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REVISTA ALGARVE INFORMATIVO #541

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ALGARVE INFORMATIVO 19 de setembro, 2026

MOONSPELL EM FARO FOI INFORMATIVO FANTÁSTICO 1DIA DA CIDADE DE FARO | FEIRA DA DIETA MEDITERRÂNICA EM TAVIRA | FESTIVAL F ALGARVE #541 DANIELA CAMPOS NO MUNDIAL DE CICLISMO DE ESTRADA | DIA DO MUNICÍPIO DE ALCOUTIM


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Os GNR festejaram os 45 anos de existência com um estrondoso concerto no Cineteatro Louletano 3

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ÍNDICE Mirian Tavares (pág. 14) Ana Isabel Soares (pág. 18) Paulo Neves (pág. 22) Dia da Cidade de Faro (pág. 26) Dia do Município de Alcoutim (pág. 42) Feira da Dieta Mediterrânica em Tavira (pág. 52) Bairro Municipal de Loulé está a ser reabilitado (pág. 66) Daniela Campos no Mundial de Estrada (pág. 72) Festival F foi fantástico (pág. 82) Moonspell trouxeram «Far From God» a Faro (pág. 110)

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Para que serve um professor? Mirian Tavares, professora É preciso reafirmar valores sem ter medo de ser chamado de arcaico. Ariano Suassuna omecei a dar aulas na universidade há mais de 30 anos. Mestrado recémdefendido e um medo enorme da grande responsabilidade que tinha pela frente. Fiz concurso para a disciplina Jornalismo Brasileiro, mas fui logo convidada a mudar para as Artes. A primeira disciplina que dei se chamava Estética e História da Arte. Um mundo inteiro num único semestre. Guardo ainda hoje o caderno que me acompanhou nos meus primeiros e hesitantes passos. Era mais nova que alguns dos alunos e os recursos visuais não eram prolíficos. Contei com o grande entusiasmo e curiosidade da turma. Tinham sede de aprender, partilhavam comigo a sua vontade de desvelar a História, de entrelaçar-se no discurso filosófico e de saber mais. Lembro-me de mostrar as imagens a passar os meus livros carteira a carteira. Consegui criar um bom arquivo de slides que eram renovados a cada viagem que fazia. A precariedade dos meios nunca foi um impeditivo para a vontade de aprender e para o prazer que o conhecimento trazia. Na altura vivia em Aracaju e dava aulas na Universidade Federal de Sergipe. Os livros eram a minha ferramenta essencial. Lembro-me de uma tentativa frustrada ALGARVE INFORMATIVO #541

de assalto que sofri na altura. A caminho da Rodoviária, tarde da noite, passo por um trecho mais deserto e, de repente, salta-me um homem, que me pareceu muito alto, e começa a puxar a minha mala, que era na verdade um saco de viagem. Ele puxava para um lado, e eu puxava para o outro, enquanto berrava veementemente. Só pensava nos livros de História da Arte que levava no saco e que, além de terem custado uma pequena fortuna, eram a base de todo o meu trabalho. Não fui assaltada, por um milagre apareceu um polícia e o bandido fugiu. Consegui assim manter comigo, agarrados embaixo do braço, os meus bens mais preciosos: os livros. Passados muitos anos, já dava aulas em Portugal, um aluno escreveu-me a dizer que tinha ido ao Louvre e que ao entrar só pensou em mim porque as minhas aulas ressoaram a cada passo dado nas galerias do museu. Não podia ficar mais feliz. Comecei este ano letivo com a disciplina Estética, muito mais concentrada e menos vasta que a primeira disciplina que dei na minha vida docente. Tento, a cada ano, trazer materiais diferentes, aprofundar uma ou outra questão porque continuo a aprender com a preparação das aulas. Uso todas as ferramentas que temos hoje às mãos, mas avisei aos 14


Foto: Isa Mestre

alunos: Estética não é fácil. Não se aprende numa dancinha do TikTok. Não cabe num prompt. Para escrever o prompt, é preciso saber o que se quer saber. As perguntas tornam-se muito mais necessárias que as respostas. Mas para perguntar é preciso ter curiosidade, vontade de conhecer. É necessário perceber as relações, os meandros, o contexto, as mundividências que levaram um conjunto de pessoas a escrever sobre a Arte e sobre o seu impacto em nós. Nunca duvidei que o meu papel como professora fosse o de instigar perguntas, o de lançar pontes, o de estabelecer relações. O de provocar a curiosidade e de alimentar o desejo de saber. As respostas, quase todas, estão à mão de 15

semear. Mas é preciso um professor para ajudar a encontrar as perguntas. E também para tentar, de alguma maneira, continuar a buscar o maravilhoso e a iluminar alguns caminhos, permanecendo, nem que por instantes, na memória daqueles que passam por nós.

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Folhas de Chá - 1 Ana Isabel Soares, professora ssim como há os marcadores de livros, há marcadores de tempo – uma crónica é um marcador de tempo. Estas, que venho escrevendo e que a imensa benevolência do Daniel Pina faz publicar no Algarve Informativo, têm-me marcado como um compasso. Penso na forma que lhes hei de dar, no modo de as tornar um pouco menos insuficientes (para mim, antes de mais, por não pretender a veleidade de que há para além de mim quem as leia), e andam à minha roda nessa procura. Interessa-me fixar alguma coisa dos meus dias? Se é certo que me surge um sorriso quando, por elas, recordo um livro que li, um filme, um episódio que tenha sucedido, é certo de igual maneira que o meu olhar para trás é indiferente, desinteressado, que se volta sobretudo para diante (só assim pode ser), e que se me tornam irrelevantes todos os momentos no segundo em que sucedem. Mas é-se Janus, do mesmo modo inevitável: o olhar para trás não resolve, mas ajuda a conhecer – e a avançar. Para avançar, pois, olho à volta de mim. Olho para cada instante do dia e fixo-me nos minutos do começo, naquela porção de tempo em que sou ainda a que sonha, adormecida, desconhecedora do onde, ALGARVE INFORMATIVO #541

agudamente consciente do quotidiano quando e, ao mesmo tempo, a que quer agarrar o dia, de olhos bem abertos e atentos, receosa de perder uma centelha que seja dos sons, das luminosidades, do movimento que vejo fora das janelas da cozinha ou entre as nuvens do céu iluminado. Há quase vinte anos (dos meus mais de 55), acompanha-me nestes momentos a constância das folhas de chá. Na Primavera do ano passado, escrevi sobre o livro de Wenceslau de Moraes, O Culto do Chá. (Está em domínio público, acessível, por exemplo, por aqui ou por aqui.) Foi nele que li sobre a lenda de Darumá, sobre o esforço de meditação, a sua luta contra o sono e a ajuda que lhe deram as milagrosas folhas na persistência da vigília. A mim não me aflige o sono, mesmo se às vezes poderia ter a ambição de pensar de maneira mais profunda. A verdade é que sinto o mesmo prazer no acordar como no momento de me entregar à inconsciência do descanso, no estar desperta e no dormir. A ambos me entrego com vontade e com rituais que, a cada dia que passa, mais aceito que me ajudam nessas entregas e entradas: ao sono, no sono, ao despertar, no despertar. É o ritual do despertar, porém, o que se prolonga no dia, na agitação que cumpro, em tudo contrária à imobilidade das minhas noites. É nisso que entra o chá (é em mim que entra o chá, fazendo-me do dia e da vigilante existência coisas comuns). 18


Foto: Vasco Célio

Fica decidido e agrada-me: as próximas crónicas terão por título «Folhas de chá». Dos haikus à maneira dos que escreveu o baiano Oldegar Franco Vieira, terão a inspiração e a humildade, nanja a forma. 19

Com as belas tisanas de Ana Hatherly, partilharão uma ideia de projeto, de vontade para diante: a nada mais me quererei atrever. Posto isto, vou preparar um bom bule. ALGARVE INFORMATIVO #541


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Cintos apertados? Paulo Neves, «ilhéu», mas nenhum homem é uma ilha intos apertados? Sei que já estão. Estamos a sentir que não conseguimos controlar o rumo das nossas vidas. Antecipo que o Algarve vai voltar a ser o centro do furação das dificuldades, já por isso chamo a atenção também dos responsáveis públicos. De uma forma brutal os preços têm vindo a aumentar e, infelizmente, nesta conjuntura internacional, é normal que continuem a aumentar ainda mais, assim como os juros e o impacto nos empréstimos já contraídos. Os rendimentos, o emprego, a partir de outubro/novembro vão reduzir-se e o nível das disponibilidades já é inferior às necessidades com a casa, com os filhos a estudar, com os transportes. Um rendimento médio, em torno dos 1100€s é insuficiente para as rendas, alimentação, seguros, combustível… A partir de outubro/novembro, com a habitual redução do nível de atividade no Algarve e portanto, com o recurso à proteção no desemprego a fazer baixa ainda mais os rendimentos disponíveis, é de pensar já como é que no Algarve, atendendo às especificidades da região e ALGARVE INFORMATIVO #541

dos locais, cuidamos de reivindicar e preparar as medidas para apoiar quem vai estar, durante meses seguintes, numa situação angustiante a acrescentar às dificuldades já vividas. Não vou discutir culpas, prioridades, nem indicadores nacionais. Apenas antecipo o óbvio, a situação é grave e pode vir a tornar-se, a muito curto prazo angustiante no Algarve. Enquanto cidadãos, já vivemos crises anteriores, seja no subprime (nas instituições financeiras; na pandemia), seja agora por via das guerras. Ultrapassámos as dificuldades, mutos sofreram imenso. Mas já temos casos de medidas que podem surtir efeito para dirimir o sofrimento e no caso da sazonalidade da atividade na região também. Assim apelo a que possamos lançar mão de imediato de algumas medidas, preparar a sua implementação e ter voz para a ação junto das entidades pertinentes. Menciono a Segurança Social, Escolas de Hotelaria e Turismo, o Instituto de Emprego e Formação Profissional, os Sindicatos e as Associações Empresariais, para exemplificar as que estão mais próximos das pessoas e problemas, com as competências certas para intervir. 22


Exemplifico com o relançamento de Programas de Formação-Ação em que os atuais trabalhadores possam manter a atividade laboral e receber formação sem redução de níveis de rendimento, suportados com os mesmos meios que são despendidos com o «fundo de desemprego» acrescidos de bolsas de formação. Os trabalhadores mais experientes numas áreas poderiam ser também formadores nessas, mesmo recebendo atualizações em outras, entre áreas técnicas, de línguas, de marketing, acolhimento, de intervenção e primeiros socorros, de segurança no trabalho ou reconversão profissional para preparar o futuro. Os empresários manteriam os postos de trabalho, recebendo colaboradores com motivação renovada. Reduzindo custos e aproveitando tempos de manutenção dos respetivos estabelecimentos que também deveriam ser apoiados com melhorias de circuitos e equipamentos da formação em prol dos trabalhadores e do desempenho na atividade. Reduzir-se-iam os problemas sociais e aumentar-se-ia a capacitação, a relação e o cuidado na nossa comunidade de forma ativa. Sei que falta pouco tempo para estas ou outras ações, mas fazer nada não é opção pois a alternativa é confrangedora.

Como é confrangedor percebermos que há um aumento da arrecadação fiscal, assim como da despesa pública, mas há também menor resposta nos serviços públicos na Educação, na Saúde, etc, que faz com que o sentimento de proteção diminua e a tentativa de compensar as necessidades com aumento da despesa individual. Surpreende que seja tão pernicioso o aumento da taxa de inflação quanto o efeito positivo que isso afinal tem nos indicadores das contas públicas. O Governo deve continuar a tomar medidas fiscais, de incentivo social além de recitar o óbvio. O Algarve tem voz para reivindicar isto e muito mais. Estamos juntos.

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António Miguel Pina desvendou, no Dia da Cidade, como vai transformar Faro Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina Município de Faro assinalou mais um Dia da Cidade com um conjunto alargado de celebrações que incluíram o concerto com Miguel Araújo, no domingo, dia 6 de setembro e, no dia 7, a Sessão Solene de comemoração do Dia do Município, com atribuição de distinções honoríficas e ainda uma homenagem póstuma ao professor Artur ALGARVE INFORMATIVO #541

Lara Ramos na Pista de Atletismo de Faro. As comemorações do Dia do Município tiveram início com o concerto de Miguel Araújo, no Largo da Sé, num momento especial aberto a toda a população com um dos nomes mais acarinhados da música portuguesa. No dia 7 de setembro, as celebrações oficiais tiveram lugar no Centro Cultural e de Inovação de Bordeira e arrancaram com a revista a Bombeiros e Polícia Municipal e o hastear de bandeiras. 26


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Seguiu-se a Sessão Solene no auditório daquele equipamento, inaugurado a 19 de setembro de 2025, que incluiu a atribuição de distinções a funcionários municipais por anos de serviço na Autarquia bem como a atribuição de medalhas de mérito – grau ouro a diversas personalidades, como reconhecimento pelo seu percurso e pelo contributo que deram ao concelho, nomeadamente, António Milheiras Rodrigues (médico), Fernando Santos Pessoa (arquiteto paisagista), Henrique André (engenheiro e antigo presidente do núcleo de Faro da Liga dos Combatentes, a título póstumo) e Maria Assunção Fernandez Santos (médica). Também D. Manuel Neto Quintas, que deixou de ser Bispo do Algarve no dia 19 de setembro, recebeu a Chave de Honra da Cidade de Faro das mãos do Presidente da ALGARVE INFORMATIVO #541

Autarquia, António Miguel Pina, reconhecendo “o seu percurso e a ligação que construiu com o nosso concelho e as suas gentes”. No seu primeiro Dia da Cidade de Faro enquanto Presidente de Câmara, António Miguel Pina não escondeu ser “um dia de orgulho, mas é, sobretudo, um dia em que se sente o peso da responsabilidade que esta cidade nos entregou”. “A partir do momento em que se assume a presidência de uma Câmara, a cidade deixa de ter cores políticas, passa a ter pessoas. Faro é o nosso lugar-comum, todos cabem, todos contam e todos têm lugar connosco”, frisou o edil, acrescentando que “cada freguesia do concelho tem a sua identidade, os seus problemas e a sua maneira própria de viver o território, mas todas fazem parte de uma identidade comum”. 28


António Miguel Pina reconheceu que as expectativas são elevadas “porque Faro marcou passo durante demasiado tempo”. “Deixou-se atrasar em coisas que não podíamos continuar a adiar e talvez seja por isso que uma das palavras que mais tenho repetido nestes primeiros meses seja pouco popular na política: planeamento. Gostava de poder chegar hoje aqui e apresentar mais inaugurações, mais máquinas no terreno, mais obras concluídas. Mas se há uma coisa que aprendi nestes primeiros dez meses foi que existe uma diferença enorme entre começar uma obra e começar a transformar uma cidade”, avisou o autarca, adiantando que “um concelho

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não se transforma por impulso, nem se governa para produzir manchetes”. “Governa-se conhecendo aquilo que existe, percebendo aquilo que falta, fazendo contas, preparando projectos, procurando financiamento, corrigindo aquilo que está errado e criando condições para que aquilo que se anuncia possa efetivamente acontecer. Pode parecer menos visível e é seguramente menos imediato, mas é o trabalho que permite que, quando uma obra começa, ela possa chegar ao fim”, declarou. Perante um auditório do Centro Cultural e de Inovação de Bordeira completamente esgotado, António Miguel Pina falou brevemente daquilo

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que encontrou na câmara municipal, desde projectos que não estavam suficientemente maduros para avançar a projectos com financiamento associado, mas sem condições para serem lançados. “A Ecovia é um exemplo. Hoje temos, finalmente, os terrenos necessários para a sua execução e estamos a atualizar o projeto para que possa finalmente ir a concurso. O passadiço exterior entre o Lar de São Francisco e as Portas do Mar é outro. A rotunda das Pontes do Marchil é outro ainda. Encontrámos um projeto desenhado sobre terrenos que não estavam na posse do Município. E, quando se desenha uma obra sem primeiro garantir o chão onde ela vai acontecer, cria-se um problema antes de se criar uma solução. Nós estamos a corrigi-lo em contrarrelógio”, descreveu, antes de virar a atenção para a FAGAR. “O ALGARVE INFORMATIVO #541

incumprimento do Município para com a empresa, na ordem dos dois milhões de euros por ano, ajuda a explicar um paradoxo que os farenses conhecem bem: pagamos das mais elevadas taxas de água, saneamento e resíduos e, ao mesmo tempo, convivemos com redes envelhecidas e ruturas que perturbam diariamente a nossa vida”.

Criar 1.000 habitações e 24 salas de pré-escolar Faro, à semelhança da generalidade do país, continua a ter um problema sério de acesso à habitação, que condiciona famílias, jovens, trabalhadores e até a capacidade de fixar profissionais de que a própria cidade precisa. Nesse sentido, a equipa liderada por António Miguel Pina assumiu a ambiciosa meta de criar 1.000 habitações em quatro anos, entre oferta 30


pública e privada, entre habitação a custos controlados e habitação social. Nos Braciais, a Câmara Municipal de Faro já aprovou a suspensão pontual do PDM necessária à alteração do loteamento, que será agora submetida à Assembleia Municipal, e ainda este ano será lançado o concurso para a construção, num processo de conceção/construção. “São 480 habitações que já têm caminho definido, enquadramento e viabilidade. E não ficamos por aqui. Estamos a trabalhar com a nossa equipa técnica e com a Junta de Freguesia de Estoi na alteração do loteamento que permitirá criar mais 488 habitações, num processo que levaremos à Assembleia Municipal no primeiro semestre do próximo ano”, revelou o autarca. “Num concelho com um total de 90 fogos a custos controlados construídos nos últimos 16 anos, 1.000 casas em quatro

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anos representam, em primeiro lugar, um novo paradigma para Faro, mas também, e principalmente, uma vida nova para tantas famílias e pessoas, com a virtude ainda de impactar de forma positiva o mercado imobiliário, que se vê forçado a ajustar-se a esta oferta”, referiu António Miguel Pina, acrescentando que “queremos construir habitação digna, com custos verdadeiramente controlados, com boas áreas, imóveis com varandas dignas desse nome, divisões modernas, áreas proporcionais nessa ambição, espaços verdes, jardim-de-infância e condições para uma vida com qualidade”. “Queremos também ali criar habitação de função para fixar médicos, enfermeiros, professores e outros profissionais de que Faro precisa. O objetivo não será nunca simplesmente construir mais habitação:

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é criar as condições para que mais pessoas e famílias possam construir aqui a sua vida, com qualidade, recursos e orgulho”, distinguiu. Ora, mais habitação leva a mais residentes e isso origina maior pressão sobre outros serviços da cidade e concelho e António Miguel Pina reconhece que, na saúde, há muito por fazer. “Recentemente inaugurámos um espaço cedido pela Câmara à ULS para os cuidados de saúde na comunidade, permitindo que estas equipas técnicas tenham hoje melhores condições para prestar cuidados continuados domiciliários. Mas sabemos que não chega. A nossa principal preocupação é a criação de mais uma Unidade de Saúde Familiar e, por isso, estamos já a trabalhar com a ULS Algarve para que essa realidade possa acontecer no próximo ano. Estamos a trabalhar no espaço, mas também nas soluções de ALGARVE INFORMATIVO #541

habitação, porque fixar profissionais de saúde em Faro exige que lhes consigamos oferecer condições para aqui viverem. São duas frentes de uma mesma política: criar capacidade de resposta e criar condições para que essa resposta se mantenha na cidade. Acreditamos que, ao longo deste mandato, conseguiremos dar a Faro um médico de família para todos”, afirmou. Cuidar da primeira infância, criar condições para quem está a construir a sua vida e proteger aqueles que, chegados a uma determinada idade, conquistaram o direito a outros recursos, são objetivos do executivo socialista que comanda os destinos do concelho de Faro, assim como cuidar do próprio espaço público do território. “Queremos aprofundar o trabalho feito com as Juntas de Freguesias e reforçar os protocolos existentes, para sermos mais eficazes e para estarmos mais 32


perto de quem vive em cada uma das nossas freguesias. E Faro tem de ser um farol na educação. Se hoje temos uma escola pública com capacidade para todos os alunos do 1.º ao 12.º ano, o parente pobre do nosso parque escolar continua a ser os jardins-de-infância”, admite o presidente de Câmara, assumindo que faltam mais de 24 salas de pré-escolar no concelho de Faro. “São pais que precisam de saber onde vão ficar os seus filhos. São seres humanos que têm direito a começar a sua vida escolar com condições dignas e estabilidade”, salientou.

adjudicação, e mais nove num projeto muito próximo; e seis em Gambelas. “Já no próximo ano estaremos em condições de as colocar a concurso, dando, finalmente, um salto gigantesco no serviço público de educação do nosso concelho. É para isto que serve o planeamento: para tornar possível o que hoje parece impossível. O futuro acontece na objetividade, na eficácia e na coragem para o construir. Estes primeiros meses foram de trabalho, menos visível, talvez, mas decisivo: preparar hoje aquilo que queremos que Faro seja amanhã”.

Nesta matéria, foram identificados quatro locais onde será possível projetar muitas destas salas em falta: três em Estoi, num loteamento que será entregue nos próximos dias; seis na Lejana, em frente à atual EB1, já em fase de

Faro vai ter um novo «pulmão» e mobilidade tem que ser melhorada

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No desporto, trabalha-se na recuperação da capacidade das instalações no concelho e o Pavilhão do

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Farense está quase a reabrir, numa intervenção que não beneficia apenas este emblema. “Sendo o clube com mais atletas, a sua saída das restantes infraestruturas desportivas permitirá devolver esses espaços a todas as outras agremiações. Era importante resolver o problema do Farense para, com isso, resolver também o problema dos outros clubes. E temos ainda o sonho de, durante este mandato, fazer mais um Pavilhão Municipal. Já temos o terreno identificado na Lejana, em frente ao Hospital dos Lusíadas, e no próximo ano teremos o projeto que nos permitirá avaliar a disponibilidade financeira para dar início à obra”, indicou António Miguel Pina. Entretanto, foi colocada a concurso a construção de um campo de 7 e de um campo de 5 no Complexo Desportivo da Penha e, até ao final do ano, serão dados os passos ALGARVE INFORMATIVO #541

seguintes do Plano de Pormenor da Penha. “São passos determinantes para dar corpo a duas outras promessas: o aumento das áreas desportivas e a muito ambicionada criação da futura Alameda XXI. Com o Alameda XXI estamos a falar de mais de 17 hectares que passarão para o Município de Faro. Estamos a falar do próximo pulmão da cidade”, realça o presidente de Câmara. Para o edil, trata-se de um projeto absolutamente diferenciador naquela que é a distribuição da vida urbana no concelho. “Imaginem a Alameda atual e multipliquem-na por dez. Imaginem a Alameda e somem-lhe inúmeras infraestruturas para a prática desportiva, de fruição e de lazer. Não estamos apenas a falar de mais um equipamento ou de mais um jardim. Estamos a falar de criar cidade: espaço 34


para o desporto, para o lazer, para as famílias, para o verde; uma cidade onde se possa andar a pé, andar de bicicleta, levar os filhos ao desporto, estar num jardim, encontrar outras pessoas. Uma cidade que não seja apenas atravessada, mas vivida”, descreve, um princípio que tem de valer para todas as freguesias. “Montenegro continua a crescer e criar zonas desportivas é um compromisso que assumimos com aquela população. Procurámos os terrenos, articulámos com os proprietários e, até ao final deste ano, apresentaremos à Câmara e à Assembleia Municipal a alteração ao PDM que permitirá reunir as condições necessárias para construir um campo de futebol de 11”, revelou.

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Na mobilidade, o reforço do transporte público é uma prioridade, pelo que será lançado, em 2027, o novo concurso dos transportes, “mas sabemos que essa não é a solução final”. “Temos de trabalhar numa lógica de transporte a pedido, de soluções mais flexíveis, capazes de chegar a mais lugares e de responder melhor às necessidades de cada freguesia, sem manter autocarros a circular por toda a cidade quando, demasiadas vezes, circulam quase vazios. É uma questão de eficiência, mas também de responsabilidade ambiental e financeira”, defende António Miguel Pina, que também pretende retirar as grandes viaturas de transporte interurbano do centro nobre da cidade. “O Metrobus entre Loulé, Faro e Olhão é outro desafio que não

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pode ser abandonado. Pode sofrer alterações conceptuais, mas tem de continuar a existir uma solução de mobilidade regional desta natureza, e temos de lutar, enquanto Algarve, para que estes projectos tenham o mesmo apoio do Estado que tiveram soluções semelhantes em Coimbra e agora de Braga a Guimarães. E não se compreende que a capital do Algarve não tenha uma ligação direta à principal autoestrada da região, uma carência que se torna ainda mais evidente com o novo hospital. As atuais ligações pela EN125 e pela EN2 estão hoje sobrelotadas e a pressão adicional sobre as artérias de acesso aos cuidados hospitalares tornará esta insuficiência ainda mais evidente”, avisa o edil. “Há coisas que dependem de nós, há outras que não dependem, mas aquilo que depende de nós será feito e aquilo que não depende de nós será reivindicado”, garante. ALGARVE INFORMATIVO #541

O presidente da Câmara Municipal de Faro reconheceu que a ligação às ilhas continua a ser um desafio, mas acredita que, durante estes quatro anos, se conseguirá incrementar significativamente a acessibilidade aos núcleos da Culatra, dos Hangares e do Farol, e potenciar a oferta nas ligações à Praia de Faro. “Mas há outra dimensão da cidade que também queremos recuperar: aquilo que não cabe facilmente numa folha de orçamento. Temos já concluída a intervenção de recuperação da Fonte do Largo do Pé da Cruz e a da Praça de Tânger, seguindo-se mais 3 das fontes encerradas desde 2022. Podíamos olhar para isto apenas como uma intervenção de espaço público, necessária também para adaptar a cidade a condições climáticas cada vez mais exigentes, aos períodos de calor extremo que teremos de aprender a enfrentar de outra 36


maneira. Mas basta olhar para a reação das pessoas para perceber que existe aqui outra coisa. Existe memória, afeto, aquele orgulho bairrista tantas vezes difícil de explicar, que faz com que alguém reconheça uma fonte, uma praça, uma árvore ou uma esquina como parte da sua própria história”, observa o edil.

Faro do conhecimento, da investigação e da Ria Para o executivo socialista liderado por António Miguel Pina, «Faro Capital de Distrito» não pode ser apenas uma designação administrativa ou uma posição no mapa, a cidade tem que ser capaz de atrair pessoas, empresas, conhecimento e investimento. “Temos uma Universidade. Temos um

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aeroporto que é uma verdadeira porta para o mundo. Temos uma localização privilegiada. Temos a Ria, temos património, temos história – e das mais bonitas. Temos uma economia que pode ser muito mais sofisticada do que aquela que temos hoje. Temos peças extraordinárias. O nosso trabalho é conseguir juntá-las”, afirmou. “Queremos criar condições para que empresas ligadas à investigação, à tecnologia e à inovação se instalem aqui. Estamos a trabalhar para transformar a área prevista para o Parque de Feiras e Exposições num espaço capaz de acolher um parque de inovação e tecnologia. Temos empresas que nos procuram. Temos o Tech Hub. Temos uma Universidade que produz conhecimento e um aeroporto que nos liga ao mundo. Temos de conseguir fazer com que estas coisas conversem

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entre si”, sublinha. “Temos todas as condições para construir uma das melhores marinas naturais do país e o Cais Comercial será, finalmente, nosso. Isto é turismo, mas é também património e cultura. É pegar na nossa história e transformá-la em valor sem a transformar num produto vazio. É combater a sazonalidade e fazer com que Faro tenha atividade, emprego e vida durante todo o ano”, prosseguiu. Da náutica para a cultura, António Miguel Pina reafirmou a vontade de se adquirir o Teatro Lethes, talvez o maior investimento em património edificado desde a construção do Teatro das Figuras. “O Lethes será um espaço mais amplo, com mais espaços e valências, um espaço de criação cultural capaz de ALGARVE INFORMATIVO #541

impulsionar a economia criativa e de concentrar os vários grupos ligados ao teatro do nosso tecido artístico. E neste capítulo chegamos à Fábrica da Cerveja, que, hoje, não tem condições para acolher a ARCM nem qualquer outro evento com segurança. Não seremos responsáveis por nenhum incidente que possa ali acontecer, mas, de igual modo, também não seremos responsáveis pelo fim da dinâmica cultural e artística que ali ferve e borbulha. Estamos já a preparar a proposta que será apresentada à Câmara e à Assembleia Municipal para o arrendamento de um espaço na Estrada do Passeio Ribeirinho, onde criaremos o «Margem – Centro Cultural e Criativo», um espaço multifacetado, dinâmico e plural, que acolherá a Associação de 38


Miguel Pina. “Não me interessa que estes primeiros 10 meses sejam lembrados pelo número de anúncios que fizemos. Interessa-me sim que todo o mandato seja reconhecido pelo que deixámos preparado, pelo que conseguimos concretizar e, sobretudo, pela cidade que entregámos. O retrovisor serve para perceber de onde partimos; não pode servir para decidir para onde vamos”, declarou. “Não somos proprietários da cidade que governamos, somos apenas responsáveis por aquilo que fazemos com ela enquanto ela está nas nossas mãos. Faro não nos foi entregue para a administrarmos, foi-nos confiada para a transformarmos, e é essa confiança que pretendemos honrar”, assumiu, em final de discurso.

Músicos e outras associações, permitindo-lhes ter ali a sua sede, realizar eventos ou ter condições de trabalho e, sobretudo, a possibilidade de estabelecer sinergias que potenciem a atividade de todos”, revelou. Projetos, está visto, existem muitos, “mas fazer exige tempo”. “Exige planeamento, projeto, dinheiro, capacidade técnica e negociação. Exige, muitas vezes, resistir à tentação de fazer o que é mais fácil para conseguir aquilo que é verdadeiramente importante. E exige, sobretudo, coragem para não esconder os problemas. A cidade que encontrámos não se transforma num ano. Mas muito daquilo que hoje ainda não é visível já começou a acontecer”, salienta António 39

Após a cerimónia da sessão solene, teve lugar uma outra homenagem póstuma, na Pista de Atletismo de Faro, com a atribuição do nome do professor Artur Lara Ramos a este equipamento desportivo, do qual foi um dos principais impulsionadores e que foi inaugurado em 2008, após vários anos de adiamentos e com um investimento superior a 4 milhões de euros. Recorde-se que Artur Lara Ramos, que faleceu a 26 de dezembro de 2025, aos 78 anos, dedicou grande parte da vida ao atletismo e à educação física. As celebrações do Dia da Cidade de Faro terminaram com a redescoberta de um momento marcante da história da cidade «O Outro Reino: A integração de Faro em 1249», através da encenação «Ó Formosa! Que farei?», apresentada pelo LAMA Teatro, junto ao Arco do Repouso. ALGARVE INFORMATIVO #541


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Alcoutim festejou Dia do Município Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina lcoutim assinalou, a 11 de setembro, o seu Dia do Município, uma data de celebração da identidade, da história e das pessoas e instituições que ajudam a construir o futuro deste concelho. As comemorações tiveram início na Praça da República, com o Hastear das Bandeiras, seguindo-se a Sessão Solene Comemorativa, no Espaço Guadiana, durante a qual foram atribuídas Medalhas de Mérito e de Bons Serviços e Dedicação aos funcionários e entidades que, nas mais diversas áreas, contribuíram de forma notável para a valorização deste território. Foram assim distinguidos o ALGARVE INFORMATIVO #541

Ayuntamiento de Sanlúcar de Guadiana, o Grupo Desportivo de Alcoutim, a Associação Inter-Vivos, a Capitania do Porto de Vila Real de Santo António, a Associação Almargem, Fernando Fuentes, as empresas Pereira & Pereira Lda, Caetana Costa & Costa Lda e A.C. Ribeiros Lda e Maria Victoria Cassinello, a título póstumo, assim como os funcionários João Simão, Norberto Tendeiro, Amadeu Morais, Joaquim Afonso, José Palma, Josélia Palma, Luís Martins, Mário Gonçalves, Vítor Melo e Luís Conceição. No seu discurso, Paulo Paulino deu nota das prioridades da Câmara Municipal de Alcoutim “para um futuro feito de decisões estratégicas, de projetos concretos, de investimento e, 42


principalmente, de obra”. “Hoje temos assegurada a continuidade e o reforço de importantes serviços em diversas áreas. Temos habitação em construção, porque sabemos que, sem casas, não conseguimos fixar famílias, atrair jovens nem trazer novos residentes para o nosso concelho. Estamos também a avançar com a construção das novas Oficinas Municipais, criando melhores condições para os nossos trabalhadores e para a capacidade de resposta dos serviços municipais”, indicou o edil alcoutenejo. Para breve está o alargamento da rede de abastecimento de água, num investimento de cerca de três milhões de euros e, no que toca à construção da ponte entre Alcoutim e Sanlúcar de 43

Guadiana, foi aprovada a revisão das condições de financiamento da operação, com um reforço da dotação do PRR. “É uma decisão muito importante porque demonstra que este projeto continua a ser reconhecido como estratégico e que existem condições financeiras para avançar. Não é ainda a ponte construída, mas é um passo concreto, uma luz que se reacende e que nos dá razões renovadas para acreditar”, declarou Paulo Paulino, revelando igualmente que foram enviados ofícios conjuntos para os governos de ambos os países apelando para que seja assumido um esforço político e administrativo adicional no sentido de ultrapassar os últimos obstáculos existentes à concretização de uma obra há décadas ALGARVE INFORMATIVO #541


aguardada pelas populações dos dois lados da fronteira. No domínio das telecomunicações, o autarca lembrou que a fibra ótica está a chegar progressivamente a mais localidades e a mais pessoas do concelho, assim garantindo igualdade de oportunidades para todos. “É permitir que uma empresa possa trabalhar a partir de Alcoutim, que um jovem possa estudar ou desenvolver a sua atividade profissional a partir daqui, que uma família possa escolher viver no nosso concelho sem ficar desligada do mundo. É aproximar Alcoutim do mundo sem deixar que Alcoutim perca a sua identidade”, manifestou Paulo Paulino. Quanto a 2027, o presidente do Município de Alcoutim deixou a garantia de se continuar a apostar na habitação,

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na melhoria das condições de vida das populações, e no investimento nas infraestruturas e nos serviços públicos. “Mas também queremos criar novas oportunidades económicas e o Rio Guadiana é uma das maiores riquezas que temos. Há que saber aproveitar todo o seu potencial, reforçando a nossa capacidade de atrair turismo náutico, criando melhores condições para quem nos visita e para quem aqui quer investir. Para isso, estamos a trabalhar na criação de condições para a construção de novas marinas que poderão representar uma nova oportunidade para Alcoutim, para o comércio local, para a restauração, para a hotelaria, para toda a economia do concelho”, frisou o autarca. “Queremos que, quem chega pelo Guadiana, encontre em Alcoutim um lugar onde vale a pena parar e que, quem aqui vive,

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sinta que vale a pena continuar a viver aqui. O verdadeiro sentido de um presidente de Câmara num município de baixa densidade é criar condições para que exista um amanhã melhor”, reforçou. Paulo Paulino assumiu, sem rodeios, que o território tem dificuldades, mas conhece a determinação das pessoas, a capacidade dos empresários, dos trabalhadores, das associações e instituições, “de todos aqueles que diariamente fazem a sua parte para manter este concelho vivo”. “O futuro de Alcoutim não será construído de um dia para o outro, será construído passo a passo, investimento a investimento, família a família, empresa a empresa, localidade a localidade. Alcoutim não pode desistir de si próprio”, apelou.

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“Temos que continuar a reivindicar junto do Estado e das entidades competentes, nas diversas áreas, melhores políticas públicas que tenham em conta as especificidades dos territórios de baixa densidade. Alcoutim precisa de políticas diferenciadas, mas precisa também da nossa capacidade de acreditar e de concretizar. Se formos todos capazes de caminhar juntos, com determinação, responsabilidade e confiança, tenho a certeza de que poderemos construir um Alcoutim mais forte, mais atrativo, mais qualificado e com mais oportunidades. Um Alcoutim onde seja possível nascer, crescer, trabalhar, constituir família e envelhecer com dignidade, um Alcoutim que não se resigne às dificuldades e que acredita em si próprio”, finalizou Paulo Paulino.

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Feira da Dieta Mediterrânica em Tavira encerrou mais uma edição com milhares de visitantes Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina e 3 a 6 de setembro, a Feira da Dieta Mediterrânica de Tavira proporcionou quatro dias intensos de programação, encontro e partilha em torno de um património vivo que une comunidades, culturas e diferentes geografias do Mediterrâneo. A cidade do Rio Gilão recebeu milhares de visitantes, ganhou uma nova dimensão e, um pouco por todo o centro histórico, ruas, praças, largos, jardins e equipamentos culturais ALGARVE INFORMATIVO #541

transformaram-se em lugares de encontro, descoberta, conhecimento e celebração. A programação integrou dezenas de atividades, entre exposições, lançamentos e apresentações de livros, seminários, conferências, visitas, oficinas, demonstrações gastronómicas, iniciativas dedicadas à saúde e à atividade física, atividades para famílias, música, dança, teatro e outras expressões artísticas. Diferentes culturas, tradições, saberes e manifestações provenientes de 52


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várias geografias do Mediterrâneo cruzaram-se em Tavira, reforçando um dos objetivos fundamentais desta Feira: promover o diálogo intercultural, a partilha e a transmissão de conhecimentos entre pessoas, comunidades e gerações. A presença de mais de duas centenas de expositores, entre produtores, artesãos, associações, instituições e agentes económicos e culturais, constitui uma das marcas do evento, valorizando os produtos locais, os saberes tradicionais, as práticas, os conhecimentos e os modos de vida associados à Dieta Mediterrânica. A Feira voltou também a demonstrar a importância de levar a cultura ao espaço público e aproximá-la das pessoas. A ALGARVE INFORMATIVO #541

diversidade das propostas e a sua presença em diferentes lugares da cidade permitiram chegar a públicos de várias idades e proveniências, promovendo a participação e contribuindo para a democratização do acesso à cultura. Esta vivência coletiva assume particular relevância no cumprimento dos objetivos do Plano de Salvaguarda da Dieta Mediterrânica. “Preservar este património significa mantê-lo vivo, fomentando a transmissão de conhecimentos entre gerações, valorizando os produtos e produtores locais, conservando saberes e práticas tradicionais e fortalecendo o diálogo e a cooperação entre as comunidades 54


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mediterrânicas”, considera a organização. O balanço destes quatro dias faz-se não apenas pela dimensão dos números alcançados, mas também pela forma como a cidade foi vivida, pela participação do público, pelos encontros e pelas experiências, conhecimentos e memórias partilhadas. “Esta Feira é o resultado de muitos meses de preparação e de um enorme esforço coletivo. O Município de Tavira e a Comissão Organizadora da Feira da Dieta Mediterrânica expressam o seu

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reconhecimento a todos aqueles que contribuíram para tornar possível mais esta edição: trabalhadores e serviços municipais, entidades parceiras, instituições, associações, produtores, artesãos, expositores, artistas, técnicos, investigadores, conferencistas, formadores, fornecedores, forças de segurança, proteção civil, voluntários e todos os profissionais envolvidos na sua preparação e concretização. Ao público fica também um agradecimento especial”.

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Câmara de Loulé entregou chaves de 18 habitações reabilitadas no Bairro Municipal Frederico Ulrich Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina 8 famílias começaram, no dia 10 de setembro, uma nova vida no histórico Bairro Municipal Frederico Ulrich, em Loulé, outrora conhecido como «Bairro Operário». A Câmara Municipal de Loulé assinalou mais um marco na sua política de habitação com a entrega das chaves de 18 habitações totalmente reabilitadas, naquela que foi a primeira fase da empreitada.

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A intervenção, financiada pelo PRR – Plano de Recuperação e Resiliência, passou pela reabilitação do espaço de cada um dos fogos, de tipologia T2 e T3, através da ampliação da área e compartimentação interior, bem como a requalificação dos respetivos logradouros, garantindo “novas e modernas condições de habitabilidade” para as famílias. “É com enorme alegria que hoje devolvemos vida a esta obra, recuperando para as pessoas um 66


projeto que, há mais de sete décadas, já colocava a dignidade das famílias no centro do desenho da nossa cidade, e que hoje volta a fazer exatamente isso”, afirmou o presidente da Câmara de Loulé, Telmo Pinto. Este foi também um momento de valorização do património e identidade local – e sentimental – pela carga histórica que o bairro encerra. Nascido entre 1948 e 1950, desenhado originalmente pelo engenheiro Alberto da Silveira Ramos e pelo icónico arquiteto louletano Manuel Maria Laginha, o Bairro Municipal Frederico Ulrich foi a primeira iniciativa de habitação social em Loulé para famílias com poucos recursos e alguns dos primeiros moradores ali continuam a viver. 67

O compromisso da Autarquia de Loulé com o Bairro Municipal Frederico Ulrich prossegue com o arranque da segunda fase de reabilitação do edificado, correspondendo a 30 fogos. À semelhança do que aconteceu com a primeira fase, os moradores serão realojados temporariamente em apartamentos da cidade, e também em algumas das casas reabilitadas na primeira fase e que não foram ocupadas. Durante a cerimónia, Telmo Pinto recordou o percurso iniciado em 2019, com o lançamento da Estratégia Local de Habitação, numa altura em que o parque habitacional do Município contava com apenas 280 fogos. Com as 18 chaves disponibilizadas no dia 10 de setembro, o ALGARVE INFORMATIVO #541


concelho ultrapassa a marca das 490 casas, o que representa um crescimento superior a 70 por cento em pouco mais de sete anos. “Ainda temos muitos projetos pela frente”, assegurou o autarca. E, para responder de forma robusta à pressão demográfica e à escalada de preços no setor imobiliário, a Autarquia está a avançar neste momento com mais de 500 novas habitações, através da aquisição de terrenos, projetos de ALGARVE INFORMATIVO #541

compra e construção em vários pontos do concelho. “Já no próximo ano iremos avançar com mais 600 fogos”, anunciou Telmo Pinto.

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Daniela Campos defende cores nacionais no ciclismo de Pista e Estrada Daniela Campos é uma das convocadas pelo selecionadora nacional Daniela Pereira para representar Portugal no Campeonato do Mundo de Estrada UCI 2026, que se realiza entre 20 e 27 de setembro, em Montreal, no Canadá, e deverá fazer parte também da convocatória de Gabriel Mendes para o Campeonato Mundial de Ciclismo de Pista TISSOT UCI 2026, que se disputa, de 14 a 18 de outubro, na Ilha de Chongming, Xangai, na China. A jovem ciclista de Boliqueime está totalmente recuperada da lesão sofrida na Chéquia e quer terminar 2026 em grande. Para 2027, o objetivo é regressar ao circuito internacional de estrada e sempre de olhos postos nos Jogos Olímpicos de 2028 em Los Angeles, nos Estados Unidos da América.

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina e Federação Portuguesa de Ciclismo atural de Boliqueime, Daniela Campos, 24 anos, iniciou-se no ciclismo logo aos 6 anos de idade, primeiro no BTT, depois na estrada, a defender as cores de clubes do concelho de Loulé, antes de se mudar, aos 18, para Espanha, quando subiu para o escalão de sub23. Esteve três anos na Bizcaia Durango, depois mais dois anos na Eneicat – CMTeam, conciliando as provas de estrada com as de pista, ao serviço da seleção nacional, mas 2026 foi totalmente preenchido por provas de pista. “A equipa decidiu cancelar os contratos com todas as atletas em outubro de 2025, numa altura em que já era muito complicado negociar contrato com outra formação. Decidi dedicar-me por completo à pista, mas com a esperança de regressar ao ALGARVE INFORMATIVO #541

Pelotão Internacional de Estrada em 2027. É para isso que continuo a trabalhar todos os dias”, assume logo a entrevistada. Daniela Campos lembra que, no ciclismo, é obrigatório estar-se integrado numa equipa para se participar nas competições, não se pode fazê-lo de forma isolada, e gerir os diferentes calendários pode tornar-se bastante complexo. “O normal é uma equipa ter no mínimo 4 ou 5 atletas e, na elite, há atletas que vivem no estrangeiro, outras residem em Portugal, mas estão a estudar e têm outros compromissos. A situação é semelhante na estrada ou na pista, mas este ano era especial para a vertente de pista porque temos agora o Campeonato do Mundo em outubro, na China, que é a primeira prova de qualificação para os Jogos Olímpicos de 2028. O ano passado não nos 72


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Daniela Campos com Maria Martins

conseguimos qualificar para o Mundial, portanto, este ano tínhamos que procurar ganhar o máximo de pontos possíveis para estarmos em Xangai”, refere a ciclista que também já é Elite. “Se estivesse inserida numa equipa e a fazer provas de estrada, provavelmente tinha sido mais complicado dar o meu contributo para que Portugal pudesse qualificar-se para o Campeonato do Mundo de Pista”, reconhece. Mesmo sem competir na estrada, 2026 foi um ano muito exigente para Daniela Campos, “porque precisávamos acumular bastantes pontos e, para isso, participar em muitas competições, inclusive renovar competições que já ALGARVE INFORMATIVO #541

tínhamos feito anteriormente para tentar melhorar as classificações e assim obter mais pontos”. “Quando se faz estrada e pista em simultâneo, praticamente todas as semanas temos provas. A seleção nacional de pista fez um trabalho muito bom e consistente, sempre com o objetivo de estarmos em Xangai”, sublinha a algarvia, que ainda recentemente esteve mais uma vez na Chéquia, precisamente onde sofreu uma lesão que a obrigou a ser operada ao cotovelo. “Tenho estado a trabalhar em conjunto com a Tata, a Maria Martins, para fazermos o máximo de pontos possíveis para qualificarmos a nação. Depois, cabe ao selecionador nacional escolher quem vai a Xangai”. 74


Para os menos entendidos na matéria, a pista contempla diversas disciplinas, sendo a mais mediática a Omnium, disciplina olímpica que é composta por quatro corridas: scratch, tempo race, eliminação e corrida por pontos. No final, somam-se as pontuações todas e obtémse a classificação no Omnium. Depois há as disciplinas individuais, a corrida por pontos, o scratch, a eliminação, a perseguição individual, a perseguição por equipas e a Madison, estas duas últimas também disciplinas olímpicas. E ser excelente numa disciplina não significa necessariamente que se seja excelente em todas ou que se alcancem sempre bons resultados, avisa Daniela Campos. “A pista é muito imprevisível, basta um erro de posicionamento, uma distração, e somos logo puxados para baixo na classificação. Eu sinto-me bem na

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corrida de pontos, outros preferem a eliminação, que exige muita técnica e habilidade em cima da bicicleta, porque há muitos toques, são sempre corridas bastante tensas e nervosas. Há atletas que se dão melhor numa ou outra disciplina, mas em todas é fundamental ter boa capacidade física, isto se quisermos disputar competições de nível mundial”, garante. Não basta, porém, ter pernas e pulmão, é também necessária uma componente estratégica para se alcançar os objetivos pretendidos. “Há um plano geral daquilo que eventualmente pode acontecer, delineado pelo selecionador nacional, mas nós, como atletas, precisamos saber ler bem a corrida para decidirmos qual o momento ideal para atacarmos… e isto num ambiente de grande nervosismo, sem oxigénio, sem ar, sem

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nada”, descreve, com os olhos a brilhar. “São essas ações que tomamos que nos vão proporcionar, ou momentos muito bonitos, ou momentos muito angustiantes. Às vezes esperamos meia volta ou mais 100 metros para fazer um ataque e, entretanto, já está outra atleta a atacar. É uma competição em que acontece tudo num abrir e fechar de olhos, portanto, temos que ser muito bons na leitura da corrida e rápidos na tomada de ações. Acho que todos os que estão na seleção nacional são muito competentes naquilo que fazem e eu ainda estou numa fase de ganhar experiência. Procuro melhorar em todas as corridas que faço, corrigir aquilo em que estive menos bem na

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prova anterior, para ser cada vez mais competente”, analisa a entrevistada. Experiência já ganhou Daniela Campos muita este ano, e os resultados isso o demonstram, mas a jovem de Boliqueime realça mais uma vez a importância de se manter fria e calma ao longo das corridas, e sempre com os pés bem assentes no chão. “A pista nunca será aborrecida ou monótona. Todas as corridas são diferentes, há momentos distintos em todas as competições, e é isso que gera interesse nas pessoas para assistir e que a nós nos dá motivação para competir. Estudamos e analisamos as competições para perceber aquilo que os outros fazem e aquilo em que nós

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Daniela Campos com o selecionador nacional de pista, Gabriel Mendes

podemos melhorar, mas depois a estratégia muda consoante o tipo de disciplina. Acima de tudo, há que estar completamente concentrado naquilo que estamos a fazer para conseguirmos tomar as ações certas nos momentos certos”.

Ciclismo está mais competitivo de ano para ano A época não se faz, contudo, apenas na pista, na competição, há toda a fase de preparação, de treino, as viagens, e 2026 não foi isento de alguns percalços, como foi o caso do conflito do Médio Oriente que fez com que apenas Daniela Campos rumasse à Austrália para participar numa prova, ao contrário do que inicialmente pensado… e nem a bagagem chegou a 77

tempo da primeira corrida. “A vida é feita de adversidades, de situações inesperadas, e temos que estar preparados para as enfrentar. Estava previsto irem três atletas à Austrália e, como os preços das viagens dispararam, acabei por ir só eu e o selecionador nacional, porque precisávamos mesmo dos pontos daquela prova. Chegamos na sextafeira à hora do almoço e corri logo nessa noite. Felizmente que o ciclismo é uma família unida e a seleção australiana emprestou-me uma bicicleta. Fiz o Omnium no domingo e na segundafeira estávamos de regresso a Portugal”, conta. Mais complicada foi a queda sofrida na Chéquia, porque na pista as atletas estão bastante vulneráveis a pequenos toques. ALGARVE INFORMATIVO #541


“Na corrida de eliminação uma adversária caiu à minha frente, ali não há travões, tentei ir por cima, mas levei com a bicicleta dela, e a minha queda ainda foi pior”, recorda Daniela. “Não conseguia mexer o cotovelo, nem apoiar o braço no guiador, a pista era exterior, com muitas vibrações devido às placas de betão. Faltava a corrida por pontos, aguentei o máximo possível, fiz o meu melhor e ficamos em quinto lugar, o que já foi espetacular”.

costuma dizer, nós vamos para fazer o nosso melhor. Se os resultados aparecerem, excelente, se não aparecerem, aprendemos com os erros para melhorar na próxima competição. Nunca nos são pedidas medalhas, mas sim para darmos o nosso melhor. O importante é continuarmos a trabalhar com os pés bem assentes no chão, porque o nível do ciclismo feminino, e em geral, está a aumentar de ano para ano a passos largos”.

O resultado da queda foi uma fratura no cotovelo, dias depois foi operada, seguiram-se semanas de fisioterapia, numa carreira que tem sido marcada por várias lesões. “Já tive três fraturas na mesma clavícula, agora foi o cotovelo, mas tenho conseguido superar todas essas contrariedades”, diz Daniela Campos. “Como o nosso selecionador

As próximas competições são, então, o Campeonato do Mundo de Estrada UCI 2026, em Montreal, no Canadá, e depois o Campeonato Mundial de Ciclismo de Pista TISSOT UCI 2026, em Xangai, na China, mas 2027 não se antevê mais calmo, porque depois começa a preparação para os Jogos Olímpicos de 2028. “Temos que caminhar passo a

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passo, mas temos que pensar também mais à frente. Fizemos todo este trabalho, todas estas competições, para nos qualificarmos para o Campeonato do Mundo, mas os dois anos de qualificação olímpica serão bastante competitivos. Daqui até aos Jogos Olímpicos vai ser sempre a andar, e depois são outra vez os campeonatos da Europa e do Mundo, isto nunca para”, admite Daniela Campos, com um sorriso. “Numa situação normal, a conciliar a estrada com a pista, é vir um dia ou outro a casa, ver como é que está tudo e partir outra vez. A nossa

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temporada só termina no final de outubro, temos duas semaninhas para recuperar o fôlego, para nos desconectarmos um bocado do ciclismo, e depois voltamos ao trabalho outra vez. Mas não tenho arrependimentos nenhuns, esta é a realidade que eu conheço. Gosto imenso daquilo que faço, das pessoas com quem trabalho todos os dias, dos meus companheiros de seleção. Adoro a vida que tenho, não fazia nada diferente se pudesse voltar atrás no tempo”, garante, em final de conversa.

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FESTIVAL F FOI FANTÁST O REGRESSO À VILA AD Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina e Ricardo Coelho

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TICO E JÁ CONFIRMOU DENTRO EM 2027

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ntre 3 e 5 de setembro, a Vila Adentro voltou a ser o epicentro da música e da cultura em Portugal com mais uma edição do F, um festival maduro, com identidade própria e uma relação de pertença com Faro, com o Algarve e com um público que, ano após ano, volta para fechar o verão. E a 12.ª edição está já oficialmente agendada para 2, 3 e 4 de setembro de 2027. Foram 67 concertos distribuídos por oito palcos, entre ruas, praças, largos e muralhas do centro histórico, num percurso que juntou nomes incontornáveis da música portuguesa a projetos emergentes e a artistas que fizeram agora a sua estreia no festival. Entre os momentos que marcaram esta edição estão os dois encontros pensados ALGARVE INFORMATIVO #541

especialmente para Faro, com Carminho em concerto com a Orquestra do Algarve e Ricardo Ribeiro acompanhado pela Orquestra de Jazz do Algarve, dois programas que aproximaram duas das maiores vozes do fado a formações profundamente ligadas à região. A eles juntaram-se as atuações de Slow J, Bárbara Tinoco, Wet Bed Gang, The Gift, Moonspell, Papillon, HMB, D.A.M.A, Branko, Chico da Tina e ÁTOA, as estreias de Mind da Gap, Maninho e Clã no festival e uma forte representação algarvia, que ocupou cerca de 30 por cento do cartaz e voltou a mostrar a vitalidade da criação musical que nasce na região. A aproximação ao espaço lusófono foi uma das marcas desta 11.ª edição. A presença de Tz da Coronel e dos Pelados, que reforçou a ligação histórica entre 84


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Portugal e o Brasil, e de Nelson Freitas, um dos nomes de referência da música cabo-verdiana contemporânea, teve uma resposta muito positiva do público e abre caminho ao que será uma das linhas de programação da próxima edição. Para lá dos concertos, o Festival F voltou a abrir espaço à conversa. Nos Claustros da Sé, as três tertúlias desta edição juntaram alguns dos nomes mais sonantes do cartaz. No dia 3, «Agora é que são elas» reuniu Bárbara Tinoco, Lana Gasparøtti, Femme Falafel e Irina Barros em torno do lugar das mulheres na música. No dia 4, «IA cabe no verbo crIAr?» sentou à mesma mesa Manuela Azevedo (Clã), Fernando Ribeiro (Moonspell), Nuno Gonçalves (The Gift) e o maestro Martim Sousa Tavares, para discutir a inteligência artificial e a criação. A 5, «Rimar contra a maré» fechou o ciclo ALGARVE INFORMATIVO #541

com Danni Gato, HERLANDER e Real Punch, numa conversa sobre o presente da música nacional. A programação estendeu-se ainda pelas ruas da cidade com o Artists & Fleas na Rua Galp, o Fagar Kids F no Largo de São Francisco, as exposições no Museu Municipal de Faro e na Galeria Municipal Trem «Manuel Baptista», a mostra da fotógrafa Kathryn Barnard e a exposição da ALFA na Galeria Arco, o videomapping da Fuse – Design Lab no Palco Fábrica Idealista, a Silent Party by Citroën no Palco Castelo, a zona de street food do Largo Afonso III e as arruadas, a dança, a poesia e o Grupo Coral Ossónoba, que fizeram do caminho entre palcos parte da experiência de um festival pensado para ser vivido por várias gerações ao mesmo tempo. Ao entrar na segunda década, o Festival F atinge a maturidade e continua a 86


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afirmar-se como uma marca incontornável para Faro, atraindo um público cada vez mais alargado, regional, nacional e estrangeiro. O objetivo da organização não passa por crescer em dimensão, mas por consolidar o F e melhorar, de forma progressiva, a experiência de quem o vive. Esse caminho começa já: a ACAPO, Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal, analisou o recinto nesta edição com vista à implementação, em 2027, de melhorias para pessoas cegas e com baixa visão. “Esta edição voltou a reforçar, de forma vincada, aquilo que o Festival F tem sido ao longo de 11 edições: um festival que faz de Faro uma referência para a música em língua portuguesa e que oferece a todos os que nos visitam uma experiência única, diferenciada pela oferta cultural e pelo facto de acontecer na zona nobre da cidade. Em 2027, vamos consolidar o F ALGARVE INFORMATIVO #541

na sua dimensão, mantendo a abertura à inovação, quer na oferta cultural, quer no tipo de experiência que proporcionamos aos festivaleiros”, adianta António Miguel Pina, Presidente da Câmara Municipal de Faro. Na 12.ª edição, de 2 a 4 de setembro de 2027, o Festival F manterá o compromisso com a música portuguesa e reforçará a aposta na lusofonia, em função da resposta muito positiva do público à aproximação que teve lugar nesta edição, consolidando o diálogo do festival com as diferentes geografias da língua portuguesa. Organizado pela Câmara Municipal de Faro, pelo Teatro das Figuras e pela Ambifaro, o Festival F continua a valorizar a criação artística, apoiar novos talentos e contribuir para o desenvolvimento cultural e social da cidade de Faro, do Algarve e do país. 88


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MOONSPELL TR «FAR FROM GOD Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

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ROUXERAM D» A FARO

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caminho dos 35 anos de carreira, os Moonspell eram um dos nomes mais aguardados da 11.ª edição do Festival F e não defraudaram as expetativas dos muitos fãs que rumaram à Vila Adentro na noite de 4 de setembro. E o palco escolhido para o concerto desta banda de metal gótico não poderia ser mais simbólico, mesmo junto a Sé Catedral de Faro e ao Paço Episcopal de Faro. A banda originária da Brandoa trouxe na bagagem o novo disco, «Far From God», um álbum cuja qualidade tem sido reconhecido além-fronteiras pela ALGARVE INFORMATIVO #541

imprensa especializada e que foi magistralmente interpretado numa atuação escaldante, mercê do show de fogo e luzes que fez as delícias da plateia. Público que vibrou com os sucessos intemporais da banda liderada por Fernando Ribeiro e que ficou em êxtase com a subida ao palco de Rui Sidónio, vocalista dos Bizarra Locomotiva, que se juntou aos Moonspell no tema «Em Nome do Medo». Um concerto extraordinário que demonstrou que este género musical tem um público numeroso e fiel e que encaixou, na perfeição, num Festival F que apresentou um cartaz bastante eclético e diversificado. 112


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PROPRIETÁRIO E EDITOR: Parágrafoptimista Unipessoal Lda. NIPC 518198189 GERÊNCIA: Mónica Pina DETENTORA: Mónica Pina (100%) SEDE: Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 67, 8135-157 Almancil Órgão registado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº 126782 DIRETOR: Daniel Pina (danielpina@sapo.pt) CPJ 3924 Telefone: 919 266 930 (custo de chamada para a rede móvel nacional) REDAÇÃO: Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 67, 8135-157 Almancil Email: algarveinformativo@sapo.pt PERIODICIDADE: Semanal CONCEÇÃO GRÁFICA E PAGINAÇÃO: Daniel Pina FOTO DE CAPA: Daniel Pina

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