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REVISTA ALGARVE INFORMATIVO #529

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ALGARVE INFORMATIVO

ÍNDICE

Fábio Jesuíno (pág. 20)

Nuno Campos Inácio (pág. 24)

Dia de São Brás de Alportel (pág. 34)

Lagoa Wine Show (pág. 50)

Taça AGA GPT em São Brás de Alportel (pág. 60)

Formandos do Colectivo JAT apresentaram espetáculo final no Teatro Lethes (pág. 86)

«Crematística e Contraforça» no Cineteatro Louletano (pág. 102)

Também se dança no Conservatório de Música de Olhão (pág. 118)

Recenta em Faro (pág. 134)

Fábio Jesuíno, empresário

xiste uma sensação que muitos empreendedores conhecem bem, a de que o chão se move debaixo dos pés. Sempre foi assim, mas atualmente essa sensação é mais comum. Mal se entende um comportamento do mercado, ele muda. O que ontem era uma aposta segura, hoje exige ser repensado, e amanhã, talvez, abandonado por completo.

Vivemos um tempo em que a mudança deixou de ser um acontecimento pontual para se tornar o pano de fundo permanente de quem decide criar e gerir um negócio. A tecnologia avança a um ritmo que poucos conseguem acompanhar, os hábitos dos clientes transformam-se de um ano para o outro, e a concorrência pode chegar de um lugar que nem sequer existia há meia dúzia de meses.

É um cenário que gera preocupação e que devemos encarar com ações, em vez de ficar parados. Responder depressa aos desafios é essencial e, mais do que isso, importa perceber que a incerteza, por mais desconfortável que seja, traz consigo uma oportunidade rara, a de reinventar,

experimentar e construir algo mais resistente.

Tenho uma empresa desde os meus 18 anos, numa área que já passou por algumas transformações ao longo dos anos, mas nada como aquela que vivemos agora. O marketing digital está a mudar a uma velocidade enorme e o caminho divide-se em várias direções. Perceber depressa qual escolher é um dos grandes desafios de quem trabalha nesta área.

Mas, como digo com muita frequência, para além dos algoritmos, existem pessoas. E é essa a base de tudo. A comunicação faz-se de pessoas para pessoas, é aí que está a essência de tudo o que se constrói e do caminho a escolher.

O empreendedorismo não é diferente. Devemos ter sempre em mente que estamos a ligar com pessoas e a resolver problemas de pessoas, não a preencher folhas de cálculo nem a perseguir métricas pelo simples prazer de as ver subir. Os números importam, claro, mas são apenas o reflexo de algo mais profundo, a confiança que conseguimos criar, o valor que entregamos, a forma como fazemos alguém sentir-se compreendido.

É por isso que, mesmo quando tudo à nossa volta muda, as ferramentas, as plataformas, as tendências, há algo que se mantém estável, as pessoas continuam a querer ser ouvidas, respeitadas e bem servidas. Quem nunca perde isto de vista tem um ponto de apoio firme, por mais agitado que esteja o mercado.

E talvez seja essa, no fim de contas, a verdadeira vantagem competitiva de quem empreende hoje, não a tecnologia mais recente nem o algoritmo melhor dominado, mas a capacidade de não esquecer que, do outro lado de cada ecrã, está sempre uma pessoa.

É com essa convicção que olho para o próprio percurso da minha empresa. Atualmente, mantemos um caminho de

sucesso, em termos de trabalho e de volume de faturação, continuamos a crescer de forma sustentável. Mas, desde o ano passado, iniciámos um processo de expansão para novas áreas de negócio, com o objetivo de explorar oportunidades fora dos setores onde sempre tivemos grande experiência.

Esta transformação está muito ligada às novas dinâmicas que vão surgindo no mercado. A ideia é aplicar o nosso conhecimento e experiência em empreendedorismo e marketing digital a negócios ainda por explorar pela empresa, garantindo uma evolução mais sólida e um crescimento consistente. É também uma forma de nos prepararmos para o futuro e de construir bases para sair da zona de conforto e navegar novos mares.

Nuno Campos Inácio, editor e escritor

elebrou-se, no passado dia 10 de Junho, o «Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas».

O simbolismo desta data ultrapassa o mero feriado nacional comemorativo de um país com mais de oito séculos de história. Evoca um Poeta, autor de Os Lusíadas, a obra que canta a epopeia dos Descobrimentos e os caminhos da diáspora portuguesa, talvez uma das maiores e mais abrangentes da História, desde o Êxodo Judaico.

Desde sempre, a região algarvia esteve intimamente associada à diáspora portuguesa. Dela partiram homens, jovens e, muitas vezes, famílias inteiras para todas as praças do Norte de África, para o povoamento da Madeira e dos Açores, para a fixação portuguesa em Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné, Angola, Moçambique, Índia, Macau, Timor, América Latina e Austrália.

A diáspora algarvia não se cingiu aos séculos XV e XVI. Prolongou-se até à atualidade, alcançando praticamente todos os recantos habitados do planeta. Com frequência, recebo pedidos de informação sobre ascendências algarvias de pessoas hoje dispersas por toda a Europa, continente americano, Médio

Oriente e Oceânia, mas também em lugares tão remotos como o Alasca ou o Havai.

Esta diáspora foi muito mais do que um simples movimento migratório. Fixou-se, criou raízes e gerou descendência que hoje se encontra espalhada pelos quatro cantos do mundo.

Os estudos de ADN têm vindo a demonstrar a existência de proximidades genéticas, resultantes de ascendências comuns, com indivíduos cuja existência desconhecíamos por completo. Muitos dos que atualmente escolhem Portugal para viver não estão, afinal, a fazer mais do que regressar à terra de onde partiram os seus antepassados.

No momento em que celebramos o Dia das Comunidades Portuguesas, pareceme oportuno destacar a presença algarvia na ascendência de algumas personalidades de projeção internacional:

Simón Bolívar — descendente, por duas linhas genealógicas, do portimonense João Fernandes Leão Pacheco;

Carlos Drummond de Andrade, poeta brasileiro — descendente do portimonense Gonçalo Simões Chassim;

Daniela Ruah, atriz — descendente do farense Isaac Bentes Ruah;

Frei Galvão, o primeiro santo nascido no Brasil — filho do farense António da França Galvão;

Shawn Mendes, cantor — filho do lacobrigense Manuel Mendes;

Paco de Lucía, guitarrista — filho de Lúcia Gomes, natural de Castro Marim.

Se quisermos recuar ainda mais no tempo, até à união de D. Afonso III com Madragana, filha do alcaide de Faro, da qual nasceram dois filhos, poderemos acrescentar a esta lista praticamente todos os atuais reis da Europa e pretendentes aos tronos europeus.

O Algarve está presente em todo o mundo através da sua herança genética.

Não se trata apenas de um passado histórico. É um fio condutor transmitido de geração em geração, que se torna presente em cada descendente de algarvios, independentemente do local onde viva ou da distância temporal que o separa dos seus antepassados.

Um legado discreto, mas contínuo, que o Algarve oferece à humanidade através da própria existência física de milhões de seres humanos.

Inclusão pela Cultura: quando a arte abre portas que a vida fechou

O Programa Regional ALGARVE 2030 lançou o desafio e a resposta chegou pela cultura. Com um investimento de 1,14 milhões de euros, dos quais 687 mil comparticipados pelo FSE+, nasceram onze projetos que provam que o teatro, a música, a dança e as artes visuais são mais do que entretenimento. São pontes. Pontes que ligam quem está isolado, quem se sente à margem, quem foi esquecido.

ada projeto dá rosto à diferença. Em Faro, «Os Invisíveis», promovido pelo Teatro Municipal, inclui reclusos, migrantes e idosos em oficinas criativas. Em Tavira, o projeto «Dansanté em Tournée» leva aulas de dança aos seniores. Portimão acolhe «Recordar é viver, Histórias de uma vida», da associação Dancenema, envolvendo idosos. Em Quarteira, o «QuART Tiles» convida crianças migrantes e comunidade escolar a criar um mural coletivo de azulejos numa das principais artérias da cidade. Em Alta-Mora, no interior algarvio, o projeto «Cultura ao Montes» mantém tradições vivas ao mesmo tempo que promove bem-estar e capacitação dos mais velhos. Em Lagoa, o município lançou o «Tudo Incluído», voltado para migrantes, pessoas com deficiência, jovens NEET e cidadãos com problemas de saúde mental. Já em Lagos, no Bairro dos Moinhos, a associação Questão Repetida dinamiza o projeto «Linha Comum», que cruza arte e ambiente para transformar a comunidade.

Até 2027, centenas de pessoas em todo o Algarve vão passar por estes projetos,

Projeto Camarata

À porta do Centro Comunitário do Chinicato, Júlia segura orgulhosa a t-shirt que pintou com um cavalinho. Aos 65 anos, antiga trabalhadora da hotelaria, vive uma reforma antecipada por invalidez. Sempre gostou de trabalhos manuais, mas só agora se estreou na pintura em tecido. É uma das participantes do projeto Camarata, promovido pelo LAC – Laboratório de Atividades Criativas, em Lagos. Ao lado da irmã e dos vizinhos, tem estado presente em várias atividades e alinhou em dois passeios organizados pela equipa: um às Fontes de Estômbar, outro a Alcalar e ao Museu de Portimão. “Nunca lá tinha ido, às Fontes. É bom sair daqui, conhecer coisas novas, o convívio”, conta, com um sorriso tímido.

O Camarata atua nos bairros 25 de Abril e Chinicato, junto de moradores em situação de vulnerabilidade, na maioria utentes dos Centros Comunitários do CASLAS. Nuno Pereira, responsável pelo LAC, explica que o objetivo é

proporcionar momentos culturais às pessoas. Não as queremos “evangelizar, apenas que experimentem”. Desde arraiais, workshops de cerâmica, atividades que envolvem filmes, música ou sessões de conversas com o bairro.

“No Chinicato, por exemplo, uma dessas sessões comunitárias vai servir para as pessoas decidirem o que se vai pintar num mural. Afinal, é o espaço delas e devem ser elas a refletir e decidir sobre isso”, acrescenta Nuno Pereira. São várias as ferramentas para construir essas pontes com o histórico bairro «dos índios da Meia Praia» ou com os moradores da rua das operárias conserveiras, do rouxinol e a rua das andorinhas, no Chinicato.

O Camarata tem financiamento aprovado de 96 mil e 538 euros, dos quais 57 mil e 923 euros comparticipados pelo FSE+, e decorre até janeiro de 2028.

Festival de Artes Inclusivas: um palco aberto a todos

A premissa é simples, mas poderosa: a arte pode ser um elemento-chave no caminho da inclusão. É a partir desta ideia que nasceu o Festival de Artes Inclusivas, promovido pela Teia d’Impulsos. O projeto quer dar visibilidade ao trabalho das várias entidades que por todo o Algarve, através da arte, atuam junto de grupos vulneráveis, como as pessoas portadoras

Projeto

de deficiência. Apesar de sediados em Portimão, percorrem diferentes pontos do Algarve, envolvendo vários parceiros. Em Tavira, crianças da Fundação Irene Rolo dançam em palco improvisado; em Portimão, a cerâmica foi o mote para a expressão criativa. Dois workshops esgotaram em duas horas. A adesão de jovens adultos que estão em instituições foi surpreendente. Em novembro, houve uma residência artística de três dias, no Instituto Português do Desporto e Juventude, em Faro, destinada a pessoas em situação de vulnerabilidade, acompanhadas por entidades algarvias.

O projeto tem financiamento aprovado de 51 mil e 15,93 euros, dos quais 30 mil e 609,56 euros comparticipados pelo FSE+, e decorre até julho de 2026

Fábrica de Memórias, em Monchique

No cimo da serra, onde a névoa cobre as manhãs e tantos saberes ancestrais, nasceu a «Fábrica de Memórias». Aqui, tradições que pareciam condenadas ao esquecimento voltam a ganhar vida:

Festival de Artes Inclusivas - Teia D’Impulsos

mãos que ainda sabem entrelaçar o vime, recuperar cadeiras de tesoura, fiar lã nos teares, tecer cestos de verga, ganham importância. Há vontade de aprender, de registar como se faz, de ouvir a experiência. O trabalho da Associação Vicentina e do Município de Monchique tem apontado mira à sabedoria de pessoas humildes, que, quando são escutadas, reforçam a autoestima.

Começou no início de 2025, o projeto que dá palco às vozes mais frágeis da comunidade — idosos em isolamento,

migrantes, famílias em risco, crianças vulneráveis, mas também artesãos, muitos deles estrangeiros que escolheram a serra como casa. Procura-se romper estereótipos e combater o sentimento de inferioridade associado a grupos vulneráveis e territórios desfavorecidos.

A memória passa de mão em mão: histórias recolhidas em entrevistas a idosos, contos, canções e lengalengas são editados em revista e guardados numa base de dados digital. Da cozinha, trazem-se as receitas de sempre, que entretanto são já tesouro: do bolo de tacho aos milhos aferventados, dos enchidos ao medronho. Nas escolas, a tradição plasma-se em jogos didáticos e trabalhos sobre a cultura do concelho. Vão ser envolvidos o 1.º e 2.º ciclos, mas também há uma iniciativa para jovens entre os 15 e os 18 anos. O património material e imaterial é herança que se passa e de que se orgulha. Projeto com o apoio de quase 114 mil euros de comparticipação do FSE+

Festival de Artes Inclusivas » Associação

Teia d’Impulsos

Fábrica de Memórias » Associação

Vicentina / Município de Monchique

Cultura aos Montes » ARCDAA –Associação dos Amigos da Alta Mora

Projeto Camarata » LAC – Laboratório de Atividades Criativas

Lista de projetos aprovados

Os Invisíveis » Teatro Municipal de Faro – Serviços Municipalizados

Dansanté em tournée » ARTificiAL –Associação Artística e Cultural do Algarve

Recordar é Viver, Histórias de uma Vida » Associação Cultural Dancenema

QuART TILES » Freguesia de Quarteira

Dançar com a Diferença em Tavira » Município de Tavira

Tudo Incluído » Município de Lagoa

Linha Comum » Questão Repetida –Associação

São Brás de Alportel celebrou 112 anos de história, identidade e futuro

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

omenagens a personalidades e instituições, a inauguração da nova Praça 1914, a assinatura de um pacto estratégico com a Universidade do Algarve, exposições, atividades para as crianças, música e fogo de artifício marcaram as comemorações do 112.º Dia do Município de São Brás de Alportel, assinaladas a 1 de junho.

A inauguração da Praça 1914 foi um dos pontos altos das comemorações, sendo um novo espaço público, construído a

partir da antiga Fábrica de Cortiça da Família Louro, que presta homenagem às origens económicas, sociais e históricas do concelho. Concebida como um museu ao ar livre dedicado à história da cortiça, a Praça 1914 integra uma praça central, espaços verdes, parque infantil e parque geriátrico, constituindo-se como um espaço de encontro, memória e fruição para todas as gerações.

A nova praça homenageia igualmente João Rosa Beatriz, fundador do concelho, através da instalação de uma estátua evocativa do seu legado. “Preservar memória não é viver no passado, é dar raízes ao futuro”, referiu a presidente da

Câmara Municipal, Marlene Guerreiro, destacando ainda a ligação entre a história da cortiça, a implantação dos ideais republicanos e a criação do concelho. “A cortiça foi o chão fértil onde germinou o ideário republicano de liberdade, participação e progresso que haveria de dar origem ao Município de São Brás de Alportel”, recordou.

O projeto de reabilitação permitiu regenerar uma área urbana degradada, valorizando o património da antiga Fábrica de Cortiça e criando novas valências de lazer, inclusão e dinamização económica e cultural no centro urbano. Por isso, para Marlene Guerreiro, a Praça 1914 representa também uma nova forma de preservar e divulgar a história local: “Pensámos que seria interessante e inovador ter um espaço sem portas onde todas as pessoas podem, de forma autónoma, visitar. É um museu diferente, que vai interagir com as

pessoas e vai ter muitas dinâmicas inovadoras”, destacou a edil, sendo que o novo espaço passa a integrar a Rota da Memória do concelho, juntando-se à Casa Memória da EN2, ao Espaço Memória de São Brás de Alportel e à Casa da Serra – Núcleo Interpretativo da Serra do Caldeirão.

A reabilitação deste espaço concebida pelo Arquiteto Gonçalo Mártires e executada pela construtora Martins Gago e Filhos por 718 mil e 648,99 euros, contou com financiamento do ALGARVE 2030, PORTUGAL 2030 e União Europeia através do programa FEDER. E, presente na cerimónia, o vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve, Jorge Botelho, elogiou a capacidade do Município de transformar uma visão em realidade, salientando a persistência e o empenho da Presidente da Câmara Municipal de São Brás de Alportel na

mobilização de apoios e na defesa dos interesses do concelho.

Município e Universidade do Algarve reforçam

parceria estratégica

As comemorações ficaram também marcadas pela assinatura do Pacto para o Conhecimento e Inovação entre o Município de São Brás de Alportel e a Universidade do Algarve. Formalizado pela Presidente da Câmara Municipal, Marlene Guerreiro, e pela Reitora da Universidade do Algarve, Alexandra Teodósio, o acordo estabelece um quadro de cooperação orientado para a promoção do conhecimento, da inovação, da investigação aplicada, da formação avançada e da valorização dos recursos endógenos do território.

Entre as iniciativas previstas destacamse o reforço da articulação da oferta formativa com as necessidades locais, o desenvolvimento de projetos de investigação aplicada, a valorização da fileira da alfarroba, a criação de um Prémio de Investigação Aplicada e a realização do evento «Dia UAlg @ São Brás de Alportel». O acordo prevê ainda a cooperação em projetos de formação, iniciativas de valorização cultural e científica e ações de aproximação entre a academia, a comunidade escolar e o tecido empresarial local.

Homenagem a quem constrói a identidade do concelho

As cerimónias solenes arrancaram com o hastear da bandeira, acompanhado

pelo Corpo de Bombeiros Voluntários de São Brás de Alportel e pela interpretação do Hino Nacional pela Banda Filarmónica de São Brás de Alportel. Antes da entrega das distinções, o Presidente da Assembleia Municipal, Vítor Guerreiro, evocou os 112 anos de história de São Brás de Alportel, homenageando João Rosa Beatriz, os homens e mulheres que ajudaram a construir o concelho e todos aqueles que, diariamente, contribuem para o seu desenvolvimento. Numa mensagem de confiança e responsabilidade coletiva, realçou a importância de continuar a trabalhar em prol do bem comum, honrando o passado e preparando o futuro. “Esta nossa celebração não é apenas uma evocação do passado. É também um momento de reflexão sobre o presente e, sobretudo, de firmar o compromisso com o futuro”, assegurou. O sentimento foi partilhado

pelo Presidente da Junta de Freguesia, João Rosa, que sublinhou a capacidade dos são-brasenses que “sempre souberam transformar as dificuldades em oportunidades de vida” e lembrou que estas comemorações são também uma oportunidade para refletir “sobre o futuro que se quer para o concelho e sobre os desafios que têm de ser superados com união e compromisso coletivo”.

Seguiu-se a entrega das Insígnias Municipais, distinguindo funcionários municipais com mais de 25 anos de serviço e diversas personalidades e entidades que se destacaram pelo seu contributo para a comunidade. Na área da educação foram atribuídas Insígnias de Mérito a Ana Isabel Xavier Oliveira, Aida Cardoso e Maria Antonieta Valagão de Mendonça, pelo percurso de

dedicação ao ensino e à formação de gerações de são-brasenses. As Insígnias de Valor e Altruísmo distinguiram: José Lourenço Viegas e Leonor Carrera Viegas, pela generosidade e visão que tornaram possível a construção do Hospital José Lourenço Viegas, deixando um legado ímpar ao serviço da saúde e do bem-estar da comunidade são-brasense; Maria do Nascimento Coelho (a título póstumo), pelo gesto de solidariedade ao legar o seu património à comunidade, permitindo a criação de importantes respostas sociais que continuam a transformar vidas; António Correia Dias Sancho, pela generosa doação do terreno para a construção do Quartel da GNR de São Brás de Alportel e pelo seu exemplar compromisso com a segurança e o desenvolvimento do concelho; Richard Bryce, pela dedicação à causa social e pelo apoio constante às famílias, crianças, seniores e projetos comunitários, através de uma ação marcada pela solidariedade e pelo

espírito de serviço; Lília Cristina Parreira, pelo contributo excecional para a democratização do acesso à cultura e às artes, promovendo a participação comunitária, a inclusão e a cidadania através do teatro; Marta Alexandra Caetano Morais, pela dedicação à formação artística de gerações de jovens são-brasenses e pelo seu contributo para a valorização da dança, da cultura e da participação comunitária.

As Insígnias de Honra distinguiram: Maria de Jesus de Sousa Costa, pelo seu percurso de dedicação ao ensino, à cidadania e à democracia, destacando-se como a primeira mulher democraticamente eleita para a Assembleia Municipal de São Brás de Alportel; Ulisses Brito, pela sua relevante carreira médica e pelo exemplar serviço público prestado ao concelho, nomeadamente enquanto Presidente da Assembleia Municipal entre 2014 e 2025; Vítor Guerreiro, por mais de três décadas

de dedicação à causa pública, ao desenvolvimento de São Brás de Alportel e à defesa dos interesses do concelho nos planos regional, nacional e europeu.

Cultura, infância e celebração

O programa comemorativo integrou ainda a inauguração da exposição «São Brás de Alportel: Gentes e Memórias | Parte 4: Digressão pelo Passado», patente na Galeria Municipal até ao final de junho. Ao longo da tarde, o Jardim Carrera Viegas acolheu a Festa da Criança, proporcionando momentos de animação, brincadeira e convívio para os mais novos e respetivas famílias. As comemorações encerraram com o concerto d’Os Vizinhos, que reuniu centenas de pessoas na Praça da República, culminando num espetáculo pirotécnico.

Lagoa Wine Show regressou ao coração da cidade com cinco dias dedicados ao vinho, gastronomia e cultura

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina e Ricardo Coelho

Município de Lagoa promoveu, entre 5 e 9 de junho, mais uma edição do Lagoa Wine Show, um dos mais prestigiados eventos vínicos e culturais da região sul do país e que voltou a transformar o centro da cidade num grande palco de promoção dos vinhos, da gastronomia e da identidade algarvia. Ao

longo de cinco dias, Lagoa recebeu produtores de vinho, chefs, especialistas, artistas e milhares de visitantes, num evento que alia degustações, showcookings, animação cultural e concertos de artistas de renome nacional.

O Lagoa Wine Show assume-se hoje como uma referência na promoção dos Vinhos do Algarve, reunindo produtores da região e de vários pontos do país,

proporcionando ao público uma experiência vínica diversificada e de elevada qualidade, num ambiente de partilha, descoberta e valorização do território. A programação musical voltou a ser um dos grandes destaques do evento, com concertos de Áurea, Ana Bacalhau, Raquel Tavares, Descendentes e Tito Paris, reforçando a componente cultural e a capacidade do evento para atrair diferentes públicos. “O Lagoa Wine Show é um dos eventos mais emblemáticos do concelho e uma marca consolidada no panorama nacional, afirmando Lagoa como território de excelência na área do vinho, da gastronomia e da cultura. Este evento representa também uma importante dinâmica económica para o comércio local, para os produtores e para toda a cadeia ligada ao turismo e à restauração, contribuindo para a

projeção do concelho e do Algarve enquanto destino de qualidade durante todo o ano”, considera o Presidente da Câmara Municipal de Lagoa, Luís Encarnação, que sublinha igualmente “a evolução e reconhecimento que os Vinhos do Algarve têm conquistado nos últimos anos, fruto do trabalho, dedicação e investimento dos produtores da região”, acrescentando que “Lagoa continuará a assumir um papel ativo na valorização deste setor estratégico para a identidade e economia do território”

Além da promoção vínica, o evento apostou na valorização da gastronomia regional, através de showcookings e experiências gastronómicas que evidenciaram os produtos locais e a autenticidade da cozinha algarvia.

Temporada terminou com a Taça AGA GPT em São Brás de Alportel

AGA – Associação de Ginástica do Algarve e o Centro de Cultura e Desporto dos Trabalhadores da Câmara Municipal e Junta de Freguesia de São Brás de Alportel organizaram, no dia 30 de maio, no Pavilhão Municipal Dr. José de Sousa Pires, em São Brás de Alportel, a Taça AGA GPT, perante uma bancada completamente esgotada de famílias dos atletas. A prova contou com a participação de 20 grupos, num total de

429 ginastas, em representação de 9 clubes, designadamente: Associação Cultural e Desportiva CHE Lagoense; ADA - Associação Desportiva Alvoreiros; Associação ESPAA – Ginástica P’lo Ar; APAGL – Associação de Pais e Amigos de Ginástica de Loulé; CCDTJFCMSBA –Centro de Cultura e Desporto dos Trabalhadores da Câmara Municipal e Junta de Freguesia de São Brás de Alportel; CEDF – Clube Educativo e Desportivo de Faro; Acro Al-Buhera Clube de Ginástica de Albufeira; Louletano Desportos Clube; e Núcleo de Sporting de Olhão.

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

FORMANDOS DO COLECTIVO ABERTA TEATRO APRESENTARAM

FINAL NO LETHES

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

COLECTIVO JAT – JANELA APRESENTARAM ESPETÁCULO

Teatro Lethes, em Faro, assistiu, nos dias 6 e 7 de junho, ao espetáculo final dos alunos das Oficinas de Formação de Atores e de Teatro Físico do Colectivo JAT – Janela Aberta Teatro, num momento de partilha entre formandos e público. Foi o término de um longo processo de aprendizagem e desenvolvimento de competências criativas e expressivas, tanto nas diferentes disciplinas do teatro em geral como no Teatro Físico em particular, apresentando trabalhos realizados ao

longo do curso, seguindo um processo de pesquisa, experimentação, escrita, criação, dramaturgia e encenação.

Com números de Máscara, Mimo Contemporâneo, Pantomima, Texto e Voz, entre outros, o espetáculo teve como Diretores Artísticos Miguel Martins Pessoa e Diana Bernedo. O curso foi ministrado, na vertente de Teatro Físico, por Miguel Martins Pessoa, Diana Bernedo e o professor convidados Pedro Mendes, e, na vertente de Formação de Atores, por Glória Fernandes. O espetáculo teve o apoio da Direção Geral das Artes e Município de Faro, contando com a parceria da ACTA/ Teatro Lethes.

VERA MANTERO & CÚMPLICES

C.C. (CREMATÍSTICA E CONTRAFORÇA) AO CINETEATRO LOULETANO

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

CÚMPLICES TROUXERAM CONTRAFORÇA) LOULETANO

ultiplicidade, Contraforça, Dupla Cidadania, Junção de Opostos, Incandescência, Encantamento, Símbolo: palavras e conceitos que ocupam os processos de criação percorridos por Vera Mantero e os seus cúmplices desde 2021, em trabalhos onde se criam fricções entre diferentes categorias que nos colocam no limiar do

inconsciente, permitindo uma quase entrada no mundo dos sonhos.

No dia 5 de junho, o Cineteatro Louletano, em Loulé, assistiu a C.C. (Crematística e Contraforça), espetáculo que olha para a Amazónia e confronta-se com a crematística desenfreada que rodeia esta e outras terras indígenas. Figuras abstratas e símbolos cruzam-se com ações do dia a dia. Corpos transmutam-se no cruzamento com objetos e com a palavra poética. “Nestes

cruzamentos e contraforças ensaia-se a nossa capacidade de mudança, a tradução de uma energia destrutiva em energia de abertura e despojamento, pontos fulcrais presentes no espetáculo”, descreve Vera Mantero.

Com Direção Artística, Cocriação e Interpretação de Vera Mantero, C.C. (Crematística e Contraforça) tem Cocriação e Interpretação de Henrique Furtado Vieira, Francisca Pinto, Joana Manaças, Paulo Quedas e Teresa Silva

(substituída nesta apresentação por Francisca Pinto). A produção é de O Rumo do Fumo, sendo a coprodução repartida pelo DDD – Festival Dias da Dança, Culturgest, Cineteatro Louletano, Teatro Académico de Gil Vicente e O Rumo do Fumo, com Coprodução em Residência de O Espaço do Tempo. Vera Mantero & Cúmplices agradecem ainda à Mala Voadora, Teatro Praga, Teatro do Bairro Alto.

ALUNAS DE DANÇA DO CONSERVATÓRIO DE OLHÃO MOSTRARAM O NO AUDITÓRIO MUNICIPAL

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

CONSERVATÓRIO DE MÚSICA SEU TALENTO MARIA BARROSO

Conservatório de Música de Olhão viveu momentos muito especiais, no dia 3 de junho, com «Depois de Amanhã – o sussurro de um futuro que chegou cedo demais», o espetáculo final de dança protagonizado pelas classes da professora Laura Bagarrão que esgotou o Auditório Municipal Maria Barroso. Numa noite cheia de movimento, luz, expressividade e emoção, as alunas subiram ao palco com dedicação, alegria e sentido artístico, “onde cada coreografia revelou o trabalho desenvolvido ao longo do ano, a evolução das alunas e a beleza de uma aprendizagem que se constrói com

disciplina, sensibilidade e paixão pela dança”, refere a direção do Conservatório.

Entre gestos, música, cor e presença em palco, assistiu-se a momentos verdadeiramente bonitos que envolveram o público e valorizaram o percurso artístico de cada aluna. Uma noite ainda mais especial por assinalar a despedida de Laura Bagarrão, que parte agora para um novo desafio, pelo que o Conservatório de Música de Olhão agradeceu, no final do espetáculo, à professora pelo empenho, criatividade e dedicação no trabalho realizado com as suas classes, bem como a todos as alunas e famílias que fizeram parte deste espetáculo.

RECANTE LEVAM A ALMA NUM ESPETÁCULO DE EMOÇÃO

Texto: Ricardo Coelho| Fotografia: Ricardo Coelho

ALMA DO ALENTEJO A FARO

EMOÇÃO E INOVAÇÃO

Auditório Pedro Ruivo, em Faro, recebeu, no dia 7 de junho, um espetáculo memorável dos Recante, coletivo musical que continua a afirmar-se como uma das mais originais propostas de valorização e renovação do património sonoro alentejano. Num concerto marcado pela emoção, pela experimentação e pelo respeito pelas raízes culturais, os Recante voltaram a unir forças com o Grupo Coral Raízes do Cante, criando uma ponte entre a tradição secular do cante alentejano e as sonoridades contemporâneas que caracterizam o projeto.

Antes do início da atuação, o público foi convidado a mergulhar num momento de poesia através de «Vertebra», introduzindo a atmosfera intimista que viria a marcar toda a noite. A partir daí,

sucederam-se interpretações que revisitaram o cancioneiro tradicional com uma nova linguagem musical, enriquecida por elementos eletrónicos, ambientes sonoros imersivos e uma forte componente emocional.

Ao longo do espetáculo foram apresentados temas bem conhecidos da tradição popular, como «Amora Madura», «Pelo Toque da Viola», «Pêra Verde» e «Fui Colher Uma Romã». Houve ainda espaço para mostrar o mais recente single do grupo, «Meninas Estás à Janela», e para surpreender o público com a estreia absoluta de «Correio da Manhã», o primeiro original dos Recante.

A atuação em Faro acontece numa fase de grande visibilidade para o coletivo. Depois de esgotarem duas apresentações na Casa do Alentejo, em Lisboa, durante o mês de fevereiro, os Recante continuam a consolidar o seu percurso artístico, conquistando públicos de

diferentes gerações. O momento é ainda mais especial por surgir logo após a participação do grupo no programa televisivo «Simply The Best», da TVI, onde alcançou o segundo lugar na final, demonstrando o crescente reconhecimento do seu trabalho a nível nacional.

Com Maria João Jonas na voz, Luís Caracinha no baixo e teclados, Ivo Martins na bateria e Miguel Guerreiro nos teclados, os Recante apresentaram em Faro um espetáculo que confirmou a maturidade artística do projeto e a sua capacidade de reinventar a tradição sem a descaracterizar. Entre a herança cultural e a inovação musical, o coletivo continua a provar que o cante alentejano pode dialogar com o presente e inspirar o futuro, mantendo-se vivo, relevante e profundamente ligado à identidade portuguesa.

PROPRIETÁRIO E EDITOR:

Parágrafoptimista Unipessoal Lda. NIPC 518198189

GERÊNCIA: Mónica Pina

DETENTORA: Mónica Pina (100%)

SEDE:

Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 67, 8135-157 Almancil

Órgão registado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº 126782

DIRETOR:

Daniel Pina (danielpina@sapo.pt) CPJ 3924

Telefone: 919 266 930 (custo de chamada para a rede móvel nacional)

REDAÇÃO:

Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 67, 8135-157 Almancil

Email: algarveinformativo@sapo.pt

PERIODICIDADE:

Semanal

CONCEÇÃO GRÁFICA E PAGINAÇÃO:

Daniel Pina

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Daniel Pina

A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista regional generalista, pluralista, independente e vocacionada para a divulgação das boas práticas e histórias positivas que têm lugar na região do Algarve.

A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista independente de quaisquer poderes políticos, económicos, sociais, religiosos ou culturais, defendendo esse espírito de independência também em relação aos seus próprios anunciantes e colaboradores.

A ALGARVE INFORMATIVO promove o acesso livre dos seus leitores à informação e defende ativamente a liberdade de expressão.

A ALGARVE INFORMATIVO defende igualmente as causas da cidadania, das liberdades fundamentais e da democracia, de um ambiente saudável e sustentável, da língua portuguesa, do incitamento à participação da sociedade civil na resolução dos problemas da comunidade, concedendo voz a todas as correntes, nunca perdendo nem renunciando à capacidade de crítica.

A ALGARVE INFORMATIVO rege-se pelos princípios da deontologia dos jornalistas e da ética profissional, pelo que afirma que quaisquer leis limitadoras da liberdade de expressão terão sempre a firme oposição desta revista e dos seus profissionais.

A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista feita por jornalistas profissionais e não um simples recetáculo de notas de imprensa e informações oficiais, optando preferencialmente por entrevistas e reportagens da sua própria responsabilidade, mesmo que, para tal, incorra em custos acrescidos de produção dos seus conteúdos.

A ALGARVE INFORMATIVO rege-se pelo princípio da objetividade e da independência no que diz respeito aos seus conteúdos noticiosos em todos os suportes. As suas notícias narram, relacionam e analisam os factos, para cujo apuramento serão ouvidas as diversas partes envolvidas.

A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista tolerante e aberta a todas as opiniões, embora se reserve o direito de não publicar opiniões que considere ofensivas. A opinião publicada será sempre assinada por quem a produz, sejam jornalistas da Algarve Informativo ou colunistas externos.

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