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REVISTA ALGARVE INFORMATIVO #524

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ÍNDICE

Mirian Tavares (pág. 18)

Ana Isabel Soares (pág. 22)

Sílvia Quinteiro (pág. 26)

Câmara Municipal de Olhão festeja

Bicentenário (pág. 36)

25.º aniversário da Biblioteca Municipal de Faro António Ramos Rosa (pág. 40)

Castro Marim Golf & Country Club festejou

Dia do Rei da Holanda (pág. 46)

Festa Grande da Mãe Soberana (pág. 58)

Taça de Portugal de BMX em Quarteira (pág. 72)

Taça de Portugal de Ginástica Acrobática em Albufeira (pág. 86)

«Ulisses» no Teatro Lethes (pág. 108)

«Corpos em Direitos» na Secundária

Tomás Cabreira

Democrático Sol - Exposição de Bruno Grilo Mirian Tavares, professora

Dis donc camarade Soleil tu ne trouves pas que c'est plutôt con de donner une journée pareille à un patron? Jacques Prévert

sol, na poesia de Jacques Prévert, não é um astro, uma fonte de luz, um tema ou um símbolo de grandiosidade. O poeta que vagueou entre o surrealismo e o realismo social, fala do sol como um sinal de dureza, do calor que queima, mas não aquece, do desconforto da luz excessiva, dos que sofrem por trabalhar de sol a sol. Há, no entanto, textos em que o sol se torna um lugar:

(...) une nuit j'ai lu un livre, était-ce pendant un rêve?

Des êtres radieux et gais vivaient dans le soleil, sur le soleil, au cœur du soleil, en plein soleil.

O sol, para Bruno Grilo, não é um astro, uma fonte de luz ou símbolo da magnificência. Nas suas obras, quase sempre cheias de luz, o sol é símbolo de um incómodo que o atravessa. O Algarve, considerado terra do mar e do sol, abriga desequilíbrios, normaliza relações desiguais numa aparente felicidade plena

de um verão que se eterniza e que deixa marcas nos corpos, nos lugares, no espaço em que ele habita. Ao chamar a exposição de Democrático Sol, o artista confronta sentidos e desestabiliza lugares-comuns. O sol nasce para todos, mas em que medida?

A exposição funciona como uma grande instalação que nos convida a mergulhar num espaço coberto, literalmente, de sol. Cada sol que paira sobre nós traz uma “cara” feliz que oculta a outra face – de um lado o prazer absoluto, do outro, a realidade de um território expropriado à sua gente, um território à venda, um lugar de passeio. Paisagens recortadas e estilizadas pontuam o espaço criando contrastes cromáticos com o amarelo que predomina e que também ilumina, mesmo que artificialmente, a galeria.

A face do sol, entre sorridente e irónica, é uma clara referência à pintura de Albuquerque Mendes: sobrancelhas finas, olhar espantado, boca em riste. Entre o espanto e uma possível risada, o rosto congela numa expressão que se repete com pequenas variações. O artista não

nega que sua obra é inspirada nos grandes artistas portugueses dos anos 60 e 70, sem descurar influências mais contemporâneas, como a cor desmesuradamente vibrante que emerge da arte de Xana. Nas paisagens, encontramos Álvaro Lapa e suas pinturas planas, coloridas em que a imagem se insinua entre linhas, mas nunca aparece plena.

Democrático Sol é, uma vez mais, um gesto crítico e criativo que discute um território específico, o Algarve, mas que pode ser expandido para outros territórios que se transformaram num destino turístico que contrariam a ideia de que o sol é para todos. O sol é, sem dúvida, para todos. Mas não na mesma medida e nunca com a mesma função.

A exposição vai estar patente, na Galeria Trem, de 14 de maio a 18 de julho

Foto: Isa Mestre

Um livro: Lufada de Ar, Annie Le Brun (Barco Bêbado)

inda me queima as mãos, e não é apenas por ter acabado de sair, por assim dizer, do forno editorial. Lufada de Ar, ensaio dito por muitos como seminal da ensaísta francesa Annie Le Brun, foi publicado a primeira vez em 1988, teve em 2011 uma reedição que mereceu um prefácio breve da própria autora e tem sido traduzido para várias línguas. Muitas vezes reparamos no que nos faltava quando, por fim, aparece, e em Portugal faltava este ensaio. Traduzido por Matteo Pupillo para uma língua fluída em que transparece a clareza do original, a edição da Barco Bêbado inclui ainda um posfácio de Eliane Robert Moraes sobre a autora e este ensaio.

O livro agora publicado de Annie Le Brun queima como o ar que se lança sobre a atmosfera do pensamento, abrindo nesse calor trilhos do pensar que, apesar dos mais de quarenta anos passados sobre a sua escrita, se ajustam ao andamento de hoje. Pensar acerca do que seja e de como seja no mundo a poesia (que é, afinal, do que trata) é uma reflexão sem data de validade, e as frases de Le Brun iluminam 2026 como acredito que tenham ajudado a clarificar algumas

das ideias ainda no final da década de 1980. O tom com que escreve é de aflição – é essa palavra que a faz invocar Hölderlin, na p. 89 –, de revolta, de urgência por uma liberdade que constantemente reivindica e teme ver perdida no mundo de hoje, aquele que, no prefácio de 2011 à 2.ª edição do ensaio, caracteriza desde logo através das referências a Tchernobil e Fukushima: “Nessas condições, quem poderia ainda duvidar de um ar irrespirável, em sentido próprio como em sentido figurado?” (p. 7). O que Le Brun tenta em Lufada de Ar é “desobstruir, ainda que um pouco, o horizonte intelectual e sensível que se pode supor tão poluído quanto a própria atmosfera” (p. 8), porque “já não se trata apenas de uma questão literária, mas de respiração” (p. 28). Uma das maneiras como o faz passa por convocar o cerne da ideia surrealista, de que foi uma das mais brilhantes e subversivas agentes: a ideia segundo a qual a poesia, humano alento criativo próximo do de vulcões e terramotos, pelos seus “silenciosos deslizamentos de terra que redesenham o horizonte” e carregam o “fulgor da imagem” e, com ele, o desafio da liberdade. O perigo que torna urgente o pensamento de Le Brun é a perda dessa liberdade, e a perda dela precisamente enquanto desafio, impulso modernamente inibido, quer pela

velocidade do quotidiano, quer pela indiferenciação das expressões artísticas (ou pela indiferença da arte), quer pela repressão do sonho (reino surrealista por excelência). (Re)ler Le Brun é abrir portas e janelas num edifício que clama por ser arejado, deixar que as correntes de ar (o vento é a poesia, ou a poesia é vento, diz a autora, a certa altura). É permitir vocalizar, numa “urgência que não [cede] à pressa” (p. 126), as “perguntas primeiras: Para onde vai a vida? De que liberdade dispomos? E o desejo, o desejo, onde encontra o amor?” (p. 73).

Se a baliza final de Le Brun foi o surrealismo, se foi nessa vaga que ela achou o rompante da sua voz, não é nesse movimento que a autora se detém: o texto convoca desde Ovídio a Mandelstam, passando por Dante ou pelo poeta sírio Abû l-Alâ al-Ma’arrî, para transpor as barreiras temporais e históricas e centrar o olhar na universalidade das imagens (poéticas, visuais) que poderão resgatar a alma humana.

Foto: Vasco Célio

A ignorância é muito atrevida

contece-me, de vez em quando, ao ler um livro, perguntar-me porque não o tinha feito antes.

Instala-se em mim a sensação de que andei a perder alguma coisa que estava ali à mão e que já há muito podia trazer comigo. Foi exatamente esse sentimento que me invadiu por estes dias, ao ler O Mel e as Vespas, de Fernando Évora.

Demorei a chegar-lhe. Não por falta de conhecimento da sua existência, nem de vontade, ou de curiosidade, mas porque há sempre urgências nos dias normais. E vou adiando. Coloco em cima da mesa. Garanto a mim mesma que é o próximo.

Este e todos os outros que se vão acumulando numa pilha de intenções “para quando estiver menos ocupada”.

No caso de O Mel e as Vespas, pesou, além do mais, o facto de não ser um romance que se lê rapidamente. Exige tempo e concentração. Implica parar, voltar atrás e garantir que não nos perdemos por entre os galhos de uma complexa árvore genealógica.

Impressionou-me a fascinante arquitetura do romance, desenhada sobre um equilíbrio raro entre investigação e escrita. As múltiplas

referências históricas não deixam margem para dúvidas quanto à pesquisa efetuada. A elegância da escrita, porém, tem o condão de as integrar de forma quase impercetível na diegese, transportando o leitor para um universo povoado por personagens e episódios inesquecíveis.

E depois há aquilo que só tem explicação no encontro de cada leitor com o texto.

Tudo neste livro faz eco dentro de mim. A serra. As ruas. Os edifícios. Os modos de vida. A guerra. A emigração. A deslocação para a cidade. As marés. As vozes. As pequenas obsessões. As figuras que atravessam as páginas e me são estranhamente familiares. Bastaria trocar-lhes os nomes e deixariam de ser invenções do autor. Seriam reencarnações de gente que em algum momento, num verão distante, numa ida ao cemitério ou ao mercado municipal, numa festa da aldeia ou ao caminhar por uma rua da minha cidade, passou pela minha vida.

Avanço na leitura sempre na esperança de que não me desiluda e chego à última página com um misto de satisfação e saudade. É um texto belíssimo.

Durante anos repeti, com profunda convicção, que o Algarve precisava de um

grande romance. Que ainda não o tinha. Que lhe faltava essa obra maior, capaz de o dizer por dentro. O meu erro, agora tão óbvio, recorda-me uma frase muitas vezes dita por uma sábia amiga: “A ignorância é muito atrevida”.

Maior recriação pré-histórica do país celebra 20 anos em Alcalar

Fotos: Município de Portimão

o âmbito do programa de apoio a iniciativas culturais regionais, de caráter não profissional, a Comissão de Coordenação e

Desenvolvimento Regional do Algarve, I.P., através da Unidade de Cultura, tem

apoiado o projeto «Um Dia na PréHistória». No ano em que comemora duas décadas de existência, a iniciativa voltou a candidatar-se ao programa de apoio da CCDR Algarve, na tipologia de Protocolos, acontecendo, desta feita, no dia 9 de maio, nos Monumentos Megalíticos de Alcalar, em Portimão.

Desenvolvida pelo Grupo de Amigos do Museu de Portimão (GAMP), em estreita colaboração com o Município e o Museu de Portimão, a iniciativa transporta-nos para o quotidiano das populações préhistóricas que há cerca de cinco mil anos habitavam a região. Sendo uma das atividades de grande relevância na valorização do património arqueológico e cultural do Algarve, esta recriação proporciona um conjunto de experiências

fundamentadas pelos estudos realizados sobre este Monumento Nacional, reforçando o seu caráter de divulgação científica, tal como os ateliers de arqueologia experimental.

Idealizado para envolver o público de forma lúdica na vivência de um quotidiano com mais de cinco milénios, a abordagem do Museu de Portimão passa por atividades praticadas naquele

território e que garantiram a sua sobrevivência daquela população. Com essa finalidade, o dia é marcado por um conjunto diversificado de ateliers práticos e didáticos, para todas as idades, que levam os visitantes a «vestir a pele» da comunidade pré-histórica que habitou no local. Há, então, demonstrações de talhe lítico, fabrico de ferramentas e pontas de seta, construção de flechas, técnicas de perfuração de contas de colar, preparação e cozedura de alimentos, fabrico de cerveja pré-histórica, produção de instrumentos agrícolas e adornos, transporte de grandes monólitos e moagem, bem como uma oficina de gravura inspirada nos padrões gráficos das placas de xisto.

Em simultâneo, outras ações tornam «Um Dia na Pré-História» um evento único, tais como as que decorrem no âmbito da arqueologia experimental, vertente que assume um papel central na programação, permitindo aos visitantes assistir e participar em demonstrações de preparação e confeção de alimentos segundo técnicas inspiradas nos modos de vida da Pré-História. Assim, uma equipa especializada vai recorrer exclusivamente a instrumentos e técnicas ancestrais para a produção de fogo e a preparação de alimentos sem recurso a utensílios modernos, recriando práticas com cerca de cinco mil anos.

Para além das equipas do Museu, participam também o Grupo de Teatro e o Núcleo Musical da Escola Básica e Secundária da Bemposta, contribuindo com propostas de animação que pretendem enriquecer a dimensão pedagógica e interpretativa do evento. E, este ano, o programa inclui visitas orientadas pelos arqueólogos Rui Parreira e Elena Morán, responsáveis pela escavação e estudo do sítio arqueológico.

A recriação é organizada pelo Município de Portimão, através da Divisão de Museus e Património e com a colaboração das Juntas de Freguesia de Portimão, de Alvor e da Mexilhoeira Grande, a par do Grupo de Amigos do Museu de Portimão.

Câmara Municipal de Olhão apresentou programação cultural do Bicentenário

Câmara Municipal de Olhão apresentou, no dia 20 de abril, em frente aos Paços do Concelho, a programação cultural comemorativa dos 200 anos da edilidade, numa sessão aberta a toda a comunidade. O momento marcou a divulgação pública de um programa que se estende até novembro, revelando as principais linhas orientadoras, propostas culturais e artísticas, bem como as

parcerias que sustentam esta celebração histórica.

Sob o mote «200 anos a construir coletivamente um território, uma comunidade, uma alma», a programação assenta em eixos como a participação cívica, a descentralização, a mediação cultural, a valorização patrimonial, a edição e a celebração-festa, promovendo uma abordagem inclusiva e abrangente. A sessão de apresentação foi acompanhada por um concerto do projeto «Cantigas de Maio», que reuniu

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

músicos de referência do jazz nacional, num espetáculo intimista inspirado no espírito de Abril, na identidade e memória de Olhão e na cultura algarvia. O momento incluiu, ainda, a interpretação de «Ó vila de Olhão», de José Afonso, por dois alunos da Escola Secundária Francisco Fernandes Lopes, estabelecendo uma ligação simbólica à identidade local.

Ao longo de vários meses, o Bicentenário aposta, de acordo com o presidente da autarquia, Ricardo Calé, “na descentralização cultural, levando iniciativas a todas as freguesias do concelho e promovendo a diversidade de propostas, o envolvimento dos jovens e a participação ativa do movimento associativo, da comunidade educativa e dos agentes culturais locais”. Entre as iniciativas previstas destacam-se ciclos de música e

conversas, exposições temáticas, projetos participativos, atividades educativas e edições comemorativas, num programa que pretende envolver toda a comunidade e reforçar o sentimento de pertença.

Ricardo Calé revelou, ainda, que a programação culmina com a Bienal Participação Cívica e Cultura, momento em que será apresentada a Estratégia para a Cultura e Criatividade em Olhão (2027-2030), consolidando o legado desta celebração. “Mais do que uma comemoração, o Bicentenário afirma-se como um programa construído com as pessoas, para todas as pessoas”, concluiu o autarca.

Consulte o programa completo em https://bit.ly/ProgramaBicentenarioOlh ao

Biblioteca Municipal de Faro António

Ramos Rosa assinalou 25.º aniversário com programação especial

Biblioteca

Municipal de Faro

António Ramos

Rosa assinalou, no dia 23 de abril, o seu 25.º aniversário, com uma programação especial que celebrou um quarto de século de promoção da leitura, da cultura e do conhecimento junto da comunidade. A data simbólica foi marcada por um conjunto diversificado de iniciativas dirigidas a diferentes públicos, reforçando o papel

da Biblioteca como espaço de encontro, criação e partilha.

O programa teve início, na parte da manhã, no auditório da Biblioteca, com uma sessão especialmente dirigida aos alunos do 1.º ciclo que contou com a presença de Martim Sousa Tavares, que se estreia no universo infantojuvenil com a obra «O rei com música na cabeça». A história parte de uma situação insólita — um rei que não consegue libertar-se de uma melodia persistente — para dar lugar a uma narrativa envolvente onde entram

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina e Município de Faro

os irmãos Mozart, desvendando um mistério que cruza música e imaginação. Natural de Lisboa e com um percurso académico internacional nas áreas das Ciências Musicais e Direção de Orquestra, Martim Sousa Tavares é fundador da Orquestra Sem Fronteiras, distinguida com o Prémio Carlos Magno para a Juventude do Parlamento Europeu, e assume atualmente a direção artística da Orquestra do Algarve e do Festival de Sintra, destacando-se também como divulgador cultural em múltiplas plataformas.

Da parte da tarde, a Biblioteca promoveu uma «Hora do Conto» especial, dinamizada por Sónia Godinho, autora algarvia que transforma a imaginação em histórias construídas para

e com as suas filhas. A sessão decorreu em dois momentos, o primeiro dirigida a escolas, o segundo pensado para famílias, e, através da história «Muito mais do que 7!», o público foi convidado a acompanhar as personagens Toti e Sofia numa reflexão sobre o conhecimento e as escolhas, num exercício lúdico e participativo que estimula a curiosidade e o pensamento.

A programação incluiu ainda o concerto «Sofia Rodrigues – Quarteto», uma proposta intimista onde a voz assume o centro da narrativa musical, acompanhada por piano, contrabaixo e bateria. Neste espetáculo, o grupo revisitou obras de compositores como Duke Ellington, Richard Rodgers e Billy Strayhorn, explorando sobretudo baladas

de grande sensibilidade, onde melodia, poesia e improvisação se cruzam num ambiente próximo e envolvente.

Na ocasião, Sandra Martins recordou que a Biblioteca Municipal de Faro já é centenária, estando, neste dia, a festejarse os 25 anos de existência do atual edifício que integrou a Rede Nacional de Bibliotecas Públicas. “Tem sido muito mais do que um espaço de livros, tem sido um lugar de encontro com todo o tipo de público, de todas as idades, para eventos culturais, um espaço de aprendizagem e de educação não formal, um espaço que reforça o

desenvolvimento comunitário. Temos desempenhado a nossa missão de promover a leitura, a escrita e o pensamento crítico e é muito dignificante pensarmos nas crianças que acompanhamos desde bebés, que cresceram, que se tornaram adultos e que hoje são cidadãos com atitude crítica”, declarou a diretora da Biblioteca Municipal de Faro.

Presente no momento de soprar as velas do bolo de aniversário esteve igualmente António Miguel Pina, presidente da Câmara Municipal de Faro, que enalteceu “a paixão, o carinho, o

amor à causa de motivar as novas gerações para a leitura”, de todos os elementos da equipa da Biblioteca Municipal de Faro António Ramos Rosa. “É um trabalho que sempre foi difícil e que hoje é ainda mais desafiante, porque as nossas crianças, assim como

nós, mais depressa pegam num telemóvel do que num livro. O trabalho das bibliotecas é cada vez mais necessário e podem contar certamente com o apoio deste executivo para fazermos crescer as nossas e as vossas atividades, em grande articulação com os agrupamentos escolares. As crianças são, no fundo, o alvo do nosso trabalho e só nesta parceria entre escolas, bibliotecas e famílias é que conseguiremos criar mais leitores, que serão pessoas mais entendidas, mais despertas, com maior sentido crítico … e o mundo precisa disso”, defendeu o edil farense.

Castro Marim Golf & Country Club festejou Dia do Rei da Holanda

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

ituado junto à fronteira com Espanha, no extremo do sotavento algarvio, o Castro Marim Golfe & Country Club, organizou, a 26 de abril, mais um dos seus torneios anuais por ocasião do Dia do Rei da Holanda (festejado a 27 de abril), desta feita a segunda edição do Willem van Kooten Trophy, em homenagem ao falecido fundador deste resort algarvio.

O torneio, disputado nos percursos Grouse e Guadiana, juntou dezenas de apaixonados pelo golfe num dia de franco convívio, a maioria deles holandeses que viajaram de propósito até Castro Marim

para a ocasião. Não admira, por isso, que a cor laranja da Holanda dominasse o cenário, por entre o céu azulado e o verde do magnífico campo. Até os buggies estavam decorados a preceito, com bandeiras da Holanda e balões laranjas.

Para respeitar a tradição voltou a existir um «fun hole» no buraco 2 do Guadiana, um par 3 de 154 metros, onde todos os jogadores foram brindados com uma bebida, num torneio que foi disputado por equipas de quatro jogadores, na modalidade de texas scramble. No final, o convívio e a boa-disposição voltaram a imperar num divertido almoço no club house do Castro Marim Golfe & Country Club.

Loulé celebrou Festa Grande da Mãe Soberana, o momento mais

alto da fé

e identidade

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Jorge Gomes

cidade de Loulé viveu, no dia 19 de abril, o apogeu das celebrações em honra de Nossa Senhora da Piedade.

Conhecida como a Festa Grande da Mãe Soberana, esta é considerada a maior manifestação religiosa do culto mariano a sul de Fátima, atraindo anualmente milhares de fiéis, visitantes e emigrantes que regressam às suas raízes.

Após duas semanas de permanência da Imagem na cidade (desde a «Festa Pequena», no Domingo de Páscoa), o regresso da Padroeira ao seu Santuário simboliza um momento de profunda devoção e união comunitária. As festividades combinam o rigor litúrgico com a emoção popular. Depois de, na noite de 16 de abril, a Imagem da Padroeira ter saído em procissão desde a Igreja de S. Francisco para a Matriz, no dia 18 aconteceu a Bênção dos Capacetes

e, à noite, houve a Bênção do Clube Hípico.

O domingo começou cedo para quase um milhar de peregrinos das várias freguesias do concelho, que fizeram a pé o caminho que os levou à cidade de Loulé. Às 10h, a Imagem seguiu da Igreja Matriz para o Largo do Monumento Eng.º Duarte Pacheco onde, às 16h, foi celebrada uma missa campal. Depois teve lugar a grande procissão, em que os oito homens levaram o pesado andor aos ombros, acompanhados pela música da Banda Filarmónica Artistas de Minerva. O cortejo percorreu as principais ruas da

cidade, entre cânticos e «vivas» emocionados: «Viva a Mãe Soberana! Vivam os Homens do Andor!».

O momento de maior fervor popular e esforço por parte dos Homens do Andor tem lugar durante o trajeto na íngreme ladeira de acesso à Ermida, impulsionados pelo ritmo acelerado da música e pelo apoio da multidão. As celebrações terminaram, pelas 23h30, com o tradicional espetáculo de fogo-deartifício junto à Ermida, iluminando o céu de Loulé e assinalando o adeus à Padroeira.

Renato da Silva e Íris Moraru foram os mais fortes na 4.ª Taça de Portugal de BMX

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo

quarta ronda da Taça de Portugal de BMX

realizou-se, no dia 19 de abril, na Pista de BMX de Quarteira, encerrando um fim de semana de jornada dupla no Algarve e consolidando posições importantes nas classificações gerais. Tal como na etapa de sábado, Renato da Silva, do Team BMX Quarteira, voltou a estar em destaque ao vencer a categoria Homens +17. No setor feminino, Íris

Moraru, do Clube Bicross de Portimão, confirmou o excelente momento de forma, ao conquistar nova vitória na categoria Femininas +15.

Renato da Silva impôs-se numa final muito disputada frente ao colega de equipa Leonardo Carmo, segundo classificado, ambos corredores da casa. Joaquin Pino (Casa do Povo do Alqueidão) completou o pódio, com o terceiro lugar. Já Íris Moraru ficou à frente de Rita Xufre (Núcleo Bicross de Setúbal /

VS Publicidade) e de Ana Miranda (BMX Badajoz, A.D.).

Nas categorias de formação, o domínio voltou a ser repartido pelos principais clubes nacionais. Em Sub-17 Masculinos, Tiago Cavaco (Team BMX Quarteira) foi o vencedor, enquanto em Sub-15 o triunfo pertenceu a Gustavo Pereira, do Clube Bicross de Portimão, que reforçou a liderança no ranking com um pleno de vitórias nesta categoria. Nas Sub-15 femininas venceu Áurea Numão (Team

BMX Quarteira). Em Sub-13, Eriks Kremanis (Team BMX Quarteira) subiu ao lugar mais alto do pódio e nas femininas coube a Laura Perera (BMX Badajoz, A.D.) esse privilégio.

Entre os mais jovens, destaque igualmente para Lourenço Jesus (Team BMX Quarteira), vencedor em Sub-11, Vicente Cardoso (Linda a Pastora Sporting Clube), que venceu em Sub-9, e Tomás Silvestre (Team BMX Quarteira), primeiro classificado em Sub-7. Em Sub-9

femininas triunfou Adriana Lavin (BMX Badajoz, A.D.). Nas categorias Cruiser, Carlos Rosado (Clube Bicross de Portimão) foi o mais forte em Cruiser 40+, sendo o líder do ranking, enquanto Alexandra Loureiro voltou a vencer em femininas Cruiser, confirmando, também ela, a liderança destacada no ranking.

Após quatro rondas disputadas, o ranking da Taça de Portugal de BMX é liderado por Leonardo Carmo em Homens +17, Íris Moraru em femininas +15, Gustavo Pereira em Sub-15 e Tiago Cavaco em Sub-17 masculinos. Nas

femininas Sub-15 lidera Áurea Numão. Na classificação coletiva, a Team BMX Quarteira e Clube Bicross de Portimão seguem empatados na liderança da Taça de Portugal por equipas, ambos com 80 pontos, seguidos do Linda a Pastora Sporting Clube (59 pontos).

A Taça de Portugal de BMX prossegue nos dias 9 e 10 de maio, com a quinta e sexta rondas a serem disputadas Em Sangalhos, Anadia, na pista de BMX do CAR – Centro de Alto Rendimento de Anadia.

Centenas de atletas vieram

até Albufeira disputar a Taça de Portugal de Ginástica Acrobática

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

Taça de Portugal de Ginástica

Acrobática realizou-se nos dias 21 e 22 de março e trouxe a elite da modalidade até ao Pavilhão Desportivo de Albufeira. Em prova estiveram atletas da 1.ª e 2.ª Divisão, bem como da Divisão Base, tendo sido dominada por atletas do Sporting Clube de Portugal e do Ginásio Clube de Tomar.

Foram cerca de 450 atletas a pisar o praticável, representando 21 clubes de diferentes regiões do país, incluindo a formação local do Acro Al-Buhera Clube de Ginástica de Albufeira. Na 1.ª Divisão, o título foi conquistado pelo Sporting Clube de Portugal, que se superiorizou aos coletivos do Acro Clube da Maia, que arrecadaram os 2.º e 3.º lugares do pódio. Na prova da Divisão Base, os 1.º e 2.º lugares foram alcançados por ginastas do Sporting Clube de Portugal, ficando, em 3.º lugar, a formação do Gimnoanima.

Na 2.ª divisão, a vitória foi alcançada por atletas do Ginásio Clube de Tomar, que acabou também por conquistar a medalha de bronze na mesma categoria. O 2.º lugar acabaria por ser entregue ao Acro Clube da Maia. No final dos dois dias de competição, o vice-presidente da Câmara Municipal de Albufeira e vereador com o pelouro do Desporto destacou a “importância de acolher eventos de referência, num ano em que Albufeira é Cidade Europeia do Desporto”. Para Jorge Carmo, “receber

atletas de elite no nosso concelho é parte central da estratégia municipal de valorização do Desporto enquanto motor da formação dos nossos jovens”

A competição foi organizada pela Federação de Ginástica de Portugal, em parceria com o Acro Al-Buhera Clube de Ginástica de Albufeira, e contou com o apoio da Câmara Municipal de Albufeira. A prova integrou o calendário oficial da Federação de Ginástica de Portugal e inseriu-se na programação «Albufeira Cidade Europeia do Desporto 2026».

TEATRO LETHES A HISTÓRIA DE

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

RECORDOU ULISSES

Agon/ Momento –Artistas

Independentes apresentou, no dia 23 de abril, no Teatro Lethes, em Faro, a peça de teatro para escolas «Ulisses». “Diz-se que, nesses tempos de antigamente, não houve homem que mais sofresse e mais feliz fosse do que o espantoso Ulisses. De Homero a Maria Alberta Menéres, e agora por nós, esta epopeia chega cheia de aventuras, ciclopes, sereias, feiticeiras e outros obstáculos que afastam Ulisses da sua Penélope. Um amor que tem de sobreviver vários anos de mistério e dúvida, mas também

de resistência e fé”, descreve a companhia.

Com música original e uma encenação dinâmica, a estrutura reconta a história mil vezes contada do rei de Ítaca de uma forma fresca e inovadora, apelando aos mais novos e devolvendo a curiosidade pelo mítico, pela antiguidade e, de certa forma, pela História. Com Texto de Maria Alberta Menéres, Encenação e Dramaturgia de Filipe Gouveia e Composição/ Direção Musical de Paulo Pires, a interpretação esteve a cargo de Debbie Monteiro, Luísa Alves, Paulo Casas Morais e Sara Maia, numa coprodução da Casa das Artes de Famalicão / Teatro Narciso Ferreira.

DECLARAÇÃO UNIVERSAL HUMANOS INSPIROU «CORPOS DE ALUNAS DA TOMÁS

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

UNIVERSAL DOS DIREITOS «CORPOS

CABREIRA

s alunas do Curso

Profissional de Intérprete de Dança Contemp orânea da Escola

Secundária Tomás Cabreira, em Faro, apresentaram, nos dias 22 e 24 de abril, no âmbito da especificidade da área artística em que se integram, uma obra inspirada na Declaração Universal dos Direitos Humanos, sob orientação da professora Ana Filipa Antunes.

«Corpos em Direitos» é, pois, um espetáculo de dança contemporânea que

traduz, de forma poética e simbólica, a luta e a dignidade do ser humano. Isadora Riquet, Joasila Feijó, Leonor Duran, Rosario Guzman e Samantha Lugo, do 2.º ano, e Joana Encarnação e Margarida Minhalma, do 3.º ano, habitam o palco como fragmentos de uma mesma humanidade – frágeis, resistentes e interligados pelo movimento. “«Corpos em Direitos» é um convite à empatia e à consciência, um manifesto dançado sobre o que nos torna, enfim, humanos”, descreve Ana Filipa Antunes.

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