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REVISTA ALGARVE INFORMATIVO #530

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ALGARVE INFORMATIVO

27 de junho, 2026

Paulo Cunha (pág. 8)

Mirian Tavares (pág. 12)

Sílvia Quinteiro (pág. 16)

Paulo Neves (pág. 20)

Júlio Ferreira (pág. 24)

Inauguração do Espaço Multiusos Desportivo do Algoz (pág. 32)

CCDR Algarve e AMAL promoveram seminário sobre gestão de combustíveis no Algarve (pág. 38)

Dia da Cidade de Olhão (pág. 44)

Lídia Jorge recebeu Medalha de Mérito Cultural (pág. 56)

Santos Populares em Lagos (pág. 66)

Santos Populares em Quarteira (pág. 82)

«A Linha do Tempo» da Che Lagoense

“Façam barulho!” versus “O silêncio é de ouro”. Paulo Cunha, professor

or definição, devido às características das fontes sonoras e do seu volume elevado, o barulho é algo que provoca incómodo e mal-estar. Daí, corrigir muitos dos meus contemporâneos quando catalogam determinada música como barulho. Basta não se entender ou não gostar de determinado género musical, a música ter algum grau de distorção, de dissonância ou estar a ser reproduzida numa intensidade demasiado elevada para ser, rapidamente, arrumada na categoria de barulho.

Em 1994, testei esta minha teoria após ter adquirido o cd do guitarrista Pat Metheny «Zero Tolerance for Silence» e o coloquei a tocar em casa. Tal como era previsível, todos os meus familiares me perguntaram qual era a razão por que estava a ouvir aquela «barulheira». No ano seguinte, voltei a observar a reação doutros ouvintes quando o mesmo artista apresentou algumas músicas desse disco num concerto realizado no Coliseu do Recreios em Lisboa. A reação de incómodo e de agitação não se fez esperar. Provocadora e corajosamente, o criador/músico tinha atingido um dos seus intentos: transformar música em barulho, tal a experiência radical de, publicamente, criar puro ruído e

improvisação livre a partir da manipulação sonora.

Já neste século, na maioria dos concertos de música Pop e Rock com grupos portugueses a que assisti, comecei a ouvir o chavão/clichet “Façam barulho!”. Ainda hoje me provoca alguma prurido e confusão, pois sempre que o mesmo é proferido e pedido, o efeito resulta, inevitavelmente, em desprimor e prejuízo da música interpretada, pois o tal «barulho» solicitado na forma de gritos e de urros sobrepõe-se ao que realmente importa - a Música. Obviamente, compreendo a estratégia de tentar exacerbar os ânimos, levando o público a uma incontida efervescência e ebulição musicais. Entendo, mas para quem, como eu, quer realmente apreciar e desfrutar a música, o silêncio é - e será(sempre) de ouro!

Volta e meia, quando coloco determinadas músicas para os meus alunos escutarem e, assim, melhor contextualizarem as competências exploradas, frequentemente fecho os olhos e, não raras vezes, os mesmos alunos cochicham entre si, dizendo “Olha, o professor deixou-se dormir!”. É um facto: ouvir música de olhos fechados é uma experiência que intensifica a conexão com o som, permitindo que cada nota, melodia e silêncio seja vivida com mais profundidade. Ao eliminar estímulos

visuais, a pessoa entrega-se totalmente à música, mergulhando num universo sensorial onde os sentidos se aguçam e as emoções emergem com maior clareza. Este simples ato transforma a audição num momento de introspeção e de prazer genuíno, renovando o valor da música e incentivando uma apreciação

mais sentida e completa. Retirado do provérbio “A palavra é prata, o silêncio é ouro”, em que se exalta o valor da sabedoria, da reflexão e da escuta ativa em relação à comunicação impulsiva, muitas vezes partilho a importância e o valor de saber ouvir, destacando o facto de termos dois ouvidos para apenas uma boca.

A vida humana oscila entre dois gestos fundamentais: afirmar e escutar. “Façam barulho!” é o impulso dionisíaco - o grito que rompe a inércia, que convoca o coletivo, que recusa a invisibilidade. “O silêncio é de ouro” é o gesto apolíneo - a contenção que permite ver com clareza, a pausa que revela o que o ruído esconde. A verdadeira sabedoria não escolhe um lado, ela reconhece que o barulho é a força que muda o mundo e o silêncio é a força que muda o sujeito. Viver melhor é, por isso, saber quando cada força deve prevalecer.

Porque “O sábio não é o que fala pouco ou muito, mas o que fala quando a verdade precisa de voz e se cala quando a alma precisa de espaço”.

Foto: Daniel Santos

Mirian Tavares, professora

El tiempo es la sustancia de la que estoy hecho. El tiempo es un río que me lleva, pero yo soy el río; es un tigre que me devora, pero yo soy el tigre; es un fuego que me consume, pero yo soy el fuego. Jorge Luís Borges

ouve um tempo em que eu não parava. Não havia tempo para ouvir, só havia tempo para trabalhar. As pessoas, amigos, colegas, entravam-me pelo gabinete adentro e eu falava, ouvia e não parava de fazer o que estava a fazer naquele instante: enviar um email, ler um documento, corrigir um exame. Não é que não os ouvisse. Ouvia e tentava dar o meu melhor: acolher, compreender, dar respostas. Mas tenho a certeza de que as pessoas pensavam que eu não estava a ouvi-las ou a abraçá-las em silêncio. Porque eu não estava a dar-lhes, nem que fosse apenas um minuto, da minha atenção plena.

Ontem, enquanto falava com uma colega no umbral da porta do gabinete, a pensar que tinha 30 coisas à espera, fiquei ali a falar, a ouvir, a dar-lhe, de facto, o meu tempo. Pensei nessa mudança de atitude que tenho vindo a adotar há uns anos. Nada é mais importante do que as pessoas que nos querem bem. Nada deve ser mais inadiável do que um abraço, um

olhar carinhoso, um sorriso, um estar ali num dado instante.

Sábado fui a Querença moderar uma conversa no âmbito das comemorações do aniversário de Lídia Jorge e ela, muito educada, antes de subirmos ao palco, apertou-me a mão e disse: “Muito obrigada pelo seu tempo. Por ter encontrado tempo para estar aqui”. Ela sabe o valor do tempo e sabe ainda melhor o que significa dar tempo aos outros. Nem sempre é fácil. E eu, que não sou a pessoa mais efusiva da face da Terra, às vezes posso parecer que não estou ali, de corpo e alma. Que não sofro com, que não me alegro com, que não sinto com. Um amigo disse, certa vez, a uma pessoa que esperava de mim uma reação mais animada ou visível, que aquele era o meu modo mais efusivo de dizer que estava contente.

O meu modo mais efusivo de ser é dar aquilo que tanto me falta, e a todos nós, a bem dizer: o meu tempo. Não é uma concessão, um gesto de condescendência, uma obrigação. Noblesse oblige. Aprendi que dar o nosso tempo é uma forma de demonstrar o

nosso apreço, é uma forma de abraçar as pessoas, é uma forma de dizer: “Estou a ouvir”. E ouvir alguém é uma arte que se está a perder num tempo em que todos temos muito que falar. Dar o nosso tempo é darmo-nos também, é estarmos

verdadeiramente presentes. É dizer, à nossa maneira: “Estou aqui”.

Foto: Isa Mestre

Sílvia Quinteiro, professora

olto a Veneza. Preparo-me para revisitar paisagens, recantos, sensações, emoções. Logo à chegada, a confirmação: Veneza continua linda. Parece-me até mais cuidada, mais limpa do que me lembrava.

Começo por tirar as fotografias que trazia em mente (sinal dos tempos): o clássico antes e depois. Constatando que a idade não veio melhorar coisa nenhuma, passo sem demora ao que não envelheceu: os monumentos, as pontes, a água, os cafés…

Percorro os caminhos da memória e, munida de outros conhecimentos e leituras, acrescento-lhes novos lugares, novos trajetos. Procuro uma Veneza secreta. Aquela onde vivem os venezianos. A verdadeira Veneza que os escritores me garantem existir.

Venho em busca da autenticidade, da realidade que turistas como eu teimam em procurar, fingindo ignorar que a única coisa verdadeira nas cidades turísticas da Europa é a produção da ideia de verdadeiro. O fabrico de uma ilusão de autenticidade que já ninguém sabe bem o que significa.

Ainda assim, visito zonas da cidade que nunca teria descoberto sem estes «guias literários»: lugares tranquilos, ruas onde não sou empurrada pelo fluxo contínuo e massivo de turistas.

Regresso a Portugal com a satisfação de quem fez uma visita especial. De quem viu mais do que a superfície acessível a todos.

Ah, a inevitável presunção de se ser um turista de casta superior.

Mas a satisfação não é plena. Pelo menos, não como esperava. Permanece em mim a sensação de faltar qualquer coisa: algo que não fiz, que não vi… um vazio inexplicável.

Pergunto-me se terei ido à procura de um «eu» pretérito, da repetição de uma experiência irrepetível. Mas depressa percebo que não. Não fui com essa expectativa. Fui para um reencontro com a cidade, mediado pelo olhar e pelas palavras de escritores. E esse reencontro aconteceu.

Inesperadamente, é nas páginas de um outro romance que encontro a resposta. Ao ler Quem Rasgou os Meus Lençóis de Linho?, de Dora Gago, percebo finalmente o que me faltou.

Num capítulo em que refere o Hotel Venetian Macau, a narradora apresenta-nos essa réplica chinesa da Sereníssima. Ali, filipinos entoam “O sole mio” num italiano improvisado e a paisagem truncada poupa o turista às cansativas caminhadas da cidade original.

E é então que compreendo que esta ideia de uma Veneza falsa, construída, artificial, não está assim tão distante da que visitei. Que fantasia e realidade estão perigosamente próximas. A pergunta que se coloca em ambos os casos é a mesma: onde estão os venezianos?

Há qualquer coisa de profundamente errado numa cidade que se oferece para ser visitada dispensando os seus habitantes. A cidade turística existe como um destino de turismo cultural sem povo. Um museu.

Os turistas são os donos temporários do lugar que visitam, muitas vezes apenas durante algumas horas. São eles que encontramos por toda a parte. Vamos a Veneza ver edifícios, ver paisagens… e ver turistas.

Podíamos estar ali ou noutro ponto qualquer do mundo, num lego montado por um milionário excêntrico no seu quintal das Arábias.

A viagem a Veneza não foi prazerosa como esperava. Percebo agora o porquê. E pergunto-me se, no momento em que nos dispusemos a visitar destinos esvaziados de almas, não ditámos o fim da viagem turística.

Pergunto-me o que é uma cidade que existe apenas para ser visitada. Por que aceitamos a ausência de habitantes como uma consequência natural da nossa presença? Ou se, simplesmente, já nem damos por ela?

Escrevo sentada numa esplanada em Belém. Não avisto um português. Ainda existirão lisboetas nesta zona da cidade?

Apetece-me bater a uma porta e perguntar:

– Está aí alguém?

Paulo Neves, «ilhéu», mas nenhum homem é uma ilha

ão nos falta identidade própria, reconhecimento externo e conhecimento sobre as nossas potencialidades.

Também não nos faltam autoridades, entidades, associações e representatividade regional ao nível do ensino superior, do mundo científico, da investigação.

Até já ultrapassámos o patamar de desenvolvimento e rendimento médio per capita regional que nos tirou fora das regiões de objetivo 1 dos apoios da União Europeia.

Já sabemos que, a partir do próximo ano, o Orçamento comunitário vai virarse para Leste e os recursos dos Quadros Plurianuais vão privilegiar a tecnologia, a competitividade, o cluster da Defesa.

Também, por via disso, vamos assistir a uma decisão mais concentrada em Bruxelas das decisões de cofinanciamento e o mais que «sobrar» para as políticas de Coesão Regional, Lisboa vai fazer aumentar o seu poder de distribuição.

De uma forma muito pragmática, agora já é tarde para uma decisão que se

deveria ter tomado há muito e que é assumir uma plataforma de representação direta em Bruxelas para conhecer, captar a atenção e fazer valer os nossos interesses como as demais regiões europeias fazem, através de inscrição no registo de transparência (tal e qual) junto das DGs e da CE da União Europeia.

Sim, parte substancial dos recursos europeus são centralizados nas Iniciativas Comunitárias Diretas e as de Cooperação transfronteiriça entre Estados Membros e entre estes e países terceiros ou em fase de adesão à nossa casa comum. Temos estado atados ao habitual e pouco influentes nas medidas e ainda muito menos no seu desenho prévio na fase de discussão nos órgãos próprios.

Portanto, o que será normal seria fazer como os demais atores que assumem o desenvolvimento – organizar, de forma transparente, íntegra e com prestação de contas sobre o seu serviço de interesse público à região, tal plataforma profissional permanente e partilhada entre os municípios aderentes, estabelecimentos de ensino superior, associações empresariais e outros agentes com dimensão para a cooperação que possam participar querendo.

Não temos ainda a Regionalização Administrativa, nunca quisemos ter uma Sociedade de Desenvolvimento Regional, não temos tal organização associativa de representação e vamos dando conta que «a culpa» é sempre dos outros.

Podemos organizar-nos melhor e assumir os nossos interesses comuns, que são afinal os interesses de desenvolvimento do espaço europeu em que estamos de corpo inteiro, enquanto cidadãos, empresas, instituições. Todos.

estão e já conhecem o aparelho comunitário – convidemo-los!

No princípio hão de haver custos, pois partilhemos essa responsabilidade até ao momento em que as candidaturas, projetos em parceria, ações e estudos sejam suportados pelos próprios trabalhos de tal plataforma que vai gerar lucro social e económico a transferir para a região em função das candidaturas com sucesso.

«Mas e quem vai para lá e tal?...» . Mas todos nós conhecemos algarvios que já lá

Não vejo outro caminho que não seja de cuidarmos do nosso futuro, pelo menos, usando os mesmos instrumentos formais que os demais. Menos que isso é não cumprir a nossa missão de forma cabal, tendo medo de discutir o que nos interessa em comum e defendermos tais projetos para a região. O Algarve merece.

Amor - Fomos feitos para caminhar juntos, porque ninguém chega sozinho

inconformado encartado

á um pequeno planeta azul na órbita do Sol. Nesse planeta vivem milhares de milhões de peregrinos. Não peregrinos no sentido religioso da palavra. Peregrinos porque caminham. Porque procuram. Porque passam a vida inteira à procura de respostas para perguntas que raramente encontram solução. Quem somos? Porque estamos aqui? O que faz uma vida valer a pena?

Cada ser humano percorre o seu caminho carregando sonhos, medos, esperanças e cicatrizes. Uns caminham mais depressa. Outros mais devagar. Mas todos seguem viagem. Caminham por dentro, atravessando fases, quedas, reencontros, perdas e descobertas que nem sempre sabem nomear.

Esta crónica, na verdade, nasceu num momento muito concreto. Num instante de silêncio, na Notre-Dame do Luxemburgo. Foi ali, naquele espaço carregado de tempo, de silêncio e de presença, que percebi com nitidez esta ideia simples: que todos nós, de alguma forma, somos peregrinos. E que talvez não estejamos a caminhar sozinhos como pensamos.

Mas há algo que distingue estes peregrinos de simples viajantes. Eles não

caminham apenas pelo espaço. Caminham pelo amor.

O amor é, talvez, a primeira grande desorganização do universo humano. Um peregrino olha para outro peregrino e, de forma completamente irracional, decide que aquele ser lhe é essencial. Não porque seja útil. Não porque seja lógico. Mas porque sim. Porque algo dentro dele reconhece, naquele outro, o seu próprio caminho. É assim que começa o amor.

O amor carnal, o amor romântico, aquele amor que desarma qualquer racionalidade. Dois peregrinos que se encontram e, por momentos, deixam de ser dois. Esquecem o planeta, tudo à sua volta, esquecem o ruído, esquecem até o medo. Ficam reduzidos a uma coisa simples e perigosa: a vontade de ficar.

Mas o amor não se esgota aí.

Porque há outro tipo de amor que não pede corpo nem posse. Um amor mais silencioso. Mais discreto. Mais resistente ao tempo. Chamam-lhe amizade.

E talvez seja aqui que a humanidade se salva. Há uma ideia que me acompanha há muito tempo, frequentemente associada a António Lobo Antunes, que diz que a amizade é uma das formas mais puras de amor. Um amor sem exigência. Sem

propriedade. Sem cobrança. Um amor que não precisa de explicação para existir. E quanto mais se vive, mais se percebe que isto é verdade. Porque há peregrinos que entram na nossa vida sem aviso. E ficam. Não por obrigação. Mas por escolha.

Recentemente, tive a felicidade de encontrar alguns desses peregrinos no Luxemburgo. À partida éramos apenas desconhecidos, vindos de caminhos diferentes. Mas o que aconteceu ali ultrapassou qualquer formalidade. Fomos recebidos com uma generosidade rara. Com uma hospitalidade que não se ensina… sente-se!

Abriram-nos as portas. Abriram-nos as mesas. Abriram-nos o tempo. E, acima de tudo, abriram-nos o coração.

Rapidamente deixámos de ser visitantes. Passámos a ser parte de algo maior. Família, mesmo sem sangue. Irmãos, mesmo sem história anterior. E foi nesse momento que se percebeu com nitidez o

que Lobo Antunes descreve tão bem: a amizade como uma forma pura de amor. Um amor que não precisa de ser explicado para ser verdadeiro. Um amor que simplesmente acontece.

Talvez seja por isso que os peregrinos se procuram tanto. Porque sabem, mesmo sem saber, que a caminhada é demasiado longa para ser feita sozinho. Há peregrinos que deixam marcas no corpo. Outros deixam marcas na memória. Mas os mais raros são aqueles que deixam marca na forma como aprendemos a amar os outros.

No fim de tudo, continuamos a ser apenas peregrinos num pequeno planeta azul. Peregrinos imperfeitos. Peregrinos inquietos. Peregrinos que erram, que procuram, que caem e voltam a levantarse. Mas também peregrinos que amam. De muitas formas. Às vezes com paixão. Outras vezes com silêncio. Outras vezes apenas com presença. E talvez seja isso que nos salva.

Porque ninguém chega sozinho. E no fim desta caminhada, todos deixaremos para trás os títulos, os cargos, os prémios e as preocupações.

Mas permanecerão os afetos. Permanecerão os momentos partilhados. Permanecerão os amigos.

Porque fomos feitos para caminhar juntos.

E talvez a verdadeira chegada não seja um lugar.

Talvez seja isto: reconhecer, finalmente, que ninguém chega sozinho.

Núcleo Museológico da Casa Manuel o coração de um quarteirão cultural

porta de madeira abre-se devagar.

A luz atravessa o pátio e revela um espaço que, mais do que paredes, guarda histórias.

Foi aqui que nasceu, em 1860, Manuel

Teixeira Gomes: industrial, político, escritor, diplomata, viajante incansável, colecionador e primeiro Presidente da República algarvio. Homem livre, escolheu abdicar do cargo e viver o exílio voluntário na Argélia, junto ao mar e ao deserto.

Teixeira Gomes:

O edifício onde cresceu foi muito modificado ao longo dos anos, e pouco resta da sua forma original. O futuro Núcleo Museológico da Casa Manuel Teixeira Gomes, com um investimento

superior a 4 milhões de euros, comparticipado por verbas do FEDER, não será uma réplica nostálgica, mas sim um espaço narrativo. A sua história será contada através de peças vindas do Museu de Portimão e de outras coleções nacionais, reunindo documentos, objetos e memórias que dão corpo às múltiplas dimensões de Teixeira Gomes.

Mas a Casa não estará sozinha. O projeto ambiciona integrar-se num futuro quarteirão cultural, onde se destacam edifícios vizinhos como o Palacete Domingos Leonardo Vieira — que já foi alfândega e posto da Guarda Fiscal — e outros espaços emblemáticos do centro de Portimão.

Ao lado da Casa, surge também um anexo peculiar, ligado ao espaço conhecido como «2.ª Tralha», antiga casa de antiguidades. Nesse edifício, com duas grandes salas, vão realizar-se exposições temporárias ligadas a Teixeira Gomes, mas também tertúlias e momentos musicais, ao piano que já ali se encontra.

Previsto arrancar no início de 2026, o Núcleo Museológico deverá abrir ao público em 2027. Quando isso acontecer, Portimão terá não apenas um espaço de memória, mas o coração de um quarteirão cultural: um lugar vivo, de encontro entre artes, património e pensamento, à altura da figura que nele nasceu.

Algoz ganhou um espaço multiusos desportivo a pensar em todas as

gerações

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

Espaço Multiusos

Desportivo do Algoz foi inaugurado, no dia 13 de junho, numa cerimónia que contou com a presença da Presidente da Câmara Municipal de Silves, Luísa Conduto Luís, do Presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, Domingos Castro, do vereador Tiago Raposo, do Diretor Regional do IPDJ de Faro, Ricardo Pinto, do Presidente da Junta de Freguesia de

Algoz, Fábio Antão, do diretor nacional de meio-fundo, Paulo Murta, e do Diretor Técnico da Associação de Atletismo do Algarve, Rui Costa.

O novo espaço desportivo do Algoz foi criado para promover a prática desportiva e a atividade física ao ar livre, disponibilizando à população um equipamento moderno e multifuncional que permitirá a prática livre de diversas modalidades, nomeadamente futebol, basquetebol e atletismo. O equipamento é composto por uma Área de Fitness e

Workout equipada com sete aparelhos, um Campo Multidesportivo, uma Pista de Corrida e um Mini Campo de Futebol Sintético, reunindo condições para a prática desportiva informal e para a realização de atividades dinamizadas pelas associações locais e pela comunidade. A concretização desta infraestrutura representou um investimento municipal na ordem dos 300 mil euros.

Na ocasião, Ricardo Pinto frisou que espaços destes são necessários para que as populações possam efetivamente manter-se ativas e lembrou os ganhos que o desporto proporciona em termos de prevenção da doença, fomentando níveis elevados de saúde e a autonomia das pessoas. “É crucial que as novas gerações, ao invés de estarem

agarradas aos ecrãs dos telemóveis e de outros dispositivos, tenham a possibilidade de fazer aquilo que nós fazíamos na idade deles, que é brincar na rua, aqui com uma estrutura devidamente consolidada e estruturada. Parabéns ao Município de Silves por esta aposta no desporto, na juventude, nos seniores”, afirmou, deixando ainda um apelo para que estas infraestruturas sejam estimadas por toda a população. “Há que cuidar deste investimento público para que o possamos perpetuar para as gerações vindouras”, pediu.

A Algoz deslocou-se propositadamente o Presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, o antigo atleta olímpico do Sporting Clube de Portugal, Domingos Castro, que elogiou o dinamismo da

equipa autárquica liderada por Luísa Conduto Luís. “Mas fico triste quando oiço dizer que espaços tão bonitos como este, passado pouco tempo, já estão vandalizados. Nós temos também a função de guardar, de ter o cuidado de não deixarem estragar este tipo de infraestruturas, porque precisamos que as nossas crianças pratiquem desporto ao ar livre… e que aqui possam nascer mais campeões para Portugal”, referiu, antes de passar a palavra à Presidente da Câmara Municipal de Silves. “Este era um espaço necessário e urgente para a freguesia do Algoz e para a vila do Algoz em particular. Desde que chegamos ao município criamos um espaço desportivo em São Marcos da Serra, outro em Tunes, e hoje estamos a criar

um no Algoz, portanto, se há coisa que é importante para este executivo, é precisamente o fomento da prática desportiva. O desporto é saúde, é saúde física e é saúde mental, e é para isso que construímos, para melhorar a vida da nossa população”, sublinhou a autarca.

O programa da inauguração contou com diversas atividades desportivas, nomeadamente provas de atletismo e atividades de Kids Athletics. A iniciativa foi promovida pelo Município de Silves, com o apoio da Associação de Atletismo do Algarve, da ADECT – Associação Desportiva e Cultural de Tunes e do Atletis – Clube de Atletismo de Tunes.

CCDR Algarve e AMAL promoveram seminário sobre gestão de combustíveis no Algarve

Comissão de Coordenação e Desenvolvimento

Regional do Algarve e a Comunidade

Intermunicipal do Algarve (AMAL) organizaram, no dia 18 de junho, no Pavilhão de Feiras e Exposições de Silves (FISSUL), o seminário «Gestão de Combustíveis no Algarve», dedicado à prevenção do risco

de incêndio rural e à gestão integrada da paisagem. A iniciativa teve como principal destaque a apresentação do Plano Intermunicipal de Gestão de Combustíveis do Algarve, um instrumento estratégico para o planeamento e execução de ações de prevenção de incêndios rurais à escala regional.

O programa incluiu ainda a apresentação das novas normas de

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

gestão de combustíveis, bem como um debate com representantes da academia, do setor florestal e da administração pública sobre os desafios atuais da prevenção e gestão do risco de incêndio. A sessão de encerramento contou com a participação de Carlos Ludovico, do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas, Juan Picos, da Universidade de Vigo e líder do projeto FIREPOCTEP+, Luísa Conduto Luís, vice-presidente da AMAL e presidente da Câmara Municipal de Silves, Paulo Alves, presidente do Município de Monchique e Fernando Severino, vice-presidente da CCDR Algarve.

O seminário integrou as atividades do projeto FIREPOCTEP+ (0139_FIREPOCTEP_MAS_6_E), uma

iniciativa de cooperação transfronteiriça entre Portugal e Espanha destinada a reforçar os sistemas de prevenção e combate aos incêndios florestais. Liderado pela Universidade de Vigo, o projeto reúne entidades públicas, universidades, centros tecnológicos e organizações dos dois países, promovendo a inovação, a transferência de conhecimento e o desenvolvimento de soluções para aumentar a resiliência dos territórios face aos incêndios rurais e às alterações climáticas.

O FIREPOCTEP+ é cofinanciado pela União Europeia através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), no âmbito do Programa Interreg VI-A Espanha–Portugal (POCTEP) 2021-2027.

Dia da Cidade de Olhão celebrado com inaugurações e anúncio de projetos estruturantes

lhão assinalou, a 16 de junho, o seu Dia da Cidade com um vasto programa de cerimónias oficiais, inaugurações, homenagens e momentos culturais, culminando com o concerto d’Os Quatro e Meia no Jardim Pescador Olhanense, que encerrou quatro dias de festa. Ao longo das celebrações passaram ainda pelo palco Luís Guilherme, Al Mouraria e Bandidos do Cante, atraindo

milhares de pessoas à zona ribeirinha da cidade.

As comemorações tiveram início com a tradicional cerimónia do hastear das bandeiras e a homenagem aos Heróis da Restauração de 1808, seguindo-se um conjunto de inaugurações e visitas a obras que refletem o investimento municipal em áreas como a saúde, educação, ação social e habitação. Assim, durante a manhã, a comitiva municipal inaugurou a Estátua do Aguadeiro, na Avenida da República, e visitou as obras

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

da nova Unidade de Saúde Familiar (USF) Lendas d'Olhão. Na ocasião, o presidente da Câmara Municipal, Ricardo Calé, acompanhado pelo presidente da Assembleia Municipal, António Cabrita, destacou que a nova unidade “irá servir cerca de 12 mil utentes e permitirá manter a cobertura total de médicos de família no concelho”.

Foram igualmente inauguradas as novas instalações do Movimento de Apoio à Problemática da Sida (MAPS), na Quinta do Repouso, e seis novas salas de préescolar na Quinta João de Ourém, que permitirão acolher mais 150 crianças já no próximo ano letivo. “Faltam 18 salas de aula para completar o nosso objetivo de cobertura de 100 por cento do préescolar público no concelho”, anunciou o autarca. Foi ainda inaugurada, no

âmbito do Dia da Cidade, a Residência Sénior «Vidas com Valor», da associação Tempus, com capacidade para 39 utentes.

A sessão solene, realizada no Auditório Municipal Maria Barroso, constituiu o ponto alto das celebrações. Ricardo Calé destacou o desafio da execução de cerca de 18 milhões de euros em investimentos financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Entre os principais projetos em curso encontram-se o Hub Azul, a nova USF, a Loja do Cidadão, o Bairro Comercial Digital «Olhão com Alma»e a reabilitação das redes de abastecimento de água promovida pela Ambiolhão. E, segundo o autarca, estes investimentos estruturantes para o futuro do concelho deverão estar concluídos até ao final do verão.

Ricardo Calé revelou igualmente avanços no projeto da antiga litografia, onde o Município prevê construir 208 fogos de habitação pública. De facto, a autarquia aguarda apenas o visto do Tribunal de Contas para iniciar as obras das infraestruturas. Foi igualmente anunciada a hasta pública do último lote do empreendimento, que permitirá a construção de mais 100 habitações a custos controlados por privados. O presidente da Câmara destacou ainda os planos de pormenor de João de Ourém e do Parque Tecnológico, que poderão viabilizar mais de mil novos fogos habitacionais.

Na área da proteção civil, estão finalmente reunidas todas as condições para avançar com o novo Quartel dos Bombeiros Municipais de Olhão. Após a

obtenção de um financiamento de cinco milhões de euros e a conclusão dos projetos, foi conseguida a desafetação do terreno da Reserva Agrícola Nacional (RAN). Na educação, além das novas salas de pré-escolar, foi divulgada uma medida de apoio às famílias que prevê o pagamento de 50 por cento da mensalidade das crianças sem vaga no ensino pré-escolar público.

A economia azul também assumiu um papel central no discurso de Ricardo Calé, que destacou o mar, as pescas, a aquacultura e a investigação científica como oportunidades estratégicas para o desenvolvimento de Olhão. Foi igualmente formalizado um protocolo entre o Município e a Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE) para a criação do ANJE Hub Olhão, projeto destinado a promover o

empreendedorismo, a inovação e a criação de empresas.

As comemorações ficaram também marcadas pela atribuição de Medalhas Municipais de Mérito a António Francisco Ventura Pina, pelo seu percurso ao serviço da educação e da causa pública, e à empresa Frimarc, pelo contributo para o desenvolvimento económico do concelho. Foram ainda distinguidos os trabalhadores municipais que completam 25 anos de serviço em 2026, com a

Medalha de Bons Serviços e Dedicação –Grau Ouro, bem como os alunos que se destacaram pelos seus resultados académicos no ensino secundário.

Finalmente, durante a sessão do dia 16 de junho, foi também assinado um memorando de entendimento entre o Município de Olhão e as freguesias do concelho para a preparação de futuros contratos interadministrativos de delegação de competências.

Lídia Jorge recebeu Medalha de Mérito Cultural em Loulé

ídia Jorge já recebeu muitas distinções ao longo da sua carreira, tanto nacionais como internacionais, a que se soma agora mais uma, a Medalha de Mérito Cultural, recebida, no dia 8 de junho, das mãos da Ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, que esteve em Loulé, terra natal da escritora, para, em nome do Governo, homenagear uma das maiores figuras do pensamento europeu contemporâneo. O Solar da Música Nova, «casa» do Conservatório de

Música de Loulé – Francisco Rosado, reuniu diversas personalidades da vida pública, política e cultural da região, mas sobretudo muitos amigos que vieram celebrar a obra e a vida desta louletana, que poucos dias depois celebraria os 80 anos.

Foi com evidente emoção que a romancista aceitou a distinção, destacando a sensibilidade da Ministra ao assinalar publicamente o seu percurso literário, sublinhando que os mesmos livros e desafios “poderiam ter passado despercebidos” “Por natureza, e não

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

por plano, nunca enjeitei o espaço da origem. Pelo contrário, fui somando à experiência primordial da infância, sucessivos círculos concêntricos que se foram alargando, pelas vivências geograficamente longínquas que a vida me tem proporcionado. A propósito desta fidelidade intrínseca, certa vez escrevi sobre este sentimento de pertença – Algarve, minha primeira pátria. O resto do mundo é apenas o seu deslumbrante prolongamento. E assim é. Por isso, Senhora Ministra, à Medalha de Mérito de âmbito nacional, que me atribui, eu devo acrescentar –Medalha de Mérito atribuída em Loulé, Algarve. Esta localização precisa não a restringe, aumenta-a”, declarou.

Esta homenagem pretendeu exaltar o percurso de 50 anos como uma voz fundamental na literatura portuguesa, focada na memória, condição humana e democracia. Para a Ministra Margarida Balseiro Lopes, a distinção, que assinalou também o 80.º aniversário da autora, festejado a 18 de junho, reconhece o

impacto internacional da sua obra e o seu contributo extraordinário para a cultura nacional. A responsável da pasta da Cultura relevou o impacto de «O Dia dos Prodígios», o primeiro livro editado pela autora, em 1980, “uma das obras mais marcantes da literatura portuguesa do pós-25 de Abril”, sublinhando a projeção internacional da escritora e o seu papel fundamental na interpretação da sociedade contemporânea. “Do Prémio Ricardo Malheiros ao recente Prémio Pessoa, passando por importantes distinções internacionais, os reconhecimentos acumulados ao longo das décadas refletem, não apenas a relevância da sua obra, mas também o lugar muito singular que conquistou na literatura contemporânea internacional. Contudo, mais do que os prémios ou as distinções, aquilo que permanece é a força de uma escrita que continua a dialogar com diferentes gerações de leitores – e a manter uma notável capacidade de interrogar o presente através da literatura”, descreveu Margarida Balseiro Lopes.

Convocado para assumir o papel de «padrinho mais jovem» desta homenagem, o músico Dino D’Santiago subiu ao palco para dirigir palavras de profunda admiração e amizade à escritora. “Lídia Jorge nasceu a 18 de junho de 1946. O céu sorriu! Sorriu porque, de vez em quando, nasce alguém capaz de recordar à Humanidade aquilo que ela se esforça tanto por se esquecer: a sua própria Humanidade”, declarou o artista.

Lembrando as raízes da romancista em Boliqueime, “filha daqueles que conhecem o peso do sol sobre os ombros”, o músico destacou o legado único da autora: “Há pessoas que herdam propriedades, outras herdam apelidos, Lídia Jorge herdou uma coisa mais rara: o conhecimento profundo da condição humana”. Dino D’Santiago contextualizou ainda o dia de nascimento

da escritora com marcos históricos globais – a revolta contra o Colonialismo em Goa, a escolha da República em Itália que veio pôr termo à “sombra do Fascismo”, e a fundação do Banco Mundial –, associando o nascimento da autora aos valores da Democracia, Libertação e Construção. “Num tempo em que tanto se escolhe o ruído, ela escolheu escutar”, enfatizou o cantor, concluindo que a obra de Lídia Jorge permanece viva porque “não nasce da ideologia, nasce da compaixão, uma forma superior de inteligência” “Uma mulher de Boliqueime continua a lembrar-nos que escrever não é simplesmente o ato de organizar palavras, é sim recusar que a Humanidade desapareça”, sublinhou ainda.

Telmo Pinto, presidente do Município de Loulé, realçou igualmente a profunda ligação afetiva desta louletana a

Boliqueime, lembrando “a cidadã que ama a sua terra”, e a sua genialidade em transpor histórias simples e a memória coletiva algarvia para uma dimensão universal. “Nunca esqueceu as suas raízes e, mesmo quando escreve para o mundo, continua a escrever a partir daqui deste nosso Sul de luz”, lembrou. E notou ainda: “Ela leva-nos daqui para o mundo, mas também traz o mundo até nós”.

O autarca afirmou ainda que Lídia Jorge é exemplo para as novas gerações, já que representa “a profundidade, o pensamento crítico, a integridade”. E, dirigindo-se aos jovens louletanos, disse ser ela “a prova viva de que é possível sair de uma pequena terra e chegar ao mundo, sem nunca deixar de pertencer a essa terra”. Durante a cerimónia, Telmo Pinto anunciou também que a escritora será a patrona e a figura cimeira da candidatura de Loulé a Capital

Num dia em que a Ministra esteve também num fórum, promovido pela tutela em Tavira, onde foi debatido o papel da cultura digital e o impacto das novas tecnologias, a escritora reiterou a sua convicção de que, perante o avanço da Inteligência Artificial, “a Literatura e a Poética representam, nos meios da Linguagem, o último porto seguro de resistência à robotização do pensamento, à artificialidade, à despersonalização e à homogeneização”. Para a autora, a preocupação tecnológica não deve alarmar os criadores: “Nenhuma máquina poderá rivalizar com a capacidade criativa que nós, os seres humanos, detemos, a capacidade de juntar o que nunca foi reunido antes, e a esse compositum novo, que se forma em cada um de nós se chama criação”, reiterou a homenageada.

Lagos celebrou os Santos Populares com três dias de marchas, música e muita animação

s Marchas

Populares

regressaram ao coração da cidade de Lagos entre os dias 11 e 13 de junho, trazendo o ambiente festivo e o espírito comunitário que fazem desta uma das celebrações mais acarinhadas pela população.

Promovida pelo Município de Lagos, a iniciativa voltou a transformar a Praça do Infante num grande arraial ao ar livre, com tasquinhas, animação musical, bailes e desfiles de marchas populares locais e convidadas, provenientes de vários pontos do Algarve e do país. Este ano, o

evento teve como tema «Lagos – Entre Tradições e o Mar Multicultural», uma homenagem à identidade lacobrigense, às suas raízes históricas e à ligação secular ao mar. O programa integrou diversas atuações de música e dança, com a participação da Sociedade Filarmónica Lacobrigense 1.º de Maio, do Rancho Folclórico e Etnográfico de Odiáxere, da Orquestra Ligeira de Lagos, da Associação de Dança de Lagos, de Helena Candeias e da Academia de Ballet Dança & Arte Sofia Rodrigues. As noites terminam em ambiente de arraial, ao som dos bailes animados por Humberto Silva, Cláudio Rosário & Ricardo Glória e Filomena Baptista.

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

Quarteira festejou os Santos

Populares, este ano com um dia extra

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

s Santos

Populares de Quarteira

voltaram a animar o mês de junho nesta cidade da costa algarvia com desfiles, no Passeio das Dunas, nos dias, 12, 19, 23 e ainda no dia 28 de junho. Em representação das principais ruas da cidade participaram as marchas Onda Jovem, Florinhas de Quarteira, Gago Coutinho, Rua do Outeiro, Poeta Pardal, Rua da Cabine e Rua Vasco da Gama.

O desfile destaca-se pelo forte bairrismo, pela criatividade ao nível da elaboração dos trajes e das coreografias, e pela profunda ligação à tradição piscatória local. Nas noites de Santo António, S. João e S. Pedro, e também na noite de dia 19, o Passeio das Dunas engalanou-se com os tradicionais arcos e balões para receber centenas de marchantes que dão vida a meses de ensaios e dedicação.

GINASTAS DA ACD CHE

A SUA MARCA N’ «A LINHA

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

LAGOENSE DEIXARAM LINHA DO TEMPO»

Centro de Congressos de Lagoa esgotou por completo, no dia 14 de junho, para assistir à primeira edição da Gala Lagoa GymnoShow, da responsabilidade da Associação Cultural e Desportiva da Che Lagoense. E que extraordinário espetáculo foi, 50 estrelas, simplesmente inesquecível.

Mais de 200 ginastas deram vida ao espetáculo «A Linha do Tempo», que combinou na perfeição a ginástica rítmica e acrobática numa viagem dançada através de memórias, emoções e momentos que marcaram gerações, desde as civilizações antigas do Egito e Roma, passando pela Idade Média, Renascimento, Descobrimentos e

Revolução Industrial, recordando os saudosos Anos 20 e 50, a Revolução dos Cravos do 25 de Abril de 1974, até desembocar no mundo contemporâneo e antever o futuro. Um momento que deixou toda a plateia em êxtase, pais e mães de coração cheio, de olhos em lágrimas e sorriso aberto nos lábios, ao assistir ao fantástico resultado das muitas horas, dias, semanas, meses de trabalho, dedicação e sacrifício destes jovens, e magníficos, atletas… mas também da segunda família que estas raparigas, e rapazes, ganharam com a ginástica: os treinadores que os ajudam a crescer e evoluir nestas exigentes modalidades, mas também como seres humanos do amanhã.

Parabéns, muitos parabéns, e já estamos ansiosamente à espera da segunda edição.

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