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DIGESTO ECONÔMICO, número 290, março 1982

Page 1

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I

O.

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I


r

CONSIRM ESCOLA, AMPUA ESCOLA, REFORMA ESCOLA,

CONSERVA ESCOLA.

ECOiMOIVIICO SUMÁRIO A SEMANA DE ARTE MODERNA — João d© Scantimburgo MÉTODO PAULO

..

FREIRE — Dom Vrcente Scherer

3 17

O BRASIL DO TERCEIRO MUNDO — Eugênio Gudin

23

ESQUERDA E DIREITA — J. O. d© Meira Penna

27

EM LOUVOR DE UMA BIOGRAFIA — Josué Montello

31

SUBTERRÂNEOS DE BIZÂNCIO — Jornal do Brasil

37

A TRAGÉDIA POSITIVISTA — Lenildo Tabosa Pessoa

41

OS

47

DIREITOS

HUMANOS

— Julian

Marias

EMPRESA DO FUTURO — Trajano Pupo Neto

55 ^

O PROJETO CARAJÁS — Sérgio P. Quintella

6?

IDÉIAS DE DOXIADIS — A. Delorenzo Neto

76

ANTl-ROMANTICO JOÃO CAMILLO — Vivaldi Moreira

86

OS EFEITOS SOCIAIS DA REDUÇÃO DA DURAÇÃO DO TRA

É assim que os Governos Itinerante e de Integração estão fazendo escola.

BALHO

"UM

e conservação de escolas que o Governo de São Paulo está cumprindo é mais uma realização dos Governos Itinerante e de Integração.

PRATICADO

Cone&n

Cornpur>liiü üe Construe fios

DAEOUCACÂO

Escolares (Io Esiailo de Sâo Paulo

PELO

103

PARTIDO COMUNISTA" — Flà-

Gaivão

127

bibliografia

143

Capa:

O Teatro Municipal de S. Paulo ilustra artigo de Joio de Scantim burgo sobre a Semana de Arte Moderna. N.o 290 - Março

Sao Paukj. vida nova ScCRETARIA DE ESTADO

GC^fERNO PIMJLO

CRIME

/ 91

Boisard

A PARTILHA DOS EMPREGOS — Barney Olmstad

vio

O programa de construção, ampliação, reforma

— Plerre

de

1982 . Ano

XXXIX — DIGESTO

ECONÔMICO

!/■


r

CONSIRM ESCOLA, AMPUA ESCOLA, REFORMA ESCOLA,

CONSERVA ESCOLA.

ECOiMOIVIICO SUMÁRIO A SEMANA DE ARTE MODERNA — João d© Scantimburgo MÉTODO PAULO

..

FREIRE — Dom Vrcente Scherer

3 17

O BRASIL DO TERCEIRO MUNDO — Eugênio Gudin

23

ESQUERDA E DIREITA — J. O. d© Meira Penna

27

EM LOUVOR DE UMA BIOGRAFIA — Josué Montello

31

SUBTERRÂNEOS DE BIZÂNCIO — Jornal do Brasil

37

A TRAGÉDIA POSITIVISTA — Lenildo Tabosa Pessoa

41

OS

47

DIREITOS

HUMANOS

— Julian

Marias

EMPRESA DO FUTURO — Trajano Pupo Neto

55 ^

O PROJETO CARAJÁS — Sérgio P. Quintella

6?

IDÉIAS DE DOXIADIS — A. Delorenzo Neto

76

ANTl-ROMANTICO JOÃO CAMILLO — Vivaldi Moreira

86

OS EFEITOS SOCIAIS DA REDUÇÃO DA DURAÇÃO DO TRA

É assim que os Governos Itinerante e de Integração estão fazendo escola.

BALHO

"UM

e conservação de escolas que o Governo de São Paulo está cumprindo é mais uma realização dos Governos Itinerante e de Integração.

PRATICADO

Cone&n

Cornpur>liiü üe Construe fios

DAEOUCACÂO

Escolares (Io Esiailo de Sâo Paulo

PELO

103

PARTIDO COMUNISTA" — Flà-

Gaivão

127

bibliografia

143

Capa:

O Teatro Municipal de S. Paulo ilustra artigo de Joio de Scantim burgo sobre a Semana de Arte Moderna. N.o 290 - Março

Sao Paukj. vida nova ScCRETARIA DE ESTADO

GC^fERNO PIMJLO

CRIME

/ 91

Boisard

A PARTILHA DOS EMPREGOS — Barney Olmstad

vio

O programa de construção, ampliação, reforma

— Plerre

de

1982 . Ano

XXXIX — DIGESTO

ECONÔMICO

!/■


DICESTO ECONOMICO

PUBLICAREMOS

O MUNDO DOS NEGÓCIOS NUM PANORAMA MENSAL

Publicado seb es auspícios da:

O

NOS

PRÓXIMOS

NÚMEROS

PROCESSO

IMIGRATÓRIO

NO

ASSOCIAÇÃO COMERCIAL

A.

DE SÃO PAULO

BRASIL

Delorenzo

A Semana de Arte Moderna

O) Neto

Diretor:

Antônio Gontijo de Carvalho 1947 a 1973

'■POLÍTICA

DO

Diretores:

João de Scantimburgo Paulo Edmur de Souza Queiroz

NACIONAL

CONTEXTO

DENTRO

POLÍTICO

UNIVERSAL"

J.

O.

Meira

Penna

João de Scantimburgo

Wilfrides Alves de Lima

Superintendente: Guilherme Afif Domingos o DIgeato Econômico é órgão mensal d»

Informações

econômicas

e finan

ceiras.

O HOMEM DAS CIÊNCIAS E AS CIÊNCIAS

Uma análise nova das

DO HOMEM

origens da Semana de Arte Moderna de 1922. O trabalho é capítulo de um livro sobre "Os Paulistas". O autor é

José Dervil MantovanI

A direção não lesponsabllíza pelos dados cu|as fontes esteiam devida mente

citadas,

emitidos

em

nem

artigos

pelos

da Academia Paulista de Letras.

conceitos

assinados.

Asslnaturas:

O PAPEL MODERADOR DA CLASSE MÉDIA Eduardo José Daros

DIGESTO ECONÔMICO Assinatura anual .. <£$ 1.400.00 130,00 Número avulso €$ 150,00 Número atrasado .. £$

DISTRIBUIÇÃO DE RENDA

Aceita-se intercâmbio com publicações

congêneres

nacionais

e estrangeires.

Redação e Administração: R. Boa Vista, 51, andar térreo Tel.:

239-1333

Ramal:

NO BRASIL Hermann

M. Gorgen

133

6.'’ andar Rua Boa Vista, 51 Tel.: 239-1333 — R.: 167/175 Composto e Impresso nas oficinas do DIÁRIO

DO

COMERCIO.

clima de paixão. Atraída à confusa, imprópria e eletrizada área da ideologia, acabou sendo fartamente explorada genericamenpelas correntes, te classificadas distas,

Cx. Postal 8.082 — São Paulo

Departamento Comerciai

A Semana de Arte Moder na foi envolvida há anos em

AS FUNÇÕES DA LINGUAGEM EM "OS SERTÕES" Márcio

José

Lauria

como

esquer-

Quando transcorreu o

seu cinquentenário,

os

nistas

a exaltaram

como

se

houvera

sido obra de

seus

fi

liados.

De

seus

prosa, uns bons,

comu-

veis, ficaram poucas amos tras. Na sua origem, a Sema na teve, ao que parece, uma finalidade, a de sacudir, com gargalhadas estrepitosas, pia das ferinas, versos caóticos, discursos mal-escritos, o torpor provinciano da pequena elite econômica da

cidade de cerca

de quinhentos mil habitantes. Se ainda hoje, apesar de suas dimensões megalopolitanas, São

e sua

Paulo mais se assemelha a um

outros sofrí-

bazar do que a uma grande e

versos


DICESTO ECONOMICO

PUBLICAREMOS

O MUNDO DOS NEGÓCIOS NUM PANORAMA MENSAL

Publicado seb es auspícios da:

O

NOS

PRÓXIMOS

NÚMEROS

PROCESSO

IMIGRATÓRIO

NO

ASSOCIAÇÃO COMERCIAL

A.

DE SÃO PAULO

BRASIL

Delorenzo

A Semana de Arte Moderna

O) Neto

Diretor:

Antônio Gontijo de Carvalho 1947 a 1973

'■POLÍTICA

DO

Diretores:

João de Scantimburgo Paulo Edmur de Souza Queiroz

NACIONAL

CONTEXTO

DENTRO

POLÍTICO

UNIVERSAL"

J.

O.

Meira

Penna

João de Scantimburgo

Wilfrides Alves de Lima

Superintendente: Guilherme Afif Domingos o DIgeato Econômico é órgão mensal d»

Informações

econômicas

e finan

ceiras.

O HOMEM DAS CIÊNCIAS E AS CIÊNCIAS

Uma análise nova das

DO HOMEM

origens da Semana de Arte Moderna de 1922. O trabalho é capítulo de um livro sobre "Os Paulistas". O autor é

José Dervil MantovanI

A direção não lesponsabllíza pelos dados cu|as fontes esteiam devida mente

citadas,

emitidos

em

nem

artigos

pelos

da Academia Paulista de Letras.

conceitos

assinados.

Asslnaturas:

O PAPEL MODERADOR DA CLASSE MÉDIA Eduardo José Daros

DIGESTO ECONÔMICO Assinatura anual .. <£$ 1.400.00 130,00 Número avulso €$ 150,00 Número atrasado .. £$

DISTRIBUIÇÃO DE RENDA

Aceita-se intercâmbio com publicações

congêneres

nacionais

e estrangeires.

Redação e Administração: R. Boa Vista, 51, andar térreo Tel.:

239-1333

Ramal:

NO BRASIL Hermann

M. Gorgen

133

6.'’ andar Rua Boa Vista, 51 Tel.: 239-1333 — R.: 167/175 Composto e Impresso nas oficinas do DIÁRIO

DO

COMERCIO.

clima de paixão. Atraída à confusa, imprópria e eletrizada área da ideologia, acabou sendo fartamente explorada genericamenpelas correntes, te classificadas distas,

Cx. Postal 8.082 — São Paulo

Departamento Comerciai

A Semana de Arte Moder na foi envolvida há anos em

AS FUNÇÕES DA LINGUAGEM EM "OS SERTÕES" Márcio

José

Lauria

como

esquer-

Quando transcorreu o

seu cinquentenário,

os

nistas

a exaltaram

como

se

houvera

sido obra de

seus

fi

liados.

De

seus

prosa, uns bons,

comu-

veis, ficaram poucas amos tras. Na sua origem, a Sema na teve, ao que parece, uma finalidade, a de sacudir, com gargalhadas estrepitosas, pia das ferinas, versos caóticos, discursos mal-escritos, o torpor provinciano da pequena elite econômica da

cidade de cerca

de quinhentos mil habitantes. Se ainda hoje, apesar de suas dimensões megalopolitanas, São

e sua

Paulo mais se assemelha a um

outros sofrí-

bazar do que a uma grande e

versos


DIGESTO

4

adiantada

metrópole,

ECONÔMICO

pode-se

Saint Honoré, da rue de Rivo-

imaginar, voando nas asas da fantasia, o que era o início da

li, do Boulevard Haussmaun e outros lugares do parisianismo,

década de

sempre

20.

Cuidavam das

tentadoramente

sedu-

tor.

fábricas alguns industriais não assimilados, ainda, pelos pau Importávamos pratícamenlistas de nomes portugueses, te tudo, e assim como os pau com antepassados .entre os bra- listas consumiam vinhos de zões do Castelo de Cintra ou na Bordeaux, “foie gras” de Stras-

genealogia de Silva Leme. Fa

bourg, vestiam camisas do Dou-

zendeiros, como os Prados, co

cet, lembravam-se do Café de

gitavam de política e café, dois

La Paix, de L’Operá, do Bois de Boulogne com nostalgia de quem ansiava por voltar para lá, e gozar as delícias dos lu cros acumulados no Brasil, tam bém importávamos cultura.

mananciais da fortuna, em país onde 0 Estado sempre foi todo-

poderoso, e onde o café cons tituiu, até há poucos

anos, a

principal riqueza econômica da Nação. Os comerciantes, quase nada contavam. Proprietários

urbanos, residentes na avenida Paulista e adjacências,

rece

biam para chás, almoços e jan tares

os

amigos,

sempre

os

mesmos, que nunca chegavam

Éramos, desde

a Renascença,

um prolongamento transatlân tico da velha Europa, mais cir

Guedes

Penteado

o

abriu

seu

tro

tão parcimonioso que seus queridos poetas franceses, esbanjou palavras. Ou- Que lhe fecundaram a inspira

mulato

de

talento,

Lima

Barreto, abria janelas para o

social. Aluísio Azevedo, também mulato, lançara-se romance

no

realismo tão

cru quanto o

de Zola. A renovação caminha-

va. Mas, com a guerra pouco

havia criado, merecendo a duradoura honra das estantes, Bilac, até ao fim da vida, que se

ção.

Os movimentos políticos, a

filosofia hegeliana, triunfante no fim do século, o idealismo alemão, estendendo o seu man to sobre a cultura ocidental, o

marx-engelianismo, rebentos da

árvore hegeliana, a política burguesa da era vitoriana, a ascensao

do

pragmatismo

de

coincidiu com o fim da guerra,

Peieroe, matriz do pragmatismo

a mais estúpida dessa imensa estupidez que é a guerra, exer-

de James, as reações de Berg-

ceu uma espécie de chefatura

intelectual.

Mas esse

era um here-

gon e Blondel, a encíclica Pa-

cendi, a crise modernista, aba

lando as colunas da Igreja, tu do somado iria engendrar o movimento modernista que dializou

através

Inda, ao cair vibrando a lança,

“maitre

à penser

eram

francófilos. Na guerra de

14/18, as explosões de antiger-

diano, marmóreo, que, na sua

embora tivesse animado com o

ligião, mas a crise modernista, no seio da Igreja, . havia rece-

rio

Nacionalista, o embrião de to dos os nacionalismos que envol-

francês.

Basta

main des Prés,

cendência

francesa

sobre

o

França, do mundo

naquela época. Os modernistas

seu verbo, o seu prestígio, di-

colonial

da

Em prol do Estiló!

parecíamos e, sob muitos as pectos, éramos, parte do impé consultar os jornais da época para se ter a medida da as

do Faubourg

nunca

nasceu na Itália, mas se mun-

salões franceses de Saint Ger-

salão, réplica provinciana dos

crever,

profissão de fé prometia

manismo foram tamanhas que

D. Olivia

tica ainda se conservasse fiel

inovador de gênio, âtico no es- aos cânones do passado, de

poeta lecomtedelisleano,

cipavam pouco da vida cultu Nessa época,

sobre’os paulistas. A prosa já dernista, embora na arte poé^

havia tido Machado de Assis,

atraente dama, que subjugou o mundo durante alguns séculos.

Todos, na sociedade paulistana,

dano.

Brasil, e, no que nos interessa, pecto Bilac era, portanto, mo-

cunscritamente, no século XX, da França, essa formidável e

aos trezentos de Gedeão, segun do os memoralistas da época. As damas da sociedade parti ral, senão no estritamente mun

5

DIOESTO ECONÔMICO

não se preocuparam com a re

gamos 0 seu “charme", a Liga bido em 1907 o ferro-em-brasa do papa Pio X, com a encicliveram o povo brasileiro nas dé-

cadas de 20 e 30. Sob esse as-

ca

Pacendl

dominici

gregis.

consagrada às doutrinas moder

nistas, de modernisiarum doc-


DIGESTO

4

adiantada

metrópole,

ECONÔMICO

pode-se

Saint Honoré, da rue de Rivo-

imaginar, voando nas asas da fantasia, o que era o início da

li, do Boulevard Haussmaun e outros lugares do parisianismo,

década de

sempre

20.

Cuidavam das

tentadoramente

sedu-

tor.

fábricas alguns industriais não assimilados, ainda, pelos pau Importávamos pratícamenlistas de nomes portugueses, te tudo, e assim como os pau com antepassados .entre os bra- listas consumiam vinhos de zões do Castelo de Cintra ou na Bordeaux, “foie gras” de Stras-

genealogia de Silva Leme. Fa

bourg, vestiam camisas do Dou-

zendeiros, como os Prados, co

cet, lembravam-se do Café de

gitavam de política e café, dois

La Paix, de L’Operá, do Bois de Boulogne com nostalgia de quem ansiava por voltar para lá, e gozar as delícias dos lu cros acumulados no Brasil, tam bém importávamos cultura.

mananciais da fortuna, em país onde 0 Estado sempre foi todo-

poderoso, e onde o café cons tituiu, até há poucos

anos, a

principal riqueza econômica da Nação. Os comerciantes, quase nada contavam. Proprietários

urbanos, residentes na avenida Paulista e adjacências,

rece

biam para chás, almoços e jan tares

os

amigos,

sempre

os

mesmos, que nunca chegavam

Éramos, desde

a Renascença,

um prolongamento transatlân tico da velha Europa, mais cir

Guedes

Penteado

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seu

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tão parcimonioso que seus queridos poetas franceses, esbanjou palavras. Ou- Que lhe fecundaram a inspira

mulato

de

talento,

Lima

Barreto, abria janelas para o

social. Aluísio Azevedo, também mulato, lançara-se romance

no

realismo tão

cru quanto o

de Zola. A renovação caminha-

va. Mas, com a guerra pouco

havia criado, merecendo a duradoura honra das estantes, Bilac, até ao fim da vida, que se

ção.

Os movimentos políticos, a

filosofia hegeliana, triunfante no fim do século, o idealismo alemão, estendendo o seu man to sobre a cultura ocidental, o

marx-engelianismo, rebentos da

árvore hegeliana, a política burguesa da era vitoriana, a ascensao

do

pragmatismo

de

coincidiu com o fim da guerra,

Peieroe, matriz do pragmatismo

a mais estúpida dessa imensa estupidez que é a guerra, exer-

de James, as reações de Berg-

ceu uma espécie de chefatura

intelectual.

Mas esse

era um here-

gon e Blondel, a encíclica Pa-

cendi, a crise modernista, aba

lando as colunas da Igreja, tu do somado iria engendrar o movimento modernista que dializou

através

Inda, ao cair vibrando a lança,

“maitre

à penser

eram

francófilos. Na guerra de

14/18, as explosões de antiger-

diano, marmóreo, que, na sua

embora tivesse animado com o

ligião, mas a crise modernista, no seio da Igreja, . havia rece-

rio

Nacionalista, o embrião de to dos os nacionalismos que envol-

francês.

Basta

main des Prés,

cendência

francesa

sobre

o

França, do mundo

naquela época. Os modernistas

seu verbo, o seu prestígio, di-

colonial

da

Em prol do Estiló!

parecíamos e, sob muitos as pectos, éramos, parte do impé consultar os jornais da época para se ter a medida da as

do Faubourg

nunca

nasceu na Itália, mas se mun-

salões franceses de Saint Ger-

salão, réplica provinciana dos

crever,

profissão de fé prometia

manismo foram tamanhas que

D. Olivia

tica ainda se conservasse fiel

inovador de gênio, âtico no es- aos cânones do passado, de

poeta lecomtedelisleano,

cipavam pouco da vida cultu Nessa época,

sobre’os paulistas. A prosa já dernista, embora na arte poé^

havia tido Machado de Assis,

atraente dama, que subjugou o mundo durante alguns séculos.

Todos, na sociedade paulistana,

dano.

Brasil, e, no que nos interessa, pecto Bilac era, portanto, mo-

cunscritamente, no século XX, da França, essa formidável e

aos trezentos de Gedeão, segun do os memoralistas da época. As damas da sociedade parti ral, senão no estritamente mun

5

DIOESTO ECONÔMICO

não se preocuparam com a re

gamos 0 seu “charme", a Liga bido em 1907 o ferro-em-brasa do papa Pio X, com a encicliveram o povo brasileiro nas dé-

cadas de 20 e 30. Sob esse as-

ca

Pacendl

dominici

gregis.

consagrada às doutrinas moder

nistas, de modernisiarum doc-


6

DIGESTO ECONÔMICO

frinis. Pio X declarou guerra — é bem a palavra — contra os

modernistas,

arguidos

de

agnósticos, fechados, rigorosa mente, acentua o pontífice, no círculo dos fenômenos, ou das coisas que aparecem, sem te

rem a faculdade, nem o direi to de lhes ultrapassar os limi tes, para chegarem até Deus. A encíclica restringiu-se, por tanto,

aos modernismos teoló

gico e filosófico (1). Mas, pas sar das áreas teológica e filo sófica para outras do pensa mento foi um passo. O moder nismo

não ficaria restrito aos

teólogos e filósofos pouco lidos, Iria expandir-se, para abarcar 0 grande público, através da literatura, da pintura, da escul tura, do teatro, da música. Es tava em marcha há anos o im

pacto modernista contra o pen

cia do idealismo alemão sobre 0 pensamento ocidental. Temos

ta que não há ações isoladas na face da Terra; verdade e

um dos capítulos, não de menor importância, por ter abar cado a maior parcela de públi

entretecem, combaten

do-se, não raro saindo vence dor. sobretudo com o moder

nismo, 0 segundo contra a pri

meira,

Se

em

nossos

dias o

choque entre a verdade e 0 er¬ ro, e as verdades e os erros,

já não impressionam senão no campo político-ideológico, no fim do século XIX e início do

XX provocaram inúmeras polê

micas, e, no estrito campo teológico-filosófico, a intervenção corajosa e oportuna de Pio X. Bréhier ligou a agitação daquele período ao movimento romântico. “Como ele, é rico e confuso; como ele dá origem a obras

de

notabüíssima beleza

meio de defesa ou ataque (2)

(1) Claude Treamontant. La crise moderniste, SeulI, Paris, 1979, p. 221 e ss — Au coeur .2)

e ..

da crise do mundo moderno, da

qual 0 modernismo nas artes é

samento cristão: Pio IX já ha literária e como ele, também, via dado 0 Syllabus, do alto da se presta frequentemente à fal cadeira de Pedro, anatemizan- ta de sinceridade ou ao chardo os erros modernos. Leão latanismo; caiu-se facilmente Xin ocupara-se das “coisas no no perigo de unir a filosofia vas”, mas ficara cautelosamen aos interesses de grupo: Igre te na posição antimodernista. ja, nação ou classe, e transfor Essa era a posição da Igreja. mar a busca da verdade em O modernismo vinha da influên-

Seria longo remontar às origens

dito e repetido vezes sem con erro se

'^<^f^nlste. cartas de MaurJce Blondel e outros, Aubier, Paris,

Êmlle Brehier, Historia de Ia filosofia, Editorial

1960, oosslm

Sudamericana, Buenos Aires, li p. 852

7

DIGESTO ECONÔMICO

co no Ocidente europeu e, por

via da repercussão, na Améri ca. Confirma-se nas origens do modernismo

e

seu desenvolvi

mento, a tese que vimos, reiteradamente, defendendo, a da implicação das idéias, umas

nas outras, e a da longa heran ça dos erros, todos concatenaestuando no século XX, dos, com força impetuosa. Inicialmente

o modernismo preocu-

pou apenas a Igreja docente. O subjetivismo gnoseológico de Kant e as derivações que se lhe seguiram, o idealismo transcen dental de Fichte, Schelling e

Hegel, até o irracionalismo fi-

deístico de Jacobi, Fries e Sch-

leiermacher, o que vemos é o antigo realismo derivar para o individualismo exacerbado (3). Quando irrompe na Alemanha 0 romantismo, e, na França,

pela batalha do “Hernani”, era a exaltação do eu, o narcisis(3)

mo

que

O

romantismo

operou

a

grande transformação do século XIX, sobre os destroços da tra dição, que a revolução franceabalara até às profundezas. É 0 encadeamento das idéias de qus falamos.

sa

Pode revestir a capa do ri dículo 0 que dizemos. Fazer o modernismo brasileiro mergu lhar as suas origens na Prússia de Frederico II é

exagerado, mas quem estuda a fonte das

tomam,

idéias e o rumo que

não deve

ficar

preso

a situações de espaço e tem po. Temos de ir longe, poderia

mos ir, mesmo, ainda mais lon

ge (4)^ mas fiquemos por aqui, no encontro do

indivíduo

con

sigo mesmo. Era preciso igno rar 0 passado, romper com as

tradições,

e,

começando tudo

de novo, emancipar o individuo

Robert Legros. Le ieune Hegel et Ia nelssance de e 63.

pu

derivista, o roteiro é completo.

Cornélio Fabro. verbete ‘■Modernismo", In Enciclopédia Cattolica. G.C. 1860. p. 87

se

reboarem no santuário da fé, onde foram condenados pela encíclica PacendI, de 7 de tembro de 1907. Da Aufkiarüng racionalista ao subjetivismo

rença, 1952.

(4)

individualista

nham em curso, para, afinal,

Saussonl, Fio-

Ia pensée romantlque, Onsla, Bruxelas.


6

DIGESTO ECONÔMICO

frinis. Pio X declarou guerra — é bem a palavra — contra os

modernistas,

arguidos

de

agnósticos, fechados, rigorosa mente, acentua o pontífice, no círculo dos fenômenos, ou das coisas que aparecem, sem te

rem a faculdade, nem o direi to de lhes ultrapassar os limi tes, para chegarem até Deus. A encíclica restringiu-se, por tanto,

aos modernismos teoló

gico e filosófico (1). Mas, pas sar das áreas teológica e filo sófica para outras do pensa mento foi um passo. O moder nismo

não ficaria restrito aos

teólogos e filósofos pouco lidos, Iria expandir-se, para abarcar 0 grande público, através da literatura, da pintura, da escul tura, do teatro, da música. Es tava em marcha há anos o im

pacto modernista contra o pen

cia do idealismo alemão sobre 0 pensamento ocidental. Temos

ta que não há ações isoladas na face da Terra; verdade e

um dos capítulos, não de menor importância, por ter abar cado a maior parcela de públi

entretecem, combaten

do-se, não raro saindo vence dor. sobretudo com o moder

nismo, 0 segundo contra a pri

meira,

Se

em

nossos

dias o

choque entre a verdade e 0 er¬ ro, e as verdades e os erros,

já não impressionam senão no campo político-ideológico, no fim do século XIX e início do

XX provocaram inúmeras polê

micas, e, no estrito campo teológico-filosófico, a intervenção corajosa e oportuna de Pio X. Bréhier ligou a agitação daquele período ao movimento romântico. “Como ele, é rico e confuso; como ele dá origem a obras

de

notabüíssima beleza

meio de defesa ou ataque (2)

(1) Claude Treamontant. La crise moderniste, SeulI, Paris, 1979, p. 221 e ss — Au coeur .2)

e ..

da crise do mundo moderno, da

qual 0 modernismo nas artes é

samento cristão: Pio IX já ha literária e como ele, também, via dado 0 Syllabus, do alto da se presta frequentemente à fal cadeira de Pedro, anatemizan- ta de sinceridade ou ao chardo os erros modernos. Leão latanismo; caiu-se facilmente Xin ocupara-se das “coisas no no perigo de unir a filosofia vas”, mas ficara cautelosamen aos interesses de grupo: Igre te na posição antimodernista. ja, nação ou classe, e transfor Essa era a posição da Igreja. mar a busca da verdade em O modernismo vinha da influên-

Seria longo remontar às origens

dito e repetido vezes sem con erro se

'^<^f^nlste. cartas de MaurJce Blondel e outros, Aubier, Paris,

Êmlle Brehier, Historia de Ia filosofia, Editorial

1960, oosslm

Sudamericana, Buenos Aires, li p. 852

7

DIGESTO ECONÔMICO

co no Ocidente europeu e, por

via da repercussão, na Améri ca. Confirma-se nas origens do modernismo

e

seu desenvolvi

mento, a tese que vimos, reiteradamente, defendendo, a da implicação das idéias, umas

nas outras, e a da longa heran ça dos erros, todos concatenaestuando no século XX, dos, com força impetuosa. Inicialmente

o modernismo preocu-

pou apenas a Igreja docente. O subjetivismo gnoseológico de Kant e as derivações que se lhe seguiram, o idealismo transcen dental de Fichte, Schelling e

Hegel, até o irracionalismo fi-

deístico de Jacobi, Fries e Sch-

leiermacher, o que vemos é o antigo realismo derivar para o individualismo exacerbado (3). Quando irrompe na Alemanha 0 romantismo, e, na França,

pela batalha do “Hernani”, era a exaltação do eu, o narcisis(3)

mo

que

O

romantismo

operou

a

grande transformação do século XIX, sobre os destroços da tra dição, que a revolução franceabalara até às profundezas. É 0 encadeamento das idéias de qus falamos.

sa

Pode revestir a capa do ri dículo 0 que dizemos. Fazer o modernismo brasileiro mergu lhar as suas origens na Prússia de Frederico II é

exagerado, mas quem estuda a fonte das

tomam,

idéias e o rumo que

não deve

ficar

preso

a situações de espaço e tem po. Temos de ir longe, poderia

mos ir, mesmo, ainda mais lon

ge (4)^ mas fiquemos por aqui, no encontro do

indivíduo

con

sigo mesmo. Era preciso igno rar 0 passado, romper com as

tradições,

e,

começando tudo

de novo, emancipar o individuo

Robert Legros. Le ieune Hegel et Ia nelssance de e 63.

pu

derivista, o roteiro é completo.

Cornélio Fabro. verbete ‘■Modernismo", In Enciclopédia Cattolica. G.C. 1860. p. 87

se

reboarem no santuário da fé, onde foram condenados pela encíclica PacendI, de 7 de tembro de 1907. Da Aufkiarüng racionalista ao subjetivismo

rença, 1952.

(4)

individualista

nham em curso, para, afinal,

Saussonl, Fio-

Ia pensée romantlque, Onsla, Bruxelas.


8

DIGESTO ECONÔMICO

de rançosos idade

compromissos de

caduca.

0

modernismo

em arte veio a ser uma das ex-

pressões da revolução que sa code 0 mundo, do século passa do aos nossos dias, e continua

rá no futuro

mesmo itinerário pelo afora, porquanto hoje

de acordo com Maritain, quan do diz 0 filósofo que a "poesia moderna não deve ser julgada e compreendida na perspectiva da estética clássica e da mera

literatura." É preciso distan ciar-se^ e Maritain cita Mallar-

g

DIGESTO ECONÔMICO

de" foi-lhe revelado

em Paris

des do ateísmo modernista.

(6)*'. Esse manifesto

era deli

Toda esta longa introdução foi elaborada para chegarmos ao modernismo brasileiro, ini cialmente chamado futurismo.

redação todo o ardor peninsu

periência”, uma das modalida

mé, precursor do modernismo

Evidentemente, os modernistas paulistas não eram versados

francês e mundial, quando

rante. Marinetti pusera em sua

lar. Era 0 Manifesto

do

que

Chesterton chamaria um luná tico. Hoje faz rir. mas, na épo-

foi tomado a sério, Publide cou-o em 20 de fevereiro

ca

está incorporado até a corren tes espirituais de forte e densa fé na imortalidade da alma e na onipotência de Deus. Mas

o

em filosofia. Não haviam mer

poeta fala de sua luta contra

gulhado nos abismos do pensa

Deus (5).

Deve-se, pois,

jul

mento, de onde se volta com os

nas suas origens, no seu desen volvimento, no seu apogeu, em

Figaro”. Marinetti

subversão

revolucionária

que

Agostinho, Santo

Tomás, Des-

da ciência e da tecnologia, ain-

filosófica desses

engatinhamento. Como bom ita liano, estuante de vida, o fun

fins do século XIX e início do século XX, 0 modernismo cons tituía — e até hoje não o per deu — um compromisso acer tado com 0 futuro. Rompeu com 0 real, desvencilhou

o

m-

divíduo de qualquer submissão à verdade absoluta; o felativismo passou a ser a regra defi

nitiva em filosofia; a liberda de sem os entraves naturais que lhe são opostos em todas as sociedades humanas impôsse como o cânone supremo na arte.

Daí ao

Estado

forte foi

um passo. Ao individualismo atomizado se opõe o totalitaris mo. É 0 fenômeno do nosso sé culo, como não o conheceram as idades passadas. Estamos (5)

gá-lo antes na perspectiva da se infiltrou na civilização e na cultura do mundo moderno, ao parecer, sem paradeiro. Quan

do o modernismo se espraiou,

conduziu no seu movimento 0 imanentismo, sob cujo signo nasceu. Não havia mais regras

a obedecer. Não havia mais padrões aos quais ficar circuns crito. O individualismo tornouse livre de restrições

invenção,

chamada,

e cada

circuns-

tancialmente, experiência, uma

pré-socráticos, Platão, Aristóteles, Plotino, Seneca, Santo cartes, Kant,

descendência

cumes

da

Hegel e toda a

sabedoria. Espírito

im-

presisionado com as conquistas da nos difíceis

equilíbrios do

a nosso ver

inconscientemente,

época, foi a Paris, visitou Ro-

na linha da contestação religio-

ma

sa

e

outras cidades ilustres.

‘Regressando cm

1912, Oswald

da Europa,

de Andrade

fazia-se o primeiro importador do "futurismo” de que

tivera

apenas notícia no Velho Mun

gando o combate ao academismo, guerreando as quinquilha-

Jacquoe Maritain, Creative intuition in art au poetry, Pantheon Books, 1053, p. 177 e es.

mostrava-se

dador do futurismo colocava-se

mente, de chapéu na cabeça chado, estava fazendo uma “ex¬

Le

irriquieto, Oswald de Andrade,

do. O Manifesto Futurista, de Marinetti, anunciando o com

numa procissão, e quase foi lin

parisiense

o jornal

que era rico, ao menos para a

das manifestações de liberda de, ou do que era entendido como liberdade. Quando Flávio

de Carvalho entrou, ostensiva

1909

promisso da literatura com a nova civilização técnica, pre

nas e os museus

e exaltando o

culto às “palavras em liberda-

filosófica, como procura-

e

demonstrar antes. Vinha à laia de iconoclasta, derrubando mos

ídolos, invectivando o passado,

desafiando as tradições caras

mais

de sua pátria e de sua

época. Suas "primeiras

vonta-

des” eram onze:

1 amor

— Queremos cantar

do

o

perigo, o hábito da

energia e da temeridade.

2 _ Os

elementos

essen

ciais de nossa poesia são a coragem, a

audácia e a revolta.

16] Mário da Silva Brito. História do Modernismo Brasileiro. Saraiva, São Paulo, 1956, p. 26.


8

DIGESTO ECONÔMICO

de rançosos idade

compromissos de

caduca.

0

modernismo

em arte veio a ser uma das ex-

pressões da revolução que sa code 0 mundo, do século passa do aos nossos dias, e continua

rá no futuro

mesmo itinerário pelo afora, porquanto hoje

de acordo com Maritain, quan do diz 0 filósofo que a "poesia moderna não deve ser julgada e compreendida na perspectiva da estética clássica e da mera

literatura." É preciso distan ciar-se^ e Maritain cita Mallar-

g

DIGESTO ECONÔMICO

de" foi-lhe revelado

em Paris

des do ateísmo modernista.

(6)*'. Esse manifesto

era deli

Toda esta longa introdução foi elaborada para chegarmos ao modernismo brasileiro, ini cialmente chamado futurismo.

redação todo o ardor peninsu

periência”, uma das modalida

mé, precursor do modernismo

Evidentemente, os modernistas paulistas não eram versados

francês e mundial, quando

rante. Marinetti pusera em sua

lar. Era 0 Manifesto

do

que

Chesterton chamaria um luná tico. Hoje faz rir. mas, na épo-

foi tomado a sério, Publide cou-o em 20 de fevereiro

ca

está incorporado até a corren tes espirituais de forte e densa fé na imortalidade da alma e na onipotência de Deus. Mas

o

em filosofia. Não haviam mer

poeta fala de sua luta contra

gulhado nos abismos do pensa

Deus (5).

Deve-se, pois,

jul

mento, de onde se volta com os

nas suas origens, no seu desen volvimento, no seu apogeu, em

Figaro”. Marinetti

subversão

revolucionária

que

Agostinho, Santo

Tomás, Des-

da ciência e da tecnologia, ain-

filosófica desses

engatinhamento. Como bom ita liano, estuante de vida, o fun

fins do século XIX e início do século XX, 0 modernismo cons tituía — e até hoje não o per deu — um compromisso acer tado com 0 futuro. Rompeu com 0 real, desvencilhou

o

m-

divíduo de qualquer submissão à verdade absoluta; o felativismo passou a ser a regra defi

nitiva em filosofia; a liberda de sem os entraves naturais que lhe são opostos em todas as sociedades humanas impôsse como o cânone supremo na arte.

Daí ao

Estado

forte foi

um passo. Ao individualismo atomizado se opõe o totalitaris mo. É 0 fenômeno do nosso sé culo, como não o conheceram as idades passadas. Estamos (5)

gá-lo antes na perspectiva da se infiltrou na civilização e na cultura do mundo moderno, ao parecer, sem paradeiro. Quan

do o modernismo se espraiou,

conduziu no seu movimento 0 imanentismo, sob cujo signo nasceu. Não havia mais regras

a obedecer. Não havia mais padrões aos quais ficar circuns crito. O individualismo tornouse livre de restrições

invenção,

chamada,

e cada

circuns-

tancialmente, experiência, uma

pré-socráticos, Platão, Aristóteles, Plotino, Seneca, Santo cartes, Kant,

descendência

cumes

da

Hegel e toda a

sabedoria. Espírito

im-

presisionado com as conquistas da nos difíceis

equilíbrios do

a nosso ver

inconscientemente,

época, foi a Paris, visitou Ro-

na linha da contestação religio-

ma

sa

e

outras cidades ilustres.

‘Regressando cm

1912, Oswald

da Europa,

de Andrade

fazia-se o primeiro importador do "futurismo” de que

tivera

apenas notícia no Velho Mun

gando o combate ao academismo, guerreando as quinquilha-

Jacquoe Maritain, Creative intuition in art au poetry, Pantheon Books, 1053, p. 177 e es.

mostrava-se

dador do futurismo colocava-se

mente, de chapéu na cabeça chado, estava fazendo uma “ex¬

Le

irriquieto, Oswald de Andrade,

do. O Manifesto Futurista, de Marinetti, anunciando o com

numa procissão, e quase foi lin

parisiense

o jornal

que era rico, ao menos para a

das manifestações de liberda de, ou do que era entendido como liberdade. Quando Flávio

de Carvalho entrou, ostensiva

1909

promisso da literatura com a nova civilização técnica, pre

nas e os museus

e exaltando o

culto às “palavras em liberda-

filosófica, como procura-

e

demonstrar antes. Vinha à laia de iconoclasta, derrubando mos

ídolos, invectivando o passado,

desafiando as tradições caras

mais

de sua pátria e de sua

época. Suas "primeiras

vonta-

des” eram onze:

1 amor

— Queremos cantar

do

o

perigo, o hábito da

energia e da temeridade.

2 _ Os

elementos

essen

ciais de nossa poesia são a coragem, a

audácia e a revolta.

16] Mário da Silva Brito. História do Modernismo Brasileiro. Saraiva, São Paulo, 1956, p. 26.


12

diqesto econômico

Semana. Esta inspirou-se nos futuristas italianos, em Appolinaire; em Cendrars e outros escritores, mais ou menos do minados na Europa pela ânsia da inovação, seduzidos que es tavam pela demolição política e social do Ocidente, iniciada na guerra.

Depois da revolução fran cesa, a história registrou o bo-

napartismo, o surto do libera lismo burguês, os movimentos operários, o Manifesto Comu nista, 0 Syllabus, as encíclicas

Rerum Novarum, Pacendí e outras, a carnificina de 1914-18, o suicídio da Europa, a desinte

gração de impérios, que pare ciam sólidos, a revolução rus sa. a URSS. e a década de 20 com a seqüela de todos os males que as grandes revolu ções teológicas e filosóficas engendraram no Ocidente. O fu turismo veio se encaixar nesse

drama. Rompeu com o passa do. Os futuristas — como

auto

se

denominavam — de São

cente de

Carvalho e quantos

com eles se aparentassem nas letras. Louvaram

0

novo

em

pintura, escultura, musica, lite

ratura

com

arrasando o passado, palavras cáusticas. A

“Pauiicéia Desvairada”, eviden te exagero ou licença poética

de Mário de Andrade fôra um marco. Outros se lhe

empare

lham na história do modernis mo (10), naqueles domínios da cultura. Não fazemos a histó ria do modernismo, nem da Se mana. Essa obra já foi reali

zada, pelos autores que citamos neste capítulo. Deixamo-la

re-

gistrada como um acontecimen

to paulista, um desses eventos

que abalam as colunas dos tem plos

porquanto

conquistam

adeptos, graças aos quais se prolongam cronologicamente. Yan (João Fernando) de

Almeida Prado (11) participou

da Semana. Tiqha 25 anos de idade. Já era grande bibliófilo

e iria despontar como um dos maiores historiadores do perío do Colonial do Brasil. Mas não atribui à Semana a importân

Paulo também romperam com 0 passado, zurzíndo Bilac, Al berto de Oliveira, Raimundo

cia que lhe assinalam

Correia, Francisca

historiadores e cronistas. Para

Júlia, Vi¬

os

seus

MO) P.M. Bardi. O Modernismo no Brasil. Sudameris, São Paulo, 1978 oasaim (11) Yan (J.F.) de Almeida Prado, A grande Semana de Arte Moderòa Edart. S8o Paulo passim.

13

DIGESTO ECONÔMICO

Yan de Almeida Prado a Semana

de Arte Moderna nome que

teria

sugerido

a

esposa

na, mal iluminada pela Compa nhia do Gás e pela Light. Pro movendo a Semana, como ha viam feito com o futurismo os

italianos, alcançariam resulta do. Segundo Yan, era uma es pécie de- atividade de "camelots” literários, sofregamente

praticada

por

moços sem outro lazer que não

os cabarés, o cinema e os bai les de damas e cavalheiros, mais ou

menos cerimoniosos.

Mário de Andrade no "Prefácio Interessantíssimo” recusa ade são ao futurismo de Oswald de Andrade e se confessa passa-

dista. Mas teve o mau gosto de escrever

uma

Ode ao

A digestão bem feita

de

Paulo Prado, num almoço, casa da ave na velha e bela nida Higienópolis, não pas sou de brincadeira de jovens, entediados na cidade provincia

demagógicos,

[burguês níquel, o burguês-burguês!

bur-

guês”, primaríssima, sem rela

de

[São Paulo! O homem-curva! O homem-

[nádegas!

Quem seria o burguês

de

Mário de Andrade? Não houve

burgueses em São Paulo. Fran cisco Matarazzo I? Um mem

bro das classes médias superionobilitado pelo rei da Itáres Outros italianos? Todos lia. membros

das

classes médias

superiores. Então, que burguês

era esse, cantado pelo papa do

modernismo?

Mário de Andrade, que não

quis aderir de pronto ^s novas idéias e

até elogiou Bilac, _

o

execrado parnasiano foi tradi-

cionalista

pertenceu

religião, pois uma irmesmo a

em

mandade e usou opa (12). No Interessantíssimo” “Prefácio afirmou não querer discípu-

los. Não Os teve. Granjeou mul tidão de amigos,

admiradoincondicio-

muito.

ção alguma com o burguês já

res,

louvadores

nais.

Cultivou-os

alguns versos do poema de Má

0 maior epistológrafo do Bra sil. Ninguém escreveu tantas

fartamente estudado. Leiaimos

rio de Andrade:

Eu insulto 0 burguês! O (i2) Iviarlo da Silva Brito. op. cit.

Foi

cartas, aos mais variados des tinatários. Deixou um roman¬


12

diqesto econômico

Semana. Esta inspirou-se nos futuristas italianos, em Appolinaire; em Cendrars e outros escritores, mais ou menos do minados na Europa pela ânsia da inovação, seduzidos que es tavam pela demolição política e social do Ocidente, iniciada na guerra.

Depois da revolução fran cesa, a história registrou o bo-

napartismo, o surto do libera lismo burguês, os movimentos operários, o Manifesto Comu nista, 0 Syllabus, as encíclicas

Rerum Novarum, Pacendí e outras, a carnificina de 1914-18, o suicídio da Europa, a desinte

gração de impérios, que pare ciam sólidos, a revolução rus sa. a URSS. e a década de 20 com a seqüela de todos os males que as grandes revolu ções teológicas e filosóficas engendraram no Ocidente. O fu turismo veio se encaixar nesse

drama. Rompeu com o passa do. Os futuristas — como

auto

se

denominavam — de São

cente de

Carvalho e quantos

com eles se aparentassem nas letras. Louvaram

0

novo

em

pintura, escultura, musica, lite

ratura

com

arrasando o passado, palavras cáusticas. A

“Pauiicéia Desvairada”, eviden te exagero ou licença poética

de Mário de Andrade fôra um marco. Outros se lhe

empare

lham na história do modernis mo (10), naqueles domínios da cultura. Não fazemos a histó ria do modernismo, nem da Se mana. Essa obra já foi reali

zada, pelos autores que citamos neste capítulo. Deixamo-la

re-

gistrada como um acontecimen

to paulista, um desses eventos

que abalam as colunas dos tem plos

porquanto

conquistam

adeptos, graças aos quais se prolongam cronologicamente. Yan (João Fernando) de

Almeida Prado (11) participou

da Semana. Tiqha 25 anos de idade. Já era grande bibliófilo

e iria despontar como um dos maiores historiadores do perío do Colonial do Brasil. Mas não atribui à Semana a importân

Paulo também romperam com 0 passado, zurzíndo Bilac, Al berto de Oliveira, Raimundo

cia que lhe assinalam

Correia, Francisca

historiadores e cronistas. Para

Júlia, Vi¬

os

seus

MO) P.M. Bardi. O Modernismo no Brasil. Sudameris, São Paulo, 1978 oasaim (11) Yan (J.F.) de Almeida Prado, A grande Semana de Arte Moderòa Edart. S8o Paulo passim.

13

DIGESTO ECONÔMICO

Yan de Almeida Prado a Semana

de Arte Moderna nome que

teria

sugerido

a

esposa

na, mal iluminada pela Compa nhia do Gás e pela Light. Pro movendo a Semana, como ha viam feito com o futurismo os

italianos, alcançariam resulta do. Segundo Yan, era uma es pécie de- atividade de "camelots” literários, sofregamente

praticada

por

moços sem outro lazer que não

os cabarés, o cinema e os bai les de damas e cavalheiros, mais ou

menos cerimoniosos.

Mário de Andrade no "Prefácio Interessantíssimo” recusa ade são ao futurismo de Oswald de Andrade e se confessa passa-

dista. Mas teve o mau gosto de escrever

uma

Ode ao

A digestão bem feita

de

Paulo Prado, num almoço, casa da ave na velha e bela nida Higienópolis, não pas sou de brincadeira de jovens, entediados na cidade provincia

demagógicos,

[burguês níquel, o burguês-burguês!

bur-

guês”, primaríssima, sem rela

de

[São Paulo! O homem-curva! O homem-

[nádegas!

Quem seria o burguês

de

Mário de Andrade? Não houve

burgueses em São Paulo. Fran cisco Matarazzo I? Um mem

bro das classes médias superionobilitado pelo rei da Itáres Outros italianos? Todos lia. membros

das

classes médias

superiores. Então, que burguês

era esse, cantado pelo papa do

modernismo?

Mário de Andrade, que não

quis aderir de pronto ^s novas idéias e

até elogiou Bilac, _

o

execrado parnasiano foi tradi-

cionalista

pertenceu

religião, pois uma irmesmo a

em

mandade e usou opa (12). No Interessantíssimo” “Prefácio afirmou não querer discípu-

los. Não Os teve. Granjeou mul tidão de amigos,

admiradoincondicio-

muito.

ção alguma com o burguês já

res,

louvadores

nais.

Cultivou-os

alguns versos do poema de Má

0 maior epistológrafo do Bra sil. Ninguém escreveu tantas

fartamente estudado. Leiaimos

rio de Andrade:

Eu insulto 0 burguês! O (i2) Iviarlo da Silva Brito. op. cit.

Foi

cartas, aos mais variados des tinatários. Deixou um roman¬


14

DIQESTO ECONÔMICO

ce, Macunaíma, que merece a perenidade das estantes. É um

retrato do Brasil, sobre o qual tudo o que era preciso escre

ver foi escrito, até com exage ro. De 1922 à sua morte, Má rio de Andrade foi considerado

o líder do modernismo, condi ção que aceitou, embora de iní cio tenha repelido o envolvi mento de Qswald de Andrade. Mais lido mais-‘declamado,

mais famoso do que Mário de Andrade, foi Menotti Del Ficchia. Autor do Manifesto da Semana, procurou as influên

cias italianas, e, embora ade rindo entusiasticamente ao modernismo, não deixou de ser

d'annunziano em poesia

e

ro-

mance, e lírico no "Juca Mula to”, um dos mais famosos e for mosos poemas já escritos

no

Brasil, tão famoso que acabou nome de praça.

O modernismo paulista foi

eclético. Teve pintores, escul tores, prosadores, poetas, mú

sicos e até mecenas. Dona Olí-

via Guedes Penteado, dama ri ca, flor do patriciado do pla nalto,

afrancesada nos costu

mes, nos ambientes em que vi veu

e

na

sólida

fl3) P.M. Bardi, op. cit.

franco-

15

DIGESTO ECONÔMICO

filia que nunca escondeu. A Se

va Paulicéia.

mana de Arte Moderna foi tra zida de fora. Appolinaire teve cópias, Marinetti, Papini e ou

quando este livro foi escrito,, o repertório das transformações por que passou e passa o Bra sil não se esgota no reduzido espaço de um capítulo. O de

tros futuristas da Itália e

da

França passaram pelo decal que, em São Paulo. Nem po dería ser diferente. Os paulis tas — e estrangeiros que parti ciparam da Semana — estavam impregnados de influência ita

De 1922 a

1982,

senvolvimento industrial mudou a fisionomia da cidade. Em 1922 eram 500 mil habitantes e uma

sociedade pequena, onde todos se

conheciam. Em 1982 são 12

liana e francesa. O modernis

milhões incluindo a Grande São

mo teve cultores fora de

São

Paulo, com todas as caracterís

boliço é mais intenso er as

ca¬

clatura

Paulo, mas foi aqui “onde o re-

ticas da megalópole da nomende Lewis Munford.

beças quentes não descansam”,

Resta da

polga 0 Brasil com "Juca Mu lato j título inovador e inusita do de uma rapsódia que revela e enuncia um sentido inédito de brasílidade, de permeio a uma mística até então não percebi da (13) . Como se ve„ a Sema na de Arte Moderna continua,

mória de Mário e_Oswald de

na Paulicéia que Menotti emc:_.’

60 anos depois, a suscitar con trovérsia. polêmicas, debates. Há posições radicalizadas que

nada consegue demover, importa recenceá-las. O importa é a ressonância

Não que seis

décadas depois, de uma alegre,

ruidosa, bulhenta promoção de

moços da que, então, se chama-

Semana a nostalgia

de alguns, a fidelidade à me

Andrade — que não eram pa

rentes; eram homônimos. — a

amizade a Menotti Del Picchia e Yan de Almeida Prado, com mais alguns, os derradeiros sobreviventes daquele espantosa mente longínquo ano do primei-

ro centenário da Independência.

_

.

fi

Não julgamos a Semana de Arte Moderna. Colocamo-la no

quadro da vasta, longa, ampla relação entre o modernismo ge rado pelo racionalismo filosófiCO e pelo individualismo r-eli-

gioso, e esgalhado

nos vários

da cultura, na arte, nas letras, na música, nos costu

ramos

mes, no agnosticismo, na rutudo real, na quebra dos câno

ra

nes morais, em suma, na gran

de crise do mundo moderno. É um episódio da repercussão

desse fenômeno, em São Paulo,

que nao se deu conta de ser a

caixa acústica onde vieram re

percutir essas ondas lançadas

velha Europa, em longínquo passado. Concluo, sem tomar

na

partido, lembrando que os pau listas desvendaram o roteiro do modernismo no Brasil, constituindo-se

na sua

vanguarda.

Não fazemos julgamentos ^ de valor. Somente a constatação.

U.S.P- pCSCJuiSâ llora IBCdlCinal

o estudo sistemático das

plantas medicinais, em

razSo de vigoroso ressurgimento da fitoterapia (tratamento de doenças tome-se a cada dia mais atual e importante. com substâncias vegetais), Os motivos dessa crescente utilização de vegetais encontram explicação no receio das pessoas quanto aos perigos dos excessos no no uso irracional de fármacos e na degradaçao geral do ambiente humano, Na opinião do

prof. Paulo Chanel Deodato de Preitas, do Departamento

de Farmácia, da

Faculdade de Ci^cias Farmacêuticas, da Universidade (Continua na página 32)


14

DIQESTO ECONÔMICO

ce, Macunaíma, que merece a perenidade das estantes. É um

retrato do Brasil, sobre o qual tudo o que era preciso escre

ver foi escrito, até com exage ro. De 1922 à sua morte, Má rio de Andrade foi considerado

o líder do modernismo, condi ção que aceitou, embora de iní cio tenha repelido o envolvi mento de Qswald de Andrade. Mais lido mais-‘declamado,

mais famoso do que Mário de Andrade, foi Menotti Del Ficchia. Autor do Manifesto da Semana, procurou as influên

cias italianas, e, embora ade rindo entusiasticamente ao modernismo, não deixou de ser

d'annunziano em poesia

e

ro-

mance, e lírico no "Juca Mula to”, um dos mais famosos e for mosos poemas já escritos

no

Brasil, tão famoso que acabou nome de praça.

O modernismo paulista foi

eclético. Teve pintores, escul tores, prosadores, poetas, mú

sicos e até mecenas. Dona Olí-

via Guedes Penteado, dama ri ca, flor do patriciado do pla nalto,

afrancesada nos costu

mes, nos ambientes em que vi veu

e

na

sólida

fl3) P.M. Bardi, op. cit.

franco-

15

DIGESTO ECONÔMICO

filia que nunca escondeu. A Se

va Paulicéia.

mana de Arte Moderna foi tra zida de fora. Appolinaire teve cópias, Marinetti, Papini e ou

quando este livro foi escrito,, o repertório das transformações por que passou e passa o Bra sil não se esgota no reduzido espaço de um capítulo. O de

tros futuristas da Itália e

da

França passaram pelo decal que, em São Paulo. Nem po dería ser diferente. Os paulis tas — e estrangeiros que parti ciparam da Semana — estavam impregnados de influência ita

De 1922 a

1982,

senvolvimento industrial mudou a fisionomia da cidade. Em 1922 eram 500 mil habitantes e uma

sociedade pequena, onde todos se

conheciam. Em 1982 são 12

liana e francesa. O modernis

milhões incluindo a Grande São

mo teve cultores fora de

São

Paulo, com todas as caracterís

boliço é mais intenso er as

ca¬

clatura

Paulo, mas foi aqui “onde o re-

ticas da megalópole da nomende Lewis Munford.

beças quentes não descansam”,

Resta da

polga 0 Brasil com "Juca Mu lato j título inovador e inusita do de uma rapsódia que revela e enuncia um sentido inédito de brasílidade, de permeio a uma mística até então não percebi da (13) . Como se ve„ a Sema na de Arte Moderna continua,

mória de Mário e_Oswald de

na Paulicéia que Menotti emc:_.’

60 anos depois, a suscitar con trovérsia. polêmicas, debates. Há posições radicalizadas que

nada consegue demover, importa recenceá-las. O importa é a ressonância

Não que seis

décadas depois, de uma alegre,

ruidosa, bulhenta promoção de

moços da que, então, se chama-

Semana a nostalgia

de alguns, a fidelidade à me

Andrade — que não eram pa

rentes; eram homônimos. — a

amizade a Menotti Del Picchia e Yan de Almeida Prado, com mais alguns, os derradeiros sobreviventes daquele espantosa mente longínquo ano do primei-

ro centenário da Independência.

_

.

fi

Não julgamos a Semana de Arte Moderna. Colocamo-la no

quadro da vasta, longa, ampla relação entre o modernismo ge rado pelo racionalismo filosófiCO e pelo individualismo r-eli-

gioso, e esgalhado

nos vários

da cultura, na arte, nas letras, na música, nos costu

ramos

mes, no agnosticismo, na rutudo real, na quebra dos câno

ra

nes morais, em suma, na gran

de crise do mundo moderno. É um episódio da repercussão

desse fenômeno, em São Paulo,

que nao se deu conta de ser a

caixa acústica onde vieram re

percutir essas ondas lançadas

velha Europa, em longínquo passado. Concluo, sem tomar

na

partido, lembrando que os pau listas desvendaram o roteiro do modernismo no Brasil, constituindo-se

na sua

vanguarda.

Não fazemos julgamentos ^ de valor. Somente a constatação.

U.S.P- pCSCJuiSâ llora IBCdlCinal

o estudo sistemático das

plantas medicinais, em

razSo de vigoroso ressurgimento da fitoterapia (tratamento de doenças tome-se a cada dia mais atual e importante. com substâncias vegetais), Os motivos dessa crescente utilização de vegetais encontram explicação no receio das pessoas quanto aos perigos dos excessos no no uso irracional de fármacos e na degradaçao geral do ambiente humano, Na opinião do

prof. Paulo Chanel Deodato de Preitas, do Departamento

de Farmácia, da

Faculdade de Ci^cias Farmacêuticas, da Universidade (Continua na página 32)


Método Paulo

Freire - apreciação e crítica Dom

SERVIÇO CENTRAL DE

f

educacional que afasta os alunos da visão

SCPC O SCPC protege o credito, financiamento e investimento ^0^0 atividade pioíeira da ACSP. Todas as atividades deste orgâo esfâo solidamente apoiadas

As publicações de Paulo Freire e as idéias nelas expres sas alcançaram vasta divulga

Isto possibilita responder, com precisSo e eficiência, todas

e influenciaram principalmente professores e educadores, tam bém de parcela, mais ou me

por modernos serviços de computador

as consultas dos associados Associe-se à ACSP e aproveite as vantagens dos serviços do SCPC,

ção, penetraram a mentalidade

nos reduzida, de religiosas de

cristã. acertadas

e

merecedoras de

apoio e louvor. Assim, uma acentuada e dominadora aspi ração por maior justiça social e por inovadoras medidas eco nômicas caracterizam sua opu

lenta produção. Acentua forte mente. e com razão, que a edu

nosso

cação não se limitará à monó

País como igualmente em ou;tros do continente latino-ame ricano. Há. sem dúvida, nas posições filosófico-doutrinárias desse autor pontos e colocações

tona e fria transmissão de co

dicadas

Rua Boa Visla, 51 — C. Postal 8082 - Cep 01014 — Telex (11) 23355 — SP - PABX 239-1333.

Scherer

O sistema

PROTEÇÃO AO CRÉDITO a ncssoa^

Vicente

ao

ensino

em

nhecimentos, mas exige a par ticipação do aluno e do edu cando no propósito e na tarefa

do mestre de, comunicando-lhe


Método Paulo

Freire - apreciação e crítica Dom

SERVIÇO CENTRAL DE

f

educacional que afasta os alunos da visão

SCPC O SCPC protege o credito, financiamento e investimento ^0^0 atividade pioíeira da ACSP. Todas as atividades deste orgâo esfâo solidamente apoiadas

As publicações de Paulo Freire e as idéias nelas expres sas alcançaram vasta divulga

Isto possibilita responder, com precisSo e eficiência, todas

e influenciaram principalmente professores e educadores, tam bém de parcela, mais ou me

por modernos serviços de computador

as consultas dos associados Associe-se à ACSP e aproveite as vantagens dos serviços do SCPC,

ção, penetraram a mentalidade

nos reduzida, de religiosas de

cristã. acertadas

e

merecedoras de

apoio e louvor. Assim, uma acentuada e dominadora aspi ração por maior justiça social e por inovadoras medidas eco nômicas caracterizam sua opu

lenta produção. Acentua forte mente. e com razão, que a edu

nosso

cação não se limitará à monó

País como igualmente em ou;tros do continente latino-ame ricano. Há. sem dúvida, nas posições filosófico-doutrinárias desse autor pontos e colocações

tona e fria transmissão de co

dicadas

Rua Boa Visla, 51 — C. Postal 8082 - Cep 01014 — Telex (11) 23355 — SP - PABX 239-1333.

Scherer

O sistema

PROTEÇÃO AO CRÉDITO a ncssoa^

Vicente

ao

ensino

em

nhecimentos, mas exige a par ticipação do aluno e do edu cando no propósito e na tarefa

do mestre de, comunicando-lhe


DIGESTO

18

os tesouros do saber, formar a sua personalidade e torná-lo capaz de interpretar a reali dade julgando-a por si mesmo correta e objetivamente. Neste

de educação

criticando o hábito

"Pedagogia do oprimido”, pas-

ra depreciativa, de

constante de uma sucessão re petida sem cessar de uma tese aceita, de sua imediata antíte

se contrária, resultando destaluta uma nova síntese. Repetese este processo sem interrup ção (Cf. "Conscientização” e

sentido fala Freire, de manei bancária,

ECONÔMICO

exclusivamente

transmitir

noções e doutrinas ao espírito receptivo de ouvintes passivos.

Exprime -esta palavra a noção

de que, por vezes, o ensino se identifica e assemelha a um depósito que se faz em estabe lecimento de crédito, com a

passividade

forçada

do

estu

dante.

Mas a filosofia educacional

subjacente ao pensamento de Paulo Freire não se concilia e não se harmoniza com os prin cípios da doutrina cristã e com eles está em

chocante e irre-

conciliável contradição. Aceita

sim).

A própria expressão de "opressores e oprimidos muito em voga em certa espécie de literatura eclesial, se origi Manifesto comunista de Marx de 1848: 'Livres e escravos, patrícios e plebeus, na do

barões e servos da gleba, mes tres e subordinados, em uma palavra, opressores e oprimi dos, estão frente a frente sempre empenhados em uma luta ininterrupta, velada umas ve

zes e outras franca e aberta. em uma luta que conduz em ca da etapa à transformação revo

formalmente a dialética hegeliana e a interpretação marxis ta da história, no sentido de

lucionária de todo 0 regime so cial ou ao extermínio de ambas

que o desenvolvimento e a evo

explicação e a justificação apresentada da inexorável e insuprimível "luta de classes”, base e quinta-essência da in terpretação .marxista da histó ria e do processo da produção,

lução não só no campo da pro dução mas da mesma maneirai nos setores da cultura, das

artes, da religião, etc. é efeito cego e fatal da oposição inafastável existente na realidade,

as classes beligerantes".

É a

Ê a filosofia substancial de to-

DIGESTO ECONÔMICO

19

do 0 sistema adotado nos regi

velam iniludivelmente agnósti

mes comunistas. Insistente mente fala Freire de transfor

cas e plenamente laicistas. Pro

mação ou “liberação revolu cionária” cujo sentido, rumo e objetivos se tornam claros

põe como objeto prioritário e exclusivo a formação do ho mem capaz e decidido de se en gajar na luta

transformadora

"Reconhecemos

e revolucionária no sentido in

que na supressão das contradi ções entre "opressores e opri midos”, que só pode ser pro gramada e realizada por estes (os oprimidos), está implícito o desaparecimento dos primeiros como classe que oprime” (Pe

dicado. A filosofia cristã, aos invés, e principalmente o Evan gelho, ou a educação cristã, na tradição e em todos os do cumentos da Igreja, colocam

e manifestos:

muito mais alto a finalidade do

dagogia do Oprimido, p. 56).

esforço educacional na família, na escola e na Igreja. Visa ela

Pensar em conciliação entre as classes conflitantes, em qual quer base e condição, torna-se

das as suas virtualidades e ta lentos naturais apontando-lhe

impossível, “dado o antagonis mo indisfarçável existente en

os ideais da justiça, da retidão, da solidariedade, da indepen

a desenvolver no educando to

tre uma e outra” (Pedagogia do

dência, da ternura, da colabo

Oprimido, p. 168). Era alguns

ração, do trabalho, enfim

setores da Igreja muito se em prega hoje a expressão "educa ção libertadora” que admite uma explicação ortodoxa e

e indispensáveis de uma per feita humanização.

aceitável, mas oertamente en cerra ambiguidade e polivalên-

cia„ pois, provém da termino logia marxista de

outro con

teúdo e sentido, oposto e con traditório com o primeiro. Antropologia Agnóstica

O conceito de educação e a antropologia de Freire

se re¬

todos os valores

de

permanentes

Estas disposições retas de ordem natural se elevam e transcendentalLzampelas luzes e influências do Evangelho que

propõe como modelo a pessoa divino-humana de Cristo para 0 inserimento no seu reino de

graça

e de esperanças imor

tais.

Tudo isto está completa

mente ausente na obra de Frei-


DIGESTO

18

os tesouros do saber, formar a sua personalidade e torná-lo capaz de interpretar a reali dade julgando-a por si mesmo correta e objetivamente. Neste

de educação

criticando o hábito

"Pedagogia do oprimido”, pas-

ra depreciativa, de

constante de uma sucessão re petida sem cessar de uma tese aceita, de sua imediata antíte

se contrária, resultando destaluta uma nova síntese. Repetese este processo sem interrup ção (Cf. "Conscientização” e

sentido fala Freire, de manei bancária,

ECONÔMICO

exclusivamente

transmitir

noções e doutrinas ao espírito receptivo de ouvintes passivos.

Exprime -esta palavra a noção

de que, por vezes, o ensino se identifica e assemelha a um depósito que se faz em estabe lecimento de crédito, com a

passividade

forçada

do

estu

dante.

Mas a filosofia educacional

subjacente ao pensamento de Paulo Freire não se concilia e não se harmoniza com os prin cípios da doutrina cristã e com eles está em

chocante e irre-

conciliável contradição. Aceita

sim).

A própria expressão de "opressores e oprimidos muito em voga em certa espécie de literatura eclesial, se origi Manifesto comunista de Marx de 1848: 'Livres e escravos, patrícios e plebeus, na do

barões e servos da gleba, mes tres e subordinados, em uma palavra, opressores e oprimi dos, estão frente a frente sempre empenhados em uma luta ininterrupta, velada umas ve

zes e outras franca e aberta. em uma luta que conduz em ca da etapa à transformação revo

formalmente a dialética hegeliana e a interpretação marxis ta da história, no sentido de

lucionária de todo 0 regime so cial ou ao extermínio de ambas

que o desenvolvimento e a evo

explicação e a justificação apresentada da inexorável e insuprimível "luta de classes”, base e quinta-essência da in terpretação .marxista da histó ria e do processo da produção,

lução não só no campo da pro dução mas da mesma maneirai nos setores da cultura, das

artes, da religião, etc. é efeito cego e fatal da oposição inafastável existente na realidade,

as classes beligerantes".

É a

Ê a filosofia substancial de to-

DIGESTO ECONÔMICO

19

do 0 sistema adotado nos regi

velam iniludivelmente agnósti

mes comunistas. Insistente mente fala Freire de transfor

cas e plenamente laicistas. Pro

mação ou “liberação revolu cionária” cujo sentido, rumo e objetivos se tornam claros

põe como objeto prioritário e exclusivo a formação do ho mem capaz e decidido de se en gajar na luta

transformadora

"Reconhecemos

e revolucionária no sentido in

que na supressão das contradi ções entre "opressores e opri midos”, que só pode ser pro gramada e realizada por estes (os oprimidos), está implícito o desaparecimento dos primeiros como classe que oprime” (Pe

dicado. A filosofia cristã, aos invés, e principalmente o Evan gelho, ou a educação cristã, na tradição e em todos os do cumentos da Igreja, colocam

e manifestos:

muito mais alto a finalidade do

dagogia do Oprimido, p. 56).

esforço educacional na família, na escola e na Igreja. Visa ela

Pensar em conciliação entre as classes conflitantes, em qual quer base e condição, torna-se

das as suas virtualidades e ta lentos naturais apontando-lhe

impossível, “dado o antagonis mo indisfarçável existente en

os ideais da justiça, da retidão, da solidariedade, da indepen

a desenvolver no educando to

tre uma e outra” (Pedagogia do

dência, da ternura, da colabo

Oprimido, p. 168). Era alguns

ração, do trabalho, enfim

setores da Igreja muito se em prega hoje a expressão "educa ção libertadora” que admite uma explicação ortodoxa e

e indispensáveis de uma per feita humanização.

aceitável, mas oertamente en cerra ambiguidade e polivalên-

cia„ pois, provém da termino logia marxista de

outro con

teúdo e sentido, oposto e con traditório com o primeiro. Antropologia Agnóstica

O conceito de educação e a antropologia de Freire

se re¬

todos os valores

de

permanentes

Estas disposições retas de ordem natural se elevam e transcendentalLzampelas luzes e influências do Evangelho que

propõe como modelo a pessoa divino-humana de Cristo para 0 inserimento no seu reino de

graça

e de esperanças imor

tais.

Tudo isto está completa

mente ausente na obra de Frei-


DIGESTO

20

re. A mudança e a modificação que propõe não é o homem que vive segundo o Evangelho nem a “nova criatura” das epístolas

paulistanas mas o cidadão que pela práxis ou, luta revolucio nária destrói as demais classes

que

todas

considera

opresso

ras, superando assim a contra dição hegeliana, presente na realidade, pela sobrevivência de uma só classe, a dos anti gos oprimidos que instaurarão o novo regime imaginado e so nhado.

Para Freire a educação tradicional é “doimesticadora,

paternalista, vertical, manipuladora, alienante”.

A pedago

gia deverá transformar a men

I

talidade dos alunos para a lu ta de classes e o processo de “libertação” como a entende. Pela conscientização interpre tada nesse sentido o oprimido se politizará e por meio dela os homens, através de uma práxis revolucionária, superam a situação de objetos e assu mem 0 papel de sujeitos da história. Entende a cultura co

mo “superestrutura capaz de manter na infra-estrutura, revolucionariamente transforman-

ECONÔMICO

do-se, supervivências do pas (Pedagogia do Oprimi do, p. 186). Julga os povos la sado

tino-americanos

sociedades fe

chadas e delas

apenas Cuba

de

faz

Fidel

Castro

honrosa

exceção (Conscientização, p. 66). Uma igreja que não “de

nuncia” e não assume a práxis revolucionária

é

uma

igreja

estacionária e "castra a dimen

são profética” (As Igrejas ed.

DIGESTO ECONÔMICO

tação da sociedade sem

21

clas

ses. “As Igrejas em geral es tão

aliadas

às

classes

domi

nantes numa ação verdadeira mente anestesiadora que serve à superestrutura ideológica burguesa. Por isso se querem ser verdadeiramenteproféticas devem sacudir a concepção “elitista” para renascer com os oprimidos. Para isto deveríam renunciar a seus mitos (!) que

hesp., p. 17).

lhes são tão caros, o mito de

As citações nas obras de Freire, como fonte inspiradora e confirmação de suas propo sições, são quase todas de corifeus do marxismo teórico in

saber^ o mito de que sua tare

ternacional: Marx, Fromm, Althusser, Che Guevara, Hegel, Goldmann, Sartre, Mao-TseTung e até Hugo Assmann. Fi del Castro e Che Guevara servem de modelo para a eman cipação das massas latino-ame ricanas oprimidas.

Segundo Freire as Igrejas, que ele equipara todas na mes ma valia ou desvalia e indiferentismo, só se tornam aceitá veis enquanto adotam ou não a práxis revolucionária de transformação para a implan-

sua superioridade, o mito de sua pureza de alma, o mito de suas virtudes, o mito do seu

lo Freire de propor e divulgar o modo como imagina e inter preta

a realidade

recomendar

um

social método

e de de

transformação das estruturas existentes para outras mais justas e fraternas. Minha in tenção se restringe a mostrar que sua concepção e suas teo rias

conflitam

frontalmente

com 0 pensamento e a doutri na do Evangelho e da Igreja e não correspondem às exigên cias de uma ordem pública que respeite sequer os postulados de uma sociologia fundamenta da e inspirada nos direitos es

fa é salvar as almas" (As Igre

senciais e intocáveis da pessoa

jas ed. hesp., p. 8).

humana.

Tudo isto nada

tem

a ver

com 0 aprofundamento e o co nhecimento das verdades fun

damentais da mensagem de Cristo, nem com a vida espiri tual, nem com uma busca in cessante do “reino de Deus e

de sua justiça”, mas serve a uma teologia política de liber

tação no sentido marxista que consiste na escravidão imperante nos países de dominação

Penso que

o suposto pro-

gressismo de numerosos edu cadores, inclusive religiosos ou religiosas, e não poucas mani festações de setores da Igreja, obedecem, com certeza incons cientemente, à linha de pensa mento que se encontra nos li vros de Paulo Freire. Este sis tema insensivelmente afasta

leitores,

mestres e alunos da

visão cristã do homem, da so

comunista.

ciedade e do mundo.

Evidentemente nao se nega ou discute o direito de Pau¬

Quanto tudo isto contraria os postulados de uma autênti-


DIGESTO

20

re. A mudança e a modificação que propõe não é o homem que vive segundo o Evangelho nem a “nova criatura” das epístolas

paulistanas mas o cidadão que pela práxis ou, luta revolucio nária destrói as demais classes

que

todas

considera

opresso

ras, superando assim a contra dição hegeliana, presente na realidade, pela sobrevivência de uma só classe, a dos anti gos oprimidos que instaurarão o novo regime imaginado e so nhado.

Para Freire a educação tradicional é “doimesticadora,

paternalista, vertical, manipuladora, alienante”.

A pedago

gia deverá transformar a men

I

talidade dos alunos para a lu ta de classes e o processo de “libertação” como a entende. Pela conscientização interpre tada nesse sentido o oprimido se politizará e por meio dela os homens, através de uma práxis revolucionária, superam a situação de objetos e assu mem 0 papel de sujeitos da história. Entende a cultura co

mo “superestrutura capaz de manter na infra-estrutura, revolucionariamente transforman-

ECONÔMICO

do-se, supervivências do pas (Pedagogia do Oprimi do, p. 186). Julga os povos la sado

tino-americanos

sociedades fe

chadas e delas

apenas Cuba

de

faz

Fidel

Castro

honrosa

exceção (Conscientização, p. 66). Uma igreja que não “de

nuncia” e não assume a práxis revolucionária

é

uma

igreja

estacionária e "castra a dimen

são profética” (As Igrejas ed.

DIGESTO ECONÔMICO

tação da sociedade sem

21

clas

ses. “As Igrejas em geral es tão

aliadas

às

classes

domi

nantes numa ação verdadeira mente anestesiadora que serve à superestrutura ideológica burguesa. Por isso se querem ser verdadeiramenteproféticas devem sacudir a concepção “elitista” para renascer com os oprimidos. Para isto deveríam renunciar a seus mitos (!) que

hesp., p. 17).

lhes são tão caros, o mito de

As citações nas obras de Freire, como fonte inspiradora e confirmação de suas propo sições, são quase todas de corifeus do marxismo teórico in

saber^ o mito de que sua tare

ternacional: Marx, Fromm, Althusser, Che Guevara, Hegel, Goldmann, Sartre, Mao-TseTung e até Hugo Assmann. Fi del Castro e Che Guevara servem de modelo para a eman cipação das massas latino-ame ricanas oprimidas.

Segundo Freire as Igrejas, que ele equipara todas na mes ma valia ou desvalia e indiferentismo, só se tornam aceitá veis enquanto adotam ou não a práxis revolucionária de transformação para a implan-

sua superioridade, o mito de sua pureza de alma, o mito de suas virtudes, o mito do seu

lo Freire de propor e divulgar o modo como imagina e inter preta

a realidade

recomendar

um

social método

e de de

transformação das estruturas existentes para outras mais justas e fraternas. Minha in tenção se restringe a mostrar que sua concepção e suas teo rias

conflitam

frontalmente

com 0 pensamento e a doutri na do Evangelho e da Igreja e não correspondem às exigên cias de uma ordem pública que respeite sequer os postulados de uma sociologia fundamenta da e inspirada nos direitos es

fa é salvar as almas" (As Igre

senciais e intocáveis da pessoa

jas ed. hesp., p. 8).

humana.

Tudo isto nada

tem

a ver

com 0 aprofundamento e o co nhecimento das verdades fun

damentais da mensagem de Cristo, nem com a vida espiri tual, nem com uma busca in cessante do “reino de Deus e

de sua justiça”, mas serve a uma teologia política de liber

tação no sentido marxista que consiste na escravidão imperante nos países de dominação

Penso que

o suposto pro-

gressismo de numerosos edu cadores, inclusive religiosos ou religiosas, e não poucas mani festações de setores da Igreja, obedecem, com certeza incons cientemente, à linha de pensa mento que se encontra nos li vros de Paulo Freire. Este sis tema insensivelmente afasta

leitores,

mestres e alunos da

visão cristã do homem, da so

comunista.

ciedade e do mundo.

Evidentemente nao se nega ou discute o direito de Pau¬

Quanto tudo isto contraria os postulados de uma autênti-


DIGESTO

22

ECONÔMICO

valores fundamentais do homem

gica quando se realiza partin do da práxis que recorre à aná

ficou

lise

ca ordem cristã promotora dos expresso

em

numerosas

passagens dos discursos do pa pa em nosso país. ‘‘A libertação cristã, diz o papa, não recorre a nenhuma

marxista.

As

suas

quências são a total politização

da existência cristã, a dissolu ção da linguagem da fé na das ciências

do

sociais e o esvazia da dimensão transcen

ciasse de violência, nem à dia

mento

lética da luta de classes nem à

dental da salvação cristã” (João Paulo II, Discurso na

práxis ou análise marxista pe los riscos de ideologização a que se expõe a reflexão teoló-

O Brasil

conse

catedral do Rio de Janeiro

Terceiro Mundo

di

rigido ao CELAM).

(Continuação da página 15) de São Paulo, a substituição parcial dos medicamentos industrializados por plantas medicinais tem sido muitas vezes preconizada como forma de evitar-se o consumo abusivo de agentes terapêuticos, atualmente em nível inquletador. Outro aspecto, importante, segundo o professor, é o fato de tecnicamente, podermos obter diversos produtos terapêuticos químicamente puros, a partir de vegetais, sob custos menores do que similares processados por sínteses. Ressalta-se que novas substâncias, com ação mais eficaz, são isoladas periodicamente de diferentes espécies vegetais. Flora medicinal — A Organização Mxmdial de Saúde (OMS) tem, a partir de sua 31.“ Assem bléia em maio de 1978, estimulado pesquisas que, paulatinamente, incen tivam os países a retomar o inventário de seus recursos terapêuticos pró prios, entre os quais os produtos vegetais ocupam lugar de destaque. “Entre tanto” — pondera o prof. Chanel — “este renascer do interesse por tais propriedades curativas das plantas está suscitando a questão de saber-se

que direção seguir para obtenção de maior sucesso no trabalho experimen tal. Com certeza, é impossível considerar o estudo minucioso de cada \una das mais de 150.000 espécies de vegetais existentes no Brasil, mesmo que todos os ncesos cientistas participassem do projeto. Ao mesmo tempo, con vém lembrar que o mínimo de estudo e pesquisa concretizados, em relação

à composição química e ação terapêutica das plantas medicinais, nos leva à concentração de trabalho científico sobre aquelas variedades tradicional mente usadas na medicina popular, portanto já testadas em muitos séculos de experiência caseira acumulada e transmitida de geração a geração.

Assim, muitas plantas de nossa flora, usadas popularmente há muito tempo, estão a exigir estudos profundos dos cientistas brasileiros. Pouco se sabe (Continua na página 26)

Eugênio Gudin

Não devemos bancar Pangloss, mas agir e progredir. O autor é "maitre

à penser" de gerações. Sempre usei da crítica pa ra construir. Nunca pãra des

truir. Jamais recorrí à demago

gia. Nunca elogiei ninguém pa ra

bajular,

nem

mesmo

por

amizade. Fiz e faço o que pos so para tentar ajudar o Brasil a desatolar-se de seus imensos problemas de País do Terceiro

Mundo. E faço-o sem qualquer interesse, antes com sacrifício. Por isso mesmo não me conformo em ver-nos chegar

ao fim do Século XX economi

camente pobres, carentes de educação política, falhos de cultura. E os protestos ou cla mores que brotam de meus ar

tigos só visam a desídia, a in capacidade, quando não o des caso dos governantes e dos po líticos responsáveis .pelo bem público. Inclusive os coloniza dores, cuja marca até hoje per dura sobre nossa gente, sua cultura e seu povo.


DIGESTO

22

ECONÔMICO

valores fundamentais do homem

gica quando se realiza partin do da práxis que recorre à aná

ficou

lise

ca ordem cristã promotora dos expresso

em

numerosas

passagens dos discursos do pa pa em nosso país. ‘‘A libertação cristã, diz o papa, não recorre a nenhuma

marxista.

As

suas

quências são a total politização

da existência cristã, a dissolu ção da linguagem da fé na das ciências

do

sociais e o esvazia da dimensão transcen

ciasse de violência, nem à dia

mento

lética da luta de classes nem à

dental da salvação cristã” (João Paulo II, Discurso na

práxis ou análise marxista pe los riscos de ideologização a que se expõe a reflexão teoló-

O Brasil

conse

catedral do Rio de Janeiro

Terceiro Mundo

di

rigido ao CELAM).

(Continuação da página 15) de São Paulo, a substituição parcial dos medicamentos industrializados por plantas medicinais tem sido muitas vezes preconizada como forma de evitar-se o consumo abusivo de agentes terapêuticos, atualmente em nível inquletador. Outro aspecto, importante, segundo o professor, é o fato de tecnicamente, podermos obter diversos produtos terapêuticos químicamente puros, a partir de vegetais, sob custos menores do que similares processados por sínteses. Ressalta-se que novas substâncias, com ação mais eficaz, são isoladas periodicamente de diferentes espécies vegetais. Flora medicinal — A Organização Mxmdial de Saúde (OMS) tem, a partir de sua 31.“ Assem bléia em maio de 1978, estimulado pesquisas que, paulatinamente, incen tivam os países a retomar o inventário de seus recursos terapêuticos pró prios, entre os quais os produtos vegetais ocupam lugar de destaque. “Entre tanto” — pondera o prof. Chanel — “este renascer do interesse por tais propriedades curativas das plantas está suscitando a questão de saber-se

que direção seguir para obtenção de maior sucesso no trabalho experimen tal. Com certeza, é impossível considerar o estudo minucioso de cada \una das mais de 150.000 espécies de vegetais existentes no Brasil, mesmo que todos os ncesos cientistas participassem do projeto. Ao mesmo tempo, con vém lembrar que o mínimo de estudo e pesquisa concretizados, em relação

à composição química e ação terapêutica das plantas medicinais, nos leva à concentração de trabalho científico sobre aquelas variedades tradicional mente usadas na medicina popular, portanto já testadas em muitos séculos de experiência caseira acumulada e transmitida de geração a geração.

Assim, muitas plantas de nossa flora, usadas popularmente há muito tempo, estão a exigir estudos profundos dos cientistas brasileiros. Pouco se sabe (Continua na página 26)

Eugênio Gudin

Não devemos bancar Pangloss, mas agir e progredir. O autor é "maitre

à penser" de gerações. Sempre usei da crítica pa ra construir. Nunca pãra des

truir. Jamais recorrí à demago

gia. Nunca elogiei ninguém pa ra

bajular,

nem

mesmo

por

amizade. Fiz e faço o que pos so para tentar ajudar o Brasil a desatolar-se de seus imensos problemas de País do Terceiro

Mundo. E faço-o sem qualquer interesse, antes com sacrifício. Por isso mesmo não me conformo em ver-nos chegar

ao fim do Século XX economi

camente pobres, carentes de educação política, falhos de cultura. E os protestos ou cla mores que brotam de meus ar

tigos só visam a desídia, a in capacidade, quando não o des caso dos governantes e dos po líticos responsáveis .pelo bem público. Inclusive os coloniza dores, cuja marca até hoje per dura sobre nossa gente, sua cultura e seu povo.


DIGESTO

24

O fato primordial é que a

destrói

são

os

ECONÔMICO

homens,

Mais

25

DIGESTO ECONÔMICO

mais recente:

a Alemanha e o

colonização espanhola (Portu gal veio depois), ao contrário

precisamente para usar as pa lavras do eminente professor

Japão foram, na última guer ra, arrasados ao nível do chão;

da colonização inglesa da Amé rica do Norte, se caracteriza va pelo espirito de integral lealdade à Coroa, a qual visa

Roy Harrod, de Oxford: “Nos países em desenvolvimento, es te depende principalmente da

nada sobrou a não ser o ale mão e 0 japonês. Hoje, trinta

nos das colônias ibéricas eram

taxa a que os quadros humanos de empreendedores, de enge nheiros de produção, de geren tes, de inspetores, de projetadores, de desenhistas, de con

simples submissos prepostos da

tadores, “et hoc genus omne”,

va

sobretudo

a descoberta de

metais preciosos e outras ri quezas (pau-brasil). Os gover

Coroa, sem terero jamais cogi tado de qualquer governo

au

tônomo, por limitado que fos se. A Igreja era o outro único ingrediente dessa formação e uma suspeita de heterodoxia era pior do que de deslealdade à pátria-mãe.

E quando no Século XIX as colônias ibéricas se declararam

independentes da Espanha e Portugal, a Coroa espanhola e a Igreja estavam dois séculos atrasados na marcha da civi lização. Quando elas se libera ram em 1825, éncontravam-se

praticamente no Século XVI, quando a Europa já estava no Século

XIX.

Não se constrói um país ou uma civilização com riquezas materiais. Quem constrói, quem

se desenvolvem. As taxas de crescimento e expansão desses quadros humanos impõem uma limitação muito mais importan te ao desenvolvimento do país

do que a escassez de capital,

conquanto este também tenha seu lugar”.

Outro não é o pensamento

de

Eça

de

Queiróz

(“Os

Maias”): “A desgraça de Por tugal é a falta de gente. Este é um país sem pessoal. Querse um bispo? Não há bispo. Quer-se um economista? Não

anos passados, são os dois po vos de maior potencial e maior

prosperidade

econômica

do

mundo.

como

de Portugal, a falta de gente capaz de levar o país à frente. O que eu fustigo são os inca

do Produto Nacional Bruto per

pazes

ou

Brasil,

os desleixados

que

praticaram e praticam erros graves, quando não, crimes contra o Brasil.

Eça, cuja linguagem foi dez

Aqui reproduzo os algarismos capita de vários países: US$ DÓLAR 1979

Brasil

..

tugueses do que a minha com a Ibéria, conta a história de um deputado português que de vol

USA

..

à pergunta de um seu colega sobre o valor dos deputados in

gleses, respondeu: São homens idéias

e

fatos.

Oradores;

ora

e

Mesmo antes de passar 13

o

anos no Nordeste, sempre sen-

1.800

..

Argentina Espanha . Itália

ta de uma viagem a Londres,

opiniões em Querem, por demonstração

numérica dessa triste imagem?

vezes mais severa com os por

dores como nós, não os há. citar

sei

que 0 conserva atolado no Ter ceiro Mundo, é, como diz Eça

do

estofador”.

Mas basta

só

aquele deputado português foi infelicidade

preparados. Mas como orado res? — interpelou o outro. Só

as provas.

Também eu

buscar minhas idéias e fatos. exemplo, uma

A

há um economista. Tudo assim! Veja V. Exa. mesmo nas pro fissões subalternas. Quer-se um bom estofador? Não há um bom

Abundam os exemplares

ti como um golpe de punhal o quadro de pobreza e de misé ria de uma pobre mulher es quálida, com uma lata d’água na cabeça e três filhos subnu tridos atrelados à sua saia; um quadro pungente e doloroso.

Os

.

.

algarismos

2.200 4.380

5.250 10.600

retratam

nossa pobreza e nossa miséna.

Economicamente

regula-

vários países asiátiafricanos. E eu não sei cos e olhar para baixo quando se tra mos

com

ta de meu país.

Felizmente, a partir de 1822, temos melhorado o teor médio de nossa população com a

imigração européia. Foi com


DIGESTO

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O fato primordial é que a

destrói

são

os

ECONÔMICO

homens,

Mais

25

DIGESTO ECONÔMICO

mais recente:

a Alemanha e o

colonização espanhola (Portu gal veio depois), ao contrário

precisamente para usar as pa lavras do eminente professor

Japão foram, na última guer ra, arrasados ao nível do chão;

da colonização inglesa da Amé rica do Norte, se caracteriza va pelo espirito de integral lealdade à Coroa, a qual visa

Roy Harrod, de Oxford: “Nos países em desenvolvimento, es te depende principalmente da

nada sobrou a não ser o ale mão e 0 japonês. Hoje, trinta

nos das colônias ibéricas eram

taxa a que os quadros humanos de empreendedores, de enge nheiros de produção, de geren tes, de inspetores, de projetadores, de desenhistas, de con

simples submissos prepostos da

tadores, “et hoc genus omne”,

va

sobretudo

a descoberta de

metais preciosos e outras ri quezas (pau-brasil). Os gover

Coroa, sem terero jamais cogi tado de qualquer governo

au

tônomo, por limitado que fos se. A Igreja era o outro único ingrediente dessa formação e uma suspeita de heterodoxia era pior do que de deslealdade à pátria-mãe.

E quando no Século XIX as colônias ibéricas se declararam

independentes da Espanha e Portugal, a Coroa espanhola e a Igreja estavam dois séculos atrasados na marcha da civi lização. Quando elas se libera ram em 1825, éncontravam-se

praticamente no Século XVI, quando a Europa já estava no Século

XIX.

Não se constrói um país ou uma civilização com riquezas materiais. Quem constrói, quem

se desenvolvem. As taxas de crescimento e expansão desses quadros humanos impõem uma limitação muito mais importan te ao desenvolvimento do país

do que a escassez de capital,

conquanto este também tenha seu lugar”.

Outro não é o pensamento

de

Eça

de

Queiróz

(“Os

Maias”): “A desgraça de Por tugal é a falta de gente. Este é um país sem pessoal. Querse um bispo? Não há bispo. Quer-se um economista? Não

anos passados, são os dois po vos de maior potencial e maior

prosperidade

econômica

do

mundo.

como

de Portugal, a falta de gente capaz de levar o país à frente. O que eu fustigo são os inca

do Produto Nacional Bruto per

pazes

ou

Brasil,

os desleixados

que

praticaram e praticam erros graves, quando não, crimes contra o Brasil.

Eça, cuja linguagem foi dez

Aqui reproduzo os algarismos capita de vários países: US$ DÓLAR 1979

Brasil

..

tugueses do que a minha com a Ibéria, conta a história de um deputado português que de vol

USA

..

à pergunta de um seu colega sobre o valor dos deputados in

gleses, respondeu: São homens idéias

e

fatos.

Oradores;

ora

e

Mesmo antes de passar 13

o

anos no Nordeste, sempre sen-

1.800

..

Argentina Espanha . Itália

ta de uma viagem a Londres,

opiniões em Querem, por demonstração

numérica dessa triste imagem?

vezes mais severa com os por

dores como nós, não os há. citar

sei

que 0 conserva atolado no Ter ceiro Mundo, é, como diz Eça

do

estofador”.

Mas basta

só

aquele deputado português foi infelicidade

preparados. Mas como orado res? — interpelou o outro. Só

as provas.

Também eu

buscar minhas idéias e fatos. exemplo, uma

A

há um economista. Tudo assim! Veja V. Exa. mesmo nas pro fissões subalternas. Quer-se um bom estofador? Não há um bom

Abundam os exemplares

ti como um golpe de punhal o quadro de pobreza e de misé ria de uma pobre mulher es quálida, com uma lata d’água na cabeça e três filhos subnu tridos atrelados à sua saia; um quadro pungente e doloroso.

Os

.

.

algarismos

2.200 4.380

5.250 10.600

retratam

nossa pobreza e nossa miséna.

Economicamente

regula-

vários países asiátiafricanos. E eu não sei cos e olhar para baixo quando se tra mos

com

ta de meu país.

Felizmente, a partir de 1822, temos melhorado o teor médio de nossa população com a

imigração européia. Foi com


26

OS ingleses que aprendemos a trabalhar em bancos e em es tradas de ferro, com os ita

lianos Matarazzo, Crespi, etc. aprendemos indústrias. A voca ção dominante do português é 0 comércio (que lhes vem em

parte das índias). O português quer é comprar e vender. Inú meros são no Brasil os comer

ciantes portugueses desde o atacado, dos tecidos até os se cos e molhados. Um português meu amigo a quem eu me quei xava, durante a guerra passa

da, do preço tão elevado que aqui me pediam para chapas de aço (que eu precisava para caldeiras no Nordeste), deu-me a seguinte resposta que bem traduz a alma do comerciante

f

português: "Estás enganado. É 0 importador, que importa a a mermercadoria e reputa cadoria, pela qual te cobra

agora este preço”. (Este con ceito de reputar a mercadoria quer dizer simplesmente criar a escassez para reduzir a ofer ta e levantar o preço. Não é

DIGESTO

ECONÔMICO

essa a gente de que precisa mos para levantar este país).

Nem podemos esquecer que fazemos parte da América La tina, originária da Ibéria. A Argentina teve um Perón e ain da está na balbúrdia política; nós do Brasil tivemos uma di tadura de 15 anos como desfe

cho de uma campanha para restaurar a democracia; a Ve nezuela teve mais presidentes, do que anos de independência; no Peru é constante a agitação; no Paraguai é eterna a ditadu ra

a Bolívia...

Nem

falemos.

Pertencemos por fatalidade histórica e geográfica a essa mesma América Latina. E é muito melhor analisar-se e co

nhecer a si próprio (saber pa ra prover) a fim de agir para progredir, do que bancar os Pangloss, que se ufanam de seu país e por isso deixam-se ficar no Terceiro Mundo. Tal vez 0 Reino dos Céus virá com pensá-los.

(Continuado da página ZZ) a respeito, por exemplo, da jurubeba (solanum paniculatum) tanto usada para os males do fígado, como também a capova ou pariparoba (potomorphc umbellata); da catuaba (anemopaegma mirandum) tida por alguns como afrodisíaca; da planta conhecida vulgaxmente como pata-de-vaca (bauhinia Continua na página 36)

J. O. de Meira

Penna

Conceitos ambíguos, são

bem colocados pelo autor, embaixador aposentado e autor de vários livros.

Durante a blitz em Londres, uma das bombas nazistas caiu sobre o edifício do Parlamen

to, às margens do Tâmisa, des

truindo a Câmara dos Comuns.

Depois da guerra, tratou-se de reconstruí-la.

Pensou-se

em

modificar seu arranjo, de acor do com 0 modelo dos Parla mentos continentais, em forma de semicírculo. Churchill, po rém, em sua imensa sabedoria,

se senta de um lado da sala, enfrentando paralelamente a bancada da "leal oposição de Sua Majestade”. Quando mu dam os partidos no poder, mu

dam as respectivas posições. O arranjo mantido por Churchill possui um profundo sentido simbólico do pragmatismo e do bom senso britânicos.

Foi na Revolução Francesa

exigiu a reconstrução em obe

que os conceitos modernos de “esquerda” e “direita" se cria

diência ao modelo tradicional em que a bancada do governo

tiva dos deputados mais radi-

ram na base da posição respec


26

OS ingleses que aprendemos a trabalhar em bancos e em es tradas de ferro, com os ita

lianos Matarazzo, Crespi, etc. aprendemos indústrias. A voca ção dominante do português é 0 comércio (que lhes vem em

parte das índias). O português quer é comprar e vender. Inú meros são no Brasil os comer

ciantes portugueses desde o atacado, dos tecidos até os se cos e molhados. Um português meu amigo a quem eu me quei xava, durante a guerra passa

da, do preço tão elevado que aqui me pediam para chapas de aço (que eu precisava para caldeiras no Nordeste), deu-me a seguinte resposta que bem traduz a alma do comerciante

f

português: "Estás enganado. É 0 importador, que importa a a mermercadoria e reputa cadoria, pela qual te cobra

agora este preço”. (Este con ceito de reputar a mercadoria quer dizer simplesmente criar a escassez para reduzir a ofer ta e levantar o preço. Não é

DIGESTO

ECONÔMICO

essa a gente de que precisa mos para levantar este país).

Nem podemos esquecer que fazemos parte da América La tina, originária da Ibéria. A Argentina teve um Perón e ain da está na balbúrdia política; nós do Brasil tivemos uma di tadura de 15 anos como desfe

cho de uma campanha para restaurar a democracia; a Ve nezuela teve mais presidentes, do que anos de independência; no Peru é constante a agitação; no Paraguai é eterna a ditadu ra

a Bolívia...

Nem

falemos.

Pertencemos por fatalidade histórica e geográfica a essa mesma América Latina. E é muito melhor analisar-se e co

nhecer a si próprio (saber pa ra prover) a fim de agir para progredir, do que bancar os Pangloss, que se ufanam de seu país e por isso deixam-se ficar no Terceiro Mundo. Tal vez 0 Reino dos Céus virá com pensá-los.

(Continuado da página ZZ) a respeito, por exemplo, da jurubeba (solanum paniculatum) tanto usada para os males do fígado, como também a capova ou pariparoba (potomorphc umbellata); da catuaba (anemopaegma mirandum) tida por alguns como afrodisíaca; da planta conhecida vulgaxmente como pata-de-vaca (bauhinia Continua na página 36)

J. O. de Meira

Penna

Conceitos ambíguos, são

bem colocados pelo autor, embaixador aposentado e autor de vários livros.

Durante a blitz em Londres, uma das bombas nazistas caiu sobre o edifício do Parlamen

to, às margens do Tâmisa, des

truindo a Câmara dos Comuns.

Depois da guerra, tratou-se de reconstruí-la.

Pensou-se

em

modificar seu arranjo, de acor do com 0 modelo dos Parla mentos continentais, em forma de semicírculo. Churchill, po rém, em sua imensa sabedoria,

se senta de um lado da sala, enfrentando paralelamente a bancada da "leal oposição de Sua Majestade”. Quando mu dam os partidos no poder, mu

dam as respectivas posições. O arranjo mantido por Churchill possui um profundo sentido simbólico do pragmatismo e do bom senso britânicos.

Foi na Revolução Francesa

exigiu a reconstrução em obe

que os conceitos modernos de “esquerda” e “direita" se cria

diência ao modelo tradicional em que a bancada do governo

tiva dos deputados mais radi-

ram na base da posição respec


28

DIGESTO

cais e dos moderados vis-à-vis

a colocação centrista

da Pre

sidência da Assembléia. Poste

ECONÔMICO

do mal e da mentira, o partido do diabo Ahriman. Quem não partilha da ideologia da moda

riormente, os termos “esquer da” e “direita” adquiriram co

é um conservador e reacioná

notações ideológicas, reservan

Mal absoluto.

do-se 0 primeiro para aqueles que se consideram progressis tas, liberais ou revolucionários

rio detestável, representante do Vale lembrar que os pos tulados nacional-socialistas, vi

derados. Na prática, contudo,

gentes entre a Intelilgentsla, correspondem aos que, antes da II Guerra Mundial (sou,

o esquema ideológico francês perdeu todo sentido no desen

graças a Deus, suficientemente velho para me lembrar), ser

volvimento

viam

e o segundo para os que se pro clamam conservadores ou mo

histórico,

embora

continue em sua brilhante

car

reira, corrompendo todo pen samento político.

Em nosso país, estimulada talvez pela atmosfera de aber tura que provocou certo desarvoramento

mental

coletivo

a

Ideocracia parece querer arrimar-se

nos

preconceitos

lógicos como numa

ideo

tábua de

salvação, especialmente nessa que divide maniqueisticamente

a vida politica entre “esquer da” e “direita”,

Como é sim-

pies, fácil, elementar! Como para os antigos persas, a divi são adquire conteúdos éticos:

a “esquerda" representa o par tido da luz, da justiça e da ver dade; e a “direita” o partido

de

roteiro

à

dii-eita de

então. Raymond Aron observa,

com ironia, que, naquela época em que dominava o que Bernard-Henri Levy chamou a “Ideologia Francesa”, ele era acusado de judeu comunista e

esquerdista — tal qual é tido hoje como “direitista” e “rea cionário”, muito embora mante nha exatamente as mesmas opi niões sobre a problemática po lítica e social da França.

Em recente artigo numa de nossas grandes revistas sema

nais, li a tese extravagante que “só a esquerda é democrática”.

A direita com

seria

“incompatível

a democracia”...

O arti

culista não se dá ao

trabalho

de definir o que entende pela

DIGESTO ECONÔMICO

29

“peçonha conservadora” de di reita. Mas implícita no quali ficativo está a idéia de que quem não partilha das posições vagamente socializantes-libera-

democracias? Quem seria en tão democrático, a Líbia do co

ronel Khadafi, ou a Cuba do Napoleão do Caribe, ou o Maputo

de Zamora Machel?

A san

lóides-nacionalistas da folha é,

dice é flagrante.

ípso facto, um execrável rea cionário, um partidário da Men tira absoluta' e lacaio do que o

Dizia-se que quem não é revolucionáriona juventude não tem coração, e quem não é con

aiatolá

Khomeini

chama

de

“Grande Satã”. Ora, sem que se possa definir exatamente o que seja “conservador” e “di reitista”, verifico que os regi mes dominantes hoje na Itália, Portugal, Espanha, Inglaterra,

Suíça, Países Baixos e Estados Unidos (para só citar alguns que são exemplares) melhor

correspondem ao que se cha-. ma um governo “conservador” do que a um governo “esquer dista”. Então 0 país da senhora Thatcher, a “dama de ferro”, ou o do presidente Reagan não são democracias? E a Itália, a

Espanha e Portugal não são democracias porque não entre garam

seus

governos

nhores Berlinger,

aos

se

Gonzales e

Cunhai? A própria França dita “socialista” de Mitterrand, por

que 0 não entregou a Marchais?

A Suíça, a Holanda, a Bélgica,

a Suécia, o Japão não serão

servador na idade madura não

tem cabeça. O ditado é peri goso. Será que o reverendíssimo arcebispo Dom Hélder Câ mara

não

tinha

sentimentos,

quando seminarista, e perdeu hoje a cuca? Que eu saiba, ele foi fascista na mocidade...

um

O ideal de esquerda sugere indivíduo preocupado com

a liberdade, atento aos direitos humanos, forte em sua solici tude com os pobres e oprimi

dos, marcado por suas tendên cias antimilitaristas ou paci fistas. Não vejo que qualquer um desses soberbos princípios se aplique, por exemplo, à União Soviética, a qual recebe

grande simpatia da “esquerda” vulgar. A URSS é de fato um regime radicalmente conserva dor. Sua ideologia sustenta-se nas idéias obsoletas de um eco nomista alemão do século pas-


28

DIGESTO

cais e dos moderados vis-à-vis

a colocação centrista

da Pre

sidência da Assembléia. Poste

ECONÔMICO

do mal e da mentira, o partido do diabo Ahriman. Quem não partilha da ideologia da moda

riormente, os termos “esquer da” e “direita” adquiriram co

é um conservador e reacioná

notações ideológicas, reservan

Mal absoluto.

do-se 0 primeiro para aqueles que se consideram progressis tas, liberais ou revolucionários

rio detestável, representante do Vale lembrar que os pos tulados nacional-socialistas, vi

derados. Na prática, contudo,

gentes entre a Intelilgentsla, correspondem aos que, antes da II Guerra Mundial (sou,

o esquema ideológico francês perdeu todo sentido no desen

graças a Deus, suficientemente velho para me lembrar), ser

volvimento

viam

e o segundo para os que se pro clamam conservadores ou mo

histórico,

embora

continue em sua brilhante

car

reira, corrompendo todo pen samento político.

Em nosso país, estimulada talvez pela atmosfera de aber tura que provocou certo desarvoramento

mental

coletivo

a

Ideocracia parece querer arrimar-se

nos

preconceitos

lógicos como numa

ideo

tábua de

salvação, especialmente nessa que divide maniqueisticamente

a vida politica entre “esquer da” e “direita”,

Como é sim-

pies, fácil, elementar! Como para os antigos persas, a divi são adquire conteúdos éticos:

a “esquerda" representa o par tido da luz, da justiça e da ver dade; e a “direita” o partido

de

roteiro

à

dii-eita de

então. Raymond Aron observa,

com ironia, que, naquela época em que dominava o que Bernard-Henri Levy chamou a “Ideologia Francesa”, ele era acusado de judeu comunista e

esquerdista — tal qual é tido hoje como “direitista” e “rea cionário”, muito embora mante nha exatamente as mesmas opi niões sobre a problemática po lítica e social da França.

Em recente artigo numa de nossas grandes revistas sema

nais, li a tese extravagante que “só a esquerda é democrática”.

A direita com

seria

“incompatível

a democracia”...

O arti

culista não se dá ao

trabalho

de definir o que entende pela

DIGESTO ECONÔMICO

29

“peçonha conservadora” de di reita. Mas implícita no quali ficativo está a idéia de que quem não partilha das posições vagamente socializantes-libera-

democracias? Quem seria en tão democrático, a Líbia do co

ronel Khadafi, ou a Cuba do Napoleão do Caribe, ou o Maputo

de Zamora Machel?

A san

lóides-nacionalistas da folha é,

dice é flagrante.

ípso facto, um execrável rea cionário, um partidário da Men tira absoluta' e lacaio do que o

Dizia-se que quem não é revolucionáriona juventude não tem coração, e quem não é con

aiatolá

Khomeini

chama

de

“Grande Satã”. Ora, sem que se possa definir exatamente o que seja “conservador” e “di reitista”, verifico que os regi mes dominantes hoje na Itália, Portugal, Espanha, Inglaterra,

Suíça, Países Baixos e Estados Unidos (para só citar alguns que são exemplares) melhor

correspondem ao que se cha-. ma um governo “conservador” do que a um governo “esquer dista”. Então 0 país da senhora Thatcher, a “dama de ferro”, ou o do presidente Reagan não são democracias? E a Itália, a

Espanha e Portugal não são democracias porque não entre garam

seus

governos

nhores Berlinger,

aos

se

Gonzales e

Cunhai? A própria França dita “socialista” de Mitterrand, por

que 0 não entregou a Marchais?

A Suíça, a Holanda, a Bélgica,

a Suécia, o Japão não serão

servador na idade madura não

tem cabeça. O ditado é peri goso. Será que o reverendíssimo arcebispo Dom Hélder Câ mara

não

tinha

sentimentos,

quando seminarista, e perdeu hoje a cuca? Que eu saiba, ele foi fascista na mocidade...

um

O ideal de esquerda sugere indivíduo preocupado com

a liberdade, atento aos direitos humanos, forte em sua solici tude com os pobres e oprimi

dos, marcado por suas tendên cias antimilitaristas ou paci fistas. Não vejo que qualquer um desses soberbos princípios se aplique, por exemplo, à União Soviética, a qual recebe

grande simpatia da “esquerda” vulgar. A URSS é de fato um regime radicalmente conserva dor. Sua ideologia sustenta-se nas idéias obsoletas de um eco nomista alemão do século pas-


DIGESTO

30

ECONÔMICO

sado. Trata-se na verdade do sistema mais reacionário e au toritário que vigora no mundo

princípio comunista “a cada um, segundo suas necessidades,

(se excetuarmos, talvez, o Irã

cidade” não é igualitário e es

do aiatolá). E a Polônia de Jaruzelski, será progressista ou conservadora? E Walesa, um

de aplicação na “área socialis ta”. Na verdade, o país mais

de cada um, segundo sua capa tá mais distante do que nunca

anti-

igualitário que conheço, políti

russo, poderá ser agredido co mo “direitista”? Vê-se por es sas simples observações como é difícil classificar ideologica mente os partidos e sistemas.

ca e socialmente, é a Suíça — e não se poderia encontrar país

católico

antimarxista

e

E a China de Deng Xiaoping, é conservadora ou pro gressista? Certamente o esfor ço de modernização, de aber tura e de inclinação para o Ocidente a colocaria na direi

ta ideológica. Mas o esquerdismo foi denunciado por Lenin como “a doença infantil" do co munismo. ..

mais conservador. Admiro tam

bém a Noruega, onde o parti do no poder é conservador — que não se peja de se designar de direita (em norueguês Hõyre). Sendo a monarquia norue

guesa um dos países mais de mocráticos que conheço, tam bém para sua defesa contra o

imperialismo

soviético

gasta

dez vezes o montante

per ca

pita das despesas militares bra sileiras. Mas é pacifista!

A

posição

não-ideológica

Será o igualitarismo o cri tério decisivo para caracteri zar a "esquerda”? Não creio. Em seu Programa de Gotha,

correta não é, qm suma, nem

publicado em 1875 quando já

mento e os ditames do bom senso. A melhor posição é no

era velho,

Marx

considera o

à esquerda, nem à direita — mas uma coisa ou outra, con forme as circunstânciasdo mo

igualitarismo uma falsa posi ção do socialismo utópico, pois, conforme argumenta, os ho

centro, conforme o antigo con

mens não são iguais em sua ca

ção da mentalidade política, após a blltz totalitária.

pacidade de produção. Aliás, o

selho délfico:

cesso".

Impõe-se

‘Nada

em

Josué

Monteilo

Apreciação sobre o último livro do acadêmico Pedro Calmon.

O autor é romancista e membro da Academia Brasileira de Letras.

Um dia destes, pelo meio da tarde, bateram-me à porta com

visto que, pelo peso e a indicação da procedência, era de li-

alguma insistência. E como a empregada estava fora, no seu duro ofício de comprar presen

vros que se tratava,

tes de Natal, eu próprio fui atender. Esperava por mim um senhor moreno, em mangas de camisa, com um embrulho.

ex-

Assinei o papel do recibo,

a reconstru

recolhi o pacote e saí a procurar pela casa um cantinho disponível para deixar livros,

Eu estivera lendo, pouco an tes, o novo livro de Pedro CaP mon, FranMin Dória, Barão de Loreto, e era triplo o meu in teresse por essa leitura: pri meiro, por se tratar da biogra-

fia de um dos fundadores da Academia Brasileira; segundo„ por ter sido o biografado o 31 ° governador de minha terra;


DIGESTO

30

ECONÔMICO

sado. Trata-se na verdade do sistema mais reacionário e au toritário que vigora no mundo

princípio comunista “a cada um, segundo suas necessidades,

(se excetuarmos, talvez, o Irã

cidade” não é igualitário e es

do aiatolá). E a Polônia de Jaruzelski, será progressista ou conservadora? E Walesa, um

de aplicação na “área socialis ta”. Na verdade, o país mais

de cada um, segundo sua capa tá mais distante do que nunca

anti-

igualitário que conheço, políti

russo, poderá ser agredido co mo “direitista”? Vê-se por es sas simples observações como é difícil classificar ideologica mente os partidos e sistemas.

ca e socialmente, é a Suíça — e não se poderia encontrar país

católico

antimarxista

e

E a China de Deng Xiaoping, é conservadora ou pro gressista? Certamente o esfor ço de modernização, de aber tura e de inclinação para o Ocidente a colocaria na direi

ta ideológica. Mas o esquerdismo foi denunciado por Lenin como “a doença infantil" do co munismo. ..

mais conservador. Admiro tam

bém a Noruega, onde o parti do no poder é conservador — que não se peja de se designar de direita (em norueguês Hõyre). Sendo a monarquia norue

guesa um dos países mais de mocráticos que conheço, tam bém para sua defesa contra o

imperialismo

soviético

gasta

dez vezes o montante

per ca

pita das despesas militares bra sileiras. Mas é pacifista!

A

posição

não-ideológica

Será o igualitarismo o cri tério decisivo para caracteri zar a "esquerda”? Não creio. Em seu Programa de Gotha,

correta não é, qm suma, nem

publicado em 1875 quando já

mento e os ditames do bom senso. A melhor posição é no

era velho,

Marx

considera o

à esquerda, nem à direita — mas uma coisa ou outra, con forme as circunstânciasdo mo

igualitarismo uma falsa posi ção do socialismo utópico, pois, conforme argumenta, os ho

centro, conforme o antigo con

mens não são iguais em sua ca

ção da mentalidade política, após a blltz totalitária.

pacidade de produção. Aliás, o

selho délfico:

cesso".

Impõe-se

‘Nada

em

Josué

Monteilo

Apreciação sobre o último livro do acadêmico Pedro Calmon.

O autor é romancista e membro da Academia Brasileira de Letras.

Um dia destes, pelo meio da tarde, bateram-me à porta com

visto que, pelo peso e a indicação da procedência, era de li-

alguma insistência. E como a empregada estava fora, no seu duro ofício de comprar presen

vros que se tratava,

tes de Natal, eu próprio fui atender. Esperava por mim um senhor moreno, em mangas de camisa, com um embrulho.

ex-

Assinei o papel do recibo,

a reconstru

recolhi o pacote e saí a procurar pela casa um cantinho disponível para deixar livros,

Eu estivera lendo, pouco an tes, o novo livro de Pedro CaP mon, FranMin Dória, Barão de Loreto, e era triplo o meu in teresse por essa leitura: pri meiro, por se tratar da biogra-

fia de um dos fundadores da Academia Brasileira; segundo„ por ter sido o biografado o 31 ° governador de minha terra;


DIGESTO

32

ECONÔMICO

DIGESTO ECONÔMICO

33

terceiro, por ser uma obra de

edição de Pedro Calmon, mui

tem tempo para escrever livros,

rosidade do querido confrade e

Calmon.

tos livros de Pedro Calmon ali

pareceres e artigos de jornal.

companheiro. Ele não perde tempo. E com uma disposição ecumênica para tudo. Ele ja mais pensará, como Marcei

Sentei de novo na poltrona ao pé da janela, disposto a con cluir a biografia de Franklin Dória, e consegui percorrer mais algumas páginas da vida digna e austera desse varão da

Monarquia, que soube conciliar 0 Ministério da Guerra com a

inspiração romântica, escreven do versos líricos com a mesma

pena com que dava as suas or dens

militares.

cadeira

na Academia.

Assis

Chateaubriand

costu

mava dizer que só está preocu pado quem não está ocupado.

Eu também penso assim. Por isso mesmo nunca vi Pe

De vez em quando, porém, interrompia a leitura, quase ce dendo à curiosidade de

na estante, à disposição de mi nha curiosidade e do meu gos to da leitura, além de saber que 0 mestre baiano anda ago ra a refazer a biografia de Gregório de Matos, patrono de sua

abrir

a caixa de papelão do embru

lho, para saber que livro novo, de vários volumes, esperava

dro Calmon preocupado — nem sequer para pagar as presta ções da dívida do Instituto His

sempre o encontrei devidamen

te ocupado. Escreve, dá ordens,

barbante da Editora.

providencia uma pesquisa, con corda com os convites para con

da leitura, desatei o barbante, abri 0 papel e quem dali me

sai é 0 próprio Pedro Calmon, sob a forma dos sete volumes compactos de sua História do

Brasil — devidamente corrigi da e atualizada.

momento, com um novo livro

de Pedro Calmon, uma

ferências, faz as conferências, viaja, lê, debate, não falta a casamentos e batizados, compa rece às missas de sétimo dia, está em todas as solenidades

universitárias, vai ao Liceu Li terário Português, assiste às sessões da Academia e do Con

Assim, aqui estou eu, neste nova

Brasileira, ali chegou, por vol

ta das seis e meia, já com as luzes acesas, o nosso confrade Antonio Carneiro Leão. E ao

dar com Peregrino, no vestibulo do edifício, perguntou-lhe: — Que é que vamos ter hoje na pauta, como ordem do dia?

selho Federal de Cultura, dis cursa nas praças públicas, ao pé dos monumentos, e ainda

Proust,

que uma dás vanta

gens da morte é que ela nos li vra dos compromissos sociais. Calmon se regala com os com

promissos. E neles se sente em

plenitude, embora não lhe fal te, nessas ocasiões, o risinho afiado, que sempre traz na pon

ta da língua para as ocasiões

E Peregrino, caminhando pa

adequadas.

— Já tivemos, Mestre. Por

ma da alta sociedade se quei

ra a saída:

que a sessão já terminou.

tórico, na Caixa Econômica — e pela razão simples de que

por mim, envolto no papel e no Afinal, no primeiro intervalo

Ao tempo em que Peregri no Júnior presidia a Academia

—oOo—

Pedro Calmon nunca chega ria a tanto,

Ele se atrasa, é certo, porque está fazendo ou

tras coisas. Mas sempre che ga quando a sessão está quase acabando. O quase é a sua es pecialidade. E como tem sem

pre algo para dizer, e de mui to interesse, o seu quase se

transforma, por força da fluên cia do orador, na sessão pro longada, com 0 acompanhamen to de nossos aplausos.

Vejo no embrulho e no livro novo dois testemunhos da ope-

Assim, quando a ilustre da

xava de seus males recentes da

coluna, Mestre Calmon obser vou, compreensivo:

— Já sei, já sei. Coluna sociai.

A biografia do Barão de Lo reto, nem por ter sido uma su-

gestão de amigos e companhei-

ros, escrita com extraordinária rapidez, traz em si o tom por-

fiado da lamparina da madru

gada. A viúva de Franklin Dó ria, quando doou ao Instituto

Histórico os papéis de seu ma

rido, devidamente organizados, fiou-se em que, de futuro, apa

recería 0 biógrafo para o Ba-


DIGESTO

32

ECONÔMICO

DIGESTO ECONÔMICO

33

terceiro, por ser uma obra de

edição de Pedro Calmon, mui

tem tempo para escrever livros,

rosidade do querido confrade e

Calmon.

tos livros de Pedro Calmon ali

pareceres e artigos de jornal.

companheiro. Ele não perde tempo. E com uma disposição ecumênica para tudo. Ele ja mais pensará, como Marcei

Sentei de novo na poltrona ao pé da janela, disposto a con cluir a biografia de Franklin Dória, e consegui percorrer mais algumas páginas da vida digna e austera desse varão da

Monarquia, que soube conciliar 0 Ministério da Guerra com a

inspiração romântica, escreven do versos líricos com a mesma

pena com que dava as suas or dens

militares.

cadeira

na Academia.

Assis

Chateaubriand

costu

mava dizer que só está preocu pado quem não está ocupado.

Eu também penso assim. Por isso mesmo nunca vi Pe

De vez em quando, porém, interrompia a leitura, quase ce dendo à curiosidade de

na estante, à disposição de mi nha curiosidade e do meu gos to da leitura, além de saber que 0 mestre baiano anda ago ra a refazer a biografia de Gregório de Matos, patrono de sua

abrir

a caixa de papelão do embru

lho, para saber que livro novo, de vários volumes, esperava

dro Calmon preocupado — nem sequer para pagar as presta ções da dívida do Instituto His

sempre o encontrei devidamen

te ocupado. Escreve, dá ordens,

barbante da Editora.

providencia uma pesquisa, con corda com os convites para con

da leitura, desatei o barbante, abri 0 papel e quem dali me

sai é 0 próprio Pedro Calmon, sob a forma dos sete volumes compactos de sua História do

Brasil — devidamente corrigi da e atualizada.

momento, com um novo livro

de Pedro Calmon, uma

ferências, faz as conferências, viaja, lê, debate, não falta a casamentos e batizados, compa rece às missas de sétimo dia, está em todas as solenidades

universitárias, vai ao Liceu Li terário Português, assiste às sessões da Academia e do Con

Assim, aqui estou eu, neste nova

Brasileira, ali chegou, por vol

ta das seis e meia, já com as luzes acesas, o nosso confrade Antonio Carneiro Leão. E ao

dar com Peregrino, no vestibulo do edifício, perguntou-lhe: — Que é que vamos ter hoje na pauta, como ordem do dia?

selho Federal de Cultura, dis cursa nas praças públicas, ao pé dos monumentos, e ainda

Proust,

que uma dás vanta

gens da morte é que ela nos li vra dos compromissos sociais. Calmon se regala com os com

promissos. E neles se sente em

plenitude, embora não lhe fal te, nessas ocasiões, o risinho afiado, que sempre traz na pon

ta da língua para as ocasiões

E Peregrino, caminhando pa

adequadas.

— Já tivemos, Mestre. Por

ma da alta sociedade se quei

ra a saída:

que a sessão já terminou.

tórico, na Caixa Econômica — e pela razão simples de que

por mim, envolto no papel e no Afinal, no primeiro intervalo

Ao tempo em que Peregri no Júnior presidia a Academia

—oOo—

Pedro Calmon nunca chega ria a tanto,

Ele se atrasa, é certo, porque está fazendo ou

tras coisas. Mas sempre che ga quando a sessão está quase acabando. O quase é a sua es pecialidade. E como tem sem

pre algo para dizer, e de mui to interesse, o seu quase se

transforma, por força da fluên cia do orador, na sessão pro longada, com 0 acompanhamen to de nossos aplausos.

Vejo no embrulho e no livro novo dois testemunhos da ope-

Assim, quando a ilustre da

xava de seus males recentes da

coluna, Mestre Calmon obser vou, compreensivo:

— Já sei, já sei. Coluna sociai.

A biografia do Barão de Lo reto, nem por ter sido uma su-

gestão de amigos e companhei-

ros, escrita com extraordinária rapidez, traz em si o tom por-

fiado da lamparina da madru

gada. A viúva de Franklin Dó ria, quando doou ao Instituto

Histórico os papéis de seu ma

rido, devidamente organizados, fiou-se em que, de futuro, apa

recería 0 biógrafo para o Ba-


DIGESTO

34

rão.

Ao escritor

competiría

apenas aproveitar a massa de subsídios informativos, acrescentaria

a

naturalmente

Loreto, escrito com intenção co memorativa.

que as

ECO^NÔMICO

Vejo, pela bibliografia do li

tado e presidente de província,

vro de Calmon, que lhe faltou, sobre a figura do Barão de Lo reto, uma contribuição merece dora de registro. Mas logo me nessa apresso em dizer que, omissão sensível o culpado sou

ministro de Estado e acadêmi

eu.

informações complementares, encontráveis também nos pa péis do Instituto. Franklin Dória, que foi depu

co, publicou livros, baixou atos administrativos, advogou, cons pirou, acompanhou o Imperador no exílio, só teve o seu nome lembrado, depois de morto, pe la reverência da Academia Bra

sileira, e pelo sentimento de gratidão do Ministério do Exér cito.

Como ministro da Guerra, Franklin Dória criou a Biblio teca do Exército. E essa cria ção, misturada a numerosos ou

tros atos administrativos, iria constituir, andando o tempo, a principal razão para que

lhe

evocassem o nome e a obra. O transcurso do centenário dessa

criação, há poucos dias, deu pretexto à solenidade evocativa de seu grande nome, ao mes mo tempo em que se procedia ao lançamento do livro de Pe dro Calmon sobre o Barão de

DIGESTO

ECONÔMICO

dos prelos da Imprensa Nacio nal, e o presidente Vargas, do Palácio do Catete.

Homem prudente e cautelo so, Ataulfo não quis expor seu livro às iras políticas, dada a circunstância de que o volume fechava com o discurso do mi

nistro recebendo o presidente na Academia. E obteve de um

Refiro-me ao estudo com que 0 ministro Ataulfo de Paiva —

de tão escassa produção lite rária — contribuiu para a sole

nidade com que, a 30 de julho de 1936, a Academia Brasileira festejou 0 centenário de nas cimento de Franklin Dória.

Esse estudo faz parte de um livro do ministro, Discursos na Academia, de que se conhecem

dois exemplares: um, que está

amigo que lhe guardasse toda a edição. Em 1950, quando Vargas vol

tou ao Catete, o amigo de Ataul fo procurou o ministro, para saber se a hora não era apro

priada para sbltar o livro. Mes tre Ataulfo meditou, olhando 0 volume, e achou que o mais recomendável era continuar a esconder o livro. E o livro con tinuou escondido até que

no Museu da Imprensa Nacio

morreu o ministro, matou-se o

nal; outro, que está comigo. Devo 0 meu exemplar ao dr. Brito Pereira, antigo diretor da

presidente, e o amigo de Ataul

Imprensa Nacional.

pria casa.

O livro do ministro foi im

presso ali, por

cômoda, que levara para a pró Desse auto-de-fé escaparam

0 volume que Ataulfo mandou

do presidente Vargas. Mas qui

encadernar nas oficinas da Im

seram as circunstâncias

prensa Nacional (e que não foi buscar) e o que está em meu

saíssem, ao mesmo tempo, o livro e 0 presidente: o livro,

Eu esperava

dar a Pedro

Calmon, como subsídio aó seu livro sobre o Barão de Loreto, 0 estudo de Ataulfo. Mas, en quanto esperava que o livro ainda estivesse na fase da pes quisa e da redação, já o vo lume do meu fraterno amigo me era entregue por seu autor. Estou certo de que Pedro Calmon gostaria de ter asso ciado ao seu livro o depoimen to de Ataulfo.

Certa vez, ao chegar à Aca demia para a sessão de quin ta-feira, disse Ataulfo a Cal mon, enquanto temperava o seu chá:

— Tenho uma boa notícia a

lhe dar. Estou arranjando pa ra você uma grã-cruz. E Calmon, muito

muito

novo e

modesto:

fo decidiu dar fim à edição in

determinação que

35

poder.

— Eu não mereço tanta hon ra, meu querido amigo. Ataulfo balançou a cabeça, concordando:

— Por isso mesmo é que estou tratando de lhe arranjar a grã-cruz.


DIGESTO

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rão.

Ao escritor

competiría

apenas aproveitar a massa de subsídios informativos, acrescentaria

a

naturalmente

Loreto, escrito com intenção co memorativa.

que as

ECO^NÔMICO

Vejo, pela bibliografia do li

tado e presidente de província,

vro de Calmon, que lhe faltou, sobre a figura do Barão de Lo reto, uma contribuição merece dora de registro. Mas logo me nessa apresso em dizer que, omissão sensível o culpado sou

ministro de Estado e acadêmi

eu.

informações complementares, encontráveis também nos pa péis do Instituto. Franklin Dória, que foi depu

co, publicou livros, baixou atos administrativos, advogou, cons pirou, acompanhou o Imperador no exílio, só teve o seu nome lembrado, depois de morto, pe la reverência da Academia Bra

sileira, e pelo sentimento de gratidão do Ministério do Exér cito.

Como ministro da Guerra, Franklin Dória criou a Biblio teca do Exército. E essa cria ção, misturada a numerosos ou

tros atos administrativos, iria constituir, andando o tempo, a principal razão para que

lhe

evocassem o nome e a obra. O transcurso do centenário dessa

criação, há poucos dias, deu pretexto à solenidade evocativa de seu grande nome, ao mes mo tempo em que se procedia ao lançamento do livro de Pe dro Calmon sobre o Barão de

DIGESTO

ECONÔMICO

dos prelos da Imprensa Nacio nal, e o presidente Vargas, do Palácio do Catete.

Homem prudente e cautelo so, Ataulfo não quis expor seu livro às iras políticas, dada a circunstância de que o volume fechava com o discurso do mi

nistro recebendo o presidente na Academia. E obteve de um

Refiro-me ao estudo com que 0 ministro Ataulfo de Paiva —

de tão escassa produção lite rária — contribuiu para a sole

nidade com que, a 30 de julho de 1936, a Academia Brasileira festejou 0 centenário de nas cimento de Franklin Dória.

Esse estudo faz parte de um livro do ministro, Discursos na Academia, de que se conhecem

dois exemplares: um, que está

amigo que lhe guardasse toda a edição. Em 1950, quando Vargas vol

tou ao Catete, o amigo de Ataul fo procurou o ministro, para saber se a hora não era apro

priada para sbltar o livro. Mes tre Ataulfo meditou, olhando 0 volume, e achou que o mais recomendável era continuar a esconder o livro. E o livro con tinuou escondido até que

no Museu da Imprensa Nacio

morreu o ministro, matou-se o

nal; outro, que está comigo. Devo 0 meu exemplar ao dr. Brito Pereira, antigo diretor da

presidente, e o amigo de Ataul

Imprensa Nacional.

pria casa.

O livro do ministro foi im

presso ali, por

cômoda, que levara para a pró Desse auto-de-fé escaparam

0 volume que Ataulfo mandou

do presidente Vargas. Mas qui

encadernar nas oficinas da Im

seram as circunstâncias

prensa Nacional (e que não foi buscar) e o que está em meu

saíssem, ao mesmo tempo, o livro e 0 presidente: o livro,

Eu esperava

dar a Pedro

Calmon, como subsídio aó seu livro sobre o Barão de Loreto, 0 estudo de Ataulfo. Mas, en quanto esperava que o livro ainda estivesse na fase da pes quisa e da redação, já o vo lume do meu fraterno amigo me era entregue por seu autor. Estou certo de que Pedro Calmon gostaria de ter asso ciado ao seu livro o depoimen to de Ataulfo.

Certa vez, ao chegar à Aca demia para a sessão de quin ta-feira, disse Ataulfo a Cal mon, enquanto temperava o seu chá:

— Tenho uma boa notícia a

lhe dar. Estou arranjando pa ra você uma grã-cruz. E Calmon, muito

muito

novo e

modesto:

fo decidiu dar fim à edição in

determinação que

35

poder.

— Eu não mereço tanta hon ra, meu querido amigo. Ataulfo balançou a cabeça, concordando:

— Por isso mesmo é que estou tratando de lhe arranjar a grã-cruz.


DIGESTO

36

Na realidade, já a merecia. Como

continuaria a merecer

outras mais, com a sua ope rosidade, 0 seu espírito públi co, 0 seu grande saber, a sua

ECONÔMICO

Subterrâneos

cordialidade — tudo isso a re

fletir-se em cada página que lhe sai da pena veloz, ou em cada discurso que pronuncia sempre com os nossos aplausos.

de

(Continuação da pápna 26) forficata) utilizada como antidiabético, o mesmo

acontecendo com

o

pau-

ferro (caesalpinia ferrea). Dezenaa de exemplos poderíam ser relacionados, pois só a farmacopéia brasileira em sua primeira edição relacionou 215 plantas medicinais, das quais apenas cerca de 30 nor cento, na sua maioria

Bizâncio

estrangeiras, foram alvo de estudos científicos”.

"E não são poucos os casos” — continua o professor — “em que pes quisas vêm confirmar indicações e usos de vegetais, oriundos da medicina popular. Os tão conhecidos digitálicos, para tratamento de doenças do coração, foram assim introduzidos na medicina científica.

O

mesmo

acon

Jornal

teceu com a atropina e outros alcalóides relacionados que agem sobre o sistema nervoso central e autônomo (usados nos casos de cólicas do trato gastrointestinal), sendo obtidas de elgumas espécies da família das sola-

náceas, como a beladona (atropa belladona) e o meimendro (hyoscyamu» niger), ambos já usados na Antiguidade. No Brasil, crescem com extrema facilidade plantas produtoras destes mesmos princípios: estramônio (datura stramonium), conhecida popularmente como (flgueira-do-inferno” ou "figueira-brava" e outras espécies deste mesmo gênero como a datura sua-

"Jornal do Brasi!'\ "data venia" transcrito, sobre a morte de Susiov.

— alcalóide de largo emprego em oftalmologia — é obtida no NorteNordeste por meio de folhas das árvores do gênero pilocarpus — o Jaborandi.

parasitos intestinais e, por isso, é terapeuticamente indicado como antihelmíntico, se bem que deva ser utilizado com cuidado. Pesquisa — A ação

terapêutica das plantas é devida a alguns compostos químicos por elas elaborados, conhecidos sob a denominação de “princípios ativos, bem como outras substâncias, aparentemente inativas, mas que também agem como coadjuvantes na ação terapêutica”. A importância da atividade científica, relacionada à flora medicinal, aglutina o trabalho do químico, que deverá

(Continua na página 40)

Brasil

Quando passar a "era Brejnev" vão entrar em choque duas tendências na URSS. É o que focaliza o editorial do

veolens, conhecida como "saia-branca” ou “trombeteira”. Hoje, a pilocarpina

Há muito se empregam as plantas purgatlvas como o ruibarbo (rheum palmatum), o sene (cassia sp.) ou os aloés (que representam o suco desse cado das espécies do gênero aloe), entre nós conhecido como babosa. A erva-de-santa-maria (chenopodíum ambrosioides), muito comum no Brasil, com um cheiro característico devido a seu óleo essencial, é utilizada pelo povo como vermífugo, em doenças genericamente tratadas de amarelão”. O seu óleo volátil apresenta compostos com forte ação tóxica para os

do

nável. Supunha-se que Mikhail

antecedeu a Brejnev na "gran de viagem”. Era o segundo ho mem do -regime, em prestígio e influência. A partir de agora, quem influenciará quem? Esse denso mistério é parte integrante do sistema que go verna a URSS; condiciona e realimenta este sistema. Segun do análises correntes, por

Susiov exercería forte influên cia neste processo, Mas Susiov

um período mais estável da his-

A morte, por esclerose, do principal ideólogo soviético, Mikhail Susiov, coincide com um momento

muito

especial

na

evolução do império que é go vernado de

Moscou. Estamos,

ao que tudo indica, nos estágios finais da "era Brejnev”: o pro blema sucessório já é incontor-

exemplo, a “era Brejnev” seria


DIGESTO

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Na realidade, já a merecia. Como

continuaria a merecer

outras mais, com a sua ope rosidade, 0 seu espírito públi co, 0 seu grande saber, a sua

ECONÔMICO

Subterrâneos

cordialidade — tudo isso a re

fletir-se em cada página que lhe sai da pena veloz, ou em cada discurso que pronuncia sempre com os nossos aplausos.

de

(Continuação da pápna 26) forficata) utilizada como antidiabético, o mesmo

acontecendo com

o

pau-

ferro (caesalpinia ferrea). Dezenaa de exemplos poderíam ser relacionados, pois só a farmacopéia brasileira em sua primeira edição relacionou 215 plantas medicinais, das quais apenas cerca de 30 nor cento, na sua maioria

Bizâncio

estrangeiras, foram alvo de estudos científicos”.

"E não são poucos os casos” — continua o professor — “em que pes quisas vêm confirmar indicações e usos de vegetais, oriundos da medicina popular. Os tão conhecidos digitálicos, para tratamento de doenças do coração, foram assim introduzidos na medicina científica.

O

mesmo

acon

Jornal

teceu com a atropina e outros alcalóides relacionados que agem sobre o sistema nervoso central e autônomo (usados nos casos de cólicas do trato gastrointestinal), sendo obtidas de elgumas espécies da família das sola-

náceas, como a beladona (atropa belladona) e o meimendro (hyoscyamu» niger), ambos já usados na Antiguidade. No Brasil, crescem com extrema facilidade plantas produtoras destes mesmos princípios: estramônio (datura stramonium), conhecida popularmente como (flgueira-do-inferno” ou "figueira-brava" e outras espécies deste mesmo gênero como a datura sua-

"Jornal do Brasi!'\ "data venia" transcrito, sobre a morte de Susiov.

— alcalóide de largo emprego em oftalmologia — é obtida no NorteNordeste por meio de folhas das árvores do gênero pilocarpus — o Jaborandi.

parasitos intestinais e, por isso, é terapeuticamente indicado como antihelmíntico, se bem que deva ser utilizado com cuidado. Pesquisa — A ação

terapêutica das plantas é devida a alguns compostos químicos por elas elaborados, conhecidos sob a denominação de “princípios ativos, bem como outras substâncias, aparentemente inativas, mas que também agem como coadjuvantes na ação terapêutica”. A importância da atividade científica, relacionada à flora medicinal, aglutina o trabalho do químico, que deverá

(Continua na página 40)

Brasil

Quando passar a "era Brejnev" vão entrar em choque duas tendências na URSS. É o que focaliza o editorial do

veolens, conhecida como "saia-branca” ou “trombeteira”. Hoje, a pilocarpina

Há muito se empregam as plantas purgatlvas como o ruibarbo (rheum palmatum), o sene (cassia sp.) ou os aloés (que representam o suco desse cado das espécies do gênero aloe), entre nós conhecido como babosa. A erva-de-santa-maria (chenopodíum ambrosioides), muito comum no Brasil, com um cheiro característico devido a seu óleo essencial, é utilizada pelo povo como vermífugo, em doenças genericamente tratadas de amarelão”. O seu óleo volátil apresenta compostos com forte ação tóxica para os

do

nável. Supunha-se que Mikhail

antecedeu a Brejnev na "gran de viagem”. Era o segundo ho mem do -regime, em prestígio e influência. A partir de agora, quem influenciará quem? Esse denso mistério é parte integrante do sistema que go verna a URSS; condiciona e realimenta este sistema. Segun do análises correntes, por

Susiov exercería forte influên cia neste processo, Mas Susiov

um período mais estável da his-

A morte, por esclerose, do principal ideólogo soviético, Mikhail Susiov, coincide com um momento

muito

especial

na

evolução do império que é go vernado de

Moscou. Estamos,

ao que tudo indica, nos estágios finais da "era Brejnev”: o pro blema sucessório já é incontor-

exemplo, a “era Brejnev” seria


DIGESTO

38

tória russa, mais previsível, mais razoável na sua política interna e externa. De repente, os fatos começaram a corroer essa versão; e estamos quase de volta à guerra-fria.

O que a morte de Suslov torna claro, entretanto, é que

uma geração está passando, na União Soviética; uma geração extremamente homogênea, ape sar das sacudidelas provocadas por uma ou outra depuração; geração consciente de um po der que chegou ao auge; e quando o poder cresce muito não só se torna mais apetitoso,

I

como não há nenhum estímulo

para uma mudança de orienta ção.

Esse poder cresceu, em boa parte, ás expensas do poderio norte-americano; cresceu no sentido de que se modificou a relação de poder — e não só em termos absolutos.

ECONÔMICO

das

militar. O Welfare cresceu, en

continua vulnerável em setores

vontade de poder” diminuía. Chegou-se a perigosos níveis de (in) segurança com relação aos que existiam antes; até que os republicanos fizeram soar o alarma e elegeram Ronald Reagan. quanto a

A perspectiva, agora, é de que as superpotências mais uma vez equilibrem seus arse nais — e é neste sentido que apontam as negociações de Ge

gundo após-guerra, uma

se pre-

eminência indiscutível em todos

os setores. E essa própria cul

minância

enfraqueceu,

prova

velmente, algumas molas da ex pansão

americana.

bem, sentindo-se

Vivendo

seguros,

os

etnias

não

russas.

39

EUA não tinham por que perse guir eternamente a liderança em terrenos como o estratégico-

Desas

tres como o da produção agrí cola mostram o quanto o país

básicos da produção. Este é 0 programa à es pera da geração pós-Brejnev.

Que acontecerá a partir de ago ra? Há, nesse ponto, duas li nhas possíveis de raciocínio.

Para os otimistas, que es peculam a partir do equilíbrio militar obtido pela URSS com relação aos EUA (e que se transformou até em superiori

dade em alguns setores), a no

nebra: EUA e URSS voltam a

va

discutir 0 desarmamento, ape sar de tudo, porque isto é de

vel ao tradicional "complexo de inferioridade” que obrigava o seu país a correr atrás do Oci dente. Essa geração, segundo esta análise, teria uma com preensão maior das complexi

seu mútuo interesse.

Essa estabilização, mesmo se ainda em elaboração, em meio a intensa guerrilha verbal,

deixa à mostra os problemas não resolvidos que ficaram na ■esteira da ascensão da URSS a

Os EUA atingiram, no

DIGESTO ECONÔMICO

superpotência equivalente, pe la força bruta, à outra. O império

se

cionalismo

movimenta.

O

na

não é um espinho

apenas no que se refere aos satélites: há uma bomba demo

gráfica em ação dentro da URSS, com 0 crescimento veloz

geração será menos sensí

dades do mundo não desenvol

vido,. que são dificilmente re duzíveis a dogmas marxistas, e também das dificuldades inter

nas

da

URSS,

que

exigem

maior eficiência operacional — 0 que é sinônimo de descentra lização.

Para um kremlinólogo como

Seweryn Bialer, a “era Brejnev” aparece como um período

sem equivalente no passado russo — e, possivelmente, no futuro. Período de crescimen

to contínuo e de afirmação na cional; mas, ao mesmo tempo» período de verdadeira esclerose

oligárquica. A próxima gera ção, acha Bialer, tende a ser cínica, composta de pessoas que subiram no Partido quando a desestalinização lançava pe dras contra os grandes valores do passado. Este cinismo tra balharia no sentido de reformas

econômicas pragmáticas, e de um afastamento ainda do espectro estalinista.

maior

Esta, a análise otimista. A isto é preciso contrapor o fato de que permanece intacto o gi gantesco aparelho que é como uma máquina de lixar aspere zas e originalidades; que cons trói laços de interesse e de lealdade pessoal e ensina todos os futuros líderes a lutarem até

a morte pelo poder, a não con fiarem em ninguém. O segredo continua a ser a alma do sistema de governo so viético; e neste sistema o que

se produz com mais facilidade são lideranças sombrias, fecha das, redes de

influência onde


DIGESTO

38

tória russa, mais previsível, mais razoável na sua política interna e externa. De repente, os fatos começaram a corroer essa versão; e estamos quase de volta à guerra-fria.

O que a morte de Suslov torna claro, entretanto, é que

uma geração está passando, na União Soviética; uma geração extremamente homogênea, ape sar das sacudidelas provocadas por uma ou outra depuração; geração consciente de um po der que chegou ao auge; e quando o poder cresce muito não só se torna mais apetitoso,

I

como não há nenhum estímulo

para uma mudança de orienta ção.

Esse poder cresceu, em boa parte, ás expensas do poderio norte-americano; cresceu no sentido de que se modificou a relação de poder — e não só em termos absolutos.

ECONÔMICO

das

militar. O Welfare cresceu, en

continua vulnerável em setores

vontade de poder” diminuía. Chegou-se a perigosos níveis de (in) segurança com relação aos que existiam antes; até que os republicanos fizeram soar o alarma e elegeram Ronald Reagan. quanto a

A perspectiva, agora, é de que as superpotências mais uma vez equilibrem seus arse nais — e é neste sentido que apontam as negociações de Ge

gundo após-guerra, uma

se pre-

eminência indiscutível em todos

os setores. E essa própria cul

minância

enfraqueceu,

prova

velmente, algumas molas da ex pansão

americana.

bem, sentindo-se

Vivendo

seguros,

os

etnias

não

russas.

39

EUA não tinham por que perse guir eternamente a liderança em terrenos como o estratégico-

Desas

tres como o da produção agrí cola mostram o quanto o país

básicos da produção. Este é 0 programa à es pera da geração pós-Brejnev.

Que acontecerá a partir de ago ra? Há, nesse ponto, duas li nhas possíveis de raciocínio.

Para os otimistas, que es peculam a partir do equilíbrio militar obtido pela URSS com relação aos EUA (e que se transformou até em superiori

dade em alguns setores), a no

nebra: EUA e URSS voltam a

va

discutir 0 desarmamento, ape sar de tudo, porque isto é de

vel ao tradicional "complexo de inferioridade” que obrigava o seu país a correr atrás do Oci dente. Essa geração, segundo esta análise, teria uma com preensão maior das complexi

seu mútuo interesse.

Essa estabilização, mesmo se ainda em elaboração, em meio a intensa guerrilha verbal,

deixa à mostra os problemas não resolvidos que ficaram na ■esteira da ascensão da URSS a

Os EUA atingiram, no

DIGESTO ECONÔMICO

superpotência equivalente, pe la força bruta, à outra. O império

se

cionalismo

movimenta.

O

na

não é um espinho

apenas no que se refere aos satélites: há uma bomba demo

gráfica em ação dentro da URSS, com 0 crescimento veloz

geração será menos sensí

dades do mundo não desenvol

vido,. que são dificilmente re duzíveis a dogmas marxistas, e também das dificuldades inter

nas

da

URSS,

que

exigem

maior eficiência operacional — 0 que é sinônimo de descentra lização.

Para um kremlinólogo como

Seweryn Bialer, a “era Brejnev” aparece como um período

sem equivalente no passado russo — e, possivelmente, no futuro. Período de crescimen

to contínuo e de afirmação na cional; mas, ao mesmo tempo» período de verdadeira esclerose

oligárquica. A próxima gera ção, acha Bialer, tende a ser cínica, composta de pessoas que subiram no Partido quando a desestalinização lançava pe dras contra os grandes valores do passado. Este cinismo tra balharia no sentido de reformas

econômicas pragmáticas, e de um afastamento ainda do espectro estalinista.

maior

Esta, a análise otimista. A isto é preciso contrapor o fato de que permanece intacto o gi gantesco aparelho que é como uma máquina de lixar aspere zas e originalidades; que cons trói laços de interesse e de lealdade pessoal e ensina todos os futuros líderes a lutarem até

a morte pelo poder, a não con fiarem em ninguém. O segredo continua a ser a alma do sistema de governo so viético; e neste sistema o que

se produz com mais facilidade são lideranças sombrias, fecha das, redes de

influência onde


DIGESTO

40

sobressaem os astutos, e não os

competentes, ou inteligentes. O aumento de poder tam

bém propiciou, sob a capa da ideologia, a realização de desíg nios que lembram cada vez mais os de Pedro, o Grande — pedra de toque das aspirações e ambições nacionais. A ortodo xia que Suslov saiu a defender quando a Polônia já estava em

ECONÔMICO

plena efervescência é um álibi perfeito para a supremacia de

Moscou, a Constantinopla

de

um novo império bizantino. Essas

duas

tendências

en

txagédia

trarão oertamente em choque quando terminar de passar a "geração Brejnev”. A morte de Mikhail Suslov indica que este momento está

cada vez mais

® w ®

próximo.

(Continuação da página 36) determinar a estrutura dos compostos constituintes de uma planta; do botânico, aue.irâ classificá-la e estudar seu desenvolvimento; do farmacólogo, que avaliará sua atividade biológica; e do agrônomo, para estabe lecer as condições adequadas ao crescimento das espécies. Esta integração, segundo o prof. Chanel, vem sendo promovida pelo setor de Parmacognos da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP: com o Instituto Agro nômico de Campinas (aclimatação de plantas exóticas para evitar sua im portação); Instituto de Ciências Biomédicas (avaliação da atividade bio lógica de extratos de plantas); e com o Instituto de Química, onde há plano em andamento, visando ao isolamento e à identificação dos consti tuintes de plantas tradicionalmente usadas pelo povo. Atividade — Explica o prof. Paulo Chanel que o trabalho desenvolvido pelo setor de Biofarmacogncsia, no Departamento de Farmácia, é o reflexo do próprio conceito de Biofarmacognosia (ciência farmacêutica que tem por objetivo o conheci mento dos fármacos, provenientes dos reinos da natureza: animal e ve getai, principalmente os do último tipo). Seu campo de estudo abrange a aplicação da física, da química e, especialmente, da biologia para co nhecimento dos produtos vegetais em função do seu uso terapêutico. Abrange, assim, o estudo das plantas medicinais nos diversos aspectos: origem, cultura, colheita, preparação e conservação das drogas vegetais; e conheci mento anatômico e histológico do vegetal, objetivando sua identificação por meio des caracteres macroscópicos e microscópicos. Isto possibilita a detecção de adulterantes ou falsificação das drogas (mesmo sob forma de pós), ocorrência, infelizmente, muito frequente. A análise qualitativa dos com postos químicos constituintes dos vegetais, por exemplo: alcalóides, flavonóides, óleos essenciais, saponinas; bem como a análise quantitativa destes (Continua na pglna 45)

®

n

positmsta Lentido Tabosa

Pessoa

A justificação do direito totalitário

peio positivismo jurídico. O autor ê jornalista e professor. O artigo foi orig/naríamente publicado no "Jornal da Tarde".

A história do pensamento hu mano apresenta alguns aspec tos curiosos e surpreendentes, como a influência que determinadas idéias, aparentemente sem nenhum

vínculo

com

a

realidade, vêm a ter no pró

prio

destino da Humanidade.

sais pudesse representar

algo

mais que um mero esnobismo de filósofos com tempo suficien te para se dedicar a especula

ções acadêmicas. Entretanto, o nominalismo, corrente filosófi ca que se caracteriza exatamen te pela citada negação, está na

Ninguém, por exemplo, suspei

raiz de muitas das

taria, à primeira vista, que a negação dos conceitos univer-

sofreu ou continua sofrendo.

que 0 homem

tragédias

contemporâneo


DIGESTO

40

sobressaem os astutos, e não os

competentes, ou inteligentes. O aumento de poder tam

bém propiciou, sob a capa da ideologia, a realização de desíg nios que lembram cada vez mais os de Pedro, o Grande — pedra de toque das aspirações e ambições nacionais. A ortodo xia que Suslov saiu a defender quando a Polônia já estava em

ECONÔMICO

plena efervescência é um álibi perfeito para a supremacia de

Moscou, a Constantinopla

de

um novo império bizantino. Essas

duas

tendências

en

txagédia

trarão oertamente em choque quando terminar de passar a "geração Brejnev”. A morte de Mikhail Suslov indica que este momento está

cada vez mais

® w ®

próximo.

(Continuação da página 36) determinar a estrutura dos compostos constituintes de uma planta; do botânico, aue.irâ classificá-la e estudar seu desenvolvimento; do farmacólogo, que avaliará sua atividade biológica; e do agrônomo, para estabe lecer as condições adequadas ao crescimento das espécies. Esta integração, segundo o prof. Chanel, vem sendo promovida pelo setor de Parmacognos da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP: com o Instituto Agro nômico de Campinas (aclimatação de plantas exóticas para evitar sua im portação); Instituto de Ciências Biomédicas (avaliação da atividade bio lógica de extratos de plantas); e com o Instituto de Química, onde há plano em andamento, visando ao isolamento e à identificação dos consti tuintes de plantas tradicionalmente usadas pelo povo. Atividade — Explica o prof. Paulo Chanel que o trabalho desenvolvido pelo setor de Biofarmacogncsia, no Departamento de Farmácia, é o reflexo do próprio conceito de Biofarmacognosia (ciência farmacêutica que tem por objetivo o conheci mento dos fármacos, provenientes dos reinos da natureza: animal e ve getai, principalmente os do último tipo). Seu campo de estudo abrange a aplicação da física, da química e, especialmente, da biologia para co nhecimento dos produtos vegetais em função do seu uso terapêutico. Abrange, assim, o estudo das plantas medicinais nos diversos aspectos: origem, cultura, colheita, preparação e conservação das drogas vegetais; e conheci mento anatômico e histológico do vegetal, objetivando sua identificação por meio des caracteres macroscópicos e microscópicos. Isto possibilita a detecção de adulterantes ou falsificação das drogas (mesmo sob forma de pós), ocorrência, infelizmente, muito frequente. A análise qualitativa dos com postos químicos constituintes dos vegetais, por exemplo: alcalóides, flavonóides, óleos essenciais, saponinas; bem como a análise quantitativa destes (Continua na pglna 45)

®

n

positmsta Lentido Tabosa

Pessoa

A justificação do direito totalitário

peio positivismo jurídico. O autor ê jornalista e professor. O artigo foi orig/naríamente publicado no "Jornal da Tarde".

A história do pensamento hu mano apresenta alguns aspec tos curiosos e surpreendentes, como a influência que determinadas idéias, aparentemente sem nenhum

vínculo

com

a

realidade, vêm a ter no pró

prio

destino da Humanidade.

sais pudesse representar

algo

mais que um mero esnobismo de filósofos com tempo suficien te para se dedicar a especula

ções acadêmicas. Entretanto, o nominalismo, corrente filosófi ca que se caracteriza exatamen te pela citada negação, está na

Ninguém, por exemplo, suspei

raiz de muitas das

taria, à primeira vista, que a negação dos conceitos univer-

sofreu ou continua sofrendo.

que 0 homem

tragédias

contemporâneo


42

DIGESTO

Para citar um exemplo con

creto, as tentativas de rompi mento do círculo fechado das éticas

hedonistas

levaram

nu

merosas correntes do pensa mento a procurar superar o individualismo que constituía sua principal característica. Entretanto, as correntes que negavam os universais não po diam aceitar a existência da Humanidade, um conceito uni

versal, a não ser como um re curso

verbal

ou

oratório

e

ECONÔMICO

aos interesses de determinado grupo restrito é moralmente li

cito. A única diferença prática está no critério de seleção dos grupos,

que

no

fascismo

é o

nacional, no nazismo o racial, e

no

comunismo, o ideológico

revolucionário.

Para os três movimentos o recurso ao ter

ror ou à invasão de países são

perfeitamente

lícitos e bons,

desde que correspondam aos interesses do grupo que se tem em

vista.

não podiam, conseqüentemente, substituir à ética individualis ta uma ética humanista. Em

Augusto Comte supera essas trágicas limitações nominalis

vez da Humanidade, observa vam os nominalistas, o que exis te concretamente são os gru pos restritos. Como conseqüên-

tas e as primitivas éticas indi vidualistas, desenvolvendo uma verdadeira religião da Humani dade. Mas 0 faz em um contex

cia, a ética a ser elaborada pa

to ético-filosófico em que um certo empirismo limita e con-

ra superar o individualismo he donista era a ética do

grupo

restrito.

lução da nova

Surgiu, assim, a moral que está na base e justifica a ação de três

movimentos históricos

de nossos tempos, aparentemen te antagônicos mas, na realida de, unidos por profundas afini dades: 0 fascismo, o nazismo e

0

diciona, logo de partida, a evü-

comunismo,

A concepção

básica de cada um deles é a

de que tudo o que corresponde

corrente.

No

campo do Direito, o desejo lou

vável de manter o bem supe

rior da certeza jurídica leva os

seguidores da nova religião a

imunizar o Direito de toda in fluência externa, concebendo 0 ordenamento jurídico como au-

tônomo e hermético. Isso, entretanto, significa também pri var o Direito de seu fundamen

to jusnaturalista, predispondo-

DIGESTO

43

ECONÔMICO

0 à justificação antecipada de qualquer lei, desde que pro' mulgada de acordo com deter minado formalismo ou ritualis-

mo jurídico.

Curiosa e paradoxalmente, o positivismo, que tem no cria dor da religião da Humanida de. Augusto Comte, seu sumn

sacerdote,

chega, na prática,

à justificação do direito totali tário nascido no seio de uma das anteriores éticas do grupo

restrito. E, sob esse

aspecto,

outro

história

fato

curioso

do pensamento

na

humano é o

acorrentamento de certas

in

teligências, às vezes até mesmo geniais, pelos dogmas de de¬ terminadas escolas cujos limi tes não se animam a transpor,

ü suplemento Cultura, de O Estado de S, Paulo, publicou, em novembro último, um arti go de Tércio Sampaio Ferraz Jr.

sobre Hans Kelsen,

mem

bro ilustre da Escola de Vie

na e, sem nenhuma dúvida, um genial teórico do Direito. Talvez nem todos os leito res do interessante artigo te

nham dado a devida importân cia, inclusive em relação a nos

sa vida política quotidiana, tão

rica

em

slogans e lugares-co-

muns quão pobre em verdadei ro pensamento, a um episódio aparentemente contraditório da vida do grande jurista. Judeu de nascimento e vítima da per

seguição nazista, Kelsen

teve

de abandonar a Europa e

se

refugiar nos Estados Unidos, onde não hesitou em procla mar que 0 direito nazista, por injusto e imoral que o conside rasse, ainda assim era um di reito válido e legítimo. Estaria

inteiramente

divor

ciado da realidade quem tiras se dessa afirmação a conclu são simplista de que ele era um simpatizante do nazismo, 0 que, evidentemente, não era

nem podia ser. Ele era apenas a vítima de uma suposta “neu tralidade científica” que. com 0 pretexto de salvaguardar o Direito, termina destruindo-o e transformando-o em instrumen

to de defesa de qualquer Hitler ou Stalin que tenha o rudimen tar cuidado de fazer

leis que

justifiquem seus atos, em vez de agir à revelia da lei. O curioso ou mesmo espan

toso no caso de Kelsen, tendose em vista sua inteligência pri

vilegiada e genial, é que, no


42

DIGESTO

Para citar um exemplo con

creto, as tentativas de rompi mento do círculo fechado das éticas

hedonistas

levaram

nu

merosas correntes do pensa mento a procurar superar o individualismo que constituía sua principal característica. Entretanto, as correntes que negavam os universais não po diam aceitar a existência da Humanidade, um conceito uni

versal, a não ser como um re curso

verbal

ou

oratório

e

ECONÔMICO

aos interesses de determinado grupo restrito é moralmente li

cito. A única diferença prática está no critério de seleção dos grupos,

que

no

fascismo

é o

nacional, no nazismo o racial, e

no

comunismo, o ideológico

revolucionário.

Para os três movimentos o recurso ao ter

ror ou à invasão de países são

perfeitamente

lícitos e bons,

desde que correspondam aos interesses do grupo que se tem em

vista.

não podiam, conseqüentemente, substituir à ética individualis ta uma ética humanista. Em

Augusto Comte supera essas trágicas limitações nominalis

vez da Humanidade, observa vam os nominalistas, o que exis te concretamente são os gru pos restritos. Como conseqüên-

tas e as primitivas éticas indi vidualistas, desenvolvendo uma verdadeira religião da Humani dade. Mas 0 faz em um contex

cia, a ética a ser elaborada pa

to ético-filosófico em que um certo empirismo limita e con-

ra superar o individualismo he donista era a ética do

grupo

restrito.

lução da nova

Surgiu, assim, a moral que está na base e justifica a ação de três

movimentos históricos

de nossos tempos, aparentemen te antagônicos mas, na realida de, unidos por profundas afini dades: 0 fascismo, o nazismo e

0

diciona, logo de partida, a evü-

comunismo,

A concepção

básica de cada um deles é a

de que tudo o que corresponde

corrente.

No

campo do Direito, o desejo lou

vável de manter o bem supe

rior da certeza jurídica leva os

seguidores da nova religião a

imunizar o Direito de toda in fluência externa, concebendo 0 ordenamento jurídico como au-

tônomo e hermético. Isso, entretanto, significa também pri var o Direito de seu fundamen

to jusnaturalista, predispondo-

DIGESTO

43

ECONÔMICO

0 à justificação antecipada de qualquer lei, desde que pro' mulgada de acordo com deter minado formalismo ou ritualis-

mo jurídico.

Curiosa e paradoxalmente, o positivismo, que tem no cria dor da religião da Humanida de. Augusto Comte, seu sumn

sacerdote,

chega, na prática,

à justificação do direito totali tário nascido no seio de uma das anteriores éticas do grupo

restrito. E, sob esse

aspecto,

outro

história

fato

curioso

do pensamento

na

humano é o

acorrentamento de certas

in

teligências, às vezes até mesmo geniais, pelos dogmas de de¬ terminadas escolas cujos limi tes não se animam a transpor,

ü suplemento Cultura, de O Estado de S, Paulo, publicou, em novembro último, um arti go de Tércio Sampaio Ferraz Jr.

sobre Hans Kelsen,

mem

bro ilustre da Escola de Vie

na e, sem nenhuma dúvida, um genial teórico do Direito. Talvez nem todos os leito res do interessante artigo te

nham dado a devida importân cia, inclusive em relação a nos

sa vida política quotidiana, tão

rica

em

slogans e lugares-co-

muns quão pobre em verdadei ro pensamento, a um episódio aparentemente contraditório da vida do grande jurista. Judeu de nascimento e vítima da per

seguição nazista, Kelsen

teve

de abandonar a Europa e

se

refugiar nos Estados Unidos, onde não hesitou em procla mar que 0 direito nazista, por injusto e imoral que o conside rasse, ainda assim era um di reito válido e legítimo. Estaria

inteiramente

divor

ciado da realidade quem tiras se dessa afirmação a conclu são simplista de que ele era um simpatizante do nazismo, 0 que, evidentemente, não era

nem podia ser. Ele era apenas a vítima de uma suposta “neu tralidade científica” que. com 0 pretexto de salvaguardar o Direito, termina destruindo-o e transformando-o em instrumen

to de defesa de qualquer Hitler ou Stalin que tenha o rudimen tar cuidado de fazer

leis que

justifiquem seus atos, em vez de agir à revelia da lei. O curioso ou mesmo espan

toso no caso de Kelsen, tendose em vista sua inteligência pri

vilegiada e genial, é que, no


44

DIGESTO

seio da própria Escola de Vie na, houve tomadas de posição

diferentes e, sem dúvida, mais lúcidas, ou pelo menos coerentes do que a sua.

mais

Alfred Verdross, posto

pe

rante a evidência da impossibi lidade de encontrar um funda

mento para o Direito no contex

to da escola positivista, adere ao jusnaturalismo. Dois defen

sores, como Kelsen, da norma pacta sunt servanda (os pactos devem ser observados) como fundamento do Direito. A. Ca-

vaglieri e Dionísio

Anzilotti,

percebem a incoerência de sua

posição à luz das premissas po sitivistas do Direito como orde namento autônomo e hermético e tentam ambos uma volta

atrás, o primeiro proclamando que a norma é a posteriori e se funda na prática dos Estados e

o segundo tentando sua aplicação ao

restringir direito con

vencional.

ECONÔMICO

positivistas, nem tenta um re paro, como Cavaglieri e Anzi lotti, nem deixa o positivismo, como

Verdross.

Sua teoria da Constituição, ao apelar para os requisitos da efetividade política e social, na realidade recorre a uma expli cação quase que apenas mecâ

nica para a obrigatoriedade de

cada norma em particular, co mo parte de uma pirâmide que culmina na norma fundamental.

O que realmente fundamenta a

obrigatoriedade, em sua visão, é a concepção do ordenamen to jurídico como uma ordem social de paz.

Entretanto, essa concepção já não é compatível com o po sitivismo, por ser suprapositi-

DIGESTO

ECONÔMICO

da desordem nazista, apesar de sua condição de judeu e de ví tima, como um direito válido e legítimo. Ê a tragédia positivista da ausência de qualquer padrão para julgamento da norma po sitiva, fato sobre o qual deviam refletir os papagaios de nossa

45

política, antes pensar

que o

Estado de Direito, expressão, aliás, inventada por George

Jellinek no contexto jurídico po sitivista, ou a Constituinte, re presentam, por si sós, garan tias de uma autêntica

ordem

jurídica.

(Continuação da pág:ina 40) princípios ativos, por processos fisico-químicos e biológicos, são objetivos considerados prioritários. Numerosos trabalhos elaboraxios pelos docentes do setor de Blofarmacognosia, do Departamento de Farmácia, demonstram a preocupação com o desenvolvimento da fitoterapia. Pesquisas publicadas em revistas nacionais e estrangeiras, teses defendidas e outros meios de publicações apontam a amplitude dessa área de conhecimento, envolvendo

a caracterização de vegetais ainda não pesquisados, a análise de princípios ativos, a formação destes compostos no próprio vegetal e influências exer cidas sobre eles por fatores extrínsecos e intrínsecos até novas metodolo gias relativas à obtenção e identificação de princípios ativos naturais. Vale

ressaltar que a Faculdade de Ciências Farmacêuticas, por intermédio do Centro de Controle do Departamento de Fannácia, em conjunto com o setor de Biofarmacognosia, tem realizado o controle de qualidade das drogas vegetais e demais preparações fitoterápicas. Esse trabalho, feito mediante

va e por apelar para princípio.s que, como observa Verdross,

convênio

não são postos, mas supostos pelo Direito. Pof outro lado,

quantificação dos princípios ativos;

com firmas ou pessoas interessadas, inclui: identificação dos vegetais utilizados com finalidades medicamentosas (pureza ou adulteração);

e análise de produtos farmacêuticos,

apesar

quando Kelsen diz que o Direi

que têm em sua fórmula constituintes vegetais.

de desenvolver de forma mais

to, por ser uma ordem, exclui

profunda e genial a teoria

qualquer norma

O prof. Paulo Chanel conclui com um alerta; “Apesar da importância de que se reveste o trabalho de padronização de drogas vegetais, conside rando-se que tém como fim a saúde, lamentavelmente, entre nós, o con trole de fitoterápicos é, ainda, incipiente".

Kelsen, entretanto,

da

norma fundamental e de cair, por isso mesmo, em uma posi ção ainda mais incoerente e in compatível com os postulados

que instaure

uma desordem, não oferece ne nhum critério para que se jul gue efetivamente o que é uma

desordem. Daí

sua aceitação

(Do

Boletim

da

USP)


44

DIGESTO

seio da própria Escola de Vie na, houve tomadas de posição

diferentes e, sem dúvida, mais lúcidas, ou pelo menos coerentes do que a sua.

mais

Alfred Verdross, posto

pe

rante a evidência da impossibi lidade de encontrar um funda

mento para o Direito no contex

to da escola positivista, adere ao jusnaturalismo. Dois defen

sores, como Kelsen, da norma pacta sunt servanda (os pactos devem ser observados) como fundamento do Direito. A. Ca-

vaglieri e Dionísio

Anzilotti,

percebem a incoerência de sua

posição à luz das premissas po sitivistas do Direito como orde namento autônomo e hermético e tentam ambos uma volta

atrás, o primeiro proclamando que a norma é a posteriori e se funda na prática dos Estados e

o segundo tentando sua aplicação ao

restringir direito con

vencional.

ECONÔMICO

positivistas, nem tenta um re paro, como Cavaglieri e Anzi lotti, nem deixa o positivismo, como

Verdross.

Sua teoria da Constituição, ao apelar para os requisitos da efetividade política e social, na realidade recorre a uma expli cação quase que apenas mecâ

nica para a obrigatoriedade de

cada norma em particular, co mo parte de uma pirâmide que culmina na norma fundamental.

O que realmente fundamenta a

obrigatoriedade, em sua visão, é a concepção do ordenamen to jurídico como uma ordem social de paz.

Entretanto, essa concepção já não é compatível com o po sitivismo, por ser suprapositi-

DIGESTO

ECONÔMICO

da desordem nazista, apesar de sua condição de judeu e de ví tima, como um direito válido e legítimo. Ê a tragédia positivista da ausência de qualquer padrão para julgamento da norma po sitiva, fato sobre o qual deviam refletir os papagaios de nossa

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política, antes pensar

que o

Estado de Direito, expressão, aliás, inventada por George

Jellinek no contexto jurídico po sitivista, ou a Constituinte, re presentam, por si sós, garan tias de uma autêntica

ordem

jurídica.

(Continuação da pág:ina 40) princípios ativos, por processos fisico-químicos e biológicos, são objetivos considerados prioritários. Numerosos trabalhos elaboraxios pelos docentes do setor de Blofarmacognosia, do Departamento de Farmácia, demonstram a preocupação com o desenvolvimento da fitoterapia. Pesquisas publicadas em revistas nacionais e estrangeiras, teses defendidas e outros meios de publicações apontam a amplitude dessa área de conhecimento, envolvendo

a caracterização de vegetais ainda não pesquisados, a análise de princípios ativos, a formação destes compostos no próprio vegetal e influências exer cidas sobre eles por fatores extrínsecos e intrínsecos até novas metodolo gias relativas à obtenção e identificação de princípios ativos naturais. Vale

ressaltar que a Faculdade de Ciências Farmacêuticas, por intermédio do Centro de Controle do Departamento de Fannácia, em conjunto com o setor de Biofarmacognosia, tem realizado o controle de qualidade das drogas vegetais e demais preparações fitoterápicas. Esse trabalho, feito mediante

va e por apelar para princípio.s que, como observa Verdross,

convênio

não são postos, mas supostos pelo Direito. Pof outro lado,

quantificação dos princípios ativos;

com firmas ou pessoas interessadas, inclui: identificação dos vegetais utilizados com finalidades medicamentosas (pureza ou adulteração);

e análise de produtos farmacêuticos,

apesar

quando Kelsen diz que o Direi

que têm em sua fórmula constituintes vegetais.

de desenvolver de forma mais

to, por ser uma ordem, exclui

profunda e genial a teoria

qualquer norma

O prof. Paulo Chanel conclui com um alerta; “Apesar da importância de que se reveste o trabalho de padronização de drogas vegetais, conside rando-se que tém como fim a saúde, lamentavelmente, entre nós, o con trole de fitoterápicos é, ainda, incipiente".

Kelsen, entretanto,

da

norma fundamental e de cair, por isso mesmo, em uma posi ção ainda mais incoerente e in compatível com os postulados

que instaure

uma desordem, não oferece ne nhum critério para que se jul gue efetivamente o que é uma

desordem. Daí

sua aceitação

(Do

Boletim

da

USP)


Os Direitos

I

.Humanos Julian

Marias

Uma exposição sobre o tema atual dos direitos bumanos, pelo pensador espanhol, da f.

f

INSTITUTO DE ECONOMIA GASTAO VIDIGAL Conhecer a economia nacional e mundial, através de estudos constantes de levantamento de dados estatísticos é com o Instituto de

Economia Gast5o Vidigal. Mas não é isto apenas. Colaborar no intercâmbio de estudos sobre economia e orientar as empresas de pequeno e médio portes são algumas de suas atividades. Associe-se à Associação Comercial de São Paulo e aproveite as vantagens e serviços que o lEGV pode oferecer.

linha

de

Ortega

Telex (11) 23355 - SP - PABX 239-1333.

Gasset.

Há 30 anos, com maior in sistência desds as declarações de 35 países em Helsinque, tão criticamente revisadas em Ma dri fala-se sem parar em direi tos humanos. O tema chegou a

direitos humanos e quais são os requisitos de sua existência, suas conexões, sua relação com

ser central nas conversas,

partes. Se a expressão direitos hu manos quer dizer algo que não

nas

discussões políticas, nos discur sos dos dirigentes, na impren sa. Porém, na medida em que se foi transformando

em

um

“tópico", ou lugar-comum, seu

Rua Boa Vista, 51 — C. Postal 8082 — Ccp 01014

y

conteúdo foi perdendo a nitidez. Como a moeda que passa de mão em mão ou circula pelos balcões, ninguém pára a fim de olhar, de ver o que significam

as liberdades e com os valores

que parecem apreciáveis à hu manidade ou a algumas de suas

seja uma redundância terá que significar os direitos que per tencem aos homens como tais, independentemente de suas

condições ou de sua situação. Esses direitos seriam forçosamente abstratos e assim eram

na "Declaração dos Direitos do-


Os Direitos

I

.Humanos Julian

Marias

Uma exposição sobre o tema atual dos direitos bumanos, pelo pensador espanhol, da f.

f

INSTITUTO DE ECONOMIA GASTAO VIDIGAL Conhecer a economia nacional e mundial, através de estudos constantes de levantamento de dados estatísticos é com o Instituto de

Economia Gast5o Vidigal. Mas não é isto apenas. Colaborar no intercâmbio de estudos sobre economia e orientar as empresas de pequeno e médio portes são algumas de suas atividades. Associe-se à Associação Comercial de São Paulo e aproveite as vantagens e serviços que o lEGV pode oferecer.

linha

de

Ortega

Telex (11) 23355 - SP - PABX 239-1333.

Gasset.

Há 30 anos, com maior in sistência desds as declarações de 35 países em Helsinque, tão criticamente revisadas em Ma dri fala-se sem parar em direi tos humanos. O tema chegou a

direitos humanos e quais são os requisitos de sua existência, suas conexões, sua relação com

ser central nas conversas,

partes. Se a expressão direitos hu manos quer dizer algo que não

nas

discussões políticas, nos discur sos dos dirigentes, na impren sa. Porém, na medida em que se foi transformando

em

um

“tópico", ou lugar-comum, seu

Rua Boa Vista, 51 — C. Postal 8082 — Ccp 01014

y

conteúdo foi perdendo a nitidez. Como a moeda que passa de mão em mão ou circula pelos balcões, ninguém pára a fim de olhar, de ver o que significam

as liberdades e com os valores

que parecem apreciáveis à hu manidade ou a algumas de suas

seja uma redundância terá que significar os direitos que per tencem aos homens como tais, independentemente de suas

condições ou de sua situação. Esses direitos seriam forçosamente abstratos e assim eram

na "Declaração dos Direitos do-


DIGESTO

48

ECONÔMICO

que se referiam, em princípios,

te — os fetos. O contrário, que é esquecido, é que se têm deve

não

aos franceses de fins do

res para com essas realidades;

século XVm, mas a qualquer homem e a qualquer cidadão.

0 fato de não serem sujeitos de direito não implica que se pos sa fazer com elas o que bem se entenda. Seria preciso comple tar as declarações de direitos

Homem e do Cidadão" de 1789,

Entretanto, todas as "decla rações" (e não falemos nas de

nossa época) são históricas, li gadas às circunstâncias atuais ou puramente utópicas. A maio ria dos direitos enumeradosnão teria sentido em outros tem

pos e, naturalmente, sua pro moção

ou realização — se-

ria impossível. Os direitos que se propõem, reclamam ou exi gem, dependem de um sistema de valores aceito e de um re

pertório de possibilidades reais ou que se consideram reais.

Para quem?

Porém, há uma questão de licada e que costuma ser pas sada por alto: a do sujeito dos direitos. Não é questão tão cla

ra: principalmente quando apa recem realidades que não têm direitos, que não são propria mente sujeitos de direitos. As coisas em geral, a natureza, a paisagem, as obras de arte, os

animais, juridicamente — entendamo-nos bem, juridicamen-

com cartas de deveres parale las. Não há deveres para com

as cidades, os idiomas, os mo numentos, o passado, a conti nuidade histórica?

DIGESTO ECONÔMICO

49

Quando o exercício dos direitos

direitos. Espera-se do Estado —

se torna impossível, não há ne

e talvez além do devido — uma

cessidade de preocupar-se negá-los.

tas esferas da vida, o cumpri

em

de certas formas de sociedade

Um pressuposto, aceito sem crítica, de quase todas as de clarações de direitos e de suas reivindicações é que se trata de defender os direitos dos in

divíduos

perante

o

Estado.

Principalmente quando se fala

capital que me parece o verda deiro eixo da questão: o dever de tornar possíveis os direitos.

em relações internacionais esta é a única coisa em que se pen sa; porém é apenas uma das possibilidades. Pode acontecer que os Direitos Humanos este

De outra forma, são puramente utópicos, meramente nominais, vazios, inoperantes... O exer cício dos direitos pressupõe condições reais muito precisas. Penso, por exemplo, na paz, na ordem que permite a convivên

cia, na criação de riqueza, na’ qualidade dos conhecimentos que se tem direito a aprender, na verdade das informações qu& se tem direito a receber...

jam ameaçados ou sejam nega dos ou entorpecidos ou viola dos por indivíduos singulares, por grupos sociais ou políticos, por partidos, etc. O liberalismo puro contentar-se-ía com a neu tralidade do Estado, com o

“respeito” aos direitos; basta ria que 0 Estado não violasse

reitos correspondentes, embora

03 direitos. Mas, em nossa épo ca, esse liberalismo puro (que não é tão puro, mas impurificado pelo preconceito indivi dualista do século XIX) não se

se mantenha farisaicamente seu reconhecimento verbal.

aceita: exige-se a promoção, a aplicação, a realização desses

Faltando-se aos deveres para com a realidade, automatica mente produz-se a perda dos di

intervenção em mui

mento de uma ampla série de funções que levem à realização

As condições

um

E entre os deveres há

<enérgica

que se consideram valiosas.

Porém,, se assim for, e se pensarmos com um mínimo de consequência, o Estado tem de Impor as condições de realiza ção desses direitos; isto é, tem de defendê-los contra os que os atacam

ou

os

tornam

im-

possíveis. 0 Estado não pode ficar "neutro” diante dos inimigos dos Direitos Hu

manos, simples testemunha de sua destruição por grupos

ou

minorias, à custa da maioria da população, ou seja, dos titu lares desses direitcfâ. Há o di reito e o dever de defender os

direitos de todos, eficazmente, contra os que rejeitam a convi vência ou negam a liberdade dos outros. 0 Estado não pode

lavar as mãos, declarando que ele não viola os Direitos Huma

nos, porque, se não os defende, viola o direito decisivo dos ci¬

dadãos a que seus direitos sedefendidos e garantidos pelo poder público.

jam


DIGESTO

48

ECONÔMICO

que se referiam, em princípios,

te — os fetos. O contrário, que é esquecido, é que se têm deve

não

aos franceses de fins do

res para com essas realidades;

século XVm, mas a qualquer homem e a qualquer cidadão.

0 fato de não serem sujeitos de direito não implica que se pos sa fazer com elas o que bem se entenda. Seria preciso comple tar as declarações de direitos

Homem e do Cidadão" de 1789,

Entretanto, todas as "decla rações" (e não falemos nas de

nossa época) são históricas, li gadas às circunstâncias atuais ou puramente utópicas. A maio ria dos direitos enumeradosnão teria sentido em outros tem

pos e, naturalmente, sua pro moção

ou realização — se-

ria impossível. Os direitos que se propõem, reclamam ou exi gem, dependem de um sistema de valores aceito e de um re

pertório de possibilidades reais ou que se consideram reais.

Para quem?

Porém, há uma questão de licada e que costuma ser pas sada por alto: a do sujeito dos direitos. Não é questão tão cla

ra: principalmente quando apa recem realidades que não têm direitos, que não são propria mente sujeitos de direitos. As coisas em geral, a natureza, a paisagem, as obras de arte, os

animais, juridicamente — entendamo-nos bem, juridicamen-

com cartas de deveres parale las. Não há deveres para com

as cidades, os idiomas, os mo numentos, o passado, a conti nuidade histórica?

DIGESTO ECONÔMICO

49

Quando o exercício dos direitos

direitos. Espera-se do Estado —

se torna impossível, não há ne

e talvez além do devido — uma

cessidade de preocupar-se negá-los.

tas esferas da vida, o cumpri

em

de certas formas de sociedade

Um pressuposto, aceito sem crítica, de quase todas as de clarações de direitos e de suas reivindicações é que se trata de defender os direitos dos in

divíduos

perante

o

Estado.

Principalmente quando se fala

capital que me parece o verda deiro eixo da questão: o dever de tornar possíveis os direitos.

em relações internacionais esta é a única coisa em que se pen sa; porém é apenas uma das possibilidades. Pode acontecer que os Direitos Humanos este

De outra forma, são puramente utópicos, meramente nominais, vazios, inoperantes... O exer cício dos direitos pressupõe condições reais muito precisas. Penso, por exemplo, na paz, na ordem que permite a convivên

cia, na criação de riqueza, na’ qualidade dos conhecimentos que se tem direito a aprender, na verdade das informações qu& se tem direito a receber...

jam ameaçados ou sejam nega dos ou entorpecidos ou viola dos por indivíduos singulares, por grupos sociais ou políticos, por partidos, etc. O liberalismo puro contentar-se-ía com a neu tralidade do Estado, com o

“respeito” aos direitos; basta ria que 0 Estado não violasse

reitos correspondentes, embora

03 direitos. Mas, em nossa épo ca, esse liberalismo puro (que não é tão puro, mas impurificado pelo preconceito indivi dualista do século XIX) não se

se mantenha farisaicamente seu reconhecimento verbal.

aceita: exige-se a promoção, a aplicação, a realização desses

Faltando-se aos deveres para com a realidade, automatica mente produz-se a perda dos di

intervenção em mui

mento de uma ampla série de funções que levem à realização

As condições

um

E entre os deveres há

<enérgica

que se consideram valiosas.

Porém,, se assim for, e se pensarmos com um mínimo de consequência, o Estado tem de Impor as condições de realiza ção desses direitos; isto é, tem de defendê-los contra os que os atacam

ou

os

tornam

im-

possíveis. 0 Estado não pode ficar "neutro” diante dos inimigos dos Direitos Hu

manos, simples testemunha de sua destruição por grupos

ou

minorias, à custa da maioria da população, ou seja, dos titu lares desses direitcfâ. Há o di reito e o dever de defender os

direitos de todos, eficazmente, contra os que rejeitam a convi vência ou negam a liberdade dos outros. 0 Estado não pode

lavar as mãos, declarando que ele não viola os Direitos Huma

nos, porque, se não os defende, viola o direito decisivo dos ci¬

dadãos a que seus direitos sedefendidos e garantidos pelo poder público.

jam


50

DIGESTO

dos direitos; porém, e os

Os que negam

Porém, há outro aspecto da questão, ainda mais grave,, e sobre o qual inúmeras lutas se dedicam a lançar tinta e con fusão. Há Estados que negam os direitos humanos (ou parte essencial deles), embora te nham assinado todas as decla

rações imagináveis e os façam constar de suas constituições.

Isto é esquecido e pensa-se ape nas nas exceções dos Estados que em geral respeitam os

direitos humanos (por exem plo, devido a medidas ex traordinárias de defesa ou para assegurá-los). Em com

pensação,,

tende-se

a

ECONÔMICO

esque-

Estacer aqueles outros dos cujo sistema permanente exclui os direitos humanos

(ou seja, esse sistema é aceito, considerado bom e admissível,,

esses Estados são vistos em pé de igualdade com os demais, por exemplo nas organizações internacionais; sublinham-se e comentam-se apenas algumas violações suplementares que afetam alguns indivíduos que tentam protestar da situação de todos). Quero dizer que se che ga a pensar nos chamados "dis sidentes” como a única violação

DIGESTO ECONÔMICO

51

mi

ele, casar-se, escolher seus es

coloquial se chama “pensar co

lhões de

homens e

mulheres

tudos ou sua profissão, expres

mo querer”, vicia boa parte do

que nem

se atrevem

a contes

sar e comunicar seu pensamen to, suas opiniões ou desejos,, praticar sua religião ou abs

que hoje se diz, do que se faz e, acima de tudo, do que se

tar, que não têm nenhuma pos

sibilidade real de tentar,

me-

nos ainda

sua

ter-se disso, associar-se, etc., e

Os sofismas acumulam-se e

no outro caso, contra o terro rista que dispara contra os ou tros ou faz explodir bombas ou sequestra cidadãos; contra o

de expressar

dissidência?

dominam os pareceres sobre a situação do mundo atual: equipara-se o Estado que estabele ce e sustenta os direitos no qual são realmente vigentes (embo ra possam sofrer ocasional le

são), ao Estado que suprime e proíbe esses mesmos direitos, no qual não têm nenhuma vi gência. Duas

liberdades

Um passo a mais, que se dá todos os dias, é uma nova e mais monstruosa equipara ção: a do que quer exercer seus direitos com o que quer destruir

esses direitos.

poder coativo é exercido, em contra

ta-se da

aquele

que

quer deslocar-se dentro de seu

país, viajar, mudar de residên

cia, sair do país, voltar para

liberdade

de

exercer

os direitos, no outro, o que se reclama

é

a

liberdade

contra

os direitos, a liberdade de vio lá-los

Dir-se-

á que isso não é possível. Com essa expressão, certamente que não; porém, pensemos que o um caso,

assaltante, contra o grevista violento que impede os outros de trabalhar, contra o que ameaça os que não pagam um “imposto”, contra o que se apodera pela força da rua com grupos armados e torna im possível seu uso pelos demais ou perturba os transportes pú blicos ou embaraça as comuni cações, etc. Em um caso, tra

e destruí-los.

Uma consideração do ver dadeiro sentido dos direitos hu manos não

ficaria

levássemos

incompleta se em

conta

as

condições de sua realização. O que se chama em inglês wishful thinking, o pensamento desiderativo, o que em espanhol

deixa de fazer.

Temos cUrelto ao Impossí vel? Esta é a pergunta capital que seria preciso enfrentar. Bastaria tê-la presente para perceber que toda consideração abstrata e não circunstancial dos chamados “direitos huma

nos” (da amplíssima lista que hoje assim se considera) é va e, no fundo, destrutiva.

A que temos direito Podemos falar

em

um di

reito à prosperidade de antes da prosperidade?. Quero di

zer, que sentido tem o direito a participar da prosperidade se esta não existe ou, ao me

nos, não há condições objeti vas para que se produza? Po dería ocorrer, até, que em no me desse direito fossem des

truídas essas condições, fosse comprometida sua possibilida de, ao menos em um futuro pre visível, de significação concre ta e global.


50

DIGESTO

dos direitos; porém, e os

Os que negam

Porém, há outro aspecto da questão, ainda mais grave,, e sobre o qual inúmeras lutas se dedicam a lançar tinta e con fusão. Há Estados que negam os direitos humanos (ou parte essencial deles), embora te nham assinado todas as decla

rações imagináveis e os façam constar de suas constituições.

Isto é esquecido e pensa-se ape nas nas exceções dos Estados que em geral respeitam os

direitos humanos (por exem plo, devido a medidas ex traordinárias de defesa ou para assegurá-los). Em com

pensação,,

tende-se

a

ECONÔMICO

esque-

Estacer aqueles outros dos cujo sistema permanente exclui os direitos humanos

(ou seja, esse sistema é aceito, considerado bom e admissível,,

esses Estados são vistos em pé de igualdade com os demais, por exemplo nas organizações internacionais; sublinham-se e comentam-se apenas algumas violações suplementares que afetam alguns indivíduos que tentam protestar da situação de todos). Quero dizer que se che ga a pensar nos chamados "dis sidentes” como a única violação

DIGESTO ECONÔMICO

51

mi

ele, casar-se, escolher seus es

coloquial se chama “pensar co

lhões de

homens e

mulheres

tudos ou sua profissão, expres

mo querer”, vicia boa parte do

que nem

se atrevem

a contes

sar e comunicar seu pensamen to, suas opiniões ou desejos,, praticar sua religião ou abs

que hoje se diz, do que se faz e, acima de tudo, do que se

tar, que não têm nenhuma pos

sibilidade real de tentar,

me-

nos ainda

sua

ter-se disso, associar-se, etc., e

Os sofismas acumulam-se e

no outro caso, contra o terro rista que dispara contra os ou tros ou faz explodir bombas ou sequestra cidadãos; contra o

de expressar

dissidência?

dominam os pareceres sobre a situação do mundo atual: equipara-se o Estado que estabele ce e sustenta os direitos no qual são realmente vigentes (embo ra possam sofrer ocasional le

são), ao Estado que suprime e proíbe esses mesmos direitos, no qual não têm nenhuma vi gência. Duas

liberdades

Um passo a mais, que se dá todos os dias, é uma nova e mais monstruosa equipara ção: a do que quer exercer seus direitos com o que quer destruir

esses direitos.

poder coativo é exercido, em contra

ta-se da

aquele

que

quer deslocar-se dentro de seu

país, viajar, mudar de residên

cia, sair do país, voltar para

liberdade

de

exercer

os direitos, no outro, o que se reclama

é

a

liberdade

contra

os direitos, a liberdade de vio lá-los

Dir-se-

á que isso não é possível. Com essa expressão, certamente que não; porém, pensemos que o um caso,

assaltante, contra o grevista violento que impede os outros de trabalhar, contra o que ameaça os que não pagam um “imposto”, contra o que se apodera pela força da rua com grupos armados e torna im possível seu uso pelos demais ou perturba os transportes pú blicos ou embaraça as comuni cações, etc. Em um caso, tra

e destruí-los.

Uma consideração do ver dadeiro sentido dos direitos hu manos não

ficaria

levássemos

incompleta se em

conta

as

condições de sua realização. O que se chama em inglês wishful thinking, o pensamento desiderativo, o que em espanhol

deixa de fazer.

Temos cUrelto ao Impossí vel? Esta é a pergunta capital que seria preciso enfrentar. Bastaria tê-la presente para perceber que toda consideração abstrata e não circunstancial dos chamados “direitos huma

nos” (da amplíssima lista que hoje assim se considera) é va e, no fundo, destrutiva.

A que temos direito Podemos falar

em

um di

reito à prosperidade de antes da prosperidade?. Quero di

zer, que sentido tem o direito a participar da prosperidade se esta não existe ou, ao me

nos, não há condições objeti vas para que se produza? Po dería ocorrer, até, que em no me desse direito fossem des

truídas essas condições, fosse comprometida sua possibilida de, ao menos em um futuro pre visível, de significação concre ta e global.


52

DIGESTO

Quando se fala em um di reito universal ao ensino, é pre ciso perguntar primeiro se é realmente possível, se se pode pagar; e mais ainda: se real mente se conta, em número su

ficiente, com a capacidacie e a vocação dos que teriam de ensinar (ou tratar dos doentes

ou construir habitações ou pro duzir os materiais e instrumen

tos necessários para muitos di

reitos que

facilmente se pro

clamam) .

E

ção,

insisto

porque um

dos

na voca

direitos

que se reconhecem é o de não

impor a escravidão, nem mes

mo um trabalho obrigatório, e poderia acontecer que a satis

fação de muitos direitos ligei ramente reconhecidos só pode ría ser atendida violando esse outro direito que acabamos de proclamar. E não estou falan

do em hipótese: em muitos paí ses

os

realizar

cidadãos

negam-se

inúmeros

necessários, urgentes,

a

trabalhos

e deles

se encarregam cidadãos de ou

tros países menos afortunados. É admissível essa situação? E, acima de tudo, é sustentável

com 0 passar do tempo, justa mente se forem superadas as profundas desigualdades de

ECONÔMICO

53

DIGESTO

ECONÔMICO

que vivem muitos dos que cla

formal,

excessivamente

"tem-

uma interessante e valiosa cul

mam contra

poral”, reduzida aos interesses particulares do detalhe da vi da humana, com esquecimen

da maioria das leituras interes

to de seu conjunto, de sua sig

Para mim a coisa é clara: a al

nificação global, de seu hori zonte. Eu pessoalmente prefe-

fabetização sem liberdade é um instrumento de escravidão. Sig nifica, nem mais nem menos,

elas?

Onde nos

leva

esta refle

xão? A evidência de que há um sistema de direitos, assim co mo há um sistema das liberda

des, que só podem existir em conexão, de maneira que se uma

delas é violada ficam fe

ridas

todas

as

outras.

Costu

ma-se dizer, e repete-se sem pensar demais, que minha li berdade termina onde começa a do outro; não que isto não seja verdade, mas não é a ver dade primária e mais impor tante:

minha

liberdade

termi

na onde começa outra liberda de; são elas que se limitam, que existem em interação e em contexto. Não é meramente pos sível conflito entre os sujeitos; é a coerência objetiva das li berdades reais, que mutuamen te se condicionam, se tornam possíveis, se reclamam e se

E não nos esqueçamos dos valores subjacentes, os que ser vem de fundamento e justifica ção para cada um dos direitos em seu exercício efetivo. Cos tuma-se dar uma lista dema

dogmática,

limitados

e, ao mesmo tempo, mais um direito: o direito à eleição das figuras de vida.

demasiado

santes. O que acontece, então?

a impossibilidade de escapar à lavagem cerebral. E os direitos em sentido es¬

trito, jurídico? As ações jurí dicas para reclamar os direi

Alfabetização e escravidão

Um exemplo esclarecerá o que quero dizer. As organiza ções internacionais, alguns re gimes autoritários, certos par

tos humanos, quem se atreve rá a exercê-las nos países em que

nao

exercidas

há

direitos?

nos

países

Serão

que

os

tidos políticos insistem prima

respeitam, quando o Estado re

riamente na alfabetização. Um analfabeto é quase um empesteado, e muitos regimes conse

trui-los. É preciso plos?

solva limitar o direito de des-

guem 0 que poderiamos cha

A

mar de justificação pela alfa betização: se 0 resultado de uma campanha é a diminuição do analfabetismo em um terço,

configuram.

siado

riria conteúdos mais

tura tradicional e da proibição

0 regime é excelente, faça

o

que quiser com os cidadãos (ou 0 que se lhes possa chamar).

Pois bem, a alfabetização, em

si mesma admirável e desejá vel, não 0 é tanto quando vem acompanhada de leituras obri gatórias que talvez destruam

uma

dar exem

medida

O decisivo seria chegar a medida da liberdade (e

dos direitos). Não é fácil, cer

tamente, porque o humano é muito complexo; mas, há algum tempo, propus um instrumento prático de medida, consistente simplesmente em responder a três perguntas: 1. O que posso fazer? 2. O que não posso fa-


52

DIGESTO

Quando se fala em um di reito universal ao ensino, é pre ciso perguntar primeiro se é realmente possível, se se pode pagar; e mais ainda: se real mente se conta, em número su

ficiente, com a capacidacie e a vocação dos que teriam de ensinar (ou tratar dos doentes

ou construir habitações ou pro duzir os materiais e instrumen

tos necessários para muitos di

reitos que

facilmente se pro

clamam) .

E

ção,

insisto

porque um

dos

na voca

direitos

que se reconhecem é o de não

impor a escravidão, nem mes

mo um trabalho obrigatório, e poderia acontecer que a satis

fação de muitos direitos ligei ramente reconhecidos só pode ría ser atendida violando esse outro direito que acabamos de proclamar. E não estou falan

do em hipótese: em muitos paí ses

os

realizar

cidadãos

negam-se

inúmeros

necessários, urgentes,

a

trabalhos

e deles

se encarregam cidadãos de ou

tros países menos afortunados. É admissível essa situação? E, acima de tudo, é sustentável

com 0 passar do tempo, justa mente se forem superadas as profundas desigualdades de

ECONÔMICO

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DIGESTO

ECONÔMICO

que vivem muitos dos que cla

formal,

excessivamente

"tem-

uma interessante e valiosa cul

mam contra

poral”, reduzida aos interesses particulares do detalhe da vi da humana, com esquecimen

da maioria das leituras interes

to de seu conjunto, de sua sig

Para mim a coisa é clara: a al

nificação global, de seu hori zonte. Eu pessoalmente prefe-

fabetização sem liberdade é um instrumento de escravidão. Sig nifica, nem mais nem menos,

elas?

Onde nos

leva

esta refle

xão? A evidência de que há um sistema de direitos, assim co mo há um sistema das liberda

des, que só podem existir em conexão, de maneira que se uma

delas é violada ficam fe

ridas

todas

as

outras.

Costu

ma-se dizer, e repete-se sem pensar demais, que minha li berdade termina onde começa a do outro; não que isto não seja verdade, mas não é a ver dade primária e mais impor tante:

minha

liberdade

termi

na onde começa outra liberda de; são elas que se limitam, que existem em interação e em contexto. Não é meramente pos sível conflito entre os sujeitos; é a coerência objetiva das li berdades reais, que mutuamen te se condicionam, se tornam possíveis, se reclamam e se

E não nos esqueçamos dos valores subjacentes, os que ser vem de fundamento e justifica ção para cada um dos direitos em seu exercício efetivo. Cos tuma-se dar uma lista dema

dogmática,

limitados

e, ao mesmo tempo, mais um direito: o direito à eleição das figuras de vida.

demasiado

santes. O que acontece, então?

a impossibilidade de escapar à lavagem cerebral. E os direitos em sentido es¬

trito, jurídico? As ações jurí dicas para reclamar os direi

Alfabetização e escravidão

Um exemplo esclarecerá o que quero dizer. As organiza ções internacionais, alguns re gimes autoritários, certos par

tos humanos, quem se atreve rá a exercê-las nos países em que

nao

exercidas

há

direitos?

nos

países

Serão

que

os

tidos políticos insistem prima

respeitam, quando o Estado re

riamente na alfabetização. Um analfabeto é quase um empesteado, e muitos regimes conse

trui-los. É preciso plos?

solva limitar o direito de des-

guem 0 que poderiamos cha

A

mar de justificação pela alfa betização: se 0 resultado de uma campanha é a diminuição do analfabetismo em um terço,

configuram.

siado

riria conteúdos mais

tura tradicional e da proibição

0 regime é excelente, faça

o

que quiser com os cidadãos (ou 0 que se lhes possa chamar).

Pois bem, a alfabetização, em

si mesma admirável e desejá vel, não 0 é tanto quando vem acompanhada de leituras obri gatórias que talvez destruam

uma

dar exem

medida

O decisivo seria chegar a medida da liberdade (e

dos direitos). Não é fácil, cer

tamente, porque o humano é muito complexo; mas, há algum tempo, propus um instrumento prático de medida, consistente simplesmente em responder a três perguntas: 1. O que posso fazer? 2. O que não posso fa-


54

zer? 3. O que me podem fazer?

(Naturalmente, ao fazer essas perguntas não se deve pensar unicamente no poder do Esta

DIGESTO

dos direitos humanos em cada sociedade e mostraria as me

resa

didas que é preciso tomar pa ra assegurá-los e torná-los efe

do, mas na situação total con

tivos para rever e renovar seu

creta em que se vive em cada país, época, situação.) A resposta sincera a estas perguntas daria uma imagem bastante precisa da liberdade e

conteúdo à luz dos valores que se aceitam

e que

Futuro

verdadeira

mente se querem realizar, que respondem ao que cada um de nós quer ser.

Trajano Pupo Neto

300 vezes mais doce do que açúcar

I

●3 .i3

ECONÔMICO

A

estévia

é

um

arbusto comum, que produz um adoçante com capacidade de 300 vezes maior do que o açúcar extraído da cana, sendo originalmente localizada na região do Amambaí, na fronteira entre o Brasil e Paraguai. O processo extrativo foi desenvolvido pelos japoneses e está confirmado que açúcar, sacarina, e outras substâncias’ adoçantes podem ser substituídas pela estévia. O novo produto não contém calorias, nem fermentos e resiste às altas temperaturas, sem mudar de cor, sendo sua fabricação relatívamente barata. Os japoneses, por meios científicos, provaram seu caráter inofensivo ao organismo hu

mano. Assim, no Japão os cristais adoçantes da estévia já estão sendo aplicados, com êxito, em bebidas, refrescos, doces das mais variadas espé

cies, alimentos para diabéticos, conservas e produtos medicinais, pelas fir

mas Morinaga, Kanebo e Meiji, utilizando-se o registro comercial de «Steviaside». No Brasil, as empresas Johnson e Johnson, Parke Davis, Knorr e Antárctica pretendem produzir o «Steviaside»; por enquanto faltam, porém, quantidades suficientes da matéria-prima para a produção em maior escala. Os índios Guarani, desde sempre, sabiam do efeito da planta usando-a como adoçante no chá-mate. Em 1905, foi dada a essa planta o nome cien tífico de «Stevia rebaudiana bertoní», depois de os botânicos Rebaudi (pa

raguaio) e Bertoni (italiano) a ter pesquisado, No começo da década dos setenta, 03 japoneses colheram as sementes da planta em Amambaí, fizeram testes no Japão, chegando ao resultado que, ao cultivar estévia numa área de

70.000 hectares, todas as importações de açúcar

poderiam

sendo a população, mesmo assim, suficientemente abastecida.

ser

cortadas,

Em

1980

o

Japão produziu 500 toneladas de folhas secas de estévia, ocupando o pri meiro lugar entre os produtores da espécie do mundo. Entrementes, os

institutos agrônomos do Japão forneceram mudas à Coréia do Sul, Formosa,

(Continua na página 85)

O Brasil é um país economicamente

responsável. Os homens que respondem por sua política econômico-financeira são

altamente

capazes.

O

autor

é

administrador de empresas.

1) O Mundo Atual

Dizer que o mundo vive em

total intranquilidade, fustigado

pela violência, seria sublinhar

o óbvio. Mas é fundamental que para destaquemos este fato, podermos enfrentá-lo, com co ragem e determinação.

A bipolarização de

forças,

circunscrita ao campo diplomá tico. precisa ser rapidamente eliminada, buscando-se compre ensão e respeito mútuos. Urge encontrarmos

um novo

equilí

brio, que só perdurará se, para 0 seu estabelecimento, forem levadas, na devida conta, as le gítimas aspirações de todos os povos.

en-

As nações têm um conteú

genhos nucleares, produz um impasse político, que poderá

do humano e sentimental. São diferentes umas das outras, ca

trazer desastrosas consequên cias para a Humanidade. A con

tória, língua, tradições, valores,

alicerçada nos mortíferos

frontação

direta,

atualmente

da qual com o seu espírito, his ambições e glórias, bem como


54

zer? 3. O que me podem fazer?

(Naturalmente, ao fazer essas perguntas não se deve pensar unicamente no poder do Esta

DIGESTO

dos direitos humanos em cada sociedade e mostraria as me

resa

didas que é preciso tomar pa ra assegurá-los e torná-los efe

do, mas na situação total con

tivos para rever e renovar seu

creta em que se vive em cada país, época, situação.) A resposta sincera a estas perguntas daria uma imagem bastante precisa da liberdade e

conteúdo à luz dos valores que se aceitam

e que

Futuro

verdadeira

mente se querem realizar, que respondem ao que cada um de nós quer ser.

Trajano Pupo Neto

300 vezes mais doce do que açúcar

I

●3 .i3

ECONÔMICO

A

estévia

é

um

arbusto comum, que produz um adoçante com capacidade de 300 vezes maior do que o açúcar extraído da cana, sendo originalmente localizada na região do Amambaí, na fronteira entre o Brasil e Paraguai. O processo extrativo foi desenvolvido pelos japoneses e está confirmado que açúcar, sacarina, e outras substâncias’ adoçantes podem ser substituídas pela estévia. O novo produto não contém calorias, nem fermentos e resiste às altas temperaturas, sem mudar de cor, sendo sua fabricação relatívamente barata. Os japoneses, por meios científicos, provaram seu caráter inofensivo ao organismo hu

mano. Assim, no Japão os cristais adoçantes da estévia já estão sendo aplicados, com êxito, em bebidas, refrescos, doces das mais variadas espé

cies, alimentos para diabéticos, conservas e produtos medicinais, pelas fir

mas Morinaga, Kanebo e Meiji, utilizando-se o registro comercial de «Steviaside». No Brasil, as empresas Johnson e Johnson, Parke Davis, Knorr e Antárctica pretendem produzir o «Steviaside»; por enquanto faltam, porém, quantidades suficientes da matéria-prima para a produção em maior escala. Os índios Guarani, desde sempre, sabiam do efeito da planta usando-a como adoçante no chá-mate. Em 1905, foi dada a essa planta o nome cien tífico de «Stevia rebaudiana bertoní», depois de os botânicos Rebaudi (pa

raguaio) e Bertoni (italiano) a ter pesquisado, No começo da década dos setenta, 03 japoneses colheram as sementes da planta em Amambaí, fizeram testes no Japão, chegando ao resultado que, ao cultivar estévia numa área de

70.000 hectares, todas as importações de açúcar

poderiam

sendo a população, mesmo assim, suficientemente abastecida.

ser

cortadas,

Em

1980

o

Japão produziu 500 toneladas de folhas secas de estévia, ocupando o pri meiro lugar entre os produtores da espécie do mundo. Entrementes, os

institutos agrônomos do Japão forneceram mudas à Coréia do Sul, Formosa,

(Continua na página 85)

O Brasil é um país economicamente

responsável. Os homens que respondem por sua política econômico-financeira são

altamente

capazes.

O

autor

é

administrador de empresas.

1) O Mundo Atual

Dizer que o mundo vive em

total intranquilidade, fustigado

pela violência, seria sublinhar

o óbvio. Mas é fundamental que para destaquemos este fato, podermos enfrentá-lo, com co ragem e determinação.

A bipolarização de

forças,

circunscrita ao campo diplomá tico. precisa ser rapidamente eliminada, buscando-se compre ensão e respeito mútuos. Urge encontrarmos

um novo

equilí

brio, que só perdurará se, para 0 seu estabelecimento, forem levadas, na devida conta, as le gítimas aspirações de todos os povos.

en-

As nações têm um conteú

genhos nucleares, produz um impasse político, que poderá

do humano e sentimental. São diferentes umas das outras, ca

trazer desastrosas consequên cias para a Humanidade. A con

tória, língua, tradições, valores,

alicerçada nos mortíferos

frontação

direta,

atualmente

da qual com o seu espírito, his ambições e glórias, bem como


56

DIGESTO

ECONÔMICO

com os seus fracassos. O equi

vimentos

líbrio dinâmico do mundo se faz

cos desta última metade do sé

não só pela soma de valores cul turais idênticos ou semelhantes, mas igualmente pelo respeito às diferenças e às peculiarida des de cada nação, inteligente mente compreendidas, de par

culo XX exigem de nós uma nova postura, em profunda re flexão. A interação do biológi co, do social e da máquina abre fascinantes perspectivas, que tanto nos poderão levar a uma

te a parte, e com razoáveis con cessões, recíprocas e oportunas. Aqui está o grande desafio. Se não conseguirmos dominálo, não haverá futuro e, portan to, tampouco existirá a empre

sa do amanhã. Assim, diria eu, seremos capazes de estruturar

um consenso universal, que se alicerce em nossos sonhos, idealismos e básicos valores cultu

rais e que, dessa forma,

nos

possa trazer de volta a ausên

cia do medo e a certeza da se gurança, individual e coletiva? Minha resposta seria afirmati va, desde que os homens e as nações passem a compartilhar e

a

promover

um

mesmo

sen

timento de Paz e de Justiça, abolindo-se a brutalidade apa vorante das guerras.

O futuro do homem não po de ser considerado apenas co mo a sobrevivência de seu or

ganismo biológico. Os vertigi nosos e abrangentes desenvol¬

técnico-sócio-científi-

qualidade de vida muito supe rior àquela que conhecemos até agora, como nos poderão ani quilar, tudo dependendo da nos sa capacidade e habilidade em equilibrarmos estes fatores. 2) A Empresa do Futuro:

um

universo de negócios, renovado Partindo do pressuposto de que

venceremos

o formidável

desafio — e disso estou plena mente

convencido,

conforme

afirmei —, temos que nos prepa rar para dirigirmos um univer so empresarial, completamente

novo, já no desenrolar desta década

de

80.

DIGESTO ECONÔMICO

3) A Sociedade c!a Informação: a Telemática

bidirecicnal, interativa, como ocorre hoje com o telefone tra dicional. Tais experiências já

Estamos adentrando uma nova cultura: a Sociedade da

estão sendo intensivamente con

Informação. “No final desta dé cada, a informação valerá mais que ouro, o petróleo ou qual quer outra riqueza material”, segundo o prof. Seymour Papert, diretor do Laboratório de Inteligência Ai’tificial, do M.I.T. Foram, ademais, dois

nos

cientistas

franceses — Simon

Nora e Alain Mine —, que cria ram o neologismo “Telemáti ca”, para caracterizar a fusão das telecomunicações com a informática.

Os administradores empre sariais do futuro disporão, as

sim, de formidáveis novos ins trumentos, para auxiliá-los em suas tomadas de decisões e res

pectivas implementações, no cerne dos quais se situa o

computador, uma

ferramenta

A empresa do futuro neces sitará de uma estrutura admi

poderosa e versátil, dotada de

nistrativa muito mais comple xa, mais ágil e mais flexível, para poder dominar e incorpo

tica.

rar as recentes e maravilhosas conquistas do gênio humano.

57

velocidade operacional fantás Temos que visualizar a exis tência de, pelo menos, um computador, em cada domicí lio, acoplado à uma televisão

duzidas

em Columbus, Ohio,

Estados

Unidos

e

em

Hi-

gashi Hikoma e Tama, no Ja pão. Como mais um passo nesta direção revolucionária, já che gamos aos robôs, cuja utiliza

ção começa a se expandir, rá pida e profundamente, nas mais diversas etapas dos sistemas de produção e de administração. Como

bem

ilustra

Arthur

Clarke, “quando chegarmos ao final de 1990, poderemos estar usando um relógio de pulso com tela de recepção de informa ções vindas de qualquer ponto

da Terra, via satélite” São oportunidades magnífi cas, que .poderão trazer incal culáveis benefícios, desde que

adequadamente manipuladas pe la inteligência humana. E aqui está 0 ponto-chave: o elemen to humano precisa ser manti do no centro do processo, co mo seu comandante supremo,

cabendo-lhe, sempre, a última decisão, a derradeira volta do parafuso.


56

DIGESTO

ECONÔMICO

com os seus fracassos. O equi

vimentos

líbrio dinâmico do mundo se faz

cos desta última metade do sé

não só pela soma de valores cul turais idênticos ou semelhantes, mas igualmente pelo respeito às diferenças e às peculiarida des de cada nação, inteligente mente compreendidas, de par

culo XX exigem de nós uma nova postura, em profunda re flexão. A interação do biológi co, do social e da máquina abre fascinantes perspectivas, que tanto nos poderão levar a uma

te a parte, e com razoáveis con cessões, recíprocas e oportunas. Aqui está o grande desafio. Se não conseguirmos dominálo, não haverá futuro e, portan to, tampouco existirá a empre

sa do amanhã. Assim, diria eu, seremos capazes de estruturar

um consenso universal, que se alicerce em nossos sonhos, idealismos e básicos valores cultu

rais e que, dessa forma,

nos

possa trazer de volta a ausên

cia do medo e a certeza da se gurança, individual e coletiva? Minha resposta seria afirmati va, desde que os homens e as nações passem a compartilhar e

a

promover

um

mesmo

sen

timento de Paz e de Justiça, abolindo-se a brutalidade apa vorante das guerras.

O futuro do homem não po de ser considerado apenas co mo a sobrevivência de seu or

ganismo biológico. Os vertigi nosos e abrangentes desenvol¬

técnico-sócio-científi-

qualidade de vida muito supe rior àquela que conhecemos até agora, como nos poderão ani quilar, tudo dependendo da nos sa capacidade e habilidade em equilibrarmos estes fatores. 2) A Empresa do Futuro:

um

universo de negócios, renovado Partindo do pressuposto de que

venceremos

o formidável

desafio — e disso estou plena mente

convencido,

conforme

afirmei —, temos que nos prepa rar para dirigirmos um univer so empresarial, completamente

novo, já no desenrolar desta década

de

80.

DIGESTO ECONÔMICO

3) A Sociedade c!a Informação: a Telemática

bidirecicnal, interativa, como ocorre hoje com o telefone tra dicional. Tais experiências já

Estamos adentrando uma nova cultura: a Sociedade da

estão sendo intensivamente con

Informação. “No final desta dé cada, a informação valerá mais que ouro, o petróleo ou qual quer outra riqueza material”, segundo o prof. Seymour Papert, diretor do Laboratório de Inteligência Ai’tificial, do M.I.T. Foram, ademais, dois

nos

cientistas

franceses — Simon

Nora e Alain Mine —, que cria ram o neologismo “Telemáti ca”, para caracterizar a fusão das telecomunicações com a informática.

Os administradores empre sariais do futuro disporão, as

sim, de formidáveis novos ins trumentos, para auxiliá-los em suas tomadas de decisões e res

pectivas implementações, no cerne dos quais se situa o

computador, uma

ferramenta

A empresa do futuro neces sitará de uma estrutura admi

poderosa e versátil, dotada de

nistrativa muito mais comple xa, mais ágil e mais flexível, para poder dominar e incorpo

tica.

rar as recentes e maravilhosas conquistas do gênio humano.

57

velocidade operacional fantás Temos que visualizar a exis tência de, pelo menos, um computador, em cada domicí lio, acoplado à uma televisão

duzidas

em Columbus, Ohio,

Estados

Unidos

e

em

Hi-

gashi Hikoma e Tama, no Ja pão. Como mais um passo nesta direção revolucionária, já che gamos aos robôs, cuja utiliza

ção começa a se expandir, rá pida e profundamente, nas mais diversas etapas dos sistemas de produção e de administração. Como

bem

ilustra

Arthur

Clarke, “quando chegarmos ao final de 1990, poderemos estar usando um relógio de pulso com tela de recepção de informa ções vindas de qualquer ponto

da Terra, via satélite” São oportunidades magnífi cas, que .poderão trazer incal culáveis benefícios, desde que

adequadamente manipuladas pe la inteligência humana. E aqui está 0 ponto-chave: o elemen to humano precisa ser manti do no centro do processo, co mo seu comandante supremo,

cabendo-lhe, sempre, a última decisão, a derradeira volta do parafuso.


I

Õ8

DIGESTO

4) As Dimensões da Empresa do Futuro

A empresa do futuro tende

rá a ganhar maiores dimensões, mas sem se agigantar para não correr o risco de se desumani-

zar. Entretanto, só assim po derá conviver, com probabili dades de sucesso, com o cres cente envolvimento do

nos

Estado

negócios econômicos, até

que se cumpra o ciclo histórico

ECONÔMICO

fíceis, ainda que tenhamos de sacrificar, temporariamente, uma parcela dos lucros. Preci samos buscar uma integração perfeita e completa entre o ca pital (acionistas, proprietários) e 0 trabalho (colaboradores em todos os níveis).

Neste contexto, a empresa do futuro será muito mais hu

mana, mais rentável e mais fe liz do que a de hoje.

universal.

6) A Filosofia da Empresa do Futuro

5) Os Recursos Humanos

A empresa do cisa

definir

bem

futuro

pre

claramente

sua filosofia, sua própria razão

vê-los

mos claro,

a

de ser, que deve superar o ob jetivo de puro lucro econômi co, 0 qual, entretanto, deixe é legítimo e essen

grande missão empresarial do futuro. É mister motivá-los- e estimulá-los a se integrarem de tal forma na empresa que ve

cial à sua sobrevivência e de

nham a considerá-la como se,

saber fazê-lo, de modo que não

realmente, a eles' também per tencesse, e que, de sua atuação

individual, dependesse o suces so da mesma. Devemos dar-lhes a segurança da continuidadeno emprego, mesmo em tempos di-

59

nada, somos

ção

do-nos, consequentemente, a responsabilidade de levarmos nossa contribuição para o apri

contribuiram,

de

alguma

forma.

A empresa do futuro, como,

senvolvimento, Responsável por uma importante parcela da criação de riquezas, precisa

destrua nem agrave o equilí

brio social. Pelo contrário, para que, de sua atuação, profícua e consciente, possa resultar uma sociedade mais equânime, em que todos possam usufruir dos

cidadãos, caben-

moramento de tal atividade. Na

aliás, a de hoje, precisa ser,

realidade, devemos atuar den

antes e acima de tudo, ética, moral, responsável. Deve es truturar-se de forma a poder absorver, continuamente, con

tro de um contexto ainda

tingentes jovens, ao menos na

no

mais

amplo e, cônscios de nossos de veres sociais, precisamos apli car, também nossas energias, encaminhamento e na solu

medida em que se retiram os mais velhos, no outro extremo

ção dos problemas comunitá rios, como empresas e como

do elo administrativo.

cidadãos.

Entre-

mentes, todos devem aprender

tível prioridade número um, situando-se nos mais altos ní veis administrativos. Atrair os melhores talentos e desenvol será

ECONÔMICO

benefícios, para cuja consecu

a

O setor de recursos huma¬ nos deverá assumir a indiscu

intensamente

DIGESTO

somar as respectivas

expe

riências e entusiasmos, com concessões e estímulos recípro cos — tudo visando a melhoria

da empresa, a qual, consoante já destaquei, devem considerar, também, como sua. 7) O Elemento Político

Nas sociedades pluralistas, como a nossa, todas as institui ções, inclusive as de natureza

Esta

militância

global

é

ainda mais importante no UI

Mundo,

onde

os

talentos,

a

despeito dos enormes esforços e da aceleração recente do pro gresso educacional, ainda são insuficientes, em número, para que os administradores de em presas se restrinjam ao exer cício de suas atividades técni cas.

Que os homens são iguais

ao nascer, é uma verdade in

econômica,

sofismável. Somos todos, cria

incorporam, necessariamente, o

turas de Deus, concebidas à Sua imagem e semelhança. En tretanto, na realidade do mun do biológico, cada gene é uma entidade própria. Ademais, di

fundamentalmente

elemento político. Assim, os di rigentes empresariais de ama

nhã, como os de hoje, devem participar da vida político-partidária, porque, antes de mais

verso é 0 ambiente em que ca-


I

Õ8

DIGESTO

4) As Dimensões da Empresa do Futuro

A empresa do futuro tende

rá a ganhar maiores dimensões, mas sem se agigantar para não correr o risco de se desumani-

zar. Entretanto, só assim po derá conviver, com probabili dades de sucesso, com o cres cente envolvimento do

nos

Estado

negócios econômicos, até

que se cumpra o ciclo histórico

ECONÔMICO

fíceis, ainda que tenhamos de sacrificar, temporariamente, uma parcela dos lucros. Preci samos buscar uma integração perfeita e completa entre o ca pital (acionistas, proprietários) e 0 trabalho (colaboradores em todos os níveis).

Neste contexto, a empresa do futuro será muito mais hu

mana, mais rentável e mais fe liz do que a de hoje.

universal.

6) A Filosofia da Empresa do Futuro

5) Os Recursos Humanos

A empresa do cisa

definir

bem

futuro

pre

claramente

sua filosofia, sua própria razão

vê-los

mos claro,

a

de ser, que deve superar o ob jetivo de puro lucro econômi co, 0 qual, entretanto, deixe é legítimo e essen

grande missão empresarial do futuro. É mister motivá-los- e estimulá-los a se integrarem de tal forma na empresa que ve

cial à sua sobrevivência e de

nham a considerá-la como se,

saber fazê-lo, de modo que não

realmente, a eles' também per tencesse, e que, de sua atuação

individual, dependesse o suces so da mesma. Devemos dar-lhes a segurança da continuidadeno emprego, mesmo em tempos di-

59

nada, somos

ção

do-nos, consequentemente, a responsabilidade de levarmos nossa contribuição para o apri

contribuiram,

de

alguma

forma.

A empresa do futuro, como,

senvolvimento, Responsável por uma importante parcela da criação de riquezas, precisa

destrua nem agrave o equilí

brio social. Pelo contrário, para que, de sua atuação, profícua e consciente, possa resultar uma sociedade mais equânime, em que todos possam usufruir dos

cidadãos, caben-

moramento de tal atividade. Na

aliás, a de hoje, precisa ser,

realidade, devemos atuar den

antes e acima de tudo, ética, moral, responsável. Deve es truturar-se de forma a poder absorver, continuamente, con

tro de um contexto ainda

tingentes jovens, ao menos na

no

mais

amplo e, cônscios de nossos de veres sociais, precisamos apli car, também nossas energias, encaminhamento e na solu

medida em que se retiram os mais velhos, no outro extremo

ção dos problemas comunitá rios, como empresas e como

do elo administrativo.

cidadãos.

Entre-

mentes, todos devem aprender

tível prioridade número um, situando-se nos mais altos ní veis administrativos. Atrair os melhores talentos e desenvol será

ECONÔMICO

benefícios, para cuja consecu

a

O setor de recursos huma¬ nos deverá assumir a indiscu

intensamente

DIGESTO

somar as respectivas

expe

riências e entusiasmos, com concessões e estímulos recípro cos — tudo visando a melhoria

da empresa, a qual, consoante já destaquei, devem considerar, também, como sua. 7) O Elemento Político

Nas sociedades pluralistas, como a nossa, todas as institui ções, inclusive as de natureza

Esta

militância

global

é

ainda mais importante no UI

Mundo,

onde

os

talentos,

a

despeito dos enormes esforços e da aceleração recente do pro gresso educacional, ainda são insuficientes, em número, para que os administradores de em presas se restrinjam ao exer cício de suas atividades técni cas.

Que os homens são iguais

ao nascer, é uma verdade in

econômica,

sofismável. Somos todos, cria

incorporam, necessariamente, o

turas de Deus, concebidas à Sua imagem e semelhança. En tretanto, na realidade do mun do biológico, cada gene é uma entidade própria. Ademais, di

fundamentalmente

elemento político. Assim, os di rigentes empresariais de ama

nhã, como os de hoje, devem participar da vida político-partidária, porque, antes de mais

verso é 0 ambiente em que ca-


DIGESTO

60

da um nasce. Ao respirar, ao

abrir os olhos, cada ser se de fronta com um exterior, que não é 0 mesmo para todos. Há diferentes regiões, em diferen ciados estágios de desenvolvi mento, oferecendo maiores ou menores oportunidades, cuja existência não depende do in divíduo que nelas veio ao Mun do, mas que podem ser sérios fatores ou expansivos ou limitativos de seu poder futuro de realizações pessoais.

Daí a necessidade de pro curarmos reduzir o fosso que separa e marginaliza grande parte da Humanidade.

p

8) A Responsabilidade Social do Dirigente de Empresas do Futuro

Ao empresário do futuro, com sua superior responsabili

dade de cidadão, cabe estimu lar, pelo exemplo, e comparti lhar suas experiências e seus

frutos com os demais, em to dos os níveis e latitudes, para aprimoramento

da

sociedade

universal.

impor

seus

siste-

DIGESTO ECONÔMICO

61

mas, modos ou processos. Ofe recer oportunidades de coope ração. Tornar-se disponível. Vi ver e deixar viver. Que cada um, afinal, possa escolher a solução que melhor lhe aprouver. Mas que esteja seguro de que não está sozinho, abando

reencontre a paz duradoura e a felicidade pessoal de seus

nado, na imensidão desta Ter-

Jango Goulart como presidente.

ra.

9) Conclusão: Mensagem de Esperança Uma mensagem de espe rança. Não podemos permitir a

Em fins de 1961, instalouse no Brasil um governo com forte conteúdo centralizador, sob a influência de comunistas

tutelados

por

Moscou,

tendo

trabalhadores se insurgindo contra os patrões (tivemos

março de 1964); os estudantes contra os professores; os mili tares de patentes mais baixas (de sargentos a soldados) que brando a disciplina das Forças Armadas. No campo econômi co, com uma economia forte mente centralizada, o quadro era caótico; após atingir mais de 80% em 1963, a inflação subiu em março de 1964; o dé ficit estimado do orçamento fe deral era superior ao total da arrecadação prevista para aquele exercício. No setor ex terno, o Brasil simplesmente suspendera os pagamentos de

sublime para que o mantivesse sempre voltado para o Céu co mo suprema aspiração.

Estou seguro de que o ad ministrador de empresas do fu turo não faltará à sua imensa

tribuir, com coragem e dedica ção, para que o nosso Mundo

de 3%.

Durante esse período (se tembro de 1961 — março de 1964), os líderes empresariais, notadamente de São Paulo e do

a si mesmo, destruindo, assas

encurvados, olham para o chão. Deus deu ao homem um rosto

O

Rio de Janeiro, sentindo a gra

imediatamente

Enquanto os outros animais,

moratória.

P.I.B. caira para 1,6%, frente a um crescimento populacional

Os resultados foram altamente

gritude, ao homem negando-se

nos guerreiros.

de

em moeda declaração

desastrosos. No campo político, chegamos a uma agitação qua se que generalizada, com os

mais de 300 greves, no Estado de São Paulo,, nos 12 meses

sinando seus irmãos. Precisa mos de mais estadistas e me

seus comprofissos estrangeira, numa unilateral

concidadãos.

volta ao obscurantismo, à ne

responsabilidade e saberá con

Deve saber fazê-lo, todavia, sem tentar

ECONÔMICO

anteriores

a

vidade da situação, que se de teriorava rapidamente, organi zaram duas entidades, através das quais passaram a atuar econômica e politicamente: a Anpes (Associação Nacional de Programação Econômica e So cial) e 0 Ipes (Instituto de Pes quisas Econômicas e Sociais). Do ponto de vista econômico, defendia-se a primazia da eco nomia descentralizada sobre a

centralizada

(esta, a adotada,

mais e mais, pelo governo

da

época). Pouco tempo antes, ha viam sido fundadas as Escolas

de Administração de Empresas, da Fundação Getúlio Vargas (São Paulo) e a da Universida de Católica (São Paulo). Destas escolas saíram grandes talen tos empresariais, treinados na doutrina descentralizada da li

vre empresa. Do ponto de vis-


DIGESTO

60

da um nasce. Ao respirar, ao

abrir os olhos, cada ser se de fronta com um exterior, que não é 0 mesmo para todos. Há diferentes regiões, em diferen ciados estágios de desenvolvi mento, oferecendo maiores ou menores oportunidades, cuja existência não depende do in divíduo que nelas veio ao Mun do, mas que podem ser sérios fatores ou expansivos ou limitativos de seu poder futuro de realizações pessoais.

Daí a necessidade de pro curarmos reduzir o fosso que separa e marginaliza grande parte da Humanidade.

p

8) A Responsabilidade Social do Dirigente de Empresas do Futuro

Ao empresário do futuro, com sua superior responsabili

dade de cidadão, cabe estimu lar, pelo exemplo, e comparti lhar suas experiências e seus

frutos com os demais, em to dos os níveis e latitudes, para aprimoramento

da

sociedade

universal.

impor

seus

siste-

DIGESTO ECONÔMICO

61

mas, modos ou processos. Ofe recer oportunidades de coope ração. Tornar-se disponível. Vi ver e deixar viver. Que cada um, afinal, possa escolher a solução que melhor lhe aprouver. Mas que esteja seguro de que não está sozinho, abando

reencontre a paz duradoura e a felicidade pessoal de seus

nado, na imensidão desta Ter-

Jango Goulart como presidente.

ra.

9) Conclusão: Mensagem de Esperança Uma mensagem de espe rança. Não podemos permitir a

Em fins de 1961, instalouse no Brasil um governo com forte conteúdo centralizador, sob a influência de comunistas

tutelados

por

Moscou,

tendo

trabalhadores se insurgindo contra os patrões (tivemos

março de 1964); os estudantes contra os professores; os mili tares de patentes mais baixas (de sargentos a soldados) que brando a disciplina das Forças Armadas. No campo econômi co, com uma economia forte mente centralizada, o quadro era caótico; após atingir mais de 80% em 1963, a inflação subiu em março de 1964; o dé ficit estimado do orçamento fe deral era superior ao total da arrecadação prevista para aquele exercício. No setor ex terno, o Brasil simplesmente suspendera os pagamentos de

sublime para que o mantivesse sempre voltado para o Céu co mo suprema aspiração.

Estou seguro de que o ad ministrador de empresas do fu turo não faltará à sua imensa

tribuir, com coragem e dedica ção, para que o nosso Mundo

de 3%.

Durante esse período (se tembro de 1961 — março de 1964), os líderes empresariais, notadamente de São Paulo e do

a si mesmo, destruindo, assas

encurvados, olham para o chão. Deus deu ao homem um rosto

O

Rio de Janeiro, sentindo a gra

imediatamente

Enquanto os outros animais,

moratória.

P.I.B. caira para 1,6%, frente a um crescimento populacional

Os resultados foram altamente

gritude, ao homem negando-se

nos guerreiros.

de

em moeda declaração

desastrosos. No campo político, chegamos a uma agitação qua se que generalizada, com os

mais de 300 greves, no Estado de São Paulo,, nos 12 meses

sinando seus irmãos. Precisa mos de mais estadistas e me

seus comprofissos estrangeira, numa unilateral

concidadãos.

volta ao obscurantismo, à ne

responsabilidade e saberá con

Deve saber fazê-lo, todavia, sem tentar

ECONÔMICO

anteriores

a

vidade da situação, que se de teriorava rapidamente, organi zaram duas entidades, através das quais passaram a atuar econômica e politicamente: a Anpes (Associação Nacional de Programação Econômica e So cial) e 0 Ipes (Instituto de Pes quisas Econômicas e Sociais). Do ponto de vista econômico, defendia-se a primazia da eco nomia descentralizada sobre a

centralizada

(esta, a adotada,

mais e mais, pelo governo

da

época). Pouco tempo antes, ha viam sido fundadas as Escolas

de Administração de Empresas, da Fundação Getúlio Vargas (São Paulo) e a da Universida de Católica (São Paulo). Destas escolas saíram grandes talen tos empresariais, treinados na doutrina descentralizada da li

vre empresa. Do ponto de vis-


DIGESTO

62

ECONÔMICO

ta político, a atuação era mais sutil, pois que o governo não permitia outro tipo de militân

namento da dívida externa, ten do sido restaurada a credibili

cia. As

campo interno, visando resta belecer a confiança na moeda, foi instituída a indexação (cor reção monetária), inicialmente sobre os depósitos e emprésti mos bancários, estendendo-se, gradativamente, aos outros se

mulheres também

se

organizaram (Camde — Cam panha da Mulher pela Demo cracia, no Rio; e MAF — Mo vimento de Arregimentação Fe minina e União Cívica Femini

na, em São Paulo). O maior problema dos empresários foi convencer as lideranças milita res que o governo do sr. Jango Goulart não estava

obedecendo

a Constituição do País, não mais representando o poder le gítimo que cabia às Forças Ar madas

dade do Brasil no Exterior. No

Podemos dividir a grosso modo, em 5 (cinco) períodos a evolução recente da economia brasileira, como segue. 1.0 Período: 1964/1967

Superada esta barreira, as li deranças civis, inclusive as mu

e

lheres, e os militares, deflagra

to:

ram uma revolução que„

derramamento de sangue,

sem se

tornou vitoriosa, em 31 de mar ço de 1964. O chefe militar foi o general Humberto Castello Branco, a seguir eleito presi dente do Brasil.

Integrado por elementos al tamente competentes, o novo

governo passou rapidamente a superar o caos que se havia im

plantado. Já em 1964, a infla ção foi baixada 91%.

Restauração das finanças retomada

do

desenvolvimen¬

Com forte participação dos líderes empresariais privados, que eram os responsáveis pelo setor econômico-financeiro, os resultados positivos começaram a surgir rapidamente, o P.I.B. cresceu de 2,9%, para 5% e a inflação caiu para 25%.

63

10% em média e redução da in flação de 25% para 15%.

Sem negligenciar a agricul-v tura, passaram a ser estimula dos o desenvolvimento indus trial e 0 setor de exportações, com resultados auspiciosos.

3.« Período: 1974/1978 O primeiro

tores da economia.

sustentar e defender.

DIGESTO ECONÔMICO

choque petrolí-

fero.

80% do petróleo consumido,

o

Brasil foi excessivamente lento em adaptar sua economia à nova realidade. Ajudado pelas forças deflagradas no período anterior, o País continuou crescendo a taxas muito eleva

das (14% P.I.B. em 1974) e a inflação aumentava apenas len tamente.

situação,

apesar

dos

grandes esforços de exportação para criar divisas (aliás, com

Procedeu-se ao reescalo-

P.I.B., em termos reais,

de

xide.3valorização de 30%, con trariamente à política de minidesvalorização, que vinha sen-' do seguida desde 1968.

foi violento. A partir daí, no tou-se um retraimento empre sarial, começando a surgir uma

O milagre brasileiro. do

importado, o Brasil, em dezem bro de 1979, promove uma ma-

máximo de US$

de

9,8% para 6% ,e a inflação au

período áureo,

tações, para criar divisas com as quais pagar pelo petróleo

4,7 bilhões em 1974, melhorou para US$ 1 bilhão, em 1978.

caiu

mentou de

Este foi 0

Brasil continuava a gastar uma enorme quantidade de divisas estrangeiras para importação de petróleo. Este dispêndio che gou a atingir cerca de 60% do total das importações do País. Visando a estimular as expor

comercial,,

O P.I.B.

2.0 Período: 1968/1973

com taxas de crescimento

Apesar dos esforços feitos para superar a crise energéti ca, com sucesso na redução do consumo dos produtos petrolí feros e na produção de substi

O impacto sobre as finan ças empresariais, notadamente aquelas entidades com dívidas em moeda estrangeira e as com elevado conteúdo importador,

bastante sucesso), passou a se deteriorar.

de 144% para

Do segundo choque petrolí fero até hoje.

tutos, notadamente o álcool, o

Após o choque de outubro de 1973. embora importando

A

4.® Período: 1979/1980

34% para 41%.

déficit da balança que atingiu o

O


DIGESTO

62

ECONÔMICO

ta político, a atuação era mais sutil, pois que o governo não permitia outro tipo de militân

namento da dívida externa, ten do sido restaurada a credibili

cia. As

campo interno, visando resta belecer a confiança na moeda, foi instituída a indexação (cor reção monetária), inicialmente sobre os depósitos e emprésti mos bancários, estendendo-se, gradativamente, aos outros se

mulheres também

se

organizaram (Camde — Cam panha da Mulher pela Demo cracia, no Rio; e MAF — Mo vimento de Arregimentação Fe minina e União Cívica Femini

na, em São Paulo). O maior problema dos empresários foi convencer as lideranças milita res que o governo do sr. Jango Goulart não estava

obedecendo

a Constituição do País, não mais representando o poder le gítimo que cabia às Forças Ar madas

dade do Brasil no Exterior. No

Podemos dividir a grosso modo, em 5 (cinco) períodos a evolução recente da economia brasileira, como segue. 1.0 Período: 1964/1967

Superada esta barreira, as li deranças civis, inclusive as mu

e

lheres, e os militares, deflagra

to:

ram uma revolução que„

derramamento de sangue,

sem se

tornou vitoriosa, em 31 de mar ço de 1964. O chefe militar foi o general Humberto Castello Branco, a seguir eleito presi dente do Brasil.

Integrado por elementos al tamente competentes, o novo

governo passou rapidamente a superar o caos que se havia im

plantado. Já em 1964, a infla ção foi baixada 91%.

Restauração das finanças retomada

do

desenvolvimen¬

Com forte participação dos líderes empresariais privados, que eram os responsáveis pelo setor econômico-financeiro, os resultados positivos começaram a surgir rapidamente, o P.I.B. cresceu de 2,9%, para 5% e a inflação caiu para 25%.

63

10% em média e redução da in flação de 25% para 15%.

Sem negligenciar a agricul-v tura, passaram a ser estimula dos o desenvolvimento indus trial e 0 setor de exportações, com resultados auspiciosos.

3.« Período: 1974/1978 O primeiro

tores da economia.

sustentar e defender.

DIGESTO ECONÔMICO

choque petrolí-

fero.

80% do petróleo consumido,

o

Brasil foi excessivamente lento em adaptar sua economia à nova realidade. Ajudado pelas forças deflagradas no período anterior, o País continuou crescendo a taxas muito eleva

das (14% P.I.B. em 1974) e a inflação aumentava apenas len tamente.

situação,

apesar

dos

grandes esforços de exportação para criar divisas (aliás, com

Procedeu-se ao reescalo-

P.I.B., em termos reais,

de

xide.3valorização de 30%, con trariamente à política de minidesvalorização, que vinha sen-' do seguida desde 1968.

foi violento. A partir daí, no tou-se um retraimento empre sarial, começando a surgir uma

O milagre brasileiro. do

importado, o Brasil, em dezem bro de 1979, promove uma ma-

máximo de US$

de

9,8% para 6% ,e a inflação au

período áureo,

tações, para criar divisas com as quais pagar pelo petróleo

4,7 bilhões em 1974, melhorou para US$ 1 bilhão, em 1978.

caiu

mentou de

Este foi 0

Brasil continuava a gastar uma enorme quantidade de divisas estrangeiras para importação de petróleo. Este dispêndio che gou a atingir cerca de 60% do total das importações do País. Visando a estimular as expor

comercial,,

O P.I.B.

2.0 Período: 1968/1973

com taxas de crescimento

Apesar dos esforços feitos para superar a crise energéti ca, com sucesso na redução do consumo dos produtos petrolí feros e na produção de substi

O impacto sobre as finan ças empresariais, notadamente aquelas entidades com dívidas em moeda estrangeira e as com elevado conteúdo importador,

bastante sucesso), passou a se deteriorar.

de 144% para

Do segundo choque petrolí fero até hoje.

tutos, notadamente o álcool, o

Após o choque de outubro de 1973. embora importando

A

4.® Período: 1979/1980

34% para 41%.

déficit da balança que atingiu o

O


DIG3STO

64

desconfiança interna em rela

ção à moeda brasileira. Para restabelecer

a

con

fiança, o Governo cometeu um erro. talvez ainda maior: pre fixou as taxas de indexação (correção monetária) para o ano de 1980 em 50%, o mesmo fazendo com a desvalorização cambial. Foram, também, esta belecidos de juros.

tetos para as taxas

Os resultados foram desas

trosos: pressão sobre as impor tações e formação de estoques elevados, com uma aceleração

do processo inflacionário, que atingiu três dígitos,, pela pri meira vez desde a vitória

Revolução de

da

Março de 1964:

110%, e um P.I.B. de 8%, de notando uma aquecida.

economia super-

ECONÔMICO

juros mas instituiu controle da expansão quantitativa do cré dito em moeda nacional, esti mulando as empresas a toma rem recursos no Exterior,, para ajudar a fechar o "gap” do ba lanço ds pagamentos; liberou maioria dos preços internos, até então administrados pelo

Os resultados positivos já começam a aparecer: a infla ção diminuiu de intensidade, devendo

encerrar

o

ano

com

95/98%; a balança comercial, após mostrar déficits de cerca de US$ 3 bilhões em 1979 e 1980, já apresenta um superávit, que deverá se aproximar a US$ 1 bilhão, no fim do exercício. Para chegar a estes resul

tados,

1982:

tivemos

que enfrentar

perávits comerciais) redução da inflação e do desemprego.

Retomada do

Desenvolvimento

A despeito dos sérios pro

blemas enfrentados,

o Brasil

adentra 1982 com um P.I.B. de

US$ 280 bilhões e uma renda per capita de US$ 2,300.00.

choques abalaram a economia mundial: a quadruplicação dos

O Brasil é um país econo micamente responsável. Os ho

anos,

preços do petróleo^ em 1973; o

política

a elevação violenta das taxas de juros internacionais.

altamente capazes, coímo já o provaram no passado. Estou convencido de que o País reto mará, em 1982, o seu vigoroso

Tendo absorvido o impacto dos dois choques petrolíferos e

em face, agora, de uma impor tante redução dos juros inter

nacionais, e, ademais, cem ba se nos

resultados

obtidos em

encerrare

de desenvolvimento econômico.

timular as exportações: impôs

mos 0 ano com um P.I.B. neu

dificuldades burocráticas as im

tro, isto é, igual ao crescimen to populacional: 2,4%.

As prioridades são: agri cultura; aceleração e substitui ção das importações (com su-

Reconhecendo o sério erro

em que havia incorrido, o Go verno deu uma guinada de 180 graus: adotou minidesvaloriza-

ções mais aceleradas, para es portações; liberou as taxas de

recessão

no decorrer

de

1981, com diminuição sensível da produção industrial e surgi mento de desemprego. Todavia, a agricultura e o setor de ser

viços têm sido positivos.

sim^ possivelmente

mens que respondem por sua

segundo salto dos preços do pe tróleo, no decorrer de 1979, e,

As

1981

em 1981); b) superávit da ba lança comercial: US$ 2,5/3 bi lhões (versus US$ 1 bilhão em

1981); c) crescimento do P.I.B: 5% (versus 2,4% em 1981).

8

1981 (redução da inflação e ob tenção de superávit na balan ça comercial) o Brasil se lan ça em 1982 com o objetivo de retomar segura mas cautelosa mente, 0 seu tradicional ritmo

uma 5.® Pe: íodo:

Assim, estimamos, para 1982:

a) inflação, 80% (versus 95/98%

três

Nos últimos

Governo.

65

DIGESTO ECONÔMICO

na

econômico-financeira,

maioria

empresários,

são

ritmo de desenvolvimento, sob

um regime econômico aberto e descentralizado.

Regras básicas para enfrentar altas taxas inflacionárias

Em face das altas taxas de

inflação, agravadas com a re cessão de 1981, e que deverão continuar ainda por alguns anos,

os empresários brasileiros cria ram

diversas

regras

básicas

para ajudá-los a enfrentar a

situação de maneira rentável. Eis algumas dessas regras:


DIG3STO

64

desconfiança interna em rela

ção à moeda brasileira. Para restabelecer

a

con

fiança, o Governo cometeu um erro. talvez ainda maior: pre fixou as taxas de indexação (correção monetária) para o ano de 1980 em 50%, o mesmo fazendo com a desvalorização cambial. Foram, também, esta belecidos de juros.

tetos para as taxas

Os resultados foram desas

trosos: pressão sobre as impor tações e formação de estoques elevados, com uma aceleração

do processo inflacionário, que atingiu três dígitos,, pela pri meira vez desde a vitória

Revolução de

da

Março de 1964:

110%, e um P.I.B. de 8%, de notando uma aquecida.

economia super-

ECONÔMICO

juros mas instituiu controle da expansão quantitativa do cré dito em moeda nacional, esti mulando as empresas a toma rem recursos no Exterior,, para ajudar a fechar o "gap” do ba lanço ds pagamentos; liberou maioria dos preços internos, até então administrados pelo

Os resultados positivos já começam a aparecer: a infla ção diminuiu de intensidade, devendo

encerrar

o

ano

com

95/98%; a balança comercial, após mostrar déficits de cerca de US$ 3 bilhões em 1979 e 1980, já apresenta um superávit, que deverá se aproximar a US$ 1 bilhão, no fim do exercício. Para chegar a estes resul

tados,

1982:

tivemos

que enfrentar

perávits comerciais) redução da inflação e do desemprego.

Retomada do

Desenvolvimento

A despeito dos sérios pro

blemas enfrentados,

o Brasil

adentra 1982 com um P.I.B. de

US$ 280 bilhões e uma renda per capita de US$ 2,300.00.

choques abalaram a economia mundial: a quadruplicação dos

O Brasil é um país econo micamente responsável. Os ho

anos,

preços do petróleo^ em 1973; o

política

a elevação violenta das taxas de juros internacionais.

altamente capazes, coímo já o provaram no passado. Estou convencido de que o País reto mará, em 1982, o seu vigoroso

Tendo absorvido o impacto dos dois choques petrolíferos e

em face, agora, de uma impor tante redução dos juros inter

nacionais, e, ademais, cem ba se nos

resultados

obtidos em

encerrare

de desenvolvimento econômico.

timular as exportações: impôs

mos 0 ano com um P.I.B. neu

dificuldades burocráticas as im

tro, isto é, igual ao crescimen to populacional: 2,4%.

As prioridades são: agri cultura; aceleração e substitui ção das importações (com su-

Reconhecendo o sério erro

em que havia incorrido, o Go verno deu uma guinada de 180 graus: adotou minidesvaloriza-

ções mais aceleradas, para es portações; liberou as taxas de

recessão

no decorrer

de

1981, com diminuição sensível da produção industrial e surgi mento de desemprego. Todavia, a agricultura e o setor de ser

viços têm sido positivos.

sim^ possivelmente

mens que respondem por sua

segundo salto dos preços do pe tróleo, no decorrer de 1979, e,

As

1981

em 1981); b) superávit da ba lança comercial: US$ 2,5/3 bi lhões (versus US$ 1 bilhão em

1981); c) crescimento do P.I.B: 5% (versus 2,4% em 1981).

8

1981 (redução da inflação e ob tenção de superávit na balan ça comercial) o Brasil se lan ça em 1982 com o objetivo de retomar segura mas cautelosa mente, 0 seu tradicional ritmo

uma 5.® Pe: íodo:

Assim, estimamos, para 1982:

a) inflação, 80% (versus 95/98%

três

Nos últimos

Governo.

65

DIGESTO ECONÔMICO

na

econômico-financeira,

maioria

empresários,

são

ritmo de desenvolvimento, sob

um regime econômico aberto e descentralizado.

Regras básicas para enfrentar altas taxas inflacionárias

Em face das altas taxas de

inflação, agravadas com a re cessão de 1981, e que deverão continuar ainda por alguns anos,

os empresários brasileiros cria ram

diversas

regras

básicas

para ajudá-los a enfrentar a

situação de maneira rentável. Eis algumas dessas regras:


I

86

DIGESTO

1) Procurar fortalecer a equify position" para reduzir os custos financeiros.

A razão principal para es ta política está nos exorbitan tes custos dos empréstimos, que atingiram 130/140%, nominais, com uma inflação de 110% em 1980 — e que prossegue muito elevada em 1981 (95/98%). Em bora não seja fácil converter

dívida em equity, quando o cash floíw está sendo compri mido, há algumas possibilida

des, tais como a venda de pro priedades não essenciais à con

duta dos negócios; o aumento

das dívidas pela obtenção de prazos mais longos para paga mentos e somente liquidar

as

obrigações da empresa, inclu

ECONÔMICO

Desta

forma, reduzem-se as necessidades de fundos (que são tão dispendiosos). 4) Rever cuidadosamente as importações

Esta é uma providência ne¬ cessária, não só porque a polí tica do Governo é reduzi-las ao mínimo

mas

em termos

de empresa,

não imobiliza recursos

esta

no de-

2) Dar prioridade ao "cash fiow" sobre as vendas e lucros

Aja como se o dinheiro fos se seu e não da empresa.

3) Reduzir drasticamente os estoques.

É 0 óbvio mas nem sempre lembrado

pelos

empresários.

Os brasileiros devem participar, sem inibir a participação de capitais estrangeiros. O autor é o atual presidente da Companhia do Jari, é engenheiro e

correr do processo de impor tação. As firmas devem procu

rar suprir-se, ao máximo, no

administrador de empresas.

mercado interno.

5) Reduzir ao mínimo os prazos de venda

sive impostos e taxas, no dia do vencimento,

Sérgio F. Quintella

também porque,

Esta é uma importante pro vidência, que deve ser tomada,

O

chamado

Programa

Grande Carajás — na realidade um plano global de desenvolvi mento para a Amazônia Orien tal — começa a despertar na sociedade brasileira intensos

e

gem de lucro.

salutares debates. Interessados no tema, multiplicam-se as reu

6) Reduzir a força de trabalho

niões de empresários, professo res universitários e associações

mesmo com sacrifício da mar

ao estritamente

necessário

É outra providência óbvia mas que brada.

nem

sempre é lem

de classe. Inúmeros têm sido os

artigos assinados e os editoriais dos nossos principais jornais e revistas trazendo valiosas e ino vadoras contribuições à com preensão das dimensões do Pro-

grama, do seu impacto na or ganização da sociedade e da sua importância para a econo mia nacional.

O Grande Carajás nasceu

da concepção estratégica de Eliezer Batista (presidente da

Companhia Vale do Rio Doce) para o aproveitamento integra do das riquezas hidroelétricas,

minerais,

agrícolas

e flores

tais da região, buscando tirar 0 máximo partido da infra-es trutura de transportes do mi nério de ferro (ferrovia de 900


I

86

DIGESTO

1) Procurar fortalecer a equify position" para reduzir os custos financeiros.

A razão principal para es ta política está nos exorbitan tes custos dos empréstimos, que atingiram 130/140%, nominais, com uma inflação de 110% em 1980 — e que prossegue muito elevada em 1981 (95/98%). Em bora não seja fácil converter

dívida em equity, quando o cash floíw está sendo compri mido, há algumas possibilida

des, tais como a venda de pro priedades não essenciais à con

duta dos negócios; o aumento

das dívidas pela obtenção de prazos mais longos para paga mentos e somente liquidar

as

obrigações da empresa, inclu

ECONÔMICO

Desta

forma, reduzem-se as necessidades de fundos (que são tão dispendiosos). 4) Rever cuidadosamente as importações

Esta é uma providência ne¬ cessária, não só porque a polí tica do Governo é reduzi-las ao mínimo

mas

em termos

de empresa,

não imobiliza recursos

esta

no de-

2) Dar prioridade ao "cash fiow" sobre as vendas e lucros

Aja como se o dinheiro fos se seu e não da empresa.

3) Reduzir drasticamente os estoques.

É 0 óbvio mas nem sempre lembrado

pelos

empresários.

Os brasileiros devem participar, sem inibir a participação de capitais estrangeiros. O autor é o atual presidente da Companhia do Jari, é engenheiro e

correr do processo de impor tação. As firmas devem procu

rar suprir-se, ao máximo, no

administrador de empresas.

mercado interno.

5) Reduzir ao mínimo os prazos de venda

sive impostos e taxas, no dia do vencimento,

Sérgio F. Quintella

também porque,

Esta é uma importante pro vidência, que deve ser tomada,

O

chamado

Programa

Grande Carajás — na realidade um plano global de desenvolvi mento para a Amazônia Orien tal — começa a despertar na sociedade brasileira intensos

e

gem de lucro.

salutares debates. Interessados no tema, multiplicam-se as reu

6) Reduzir a força de trabalho

niões de empresários, professo res universitários e associações

mesmo com sacrifício da mar

ao estritamente

necessário

É outra providência óbvia mas que brada.

nem

sempre é lem

de classe. Inúmeros têm sido os

artigos assinados e os editoriais dos nossos principais jornais e revistas trazendo valiosas e ino vadoras contribuições à com preensão das dimensões do Pro-

grama, do seu impacto na or ganização da sociedade e da sua importância para a econo mia nacional.

O Grande Carajás nasceu

da concepção estratégica de Eliezer Batista (presidente da

Companhia Vale do Rio Doce) para o aproveitamento integra do das riquezas hidroelétricas,

minerais,

agrícolas

e flores

tais da região, buscando tirar 0 máximo partido da infra-es trutura de transportes do mi nério de ferro (ferrovia de 900


DIGESTO

68

km e porto de águas profun das de São Luís) e da carência mundial de certos produtos me¬

Segmento

talúrgicos e agrícolas. O Pro

grama, como concebido, leva va ao seguinte quadro resumo: Receita Anual (US$ bi)

investi mentos

US$ bilhões

ECONÔMICO

População Abrangida (mil)

Empregos Diretos

(mil)

Minero-metalúrgico Agrícola

28,1

9,2

380

67

8,1

Pecuária

1,7

6.5 0.7

624 152

Reflorestamento

1,3

0,6

3.400 840 980

39,2

17,00

5.600

1.022

Subtota]

179

DIGESTO ECONÔMICO

* Não obstante as magníficas condições intrínsecas, a escala dos investimentos (cerca de 60 bilhões de dólares) traz preo cupações especiais na escolha correta do modelo de capitali zação de cada empreendimento, sobretudo pela importância de utilizar o Programa como ins trumento fundamental no esfor

ço de consolidação da econo mia aberta de mercado.

Infra-estrutura:

Comunidade Residencial Outros

Sistemas

14,6 7,9

TOTAL

GERAL

61.7

Pontos controversos 225 1.244 h estimado n estimado

17,0

Há cerca de seis meses ti

vemos ocasião de publicar um trabalho

sobre

a

Amazônia

Oiental que representava, à

6.844

1.247

(interno e externo) com escas sez comprovada para a maio ria dos produtos a serem ofer tados.

época, uma tentativa de divul gar de forma resumida os tra balhos até então elaborados.

Procurávamos

naquela

oportunidade, além de indicar as enormes potencialidades da

região, ressaltar três aspectos particularmente

relevantes,

a

saber:

*

69

O programa indicativo apre

senta enorme vitalidade, inclu sive por atender a mercados

■* Os projetos individuais têm a sua viabilidade praticamente assegurada pela conjugação fe liz de vários fatores, entre eles

disponibilidade de energia elé trica, abundância de minerais

de teor e qualidade excepcio

Temos tido oportunidade de participar de alguns debates sobre o Grande Carajás e, desta experiência, parece possível in dicar cinco pontos repetidamen te apresentados como contro versos e que resumem algumas posições de dúvida ou mesmo de oposição ao Programa. Sem outro objetivo senão o de con

tribuir para o desejado estudo

do tema, de forma organizada e sistemática, mencionaríamos os

seguintes

como

elementos

de controvérsia:

concentrada

1. As dimensões “amazônias"

em um único local e infra-estru

dos compromissos globais indu

tura para o transporte de gran des massas a grandes distân

ziram à concentração de recuideslosos na área-programa

nais,

cias.

localização

cando investimentos de outras

regiões (e de outros setores") que continuariam demandando elevada prioridade. 2. Com relação aos ecossis temas da região — sobretudo atentando para o que vem sen* do discutido nos foros interna cionais e no ambiente universi tário brasileiro — procura-se analisar as eventuais altera

ções do mesmo, especialmente em decorrência

da ocupação

agrícola e pastoril e da intro dução da grande exploração flo restal, utilizando a vocação de porções da área para este ti

po de aproveitamento

econô

mico.

3. Os modernos empreendi mentos minerais e metalúrgi cos são sabidamente capital in tensivos. As estimativas preli minares de geração de empre gos nesse segmento econômico indicam a criação

de

70

mil

empregos diretos com desfavo rável relação capital/emprego. Sendo alta a prioridade, em ter

mos nacionais, que se deve Jar a geração de oportunidade de trabalho, questiona-se a adequa

ção do Programa a este obje tivo.

4. Os projetos metalúrgicos: alumínio, cobre, manganês (e


DIGESTO

68

km e porto de águas profun das de São Luís) e da carência mundial de certos produtos me¬

Segmento

talúrgicos e agrícolas. O Pro

grama, como concebido, leva va ao seguinte quadro resumo: Receita Anual (US$ bi)

investi mentos

US$ bilhões

ECONÔMICO

População Abrangida (mil)

Empregos Diretos

(mil)

Minero-metalúrgico Agrícola

28,1

9,2

380

67

8,1

Pecuária

1,7

6.5 0.7

624 152

Reflorestamento

1,3

0,6

3.400 840 980

39,2

17,00

5.600

1.022

Subtota]

179

DIGESTO ECONÔMICO

* Não obstante as magníficas condições intrínsecas, a escala dos investimentos (cerca de 60 bilhões de dólares) traz preo cupações especiais na escolha correta do modelo de capitali zação de cada empreendimento, sobretudo pela importância de utilizar o Programa como ins trumento fundamental no esfor

ço de consolidação da econo mia aberta de mercado.

Infra-estrutura:

Comunidade Residencial Outros

Sistemas

14,6 7,9

TOTAL

GERAL

61.7

Pontos controversos 225 1.244 h estimado n estimado

17,0

Há cerca de seis meses ti

vemos ocasião de publicar um trabalho

sobre

a

Amazônia

Oiental que representava, à

6.844

1.247

(interno e externo) com escas sez comprovada para a maio ria dos produtos a serem ofer tados.

época, uma tentativa de divul gar de forma resumida os tra balhos até então elaborados.

Procurávamos

naquela

oportunidade, além de indicar as enormes potencialidades da

região, ressaltar três aspectos particularmente

relevantes,

a

saber:

*

69

O programa indicativo apre

senta enorme vitalidade, inclu sive por atender a mercados

■* Os projetos individuais têm a sua viabilidade praticamente assegurada pela conjugação fe liz de vários fatores, entre eles

disponibilidade de energia elé trica, abundância de minerais

de teor e qualidade excepcio

Temos tido oportunidade de participar de alguns debates sobre o Grande Carajás e, desta experiência, parece possível in dicar cinco pontos repetidamen te apresentados como contro versos e que resumem algumas posições de dúvida ou mesmo de oposição ao Programa. Sem outro objetivo senão o de con

tribuir para o desejado estudo

do tema, de forma organizada e sistemática, mencionaríamos os

seguintes

como

elementos

de controvérsia:

concentrada

1. As dimensões “amazônias"

em um único local e infra-estru

dos compromissos globais indu

tura para o transporte de gran des massas a grandes distân

ziram à concentração de recuideslosos na área-programa

nais,

cias.

localização

cando investimentos de outras

regiões (e de outros setores") que continuariam demandando elevada prioridade. 2. Com relação aos ecossis temas da região — sobretudo atentando para o que vem sen* do discutido nos foros interna cionais e no ambiente universi tário brasileiro — procura-se analisar as eventuais altera

ções do mesmo, especialmente em decorrência

da ocupação

agrícola e pastoril e da intro dução da grande exploração flo restal, utilizando a vocação de porções da área para este ti

po de aproveitamento

econô

mico.

3. Os modernos empreendi mentos minerais e metalúrgi cos são sabidamente capital in tensivos. As estimativas preli minares de geração de empre gos nesse segmento econômico indicam a criação

de

70

mil

empregos diretos com desfavo rável relação capital/emprego. Sendo alta a prioridade, em ter

mos nacionais, que se deve Jar a geração de oportunidade de trabalho, questiona-se a adequa

ção do Programa a este obje tivo.

4. Os projetos metalúrgicos: alumínio, cobre, manganês (e


DIGESTO

70

ferro-ligas), níquel, sinter, se mi-acabados, etc., caracterizam-se por serem energia in tensivos, isto é, incorporam ao produto final elevados coefi cientes de energia elétrica. Daí resulta o problema da correta utilização dos mananciais hi droelétricos

das

bacias

seten

trionais do Tocantins, Araguaia

e Xingu e, especialmente, o das

ECONÔMICO

DIGESTO ECONÔMICO

71

(US$ 6 bilhões/ano a preços atuais) e que a economia cres ça, era média, entre 4% e 6% ao ano, os comprometimentos anuais de recursos não ultra passariam 8,5% da formação bruta de capital. Por outro la do, há suficiente evidência pa ra concluir-se que, tratando-se de Programa que compreende

te, excedentes exportáveis que atingirão em 1981 US$ 25 bi lhões; quando implantado, o Grande Carajás aumentará as exportações globais para US$ 42 bilhões/ano (US$ 17 bilhões

projetos de relação

de aumento)^ com investimen tos

marginais de US$ 60 bi

lhões, isto é, de cerca de 10% do atual estoque total de capi

tarifas de energia elétrica a se

produto muito favorável e ele

tal. Por outro lado, o saldo po sitivo previsto de divisas será

rem atribuídas

vada taxa interna de retorno,

muito elevado, sobretudo

a esses pro

jetos.

a realização do Grande Cara

5. Finalmente, considerando-

se que os projetos metalúrgicos representam

investimentos

es-

timados em 40 bilhões de dó lares (inclusive infra-estrutu ra), coloca-se a questão do con-

trole nacional sobre esses pro jetos, bem como do grau e for ma da participação do capital privado.

jás provocará resultados posi tivos não só para a economia regional (Norte e Nordeste), mas para toda a economia na cional.

Dadas as características de programa

substitutivo

de

im

portação (o Brasil importa atualmente cerca de US$ 500 milhões/ano somente em cobre

Considerações em torno da$ controvérsias

Com relação ao primeiro dos pontos controversos, cremos ne cessário trazer os números ab

solutos do Programa a padrões macroeconômicos de aferição. Admitindo-se que os investi mentos sejam realizados dentro de um

capital/

horizonte

de 10

anos

e alumínio) e exportador de produtos minerais, metalúrgi

cos e agrícolas, o Grande Cara jás trará importantes efeitos na correção de

alguns

desequilí

por

tratar-se de produtos (manufa turados ou agrícolas) em que os principais insumos são es sencialmente de origem nacio nal (energia elétrica, minérios, redutores, etc.). Nâo há, também, como ig norar a extrema oportunidade do programa na captação da poupança externa — sobretudo capitais de risco — inclusive por tratar-se de elenco de opor tunidades de investimento de

importância vital e estratégica para muitas grandes empresas

brios hoje identificados na eco

internacionais.

nomia brasileira.

enorme potencialidade para o

cabe Assim, por exemplo, mencionar que o estoque total de capital (da ordem de US$ 600 bilhões) produz, atualmen-

Daí

decorre

capital privado nacional, caso seja capaz de mobilizar-se ra pidamente e de forma ade quada.

Âs questões sociais

As preocupações de ordem

social vêm ganhando, no Bra sil, crescente importância e destaque, até mesmo como fa tor de hierarquia maior na definição de prioridades. Den tro deste enfoque, avultam as questões relativas à geração de empregos para atender à de manda da ordem de 1,5 milhão de pessoas/ano. Não há como invalidar a assertiva de que os projetos minero-metalúrgicos, por serem capital intensivos, não

atendem

isoladamente

ao

objetivo de ampliar as oportu nidades de emprego.

Elntretanto, o programa glo bal — isto é, os projetos agrí colas e florestais incluídos — absorve mais de 1 milhão de

trabalhadores (7 milhões de pessoas diretamente beneficia das), sem considerar a parce la

enorme e não

totalmente

quantificada de empregos vin culados às atividades indus triais de 2.a e 3.a geração e as de serviço, especialmente

comércio, transporte, bancos e serviços públicos. Por outro lado, é admissível um valor mais elevado para o


DIGESTO

70

ferro-ligas), níquel, sinter, se mi-acabados, etc., caracterizam-se por serem energia in tensivos, isto é, incorporam ao produto final elevados coefi cientes de energia elétrica. Daí resulta o problema da correta utilização dos mananciais hi droelétricos

das

bacias

seten

trionais do Tocantins, Araguaia

e Xingu e, especialmente, o das

ECONÔMICO

DIGESTO ECONÔMICO

71

(US$ 6 bilhões/ano a preços atuais) e que a economia cres ça, era média, entre 4% e 6% ao ano, os comprometimentos anuais de recursos não ultra passariam 8,5% da formação bruta de capital. Por outro la do, há suficiente evidência pa ra concluir-se que, tratando-se de Programa que compreende

te, excedentes exportáveis que atingirão em 1981 US$ 25 bi lhões; quando implantado, o Grande Carajás aumentará as exportações globais para US$ 42 bilhões/ano (US$ 17 bilhões

projetos de relação

de aumento)^ com investimen tos

marginais de US$ 60 bi

lhões, isto é, de cerca de 10% do atual estoque total de capi

tarifas de energia elétrica a se

produto muito favorável e ele

tal. Por outro lado, o saldo po sitivo previsto de divisas será

rem atribuídas

vada taxa interna de retorno,

muito elevado, sobretudo

a esses pro

jetos.

a realização do Grande Cara

5. Finalmente, considerando-

se que os projetos metalúrgicos representam

investimentos

es-

timados em 40 bilhões de dó lares (inclusive infra-estrutu ra), coloca-se a questão do con-

trole nacional sobre esses pro jetos, bem como do grau e for ma da participação do capital privado.

jás provocará resultados posi tivos não só para a economia regional (Norte e Nordeste), mas para toda a economia na cional.

Dadas as características de programa

substitutivo

de

im

portação (o Brasil importa atualmente cerca de US$ 500 milhões/ano somente em cobre

Considerações em torno da$ controvérsias

Com relação ao primeiro dos pontos controversos, cremos ne cessário trazer os números ab

solutos do Programa a padrões macroeconômicos de aferição. Admitindo-se que os investi mentos sejam realizados dentro de um

capital/

horizonte

de 10

anos

e alumínio) e exportador de produtos minerais, metalúrgi

cos e agrícolas, o Grande Cara jás trará importantes efeitos na correção de

alguns

desequilí

por

tratar-se de produtos (manufa turados ou agrícolas) em que os principais insumos são es sencialmente de origem nacio nal (energia elétrica, minérios, redutores, etc.). Nâo há, também, como ig norar a extrema oportunidade do programa na captação da poupança externa — sobretudo capitais de risco — inclusive por tratar-se de elenco de opor tunidades de investimento de

importância vital e estratégica para muitas grandes empresas

brios hoje identificados na eco

internacionais.

nomia brasileira.

enorme potencialidade para o

cabe Assim, por exemplo, mencionar que o estoque total de capital (da ordem de US$ 600 bilhões) produz, atualmen-

Daí

decorre

capital privado nacional, caso seja capaz de mobilizar-se ra pidamente e de forma ade quada.

Âs questões sociais

As preocupações de ordem

social vêm ganhando, no Bra sil, crescente importância e destaque, até mesmo como fa tor de hierarquia maior na definição de prioridades. Den tro deste enfoque, avultam as questões relativas à geração de empregos para atender à de manda da ordem de 1,5 milhão de pessoas/ano. Não há como invalidar a assertiva de que os projetos minero-metalúrgicos, por serem capital intensivos, não

atendem

isoladamente

ao

objetivo de ampliar as oportu nidades de emprego.

Elntretanto, o programa glo bal — isto é, os projetos agrí colas e florestais incluídos — absorve mais de 1 milhão de

trabalhadores (7 milhões de pessoas diretamente beneficia das), sem considerar a parce la

enorme e não

totalmente

quantificada de empregos vin culados às atividades indus triais de 2.a e 3.a geração e as de serviço, especialmente

comércio, transporte, bancos e serviços públicos. Por outro lado, é admissível um valor mais elevado para o


72

DIGESTO

custo por emprego em regiões a desenvolver, tendo em vista 0 natural interesse social e eco nômico do País em distribuir

a sua população

região, de tal sorte a evitar que posições radicais venham a conturbar a racional colocação do problema.

de maneira

mais uniforme no território na cional.

Finalmente — e ainda

no

contexto das preocupações so ciais — os problemas de natu reza ecológica e de preserva ção da Amazônia. Este é, real mente, um aspecto que deve

merecer de todos nós, brasilei ros, a mais alta atenção, evi tando por todos os meios qtfe

ca de 2,2 mil km ao sistema hi-

exigirá que estejam disponíveis,

via navegável que de Aruanã (Goiás) desemboca em Belém

para consumo, cerca de 5,8 mil MW de energia firme e cons tante, correspondentes a cerca de 10 mil MW de capacidade instalada.

Certamente tais

nú

de 22 mil MW — e se levarmos

em consideração o fato de que a demanda deste segmento sig nificará a exaustão do poten

verno federal, com o apoio das comunidades

acadêmicas

0

científicas nacionais, defina os parâmetros a que se devem su bordinar os vários projetos que começam a ser implantados na

mento, além de adicionar cerca de 800/850 MW firmes ao po bilidade de se acrescentar cer

Há que haver, por isso, cuida

É, assim, urgente que o Go

Isabel, já em fase de planeja

A operação dos projetos do segmento minero-metalúrgico

dos especiais na ocupação agrí cola e na exploração florestal, de forma a viabilizar sob o pon to de vista econômico a ocupa ção da região, mas atendendo a preceitos ecológicos de apli cação extremamente rígida.

ma indicada e que a implanta ção da hidrelétrica de Santa

elemento fundamental à possi

equilíbrio ecológico da região.

de nós afete negativamente o

73

DIGBSTO ECONÔMICO

tencial energético do País, será

Energia Elétrica Demanda e Tarifas

meros são impressionantes, mormente se o compararmos com a capacidade que temos hoje instalada no País — cerca

a ação ou omissão de cada um

f

ECONÔMICO

cial hídrico de uma de nossas

mais importantes bacias ainda não exploradas — a bacia se tentrional dos rios Araguaia e Tocantins.

É importante,

no entanto,

considerar que somente a hi

drelétrica

de

Tucuruí,

em

adiantado estágio de constru ção, será capaz de atender a mais de 60% da demanda aci-

droviário

brasileiro,

criando

(Pará) e que será condição in dispensável à plena viabiliza ção dos projetos do segmento agropecuário e florestal. No que diz respeito ao aspecto da tarifa elétrica, parece-

nos adequada a política do Go verno Federal no sentido de via

bilizar, através de redução ta

rifária e de fórmula pararaétrica estável no longo prazo, a

operação de unidades indus triais nas quais a energia elé trica constitua um fator

de re

instituir mecanismos

para garantir que tal benefício não seja expatriado sob a for ma de preços de exportação in feriores àqueles prevalecentes no mercado

internacional

formação situadas fora do País. Um rigido controle dos contra tos de exportação, adequando os preços de venda aos vigen tes no mercado internacional, será portanto indispensável pa ra fazer com que o incentivo tarifário utilizado traga reais e proveitosos benefícios à econo mia nacional.

0 Modelo de Capitalização e os Projetos MInero-Metalúrgicos

Ao longo do processo de conhecimento, estudo e debate sobre o Grande Carajás, temos sido despertados pela necessi dade de encontrar proposições

objetivas e que viabilizem a participação majoritária do ca pital nacional, e, neste, predo mine 0 capital privado.

levo na formação do custo de produção. No entanto, será fun damental

benefício às indústrias de trans

o

que, se viesse a acontecer, sig

nificaria de fato repassar tal

Não parece haver dúvidas — nem dificuldades maiores —

em atribuir ao empresário pri vado nacional a responsabilida de pela condução dos progra

mas agrícolas, pecuários e flo restais. Embora a escala pre

tendida na agricultura (10 mi lhões de toneladas de grãos) en volva técnicas

modernas

produção e comercialização,

de

o


72

DIGESTO

custo por emprego em regiões a desenvolver, tendo em vista 0 natural interesse social e eco nômico do País em distribuir

a sua população

região, de tal sorte a evitar que posições radicais venham a conturbar a racional colocação do problema.

de maneira

mais uniforme no território na cional.

Finalmente — e ainda

no

contexto das preocupações so ciais — os problemas de natu reza ecológica e de preserva ção da Amazônia. Este é, real mente, um aspecto que deve

merecer de todos nós, brasilei ros, a mais alta atenção, evi tando por todos os meios qtfe

ca de 2,2 mil km ao sistema hi-

exigirá que estejam disponíveis,

via navegável que de Aruanã (Goiás) desemboca em Belém

para consumo, cerca de 5,8 mil MW de energia firme e cons tante, correspondentes a cerca de 10 mil MW de capacidade instalada.

Certamente tais

nú

de 22 mil MW — e se levarmos

em consideração o fato de que a demanda deste segmento sig nificará a exaustão do poten

verno federal, com o apoio das comunidades

acadêmicas

0

científicas nacionais, defina os parâmetros a que se devem su bordinar os vários projetos que começam a ser implantados na

mento, além de adicionar cerca de 800/850 MW firmes ao po bilidade de se acrescentar cer

Há que haver, por isso, cuida

É, assim, urgente que o Go

Isabel, já em fase de planeja

A operação dos projetos do segmento minero-metalúrgico

dos especiais na ocupação agrí cola e na exploração florestal, de forma a viabilizar sob o pon to de vista econômico a ocupa ção da região, mas atendendo a preceitos ecológicos de apli cação extremamente rígida.

ma indicada e que a implanta ção da hidrelétrica de Santa

elemento fundamental à possi

equilíbrio ecológico da região.

de nós afete negativamente o

73

DIGBSTO ECONÔMICO

tencial energético do País, será

Energia Elétrica Demanda e Tarifas

meros são impressionantes, mormente se o compararmos com a capacidade que temos hoje instalada no País — cerca

a ação ou omissão de cada um

f

ECONÔMICO

cial hídrico de uma de nossas

mais importantes bacias ainda não exploradas — a bacia se tentrional dos rios Araguaia e Tocantins.

É importante,

no entanto,

considerar que somente a hi

drelétrica

de

Tucuruí,

em

adiantado estágio de constru ção, será capaz de atender a mais de 60% da demanda aci-

droviário

brasileiro,

criando

(Pará) e que será condição in dispensável à plena viabiliza ção dos projetos do segmento agropecuário e florestal. No que diz respeito ao aspecto da tarifa elétrica, parece-

nos adequada a política do Go verno Federal no sentido de via

bilizar, através de redução ta

rifária e de fórmula pararaétrica estável no longo prazo, a

operação de unidades indus triais nas quais a energia elé trica constitua um fator

de re

instituir mecanismos

para garantir que tal benefício não seja expatriado sob a for ma de preços de exportação in feriores àqueles prevalecentes no mercado

internacional

formação situadas fora do País. Um rigido controle dos contra tos de exportação, adequando os preços de venda aos vigen tes no mercado internacional, será portanto indispensável pa ra fazer com que o incentivo tarifário utilizado traga reais e proveitosos benefícios à econo mia nacional.

0 Modelo de Capitalização e os Projetos MInero-Metalúrgicos

Ao longo do processo de conhecimento, estudo e debate sobre o Grande Carajás, temos sido despertados pela necessi dade de encontrar proposições

objetivas e que viabilizem a participação majoritária do ca pital nacional, e, neste, predo mine 0 capital privado.

levo na formação do custo de produção. No entanto, será fun damental

benefício às indústrias de trans

o

que, se viesse a acontecer, sig

nificaria de fato repassar tal

Não parece haver dúvidas — nem dificuldades maiores —

em atribuir ao empresário pri vado nacional a responsabilida de pela condução dos progra

mas agrícolas, pecuários e flo restais. Embora a escala pre

tendida na agricultura (10 mi lhões de toneladas de grãos) en volva técnicas

modernas

produção e comercialização,

de

o


DIGESTO

74

extraordinário dinamismo e

a

pronta resposta dos novos em

presários agrícolas brasileiros aos incentivos capitalistas são elementos suficientes para con firmar a vocação natural do capital privado como impulsio nador da ocupação territorial. Ao contrário — e este é de

fato um dos pontos de contro vérsia maiores

parece haver

dúvidas sobre a capacidade do empresário nacional em parti cipar, como nos segmentos agrí colas, na liderança efetiva da implantação dos grandes em preendimentos minerais e me talúrgicos. Desta dúvida resul ta, então, a convicção de alguns que somente ao capital estatal seria possível a alocação de re cursos nos níveis necessários à manutenção do controle nacio

nal sobre o programa; e resul ta, também, a colocação extre-’ ma de que, na ausência da par

ECONÔMICO

presença do capital nacional estatal, privado e internacional.

Assim, dividimos o segmen to minero-metalúrgico

em cin

co fases, a saber: pesquisa, mi neração, beneficiamento, meta lurgia e produtos acabados. Pa

ra cada segmento, ter-se-iam níveis de participação ou pre sença diversa dos capitais na cionais e estrangeiros. O grá fico sugere, numa primeira tentativa, esta proposição, quando se procura identificar a

intensidade de participação

do

capital estatal, privado e inter nacional nos vários componen tes de um projeto típico.

Desta forma,, ao capital na cional seria

reservada

forte

participação na pesquisa mine ral, mineração e beneficiamen to, com predominância crescen te do capital privado nesta se

do ao estatal

rajás correria o risco de ser in

no sentido inverso.

ternacionalizado . Na busca do modelo de li

Quanto aos segmentos me talúrgico e de produtos acaba dos, respeitando-se suas carac

pretá-los a partir de seus com ponentes economicamente viá veis, e, então, sugerir níveis de

maior presença

terísticas de forte dependência do capital e mercado, poder-seia ter a participação mais sig nificativa do capital estrangei ro na metalurgia e„ com menor

ECONÔMICO

75

formulação de objetivos para desenvolvimento de programa

incidência, no segmento de pro dutos acabados, cabendo ao ca pital nacional, numa relação in

com 0 alcance do Grande Cara

versa, presença crescente e significativa a partir da meta lurgia para o segmento de pro

jás, garantindo aos brasileiros o controle, bem como a adequa da valoração das riquezas na cionais, sem inibir contudo a neces-sária abertura à partici pação do capital estrangeiro.

dutos acabados.

A partir desta proposição, pretendemos alcançar um ba lanço adequado no contexto da

Exemplos de investimentos para.efeito demonstrativo Tabela 1 — Consumos unitários Cobre

37,70 t minério 1,0% Cu/t concentrado com 32% de Cu 3,30 t concentrado/t cobre metálico Alumínio

2,27 t minério 47%

ALO 2

aproveitável/t alumlna calcinada 3

2,00 t a!umina/t alumínio primário Manganês 3,30 t minério 40% Mn/t FeMn Tabela

2 — Investimentos Investimentos

quência dos segmentos, caben

ticipação estatal, o Grande Ca

derança do capital nacionalprocuramos desagregar os vá rios projetos de forma a inter

DIGESTO

—

US9

(1) Metalurgia

Cobre

Mineraç&o 37,7 t X 3,3 t X US3 = US$ 1,776

Manganês 3.3 =

US9

t x USS

130

T7S$ 130

1.181

—

40

Total

Beneficiamento

153,3 t X U89 358

Alumínio 2,27 t x 2,0 t x US$ 732,0 t x US8 625 =

(2) t/proãuto final

1,0 t X T7S3 3.438 US$ 6.305

■ÜS$ 3.438 1,0

t X

US$

3.500

= USS 870

USS 1.000

1.0 t X USS 870 =

USS

870

USS

1.000

(1)

Os investimentos acima indicados são aproximados, devendo ser en tendidos somente como válidos para efeito demonstrativo.

(2)

Consideram-se unidades integradas mina/beneficiamento/metalu rgia ou mina/metalurgia com produção cativa de minério e concentrado. Deixamos de publicar um gráfico.

(3)


DIGESTO

74

extraordinário dinamismo e

a

pronta resposta dos novos em

presários agrícolas brasileiros aos incentivos capitalistas são elementos suficientes para con firmar a vocação natural do capital privado como impulsio nador da ocupação territorial. Ao contrário — e este é de

fato um dos pontos de contro vérsia maiores

parece haver

dúvidas sobre a capacidade do empresário nacional em parti cipar, como nos segmentos agrí colas, na liderança efetiva da implantação dos grandes em preendimentos minerais e me talúrgicos. Desta dúvida resul ta, então, a convicção de alguns que somente ao capital estatal seria possível a alocação de re cursos nos níveis necessários à manutenção do controle nacio

nal sobre o programa; e resul ta, também, a colocação extre-’ ma de que, na ausência da par

ECONÔMICO

presença do capital nacional estatal, privado e internacional.

Assim, dividimos o segmen to minero-metalúrgico

em cin

co fases, a saber: pesquisa, mi neração, beneficiamento, meta lurgia e produtos acabados. Pa

ra cada segmento, ter-se-iam níveis de participação ou pre sença diversa dos capitais na cionais e estrangeiros. O grá fico sugere, numa primeira tentativa, esta proposição, quando se procura identificar a

intensidade de participação

do

capital estatal, privado e inter nacional nos vários componen tes de um projeto típico.

Desta forma,, ao capital na cional seria

reservada

forte

participação na pesquisa mine ral, mineração e beneficiamen to, com predominância crescen te do capital privado nesta se

do ao estatal

rajás correria o risco de ser in

no sentido inverso.

ternacionalizado . Na busca do modelo de li

Quanto aos segmentos me talúrgico e de produtos acaba dos, respeitando-se suas carac

pretá-los a partir de seus com ponentes economicamente viá veis, e, então, sugerir níveis de

maior presença

terísticas de forte dependência do capital e mercado, poder-seia ter a participação mais sig nificativa do capital estrangei ro na metalurgia e„ com menor

ECONÔMICO

75

formulação de objetivos para desenvolvimento de programa

incidência, no segmento de pro dutos acabados, cabendo ao ca pital nacional, numa relação in

com 0 alcance do Grande Cara

versa, presença crescente e significativa a partir da meta lurgia para o segmento de pro

jás, garantindo aos brasileiros o controle, bem como a adequa da valoração das riquezas na cionais, sem inibir contudo a neces-sária abertura à partici pação do capital estrangeiro.

dutos acabados.

A partir desta proposição, pretendemos alcançar um ba lanço adequado no contexto da

Exemplos de investimentos para.efeito demonstrativo Tabela 1 — Consumos unitários Cobre

37,70 t minério 1,0% Cu/t concentrado com 32% de Cu 3,30 t concentrado/t cobre metálico Alumínio

2,27 t minério 47%

ALO 2

aproveitável/t alumlna calcinada 3

2,00 t a!umina/t alumínio primário Manganês 3,30 t minério 40% Mn/t FeMn Tabela

2 — Investimentos Investimentos

quência dos segmentos, caben

ticipação estatal, o Grande Ca

derança do capital nacionalprocuramos desagregar os vá rios projetos de forma a inter

DIGESTO

—

US9

(1) Metalurgia

Cobre

Mineraç&o 37,7 t X 3,3 t X US3 = US$ 1,776

Manganês 3.3 =

US9

t x USS

130

T7S$ 130

1.181

—

40

Total

Beneficiamento

153,3 t X U89 358

Alumínio 2,27 t x 2,0 t x US$ 732,0 t x US8 625 =

(2) t/proãuto final

1,0 t X T7S3 3.438 US$ 6.305

■ÜS$ 3.438 1,0

t X

US$

3.500

= USS 870

USS 1.000

1.0 t X USS 870 =

USS

870

USS

1.000

(1)

Os investimentos acima indicados são aproximados, devendo ser en tendidos somente como válidos para efeito demonstrativo.

(2)

Consideram-se unidades integradas mina/beneficiamento/metalu rgia ou mina/metalurgia com produção cativa de minério e concentrado. Deixamos de publicar um gráfico.

(3)


Idéias de Doxiadis ■

nova concepção da evolução urbana Assenta Doxiadis seus pos tulados em nova aproximação — a Ekística. Esta palavra provem do griego "oikos”, que significa casa, ou domicílio, ou habitação. É a ciência dos agrupamentos humanos. Coor dena as ciências econômicas e sociais, as ciências políticas e administrativas, a tecnologia e a estética num todo coerente, e leva à criação de um novo tipo de habitat

humano. Para tra

balhar neste habitat, o arquite to devis enriquecer seus conhe cimentos para ser capaz de dominar os referidos campos e colaborar com os especialistas

da comunidade, isto é, com o urbanista, o planejador, o eco

única equipe. Tem a possibili dade de conduzir esta equipe como um coordenador até uma

certa dimensão

de seu objeto.

É uma exigência multidisciplinar. em busca de decisões inte gradas ao nível do chamado

“setor humano”. Vive a arqui tetura uma fase «kística, por que o arquiteto está forçado a possuir muito mais conheci mentos e maior habilidade do que anteriormente. Do contrá

rio, não poderá

dar resposta

cabal aos problemas atuais. Passou-se vertiginosamente de uma época de meros mestres de obras à de construtores de

cidades. Hoje a duração de uma vida é insuficiente para

nomista, o geógrafo e o soció

enfrentar o ritmo das mudan ças. Daí a necessidade de

logo como

aprender

membros

de uma

ekística,

para

se

O processo gradual

da construção dos setores humanos levará à construção da cidade do futuro

O

autor é professor universitário. A.

Delorenzo

Neto

alcançar o conhecimento pro fundo e entender os problemas de nossa geração. No passado, o arquiteto, inclusive em seus melhores momentos, estava confinado nos limites

de uma

comunidade que coincidia com

uma pequena cidade, não enten dendo seu interesse além de' seus limites. A única excessão,

ou seja, um plano que se esten dia para além dos limites da cidade é o da Atenas clássica, que estava fisicamente ligada ao Porto do Pireu por meio de largas muralhas. Esta ação» di tada por razões de segurança, é o único caso que conhecemos de uma planificação de constru ções se estendendo para além dos limites de uma pequena comunidade urbana.

As pressões do povo e da economia são tais^ hoje, que a atividade de construção há de coordenar-se

em zonas

vez maiores. Isto é válido

cada

não

só para zonas urbanas das megalópoles, como também para as zonas rurais que tenham atingido uma síntese de funções rústicas e urbanas. Hoje já não basta a técnica e a arte: é im

prescindível a ciência. Assim, a atividade do arquiteto, em seu

conjunto já não cresce de mo do natural. Portanto, haverá de ser concebida e dirigida pela

ekística, a ciência que esclare ce os problemas das populações e define o caminho que a arqui tetura e as

vem seguir.

ciências afins de


Idéias de Doxiadis ■

nova concepção da evolução urbana Assenta Doxiadis seus pos tulados em nova aproximação — a Ekística. Esta palavra provem do griego "oikos”, que significa casa, ou domicílio, ou habitação. É a ciência dos agrupamentos humanos. Coor dena as ciências econômicas e sociais, as ciências políticas e administrativas, a tecnologia e a estética num todo coerente, e leva à criação de um novo tipo de habitat

humano. Para tra

balhar neste habitat, o arquite to devis enriquecer seus conhe cimentos para ser capaz de dominar os referidos campos e colaborar com os especialistas

da comunidade, isto é, com o urbanista, o planejador, o eco

única equipe. Tem a possibili dade de conduzir esta equipe como um coordenador até uma

certa dimensão

de seu objeto.

É uma exigência multidisciplinar. em busca de decisões inte gradas ao nível do chamado

“setor humano”. Vive a arqui tetura uma fase «kística, por que o arquiteto está forçado a possuir muito mais conheci mentos e maior habilidade do que anteriormente. Do contrá

rio, não poderá

dar resposta

cabal aos problemas atuais. Passou-se vertiginosamente de uma época de meros mestres de obras à de construtores de

cidades. Hoje a duração de uma vida é insuficiente para

nomista, o geógrafo e o soció

enfrentar o ritmo das mudan ças. Daí a necessidade de

logo como

aprender

membros

de uma

ekística,

para

se

O processo gradual

da construção dos setores humanos levará à construção da cidade do futuro

O

autor é professor universitário. A.

Delorenzo

Neto

alcançar o conhecimento pro fundo e entender os problemas de nossa geração. No passado, o arquiteto, inclusive em seus melhores momentos, estava confinado nos limites

de uma

comunidade que coincidia com

uma pequena cidade, não enten dendo seu interesse além de' seus limites. A única excessão,

ou seja, um plano que se esten dia para além dos limites da cidade é o da Atenas clássica, que estava fisicamente ligada ao Porto do Pireu por meio de largas muralhas. Esta ação» di tada por razões de segurança, é o único caso que conhecemos de uma planificação de constru ções se estendendo para além dos limites de uma pequena comunidade urbana.

As pressões do povo e da economia são tais^ hoje, que a atividade de construção há de coordenar-se

em zonas

vez maiores. Isto é válido

cada

não

só para zonas urbanas das megalópoles, como também para as zonas rurais que tenham atingido uma síntese de funções rústicas e urbanas. Hoje já não basta a técnica e a arte: é im

prescindível a ciência. Assim, a atividade do arquiteto, em seu

conjunto já não cresce de mo do natural. Portanto, haverá de ser concebida e dirigida pela

ekística, a ciência que esclare ce os problemas das populações e define o caminho que a arqui tetura e as

vem seguir.

ciências afins de


DIGESTO

78

Outra idéia fecunda de Do xiadis é a de cidade dinâmica

— a dinápolis. É a cidade do futuro, concebida como uma cidade que pode estender-se e estar sempre preparada para criar um novo

centro e novos

bairros. Hoje assistimos uma migração progressiva do cam po para a cidade, de sorte que

DIOESTO ECONÔMICO

79

vas soluções, encontramos to das as dificuldades oriundas da

porque não tinha mais espaço

especulação

imobiliária e

de

se esta grave consequência,

um aumento terrenos.

exorbitante

dos

necessário

de sem pr.ecedentes, tanto que a quarta dimensão, a intangível dimensão do tempo, se tornou progressivamente mais impor tante que as três dimensões fí

sicas. Neste sentido, nossas ci

Doxiadis

tenta

descobrir

conceito de

cidade

dades chegaram a ser quadri-

um novo

dimensionais

que ultrapasse a cidade estáti ca, cujas forças restritivas ain

ram-se em

transforma-

cidades

dinâmicas.

para expandir-se. Para evitar-

é

controlar o cresci

mento da cidade de modo que a metrópole moderna possa de senvolver-se em uma direção.

Assim, somente por meio deste esquema o centro e a periferia manterão um equilíbrio cons tante enquanto a cidade se es tender sobre espaços intactos ou ainda sem habitações. A dinápolis assumirá uma forma geométrica, com base num sis

A falta <ie compreensão deste processo de mudança é respon

da pesam sobre nós, e passar humano”, — a dinápolis. Esta ousada cidade do futuro, aten derá a duas funções. Existem primeiramente aquelas funções

pre com menos de cem mil ha

sável pelos muitos erros atuais de planificação urbana. A me nor reflexão, talvez mesmo uma visão panorâmica da cidade contemporânea provará o

que interessam à cidade intei

absurdo do descuido em que a

tema retilineo de eixos, através

bitantes. Estas zonas apareciam

ra, não importando que estejam

aos seus habitantes, como ex pressões físicas estáticas, que haviam conquistado as duas di mensões representadas pelo comprimento e largura àe suas cidades. Esta situação mo

deixamos, especialmente seu centro. Onde existe a

em

de uma expansão parabólica. A dinápolis evitará o estrangula mento urbano, a morte da ci dade.

a criação arquitetônica se situa nas áreas urbanas. No passado, há dois séculos, as zonas ur banas se formavam de peque nas comunidades, quase sem

p

ECONÔMICO

dificou-se nos

últimos

séculos.

As cidades estáticas do passa

do, rodeadas de muralhas, rom peram suas barreiras e se es tenderam sobre o campo. Atual mente, as cidades têm crescido sem cessar, e conquistaram,

também, a terceira dimensão, a

em ne

cessidade de ruas largas para trânsito denso, as estreitamos; onde necessitamos de amplos espaços para estacionamento na proximidade dos edifícios oficiais, encontramos as facili dades reduzidas; onde necessi tamos de grandes áreas para funções públicas e privadas, elas são pequenas e irregula res; onde necessitamos de li berdade para novos projetos e

da altura, desenvolvendo-se ver ticalmente em diversos pavi

novas exigências, só existe

mentes. Durante as últimas dé

mos; e, finalmente, onde temos a necessidade de desapropriar para melhor acomodar as no¬

cadas, as cidades cresceram e

se organizaram a uma velocida-

menor espaço para nos

o

mover

mos à cidade fundada no “setor

seu

centro.

Denominamo-

las funções "centrais”. Existem em segundo

lugar as funções

"periféricas", a saber, as per tencentes a edifícios individuais e a conglomerados de edifícios.

A cidade do passado se compu nha de duas partes: o centro e a periferia, habitualmente re sidencial. Mas, durante as duas

últimas gerações, e devido

à

contínua expansão da cidade, o centro das mesmas se dilatou

até à zona edificada da perife ria, alterando sua estrutura e criando uma variedade de pro blemas difíceis ou insolúveis. A expansão concêntrica das

cidades estrangulou o seu centro

Não se trata de uma idéia

forjada pela mente de um teó rico: ao contrário, alcançou sua realização em vários exemplos. Entre os mais característicos, aí estão os projetos de Doxiadis para as cidades de Jartum (Su dão) e de Islamabad (Paquis tão) e, recentemente, o de Washington (USA). Aplicou-se o princípio à reorganização de uma cidade existente, no primeiro e terceiro ca sos; no segundo, cuidou-se da implantação de uma


DIGESTO

78

Outra idéia fecunda de Do xiadis é a de cidade dinâmica

— a dinápolis. É a cidade do futuro, concebida como uma cidade que pode estender-se e estar sempre preparada para criar um novo

centro e novos

bairros. Hoje assistimos uma migração progressiva do cam po para a cidade, de sorte que

DIOESTO ECONÔMICO

79

vas soluções, encontramos to das as dificuldades oriundas da

porque não tinha mais espaço

especulação

imobiliária e

de

se esta grave consequência,

um aumento terrenos.

exorbitante

dos

necessário

de sem pr.ecedentes, tanto que a quarta dimensão, a intangível dimensão do tempo, se tornou progressivamente mais impor tante que as três dimensões fí

sicas. Neste sentido, nossas ci

Doxiadis

tenta

descobrir

conceito de

cidade

dades chegaram a ser quadri-

um novo

dimensionais

que ultrapasse a cidade estáti ca, cujas forças restritivas ain

ram-se em

transforma-

cidades

dinâmicas.

para expandir-se. Para evitar-

é

controlar o cresci

mento da cidade de modo que a metrópole moderna possa de senvolver-se em uma direção.

Assim, somente por meio deste esquema o centro e a periferia manterão um equilíbrio cons tante enquanto a cidade se es tender sobre espaços intactos ou ainda sem habitações. A dinápolis assumirá uma forma geométrica, com base num sis

A falta <ie compreensão deste processo de mudança é respon

da pesam sobre nós, e passar humano”, — a dinápolis. Esta ousada cidade do futuro, aten derá a duas funções. Existem primeiramente aquelas funções

pre com menos de cem mil ha

sável pelos muitos erros atuais de planificação urbana. A me nor reflexão, talvez mesmo uma visão panorâmica da cidade contemporânea provará o

que interessam à cidade intei

absurdo do descuido em que a

tema retilineo de eixos, através

bitantes. Estas zonas apareciam

ra, não importando que estejam

aos seus habitantes, como ex pressões físicas estáticas, que haviam conquistado as duas di mensões representadas pelo comprimento e largura àe suas cidades. Esta situação mo

deixamos, especialmente seu centro. Onde existe a

em

de uma expansão parabólica. A dinápolis evitará o estrangula mento urbano, a morte da ci dade.

a criação arquitetônica se situa nas áreas urbanas. No passado, há dois séculos, as zonas ur banas se formavam de peque nas comunidades, quase sem

p

ECONÔMICO

dificou-se nos

últimos

séculos.

As cidades estáticas do passa

do, rodeadas de muralhas, rom peram suas barreiras e se es tenderam sobre o campo. Atual mente, as cidades têm crescido sem cessar, e conquistaram,

também, a terceira dimensão, a

em ne

cessidade de ruas largas para trânsito denso, as estreitamos; onde necessitamos de amplos espaços para estacionamento na proximidade dos edifícios oficiais, encontramos as facili dades reduzidas; onde necessi tamos de grandes áreas para funções públicas e privadas, elas são pequenas e irregula res; onde necessitamos de li berdade para novos projetos e

da altura, desenvolvendo-se ver ticalmente em diversos pavi

novas exigências, só existe

mentes. Durante as últimas dé

mos; e, finalmente, onde temos a necessidade de desapropriar para melhor acomodar as no¬

cadas, as cidades cresceram e

se organizaram a uma velocida-

menor espaço para nos

o

mover

mos à cidade fundada no “setor

seu

centro.

Denominamo-

las funções "centrais”. Existem em segundo

lugar as funções

"periféricas", a saber, as per tencentes a edifícios individuais e a conglomerados de edifícios.

A cidade do passado se compu nha de duas partes: o centro e a periferia, habitualmente re sidencial. Mas, durante as duas

últimas gerações, e devido

à

contínua expansão da cidade, o centro das mesmas se dilatou

até à zona edificada da perife ria, alterando sua estrutura e criando uma variedade de pro blemas difíceis ou insolúveis. A expansão concêntrica das

cidades estrangulou o seu centro

Não se trata de uma idéia

forjada pela mente de um teó rico: ao contrário, alcançou sua realização em vários exemplos. Entre os mais característicos, aí estão os projetos de Doxiadis para as cidades de Jartum (Su dão) e de Islamabad (Paquis tão) e, recentemente, o de Washington (USA). Aplicou-se o princípio à reorganização de uma cidade existente, no primeiro e terceiro ca sos; no segundo, cuidou-se da implantação de uma


DIGESTO ECONÔMICO DIGESTO

80

Capital completamente nova. (1) Neste mesmo sentido se co locam as reformulações de Bag

condições normais, percorrer trinta minutos para ir ao tra balho, ao teatro, ao mercado

dá e Atenas entre dezenas de

etc., então a distância de dois

projetos vitoriosos, readaptan-, do estruturas antigas à cidade

quilômetros <e meio parece ser a distância máxima que se po

do futuro.

de admitir num setor sob o con

A concepção de Doxiadis assenta numa unidade básica — o setor humano. Ela se origina do fato de que os núcleos urba nos de hoje não possuem um

trole completo do homem. Pa rece que sua forma ideal é a oblonga, com um comprimento

único mentor, senão quatro: o homem, o automóvel, o avião e 0 projétü. Nestas circunstân

tantes possam percorrer distân cias até 800 metros para ir às casas comerciais, à escola, ao parque ou aos centros culturais ou sociais, ou para atender as

cias devemos

9

manter a

todo

tran&e a dominância do primei ro que deve controlar a síntese total da cidade. Isto não é pos sível em zonas extensas,. O ho

mem não pode andar a pé dis tâncias maiores de tres quilô metros, sendo esta já talvez ex

tros, de tal sorte que os habi

outras necessidades básicas de seu bairro ou comunidade. O centro do setor será reservado

NO PASSADO: Cidade estática

Addade

ExpansSo da cidade

O centro

Ejtpansâo,/*' do centro

A expansSo concêntrica c^ongula o centro, que passa a ter dificuldades com

outras funçOes que não ihesfid próprias.

NO FUTURO; Dinápolís Acidade

O automóvel nele entra com ve

locidade reduzida, mas sem o

cer de que é preciso respeitar a relativamente

fora dele com grande velocida de. É evidente que a criação de

às distâncias. Estas podem ser

um setor ou núcleo humano não

de um quilômetro, dois quilô metros ou dois quilômetros e meio: em caso algum devem

era necessária no passado, por quanto toda comunidade se

ultrapassar a três quilômetros. Se preisumirmos que os habi

na.

tantes das cidades podem,

reforma de nossas cidades. As

(1)

(Teoria de Doxiadis)

exclusivamente para pedestres.

cruzar, realmenté.

em

EVOLUÇÃO DA CIDADE

máximo entre 800 a 1.600 me

cessiva. Temos de nos conven escala humana

81

ECONÔMICO

Circulará

O centro

confundia com a escala huma

Hoje,

aparece ele

uma necessidade absoluta

como na

A contribuição de Doxiadis ao Brasil está consubstanciada em seu exaustivo estudo — — Guanabara, a Plan of Development, Doxiadis Associates, Atenas, 1965.

Fig. I — Dascidades estáticasàs cidades dinâmicas: ocrescimenioemufflaúoicadírcçáopennitea

expansSodocemrofem nenhuma diTiculdade.


DIGESTO ECONÔMICO DIGESTO

80

Capital completamente nova. (1) Neste mesmo sentido se co locam as reformulações de Bag

condições normais, percorrer trinta minutos para ir ao tra balho, ao teatro, ao mercado

dá e Atenas entre dezenas de

etc., então a distância de dois

projetos vitoriosos, readaptan-, do estruturas antigas à cidade

quilômetros <e meio parece ser a distância máxima que se po

do futuro.

de admitir num setor sob o con

A concepção de Doxiadis assenta numa unidade básica — o setor humano. Ela se origina do fato de que os núcleos urba nos de hoje não possuem um

trole completo do homem. Pa rece que sua forma ideal é a oblonga, com um comprimento

único mentor, senão quatro: o homem, o automóvel, o avião e 0 projétü. Nestas circunstân

tantes possam percorrer distân cias até 800 metros para ir às casas comerciais, à escola, ao parque ou aos centros culturais ou sociais, ou para atender as

cias devemos

9

manter a

todo

tran&e a dominância do primei ro que deve controlar a síntese total da cidade. Isto não é pos sível em zonas extensas,. O ho

mem não pode andar a pé dis tâncias maiores de tres quilô metros, sendo esta já talvez ex

tros, de tal sorte que os habi

outras necessidades básicas de seu bairro ou comunidade. O centro do setor será reservado

NO PASSADO: Cidade estática

Addade

ExpansSo da cidade

O centro

Ejtpansâo,/*' do centro

A expansSo concêntrica c^ongula o centro, que passa a ter dificuldades com

outras funçOes que não ihesfid próprias.

NO FUTURO; Dinápolís Acidade

O automóvel nele entra com ve

locidade reduzida, mas sem o

cer de que é preciso respeitar a relativamente

fora dele com grande velocida de. É evidente que a criação de

às distâncias. Estas podem ser

um setor ou núcleo humano não

de um quilômetro, dois quilô metros ou dois quilômetros e meio: em caso algum devem

era necessária no passado, por quanto toda comunidade se

ultrapassar a três quilômetros. Se preisumirmos que os habi

na.

tantes das cidades podem,

reforma de nossas cidades. As

(1)

(Teoria de Doxiadis)

exclusivamente para pedestres.

cruzar, realmenté.

em

EVOLUÇÃO DA CIDADE

máximo entre 800 a 1.600 me

cessiva. Temos de nos conven escala humana

81

ECONÔMICO

Circulará

O centro

confundia com a escala huma

Hoje,

aparece ele

uma necessidade absoluta

como na

A contribuição de Doxiadis ao Brasil está consubstanciada em seu exaustivo estudo — — Guanabara, a Plan of Development, Doxiadis Associates, Atenas, 1965.

Fig. I — Dascidades estáticasàs cidades dinâmicas: ocrescimenioemufflaúoicadírcçáopennitea

expansSodocemrofem nenhuma diTiculdade.


ANEXO

DIGESTO

82

ECONÔMICO

Fonte: Demetrius latrides — «Le rôle des Sciences sociales dans 1' amenagement du territoire; point de vue d'un praticien” in Revue Internationale

des Sciences Sociales, Unesco, n.o 4, Paris, 1966, pág. 517.

A CIDADEDOFUTURO

A função das ciências

(Interpretação de Doxiadis)

n

snciais no urbanismo

1

SOCUU

1

5

ÉCOHOMIOUE

POLITIOUE

DÉVELOPPEmEHT

I

i

TECHHOLOCIOUE

3

EKISTlOUE

Fig. 2 — A parabólica dinápoUs tomará formas relilineas.

Doxiadis

estabelece

como

forma

terminal

da

evolução

urbana, no futuro, a “ecumenópolis” cuja hierarquia de funções permite maior aproveitamento e poupança no seu uso, movimen tos e interligações. A estrutura da "ecumenópolis” parte dos blocos residenciais, que passam a ser interligados sob a forma de setores e estes, sob a forma de supersetores. Esta trama orgâ

nica reflete, a partir de módulos básicos, as diferentes escalas de agrupamentos humanos. (2). (2)

Ler os textos essenciais de Doxiadis — Urban Renewol ond the Future of the American City, Public Administration Service, 1966; Ehistics: An Iníroduction to the Science of

Humsn Settlements, Hutchinson, London. 1968; e, The Two Headed Eagle (From the Past to the Future of Human Settlements). Lycabettus Press, Athens, 1972; e, ainda. Action for Human Settlements. W. W. Norton, New York, 1976.

FIG. 1 - Estrutura da Planificação apresentada por latridea inspirado em Doxiadis.


ANEXO

DIGESTO

82

ECONÔMICO

Fonte: Demetrius latrides — «Le rôle des Sciences sociales dans 1' amenagement du territoire; point de vue d'un praticien” in Revue Internationale

des Sciences Sociales, Unesco, n.o 4, Paris, 1966, pág. 517.

A CIDADEDOFUTURO

A função das ciências

(Interpretação de Doxiadis)

n

snciais no urbanismo

1

SOCUU

1

5

ÉCOHOMIOUE

POLITIOUE

DÉVELOPPEmEHT

I

i

TECHHOLOCIOUE

3

EKISTlOUE

Fig. 2 — A parabólica dinápoUs tomará formas relilineas.

Doxiadis

estabelece

como

forma

terminal

da

evolução

urbana, no futuro, a “ecumenópolis” cuja hierarquia de funções permite maior aproveitamento e poupança no seu uso, movimen tos e interligações. A estrutura da "ecumenópolis” parte dos blocos residenciais, que passam a ser interligados sob a forma de setores e estes, sob a forma de supersetores. Esta trama orgâ

nica reflete, a partir de módulos básicos, as diferentes escalas de agrupamentos humanos. (2). (2)

Ler os textos essenciais de Doxiadis — Urban Renewol ond the Future of the American City, Public Administration Service, 1966; Ehistics: An Iníroduction to the Science of

Humsn Settlements, Hutchinson, London. 1968; e, The Two Headed Eagle (From the Past to the Future of Human Settlements). Lycabettus Press, Athens, 1972; e, ainda. Action for Human Settlements. W. W. Norton, New York, 1976.

FIG. 1 - Estrutura da Planificação apresentada por latridea inspirado em Doxiadis.


I

85

DIQESTO ECONÔMICO S Z

(U

Ui

X lA

UJ

D

O <

"●5 Q.

g

5

*

O

Ui

O

TD

g

I

J

s

QJ

*ui

U o s-i D.

PRINCIPALES

g

□ cn CO

□ C

DémegcepKie

Éducalien

ScienCBl poliliquat/ Adminittrolien

I:

cn

to U a (0 10

CO

u 10

Pioieoien el itrvicft leeioui

Sa{iol«gi«

Estes setores irão substituir

:

da cidade do

NbIIb

Peu Impettenie

é

Aitat imperionle linporlonlQ

Tr«t importoní$

elas poderão criar uma estru tura de base da nova arquite

pectivamente conforme o

ta

manho da família e o desempe nho das funções de acordo com a natureza da cidade. Quando os veículos desempenham papel

predominante, necessitamos de unidade básica ampla, e ela é

0 setor, correspondendo a vá

D

E

XI

CO

tura, a fim de libertá-la da ti

f-i

cu

rania do automóvel. Essa nova

arqlíitetura revelará uma

quadra (city block).

+» C

c: CD

D

r-1

(-3

□.

I

*

futuro. Somente

suprir as necessi

dades urbanas da “dinápolis” à "dinametrópole”. O processo gradual da construção dos se tores humanos levará, por cer to,, à criação da cidade do futu ro. Essa a concepção que deve presidir a construção de casas e edifícios d.e maior porte, res

rias dezenas de blocos residen ciais. A menor unidade perma necerá 0 núcleo residencial ou

CM

Csniributien cèslle

o

antigo núcleo urbano (city block) e chegarão a ser a base

□ D «10 -P O c .H QJ

Piychlolrie

ser

e serviços, possuindo o seu próprio sistema de transporte.

.1-4

CO tu Fh

deverá

;;(3es centralizadas, instituições

U c < QJ

Piychologle toeialo

objetivo de

a

concebido como uma unidade, e terá de ser autônomo o quan to lhe seja possível, com fun-

●f-i

10 ■D

terão de reestruturar-s.e sob

O setor humano

.H

PtychelsQio cliniqva

va síntese, concebendo zonas cada vez mais amplas com o

base do novo módulo que é o do setor. A reestruturação de Bagdá e Eastwick (Filadélfia) seguiu esta orientação para um novo aproveitamento do espaço.

SCIENCES SOCIALES

AnthropBleglo cu1ivr«Ms

velhas cidades que eram divi didas em unidades residenciais,

cn

no-

(Continuação da página 54)

Indonésia e Tailândia, os quais, por sua vez, começaram a cultivar a estévia. No estado de São Paulo, o cultivo foi iniciado no ano de 1977, em Capão Bonito, numa área de 2 hectares, e, em seguida, em Itapuru, em 10 hectares. A firma «Agro Industrial e Comercial Viveiros Guarani», aí localizada, é a linica empresa no Brasil que comercializa essa planta. Graças às atividades

de promoção da «Guarani», até o mês de abril de 1980 procedeu-se à plan tação em Míracema do Norte/Goiás (12 ha), Comélio Procôpio/Paran á (10 ha), e em Itapuru. Outras ej^riências estão sendo feitas em Curitibanos/ Sta. Catarina, na «Chocolates Pan» (sul de Minas Gerais) e em outras cidades.

A estévia é uma planta muito robusta. A primeira safra se dá passados 120 dias, persistindo a capacidade produtora durante 5 anos. Quando bem (Contínua na página 90)


I

85

DIQESTO ECONÔMICO S Z

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DémegcepKie

Éducalien

ScienCBl poliliquat/ Adminittrolien

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Estes setores irão substituir

:

da cidade do

NbIIb

Peu Impettenie

é

Aitat imperionle linporlonlQ

Tr«t importoní$

elas poderão criar uma estru tura de base da nova arquite

pectivamente conforme o

ta

manho da família e o desempe nho das funções de acordo com a natureza da cidade. Quando os veículos desempenham papel

predominante, necessitamos de unidade básica ampla, e ela é

0 setor, correspondendo a vá

D

E

XI

CO

tura, a fim de libertá-la da ti

f-i

cu

rania do automóvel. Essa nova

arqlíitetura revelará uma

quadra (city block).

+» C

c: CD

D

r-1

(-3

□.

I

*

futuro. Somente

suprir as necessi

dades urbanas da “dinápolis” à "dinametrópole”. O processo gradual da construção dos se tores humanos levará, por cer to,, à criação da cidade do futu ro. Essa a concepção que deve presidir a construção de casas e edifícios d.e maior porte, res

rias dezenas de blocos residen ciais. A menor unidade perma necerá 0 núcleo residencial ou

CM

Csniributien cèslle

o

antigo núcleo urbano (city block) e chegarão a ser a base

□ D «10 -P O c .H QJ

Piychlolrie

ser

e serviços, possuindo o seu próprio sistema de transporte.

.1-4

CO tu Fh

deverá

;;(3es centralizadas, instituições

U c < QJ

Piychologle toeialo

objetivo de

a

concebido como uma unidade, e terá de ser autônomo o quan to lhe seja possível, com fun-

●f-i

10 ■D

terão de reestruturar-s.e sob

O setor humano

.H

PtychelsQio cliniqva

va síntese, concebendo zonas cada vez mais amplas com o

base do novo módulo que é o do setor. A reestruturação de Bagdá e Eastwick (Filadélfia) seguiu esta orientação para um novo aproveitamento do espaço.

SCIENCES SOCIALES

AnthropBleglo cu1ivr«Ms

velhas cidades que eram divi didas em unidades residenciais,

cn

no-

(Continuação da página 54)

Indonésia e Tailândia, os quais, por sua vez, começaram a cultivar a estévia. No estado de São Paulo, o cultivo foi iniciado no ano de 1977, em Capão Bonito, numa área de 2 hectares, e, em seguida, em Itapuru, em 10 hectares. A firma «Agro Industrial e Comercial Viveiros Guarani», aí localizada, é a linica empresa no Brasil que comercializa essa planta. Graças às atividades

de promoção da «Guarani», até o mês de abril de 1980 procedeu-se à plan tação em Míracema do Norte/Goiás (12 ha), Comélio Procôpio/Paran á (10 ha), e em Itapuru. Outras ej^riências estão sendo feitas em Curitibanos/ Sta. Catarina, na «Chocolates Pan» (sul de Minas Gerais) e em outras cidades.

A estévia é uma planta muito robusta. A primeira safra se dá passados 120 dias, persistindo a capacidade produtora durante 5 anos. Quando bem (Contínua na página 90)


mu-rwmaiittico Evocação de um dos maiores pensadores políticos brasileiros.

O autor é da

Vivaldi

WJoreira

Academia Mineira de Letras.

Quando, desta mesa em que escrevo, lanço um olhar sobre as obras do meu saudoso con

frade

de Academia e

amigo

ses frondeurs do

doutor em todos esses ramos e

man

acolhem um elenco de concep ções e a elas se aferram com

cidade de sua obra.

Não capacidade de produzir, era um esteta da palavra, não

exclusividade, maltratando os que não as comungam, e vo

há tempos, a propósito de seu

ruído,

que

tratado

da

Escreví,

Harmonia Políti-

dos vocábulos e, as vezes, re pensava de modo diverso as próprias idéias. Era, porém,

direito.

ca”, em cujo frontispicio teve

Era um expositor calmo, com

a bondade de colocar meu no

um

os temas e seus conexos de modo como o lavrador trata as

um pensador

trabalhador. como

E

já houve

poucos no Brasil. Sou tentado

a dizer que João

Camillo per

tenceu à estirpe dos Faria Brito, Jackson de Figueiredo e

Tristão

de Athayde

pelo po

ciferam 0

a torto e a

método talvez

haurido

Tomás de Aquino,

em

abordando

leiras, limpando-as para a semeadura ou lançando de vez as sementes. Nutria o desejo de realizar um "corpus" com a

totalidade de

seus

livros

e

me, que João Camillo perten cia à família dos Francisco Suarez, dos Antônio de Souza de Macedo, dos Visconde do Uruguay. E por que não dizer, do moderno Burdeau? E sem pre que

conversava com

magnetizado

por sua

inteligência

e

ele.

enorme

capacidade de

der e pertinácia de suas aná

se Deus o houvesse reservado

lises, capacidade de girar o pensamento em torno de deter minados valores que seu espí

para o mundo, possivelmente, 0 teria concluído. Sempre lhe dizia que ele era o nosso Oli

tins. Emparelhava-o ao genia-

rito

veira Martins com sinal posi

lóide lusitano

defendia

heroicamente

com a integridade de sua al-

sociais",

pologia, da Economia e até da

Com esse, João Camillo

João-Camillo de Oliveira Torres, fico estarrecido com sua

fabuloso

de ciências

publicista português um João Camillo com sinal negativo. teve uma irmandade, pelos rumos na ambição da organi-

se importava com a repetição

blioteca

ma apostolar. Manso, não fa zia alarde de suas convicções, não as proclamava como es

tivo,

embora

não

considere o

abarcar os problemas e resu mi-los numa simples frase, lembrava-me de Oliveira Mar que programou

e quase levou a cabo uma “bi-

frequentando os amplos terri tórios da História,

da Antro

Religião. João Camillo era um

pretendia, assim, realizar uma espécie de Novum Organun, semelhante ao do inglês Francis Bacon. Oliveira Martins

partiu para a composição

de

livros de um dado racional, se não de todo baseado na ciência positiva, pelo menos com forte parentesco com seus

0 positivismo comteano.

João

Camillo, por sua vez, se pren de ao tomismo e ao providen-

cialismo de Boussuet. Para se a exatidão desta verificar afirmativa, que não é mero

impressionismo ou julgamento apressado, baste-nos ler um ‘A de seus possantes livros, Teoria Geral da História”. Es-


mu-rwmaiittico Evocação de um dos maiores pensadores políticos brasileiros.

O autor é da

Vivaldi

WJoreira

Academia Mineira de Letras.

Quando, desta mesa em que escrevo, lanço um olhar sobre as obras do meu saudoso con

frade

de Academia e

amigo

ses frondeurs do

doutor em todos esses ramos e

man

acolhem um elenco de concep ções e a elas se aferram com

cidade de sua obra.

Não capacidade de produzir, era um esteta da palavra, não

exclusividade, maltratando os que não as comungam, e vo

há tempos, a propósito de seu

ruído,

que

tratado

da

Escreví,

Harmonia Políti-

dos vocábulos e, as vezes, re pensava de modo diverso as próprias idéias. Era, porém,

direito.

ca”, em cujo frontispicio teve

Era um expositor calmo, com

a bondade de colocar meu no

um

os temas e seus conexos de modo como o lavrador trata as

um pensador

trabalhador. como

E

já houve

poucos no Brasil. Sou tentado

a dizer que João

Camillo per

tenceu à estirpe dos Faria Brito, Jackson de Figueiredo e

Tristão

de Athayde

pelo po

ciferam 0

a torto e a

método talvez

haurido

Tomás de Aquino,

em

abordando

leiras, limpando-as para a semeadura ou lançando de vez as sementes. Nutria o desejo de realizar um "corpus" com a

totalidade de

seus

livros

e

me, que João Camillo perten cia à família dos Francisco Suarez, dos Antônio de Souza de Macedo, dos Visconde do Uruguay. E por que não dizer, do moderno Burdeau? E sem pre que

conversava com

magnetizado

por sua

inteligência

e

ele.

enorme

capacidade de

der e pertinácia de suas aná

se Deus o houvesse reservado

lises, capacidade de girar o pensamento em torno de deter minados valores que seu espí

para o mundo, possivelmente, 0 teria concluído. Sempre lhe dizia que ele era o nosso Oli

tins. Emparelhava-o ao genia-

rito

veira Martins com sinal posi

lóide lusitano

defendia

heroicamente

com a integridade de sua al-

sociais",

pologia, da Economia e até da

Com esse, João Camillo

João-Camillo de Oliveira Torres, fico estarrecido com sua

fabuloso

de ciências

publicista português um João Camillo com sinal negativo. teve uma irmandade, pelos rumos na ambição da organi-

se importava com a repetição

blioteca

ma apostolar. Manso, não fa zia alarde de suas convicções, não as proclamava como es

tivo,

embora

não

considere o

abarcar os problemas e resu mi-los numa simples frase, lembrava-me de Oliveira Mar que programou

e quase levou a cabo uma “bi-

frequentando os amplos terri tórios da História,

da Antro

Religião. João Camillo era um

pretendia, assim, realizar uma espécie de Novum Organun, semelhante ao do inglês Francis Bacon. Oliveira Martins

partiu para a composição

de

livros de um dado racional, se não de todo baseado na ciência positiva, pelo menos com forte parentesco com seus

0 positivismo comteano.

João

Camillo, por sua vez, se pren de ao tomismo e ao providen-

cialismo de Boussuet. Para se a exatidão desta verificar afirmativa, que não é mero

impressionismo ou julgamento apressado, baste-nos ler um ‘A de seus possantes livros, Teoria Geral da História”. Es-


DIGESTO

88

sa

tentativa de

desvendar o

sentido da História, João millo a colocou

Ca-

como preocu

pação máxima de nosso tem po. E o "sentido" nós só o en contramos na crença numa fi

nalidade buscada no ideal, isto

reinado, de

ECONÔMICO

sua tutela

sobre

89

DIGESTO ECONÔMICO

absoluta fé nos valores espiri

nós.

tuais

Nada do que existe escapa à História, que não é só o re gistro impassível dos aconte cimentos, mas força reitora, condutora, matriz da humani

aristotélico-tomista. Jamais fez

dentro

concessões

ao

da

cardinália

romantismo

em

qualquer dos departamentos das chamadas ciências do es

pírito, sem contudo, entregar-

é, como colmatagem de uma vida disparada para o infinito, e que nós identificamos como

dade. Sem História não há vi da, pois é, ela o desdobramen

se ao pragmatismo de um Carl Schmitt (fascismo-autoritaris-

to

mo) de

os

olho vetor, segmento em reta que leva a Deus como ponto final, entidade suprema que nos mostra só o bem, desaguando no eterno retorno, na palingenésia do gênero huma no. Daí sua teoria do tempoorgânico ou daquilo que o jesuíta-arqueólogo afirmou: “Es

Gramsci

tamos em vias de descobrir

ção geral, inoculando seu ve neno sutil e embriagante, pre

valores

do

cristianismo.

Fora daí não há salvação para João Camillo de

Oliveira Tor

res, pensador religioso, cris tão, católico, que baseou suas reflexões e pesquisas nos en-

sinamentos de Tomás de Aquino, e daí desenvolveu seu uni verso mental, sempre retifica do ou conferido pela ortodoxia

católica.

dos

capítulos

mais

densos de sua

‘Teoria

Geral

da

quando

trata do

no

mundo

Num

História”,

tempo e situação” da História, cita

uma passagem de Teilhard de Chardin: Toute réalité

expérimentale est, par nature, historique”. Acha-se implícita

sucessivo dos

eventos, o

o

Tempo". E para João Camillo só descobre o tempo aquele que caminha para Deus. Tan to no plano individual quanto no tocante às nações. Filio-

me,

modestamente,

humilde

mente, a esta corrente, certo de que fora dela só há desa lento e angústia. Desde “O Homem e a Mon

nesta afirmativa de Chardin a

tanha”, com que o caudaloso

declaração de que tudo é His tória e Deus olha, vigia os ho-

pensador fez

mens,

mento

através desse instruinsubstituível de seu

sua estréia nas

letras, até “Democracia Co roada”, manteve-se João Ca millo numa linha coerente de

um lado, ou, de

um

(marxismo-liberal), de outro, ambos confluentes na mesma negação total do espirito. Derivam os dois de

papai Hegel tratado

que precisa ser

com reserva e

cuida

do, pegado com pinças, como

os materiais atômicos, a fim de

não

difundir a contamina

conizado como

o “mais verda

deiro". Todavia, a pretensão de atingir uma realidade nun ca é sacrificada e jamais con

quistada. Em Hegel, que gal gou 0 ápice do romantismo, o Estado (forma visível da temporalidade da vontade divina), apareceu como instrumento de

agentes

superiores e no

qual

se corporificam a ironia e a intriga de que o homem isola do se torna vítima.

tico, prisioneiro

O român

das reservas

subjetivas, não reencontra a realidade que busca nem em si mesmo, nem na sociedade, nem no desenvolvimento histó

rico, nem no Deus da metafí sica tradicional. E assim, cria,

para seu uso, uma totalidade que lhe parece contar o real. Pura mistificação do intelecto, que precisa de compensação, apoio, para o sustentar no meio das fantasmagorias. O universo todo, a arte completa, a ciência inteira, eis o que os românticos sempre tentaram abocanhar através da filosofia da natureza. A filosofia da

natureza do Renascimento, an tes da grande virada estabe lecida por Descartes, não era romântica, pois ainda se acha va impregnada de laivos do tomismo. Com à emancipação do homem da orientação cristocêntrica é que chegamos até 0 absurdo de Rousseau que fa zia tudo girar em torno do ego. A Sociedade e a História, o Universo e a Humanidade não tinham outra finalidade, não

desempenhavam outra utilida de a não ser a de fornecer materiais à atividade do eu.

Dai 0 grande cisma do Oci dente gerado pelo romantismo


DIGESTO

88

sa

tentativa de

desvendar o

sentido da História, João millo a colocou

Ca-

como preocu

pação máxima de nosso tem po. E o "sentido" nós só o en contramos na crença numa fi

nalidade buscada no ideal, isto

reinado, de

ECONÔMICO

sua tutela

sobre

89

DIGESTO ECONÔMICO

absoluta fé nos valores espiri

nós.

tuais

Nada do que existe escapa à História, que não é só o re gistro impassível dos aconte cimentos, mas força reitora, condutora, matriz da humani

aristotélico-tomista. Jamais fez

dentro

concessões

ao

da

cardinália

romantismo

em

qualquer dos departamentos das chamadas ciências do es

pírito, sem contudo, entregar-

é, como colmatagem de uma vida disparada para o infinito, e que nós identificamos como

dade. Sem História não há vi da, pois é, ela o desdobramen

se ao pragmatismo de um Carl Schmitt (fascismo-autoritaris-

to

mo) de

os

olho vetor, segmento em reta que leva a Deus como ponto final, entidade suprema que nos mostra só o bem, desaguando no eterno retorno, na palingenésia do gênero huma no. Daí sua teoria do tempoorgânico ou daquilo que o jesuíta-arqueólogo afirmou: “Es

Gramsci

tamos em vias de descobrir

ção geral, inoculando seu ve neno sutil e embriagante, pre

valores

do

cristianismo.

Fora daí não há salvação para João Camillo de

Oliveira Tor

res, pensador religioso, cris tão, católico, que baseou suas reflexões e pesquisas nos en-

sinamentos de Tomás de Aquino, e daí desenvolveu seu uni verso mental, sempre retifica do ou conferido pela ortodoxia

católica.

dos

capítulos

mais

densos de sua

‘Teoria

Geral

da

quando

trata do

no

mundo

Num

História”,

tempo e situação” da História, cita

uma passagem de Teilhard de Chardin: Toute réalité

expérimentale est, par nature, historique”. Acha-se implícita

sucessivo dos

eventos, o

o

Tempo". E para João Camillo só descobre o tempo aquele que caminha para Deus. Tan to no plano individual quanto no tocante às nações. Filio-

me,

modestamente,

humilde

mente, a esta corrente, certo de que fora dela só há desa lento e angústia. Desde “O Homem e a Mon

nesta afirmativa de Chardin a

tanha”, com que o caudaloso

declaração de que tudo é His tória e Deus olha, vigia os ho-

pensador fez

mens,

mento

através desse instruinsubstituível de seu

sua estréia nas

letras, até “Democracia Co roada”, manteve-se João Ca millo numa linha coerente de

um lado, ou, de

um

(marxismo-liberal), de outro, ambos confluentes na mesma negação total do espirito. Derivam os dois de

papai Hegel tratado

que precisa ser

com reserva e

cuida

do, pegado com pinças, como

os materiais atômicos, a fim de

não

difundir a contamina

conizado como

o “mais verda

deiro". Todavia, a pretensão de atingir uma realidade nun ca é sacrificada e jamais con

quistada. Em Hegel, que gal gou 0 ápice do romantismo, o Estado (forma visível da temporalidade da vontade divina), apareceu como instrumento de

agentes

superiores e no

qual

se corporificam a ironia e a intriga de que o homem isola do se torna vítima.

tico, prisioneiro

O român

das reservas

subjetivas, não reencontra a realidade que busca nem em si mesmo, nem na sociedade, nem no desenvolvimento histó

rico, nem no Deus da metafí sica tradicional. E assim, cria,

para seu uso, uma totalidade que lhe parece contar o real. Pura mistificação do intelecto, que precisa de compensação, apoio, para o sustentar no meio das fantasmagorias. O universo todo, a arte completa, a ciência inteira, eis o que os românticos sempre tentaram abocanhar através da filosofia da natureza. A filosofia da

natureza do Renascimento, an tes da grande virada estabe lecida por Descartes, não era romântica, pois ainda se acha va impregnada de laivos do tomismo. Com à emancipação do homem da orientação cristocêntrica é que chegamos até 0 absurdo de Rousseau que fa zia tudo girar em torno do ego. A Sociedade e a História, o Universo e a Humanidade não tinham outra finalidade, não

desempenhavam outra utilida de a não ser a de fornecer materiais à atividade do eu.

Dai 0 grande cisma do Oci dente gerado pelo romantismo


DIGESTO

90

de que foi inimigo permanen

tourd,

te 0 pensador

Camillo,

quando o filho de João Camil-

e afanosa

lo pergunta-me se desejo es crever um artigo sobre o pai. Curioso é que, com a última reflexão lida no volume, justamente a lembrança de João

João

com sua tranquila

tarefa de restabelecer

verda

des.

Inimigo declarado tanto de Hobbes, que criou o Levia-

Carnet

d'un

Emígré,

thann e nele acreditava como

Camillo me

instância suprema, quanto de Rousseau, que plantou a se

“Si Dieu n'existe pas je n’écris plus une ligne”. Pode ser a

mente da

desobediência

veio à mente:

com

ementa da vida exuberante de

idéias que João Camillo em preendeu e realizou em pleni

dor, obra dos homens sob ins piração divina, capaz de diri gir a sociedade, distribuir justiça, praticar o bem entre

tude.

Bela obra a sua, em vários

os deserdados filhos de Eva. Encontrava-me lendo um

setores, todos confluindo para a dignidade do homem como imagem de Deus, filho obe diente do Senhor, Senhor dos

livro

mundos, Senhor da História.

do

francês

Jean

Du-

^ ji

—

pleta, João Camillo pregava a fórmula de um Estado ordena-

.<l\

ECONÔMICO

Pierre Boisard

Com o título: "Balanço das pesquisas sobre a redução da

duração do trabalho", o Centro

de Estudos do Emprego, da França, publicou um estudo de Pierre Boisard. Encontrar-se-á a seguir um extrato deste trabalho, consagrado aos efeitos sociais da redução da duração

(Continuação da página 85) cuidada, a estévia produz 3 a 4 vezes por ano, fornecendo 2 a 3 toneladas por hectare na primeira safra e, nos próximos anos. 5 toneladas

de

vez. Uma tonelada de folhas secas fornece mais ou menos 120

de cris

kg.

cada

tais adoçantes, enquanto que a cana-de-açúcar produz 110 kg. de sacarose

por tonelada, em média.

Atualmente, 1 kg. de folhas secas gera US$ 1,50

crescendo a sua procura a galope.

Obviamente, o caso da estévia dos nossos dias.

será uma das maiores aventuras agrícolas

A “Agro Industrial e Comercial Viveiros Guarani” já se

preparou para produzir e vender mudas em maiores quantidades.

do trabalho.

Se as consequências econô micas da redução da duração do trabalho começam a ser es

tudadas,

efeitos

propria

mente sociais estão, quanto, abandonados.

os

por en

les que têm implicações econô micas imediatas, tais como o absenteísmo ou os acidentes do trabalho. Ainda assim são abor dados sob um ângulo estreita

conta

mente economista. Não se po de deixar de constatar que em

entre os efeitos sociais, aque-

muitos outros ângulos as inte-

Só

são

levados

em


DIGESTO

90

de que foi inimigo permanen

tourd,

te 0 pensador

Camillo,

quando o filho de João Camil-

e afanosa

lo pergunta-me se desejo es crever um artigo sobre o pai. Curioso é que, com a última reflexão lida no volume, justamente a lembrança de João

João

com sua tranquila

tarefa de restabelecer

verda

des.

Inimigo declarado tanto de Hobbes, que criou o Levia-

Carnet

d'un

Emígré,

thann e nele acreditava como

Camillo me

instância suprema, quanto de Rousseau, que plantou a se

“Si Dieu n'existe pas je n’écris plus une ligne”. Pode ser a

mente da

desobediência

veio à mente:

com

ementa da vida exuberante de

idéias que João Camillo em preendeu e realizou em pleni

dor, obra dos homens sob ins piração divina, capaz de diri gir a sociedade, distribuir justiça, praticar o bem entre

tude.

Bela obra a sua, em vários

os deserdados filhos de Eva. Encontrava-me lendo um

setores, todos confluindo para a dignidade do homem como imagem de Deus, filho obe diente do Senhor, Senhor dos

livro

mundos, Senhor da História.

do

francês

Jean

Du-

^ ji

—

pleta, João Camillo pregava a fórmula de um Estado ordena-

.<l\

ECONÔMICO

Pierre Boisard

Com o título: "Balanço das pesquisas sobre a redução da

duração do trabalho", o Centro

de Estudos do Emprego, da França, publicou um estudo de Pierre Boisard. Encontrar-se-á a seguir um extrato deste trabalho, consagrado aos efeitos sociais da redução da duração

(Continuação da página 85) cuidada, a estévia produz 3 a 4 vezes por ano, fornecendo 2 a 3 toneladas por hectare na primeira safra e, nos próximos anos. 5 toneladas

de

vez. Uma tonelada de folhas secas fornece mais ou menos 120

de cris

kg.

cada

tais adoçantes, enquanto que a cana-de-açúcar produz 110 kg. de sacarose

por tonelada, em média.

Atualmente, 1 kg. de folhas secas gera US$ 1,50

crescendo a sua procura a galope.

Obviamente, o caso da estévia dos nossos dias.

será uma das maiores aventuras agrícolas

A “Agro Industrial e Comercial Viveiros Guarani” já se

preparou para produzir e vender mudas em maiores quantidades.

do trabalho.

Se as consequências econô micas da redução da duração do trabalho começam a ser es

tudadas,

efeitos

propria

mente sociais estão, quanto, abandonados.

os

por en

les que têm implicações econô micas imediatas, tais como o absenteísmo ou os acidentes do trabalho. Ainda assim são abor dados sob um ângulo estreita

conta

mente economista. Não se po de deixar de constatar que em

entre os efeitos sociais, aque-

muitos outros ângulos as inte-

Só

são

levados

em


DIGESTO

DIGESTO ECONÔMICO

92

Consequências sobre.as condições de trabalho

rações do social e do econômi co não são exploradas. Não

existe pesquisa

siste

mática sobre os efeitos sociais

da redução da duração do tra balho. Entretanto, vários es tudos abordarn esta questão de maneira incidental, em parti cular os que se referem à or ganização do tempo ou aos ce nários de crescimento alterna tivo. Abordar estes estudos é

penoso. A gente se vê reduzido a uma espécie de “patchwork”, a uma mistura de elementos de

tipos e de origens extremamen te diversificados. Para contor

nar a dificuldade restringimos fortemente o

número de estu

dos de referência, com o ris co de negligenciar alguns im portantes. Só retivemos aque les que nos pareceram os mais significativos. Reduzir a duração do tra

balho não é, apenas, nem mes mo

principalmente,

trabalhar

durante menos tempo, é, sobre tudo, ter mais tempo para fa zer outra coisa. É esta “outra

coisa” que nos interessa aqui. rue de

As consequências sociais da redução do tempo de traba lho

se manifestam

tanto

nele

como fora dele. Vejamos pri meiramente as consequências imediatas sobre o local do tra balho.

Primeira consequência po sitiva esperada com a redução do tempo de trabalho: a dimi nuição do absenteísmo. Expe riências de trabalho de tempo

parcial tornaram evidente im portante baixa no absenteísmo (1), com relação à duração nor mal. Este fenômeno pode ser considerado geral em toda re dução hebdomadária do traba lho? É provável que a diminui ção do absenteísmo seja fun ção da flexibilidade dos horá rios mais do que da sua redu ção. Na medida em que a di minuição do tempo de trabalho estiver associada flexibilidade dos

com maior horários o f

absenteísmo poderá ser redu zido. Em compensação a ma¬

[*]

Ministério do Trabalho, 51,

(1]

"O trabalho de tempo parcial na Suécia" em Intersoclal n.° 45. Janeiro de 1979. Os resultados das experiências francesas concordam com o que foi observado na Suécia.

Ia Chaussée-d'Antln, 75009 Paris.

93

ECONÔMICO

nutenção da rigidez dos horá rios, mesmo no caso de uma duração hebdomadária reduzi da, arrisca não afetar signifi cativamente 0 nível de absen-

Iho, entretanto, sob a condição de que não venha substituir ou

tras medidas de melhoria das

condições de trabalho, continua sendo um fator importante de

teísmo.

redução do risco industrial. Es

Que relação existe entre duração de trabalho e aciden

dições de trabalho é sublinha da por M. Aubry e J. M. Qua-

tes do trabalho? Foi constata

zan

do que a maioria dos acidentes

tório para o colóquio sobre a

ta relação entre duração e con

de trabalho acontece durante a

na

conclusão do seu rela-

“partilha

do

trabalho”

(3):

Se

uma

diminuição

do

balho e os setores de forte ta

“Concluindo, é bom insistir so bre 0 caráter interdependente das duas noções: duração do trabalho e condições de traba-

xa de acidentes (2). Isto não basta, entretanto, para afirmar

tempo de trabalho e um arran

última hora da jornada. Exis te uma correlação entre os se

tores de longa duração do tra

que uma redução do tempo de trabalho traria automaticamen

te uma redução do número de acidentes. Para que os aciden tes imputáveis à fadiga sejam reduzidos, é preciso ainda que a duração menor do trabalho não seja anulada por uma

então mais depressa

e os

riscos seriam aumentados. Uma

diminuição do tempo de traba(2)

jo do seu tempo constituem condição da melhoria da vida no

mesmo

trabalho, uma modi

ficação do seu conteúdo é, tam

bém necessária para atrair um

movimento importante

na or

ganização do tempo.”

in-

tensificação no ritmo do traba lho. Isso porque, a fadiga vi ría

lho.

Enfim, pode ser que a re

dução da duração do trabalho favoreça aumentos de produti

vidade, não somente porque di

minui a fadiga, mas igualmen-

Dr. P. Bugard "Le dossier fatigue". Paris Ed. Stock. 1978. G. Mury ”Le sang Ouvrler". Ed. du

Cerf.

baího e sociedade", Universidade Paris IX — Dauphine.


DIGESTO

DIGESTO ECONÔMICO

92

Consequências sobre.as condições de trabalho

rações do social e do econômi co não são exploradas. Não

existe pesquisa

siste

mática sobre os efeitos sociais

da redução da duração do tra balho. Entretanto, vários es tudos abordarn esta questão de maneira incidental, em parti cular os que se referem à or ganização do tempo ou aos ce nários de crescimento alterna tivo. Abordar estes estudos é

penoso. A gente se vê reduzido a uma espécie de “patchwork”, a uma mistura de elementos de

tipos e de origens extremamen te diversificados. Para contor

nar a dificuldade restringimos fortemente o

número de estu

dos de referência, com o ris co de negligenciar alguns im portantes. Só retivemos aque les que nos pareceram os mais significativos. Reduzir a duração do tra

balho não é, apenas, nem mes mo

principalmente,

trabalhar

durante menos tempo, é, sobre tudo, ter mais tempo para fa zer outra coisa. É esta “outra

coisa” que nos interessa aqui. rue de

As consequências sociais da redução do tempo de traba lho

se manifestam

tanto

nele

como fora dele. Vejamos pri meiramente as consequências imediatas sobre o local do tra balho.

Primeira consequência po sitiva esperada com a redução do tempo de trabalho: a dimi nuição do absenteísmo. Expe riências de trabalho de tempo

parcial tornaram evidente im portante baixa no absenteísmo (1), com relação à duração nor mal. Este fenômeno pode ser considerado geral em toda re dução hebdomadária do traba lho? É provável que a diminui ção do absenteísmo seja fun ção da flexibilidade dos horá rios mais do que da sua redu ção. Na medida em que a di minuição do tempo de trabalho estiver associada flexibilidade dos

com maior horários o f

absenteísmo poderá ser redu zido. Em compensação a ma¬

[*]

Ministério do Trabalho, 51,

(1]

"O trabalho de tempo parcial na Suécia" em Intersoclal n.° 45. Janeiro de 1979. Os resultados das experiências francesas concordam com o que foi observado na Suécia.

Ia Chaussée-d'Antln, 75009 Paris.

93

ECONÔMICO

nutenção da rigidez dos horá rios, mesmo no caso de uma duração hebdomadária reduzi da, arrisca não afetar signifi cativamente 0 nível de absen-

Iho, entretanto, sob a condição de que não venha substituir ou

tras medidas de melhoria das

condições de trabalho, continua sendo um fator importante de

teísmo.

redução do risco industrial. Es

Que relação existe entre duração de trabalho e aciden

dições de trabalho é sublinha da por M. Aubry e J. M. Qua-

tes do trabalho? Foi constata

zan

do que a maioria dos acidentes

tório para o colóquio sobre a

ta relação entre duração e con

de trabalho acontece durante a

na

conclusão do seu rela-

“partilha

do

trabalho”

(3):

Se

uma

diminuição

do

balho e os setores de forte ta

“Concluindo, é bom insistir so bre 0 caráter interdependente das duas noções: duração do trabalho e condições de traba-

xa de acidentes (2). Isto não basta, entretanto, para afirmar

tempo de trabalho e um arran

última hora da jornada. Exis te uma correlação entre os se

tores de longa duração do tra

que uma redução do tempo de trabalho traria automaticamen

te uma redução do número de acidentes. Para que os aciden tes imputáveis à fadiga sejam reduzidos, é preciso ainda que a duração menor do trabalho não seja anulada por uma

então mais depressa

e os

riscos seriam aumentados. Uma

diminuição do tempo de traba(2)

jo do seu tempo constituem condição da melhoria da vida no

mesmo

trabalho, uma modi

ficação do seu conteúdo é, tam

bém necessária para atrair um

movimento importante

na or

ganização do tempo.”

in-

tensificação no ritmo do traba lho. Isso porque, a fadiga vi ría

lho.

Enfim, pode ser que a re

dução da duração do trabalho favoreça aumentos de produti

vidade, não somente porque di

minui a fadiga, mas igualmen-

Dr. P. Bugard "Le dossier fatigue". Paris Ed. Stock. 1978. G. Mury ”Le sang Ouvrler". Ed. du

Cerf.

baího e sociedade", Universidade Paris IX — Dauphine.


DIGESTO

94

te porque, instaurando um no vo equilíbrio entre tempo de trabalho e tempo livre, atenua 0 caráter de trabalho imposto. Entretanto, isto é discutível, se 0 tempo consagrado ao traba lho perder a posição central de importância que ocupa atual mente. Nestas condições have

ECONÔMICO

generalização do trabalho fixo poderia igualmente contrariar a melhoria resultante da redu

ção do tempo de trabalho. Tan

to quanto a duração global, os horários

e os ritmos intervém

sobre as condições, o interes se e os efeitos do trabalho (4).

Enfim, 0 interesse pelo traba

95

DIGESTO ECONÔMICO

ração. Antes de apresentar mi galhas de reflexões sobre esse ponto, devemos abordar o pro blema do tempo fora do traba

lho, ligado ao trabalho, isto é, a amplitude da jornada de tra balho.

Dispomos, infelizmente, de poucos elementos estatísticos quanto a medida da amplitude

da jornada de trabalho. Num estudo mais completo sobre a estrutura e a evolução dessa

jornada (5) Baudoin Seys observa

que

entre 1959

e 1974 a

O tempo ligado ao trabalho

duração hebdomadária do tra balho passou de 45,3 horas pa

A evolução do tempo liga do ao trabalho aparece menos positiva que a evolução da du ração média do trabalho. Uma parte da redução do tempo de trabalho foi absorvida pelo alongamento dos tempos de transporte. O alcance da redu ção do trabalho fica, aí, con sideravelmente reduzido. Se o

ra 43,0 horas, mas que, ao mes-

quências da redução do traba

tempo a considerar, na medida

trabalho.

lho permanece, paradoxalmen te, centrada no trabalho e ig

em que se

estuda os efeitos

econômicos

de

nora 0 tempo fora do trabalho.

do tempo de trabalho, é o efeti vamente trabalhado, o tempo de referência em contraposi ção na medida em que se foca

terá os efeitos que se pode es perar de uma redução da du ração cotidiana do trabalho. A

Muitos estudos tratam da or ganização do tempo, dos laze res, mas nenhum, de nosso co nhecimento, considera as con sequências sobre a vida fora do trabalho resultante de uma baixa significativa da sua du-

(4)

trabalho". Pesquisa sobre a construção mecâ¬

rá

fortalecimento

do

interesse

pelo trabalho, que se torna uma

lho não depende essencialmen te de sua duração, mas de seu

ocupação entre outras, ou, ao

conteúdo

e das condições ge

contrário, acentuar-se-á a desafeição pelo mesmo? A esta interrogação, não existe res

redução da jornada pode favo

posta “a priori". Parece-nos que

das de melhoria das condições

tudo depende tanto do conteú do do trabalho como de sua in

serção na vida, isto é, do arranjo geral do tempo.

Em conclusão, os resulta dos positivos da redução do trabalho sobre ele próprio de pendem amplamente das moda lidades desta redução e das me

didas complementares que con¬ cernem ao conteúdo

do traba

lho. É evidente que uma quinta

semana de férias pagas, não

William ... Grossin "Duração ..

e horários de

rais em que ele se efetua. A recer

a ação

de outras medi

de trabalho, não pode substituílas.

Tempo para

A reflexão sobre as conse

nica e eletrica na regiao parisiense, em "O trabalho e o tempo", Paris

pos,

1969.

viver

edição Anthro-

uma

variação

liza 0 aspecto social, é a am plitude da jornada de trabalho, devendo o tempo de transporte ser considerado como parte in

tegrante do tempo obrigatório. (5)

mo

tempo, a média do tempo

de trajeto diário passou de 43 minutos

51

minutos, ou

mana, na

base de cinco dias de

trabalho hebdomadário. Na re

gião parisiense o aumento do tempo de transporte foi de 50 minutos, mais de um terço, por

tanto, do ganho em tempo de Uma nova redução da du

ração de trabalho, arriscaria ser

absorvida pela ampliação

do tempo de transporte se não houver organização do espaço, especialmente

a da

distância

do lugar de moradia ao lugar do trabalho e aos locais de abastecimento e lazer. O au mento da duração do transpor-

Baudoin Seys “Os horários de trabalho em 1974' Julho-agosto de 1975.

para

seja, 40 minutos a mais por se-

Economia e Estatística n.® 69


DIGESTO

94

te porque, instaurando um no vo equilíbrio entre tempo de trabalho e tempo livre, atenua 0 caráter de trabalho imposto. Entretanto, isto é discutível, se 0 tempo consagrado ao traba lho perder a posição central de importância que ocupa atual mente. Nestas condições have

ECONÔMICO

generalização do trabalho fixo poderia igualmente contrariar a melhoria resultante da redu

ção do tempo de trabalho. Tan

to quanto a duração global, os horários

e os ritmos intervém

sobre as condições, o interes se e os efeitos do trabalho (4).

Enfim, 0 interesse pelo traba

95

DIGESTO ECONÔMICO

ração. Antes de apresentar mi galhas de reflexões sobre esse ponto, devemos abordar o pro blema do tempo fora do traba

lho, ligado ao trabalho, isto é, a amplitude da jornada de tra balho.

Dispomos, infelizmente, de poucos elementos estatísticos quanto a medida da amplitude

da jornada de trabalho. Num estudo mais completo sobre a estrutura e a evolução dessa

jornada (5) Baudoin Seys observa

que

entre 1959

e 1974 a

O tempo ligado ao trabalho

duração hebdomadária do tra balho passou de 45,3 horas pa

A evolução do tempo liga do ao trabalho aparece menos positiva que a evolução da du ração média do trabalho. Uma parte da redução do tempo de trabalho foi absorvida pelo alongamento dos tempos de transporte. O alcance da redu ção do trabalho fica, aí, con sideravelmente reduzido. Se o

ra 43,0 horas, mas que, ao mes-

quências da redução do traba

tempo a considerar, na medida

trabalho.

lho permanece, paradoxalmen te, centrada no trabalho e ig

em que se

estuda os efeitos

econômicos

de

nora 0 tempo fora do trabalho.

do tempo de trabalho, é o efeti vamente trabalhado, o tempo de referência em contraposi ção na medida em que se foca

terá os efeitos que se pode es perar de uma redução da du ração cotidiana do trabalho. A

Muitos estudos tratam da or ganização do tempo, dos laze res, mas nenhum, de nosso co nhecimento, considera as con sequências sobre a vida fora do trabalho resultante de uma baixa significativa da sua du-

(4)

trabalho". Pesquisa sobre a construção mecâ¬

rá

fortalecimento

do

interesse

pelo trabalho, que se torna uma

lho não depende essencialmen te de sua duração, mas de seu

ocupação entre outras, ou, ao

conteúdo

e das condições ge

contrário, acentuar-se-á a desafeição pelo mesmo? A esta interrogação, não existe res

redução da jornada pode favo

posta “a priori". Parece-nos que

das de melhoria das condições

tudo depende tanto do conteú do do trabalho como de sua in

serção na vida, isto é, do arranjo geral do tempo.

Em conclusão, os resulta dos positivos da redução do trabalho sobre ele próprio de pendem amplamente das moda lidades desta redução e das me

didas complementares que con¬ cernem ao conteúdo

do traba

lho. É evidente que uma quinta

semana de férias pagas, não

William ... Grossin "Duração ..

e horários de

rais em que ele se efetua. A recer

a ação

de outras medi

de trabalho, não pode substituílas.

Tempo para

A reflexão sobre as conse

nica e eletrica na regiao parisiense, em "O trabalho e o tempo", Paris

pos,

1969.

viver

edição Anthro-

uma

variação

liza 0 aspecto social, é a am plitude da jornada de trabalho, devendo o tempo de transporte ser considerado como parte in

tegrante do tempo obrigatório. (5)

mo

tempo, a média do tempo

de trajeto diário passou de 43 minutos

51

minutos, ou

mana, na

base de cinco dias de

trabalho hebdomadário. Na re

gião parisiense o aumento do tempo de transporte foi de 50 minutos, mais de um terço, por

tanto, do ganho em tempo de Uma nova redução da du

ração de trabalho, arriscaria ser

absorvida pela ampliação

do tempo de transporte se não houver organização do espaço, especialmente

a da

distância

do lugar de moradia ao lugar do trabalho e aos locais de abastecimento e lazer. O au mento da duração do transpor-

Baudoin Seys “Os horários de trabalho em 1974' Julho-agosto de 1975.

para

seja, 40 minutos a mais por se-

Economia e Estatística n.® 69


DIGESTO

96

ECONÔMICO

DIGESTO ECONÔMICO

te é desfavorável a uma redu

ção da

duração

cotidiana

do

trabalho, que é, por outro lado, a modalidade mais desejável de redução do trabalho. A fle

xibilidade dos horários^ expe riência tentada há alguns anos, sob o impulso principalmente do CATRAL (6), é uma neces sidade para reduzir o tempo desperdiçado em transportes. A organização do tempo Viu-se que as modalidades

de redução do trabalho no que se refere aos efeitos, importam quase tanto quanto o volume

desta redução. As reivindica ções atuais referem-se à sema

na de 35 horas, mas esta pode traduzir-se, seja por um alon gamento do feriado do fim de

semana, seja por uma redução de uma hora na duração coti diana. Esta segunda solução parece

preferível,

na medida

em que permite uma integra

ção mais harmoniosa do tempo consagrado ao trabalho no conjunto do tempo vivido. Mas

existem outros meios de agir (6j (7J

sobre tempo de trabalho: dura ção das férias anuais, idade de aposentadoria, interrupções no curso da vida ativa, etc. Nes te campo as possibilidades são ilimitadas, embora as soluções que prevalecem atualmente, sejam de uma dolorosa rigidez.

Numa obra recente, é propos ta toda uma gama de organi zações possíveis do tempo mo dificando totalmente a relação tempo de trabalho/tempo livre,

(7).

O autor, Guy Aznar, ex

plora possibilidades novas de inserção do trabalho na exis tência que oferecem aos indi

víduos maior liberdade da ges tão de seu tempo. Ele procura abolir as separações brutais entre vida de trabalho e vida dita inativa, fatoj- de frustra ção e rigidez profissional e cultural.

Abordam-se aqui, como em múltiplas reflexões sobre a du ração de trabalho, os degraus do reino da Utopia, onde nem Thomas More pode ser visto como precursor neste caminho, ele que falava em jornada de

Comitê para o estudo e a organização dos horários de trabalho e dos tempos de lazeres

na

região parisiense.

Guy Aznar "Não aos lazeres, não à aposentadoria". Galilée. 1978.

97

para experimentar essas pro postas cuja flexibilidade deve ria permitir a facilidade de aplicação.

seis horas (8). Mas quando se trata de pensar no futuro, as virtudes

pela

euristicas

utopia

do

desvio

já fizeram suas

provas. Outros estudos, estudos,

Trabalho

aliás, que se mantêm distantes da utopia, propõem sistemas de organização do tempo, seja no quadro da economia atual: J. de Chalendar (9) seja no de uma

economia

livre —>

trabalho obrigatório

A redução da duração do trabalho apresenta, como é di to frequentemente, o risco de

alternativa:

uma extensão do

Claude Paturle (10). Um núme

trabalho ne

gro. Esta asserção precisa ser

ro da revista "SXH) Avenir" é

verificada. Ê provável que uma redução do trabalho com salá rios .mais baixos, levaria os

consagrado a essa questão (11). O interesse de todos es tes estudos é que propõem mo dalidades novas de gestão do tempo, eliminando os desperdí cios, introduzindo maior liber dade e autorizandointerrupções da vida ativa para a formação profissional ou geral, assegu

assalariados a compensarem a

diferença através do

trabalho

negro. A questão da compensa

ção e do nível dos salários re presenta em relação a este pro blema um papel determinante. Uma pesquisa sobre os com

portamentos dos trabalhadores

rando, ao mesmo tempo, a pre servação dos direitos dos tra balhadores. Unia redução do trabalho podería ser a ocasião

em desemprego parcial, nos traria sobre o assunto interes santes indicações.

(81

Na Utopia, redigida em 1516. Thomas More escrevia: "Quando eu digo que meus

(9)

Jacques de

insulares

que em conseaucncia devem ter falta de muitas coisas necessárias à vida. De modo algum é verdadeiro que seu trabalho sc mostre demasiado curto para atrair em seu favor tudo quanto seja deseiavei, tanto para sua manutenção como para os prazeres da vida, pelo contrario este trapamo só

trabalham

seis

horas

por dia.

talvez

vocês

imaginam

gera multo mais do que para necessidades." Chalendar:

"A organização

Dossier FIPAD. n.® 3, janeiro de

do

tempo

(11) "Organizar 0 tempo” 2000 Avenir. n “ 43 — 2.“ Fratiçaise.

e estratégias

de

desenvolvimento".

'979.

trimestre de 1970. Parta, A Documentatlon


DIGESTO

96

ECONÔMICO

DIGESTO ECONÔMICO

te é desfavorável a uma redu

ção da

duração

cotidiana

do

trabalho, que é, por outro lado, a modalidade mais desejável de redução do trabalho. A fle

xibilidade dos horários^ expe riência tentada há alguns anos, sob o impulso principalmente do CATRAL (6), é uma neces sidade para reduzir o tempo desperdiçado em transportes. A organização do tempo Viu-se que as modalidades

de redução do trabalho no que se refere aos efeitos, importam quase tanto quanto o volume

desta redução. As reivindica ções atuais referem-se à sema

na de 35 horas, mas esta pode traduzir-se, seja por um alon gamento do feriado do fim de

semana, seja por uma redução de uma hora na duração coti diana. Esta segunda solução parece

preferível,

na medida

em que permite uma integra

ção mais harmoniosa do tempo consagrado ao trabalho no conjunto do tempo vivido. Mas

existem outros meios de agir (6j (7J

sobre tempo de trabalho: dura ção das férias anuais, idade de aposentadoria, interrupções no curso da vida ativa, etc. Nes te campo as possibilidades são ilimitadas, embora as soluções que prevalecem atualmente, sejam de uma dolorosa rigidez.

Numa obra recente, é propos ta toda uma gama de organi zações possíveis do tempo mo dificando totalmente a relação tempo de trabalho/tempo livre,

(7).

O autor, Guy Aznar, ex

plora possibilidades novas de inserção do trabalho na exis tência que oferecem aos indi

víduos maior liberdade da ges tão de seu tempo. Ele procura abolir as separações brutais entre vida de trabalho e vida dita inativa, fatoj- de frustra ção e rigidez profissional e cultural.

Abordam-se aqui, como em múltiplas reflexões sobre a du ração de trabalho, os degraus do reino da Utopia, onde nem Thomas More pode ser visto como precursor neste caminho, ele que falava em jornada de

Comitê para o estudo e a organização dos horários de trabalho e dos tempos de lazeres

na

região parisiense.

Guy Aznar "Não aos lazeres, não à aposentadoria". Galilée. 1978.

97

para experimentar essas pro postas cuja flexibilidade deve ria permitir a facilidade de aplicação.

seis horas (8). Mas quando se trata de pensar no futuro, as virtudes

pela

euristicas

utopia

do

desvio

já fizeram suas

provas. Outros estudos, estudos,

Trabalho

aliás, que se mantêm distantes da utopia, propõem sistemas de organização do tempo, seja no quadro da economia atual: J. de Chalendar (9) seja no de uma

economia

livre —>

trabalho obrigatório

A redução da duração do trabalho apresenta, como é di to frequentemente, o risco de

alternativa:

uma extensão do

Claude Paturle (10). Um núme

trabalho ne

gro. Esta asserção precisa ser

ro da revista "SXH) Avenir" é

verificada. Ê provável que uma redução do trabalho com salá rios .mais baixos, levaria os

consagrado a essa questão (11). O interesse de todos es tes estudos é que propõem mo dalidades novas de gestão do tempo, eliminando os desperdí cios, introduzindo maior liber dade e autorizandointerrupções da vida ativa para a formação profissional ou geral, assegu

assalariados a compensarem a

diferença através do

trabalho

negro. A questão da compensa

ção e do nível dos salários re presenta em relação a este pro blema um papel determinante. Uma pesquisa sobre os com

portamentos dos trabalhadores

rando, ao mesmo tempo, a pre servação dos direitos dos tra balhadores. Unia redução do trabalho podería ser a ocasião

em desemprego parcial, nos traria sobre o assunto interes santes indicações.

(81

Na Utopia, redigida em 1516. Thomas More escrevia: "Quando eu digo que meus

(9)

Jacques de

insulares

que em conseaucncia devem ter falta de muitas coisas necessárias à vida. De modo algum é verdadeiro que seu trabalho sc mostre demasiado curto para atrair em seu favor tudo quanto seja deseiavei, tanto para sua manutenção como para os prazeres da vida, pelo contrario este trapamo só

trabalham

seis

horas

por dia.

talvez

vocês

imaginam

gera multo mais do que para necessidades." Chalendar:

"A organização

Dossier FIPAD. n.® 3, janeiro de

do

tempo

(11) "Organizar 0 tempo” 2000 Avenir. n “ 43 — 2.“ Fratiçaise.

e estratégias

de

desenvolvimento".

'979.

trimestre de 1970. Parta, A Documentatlon


98

DIGESTO

No seu livro (12) Charly Boyadjian relata que o traba lho negro em sua usina dimi nuiu até a partir da instaura ção do desemprego parcial. As.

sim Mar^ um de seus camara das de usina: “não, depois do desemprego, eu labuto rara mente no negro. (3ompreendi (...) Agora, acabou. Não di

go que, de vez em quando, um bico rápido e bem pago... pa ra comprar bobagens. Mas há limites. Eu estava realmente cansado de fazer oito horas de

usina e depois disso de cinco

a seis horas no negro” (13). O aumento do tempo livre pode-

ria, portanto^ ser o melhor antídoto contra o trabalho negro.

Se há, realmente, desgosto

em

relação ao trabalho assalaria

do, por que não o haveria, tam bém, em relação ao negro. A menos que

se

trate

de outra

coisa que não seja a procura exclusiva

de um

aumento de

rendimentos.

Há

trabalho ne

cit..

p.

Trata-se,

frequentemente,

para um operário ou um em pregado desqualificado, do exercício de trabalho de tipo artesanal no quadro de suas relações de vizinhança ou amis tosas.

Embora

se

trate ainda

de um trabalho mercantilixado, não se trata mais de um traba

lho

assalariado.

A

ampliação

de tal fenômeno não teria ex

ultrapassado."

A primeira preocupação não é mais 0 aumento de rendas pa

“Sei agora o que trinta c duas horas de trabalho querem dizer. Para mim e para outros

ra ampliação do consumo^ mas

a usina se torna um contratem

po” (15). Como expressão viva da transformação da vida tra zida pelo desemprego parcial, a passagem de 46 horas para 32 horas hebdomadárias, a obra

desenvolvimento

de

ros testemunhos escritos sobre a felicidade de trabalhar me

por uma redução da sua dura ção repentina e importante.

Medidas

favorecendo

esse

desenvolvimento, a criação, por

exemplo, de pequenos ateliers de

consertos

no

nível

distri

tal, a locação de materiais, etc., permitiríam a utilização não deformada do tempo livre, com a retração da esfera do traba

lho mercantilizado (14).

entre

cada

semana

e

laror"

Que ocupações?

transfor

Fazem-nos

sistema e modos

tudos

sobre

a

muita falta

es

utilização

do

no au

tempo liberado pela redução do

tor, uma diminuição importan

trabalho. É evidente que aqui,

te da duração do trabalho não provoca, apenas, a diminuição da fadiga, permitindo maior

dução são determinantes. Uma

tural.

Se acreditarmos

também, as modalidades de re das

raras

explorações

deste

disponibilidade ela garante uma

problema é uma sondagem SO

abertura para o conjunto de atividades que os antigos ho

FRES efetuada de 27 de outu

rários inibiam.

Essa

1978,

"trabalho

nhas

mam 0 conjunto da vida fora

de relações, lazeres, vida cul

sua riqueza relacionai.

ver. E quando os horários re tornam a 40 horas, o sentimen to geral é de decepção.

de C. Boyadjian é um dos ra

do trabalho:

com

o aumento do tempo para vi

Por limitado que seja, es te livro nos abre, apesar disso, uma nova direção de pesquisa, a das transformações da vida fora do trabalho provocadas

tis

123.

quanto

A usina — contratempo

nos. Estas quatorze horas ga

mercantil, arbítrio junto ao qual aquele caro aos economistas falso

99

ECONÔMICO

clusivamente consequências ne gativas, desde que fosse orien tado para formas não mercan

(14) No seu relatório, já citado, ao colóquio sobre a Partilha do Trabalho, X. Greffe e J. Gaudln escrevem; A partilha do trabalho aparece como a possibilidade da escolher novos modos de vida a partir de iim arbítrio novo entre trabalho mercantil e trabalho não aôa tão

DIGBBTO

gro e trabalho negro.

(12) Charly Boyadjian "A noite das máquinas", Les Presaes d‘auJourd’hui. (13) Op.

ECONÔMICO

diminuição

provoca,

ao mesmo tempo, uma trans formação em relação ao tra balho e ao consumo mercantil. (15) C.

Boyadjian, op. cit..

(i6) Sondagem SOFRES;

p. 122.

bro a 2 de novembro de 19TO com mostragem representativa da população em idade de 18 anos e mais (16).

Além de questões sobre o desemprego, esta sondagem se

Le Nouvel Observateur, "você quer viver sem trabalhar?" 4/11/78.


98

DIGESTO

No seu livro (12) Charly Boyadjian relata que o traba lho negro em sua usina dimi nuiu até a partir da instaura ção do desemprego parcial. As.

sim Mar^ um de seus camara das de usina: “não, depois do desemprego, eu labuto rara mente no negro. (3ompreendi (...) Agora, acabou. Não di

go que, de vez em quando, um bico rápido e bem pago... pa ra comprar bobagens. Mas há limites. Eu estava realmente cansado de fazer oito horas de

usina e depois disso de cinco

a seis horas no negro” (13). O aumento do tempo livre pode-

ria, portanto^ ser o melhor antídoto contra o trabalho negro.

Se há, realmente, desgosto

em

relação ao trabalho assalaria

do, por que não o haveria, tam bém, em relação ao negro. A menos que

se

trate

de outra

coisa que não seja a procura exclusiva

de um

aumento de

rendimentos.

Há

trabalho ne

cit..

p.

Trata-se,

frequentemente,

para um operário ou um em pregado desqualificado, do exercício de trabalho de tipo artesanal no quadro de suas relações de vizinhança ou amis tosas.

Embora

se

trate ainda

de um trabalho mercantilixado, não se trata mais de um traba

lho

assalariado.

A

ampliação

de tal fenômeno não teria ex

ultrapassado."

A primeira preocupação não é mais 0 aumento de rendas pa

“Sei agora o que trinta c duas horas de trabalho querem dizer. Para mim e para outros

ra ampliação do consumo^ mas

a usina se torna um contratem

po” (15). Como expressão viva da transformação da vida tra zida pelo desemprego parcial, a passagem de 46 horas para 32 horas hebdomadárias, a obra

desenvolvimento

de

ros testemunhos escritos sobre a felicidade de trabalhar me

por uma redução da sua dura ção repentina e importante.

Medidas

favorecendo

esse

desenvolvimento, a criação, por

exemplo, de pequenos ateliers de

consertos

no

nível

distri

tal, a locação de materiais, etc., permitiríam a utilização não deformada do tempo livre, com a retração da esfera do traba

lho mercantilizado (14).

entre

cada

semana

e

laror"

Que ocupações?

transfor

Fazem-nos

sistema e modos

tudos

sobre

a

muita falta

es

utilização

do

no au

tempo liberado pela redução do

tor, uma diminuição importan

trabalho. É evidente que aqui,

te da duração do trabalho não provoca, apenas, a diminuição da fadiga, permitindo maior

dução são determinantes. Uma

tural.

Se acreditarmos

também, as modalidades de re das

raras

explorações

deste

disponibilidade ela garante uma

problema é uma sondagem SO

abertura para o conjunto de atividades que os antigos ho

FRES efetuada de 27 de outu

rários inibiam.

Essa

1978,

"trabalho

nhas

mam 0 conjunto da vida fora

de relações, lazeres, vida cul

sua riqueza relacionai.

ver. E quando os horários re tornam a 40 horas, o sentimen to geral é de decepção.

de C. Boyadjian é um dos ra

do trabalho:

com

o aumento do tempo para vi

Por limitado que seja, es te livro nos abre, apesar disso, uma nova direção de pesquisa, a das transformações da vida fora do trabalho provocadas

tis

123.

quanto

A usina — contratempo

nos. Estas quatorze horas ga

mercantil, arbítrio junto ao qual aquele caro aos economistas falso

99

ECONÔMICO

clusivamente consequências ne gativas, desde que fosse orien tado para formas não mercan

(14) No seu relatório, já citado, ao colóquio sobre a Partilha do Trabalho, X. Greffe e J. Gaudln escrevem; A partilha do trabalho aparece como a possibilidade da escolher novos modos de vida a partir de iim arbítrio novo entre trabalho mercantil e trabalho não aôa tão

DIGBBTO

gro e trabalho negro.

(12) Charly Boyadjian "A noite das máquinas", Les Presaes d‘auJourd’hui. (13) Op.

ECONÔMICO

diminuição

provoca,

ao mesmo tempo, uma trans formação em relação ao tra balho e ao consumo mercantil. (15) C.

Boyadjian, op. cit..

(i6) Sondagem SOFRES;

p. 122.

bro a 2 de novembro de 19TO com mostragem representativa da população em idade de 18 anos e mais (16).

Além de questões sobre o desemprego, esta sondagem se

Le Nouvel Observateur, "você quer viver sem trabalhar?" 4/11/78.


100

DIGESTO

refere ao

trabalho como obri

gação: 43% dos sondados res pondem positivamente à ques tão: "Gostariam de poder vi ver sem serem obrigados a trabalhar?”;

sobre o

interesse

pelo trabalho e pela ocupação do tempo livre, uma das ques tões é assim formulada: “Se a

duração do trabalho fosse re duzida a menos

de trinta ho

ras por semana, você consa graria seu tempo livre a...”, segue-se uma série de propos tas entre as quais a vida de família, que obteve 53% das preferências e “fazer mais coi

sas por você mesmo, comprar menos fora”, 39%.

Concebe-se facilmente o in

teresse de um estudo aprofun dado sobre estas questões para precisar a configuração das formas de utilizar o tempo li vre, na hipótese de seu aumen to significativo.

Tempo livre e novas exigências

O aumento do tempo livre a

partir de um

certo limiar

induz, necessariamente, novas exigências sociais, culturais, esportivas, turísticas, associa tivas,

artesanais, etc, Recen-

ECONÔMICO

101

DIGESTO ECONÔMICO

seá-las e quantificá-las não basta. Antes de mais nada porque estas exigências não estão fi xadas de uma vez por todas,

COS são grandes, em razão da configuração atual do urbanis

mo, da inadequação dos equi

sequências

elas variam em função das mo dalidades da redução e tam bém em função das medidas políticas que as acompanham bem como da resposta dos

dades individuais e sociais em

blinhar,

matéria de lazeres, do agrava

tante trabalho'de reflexão fei

agentes e permitem a criação e a ampliação de serviços mercantilizados ou não e de equi pamentos sócio-culturaís. As férias pagas estiveram assim na base do desenvolvimento de

serviços e de indústrias funda das sobre o turismo. Um pro longamento das férias pagas se traduziría, provavelmente, em aumento da demanda nesse se

tor. Em contraposição uma re dução hebdomadária do traba lho se traduziría por um au mento de outras demandas em outros setores da indústria e

dos

serviços.

É

pertinente

a

questão das modalidades de sa

tisfação destas novas deman das: extensão de serviços mercantílizados e do consumo mer

cantil, desenvolvimento de equi pamentos sócio-culturais, en corajamento à vida associati va, ou... passividade do sfisteraa. Neste último caso os ris-

pamentos coletivos às necessi

mento de problemas ligados ao urbanismo, à moradia e ao meio ambiente em geral. Com efeito, o aumento do tempo fo ra do trabalho, tornará neces

cias provavelmente pelo menos tão importantes quanto as con

imediatas,

infeliz

mente não foi feito. Deve-se su

entretanto,

o impor

to pelo Collectif Adret que já deu lugar à publicação de uma obra ligando testemunhos con cretos sobre a duração do tra

balho, a proposições relativas

sariamente mais agudas as desfuncionalidades da vida citadina e doméstica, problemas

a um outro tipo de crescimen to fundado sobre um tempo de

que já existem, mas reduzidos em razão de que o essencial do tempo de vigilia durante a se

Para Adret, atualmente, a verdadeira dificuldade é nãx) reduzir o tempo de trabalho ,

mana, se passa no trabalho e nos transportes.

Uma política

trabalho reduzido

-por isso como

de acompa

nhamento se impõe, portanto, e ela pode oferecer possibili-

(17).

propõe imediatamente primeiro passo para duas

horas por dia, a semana de 32 horas sem diniinuição os sa

pregos seja nas indústrias in-

lários mais baixos. Com o objetivo de diminuir a duraçao do trabalho, Adret propõe redu-

mandas ligadas aos lazeres,

pela redução dos desperdícios

dades da criação de novos em-

teressadas no aumento das de-

seja nos serviços públicos ou

privados criados para respon der às novas necessidades so

ciais. O estudo das consequên cias indiretas da redução do trabalho a nível econômico e

a nível do emprego, consequên-

zir a produção principalmente

e das produções inúteis, aumen

tar a produtividade graças ao progresso, técnico, transformar

uma parte do trabalho ligado. ou seja, 0 trabalho assalariado em

trabalho livre, pela criação

de pequenos ateliers de monta-

li7) Adret "Trabalhar duas horas por dia", Ed. du Seuil, 1977


100

DIGESTO

refere ao

trabalho como obri

gação: 43% dos sondados res pondem positivamente à ques tão: "Gostariam de poder vi ver sem serem obrigados a trabalhar?”;

sobre o

interesse

pelo trabalho e pela ocupação do tempo livre, uma das ques tões é assim formulada: “Se a

duração do trabalho fosse re duzida a menos

de trinta ho

ras por semana, você consa graria seu tempo livre a...”, segue-se uma série de propos tas entre as quais a vida de família, que obteve 53% das preferências e “fazer mais coi

sas por você mesmo, comprar menos fora”, 39%.

Concebe-se facilmente o in

teresse de um estudo aprofun dado sobre estas questões para precisar a configuração das formas de utilizar o tempo li vre, na hipótese de seu aumen to significativo.

Tempo livre e novas exigências

O aumento do tempo livre a

partir de um

certo limiar

induz, necessariamente, novas exigências sociais, culturais, esportivas, turísticas, associa tivas,

artesanais, etc, Recen-

ECONÔMICO

101

DIGESTO ECONÔMICO

seá-las e quantificá-las não basta. Antes de mais nada porque estas exigências não estão fi xadas de uma vez por todas,

COS são grandes, em razão da configuração atual do urbanis

mo, da inadequação dos equi

sequências

elas variam em função das mo dalidades da redução e tam bém em função das medidas políticas que as acompanham bem como da resposta dos

dades individuais e sociais em

blinhar,

matéria de lazeres, do agrava

tante trabalho'de reflexão fei

agentes e permitem a criação e a ampliação de serviços mercantilizados ou não e de equi pamentos sócio-culturaís. As férias pagas estiveram assim na base do desenvolvimento de

serviços e de indústrias funda das sobre o turismo. Um pro longamento das férias pagas se traduziría, provavelmente, em aumento da demanda nesse se

tor. Em contraposição uma re dução hebdomadária do traba lho se traduziría por um au mento de outras demandas em outros setores da indústria e

dos

serviços.

É

pertinente

a

questão das modalidades de sa

tisfação destas novas deman das: extensão de serviços mercantílizados e do consumo mer

cantil, desenvolvimento de equi pamentos sócio-culturais, en corajamento à vida associati va, ou... passividade do sfisteraa. Neste último caso os ris-

pamentos coletivos às necessi

mento de problemas ligados ao urbanismo, à moradia e ao meio ambiente em geral. Com efeito, o aumento do tempo fo ra do trabalho, tornará neces

cias provavelmente pelo menos tão importantes quanto as con

imediatas,

infeliz

mente não foi feito. Deve-se su

entretanto,

o impor

to pelo Collectif Adret que já deu lugar à publicação de uma obra ligando testemunhos con cretos sobre a duração do tra

balho, a proposições relativas

sariamente mais agudas as desfuncionalidades da vida citadina e doméstica, problemas

a um outro tipo de crescimen to fundado sobre um tempo de

que já existem, mas reduzidos em razão de que o essencial do tempo de vigilia durante a se

Para Adret, atualmente, a verdadeira dificuldade é nãx) reduzir o tempo de trabalho ,

mana, se passa no trabalho e nos transportes.

Uma política

trabalho reduzido

-por isso como

de acompa

nhamento se impõe, portanto, e ela pode oferecer possibili-

(17).

propõe imediatamente primeiro passo para duas

horas por dia, a semana de 32 horas sem diniinuição os sa

pregos seja nas indústrias in-

lários mais baixos. Com o objetivo de diminuir a duraçao do trabalho, Adret propõe redu-

mandas ligadas aos lazeres,

pela redução dos desperdícios

dades da criação de novos em-

teressadas no aumento das de-

seja nos serviços públicos ou

privados criados para respon der às novas necessidades so

ciais. O estudo das consequên cias indiretas da redução do trabalho a nível econômico e

a nível do emprego, consequên-

zir a produção principalmente

e das produções inúteis, aumen

tar a produtividade graças ao progresso, técnico, transformar

uma parte do trabalho ligado. ou seja, 0 trabalho assalariado em

trabalho livre, pela criação

de pequenos ateliers de monta-

li7) Adret "Trabalhar duas horas por dia", Ed. du Seuil, 1977


102

DIQESTO ECONÔMICO

gem nos bairros e pela retoma da das tarefas sociais privati vas de especialistas, por não especialistas. Economia

de

tempo,

economia

do

tempo

do à produção. A diminuição do trabalho não é mais, nesta perspectiva, o lado menor do

crescimento, mas a finalidade essencial

do

desenvolvimento

çada. Não se trata de aumentar

econômico (18). A uma econo mia produtivista se substitui uma economia do tempo na qual a produção limitada ao que é socialmente necessário, é subordinada ao desenvolvi mento das potencialidades do tempo livre. O desenvolvimento

cada

das

Fundamentalmente, para além de algumas propostas mais ousadas, o interesse da medida

do

coletivo Adret está

na nova lógica econômica avan vez

produção,

mais

o

mas sim

volume

da

de procu

rar os melhores meios para ga nhar tempo livre e ampliar a liberdade desse tempo subtrai-

forças

produtivas,

(16) Ver Serge Moecovici em "Por que us Ecologlatos fazem política?"

Alemanha compra urânio brasileiro Hospe, disse que dentro de 2 anos a

nesta

nova finalidade, não se mede mais pelo volume da produção, mas pelo grau de liberdade do uso do tempo (...).

Alemanha

Ed. du

Seuil, 1978.

Bonn — O porta-voz da iniciará

KWU,

Joachin

a importação de

urânio brasileiro, de acordo com o convênio de cooperação de 1975. O Brasil conta no ano corrente com uma produção de 500 toneladas de urâ nio, o que possibilitaria manter 40 usinas atômicas do tipo Angra II du

rante um período de 30 anos. A Alemanha, com 11 usinas em funcictfiamento, importa anualmente cerca de 400 toneladas de urânio natural da África. Austrália e d©. União Soviética. Para a Alemanha é muito impor

tante que o urânio venha de um país com estabilidade política. Aê nego ciações sobre a importação estão sendo feitas pela Euratom. Nesee ensejo,

o ST. Hospe ressaltou que já hoje a transferência tecnológica do Brasil está dando lucros. O Brasil registra encomendas do exterior, tal cc»no da Ar

gentina, à qual fornecerá peças para a usina de Atucha II. consequência da transferência tecnológica teuto-brasilelra.

Com este título, a "Revue Internationale du travai!"

(Genebra) publicou o seguinte artigo de

Barney Olmsted, co-diretora de "New Ways to Work", de Paio Alto, Califórnia.

Devemos estar abertos à transformação e modificar nos sas leis e nossos hábitos de

nutenção dos conceitos rígidos atuais (1).

modo a multiplicar as possibi lidades de organização do tem po de trabalho. Os problemas em jogo são demasiado nume rosos e

concernem tantas pes

soas que não se justifica a ma-

tem

Há uma dezena de anos, aumentado sempre o in

teresse pelas novas maneiras de organizar o tempo de tra balho. O horário flexível, a

(I) Extrato da declaração feita por Midge Miller, representante de seu Estado, por ocasiao do debate sobre os diferentes horários de trabalho, que se desenvolveu na Subcomis são do Senado dos Estados Unidos sobre o emprego, a miséria e os trabalhadores migrantes, a 7 o 8 de abril de

1976.


102

DIQESTO ECONÔMICO

gem nos bairros e pela retoma da das tarefas sociais privati vas de especialistas, por não especialistas. Economia

de

tempo,

economia

do

tempo

do à produção. A diminuição do trabalho não é mais, nesta perspectiva, o lado menor do

crescimento, mas a finalidade essencial

do

desenvolvimento

çada. Não se trata de aumentar

econômico (18). A uma econo mia produtivista se substitui uma economia do tempo na qual a produção limitada ao que é socialmente necessário, é subordinada ao desenvolvi mento das potencialidades do tempo livre. O desenvolvimento

cada

das

Fundamentalmente, para além de algumas propostas mais ousadas, o interesse da medida

do

coletivo Adret está

na nova lógica econômica avan vez

produção,

mais

o

mas sim

volume

da

de procu

rar os melhores meios para ga nhar tempo livre e ampliar a liberdade desse tempo subtrai-

forças

produtivas,

(16) Ver Serge Moecovici em "Por que us Ecologlatos fazem política?"

Alemanha compra urânio brasileiro Hospe, disse que dentro de 2 anos a

nesta

nova finalidade, não se mede mais pelo volume da produção, mas pelo grau de liberdade do uso do tempo (...).

Alemanha

Ed. du

Seuil, 1978.

Bonn — O porta-voz da iniciará

KWU,

Joachin

a importação de

urânio brasileiro, de acordo com o convênio de cooperação de 1975. O Brasil conta no ano corrente com uma produção de 500 toneladas de urâ nio, o que possibilitaria manter 40 usinas atômicas do tipo Angra II du

rante um período de 30 anos. A Alemanha, com 11 usinas em funcictfiamento, importa anualmente cerca de 400 toneladas de urânio natural da África. Austrália e d©. União Soviética. Para a Alemanha é muito impor

tante que o urânio venha de um país com estabilidade política. Aê nego ciações sobre a importação estão sendo feitas pela Euratom. Nesee ensejo,

o ST. Hospe ressaltou que já hoje a transferência tecnológica do Brasil está dando lucros. O Brasil registra encomendas do exterior, tal cc»no da Ar

gentina, à qual fornecerá peças para a usina de Atucha II. consequência da transferência tecnológica teuto-brasilelra.

Com este título, a "Revue Internationale du travai!"

(Genebra) publicou o seguinte artigo de

Barney Olmsted, co-diretora de "New Ways to Work", de Paio Alto, Califórnia.

Devemos estar abertos à transformação e modificar nos sas leis e nossos hábitos de

nutenção dos conceitos rígidos atuais (1).

modo a multiplicar as possibi lidades de organização do tem po de trabalho. Os problemas em jogo são demasiado nume rosos e

concernem tantas pes

soas que não se justifica a ma-

tem

Há uma dezena de anos, aumentado sempre o in

teresse pelas novas maneiras de organizar o tempo de tra balho. O horário flexível, a

(I) Extrato da declaração feita por Midge Miller, representante de seu Estado, por ocasiao do debate sobre os diferentes horários de trabalho, que se desenvolveu na Subcomis são do Senado dos Estados Unidos sobre o emprego, a miséria e os trabalhadores migrantes, a 7 o 8 de abril de

1976.


104

DIGESTO

jornada contínua, a contração da semana de trabalho, a par tilha do trabalho, a partilha dos empregos, as férias espe ciais, são alguns sistemas re centes que traduzem a preo

ECONÔMICO

empregos que não sejam de tempo integral. Nós nos propomos neste artigo resumir um dos últimos métodos de redução do tempo de trabalho: a partilha dos em

105

DIGESTO ECONÔMICO

lha do trabalho” e “partilha de

um emprego”, e não se vê mui to bem 0 que diferencia este último sistema do conceito clássico do trabalho em tempo

de tempo integral assim que a situação econômica melhore. A partilha dos empregos se diferencia do trabalho de tem

As causas desta moda cres

interesse muito vivo nos Esta

A partilha dos empregos e uma forma de trabalho em

po parcial tradicional em dois aspectos: por um lado, visa a reorganizar atividades que de mandam qualificações superio res e que oferecem a possibili

cente são numerosas e comple xas: transformações na natu

dos Unidos. Depois de termos examinado as vantagens e os

tempo parcial voluntário e per manente (3). Até agora, foi

dade de fazer carreira e que não se prestam nem a uma re

utilizada

essencialmente para

dução de horário, nem a um

responder à necessidade, de tal ou qual trabalhador, de redu

fracionamento entre duas pes

cupação nesse

crescente

de

inovar

campo.

reza da mão-de-obra, devidas, em grande parte, a uma par ticipação feminina cada vez mais intensa; reconhecimento do fato de que o ritmo atual do crescimento econômico

nao

pregos. Trata-se de uma fórmu.

la que é, atualmente, objeto de

inconvenientes, descreveremos os meios pelos quais se proce de a esta partilha, antes de estudar consequências de maior alcance que decorrem do sis tema.

permite fornecer um emprego a todos aqueles que querem

0 que é a partilha dos

trabalhar e têm necessidade de

empregos

fazê-lo; desejo de “personali

zar” o tempo de trabalho, quer dizer de

prever horários

que

levem em conta a correlação entre a vida profissional e os outros aspectos da existência de cada um. As tentativas de considerar estes diferentes fa

tores, têm consistido seja introduzir

maior

em

flexibilidade

na semana clássica de quarenta horas, seja em estabelecer ho rários de trabalho que corres pondam à necessidade nova de (2)

Na prática, temas

parcial.

zir sensivelmente seu tempo de

trabalho (de 30 a 50% por exemplo). A partilha do traba lho, traduz o modo pelo qual o.

uma empresa reage de imedia to

frente

a

uma

conjuntura

soas que trabalhem em tempo

parcial; por outro lado, supõe frequentemente uma colaborae contatos estreitos entre os interessados. çao

O interesse inspirado

por esta fórmufa

desfavorável. Destinado origiEntende-se geralmente co partilha de um emprego “quando duas pessoas detêm

nariamente a conservar o pes

mo

soal em seus lugares, este sis tema visa a repartir um volu

em comum a responsabilidade

me de trabalho menor entre a

de um único e mesmo posto de tempo integral, remuneração e vantagens sociais sendo cal culadas numa base proporcio nal” (2). Como a terminologia

mão-de-obra existente. As redu ções de horário não são geral

te nestes últimos dez anos. Os trabalhadores de tempo parcml

mente superiores a 20% e fica entendido que os trabalhadores

da mão-de-obra total (4). Di-

neste campo não é fixada e frequentemente se revela im precisa, tem-se, muitas vezes a

representam atualmente 21%

fatores estão na origem

seus

(3)

Allan Cohen observam que "o conceito

Gadon

versos

tempo parcial, tal como é utilizado no quadro da modificação

emprego permanente de

imnlirn rertaa Dossibilidades de adiantamento, contrariamente ao que ee proouzia ^

passado cTm o trate

tendência de confundir “parti-

de tempo pardal” Ver '■"l»™''™ needs (Reading (Massachusetts) Addiwn

integrating organizational and individual Wesley,

esta definição , , é entendida num sentido muito amplo, de modo a visar sis-

mais complicados (partilha de tres postos entre cinco trabalhadores. por exemplo).

parcial aumentou sensivelmen

reencontrarão Herman

empregos

Nos Estados Unidoa,, a de manda de empregos* de tempo

(4)

1979). p. 67.

Escritório das estatísticos do trabalho dos Estados Unidos. 1974.


104

DIGESTO

jornada contínua, a contração da semana de trabalho, a par tilha do trabalho, a partilha dos empregos, as férias espe ciais, são alguns sistemas re centes que traduzem a preo

ECONÔMICO

empregos que não sejam de tempo integral. Nós nos propomos neste artigo resumir um dos últimos métodos de redução do tempo de trabalho: a partilha dos em

105

DIGESTO ECONÔMICO

lha do trabalho” e “partilha de

um emprego”, e não se vê mui to bem 0 que diferencia este último sistema do conceito clássico do trabalho em tempo

de tempo integral assim que a situação econômica melhore. A partilha dos empregos se diferencia do trabalho de tem

As causas desta moda cres

interesse muito vivo nos Esta

A partilha dos empregos e uma forma de trabalho em

po parcial tradicional em dois aspectos: por um lado, visa a reorganizar atividades que de mandam qualificações superio res e que oferecem a possibili

cente são numerosas e comple xas: transformações na natu

dos Unidos. Depois de termos examinado as vantagens e os

tempo parcial voluntário e per manente (3). Até agora, foi

dade de fazer carreira e que não se prestam nem a uma re

utilizada

essencialmente para

dução de horário, nem a um

responder à necessidade, de tal ou qual trabalhador, de redu

fracionamento entre duas pes

cupação nesse

crescente

de

inovar

campo.

reza da mão-de-obra, devidas, em grande parte, a uma par ticipação feminina cada vez mais intensa; reconhecimento do fato de que o ritmo atual do crescimento econômico

nao

pregos. Trata-se de uma fórmu.

la que é, atualmente, objeto de

inconvenientes, descreveremos os meios pelos quais se proce de a esta partilha, antes de estudar consequências de maior alcance que decorrem do sis tema.

permite fornecer um emprego a todos aqueles que querem

0 que é a partilha dos

trabalhar e têm necessidade de

empregos

fazê-lo; desejo de “personali

zar” o tempo de trabalho, quer dizer de

prever horários

que

levem em conta a correlação entre a vida profissional e os outros aspectos da existência de cada um. As tentativas de considerar estes diferentes fa

tores, têm consistido seja introduzir

maior

em

flexibilidade

na semana clássica de quarenta horas, seja em estabelecer ho rários de trabalho que corres pondam à necessidade nova de (2)

Na prática, temas

parcial.

zir sensivelmente seu tempo de

trabalho (de 30 a 50% por exemplo). A partilha do traba lho, traduz o modo pelo qual o.

uma empresa reage de imedia to

frente

a

uma

conjuntura

soas que trabalhem em tempo

parcial; por outro lado, supõe frequentemente uma colaborae contatos estreitos entre os interessados. çao

O interesse inspirado

por esta fórmufa

desfavorável. Destinado origiEntende-se geralmente co partilha de um emprego “quando duas pessoas detêm

nariamente a conservar o pes

mo

soal em seus lugares, este sis tema visa a repartir um volu

em comum a responsabilidade

me de trabalho menor entre a

de um único e mesmo posto de tempo integral, remuneração e vantagens sociais sendo cal culadas numa base proporcio nal” (2). Como a terminologia

mão-de-obra existente. As redu ções de horário não são geral

te nestes últimos dez anos. Os trabalhadores de tempo parcml

mente superiores a 20% e fica entendido que os trabalhadores

da mão-de-obra total (4). Di-

neste campo não é fixada e frequentemente se revela im precisa, tem-se, muitas vezes a

representam atualmente 21%

fatores estão na origem

seus

(3)

Allan Cohen observam que "o conceito

Gadon

versos

tempo parcial, tal como é utilizado no quadro da modificação

emprego permanente de

imnlirn rertaa Dossibilidades de adiantamento, contrariamente ao que ee proouzia ^

passado cTm o trate

tendência de confundir “parti-

de tempo pardal” Ver '■"l»™''™ needs (Reading (Massachusetts) Addiwn

integrating organizational and individual Wesley,

esta definição , , é entendida num sentido muito amplo, de modo a visar sis-

mais complicados (partilha de tres postos entre cinco trabalhadores. por exemplo).

parcial aumentou sensivelmen

reencontrarão Herman

empregos

Nos Estados Unidoa,, a de manda de empregos* de tempo

(4)

1979). p. 67.

Escritório das estatísticos do trabalho dos Estados Unidos. 1974.


106

DIGESTO ECONÔMICO

desta

tendência:

um

número

mite aos empregadores respon

crescente de mulheres desejo

der à demanda dos trabalhado

sas

res desejosos de reduzirem seu

de

terem

uma

atividade

profissional, afastamento cres cente éntre as aspirações dos trabalhadores e a natureza de seu trabalho, preferência cada vez mais acentuada pelo tempo livre com relação ao trabalho e à remuneração. O aumento do número de trabalhadores em

tempo parcial foi acompanhado de uma mudança no plano qua

litativo. Pessoas

com qualifi

cações superiores manifestam atualmente cada vez maior in teresse por esta fórmula. Um

recente artigo de revista traça va 0 retrato de um analista-

planíficador, de um professor universitário e de um autuário

que,

todos,

trabalhavam,

no

máximo, vinte e cinco horas por semana (5). Mas as

possi-

bilidades de emprego de tempo parcial

permanecem muito

li

mitadas para esta categoria de pessoas e, em número crescen

te de casos, o sistema da par tilha dos empregos é que per¬

horário.

2. A utilização atual do slatema na

América do Norte

Esta fórmula não é desco

nhecida

na Europa,

sobretudo nos

mas foi

Estados Unidos

e, em medida menor, no Ca nadá que foi experimentada (6). Não se possuem dados quanto ao número exato dos trabalha

dores que a aplicam,

pois é

essencialmente

utüüada em individual, por acordo

tudos, atividades públicas —, ou que deviam trabalhar menos por

razoes

de saúde. Mais re-

centemente, dois outros motivos

pessoas que trabalham numa mesma empresa e tal fórmula

pode

representar

uma

opção

oferecida permanentemente ao pessoal.

Até agora, é, sobretudo, no setor público que foram feitas

experiências deste gênero.

Na

escala dos Estados, a Califór

nia,'Massachusetts, Maryland e

cessidade de prever um perío

mais tempo livre (7) e a ne

Wiscoisin executam atualmente projetos pilotos, O núraero dos trabalhadores visados

do de transição antes da apo-

é compreendido entre 50 e 2.057.

apareceram:

0 desejo de

ter

sentadoria.

Nesses quatro anos, os em

o

Uma lei oferecendo aos traba lhadores a possibilidade de

tária através de acordo entre trabalhadores e empregadores.

tada pelas autoridades federais

Conta-se assim entre eles pos

e do Oregon.

empregador.

Na origem, o trabalho de tempo parcial era considerado como um res

.

mas

“assunto de mulheas ooiniôes

a

este

respeito evoluiram na medida

em que a estrutura familiar e 0 modo de vida começavam a permitir aos homens considerar seriamente a possibilidade de

trabalhar em tempo parcial, e

Na Suécia, a partilha doa empregos foi praticada

N„ Re,„„ Unido, o„ T.S eTáío°g^^T»“oÍ'd'o”'S,“C

21^ If diversos barwus há alguns anos. Um projôfo do lel vlsartdo autorizar a partilha de postos de insUto^or foi recenlomente colocado 8ede-Wurtemberg.

Os primeiros a se interessarem pela partilha dos empregos fo ram homens e mulheres que ti nham obrigações imperiosas fora de sua atividade profissio nal remunerada — família, es

seu

(6)

parlamento de

até mesmo a incitá-los a isso.

pregos

Jeremy Main; "Go6d jobs are beginnino to 90 part-tJriie". Monay (Chicago), outubro de 1977.

no

107

ECONÔMICO

base direto entre os interessados e

(5)

graní, IJa

DIGESTO

mais

diversos

foram

objeto de uma partilha volun

tos de engenheiro civil, de ad ministrador de pessoal, de con

selheiro para a saúde mental, de professor, de técnicos de la boratório, de diretor de progra

mas, de controlador. Diante do

interesse crescente concedido a esta fórmula, é, às vezes,

ex-

perimentada atualmente por um número bastante grande de 17)

optar pelo horário de trabalho

reduzido foi recentemente ado

e pelas dos Estados do Hawai Várias cidades, condados e

circunscrições escolares permi tem, também, a certos membros

de seu pessoal escolher a par tilha ou 0 fracionamento de seu posto,

Paralelamente,

a voga

deste sistema estende-se no se

tor privado e muitas grandes

sociedades têm recorrido a ele

Daniel Yankelovich ("The new psyt-hological contracts

at work". Psychology Today (De! «locava a

(Califórnia! maio de 1978h%evela uma pesquisa de 1977 na qual

questão seguinte: "O que é que dá mais sentido à sua vida: sua ou seus lazeres?" Vinte e sete por cento dos homens interrogados tinha respondido "Meus

lazeres".


106

DIGESTO ECONÔMICO

desta

tendência:

um

número

mite aos empregadores respon

crescente de mulheres desejo

der à demanda dos trabalhado

sas

res desejosos de reduzirem seu

de

terem

uma

atividade

profissional, afastamento cres cente éntre as aspirações dos trabalhadores e a natureza de seu trabalho, preferência cada vez mais acentuada pelo tempo livre com relação ao trabalho e à remuneração. O aumento do número de trabalhadores em

tempo parcial foi acompanhado de uma mudança no plano qua

litativo. Pessoas

com qualifi

cações superiores manifestam atualmente cada vez maior in teresse por esta fórmula. Um

recente artigo de revista traça va 0 retrato de um analista-

planíficador, de um professor universitário e de um autuário

que,

todos,

trabalhavam,

no

máximo, vinte e cinco horas por semana (5). Mas as

possi-

bilidades de emprego de tempo parcial

permanecem muito

li

mitadas para esta categoria de pessoas e, em número crescen

te de casos, o sistema da par tilha dos empregos é que per¬

horário.

2. A utilização atual do slatema na

América do Norte

Esta fórmula não é desco

nhecida

na Europa,

sobretudo nos

mas foi

Estados Unidos

e, em medida menor, no Ca nadá que foi experimentada (6). Não se possuem dados quanto ao número exato dos trabalha

dores que a aplicam,

pois é

essencialmente

utüüada em individual, por acordo

tudos, atividades públicas —, ou que deviam trabalhar menos por

razoes

de saúde. Mais re-

centemente, dois outros motivos

pessoas que trabalham numa mesma empresa e tal fórmula

pode

representar

uma

opção

oferecida permanentemente ao pessoal.

Até agora, é, sobretudo, no setor público que foram feitas

experiências deste gênero.

Na

escala dos Estados, a Califór

nia,'Massachusetts, Maryland e

cessidade de prever um perío

mais tempo livre (7) e a ne

Wiscoisin executam atualmente projetos pilotos, O núraero dos trabalhadores visados

do de transição antes da apo-

é compreendido entre 50 e 2.057.

apareceram:

0 desejo de

ter

sentadoria.

Nesses quatro anos, os em

o

Uma lei oferecendo aos traba lhadores a possibilidade de

tária através de acordo entre trabalhadores e empregadores.

tada pelas autoridades federais

Conta-se assim entre eles pos

e do Oregon.

empregador.

Na origem, o trabalho de tempo parcial era considerado como um res

.

mas

“assunto de mulheas ooiniôes

a

este

respeito evoluiram na medida

em que a estrutura familiar e 0 modo de vida começavam a permitir aos homens considerar seriamente a possibilidade de

trabalhar em tempo parcial, e

Na Suécia, a partilha doa empregos foi praticada

N„ Re,„„ Unido, o„ T.S eTáío°g^^T»“oÍ'd'o”'S,“C

21^ If diversos barwus há alguns anos. Um projôfo do lel vlsartdo autorizar a partilha de postos de insUto^or foi recenlomente colocado 8ede-Wurtemberg.

Os primeiros a se interessarem pela partilha dos empregos fo ram homens e mulheres que ti nham obrigações imperiosas fora de sua atividade profissio nal remunerada — família, es

seu

(6)

parlamento de

até mesmo a incitá-los a isso.

pregos

Jeremy Main; "Go6d jobs are beginnino to 90 part-tJriie". Monay (Chicago), outubro de 1977.

no

107

ECONÔMICO

base direto entre os interessados e

(5)

graní, IJa

DIGESTO

mais

diversos

foram

objeto de uma partilha volun

tos de engenheiro civil, de ad ministrador de pessoal, de con

selheiro para a saúde mental, de professor, de técnicos de la boratório, de diretor de progra

mas, de controlador. Diante do

interesse crescente concedido a esta fórmula, é, às vezes,

ex-

perimentada atualmente por um número bastante grande de 17)

optar pelo horário de trabalho

reduzido foi recentemente ado

e pelas dos Estados do Hawai Várias cidades, condados e

circunscrições escolares permi tem, também, a certos membros

de seu pessoal escolher a par tilha ou 0 fracionamento de seu posto,

Paralelamente,

a voga

deste sistema estende-se no se

tor privado e muitas grandes

sociedades têm recorrido a ele

Daniel Yankelovich ("The new psyt-hological contracts

at work". Psychology Today (De! «locava a

(Califórnia! maio de 1978h%evela uma pesquisa de 1977 na qual

questão seguinte: "O que é que dá mais sentido à sua vida: sua ou seus lazeres?" Vinte e sete por cento dos homens interrogados tinha respondido "Meus

lazeres".


108

DIGESTO ECONÔMICO

109

DIGESTO ECONÔMICO

(8). Entretanto, neste setor, só

partilha do tempo de trabalho,

pregador

um número restrito de assala riados trabalham nestas condi

da tarefa e da remuneração.

conjunto. É no círculo dos ami

ções e, quando se pratica a partilha dos empregos, é geral mente na sequência de negocia ções individuais mais do que a título de solução oferecida ao conjunto do pessoal, como é o caso no setor público.

 formação da equipo

3.

Os métodos de pariiiha dos empregos

As equipes de trabalhadores, em caso de partilha de cargo, são

constituídas

que

têm,

análogas

por

pessoas

seja qualificações — no fracionamento seja

complementares, neste

Os elementos essenciais a

estudar são, em l.o lugar, a formação da equipe, conside rando o modo pelo qual as qua lificações e a experiência de

cada um dos interessados se completam umas às outras cor-

respondendo às exigências do emprego; em segundo lugar. a (8)

Entre

da equipe é muito variável: po

de colaboração até uma coordenação muito intensa. (9). Co mo a idéia da partilha quase

sempre

dos

formadas do seguinte modo: o trabalhador desejoso de utilizar

esta fórmula, procura ele pró prio, um parceiro, depois os in teressados apresentam

ao

em-

as empresas privadas que praticam a partilha dos postos, pode-se citar notadaHewle.,.P»k.,d (cienecessitam

pouca cola-

boraçao ou nenhuma colaboraçao. daqueles que exigem uma coordenação muito grande entre os membros da equipe, acabou-se por adotar o termo ■‘fracionamento” para de

signar os casos em que o emprego é pura e simplesmente partilhado um emprego de

tempo Integral

dando nascimento a dois empregos

temjio

em dois postos, de

tempo

unicamente

entre traba

lhadores que prefiram traba lhar em tempo parcial, e te nham, entre si, certas afinida des que permitam boa colabo ração

nos

casos

de

empre

gos que exijam coordenação.

vem

assalaria

dos, as equipes são geralmente

(9) A fim_ de diferenciar os empregos facilmente partüháveis, que

em

fazer

sobre

de ir da ausência quase total

dos.

trabalho

caso

tes, iguais ou não, entre duas normaliza

procuram

qualificações a partilha

a tarefa a realizar, O grau de colaboração entre os membros

estão

gas, ou através de um anúncio, que se encontra um parceiroTem acontecido, entretanto que 0 empregador mesmo for ma equipes com pessoas que parcial. Qualquer que seja o método utilizado, dois fatos pre cisam ser levados cm considelaçào: o recrutamento deve se

interessa, então, o tempo de serviço

versando,

não

em

gos, dos parentes ou dos cole

Os métodos que permitem reorganizar um posto de tempo integral fracionando-o em par pessoas

sua candidatura

parcial.

Por “partilha , visa-se o caso em que duas pessoas são responsáveis conjuntamente pelo total de um posto único de tempo Integral.

O tempo de trabalho, a tarefa e a remuneração

Quando se trata de repartir 0 tempo de trabalho, a tarefa,

a remuneração e as vantagens

sociais, è preciso, evidentemen-

te, levar em conta a natureza do trabalho a ser efetuado e as necessidades dos assalariados, procurando sempre tirar o me

lhor partido possível das quali

ficações e da experiência com binadas daqueles que partilham um

cargo.

Pode-se dividir a semana de trabaiho de diversos modos:

dia de trabalho e um dia uma meia jornada de trabalho e uma meia jorna Mas da livre, por exemplo,

um

livre, ou

pode-se também prever um sis tema de rotação aumentado, de modo a que cada um dos mem bros da equipe trabalhe um mês em dois, que se revezem de seis em seis meses, etc.

Qualquer que seja o sistema escolhido, é preciso que respon da ao mesmo tempo às neces sidades do trabalho e às neces

sidades dos trabalhadores. Cargos

que

continuidade

supoe

muito longa não deve ser par

tilhado em meios períodos. O trabalhador que deseja reduzir seu horário para ter mais tem

po para consagrar a seus filhos, evidentemente,

não

podería,

rosos

trabalhadores

trabalhar em período integral um mês em cada dois. Numede tempo

reduzido têm horários flexíveis eles estabelessem por duas ou quatro semanas, reorgani-

que

zando-os em função das exigên cias do trabalho.

Para a divisão das tarefas,

é preciso que os dois parceiros considerem as funções ligadas


108

DIGESTO ECONÔMICO

109

DIGESTO ECONÔMICO

(8). Entretanto, neste setor, só

partilha do tempo de trabalho,

pregador

um número restrito de assala riados trabalham nestas condi

da tarefa e da remuneração.

conjunto. É no círculo dos ami

ções e, quando se pratica a partilha dos empregos, é geral mente na sequência de negocia ções individuais mais do que a título de solução oferecida ao conjunto do pessoal, como é o caso no setor público.

 formação da equipo

3.

Os métodos de pariiiha dos empregos

As equipes de trabalhadores, em caso de partilha de cargo, são

constituídas

que

têm,

análogas

por

pessoas

seja qualificações — no fracionamento seja

complementares, neste

Os elementos essenciais a

estudar são, em l.o lugar, a formação da equipe, conside rando o modo pelo qual as qua lificações e a experiência de

cada um dos interessados se completam umas às outras cor-

respondendo às exigências do emprego; em segundo lugar. a (8)

Entre

da equipe é muito variável: po

de colaboração até uma coordenação muito intensa. (9). Co mo a idéia da partilha quase

sempre

dos

formadas do seguinte modo: o trabalhador desejoso de utilizar

esta fórmula, procura ele pró prio, um parceiro, depois os in teressados apresentam

ao

em-

as empresas privadas que praticam a partilha dos postos, pode-se citar notadaHewle.,.P»k.,d (cienecessitam

pouca cola-

boraçao ou nenhuma colaboraçao. daqueles que exigem uma coordenação muito grande entre os membros da equipe, acabou-se por adotar o termo ■‘fracionamento” para de

signar os casos em que o emprego é pura e simplesmente partilhado um emprego de

tempo Integral

dando nascimento a dois empregos

temjio

em dois postos, de

tempo

unicamente

entre traba

lhadores que prefiram traba lhar em tempo parcial, e te nham, entre si, certas afinida des que permitam boa colabo ração

nos

casos

de

empre

gos que exijam coordenação.

vem

assalaria

dos, as equipes são geralmente

(9) A fim_ de diferenciar os empregos facilmente partüháveis, que

em

fazer

sobre

de ir da ausência quase total

dos.

trabalho

caso

tes, iguais ou não, entre duas normaliza

procuram

qualificações a partilha

a tarefa a realizar, O grau de colaboração entre os membros

estão

gas, ou através de um anúncio, que se encontra um parceiroTem acontecido, entretanto que 0 empregador mesmo for ma equipes com pessoas que parcial. Qualquer que seja o método utilizado, dois fatos pre cisam ser levados cm considelaçào: o recrutamento deve se

interessa, então, o tempo de serviço

versando,

não

em

gos, dos parentes ou dos cole

Os métodos que permitem reorganizar um posto de tempo integral fracionando-o em par pessoas

sua candidatura

parcial.

Por “partilha , visa-se o caso em que duas pessoas são responsáveis conjuntamente pelo total de um posto único de tempo Integral.

O tempo de trabalho, a tarefa e a remuneração

Quando se trata de repartir 0 tempo de trabalho, a tarefa,

a remuneração e as vantagens

sociais, è preciso, evidentemen-

te, levar em conta a natureza do trabalho a ser efetuado e as necessidades dos assalariados, procurando sempre tirar o me

lhor partido possível das quali

ficações e da experiência com binadas daqueles que partilham um

cargo.

Pode-se dividir a semana de trabaiho de diversos modos:

dia de trabalho e um dia uma meia jornada de trabalho e uma meia jorna Mas da livre, por exemplo,

um

livre, ou

pode-se também prever um sis tema de rotação aumentado, de modo a que cada um dos mem bros da equipe trabalhe um mês em dois, que se revezem de seis em seis meses, etc.

Qualquer que seja o sistema escolhido, é preciso que respon da ao mesmo tempo às neces sidades do trabalho e às neces

sidades dos trabalhadores. Cargos

que

continuidade

supoe

muito longa não deve ser par

tilhado em meios períodos. O trabalhador que deseja reduzir seu horário para ter mais tem

po para consagrar a seus filhos, evidentemente,

não

podería,

rosos

trabalhadores

trabalhar em período integral um mês em cada dois. Numede tempo

reduzido têm horários flexíveis eles estabelessem por duas ou quatro semanas, reorgani-

que

zando-os em função das exigên cias do trabalho.

Para a divisão das tarefas,

é preciso que os dois parceiros considerem as funções ligadas


lio

DIGE6TO

ECONÔMICO

111

DIGESTO ECONÔMICO

ao cargo e as competência5 exi gidas em função das respectivas qualificações e experiência, ve rificando os pontos fortes e os

receber, calculando-se as par tes de cada um em proporção da remuneração corresponden te ao nível em que se encon

também, o direito de se bene ficiarem das vantagens sociais. Alguns empregadores começa

pontos fracos de cada um.

tram.

vantagens que concediam ao seu pessoal de tempo integral, estimando que as despesas su plementares disso resultantes

0

ideal seria que se pusessem de acordo sobre uma repartição equitativa das tarefas, levando em conta as possibilidades de adquirirem novas qualificações, enquanto

utilizariam

da

me

lhor maneira possível as apti dões pessoais de cada um. Os tilham

trabalhadores que par um cargo não perce

bem sempre uma remuneração igual. O inverso é até bastante comum, notadamente quando um trabalhador que tem uma longa experiência profissional, forma equipe com um jovem

colega, ou quando existe uma nítida diferença quanto ao nível de estudos ou de qualificação.

No ensino, a partilha dos car gos se faz frequentemente, en tre um mestre idoso e experi mentado e professor que come ça sua carreira. Como, nos Es

A partilha das vantagens so ciais, que representam geral mente

mais

de 25% dos

nhos, é uma fonte de dificulda

des para numerosos emprega dores dos Estados Unidos. Seu

financiamento

é

assegurado,

em grande parte, pelo empre gador e compreende, especial mente, o seguro de saúde, o se guro de desemprego, as pen

fidelidade dos assalariados pa

ra com a empresa. Outros em pregadores concedem vanta

gens proporcionais quando is to é possível. Neste caso, o em

pregador paga

a metade

do

sões de aposentadoria, as fé

ça, assim como o seguro social

de para que a proteção

rias anuais e a Ucença por doen

propriamente dito (quer dizer um regime federal de seguros para a velhice, desemprego e

invalidez, destinado a diversas categorias de assalariados e de

pessoas deles dependentes, fi nanciado conjuntamente pelo assalariado e pelo governo fe deral). Até uma data recente,

tados Unidos, este pessoal é renumerado segundo uma tabela progressiva que considera o ní

às vantagens garantidas pela lei. Entretanto, na medida em

fessores rateiam o montante a

seriam compensadas por maior

montante da cotização e o tra balhador de tempo parcial to

a maioria dos trabalhadores de tempo parcial só tinha direito

vel de estudos e anos de expe riência, cada um dos dois pro

ram a oferecer-lhes as mesmas

que este modo de trabalho se

generalizou,

percebeu-se

que

aqueles que o adotavam tínlíam

a um preço tão baixo quanto

possível, ocupa o primeiro pla no. Este problema, deverá ser regulado equitativamente, tanto para o empregador quanto pa ra os trabalhadores interessa dos, caso se queira que a ten dência a uma redução sensível do tempo de trabalho persista. 4. A partilha dos cargos e os empregadores

A partilha dos cargos, como

já dissemos, é essencialmente uma iniciativa vinda dos tra balhadores. Os empregadores

sejã

reagiram de modo muito dife rente, segundo os casos, indo de uma rejeição pura e sim

Há também a fórmula “lí-

ples a uma aceitação pruden te. O pouco entusiasmo mani

ma a seu cargo a outra meta completa.

vre-serviço”, na qual o traba

lhador escolhe algumas vanta gens, cujo custo varia em fun ção do número de horas de tra balho. O interessado pode, as sim, optar pelas prestações que

correspondem às suas necessi dades; se já for protegido pe lo seguro de doença do seu par

festado pela maioria dos em

pregadores com relação a este sistema deve-se a diversas ra

zões: 1) medo de ver o efeti

vo de seu pessoal aumentar bruscamente em proporções ex cessivas; 2) preocupações quan

to ao encargo assumido

das

ceiro, poderá, por exemplo, es

responsabilidades profissionais;

colher o seguro de vida. Em toda a questão da par tilha dos empregos, a maneira de assegurar prestações sociais

risca aumentar as despesas fi

3) repugnância em adotar uma mudança que, a seus olhos, ar xas, sem oferecer lucros equi-


lio

DIGE6TO

ECONÔMICO

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DIGESTO ECONÔMICO

ao cargo e as competência5 exi gidas em função das respectivas qualificações e experiência, ve rificando os pontos fortes e os

receber, calculando-se as par tes de cada um em proporção da remuneração corresponden te ao nível em que se encon

também, o direito de se bene ficiarem das vantagens sociais. Alguns empregadores começa

pontos fracos de cada um.

tram.

vantagens que concediam ao seu pessoal de tempo integral, estimando que as despesas su plementares disso resultantes

0

ideal seria que se pusessem de acordo sobre uma repartição equitativa das tarefas, levando em conta as possibilidades de adquirirem novas qualificações, enquanto

utilizariam

da

me

lhor maneira possível as apti dões pessoais de cada um. Os tilham

trabalhadores que par um cargo não perce

bem sempre uma remuneração igual. O inverso é até bastante comum, notadamente quando um trabalhador que tem uma longa experiência profissional, forma equipe com um jovem

colega, ou quando existe uma nítida diferença quanto ao nível de estudos ou de qualificação.

No ensino, a partilha dos car gos se faz frequentemente, en tre um mestre idoso e experi mentado e professor que come ça sua carreira. Como, nos Es

A partilha das vantagens so ciais, que representam geral mente

mais

de 25% dos

nhos, é uma fonte de dificulda

des para numerosos emprega dores dos Estados Unidos. Seu

financiamento

é

assegurado,

em grande parte, pelo empre gador e compreende, especial mente, o seguro de saúde, o se guro de desemprego, as pen

fidelidade dos assalariados pa

ra com a empresa. Outros em pregadores concedem vanta

gens proporcionais quando is to é possível. Neste caso, o em

pregador paga

a metade

do

sões de aposentadoria, as fé

ça, assim como o seguro social

de para que a proteção

rias anuais e a Ucença por doen

propriamente dito (quer dizer um regime federal de seguros para a velhice, desemprego e

invalidez, destinado a diversas categorias de assalariados e de

pessoas deles dependentes, fi nanciado conjuntamente pelo assalariado e pelo governo fe deral). Até uma data recente,

tados Unidos, este pessoal é renumerado segundo uma tabela progressiva que considera o ní

às vantagens garantidas pela lei. Entretanto, na medida em

fessores rateiam o montante a

seriam compensadas por maior

montante da cotização e o tra balhador de tempo parcial to

a maioria dos trabalhadores de tempo parcial só tinha direito

vel de estudos e anos de expe riência, cada um dos dois pro

ram a oferecer-lhes as mesmas

que este modo de trabalho se

generalizou,

percebeu-se

que

aqueles que o adotavam tínlíam

a um preço tão baixo quanto

possível, ocupa o primeiro pla no. Este problema, deverá ser regulado equitativamente, tanto para o empregador quanto pa ra os trabalhadores interessa dos, caso se queira que a ten dência a uma redução sensível do tempo de trabalho persista. 4. A partilha dos cargos e os empregadores

A partilha dos cargos, como

já dissemos, é essencialmente uma iniciativa vinda dos tra balhadores. Os empregadores

sejã

reagiram de modo muito dife rente, segundo os casos, indo de uma rejeição pura e sim

Há também a fórmula “lí-

ples a uma aceitação pruden te. O pouco entusiasmo mani

ma a seu cargo a outra meta completa.

vre-serviço”, na qual o traba

lhador escolhe algumas vanta gens, cujo custo varia em fun ção do número de horas de tra balho. O interessado pode, as sim, optar pelas prestações que

correspondem às suas necessi dades; se já for protegido pe lo seguro de doença do seu par

festado pela maioria dos em

pregadores com relação a este sistema deve-se a diversas ra

zões: 1) medo de ver o efeti

vo de seu pessoal aumentar bruscamente em proporções ex cessivas; 2) preocupações quan

to ao encargo assumido

das

ceiro, poderá, por exemplo, es

responsabilidades profissionais;

colher o seguro de vida. Em toda a questão da par tilha dos empregos, a maneira de assegurar prestações sociais

risca aumentar as despesas fi

3) repugnância em adotar uma mudança que, a seus olhos, ar xas, sem oferecer lucros equi-


112

DIGESTO

valentes. Entretanto, diante da multiplicação das experiências bem sucedidas de partilha de

cargos, a resistência dos ' em pregadores enfraqueceu. Verifi cou-se, com efeito, que este sis diversas tema proporcionava vantagens às empresas, o que instaurou um clima favorável à sua extensão e a novas ten tativas.

As vantagens para a empresa

Os fatos que começam a aparecer, e diversos estudos que os demonstram, estão re

velando vários lados vantajo sos que a partilha de empregos apresenta para a empresa (10).

Eis algumas destas vantagens. “Mais flexibilidade no esta belecimento dos horários de trabalho”. M. Miller, que cita mos em destaque, se exprime como segue, a respeito de seus

assessores de tempo parcial: “Sou a única representante de um Estado que tem um asses(10J Enfre outros estudos sobre a partilha

ECONÔMICO

sor administrativo em dois lu

gares mesmo tempo. Em período de grande atividade, beneficio-me da ajuda em tem po integral de duas pessoas competentes. Quando não há nada a fazer, nenhuma das duas vem trabalhar (11)". De fato, em vários empregos, pe

113

com relação a horários mais rígidos. Possibilidade

pessoal

de

manter

de boa qualidade". As

tarefas domésticas, a necessi

dade de acabar ou de prosse guir estudos, o desejo de ter mais tempo livre são fatores

ríodos de atividade intensa são

Que, em conjunto, fizeram em

seguidos de períodos vazios, e 0 sistema da partilha permite

pregadores perder pessoal com

utilizar

engajamento e a formação de

mais

eficazmente

o

tempo de trabalho do pessoal. Dispondo de equipes de dois trabalhadoBes, os empregado res podem, seja reorganizar os horários de modo a que am bos estejam presentes nas ho ras em que o volume de traba

lho é importante, seja prolon gar a duração do serviço, pro porcionando um intervalo entre as

horas

de

trabalho

de cada

um. Uma vez qu.; uma porcen tagem

crescente

da

mão-de-

obra se ocupa no setor de ser viços, a partilha dos cargos apresenta nítidas vantagens

de cargos que revelam as vantagens que esta fórmula apresenta para a empresa, mencionaremos Stanford University Action Research Lialson Office: Job sharing in municipal government (Stanford (Califórnia), 1975); Parttlme social workers In public welfare (New York, Catalyst lnc„ 1971); Hawail Legislative Reference Bureau: The feasjbllity of job sfiaring by public employees In Hawail (Honolulu. 1977), e GretI Meier: Job sharing; a new pattern for quaílty of work and life (Kaiamazoo (Michigan), W. E. Upjohn Institute for Employment Research, 1979).

(11) Miller, op. cit.. p. .270.

DIGESTO ECONÔMICO

0 qual estavam pessoal

satisfeitos. O

tornam-se caros. Mui

tos chefes de empresa estão verificando que o recurso à partilha dos empregos é um

meio novo para conservar tra

balhadores que, em razão de

obrigações muito pesadas —

tarefas

caseiras

somadas

à

vida profissional, por exemplo — devem reduzir seu

horário

de trabalho. "Diminuição do absenteismo". A maioria dos emprega

dores interrogados por ocasião das pesquisas feitas por “New Ways to Work” (12) assinalam uma redução do absenteismo ontre os trabalhadores que par.

tilham um cargo. O trabalho permanente cm tempo parcial permite, geralmente aos inte

ressados,

disporem

de

mais

tempo para suas atividades pessoais e para enfrentar ou tras obrigações. Diversos índi ces mostram, também, que es tes

trabalhadores

instáveis

(13).

Isto

são

menos

se

deve,

sem dúvida, ao fato de que as

possibilidades de emprego per manente de tempo parcial são muito

restritas.

trabalham

Aqueles

atualmente

que

nestas

condições escolheram a fórmula porque responde às suas neces sidades. e não ignoram a difi culdade que teriam para en contrar outro emprego do mes mo gênero. "Continuidade do rendimen

to profissional". Se um dos tra balhadores que partilham um emprego deixa seu posto ou se ausenta em virtude de acidente ou de longa doença, seu com

panheiro de equipe pode traba lhar em tempo integral até sua volta

ou

até

ser

substituído.

M2) Nevv Ways to Work é um organismo sem finalidade lucrativa, cujo ob)etivo é melhorar a qualidade da vida profissional e desenvolver es possibilidades de emprego experi

mentando novos métodos no campo do trabalho. Foi fundado em 1972 pelo autor e por

doia de seus colegas.

(13) Part-tlme social workers )n public welfare. op. cit., p. 13.


112

DIGESTO

valentes. Entretanto, diante da multiplicação das experiências bem sucedidas de partilha de

cargos, a resistência dos ' em pregadores enfraqueceu. Verifi cou-se, com efeito, que este sis diversas tema proporcionava vantagens às empresas, o que instaurou um clima favorável à sua extensão e a novas ten tativas.

As vantagens para a empresa

Os fatos que começam a aparecer, e diversos estudos que os demonstram, estão re

velando vários lados vantajo sos que a partilha de empregos apresenta para a empresa (10).

Eis algumas destas vantagens. “Mais flexibilidade no esta belecimento dos horários de trabalho”. M. Miller, que cita mos em destaque, se exprime como segue, a respeito de seus

assessores de tempo parcial: “Sou a única representante de um Estado que tem um asses(10J Enfre outros estudos sobre a partilha

ECONÔMICO

sor administrativo em dois lu

gares mesmo tempo. Em período de grande atividade, beneficio-me da ajuda em tem po integral de duas pessoas competentes. Quando não há nada a fazer, nenhuma das duas vem trabalhar (11)". De fato, em vários empregos, pe

113

com relação a horários mais rígidos. Possibilidade

pessoal

de

manter

de boa qualidade". As

tarefas domésticas, a necessi

dade de acabar ou de prosse guir estudos, o desejo de ter mais tempo livre são fatores

ríodos de atividade intensa são

Que, em conjunto, fizeram em

seguidos de períodos vazios, e 0 sistema da partilha permite

pregadores perder pessoal com

utilizar

engajamento e a formação de

mais

eficazmente

o

tempo de trabalho do pessoal. Dispondo de equipes de dois trabalhadoBes, os empregado res podem, seja reorganizar os horários de modo a que am bos estejam presentes nas ho ras em que o volume de traba

lho é importante, seja prolon gar a duração do serviço, pro porcionando um intervalo entre as

horas

de

trabalho

de cada

um. Uma vez qu.; uma porcen tagem

crescente

da

mão-de-

obra se ocupa no setor de ser viços, a partilha dos cargos apresenta nítidas vantagens

de cargos que revelam as vantagens que esta fórmula apresenta para a empresa, mencionaremos Stanford University Action Research Lialson Office: Job sharing in municipal government (Stanford (Califórnia), 1975); Parttlme social workers In public welfare (New York, Catalyst lnc„ 1971); Hawail Legislative Reference Bureau: The feasjbllity of job sfiaring by public employees In Hawail (Honolulu. 1977), e GretI Meier: Job sharing; a new pattern for quaílty of work and life (Kaiamazoo (Michigan), W. E. Upjohn Institute for Employment Research, 1979).

(11) Miller, op. cit.. p. .270.

DIGESTO ECONÔMICO

0 qual estavam pessoal

satisfeitos. O

tornam-se caros. Mui

tos chefes de empresa estão verificando que o recurso à partilha dos empregos é um

meio novo para conservar tra

balhadores que, em razão de

obrigações muito pesadas —

tarefas

caseiras

somadas

à

vida profissional, por exemplo — devem reduzir seu

horário

de trabalho. "Diminuição do absenteismo". A maioria dos emprega

dores interrogados por ocasião das pesquisas feitas por “New Ways to Work” (12) assinalam uma redução do absenteismo ontre os trabalhadores que par.

tilham um cargo. O trabalho permanente cm tempo parcial permite, geralmente aos inte

ressados,

disporem

de

mais

tempo para suas atividades pessoais e para enfrentar ou tras obrigações. Diversos índi ces mostram, também, que es tes

trabalhadores

instáveis

(13).

Isto

são

menos

se

deve,

sem dúvida, ao fato de que as

possibilidades de emprego per manente de tempo parcial são muito

restritas.

trabalham

Aqueles

atualmente

que

nestas

condições escolheram a fórmula porque responde às suas neces sidades. e não ignoram a difi culdade que teriam para en contrar outro emprego do mes mo gênero. "Continuidade do rendimen

to profissional". Se um dos tra balhadores que partilham um emprego deixa seu posto ou se ausenta em virtude de acidente ou de longa doença, seu com

panheiro de equipe pode traba lhar em tempo integral até sua volta

ou

até

ser

substituído.

M2) Nevv Ways to Work é um organismo sem finalidade lucrativa, cujo ob)etivo é melhorar a qualidade da vida profissional e desenvolver es possibilidades de emprego experi

mentando novos métodos no campo do trabalho. Foi fundado em 1972 pelo autor e por

doia de seus colegas.

(13) Part-tlme social workers )n public welfare. op. cit., p. 13.


DIGESTO ECONÔMICO

114

Assim, quando a co-diretora de um escritório de ligação da Universidade Stanford foi hos

pitalizada em consequência de um acidente durante período do maior trabalho, seu homólogo assumiu sozinho a direção do escritório. Ficou em contato estreito com a colega até que

ela pudesse voltar ao trabalho. Logo a seguir, pôde tomar férias compensatórias, enquan to sua colega trabalhava em

tempo completo. Tais trocas-de serviços são coisas correntes nas equipes de trabalhadores de tempo parcial e são vantajosas, tanto para os interessados, co mo para a empresa que os em

prega.

dizia de um certo cargo, “é melhor que ele seja exercido

cargos

maior interesse tanto para os empregadores como para os responsáveis por decisões, pe

'^Recrutamento do pessoal em base mais ampla". (15) Há mui tos anos que a economia ame ricana sofre de um desempre

go bastante elevado, falta-lhe, porém, mão-de-obra para cer tas categorias de serviço e pa ra certos pontos do território. Foi assim que a firma de pro dutos farmacêuticos da qual se tratou no exemplo que aca bamos de dar, experimentou o sistema de partilha dos empre

ra manter um rendimento ele

que mudava constantemente de

vado durante uma semana

titular. O sistema foi, além dis

no

traba

lho" (14). Os traljalhadores têm de

quarenta horas, notadamcnte aqueles que desempenham ta

refas muito absorventes ou, ao contrário, aqueles cujo traba lho é muito monótono. Como um administrador do pessoal

"Opções para os trabalha

dores Idosos". A partilha dos

nada apaixonante; cada uma delas pode consagrar-lhe mais energia, trabalhando apenas quatro horas por dia”.

frequentemente dificuldades pa

energia

115

por duas pessoas, pois não é

gos porque tinha dificuldade de prover um cargo de escriturário de nível pouco elevado

"Maior

DIGESTO ECONÔMICO

so,

utilizado

com

êxito

para

postos que exigem dos titula res um leque excepcional de qualificações ou que impõem um horário particularmente apertado.

apresenta,

cada

vez

lo fato das possibilidades que oferece de proporcionar um pe ríodo de transição para os tra balhadores de certa idade. O

problema da retirada progres siva ou "à Ia carte" revela sua

importância na medida em que a validade do princípio da apo sentadoria obrigatória é con testada (16). O dilema que se

coloca para os empregadoires é 0 de conciliar a preocupação de manter no lugar os velhos trabalhadores com a necessi

dade de recrutar jovens dota dos de uma energia intacta e de qualificações que corres pondam a novas necessidades.

Foi proposto, a título de novo tipo de aprendizagem, fazer trabalhar um jovem em equipe com um trabalhador mais ve lho.

um novo, é preciso proceder a certas mudanças ou adaptações como acontece quando se re corre à partilha dos cargos. Este sistema está apenas se iniciando e é aplicado sob for mas

bastante

diferentes.

Os

principais campos que pedem adaptação são os seguintes: Apreciação do pessoal". Quando se trata de fazer um

julgamento sobre o pessoal, al guns chefes consideram sepa radamente 0 rendimento de ca

da um dos trabalhadores que

partilham um cargo, outros le vam em conta

o trabalho da

equipe e outros, ainda, fazem simultaneamente apelo aos dois métodos. O importante, é que 0^ método

de

avaliação

seja

adaptado à situação e que tan to os

trabalhadores que cons

tituem a equipe como seu che fe possam estimar corretamen te os resultados obtidos e fixar os objetivos a atingir. "Volta ao trabalho em tem

po Integral". Certos emprega

As adaptações necessárias da organização

dores que partilham um cargo

dores garantem aos trabalha

tes de tempo parcial e trabalhadores de tempo integral, mas numeroaos empregadores Interrogados no quadro das pesquisas feitas em New Ways to Work declaram que a

Quando se modifica um sis

a possibilidade de trabalharem

tema de trabalho, ou se adota

novamente em tempo integral

uma maior energia para o trabalho corresponde uma produtividade mais elevada e uma melhor qualidade do trabalho.

(^8) Uma lel federal recente determinou em 70 anos a Idade obrigatória da aposentadoria, a

(14) Nio se possuem dados sobre os rendimentos

(15) Gadon e Cohen, op. eit., p. 78.

respectivos dos trabalhadores permanen

partir de Janeiro de

1979.


DIGESTO ECONÔMICO

114

Assim, quando a co-diretora de um escritório de ligação da Universidade Stanford foi hos

pitalizada em consequência de um acidente durante período do maior trabalho, seu homólogo assumiu sozinho a direção do escritório. Ficou em contato estreito com a colega até que

ela pudesse voltar ao trabalho. Logo a seguir, pôde tomar férias compensatórias, enquan to sua colega trabalhava em

tempo completo. Tais trocas-de serviços são coisas correntes nas equipes de trabalhadores de tempo parcial e são vantajosas, tanto para os interessados, co mo para a empresa que os em

prega.

dizia de um certo cargo, “é melhor que ele seja exercido

cargos

maior interesse tanto para os empregadores como para os responsáveis por decisões, pe

'^Recrutamento do pessoal em base mais ampla". (15) Há mui tos anos que a economia ame ricana sofre de um desempre

go bastante elevado, falta-lhe, porém, mão-de-obra para cer tas categorias de serviço e pa ra certos pontos do território. Foi assim que a firma de pro dutos farmacêuticos da qual se tratou no exemplo que aca bamos de dar, experimentou o sistema de partilha dos empre

ra manter um rendimento ele

que mudava constantemente de

vado durante uma semana

titular. O sistema foi, além dis

no

traba

lho" (14). Os traljalhadores têm de

quarenta horas, notadamcnte aqueles que desempenham ta

refas muito absorventes ou, ao contrário, aqueles cujo traba lho é muito monótono. Como um administrador do pessoal

"Opções para os trabalha

dores Idosos". A partilha dos

nada apaixonante; cada uma delas pode consagrar-lhe mais energia, trabalhando apenas quatro horas por dia”.

frequentemente dificuldades pa

energia

115

por duas pessoas, pois não é

gos porque tinha dificuldade de prover um cargo de escriturário de nível pouco elevado

"Maior

DIGESTO ECONÔMICO

so,

utilizado

com

êxito

para

postos que exigem dos titula res um leque excepcional de qualificações ou que impõem um horário particularmente apertado.

apresenta,

cada

vez

lo fato das possibilidades que oferece de proporcionar um pe ríodo de transição para os tra balhadores de certa idade. O

problema da retirada progres siva ou "à Ia carte" revela sua

importância na medida em que a validade do princípio da apo sentadoria obrigatória é con testada (16). O dilema que se

coloca para os empregadoires é 0 de conciliar a preocupação de manter no lugar os velhos trabalhadores com a necessi

dade de recrutar jovens dota dos de uma energia intacta e de qualificações que corres pondam a novas necessidades.

Foi proposto, a título de novo tipo de aprendizagem, fazer trabalhar um jovem em equipe com um trabalhador mais ve lho.

um novo, é preciso proceder a certas mudanças ou adaptações como acontece quando se re corre à partilha dos cargos. Este sistema está apenas se iniciando e é aplicado sob for mas

bastante

diferentes.

Os

principais campos que pedem adaptação são os seguintes: Apreciação do pessoal". Quando se trata de fazer um

julgamento sobre o pessoal, al guns chefes consideram sepa radamente 0 rendimento de ca

da um dos trabalhadores que

partilham um cargo, outros le vam em conta

o trabalho da

equipe e outros, ainda, fazem simultaneamente apelo aos dois métodos. O importante, é que 0^ método

de

avaliação

seja

adaptado à situação e que tan to os

trabalhadores que cons

tituem a equipe como seu che fe possam estimar corretamen te os resultados obtidos e fixar os objetivos a atingir. "Volta ao trabalho em tem

po Integral". Certos emprega

As adaptações necessárias da organização

dores que partilham um cargo

dores garantem aos trabalha

tes de tempo parcial e trabalhadores de tempo integral, mas numeroaos empregadores Interrogados no quadro das pesquisas feitas em New Ways to Work declaram que a

Quando se modifica um sis

a possibilidade de trabalharem

tema de trabalho, ou se adota

novamente em tempo integral

uma maior energia para o trabalho corresponde uma produtividade mais elevada e uma melhor qualidade do trabalho.

(^8) Uma lel federal recente determinou em 70 anos a Idade obrigatória da aposentadoria, a

(14) Nio se possuem dados sobre os rendimentos

(15) Gadon e Cohen, op. eit., p. 78.

respectivos dos trabalhadores permanen

partir de Janeiro de

1979.


DIGESTO

118

quando desejarem. Outros dei xam a questão em suspenso, preferindo esperar e examinar as demandas deste gênero con

ECONÔMICO

siderando a situação, no mo mento em que elas se apresen

de emprego que procuram "um candidato para tempo integral ou dois candidatos para tempo parcial". Assim, o empregador não tem que aceitar antecipa damente a partilha do cargo;

tam.

por outro lado, isso reduz o ris

"Efetivo calculado por ca beça". Nos Estados Unidos, muitos empregadores do setor público como do setor priva do

têm

de

manter

em certos

limites o número de pessoas re lativas a um posto orçamentá rio determinado. É o que se poderia chamar "efetivo calcu lado por cabeça”. Se este prin cípio restritivo for aplicado nu ma empresa, sem que se possa

levar em conta

o número de

cargos de tempo integral, não será quase possível recorrer à fórmula da partilha (ou do fracionamento) dos empregos (17). "Métodos

de

recrutamen

to^'. Pensava-se, no começo, que seria difícil encontrar candida

co de ver pretendentes de em prego se apresentarem para um cargo parcial mesmo quan do preferem trabalhar em temí>o integral.

dos Unidos, os sindicatos ja

dos

mais

procuraram

sindicalizar

trabalhadores de tempo parcial ou aumentar as possibilidades de emprego deste gênero. Isto

se deve, em larga medida, ao fato de que, a seus olhos, a

maioria das pessoas não pode se permitir trabalhar somente

uma parte do tempo, sendo di fícil organizar a mão-de-obra te dos empregos de tempo par cial é mal reputada, mal remu nerada e não assegura aos tra

começam

a

superar

suas

começaram a introduzir certas

modificações que se impõem na sua organização. A partilha de trabalho

é

ainda

considerada

o

faz

e

considerando-se

que, por tradição, grande par

balhadores a proteção de que

Soza a maioria dos outros tra

balhadores. Entretanto, uma pressão exerceu-se da base, quer dizer de sindicalizados que trabalham em tempo inte

gral, mas que teriam preferido

como fórmula experimental, mas tem-se o direito de pensar que ela se vai tornar uma prá

ra

tica

quem sua atitude neste

cada

vez

mais corrente.

5.

sindicatos

emprego de tempo parcial, paque os sindicatos modifi cam

po. Percebe-se cada vez mais Os

e a

merosos

Em todos os países, o sin

(17) O projeto de

damente aqueles que fazem parte da União Internacional

res

hesitações. Tomaram consciên cia das diversas vantagens que a empresa podia retirar do sis tema da partilha de cargos e

partilha dos

empresa

tornam claro nas suas ofertas

servas em relação ao trabalho em tempo parcial. Nos Esta

que

sinou como se devia fazer. Nu

de

117

Pode-se, portanto, dizer, em resumo, que os empregado

tos desejosos de partilhar um cargo, mas a experiência en

chefes

DIGESTO ECONÔMICO

dicalismo tem

empregos

as maiores re-

aobre o emprego permanente de tempo parcial (outubro do 1978) prevS notadamente o recurso a um sistema de equivalôncias de tempo Integral em lugar do

que, 0 que é preciso melhorar não é a própria natureza des te tipo de trabalho, mas as con

dições nas quais é praticado. Certos sindicatos locais, nota-

Trabalhadores

Setor

dos Serviços (sigla inglesa S.E.I.U.), realizaram negocia

ções visando ao aumento do número de cargos susceptíveis de serem objeto de um fracionamento ou de uma partilha.

Um dirigente da S.E.I.U. decla rou recentemente que os tra balhadores de tempo parcial

representam atualmente

13%

do efetivo desta central e que

os responsáveis “mudaram de opinião a respeito da organizaçao

destes trabalhadores” (18).

No caso em que a questão

das possibilidades de emprego de tempo parcial deu lugar a negociações oficiais, as partes combinaram cláusulas que re conhecem . aos trabalhadores o

direito de continuarem a traba lhar em tempo integral se pre ferirem esta solução, e cuidam

de que os trabalhadores não sejam explorados. Os contra tos

acentuaram

os

seguintes

pontos: 1) o trabalho em tem

po parcial deve ser voluntário; 2) as escalas dos salários de base e as vantagens sociais de-

lei

determinado pelo calculo do efetivo por cabeça,

do

(18) Wall Street Journal (New York). 6 de outubro de 1978.


DIGESTO

118

quando desejarem. Outros dei xam a questão em suspenso, preferindo esperar e examinar as demandas deste gênero con

ECONÔMICO

siderando a situação, no mo mento em que elas se apresen

de emprego que procuram "um candidato para tempo integral ou dois candidatos para tempo parcial". Assim, o empregador não tem que aceitar antecipa damente a partilha do cargo;

tam.

por outro lado, isso reduz o ris

"Efetivo calculado por ca beça". Nos Estados Unidos, muitos empregadores do setor público como do setor priva do

têm

de

manter

em certos

limites o número de pessoas re lativas a um posto orçamentá rio determinado. É o que se poderia chamar "efetivo calcu lado por cabeça”. Se este prin cípio restritivo for aplicado nu ma empresa, sem que se possa

levar em conta

o número de

cargos de tempo integral, não será quase possível recorrer à fórmula da partilha (ou do fracionamento) dos empregos (17). "Métodos

de

recrutamen

to^'. Pensava-se, no começo, que seria difícil encontrar candida

co de ver pretendentes de em prego se apresentarem para um cargo parcial mesmo quan do preferem trabalhar em temí>o integral.

dos Unidos, os sindicatos ja

dos

mais

procuraram

sindicalizar

trabalhadores de tempo parcial ou aumentar as possibilidades de emprego deste gênero. Isto

se deve, em larga medida, ao fato de que, a seus olhos, a

maioria das pessoas não pode se permitir trabalhar somente

uma parte do tempo, sendo di fícil organizar a mão-de-obra te dos empregos de tempo par cial é mal reputada, mal remu nerada e não assegura aos tra

começam

a

superar

suas

começaram a introduzir certas

modificações que se impõem na sua organização. A partilha de trabalho

é

ainda

considerada

o

faz

e

considerando-se

que, por tradição, grande par

balhadores a proteção de que

Soza a maioria dos outros tra

balhadores. Entretanto, uma pressão exerceu-se da base, quer dizer de sindicalizados que trabalham em tempo inte

gral, mas que teriam preferido

como fórmula experimental, mas tem-se o direito de pensar que ela se vai tornar uma prá

ra

tica

quem sua atitude neste

cada

vez

mais corrente.

5.

sindicatos

emprego de tempo parcial, paque os sindicatos modifi cam

po. Percebe-se cada vez mais Os

e a

merosos

Em todos os países, o sin

(17) O projeto de

damente aqueles que fazem parte da União Internacional

res

hesitações. Tomaram consciên cia das diversas vantagens que a empresa podia retirar do sis tema da partilha de cargos e

partilha dos

empresa

tornam claro nas suas ofertas

servas em relação ao trabalho em tempo parcial. Nos Esta

que

sinou como se devia fazer. Nu

de

117

Pode-se, portanto, dizer, em resumo, que os empregado

tos desejosos de partilhar um cargo, mas a experiência en

chefes

DIGESTO ECONÔMICO

dicalismo tem

empregos

as maiores re-

aobre o emprego permanente de tempo parcial (outubro do 1978) prevS notadamente o recurso a um sistema de equivalôncias de tempo Integral em lugar do

que, 0 que é preciso melhorar não é a própria natureza des te tipo de trabalho, mas as con

dições nas quais é praticado. Certos sindicatos locais, nota-

Trabalhadores

Setor

dos Serviços (sigla inglesa S.E.I.U.), realizaram negocia

ções visando ao aumento do número de cargos susceptíveis de serem objeto de um fracionamento ou de uma partilha.

Um dirigente da S.E.I.U. decla rou recentemente que os tra balhadores de tempo parcial

representam atualmente

13%

do efetivo desta central e que

os responsáveis “mudaram de opinião a respeito da organizaçao

destes trabalhadores” (18).

No caso em que a questão

das possibilidades de emprego de tempo parcial deu lugar a negociações oficiais, as partes combinaram cláusulas que re conhecem . aos trabalhadores o

direito de continuarem a traba lhar em tempo integral se pre ferirem esta solução, e cuidam

de que os trabalhadores não sejam explorados. Os contra tos

acentuaram

os

seguintes

pontos: 1) o trabalho em tem

po parcial deve ser voluntário; 2) as escalas dos salários de base e as vantagens sociais de-

lei

determinado pelo calculo do efetivo por cabeça,

do

(18) Wall Street Journal (New York). 6 de outubro de 1978.


iid

DIGEBTO ECONÔMICO

vem ser mantidas (19); 3) os trabalhadores devem ser pro tegidos contra a exigência de um ritmo acelerado; 4) quan do se tiver que proceder a dis pensas, é importante conside rar a antiguidade, de um mo

do ou de outro, em vez de co meçar por despedir o pessoal de tempo parcial. Tais condi ções visam a por os parcialistas em pé de igualdade com os

trabalhadores de

tempo

inte

gral.

6) A partilha dos cargos: um novo modo de trabalhar?

Por múltiplas razões, podese responder afirmativamente

a esta questão. Por exemplo:

0 apoio psiçológico trazido por um companheiro de equipe do

tado de espírito de colaboração

e com o qual haja bom enten

dimento, representa uma van- ●

tagetm

qualitativa

no campo

profissional. Por ocasião de uma pesquisa efetuada em no ve circunscrições escolares daregião de São Francisco onde

os professores trabalhavam se

gundo a fórmula da partilha de cargofs (20), estes foram unâ nimes em declarar que o tra balho em associação com um colega estava na origem de boa parte da sua satisfação no tra balho. Um outro estudo — mais

recente — de Greti Meier (21), por ocasião do qual mais de duzentas pessoas trabalhando em tempo parcial em empregos muito diversos foram interro gadas, confirmou esta vanta gem. Com efeito, todos os in teressados estiveram de

acor

do com reflexões do gênero destas: “Não desperto mais no meio da noite por estar preo cupado, pois sei que, de seu

lado, Jan pensa no mesmo pro

blema”;

A evidência salta ra-

pidamente aos

olhos quando

somos dois a refletir”;

opiniões valem mais do

'Duas que

uma, e o fato de. conjugar as próprias aptidões e pontos de vista com os de um outro torna

o

trabalho

apaixonante”

(22). Há, também, é claro, pro

blemas que se colocam, inevi-

(19J Em diversos casoe, a questão da partilha proporcional das vantagens aocials foi objeto de negoclaçóea. (20) Greti Meier e colaboradores: Job sharing In the achools: a study of nine Bav Jtran wi.

tricts (São Francisco. New Waye to Work, 1976).

r *«r«a ois

(21) Meier: Job sharing: a new pattem for quallty of work and life, op. cit. (22) Todas estas citações são extraídas de Job sharing In the schools, op. cit.

DIGESTO ECONÔMICO

IIS

tavelmente, quando se traba

dizia:

'Ganho

em todos os as-

com outro: “Não se pode fazer

pectos: tenho uma profissão li beral, não estou cansado e te

0 que nos dá na telha. É pre

nho tempo para os meus.”

lha

em

estreita

colaboração

ciso controlar os próprias im

O tipo de empregos que se

pulsos e compor com o outro.” Entretanto, a flexibilidade de

tornaram objeto de partilha é fator que indica, também, que

vida ao aumento do tempo* li

se trata de novo modo de tra

vre

balhar. “A superioridade in contestável que apresenta o sistema de partilha com rela

e

a

possibUidade

para

os trabalhadores que formam

equipe de se substituírem mu

tuamente, em caso de dificul

dades de ordem privada ou de doença, representam uma van tagem nova muito apreciável. Como a partilha visa a car

gos de tempo integral, cada um arrisca trabalhar mais do que

em meio período: “Continua-se a corrigir trabalhos e a prepa

rar lições toda a semana. Não se acabou o trabalho terça ou

quarta-feira às cinco horas da tarde. Mas é, certamente, muir to menos duro do que com um

cargo completo (23)”. Em resumo, a maioria da queles que partilham um em prego são, parece, da mesma opinião que o trabalhador que

ção ao trabalho permanente de tempo parcial de tipo tradicio nal, é que 0 conteúdo do em

prego partilhado, que é de fa

to um cargo de tempo integral,

terá mais chances de ser de boa qualidade e que a remu

neração

será

provavelmente

melhor (24)”. O sistema contribuirá, sem dúvida, com o tempo, para fa

zer desaparecer o estereótipo do trabalhador de tempo par cial menos devotado à sua ta

refa do que o trabalhador de tempo integral. Com efeito, se a noção de “trabalho de tem po integral” mudou enorme mente nestes setenta e cinco

últimos anos (25), a imagem do

(23) Ibid., p. 13. . , . (24) Jeffrey Miller: Innovations in working patteme, Beport for the US Trade Union Seminar on AlternatIve Work patterrfs in Europe. organlzed by the Communications Workera of

America and the Germen Marshall Fund, Washington, maio de 197B. (25) No começo do século, o émericafto trabalhava em média seis dias por semana na razéo de dez horas por dia.


iid

DIGEBTO ECONÔMICO

vem ser mantidas (19); 3) os trabalhadores devem ser pro tegidos contra a exigência de um ritmo acelerado; 4) quan do se tiver que proceder a dis pensas, é importante conside rar a antiguidade, de um mo

do ou de outro, em vez de co meçar por despedir o pessoal de tempo parcial. Tais condi ções visam a por os parcialistas em pé de igualdade com os

trabalhadores de

tempo

inte

gral.

6) A partilha dos cargos: um novo modo de trabalhar?

Por múltiplas razões, podese responder afirmativamente

a esta questão. Por exemplo:

0 apoio psiçológico trazido por um companheiro de equipe do

tado de espírito de colaboração

e com o qual haja bom enten

dimento, representa uma van- ●

tagetm

qualitativa

no campo

profissional. Por ocasião de uma pesquisa efetuada em no ve circunscrições escolares daregião de São Francisco onde

os professores trabalhavam se

gundo a fórmula da partilha de cargofs (20), estes foram unâ nimes em declarar que o tra balho em associação com um colega estava na origem de boa parte da sua satisfação no tra balho. Um outro estudo — mais

recente — de Greti Meier (21), por ocasião do qual mais de duzentas pessoas trabalhando em tempo parcial em empregos muito diversos foram interro gadas, confirmou esta vanta gem. Com efeito, todos os in teressados estiveram de

acor

do com reflexões do gênero destas: “Não desperto mais no meio da noite por estar preo cupado, pois sei que, de seu

lado, Jan pensa no mesmo pro

blema”;

A evidência salta ra-

pidamente aos

olhos quando

somos dois a refletir”;

opiniões valem mais do

'Duas que

uma, e o fato de. conjugar as próprias aptidões e pontos de vista com os de um outro torna

o

trabalho

apaixonante”

(22). Há, também, é claro, pro

blemas que se colocam, inevi-

(19J Em diversos casoe, a questão da partilha proporcional das vantagens aocials foi objeto de negoclaçóea. (20) Greti Meier e colaboradores: Job sharing In the achools: a study of nine Bav Jtran wi.

tricts (São Francisco. New Waye to Work, 1976).

r *«r«a ois

(21) Meier: Job sharing: a new pattem for quallty of work and life, op. cit. (22) Todas estas citações são extraídas de Job sharing In the schools, op. cit.

DIGESTO ECONÔMICO

IIS

tavelmente, quando se traba

dizia:

'Ganho

em todos os as-

com outro: “Não se pode fazer

pectos: tenho uma profissão li beral, não estou cansado e te

0 que nos dá na telha. É pre

nho tempo para os meus.”

lha

em

estreita

colaboração

ciso controlar os próprias im

O tipo de empregos que se

pulsos e compor com o outro.” Entretanto, a flexibilidade de

tornaram objeto de partilha é fator que indica, também, que

vida ao aumento do tempo* li

se trata de novo modo de tra

vre

balhar. “A superioridade in contestável que apresenta o sistema de partilha com rela

e

a

possibUidade

para

os trabalhadores que formam

equipe de se substituírem mu

tuamente, em caso de dificul

dades de ordem privada ou de doença, representam uma van tagem nova muito apreciável. Como a partilha visa a car

gos de tempo integral, cada um arrisca trabalhar mais do que

em meio período: “Continua-se a corrigir trabalhos e a prepa

rar lições toda a semana. Não se acabou o trabalho terça ou

quarta-feira às cinco horas da tarde. Mas é, certamente, muir to menos duro do que com um

cargo completo (23)”. Em resumo, a maioria da queles que partilham um em prego são, parece, da mesma opinião que o trabalhador que

ção ao trabalho permanente de tempo parcial de tipo tradicio nal, é que 0 conteúdo do em

prego partilhado, que é de fa

to um cargo de tempo integral,

terá mais chances de ser de boa qualidade e que a remu

neração

será

provavelmente

melhor (24)”. O sistema contribuirá, sem dúvida, com o tempo, para fa

zer desaparecer o estereótipo do trabalhador de tempo par cial menos devotado à sua ta

refa do que o trabalhador de tempo integral. Com efeito, se a noção de “trabalho de tem po integral” mudou enorme mente nestes setenta e cinco

últimos anos (25), a imagem do

(23) Ibid., p. 13. . , . (24) Jeffrey Miller: Innovations in working patteme, Beport for the US Trade Union Seminar on AlternatIve Work patterrfs in Europe. organlzed by the Communications Workera of

America and the Germen Marshall Fund, Washington, maio de 197B. (25) No começo do século, o émericafto trabalhava em média seis dias por semana na razéo de dez horas por dia.


DIGESTO

120

ECONÔMICO

trabalhador de tempo parcial permanece a mesma. Segundo

todos os países muito desenvol

um

mente as vantagens que apre sentaria a partilha de cargos para a solução de alguns deles.

estudo

sobre

o emprego

permanente de tempo parcial, os empregadores considerariam aqueles que o praticam como "assalariados temporários, de segunda categoria, que não dão muita importância à sua car reira, nem à sua tarefa” (26). Segundo o mesmo estudo, os empregadores que engajaram mão-de-obra de tempo parcial estão em geral satisfeitos com os resultados da experiência (27).

Permitindo

empregar

mais de uma pessoa para um único emprego, sem modificar a estrutura deste último, o sis tema de partilha está come çando a vencer o velho clichê. Um novo modo de trabalhar apareceu, no qual a ética do»

vidos. Vamos examinar breve

'^O trabalho de tempo par cial inspira um interesse cres

cente”. Entre aqueles que tra balham

atualmente em tempo

integral, nem todos têm esse desejo ou necessidade, já o dis semos. Quanto aos desemprega dos, não estão todos aptos ou dispostos a trabalhar em tem po integral. Já mencionamos o

(26) Stanley

Noilen,

ployment: (27) Ibld.,

p. 17.

an

Brenda

Eddy, Virgínia Martin

interpretativo review

tante limitados e deveria servir

de complemento mais do

que

ser considerado como um objeentretanto,

tivo essencial;

e

medida que conta entre os nu-

merosos meios que permitiríam aumentar o efetivo da mão-deobra.

"Os

idosos

friabalhadores

de transição entre a vida ativa e a aposentadoria". A sorte dos

"Não há empregos suficien tes". Enquanto o desemprego vái aumentando, não parece na-

zido.

a partilha dos cargos teria so bre 0 desemprego efeitos bas

tempo parcial nos Estados Uni dos. No Reino Unido, essa mãode-obra representa atualmente 17% do total, e 20% na Suécia. O problema que se coloca a

mão-de-obra

Um certo número de proble mas sociais se colocam, com maior ou menor gravidade em

ferença sendo o horário redu

enquanto tantos outros não têm nenhum trabalho. É certo que

têm necessidade de un> período

da

7. Outras repercussões da partilha dos postos

tinua a ter valor, a única di

da razoável obrigar alguns a trabalhar em tempo integral,

Qe

aumento

este respeito em todos os paí ses, é que 0 trabalho de tempo parcial não é tratado em pé de igualdade com o trabalho de tempo integral. A partilha per mite regular o problema e criar possibilidades de emprego de tempo parcial.

trabalho de tempo integral con-

121

DIGESTO ECONÔMICO

e D.

(Washington.

Monroe:

permanent

Georgetown University,

parti-time .em1976),

p.

13.

trabalhadores

idosos é geral

mente o objeto de duas concepçoes

muito

pensam

que

diferentes. Alguns com

melhoria

a

dos cuidados médicos e os pro

gressos constantes da medicina,

a esperança de vida do trabalhador médio vai aumentar, ativo até meados mantendo-o dos setenta. CXitros, em compensação, opinam que, numa

vintena de anos, a maioria das pessoas alcançará sua aposen-

ladoria no

início ou no meio

dos cinquenta. A primeira des

tas hipóteses é mal aceita poí aqueles que consideram a ma nutenção de pessoas idosas em atividade comprometendo gra vemente as oportunidades de os

jovens encontrarem o primeiro emprego. A

segunda evoca

pesadelo da subida

0

ef flecha

das despesas a título de apo

sentadorias, devendo os ativos assumir o encargo de aposenta dos cada vez (28).

mais numerosos

Aqueles que se mostram fa voráveis à passagem progressi va da vida ativa para a apo

sentadoria, acentuam fato de que

trabalhadores

numerosos

têm efetivamente

graves pro

blemas quando cessam de tra balhar: ficam com o sentimen

to de ter perdido sua identida de, entediam-se ou se tornam

deprimidos (29). A aposentado

ria por etapas, graças a uma

redução progressiva da dura ção do trabalho, permitiría aos interessados pouco a pouco

(28) David Jenkins (Jenkins Work report (Paris), n.o 3,

a se habituarem com sua

nova

janeiro de 1978) menciona urn

es-

tudo de AIlan Nordin e Carl Aberg segundo o qual, em 2005, havería dois_ou tres trabalhadores ativos para um aposentado, enquanto que atualmente a proporção e de quetro

contra

um.

(29) Jeffroy Miller, op. cit,,

p.

17.


DIGESTO

120

ECONÔMICO

trabalhador de tempo parcial permanece a mesma. Segundo

todos os países muito desenvol

um

mente as vantagens que apre sentaria a partilha de cargos para a solução de alguns deles.

estudo

sobre

o emprego

permanente de tempo parcial, os empregadores considerariam aqueles que o praticam como "assalariados temporários, de segunda categoria, que não dão muita importância à sua car reira, nem à sua tarefa” (26). Segundo o mesmo estudo, os empregadores que engajaram mão-de-obra de tempo parcial estão em geral satisfeitos com os resultados da experiência (27).

Permitindo

empregar

mais de uma pessoa para um único emprego, sem modificar a estrutura deste último, o sis tema de partilha está come çando a vencer o velho clichê. Um novo modo de trabalhar apareceu, no qual a ética do»

vidos. Vamos examinar breve

'^O trabalho de tempo par cial inspira um interesse cres

cente”. Entre aqueles que tra balham

atualmente em tempo

integral, nem todos têm esse desejo ou necessidade, já o dis semos. Quanto aos desemprega dos, não estão todos aptos ou dispostos a trabalhar em tem po integral. Já mencionamos o

(26) Stanley

Noilen,

ployment: (27) Ibld.,

p. 17.

an

Brenda

Eddy, Virgínia Martin

interpretativo review

tante limitados e deveria servir

de complemento mais do

que

ser considerado como um objeentretanto,

tivo essencial;

e

medida que conta entre os nu-

merosos meios que permitiríam aumentar o efetivo da mão-deobra.

"Os

idosos

friabalhadores

de transição entre a vida ativa e a aposentadoria". A sorte dos

"Não há empregos suficien tes". Enquanto o desemprego vái aumentando, não parece na-

zido.

a partilha dos cargos teria so bre 0 desemprego efeitos bas

tempo parcial nos Estados Uni dos. No Reino Unido, essa mãode-obra representa atualmente 17% do total, e 20% na Suécia. O problema que se coloca a

mão-de-obra

Um certo número de proble mas sociais se colocam, com maior ou menor gravidade em

ferença sendo o horário redu

enquanto tantos outros não têm nenhum trabalho. É certo que

têm necessidade de un> período

da

7. Outras repercussões da partilha dos postos

tinua a ter valor, a única di

da razoável obrigar alguns a trabalhar em tempo integral,

Qe

aumento

este respeito em todos os paí ses, é que 0 trabalho de tempo parcial não é tratado em pé de igualdade com o trabalho de tempo integral. A partilha per mite regular o problema e criar possibilidades de emprego de tempo parcial.

trabalho de tempo integral con-

121

DIGESTO ECONÔMICO

e D.

(Washington.

Monroe:

permanent

Georgetown University,

parti-time .em1976),

p.

13.

trabalhadores

idosos é geral

mente o objeto de duas concepçoes

muito

pensam

que

diferentes. Alguns com

melhoria

a

dos cuidados médicos e os pro

gressos constantes da medicina,

a esperança de vida do trabalhador médio vai aumentar, ativo até meados mantendo-o dos setenta. CXitros, em compensação, opinam que, numa

vintena de anos, a maioria das pessoas alcançará sua aposen-

ladoria no

início ou no meio

dos cinquenta. A primeira des

tas hipóteses é mal aceita poí aqueles que consideram a ma nutenção de pessoas idosas em atividade comprometendo gra vemente as oportunidades de os

jovens encontrarem o primeiro emprego. A

segunda evoca

pesadelo da subida

0

ef flecha

das despesas a título de apo

sentadorias, devendo os ativos assumir o encargo de aposenta dos cada vez (28).

mais numerosos

Aqueles que se mostram fa voráveis à passagem progressi va da vida ativa para a apo

sentadoria, acentuam fato de que

trabalhadores

numerosos

têm efetivamente

graves pro

blemas quando cessam de tra balhar: ficam com o sentimen

to de ter perdido sua identida de, entediam-se ou se tornam

deprimidos (29). A aposentado

ria por etapas, graças a uma

redução progressiva da dura ção do trabalho, permitiría aos interessados pouco a pouco

(28) David Jenkins (Jenkins Work report (Paris), n.o 3,

a se habituarem com sua

nova

janeiro de 1978) menciona urn

es-

tudo de AIlan Nordin e Carl Aberg segundo o qual, em 2005, havería dois_ou tres trabalhadores ativos para um aposentado, enquanto que atualmente a proporção e de quetro

contra

um.

(29) Jeffroy Miller, op. cit,,

p.

17.


122

DIGESTO ECONÔMICO

condição. Quanto aos que assu mem uma aposentadoria ante cipada a fim de iniciarem uma segunda carreira, um horário aliviado lhes proporcionaria um período de transição. A Suécia

abriu o caminho

nesse campo oferecendo aos trabalhadores que se aproxi mam da idade da aposentado ria a possibilidade de não tra balharem

mais

de

dezessete

horas por semana, com uma pensão parcial compensando a perda do salário. Recorreu-se especialmente ao recurso da partilha dos cargos para rea lizar esse programa. “Como não é sempre possível criar em pregos de tempo parcial e co mo 0 trabalhador que opta pela

semi-aposentadoria

não

quer

geralmente, um emprego infe rior ao que ocupava, tem-se re corrido ao sistema da partilha entre duas pessoas (29)”. “Deseja-se uma verdadeira vida de família”. Os

horários

Já se disse que, se os pais ti vessem a possibilidade de redu

zirem seu tempo de trabalho e de compartilharem os encargos familiares, seria um progresso em relação

ao nosso

sistema

atual, que parece ter por efei to o abandono de grande núme ro de crianças. A principal di ficuldade encontrada na

No

ruega pelos casais que dividiam as responsabilidades familia res foi a de encontrar trabalho de tempo parcial oferecendo perspectivas de futuro (31). Dar ao marido e à mulher a

possibilidade de partilhar

emprego

entre eles,

trabalhadores

um

quando

do mesmo cam

Harcourt Brace Jovanovich, 1977], (31) Mark Goldamith: Chronicle,

6

de

ths

gos.

de

p. 130.

1976.

tiplicaram,

mas sem que

as

possibilidades de emprego de tempo parcial tenham aumen tado em proporção. Alguns em pregadores financiam a forma ção e os estudos dos seus em

pregados, mas reservam

fre

“Trabalhadores da qual quer idade devem ter a possi

bilidade

E é, em parte, por causa

da

disparidade existente entre

0

tipo de emprego desejado e 0 gênero de emprego oferecido

que, mesmo em período de desemprego,

de

aperfeiçoar

sua

formação". Frequwitemente, a utilização completa do poten

San Francleco

numerosos

cargos

permanecem vagos. Os jovens, notadamente

aqueles que

se

neira que facilita a aposentado

destinam a carreiras liberais, geralmente, diferença entre o trabalho “alimentar” e

partilha pode, também, ser uti

dade e aos seus conhecimentos

balhadores desejosos de se be

munerado). Muitos cargos que

quentemente esta vantagem ao pessoal técnico. Da mesma ma

ria progressiva, o sistema

de

lizado com vantagem pelos tra

fazem,

o que faz apelo à sua criativi (este frequentemente não é re

permanecem vagos (ou mudam

constantemente de titular) seriam

“As ambições profissionais

lhadores e as características de

seu emprego uma das principais causas da “rejeição

crescente

do trabalho testemunhada pela

taxa elevada de absentéismo e instabilidade da

mão-de-obra,

produtividade e qualidade em baixa e a degradação das re(32) J. E. Thurman:

du Travell",

sem dúvida

mais facil-

mente providos se fossem par tilhados entre muitos.

ranças profission^ dos traba

”A radical work plan to free both huaband and wlfa", fevereiro

acabar ou de prosseguir seus estudos. Os programas de en sino de tempo parcial se mul

evoluem”. Viu-se no alargamen to da distância entre as espe

Americãn family under praaaure (New York,

chlldrsn:

(32). Os trabalhadores se tor nam cada vez mais instruídos.

tos. Meier dá muitos exemplos deste gênero de partilha de car

(30) Kenneth

our

lações entre parceiros sociais"

de

neficiarem de uma dispensa pa ra formação.

cial da mão-de-obra é subordi nada à outorga de uma forma-

All

ção complementar e à possibi

lidade pará o trabalhador

po, ou com outra pessoa se não for o caso, seria, parece, uma solução satisfatória para mui

rígidos, padronizados, criam frequentemente um conflito en tre as obrigações familiares e as obrigações profissionais (30). Kenlston:

123

DIGESTO ECONÔMICO

Em todos os casos anterior

mente considerados, o que foi posto em questão foi que o sis

tema tipo segundo o qual todas atividades se devem desen volver durante o mesmo lapsu de tempo, conforme o programa as

estabelecido pelo empregador,

A aatlsfação no trabalho: resumo internacional", "Revue Internationale

nov. dez.

de 1977,

p. 271.


122

DIGESTO ECONÔMICO

condição. Quanto aos que assu mem uma aposentadoria ante cipada a fim de iniciarem uma segunda carreira, um horário aliviado lhes proporcionaria um período de transição. A Suécia

abriu o caminho

nesse campo oferecendo aos trabalhadores que se aproxi mam da idade da aposentado ria a possibilidade de não tra balharem

mais

de

dezessete

horas por semana, com uma pensão parcial compensando a perda do salário. Recorreu-se especialmente ao recurso da partilha dos cargos para rea lizar esse programa. “Como não é sempre possível criar em pregos de tempo parcial e co mo 0 trabalhador que opta pela

semi-aposentadoria

não

quer

geralmente, um emprego infe rior ao que ocupava, tem-se re corrido ao sistema da partilha entre duas pessoas (29)”. “Deseja-se uma verdadeira vida de família”. Os

horários

Já se disse que, se os pais ti vessem a possibilidade de redu

zirem seu tempo de trabalho e de compartilharem os encargos familiares, seria um progresso em relação

ao nosso

sistema

atual, que parece ter por efei to o abandono de grande núme ro de crianças. A principal di ficuldade encontrada na

No

ruega pelos casais que dividiam as responsabilidades familia res foi a de encontrar trabalho de tempo parcial oferecendo perspectivas de futuro (31). Dar ao marido e à mulher a

possibilidade de partilhar

emprego

entre eles,

trabalhadores

um

quando

do mesmo cam

Harcourt Brace Jovanovich, 1977], (31) Mark Goldamith: Chronicle,

6

de

ths

gos.

de

p. 130.

1976.

tiplicaram,

mas sem que

as

possibilidades de emprego de tempo parcial tenham aumen tado em proporção. Alguns em pregadores financiam a forma ção e os estudos dos seus em

pregados, mas reservam

fre

“Trabalhadores da qual quer idade devem ter a possi

bilidade

E é, em parte, por causa

da

disparidade existente entre

0

tipo de emprego desejado e 0 gênero de emprego oferecido

que, mesmo em período de desemprego,

de

aperfeiçoar

sua

formação". Frequwitemente, a utilização completa do poten

San Francleco

numerosos

cargos

permanecem vagos. Os jovens, notadamente

aqueles que

se

neira que facilita a aposentado

destinam a carreiras liberais, geralmente, diferença entre o trabalho “alimentar” e

partilha pode, também, ser uti

dade e aos seus conhecimentos

balhadores desejosos de se be

munerado). Muitos cargos que

quentemente esta vantagem ao pessoal técnico. Da mesma ma

ria progressiva, o sistema

de

lizado com vantagem pelos tra

fazem,

o que faz apelo à sua criativi (este frequentemente não é re

permanecem vagos (ou mudam

constantemente de titular) seriam

“As ambições profissionais

lhadores e as características de

seu emprego uma das principais causas da “rejeição

crescente

do trabalho testemunhada pela

taxa elevada de absentéismo e instabilidade da

mão-de-obra,

produtividade e qualidade em baixa e a degradação das re(32) J. E. Thurman:

du Travell",

sem dúvida

mais facil-

mente providos se fossem par tilhados entre muitos.

ranças profission^ dos traba

”A radical work plan to free both huaband and wlfa", fevereiro

acabar ou de prosseguir seus estudos. Os programas de en sino de tempo parcial se mul

evoluem”. Viu-se no alargamen to da distância entre as espe

Americãn family under praaaure (New York,

chlldrsn:

(32). Os trabalhadores se tor nam cada vez mais instruídos.

tos. Meier dá muitos exemplos deste gênero de partilha de car

(30) Kenneth

our

lações entre parceiros sociais"

de

neficiarem de uma dispensa pa ra formação.

cial da mão-de-obra é subordi nada à outorga de uma forma-

All

ção complementar e à possibi

lidade pará o trabalhador

po, ou com outra pessoa se não for o caso, seria, parece, uma solução satisfatória para mui

rígidos, padronizados, criam frequentemente um conflito en tre as obrigações familiares e as obrigações profissionais (30). Kenlston:

123

DIGESTO ECONÔMICO

Em todos os casos anterior

mente considerados, o que foi posto em questão foi que o sis

tema tipo segundo o qual todas atividades se devem desen volver durante o mesmo lapsu de tempo, conforme o programa as

estabelecido pelo empregador,

A aatlsfação no trabalho: resumo internacional", "Revue Internationale

nov. dez.

de 1977,

p. 271.


124

DIGESTO ECONÔMICO DIGESTO

deva ser normal e eficaz (33). O fato de que a maneira de organizar o tempo de trabalho seja criticada em tantas situa ções diferentes mostra bem que "os fatores sociais que justifi cavam os horários de trabalho padrões desapareceram' (34) e que tenha chegado o momen to de oferecer aos trabalhado res uma opção mais ampla nes te campo.

Será necessário regular o problema da rentabilidade. Nos

Estados Unidos, o montante ele vado das despesas fixas por trabalhador, notadamente se in cluirmos as vantagens sociais, dissuade as empresas de enga jar trabalhadores permanentes proporcional das vantagens se

o

mais recente dos diversos mo

dos de organização do tempo de trabalho que retém atualmente

a atenção, mas é ele que mais se choca com os conceitos tra dicionais. Evocamos acima al

guns dos fatores que freiam a adoção deste sistema (precon ceitos com relação ao trabalho de tempo parcial, aumento das despesas sociais) e alguns da queles que favorecem sua uti lização (interesse mais vivo concedido ao trabalho de tem po parcial, necessidades dos trabalhadores de uma certa

idade). O exemplo dos Estados

dinado a diversos fatores.

de tempo parcial. A repartição

8. Conclusão

A partilha dos cargos é

Unidos revela que um aumento sensível das possibilidades de partilha de empregos é subor

ria sem dúvida útil,

gimes fiscais em vigor, pre

vendo especialmente estímulos nesse campo, para que os em pregadores se interessem mais

pela partilha dos cargos. A exe cução de projetos pilotos, além

disso, permitiria sublinhar as economias obtidas graças a al gumas das vantagens que este

sistema proporciona à empre sa,

portante que o emprego

Será necessário assegurar aos trabalhadores de tempo

parcial uma proteção equiva lente à que gozam os trabalha dores de tempo integral. É imUnidos,

per

manente de tempo parcial seja tratado em pé de igualdade com o trabalho de tempo integral,

agora, os trabalhadores de tem po parcial foram os "parentes pobres” da economia. O traba

verdadeira opção. É importan

lho de horário reduzido respon de entretanto às necessidades de muitos trabalhadores, mas

te que seja acessível do mes

os

mo modo a mulheres e homens.

usar um modelo padrão para

se quisermos fazer

dele

uma

Será necessário também re

forçar a popularidade da qual goza 0 sistema da partilha de

empregos. São as mulheres'que, em primeiro lugar, manifesta ram interesse por esse sistema, mas os homens também come çam a se interessar, e, na me

empregadores

ao invés de oferecer aos assa

lariados uma gama de possibi lidades entre as quais escolher. Os trabalhadores de hoje tornam claro, diretamente ou não, um que desejam estabelecer melhor equilíbrio entre o tra balho e 0 tempo livre. Para mui

tos dentre eles,

sua utilidade sob múltiplos as

em

pectos, ganhará novos apoios.

A mudança social é também, um encorajamento à experimen tação do sistema bem como à sua extensão e utilização.

Os '

preferiram

organizar o tempo de trabalho,

dida em que se der conta de

isto consiste

reduzir seu horário de tra

balho em diferentes momentos de sua existência. Quando se

quer organizar com mais flexi

bilidade 0 tempo de trabalho, tanto dos indivíduos como das

progra-

empresas, faz-se necessário de

financia pamas que o Estado —

linear precisamente novos mo

vida profissional”, os sindica tos, são alguns advogados po

ções desejadas. Há muitos anos, John Kenneth Galbraith já di zia a esse propósito:

grupos femininos,

Os

ra melhorar a “qualidade

como vimos acima.

(33) Declaração feita por John 0. Owert na Subcomissão do Senado dos Estados sobre o emprego, a miséria e os trabalhadores migrantes, oo. cit

(34) Ibid., p. 4B1.

mas se

faz necessário modificar os re

125

ECONÔMICO

da

tenciais da partilha de cargos. É importante,

quando

se

procura determinar quais são as perspectivas de desenvolvi mento desta fórmula, não per

der ae vista o fato de que, até

delos que permitam as redu

“Todo sistema econômico é razoável na sua finalidade quan

do permite a cada indivíduo, de qualquer sexo, perseguir objetivos pessoais quando estes


124

DIGESTO ECONÔMICO DIGESTO

deva ser normal e eficaz (33). O fato de que a maneira de organizar o tempo de trabalho seja criticada em tantas situa ções diferentes mostra bem que "os fatores sociais que justifi cavam os horários de trabalho padrões desapareceram' (34) e que tenha chegado o momen to de oferecer aos trabalhado res uma opção mais ampla nes te campo.

Será necessário regular o problema da rentabilidade. Nos

Estados Unidos, o montante ele vado das despesas fixas por trabalhador, notadamente se in cluirmos as vantagens sociais, dissuade as empresas de enga jar trabalhadores permanentes proporcional das vantagens se

o

mais recente dos diversos mo

dos de organização do tempo de trabalho que retém atualmente

a atenção, mas é ele que mais se choca com os conceitos tra dicionais. Evocamos acima al

guns dos fatores que freiam a adoção deste sistema (precon ceitos com relação ao trabalho de tempo parcial, aumento das despesas sociais) e alguns da queles que favorecem sua uti lização (interesse mais vivo concedido ao trabalho de tem po parcial, necessidades dos trabalhadores de uma certa

idade). O exemplo dos Estados

dinado a diversos fatores.

de tempo parcial. A repartição

8. Conclusão

A partilha dos cargos é

Unidos revela que um aumento sensível das possibilidades de partilha de empregos é subor

ria sem dúvida útil,

gimes fiscais em vigor, pre

vendo especialmente estímulos nesse campo, para que os em pregadores se interessem mais

pela partilha dos cargos. A exe cução de projetos pilotos, além

disso, permitiria sublinhar as economias obtidas graças a al gumas das vantagens que este

sistema proporciona à empre sa,

portante que o emprego

Será necessário assegurar aos trabalhadores de tempo

parcial uma proteção equiva lente à que gozam os trabalha dores de tempo integral. É imUnidos,

per

manente de tempo parcial seja tratado em pé de igualdade com o trabalho de tempo integral,

agora, os trabalhadores de tem po parcial foram os "parentes pobres” da economia. O traba

verdadeira opção. É importan

lho de horário reduzido respon de entretanto às necessidades de muitos trabalhadores, mas

te que seja acessível do mes

os

mo modo a mulheres e homens.

usar um modelo padrão para

se quisermos fazer

dele

uma

Será necessário também re

forçar a popularidade da qual goza 0 sistema da partilha de

empregos. São as mulheres'que, em primeiro lugar, manifesta ram interesse por esse sistema, mas os homens também come çam a se interessar, e, na me

empregadores

ao invés de oferecer aos assa

lariados uma gama de possibi lidades entre as quais escolher. Os trabalhadores de hoje tornam claro, diretamente ou não, um que desejam estabelecer melhor equilíbrio entre o tra balho e 0 tempo livre. Para mui

tos dentre eles,

sua utilidade sob múltiplos as

em

pectos, ganhará novos apoios.

A mudança social é também, um encorajamento à experimen tação do sistema bem como à sua extensão e utilização.

Os '

preferiram

organizar o tempo de trabalho,

dida em que se der conta de

isto consiste

reduzir seu horário de tra

balho em diferentes momentos de sua existência. Quando se

quer organizar com mais flexi

bilidade 0 tempo de trabalho, tanto dos indivíduos como das

progra-

empresas, faz-se necessário de

financia pamas que o Estado —

linear precisamente novos mo

vida profissional”, os sindica tos, são alguns advogados po

ções desejadas. Há muitos anos, John Kenneth Galbraith já di zia a esse propósito:

grupos femininos,

Os

ra melhorar a “qualidade

como vimos acima.

(33) Declaração feita por John 0. Owert na Subcomissão do Senado dos Estados sobre o emprego, a miséria e os trabalhadores migrantes, oo. cit

(34) Ibid., p. 4B1.

mas se

faz necessário modificar os re

125

ECONÔMICO

da

tenciais da partilha de cargos. É importante,

quando

se

procura determinar quais são as perspectivas de desenvolvi mento desta fórmula, não per

der ae vista o fato de que, até

delos que permitam as redu

“Todo sistema econômico é razoável na sua finalidade quan

do permite a cada indivíduo, de qualquer sexo, perseguir objetivos pessoais quando estes


126

DIGESTO

ECONÔMICO

não ofereçam perigo à socieda de... Só quando trabalhadores e trabalhadoras têm a possibili dade de se pronunciar sobre a duração de sua semana ou de

tão é que eles, verdadeiramen te têm a faculdade de optar en tre remuneração e lazeres”. Já é tempo, parece, de am pliar a gama de opções ofere

seu ano de trabalho, e a de go remuneradas—e

cidas aos trabalhadores. ("Revue Internationale du

de uma certa duração, só en¬

travail” — maio-junho de 1979).

zar

férias

não

A maior hidroelétrica do mundo

Bonn — A partir de 1975 está sendo construída em

Itaipu — a 17 km ao norte de Iguaçu —^ no rio Paraná a maior central hidroelétrica

do

mundo.

uma

de

220

altura

A barragem terá o comprimento de 5 km e

metros.

A

“Um crime

praticado pelo partido comunista

futura represa terá_,uma superfície de

Flávio Gaivão

1.500 km2 e com uma extensão de 170 km chegará até Guaíra, alagando com isso as famosas Sete Quedas (que não devem ser trocadas com as célebres Cataratas do Iguaçu), A central terá 18 turbinas com capacidade global de 12.600 MW, o que corresponde seis vezes à capacidade de Assuã.

Uma informação histórica,

Mesmo até agora maior central do mundo, a hidrelétrica soviética na serra Sajâ no Jenissei (6.400 MW) só terá 50% das proporções do novo milagre

da técnica no Brasil.

sobre episódio que bem retrata o comunismo. Trabalho debatido no Centro de

o empreendimento gigantesco está sendo

Estudos Sociais e Políticos da A.C.S.P.

realizado oflclalmente pelo Brasil e Paraguai conjuntamente, Na realldade, porém, o Brasil arca com as despesas, enquanto que o Paraguai terá enorme proveito financeiro,

O autor é jornalista.

O financiamento constitui um grande pro-

blema. As despesas crescem como uma avalanche. As despesas totais são estimadas em 18 bilhões de dólares. Teme-se que o empreendimento cons

titua ônus excessivo ao orçamento público do Brasil, A maior parte do projeto será realizado por um consórcio brasileiro-europeu, liderado pela Brow, Boveri e Cia. (BBC) de Mannhelm.

Quarenta e dois anos decor

ridos, o ex-todo-podero3o chefe ■ PCB (então Partido Comu nista do Brasü, secção brasUei-

do

Outras firmas que participam da construção são: Siemens AG de Berlim-Munique, a Volth de Heldenheim e as filiais dessas três empresas em São Paulo, Dois monotrllhos aéreos

ra

com extensão de 3,8 km para o transporte de concreto

camente

construídos pela empresa Transllft de Grenzach-Wyhlen

armado foram (sul de Baden)

juntamente com a Salzgitter-Stahlbau GmbH. Outrossim, participam da construção de Itaipu várias firmas brasileiras e francesas, Atualmente estão empregados em Itaipu, além dos estrangeiros, aproximadamente 24.000 trabalhadores (15.000 brasileiros e 9.000 paragua.Íos). As primeiras (Continua na página 144)

da 3.a Internacional), Luis Carlos Prestes, confessou publique

os

comunistas

assassinaram, fria e brutalmen te logo depois da malograda intentona vermelha de novem bro de 1935, a amásia do então secretário-geral do Partido, El-

Cupello Colonno, de 15 anos de idade, que se tornou conhe cida por Elza Fernandes e que nas rodas do partido atendia pelo codinome de “Garota . Sem dúvida, foi esse um za

dos mais repulsivos crimes pra ticados no Brasil, pela esquer

da totalitária, e sempre negado

— apesar das provas — pelos dirigentes comunistas, que COStumavam declarar que tudo não


126

DIGESTO

ECONÔMICO

não ofereçam perigo à socieda de... Só quando trabalhadores e trabalhadoras têm a possibili dade de se pronunciar sobre a duração de sua semana ou de

tão é que eles, verdadeiramen te têm a faculdade de optar en tre remuneração e lazeres”. Já é tempo, parece, de am pliar a gama de opções ofere

seu ano de trabalho, e a de go remuneradas—e

cidas aos trabalhadores. ("Revue Internationale du

de uma certa duração, só en¬

travail” — maio-junho de 1979).

zar

férias

não

A maior hidroelétrica do mundo

Bonn — A partir de 1975 está sendo construída em

Itaipu — a 17 km ao norte de Iguaçu —^ no rio Paraná a maior central hidroelétrica

do

mundo.

uma

de

220

altura

A barragem terá o comprimento de 5 km e

metros.

A

“Um crime

praticado pelo partido comunista

futura represa terá_,uma superfície de

Flávio Gaivão

1.500 km2 e com uma extensão de 170 km chegará até Guaíra, alagando com isso as famosas Sete Quedas (que não devem ser trocadas com as célebres Cataratas do Iguaçu), A central terá 18 turbinas com capacidade global de 12.600 MW, o que corresponde seis vezes à capacidade de Assuã.

Uma informação histórica,

Mesmo até agora maior central do mundo, a hidrelétrica soviética na serra Sajâ no Jenissei (6.400 MW) só terá 50% das proporções do novo milagre

da técnica no Brasil.

sobre episódio que bem retrata o comunismo. Trabalho debatido no Centro de

o empreendimento gigantesco está sendo

Estudos Sociais e Políticos da A.C.S.P.

realizado oflclalmente pelo Brasil e Paraguai conjuntamente, Na realldade, porém, o Brasil arca com as despesas, enquanto que o Paraguai terá enorme proveito financeiro,

O autor é jornalista.

O financiamento constitui um grande pro-

blema. As despesas crescem como uma avalanche. As despesas totais são estimadas em 18 bilhões de dólares. Teme-se que o empreendimento cons

titua ônus excessivo ao orçamento público do Brasil, A maior parte do projeto será realizado por um consórcio brasileiro-europeu, liderado pela Brow, Boveri e Cia. (BBC) de Mannhelm.

Quarenta e dois anos decor

ridos, o ex-todo-podero3o chefe ■ PCB (então Partido Comu nista do Brasü, secção brasUei-

do

Outras firmas que participam da construção são: Siemens AG de Berlim-Munique, a Volth de Heldenheim e as filiais dessas três empresas em São Paulo, Dois monotrllhos aéreos

ra

com extensão de 3,8 km para o transporte de concreto

camente

construídos pela empresa Transllft de Grenzach-Wyhlen

armado foram (sul de Baden)

juntamente com a Salzgitter-Stahlbau GmbH. Outrossim, participam da construção de Itaipu várias firmas brasileiras e francesas, Atualmente estão empregados em Itaipu, além dos estrangeiros, aproximadamente 24.000 trabalhadores (15.000 brasileiros e 9.000 paragua.Íos). As primeiras (Continua na página 144)

da 3.a Internacional), Luis Carlos Prestes, confessou publique

os

comunistas

assassinaram, fria e brutalmen te logo depois da malograda intentona vermelha de novem bro de 1935, a amásia do então secretário-geral do Partido, El-

Cupello Colonno, de 15 anos de idade, que se tornou conhe cida por Elza Fernandes e que nas rodas do partido atendia pelo codinome de “Garota . Sem dúvida, foi esse um za

dos mais repulsivos crimes pra ticados no Brasil, pela esquer

da totalitária, e sempre negado

— apesar das provas — pelos dirigentes comunistas, que COStumavam declarar que tudo não


128

DIGESTO

passava de calúnia forjada pe

la polícia.

Aliás, essa técnica

ECONÔMICO

sassínios que cometem. Da mesma forma que recorrem ao

de desmentido sistemático está inteiramente desmoralizada. Da

termo “expropriação" para

mesma forma que negavam a

nios que praticam^ e à expres

morte de Elza Fernandes, os comunistas também costumam negar ter assassinado camara

das militares na cama, nos le

referir aos

assaltos

se

e latrocí

são “lula armada”, para signi ficar terrorismo.

Quantos se recordam hoje

vantes ocorridos em 1935 no 3.o

do que foi o falado caso “Elza

Regimento de Infantaria (Praia

■Fernandes”? Poucos, muito pou

Vermelha) e na Escola de Avia ção Militar (Campo dos Afonsos).

É compreensível que a esta altura da vida, com 84 anos de idade e, pois, se aproximando para tomar lugar na barca de Caronte, Prestes procure exi-

mir-se de qualquer respon sabilidade pessoal pelo crime. Em entrevista sobre o livro in titulado “Prestes: lutas e au-

tocríticas”, lançado em janeiro deste ano pela Editora Vozes, propriedade dos frades franciscanos, ele disse: “Eu não man dei matar Elza. Foi uma coi sa brutal e desnecessária".

cos. Vaie, pois, relembrá-lo. como episódio pouco edificante

de nossa história política. focado

no mesmo dia

em que

irrompeu — 27 de novembro de 1935. Luís Carlos Prestes con-

seguiu fugir do cerco policial-

militar, da mesma forma que Harry Berger, identidade falsa do

comunista

Ernest

alemão

Ewert,

comunista. Filinto MuUer, che fe da Polícia Federal, designou naquele mesmo dia o delegado Eurico Bellens Porto para pre

sidir ao inquérito, designação confirmada por decreto do pre sidente da República expedido no dia 28. Bellens Porto iniciou seu trabalho no dia l.° de de

zembro e, em setembro de 1936, enviou os autos do processo de

vidamente relatados ao presi dente do Tribunal de Segurança

Nacional. A parte

O levante comunista foi su¬

Artur

e

Rodolpho Ghioldi, secretário do PC ar

gentino, os três componentes da troica designada pelo COMINTERN para chefiar a re volução no Brasil. Escaparam, também, outros estrangeü*os e

do levante

militar compreende 17 volumes

mas 0 processo se estende por

41 volumes, já que ao inquéri

to se anexaram conexos. Sob o

título "A insurreição de 27 de

novembro”, o relatório do in quérito, elaborado pelo delega

do Bellens Porto, foi publíca-

1936, pela Imprensa Oficial, em volume de pequeno formato, com 266 páginas. Ape do, em

sar de suas imperfeições, é o que de melhor existe, como in-

A partir do mesmo dia 27, mobilizou-se toda a polícia fe deral para localizar e prender

a prisão de cada um ensejan do informação para a prisão de

osí articuladores

outro, como sempre acontece.

em

crime.

da

intentona

endeu-se precioso arquivo sobre atividades comunistas no Bra sil e em

toda

a América

do

Sul.

Informações prestadas por uma empregada de Berger, per mitiram a localização de outro

agente

estrangeiro, o belga

Leon Jules Vallée, enviado ao

Brasil pela 3.a Internacional, para cuidar da parte financei ra da revolução. Era o homem

do dinheiro, que provia às ne cessidades dos dirigentes ver melhos. Leon foi preso em um

apartamento do prédio n.° 92 da então rua Nossa

Senhora de

Copacabana e em seu poder apreendeu-se elevada quantia em moeda argentina.

contrado. Foi 0 único que es

la em assassínio,

mas em “justiçamento”. Esta é a palavra que os terroristas em pregam para disfarçar os as-

de 1935, na rua Paul Redfern, 33, no Rio. Em sua casa apre

da conspiração Os chefes comunista foram sendo presos,

munista do Brasil.

Co

detido no dia 26 de dezembro

Inexplicavelmente — é opi nião nossa — 0 homem do di

gão comunista, Prestes não fa

os dirigentes do Partido

O primeiro a cair foi o ale mão Harry Berger, que aqui entrara sob falsa identidade,

formação, sobre a intentona comunista. ’ O volume ^ constitui

obra raríssima, de há muito se impondo uma reedição oficial,

Aliás, de acordo com o jar

129

DIGESTO ECONÔMICO

nheiro foi posto em liberdade, pela polícia e nunca mais en capou. No Relatório Bellens Porto se diz que foi libertado pelo delegado especal de Segu rança Policial, capitão Miran-


128

DIGESTO

passava de calúnia forjada pe

la polícia.

Aliás, essa técnica

ECONÔMICO

sassínios que cometem. Da mesma forma que recorrem ao

de desmentido sistemático está inteiramente desmoralizada. Da

termo “expropriação" para

mesma forma que negavam a

nios que praticam^ e à expres

morte de Elza Fernandes, os comunistas também costumam negar ter assassinado camara

das militares na cama, nos le

referir aos

assaltos

se

e latrocí

são “lula armada”, para signi ficar terrorismo.

Quantos se recordam hoje

vantes ocorridos em 1935 no 3.o

do que foi o falado caso “Elza

Regimento de Infantaria (Praia

■Fernandes”? Poucos, muito pou

Vermelha) e na Escola de Avia ção Militar (Campo dos Afonsos).

É compreensível que a esta altura da vida, com 84 anos de idade e, pois, se aproximando para tomar lugar na barca de Caronte, Prestes procure exi-

mir-se de qualquer respon sabilidade pessoal pelo crime. Em entrevista sobre o livro in titulado “Prestes: lutas e au-

tocríticas”, lançado em janeiro deste ano pela Editora Vozes, propriedade dos frades franciscanos, ele disse: “Eu não man dei matar Elza. Foi uma coi sa brutal e desnecessária".

cos. Vaie, pois, relembrá-lo. como episódio pouco edificante

de nossa história política. focado

no mesmo dia

em que

irrompeu — 27 de novembro de 1935. Luís Carlos Prestes con-

seguiu fugir do cerco policial-

militar, da mesma forma que Harry Berger, identidade falsa do

comunista

Ernest

alemão

Ewert,

comunista. Filinto MuUer, che fe da Polícia Federal, designou naquele mesmo dia o delegado Eurico Bellens Porto para pre

sidir ao inquérito, designação confirmada por decreto do pre sidente da República expedido no dia 28. Bellens Porto iniciou seu trabalho no dia l.° de de

zembro e, em setembro de 1936, enviou os autos do processo de

vidamente relatados ao presi dente do Tribunal de Segurança

Nacional. A parte

O levante comunista foi su¬

Artur

e

Rodolpho Ghioldi, secretário do PC ar

gentino, os três componentes da troica designada pelo COMINTERN para chefiar a re volução no Brasil. Escaparam, também, outros estrangeü*os e

do levante

militar compreende 17 volumes

mas 0 processo se estende por

41 volumes, já que ao inquéri

to se anexaram conexos. Sob o

título "A insurreição de 27 de

novembro”, o relatório do in quérito, elaborado pelo delega

do Bellens Porto, foi publíca-

1936, pela Imprensa Oficial, em volume de pequeno formato, com 266 páginas. Ape do, em

sar de suas imperfeições, é o que de melhor existe, como in-

A partir do mesmo dia 27, mobilizou-se toda a polícia fe deral para localizar e prender

a prisão de cada um ensejan do informação para a prisão de

osí articuladores

outro, como sempre acontece.

em

crime.

da

intentona

endeu-se precioso arquivo sobre atividades comunistas no Bra sil e em

toda

a América

do

Sul.

Informações prestadas por uma empregada de Berger, per mitiram a localização de outro

agente

estrangeiro, o belga

Leon Jules Vallée, enviado ao

Brasil pela 3.a Internacional, para cuidar da parte financei ra da revolução. Era o homem

do dinheiro, que provia às ne cessidades dos dirigentes ver melhos. Leon foi preso em um

apartamento do prédio n.° 92 da então rua Nossa

Senhora de

Copacabana e em seu poder apreendeu-se elevada quantia em moeda argentina.

contrado. Foi 0 único que es

la em assassínio,

mas em “justiçamento”. Esta é a palavra que os terroristas em pregam para disfarçar os as-

de 1935, na rua Paul Redfern, 33, no Rio. Em sua casa apre

da conspiração Os chefes comunista foram sendo presos,

munista do Brasil.

Co

detido no dia 26 de dezembro

Inexplicavelmente — é opi nião nossa — 0 homem do di

gão comunista, Prestes não fa

os dirigentes do Partido

O primeiro a cair foi o ale mão Harry Berger, que aqui entrara sob falsa identidade,

formação, sobre a intentona comunista. ’ O volume ^ constitui

obra raríssima, de há muito se impondo uma reedição oficial,

Aliás, de acordo com o jar

129

DIGESTO ECONÔMICO

nheiro foi posto em liberdade, pela polícia e nunca mais en capou. No Relatório Bellens Porto se diz que foi libertado pelo delegado especal de Segu rança Policial, capitão Miran-


DIGE6TO ECONÔMICO

130

da Corrêa, porque, tendo este

versivas usava três codinomes:

ciência de que Prestes estava

"Miranda”, "Américo" e "Tava

em apertura de dinheiro, espe rava que Leon, livre, o procu

res". Foi detido

rasse. No dia 28 de janeiro, os

mento 11, onde, como sói ocor rer, a polícia apreendeu farta

policiais perderam Leon Jules Vallée na multidão mais

e

nunca

0 encontraram.

Três dias antes do sumiço de Leon, caíram o argentino Ghioldi e sua esposa Carmen, contra a qual se instaurou pro cesso de expulsão. O casal re

na

Avenida

Paulo de FVontin, 606, aparta documentação pertencente Secretário

Nacional

do

documentos. O que ficou confir

mado em abril de 1964, quando

Mas se no dia 28 de janeiro de 1936 os policiais perderam

Prestes se escondia em

E desde o dia 13 de janeiro estava preso o então secretá rio geral do partido'Comunista

do Brasil, Antônio Maciel Bon fim. Além dessa, sua verdadei

ra identidade, dispunha ele de mais duas identidades falsas, uma sob o nome de Adalberto

de Andrade Fernandes e outra, de Américo de Carvalho. Além

disso, nas suas atividades sub¬

— hoje se diria "aparelhos” — para esconderijo de Prestes.

ções que mandava para 3.a In

No relatório policial ele é apon

ternacional, quartel-general da expansão comunista por todo o gou ao auge de se procurar apresentar “Miranda” como um

com

documentação na casa em que São

Paulo, documentação que deu origem e foi a base do proces so conhecido como “das Cader

netas de Prestes” e que com prometeu tanta gente. Segundo o Relatório Bellens Porto, Adalberto Fernandes, para usar a identidade falsa sob a qual se tornou mais co

nhecido, "foi um dos cabeças da revolução de novembro, cuja participação intelectual mais se fez sentir nos atos preparató rios daquele movimento”. Pos teriormente, das hostes comu nistas partiu um movimento de desmoralização de Adalberto, apontado como incapaz e men tiroso, quando na verdade in-

ranjava residências sucessivas

do não inventava as informa

PC.

a policia descobriu fartíssima

Carlos Prestes.

capaz era toda a direção da conspiração, que falseava quan

mundo. E esse movimento che

sidia na rua de Copacabana, 75. Leon Jules Vallée de vista, defi nitivamente, conseguiram pren der outro estrangeiro do grupo, Victor Allan Baron, norte-ame ricano, 0 qual confessou que fo ra contratado por Vallée para cuidar do transporte de Luís

131

ao

Prestes e seus companheiros, ao que se pode inferir, nunca

foram muito cuidadosos

DIOESTO ECONÔMICO

agente policial

infiltrado

no

Partido Comunista. Só não se

disse que era agente da C.I.A. porque esta não existia... É o que se faz hoje "mutatis mutandis”

com o cabo Anselmo,

tado, implicitamente, como co

munista, já que trabalhava pa ra Leon Jules Vallée. Hélio Sil

va, na obra "1937 — todos os

golpes se parecem”, volume do

"Ciclo de Vargas”, aponta-o só como aventureiro, trabalhando por dinheiro.

Ainda segundo Hélio Silva, o

capitão Miranda Corrêa, dele gado especial de Segurança Po

com os insufladores ostensivos dos motins na Marinha, no pe

lítica e Social, informado

ríodo imediatamente anterior à revolução democrático saneadora, de 1964.

de transportar Prestes, conse

No Relatório Bellens Porto

registra-se que "a ação de Ma ciel Bonfim não cessou com a

derrota que sofreram os extre

mistas na investida de 27 de novembro. Ao contrário, desdobrou 0 acusado as suas ati

vidades, procurando, ao lado de outros chefes, ainda em li

que Baron

de

era o encarregado

guiu atraí-lo a um jantar, de que teria participado, também, um elemento da Embaixada dos Estados Unidos. Depois de be

ber, Baron teria falado mais do que devia. E no dia seguinte teria sido convencido, pelo con terrâneo da Embaixada, a pres

tar depoimento, desligando-se da trama em que se envolvera.

No interrogatório, então, o

rearticular forças e berdade, aliciar elementos para uma no

norte-americano teria informa

va rebelião”.

do no bairro do Meier, mas que ele não sabia o nome da rua. A polícia — segundo a versão aceita por Hélio Silva — or-

É hora, porém, de voltar a

Victor Alan Baron, o motoris ta de Prestes, o homem que ar-

do que Prestes estava homizia-


DIGE6TO ECONÔMICO

130

da Corrêa, porque, tendo este

versivas usava três codinomes:

ciência de que Prestes estava

"Miranda”, "Américo" e "Tava

em apertura de dinheiro, espe rava que Leon, livre, o procu

res". Foi detido

rasse. No dia 28 de janeiro, os

mento 11, onde, como sói ocor rer, a polícia apreendeu farta

policiais perderam Leon Jules Vallée na multidão mais

e

nunca

0 encontraram.

Três dias antes do sumiço de Leon, caíram o argentino Ghioldi e sua esposa Carmen, contra a qual se instaurou pro cesso de expulsão. O casal re

na

Avenida

Paulo de FVontin, 606, aparta documentação pertencente Secretário

Nacional

do

documentos. O que ficou confir

mado em abril de 1964, quando

Mas se no dia 28 de janeiro de 1936 os policiais perderam

Prestes se escondia em

E desde o dia 13 de janeiro estava preso o então secretá rio geral do partido'Comunista

do Brasil, Antônio Maciel Bon fim. Além dessa, sua verdadei

ra identidade, dispunha ele de mais duas identidades falsas, uma sob o nome de Adalberto

de Andrade Fernandes e outra, de Américo de Carvalho. Além

disso, nas suas atividades sub¬

— hoje se diria "aparelhos” — para esconderijo de Prestes.

ções que mandava para 3.a In

No relatório policial ele é apon

ternacional, quartel-general da expansão comunista por todo o gou ao auge de se procurar apresentar “Miranda” como um

com

documentação na casa em que São

Paulo, documentação que deu origem e foi a base do proces so conhecido como “das Cader

netas de Prestes” e que com prometeu tanta gente. Segundo o Relatório Bellens Porto, Adalberto Fernandes, para usar a identidade falsa sob a qual se tornou mais co

nhecido, "foi um dos cabeças da revolução de novembro, cuja participação intelectual mais se fez sentir nos atos preparató rios daquele movimento”. Pos teriormente, das hostes comu nistas partiu um movimento de desmoralização de Adalberto, apontado como incapaz e men tiroso, quando na verdade in-

ranjava residências sucessivas

do não inventava as informa

PC.

a policia descobriu fartíssima

Carlos Prestes.

capaz era toda a direção da conspiração, que falseava quan

mundo. E esse movimento che

sidia na rua de Copacabana, 75. Leon Jules Vallée de vista, defi nitivamente, conseguiram pren der outro estrangeiro do grupo, Victor Allan Baron, norte-ame ricano, 0 qual confessou que fo ra contratado por Vallée para cuidar do transporte de Luís

131

ao

Prestes e seus companheiros, ao que se pode inferir, nunca

foram muito cuidadosos

DIOESTO ECONÔMICO

agente policial

infiltrado

no

Partido Comunista. Só não se

disse que era agente da C.I.A. porque esta não existia... É o que se faz hoje "mutatis mutandis”

com o cabo Anselmo,

tado, implicitamente, como co

munista, já que trabalhava pa ra Leon Jules Vallée. Hélio Sil

va, na obra "1937 — todos os

golpes se parecem”, volume do

"Ciclo de Vargas”, aponta-o só como aventureiro, trabalhando por dinheiro.

Ainda segundo Hélio Silva, o

capitão Miranda Corrêa, dele gado especial de Segurança Po

com os insufladores ostensivos dos motins na Marinha, no pe

lítica e Social, informado

ríodo imediatamente anterior à revolução democrático saneadora, de 1964.

de transportar Prestes, conse

No Relatório Bellens Porto

registra-se que "a ação de Ma ciel Bonfim não cessou com a

derrota que sofreram os extre

mistas na investida de 27 de novembro. Ao contrário, desdobrou 0 acusado as suas ati

vidades, procurando, ao lado de outros chefes, ainda em li

que Baron

de

era o encarregado

guiu atraí-lo a um jantar, de que teria participado, também, um elemento da Embaixada dos Estados Unidos. Depois de be

ber, Baron teria falado mais do que devia. E no dia seguinte teria sido convencido, pelo con terrâneo da Embaixada, a pres

tar depoimento, desligando-se da trama em que se envolvera.

No interrogatório, então, o

rearticular forças e berdade, aliciar elementos para uma no

norte-americano teria informa

va rebelião”.

do no bairro do Meier, mas que ele não sabia o nome da rua. A polícia — segundo a versão aceita por Hélio Silva — or-

É hora, porém, de voltar a

Victor Alan Baron, o motoris ta de Prestes, o homem que ar-

do que Prestes estava homizia-


DIGESTO ECONÔMICO

132

ganizou uma diligência, chefia da pelo delegado Lineu Cota e, cercando os quarteirões e vas culhando casa por casa, teria chegado àquela em que Pres tes se escondia. O

vasculhamento

do

Meier

terminou em 5 de março

de

1936. Às 4 horas da madrugada daquele dia a polícia se con centrava na rua Honório, no

Meier. E às 8 horas, invadiam a casa de n.o 279, onde vivia Julia Santos em companhia do dono do prédio, José Gomes.

À frente dos policiais ia o sub chefe de investigadores José Torres Galvão, que foi avisado pelo soldado Custódio Xavier, da Polícia Especial, de qué um homem se escondera num

dos

quartos. Era Prestes, que

foi

intimado a render-se sob pena de morte. Entre o chefe comu

nista e 0 policial interpôs-se uma mulher, a estrangeira 01ga Benário, esposa de Prestes,

que a polícia de Vargas depois entregou à Gestapo e que veio a falecer em um campo de concentração nazista. Prestes,

que se ocultava sob o nome de Antônio Vilar, entregou-se sem

resistência e, às 13 horas, foi introduzido no cartório de De-

legacia Auxiliar Especial, cria da para o inquérito sobre o le vante vermelho. Depois de in terrogado, foi conduzido ao quartel da Polícia Eíspecial, no Morro de Santo Antônio.

Sua

mulher, que se recusou a de clinar

a identidade

e

o local

de nascimento, ficou numa de pendência da Segurança Pú blica.

Afonso Henriques,

paulista

que foi diretor-tesoureiro "da Aliança Nacional Libertadora e

que, desiludido, auito-exilou-se nos Estados Unidos onde reside

há mais de 40 anos, em sua obra “Ascensão e Queda de Getúlio Vargas” (l.° vol., “O ma quiavélico”) sustenta que a po lícia localizou Prestes por in-

DIGESTO ECONÔMICO

133

te, não viveu muito tempo mais.

1936,

Segundo a polícia, ele se atirou

iniciou-se

o

cerco

do

Meier. Seguiram-se diàs e dias de investigação fatigante. Le vantou-se um mapa do Meier e os respectivos quarteirões fo ram batidos casa por casa. En quanto Baron era submetido a interrogatórios intensivos, que tinham por fim cansá-lo a pon to de fazê-lo

estabelecer

con

apontando-o

como informabte

policial, agindo a soldo de Var gas.

A respeito da prisão de Pres tes, a polícia distribuiu um co municado, cujo texto Afonso Henriques reproduz. “Desço-

do “Daily uma

Fernandes, o “Miranda", fora presa sua amante, de 15 ou 16 anos, Elza Cupello Colonno. Há

deixara (Prestes e a mulher)

chambi, uma rua de nome nóric ou óríon. Não o sabia pronun

ciar”.

Juntamente com

Adalberto

dúvidas sobre seu nome exato.

Verificando a carta do bair ro — esclarece ainda o comu

nicado — a policia descobriu

violenta acusação a Adalberto,

ta, antigo redator

Worker”. Não seria isto

no fim da linha de bonde Ca-

uma

ausência visitou São Paulo, faz

caindo no pátio central e mor rendo na queda. Para outros, ele foi atirado e, ainda segun do alguns, morreu sob tortura e foi atirado para se esconder 0 crime. Seu pai era jornalis

fusão nas suas declarações. Ani quilado, declarou, enfim que os

nandes. O antigo presidente do depois de muitíssimos anos de

do terceiro andar de sua sede

clara indicação das tendências ideológicas do filho?

Oormações de Adalberto Fer

Sindicato dos Empregados no Comércio, que, no ano passado,

Baron, o possível informan

briu-se que Prestes se achava no Meier. Em 29 de janeiro de

rua

chamada Honório, lo-

calizada no quadrado 17, justa mente o último da zona

cer¬

cada.

O que mencionamos consta do Relatório Bellens Porto que também registra Elvira Cupelo Coldni.

Hélio

Silva indica El

vira Cupello Colonno. EJza Fernandes — foi assim

que ela ficou conhecida — era

Não obstante as acusações e críticas de Afonso Henriques, a versão oficial parece plausí

vel, com Victor Alan Baron ci tando estropiadamente o nome da rua em que se escondia

filha de um operário da “Light” € nos meios do Partido Comu nista usava o codinome de

“Garota”. Carlos Lacerda, no depoimento que

prestou

ao

Prestes, depois de ter informa

“Jornal da Tarde” em 1977, lan çado depois como livro, em

do que ela

1978, pela Editora Nova Fron

se localizava

bairro do Meier.

no

teira, livro organizado por seu


DIGESTO ECONÔMICO

132

ganizou uma diligência, chefia da pelo delegado Lineu Cota e, cercando os quarteirões e vas culhando casa por casa, teria chegado àquela em que Pres tes se escondia. O

vasculhamento

do

Meier

terminou em 5 de março

de

1936. Às 4 horas da madrugada daquele dia a polícia se con centrava na rua Honório, no

Meier. E às 8 horas, invadiam a casa de n.o 279, onde vivia Julia Santos em companhia do dono do prédio, José Gomes.

À frente dos policiais ia o sub chefe de investigadores José Torres Galvão, que foi avisado pelo soldado Custódio Xavier, da Polícia Especial, de qué um homem se escondera num

dos

quartos. Era Prestes, que

foi

intimado a render-se sob pena de morte. Entre o chefe comu

nista e 0 policial interpôs-se uma mulher, a estrangeira 01ga Benário, esposa de Prestes,

que a polícia de Vargas depois entregou à Gestapo e que veio a falecer em um campo de concentração nazista. Prestes,

que se ocultava sob o nome de Antônio Vilar, entregou-se sem

resistência e, às 13 horas, foi introduzido no cartório de De-

legacia Auxiliar Especial, cria da para o inquérito sobre o le vante vermelho. Depois de in terrogado, foi conduzido ao quartel da Polícia Eíspecial, no Morro de Santo Antônio.

Sua

mulher, que se recusou a de clinar

a identidade

e

o local

de nascimento, ficou numa de pendência da Segurança Pú blica.

Afonso Henriques,

paulista

que foi diretor-tesoureiro "da Aliança Nacional Libertadora e

que, desiludido, auito-exilou-se nos Estados Unidos onde reside

há mais de 40 anos, em sua obra “Ascensão e Queda de Getúlio Vargas” (l.° vol., “O ma quiavélico”) sustenta que a po lícia localizou Prestes por in-

DIGESTO ECONÔMICO

133

te, não viveu muito tempo mais.

1936,

Segundo a polícia, ele se atirou

iniciou-se

o

cerco

do

Meier. Seguiram-se diàs e dias de investigação fatigante. Le vantou-se um mapa do Meier e os respectivos quarteirões fo ram batidos casa por casa. En quanto Baron era submetido a interrogatórios intensivos, que tinham por fim cansá-lo a pon to de fazê-lo

estabelecer

con

apontando-o

como informabte

policial, agindo a soldo de Var gas.

A respeito da prisão de Pres tes, a polícia distribuiu um co municado, cujo texto Afonso Henriques reproduz. “Desço-

do “Daily uma

Fernandes, o “Miranda", fora presa sua amante, de 15 ou 16 anos, Elza Cupello Colonno. Há

deixara (Prestes e a mulher)

chambi, uma rua de nome nóric ou óríon. Não o sabia pronun

ciar”.

Juntamente com

Adalberto

dúvidas sobre seu nome exato.

Verificando a carta do bair ro — esclarece ainda o comu

nicado — a policia descobriu

violenta acusação a Adalberto,

ta, antigo redator

Worker”. Não seria isto

no fim da linha de bonde Ca-

uma

ausência visitou São Paulo, faz

caindo no pátio central e mor rendo na queda. Para outros, ele foi atirado e, ainda segun do alguns, morreu sob tortura e foi atirado para se esconder 0 crime. Seu pai era jornalis

fusão nas suas declarações. Ani quilado, declarou, enfim que os

nandes. O antigo presidente do depois de muitíssimos anos de

do terceiro andar de sua sede

clara indicação das tendências ideológicas do filho?

Oormações de Adalberto Fer

Sindicato dos Empregados no Comércio, que, no ano passado,

Baron, o possível informan

briu-se que Prestes se achava no Meier. Em 29 de janeiro de

rua

chamada Honório, lo-

calizada no quadrado 17, justa mente o último da zona

cer¬

cada.

O que mencionamos consta do Relatório Bellens Porto que também registra Elvira Cupelo Coldni.

Hélio

Silva indica El

vira Cupello Colonno. EJza Fernandes — foi assim

que ela ficou conhecida — era

Não obstante as acusações e críticas de Afonso Henriques, a versão oficial parece plausí

vel, com Victor Alan Baron ci tando estropiadamente o nome da rua em que se escondia

filha de um operário da “Light” € nos meios do Partido Comu nista usava o codinome de

“Garota”. Carlos Lacerda, no depoimento que

prestou

ao

Prestes, depois de ter informa

“Jornal da Tarde” em 1977, lan çado depois como livro, em

do que ela

1978, pela Editora Nova Fron

se localizava

bairro do Meier.

no

teira, livro organizado por seu


DIQESTO ECONÔMICO

DIGESTO ECONÔMICO

os

passou a ser considerada trai

onde morava um outro irmão seu 0 sertanista Francisco Mei

dora, que precisava ser julga

reles, recentemente falecido”.

134

sobrinho, o jornalista Cláudio Lacerda, afirma que Elza era analfabeta e que “não estava preparada para ser a compa nheira do

do

secretário do Parti

Comunista".

Segundo Lacerda, Elza teria

sido submetida, na polícia, a torturas ou então

habilmente

interrogada e, despreparada, teria “contado tudo”. Depois do que a polícia teria dado o clás

sico golpe: libertou-a para que procurasse as pessoas de quem esperava socorros e asilo. *‘Aí

— diz Lacerda — eles começa ram a prender todo mundo. De uma forma ou outra parece que ela deu o serviço e deu o no me dos que faltavam”. Carlos Lacerda nesse trecho de

seu

depoimento deixa claro não ter certezas e usa das expressões “acredito” e “parece”. Lembra Carlos Lacerda que

jornal carioca “A Noite” pu blicou tudo, 0 que na opinião 0

dele foi “uma coisa realmente bárbara”. “Nenhum de nós na

época acreditou

porque nin

guém acreditava no que os jor nais censurados diziam, mas infelizmente era rigorosamente verdade”.

Para

comtmistas

Elza

da e punida. Em nota ao capí tulo I do depoimento de seu tio, o jornalista Cláudio Lacerda, diz a este respeito: "Elza Fernandes, que se cliamava realmente Elvira Cupelo

Coloni, foi presa

juntamente

com Ajitônio Maciel Bonfim em

13 de janeiro de 1936, na rua

Paulo de Frontin, 606, aparta mento 11”.

“Rosa Meireles, que esteve presa com ela, garante que El za foi torturada e que a viu chegar uma tarde com os pés totalmente inchados dos “bolos"

que tinha levado. Diz ainda que Elza, ao ser solta, ainda teve tempo de queimar

e destruir

muitos papéis comprometedo res, livrando muita gente da prisão”.

“Ao sair da prisão, Elza foi procurar reffúgio na

casa de

um médico amigo, onde não en controu ninguém. Sem ter para onde ir, foi para a casa de Rosa Meireles que, não tendo

como hospedá-la, pediu que um

de seus irmãos a levasse até

o subúrbio de Campo Grande,

135

“Em agosto de 1977, Rosa contou que Elza ficou em ca sa de Chico até uma certa noi

te, quando apareceu para apa nhá-la Honório Guimarães”.

“Foi uma cena que a famí

lia não esqueceu, não s6 pelo que aconteceu depois, mas tam bém pela brincadeira de mau gosto de Honório, que chegou num automóvel, parou em fren te à casa de Francisco Meire

les e começou a gritar:

Folí-

cia, polícia”, o que assustou a todos. Honório vinha com ins

truções de levaír Elza Fernan

des “para um lugar seguro”. E esse lugar seguro, ao que tudo indica, foi a casa onde ela foi morta”.

Quanto a Antônio Maciel Bonfim 0 Miranda, ex-sargen

to do Exército e secretário-geral do PC, Rosa Meireles tam bém não acredita na hipótese

de que ele tenha

sido, como

mais tarde se apregoou,

um

espiã da polícia”. “Ela

conta

que

Miranda

também foi bastante torturado

e que se limitou — o que acon-

teceu com quase todos os pre sos naquela ocasião — a con firmar fatos que já eram do

conhecimento da polícia, que tinha apreendido todo o arqui vo do Partido Comunista”. “O defeito de Miranda era

ser um imaginativo. Uma vez o PC tinha programado uma ma nifestação de 1.0 de maio na

praça Mauá em seguida a uma passeata que viria da praça da Bandeira. Miranda foi lá, an

dou a pé da praça da Bandeira à praça Mauá, ida e volta, sem encontrar ninguém. Chegou de sanimado e queixando-se de que as botas que usava esta vam apertadas e que os pés lhe doiam.

Mas sentou diante

da máquina e descreveu uma manifestação monstro, repleta de gente” “Rosa Meireles conta que, ao ler o relatório de Miranda, não resistiu e perguntou: “Vo cê está maluco? Você acaba de

dizer que não havia ninguém”. E ele simplesmente respondeu: “Mas é preciso dizer isso, sCr não é uma desmoralização”.

Tempos depois, esse relatório é publicado numa revista do PC chileno, que descrevia uma ma-


DIQESTO ECONÔMICO

DIGESTO ECONÔMICO

os

passou a ser considerada trai

onde morava um outro irmão seu 0 sertanista Francisco Mei

dora, que precisava ser julga

reles, recentemente falecido”.

134

sobrinho, o jornalista Cláudio Lacerda, afirma que Elza era analfabeta e que “não estava preparada para ser a compa nheira do

do

secretário do Parti

Comunista".

Segundo Lacerda, Elza teria

sido submetida, na polícia, a torturas ou então

habilmente

interrogada e, despreparada, teria “contado tudo”. Depois do que a polícia teria dado o clás

sico golpe: libertou-a para que procurasse as pessoas de quem esperava socorros e asilo. *‘Aí

— diz Lacerda — eles começa ram a prender todo mundo. De uma forma ou outra parece que ela deu o serviço e deu o no me dos que faltavam”. Carlos Lacerda nesse trecho de

seu

depoimento deixa claro não ter certezas e usa das expressões “acredito” e “parece”. Lembra Carlos Lacerda que

jornal carioca “A Noite” pu blicou tudo, 0 que na opinião 0

dele foi “uma coisa realmente bárbara”. “Nenhum de nós na

época acreditou

porque nin

guém acreditava no que os jor nais censurados diziam, mas infelizmente era rigorosamente verdade”.

Para

comtmistas

Elza

da e punida. Em nota ao capí tulo I do depoimento de seu tio, o jornalista Cláudio Lacerda, diz a este respeito: "Elza Fernandes, que se cliamava realmente Elvira Cupelo

Coloni, foi presa

juntamente

com Ajitônio Maciel Bonfim em

13 de janeiro de 1936, na rua

Paulo de Frontin, 606, aparta mento 11”.

“Rosa Meireles, que esteve presa com ela, garante que El za foi torturada e que a viu chegar uma tarde com os pés totalmente inchados dos “bolos"

que tinha levado. Diz ainda que Elza, ao ser solta, ainda teve tempo de queimar

e destruir

muitos papéis comprometedo res, livrando muita gente da prisão”.

“Ao sair da prisão, Elza foi procurar reffúgio na

casa de

um médico amigo, onde não en controu ninguém. Sem ter para onde ir, foi para a casa de Rosa Meireles que, não tendo

como hospedá-la, pediu que um

de seus irmãos a levasse até

o subúrbio de Campo Grande,

135

“Em agosto de 1977, Rosa contou que Elza ficou em ca sa de Chico até uma certa noi

te, quando apareceu para apa nhá-la Honório Guimarães”.

“Foi uma cena que a famí

lia não esqueceu, não s6 pelo que aconteceu depois, mas tam bém pela brincadeira de mau gosto de Honório, que chegou num automóvel, parou em fren te à casa de Francisco Meire

les e começou a gritar:

Folí-

cia, polícia”, o que assustou a todos. Honório vinha com ins

truções de levaír Elza Fernan

des “para um lugar seguro”. E esse lugar seguro, ao que tudo indica, foi a casa onde ela foi morta”.

Quanto a Antônio Maciel Bonfim 0 Miranda, ex-sargen

to do Exército e secretário-geral do PC, Rosa Meireles tam bém não acredita na hipótese

de que ele tenha

sido, como

mais tarde se apregoou,

um

espiã da polícia”. “Ela

conta

que

Miranda

também foi bastante torturado

e que se limitou — o que acon-

teceu com quase todos os pre sos naquela ocasião — a con firmar fatos que já eram do

conhecimento da polícia, que tinha apreendido todo o arqui vo do Partido Comunista”. “O defeito de Miranda era

ser um imaginativo. Uma vez o PC tinha programado uma ma nifestação de 1.0 de maio na

praça Mauá em seguida a uma passeata que viria da praça da Bandeira. Miranda foi lá, an

dou a pé da praça da Bandeira à praça Mauá, ida e volta, sem encontrar ninguém. Chegou de sanimado e queixando-se de que as botas que usava esta vam apertadas e que os pés lhe doiam.

Mas sentou diante

da máquina e descreveu uma manifestação monstro, repleta de gente” “Rosa Meireles conta que, ao ler o relatório de Miranda, não resistiu e perguntou: “Vo cê está maluco? Você acaba de

dizer que não havia ninguém”. E ele simplesmente respondeu: “Mas é preciso dizer isso, sCr não é uma desmoralização”.

Tempos depois, esse relatório é publicado numa revista do PC chileno, que descrevia uma ma-


DIGESTO

136

nifestação que reuniu iOO mil pessoas no Rio”... Rosa

Meireles

menciona

Honório Guimarães como a pes

soa que retirou Elza Fernandes da casa de seu irmão Francis co e a levou para a morte.

Quem era esse comunista? Honório de Freitas Guima

rães, que também usava o no me de Henrique Vieira de Sou za, era membro do Secretaria do do PC do Brasil. Seus codinomes, segundo o Relatório

Bellens Porto, eram “Martins”, “Nico” ou simplesmente “M”. Carlos Lacerda aponta mais um codinome: “Milionário”, e afir ma que foi Honório quem pre sidiu o “tribunal"

do

Partido

Comunista que ordenou a mor te de Elza Fernandes.

trolador do Partido, fazia par te também e, assim, foi um- dos de Elza Fernan

des, 0 indivíduo de nome Lau ro Reginaldo da Rocha, que usava

a

falsa

identidade

de

Lauro Reginaldo Teixeira e era conhecido nas hostes partidá rias pelos codinomes de “Ban-

gú” e de

“Simão” ou

um

como

“intelectual”,

era

dos orientadores e colabo

radores do jornal subversivo “A Classe Operária”. Foi o autor do “Programa de Curso para Ativistas” e das instruções aos elementos do Partido Comunis

ta sobre a maneira de agir pa ra a tomada do poder pela

Aliança Nacional Libertadora. Foi o reorganizador do PC na Bahia.

Também

ao

Secretariado

do PC pertencia Adelino Deycola dos Santos que, como cons ta

do Relatório Bellens Porto,

foi o encarregado, pela direção do Partido, do “inquérito” ins taurado a propósito da “Garota a fim de apurar qual o auxílio que ela prestara à po lícia após a prisão de Adalber

ainda,

simplesmente, por “B”. Apon-

Deycola,

137

DIGESTO ECONÔMICO

nandes, os que a condenaram à morte.

Prestes,

que

agora

nega

participação no caso, nele in

terferiu como se evidencia cla

ramente no processo sobre a intentona comunista. Nos autos

figura um bilhete de seu pró prio punho, datado de 19 de fevereiro de 1936, quando ele ainda estava em liberdade. Tal

bilhete, reproduzido no Relató

to Fernandes.

Do Secretariado, órgão con condenadores

tado

ECONÔMICO

entre seus com

panheiros de ideologia totali tária, era conhecido pelos co dinomes de “Tampa”, “Tampinha”, “Tamp”, “T”, “Simão" e “Germano”.

Assim, os três dirigentes Honório de Freitas Guimarães, Lauro Reginaldo da Rocha e Adelino Deycola dos Santos foí ram os “juizes" de Elza Fer-

rio Bellens Porto, é do teor se guinte:

“19/2/36 — Companheiros do S.N. — Recebi ontem o bi lhete de “M” (Honório de Frei tas Guimarães),

assim como

supostos bilhetes de “Miran__ ’ (Antônio Maciel Bonfim).

os

da

sões de vocês? Por que modifi car a decisão a respeito da “Garota”? Que “tem a ver uma cousa com a outra?” Há ou não

uma traição por parte dela? É ou não é ela perigosíssima ao

Partido, como elemento intei ramente ao serviço do adversá

rio, conhecedora de muita cou

sa e testemunha única contra

um grande número de compa nheiros e simpatizantes. Se vo

cês julgam que são verdadei ros, como podem qualificar isto

de

fraquezas”

do

nosso

companheiro “MIR.”? Traiçã.o é traição e tanto maior quan

to mais responsável o traidor. Mas voltemos ao caso da pe

quena. Com plena consciência

Fui dolorosamente surpreendi

de minha responsabilidade, des de os primeiros instantes tenho

vacilações de vocês. Assim' nao

dado a vocês minha opinião so

Proletariado, da classe revolu

minha carta de 16,

os originais dos supostos bilhe-

acrescentar nem

do pela falta de resolução _e

se pode dirigir o Partido do

bre o que fazer com ela.

cionária. Mesmo sem conhecer

górico e nada mais tenho a

de Miranda já ontem for mulei minha opinião a respei to do que preci^samos fazer. Mas, supondo que os bilhetes

últimos bilhetes possam modi ficar uma tal decisão. Por is so não compreendo as vacila-

tes

realmente do punho de Mi¬ randa (estou convencido do contrário, como explicarei abai xo), como chegar às conclusao

Em

sou cate

creio que os

ções de vocês. 0 S.N. é soberano

e suas decisões não devem

ficar à espera da opinião de vocês que deve ser definitiva. Uma tal linguagem não é digna


138

DIGESTO ECONÔMICO

dos chefes do nosso Partido, porque é a linguagem dos me drosos, incapazes de uma deci são, temm*osos ante a respon sabilidade. Ou bem que vocês tremas e neste caso já as de

não pusemos logo em execu ção as medidas que você pro põe foi devido às razões que nos pareciam justas, de que poderia resultar numa desUgação do Partido com a massa e por estar a “Garota” segura,

viam ter resolutamente

podendo, portanto, a coisa ser

concordam com as medidas ex

posto

em prática, ou então discordam mas

não

defendera como de

vem tal opinião. Não é possível dirigir sem assumir resjwnsabilidades. Por outro lado, uma direção não tem o direito de vacilar em questões que dizem

respeito à defesa da própria organização. Vocês compreen derão a veemência destas

li

nhas, porque elas traduzem com franqueza necessária to da a minha tristeza frente às

vacilações da direção em cujas mãos está o futuro da revolu ção no Brasil”.

Parece-nos que a carta não pode ser mais clara...

Esta carta de Prestes foi respondida em 20 de fevereiro

resolvida com calma e segu rança. O fato de combinarmos mais uma vez com você e pe dirmos a solução definitiva pa ra 0 caso não significa que, se

vocês não estivessem aqui, nós não

tomaríamos

uma

resolu

provavel

tinha sido liquidada, o que de ve ter ocorrido logo depois, pois as palavras finais de Ban gú não deixam dúvida a esse respeito.

Quem foi o carrasco do PC, 0 assassino de Elza Fernandes? Para a monstruosa tarefa, os comunistas escolheram um

rança

nha, pois a questão sentimentalismo não existe por aqui. Acima de tudo colocamos os interesses do Partido"

Poista em liberdade pouco depois de ter sido presa em 13

guintes termos, como se lê no Relatório Bellens Porto: se

em que

mente ela foi assassinada. Pe las cartas acima transcritas, até 20 de fevereiro ainda não

que a coisa será feita direiti-

tou este ainda por duas vezes, na prisão, antes do fim daquele mês. A última visita foi no dia 27. Os comunistas a sequestra ram, praticamente, da casa de

“Acabo de receber sua car-

fevereiro,

camarada. Com a palavra Car los Lacerda: “Em suma, in cumbiram' de matá-la um sujei

de 1936 por “Bangú” — Lauro

ta sobre o caso “Garota”,

Francisco Meireles no mês de

ção enérgica. Mas, aproveitan do toda a experiência que vo cê tem, queremos resolver as coisas bem pesadas ,e- medidas, e uma vez que há tempo para isso. Agora não tenha cuidado

de janeiro

Reginaldo da Rocha — nos se^

138

DIGESTO ECONÔMICO

amante

de

1936

“Miranda *

com

to

chamado

Natividade

Lira,

que tinha o apelido de Cabeção e que era do “corpo de segu-

do Partido Comunista. Esse sujeito matou-a numa casa de um subúrbio. Cortou o

corpo em pedaços para caber

dentro de um saco e a enterrou

profundamente 00» quintal.

Mais tarde, quando foram fei tas outras prisões, alguns su

chefe de Polícia, deu uma pas

sagem a esse Cabeção, para ele voltar para sua terra, no Maranhão. João Alberto era uma figura curiosíssima que

um dia precisa ser estudada. Ele era contraditório, cheio de defeitos e cheio de qualida

des... Por piedade do Cabeção

— porque o sujeito, coitado, era um trapo humano, ninguém faz um “troço” desse sem ficar o resto da vida marcado — deu

uma passagem, do Lloyd Bra

sileiro, para ele voltar para o Maranhão. Cabeçãlo estava muito doente, cardíaco e, na

altura de São Luís, antes de desembarcar, teve um ataque do coração e morreu”. A morte de Cabeção ocorreu

no

dia 24 de julho de 1945,

isto é, pouco mais de 9 anos

depois de ter ele assassinado Elza Fernandes, por ordem do Partido Comunista.

Depois da morte de Elza Fernandes, “Miranda” voltou a

seu

jeitos confessaram a história e

Elza visi-

a polícia foi exumar o corpo. Encontrou 0 corpo e exibiu fo,tografias... Muitos anos mais tarde, em 45, quando nós está vamos tentando derrubar 0 Ge-

prestar declarações no inquéri to, cujos autos estão arquiva dos no Superior Tribunal Mii litar. Segundo Hélio Silva, que as reproduz parcialmente, elas

túlio, o João Alberto, que era

constam do lO.o vol. fls. 2543/4.


138

DIGESTO ECONÔMICO

dos chefes do nosso Partido, porque é a linguagem dos me drosos, incapazes de uma deci são, temm*osos ante a respon sabilidade. Ou bem que vocês tremas e neste caso já as de

não pusemos logo em execu ção as medidas que você pro põe foi devido às razões que nos pareciam justas, de que poderia resultar numa desUgação do Partido com a massa e por estar a “Garota” segura,

viam ter resolutamente

podendo, portanto, a coisa ser

concordam com as medidas ex

posto

em prática, ou então discordam mas

não

defendera como de

vem tal opinião. Não é possível dirigir sem assumir resjwnsabilidades. Por outro lado, uma direção não tem o direito de vacilar em questões que dizem

respeito à defesa da própria organização. Vocês compreen derão a veemência destas

li

nhas, porque elas traduzem com franqueza necessária to da a minha tristeza frente às

vacilações da direção em cujas mãos está o futuro da revolu ção no Brasil”.

Parece-nos que a carta não pode ser mais clara...

Esta carta de Prestes foi respondida em 20 de fevereiro

resolvida com calma e segu rança. O fato de combinarmos mais uma vez com você e pe dirmos a solução definitiva pa ra 0 caso não significa que, se

vocês não estivessem aqui, nós não

tomaríamos

uma

resolu

provavel

tinha sido liquidada, o que de ve ter ocorrido logo depois, pois as palavras finais de Ban gú não deixam dúvida a esse respeito.

Quem foi o carrasco do PC, 0 assassino de Elza Fernandes? Para a monstruosa tarefa, os comunistas escolheram um

rança

nha, pois a questão sentimentalismo não existe por aqui. Acima de tudo colocamos os interesses do Partido"

Poista em liberdade pouco depois de ter sido presa em 13

guintes termos, como se lê no Relatório Bellens Porto: se

em que

mente ela foi assassinada. Pe las cartas acima transcritas, até 20 de fevereiro ainda não

que a coisa será feita direiti-

tou este ainda por duas vezes, na prisão, antes do fim daquele mês. A última visita foi no dia 27. Os comunistas a sequestra ram, praticamente, da casa de

“Acabo de receber sua car-

fevereiro,

camarada. Com a palavra Car los Lacerda: “Em suma, in cumbiram' de matá-la um sujei

de 1936 por “Bangú” — Lauro

ta sobre o caso “Garota”,

Francisco Meireles no mês de

ção enérgica. Mas, aproveitan do toda a experiência que vo cê tem, queremos resolver as coisas bem pesadas ,e- medidas, e uma vez que há tempo para isso. Agora não tenha cuidado

de janeiro

Reginaldo da Rocha — nos se^

138

DIGESTO ECONÔMICO

amante

de

1936

“Miranda *

com

to

chamado

Natividade

Lira,

que tinha o apelido de Cabeção e que era do “corpo de segu-

do Partido Comunista. Esse sujeito matou-a numa casa de um subúrbio. Cortou o

corpo em pedaços para caber

dentro de um saco e a enterrou

profundamente 00» quintal.

Mais tarde, quando foram fei tas outras prisões, alguns su

chefe de Polícia, deu uma pas

sagem a esse Cabeção, para ele voltar para sua terra, no Maranhão. João Alberto era uma figura curiosíssima que

um dia precisa ser estudada. Ele era contraditório, cheio de defeitos e cheio de qualida

des... Por piedade do Cabeção

— porque o sujeito, coitado, era um trapo humano, ninguém faz um “troço” desse sem ficar o resto da vida marcado — deu

uma passagem, do Lloyd Bra

sileiro, para ele voltar para o Maranhão. Cabeçãlo estava muito doente, cardíaco e, na

altura de São Luís, antes de desembarcar, teve um ataque do coração e morreu”. A morte de Cabeção ocorreu

no

dia 24 de julho de 1945,

isto é, pouco mais de 9 anos

depois de ter ele assassinado Elza Fernandes, por ordem do Partido Comunista.

Depois da morte de Elza Fernandes, “Miranda” voltou a

seu

jeitos confessaram a história e

Elza visi-

a polícia foi exumar o corpo. Encontrou 0 corpo e exibiu fo,tografias... Muitos anos mais tarde, em 45, quando nós está vamos tentando derrubar 0 Ge-

prestar declarações no inquéri to, cujos autos estão arquiva dos no Superior Tribunal Mii litar. Segundo Hélio Silva, que as reproduz parcialmente, elas

túlio, o João Alberto, que era

constam do lO.o vol. fls. 2543/4.


DIGESTO

144

ficos aqui apresentados não tra zem o ano a que correspondem os dados: PNB, na página 73 e População, na página 18. No mais o texto está atuali zado em seu conteúdo e merece

constar da vasta bibliografia sobre o Subdesenvolvimento, o

Terceiro

Mundo,

a

Pobreza

Mundial, ao lado de autores mais recentes: A pobreza, ri queza dos povos, de Albert Tá-

desenvolvimento, ta o

ECONÔMICO

mas

retra

continente africano

em

sua luta contra o subdesenvol vimento com um retrospecto histórico e numa visão ampla

das nações do continente. Ao lado destes, acrescentamos ain da: A soberania ameaçada. A expansão multinacional das em

presas americanas

de Lacoste é um clássico nesta

Rabah

riqueza do

área do conhecimento, tanto a primeira edição com as dezes

Huberman

sete

Banakouche

homem, . de

(Zahar, várias

Leo

(Vozes,

reedições); As

veias da América latina, de Eduardo Galeano e o mais re cente

abrangente do

de

nossa

Biblioteca

internacionais,

de Therezinha

de Castro. Este

último texto

não fala

diretamente do sub-

para crescer.

Isto é, para apontar a melhor localização em função das redes de distribuição, das vias de transporte, telecomunicações, proximida-

tema, não

se

restringindo à visão meramen te econômica nesta revisão. Eis

o mérito do autor.

Januário Francisco Megale (Conclusão da página 126)

duas baterias de máquinas deverão entrar em funclonameaito em 1983, de vendo estar prontas todas as 18 turbinas em 1988. A central gigantesca

causa preocupações à Argentina, uma vez que ninguém pode prever as consequências de um acidente na represa. Aquele país pretende construir a 200 km ao sul de Itaipu, também uma grande central hidroelétrica, que se chamará “Corpus”. (Cadernos Germano-Braslleiros)

bens de consumo.

Com isto beneficiaram-se 45 municí

pios, que geraram mais de 30.0C)0

novos empregos e obtiveram maiores recursos para a solução de seus problemas. Novos centros industriais, novos

empregos, novas perspectivas para as^ cidades. Esta é a CESP na administração da energia. Govcttw

Secretaria de Obras e do Meio Ambiente

CmSP

características do subde

senvolvimento quanto esta edi ção atualizada. Tem o mérito de procurar dar uma visão

do Exército: África, geohistória, geopolítica e relações

O SLI Serviço de Localização Industrial existe para garantir o suprimento da energia que as indústrias necessitarão

Ao lado destes e de outros

vários textos, o pequeno livro

História da

Governo Paulo Maluf, mantém um serviço especial de orientação aos empresários.

1978).

lação mundial e dependência,

desde fundições até fábricas de

de acordo com as metas do

(Pioneira,

voédjre (Vozes, 1981); Acumu

1980);

de da matéria-prima, dispo A descentralização indus Veja o que nibilidade de mâo-de-obra. trial é tão urgente quanto a administração da energia O SLI já ajudou a im a implantação de novas tem feitó por você. plantar 146 indústrias, indústrias. Por isso, a CESP

jr

^

Companhia ^ Energética de - odmlnbfroçSo

Sào Paulo

do


DIGESTO

144

ficos aqui apresentados não tra zem o ano a que correspondem os dados: PNB, na página 73 e População, na página 18. No mais o texto está atuali zado em seu conteúdo e merece

constar da vasta bibliografia sobre o Subdesenvolvimento, o

Terceiro

Mundo,

a

Pobreza

Mundial, ao lado de autores mais recentes: A pobreza, ri queza dos povos, de Albert Tá-

desenvolvimento, ta o

ECONÔMICO

mas

retra

continente africano

em

sua luta contra o subdesenvol vimento com um retrospecto histórico e numa visão ampla

das nações do continente. Ao lado destes, acrescentamos ain da: A soberania ameaçada. A expansão multinacional das em

presas americanas

de Lacoste é um clássico nesta

Rabah

riqueza do

área do conhecimento, tanto a primeira edição com as dezes

Huberman

sete

Banakouche

homem, . de

(Zahar, várias

Leo

(Vozes,

reedições); As

veias da América latina, de Eduardo Galeano e o mais re cente

abrangente do

de

nossa

Biblioteca

internacionais,

de Therezinha

de Castro. Este

último texto

não fala

diretamente do sub-

para crescer.

Isto é, para apontar a melhor localização em função das redes de distribuição, das vias de transporte, telecomunicações, proximida-

tema, não

se

restringindo à visão meramen te econômica nesta revisão. Eis

o mérito do autor.

Januário Francisco Megale (Conclusão da página 126)

duas baterias de máquinas deverão entrar em funclonameaito em 1983, de vendo estar prontas todas as 18 turbinas em 1988. A central gigantesca

causa preocupações à Argentina, uma vez que ninguém pode prever as consequências de um acidente na represa. Aquele país pretende construir a 200 km ao sul de Itaipu, também uma grande central hidroelétrica, que se chamará “Corpus”. (Cadernos Germano-Braslleiros)

bens de consumo.

Com isto beneficiaram-se 45 municí

pios, que geraram mais de 30.0C)0

novos empregos e obtiveram maiores recursos para a solução de seus problemas. Novos centros industriais, novos

empregos, novas perspectivas para as^ cidades. Esta é a CESP na administração da energia. Govcttw

Secretaria de Obras e do Meio Ambiente

CmSP

características do subde

senvolvimento quanto esta edi ção atualizada. Tem o mérito de procurar dar uma visão

do Exército: África, geohistória, geopolítica e relações

O SLI Serviço de Localização Industrial existe para garantir o suprimento da energia que as indústrias necessitarão

Ao lado destes e de outros

vários textos, o pequeno livro

História da

Governo Paulo Maluf, mantém um serviço especial de orientação aos empresários.

1978).

lação mundial e dependência,

desde fundições até fábricas de

de acordo com as metas do

(Pioneira,

voédjre (Vozes, 1981); Acumu

1980);

de da matéria-prima, dispo A descentralização indus Veja o que nibilidade de mâo-de-obra. trial é tão urgente quanto a administração da energia O SLI já ajudou a im a implantação de novas tem feitó por você. plantar 146 indústrias, indústrias. Por isso, a CESP

jr

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Companhia ^ Energética de - odmlnbfroçSo

Sào Paulo

do


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DIGESTO ECONÔMICO, número 290, março 1982 by Diário do Comércio - Issuu