Estudante de Arquitetura e Urbanismo do 5º período da Universidade Nilton Lins E responsável pela curadoria, redação e desenvolvimento desta edição, sob a orientação da professora Alcilânia Lima
Revista acadêmica desenvolvida para a matéria de Arquitetura de Interiores com análise crítica de quatro estudos de caso residencial de alto padrão, residencial de baixo padrão, corporativo e comercial
“Seguimos as principais tendências do mercado e comp que a nossa casa deve ser um showroom de arquitetura e design que estão em ascensão”
EquipedeProjetodoEscritório
O projeto evidencia que, na tipologia corporativa, a arquitetura precisa equilibrar exigências técnicas, ergonomia, manuten operacional e representação institucional, revelando uma complex cenográfica e mais sistêmica O resultado é um ambiente acolhedo no qual a biofilia suaviza a rigidez funcional sem comprometer a espaço de trabalho Essa abordagem reflete um valor central d ambientes mais saudáveis para usuários que buscam se distancia cotidiana e da chamada intoxicação tecnológica e urbana, marcada deestímulosepeloritmoaceleradodasgrandescidades
Dessa forma, foi aplicada uma setorização clara que organiza u circulação, define áreas de trabalho e apoio e favorece leitura imediata do ambiente Diferente do loft, cuja planta aberta busca condensar usos, aqui a abertura é controlada para equilibrar interação, concentração e desempenho coletivo O protagonismo recai sobre as áreas de trabalho e convivência, que expressamaidentidadeinstitucionaleestruturamarotinaprodutivacomfocona criatividade, em uma arquitetura lúdica, onde a hierarquia é menos pessoal que no residencial e menos espetacular que no comercial, mas ainda transmite leveza
O design de interiores incorpora elementos naturais que promovem saúde e salubridade, evidenciando a sustentabilidade como princípio A utilização de madeira, vegetação e elementos modulares constrói uma linguagem contemporânea de baixa agressividade visual, com foco em durabilidade, manutençãoeconfortoambiental,integradaaumailuminaçãofocalquevaloriza pontos estratégicos sem comprometer a ergonomia, contribuindo para o equilíbriodaexperiênciadetrabalho
ESCRITÓRIODE ARQUITETURA
“A qualidade
da
DIÁLOGO
DAS TIPOLOGIAS
arquitetura reside na capacidade
de
criar uma atmosfera que envolva emocionalmente as pessoas”.
PeterZumthor,emAtmosferas,
Os quatro projetos evidenciam interiores contemporâneos que não se limitam à organização física do espaço, mas atuam como mediadores entre experiência, função e identidade. Como afirma Juhani Pallasmaa, em Os Olhos da Pele, “a arquitetura é essencialmente uma experiência sensorial”, o que explica como o espaço influencia percepções, permanência e comportamento
Em todos os casos observados residencial de alto padrão, residencial compacto, comercial e corporativo o ambiente é concebido para orientar comportamentos e experiências. Essa lógica aparece de forma muito clara na Disney Store Ikspiari, onde o espaço transforma o consumo em espetáculo narrativo Segundo Theodore Kinni, no livro O Jeito Disney de Encantar Clientes, cada detalhe do ambiente é projetado para reforçar a narrativa da marca e criar encantamento no visitante
No entanto, uma coisa em comum entre os quatro projeto é a utilização de plantas abertas e integração espacial. No apartamento de alto padrão, essa integração está ligada à experiência do habitar, à construção de um estilo de vida e à ampliação sensorial do espaço Já no loft compacto, a planta aberta surge como estratégia de racionalização, permitindo que múltiplos usos coexistam em uma área reduzida, mostrando que a qualidade arquitetônica também pode emergir da economia de meios e da clareza funcional No Comercial ajuda o cliente a reconhecer os espaços de encantamento e reconhecimento dos personagens que mais lhe agradam logo na entrada e no comercial a planta aberta ajuda os funcionários e sentir o benefício da integração e a apreciação de todos os pontos-chave da empresa
Essa relação entre espaço e comportamento também é discutida por Jan Gehl, que afirma que “primeiro moldamos os espaços e depois os espaços moldam nosso comportamento”. E é justamente nesse ponto que começa a diferença mais clara entre as tipologias.
No espaço corporativo e comercial, a organização deixa de ser livre e passa a ser intencional, estruturando fluxos e orientando o comportamento do usuário, porém com objetivos distintos. No corporativo, essa lógica se manifesta por meio de uma setorização clara e fluxos controlados, que garantem legibilidade, eficiência e equilíbrio entre colaboração e concentração, enquanto no comercial a circulação é conduzida de forma estratégica, utilizando pontos focais, estímulos visuais e percursos direcionados para influenciar decisões e construir uma experiência narrativa de consumo
Centralidade Na experiência do usuário.
O papel da arquitetura de interiores como instrumento estratégico de comunicação.
Importância da materialidade na construção da atmosfera espacial.
Entre esses dois, o Escritório IT’S Biofilia revela um ponto de equilíbrio interessante: mantém a organização técnica e a lógica funcional do espaço corporativo, mas incorpora elementos naturais que suavizam a rigidez e qualificam a experiência, evidenciando que, embora ambos operem por meio do controle espacial, o que os diferencia é a intenção um organiza para produzir, o outro conduz para consumir.
Ou seja, sendo ainda mais clara, embora compartilhem princípios como circulação, hierarquia e organização, cada tipologia revela uma intenção distinta No residencial, o espaço prioriza permanência, experiência e adaptação; no loft, a eficiência surge da otimização; no corporativo, a lógica é controlada e setorizada para garantir desempenho; e no comercial, a circulação é dirigida para conduzir a experiência e o consumo. O que muda, portanto, não é apenas a forma do espaço, mas a lógica que orienta seu funcionamento
Os espaços demonstrados nas tipologias evidenciam que a organização interna varia conforme a finalidade do espaço, mas preserva um princípio comum: toda tipologia depende de uma lógica clara de distribuição, hierarquia e circulação Por exemplo, o apartamento Varanda privilegia a integração para ampliar convivência e percepção de amplitude; o loft também adota abertura, porém por necessidade de otimização de espaço Já o escritório It’s, organiza fluxos com maior controle e setorização, enquanto o comercial constrói percursos estratégicos para orientar atenção e consumo O que muda, portanto, não é apenas o desenho da planta, mas a intenção que sustenta esse desenho A abertura espacial interna, então, pode nascer do conforto, da economia de área, da produtividade ou da estratégia mercadológica Assim, os projetos reforçam que sempre há uma adaptabilidade às intenções e ao contexto de cada projeto
A hierarquia espacial revela quem realmente ocupa o centro das tipologias: Convívio, Condensação funcional, Setor operativo e Experiência articulada ao produto.
A organização espacial não é determinada apenas pela forma arquitetônica, mas principalmente pelo tipo de experiência que cada espaço pretende oferecer A funcionalidade, portanto, não deve ser compreendida apenas como eficiência técnica, mas como a capacidade do ambiente de responder adequadamente ao comportamento esperado de seus usuários.
Nos projetos residenciais, tanto no Apartamento Varanda quanto no Loft Campeche, a funcionalidade está diretamente relacionada à permanência prolongada Os ambientes são organizados para favorecer conforto, fluidez e apropriação cotidiana No primeiro caso, a hierarquia espacial se concentra na área social integrada, que se torna o centro da convivência e da experiência doméstica Já no loft compacto, a funcionalidade exige uma solução mais estratégica, a utilização do mezanino e da planta aberta permite que múltiplas atividades coexistam em um espaço reduzido, demonstrando que a eficiência funcional pode surgir da racionalização do espaço e da clareza organizacional
No ambiente corporativo, representado pelo Escritório IT’S Biofilia, a funcionalidade assume outra lógica O espaço precisa equilibrar colaboração, concentração e circulação eficiente Por isso, a hierarquia espacial não está centrada em um único ambiente, mas distribuída entre áreas de trabalho, convivência e apoio operacional
A presença da biofilia dessa forma, atua como elemento regulador da experiência, reduzindo a fadiga cognitiva e favorecendo a permanência produtiva ao longo da jornada de trabalho Já no espaço comercial, na Disney Store Ikspiari, assim como em muitas outras lojas, a funcionalidade está diretamente ligada à estratégia de consumo Diferente das demais tipologias, o objetivo principal não é a permanência confortável, mas a condução do visitante por uma narrativa espacial que o torne parte da história e o conduza ao objetivo principal do consumo. O layout organiza o percurso de forma estratégica, utilizando pontos focais, estímulos visuais e zonas de parada obrigatória com estantes caracterizadas com temas especificos de personagens que causam conexão com o usuário durante o percurso e que orientam o olhar incentivando a exploração do ambiente Nesse caso, a hierarquia espacial se constrói por meio da cenografia para transformar o ato de comprar em parte da experiência.
ESPAÇOS FUNCIONAIS
Torna-se evidente que flexibilidade e rigidez não são qualidades absolutas quando observamos os quatro espaços mais de perto; elas atuam diretamente em função do programa e do tipo de usuário presente em cada ambiente Ao analisar o apartamento de alto padrão, compreendemos sua flexibilidade no movimento e na transformação das paredes adaptadas pelo próprio Guto Requena, dono e arquiteto do Varanda Nesse caso, a flexibilidade está associada à personalização e ao conforto, onde forma e função atendem com clareza às necessidades do usuário
Já no loft, com seu caráter mais intimista, exige-se uma versatilidade diferente, pois concentra múltiplos usos em uma área reduzida. Sua funcionalidade nasce da necessidade de adaptação, seguindo uma lógica mais “clean”, com elementos modulados e embutidos, um mezanino bem resolvido e uma escada compacta, além de um pequeno jardim que contribui para a qualidade do espaço Aqui, a circulação se condensa e se organiza de forma mais direta, priorizando eficiência e clareza no uso
Esses dois, embora distintos, ainda dialogam com o espaço corporativo, que tende a operar com maior rigidez No entanto, o Escritório IT’S Biofilia demonstra que essa rigidez pode ser organizada de forma inteligente, determinando fluxos internos bem definidos e uma setorização clara, alinhada às normas e às demandas organizacionais. A circulação deixa de ser livre e passa a ser estruturada, garantindo leitura imediata do espaço e melhor desempenho das atividades
A organização dos espaços, nesse sentido, é o que mais impacta o desenvolvimento funcional dos ambientes Entre as quatro tipologias, o loft revela maior inteligência adaptativa em termos espaciais, enquanto o comercial demonstra maior adaptabilidade mercadológica, respondendo de forma direta às suas demandas
À luz de Jan Gehl, entende-se que o espaço é moldado a partir dos comportamentos que precisa abrigar; por isso, cada tipologia reorganiza sua função a partir de objetivos distintos Nesse contexto, a inteligência do projeto está em concentrar usos, reduzir excessos e fazer com que a circulação opere com clareza
Essa diferença é crucial: uma coisa é adaptar o espaço para VIVER melhor; outra é adaptálo para VENDER melhor.
No Escritório IT’S Biofilia e na Disney Store Ikspiari, a funcionalidade se organiza por lógicas distintas, mas igualmente estratégicas quando comparadas aos espaços residenciais No corporativo, a rigidez programática representa precisão: postos de trabalho, áreas de apoio e fluxos são estruturados para garantir legibilidade, ergonomia e desempenho contínuo, com uma abertura espacial controlada Já no Ikspiari, o espaço não é apropriado livremente, mas constantemente reprogramado para responder a estímulos de consumo, conduzindo o usuário por meio da circulação
Assim, ambos revelam formas distintas de inteligência funcional: um estruturado pela eficiência e continuidade, o outro pela transformação estratégic resposta
“A economia não define a qualidade do projeto, mas orienta como os recursos são distribuídos para atender diferentes objetivos”
A materialidade, em conjunto com a ergonomia e a lógica econômica, revela que o desempenho do espaço não está somente vinculado ao custo, mas à coerência entre uso, técnica e intenção projetual No apartamento Varanda, a diversidade de materiais e o refinamento construtivo ampliam o conforto ergonômico, permitindo dimensões mais generosas, diferentes formas e formatos de objetos decorativos e utilitários com muitas texturas, além de um alto grau de personalização, evidenciando o que Ching (2013) define como integração entre forma, uso e percepção espacial Já no Loft Campeche, compreendendo a necessidade de maior rigor dimensional e soluções mais precisas, buscou-se uma aproximação ergonômica operada no limite mínimo, onde cada escolha contribui simultaneamente para o desempenho, a economia e a sensação de amplitude, as linhas precisas e rígidas, as cores claras dos revestimentos como um todo, entre outras soluções demonstram que eficiência não reduz qualidade, trazendo portanto, um toque de sofisticação
Falando agora de base material, os projetos possuem enorme semelhança, com composições em madeira, concreto aparente, superfícies minerais, tecidos, elementos metálicos, cerâmica, texturas naturais, cobogó com aplicações específicas e presença de vegetação. Esses materiais garantem conforto sensorial, durabilidade e qualidade perceptiva, independentemente da tipologia, mas assumem papéis diferentes conforme o uso A diferença está na intenção: no Apartamento Varanda, os materiais expressam identidade e sofisticação; no loft, respondem ao aproveitamento máximo do espaço; no Escritório IT’S Biofilia, priorizam desempenho, manutenção e padronização com qualidade de vida; e no Ikspiari Disney, operam como linguagem visual e estratégia de atração.
A economia se revela na forma como os recursos são distribuídos para alcançar melhor desempenho espacial No espaço comercial Disney, o investimento se concentra na construção de experiências imersivas, articulando narrativa, comportamento do usuário e estratégias de venda por meio de cenários, tecnologia e estímulos sensoriais, criando reconhecimento emocional através dos personagens e da ambientação Já no Loft Campeche, a economia aparece como estratégia projetual, evidenciando eficiência com menor custo. No Escritório IT’S Biofilia, o investimento se concentra na durabilidade, manutenção e desempenho contínuo, garantindo uso prolongado e conforto E no Apartamento Varanda, foi possível observar o reaproveitamento de estruturas existentes aliado à escolha de materiais que reforçam conforto, continuidade de uso e coerência com a experiência proposta
Experiência do Usuário
A experiência sensorial não se estabelece apenas pela presença de elementos físicos, mas pela forma como o espaço organiza percepção, tempo de permanência e intensidade dos estímulos No Apartamento Varanda e no Loft Campeche, a atmosfera é construída para sustentar conforto, permanência e apropriação contínua, ainda que por caminhos distintos: no primeiro, por meio da ampliação sensorial e da fluidez espacial, conectando o usuário às formas orgânicas e à presença de elementos naturais que reforçam a tranquilidade; no segundo, pela concentração e precisão das experiências, onde cada espaço é pensado “para estar”, valorizando o uso e a proximidade
Já o Escritório IT’S Biofilia se aproxima dessa lógica do residencial, mas com uma experiência mais calibrada, voltada ao equilíbrio. O espaço controla estímulos, organiza o percurso e garante legibilidade ao longo da jornada de trabalho, priorizando bem-estar sem perder eficiência. Na Disney Store Ikspiari, ocorre uma inversão: o ambiente intensifica estímulos visuais, sonoros e narrativos, operando como um espaço imersivo que busca capturar a atenção e prolongar a permanência por meio do encantamento, estimulando o desejo de levar a experiência para fora daquele ambiente
O que nos leva ao uso da cenografia, do percurso espacial, do branding e da psicologia do consumo, especialmente evidentes no Ikspiari Em diferentes intensidades, esses elementos atravessam todas as tipologias, atuando como mediadores entre espaço e comportamento No residencial, aparecem de forma mais sutil, associados à construção de identidade e atmosfera; no corporativo, é perceptível a organização dos fluxos, da percepção e do desempenho; e no comercial, se tornam explícitos
Jan Gehl aborda essa relação ao afirmar que o espaço influencia diretamente a forma como as pessoas se comportam, permanecem e interagem Assim, o que varia não é a existência desses mecanismos, mas sua finalidade: enquanto alguns espaços acolhem, outros regulam e outros conduzem, evidenciando que a arquitetura de interiores atua como ferramenta de orientação sensorial e comportamental
O papel do usuário se redefine conforme a lógica do espaço, revelando diferentes níveis de autonomia e condução Nos espaços residenciais, o usuário atua como protagonista, moldando o ambiente a partir de sua identidade e estilo de vida, com maior liberdade de uso e permanência No loft, essa autonomia ainda existe, mas passa a dialogar com limites físicos, exigindo escolhas mais conscientes e adaptação constante
No Escritório IT’S Biofilia, o usuário passa a integrar um sistema coletivo, no qual o espaço organiza comportamentos, ritmos e interações, reduzindo a individualidade em favor da convivência e da eficiência. Já no ambiente comercial, essa condução se intensifica: como aponta Underhill (2009), o espaço é projetado para influenciar decisões e comportamentos
Assim, mais do que atender necessidades, cada tipologia estabelece quem controla a experiência:
Soluções e Estratégias Globais
Ao analisar as estratégias desenvolvidas em cada espaço, torna-se essencial compreender o papel do mobiliário em cada projeto e principalmente, da aplicação de conforto ambiental, iluminação e comportamento da ventilação como parte ativa da arquitetura de interiores Entre soluções criativas e práticas, destaca-se o uso de elementos como paredes móveis, painéis deslizantes, mobiliário modular e expositores que estruturam o percurso do usuário, muitos deles facilmente aplicáveis no cotidiano Ao mesmo tempo, evita-se o excesso: Não há sobrecarga de peças decorativas nem mobiliário sem função clara
O mobiliário não apenas ocupa o espaço ele define como o espaço funciona, é percebido e utilizado.
O que permanece são escolhas precisas móveis que organizam, conectam e, em muitos casos, realizam mais de uma função, como bancadas multifuncionais, armários embutidos e soluções de marcenaria contínua
No entanto, as estratégias não se limitam ao mobiliário Elas também se revelam no controle da iluminação, da ventilação e do conforto ambiental, que variam conforme a tipologia e a intenção de uso No Apartamento Varanda e no Loft Campeche, a entrada de luz natural é valorizada como principal recurso de qualificação espacial, ampliando a percepção de espaço, reduzindo a necessidade de iluminação artificial e contribuindo para o bem-estar A ventilação natural, ainda que mais perceptível no Apartamento Varanda, atua como elemento de conforto passivo estimulado pelas grandes aberturas das esquadrias utilizadas no projeto
No piari, iluminação e ventilação sã , principalmente pelo uso de recursos artificiais como ar condicionado e energia elétrica para este tipo de projeto. Isso parece garantir conforto visual, bem-estar e desempenho para o escritório e direcionamento do olhar através da intensificação da experiência emocional de consumo, enquanto mantêm o ambiente agradável para prolongar a permanência do cliente como ja foi dito anteriormente.
Assim, o mobiliário deixa de ser acessório e passa a atuar como extensão da arquitetura, seja de forma silenciosa, garantindo funcionamento, ou de forma marcante, construindo experiências. Em paralelo, surgem peças mais diretas e funcionais mesas de trabalho, cadeiras ergonômicas, armários lineares e módulos expositivos que priorizam uso contínuo, clareza e durabilidade
“A forma não é apenas um resultado estético, mas a expressão direta da função que o espaço precisa desempenhar.”
DIÁLOGO
DAS FORMAS
Por fim, vamos avançar para uma camada que não diz respeito apenas ao que diferencia os espaços, mas ao que os sustenta como arquitetura de interiores Para além das variações de uso, escala ou linguagem, foi possível observar que todos os projetos operam a partir de uma mesma estrutura fundamental: organizam comportamento, estabelecem hierarquias, conduzem percursos e modulam a percepção do usuário A arquitetura deixa de ser compreendida apenas como resposta projetual e passa a ser entendida como construção intencional da experiência, articulando uso, percepção e significado de forma coerente ou seja, os interiores revelam a personalidade do ambiente arquitetônico
Trata-se, então, de reconhecer que toda decisão espacial está vinculada a uma lógica dominante: — Como o ambiente será vivido, experienciado?
Essa pergunta se manifesta noApartamento Varanda, com foco na permanência, na identidade e na apropriação; no Loft Campeche, por meio da síntese espacial e da otimização vertical, que conecta os ambientes e potencializa o uso; no Escritório IT’S Biofilia, na organização dos fluxos e na clareza espacial voltada ao desempenho; e na Disney Store Ikspiari, na condução sensorial, circular e teatralizada da experiência.
O que nos leva novamente à questão: “o usuário ou o espaço?” Essa provocação revela diferentes regimes de experiência ora o espaço se adapta ao indivíduo, ora orienta suas ações, estabelecendo níveis distintos de autonomia e controle E ao aprofundar essa leitura, fica evidente um fator que atravessa todos os projetos: A CULTURA Cada projeto materializa não apenas uma função ou estratégia, mas um modo de vida e um contexto sociocultural específico Nota-se em todos os espaços uma cultura co t â lt d à li ã f t b t surgindo quase como uma CONTRACULTURA tecnologia, mas de reorganizar sua presença, red tempo, permanecem a racionalização do espa sentido, a arquitetura de interiores atua como me
Outro ponto importante que não podemos esquecer é a relação entre a forma e a função, que se evidencia na maneira como cada espaço responde às exigências de uso No Apartamento Varanda, a forma aberta favorece integração e convivência; no Loft Campeche, a compactação responde à limitação de área com soluções precisas; no Escritório IT’S Biofilia, a forma em “L” organiza fluxos e setores, facilitando a leitura do espaço e o entendimento imediato de uso; e na Disney Store Ikspiari, a forma assume caráter narrativo, com sua configuração circular que remete a um grande balde de pipoca, estruturando percursos e conduzindo a experiência do usuário de forma simples, cenntralizada e controlada
ampliação de possibilidades, encontrando soluções que evidenciam clareza, criatividade, eficiência e domínio projetual
Observa-se ainda um princípio comum: a arquitetura de interiores atua como sistema organizador, articulando os elementos do espaço e ajustando sua operação conforme o objetivo do ambiente.
Este estudo ampliou essa visão sobre a arquitetura de interiores como ferramenta estratégica. Passei a entender melhor como articular função, experiência e comportamento por meio de soluções adaptáveis e coerentes, fortalecendo minha capacidade de projetar espaços mais alinhados às necessidades reais do usuário e ao contexto em que estão inseridos
A partir disso, pretendo aplicar esses conhecimentos em projetos futuros, de forma que possa antecipar comportamentos, integrar experiência e responder de forma mais consciente ao desenvolvimento conceitual de cada um Buscando sempre transformar, do simples ao mais elaborado, espaços comuns em experiências mais completas e significativas.