

ALGARVE INFORMATIVO




ÍNDICE
Paulo Cunha (pág. 16)
Fábio Jesuíno (pág. 20)
Nuno Campos Inácio (pág. 24)
Sílvia Quinteiro (pág. 28)
Paulo Neves (pág. 32)
Bairros Comerciais Digitais - Olhão com Alma (pág. 36)
Almancil debateu o futuro dos direitos das mulheres em Portugal (pág. 40)
Festa de São Faustino (pág. 46)
Festa do Basquetebol Juvenil em Albufeira (pág. 58)
Portugueses brilharam no Europeu de Trampolins (pág. 66)
Taça de Portugal de Ginástica Acrobática em Albufeira (pág. 82)
«Amor de Perdição» em Tavira (pág. 108)














Para quando a “Descentralização Cultural”? Paulo Cunha, professor
á mais de quarenta anos que oiço e apercebo-me das queixas dos agentes culturais algarvios, que tomo também como minhas, relativamente ao enorme peso da capital do país na vida artística e cultural do Algarve. É um facto, no contexto artístico, verifica-se que os programadores culturais, ao privilegiarem obras, eventos ou criadores oriundos de Lisboa ou do Porto, frequentemente optam por colocar artistas regionais a colaborar com nomes já reconhecidos a nível nacional como forma de lhes atribuir visibilidade. Contudo, esta estratégia pode perpetuar a centralização cultural e a lógica do provérbio “O que vem de fora é que é bom!”, ao sugerir que o mérito dos artistas regionais depende da associação a figuras consagradas, quando, na verdade, a produção local possui valor e qualidade que justificariam destaque próprio e independente. Tal preferência contribui para que as manifestações artísticas regionais sejam subestimadas ou ignoradas, reforçando a ideia de que o reconhecimento está condicionado pela origem geográfica ou pela notoriedade dos colaboradores, em vez de ser fundamentado no mérito individual das obras e dos seus criadores.
Acresce ainda que, muitas vezes, as próprias entidades culturais da província acabam por interiorizar um certo complexo
de menorização cultural. Este fenómeno manifesta-se na tendência para considerarem as suas produções e iniciativas como inferiores ou menos relevantes em comparação com as provenientes dos grandes centros urbanos. Tal postura pode traduzir-se numa autolimitação das propostas artísticas, numa busca constante de validação externa e numa hesitação em afirmar a identidade e o potencial criativo local. Esta autoperceção de inferioridade não só fragiliza a autoestima dos agentes culturais regionais, como também dificulta a construção de propostas e produções alternativas e inovadoras que valorizem a singularidade das manifestações artísticas locais.
Outro fenómeno que impede a justa promoção e consagração dos agentes artísticos e culturais de uma região é o “amiguismo” nas programações culturais, constituindo tal forma de atuar um desafio significativo para a construção de um ambiente artístico plural e meritocrático. Esta prática, muitas vezes camuflada sob o pretexto de parcerias estratégicas, programação em rede ou afinidades culturais, traduz-se na seleção preferencial de projetos e artistas com vínculos pessoais aos programadores culturais e decisores de fundos públicos. O resultado é uma distorção dos critérios de avaliação, onde o mérito, a originalidade e o potencial inovador das propostas passam para segundo plano, em benefício de relações

de proximidade. Para superar este ciclo, é indispensável que os processos de programação e financiamento cultural sejam transparentes, baseados em critérios de qualidade e relevância, e abertos à pluralidade de vozes e tradições. Só assim será possível romper com a lógica do favoritismo e promover uma verdadeira valorização do mérito e da riqueza criativa das regiões.
Num contexto em que a centralização cultural privilegia os grandes centros urbanos, muitos artistas regionais sentem a necessidade de sair das suas terras para serem reconhecidos e legitimados. Esta migração, frequentemente vista como um passo inevitável para alcançar visibilidade e aceitação, revela um sistema cultural que faz depender o sucesso da proximidade das redes estabelecidas e do acesso aos
circuitos de programação dominados por Lisboa e Porto. Tal dinâmica não só fragiliza as raízes locais, como também perpetua a ideia de que o valor artístico depende da validação externa, em vez de se afirmar pela autenticidade e mérito das produções regionais.
Ao privilegiar as raízes, as tradições e as expressões autênticas de cada território, cria-se uma plataforma sólida para que as manifestações culturais regionais possam obter reconhecimento fora das suas fronteiras, contribuindo para a projeção de uma imagem singular e diferenciadora. O exemplo da música alentejana, nomeadamente o Cante Alentejano, ilustra bem este potencial. A valorização, preservação e divulgação desta expressão musical não só reforçaram o orgulho e a coesão das comunidades locais, como também despertaram o interesse de um público vasto e variado.
Para além de reconhecer o mérito individual dos artistas, é fundamental utilizar a cultura de uma região como critério valorativo e identitário. Ao valorizar as especificidades culturais locais, não só se legitima a produção artística regional, como também se reforça a identidade coletiva e o sentimento de pertença das comunidades. Este caminho, para além de combater a centralização e a homogeneização cultural, contribui também para a diversidade e riqueza do panorama artístico nacional e internacional. Aqui, a sul, espero que haja quem tenha o saber, a criatividade, a independência e a coragem para o desbravar, pois eu e muitos mais algarvios gostaríamos de o trilhar!
Foto: Daniel Santos



As profissões que vão marcar o futuro do trabalho
Fábio Jesuíno, empresário
ivemos numa era digital marcada por novos desafios e oportunidades, que está a transformar profundamente a sociedade em várias dimensões, sobretudo no mundo do trabalho.
Estamos a atravessar um período de mudança sem precedentes, em que os hábitos, a forma como nos relacionamos e até a maneira como trabalhamos estão a evoluir rapidamente. Nos próximos anos, estas transformações deverão intensificarse, impulsionadas pelo avanço científico e tecnológico.
Uma das áreas mais impactadas por esta Quarta Revolução Industrial será o mercado de trabalho. Enquanto algumas profissões tendem a desaparecer, outras começam a surgir, exigindo novas competências, maior capacidade de adaptação e aptidões cada vez mais inovadoras.
Especialista em Inteligência Artificial
A inteligência artificial é um conceito relacionado à capacidade dada aos algoritmos de pensar como seres humanos e aprender com experiências, com o objetivo principal de simular as capacidades humanas, como execução de tarefas,
tomada de decisões, compreensão e resolução rápida de problemas.
Sendo um conceito cada vez mais presente nas nossas vidas, os profissionais nesta área são muito procurados, sejam para desenvolver modelos de algoritmos complexos ou fornecer aplicações numa indústria específica.
Especialista em segurança cibernética
A proteção e privacidade dos dados pessoais e empresariais é cada vez mais essencial atualmente, principalmente devido à quantidade de informações que disponibilizamos online. Os profissionais especializados nessa área são cada vez mais importantes para garantir a segurança das informações mais sensíveis das empresas, tornando-se uma das profissões mais valorizadas atualmente.
Especialista em Blockchain
A blockchain é uma tecnologia que busca a descentralização como medida de segurança. Embora possa parecer muito complexa, o seu conceito é simples: tratase de uma base de dados compartilhada que cria um índice global para todas as operações que ocorrem em determinado mercado. Além das criptomoedas, a tecnologia blockchain começa a estar

presente nas empresas, permitindo uma maior transparência nos processos.
Devido ao crescente interesse das organizações pela tecnologia blockchain, os profissionais desta área são cada vez mais procurados.
Artista digital
A arte digital é um conceito que abrange todas as manifestações artísticas executadas com o auxílio de meios electrónicos, sejam eles tradicionais ou virtuais. Com a evolução tecnológica, surgiram cada vez mais formas de manifestações artísticas nessa área, gerando um crescente interesse. Os artistas digitais são uma profissão com uma grande abrangência e procura por parte dos mais diversos públicos.
Operador de drones
A indústria de drones tem um grande potencial de crescimento no futuro, já que a utilização destes equipamentos se torna cada vez mais popular. Além da área de fotografia e vídeo, os drones também são utilizados em setores como a agricultura, inspeção de infraestruturas e entregas de encomendas, tornando-se uma ferramenta versátil e indispensável para diversas áreas.
Especialista em impressão 3D
A tecnologia de impressão 3D tem um potencial enorme e pode ser aplicada em diversos setores de atividade, o que faz com que a procura por profissionais qualificados nesta área seja cada vez mais elevada.
Estas são algumas das profissões com maior potencial nos próximos anos e que vão criar uma grande dinâmica económica.
Profissões
técnicas
Entre as profissões do futuro, há áreas que se destacam não apenas pela componente digital, mas também pela sua importância prática no funcionamento da sociedade e da economia. Profissões como eletricista, especialmente nas áreas ligadas à automação, energias renováveis e mobilidade elétrica, deverão ganhar cada vez mais relevância num mercado de trabalho em constante transformação.
Também funções técnicas e especializadas, associadas à indústria, à inovação e à sustentabilidade, terão um papel essencial nos próximos anos. Neste contexto, profissionais capazes de acompanhar novas tecnologias, adaptar-se a diferentes desafios e responder às exigências de um mundo mais eficiente e sustentável serão cada vez mais valorizados.
Mais do que desaparecer por completo, muitas profissões tradicionais estão a evoluir. É o caso de áreas técnicas, como a eletricidade, a manutenção industrial e outras funções ligadas à transformação energética, que exigirão novas competências e uma atualização contínua para responder às necessidades do futuro.


Liberdade sempre, radicalismos de poder nunca mais
Nuno Campos Inácio, editor e escritor
este ano em que se assinalam 52 anos sobre a Revolução de Abril, celebramos também os 50 anos da aprovação da Constituição Democrática de 1976.
Se o 25 de Abril pôs fim a um regime político, substituindo-o por um período de incerteza, a Constituição de 1976 veio determinar e consolidar que o futuro de Portugal passaria por uma República Democrática, plural e universal.
É precisamente no momento em que comemora meio século de existência que a Constituição de 1976 enfrenta as maiores críticas e pedidos de revisão profunda. Não é por acaso. Meio século corresponde a duas gerações e abre caminho a uma terceira. Aqueles que viveram de forma mais intensa as agruras de um regime totalitário já partiram, e a memória esbate-se com o tempo.
Os conflitos geracionais fazem parte integrante da evolução social — progredimos porque há conflito — e uma lei, mesmo sendo fundamental, não pode impedir que novas gerações tracem o seu próprio caminho e vivam as suas próprias experiências.
A maior fragilidade da Constituição de 1976, no nosso entender, reside na sua própria estrutura. Curiosamente, essa fragilidade não decorre dos Deputados Constituintes que a elaboraram, mas da ação dos sucessivos governos, independentemente da sua cor ou ideologia partidária. Ao misturar no mesmo corpus lex normas imperativas com normas programáticas, descredibilizou-se: tem aplicabilidade imediata para umas matérias e não é invocável para outras.
O essencial numa Constituição deveria ser a definição da forma de regime e da estrutura do Estado e, nesse aspeto, a Constituição de 1976 não necessita de revisionismos nem de adaptações. Precisa, sim, de reajustes nas suas linhas programáticas.
Não faz sentido que uma Lei Fundamental preveja a regionalização do país quando, ao longo de 50 anos, essa não se concretizou. Pelo contrário, o país encontra-se hoje mais centralizado do que nunca. Também não fazem sentido normas de salvaguarda do direito à habitação se, passado meio século, o número de pessoas em situação de semabrigo é superior ao que existia no regime deposto. Muitos outros exemplos

poderiam ser dados, mas os portugueses conhecem-nos bem.
Num momento em que os radicalismos crescem, abrindo portas a novos regimes totalitários — de direita, de esquerda ou até desprovidos de matriz ideológica —, é fundamental que a Constituição de 1976 se afirme naquilo que é mais importante: a defesa intransigente da Democracia, a limitação dos extremismos políticos e administrativos dos órgãos de poder e a garantia plena da liberdade de expressão.
Passados 52 anos sobre Abril, é essencial pôr fim às ditaduras dos pequenos poderes, sejam de bancada ou de secretária. A limitação de mandatos
políticos deve ser universal e não restringir-se ao poder local.
As linhas programáticas podem existir, desde que não se tornem promessas eternamente adiadas, projetadas para gerações futuras com aspirações diferentes das heranças que recebem.
25 de Abril sempre!
Liberdade sempre!
Centralismos e radicalismos de poder nunca mais!




Malvada Sílvia Quinteiro, professora
eixar o carro em casa e adotar a bicicleta como meio de deslocação quotidiana é mais do que uma escolha saudável. É, inevitavelmente, um desvio: uma forma de ir por outros caminhos e ver o que, de outro modo, não veria.
No meu caso, as duas rodas devolveramme aos trilhos da infância e da préadolescência. Curiosamente, são os mesmos, exatamente os mesmos, onde aprendi a andar de bicicleta. Onde tantas vezes caí. Onde sapos, teimosamente imóveis no meio do carreiro, então ainda de terra batida, me obrigavam a travar e a inventar desvios. Onde acelerava para fugir aos sons brutais da matança do porco. Onde fazia corridas com os amigos, atravessando as hortas e saltando de tanque em tanque.
Ali, conheço tudo. Cada casa, cada courela, cada armazém, cada muro de pedra, cada curva. As árvores antigas.
A imagem do que foram estes campos nos anos 70 e 80 interpõe-se entre o meu olhar e o território. Na minha paisagem, permanecem ainda todas as pessoas que aqui viviam: a cavar, a regar, a sulfatar, vergadas a mondar e a sachar, a sair das estufas encharcadas em suor. Mulheres debruçadas sobre os tanques, a lavar roupa, ou junto às pilhetas, a esfregar tripas com sal e limão para fazer as chouriças. Homens a guiar charruas, apoiadas em ombros
derreados, enquanto as mulas, exaustas, puxam.
Corpos em sacrifício. A carregar. Sempre a carregar: sacas de adubo e de ração, fardos de palha, baldes de comida para os animais. Batatas, cenouras, feijão-verde, pepinos, melões, melancias, abóboras.
À porta, as caixas de tomate que se «encabazava» ao cair da tarde, à espera dos camiões que as levariam para o mercado abastecedor.
A vida era dura. Mãos calejadas. Corpos gastos por um trabalho sem pausa, em dias que começavam antes do sol e só terminavam depois dele. Casas sem eletricidade, sem canalização. Roupa gasta, quase em farrapos.
Não há nostalgia que embeleze tamanha cruz. Não há encanto possível no cansaço nem na pobreza. Dignidade e miséria não são a mesma coisa.
Ainda assim, a inocência da idade guardou em mim uma reserva de felicidade que este pedalar vem agora desadormecer.
Da casa, onde só eu vejo o forno, chega-me o cheiro a pão com torresmos, acabado de fazer, e à panela de feijão com massa, ali deixada ao amanhecer, promessa de um almoço forte, retemperador.
Vejo os homens a regressar. Vão matar a sede ao cano da nora e inclinam a cabeça sob


o jorro de água fresca para aliviar o ardor do sol no pescoço e nos ombros.
Ouço as mulheres e as crianças a disporem loiça e talheres sobre a mesa. Escuto a conversa.
Havia dureza. Mas havia vida.
As paredes são as mesmas por que passo agora, mas estavam caiadas, cuidadas. À porta, nos pátios, junto aos muros, havia vasos de flores. Havia sombras de árvores de fruto, de parreiras e de buganvílias pacientemente engaleiradas.
Havia famílias. E eram elas que enchiam o lugar de vida, de histórias e de memória.
Durante alguns anos, a Malvada esteve quase deserta. Agora voltou a encher-se. Mas não da mesma forma.
Os antigos agricultores foram substituídos por outros, igualmente pequenos para o peso que carregam. Peles queimadas por outros sóis chegam da Índia, do Nepal, do Paquistão. Gente igualmente exausta.
Mas que não veio para ficar. Veio para aguentar. Para sobreviver.
As casas estão cheias, mas não de famílias. As mulheres são raras. Não se avistam crianças, nem bicicletas, nem corridas, nem baloiços improvisados. Não há vozes.
É primavera, e os tanques estão vazios. Não apenas de água, mas de tudo o que lhes dava sentido.
Desapareceram as gargalhadas que acompanhavam as quedas na perseguição aos peixes, retirados um a um para se poder vazar o tanque e limpar o verdete dos limos acumulados.
Já não há a alegria de ver a água a subir de novo, nem os mergulhos que celebravam o fim de uma tarefa partilhada. Só memórias.
E não há cheiro. Nada cheira: nem a flores, nem a comida, nem a pão, nem a casa.
Essas paredes, embora habitadas, perderam o sopro que as animava. Já não guardam vidas; apenas abrigam presenças provisórias. São lugares de passagem, onde se pernoita sempre à espera do regresso.
Fantasmas. Vidas suspensas.
A terra voltou a ser trabalhada, sim, mas não voltou a ser vivida. Ali, já não se lançam raízes.
E, no meio disto tudo, detenho-me nos cães. Continuam presos, como sempre estiveram. Correntes curtas, estacas cravadas na terra. Dois passos em frente, dois para trás. A medida exata da sua vida.
Ladram à minha passagem, cansam-se, deitam-se. E esperam.
Como os homens.
Acorrentados à Malvada.


D dos ricos
Paulo Neves, «ilhéu», mas nenhum homem é uma ilha
e eu fosse rico…
Associava-me a lançar projetos marcantes para a afirmação qualitativa regional e a diversidade da nossa estrutura económica.
Sim, tentaria contribuir mais para a concretização, aqui, do 3.º «D» da Revolução de Abril, o do «Desenvolvimento».
Aqui deixo algumas provocações, sem ordem de análise de retorno ou prioridade, para se investir com gosto pelo Algarve:
- Temos quase duas centenas de navios, dia a dia, a passar ao largo da nossa costa e, entre Cádis e Sines, não há um rebocador oceânico com capacidade de intervenção, salvamento ou apoio aos armadores, com tripulação formada para ação em caso de incêndio a bordo, derrame ou ação num acidente. Mesmo um helicóptero, para emergência médica, de longo curso, teria de vir do Montijo até à distância do percurso marítimo a vencer. Talvez fosse de pensar que, com o acrescento do cais de cruzeiros de Portimão, venham…cruzeiros de maior porte próximos desta rota;
- Continuando a pensar no nosso principal produto da oferta turística, que também é um recurso natural valioso, e na necessidade de segurança de pessoas e bens na região e para a nossa atividade
económica mais evidente, investiria, como projeto estruturante, numa área de formação permanente em proteção civil, com meios de vanguarda, com capacidade para intervenções fundamentais em meio aquático, terrestre e em imóveis, além da nossa fundamental área florestal, em coordenação com a primeira das oportunidades/responsabilidades que apontei antes e com os aeródromos da região;
- E porque temos que continuar a surpreender(-nos) todos, para valorizar a opção pela região como destino de férias, acrescentar motivos culturais, históricos, para as famílias, trazendo «a nova Escola de Sagres», como um lugar para fruição e compreensão dos lugares da expansão marítima a partir do Algarve, com a instalação de um planetário digital 5D, em que se pudesse sentir a navegação, ao tempo, seguindo as estrelas do hemisfério sul, os ventos dominantes, confrontando com a nova fauna e flora, os cheiros de cada sitio dos Algarves de além-mar até ao Bojador e depois com o nosso conterrâneo Bartolomeu Dias, mais a sul, no cabo transformado na Boa Esperança e Brasil. Incluindo-se o espanto inicial das culturas locais descobertas.
Temos tanto o que podemos fazer para «enriquecer»;
- Como não investir em programas habitacionais para as famílias, para os
jovens, sejam residentes, sejam trabalhadores para dar resposta às necessidades de alojamento condigno, não aprofundar problemas sociais e prover ao funcionamento das novas ofertas que estão a eclodir no território? Não vamos mais esperar por respostas centrais, temos a oportunidade de priorizar, decidir e fazer acontecer. Se, há anos, com taxas de juro superiores a 20 por cento, se construíram milhares de fogos (120 mil no país), como não repetir agora com uma empresa mista regional em que participem municípios, cooperativas e fundações para tamanho objetivo com os bancos e fundos a 6 por cento?
- Porque não criar um regulamento comum regional para as intervenções e limpeza em espaço público, com taxas e retorno para a publicidade ordenada, para a sinalética rodoviária informativa, para a qualidade e ocupação dos terrenos confinantes?
- Investiria na concessão da rede e unidades de transportes ferroviários da linha do Sul e a sua relação horária com as concessões/exploração rodoviárias locais, organizadas regionalmente com a nossa autoridade de transportes para a sua capacidade de resposta, sustentabilidade na utilidade para as necessidades pendulares e turísticas;
- Na área da saúde, antecipo que os extremos barlaventino e a sotavento da região, vão «dar cartas» na inovação e desenvolvimento de proximidade em soluções de saúde e mesmo na formação e investigação. Sobre esta área ainda tenho um «defeso» ético para cumprir e por tal não me alongo. Mas chamo a atenção para a emergência de respostas geriátricas

completas e abandonando a perspetiva caritativa de Estado;
- Mas também nestas áreas geográficas, investiria em apoio às surpresas que poderão surgir no desenvolvimento das indústrias criativas, assim como na valorização dos produtos da cortiça e da floresta no nosso interior!
- Se dermos suporte de capital para inovação de produção à agroindústria e pesca para suprir às necessidades para um mercado de 8 milhões de consumidores, ficaremos mais equilibrados na nossa «balança comercial» regional;
- E vamos lá aproveitar o tempo para maiores bacias de retenção em água e/ou nova fábrica de água a barlavento para reserva de exploração quando voltemos a ter problemas de seca, é uma questão de tempo e segurança.
Eu apostaria também o meu dinheiro no «D» de desenvolvimento na capitalização democrática dos setores que nos darão futuro.



Olhão lança «Bairros Comerciais
Digitais
–
Olhão
com Alma» para modernizar comércio local
Auditório
Municipal Maria
Barroso, em Olhão, foi palco, no dia 15 de abril, da sessão oficial de apresentação e lançamento do projeto «Bairros Comerciais Digitais – Olhão com Alma», uma iniciativa estratégica orientada para a modernização, digitalização e dinamização do comércio local.
Seguiu-se a apresentação técnica do projeto pela equipa gestora, que deu a Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina
A sessão teve início com a intervenção do presidente da Câmara Municipal de Olhão, Ricardo Calé, que sublinhou a relevância do projeto para reforçar a competitividade do comércio tradicional. O autarca destacou ainda o papel desta iniciativa no desenvolvimento económico do concelho, sobretudo num contexto em que a adaptação aos desafios digitais se torna cada vez mais determinante.



conhecer os principais objetivos, áreas de intervenção e soluções previstas no âmbito dos Bairros Comerciais Digitais. Entre as medidas apresentadas, destacam-se a criação de um marketplace local, a implementação de ferramentas digitais para os comerciantes e novas funcionalidades que visam melhorar a experiência de consumo, como sistemas de apoio ao estacionamento, cacifos inteligentes para recolha de compras e visitas virtuais a espaços emblemáticos da cidade. O projeto integra ainda uma forte componente de sustentabilidade e capacitação, incluindo sistemas de monitorização de reciclagem, futuras soluções para recolha de bioresíduos e programas de formação destinados a
apoiar os comerciantes na transição digital.
O evento contou com a presença de empresas, entidades parceiras, membros do executivo municipal, serviços da autarquia e comerciantes aderentes, evidenciando o caráter colaborativo e abrangente do projeto. Com um investimento significativo e uma adesão já expressiva por parte do tecido comercial, o «Olhão com Alma» afirmase como uma aposta estruturante na transição digital do comércio local. A iniciativa pretende promover a inovação, reforçar a proximidade entre comerciantes e consumidores e contribuir para uma nova experiência urbana, mais conectada, sustentável e adaptada às exigências do presente.



Almancil debateu o futuro dos direitos das mulheres em Portugal
Texto: Daniel Pina| Fotografia: Junta de Freguesia de Almancil
cidade de Almancil acolheu, no dia 18 de abril, o 1.º Fórum
Mulheres, Justiça e Igualdade Social, um evento que reuniu especialistas, decisores políticos e organizações da sociedade civil no Pavilhão 25 de Abril para realizar um balanço crítico sobre a desigualdade de género e os direitos humanos das mulheres no Algarve e em Portugal.
Organizado pela Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres (PpDM) em parceria com a Associação Doina Algarve
e com o apoio da Junta de Freguesia de Almancil, o encontro destacou a necessidade urgente de reforçar o diálogo entre as instituições públicas e os cidadãos, especialmente num contexto regional marcado por fragilidades no financiamento de projetos de igualdade e inclusão. “É uma honra para Almancil acolher um debate desta importância, pois só através da sensibilização e do diálogo próximo com a comunidade conseguiremos construir uma sociedade mais justa e verdadeiramente inclusiva para todas as mulheres”, referiu Paulo Teixeira, Presidente da Junta de Freguesia de Almancil.
O evento destacou os desafios atuais das mulheres, começando pela análise das barreiras linguísticas e institucionais enfrentadas por mulheres estrangeiras no Algarve, onde a Associação Doina sublinhou a importância crítica de garantir apoio jurídico noutras línguas para assegurar o acesso efetivo à justiça. Paralelamente, debateu-se a emergência da ciberviolência e do assédio online, reconhecendo-se que os retrocessos globais nos direitos das mulheres encontram no mundo digital um novo terreno de propagação que exige vigilância redobrada. No que



toca à representação política, o fórum destacou que, embora o Algarve apresente uma média de liderança feminina em câmaras municipais superior à nacional, com 31 por cento de autarcas mulheres em concelhos como Castro Marim, Silves e Tavira, os números continuam a ser insuficientes para uma igualdade plena.
As discussões abordaram ainda a situação socioeconómica e o impacto da precariedade laboral, com um foco especial em testemunhos de sobreviventes de situações de vulnerabilidade extrema e na urgência de criar programas de saída e apoio social
mais robustos. No encerramento dos trabalhos, Elizabeta Necker, presidente da Associação Doina, reforçou que a problemática da desigualdade é transversal a todas as mulheres, independentemente da sua origem, concluindo-se que a região necessita de replicar boas práticas institucionais e combater a escassez de financiamento direcionado para estas causas.
Graças ao sucesso desta iniciativa e à importância dos temas debatidos, a organização já prevê a realização de uma nova edição do fórum em 2027.






Paróquia de São Sebastião de Boliqueime organizou mais uma Festa de São Faustino
Texto: Daniel Pina| Fotografia: Jorge Gomes
Festa de São Faustino é uma celebração tradicional de Boliqueime, organizada pela Paróquia de São
Sebastião de Boliqueime com o apoio da Junta de Freguesia de Boliqueime, e que
voltou a acontecer no dia 12 de abril, Domingo de Pascoela. O evento encheu o adro da Igreja de São Faustino de devoção e memórias de outros tempos e, depois da celebração religiosa pelo Padre Bruno Valente, seguiu-se a Procissão ao som da Banda Filarmónica de Paderne e o arraial, com animação a cargo do Duo Rui e Miguel.






























Festa do Basquetebol Juvenil trouxe mais de 1.500 pessoas a Albufeira
Texto: Daniel Pina| Fotografia: Município de Albufeira
entenas de jovens rumaram até Albufeira, de 8 a 12 de abril, para disputar mais uma Festa do Basquetebol Juvenil, naquela que foi a edição mais participada de sempre. Realizada no concelho pela 13.ª vez, a competição juntou cerca de 1.500 participantes, de todas as regiões do país. No final, a Associação de Basquetebol (AB) de Lisboa fez o pleno, com a vitória em todos os escalões.
As finais concentraram-se no fim-desemana e arrancaram, no dia 11, com a
partida decisiva dos Sub-14 Femininos. Frente à AB Porto, a formação lisboeta levou a melhor, com um resultado final de 48-37. Seguiu-se a final dos Sub-14 Masculinos, com uma vitória expressiva da AB Lisboa frente à AB Aveiro (72-43). O último dia da Festa foi dedicado às finais do escalão Sub-16, com novas vitórias da AB Lisboa. Na final feminina, as lisboetas venceram a AB porto por 4631. Já nos masculinos, o título foi alcançado numa partida disputada frente à AB Santarém (53-46).
Mas nem só de resultados se faz a Festa do Basquetebol Juvenil, que voltou a contar com a iniciativa «Basket


Solidário», que, a partir de um donativo de 2 euros por participante, angariou um total de 4 mil e 919 euros. O valor reverteu a favor do Agrupamento de Escuteiros 1389 São José de Ferreiras, e tem como objetivo apoiar a sua atividade diária. O ato simbólico de entrega do cheque realizou-se na cerimónia de encerramento da Festa, que aconteceu no Pavilhão Desportivo de Albufeira, e contou com a participação do presidente da Câmara Municipal. Rui Cristina fez um balanço “extremamente positivo” da Festa, e realçou a importância do evento para a prática desportiva no concelho. “É um orgulho receber um evento de tão grande magnitude humana e ligado a uma modalidade com muita história em Albufeira”, acrescentou.
Além da entrega de prémios às equipas vencedoras, a cerimónia de encerramento da Festa do Basquetebol

Juvenil foi o momento escolhido para o anúncio do título de sócio de mérito atribuído pela Federação Portuguesa de Basquetebol à Câmara Municipal de Albufeira. A sessão, que contou com a presença do Secretário de Estado do Desporto, Pedro Dias, incluiu ainda um momento de homenagem ao expresidente da Câmara Municipal de Albufeira, José Carlos Rolo, e um tributo ao presidente da Federação Portuguesa de Basquetebol, Manuel Fernandes, atualmente no final do último mandato à frente daquela organização.
A Festa do Basquetebol Juvenil foi organizada pela Federação Portuguesa de Basquetebol em conjunto com a Câmara Municipal de Albufeira e a Associação de Basquetebol do Algarve. O evento integrou a programação oficial «Albufeira Cidade Europeia do Desporto 2026».



















Portugueses brilharam no Europeu de Trampolins
Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina
Portimão Arena recebeu, de 8 a 12 de abril, o Campeonato da Europa de Trampolins e os portugueses estiveram num patamar de excelência. No derradeiro dia, o das Finais
Individuais, a Seleção Nacional Sénior voou diretamente para os pódios, com Vasco Peso a fazer soar «A Portuguesa»
no Portimão Arena, numa final de Tumbling de muitos nervos e emoções. O
ginasta luso executou uma primeira série de 29.200 pontos, mas terminou com uma segunda série de 31.400 pontos que lhe valeu a Medalha de Ouro da competição e um resultado histórico para o país.
No Trampolim, a Seleção Nacional venceu duas Medalhas de Prata. Catarina Nunes e Sofia Correia terminaram a Final de Sincronizado Feminino com um total de 47.360 pontos, enquanto o olímpico Gabriel Albuquerque, da APAGL –Associação de Pais e Amigos da Ginástica







de Loulé, brilhou com um exercício de 64.240 pontos, uma pontuação nunca alcançada em Portugal.
Diogo Abreu e Pedro Ferreira terminaram a Final de Sincronizado Masculino em 4.º lugar com 32.470 pontos. Já Tiago Teixeira e Francisco José não conseguiram completar as suas séries no Duplo Minitrampolim.
No escalão Júnior, Martim Lopes foi 4.º (55.580 pontos) no Trampolim Individual, Laura Veloso terminou em 5.º lugar no Tumbling Feminino (21.800 pontos), Matilde Louro foi 6.ª (23.200 pontos) no Duplo Minitrampolim, seguida de Inês Correia em 8.º lugar (18.400 pontos), e Rita Pedroso e Matilde Meireles ficaram em 4.º no Sincronizado Feminino, não conquistado a Medalha de Bronze

por uma «unha negra». A competição de individuais fechou com a prova Sub-21 com João Caeiro a ser 4.º classificado (57.300 pontos) no Trampolim Individual, seguido de Gonçalo Costa em 6.º lugar (54.600 pontos).
Na véspera, sábado, 11 de abril, a Seleção Nacional de Trampolins arrasou igualmente nas Finais por Equipas ao arrecadar Medalhas de Bronze, tanto nos escalões de Juniores como Seniores. A primeira medalha para a equipa lusa foi conquistada pelos seniores André Dias, Francisco José e Tiago Teixeira, que alcançaram um total de 21 pontos no Duplo Minitrampolim, ficando assim em 3.° lugar. Seguiu-se a equipa feminina de Alexandra Garcia, Beatriz Mendes e Matilde Oliveira que acumulou 22 pontos, ficando no mesmo posto.



No Trampolim Individual, a equipa masculina de Diogo Abreu, Gabriel Albuquerque e Pedro Ferreira repetiu a proeza do Campeonato do Mundo ao vencer mais uma Medalha de Bronze com um total de 19 pontos. No setor feminino, Catarina Nunes, Inês Reis e Sofia Correia brilharam ao terminar a competição por equipas em 4.º lugar com 13 pontos. Já no Tumbling, João Azinheira, João Saraiva e Vasco Peso foram também 3.º classificados com um total de 18 pontos.
No escalão Júnior, a única medalha do dia foi alcançada pela equipa feminina de Inês Correia, Matilde Louro e Rafaela

Rosa que, no Duplo Minitrampolim, foram 3.ªs classificadas com 18 pontos. No setor masculino, Artur Martins, Nuno Correia e Tomás Serra terminaram a competição em 4.º lugar com 15 pontos. No Trampolim Individual, Leonor Baptista, Matilde Meireles e Rita Pedrosa concluíram em 5.° lugar com 10 pontos, enquanto Artur Martins, Martim Lopes e Simão Dias foram 6.° com 11 pontos. Já no Tumbling, ambas as equipas terminaram em 5.º lugar, tendo Inês Castro, Laura Veloso e Rita Cardoso alcançado um total de 16 pontos e Duarte Alface, Duarte Rocha e Manuel Santos 14 pontos.





































Centenas de atletas vieram
até Albufeira disputar a Taça de Portugal de Ginástica Acrobática
Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina
Taça de Portugal de Ginástica
Acrobática realizou-se nos dias 21 e 22 de março e trouxe a elite da modalidade até ao Pavilhão Desportivo de Albufeira. Em prova estiveram atletas da 1.ª e 2.ª Divisão, bem como da Divisão Base, tendo sido dominada por atletas do Sporting Clube de Portugal e do Ginásio Clube de Tomar.
Foram cerca de 450 atletas a pisar o praticável, representando 21 clubes de diferentes regiões do país, incluindo a formação local do Acro Al-Buhera Clube de Ginástica de Albufeira. Na 1.ª Divisão, o título foi conquistado pelo Sporting Clube de Portugal, que se superiorizou aos coletivos do Acro Clube da Maia, que arrecadaram os 2.º e 3.º lugares do pódio. Na prova da Divisão Base, os 1.º e 2.º lugares foram alcançados por ginastas do Sporting Clube de Portugal, ficando, em 3.º lugar, a formação do Gimnoanima.
Na 2.ª divisão, a vitória foi alcançada por atletas do Ginásio Clube de Tomar, que acabou também por conquistar a medalha de bronze na mesma categoria. O 2.º lugar acabaria por ser entregue ao Acro Clube da Maia. No final dos dois dias de competição, o vice-presidente da Câmara Municipal de Albufeira e vereador com o pelouro do Desporto destacou a “importância de acolher eventos de referência, num ano em que Albufeira é Cidade Europeia do Desporto”. Para Jorge Carmo, “receber
atletas de elite no nosso concelho é parte central da estratégia municipal de valorização do Desporto enquanto motor da formação dos nossos jovens”
A competição foi organizada pela Federação de Ginástica de Portugal, em parceria com o Acro Al-Buhera Clube de Ginástica de Albufeira, e contou com o apoio da Câmara Municipal de Albufeira. A prova integrou o calendário oficial da Federação de Ginástica de Portugal e inseriu-se na programação «Albufeira Cidade Europeia do Desporto 2026».







































































































COMPANHIA DE TEATRO APRESENTOU «AMOR DE

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina
DE BRAGA DE PERDIÇÃO» EM TAVIRA


Companhia de Teatro de Braga regressa a Camilo Castelo Branco com «Amor de Perdição», um espetáculo-aula destinado em particular ao circuito escolar e que foi a cena, no dia 13 de abril, no Teatro Municipal António Pinheiro, em Tavira.
Este espetáculo integra, na sua conceção, a exposição de mecanismos da prática teatral (leitura, análise literária, análise dramatúrgica, construção da personagem e criação da cena), contribuindo assim para o estudo do texto literário, para o gosto pela leitura e para o entendimento da prática teatral, numa interrogação ativa dos parâmetros e metas para a «Educação Literária» do programa de Português para o Ensino
Secundário que propõem uma leitura muitíssimo reduzida da obra (Introdução, Conclusão, e mais dois capítulos de XX). Professores e alunos assistiram neste ensaio teatral da novela de Camilo ao desmontar de questões sobre o desenvolvimento da ação, a construção do enredo, o percurso das personagens, as estratégias narrativas dos atos praticados, a crítica direta e irónica à sociedade, a multiplicidade da linguagem, o comprometimento do autor-narrador e o papel do leitor/espectador.
Com encenação e fixação de texto de Sílvia Brito e Caderno Pedagógico de Ana Cristina Oliveira, Céu Costa, José Barros e Paulo César, a interpretação esteve a cargo de André Laires, António Jorge, Carlos Feio, Eduarda Filipa, Rogério Boane, Sílvia Brito e Solange Sá.






































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