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REVISTA ALGARVE INFORMATIVO #528

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ALGARVE INFORMATIVO

ÍNDICE

Mirian Tavares (pág. 20)

Ana Isabel Soares (pág. 24)

Júlio Ferreira (pág. 28)

Sílvia Quinteiro (pág. 32)

35.º aniversário do IPDJ de Faro (pág. 36)

Festa da Juventude de Lagoa (pág. 52)

«Vamos à Vila» em Monchique (pág. 62)

Olhão celebrou Dia do Pescador (pág. 72)

Projeto MUSA avança em Portimão (pág. 88)

«Nome» de Jon Fosse no Teatro das Figuras (pág. 96)

Ana Tereza no Choque Frontal ao Vivo (pág. 116)

Do erro Mirian Tavares, professora

o outro dia li que a nova tendência entre alguns CEOs estadunidenses é a de cometer erros. «Sujar» os textos, de propósito, para que não pareçam escritos por uma IA. Uma pequena gralha ali, um erro de concordância acolá – o erro é, e sempre foi, a nossa marca de humanidade. Li também que as pessoas mais furiosas com as IAs são aquelas que escrevem bem, que já escreviam bem antes do fenómeno IA e que continuam a escrever bem, sem auxílio de um deus ex-machina. Escrever bem, de forma escorreita e bem estruturada, tornou-se a marca da platitude textual fornecida pelos textos produzidos ou cozinhados entre humanos e máquinas. Lembro-me do filme Wittgenstein, de Derek Jarman: o filósofo buscava a compreensão, ou a apreensão, total do mundo, queria eliminar as rugosidades da linguagem, evitar os malentendidos. No fim do filme, o inusitado narrador, uma espécie de extraterrestre, diz que o filósofo descobriu que as superfícies planas não são habitáveis. Sem o atrito escorregamos e não nos

E de pensar que não somos Os primeiros seres terrestres Pois nós herdamos uma herança cósmica Errare, errare humanum est Errare, errare humanum est.

Jorge Ben Jor

conseguimos deslocar. A platitude, ou o equilíbrio, são valorizados na cultura ocidental porque representam um caminho reto, um aspeto de limpeza, o lugar que buscamos depois de tantos solavancos que enfrentamos na estrada da vida. Andamos com GPS, já nem olhamos as ruas ou estradas, não nos permitimos «errar». Porque errar também significa vaguear, perder-se de propósito, caminhar sem destino ou rumo certo. Errar é antiprodutivo e assustador, por isso passamos do ponto A ao ponto B sem desvios. Eu tenho a sorte de não me entender com o GPS e continuar a perderme mesmo seguindo as suas instruções. Porque gosto de errar, de descobrir novos caminhos, de perder-me e de encontrarme. Não falo apenas dos caminhos físicos, mas penso também nos virtuais. Queremos saber sobre alguma coisa e perguntamos a uma IA, pois os buscadores trazem acoplado algo que parecia ser uma função auxiliar – a possibilidade de a resposta ser dada pela inteligência artificial, e que tem se tornado o verdadeiro motor de busca. Sem desvios. Sem a possibilidade de encontrar um link para um texto inesperado ou desconhecido. Quando

fazia a licenciatura, no século passado, tinha o estranho hábito de ir à biblioteca fuçar prateleiras. Descobri, por exemplo, que a busca por um enterro digno provocou o surgimento de cooperativas agrícolas e a consciencialização dos trabalhadores, que veio à reboque. Descobri tanta coisa simplesmente

errando pelas prateleiras. Estava à procura da locução latina Errare Humanum Est e descobri, por acaso, uma música do Jorge Bem Jor que desconhecia. O erro, tão condenado, parece ser o caminho para a recuperação da nossa humanidade. Erro, logo existo.

Foto: Isa Mestre

Um programa de rádio: O Movimento das Coisas (RTP Antena1)

Ana Isabel Soares, professora

uço muito a rádio, a minha telefonia. Sempre ouvi, sempre houve rádios acesas nos meus ambientes: na cozinha da casa dos meus pais, na cozinha da casa dos meus avós paternos (talvez menos na mercearia dos maternos, mas, sim, talvez na zona da cozinha) – agora, sobretudo na minha cozinha, no carro, e ao lado da almofada na cama onde durmo, lá está o pequeno transístor com 59 minutos de autonomia, que ligo assim que me deito à noite e fica a velar-me a primeira hora de sono, mesmo se adormeço ao fim de uns segundos (e adormeço, por mais interesse que tenha no que estiver a ouvir). Gosto muito de ouvir a rádio, porque me agrada aprender e ser surpreendida. Ouço sobretudo a Antena1; até há pouco tempo, punha-me à escuta assim que acordava e apanhava o José Candeias a conversar ao telefone com distribuidores de pão, camionistas pelas estradas do país e por essa Europa fora (e mais longe!), reformadas ou outros insones, que me distraem entre as 5 e as 7, e daí continuava, pelo programa da manhã adentro, com rubricas sobre certas canções, uma palavra, portugueses pelo mundo, comentário político e económico, tudo ligado com música

ligeira, sobretudo portuguesa. O panorama destas horas da manhã, das 7 para cá, mudou e é raro o dia em que a minha paciência vai para lá do noticiário das 7 (depois disso, são anunciados os destaques do que será a rubrica do futebol, depois a rubrica do futebol propriamente dita, pouco depois os comentários sobre o futebol, e eu, que até já fui ver jogos a estádios e torço pelo Ferróbico e pelo Farense, não consigo juntar pachorra para tanto paleio que nada me ensina) – ultimamente, o aparelho da cama continua na 1, mas o da cozinha passou para a 2, que era a estação que ouvia apenas no carro. Vidas. Paciências. E a idade.

Há dois ou três programas, no resto do dia, que continuo a gostar de ouvir: o Costa a Costa, que sigo de estação em estação e agora me prende ao sábado à noite; o Terra Média, às terças à noite, o Uma Noite em Forma de Assim, noutras noites, quando apanho, ao acaso (e onde sigo os Panfletos, que o jornalista Pedro Tadeu mantém vivo, herança do grande Ruben de Carvalho, que tanto me ensinou). Mas outro mais recente me te agarrado e procuro, mesmo se não consigo ouvir em direto, apanhar na RTP Play (que considero uma bela plataforma e que uso amiúde): O Movimento das Coisas, que foi buscar o nome ao

belíssimo (e tristemente único) filme de Manuela Serra. Começou a ser emitido em março e tem desde logo a voz e o pensamento da Joana Bértholo. Mas não é só a voz, nem só a Joana: a escolha dos assuntos, presentes, prementes, quantas vezes para mim surpreendentes, o ritmo dos quatro intervenientes e da

moderadora, a cordialidade das discordâncias – sobretudo, a inteligência e a clareza com que debatem, tudo me conforta o desejo de rádio, a vontade de ficar a ouvir e a atenção. Obrigada, radialistas. Muito obrigada.

Foto: Vasco Célio

Mais vale um provérbio na mão…

xiste o Rei dos Frangos, o Rei dos Táxis, o Rei das Francesinhas e provavelmente o Príncipe Herdeiro das Bifanas. Portugal é um país com uma relação saudável com títulos: quanto mais pomposo, melhor. Podia ser Duque dos Frangos ou Conde dos Táxis, mas não.

Tenho um amigo que, sem qualquer eleição formal ou consenso, podia perfeitamente reclamar o título de Conde dos Provérbios. É daqueles amigos que distribui provérbios como se fossem conselhos de vida certificados pelo Estado. E o mais grave é que todos nós ouvimos como se aquilo fizesse sentido.

Na véspera do último feriado, voltámos a cair no erro habitual: sentar-nos para “falar um bocado". O problema é que acabamos sempre por reinventar a filosofia moral do país. Ele falava, eu e os restantes três respondíamos com outro provérbio, aquilo parecia uma assembleia geral da sabedoria popular, mas sem ata e confesso... com pouca coerência.

E foi hoje, com esta dor de cabeça provocada pelo muito gelo colocado no interior dos copos de refrigerante e ice tea, que me dei conta: os provérbios estão em perigo. Há uma estranha mania contemporânea de melhorar coisas que

funcionavam perfeitamente. Pegam numa coisa simples, espontânea e útil, desmontam-na, retiram-lhe a graça e devolvem-na ao público embrulhada em palavras caras.

Os Provérbios, por exemplo. O provérbio popular tem uma missão simples: condensar uma ideia em meia dúzia de palavras. Como escreveu Gonçalo M. Tavares: “Os provérbios são uma espécie de ensinamento ancestral, urbano, mas também do campo e de todos os lados do Mundo, que são caracterizados por serem muito rápidos, muito sintéticos e por serem muitas vezes divertidos, outras vezes rimados, com ritmo. E são muitas vezes, também, achados verbais”.

O provérbio nasceu para resolver um problema concreto: havia uma ideia para transmitir e ninguém estava com disposição para ouvir uma conferência. Os provérbios são a literatura do impaciente. Foram criados por pessoas que tinham campos para lavrar, peixe para vender ou vinho para beber. Não tinham tempo para notas de rodapé. Por isso, condensaram séculos de observação humana em meia dúzia de palavras. É uma forma de inteligência particularmente irritante para quem ganha a vida a escrever muito sobre coisas que poderiam ser ditas rapidamente. Mas os provérbios

enfrentam agora um problema novo. Já não basta explicá-los. É preciso corrigi-los.

Tomemos o célebre "Agarrar o touro pelos cornos". Durante séculos significou enfrentar um problema difícil. Hoje corre o risco de ser acusado de maus-tratos a animais. Não tarda alguém proponha uma versão mais inclusiva: "Dialogar construtivamente com o touro acerca das suas expectativas e necessidades emocionais".

O mesmo acontece com "Quem tem medo compra um cão". Há sempre alguém disposto a esclarecer que os cães não devem ser comprados, mas adotados. E imediatamente o provérbio deixa de ser um provérbio para passar a ser um folheto institucional.

Quanto a "Vozes de burro não chegam ao céu", imagino já a indignação.

"Porquê os burros?", perguntarão. "O burro é um animal injustiçado." E têm razão. O burro carrega uma reputação terrível há séculos. Se tivesse sindicato, metade da sabedoria popular portuguesa estaria neste momento em tribunal.

Aliás, o burro é vítima reincidente. Basta lembrar "Burro velho não aprende línguas". Não aprende porquê? Houve investimento público suficiente na formação linguística dos burros? Foram criadas condições? Houve bolsas Erasmus para asininos?

Algum burro de Trás-os-Montes teve oportunidade de passar um semestre em Manchester para aperfeiçoar o inglês? Houve programas de intercâmbio? Cursos certificados? Não. E depois admiram-se dos resultados. Os burros são

provavelmente o grupo mais discriminado da literatura popular portuguesa. Se a União Europeia tivesse uma Direção-Geral para os Direitos Asininos, metade dos provérbios nacionais já estaria sujeita a coimas.

O mais curioso é que já não surgem provérbios novos. Reparem nisto.

Todos os provérbios que conhecemos são mais velhos do que nós. Alguns são tão antigos que já assistiram à queda de impérios, ao aparecimento da eletricidade e a várias mudanças de operador de telecomunicações. Mas alguém conhece um provérbio criado no ano passado?

Eu não. E isto é preocupante. Este país, tal como está, precisa de mais vernáculo.

Será que o povo deixou de produzir sabedoria popular? Será que passou a produzir apenas comentários? Será que a frase lapidar foi substituída pela caixa de comentários?

Antigamente uma observação certeira transformava-se num provérbio. Hoje transforma-se numa discussão de cento e vinte mensagens em que dificilmente alguém muda de opinião, mas todos saem convencidos de que ganharam.

Perante este vazio, decidi dar o meu contributo para o património nacional.

Proponho alguns provérbios para 2026:

"Quem ri por último é porque não percebeu a piada".

"Em terra de cegos, quem tem um olho é ciclope".

"Pedras no caminho? É melhor que nos rins!".

"Os cães ladram, os gatos miam".

"Quem brinca com o fogo, deve trabalhar no circo".

"Águas passadas. já passaram".

"Quem não arrisca não come a patanisca".

"Quem muito cedo se levanta, mais tempo espera pra almoçar".

Não sei se algum destes sobreviverá aos séculos. Talvez não.

Os provérbios verdadeiros têm a vantagem de serem testados por gerações inteiras antes de entrarem para o catálogo nacional da sabedoria. Receio até que, dentro de poucos anos, os provérbios deixem de existir. Em seu lugar teremos documentos orientadores de sabedoria tradicional participativa, sujeitos a consulta pública, avaliação de impacto e disponíveis para download em PDF. Pessoalmente, sou defensor da popularização da intelectualidade e não da intelectualização da cultura popular. Não precisamos de transformar os provérbios em teses de doutoramento. Precisamos apenas de continuar a produzir frases simples, certeiras e capazes de sobreviver ao tempo. Porque um povo que perde os seus provérbios acaba inevitavelmente condenado a substituí-los por comunicados.

Lisboa, 36 graus

hego a Lisboa às três da tarde. O termómetro do táxi acusa 36 graus. Um forno. O motorista, contudo, entende que não há motivo algum para ligar o ar condicionado. Transpira. Transpiramos os dois. Na verdade, suamos em bica, e poderia até fazer uma comparação mais visual, mas não seria elegante.

Vou a caminho de um evento. Sinto a roupa colada ao corpo e um cheiro a azedo que me indispõe. O dono do volante, esse, parece achar que está tudo ótimo. E, como está tão bom e apetece, decide presentear-me com uma volta extra por Alcântara. Tenho o ar desorientado de quem não imagina onde fica o Largo do Carmo. Cara de turista. Estou mesmo a pedi-las.

Chegamos, finalmente, não ao destino certo, mas um pouco mais abaixo. Excelente! O que me faltava agora era uma boa subida. De saltos…

Pára numa rua estreita. Vejo o taxímetro: o valor é quase o dobro do habitual. Pago em dinheiro. O taxista suspira e conta o troco tão lentamente quanto possível. Atrás, apitam. E ele conta e reconta. Estende-me uma mão cheia de moedas pequenas. Lamenta-se. Entrega-me uns cêntimos, deixa cair outros e retém alguns

entre os dedos, embrenhado na manobra para ficar com uns centavos.

E enquanto me pergunto como é que, depois desta viagem tão encantadora, não me ocorreu deixar uma gorjeta generosa, ele continua a olhar para as moedas que vão caindo entre os bancos:

- Fico-lhe a dever estes.

Não reclamo.

Uns cêntimos. Foi isso que lucrou. Fico a pensar no que leva alguém a dar-se a tanto incómodo para ganhar uns míseros tostões. E, por esta altura, já não sei dizer se o calor que sinto vem de fora ou de dentro.

Tendo vivido quase toda a vida no Algarve, recordo as histórias sobre turistas magnânimos e sovinas. Histórias de sortudos que num golpe recebiam o ordenado de uma semana e de injustiçados que, depois de terem sido tão simpáticos, tão prestáveis, não tinham recebido nada. Contavam como lhes tinham carregado as malas, como os tinham levado ao quarto quando estavam demasiado embriagados, descreviam os mais inacreditáveis fretes…

Abomino a cultura da gorjeta. Por muitas histórias que ouvisse, por muito que endeusassem os mãos largas e se gabassem da gorjeta conseguida, nunca

entendi este ato como gratificação. Vi-o sempre como humilhação. Como uma esmola travestida de gentileza. Nunca percebi por que razão não podem as pessoas ser devidamente remuneradas pelo que fazem, em vez de viverem do acaso de uma nota passada disfarçadamente ou uma moedinha deixada num prato pelos clientes.

Penso em como me sentiria se tivesse de esperar no final de cada aula que me viessem deixar «alguma coisa» na secretária. Ou se teria melhores resultados aguardando à porta com um cestinho na mão?

Como seria ter de estar constantemente a tentar agradar, a sorrir?

E não me venham falar em ser bom profissional e humilde, porque os bons profissionais pagam-se, sem favor e sem esmolas, e também não é de humildade que se trata: é de necessidade, quantas vezes de desespero. É trabalhar sem a certeza de se ter dinheiro para pagar a renda, a prestação do carro, os medicamentos, o material escolar dos filhos. Humildade é outra coisa. Implica que a dignidade esteja assegurada.

IPDJ de Faro festejou 35.º aniversário

IPDJ – Instituto Português do Desporto e da Juventude de Faro celebrou o seu 35.º aniversário, no dia 25 de maio, com as comemorações a realçarem as mais de três décadas de apoio à juventude e ao desenvolvimento comunitário da região. O programa incluiu intervenções oficiais de Ricardo

Pinto, Diretor Regional do IPDJ de Faro; Ricardo Gonçalves, presidente do Conselho Diretivo do IPDJ; Carlos Luís, vereador da Câmara Municipal de Faro; e, inclusive, um depoimento em vídeo de Aníbal Cavaco Silva, Primeiro-Ministro que inaugurou o Centro da Juventude de Faro em 1991.

A par de momentos musicais e homenagens a clubes e homens e mulheres que têm feito parte do dia-a-dia

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

do IPDJ, houve lugar a uma mesaredonda com Ricardo Pinto e alguns dos seus antecessores no cargo, nomeadamente, Custódio Moreno, Luís Romão, Ofélia Ramos e Sara Gomes Brito. Antes disso, já Ricardo Pinto tinha declarado que o Centro da Juventude de Faro tem sido muito mais do que um espaço físico. “Tem sido uma casa de serviço público, um ponto de encontro de gerações, um lugar de construção de oportunidades e um símbolo do compromisso do Estado com a juventude, o desporto e o associativismo no Algarve. Ao assinalarmos este momento, fazemos inevitavelmente um exercício de memória e de reconhecimento. Memória daqueles que sonharam, projetaram e concretizaram este equipamento. Reconhecimento de todos os dirigentes, técnicos,

colaboradores, parceiros institucionais, associações e autarquias que, ao longo destes 35 anos, contribuíram para dar vida e utilidade a este espaço”, afirmou.

Ricardo Pinto lembrou que o IPDJ de Faro acompanhou a evolução da região e das políticas públicas dirigidas aos jovens e ao desporto. “Aqui nasceram projetos, desenvolveram-se programas, acolheram-se iniciativas, realizaram-se encontros, debates, formações e tantas outras ações que deixaram marca na vida de milhares de algarvios. Ao longo destas décadas, o Algarve transformouse profundamente e também o IPDJ evoluiu, adaptando-se aos novos desafios sociais, educativos, culturais e desportivos. Mas há algo que permaneceu constante: a missão de servir as pessoas, especialmente os jovens, promovendo cidadania,

participação, inclusão, saúde, bemestar e desenvolvimento humano”, sublinhou o Diretor Regional.

Perante uma plateia bem composta de autarcas e dirigentes do movimento desportivo e associativo do Algarve, Ricardo Pinto frisou que, “quando olhamos para este edifício, vemos paredes que guardam histórias de dedicação, de trabalho em equipa, de superação e de proximidade às comunidades”. “Vemos um espaço que acolheu sonhos de jovens associações, de atletas, de dirigentes voluntários, de técnicos e de cidadãos empenhados em construir uma sociedade melhor. Quero, por isso, deixar uma palavra

muito especial a todos os trabalhadores e colaboradores que aqui exerceram funções ao longo destes 35 anos. O valor de uma instituição mede-se, acima de tudo, pelas pessoas que a servem. E este percurso coletivo só foi possível graças ao profissionalismo, à competência e ao espírito de missão de muitos homens e mulheres que deram o melhor de si ao serviço público”, assumiu.

Ricardo Pinto saudou igualmente os parceiros do IPDJ, municípios, escolas, federações, clubes, associações juvenis, instituições sociais e demais entidades com quem a entidade tem trabalhado em estreita cooperação. “O trabalho em

rede é uma das maiores forças do Algarve e continuará a ser essencial para enfrentar os desafios do presente e do futuro. Celebrar 35 anos não é apenas olhar para trás com orgulho. É também olhar em frente com responsabilidade e ambição. Vivemos tempos exigentes, que colocam novas questões às políticas de juventude e desporto: a saúde mental dos jovens (de que o projeto «Cuida-te», mais do que uma bandeira, é uma resposta efetiva neste âmbito), a participação cívica, a inclusão social, a igualdade de oportunidades, os estilos de vida saudáveis, a sustentabilidade e a inovação”, avisou. “Temos consciência desses desafios e

estamos preparados para continuar a trabalhar com determinação, proximidade e sentido de missão. Esta equipa, que tenho a honra de liderar, comprova todos os dias o seu compromisso, a sua dedicação, a sua entrega à nossa missão. É uma equipa de «fazedores», que gosta muito do que faz e faz o que tem de fazer com níveis de qualidade a roçar a excelência”, elogiou.

A terminar a sua intervenção, Ricardo Pinto deixou a garantia de que “este edifício continuará, certamente, a ser um espaço aberto à comunidade, à participação e à construção de futuro”. “Um lugar onde os jovens encontrem oportunidades para crescer, onde o desporto continue a afirmar-se como instrumento de desenvolvimento humano e coesão social, e onde o serviço público mantenha a sua dimensão humana e transformadora”, concluiu.

Festa da Juventude de Lagoa

voltou

a afirmar os jovens como

protagonistas do concelho

Município de Lagoa organizou com sucesso a quinta edição da Festa da Juventude, que decorreu entre os dias 29 de maio e 1 de junho no Parque Municipal de Feiras e Exposições, reunindo durante quatro dias centenas de participantes em torno da música, cultura, desporto, cidadania e solidariedade.

Integrada no Plano Estratégico da Juventude de Lagoa 2024-2028, a

iniciativa voltou a afirmar-se como um espaço de participação, criatividade e valorização dos jovens, proporcionando um programa diversificado que envolveu concertos, atividades culturais e desportivas, workshops, projetos juvenis, associativismo e momentos de convívio intergeracional. Ao longo dos quatro dias, passaram pelo palco da Festa da Juventude artistas como Kappa Jotta, Dani Gato, Macacos do Chinês, Bateu Matou e Sina, contribuindo para um ambiente de grande animação e participação por parte do público.

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina e Município de Lagoa

O evento voltou igualmente a integrar uma importante vertente solidária, através da recolha voluntária de bens alimentares e produtos de higiene, reforçando os valores de cidadania ativa e responsabilidade social junto dos participantes. “A Festa da Juventude é hoje um dos momentos mais importantes da programação municipal dedicada aos jovens, representando uma oportunidade para promover o talento, a participação e o envolvimento cívico das novas gerações. O sucesso desta edição demonstra a capacidade de mobilização dos jovens lagoenses e o forte envolvimento das associações, entidades parceiras e agentes locais, que contribuíram para construir um programa diversificado, inclusivo e participado”, enaltece o Presidente da Câmara Municipal de Lagoa, Luís Encarnação. “Continuar a investir em

políticas de juventude participadas é investir no futuro do concelho.

Queremos que os jovens tenham voz, sejam ouvidos e assumam um papel ativo na construção de Lagoa”, reforça o autarca.

Um dos momentos mais relevantes desta edição foi a realização do intercâmbio de deputados jovens municipais entre Lagoa (Algarve) e Lagoa (Açores), desenvolvido com a mediação da DYPALL Network, reforçando a participação jovem e os laços de cooperação entre os dois municípios geminados. Com mais uma edição concluída, o Município de Lagoa reforça o seu compromisso com a promoção de oportunidades de participação, desenvolvimento pessoal e envolvimento cívico dos jovens, consolidando a Festa da Juventude como uma referência no calendário municipal.

Monchique organizou mais um

«Vamos à Vila» pleno de sucesso

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Jorge Gomes

e 29 a 31 de maio, o Município de Monchique organizou mais uma edição do «Vamos à Vila», com algumas artérias a serem fechadas, não só para acolher o evento, mas também para mudar o ritmo e levar o visitante a explorar as principais zonas, cantos e recantos, e para que a praça pública se tornasse num local de festa e celebração das tradições. “Quisemos

destacar a genuinidade associada aos produtos locais e deixá-la falar só por si, e realçar as vivências rurais, para que resultem num arquivo afetivo para guardar e preservar. Um olhar retrospetivo onde se pretendeu criar uma ligação entre a comunidade e diversos agentes da sociedade civil, numa reunião de saberes, em prol de uma identidade”, explicou Paulo Alves, presidente da Câmara Municipal de Monchique.

A edição de 2026 trouxe consigo muita animação, com Tiago Bettencourt a inaugurar o programa, no dia 29, com um concerto no Parque da Vila. No dia 30 subiram ao palco os sons cabo-verdianos com Homero Fonseca e o tradicional concerto na Igreja Matriz teve lugar, no dia 31 de maio, com Fábia Rebordão. E, durante os três dias do evento, a animação foi, de facto, uma constante, com atuações diversas, numa multiplicidade de sons.

O próprio evento apresentou-se de cara lavada, com novas zonas de estar, esplanadas e zonas de sombra e com maior diversidade de tasquinhas. Na

perspetiva de complementaridade entre territórios, o «Vamos à Vila» recebeu o Município de Lajes das Flores e o Município de Ribeiro Grande, Santo Antão, num intercâmbio de sabores, cultura e animação. “O «Vamos à Vila» tem vindo a afirmar-se no panorama local e regional, tornando-se numa imagem de marca do concelho e num catalisador de identidade, turismo e economia. Funciona como uma âncora promocional, atraindo visitantes, projetando o território a nível regional e promovendo o orgulho e a coesão da comunidade local”, destacou Paulo Alves.

Olhão celebrou Dia do Pescador com homenagem à comunidade marítima

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

Município de Olhão voltou a assinalar o Dia do Pescador, celebrado a 31 de maio, com um conjunto de iniciativas dedicadas aos profissionais do mar e à forte ligação da cidade à pesca e à aquacultura. A iniciativa decorreu no Auditório Municipal Maria Barroso, onde se homenagearam os homens e mulheres

que diariamente contribuem para um dos setores mais emblemáticos da identidade olhanense.

O programa teve início com a palestra «Valorização e Sustentabilidade de Recursos Marinhos Partilhados – O Caso do Atum em Portugal», um momento de reflexão sobre a importância da preservação dos recursos marinhos e da sustentabilidade da atividade piscatória. Depois, aconteceu a cerimónia de

entrega de distinções aos profissionais do setor, reconhecendo o trabalho e dedicação de pescadores e outros agentes ligados ao mar. A celebração terminou com uma demonstração de ronqueio de atum e degustação, proporcionando ao público uma experiência ligada às tradições gastronómicas e marítimas da região.

O Dia do Pescador é uma data simbólica para Olhão, cidade historicamente ligada à Ria Formosa e ao mar, sendo uma oportunidade para valorizar o papel da pesca na economia, cultura e identidade local. “Estes homens constituem uma

herança viva de conhecimento, coragem e identidade, mas uma palavra também para as famílias, pois quem vive do mar nunca o faz sozinho. Há sempre quem espere, apoie e aguente a incerteza”, declarou Ricardo Veia Calé, presidente do Município de Olhão, antes de se distinguirem as embarcações com maior valor de descarga na Lota de Olhão em 2025, nas modalidades de arrasto, cerco, polivalente local, polivalente costeira e armação, assim como o maior produtor aquícola, o pescador com maior volume de vendas, a mulher na pesca, a mulher na aquacultura, o pescador em

progressão, o pescador mais novo e o mais antigo do concelho.

Na cerimónia foram igualmente atribuídos os prémios Homem e Mulher na Indústria Conserveira, o Prémio Mérito e o Prémio Carreira, e Ricardo Veia Calé frisou que “cada um destes homenageados tem um rosto e uma história, construída todos os dias sem olhar ao frio, à chuva, às madrugadas, às esperas e aos regressos — uma vida feita de sacrifício e de amor ao que se faz”. “O mar é vasto, exigente e imprevisível, mas a determinação do pescador é ainda maior. E a presença da

mulher neste setor não é uma novidade, é uma constante que a história teima em não registar como merece. Hoje registamos, com gratidão”, apontou o edil olhanense, que reconheceu que o setor enfrenta hoje desafios concretos, tais como as alterações climáticas, os custos de operação elevados, a pressão sobre os recursos e uma renovação geracional que tarda. “Mas a capacidade de adaptação e a resiliência sempre foram marcas dos olhanenses e é com essa convicção que o Município tem trabalhado para que a pesca e a aquacultura tenham futuro, competitividade e capacidade de atrair

novas gerações, criando oportunidades e investimento. Olhão continua a afirmar-se como referência nacional na economia azul, o que, para nós, é um orgulho. Mas a verdade é que nenhuma conquista acontece por acaso. Ao longo dos anos, diferentes executivos municipais têm assumido, junto dos sucessivos Governos e das entidades com responsabilidades sobre o setor, uma posição firme na defesa dos nossos pescadores, aquicultores e das suas famílias. Uma ação persistente, muitas vezes silenciosa, mas determinada, para exigir melhores condições de trabalho, reforço das infraestruturas, mais segurança e maior valorização de uma atividade que continua a ser parte essencial da identidade e da economia de Olhão”, salientou.

Deste modo, neste dia de celebração, o presidente da Câmara Municipal de Olhão garantiu que “continuaremos a lutar e exigir, quer da tutela, quer da Docapesca – responsável pela gestão do Porto de Pesca – que, com a urgência que impera, sejam efetuadas as reabilitações dos pontões de acesso às embarcações e do cais de combustível, fundamentais à segurança dos profissionais do setor que diariamente utilizam estas infraestruturas”. “Mas o Porto de Pesca de Olhão precisa de mais e já informámos a Docapesca e o Secretário de Estado da nossa disponibilidade imediata para intervir na requalificação das vias de acesso, bem como, acompanhar e apoiar o projeto de renovação e modernização desta infraestrutura que completou recentemente 70 anos”, revelou.

O autarca recordou ainda algum do trabalho realizado pelo GAL – Grupo de Ação Local que, sob gestão do Município, conseguiu, nos últimos dois anos, que fossem aprovados 9 projetos, num investimento de cerca de 1,5 milhões de euros que chega diretamente a empresas, associações e profissionais do setor. “Não são números de relatório, são empresas modernizadas, infraestruturas criadas, negócios que crescem e, sobretudo, pessoas que ficam. O Município de Olhão tem a honra de ser o parceiro gestor desta estrutura, porque acredita que o desenvolvimento local das regiões costeiras e do setor do mar se faz aqui, perto das pessoas”, indicou.

Entretanto, nas instalações do Município, foram criados três pontos de atendimento presencial que, diariamente, ajudam quem precisa de tratar de pedidos de emissão de licenças, autorizações, certificados e títulos para o exercício das várias atividades no mar, incluindo pesca profissional, aquacultura, registo de embarcações e certificação de marítimos. “São mais de 3 mil e 500 atendimentos por ano. Sabemos que nem todos os pescadores têm facilidade com o digital, pelo que foi nossa decisão não abandonar quem mais precisa de apoio”, referiu Ricardo Veia Calé, que não esqueceu a construção do Hub Azul do Algarve em Olhão, “um marco decisivo para o setor e para as próximas gerações”. “As obras ficarão concluídas já em junho, num investimento de 4,71 milhões de euros,

financiado pelo PRR. Estes 2 mil metros quadrados vão acolher dezenas de empresas e criar cerca de 90 postos de trabalho qualificado e vocacionado para o desenvolvimento de produtos, serviços e tecnologias nas áreas da biotecnologia, aquacultura, indústria alimentar e valorização de recursos marinhos. É Olhão a afirmar-se como Capital da Ria Formosa e, também, no conhecimento, na inovação e no futuro da economia azul”, considerou.

Olhão, capital da Ria Formosa

Ricardo Veia Calé defendeu ainda que, sem uma Ria Formosa saudável, “não há pesca sustentável, não há aquacultura próspera, não há Olhão como a

conhecemos”. “A Ria é a nossa identidade, a nossa alma e um dos motores da nossa economia, e a sua salvaguarda está no coração de tudo o que fazemos. A Ria não pode ser bonita só por fora, tem de ser saudável por dentro, e acreditamos que cuidar deste património único só é possível se estivermos todos juntos”, declarou, antes de virar a atenção para o assoreamento das barras da Fuzeta e do Lavajo, bem como dos canais. “É uma notícia muito importante a inclusão, no

Plano Plurianual de Dragagens 20242026, de uma intervenção estrutural na barra e no canal da Fuseta, prevendo a remoção de cerca de 150 mil metros cúbicos de areia. Depois de muitos anos de insistência e reivindicação, tudo indica que esta obra poderá finalmente avançar. Mas não podemos ficar por aqui. A Barra do Lavajo e os principais canais da Ria Formosa continuam a necessitar de dragagens regulares, essenciais para garantir a navegabilidade, reforçar a segurança

marítima e assegurar uma adequada renovação e oxigenação das águas ao longo do ciclo das marés”, alertou.

Ora, sabendo-se da intenção de se criar uma entidade de gestão da Ria Formosa, Olhão quer reivindicar a presidência desse organismo e o objetivo é claro: “criar uma estrutura capaz de assegurar uma gestão permanente e planeada deste património natural, incluindo a existência de uma draga em permanência, evitando que estejamos constantemente dependentes de intervenções de emergência” “Precisamos de passar da reação à prevenção. Precisamos de

planeamento, continuidade e visão de longo prazo. Porque proteger a Ria Formosa é proteger os pescadores e os aquicultores, é defender uma atividade que faz parte da nossa identidade coletiva. Queremos garantir que a pesca continua a ter futuro no nosso concelho e na nossa região. O setor da pesca e da aquacultura em Olhão não é passado, é presente e futuro. Conscientes desse desígnio, cabe-nos a nós, decisores políticos, a responsabilidade de garantir que esse futuro seja sustentável, digno e próspero”, entende Ricardo Veia Calé.

Projeto MUSA avança em Portimão e aponta Fortaleza

de

Santa Catarina como futuro núcleo museológico dos achados do Rio Arade

m importante passo para a concretização do projeto MUSA –Musealização dos Achados

Arqueológicos do Fundo do Rio Arade foi concretizado, no dia 15 de maio, no Museu de Portimão, com a assinatura do protocolo que envolve os Municípios de Portimão e de Lagoa, o Património

Cultural, I.P. – Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática (CNANS) e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve.

Financiado pelo Programa Regional ALGARVE 2030, o MUSA representa um investimento de 3,4 milhões de euros e terá como objetivo principal a investigação, preservação e musealização

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

dos achados submersos identificados no leito do Rio Arade, território situado nos concelhos de Portimão e de Lagoa. Para além de novas sondagens, investigação e da conservação dos achados já existentes e futuros, o projeto integrará também novos núcleos museológicos nos dois concelhos e uma reserva arqueológica subaquática visitável.

A cerimónia foi presidida por Margarida

Balseiro Lopes, Ministra da Cultura, Juventude e Desporto, que referiu que este projeto “não se limita a intervir sobre achados arqueológicos e respetivos contextos, mas cria condições para transformar conhecimento científico em património acessível, partilhado e integrado na vida cultural da região e do país”.

Durante a sessão ficou, aliás, patente de forma clara a diferenciação do MUSA, pela abordagem integrada que prevê, dimensão de inovação metodológica, que procura consolidar modelos de gestão integrada do património cultural submerso e reforçar a articulação entre investigação científica, conservação patrimonial e desenvolvimento regional, mas também pelo potencial cultural, formativo e identitário, pelo registo, estudo e conservação do património do rio e sua posterior exposição ao público.

A intensidade e volume das dragagens nas décadas entre 1960 e 1990 tiveram um grande impacto nos achados que o rio guardava. “Foi um período em que se destruiu muita coisa”, começou por enquadrar Isabel Soares, chefe de Divisão de Museus e Património do Museu de Portimão. Só que esta realidade permitiu também que se percebesse que havia

muita riqueza patrimonial no rio, o que levou “à preocupação de salvaguardar, estudar, valorizar e musealizar estes achados” “E é aqui que se enquadra o projeto MUSA”, afirmou.

Foram desenvolvidas campanhas arqueológicas sucessivas, primeiro através do Projeto ProArade, entre 2000 e 2005, e, mais tarde, entre 2012 e 2018, pelo CHAM entre 2012 e 2018, ambos com a participação do município através do Museu de Portimão. Isabel Soares adiantou ainda que, neste contexto do MUSA, estão previstas novas sondagens arqueológicas, recolha integral de sedimentos, análises laboratoriais e escavações, “que permitirão aumentar o conhecimento científico e assegurar que todos os bens que se encontram à guarda das instituições parceiras, e os que venham a ser recuperados no rio em futuras escavações, sejam devidamente conservados e preparados para exposição e mantidos a longo prazo”. “A intenção é criar uma exposição no território e ainda um museu virtual e diversas publicações científicas relativas à investigação. Por fim, haverá um congresso internacional, onde vamos apresentar os resultados de todo o trabalho desenvolvido”, concluiu.

MUSA cruza

trabalhos

arqueológicos com conservação e valorização

Com uma abordagem integrada, este projeto desenvolve-se partindo de três eixos estruturantes que envolvem os trabalhos arqueológicos, a conservação e

valorização dos achados. Numa primeira etapa de implementação, os trabalhos arqueológicos subaquáticos propõem a investigação e valorização dos contextos e espólios arqueológicos provenientes de meio aquático, encharcado e húmido existentes nas margens e no leito do Rio Arade. Essas intervenções serão essenciais para produzir conhecimento científico, assegurando a base das ações de valorização e de divulgação previstas. Numa segunda fase, o projeto prevê a elaboração de um conjunto de estudos e análises que pretendem assegurar que os bens arqueológicos, à guarda das instituições parceiras e os que irão ser recuperados do rio, sejam devidamente conservados e preparados para exposição e mantidos a longo prazo.

Com o objetivo de conservação, o MUSA abrange, simultaneamente, os mais de 1.800 artefactos que se encontram no CNANS, dos quais se destacam a embarcação «Arade 1» e as peças de artilharia da Ponta do Altar B, classificadas como tesouro nacional. É neste contexto que esses bens serão devolvidos às comunidades de origem. “Essa medida reveste-se de grande importância social e resultará numa valorização única para o território, funcionando como elementos estruturantes para o futuro dos concelhos”, consideram os responsáveis do projeto.

Com vista a manter a integridade dos achados, o projeto MUSA contemplará ainda outro elemento diferenciador essencial, que consiste na aquisição de equipamentos de última geração que capacitem o laboratório de conservação

do Museu de Portimão. Essa aposta trará ao Algarve meios técnicos e científicos adequados à preservação deste tipo de património cultural. A modernização permitirá ainda que seja prestada uma resposta mais eficiente às crescentes necessidades de conservação, para os sítios e bens arqueológicos do projeto, fortalecendo a região e a posição do Museu de Portimão como um centro de excelência na área da conservação subaquática.

Na fase posterior, a da valorização dos bens, estes serão colocados à disposição das comunidades, com a entrada do projeto na etapa de musealização dos

achados provenientes de ambientes aquáticos. Neste contexto, está prevista a criação de núcleos museológicos nas duas margens, com Lagoa a sugerir um novo museu arqueológico na Mexilhoeira da Carregação, e Portimão a projetar a reformulação do núcleo relacionado à área subaquática do Museu, valorizando a cisterna da antiga fábrica conserveira, e, mais tarde, “a criação de um novo núcleo na Fortaleza de Santa Catarina, na Praia da Rocha”, indicou Álvaro Bila, presidente da Câmara Municipal de Portimão. “O Algarve afirma-se assim como um território que valoriza o seu património, investe no conhecimento,

reforça a identidade cultural e promove simultaneamente o turismo sustentável e a coesão territorial”

Num encontro de vontades e de trabalho conjunto de valorização de património, o presidente enalteceu a parceria com o Município de Lagoa. Também presente na sessão, Luís Encarnação, edil lagoense, sublinhou igualmente o potencial do MUSA, referindo que esta é também “uma forma de trazer visitantes para conhecerem os nossos museus, para terem contacto com a história do nosso território, para conhecerem a história

do rio Arade e dos achados arqueológicos”

“Temos todos os ingredientes para que este seja um sucesso e também uma referência a nível nacional. Não só por envolver os principais agentes que estão relacionados com este património, desde as entidades regionais e nacionais, os municípios e as universidades, mas também pelo carácter inovador, que é único no país”, destacou, por sua vez, Ana Catarina Sousa, vice-presidente do conselho diretivo do Património Cultural, IP. A responsável considera que o Rio Arade “é único a nível nacional”. “Temos a presença de atividades humanas desde a Idade do Ferro até à época contemporânea, com uma forte presença da cultura romana. Nesta cápsula do tempo que são as margens

do Arade, já temos muitos achados, mas temos também a expectativa de que estas novas campanhas nos tragam novos dados, que contextualizem melhor os anteriormente recolhidos ou encontrados”, frisou. O Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática (CNANS) do Património Cultural, I.P. é o único serviço público em Portugal com competências técnicas, científicas e laboratoriais na área do Património Cultural Náutico e Subaquático, pelo que terá um papel central neste projeto, assumindo a liderança dos trabalhos arqueológicos e de conservação.

Reunidas todas as condições para que o MUSA seja um exemplo de valorização do património e uma referência no Algarve, José Apolinário, presidente da CCDR Algarve, entidade gestora do programa ALGARVE 2030, considera que

“o trabalho apresentado é um exemplo de concertação de vontades entre o nível nacional, regional e municipal”. “Consideramos que tem um enorme potencial de valorização do território, de reforço da coesão territorial, de criação de valor económico e também de contributo para o turismo cultural da região”, explicou.

No encerramento, a Ministra da Cultura, Juventude e Desporto, lembrou que este rio, tal como outros, representaram, ao longo da história, “espaços de circulação, de encontro, de comércio e de descoberta” e que essa relação com o território marítimo deixou “marcas que permanecem ainda hoje guardadas no fundo dos rios e dos mares”. Por esta razão, Margarida Balseiro Lopes afirmou que “proteger património não é apenas conservar objetos; é também criar

conhecimento, reforçar a ligação das comunidades ao território e gerar novas formas de valorização cultural, científica e educativa e este projeto será essencial para essa pretensão”.

O MUSA reforçará a identidade cultural e histórica ligada ao rio e ao mar da região do Algarve, impulsionando o turismo sustentável e a valorização do património cultural marítimo e subaquático, juntando os municípios de Portimão e Lagoa, o CNANS, e a CCDR Algarve para atingir esses objetivos. Envolve ainda parcerias com o Centro de Humanidades da Universidade Nova de Lisboa e o Centro de Estudos em Arqueologia, Artes e Ciências do Património da Universidade do Algarve (UAlg), bem como a Administração dos Portos de Sines e do Algarve.

TEATRO DAS FIGURAS RECEBEU «NOME» DE JON FOSSE

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

Teatro das

Figuras, em Faro, foi palco, no dia 21 de maio, de «Nome», a partir de um texto original de Jon Fosse, “uma sonata que, a alto e bom som, expõe, implacável, 25 anos depois, todas as fraturas que dilaceram o núcleo primeiro das nossas comunidades, as famílias neste admirável novo mundo tik-tok e pósCovid”, refere o encenador e dramaturgo Nuno Cardoso. “Uma peça poética, musical, estranha e despojada. Um

texto assombrado, prenhe de fantasmas que tecem a possibilidade de um momento de teatro singular. Um momento de teatro servido com palavras que dinamitam a santa paz com que o entretenimento nos diz em que pensar e como pensar”, acrescenta.

Com Encenação e Dramaturgia de Nuno Cardoso, a interpretação coube a Diana Sá, João Cravo Cardoso, Maria Leite, Mário Santos, Sérgio Sá Cunha e Sofia Santos Silva, numa coprodução do Teatro do Bolhão, FITEI, Teatro Aveirense e Teatro das Figuras.

ANA TEREZA ENCERROU PRIMEIRA

2026 DO «CHOQUE FRONTAL

Texto: Vera Lisa Cipriano| Fotografia: Vera Lisa Cipriano

PRIMEIRA TEMPORADA DE

TEMPO – Teatro

Municipal de Portimão

assistiu, no dia 28 de maio, ao último episódio da primeira temporada de 2026 do programa radiofónico «Choque Frontal – Ao Vivo». A emissão da Alvor FM despediu-se antes da pausa de verão com uma convidada especial, a cantora e compositora algarvia Ana Tereza, para uma conversa intimista e o regresso às raízes

Perante uma plateia de cerca de 125 pessoas, Ana Tereza partilhou as vivências do seu percurso musical e pessoal. Natural de Faro (1996) e com uma trajetória que passou por Guimarães — cidade onde se iniciou na música aos oito anos —, a artista trouxe ao palco a

sua característica boa disposição e carisma. O público pôde viajar pelo universo musical da cantora, marcado pela leveza instrumental e por uma lírica profunda centrada na condição humana.

Ana Tereza, que se estreia agora na música pop com uma sonoridade que cruza o retro com o tradicional, revelou as influências que moldaram o seu estilo, desde referências internacionais como David Bowie e Fleetwood Mac, até nomes nacionais como Entre Aspas e Deolinda. Acompanhada pelos músicos Luís Caracinha (guitarra), Miguel Guerreiro (teclas) e Francis (percussões), Ana Tereza encantou os presentes ao interpretar temas como «Há Dias Assim», «Está Tudo Normal», «Dá-me Um Pouco Mais», «Deixa Lá Estar», «Estrelas», «Zebras» e «Estória Catita». O momento de maior surpresa foi a versão criativa do

clássico «Amanhã é Sempre Longe Demais», dos Rádio Macau, que arrancou aplausos vivamente sentidos pela assistência.

Ana Tereza não é uma desconhecida do público português. A sua carreira inclui o projeto Gaijas (banda de tributo ao rock no feminino), a participação no documentário «Ela É Uma Música» (de Francisca Marvão) e a marcante presença no Festival da Canção 2021, onde interpretou «Com um Abraço», da autoria de Viviane.

Consolidado como um dos formatos radiofónicos mais originais a sul do Tejo, o Choque Frontal Ao Vivo continua a apostar na proximidade entre artistas e público. Sob a realização, produção e apresentação de Júlio Ferreira e Ricardo Coelho, o programa cumpre a sua missão de promover projetos autorais em encontros intimistas no coração de Portimão. Após o sucesso que marcou o final da primeira temporada, o programa entra agora em pausa, tendo o seu regresso agendado para o próximo mês de setembro.

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