procura ele pró prio, um parceiro, depois os in teressados apresentam
ao
em-
as empresas privadas que praticam a partilha dos postos, pode-se citar notadaHewle.,.P»k.,d (cienecessitam
pouca cola-
boraçao ou nenhuma colaboraçao. daqueles que exigem uma coordenação muito grande entre os membros da equipe, acabou-se por adotar o termo ■‘fracionamento” para de
signar os casos em que o emprego é pura e simplesmente partilhado um emprego de
tempo Integral
dando nascimento a dois empregos
temjio
em dois postos, de
tempo
unicamente
entre traba
lhadores que prefiram traba lhar em tempo parcial, e te nham, entre si, certas afinida des que permitam boa colabo ração
nos
casos
de
empre
gos que exijam coordenação.
vem
assalaria
dos, as equipes são geralmente
(9) A fim_ de diferenciar os empregos facilmente partüháveis, que
em
fazer
sobre
de ir da ausência quase total
dos.
trabalho
caso
tes, iguais ou não, entre duas normaliza
procuram
qualificações a partilha
a tarefa a realizar, O grau de colaboração entre os membros
estão
gas, ou através de um anúncio, que se encontra um parceiroTem acontecido, entretanto que 0 empregador mesmo for ma equipes com pessoas que parcial. Qualquer que seja o método utilizado, dois fatos pre cisam ser levados cm considelaçào: o recrutamento deve se
interessa, então, o tempo de serviço
versando,
não
em
gos, dos parentes ou dos cole
Os métodos que permitem reorganizar um posto de tempo integral fracionando-o em par pessoas
sua candidatura
parcial.
Por “partilha , visa-se o caso em que duas pessoas são responsáveis conjuntamente pelo total de um posto único de tempo Integral.
O tempo de trabalho, a tarefa e a remuneração
Quando se trata de repartir 0 tempo de trabalho, a tarefa,
a remuneração e as vantagens
sociais, è preciso, evidentemen-
te, levar em conta a natureza do trabalho a ser efetuado e as necessidades dos assalariados, procurando sempre tirar o me
lhor partido possível das quali
ficações e da experiência com binadas daqueles que partilham um
cargo.
Pode-se dividir a semana de trabaiho de diversos modos:
dia de trabalho e um dia uma meia jornada de trabalho e uma meia jorna Mas da livre, por exemplo,
um
livre, ou
pode-se também prever um sis tema de rotação aumentado, de modo a que cada um dos mem bros da equipe trabalhe um mês em dois, que se revezem de seis em seis meses, etc.
Qualquer que seja o sistema escolhido, é preciso que respon da ao mesmo tempo às neces sidades do trabalho e às neces
sidades dos trabalhadores. Cargos
que
continuidade
supoe
muito longa não deve ser par
tilhado em meios períodos. O trabalhador que deseja reduzir seu horário para ter mais tem
po para consagrar a seus filhos, evidentemente,
não
podería,
rosos
trabalhadores
trabalhar em período integral um mês em cada dois. Numede tempo
reduzido têm horários flexíveis eles estabelessem por duas ou quatro semanas, reorgani-
que
zando-os em função das exigên cias do trabalho.
Para a divisão das tarefas,
é preciso que os dois parceiros considerem as funções ligadas
lio
DIGE6TO
ECONÔMICO
111
DIGESTO ECONÔMICO
ao cargo e as competência5 exi gidas em função das respectivas qualificações e experiência, ve rificando os pontos fortes e os
receber, calculando-se as par tes de cada um em proporção da remuneração corresponden te ao nível em que se encon
também, o direito de se bene ficiarem das vantagens sociais. Alguns empregadores começa
pontos fracos de cada um.
tram.
vantagens que concediam ao seu pessoal de tempo integral, estimando que as despesas su plementares disso resultantes
0
ideal seria que se pusessem de acordo sobre uma repartição equitativa das tarefas, levando em conta as possibilidades de adquirirem novas qualificações, enquanto
utilizariam
da
me
lhor maneira possível as apti dões pessoais de cada um. Os tilham
trabalhadores que par um cargo não perce
bem sempre uma remuneração igual. O inverso é até bastante comum, notadamente quando um trabalhador que tem uma longa experiência profissional, forma equipe com um jovem
colega, ou quando existe uma nítida diferença quanto ao nível de estudos ou de qualificação.
No ensino, a partilha dos car gos se faz frequentemente, en tre um mestre idoso e experi mentado e professor que come ça sua carreira. Como, nos Es
A partilha das vantagens so ciais, que representam geral mente
mais
de 25% dos
nhos, é uma fonte de dificulda
des para numerosos emprega dores dos Estados Unidos. Seu
financiamento
é
assegurado,
em grande parte, pelo empre gador e compreende, especial mente, o seguro de saúde, o se guro de desemprego, as pen
fidelidade dos assalariados pa
ra com a empresa. Outros em pregadores concedem vanta
gens proporcionais quando is to é possível. Neste caso, o em
pregador paga
a metade
do
sões de aposentadoria, as fé
ça, assim como o seguro social
de para que a proteção
rias anuais e a Ucença por doen
propriamente dito (quer dizer um regime federal de seguros para a velhice, desemprego e
invalidez, destinado a diversas categorias de assalariados e de
pessoas deles dependentes, fi nanciado conjuntamente pelo assalariado e pelo governo fe deral). Até uma data recente,
tados Unidos, este pessoal é renumerado segundo uma tabela progressiva que considera o ní
às vantagens garantidas pela lei. Entretanto, na medida em
fessores rateiam o montante a
seriam compensadas por maior
montante da cotização e o tra balhador de tempo parcial to
a maioria dos trabalhadores de tempo parcial só tinha direito
vel de estudos e anos de expe riência, cada um dos dois pro
ram a oferecer-lhes as mesmas
que este modo de trabalho se
generalizou,
percebeu-se
que
aqueles que o adotavam tínlíam
a um preço tão baixo quanto
possível, ocupa o primeiro pla no. Este problema, deverá ser regulado equitativamente, tanto para o empregador quanto pa ra os trabalhadores interessa dos, caso se queira que a ten dência a uma redução sensível do tempo de trabalho persista. 4. A partilha dos cargos e os empregadores
A partilha dos cargos, como
já dissemos, é essencialmente uma iniciativa vinda dos tra balhadores. Os empregadores
sejã
reagiram de modo muito dife rente, segundo os casos, indo de uma rejeição pura e sim
Há também a fórmula “lí-
ples a uma aceitação pruden te. O pouco entusiasmo mani
ma a seu cargo a outra meta completa.
vre-serviço”, na qual o traba
lhador escolhe algumas vanta gens, cujo custo varia em fun ção do número de horas de tra balho. O interessado pode, as sim, optar pelas prestações que
correspondem às suas necessi dades; se já for protegido pe lo seguro de doença do seu par
festado pela maioria dos em
pregadores com relação a este sistema deve-se a diversas ra
zões: 1) medo de ver o efeti
vo de seu pessoal aumentar bruscamente em proporções ex cessivas; 2) preocupações quan
to ao encargo assumido
das
ceiro, poderá, por exemplo, es
responsabilidades profissionais;
colher o seguro de vida. Em toda a questão da par tilha dos empregos, a maneira de assegurar prestações sociais
risca aumentar as despesas fi
3) repugnância em adotar uma mudança que, a seus olhos, ar xas, sem oferecer lucros equi-
lio
DIGE6TO
ECONÔMICO
111
DIGESTO ECONÔMICO
ao cargo e as competência5 exi gidas em função das respectivas qualificações e experiência, ve rificando os pontos fortes e os
receber, calculando-se as par tes de cada um em proporção da remuneração corresponden te ao nível em que se encon
também, o direito de se bene ficiarem das vantagens sociais. Alguns empregadores começa
pontos fracos de cada um.
tram.
vantagens que concediam ao seu pessoal de tempo integral, estimando que as despesas su plementares disso resultantes
0
ideal seria que se pusessem de acordo sobre uma repartição equitativa das tarefas, levando em conta as possibilidades de adquirirem novas qualificações, enquanto
utilizariam
da
me
lhor maneira possível as apti dões pessoais de cada um. Os tilham
trabalhadores que par um cargo não perce
bem sempre uma remuneração igual. O inverso é até bastante comum, notadamente quando um trabalhador que tem uma longa experiência profissional, forma equipe com um jovem
colega, ou quando existe uma nítida diferença quanto ao nível de estudos ou de qualificação.
No ensino, a partilha dos car gos se faz frequentemente, en tre um mestre idoso e experi mentado e professor que come ça sua carreira. Como, nos Es
A partilha das vantagens so ciais, que representam geral mente
mais
de 25% dos
nhos, é uma fonte de dificulda
des para numerosos emprega dores dos Estados Unidos. Seu
financiamento
é
assegurado,
em grande parte, pelo empre gador e compreende, especial mente, o seguro de saúde, o se guro de desemprego, as pen
fidelidade dos assalariados pa
ra com a empresa. Outros em pregadores concedem vanta
gens proporcionais quando is to é possível. Neste caso, o em
pregador paga
a metade
do
sões de aposentadoria, as fé
ça, assim como o seguro social
de para que a proteção
rias anuais e a Ucença por doen
propriamente dito (quer dizer um regime federal de seguros para a velhice, desemprego e
invalidez, destinado a diversas categorias de assalariados e de
pessoas deles dependentes, fi nanciado conjuntamente pelo assalariado e pelo governo fe deral). Até uma data recente,
tados Unidos, este pessoal é renumerado segundo uma tabela progressiva que considera o ní
às vantagens garantidas pela lei. Entretanto, na medida em
fessores rateiam o montante a
seriam compensadas por maior
montante da cotização e o tra balhador de tempo parcial to
a maioria dos trabalhadores de tempo parcial só tinha direito
vel de estudos e anos de expe riência, cada um dos dois pro
ram a oferecer-lhes as mesmas
que este modo de trabalho se
generalizou,
percebeu-se
que
aqueles que o adotavam tínlíam
a um preço tão baixo quanto
possível, ocupa o primeiro pla no. Este problema, deverá ser regulado equitativamente, tanto para o empregador quanto pa ra os trabalhadores interessa dos, caso se queira que a ten dência a uma redução sensível do tempo de trabalho persista. 4. A partilha dos cargos e os empregadores
A partilha dos cargos, como
já dissemos, é essencialmente uma iniciativa vinda dos tra balhadores. Os empregadores
sejã
reagiram de modo muito dife rente, segundo os casos, indo de uma rejeição pura e sim
Há também a fórmula “lí-
ples a uma aceitação pruden te. O pouco entusiasmo mani
ma a seu cargo a outra meta completa.
vre-serviço”, na qual o traba
lhador escolhe algumas vanta gens, cujo custo varia em fun ção do número de horas de tra balho. O interessado pode, as sim, optar pelas prestações que
correspondem às suas necessi dades; se já for protegido pe lo seguro de doença do seu par
festado pela maioria dos em
pregadores com relação a este sistema deve-se a diversas ra
zões: 1) medo de ver o efeti
vo de seu pessoal aumentar bruscamente em proporções ex cessivas; 2) preocupações quan
to ao encargo assumido
das
ceiro, poderá, por exemplo, es
responsabilidades profissionais;
colher o seguro de vida. Em toda a questão da par tilha dos empregos, a maneira de assegurar prestações sociais
risca aumentar as despesas fi
3) repugnância em adotar uma mudança que, a seus olhos, ar xas, sem oferecer lucros equi-
112
DIGESTO
valentes. Entretanto, diante da multiplicação das experiências bem sucedidas de partilha de
cargos, a resistência dos ' em pregadores enfraqueceu. Verifi cou-se, com efeito, que este sis diversas tema proporcionava vantagens às empresas, o que instaurou um clima favorável à sua extensão e a novas ten tativas.
As vantagens para a empresa
Os fatos que começam a aparecer, e diversos estudos que os demonstram, estão re
velando vários lados vantajo sos que a partilha de empregos apresenta para a empresa (10).
Eis algumas destas vantagens. “Mais flexibilidade no esta belecimento dos horários de trabalho”. M. Miller, que cita mos em destaque, se exprime como segue, a respeito de seus
assessores de tempo parcial: “Sou a única representante de um Estado que tem um asses(10J Enfre outros estudos sobre a partilha
ECONÔMICO
sor administrativo em dois lu
gares mesmo tempo. Em período de grande atividade, beneficio-me da ajuda em tem po integral de duas pessoas competentes. Quando não há nada a fazer, nenhuma das duas vem trabalhar (11)". De fato, em vários empregos, pe
113
com relação a horários mais rígidos. Possibilidade
pessoal
de
manter
de boa qualidade". As
tarefas domésticas, a necessi
dade de acabar ou de prosse guir estudos, o desejo de ter mais tempo livre são fatores
ríodos de atividade intensa são
Que, em conjunto, fizeram em
seguidos de períodos vazios, e 0 sistema da partilha permite
pregadores perder pessoal com
utilizar
engajamento e a formação de
mais
eficazmente
o
tempo de trabalho do pessoal. Dispondo de equipes de dois trabalhadoBes, os empregado res podem, seja reorganizar os horários de modo a que am bos estejam presentes nas ho ras em que o volume de traba
lho é importante, seja prolon gar a duração do serviço, pro porcionando um intervalo entre as
horas
de
trabalho
de cada
um. Uma vez qu.; uma porcen tagem
crescente
da
mão-de-
obra se ocupa no setor de ser viços, a partilha dos cargos apresenta nítidas vantagens
de cargos que revelam as vantagens que esta fórmula apresenta para a empresa, mencionaremos Stanford University Action Research Lialson Office: Job sharing in municipal government (Stanford (Califórnia), 1975); Parttlme social workers In public welfare (New York, Catalyst lnc„ 1971); Hawail Legislative Reference Bureau: The feasjbllity of job sfiaring by public employees In Hawail (Honolulu. 1977), e GretI Meier: Job sharing; a new pattern for quaílty of work and life (Kaiamazoo (Michigan), W. E. Upjohn Institute for Employment Research, 1979).
(11) Miller, op. cit.. p. .270.
DIGESTO ECONÔMICO
0 qual estavam pessoal
satisfeitos. O
tornam-se caros. Mui
tos chefes de empresa estão verificando que o recurso à partilha dos empregos é um
meio novo para conservar tra
balhadores que, em razão de
obrigações muito pesadas —
tarefas
caseiras
somadas
à
vida profissional, por exemplo — devem reduzir seu
horário
de trabalho. "Diminuição do absenteismo". A maioria dos emprega
dores interrogados por ocasião das pesquisas feitas por “New Ways to Work” (12) assinalam uma redução do absenteismo ontre os trabalhadores que par.
tilham um cargo. O trabalho permanente cm tempo parcial permite, geralmente aos inte
ressados,
disporem
de
mais
tempo para suas atividades pessoais e para enfrentar ou tras obrigações. Diversos índi ces mostram, também, que es tes
trabalhadores
instáveis
(13).
Isto
são
menos
se
deve,
sem dúvida, ao fato de que as
possibilidades de emprego per manente de tempo parcial são muito
restritas.
trabalham
Aqueles
atualmente
que
nestas
condições escolheram a fórmula porque responde às suas neces sidades. e não ignoram a difi culdade que teriam para en contrar outro emprego do mes mo gênero. "Continuidade do rendimen
to profissional". Se um dos tra balhadores que partilham um emprego deixa seu posto ou se ausenta em virtude de acidente ou de longa doença, seu com
panheiro de equipe pode traba lhar em tempo integral até sua volta
ou
até
ser
substituído.
M2) Nevv Ways to Work é um organismo sem finalidade lucrativa, cujo ob)etivo é melhorar a qualidade da vida profissional e desenvolver es possibilidades de emprego experi
mentando novos métodos no campo do trabalho. Foi fundado em 1972 pelo autor e por
doia de seus colegas.
(13) Part-tlme social workers )n public welfare. op. cit., p. 13.
112
DIGESTO
valentes. Entretanto, diante da multiplicação das experiências bem sucedidas de partilha de
cargos, a resistência dos ' em pregadores enfraqueceu. Verifi cou-se, com efeito, que este sis diversas tema proporcionava vantagens às empresas, o que instaurou um clima favorável à sua extensão e a novas ten tativas.
As vantagens para a empresa
Os fatos que começam a aparecer, e diversos estudos que os demonstram, estão re
velando vários lados vantajo sos que a partilha de empregos apresenta para a empresa (10).
Eis algumas destas vantagens. “Mais flexibilidade no esta belecimento dos horários de trabalho”. M. Miller, que cita mos em destaque, se exprime como segue, a respeito de seus
assessores de tempo parcial: “Sou a única representante de um Estado que tem um asses(10J Enfre outros estudos sobre a partilha
ECONÔMICO
sor administrativo em dois lu
gares mesmo tempo. Em período de grande atividade, beneficio-me da ajuda em tem po integral de duas pessoas competentes. Quando não há nada a fazer, nenhuma das duas vem trabalhar (11)". De fato, em vários empregos, pe
113
com relação a horários mais rígidos. Possibilidade
pessoal
de
manter
de boa qualidade". As
tarefas domésticas, a necessi
dade de acabar ou de prosse guir estudos, o desejo de ter mais tempo livre são fatores
ríodos de atividade intensa são
Que, em conjunto, fizeram em
seguidos de períodos vazios, e 0 sistema da partilha permite
pregadores perder pessoal com
utilizar
engajamento e a formação de
mais
eficazmente
o
tempo de trabalho do pessoal. Dispondo de equipes de dois trabalhadoBes, os empregado res podem, seja reorganizar os horários de modo a que am bos estejam presentes nas ho ras em que o volume de traba
lho é importante, seja prolon gar a duração do serviço, pro porcionando um intervalo entre as
horas
de
trabalho
de cada
um. Uma vez qu.; uma porcen tagem
crescente
da
mão-de-
obra se ocupa no setor de ser viços, a partilha dos cargos apresenta nítidas vantagens
de cargos que revelam as vantagens que esta fórmula apresenta para a empresa, mencionaremos Stanford University Action Research Lialson Office: Job sharing in municipal government (Stanford (Califórnia), 1975); Parttlme social workers In public welfare (New York, Catalyst lnc„ 1971); Hawail Legislative Reference Bureau: The feasjbllity of job sfiaring by public employees In Hawail (Honolulu. 1977), e GretI Meier: Job sharing; a new pattern for quaílty of work and life (Kaiamazoo (Michigan), W. E. Upjohn Institute for Employment Research, 1979).
(11) Miller, op. cit.. p. .270.
DIGESTO ECONÔMICO
0 qual estavam pessoal
satisfeitos. O
tornam-se caros. Mui
tos chefes de empresa estão verificando que o recurso à partilha dos empregos é um
meio novo para conservar tra
balhadores que, em razão de
obrigações muito pesadas —
tarefas
caseiras
somadas
à
vida profissional, por exemplo — devem reduzir seu
horário
de trabalho. "Diminuição do absenteismo". A maioria dos emprega
dores interrogados por ocasião das pesquisas feitas por “New Ways to Work” (12) assinalam uma redução do absenteismo ontre os trabalhadores que par.
tilham um cargo. O trabalho permanente cm tempo parcial permite, geralmente aos inte
ressados,
disporem
de
mais
tempo para suas atividades pessoais e para enfrentar ou tras obrigações. Diversos índi ces mostram, também, que es tes
trabalhadores
instáveis
(13).
Isto
são
menos
se
deve,
sem dúvida, ao fato de que as
possibilidades de emprego per manente de tempo parcial são muito
restritas.
trabalham
Aqueles
atualmente
que
nestas
condições escolheram a fórmula porque responde às suas neces sidades. e não ignoram a difi culdade que teriam para en contrar outro emprego do mes mo gênero. "Continuidade do rendimen
to profissional". Se um dos tra balhadores que partilham um emprego deixa seu posto ou se ausenta em virtude de acidente ou de longa doença, seu com
panheiro de equipe pode traba lhar em tempo integral até sua volta
ou
até
ser
substituído.
M2) Nevv Ways to Work é um organismo sem finalidade lucrativa, cujo ob)etivo é melhorar a qualidade da vida profissional e desenvolver es possibilidades de emprego experi
mentando novos métodos no campo do trabalho. Foi fundado em 1972 pelo autor e por
doia de seus colegas.
(13) Part-tlme social workers )n public welfare. op. cit., p. 13.
DIGESTO ECONÔMICO
114
Assim, quando a co-diretora de um escritório de ligação da Universidade Stanford foi hos
pitalizada em consequência de um acidente durante período do maior trabalho, seu homólogo assumiu sozinho a direção do escritório. Ficou em contato estreito com a colega até que
ela pudesse voltar ao trabalho. Logo a seguir, pôde tomar férias compensatórias, enquan to sua colega trabalhava em
tempo completo. Tais trocas-de serviços são coisas correntes nas equipes de trabalhadores de tempo parcial e são vantajosas, tanto para os interessados, co mo para a empresa que os em
prega.
dizia de um certo cargo, “é melhor que ele seja exercido
cargos
maior interesse tanto para os empregadores como para os responsáveis por decisões, pe
'^Recrutamento do pessoal em base mais ampla". (15) Há mui tos anos que a economia ame ricana sofre de um desempre
go bastante elevado, falta-lhe, porém, mão-de-obra para cer tas categorias de serviço e pa ra certos pontos do território. Foi assim que a firma de pro dutos farmacêuticos da qual se tratou no exemplo que aca bamos de dar, experimentou o sistema de partilha dos empre
ra manter um rendimento ele
que mudava constantemente de
vado durante uma semana
titular. O sistema foi, além dis
no
traba
lho" (14). Os traljalhadores têm de
quarenta horas, notadamcnte aqueles que desempenham ta
refas muito absorventes ou, ao contrário, aqueles cujo traba lho é muito monótono. Como um administrador do pessoal
"Opções para os trabalha
dores Idosos". A partilha dos
nada apaixonante; cada uma delas pode consagrar-lhe mais energia, trabalhando apenas quatro horas por dia”.
frequentemente dificuldades pa
energia
115
por duas pessoas, pois não é
gos porque tinha dificuldade de prover um cargo de escriturário de nível pouco elevado
"Maior
DIGESTO ECONÔMICO
so,
utilizado
com
êxito
para
postos que exigem dos titula res um leque excepcional de qualificações ou que impõem um horário particularmente apertado.
apresenta,
cada
vez
lo fato das possibilidades que oferece de proporcionar um pe ríodo de transição para os tra balhadores de certa idade. O
problema da retirada progres siva ou "à Ia carte" revela sua
importância na medida em que a validade do princípio da apo sentadoria obrigatória é con testada (16). O dilema que se
coloca para os empregadoires é 0 de conciliar a preocupação de manter no lugar os velhos trabalhadores com a necessi
dade de recrutar jovens dota dos de uma energia intacta e de qualificações que corres pondam a novas necessidades.
Foi proposto, a título de novo tipo de aprendizagem, fazer trabalhar um jovem em equipe com um trabalhador mais ve lho.
um novo, é preciso proceder a certas mudanças ou adaptações como acontece quando se re corre à partilha dos cargos. Este sistema está apenas se iniciando e é aplicado sob for mas
bastante
diferentes.
Os
principais campos que pedem adaptação são os seguintes: Apreciação do pessoal". Quando se trata de fazer um
julgamento sobre o pessoal, al guns chefes consideram sepa radamente 0 rendimento de ca
da um dos trabalhadores que
partilham um cargo, outros le vam em conta
o trabalho da
equipe e outros, ainda, fazem simultaneamente apelo aos dois métodos. O importante, é que 0^ método
de
avaliação
seja
adaptado à situação e que tan to os
trabalhadores que cons
tituem a equipe como seu che fe possam estimar corretamen te os resultados obtidos e fixar os objetivos a atingir. "Volta ao trabalho em tem
po Integral". Certos emprega
As adaptações necessárias da organização
dores que partilham um cargo
dores garantem aos trabalha
tes de tempo parcial e trabalhadores de tempo integral, mas numeroaos empregadores Interrogados no quadro das pesquisas feitas em New Ways to Work declaram que a
Quando se modifica um sis
a possibilidade de trabalharem
tema de trabalho, ou se adota
novamente em tempo integral
uma maior energia para o trabalho corresponde uma produtividade mais elevada e uma melhor qualidade do trabalho.
(^8) Uma lel federal recente determinou em 70 anos a Idade obrigatória da aposentadoria, a
(14) Nio se possuem dados sobre os rendimentos
(15) Gadon e Cohen, op. eit., p. 78.
respectivos dos trabalhadores permanen
partir de Janeiro de
1979.
DIGESTO ECONÔMICO
114
Assim, quando a co-diretora de um escritório de ligação da Universidade Stanford foi hos
pitalizada em consequência de um acidente durante período do maior trabalho, seu homólogo assumiu sozinho a direção do escritório. Ficou em contato estreito com a colega até que
ela pudesse voltar ao trabalho. Logo a seguir, pôde tomar férias compensatórias, enquan to sua colega trabalhava em
tempo completo. Tais trocas-de serviços são coisas correntes nas equipes de trabalhadores de tempo parcial e são vantajosas, tanto para os interessados, co mo para a empresa que os em
prega.
dizia de um certo cargo, “é melhor que ele seja exercido
cargos
maior interesse tanto para os empregadores como para os responsáveis por decisões, pe
'^Recrutamento do pessoal em base mais ampla". (15) Há mui tos anos que a economia ame ricana sofre de um desempre
go bastante elevado, falta-lhe, porém, mão-de-obra para cer tas categorias de serviço e pa ra certos pontos do território. Foi assim que a firma de pro dutos farmacêuticos da qual se tratou no exemplo que aca bamos de dar, experimentou o sistema de partilha dos empre
ra manter um rendimento ele
que mudava constantemente de
vado durante uma semana
titular. O sistema foi, além dis
no
traba
lho" (14). Os traljalhadores têm de
quarenta horas, notadamcnte aqueles que desempenham ta
refas muito absorventes ou, ao contrário, aqueles cujo traba lho é muito monótono. Como um administrador do pessoal
"Opções para os trabalha
dores Idosos". A partilha dos
nada apaixonante; cada uma delas pode consagrar-lhe mais energia, trabalhando apenas quatro horas por dia”.
frequentemente dificuldades pa
energia
115
por duas pessoas, pois não é
gos porque tinha dificuldade de prover um cargo de escriturário de nível pouco elevado
"Maior
DIGESTO ECONÔMICO
so,
utilizado
com
êxito
para
postos que exigem dos titula res um leque excepcional de qualificações ou que impõem um horário particularmente apertado.
apresenta,
cada
vez
lo fato das possibilidades que oferece de proporcionar um pe ríodo de transição para os tra balhadores de certa idade. O
problema da retirada progres siva ou "à Ia carte" revela sua
importância na medida em que a validade do princípio da apo sentadoria obrigatória é con testada (16). O dilema que se
coloca para os empregadoires é 0 de conciliar a preocupação de manter no lugar os velhos trabalhadores com a necessi
dade de recrutar jovens dota dos de uma energia intacta e de qualificações que corres pondam a novas necessidades.
Foi proposto, a título de novo tipo de aprendizagem, fazer trabalhar um jovem em equipe com um trabalhador mais ve lho.
um novo, é preciso proceder a certas mudanças ou adaptações como acontece quando se re corre à partilha dos cargos. Este sistema está apenas se iniciando e é aplicado sob for mas
bastante
diferentes.
Os
principais campos que pedem adaptação são os seguintes: Apreciação do pessoal". Quando se trata de fazer um
julgamento sobre o pessoal, al guns chefes consideram sepa radamente 0 rendimento de ca
da um dos trabalhadores que
partilham um cargo, outros le vam em conta
o trabalho da
equipe e outros, ainda, fazem simultaneamente apelo aos dois métodos. O importante, é que 0^ método
de
avaliação
seja
adaptado à situação e que tan to os
trabalhadores que cons
tituem a equipe como seu che fe possam estimar corretamen te os resultados obtidos e fixar os objetivos a atingir. "Volta ao trabalho em tem
po Integral". Certos emprega
As adaptações necessárias da organização
dores que partilham um cargo
dores garantem aos trabalha
tes de tempo parcial e trabalhadores de tempo integral, mas numeroaos empregadores Interrogados no quadro das pesquisas feitas em New Ways to Work declaram que a
Quando se modifica um sis
a possibilidade de trabalharem
tema de trabalho, ou se adota
novamente em tempo integral
uma maior energia para o trabalho corresponde uma produtividade mais elevada e uma melhor qualidade do trabalho.
(^8) Uma lel federal recente determinou em 70 anos a Idade obrigatória da aposentadoria, a
(14) Nio se possuem dados sobre os rendimentos
(15) Gadon e Cohen, op. eit., p. 78.
respectivos dos trabalhadores permanen
partir de Janeiro de
1979.
DIGESTO
118
quando desejarem. Outros dei xam a questão em suspenso, preferindo esperar e examinar as demandas deste gênero con
ECONÔMICO
siderando a situação, no mo mento em que elas se apresen
de emprego que procuram "um candidato para tempo integral ou dois candidatos para tempo parcial". Assim, o empregador não tem que aceitar antecipa damente a partilha do cargo;
tam.
por outro lado, isso reduz o ris
"Efetivo calculado por ca beça". Nos Estados Unidos, muitos empregadores do setor público como do setor priva do
têm
de
manter
em certos
limites o número de pessoas re lativas a um posto orçamentá rio determinado. É o que se poderia chamar "efetivo calcu lado por cabeça”. Se este prin cípio restritivo for aplicado nu ma empresa, sem que se possa
levar em conta
o número de
cargos de tempo integral, não será quase possível recorrer à fórmula da partilha (ou do fracionamento) dos empregos (17). "Métodos
de
recrutamen
to^'. Pensava-se, no começo, que seria difícil encontrar candida
co de ver pretendentes de em prego se apresentarem para um cargo parcial mesmo quan do preferem trabalhar em temí>o integral.
dos Unidos, os sindicatos ja
dos
mais
procuraram
sindicalizar
trabalhadores de tempo parcial ou aumentar as possibilidades de emprego deste gênero. Isto
se deve, em larga medida, ao fato de que, a seus olhos, a
maioria das pessoas não pode se permitir trabalhar somente
uma parte do tempo, sendo di fícil organizar a mão-de-obra te dos empregos de tempo par cial é mal reputada, mal remu nerada e não assegura aos tra
começam
a
superar
suas
começaram a introduzir certas
modificações que se impõem na sua organização. A partilha de trabalho
é
ainda
considerada
o
faz
e
considerando-se
que, por tradição, grande par
balhadores a proteção de que
Soza a maioria dos outros tra
balhadores. Entretanto, uma pressão exerceu-se da base, quer dizer de sindicalizados que trabalham em tempo inte
gral, mas que teriam preferido
como fórmula experimental, mas tem-se o direito de pensar que ela se vai tornar uma prá
ra
tica
quem sua atitude neste
cada
vez
mais corrente.
5.
sindicatos
emprego de tempo parcial, paque os sindicatos modifi cam
po. Percebe-se cada vez mais Os
e a
merosos
Em todos os países, o sin
(17) O projeto de
damente aqueles que fazem parte da União Internacional
res
hesitações. Tomaram consciên cia das diversas vantagens que a empresa podia retirar do sis tema da partilha de cargos e
partilha dos
empresa
tornam claro nas suas ofertas
servas em relação ao trabalho em tempo parcial. Nos Esta
que
sinou como se devia fazer. Nu
de
117
Pode-se, portanto, dizer, em resumo, que os empregado
tos desejosos de partilhar um cargo, mas a experiência en
chefes
DIGESTO ECONÔMICO
dicalismo tem
empregos
as maiores re-
aobre o emprego permanente de tempo parcial (outubro do 1978) prevS notadamente o recurso a um sistema de equivalôncias de tempo Integral em lugar do
que, 0 que é preciso melhorar não é a própria natureza des te tipo de trabalho, mas as con
dições nas quais é praticado. Certos sindicatos locais, nota-
Trabalhadores
Setor
dos Serviços (sigla inglesa S.E.I.U.), realizaram negocia
ções visando ao aumento do número de cargos susceptíveis de serem objeto de um fracionamento ou de uma partilha.
Um dirigente da S.E.I.U. decla rou recentemente que os tra balhadores de tempo parcial
representam atualmente
13%
do efetivo desta central e que
os responsáveis “mudaram de opinião a respeito da organizaçao
destes trabalhadores” (18).
No caso em que a questão
das possibilidades de emprego de tempo parcial deu lugar a negociações oficiais, as partes combinaram cláusulas que re conhecem . aos trabalhadores o
direito de continuarem a traba lhar em tempo integral se pre ferirem esta solução, e cuidam
de que os trabalhadores não sejam explorados. Os contra tos
acentuaram
os
seguintes
pontos: 1) o trabalho em tem
po parcial deve ser voluntário; 2) as escalas dos salários de base e as vantagens sociais de-
lei
determinado pelo calculo do efetivo por cabeça,
do
(18) Wall Street Journal (New York). 6 de outubro de 1978.
DIGESTO
118
quando desejarem. Outros dei xam a questão em suspenso, preferindo esperar e examinar as demandas deste gênero con
ECONÔMICO
siderando a situação, no mo mento em que elas se apresen
de emprego que procuram "um candidato para tempo integral ou dois candidatos para tempo parcial". Assim, o empregador não tem que aceitar antecipa damente a partilha do cargo;
tam.
por outro lado, isso reduz o ris
"Efetivo calculado por ca beça". Nos Estados Unidos, muitos empregadores do setor público como do setor priva do
têm
de
manter
em certos
limites o número de pessoas re lativas a um posto orçamentá rio determinado. É o que se poderia chamar "efetivo calcu lado por cabeça”. Se este prin cípio restritivo for aplicado nu ma empresa, sem que se possa
levar em conta
o número de
cargos de tempo integral, não será quase possível recorrer à fórmula da partilha (ou do fracionamento) dos empregos (17). "Métodos
de
recrutamen
to^'. Pensava-se, no começo, que seria difícil encontrar candida
co de ver pretendentes de em prego se apresentarem para um cargo parcial mesmo quan do preferem trabalhar em temí>o integral.
dos Unidos, os sindicatos ja
dos
mais
procuraram
sindicalizar
trabalhadores de tempo parcial ou aumentar as possibilidades de emprego deste gênero. Isto
se deve, em larga medida, ao fato de que, a seus olhos, a
maioria das pessoas não pode se permitir trabalhar somente
uma parte do tempo, sendo di fícil organizar a mão-de-obra te dos empregos de tempo par cial é mal reputada, mal remu nerada e não assegura aos tra
começam
a
superar
suas
começaram a introduzir certas
modificações que se impõem na sua organização. A partilha de trabalho
é
ainda
considerada
o
faz
e
considerando-se
que, por tradição, grande par
balhadores a proteção de que
Soza a maioria dos outros tra
balhadores. Entretanto, uma pressão exerceu-se da base, quer dizer de sindicalizados que trabalham em tempo inte
gral, mas que teriam preferido
como fórmula experimental, mas tem-se o direito de pensar que ela se vai tornar uma prá
ra
tica
quem sua atitude neste
cada
vez
mais corrente.
5.
sindicatos
emprego de tempo parcial, paque os sindicatos modifi cam
po. Percebe-se cada vez mais Os
e a
merosos
Em todos os países, o sin
(17) O projeto de
damente aqueles que fazem parte da União Internacional
res
hesitações. Tomaram consciên cia das diversas vantagens que a empresa podia retirar do sis tema da partilha de cargos e
partilha dos
empresa
tornam claro nas suas ofertas
servas em relação ao trabalho em tempo parcial. Nos Esta
que
sinou como se devia fazer. Nu
de
117
Pode-se, portanto, dizer, em resumo, que os empregado
tos desejosos de partilhar um cargo, mas a experiência en
chefes
DIGESTO ECONÔMICO
dicalismo tem
empregos
as maiores re-
aobre o emprego permanente de tempo parcial (outubro do 1978) prevS notadamente o recurso a um sistema de equivalôncias de tempo Integral em lugar do
que, 0 que é preciso melhorar não é a própria natureza des te tipo de trabalho, mas as con
dições nas quais é praticado. Certos sindicatos locais, nota-
Trabalhadores
Setor
dos Serviços (sigla inglesa S.E.I.U.), realizaram negocia
ções visando ao aumento do número de cargos susceptíveis de serem objeto de um fracionamento ou de uma partilha.
Um dirigente da S.E.I.U. decla rou recentemente que os tra balhadores de tempo parcial
representam atualmente
13%
do efetivo desta central e que
os responsáveis “mudaram de opinião a respeito da organizaçao
destes trabalhadores” (18).
No caso em que a questão
das possibilidades de emprego de tempo parcial deu lugar a negociações oficiais, as partes combinaram cláusulas que re conhecem . aos trabalhadores o
direito de continuarem a traba lhar em tempo integral se pre ferirem esta solução, e cuidam
de que os trabalhadores não sejam explorados. Os contra tos
acentuaram
os
seguintes
pontos: 1) o trabalho em tem
po parcial deve ser voluntário; 2) as escalas dos salários de base e as vantagens sociais de-
lei
determinado pelo calculo do efetivo por cabeça,
do
(18) Wall Street Journal (New York). 6 de outubro de 1978.
iid
DIGEBTO ECONÔMICO
vem ser mantidas (19); 3) os trabalhadores devem ser pro tegidos contra a exigência de um ritmo acelerado; 4) quan do se tiver que proceder a dis pensas, é importante conside rar a antiguidade, de um mo
do ou de outro, em vez de co meçar por despedir o pessoal de tempo parcial. Tais condi ções visam a por os parcialistas em pé de igualdade com os
trabalhadores de
tempo
inte
gral.
6) A partilha dos cargos: um novo modo de trabalhar?
Por múltiplas razões, podese responder afirmativamente
a esta questão. Por exemplo:
0 apoio psiçológico trazido por um companheiro de equipe do
tado de espírito de colaboração
e com o qual haja bom enten
dimento, representa uma van- ●
tagetm
qualitativa
no campo
profissional. Por ocasião de uma pesquisa efetuada em no ve circunscrições escolares daregião de São Francisco onde
os professores trabalhavam se
gundo a fórmula da partilha de cargofs (20), estes foram unâ nimes em declarar que o tra balho em associação com um colega estava na origem de boa parte da sua satisfação no tra balho. Um outro estudo — mais
recente — de Greti Meier (21), por ocasião do qual mais de duzentas pessoas trabalhando em tempo parcial em empregos muito diversos foram interro gadas, confirmou esta vanta gem. Com efeito, todos os in teressados estiveram de
acor
do com reflexões do gênero destas: “Não desperto mais no meio da noite por estar preo cupado, pois sei que, de seu
lado, Jan pensa no mesmo pro
blema”;
A evidência salta ra-
pidamente aos
olhos quando
somos dois a refletir”;
opiniões valem mais do
'Duas que
uma, e o fato de. conjugar as próprias aptidões e pontos de vista com os de um outro torna
o
trabalho
apaixonante”
(22). Há, também, é claro, pro
blemas que se colocam, inevi-
(19J Em diversos casoe, a questão da partilha proporcional das vantagens aocials foi objeto de negoclaçóea. (20) Greti Meier e colaboradores: Job sharing In the achools: a study of nine Bav Jtran wi.
tricts (São Francisco. New Waye to Work, 1976).
r *«r«a ois
(21) Meier: Job sharing: a new pattem for quallty of work and life, op. cit. (22) Todas estas citações são extraídas de Job sharing In the schools, op. cit.
DIGESTO ECONÔMICO
IIS
tavelmente, quando se traba
dizia:
'Ganho
em todos os as-
com outro: “Não se pode fazer
pectos: tenho uma profissão li beral, não estou cansado e te
0 que nos dá na telha. É pre
nho tempo para os meus.”
lha
em
estreita
colaboração
ciso controlar os próprias im
O tipo de empregos que se
pulsos e compor com o outro.” Entretanto, a flexibilidade de
tornaram objeto de partilha é fator que indica, também, que
vida ao aumento do tempo* li
se trata de novo modo de tra
vre
balhar. “A superioridade in contestável que apresenta o sistema de partilha com rela
e
a
possibUidade
para
os trabalhadores que formam
equipe de se substituírem mu
tuamente, em caso de dificul
dades de ordem privada ou de doença, representam uma van tagem nova muito apreciável. Como a partilha visa a car
gos de tempo integral, cada um arrisca trabalhar mais do que
em meio período: “Continua-se a corrigir trabalhos e a prepa
rar lições toda a semana. Não se acabou o trabalho terça ou
quarta-feira às cinco horas da tarde. Mas é, certamente, muir to menos duro do que com um
cargo completo (23)”. Em resumo, a maioria da queles que partilham um em prego são, parece, da mesma opinião que o trabalhador que
ção ao trabalho permanente de tempo parcial de tipo tradicio nal, é que 0 conteúdo do em
prego partilhado, que é de fa
to um cargo de tempo integral,
terá mais chances de ser de boa qualidade e que a remu
neração
será
provavelmente
melhor (24)”. O sistema contribuirá, sem dúvida, com o tempo, para fa
zer desaparecer o estereótipo do trabalhador de tempo par cial menos devotado à sua ta
refa do que o trabalhador de tempo integral. Com efeito, se a noção de “trabalho de tem po integral” mudou enorme mente nestes setenta e cinco
últimos anos (25), a imagem do
(23) Ibid., p. 13. . , . (24) Jeffrey Miller: Innovations in working patteme, Beport for the US Trade Union Seminar on AlternatIve Work patterrfs in Europe. organlzed by the Communications Workera of
America and the Germen Marshall Fund, Washington, maio de 197B. (25) No começo do século, o émericafto trabalhava em média seis dias por semana na razéo de dez horas por dia.
iid
DIGEBTO ECONÔMICO
vem ser mantidas (19); 3) os trabalhadores devem ser pro tegidos contra a exigência de um ritmo acelerado; 4) quan do se tiver que proceder a dis pensas, é importante conside rar a antiguidade, de um mo
do ou de outro, em vez de co meçar por despedir o pessoal de tempo parcial. Tais condi ções visam a por os parcialistas em pé de igualdade com os
trabalhadores de
tempo
inte
gral.
6) A partilha dos cargos: um novo modo de trabalhar?
Por múltiplas razões, podese responder afirmativamente
a esta questão. Por exemplo:
0 apoio psiçológico trazido por um companheiro de equipe do
tado de espírito de colaboração
e com o qual haja bom enten
dimento, representa uma van- ●
tagetm
qualitativa
no campo
profissional. Por ocasião de uma pesquisa efetuada em no ve circunscrições escolares daregião de São Francisco onde
os professores trabalhavam se
gundo a fórmula da partilha de cargofs (20), estes foram unâ nimes em declarar que o tra balho em associação com um colega estava na origem de boa parte da sua satisfação no tra balho. Um outro estudo — mais
recente — de Greti Meier (21), por ocasião do qual mais de duzentas pessoas trabalhando em tempo parcial em empregos muito diversos foram interro gadas, confirmou esta vanta gem. Com efeito, todos os in teressados estiveram de
acor
do com reflexões do gênero destas: “Não desperto mais no meio da noite por estar preo cupado, pois sei que, de seu
lado, Jan pensa no mesmo pro
blema”;
A evidência salta ra-
pidamente aos
olhos quando
somos dois a refletir”;
opiniões valem mais do
'Duas que
uma, e o fato de. conjugar as próprias aptidões e pontos de vista com os de um outro torna
o
trabalho
apaixonante”
(22). Há, também, é claro, pro
blemas que se colocam, inevi-
(19J Em diversos casoe, a questão da partilha proporcional das vantagens aocials foi objeto de negoclaçóea. (20) Greti Meier e colaboradores: Job sharing In the achools: a study of nine Bav Jtran wi.
tricts (São Francisco. New Waye to Work, 1976).
r *«r«a ois
(21) Meier: Job sharing: a new pattem for quallty of work and life, op. cit. (22) Todas estas citações são extraídas de Job sharing In the schools, op. cit.
DIGESTO ECONÔMICO
IIS
tavelmente, quando se traba
dizia:
'Ganho
em todos os as-
com outro: “Não se pode fazer
pectos: tenho uma profissão li beral, não estou cansado e te
0 que nos dá na telha. É pre
nho tempo para os meus.”
lha
em
estreita
colaboração
ciso controlar os próprias im
O tipo de empregos que se
pulsos e compor com o outro.” Entretanto, a flexibilidade de
tornaram objeto de partilha é fator que indica, também, que
vida ao aumento do tempo* li
se trata de novo modo de tra
vre
balhar. “A superioridade in contestável que apresenta o sistema de partilha com rela
e
a
possibUidade
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os trabalhadores que formam
equipe de se substituírem mu
tuamente, em caso de dificul
dades de ordem privada ou de doença, representam uma van tagem nova muito apreciável. Como a partilha visa a car
gos de tempo integral, cada um arrisca trabalhar mais do que
em meio período: “Continua-se a corrigir trabalhos e a prepa
rar lições toda a semana. Não se acabou o trabalho terça ou
quarta-feira às cinco horas da tarde. Mas é, certamente, muir to menos duro do que com um
cargo completo (23)”. Em resumo, a maioria da queles que partilham um em prego são, parece, da mesma opinião que o trabalhador que
ção ao trabalho permanente de tempo parcial de tipo tradicio nal, é que 0 conteúdo do em
prego partilhado, que é de fa
to um cargo de tempo integral,
terá mais chances de ser de boa qualidade e que a remu
neração
será
provavelmente
melhor (24)”. O sistema contribuirá, sem dúvida, com o tempo, para fa
zer desaparecer o estereótipo do trabalhador de tempo par cial menos devotado à sua ta
refa do que o trabalhador de tempo integral. Com efeito, se a noção de “trabalho de tem po integral” mudou enorme mente nestes setenta e cinco
últimos anos (25), a imagem do
(23) Ibid., p. 13. . , . (24) Jeffrey Miller: Innovations in working patteme, Beport for the US Trade Union Seminar on AlternatIve Work patterrfs in Europe. organlzed by the Communications Workera of
America and the Germen Marshall Fund, Washington, maio de 197B. (25) No começo do século, o émericafto trabalhava em média seis dias por semana na razéo de dez horas por dia.
DIGESTO
120
ECONÔMICO
trabalhador de tempo parcial permanece a mesma. Segundo
todos os países muito desenvol
um
mente as vantagens que apre sentaria a partilha de cargos para a solução de alguns deles.
estudo
sobre
o emprego
permanente de tempo parcial, os empregadores considerariam aqueles que o praticam como "assalariados temporários, de segunda categoria, que não dão muita importância à sua car reira, nem à sua tarefa” (26). Segundo o mesmo estudo, os empregadores que engajaram mão-de-obra de tempo parcial estão em geral satisfeitos com os resultados da experiência (27).
Permitindo
empregar
mais de uma pessoa para um único emprego, sem modificar a estrutura deste último, o sis tema de partilha está come çando a vencer o velho clichê. Um novo modo de trabalhar apareceu, no qual a ética do»
vidos. Vamos examinar breve
'^O trabalho de tempo par cial inspira um interesse cres
cente”. Entre aqueles que tra balham
atualmente em tempo
integral, nem todos têm esse desejo ou necessidade, já o dis semos. Quanto aos desemprega dos, não estão todos aptos ou dispostos a trabalhar em tem po integral. Já mencionamos o
(26) Stanley
Noilen,
ployment: (27) Ibld.,
p. 17.
an
Brenda
Eddy, Virgínia Martin
interpretativo review
tante limitados e deveria servir
de complemento mais do
que
ser considerado como um objeentretanto,
tivo essencial;
e
medida que conta entre os nu-
merosos meios que permitiríam aumentar o efetivo da mão-deobra.
"Os
idosos
friabalhadores
de transição entre a vida ativa e a aposentadoria". A sorte dos
"Não há empregos suficien tes". Enquanto o desemprego vái aumentando, não parece na-
zido.
a partilha dos cargos teria so bre 0 desemprego efeitos bas
tempo parcial nos Estados Uni dos. No Reino Unido, essa mãode-obra representa atualmente 17% do total, e 20% na Suécia. O problema que se coloca a
mão-de-obra
Um certo número de proble mas sociais se colocam, com maior ou menor gravidade em
ferença sendo o horário redu
enquanto tantos outros não têm nenhum trabalho. É certo que
têm necessidade de un> período
da
7. Outras repercussões da partilha dos postos
tinua a ter valor, a única di
da razoável obrigar alguns a trabalhar em tempo integral,
Qe
aumento
este respeito em todos os paí ses, é que 0 trabalho de tempo parcial não é tratado em pé de igualdade com o trabalho de tempo integral. A partilha per mite regular o problema e criar possibilidades de emprego de tempo parcial.
trabalho de tempo integral con-
121
DIGESTO ECONÔMICO
e D.
(Washington.
Monroe:
permanent
Georgetown University,
parti-time .em1976),
p.
13.
trabalhadores
idosos é geral
mente o objeto de duas concepçoes
muito
pensam
que
diferentes. Alguns com
melhoria
a
dos cuidados médicos e os pro
gressos constantes da medicina,
a esperança de vida do trabalhador médio vai aumentar, ativo até meados mantendo-o dos setenta. CXitros, em compensação, opinam que, numa
vintena de anos, a maioria das pessoas alcançará sua aposen-
ladoria no
início ou no meio
dos cinquenta. A primeira des
tas hipóteses é mal aceita poí aqueles que consideram a ma nutenção de pessoas idosas em atividade comprometendo gra vemente as oportunidades de os
jovens encontrarem o primeiro emprego. A
segunda evoca
pesadelo da subida
0
ef flecha
das despesas a título de apo
sentadorias, devendo os ativos assumir o encargo de aposenta dos cada vez (28).
mais numerosos
Aqueles que se mostram fa voráveis à passagem progressi va da vida ativa para a apo
sentadoria, acentuam fato de que
trabalhadores
numerosos
têm efetivamente
graves pro
blemas quando cessam de tra balhar: ficam com o sentimen
to de ter perdido sua identida de, entediam-se ou se tornam
deprimidos (29). A aposentado
ria por etapas, graças a uma
redução progressiva da dura ção do trabalho, permitiría aos interessados pouco a pouco
(28) David Jenkins (Jenkins Work report (Paris), n.o 3,
a se habituarem com sua
nova
janeiro de 1978) menciona urn
es-
tudo de AIlan Nordin e Carl Aberg segundo o qual, em 2005, havería dois_ou tres trabalhadores ativos para um aposentado, enquanto que atualmente a proporção e de quetro
contra
um.
(29) Jeffroy Miller, op. cit,,
p.
17.
DIGESTO
120
ECONÔMICO
trabalhador de tempo parcial permanece a mesma. Segundo
todos os países muito desenvol
um
mente as vantagens que apre sentaria a partilha de cargos para a solução de alguns deles.
estudo
sobre
o emprego
permanente de tempo parcial, os empregadores considerariam aqueles que o praticam como "assalariados temporários, de segunda categoria, que não dão muita importância à sua car reira, nem à sua tarefa” (26). Segundo o mesmo estudo, os empregadores que engajaram mão-de-obra de tempo parcial estão em geral satisfeitos com os resultados da experiência (27).
Permitindo
empregar
mais de uma pessoa para um único emprego, sem modificar a estrutura deste último, o sis tema de partilha está come çando a vencer o velho clichê. Um novo modo de trabalhar apareceu, no qual a ética do»
vidos. Vamos examinar breve
'^O trabalho de tempo par cial inspira um interesse cres
cente”. Entre aqueles que tra balham
atualmente em tempo
integral, nem todos têm esse desejo ou necessidade, já o dis semos. Quanto aos desemprega dos, não estão todos aptos ou dispostos a trabalhar em tem po integral. Já mencionamos o
(26) Stanley
Noilen,
ployment: (27) Ibld.,
p. 17.
an
Brenda
Eddy, Virgínia Martin
interpretativo review
tante limitados e deveria servir
de complemento mais do
que
ser considerado como um objeentretanto,
tivo essencial;
e
medida que conta entre os nu-
merosos meios que permitiríam aumentar o efetivo da mão-deobra.
"Os
idosos
friabalhadores
de transição entre a vida ativa e a aposentadoria". A sorte dos
"Não há empregos suficien tes". Enquanto o desemprego vái aumentando, não parece na-
zido.
a partilha dos cargos teria so bre 0 desemprego efeitos bas
tempo parcial nos Estados Uni dos. No Reino Unido, essa mãode-obra representa atualmente 17% do total, e 20% na Suécia. O problema que se coloca a
mão-de-obra
Um certo número de proble mas sociais se colocam, com maior ou menor gravidade em
ferença sendo o horário redu
enquanto tantos outros não têm nenhum trabalho. É certo que
têm necessidade de un> período
da
7. Outras repercussões da partilha dos postos
tinua a ter valor, a única di
da razoável obrigar alguns a trabalhar em tempo integral,
Qe
aumento
este respeito em todos os paí ses, é que 0 trabalho de tempo parcial não é tratado em pé de igualdade com o trabalho de tempo integral. A partilha per mite regular o problema e criar possibilidades de emprego de tempo parcial.
trabalho de tempo integral con-
121
DIGESTO ECONÔMICO
e D.
(Washington.
Monroe:
permanent
Georgetown University,
parti-time .em1976),
p.
13.
trabalhadores
idosos é geral
mente o objeto de duas concepçoes
muito
pensam
que
diferentes. Alguns com
melhoria
a
dos cuidados médicos e os pro
gressos constantes da medicina,
a esperança de vida do trabalhador médio vai aumentar, ativo até meados mantendo-o dos setenta. CXitros, em compensação, opinam que, numa
vintena de anos, a maioria das pessoas alcançará sua aposen-
ladoria no
início ou no meio
dos cinquenta. A primeira des
tas hipóteses é mal aceita poí aqueles que consideram a ma nutenção de pessoas idosas em atividade comprometendo gra vemente as oportunidades de os
jovens encontrarem o primeiro emprego. A
segunda evoca
pesadelo da subida
0
ef flecha
das despesas a título de apo
sentadorias, devendo os ativos assumir o encargo de aposenta dos cada vez (28).
mais numerosos
Aqueles que se mostram fa voráveis à passagem progressi va da vida ativa para a apo
sentadoria, acentuam fato de que
trabalhadores
numerosos
têm efetivamente
graves pro
blemas quando cessam de tra balhar: ficam com o sentimen
to de ter perdido sua identida de, entediam-se ou se tornam
deprimidos (29). A aposentado
ria por etapas, graças a uma
redução progressiva da dura ção do trabalho, permitiría aos interessados pouco a pouco
(28) David Jenkins (Jenkins Work report (Paris), n.o 3,
a se habituarem com sua
nova
janeiro de 1978) menciona urn
es-
tudo de AIlan Nordin e Carl Aberg segundo o qual, em 2005, havería dois_ou tres trabalhadores ativos para um aposentado, enquanto que atualmente a proporção e de quetro
contra
um.
(29) Jeffroy Miller, op. cit,,
p.
17.
122
DIGESTO ECONÔMICO
condição. Quanto aos que assu mem uma aposentadoria ante cipada a fim de iniciarem uma segunda carreira, um horário aliviado lhes proporcionaria um período de transição. A Suécia
abriu o caminho
nesse campo oferecendo aos trabalhadores que se aproxi mam da idade da aposentado ria a possibilidade de não tra balharem
mais
de
dezessete
horas por semana, com uma pensão parcial compensando a perda do salário. Recorreu-se especialmente ao recurso da partilha dos cargos para rea lizar esse programa. “Como não é sempre possível criar em pregos de tempo parcial e co mo 0 trabalhador que opta pela
semi-aposentadoria
não
quer
geralmente, um emprego infe rior ao que ocupava, tem-se re corrido ao sistema da partilha entre duas pessoas (29)”. “Deseja-se uma verdadeira vida de família”. Os
horários
Já se disse que, se os pais ti vessem a possibilidade de redu
zirem seu tempo de trabalho e de compartilharem os encargos familiares, seria um progresso em relação
ao nosso
sistema
atual, que parece ter por efei to o abandono de grande núme ro de crianças. A principal di ficuldade encontrada na
No
ruega pelos casais que dividiam as responsabilidades familia res foi a de encontrar trabalho de tempo parcial oferecendo perspectivas de futuro (31). Dar ao marido e à mulher a
possibilidade de partilhar
emprego
entre eles,
trabalhadores
um
quando
do mesmo cam
Harcourt Brace Jovanovich, 1977], (31) Mark Goldamith: Chronicle,
6
de
ths
gos.
de
p. 130.
1976.
tiplicaram,
mas sem que
as
possibilidades de emprego de tempo parcial tenham aumen tado em proporção. Alguns em pregadores financiam a forma ção e os estudos dos seus em
pregados, mas reservam
fre
“Trabalhadores da qual quer idade devem ter a possi
bilidade
E é, em parte, por causa
da
disparidade existente entre
0
tipo de emprego desejado e 0 gênero de emprego oferecido
que, mesmo em período de desemprego,
de
aperfeiçoar
sua
formação". Frequwitemente, a utilização completa do poten
San Francleco
numerosos
cargos
permanecem vagos. Os jovens, notadamente
aqueles que
se
neira que facilita a aposentado
destinam a carreiras liberais, geralmente, diferença entre o trabalho “alimentar” e
partilha pode, também, ser uti
dade e aos seus conhecimentos
balhadores desejosos de se be
munerado). Muitos cargos que
quentemente esta vantagem ao pessoal técnico. Da mesma ma
ria progressiva, o sistema
de
lizado com vantagem pelos tra
fazem,
o que faz apelo à sua criativi (este frequentemente não é re
permanecem vagos (ou mudam
constantemente de titular) seriam
“As ambições profissionais
lhadores e as características de
seu emprego uma das principais causas da “rejeição
crescente
do trabalho testemunhada pela
taxa elevada de absentéismo e instabilidade da
mão-de-obra,
produtividade e qualidade em baixa e a degradação das re(32) J. E. Thurman:
du Travell",
sem dúvida
mais facil-
mente providos se fossem par tilhados entre muitos.
ranças profission^ dos traba
”A radical work plan to free both huaband and wlfa", fevereiro
acabar ou de prosseguir seus estudos. Os programas de en sino de tempo parcial se mul
evoluem”. Viu-se no alargamen to da distância entre as espe
Americãn family under praaaure (New York,
chlldrsn:
(32). Os trabalhadores se tor nam cada vez mais instruídos.
tos. Meier dá muitos exemplos deste gênero de partilha de car
(30) Kenneth
our
lações entre parceiros sociais"
de
neficiarem de uma dispensa pa ra formação.
cial da mão-de-obra é subordi nada à outorga de uma forma-
All
ção complementar e à possibi
lidade pará o trabalhador
po, ou com outra pessoa se não for o caso, seria, parece, uma solução satisfatória para mui
rígidos, padronizados, criam frequentemente um conflito en tre as obrigações familiares e as obrigações profissionais (30). Kenlston:
123
DIGESTO ECONÔMICO
Em todos os casos anterior
mente considerados, o que foi posto em questão foi que o sis
tema tipo segundo o qual todas atividades se devem desen volver durante o mesmo lapsu de tempo, conforme o programa as
estabelecido pelo empregador,
A aatlsfação no trabalho: resumo internacional", "Revue Internationale
nov. dez.
de 1977,
p. 271.
122
DIGESTO ECONÔMICO
condição. Quanto aos que assu mem uma aposentadoria ante cipada a fim de iniciarem uma segunda carreira, um horário aliviado lhes proporcionaria um período de transição. A Suécia
abriu o caminho
nesse campo oferecendo aos trabalhadores que se aproxi mam da idade da aposentado ria a possibilidade de não tra balharem
mais
de
dezessete
horas por semana, com uma pensão parcial compensando a perda do salário. Recorreu-se especialmente ao recurso da partilha dos cargos para rea lizar esse programa. “Como não é sempre possível criar em pregos de tempo parcial e co mo 0 trabalhador que opta pela
semi-aposentadoria
não
quer
geralmente, um emprego infe rior ao que ocupava, tem-se re corrido ao sistema da partilha entre duas pessoas (29)”. “Deseja-se uma verdadeira vida de família”. Os
horários
Já se disse que, se os pais ti vessem a possibilidade de redu
zirem seu tempo de trabalho e de compartilharem os encargos familiares, seria um progresso em relação
ao nosso
sistema
atual, que parece ter por efei to o abandono de grande núme ro de crianças. A principal di ficuldade encontrada na
No
ruega pelos casais que dividiam as responsabilidades familia res foi a de encontrar trabalho de tempo parcial oferecendo perspectivas de futuro (31). Dar ao marido e à mulher a
possibilidade de partilhar
emprego
entre eles,
trabalhadores
um
quando
do mesmo cam
Harcourt Brace Jovanovich, 1977], (31) Mark Goldamith: Chronicle,
6
de
ths
gos.
de
p. 130.
1976.
tiplicaram,
mas sem que
as
possibilidades de emprego de tempo parcial tenham aumen tado em proporção. Alguns em pregadores financiam a forma ção e os estudos dos seus em
pregados, mas reservam
fre
“Trabalhadores da qual quer idade devem ter a possi
bilidade
E é, em parte, por causa
da
disparidade existente entre
0
tipo de emprego desejado e 0 gênero de emprego oferecido
que, mesmo em período de desemprego,
de
aperfeiçoar
sua
formação". Frequwitemente, a utilização completa do poten
San Francleco
numerosos
cargos
permanecem vagos. Os jovens, notadamente
aqueles que
se
neira que facilita a aposentado
destinam a carreiras liberais, geralmente, diferença entre o trabalho “alimentar” e
partilha pode, também, ser uti
dade e aos seus conhecimentos
balhadores desejosos de se be
munerado). Muitos cargos que
quentemente esta vantagem ao pessoal técnico. Da mesma ma
ria progressiva, o sistema
de
lizado com vantagem pelos tra
fazem,
o que faz apelo à sua criativi (este frequentemente não é re
permanecem vagos (ou mudam
constantemente de titular) seriam
“As ambições profissionais
lhadores e as características de
seu emprego uma das principais causas da “rejeição
crescente
do trabalho testemunhada pela
taxa elevada de absentéismo e instabilidade da
mão-de-obra,
produtividade e qualidade em baixa e a degradação das re(32) J. E. Thurman:
du Travell",
sem dúvida
mais facil-
mente providos se fossem par tilhados entre muitos.
ranças profission^ dos traba
”A radical work plan to free both huaband and wlfa", fevereiro
acabar ou de prosseguir seus estudos. Os programas de en sino de tempo parcial se mul
evoluem”. Viu-se no alargamen to da distância entre as espe
Americãn family under praaaure (New York,
chlldrsn:
(32). Os trabalhadores se tor nam cada vez mais instruídos.
tos. Meier dá muitos exemplos deste gênero de partilha de car
(30) Kenneth
our
lações entre parceiros sociais"
de
neficiarem de uma dispensa pa ra formação.
cial da mão-de-obra é subordi nada à outorga de uma forma-
All
ção complementar e à possibi
lidade pará o trabalhador
po, ou com outra pessoa se não for o caso, seria, parece, uma solução satisfatória para mui
rígidos, padronizados, criam frequentemente um conflito en tre as obrigações familiares e as obrigações profissionais (30). Kenlston:
123
DIGESTO ECONÔMICO
Em todos os casos anterior
mente considerados, o que foi posto em questão foi que o sis
tema tipo segundo o qual todas atividades se devem desen volver durante o mesmo lapsu de tempo, conforme o programa as
estabelecido pelo empregador,
A aatlsfação no trabalho: resumo internacional", "Revue Internationale
nov. dez.
de 1977,
p. 271.
124
DIGESTO ECONÔMICO DIGESTO
deva ser normal e eficaz (33). O fato de que a maneira de organizar o tempo de trabalho seja criticada em tantas situa ções diferentes mostra bem que "os fatores sociais que justifi cavam os horários de trabalho padrões desapareceram' (34) e que tenha chegado o momen to de oferecer aos trabalhado res uma opção mais ampla nes te campo.
Será necessário regular o problema da rentabilidade. Nos
Estados Unidos, o montante ele vado das despesas fixas por trabalhador, notadamente se in cluirmos as vantagens sociais, dissuade as empresas de enga jar trabalhadores permanentes proporcional das vantagens se
o
mais recente dos diversos mo
dos de organização do tempo de trabalho que retém atualmente
a atenção, mas é ele que mais se choca com os conceitos tra dicionais. Evocamos acima al
guns dos fatores que freiam a adoção deste sistema (precon ceitos com relação ao trabalho de tempo parcial, aumento das despesas sociais) e alguns da queles que favorecem sua uti lização (interesse mais vivo concedido ao trabalho de tem po parcial, necessidades dos trabalhadores de uma certa
idade). O exemplo dos Estados
dinado a diversos fatores.
de tempo parcial. A repartição
8. Conclusão
A partilha dos cargos é
Unidos revela que um aumento sensível das possibilidades de partilha de empregos é subor
ria sem dúvida útil,
gimes fiscais em vigor, pre
vendo especialmente estímulos nesse campo, para que os em pregadores se interessem mais
pela partilha dos cargos. A exe cução de projetos pilotos, além
disso, permitiria sublinhar as economias obtidas graças a al gumas das vantagens que este
sistema proporciona à empre sa,
portante que o emprego
Será necessário assegurar aos trabalhadores de tempo
parcial uma proteção equiva lente à que gozam os trabalha dores de tempo integral. É imUnidos,
per
manente de tempo parcial seja tratado em pé de igualdade com o trabalho de tempo integral,
agora, os trabalhadores de tem po parcial foram os "parentes pobres” da economia. O traba
verdadeira opção. É importan
lho de horário reduzido respon de entretanto às necessidades de muitos trabalhadores, mas
te que seja acessível do mes
os
mo modo a mulheres e homens.
usar um modelo padrão para
se quisermos fazer
dele
uma
Será necessário também re
forçar a popularidade da qual goza 0 sistema da partilha de
empregos. São as mulheres'que, em primeiro lugar, manifesta ram interesse por esse sistema, mas os homens também come çam a se interessar, e, na me
empregadores
ao invés de oferecer aos assa
lariados uma gama de possibi lidades entre as quais escolher. Os trabalhadores de hoje tornam claro, diretamente ou não, um que desejam estabelecer melhor equilíbrio entre o tra balho e 0 tempo livre. Para mui
tos dentre eles,
sua utilidade sob múltiplos as
em
pectos, ganhará novos apoios.
A mudança social é também, um encorajamento à experimen tação do sistema bem como à sua extensão e utilização.
Os '
preferiram
organizar o tempo de trabalho,
dida em que se der conta de
isto consiste
reduzir seu horário de tra
balho em diferentes momentos de sua existência. Quando se
quer organizar com mais flexi
bilidade 0 tempo de trabalho, tanto dos indivíduos como das
progra-
empresas, faz-se necessário de
financia pamas que o Estado —
linear precisamente novos mo
vida profissional”, os sindica tos, são alguns advogados po
ções desejadas. Há muitos anos, John Kenneth Galbraith já di zia a esse propósito:
grupos femininos,
Os
ra melhorar a “qualidade
como vimos acima.
(33) Declaração feita por John 0. Owert na Subcomissão do Senado dos Estados sobre o emprego, a miséria e os trabalhadores migrantes, oo. cit
(34) Ibid., p. 4B1.
mas se
faz necessário modificar os re
125
ECONÔMICO
da
tenciais da partilha de cargos. É importante,
quando
se
procura determinar quais são as perspectivas de desenvolvi mento desta fórmula, não per
der ae vista o fato de que, até
delos que permitam as redu
“Todo sistema econômico é razoável na sua finalidade quan
do permite a cada indivíduo, de qualquer sexo, perseguir objetivos pessoais quando estes
124
DIGESTO ECONÔMICO DIGESTO
deva ser normal e eficaz (33). O fato de que a maneira de organizar o tempo de trabalho seja criticada em tantas situa ções diferentes mostra bem que "os fatores sociais que justifi cavam os horários de trabalho padrões desapareceram' (34) e que tenha chegado o momen to de oferecer aos trabalhado res uma opção mais ampla nes te campo.
Será necessário regular o problema da rentabilidade. Nos
Estados Unidos, o montante ele vado das despesas fixas por trabalhador, notadamente se in cluirmos as vantagens sociais, dissuade as empresas de enga jar trabalhadores permanentes proporcional das vantagens se
o
mais recente dos diversos mo
dos de organização do tempo de trabalho que retém atualmente
a atenção, mas é ele que mais se choca com os conceitos tra dicionais. Evocamos acima al
guns dos fatores que freiam a adoção deste sistema (precon ceitos com relação ao trabalho de tempo parcial, aumento das despesas sociais) e alguns da queles que favorecem sua uti lização (interesse mais vivo concedido ao trabalho de tem po parcial, necessidades dos trabalhadores de uma certa
idade). O exemplo dos Estados
dinado a diversos fatores.
de tempo parcial. A repartição
8. Conclusão
A partilha dos cargos é
Unidos revela que um aumento sensível das possibilidades de partilha de empregos é subor
ria sem dúvida útil,
gimes fiscais em vigor, pre
vendo especialmente estímulos nesse campo, para que os em pregadores se interessem mais
pela partilha dos cargos. A exe cução de projetos pilotos, além
disso, permitiria sublinhar as economias obtidas graças a al gumas das vantagens que este
sistema proporciona à empre sa,
portante que o emprego
Será necessário assegurar aos trabalhadores de tempo
parcial uma proteção equiva lente à que gozam os trabalha dores de tempo integral. É imUnidos,
per
manente de tempo parcial seja tratado em pé de igualdade com o trabalho de tempo integral,
agora, os trabalhadores de tem po parcial foram os "parentes pobres” da economia. O traba
verdadeira opção. É importan
lho de horário reduzido respon de entretanto às necessidades de muitos trabalhadores, mas
te que seja acessível do mes
os
mo modo a mulheres e homens.
usar um modelo padrão para
se quisermos fazer
dele
uma
Será necessário também re
forçar a popularidade da qual goza 0 sistema da partilha de
empregos. São as mulheres'que, em primeiro lugar, manifesta ram interesse por esse sistema, mas os homens também come çam a se interessar, e, na me
empregadores
ao invés de oferecer aos assa
lariados uma gama de possibi lidades entre as quais escolher. Os trabalhadores de hoje tornam claro, diretamente ou não, um que desejam estabelecer melhor equilíbrio entre o tra balho e 0 tempo livre. Para mui
tos dentre eles,
sua utilidade sob múltiplos as
em
pectos, ganhará novos apoios.
A mudança social é também, um encorajamento à experimen tação do sistema bem como à sua extensão e utilização.
Os '
preferiram
organizar o tempo de trabalho,
dida em que se der conta de
isto consiste
reduzir seu horário de tra
balho em diferentes momentos de sua existência. Quando se
quer organizar com mais flexi
bilidade 0 tempo de trabalho, tanto dos indivíduos como das
progra-
empresas, faz-se necessário de
financia pamas que o Estado —
linear precisamente novos mo
vida profissional”, os sindica tos, são alguns advogados po
ções desejadas. Há muitos anos, John Kenneth Galbraith já di zia a esse propósito:
grupos femininos,
Os
ra melhorar a “qualidade
como vimos acima.
(33) Declaração feita por John 0. Owert na Subcomissão do Senado dos Estados sobre o emprego, a miséria e os trabalhadores migrantes, oo. cit
(34) Ibid., p. 4B1.
mas se
faz necessário modificar os re
125
ECONÔMICO
da
tenciais da partilha de cargos. É importante,
quando
se
procura determinar quais são as perspectivas de desenvolvi mento desta fórmula, não per
der ae vista o fato de que, até
delos que permitam as redu
“Todo sistema econômico é razoável na sua finalidade quan
do permite a cada indivíduo, de qualquer sexo, perseguir objetivos pessoais quando estes
126
DIGESTO
ECONÔMICO
não ofereçam perigo à socieda de... Só quando trabalhadores e trabalhadoras têm a possibili dade de se pronunciar sobre a duração de sua semana ou de
tão é que eles, verdadeiramen te têm a faculdade de optar en tre remuneração e lazeres”. Já é tempo, parece, de am pliar a gama de opções ofere
seu ano de trabalho, e a de go remuneradas—e
cidas aos trabalhadores. ("Revue Internationale du
de uma certa duração, só en¬
travail” — maio-junho de 1979).
zar
férias
não
A maior hidroelétrica do mundo
Bonn — A partir de 1975 está sendo construída em
Itaipu — a 17 km ao norte de Iguaçu —^ no rio Paraná a maior central hidroelétrica
do
mundo.
uma
de
220
altura
A barragem terá o comprimento de 5 km e
metros.
A
“Um crime
praticado pelo partido comunista
futura represa terá_,uma superfície de
Flávio Gaivão
1.500 km2 e com uma extensão de 170 km chegará até Guaíra, alagando com isso as famosas Sete Quedas (que não devem ser trocadas com as célebres Cataratas do Iguaçu), A central terá 18 turbinas com capacidade global de 12.600 MW, o que corresponde seis vezes à capacidade de Assuã.
Uma informação histórica,
Mesmo até agora maior central do mundo, a hidrelétrica soviética na serra Sajâ no Jenissei (6.400 MW) só terá 50% das proporções do novo milagre
da técnica no Brasil.
sobre episódio que bem retrata o comunismo. Trabalho debatido no Centro de
o empreendimento gigantesco está sendo
Estudos Sociais e Políticos da A.C.S.P.
realizado oflclalmente pelo Brasil e Paraguai conjuntamente, Na realldade, porém, o Brasil arca com as despesas, enquanto que o Paraguai terá enorme proveito financeiro,
O autor é jornalista.
O financiamento constitui um grande pro-
blema. As despesas crescem como uma avalanche. As despesas totais são estimadas em 18 bilhões de dólares. Teme-se que o empreendimento cons
titua ônus excessivo ao orçamento público do Brasil, A maior parte do projeto será realizado por um consórcio brasileiro-europeu, liderado pela Brow, Boveri e Cia. (BBC) de Mannhelm.
Quarenta e dois anos decor
ridos, o ex-todo-podero3o chefe ■ PCB (então Partido Comu nista do Brasü, secção brasUei-
do
Outras firmas que participam da construção são: Siemens AG de Berlim-Munique, a Volth de Heldenheim e as filiais dessas três empresas em São Paulo, Dois monotrllhos aéreos
ra
com extensão de 3,8 km para o transporte de concreto
camente
construídos pela empresa Transllft de Grenzach-Wyhlen
armado foram (sul de Baden)
juntamente com a Salzgitter-Stahlbau GmbH. Outrossim, participam da construção de Itaipu várias firmas brasileiras e francesas, Atualmente estão empregados em Itaipu, além dos estrangeiros, aproximadamente 24.000 trabalhadores (15.000 brasileiros e 9.000 paragua.Íos). As primeiras (Continua na página 144)
da 3.a Internacional), Luis Carlos Prestes, confessou publique
os
comunistas
assassinaram, fria e brutalmen te logo depois da malograda intentona vermelha de novem bro de 1935, a amásia do então secretário-geral do Partido, El-
Cupello Colonno, de 15 anos de idade, que se tornou conhe cida por Elza Fernandes e que nas rodas do partido atendia pelo codinome de “Garota . Sem dúvida, foi esse um za
dos mais repulsivos crimes pra ticados no Brasil, pela esquer
da totalitária, e sempre negado
— apesar das provas — pelos dirigentes comunistas, que COStumavam declarar que tudo não
126
DIGESTO
ECONÔMICO
não ofereçam perigo à socieda de... Só quando trabalhadores e trabalhadoras têm a possibili dade de se pronunciar sobre a duração de sua semana ou de
tão é que eles, verdadeiramen te têm a faculdade de optar en tre remuneração e lazeres”. Já é tempo, parece, de am pliar a gama de opções ofere
seu ano de trabalho, e a de go remuneradas—e
cidas aos trabalhadores. ("Revue Internationale du
de uma certa duração, só en¬
travail” — maio-junho de 1979).
zar
férias
não
A maior hidroelétrica do mundo
Bonn — A partir de 1975 está sendo construída em
Itaipu — a 17 km ao norte de Iguaçu —^ no rio Paraná a maior central hidroelétrica
do
mundo.
uma
de
220
altura
A barragem terá o comprimento de 5 km e
metros.
A
“Um crime
praticado pelo partido comunista
futura represa terá_,uma superfície de
Flávio Gaivão
1.500 km2 e com uma extensão de 170 km chegará até Guaíra, alagando com isso as famosas Sete Quedas (que não devem ser trocadas com as célebres Cataratas do Iguaçu), A central terá 18 turbinas com capacidade global de 12.600 MW, o que corresponde seis vezes à capacidade de Assuã.
Uma informação histórica,
Mesmo até agora maior central do mundo, a hidrelétrica soviética na serra Sajâ no Jenissei (6.400 MW) só terá 50% das proporções do novo milagre
da técnica no Brasil.
sobre episódio que bem retrata o comunismo. Trabalho debatido no Centro de
o empreendimento gigantesco está sendo
Estudos Sociais e Políticos da A.C.S.P.
realizado oflclalmente pelo Brasil e Paraguai conjuntamente, Na realldade, porém, o Brasil arca com as despesas, enquanto que o Paraguai terá enorme proveito financeiro,
O autor é jornalista.
O financiamento constitui um grande pro-
blema. As despesas crescem como uma avalanche. As despesas totais são estimadas em 18 bilhões de dólares. Teme-se que o empreendimento cons
titua ônus excessivo ao orçamento público do Brasil, A maior parte do projeto será realizado por um consórcio brasileiro-europeu, liderado pela Brow, Boveri e Cia. (BBC) de Mannhelm.
Quarenta e dois anos decor
ridos, o ex-todo-podero3o chefe ■ PCB (então Partido Comu nista do Brasü, secção brasUei-
do
Outras firmas que participam da construção são: Siemens AG de Berlim-Munique, a Volth de Heldenheim e as filiais dessas três empresas em São Paulo, Dois monotrllhos aéreos
ra
com extensão de 3,8 km para o transporte de concreto
camente
construídos pela empresa Transllft de Grenzach-Wyhlen
armado foram (sul de Baden)
juntamente com a Salzgitter-Stahlbau GmbH. Outrossim, participam da construção de Itaipu várias firmas brasileiras e francesas, Atualmente estão empregados em Itaipu, além dos estrangeiros, aproximadamente 24.000 trabalhadores (15.000 brasileiros e 9.000 paragua.Íos). As primeiras (Continua na página 144)
da 3.a Internacional), Luis Carlos Prestes, confessou publique
os
comunistas
assassinaram, fria e brutalmen te logo depois da malograda intentona vermelha de novem bro de 1935, a amásia do então secretário-geral do Partido, El-
Cupello Colonno, de 15 anos de idade, que se tornou conhe cida por Elza Fernandes e que nas rodas do partido atendia pelo codinome de “Garota . Sem dúvida, foi esse um za
dos mais repulsivos crimes pra ticados no Brasil, pela esquer
da totalitária, e sempre negado
— apesar das provas — pelos dirigentes comunistas, que COStumavam declarar que tudo não
128
DIGESTO
passava de calúnia forjada pe
la polícia.
Aliás, essa técnica
ECONÔMICO
sassínios que cometem. Da mesma forma que recorrem ao
de desmentido sistemático está inteiramente desmoralizada. Da
termo “expropriação" para
mesma forma que negavam a
nios que praticam^ e à expres
morte de Elza Fernandes, os comunistas também costumam negar ter assassinado camara
das militares na cama, nos le
referir aos
assaltos
se
e latrocí
são “lula armada”, para signi ficar terrorismo.
Quantos se recordam hoje
vantes ocorridos em 1935 no 3.o
do que foi o falado caso “Elza
Regimento de Infantaria (Praia
■Fernandes”? Poucos, muito pou
Vermelha) e na Escola de Avia ção Militar (Campo dos Afonsos).
É compreensível que a esta altura da vida, com 84 anos de idade e, pois, se aproximando para tomar lugar na barca de Caronte, Prestes procure exi-
mir-se de qualquer respon sabilidade pessoal pelo crime. Em entrevista sobre o livro in titulado “Prestes: lutas e au-
tocríticas”, lançado em janeiro deste ano pela Editora Vozes, propriedade dos frades franciscanos, ele disse: “Eu não man dei matar Elza. Foi uma coi sa brutal e desnecessária".
cos. Vaie, pois, relembrá-lo. como episódio pouco edificante
de nossa história política. focado
no mesmo dia
em que
irrompeu — 27 de novembro de 1935. Luís Carlos Prestes con-
seguiu fugir do cerco policial-
militar, da mesma forma que Harry Berger, identidade falsa do
comunista
Ernest
alemão
Ewert,
comunista. Filinto MuUer, che fe da Polícia Federal, designou naquele mesmo dia o delegado Eurico Bellens Porto para pre
sidir ao inquérito, designação confirmada por decreto do pre sidente da República expedido no dia 28. Bellens Porto iniciou seu trabalho no dia l.° de de
zembro e, em setembro de 1936, enviou os autos do processo de
vidamente relatados ao presi dente do Tribunal de Segurança
Nacional. A parte
O levante comunista foi su¬
Artur
e
Rodolpho Ghioldi, secretário do PC ar
gentino, os três componentes da troica designada pelo COMINTERN para chefiar a re volução no Brasil. Escaparam, também, outros estrangeü*os e
do levante
militar compreende 17 volumes
mas 0 processo se estende por
41 volumes, já que ao inquéri
to se anexaram conexos. Sob o
título "A insurreição de 27 de
novembro”, o relatório do in quérito, elaborado pelo delega
do Bellens Porto, foi publíca-
1936, pela Imprensa Oficial, em volume de pequeno formato, com 266 páginas. Ape do, em
sar de suas imperfeições, é o que de melhor existe, como in-
A partir do mesmo dia 27, mobilizou-se toda a polícia fe deral para localizar e prender
a prisão de cada um ensejan do informação para a prisão de
osí articuladores
outro, como sempre acontece.
em
crime.
da
intentona
endeu-se precioso arquivo sobre atividades comunistas no Bra sil e em
toda
a América
do
Sul.
Informações prestadas por uma empregada de Berger, per mitiram a localização de outro
agente
estrangeiro, o belga
Leon Jules Vallée, enviado ao
Brasil pela 3.a Internacional, para cuidar da parte financei ra da revolução. Era o homem
do dinheiro, que provia às ne cessidades dos dirigentes ver melhos. Leon foi preso em um
apartamento do prédio n.° 92 da então rua Nossa
Senhora de
Copacabana e em seu poder apreendeu-se elevada quantia em moeda argentina.
contrado. Foi 0 único que es
la em assassínio,
mas em “justiçamento”. Esta é a palavra que os terroristas em pregam para disfarçar os as-
de 1935, na rua Paul Redfern, 33, no Rio. Em sua casa apre
da conspiração Os chefes comunista foram sendo presos,
munista do Brasil.
Co
detido no dia 26 de dezembro
Inexplicavelmente — é opi nião nossa — 0 homem do di
gão comunista, Prestes não fa
os dirigentes do Partido
O primeiro a cair foi o ale mão Harry Berger, que aqui entrara sob falsa identidade,
formação, sobre a intentona comunista. ’ O volume ^ constitui
obra raríssima, de há muito se impondo uma reedição oficial,
Aliás, de acordo com o jar
129
DIGESTO ECONÔMICO
nheiro foi posto em liberdade, pela polícia e nunca mais en capou. No Relatório Bellens Porto se diz que foi libertado pelo delegado especal de Segu rança Policial, capitão Miran-
128
DIGESTO
passava de calúnia forjada pe
la polícia.
Aliás, essa técnica
ECONÔMICO
sassínios que cometem. Da mesma forma que recorrem ao
de desmentido sistemático está inteiramente desmoralizada. Da
termo “expropriação" para
mesma forma que negavam a
nios que praticam^ e à expres
morte de Elza Fernandes, os comunistas também costumam negar ter assassinado camara
das militares na cama, nos le
referir aos
assaltos
se
e latrocí
são “lula armada”, para signi ficar terrorismo.
Quantos se recordam hoje
vantes ocorridos em 1935 no 3.o
do que foi o falado caso “Elza
Regimento de Infantaria (Praia
■Fernandes”? Poucos, muito pou
Vermelha) e na Escola de Avia ção Militar (Campo dos Afonsos).
É compreensível que a esta altura da vida, com 84 anos de idade e, pois, se aproximando para tomar lugar na barca de Caronte, Prestes procure exi-
mir-se de qualquer respon sabilidade pessoal pelo crime. Em entrevista sobre o livro in titulado “Prestes: lutas e au-
tocríticas”, lançado em janeiro deste ano pela Editora Vozes, propriedade dos frades franciscanos, ele disse: “Eu não man dei matar Elza. Foi uma coi sa brutal e desnecessária".
cos. Vaie, pois, relembrá-lo. como episódio pouco edificante
de nossa história política. focado
no mesmo dia
em que
irrompeu — 27 de novembro de 1935. Luís Carlos Prestes con-
seguiu fugir do cerco policial-
militar, da mesma forma que Harry Berger, identidade falsa do
comunista
Ernest
alemão
Ewert,
comunista. Filinto MuUer, che fe da Polícia Federal, designou naquele mesmo dia o delegado Eurico Bellens Porto para pre
sidir ao inquérito, designação confirmada por decreto do pre sidente da República expedido no dia 28. Bellens Porto iniciou seu trabalho no dia l.° de de
zembro e, em setembro de 1936, enviou os autos do processo de
vidamente relatados ao presi dente do Tribunal de Segurança
Nacional. A parte
O levante comunista foi su¬
Artur
e
Rodolpho Ghioldi, secretário do PC ar
gentino, os três componentes da troica designada pelo COMINTERN para chefiar a re volução no Brasil. Escaparam, também, outros estrangeü*os e
do levante
militar compreende 17 volumes
mas 0 processo se estende por
41 volumes, já que ao inquéri
to se anexaram conexos. Sob o
título "A insurreição de 27 de
novembro”, o relatório do in quérito, elaborado pelo delega
do Bellens Porto, foi publíca-
1936, pela Imprensa Oficial, em volume de pequeno formato, com 266 páginas. Ape do, em
sar de suas imperfeições, é o que de melhor existe, como in-
A partir do mesmo dia 27, mobilizou-se toda a polícia fe deral para localizar e prender
a prisão de cada um ensejan do informação para a prisão de
osí articuladores
outro, como sempre acontece.
em
crime.
da
intentona
endeu-se precioso arquivo sobre atividades comunistas no Bra sil e em
toda
a América
do
Sul.
Informações prestadas por uma empregada de Berger, per mitiram a localização de outro
agente
estrangeiro, o belga
Leon Jules Vallée, enviado ao
Brasil pela 3.a Internacional, para cuidar da parte financei ra da revolução. Era o homem
do dinheiro, que provia às ne cessidades dos dirigentes ver melhos. Leon foi preso em um
apartamento do prédio n.° 92 da então rua Nossa
Senhora de
Copacabana e em seu poder apreendeu-se elevada quantia em moeda argentina.
contrado. Foi 0 único que es
la em assassínio,
mas em “justiçamento”. Esta é a palavra que os terroristas em pregam para disfarçar os as-
de 1935, na rua Paul Redfern, 33, no Rio. Em sua casa apre
da conspiração Os chefes comunista foram sendo presos,
munista do Brasil.
Co
detido no dia 26 de dezembro
Inexplicavelmente — é opi nião nossa — 0 homem do di
gão comunista, Prestes não fa
os dirigentes do Partido
O primeiro a cair foi o ale mão Harry Berger, que aqui entrara sob falsa identidade,
formação, sobre a intentona comunista. ’ O volume ^ constitui
obra raríssima, de há muito se impondo uma reedição oficial,
Aliás, de acordo com o jar
129
DIGESTO ECONÔMICO
nheiro foi posto em liberdade, pela polícia e nunca mais en capou. No Relatório Bellens Porto se diz que foi libertado pelo delegado especal de Segu rança Policial, capitão Miran-
DIGE6TO ECONÔMICO
130
da Corrêa, porque, tendo este
versivas usava três codinomes:
ciência de que Prestes estava
"Miranda”, "Américo" e "Tava
em apertura de dinheiro, espe rava que Leon, livre, o procu
res". Foi detido
rasse. No dia 28 de janeiro, os
mento 11, onde, como sói ocor rer, a polícia apreendeu farta
policiais perderam Leon Jules Vallée na multidão mais
e
nunca
0 encontraram.
Três dias antes do sumiço de Leon, caíram o argentino Ghioldi e sua esposa Carmen, contra a qual se instaurou pro cesso de expulsão. O casal re
na
Avenida
Paulo de FVontin, 606, aparta documentação pertencente Secretário
Nacional
do
documentos. O que ficou confir
mado em abril de 1964, quando
Mas se no dia 28 de janeiro de 1936 os policiais perderam
Prestes se escondia em
E desde o dia 13 de janeiro estava preso o então secretá rio geral do partido'Comunista
do Brasil, Antônio Maciel Bon fim. Além dessa, sua verdadei
ra identidade, dispunha ele de mais duas identidades falsas, uma sob o nome de Adalberto
de Andrade Fernandes e outra, de Américo de Carvalho. Além
disso, nas suas atividades sub¬
— hoje se diria "aparelhos” — para esconderijo de Prestes.
ções que mandava para 3.a In
No relatório policial ele é apon
ternacional, quartel-general da expansão comunista por todo o gou ao auge de se procurar apresentar “Miranda” como um
com
documentação na casa em que São
Paulo, documentação que deu origem e foi a base do proces so conhecido como “das Cader
netas de Prestes” e que com prometeu tanta gente. Segundo o Relatório Bellens Porto, Adalberto Fernandes, para usar a identidade falsa sob a qual se tornou mais co
nhecido, "foi um dos cabeças da revolução de novembro, cuja participação intelectual mais se fez sentir nos atos preparató rios daquele movimento”. Pos teriormente, das hostes comu nistas partiu um movimento de desmoralização de Adalberto, apontado como incapaz e men tiroso, quando na verdade in-
ranjava residências sucessivas
do não inventava as informa
PC.
a policia descobriu fartíssima
Carlos Prestes.
capaz era toda a direção da conspiração, que falseava quan
mundo. E esse movimento che
sidia na rua de Copacabana, 75. Leon Jules Vallée de vista, defi nitivamente, conseguiram pren der outro estrangeiro do grupo, Victor Allan Baron, norte-ame ricano, 0 qual confessou que fo ra contratado por Vallée para cuidar do transporte de Luís
131
ao
Prestes e seus companheiros, ao que se pode inferir, nunca
foram muito cuidadosos
DIOESTO ECONÔMICO
agente policial
infiltrado
no
Partido Comunista. Só não se
disse que era agente da C.I.A. porque esta não existia... É o que se faz hoje "mutatis mutandis”
com o cabo Anselmo,
tado, implicitamente, como co
munista, já que trabalhava pa ra Leon Jules Vallée. Hélio Sil
va, na obra "1937 — todos os
golpes se parecem”, volume do
"Ciclo de Vargas”, aponta-o só como aventureiro, trabalhando por dinheiro.
Ainda segundo Hélio Silva, o
capitão Miranda Corrêa, dele gado especial de Segurança Po
com os insufladores ostensivos dos motins na Marinha, no pe
lítica e Social, informado
ríodo imediatamente anterior à revolução democrático saneadora, de 1964.
de transportar Prestes, conse
No Relatório Bellens Porto
registra-se que "a ação de Ma ciel Bonfim não cessou com a
derrota que sofreram os extre
mistas na investida de 27 de novembro. Ao contrário, desdobrou 0 acusado as suas ati
vidades, procurando, ao lado de outros chefes, ainda em li
que Baron
de
era o encarregado
guiu atraí-lo a um jantar, de que teria participado, também, um elemento da Embaixada dos Estados Unidos. Depois de be
ber, Baron teria falado mais do que devia. E no dia seguinte teria sido convencido, pelo con terrâneo da Embaixada, a pres
tar depoimento, desligando-se da trama em que se envolvera.
No interrogatório, então, o
rearticular forças e berdade, aliciar elementos para uma no
norte-americano teria informa
va rebelião”.
do no bairro do Meier, mas que ele não sabia o nome da rua. A polícia — segundo a versão aceita por Hélio Silva — or-
É hora, porém, de voltar a
Victor Alan Baron, o motoris ta de Prestes, o homem que ar-
do que Prestes estava homizia-
DIGE6TO ECONÔMICO
130
da Corrêa, porque, tendo este
versivas usava três codinomes:
ciência de que Prestes estava
"Miranda”, "Américo" e "Tava
em apertura de dinheiro, espe rava que Leon, livre, o procu
res". Foi detido
rasse. No dia 28 de janeiro, os
mento 11, onde, como sói ocor rer, a polícia apreendeu farta
policiais perderam Leon Jules Vallée na multidão mais
e
nunca
0 encontraram.
Três dias antes do sumiço de Leon, caíram o argentino Ghioldi e sua esposa Carmen, contra a qual se instaurou pro cesso de expulsão. O casal re
na
Avenida
Paulo de FVontin, 606, aparta documentação pertencente Secretário
Nacional
do
documentos. O que ficou confir
mado em abril de 1964, quando
Mas se no dia 28 de janeiro de 1936 os policiais perderam
Prestes se escondia em
E desde o dia 13 de janeiro estava preso o então secretá rio geral do partido'Comunista
do Brasil, Antônio Maciel Bon fim. Além dessa, sua verdadei
ra identidade, dispunha ele de mais duas identidades falsas, uma sob o nome de Adalberto
de Andrade Fernandes e outra, de Américo de Carvalho. Além
disso, nas suas atividades sub¬
— hoje se diria "aparelhos” — para esconderijo de Prestes.
ções que mandava para 3.a In
No relatório policial ele é apon
ternacional, quartel-general da expansão comunista por todo o gou ao auge de se procurar apresentar “Miranda” como um
com
documentação na casa em que São
Paulo, documentação que deu origem e foi a base do proces so conhecido como “das Cader
netas de Prestes” e que com prometeu tanta gente. Segundo o Relatório Bellens Porto, Adalberto Fernandes, para usar a identidade falsa sob a qual se tornou mais co
nhecido, "foi um dos cabeças da revolução de novembro, cuja participação intelectual mais se fez sentir nos atos preparató rios daquele movimento”. Pos teriormente, das hostes comu nistas partiu um movimento de desmoralização de Adalberto, apontado como incapaz e men tiroso, quando na verdade in-
ranjava residências sucessivas
do não inventava as informa
PC.
a policia descobriu fartíssima
Carlos Prestes.
capaz era toda a direção da conspiração, que falseava quan
mundo. E esse movimento che
sidia na rua de Copacabana, 75. Leon Jules Vallée de vista, defi nitivamente, conseguiram pren der outro estrangeiro do grupo, Victor Allan Baron, norte-ame ricano, 0 qual confessou que fo ra contratado por Vallée para cuidar do transporte de Luís
131
ao
Prestes e seus companheiros, ao que se pode inferir, nunca
foram muito cuidadosos
DIOESTO ECONÔMICO
agente policial
infiltrado
no
Partido Comunista. Só não se
disse que era agente da C.I.A. porque esta não existia... É o que se faz hoje "mutatis mutandis”
com o cabo Anselmo,
tado, implicitamente, como co
munista, já que trabalhava pa ra Leon Jules Vallée. Hélio Sil
va, na obra "1937 — todos os
golpes se parecem”, volume do
"Ciclo de Vargas”, aponta-o só como aventureiro, trabalhando por dinheiro.
Ainda segundo Hélio Silva, o
capitão Miranda Corrêa, dele gado especial de Segurança Po
com os insufladores ostensivos dos motins na Marinha, no pe
lítica e Social, informado
ríodo imediatamente anterior à revolução democrático saneadora, de 1964.
de transportar Prestes, conse
No Relatório Bellens Porto
registra-se que "a ação de Ma ciel Bonfim não cessou com a
derrota que sofreram os extre
mistas na investida de 27 de novembro. Ao contrário, desdobrou 0 acusado as suas ati
vidades, procurando, ao lado de outros chefes, ainda em li
que Baron
de
era o encarregado
guiu atraí-lo a um jantar, de que teria participado, também, um elemento da Embaixada dos Estados Unidos. Depois de be
ber, Baron teria falado mais do que devia. E no dia seguinte teria sido convencido, pelo con terrâneo da Embaixada, a pres
tar depoimento, desligando-se da trama em que se envolvera.
No interrogatório, então, o
rearticular forças e berdade, aliciar elementos para uma no
norte-americano teria informa
va rebelião”.
do no bairro do Meier, mas que ele não sabia o nome da rua. A polícia — segundo a versão aceita por Hélio Silva — or-
É hora, porém, de voltar a
Victor Alan Baron, o motoris ta de Prestes, o homem que ar-
do que Prestes estava homizia-
DIGESTO ECONÔMICO
132
ganizou uma diligência, chefia da pelo delegado Lineu Cota e, cercando os quarteirões e vas culhando casa por casa, teria chegado àquela em que Pres tes se escondia. O
vasculhamento
do
Meier
terminou em 5 de março
de
1936. Às 4 horas da madrugada daquele dia a polícia se con centrava na rua Honório, no
Meier. E às 8 horas, invadiam a casa de n.o 279, onde vivia Julia Santos em companhia do dono do prédio, José Gomes.
À frente dos policiais ia o sub chefe de investigadores José Torres Galvão, que foi avisado pelo soldado Custódio Xavier, da Polícia Especial, de qué um homem se escondera num
dos
quartos. Era Prestes, que
foi
intimado a render-se sob pena de morte. Entre o chefe comu
nista e 0 policial interpôs-se uma mulher, a estrangeira 01ga Benário, esposa de Prestes,
que a polícia de Vargas depois entregou à Gestapo e que veio a falecer em um campo de concentração nazista. Prestes,
que se ocultava sob o nome de Antônio Vilar, entregou-se sem
resistência e, às 13 horas, foi introduzido no cartório de De-
legacia Auxiliar Especial, cria da para o inquérito sobre o le vante vermelho. Depois de in terrogado, foi conduzido ao quartel da Polícia Eíspecial, no Morro de Santo Antônio.
Sua
mulher, que se recusou a de clinar
a identidade
e
o local
de nascimento, ficou numa de pendência da Segurança Pú blica.
Afonso Henriques,
paulista
que foi diretor-tesoureiro "da Aliança Nacional Libertadora e
que, desiludido, auito-exilou-se nos Estados Unidos onde reside
há mais de 40 anos, em sua obra “Ascensão e Queda de Getúlio Vargas” (l.° vol., “O ma quiavélico”) sustenta que a po lícia localizou Prestes por in-
DIGESTO ECONÔMICO
133
te, não viveu muito tempo mais.
1936,
Segundo a polícia, ele se atirou
iniciou-se
o
cerco
do
Meier. Seguiram-se diàs e dias de investigação fatigante. Le vantou-se um mapa do Meier e os respectivos quarteirões fo ram batidos casa por casa. En quanto Baron era submetido a interrogatórios intensivos, que tinham por fim cansá-lo a pon to de fazê-lo
estabelecer
con
apontando-o
como informabte
policial, agindo a soldo de Var gas.
A respeito da prisão de Pres tes, a polícia distribuiu um co municado, cujo texto Afonso Henriques reproduz. “Desço-
do “Daily uma
Fernandes, o “Miranda", fora presa sua amante, de 15 ou 16 anos, Elza Cupello Colonno. Há
deixara (Prestes e a mulher)
chambi, uma rua de nome nóric ou óríon. Não o sabia pronun
ciar”.
Juntamente com
Adalberto
dúvidas sobre seu nome exato.
Verificando a carta do bair ro — esclarece ainda o comu
nicado — a policia descobriu
violenta acusação a Adalberto,
ta, antigo redator
Worker”. Não seria isto
no fim da linha de bonde Ca-
uma
ausência visitou São Paulo, faz
caindo no pátio central e mor rendo na queda. Para outros, ele foi atirado e, ainda segun do alguns, morreu sob tortura e foi atirado para se esconder 0 crime. Seu pai era jornalis
fusão nas suas declarações. Ani quilado, declarou, enfim que os
nandes. O antigo presidente do depois de muitíssimos anos de
do terceiro andar de sua sede
clara indicação das tendências ideológicas do filho?
Oormações de Adalberto Fer
Sindicato dos Empregados no Comércio, que, no ano passado,
Baron, o possível informan
briu-se que Prestes se achava no Meier. Em 29 de janeiro de
rua
chamada Honório, lo-
calizada no quadrado 17, justa mente o último da zona
cer¬
cada.
O que mencionamos consta do Relatório Bellens Porto que também registra Elvira Cupelo Coldni.
Hélio
Silva indica El
vira Cupello Colonno. EJza Fernandes — foi assim
que ela ficou conhecida — era
Não obstante as acusações e críticas de Afonso Henriques, a versão oficial parece plausí
vel, com Victor Alan Baron ci tando estropiadamente o nome da rua em que se escondia
filha de um operário da “Light” € nos meios do Partido Comu nista usava o codinome de
“Garota”. Carlos Lacerda, no depoimento que
prestou
ao
Prestes, depois de ter informa
“Jornal da Tarde” em 1977, lan çado depois como livro, em
do que ela
1978, pela Editora Nova Fron
se localizava
bairro do Meier.
no
teira, livro organizado por seu
DIGESTO ECONÔMICO
132
ganizou uma diligência, chefia da pelo delegado Lineu Cota e, cercando os quarteirões e vas culhando casa por casa, teria chegado àquela em que Pres tes se escondia. O
vasculhamento
do
Meier
terminou em 5 de março
de
1936. Às 4 horas da madrugada daquele dia a polícia se con centrava na rua Honório, no
Meier. E às 8 horas, invadiam a casa de n.o 279, onde vivia Julia Santos em companhia do dono do prédio, José Gomes.
À frente dos policiais ia o sub chefe de investigadores José Torres Galvão, que foi avisado pelo soldado Custódio Xavier, da Polícia Especial, de qué um homem se escondera num
dos
quartos. Era Prestes, que
foi
intimado a render-se sob pena de morte. Entre o chefe comu
nista e 0 policial interpôs-se uma mulher, a estrangeira 01ga Benário, esposa de Prestes,
que a polícia de Vargas depois entregou à Gestapo e que veio a falecer em um campo de concentração nazista. Prestes,
que se ocultava sob o nome de Antônio Vilar, entregou-se sem
resistência e, às 13 horas, foi introduzido no cartório de De-
legacia Auxiliar Especial, cria da para o inquérito sobre o le vante vermelho. Depois de in terrogado, foi conduzido ao quartel da Polícia Eíspecial, no Morro de Santo Antônio.
Sua
mulher, que se recusou a de clinar
a identidade
e
o local
de nascimento, ficou numa de pendência da Segurança Pú blica.
Afonso Henriques,
paulista
que foi diretor-tesoureiro "da Aliança Nacional Libertadora e
que, desiludido, auito-exilou-se nos Estados Unidos onde reside
há mais de 40 anos, em sua obra “Ascensão e Queda de Getúlio Vargas” (l.° vol., “O ma quiavélico”) sustenta que a po lícia localizou Prestes por in-
DIGESTO ECONÔMICO
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te, não viveu muito tempo mais.
1936,
Segundo a polícia, ele se atirou
iniciou-se
o
cerco
do
Meier. Seguiram-se diàs e dias de investigação fatigante. Le vantou-se um mapa do Meier e os respectivos quarteirões fo ram batidos casa por casa. En quanto Baron era submetido a interrogatórios intensivos, que tinham por fim cansá-lo a pon to de fazê-lo
estabelecer
con
apontando-o
como informabte
policial, agindo a soldo de Var gas.
A respeito da prisão de Pres tes, a polícia distribuiu um co municado, cujo texto Afonso Henriques reproduz. “Desço-
do “Daily uma
Fernandes, o “Miranda", fora presa sua amante, de 15 ou 16 anos, Elza Cupello Colonno. Há
deixara (Prestes e a mulher)
chambi, uma rua de nome nóric ou óríon. Não o sabia pronun
ciar”.
Juntamente com
Adalberto
dúvidas sobre seu nome exato.
Verificando a carta do bair ro — esclarece ainda o comu
nicado — a policia descobriu
violenta acusação a Adalberto,
ta, antigo redator
Worker”. Não seria isto
no fim da linha de bonde Ca-
uma
ausência visitou São Paulo, faz
caindo no pátio central e mor rendo na queda. Para outros, ele foi atirado e, ainda segun do alguns, morreu sob tortura e foi atirado para se esconder 0 crime. Seu pai era jornalis
fusão nas suas declarações. Ani quilado, declarou, enfim que os
nandes. O antigo presidente do depois de muitíssimos anos de
do terceiro andar de sua sede
clara indicação das tendências ideológicas do filho?
Oormações de Adalberto Fer
Sindicato dos Empregados no Comércio, que, no ano passado,
Baron, o possível informan
briu-se que Prestes se achava no Meier. Em 29 de janeiro de
rua
chamada Honório, lo-
calizada no quadrado 17, justa mente o último da zona
cer¬
cada.
O que mencionamos consta do Relatório Bellens Porto que também registra Elvira Cupelo Coldni.
Hélio
Silva indica El
vira Cupello Colonno. EJza Fernandes — foi assim
que ela ficou conhecida — era
Não obstante as acusações e críticas de Afonso Henriques, a versão oficial parece plausí
vel, com Victor Alan Baron ci tando estropiadamente o nome da rua em que se escondia
filha de um operário da “Light” € nos meios do Partido Comu nista usava o codinome de
“Garota”. Carlos Lacerda, no depoimento que
prestou
ao
Prestes, depois de ter informa
“Jornal da Tarde” em 1977, lan çado depois como livro, em
do que ela
1978, pela Editora Nova Fron
se localizava
bairro do Meier.
no
teira, livro organizado por seu
DIQESTO ECONÔMICO
DIGESTO ECONÔMICO
os
passou a ser considerada trai
onde morava um outro irmão seu 0 sertanista Francisco Mei
dora, que precisava ser julga
reles, recentemente falecido”.
134
sobrinho, o jornalista Cláudio Lacerda, afirma que Elza era analfabeta e que “não estava preparada para ser a compa nheira do
do
secretário do Parti
Comunista".
Segundo Lacerda, Elza teria
sido submetida, na polícia, a torturas ou então
habilmente
interrogada e, despreparada, teria “contado tudo”. Depois do que a polícia teria dado o clás
sico golpe: libertou-a para que procurasse as pessoas de quem esperava socorros e asilo. *‘Aí
— diz Lacerda — eles começa ram a prender todo mundo. De uma forma ou outra parece que ela deu o serviço e deu o no me dos que faltavam”. Carlos Lacerda nesse trecho de
seu
depoimento deixa claro não ter certezas e usa das expressões “acredito” e “parece”. Lembra Carlos Lacerda que
jornal carioca “A Noite” pu blicou tudo, 0 que na opinião 0
dele foi “uma coisa realmente bárbara”. “Nenhum de nós na
época acreditou
porque nin
guém acreditava no que os jor nais censurados diziam, mas infelizmente era rigorosamente verdade”.
Para
comtmistas
Elza
da e punida. Em nota ao capí tulo I do depoimento de seu tio, o jornalista Cláudio Lacerda, diz a este respeito: "Elza Fernandes, que se cliamava realmente Elvira Cupelo
Coloni, foi presa
juntamente
com Ajitônio Maciel Bonfim em
13 de janeiro de 1936, na rua
Paulo de Frontin, 606, aparta mento 11”.
“Rosa Meireles, que esteve presa com ela, garante que El za foi torturada e que a viu chegar uma tarde com os pés totalmente inchados dos “bolos"
que tinha levado. Diz ainda que Elza, ao ser solta, ainda teve tempo de queimar
e destruir
muitos papéis comprometedo res, livrando muita gente da prisão”.
“Ao sair da prisão, Elza foi procurar reffúgio na
casa de
um médico amigo, onde não en controu ninguém. Sem ter para onde ir, foi para a casa de Rosa Meireles que, não tendo
como hospedá-la, pediu que um
de seus irmãos a levasse até
o subúrbio de Campo Grande,
135
“Em agosto de 1977, Rosa contou que Elza ficou em ca sa de Chico até uma certa noi
te, quando apareceu para apa nhá-la Honório Guimarães”.
“Foi uma cena que a famí
lia não esqueceu, não s6 pelo que aconteceu depois, mas tam bém pela brincadeira de mau gosto de Honório, que chegou num automóvel, parou em fren te à casa de Francisco Meire
les e começou a gritar:
Folí-
cia, polícia”, o que assustou a todos. Honório vinha com ins
truções de levaír Elza Fernan
des “para um lugar seguro”. E esse lugar seguro, ao que tudo indica, foi a casa onde ela foi morta”.
Quanto a Antônio Maciel Bonfim 0 Miranda, ex-sargen
to do Exército e secretário-geral do PC, Rosa Meireles tam bém não acredita na hipótese
de que ele tenha
sido, como
mais tarde se apregoou,
um
espiã da polícia”. “Ela
conta
que
Miranda
também foi bastante torturado
e que se limitou — o que acon-
teceu com quase todos os pre sos naquela ocasião — a con firmar fatos que já eram do
conhecimento da polícia, que tinha apreendido todo o arqui vo do Partido Comunista”. “O defeito de Miranda era
ser um imaginativo. Uma vez o PC tinha programado uma ma nifestação de 1.0 de maio na
praça Mauá em seguida a uma passeata que viria da praça da Bandeira. Miranda foi lá, an
dou a pé da praça da Bandeira à praça Mauá, ida e volta, sem encontrar ninguém. Chegou de sanimado e queixando-se de que as botas que usava esta vam apertadas e que os pés lhe doiam.
Mas sentou diante
da máquina e descreveu uma manifestação monstro, repleta de gente” “Rosa Meireles conta que, ao ler o relatório de Miranda, não resistiu e perguntou: “Vo cê está maluco? Você acaba de
dizer que não havia ninguém”. E ele simplesmente respondeu: “Mas é preciso dizer isso, sCr não é uma desmoralização”.
Tempos depois, esse relatório é publicado numa revista do PC chileno, que descrevia uma ma-
DIQESTO ECONÔMICO
DIGESTO ECONÔMICO
os
passou a ser considerada trai
onde morava um outro irmão seu 0 sertanista Francisco Mei
dora, que precisava ser julga
reles, recentemente falecido”.
134
sobrinho, o jornalista Cláudio Lacerda, afirma que Elza era analfabeta e que “não estava preparada para ser a compa nheira do
do
secretário do Parti
Comunista".
Segundo Lacerda, Elza teria
sido submetida, na polícia, a torturas ou então
habilmente
interrogada e, despreparada, teria “contado tudo”. Depois do que a polícia teria dado o clás
sico golpe: libertou-a para que procurasse as pessoas de quem esperava socorros e asilo. *‘Aí
— diz Lacerda — eles começa ram a prender todo mundo. De uma forma ou outra parece que ela deu o serviço e deu o no me dos que faltavam”. Carlos Lacerda nesse trecho de
seu
depoimento deixa claro não ter certezas e usa das expressões “acredito” e “parece”. Lembra Carlos Lacerda que
jornal carioca “A Noite” pu blicou tudo, 0 que na opinião 0
dele foi “uma coisa realmente bárbara”. “Nenhum de nós na
época acreditou
porque nin
guém acreditava no que os jor nais censurados diziam, mas infelizmente era rigorosamente verdade”.
Para
comtmistas
Elza
da e punida. Em nota ao capí tulo I do depoimento de seu tio, o jornalista Cláudio Lacerda, diz a este respeito: "Elza Fernandes, que se cliamava realmente Elvira Cupelo
Coloni, foi presa
juntamente
com Ajitônio Maciel Bonfim em
13 de janeiro de 1936, na rua
Paulo de Frontin, 606, aparta mento 11”.
“Rosa Meireles, que esteve presa com ela, garante que El za foi torturada e que a viu chegar uma tarde com os pés totalmente inchados dos “bolos"
que tinha levado. Diz ainda que Elza, ao ser solta, ainda teve tempo de queimar
e destruir
muitos papéis comprometedo res, livrando muita gente da prisão”.
“Ao sair da prisão, Elza foi procurar reffúgio na
casa de
um médico amigo, onde não en controu ninguém. Sem ter para onde ir, foi para a casa de Rosa Meireles que, não tendo
como hospedá-la, pediu que um
de seus irmãos a levasse até
o subúrbio de Campo Grande,
135
“Em agosto de 1977, Rosa contou que Elza ficou em ca sa de Chico até uma certa noi
te, quando apareceu para apa nhá-la Honório Guimarães”.
“Foi uma cena que a famí
lia não esqueceu, não s6 pelo que aconteceu depois, mas tam bém pela brincadeira de mau gosto de Honório, que chegou num automóvel, parou em fren te à casa de Francisco Meire
les e começou a gritar:
Folí-
cia, polícia”, o que assustou a todos. Honório vinha com ins
truções de levaír Elza Fernan
des “para um lugar seguro”. E esse lugar seguro, ao que tudo indica, foi a casa onde ela foi morta”.
Quanto a Antônio Maciel Bonfim 0 Miranda, ex-sargen
to do Exército e secretário-geral do PC, Rosa Meireles tam bém não acredita na hipótese
de que ele tenha
sido, como
mais tarde se apregoou,
um
espiã da polícia”. “Ela
conta
que
Miranda
também foi bastante torturado
e que se limitou — o que acon-
teceu com quase todos os pre sos naquela ocasião — a con firmar fatos que já eram do
conhecimento da polícia, que tinha apreendido todo o arqui vo do Partido Comunista”. “O defeito de Miranda era
ser um imaginativo. Uma vez o PC tinha programado uma ma nifestação de 1.0 de maio na
praça Mauá em seguida a uma passeata que viria da praça da Bandeira. Miranda foi lá, an
dou a pé da praça da Bandeira à praça Mauá, ida e volta, sem encontrar ninguém. Chegou de sanimado e queixando-se de que as botas que usava esta vam apertadas e que os pés lhe doiam.
Mas sentou diante
da máquina e descreveu uma manifestação monstro, repleta de gente” “Rosa Meireles conta que, ao ler o relatório de Miranda, não resistiu e perguntou: “Vo cê está maluco? Você acaba de
dizer que não havia ninguém”. E ele simplesmente respondeu: “Mas é preciso dizer isso, sCr não é uma desmoralização”.
Tempos depois, esse relatório é publicado numa revista do PC chileno, que descrevia uma ma-
DIGESTO
136
nifestação que reuniu iOO mil pessoas no Rio”... Rosa
Meireles
menciona
Honório Guimarães como a pes
soa que retirou Elza Fernandes da casa de seu irmão Francis co e a levou para a morte.
Quem era esse comunista? Honório de Freitas Guima
rães, que também usava o no me de Henrique Vieira de Sou za, era membro do Secretaria do do PC do Brasil. Seus codinomes, segundo o Relatório
Bellens Porto, eram “Martins”, “Nico” ou simplesmente “M”. Carlos Lacerda aponta mais um codinome: “Milionário”, e afir ma que foi Honório quem pre sidiu o “tribunal"
do
Partido
Comunista que ordenou a mor te de Elza Fernandes.
trolador do Partido, fazia par te também e, assim, foi um- dos de Elza Fernan
des, 0 indivíduo de nome Lau ro Reginaldo da Rocha, que usava
a
falsa
identidade
de
Lauro Reginaldo Teixeira e era conhecido nas hostes partidá rias pelos codinomes de “Ban-
gú” e de
“Simão” ou
um
como
“intelectual”,
era
dos orientadores e colabo
radores do jornal subversivo “A Classe Operária”. Foi o autor do “Programa de Curso para Ativistas” e das instruções aos elementos do Partido Comunis
ta sobre a maneira de agir pa ra a tomada do poder pela
Aliança Nacional Libertadora. Foi o reorganizador do PC na Bahia.
Também
ao
Secretariado
do PC pertencia Adelino Deycola dos Santos que, como cons ta
do Relatório Bellens Porto,
foi o encarregado, pela direção do Partido, do “inquérito” ins taurado a propósito da “Garota a fim de apurar qual o auxílio que ela prestara à po lícia após a prisão de Adalber
ainda,
simplesmente, por “B”. Apon-
Deycola,
137
DIGESTO ECONÔMICO
nandes, os que a condenaram à morte.
Prestes,
que
agora
nega
participação no caso, nele in
terferiu como se evidencia cla
ramente no processo sobre a intentona comunista. Nos autos
figura um bilhete de seu pró prio punho, datado de 19 de fevereiro de 1936, quando ele ainda estava em liberdade. Tal
bilhete, reproduzido no Relató
to Fernandes.
Do Secretariado, órgão con condenadores
tado
ECONÔMICO
entre seus com
panheiros de ideologia totali tária, era conhecido pelos co dinomes de “Tampa”, “Tampinha”, “Tamp”, “T”, “Simão" e “Germano”.
Assim, os três dirigentes Honório de Freitas Guimarães, Lauro Reginaldo da Rocha e Adelino Deycola dos Santos foí ram os “juizes" de Elza Fer-
rio Bellens Porto, é do teor se guinte:
“19/2/36 — Companheiros do S.N. — Recebi ontem o bi lhete de “M” (Honório de Frei tas Guimarães),
assim como
supostos bilhetes de “Miran__ ’ (Antônio Maciel Bonfim).
os
da
sões de vocês? Por que modifi car a decisão a respeito da “Garota”? Que “tem a ver uma cousa com a outra?” Há ou não
uma traição por parte dela? É ou não é ela perigosíssima ao
Partido, como elemento intei ramente ao serviço do adversá
rio, conhecedora de muita cou
sa e testemunha única contra
um grande número de compa nheiros e simpatizantes. Se vo
cês julgam que são verdadei ros, como podem qualificar isto
de
fraquezas”
do
nosso
companheiro “MIR.”? Traiçã.o é traição e tanto maior quan
to mais responsável o traidor. Mas voltemos ao caso da pe
quena. Com plena consciência
Fui dolorosamente surpreendi
de minha responsabilidade, des de os primeiros instantes tenho
vacilações de vocês. Assim' nao
dado a vocês minha opinião so
Proletariado, da classe revolu
minha carta de 16,
os originais dos supostos bilhe-
acrescentar nem
do pela falta de resolução _e
se pode dirigir o Partido do
bre o que fazer com ela.
cionária. Mesmo sem conhecer
górico e nada mais tenho a
de Miranda já ontem for mulei minha opinião a respei to do que preci^samos fazer. Mas, supondo que os bilhetes
últimos bilhetes possam modi ficar uma tal decisão. Por is so não compreendo as vacila-
tes
realmente do punho de Mi¬ randa (estou convencido do contrário, como explicarei abai xo), como chegar às conclusao
Em
sou cate
creio que os
ções de vocês. 0 S.N. é soberano
e suas decisões não devem
ficar à espera da opinião de vocês que deve ser definitiva. Uma tal linguagem não é digna
138
DIGESTO ECONÔMICO
dos chefes do nosso Partido, porque é a linguagem dos me drosos, incapazes de uma deci são, temm*osos ante a respon sabilidade. Ou bem que vocês tremas e neste caso já as de
não pusemos logo em execu ção as medidas que você pro põe foi devido às razões que nos pareciam justas, de que poderia resultar numa desUgação do Partido com a massa e por estar a “Garota” segura,
viam ter resolutamente
podendo, portanto, a coisa ser
concordam com as medidas ex
posto
em prática, ou então discordam mas
não
defendera como de
vem tal opinião. Não é possível dirigir sem assumir resjwnsabilidades. Por outro lado, uma direção não tem o direito de vacilar em questões que dizem
respeito à defesa da própria organização. Vocês compreen derão a veemência destas
li
nhas, porque elas traduzem com franqueza necessária to da a minha tristeza frente às
vacilações da direção em cujas mãos está o futuro da revolu ção no Brasil”.
Parece-nos que a carta não pode ser mais clara...
Esta carta de Prestes foi respondida em 20 de fevereiro
resolvida com calma e segu rança. O fato de combinarmos mais uma vez com você e pe dirmos a solução definitiva pa ra 0 caso não significa que, se
vocês não estivessem aqui, nós não
tomaríamos
uma
resolu
provavel
tinha sido liquidada, o que de ve ter ocorrido logo depois, pois as palavras finais de Ban gú não deixam dúvida a esse respeito.
Quem foi o carrasco do PC, 0 assassino de Elza Fernandes? Para a monstruosa tarefa, os comunistas escolheram um
rança
nha, pois a questão sentimentalismo não existe por aqui. Acima de tudo colocamos os interesses do Partido"
Poista em liberdade pouco depois de ter sido presa em 13
guintes termos, como se lê no Relatório Bellens Porto: se
em que
mente ela foi assassinada. Pe las cartas acima transcritas, até 20 de fevereiro ainda não
que a coisa será feita direiti-
tou este ainda por duas vezes, na prisão, antes do fim daquele mês. A última visita foi no dia 27. Os comunistas a sequestra ram, praticamente, da casa de
“Acabo de receber sua car-
fevereiro,
camarada. Com a palavra Car los Lacerda: “Em suma, in cumbiram' de matá-la um sujei
de 1936 por “Bangú” — Lauro
ta sobre o caso “Garota”,
Francisco Meireles no mês de
ção enérgica. Mas, aproveitan do toda a experiência que vo cê tem, queremos resolver as coisas bem pesadas ,e- medidas, e uma vez que há tempo para isso. Agora não tenha cuidado
de janeiro
Reginaldo da Rocha — nos se^
138
DIGESTO ECONÔMICO
amante
de
1936
“Miranda *
com
to
chamado
Natividade
Lira,
que tinha o apelido de Cabeção e que era do “corpo de segu-
do Partido Comunista. Esse sujeito matou-a numa casa de um subúrbio. Cortou o
corpo em pedaços para caber
dentro de um saco e a enterrou
profundamente 00» quintal.
Mais tarde, quando foram fei tas outras prisões, alguns su
chefe de Polícia, deu uma pas
sagem a esse Cabeção, para ele voltar para sua terra, no Maranhão. João Alberto era uma figura curiosíssima que
um dia precisa ser estudada. Ele era contraditório, cheio de defeitos e cheio de qualida
des... Por piedade do Cabeção
— porque o sujeito, coitado, era um trapo humano, ninguém faz um “troço” desse sem ficar o resto da vida marcado — deu
uma passagem, do Lloyd Bra
sileiro, para ele voltar para o Maranhão. Cabeçãlo estava muito doente, cardíaco e, na
altura de São Luís, antes de desembarcar, teve um ataque do coração e morreu”. A morte de Cabeção ocorreu
no
dia 24 de julho de 1945,
isto é, pouco mais de 9 anos
depois de ter ele assassinado Elza Fernandes, por ordem do Partido Comunista.
Depois da morte de Elza Fernandes, “Miranda” voltou a
seu
jeitos confessaram a história e
Elza visi-
a polícia foi exumar o corpo. Encontrou 0 corpo e exibiu fo,tografias... Muitos anos mais tarde, em 45, quando nós está vamos tentando derrubar 0 Ge-
prestar declarações no inquéri to, cujos autos estão arquiva dos no Superior Tribunal Mii litar. Segundo Hélio Silva, que as reproduz parcialmente, elas
túlio, o João Alberto, que era
constam do lO.o vol. fls. 2543/4.
138
DIGESTO ECONÔMICO
dos chefes do nosso Partido, porque é a linguagem dos me drosos, incapazes de uma deci são, temm*osos ante a respon sabilidade. Ou bem que vocês tremas e neste caso já as de
não pusemos logo em execu ção as medidas que você pro põe foi devido às razões que nos pareciam justas, de que poderia resultar numa desUgação do Partido com a massa e por estar a “Garota” segura,
viam ter resolutamente
podendo, portanto, a coisa ser
concordam com as medidas ex
posto
em prática, ou então discordam mas
não
defendera como de
vem tal opinião. Não é possível dirigir sem assumir resjwnsabilidades. Por outro lado, uma direção não tem o direito de vacilar em questões que dizem
respeito à defesa da própria organização. Vocês compreen derão a veemência destas
li
nhas, porque elas traduzem com franqueza necessária to da a minha tristeza frente às
vacilações da direção em cujas mãos está o futuro da revolu ção no Brasil”.
Parece-nos que a carta não pode ser mais clara...
Esta carta de Prestes foi respondida em 20 de fevereiro
resolvida com calma e segu rança. O fato de combinarmos mais uma vez com você e pe dirmos a solução definitiva pa ra 0 caso não significa que, se
vocês não estivessem aqui, nós não
tomaríamos
uma
resolu
provavel
tinha sido liquidada, o que de ve ter ocorrido logo depois, pois as palavras finais de Ban gú não deixam dúvida a esse respeito.
Quem foi o carrasco do PC, 0 assassino de Elza Fernandes? Para a monstruosa tarefa, os comunistas escolheram um
rança
nha, pois a questão sentimentalismo não existe por aqui. Acima de tudo colocamos os interesses do Partido"
Poista em liberdade pouco depois de ter sido presa em 13
guintes termos, como se lê no Relatório Bellens Porto: se
em que
mente ela foi assassinada. Pe las cartas acima transcritas, até 20 de fevereiro ainda não
que a coisa será feita direiti-
tou este ainda por duas vezes, na prisão, antes do fim daquele mês. A última visita foi no dia 27. Os comunistas a sequestra ram, praticamente, da casa de
“Acabo de receber sua car-
fevereiro,
camarada. Com a palavra Car los Lacerda: “Em suma, in cumbiram' de matá-la um sujei
de 1936 por “Bangú” — Lauro
ta sobre o caso “Garota”,
Francisco Meireles no mês de
ção enérgica. Mas, aproveitan do toda a experiência que vo cê tem, queremos resolver as coisas bem pesadas ,e- medidas, e uma vez que há tempo para isso. Agora não tenha cuidado
de janeiro
Reginaldo da Rocha — nos se^
138
DIGESTO ECONÔMICO
amante
de
1936
“Miranda *
com
to
chamado
Natividade
Lira,
que tinha o apelido de Cabeção e que era do “corpo de segu-
do Partido Comunista. Esse sujeito matou-a numa casa de um subúrbio. Cortou o
corpo em pedaços para caber
dentro de um saco e a enterrou
profundamente 00» quintal.
Mais tarde, quando foram fei tas outras prisões, alguns su
chefe de Polícia, deu uma pas
sagem a esse Cabeção, para ele voltar para sua terra, no Maranhão. João Alberto era uma figura curiosíssima que
um dia precisa ser estudada. Ele era contraditório, cheio de defeitos e cheio de qualida
des... Por piedade do Cabeção
— porque o sujeito, coitado, era um trapo humano, ninguém faz um “troço” desse sem ficar o resto da vida marcado — deu
uma passagem, do Lloyd Bra
sileiro, para ele voltar para o Maranhão. Cabeçãlo estava muito doente, cardíaco e, na
altura de São Luís, antes de desembarcar, teve um ataque do coração e morreu”. A morte de Cabeção ocorreu
no
dia 24 de julho de 1945,
isto é, pouco mais de 9 anos
depois de ter ele assassinado Elza Fernandes, por ordem do Partido Comunista.
Depois da morte de Elza Fernandes, “Miranda” voltou a
seu
jeitos confessaram a história e
Elza visi-
a polícia foi exumar o corpo. Encontrou 0 corpo e exibiu fo,tografias... Muitos anos mais tarde, em 45, quando nós está vamos tentando derrubar 0 Ge-
prestar declarações no inquéri to, cujos autos estão arquiva dos no Superior Tribunal Mii litar. Segundo Hélio Silva, que as reproduz parcialmente, elas
túlio, o João Alberto, que era
constam do lO.o vol. fls. 2543/4.
DIGESTO
144
ficos aqui apresentados não tra zem o ano a que correspondem os dados: PNB, na página 73 e População, na página 18. No mais o texto está atuali zado em seu conteúdo e merece
constar da vasta bibliografia sobre o Subdesenvolvimento, o
Terceiro
Mundo,
a
Pobreza
Mundial, ao lado de autores mais recentes: A pobreza, ri queza dos povos, de Albert Tá-
desenvolvimento, ta o
ECONÔMICO
mas
retra
continente africano
em
sua luta contra o subdesenvol vimento com um retrospecto histórico e numa visão ampla
das nações do continente. Ao lado destes, acrescentamos ain da: A soberania ameaçada. A expansão multinacional das em
presas americanas
de Lacoste é um clássico nesta
Rabah
riqueza do
área do conhecimento, tanto a primeira edição com as dezes
Huberman
sete
Banakouche
homem, . de
(Zahar, várias
Leo
(Vozes,
reedições); As
veias da América latina, de Eduardo Galeano e o mais re cente
abrangente do
de
nossa
Biblioteca
internacionais,
de Therezinha
de Castro. Este
último texto
não fala
diretamente do sub-
para crescer.
Isto é, para apontar a melhor localização em função das redes de distribuição, das vias de transporte, telecomunicações, proximida-
tema, não
se
restringindo à visão meramen te econômica nesta revisão. Eis
o mérito do autor.
Januário Francisco Megale (Conclusão da página 126)
duas baterias de máquinas deverão entrar em funclonameaito em 1983, de vendo estar prontas todas as 18 turbinas em 1988. A central gigantesca
causa preocupações à Argentina, uma vez que ninguém pode prever as consequências de um acidente na represa. Aquele país pretende construir a 200 km ao sul de Itaipu, também uma grande central hidroelétrica, que se chamará “Corpus”. (Cadernos Germano-Braslleiros)
bens de consumo.
Com isto beneficiaram-se 45 municí
pios, que geraram mais de 30.0C)0
novos empregos e obtiveram maiores recursos para a solução de seus problemas. Novos centros industriais, novos
empregos, novas perspectivas para as^ cidades. Esta é a CESP na administração da energia. Govcttw
Secretaria de Obras e do Meio Ambiente
CmSP
características do subde
senvolvimento quanto esta edi ção atualizada. Tem o mérito de procurar dar uma visão
do Exército: África, geohistória, geopolítica e relações
O SLI Serviço de Localização Industrial existe para garantir o suprimento da energia que as indústrias necessitarão
Ao lado destes e de outros
vários textos, o pequeno livro
História da
Governo Paulo Maluf, mantém um serviço especial de orientação aos empresários.
1978).
lação mundial e dependência,
desde fundições até fábricas de
de acordo com as metas do
(Pioneira,
voédjre (Vozes, 1981); Acumu
1980);
de da matéria-prima, dispo A descentralização indus Veja o que nibilidade de mâo-de-obra. trial é tão urgente quanto a administração da energia O SLI já ajudou a im a implantação de novas tem feitó por você. plantar 146 indústrias, indústrias. Por isso, a CESP
jr
^
Companhia ^ Energética de - odmlnbfroçSo
Sào Paulo
do
DIGESTO
144
ficos aqui apresentados não tra zem o ano a que correspondem os dados: PNB, na página 73 e População, na página 18. No mais o texto está atuali zado em seu conteúdo e merece
constar da vasta bibliografia sobre o Subdesenvolvimento, o
Terceiro
Mundo,
a
Pobreza
Mundial, ao lado de autores mais recentes: A pobreza, ri queza dos povos, de Albert Tá-
desenvolvimento, ta o
ECONÔMICO
mas
retra
continente africano
em
sua luta contra o subdesenvol vimento com um retrospecto histórico e numa visão ampla
das nações do continente. Ao lado destes, acrescentamos ain da: A soberania ameaçada. A expansão multinacional das em
presas americanas
de Lacoste é um clássico nesta
Rabah
riqueza do
área do conhecimento, tanto a primeira edição com as dezes
Huberman
sete
Banakouche
homem, . de
(Zahar, várias
Leo
(Vozes,
reedições); As
veias da América latina, de Eduardo Galeano e o mais re cente
abrangente do
de
nossa
Biblioteca
internacionais,
de Therezinha
de Castro. Este
último texto
não fala
diretamente do sub-
para crescer.
Isto é, para apontar a melhor localização em função das redes de distribuição, das vias de transporte, telecomunicações, proximida-
tema, não
se
restringindo à visão meramen te econômica nesta revisão. Eis
o mérito do autor.
Januário Francisco Megale (Conclusão da página 126)
duas baterias de máquinas deverão entrar em funclonameaito em 1983, de vendo estar prontas todas as 18 turbinas em 1988. A central gigantesca
causa preocupações à Argentina, uma vez que ninguém pode prever as consequências de um acidente na represa. Aquele país pretende construir a 200 km ao sul de Itaipu, também uma grande central hidroelétrica, que se chamará “Corpus”. (Cadernos Germano-Braslleiros)
bens de consumo.
Com isto beneficiaram-se 45 municí
pios, que geraram mais de 30.0C)0
novos empregos e obtiveram maiores recursos para a solução de seus problemas. Novos centros industriais, novos
empregos, novas perspectivas para as^ cidades. Esta é a CESP na administração da energia. Govcttw
Secretaria de Obras e do Meio Ambiente
CmSP
características do subde
senvolvimento quanto esta edi ção atualizada. Tem o mérito de procurar dar uma visão
do Exército: África, geohistória, geopolítica e relações
O SLI Serviço de Localização Industrial existe para garantir o suprimento da energia que as indústrias necessitarão
Ao lado destes e de outros
vários textos, o pequeno livro
História da
Governo Paulo Maluf, mantém um serviço especial de orientação aos empresários.
1978).
lação mundial e dependência,
desde fundições até fábricas de
de acordo com as metas do
(Pioneira,
voédjre (Vozes, 1981); Acumu
1980);
de da matéria-prima, dispo A descentralização indus Veja o que nibilidade de mâo-de-obra. trial é tão urgente quanto a administração da energia O SLI já ajudou a im a implantação de novas tem feitó por você. plantar 146 indústrias, indústrias. Por isso, a CESP
jr
^
Companhia ^ Energética de - odmlnbfroçSo
Sào Paulo
do