CWSIROI ESCOLA, AMPUA ESCOLA, REFORMA ESCOLA,
CONSERVA ESCOLA.
SUMÁRIO EDUCAÇÃO E CULTURA — Mário Vieira de Mello LUIZ k
PEREIRA
nio
C.
e conservação de escolas que o Governo
3
Silva
25
43
POR UMA SOCIOLOGIA
lorenzo
DAS BANDEIRAS PAULISTAS — A. De-
Neto
47
A OFERTA PÚBLICA, A IGUALDADE DOS ACIONISTAS E O DI COMPARADO — Amoldo Wald
FUROS
DO
MARXISMO — Lenildo
EDUCAÇÃO —
DEVER
OU
53
Tabosa
Pessoa
INVESTIMENTO?
— José
61
Carlos 67
Azevedo
FILOSOFIA E CRISTIANISMO — Julian Marias A HERÓICA
POLÔNIA — Gllles
81
...
Lapouge
OS TERCEIROS MUNDOS — Jean
O programa de construção, ampliação, reforma
Pacheco e
Gudin
REITO
de Integração estão fazendo escola.
A.
CANDIDATURA DE ROBERTO CAMPOS AO SENADO — Eugê
OS
É assim que os Governos Itinerante e
BARRETO
117
121
Pierre Gomane
IMIGRAÇÃO E EMPREGO — E, K. Ranhardt OS
DIREITOS
P.
de São Paulo está cumprindo é mais uma realização dos Governos Itinerante e de Integração.
HUMANOS
E O
PODERIO
137
DOS
EUA — Samuel 147
Huntington
Capa: A figura de Platão ilustra o artigo de Mário Vieira de Mello, sobre a questão da educação e da cultura.
Sao Paulo, vida nova SeCRETARIA DE ESTADO
Coneap
DA EDUCAÇÃO
Companhia dc Cons(ruçO«S
Escolares do Esiado de São Paulo
GO/ERNO mJLO MALUF
N.°
288
.
Janeiro
de
1982
-
Ano
XXXIX
-
DIGESTO
ECONÔMICO
CWSIROI ESCOLA, AMPUA ESCOLA, REFORMA ESCOLA,
CONSERVA ESCOLA.
SUMÁRIO EDUCAÇÃO E CULTURA — Mário Vieira de Mello LUIZ k
PEREIRA
nio
C.
e conservação de escolas que o Governo
3
Silva
25
43
POR UMA SOCIOLOGIA
lorenzo
DAS BANDEIRAS PAULISTAS — A. De-
Neto
47
A OFERTA PÚBLICA, A IGUALDADE DOS ACIONISTAS E O DI COMPARADO — Amoldo Wald
FUROS
DO
MARXISMO — Lenildo
EDUCAÇÃO —
DEVER
OU
53
Tabosa
Pessoa
INVESTIMENTO?
— José
61
Carlos 67
Azevedo
FILOSOFIA E CRISTIANISMO — Julian Marias A HERÓICA
POLÔNIA — Gllles
81
...
Lapouge
OS TERCEIROS MUNDOS — Jean
O programa de construção, ampliação, reforma
Pacheco e
Gudin
REITO
de Integração estão fazendo escola.
A.
CANDIDATURA DE ROBERTO CAMPOS AO SENADO — Eugê
OS
É assim que os Governos Itinerante e
BARRETO
117
121
Pierre Gomane
IMIGRAÇÃO E EMPREGO — E, K. Ranhardt OS
DIREITOS
P.
de São Paulo está cumprindo é mais uma realização dos Governos Itinerante e de Integração.
HUMANOS
E O
PODERIO
137
DOS
EUA — Samuel 147
Huntington
Capa: A figura de Platão ilustra o artigo de Mário Vieira de Mello, sobre a questão da educação e da cultura.
Sao Paulo, vida nova SeCRETARIA DE ESTADO
Coneap
DA EDUCAÇÃO
Companhia dc Cons(ruçO«S
Escolares do Esiado de São Paulo
GO/ERNO mJLO MALUF
N.°
288
.
Janeiro
de
1982
-
Ano
XXXIX
-
DIGESTO
ECONÔMICO
PUBLICAREMOS
NOS
PRÓXIMOS NÚMEROS
Educação
O MUNDO DOS NEGÓCIOS NUM PANORAMA MENSAL
Publicado sob os auspícios da:
O
ASSOCIAÇÃO COMERCIAL
TEORIA
MODELO
DO
DE
LEWIS
E A
DESENVOLVIMENTO
e
P. F. Leeson
DE SAO PAULO Diretor:
O
Antônio Gontijo de Carvalho
PAPEL DO VEREADOR
E A
Cultura
CÂMARA MUNICIPAL Luiz Carlos de Oliveira Coutinho
1947 a 1973 Diretores:
João de Scantimburgo Paulo Edmur de Souza Queiroz Wllfrides Alves de Lima Superintendente: Guilherme Aflf Domingos o DIoBsto Pconômico é órgfo menaal de InformacSea econfimlcas o (Inan-
HUMANISMO. CIÊNCIA E TECNOLOGIA
Mario Vieira de Mello
João Paulo Monteiro ENERGIA NUCLEAR E CRISE ENERGÉTICA
A sociedade brasileira não é nem demonstra, nem socializante, nem imbuída de espírito cientifico. O autor é ex-embaixador e escritor. Conferência feita no Centro de Estudos Sociais
Marcelo Damy de Souza Santos
celras. A direcâo não se responsabiliza pelos dados cujas fontes estejam devida mente
citadas,
emitidoa
em
nem
artigos
pelos
conceitos
assinados.
Acelta-se intercâmbio com publicações
congêneres nacionais e estrangeiras.
Assinatura anual .. £$ 1.400,00 130.00 Número avulso — £$ 150 00
Número atrasado ..
Redacâe e Administração: R. Boa Vista. 51, andar térreo Ramal:
133
Cx. Postal 8.082 — São Paulo
Departamento Comercial Rua Boa Vista, 51 — 6.° andar Tel.:
239-1333 — R.:
167/175
Compoeto e Impresso nas oficinas do
DIARtO
DO
COMERCIO.
PORQUE PIOROU A DISTRIBUIÇÃO DE RENDA
e Políticos da A.C.S.P.
0 Brasil tem uma data pa
ra a renovação de suas idéias no
DIGESTO ECONÔMICO
239-1333
JOÂO CAMILLO Vivaldi Moreira
Rubens Vaz da Costa
Assinaturas:
Tel.:
ANTI-ROMÂNTICO
O DIREITO DO MAR E A
ADMINISTRAÇÃO DOS RECURSOS PESQUEIROS Melquíades Pinto Paiva
A VOLTA DE RAUL POMPÉiA Josué Montello
CONSIDERAÇÕES SOBRE TARIFAÇÃO de ENERGIA ELÉTRICA NO BRASIL Lucas Nogueira Garcez
campo da Cultura,
como
tem uma data, para o mesmo
fenômeno, no campo da Edu cação. A primeira se situa no ano de 1922, a segunda dez anos mais tarde. Os dois acon
tecimentos possuem,
entretan
to, antecedentes diversos_ A re novação cultural desejada pela Semana da Arte Moderna
São Paulo
em
tc de inspiração da intelectua lidade brasileira. A renovação
pedagógica, entretanto, procu
rou introduzir nas nossas tra
dições um novo elemento, um fermento diverso:
com
a fun
dação de escolas protestantes foi-se aos poucos criando no
País, um gosto pela pedagogia norte-americana
e seus novos
métodos de formação e educa ção do homem.
não se desviou da
Essa observação inicial pa
linha estetizante que foi, du rante todo 0 século XIX, a fon-
rece ter uma grande relevân cia para o nosso tema. No mo-
PUBLICAREMOS
NOS
PRÓXIMOS NÚMEROS
Educação
O MUNDO DOS NEGÓCIOS NUM PANORAMA MENSAL
Publicado sob os auspícios da:
O
ASSOCIAÇÃO COMERCIAL
TEORIA
MODELO
DO
DE
LEWIS
E A
DESENVOLVIMENTO
e
P. F. Leeson
DE SAO PAULO Diretor:
O
Antônio Gontijo de Carvalho
PAPEL DO VEREADOR
E A
Cultura
CÂMARA MUNICIPAL Luiz Carlos de Oliveira Coutinho
1947 a 1973 Diretores:
João de Scantimburgo Paulo Edmur de Souza Queiroz Wllfrides Alves de Lima Superintendente: Guilherme Aflf Domingos o DIoBsto Pconômico é órgfo menaal de InformacSea econfimlcas o (Inan-
HUMANISMO. CIÊNCIA E TECNOLOGIA
Mario Vieira de Mello
João Paulo Monteiro ENERGIA NUCLEAR E CRISE ENERGÉTICA
A sociedade brasileira não é nem demonstra, nem socializante, nem imbuída de espírito cientifico. O autor é ex-embaixador e escritor. Conferência feita no Centro de Estudos Sociais
Marcelo Damy de Souza Santos
celras. A direcâo não se responsabiliza pelos dados cujas fontes estejam devida mente
citadas,
emitidoa
em
nem
artigos
pelos
conceitos
assinados.
Acelta-se intercâmbio com publicações
congêneres nacionais e estrangeiras.
Assinatura anual .. £$ 1.400,00 130.00 Número avulso — £$ 150 00
Número atrasado ..
Redacâe e Administração: R. Boa Vista. 51, andar térreo Ramal:
133
Cx. Postal 8.082 — São Paulo
Departamento Comercial Rua Boa Vista, 51 — 6.° andar Tel.:
239-1333 — R.:
167/175
Compoeto e Impresso nas oficinas do
DIARtO
DO
COMERCIO.
PORQUE PIOROU A DISTRIBUIÇÃO DE RENDA
e Políticos da A.C.S.P.
0 Brasil tem uma data pa
ra a renovação de suas idéias no
DIGESTO ECONÔMICO
239-1333
JOÂO CAMILLO Vivaldi Moreira
Rubens Vaz da Costa
Assinaturas:
Tel.:
ANTI-ROMÂNTICO
O DIREITO DO MAR E A
ADMINISTRAÇÃO DOS RECURSOS PESQUEIROS Melquíades Pinto Paiva
A VOLTA DE RAUL POMPÉiA Josué Montello
CONSIDERAÇÕES SOBRE TARIFAÇÃO de ENERGIA ELÉTRICA NO BRASIL Lucas Nogueira Garcez
campo da Cultura,
como
tem uma data, para o mesmo
fenômeno, no campo da Edu cação. A primeira se situa no ano de 1922, a segunda dez anos mais tarde. Os dois acon
tecimentos possuem,
entretan
to, antecedentes diversos_ A re novação cultural desejada pela Semana da Arte Moderna
São Paulo
em
tc de inspiração da intelectua lidade brasileira. A renovação
pedagógica, entretanto, procu
rou introduzir nas nossas tra
dições um novo elemento, um fermento diverso:
com
a fun
dação de escolas protestantes foi-se aos poucos criando no
País, um gosto pela pedagogia norte-americana
e seus novos
métodos de formação e educa ção do homem.
não se desviou da
Essa observação inicial pa
linha estetizante que foi, du rante todo 0 século XIX, a fon-
rece ter uma grande relevân cia para o nosso tema. No mo-
DIGESTO
4
ECONÔMICO
6
de Oswaldo
mos caçar papagaios”, adquire
nha a ver cora a
im
porar, ela nos faz esquecer que é totalmente incapaz de rela
passo adiante em duas áreas de uma importância vital, duas
0 valor de um símbolo.
Os in
plantada no País; mas no pla
cionar esse educando ao siste
telectuais e os artistas passam a se interessar pelos proble mas específicos de cada região
no da consciência e da formu
ma cultural dentro do qual sua educação se deve processar.
um vínculo dq estreita e essen
cial dependência — os fatores
que intervém de modo decisi vo não acusam uma procedên
cia comum, uma origem única. São influências que partem de
quadrantes diversos, de pólos opostos; e este é um fato que se
deve tanto mais
quanto
estranhar
mais se tiver a cons
ciência de que Cultura e Edu cação são processos correlatos
que, em princípio, deveriam es tar determinados no seu dina
mismo por um sentido vectorial idêntico.
Com 0 modernismo se rati fica no Brasil a tendência es-
tetizante do romantismo do sé culo XIX. A cultura do País, ao se modernizar, continua fiel à base estetizante de suas es truturas. O Brasil procura uma
fisionomia que lhe seja própria e é 0 estetismo que lhe vai pro
piciar essa dádiva de uma ima-
gem individualizada. A Europa é rejeitada, tudo o que nao for especificamente brasileiro
é visto com suspeita. O poema
Andrade “Va
DIGESTO
mento era que o País procura reunir suas forças para dar um áreas, além disso, ligadas por
de
ECONÔMICO
do País; o interesse pelo negro real, pelo índio real, em opo sição ao negro idealizado ou o índio idealizado torna-se, en tão, a tônica fundamental da literatura e da sociologia. O impulso de renovação se forma em função das virtualidades, das possibilidades mesmas do
estetismo, não em virtude de uma insatisfação que
tetismo pudesse
esse es
ocasionar_
O
Brasil parece ter achado o ca minho que 0 levará a uma per feita consciência de sua iden tidade.
No plano da Educação, en tretanto, as coisas se passam de modo bem diferente. Aqui
0 impulso de renovação se ori gina numa insatisfação do con texto cultural estetizante den
tro do qual se movia a Educa
ção. Os modelos procurados para o novo tipo de educação que se deseja são encontrados
nas escolas protestantes exis
tentes no País^ Inconsciente
mente aquilo a que se aspira
é uma educação Que nada te cultura
lação abstrata o objetivo apre sentado se reveste de um sen
tido que é exatamente o opos
to: 0 que se quer, dizem os re novadores, é uma educação que nunca perca de vista as neces sidades e as particularidades da sociedade para a qual foi planejada. A
discussão em torno dos
princípios da Escola Nova tor na-se por isso, totalmente es téril se não estiver subordina da a uma discussão mais am
pla sobre o contexto cultural em que tais princípios possam
Mas se a sociologia é as sim precisa e particularizada na sua maneira de inserir o in
divíduo na comunidade e vaga, perdida em generalidades, no seu modo de relacionar o indi víduo ao contexto cultural den tro do qual está sendo educa
do; se por um lado é tudo quan to há de mais concreto e ob
jetivo e por oütro tudo quanto há de mais vago e abstrato, a
razão disso, naturalmente, re-
side no fato que a sociologia
pretende ser uma ciência e es
ter validade. O que fazem em
tar, assim, acima das particu
geral os educadores brasileiros é assumir que esses princípios
laridades e das idiossincrasias
têm um valor autônomo. Não importa se são aplicados nos Estados Unidos, na Suíça ou no Brasil. A sociologia, que é um dos
elementos-chave
concepção
aqui,
da
pedagógica,
graças
a
seu
nova
tem,
caráter
curiosamente ambíguo, uma função primordial: ao ajustar com 0 máximo de precisão o indivíduo educando à engrena gem coletiva que o vai incor¬
nacionais. Do ponto de vista cultural uma nação é uma so ciedade, mas é uma sociedade
extremamente individualizada, uma sociedade que não pode ser descrita em termos gerais porque marcada por caracte rísticas fortemente diferencia das. Do ponto de vista socioló
gico, ou por outra, do ponto de vista
meramente
científico,
uma nação é uma sociedade como qualquer outra e cuja
DIGESTO
4
ECONÔMICO
6
de Oswaldo
mos caçar papagaios”, adquire
nha a ver cora a
im
porar, ela nos faz esquecer que é totalmente incapaz de rela
passo adiante em duas áreas de uma importância vital, duas
0 valor de um símbolo.
Os in
plantada no País; mas no pla
cionar esse educando ao siste
telectuais e os artistas passam a se interessar pelos proble mas específicos de cada região
no da consciência e da formu
ma cultural dentro do qual sua educação se deve processar.
um vínculo dq estreita e essen
cial dependência — os fatores
que intervém de modo decisi vo não acusam uma procedên
cia comum, uma origem única. São influências que partem de
quadrantes diversos, de pólos opostos; e este é um fato que se
deve tanto mais
quanto
estranhar
mais se tiver a cons
ciência de que Cultura e Edu cação são processos correlatos
que, em princípio, deveriam es tar determinados no seu dina
mismo por um sentido vectorial idêntico.
Com 0 modernismo se rati fica no Brasil a tendência es-
tetizante do romantismo do sé culo XIX. A cultura do País, ao se modernizar, continua fiel à base estetizante de suas es truturas. O Brasil procura uma
fisionomia que lhe seja própria e é 0 estetismo que lhe vai pro
piciar essa dádiva de uma ima-
gem individualizada. A Europa é rejeitada, tudo o que nao for especificamente brasileiro
é visto com suspeita. O poema
Andrade “Va
DIGESTO
mento era que o País procura reunir suas forças para dar um áreas, além disso, ligadas por
de
ECONÔMICO
do País; o interesse pelo negro real, pelo índio real, em opo sição ao negro idealizado ou o índio idealizado torna-se, en tão, a tônica fundamental da literatura e da sociologia. O impulso de renovação se forma em função das virtualidades, das possibilidades mesmas do
estetismo, não em virtude de uma insatisfação que
tetismo pudesse
esse es
ocasionar_
O
Brasil parece ter achado o ca minho que 0 levará a uma per feita consciência de sua iden tidade.
No plano da Educação, en tretanto, as coisas se passam de modo bem diferente. Aqui
0 impulso de renovação se ori gina numa insatisfação do con texto cultural estetizante den
tro do qual se movia a Educa
ção. Os modelos procurados para o novo tipo de educação que se deseja são encontrados
nas escolas protestantes exis
tentes no País^ Inconsciente
mente aquilo a que se aspira
é uma educação Que nada te cultura
lação abstrata o objetivo apre sentado se reveste de um sen
tido que é exatamente o opos
to: 0 que se quer, dizem os re novadores, é uma educação que nunca perca de vista as neces sidades e as particularidades da sociedade para a qual foi planejada. A
discussão em torno dos
princípios da Escola Nova tor na-se por isso, totalmente es téril se não estiver subordina da a uma discussão mais am
pla sobre o contexto cultural em que tais princípios possam
Mas se a sociologia é as sim precisa e particularizada na sua maneira de inserir o in
divíduo na comunidade e vaga, perdida em generalidades, no seu modo de relacionar o indi víduo ao contexto cultural den tro do qual está sendo educa
do; se por um lado é tudo quan to há de mais concreto e ob
jetivo e por oütro tudo quanto há de mais vago e abstrato, a
razão disso, naturalmente, re-
side no fato que a sociologia
pretende ser uma ciência e es
ter validade. O que fazem em
tar, assim, acima das particu
geral os educadores brasileiros é assumir que esses princípios
laridades e das idiossincrasias
têm um valor autônomo. Não importa se são aplicados nos Estados Unidos, na Suíça ou no Brasil. A sociologia, que é um dos
elementos-chave
concepção
aqui,
da
pedagógica,
graças
a
seu
nova
tem,
caráter
curiosamente ambíguo, uma função primordial: ao ajustar com 0 máximo de precisão o indivíduo educando à engrena gem coletiva que o vai incor¬
nacionais. Do ponto de vista cultural uma nação é uma so ciedade, mas é uma sociedade
extremamente individualizada, uma sociedade que não pode ser descrita em termos gerais porque marcada por caracte rísticas fortemente diferencia das. Do ponto de vista socioló
gico, ou por outra, do ponto de vista
meramente
científico,
uma nação é uma sociedade como qualquer outra e cuja
I
DIGESTO ECONÔMICO
6
descrição em termos gerais poderá ser feita independente mente do conhecimento particularizado que se tenha dela. Daí, resulta a crença de que inovações no terreno pedagó gico que se verificaram em
que nos pareça que exista uma obrigatoriedade em não omitir
virtude de determinados condi
mos
cionamentos culturais podem ser facilmente transferidos pa ra uma sociedade que se dis tingue por condicionamentos
as novas idéias sobre as quais
essa
referência,
nos
necessidade
a
facilmente
deveria
se
Ihidas
numa
sa, então, a funcionar como o
quadro legítimo das operações ligadas ao esforço pedagógico. Mas, vejamos um caso con creto, capaz de melhor fixar nossas idéias. A cultura brasi
leira, como já dissemos,
tem
uma base estetizante. A neces
sidade de uma renovação pe dagógica que se manifestara,
o
movi
gum pertenciam ao contexto da
O que ocorre é um verdadeiro esquecimento do contexto cul
ciologia, pela ciência que pas
verificar que
assentar
cultura
tural dentro do qual se deveria colocar o processo educacional e a sua substituição pela so
de indicar
mento de reforma de modo al nossa
totalmente
porque
que a omissão era voluntária. Analisando o manifesto, pode-
diversos.
culturais
mas
julgamos que havia pelo me-
Eram idéias co-
sociedade
cujo
contexto cultural era eminente mente ético. O problema que
nos confronta é, então, saber se os pioneiros, omissos como foram na consideração das re
lações entre suas idéias de re
forma e as bases estetizantes da nossa cultura, não o foram menos na consideração das re-
DIGESTO ECONÔMICO
7
festo, assinada por Fernando de Azevedo, está dito que a ci vilização atual, aparentemente materialista, apresenta uma série de conquistas morais do maior alcance. Quem poderia ter essa opinião sobre o mun do atual a não ser uma cultura
formada pelo protestantismo, que vê no sucesso material a consequência de uma atitude religiosa inspiradora de um de sempenho em que ativismo e ascetismo se entrelaçam numa atmosfera de elevada pressão ética? Essa não é em todo ca
so a opinião que do mundo atual poderia ter um indivíduo formado dentro do contexto da cultura brasileira. Um tal in divíduo seria propenso a acre
omissão
não
podia ser mais
sobretudo através do manifes
completa. Os pioneiros não pa
to dos pioneiros da Educação Nova de 1932, introduziram idéias que de modo algum se referiam a essa base estetizan te. Salientamos o fato, não por-
receram ter consciência do fa
to que essas idéias de reforma eram literalmente dependentes de um contexto ético de cultu
ra. Já na Introdução do Mani-
trata, aqui, de saber quem tem razão. Trata-se apenas de ca
racterizar quais
seriam,
res
pectivamente,
reações
de
as
dois homens, um formado num contexto ético e outro num con texto estético de cultura.
Ao escrever sua Introdu ção ao Manifesto, Fernando de Azevedo certamente não refle tiu sobre essa dificuldade Não
realizou que estava propondo dagógica a ser implantada num país, numa sociedade formada dentro de um espírito que não
mas de um modo profundamen
Dessa indagação resulta claramente que ainda aqui a
progressos alcançados. Não se
materialista, não em aparência,
te real. Estaria propenso a acreditar que as conquistas
de provieram.
fóricas e exultantes diante dos
planos para uma reforma
e
contexto cultural ético don-
mais inclinado a se entregar a reflexões de natureza pessi mista do que a constatações eu
ditar que a civilização atual é
lações entre as mesmas idéias 0
nizou, do acréscimo de rique2a social que resultou da utili zação cada vez mais extensa das forças naturais — estaria
morais
da
humanidade
vêm
sendo prejudicadas por esse avanço da civilização materia-
lista^ E, diante da obra da ci vilização atual, — com o seu quadro de realizações e vitó rias materiais, de indústrias que se desenvolveram, do mun do das máquinas que se orga-
pe-
era o do povo norte-americano.
A lógica das idéias o teria, en tretanto, levado cedo a um im
passe, se não se tivesse valido do recurso de colocar a educa
ção sobre a égide da ciência. A verdade é que ignorando o con texto estético da cultura brasi leira e não assumindo o con texto ético da cultura norte-
I
DIGESTO ECONÔMICO
6
descrição em termos gerais poderá ser feita independente mente do conhecimento particularizado que se tenha dela. Daí, resulta a crença de que inovações no terreno pedagó gico que se verificaram em
que nos pareça que exista uma obrigatoriedade em não omitir
virtude de determinados condi
mos
cionamentos culturais podem ser facilmente transferidos pa ra uma sociedade que se dis tingue por condicionamentos
as novas idéias sobre as quais
essa
referência,
nos
necessidade
a
facilmente
deveria
se
Ihidas
numa
sa, então, a funcionar como o
quadro legítimo das operações ligadas ao esforço pedagógico. Mas, vejamos um caso con creto, capaz de melhor fixar nossas idéias. A cultura brasi
leira, como já dissemos,
tem
uma base estetizante. A neces
sidade de uma renovação pe dagógica que se manifestara,
o
movi
gum pertenciam ao contexto da
O que ocorre é um verdadeiro esquecimento do contexto cul
ciologia, pela ciência que pas
verificar que
assentar
cultura
tural dentro do qual se deveria colocar o processo educacional e a sua substituição pela so
de indicar
mento de reforma de modo al nossa
totalmente
porque
que a omissão era voluntária. Analisando o manifesto, pode-
diversos.
culturais
mas
julgamos que havia pelo me-
Eram idéias co-
sociedade
cujo
contexto cultural era eminente mente ético. O problema que
nos confronta é, então, saber se os pioneiros, omissos como foram na consideração das re
lações entre suas idéias de re
forma e as bases estetizantes da nossa cultura, não o foram menos na consideração das re-
DIGESTO ECONÔMICO
7
festo, assinada por Fernando de Azevedo, está dito que a ci vilização atual, aparentemente materialista, apresenta uma série de conquistas morais do maior alcance. Quem poderia ter essa opinião sobre o mun do atual a não ser uma cultura
formada pelo protestantismo, que vê no sucesso material a consequência de uma atitude religiosa inspiradora de um de sempenho em que ativismo e ascetismo se entrelaçam numa atmosfera de elevada pressão ética? Essa não é em todo ca
so a opinião que do mundo atual poderia ter um indivíduo formado dentro do contexto da cultura brasileira. Um tal in divíduo seria propenso a acre
omissão
não
podia ser mais
sobretudo através do manifes
completa. Os pioneiros não pa
to dos pioneiros da Educação Nova de 1932, introduziram idéias que de modo algum se referiam a essa base estetizan te. Salientamos o fato, não por-
receram ter consciência do fa
to que essas idéias de reforma eram literalmente dependentes de um contexto ético de cultu
ra. Já na Introdução do Mani-
trata, aqui, de saber quem tem razão. Trata-se apenas de ca
racterizar quais
seriam,
res
pectivamente,
reações
de
as
dois homens, um formado num contexto ético e outro num con texto estético de cultura.
Ao escrever sua Introdu ção ao Manifesto, Fernando de Azevedo certamente não refle tiu sobre essa dificuldade Não
realizou que estava propondo dagógica a ser implantada num país, numa sociedade formada dentro de um espírito que não
mas de um modo profundamen
Dessa indagação resulta claramente que ainda aqui a
progressos alcançados. Não se
materialista, não em aparência,
te real. Estaria propenso a acreditar que as conquistas
de provieram.
fóricas e exultantes diante dos
planos para uma reforma
e
contexto cultural ético don-
mais inclinado a se entregar a reflexões de natureza pessi mista do que a constatações eu
ditar que a civilização atual é
lações entre as mesmas idéias 0
nizou, do acréscimo de rique2a social que resultou da utili zação cada vez mais extensa das forças naturais — estaria
morais
da
humanidade
vêm
sendo prejudicadas por esse avanço da civilização materia-
lista^ E, diante da obra da ci vilização atual, — com o seu quadro de realizações e vitó rias materiais, de indústrias que se desenvolveram, do mun do das máquinas que se orga-
pe-
era o do povo norte-americano.
A lógica das idéias o teria, en tretanto, levado cedo a um im
passe, se não se tivesse valido do recurso de colocar a educa
ção sobre a égide da ciência. A verdade é que ignorando o con texto estético da cultura brasi leira e não assumindo o con texto ético da cultura norte-
DIGESTO
8
ECONÔMICO
DIGESTO
9
ECONÔMICO
americana, o que Fernando de Azevedo fez foi tornar órfã a Educação. Urgia, pois, encontrar-lhe pais adotivos e a ciên cia era, evidentemente, a me
penetra da civilização ambien- “
do de Azevedo havia dito na
te”
Introdução
lhor candidata
viam-lhe dito que estava órfã,
Por isso, já na página 24 da mesma Introdução, Fernan do de Azevedo nos explica que
“o problema da educação — o maior
e
0 mais difícil problema
proposto ao homem — se trans portou entre nós, de uma vez, da atmosfera confinada do em-
pirismo didático para o ar li vre do pensamento moderno, da rotina burocrática para as idéias político-sociais e dos
planos do imediatismo utilitá rio para os domínios das cogi tações científicas e filosóficas”. E mais adiante: “nós não de víamos nem podíamos recuar diante da resistência dos or
todoxos, em face da extensão crescente da sociologia nos do mínios da Educação”. A pala vra-chave é finalmente lança da. Sociologia, 0 ponto de vista sociológico! É esse ponto de
vista, nos explica ainda Azeve do, que nos faz encarar a Edu cação como uma adaptação ao meio social, como um processo
através do qual o indivíduo “se
A Educação
encontra, en
ao
Manifesto que
toda cultura superior no Brasil
Não é, então, que houvesfalta de planos e de inicia tivas para a determinação dos
se
mas era essa uma verdade ir refutável? Tudo nos leva a crer
nais. O que quer dizer isto? Que havia falta de planos e ini ciativas para a determinação
fins da Educação como quer Fernando de Azevedo — os pla nos existiam e os fins eram bem claros. O que não havia era a vontade de criar um
que uma tal orfandade era pou
dos fins da Educação? A mim
co mais que um mito e que em
ethos social, comunitário, von
me parece que os planos e ini
tade que se exprime somente com a publicação do Manifes
tão, seus pais adotivos. Há nis
nunca
so, motivo para regozijo? Ha
limites das ambições profissio
todo caso a ciência era a me
nos qualificada de todos os candidatos que pudessem se apresentar para tomar o lugar de um contexto cultural, fosse
ele qual fosse, portador de sen tido.
Mas, vamos adiante. Já no texto do Manifesto, assinado
por 26 dos mais ilustres educa dores do País, está dito que a causa principal do estado antes de inorganização do que de desorganização do aparelho es colar brasileiro, está na falta em quase todos os planos e ini ciativas da determinação dos fins da Educação (aspecto fi losófico e social) e da falta de
aplicação (aspecto técnico) dos
métodos científicos aos proble
mas da Educação^ Ora, creio que neste ponto, os ilustres educadores cometem uma grave
injustiça. O próprio Fernan-
havia
ultrapassado
os
ciativas estavam perfeitamente articulados: a Educação no Brasil não visava antes, como não visa ainda hoje, criar um
ethos no homem; seu objetivo era antes e continua a ser o
de criar o grande profissional, a figura brilhante, o herói da inteligência, ideal estético que domina de maneira avassaladora 0 ambiente cultural do País.
Para isso, a ciência era de pou-
serventia A cultura do Di reito é 0 símbolo da nossa Paica
déia. Mas como já tive em ou tras ocasiões a oportunidade
to
Constitui essa
vontade um
dos frutos da ciência? Não creio que se possa considerar irreverência ou desconsidera
ção para com a ciência exprimii’ aqui grandes dúvidas a respeito. Se hâ coisa que a ciência seja incapaz de fazer é
justamente
suscitar
impulsos
ou criar vontades. A ciência é uma coisa rigorosamente neu tra, totalmente indiferente a este ou aquele fim. Ela pode ser posta a serviço de um fim, de vários fins, mas isto é pos
sível precisamente porque ela
de observar o aspecto do Di reito que retém a atenção do intelectual brasileiro, não é o aspecto pelo qual o Direito se
é rigorosamente neutra^ Como imaginar, então, que a Educa
identifica com a ciência, mas
sa ser posta sob a
0 aspecto pelo qual o Direito
ciência? Como imaginar que os
identifica com o jogo livre
fins da Educação possam de pender das descobertas-da ciên-
se
da imaginação e da arte.
ção que é uma atividade essen cialmente articulada a fins pos
tutela da
DIGESTO
8
ECONÔMICO
DIGESTO
9
ECONÔMICO
americana, o que Fernando de Azevedo fez foi tornar órfã a Educação. Urgia, pois, encontrar-lhe pais adotivos e a ciên cia era, evidentemente, a me
penetra da civilização ambien- “
do de Azevedo havia dito na
te”
Introdução
lhor candidata
viam-lhe dito que estava órfã,
Por isso, já na página 24 da mesma Introdução, Fernan do de Azevedo nos explica que
“o problema da educação — o maior
e
0 mais difícil problema
proposto ao homem — se trans portou entre nós, de uma vez, da atmosfera confinada do em-
pirismo didático para o ar li vre do pensamento moderno, da rotina burocrática para as idéias político-sociais e dos
planos do imediatismo utilitá rio para os domínios das cogi tações científicas e filosóficas”. E mais adiante: “nós não de víamos nem podíamos recuar diante da resistência dos or
todoxos, em face da extensão crescente da sociologia nos do mínios da Educação”. A pala vra-chave é finalmente lança da. Sociologia, 0 ponto de vista sociológico! É esse ponto de
vista, nos explica ainda Azeve do, que nos faz encarar a Edu cação como uma adaptação ao meio social, como um processo
através do qual o indivíduo “se
A Educação
encontra, en
ao
Manifesto que
toda cultura superior no Brasil
Não é, então, que houvesfalta de planos e de inicia tivas para a determinação dos
se
mas era essa uma verdade ir refutável? Tudo nos leva a crer
nais. O que quer dizer isto? Que havia falta de planos e ini ciativas para a determinação
fins da Educação como quer Fernando de Azevedo — os pla nos existiam e os fins eram bem claros. O que não havia era a vontade de criar um
que uma tal orfandade era pou
dos fins da Educação? A mim
co mais que um mito e que em
ethos social, comunitário, von
me parece que os planos e ini
tade que se exprime somente com a publicação do Manifes
tão, seus pais adotivos. Há nis
nunca
so, motivo para regozijo? Ha
limites das ambições profissio
todo caso a ciência era a me
nos qualificada de todos os candidatos que pudessem se apresentar para tomar o lugar de um contexto cultural, fosse
ele qual fosse, portador de sen tido.
Mas, vamos adiante. Já no texto do Manifesto, assinado
por 26 dos mais ilustres educa dores do País, está dito que a causa principal do estado antes de inorganização do que de desorganização do aparelho es colar brasileiro, está na falta em quase todos os planos e ini ciativas da determinação dos fins da Educação (aspecto fi losófico e social) e da falta de
aplicação (aspecto técnico) dos
métodos científicos aos proble
mas da Educação^ Ora, creio que neste ponto, os ilustres educadores cometem uma grave
injustiça. O próprio Fernan-
havia
ultrapassado
os
ciativas estavam perfeitamente articulados: a Educação no Brasil não visava antes, como não visa ainda hoje, criar um
ethos no homem; seu objetivo era antes e continua a ser o
de criar o grande profissional, a figura brilhante, o herói da inteligência, ideal estético que domina de maneira avassaladora 0 ambiente cultural do País.
Para isso, a ciência era de pou-
serventia A cultura do Di reito é 0 símbolo da nossa Paica
déia. Mas como já tive em ou tras ocasiões a oportunidade
to
Constitui essa
vontade um
dos frutos da ciência? Não creio que se possa considerar irreverência ou desconsidera
ção para com a ciência exprimii’ aqui grandes dúvidas a respeito. Se hâ coisa que a ciência seja incapaz de fazer é
justamente
suscitar
impulsos
ou criar vontades. A ciência é uma coisa rigorosamente neu tra, totalmente indiferente a este ou aquele fim. Ela pode ser posta a serviço de um fim, de vários fins, mas isto é pos
sível precisamente porque ela
de observar o aspecto do Di reito que retém a atenção do intelectual brasileiro, não é o aspecto pelo qual o Direito se
é rigorosamente neutra^ Como imaginar, então, que a Educa
identifica com a ciência, mas
sa ser posta sob a
0 aspecto pelo qual o Direito
ciência? Como imaginar que os
identifica com o jogo livre
fins da Educação possam de pender das descobertas-da ciên-
se
da imaginação e da arte.
ção que é uma atividade essen cialmente articulada a fins pos
tutela da
DIGESTO
10
ECONÔMICO
11
DIGESTO ECONÔMICO
cia? Não há, aqui, uma con fusão de idéias que precisamos desfazer o mais depressa pos sível se quisermos obter algu ma luz na apreciação do nosso
de reformas se abririd
tema? Frases como: “os traba lhos científicos no ramo da
essa: o que nos propõe aquele
desassombrada
texto
educação já nos faziam sentir,
nossos pressupostos irracionais
de se lastimar porque isso nos teria obrigado a ver que por detrás da nova valorização da da à ciência e à sociologia o
em toda a sua força reconstru-
"o-a 0 axioma de que se pode ser tão científico no
estudo e
na resolução dos problemas educativos como nos da enge nharia e das finanças” — tais frases que encontramos no Ma
nifesto mais
assinado
por
26
dos
ilustres educadores
bra
sileiros, só nos fazem ver co mo ainda é insuficiente a re flexão feita no País sobre o
seu maior problema — o pro blema educacional.
Ao invés de lamentar a au
sência no País de espírito cien tífico, 0 que os nossos educa dores deveriam ter feito é ana lisar com rigor científico a si
tuação moral e intelectual da cultura brasileira. Esse teria
um campo
sobre
consideravelmente
mais vasto do que o que nos é oferecido pelas sugestões do Manifesto. Porque a verdade é
não é revisão radical de
e acientíficos e a implantação
de doutrinas baseadas num es pírito científico rigorost.; é sim plesmente uma troca, uma mu dança de modelos: ao invés do modelo de uma cultura estetizante em que o indivíduo vale
pela “virtu” que manifesta, pe¬
la excelência profissienar que
adquire, o modelo de
uma
cul-
tura de fundo ético em que es ta excelência está subv^rdinada
ao ethos social e comunitário sem 0 qual nenhum
,
-
sucesso
profissional esta legitimado. Em outras palavras:
0
que
o Manifesto dos pioneiros de 1932 nos propôs foi simplesmen te trocar a França pe.os Esta
dos Unidos da América,
Não
que 0 conteúdo da cultura fran cesa esteja todo ele contido no
pedagógicas. O que se trocou naturalmente foi o tipo de in fluências recebidas. Mas é de se lastimar que não tenha ha vido uma consciência
clara
e
desse fato. É
que agia realmente era um ideal ético que o povo brasilei
terada — sob a forma de ciên
cia e de sociologia. Não há nisso
uma estranha perversão e
uma curiosa vocação para
o
suicídio? A ciência e a sociolo gia são coisas perfeítamente
respeitáveis, mas não são pon
tos de vista que possam dar a uma nação o ethos de que ela necessita.
E obviamente
ne
nhum país mais que o Brasil
de inspiração; e não que o con
Uma análise rigorosa do Manifesto dos pioneiros nos le
cana esteja também todo ele contido nas nossas novas idéias
são
sus-
verdade que as idéias e insti tuições pedagógicas sejam es sencialmenteo produto de rea lidades sociais e políticas? É
sente uma tal necessidade.
incalculáveis. A nossa vontade
documento
cional nos preparamos então para introduzir esses ingredien tes no seio da nossa cultura da forma mais diluída e mais adul
empreender neste país uma re forma pedagógica. Se fosse da do 0 passo teria consequências
norie-ameri-
desse
direta. É verdade que a civili
modelo estetizante que até ago teúdo da cultura
ra
ro não tinha condições de as similar. Nós que somos real mente carentes de ingredientes éticos na nossa formação na
sido verdadeiramente o primei ro passo a dar para quem quer
ra nos tem servido de guia e
de análise rigorosa a nossa es tará talvez sendo a primeira. Quantas premissas ace’tas sem exame! Quantos raciocínios des torcidos! Quantas palavras em pregadas sem uma determina ção precisa do contexto em que 0 sentido escolhido poderia ser legitimado! Na verdade todas as idéias mestras que susten tam por assim dizer a estrutu
vará à conclusão um tanto de
primente de que em matéria
retíveis
de
uma contestação
zação atual seja apenas rentemente
materialista?
apa É
verdade que se possa ser tão científico no ramo da educação
quanto no da engenharia? É verdade que toda educação va ria sempre em função de uma concepção de vida, refletindo em cada época a filosofia pre dominante que é determinada a seu turno pela estrutura da sociedade? Ê verdade que a educação deva perder o seu sentido aristológico para adqui rir um caráter biológico? É verdade que um vício das es colas espiritualistas seja o desdem pelas multidões? É verda-
DIGESTO
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DIGESTO ECONÔMICO
cia? Não há, aqui, uma con fusão de idéias que precisamos desfazer o mais depressa pos sível se quisermos obter algu ma luz na apreciação do nosso
de reformas se abririd
tema? Frases como: “os traba lhos científicos no ramo da
essa: o que nos propõe aquele
desassombrada
texto
educação já nos faziam sentir,
nossos pressupostos irracionais
de se lastimar porque isso nos teria obrigado a ver que por detrás da nova valorização da da à ciência e à sociologia o
em toda a sua força reconstru-
"o-a 0 axioma de que se pode ser tão científico no
estudo e
na resolução dos problemas educativos como nos da enge nharia e das finanças” — tais frases que encontramos no Ma
nifesto mais
assinado
por
26
dos
ilustres educadores
bra
sileiros, só nos fazem ver co mo ainda é insuficiente a re flexão feita no País sobre o
seu maior problema — o pro blema educacional.
Ao invés de lamentar a au
sência no País de espírito cien tífico, 0 que os nossos educa dores deveriam ter feito é ana lisar com rigor científico a si
tuação moral e intelectual da cultura brasileira. Esse teria
um campo
sobre
consideravelmente
mais vasto do que o que nos é oferecido pelas sugestões do Manifesto. Porque a verdade é
não é revisão radical de
e acientíficos e a implantação
de doutrinas baseadas num es pírito científico rigorost.; é sim plesmente uma troca, uma mu dança de modelos: ao invés do modelo de uma cultura estetizante em que o indivíduo vale
pela “virtu” que manifesta, pe¬
la excelência profissienar que
adquire, o modelo de
uma
cul-
tura de fundo ético em que es ta excelência está subv^rdinada
ao ethos social e comunitário sem 0 qual nenhum
,
-
sucesso
profissional esta legitimado. Em outras palavras:
0
que
o Manifesto dos pioneiros de 1932 nos propôs foi simplesmen te trocar a França pe.os Esta
dos Unidos da América,
Não
que 0 conteúdo da cultura fran cesa esteja todo ele contido no
pedagógicas. O que se trocou naturalmente foi o tipo de in fluências recebidas. Mas é de se lastimar que não tenha ha vido uma consciência
clara
e
desse fato. É
que agia realmente era um ideal ético que o povo brasilei
terada — sob a forma de ciên
cia e de sociologia. Não há nisso
uma estranha perversão e
uma curiosa vocação para
o
suicídio? A ciência e a sociolo gia são coisas perfeítamente
respeitáveis, mas não são pon
tos de vista que possam dar a uma nação o ethos de que ela necessita.
E obviamente
ne
nhum país mais que o Brasil
de inspiração; e não que o con
Uma análise rigorosa do Manifesto dos pioneiros nos le
cana esteja também todo ele contido nas nossas novas idéias
são
sus-
verdade que as idéias e insti tuições pedagógicas sejam es sencialmenteo produto de rea lidades sociais e políticas? É
sente uma tal necessidade.
incalculáveis. A nossa vontade
documento
cional nos preparamos então para introduzir esses ingredien tes no seio da nossa cultura da forma mais diluída e mais adul
empreender neste país uma re forma pedagógica. Se fosse da do 0 passo teria consequências
norie-ameri-
desse
direta. É verdade que a civili
modelo estetizante que até ago teúdo da cultura
ra
ro não tinha condições de as similar. Nós que somos real mente carentes de ingredientes éticos na nossa formação na
sido verdadeiramente o primei ro passo a dar para quem quer
ra nos tem servido de guia e
de análise rigorosa a nossa es tará talvez sendo a primeira. Quantas premissas ace’tas sem exame! Quantos raciocínios des torcidos! Quantas palavras em pregadas sem uma determina ção precisa do contexto em que 0 sentido escolhido poderia ser legitimado! Na verdade todas as idéias mestras que susten tam por assim dizer a estrutu
vará à conclusão um tanto de
primente de que em matéria
retíveis
de
uma contestação
zação atual seja apenas rentemente
materialista?
apa É
verdade que se possa ser tão científico no ramo da educação
quanto no da engenharia? É verdade que toda educação va ria sempre em função de uma concepção de vida, refletindo em cada época a filosofia pre dominante que é determinada a seu turno pela estrutura da sociedade? Ê verdade que a educação deva perder o seu sentido aristológico para adqui rir um caráter biológico? É verdade que um vício das es colas espiritualistas seja o desdem pelas multidões? É verda-
i 5’;
12
DIGESTO
de que antes de mens
sermos ho
somos seres sociais? É
verdade que nos tempos mo dernos a Educação tenha sido função essencial e primordial do Estado? É verdade gue o de senvolvimento das ciências de va constituir a base das dou
trinas da Nova EMucação? É verdade que a Educação deva ter um caráter
funcional?
É
verdade que a Educação deva inspi?ar-se na lógica psicológi
ca,, isto é, na lógica . que se baseia na natureza e no fun
cionamento do espírito infantil? Quantas afirmações gratuitás e quantas contestações pos síveis!
Não teria evidentemen
te sentido algum que me
de
bruçasse aqui sobre o texto dó Manifesto, esmiuçando num es pírito de contradição frases e
idéias, conotações e subenten didos para comprovar sua fal ta de autoridade. O importante é assinalar o caráter falso
da
DIGESTO
ECONÔMICO
ECONÔMICO
13
falsa porque implicaria em obri gar a Educação a vestir uma camisa de força. Ê claro que um dos aspectos da Educação
tra atividade humana, é respon sável pelo equilíbrio em que es
é fazer com que o indivíduo se
indivíduo à sociedade as comu
adapte ao meio social em
que
vai
é
nidades humanas ofereceríam o triste espetáculo da desordem ou do caos. Sem a criatividade
viver.
Mas
esse
iião
o
único aspecto. A Educação tem outro objetivo, quiçá mais im a portante que o primeii’o: Educação é um processo cuja finalidade
última
é a criativi
dade do indivíduo. A adaptação ao meio social não é um fim, não pode ser um fim, é sim plesmente uma etapa; e a fina lidade última, a criatividade do indivíduo é resultado
oue
não
pode ser adquirido por um pro jeto educacional limitado pelo horizonte estreito de qualquer tipo de ciência, humana ou so cial.
Dizer que os métodos que permitem uma perfeita adap tação do indivíduo ao meio so cial não impedem o apareci mento de condições favoráveis
idéia que preside à elaboração do documento a idéia de que as ciências sociais, a sociolo gia ou as ciências humanas (como se quiser chamar) são disciplinas autônomas e capa
indivíduo é uma relação extre mamente sensível às ênfases
citadas a servirem de contex to a um projeto educacional. Por que é falsa essa idéia? É
que se ponha num ou noutro elemento da relação. A Educa ção, mais do que qualquer ou-
à criatividade do indivíduo constituem na realidade uma
falácia. A relação
sociedade-
ses
dois
manter.
elementos
devem
se
Sem a adaptação do
do indivíduo ofereceríam o pa norama melancólico da estag
nação ou da decadência. É pre ciso, pois, que a Educação não tome como resultado adquirido
a expectativa de que após a adaptação do indivíduo ao meio social sua criatividade se ma
nifeste de modo espontâneo. Se não se estabelecer a criativida de do indivíduo como finalida de expressa e explícita, como finalidade para a qual determi nados meios já foram aciona dos, pode-se ficar certo de que
cepçâo de vida, refletindo em cada época a filosofia predo minante que é determina da a seu turno pela estrutura da sociedade” — esse sestro é
o principal responsável pelo fa to de que as sociedades contem porâneas estão cada vez mais mal educadas; e é também res
ponsável pelo fato de que o in divíduo se torna cada vez me nos criativo. A massa de infor
mações (muitas delas errôneas) que hoje em dia é capaz de manipular um indivíduo é to mado como prova de desenvol vimento humano. Sua submis
são à dialética implacável da máquina é interpretada como uma vitória definitiva sobre as
forças da Natureza, as únicas capazes de constrangê-lo — embora dessa Natureza muitos já
essa criatividade não surgirá como flor espontânea. Ninguém refletiu mais profundamente sobre o problema da Educação do que Platão. O que ele nos
comecem a ter saudades.
disse a respeito vale não somen
te para a sua época, mas para todos os tempos. 0 sestro dos
víduo não devia procurar adaptar-se à sociedade em que vi via. É ele então um grande in
educadores contemporâneos, de
dividualista? — De modo
nossos educadores inclusive, de ignorar Platão sob o pretexto de que “toda educaçã,i varia sempre em função de uma con’
gum. O seu conselho é que es
Ora, 0 que nos diz Platão so bre as relações entre o indiví duo e a sociedade? Diz-nos sim plesmente que na época o indi
al
se indivíduo procure construir a sua sociedade dentro de si mesmo. A idéia tem a sua ra-
i 5’;
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DIGESTO
de que antes de mens
sermos ho
somos seres sociais? É
verdade que nos tempos mo dernos a Educação tenha sido função essencial e primordial do Estado? É verdade gue o de senvolvimento das ciências de va constituir a base das dou
trinas da Nova EMucação? É verdade que a Educação deva ter um caráter
funcional?
É
verdade que a Educação deva inspi?ar-se na lógica psicológi
ca,, isto é, na lógica . que se baseia na natureza e no fun
cionamento do espírito infantil? Quantas afirmações gratuitás e quantas contestações pos síveis!
Não teria evidentemen
te sentido algum que me
de
bruçasse aqui sobre o texto dó Manifesto, esmiuçando num es pírito de contradição frases e
idéias, conotações e subenten didos para comprovar sua fal ta de autoridade. O importante é assinalar o caráter falso
da
DIGESTO
ECONÔMICO
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falsa porque implicaria em obri gar a Educação a vestir uma camisa de força. Ê claro que um dos aspectos da Educação
tra atividade humana, é respon sável pelo equilíbrio em que es
é fazer com que o indivíduo se
indivíduo à sociedade as comu
adapte ao meio social em
que
vai
é
nidades humanas ofereceríam o triste espetáculo da desordem ou do caos. Sem a criatividade
viver.
Mas
esse
iião
o
único aspecto. A Educação tem outro objetivo, quiçá mais im a portante que o primeii’o: Educação é um processo cuja finalidade
última
é a criativi
dade do indivíduo. A adaptação ao meio social não é um fim, não pode ser um fim, é sim plesmente uma etapa; e a fina lidade última, a criatividade do indivíduo é resultado
oue
não
pode ser adquirido por um pro jeto educacional limitado pelo horizonte estreito de qualquer tipo de ciência, humana ou so cial.
Dizer que os métodos que permitem uma perfeita adap tação do indivíduo ao meio so cial não impedem o apareci mento de condições favoráveis
idéia que preside à elaboração do documento a idéia de que as ciências sociais, a sociolo gia ou as ciências humanas (como se quiser chamar) são disciplinas autônomas e capa
indivíduo é uma relação extre mamente sensível às ênfases
citadas a servirem de contex to a um projeto educacional. Por que é falsa essa idéia? É
que se ponha num ou noutro elemento da relação. A Educa ção, mais do que qualquer ou-
à criatividade do indivíduo constituem na realidade uma
falácia. A relação
sociedade-
ses
dois
manter.
elementos
devem
se
Sem a adaptação do
do indivíduo ofereceríam o pa norama melancólico da estag
nação ou da decadência. É pre ciso, pois, que a Educação não tome como resultado adquirido
a expectativa de que após a adaptação do indivíduo ao meio social sua criatividade se ma
nifeste de modo espontâneo. Se não se estabelecer a criativida de do indivíduo como finalida de expressa e explícita, como finalidade para a qual determi nados meios já foram aciona dos, pode-se ficar certo de que
cepçâo de vida, refletindo em cada época a filosofia predo minante que é determina da a seu turno pela estrutura da sociedade” — esse sestro é
o principal responsável pelo fa to de que as sociedades contem porâneas estão cada vez mais mal educadas; e é também res
ponsável pelo fato de que o in divíduo se torna cada vez me nos criativo. A massa de infor
mações (muitas delas errôneas) que hoje em dia é capaz de manipular um indivíduo é to mado como prova de desenvol vimento humano. Sua submis
são à dialética implacável da máquina é interpretada como uma vitória definitiva sobre as
forças da Natureza, as únicas capazes de constrangê-lo — embora dessa Natureza muitos já
essa criatividade não surgirá como flor espontânea. Ninguém refletiu mais profundamente sobre o problema da Educação do que Platão. O que ele nos
comecem a ter saudades.
disse a respeito vale não somen
te para a sua época, mas para todos os tempos. 0 sestro dos
víduo não devia procurar adaptar-se à sociedade em que vi via. É ele então um grande in
educadores contemporâneos, de
dividualista? — De modo
nossos educadores inclusive, de ignorar Platão sob o pretexto de que “toda educaçã,i varia sempre em função de uma con’
gum. O seu conselho é que es
Ora, 0 que nos diz Platão so bre as relações entre o indiví duo e a sociedade? Diz-nos sim plesmente que na época o indi
al
se indivíduo procure construir a sua sociedade dentro de si mesmo. A idéia tem a sua ra-
DIGESTO ECONÔMICO
14
zão de ser. As sociedades que via em torno de si pareciam a Platão irreparáveis. É difí
to de Platão tem a perenidade de que os educadores contem porâneos não podem se jactar,
cil
a razão disso reside certamen te no fato de ter ele tido a co
reconstruir
uma
sociedade
que está em processo de de composição. Transpor,;adas pa ra dentro de nós mesmos a re
construção se torna fácil. Tudo depende de nós. Podemos dis tribuir 0 poder da maneira que nos pareça mais eficaz. Pode mos estabelecer deveres, criar responsabilidades, determinar
de educador que era compre endeu que as sociedaces po diam educar, mas também de
cente. O que há são sociedades em cujo seio a educação rou
so-
inútil ou da consolidação den tro do indivíduo da idéia de jus tiça? Em todo caso é esse in divíduo identificado com a idéia
de justiça que representa para Platão a finalidade da educa
ção; não a finalidade suprema que seria o Bem divino, mas a
finalidade segundo esquemas que 0 homem contemporâneo é capaz de assimilar. Não temos
aqui entãe um desmentido com pleto a essa idéia de que a fi
nalidade da educação é adap tar 0 indivíduo ao meio social em que vive? Se o pensamen-
duzida em algo de mais próxi mo a nós? Uma coisa pelo me nos se pode depreender dos en sinamentos de Platão: Do pon to de vista educacional o indi
primeiro cuidado que, ao iniciar
mia.
o seu trabalho, todo educador
Quer isto dizer que as so ciedades individualistas contem
ra 0 educador o indivíduo é a sociedade e a sociedade é o in divíduo.
seducar o indivíduo; e que o
os seus métodos vão
ciedade. Trata-se de um jogo
15
víduo, em certos casos, tem a obrigação de se refugiar den tro de si mesmo, em benefício da própria sociedade. A rela ção indivíduo-sociedade não é do ponto de vista educacional uma relação de antinomia. Pa
deverá ter é verificar se às mu
aperfeiçoamento da nessa
vado o contrário. Existem na
ções cultas e poderosas em que se desejaria que o indivíduo pensasse com um pouco mais de autonomia. Por que não o fa
zem? A explicação de que há povos mais ou menos ir dividua-
tegidos os verdadeiros interes ses da comunidade. Tudo isso
dida que vamos avançando no
ECONÔMICO
des do seu tempo. Como gran
ragem de dizer não às socieda
de que maneira podem ser pro
podemos fazer e refazer, à me
DIGESTO
danças e às modificações
que
determi
nar, poderá ser atribuído
um
sentido educacional.
Adaptar o indivíduo ao meio social em que vive pode for mar um tipo de indivíduo in capaz de julgar por si mesmo o que é justo. Pode de um mo do geral formar um tipo de in divíduo incapaz de julgar qual quer coisa por si mesmo. Seus pensamentos serão os pensa mentos da sociedade à qual está adaptado. Poderá haver fra casso maior em matéria edu cacional?! Inútil será dizer que este é um caso extremo e que a tendência de cada indivíduo
é pensar de modo diferente dos demais. A experiência tem pro-
listas me parece pouco conviri-
bou ao indivíduo a sua autono
porâneas estão mais próximas do ideal platônico? De modo al gum. O indivíduo platônico car rega dentro de si a sociedade ideal que ele mesmo c onstruiu. Seus compromissos com a so ciedade são ainda mais fortes
do que se ele se tivesse mercimente adaptado ao meio süciai. Ele é o purificador da at mosfera social. Seu objetivo é subir ao plano das idéias para tornar ainda mais claro e trans
parente 0 seu projeto políticosocial. É, também, descer de novo ao plano do sensível para finalmsnte projetar no mundo exterior esse projeto latificado pe!o sol luminoso das idéias.
Esse é 0 motivo pelo qual a educação não pode depender da biologia, da sociologia ou de qualquer outra ciência. O indi víduo biológico não é a socie dade e sociologia não tem an tenas para captar o indivíduo.
A educação é um tipo de posi cionamento
absolutamente ori
ginário e em confron^^ação com 0 qual os demais posicionamen tos se manifestam secundários.
Uma
filosofia
da
educação
quando bem entendida é na rea
lidade uma educação que tem consciência dos seus objetivos
filosóficos. 0 filósofo, segundo
Pode essa conceituaçâo va
a concepção platônica, é na rea lidade 0 educando que se trans
zada em estilo arcaico ser tra-
forma em educador. È na ver-
DIGESTO ECONÔMICO
14
zão de ser. As sociedades que via em torno de si pareciam a Platão irreparáveis. É difí
to de Platão tem a perenidade de que os educadores contem porâneos não podem se jactar,
cil
a razão disso reside certamen te no fato de ter ele tido a co
reconstruir
uma
sociedade
que está em processo de de composição. Transpor,;adas pa ra dentro de nós mesmos a re
construção se torna fácil. Tudo depende de nós. Podemos dis tribuir 0 poder da maneira que nos pareça mais eficaz. Pode mos estabelecer deveres, criar responsabilidades, determinar
de educador que era compre endeu que as sociedaces po diam educar, mas também de
cente. O que há são sociedades em cujo seio a educação rou
so-
inútil ou da consolidação den tro do indivíduo da idéia de jus tiça? Em todo caso é esse in divíduo identificado com a idéia
de justiça que representa para Platão a finalidade da educa
ção; não a finalidade suprema que seria o Bem divino, mas a
finalidade segundo esquemas que 0 homem contemporâneo é capaz de assimilar. Não temos
aqui entãe um desmentido com pleto a essa idéia de que a fi
nalidade da educação é adap tar 0 indivíduo ao meio social em que vive? Se o pensamen-
duzida em algo de mais próxi mo a nós? Uma coisa pelo me nos se pode depreender dos en sinamentos de Platão: Do pon to de vista educacional o indi
primeiro cuidado que, ao iniciar
mia.
o seu trabalho, todo educador
Quer isto dizer que as so ciedades individualistas contem
ra 0 educador o indivíduo é a sociedade e a sociedade é o in divíduo.
seducar o indivíduo; e que o
os seus métodos vão
ciedade. Trata-se de um jogo
15
víduo, em certos casos, tem a obrigação de se refugiar den tro de si mesmo, em benefício da própria sociedade. A rela ção indivíduo-sociedade não é do ponto de vista educacional uma relação de antinomia. Pa
deverá ter é verificar se às mu
aperfeiçoamento da nessa
vado o contrário. Existem na
ções cultas e poderosas em que se desejaria que o indivíduo pensasse com um pouco mais de autonomia. Por que não o fa
zem? A explicação de que há povos mais ou menos ir dividua-
tegidos os verdadeiros interes ses da comunidade. Tudo isso
dida que vamos avançando no
ECONÔMICO
des do seu tempo. Como gran
ragem de dizer não às socieda
de que maneira podem ser pro
podemos fazer e refazer, à me
DIGESTO
danças e às modificações
que
determi
nar, poderá ser atribuído
um
sentido educacional.
Adaptar o indivíduo ao meio social em que vive pode for mar um tipo de indivíduo in capaz de julgar por si mesmo o que é justo. Pode de um mo do geral formar um tipo de in divíduo incapaz de julgar qual quer coisa por si mesmo. Seus pensamentos serão os pensa mentos da sociedade à qual está adaptado. Poderá haver fra casso maior em matéria edu cacional?! Inútil será dizer que este é um caso extremo e que a tendência de cada indivíduo
é pensar de modo diferente dos demais. A experiência tem pro-
listas me parece pouco conviri-
bou ao indivíduo a sua autono
porâneas estão mais próximas do ideal platônico? De modo al gum. O indivíduo platônico car rega dentro de si a sociedade ideal que ele mesmo c onstruiu. Seus compromissos com a so ciedade são ainda mais fortes
do que se ele se tivesse mercimente adaptado ao meio süciai. Ele é o purificador da at mosfera social. Seu objetivo é subir ao plano das idéias para tornar ainda mais claro e trans
parente 0 seu projeto políticosocial. É, também, descer de novo ao plano do sensível para finalmsnte projetar no mundo exterior esse projeto latificado pe!o sol luminoso das idéias.
Esse é 0 motivo pelo qual a educação não pode depender da biologia, da sociologia ou de qualquer outra ciência. O indi víduo biológico não é a socie dade e sociologia não tem an tenas para captar o indivíduo.
A educação é um tipo de posi cionamento
absolutamente ori
ginário e em confron^^ação com 0 qual os demais posicionamen tos se manifestam secundários.
Uma
filosofia
da
educação
quando bem entendida é na rea
lidade uma educação que tem consciência dos seus objetivos
filosóficos. 0 filósofo, segundo
Pode essa conceituaçâo va
a concepção platônica, é na rea lidade 0 educando que se trans
zada em estilo arcaico ser tra-
forma em educador. È na ver-
DIGESTO
16
dade
uma
das
anomalias
do
nosso tempo essa enorme pro liferação de educadores que olham com suspeita para o campo da filosofia entendida como disciplina autônoma. Não
existe educação, no sentido au têntico da palavra, sem filoso fia ligada a esse entendimen to. Mas não há dúvida de que
o mundo está coberto de ex^periências que representam ten
tativas de transformar o proje to educacional numa atividade inautêntica.
ECONÔMICO
dade do mundo contemporâneo entretanto é
de tal
natureza
que saber o que, num país de terminado, constitui a .educa ção "já feita” não é tarefa fá cil. A cultura que estava por .se fazer nos países da Europa dos primeiros séculos dependia naturalmente da educação já
feita dos gregos; a cultura que estava para se fazer nos países do Novo Mundo dependia da educação já feita do.s euro peus. Chegou-se finalmente a
uma situação .em que a socie
A educação representa co mo a cultura um posicionamen to absolutamente originário £● no período clássico as duas coisas estavam perfeitamenta repre
dade de um dos países do Novo Mundo, a sociedade estaduni dense se apresenta para uma
sentadas num conceito único. Mas com o correr do tempo a cultura passou a significar a
é capaz de oferecer o contexto adequado pai’a a cultura ainda por se fazer das sociedades de
educação que- já estava feita e a educação a cultura que ainda estava por se fazer. É por isso que atualmente nos encon tramos em uma situação em que
a educação só pode ser apre ciada dentro de um determina do contexto da cultura. A cul
tura que ainda está por se fa zer
deve
naturalmente levar
em consideração a educação que já está feita. A compLax!-
certa classe de educadores co
mo uma educação já feita que
DIGESTO
ECONÔMICO
tantes para qualquer sociedade. Esses objetivos são a liberda
de de seus membro.s em primeii’o lugar, o imperativo da organização social em segun do, e em último lugar a exigên cia da produção de bens cm abundância, suficicTite para as segurar a subsistência e o bem estar de todos os membros des sa sociedade. Não há dúvida de
que nenhuma sociedade do mundo contemporâneo atingiu mai.3 plenaments tais objetivos. Contrariamente a esse entendi-
mento se pode dizer que embo
ra sejam importantes e, por assim dizer, essenciais os ob jetivos que a educação permi tiu fossem alcançados pela so ciedade norte-americana, eiss não esgotam o complexo de fi nalidades que toda verdadeira
outros países desse mesmo No vo Mundo. Que argumento há a
educação deve tsr em vista. Um país que pretendia inaugu-
favor ou contrário a esse tendimento?
rar
en
A favor seguinte: a
se deve dizer o educação já feita
da sociedade
norte-americana
deve-se naturalmente atribuir o mérito da extrema capacidade
manifestada por essa sociedade
de abranger
objetivos impor-
uma nova fase na sua hi.>-
tória educacional agiria, a nosso ver, de modo desavisado se to masse como modelo para suas
reformas pedagógicas um tipo de educação já feita que nao fosse 0 mais completo possível. A bem dizer não vejo realmen te necessidade de se tomar co¬
17
mo modelo um tipo de educa ção já feita, já realizada numa sociedade que lhe é contempo rânea e que é escolhido unica mente pelos brilhantes resulta dos que apresentou no campo prático. A educação já feita, a cultura, é um patrimônio de
que dispõe a humanidade e que SD situa num plano intemporal, independente de vicissitudes históricas. Essa educação já feita, essa cültura foi, inclu
sive, conquistada por uma so ciedade que não apresentava brilhantes resultados no cam
po da prática. Constituiu entre tanto uma tal circunstância mo
tivo suficiente para que a Eu ropa dos primeiros séculos de pois de Cristo não se aproprias se de .suas vantagens e de seus benefícios?
não.
A
Evidentemente
inexistência
de
bri
lhantes resultados conseguidos por aquela sociedade no campo
da prática, havia sido ainplameiito compensada pela pleni tude. com que sua cultura indi cava 0 complexo de finalidades
que toda.
verdadeira educação
deve ter.
O modelo educacional que Um país jovem, em processo de
DIGESTO
16
dade
uma
das
anomalias
do
nosso tempo essa enorme pro liferação de educadores que olham com suspeita para o campo da filosofia entendida como disciplina autônoma. Não
existe educação, no sentido au têntico da palavra, sem filoso fia ligada a esse entendimen to. Mas não há dúvida de que
o mundo está coberto de ex^periências que representam ten
tativas de transformar o proje to educacional numa atividade inautêntica.
ECONÔMICO
dade do mundo contemporâneo entretanto é
de tal
natureza
que saber o que, num país de terminado, constitui a .educa ção "já feita” não é tarefa fá cil. A cultura que estava por .se fazer nos países da Europa dos primeiros séculos dependia naturalmente da educação já
feita dos gregos; a cultura que estava para se fazer nos países do Novo Mundo dependia da educação já feita do.s euro peus. Chegou-se finalmente a
uma situação .em que a socie
A educação representa co mo a cultura um posicionamen to absolutamente originário £● no período clássico as duas coisas estavam perfeitamenta repre
dade de um dos países do Novo Mundo, a sociedade estaduni dense se apresenta para uma
sentadas num conceito único. Mas com o correr do tempo a cultura passou a significar a
é capaz de oferecer o contexto adequado pai’a a cultura ainda por se fazer das sociedades de
educação que- já estava feita e a educação a cultura que ainda estava por se fazer. É por isso que atualmente nos encon tramos em uma situação em que
a educação só pode ser apre ciada dentro de um determina do contexto da cultura. A cul
tura que ainda está por se fa zer
deve
naturalmente levar
em consideração a educação que já está feita. A compLax!-
certa classe de educadores co
mo uma educação já feita que
DIGESTO
ECONÔMICO
tantes para qualquer sociedade. Esses objetivos são a liberda
de de seus membro.s em primeii’o lugar, o imperativo da organização social em segun do, e em último lugar a exigên cia da produção de bens cm abundância, suficicTite para as segurar a subsistência e o bem estar de todos os membros des sa sociedade. Não há dúvida de
que nenhuma sociedade do mundo contemporâneo atingiu mai.3 plenaments tais objetivos. Contrariamente a esse entendi-
mento se pode dizer que embo
ra sejam importantes e, por assim dizer, essenciais os ob jetivos que a educação permi tiu fossem alcançados pela so ciedade norte-americana, eiss não esgotam o complexo de fi nalidades que toda verdadeira
outros países desse mesmo No vo Mundo. Que argumento há a
educação deve tsr em vista. Um país que pretendia inaugu-
favor ou contrário a esse tendimento?
rar
en
A favor seguinte: a
se deve dizer o educação já feita
da sociedade
norte-americana
deve-se naturalmente atribuir o mérito da extrema capacidade
manifestada por essa sociedade
de abranger
objetivos impor-
uma nova fase na sua hi.>-
tória educacional agiria, a nosso ver, de modo desavisado se to masse como modelo para suas
reformas pedagógicas um tipo de educação já feita que nao fosse 0 mais completo possível. A bem dizer não vejo realmen te necessidade de se tomar co¬
17
mo modelo um tipo de educa ção já feita, já realizada numa sociedade que lhe é contempo rânea e que é escolhido unica mente pelos brilhantes resulta dos que apresentou no campo prático. A educação já feita, a cultura, é um patrimônio de
que dispõe a humanidade e que SD situa num plano intemporal, independente de vicissitudes históricas. Essa educação já feita, essa cültura foi, inclu
sive, conquistada por uma so ciedade que não apresentava brilhantes resultados no cam
po da prática. Constituiu entre tanto uma tal circunstância mo
tivo suficiente para que a Eu ropa dos primeiros séculos de pois de Cristo não se aproprias se de .suas vantagens e de seus benefícios?
não.
A
Evidentemente
inexistência
de
bri
lhantes resultados conseguidos por aquela sociedade no campo
da prática, havia sido ainplameiito compensada pela pleni tude. com que sua cultura indi cava 0 complexo de finalidades
que toda.
verdadeira educação
deve ter.
O modelo educacional que Um país jovem, em processo de
DIGESTO! ECONÔMICO
18
reformas
pedagógicas precisa
adotar, não deve, por conse guinte, ser escolhido segundo o critério de sucesso político, so cial e econômico dos países que utilizaram tal modelo. Esse
sucesso pode inclusive, em cer tos casos, ser atribuído às de
que
estamos
tentando dizer.
Mao quer nos parecer que
só
0 estudo aprofundado da obra platônica nos dará uma base e uma bússola capaz de nos onentar na tarefa extremamente ár dua e complexa de situar e apreender a verdadeira essên
ficiências no sistema educacio
nal do país bem sucedido. Um país jovem que está em proces so de reformas pedagógicas de
ve, em primeiro lugar, examinar
cia do fenômeno a que se dá o nome de educação. Nos livros
de
pedagogia
contemporânea
Platão é algumas vezes citado, sempre de passagem.
É
que tipo de educação já feita incorporou à sua história. Esse
mas
é um primeiro passo indispen sável que lhe permitirá em se
dos educadores atuais a valida de e a oportunidade de seus en sinamentos é questionável. Pre midos pela necessidade de equacionar o problema educa cional em função das priorida
guida executar o segundo,
o
mais difícil e o mais importan te: 0 passo que consiste em ve rificar em que medida essa ieducação já feita, já incorpo rada à sua história, coincide ou
diverge da
educação já feita,
patrimônio comum da humani dade e situada num plano in-
temporal, independente’das vicissitudes históricas.
Quer isto dizer que dsvemos no
se
fim do século XX, qua-
que nos
albores do século
XXI empregar nas nossas
es-
colas os métodos recomendados
por Platão?
Não, não é isto
evidente
des da
que para
a maioria
sociedade para a qual
soluções são procuradas, afas tam, sem hesitações, a reflexão platônica por lhes parecer estar ela essencialmente vinculada a uma forma de sociedade já de saparecida. A rigor, pensam eles, pode-se entender o inte resse que Platão desperta no campo da cultura; seria levar longe demais o gosto pelo arcaico estender esse interesse ao campo da pedagogia.
DIGESTO
19
ECONÔMICO
A cultura
contemporânea,
dizem os entendidos em moder
nidade, é uma cultura de espe cialistas. Não existe em
nossa
época grandes sínteses filosófi cas nem grandes visões de con junto. O momento é de crítica e de análise. Tendemos, no ter reno da cultura, para uma con centração cada vez maior so bre 0 detalhe, sobre o porme nor com significação própria. Como se pode, pois, esperar que o pedagogo se interesse por ou tra coisa que não seja a peda
se
tenha
levantado
alguma
grande síntese. Pode-se temer que a tendência à especializa ção se acentue cada vez mais e que a reversão dessa tendência, considerada necessária, nunca venha a se concretizar. A si tuação cultural de nossos tem pos, prejudicada por uma tal tendência, oferece o triste es petáculo de um campo onde ja zem uma série de problemas nati-mortos e que justamente não chegaram a respirar até a existência e a se articular co
mo questões
vivas, justamen
gogia e como imaginar que ele possa se entregar a devaneios que S.Ó são permissíveis no ter
deixá-los sufocar na miséria de
reno da cultura?
um
te por que era regra do campo nascimento
largado
ao
abandono.
A pergunta tem um aspec to assustador e que consiste no fato de parecer, à primeira vis ta propriamente irrespondível. A disciplina especializadora a que se quer submeter o peda gogo, como a uma camisa de força que lhe tolhesse os movi mentos, não 13'eria um caso iso lado na história da inteligência.
Todos os
pesquisadores,
nos
seus diversos campos, mais ou mienos aceitam essa disciplina. Pode-se lamentar que sobre esse trabalho diversificado não
A finalidade da educação é um desses problemas. Não há um só pedagogo em nossos tem pos capaz de dar uma resposta verdadeira a uma tal indaga ção. Em outras partes do no.3so trabalho já aludimos a essa questão mas convém agora examiná-la porque do exame penso .-resultar a evidência de
que a especialização, longe de dar Um cunho mais científico e
mais rigoroso à pesquisa inte lectual, como se costuma assi-
DIGESTO! ECONÔMICO
18
reformas
pedagógicas precisa
adotar, não deve, por conse guinte, ser escolhido segundo o critério de sucesso político, so cial e econômico dos países que utilizaram tal modelo. Esse
sucesso pode inclusive, em cer tos casos, ser atribuído às de
que
estamos
tentando dizer.
Mao quer nos parecer que
só
0 estudo aprofundado da obra platônica nos dará uma base e uma bússola capaz de nos onentar na tarefa extremamente ár dua e complexa de situar e apreender a verdadeira essên
ficiências no sistema educacio
nal do país bem sucedido. Um país jovem que está em proces so de reformas pedagógicas de
ve, em primeiro lugar, examinar
cia do fenômeno a que se dá o nome de educação. Nos livros
de
pedagogia
contemporânea
Platão é algumas vezes citado, sempre de passagem.
É
que tipo de educação já feita incorporou à sua história. Esse
mas
é um primeiro passo indispen sável que lhe permitirá em se
dos educadores atuais a valida de e a oportunidade de seus en sinamentos é questionável. Pre midos pela necessidade de equacionar o problema educa cional em função das priorida
guida executar o segundo,
o
mais difícil e o mais importan te: 0 passo que consiste em ve rificar em que medida essa ieducação já feita, já incorpo rada à sua história, coincide ou
diverge da
educação já feita,
patrimônio comum da humani dade e situada num plano in-
temporal, independente’das vicissitudes históricas.
Quer isto dizer que dsvemos no
se
fim do século XX, qua-
que nos
albores do século
XXI empregar nas nossas
es-
colas os métodos recomendados
por Platão?
Não, não é isto
evidente
des da
que para
a maioria
sociedade para a qual
soluções são procuradas, afas tam, sem hesitações, a reflexão platônica por lhes parecer estar ela essencialmente vinculada a uma forma de sociedade já de saparecida. A rigor, pensam eles, pode-se entender o inte resse que Platão desperta no campo da cultura; seria levar longe demais o gosto pelo arcaico estender esse interesse ao campo da pedagogia.
DIGESTO
19
ECONÔMICO
A cultura
contemporânea,
dizem os entendidos em moder
nidade, é uma cultura de espe cialistas. Não existe em
nossa
época grandes sínteses filosófi cas nem grandes visões de con junto. O momento é de crítica e de análise. Tendemos, no ter reno da cultura, para uma con centração cada vez maior so bre 0 detalhe, sobre o porme nor com significação própria. Como se pode, pois, esperar que o pedagogo se interesse por ou tra coisa que não seja a peda
se
tenha
levantado
alguma
grande síntese. Pode-se temer que a tendência à especializa ção se acentue cada vez mais e que a reversão dessa tendência, considerada necessária, nunca venha a se concretizar. A si tuação cultural de nossos tem pos, prejudicada por uma tal tendência, oferece o triste es petáculo de um campo onde ja zem uma série de problemas nati-mortos e que justamente não chegaram a respirar até a existência e a se articular co
mo questões
vivas, justamen
gogia e como imaginar que ele possa se entregar a devaneios que S.Ó são permissíveis no ter
deixá-los sufocar na miséria de
reno da cultura?
um
te por que era regra do campo nascimento
largado
ao
abandono.
A pergunta tem um aspec to assustador e que consiste no fato de parecer, à primeira vis ta propriamente irrespondível. A disciplina especializadora a que se quer submeter o peda gogo, como a uma camisa de força que lhe tolhesse os movi mentos, não 13'eria um caso iso lado na história da inteligência.
Todos os
pesquisadores,
nos
seus diversos campos, mais ou mienos aceitam essa disciplina. Pode-se lamentar que sobre esse trabalho diversificado não
A finalidade da educação é um desses problemas. Não há um só pedagogo em nossos tem pos capaz de dar uma resposta verdadeira a uma tal indaga ção. Em outras partes do no.3so trabalho já aludimos a essa questão mas convém agora examiná-la porque do exame penso .-resultar a evidência de
que a especialização, longe de dar Um cunho mais científico e
mais rigoroso à pesquisa inte lectual, como se costuma assi-
DIGESTO
20
nalar, ocasiona, com frequên cia, a total impossibilidade de equacionar
corretamente
um
porém,
ECONÔMICO
recebemos
uma ducha
de água fria ao constatar que as divergências que havia sus
problema. Os pioneiros do Ma
citado
nifesto brasileiro sobre a Edu¬
tas como coisas naturais já que provinham dos diferentes pon tos de vista de que pode ser apreciado o problema funda mental dos fins da educação.
cação Nova, por exemplo, voltejam em torno da quastão da fi nalidade da educação mas em nenhum momento
se arriscam
a dar uma definição definitiva. Há na Introdução ao Manifes to, assinada por Fernando de
Azevedo,
um capítulo sobre
o
problema fundamental dos Fins
da Educação. E o que aprende mos nele? — Aprendemos que "o problema da educação — í"' maior e o mais difícil problema propoato
ao
homem
se
transportou entre nós, de uma vez, da atmosfera confinada do empirismo didático para o ar livre do pensamento moderno, da rotina burocrática para as
idéias
político-sociais, e
dos
planos do imediatismo utilitário para o.s domínios das cogita-
ções científicas e filosóficas”.
0 Manifesto
eram
acei
Depois da ducha de água fria tudo o mais que se segue no capítulo só contribui para agravar o sentimento de decep ção. O capítulo intitulado o problema fundamental dos fins da educação é destinado prin cipalmente a mostrar que os fins da educação são vários e não podem ser perfeltamente definidos.
Já agora no Manifesto se volta novamente à questão dos fins da educação. O que se quer então é mostrar que a an tiga situação educacional do País se ressentia entre outras coisas de uma falta
de deter
DIGESTO
ECONÔMICO
21
fo e deve ter a sua filosofia da
os educandos .e que uns consi
educação;
deram
mas
trabalhando
na determinação dos fins da educação quanto também na determinação dos meios para realizá-los”. O raciocínio pare ce e.5tar certo. Estamos plena mente de acordo quanto ao in teresse na determinação doT
Mas 0 exame, num longo olhar para o passado, da evolução da educação através das diferen tes civilizações, nos ensina que
meios de realizar os fins
da
educação. Mas isso não no.s de sobriga a permanecer interes sados na determinação dos fins da educação. Vejamos se o Ma nifesto nos ensina algo difsnte do que havia sido consignado na Introdução assinada por Fernando de Azevedo.
O Manifesto tem um canitulo intitulado "Finalidades da
Educação”.
"Toda educação”
começa
dizendo
ele
“varia
sempre em função de um.a concepção de vida, refletindo em cada época a filosofia pre dominante que é determinada a
tinuássemos a leitura do capi-
tulo com curiosidade e mesmo
“Certo”, diz o Manifesto, "um
concepção
sofreguidão. Logo adiante,
educador pode bem sei’ filóso-
ideal, que devem conformar-se
da prometia realmente resulta dos
extraordinariamente
im
portantes e era natural que con com
e
outros concreto e relativo, va
minação dos fins da educação. Essa falta é identificada com uma falta de espírito filosófico. Mas mais adiante recebemos de nnvo a ducha de água fria.
A transferência assim anuncia
abstrato e absoluto
cirntificamente nesse terreno ele deve estar tão interessado
seu turno
pela estrutura
da
riável no
tempo e no espaço.
0 conteúdo real desse ideal va
riou sempre de acordo com a estrutura e as
tendências
so
ciais da época, extraindo sua vitalidade como sua força inspiradora da própria natureza da realidade social”.
Muito
bem.
Determinar
os
fins da educação significaria, pois, para os pioneiros do Ma
nifesto, registrar o fato de que a questão da finalidade da edu cação gira em torno de um ideal que seria o ideal da so
ciedade
brasileira — digamos
para encurtar as coisas, o ideal democrático. Acrescenta mos apenas rapidamente para completar o quadro da nossa exposição que a diversidade áz
sociedade... A questão primor
pontos de vista quanto à ques tão da determinação dos fins
dial das
da educação resultaria sempre
finalidades da educa
ção gira pois em torno de uma de
vida,
de
uni
segundo os
pioneiros simples
mente do fato da diversidade de classes sociais.
DIGESTO
20
nalar, ocasiona, com frequên cia, a total impossibilidade de equacionar
corretamente
um
porém,
ECONÔMICO
recebemos
uma ducha
de água fria ao constatar que as divergências que havia sus
problema. Os pioneiros do Ma
citado
nifesto brasileiro sobre a Edu¬
tas como coisas naturais já que provinham dos diferentes pon tos de vista de que pode ser apreciado o problema funda mental dos fins da educação.
cação Nova, por exemplo, voltejam em torno da quastão da fi nalidade da educação mas em nenhum momento
se arriscam
a dar uma definição definitiva. Há na Introdução ao Manifes to, assinada por Fernando de
Azevedo,
um capítulo sobre
o
problema fundamental dos Fins
da Educação. E o que aprende mos nele? — Aprendemos que "o problema da educação — í"' maior e o mais difícil problema propoato
ao
homem
se
transportou entre nós, de uma vez, da atmosfera confinada do empirismo didático para o ar livre do pensamento moderno, da rotina burocrática para as
idéias
político-sociais, e
dos
planos do imediatismo utilitário para o.s domínios das cogita-
ções científicas e filosóficas”.
0 Manifesto
eram
acei
Depois da ducha de água fria tudo o mais que se segue no capítulo só contribui para agravar o sentimento de decep ção. O capítulo intitulado o problema fundamental dos fins da educação é destinado prin cipalmente a mostrar que os fins da educação são vários e não podem ser perfeltamente definidos.
Já agora no Manifesto se volta novamente à questão dos fins da educação. O que se quer então é mostrar que a an tiga situação educacional do País se ressentia entre outras coisas de uma falta
de deter
DIGESTO
ECONÔMICO
21
fo e deve ter a sua filosofia da
os educandos .e que uns consi
educação;
deram
mas
trabalhando
na determinação dos fins da educação quanto também na determinação dos meios para realizá-los”. O raciocínio pare ce e.5tar certo. Estamos plena mente de acordo quanto ao in teresse na determinação doT
Mas 0 exame, num longo olhar para o passado, da evolução da educação através das diferen tes civilizações, nos ensina que
meios de realizar os fins
da
educação. Mas isso não no.s de sobriga a permanecer interes sados na determinação dos fins da educação. Vejamos se o Ma nifesto nos ensina algo difsnte do que havia sido consignado na Introdução assinada por Fernando de Azevedo.
O Manifesto tem um canitulo intitulado "Finalidades da
Educação”.
"Toda educação”
começa
dizendo
ele
“varia
sempre em função de um.a concepção de vida, refletindo em cada época a filosofia pre dominante que é determinada a
tinuássemos a leitura do capi-
tulo com curiosidade e mesmo
“Certo”, diz o Manifesto, "um
concepção
sofreguidão. Logo adiante,
educador pode bem sei’ filóso-
ideal, que devem conformar-se
da prometia realmente resulta dos
extraordinariamente
im
portantes e era natural que con com
e
outros concreto e relativo, va
minação dos fins da educação. Essa falta é identificada com uma falta de espírito filosófico. Mas mais adiante recebemos de nnvo a ducha de água fria.
A transferência assim anuncia
abstrato e absoluto
cirntificamente nesse terreno ele deve estar tão interessado
seu turno
pela estrutura
da
riável no
tempo e no espaço.
0 conteúdo real desse ideal va
riou sempre de acordo com a estrutura e as
tendências
so
ciais da época, extraindo sua vitalidade como sua força inspiradora da própria natureza da realidade social”.
Muito
bem.
Determinar
os
fins da educação significaria, pois, para os pioneiros do Ma
nifesto, registrar o fato de que a questão da finalidade da edu cação gira em torno de um ideal que seria o ideal da so
ciedade
brasileira — digamos
para encurtar as coisas, o ideal democrático. Acrescenta mos apenas rapidamente para completar o quadro da nossa exposição que a diversidade áz
sociedade... A questão primor
pontos de vista quanto à ques tão da determinação dos fins
dial das
da educação resultaria sempre
finalidades da educa
ção gira pois em torno de uma de
vida,
de
uni
segundo os
pioneiros simples
mente do fato da diversidade de classes sociais.
DIGESTO ECONÔMICO
22
Depois do escrutínio minu cioso do texto que estamos considerando não podemos evi tar a impressão de que fomos burlados em qualquer coisa. Nosso interesse era saber se o
Manifesto havia podido deter minar quais eram os fins da educação e o que nos foi dito
foi que os fins eram vários, va-
riavam segundo as épocas ’e as sociedades e que na sociedade brasileira contemporânea ele se
fixava em tomo de um ideal democrático, biológico e nao aristológico, socializante e cientifico, funcional e estatizante. A bem dizer,
esses diferentes
tipos de ideal não esgotam a longa série de idéias que podem ser enumeradas nas sociedades contemporâneas. Esses ideais
são mesmo tão numerosos que seria talvez permitido duvidar de que fossem realmente ideais. Seria
ta
sem dúvida mais'
considerá-los
realis
experiências
qu€' uma sociedade tenta reali zar e só depois de haverem essas experiências logrado um estrondoso sucesso atribuir-lhes o título de ideais. A observação
que fazemos nos parece ter ple no cabimento
porque o que os
pioneiros do Manifesto nos pro-
põem é que os fins da educa ção girem em torno de ideais que
nao
verdadedramente
sao
ideais, mais simples experiên cias que podem em muitos ca¬ sos malograr. Todos
nós
evidentemente
aspiramos pela existência
de
um Brasil democrático.
Mas
pode-se dizer em sã consciência que a Democracia no Brasil está de tal
modo consolidada
que só uma educação que gire em torno do ideal democrático
tenha no País
alguma viabili
dade? A mim me parece que estames aqui diante de um gi gantesco "wishful thinking”. A mim me parece que lestamos aqui mais uma vez copiando o estrangeiro. É preciso não con fundir a necessidade que todos nós sentimos de implantar a Democracia no nosso país com as simpatias que* naturalmente temos por tudo quanto tem uma origem le um saber demo crático. É um projeto extrema mente discutível esse que
con
siste em procurar implantar
a
Democracia no Brasil através
da implantação de um sistema educacional democrático. É um
DIGESTO ECONÔMICO
23
projeto, aliás, que não deveria ser apoiado pelos pioneiros do Manifesto pois segundo eles os fins da educação no Brasil deveriam
girar
em tomo
dos
ideais da
sociedade brasüeira
— e já vimos que a sociedade brasileira não é nem democrá
tica, nem socializante, nem im buída de espírito científico.
Tecnologicamente, as indústrias européias estão firaTldn L. u
atrás — Europa encontra-se no prelúdio de uma nova revoa 0 lução industrial, a qual, graças aos novos desenvolvimen
tos
nos setores de informática e eletrônica, trará consigo transformações da mesma profundidade que a invenção da máquina a vapor fez no sé culo 19. Isto é uma afirmação de Michel Albert, antigo ministro fran cês de planejamento e co-autor do livro “O desafio americano”, proferi da na ocasião de uma discussão sobre questões econômicas, realizada na cidade de Alpbach. Mas, pela primeira vez na sua história, pjrosseguiu o orador, a Europa não se encontra mais na frente das grandess inovações industriais. Desta forma, entre os dez maiores fabricantes de micropro cessadores no mundo não há nenhuma empresa européia. Quanto às téc
nicas que vão causar a revolução tecnológica, os USA e o Japão deixaram para trás os europeus, constatou o político de economia francês. Ele advertiu que, caso a indústria européia não consiga recuperar o atraso e caso não haja concomitantemente mudanças econômicas profundas, a Europa entrará numa fase de decadência. A consequência inevitável seria a redução da capacidade competidora e falta de trabalho. Os enormes progressos técnicos na informática delxarom-nos conscientes dos erros
profundos cometidos pelos europeus quando eles se concentraram
na
sua
Integração econômica principalmente nos setores do passado, como por exemplo carvão e agricultura, deixando de lado os setores a-ltamente pro missores do futuro como a indústria atômica ou a informática, disse Albert. Não obstante, ele finalizou as suas exposições nas discussões
havidas
em
Alpbach com ligeiro otimismo. Os Europeus, em virtude do padrão eleva do da sua cultura, ainda teriam boas chances para recuperar o seu des cuido, de forma que a indústria européia com pleno aproveitamento dtos seus recursos, no lim do século, pudesse esperar uma renascença. Também
o presidente da Confederação Alemã de Indústria e Comércio,
Otto ”Wlolff
von Amerongen, intei-veio nas discussões de Alpbach. Ele ocupou-se das mudanças necessárias nas estruturas industriais, aludindo também às re-
lações delicadas entre governo e economia. A mudança da
estrutura
eco-
nómica seria questão da economia, devendo-se ficar assim, destacou Amefongen. A tarefa do governo seria não impedir esta mudança de estrutura
(Continua na página 41)
DIGESTO ECONÔMICO
22
Depois do escrutínio minu cioso do texto que estamos considerando não podemos evi tar a impressão de que fomos burlados em qualquer coisa. Nosso interesse era saber se o
Manifesto havia podido deter minar quais eram os fins da educação e o que nos foi dito
foi que os fins eram vários, va-
riavam segundo as épocas ’e as sociedades e que na sociedade brasileira contemporânea ele se
fixava em tomo de um ideal democrático, biológico e nao aristológico, socializante e cientifico, funcional e estatizante. A bem dizer,
esses diferentes
tipos de ideal não esgotam a longa série de idéias que podem ser enumeradas nas sociedades contemporâneas. Esses ideais
são mesmo tão numerosos que seria talvez permitido duvidar de que fossem realmente ideais. Seria
ta
sem dúvida mais'
considerá-los
realis
experiências
qu€' uma sociedade tenta reali zar e só depois de haverem essas experiências logrado um estrondoso sucesso atribuir-lhes o título de ideais. A observação
que fazemos nos parece ter ple no cabimento
porque o que os
pioneiros do Manifesto nos pro-
põem é que os fins da educa ção girem em torno de ideais que
nao
verdadedramente
sao
ideais, mais simples experiên cias que podem em muitos ca¬ sos malograr. Todos
nós
evidentemente
aspiramos pela existência
de
um Brasil democrático.
Mas
pode-se dizer em sã consciência que a Democracia no Brasil está de tal
modo consolidada
que só uma educação que gire em torno do ideal democrático
tenha no País
alguma viabili
dade? A mim me parece que estames aqui diante de um gi gantesco "wishful thinking”. A mim me parece que lestamos aqui mais uma vez copiando o estrangeiro. É preciso não con fundir a necessidade que todos nós sentimos de implantar a Democracia no nosso país com as simpatias que* naturalmente temos por tudo quanto tem uma origem le um saber demo crático. É um projeto extrema mente discutível esse que
con
siste em procurar implantar
a
Democracia no Brasil através
da implantação de um sistema educacional democrático. É um
DIGESTO ECONÔMICO
23
projeto, aliás, que não deveria ser apoiado pelos pioneiros do Manifesto pois segundo eles os fins da educação no Brasil deveriam
girar
em tomo
dos
ideais da
sociedade brasüeira
— e já vimos que a sociedade brasileira não é nem democrá
tica, nem socializante, nem im buída de espírito científico.
Tecnologicamente, as indústrias européias estão firaTldn L. u
atrás — Europa encontra-se no prelúdio de uma nova revoa 0 lução industrial, a qual, graças aos novos desenvolvimen
tos
nos setores de informática e eletrônica, trará consigo transformações da mesma profundidade que a invenção da máquina a vapor fez no sé culo 19. Isto é uma afirmação de Michel Albert, antigo ministro fran cês de planejamento e co-autor do livro “O desafio americano”, proferi da na ocasião de uma discussão sobre questões econômicas, realizada na cidade de Alpbach. Mas, pela primeira vez na sua história, pjrosseguiu o orador, a Europa não se encontra mais na frente das grandess inovações industriais. Desta forma, entre os dez maiores fabricantes de micropro cessadores no mundo não há nenhuma empresa européia. Quanto às téc
nicas que vão causar a revolução tecnológica, os USA e o Japão deixaram para trás os europeus, constatou o político de economia francês. Ele advertiu que, caso a indústria européia não consiga recuperar o atraso e caso não haja concomitantemente mudanças econômicas profundas, a Europa entrará numa fase de decadência. A consequência inevitável seria a redução da capacidade competidora e falta de trabalho. Os enormes progressos técnicos na informática delxarom-nos conscientes dos erros
profundos cometidos pelos europeus quando eles se concentraram
na
sua
Integração econômica principalmente nos setores do passado, como por exemplo carvão e agricultura, deixando de lado os setores a-ltamente pro missores do futuro como a indústria atômica ou a informática, disse Albert. Não obstante, ele finalizou as suas exposições nas discussões
havidas
em
Alpbach com ligeiro otimismo. Os Europeus, em virtude do padrão eleva do da sua cultura, ainda teriam boas chances para recuperar o seu des cuido, de forma que a indústria européia com pleno aproveitamento dtos seus recursos, no lim do século, pudesse esperar uma renascença. Também
o presidente da Confederação Alemã de Indústria e Comércio,
Otto ”Wlolff
von Amerongen, intei-veio nas discussões de Alpbach. Ele ocupou-se das mudanças necessárias nas estruturas industriais, aludindo também às re-
lações delicadas entre governo e economia. A mudança da
estrutura
eco-
nómica seria questão da economia, devendo-se ficar assim, destacou Amefongen. A tarefa do governo seria não impedir esta mudança de estrutura
(Continua na página 41)
LUIZ PEREIRA BARRETO O perfil de um grande cientista brasileiro. O autor é professor emérito da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e Membro da Academia Paulista de Letras.
A.C.
Ainda adolescente, aos quin ze anos de idade, Luiz Pereira Barreto foi encaminhado por seus pais para a Bélgica, onde termina os seus preparatórios,
Diário do Comércio - noticiário variado, consuitório jurídico, orientação
legal, editais de cartórios de protestos, falências e concordatas, declarações á praça, convocações, atas e balanços de sociedades e bancos, manifestos de importação, movimento dos portos, mercados, Bolsas, câmbio, etc., estão nas páginas do Diário do Comércio.
matriculando-se
ligência, amor aos estudos e curiosidade científica.
Calendário Fiscal - Financiamento e Desenvolvimento - são publicações do
Departamento de Publicações Especiais que abordam assuntos de interesse
dos empresários para a solução dos problemas d'p dia-a-dia.
Rua Boa Vista. 51 - C. Postal 8082 — Cop 01014 - Telex (11) 23355 - SP - PABX 239-1333.
Faculdade
de Medicina de Bruxelas, destacando-se logo pela sua inte
Digesto Econômico - Revista especializada bimensal que aborda assuntos gerais assinados pelos maiores expoentes da intelectualidade brasileira e internacional. , ’
Associe-se à ACSP e receba os benefícios de suas publicações.
na
.
Pacheco e Silva
deira revolução, tantas e tama nhas foram as descobertas rea
lizadas naquela época: Pasteur acabara de fundamentar a teo
ria microbiana, demonstrando que a maioria das doenças são consequentes a minúsculos germens,
só
visíveis
ao
micros
cópio, com objetivas de grande potência.
Durante o seu curso, teve ele a oportunidade de acompa nhar os grandes progressos realizados pela medicina que
imprimira grandes avanços à fisiologia, descobrindo numero
passou, então, por uma verda-
mal, mercê dos métodos posi-
O genial
Claude
Bernard
sas funções do organismo ani
LUIZ PEREIRA BARRETO O perfil de um grande cientista brasileiro. O autor é professor emérito da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e Membro da Academia Paulista de Letras.
A.C.
Ainda adolescente, aos quin ze anos de idade, Luiz Pereira Barreto foi encaminhado por seus pais para a Bélgica, onde termina os seus preparatórios,
Diário do Comércio - noticiário variado, consuitório jurídico, orientação
legal, editais de cartórios de protestos, falências e concordatas, declarações á praça, convocações, atas e balanços de sociedades e bancos, manifestos de importação, movimento dos portos, mercados, Bolsas, câmbio, etc., estão nas páginas do Diário do Comércio.
matriculando-se
ligência, amor aos estudos e curiosidade científica.
Calendário Fiscal - Financiamento e Desenvolvimento - são publicações do
Departamento de Publicações Especiais que abordam assuntos de interesse
dos empresários para a solução dos problemas d'p dia-a-dia.
Rua Boa Vista. 51 - C. Postal 8082 — Cop 01014 - Telex (11) 23355 - SP - PABX 239-1333.
Faculdade
de Medicina de Bruxelas, destacando-se logo pela sua inte
Digesto Econômico - Revista especializada bimensal que aborda assuntos gerais assinados pelos maiores expoentes da intelectualidade brasileira e internacional. , ’
Associe-se à ACSP e receba os benefícios de suas publicações.
na
.
Pacheco e Silva
deira revolução, tantas e tama nhas foram as descobertas rea
lizadas naquela época: Pasteur acabara de fundamentar a teo
ria microbiana, demonstrando que a maioria das doenças são consequentes a minúsculos germens,
só
visíveis
ao
micros
cópio, com objetivas de grande potência.
Durante o seu curso, teve ele a oportunidade de acompa nhar os grandes progressos realizados pela medicina que
imprimira grandes avanços à fisiologia, descobrindo numero
passou, então, por uma verda-
mal, mercê dos métodos posi-
O genial
Claude
Bernard
sas funções do organismo ani
DIGESTO
26
ECONÔMICO
tivos, fundados na observação
das Nevroses em Geral”,
e na experimentação.
reira Barreto buscou estabele cer relacionamento entre as
Lamarck e Darwin haviam
Pe
dado extraordinárias contribui
afecções gástricas e o psiquis-
ções nos domínios da heredita
mo,
riedade, da genética e da va
geral da moléstia, que é a ba se fundamental da patologia
riação das espécies. Bem se pode imaginar a ex traordinária
influência
exerci
da por todos esses eventos, so bre 0 espírito do jovem estu
dante,
apaixonado
pela
sua
profissão e cientista por tem peramento. Terminados os
seus
estu
dos, conquanto pudesse prosse guir
seus trabalhos na escola
onde lograra conquistar posi
ção
ímpar,
preferiu
Barreto
voltar para o Brasil, com o es
pírito povoado de novas idéias, ansioso por implantá-las em nossa terra, saudoso dos seus pagos.
UM PRECURSOR DA MEDICINA PSICOSSOMÁTICA Em sua tese apresentada à Faculdade de Medicina do Rio
de Janeiro, para revalidar o seu diploma de médico, apro vada com distinção, intitulada: “A Teoria das
Gastralgias
e
ponderando:
“Esta
teoria
positiva, já tinha sido pressen tida para o caso especial das nevroses por muitos observa dores”, citando Dumas no ori ginal: “Le
cerveau
et
les
nerfs
ont des connexions si étroites, si nombreuses, avec toutes les
parties du corps qu'il est im possible de fixer positivement un siége et des limites aux affections du système nerveux. La plupart de ces affections existent dans le cerveau, qui les communique à toutes les parties sur les quelles il agit, et dont lui même éprouve réciproquement la réaction, mais il y en a plusieurs qui sont bornées aux divisions nerveuses, d'oü les organes les plus im-
27
DIGESTO ECONÔMICO
cimentos de fisiologia experi mental, de bioquímica e de neurologia, excepcionais para a época em que viveu, ponde rando:
"Muitos e
muitos
fenôme
nos subjetivos puderam atingir em cérebros, esgotados pelo jejum e pelas súplicas, um al to grau de intensidade e cons tituir
verdadeiros casos
pato
lógicos, verdadeiras nevroses. Gerações inteiras, durante a Idade Média, foram testemu nhas desses fatos.
Incapaz
o
Nesta
sua
tese.
Pereira
Barreto revelou sólidos conhe-
PUREZA DE SENTIMENTOS dedicou
a
sua tese inaugural a numero
sos parentes e amigos fazendo,
dio.
A anarquia (que nos seja
permitido este termo) é hoje tal que, em um livro muito co
nhecido, reimpresso em 1857 e que se acha entre as mãos de todos os estudantes, vemos a
sífilis!”.
ment et du mouvement”.
somática.
entretanto, especial menção à sua extremosa Mãe:
bas ventre et de la poitrine, repríncipe du senti-
plena
achou mais fácil negálos... é um meio como qualquer outro de cortar o nó gór-
dias
hipocondria figurar ao lado... do escorbuto, do diabete e da
le
psíquicas, justificando,
mente, a sua inclusão entre os pioneiros da medicina psicos-
nossos
portants comme les viscéres du
çoivent
vismo, Contudo, este trabalho não deixa de ter excepcional valor, pelo fato de haver o seu autor estabelecido, de forma precisa, as relações existentes entre as funções somáticas e
Pereira Barreto
de explicá-los,
ceticismo científico de
demonstrar o apego de Pereira Barreto pelo criador do Positi
Ressente-se,
sem
dúvida.
esta tese magnífica de marca
da impregnação dos princípios filosóficos de Augusto Comte, a
Fostes vós, que me ensi nastes a votar um incessante culto
aos
santos atributos
do
coração. Fostes vós, que me fizestes compreender o quanto a vida da inteligência é vã e
árida, sem os afetos da ternu ra. Fostes vós, que me revelas
tes, em toda a sua grandeza, a superioridade moral e a preeminência efetiva da candura feminina_
Permiti, pois, que eu vos dedique este primeiro fruto de
DIGESTO
26
ECONÔMICO
tivos, fundados na observação
das Nevroses em Geral”,
e na experimentação.
reira Barreto buscou estabele cer relacionamento entre as
Lamarck e Darwin haviam
Pe
dado extraordinárias contribui
afecções gástricas e o psiquis-
ções nos domínios da heredita
mo,
riedade, da genética e da va
geral da moléstia, que é a ba se fundamental da patologia
riação das espécies. Bem se pode imaginar a ex traordinária
influência
exerci
da por todos esses eventos, so bre 0 espírito do jovem estu
dante,
apaixonado
pela
sua
profissão e cientista por tem peramento. Terminados os
seus
estu
dos, conquanto pudesse prosse guir
seus trabalhos na escola
onde lograra conquistar posi
ção
ímpar,
preferiu
Barreto
voltar para o Brasil, com o es
pírito povoado de novas idéias, ansioso por implantá-las em nossa terra, saudoso dos seus pagos.
UM PRECURSOR DA MEDICINA PSICOSSOMÁTICA Em sua tese apresentada à Faculdade de Medicina do Rio
de Janeiro, para revalidar o seu diploma de médico, apro vada com distinção, intitulada: “A Teoria das
Gastralgias
e
ponderando:
“Esta
teoria
positiva, já tinha sido pressen tida para o caso especial das nevroses por muitos observa dores”, citando Dumas no ori ginal: “Le
cerveau
et
les
nerfs
ont des connexions si étroites, si nombreuses, avec toutes les
parties du corps qu'il est im possible de fixer positivement un siége et des limites aux affections du système nerveux. La plupart de ces affections existent dans le cerveau, qui les communique à toutes les parties sur les quelles il agit, et dont lui même éprouve réciproquement la réaction, mais il y en a plusieurs qui sont bornées aux divisions nerveuses, d'oü les organes les plus im-
27
DIGESTO ECONÔMICO
cimentos de fisiologia experi mental, de bioquímica e de neurologia, excepcionais para a época em que viveu, ponde rando:
"Muitos e
muitos
fenôme
nos subjetivos puderam atingir em cérebros, esgotados pelo jejum e pelas súplicas, um al to grau de intensidade e cons tituir
verdadeiros casos
pato
lógicos, verdadeiras nevroses. Gerações inteiras, durante a Idade Média, foram testemu nhas desses fatos.
Incapaz
o
Nesta
sua
tese.
Pereira
Barreto revelou sólidos conhe-
PUREZA DE SENTIMENTOS dedicou
a
sua tese inaugural a numero
sos parentes e amigos fazendo,
dio.
A anarquia (que nos seja
permitido este termo) é hoje tal que, em um livro muito co
nhecido, reimpresso em 1857 e que se acha entre as mãos de todos os estudantes, vemos a
sífilis!”.
ment et du mouvement”.
somática.
entretanto, especial menção à sua extremosa Mãe:
bas ventre et de la poitrine, repríncipe du senti-
plena
achou mais fácil negálos... é um meio como qualquer outro de cortar o nó gór-
dias
hipocondria figurar ao lado... do escorbuto, do diabete e da
le
psíquicas, justificando,
mente, a sua inclusão entre os pioneiros da medicina psicos-
nossos
portants comme les viscéres du
çoivent
vismo, Contudo, este trabalho não deixa de ter excepcional valor, pelo fato de haver o seu autor estabelecido, de forma precisa, as relações existentes entre as funções somáticas e
Pereira Barreto
de explicá-los,
ceticismo científico de
demonstrar o apego de Pereira Barreto pelo criador do Positi
Ressente-se,
sem
dúvida.
esta tese magnífica de marca
da impregnação dos princípios filosóficos de Augusto Comte, a
Fostes vós, que me ensi nastes a votar um incessante culto
aos
santos atributos
do
coração. Fostes vós, que me fizestes compreender o quanto a vida da inteligência é vã e
árida, sem os afetos da ternu ra. Fostes vós, que me revelas
tes, em toda a sua grandeza, a superioridade moral e a preeminência efetiva da candura feminina_
Permiti, pois, que eu vos dedique este primeiro fruto de
DIGESTO
2B
meu trabalho, como um pe nhor do grande amor, que vos
ECONÔMICO
to decidiu iniciar a sua carrei
DIGESTO ECONÔMICO
ünde só se podia chegar a pé ou a cavalo. Nada, porém, in timidava 0 jovem clínico, que a tudo se sujeitava, como um
ra profissional em Jacareí, pequena cidade do Vale do Paraíba, onde viviam nobres do Império, entregues à cultu ra do café, que representava então a principal riqueza da
autêntico sacerdote.
traduzem bem, em toda a sua inteireza, a,delicadeza de sentimentos e a sua preocupação em demons trar gratidão àquela que lhe havia traçado os nobres cami nhos por onde orientou a sua
regiao.
raente dedicado à clínica e aos
Grande contraste existia, evidentemente, entre a vida na cidade de Bruxelas, capital eu-
verdadeiro
vida de sábio humanitário.
Disse, com muita felicida de, 0 professor Roque Spencer
margem do lendário Rio Paraí ba, por ele escolliido para ini ciar a sua carreira profissional.
Maciel .de Barros, na “Intro dução das Obras EUosóficas de
Contudo, não tardou o jo vem médico a nele se integrar
consagro.
Aceita-o, minha terna mãe,
e abençoai-me, para que siga sempre
o
caminho
da virtude
e do dever”. Estas palavras
repéia de civilização avançada, em cuja Universidade estuda ra, e 0 pequenino burgo, à
Em Jacareí, viveu Pereira Barreto de 1868 a 1882, inteiraestudos
filosóficos,
qual
um
asceta.
Inimigo do luxo e do faus to. filósofo e humanista, de rl
gidos princípios morais, médi co por vocação, sentia-s? ele perfeitamente realizado e feliz, entre aquela gente humilde e extreraamente piedosa.
plomado na Europa, generoso e
Não saíam os jacareienses da sua rotina habitual, entre gues a árduos trabalhos, senão para participar de festas reli giosas, realizadas com' grande aparato. Das janelas dos so-
humanitário, correu mundo, al
bradões
perplexo ante a sabedoria, os
cançando todo 0 vale paraiba no, de onde acorriam numero
viam-se enormes
le cuja memória hoje reveren
sos pacientes, que ele acudia sem distinção de classes, com a mesma atenção e dedicação. A clínica exigia, naquele tempo, inauditos sacrifícios do
Luís Pereira Barreto", ter si do ele uma das mais significa tivas figuras do pensamento nacional. Realmente, ao per correr os textos coligidos por este ilustre professor, fica-se
conhecimentos filosóficos, mé dicos e a cultura geral daque ciamos.
INÍCIO DA CARREIRA
e a conviver na maior harmonia com seus habitantes. A sua fa
ma de médico competente, di
MÉDICA EM JACAREÍ
médico da roça, obrigado a vi sitar doentes, impedidos de se
Habilitado a exercer a me
locomoverem, residente em pequenos povoados e fazendas,
dicina no Brasil, Pereira Barre-
coloniais,
residências
mais
como
das
modsstas, colchas
ren
dadas, cuidadosamente borda das à mão, fruto do artesanato
tivas
irmandades.
eram cobertas de pedregulho, folhas
ruas
serragem, e flores,
com os quais se faziam dese
nhos geométricos, a exigir muita paciência, dotes artísticos e grande devoção dos seus au tores.
Profundamente trados, os romeiros vam lentamente,
cânticos
compene caminha entoando
religiosos, rezando e
invocando os padroeiros da ci dade, rogando a Deus pelos
seus fiéis, como o fazem ainda hoje, dos
a despeito do perpassar anos.
.
Pereira Barreto, conquanto agnóstico, admirava e respeita va as crenças daquela gente simples, catóücos fervorosos, impregnados de elevada moral
cristã. Catorze longos anos vi veu ele naquela cidade, onde até hoje o seu nome é lembra do como um grande benfeitor por sucessivas gerações. O
local.
À noite, eram as ruas ilu* minadas por lanternas e lampeões colocados nas sacadas, a indicar os caminhos por onde deveríam passar os devotos, vestidos com opas das respec-
As
FILÓSOFO
Pereira Barreto foi um fi
lósofo
profundo,
apegado
ao
positivismo de Augusto Comte, que contava muitos adeptos en tre os nossos republicanos his
tóricos.
Prevaleceu-se
ele, no
DIGESTO
2B
meu trabalho, como um pe nhor do grande amor, que vos
ECONÔMICO
to decidiu iniciar a sua carrei
DIGESTO ECONÔMICO
ünde só se podia chegar a pé ou a cavalo. Nada, porém, in timidava 0 jovem clínico, que a tudo se sujeitava, como um
ra profissional em Jacareí, pequena cidade do Vale do Paraíba, onde viviam nobres do Império, entregues à cultu ra do café, que representava então a principal riqueza da
autêntico sacerdote.
traduzem bem, em toda a sua inteireza, a,delicadeza de sentimentos e a sua preocupação em demons trar gratidão àquela que lhe havia traçado os nobres cami nhos por onde orientou a sua
regiao.
raente dedicado à clínica e aos
Grande contraste existia, evidentemente, entre a vida na cidade de Bruxelas, capital eu-
verdadeiro
vida de sábio humanitário.
Disse, com muita felicida de, 0 professor Roque Spencer
margem do lendário Rio Paraí ba, por ele escolliido para ini ciar a sua carreira profissional.
Maciel .de Barros, na “Intro dução das Obras EUosóficas de
Contudo, não tardou o jo vem médico a nele se integrar
consagro.
Aceita-o, minha terna mãe,
e abençoai-me, para que siga sempre
o
caminho
da virtude
e do dever”. Estas palavras
repéia de civilização avançada, em cuja Universidade estuda ra, e 0 pequenino burgo, à
Em Jacareí, viveu Pereira Barreto de 1868 a 1882, inteiraestudos
filosóficos,
qual
um
asceta.
Inimigo do luxo e do faus to. filósofo e humanista, de rl
gidos princípios morais, médi co por vocação, sentia-s? ele perfeitamente realizado e feliz, entre aquela gente humilde e extreraamente piedosa.
plomado na Europa, generoso e
Não saíam os jacareienses da sua rotina habitual, entre gues a árduos trabalhos, senão para participar de festas reli giosas, realizadas com' grande aparato. Das janelas dos so-
humanitário, correu mundo, al
bradões
perplexo ante a sabedoria, os
cançando todo 0 vale paraiba no, de onde acorriam numero
viam-se enormes
le cuja memória hoje reveren
sos pacientes, que ele acudia sem distinção de classes, com a mesma atenção e dedicação. A clínica exigia, naquele tempo, inauditos sacrifícios do
Luís Pereira Barreto", ter si do ele uma das mais significa tivas figuras do pensamento nacional. Realmente, ao per correr os textos coligidos por este ilustre professor, fica-se
conhecimentos filosóficos, mé dicos e a cultura geral daque ciamos.
INÍCIO DA CARREIRA
e a conviver na maior harmonia com seus habitantes. A sua fa
ma de médico competente, di
MÉDICA EM JACAREÍ
médico da roça, obrigado a vi sitar doentes, impedidos de se
Habilitado a exercer a me
locomoverem, residente em pequenos povoados e fazendas,
dicina no Brasil, Pereira Barre-
coloniais,
residências
mais
como
das
modsstas, colchas
ren
dadas, cuidadosamente borda das à mão, fruto do artesanato
tivas
irmandades.
eram cobertas de pedregulho, folhas
ruas
serragem, e flores,
com os quais se faziam dese
nhos geométricos, a exigir muita paciência, dotes artísticos e grande devoção dos seus au tores.
Profundamente trados, os romeiros vam lentamente,
cânticos
compene caminha entoando
religiosos, rezando e
invocando os padroeiros da ci dade, rogando a Deus pelos
seus fiéis, como o fazem ainda hoje, dos
a despeito do perpassar anos.
.
Pereira Barreto, conquanto agnóstico, admirava e respeita va as crenças daquela gente simples, catóücos fervorosos, impregnados de elevada moral
cristã. Catorze longos anos vi veu ele naquela cidade, onde até hoje o seu nome é lembra do como um grande benfeitor por sucessivas gerações. O
local.
À noite, eram as ruas ilu* minadas por lanternas e lampeões colocados nas sacadas, a indicar os caminhos por onde deveríam passar os devotos, vestidos com opas das respec-
As
FILÓSOFO
Pereira Barreto foi um fi
lósofo
profundo,
apegado
ao
positivismo de Augusto Comte, que contava muitos adeptos en tre os nossos republicanos his
tóricos.
Prevaleceu-se
ele, no
DIGESTO ECONÔMICO
33
início de sua carreira, do am biente calmo é tranqüilo em
“A
filosofia
moderna não
pode deixar de
assenhorear-se
que vivia em Jacarei, para aprimorar os seus conhecimen
deste alto domínio: é da sua missão assinalar as tendências
tos filosóficos, mediante estudo, observação e meditação.
positivas
da
marcar o
alvo ao
progresso,
sempre por
base a or
Escreveu durante esse
tendo
pe
ríodo, a primeira parte da sua obra '^‘Três Filosofias”, que versa sobre a Filosofia Teoló
gica. É bem de ver que, con quanto tivesse ele vivido longos anos na Europa, não se descui
dava do vernáculo, a julgar pela clareza, correção e estilo
humanidade,
e
DIGESTO ECONÔMICO
tivermos chegado ao termo da nossa exposição. Em todo o ca so, 0 exemplo dos nossos corre
ligionários na França, Ingla terra, na Alemanha, na Itália e nos Estados Unidos sustentanos a coragem.
Jacarei, São Paulo,
dem”.
“O Brasil já conta hoje no seu seio um pequeno grupo de positivistas, grupo recrutado éspecialmente na classe média e na dos longe de
engenheiros o que, diminuir, tende a
crescer cada vez mais. Abstive-
Ao defender as suas idéias
e os seus princípios, Barreto o fazia sem temer conseqüências,
aqui de tomar parte no conflito
religioso atualmente sobre o ta
criticar-lhe
ele:
se adiantar demais no seu tem
censão que eleva gradualmente homem do estado de selvage-
ria primitiva ao estado da es
cravidão, do estado de escravi
dão ao de servidão e do de ser
vidão ao de homem livre .
‘Qualquer outro modo encarar-se
a
civilização
necessariamente
de
será
unilateral
e
defeituoso, e é este o ideal que devemos procurar atingir".
nou bem manifesta a sua opi
nião, é que viemos oferecer-lhe 0 concurso da nossa pedrinha para o edifício do futuro, indicando-ihe a oportunidade de dar um passo mais adiante. Seremos bem aceitos?
Pedimos que se suspenda o juízo sobre nós, enquanto não
ainda em Jacarei,
obra principal — “Três Filoso fias", obra que firmou a sua po sição na intelectualidade brasi leira, fazendo seu nome trans por as fronteiras da Pátria, como um dos nossos mais pro
fundos pensadores”. “Nenhum lugar vazio, tudo
em realidade social, aos moti
sofias”, dirigida aos Senadores Jobim e J. F. de Godoy, disse
po é também uma condição de ordem e de progresso; esperávamos que a sociedade se pro nunciasse depositando inteira confiança na grande massa da Nação; e, só depois que se tor
meditação,
Pereira Barreto escreveu a sua
percebemos pelo coração, pela inteligência e pela ação; a
Franca
pete; não nos apressamos; não
do campo, afastado do bulício
da cidade, em um ambiente que convidava ao estudo e à
plenamente consciente das rea ções que 0 seu trabalho iria despertar. E isso aconteceu. O eminente jesuíta Leonel da
mo-nos
o
até
10 de
maio de 1874”.
escorreito dos seus escritos. Na Carta-Prefácio de “Três Filo
“O Progresso acha-se em toda a história, e mesmo antes da história, e podemos de fini-lo — 0 movimento de as
escrupulosamente
31
não teve
dúvida em
trindade católica transforma-se
a
vos que emanavam provisoria
obra, baseado no catolicismo, ínfenso a princípios materialis-
mente da divindade para ani mar 0 sentimento, substituímos
tas.
os móveis sociais inteiramente
Durante toda a sua vida Pereira Barreto não renunciou,
confuso e arbitrário das vonta
severamente
jamais, aos seus princípios fi losóficos, conquanto, nos seus últimos tempos, não se tenha revelado positivista tão ortodo
xo, partidário
que se tornara
das idéias de Littrè. Ao referir-se a ele, em seu 'História de um belo estudo
espírito", escreveu Ulysses Paranhos: “Imbuído de idéias fi
losóficas, que trouxera da Eu
ropa, aproveitando
o remanso
desinteressados;
ao
regime
des sociais, que surpreendiam 0 intelecto, substituímos a pre
cisão dos demonstráveis, en fim, na política e na indústria, em todo o domínio da ação, substituímos o dever ao direito, os pacíficos labores à guerra, a convergência e a unidade dos esforços à concorrência desen freada”.
Estas páginas admiráveis revelam um espírito extrema-
DIGESTO ECONÔMICO
33
início de sua carreira, do am biente calmo é tranqüilo em
“A
filosofia
moderna não
pode deixar de
assenhorear-se
que vivia em Jacarei, para aprimorar os seus conhecimen
deste alto domínio: é da sua missão assinalar as tendências
tos filosóficos, mediante estudo, observação e meditação.
positivas
da
marcar o
alvo ao
progresso,
sempre por
base a or
Escreveu durante esse
tendo
pe
ríodo, a primeira parte da sua obra '^‘Três Filosofias”, que versa sobre a Filosofia Teoló
gica. É bem de ver que, con quanto tivesse ele vivido longos anos na Europa, não se descui
dava do vernáculo, a julgar pela clareza, correção e estilo
humanidade,
e
DIGESTO ECONÔMICO
tivermos chegado ao termo da nossa exposição. Em todo o ca so, 0 exemplo dos nossos corre
ligionários na França, Ingla terra, na Alemanha, na Itália e nos Estados Unidos sustentanos a coragem.
Jacarei, São Paulo,
dem”.
“O Brasil já conta hoje no seu seio um pequeno grupo de positivistas, grupo recrutado éspecialmente na classe média e na dos longe de
engenheiros o que, diminuir, tende a
crescer cada vez mais. Abstive-
Ao defender as suas idéias
e os seus princípios, Barreto o fazia sem temer conseqüências,
aqui de tomar parte no conflito
religioso atualmente sobre o ta
criticar-lhe
ele:
se adiantar demais no seu tem
censão que eleva gradualmente homem do estado de selvage-
ria primitiva ao estado da es
cravidão, do estado de escravi
dão ao de servidão e do de ser
vidão ao de homem livre .
‘Qualquer outro modo encarar-se
a
civilização
necessariamente
de
será
unilateral
e
defeituoso, e é este o ideal que devemos procurar atingir".
nou bem manifesta a sua opi
nião, é que viemos oferecer-lhe 0 concurso da nossa pedrinha para o edifício do futuro, indicando-ihe a oportunidade de dar um passo mais adiante. Seremos bem aceitos?
Pedimos que se suspenda o juízo sobre nós, enquanto não
ainda em Jacarei,
obra principal — “Três Filoso fias", obra que firmou a sua po sição na intelectualidade brasi leira, fazendo seu nome trans por as fronteiras da Pátria, como um dos nossos mais pro
fundos pensadores”. “Nenhum lugar vazio, tudo
em realidade social, aos moti
sofias”, dirigida aos Senadores Jobim e J. F. de Godoy, disse
po é também uma condição de ordem e de progresso; esperávamos que a sociedade se pro nunciasse depositando inteira confiança na grande massa da Nação; e, só depois que se tor
meditação,
Pereira Barreto escreveu a sua
percebemos pelo coração, pela inteligência e pela ação; a
Franca
pete; não nos apressamos; não
do campo, afastado do bulício
da cidade, em um ambiente que convidava ao estudo e à
plenamente consciente das rea ções que 0 seu trabalho iria despertar. E isso aconteceu. O eminente jesuíta Leonel da
mo-nos
o
até
10 de
maio de 1874”.
escorreito dos seus escritos. Na Carta-Prefácio de “Três Filo
“O Progresso acha-se em toda a história, e mesmo antes da história, e podemos de fini-lo — 0 movimento de as
escrupulosamente
31
não teve
dúvida em
trindade católica transforma-se
a
vos que emanavam provisoria
obra, baseado no catolicismo, ínfenso a princípios materialis-
mente da divindade para ani mar 0 sentimento, substituímos
tas.
os móveis sociais inteiramente
Durante toda a sua vida Pereira Barreto não renunciou,
confuso e arbitrário das vonta
severamente
jamais, aos seus princípios fi losóficos, conquanto, nos seus últimos tempos, não se tenha revelado positivista tão ortodo
xo, partidário
que se tornara
das idéias de Littrè. Ao referir-se a ele, em seu 'História de um belo estudo
espírito", escreveu Ulysses Paranhos: “Imbuído de idéias fi
losóficas, que trouxera da Eu
ropa, aproveitando
o remanso
desinteressados;
ao
regime
des sociais, que surpreendiam 0 intelecto, substituímos a pre
cisão dos demonstráveis, en fim, na política e na indústria, em todo o domínio da ação, substituímos o dever ao direito, os pacíficos labores à guerra, a convergência e a unidade dos esforços à concorrência desen freada”.
Estas páginas admiráveis revelam um espírito extrema-
DIGESTO
32
mente avançado e equilibrado, preocupado com a justiça so cial que se diriam de hoje, emitidas por um espírito liberal que, com grande antecipação, previa a evolução do espírito humano, donde a necessidade de respeitar, enaltecer e reco mendar 0 humanismo sob todas as suas formas.
O MÉDICO E CIRURGIÃO Ao
mudar-se
de
Jacareí
para São Paulo, onde a medici
ECONÔMICO
gueiro,
Adolf Gad e
Arnaldo
Vieira de Carvalho, este jovem
cirurgião, vivamente empenha do em dar novos e promissores rumas à medicina paulista.
Barreto, que havia acom panhado de perto os trabalhos de Pasteur e a introdução da
33
Barreto publica, nessa épo ca, uma preciosa monografia
honra suprema”. O homem que escrevia estas linhas, não an
intitulada: "A lógica como ins trumento de pesquisa no estu
dou longe da verdade, no esfor
senvolvimento da nobre de curar em nosso meio.
do da epidemiologia”, onde afir
transmissor do inexorável mor-
ma, de forma categórica, que:
bus, assinalou
"O ar veicula o pernilongo e é este que veicula o bacilo amarilico. E torna-se inútil a hipóte se da infecção domiciliar”.
de Carvalho, ao transcrever
O
arte
EPIDEMIOLOGISTA
Médico na extensão da pa lavra, Pereira Barreto não po dia ficar indiferente à terrível
febre amarela,
que grassava
assustadoramente no
Interior
do Estado, particularmente em
te
Estabelece ele logo as me lhores relações de amizade com Carlos Botelho, Nicolau Ver-
ECONÔMICO
assepsia no campo operatório e instrumental cirúrgico, reco mendada por Lister, logi’a con correr eficazmente para o de
na e, principalmente, a cirur Campinas. Afrontando todos gia ofereciam maiores possibili os riscos, ofereceu ele os seus dades para o exercício de sua serviços e foi até lá prestar o profissão. Pereira Barreto foi seu concurso. logo cordialmente recebido pe E, enquanto tratava os seus los seus colegas, conhecedores pacientes, observava cuidado da sua cultura, capacidade, de samente os fatos, vivamen dicação e respeito pela ética médica.
DIGESTO
interessado
em
descobrir
A esse propósito, assinalou muito bem Emílio Ribas: “Bar
reto escreveu páginas admirá
veis, apelando para o concurso do governo na luta contra a mortífera epidemia. Dizia ele: "Na questão da febre amarela em Campinas, não está em jo go unicamente a vida de uma grande cidade: essa população que se afunda e desaparece, muda
e fria nas
mitério,
covas do
arrasta consigo
em
só mortalha a honra
e e
qual seria o agente transmissor
uma
do mal amarílico. Não eram ainda conhecidas as conclu
futuro da província inteira.
sões da comissão médica
do
exército americano, chefiada por Reed e Carrol, sobre os trabalhos de Finley, que afir mava ser a
temível
doença
transmitida por um mosquito, o que deu lugar a grandes polê micas sobre os vectores mal.
desse
ce
A cada golpe de pá ouvese- 0 eco, que retumba medo nhamente no exterior, apavo
rando a imigração, aniquilando os
nossos créditos de País ha
bitável, de povo civilizado. A ressurreição de Campi nas impõe-se como um dever elementar, como um ponto de
ço para
descobrir o
agente
Arnaldo Vieira
o
ssguinte trecho, de um traba lho
dele:
que
os
'Lembremo-nos
poços
sao
os
de
perenes
mananciais em que se formam miríades de pernilongos. É in tuitivo que, gerados em águas contaminadas, ve-nham eles a tona com as suas trombas car
regadas de bacilos especiais. Cada picada será uma certeira inoculação. das Aí temos o “pendant’ pulgas na peste. A crença po
pular, de que a febre amarela se apanha mais à noite que de dia, é perfeitamente fundada: 03 hábitos notivagos do alado parasita sangüíneo explicam o incontestável
fato”.
Para
chc-
gar às suas conclusões, Barre to levou também em considera
ção as informações
prestadas
pelo dr. José Augusto Corrêa, médico em Tietê, de que ja mais se viram naquela cidade tão densas nuvens de pernilon gos, como no auge da epidemia
que lá
ocorria, fato que
lhe
DIGESTO
32
mente avançado e equilibrado, preocupado com a justiça so cial que se diriam de hoje, emitidas por um espírito liberal que, com grande antecipação, previa a evolução do espírito humano, donde a necessidade de respeitar, enaltecer e reco mendar 0 humanismo sob todas as suas formas.
O MÉDICO E CIRURGIÃO Ao
mudar-se
de
Jacareí
para São Paulo, onde a medici
ECONÔMICO
gueiro,
Adolf Gad e
Arnaldo
Vieira de Carvalho, este jovem
cirurgião, vivamente empenha do em dar novos e promissores rumas à medicina paulista.
Barreto, que havia acom panhado de perto os trabalhos de Pasteur e a introdução da
33
Barreto publica, nessa épo ca, uma preciosa monografia
honra suprema”. O homem que escrevia estas linhas, não an
intitulada: "A lógica como ins trumento de pesquisa no estu
dou longe da verdade, no esfor
senvolvimento da nobre de curar em nosso meio.
do da epidemiologia”, onde afir
transmissor do inexorável mor-
ma, de forma categórica, que:
bus, assinalou
"O ar veicula o pernilongo e é este que veicula o bacilo amarilico. E torna-se inútil a hipóte se da infecção domiciliar”.
de Carvalho, ao transcrever
O
arte
EPIDEMIOLOGISTA
Médico na extensão da pa lavra, Pereira Barreto não po dia ficar indiferente à terrível
febre amarela,
que grassava
assustadoramente no
Interior
do Estado, particularmente em
te
Estabelece ele logo as me lhores relações de amizade com Carlos Botelho, Nicolau Ver-
ECONÔMICO
assepsia no campo operatório e instrumental cirúrgico, reco mendada por Lister, logi’a con correr eficazmente para o de
na e, principalmente, a cirur Campinas. Afrontando todos gia ofereciam maiores possibili os riscos, ofereceu ele os seus dades para o exercício de sua serviços e foi até lá prestar o profissão. Pereira Barreto foi seu concurso. logo cordialmente recebido pe E, enquanto tratava os seus los seus colegas, conhecedores pacientes, observava cuidado da sua cultura, capacidade, de samente os fatos, vivamen dicação e respeito pela ética médica.
DIGESTO
interessado
em
descobrir
A esse propósito, assinalou muito bem Emílio Ribas: “Bar
reto escreveu páginas admirá
veis, apelando para o concurso do governo na luta contra a mortífera epidemia. Dizia ele: "Na questão da febre amarela em Campinas, não está em jo go unicamente a vida de uma grande cidade: essa população que se afunda e desaparece, muda
e fria nas
mitério,
covas do
arrasta consigo
em
só mortalha a honra
e e
qual seria o agente transmissor
uma
do mal amarílico. Não eram ainda conhecidas as conclu
futuro da província inteira.
sões da comissão médica
do
exército americano, chefiada por Reed e Carrol, sobre os trabalhos de Finley, que afir mava ser a
temível
doença
transmitida por um mosquito, o que deu lugar a grandes polê micas sobre os vectores mal.
desse
ce
A cada golpe de pá ouvese- 0 eco, que retumba medo nhamente no exterior, apavo
rando a imigração, aniquilando os
nossos créditos de País ha
bitável, de povo civilizado. A ressurreição de Campi nas impõe-se como um dever elementar, como um ponto de
ço para
descobrir o
agente
Arnaldo Vieira
o
ssguinte trecho, de um traba lho
dele:
que
os
'Lembremo-nos
poços
sao
os
de
perenes
mananciais em que se formam miríades de pernilongos. É in tuitivo que, gerados em águas contaminadas, ve-nham eles a tona com as suas trombas car
regadas de bacilos especiais. Cada picada será uma certeira inoculação. das Aí temos o “pendant’ pulgas na peste. A crença po
pular, de que a febre amarela se apanha mais à noite que de dia, é perfeitamente fundada: 03 hábitos notivagos do alado parasita sangüíneo explicam o incontestável
fato”.
Para
chc-
gar às suas conclusões, Barre to levou também em considera
ção as informações
prestadas
pelo dr. José Augusto Corrêa, médico em Tietê, de que ja mais se viram naquela cidade tão densas nuvens de pernilon gos, como no auge da epidemia
que lá
ocorria, fato que
lhe
DIGESTO
34
despertara mosquito o
a idéia de ser
agente da
o
febre
Faltaram-lhe,
é certo,
ou-
tro.3 elementos para documen tar suficientemente as suas hifoi póbeses mas, sem dúvida, precursores
ao
apontar o papel do mosquito na transmissão
da
febre
amare-
la.
O VlTiCULTOR E VINICULTOR
múltiplos aspectos, ao europeu. Mas não era fácil a empresa, não só pelo fato de não dispor ele de mudas, como pela ausên cia de agricultores com expe riência nesse gênero de cultura. Encontrou,. porém, no velho
Marengo, horticultor de D. Ve
ridiana Prado, um auxiliar de votado e, dentro de pouco tem
po, colhia magníficos cachos de uvas européias,
cujos
paráveis aos da Europa. Nessa ocasião
ECONÔMICO
G‘’aças
à Dona
35
Veridiana [Prado.
campanha que um grupo de homens esclarecidos iniciara,
DAS
táculos. particularmente nas terras de além-mar, onde o Bra sil era apontado como um país exótico, de clima insalubre, on de grassavam intensamente mortíferas epidemias.
bagos
do mesmo tamanho e sa-
não sem encontrar A
Olavo Bilac
veio a São Paulo, e teve ense jo de provar o vinho paulista,
Que achou excelente, improvi sando 0 seguinte verso:
"Já não há
vinho que nie [envergonhe Não beberemos Verde, nem [Colares,
Nem Bordeaux, nem
A escolha feita pelo dr. Barreto, ao tentar aqui intro duzir frutas européias, recaiu sobre as videiras da Europa. Se lograsse aqui cultivá-las, estaria perfeitamente compro vada a tese de ser o nosso clima beni ,íí 0 G semelhante, sob
eram
bor das italianas. De posse das uvas, cuidou ele de com elas
DIGESTO
fabricar excelente vinho, com
amarela.
ele um dos
ECONÔMICO
[Marsala, nem Bourgogne, Vindo de além dos mares
“Hoje, se o copo a minha [mão levanta Da escravidão antiga não [me lembro:
FERRUGEM ViDEIRAS
Surge logo, porém, um im previsto para Barreto, a exigir uma solução, para que a con quista não viesee a fracassar, Estava
a
vinha
seriamente
ameaçada pela ferrugem,
que
rendilhava as suas folhas e des truía os frutos.
teur, verificando, pelo micros cópio, a presença de iioi fungo.
O sete de setembro!
Emprega os inseticidas aconse lhados, tendo por base o sulfa to dc- cobre, e logra combater com êxito a praga, capaz d.a in
Salve,
validar os seus intuitos.
— Já me raiou, enfim, para [a garganta, fulvo clarão da [Independência! Salve, nobre conquista!
A IMIGRAÇÃO EUROPÉIA
Poderemos beber sem [indecência: A sede é nativista E em prantos de ventura
capacitando-se da necessidade
[me derreto
de se favorecer cerrentes imi-
[naturalizado, Graças ao Gênio do Doutor [Barreto
sil, tendo em vista encontrar-s a velha Europa suporpovoada.
Vendo-te ó Baco,
Presenciou
Pereira Barre-
lo a emancipação dos escravos,
gratórias européias para o Bra Urgia, assim, intensificar uma
obs
Criaram-se lendas as mais
estapafúrdias e absurdas, de ser 0 nosso país essencialmente tropical, que só produzia o café
A ciência não tardaria a ]’esürver o problema. B.arreto recorre aos trabalhos de Pas-
sérios
e a borracha.
Aiirmava-
se que os colonos europeus não resistiríam ao calor e à umida
de do nosso clima, impróprio à civilização da raça branca. Tendo estudado na Europa, Pereira Barreto tinha perfeito conhecimento do juízo que lá D fazia do nosso clima, capaC f
citado da necessidade
de
des
fazer semelhantes afirmaçõe'oferecendo exemp^.os concretos que
viessem desfazer
o
mau
conceito que se fazia do nosso clima, tido como insalubre.
Julgou ele que, se aqui logras se cultivar frutas peculiares aos climas frios e temperados, tal fato constituiria prova evi dente de que as nossas terras eram propícias à colonização européia.
DIGESTO
34
despertara mosquito o
a idéia de ser
agente da
o
febre
Faltaram-lhe,
é certo,
ou-
tro.3 elementos para documen tar suficientemente as suas hifoi póbeses mas, sem dúvida, precursores
ao
apontar o papel do mosquito na transmissão
da
febre
amare-
la.
O VlTiCULTOR E VINICULTOR
múltiplos aspectos, ao europeu. Mas não era fácil a empresa, não só pelo fato de não dispor ele de mudas, como pela ausên cia de agricultores com expe riência nesse gênero de cultura. Encontrou,. porém, no velho
Marengo, horticultor de D. Ve
ridiana Prado, um auxiliar de votado e, dentro de pouco tem
po, colhia magníficos cachos de uvas européias,
cujos
paráveis aos da Europa. Nessa ocasião
ECONÔMICO
G‘’aças
à Dona
35
Veridiana [Prado.
campanha que um grupo de homens esclarecidos iniciara,
DAS
táculos. particularmente nas terras de além-mar, onde o Bra sil era apontado como um país exótico, de clima insalubre, on de grassavam intensamente mortíferas epidemias.
bagos
do mesmo tamanho e sa-
não sem encontrar A
Olavo Bilac
veio a São Paulo, e teve ense jo de provar o vinho paulista,
Que achou excelente, improvi sando 0 seguinte verso:
"Já não há
vinho que nie [envergonhe Não beberemos Verde, nem [Colares,
Nem Bordeaux, nem
A escolha feita pelo dr. Barreto, ao tentar aqui intro duzir frutas européias, recaiu sobre as videiras da Europa. Se lograsse aqui cultivá-las, estaria perfeitamente compro vada a tese de ser o nosso clima beni ,íí 0 G semelhante, sob
eram
bor das italianas. De posse das uvas, cuidou ele de com elas
DIGESTO
fabricar excelente vinho, com
amarela.
ele um dos
ECONÔMICO
[Marsala, nem Bourgogne, Vindo de além dos mares
“Hoje, se o copo a minha [mão levanta Da escravidão antiga não [me lembro:
FERRUGEM ViDEIRAS
Surge logo, porém, um im previsto para Barreto, a exigir uma solução, para que a con quista não viesee a fracassar, Estava
a
vinha
seriamente
ameaçada pela ferrugem,
que
rendilhava as suas folhas e des truía os frutos.
teur, verificando, pelo micros cópio, a presença de iioi fungo.
O sete de setembro!
Emprega os inseticidas aconse lhados, tendo por base o sulfa to dc- cobre, e logra combater com êxito a praga, capaz d.a in
Salve,
validar os seus intuitos.
— Já me raiou, enfim, para [a garganta, fulvo clarão da [Independência! Salve, nobre conquista!
A IMIGRAÇÃO EUROPÉIA
Poderemos beber sem [indecência: A sede é nativista E em prantos de ventura
capacitando-se da necessidade
[me derreto
de se favorecer cerrentes imi-
[naturalizado, Graças ao Gênio do Doutor [Barreto
sil, tendo em vista encontrar-s a velha Europa suporpovoada.
Vendo-te ó Baco,
Presenciou
Pereira Barre-
lo a emancipação dos escravos,
gratórias européias para o Bra Urgia, assim, intensificar uma
obs
Criaram-se lendas as mais
estapafúrdias e absurdas, de ser 0 nosso país essencialmente tropical, que só produzia o café
A ciência não tardaria a ]’esürver o problema. B.arreto recorre aos trabalhos de Pas-
sérios
e a borracha.
Aiirmava-
se que os colonos europeus não resistiríam ao calor e à umida
de do nosso clima, impróprio à civilização da raça branca. Tendo estudado na Europa, Pereira Barreto tinha perfeito conhecimento do juízo que lá D fazia do nosso clima, capaC f
citado da necessidade
de
des
fazer semelhantes afirmaçõe'oferecendo exemp^.os concretos que
viessem desfazer
o
mau
conceito que se fazia do nosso clima, tido como insalubre.
Julgou ele que, se aqui logras se cultivar frutas peculiares aos climas frios e temperados, tal fato constituiria prova evi dente de que as nossas terras eram propícias à colonização européia.
DIGESTO
36
ECONÔMICO 37
DIGESTO ECONÔMICO
A TERRA ROXA DE SÃO PAULO
Concluídos os seus estudos
mente repleta de flores e de salpicos rutilantes, denuncian do a fertilidade do solo e a pu jança da seiva.
na Bélgica, Barreto retorna à
Pátria e inicia, como vimos, a.. sua vida profissional em Jacareí, a esse tempo importante centro agrícola do Norte de São Paulo. Mas, a cultura in tensiva do café já se alastrava pelo interior afora, particular
mente no Oeste, tendo Campi nas por principal núcleo pro dutor. Ninguém se aventurava, porém, a aproveitar a terra ro xa, tida como imprópria para a cultura da preciosa rubiácea.
Barreto, ao viajar pelo in
terior paulista, observara a fer tilidade de terras, tidas como
estéreis. Inicia uma propagan da intensiva no sentido de se
rem elas aproveitadas para o cultivo do café. Não se limitou,
porém, à teoria. Entra logo em
ação, dando o bom exemplo e prova insofismável da sua sin ceridade, iniciando o plantio do
A maré cresceu, o sertão bruto deixava de existir à me
dida que os trilhos penetravam
pelo interior a dentro, drenan do para Santos milhões de sa cas de café. A agricultura pau lista
cresceu
assustadoramen
te, de par com a indústria, pe netrando até 0 Paraná, forta lecendo
a nossa
Pereira
economia.
Barreto
foi
sem
dúvida, um pioneiro, ao acon selhar 0 aproveitamento da ter ra roxa, onde a instalação de grandes fazendas muito con correu para fortalecer a eco nomia paulista. A SELEÇÃO DAS ESPÉCIES Não só os problemas agrá rios, mas também os de zootec
adaptação.
Impunha-se, assim, no pen sar de Barreto, a seleção de uma raça nativa, que ofereces se as mesmas vantagens das européias. Dentre as numero
sas raças por ele estudadas op tou, pela caracu, que se lhe afigurava a que melhor corres pondia aos objetivos em vista. Os processos racionais de seleção animal, preconizados
dico, do
extremamente preocupa
com
a
dificuldade
de
se
adaptarem raças bovinas euro péias às nossas pastagens.
grandes sacrifícios.
Além disso, os nossos campos eram infestados por numerosos
parasitas, que atacavam preferentemente o gado importa-
Para ele, os progressos da
ciência
grande entusiasta, foram pos tos em prática e, em prazo relativamente curto, pelos exem
plares de uma raça nacional, com caracteres próprios, pas saram a disputar prêmios nas
exposições, concorrendo ao la do de espécimes de outras ori gens.
Grande preocupação tinha Pereira Barreto pela senilida
de. Filósofo consumado, apai xonado pela sabedoria antiga, ledor infatigável, conhecia ele a fundo as obras de Cicero, considerando
doença.
a
velhice
como
,
certamente. ....
Aceitou, assim,
com entu
siasmo, as idéias de Metchini-
koff, expostas no livro:
“En-
saios
este
Otimistas”,
onde
cientista considerava o intesti
no grosso um viveiro perene de micróbios, recomendando o uso de fermentos láticos, como fa
zem os búlgaros, como meio de prolongar a vida. Homem
exiremamente
só
brio, sereno, e panteísta, logrou
Pereira Barreto alcançar
ida
de avançada, exercendo a sua profissão até os seus últimos dias, coerente com as suas idéias e princípios. Nunca fu mou e, conquanto fosse gran
de apreciador era
0 GERÍATRA
,
viriam
contribuir para dilatar os limi tes da vida humana, mercê de regimes adequados.
por Darwin, de quem era ele
nia interessavam o ilustre mé
café numa fazenda, por ele aberta em Ribeirão Preto com
Dentro de pouco tempo a terra barrenta e escura estava coberta de ondas verdes, anual-
do, possuidor de pelo longo, pa ra protegê-lo contra os rigores do inverno, donde difícil sua
da viticultura,
abstêmio.
Ulysses Paranhos disse, a tal propósito; “Barreto se não
pode triunfar da velhice fisica, conseguiu possuir, indefinidarneiite, a mocidade espiritual. Era como a verbena que, em
bora seca, é sempre cheirosa.
A sua alma teve, constan temente, vinte anos. Por uma
DIGESTO
36
ECONÔMICO 37
DIGESTO ECONÔMICO
A TERRA ROXA DE SÃO PAULO
Concluídos os seus estudos
mente repleta de flores e de salpicos rutilantes, denuncian do a fertilidade do solo e a pu jança da seiva.
na Bélgica, Barreto retorna à
Pátria e inicia, como vimos, a.. sua vida profissional em Jacareí, a esse tempo importante centro agrícola do Norte de São Paulo. Mas, a cultura in tensiva do café já se alastrava pelo interior afora, particular
mente no Oeste, tendo Campi nas por principal núcleo pro dutor. Ninguém se aventurava, porém, a aproveitar a terra ro xa, tida como imprópria para a cultura da preciosa rubiácea.
Barreto, ao viajar pelo in
terior paulista, observara a fer tilidade de terras, tidas como
estéreis. Inicia uma propagan da intensiva no sentido de se
rem elas aproveitadas para o cultivo do café. Não se limitou,
porém, à teoria. Entra logo em
ação, dando o bom exemplo e prova insofismável da sua sin ceridade, iniciando o plantio do
A maré cresceu, o sertão bruto deixava de existir à me
dida que os trilhos penetravam
pelo interior a dentro, drenan do para Santos milhões de sa cas de café. A agricultura pau lista
cresceu
assustadoramen
te, de par com a indústria, pe netrando até 0 Paraná, forta lecendo
a nossa
Pereira
economia.
Barreto
foi
sem
dúvida, um pioneiro, ao acon selhar 0 aproveitamento da ter ra roxa, onde a instalação de grandes fazendas muito con correu para fortalecer a eco nomia paulista. A SELEÇÃO DAS ESPÉCIES Não só os problemas agrá rios, mas também os de zootec
adaptação.
Impunha-se, assim, no pen sar de Barreto, a seleção de uma raça nativa, que ofereces se as mesmas vantagens das européias. Dentre as numero
sas raças por ele estudadas op tou, pela caracu, que se lhe afigurava a que melhor corres pondia aos objetivos em vista. Os processos racionais de seleção animal, preconizados
dico, do
extremamente preocupa
com
a
dificuldade
de
se
adaptarem raças bovinas euro péias às nossas pastagens.
grandes sacrifícios.
Além disso, os nossos campos eram infestados por numerosos
parasitas, que atacavam preferentemente o gado importa-
Para ele, os progressos da
ciência
grande entusiasta, foram pos tos em prática e, em prazo relativamente curto, pelos exem
plares de uma raça nacional, com caracteres próprios, pas saram a disputar prêmios nas
exposições, concorrendo ao la do de espécimes de outras ori gens.
Grande preocupação tinha Pereira Barreto pela senilida
de. Filósofo consumado, apai xonado pela sabedoria antiga, ledor infatigável, conhecia ele a fundo as obras de Cicero, considerando
doença.
a
velhice
como
,
certamente. ....
Aceitou, assim,
com entu
siasmo, as idéias de Metchini-
koff, expostas no livro:
“En-
saios
este
Otimistas”,
onde
cientista considerava o intesti
no grosso um viveiro perene de micróbios, recomendando o uso de fermentos láticos, como fa
zem os búlgaros, como meio de prolongar a vida. Homem
exiremamente
só
brio, sereno, e panteísta, logrou
Pereira Barreto alcançar
ida
de avançada, exercendo a sua profissão até os seus últimos dias, coerente com as suas idéias e princípios. Nunca fu mou e, conquanto fosse gran
de apreciador era
0 GERÍATRA
,
viriam
contribuir para dilatar os limi tes da vida humana, mercê de regimes adequados.
por Darwin, de quem era ele
nia interessavam o ilustre mé
café numa fazenda, por ele aberta em Ribeirão Preto com
Dentro de pouco tempo a terra barrenta e escura estava coberta de ondas verdes, anual-
do, possuidor de pelo longo, pa ra protegê-lo contra os rigores do inverno, donde difícil sua
da viticultura,
abstêmio.
Ulysses Paranhos disse, a tal propósito; “Barreto se não
pode triunfar da velhice fisica, conseguiu possuir, indefinidarneiite, a mocidade espiritual. Era como a verbena que, em
bora seca, é sempre cheirosa.
A sua alma teve, constan temente, vinte anos. Por uma
DIGESTO
38
manobra subjetiva ele não en
xergava nunca os seus cabelos brancos e algumas semanas antes de sua morte, do mesmo modo que quando contava vin te anos, 0 seu estilo mostravase vigoroso, juvenil e atraente, dando-nos a impressão de um
regato de água fresca, corren do serenamente entre cipós e avenças verdes, numa suavida
de doce, tranqüila e sossegada. Raciocinando e agindo co
mo um moço, durante todo o curso de sua vida, a sua alma foi um símbolo de tolerância; h
jamais ele pronunciou uma fra se menos delicada, nem funda mentou um conceito capaz de ferir dolorosamente o seu ad versário” .
Ao analisar a psicologia do
ECONÔMICO
siderável para diminuir ou au mentar a duração de cada uma das fases atingidas. É por des conhecer este elemento supre mo, introduzido pela educação, que a teologia se equivoca a respeito dos livres pensadores. Em um cérebro bem constituí
do, com uma inteligência nu trida com esmero, e com uma
velhice serena, os sintomas de decadência
raramente
assu
mem um caráter flagrante; a unidade adquirida mantém-se insensivelmente
no
mesmo
ní
vel; n velho persiste nas idéias, que sustentou durante toda a
sua vida, freqüen za
dando-lhes mesmo,
mente,
e enns:
mais madure.eiicia Um observa
dor sagaz podo notar, sem dú
vida, na insistência da velhice
velho e os efeitos da aenilirb-
em
clc sobre a mente, disse Barre
cepções da mocidade própria do que em criar novas, que a fonte das inspirações fecundas está esgotada: os velhos são gcralmente presunçosos, não
to, com muita propriedade: “Quando a velhice se c: lingue naturalmentc, pelos úni cos progressos senis, sem ou tra complicação mórbida, as coisas se passam assaz dife
so
desenvolver
ada”lam
antes
novas
as
con
39
DIGESTO ECONÔMICO
ender as objeções que faziam ao seu sistema os seus jovens rivais; a sua memória, com especialidade, enfraqueceu-se consideravelmente. À parte, porém, estes pormenores, não vemos aí ainda os sintomas, que revelam a verdadeira de cadência; é pelo contrário um
espetáculo altamente consola dor e edificante esse, que nos apresentam alguns velhos pri
vilegiados, que, como Fontenelle e Cornaro, puderam atingir aos cem anos, realizando em todo 0 decurso da vida um pen samento de sua mocidade". Quanta verdade encerram estas palavras lapidares, ditas por um espírito privilegiado, observador sagaz, que não dei xava de fazer, também, uma auto-observação, para depois tirar as conclusões.
rentemente, segundo Qiie o ve lho é um espírito cultivado pe
com um sorriso de afável des
la ciência ou um espírito me díocre: a influência da educa
dém as idéias da nova geração que os cerca. Kant, em seus
ção e do ambiente social é con¬
velhos dias, não podia compre-
0 .seu ingresso neste sodalício; “Quando se fundou a Academia, J. J. de Carvalho encarregoume de convidar Pereira Barre to. Encontrei-o na Beneficên
cia Portuguesa. Expus-lhe os nossos planos, consultando-o sc queria entrar para a Academia e se podíamos contar com a sua preciosa colaboração. Parou um pouco e, fixando-
me, interrogou-me: esta Academia?
"O que é
É uma asso
ciação de criaturas desejando
vaidosas,
honrarias,
ou
um
grupo de homens de boa von
tade, pretendendo trabalhar no nosòo meio tão avesso à gregária. Afirmei-lhe
que era
vida uma
constituição séria, honesta, com do e informei-o de que na nos
ACADEMIA PAULISTA
sa companhia estavam Brasil io
DE LETRAS
Luiz Pereira Barreto foi membro da Academia Paulista de Letras, fundador da Cadeira
n.o 3, hoje ocupada pelo
emi
nente acadêmico gueira Garcez.
No
Lucas
dor, conta-nos como teve lugar
aspiração ao trabalho continua
A EmRADA HA
aquíFi-
ções da teoria e da prática acolhem contemporâneas, c
Ulysses Paranhos, que foi dele grande amigo e admira
Machado, Almeida Nogueira, Sílvio de Almeida. Basta, inFaço parte da terrompeu-me. Academia e conte comigo.
Sempre se interessou pela nossa
festa
existência. inaugural.
Esteve na frequentou
DIGESTO
38
manobra subjetiva ele não en
xergava nunca os seus cabelos brancos e algumas semanas antes de sua morte, do mesmo modo que quando contava vin te anos, 0 seu estilo mostravase vigoroso, juvenil e atraente, dando-nos a impressão de um
regato de água fresca, corren do serenamente entre cipós e avenças verdes, numa suavida
de doce, tranqüila e sossegada. Raciocinando e agindo co
mo um moço, durante todo o curso de sua vida, a sua alma foi um símbolo de tolerância; h
jamais ele pronunciou uma fra se menos delicada, nem funda mentou um conceito capaz de ferir dolorosamente o seu ad versário” .
Ao analisar a psicologia do
ECONÔMICO
siderável para diminuir ou au mentar a duração de cada uma das fases atingidas. É por des conhecer este elemento supre mo, introduzido pela educação, que a teologia se equivoca a respeito dos livres pensadores. Em um cérebro bem constituí
do, com uma inteligência nu trida com esmero, e com uma
velhice serena, os sintomas de decadência
raramente
assu
mem um caráter flagrante; a unidade adquirida mantém-se insensivelmente
no
mesmo
ní
vel; n velho persiste nas idéias, que sustentou durante toda a
sua vida, freqüen za
dando-lhes mesmo,
mente,
e enns:
mais madure.eiicia Um observa
dor sagaz podo notar, sem dú
vida, na insistência da velhice
velho e os efeitos da aenilirb-
em
clc sobre a mente, disse Barre
cepções da mocidade própria do que em criar novas, que a fonte das inspirações fecundas está esgotada: os velhos são gcralmente presunçosos, não
to, com muita propriedade: “Quando a velhice se c: lingue naturalmentc, pelos úni cos progressos senis, sem ou tra complicação mórbida, as coisas se passam assaz dife
so
desenvolver
ada”lam
antes
novas
as
con
39
DIGESTO ECONÔMICO
ender as objeções que faziam ao seu sistema os seus jovens rivais; a sua memória, com especialidade, enfraqueceu-se consideravelmente. À parte, porém, estes pormenores, não vemos aí ainda os sintomas, que revelam a verdadeira de cadência; é pelo contrário um
espetáculo altamente consola dor e edificante esse, que nos apresentam alguns velhos pri
vilegiados, que, como Fontenelle e Cornaro, puderam atingir aos cem anos, realizando em todo 0 decurso da vida um pen samento de sua mocidade". Quanta verdade encerram estas palavras lapidares, ditas por um espírito privilegiado, observador sagaz, que não dei xava de fazer, também, uma auto-observação, para depois tirar as conclusões.
rentemente, segundo Qiie o ve lho é um espírito cultivado pe
com um sorriso de afável des
la ciência ou um espírito me díocre: a influência da educa
dém as idéias da nova geração que os cerca. Kant, em seus
ção e do ambiente social é con¬
velhos dias, não podia compre-
0 .seu ingresso neste sodalício; “Quando se fundou a Academia, J. J. de Carvalho encarregoume de convidar Pereira Barre to. Encontrei-o na Beneficên
cia Portuguesa. Expus-lhe os nossos planos, consultando-o sc queria entrar para a Academia e se podíamos contar com a sua preciosa colaboração. Parou um pouco e, fixando-
me, interrogou-me: esta Academia?
"O que é
É uma asso
ciação de criaturas desejando
vaidosas,
honrarias,
ou
um
grupo de homens de boa von
tade, pretendendo trabalhar no nosòo meio tão avesso à gregária. Afirmei-lhe
que era
vida uma
constituição séria, honesta, com do e informei-o de que na nos
ACADEMIA PAULISTA
sa companhia estavam Brasil io
DE LETRAS
Luiz Pereira Barreto foi membro da Academia Paulista de Letras, fundador da Cadeira
n.o 3, hoje ocupada pelo
emi
nente acadêmico gueira Garcez.
No
Lucas
dor, conta-nos como teve lugar
aspiração ao trabalho continua
A EmRADA HA
aquíFi-
ções da teoria e da prática acolhem contemporâneas, c
Ulysses Paranhos, que foi dele grande amigo e admira
Machado, Almeida Nogueira, Sílvio de Almeida. Basta, inFaço parte da terrompeu-me. Academia e conte comigo.
Sempre se interessou pela nossa
festa
existência. inaugural.
Esteve na frequentou
DIGESTO
40
muitas sessões, e como
presidente, presidiu
vice-
a várias
reuniões”.
ECONÔMICO
renderam-lhe grata e significa tiva homenagem, publicando um livro jubilar, com artigos,
DIGESTO ECONÔMICO
fisionomia tranquila, entre ro sas magníficas, flor sua predileção.
não só de elementos da sua clas O
se, mas também de outros inte lectuais com os quais convivia,
HOMEM
A par de uma inteligência
luminosa, era Pereira Barreto
unânimes
verdadeira obsessão.
Médico dé grande cultura, possuía ele invejável tino clini co, formulando diagnósticos pre cisos; numa época em que os recursos paraclínicos eram mui
precários e os exames de labo ratório praticamente nulos, fei tos pelo próprio médico, conse guiu ek impor-se perante os seus colegas e conquistar a con fiança dos seus clientes. Barreto constitui um
ver
dadeiro paradigma, porquanto, sob os mais variados prismas
que se analise a sua personali dade singular, sobressai ele so bre os demais homens da
sua
considerá-lo uma
personalidade invulgar.
de uma rígida integridade mo
ral, a alcançar as raias de uma
em
A sua vida foi uma suces
são contínua de conquistas, por quanto não houve objetivo que não tivesse ele alcançado, gra ças aos seus predicados e a sua
extraordinária
posta à prova em suas pesquisas.
paciência,
muitas das
Era, contudo, extremamen te modesto e inimigo de apare
cer em público mas, sobremo do gentil e polido que sempre foi, não era capaz de melindrar a quem quer que fosse.
pareceu,
Com
assim, a solenidades
promovidas
em
sua
homena
gem, com evidente acanhamento, e delas procurava se furtar
Após 0 seu desaparecimen to, a Municipalidade e o povo
gor.
paulista escolheram
Não foi, pois, sem carradas de razão qu-e, ao alcançar ele
principais praças da cidade pa ra dar-lhe o nome, nela erguen
exercício
do magnífico bronze de corpo inteiro. Lá está ele com a sua
anos de
profissional, os
seus
colegas
um
A sua imagem representa passado glorioso, do qual
foi ele um dos principais
sementes
das
rece”.
ar
quitetos, espargindo prodiga mente idéias novas no espírito dos seus contemporâneos, plan tando
tres são uma necessidade que se impõe a cada geração que se levanta, a cada era que sur ge, a cada mocidade que alvo-
melhores
Recordar, pois, de quando em quando, a figui*a de Luiz Pereira Barreto, de permeio com o nosso reconhecimento
e
que, desde Plutarco, "o estudo
gratidão, ê dever precípuo de todos nós, para com aquele cuja memória permanecerá vi va e fecunda pelo tempo afora, tal a sua força, expressão e sig
e a crítica das existências ilus¬
nificação.
origens no solo paulista, que ele tanto amou.
Disse um grande
biógrafo
(Continuação cia página 23)
e criar, atmvés de medidas administrativas e fiscais, as necessárias possi bilidades para a economia. O balanço da outorga de licenças entre Euro pa e Japão continuaria ainda positivo a favor dos europeus, disse Amercngen. Entretanto, na transplantação prática das invenções e desenvol vimentos, a indústria européia está manquejando, como doente nos pés, atrás da japonesa e americana, disse Amerongen. O imperativo para o crescimento e a política estrutural seria, daqui por diante para os euro peus, por alguns anos: menor consumo e mais investimento. Somente as sim chegar-se-ia a restabelecer a adjunção aos progressos da produtividade havidos na década dos anos de sessenta. (Pontes; Deutsche Zeitung/ P.A.Z.)
0 quanto antes.
época, com extraordinário ful
cinquenta
41
uma
das
Firmas japonesas fazem negócios de bilhões com
ov ~ 1 exportações dos
-r-n TTTT — Na relação da revista «Fortune» llili.UU. as firmas japonesas não se encontram
entre as maiores firmas exportadoras dos Estados Unidos. Ali chamam a atenção para si por seus grandes negócios de importação do Japão. Na rea lidade,
comércio
as
filiais
também
norte-americanas
das
estão
mercadorias
(Contínua na página 42)
vendendo
grandes
casas
japonesas
norte-americanas
de
para
DIGESTO
40
muitas sessões, e como
presidente, presidiu
vice-
a várias
reuniões”.
ECONÔMICO
renderam-lhe grata e significa tiva homenagem, publicando um livro jubilar, com artigos,
DIGESTO ECONÔMICO
fisionomia tranquila, entre ro sas magníficas, flor sua predileção.
não só de elementos da sua clas O
se, mas também de outros inte lectuais com os quais convivia,
HOMEM
A par de uma inteligência
luminosa, era Pereira Barreto
unânimes
verdadeira obsessão.
Médico dé grande cultura, possuía ele invejável tino clini co, formulando diagnósticos pre cisos; numa época em que os recursos paraclínicos eram mui
precários e os exames de labo ratório praticamente nulos, fei tos pelo próprio médico, conse guiu ek impor-se perante os seus colegas e conquistar a con fiança dos seus clientes. Barreto constitui um
ver
dadeiro paradigma, porquanto, sob os mais variados prismas
que se analise a sua personali dade singular, sobressai ele so bre os demais homens da
sua
considerá-lo uma
personalidade invulgar.
de uma rígida integridade mo
ral, a alcançar as raias de uma
em
A sua vida foi uma suces
são contínua de conquistas, por quanto não houve objetivo que não tivesse ele alcançado, gra ças aos seus predicados e a sua
extraordinária
posta à prova em suas pesquisas.
paciência,
muitas das
Era, contudo, extremamen te modesto e inimigo de apare
cer em público mas, sobremo do gentil e polido que sempre foi, não era capaz de melindrar a quem quer que fosse.
pareceu,
Com
assim, a solenidades
promovidas
em
sua
homena
gem, com evidente acanhamento, e delas procurava se furtar
Após 0 seu desaparecimen to, a Municipalidade e o povo
gor.
paulista escolheram
Não foi, pois, sem carradas de razão qu-e, ao alcançar ele
principais praças da cidade pa ra dar-lhe o nome, nela erguen
exercício
do magnífico bronze de corpo inteiro. Lá está ele com a sua
anos de
profissional, os
seus
colegas
um
A sua imagem representa passado glorioso, do qual
foi ele um dos principais
sementes
das
rece”.
ar
quitetos, espargindo prodiga mente idéias novas no espírito dos seus contemporâneos, plan tando
tres são uma necessidade que se impõe a cada geração que se levanta, a cada era que sur ge, a cada mocidade que alvo-
melhores
Recordar, pois, de quando em quando, a figui*a de Luiz Pereira Barreto, de permeio com o nosso reconhecimento
e
que, desde Plutarco, "o estudo
gratidão, ê dever precípuo de todos nós, para com aquele cuja memória permanecerá vi va e fecunda pelo tempo afora, tal a sua força, expressão e sig
e a crítica das existências ilus¬
nificação.
origens no solo paulista, que ele tanto amou.
Disse um grande
biógrafo
(Continuação cia página 23)
e criar, atmvés de medidas administrativas e fiscais, as necessárias possi bilidades para a economia. O balanço da outorga de licenças entre Euro pa e Japão continuaria ainda positivo a favor dos europeus, disse Amercngen. Entretanto, na transplantação prática das invenções e desenvol vimentos, a indústria européia está manquejando, como doente nos pés, atrás da japonesa e americana, disse Amerongen. O imperativo para o crescimento e a política estrutural seria, daqui por diante para os euro peus, por alguns anos: menor consumo e mais investimento. Somente as sim chegar-se-ia a restabelecer a adjunção aos progressos da produtividade havidos na década dos anos de sessenta. (Pontes; Deutsche Zeitung/ P.A.Z.)
0 quanto antes.
época, com extraordinário ful
cinquenta
41
uma
das
Firmas japonesas fazem negócios de bilhões com
ov ~ 1 exportações dos
-r-n TTTT — Na relação da revista «Fortune» llili.UU. as firmas japonesas não se encontram
entre as maiores firmas exportadoras dos Estados Unidos. Ali chamam a atenção para si por seus grandes negócios de importação do Japão. Na rea lidade,
comércio
as
filiais
também
norte-americanas
das
estão
mercadorias
(Contínua na página 42)
vendendo
grandes
casas
japonesas
norte-americanas
de
para
DIGESTO
42
ECONÔMICO
(Clontiniiaçíio cia párjina 411 o Exterior, realizando negócios oe muitos bilhões de d/.-lares. Co nhecedores do ramo julgam que Mit,„ui & Co. Mitsubishi Corp. e as outras casas estão realizando, através das mas filiais americanas, quase 10% do montante total das exportações dos EE.UU. Em lOOO a Mitsui-USA expor tou dos Estados Unidos mercadorias no valor de USí> 3,0 bilhões, inclusive cereais no valor de quase USS 1,1 bilhão. A «Fortune» indica como ns três
maiores exportadores norte-americanos as firmas Boeing (USS
.ê bilhões) General Motors (USS 5,3 bilhões) e General Electric Co (USS 4.3 bilhões). A lista inclue somente fabricantes. Enquanto o Congresso Americano r.incla est.''
tara de
MíifoerlO' Cai
ao^ Senado
discutindo a criação de empreendimentos comerciais, as casas jnponasas, a~ quais resolvem 60% das exportações do seu próprio pais. já firmaram pé nos EE.ÜU. Estão abrindo mercados, financiando fornecimentos e or':ani?ando transportes. As filiais de Mitsui e Mitsubishi já pertencem, hoje c.ti dia. aos maiores comerciantes nos setores de cereais, minérms. produto-; nuímico.s n m; quinas, obtendo vendas anuais de quase USS 14 bilhões cada. Nãn obsiante das atividades japonesas desenvolvidas nos EE.UU., o balanço comercial entre os dois países não
I
mudou a favor
dos americanos.
Pelo
Eugsnic Gudin
contr-írio.
espera-se este ano no comércio com o Japão um déficit recorde de USS l.S ou 20 bilhões. Por isso, as casas comerciais procuram possibilidades de remover para proveito de ambos os países esta desigualdade poUticninente pe: gosa. Das alternativas que no momento estão sendo ftxam'iiadc>.; ativr-peníu fazem parte participações japonesas em projetos petroquímicos em USA ç para exportação de carvão. A firma C. Itoh A Cn. estã .financiando mp es tudo de viabilidade para um grande estabelecimento de carregamento de
can’üo em Long Beach, Califórnia, enquanto a Sumimoto Corp. está procu rando, junto com parceiros americanos, novas jazidas de carvão do :üto valor para exportaç<ão. Mitsubishi avalia a demanda japonesa .Ce carvão para indústrias em 10 milhões de toneladas anuais,
a longo prazo.
Um grande
negócio triangular com óleo, proposto pela Mitsubi.ghi, dá uma idéia das dimensões nas quais os japoneses estão operando. Dc acordo r-om rsta pro
posta óleo mexicano nas mãos dos japoneses deveria passar mima nr.a.r;:'
dade 'de aproximadamente 100.000 barris por dia para os Estados Unidr-s, cs quais como compensação iriam fornecer a mesma quantidade de óleo de Alas ca para o Japão. Neste caso os japoneses iriam economizar milhões para custos de transportes, diminuinuo ao mesmo tempo o incômodo déficit do balanço comercial com os Estados Unidos em aproximadamente USS 1,2 bilhão aniialmente. Entretanto, nos Estados Unidos a exportação do próprio
óleo ainda é proibida por lei, e contra uma eventual mudança move-se forte resistência nos meios de navegação para impedir que óleo de Alasca venha a ser transportado para o Japão com navios japoneses em vez de ameri canos. (Fonte: Handelsblatt/Duesseldorí).
O eminente professor Eugênio Gudin elogia a escolha do embaixador Roberto de Oliveira Campos para representar o seu Estado no Senado Federal.
A escolha não podería ser mais acertada. Poucas
vcze.3
tsnho
candidaturas tão fr-lizes
visto
serviços a um Estado que se es
como
trutura e que requer uma
re
presentação à altura de
suas
essa que ora .se promove do no
me de Roberto Ca mpos para re
necessidades.
te, no Senado. Bem uíspirado.s, o Estado
Campo.5 é um filho de Mato Grosso que teve a sorte de for mar sua personalidade nos me
presentar Maín Grosso do Nor como
c
candidato. O Estado,
pel-a conquista ds ser represen
lhores centros culturais do País e nas melhores universidades in
tado no Senado por um dos mais üustrEs contemporâneos; e Ro berto Campos, por ter a oportu
É este o cabedal que ele tem hoje a felicidade de poder
nidade de prestar
oferecer à sua terra natal
relevantes
glesas e americanas.
DIGESTO
42
ECONÔMICO
(Clontiniiaçíio cia párjina 411 o Exterior, realizando negócios oe muitos bilhões de d/.-lares. Co nhecedores do ramo julgam que Mit,„ui & Co. Mitsubishi Corp. e as outras casas estão realizando, através das mas filiais americanas, quase 10% do montante total das exportações dos EE.UU. Em lOOO a Mitsui-USA expor tou dos Estados Unidos mercadorias no valor de USí> 3,0 bilhões, inclusive cereais no valor de quase USS 1,1 bilhão. A «Fortune» indica como ns três
maiores exportadores norte-americanos as firmas Boeing (USS
.ê bilhões) General Motors (USS 5,3 bilhões) e General Electric Co (USS 4.3 bilhões). A lista inclue somente fabricantes. Enquanto o Congresso Americano r.incla est.''
tara de
MíifoerlO' Cai
ao^ Senado
discutindo a criação de empreendimentos comerciais, as casas jnponasas, a~ quais resolvem 60% das exportações do seu próprio pais. já firmaram pé nos EE.ÜU. Estão abrindo mercados, financiando fornecimentos e or':ani?ando transportes. As filiais de Mitsui e Mitsubishi já pertencem, hoje c.ti dia. aos maiores comerciantes nos setores de cereais, minérms. produto-; nuímico.s n m; quinas, obtendo vendas anuais de quase USS 14 bilhões cada. Nãn obsiante das atividades japonesas desenvolvidas nos EE.UU., o balanço comercial entre os dois países não
I
mudou a favor
dos americanos.
Pelo
Eugsnic Gudin
contr-írio.
espera-se este ano no comércio com o Japão um déficit recorde de USS l.S ou 20 bilhões. Por isso, as casas comerciais procuram possibilidades de remover para proveito de ambos os países esta desigualdade poUticninente pe: gosa. Das alternativas que no momento estão sendo ftxam'iiadc>.; ativr-peníu fazem parte participações japonesas em projetos petroquímicos em USA ç para exportação de carvão. A firma C. Itoh A Cn. estã .financiando mp es tudo de viabilidade para um grande estabelecimento de carregamento de
can’üo em Long Beach, Califórnia, enquanto a Sumimoto Corp. está procu rando, junto com parceiros americanos, novas jazidas de carvão do :üto valor para exportaç<ão. Mitsubishi avalia a demanda japonesa .Ce carvão para indústrias em 10 milhões de toneladas anuais,
a longo prazo.
Um grande
negócio triangular com óleo, proposto pela Mitsubi.ghi, dá uma idéia das dimensões nas quais os japoneses estão operando. Dc acordo r-om rsta pro
posta óleo mexicano nas mãos dos japoneses deveria passar mima nr.a.r;:'
dade 'de aproximadamente 100.000 barris por dia para os Estados Unidr-s, cs quais como compensação iriam fornecer a mesma quantidade de óleo de Alas ca para o Japão. Neste caso os japoneses iriam economizar milhões para custos de transportes, diminuinuo ao mesmo tempo o incômodo déficit do balanço comercial com os Estados Unidos em aproximadamente USS 1,2 bilhão aniialmente. Entretanto, nos Estados Unidos a exportação do próprio
óleo ainda é proibida por lei, e contra uma eventual mudança move-se forte resistência nos meios de navegação para impedir que óleo de Alasca venha a ser transportado para o Japão com navios japoneses em vez de ameri canos. (Fonte: Handelsblatt/Duesseldorí).
O eminente professor Eugênio Gudin elogia a escolha do embaixador Roberto de Oliveira Campos para representar o seu Estado no Senado Federal.
A escolha não podería ser mais acertada. Poucas
vcze.3
tsnho
candidaturas tão fr-lizes
visto
serviços a um Estado que se es
como
trutura e que requer uma
re
presentação à altura de
suas
essa que ora .se promove do no
me de Roberto Ca mpos para re
necessidades.
te, no Senado. Bem uíspirado.s, o Estado
Campo.5 é um filho de Mato Grosso que teve a sorte de for mar sua personalidade nos me
presentar Maín Grosso do Nor como
c
candidato. O Estado,
pel-a conquista ds ser represen
lhores centros culturais do País e nas melhores universidades in
tado no Senado por um dos mais üustrEs contemporâneos; e Ro berto Campos, por ter a oportu
É este o cabedal que ele tem hoje a felicidade de poder
nidade de prestar
oferecer à sua terra natal
relevantes
glesas e americanas.
DTGESTO ECONÔMICO
DIGESTO
44
Depois de uma “vista' Bretton Woods, tive a oportuni
em
dade de vê-lo em Long Island
(antiga sede das Nações Uni das) defender sob as vistas do embaixador João Carlos Muniz, doutrinas da Civilização Oci
as
dental que estavam sendo rude mente invectivadas pelo delega do da Polônia. A inteligência, a cultura e a agilidade com que no.sso representante revidou a agressão polonesa deram-me lo go a certeza de tratar-se de um moço de grandes possibilidade.s na vida pública, econômica e cultural do Brasil.
o
árabes têm o problema de en contrar aplicação segura para
que realizaram com a maior eficiência, apesar de eu lhes
seu dinheiro neste mundo incer to e atormentado.
ter negado (para salvar as fi nanças do País) os recursos que não podiam dispensar. Kubtscheck não deixou de aproveitar tão precioso elemento e afinal 0 grande presidente Castello
do famigerado Terceiro Mundo, fruto da escassa imaginação do diplomatas em férias.
Banco de Desenvolvimento,
Branco convocou-o com a par
ceria de Octávio Bulhões, a res taurar as finanças desmantela das pelo incrível sr. João Gou lart.
O Brasil ficou a dever a es
ses ilustres brasileiros, além da restauração da ordem finan
ceira, outras instituições como
Dois amigos m-eus, profes sores da Universidade de Co-,
o FGTS
lúmbia. em N.Y., Arthur Burns
travou
e Ragnar Nurke, disseram-me então ser Campos o mais bri lhante aluno estrangeiro dentre
(Fundo de Garantia
por Tempo de Serviço), que deso
desenvolvimento
do
País e a correção monetária, que salvou a poupança.
por
O presidente Ernesto Geisel,
suas mãos nos últimos 10 anos.
talvez por não gostar do conví vio de quem pretenda darlhe conselhos, expediu Roberto
as centenas que passaram
Foi através de Concurso do
Itamaraty que Roberto Campos
entrou para a vida pública bra sileira. O Banco de Desenvol vimento Econômico, os Conse lhos Ministeriais logo o absor veram. Quando chegou minha vez em 1954, convoquei-o com Glycon de Paiva para dirigir o
45
ECONÔMICO
Campos e Delfim Netto para as Embaixadas da Inglaterra e da França. Campos mostrou que nossa dívida externa atual, apesar de considerável, não chega a ser
inquietante e que também
os
Por fim, mostrou a utopia
Mato Gro.sso do Norte é, com Goiás, se não me falha a Geografia, o único Estado que
participa das bacias
fluviais
do Paraná e do Amazonas, sen do de notar oue o divisor das
clua.s bacias é quase de
nível,
grande vantagem para um País já tãoí farto de zonas monta
nhosas.
Mato Grosso do Norte é, portanto, uma promissora incóg nita e ideal para um planeja mento inteligente e eficaz. Os serviços de Campos em
Londres, se bem que valiosos, não correspondem ao que ele pode dar ao Brasil, até porque, como ele bem o diz, as Embai
xadas são hoje uma espécie em extinção, tornada supérflua pe los telex do Itamaraty como pelas repetidas visitas nistros de Estado.
de mi
Campos já vem realizando, aliás
como Jacques Rueff, Hayek, tantos outros e até este
humilde escriba, a transposição que 0 potencial
torra cultívável, de boa topo grafia e precipitação pluviomé-
de seu pensamento da Econo mia para o oceano mais largo das idéias gerais, isto é, da Eco nomia e da Tecnocracia para n Sociologia e a Política. Não
trica.
lhe falta estofo.
Dizem-me
mineral do Estado
está longe
de ser pobre e que há
muita
Subsidiária da Siemens oferece Miniusinas Nucleares — Hamburgo — A indústria nuclear da Repviblica Federal Alemã desen volveu miniusinas, destinadas a serem instaladas especialmente em países do Terceiro Mundo. De acordo com afirmações de Klaus Barthelt, presidente da firma Kraftwerk Union AG (KWU), sucursal da Sie mens, estas miniusinas desenvolvem uma capacidade de 300 a 400 Megawatt, estando agora prontas para serem oferecidas. As miniusinas nu cleares, de recente desenvolvimento estão sendo fabricadas na RPA com pletas, carregadas sobre embarcações e puxadas por rebocadores para (Continua na página CO)
DTGESTO ECONÔMICO
DIGESTO
44
Depois de uma “vista' Bretton Woods, tive a oportuni
em
dade de vê-lo em Long Island
(antiga sede das Nações Uni das) defender sob as vistas do embaixador João Carlos Muniz, doutrinas da Civilização Oci
as
dental que estavam sendo rude mente invectivadas pelo delega do da Polônia. A inteligência, a cultura e a agilidade com que no.sso representante revidou a agressão polonesa deram-me lo go a certeza de tratar-se de um moço de grandes possibilidade.s na vida pública, econômica e cultural do Brasil.
o
árabes têm o problema de en contrar aplicação segura para
que realizaram com a maior eficiência, apesar de eu lhes
seu dinheiro neste mundo incer to e atormentado.
ter negado (para salvar as fi nanças do País) os recursos que não podiam dispensar. Kubtscheck não deixou de aproveitar tão precioso elemento e afinal 0 grande presidente Castello
do famigerado Terceiro Mundo, fruto da escassa imaginação do diplomatas em férias.
Banco de Desenvolvimento,
Branco convocou-o com a par
ceria de Octávio Bulhões, a res taurar as finanças desmantela das pelo incrível sr. João Gou lart.
O Brasil ficou a dever a es
ses ilustres brasileiros, além da restauração da ordem finan
ceira, outras instituições como
Dois amigos m-eus, profes sores da Universidade de Co-,
o FGTS
lúmbia. em N.Y., Arthur Burns
travou
e Ragnar Nurke, disseram-me então ser Campos o mais bri lhante aluno estrangeiro dentre
(Fundo de Garantia
por Tempo de Serviço), que deso
desenvolvimento
do
País e a correção monetária, que salvou a poupança.
por
O presidente Ernesto Geisel,
suas mãos nos últimos 10 anos.
talvez por não gostar do conví vio de quem pretenda darlhe conselhos, expediu Roberto
as centenas que passaram
Foi através de Concurso do
Itamaraty que Roberto Campos
entrou para a vida pública bra sileira. O Banco de Desenvol vimento Econômico, os Conse lhos Ministeriais logo o absor veram. Quando chegou minha vez em 1954, convoquei-o com Glycon de Paiva para dirigir o
45
ECONÔMICO
Campos e Delfim Netto para as Embaixadas da Inglaterra e da França. Campos mostrou que nossa dívida externa atual, apesar de considerável, não chega a ser
inquietante e que também
os
Por fim, mostrou a utopia
Mato Gro.sso do Norte é, com Goiás, se não me falha a Geografia, o único Estado que
participa das bacias
fluviais
do Paraná e do Amazonas, sen do de notar oue o divisor das
clua.s bacias é quase de
nível,
grande vantagem para um País já tãoí farto de zonas monta
nhosas.
Mato Grosso do Norte é, portanto, uma promissora incóg nita e ideal para um planeja mento inteligente e eficaz. Os serviços de Campos em
Londres, se bem que valiosos, não correspondem ao que ele pode dar ao Brasil, até porque, como ele bem o diz, as Embai
xadas são hoje uma espécie em extinção, tornada supérflua pe los telex do Itamaraty como pelas repetidas visitas nistros de Estado.
de mi
Campos já vem realizando, aliás
como Jacques Rueff, Hayek, tantos outros e até este
humilde escriba, a transposição que 0 potencial
torra cultívável, de boa topo grafia e precipitação pluviomé-
de seu pensamento da Econo mia para o oceano mais largo das idéias gerais, isto é, da Eco nomia e da Tecnocracia para n Sociologia e a Política. Não
trica.
lhe falta estofo.
Dizem-me
mineral do Estado
está longe
de ser pobre e que há
muita
Subsidiária da Siemens oferece Miniusinas Nucleares — Hamburgo — A indústria nuclear da Repviblica Federal Alemã desen volveu miniusinas, destinadas a serem instaladas especialmente em países do Terceiro Mundo. De acordo com afirmações de Klaus Barthelt, presidente da firma Kraftwerk Union AG (KWU), sucursal da Sie mens, estas miniusinas desenvolvem uma capacidade de 300 a 400 Megawatt, estando agora prontas para serem oferecidas. As miniusinas nu cleares, de recente desenvolvimento estão sendo fabricadas na RPA com pletas, carregadas sobre embarcações e puxadas por rebocadores para (Continua na página CO)
DIGESTO ECONÔMICO
DIGESTO
44
Depois de uma “vista” em Bretton Woods, tive a oportuni
Banco de Desenvolvimento
que realizaram
ü
com a maior
dade de vê-lo em Long Island
●eficiência,
(antiga sede das Nações Uni das) defender sob as vistas do embaixador João Carlos Muniz, as doutrinas da Civilização Oci dental que estavam sendo rude mente invectivadas pelo delega do da Polônia. A inteligência, a cultura e a agilidade com que no.sso representante revidou a agressão polonesa deram-me lo go a certeza de tratar-se de um moço de grandes possibilidades na vida pública, econômica e
ter negado (para salvar as fi nanças do País) os recursos que não podiam dispensar. Kubtscheck não deixou de aproveitar tão precioso elemento e afinal 0 grande presidente Castello
cultural do Brasil.
Dois amigos meus, profes sores da Universidade de Co-,
lúmbia, em N.Y., Arthur Burns e Ragnar Nurke, disseram-me então ser Campos o mais bri lhante aluno estrangeiro dentre
ceria de Octávio Bulhões, a i’cstaurar as finanças desmantela das pelo incrível sr. João Gou lart.
O Brasil ficou a dever a es
ses ilustres brasileii*os, além da restauração da ordem finan ceira, outras instituições como (Fundo de Garantia
por Tempo de Serviço), que destravou
o
desenvolvimento
do
País e a correção monetária, que salvou a poupança.
por
O presidente Ernesto Geisel,
mãos nos últimos 10 anos.
talvez por não gostar do conví vio de quem pretenda darlhe conselhos, expediu Roberto
as centenas que passaram suas
apesar de eu lhes
Branco convocou-o com a par
o FGTS
Foi através de Concurso do Itamaraty que Roberto Campo,3
entrou para a vida pública brosileira.
0 Banco de DesenvoJ-
vimento Econômico, os Conse lhos Ministeriais logo o absorveram. Quando chegou minha
vez em 1954, convoquei-o com Glycon de Paiva para dirigir o
45
ECONÔMICO
Campos e Delfim Netto para as Embaixadas da Inglaterra e da França. Campos mostrou que nossa dívida externa atual, apesar de considerável, não chega a ser inquietante e que também os
árabes têm o problema de en contrar aplicação segura para seu dinheiro neste mundo incer to e atormentado.
Por fim, mostrou a utopia do famigerado Terceiro Mundo, fruto da escassa imaginação de diplomatas em férias.
Mato Gro.sso do Norte é. com Goiás, se não me falha a Geografia, o único Estado que
participa das bacias
fluviais
do Paraná e do Amazonas, sen do de notar que o divisor das
dua3 bacias é quase de
nível,
grande vantagem para um País já tãd farto de zonas monta
nhosas. Dizem-me
que 0 potencial
mineral do Estado
está longe
de ser pobre e que há
muita
Mato Grosso do Norte é, ^portanto, uma promissora incóg nita e ideal para um planeja mento inteligente e eficaz.
Os serviços de Campos em Londres, se bem que valiosos, não correspondem ao que ele
pode dar ao Brasil, até porque, como ele bem o diz, as Embai
xadas são hoje uma espécie em extinção, tornada supérflua pe los telex do Itamaraty como pelas repetidas
visitas
de mi
nistros de Estado.
Campos já vem realizando, aliás,
como
Jaeques
Rueff,
Hayek, tantos outros e até este humilde escriba, a transposição de seu pensamento da Economia para o oceano mais largo
terra cultivável, de boa topo grafia e precipitação pluviomé-
das idéias gerais, isto é, da Eco nomia e da Tecnocracia para n Sociologia e a Política. Não
trica.
lhe falta estofo.
Subsidiária da Siemens oferece Miniusinas Nucleares — Hamburgo — A indústria nuclear da República Federal Alemã desen volveu miniusinas, destinadas a serem instaladas especialmente em países do Terceiro Mundo. De acordo com afirmações de Klaus Barthelt, presidente da firma Kraftwerk Union AG (KWU). sucursal da Sie mens. estas miniusinas desenvolvem uma capacidade de 300 a 400 Megawatt, estando agora prontas pai'a serem oferecidas. As miniusinas nu cleares, de recente desenvolvimento estão sendo fabricadas na RPA com pletas, carregadas sobre embarcações e puxadas por rebocadores para (Continua na página 60)
DIGESTO ECONÔMICO
DIGESTO
44
Depois de uma “vista” em Bretton Woods, tive a oportuni
Banco de Desenvolvimento
que realizaram
ü
com a maior
dade de vê-lo em Long Island
●eficiência,
(antiga sede das Nações Uni das) defender sob as vistas do embaixador João Carlos Muniz, as doutrinas da Civilização Oci dental que estavam sendo rude mente invectivadas pelo delega do da Polônia. A inteligência, a cultura e a agilidade com que no.sso representante revidou a agressão polonesa deram-me lo go a certeza de tratar-se de um moço de grandes possibilidades na vida pública, econômica e
ter negado (para salvar as fi nanças do País) os recursos que não podiam dispensar. Kubtscheck não deixou de aproveitar tão precioso elemento e afinal 0 grande presidente Castello
cultural do Brasil.
Dois amigos meus, profes sores da Universidade de Co-,
lúmbia, em N.Y., Arthur Burns e Ragnar Nurke, disseram-me então ser Campos o mais bri lhante aluno estrangeiro dentre
ceria de Octávio Bulhões, a i’cstaurar as finanças desmantela das pelo incrível sr. João Gou lart.
O Brasil ficou a dever a es
ses ilustres brasileii*os, além da restauração da ordem finan ceira, outras instituições como (Fundo de Garantia
por Tempo de Serviço), que destravou
o
desenvolvimento
do
País e a correção monetária, que salvou a poupança.
por
O presidente Ernesto Geisel,
mãos nos últimos 10 anos.
talvez por não gostar do conví vio de quem pretenda darlhe conselhos, expediu Roberto
as centenas que passaram suas
apesar de eu lhes
Branco convocou-o com a par
o FGTS
Foi através de Concurso do Itamaraty que Roberto Campo,3
entrou para a vida pública brosileira.
0 Banco de DesenvoJ-
vimento Econômico, os Conse lhos Ministeriais logo o absorveram. Quando chegou minha
vez em 1954, convoquei-o com Glycon de Paiva para dirigir o
45
ECONÔMICO
Campos e Delfim Netto para as Embaixadas da Inglaterra e da França. Campos mostrou que nossa dívida externa atual, apesar de considerável, não chega a ser inquietante e que também os
árabes têm o problema de en contrar aplicação segura para seu dinheiro neste mundo incer to e atormentado.
Por fim, mostrou a utopia do famigerado Terceiro Mundo, fruto da escassa imaginação de diplomatas em férias.
Mato Gro.sso do Norte é. com Goiás, se não me falha a Geografia, o único Estado que
participa das bacias
fluviais
do Paraná e do Amazonas, sen do de notar que o divisor das
dua3 bacias é quase de
nível,
grande vantagem para um País já tãd farto de zonas monta
nhosas. Dizem-me
que 0 potencial
mineral do Estado
está longe
de ser pobre e que há
muita
Mato Grosso do Norte é, ^portanto, uma promissora incóg nita e ideal para um planeja mento inteligente e eficaz.
Os serviços de Campos em Londres, se bem que valiosos, não correspondem ao que ele
pode dar ao Brasil, até porque, como ele bem o diz, as Embai
xadas são hoje uma espécie em extinção, tornada supérflua pe los telex do Itamaraty como pelas repetidas
visitas
de mi
nistros de Estado.
Campos já vem realizando, aliás,
como
Jaeques
Rueff,
Hayek, tantos outros e até este humilde escriba, a transposição de seu pensamento da Economia para o oceano mais largo
terra cultivável, de boa topo grafia e precipitação pluviomé-
das idéias gerais, isto é, da Eco nomia e da Tecnocracia para n Sociologia e a Política. Não
trica.
lhe falta estofo.
Subsidiária da Siemens oferece Miniusinas Nucleares — Hamburgo — A indústria nuclear da República Federal Alemã desen volveu miniusinas, destinadas a serem instaladas especialmente em países do Terceiro Mundo. De acordo com afirmações de Klaus Barthelt, presidente da firma Kraftwerk Union AG (KWU). sucursal da Sie mens. estas miniusinas desenvolvem uma capacidade de 300 a 400 Megawatt, estando agora prontas pai'a serem oferecidas. As miniusinas nu cleares, de recente desenvolvimento estão sendo fabricadas na RPA com pletas, carregadas sobre embarcações e puxadas por rebocadores para (Continua na página 60)
Por uma Sociologia das
Bandeiras Paulistas A. Delorenzo f^ieío
A história e o drama dos bandeirantes
ilustrarão mensagem capacitada
ÍNSTÍTUTGDE
a compor um discurso político. O autor é professor universitário.
®©N0MIA GASTÃG VIDIGAL ■
Conhecer a economia nacional e mundial, através de estudos constantes de levantamento de dados estatísticos é com o Instituto de Economia Gastão Vidigal.
Quando so constituiu a Es¬
cola de Sociologia e Política dc São Paulo, em 1933, os seus pioneiros desejaram que se es
Mas não é isto apenas. Colaborar no interceimbio de estudos sobre economia e orientar as empresas de pequeno e médio portes são nlqulnas de suas atividadesAssocic-sv à Associação Comercia! de São Paulo e aproveite as vantagens e serviços que o lEGV pode oferecer.
Ir
tabelecesse
tempo de
em
integral,
‘História
de
regime
uma
Social
cátedra de
São
Paulo”, para a investigação científica do passado bandei-
já aperfeiçoados na sociologia e antropologia.(1) Apesar dos esforços de Alcântara Macha do e Roberto Simonsen, não se realizou esse plano inicial. Em 1938, Sérgio Millíet — então professor
auxiliar
de Sociolo
gia — publicou sua monografia clássica "0 Roteiro do Café“,
5í '. y /1
K
rante, sob a perspectiva dos
I i
lio., Vis!-j, 5! — C- íost.i!
C .●[) ü lul-l — Ti'!u'x i'. M
- bP
- p.Mix
i:j:í3
(1)
Nota-se que no primeiro elenco de disciplinas dp Curso de Bacharelado, no 2.0 semestre
do
S.°
ano,
estava
prevista
a denominada
"Problemas
Paulis
tas”. Ver Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo — Informações e Programas (1933-1934), pág. 6.
Por uma Sociologia das
Bandeiras Paulistas A. Delorenzo f^ieío
A história e o drama dos bandeirantes
ilustrarão mensagem capacitada
ÍNSTÍTUTGDE
a compor um discurso político. O autor é professor universitário.
®©N0MIA GASTÃG VIDIGAL ■
Conhecer a economia nacional e mundial, através de estudos constantes de levantamento de dados estatísticos é com o Instituto de Economia Gastão Vidigal.
Quando so constituiu a Es¬
cola de Sociologia e Política dc São Paulo, em 1933, os seus pioneiros desejaram que se es
Mas não é isto apenas. Colaborar no interceimbio de estudos sobre economia e orientar as empresas de pequeno e médio portes são nlqulnas de suas atividadesAssocic-sv à Associação Comercia! de São Paulo e aproveite as vantagens e serviços que o lEGV pode oferecer.
Ir
tabelecesse
tempo de
em
integral,
‘História
de
regime
uma
Social
cátedra de
São
Paulo”, para a investigação científica do passado bandei-
já aperfeiçoados na sociologia e antropologia.(1) Apesar dos esforços de Alcântara Macha do e Roberto Simonsen, não se realizou esse plano inicial. Em 1938, Sérgio Millíet — então professor
auxiliar
de Sociolo
gia — publicou sua monografia clássica "0 Roteiro do Café“,
5í '. y /1
K
rante, sob a perspectiva dos
I i
lio., Vis!-j, 5! — C- íost.i!
C .●[) ü lul-l — Ti'!u'x i'. M
- bP
- p.Mix
i:j:í3
(1)
Nota-se que no primeiro elenco de disciplinas dp Curso de Bacharelado, no 2.0 semestre
do
S.°
ano,
estava
prevista
a denominada
"Problemas
Paulis
tas”. Ver Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo — Informações e Programas (1933-1934), pág. 6.
DIGESTO ECONÔMICO
48
DIGESTO ECONÔMICO
estudando aspectos da história social paulista. Também, nessa
mesma linha, Afrânio Peixoto sugerira que Oliveira Viana viesse a São Paulo, realizar um curso aprofundado, na Escola, sobre a sociedade São Paulo.
Como
se
vê,
antiga
de
passaram-se
Os anos, acumularam-se mate riais sobre as “bandeiras”, e a obra monumental de Taunay atesta as dimensões históricas incontrastáveis desse movimen to social. Alcântara Machado, Cassiano Ricardo e Paulo Prado deram alguns brilhantes nos
ensaios. Faltaram-lhes, a todos,
porém, compreensão mais vas
ta do fenômeno para a formu
lação da sociedade global, sem a
utilização dos recursos meto
dológicos das ciências sociais. Dos nossos ensaístas, talvez Alfredo Ellis Júnior foi quem mais se aproximou de uma in
terpretação sócio-econômica de caráter moderno, atendendo a
exigências metodológicas mais rigorosas,
Bastante
oportuna
foi a contribuição de Aureliano Deite, que vislumbrou no mo vimento bandeirante traços de
originalidade, pretendendo mesmo
dele desentranhar uma “ci-
vilização paulista”. Muitas con ferências se realizaram depois da “Semana de Arte Moderna", salientando aqui e acolá rumos novos, sob a inspiração dos “bandeirantes”, ganhando em concepção e relevo a poesia e 0 romance, nas obras de Gui
lherme de Almeida, Menotti dei
Picchia, Ribeiro Couto, Plínio Salgado,
Cassiano
Ricardo
e
Paulo Setúbal. Estilizou-se mes
mo uma “bandeirologia”, para estimular no pensamento pau lista, novas linhas de criação
e ação, ou seja, da literatura à política. Posso
afirmar
— relendo
esses textos, dos mais antigos aos mais
modernos — mesmo
que paradoxalmente — que do passado paulista se poderá co lher uma inspiração fecunda para compor, no presente, um renovado modo de vida, mais autêntico, mais original, mais simples. As nações esquecidas de seu passado se debilitam e se
descaracterizam
sob
as
constantes e progressivas amea ças atuais das ideologias im
perialistas, sejam de direita ou de esquerda. A sociedade brasileira bem merece uma revisão de seus
49
valores e atitudes, alongando a história em Sociologia. A “His
0 significado da ação bandei rante na formação da sociedade
tória Spcial do Brasil” de Pedro
brasileira. Já é o momento dc
Calmon, com um plano de real
ousar esse empreendimento, pois, os grandes mestres que referimos lançaram as bases,
interesse, foi extremamente sumária em relação aos ban
deirantes. A cultura paulista necessita de uma interpretação scciológica que a articule à cultura brasileira, num painel amplo à maneira daquele que Gilberto Freyre construiu para a sociedade patriarcal do Nor
deste, em sua obra clássica e
monumental. A França, tam bém
nos
oferece
um
modelo
inàvalizável, no trabalho ingen te de Taine, ao conceber e rea lizar, originalmente, a sua “Les Origines de la France contemporaine” (em 17 volumes). E, recentemente, a possibilidade
desbravando
exemplos,
a
influência
mais
da
de
ouro
de
textos
e
ensaios
dispersos, procuraremos joeirar ao máximo a riqueza escondi da, para demonstrar em toda a sua clareza o espirito de São Paulo. Quanto mais antigo, mais voltado ao espírito moder no, em seu arrebatamento para a ação, em seu desmedido rea lismo, em sua lealdade à Na ção, confiante na grandeza do futuro. m
A
análise
que propomos,
num
reexame
do bandeirismo
paulista, à luz da interpretação sociológica fundamental, recor
n
Sob
caminhos
história, sem os quais seria impossível a elaboração de se melhante projeto. Nessa mina
de um estudo desse nível nô-lo
atesta o professor Eisenstadt, a propósito de sua notável “Israeli Society”.
os
uma
desses
rendo também aos subsídios da
achega
antropologia, da economia, da geografia humana e da psico
pretendemos acrescentar, com linhas firmes e precisas, para a compreensão da história so cial de S'ão Paulo. Seria uma obra de conjunto, para avaliar
logia social — terá três tomos assim distribuídos:
1° — Teoria e História das Bandeiras Paulistas.
I
DIGESTO
48
DIGESTO
estudando aspectos da história social paulista. Também, nessa
mesma linha, Afrânio Peixoto sugerira que Oliveira Viana viesse a São Paulo, realizar um curso aprofundado, na Escola, sobre a sociedade São Paulo.
ECONÔMICO
antiga
de
Como se vê, passaram-se Os anos, acumularam-se mate riais sobre as “bandeiras”, e a obra monumental de Taunay atesta as dimensões históricas incontrastáveis desse movimen to social. Alcântara Machado, Cassiano Ricardo e Paulo Prado nos deram alguns brilhantes ensaios. Faltaram-lhes, a todos,
porém, compreensão mais vas ta do fenômeno para a formu
lação da sociedade global, sem a utilização dos recursos meto dológicos das ciências sociais, Dos nossos ensaístas, talvez Alfredo Ellis Júnior foi quem mais se aproximou de uma in
terpretação sócio-econômica de caráter moderno, atendendo a
exigências metodológicas mais rigorosas. Bastante oportuna foi a contribuição de Aureliano Leite, que vislumbrou no mo
vilização paulista”. Muitas con ferências se realizaram depois da “Semana de Arte Moderna”, salientando aqui e acolá rumos novos, sob a inspiração dos “bandeirantes”, ganhando em concepção e relevo a poesia e 0 romance, nas obras de Gui lherme de Almeida, Menotti dei Picchia, Ribeiro Couto, Plínio Salgado, Cassiano Ricardo e Paulo Setúbal. Estilizou-se mes.
mo uma “bandeirologia”, para estimular no pensamento pau lista, novas linhas de criação e ação, ou seja, da literatura à política. Posso
afirmar
relendo
esses textos, dos mais antigos aos mais modernos — mesmo
que paradoxalmente — que do passado paulista se poderá co lher
uma
inspiração
fecunda
para compor, no presente, um renovado modo de vida, mais
autêntico, mais original, mais simples. As nações esquecidas de seu passado se debilitam e se descaracterizam, sob as constantes e progressivas amea
ças atuais das ideologias im perialistas, sejam de direita ou
vimento bandeirante traços de
de esquerda.
originalidade, pretendendo mes
A sociedade brasileira bem' merece uma revisão de seus
mo dele desentranhar uma “ci-
ECONÔMICO
49
valores e atitudes, alongando a história em Sociologia. A “His
0 significado da ação bandei rante na formação da sociedade
tória Spcial do Brasil” de Pedro
brasileira. Já é o momento do
Calmon, com um plano de real
ousar esse empreendimento, pois, os grandes mestres que referimos lançaram as bases,
interesse,
foi
extremamente
sumária em relação aos ban deirantes. A cultura paulista necessita de uma interpretação sociológica que a articule à cultura brasileira, num painel amplo à maneii’a daquele que Gilberto Freyre construiu para a sociedade patriarcal do Nor deste, em sua obra clássica e
monumental. A França, tam bém
nos
oferece
um
modelo
ii’rivalizável, no trabalho ingen te de Taine, ao conceber e rea lizar, originalmente, a sua “Les Origines de la France contemporaine” (em 17 volumes). E, recentemente, a possibilidade
desbravando
de
caminhos
da
ouro
de
textos
e
ensaios
dispersos, procuraremos joeirar ao máximo a riqueza escondi da, para demonstrar em toda a sua clareza o espírito de São
Paulo. Quanto mais antigo, mais voltado ao espírito moder no, em seu arrebatamento para a ação, em seu desmedido rea lismo, em sua lealdade à Na ção, confiante na grandeza do futuro.
de um estudo- desse nível nô-lo
atesta o professor Eisenstadt, a propósito de sua notável “Israeli Society”.
os
história, sem os quais seria impossível a elaboração de se melhante projeto. Nessa mina
m
A
análise que propomos,
num reexame do
bandeirismo
paulista, à luz da interpretação sociológica fundamental, recor
n
desses
rendo também aos subsídios da
exemplos, mais uma achega pretendemos acrescentar, com linhas firmes e precisas, para a compreensão da história so cial de São Paulo. Seria uma obra de conjunto, para avaliar
antropologia, da economia, da geografia humana e da psico
Sob
a
influência
logia social — terá três tomos assim distribuídos:
l.° — Teoria e História das Bandeiras Paulistas.
DIGESTO
50
mento original do Brasil.(2) Pois, ela era uma criação ori
ciedade Colonial.
tro
e não tendo nada de semelhan
A conquista do Brasil
Esse antigo "modo de ser pau lista", revelado pela ação des
—
o
"ethos"
o
ra nte
bandel-
tempera¬
mento paulista e o ca ráter nacional.
»
Trata-se, é certo, de um tema assaz complexo, quase um desafio à capacidade ou argúcia do analista. De qual quer forma, no estado atual em' que se encontram as ciências sociais, já bem próximas da objetividade, mercê dos auxí lios da estatística e da pesquisa empírica — não será impossível melhor compreensão da socie dade bandeirante em sua rique
za, em seu quadro sócio-cultural, em sua natureza institucio nal.
IV
,vA unidade nacional,
mais
política que antropo-sociológica, se beneficia das diferenciações regionais.
Jamais se percebeu, çabalmente, a importância regional do “bandeirismo” paulista, co-
da
comunidade
nacional.
à
comunidade
bási
ca", de que nos fala Gilberto Freyre, em seus apegos à re
gião, área ou provincia. Polarizando
a
lítico, essencial à continuidade e nobreza da Pátria.
ginal própria do Brasil do Sul
Referências
te, mesmo em outros países do
bravadora dos “bandeirantes", expressa uma forma de regio nalismo a um tempo polimorfa e singular. Tornou-se, mesmo, um fator substancial de reforço e integração. Lembra aquela “lealdade
51
DIGESTO ECONÔMICO
brindo um amplo espaço geo gráfico e cultural, irradiando uma energia vitalizadora den
2.®— Interpretação socioló gica do Bandelrismo — A formação da So 3.®
ECONÔMICO
“bandeira”
homens
re
riquezas, planos
e
ideais,
sua
convergência
se
realiza em termos de conquista do Brasil. Esses homens, rudes
e altivos, viveram a sua utopia, alcançando e excedendo os li mites da grandeza territorial. Menos os rasgos de aven tura 0 que se deve perquirir no “modo de vida bandeirante”, em sua estática e dinâmica,
será a “performance" da pró pria nação em sua realidade
continente (o próprio “pioneer” da América do Norte não tivera a função do paulista). A “ban deira" pode, sociologicamente, ser considerada o “grupo pri mário” de nossa organização sócio-política, sendo o “bandeirismo” a revelação instintiva de um esquema político origi nal em que predominavam as
forças agregadoras da discipli na, da solidariedade e do ideal cristão.
Essa idéia-símbolo, portan to, a “bandeira paulista”, den tro das obscuridades do presen te, poderá apontar um roteiro
Affonso História
de
Geral
básicas
E. Taunay — das
Bandeiras
Paulistas, especialmente o To mo V, Typographia Ideal, São Paulo, 1929. Alfredo
Melo
Século
Ellis
de
Júnior
—
Bandeirismo,
Coleção “Brasiliana”, Comp. Editora Nacional, São Paulo, 1948.
Cassiano Ricardo
Mar
cha para o Oeste, 2 vols., Li vraria José Olympio Editora,
São Paulo, 1970. Cassiano Ricardo — Peque no
Ensaio
de
Bandeírologia,
Ministério
de
Educação
e
para a nossa vida cívica.
Cultura, Rio de Janeiro, 1956.
Dos “bandeirantes” não fi cou a mera imagem, ou apenas a evocação romântica: desses
saio de Exposição do Pensa mento Bandeirante, Coleção-.da
Menotti Del Picchia — En
personagens, desses atores de
"Bandeira”, São Paulo, 1937.,
nossa história se indagará um sentido de permanência. Assim,
Bandeirantes, Edição Fac-simi-
Belmonte — No Tempo dos
sua história e seu drama ilus
lada, Coleção “Paulística”, vpl.
futura.
trarão uma mensagem capaci
Cassiano Ricardo buscava na “bandeira" a idéia-símbolo
tada a compor um discurso po-
XX. Governo do Estado de São Paulo, 1980.
para melhor defender o pensa-
(2)
Ler o seu ensaio — Contribuição para a Defesa do Pensamento Original do Brasil^ Coleção da “Bandeira”, n.® 7, São Paulo, 1936.
DIGESTO
50
mento original do Brasil.(2) Pois, ela era uma criação ori
ciedade Colonial.
tro
e não tendo nada de semelhan
A conquista do Brasil
Esse antigo "modo de ser pau lista", revelado pela ação des
—
o
"ethos"
o
ra nte
bandel-
tempera¬
mento paulista e o ca ráter nacional.
»
Trata-se, é certo, de um tema assaz complexo, quase um desafio à capacidade ou argúcia do analista. De qual quer forma, no estado atual em' que se encontram as ciências sociais, já bem próximas da objetividade, mercê dos auxí lios da estatística e da pesquisa empírica — não será impossível melhor compreensão da socie dade bandeirante em sua rique
za, em seu quadro sócio-cultural, em sua natureza institucio nal.
IV
,vA unidade nacional,
mais
política que antropo-sociológica, se beneficia das diferenciações regionais.
Jamais se percebeu, çabalmente, a importância regional do “bandeirismo” paulista, co-
da
comunidade
nacional.
à
comunidade
bási
ca", de que nos fala Gilberto Freyre, em seus apegos à re
gião, área ou provincia. Polarizando
a
lítico, essencial à continuidade e nobreza da Pátria.
ginal própria do Brasil do Sul
Referências
te, mesmo em outros países do
bravadora dos “bandeirantes", expressa uma forma de regio nalismo a um tempo polimorfa e singular. Tornou-se, mesmo, um fator substancial de reforço e integração. Lembra aquela “lealdade
51
DIGESTO ECONÔMICO
brindo um amplo espaço geo gráfico e cultural, irradiando uma energia vitalizadora den
2.®— Interpretação socioló gica do Bandelrismo — A formação da So 3.®
ECONÔMICO
“bandeira”
homens
re
riquezas, planos
e
ideais,
sua
convergência
se
realiza em termos de conquista do Brasil. Esses homens, rudes
e altivos, viveram a sua utopia, alcançando e excedendo os li mites da grandeza territorial. Menos os rasgos de aven tura 0 que se deve perquirir no “modo de vida bandeirante”, em sua estática e dinâmica,
será a “performance" da pró pria nação em sua realidade
continente (o próprio “pioneer” da América do Norte não tivera a função do paulista). A “ban deira" pode, sociologicamente, ser considerada o “grupo pri mário” de nossa organização sócio-política, sendo o “bandeirismo” a revelação instintiva de um esquema político origi nal em que predominavam as
forças agregadoras da discipli na, da solidariedade e do ideal cristão.
Essa idéia-símbolo, portan to, a “bandeira paulista”, den tro das obscuridades do presen te, poderá apontar um roteiro
Affonso História
de
Geral
básicas
E. Taunay — das
Bandeiras
Paulistas, especialmente o To mo V, Typographia Ideal, São Paulo, 1929. Alfredo
Melo
Século
Ellis
de
Júnior
—
Bandeirismo,
Coleção “Brasiliana”, Comp. Editora Nacional, São Paulo, 1948.
Cassiano Ricardo
Mar
cha para o Oeste, 2 vols., Li vraria José Olympio Editora,
São Paulo, 1970. Cassiano Ricardo — Peque no
Ensaio
de
Bandeírologia,
Ministério
de
Educação
e
para a nossa vida cívica.
Cultura, Rio de Janeiro, 1956.
Dos “bandeirantes” não fi cou a mera imagem, ou apenas a evocação romântica: desses
saio de Exposição do Pensa mento Bandeirante, Coleção-.da
Menotti Del Picchia — En
personagens, desses atores de
"Bandeira”, São Paulo, 1937.,
nossa história se indagará um sentido de permanência. Assim,
Bandeirantes, Edição Fac-simi-
Belmonte — No Tempo dos
sua história e seu drama ilus
lada, Coleção “Paulística”, vpl.
futura.
trarão uma mensagem capaci
Cassiano Ricardo buscava na “bandeira" a idéia-símbolo
tada a compor um discurso po-
XX. Governo do Estado de São Paulo, 1980.
para melhor defender o pensa-
(2)
Ler o seu ensaio — Contribuição para a Defesa do Pensamento Original do Brasil^ Coleção da “Bandeira”, n.® 7, São Paulo, 1936.
»: ●<r
<●
■. V
A Ofería Pcilslicaç
.
a IgMalclasle al®s AclaiiisÉffls ® o Blreito Comparado Amoldo Wa!d
A fgualdade iurídica como igualdade proporcional e não como
igualdade matemática. O autor é advogado e professor no Rio de Janeiro.
1. 0 legislador brasileiro, ao introduzir a oferta pública de aquisição de ações, inspi rou-se na lição do direito norteamericano que deu especial ênfase ao igual tratamento dos acionistas no caso de cessão de controle. Partindo dos deveres
de “boa fé”, e de fidelidade (fiduciary duty) que 0 acioComunicação constante com os maiores centros de produção, transmitindo informações precisas sobre negócios e oportunidadesno Brasil e no Mundo.
Associe-se â ACSP e usufrua das vantagens do Intercâmbio.
Rua Boa Vista, 51 - C. Postal 8082 - Cep 01014 — Tcicx (11) 23355 — SP — PABX 239-1333.
nista controlador teria em relação aos minoritários e ex
cluindo qualquer vantagem que
de controle nos Estados Unidos, a fim de fazer com que todos os acionistas da mesma classe
pudessem
gozar dos
mesmos
benefícios.
2. Admitida, já há longo temoo. a dissociação entre a
gestão e a propriedade da em presa, discutiu-se em favor de quem deveria reverter o even da tual prêmio decorrente transferência do poder de co mando da companhia. Enquan
para o majoritário pudesse ad vir da sua condição de instder,
to, no passado, admitia-se que pudesse beneficiar exclusiva
a jurisprudência e a doutrina pretenderam moralizar a cessão
ca de meio século^ após o fa-
mente 0 controlador, já há cer
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A Ofería Pcilslicaç
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a IgMalclasle al®s AclaiiisÉffls ® o Blreito Comparado Amoldo Wa!d
A fgualdade iurídica como igualdade proporcional e não como
igualdade matemática. O autor é advogado e professor no Rio de Janeiro.
1. 0 legislador brasileiro, ao introduzir a oferta pública de aquisição de ações, inspi rou-se na lição do direito norteamericano que deu especial ênfase ao igual tratamento dos acionistas no caso de cessão de controle. Partindo dos deveres
de “boa fé”, e de fidelidade (fiduciary duty) que 0 acioComunicação constante com os maiores centros de produção, transmitindo informações precisas sobre negócios e oportunidadesno Brasil e no Mundo.
Associe-se â ACSP e usufrua das vantagens do Intercâmbio.
Rua Boa Vista, 51 - C. Postal 8082 - Cep 01014 — Tcicx (11) 23355 — SP — PABX 239-1333.
nista controlador teria em relação aos minoritários e ex
cluindo qualquer vantagem que
de controle nos Estados Unidos, a fim de fazer com que todos os acionistas da mesma classe
pudessem
gozar dos
mesmos
benefícios.
2. Admitida, já há longo temoo. a dissociação entre a
gestão e a propriedade da em presa, discutiu-se em favor de quem deveria reverter o even da tual prêmio decorrente transferência do poder de co mando da companhia. Enquan
para o majoritário pudesse ad vir da sua condição de instder,
to, no passado, admitia-se que pudesse beneficiar exclusiva
a jurisprudência e a doutrina pretenderam moralizar a cessão
ca de meio século^ após o fa-
mente 0 controlador, já há cer
DIGESTO ECONÔMICO
54
moso caso Loew, Berle e Means
concluindo no sentido de reco
entenderam que o preço pago
nhecer que as oportunidades empresariais (corperate opportunities) deveríam beneficiar todos os acionistas que estives sem em condições iguais. Na parte decisória, determinou que
pelo controle deveria favorecer a empresa e não o acionista controlador, pois se o compra
dor adquire poder (de mando) e não apenas ações, tal poder pertencería à empresa, con
cluindo que, em tal hipótese, "payment for that power, if it goes anywhere, must go into the corporate treasury”. (BER LE and MEANS, The modem Corporation and private property, 1932, pág. 244). Para esses autores, o controle cons
0 prêmio, ágio ou bonus rece bido pelo acionista controlador fosse redistribuído de modo
impressão,
3.
Posteriormente, tanto a
The
foundation
Press Inc., 1975, pág. 837).
tituiría um corporate asset. um
bem do ativo da sociedade
a
também ser recebido pelos mi noritários. (Ap WILLIAM L. CARY, Corporations, Cases and Materials, 4.a edição, 5.a re-
4.
A
doutrina
americana
veio a justificar o direito do minoritário a uma parcela do
cia evoluíram no sentido de ser
prêmio com várias teorias que, inicialmente, destacaram que
redistribuído o prêmio recebido
0 controle pertencia à socieda
pelo
doutrina quanto a jurisprudên
demais
de, cabendo no caso a corporate
acionistas da mesma categoria, conforme ficou decidido no
actíon, como foi salientado em
leading case Perlman v. Feld mann, julgado, em 1955, pela Corte de Apelação do Segundo
do
controlador aos
vários julgados, desde o início século
até 1940. Posterior
Circuito, no qual a decisão ma
mente, considerou-se que havia uma espécie de alienação dos cargos de direção da empresa
joritária, liderada pelo juiz Clark, admitiu a existência de
(theory of sale of corporate Office), ensejando, pois, um
um dever fiduciário do acio nista controlador e diretor em
relação aos minoritários, com base no princípio
da
boa
fé.
pagamento que deveria benefi ciar todos os acionistas com direito de voto. Desenvolveuse, ainda, a teoria do erro
DIGBSTO ECONÔMICO
(mlsrepresentatlon) ou dolo e da ruptura do dever fiduciário (breach of fiduclary duty) a que se referiu o acórdão Perlman v. Feldmann acima citado, Mas, na realidade, a tese que acabou sendo consagrada, após algumas oscilações, foi a da igualdade de tratamento entre acionistas com direitos iguais.
5. Trata-se, na realidade, de um princípio básico do di reito societário que consagra, no direito comercial, a norma básica de direito constitucional, de acordo com a qual todos são
iguais perante a lei. Tal pre missa, também, foi invocada na decisão judicial mencionada, que considerou repreensível a atuação do réu por violar o princípio da igualdade, o que no entender da Corte era pu
nível especialmente numa épo ca de crise e considerando que
a venda do controle importava, na realidade, em diminuir o valor do fundo de comércio da empresa. (Ap. WILLIAM L.
CARY, obra citada, pág. 841 in fine). 6. Partindo da análise do
caso Perlman v. Feldmann, o professor William D. Andrews,
55
da Universidade de Harvard,
escreveu excelente ensaio, na Harvard Law Review de janei ro de 1965, no qual estruturou a sua teoria da igualdade dos
acionistas. Após excluir os de mais fundamentos doutrinários
da
“equalização”
dos direitos
da maioria e da minoria no caso
de venda de controle, concluiu que a responsabilidade do con trolador que deve redistribuir 0 seu bonus ou ágio aos mino ritários decorre simplesmente
da violação do princípio da igualdade de oportunidade, que deve ser assegurado a todos os acionistas, embora tal não te
nha sido 0 princípio claramen te consagrado no acórdão. Es creveu a respeito o ilustre co-
mercialista americano que: "These
questions
suggest
the possibility that Feldmann's liability can be predicated simply on the fact that he sold at a price not offered or otherwise
available
to
his
fellow
stockholders. The right violated, then, is simply the right of all stockholders to
have an equal
opportunity to participate ratably in a sale of stock pursuant to an offer to purchase controUing shares at a favora-
DIGESTO ECONÔMICO
54
moso caso Loew, Berle e Means
concluindo no sentido de reco
entenderam que o preço pago
nhecer que as oportunidades empresariais (corperate opportunities) deveríam beneficiar todos os acionistas que estives sem em condições iguais. Na parte decisória, determinou que
pelo controle deveria favorecer a empresa e não o acionista controlador, pois se o compra
dor adquire poder (de mando) e não apenas ações, tal poder pertencería à empresa, con
cluindo que, em tal hipótese, "payment for that power, if it goes anywhere, must go into the corporate treasury”. (BER LE and MEANS, The modem Corporation and private property, 1932, pág. 244). Para esses autores, o controle cons
0 prêmio, ágio ou bonus rece bido pelo acionista controlador fosse redistribuído de modo
impressão,
3.
Posteriormente, tanto a
The
foundation
Press Inc., 1975, pág. 837).
tituiría um corporate asset. um
bem do ativo da sociedade
a
também ser recebido pelos mi noritários. (Ap WILLIAM L. CARY, Corporations, Cases and Materials, 4.a edição, 5.a re-
4.
A
doutrina
americana
veio a justificar o direito do minoritário a uma parcela do
cia evoluíram no sentido de ser
prêmio com várias teorias que, inicialmente, destacaram que
redistribuído o prêmio recebido
0 controle pertencia à socieda
pelo
doutrina quanto a jurisprudên
demais
de, cabendo no caso a corporate
acionistas da mesma categoria, conforme ficou decidido no
actíon, como foi salientado em
leading case Perlman v. Feld mann, julgado, em 1955, pela Corte de Apelação do Segundo
do
controlador aos
vários julgados, desde o início século
até 1940. Posterior
Circuito, no qual a decisão ma
mente, considerou-se que havia uma espécie de alienação dos cargos de direção da empresa
joritária, liderada pelo juiz Clark, admitiu a existência de
(theory of sale of corporate Office), ensejando, pois, um
um dever fiduciário do acio nista controlador e diretor em
relação aos minoritários, com base no princípio
da
boa
fé.
pagamento que deveria benefi ciar todos os acionistas com direito de voto. Desenvolveuse, ainda, a teoria do erro
DIGBSTO ECONÔMICO
(mlsrepresentatlon) ou dolo e da ruptura do dever fiduciário (breach of fiduclary duty) a que se referiu o acórdão Perlman v. Feldmann acima citado, Mas, na realidade, a tese que acabou sendo consagrada, após algumas oscilações, foi a da igualdade de tratamento entre acionistas com direitos iguais.
5. Trata-se, na realidade, de um princípio básico do di reito societário que consagra, no direito comercial, a norma básica de direito constitucional, de acordo com a qual todos são
iguais perante a lei. Tal pre missa, também, foi invocada na decisão judicial mencionada, que considerou repreensível a atuação do réu por violar o princípio da igualdade, o que no entender da Corte era pu
nível especialmente numa épo ca de crise e considerando que
a venda do controle importava, na realidade, em diminuir o valor do fundo de comércio da empresa. (Ap. WILLIAM L.
CARY, obra citada, pág. 841 in fine). 6. Partindo da análise do
caso Perlman v. Feldmann, o professor William D. Andrews,
55
da Universidade de Harvard,
escreveu excelente ensaio, na Harvard Law Review de janei ro de 1965, no qual estruturou a sua teoria da igualdade dos
acionistas. Após excluir os de mais fundamentos doutrinários
da
“equalização”
dos direitos
da maioria e da minoria no caso
de venda de controle, concluiu que a responsabilidade do con trolador que deve redistribuir 0 seu bonus ou ágio aos mino ritários decorre simplesmente
da violação do princípio da igualdade de oportunidade, que deve ser assegurado a todos os acionistas, embora tal não te
nha sido 0 princípio claramen te consagrado no acórdão. Es creveu a respeito o ilustre co-
mercialista americano que: "These
questions
suggest
the possibility that Feldmann's liability can be predicated simply on the fact that he sold at a price not offered or otherwise
available
to
his
fellow
stockholders. The right violated, then, is simply the right of all stockholders to
have an equal
opportunity to participate ratably in a sale of stock pursuant to an offer to purchase controUing shares at a favora-
56
DIGESTO- ECONÔMICO
ble price”. (WILLIAM D. AN DREWS, The stockholder's ríght
of shares
fof
is
to have
to equal opportunity in the sale of shares, in Harvard Law
opportunity to sell his shares, or a prorata part of them, on substantially the same terms.
Review, janeiro de 1965 vol. 78, n.“ 3, pág. 515). 7. A regra da igualdade de oportunidade é sintetizada pelo autor nos seguintes termos: “A regra a ser considerada pode ser assim estatuída: sem pre que um acionista controla dor vende suas ações, todos os demais titulares de ações (da mesma classe) fazem jus a uma oportunidade idêntica para ven der suas ações, ou um quinhão delas pro-rata, em termos subs
tancialmente idênticos, ou seja, em termos de direitos correlativos: o acionista controlador,
ao
vender
as
suas
ações
a
um
terceiro,
deve
assegu
rar aos demais acionistas (mi noritários) uma oportunidade igual para que vendam as suas ações, na mesma proporção que ele vende as suas”.
É 0 seguinte o texto ginal:
ori-
"The rule to be considered can be stated thus: whenever a controlling stockolder sells
his shares. every other holder
entitled
the same class)
an
equal
DIGEST.O ECONÔMICO
da. Ações votantes não são fungíveis”. (But the riile of equal opportunity pressuposes fungible securities to be offered
for sale, Voting and non voting
Or in terms of the correlative
stcck are not
duty: before a controUing síock-
cit., pág. 558).
holder may sell his shares an
outsider
he
must
to
assure
his fellow stockholder an equal opportunity to sell their shares, or as high a proportion of theirs, as he ultimately sells of
his own”.
(Obra citada,
pág.
414, in fine). 8.
Desenvolvendo
a
sua
tese de igualdade de oportuni
dade, 0 autor concluiu que ela não pode ser estendida aos ti tulares de ações de categoria
distinta, não cabendo equipa rar ações votantes e não vo tantes, cuja natureza é distinta. Citando a jurisprudência norte-
americana
nos
casos
Honig-
man v. Green Giant Co. e Manacher v. Reynolds, nos quais se reconheceu que as ações não votantes não têm o mesmo valor que as votantes, afirma
0 professor ANDREWS que: "A
regra
oportunidade
da
igualdade de
pressupõe
títu
los fungíveis oferecidos à ven-
57
9.
fungible).
(Ob.
É de s.3 salientar
que
no julgamento Honifeman v. Green Giant Co., o tribunal reconheceu que o valor de mercado de ações votantes e não votantes pode ser diferente e deve prevalecer sobre o valor contábil (book value). Decidiu a respeito o acórdão pelo voto do Juiz Nordbye que:
"One may theorize urge
mesma classe, não podendo ha ver equiparação entre ações de classes distintas. (J. Spencer Letts. Sales of control stock and the righrs of mínorlty shareholders^ in The Business Lawyer, janeiro de 1971, pág. C38; Note on
that no
premium should bs paid for its extension, and further contriid
that because the book value of Class A shares does not exceed the book value of the Class B shares, these two classes of stock would have the basis of equality in any recopitalizations; however, in doing so, one
ignores the undeniable disparity
Cash
Tender
Offers in
Har
vard Law Review, vol. 83, pág. 377 e seguintes e especialmente pág. 388 e Richard W. Jennings, Trading in Corporate Controls in Califórnia Law Rev’ew. vol.
44, pág. 1 e seguintes e espe cialmente pág. 20).
on the
principies of socalled corporate
democracy and
matéria, enfatizaram sempre que a igualdade deveria preva lecer em relação a rções da
11. Na sua
obra
clássica
a
respeito de Tender Offers for corporate control, Edward Ross Aranow
e Herbert A. Einhorn
salientam que as ofertas públi cas de compra de ações podem abranger uma ou várias classes
ou categorias de títulos, sendo inclusive lícita a oferta de pre ços diferentes para cada tipo de ação. (Edward Ross Ara now
and
Herbert
A.
Einhorn.
in the market value ot the control which he forgoes'. (Cary, obra citada, pág. 849).
Tender Offers for corporate control, New York. Columbia
10. Todos os autores norte-
12.. Também na Inglaterra.. 0 Cíty.Code on Take-Overs and
americanos, que tratsram da
University Press, 1973, pág. 47).
56
DIGESTO- ECONÔMICO
ble price”. (WILLIAM D. AN DREWS, The stockholder's ríght
of shares
fof
is
to have
to equal opportunity in the sale of shares, in Harvard Law
opportunity to sell his shares, or a prorata part of them, on substantially the same terms.
Review, janeiro de 1965 vol. 78, n.“ 3, pág. 515). 7. A regra da igualdade de oportunidade é sintetizada pelo autor nos seguintes termos: “A regra a ser considerada pode ser assim estatuída: sem pre que um acionista controla dor vende suas ações, todos os demais titulares de ações (da mesma classe) fazem jus a uma oportunidade idêntica para ven der suas ações, ou um quinhão delas pro-rata, em termos subs
tancialmente idênticos, ou seja, em termos de direitos correlativos: o acionista controlador,
ao
vender
as
suas
ações
a
um
terceiro,
deve
assegu
rar aos demais acionistas (mi noritários) uma oportunidade igual para que vendam as suas ações, na mesma proporção que ele vende as suas”.
É 0 seguinte o texto ginal:
ori-
"The rule to be considered can be stated thus: whenever a controlling stockolder sells
his shares. every other holder
entitled
the same class)
an
equal
DIGEST.O ECONÔMICO
da. Ações votantes não são fungíveis”. (But the riile of equal opportunity pressuposes fungible securities to be offered
for sale, Voting and non voting
Or in terms of the correlative
stcck are not
duty: before a controUing síock-
cit., pág. 558).
holder may sell his shares an
outsider
he
must
to
assure
his fellow stockholder an equal opportunity to sell their shares, or as high a proportion of theirs, as he ultimately sells of
his own”.
(Obra citada,
pág.
414, in fine). 8.
Desenvolvendo
a
sua
tese de igualdade de oportuni
dade, 0 autor concluiu que ela não pode ser estendida aos ti tulares de ações de categoria
distinta, não cabendo equipa rar ações votantes e não vo tantes, cuja natureza é distinta. Citando a jurisprudência norte-
americana
nos
casos
Honig-
man v. Green Giant Co. e Manacher v. Reynolds, nos quais se reconheceu que as ações não votantes não têm o mesmo valor que as votantes, afirma
0 professor ANDREWS que: "A
regra
oportunidade
da
igualdade de
pressupõe
títu
los fungíveis oferecidos à ven-
57
9.
fungible).
(Ob.
É de s.3 salientar
que
no julgamento Honifeman v. Green Giant Co., o tribunal reconheceu que o valor de mercado de ações votantes e não votantes pode ser diferente e deve prevalecer sobre o valor contábil (book value). Decidiu a respeito o acórdão pelo voto do Juiz Nordbye que:
"One may theorize urge
mesma classe, não podendo ha ver equiparação entre ações de classes distintas. (J. Spencer Letts. Sales of control stock and the righrs of mínorlty shareholders^ in The Business Lawyer, janeiro de 1971, pág. C38; Note on
that no
premium should bs paid for its extension, and further contriid
that because the book value of Class A shares does not exceed the book value of the Class B shares, these two classes of stock would have the basis of equality in any recopitalizations; however, in doing so, one
ignores the undeniable disparity
Cash
Tender
Offers in
Har
vard Law Review, vol. 83, pág. 377 e seguintes e especialmente pág. 388 e Richard W. Jennings, Trading in Corporate Controls in Califórnia Law Rev’ew. vol.
44, pág. 1 e seguintes e espe cialmente pág. 20).
on the
principies of socalled corporate
democracy and
matéria, enfatizaram sempre que a igualdade deveria preva lecer em relação a rções da
11. Na sua
obra
clássica
a
respeito de Tender Offers for corporate control, Edward Ross Aranow
e Herbert A. Einhorn
salientam que as ofertas públi cas de compra de ações podem abranger uma ou várias classes
ou categorias de títulos, sendo inclusive lícita a oferta de pre ços diferentes para cada tipo de ação. (Edward Ross Ara now
and
Herbert
A.
Einhorn.
in the market value ot the control which he forgoes'. (Cary, obra citada, pág. 849).
Tender Offers for corporate control, New York. Columbia
10. Todos os autores norte-
12.. Também na Inglaterra.. 0 Cíty.Code on Take-Overs and
americanos, que tratsram da
University Press, 1973, pág. 47).
DIGESTO
58
Mergers determina que a ofer ta pública seja feita para todas ou para um grupo de ações da mesma categoria. No caso de oferta pública para várias cate
ECONÔMICO
tou expressamente que devia ser respeitada a igualdade dos acionistas, que deveríam ser colocados, de fato e de direito, em idêntica situação. (Valeurs
gorias de ações, o preço ofere cido pode ser diferente em re lação a cada uma delas. (Clive
MobíHiéres - Reglementation boursiére. OPA-OPE-OPV,
M. Schmitthof, Palmer's Com-
1979, pág. 135 e 152).
pany Law, 22.a edição, Lon dres, Stevens & Sons, ^976, pág. 858 e seguintes; François Ma-
14. Dentro do mesmo espírito, a Comissão Bancária Belga, no seu relatório de 1969/1970, con
lan,
Les
achat
offres
(OPA)
publiques
d'
L'expérience
anglaise. Paris, Librairie générale de droit et de jurisprudence, 1969, pág. 307 e André Tunc, Le droit anglais des sociétés
anonymes,
2.a
edição.
Paris,
Dalloz, 1978, pág. 231 e seguin tes).
Paris, Jurisdictíonnaires
sagrou
como
Joly,
consequência
do
princípio da igualdade entre os acionistas a obrigação de extenção das ofertas públicas de aquisição a todos os acionistas que se encontrassem -cm situa
ção
idêntica.
Uma
advogada
suíça chegou a encontrar, nas
decisões
belgas, considerações
13. Na França, a obrigação de recorrer à oferta pública de
gerais sobre a cessão de controle que não deixam de lem
aquisição de ações, no caso de mudança de controle, também base no
brar a teoria de Andrews à qual já nos referimos. (Anne Petitpierre-Sauvin, La cession
princípio da igualdade de tra
de controle mode de cession de
tamento entre os acionistas de
l'®nírepríse, Geneabra, GeorgLibrairie de TUniversité, 1977, pág. 80). 15. Finalmente, a própria
foi
determinada
com
igual categoria. (Nicole Decoopman, La commíssion des opérafíons de bourse et le droit
des sociétés, Paris, Econômica,
(ilomunidade
1980, pág. 68).
A Comissão de
péia, baseada no art. 155 do
Econômica
Euro
Operações de Bolsa (COB) da França, nas suas decisões de 15.3.1973 e de 25.7.1978. salien-
Tratado de Roma, aprovou em
25.7.1977, um Código de Condu ta referente às transações com
DTOESTO ECONÔMICO
59
valores mobiliários, determi nando que, na aquisição de con trole fosse reconhecido o direi
to dos minoritários de ter o mesmo tratamento que os ma
joritários.
(Ap. Renê Rodière,
D r o f t commercial, groupements commerciaux, lO.a edi
ção, Paris, Dalloz, 1980, n.o 359, pág. 417). 16. Em todos os países, as regras sobre ofertas públicas de compra de ações inspiramse no princípio básico da igual dade dos acionistas, visando a impedir um tratamento mais favorecido para os Insidcrs.
Neste sentido, reconheceu-se que 0 essencial da regulamen tação das ofertas públicas tem como objetivo principal garan tir a manutenção de uma igual dade constante entre controla dores, que geralmente são os iniciados, e demais acionistas
minoritários.
(Anne
Petitpier-
re-Sauvin, La cession de con trole mode de cession de i'en-
treprlse. Genebra, Georg-Librairie de 1'Université, 1977,
pág. 79, nota 179). 17. Ora, é evidente que essa
igualdade só pode ser garanti
em relação aos outros, pelo fato de possuírem as mesmas características. O princípio da igualdade justifica que não pos sa haver discriminação entre ações iguais pelo fato de per tencerem algumas aos controla dores e outras aos minoritários, nias jamais pode servir de base para uma equiparação entre ações distintas, entre direi
tos
diferentes,
tas
com
idênticos, fungíveis
uns
a
acionis voto
e
acionistas sem direito a voto.
18. Vemos, pois, que o direito comparado não diverge da po
sição tradicional assmnida pe los autores brasileiros que tra taram da matéria no campo do
direito público. Efetivamente. os mestres brasileiros sempre entenderam que diante de situações desiguais, c trata mento igual é que coostituiria a injustiça. Já disse Rui Bar bosa na Oração aos IVjoços ao enfatizar que: //
A regra da igualdade não consiste senão «m qulnhoar de-
sigualmenfe aos desiguais, na medida em que se deslgualam". E acrescentou: U
da a acionistas que tenham tí
tulos
entre
direito
a
Tratar iguais,
com desigualdade ou desiguais com
DIGESTO
58
Mergers determina que a ofer ta pública seja feita para todas ou para um grupo de ações da mesma categoria. No caso de oferta pública para várias cate
ECONÔMICO
tou expressamente que devia ser respeitada a igualdade dos acionistas, que deveríam ser colocados, de fato e de direito, em idêntica situação. (Valeurs
gorias de ações, o preço ofere cido pode ser diferente em re lação a cada uma delas. (Clive
MobíHiéres - Reglementation boursiére. OPA-OPE-OPV,
M. Schmitthof, Palmer's Com-
1979, pág. 135 e 152).
pany Law, 22.a edição, Lon dres, Stevens & Sons, ^976, pág. 858 e seguintes; François Ma-
14. Dentro do mesmo espírito, a Comissão Bancária Belga, no seu relatório de 1969/1970, con
lan,
Les
achat
offres
(OPA)
publiques
d'
L'expérience
anglaise. Paris, Librairie générale de droit et de jurisprudence, 1969, pág. 307 e André Tunc, Le droit anglais des sociétés
anonymes,
2.a
edição.
Paris,
Dalloz, 1978, pág. 231 e seguin tes).
Paris, Jurisdictíonnaires
sagrou
como
Joly,
consequência
do
princípio da igualdade entre os acionistas a obrigação de extenção das ofertas públicas de aquisição a todos os acionistas que se encontrassem -cm situa
ção
idêntica.
Uma
advogada
suíça chegou a encontrar, nas
decisões
belgas, considerações
13. Na França, a obrigação de recorrer à oferta pública de
gerais sobre a cessão de controle que não deixam de lem
aquisição de ações, no caso de mudança de controle, também base no
brar a teoria de Andrews à qual já nos referimos. (Anne Petitpierre-Sauvin, La cession
princípio da igualdade de tra
de controle mode de cession de
tamento entre os acionistas de
l'®nírepríse, Geneabra, GeorgLibrairie de TUniversité, 1977, pág. 80). 15. Finalmente, a própria
foi
determinada
com
igual categoria. (Nicole Decoopman, La commíssion des opérafíons de bourse et le droit
des sociétés, Paris, Econômica,
(ilomunidade
1980, pág. 68).
A Comissão de
péia, baseada no art. 155 do
Econômica
Euro
Operações de Bolsa (COB) da França, nas suas decisões de 15.3.1973 e de 25.7.1978. salien-
Tratado de Roma, aprovou em
25.7.1977, um Código de Condu ta referente às transações com
DTOESTO ECONÔMICO
59
valores mobiliários, determi nando que, na aquisição de con trole fosse reconhecido o direi
to dos minoritários de ter o mesmo tratamento que os ma
joritários.
(Ap. Renê Rodière,
D r o f t commercial, groupements commerciaux, lO.a edi
ção, Paris, Dalloz, 1980, n.o 359, pág. 417). 16. Em todos os países, as regras sobre ofertas públicas de compra de ações inspiramse no princípio básico da igual dade dos acionistas, visando a impedir um tratamento mais favorecido para os Insidcrs.
Neste sentido, reconheceu-se que 0 essencial da regulamen tação das ofertas públicas tem como objetivo principal garan tir a manutenção de uma igual dade constante entre controla dores, que geralmente são os iniciados, e demais acionistas
minoritários.
(Anne
Petitpier-
re-Sauvin, La cession de con trole mode de cession de i'en-
treprlse. Genebra, Georg-Librairie de 1'Université, 1977,
pág. 79, nota 179). 17. Ora, é evidente que essa
igualdade só pode ser garanti
em relação aos outros, pelo fato de possuírem as mesmas características. O princípio da igualdade justifica que não pos sa haver discriminação entre ações iguais pelo fato de per tencerem algumas aos controla dores e outras aos minoritários, nias jamais pode servir de base para uma equiparação entre ações distintas, entre direi
tos
diferentes,
tas
com
idênticos, fungíveis
uns
a
acionis voto
e
acionistas sem direito a voto.
18. Vemos, pois, que o direito comparado não diverge da po
sição tradicional assmnida pe los autores brasileiros que tra taram da matéria no campo do
direito público. Efetivamente. os mestres brasileiros sempre entenderam que diante de situações desiguais, c trata mento igual é que coostituiria a injustiça. Já disse Rui Bar bosa na Oração aos IVjoços ao enfatizar que: //
A regra da igualdade não consiste senão «m qulnhoar de-
sigualmenfe aos desiguais, na medida em que se deslgualam". E acrescentou: U
da a acionistas que tenham tí
tulos
entre
direito
a
Tratar iguais,
com desigualdade ou desiguais com
DIGESTO
60
igualdade, sena desigualdade flagrante e não Igualdade real Oraçao (RUI BARBOSA, aos moços, nova edição, Rio de Janeiro, Publicação da Casa
de Rui Barbosa, 1956, pág. 32). ● 19. Idêntica é a posição de San Tiago Dantas, em excelen te estudo no qual conceitua , a igualdade jurídica como igual-
ECONÔMICO
dade proporcional e não como igualdadí? matemática ou paritária. para concluir que eia não importa na uniformidade de tratamento, mas sim no tra taraento proporcionado e com pensado de seres (ou realidades) vários e desiguais. ISAN TIAGO DANTAS, Problemas de direito positivo. Rio Forense, 1953, pág. 62). (Continuação da p:ígina 45)
aMm-mar. Seriam Indicadas especialmentc para países em desenvolvi mento. Para sua instalação seriam preferíveis lugares perto do mar ou de 'rios, De acordo com indicação própria, KWU é a única empresa no mundo que fabrica Usinaa Nucleares completas, para funcionamento imed:ato (tipo ‘‘turn-key*’). Até hoje, 19 Usinas Nucleares completas terlam sido implantadas, encontrando-se mais doze em construção. Estas peque nas usinas, cujo “coração” consiste de um reator, tipo á-3ua fervente, estão sendo caracterizada como “especialmente” robustas e pouco expos tas a desarranjos. O seu nível standard de segurança seria o mesmo que o. das usinas KWU maiores cuja capacidade é de 1000 a 1300 megawatt. Ò preço das miniusinas foi indicado por Barthelt como sendo de
aproximadamente 1 bilhão d-o mai-cos por unidade, mas podería ser um pouco mais alto se a usina tiver que ser Implantada num lugar difícil. Barthelt julga que atualmente 1-5 a 35 pa'scs em descmvcolviment o es tão dispostos a adquirir energia nuclear, (Fonte: Handelsblatt-D uesseldorf).
do marxismo Lenildo Tabosa Pessoa
O marxismo nunca foi rigorosamente metodizadò. Marx não se preocupou com método. Escreveu e publicou, mais em estilo panfletário do que tecnicamente expositivo de uma doutrina. Daí seus furos. O marxismo está carunchado. O autor é
jornalista e professor universitário.
Ciência e Humano
"BUENOS AIRES — “Os tempos modernos riram das velhas cultur?.s, cheias de sabedoria, e o resultado está aí: a histe ria coletiva, 0 sadismo e o masoquismo, a violência generalizada, a desorien tação da juventude”, disse a um jornal o escritor Ernesto Sábato, conside rado pela crítica mundial um dos três “grandes” da literatura argentina, ao lado de Jorge Luís Borges e Júlio Cortãzar. Sábato, que abandonou uma promissora carreira científica para viver de literatura, acha que "a principal causa da catástrofe espiritual e psicológica do nosso tempo é a hegemonia da ciência”.
mete, negar que ele tenha, na intenção de seus criadores, um caráter filosófico, o próprio
balho Três Fontes e Três Partes
,
'
— o homem chegou a dominar o mundo da matéria, das coisas, mas às custas de uma paradoxal e infernal consequência: a transformação do ser humano em coisa — disse ele, concluindo.
O marxismo tem a preten são de ser uma filosofia que explique toda a realidade e,
Marx admite, em sua Critica da Economia Política, que se propôs fazer uma revisão crí
embora alguns marxistas
me
tica da filosofia do direito de
nos informados procurem, para
Hegel. Por outro lado, Lenin
livrá-lo dos apuros em que se
diz explicitamente, em seu tra
Integrantes do Marxismo, que 0 materialismo é a filosofia da
DIGESTO
60
igualdade, sena desigualdade flagrante e não Igualdade real Oraçao (RUI BARBOSA, aos moços, nova edição, Rio de Janeiro, Publicação da Casa
de Rui Barbosa, 1956, pág. 32). ● 19. Idêntica é a posição de San Tiago Dantas, em excelen te estudo no qual conceitua , a igualdade jurídica como igual-
ECONÔMICO
dade proporcional e não como igualdadí? matemática ou paritária. para concluir que eia não importa na uniformidade de tratamento, mas sim no tra taraento proporcionado e com pensado de seres (ou realidades) vários e desiguais. ISAN TIAGO DANTAS, Problemas de direito positivo. Rio Forense, 1953, pág. 62). (Continuação da p:ígina 45)
aMm-mar. Seriam Indicadas especialmentc para países em desenvolvi mento. Para sua instalação seriam preferíveis lugares perto do mar ou de 'rios, De acordo com indicação própria, KWU é a única empresa no mundo que fabrica Usinaa Nucleares completas, para funcionamento imed:ato (tipo ‘‘turn-key*’). Até hoje, 19 Usinas Nucleares completas terlam sido implantadas, encontrando-se mais doze em construção. Estas peque nas usinas, cujo “coração” consiste de um reator, tipo á-3ua fervente, estão sendo caracterizada como “especialmente” robustas e pouco expos tas a desarranjos. O seu nível standard de segurança seria o mesmo que o. das usinas KWU maiores cuja capacidade é de 1000 a 1300 megawatt. Ò preço das miniusinas foi indicado por Barthelt como sendo de
aproximadamente 1 bilhão d-o mai-cos por unidade, mas podería ser um pouco mais alto se a usina tiver que ser Implantada num lugar difícil. Barthelt julga que atualmente 1-5 a 35 pa'scs em descmvcolviment o es tão dispostos a adquirir energia nuclear, (Fonte: Handelsblatt-D uesseldorf).
do marxismo Lenildo Tabosa Pessoa
O marxismo nunca foi rigorosamente metodizadò. Marx não se preocupou com método. Escreveu e publicou, mais em estilo panfletário do que tecnicamente expositivo de uma doutrina. Daí seus furos. O marxismo está carunchado. O autor é
jornalista e professor universitário.
Ciência e Humano
"BUENOS AIRES — “Os tempos modernos riram das velhas cultur?.s, cheias de sabedoria, e o resultado está aí: a histe ria coletiva, 0 sadismo e o masoquismo, a violência generalizada, a desorien tação da juventude”, disse a um jornal o escritor Ernesto Sábato, conside rado pela crítica mundial um dos três “grandes” da literatura argentina, ao lado de Jorge Luís Borges e Júlio Cortãzar. Sábato, que abandonou uma promissora carreira científica para viver de literatura, acha que "a principal causa da catástrofe espiritual e psicológica do nosso tempo é a hegemonia da ciência”.
mete, negar que ele tenha, na intenção de seus criadores, um caráter filosófico, o próprio
balho Três Fontes e Três Partes
,
'
— o homem chegou a dominar o mundo da matéria, das coisas, mas às custas de uma paradoxal e infernal consequência: a transformação do ser humano em coisa — disse ele, concluindo.
O marxismo tem a preten são de ser uma filosofia que explique toda a realidade e,
Marx admite, em sua Critica da Economia Política, que se propôs fazer uma revisão crí
embora alguns marxistas
me
tica da filosofia do direito de
nos informados procurem, para
Hegel. Por outro lado, Lenin
livrá-lo dos apuros em que se
diz explicitamente, em seu tra
Integrantes do Marxismo, que 0 materialismo é a filosofia da
doutrina, que "Marx e Engels
grupo dos idealistas. Os outros,
defenderam da maneira mais' decidida o materialismo filosó fico” e que “Marx não parou
os que viam a natureza como
primeira causa, pertencem às
materialismo do século XVTTT mas levou adiante a filo sofia".
mo”.
no
Entretanto. o primeiro pas
so que os improvisados filóso fos
dão, em um
terreno que
não lhes é familiarj já é total mente arbitrário
e
começa a
exigir a fé cega — que se opÕe,
por definição, ao método ra cional, instrumento de trabalho de qualquer filosofia que se preze
— de
seus
seguidores.
Assim é que Engels, em seu livro sobre Ludwig Feuerbach,
depois
de
apresentar
como
questão fundamental de toda a filosofia 0 problema de saber Deus criou o mundo ou se ele existiu eternamente, escrese
ve
DIGESTO ECONÔMICO
DIGESTO ECONÔMICO
62
esta preciosidade: “Os filó-
sofos
dividiam-se
em
dois
grandes grupos, conforme essa
pergunta fosse respondida em um sentido ou no outro. Aque
les que defendiam a primazia da origem do espírito sobre a natureza, e portanto admitiam em última instância uma cria ção do mundo, formavam o
várias
escolas
do
63
do, evidentemente, materialis
CO, mostra que provavelmente
tas, tornam-se, por força, idea
não conhecia sequer o signifi cado etimológico da palavra, in ventada por Andrônico Rhodio, três séculos depois de Aristó
listas, quando toda a sua teoria do conhecimento é uma violen
materialis-
ta refutação do idealismo e uma defesa firme do realismo, im
Esse primeiro tijolo da construção marxista já é um tijolo furado. Em primeiro lu
gar, os problemas de Deus e da criação nunca foram o ob jeto fundamental da filosofia,
portantíssima corrente filosó fica da qual Engels partece desconhecer até a existência.
da chamada filo
Tratar-se-ia apenas de uma simplificação metodológi ca? Evidentemente não, uma
sofia cristã, e quando ela chega
vez que, no texto citado, nosso
nem mesmo ao
conhecimento
dEle,
como
chegou Aristóteles, conheceo enquanto ser. A idéia da cria ção já se situa no campo da revelação e, portanto, não no terreno propriamente filosófico. Em segundo lugar, o idea lismo, a começar pelo alemão, seu contemporâneo, tem, em filosofia, um sentido inteira mente diferente do que supõe Engels, que não chegou a per ceber a diferença rudimentar
entre espírito e pensamento e confunde
ser
e
A
natureza,
mais cômica consequência de seu extraordinário simplismo é
que, dividindo-se a filosofia, como
ele faz,
em idealismo
e
materialismo, Aristóteles e São Tomás
de
Aquino,
não
sen-
filósofo não estava expondo um
método, mas traçando, ainda que de maneira sumaríssima, uma
história
da
filosofia
até
sua época. O problema parece ser mesmo de crassa ignorân cia, da qual são dignos dis cípulos Lenin e os filósofos marxistas contemporâneos, que, ao falar de metafísica, não têm sequer o rudimentar cuidado, exigido pela seriedade cientí fica, de conhecer com exati dão as teses que pretendem re futar. Quando Lenin afirma, em seu trabalho sobre os ami
gos do povo, que toda ciência começava com a metafísica e fala, em seguida, de químico metafísico
e biólogo metafísi-
teles, para indicar os livros do
filósofo que vinham depois (no grego, metá) dos que tratavam da física. Até cronologicamen te a física precedeu a metafí
sica, que, segundo Lenin, está na origem de toda ciência...
De resto, para fazer jus a tanta profundidade, o próprio Marx afirma, em sua carta a Lassale: Durante as quatro semanas passadas li toda sorte
de coisas, entre outras o livro
de Darwin sobre a Seleção Na tural. Embora seja escrito em cru estilo inglês, este é livro que contém a base
científica
para nosso sistema”. Ou seja, a base científica do marxismo foi estabelecida em um profun do estudo de quatro sema nas.. .
Não é de admirar que, em tão longo espaço de tempo, nos
so gênio tenha estudado, como ressalta Lenin, em seu já ci tado trabalho sobre os amigos
do povo, uma só formação eco-
doutrina, que "Marx e Engels
grupo dos idealistas. Os outros,
defenderam da maneira mais' decidida o materialismo filosó fico” e que “Marx não parou
os que viam a natureza como
primeira causa, pertencem às
materialismo do século XVTTT mas levou adiante a filo sofia".
mo”.
no
Entretanto. o primeiro pas
so que os improvisados filóso fos
dão, em um
terreno que
não lhes é familiarj já é total mente arbitrário
e
começa a
exigir a fé cega — que se opÕe,
por definição, ao método ra cional, instrumento de trabalho de qualquer filosofia que se preze
— de
seus
seguidores.
Assim é que Engels, em seu livro sobre Ludwig Feuerbach,
depois
de
apresentar
como
questão fundamental de toda a filosofia 0 problema de saber Deus criou o mundo ou se ele existiu eternamente, escrese
ve
DIGESTO ECONÔMICO
DIGESTO ECONÔMICO
62
esta preciosidade: “Os filó-
sofos
dividiam-se
em
dois
grandes grupos, conforme essa
pergunta fosse respondida em um sentido ou no outro. Aque
les que defendiam a primazia da origem do espírito sobre a natureza, e portanto admitiam em última instância uma cria ção do mundo, formavam o
várias
escolas
do
63
do, evidentemente, materialis
CO, mostra que provavelmente
tas, tornam-se, por força, idea
não conhecia sequer o signifi cado etimológico da palavra, in ventada por Andrônico Rhodio, três séculos depois de Aristó
listas, quando toda a sua teoria do conhecimento é uma violen
materialis-
ta refutação do idealismo e uma defesa firme do realismo, im
Esse primeiro tijolo da construção marxista já é um tijolo furado. Em primeiro lu
gar, os problemas de Deus e da criação nunca foram o ob jeto fundamental da filosofia,
portantíssima corrente filosó fica da qual Engels partece desconhecer até a existência.
da chamada filo
Tratar-se-ia apenas de uma simplificação metodológi ca? Evidentemente não, uma
sofia cristã, e quando ela chega
vez que, no texto citado, nosso
nem mesmo ao
conhecimento
dEle,
como
chegou Aristóteles, conheceo enquanto ser. A idéia da cria ção já se situa no campo da revelação e, portanto, não no terreno propriamente filosófico. Em segundo lugar, o idea lismo, a começar pelo alemão, seu contemporâneo, tem, em filosofia, um sentido inteira mente diferente do que supõe Engels, que não chegou a per ceber a diferença rudimentar
entre espírito e pensamento e confunde
ser
e
A
natureza,
mais cômica consequência de seu extraordinário simplismo é
que, dividindo-se a filosofia, como
ele faz,
em idealismo
e
materialismo, Aristóteles e São Tomás
de
Aquino,
não
sen-
filósofo não estava expondo um
método, mas traçando, ainda que de maneira sumaríssima, uma
história
da
filosofia
até
sua época. O problema parece ser mesmo de crassa ignorân cia, da qual são dignos dis cípulos Lenin e os filósofos marxistas contemporâneos, que, ao falar de metafísica, não têm sequer o rudimentar cuidado, exigido pela seriedade cientí fica, de conhecer com exati dão as teses que pretendem re futar. Quando Lenin afirma, em seu trabalho sobre os ami
gos do povo, que toda ciência começava com a metafísica e fala, em seguida, de químico metafísico
e biólogo metafísi-
teles, para indicar os livros do
filósofo que vinham depois (no grego, metá) dos que tratavam da física. Até cronologicamen te a física precedeu a metafí
sica, que, segundo Lenin, está na origem de toda ciência...
De resto, para fazer jus a tanta profundidade, o próprio Marx afirma, em sua carta a Lassale: Durante as quatro semanas passadas li toda sorte
de coisas, entre outras o livro
de Darwin sobre a Seleção Na tural. Embora seja escrito em cru estilo inglês, este é livro que contém a base
científica
para nosso sistema”. Ou seja, a base científica do marxismo foi estabelecida em um profun do estudo de quatro sema nas.. .
Não é de admirar que, em tão longo espaço de tempo, nos
so gênio tenha estudado, como ressalta Lenin, em seu já ci tado trabalho sobre os amigos
do povo, uma só formação eco-
DIGESTO ECONÔMICO
é4-
nômica social, a capitalista, examinando “a lei de desenvol vimento apenas desta formação e de nenhuma outra” e “sepa rando dos vários campos da vida social o campo econômico,
para os marxistas, não é ne basta cessário provar nada: mandar abrir a boca e engolir 0 que lhes for dado, que eles
separando de todas as relações
Estabelecidas de forma lão
obedecem.
sociais as relações de produ
sólida e com
ção, como relações fundamen tais, primordiais, que determi
científico
nam todos os outros”.
Enquanto a filosofia é, por definição, a ciência de todas as coisas, a pretensiosa filoso fia marxista admite candidamente que parte da análise de
as
do sistema,
tamanho rigor bases
füosóficas
Marx
e
Engels
continuam a construção. Sua primeira providência é inver ter a dialética de Hegel, que eles decidem que está de cabe ça para baixo, pondo-a de ca beça para cima. Por quê? Sim plesmente porque Hegel expli
apenas uma formação econô mica, dentro da qual ainda
ca a realidade a partir da Idéia
restringe
com 0 cabedal cultural acumu
ulteriormente
seu
campo de pesquisa. Se, nestas circunstâncias,
o
marxismo
pretendesse explicar apenas o capitalismo, já seria muito; pretender explicar toda a rea lidade e a própria História já
ultrapassa todos os limites e constitui
65
DIGÈSTO ECONÔMICO
uma impostura que,
realmente, apenas um marxis
ta pode engolir. Além do mais, quem provou que as relações de produção são fundamentais
e primordiais e determinam todas as outras? Ninguém, nem mesmo Marx ou Engels. Mas,
Absoluta, ao passo que Marx, lado ao longo de quatro sema nas, determina, mais uma vez arbitrariamente, que a Idéia
Absoluta é que deve ser expli cada pela realidade.
Surge, assim, a teoria, ou melhor, o dogma das estrutu ras e supra-estruturas, segun
do 0 qual as relações de produ ção explicam a supra-estrutura jurídica e política, a consciên cia social e 0 processo espi ritual. A Idéia Absoluta, no ca
so, Deus, passa a ser uma su-
perestrutura produzida pelo ti po de relação de produção exis
pitalismo, com 0 que se torna impossível preservar a essên
tente na sociedade.
cia
Aristóteles, na tentativa de solucionar a aparente
contra
dição entre ser e movimento, que tanto preocupara Parmênides e Heráclito, chega, pelo caminho da razão, sem nenhu
ma influência religiosa, ao Ato Puro, que é o Primeiro Motor Imóvel, ou Deus. Algum filó sofo marxista elaborou outra teoria provando sua inexistên cia? Não, simplesmente Marx determina que Ele não existe
e, para os marxistas, Ele pas
do
marxismo.
De resto, nem Lenin acre dita
seriamente
na
teoria
da
supra-estrutura, uma vez que,
segundo ela, a religião, por exemplo, deveria desaparecer por si só, como consequência da mudança das relações de produção, ao passo que, em Estado e Revolução, ele trans forma a luta contra ela em um
dever do Partido. De resto, na dialética hegeliana a antítese não destrói mas supera e, de certa forma, aperfeiçoa a te
sa a não existir.
se, ao passo
O pior, porém, é que, apli cada à realidade, a dialética
numerosos escritos, prega a destruição da burguesia e do capitalismo (tese) pela revolu ção e pelo proletariado (antí tese), para isso justificando até o terrorismo, o que equivale a negar a dialética em nome da
SC traduz na luta de classes,
que passa a ser uma explica ção para toda a História, Entretanto, o capitalismo que Marx csHiclnu logo se transfor mou no neocapitallsmo e a teo ria do empobrecimento do pro
letariado, da qual cie fez um novo dogma,
começou
a ser
clamorosamente desmentida pe la realidade. Marxistas ortodo xos como F. Mehring e H. Cunov tentaram salvar a situa
ção, transformando
a teoria
em uma mera tendência do ca¬
que Lenin, em
dialética.
O mais incrível é que ainda haja quem embarque em uma canoa tão furada. Não é por acaso que a cotação do mar xismo cai vertiginosamente en
tre a intelectualidade européia séria, o que não impede que, entre nós, ele seguidores.
ainda encontre
DIGESTO ECONÔMICO
é4-
nômica social, a capitalista, examinando “a lei de desenvol vimento apenas desta formação e de nenhuma outra” e “sepa rando dos vários campos da vida social o campo econômico,
para os marxistas, não é ne basta cessário provar nada: mandar abrir a boca e engolir 0 que lhes for dado, que eles
separando de todas as relações
Estabelecidas de forma lão
obedecem.
sociais as relações de produ
sólida e com
ção, como relações fundamen tais, primordiais, que determi
científico
nam todos os outros”.
Enquanto a filosofia é, por definição, a ciência de todas as coisas, a pretensiosa filoso fia marxista admite candidamente que parte da análise de
as
do sistema,
tamanho rigor bases
füosóficas
Marx
e
Engels
continuam a construção. Sua primeira providência é inver ter a dialética de Hegel, que eles decidem que está de cabe ça para baixo, pondo-a de ca beça para cima. Por quê? Sim plesmente porque Hegel expli
apenas uma formação econô mica, dentro da qual ainda
ca a realidade a partir da Idéia
restringe
com 0 cabedal cultural acumu
ulteriormente
seu
campo de pesquisa. Se, nestas circunstâncias,
o
marxismo
pretendesse explicar apenas o capitalismo, já seria muito; pretender explicar toda a rea lidade e a própria História já
ultrapassa todos os limites e constitui
65
DIGÈSTO ECONÔMICO
uma impostura que,
realmente, apenas um marxis
ta pode engolir. Além do mais, quem provou que as relações de produção são fundamentais
e primordiais e determinam todas as outras? Ninguém, nem mesmo Marx ou Engels. Mas,
Absoluta, ao passo que Marx, lado ao longo de quatro sema nas, determina, mais uma vez arbitrariamente, que a Idéia
Absoluta é que deve ser expli cada pela realidade.
Surge, assim, a teoria, ou melhor, o dogma das estrutu ras e supra-estruturas, segun
do 0 qual as relações de produ ção explicam a supra-estrutura jurídica e política, a consciên cia social e 0 processo espi ritual. A Idéia Absoluta, no ca
so, Deus, passa a ser uma su-
perestrutura produzida pelo ti po de relação de produção exis
pitalismo, com 0 que se torna impossível preservar a essên
tente na sociedade.
cia
Aristóteles, na tentativa de solucionar a aparente
contra
dição entre ser e movimento, que tanto preocupara Parmênides e Heráclito, chega, pelo caminho da razão, sem nenhu
ma influência religiosa, ao Ato Puro, que é o Primeiro Motor Imóvel, ou Deus. Algum filó sofo marxista elaborou outra teoria provando sua inexistên cia? Não, simplesmente Marx determina que Ele não existe
e, para os marxistas, Ele pas
do
marxismo.
De resto, nem Lenin acre dita
seriamente
na
teoria
da
supra-estrutura, uma vez que,
segundo ela, a religião, por exemplo, deveria desaparecer por si só, como consequência da mudança das relações de produção, ao passo que, em Estado e Revolução, ele trans forma a luta contra ela em um
dever do Partido. De resto, na dialética hegeliana a antítese não destrói mas supera e, de certa forma, aperfeiçoa a te
sa a não existir.
se, ao passo
O pior, porém, é que, apli cada à realidade, a dialética
numerosos escritos, prega a destruição da burguesia e do capitalismo (tese) pela revolu ção e pelo proletariado (antí tese), para isso justificando até o terrorismo, o que equivale a negar a dialética em nome da
SC traduz na luta de classes,
que passa a ser uma explica ção para toda a História, Entretanto, o capitalismo que Marx csHiclnu logo se transfor mou no neocapitallsmo e a teo ria do empobrecimento do pro
letariado, da qual cie fez um novo dogma,
começou
a ser
clamorosamente desmentida pe la realidade. Marxistas ortodo xos como F. Mehring e H. Cunov tentaram salvar a situa
ção, transformando
a teoria
em uma mera tendência do ca¬
que Lenin, em
dialética.
O mais incrível é que ainda haja quem embarque em uma canoa tão furada. Não é por acaso que a cotação do mar xismo cai vertiginosamente en
tre a intelectualidade européia séria, o que não impede que, entre nós, ele seguidores.
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O autor, reitor da Universidade de Brasília, procura dar resposta a essa questão. Apesar da aparente evidên cia, não há consenso a respei
número de pessoas qualificadas na força de trabalho.
to da influência da educação no desenvolvimento econômico. Adam Smith, ao cuidar da edu
Em artigo publicado recen temente na revista de educação
cação no The Wealth of the Nations, entendeu-a como um me canismo para o "aprimoramen to do homem” e não para ge rar progresso econômico, cuja
da Harvard (1), P.B. Walters. da Universidade John Hopkins. afirmou: "Minha tese é que a perspectiva de modernização da
educação, por si só, não permi te compreender a relação em
fonte ele acreditava encontrar-
pírica
se na divisão do trabalho; mais
ça nos sistemas educacionais e crescimento econômico. Os sis
ainda, tal divisão, para ele, em vez de aumentar, diminuiria o
existente entre mudan
temas educacionais das nações
I
y>
m
Educação - Dever ou
investimento ? José Carlos Azevedo
departamento.de
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O autor, reitor da Universidade de Brasília, procura dar resposta a essa questão. Apesar da aparente evidên cia, não há consenso a respei
número de pessoas qualificadas na força de trabalho.
to da influência da educação no desenvolvimento econômico. Adam Smith, ao cuidar da edu
Em artigo publicado recen temente na revista de educação
cação no The Wealth of the Nations, entendeu-a como um me canismo para o "aprimoramen to do homem” e não para ge rar progresso econômico, cuja
da Harvard (1), P.B. Walters. da Universidade John Hopkins. afirmou: "Minha tese é que a perspectiva de modernização da
educação, por si só, não permi te compreender a relação em
fonte ele acreditava encontrar-
pírica
se na divisão do trabalho; mais
ça nos sistemas educacionais e crescimento econômico. Os sis
ainda, tal divisão, para ele, em vez de aumentar, diminuiria o
existente entre mudan
temas educacionais das nações
DIGE5TO
68
69
DIOESTO ECONÔMICO
em desenvolvimento refletem uma divisão internacional desi
gual do trabalho; o desenvolvi mento econômico é inibido pela
dependência das nações subde senvolvidas
na
economia mun
dial, em particular em relação às nações industrializadas, e pela falta de desenvolvimento educacional.
A
modernização
educacional, sem mudanças am plas nas ligações do Terceiro Mundo à economia mundial, não trouxe nem poderá trazer desenvolvimento econômico au
No trabalho citado, a auto ra analisa duas teorias que se
aplicáveis
Terceiro Mundo:
Segundo a teoria da depen
dência
(2,1),
0 subdesenvolvi
mento não é um estágio ante rior à industrialização; e é a partir da perspectiva econômi ca do mundo capitalista que o desenvolvimento deve
ser ana
lisado, porque, dizem, é a dinâ mica mundial que determina quais as áreas que devem ou não ser desenvolvidas (3), com os países avançados a explora rem o Terce'iro
Mundo
em be
nefício de
próprio
cresci
seu
mento e a determinarem os con-
tônomo”.
riam
ECONÔMICO
ao
dicionantes do subdesenvolvi mento. Para os partidários des
sa teoria, “a educação deveria
chamado
atender às necessidades nacio
a da depen¬
nais de mão-de-obra especiali
dência e a da modernização; esta última analisa os estágios de desenvolvimento dessas na
zada e socializar a população”
ções, admitindo serem eles pro
do, continuam os adeptos dessa
cessai rígidos e linearmente seqüenciados pelos quais devem passar os países para adquirir
corrente, deve-se “à maioria de sua população que não tinha preparo suficiente para supor
os valores, experiências' e tec nologias das nações industria lizadas; iniciando-se nas cida des e estendendo-seao Interior, 0 desenvolvimento dependería de uma burguesia progressista para conduzir o progresso da nação.
tar uma moderna estrutura ocu-
(1); a razão do fracasso no de senvolvimento do Terceiro Mun
pacional e era demasiadamente tradicional para participar do mundo moderno” (1). Uma vez one se espera que a moderniza ção educacional eleve o nível de trabalho, "tem-se por certo ser ela um investimento em ca-
pitai humano que produzirá re torno substancial sob a forma
educaçâo sem que tivesse havi do melliora correspondente na
de uma crescente prosperidade
economia
nacional” (1).
pacional e, na índia e África, o
Os
partidários
dessa
cor
rente admitem ser o desenvol vimento nacional um produto do nível elevado de moderniza
ção individual; é esta, por exemplo, a conclusão a que chegaram Harbison e Meyers na pesquisa que fizeram envol vendo 75 países (4). Mas, se gundo P.B. Walters. esta hipó tese' é raramente examinada, permanecendo sem provas correlação entre escolaridade e desenvolvimento. Apesar da
dos a partir de relações entre instrução e realização profis sional. Na África, a expansão
assinala ainda que, em países
subdesenvolvidos, boa educação
a
setor
do
Só INCERTEZAS
Mesmo em
países onde a
educação das massas precedeu o
desenvolvimento econômico, dos Estados Unidas, não
caso
há certeza de que a educação tivesse sido fator preponderan
te de tal desempenho: ela é, de
fato, condição necessária a esse
desenvolvimento, mas pode
não
ser
condição
ra
expandiu-se
no
vis-à-vis ao mercado de traba lho”.
educacional levou a aumentar o
Mundo,
tendên
governo, por exemplo — em condições que não se justificam
número de exigências para em ceii’0
“há
cia marcante para elevar salá rios de pessoas que receberam
Ainda que seja
pregos, com pouco efeito no mercado (1); em todo o Ter-
ocu-
desemprego ou subemprego de pessoas altamente educadas se deve à ausência de desenvolvi mento econômico (5,6). Walters
forte relação existente entre educação c ocupação, a nivel individual, essa causalidade, em escala de população, não pode ser tomada como válida, pois os efeitos do incremento educacional na estrutura ocupacional e profissional da nação não podem ser determina
ou na estrutura
0
suficiente,
requisito pa¬
progresso elevar padrões
de instrução da classe operá
ria, a educação, por si ,só, não basta, e pode-se mesmo, facil-
DIGE5TO
68
69
DIOESTO ECONÔMICO
em desenvolvimento refletem uma divisão internacional desi
gual do trabalho; o desenvolvi mento econômico é inibido pela
dependência das nações subde senvolvidas
na
economia mun
dial, em particular em relação às nações industrializadas, e pela falta de desenvolvimento educacional.
A
modernização
educacional, sem mudanças am plas nas ligações do Terceiro Mundo à economia mundial, não trouxe nem poderá trazer desenvolvimento econômico au
No trabalho citado, a auto ra analisa duas teorias que se
aplicáveis
Terceiro Mundo:
Segundo a teoria da depen
dência
(2,1),
0 subdesenvolvi
mento não é um estágio ante rior à industrialização; e é a partir da perspectiva econômi ca do mundo capitalista que o desenvolvimento deve
ser ana
lisado, porque, dizem, é a dinâ mica mundial que determina quais as áreas que devem ou não ser desenvolvidas (3), com os países avançados a explora rem o Terce'iro
Mundo
em be
nefício de
próprio
cresci
seu
mento e a determinarem os con-
tônomo”.
riam
ECONÔMICO
ao
dicionantes do subdesenvolvi mento. Para os partidários des
sa teoria, “a educação deveria
chamado
atender às necessidades nacio
a da depen¬
nais de mão-de-obra especiali
dência e a da modernização; esta última analisa os estágios de desenvolvimento dessas na
zada e socializar a população”
ções, admitindo serem eles pro
do, continuam os adeptos dessa
cessai rígidos e linearmente seqüenciados pelos quais devem passar os países para adquirir
corrente, deve-se “à maioria de sua população que não tinha preparo suficiente para supor
os valores, experiências' e tec nologias das nações industria lizadas; iniciando-se nas cida des e estendendo-seao Interior, 0 desenvolvimento dependería de uma burguesia progressista para conduzir o progresso da nação.
tar uma moderna estrutura ocu-
(1); a razão do fracasso no de senvolvimento do Terceiro Mun
pacional e era demasiadamente tradicional para participar do mundo moderno” (1). Uma vez one se espera que a moderniza ção educacional eleve o nível de trabalho, "tem-se por certo ser ela um investimento em ca-
pitai humano que produzirá re torno substancial sob a forma
educaçâo sem que tivesse havi do melliora correspondente na
de uma crescente prosperidade
economia
nacional” (1).
pacional e, na índia e África, o
Os
partidários
dessa
cor
rente admitem ser o desenvol vimento nacional um produto do nível elevado de moderniza
ção individual; é esta, por exemplo, a conclusão a que chegaram Harbison e Meyers na pesquisa que fizeram envol vendo 75 países (4). Mas, se gundo P.B. Walters. esta hipó tese' é raramente examinada, permanecendo sem provas correlação entre escolaridade e desenvolvimento. Apesar da
dos a partir de relações entre instrução e realização profis sional. Na África, a expansão
assinala ainda que, em países
subdesenvolvidos, boa educação
a
setor
do
Só INCERTEZAS
Mesmo em
países onde a
educação das massas precedeu o
desenvolvimento econômico, dos Estados Unidas, não
caso
há certeza de que a educação tivesse sido fator preponderan
te de tal desempenho: ela é, de
fato, condição necessária a esse
desenvolvimento, mas pode
não
ser
condição
ra
expandiu-se
no
vis-à-vis ao mercado de traba lho”.
educacional levou a aumentar o
Mundo,
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governo, por exemplo — em condições que não se justificam
número de exigências para em ceii’0
“há
cia marcante para elevar salá rios de pessoas que receberam
Ainda que seja
pregos, com pouco efeito no mercado (1); em todo o Ter-
ocu-
desemprego ou subemprego de pessoas altamente educadas se deve à ausência de desenvolvi mento econômico (5,6). Walters
forte relação existente entre educação c ocupação, a nivel individual, essa causalidade, em escala de população, não pode ser tomada como válida, pois os efeitos do incremento educacional na estrutura ocupacional e profissional da nação não podem ser determina
ou na estrutura
0
suficiente,
requisito pa¬
progresso elevar padrões
de instrução da classe operá
ria, a educação, por si ,só, não basta, e pode-se mesmo, facil-
70
DIGESTO
mente, "argumentar que a edu cação é conseqüência do cres cimento
econômico
e uma
os
tentação de países ricos, mas que não é relacionada ao de senvolvimento econômico” (1)
ECONÔMICO
Por isso mesmo, dizem os nacionalistas, as nações du Terceiro Mundo têm populações grandes e pobres porque suas necessidades de produção po dem ser atendidas por mão-deobra pouco especializada ou
DIGESTO ECONÔMICO
São
71
comuns os trabalhos
Usualmente,
de
economia da educação que bus cam correlacionar desenvolvi mento econômico e educação e os resultados são bastante di
a
educação
procura oferecer habilidade de ler, escrever e calcular; apti dões para trabalhos manuais e mecânicos; conhecimentos e treinamentos técnico-especiali-
vez, reconhecem serem gera-
classe média, por sua vez, é
das por interesses alienígenas,
pequena porque a economia não
versos; um deles, já conside rado clássico. 0 de M. J. Bouman e C.S. Anderson (7), con cluiu que nos EUA os níveis salariais em 1930 explicavam
oferece muitos cargos para pro
melhor as matrículas estudantis
têm
diversos
no
em 1950 que as feitas em 1930 em relação aos índices salariais de 1950. No faraoso Relatório
desenvolvimento
econômico
e
mesmo pessoas
sem
autores, portanto, o subdesen
de lord Robbins
lavoura
volvimento no Terceiro Mundo
Bowen enfatiza a impossibilida de de quantificar a contribui ção da educação para o cresci mento econômico e que, embora não se discuta se a educação conduz à auto-realização e sa tisfação pessoal, discute-se a
mente em países avançados. Na Inglaterra do final do sé culo passado, então a maior po
Os
nao
nacionalistas, por sua
nacionais,
as
estratégias
para o progresso, incluindo a melhoria e expansão da educa ção, e que o fracasso do de senvolvimento corresponde ao fracasso das nações subdesen volvidas
em
terminar
com
a
dependência dos países avança dos. Eles não negam que a educação promova a moderni zação do indivíduo, mas não concordam em que ela determi ne 0 desenvolvimento nacional, pois aprofunda laços de depen dência quando definida em ter mos de padrões das nações de senvolvidas, A reforma educa
cional, para .eles, nem é sufi ciente nem importante para o
desenvolvimento, e pode até re forçar a dependência, pois,
mesmo sem especialização;
a
fissionais (1).
Para um grande número de
decorre de problemas
comple
xos que só podem ser compreen didos
num contexto
mundial
Para eles a mudança educacio nal por si só não pode promover 0 desenvolvimento econômico
do
Terceiro
afetar
Mundo
a divisão
por
não
internacional
do trabalho. Nesses países, a educação não eliminou o subde senvolvimento, apesar de poder ter contribuído para a ascensão de poucas nações. Mesmo reco nhecendo que os países com populações altamente instruídas são
também
além do nível de alfabetização,
volvidos,
não há .evidência de que o au mento da escolaridade gere
não
progresso (1).
to.
altamente
desen
eles asseguram que
há elo causai
evidente en
tre educação e desenvolvimen-
(8),
W G.
zados, baseados em fatos cien tíficos; educação científica teó rica e aplicada de alto nível. Essas formas de aprendizagem tido
efeitos
qualquer
instrução — na indústria e na contribuem
eficaz-
mente para tal desenvolvimen to. Talvez por isso, a compulsoriedade da educação de base tenha
sido
feita
maneira de calcular os recursos
tência
públicos que lhe devem ser des
necessidade de adotá-la e foram
tinados. em consonância com o
também considerações de or dem não econômica que influ enciaram a decisão; “se não
retorno
econômico
pretendido.
Para outros autores, finalmen
te, ao longo dos séculos, poucos mecanismos de ruptura do equi líbrio da pobreza surtiram efei to; e, nesse particular, John Kenneth Galbraith (9) analisa dois deles que, ao longo da his
tória, têm levado à ruptura do equilíbrio da miséria; as mi grações e a educação.
industrial,
tão diferente
discutia-se a
fôssem as escolas elementares
Londres seria tomada por uma horda de jovens selvagens” di zia 0 Inspetor de Sua Majestade para a cidade de Londres. A educação compulsória, de fato, só chegou à Inglaterra ao final do século passado, mas na Prús sia ela já existia desde a época
70
DIGESTO
mente, "argumentar que a edu cação é conseqüência do cres cimento
econômico
e uma
os
tentação de países ricos, mas que não é relacionada ao de senvolvimento econômico” (1)
ECONÔMICO
Por isso mesmo, dizem os nacionalistas, as nações du Terceiro Mundo têm populações grandes e pobres porque suas necessidades de produção po dem ser atendidas por mão-deobra pouco especializada ou
DIGESTO ECONÔMICO
São
71
comuns os trabalhos
Usualmente,
de
economia da educação que bus cam correlacionar desenvolvi mento econômico e educação e os resultados são bastante di
a
educação
procura oferecer habilidade de ler, escrever e calcular; apti dões para trabalhos manuais e mecânicos; conhecimentos e treinamentos técnico-especiali-
vez, reconhecem serem gera-
classe média, por sua vez, é
das por interesses alienígenas,
pequena porque a economia não
versos; um deles, já conside rado clássico. 0 de M. J. Bouman e C.S. Anderson (7), con cluiu que nos EUA os níveis salariais em 1930 explicavam
oferece muitos cargos para pro
melhor as matrículas estudantis
têm
diversos
no
em 1950 que as feitas em 1930 em relação aos índices salariais de 1950. No faraoso Relatório
desenvolvimento
econômico
e
mesmo pessoas
sem
autores, portanto, o subdesen
de lord Robbins
lavoura
volvimento no Terceiro Mundo
Bowen enfatiza a impossibilida de de quantificar a contribui ção da educação para o cresci mento econômico e que, embora não se discuta se a educação conduz à auto-realização e sa tisfação pessoal, discute-se a
mente em países avançados. Na Inglaterra do final do sé culo passado, então a maior po
Os
nao
nacionalistas, por sua
nacionais,
as
estratégias
para o progresso, incluindo a melhoria e expansão da educa ção, e que o fracasso do de senvolvimento corresponde ao fracasso das nações subdesen volvidas
em
terminar
com
a
dependência dos países avança dos. Eles não negam que a educação promova a moderni zação do indivíduo, mas não concordam em que ela determi ne 0 desenvolvimento nacional, pois aprofunda laços de depen dência quando definida em ter mos de padrões das nações de senvolvidas, A reforma educa
cional, para .eles, nem é sufi ciente nem importante para o
desenvolvimento, e pode até re forçar a dependência, pois,
mesmo sem especialização;
a
fissionais (1).
Para um grande número de
decorre de problemas
comple
xos que só podem ser compreen didos
num contexto
mundial
Para eles a mudança educacio nal por si só não pode promover 0 desenvolvimento econômico
do
Terceiro
afetar
Mundo
a divisão
por
não
internacional
do trabalho. Nesses países, a educação não eliminou o subde senvolvimento, apesar de poder ter contribuído para a ascensão de poucas nações. Mesmo reco nhecendo que os países com populações altamente instruídas são
também
além do nível de alfabetização,
volvidos,
não há .evidência de que o au mento da escolaridade gere
não
progresso (1).
to.
altamente
desen
eles asseguram que
há elo causai
evidente en
tre educação e desenvolvimen-
(8),
W G.
zados, baseados em fatos cien tíficos; educação científica teó rica e aplicada de alto nível. Essas formas de aprendizagem tido
efeitos
qualquer
instrução — na indústria e na contribuem
eficaz-
mente para tal desenvolvimen to. Talvez por isso, a compulsoriedade da educação de base tenha
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maneira de calcular os recursos
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públicos que lhe devem ser des
necessidade de adotá-la e foram
tinados. em consonância com o
também considerações de or dem não econômica que influ enciaram a decisão; “se não
retorno
econômico
pretendido.
Para outros autores, finalmen
te, ao longo dos séculos, poucos mecanismos de ruptura do equi líbrio da pobreza surtiram efei to; e, nesse particular, John Kenneth Galbraith (9) analisa dois deles que, ao longo da his
tória, têm levado à ruptura do equilíbrio da miséria; as mi grações e a educação.
industrial,
tão diferente
discutia-se a
fôssem as escolas elementares
Londres seria tomada por uma horda de jovens selvagens” di zia 0 Inspetor de Sua Majestade para a cidade de Londres. A educação compulsória, de fato, só chegou à Inglaterra ao final do século passado, mas na Prús sia ela já existia desde a época
DIQESTO ECONÔMICO
72
em
de hoje, no mínimo, 960 bilhões
1763, e por volta de 1860 a taxa de escolarização já era ali igual a 97,5%, enquanto na Saxónia já havia atingido 100%. Nos
de cruzeiros, valor praticamen te igual ao da conta do petró
de
Frederico
O
Grande,
EUA, a educação compulsória existe desde o descobrimento, com altas taxas de matrícula. INVIABILIDADE
leo. Os custos se elevarão ainda mais se for verídica a estima
tiva de que há mais de meio milhão de professores na rede de 1.0 grau que não possuem a escolaridade exigida para atuar nesse nível de ensino.
As
ECONÔMICA
prioridades
brasileiras
no setor educacional têm seniMuito
se
tem
feito
em
nosso país em matéria legisla tiva sobre educação; de certa forma, há até leis que se repe tem uma às outras, reeditan do, como se novidade fossem, esquemas e propostas que an teriormente não surtiram efei
to, permanecendo, entretanto, inabalado o problema maior da educação brasileira: a oferta de ensino fundamental de qua lidade para grandes contingen
tes humanos, cuja importância civiiizadora a ninguém é lícito ignorar. Ocorre, entretanto, que tal oferta se tornou economica
mente inexeqüivcl pelos méto dos tradicionais; ao preço mí nimo de 15 mil cruzeiros por
pre variado e a recente e exa gerada ênfase no ensino supe rior deixou problemas gravíssi mos (que, aliás, há tempos venho assinalando); entre ou
tros, o custo elevado do univer sitário, cerca de 60 vezes mais caro que o aluno de l.o grau e os salários vis pagos a profes sores de l.o grau que em alguns Estados são de 150 a 800 vezes
menores
que
os
salários
dos
professores universitários.
Por
isso também, nos últimos vinte anos, quadruplicou o número de professores leigos na rede de 1.0 grau, hoje por volta de 600 mil. Em países avançados, o
Japão, por exemplo, não há di
aluno por ano, a escolarização
ferença salarial entre os pro fessores de jardim de infância,
regular das 8 milhões de crian ças que estão fora da escola fundamental custaria, a preços
técnicas e universidades, pois 0 pagamento dos mestres é
de escolas de l.o e 2.o graus,
DIGESTO ECONÔMICÓ
73
ANALFABETISMO
feito em função de sua qualifi
cação.
Aliás,
ali os
salários
iniciais dos professores de jar dins de infância são mais altos que os dos universitários, e cs salários
terminais
de
ambos
são praticamente iguais. Curio samente, é esta também uma das muitas determinações da Lei Õ.692 que até agora não se começaram a cumprir; o Art. 39 estabelece que a remunera ção dos professores se faça de acordo com princípios que, ao menos para o nível de l.o e 2.o graus, nada deixam a desejar em face da solução japonesa. Ao longo de toda a história
brasileira, os primeiros esfor ços sistemáticos para equacio nar a questão educacional (11) surgiram a partir de 1961 com a Lei do Diretrizes e Bases da
Educação e com as leis da Re forma Universitária de 1968 e
do Ensino de l.o e 2.o Graus, em 1971. Dez anos é período demasiadamente curto para analisar seus efeitos, cm parti
cular na área de l.o e 2.o graus, mas há resultados concretos e podem-se tirar considerações válidas, algumas das quais de correntes de análise dos dados
do IBGE (12, 13).
No rol dc 62 milhões de pessoas com mais de 5 anos
existentes em 1970, cerca de 30% eram analfabetas e, na população rural, esse percen tual se elevava para 88%. Na
faixa de mais de dez anos, 18% tinham 4 ou menos anos de es
colaridade e, na área rural, esse número não chegava a 15%.
Entre os
maiores de 15
anos, apenas 6% tinham até 8
anos de estudos. Em
1970,
a
população economicamente ati va era integrada por 36% de analfabetos, percentual que caiu para 26% seis anos depois;
naquele ano,
49%
dos brasi
leiros tinham de 1 a 5 anos de
estudos; 7,7% possuíam de 6 a 9 anos; 4,9%, até 12 anos; 1,5% possuía curso superior e 0 restante, cerca de 1%, havia recebido alguma modali dade de instrução desse nível, Na
realidade,
agindo
as
forças do mercado com as dis
ponibilidades existentes, os nú meros acima refletem essa
si
tuação e não a inversa, ou seja, a de que tais percentuais aten deríam às necessidades mercado de trabalho.
do
DIQESTO ECONÔMICO
72
em
de hoje, no mínimo, 960 bilhões
1763, e por volta de 1860 a taxa de escolarização já era ali igual a 97,5%, enquanto na Saxónia já havia atingido 100%. Nos
de cruzeiros, valor praticamen te igual ao da conta do petró
de
Frederico
O
Grande,
EUA, a educação compulsória existe desde o descobrimento, com altas taxas de matrícula. INVIABILIDADE
leo. Os custos se elevarão ainda mais se for verídica a estima
tiva de que há mais de meio milhão de professores na rede de 1.0 grau que não possuem a escolaridade exigida para atuar nesse nível de ensino.
As
ECONÔMICA
prioridades
brasileiras
no setor educacional têm seniMuito
se
tem
feito
em
nosso país em matéria legisla tiva sobre educação; de certa forma, há até leis que se repe tem uma às outras, reeditan do, como se novidade fossem, esquemas e propostas que an teriormente não surtiram efei
to, permanecendo, entretanto, inabalado o problema maior da educação brasileira: a oferta de ensino fundamental de qua lidade para grandes contingen
tes humanos, cuja importância civiiizadora a ninguém é lícito ignorar. Ocorre, entretanto, que tal oferta se tornou economica
mente inexeqüivcl pelos méto dos tradicionais; ao preço mí nimo de 15 mil cruzeiros por
pre variado e a recente e exa gerada ênfase no ensino supe rior deixou problemas gravíssi mos (que, aliás, há tempos venho assinalando); entre ou
tros, o custo elevado do univer sitário, cerca de 60 vezes mais caro que o aluno de l.o grau e os salários vis pagos a profes sores de l.o grau que em alguns Estados são de 150 a 800 vezes
menores
que
os
salários
dos
professores universitários.
Por
isso também, nos últimos vinte anos, quadruplicou o número de professores leigos na rede de 1.0 grau, hoje por volta de 600 mil. Em países avançados, o
Japão, por exemplo, não há di
aluno por ano, a escolarização
ferença salarial entre os pro fessores de jardim de infância,
regular das 8 milhões de crian ças que estão fora da escola fundamental custaria, a preços
técnicas e universidades, pois 0 pagamento dos mestres é
de escolas de l.o e 2.o graus,
DIGESTO ECONÔMICÓ
73
ANALFABETISMO
feito em função de sua qualifi
cação.
Aliás,
ali os
salários
iniciais dos professores de jar dins de infância são mais altos que os dos universitários, e cs salários
terminais
de
ambos
são praticamente iguais. Curio samente, é esta também uma das muitas determinações da Lei Õ.692 que até agora não se começaram a cumprir; o Art. 39 estabelece que a remunera ção dos professores se faça de acordo com princípios que, ao menos para o nível de l.o e 2.o graus, nada deixam a desejar em face da solução japonesa. Ao longo de toda a história
brasileira, os primeiros esfor ços sistemáticos para equacio nar a questão educacional (11) surgiram a partir de 1961 com a Lei do Diretrizes e Bases da
Educação e com as leis da Re forma Universitária de 1968 e
do Ensino de l.o e 2.o Graus, em 1971. Dez anos é período demasiadamente curto para analisar seus efeitos, cm parti
cular na área de l.o e 2.o graus, mas há resultados concretos e podem-se tirar considerações válidas, algumas das quais de correntes de análise dos dados
do IBGE (12, 13).
No rol dc 62 milhões de pessoas com mais de 5 anos
existentes em 1970, cerca de 30% eram analfabetas e, na população rural, esse percen tual se elevava para 88%. Na
faixa de mais de dez anos, 18% tinham 4 ou menos anos de es
colaridade e, na área rural, esse número não chegava a 15%.
Entre os
maiores de 15
anos, apenas 6% tinham até 8
anos de estudos. Em
1970,
a
população economicamente ati va era integrada por 36% de analfabetos, percentual que caiu para 26% seis anos depois;
naquele ano,
49%
dos brasi
leiros tinham de 1 a 5 anos de
estudos; 7,7% possuíam de 6 a 9 anos; 4,9%, até 12 anos; 1,5% possuía curso superior e 0 restante, cerca de 1%, havia recebido alguma modali dade de instrução desse nível, Na
realidade,
agindo
as
forças do mercado com as dis
ponibilidades existentes, os nú meros acima refletem essa
si
tuação e não a inversa, ou seja, a de que tais percentuais aten deríam às necessidades mercado de trabalho.
do
I
74
DIGESTO
De 1970 à época do Progra ma Nacional por Amostragem
Domiciliar — PNAD^ em 1976, os dados o confirmam de ma neira insofismável: houve me lhoria substancial do nível de
instrução da população econo micamente ativa brasileira;
mesmo assim, nosso país ainda se encontra em situação desfa vorável, comparado a nações desenvolvidas e a algumas que integram o chamado Terceiro Mundo.
Ressalvadas exceções co nhecidas, a distribuição de renda acompanha, normalraente, as taxas de escolarização. Segundo o IBGE, na população economicamente
ativa de
44,2
milhões de pessoas, cerca de 12% não têm remuneração;
ECONÔMICO
16% recebem entre 5 a 10 sa
da inexistência de professores
tratam de dificuldades contor
qualificados
menos de 10% concentram mais
náveis. A Lei, em si, é boa e não há por que substituí-la por outra; além disso, a história da educação brasileira é pró
de 50% da renda, enquanto 50% detêm apenas 10% dessa renda.
diga em substituições inconse quentes de leis.
número suficiente. Desde 1975, apenas no Rio Grande do Sul, no município do Rio de Janei ro e em Minas Gerais, fecha ram-se 520 escolas particula
Não falta quem diga ser a difícil situação educacional
Ao contrário do que alguns
No Anuário do IBGE, vê-se que
brasileira nossa
incongruente
extensão
territorial
com
asseguram, não existe na lei exigência de funcionamento
e a
com a oferta imediata de
riqueza de nosso solo. Mas aí
estão, 0 Japão, a Holanda, a Bélgica — e, mais recente mente, a Coréia — a invalida rem correlações entre territo rialidade e riqueza do solo e desenvolvimento
e
bem-estar
social. Na realidade (14), os EUA também são exemplo em
contrário,
pois
a
economia
norte-americana
nimo; 26% ganham de 1 a 20; 20%, de 2 a 5 salários; 7% re cebem de 5 a 10; e apenas 4%
crescer à cqsta de seu desem
continua
a
de famílias existentes no Bra
penho no setor de serviços. A Lei 5.692 veio quando o País já enfrentava graves em baraços educacionais, no ensi no superior também, alguns decorrentes do próprio fracas
sil, 2% não têm rendimentos;
so da escola fundamental, mui
17% os têm inferiores a 1 sa
tos dos quais, infelizmente, persistem até hoje. Queixas
mostra que, das
25,2 milhões
lário mínimo; 22% recebem' na faixa de 1 a 2 salários; 34% entre 2 e 5 salários, enquanto
75
olhadas à distância, parece que
lários; restam 9% de famílias com vencimentos superiores a 10 salários mínimos por mês.
31% recebem até 1 salário mí
ganham mais de 10 salários mí nimos. O mesmo Censo de 1980
DIGESTO ECONÔMICO
avolumaram-se contra a Lei ao longo desses dez anos; mas.
oito
e
habilitados em
res: 280, 100 e 140, respectiva mente.
Há muito se aguarda que o Governo Federal revogue a Lei 6.536 de 10/06/78, que alte
conse
rou o Art. 59 da Lei 5.692; an teriormente havia a obrigato riedade de aplicação de 20% da receita tributária municipal no ensino de l.o grau; com a lei citada, tal obrigatoriedade ampliou-se para a “educação e cultura", perdendo-se impor tante fonte de captação de re cursos para o ensino de l.o
quência disso, num país onde
grau que poderia vir também
anos de escolaridade. Por isso, deve-se até estimular a criação de pequenas escolas, mesmo das que possuam um só pro fessor e que este tenha compe tência para oferecer uma dis
ciplina
apenas,
contribuirá
medida
que
significativamente
para o aprimoramento da edu
cação
brasileira.
Em
70% das atuais escolas têm apenas uma sala, perde senti
do 0 poder público construir escolas onde já existam outras
particulares com carga ociosa.
Seria mais econômico oferecer bolsas aos
alunos
carentes
e
dar prioridade à construção de
escolas públicas onde nao exis-
tam particulares, pois bem mais grave que as despesas de construção é a triste realidade
em socorro de escolas particu lares.
A obrigatoriedade de pro fissionalização no 2.0 grau foi feita no pressuposto de que a industrialização brasileira exigrande quantidade de gina técnicos e que com ela se evi taria a pressão sobre a uni
versidade, surgida com a exi
gência de maior número de vagas e iniciada nos anos 60.
I
74
DIGESTO
De 1970 à época do Progra ma Nacional por Amostragem
Domiciliar — PNAD^ em 1976, os dados o confirmam de ma neira insofismável: houve me lhoria substancial do nível de
instrução da população econo micamente ativa brasileira;
mesmo assim, nosso país ainda se encontra em situação desfa vorável, comparado a nações desenvolvidas e a algumas que integram o chamado Terceiro Mundo.
Ressalvadas exceções co nhecidas, a distribuição de renda acompanha, normalraente, as taxas de escolarização. Segundo o IBGE, na população economicamente
ativa de
44,2
milhões de pessoas, cerca de 12% não têm remuneração;
ECONÔMICO
16% recebem entre 5 a 10 sa
da inexistência de professores
tratam de dificuldades contor
qualificados
menos de 10% concentram mais
náveis. A Lei, em si, é boa e não há por que substituí-la por outra; além disso, a história da educação brasileira é pró
de 50% da renda, enquanto 50% detêm apenas 10% dessa renda.
diga em substituições inconse quentes de leis.
número suficiente. Desde 1975, apenas no Rio Grande do Sul, no município do Rio de Janei ro e em Minas Gerais, fecha ram-se 520 escolas particula
Não falta quem diga ser a difícil situação educacional
Ao contrário do que alguns
No Anuário do IBGE, vê-se que
brasileira nossa
incongruente
extensão
territorial
com
asseguram, não existe na lei exigência de funcionamento
e a
com a oferta imediata de
riqueza de nosso solo. Mas aí
estão, 0 Japão, a Holanda, a Bélgica — e, mais recente mente, a Coréia — a invalida rem correlações entre territo rialidade e riqueza do solo e desenvolvimento
e
bem-estar
social. Na realidade (14), os EUA também são exemplo em
contrário,
pois
a
economia
norte-americana
nimo; 26% ganham de 1 a 20; 20%, de 2 a 5 salários; 7% re cebem de 5 a 10; e apenas 4%
crescer à cqsta de seu desem
continua
a
de famílias existentes no Bra
penho no setor de serviços. A Lei 5.692 veio quando o País já enfrentava graves em baraços educacionais, no ensi no superior também, alguns decorrentes do próprio fracas
sil, 2% não têm rendimentos;
so da escola fundamental, mui
17% os têm inferiores a 1 sa
tos dos quais, infelizmente, persistem até hoje. Queixas
mostra que, das
25,2 milhões
lário mínimo; 22% recebem' na faixa de 1 a 2 salários; 34% entre 2 e 5 salários, enquanto
75
olhadas à distância, parece que
lários; restam 9% de famílias com vencimentos superiores a 10 salários mínimos por mês.
31% recebem até 1 salário mí
ganham mais de 10 salários mí nimos. O mesmo Censo de 1980
DIGESTO ECONÔMICO
avolumaram-se contra a Lei ao longo desses dez anos; mas.
oito
e
habilitados em
res: 280, 100 e 140, respectiva mente.
Há muito se aguarda que o Governo Federal revogue a Lei 6.536 de 10/06/78, que alte
conse
rou o Art. 59 da Lei 5.692; an teriormente havia a obrigato riedade de aplicação de 20% da receita tributária municipal no ensino de l.o grau; com a lei citada, tal obrigatoriedade ampliou-se para a “educação e cultura", perdendo-se impor tante fonte de captação de re cursos para o ensino de l.o
quência disso, num país onde
grau que poderia vir também
anos de escolaridade. Por isso, deve-se até estimular a criação de pequenas escolas, mesmo das que possuam um só pro fessor e que este tenha compe tência para oferecer uma dis
ciplina
apenas,
contribuirá
medida
que
significativamente
para o aprimoramento da edu
cação
brasileira.
Em
70% das atuais escolas têm apenas uma sala, perde senti
do 0 poder público construir escolas onde já existam outras
particulares com carga ociosa.
Seria mais econômico oferecer bolsas aos
alunos
carentes
e
dar prioridade à construção de
escolas públicas onde nao exis-
tam particulares, pois bem mais grave que as despesas de construção é a triste realidade
em socorro de escolas particu lares.
A obrigatoriedade de pro fissionalização no 2.0 grau foi feita no pressuposto de que a industrialização brasileira exigrande quantidade de gina técnicos e que com ela se evi taria a pressão sobre a uni
versidade, surgida com a exi
gência de maior número de vagas e iniciada nos anos 60.
I
74
DIGESTO
De 1970 à época do Progra ma Nacional por Amostragem
Domiciliar — PNAD^ em 1976, os dados o confirmam de ma neira insofismável: houve me lhoria substancial do nível de
instrução da população econo micamente ativa brasileira;
mesmo assim, nosso país ainda se encontra em situação desfa vorável, comparado a nações desenvolvidas e a algumas que integram o chamado Terceiro Mundo.
Ressalvadas exceções co nhecidas, a distribuição de renda acompanha, normalraente, as taxas de escolarização. Segundo o IBGE, na população economicamente
ativa de
44,2
milhões de pessoas, cerca de 12% não têm remuneração;
ECONÔMICO
16% recebem entre 5 a 10 sa
da inexistência de professores
tratam de dificuldades contor
qualificados
menos de 10% concentram mais
náveis. A Lei, em si, é boa e não há por que substituí-la por outra; além disso, a história da educação brasileira é pró
de 50% da renda, enquanto 50% detêm apenas 10% dessa renda.
diga em substituições inconse quentes de leis.
número suficiente. Desde 1975, apenas no Rio Grande do Sul, no município do Rio de Janei ro e em Minas Gerais, fecha ram-se 520 escolas particula
Não falta quem diga ser a difícil situação educacional
Ao contrário do que alguns
No Anuário do IBGE, vê-se que
brasileira nossa
incongruente
extensão
territorial
com
asseguram, não existe na lei exigência de funcionamento
e a
com a oferta imediata de
riqueza de nosso solo. Mas aí
estão, 0 Japão, a Holanda, a Bélgica — e, mais recente mente, a Coréia — a invalida rem correlações entre territo rialidade e riqueza do solo e desenvolvimento
e
bem-estar
social. Na realidade (14), os EUA também são exemplo em
contrário,
pois
a
economia
norte-americana
nimo; 26% ganham de 1 a 20; 20%, de 2 a 5 salários; 7% re cebem de 5 a 10; e apenas 4%
crescer à cqsta de seu desem
continua
a
de famílias existentes no Bra
penho no setor de serviços. A Lei 5.692 veio quando o País já enfrentava graves em baraços educacionais, no ensi no superior também, alguns decorrentes do próprio fracas
sil, 2% não têm rendimentos;
so da escola fundamental, mui
17% os têm inferiores a 1 sa
tos dos quais, infelizmente, persistem até hoje. Queixas
mostra que, das
25,2 milhões
lário mínimo; 22% recebem' na faixa de 1 a 2 salários; 34% entre 2 e 5 salários, enquanto
75
olhadas à distância, parece que
lários; restam 9% de famílias com vencimentos superiores a 10 salários mínimos por mês.
31% recebem até 1 salário mí
ganham mais de 10 salários mí nimos. O mesmo Censo de 1980
DIGESTO ECONÔMICO
avolumaram-se contra a Lei ao longo desses dez anos; mas.
oito
e
habilitados em
res: 280, 100 e 140, respectiva mente.
Há muito se aguarda que o Governo Federal revogue a Lei 6.536 de 10/06/78, que alte
conse
rou o Art. 59 da Lei 5.692; an teriormente havia a obrigato riedade de aplicação de 20% da receita tributária municipal no ensino de l.o grau; com a lei citada, tal obrigatoriedade ampliou-se para a “educação e cultura", perdendo-se impor tante fonte de captação de re cursos para o ensino de l.o
quência disso, num país onde
grau que poderia vir também
anos de escolaridade. Por isso, deve-se até estimular a criação de pequenas escolas, mesmo das que possuam um só pro fessor e que este tenha compe tência para oferecer uma dis
ciplina
apenas,
contribuirá
medida
que
significativamente
para o aprimoramento da edu
cação
brasileira.
Em
70% das atuais escolas têm apenas uma sala, perde senti
do 0 poder público construir escolas onde já existam outras
particulares com carga ociosa.
Seria mais econômico oferecer bolsas aos
alunos
carentes
e
dar prioridade à construção de
escolas públicas onde nao exis-
tam particulares, pois bem mais grave que as despesas de construção é a triste realidade
em socorro de escolas particu lares.
A obrigatoriedade de pro fissionalização no 2.0 grau foi feita no pressuposto de que a industrialização brasileira exigrande quantidade de gina técnicos e que com ela se evi taria a pressão sobre a uni
versidade, surgida com a exi
gência de maior número de vagas e iniciada nos anos 60.
DIGESTO
DIGESTO
76
Nada foi mais ilusório; tal exi gência continuou a crescer e, em termos percentuais, as va gas 110 ensino superior foram as que mais aumentaram nos
anos 70, como assinalado aci ma, constatou-se a melhoria da escolarização da população
últimos 20 anos. A demanda de
que 0 treinamento profissional, pela sua natureza seletiva, ten
técnicos, por sua vez, apesar do
crescimento havido
na in
dústria, tampouco foi substan ciai; 0 Censo de 1980 revelou que 85% das pessoas ocupadas no Brasil tinham menos de oi
to anos de estudo, ou seja, o equivalente ao l.o grau, tendo 03 percentuais mais altos dc escolaridade de oito anos sido
atingidos no DF, no RJ e em SP com 36,8%, 26,1% e 20,5% respectivamente. TREINAMENTO PROFISSIONAL
A mesma Pesquisa Nacio
nal por Amostragem Domici liar de 1976, anteriormente ci tada, revela que, na popula
economicamente ativa. Mas esses mesmos dados mostram
deu a ser mais benéfico
jus
tamente para os que já o pos suíam em nível mais alto; lon ge de tornar-se um efeito de massa, o treinamento profis sional manifestou-se eficaz ape
nas para pequenos segmentos.
Por sua vez, estudo feito pelo Senai em 1978 (15) reve la que no Estado de São Pau lo a qualificação média dos empregados nas empresas pe quenas e médias tinha a se guinte distribuição: 49,4% eram semiqualifiçados; 10,0% traba lhadores braçais; 14,7% eram qualificados; 3,3% técnicos; 0,8% de nível superior e 21,8%
ção economicamente ativa en
eram' administradores; resulta dos semelhantes foram verifi
tão existente, apenas 3,6% fre
cados em empresas de outras
quentavam cursos de treina mento profissional; destes, ape nas 9,7% tinliam menos de 4 anos de escolarização, sendo bem maior a frequência dos que tinham entre 9 e 11 anos;
dimensões e na própria capi
22,3% do
total;
ao
final dos
tal do Estado.
Em outras pa
lavras, cerca de 65% dos tra
balhadores das pequenas e mé dias empresas do Estado mais desenvolvido continuavam
industrialmente a
ECONÔMICO
77
ECONÔMICO
não
ter
a
es-
colaridade inínima de oito anos; a profissionalização dos traba lhadores já se fizera sem que sequer tivessem alcançado o segundo grau. Quando hoje alguns falam em
criar dificuldades
à atua
ção da iniciativa privada
no
setor de ensino e até na neces
sidade da estatização, neces sário se faz lembrar que, além dos imensos serviços que esse setor prestou ao Brasil, só em países de inspiração totalitária existe apenas a educação esta
tal; de resto, o setor público entre nós, mesmo com apoio da iniciativa privada, não con seguiu ainda deter o avanço do analfabetismo ou prover es colas para os que a ela têm di reito. É necessário assegurar a expansão de boas escolas, in dependentemente de sua natu
reza,
e abandonar
metodolo
gias arcaicas, válidas para si tuações diversas das que hoje existem no Brasil.
A oferta de ensino de qua lidada para grandes contingen tes humanos problema maior da notSsa .educação — só pode ser feita usando intensivamen te os meios de comunicação, única maneira de assegurar pa¬
drões qualitativos e contornar problemas de custos. Inglater
ra, China, Estados Unidos, Ja pão, Ahmanha, Rússia, Israel,
Austrália, África do Sul, Vene zuela, um grande número do países, adotam a metodologia do ensino à distância e só nos EUA onze universidades aber tas entrarão .sm funcionamen-
to a curtíssimo prazo
No Bra
sil, essa matéria, apesar dos esforços feitos em 1973 e do empenho ingente da Universi dade de Brasília, não alcançou
progresso significativo. Na rea lidade, buscando atuar nesse setor, a UnB procurava apenas contribuir para a formação da nova
concepção de escola ante-
cípada com propriedade no Capítulo IV da Lei 5.692, em particular no § 2.o do Art. 25. Nas próximas décadas,
a
utilização de material audiovi sual e
impresso terá
implica
ções mais profundas na educa ção que as decorrentes da in venção da imprensa. Se quisermas
livrar-nos dos proble
mas que dificultam nosso de senvolvimento, devemos dispen sar maior atenção à educação de base e ao treinamento
em
serviço; se isso foi impossível
DIGESTO
DIGESTO
76
Nada foi mais ilusório; tal exi gência continuou a crescer e, em termos percentuais, as va gas 110 ensino superior foram as que mais aumentaram nos
anos 70, como assinalado aci ma, constatou-se a melhoria da escolarização da população
últimos 20 anos. A demanda de
que 0 treinamento profissional, pela sua natureza seletiva, ten
técnicos, por sua vez, apesar do
crescimento havido
na in
dústria, tampouco foi substan ciai; 0 Censo de 1980 revelou que 85% das pessoas ocupadas no Brasil tinham menos de oi
to anos de estudo, ou seja, o equivalente ao l.o grau, tendo 03 percentuais mais altos dc escolaridade de oito anos sido
atingidos no DF, no RJ e em SP com 36,8%, 26,1% e 20,5% respectivamente. TREINAMENTO PROFISSIONAL
A mesma Pesquisa Nacio
nal por Amostragem Domici liar de 1976, anteriormente ci tada, revela que, na popula
economicamente ativa. Mas esses mesmos dados mostram
deu a ser mais benéfico
jus
tamente para os que já o pos suíam em nível mais alto; lon ge de tornar-se um efeito de massa, o treinamento profis sional manifestou-se eficaz ape
nas para pequenos segmentos.
Por sua vez, estudo feito pelo Senai em 1978 (15) reve la que no Estado de São Pau lo a qualificação média dos empregados nas empresas pe quenas e médias tinha a se guinte distribuição: 49,4% eram semiqualifiçados; 10,0% traba lhadores braçais; 14,7% eram qualificados; 3,3% técnicos; 0,8% de nível superior e 21,8%
ção economicamente ativa en
eram' administradores; resulta dos semelhantes foram verifi
tão existente, apenas 3,6% fre
cados em empresas de outras
quentavam cursos de treina mento profissional; destes, ape nas 9,7% tinliam menos de 4 anos de escolarização, sendo bem maior a frequência dos que tinham entre 9 e 11 anos;
dimensões e na própria capi
22,3% do
total;
ao
final dos
tal do Estado.
Em outras pa
lavras, cerca de 65% dos tra
balhadores das pequenas e mé dias empresas do Estado mais desenvolvido continuavam
industrialmente a
ECONÔMICO
77
ECONÔMICO
não
ter
a
es-
colaridade inínima de oito anos; a profissionalização dos traba lhadores já se fizera sem que sequer tivessem alcançado o segundo grau. Quando hoje alguns falam em
criar dificuldades
à atua
ção da iniciativa privada
no
setor de ensino e até na neces
sidade da estatização, neces sário se faz lembrar que, além dos imensos serviços que esse setor prestou ao Brasil, só em países de inspiração totalitária existe apenas a educação esta
tal; de resto, o setor público entre nós, mesmo com apoio da iniciativa privada, não con seguiu ainda deter o avanço do analfabetismo ou prover es colas para os que a ela têm di reito. É necessário assegurar a expansão de boas escolas, in dependentemente de sua natu
reza,
e abandonar
metodolo
gias arcaicas, válidas para si tuações diversas das que hoje existem no Brasil.
A oferta de ensino de qua lidada para grandes contingen tes humanos problema maior da notSsa .educação — só pode ser feita usando intensivamen te os meios de comunicação, única maneira de assegurar pa¬
drões qualitativos e contornar problemas de custos. Inglater
ra, China, Estados Unidos, Ja pão, Ahmanha, Rússia, Israel,
Austrália, África do Sul, Vene zuela, um grande número do países, adotam a metodologia do ensino à distância e só nos EUA onze universidades aber tas entrarão .sm funcionamen-
to a curtíssimo prazo
No Bra
sil, essa matéria, apesar dos esforços feitos em 1973 e do empenho ingente da Universi dade de Brasília, não alcançou
progresso significativo. Na rea lidade, buscando atuar nesse setor, a UnB procurava apenas contribuir para a formação da nova
concepção de escola ante-
cípada com propriedade no Capítulo IV da Lei 5.692, em particular no § 2.o do Art. 25. Nas próximas décadas,
a
utilização de material audiovi sual e
impresso terá
implica
ções mais profundas na educa ção que as decorrentes da in venção da imprensa. Se quisermas
livrar-nos dos proble
mas que dificultam nosso de senvolvimento, devemos dispen sar maior atenção à educação de base e ao treinamento
em
serviço; se isso foi impossível
DIGBSTO
78
no passado, hoje há condições de levar a grande número de
alunos, em todos os recantos do Brasil, nas escolas e fábricas, ensino de qualidade. Longe de constituir-se em panacéia edu cacional, os meios de comuni cação — televisão, rádio e ma terial impresso — são a grande arma do ensino moderno.
ECONÔMICO
e treinamento específico tem pouca influência no tipo de em prego e nos níveis salariais ’ (16). Questões de preferência por uma das formas de ensino, o vocacional (profissionalizante) e 0 "academizante” são antigas como a história da educação o r.-montam à Grécia antiga, a
UM ERRO COMUM
Atenas e a Esparta. Haverá sempre quem demonstre virtu
Não há por que comparar reiultados de desempenho edu cacional no Brasil e em países
des de uma dessas modalidades
DIGESTO ECONÔMICO
reciclas” (Art. 129), apesar de também dizer ser o ensino pro fissionalizante "em matéria de
sino tinha de coexistir com o "academizante” destinado natu
cos
Há que eliminar, entre nós,
chegou até nós sintetizada nas primeiras páginas de PAIDETA d£' W. Jaeger (17): "Todo povo que atinge um certo grau de de
tcs...
0 entendimento de que ensino
gei*al e 0 de natureza ornamen tal e verboso, que cultura é erudição, mera catalogação de entre ensino geral e profissio nal; não há fronteira entre
tretanto, a
informação (13,16)
não é o de suprir mão-de-obra
ciências e humanidades. Entre
relativa às
dificuldades
dos
para o mercado de trabalho, de
homo sapiens e o homo faccíens
cui’sos profissionalizantes no.5 EUA; além do seu elevado custo, que estimam sei- de 50 a
resto extremamente variável em função de parâmetras di versos e de natureza não edu
inexistentes. Pelo mesmo moti
75% mais caro que os outros de
cacional. "A educação de que
ao alto grau de industrialização daquele país — poucos empre gos iniciais para os egressos de cursos profissionalizantes como
n'As
de a infância para o bem, indu zindo no homem o desejo ar dente de se tornar um cidadão
perfeito, capaz de governar ^ de ser governado com justiça”. A opção entre essais duas mo
frivolidades. Não há fronteiras
as fronteiras
são,
NOTAS
vo, não há por que manter esco
1.P B
Ias determinadas por estratificação social, pois a educação deve ser geral para o trabalho e não específica para ocupações no mercado de trabalho. E as
Change and National Economic Development. Harvard Educa tional
Walfers — Educational
Review, vol. 51, n.o
1,
os que nela
Feb., pág. 94 a 106 (1981). 2. Cardoso, F.H.; Faletto, E. — Dependency and Develop-
porfiam não estão certamente
ment in Latin America. Berke-
ley Un^versity Press (1979). 3. yVallerstein, I. — The Modern
universidades e
ra os quais
não haviam
sido
dalidades de ensino evoluiu desde a Carta de 1937, que pr-2-
treinados”...
deixando
crer
via um ensino profissional des
lhes melhor eficiência e econo-
que “a relação entre ocupação
tinado “às classes menos favo-
micidade.
mais elevados em empregos pa
senvolvimento sente-se natural
mente inclinado á prática da educação. Ela é o princípio por meio do qual a comunidade hu mana conserva e transmite a sua peculiaridade física e es piritual” .
realmente,
a serviço de linhas de monta gem, mas podem — e devem — influir de forma decisiva para 0 seu aprimoramento, dando-
também "muitos estudantes... foram contratados com salários
e morais da humanidade”.
Não esqueçamos por fim a lição que, ao longo dos tempos,
à
mos para o ideal da escola que
falamos — dizia Platão
acervo dos controles tecnológi
formação de eli-
ralmente
relativa frequência. Deixo, en
Leis — é aquela orientada de.s-
e a Santiago Dantas devemos a
observação de qu© “cultura é o
avançados, erro cometido com
2.0 grau^ observou-se que não
geral e profissional, cultura G tecnologia, não são antinomias,
Educação o primeko dever do Estado” (Art. 129); mas tal en
de ensino, em detrimento da outra; na realidade, essas ques tões se dissipam quando atenta
só havia — certamente devido
79
Moderno e clássico,
World System. AC. Press NY, (1976).
4. Harbison, F. e Meyers, C.A. Education, Manpower and Eco-
DIGBSTO
78
no passado, hoje há condições de levar a grande número de
alunos, em todos os recantos do Brasil, nas escolas e fábricas, ensino de qualidade. Longe de constituir-se em panacéia edu cacional, os meios de comuni cação — televisão, rádio e ma terial impresso — são a grande arma do ensino moderno.
ECONÔMICO
e treinamento específico tem pouca influência no tipo de em prego e nos níveis salariais ’ (16). Questões de preferência por uma das formas de ensino, o vocacional (profissionalizante) e 0 "academizante” são antigas como a história da educação o r.-montam à Grécia antiga, a
UM ERRO COMUM
Atenas e a Esparta. Haverá sempre quem demonstre virtu
Não há por que comparar reiultados de desempenho edu cacional no Brasil e em países
des de uma dessas modalidades
DIGESTO ECONÔMICO
reciclas” (Art. 129), apesar de também dizer ser o ensino pro fissionalizante "em matéria de
sino tinha de coexistir com o "academizante” destinado natu
cos
Há que eliminar, entre nós,
chegou até nós sintetizada nas primeiras páginas de PAIDETA d£' W. Jaeger (17): "Todo povo que atinge um certo grau de de
tcs...
0 entendimento de que ensino
gei*al e 0 de natureza ornamen tal e verboso, que cultura é erudição, mera catalogação de entre ensino geral e profissio nal; não há fronteira entre
tretanto, a
informação (13,16)
não é o de suprir mão-de-obra
ciências e humanidades. Entre
relativa às
dificuldades
dos
para o mercado de trabalho, de
homo sapiens e o homo faccíens
cui’sos profissionalizantes no.5 EUA; além do seu elevado custo, que estimam sei- de 50 a
resto extremamente variável em função de parâmetras di versos e de natureza não edu
inexistentes. Pelo mesmo moti
75% mais caro que os outros de
cacional. "A educação de que
ao alto grau de industrialização daquele país — poucos empre gos iniciais para os egressos de cursos profissionalizantes como
n'As
de a infância para o bem, indu zindo no homem o desejo ar dente de se tornar um cidadão
perfeito, capaz de governar ^ de ser governado com justiça”. A opção entre essais duas mo
frivolidades. Não há fronteiras
as fronteiras
são,
NOTAS
vo, não há por que manter esco
1.P B
Ias determinadas por estratificação social, pois a educação deve ser geral para o trabalho e não específica para ocupações no mercado de trabalho. E as
Change and National Economic Development. Harvard Educa tional
Walfers — Educational
Review, vol. 51, n.o
1,
os que nela
Feb., pág. 94 a 106 (1981). 2. Cardoso, F.H.; Faletto, E. — Dependency and Develop-
porfiam não estão certamente
ment in Latin America. Berke-
ley Un^versity Press (1979). 3. yVallerstein, I. — The Modern
universidades e
ra os quais
não haviam
sido
dalidades de ensino evoluiu desde a Carta de 1937, que pr-2-
treinados”...
deixando
crer
via um ensino profissional des
lhes melhor eficiência e econo-
que “a relação entre ocupação
tinado “às classes menos favo-
micidade.
mais elevados em empregos pa
senvolvimento sente-se natural
mente inclinado á prática da educação. Ela é o princípio por meio do qual a comunidade hu mana conserva e transmite a sua peculiaridade física e es piritual” .
realmente,
a serviço de linhas de monta gem, mas podem — e devem — influir de forma decisiva para 0 seu aprimoramento, dando-
também "muitos estudantes... foram contratados com salários
e morais da humanidade”.
Não esqueçamos por fim a lição que, ao longo dos tempos,
à
mos para o ideal da escola que
falamos — dizia Platão
acervo dos controles tecnológi
formação de eli-
ralmente
relativa frequência. Deixo, en
Leis — é aquela orientada de.s-
e a Santiago Dantas devemos a
observação de qu© “cultura é o
avançados, erro cometido com
2.0 grau^ observou-se que não
geral e profissional, cultura G tecnologia, não são antinomias,
Educação o primeko dever do Estado” (Art. 129); mas tal en
de ensino, em detrimento da outra; na realidade, essas ques tões se dissipam quando atenta
só havia — certamente devido
79
Moderno e clássico,
World System. AC. Press NY, (1976).
4. Harbison, F. e Meyers, C.A. Education, Manpower and Eco-
»
DIGESTO ECONÔMICO
80
mais
Importantes já feito
nc
nomic Growth; Strategies of Human Resources Development Mc Graw HilI, N. York,
Brasil sobre a reforma de 1.° e
1940.
CHAGAS, O Ensino de l.o e 2.o
5. Brownstein, I. — Education and Development in Rural Kenya: A Study of Primary School Leaves, New' York Praeger (1972). 6, S P Heyneman — Influences
Graus' — Antes, Agora, e
on Accademic Achievements: a
comparison of results from Uganda and more industrialized societies. Sociology of FcLj-
cation, 49, 200 (1976). 7. M.J. Bov/rnan e C.S. Ar.der£on — Old Societies and the New States.
8. W G Bowen — Assasing tlie economic contribution of educa
tion; an appraisal of alternative approaches; in Highcr Eciiicatíon; Repert of the Committee under the Chairmanship o?
Lord Robbins, 1961-63
Londjn,
HMSO, 1963, appendix !V,
pp.
77-96.
9. J.K. Gaibraith — The Natu-
re of Mass Poverty. Harvard Unrv. Press (1979). 10. S.D. Landes — Industry, Skills an Knowledge, The ün-
bound Prometheus,, Cambridge
2.0 graus é o livro cie VALNM-!
Filosofia
D:
e
pois? Ed. Saraiva (1978). 12.
!EGE.
Anuário
Estatístico
(1930).
13. L.A. Corrêa do Uago^
F.
Lopes de Almeida, B M.F. di
cristianismo
Lima — Estrutura Ocupacional.
Educação e Formação de Mãodc-Obra; os Paí&es Desenvolv
Julian
Marias
dos e 0 Caso Brasileiro. Funda
cão Gstúüo
Vargas (agosto-^
1981). 14. E. Ginzberg e G.J. Votja — The Service Sector of the US
Economy. Scientific Amerlcari,
O cristianismo surgiu
depois das grandes influências gregas. O autor é um dos nomes mais ilustres da filosofia contemporânea.
L 44, 3 (março/81). 15. SENAl-SP — Algumas con siderações sobre pequenas c médias empresas industriais e
formação
profissional (1979).
Vei- também
SENAI-SP — Si
tuação do Mercado de Trabalho Industrial do
Estado de
São
Paulo: Alguns
Dados indicati
vos (1979),
16. Work in America, Reporí cf a special task force to the Secretary of Health, Education and Welfare. The Camb. (1973).
MIT Press,
Univ, Press (1969)!
17. W. Jaegcr — Paideia. Edito
11. Certamenté, um dos estudos
ra UnB (1981).
De que maneira a irrupção do cristianismo no mundo anti go afeta a filosofia? Há uma tentação tão explicável quanto perigosa a de pensar em uma
“filosofia cristã”. Mas, embora essa expressão seja muito pro blemática e requeira esclarecimentos importantes — mais adiante tentarei recordar o úni¬
co sentido em que me parece aceitável e com um significa do claro e responsável — é du vidoso que no mundo antigo possamos encontrar algo que se chame “filosofia cristã”. Por
outro lado,
à época em
que
surge 0 cristianismo, esse mun do é dual, grego e romano, com uma delicada articulação de ambos os elementos que não se podem identificar nem se parar.
O pensamento da época ro mana depende essencialmente do grego, mas não pode ser, simplesmente, reduzide a ele.
Por outro lado, a filosofia gre ga como tal, em sua língua e pressupostos próprios, não se interrompeu. Mas tudo isso, em grego ou em latim, se realiza
»
DIGESTO ECONÔMICO
80
mais
Importantes já feito
nc
nomic Growth; Strategies of Human Resources Development Mc Graw HilI, N. York,
Brasil sobre a reforma de 1.° e
1940.
CHAGAS, O Ensino de l.o e 2.o
5. Brownstein, I. — Education and Development in Rural Kenya: A Study of Primary School Leaves, New' York Praeger (1972). 6, S P Heyneman — Influences
Graus' — Antes, Agora, e
on Accademic Achievements: a
comparison of results from Uganda and more industrialized societies. Sociology of FcLj-
cation, 49, 200 (1976). 7. M.J. Bov/rnan e C.S. Ar.der£on — Old Societies and the New States.
8. W G Bowen — Assasing tlie economic contribution of educa
tion; an appraisal of alternative approaches; in Highcr Eciiicatíon; Repert of the Committee under the Chairmanship o?
Lord Robbins, 1961-63
Londjn,
HMSO, 1963, appendix !V,
pp.
77-96.
9. J.K. Gaibraith — The Natu-
re of Mass Poverty. Harvard Unrv. Press (1979). 10. S.D. Landes — Industry, Skills an Knowledge, The ün-
bound Prometheus,, Cambridge
2.0 graus é o livro cie VALNM-!
Filosofia
D:
e
pois? Ed. Saraiva (1978). 12.
!EGE.
Anuário
Estatístico
(1930).
13. L.A. Corrêa do Uago^
F.
Lopes de Almeida, B M.F. di
cristianismo
Lima — Estrutura Ocupacional.
Educação e Formação de Mãodc-Obra; os Paí&es Desenvolv
Julian
Marias
dos e 0 Caso Brasileiro. Funda
cão Gstúüo
Vargas (agosto-^
1981). 14. E. Ginzberg e G.J. Votja — The Service Sector of the US
Economy. Scientific Amerlcari,
O cristianismo surgiu
depois das grandes influências gregas. O autor é um dos nomes mais ilustres da filosofia contemporânea.
L 44, 3 (março/81). 15. SENAl-SP — Algumas con siderações sobre pequenas c médias empresas industriais e
formação
profissional (1979).
Vei- também
SENAI-SP — Si
tuação do Mercado de Trabalho Industrial do
Estado de
São
Paulo: Alguns
Dados indicati
vos (1979),
16. Work in America, Reporí cf a special task force to the Secretary of Health, Education and Welfare. The Camb. (1973).
MIT Press,
Univ, Press (1969)!
17. W. Jaegcr — Paideia. Edito
11. Certamenté, um dos estudos
ra UnB (1981).
De que maneira a irrupção do cristianismo no mundo anti go afeta a filosofia? Há uma tentação tão explicável quanto perigosa a de pensar em uma
“filosofia cristã”. Mas, embora essa expressão seja muito pro blemática e requeira esclarecimentos importantes — mais adiante tentarei recordar o úni¬
co sentido em que me parece aceitável e com um significa do claro e responsável — é du vidoso que no mundo antigo possamos encontrar algo que se chame “filosofia cristã”. Por
outro lado,
à época em
que
surge 0 cristianismo, esse mun do é dual, grego e romano, com uma delicada articulação de ambos os elementos que não se podem identificar nem se parar.
O pensamento da época ro mana depende essencialmente do grego, mas não pode ser, simplesmente, reduzide a ele.
Por outro lado, a filosofia gre ga como tal, em sua língua e pressupostos próprios, não se interrompeu. Mas tudo isso, em grego ou em latim, se realiza
82
DIGESTO
dentro da área do Império Rom.ano, em um mundo distante daquele das cidades em que foi
ca palavra: Vorausset-zungslosigkeit, ou a ausência de supos tos. Sim e não, teríamos de di
gerada, séculos antes, a filoso
zer:
fia grega. A partir de uma pers pectiva filosófica, se se consi dera a duração total do Impé rio Romano, incluindo-se o pe ríodo helênico, o cristianismo tem pouco a fazer. Em outras palavras, é muito reduzido e secundário o lugar que o cris tianismo ocupa dentro da filo
fia que parta do zero. A filo
sofia da Grécia e, ainda, de Ro ma em toda sua história.
Tra
ta-se de outra coisa, que se costuma passar por alto, mas que é inesperadamente interes
»
ECONÔMICO
sante.
A filosofia não parte do ze ro. Nunca. Nem sequer no seu começo pré-socrático. Pelo con trário, a filosofia parte de saberes, às vezes inumeráveis saberes, de supostos prévios nos quais se está, e é justamente sobre eles que surge e se apre senta o problema da filosofia,
não há nunca uma filoso
sofia parte de um repertório
de crenças, de idéias, de saberes. Mas é certo, também, que a filosofia não tem supos tos no sentido de que esses su postos, dos quais parte, não são
filosoficamente
válidos.
Isto é, a filosofia parte, em ca da caso, de crenças, idéias, vi gências sociais, de todo um re pertório de realidades prévias a cada filosofia (ou, no caso original da Grécia, prévias à filosofia, sem mais), mas tudo isso não é parte do conteúdo da
filosofia, e esta, por conseguin te, deve buscar sua evidência e justificação por si mesma. Nesse sentido, portanto, esses supostos que uma tradição re cente tentava eliminar e que não são elimináveis não atuam
várias — em uma situação de
como parte integrante da filo sofia, mas é sobre eles que a filosofia deve operar, para jus
terminada.
tificá-los e transformá-los
se constrói uma'filosofia — ou
em
idéia, tão arraigada, de que a
filosofia, para que então, e so mente então, possam ser par
filosofia é uma ciência que não tem supostos, como o expres sava, em alemão, a quilométri-
ções habituais
Isto parece
contradizer
a
te dela.
Como se vê, as duas posisão
eiTÔneas:
DIGESTO ECONÔMICO
83
OU se acredita poder partir
do
zero, ou que os supostos
são
parte integrante da filosofia. Ambas as atitudes têm razão, entretanto, se entendidas reta mente. Nunca se parte de ze ro, sempre existe um subsolo de crenças e idéias prévias à filosofia. Mas não funcionam como filosofia nem. a rigor.
penetram nela, até que a filo sofia lhes dê razão e as incor pore.
Neste sentido podemos falar de pré-filosofia, sem a qual a filosofia é ininteligível, mas que ainda não é filosofia. Creio que
0 primeiro a levantar a sério este problema e colocá-lo no seu justo lugar foi Ortega, num escrito de 1941, que apareceu pela primeira vez no número 1 da revista “Logos” da Uni
versidade de Buenos Aires,
e
que comentei longamente em “Ortega y la idea de la razón vital”, 1948. Esse escrito ortegiiiano, “Apuntes sobre el pensamiento: su teurgia y su de-
miiirgia”, é um dos textos mais importantes de sua filosofia, por isso quero recordar, aqui, alguns parágrafos essenciais: “Toda filosofia deliberada e
expressa se move no âmbito de uma pré-filosofia ou cori-
vicção que fica muda de pui‘o ser, para o próprio indivíduo,
“a realidade mesma”. Só depois de elucidar essa pré-filosofia, isto é, essa crença radical e irracional, resultam claras as limitações das filosofias for muladas”.
“Entendo por filosofia ingê nua ou injustificada toda aque la que deixa fora de seu cam po doutrinário os motivos que levam a ela, isto é, que não considera como porção consti tutiva
da
filosofia
mesma
tu
do 0 que induziu o homem a essa criação filosófica. Vere
mos, neste estudo, como a fi losofia costuma começar de
modo brusco, sendo uma série de teses sobre a realidade
sobre os princípios da
ou
verda
de, sem que se saiba, filosofi camente, por que há que
se
enunciar teses sobre a realida
de ou a verdade. E mais adian
te: “Quando a preocupação, como no caso da filosofia, pre tende ocupar-se do universo e não deixar de fora nada essen
cial, a justificação não tem outro espaço onde alojar-se organizadamente a não ser no próprio corpo da doutrina filo
sófica, como um de seus mem bros constitutivos. A justifica-
82
DIGESTO
dentro da área do Império Rom.ano, em um mundo distante daquele das cidades em que foi
ca palavra: Vorausset-zungslosigkeit, ou a ausência de supos tos. Sim e não, teríamos de di
gerada, séculos antes, a filoso
zer:
fia grega. A partir de uma pers pectiva filosófica, se se consi dera a duração total do Impé rio Romano, incluindo-se o pe ríodo helênico, o cristianismo tem pouco a fazer. Em outras palavras, é muito reduzido e secundário o lugar que o cris tianismo ocupa dentro da filo
fia que parta do zero. A filo
sofia da Grécia e, ainda, de Ro ma em toda sua história.
Tra
ta-se de outra coisa, que se costuma passar por alto, mas que é inesperadamente interes
»
ECONÔMICO
sante.
A filosofia não parte do ze ro. Nunca. Nem sequer no seu começo pré-socrático. Pelo con trário, a filosofia parte de saberes, às vezes inumeráveis saberes, de supostos prévios nos quais se está, e é justamente sobre eles que surge e se apre senta o problema da filosofia,
não há nunca uma filoso
sofia parte de um repertório
de crenças, de idéias, de saberes. Mas é certo, também, que a filosofia não tem supos tos no sentido de que esses su postos, dos quais parte, não são
filosoficamente
válidos.
Isto é, a filosofia parte, em ca da caso, de crenças, idéias, vi gências sociais, de todo um re pertório de realidades prévias a cada filosofia (ou, no caso original da Grécia, prévias à filosofia, sem mais), mas tudo isso não é parte do conteúdo da
filosofia, e esta, por conseguin te, deve buscar sua evidência e justificação por si mesma. Nesse sentido, portanto, esses supostos que uma tradição re cente tentava eliminar e que não são elimináveis não atuam
várias — em uma situação de
como parte integrante da filo sofia, mas é sobre eles que a filosofia deve operar, para jus
terminada.
tificá-los e transformá-los
se constrói uma'filosofia — ou
em
idéia, tão arraigada, de que a
filosofia, para que então, e so mente então, possam ser par
filosofia é uma ciência que não tem supostos, como o expres sava, em alemão, a quilométri-
ções habituais
Isto parece
contradizer
a
te dela.
Como se vê, as duas posisão
eiTÔneas:
DIGESTO ECONÔMICO
83
OU se acredita poder partir
do
zero, ou que os supostos
são
parte integrante da filosofia. Ambas as atitudes têm razão, entretanto, se entendidas reta mente. Nunca se parte de ze ro, sempre existe um subsolo de crenças e idéias prévias à filosofia. Mas não funcionam como filosofia nem. a rigor.
penetram nela, até que a filo sofia lhes dê razão e as incor pore.
Neste sentido podemos falar de pré-filosofia, sem a qual a filosofia é ininteligível, mas que ainda não é filosofia. Creio que
0 primeiro a levantar a sério este problema e colocá-lo no seu justo lugar foi Ortega, num escrito de 1941, que apareceu pela primeira vez no número 1 da revista “Logos” da Uni
versidade de Buenos Aires,
e
que comentei longamente em “Ortega y la idea de la razón vital”, 1948. Esse escrito ortegiiiano, “Apuntes sobre el pensamiento: su teurgia y su de-
miiirgia”, é um dos textos mais importantes de sua filosofia, por isso quero recordar, aqui, alguns parágrafos essenciais: “Toda filosofia deliberada e
expressa se move no âmbito de uma pré-filosofia ou cori-
vicção que fica muda de pui‘o ser, para o próprio indivíduo,
“a realidade mesma”. Só depois de elucidar essa pré-filosofia, isto é, essa crença radical e irracional, resultam claras as limitações das filosofias for muladas”.
“Entendo por filosofia ingê nua ou injustificada toda aque la que deixa fora de seu cam po doutrinário os motivos que levam a ela, isto é, que não considera como porção consti tutiva
da
filosofia
mesma
tu
do 0 que induziu o homem a essa criação filosófica. Vere
mos, neste estudo, como a fi losofia costuma começar de
modo brusco, sendo uma série de teses sobre a realidade
sobre os princípios da
ou
verda
de, sem que se saiba, filosofi camente, por que há que
se
enunciar teses sobre a realida
de ou a verdade. E mais adian
te: “Quando a preocupação, como no caso da filosofia, pre tende ocupar-se do universo e não deixar de fora nada essen
cial, a justificação não tem outro espaço onde alojar-se organizadamente a não ser no próprio corpo da doutrina filo
sófica, como um de seus mem bros constitutivos. A justifica-
I
DIGESTO
84
ECONÔMICO
cão que reclamo só existii’á quando dela se derivem, como de um princípio, as idéias que
Podemos dizer que o cristianis mo forma parte da situação do
constituem o próprio sistema filosófico. Ou, dito por sua vez em forma de tese: “A justifica ção da filosofia é seu primeiro princípio. Tudo o que induz o homem a filosofar forma parte doutrinariamente da própria
filosofar, se é que filosofa. Não se trata, pois, de uma filosofia que seja cristã, que emane ou proceda do cristianismo. Não se pode derivar uma filosofia do cristianismo, de modo al gum, Acontece que o cristão ao contrário de quem não o é, se encontra numa situação de
teoria filosófica”.
Em resumo a pré-filosofia condiciona a filosofia, mas não é filosofia até que esta reopere sobre ela, a transforme e eleve ao nível filosófico, lhe
dê razão. Ao contrário,
qual
quer filosofia que deixe de la do sua “pré-filosofia” não terá
radicalidade e, portanto,
não
será filosofia no sentido pleno da palavra.
Creio ser esta a perspectiva adequada para colocar o pro blema
do
cristianismo
dentro
da filosofia antiga. O primeiro que devemos lembrar é que o cristianismo não é uma filoso
fia, nem sequer uma ideologia, é uma religião. Mas uma reli gião que traz dentro de si uma visão da realidade, uma inter pretação da realidade, uma ma neira de entendê-la e, ainda
mais, de sentir-se dentro
dela.
cristão, a partir da qual pode
terminada, diferente ds outras. Esta situação
pessoa!, indivi'
dual ou histórica e social está
condicionada por essa dimen são que é 0 cristianismo. Se esse cristão faz filosofia, a faz, é claro, condicionado por essa situação. Por isso, há muitos anos disse que o único signifi cado aceitável para a tão usa da expressão “filosofia cristã” é este: “A filosofia do cristão enquanto tal”.
ressam-lhe alguns
soal íntegra, está condicionado pelo fato de ser cristão — co mo em outra dimensão está condicionado por ser o homem
do século IV, Xni ou do XX. Então, o cristão vê certas coi sas
que
o
outro
não vê. Inte-
temas que
para outros não são relevantes. Pensa olhar em certas direções que não ocorrem aos que não são cristãos. E tudo isso con diciona sua perspectiva, a cons
titui, junto com outros elemen tos de origem diversa. Mas es sa filosofia que o cristão faz há de ser uma filosofia que não é mantida pelo cristianis mo, condicionada por ele so mente como princípio heurísti co que leva a olhar enr certa direção, a descobrir temas ou traços da realidade que somen te aparecem nesta perspectiva; não em seu conteúdo ou justi ficação intelectual. Nesse sen tido pode-se perguntar o que
significa a aparição do cristia nismo dentro do mundo antigo,
grego e romano, e como afeta 0 pensamento filosófico. NÃO EXISTE UMA FILOSOFIA
Quando alguém, que é cris tão, filosofa enquanto tal, pon do em jogo sua realidade pes
85
DIGESTO ECONÔMICO
QUE PARTA DO ZERO Devemos levar
em conta
Lim ponto capital para não con fundir as coisas: o cristianis-
especialmente na medida em que é um condicionamento mo,
da situação uma
geral e significa
forma de
visão da reali-
dade, não pode isoiar-se do ju-
daísmo.
0 cristianismo, desde
0 ponto de vista intrínseco, sig nifica 0 cumprimento, a plena realização do judaísmo. Cris to representa o pléroma, a ple nitude dos tempos, o cumpri mento das profecias, O cristia nismo
tem seu livro religioso
próprio, 0 Novo Testamento, mas parte, é claro, do Antigo, conta com ele, nunca renun ciou a ele. O fato de que na
prática da vida religiosa e in clusive em
grande parte da
teologia se tenha preterido o Antigo Testamento não quer
dizer que isto seja
aceitável
deva ser feito. O cristianismo vem, há algum tempo,
nem
retificando a omissão de dei xar na sombra os antecedentes veterotestamentários. É, pois, no judaísmo que se encontram os elementos que condicionam a visão de realidade e que fo ram um fator de transforma-
ção da filosofia. Tendo isto presente, chega 0 momento de perguntar o que 0 cristianismo significa de pró
prio, exclusivo, diferencial, dentro da tradição judaica, por que a aparição do cristianismo representa outra forma de ino vação?
I
DIGESTO
84
ECONÔMICO
cão que reclamo só existii’á quando dela se derivem, como de um princípio, as idéias que
Podemos dizer que o cristianis mo forma parte da situação do
constituem o próprio sistema filosófico. Ou, dito por sua vez em forma de tese: “A justifica ção da filosofia é seu primeiro princípio. Tudo o que induz o homem a filosofar forma parte doutrinariamente da própria
filosofar, se é que filosofa. Não se trata, pois, de uma filosofia que seja cristã, que emane ou proceda do cristianismo. Não se pode derivar uma filosofia do cristianismo, de modo al gum, Acontece que o cristão ao contrário de quem não o é, se encontra numa situação de
teoria filosófica”.
Em resumo a pré-filosofia condiciona a filosofia, mas não é filosofia até que esta reopere sobre ela, a transforme e eleve ao nível filosófico, lhe
dê razão. Ao contrário,
qual
quer filosofia que deixe de la do sua “pré-filosofia” não terá
radicalidade e, portanto,
não
será filosofia no sentido pleno da palavra.
Creio ser esta a perspectiva adequada para colocar o pro blema
do
cristianismo
dentro
da filosofia antiga. O primeiro que devemos lembrar é que o cristianismo não é uma filoso
fia, nem sequer uma ideologia, é uma religião. Mas uma reli gião que traz dentro de si uma visão da realidade, uma inter pretação da realidade, uma ma neira de entendê-la e, ainda
mais, de sentir-se dentro
dela.
cristão, a partir da qual pode
terminada, diferente ds outras. Esta situação
pessoa!, indivi'
dual ou histórica e social está
condicionada por essa dimen são que é 0 cristianismo. Se esse cristão faz filosofia, a faz, é claro, condicionado por essa situação. Por isso, há muitos anos disse que o único signifi cado aceitável para a tão usa da expressão “filosofia cristã” é este: “A filosofia do cristão enquanto tal”.
ressam-lhe alguns
soal íntegra, está condicionado pelo fato de ser cristão — co mo em outra dimensão está condicionado por ser o homem
do século IV, Xni ou do XX. Então, o cristão vê certas coi sas
que
o
outro
não vê. Inte-
temas que
para outros não são relevantes. Pensa olhar em certas direções que não ocorrem aos que não são cristãos. E tudo isso con diciona sua perspectiva, a cons
titui, junto com outros elemen tos de origem diversa. Mas es sa filosofia que o cristão faz há de ser uma filosofia que não é mantida pelo cristianis mo, condicionada por ele so mente como princípio heurísti co que leva a olhar enr certa direção, a descobrir temas ou traços da realidade que somen te aparecem nesta perspectiva; não em seu conteúdo ou justi ficação intelectual. Nesse sen tido pode-se perguntar o que
significa a aparição do cristia nismo dentro do mundo antigo,
grego e romano, e como afeta 0 pensamento filosófico. NÃO EXISTE UMA FILOSOFIA
Quando alguém, que é cris tão, filosofa enquanto tal, pon do em jogo sua realidade pes
85
DIGESTO ECONÔMICO
QUE PARTA DO ZERO Devemos levar
em conta
Lim ponto capital para não con fundir as coisas: o cristianis-
especialmente na medida em que é um condicionamento mo,
da situação uma
geral e significa
forma de
visão da reali-
dade, não pode isoiar-se do ju-
daísmo.
0 cristianismo, desde
0 ponto de vista intrínseco, sig nifica 0 cumprimento, a plena realização do judaísmo. Cris to representa o pléroma, a ple nitude dos tempos, o cumpri mento das profecias, O cristia nismo
tem seu livro religioso
próprio, 0 Novo Testamento, mas parte, é claro, do Antigo, conta com ele, nunca renun ciou a ele. O fato de que na
prática da vida religiosa e in clusive em
grande parte da
teologia se tenha preterido o Antigo Testamento não quer
dizer que isto seja
aceitável
deva ser feito. O cristianismo vem, há algum tempo,
nem
retificando a omissão de dei xar na sombra os antecedentes veterotestamentários. É, pois, no judaísmo que se encontram os elementos que condicionam a visão de realidade e que fo ram um fator de transforma-
ção da filosofia. Tendo isto presente, chega 0 momento de perguntar o que 0 cristianismo significa de pró
prio, exclusivo, diferencial, dentro da tradição judaica, por que a aparição do cristianismo representa outra forma de ino vação?
I
86
DIGESTO
Lembro uma figura filosó fica muito importante, mais do que se costuma pensar: Filon de Alexandria. Deste ponto de vista, temos duas figuras par ticularmente
interessantes
pensamento grego:
lon, a outra
ECONÔMICO
mente, significa a criação do nada (creaíio ex nihilo). Inte ressante é notar que essa ex pressão
(como
observei
em
“Antropologia Metafísica”) não
no
aparece por primeira vez num
uma é Fi
texto filosófico, nem teológico,
é Plotino. Filon,
nem sequer teórico, mas na bo
do século I, Plotino, do século III, têm uma evidente ligação com 0 mundo do judaísmo e do
ca da mãe dos Macabeus (Macabeus, II, 7,28) quando seus filhos vão ser supliciades. Isto
cristianismo. Filon era judeu, Plotino, grego, mas seu mestre
é, num texto puramente religio
Amonio Sacas era cristão, e,
prirnariamente à idéia de cria ção.
certamente, por
esse caminho
encontramos elementos cristãos
no
neoplatonismo,
que
tanto
haveria de influir no pensa mento cristão ao longo da Ida
so, que é 0 que
corresponde
Criação do nada, isto é, não dc Deus, nem de uma matéria preexistente que seria elabora
de Média.
da por Deus: ex nlhüo sui ef subjecíl — do nada de si mes
O pensamento filosófico condicionado pelo cristianismo difere do pensamento helênico em um ponto radical — o da
mo (Deus) e de um sujeito ou substrato. Não que Deus “fa
noção de criação. Esta noção é inteiramente alheia ao pen samento grego; para o homem helênico, a realidade está aí. Talvez os deuses fizeram o
mundo, mas o
fizeram, sim
plesmente: ordenaram, elabo¬ raram, dirigii’am, moveram, como faz o imóvel
Deus aris-
totélico. A idéia de criação, quando formulada conceptual-
brique”, como 0 operário
que
faz uma mesa com a madeira.
Nem que a mesma realidade de Deus seja a do mundo. Esta será precisamente a interpre tação de Plotino que, por in fluência cristã, está em situa ção de pensar o mundo “pro duzido”, para o qual concorre 0 conceito de emanação: o mun do é uma emanação da reali dade
divina:
a realidade do
Uno se expande, em formas de-
DIGESTO ECONÔMICO
87
crescentes, até o mais ínfimo grau que é a matéria. Plotino
vale-se de diversas metáforas, entre elas a da luz que se vai degradando e atenuando, desde 0 foco original, em sua luta com as trevas, até que se extingue. O conceito de emanação é um esforço para pensar helenicamente algo tão contrário ao pensamento grego, como a no
Phüo, em dois volumes, admi rável estudo de seu pensamen to Wolfson chega ao extremo de considerar Filon como o ar-
tipo do que será a filosofia medieval. Traça um' esquema do que chama de “filósofo sin tético”, aquele capaz de redu c.u
zir
a totalidade dos temas no
vos, das inovações da filosofia
medieval sobre a grega, e faz uma espécie dc “retrato-robô”
ção de criação. de
que corresponde exatamente à
maneira mais dketa e explícita em Filon, que, em seu livro De Gpificío mundi, parte da idéia
Filon é 0 iniciador dessa novi dade füosóiica que se mantém
Esta idéia se encontra
de criação recebida do Gêne se e a introduz no esquema do pensamento helênico. A inter pretação das Escrituras nas mãos de Filon é alegórica, por que tenta ater-se a um reper tório de conceitos estritamente helênicos e fazer uma filosofia
grega, introduzindo nela os ele mentos da revelação, que para ele têm muita importância co mo fonte de saber que se arti cula com 0 pensamento racio nal.
A importância de Filon é maior do que se pensa. Mas não tanto como pensam alguns estudiosos como Harry Austryn Wolfson, autor do esplêndido
figura de Filon. Para Wolfson,
até 0 século XVII, e, para ele,
é precisamente Spinoza, outro judeu, quem enfrenta a fundo essa concepção de Filon e en cerra esse longuíssimo período, do século I ao XVII. Creio que isto é um exagero que leva lon ge demais a afkmação da no vidade e influência de Filon de Alexandria.
Em última análise, considerando-se o tratamento dado ao
tema da criação na obra de Fi
lon, nota-se que, no fundo, ele permanece muito próximo dos modos d.e produção do mundo no pensamento grego. Poderiamos dizer que o apresenta de ma
neira técnica, como uma
das
I
86
DIGESTO
Lembro uma figura filosó fica muito importante, mais do que se costuma pensar: Filon de Alexandria. Deste ponto de vista, temos duas figuras par ticularmente
interessantes
pensamento grego:
lon, a outra
ECONÔMICO
mente, significa a criação do nada (creaíio ex nihilo). Inte ressante é notar que essa ex pressão
(como
observei
em
“Antropologia Metafísica”) não
no
aparece por primeira vez num
uma é Fi
texto filosófico, nem teológico,
é Plotino. Filon,
nem sequer teórico, mas na bo
do século I, Plotino, do século III, têm uma evidente ligação com 0 mundo do judaísmo e do
ca da mãe dos Macabeus (Macabeus, II, 7,28) quando seus filhos vão ser supliciades. Isto
cristianismo. Filon era judeu, Plotino, grego, mas seu mestre
é, num texto puramente religio
Amonio Sacas era cristão, e,
prirnariamente à idéia de cria ção.
certamente, por
esse caminho
encontramos elementos cristãos
no
neoplatonismo,
que
tanto
haveria de influir no pensa mento cristão ao longo da Ida
so, que é 0 que
corresponde
Criação do nada, isto é, não dc Deus, nem de uma matéria preexistente que seria elabora
de Média.
da por Deus: ex nlhüo sui ef subjecíl — do nada de si mes
O pensamento filosófico condicionado pelo cristianismo difere do pensamento helênico em um ponto radical — o da
mo (Deus) e de um sujeito ou substrato. Não que Deus “fa
noção de criação. Esta noção é inteiramente alheia ao pen samento grego; para o homem helênico, a realidade está aí. Talvez os deuses fizeram o
mundo, mas o
fizeram, sim
plesmente: ordenaram, elabo¬ raram, dirigii’am, moveram, como faz o imóvel
Deus aris-
totélico. A idéia de criação, quando formulada conceptual-
brique”, como 0 operário
que
faz uma mesa com a madeira.
Nem que a mesma realidade de Deus seja a do mundo. Esta será precisamente a interpre tação de Plotino que, por in fluência cristã, está em situa ção de pensar o mundo “pro duzido”, para o qual concorre 0 conceito de emanação: o mun do é uma emanação da reali dade
divina:
a realidade do
Uno se expande, em formas de-
DIGESTO ECONÔMICO
87
crescentes, até o mais ínfimo grau que é a matéria. Plotino
vale-se de diversas metáforas, entre elas a da luz que se vai degradando e atenuando, desde 0 foco original, em sua luta com as trevas, até que se extingue. O conceito de emanação é um esforço para pensar helenicamente algo tão contrário ao pensamento grego, como a no
Phüo, em dois volumes, admi rável estudo de seu pensamen to Wolfson chega ao extremo de considerar Filon como o ar-
tipo do que será a filosofia medieval. Traça um' esquema do que chama de “filósofo sin tético”, aquele capaz de redu c.u
zir
a totalidade dos temas no
vos, das inovações da filosofia
medieval sobre a grega, e faz uma espécie dc “retrato-robô”
ção de criação. de
que corresponde exatamente à
maneira mais dketa e explícita em Filon, que, em seu livro De Gpificío mundi, parte da idéia
Filon é 0 iniciador dessa novi dade füosóiica que se mantém
Esta idéia se encontra
de criação recebida do Gêne se e a introduz no esquema do pensamento helênico. A inter pretação das Escrituras nas mãos de Filon é alegórica, por que tenta ater-se a um reper tório de conceitos estritamente helênicos e fazer uma filosofia
grega, introduzindo nela os ele mentos da revelação, que para ele têm muita importância co mo fonte de saber que se arti cula com 0 pensamento racio nal.
A importância de Filon é maior do que se pensa. Mas não tanto como pensam alguns estudiosos como Harry Austryn Wolfson, autor do esplêndido
figura de Filon. Para Wolfson,
até 0 século XVII, e, para ele,
é precisamente Spinoza, outro judeu, quem enfrenta a fundo essa concepção de Filon e en cerra esse longuíssimo período, do século I ao XVII. Creio que isto é um exagero que leva lon ge demais a afkmação da no vidade e influência de Filon de Alexandria.
Em última análise, considerando-se o tratamento dado ao
tema da criação na obra de Fi
lon, nota-se que, no fundo, ele permanece muito próximo dos modos d.e produção do mundo no pensamento grego. Poderiamos dizer que o apresenta de ma
neira técnica, como uma
das
>
DIGESTO
88
ECONÔMICO
O mundo
narra sua aparição e desaparição; outra a poesia lírica, que
é um mundo produzido ou não,
considera a melancolia das coi
ordenado ou movido, é um mun
sas que passam e deixam de ser; e a terceira é precisamen te a filosofia, que trata de en
modalidades
para explicar
realidade do mundo.
a
do que existe desde sempre ou não, que vai acabar ou não. Há um jogo de posições entre o platonismo, o aristotelismo, o
estoicismo. E, como uma posi ção a mais, que aproveita o conceito de criação revelado no Gênesis, aparece o pensa mento de Filon. Mas a situação
tender es.3a genesis kai phthorá
(geração e corrupção, como diz Aristóteles), esse chegar a ser
e deixar de ser, o que se cha ma em
grego kinesls
("movi
mento” num sentido muito mais
nada e a criação não tem, pa
amplo que o nosso). As coisas são primeiro uma coisa e de pois outra. São pequenas e
ra ele, o relevo que poderia ter
crescem
tido e teve mais tarde- Aparece como um procedimento técnico
brancas
não está inteiramente condicio
de derivação do mundo, mais nada. Talvez porque não chega a pensar suficientemente na no
ção do nada. É o que fará pensamento mas em
o
cristão posterior,
conexão
idéias que não logo.
com
outras
aparecem
tão
Esta é a questão: o pensa mento grego se mobiliza ante a caducidade das coisas. É seu ponto de partida e seu motor. As coisas nascem e perecem, chegam a ser e deixam de ser, passam- Frente a essa caduci
dade das coisas, cabem três atitud-es: uma é a história, que
ou
diminuem.
e se tornam
São
negras.
São quentes e logo frias. Ou. simplesmente, passam daqui para acolá, movem-se, em sen tido moderno- Ou, finalmente, são e um dia deixam de ser, são geradas e depois perecem: o movimento substancial, para
Aristóteles, o mais importante de todos.
Assim,
a
realidade
está
ameaçada pela variação, a mu
dança, 0 movim-ento, o klnesis. E a filosofia pergunta: que são na verdade estas coisas
que
mudam, que não são sempre a mesma coisa, que não são per manentsmente? O que é aquilo que sempre é? O pensamento
89
DIGESTO ECONÔMICO
grego busca o sempre, o que sempre é. O movimento é o que mina o ser, o que faz com que não
seja
um ser verdadeiro
que seria o ser permanente. Isto é perfeitamente claro
no pitagorismo, quando se dss cobre essa
estranha realidade
que são os objetos matemáti cos. Um cavalo, uma árvore ou uma pedra nascem e perecem,
não são duradouros, e não fale mos do homem- As gerações se sucedem como as folhas das árvores, diz Homero. Mas o
i3im
merecería
chamar-se
rea
lidade. É 0 que busca Parmênidc*s, 0 que se chama eón, ón. 0 ón de Parmênides é uma bo
la, e é sempre presente, tò aeí ón, 0 que sempre é. Todo o pen samento grego busca a realida de que sempre é: elementos, idéias platônicaG, essência aristotélica.
A filosofia grega só se en tende a partir da am-eaça do
movimento, da mudança
que
afeta a realidade das coisas que
são. Dessa situação pré-filosó-
fica, deissa impressão da cadu cidade, nasce- o pensamento esfera não são coisas, não são verdadeiras coisas separadas grego, que é uma busca do que é permanente, daquilo que ver (khoristá, dirá Aristóteles), mas dadeiramente é (tò óntos ón,
número três, o triângulo ou
.0
são sempre. Não se destrosm, não pasisam. O três é sempre o
três, o triângulo não deixa de ser triângulo, o cone é sempre um cone e a pirâmide não alte ra seu ser. O tempo nada pode contra el-es. Nesse sentido, tem uma forma superior de realida de; mas no último imstante essa realidade imperecível não che
ga a ser verdadeiramente rea lidade- Se houvesse algo que fosse verdadeira realidade se
parável, uma coisa, e ao m-s mo tempo fosse como o núme
ro, 0 triângulo, o poliedro, isto
na frase platônica)-
No cristianismo, tudo muda. O conceito de criação, se o en tendemos rigorosamente, não é uma maneira de produção do mundo. Se lemos o começo do Gên-s-sis: "No princípio criou Deus 0 céu e a terra” —
isto
papece, à primeira vista, uma teogonia, ou melhor, uma cos mogonia a mais: como se faz o mundo, se ordena e aparece. Mas no cristianismo há algo mais — ei3sa estranha idéia do nada. Não existe palavra grega
>
DIGESTO
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ECONÔMICO
O mundo
narra sua aparição e desaparição; outra a poesia lírica, que
é um mundo produzido ou não,
considera a melancolia das coi
ordenado ou movido, é um mun
sas que passam e deixam de ser; e a terceira é precisamen te a filosofia, que trata de en
modalidades
para explicar
realidade do mundo.
a
do que existe desde sempre ou não, que vai acabar ou não. Há um jogo de posições entre o platonismo, o aristotelismo, o
estoicismo. E, como uma posi ção a mais, que aproveita o conceito de criação revelado no Gênesis, aparece o pensa mento de Filon. Mas a situação
tender es.3a genesis kai phthorá
(geração e corrupção, como diz Aristóteles), esse chegar a ser
e deixar de ser, o que se cha ma em
grego kinesls
("movi
mento” num sentido muito mais
nada e a criação não tem, pa
amplo que o nosso). As coisas são primeiro uma coisa e de pois outra. São pequenas e
ra ele, o relevo que poderia ter
crescem
tido e teve mais tarde- Aparece como um procedimento técnico
brancas
não está inteiramente condicio
de derivação do mundo, mais nada. Talvez porque não chega a pensar suficientemente na no
ção do nada. É o que fará pensamento mas em
o
cristão posterior,
conexão
idéias que não logo.
com
outras
aparecem
tão
Esta é a questão: o pensa mento grego se mobiliza ante a caducidade das coisas. É seu ponto de partida e seu motor. As coisas nascem e perecem, chegam a ser e deixam de ser, passam- Frente a essa caduci
dade das coisas, cabem três atitud-es: uma é a história, que
ou
diminuem.
e se tornam
São
negras.
São quentes e logo frias. Ou. simplesmente, passam daqui para acolá, movem-se, em sen tido moderno- Ou, finalmente, são e um dia deixam de ser, são geradas e depois perecem: o movimento substancial, para
Aristóteles, o mais importante de todos.
Assim,
a
realidade
está
ameaçada pela variação, a mu
dança, 0 movim-ento, o klnesis. E a filosofia pergunta: que são na verdade estas coisas
que
mudam, que não são sempre a mesma coisa, que não são per manentsmente? O que é aquilo que sempre é? O pensamento
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DIGESTO ECONÔMICO
grego busca o sempre, o que sempre é. O movimento é o que mina o ser, o que faz com que não
seja
um ser verdadeiro
que seria o ser permanente. Isto é perfeitamente claro
no pitagorismo, quando se dss cobre essa
estranha realidade
que são os objetos matemáti cos. Um cavalo, uma árvore ou uma pedra nascem e perecem,
não são duradouros, e não fale mos do homem- As gerações se sucedem como as folhas das árvores, diz Homero. Mas o
i3im
merecería
chamar-se
rea
lidade. É 0 que busca Parmênidc*s, 0 que se chama eón, ón. 0 ón de Parmênides é uma bo
la, e é sempre presente, tò aeí ón, 0 que sempre é. Todo o pen samento grego busca a realida de que sempre é: elementos, idéias platônicaG, essência aristotélica.
A filosofia grega só se en tende a partir da am-eaça do
movimento, da mudança
que
afeta a realidade das coisas que
são. Dessa situação pré-filosó-
fica, deissa impressão da cadu cidade, nasce- o pensamento esfera não são coisas, não são verdadeiras coisas separadas grego, que é uma busca do que é permanente, daquilo que ver (khoristá, dirá Aristóteles), mas dadeiramente é (tò óntos ón,
número três, o triângulo ou
.0
são sempre. Não se destrosm, não pasisam. O três é sempre o
três, o triângulo não deixa de ser triângulo, o cone é sempre um cone e a pirâmide não alte ra seu ser. O tempo nada pode contra el-es. Nesse sentido, tem uma forma superior de realida de; mas no último imstante essa realidade imperecível não che
ga a ser verdadeiramente rea lidade- Se houvesse algo que fosse verdadeira realidade se
parável, uma coisa, e ao m-s mo tempo fosse como o núme
ro, 0 triângulo, o poliedro, isto
na frase platônica)-
No cristianismo, tudo muda. O conceito de criação, se o en tendemos rigorosamente, não é uma maneira de produção do mundo. Se lemos o começo do Gên-s-sis: "No princípio criou Deus 0 céu e a terra” —
isto
papece, à primeira vista, uma teogonia, ou melhor, uma cos mogonia a mais: como se faz o mundo, se ordena e aparece. Mas no cristianismo há algo mais — ei3sa estranha idéia do nada. Não existe palavra grega
90
DIGESTO
para dizer
nada; diz-se
não-
ser (em forma mais fraca, mè ón, em forma mais forte, ouk ón). Mas no fundo trata-se dc não ser isto, não ser aquilo- O nada é algo maiis grave. A ne
gação de toda realidade, uma idéia que produz vertigem no grego. Que é isso de não haver
nada? A pergunta radical para 0 cristão seria — por que há algo em vez de não haver na da? As coisas não estão amea
çadas, não pelo “não ser”, mas pelo nada. Poderia não haver
nada. As coBas parecem sus pensas sobre o nada, sobre esse estranho mar do nada.
I
De onde vem isto? Não da
filosofia- É um conceito origi
ECONÔMICO
de criação? Isto é, para pensar filosoficamente? Uma coisa é sentir a "nihilidade” do real e
outra pensá-la a partir de pres supostos filosóficos. Compare mos a situação daquele que pensa que os deuses podem ma
nipular as homens, ainda que se trate de um Deus “primeiro
motor imóvel”, como o de Aris tóteles, com a daquele que se sente inteiramente nas mãos de
Deus, no sentido de que minha realidade, e
toda a realidade,
depende dele, e ao mesmo tem po não é emanação sua, não .se trata de sua realidade. É uma realidade distinta da de Deus, mas posta por ele na existência. Esta é a idéia radical da cria
nalmente religioso. A realidade está ameaçada pela "nihilida-
ção, que percorre longo cami nho até ser formulada e chegar
de” e não pela variação. Mas isto que dizer que está sustenta
a se converter em filosofia.
da por Deus. A radicalidade da situação pré-filosófica é incom paravelmente maior.
CRISTIANISMO
NÃO É UMA
Encontramos isto em Filon?
É duvidoso. Utiliza o conceito da criação que foi buscar nas
Creio que o cristianismo, desde o começo, vive esta idéia
Escrituras,
no Antigo Testamento; mas é suficiente? Não seriam necessários outros con-
da criação. Que a traduza
csitos complementares para poder pensar seriamente na idéia
uma multidão de experiências, e, sobretudo, uma superação
filosóficos
Precisará
dos conceitos de que se servem
p:ito do mundo, de Deus e de
os cristãos durante muito tem
si mesmo, que é judaica origi
po. É fato decisivo que as co munidades judaicas usem n gi‘ego em grande proporção. Por exemplo, a versão grega dos Setenta, que se lê na
em
é
outra
passar
por
nalmente
e cristã
desde
sua
conversão.
sem sido compostos, de início, em aramaico, não existe ne-
cliaque deverá percorrer um longo ca minho para tornar-se filosofia. S 0 que não se encontra ainda em Filon, a meu ver. Nele en contramos a idéia de criação, é claro, mas como uma espé cie de empréstimo de um con ceito procedente da revelação e que no fim seria reconciliâvel com a razão, com o pensa
nluim
neotestamentário
mento racional, posto que am
que não seja grego. Por conse guinte, para um conteúdo re ligioso, alheio à filosofia, .se
de origem divina, e portanto se
Biblia; é a que usa Filon, es critor grego, cuja obra está re
digida nessa
língua. E, espe
cialmente, os textos crist-ão-; originais, o Novo Testamento na íntegra, são gregos. AincUi que alguns dos escritos tives
texto
usam conceitos gregos, muitos dos quais
têm um significado
helêiiica.
Assim,
IDEOLOGIA
conceitos
91
(ou vários) dentro da filosofia
FILOSOFIA, NEM UMA
coisa-
DIGESTO ECONÔMICO
0
cristianismo
foi
pensado, pela primeira com conceitos gregos. E
vez, não
falemos da primeira teologia propriamente dita, que é a de .São Paulo, judeu helenizado que utiliza conceitos gregos para pensar certas vivências religio sas, uma maneira de se sentir
na realidade do munde, a res-
Isto é o que se pode mar de “pré-filosofia” e
bas, razão e revelação,
são
supõe que não haverá conflito, a menos que haja erros. Mas não deixa de ser um empréstimo que o Antigo Testamento faz à filosofia para elaborar
um. esquema conceptual de pro dução do mundo; isto é, a cria ção, o opificium mundf, segun do a tradução latina do título do livro de Filon.
Em Plotino, não há criação mas uma espécie de compro misso entre o pensamento he-
lênico e a revelação cristã pa ra pensar a produção do mun
do por Deus, sem criação, eli-
90
DIGESTO
para dizer
nada; diz-se
não-
ser (em forma mais fraca, mè ón, em forma mais forte, ouk ón). Mas no fundo trata-se dc não ser isto, não ser aquilo- O nada é algo maiis grave. A ne
gação de toda realidade, uma idéia que produz vertigem no grego. Que é isso de não haver
nada? A pergunta radical para 0 cristão seria — por que há algo em vez de não haver na da? As coisas não estão amea
çadas, não pelo “não ser”, mas pelo nada. Poderia não haver
nada. As coBas parecem sus pensas sobre o nada, sobre esse estranho mar do nada.
I
De onde vem isto? Não da
filosofia- É um conceito origi
ECONÔMICO
de criação? Isto é, para pensar filosoficamente? Uma coisa é sentir a "nihilidade” do real e
outra pensá-la a partir de pres supostos filosóficos. Compare mos a situação daquele que pensa que os deuses podem ma
nipular as homens, ainda que se trate de um Deus “primeiro
motor imóvel”, como o de Aris tóteles, com a daquele que se sente inteiramente nas mãos de
Deus, no sentido de que minha realidade, e
toda a realidade,
depende dele, e ao mesmo tem po não é emanação sua, não .se trata de sua realidade. É uma realidade distinta da de Deus, mas posta por ele na existência. Esta é a idéia radical da cria
nalmente religioso. A realidade está ameaçada pela "nihilida-
ção, que percorre longo cami nho até ser formulada e chegar
de” e não pela variação. Mas isto que dizer que está sustenta
a se converter em filosofia.
da por Deus. A radicalidade da situação pré-filosófica é incom paravelmente maior.
CRISTIANISMO
NÃO É UMA
Encontramos isto em Filon?
É duvidoso. Utiliza o conceito da criação que foi buscar nas
Creio que o cristianismo, desde o começo, vive esta idéia
Escrituras,
no Antigo Testamento; mas é suficiente? Não seriam necessários outros con-
da criação. Que a traduza
csitos complementares para poder pensar seriamente na idéia
uma multidão de experiências, e, sobretudo, uma superação
filosóficos
Precisará
dos conceitos de que se servem
p:ito do mundo, de Deus e de
os cristãos durante muito tem
si mesmo, que é judaica origi
po. É fato decisivo que as co munidades judaicas usem n gi‘ego em grande proporção. Por exemplo, a versão grega dos Setenta, que se lê na
em
é
outra
passar
por
nalmente
e cristã
desde
sua
conversão.
sem sido compostos, de início, em aramaico, não existe ne-
cliaque deverá percorrer um longo ca minho para tornar-se filosofia. S 0 que não se encontra ainda em Filon, a meu ver. Nele en contramos a idéia de criação, é claro, mas como uma espé cie de empréstimo de um con ceito procedente da revelação e que no fim seria reconciliâvel com a razão, com o pensa
nluim
neotestamentário
mento racional, posto que am
que não seja grego. Por conse guinte, para um conteúdo re ligioso, alheio à filosofia, .se
de origem divina, e portanto se
Biblia; é a que usa Filon, es critor grego, cuja obra está re
digida nessa
língua. E, espe
cialmente, os textos crist-ão-; originais, o Novo Testamento na íntegra, são gregos. AincUi que alguns dos escritos tives
texto
usam conceitos gregos, muitos dos quais
têm um significado
helêiiica.
Assim,
IDEOLOGIA
conceitos
91
(ou vários) dentro da filosofia
FILOSOFIA, NEM UMA
coisa-
DIGESTO ECONÔMICO
0
cristianismo
foi
pensado, pela primeira com conceitos gregos. E
vez, não
falemos da primeira teologia propriamente dita, que é a de .São Paulo, judeu helenizado que utiliza conceitos gregos para pensar certas vivências religio sas, uma maneira de se sentir
na realidade do munde, a res-
Isto é o que se pode mar de “pré-filosofia” e
bas, razão e revelação,
são
supõe que não haverá conflito, a menos que haja erros. Mas não deixa de ser um empréstimo que o Antigo Testamento faz à filosofia para elaborar
um. esquema conceptual de pro dução do mundo; isto é, a cria ção, o opificium mundf, segun do a tradução latina do título do livro de Filon.
Em Plotino, não há criação mas uma espécie de compro misso entre o pensamento he-
lênico e a revelação cristã pa ra pensar a produção do mun
do por Deus, sem criação, eli-
I
DIGESTO ECONÚMICO
92
minando justamente a criação e
0
nada mediante a idéia
de
emanação. Importa ver isto cla ramente se se deseja entender
que função desempenha o cris tianismo dentro do pensamento antigo.
Até aqui não há nada que
seja propriamente filosofia den tro do cristianismo. Buscam-sc de maneira trabalhosa e peno sa conceitos já que os gregua não se prestam para expres sar a maneira de ver a reali dade e 0 sentir-se dentro dela
que traz o cristianismo. Nos Atos dos Apóstolos conta-se a atitude de incredulidade e mal-
estar provocada pela prédica de São Paulo a gregos e roma nos, quando chega aos pontos especificamente cristãos. Há
17-32). E quando São Paulo ex
plica ao rei Agripa e a Festo que "o Messias haveria de pa decer, e sendo o primeii”o na ressurreição dos mortos, have ria de anunciar a luz ao povo
e aos gentios, defendendo-se ele desse modo, disse Festc em voz alta. Estás louco, Paulo. As muitas letras sorveram teu juí(Atos, 26-23-24). “Defenden do-se ele”, diz o texto. Reflete-
zo
expressão o enorme coloesforço necessário para
se
nessa
car-se nesta nova atitude, para
participar desses supostos que chamamos “pré-filosof:a”. O
cristianismo
deve
propa
gar-se e a predicação se diri ge em grande parte a pessoas
de língua grega e formação he lênica. Para
atingi-las,
para
por
tornar o cristianismo inteligí
que não se trata de conhecer
vel, não há mais remédio que
uma
curiosa
resistência,
uma nova doutrina — os gre
gos e especialmente nienses sempre foram muito curiosos — mas de mudar um pressuposto. Para os helênicos, os
ate>
0 cristianismo é uma loucura,
um absurdo, não tem sentido. Era Atenas “quando ouviram falar da ressurreição dos mor
tos, uns começaram a rir, ou tros
disseram:
sobre isto
te
escutaremos
outra vez'
(Atos,
formular o conteúdo da revelaçao cristã em termos helênicos,
que vêm carregados
de uma
tradição filosófica alheia. Mais ainda, os ataques intelectuais
DIGESTO ECONÔMICO
93
bastante desprezados, de
po
três ingredientes nos quais ain
bres, de escravos, nada
ele
da vivemos. Este breve texto do Novo Testamento é a certi dão de nascimento dessa reali
gante. Mas há um momento ca pital que me comove profunda mente: quando São Paulo vai ser açoitado, invoca sua condi ção de cidadão romano Podem cortar-lhe a cabeça — o que fizeram mais tarde — mas não
açoitá-lo. E há um momento de alarme do tribuno, quando o centurião lhe diz que Paulo é cidadão romano. “És tu roma
no? E ele respondeu, sim. Acrescentou o tribuno: adqui ri esta cidadania por grande soma. Paulo replicou: pois eu a tenho por nascimento” (Atos, 22-27-28). Neste momento, São Paulo está fundando o Ociden
te. Esse judeu fariseu, helenizado, que fala e escreve o gre go, que utiliza os conceitos do pensamento helênico para ex pressar a nova fé cristã, que è cidadão romano e invoca o di
reito romano, está juntando, pela primeira vez, na história, três coisas: a religião judaico-
ao cristianismo: os pagãos tO' mam várias posições frente ao cristianismo. A primeira é ig
cristã, 0 pensamento filosófico grego e o direito romano, a
norá-lo: é uma religião de gen
reito, 0 Império, já que recla ma para ser levado ante Cé
te baixa, sem importância al guma. Uma religião de judeus
mais ou menos helenizados mas
idéia do mando segundo o di
sar. Neste momento aparece no mando a convergência desses
dade histórica que conhecemos sob 0 nome de Ocidente, e São Paulo é o seu fundador.
Depois de desprezar e igno rar os cristãos, começa-se a temê-los e a odiá-los, a decapi tá-los, crucificá-los ou jogá-los às feras. E chega o momento em que os pagãos começam a
prestar-lhes maior atenção, a considerá-los intelectualmente. De início se escandalizam: o
que dizem esses loucos? Tuao isso é falso — 0 que não deixa de ser uma maneira de come
çar a tomá-los a sério.
Suce-
dem-se uma série de ataques intelectuais contra o cristianismo.
Alguns puramente difama-
tórios,
caluniosos,
burlescos, mais mobiliza o
Outros, mais meditados, sérios. E nele
se
pensamento grego, com os su
postos e os recursos dialéticos da
cultura
grega
e romana,
contra essa nova religião sem
prestígio que é o cristianismo. É preciso, então, responder. Responder na mesma língua, com os mesmos conceitos. É aqui que começa a elaboração
I
DIGESTO ECONÚMICO
92
minando justamente a criação e
0
nada mediante a idéia
de
emanação. Importa ver isto cla ramente se se deseja entender
que função desempenha o cris tianismo dentro do pensamento antigo.
Até aqui não há nada que
seja propriamente filosofia den tro do cristianismo. Buscam-sc de maneira trabalhosa e peno sa conceitos já que os gregua não se prestam para expres sar a maneira de ver a reali dade e 0 sentir-se dentro dela
que traz o cristianismo. Nos Atos dos Apóstolos conta-se a atitude de incredulidade e mal-
estar provocada pela prédica de São Paulo a gregos e roma nos, quando chega aos pontos especificamente cristãos. Há
17-32). E quando São Paulo ex
plica ao rei Agripa e a Festo que "o Messias haveria de pa decer, e sendo o primeii”o na ressurreição dos mortos, have ria de anunciar a luz ao povo
e aos gentios, defendendo-se ele desse modo, disse Festc em voz alta. Estás louco, Paulo. As muitas letras sorveram teu juí(Atos, 26-23-24). “Defenden do-se ele”, diz o texto. Reflete-
zo
expressão o enorme coloesforço necessário para
se
nessa
car-se nesta nova atitude, para
participar desses supostos que chamamos “pré-filosof:a”. O
cristianismo
deve
propa
gar-se e a predicação se diri ge em grande parte a pessoas
de língua grega e formação he lênica. Para
atingi-las,
para
por
tornar o cristianismo inteligí
que não se trata de conhecer
vel, não há mais remédio que
uma
curiosa
resistência,
uma nova doutrina — os gre
gos e especialmente nienses sempre foram muito curiosos — mas de mudar um pressuposto. Para os helênicos, os
ate>
0 cristianismo é uma loucura,
um absurdo, não tem sentido. Era Atenas “quando ouviram falar da ressurreição dos mor
tos, uns começaram a rir, ou tros
disseram:
sobre isto
te
escutaremos
outra vez'
(Atos,
formular o conteúdo da revelaçao cristã em termos helênicos,
que vêm carregados
de uma
tradição filosófica alheia. Mais ainda, os ataques intelectuais
DIGESTO ECONÔMICO
93
bastante desprezados, de
po
três ingredientes nos quais ain
bres, de escravos, nada
ele
da vivemos. Este breve texto do Novo Testamento é a certi dão de nascimento dessa reali
gante. Mas há um momento ca pital que me comove profunda mente: quando São Paulo vai ser açoitado, invoca sua condi ção de cidadão romano Podem cortar-lhe a cabeça — o que fizeram mais tarde — mas não
açoitá-lo. E há um momento de alarme do tribuno, quando o centurião lhe diz que Paulo é cidadão romano. “És tu roma
no? E ele respondeu, sim. Acrescentou o tribuno: adqui ri esta cidadania por grande soma. Paulo replicou: pois eu a tenho por nascimento” (Atos, 22-27-28). Neste momento, São Paulo está fundando o Ociden
te. Esse judeu fariseu, helenizado, que fala e escreve o gre go, que utiliza os conceitos do pensamento helênico para ex pressar a nova fé cristã, que è cidadão romano e invoca o di
reito romano, está juntando, pela primeira vez, na história, três coisas: a religião judaico-
ao cristianismo: os pagãos tO' mam várias posições frente ao cristianismo. A primeira é ig
cristã, 0 pensamento filosófico grego e o direito romano, a
norá-lo: é uma religião de gen
reito, 0 Império, já que recla ma para ser levado ante Cé
te baixa, sem importância al guma. Uma religião de judeus
mais ou menos helenizados mas
idéia do mando segundo o di
sar. Neste momento aparece no mando a convergência desses
dade histórica que conhecemos sob 0 nome de Ocidente, e São Paulo é o seu fundador.
Depois de desprezar e igno rar os cristãos, começa-se a temê-los e a odiá-los, a decapi tá-los, crucificá-los ou jogá-los às feras. E chega o momento em que os pagãos começam a
prestar-lhes maior atenção, a considerá-los intelectualmente. De início se escandalizam: o
que dizem esses loucos? Tuao isso é falso — 0 que não deixa de ser uma maneira de come
çar a tomá-los a sério.
Suce-
dem-se uma série de ataques intelectuais contra o cristianismo.
Alguns puramente difama-
tórios,
caluniosos,
burlescos, mais mobiliza o
Outros, mais meditados, sérios. E nele
se
pensamento grego, com os su
postos e os recursos dialéticos da
cultura
grega
e romana,
contra essa nova religião sem
prestígio que é o cristianismo. É preciso, então, responder. Responder na mesma língua, com os mesmos conceitos. É aqui que começa a elaboração
DIGESTO
94
intelectual do cristianismo, ao colocar-se no terreno do outro,
do grego e do romano, para responder na sua língua e com seus conceitos, aos ataques in telectuais.
Lembro-me
de
um
livro excelente que li, sobre is to, há cerca de meio século ('não sei se foi superado): “La reaction paienne”, de Pierre Labriolle, livro esplêndido de
claridade e precisão, que mo.»!t.ra muito bem como o cristia
nismo passa por funda trans formação para responder à rea ção pagã. As consequências íc> ram decisivas.
Acrescente-se — um pouco mais tarde — o problema das heresias. O cristianismo não é uma ideologia, é uma fé. uma
ECONÔMICO
que um dia serão as defiuiçõeü
dogmáticas, os dogmas. Deste complexo de ques tões nasce a teologia cristã,
nutrida de conceitos gregos, e secundariamente, romanos. É
ao cristianismo:
as definições,
conheceram
a fundo
mento da língua.
grega e a latina. Cada uma de las segue um caminho e logo temos duas formas de teologia, que são igualmente teologia
cia de textos ou o desconheci
Caso extraordinário foi
o
cristã, mas com dois repertó
de um autor, pouco lido em nossa época, porque nem se quer era possível obter suas
rios de
diferentes,
obras. Tive, há alguns anos, a
duas orientações, dois estilos de interpretação: a teologia dos padres gregos e a dos padres
sorte de conseguir um exem
conceitos
diciona consideravelmente ca da uma em suas formulações.
heterodoxias (a hétera dóxa, a “opinião outra”, ou tra que a opinião reta, que a ortodoxia, a orthè dóxa) obriga igualmente, a uma elaboração intelectual da revelação e con duz a algo originalmentealheio
ocidentais
A Igreja aparece, não dividida,
latino, que se tornará decisivo.
múltiplas, e há algumas erra das üu pelo menos discutíveib, que devem ser discutidas, for muladas, esclarecidas. A luta r» Q
desconhecimento que se tem da teologia grega, cujas ressonân cias foram incomparavelmente menores. Bem poucos teólogos
mas diferenciada em duas pO' bicões ou tendências: Igreja
ra vez, 0 elemento romano ou
latinos, cs da Igreja ocidental. E as duas línguas são usadas, 0 grego e o latim, o que con
contra
95
e em verdade o pensamento teo lógico dos padres gregos, que ficou relativamente marginali zado, por razões elementares, mas decisivas, como a ausên
aqui que aparece, pela primei
pístís, não uma formulação dog
mática. Mas as interpretações do conteúdo da revelação sac r■ ■
DIGESTO ECONÔMICO
a teologia latina teve muito maA impor-
Historicamente,
tância, e se tomamos em bloco 0 que se chama de “pensamen
plar dos “Dogmas Teológicos” de Petavio (Denis Petau), je suíta francês do século XVII, que passeava pela teologia gre ga com espantoso conhecimen
to. Nessa obra, a teologia dos padres gregos tem uma rele vância e importância que se en contra em raríssimos
autores.
É uma exceção com escassas consequências, até mesmo na tradição francesa. Isto faz com
to cristão” (sobretudo o teoló
QUG tenhamos uma visão defor
gico), o latim é muito mais copioso que o grego. Mas a dife
mada e parcial a favor da teo logia latina, enquanto a grega permanece na periferia, prati
rença é menor do que aparen
ta ser, e a razão disto está no
camente desconhecida.
Acrescente-se, ainda, o aparecimento, na Idade Média, de duas amplas formulações do pensamento filosófico com raiz
religiosa: a Escolástica judai ca e a muçulmana, ao lado da Escolástica cristã, evolução di reta do pensamento patrístico. A judaica parte exclusivamente do Antigo Testamento, a mu çulmana, do Corão e a cristã, do Antigo e do Novo Testamen to. Todas elas significam uma elaboração intelectual da reli gião, mas contêm uma essen cial ambigüidade: “escolásti¬ ca” é um adjetivo. Qual o subs
tantivo implícito? Filosofia, teologia? A rigor, nenhum dos dois, ou os dois se preferirmos, numa relação muito peculiar, que é justamente o primeiro problema da Escolástica. E de veriamos ainda perguntar: es sa relação entre teologia e fi losofia, é a mesma nas
três
Escolásticas? O que equivale a perguntar se as três têm o mes
mo
sentido,
e são,
portanto,
equiparáveis. Ê muito duvidoso.
Mas 0 que me parece im portante, e é onde queria che gar, é saber quanto tempo de mora para aparecer, dentro da
DIGESTO
94
intelectual do cristianismo, ao colocar-se no terreno do outro,
do grego e do romano, para responder na sua língua e com seus conceitos, aos ataques in telectuais.
Lembro-me
de
um
livro excelente que li, sobre is to, há cerca de meio século ('não sei se foi superado): “La reaction paienne”, de Pierre Labriolle, livro esplêndido de
claridade e precisão, que mo.»!t.ra muito bem como o cristia
nismo passa por funda trans formação para responder à rea ção pagã. As consequências íc> ram decisivas.
Acrescente-se — um pouco mais tarde — o problema das heresias. O cristianismo não é uma ideologia, é uma fé. uma
ECONÔMICO
que um dia serão as defiuiçõeü
dogmáticas, os dogmas. Deste complexo de ques tões nasce a teologia cristã,
nutrida de conceitos gregos, e secundariamente, romanos. É
ao cristianismo:
as definições,
conheceram
a fundo
mento da língua.
grega e a latina. Cada uma de las segue um caminho e logo temos duas formas de teologia, que são igualmente teologia
cia de textos ou o desconheci
Caso extraordinário foi
o
cristã, mas com dois repertó
de um autor, pouco lido em nossa época, porque nem se quer era possível obter suas
rios de
diferentes,
obras. Tive, há alguns anos, a
duas orientações, dois estilos de interpretação: a teologia dos padres gregos e a dos padres
sorte de conseguir um exem
conceitos
diciona consideravelmente ca da uma em suas formulações.
heterodoxias (a hétera dóxa, a “opinião outra”, ou tra que a opinião reta, que a ortodoxia, a orthè dóxa) obriga igualmente, a uma elaboração intelectual da revelação e con duz a algo originalmentealheio
ocidentais
A Igreja aparece, não dividida,
latino, que se tornará decisivo.
múltiplas, e há algumas erra das üu pelo menos discutíveib, que devem ser discutidas, for muladas, esclarecidas. A luta r» Q
desconhecimento que se tem da teologia grega, cujas ressonân cias foram incomparavelmente menores. Bem poucos teólogos
mas diferenciada em duas pO' bicões ou tendências: Igreja
ra vez, 0 elemento romano ou
latinos, cs da Igreja ocidental. E as duas línguas são usadas, 0 grego e o latim, o que con
contra
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e em verdade o pensamento teo lógico dos padres gregos, que ficou relativamente marginali zado, por razões elementares, mas decisivas, como a ausên
aqui que aparece, pela primei
pístís, não uma formulação dog
mática. Mas as interpretações do conteúdo da revelação sac r■ ■
DIGESTO ECONÔMICO
a teologia latina teve muito maA impor-
Historicamente,
tância, e se tomamos em bloco 0 que se chama de “pensamen
plar dos “Dogmas Teológicos” de Petavio (Denis Petau), je suíta francês do século XVII, que passeava pela teologia gre ga com espantoso conhecimen
to. Nessa obra, a teologia dos padres gregos tem uma rele vância e importância que se en contra em raríssimos
autores.
É uma exceção com escassas consequências, até mesmo na tradição francesa. Isto faz com
to cristão” (sobretudo o teoló
QUG tenhamos uma visão defor
gico), o latim é muito mais copioso que o grego. Mas a dife
mada e parcial a favor da teo logia latina, enquanto a grega permanece na periferia, prati
rença é menor do que aparen
ta ser, e a razão disto está no
camente desconhecida.
Acrescente-se, ainda, o aparecimento, na Idade Média, de duas amplas formulações do pensamento filosófico com raiz
religiosa: a Escolástica judai ca e a muçulmana, ao lado da Escolástica cristã, evolução di reta do pensamento patrístico. A judaica parte exclusivamente do Antigo Testamento, a mu çulmana, do Corão e a cristã, do Antigo e do Novo Testamen to. Todas elas significam uma elaboração intelectual da reli gião, mas contêm uma essen cial ambigüidade: “escolásti¬ ca” é um adjetivo. Qual o subs
tantivo implícito? Filosofia, teologia? A rigor, nenhum dos dois, ou os dois se preferirmos, numa relação muito peculiar, que é justamente o primeiro problema da Escolástica. E de veriamos ainda perguntar: es sa relação entre teologia e fi losofia, é a mesma nas
três
Escolásticas? O que equivale a perguntar se as três têm o mes
mo
sentido,
e são,
portanto,
equiparáveis. Ê muito duvidoso.
Mas 0 que me parece im portante, e é onde queria che gar, é saber quanto tempo de mora para aparecer, dentro da
DIGESTO
96
ECONÔMICO
filosofia, a interpretação cris tã da realidade. A elaboração dos dogmas, sua formulação, a refutação dos ataques pagãos, ou simplesmente a precisão do conteúdo da revelação median te conceitos helênicos, não é ainda filosofia, convém lem
maior plenitude e profundidade,
brar. Não é filosofia: não tem caráter estritamente racional,
e se procura um conhecimento
não tem função de justificação
te da fé. O que se procura é
racional da realidade, não ten
a inteligência, a intelecção — mas a fé aparece como motor.
ta compreendê-la numa pers pectiva filosófica. Trata-se de uma revelação que se deve compreender e que, portanto, requer uma elaboração intelec tual. Trata-se daquilo que se crê, e se pretende entender aquilo que se crê. Esta expli cação intelectual da crença não é filosofia.
;
por Santo Anselmo: Fídes quaerens intellectum, a fé que bus
mano, quando vislumbra em que consiste. O homem antigo não consegue compreender co mo se pode ser cristão. Con vém lembrar a impressão de absurdo que o cristianismo pro voca durante muito tempo. E depois? Acho que tampouco
filosófico ou teológico que par
Se agora nos colocamos nu
ma perspectiva filosófica, 0 conteúdo da fé, isto é, a situa apresenta ção do cristão, se
como uma pré-filosofia. A colo cação habitual da questão con siste em examinar as caracte
rísticas dessa filosofia “cristã” tal filosofia. Isto é, busa sua peculiaridade como
doutrina
Mas
SIGNIFICA PLENA
filosófica
REALIZAÇÃO DO
creio que há uma questão mais
será empregada depois,
entre
outras,
interessante e profunda: qual
é 0 verdadeiro conteúdo dessa
tro da filosofia é aquele expres so na fórmula agustiniana que com
Olhando as coisas mais de per
mula: Credo ut intelligam, creio para entender. Aqui aparece a necessidade estrita de entender,
forma particular de
0 momento em que a filo sofia aparece como tal dentro do cristianismo ou que o cris tianismo irrompe como tal den
tuação, ou condição, consiste simplesmente em ser cristão.
to, percebe-se que isto enlou
como
judaísmo
97
ca a inteligência. E, em íntima conexão com ela, a outra fór
car
O CRISTIANISMO
DIGESTO ECONÔMICO
situação; em que consiste pro
priamente a inovação cristã?
Originalmente, o cristão es tá numa situação estranha, di ferente das demais, e, seja qual for a situação histórico-social em que se encontre, essa si¬
quece 0 homem grego
ou ro
entendem muito mas se bam acostumando.
aca
Essa atitude, de certo mo
do, é compartilhada pelos cris tãos, que têm uma atitude de repulsa pelo mundo antigo, até mesmo de funda rejeição. Mas vêem, ao mesmo tempo, a cul tura clássica como algo admi rável, valioso, maravilhoso e, de certo modo, verdadeiro. Es tão divididos. Acontece que a verdade, ou as verdades do mundo pagão não contam, não são a verdade que importa. O PENSAMENTO GREGO BUSCA O SEMPRE,
O QUE SEMPRE É. Prescindamos do ponto de vista cristão e, ainda, do pon-
to de vista meramente humano
— se existe — e tratemos de considerar do ponto de vista intelectual greco-romano a ati tude de Püatos. Quando Jesus diz:
“Para isto
vim
ao
mun
do, para dar testemunho da verdade”, Püatos responde ce ticamente: “E o que é a ver dade?” e sai sem esperar a
resposta (João, 18: 37-38). Por que Cristo disse: “Eu sou o Ca minho, a Verdade e a Vida”. Que sentido pode ter para um homem da Grécia ou de Roma
que alguém diga — eu sou a verdade? Como se pode pensar que a resposta à pergunta —
0 que é a verdade? — seja: Eu? Que tem isto a ver com a Alétheia ou patencia, manifes tação, descobrimento, ou com a adaequatio intellectus et rei
de que falaria depois um escolástico? Compreende-se bem a perplexidade que perpassa toda a atitude de Püatos, tal como referem os Evangelhos: tropeça num outro mundo.
E os judeus também não entendem bem. A perplexidade atravessa os quatro relatos evangélicos. Devemos recordar a reação daqueles que estavam
mais próximos a Jesus,
seus
DIGESTO
96
ECONÔMICO
filosofia, a interpretação cris tã da realidade. A elaboração dos dogmas, sua formulação, a refutação dos ataques pagãos, ou simplesmente a precisão do conteúdo da revelação median te conceitos helênicos, não é ainda filosofia, convém lem
maior plenitude e profundidade,
brar. Não é filosofia: não tem caráter estritamente racional,
e se procura um conhecimento
não tem função de justificação
te da fé. O que se procura é
racional da realidade, não ten
a inteligência, a intelecção — mas a fé aparece como motor.
ta compreendê-la numa pers pectiva filosófica. Trata-se de uma revelação que se deve compreender e que, portanto, requer uma elaboração intelec tual. Trata-se daquilo que se crê, e se pretende entender aquilo que se crê. Esta expli cação intelectual da crença não é filosofia.
;
por Santo Anselmo: Fídes quaerens intellectum, a fé que bus
mano, quando vislumbra em que consiste. O homem antigo não consegue compreender co mo se pode ser cristão. Con vém lembrar a impressão de absurdo que o cristianismo pro voca durante muito tempo. E depois? Acho que tampouco
filosófico ou teológico que par
Se agora nos colocamos nu
ma perspectiva filosófica, 0 conteúdo da fé, isto é, a situa apresenta ção do cristão, se
como uma pré-filosofia. A colo cação habitual da questão con siste em examinar as caracte
rísticas dessa filosofia “cristã” tal filosofia. Isto é, busa sua peculiaridade como
doutrina
Mas
SIGNIFICA PLENA
filosófica
REALIZAÇÃO DO
creio que há uma questão mais
será empregada depois,
entre
outras,
interessante e profunda: qual
é 0 verdadeiro conteúdo dessa
tro da filosofia é aquele expres so na fórmula agustiniana que com
Olhando as coisas mais de per
mula: Credo ut intelligam, creio para entender. Aqui aparece a necessidade estrita de entender,
forma particular de
0 momento em que a filo sofia aparece como tal dentro do cristianismo ou que o cris tianismo irrompe como tal den
tuação, ou condição, consiste simplesmente em ser cristão.
to, percebe-se que isto enlou
como
judaísmo
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ca a inteligência. E, em íntima conexão com ela, a outra fór
car
O CRISTIANISMO
DIGESTO ECONÔMICO
situação; em que consiste pro
priamente a inovação cristã?
Originalmente, o cristão es tá numa situação estranha, di ferente das demais, e, seja qual for a situação histórico-social em que se encontre, essa si¬
quece 0 homem grego
ou ro
entendem muito mas se bam acostumando.
aca
Essa atitude, de certo mo
do, é compartilhada pelos cris tãos, que têm uma atitude de repulsa pelo mundo antigo, até mesmo de funda rejeição. Mas vêem, ao mesmo tempo, a cul tura clássica como algo admi rável, valioso, maravilhoso e, de certo modo, verdadeiro. Es tão divididos. Acontece que a verdade, ou as verdades do mundo pagão não contam, não são a verdade que importa. O PENSAMENTO GREGO BUSCA O SEMPRE,
O QUE SEMPRE É. Prescindamos do ponto de vista cristão e, ainda, do pon-
to de vista meramente humano
— se existe — e tratemos de considerar do ponto de vista intelectual greco-romano a ati tude de Püatos. Quando Jesus diz:
“Para isto
vim
ao
mun
do, para dar testemunho da verdade”, Püatos responde ce ticamente: “E o que é a ver dade?” e sai sem esperar a
resposta (João, 18: 37-38). Por que Cristo disse: “Eu sou o Ca minho, a Verdade e a Vida”. Que sentido pode ter para um homem da Grécia ou de Roma
que alguém diga — eu sou a verdade? Como se pode pensar que a resposta à pergunta —
0 que é a verdade? — seja: Eu? Que tem isto a ver com a Alétheia ou patencia, manifes tação, descobrimento, ou com a adaequatio intellectus et rei
de que falaria depois um escolástico? Compreende-se bem a perplexidade que perpassa toda a atitude de Püatos, tal como referem os Evangelhos: tropeça num outro mundo.
E os judeus também não entendem bem. A perplexidade atravessa os quatro relatos evangélicos. Devemos recordar a reação daqueles que estavam
mais próximos a Jesus,
seus
98
DIGESTO
discípulos inclusive. Por exem plo, depois que Cristo disse — eu sou 0 Caminho, a Verdade, a Vida — Felipe diz: “Senhor, mostra-nos o Pai e isso basta
rá”. E Jesus responde: “Feli pe, há tanto tempo estou convosco e ainda não
me conhe
ECONÔMICO
muito dizer. O cristianismo foi pensado filosoficamente?
Não sei se ficou claro para
emergindo, tão estranhos que o
de perplexidade dos discípulos,
pensamento helênico ou roma
nos quais germinará lentamen
no não sabem o que fazer de les. Por exemplo, diz-se de Deus, Abba, Pai. Esse conceito de Pai, essa filiação divina, é algo inteiramente novo. Não que Deus seja o Pai dos ho mens; de maneira abstrata e genérica, é que se diz “Pai Nosso”, isto é, de cada um de nós. Há um “eu” e um “nós” e um “tu” que é precisamente.
signado
carrega
o lastro de
uma longa e complexa elabo ração helênica e romana, que não chega a se abrir para o que é a atitude cristã propria mente dita. Supondo que se te nha chegado a isso, o que é
homens vão ressuscitar. “Pois se de Cristo se prega que res
Há realidades
mortais
e
caráter novo da “pré-filosofia” que significa a condição cris tã. É uma mudança radical de
Há um elemento
de
co.
mortais (broioí). Talvez algo do homem seja imortal, ou tal
conheceram.
durante séculos fòi assim
Mas a coisa é mais grave, porque São Paulo diz que os
realidades imortais. O.s deuses
instalação, uma maneira nova de estar na realidade, de sen
Pouco a pouco se produz uma mudança de instalação, o que chegará a ser, em certo momento, essa “pré-filosofia” que dará origem à chamada “filosofia cristã”. Mas é preci so ver até que ponto aquilo que
mas a de ressurreição? O con ceito de imortalidade é helêni-
onde vou e onde reside a ver dadeira dificuldade. Insisto no
ceis? O que me viu, a mim, viu a meu Pai. Como dizes ainda, mostra-nos o Pai?” (João, 14: 6-9). Estiveram comendo, be bendo, andando com ele pelos caminhos da Judéia, e não o
te a grande novidade, a imen sa novidade que estão vivendo.
99
DIGESTO ECONÔMICO
tir-se nela, de vivê-la: a reali dade do mundo, a própria, e, é claro, a de Deus. Então, uma série de conceitos novos
Deus.
vão
É 0 outro lado da idéia
cristã da criação: o nada não basta, 0 reverso é a paterni dade divina e, portanto, a fi liação.
E 0 que ocorre quando se in troduz no pensamento antigo, não
a idéia
de imortalidade.
sao
imortais e os homens são
suscitou dos mortos, como
vez alguns homens, ou todos os
há ressurreição
homens possam
ser imortais.
di
zem alguns de vós que não há ressurreição dos mortos? Se não dos
mortos,
to grego, que o deseja em cer
tampouco Cristo ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, vã é nossa predicação, vã é nossa
tas ocasiões, e se atreve a ima-
fé. Seremos falsos testemunhos
giná-lo como um “bonito risco” (kalòs gàr ho kindynos, diz Pla
de Deus, porque contra Deus testemunhamos que ressuscitou
tão). Mas o cristianismo não fala de imortalidade, fala de
tou, posto que
ressurreição dos mortos. Isto é
ressuscitam. Porque se os mor
Isto não repugna ao pensamen
outra coisa.
O que vem a ser a ressur
reição dos mortos? Os cristãos adoram um homem morto, exe
cutado na cruz,
e dizem que
está vivo. Que quer dizer isto? Que fazer desta noção com o repertório, o arsenal de concei tos gregos ou romanos? Com
respeito a Cristo, a idéia poderia ser traduzida em termos he-
a Cristo, a quem não ressusci os mortos
não
tos não ressuscitam nem Cristo
ressuscitou, vã é nossa fé, e es
tais ainda em pecado. E até os morreram em Cristo pere-
que
ceram. Se olhando apenas esta vida temos a esperança posta
em Cristo, somos os mais mi
seráveis de todos os homens”
(Corintos I, 15:1-19). Podia isto caber na cabeça
de gregos e romanos? E até que ponto na de muitos judeus
iênicos: um grego pensaria que um deus tomou forma humana e, como em última análise, é Mas imortal, reaparece vivo. não se trata disso. Cristo não tomou forma humana mas fez-
— dos saduceus, por exemplo? E os cristãos dè tantas épocas, como a nossa por exemplo? Que ressonância viva despertam es ses textos na maioria dos que
se homem, carne. Morreu
hoje se consideram cristãos, in
verdade, e ressuscitou.
de
clusive entre os que ensinam,
98
DIGESTO
discípulos inclusive. Por exem plo, depois que Cristo disse — eu sou 0 Caminho, a Verdade, a Vida — Felipe diz: “Senhor, mostra-nos o Pai e isso basta
rá”. E Jesus responde: “Feli pe, há tanto tempo estou convosco e ainda não
me conhe
ECONÔMICO
muito dizer. O cristianismo foi pensado filosoficamente?
Não sei se ficou claro para
emergindo, tão estranhos que o
de perplexidade dos discípulos,
pensamento helênico ou roma
nos quais germinará lentamen
no não sabem o que fazer de les. Por exemplo, diz-se de Deus, Abba, Pai. Esse conceito de Pai, essa filiação divina, é algo inteiramente novo. Não que Deus seja o Pai dos ho mens; de maneira abstrata e genérica, é que se diz “Pai Nosso”, isto é, de cada um de nós. Há um “eu” e um “nós” e um “tu” que é precisamente.
signado
carrega
o lastro de
uma longa e complexa elabo ração helênica e romana, que não chega a se abrir para o que é a atitude cristã propria mente dita. Supondo que se te nha chegado a isso, o que é
homens vão ressuscitar. “Pois se de Cristo se prega que res
Há realidades
mortais
e
caráter novo da “pré-filosofia” que significa a condição cris tã. É uma mudança radical de
Há um elemento
de
co.
mortais (broioí). Talvez algo do homem seja imortal, ou tal
conheceram.
durante séculos fòi assim
Mas a coisa é mais grave, porque São Paulo diz que os
realidades imortais. O.s deuses
instalação, uma maneira nova de estar na realidade, de sen
Pouco a pouco se produz uma mudança de instalação, o que chegará a ser, em certo momento, essa “pré-filosofia” que dará origem à chamada “filosofia cristã”. Mas é preci so ver até que ponto aquilo que
mas a de ressurreição? O con ceito de imortalidade é helêni-
onde vou e onde reside a ver dadeira dificuldade. Insisto no
ceis? O que me viu, a mim, viu a meu Pai. Como dizes ainda, mostra-nos o Pai?” (João, 14: 6-9). Estiveram comendo, be bendo, andando com ele pelos caminhos da Judéia, e não o
te a grande novidade, a imen sa novidade que estão vivendo.
99
DIGESTO ECONÔMICO
tir-se nela, de vivê-la: a reali dade do mundo, a própria, e, é claro, a de Deus. Então, uma série de conceitos novos
Deus.
vão
É 0 outro lado da idéia
cristã da criação: o nada não basta, 0 reverso é a paterni dade divina e, portanto, a fi liação.
E 0 que ocorre quando se in troduz no pensamento antigo, não
a idéia
de imortalidade.
sao
imortais e os homens são
suscitou dos mortos, como
vez alguns homens, ou todos os
há ressurreição
homens possam
ser imortais.
di
zem alguns de vós que não há ressurreição dos mortos? Se não dos
mortos,
to grego, que o deseja em cer
tampouco Cristo ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, vã é nossa predicação, vã é nossa
tas ocasiões, e se atreve a ima-
fé. Seremos falsos testemunhos
giná-lo como um “bonito risco” (kalòs gàr ho kindynos, diz Pla
de Deus, porque contra Deus testemunhamos que ressuscitou
tão). Mas o cristianismo não fala de imortalidade, fala de
tou, posto que
ressurreição dos mortos. Isto é
ressuscitam. Porque se os mor
Isto não repugna ao pensamen
outra coisa.
O que vem a ser a ressur
reição dos mortos? Os cristãos adoram um homem morto, exe
cutado na cruz,
e dizem que
está vivo. Que quer dizer isto? Que fazer desta noção com o repertório, o arsenal de concei tos gregos ou romanos? Com
respeito a Cristo, a idéia poderia ser traduzida em termos he-
a Cristo, a quem não ressusci os mortos
não
tos não ressuscitam nem Cristo
ressuscitou, vã é nossa fé, e es
tais ainda em pecado. E até os morreram em Cristo pere-
que
ceram. Se olhando apenas esta vida temos a esperança posta
em Cristo, somos os mais mi
seráveis de todos os homens”
(Corintos I, 15:1-19). Podia isto caber na cabeça
de gregos e romanos? E até que ponto na de muitos judeus
iênicos: um grego pensaria que um deus tomou forma humana e, como em última análise, é Mas imortal, reaparece vivo. não se trata disso. Cristo não tomou forma humana mas fez-
— dos saduceus, por exemplo? E os cristãos dè tantas épocas, como a nossa por exemplo? Que ressonância viva despertam es ses textos na maioria dos que
se homem, carne. Morreu
hoje se consideram cristãos, in
verdade, e ressuscitou.
de
clusive entre os que ensinam,
101
DIGESTO ECONÔMICO DIGESTO
100
ou devem ensinar, a substancia do
cristianismo?
A inovação
cristã
parece
mais inaudita ainda, mais
in
compreensível, quando os olhos se voltam para Deus. Quando se pergunta
quem é Deus —
não se responde que 6 o pri meiro motor imóvel, ou algo parecido, diz-se que é amor. Que quer dizer isto? Não que o Amor seja um deus: isto um
grego poderia entender, e teria
ECONÔMICO
que não houve. E é este o pon O to a que desejava chegar, cristianismo não provoca uma explosão na filosofia antiga, porque não entra, porque é coi sa sem importância, que afeta apenas a totalidade da instala ção filosófica, porque germina lentamente, porque se consti tui muito devagar em pensa mento, em algo que possa che
defender
o cristianismo
dos
ataques, formular dogmas e es clarecer os pontos discutidos, elaboram-se fragmentos de dou trina, ligados ao cristianismo, e que, em algum momento, se incorporam a um corpo de dou trina filosófica que se poderá chamar cristã. Mas
tudo
isso
que a história da filosofia in vestiga e recolhe, podemos di zer que é filosofia? Pretendese que seja? É duvidoso.
gar a ser filosofia. Porque du
Não houve um "filosofo cris
como tal, no Ocidente — nasce quando se supera a atitude que espera a revelação, a que con
fia, por exemplo, no oráculo ou na moira, que se manifesta
quando quer, e se possui, em troca, um método, ou caminho,
que está nas mãos do homem, pelo qual se pode ir até a rea lidade latente, partindo da rea lidade manifesta ou
patente,
para descobri-la e desvendá-la, no sentido de despojá-la dos véus que a ocultam, como as filhas do Sol (Helládes koúrai) no poema de Parmênides.
médio” (metaxy) entre o ho mem e 0 deus, porque busca al
rante muito tempo continua a ser apenas uma “pré-filosofia”. que levará séculos para ser aborvida por uma filosofia — se é que isso já aconteceu. Es sa instalação vital que é a con
tão”, em sentido estrito, antes de Santo Agostinho. Ê interes sante ver 0 que faz o cristia nismo a respeito da situação
filosófica. Ou seja, precisar o
de vista do homem, a revela
go que lhe falta, a beleza, con-
dição cristã permanecerá, du
tro da área do
ção é passiva: a realidade, se ja ela qual for, se revela se
achado um nome próprio: Efos.
Platão dirá que não é propria mente um deus mas um “inter
cretamente. Se fosse deus,
a
teria e não lhe faria falta. Se carecesse totalmente dela, não sentiría sua falta, não estaria
privado dela, nem a buscaria. O cristianismo não diz na da disso. Não há um deus que é 0 Amor. Deus é amor. A rea lidade de Deus consiste em amor. Imagine-se o imenso cho que que isto representa para a mente antiga. Nem sequer entende do que se trata. Esta é a maneira pela qual 0 cristianismo irrompe no pen samento antigo.
Mas deveria
ter significado uma explosão.
rante séculos, sob o imenso pe so de toda a tradição intelec tual, conceptual, do mundo an tigo. E quando parece que vai livrar-se dela, talvez caiam so bre esse germe outras pressões, que se não têm tanta densida de intelectual, apresentam maior força social. É ainda uma incógnita a possível ino vação filosófica do cristianismo. A história da filosofia pode
que significa fazer hlosofia den
cristianismo,
quando quem filosofa é um cris tão. Algo bem diferente do fi
losofar de um pagão, grego ou romano helenizado — como são todos os filósofos de Roma ■—
inclusive de um judeu heleniza do, como Filon. A filosofia propõe-se chegar a
uma certeza radical sobre a
realidade radical, faça-se o que se
faça, qualquer que seja
o
método, quaisquer que sejam
Esta é a diferença entre re
velação e desvelação. Do ponto
quer
e
quando quer. Ao con-
trário, a desvelação, o tirar o com que a realivéu, o fazer -dade latente se torne patente,
se manifeste, é algo que o homem
executa: é uma ação hu-
mana. Por isso, é de certo mo do, suspeita de impiedade, A realidade é sacra e o homem tem a audácia de tocá-la com
as mãos para tirar-lhe os véus. Recordava, às vezes, meio a
sério,
aquela
passagem
de
e deve rastrear elementos fi losóficos na obra dos apologis
horizonte. O pensamento firosó-
“Dom Juan Tenorio” na qual
tas, dos padres da Igreja gre
fico grego — isto é, a filosofia
Dom Juan tira violentam«ite a
ga ou latina, nas discussões teológicas dos concüios. Para
os
temas que se apresentem no
101
DIGESTO ECONÔMICO DIGESTO
100
ou devem ensinar, a substancia do
cristianismo?
A inovação
cristã
parece
mais inaudita ainda, mais
in
compreensível, quando os olhos se voltam para Deus. Quando se pergunta
quem é Deus —
não se responde que 6 o pri meiro motor imóvel, ou algo parecido, diz-se que é amor. Que quer dizer isto? Não que o Amor seja um deus: isto um
grego poderia entender, e teria
ECONÔMICO
que não houve. E é este o pon O to a que desejava chegar, cristianismo não provoca uma explosão na filosofia antiga, porque não entra, porque é coi sa sem importância, que afeta apenas a totalidade da instala ção filosófica, porque germina lentamente, porque se consti tui muito devagar em pensa mento, em algo que possa che
defender
o cristianismo
dos
ataques, formular dogmas e es clarecer os pontos discutidos, elaboram-se fragmentos de dou trina, ligados ao cristianismo, e que, em algum momento, se incorporam a um corpo de dou trina filosófica que se poderá chamar cristã. Mas
tudo
isso
que a história da filosofia in vestiga e recolhe, podemos di zer que é filosofia? Pretendese que seja? É duvidoso.
gar a ser filosofia. Porque du
Não houve um "filosofo cris
como tal, no Ocidente — nasce quando se supera a atitude que espera a revelação, a que con
fia, por exemplo, no oráculo ou na moira, que se manifesta
quando quer, e se possui, em troca, um método, ou caminho,
que está nas mãos do homem, pelo qual se pode ir até a rea lidade latente, partindo da rea lidade manifesta ou
patente,
para descobri-la e desvendá-la, no sentido de despojá-la dos véus que a ocultam, como as filhas do Sol (Helládes koúrai) no poema de Parmênides.
médio” (metaxy) entre o ho mem e 0 deus, porque busca al
rante muito tempo continua a ser apenas uma “pré-filosofia”. que levará séculos para ser aborvida por uma filosofia — se é que isso já aconteceu. Es sa instalação vital que é a con
tão”, em sentido estrito, antes de Santo Agostinho. Ê interes sante ver 0 que faz o cristia nismo a respeito da situação
filosófica. Ou seja, precisar o
de vista do homem, a revela
go que lhe falta, a beleza, con-
dição cristã permanecerá, du
tro da área do
ção é passiva: a realidade, se ja ela qual for, se revela se
achado um nome próprio: Efos.
Platão dirá que não é propria mente um deus mas um “inter
cretamente. Se fosse deus,
a
teria e não lhe faria falta. Se carecesse totalmente dela, não sentiría sua falta, não estaria
privado dela, nem a buscaria. O cristianismo não diz na da disso. Não há um deus que é 0 Amor. Deus é amor. A rea lidade de Deus consiste em amor. Imagine-se o imenso cho que que isto representa para a mente antiga. Nem sequer entende do que se trata. Esta é a maneira pela qual 0 cristianismo irrompe no pen samento antigo.
Mas deveria
ter significado uma explosão.
rante séculos, sob o imenso pe so de toda a tradição intelec tual, conceptual, do mundo an tigo. E quando parece que vai livrar-se dela, talvez caiam so bre esse germe outras pressões, que se não têm tanta densida de intelectual, apresentam maior força social. É ainda uma incógnita a possível ino vação filosófica do cristianismo. A história da filosofia pode
que significa fazer hlosofia den
cristianismo,
quando quem filosofa é um cris tão. Algo bem diferente do fi
losofar de um pagão, grego ou romano helenizado — como são todos os filósofos de Roma ■—
inclusive de um judeu heleniza do, como Filon. A filosofia propõe-se chegar a
uma certeza radical sobre a
realidade radical, faça-se o que se
faça, qualquer que seja
o
método, quaisquer que sejam
Esta é a diferença entre re
velação e desvelação. Do ponto
quer
e
quando quer. Ao con-
trário, a desvelação, o tirar o com que a realivéu, o fazer -dade latente se torne patente,
se manifeste, é algo que o homem
executa: é uma ação hu-
mana. Por isso, é de certo mo do, suspeita de impiedade, A realidade é sacra e o homem tem a audácia de tocá-la com
as mãos para tirar-lhe os véus. Recordava, às vezes, meio a
sério,
aquela
passagem
de
e deve rastrear elementos fi losóficos na obra dos apologis
horizonte. O pensamento firosó-
“Dom Juan Tenorio” na qual
tas, dos padres da Igreja gre
fico grego — isto é, a filosofia
Dom Juan tira violentam«ite a
ga ou latina, nas discussões teológicas dos concüios. Para
os
temas que se apresentem no
102
DIGESTO
máscara de seu pai, que che gara fantasiado à “Hosteria dei
Laurel”, e Dom Diego exclama;
“Vilão, puseste no meu rosto a tua mão”. E Dom Juan res
ponde; pai”.
“Valha-me Cristo,
meu
os homens tendem por natureza a saber”. E sinal disso, acres centa, é 0 prazer que obtêm pelas sensações, pela percep ção e especialmente pela visão, porque a vista descobre muitas diferenças.
Esta é a situação. O filóso
fo é 0 homem audaz, talvez ir reverente, possivelmente ímpio, que vai pôr as mãos sobre á realidade
ECONÔMICO
e
descobri-la.
Tenta
ver 0 que é que é verdadeira mente, 0 que se manifesta,
aquilo sobre o que se opina, a dóxa, Busca o que poderá tor nar-se patente, o que verdadei ramente é. Isto ocorre em Par-
em Heráclito, em I mênides, Anaxágoras, em Platão em
Aristóteles, de diversas manei ras: é 0 grande pressuposto do pensamento
grego.
Por outro lado, o que leva 0 homem a perguntar, a conhe cer? O movimento. O fato de que as coisas mudam, mudam
Vejamos agora a situação
do cristão como tal, que está enraizada na situação vital de terminada por sua condição cristã. As diferenças são mui tas e decisivas. Para um cris tão já não se trata de realida
des manifestas, aparentes, e outra mais profunda, latente, que verdadeiramente é e pode explicar essas aparências. Não, a coisa é incomparavelmente mais profunda e radical. Tudo 0 que o grego chama de reali dade, absolutamente tudo, é uma realidade
secundária.
O
mundo, com tudo o que encer ra,
é uma realidade secundá
ria, derivada, recebida: realidade
uma
criada.
de modo de ser, chegam a ser ou deixam de ser. A variação introduz a insegurança e buscase aquilo que é sempre. Há, ainda, um elemento capital: a fruição do saber, a curiosida de. Aristóteles começa sua
CONCEITO RELIGIOSO:
“Metafísica” dizendo — “Todos
to grego, por influência de Fi-
NO CRISTIANISMO, A BASE DE UM TUDO MUDA.
Vimos
como no pensamen
103
DIGESTO ECONÔMICO
criador de Deus, e se refere a
lon e Plotino, aparece o tema da produção do mundo, incluí do 0 conceito de criação. Mas trata-se, em definitivo, de uma
Ele, intrinsecamente. Para quem está, verdadei ramente, dentro do cristianis
cosmogonia,
mo
muito unida
às
— não se trata
de combi
nar a revelação cristã com o pensamento helênico —, a rea
teogonias, e resta a questão de como foi feito o mundo. A pa lavra polein^ empregada pela versão grega dos Setenta, é fa
do com tudo o que compreen
zer, e primariamente, fabricar, produzir. Quem faz uma mesa
de, mas Deus: esse Deus cria dor, que colocou o mundo em
lidade verdadeira não é o mun
ou um par de sapatos, ou um
existência e lhe deu sua reali
poema — poíema — exerce es sa ação de poiein. Assim, se
dade. A pergunta do grego se dirige à realidade que aí es tá, a realidade visível e aqui lo em que, de maneira latente,
não colocamos sobre esse con
ceito toda a teologia posterior,
não se trata, no pensamento grego, da questão de como Deus fez o mundo. Somente o
acréscimo
da
expressão
“do
nada” à ação criadora, no tex to
do
livro
II
dos
Macabeus
(puramente religioso, como já disse, e firmemente ligado à esperança da ressurreição), lhe dá um sentido radicalmente di
ferente. Ao afirmar que Deus fez o mundo do nada, quer-se dizer que coloca o mundo em existência, como algo real, distinto dele, mas com uma realidade que é dada, que é
doação de Deus. A realidade do mundo — e, é claro, a do homem
— resulta de um
ato
consiste.
O cristão
transfere
para o Deus criador, do qual depende sua própria realidade, tudo 0 que se vê ou não se vê, toda a realidade criada.
A filosofia, a metafísica em sentido rigoroso, é uma busca da certeza radical sobre a rea lidade radical (a definição é
de Ortega, mas podemos apli cá-la a este pensamento ou
a
qualquer outro, já que é uma definição circunstancial). As sim sendo, o tema primário da
filosofia, a realidade da qual 0 cristão tem que dar razão, não é tanto o mundo, como Deus.
distinto
do
mundo, no sentido do que
Um
Deus
se
102
DIGESTO
máscara de seu pai, que che gara fantasiado à “Hosteria dei
Laurel”, e Dom Diego exclama;
“Vilão, puseste no meu rosto a tua mão”. E Dom Juan res
ponde; pai”.
“Valha-me Cristo,
meu
os homens tendem por natureza a saber”. E sinal disso, acres centa, é 0 prazer que obtêm pelas sensações, pela percep ção e especialmente pela visão, porque a vista descobre muitas diferenças.
Esta é a situação. O filóso
fo é 0 homem audaz, talvez ir reverente, possivelmente ímpio, que vai pôr as mãos sobre á realidade
ECONÔMICO
e
descobri-la.
Tenta
ver 0 que é que é verdadeira mente, 0 que se manifesta,
aquilo sobre o que se opina, a dóxa, Busca o que poderá tor nar-se patente, o que verdadei ramente é. Isto ocorre em Par-
em Heráclito, em I mênides, Anaxágoras, em Platão em
Aristóteles, de diversas manei ras: é 0 grande pressuposto do pensamento
grego.
Por outro lado, o que leva 0 homem a perguntar, a conhe cer? O movimento. O fato de que as coisas mudam, mudam
Vejamos agora a situação
do cristão como tal, que está enraizada na situação vital de terminada por sua condição cristã. As diferenças são mui tas e decisivas. Para um cris tão já não se trata de realida
des manifestas, aparentes, e outra mais profunda, latente, que verdadeiramente é e pode explicar essas aparências. Não, a coisa é incomparavelmente mais profunda e radical. Tudo 0 que o grego chama de reali dade, absolutamente tudo, é uma realidade
secundária.
O
mundo, com tudo o que encer ra,
é uma realidade secundá
ria, derivada, recebida: realidade
uma
criada.
de modo de ser, chegam a ser ou deixam de ser. A variação introduz a insegurança e buscase aquilo que é sempre. Há, ainda, um elemento capital: a fruição do saber, a curiosida de. Aristóteles começa sua
CONCEITO RELIGIOSO:
“Metafísica” dizendo — “Todos
to grego, por influência de Fi-
NO CRISTIANISMO, A BASE DE UM TUDO MUDA.
Vimos
como no pensamen
103
DIGESTO ECONÔMICO
criador de Deus, e se refere a
lon e Plotino, aparece o tema da produção do mundo, incluí do 0 conceito de criação. Mas trata-se, em definitivo, de uma
Ele, intrinsecamente. Para quem está, verdadei ramente, dentro do cristianis
cosmogonia,
mo
muito unida
às
— não se trata
de combi
nar a revelação cristã com o pensamento helênico —, a rea
teogonias, e resta a questão de como foi feito o mundo. A pa lavra polein^ empregada pela versão grega dos Setenta, é fa
do com tudo o que compreen
zer, e primariamente, fabricar, produzir. Quem faz uma mesa
de, mas Deus: esse Deus cria dor, que colocou o mundo em
lidade verdadeira não é o mun
ou um par de sapatos, ou um
existência e lhe deu sua reali
poema — poíema — exerce es sa ação de poiein. Assim, se
dade. A pergunta do grego se dirige à realidade que aí es tá, a realidade visível e aqui lo em que, de maneira latente,
não colocamos sobre esse con
ceito toda a teologia posterior,
não se trata, no pensamento grego, da questão de como Deus fez o mundo. Somente o
acréscimo
da
expressão
“do
nada” à ação criadora, no tex to
do
livro
II
dos
Macabeus
(puramente religioso, como já disse, e firmemente ligado à esperança da ressurreição), lhe dá um sentido radicalmente di
ferente. Ao afirmar que Deus fez o mundo do nada, quer-se dizer que coloca o mundo em existência, como algo real, distinto dele, mas com uma realidade que é dada, que é
doação de Deus. A realidade do mundo — e, é claro, a do homem
— resulta de um
ato
consiste.
O cristão
transfere
para o Deus criador, do qual depende sua própria realidade, tudo 0 que se vê ou não se vê, toda a realidade criada.
A filosofia, a metafísica em sentido rigoroso, é uma busca da certeza radical sobre a rea lidade radical (a definição é
de Ortega, mas podemos apli cá-la a este pensamento ou
a
qualquer outro, já que é uma definição circunstancial). As sim sendo, o tema primário da
filosofia, a realidade da qual 0 cristão tem que dar razão, não é tanto o mundo, como Deus.
distinto
do
mundo, no sentido do que
Um
Deus
se
I
DIGESTO
104
chamará mais
cendência,
tarde de trans
um Deus
criador,
que tem, portanto, um modo de ser totalmente distinto do modo de ser do mundo: o ser do
mundo é criado, o de Deus, criador, é definido por atribu tos inteiramente distintos e, de certo modo, contrapostos.
nalmente se prios do ser.
Há,
ECONÔMICO
consideram pró
pois, um grau muito
mais profundo de analogia — se é que podemos continuar falando de analogia — entre Deus criador e mundo criado.
Se podemos aplicar a palavra ser a Deus e ao mundo, deve
mos descobrir um problemáti
Quando Aristóteles formu lou a teoria da analogia do en te, — “o ente se diz de muitas maneiras” (as quatro funda mentais e as dez categorias), afirma que há um análogo principal, um sentido primário do ser, que é precisamente a
co princípio de analogia.
substância, o ousia. Tudo o que
helênica e a pergunta radical se dirige a uma realidade, la tente, evidentemente, mas que
se pode dizer do ser ou é subs tância ou se refere de uma maneira ou outra à substância. Mas a totalidade do ente aris-
totélico é uma forma particu
lar de ser, o ser criado, fren te ao modo de ser radicalmen
te distinto, que é o ser criador. Se considerarmos o mundo a partir deste ponto de vista
(com 0 homem e tudo o que encerra),
aparece
como cria
tura, isto é, como uma reali dade dependente de outra, la boriosa, insuficiente, desprovi da dos atributos que tradicio-
Como se vê, quando se for mula uma questão verdadeira mente filosófica dentro do cris
tianismo (e não dentro do pen samento grego por um filósofo que pessoalmente é cristão) se transcende a toda colocação
tem
um
sentido
muito
mais
fundo que o da lactêncla com respeito à potência. E se des sa realidade se predica a pa
lavra ser, é num sentido intei ramente diverso, já que um é criador e o outro, criado. Um é ser dado, recebido, e o outro
é “dador”, que dá o outro ser, que põe em realidade a outras realidades. Esta é uma mudan
105
DIGESTO ECONÔMICO
O que quer dizer o que os gregos chamam de ontologia? Ontologia é o conhecimento do ente. Sim, mas agora a pala vra ente torna-se problemáti ca e duvidosa. Quando Aristó teles diz que a filosofia pri meira (próte phllosophia) é theologla, conhecimento do théos, evidentemente o théos de Aristóteles está dentro do sistema do mundo, não é um deus transcendente, menos ainda criador, é o primeiro mo tor imóvel, um Deus cósmico.
É ato, enérgela, atividade pu ra: as condições absolutas do
ente, é imóvel, não está sujei to à variação, tem os atribu tos plenos do verdadeiro ón, do ente que é realmente.
pensar essa realidade do
ser
criador, de Deus criador. E é tão radical que o que primeiro se deve investigar é se pode mos falar de ser, se essa no ção é adequada e suficiente. O cristianismo supõe
uma
descida ao subsolo da filosofia
grega. Mas não é só isto. Se nos detivermos na motivação do filósofo, naquilo que preci sa saber e que o leva a filoso
far, as diferenças são profun das. O pensamento grego nas
ce, como disse, porque as coi sas passam, variam, chegam a ser e deixam de ser, são ca ducas. Trata-se de buscar algo
que seja duradouro, permanen
te, para sempre. O pensamen Deus
to começa na Grécia como uma
ele é o criador de tu
significa descer
physlologia^ um conhecimento das coisas naturais, Há um
a um nível mais profundo, co
momento em que aparecem as
Mas cristão:
este
do isso. Isto
não
é
o
locar a questão a nível filosó fico, que é 0 de toda a filoso
fia grega. Isto não quer dizer que a potência intelectual dos filósofos cristãos seja maior que a dos gregos, mas que seu problema é mais fundo e radi
ça radical, que afeta o senti
cal.
Toda filosofia helênica é
do da pergunta filosófica e o próprio sentido do ser.
questão última é precisamente
assim,
penúltima,
porque
a
coisas
da cidade, as humanas
(desde os sofistas e Sócrates,
e cada vez mais nas filosofias
pós-aristotélicas). Do ponto de vista cristão, a
coisa é com
pletamente diferente, recorde-
mos o que Santo Agostinho quer
conhecer: "Deum et anima sci-
re cupio. Nihilne plus?
omnimo".
Quero
Níhil
conhecer
a
I
DIGESTO
104
chamará mais
cendência,
tarde de trans
um Deus
criador,
que tem, portanto, um modo de ser totalmente distinto do modo de ser do mundo: o ser do
mundo é criado, o de Deus, criador, é definido por atribu tos inteiramente distintos e, de certo modo, contrapostos.
nalmente se prios do ser.
Há,
ECONÔMICO
consideram pró
pois, um grau muito
mais profundo de analogia — se é que podemos continuar falando de analogia — entre Deus criador e mundo criado.
Se podemos aplicar a palavra ser a Deus e ao mundo, deve
mos descobrir um problemáti
Quando Aristóteles formu lou a teoria da analogia do en te, — “o ente se diz de muitas maneiras” (as quatro funda mentais e as dez categorias), afirma que há um análogo principal, um sentido primário do ser, que é precisamente a
co princípio de analogia.
substância, o ousia. Tudo o que
helênica e a pergunta radical se dirige a uma realidade, la tente, evidentemente, mas que
se pode dizer do ser ou é subs tância ou se refere de uma maneira ou outra à substância. Mas a totalidade do ente aris-
totélico é uma forma particu
lar de ser, o ser criado, fren te ao modo de ser radicalmen
te distinto, que é o ser criador. Se considerarmos o mundo a partir deste ponto de vista
(com 0 homem e tudo o que encerra),
aparece
como cria
tura, isto é, como uma reali dade dependente de outra, la boriosa, insuficiente, desprovi da dos atributos que tradicio-
Como se vê, quando se for mula uma questão verdadeira mente filosófica dentro do cris
tianismo (e não dentro do pen samento grego por um filósofo que pessoalmente é cristão) se transcende a toda colocação
tem
um
sentido
muito
mais
fundo que o da lactêncla com respeito à potência. E se des sa realidade se predica a pa
lavra ser, é num sentido intei ramente diverso, já que um é criador e o outro, criado. Um é ser dado, recebido, e o outro
é “dador”, que dá o outro ser, que põe em realidade a outras realidades. Esta é uma mudan
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DIGESTO ECONÔMICO
O que quer dizer o que os gregos chamam de ontologia? Ontologia é o conhecimento do ente. Sim, mas agora a pala vra ente torna-se problemáti ca e duvidosa. Quando Aristó teles diz que a filosofia pri meira (próte phllosophia) é theologla, conhecimento do théos, evidentemente o théos de Aristóteles está dentro do sistema do mundo, não é um deus transcendente, menos ainda criador, é o primeiro mo tor imóvel, um Deus cósmico.
É ato, enérgela, atividade pu ra: as condições absolutas do
ente, é imóvel, não está sujei to à variação, tem os atribu tos plenos do verdadeiro ón, do ente que é realmente.
pensar essa realidade do
ser
criador, de Deus criador. E é tão radical que o que primeiro se deve investigar é se pode mos falar de ser, se essa no ção é adequada e suficiente. O cristianismo supõe
uma
descida ao subsolo da filosofia
grega. Mas não é só isto. Se nos detivermos na motivação do filósofo, naquilo que preci sa saber e que o leva a filoso
far, as diferenças são profun das. O pensamento grego nas
ce, como disse, porque as coi sas passam, variam, chegam a ser e deixam de ser, são ca ducas. Trata-se de buscar algo
que seja duradouro, permanen
te, para sempre. O pensamen Deus
to começa na Grécia como uma
ele é o criador de tu
significa descer
physlologia^ um conhecimento das coisas naturais, Há um
a um nível mais profundo, co
momento em que aparecem as
Mas cristão:
este
do isso. Isto
não
é
o
locar a questão a nível filosó fico, que é 0 de toda a filoso
fia grega. Isto não quer dizer que a potência intelectual dos filósofos cristãos seja maior que a dos gregos, mas que seu problema é mais fundo e radi
ça radical, que afeta o senti
cal.
Toda filosofia helênica é
do da pergunta filosófica e o próprio sentido do ser.
questão última é precisamente
assim,
penúltima,
porque
a
coisas
da cidade, as humanas
(desde os sofistas e Sócrates,
e cada vez mais nas filosofias
pós-aristotélicas). Do ponto de vista cristão, a
coisa é com
pletamente diferente, recorde-
mos o que Santo Agostinho quer
conhecer: "Deum et anima sci-
re cupio. Nihilne plus?
omnimo".
Quero
Níhil
conhecer
a
I
106
DIGESTO
Deus e à alma. Nada mais? Ab solutamente nada mais.
ECONÔMICO
sará a Santo Agostinho na me dida em que lhe faça falta para
nho emprega a palavra alma no sentido religioso com que aparece nos Evangelhos, O que significa a passagem evangéli ca em que se pergunta de que serve ao homem ganhar o mun do se perde a alma? A palavra alma quer dizer eu (não o eu),
conhecer a Deus e à alma.
quer dizer minha realidade.
O que tem isto a ver com os gregos? Com o pensamento antigo? Deus e a alma e nada mais. Tudo o mais
que
só interes
O
verdadeiramente lhe inte
ressa, 0 tema de sua investiga ção, é esse e não outro. O CRISTIANISMO
FOI
PENSADO, PELA PRIMEIRA VEZ, COM CONCEITOS GREGOS
Quando aplicamos a palavra filosofia ao pensamento da Gré cia e de Roma, ou ao cristia nismo como tal, falamos de coisas profundamente distintas.
O que se busca é outra coisa, 0 que se entende por verdade
é algo bem diferente. Quando Santo Agostinho diz — Deus et anima setre cupio — sua anima
pouco tem a ver com a psykhé aristotélica. Era ambos casos traduzimos alma. A alma
de Aristóteles é um principio natural, a Perl psykhês ou De Anima pertence aos tratados
físicos, enquanto Santo Agosti-
Minha realidade pessoal, algo que não existe para um grego, que não pensa nesses termos. Os gregos falam do
“homem” (aníhropos), dos mor tais e dos imortais que são os deuses. Quando usam os pro nomes, recorda Ortega, servem-se do plural nós — hemeís.
A
primeira
pessoa,
eu,
não
aparece.
107
buscar o eu, precisamente co mo pessoa, como intimidade, e
nela, a Deus. Eu me interesso a mim mesmo porque é aí onde
encontro Deus. Se o procuro pelo mundo, dificilmente o en contro. Quando entro em mim mesmo é quando posso desco brir 0 rastro de Deus, me des cubro como ímago Dei, imagem de Deus.
É na
dade
posso
que
em primeiro plano. Aparece a noção de alma como sinônimo
dessa pessoa que sou eu, que consisto primariamente em al ma ou espírito, spirltus^ e o
espírito é a entrada de si mes mo, a inferioridade, em forma superlativa, a intimidade “In homine
habitat
veri-
tas”, diz Santo Agostinho: no
filosofia cristã. Mas não se trata disto, em princípio. O cristianismo dá origem ^ a longo prazo — muito lentamen te, a uma mudança de perspec tiva do pensamento filosófico, um novo ponto de vista, uma transferência da importância das questões, um problema que
minha intimi
antes outra
encontrar
tivos.
o
rastro de Deus, onde posso rastrear essa realidade, não só suprema, como autora de todas
as demais, e é claro, da minha, enquanto criador. A REALIDADE DE DEUS CONSISTE EM AMOR
Em Santo Agostinho, sim, e
Interiori
DIGESTO ECONÔMICO
Essa mudança de perspec tiva é total. Mas não me pa rece que o mais interessante seja procurar no pensamento de três ou quatro séculos os elementos que se devem a uma
possível influência do cristia nismo ou à colocação de ques tões filosóficas que surgem por ocasião de uma consideração
homem interior, ou na interioridade do homem, habita a ver
teológica do conteúdo da reve lação cristã. Isto seria a reu
dade. Isto é na intimidade. Isto é totalmente novo. Trata-se de
nião dos ingredientes com os quais se fará algum dia uma
não existia. Busca-se coisa e por outros mo
Colocado 0 problema nestes termos, trata-se de buscar Deus onde pode ser encontrado em
primeiro lugar, onde mais se manifesta — em
mim.
Santo
Agostinho recorre rigorosamen te a seu eu — “mihí quaestio-
factus sum” — fiz questão de mim mesmo. Não é o caso de
perguntar o que é ò homem'. Aristóteles respondería — um
animal racional, um animal político, um animal social. Não 0 homem, mas eu. E quando neque Santo Agostinho diz ego ípse capio totu quod sum” — nem eu mesmo compreendo
tudo 0 que sou, — quer dizer que minha própria realidade me excede e não sou dono dela, porque me remete a algo que está mais além, e que seria
I
106
DIGESTO
Deus e à alma. Nada mais? Ab solutamente nada mais.
ECONÔMICO
sará a Santo Agostinho na me dida em que lhe faça falta para
nho emprega a palavra alma no sentido religioso com que aparece nos Evangelhos, O que significa a passagem evangéli ca em que se pergunta de que serve ao homem ganhar o mun do se perde a alma? A palavra alma quer dizer eu (não o eu),
conhecer a Deus e à alma.
quer dizer minha realidade.
O que tem isto a ver com os gregos? Com o pensamento antigo? Deus e a alma e nada mais. Tudo o mais
que
só interes
O
verdadeiramente lhe inte
ressa, 0 tema de sua investiga ção, é esse e não outro. O CRISTIANISMO
FOI
PENSADO, PELA PRIMEIRA VEZ, COM CONCEITOS GREGOS
Quando aplicamos a palavra filosofia ao pensamento da Gré cia e de Roma, ou ao cristia nismo como tal, falamos de coisas profundamente distintas.
O que se busca é outra coisa, 0 que se entende por verdade
é algo bem diferente. Quando Santo Agostinho diz — Deus et anima setre cupio — sua anima
pouco tem a ver com a psykhé aristotélica. Era ambos casos traduzimos alma. A alma
de Aristóteles é um principio natural, a Perl psykhês ou De Anima pertence aos tratados
físicos, enquanto Santo Agosti-
Minha realidade pessoal, algo que não existe para um grego, que não pensa nesses termos. Os gregos falam do
“homem” (aníhropos), dos mor tais e dos imortais que são os deuses. Quando usam os pro nomes, recorda Ortega, servem-se do plural nós — hemeís.
A
primeira
pessoa,
eu,
não
aparece.
107
buscar o eu, precisamente co mo pessoa, como intimidade, e
nela, a Deus. Eu me interesso a mim mesmo porque é aí onde
encontro Deus. Se o procuro pelo mundo, dificilmente o en contro. Quando entro em mim mesmo é quando posso desco brir 0 rastro de Deus, me des cubro como ímago Dei, imagem de Deus.
É na
dade
posso
que
em primeiro plano. Aparece a noção de alma como sinônimo
dessa pessoa que sou eu, que consisto primariamente em al ma ou espírito, spirltus^ e o
espírito é a entrada de si mes mo, a inferioridade, em forma superlativa, a intimidade “In homine
habitat
veri-
tas”, diz Santo Agostinho: no
filosofia cristã. Mas não se trata disto, em princípio. O cristianismo dá origem ^ a longo prazo — muito lentamen te, a uma mudança de perspec tiva do pensamento filosófico, um novo ponto de vista, uma transferência da importância das questões, um problema que
minha intimi
antes outra
encontrar
tivos.
o
rastro de Deus, onde posso rastrear essa realidade, não só suprema, como autora de todas
as demais, e é claro, da minha, enquanto criador. A REALIDADE DE DEUS CONSISTE EM AMOR
Em Santo Agostinho, sim, e
Interiori
DIGESTO ECONÔMICO
Essa mudança de perspec tiva é total. Mas não me pa rece que o mais interessante seja procurar no pensamento de três ou quatro séculos os elementos que se devem a uma
possível influência do cristia nismo ou à colocação de ques tões filosóficas que surgem por ocasião de uma consideração
homem interior, ou na interioridade do homem, habita a ver
teológica do conteúdo da reve lação cristã. Isto seria a reu
dade. Isto é na intimidade. Isto é totalmente novo. Trata-se de
nião dos ingredientes com os quais se fará algum dia uma
não existia. Busca-se coisa e por outros mo
Colocado 0 problema nestes termos, trata-se de buscar Deus onde pode ser encontrado em
primeiro lugar, onde mais se manifesta — em
mim.
Santo
Agostinho recorre rigorosamen te a seu eu — “mihí quaestio-
factus sum” — fiz questão de mim mesmo. Não é o caso de
perguntar o que é ò homem'. Aristóteles respondería — um
animal racional, um animal político, um animal social. Não 0 homem, mas eu. E quando neque Santo Agostinho diz ego ípse capio totu quod sum” — nem eu mesmo compreendo
tudo 0 que sou, — quer dizer que minha própria realidade me excede e não sou dono dela, porque me remete a algo que está mais além, e que seria
DIGESTO
106
necessário para o conhecimen to. Isto nada tem a ver com o
pensamento
helênico
ou
ro
a realidade criada, e a mim, sua imagem e semelhança. Esta a nova perspectiva di fícil de descobrir e
mano.
Para formular este proble ma, Santo Agostinho recorrerá, evidentemente, ao pensamento grego. Os conceitos, os recur sos, serão helênicos ou roma nos. Mas 0 problema, não. Nem a perspectiva, e menos ainda a motivação. Eu preciso saber quem sou eu, e não entendo quem sou se não compreendo toda a minha realidade, que não é redutível a uma coisa, mas que é uma pessoa. A isto Santo Agostinho chamará spirltus ou anima, algo definido pela entrada em si mesmo, a interioridade, a intimidade, on de me descubro
ECONÔMICO
como
ímago
Dei. Eu preciso, por conseguin te, conhecer a Deus para saber quem sou, e a única maneira de conhecer a Deus é aprofun dar em mim mesmo, levar ao extremo a compreensão desta imagem, porque somente assim poderei entrever ou conhecer, de algum modo, essa realidade da qual sou imagem', e que é a divindade, o ser criador, que contém em sua existência toda
formular.
Se queremos traduzir isto em termos doutrinários, tudo se desvanece. Não
há
nada
que
se possa parecer a um sistema filosófico, comparável ao aristotelismo, por exemplo, feito a partir do pensamento cristão.
Há um hiato, um abismo que separa mento
idearum
a realidade do cristão como
de
pensa corpus
seu próprio pro
blema original. Há um equívo co naquilo que se chama de pensamento cristão, já que os textos, os raciocínios, não co brem, adequadamente, aquilo de que se está falando, ou seja, aquilo de que se trata e de que não se chega, precisamente, a falar. É um pensamento mas carado em grande parte. Tra
ta-se, no fundo, de outra coisa. E por isso aparece no pensa
mento cristão, de modo recor
rente, uma desvalorização de si mesmo, uma falta de estima a respeito de suas realizações. O cristão, como tal, forja uma
doutrina, que depende em últi ma
instância
do
pensamento
greco-romano, sente no fim que
DÍGESTO ECONÔMICO
109
não é isso, que há por baixo uma questão mais radical, mais importante, que não consegue sequer formular. Este desajuste entre a ins piração do pensamento cristão e sua realização é dramático. Em alguns momentos parece que a filosofia se aproxima dos seus problemas, mas são òs me
nores.
Curiosamente,
quanto
maior perfeição dialética e de raciocínio se alcança maior ó
a distância. Há uma inundação de um pensamento
complexO;
rico, perfeito — o grego —, que acaba abrumando e quase escur.ecendo essa intuição capi tal, esse problema radical que é 0 verdadeiro assunto do pen samento cristão. O tomismo, por exemplo, está literalmente inundado pelo pensamento aristotélico, a tal ponto que São To
más tem a impressão de que o filosofia já está feita: foi feita
por Aristóteles, que a fez admi ravelmente e é verdade tudo o
que disse. Santo Tomás faz sua filosofia pessoal nos interstícios do aristotelismo. É como as er vas que nascem entre as pe dras. Nos interstícios dessa
maravilha intelectual quase to¬
da verdadeira que é o pensa
mento aristotélico, aí está o que seria próprio do pensamento de Santo Tomás.
Em Santo Agostinho, em Santo Anselmo, em Hugo e Ri
cardo de San Victor, às vezes em Santo Tomás, em Eckehart, aflora em alguns momentos, ao longo da Idade Média, a nota radical e profunda em que con siste a inovação do cristianis mo. Em "San Anselmo y el In sensato" tentei mostrar esse nú
cleo original, ao analisar o sen tido do argumento ontológico nos quatro primeiros capítulos da "Proslogíon" de Santo Ansel
mo, há mais de quarenta e cin co anos. Creio que ali se pode encontrar o primeiro germe do que agora estou desenvolvendo. A raiz de boa parte
destes
equívocos consiste em que
o
cristianismo não era uma filo
sofia, nem sequer uma teologia, mas uma religião. Acontece que o cristão pode ter de fazer uma filosofia. Quando e por quê? A idéia de que o cristianis
mo dá uma segurança, e, por tanto, 0 cristão não tem razão de ser filósofo a não ser na me-
DIGESTO
106
necessário para o conhecimen to. Isto nada tem a ver com o
pensamento
helênico
ou
ro
a realidade criada, e a mim, sua imagem e semelhança. Esta a nova perspectiva di fícil de descobrir e
mano.
Para formular este proble ma, Santo Agostinho recorrerá, evidentemente, ao pensamento grego. Os conceitos, os recur sos, serão helênicos ou roma nos. Mas 0 problema, não. Nem a perspectiva, e menos ainda a motivação. Eu preciso saber quem sou eu, e não entendo quem sou se não compreendo toda a minha realidade, que não é redutível a uma coisa, mas que é uma pessoa. A isto Santo Agostinho chamará spirltus ou anima, algo definido pela entrada em si mesmo, a interioridade, a intimidade, on de me descubro
ECONÔMICO
como
ímago
Dei. Eu preciso, por conseguin te, conhecer a Deus para saber quem sou, e a única maneira de conhecer a Deus é aprofun dar em mim mesmo, levar ao extremo a compreensão desta imagem, porque somente assim poderei entrever ou conhecer, de algum modo, essa realidade da qual sou imagem', e que é a divindade, o ser criador, que contém em sua existência toda
formular.
Se queremos traduzir isto em termos doutrinários, tudo se desvanece. Não
há
nada
que
se possa parecer a um sistema filosófico, comparável ao aristotelismo, por exemplo, feito a partir do pensamento cristão.
Há um hiato, um abismo que separa mento
idearum
a realidade do cristão como
de
pensa corpus
seu próprio pro
blema original. Há um equívo co naquilo que se chama de pensamento cristão, já que os textos, os raciocínios, não co brem, adequadamente, aquilo de que se está falando, ou seja, aquilo de que se trata e de que não se chega, precisamente, a falar. É um pensamento mas carado em grande parte. Tra
ta-se, no fundo, de outra coisa. E por isso aparece no pensa
mento cristão, de modo recor
rente, uma desvalorização de si mesmo, uma falta de estima a respeito de suas realizações. O cristão, como tal, forja uma
doutrina, que depende em últi ma
instância
do
pensamento
greco-romano, sente no fim que
DÍGESTO ECONÔMICO
109
não é isso, que há por baixo uma questão mais radical, mais importante, que não consegue sequer formular. Este desajuste entre a ins piração do pensamento cristão e sua realização é dramático. Em alguns momentos parece que a filosofia se aproxima dos seus problemas, mas são òs me
nores.
Curiosamente,
quanto
maior perfeição dialética e de raciocínio se alcança maior ó
a distância. Há uma inundação de um pensamento
complexO;
rico, perfeito — o grego —, que acaba abrumando e quase escur.ecendo essa intuição capi tal, esse problema radical que é 0 verdadeiro assunto do pen samento cristão. O tomismo, por exemplo, está literalmente inundado pelo pensamento aristotélico, a tal ponto que São To
más tem a impressão de que o filosofia já está feita: foi feita
por Aristóteles, que a fez admi ravelmente e é verdade tudo o
que disse. Santo Tomás faz sua filosofia pessoal nos interstícios do aristotelismo. É como as er vas que nascem entre as pe dras. Nos interstícios dessa
maravilha intelectual quase to¬
da verdadeira que é o pensa
mento aristotélico, aí está o que seria próprio do pensamento de Santo Tomás.
Em Santo Agostinho, em Santo Anselmo, em Hugo e Ri
cardo de San Victor, às vezes em Santo Tomás, em Eckehart, aflora em alguns momentos, ao longo da Idade Média, a nota radical e profunda em que con siste a inovação do cristianis mo. Em "San Anselmo y el In sensato" tentei mostrar esse nú
cleo original, ao analisar o sen tido do argumento ontológico nos quatro primeiros capítulos da "Proslogíon" de Santo Ansel
mo, há mais de quarenta e cin co anos. Creio que ali se pode encontrar o primeiro germe do que agora estou desenvolvendo. A raiz de boa parte
destes
equívocos consiste em que
o
cristianismo não era uma filo
sofia, nem sequer uma teologia, mas uma religião. Acontece que o cristão pode ter de fazer uma filosofia. Quando e por quê? A idéia de que o cristianis
mo dá uma segurança, e, por tanto, 0 cristão não tem razão de ser filósofo a não ser na me-
DIGESTO
-11-0
dida em que já não é cristã, ou não o é plena e autenticamente nunca
me
convenceu
inteira
mente, ainda que tenha sido compartilhada por Ortega em algumas ocasiões. Porque ê um nível de segurança que não tem muito a ver com o outro. O CRISTÃO TRANSFERE PARA DEUS TODA A REALIDADE CRIADA
Quando se fala da “seguran ça do cristão”, do que se trata? O cristão está seguro, tem se gurança de quê? Está certo de que a realidade criada é ape nas criada; é secundária em re lação ao criador. Mas isto não suprime o problema, ao contrá
rio, toma mais problemática .r realidade criada. Porque além de todos os problemas que n
homem tem normalmente, .está, ainda, o problema da criação. Todos os problemas da ontologia aristotélica, por exemplo, são váHdos para o cristão. Para ele, como para o grego, é iguaimente problemático saber o que é substância e o que é aciden
te, o que é ato e o que é po
ECONÔMICO
DIGESTO ECONÔMICO
111
go, a questão prévia e radical
que, no suposto da aniquilação,
do por que existe algo ou por que há realidade, não represen ta um problema. O que sim r preocupa é saber por que as
nam no dia de minha morte, e acabou-se a questão. Portanto, é questão de esperar.
coisas mudam, por que variam, por que perecem, mas a reali dade como tal não é um proble ma para ele e sim para o cris tão. Assim como a questão a respeito da realidade, que clas se de realidade é essa que sus tenta sua existência, que pode ser criadora, que pode, não so mente ser como fazer ser.
Assim é que se olharmos de
perto a segurança do cristão, resulta ela muito insegura. Ou
tro aspecto decisivo: o que está ■em questão para o cristão é. em cada caso, eu. Mlhl quaestio factus sum. Isto é, estou envolvido no problema. Preciso saber a que me ater com res Não me basta, peito a mim. portanto, conhecer o que acon tece com 0 cosmos, homem,
ou com o
Não se trata do ho-
mem, trata-se de mim enquanto
realidade estritamentel pessoal
e, - não 0 esqueçamos,
que se
entende perdurável, destinada a
perdurar.
Isto quer dizer que
tência, o que são as categorias.
não haverá um só dia em que
Acrescente-se que, para o gre-
por-
o problema desapareça,
todos os meus problemas termi
O argumento de Epicui’o, co locado cruamente, é este: a morte não me inquieta, porque
enquanto vivo, a morte não exis te, e quando a morte chega, já não estou eu. Ou seja, nunca me encontro com ela. A morte
entra por uma porta e eu saio por outra. Esta é uma forma bastante crua, mas é o que, em definitivo, os gregos pensam. Para o grego a perduração é bastante duvidosa e, em todo caso, tem um caráter relativa mente impessoal. 0 grego não está muito certo da imortalida
de pessoal, mas coloca a ques tão em termos bastante abstra
tos, como a sobrevivência
da
alma — a psykhé — no Hades. Não bem esse caráter estrita-
mente pessoal que tem para o cristão.
Dentro do
Cristianis
mo, se trata de mim, de meu próprio destino, do que se cha mará a salvação — sentido que se banalizou depois, mas que deve recuperar todo seu valor.
Assim, a realidade sempre vai me preocupar. Não haverá
um só momento em que se pos sa dizer: apaga e vamos embo ra, acabaram-ss os problemas. Os problemas não acabam.
Ao
contrário, são muito mais agu dos, pois o cristão, no fundo, es tá muito menos seguro do que aquele que não é cristão. Tem todos os problemas do não-cristão e outros mais graves ainda. Nunca me par-sceu que o cris tão, quando está instalado na sua fé, tenha seus problemas resolvidos.
Acontece que tem havido, dentro do cristianismo, uma es
pécie de jogo duplo. Isto é, co locaram-se com frequência
os
problemas no mesmo nível em que eles eram colocados para o filósofo antigo. E, dessa ma neira, os problemas estão, de certo modo, resolvidos se se parte da fé.
Afirma-se: o mun
do foi criado, toda a realidade é criada; depende de um ato de criação; Deus é a realidade su
perior e criadora, etc.
Neste
caso, parece haver, efetivamen te, segurança, mas seria a se gurança do grego. Podemos di zer que se um grego acreditas
se no conteúdo da
revelação
cristã, se sentiria seguro. Mas, o cristão não se sente seguro,
DIGESTO
-11-0
dida em que já não é cristã, ou não o é plena e autenticamente nunca
me
convenceu
inteira
mente, ainda que tenha sido compartilhada por Ortega em algumas ocasiões. Porque ê um nível de segurança que não tem muito a ver com o outro. O CRISTÃO TRANSFERE PARA DEUS TODA A REALIDADE CRIADA
Quando se fala da “seguran ça do cristão”, do que se trata? O cristão está seguro, tem se gurança de quê? Está certo de que a realidade criada é ape nas criada; é secundária em re lação ao criador. Mas isto não suprime o problema, ao contrá
rio, toma mais problemática .r realidade criada. Porque além de todos os problemas que n
homem tem normalmente, .está, ainda, o problema da criação. Todos os problemas da ontologia aristotélica, por exemplo, são váHdos para o cristão. Para ele, como para o grego, é iguaimente problemático saber o que é substância e o que é aciden
te, o que é ato e o que é po
ECONÔMICO
DIGESTO ECONÔMICO
111
go, a questão prévia e radical
que, no suposto da aniquilação,
do por que existe algo ou por que há realidade, não represen ta um problema. O que sim r preocupa é saber por que as
nam no dia de minha morte, e acabou-se a questão. Portanto, é questão de esperar.
coisas mudam, por que variam, por que perecem, mas a reali dade como tal não é um proble ma para ele e sim para o cris tão. Assim como a questão a respeito da realidade, que clas se de realidade é essa que sus tenta sua existência, que pode ser criadora, que pode, não so mente ser como fazer ser.
Assim é que se olharmos de
perto a segurança do cristão, resulta ela muito insegura. Ou
tro aspecto decisivo: o que está ■em questão para o cristão é. em cada caso, eu. Mlhl quaestio factus sum. Isto é, estou envolvido no problema. Preciso saber a que me ater com res Não me basta, peito a mim. portanto, conhecer o que acon tece com 0 cosmos, homem,
ou com o
Não se trata do ho-
mem, trata-se de mim enquanto
realidade estritamentel pessoal
e, - não 0 esqueçamos,
que se
entende perdurável, destinada a
perdurar.
Isto quer dizer que
tência, o que são as categorias.
não haverá um só dia em que
Acrescente-se que, para o gre-
por-
o problema desapareça,
todos os meus problemas termi
O argumento de Epicui’o, co locado cruamente, é este: a morte não me inquieta, porque
enquanto vivo, a morte não exis te, e quando a morte chega, já não estou eu. Ou seja, nunca me encontro com ela. A morte
entra por uma porta e eu saio por outra. Esta é uma forma bastante crua, mas é o que, em definitivo, os gregos pensam. Para o grego a perduração é bastante duvidosa e, em todo caso, tem um caráter relativa mente impessoal. 0 grego não está muito certo da imortalida
de pessoal, mas coloca a ques tão em termos bastante abstra
tos, como a sobrevivência
da
alma — a psykhé — no Hades. Não bem esse caráter estrita-
mente pessoal que tem para o cristão.
Dentro do
Cristianis
mo, se trata de mim, de meu próprio destino, do que se cha mará a salvação — sentido que se banalizou depois, mas que deve recuperar todo seu valor.
Assim, a realidade sempre vai me preocupar. Não haverá
um só momento em que se pos sa dizer: apaga e vamos embo ra, acabaram-ss os problemas. Os problemas não acabam.
Ao
contrário, são muito mais agu dos, pois o cristão, no fundo, es tá muito menos seguro do que aquele que não é cristão. Tem todos os problemas do não-cristão e outros mais graves ainda. Nunca me par-sceu que o cris tão, quando está instalado na sua fé, tenha seus problemas resolvidos.
Acontece que tem havido, dentro do cristianismo, uma es
pécie de jogo duplo. Isto é, co locaram-se com frequência
os
problemas no mesmo nível em que eles eram colocados para o filósofo antigo. E, dessa ma neira, os problemas estão, de certo modo, resolvidos se se parte da fé.
Afirma-se: o mun
do foi criado, toda a realidade é criada; depende de um ato de criação; Deus é a realidade su
perior e criadora, etc.
Neste
caso, parece haver, efetivamen te, segurança, mas seria a se gurança do grego. Podemos di zer que se um grego acreditas
se no conteúdo da
revelação
cristã, se sentiria seguro. Mas, o cristão não se sente seguro,
DIGESTO
112
porque é outro seu
problema,
muito mais radical. Aquilo que tranquilizaria o grego, não tran
quiliza o cristão. Não creio que o cristão dispense a filosofia, de modo algum. Mas a coisa é mais grave ainda.
Até agora falamos, bastan
te helenicamente, do ser cria dor e do ser criado.
E, mais
cristãmente, de que o homem
I
é imagem e semelhança de Deus. Parece que se trata de uma hierarquia dos entes: o criado é, evidentemente, infe rior ao criador, tem uma reali dade que não se basta a si mes ma, recebida, mantida por uma potência criadora. Há outro ti po de realidade, o ser criador, suficiente, necessário e podero so.
E
há
.essa realidade
es
tranha que é o homem, criada como as demais, mas à imagem e semelhança de Deus. Isto è,
ECONÔMICO
do (é uma realidad.9 criada co mo as outras), mas seu mode lo não é criado, é o Criador,
Deus, o que lhe confere
uma
posição intermediária extrema-
realidade
de
Deus, o cristão
não diz nada que se pareça com 0 que diz o pensamento grego. Não se trata de algo que
seja separado (khoristón), ab soluto, ou que seja imperecível e incorruptível, o primeiro mo tor imóvel que move sem ser movido. Tudo isto pode ser ver
dade, e será recolhido por São
Tomás que o levará à teologia e à filosofia. Sim, mas não é 0 primário. No Antigo Testa mento, Deus diz: "Eu sou o que
sou, sou, sou”. Eu . Que senti do
teria
isto
na
boca de
um
tem certo parecido com Deus. Enquanto Deus cria as coisas tendo em
que tem isto a ver com o con
modelos
exemplares (idéia platônica que passa para o cristianismo, e que será interpretada como as "es
ceito grego de alethéla, ainda que seja precisamente esta pa
pécies”), 0 modelo
seu
exemplar
com o qual Deus cria o homem é 0 próprio Deus, o que não re tira 0 homem do mundo do cria-
0 CRISTIANISMO SUPÕE UMA DESCIDA AO SUBSOLO DA FILOSOFIA
deus grego? Ou para o Deus dos filósofos gregos? Quando Cristo diz "Eu sou a verdade”,
mente os
taçào das coisas? É uma pessoa quem diz: eu sou a verdade.
mente estranha.
Este não é, entretanto, o ponto mais delicado e grave. Quando se coloca a questão da
lavra a que São João usa no
Evangelho e que Cristo usou, provavelmente, ao falar com
Pilatos? O que isto tem a
ver com a patencía, a manifes-
H3
DIGESTO ECONÔMICO
realidade é essa — o amor —
que se predica de Deus, e, por isso mesmo, do homem tam
bém, já que 0 homem é ima gem de Deus.
GREGA
Deus 0 0 homem aparecem como
Quando o pensamento cris tão original se formaliza, tanto
São João como São Paulo, di rão que Deus é amor Amor? O que tem isto a ver com as
condições do ente? Recorde-se que 0 modelo que serve de ba se ao pensamento grego são os objetos matemáticos, únicos, imutáveis, invariáveis que não são gerados nem parecem, es tritas "consistências”. Mas não
são reais, não são coisas ver dadeiramente.
Se juntássemes
o caráter de coisa real, separa da de “volume”, a essa imuta
bilidade, isto seria o ser verda deiro.
0 grego se lhe dissessem a sério que Deus é amor. Lembremos que isto levou muito tempo para ser levado a sério dentro do cristianismo, fora da vida
O gre-
amorosas
e
pessoais. Pessoais no sentido cie que se lhes pode aplicar — ao homem de modo direto e a Deus de maneira analógica, ou palavras copor eminência mo quem ou como eu e tu. E esse amor é efusivo, algo que mana e se difunde; que se di
funde (ou melhor, efunde), mas
que não é emanação. Que põa e.xistência realidades distin tas de Deus. O modo de efusão na
amor divino é tal que faz dá realidade àquilo que scr. ó ele mesmo. Não que nao oesse
Deus se ame a si mesmo, se difunda a
si
mesmo,
Uno de Plotino.
Imagine-se a cara que faria
estritamente religiosa.
realidades
como
o
O grego, mal
que bem, o entenderia.
Mas
não é isso. Deus coloca em existência alguém com quem se
pode defrontar e não algo, apeA criatura pode levantar-
nas.
se frente a Deus
e dizer-lhe:
não. E por seu lado, o amor hu-
go não entenderia que tipo de 'mano consiste em projeção em
DIGESTO
112
porque é outro seu
problema,
muito mais radical. Aquilo que tranquilizaria o grego, não tran
quiliza o cristão. Não creio que o cristão dispense a filosofia, de modo algum. Mas a coisa é mais grave ainda.
Até agora falamos, bastan
te helenicamente, do ser cria dor e do ser criado.
E, mais
cristãmente, de que o homem
I
é imagem e semelhança de Deus. Parece que se trata de uma hierarquia dos entes: o criado é, evidentemente, infe rior ao criador, tem uma reali dade que não se basta a si mes ma, recebida, mantida por uma potência criadora. Há outro ti po de realidade, o ser criador, suficiente, necessário e podero so.
E
há
.essa realidade
es
tranha que é o homem, criada como as demais, mas à imagem e semelhança de Deus. Isto è,
ECONÔMICO
do (é uma realidad.9 criada co mo as outras), mas seu mode lo não é criado, é o Criador,
Deus, o que lhe confere
uma
posição intermediária extrema-
realidade
de
Deus, o cristão
não diz nada que se pareça com 0 que diz o pensamento grego. Não se trata de algo que
seja separado (khoristón), ab soluto, ou que seja imperecível e incorruptível, o primeiro mo tor imóvel que move sem ser movido. Tudo isto pode ser ver
dade, e será recolhido por São
Tomás que o levará à teologia e à filosofia. Sim, mas não é 0 primário. No Antigo Testa mento, Deus diz: "Eu sou o que
sou, sou, sou”. Eu . Que senti do
teria
isto
na
boca de
um
tem certo parecido com Deus. Enquanto Deus cria as coisas tendo em
que tem isto a ver com o con
modelos
exemplares (idéia platônica que passa para o cristianismo, e que será interpretada como as "es
ceito grego de alethéla, ainda que seja precisamente esta pa
pécies”), 0 modelo
seu
exemplar
com o qual Deus cria o homem é 0 próprio Deus, o que não re tira 0 homem do mundo do cria-
0 CRISTIANISMO SUPÕE UMA DESCIDA AO SUBSOLO DA FILOSOFIA
deus grego? Ou para o Deus dos filósofos gregos? Quando Cristo diz "Eu sou a verdade”,
mente os
taçào das coisas? É uma pessoa quem diz: eu sou a verdade.
mente estranha.
Este não é, entretanto, o ponto mais delicado e grave. Quando se coloca a questão da
lavra a que São João usa no
Evangelho e que Cristo usou, provavelmente, ao falar com
Pilatos? O que isto tem a
ver com a patencía, a manifes-
H3
DIGESTO ECONÔMICO
realidade é essa — o amor —
que se predica de Deus, e, por isso mesmo, do homem tam
bém, já que 0 homem é ima gem de Deus.
GREGA
Deus 0 0 homem aparecem como
Quando o pensamento cris tão original se formaliza, tanto
São João como São Paulo, di rão que Deus é amor Amor? O que tem isto a ver com as
condições do ente? Recorde-se que 0 modelo que serve de ba se ao pensamento grego são os objetos matemáticos, únicos, imutáveis, invariáveis que não são gerados nem parecem, es tritas "consistências”. Mas não
são reais, não são coisas ver dadeiramente.
Se juntássemes
o caráter de coisa real, separa da de “volume”, a essa imuta
bilidade, isto seria o ser verda deiro.
0 grego se lhe dissessem a sério que Deus é amor. Lembremos que isto levou muito tempo para ser levado a sério dentro do cristianismo, fora da vida
O gre-
amorosas
e
pessoais. Pessoais no sentido cie que se lhes pode aplicar — ao homem de modo direto e a Deus de maneira analógica, ou palavras copor eminência mo quem ou como eu e tu. E esse amor é efusivo, algo que mana e se difunde; que se di
funde (ou melhor, efunde), mas
que não é emanação. Que põa e.xistência realidades distin tas de Deus. O modo de efusão na
amor divino é tal que faz dá realidade àquilo que scr. ó ele mesmo. Não que nao oesse
Deus se ame a si mesmo, se difunda a
si
mesmo,
Uno de Plotino.
Imagine-se a cara que faria
estritamente religiosa.
realidades
como
o
O grego, mal
que bem, o entenderia.
Mas
não é isso. Deus coloca em existência alguém com quem se
pode defrontar e não algo, apeA criatura pode levantar-
nas.
se frente a Deus
e dizer-lhe:
não. E por seu lado, o amor hu-
go não entenderia que tipo de 'mano consiste em projeção em
I
114
DIGESTO
direção do outro, ou com o ou tro, e está nutrido da alteridade. O CRISTÃO
ESTÁ
MENOS SEGURO
criado, enquanto eu, é absoluto. Está ante Deus, pode amá-lo, pode negá-lo, pode opôr-se a Uma vez que recebeu sua
tem
como
coisa
própria e tem que fazê-la longo de toda sua vida.
ao
Isto nada tem a ver com o
pensamento antigo, a partir de cujos supostos seria ininteli gível. Significa uma mudança radical de instalação no mundo. Uma mutação do próprio tema da filosofia, da problematicidade filosófica enquanto tal. Esta inovação se expressa em con
ceitos como 0 de pessoa, filia ção. Deus é pai, não o pai dos
homens, mas nosso pai, de ca
da um de nós, definido por esse amor
indeficiente.
E
irmãos, o judeu, o grego, o ro
na, a plenitude, o cumprimen
não, por que, então? Curiosa mente isto é 0 que se esquece hoje, depois de dois milênios de
O homem criado por Deus, radicalmente dependente dele, enquanto criatura, uma vez
realidade, a
Essa ressurreição não signi fica apenas perduração. Signi fica participação na vida divi
mos todos filhos de Deus — se
QUE NÃO É CRISTÃO
somos
nós, por ser filhos do Pai, ir mãos. Isto tem pouco sentido
115
DIGESTO ECONÔMICO
para o homem antigo. Só são irmãos os filhos do mesmo pai. Quando se diz que somos mano, isto é assim porque so
QUE AQUELE
ele.
ECONÔMICO
cristianismo.
Esta é a mudança radical, tão radical que rara vez se per cebe. E como se fosse pouco, o cristão faz esta colocação pen sando em sua vida perdurável, que não consiste apenas e prin cipalmente na imortalidade do
homem (o que para um grego faz muito sentido já que mui tos acreditaram que o homem ou pelo menos parte dele era imortal). O que cre e espera o cristão é a ressurreição. Que terá uma vida pessoal e corporea,
exatamente
ressuscitado.
como Cristo
Se somente nesta
vida esperamos em Cristo, so mos os mais miseráveis de to
dos os homens, diz São Paulo. Se os mortos não ressuscitam,
Cristo não ressuscitou, nossa predicação é falsa, vã é nossa fé. Isto gentios.
é escândalo
para
os
to dessa filiação que consiste em amor. Acontece que os teó 0 logos se intelectualizaram que não quer dizer que tenham
sido excessivamente inteligen tes — e desde Santo Tomás, es
pecialmente, insistem quase que exclusivamente na visão beatífica. Isto é capital, não o nego, mas não é da visão beatífica
que falavam São João e São Paulo. Trata-se de amor, da
participação real na vida divi na, de sermos "filhos da casa”, de uma nova Jerusalém. A vi
da perdurável (ou eterna como se diz impropriamente), a vid-^ humana pessoal perdurável. E essa vida há de acontecer no outro mundo, que é outro e é
mundo. Ou, para empregar uma terminologia atual e própria, trata-se de uma tancial.
vida
circuns
Tudo isto é alheio ao pensa mento grego. E também ao cristão, se poderá dizer. Evi dentemente é 0 que se deveria dizer. Mas, em última análise, tudo isto foi muito pouco pen-
sado. É curioso ver que entre uma vida religiosa meramente piedosa de um lado, e uma es peculação teológica e filosófi ca helenizada, de outro, esca pou 0 significado da verdadei ra transformação da filosofia ouando nela irrompe o cristia nismo. Essa forma de filosofia
é cansativa, difícil de manfer, e
se abandona
uma
vtz
e ou
tra, se cai dela comn se fosse uma cri-^ta instável. Esta é a história inteira do pensamento europeu desde as origens do cristianismo até hoje.
Essa filosofia que nasce
do
cristianismo, da condição humana que é ser cristão, ainda
está por fazer, e é possível que se’a nosso tempo, o que mais
tenha afastado dela e o que e possuir. chegou a elaborar se
por primeira vez, o repertório de conceitos adequados com os
quais seria possível tentar oensá-la. Conceitos que trazem den
tro de si, é claro, toda a tra dição grega, mas que não se resumem a ela, não dependem dela, e se atrevem a exercer frente a essa ilustre, prodigio
sa tradição, a liberdade.
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DIGESTO
direção do outro, ou com o ou tro, e está nutrido da alteridade. O CRISTÃO
ESTÁ
MENOS SEGURO
criado, enquanto eu, é absoluto. Está ante Deus, pode amá-lo, pode negá-lo, pode opôr-se a Uma vez que recebeu sua
tem
como
coisa
própria e tem que fazê-la longo de toda sua vida.
ao
Isto nada tem a ver com o
pensamento antigo, a partir de cujos supostos seria ininteli gível. Significa uma mudança radical de instalação no mundo. Uma mutação do próprio tema da filosofia, da problematicidade filosófica enquanto tal. Esta inovação se expressa em con
ceitos como 0 de pessoa, filia ção. Deus é pai, não o pai dos
homens, mas nosso pai, de ca
da um de nós, definido por esse amor
indeficiente.
E
irmãos, o judeu, o grego, o ro
na, a plenitude, o cumprimen
não, por que, então? Curiosa mente isto é 0 que se esquece hoje, depois de dois milênios de
O homem criado por Deus, radicalmente dependente dele, enquanto criatura, uma vez
realidade, a
Essa ressurreição não signi fica apenas perduração. Signi fica participação na vida divi
mos todos filhos de Deus — se
QUE NÃO É CRISTÃO
somos
nós, por ser filhos do Pai, ir mãos. Isto tem pouco sentido
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DIGESTO ECONÔMICO
para o homem antigo. Só são irmãos os filhos do mesmo pai. Quando se diz que somos mano, isto é assim porque so
QUE AQUELE
ele.
ECONÔMICO
cristianismo.
Esta é a mudança radical, tão radical que rara vez se per cebe. E como se fosse pouco, o cristão faz esta colocação pen sando em sua vida perdurável, que não consiste apenas e prin cipalmente na imortalidade do
homem (o que para um grego faz muito sentido já que mui tos acreditaram que o homem ou pelo menos parte dele era imortal). O que cre e espera o cristão é a ressurreição. Que terá uma vida pessoal e corporea,
exatamente
ressuscitado.
como Cristo
Se somente nesta
vida esperamos em Cristo, so mos os mais miseráveis de to
dos os homens, diz São Paulo. Se os mortos não ressuscitam,
Cristo não ressuscitou, nossa predicação é falsa, vã é nossa fé. Isto gentios.
é escândalo
para
os
to dessa filiação que consiste em amor. Acontece que os teó 0 logos se intelectualizaram que não quer dizer que tenham
sido excessivamente inteligen tes — e desde Santo Tomás, es
pecialmente, insistem quase que exclusivamente na visão beatífica. Isto é capital, não o nego, mas não é da visão beatífica
que falavam São João e São Paulo. Trata-se de amor, da
participação real na vida divi na, de sermos "filhos da casa”, de uma nova Jerusalém. A vi
da perdurável (ou eterna como se diz impropriamente), a vid-^ humana pessoal perdurável. E essa vida há de acontecer no outro mundo, que é outro e é
mundo. Ou, para empregar uma terminologia atual e própria, trata-se de uma tancial.
vida
circuns
Tudo isto é alheio ao pensa mento grego. E também ao cristão, se poderá dizer. Evi dentemente é 0 que se deveria dizer. Mas, em última análise, tudo isto foi muito pouco pen-
sado. É curioso ver que entre uma vida religiosa meramente piedosa de um lado, e uma es peculação teológica e filosófi ca helenizada, de outro, esca pou 0 significado da verdadei ra transformação da filosofia ouando nela irrompe o cristia nismo. Essa forma de filosofia
é cansativa, difícil de manfer, e
se abandona
uma
vtz
e ou
tra, se cai dela comn se fosse uma cri-^ta instável. Esta é a história inteira do pensamento europeu desde as origens do cristianismo até hoje.
Essa filosofia que nasce
do
cristianismo, da condição humana que é ser cristão, ainda
está por fazer, e é possível que se’a nosso tempo, o que mais
tenha afastado dela e o que e possuir. chegou a elaborar se
por primeira vez, o repertório de conceitos adequados com os
quais seria possível tentar oensá-la. Conceitos que trazem den
tro de si, é claro, toda a tra dição grega, mas que não se resumem a ela, não dependem dela, e se atrevem a exercer frente a essa ilustre, prodigio
sa tradição, a liberdade.
I
116
DIGESTO
Vários vícios acompanham a maconha
ECONÔMICO
PesQuUa reali zada
no
A heróica
De
partamento de Clínica da Faculdade de Medicina da USP pelo prof. Mauro S- Weintraub com 1.500 crianças da 8,a sárie de escolos
Paulo mostrou que existe correlação
entre
consumo de
da
Grande
São
maconha pelos
adolescentes com o de álcool, tabaco e inibidores do apetite (psicoestimulantes que só pedem ser adquiridos com receita médica especial). Dos vicia
Polônia
dos ^em maconha, cem por cento faziam uso diário de grandes quantidades de álcool e tabaco, drogas consideradas “recreacionais”, cujo consumo \em sendo íortemente estimulado pela publicidade veiculada nos meios nicação. De acordo com o profeisor, a sociedade de consumo,
de comu com
sui
crescente abundância, faz cem que as pessoas não só queiram consumir cada vez mais, mas tambsm de uma só vez. As drogas são resposta .a essa
frustração, na medida em que muitas são consumidas ao mesmo tempo. Origem — Embora a maconha fosse conhecida na China há mais de qua tro mil e setecentos anos, foi somente nas últimas década.s que se começou a estudar, mais a fundo, sua farmaccdinámica (o que ela produz no corpo)
e sua farmacocinética (o que o corpo faz com a droga). No Brasil, a maco nha foi introduzida pelos escravos vindos de Angola e ató vinte anos atrás seu consumo era considerado apanágio de margniais, cem o termo “maco
nheiro” adquirindo caráter pejorativo- Mais recentemente, por.m,
ocorrem
mudanças. A que^se deve esse fenômeno? — pergunta o pesquisador, para
GiMes
Um povo que tem lutado pela sobrevivência, pela liberdade e pela honra. O artigo foi
publicado no "Jornal da Tarde", de São Paulo, do qual, data vênia, o transcrevemos.
acrescentar que nao existe e.xplicação unânime. O que se sabe é que o con
sumo de maconha no Brasil aumenta --.em progressão geométrica e, para agravar o problema, existe clesmformação sobre sc.’s efeitos, ou, pior ainda,
verdadeira propaganda que apregca ser a maconha totalmente inócua e isenta de efeitos deletérios a longo prazo. Contraproducentes revelam-se ainda palestras e conferências dadas por leigos que, embora bem intencio nados, não têm conhecimento da matéria. Quando levadas aos jovens, essas
palestras apenas aguçam
a curiosidade,
sem orientá-los corretamente. O verificou que foi por curiosi
estudo realizado na Faculdade de Medicina
dade que todos os que uravam maconha se iniciaram nela- Foi estudada amostra de estudantes de quase todas as camadas sociais da Grande São Paulo e verificada percentagem surpreendentemente elevada de referên
cias quanto à necessidade de auxilio psicológico ou psiquiátrico, prlncipalmente de parte dos jovens que ainda não usaram maconha. Tanto as crian
ças como os adolescentes e joveng têm problemas, esperam que tudo melhore com
o
Os pais qur.se .s.emnrc
amadurecimento da pevson-ilida-de do
filho. Quando buscam auxílio profissional,
este raramente é eficaz e, às
vezes, contraproducente, sendo os pais, sobretudo as mães, acusados de “culpados”. No ambiente extradomiciliar que frequentam, os jovens encon tram apoio, afeto, compreensão e “tratamento” nas drog-as. Segundo o profMauro, o consumo da maconha constitui muitas vezes tentativa desesperada
de superação dos problemas. Ele conclui alertando que alguma coisa pre cisa eer felí-a urgentemente nesse setor, com ajuda das universidades que “têm ccnchçõe,3 de propor alguma coisa”.
(Do Boletim da U.S.P.)
L2pouge
“A cena se passa na Polô
nia, isto é, em lugar nenhum". Assim é apresentado o cenário do Père Ubu, a farsa de Alfred
Jarry escrita no começo deste século. E isso é verdade, mas é também uma verdade qne se
transforma em
seu
contrário,
pois a Polônia não existe, ou melhor, ela sempre teve de conquistar ao nada a sua vida, conquistá-la a seus inimigos, à
dela um país naturabnente he róico. Quando, em 1621, os poloneses foram pedir ao pa pa Paulo V que lhes desse algumas relíquias, este respon deu: “Apanhem um punhado da terra de sua pátria. Não há nela uma só parcela que não seja a relíquia de um mártir”.
Terra ossuário,
terra ali
mentada e fertilizada pelo ne
sua tragédia. De tal forma que
gro sangue dos mortos, e que
provavelmente nenhum país do mundo existe com tanta força
reconquista à morte, sem ces sar, sua própria vida. Essa é
quanto ela. Uma antiga fami
a Polônia. E
liaridade com 0 martírio
sobre sua geografia já explica
faz
um breve
olhar
I
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DIGESTO
Vários vícios acompanham a maconha
ECONÔMICO
PesQuUa reali zada
no
A heróica
De
partamento de Clínica da Faculdade de Medicina da USP pelo prof. Mauro S- Weintraub com 1.500 crianças da 8,a sárie de escolos
Paulo mostrou que existe correlação
entre
consumo de
da
Grande
São
maconha pelos
adolescentes com o de álcool, tabaco e inibidores do apetite (psicoestimulantes que só pedem ser adquiridos com receita médica especial). Dos vicia
Polônia
dos ^em maconha, cem por cento faziam uso diário de grandes quantidades de álcool e tabaco, drogas consideradas “recreacionais”, cujo consumo \em sendo íortemente estimulado pela publicidade veiculada nos meios nicação. De acordo com o profeisor, a sociedade de consumo,
de comu com
sui
crescente abundância, faz cem que as pessoas não só queiram consumir cada vez mais, mas tambsm de uma só vez. As drogas são resposta .a essa
frustração, na medida em que muitas são consumidas ao mesmo tempo. Origem — Embora a maconha fosse conhecida na China há mais de qua tro mil e setecentos anos, foi somente nas últimas década.s que se começou a estudar, mais a fundo, sua farmaccdinámica (o que ela produz no corpo)
e sua farmacocinética (o que o corpo faz com a droga). No Brasil, a maco nha foi introduzida pelos escravos vindos de Angola e ató vinte anos atrás seu consumo era considerado apanágio de margniais, cem o termo “maco
nheiro” adquirindo caráter pejorativo- Mais recentemente, por.m,
ocorrem
mudanças. A que^se deve esse fenômeno? — pergunta o pesquisador, para
GiMes
Um povo que tem lutado pela sobrevivência, pela liberdade e pela honra. O artigo foi
publicado no "Jornal da Tarde", de São Paulo, do qual, data vênia, o transcrevemos.
acrescentar que nao existe e.xplicação unânime. O que se sabe é que o con
sumo de maconha no Brasil aumenta --.em progressão geométrica e, para agravar o problema, existe clesmformação sobre sc.’s efeitos, ou, pior ainda,
verdadeira propaganda que apregca ser a maconha totalmente inócua e isenta de efeitos deletérios a longo prazo. Contraproducentes revelam-se ainda palestras e conferências dadas por leigos que, embora bem intencio nados, não têm conhecimento da matéria. Quando levadas aos jovens, essas
palestras apenas aguçam
a curiosidade,
sem orientá-los corretamente. O verificou que foi por curiosi
estudo realizado na Faculdade de Medicina
dade que todos os que uravam maconha se iniciaram nela- Foi estudada amostra de estudantes de quase todas as camadas sociais da Grande São Paulo e verificada percentagem surpreendentemente elevada de referên
cias quanto à necessidade de auxilio psicológico ou psiquiátrico, prlncipalmente de parte dos jovens que ainda não usaram maconha. Tanto as crian
ças como os adolescentes e joveng têm problemas, esperam que tudo melhore com
o
Os pais qur.se .s.emnrc
amadurecimento da pevson-ilida-de do
filho. Quando buscam auxílio profissional,
este raramente é eficaz e, às
vezes, contraproducente, sendo os pais, sobretudo as mães, acusados de “culpados”. No ambiente extradomiciliar que frequentam, os jovens encon tram apoio, afeto, compreensão e “tratamento” nas drog-as. Segundo o profMauro, o consumo da maconha constitui muitas vezes tentativa desesperada
de superação dos problemas. Ele conclui alertando que alguma coisa pre cisa eer felí-a urgentemente nesse setor, com ajuda das universidades que “têm ccnchçõe,3 de propor alguma coisa”.
(Do Boletim da U.S.P.)
L2pouge
“A cena se passa na Polô
nia, isto é, em lugar nenhum". Assim é apresentado o cenário do Père Ubu, a farsa de Alfred
Jarry escrita no começo deste século. E isso é verdade, mas é também uma verdade qne se
transforma em
seu
contrário,
pois a Polônia não existe, ou melhor, ela sempre teve de conquistar ao nada a sua vida, conquistá-la a seus inimigos, à
dela um país naturabnente he róico. Quando, em 1621, os poloneses foram pedir ao pa pa Paulo V que lhes desse algumas relíquias, este respon deu: “Apanhem um punhado da terra de sua pátria. Não há nela uma só parcela que não seja a relíquia de um mártir”.
Terra ossuário,
terra ali
mentada e fertilizada pelo ne
sua tragédia. De tal forma que
gro sangue dos mortos, e que
provavelmente nenhum país do mundo existe com tanta força
reconquista à morte, sem ces sar, sua própria vida. Essa é
quanto ela. Uma antiga fami
a Polônia. E
liaridade com 0 martírio
sobre sua geografia já explica
faz
um breve
olhar
118
DIGESTO
essa sua eterna parceria com 0 infortúnio: aberta por todos os lados, ela está cercada por
seus inimigos. Ao Sul, ela foi cobiçada pelos tártaros, turcos e austríacos. Ao Norte, o Báltico não impediu a chegada dos
ECONÔMICO
A RESISTÊNCIA
É claro que qualquer outro povo, atirado nessa engre nagem infernal, teria escolhido
0 silêncio, a escravidão, talvez a astúcia. Mas este povo, sa-
uma guerra que duraria cem anos. A Leste, a gigantesca Rússia espreita e, de tempos em tempos, lança suas legiões
be-se lá por que misteriosas razões, sempre preferiu a re sistência. Um exemplo disso é 0 anjo, que dá as horas, na torre da Igreja de Nossa Se
de mongóis, lituanos,
nhora de
então
temíveis
soviéticos
suecos,
para
russos,
Cracóvia
—
cidade
tão bela que até os nazistas a
stalinistas.
A Oeste, um outro guerrei
ro vigia: a Alemanha, de on de, século após século, vinham os germanos, os prussianos, os nazistas. A história dessa ter
ra é uma série de guerras, um
pouparam — e que, ao meiodia, bate apenas quatro bada ladas, em memória a um episó dio de resistência ao invasor ocorrido no século XIII. É a
história de um pastor que, ao ver os tártaros chegando per to de Cracóvia, alertou a cida
verdadeiro açougue, uma la dainha monótona. Igrejas são
de tocando sua
fechadas, a língua é proibida, as escolas fechadas. O país é riscado do mapa quatro vezes. Os mais vingativos o demolem
tes de ser morto com uma fle-
como se demole uma casa, até não ficar pedra sobre pedra.
Foi 0 que fez Hitler, que trans formou
Varsóvia
dade fantasma.
em
uma ci
trombeta. Mas
.só pôde dar quatro toques, an chada na garganta.
essas
histórias
119
tulski que o salvou de uma em boscada em que ele caíra. “São os poloneses e vôm vindo intei ramente
bêbados”
comentou
um ajudante de ordens de Napoleão. “Pois eu gostaria que todos os meus oficiais vives sem bêbados como esses heróis
poloneses”^ respondeu o Impe rador. Uma outra
versão con
ta que 0 ajudante teria dito: “Eles são loucos”. E isso, cer
tamente, é mais exato, pois es sa é a loucura do Deus que dá à Igreja sua luz invencível através dos séculos, a loucura da coragem que amontoa seus mortos.
Loucura, generosidade que,
como
se
elas fossem contemporâneas. Elas são numerosas. Em 1808,
Napoleão estava guerreando na Espanha, e tinha poloneses em seu exército. Pois foi justamen te a legião do general Kozie-
do
definitivamente
o
poderio
otomano.
Mas 0 imperador austríaco não perdoa a Polônia, recusan do até
mesmo
comida
a seu
exército. O orgulho também é uma especialidade polonesa (“sabemos morrer melhor do
que viver”), e eles voltam siienciosamente para casa. A liberdade
De que serviu a insurrei
ção de Varsóvia, com seus 300 mil civis mortos? Talvez à de fesa da honra e da liberdade, pontos sobre os quais os po sao loneses intransigentes. Aliás, quando eles já não têm
às vezes, faz fronteira com a Em 1683, paixao pelo inútil. quando a Polônia acabou de
mais um país para si mesmos,
sair exausta da guerra com os
do afora, participando de todas
suecos, Viena pede à Europa ajuda contra os 140 mil homens
as cruzadas pela liberdade, com Napoleão, entre os pobres da Comuna de Paris em 1871, se guindo Garibaldi ou Abraham Lincoln, nas barricadas de Vie
do exército otomano que a as
Os poloneses conhecem to das
DIGESTO ECONÔMICO
sediam. Luís XIV manda um
pequenino contingente. A Polô nia não espera um segundo
vamos
encontrá-los
pelo mun
na, do Canadá^ até mesmo de
chamado. Chefiada pelo rei Jan Sobieski, atira seus fran-
São Domingos.
galhos
Mas também, quando eles recuperam seu pais, sua histó ria, defendem sua liberdade de
de
exército contra
os
turcos, estraçalha-os, expulsaos, e salva a Europa, afastan-
118
DIGESTO
essa sua eterna parceria com 0 infortúnio: aberta por todos os lados, ela está cercada por
seus inimigos. Ao Sul, ela foi cobiçada pelos tártaros, turcos e austríacos. Ao Norte, o Báltico não impediu a chegada dos
ECONÔMICO
A RESISTÊNCIA
É claro que qualquer outro povo, atirado nessa engre nagem infernal, teria escolhido
0 silêncio, a escravidão, talvez a astúcia. Mas este povo, sa-
uma guerra que duraria cem anos. A Leste, a gigantesca Rússia espreita e, de tempos em tempos, lança suas legiões
be-se lá por que misteriosas razões, sempre preferiu a re sistência. Um exemplo disso é 0 anjo, que dá as horas, na torre da Igreja de Nossa Se
de mongóis, lituanos,
nhora de
então
temíveis
soviéticos
suecos,
para
russos,
Cracóvia
—
cidade
tão bela que até os nazistas a
stalinistas.
A Oeste, um outro guerrei
ro vigia: a Alemanha, de on de, século após século, vinham os germanos, os prussianos, os nazistas. A história dessa ter
ra é uma série de guerras, um
pouparam — e que, ao meiodia, bate apenas quatro bada ladas, em memória a um episó dio de resistência ao invasor ocorrido no século XIII. É a
história de um pastor que, ao ver os tártaros chegando per to de Cracóvia, alertou a cida
verdadeiro açougue, uma la dainha monótona. Igrejas são
de tocando sua
fechadas, a língua é proibida, as escolas fechadas. O país é riscado do mapa quatro vezes. Os mais vingativos o demolem
tes de ser morto com uma fle-
como se demole uma casa, até não ficar pedra sobre pedra.
Foi 0 que fez Hitler, que trans formou
Varsóvia
dade fantasma.
em
uma ci
trombeta. Mas
.só pôde dar quatro toques, an chada na garganta.
essas
histórias
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tulski que o salvou de uma em boscada em que ele caíra. “São os poloneses e vôm vindo intei ramente
bêbados”
comentou
um ajudante de ordens de Napoleão. “Pois eu gostaria que todos os meus oficiais vives sem bêbados como esses heróis
poloneses”^ respondeu o Impe rador. Uma outra
versão con
ta que 0 ajudante teria dito: “Eles são loucos”. E isso, cer
tamente, é mais exato, pois es sa é a loucura do Deus que dá à Igreja sua luz invencível através dos séculos, a loucura da coragem que amontoa seus mortos.
Loucura, generosidade que,
como
se
elas fossem contemporâneas. Elas são numerosas. Em 1808,
Napoleão estava guerreando na Espanha, e tinha poloneses em seu exército. Pois foi justamen te a legião do general Kozie-
do
definitivamente
o
poderio
otomano.
Mas 0 imperador austríaco não perdoa a Polônia, recusan do até
mesmo
comida
a seu
exército. O orgulho também é uma especialidade polonesa (“sabemos morrer melhor do
que viver”), e eles voltam siienciosamente para casa. A liberdade
De que serviu a insurrei
ção de Varsóvia, com seus 300 mil civis mortos? Talvez à de fesa da honra e da liberdade, pontos sobre os quais os po sao loneses intransigentes. Aliás, quando eles já não têm
às vezes, faz fronteira com a Em 1683, paixao pelo inútil. quando a Polônia acabou de
mais um país para si mesmos,
sair exausta da guerra com os
do afora, participando de todas
suecos, Viena pede à Europa ajuda contra os 140 mil homens
as cruzadas pela liberdade, com Napoleão, entre os pobres da Comuna de Paris em 1871, se guindo Garibaldi ou Abraham Lincoln, nas barricadas de Vie
do exército otomano que a as
Os poloneses conhecem to das
DIGESTO ECONÔMICO
sediam. Luís XIV manda um
pequenino contingente. A Polô nia não espera um segundo
vamos
encontrá-los
pelo mun
na, do Canadá^ até mesmo de
chamado. Chefiada pelo rei Jan Sobieski, atira seus fran-
São Domingos.
galhos
Mas também, quando eles recuperam seu pais, sua histó ria, defendem sua liberdade de
de
exército contra
os
turcos, estraçalha-os, expulsaos, e salva a Europa, afastan-
120
forma quase alucinada: em 1939, Varsóvia tinha 1.300.000
DIGESTO
ECONÔMICO
da Suíça. Essa é uma tradição admirável. Mas perigosa, ao
habitantes; em 1945, ao entrar
mesmo tempo, pois, à força de
na cidade, o Exército Verme lho encontrou quinze sobrevi
derramar seu sangue, é o pró prio país que acabará morren
ventes, quinze espectros. Entre 1939 e 1945, morreram sete mi lhões de poloneses, um pouco mais do que a população total
do se
continuar
insistindo
Terceiros
em
atirar-se assim, século após sé culo, contra inimigos que sem pre são mais fortes do que ele.
Mundos
Palinologia, nova área para estudo morfológico do pólen
9
Os grãos de pólen das plantas, além da importância que têm como células reprodutores masculinas, apresentam-se como elemento de valor classificatório (taxonômico) para vários fins, devido às oaracterístlca.s morfológicas — tamanho, forma, abertura (sulcos c poros) e ornamentação da exina (tegumento externo do grão de pólen). Devido à crescente utilidade para fins de aplicações e investigações, criou-se nova área na ciência botânica, a palinologia, para designar o estudo morfológico do pólen e dos esporos e suas aplicações. Essas informações foram prestadas pelo prof. Clovis Ferraz de Oliveira Santos, chefe do Departamento de Botânica da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”. Segundo ele. o ter mo palinologia foi criado por Kyde e Williams (1945), mas quem e.studou
o pólen pela primeira vez foi Marcelo Malpighi (1670j, empregando mi croscópios rudimentares, tendo observado que ele variava no tamanho, cor 6 forma nas diversas plantas. Posteriormente, outros pesquisadores descobriram novas características, como o número de aberturas (uma nas monocotiledôneas e trés nas dicotiledòneas).
Jean
Plerre Gomane
Com este título, a revista "Études",
de Paris^ publicou o seguinte artigo de Jean Pierre Gomane sobre os Terceiros Mundos.
O francês ama as idéias claras: o Terceiro Mundo era
uma delas. Imaginava-se mui to bem quais eram os dois ou tros
mundos:
o ocidental e
o
é bem n caso nessa matéria, da maioria de nossos compa triotas — pressentia, às vezes, alguma anomalia na homoge neidade assim postulada de
No início do século XX, o estudo do pólen conheceu grande impulso devido aos progressos na microsoupia ólica, princípalmente o microscópio eletrônico, à descoberta das alergias por ele provocadas e seu reconheci
socialista (1). O terceiro,
tanto. se definia de forma ne gativa e por simples elimina
mais de cem Estados situados
mento como guia-fóssil e elemento de valor na taxonomia vegetal. Aplicaçoes A palinologia engloba várias áreas especializadas. É o caso da palinotaxinomia. estudo do pólen sob o aspecto morfológico e taxonô mico das plantas superiores, que tem papel importante na solução de problemas filogenéticos e diagnese das plantas. É também pré-requisito essencial para as áreas aplicadas, pois esses estudos são feitos por processo
ção; não era n primeiro nem 0 segundo, era simplesmente
em todas as partes do mundo, com exceção da Europa. Aqui,
todo 0 resto.
por exemplo, eis um agregado
(Continua na ijágiim loüJ
por
É certo que o observaiior distraMo e algo indiferente —
Notas:
( 1)
loto para utilizar apenas termos
totalitário,
por exemplo.
nrutros. mas poder-se-ia escrever: o capitalista e o
120
forma quase alucinada: em 1939, Varsóvia tinha 1.300.000
DIGESTO
ECONÔMICO
da Suíça. Essa é uma tradição admirável. Mas perigosa, ao
habitantes; em 1945, ao entrar
mesmo tempo, pois, à força de
na cidade, o Exército Verme lho encontrou quinze sobrevi
derramar seu sangue, é o pró prio país que acabará morren
ventes, quinze espectros. Entre 1939 e 1945, morreram sete mi lhões de poloneses, um pouco mais do que a população total
do se
continuar
insistindo
Terceiros
em
atirar-se assim, século após sé culo, contra inimigos que sem pre são mais fortes do que ele.
Mundos
Palinologia, nova área para estudo morfológico do pólen
9
Os grãos de pólen das plantas, além da importância que têm como células reprodutores masculinas, apresentam-se como elemento de valor classificatório (taxonômico) para vários fins, devido às oaracterístlca.s morfológicas — tamanho, forma, abertura (sulcos c poros) e ornamentação da exina (tegumento externo do grão de pólen). Devido à crescente utilidade para fins de aplicações e investigações, criou-se nova área na ciência botânica, a palinologia, para designar o estudo morfológico do pólen e dos esporos e suas aplicações. Essas informações foram prestadas pelo prof. Clovis Ferraz de Oliveira Santos, chefe do Departamento de Botânica da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”. Segundo ele. o ter mo palinologia foi criado por Kyde e Williams (1945), mas quem e.studou
o pólen pela primeira vez foi Marcelo Malpighi (1670j, empregando mi croscópios rudimentares, tendo observado que ele variava no tamanho, cor 6 forma nas diversas plantas. Posteriormente, outros pesquisadores descobriram novas características, como o número de aberturas (uma nas monocotiledôneas e trés nas dicotiledòneas).
Jean
Plerre Gomane
Com este título, a revista "Études",
de Paris^ publicou o seguinte artigo de Jean Pierre Gomane sobre os Terceiros Mundos.
O francês ama as idéias claras: o Terceiro Mundo era
uma delas. Imaginava-se mui to bem quais eram os dois ou tros
mundos:
o ocidental e
o
é bem n caso nessa matéria, da maioria de nossos compa triotas — pressentia, às vezes, alguma anomalia na homoge neidade assim postulada de
No início do século XX, o estudo do pólen conheceu grande impulso devido aos progressos na microsoupia ólica, princípalmente o microscópio eletrônico, à descoberta das alergias por ele provocadas e seu reconheci
socialista (1). O terceiro,
tanto. se definia de forma ne gativa e por simples elimina
mais de cem Estados situados
mento como guia-fóssil e elemento de valor na taxonomia vegetal. Aplicaçoes A palinologia engloba várias áreas especializadas. É o caso da palinotaxinomia. estudo do pólen sob o aspecto morfológico e taxonô mico das plantas superiores, que tem papel importante na solução de problemas filogenéticos e diagnese das plantas. É também pré-requisito essencial para as áreas aplicadas, pois esses estudos são feitos por processo
ção; não era n primeiro nem 0 segundo, era simplesmente
em todas as partes do mundo, com exceção da Europa. Aqui,
todo 0 resto.
por exemplo, eis um agregado
(Continua na ijágiim loüJ
por
É certo que o observaiior distraMo e algo indiferente —
Notas:
( 1)
loto para utilizar apenas termos
totalitário,
por exemplo.
nrutros. mas poder-se-ia escrever: o capitalista e o
DIGESTO
122
brilhante e bem galante; mas,
ECONÔMICO
DIGESTO ECONÔMICO
123
não longe, eis um soldado ve lho, astuto e caçoista. Lá, um
te era — o Terceiro Mundo. De uma coisa se tinha certeza e ali mentava nossa boa consciên
sobre o conformismo de um pensamento que quase não se
1946 (3), quase não se preocu
renovou
desde
beduíno
cia: era preciso ajudá-lo a tor-
ca dos
“Terceiros
Grandes. Pretendiam manter suas distâncias: a Conferência
nar-se
militantes,
ainda se locomove de
camelo; noutro lugar^ já diri
semelhante
a
nós!
ge um Mercedes. Aquele, des
Atualmente, todas estas di
cobriu as delícias do liberalis
vergências interiores àquilo que chamávamos Terceiro Mun do, divergências de ordem na
mo em Oxford ou em Harvard; outro
converteu-se
ao
marxis
mo à “Patrice Lumumba” (2)
ou,
mais
agradavelmente,
à
moda da Sorbonne. Este Esta
do é dirigido por mulher;
no
vizinho^ jamais se encontrava uma mulher. Um. tem uma po pulação continental, outro a de uma capital de província. Em um, as pessoas se amontoam
nas cidades, em outro as caba nas são vistas espalhadas pelo campo. Certo grande Estado já existia quando Roma era ape nas um pequeno burgo; certa construção artificial batizada “nação” não passa de um agru pamento de etnias heterogê neas. Este nos invade com seu
tural,
demográfica,
política,
cultural, social, econômica, tor naram-se evidentes, para nós. graças, em particular, aos cen tros de distribuição da infor mação que. na ocorrência — uma vez não se transforma em
a
idade
herói
Mundistas”
atualmente
muito
Quem julga o presente pe la medida do passado se expõe, na verdade, a tais dissabores.
afro-asiática de Bandung, em março de 1955, estimulou um movimento que deveria resultar no não-alinhamento (4). Este chegou a desviar-se um pouco
O
no tempo de Sukarno, já gran
desiludidos.
Terceiro
Mundo
tornou-se
múltiplo e devemos nos confor
de fanfarrão do imperialismo.
mar com isso. É, portanto, a
No momento, Fidel Castro, pa
uma reposição em ordem, que deve se acompanhar de uma reposição em causa, que pre cisamos nos entregar imediata
rece, tem a intenção, de pros seguir nessa evolução, mas
costume —, parece ter repre
mente, se quisermos tomar par
sentado
te em um mundo que não seja 0 simples reflexo de nossas próprias nostalgias.
corretamente
seu pa
pel de despertar para a reali dade. Chegamos, portanto, a duvidar da validez do postula do, tão tranquilizador, em sua
simplicidade,
da
unidade
do
Terceiro Mundo. De fato.
este
Terceiro
Em
Mundo
existe?
pavam em servir de peões aos
UM
DENOMINADOR
COMUM
O Terceiro Mundo tinha nascido, há trinta anos mais ou
menos, da briga dos dois Gran
verdade, nós o temos encontra do, uns ou outros, mas isso há
des. Os novos Estados, saídos das descolonizaçõesconcedidas
vinte ou dez anos. Qual é, en
com maior ou
menor boa von
sem correr o risco de provocar
faíscas, menos ainda a explo são, no seio de um movimento em que Tito, único sobreviven te entre os pais fundadores, gostaria de permanecer fiel aos princípios originais. Nu merosos Estados moderados sustentam o movimento en tre cerca de noventa países
participantes (5). Desde Bandung, entretanto, menção expressa era feita, no comunicado final, da necessi dade de uma “cooperação eco-
têxtil; aquele nos suplica que lhe compremos o açúcar. Aqui a seca permanente; lá, inun dações endêmicas. Tudo isto.
tretanto, a realidade de hoje e
tade ou arrancadas a partir de
como podemos apreendê-la de modo a poder agir sobre ela?
( 3)
As Filipinas
ou seja, três quartos da huma
Seria perigoso e, de fato, per-
( 4)
nidade, é — ou mais exatamen¬
feitamente estéril, repousarmos
Afro-asiática a princípio. A confarência de Bandung foi essencialmente de participa ção asiática. A África não havia alcançado, na ocasião, sua era das independências.
5)
Dos quais três europeus: Chypre, Malta e, evidentemente, a Yugosiavia. Sobre o nãoaiinhamento e, noladamente, a úitlma conferência que se manteve em La Havana em setembro da 1979, cf. Eugòne Berg, "Os países não alinhados na encruzilhada dos caminhos", Délense nationale, outubro de 1979, p. 79-94.
(2)
A
universidade
acolhe
“Patrice
estudantes
do
Lumumbn"
Terceiro
da
Mundo.
amizade
dos
povos,
situa-sc
ein
Moscou
e
em 1946, a
(ndia em 1947.
DIGESTO
122
brilhante e bem galante; mas,
ECONÔMICO
DIGESTO ECONÔMICO
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não longe, eis um soldado ve lho, astuto e caçoista. Lá, um
te era — o Terceiro Mundo. De uma coisa se tinha certeza e ali mentava nossa boa consciên
sobre o conformismo de um pensamento que quase não se
1946 (3), quase não se preocu
renovou
desde
beduíno
cia: era preciso ajudá-lo a tor-
ca dos
“Terceiros
Grandes. Pretendiam manter suas distâncias: a Conferência
nar-se
militantes,
ainda se locomove de
camelo; noutro lugar^ já diri
semelhante
a
nós!
ge um Mercedes. Aquele, des
Atualmente, todas estas di
cobriu as delícias do liberalis
vergências interiores àquilo que chamávamos Terceiro Mun do, divergências de ordem na
mo em Oxford ou em Harvard; outro
converteu-se
ao
marxis
mo à “Patrice Lumumba” (2)
ou,
mais
agradavelmente,
à
moda da Sorbonne. Este Esta
do é dirigido por mulher;
no
vizinho^ jamais se encontrava uma mulher. Um. tem uma po pulação continental, outro a de uma capital de província. Em um, as pessoas se amontoam
nas cidades, em outro as caba nas são vistas espalhadas pelo campo. Certo grande Estado já existia quando Roma era ape nas um pequeno burgo; certa construção artificial batizada “nação” não passa de um agru pamento de etnias heterogê neas. Este nos invade com seu
tural,
demográfica,
política,
cultural, social, econômica, tor naram-se evidentes, para nós. graças, em particular, aos cen tros de distribuição da infor mação que. na ocorrência — uma vez não se transforma em
a
idade
herói
Mundistas”
atualmente
muito
Quem julga o presente pe la medida do passado se expõe, na verdade, a tais dissabores.
afro-asiática de Bandung, em março de 1955, estimulou um movimento que deveria resultar no não-alinhamento (4). Este chegou a desviar-se um pouco
O
no tempo de Sukarno, já gran
desiludidos.
Terceiro
Mundo
tornou-se
múltiplo e devemos nos confor
de fanfarrão do imperialismo.
mar com isso. É, portanto, a
No momento, Fidel Castro, pa
uma reposição em ordem, que deve se acompanhar de uma reposição em causa, que pre cisamos nos entregar imediata
rece, tem a intenção, de pros seguir nessa evolução, mas
costume —, parece ter repre
mente, se quisermos tomar par
sentado
te em um mundo que não seja 0 simples reflexo de nossas próprias nostalgias.
corretamente
seu pa
pel de despertar para a reali dade. Chegamos, portanto, a duvidar da validez do postula do, tão tranquilizador, em sua
simplicidade,
da
unidade
do
Terceiro Mundo. De fato.
este
Terceiro
Em
Mundo
existe?
pavam em servir de peões aos
UM
DENOMINADOR
COMUM
O Terceiro Mundo tinha nascido, há trinta anos mais ou
menos, da briga dos dois Gran
verdade, nós o temos encontra do, uns ou outros, mas isso há
des. Os novos Estados, saídos das descolonizaçõesconcedidas
vinte ou dez anos. Qual é, en
com maior ou
menor boa von
sem correr o risco de provocar
faíscas, menos ainda a explo são, no seio de um movimento em que Tito, único sobreviven te entre os pais fundadores, gostaria de permanecer fiel aos princípios originais. Nu merosos Estados moderados sustentam o movimento en tre cerca de noventa países
participantes (5). Desde Bandung, entretanto, menção expressa era feita, no comunicado final, da necessi dade de uma “cooperação eco-
têxtil; aquele nos suplica que lhe compremos o açúcar. Aqui a seca permanente; lá, inun dações endêmicas. Tudo isto.
tretanto, a realidade de hoje e
tade ou arrancadas a partir de
como podemos apreendê-la de modo a poder agir sobre ela?
( 3)
As Filipinas
ou seja, três quartos da huma
Seria perigoso e, de fato, per-
( 4)
nidade, é — ou mais exatamen¬
feitamente estéril, repousarmos
Afro-asiática a princípio. A confarência de Bandung foi essencialmente de participa ção asiática. A África não havia alcançado, na ocasião, sua era das independências.
5)
Dos quais três europeus: Chypre, Malta e, evidentemente, a Yugosiavia. Sobre o nãoaiinhamento e, noladamente, a úitlma conferência que se manteve em La Havana em setembro da 1979, cf. Eugòne Berg, "Os países não alinhados na encruzilhada dos caminhos", Délense nationale, outubro de 1979, p. 79-94.
(2)
A
universidade
acolhe
“Patrice
estudantes
do
Lumumbn"
Terceiro
da
Mundo.
amizade
dos
povos,
situa-sc
ein
Moscou
e
em 1946, a
(ndia em 1947.
DIGESTO ECONÔMICO
124
DIGESTO ECONÔMICO
125
co¬ dois tipos de fenômenos lonização e subdesenvolvimen
mento —, a outra econômica —
tinha preconizado a manuten ção de uma “conferência eco
to — parece, portanto^ eviden
0 subdesenvolvimento. De um
te, sua situação respectiva de
nômica
Tais
causa e de efeito é o objeto de
modo geral, portanto, e apesar de algumas notáveis exceções,
idéias resultaram na CNUCED, criada em 1963 (6). É, portan
constantes polêmicas, os histo
pode-se adiantar que o termo
tos observadores mais restriti
riadores como os
to, no seio deste areópago que
vos e situando-se em plano me nos discutível, 0 do desenvolvi
os países ditos do Terceiro Mundo, ou ainda em desenvol
pronunciando-se mais frequen temente em função de seu pró prio sistema de referência ideo
Terceiro Mundo, no sentido mais habitual, recobre, atual mente, como antes, esta dupla
nôraica
internacional”.
A con
ferência de Belgrado, em 1962, internacional”.
economistas
vimento. se reúnem no seio do
lógica. É bem possível que, na
grupo dito dos “77”. Atualmen te, graças ao reforço de uma
maioria dos casos, um subde
quarentena de outros países que durante esse tempo chega
bretudo tecnológico preexisten te tenha
tornado
ram à independência, este gru
empresa
colonial e
po comporta
por sua vez, tenha agravado
cento
e dezoito
membros (7). que, todos, têm
senvolvimento econômico e so mais fácil
a
que esta,
bem que em graus diversos, e têm, também, na sua quase to
tal situação em proporções su jeitas, aí também, a aprecia ções diversas. A colonização teria tido pelo menos esta uti lidade, a de facilitar a tomada
talidade a condição de, num
de consciência, de uma solida
momento de sua história, terem sofrido a dominação das gran des potências européias ou americanas, mais frequente
riedade de
em
comum
um
atraso
no
seu
desenvolvimento econômico, se
mente sob a forma colonial.
Se a correlação entre estes (li )
(UNCTAD
em
por
parte
daqueles que a sofreram. A re ferência à dominação ocidental
permitia, portanto, ligar duas noções de natureza diferente: o
uma política
CNUCED 6 a sigla tía "ConforSncia das Nações Unidas para volvimento"
(7 )
destino,
0
não-alinha-
Comércio
e
o
Desen-
inglês).
Precisemos que. no seio da CNUCED. a China não pertenço _ao grupo dos "77’', mas formo sozinha um grupo particular. O problema da religação da China ao Torceiro Mundo é muito controvertido, ein razão da posição particular do um país em todos os aspectos sem semelhanças. A movimento dos não-alinhados.
China, presente em Bandung. também não pertence ao
realidade.
Quando se estabelecem duas listas de paises. o grupo dos “77”
e o “movimento dos
não-alinhados” reúnem, na maioria dos casos, os mesmos
participantes. Só são excluídos do segundo grupo os países cujos laços com o “imperialis
desenvolvimento parecem, por tanto, constituir o denominador comum do Terceiro Mundo. Ob
servemos, entretanto, que cer
mento
econômico, conservam
apenas o segundo critério e definem o Terceiro Mundo “co
mo 0 conjunto dos países da América Central e do Sul, da
África e da Ásia, que fazem parte do grupo dito dos “77”.
Os países da Europa do Sul e a China dele não fazem par te” (9).
mo” são demasiado evidentes:
O PETRÓLEO,
a Coréia do Sul, por exemplo (8). Em compensação, o nãoalinhamento se esforça por con
quistar, quando não, a adesão, pelo menos a simpatia de paí ses desenvolvidos, que tenham sua política estrangeira mar cada pela neutralidade. Países
como a Áustria, a Suíça, a Fin lândia, são, assim, convidados
FATOR DE DIVISÃO Uma
mais
das recriminações permanentes e, aliás,
mais justificadas
do Terceiro
Mundo com relação aos paí ses desenvolvidos, consumido
às reuniões dos não-alinhados.
res vorazes de matérias-pri mas. se incluia na expressão da “degradação dos termos da
Apesar destas exceções margi nais, 0 não-alinhamento e o sub-
trializados.
[ 8)
Mas
{ 9)
Yves
a
República
Democrática
Berthelot.
Gérard
1978.
1.
Tardy
da Coréia
troca”,
dos países não-indusEstes
viam dimi-
(do Norte) também faz parte dela.
"O desafio econômico do Terceiro Mundo. Relatório ao comissariado geral para o Plano de 9 de janeiro de 1970", A Documentocão Fran
cesa,
vol.
p
17.
DIGESTO ECONÔMICO
124
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co¬ dois tipos de fenômenos lonização e subdesenvolvimen
mento —, a outra econômica —
tinha preconizado a manuten ção de uma “conferência eco
to — parece, portanto^ eviden
0 subdesenvolvimento. De um
te, sua situação respectiva de
nômica
Tais
causa e de efeito é o objeto de
modo geral, portanto, e apesar de algumas notáveis exceções,
idéias resultaram na CNUCED, criada em 1963 (6). É, portan
constantes polêmicas, os histo
pode-se adiantar que o termo
tos observadores mais restriti
riadores como os
to, no seio deste areópago que
vos e situando-se em plano me nos discutível, 0 do desenvolvi
os países ditos do Terceiro Mundo, ou ainda em desenvol
pronunciando-se mais frequen temente em função de seu pró prio sistema de referência ideo
Terceiro Mundo, no sentido mais habitual, recobre, atual mente, como antes, esta dupla
nôraica
internacional”.
A con
ferência de Belgrado, em 1962, internacional”.
economistas
vimento. se reúnem no seio do
lógica. É bem possível que, na
grupo dito dos “77”. Atualmen te, graças ao reforço de uma
maioria dos casos, um subde
quarentena de outros países que durante esse tempo chega
bretudo tecnológico preexisten te tenha
tornado
ram à independência, este gru
empresa
colonial e
po comporta
por sua vez, tenha agravado
cento
e dezoito
membros (7). que, todos, têm
senvolvimento econômico e so mais fácil
a
que esta,
bem que em graus diversos, e têm, também, na sua quase to
tal situação em proporções su jeitas, aí também, a aprecia ções diversas. A colonização teria tido pelo menos esta uti lidade, a de facilitar a tomada
talidade a condição de, num
de consciência, de uma solida
momento de sua história, terem sofrido a dominação das gran des potências européias ou americanas, mais frequente
riedade de
em
comum
um
atraso
no
seu
desenvolvimento econômico, se
mente sob a forma colonial.
Se a correlação entre estes (li )
(UNCTAD
em
por
parte
daqueles que a sofreram. A re ferência à dominação ocidental
permitia, portanto, ligar duas noções de natureza diferente: o
uma política
CNUCED 6 a sigla tía "ConforSncia das Nações Unidas para volvimento"
(7 )
destino,
0
não-alinha-
Comércio
e
o
Desen-
inglês).
Precisemos que. no seio da CNUCED. a China não pertenço _ao grupo dos "77’', mas formo sozinha um grupo particular. O problema da religação da China ao Torceiro Mundo é muito controvertido, ein razão da posição particular do um país em todos os aspectos sem semelhanças. A movimento dos não-alinhados.
China, presente em Bandung. também não pertence ao
realidade.
Quando se estabelecem duas listas de paises. o grupo dos “77”
e o “movimento dos
não-alinhados” reúnem, na maioria dos casos, os mesmos
participantes. Só são excluídos do segundo grupo os países cujos laços com o “imperialis
desenvolvimento parecem, por tanto, constituir o denominador comum do Terceiro Mundo. Ob
servemos, entretanto, que cer
mento
econômico, conservam
apenas o segundo critério e definem o Terceiro Mundo “co
mo 0 conjunto dos países da América Central e do Sul, da
África e da Ásia, que fazem parte do grupo dito dos “77”.
Os países da Europa do Sul e a China dele não fazem par te” (9).
mo” são demasiado evidentes:
O PETRÓLEO,
a Coréia do Sul, por exemplo (8). Em compensação, o nãoalinhamento se esforça por con
quistar, quando não, a adesão, pelo menos a simpatia de paí ses desenvolvidos, que tenham sua política estrangeira mar cada pela neutralidade. Países
como a Áustria, a Suíça, a Fin lândia, são, assim, convidados
FATOR DE DIVISÃO Uma
mais
das recriminações permanentes e, aliás,
mais justificadas
do Terceiro
Mundo com relação aos paí ses desenvolvidos, consumido
às reuniões dos não-alinhados.
res vorazes de matérias-pri mas. se incluia na expressão da “degradação dos termos da
Apesar destas exceções margi nais, 0 não-alinhamento e o sub-
trializados.
[ 8)
Mas
{ 9)
Yves
a
República
Democrática
Berthelot.
Gérard
1978.
1.
Tardy
da Coréia
troca”,
dos países não-indusEstes
viam dimi-
(do Norte) também faz parte dela.
"O desafio econômico do Terceiro Mundo. Relatório ao comissariado geral para o Plano de 9 de janeiro de 1970", A Documentocão Fran
cesa,
vol.
p
17.
I
DIGESTO
126
ECONÔMICO
nuir, em termos reais, o valor de suas exportações, essencial
nômica
mente constituídas por estas matérias-primas, minerais ou
mantido na Argélia em setem
agrícolas, em relação ao valor dos produtos acabados que
po, a expressão teve êxito, tan
eram obrigados a importar pa ra seu próprio desenvolvimen to. Isto mostra quanto o au mento do preço do petróleo foi,
nacionais quanto junto ao gran
num primeiro tempo,
saudado
talvez, não exatamente no sen
unanimemente pelo Terceiro Mundo como uma vitória, e a
tido desejado pela maioria do
satisfação, num caso particu lar, excepcionalmente favorá
vel, é verdade, de uma reivin dicação comum. Os países ex portadores de petróleo não in vocavam a noção de “justo pre ço”? Começou-se, então, a so
nhar, aqui
e ali, baseando-se
um pouco ligeiramente sobre este precedente com a organi zação de países exportadores de café ou de cacau, de urânio ou de amendoins que, calcando sua atitude sobre a da OPEP, teriam ditado suas condições aos consumidores.
Antecipando, aliás, de um mês 0 acontecimento
da guer
ra do Kippour, 0 Terceiro Mun do não exigia, pela voz do pre
sidente Boumedienne, a defini ção de uma “nova ordem eco-
0
internacional”,
encontro
bro de 1973?
dos
desde
não-alinhados
Desde
esse tem
to no seio das instâncias inter
de público. As relações de força sofreram, neste campo, profundas modificações, mas, Terceiro
Mundo.
Com
efeito,
todas as matérias-primas estão longe de ter a importância ou caráter insubstituível, até ago
DIGESTO ECONÔMICO
127
do industrializado, apesar de algumas veleidades de facha da, evitou cuidadosamente con tribuir para subverter funda mentalmente a situação ante rior que se pode qualificar, por antítese, de a antiga ordem. Esse mundo esforçava-se, no máximo, piara fazer valer al gumas reivindicações novas. A noção extremamente original e renovadora, revolucionária em certos aspectos, de “patrimônio
res, não obstante pertencessem, uns e outros, ao Terceiro Mun-
comum da
do.
humanidade”,
da
interminável
a
as Nações Unidas editaram, em fins de 1974, a “carta dos di
ber o quanto tinham sido ludi briados numa operação que de veria, ao contrário, ter provo cado um processo libertador.
reitos e deveres econômicos dos Estados”. Ê certo que. no
timas do aumento
dos preços
consumiam cada vez mais ener
lo problema da energia, o mun-
Esta trinca mais profunda,
importante.
(11)
A convenção de
Lomé foi
concluída
cinquentena de
Sem dúvida ssrá
até mesmo evitada. No entanto, a divisão do Terceiro Mundo se
manifesta, discreta mas fre quentemente, por certos inci dentes ou protestos. Viu-se isso, particularmente, por ocasião da quinta
sessão da CNUCED
em maio de 1979, em Manilha.
Não era, entretanto, por falta de se ter cuidado minuciosamente
de estabelecer uma posição em comum, (11). Assim, dos oito
ropéia (10). É certo que foi fei(10)
dos consumido
talvez que na aparência, não provocou, até agora, ruptura
ros, batizado Stabex, esforçase por regularizar os orçamen tos das exportações dos países do Terceiro Mundo associados à Comunidade Econômica Eu
0 próprio desenvolvimento? Obnubilado unicamente pe
dos interesses
quadro restrito da convenção de Lomó, um sistema de segu
gia esforçando-se em promover
exportado
res de petróleo, e os defensores
materializar-se. É certo que
res ou insuficientemente pro dutores não tardaram a perce
do petróleo, ao mesmo título que os países desenvolvidos, e isso tanto mais que, economica mente frágeis e vulneráveis,
dois grupos distintos. Estados representantes dos
conferência
do direito do mar, não chegou
Não eram eles, também, as vi
vida no desacordo, tinha con firmado implicitamente a fenda progressiva verificada a partir da crise de 1974, separando em
evn-
ra, do petróleo. Os países do não-produto-
na avenida Kiéber, que, além
de ter-se atolado, sendo dissol
cada pela primeira vez no seio
Terceiro
Mundo
ta uma conferência em Paris,
em
1975 e renovada em 1979 entre os nove Estados, a maioria antigos territórios coloniais
Estados da
CEE o uma
do um ou 03 países
de outro dos Nove e situados em sua grande maioria na África, embora do Terceiro Mundo assim associados sejam agrupados sob a abreviatura
AGP: África, Caralbas, Pacífico. Chamado "documento de Arusha", cidade da Tanzânia ondo os ministros
dos
Assuntos
estrangeiros do grupo dos "77" haviam realizado uma Conferência preparatória durante
o
mês
de fevereiro
precedente.
I
DIGESTO
126
ECONÔMICO
nuir, em termos reais, o valor de suas exportações, essencial
nômica
mente constituídas por estas matérias-primas, minerais ou
mantido na Argélia em setem
agrícolas, em relação ao valor dos produtos acabados que
po, a expressão teve êxito, tan
eram obrigados a importar pa ra seu próprio desenvolvimen to. Isto mostra quanto o au mento do preço do petróleo foi,
nacionais quanto junto ao gran
num primeiro tempo,
saudado
talvez, não exatamente no sen
unanimemente pelo Terceiro Mundo como uma vitória, e a
tido desejado pela maioria do
satisfação, num caso particu lar, excepcionalmente favorá
vel, é verdade, de uma reivin dicação comum. Os países ex portadores de petróleo não in vocavam a noção de “justo pre ço”? Começou-se, então, a so
nhar, aqui
e ali, baseando-se
um pouco ligeiramente sobre este precedente com a organi zação de países exportadores de café ou de cacau, de urânio ou de amendoins que, calcando sua atitude sobre a da OPEP, teriam ditado suas condições aos consumidores.
Antecipando, aliás, de um mês 0 acontecimento
da guer
ra do Kippour, 0 Terceiro Mun do não exigia, pela voz do pre
sidente Boumedienne, a defini ção de uma “nova ordem eco-
0
internacional”,
encontro
bro de 1973?
dos
desde
não-alinhados
Desde
esse tem
to no seio das instâncias inter
de público. As relações de força sofreram, neste campo, profundas modificações, mas, Terceiro
Mundo.
Com
efeito,
todas as matérias-primas estão longe de ter a importância ou caráter insubstituível, até ago
DIGESTO ECONÔMICO
127
do industrializado, apesar de algumas veleidades de facha da, evitou cuidadosamente con tribuir para subverter funda mentalmente a situação ante rior que se pode qualificar, por antítese, de a antiga ordem. Esse mundo esforçava-se, no máximo, piara fazer valer al gumas reivindicações novas. A noção extremamente original e renovadora, revolucionária em certos aspectos, de “patrimônio
res, não obstante pertencessem, uns e outros, ao Terceiro Mun-
comum da
do.
humanidade”,
da
interminável
a
as Nações Unidas editaram, em fins de 1974, a “carta dos di
ber o quanto tinham sido ludi briados numa operação que de veria, ao contrário, ter provo cado um processo libertador.
reitos e deveres econômicos dos Estados”. Ê certo que. no
timas do aumento
dos preços
consumiam cada vez mais ener
lo problema da energia, o mun-
Esta trinca mais profunda,
importante.
(11)
A convenção de
Lomé foi
concluída
cinquentena de
Sem dúvida ssrá
até mesmo evitada. No entanto, a divisão do Terceiro Mundo se
manifesta, discreta mas fre quentemente, por certos inci dentes ou protestos. Viu-se isso, particularmente, por ocasião da quinta
sessão da CNUCED
em maio de 1979, em Manilha.
Não era, entretanto, por falta de se ter cuidado minuciosamente
de estabelecer uma posição em comum, (11). Assim, dos oito
ropéia (10). É certo que foi fei(10)
dos consumido
talvez que na aparência, não provocou, até agora, ruptura
ros, batizado Stabex, esforçase por regularizar os orçamen tos das exportações dos países do Terceiro Mundo associados à Comunidade Econômica Eu
0 próprio desenvolvimento? Obnubilado unicamente pe
dos interesses
quadro restrito da convenção de Lomó, um sistema de segu
gia esforçando-se em promover
exportado
res de petróleo, e os defensores
materializar-se. É certo que
res ou insuficientemente pro dutores não tardaram a perce
do petróleo, ao mesmo título que os países desenvolvidos, e isso tanto mais que, economica mente frágeis e vulneráveis,
dois grupos distintos. Estados representantes dos
conferência
do direito do mar, não chegou
Não eram eles, também, as vi
vida no desacordo, tinha con firmado implicitamente a fenda progressiva verificada a partir da crise de 1974, separando em
evn-
ra, do petróleo. Os países do não-produto-
na avenida Kiéber, que, além
de ter-se atolado, sendo dissol
cada pela primeira vez no seio
Terceiro
Mundo
ta uma conferência em Paris,
em
1975 e renovada em 1979 entre os nove Estados, a maioria antigos territórios coloniais
Estados da
CEE o uma
do um ou 03 países
de outro dos Nove e situados em sua grande maioria na África, embora do Terceiro Mundo assim associados sejam agrupados sob a abreviatura
AGP: África, Caralbas, Pacífico. Chamado "documento de Arusha", cidade da Tanzânia ondo os ministros
dos
Assuntos
estrangeiros do grupo dos "77" haviam realizado uma Conferência preparatória durante
o
mês
de fevereiro
precedente.
DIGESTO
128
ponto fixados, nenhum mencio nava a imposição de penas pe lo aumento do preço do petró leo sofrido pelos países não produtores. O tabu petroleiro foi finalmente violado
em Ma-
nilha pelo representante da Costa Rica — país que não ti nha participado da reunião preparatória — mas seu pro testo foi mal sucedido diante da
promessa feita pela OPEP de evocar posteriormente este pro
blema, 0 que,
aliás, foi feito
em Caracas em dezembro últi
mo. Assim, uma vez mais,
o
Terceiro Mundo continuou for-
malmente unido, embora, para numerosos participantes, a di nâmica unitária pareça bastan te enfraquecida. Para tentar devolver-lhe vigor num plano menos espinhoso, a ênfase c
ECONÔMICO
tram-se Cuba e Vietnã (13).
Nacional Bruto CPNB) por habi tante em 1976, avaliado em dó lares, varie nos "países indus
O resto, quer dizer, aproxi madamente, os cento e vinte países que constituem teorica
trializados” de 1.010 para a Turquia a 9.160 para Suíça; nos "países de economia plani-
a 4.520 para a Alemanha do Lcsbs; nos "países petroleiros
matizá-los, ou s'£'ja diversificá-
mente 0 Terceiro Mundo, apa recem sob três rubricas dife rentes Prim'edro, encontramos uma lista extremamenterestri
maneira
"paísies
mentariedade
com
a
frase
"cooperação Sul-Sul”. Do Terceiro
Mundo aos
Terceiros Mundos
À
luz dos
acontecimentos
que relembramos brevemente em grandes linhas, parece, por
tanto,
necessário, rever
los, os critérios utilizados,
para
de
demasiado esquemá-
tica e global, para definir os participantes do Terceiro Mun
do. Diversos sistemas de clas sificação foram desenvolvidos desde 1974, alguns privilegian do de modo talvez excessivo o fator petroleiro (12). O Banco
ro Mundo, posto que, ao lado da URSS ou da RDA, encon
ta: 7 países
exced’entário”. Todos os Esta dos membros da OPEP nao
aparecem, portanto, neste grupo, mas
tados ao mesmo tempo de uma fraca população e de uma pro
dução
sistema econômico e,
mes-
meiros países
Estados) de um lado, e os “paí
mesmo sobr.e sua desigualdade
ses de economia
mundos, ou seja, os industrializados (25
guagem jornalística corrente, os garantidos". Digamos, para
(14)
102, junho de 1974.
como
alcançando ou até mesmo ultra passando nitidamente o dos cha"países industrializados mados também às vezes, na lin
falsa penúria, conflitos reais’ .
n.o
de
subdesenvolvidos
aspectos,
em
muitos
dispõem dos meios
finanosáros necessários para remediar seu “handicap” e ob viar ao seu atraso adqjirindo não somente equipamentos, mas
parte dos países mais ricos do mundo, o produto "per capita”
(13)
Paris,
excedentário”,
2.620 para o Sultana to de Oman a 14.480 para os Emirados Ára bes Unidos (14). Estes Estados petroleiros, que se tomaram brutalmente ricos a partir de 1974, mas que permaneceram
também pessoal capaz de pô-lo:^
de, dois países ditos do Tercei-
Aíriconos.
de capital
para o Vietnã
em ação. Quando estes mesmos
Mundo esfor
(12) Cf Ignacy Sachs, "Energia e prospectivo Internacional;
ficada”, de 160
fazendo
çam-se por exaltar sua complePolíticos
importante,
elementos conjuga-
Todos são árabes e podem ser
planificada" (13 Estadois) de outro, estes últimos comportando, é verda
Estudos
petroleira
estes dois
consideradexs
ao
apoiando-sé por hábil parado xo, sobre sua diferença, até
de
somente os países do-
reagrupamento do conjunto dos Estados do mundo, segundo o
entre estes dois países. Assim,
Revista
de
dos justificando a denominação.
nio tempo, segundo o nível do produto “per capita”; é assim que encontramos os dois pri
ses do Terceiro
qualificados
petroleiros de capital
Mundial dedicou-se, no seu re latório anual de 1978, a um
posta, de preferência, no discur so dos “77”), sobre o interêsse de uma cooperação justamente
doravante reconhecida, os paí
129
DIGBSTO ECONÔMICO
fixar a;3 idéias, que o Produto
paí&es chegam, além disso,
a
produzir um excedente, que é o
caso maüs frequente, eles o uti lizam, pelo menos parcialmen te, para investi-lo nos países Industrializados de preferência, de modo a perpetuar os lucros tirados, hoje, do petróleo quan-
O auadro foi reorodurldo parcialmente no suplemento do jornal "Le Momie”, 24-25 de Junho de 1979. acompanhado do um dossier Intitulado: "Um único mundo, suple mento mundial
para uma nova ordem econômica
Lembremos que para a França 6 de 6.730.
Internacional”.
DIGESTO
128
ponto fixados, nenhum mencio nava a imposição de penas pe lo aumento do preço do petró leo sofrido pelos países não produtores. O tabu petroleiro foi finalmente violado
em Ma-
nilha pelo representante da Costa Rica — país que não ti nha participado da reunião preparatória — mas seu pro testo foi mal sucedido diante da
promessa feita pela OPEP de evocar posteriormente este pro
blema, 0 que,
aliás, foi feito
em Caracas em dezembro últi
mo. Assim, uma vez mais,
o
Terceiro Mundo continuou for-
malmente unido, embora, para numerosos participantes, a di nâmica unitária pareça bastan te enfraquecida. Para tentar devolver-lhe vigor num plano menos espinhoso, a ênfase c
ECONÔMICO
tram-se Cuba e Vietnã (13).
Nacional Bruto CPNB) por habi tante em 1976, avaliado em dó lares, varie nos "países indus
O resto, quer dizer, aproxi madamente, os cento e vinte países que constituem teorica
trializados” de 1.010 para a Turquia a 9.160 para Suíça; nos "países de economia plani-
a 4.520 para a Alemanha do Lcsbs; nos "países petroleiros
matizá-los, ou s'£'ja diversificá-
mente 0 Terceiro Mundo, apa recem sob três rubricas dife rentes Prim'edro, encontramos uma lista extremamenterestri
maneira
"paísies
mentariedade
com
a
frase
"cooperação Sul-Sul”. Do Terceiro
Mundo aos
Terceiros Mundos
À
luz dos
acontecimentos
que relembramos brevemente em grandes linhas, parece, por
tanto,
necessário, rever
los, os critérios utilizados,
para
de
demasiado esquemá-
tica e global, para definir os participantes do Terceiro Mun
do. Diversos sistemas de clas sificação foram desenvolvidos desde 1974, alguns privilegian do de modo talvez excessivo o fator petroleiro (12). O Banco
ro Mundo, posto que, ao lado da URSS ou da RDA, encon
ta: 7 países
exced’entário”. Todos os Esta dos membros da OPEP nao
aparecem, portanto, neste grupo, mas
tados ao mesmo tempo de uma fraca população e de uma pro
dução
sistema econômico e,
mes-
meiros países
Estados) de um lado, e os “paí
mesmo sobr.e sua desigualdade
ses de economia
mundos, ou seja, os industrializados (25
guagem jornalística corrente, os garantidos". Digamos, para
(14)
102, junho de 1974.
como
alcançando ou até mesmo ultra passando nitidamente o dos cha"países industrializados mados também às vezes, na lin
falsa penúria, conflitos reais’ .
n.o
de
subdesenvolvidos
aspectos,
em
muitos
dispõem dos meios
finanosáros necessários para remediar seu “handicap” e ob viar ao seu atraso adqjirindo não somente equipamentos, mas
parte dos países mais ricos do mundo, o produto "per capita”
(13)
Paris,
excedentário”,
2.620 para o Sultana to de Oman a 14.480 para os Emirados Ára bes Unidos (14). Estes Estados petroleiros, que se tomaram brutalmente ricos a partir de 1974, mas que permaneceram
também pessoal capaz de pô-lo:^
de, dois países ditos do Tercei-
Aíriconos.
de capital
para o Vietnã
em ação. Quando estes mesmos
Mundo esfor
(12) Cf Ignacy Sachs, "Energia e prospectivo Internacional;
ficada”, de 160
fazendo
çam-se por exaltar sua complePolíticos
importante,
elementos conjuga-
Todos são árabes e podem ser
planificada" (13 Estadois) de outro, estes últimos comportando, é verda
Estudos
petroleira
estes dois
consideradexs
ao
apoiando-sé por hábil parado xo, sobre sua diferença, até
de
somente os países do-
reagrupamento do conjunto dos Estados do mundo, segundo o
entre estes dois países. Assim,
Revista
de
dos justificando a denominação.
nio tempo, segundo o nível do produto “per capita”; é assim que encontramos os dois pri
ses do Terceiro
qualificados
petroleiros de capital
Mundial dedicou-se, no seu re latório anual de 1978, a um
posta, de preferência, no discur so dos “77”), sobre o interêsse de uma cooperação justamente
doravante reconhecida, os paí
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DIGBSTO ECONÔMICO
fixar a;3 idéias, que o Produto
paí&es chegam, além disso,
a
produzir um excedente, que é o
caso maüs frequente, eles o uti lizam, pelo menos parcialmen te, para investi-lo nos países Industrializados de preferência, de modo a perpetuar os lucros tirados, hoje, do petróleo quan-
O auadro foi reorodurldo parcialmente no suplemento do jornal "Le Momie”, 24-25 de Junho de 1979. acompanhado do um dossier Intitulado: "Um único mundo, suple mento mundial
para uma nova ordem econômica
Lembremos que para a França 6 de 6.730.
Internacional”.
I
130
DIGESTO
do este se esgotar. Uma parte, enfim, destes capitais, vai se-investir no
resto do
Terceiro
Mundo sob forma ds ajuda pa ra tentar acalmar os protestos como os que se elevaram por ocasião da Conferência de Ma-
nilha, evocada
acima. Múlti
plos estabelecimentos bancários de capitaüs árabes foram cria dos com essa finalidade e par.ecc' que os principais investi dores nos países em desenvolvi-
meito são o Kuwait, a Arábia Saudita e a Líbia (15).
Certos
países do Terceiro
Mundo, a maioria desprovidos de petróleo, mas dotados d: uma infra-estrutura
industrial
não negligenciável, reagiram à
crise, agravada mas não provocada excluslvamente pelo
aumento dos preços do petró leo, exatamente como o fizeram os países ditos industrializados, quer dizer, esforçando-se para aumentar suas exportações
a
fim da equilibrar sua balança exterior endividada pela fatura petroleira. Este processo nos é familiar, é o mesmo preconiza¬ (15)
Segundas
Intenções
sentes
tipo
deste
políticas, de
ação
até mas
ECONÔMICO
do por nossa própria conta pe los nossos dirigentes políticos. Mas parece ter sido realizado com maior dinamismo e eficá
cia nos
paísesi
do
culdade suplementar no cami nho de seu desenvolvimento foi como um estimulante para le var a bom termo uma “indus
trialização que se
rápida”. É
assim
qualificam, às
vezes,
estes Esítados que, levando em conta trunfos importantes, mo uma menor retribuição
sua mão-de-obra,
no mercado mundial, pelo me nos em certos setores, uma con corrência
países,
assustadora.
entretanto,
(16)
Estes
não
são
muito numerosos — no máximo
uma quarentena — e quase to dos figuram na lista intitula da pelo Banco Mundial: “País em desenvolvimento
de renda
média (16). As vedetes são co
nhecidas, da Coréia do Sul ao Brasil ou
do Irã à Costa
do
Marfim, único país da África, no Sul do Sahara a entrar nes
ta categoria, surgida sobretudo
proselitismo havería
co de
introduziram
religioso. nSo estão certamento alguma inconseguêncla do nossa parte
nos espantarmos ou nos Indignarmos, pois esta foi. e continua sendo, na
Terceiro
Mundo para os quais esta difi
au em
o prática geral
matéria.
O PNB per capito dos países desta categoria vai da 410 para a Liberla a 2.590 para CIngapura (em
dólares
e para
1976).
131
DIGESTO ECONÔMICO
na Asia Oriental, na América
Latina
e, a menor título,
no
ficientes para constituir espaços econômicos viáveis, parece um
Sem que todos
handicap sério, quando não re-
possam atingir asj realizações dos quatro ou cinco primeiros dentre eles, esses países não são de'sp‘rovidos de trunfos de diversas natui'ezas_ Alguns são, além disso, exportadores de petróleo (Equador, Argélia.
dibitório. O Banco Mundial clasislfica-os como "países em
mundo árabe.
Laque,
Venezuela), e pode-se
prever, bastante favoravelmen
te 0 seu desenvolvimento econômico, apesar
das dificuldades
específicas de um ou de outro lado, consistindo elas, mais fre quentemente, nos dois campo.s conexos
da
demografia e
da
produção alimentar (17). Infelizmente
o caso
dos
sessenta países restantes parece .sor completamente diferen-
te, um terço aproximadamente,
sendo aliás constituído de miniestados — menos de 1 milhão de habitantes —, ou até mesmo de micro-e.stados — menos de 100.000! Sua pobreza intrínse
ca, acrescida, em alguns deles,
psías dimensões humanas insu-
desenvolvimento de fraca
ren
da” indo do Butan (80 dólares
de PNB por habitante) ao Se negal (410, cifras de 1976) (18). Observemos que dois dentre eles figuram entre os exporta dores de petróleo, explicando-se sámplelsmente sua pobreza re lativa por um peso demográfi co considerável; trata-se da Indonésia e da Nigéria. Enfim, os vinte e cinco últimos países desta lista, qualificados pudlcameute pelais. Nações Unidas
de “países menos adiantados”, entre os quais se encontram de
zessete países situadas na Áfri ca ao Sul do Sahara, desde já considerados, sem vãs precau
ções diplomáticaiS', como deven do sobreviver, no futuro, ape nas por um constante recurso à solidariedade mundial. Me didas de socorro totalmente es
pecíficas, tais como perdão de
Í17) Só fazíamos intervir aqui fatores econômicos. Mas i precedente Iraniano nos prova Que não são os únicos a entrarem em consideração. fim ^10 sobretudo Ilhas ou arquipélagos das Caraibas, do oceano Índico ou do Pacífico tondo rocentemente atingido ou no ponto de atingir uma Independência tao oficial
Quanto formal O caso do Sultanato de Brunei. no Norte de Borneu, é exemplar a osse respeito, este território de 160.000 habitantes tendo sido, segundo os termos do seus dirigentes, "condenado à Independência" pela Grã-Bretanha em 1963.
I
130
DIGESTO
do este se esgotar. Uma parte, enfim, destes capitais, vai se-investir no
resto do
Terceiro
Mundo sob forma ds ajuda pa ra tentar acalmar os protestos como os que se elevaram por ocasião da Conferência de Ma-
nilha, evocada
acima. Múlti
plos estabelecimentos bancários de capitaüs árabes foram cria dos com essa finalidade e par.ecc' que os principais investi dores nos países em desenvolvi-
meito são o Kuwait, a Arábia Saudita e a Líbia (15).
Certos
países do Terceiro
Mundo, a maioria desprovidos de petróleo, mas dotados d: uma infra-estrutura
industrial
não negligenciável, reagiram à
crise, agravada mas não provocada excluslvamente pelo
aumento dos preços do petró leo, exatamente como o fizeram os países ditos industrializados, quer dizer, esforçando-se para aumentar suas exportações
a
fim da equilibrar sua balança exterior endividada pela fatura petroleira. Este processo nos é familiar, é o mesmo preconiza¬ (15)
Segundas
Intenções
sentes
tipo
deste
políticas, de
ação
até mas
ECONÔMICO
do por nossa própria conta pe los nossos dirigentes políticos. Mas parece ter sido realizado com maior dinamismo e eficá
cia nos
paísesi
do
culdade suplementar no cami nho de seu desenvolvimento foi como um estimulante para le var a bom termo uma “indus
trialização que se
rápida”. É
assim
qualificam, às
vezes,
estes Esítados que, levando em conta trunfos importantes, mo uma menor retribuição
sua mão-de-obra,
no mercado mundial, pelo me nos em certos setores, uma con corrência
países,
assustadora.
entretanto,
(16)
Estes
não
são
muito numerosos — no máximo
uma quarentena — e quase to dos figuram na lista intitula da pelo Banco Mundial: “País em desenvolvimento
de renda
média (16). As vedetes são co
nhecidas, da Coréia do Sul ao Brasil ou
do Irã à Costa
do
Marfim, único país da África, no Sul do Sahara a entrar nes
ta categoria, surgida sobretudo
proselitismo havería
co de
introduziram
religioso. nSo estão certamento alguma inconseguêncla do nossa parte
nos espantarmos ou nos Indignarmos, pois esta foi. e continua sendo, na
Terceiro
Mundo para os quais esta difi
au em
o prática geral
matéria.
O PNB per capito dos países desta categoria vai da 410 para a Liberla a 2.590 para CIngapura (em
dólares
e para
1976).
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DIGESTO ECONÔMICO
na Asia Oriental, na América
Latina
e, a menor título,
no
ficientes para constituir espaços econômicos viáveis, parece um
Sem que todos
handicap sério, quando não re-
possam atingir asj realizações dos quatro ou cinco primeiros dentre eles, esses países não são de'sp‘rovidos de trunfos de diversas natui'ezas_ Alguns são, além disso, exportadores de petróleo (Equador, Argélia.
dibitório. O Banco Mundial clasislfica-os como "países em
mundo árabe.
Laque,
Venezuela), e pode-se
prever, bastante favoravelmen
te 0 seu desenvolvimento econômico, apesar
das dificuldades
específicas de um ou de outro lado, consistindo elas, mais fre quentemente, nos dois campo.s conexos
da
demografia e
da
produção alimentar (17). Infelizmente
o caso
dos
sessenta países restantes parece .sor completamente diferen-
te, um terço aproximadamente,
sendo aliás constituído de miniestados — menos de 1 milhão de habitantes —, ou até mesmo de micro-e.stados — menos de 100.000! Sua pobreza intrínse
ca, acrescida, em alguns deles,
psías dimensões humanas insu-
desenvolvimento de fraca
ren
da” indo do Butan (80 dólares
de PNB por habitante) ao Se negal (410, cifras de 1976) (18). Observemos que dois dentre eles figuram entre os exporta dores de petróleo, explicando-se sámplelsmente sua pobreza re lativa por um peso demográfi co considerável; trata-se da Indonésia e da Nigéria. Enfim, os vinte e cinco últimos países desta lista, qualificados pudlcameute pelais. Nações Unidas
de “países menos adiantados”, entre os quais se encontram de
zessete países situadas na Áfri ca ao Sul do Sahara, desde já considerados, sem vãs precau
ções diplomáticaiS', como deven do sobreviver, no futuro, ape nas por um constante recurso à solidariedade mundial. Me didas de socorro totalmente es
pecíficas, tais como perdão de
Í17) Só fazíamos intervir aqui fatores econômicos. Mas i precedente Iraniano nos prova Que não são os únicos a entrarem em consideração. fim ^10 sobretudo Ilhas ou arquipélagos das Caraibas, do oceano Índico ou do Pacífico tondo rocentemente atingido ou no ponto de atingir uma Independência tao oficial
Quanto formal O caso do Sultanato de Brunei. no Norte de Borneu, é exemplar a osse respeito, este território de 160.000 habitantes tendo sido, segundo os termos do seus dirigentes, "condenado à Independência" pela Grã-Bretanha em 1963.
132
DIGESTO
dívidas, préstimos
ajuda alimentar, não
em
"reembolsáveis”
são preconizadas por diversas instâncias internacionais a seu favor
ECONÔMICO
ta diferença de tratamento já entrou amplamente na prática, mas não é talvez supérfluo exa minar seu mecanismo, bem co mo julgar &9U bom fundamen¬ to.
Para uma política diferenciada
Em razão do conteúdo emo cional que se liga atualmente a
esta matéria-prima, o petrólso parece ter agido tanto como ca talisador quanto como real fa tor seletivo no estabelecimento
»
de uma tipologia nova qu-c passou a dividir os países do Terceiro Mundo em três cate gorias. É certo que encontra mos na primeira só paises ex portadores de petróleo, mas
outros membros da OPEP figu
Os ‘‘países petroleiros de capital excedente” aparecem, antes de tudo, como clientes
rentáveib, ainda que mais
es
clarecidos e mais exigentes do que poderiamos esperar por
parte
de
interlocutores
não dispondo, como nós, de uma longa experiência em matéria de relações econômicas internacionais. Após um breve período durante o qual soubemols
usar
e talvez
abusar de comportamentos que se aparentavam com os de no
133
DIGESTO ECONÔMICO
em relação a tal diálogo muitos
surda luta
preconceitos. Estes países não
África, uma vez que se trata essencialmente dela, poderá,
se desinteressam absolutamen te do resto do Terceiro Mundo,
do qual parecem ter^se afasta do involuntariamente, em razão mesmo da sua recente riqueza.
Chegou-se também a imaginar um sistema que, sob pretexto
nos
garantem as compras dos
países do Terceiro Mundo, até
mesmo dos mais pobres (19) Tal é o mecanismo novo conhe
cido de agora em diante
pelo
à maioria dos membros do gru po,
excessivas,
uma problemática diferen
te nas suas r-elações com o mundo desenvolvido; portanto, no que nos concerne mais dire
tamente, com a Europa, e par ticularmente com a França. Es-
não figura
para
eles a não ser como alternati
va num jogo econômico e diplo mático que eles dominam com uma sutileza inesperada por parte de quem professava
sós, não temos mais meios pa ra lhe prodigar! Esta comstru-
diamente num mundo em
de condomínio euro-árabe, que
cada um dos três conjuntos parece realçar, não obstante as características gerais comun.3
ciar-se da nossa tecnologia assim como da nossa experiên cia em desenvolvimento, que,
cos e pobres, consiste de fato, em obter sua participação e-m encargo financeiro que suportávamos até agora, conservan do ao mesmo tempo para nós as vantagens econômicas que
sentavam de forma alguma co mo pedintes e .sobre os buais fundamos esperanças talvez
de passagem. Em compensação,
pelo menos, continuar a benefi
ção intelectual extremamente brilhante, será marcada de ci
nome de Trilogo, cujo resulta
na terceira, como observamo}
A
de restabelecer uma certa for ma de solidariedade entre ri-
vos ricos, estes países foram capazes de utUizar, muito ha bilmente', a concorrência inter nacional Alssim o diálogo euroárabe, no qual eles não se apre
ram na segunda e até mesmo
de influências.
do será, se tuir a
funcionar, substi
dominação, imposta
à
África pela Europa durante a
era colonial, por uma espéci £'
promete ser tempestuoso se jul garmos pelos primeiros efeitos do que aparece mais como uma (19)
nismo ou de ingenuidade? De qualquer modo ela comete o erro de apresentar-se bem tar que
os países ditos desenvolvidos não têm mais o monopólio do avanço tecnológico que se apressaram, antes, .em trans ferir por um lucro imediato, aos mais adiantados dos países em desenvolvimento. Estas, por sua V62, dedicam-se a se plan tar solidamente nos países menos adiantados, em nome do novo princípio, já invocado, da cooperação Sul-Sul. Todo 0 mal não viria portan to destes países que, não sa tisfeitos em nos comprar usi nas, pretendem servir-se delas
Com efoito, Q solvabllldade de certos países é tão fraca que a maioria de suas com pras são financiadas por ajuda eictorior. Ajuda "ligada", quer dizer devendo ser
utilizada obrigatoriamente para a aciulsição de bens ou de serviços no pais de origem do ojuda. Assim, o que é considerado oficlalmente como umo exportação do país doador não passa, de fato, de uma subvenção Indireta a um ramo de atividade.
132
DIGESTO
dívidas, préstimos
ajuda alimentar, não
em
"reembolsáveis”
são preconizadas por diversas instâncias internacionais a seu favor
ECONÔMICO
ta diferença de tratamento já entrou amplamente na prática, mas não é talvez supérfluo exa minar seu mecanismo, bem co mo julgar &9U bom fundamen¬ to.
Para uma política diferenciada
Em razão do conteúdo emo cional que se liga atualmente a
esta matéria-prima, o petrólso parece ter agido tanto como ca talisador quanto como real fa tor seletivo no estabelecimento
»
de uma tipologia nova qu-c passou a dividir os países do Terceiro Mundo em três cate gorias. É certo que encontra mos na primeira só paises ex portadores de petróleo, mas
outros membros da OPEP figu
Os ‘‘países petroleiros de capital excedente” aparecem, antes de tudo, como clientes
rentáveib, ainda que mais
es
clarecidos e mais exigentes do que poderiamos esperar por
parte
de
interlocutores
não dispondo, como nós, de uma longa experiência em matéria de relações econômicas internacionais. Após um breve período durante o qual soubemols
usar
e talvez
abusar de comportamentos que se aparentavam com os de no
133
DIGESTO ECONÔMICO
em relação a tal diálogo muitos
surda luta
preconceitos. Estes países não
África, uma vez que se trata essencialmente dela, poderá,
se desinteressam absolutamen te do resto do Terceiro Mundo,
do qual parecem ter^se afasta do involuntariamente, em razão mesmo da sua recente riqueza.
Chegou-se também a imaginar um sistema que, sob pretexto
nos
garantem as compras dos
países do Terceiro Mundo, até
mesmo dos mais pobres (19) Tal é o mecanismo novo conhe
cido de agora em diante
pelo
à maioria dos membros do gru po,
excessivas,
uma problemática diferen
te nas suas r-elações com o mundo desenvolvido; portanto, no que nos concerne mais dire
tamente, com a Europa, e par ticularmente com a França. Es-
não figura
para
eles a não ser como alternati
va num jogo econômico e diplo mático que eles dominam com uma sutileza inesperada por parte de quem professava
sós, não temos mais meios pa ra lhe prodigar! Esta comstru-
diamente num mundo em
de condomínio euro-árabe, que
cada um dos três conjuntos parece realçar, não obstante as características gerais comun.3
ciar-se da nossa tecnologia assim como da nossa experiên cia em desenvolvimento, que,
cos e pobres, consiste de fato, em obter sua participação e-m encargo financeiro que suportávamos até agora, conservan do ao mesmo tempo para nós as vantagens econômicas que
sentavam de forma alguma co mo pedintes e .sobre os buais fundamos esperanças talvez
de passagem. Em compensação,
pelo menos, continuar a benefi
ção intelectual extremamente brilhante, será marcada de ci
nome de Trilogo, cujo resulta
na terceira, como observamo}
A
de restabelecer uma certa for ma de solidariedade entre ri-
vos ricos, estes países foram capazes de utUizar, muito ha bilmente', a concorrência inter nacional Alssim o diálogo euroárabe, no qual eles não se apre
ram na segunda e até mesmo
de influências.
do será, se tuir a
funcionar, substi
dominação, imposta
à
África pela Europa durante a
era colonial, por uma espéci £'
promete ser tempestuoso se jul garmos pelos primeiros efeitos do que aparece mais como uma (19)
nismo ou de ingenuidade? De qualquer modo ela comete o erro de apresentar-se bem tar que
os países ditos desenvolvidos não têm mais o monopólio do avanço tecnológico que se apressaram, antes, .em trans ferir por um lucro imediato, aos mais adiantados dos países em desenvolvimento. Estas, por sua V62, dedicam-se a se plan tar solidamente nos países menos adiantados, em nome do novo princípio, já invocado, da cooperação Sul-Sul. Todo 0 mal não viria portan to destes países que, não sa tisfeitos em nos comprar usi nas, pretendem servir-se delas
Com efoito, Q solvabllldade de certos países é tão fraca que a maioria de suas com pras são financiadas por ajuda eictorior. Ajuda "ligada", quer dizer devendo ser
utilizada obrigatoriamente para a aciulsição de bens ou de serviços no pais de origem do ojuda. Assim, o que é considerado oficlalmente como umo exportação do país doador não passa, de fato, de uma subvenção Indireta a um ramo de atividade.
DIGESTO
134
ECONÔMICO
xam, contudo, de ter certa uti
efeitos perturbadores, nota damente no plano social, tan to nos países antigamente industrializados (transferências
lidade.
de
tão bem ou melhor do que nós? Estes “novos Japões” (20) de onde nos vem o perigo não dei Toda
a dificuldade
de
elaborar a seu respeito uma po
lítica coerente provêm, preci samente, da ambigüidade que preside nossas
relações
com
empregos),
quanto
nos
países que se industrializam (respeito das regras humani tárias
elementares
téria de trabalho).
em
ma
Mas esse
eles. Concorrentes temíveis em
movimento não será freado de
certos campos, chegam a pôr
modo algum por medidas aber ta ou maliciosamente protecio nistas que seriam, de resto, to talmente inoperantes em outros mercados, onde a concorrência
em dificuldade setores inteiros
de nossa atividade produtiva. Mas este sucesso é, para eles, era contrapartida, a condição indispensável de um desenvol vimento econômico que os transforma em clientes rentá veis para outros setores indus triais, onde possuímos ainda um avanço, e até um monopó lio tecnológico. Parece portan to que, contrariamente ao que
se podia temer, uma tal evolu
se
exerce
livremente e onde
tentamos, não sem dificulda des, manter nossas posições co
merciais, como por exemplo no Oriente-Próximo.
Descobrimos
com espanto a capacidade con correncial dos novos países in dustriais
da
Ásia
comn a Co
réia do Sul, Taiwan, a índia, e
ção é globalmente benéfica pa
amanhã, sem dúvida, a China.
ra nossas economias em declí
Algumas firmas européias, notadamente francesas, não he
nio.
(21).
O duplo
mento industrial
desenvolvi
parece irre-
versivelmente estimulado.
ve-se, (20) (21)
é
certo,
De
moderar seus
sitam, aliás,
em utilizar em
subempreitadas empresas des tes países, e até em engajar
Cf Claude Couriet, Pierre Judete. "os novos Japões" na corrida ao
crescimento. Pa monde diplomatique" (dezembro de 1979. Quando se ouso exibir na tribuna da Assembiéia nacional uma roupa do banho "modo In Korea". a honestidade ou a lógica não obrigaria a declarar Igualmente que as Korean Airlines” tinham comprado quatro "Alrbus" e quo isto era necessariamente condição daquilo? A balança de nossas trocas com os poisos em Industrialização rá radoxo e risco
pida de
é,
aliás,
da semi-Industriallzação,
frequentemonto
equipamentos.
"Le
beneficiária,
razão
de
suas
necessidades
em
bons
DIGESTO ECONÔMICO
135
pessoal vindo destes países, in
se verifica casualmente em um
finitamente
e de
ou outro desses países. Não é
qualificação ao pessoal
também honesto considerar co
europeu expatriado (22). Restam enfim, os países
mo adquirida uma inovação tecnológica ainda muito im perfeitamente dominada, tal co mo a exploração das profunde zas marinhas, que transforma
igual
menos caros,
que, sem nos embaraçar com
vã figura de retórica, chama remos simplesmente países po bres. Não é interdito
esperar
que alguns dentre eles, graças a alguns trunfos de ordem eco nômica ou humana, chegarão, sem muita demora, a atingir uma categoria superior. Mas.
para a maioria deles, pode-se perguntar se o próprio termo desenvolvimento não constitui um eufemismo. Nossas relações com eles não devem ser mon tadas principalmente na espe
rança de algum lucro econômi co, mesmo quando este pare ça legítimo em certos aspecto.s (23). Não é razoável procurar a miragem de um futuro, alta mente hipotético, baseado em descobertas posteriores de ri
quezas naturais atualmente insuspeitadas, mesmo quando isso (22)
ria
radicalmente a sorte
dos
Estados insulares ou dotados de uma ampla testada marítima.
As relações
com os países
do Terceiro Mundo são essen
cialmente, para a França, es tabelecidas com países africa nos.
A África
cola
em
nossa
pele (24), ela nos esconde o mundo. Diariamente surgem indícios deste fato desolador —
provenha ele do mundo oficial, da imprensa, da universidade, dos negócios ou. simplesmente, de almas animadas de uma au
têntica generosidade. Cabería analisar a política africana da
França, mas isso consistiría em outro artigo.
É um fato. contudo, além
dos governantes
que. e dos
Cf Jcon-Pierre Gomane, ‘‘As reiaçíSes entre o mundo árabe e a Asia do Leste, exem plo de cooperação Sul-Sul''', "Maghreb Machrek', Paris, Lb Documentation frençalse, 4.0 trimestre
1979.
[23)
Não evocamos aqui os lucros privados de uma pessoa ffsica ou de um grupo, lucros quo podem muito bem coexistir com investimentos não rentáveis no plano econô¬
(24)
Quando
mico ao do
Siil
nível
da coletividade nacional.
escrevemos
do
Sahara
e,
"África" de
um
sem
modo
outra
ainda
precisão, mais
trata-se
evidentemente
restritivo, unicamente dos
da
África
países
que
mantám com a França laços particulares (Cf Jean-Pierre Gomane, As Instituições da cooperação
francesa,
Estudos, Junho de
1975,
p. 851-866).
DIGESTO
134
ECONÔMICO
xam, contudo, de ter certa uti
efeitos perturbadores, nota damente no plano social, tan to nos países antigamente industrializados (transferências
lidade.
de
tão bem ou melhor do que nós? Estes “novos Japões” (20) de onde nos vem o perigo não dei Toda
a dificuldade
de
elaborar a seu respeito uma po
lítica coerente provêm, preci samente, da ambigüidade que preside nossas
relações
com
empregos),
quanto
nos
países que se industrializam (respeito das regras humani tárias
elementares
téria de trabalho).
em
ma
Mas esse
eles. Concorrentes temíveis em
movimento não será freado de
certos campos, chegam a pôr
modo algum por medidas aber ta ou maliciosamente protecio nistas que seriam, de resto, to talmente inoperantes em outros mercados, onde a concorrência
em dificuldade setores inteiros
de nossa atividade produtiva. Mas este sucesso é, para eles, era contrapartida, a condição indispensável de um desenvol vimento econômico que os transforma em clientes rentá veis para outros setores indus triais, onde possuímos ainda um avanço, e até um monopó lio tecnológico. Parece portan to que, contrariamente ao que
se podia temer, uma tal evolu
se
exerce
livremente e onde
tentamos, não sem dificulda des, manter nossas posições co
merciais, como por exemplo no Oriente-Próximo.
Descobrimos
com espanto a capacidade con correncial dos novos países in dustriais
da
Ásia
comn a Co
réia do Sul, Taiwan, a índia, e
ção é globalmente benéfica pa
amanhã, sem dúvida, a China.
ra nossas economias em declí
Algumas firmas européias, notadamente francesas, não he
nio.
(21).
O duplo
mento industrial
desenvolvi
parece irre-
versivelmente estimulado.
ve-se, (20) (21)
é
certo,
De
moderar seus
sitam, aliás,
em utilizar em
subempreitadas empresas des tes países, e até em engajar
Cf Claude Couriet, Pierre Judete. "os novos Japões" na corrida ao
crescimento. Pa monde diplomatique" (dezembro de 1979. Quando se ouso exibir na tribuna da Assembiéia nacional uma roupa do banho "modo In Korea". a honestidade ou a lógica não obrigaria a declarar Igualmente que as Korean Airlines” tinham comprado quatro "Alrbus" e quo isto era necessariamente condição daquilo? A balança de nossas trocas com os poisos em Industrialização rá radoxo e risco
pida de
é,
aliás,
da semi-Industriallzação,
frequentemonto
equipamentos.
"Le
beneficiária,
razão
de
suas
necessidades
em
bons
DIGESTO ECONÔMICO
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pessoal vindo destes países, in
se verifica casualmente em um
finitamente
e de
ou outro desses países. Não é
qualificação ao pessoal
também honesto considerar co
europeu expatriado (22). Restam enfim, os países
mo adquirida uma inovação tecnológica ainda muito im perfeitamente dominada, tal co mo a exploração das profunde zas marinhas, que transforma
igual
menos caros,
que, sem nos embaraçar com
vã figura de retórica, chama remos simplesmente países po bres. Não é interdito
esperar
que alguns dentre eles, graças a alguns trunfos de ordem eco nômica ou humana, chegarão, sem muita demora, a atingir uma categoria superior. Mas.
para a maioria deles, pode-se perguntar se o próprio termo desenvolvimento não constitui um eufemismo. Nossas relações com eles não devem ser mon tadas principalmente na espe
rança de algum lucro econômi co, mesmo quando este pare ça legítimo em certos aspecto.s (23). Não é razoável procurar a miragem de um futuro, alta mente hipotético, baseado em descobertas posteriores de ri
quezas naturais atualmente insuspeitadas, mesmo quando isso (22)
ria
radicalmente a sorte
dos
Estados insulares ou dotados de uma ampla testada marítima.
As relações
com os países
do Terceiro Mundo são essen
cialmente, para a França, es tabelecidas com países africa nos.
A África
cola
em
nossa
pele (24), ela nos esconde o mundo. Diariamente surgem indícios deste fato desolador —
provenha ele do mundo oficial, da imprensa, da universidade, dos negócios ou. simplesmente, de almas animadas de uma au
têntica generosidade. Cabería analisar a política africana da
França, mas isso consistiría em outro artigo.
É um fato. contudo, além
dos governantes
que. e dos
Cf Jcon-Pierre Gomane, ‘‘As reiaçíSes entre o mundo árabe e a Asia do Leste, exem plo de cooperação Sul-Sul''', "Maghreb Machrek', Paris, Lb Documentation frençalse, 4.0 trimestre
1979.
[23)
Não evocamos aqui os lucros privados de uma pessoa ffsica ou de um grupo, lucros quo podem muito bem coexistir com investimentos não rentáveis no plano econô¬
(24)
Quando
mico ao do
Siil
nível
da coletividade nacional.
escrevemos
do
Sahara
e,
"África" de
um
sem
modo
outra
ainda
precisão, mais
trata-se
evidentemente
restritivo, unicamente dos
da
África
países
que
mantám com a França laços particulares (Cf Jean-Pierre Gomane, As Instituições da cooperação
francesa,
Estudos, Junho de
1975,
p. 851-866).
136
DIGESTO
aparelhos de Estado, na Áfri ca, na América Latina, no Oriente Próximo ou na Ásia — para não falar do mundo desen
volvido, sob esses dois avatares, 0 socialista e o liberal —
ECONÔMICO
Estado como o único mediador
de todos os nossos passos e de nos crermos dirigidos por seu projeto político. No fim de con
tas, Terceiro Mundo ou Tercei
tiça. A solução de tais proble mas se prende muito parcial mente, apenas, às atribuições do poder público que, às vezes,
ros Mundos, para lá do anoni mato de algumas cento e vinte construções de Estados mais ou menos recentes, frágeis, ar tificiais, impotentes ou cons trangedoras, há três bilhões de
os provocou, e até mesmo agra
seres
vou.
amar, ajudar.
há seres humanos que padecem necessidade, sofrimento, injus
Cessemos de considerar o
Imigração
humanos,
a
e
emprego
conhecer, E.
K.
Rahardt
(Continuação da págrioa 120)
comparativo com lâminas da referência de material polínlco prevlamente identificado. Nas áreas de aplicação em que se utiliza estudo dos pólens dos sedimentos (guia-fóssU) obtidos em depósitos naturais no solo, sub solo ou lagos naturais quaternários, pode-se solucionar diversos proble mas ligados à paleontologia, paleoecologia, arqueologia ou petrologia (área denominada geojjalinologia). No Brasil, o estudo com pólens fósseis na reconstrução da flora e conhecimento de alterações climáticas possibilitará aplicações nos cerrados. Trabalhos descritivos sobre pólen das plantas de cerrado já têm sido realizados por Maria Lea S. Laboriu, T. Melhen e outros. Quanto ao estudo do pólen da atmosfera, chamado aeropallnologia, é de utilidade na área da medicina relacionada com alergia e dela se ocuparam, no Brasil, Oliveira Lima, Mendes, Lacaz, Nelhen e Mokino. O pólen pode ainda ser empregado na identificação das plantas apícolas, por meio dos grãos contidos nos méis ou dos coletados pelas abelhas e armazenados em bolotas nas corbícolas dos patas traseiras das abelhas apis, ou outros insetos. É área conhecida como mellissopallnologia. Pela
análise poUnica dos méis pode-se determinar a origem geográfica deles, através da flora apícola d© diferentes regiões do país. É possível, ainda, por esse método identificar as plantas nectaríferos e poliníferas, ou am bas. Por último, o pólen presta-se para avaliação do período de flores cimento das plantas entomófilas (polinlzadas com auxílio de insetos). (Do Boletim da U.S.P.).
É preciso tornar mais eficiente o
recrutamento da mão-de-obra imigrante.
O autor é representante especial para a América do Sul do Comitê Intergovernamental
para as Migrações Européias. A estratégia do Go\erno
no
campo do emprego, agmdo atra vés do Conselho Nac onal de Política de Emprego e o Siste ma Nacional de Emprego (SI-
NE), é a de aperfeiçoar o fimcionamento do mercado de tra balho fornecendo informação,
orientação e serviços de colo cação àqueles que estão à pro cura de emprego, bem como serviços de informação e re-
crutamento aos empregadores. Ao mesmo tempo, procura co letar dados
relativos
às neces
sidades de mão-de-obra, à de manda na criação de novos em pregos e às tendências da mi gração interna e do mercad? de trabalho em gerai, sobre quais dados a futura política de emprego se baseará. O ob jetivo é 0 de utilizar e valori zar ao máximo os abundantes
136
DIGESTO
aparelhos de Estado, na Áfri ca, na América Latina, no Oriente Próximo ou na Ásia — para não falar do mundo desen
volvido, sob esses dois avatares, 0 socialista e o liberal —
ECONÔMICO
Estado como o único mediador
de todos os nossos passos e de nos crermos dirigidos por seu projeto político. No fim de con
tas, Terceiro Mundo ou Tercei
tiça. A solução de tais proble mas se prende muito parcial mente, apenas, às atribuições do poder público que, às vezes,
ros Mundos, para lá do anoni mato de algumas cento e vinte construções de Estados mais ou menos recentes, frágeis, ar tificiais, impotentes ou cons trangedoras, há três bilhões de
os provocou, e até mesmo agra
seres
vou.
amar, ajudar.
há seres humanos que padecem necessidade, sofrimento, injus
Cessemos de considerar o
Imigração
humanos,
a
e
emprego
conhecer, E.
K.
Rahardt
(Continuação da págrioa 120)
comparativo com lâminas da referência de material polínlco prevlamente identificado. Nas áreas de aplicação em que se utiliza estudo dos pólens dos sedimentos (guia-fóssU) obtidos em depósitos naturais no solo, sub solo ou lagos naturais quaternários, pode-se solucionar diversos proble mas ligados à paleontologia, paleoecologia, arqueologia ou petrologia (área denominada geojjalinologia). No Brasil, o estudo com pólens fósseis na reconstrução da flora e conhecimento de alterações climáticas possibilitará aplicações nos cerrados. Trabalhos descritivos sobre pólen das plantas de cerrado já têm sido realizados por Maria Lea S. Laboriu, T. Melhen e outros. Quanto ao estudo do pólen da atmosfera, chamado aeropallnologia, é de utilidade na área da medicina relacionada com alergia e dela se ocuparam, no Brasil, Oliveira Lima, Mendes, Lacaz, Nelhen e Mokino. O pólen pode ainda ser empregado na identificação das plantas apícolas, por meio dos grãos contidos nos méis ou dos coletados pelas abelhas e armazenados em bolotas nas corbícolas dos patas traseiras das abelhas apis, ou outros insetos. É área conhecida como mellissopallnologia. Pela
análise poUnica dos méis pode-se determinar a origem geográfica deles, através da flora apícola d© diferentes regiões do país. É possível, ainda, por esse método identificar as plantas nectaríferos e poliníferas, ou am bas. Por último, o pólen presta-se para avaliação do período de flores cimento das plantas entomófilas (polinlzadas com auxílio de insetos). (Do Boletim da U.S.P.).
É preciso tornar mais eficiente o
recrutamento da mão-de-obra imigrante.
O autor é representante especial para a América do Sul do Comitê Intergovernamental
para as Migrações Européias. A estratégia do Go\erno
no
campo do emprego, agmdo atra vés do Conselho Nac onal de Política de Emprego e o Siste ma Nacional de Emprego (SI-
NE), é a de aperfeiçoar o fimcionamento do mercado de tra balho fornecendo informação,
orientação e serviços de colo cação àqueles que estão à pro cura de emprego, bem como serviços de informação e re-
crutamento aos empregadores. Ao mesmo tempo, procura co letar dados
relativos
às neces
sidades de mão-de-obra, à de manda na criação de novos em pregos e às tendências da mi gração interna e do mercad? de trabalho em gerai, sobre quais dados a futura política de emprego se baseará. O ob jetivo é 0 de utilizar e valori zar ao máximo os abundantes
138
DIGESTO
recursos
humanos do Brasil.
Assim como o maior serviço so cial é 0 de proporcionar um
emprego
útil e compensador,
ECONÔMICO
mão-de-obra para as planta ções de café e para a expan são
da
indústria
de
transfor
mação em São Paulo.
também o mais importante ele mento
no
processo de
desen
volvimento é representado por um trabalhador bem treinado cujos serviços sejam utilizados de maneira eficiente.
Nos dias de hoje, a imigra ção é um processo altamente seletivo que envolve o recruta mento e a integração de rela tivamente poucos elementos, que são
O Brasil é, por tradição, um
país de imigração; homens e mulheres de muitas raças e na cionalidades aqui se juntaram
para abrir seu vasto território,
contribuíram para SGU desenvolvimento e auxiliaram a criar os imensos recursos de mão-deobra de que dispõe o País atual
mente. Não é, portanto, surpre endente que a imigração repre sente uma parte integrante da estratégia do Governo no que se refere a recursos humanos.
Entretanto, a imigração hoje em dia difere em
muito
dos
movimentos relativamente gran des que caracterizaram o século XIX e a primeira metade do século XX, e que foram de tanta importância, por exem plo, para o desenvolvimentoda agricultura e viticultura no Rio Grande do Sul, ou que forne ceram grande quantidade
de
entretanto
altamente
qualificados no campo da téc nica, do ensino e da pesquisa.
Tais elementos, que não se en contram imediatamente dispo níveis no mercado de trabalho local, irão atender uma com provada demanda e contribuir de um modo claramente deter
minado para as metas de senvolvimento
de
econômico e so
cial do País. Assim, o proces so pelo qual o imigrante é re
crutado, transportado para o Brasil e colocado no emprego é um assunto pertinente aos te mas do presente Semmário. Em 16 de junho de 1976. um acordo tripartite foi assinado entre o Ministério das Relações Exteriores, o Ministério do Tra balho e o Comitê Intergovernamental para as Migrações Eu ropéias, com 0 objetivo de tor nar possível uma maior cola boração no que se refere à rea-
DIGESTO
139
ECONÔMICO
lização da política brasileira de imigração. Nos termos desse
acordo, o Ministério do Traba lho forneceu os meios que pos sibilitaram ao CIME expandir sua rede de escritórios de co
locação no País articulando-se com 0 Sistema Nacional de Em-
prego, tendo ainda aperfeiçoa do os seus serviços relaciona dos com a recepção, adapta
ção e integração de imigrantes
permanentes. O CIME comprometeu-se a fornecer, regular mente, informações sobre os números e tipos de imigrantes colocados no País sob seus aus
pícios, bem como sobre as pos sibilidades de recrutar no ex
terior 0 tipo de mão-de-obra de que
o Brasil viesse a necessi-
tar a qualquer momento. Sob
termos do acordo, o Minis tério do Trabalho fornecerá ao
os
CIME, regularmente, dados so bre a situação do mercado de trabalho no que se refere àque las profissões para as quais o recrutamento de imigrantes
permanentes seria po--sivel
e
países de origem. Dessa
ma
neira, 0 acordo de 16 de junho de 1976 deu à imigração um
papel significativo na política de emprego do Governo, forne cendo ao mesmo tempo um elo entre o mercado de trabalho do Brasil e as fontes de recruta mento de mão-de-obra no ex terior.
Foi solicitado nário considerar
a este Semi três temas
principais: a produção de in formação tendo em vista uma melhor organização dc merca do de trabalho; a intermedia çao do trabalho e educação; e a geração de emprego e a va
lorização do trabalhador. O CI ME, na realização das tarefas e si atribuídas pela sua Consti tuição e pelo acordo tripartite, já está engajado em algumas das
atividades
relacionadas
com esses temas, e possui a capacidade de envolver-se mais profundaments com os mesmos no futuro. Uma
vez reconhecido o fa
desejável, enquanto ao CIME caberá preparar, seguindo a orientação do Governo, mate
to de que a imigração seletiva de mão-de-obra estrangeira po
rial informativo sobre o Bràsil para ser distribuído aos can didatos à emigração nos seus
força de trabalho local, aper
de elevar o nível
técnico
da
feiçoar a sua produtividade e auxiliar na criação de uma tec-
138
DIGESTO
recursos
humanos do Brasil.
Assim como o maior serviço so cial é 0 de proporcionar um
emprego
útil e compensador,
ECONÔMICO
mão-de-obra para as planta ções de café e para a expan são
da
indústria
de
transfor
mação em São Paulo.
também o mais importante ele mento
no
processo de
desen
volvimento é representado por um trabalhador bem treinado cujos serviços sejam utilizados de maneira eficiente.
Nos dias de hoje, a imigra ção é um processo altamente seletivo que envolve o recruta mento e a integração de rela tivamente poucos elementos, que são
O Brasil é, por tradição, um
país de imigração; homens e mulheres de muitas raças e na cionalidades aqui se juntaram
para abrir seu vasto território,
contribuíram para SGU desenvolvimento e auxiliaram a criar os imensos recursos de mão-deobra de que dispõe o País atual
mente. Não é, portanto, surpre endente que a imigração repre sente uma parte integrante da estratégia do Governo no que se refere a recursos humanos.
Entretanto, a imigração hoje em dia difere em
muito
dos
movimentos relativamente gran des que caracterizaram o século XIX e a primeira metade do século XX, e que foram de tanta importância, por exem plo, para o desenvolvimentoda agricultura e viticultura no Rio Grande do Sul, ou que forne ceram grande quantidade
de
entretanto
altamente
qualificados no campo da téc nica, do ensino e da pesquisa.
Tais elementos, que não se en contram imediatamente dispo níveis no mercado de trabalho local, irão atender uma com provada demanda e contribuir de um modo claramente deter
minado para as metas de senvolvimento
de
econômico e so
cial do País. Assim, o proces so pelo qual o imigrante é re
crutado, transportado para o Brasil e colocado no emprego é um assunto pertinente aos te mas do presente Semmário. Em 16 de junho de 1976. um acordo tripartite foi assinado entre o Ministério das Relações Exteriores, o Ministério do Tra balho e o Comitê Intergovernamental para as Migrações Eu ropéias, com 0 objetivo de tor nar possível uma maior cola boração no que se refere à rea-
DIGESTO
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ECONÔMICO
lização da política brasileira de imigração. Nos termos desse
acordo, o Ministério do Traba lho forneceu os meios que pos sibilitaram ao CIME expandir sua rede de escritórios de co
locação no País articulando-se com 0 Sistema Nacional de Em-
prego, tendo ainda aperfeiçoa do os seus serviços relaciona dos com a recepção, adapta
ção e integração de imigrantes
permanentes. O CIME comprometeu-se a fornecer, regular mente, informações sobre os números e tipos de imigrantes colocados no País sob seus aus
pícios, bem como sobre as pos sibilidades de recrutar no ex
terior 0 tipo de mão-de-obra de que
o Brasil viesse a necessi-
tar a qualquer momento. Sob
termos do acordo, o Minis tério do Trabalho fornecerá ao
os
CIME, regularmente, dados so bre a situação do mercado de trabalho no que se refere àque las profissões para as quais o recrutamento de imigrantes
permanentes seria po--sivel
e
países de origem. Dessa
ma
neira, 0 acordo de 16 de junho de 1976 deu à imigração um
papel significativo na política de emprego do Governo, forne cendo ao mesmo tempo um elo entre o mercado de trabalho do Brasil e as fontes de recruta mento de mão-de-obra no ex terior.
Foi solicitado nário considerar
a este Semi três temas
principais: a produção de in formação tendo em vista uma melhor organização dc merca do de trabalho; a intermedia çao do trabalho e educação; e a geração de emprego e a va
lorização do trabalhador. O CI ME, na realização das tarefas e si atribuídas pela sua Consti tuição e pelo acordo tripartite, já está engajado em algumas das
atividades
relacionadas
com esses temas, e possui a capacidade de envolver-se mais profundaments com os mesmos no futuro. Uma
vez reconhecido o fa
desejável, enquanto ao CIME caberá preparar, seguindo a orientação do Governo, mate
to de que a imigração seletiva de mão-de-obra estrangeira po
rial informativo sobre o Bràsil para ser distribuído aos can didatos à emigração nos seus
força de trabalho local, aper
de elevar o nível
técnico
da
feiçoar a sua produtividade e auxiliar na criação de uma tec-
DIGESTO
liO
ECONÔMICO
nologia nacional e dos recursos
do recrutamento de pessoal no
iTumanos
exterior.
destinados
a
utilizá-
la, e iTma vez compreendido que essa mão-de<>bra não irá competir com a força de traba lho local, fica claro que quan to mais precisaraente forem avaliadas
e determmadas
rrecessidades
de
as
mão de-obra
estrangeira, mais eficazmente poderá a imigração contribuir para os reais interesses brasi leiros.
Os
cinco escritórios de
colocação do CIME, localizados
estrategicamente em Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janei
ro, São Paulo e Porto Alegre, se mantêm em permanente e estreito contato com emprega dores, bem como universidades nas áreas sob sua jurisdição, a fim de avaliar, da maneira
mais exata possível, quais
as
necessidades de pessoal alta mente qualificado que não é en contrado no mercado local de trabalho. EUes estão também
em contato com representantes do Sistema Nacional de Empre go nas suas respectivas re giões a fim de partilhar das in formações sobre a demanda lo cal de mão-de-obra, e até que ponto tais necessidades podem e devem ser atendidas através
Este acesso prag.mático à coleta de dados sobre c merca¬
do de trabalho deve, obviamen
te, ser complementado por es tudos mais amplos que tomem
em consideração uma planeja da expansão industrial e agrí cola, a necessidade de avanço
tecnológico em certos setores,
a provável expansão demográ fica da força de trabalho, e os recém-formados por escolas
técnicas e universidades, além do déficit existente de tipos es
pecíficos de recursos humanos.
A combinação
dessas
proje
ções a médio e longo prazo, com os contatos normais coti dianos com os empregadores em potencial, deverá fornecer um diagnóstico mais exato, no
que se refere
à carência de
mão-de-obra imigrante, do que aquele que se pode fazer no momento. Se as necessidades da indústria, agricultura e es tabelecimentos de ensino forem então coordenadas e o re
crutamento levado a efeito atra vés de um canal central, tornar-se-ão maiores as possibili dades de atender às necessida
des do País, no que se refere
DIGESTO
ECONÔMICO
a pessoal estrangeiro altamen te qualificado.
Desde a sua criação em 1952, 0 CIME trouxe para o Brasil aproximadamente 120 000 imi grantes e suas famílias, embo ra
a taxa
anual de movimen
tos tenha decrescido considera velmente nesses últimos anos como resultado de um recruta mento mais seletivo. A média
anual, durante os cinca anos de 1973 a 1977, foi de 820 técnicos e 540 dependentes. O CIME mantém acordos permanentes
com serviços de emprego na Europa, onde candidatos ade quados à imigração para o Bra sil (e para outros países latinoamericanos) são encaminhados ao CIME para entrevista e se leção. O recrutamento é reali
141
que recebe de pessoas desejo sas de obter uma colocação nu América Latina, e ajuda a re crutai* candidatos para atendi
mento de ofertas de emprego submetidas
às Missões do CI
ME.
O CIME possui acordos semelhantes com agências governamentais
e
semigovema-
mentais ligadas ao fornecimen
to de pessoal altamente quali
ficado para países em desen volvimento. Os acordos com o
Ministério da Cooperação Téc nica da Alemanha e eom o Ins tituto Ítalo-Latino-Americano
constituem bons exemplos. Es sas agências auxiliam o CIME no recrutamento de professores universitários, pesquisadores e
zado de acordo com a Lista de
pessoal qualificado
Ocupações, preparada e perio dicamente revisada pelo Minis
Este é um outro exemplo do elo
tério do Trabalho, a qual indi
CIME entre
ca aquelas profissões conside radas em demanda no Brasil e
não disponíveis, em número su ficiente, no mercado de traba lho local. Um ótimo exemplo desta cooperação é representa do pelo acordo entre o CIME e a Agência Central Alemã de Em prego (ZAV); a ZAV encami
nha ao CIME todos os pedidos
estabelecido os
deste tipo. através
do
mercados
de
trabalho da Europa e do Bra
sil. Sendo que alguns países da Europa estão preparados para
considerar esta troca de
pes-
soai como forma importante de assistência econômica c veiculo para a transferência de tecno
logia e, inclusive, dispostos conceder certas facilidades
a co¬
mo incentivos financeiros, para
DIGESTO
liO
ECONÔMICO
nologia nacional e dos recursos
do recrutamento de pessoal no
iTumanos
exterior.
destinados
a
utilizá-
la, e iTma vez compreendido que essa mão-de<>bra não irá competir com a força de traba lho local, fica claro que quan to mais precisaraente forem avaliadas
e determmadas
rrecessidades
de
as
mão de-obra
estrangeira, mais eficazmente poderá a imigração contribuir para os reais interesses brasi leiros.
Os
cinco escritórios de
colocação do CIME, localizados
estrategicamente em Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janei
ro, São Paulo e Porto Alegre, se mantêm em permanente e estreito contato com emprega dores, bem como universidades nas áreas sob sua jurisdição, a fim de avaliar, da maneira
mais exata possível, quais
as
necessidades de pessoal alta mente qualificado que não é en contrado no mercado local de trabalho. EUes estão também
em contato com representantes do Sistema Nacional de Empre go nas suas respectivas re giões a fim de partilhar das in formações sobre a demanda lo cal de mão-de-obra, e até que ponto tais necessidades podem e devem ser atendidas através
Este acesso prag.mático à coleta de dados sobre c merca¬
do de trabalho deve, obviamen
te, ser complementado por es tudos mais amplos que tomem
em consideração uma planeja da expansão industrial e agrí cola, a necessidade de avanço
tecnológico em certos setores,
a provável expansão demográ fica da força de trabalho, e os recém-formados por escolas
técnicas e universidades, além do déficit existente de tipos es
pecíficos de recursos humanos.
A combinação
dessas
proje
ções a médio e longo prazo, com os contatos normais coti dianos com os empregadores em potencial, deverá fornecer um diagnóstico mais exato, no
que se refere
à carência de
mão-de-obra imigrante, do que aquele que se pode fazer no momento. Se as necessidades da indústria, agricultura e es tabelecimentos de ensino forem então coordenadas e o re
crutamento levado a efeito atra vés de um canal central, tornar-se-ão maiores as possibili dades de atender às necessida
des do País, no que se refere
DIGESTO
ECONÔMICO
a pessoal estrangeiro altamen te qualificado.
Desde a sua criação em 1952, 0 CIME trouxe para o Brasil aproximadamente 120 000 imi grantes e suas famílias, embo ra
a taxa
anual de movimen
tos tenha decrescido considera velmente nesses últimos anos como resultado de um recruta mento mais seletivo. A média
anual, durante os cinca anos de 1973 a 1977, foi de 820 técnicos e 540 dependentes. O CIME mantém acordos permanentes
com serviços de emprego na Europa, onde candidatos ade quados à imigração para o Bra sil (e para outros países latinoamericanos) são encaminhados ao CIME para entrevista e se leção. O recrutamento é reali
141
que recebe de pessoas desejo sas de obter uma colocação nu América Latina, e ajuda a re crutai* candidatos para atendi
mento de ofertas de emprego submetidas
às Missões do CI
ME.
O CIME possui acordos semelhantes com agências governamentais
e
semigovema-
mentais ligadas ao fornecimen
to de pessoal altamente quali
ficado para países em desen volvimento. Os acordos com o
Ministério da Cooperação Téc nica da Alemanha e eom o Ins tituto Ítalo-Latino-Americano
constituem bons exemplos. Es sas agências auxiliam o CIME no recrutamento de professores universitários, pesquisadores e
zado de acordo com a Lista de
pessoal qualificado
Ocupações, preparada e perio dicamente revisada pelo Minis
Este é um outro exemplo do elo
tério do Trabalho, a qual indi
CIME entre
ca aquelas profissões conside radas em demanda no Brasil e
não disponíveis, em número su ficiente, no mercado de traba lho local. Um ótimo exemplo desta cooperação é representa do pelo acordo entre o CIME e a Agência Central Alemã de Em prego (ZAV); a ZAV encami
nha ao CIME todos os pedidos
estabelecido os
deste tipo. através
do
mercados
de
trabalho da Europa e do Bra
sil. Sendo que alguns países da Europa estão preparados para
considerar esta troca de
pes-
soai como forma importante de assistência econômica c veiculo para a transferência de tecno
logia e, inclusive, dispostos conceder certas facilidades
a co¬
mo incentivos financeiros, para
DIGESTO
142
encorajar
DIGESTO
econômico
anos. A finalidade desse levan
seus nacionais a tra-
tamento é a de saber
balhar por algum tempo na América Latina, resulta a for
se
os
dos com referência às condi
ções no Brasil antes de sua partida da Europa; se estão se
acréscimo bastante signifi cativo aos níveis mais altos de
adaptando bem
um
seus recursos humanos.
Com a finalidade de obter o melhor de um programa de imi
gração seletiva, é recomendá vel auxiliar os imigrantes a se
integrarem rapidamente a üm de que possam render com sua capacidade total no mais breve espaço de tempo possível. O
ao seu
novo
este objetivo
em vista, o CIME iniciou
re
necessidades
dos imigrantes simplesmente porque o problema não foi ain
este levantamento será apre sentado brevemente ao Ministé
para merecer uma atenção es
rio do Trabalho.
do Governo nessas áreas é tal
Igualmente importante será coordenar
e harmonizar a po
no em outros campos além do de mão-de-obra para assegurar
que elas apoiem a política de
tica fiscal e de taxação, leis
que regem a previdência social, legislação trabalhista particu larmente no que se refere à re
gulamentação e ao exercício de profissões, a rápida revalida
centemente um levantamento com uma amostra de imigrantes divididos em quatro grupos distintos: aqueles que se encon
ção de diplomas, bem como re
tram no país há menos de meses; de 6 meses a 2 anos; de 2 a 5 anos; e há mais de 5
campo social com as quais se
6
conta as
dos
imigração. Esses campos correlatos incluem política e re gulamentação aduaneira, polí-
de idioma. Com
em
gração. O relatório relativo a
fim de fornecer
formação, orientação © ensino
va
da considerado ou devido ao fato de aparentemente não ser
devem ser tomadas para faci litar a sua adaptação e inte
lítica e a legislação du Gover
serviços aos imigrantes perma nentes destinados a facilitar a sua adaptação e integração; tais serviços devem incluir in
em um
país, e que medidas eventuais
acordo de 16 de junho de 1976 reconhece este fato e estipula que 0 Ministério do Trabalho dê apoio e recursos ao CIME a e apí^rfeiçoar
deseja estabelecer-se novo país.
143
Frequentemente a política nssses campos de ação não le
imigrantes estão bem informa
mação de importante canal pe lo qual 0 Brasil pode receber, quando considerado necessário,
ECONÔMICO
gulamentos de saúde .e um número de outras
medidas
no
defronta o recém-chegado que
0 número de imigrantes dirigi suficientemente
volumoso
pecial. Obviamente, se a ação que torna difícil para um técni co imigrante estabelecer-se ra pida e adequadamente no seu novo país, ou exercer sua pro fissão com 0 "status” compatí vel com o seu treinamento, es tará frustrada a política de imigração do Governo. Exem
plificando,
se um engenheiro
im'grante constata que é tão difícil e complicado para ele lornar-se membro da sua asso
ciação de classe que se vê for
çado a trabalhar sem o “status" profissional ao qual teria direi to em virtude da sua formação,
c bem pouco provável que ele se sinta motivado a ponto de poder dar sua melhor contrí buição ao país cue o tenha re cebido.
A imigração também está ligada ao segundo tema do Se
minário,
ou seja, a ação
ne
cessária para garantir um re lacionamento
satisfatório entre
educação e trabalho^ Os
pro
fessores universitários e pes quisadores estrangeiros qui vieram para este país estão ajudando a criar uma nova classe de brasileiros altamente
treinados, capazes de desem penhar papéis de liderança na moderna sociedade tecnológica. Não existindo no Brasil a quan tidade necessária de professo
res do nível exigido para for mar, em número suficiente, os técnicos altamente qualificados de que a indústria necessita, a única alternativa além daque la de enviar brasileiros para serem treinados no exterior, r a importação dos professores necessários, seja em caráter permanenteou por período tem porário. Como já foi menciona do, 0 CIME possui acordos df cooperação com organizações européias com o objetivo de fa cilitar este processo. Em um nível mais baixo na
escala
de
qualificações,
o
CIME pode suprir o mercado, e na verdade já o fez anterior-
DIGESTO
142
encorajar
DIGESTO
econômico
anos. A finalidade desse levan
seus nacionais a tra-
tamento é a de saber
balhar por algum tempo na América Latina, resulta a for
se
os
dos com referência às condi
ções no Brasil antes de sua partida da Europa; se estão se
acréscimo bastante signifi cativo aos níveis mais altos de
adaptando bem
um
seus recursos humanos.
Com a finalidade de obter o melhor de um programa de imi
gração seletiva, é recomendá vel auxiliar os imigrantes a se
integrarem rapidamente a üm de que possam render com sua capacidade total no mais breve espaço de tempo possível. O
ao seu
novo
este objetivo
em vista, o CIME iniciou
re
necessidades
dos imigrantes simplesmente porque o problema não foi ain
este levantamento será apre sentado brevemente ao Ministé
para merecer uma atenção es
rio do Trabalho.
do Governo nessas áreas é tal
Igualmente importante será coordenar
e harmonizar a po
no em outros campos além do de mão-de-obra para assegurar
que elas apoiem a política de
tica fiscal e de taxação, leis
que regem a previdência social, legislação trabalhista particu larmente no que se refere à re
gulamentação e ao exercício de profissões, a rápida revalida
centemente um levantamento com uma amostra de imigrantes divididos em quatro grupos distintos: aqueles que se encon
ção de diplomas, bem como re
tram no país há menos de meses; de 6 meses a 2 anos; de 2 a 5 anos; e há mais de 5
campo social com as quais se
6
conta as
dos
imigração. Esses campos correlatos incluem política e re gulamentação aduaneira, polí-
de idioma. Com
em
gração. O relatório relativo a
fim de fornecer
formação, orientação © ensino
va
da considerado ou devido ao fato de aparentemente não ser
devem ser tomadas para faci litar a sua adaptação e inte
lítica e a legislação du Gover
serviços aos imigrantes perma nentes destinados a facilitar a sua adaptação e integração; tais serviços devem incluir in
em um
país, e que medidas eventuais
acordo de 16 de junho de 1976 reconhece este fato e estipula que 0 Ministério do Trabalho dê apoio e recursos ao CIME a e apí^rfeiçoar
deseja estabelecer-se novo país.
143
Frequentemente a política nssses campos de ação não le
imigrantes estão bem informa
mação de importante canal pe lo qual 0 Brasil pode receber, quando considerado necessário,
ECONÔMICO
gulamentos de saúde .e um número de outras
medidas
no
defronta o recém-chegado que
0 número de imigrantes dirigi suficientemente
volumoso
pecial. Obviamente, se a ação que torna difícil para um técni co imigrante estabelecer-se ra pida e adequadamente no seu novo país, ou exercer sua pro fissão com 0 "status” compatí vel com o seu treinamento, es tará frustrada a política de imigração do Governo. Exem
plificando,
se um engenheiro
im'grante constata que é tão difícil e complicado para ele lornar-se membro da sua asso
ciação de classe que se vê for
çado a trabalhar sem o “status" profissional ao qual teria direi to em virtude da sua formação,
c bem pouco provável que ele se sinta motivado a ponto de poder dar sua melhor contrí buição ao país cue o tenha re cebido.
A imigração também está ligada ao segundo tema do Se
minário,
ou seja, a ação
ne
cessária para garantir um re lacionamento
satisfatório entre
educação e trabalho^ Os
pro
fessores universitários e pes quisadores estrangeiros qui vieram para este país estão ajudando a criar uma nova classe de brasileiros altamente
treinados, capazes de desem penhar papéis de liderança na moderna sociedade tecnológica. Não existindo no Brasil a quan tidade necessária de professo
res do nível exigido para for mar, em número suficiente, os técnicos altamente qualificados de que a indústria necessita, a única alternativa além daque la de enviar brasileiros para serem treinados no exterior, r a importação dos professores necessários, seja em caráter permanenteou por período tem porário. Como já foi menciona do, 0 CIME possui acordos df cooperação com organizações européias com o objetivo de fa cilitar este processo. Em um nível mais baixo na
escala
de
qualificações,
o
CIME pode suprir o mercado, e na verdade já o fez anterior-
DIGE5TO ECONÔMICO
144
mente, com instrutores para escolas de formação profissio nal ou escolas de hotelaria,
O ponto de que trata o pa rágrafo anterior sobrepõe-se ao
Cfuando novos cursos de instru-
seja, a criação de empregos e a valorização do trabalhador.
instituídos ou quando se torna necessário aumentar .a çao
sao
produção de certas classes pro
fissionais para as quais existe uma demanda urgente.
Esses são meios práticos e
diretos pelos quais imigrantes
podem ajudar a garantir que as
instituições
educacionais
preparem os estudantes realisticamente para enfrentarem as
exigências que lhes serão fei tas quando estiverem exercen do as suas profissões. Existe ainda um outro método, indire
to mas muito eficaz^ O próprio fato de técnicos estrangeiros altamente qualificados traba
lharem lado a lado com brasi leiros que possuam menor qua
lificação técnica ou menos ex
periência, faz com que o téc nico nacional adquira maior conhecimento e experiência. Es ta transferência de tecnologia
por osmose representa uma das mais valiosas contribuições que
técnicos imigrantes podem fa zer para elevar o nível da força
de tiabalho como um todo.
terceiro tema do Seminário, ou
A criação de empregos é essen cialmente, em grande parte, uma questão de investim-ento em setores econômicos selecio
nados
e projetos
obra inten.siva.
de mão-de-
A fim de am-
pliar ao máximo os seus efei tos sociais é quase inevitável que a maior parte dos empre gos criados se destine a traba lhadores que não possuem qual quer qualificação ou àqueles semiqualif içados. Entretanto, a fim de possibilitar a esses elementos obter emprego, exi ge-se um mínimo irreduzível de pessoal técnico responsável por
gerência e supervisão. Isto
s<-
torna ainda mais evidente quan
do existe uma política voltada
para o emprego mais intensivo de recursos humanos nos pro-
públicos e particulares. Com frequência, não se encon tram localmente esses elemen-
jetos
ou tos altamente qualificados então já possuem eles um em
prego efetivo. Nessas circuns tâncias, a imigração de técni-
145
DIGESTO ECONÔMICO
COS estrangeiros cuidadosamen te selecionados e possuindo o
nível técnico exigido, pode ga rantir 0 sucesso dos programas referentes à criação de empre gos.
Na presente exposição foi feita uma tentativa de demons trar como as especializações técnicas e a experiência dos contribuir imigrantes podem do para a melhor organização mercado de trabalho, bem como para
um
melhor relaciona-
inei to entre educação e traba lho, e para a criação de em
pregos mais satisfatórios m1-dividualmenle, e de maior uti
ses entraves trazendo para o País tanto o pesisoal qualificado de que se necessita de imedia to, quanto também instrutores
que irão auxiliar no treinan^tito de brasileiros para o futuro; sendo esses últimos provavel mente os mais importantes, a
longo prazo Já existe o meca nismo que possibilita o fluxo de
imigração seletiva para os fins acima mencionados, tendo esse mecanismo sido nforçado pelo
acordo tripartite de 16 de junho
de 1976, bem como pela recen te decisão de criar-se uma Se cretaria de Imigração dentro do Ministério do Trabalho.
0 que é necessário agora é
lidade .t.‘Conômica. Em um pais
de dimcn.=^ão continental como o Brasil, com um enorme vo lume de recursos humanos que
um
estudo mais profundo das profissões e níveis
indústrias,
técnicos, onde exista demand.”
proprio Governo está tentan do ul’!:zar de maneira mais' efi ciente e racional a fim de ace
de mão-de-obra imigrante, bem como um esforço determinado para fazer com que o seu re
lerar 0 desenvolvimento e ele-
crutamento, colocação e inte gração se tornem mais eficien
0
var 0 padrão de vida dos trabalhadores, é natural que ocorram
obstáculos, entraves e cerde mão-de-obra
tas carências
treinada e técnica. A imigração seletiva está em. condições de concorrer para a redução des-
tes e mais rápidos. Há disponi bilidade do tipo de técnicos ne
cessários, mas há também de manda dos mesmos em muitos
outros países do mundo; assim, é preciso tomar-se medidas po-
DIGE5TO ECONÔMICO
144
mente, com instrutores para escolas de formação profissio nal ou escolas de hotelaria,
O ponto de que trata o pa rágrafo anterior sobrepõe-se ao
Cfuando novos cursos de instru-
seja, a criação de empregos e a valorização do trabalhador.
instituídos ou quando se torna necessário aumentar .a çao
sao
produção de certas classes pro
fissionais para as quais existe uma demanda urgente.
Esses são meios práticos e
diretos pelos quais imigrantes
podem ajudar a garantir que as
instituições
educacionais
preparem os estudantes realisticamente para enfrentarem as
exigências que lhes serão fei tas quando estiverem exercen do as suas profissões. Existe ainda um outro método, indire
to mas muito eficaz^ O próprio fato de técnicos estrangeiros altamente qualificados traba
lharem lado a lado com brasi leiros que possuam menor qua
lificação técnica ou menos ex
periência, faz com que o téc nico nacional adquira maior conhecimento e experiência. Es ta transferência de tecnologia
por osmose representa uma das mais valiosas contribuições que
técnicos imigrantes podem fa zer para elevar o nível da força
de tiabalho como um todo.
terceiro tema do Seminário, ou
A criação de empregos é essen cialmente, em grande parte, uma questão de investim-ento em setores econômicos selecio
nados
e projetos
obra inten.siva.
de mão-de-
A fim de am-
pliar ao máximo os seus efei tos sociais é quase inevitável que a maior parte dos empre gos criados se destine a traba lhadores que não possuem qual quer qualificação ou àqueles semiqualif içados. Entretanto, a fim de possibilitar a esses elementos obter emprego, exi ge-se um mínimo irreduzível de pessoal técnico responsável por
gerência e supervisão. Isto
s<-
torna ainda mais evidente quan
do existe uma política voltada
para o emprego mais intensivo de recursos humanos nos pro-
públicos e particulares. Com frequência, não se encon tram localmente esses elemen-
jetos
ou tos altamente qualificados então já possuem eles um em
prego efetivo. Nessas circuns tâncias, a imigração de técni-
145
DIGESTO ECONÔMICO
COS estrangeiros cuidadosamen te selecionados e possuindo o
nível técnico exigido, pode ga rantir 0 sucesso dos programas referentes à criação de empre gos.
Na presente exposição foi feita uma tentativa de demons trar como as especializações técnicas e a experiência dos contribuir imigrantes podem do para a melhor organização mercado de trabalho, bem como para
um
melhor relaciona-
inei to entre educação e traba lho, e para a criação de em
pregos mais satisfatórios m1-dividualmenle, e de maior uti
ses entraves trazendo para o País tanto o pesisoal qualificado de que se necessita de imedia to, quanto também instrutores
que irão auxiliar no treinan^tito de brasileiros para o futuro; sendo esses últimos provavel mente os mais importantes, a
longo prazo Já existe o meca nismo que possibilita o fluxo de
imigração seletiva para os fins acima mencionados, tendo esse mecanismo sido nforçado pelo
acordo tripartite de 16 de junho
de 1976, bem como pela recen te decisão de criar-se uma Se cretaria de Imigração dentro do Ministério do Trabalho.
0 que é necessário agora é
lidade .t.‘Conômica. Em um pais
de dimcn.=^ão continental como o Brasil, com um enorme vo lume de recursos humanos que
um
estudo mais profundo das profissões e níveis
indústrias,
técnicos, onde exista demand.”
proprio Governo está tentan do ul’!:zar de maneira mais' efi ciente e racional a fim de ace
de mão-de-obra imigrante, bem como um esforço determinado para fazer com que o seu re
lerar 0 desenvolvimento e ele-
crutamento, colocação e inte gração se tornem mais eficien
0
var 0 padrão de vida dos trabalhadores, é natural que ocorram
obstáculos, entraves e cerde mão-de-obra
tas carências
treinada e técnica. A imigração seletiva está em. condições de concorrer para a redução des-
tes e mais rápidos. Há disponi bilidade do tipo de técnicos ne
cessários, mas há também de manda dos mesmos em muitos
outros países do mundo; assim, é preciso tomar-se medidas po-
146
DIGESTO
sltivas no sentido de atraí-los.
Se a imigração pretende contri buir ic maneira útil para atin gir os objetivos nacionais 1
campo de ela
emprego, deve
ser
assistida e orientada atra
vés de uma política bem defi
ECONÔMICO
nida qus estabeleça prioridades e metas, que crie incentivos e que coordene e harmonize ou tros aspecios da política na cional, a fim de ensejar e faci litar 0 fluxo dos técnicos cessários.
U.S.P. estuda ofuscamento nas rodovias
Os direitos humanos
ne
o Núcleo de Desen volvimento
Tecno
e
lógico de Transportes da USP, do Departamento de Engenharia de Translógico de Transportes da USP, do Departamento de Engenharia de Transportes da Escola Politécnica, está realizando pesquisa sobre ofuscamento (noturno e
o
dos EIJA
diurno) em nossas rodovias, por meio de convênio envolvendo o Departamento Nacional de Estradas de Rodagem. O prof. Felippe Augusto Aranha Domingues, chefe do Departamento de Engenharia dc Transportes e coordenador ge-
ral do Núcleo, destaca a importância do convênio, explicando que, ao contrário de outros itens, da técnica rodoviária e das atuais condições de segurança,
é quase inexistente — até no exterior — preocupação maior em relação ao estudo do ofuscamento nas rodovias. «Omissão surpreendente» — enfatiza o professor — “quando não são ignorados os perigos — não raro fatais — causados pelo problema em estradas, mesmo nas mais modeiTias, no mundo inteiro». Entre nós — O Brasil é um dos campeões mundiais de acidentes rodoviários, classificação nada bsonjeira que, segundo o professor, se deve em grande parte ao elevado número de desastres provocados pela cegueira momentânea do ofuscamento solar. Sua manifestação é mais comum nas es tradas com direção leste-oeste, que coincide com as posições do nascente e do poente do sol, mas pode também surpi*eender o motorista menós avisado numa curva ou rompa, principalmente quando o sol se encontra perto da linha do horizonte. À noite, os furóis altos substituem o sol e o ofuscamento noturno apresenta-se como problema de igual gravidade para quem dirige. Aqui, há outras agravantes: faróis refletidos no retrovisor, lanternas muito claras de freios dos carros que estão à sua frente, etc. Estudos — Afirma o professor que «a intensidade do ofuscamento depende do ângulo de incidên cia dos arios luminosos do globo ocular, em relação à linha de visão. A pu pila pode compensar no máximo um aumento de luminosidade de 17 vezes, enquanto a luminosidade real varia na proporção de um para vários milhões. A adaptação residual é feita pela retina, mas não é imediata, pois o temi>o (Continua na página 160)
Samuel P- Huntington
A reconstituição do poderio americano
só pode ter efeitos positivos. Professor da Universidade de Harvard Dui’ante as décadas de 60
e 70, muitos intelectuais expu seram 0 que talvez possa ser melhor denominado “O Mito da
Repressão Americana e, 0
isto
conceito de que o envolvi-
mento dos EUA na política de outras sociedades é quase in variavelmente hostil à liberda de e apoiador da repressão nessas mesmas sociedades. Os
Estados Unidos, como Hans J.
Morgenthau disse em 1974, são “amigos da repressão”: “Com uma invariável cons
tância, desde o fim da H Guer
ra Mundial, temos intervido em nome da
repressão
conserva
dora e fascista contra a revo
lução e a reforma radical. Numa época em que as socie dades se acham numa etapa revolucionária ou pré-revolucionária, nós nos convertemos na
146
DIGESTO
sltivas no sentido de atraí-los.
Se a imigração pretende contri buir ic maneira útil para atin gir os objetivos nacionais 1
campo de ela
emprego, deve
ser
assistida e orientada atra
vés de uma política bem defi
ECONÔMICO
nida qus estabeleça prioridades e metas, que crie incentivos e que coordene e harmonize ou tros aspecios da política na cional, a fim de ensejar e faci litar 0 fluxo dos técnicos cessários.
U.S.P. estuda ofuscamento nas rodovias
Os direitos humanos
ne
o Núcleo de Desen volvimento
Tecno
e
lógico de Transportes da USP, do Departamento de Engenharia de Translógico de Transportes da USP, do Departamento de Engenharia de Transportes da Escola Politécnica, está realizando pesquisa sobre ofuscamento (noturno e
o
dos EIJA
diurno) em nossas rodovias, por meio de convênio envolvendo o Departamento Nacional de Estradas de Rodagem. O prof. Felippe Augusto Aranha Domingues, chefe do Departamento de Engenharia dc Transportes e coordenador ge-
ral do Núcleo, destaca a importância do convênio, explicando que, ao contrário de outros itens, da técnica rodoviária e das atuais condições de segurança,
é quase inexistente — até no exterior — preocupação maior em relação ao estudo do ofuscamento nas rodovias. «Omissão surpreendente» — enfatiza o professor — “quando não são ignorados os perigos — não raro fatais — causados pelo problema em estradas, mesmo nas mais modeiTias, no mundo inteiro». Entre nós — O Brasil é um dos campeões mundiais de acidentes rodoviários, classificação nada bsonjeira que, segundo o professor, se deve em grande parte ao elevado número de desastres provocados pela cegueira momentânea do ofuscamento solar. Sua manifestação é mais comum nas es tradas com direção leste-oeste, que coincide com as posições do nascente e do poente do sol, mas pode também surpi*eender o motorista menós avisado numa curva ou rompa, principalmente quando o sol se encontra perto da linha do horizonte. À noite, os furóis altos substituem o sol e o ofuscamento noturno apresenta-se como problema de igual gravidade para quem dirige. Aqui, há outras agravantes: faróis refletidos no retrovisor, lanternas muito claras de freios dos carros que estão à sua frente, etc. Estudos — Afirma o professor que «a intensidade do ofuscamento depende do ângulo de incidên cia dos arios luminosos do globo ocular, em relação à linha de visão. A pu pila pode compensar no máximo um aumento de luminosidade de 17 vezes, enquanto a luminosidade real varia na proporção de um para vários milhões. A adaptação residual é feita pela retina, mas não é imediata, pois o temi>o (Continua na página 160)
Samuel P- Huntington
A reconstituição do poderio americano
só pode ter efeitos positivos. Professor da Universidade de Harvard Dui’ante as décadas de 60
e 70, muitos intelectuais expu seram 0 que talvez possa ser melhor denominado “O Mito da
Repressão Americana e, 0
isto
conceito de que o envolvi-
mento dos EUA na política de outras sociedades é quase in variavelmente hostil à liberda de e apoiador da repressão nessas mesmas sociedades. Os
Estados Unidos, como Hans J.
Morgenthau disse em 1974, são “amigos da repressão”: “Com uma invariável cons
tância, desde o fim da H Guer
ra Mundial, temos intervido em nome da
repressão
conserva
dora e fascista contra a revo
lução e a reforma radical. Numa época em que as socie dades se acham numa etapa revolucionária ou pré-revolucionária, nós nos convertemos na
148
DIGESTO ECONÔMICO
primeira potência no mundo do status quo pré-revolucionário.
1. A supressão da liberdade em regimes autoritários de di
Uma política assim pode uni
reita é quase sempre menos penetrante do que nos regimes totalitários de esquerda. Nos anos 1960 e 1970, por exemplo, as violações de direitos huma
camente
conduzir
ao desastre
moral e político.”
Essa argumentação, tal co mo os inúmeros pronunciamen
tos de outros intelectuais que apoiam o mito da repressão dos EUA, padece de dois defeitos básicos.
Em primeiro lugar, ela con funde 0 apoio para a esquerda com a oposição à repressão. Sob esse aspecto, ela representa uma outra manifestação da ex
tensão em que a semelhança de objetivos
imediatos
pode
tornar indistinta a linha de se paração entre liberais e revo
lucionários. No entanto, aqueles que apóiam a “revolução e a reforma
radica!
em
outros
países, raramente demonstram qualquer preocupação maior com a liberdade e a dignidade
humanas do que aqueles que apóiam a “repressão conserva dora e fascista”. Na verdade, se deve haver uma escolha en tre ditaduras de direita e de
esquerda, existem pelo menos três bons motivos em termos de liberdade para se preferir a primeira à última.
nos na Coréia do Sul receberam
ampla cobertura nos veículos de comunicação americanos, em parte porque havia na Co réia do Sul jornalistas, grupos religiosos, intelectuais, e líde res políticos da oposição que podiam chamar a atenção para tais transgressões. A ausência de uma cobertura noticiosa se melhante acerca das transgres sões dos direitos humanos na Coréia do Norte evidenciou não
a ausência de repressão na quele país, mas de sua totali dade.
2. As ditaduras de direita
são, como os registros históri cos revelam, menos permanen tes do que as ditaduras de es querda; Portugal, Espanha, e Grécia são justamente três exemplos de ditaduras que fo ram substituídas por regimes democráticos. Apesar do espe rançoso movimento no sentido do pluralismo na Polônia, até 1981 nenhum regime comunista
DIGESTO ECONÔMICO
tinha
sido substituído
149
por um
regime democrático. 3.
Em
consequência
da
competição global entre os Es tados Unidos e a União Sovié
tica, os regimes de direita são normalmente mais suscetíveis à influência americana e de ou
tras nações ocidentais do que as ditaduras de esquerda, e tal influência tende irresistivel mente para o lado da liberda de. Por outro lado, a influên
cia soviética é exercida inva riável e poderosamente — como
aconteceu duas vezes na Tcheco-Eslováquia — sobre o setor da repressão. Este último detalhe leva a
CIA e do mundo de negócios dos EUA. Sua imagem dos Es tados Unidos era, porém, im perfeita em
ambas as dimen
sões. Durante os anos 60 e 70, 0 poderio norte-americano re lativo ao de outros governos e sociedades declinou significati vamente. Em meados da década
de 70, a capacidade dos Esta dos Unidos de exercerem influ
ência no que estava ocorrendo em outras sociedades era ape nas uma pálida sombra do que tinha sido há um quarto de século.
Quando o poderio dos EUA tinha efeitos sobre outras socie
dades, porém', isto se dava no sentido da liberdade, do plura
outra falácia fundamental do mito da repressão americana tal como foi elaborado por Mor-
lismo
genthau e outros. Seu retrato do mundo da década de 60 e 70 estava dominado pela imagem' de uma América do Norte esmagadoramente pode-
vre, mais liberal e mais demo crático do mundo, com salva guardas institucionalizadas mui to superiores para os direitos de seus cidadãos do que as de qualquer outra sociedade. Em consequência, qualquer aumen to no poder ou influência dos
rosa
e
irresistivelmente repres-
siva. Eles, com efeito, susten tavam uma crença atualizada 'ilusão da onipotência norteamericana”, que atribuía os na
males de outras
sociedades a
maquinações do Pentágono, da
e
da
democracia.
Na
prática, os Estados Unidos constituem-se no país mais li
Estados
Unidos
nos
assuntos
mundiais geralmente resulta — não inevitavelmente, mas de modo muito frequente — na
148
DIGESTO ECONÔMICO
primeira potência no mundo do status quo pré-revolucionário.
1. A supressão da liberdade em regimes autoritários de di
Uma política assim pode uni
reita é quase sempre menos penetrante do que nos regimes totalitários de esquerda. Nos anos 1960 e 1970, por exemplo, as violações de direitos huma
camente
conduzir
ao desastre
moral e político.”
Essa argumentação, tal co mo os inúmeros pronunciamen
tos de outros intelectuais que apoiam o mito da repressão dos EUA, padece de dois defeitos básicos.
Em primeiro lugar, ela con funde 0 apoio para a esquerda com a oposição à repressão. Sob esse aspecto, ela representa uma outra manifestação da ex
tensão em que a semelhança de objetivos
imediatos
pode
tornar indistinta a linha de se paração entre liberais e revo
lucionários. No entanto, aqueles que apóiam a “revolução e a reforma
radica!
em
outros
países, raramente demonstram qualquer preocupação maior com a liberdade e a dignidade
humanas do que aqueles que apóiam a “repressão conserva dora e fascista”. Na verdade, se deve haver uma escolha en tre ditaduras de direita e de
esquerda, existem pelo menos três bons motivos em termos de liberdade para se preferir a primeira à última.
nos na Coréia do Sul receberam
ampla cobertura nos veículos de comunicação americanos, em parte porque havia na Co réia do Sul jornalistas, grupos religiosos, intelectuais, e líde res políticos da oposição que podiam chamar a atenção para tais transgressões. A ausência de uma cobertura noticiosa se melhante acerca das transgres sões dos direitos humanos na Coréia do Norte evidenciou não
a ausência de repressão na quele país, mas de sua totali dade.
2. As ditaduras de direita
são, como os registros históri cos revelam, menos permanen tes do que as ditaduras de es querda; Portugal, Espanha, e Grécia são justamente três exemplos de ditaduras que fo ram substituídas por regimes democráticos. Apesar do espe rançoso movimento no sentido do pluralismo na Polônia, até 1981 nenhum regime comunista
DIGESTO ECONÔMICO
tinha
sido substituído
149
por um
regime democrático. 3.
Em
consequência
da
competição global entre os Es tados Unidos e a União Sovié
tica, os regimes de direita são normalmente mais suscetíveis à influência americana e de ou
tras nações ocidentais do que as ditaduras de esquerda, e tal influência tende irresistivel mente para o lado da liberda de. Por outro lado, a influên
cia soviética é exercida inva riável e poderosamente — como
aconteceu duas vezes na Tcheco-Eslováquia — sobre o setor da repressão. Este último detalhe leva a
CIA e do mundo de negócios dos EUA. Sua imagem dos Es tados Unidos era, porém, im perfeita em
ambas as dimen
sões. Durante os anos 60 e 70, 0 poderio norte-americano re lativo ao de outros governos e sociedades declinou significati vamente. Em meados da década
de 70, a capacidade dos Esta dos Unidos de exercerem influ
ência no que estava ocorrendo em outras sociedades era ape nas uma pálida sombra do que tinha sido há um quarto de século.
Quando o poderio dos EUA tinha efeitos sobre outras socie
dades, porém', isto se dava no sentido da liberdade, do plura
outra falácia fundamental do mito da repressão americana tal como foi elaborado por Mor-
lismo
genthau e outros. Seu retrato do mundo da década de 60 e 70 estava dominado pela imagem' de uma América do Norte esmagadoramente pode-
vre, mais liberal e mais demo crático do mundo, com salva guardas institucionalizadas mui to superiores para os direitos de seus cidadãos do que as de qualquer outra sociedade. Em consequência, qualquer aumen to no poder ou influência dos
rosa
e
irresistivelmente repres-
siva. Eles, com efeito, susten tavam uma crença atualizada 'ilusão da onipotência norteamericana”, que atribuía os na
males de outras
sociedades a
maquinações do Pentágono, da
e
da
democracia.
Na
prática, os Estados Unidos constituem-se no país mais li
Estados
Unidos
nos
assuntos
mundiais geralmente resulta — não inevitavelmente, mas de modo muito frequente — na
150
DIGESTO
promoção da liberdade e dos direitos humanos no mundo. A
expansão do poderio america no não é sinônimo de expansão da liberdade, mas existe uma significativa correlação entre
a ascensão e o declínio do po der americano no mundo e a ascensão e declínio da liber dade e da democracia no mundo.
A única maior expansão das liberdades democráticas na história do mundo ocorreu no
fim
da
n
Guerra Mundial,
quando regimes democráticos estáveis foram fundados nos países do Eixo derrotados: Ale manha, Japão, Itália e — como uma antiga parte da Alemanha
— a Áustria. No começo da década de 80, estes países ti nham' uma população de mais de 200 milhões, e incluíam a terceira e a quarta maiores economias do mundo. A impo sição da democracia nesses países resultou quase que in teiramente do empenho dos Es tados Unidos.
Na Alemanha e
no Japão, em particular, o Go verno dos EUA desempenhou
ECONÔMICO
terminação e poderio dos Es tados Unidos, os antigos países do Eixo foram, como John D. Montgomery acentuou, “força dos a ser livres”.
Inversamente,
os
passos
modestos dados no rumo da de mocracia e da liberdade na Po
lônia, Tcheco-Eslováquia e Hun gria foram rapidamente rever tidos e a repressão stalinista instituída ali, uma vez tendo ficado claro que os Estados Unidos não eram capazes de projetar seu poder na Europa Oriental. Se a II Guerra Mun dial tivesse terminado em algo menos do que uma vitória total, ou se os Estados Unidos tives
sem desempenhado um papel menos significativo no propiciamento dessa vitória (como foi,
na verdade, o caso a Leste do Elba), essas transições no ru mo da democracia na Europa Central e na Ásia Oriental não teriam ocorrido. Mas, com a
161
DIGESTO ECONÔMICO
influência norte-americana
As intervenções dos fuzilei
na segunda e terceira décadas deste século; a intervenção dos EUA na Nicarágua, no Haiti e
ros navais norte-americanos no
da
na República Dominicana pro duziram as eleições mais livres e a competição política mais aberta na história desses pai-
ses. Ali, como em' outros países da América Central e do Cari
be, a influência norte-americana
foi
em apoio às eleições livres exercida geralmente em
resposta aos protestos de gru
pos de oposição contra as ações repressivas de seus próprios
governos, e em resultância dos
temores dos EUA de que uma revolução, ou guerra civil, viesse a ocorrer caso fosse
A atenção dos Estados Uni dos foi dirigida principalmente
para a Europa e a Ásia
nos
anos logo posteriores à II &uer-
ra Mundial,
negligenciando a
Cuba. No início da década de
ribe e da
60, a América Latina tornouse 0 foco de programas de aju da econômica em grande esca la, programas de treinamento
América
Central,
to para impedir as revoluções
democráticos também coincidi ram com a ascensão e declínio
venções dos agentes federais no comportamento das eleições no Sul dos EUA na década de 60: inscrição de eleitores, pro teção contra a violência eleito ral, garantir o voto livre e uma apuração honesta.
Desse modo, em suas inter
sociais significativas uma igual dade de oportunidade de parti cipação no processo político.
os exércitos norte-americanos, a democracia seguia na esteira.
mento das instituições democrá ticas. Em consequência da de-
outras
venções em oito países do Ca-
negada às forças políticas e
exceção parcial da Coréia do Sul, onde quer que marchassem
um papel importante no delinea-
blica Dominicana e em
partes durante aqueles anos apresentavam amiúde uma se melhança notável com as inter
América Latina, de um modo geral. Tal situação começou a mudar por volta do fim da dé cada de 50, e alterou-se dra maticamente após Fidel Castro ter conquistado o poder em
entre 1900 e 1933, os Estados Unidos agiram na pressuposi
Na América Latina, a as censão e a queda de regimes
Haiti, na Nicarágua, na Repú
ção de que “o único meio tan como para determinar sua jus
e assistência militar, esforços de propaganda, e a reiterada
tificação no caso de virem a
atenção do presidente e outros
irromper, é garantir
funcionários norte-americanos de alto nível.
livres”.
eleições
150
DIGESTO
promoção da liberdade e dos direitos humanos no mundo. A
expansão do poderio america no não é sinônimo de expansão da liberdade, mas existe uma significativa correlação entre
a ascensão e o declínio do po der americano no mundo e a ascensão e declínio da liber dade e da democracia no mundo.
A única maior expansão das liberdades democráticas na história do mundo ocorreu no
fim
da
n
Guerra Mundial,
quando regimes democráticos estáveis foram fundados nos países do Eixo derrotados: Ale manha, Japão, Itália e — como uma antiga parte da Alemanha
— a Áustria. No começo da década de 80, estes países ti nham' uma população de mais de 200 milhões, e incluíam a terceira e a quarta maiores economias do mundo. A impo sição da democracia nesses países resultou quase que in teiramente do empenho dos Es tados Unidos.
Na Alemanha e
no Japão, em particular, o Go verno dos EUA desempenhou
ECONÔMICO
terminação e poderio dos Es tados Unidos, os antigos países do Eixo foram, como John D. Montgomery acentuou, “força dos a ser livres”.
Inversamente,
os
passos
modestos dados no rumo da de mocracia e da liberdade na Po
lônia, Tcheco-Eslováquia e Hun gria foram rapidamente rever tidos e a repressão stalinista instituída ali, uma vez tendo ficado claro que os Estados Unidos não eram capazes de projetar seu poder na Europa Oriental. Se a II Guerra Mun dial tivesse terminado em algo menos do que uma vitória total, ou se os Estados Unidos tives
sem desempenhado um papel menos significativo no propiciamento dessa vitória (como foi,
na verdade, o caso a Leste do Elba), essas transições no ru mo da democracia na Europa Central e na Ásia Oriental não teriam ocorrido. Mas, com a
161
DIGESTO ECONÔMICO
influência norte-americana
As intervenções dos fuzilei
na segunda e terceira décadas deste século; a intervenção dos EUA na Nicarágua, no Haiti e
ros navais norte-americanos no
da
na República Dominicana pro duziram as eleições mais livres e a competição política mais aberta na história desses pai-
ses. Ali, como em' outros países da América Central e do Cari
be, a influência norte-americana
foi
em apoio às eleições livres exercida geralmente em
resposta aos protestos de gru
pos de oposição contra as ações repressivas de seus próprios
governos, e em resultância dos
temores dos EUA de que uma revolução, ou guerra civil, viesse a ocorrer caso fosse
A atenção dos Estados Uni dos foi dirigida principalmente
para a Europa e a Ásia
nos
anos logo posteriores à II &uer-
ra Mundial,
negligenciando a
Cuba. No início da década de
ribe e da
60, a América Latina tornouse 0 foco de programas de aju da econômica em grande esca la, programas de treinamento
América
Central,
to para impedir as revoluções
democráticos também coincidi ram com a ascensão e declínio
venções dos agentes federais no comportamento das eleições no Sul dos EUA na década de 60: inscrição de eleitores, pro teção contra a violência eleito ral, garantir o voto livre e uma apuração honesta.
Desse modo, em suas inter
sociais significativas uma igual dade de oportunidade de parti cipação no processo político.
os exércitos norte-americanos, a democracia seguia na esteira.
mento das instituições democrá ticas. Em consequência da de-
outras
venções em oito países do Ca-
negada às forças políticas e
exceção parcial da Coréia do Sul, onde quer que marchassem
um papel importante no delinea-
blica Dominicana e em
partes durante aqueles anos apresentavam amiúde uma se melhança notável com as inter
América Latina, de um modo geral. Tal situação começou a mudar por volta do fim da dé cada de 50, e alterou-se dra maticamente após Fidel Castro ter conquistado o poder em
entre 1900 e 1933, os Estados Unidos agiram na pressuposi
Na América Latina, a as censão e a queda de regimes
Haiti, na Nicarágua, na Repú
ção de que “o único meio tan como para determinar sua jus
e assistência militar, esforços de propaganda, e a reiterada
tificação no caso de virem a
atenção do presidente e outros
irromper, é garantir
funcionários norte-americanos de alto nível.
livres”.
eleições
152
DIGESTO
ECONÔMICO
Segundo a Aliança para o Progresso, o poderio dos EUA seria utilizado para promover
ter sido possível numa época em que os Estados Unidos pa
e
buir pelo continente, bilhões de dólares em doações magnâni mas. O resultado disso foi que novas eleições tiveram lugar no ano seguinte, e Belaunde foi eleito livremente presidente do país.
sustentar o Governo demo
crático e uma maior igualdade social no
resto do hemisfério
ocidental.
Este alto
grau no
exercício do Poder dos EUA na América Latina
coincidiu com
o grau mais alto de democra cia na América Latina. Este
período testemunhou, no dizer de Tad Szulc, ‘o crepúsculo dos tiranos”: foi a época em que num certo ponto todos os
10 países sul-americanos, com' a única exceção do Paraguai, tiveram alguma aparência de governo democrático.
reciam estar à beira de distri
Seis anos depois,
contudo,
quando Belaunde foi deposto num golpe, os Estados Unidos não se achavam em posição de reverter o golpe de Estado, ou sequer impedir o governo mi
litar que assumira o poder de nacionalizar a maior parte das propriedades dos cidadãos nor te-americanos naquele país. O poder e a vontade que tinham
Logo após o golpe militar do Peru, em julho de 1962, os Estados Unidos puderam' usar seu poder mais eficientemente
estado atuantes ali no início da década de 60 se evaporaram
a fim de
por volta dos fins do
motivar um retorno
ao governo democrático. O em baixador
norte-americano
foi
chamado de volta a seu país; as relações diplomáticas foram
mesmo
decênio, e com eles a possibi lidade de devolver ao Peru a trilha democrática.
Mediante um processo algo
no
mais complexo, o declínio do
montante de 81 milhões de dó lares foi cancelada. Nove ou
norte-americano desempenho acarretou finalmente resulta dos semelhantes no Chile. Nas
suspensas;
e
uma
ajuda
tros países latino-americanos foram induzidos a romper re lações com a junta militar — um cometimento que só podia
DIGESTO ECONÔMICO
153
vor de Eduardo Frei e fizeram uma contribuição significativa
fins da
e possivelmente decisiva para a sua vitória sobre Salvador Allende. Nas eleições de 1970
fusão de regimes autoritários nessa região. Com esse declí
no
Chile, 0 governo dos
EUA
um esforço comparánao fez vel ao anterior a fim de derro tar Allende, que venceu o plei to popular por estreita margem de votos.
Nessa emergência, os Esta dos Unidos tentaram persuadir 0 Congresso chileno a que se
de
60 e início
da de 70, coincidiu com a di
nio houve também um declínio
nos padrões de moralidade de mocrática
e
direitos
humanos
que os Estados Unidos podiam tentar aplicar aos governos da região. No início de 1960, na América Latina (assim como nas décadas de 1910 e 1920 no Caribe e na América Central), a meta dos Estados Unidos era
impedi-lo de tomar posse. Am
bos esses esforços violavam tanto as normas de política chilena como as da moralida
a competição democrática e as eleições livres. Mas por volta de meados da década de 70, es sa meta se enfraqueceu, dei xando de atender aos gover nos democráticos para tentar persuadir os governos autori
de norte-americana, e não ti veram êxito. Por outro lado,
do muito gritante os direitos de
recusasse
a confirmar a vitó-
ria de Allende e buscaram pro mover um golpe militar para
caso
os Estados
Unidos
tives-
sem se mostrado tão atuantes nas eleições populares de 1970 como
haviam-se mostrado
nas
de 1964, Allende bem que po dería ter sido derrotado nova
tários a não infringirem de mo seus cidadãos.
Uma relação similar entre 0 poder norte-americano e o governo democrático prevale
ceu na Ásia. Ali,
também, o
mente, e a destruição da de
auge do poder dos EUA foi al cançado no início e nos meados
do evitada.
da década de 60, e ali, igual mente, o declínio desse poder
mocracia chilena, em' 1973, si
eleições chilenas de 1964,
os
Estados
to
Em conjunto, o declínio do papel exercido pelos Estados
da a influência possível em fa-
Unidos na América Latina, em
Unidos exerceram
década
foi seguido de um declínio na democracia e liberdade.
152
DIGESTO
ECONÔMICO
Segundo a Aliança para o Progresso, o poderio dos EUA seria utilizado para promover
ter sido possível numa época em que os Estados Unidos pa
e
buir pelo continente, bilhões de dólares em doações magnâni mas. O resultado disso foi que novas eleições tiveram lugar no ano seguinte, e Belaunde foi eleito livremente presidente do país.
sustentar o Governo demo
crático e uma maior igualdade social no
resto do hemisfério
ocidental.
Este alto
grau no
exercício do Poder dos EUA na América Latina
coincidiu com
o grau mais alto de democra cia na América Latina. Este
período testemunhou, no dizer de Tad Szulc, ‘o crepúsculo dos tiranos”: foi a época em que num certo ponto todos os
10 países sul-americanos, com' a única exceção do Paraguai, tiveram alguma aparência de governo democrático.
reciam estar à beira de distri
Seis anos depois,
contudo,
quando Belaunde foi deposto num golpe, os Estados Unidos não se achavam em posição de reverter o golpe de Estado, ou sequer impedir o governo mi
litar que assumira o poder de nacionalizar a maior parte das propriedades dos cidadãos nor te-americanos naquele país. O poder e a vontade que tinham
Logo após o golpe militar do Peru, em julho de 1962, os Estados Unidos puderam' usar seu poder mais eficientemente
estado atuantes ali no início da década de 60 se evaporaram
a fim de
por volta dos fins do
motivar um retorno
ao governo democrático. O em baixador
norte-americano
foi
chamado de volta a seu país; as relações diplomáticas foram
mesmo
decênio, e com eles a possibi lidade de devolver ao Peru a trilha democrática.
Mediante um processo algo
no
mais complexo, o declínio do
montante de 81 milhões de dó lares foi cancelada. Nove ou
norte-americano desempenho acarretou finalmente resulta dos semelhantes no Chile. Nas
suspensas;
e
uma
ajuda
tros países latino-americanos foram induzidos a romper re lações com a junta militar — um cometimento que só podia
DIGESTO ECONÔMICO
153
vor de Eduardo Frei e fizeram uma contribuição significativa
fins da
e possivelmente decisiva para a sua vitória sobre Salvador Allende. Nas eleições de 1970
fusão de regimes autoritários nessa região. Com esse declí
no
Chile, 0 governo dos
EUA
um esforço comparánao fez vel ao anterior a fim de derro tar Allende, que venceu o plei to popular por estreita margem de votos.
Nessa emergência, os Esta dos Unidos tentaram persuadir 0 Congresso chileno a que se
de
60 e início
da de 70, coincidiu com a di
nio houve também um declínio
nos padrões de moralidade de mocrática
e
direitos
humanos
que os Estados Unidos podiam tentar aplicar aos governos da região. No início de 1960, na América Latina (assim como nas décadas de 1910 e 1920 no Caribe e na América Central), a meta dos Estados Unidos era
impedi-lo de tomar posse. Am
bos esses esforços violavam tanto as normas de política chilena como as da moralida
a competição democrática e as eleições livres. Mas por volta de meados da década de 70, es sa meta se enfraqueceu, dei xando de atender aos gover nos democráticos para tentar persuadir os governos autori
de norte-americana, e não ti veram êxito. Por outro lado,
do muito gritante os direitos de
recusasse
a confirmar a vitó-
ria de Allende e buscaram pro mover um golpe militar para
caso
os Estados
Unidos
tives-
sem se mostrado tão atuantes nas eleições populares de 1970 como
haviam-se mostrado
nas
de 1964, Allende bem que po dería ter sido derrotado nova
tários a não infringirem de mo seus cidadãos.
Uma relação similar entre 0 poder norte-americano e o governo democrático prevale
ceu na Ásia. Ali,
também, o
mente, e a destruição da de
auge do poder dos EUA foi al cançado no início e nos meados
do evitada.
da década de 60, e ali, igual mente, o declínio desse poder
mocracia chilena, em' 1973, si
eleições chilenas de 1964,
os
Estados
to
Em conjunto, o declínio do papel exercido pelos Estados
da a influência possível em fa-
Unidos na América Latina, em
Unidos exerceram
década
foi seguido de um declínio na democracia e liberdade.
DIGESTO
154
A influência norte-america
cracia
filipina.
ECONÔMICO
Quando o pre
DIGESTO ECONÔMICO
155
Isto ocorre por dois
O impacto positivo do poder
moti
na tinha sido mais ampla nas
sidente Marcos instituiu seu re
norte-americano sobre a liber-
vos.
Filipinas, país que, durante um
gime de lei marcial em 1972, a
quarto de século após a II Guer ra Mundial, possuía o sistema mais aberto e democrático, afo ra 0 Japão, no Leste e Sudeste asiáticos. Após as eleições de
influência
dade em outras sociedades é, em parte, o resultado das opções conscientes de presidentes como John Kennedy e Carter dando uma alta prioridade à promo-
gentes americanos e os que promovem as decisões são, ine
1949, admitidas como fraudu lentas, e em face da crescen
norte-americana no
Sudeste asiático
estava
nitida
mente em declínio, e os Esta dos Unidos dispunham então de poucos recursos de influência com os quais pudessem afetar o rumo da política filipina.
te ameaça ao governo filipino Talvez de uma maneira até
representada pela rebelião dos Huk, a ajuda militar e econô
mais direta,
mica dos EUA aumentou gran
vado
A intervenção direta norteamericana na política das Fi lipinas desempenhou então um papel decisivo não só na pro moção de Ramon Magsaysay à presidência do país, como tam bém na garantia de que as
eleições parlamentares de 1951 e as presidenciais de 1953 fos e honestas.
Nas
três eleições seguintes, as Fi lipinas enfrentaram o teste de mocrático mais severo: os pre sidentes não foram reeleitos.
Nos anos subsequentes, po rém, a presença cia
grau mais ele-
democracia e
liber
dade política no Vietname tam
demente.
sem abertas
de
0
e a influên
norte-americanas
declina
ram nas Filipinas e com isso deteriorou-se o apoio à demo¬
bém coincidiu com o nível mais alto de influência dos EUA no
país. As únicas eleições livres da
história
do Vietname ocor
reram em 1967, quando a inter venção militar norte-americana estava no seu auge. Nc Vietna
me, como na América Latina, a intervenção dos EUA teve um efeito pluralizante sobre a política, limitando o Governo e incentivando e reforçando a oposição política. A derrota dos Estados Unidos no Vietname e a exclusão do poderio norteamericano na Indochina foram
acompanhadas em três países da imposição de regimes e uma repressão virtualmente absolula.
çao da democracia e dos direi-
tos humanos.
Mesmo sem essa
opção consciente, contudo, a presença ou exercício do poder dos EUA numa esfera estran
geira geralmente segue um im
pulso semelhante.
A natureza
dos Estados Unidos não deixa outra alternativa senão a de destacar-se entre as nações co
mo 0 proponente da liberdade e da democracia.
O poder tende a corromper, e 0 poder absoluto corrompe de modo absoluto. O poder dos EUA não se constitui numa ex
ceção; claramente pode e tem sido usado tanto
para
bons
quanto maus propósitos em ter mos de liberdade, democracia e direitos humanos. Mas, também em nome desses valores, o po der norte-americano tem muito menos possibilidades de ser mal-usado ou corrompido do que 0 poder de qualquer outro governo de destaque.
Primeiro, porque os diri
vitavelmente,
os
produtos
de
sua cultura, dedicados geral mente aos valores liberais e democráticos. Isto não significa que alguns líderes não possam às vezes incorrer em ações que
se coloquem contra esses valo res. Evidentemente, tal acon tece: a percepção se entorpece, as
necessidades
atinentes
à
segurança podem vir a ditar outras ações, a conveniência predomina e os fins imediatos justificam deixar de lado o ob jetivo de maior alcance. Mas os que formulam a política nor te-americana são provavelmen te mais arredíos do que aque les de outros países a esses ajustes de conveniência e mais relutantes em sacrificarem os valores liberais e democráticos.
Segundo, o pluralismo insti tucional e a dispersão do Poder no sistema político norte-ameri cano impõem limitações — não igualadas em nenhuma outra sociedade — à capacidade dos funcionários de cometerem abu
sos do Poder, e também asse guram
que
as
transgressões
DIGESTO
154
A influência norte-america
cracia
filipina.
ECONÔMICO
Quando o pre
DIGESTO ECONÔMICO
155
Isto ocorre por dois
O impacto positivo do poder
moti
na tinha sido mais ampla nas
sidente Marcos instituiu seu re
norte-americano sobre a liber-
vos.
Filipinas, país que, durante um
gime de lei marcial em 1972, a
quarto de século após a II Guer ra Mundial, possuía o sistema mais aberto e democrático, afo ra 0 Japão, no Leste e Sudeste asiáticos. Após as eleições de
influência
dade em outras sociedades é, em parte, o resultado das opções conscientes de presidentes como John Kennedy e Carter dando uma alta prioridade à promo-
gentes americanos e os que promovem as decisões são, ine
1949, admitidas como fraudu lentas, e em face da crescen
norte-americana no
Sudeste asiático
estava
nitida
mente em declínio, e os Esta dos Unidos dispunham então de poucos recursos de influência com os quais pudessem afetar o rumo da política filipina.
te ameaça ao governo filipino Talvez de uma maneira até
representada pela rebelião dos Huk, a ajuda militar e econô
mais direta,
mica dos EUA aumentou gran
vado
A intervenção direta norteamericana na política das Fi lipinas desempenhou então um papel decisivo não só na pro moção de Ramon Magsaysay à presidência do país, como tam bém na garantia de que as
eleições parlamentares de 1951 e as presidenciais de 1953 fos e honestas.
Nas
três eleições seguintes, as Fi lipinas enfrentaram o teste de mocrático mais severo: os pre sidentes não foram reeleitos.
Nos anos subsequentes, po rém, a presença cia
grau mais ele-
democracia e
liber
dade política no Vietname tam
demente.
sem abertas
de
0
e a influên
norte-americanas
declina
ram nas Filipinas e com isso deteriorou-se o apoio à demo¬
bém coincidiu com o nível mais alto de influência dos EUA no
país. As únicas eleições livres da
história
do Vietname ocor
reram em 1967, quando a inter venção militar norte-americana estava no seu auge. Nc Vietna
me, como na América Latina, a intervenção dos EUA teve um efeito pluralizante sobre a política, limitando o Governo e incentivando e reforçando a oposição política. A derrota dos Estados Unidos no Vietname e a exclusão do poderio norteamericano na Indochina foram
acompanhadas em três países da imposição de regimes e uma repressão virtualmente absolula.
çao da democracia e dos direi-
tos humanos.
Mesmo sem essa
opção consciente, contudo, a presença ou exercício do poder dos EUA numa esfera estran
geira geralmente segue um im
pulso semelhante.
A natureza
dos Estados Unidos não deixa outra alternativa senão a de destacar-se entre as nações co
mo 0 proponente da liberdade e da democracia.
O poder tende a corromper, e 0 poder absoluto corrompe de modo absoluto. O poder dos EUA não se constitui numa ex
ceção; claramente pode e tem sido usado tanto
para
bons
quanto maus propósitos em ter mos de liberdade, democracia e direitos humanos. Mas, também em nome desses valores, o po der norte-americano tem muito menos possibilidades de ser mal-usado ou corrompido do que 0 poder de qualquer outro governo de destaque.
Primeiro, porque os diri
vitavelmente,
os
produtos
de
sua cultura, dedicados geral mente aos valores liberais e democráticos. Isto não significa que alguns líderes não possam às vezes incorrer em ações que
se coloquem contra esses valo res. Evidentemente, tal acon tece: a percepção se entorpece, as
necessidades
atinentes
à
segurança podem vir a ditar outras ações, a conveniência predomina e os fins imediatos justificam deixar de lado o ob jetivo de maior alcance. Mas os que formulam a política nor te-americana são provavelmen te mais arredíos do que aque les de outros países a esses ajustes de conveniência e mais relutantes em sacrificarem os valores liberais e democráticos.
Segundo, o pluralismo insti tucional e a dispersão do Poder no sistema político norte-ameri cano impõem limitações — não igualadas em nenhuma outra sociedade — à capacidade dos funcionários de cometerem abu
sos do Poder, e também asse guram
que
as
transgressões
DIGESTO
156
que venham a ocorrer, inevita
intelectuais dos EUA nos anos
velmente se tornem do conheci
70 — de que os Estados Unidos não poderíam nunca agir bem
mento público.
em nome A imprensa norte-americana é extraordinariamente livre, forte e vigorosa na exposição da
má política e dos funcionários corruptos. O Congresso norteamericano tem poderes de in vestigação, legislação e contro le financeiro não igualados em nenhuma outra legislatura
na
cional. A capacidade dos
fun
cionários dos EUA de violar os
valores de sua
sociedade é,
portanto, altamente limitada, e a extensão em que a imprensa se acha munida de informes a
respeito de como alguns funcio nários hajam violado esses va lores
é uma
evidência não de
que tal conduta esteja mais di fundida que em qualquer outra sociedade, mas sim que é me nos tolerada do que em outras sociedades.
A crença de que os Estados mal Unidos não podem agir em nome dos valores da liber
dade e da democracia
é,
evi
dentemente, tão errônea no ex
desses
DIGESTO ECONÔMICO
ECONÔMICO
que denominavam enfoques moralistas, legalísticos, utópi
cos e wilsonianos que, segun
valores. É
muito mais provável que o Po der dos EUA seja empregado em nome de tais valores do que 0 Poder de qualquer outro país importante. O futuro mundo
do
alegavam,
tinham prevale
cido anteriormente na conduta das relações exteriores norteamericanas. Esse novo realis mo alcançou sua apoteose no
no
papel principal desempenhado pelo equilíbrio do Poder na teoria e na prática de Henry
inlimamen-
Kissinger. Contudo, na década
da liberdade
está assim
157
te ligado ao futuro do Poder dos EUA. Mas de modo para doxal — e erroneamente — os
proponentes de pareceres mui to diversos a respeito das re lações políticas exteriores nor te-americanas têm coincidido amiúde em ver um conflito en
tre ambas as coisas, interpre tando a participação dos EUA no mundo como o resultado de duas motivações conflitantes, o interesse nacional e o Poder, de um lado, e a moralidade po lítica e Os princípios, de outro.
Pouco depois do término da II Guerra Mundial, surgiu nos EUA um grupo significativo de escritores e pensadores, como Reinhüld Niebuhr, George Kennan, Walter Lippmann, Hans
terior como o é nos EUA. Mas também é errônea a crença —
J. Morgenthau e Robert Osgood, que expuseram um “novo
mais prevalecente nos círculos
realismo”.
Eles criticavam
o
de 70, 0 novo realismo veio a ser desafiado pelo “novo moralismo”, e o fiel da balança que se tinha inclinado numa direção após a II Guerra Mun dial agora vinha a inclinar-se acentuadamente
na
outra
di
reção.
Esta mudança foi uma das mais significativas consequên
Ajuda Externa, .etn 1966, e
às
condições dos direitos humanos
110 início da década de 70,
e
depois nas eleições de 1976, quando Jimmy Carter criticou energicamente o presidente
Ford, por acreditar “que não há quase nenhum lugar para a moralidade nos
assuntos exte
riores, e que nós devemos co locar os interesses próprios acima dos
princípios”-
Como
presidente, Carter situou os di reitos humanos numa posição Central nas relações exteriores norte-americanas.
As
delimitações entre
moralistas
os
e os realistas fica
ram desse modo claramente deliniadas, mas num ponto eles zrj achavam de acordo: acredi
do Caso Wa-
tavam que 0 conflito entre a moralidade e o interesse pró
e a paixão doutrinária que do minou a política dos Estados
prio, ou os ideais e o realismo,
cias do Vietnã,
tergate, e o surto democrático
Unidos nos anos 60. Ela repre
era uma realidade. A verdade,
porém, é que, enquanto em al
sentou 0 deslocamento para o mundo exterior do moralismo,
guns aspectos o conflito se mos tra real, em outros, particular
que anteriormente fora endere
mente quando formulado
çado contra as instituições nor
termos de um conflito entre a
te-americanas. O novo moralis
liberdade e o Poder, não é assim. Definida desse modo, a
mo manifestomse primeii’amen-
te na ação do Congresso, com a
adição do Título IX à Lei
de
dicotomia não reflete um
tendim.shto
exato das
em
en-
opções
DIGESTO
156
que venham a ocorrer, inevita
intelectuais dos EUA nos anos
velmente se tornem do conheci
70 — de que os Estados Unidos não poderíam nunca agir bem
mento público.
em nome A imprensa norte-americana é extraordinariamente livre, forte e vigorosa na exposição da
má política e dos funcionários corruptos. O Congresso norteamericano tem poderes de in vestigação, legislação e contro le financeiro não igualados em nenhuma outra legislatura
na
cional. A capacidade dos
fun
cionários dos EUA de violar os
valores de sua
sociedade é,
portanto, altamente limitada, e a extensão em que a imprensa se acha munida de informes a
respeito de como alguns funcio nários hajam violado esses va lores
é uma
evidência não de
que tal conduta esteja mais di fundida que em qualquer outra sociedade, mas sim que é me nos tolerada do que em outras sociedades.
A crença de que os Estados mal Unidos não podem agir em nome dos valores da liber
dade e da democracia
é,
evi
dentemente, tão errônea no ex
desses
DIGESTO ECONÔMICO
ECONÔMICO
que denominavam enfoques moralistas, legalísticos, utópi
cos e wilsonianos que, segun
valores. É
muito mais provável que o Po der dos EUA seja empregado em nome de tais valores do que 0 Poder de qualquer outro país importante. O futuro mundo
do
alegavam,
tinham prevale
cido anteriormente na conduta das relações exteriores norteamericanas. Esse novo realis mo alcançou sua apoteose no
no
papel principal desempenhado pelo equilíbrio do Poder na teoria e na prática de Henry
inlimamen-
Kissinger. Contudo, na década
da liberdade
está assim
157
te ligado ao futuro do Poder dos EUA. Mas de modo para doxal — e erroneamente — os
proponentes de pareceres mui to diversos a respeito das re lações políticas exteriores nor te-americanas têm coincidido amiúde em ver um conflito en
tre ambas as coisas, interpre tando a participação dos EUA no mundo como o resultado de duas motivações conflitantes, o interesse nacional e o Poder, de um lado, e a moralidade po lítica e Os princípios, de outro.
Pouco depois do término da II Guerra Mundial, surgiu nos EUA um grupo significativo de escritores e pensadores, como Reinhüld Niebuhr, George Kennan, Walter Lippmann, Hans
terior como o é nos EUA. Mas também é errônea a crença —
J. Morgenthau e Robert Osgood, que expuseram um “novo
mais prevalecente nos círculos
realismo”.
Eles criticavam
o
de 70, 0 novo realismo veio a ser desafiado pelo “novo moralismo”, e o fiel da balança que se tinha inclinado numa direção após a II Guerra Mun dial agora vinha a inclinar-se acentuadamente
na
outra
di
reção.
Esta mudança foi uma das mais significativas consequên
Ajuda Externa, .etn 1966, e
às
condições dos direitos humanos
110 início da década de 70,
e
depois nas eleições de 1976, quando Jimmy Carter criticou energicamente o presidente
Ford, por acreditar “que não há quase nenhum lugar para a moralidade nos
assuntos exte
riores, e que nós devemos co locar os interesses próprios acima dos
princípios”-
Como
presidente, Carter situou os di reitos humanos numa posição Central nas relações exteriores norte-americanas.
As
delimitações entre
moralistas
os
e os realistas fica
ram desse modo claramente deliniadas, mas num ponto eles zrj achavam de acordo: acredi
do Caso Wa-
tavam que 0 conflito entre a moralidade e o interesse pró
e a paixão doutrinária que do minou a política dos Estados
prio, ou os ideais e o realismo,
cias do Vietnã,
tergate, e o surto democrático
Unidos nos anos 60. Ela repre
era uma realidade. A verdade,
porém, é que, enquanto em al
sentou 0 deslocamento para o mundo exterior do moralismo,
guns aspectos o conflito se mos tra real, em outros, particular
que anteriormente fora endere
mente quando formulado
çado contra as instituições nor
termos de um conflito entre a
te-americanas. O novo moralis
liberdade e o Poder, não é assim. Definida desse modo, a
mo manifestomse primeii’amen-
te na ação do Congresso, com a
adição do Título IX à Lei
de
dicotomia não reflete um
tendim.shto
exato das
em
en-
opções
8Sl
O0IW9NO03 oxsaoia
DIQESTO ECONÔMICO
reais com que se defrontam os formuladores da política norte-
dos Unidos teve, inevitavelmen te, tal efeito. Imbuidos do mi
americana no trato com o mun
to da repressão norte-america na, os novos moralistas, sem atentarem para a contradição,
do exterior. Mas, paradoxal mente, a dupla tendência do novo moralismo foi a de defen
der a expansão da liberdade global e, simultaneamente, efe tivar uma redução do Poder dos EUA-
O declínio relativo ao Poder norte-americano na década de 70 derivou de muitas fontes.
Uma delas foi, seguramente, o surto democrático (do qual o novo moralismo fazia parte) nos Estados Unidos na década
de 60 e começo da de 70. A forte reconsagração dos valo
res democráticos, liberais e po pulistas que
ocorreu durante
aqueles anos gerou, finalmente, os esforços para limitar, mode
saudaram o fim da hegemonia dos Estados Unidos no hemis fério Ocidental e, ao mesmo
e à liderança política dos Esta-
cujo desenvolvi
mento podia ajudar a converter numa realidade aqueles direi tos.
O novo realismo das déca
ricano no mundo e a resultante
É também paradoxal
que,
na década de 70, aqueles mem bros do Congresso que insistiam mais
acerca
da necessidade de
expansão do poderio norte-ame expansão da liberdade patroci nada pelos EUA mundialmente. O novo moralismo do início da década de 70 coincidiu com o
relativo
declínio do
poderio
promover os direitos humanos no exterior, se mostrassem amiúde mais ativos na redução do Poder dos EUA que podia
norte-americano e a concomi tante erosão da liberdade e da democracia no mundo- Ao limi
ajudar a alcançar aquele resul tado- Na votação decisiva du
moralismo promovera tal declí
rante o
94.0
Congresso,
por
exemplo, 132 representantes vo
político e econômico dos EUA
diplomáticos
direitos humanos quanto do po
derio militar,
ca Latina.
vor
cia, funcionários
formemente em favor tanto dos
das de 40 e 50 coincidiu com a
taram sistematicamente a
As intensas e persistentes críticas veementes feitas pelos veículos de comunicação, pelos intelectuais e os congressistas às instituições militares, agên cias de Serviços de Inteligên
bros do Congresso votaram uni
tempo, deploraram a intensifi cação da repressão na Améri
rar e reduzir o poderio militar, no exterior.
159
fa¬
de emendas sobre os direi-
tos humanos na legislação
de
ajuda ao exterior. Setenta e oito daqueles 132 representantes vo taram também sistematicamen
te contra uma instituição mili tar mais ampla, e outros 28 par tidários sistemáticos dos direi tos humanos dividiram seus vo tos no tocante à instituição mi litar. Somente 26 dos 132 m-sm-
tar 0 Poder
dos EUA, o novo
nio. Em certa medida, também, o novo moralismo foi uma con
sequência do declínio. A preo cupação do novo moralismo com os direitos humanos em todo o
mundo, refletia claramente o desgaste da liberdade global e dos valores democráticos
em
relação ao mundo. Paradoxalmente,
os Esta-
humanos à medida que seu Poder de promover os direitos humanos diminuía. A aprovação do Título IX da Lei de Ajuda ao
Exterior, em
1966, um impor
tante lesforço do Congresso a fim de promover os valores de
mocráticos no exterior, ocorreu em meio ao firme declínio da ajuda econômica norte-america na para o exterior. De manei
ra similar, as várias restrições quanto aos
direitos
humanos
que o Congresso inseriu nas Leis de Ajuda ao Exterior na década de 70 coincidiram com
a substituição geral da ajuda militar pelas venda.s de armas militares-
Quando o poderio norteamericano era claramente pre dominante, tais medidas legis lativas e embargos eram supér fluos:
nem era necessária
a
Emenda Harkin para transmi tir a mensagem da superiorida
de da liberdade. A mensagem
ali estava à vista de todos, nos deslocamentos de tropas, forças-tarefa de porta-aviões, gas tos de ajuda ao exterior, e ope
doB Unidos tornaram-se, desse modo, mais preocupados com os
rações do Serviço da Inteligên
meios de
desapareceram de cena, a fim
proteger os direitos
cia.
Quando
esses elementos
8Sl
O0IW9NO03 oxsaoia
DIQESTO ECONÔMICO
reais com que se defrontam os formuladores da política norte-
dos Unidos teve, inevitavelmen te, tal efeito. Imbuidos do mi
americana no trato com o mun
to da repressão norte-america na, os novos moralistas, sem atentarem para a contradição,
do exterior. Mas, paradoxal mente, a dupla tendência do novo moralismo foi a de defen
der a expansão da liberdade global e, simultaneamente, efe tivar uma redução do Poder dos EUA-
O declínio relativo ao Poder norte-americano na década de 70 derivou de muitas fontes.
Uma delas foi, seguramente, o surto democrático (do qual o novo moralismo fazia parte) nos Estados Unidos na década
de 60 e começo da de 70. A forte reconsagração dos valo
res democráticos, liberais e po pulistas que
ocorreu durante
aqueles anos gerou, finalmente, os esforços para limitar, mode
saudaram o fim da hegemonia dos Estados Unidos no hemis fério Ocidental e, ao mesmo
e à liderança política dos Esta-
cujo desenvolvi
mento podia ajudar a converter numa realidade aqueles direi tos.
O novo realismo das déca
ricano no mundo e a resultante
É também paradoxal
que,
na década de 70, aqueles mem bros do Congresso que insistiam mais
acerca
da necessidade de
expansão do poderio norte-ame expansão da liberdade patroci nada pelos EUA mundialmente. O novo moralismo do início da década de 70 coincidiu com o
relativo
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poderio
promover os direitos humanos no exterior, se mostrassem amiúde mais ativos na redução do Poder dos EUA que podia
norte-americano e a concomi tante erosão da liberdade e da democracia no mundo- Ao limi
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94.0
Congresso,
por
exemplo, 132 representantes vo
político e econômico dos EUA
diplomáticos
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ca Latina.
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formemente em favor tanto dos
das de 40 e 50 coincidiu com a
taram sistematicamente a
As intensas e persistentes críticas veementes feitas pelos veículos de comunicação, pelos intelectuais e os congressistas às instituições militares, agên cias de Serviços de Inteligên
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tempo, deploraram a intensifi cação da repressão na Améri
rar e reduzir o poderio militar, no exterior.
159
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de emendas sobre os direi-
tos humanos na legislação
de
ajuda ao exterior. Setenta e oito daqueles 132 representantes vo taram também sistematicamen
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tar 0 Poder
dos EUA, o novo
nio. Em certa medida, também, o novo moralismo foi uma con
sequência do declínio. A preo cupação do novo moralismo com os direitos humanos em todo o
mundo, refletia claramente o desgaste da liberdade global e dos valores democráticos
em
relação ao mundo. Paradoxalmente,
os Esta-
humanos à medida que seu Poder de promover os direitos humanos diminuía. A aprovação do Título IX da Lei de Ajuda ao
Exterior, em
1966, um impor
tante lesforço do Congresso a fim de promover os valores de
mocráticos no exterior, ocorreu em meio ao firme declínio da ajuda econômica norte-america na para o exterior. De manei
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direitos
humanos
que o Congresso inseriu nas Leis de Ajuda ao Exterior na década de 70 coincidiram com
a substituição geral da ajuda militar pelas venda.s de armas militares-
Quando o poderio norteamericano era claramente pre dominante, tais medidas legis lativas e embargos eram supér fluos:
nem era necessária
a
Emenda Harkin para transmi tir a mensagem da superiorida
de da liberdade. A mensagem
ali estava à vista de todos, nos deslocamentos de tropas, forças-tarefa de porta-aviões, gas tos de ajuda ao exterior, e ope
doB Unidos tornaram-se, desse modo, mais preocupados com os
rações do Serviço da Inteligên
meios de
desapareceram de cena, a fim
proteger os direitos
cia.
Quando
esses elementos
DIGESTO ECONÔMICO
160
de propiciarem a liberdade e os direitos humanos, o Congres so julgou necessário inserir condições e requisitos cada vez mais explícitos na legislação. Estas medidas legiislativas foram, com efeito, um esforço para compensar o declínio do Poder dos EUA. Em termos de
proteção da liberdade no exte rior, .^las não eram de modo al gum um substituto para a pre sença do poderio norte-ameri cano. A reconstituição deose Poder — político, econômico e militar — só pode ter efeitos positivos sobre as condições de liberdade e democracia em todo o mundo(Continuação cia página 146)
de contração da pupila é de três segundos e a dilatação, quando se passa do claro para o escuro, demora muito mais». A estas informações, científi camente pesquisadas, o prof. Felippe acrescenta: «A cegueira momentânea do ofuscamento varia em torno de três segundos e um carro a 80 km/h percorre 70 m em três segundos, significando que um motorista com a vista ofuscada percorre 70 m sem nada ver. Outro aspecto importante é o do tem po morto (tempo decorrido entre a informação sensorial c o momento da resposta). Quando a 80 km/h, antes que o motorista teniia tempo de reagir e acionar o freio, o carro terá percorrido entre 15 e 18 m, que serão soma dos aos 50 (aproximadamente) depois da frenagem. O tempo morto, a ve locidade e o tempo de írenagem em caso de ofuscamento, podem ser ele mentos causadores de acidentes fatais». Na elaboração do trabalho, o pro fessor e sua equipe utilizam o computador da USP para acompanhar o mo vimento do sol durante o ano, determinando quais os trechos de esticadas
sujeitos a ofuscamento. Os dados teóricos obtidos são observados, com ins
trumental adequado, nas estradas, verificando-se discrepâncias devidas à refração atmosférica terrestre e a outros fatores. Com este estudo, entidades responsáveis pelo projeto de nossas rodovias terão condições de saber em que situações o ofuscamento poderá ocorrer. Afirma o professor que os re
SERVIÇO DE GARANTIA DO CRÉDITO MERCANTIL E DE SERVIÇOS - SEGAM
Tem por finalidade a proteção mútua dos associados, mediante o registro e cadastramento dos “clientes impontuais” atendendo a consultas dessa situação. Registro de desabonos, com protestos de títulos, falências e concordatas.
sultados da pesquisa proposta no convênio poderão ser aplicados ao projeto das novas rodovias ou nas estradas já existentes, nos locais onde sabida mente ocorre ofuscamento solar ou noturno e, portanto, deve ser mais uma condícionante importante, para que o projetista apresente em cada caso. conscientemente’, a melhor solução, de acordo com o conjunto de seus co nhecimentos técnicos e sua criatividade. A duração prevista para a pesquisa é de 24 meses.-(Do Boletim da ü.S.P.).
Rua Boa Vista. 51 - C. Postal'8082 - Cep 01014 - Telex (11) 23355 - SP - PABX 239-1333,
DIGESTO ECONÔMICO
160
de propiciarem a liberdade e os direitos humanos, o Congres so julgou necessário inserir condições e requisitos cada vez mais explícitos na legislação. Estas medidas legiislativas foram, com efeito, um esforço para compensar o declínio do Poder dos EUA. Em termos de
proteção da liberdade no exte rior, .^las não eram de modo al gum um substituto para a pre sença do poderio norte-ameri cano. A reconstituição deose Poder — político, econômico e militar — só pode ter efeitos positivos sobre as condições de liberdade e democracia em todo o mundo(Continuação cia página 146)
de contração da pupila é de três segundos e a dilatação, quando se passa do claro para o escuro, demora muito mais». A estas informações, científi camente pesquisadas, o prof. Felippe acrescenta: «A cegueira momentânea do ofuscamento varia em torno de três segundos e um carro a 80 km/h percorre 70 m em três segundos, significando que um motorista com a vista ofuscada percorre 70 m sem nada ver. Outro aspecto importante é o do tem po morto (tempo decorrido entre a informação sensorial c o momento da resposta). Quando a 80 km/h, antes que o motorista teniia tempo de reagir e acionar o freio, o carro terá percorrido entre 15 e 18 m, que serão soma dos aos 50 (aproximadamente) depois da frenagem. O tempo morto, a ve locidade e o tempo de írenagem em caso de ofuscamento, podem ser ele mentos causadores de acidentes fatais». Na elaboração do trabalho, o pro fessor e sua equipe utilizam o computador da USP para acompanhar o mo vimento do sol durante o ano, determinando quais os trechos de esticadas
sujeitos a ofuscamento. Os dados teóricos obtidos são observados, com ins
trumental adequado, nas estradas, verificando-se discrepâncias devidas à refração atmosférica terrestre e a outros fatores. Com este estudo, entidades responsáveis pelo projeto de nossas rodovias terão condições de saber em que situações o ofuscamento poderá ocorrer. Afirma o professor que os re
SERVIÇO DE GARANTIA DO CRÉDITO MERCANTIL E DE SERVIÇOS - SEGAM
Tem por finalidade a proteção mútua dos associados, mediante o registro e cadastramento dos “clientes impontuais” atendendo a consultas dessa situação. Registro de desabonos, com protestos de títulos, falências e concordatas.
sultados da pesquisa proposta no convênio poderão ser aplicados ao projeto das novas rodovias ou nas estradas já existentes, nos locais onde sabida mente ocorre ofuscamento solar ou noturno e, portanto, deve ser mais uma condícionante importante, para que o projetista apresente em cada caso. conscientemente’, a melhor solução, de acordo com o conjunto de seus co nhecimentos técnicos e sua criatividade. A duração prevista para a pesquisa é de 24 meses.-(Do Boletim da ü.S.P.).
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NÚCLEO DE ASSISTÊNCIA GERENCIAL - NAG O trabalho do NAG consiste em, através de técnicas de motivação, reuniões e fornecimento de instrumental técnico fazer com que os pontos
fortes das empresas fiquem MAIS FORTES e os pontos fracos DESAPAREÇAM e ainda, que haja um melhor trabalho de equipe, fator fundamentalno desenvolvimentode uma empresa.
Além de DIAGNÓSTICOS, faz implantações de sistemas administrativos e
de gerências tais como: custos, fluxo de informações, contabilidade, controles de venda, controles de estoque, planejamento de linha de produtos, etc. Este apoio é oferecido às empresas dentro do espírito de que as pequenas e médias carecem de recursos humanos e financeiros e que
independentemente deste fenômeno, devem se organizar para melhor competir.
Faça uso de nossos serviços e veja sua empresa sofrer modificações para melhor!
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- SP - PABX 239-1333-