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REVISTA ALGARVE INFORMATIVO #520

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ALGARVE INFORMATIVO

ÍNDICE

Mirian Tavares (pág. 20)

Nuno Campos Inácio (pág. 24)

104.º aniversário da Associação de Futebol do Algarve (pág. 32)

Taça de Portugal Feminina de Estrada (pág. 44)

6.º Festival MOCHILA (pág. 58)

II Faro Acro Cup (pág. 68)

«Oleanna» no Teatro Lethes (pág. 88)

«Caleidoscópio» no Teatro das Figuras (pág. 104)

Zinha no Choque Frontal ao Vivo no TEMPO (pág. 134)

Dos aniversários Mirian Tavares, professora

A mim que desde a infância venho vindo como se o meu destino fosse o exato destino de uma estrela apelam incríveis coisas: pintar as unhas, descobrir a nuca, piscar os olhos, beber. Tomo o nome de Deus num vão. Descobri que a seu tempo vão me chorar e esquecer. (...) o céu é bruma, está frio, estou feia, acabo de receber um beijo pelo correio.

Quarenta anos: não quero faca nem queijo. Quero a fome. Adélia Prado

ntem, uma amiga perguntava: quantos anos fazes mesmo? Hesitei na resposta. São muitos e não gosto da ideia de vê-los crescer, ano a ano, o que faz parte do curso normal da vida. E é sinal de que estamos vivos. Há muitas frases feitas sobre o envelhecer; posso garantir que todas são, ao mesmo tempo, verdadeiras e mentirosas. Diz-se que há um lado bom – ainda não descobri qual é. Talvez a prática quotidiana da máxima “quem não me quer não me interessa” seja um ganho. A consciência do passar do tempo cria em nós a urgência de não perder tempo. De não gastar este bem precioso com gente desinteressante, com quem não gosta de

nós (pois está muito claro que quem não gosta de nós são as pessoas mais aborrecidas e desinteressantes do mundo). Antes do meu aniversário, começo a fazer contas à vida. É um exercício quase involuntário; sem dar por isso, começo a pensar e a tentar perceber se as coisas têm corrido como eu desejava. De facto, dou-me conta de que vivi sempre sem planos: as coisas foram acontecendo e eu fui vivendo. Nunca pensei em ser professora, nunca pensei em vir viver em Portugal; tomei decisões que me tomaram, desviando o curso do meu caminho. De um caminho que, verdadeiramente, se tem feito ao longo dos passos. Há uma grande distância entre aquilo que sonhamos, quando crianças, e aquilo em que efetivamente nos tornamos. Não sei se, neste instante, estou entre uma coisa e outra. Já não me

lembro muito bem quais eram os meus sonhos, por isso não posso ter a certeza de tê-los realizado. Ando desmemoriada.

Outro dia, falava com uma amiga sobre uma fase da minha vida muito intensa, entre os 20 e os 24. Tinha acabado a licenciatura e comecei o mestrado. Fui viver em São Paulo, que foi, isto sim, um grande sonho. Foi um período duro, pois, como disse Nelson Rodrigues, “a pior forma de solidão é a companhia de um paulista”. É uma cidade que nos devora:

cercada de cinza por todos os lados, até o céu é cinza. Mas é o umbigo do mundo. Um ponto de convergência de tanta coisa que acontece ao mesmo tempo. Foi o umbigo do meu mundo, pelo menos. E fez com que eu visse a real dimensão de todas as coisas. Depois de São Paulo, a vida. Que me foi correndo, mal ou bem. Que me foi correndo. E agora, cá estou. A minha idade assusta-me; talvez esteja em pleno inferno astral. Agora tenho a faca e o queijo na mão. E quero a fome.

A guerra como oportunidade Nuno Campos Inácio, editor e escritor

odas as guerras nascem de um paradoxo: são tragédia, mas também oportunidade.

Não existiriam se as partes envolvidas não acreditassem que a vitória lhes trará benefícios futuros capazes de justificar os sacrifícios humanos, sociais e económicos impostos às suas populações. Sempre assim foi — e tudo indica que assim continuará a ser.

Mas a procura de oportunidades não se limita aos intervenientes diretos. Sempre que um conflito irrompe, há terceiros que tentam retirar dele alguma vantagem.

Pouco se fala do papel que os contextos de guerra tiveram no desenvolvimento do turismo no Algarve. E, no entanto, essa ligação é profunda. O mesmo se pode dizer da indústria conserveira, que cresceu para abastecer forças militares durante a II Guerra Mundial.

Fiquemo-nos pelo turismo.

O turismo «organizado» no Algarve, enquanto estratégia regional, começa a ganhar forma com o 1.º Congresso Regional Algarvio, em 1915. A I Guerra Mundial acabara de eclodir. Os destinos tradicionais da Europa estavam devastados ou inacessíveis. O Algarve

surgia como alternativa: seguro, com clima ameno, mas ainda com enormes carências ao nível do alojamento e das acessibilidades.

Foi nesse contexto que se lançaram as bases do desenvolvimento turístico da região. Multiplicaram-se hotéis, pensões, restaurantes e casas de veraneio. O Algarve começou a habituar-se a receber.

Mais tarde, entre 1939 e 1945, a II Guerra Mundial voltou a colocar a região no mapa — não apenas como destino turístico, mas também como refúgio. Muitos dos que aqui chegaram acabaram por ficar, investindo, promovendo e ajudando a transformar o território.

Já em tempo de paz, a partir da década de 1960, o Algarve assumiu definitivamente o turismo como a sua principal atividade económica, alterando profundamente a sua estrutura social e produtiva. O turismo é, por natureza, uma indústria da paz — aproxima povos, cria pontes, promove encontros.

Ainda assim, o seu crescimento foi sendo impulsionado, em vários momentos, por instabilidades externas: limitações ao turismo no Leste europeu durante a Guerra Fria, conflitos no Médio Oriente, a guerra nos Balcãs ou, mais recentemente, a instabilidade provocada pela Primavera Árabe, que fragilizou destinos concorrentes no Mediterrâneo.

Hoje, o mundo volta a viver um período de tensão prolongada. Os conflitos multiplicam-se e intensificam-se, fazendo antever um ciclo de instabilidade duradoura.

Não é dramatismo — é contexto. E, como sempre aconteceu, é também oportunidade.

O Algarve tem, uma vez mais, a possibilidade de se adaptar. Mas o turista de hoje já não procura apenas sol e mar. Procura identidade, autenticidade, diferenciação.

A resposta não está em reinventar, mas em regressar ao essencial: à cultura, à

tradição, à arquitetura, à preservação ambiental, à vivência comunitária e à hospitalidade genuína.

Há uma história no Algarve que se cruza com a história do mundo. Um território onde muitos regressam — por escolha ou por necessidade — e onde outros reencontram raízes.

Se souber interpretar o tempo em que vive, o Algarve pode transformar a incerteza do presente em base sólida para o futuro. E afirmar-se, não apenas como destino de circunstância, mas como referência duradoura — em tempos de guerra e, sobretudo, nos tempos de paz que se seguirão.

Ponte Velha de Silves: o regresso da guardiã do Arade

hamam-lhe «ponte romana», mas não é. Ergue-se medieval, de pedra avermelhada, como se tivesse nascido do próprio grés de Silves. Durante séculos foi a entrada principal da cidade e, até à inauguração da ponte de Portimão, em 1876, todo o tráfego que seguia para o barlavento algarvio passava por ali. Os seus arcos robustos refletiam-se na água calma do Arade, testemunhas silenciosas de mercadores, viajantes e carroças que faziam da ponte o coração das acessibilidades do Algarve.

O tempo, porém, deixou marcas. Na década de 1960, problemas estruturais ditaram a construção de uma nova ponte. Antes dela, uma frágil estrutura de madeira garantia a travessia até ser levada por uma cheia. A abertura da avenida marginal acabou por cortar o acesso direto ao tabuleiro da Ponte Velha, transformando-a em ponte pedonal e deixando-a entregue ao passo lento dos peões e à contemplação das margens ajardinadas.

Agora, 700 anos depois da sua construção, a guardiã do Arade preparase para renascer. Com financiamento do ALGARVE 2030, será alvo de uma intervenção que vai consolidar arcos e talha-mares, tratar o grés de Silves, aplicar rebocos tradicionais e renovar o

pavimento. As antigas infraestruturas que atravessavam o tabuleiro vão desaparecer e, pela primeira vez, a ponte

terá iluminação cénica, fazendo sobressair à noite a imponência das suas linhas.

Associação de Futebol do Algarve celebrou 104 anos com filiados, municípios e parceiros

Associação de Futebol do Algarve celebrou, no dia 23 de março, os seus 104 anos de história, num momento de confraternização vivido na Quinta do Canhoto, em Albufeira.

A prova de vinhos, que culminou com as mais de 100 pessoas a cantarem os parabéns antes de se partir o bolo, contou com as presenças de dirigentes dos filiados, atuais e anteriores órgãos

sociais da Associação de Futebol do Algarve, Reinaldo Teixeira, presidente da Liga Portugal, João Saraiva, coordenador de futebol de praia da Federação Portuguesa de Futebol, em representação do presidente, Ricardo Pinto, diretor regional do IPDJ, Jorge Carmo, vice-presidente e vereador do desporto do Município de Albufeira, entre outros autarcas, presidentes de juntas de freguesia e representantes das forças de segurança, da UAlg e da AAUAlg, para além de entidades diversas, parceiras do futebol, do futsal, do futebol de praia e do walking football do Algarve.

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

Taça de Portugal Feminina de Estrada arrancou em Albufeira e Portimão

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo

Algarve recebeu, no dia 21 de março, em Albufeira, a prova inaugural da Taça de Portugal Feminina de Estrada 2026, que também marcou a abertura da época para as femininas. Nas Elites, a algarvia Daniela Campos superou Ana Caramelo (Matos Mobility-FlexacoIHS) ao sprint. Ambas terminaram com o mesmo tempo (02h08m12s) os 82 quilómetros do percurso, com Raquel Ribeiro (CDASJ / Cyclin’Team / Município Albufeira) em terceiro lugar nesta categoria, a 05m57s da vencedora.

A etapa de abertura teve partida e chegada na Marina de Albufeira. Tal como as Elites, também as Sub-23 cumpriram 82 quilómetros. A vitória sorriu a Marta Carvalho (Cantabria Deporte / Rio Miera), que terminou a prova em 02h12m21s, deixando a segunda posição para Daniela Simão (Matos Mobility-Flexaco-IHS), que gastou mais 3 segundos. Carolina Galaviz (Maiatos Cycling Team) foi a terceira classificada.

As Sub-19 tiveram pela frente um percurso com 67 quilómetros e a vitória foi discutida num sprint a três, onde se

destacou Ana Bueno (Maiatos Cycling Team), seguida de Marta Esteves (Tensai / Sambiental / Santa Marta) e Eva Emídio (Atum General / Tavira / Madre Fruta). As três terminaram ao fim de 01h49m17s. Já nas Sub-17 (52 quilómetros), foi Lara Lourenço (Penacova / Race Spirit Cycling Team) quem ergueu os braços, ao cabo de 01h23m50s. Seguiu-se Matilde Ferreira (Penacova / Race Spirit Cycling Team), em segundo lugar e Inês Fonseca (Triumtermica / Águias de Alpiarça). Foi também numa emocionante chegada ao sprint que este triunfo se discutiu.

Quanto às Masters femininas, Patrícia

Rosa (Atum General / Tavira / Madre Fruta) venceu em M30, ao completar os 67 quilómetros do percurso em 01h49m17s e em M40 ganhou a colega de equipa Sónia Rodrigues, que terminou o mesmo percurso também com o mesmo tempo. Marisa Costa (Korpo Activo / Penacova) triunfou em M50 ao concluir os 52 quilómetros em 01h26m19s e em M60

destacou-se Leontina Palhas (Team Vertentability / JDC), que para o mesmo trajeto gastou 01h37m09s. Na Geral por Equipas, a vencedora foi a Penacova / Race Spirit Cycling Team, seguindo-se a Maiatos Cycling Team e na terceira posição ficou a Matos Mobility-FlexacoIHS (todas com 10 pontos).

A segunda etapa da Taça de Portugal

Feminina de Estrada 2026 disputou-se, no dia 22 de março, em Portimão e a grande figura do dia voltou a ser Daniela Campos, que repetiu o triunfo alcançado no sábado, desta vez isolada, consolidando assim a sua posição como líder da Taça na categoria Elite.

A algarvia, natural de Boliqueime, já tinha sido a mais forte na véspera, ao sprint, mas desta vez conseguiu vantagem suficiente na fase decisiva para chegar destacada, cortando a meta em 02h33m53s, num percurso com partida na zona ribeirinha de Portimão e chegada

em Mexilhoeira Grande, que totalizou 93,2 quilómetros para as categorias Elite e Sub-23. Atrás de Daniela Campos, Ana Caramelo (Matos Mobility-Flexaco-IHS) voltou a ser a adversária mais direta, terminando a nove segundos da vencedora, reforçando também o segundo lugar no ranking geral. O pódio do dia ficou completo com Celina Carpinteiro (CDASJ / Cyclin’Team / Município de Albufeira), que terminou a 05m32s de diferença.

Nas Sub-23, a corrida foi novamente dominada por Marta Carvalho (Cantabria Deporte / Rio Miera), que somou a segunda vitória consecutiva ao vencer um duelo com Carolina Galaviz (Maiatos Cycling Team), ambas registando 02h35m17s. Logo atrás, Daniela Simão (Matos Mobility-Flexaco-IHS) fechou o pódio, a sete segundos. Tal como nas Elites, Marta Carvalho reforça, assim, a

liderança da Taça, acumulando já 100 pontos, fruto de duas vitórias nestas duas etapas do fim de semana.

Quanto às Sub-19, a história foi diferente. Assistiu-se a uma mudança de liderança com a vitória de hoje de Eva Emídio (Atum General / Tavira / Madre Fruta), que se impôs ao concluir em 02h05m50s, com 02m59 de vantagem sobre Mariana Resende (Penacova / Race Spirit Cycling Team) e 03m03s de Bruna Carmo, sua colega de equipa. Com esta vitória, Eva Emídio ascende ao topo do ranking, somando agora 75 pontos, ultrapassando Ana Bueno (Maiatos Cycling Team), vencedora da primeira etapa, mas oitava classificada em Portimão. Entre as Sub-17, o domínio pertenceu mais uma vez a Lara Lourenço (Penacova / Race Spirit Cycling Team), que voltou a vencer, desta vez com o tempo de 01h38m07s, repetindo o triunfo

alcançado em Albufeira. Ao seu lado cortou a meta Lúcia Martins (CDASJ / Cyclin’Team / Município de Albufeira), enquanto Carolina Bernardo (Cantanhede Cycling / VESAM) foi terceira. Lara segue destacada no ranking, somando agora 100 pontos.

Nas categorias de Masters repetiram-se vários dos resultados do dia anterior. Em Master 30, Patrícia Rosa (Atum General / Tavira / Madre Fruta) voltou a impor-se, igualando a vitória conquistada em Albufeira. Em Master 40, a vitória pertenceu a Ângela Gonçalves (Korpo Activo / Penacova), à frente de Ana Neves (Bike & Nutrition Shop) e Sónia Rodrigues (Atum General / Tavira / Madre Fruta), que havia vencido na véspera. Com este resultado, Ângela sobe à liderança da Taça, acumulando 85 pontos. Em Master 50, Sylvia Read (CDASJ / Cyclin’Team / Município de Albufeira) foi a mais rápida, terminando

em 01h38m37s, enquanto Marisa Costa (Korpo Activo / Penacova) concluiu o percurso 02m37s depois. Ambas seguem igualadas no topo do ranking, com 85 pontos cada. Já em Master 60, a hegemonia de Leontina Palhas (Team Vertentability / JDC) permanece intacta.

No balanço coletivo, a etapa foi vencida pela Matos Mobility-Flexaco-IHS, seguida pela formação da casa, CDASJ / Cyclin’Team / Município de Albufeira e pela Penacova / Race Spirit Cycling Team. No ranking geral, as equipas Matos Mobility e Penacova permanecem empatadas no topo, cada uma com 40 pontos, ao fim das duas etapas disputadas.

A Taça de Portugal Feminina de Estrada segue agora para a terceira prova, agendada para o dia 19 de abril, em Grândola.

Dino D’Santiago, Sam the Kid e LAMA

Teatro no 6.º Festival MOCHILA

MOCHILA — Festival Internacional de Teatro para Crianças e Jovens, organizado pelo LAMA Teatro, regressa a Faro para a sua sexta edição consecutiva com uma programação pensada para crianças e famílias, muitas propostas de entrada gratuita e em espaços ao ar livre, cruzando teatro,

música, dança, performance, instalação e novo circo. O evento arranca a 1 de maio, com o já tradicional lanche para pais e filhos, no Jardim da Alameda João de Deus, acompanhado pela música do DJ Pa'Putos, interpretado por João de Brito.

No dia 2 de maio, sábado, acontecem dois dos principais destaques musicais desta edição do Festival. Às 18h30, Sam the Kid e DJ Big apresentam um DJ Set hosted by Sir Scratch. Um momento de

Texto: Daniel Pina| Fotografia: LAMA Teatro

entrada livre que junta duas gerações do hip-hop português. Às 21h30, Dino D'Santiago sobe ao palco do Teatro das Figuras, para um concerto que cruza tradição cabo-verdiana com a contemporaneidade da eletrónica global.

A programação do MOCHILA passa também pelo LAMA Black Box, que acolhe quatro projetos. No dia 2 de maio, Tiago Cadete inaugura a instalação sonora «Monumento», patente ao longo de todo o Festival. As companhias LAMA Teatro e Terra Amarela apresentam «FOMO», espetáculo de teatro imersivo criado por João de Brito e Marco Paiva, que parte do conceito «Fear of Missing Out» para explorar o medo constante de

ficar para trás, convidando o público a circular, observar, escolher e perder. A companhia Estúdio 13 apresenta «Ponto de Encontro», uma performance destinada ao público escolar que leva os mais novos para dentro de um teatro momentos antes do espetáculo começar. Já a Estação das Letras traz «Branco –Teatro sensorial para bebés e não Só», uma viagem sensorial que convida públicos de todas as idades a explorar o mundo das cores.

No Polidesportivo da Ilha da Culatra, o LAMA Teatro apresenta «Piquenique de Histórias», um formato que junta miúdos e graúdos em torno de histórias, com coordenação de João de Brito. Já o

Museu Municipal de Faro recebe «Mochila de Culturas – a arte, o acesso e o encontro», uma conversa sobre o acesso à cultura e as exclusões invisíveis, com moderação de Laure Dewitte e participação de Adilson Correia Duarte, Madalena Victorino, Matilde Caldas e Rita Pires Santos.

No Jardim da Alameda João de Deus, um dos principais pontos de encontro das últimas edições do Festival, apresentamse diversos espetáculos e atividades que cruzam o novo circo, o teatro e a performance. Entre eles, destaca-se «Walo World», uma performance de novo circo do artista espanhol e chileno Germán Iván Villavicencio (Mr. Copini), que transforma o espaço público num mundo de fantasia e encanto; «CineTeatro Maria Flaminga», criação do LAMA Teatro que recupera o formato

intimista dos microespetáculos; e «Heqet», da Companhia AbsurdA, um espetáculo de novo circo que imagina uma «máfia» de criaturas mitológicas dedicada à cura do planeta.

Integram ainda este núcleo «Antiprincesas: Catarina Eufémia», de Cláudia Gaiolas, que revisita a história desta figura de resistência; «Woow!», da companhia italiana Cie BRUBOC, um espetáculo-percurso, surreal e não verbal, que cruza clown e comédia física; e «Idiòfona», do artista espanhol Joan Català, uma instalação que encontra harmonia no meio do ruído, numa ode ao prazer da experiência partilhada. O programa inclui também «YouGur», de Carlo Mô, uma comédia física para espaço público centrada na ideia de acumulação e sobrevivência; a instalação e oficina «Aletria Biblioteca Itinerante»,

que convida os mais novos a explorar o parque através de um pedipaper literário; e o «Baile Pais e Filhos», promovido pelo LAMA Teatro em colaboração com a companhia de dança Corpo Evolutivo, um momento participativo que promete pôr toda a família a dançar. A encerrar o Festival, no dia 10 de maio, às 17h, no Jardim da Alameda João de Deus, o MOCHILA apresenta «Roda de Samba» do Coletivo Gira, um espetáculo que reúne sete mulheres e os seus instrumentos numa celebração do samba, entre clássicos e novas sonoridades.

À semelhança dos anos anteriores, o MOCHILA desenvolve ainda ações de mediação cultural como o ESTOJO –Laboratório Pedagógico do LAMA Teatro, uma iniciativa que envolve jovens da comunidade local e que, este ano, apresenta o espetáculo «Todos da Terra»; e o projeto Gang das Mochilas, que leva cerca de 50 estudantes às ruas de Faro com pequenas performances coreográficas. Com organização do LAMA Teatro e Direção Artística de João de Brito, o Festival MOCHILA realiza-se anualmente, desde 2021, com o objetivo de promover a descentralização da oferta cultural, a democratização do acesso a uma programação artística multidisciplinar de qualidade e a capacitação do público e das comunidades para o desenvolvimento de um pensamento crítico sobre o mundo contemporâneo.

CEDF organizou II Faro Acro Cup

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

em Estoi (2) stoi encheu-se de energia, talento e emoção, nos dias 21 e 22 de fevereiro, com a realização da II Faro Acro Cup, numa excelente organização do CEDF –Clube Educativo e Desportivo de Faro que reuniu no Pavilhão da EB 2,3 Poeta Emiliano da Costa largas dezenas de jovens promessas e de já muitas certezas da ginástica acrobática no início de mais uma temporada desta belíssima e

exigente modalidade. O evento contou com a participação da maior parte dos clubes algarvios que têm ginástica acrobática, mas também de muitos emblemas provenientes do resto do país, incluindo ilhas, reflexo do enorme sucesso que a primeira edição da Faro Acro Cup registou no ano transato, assim como do excelente trabalho que é realizado na região numa modalidade que continua a encantar público de todas as idades.

ACTA APRESENTOU «OLEANNA» DE DAVID MAMET EM FARO

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

«OLEANNA» FARO

epois de estrear no Teatro Municipal

Joaquim Benite, em Almada, e de se apresentar no Cineteatro António Lamoso, em Santa Maria da Feira, e no Teatro das Beiras, na Covilhã, sempre com sessões esgotadas, «Oleanna», de David Mamet, foi a cena no Teatro Lethes, em Faro, de 21 a 29 de março, numa coprodução da ACTA, Companhia de Teatro de Almada/TMJB e Cineteatro António Lamoso e integrado nas comemorações do Dia Mundial do Teatro.

«Oleanna» é um espetáculo de teatro que retrata o confronto entre duas personagens – uma aluna e um professor. A aluna encontra-se com o seu professor no gabinete deste. Três vezes. Primeiro

para discutir a nota de uma disciplina na qual tem vindo a ter dificuldades. Num segundo momento, para falar acerca de uma suposta situação de assédio que terá tido lugar no primeiro encontro. Por último, para apresentar as exigências de um grupo de alunos que sustentam a acusação. Num jogo de poder assente nas esferas do público e do privado, chegamos a sentir que mesmo estando presentes, podemos não conseguir distinguir o que é verdade e o que não é verdade. Segundo o próprio autor do texto, o norte-americano David Mamet, “seja qual for a conclusão a que chegue, está errada”.

Em palco estão os atores Luís Vicente e Tânia Silva, que interpretam as duas personagens em conflito, e o telefone, que nesta encenação é considerado uma terceira «personagem». Encenado por

Luís Vicente, o espetáculo tem cenografia e figurinos de Rafael Davide Góis, um jovem artista farense emergente já com carreira internacional. Este é um espetáculo dirigido para público geral, maiores de 14 anos, com a duração de 60 minutos.

«Oleanna» é a 91.ª produção da ACTA, uma companhia profissional sediada em Faro, com mais de 25 anos de criação, produção e difusão teatral, transformando a cultura, formando

públicos e inspirando novas gerações, levando o teatro ao palco, às escolas, às comunidades e a todo o território. A ACTA é uma estrutura financiada pela República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto, DGArtes – Direção Geral das Artes; com o apoio do Município de Faro; com o apoio institucional da AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve; e os parceiros Algarve Informativo, RUA FM – Rádio Universitária do Algarve e Conectv Algarve.

CAMADA CONTINUA A BRILHAR COM O FANTÁSTICO «CALEIDOSCÓPIO»

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

BRILHAR «CALEIDOSCÓPIO» (2)

údico, misterioso, encantador, sempre em movimento, assim é o caleidoscópio, objeto que pode ser visto como um símbolo da diversidade e da interconexão de todas as coisas. E o «Caleidoscópio» que a CAMADA Centro Coreográfico apresentou, no dia 6 de março, no Teatro das Figuras, em Faro, foi precisamente uma celebração da riqueza e da diversidade de possibilidades da arte da dança.

Neste espetáculo, crianças, jovens e adultos, alunos da CAMADA Centro Coreográfico, uniram-se num percurso entre diferentes temas e estilos de dança, transformando o palco num caleidoscópio visual e emocional. Com Direção Artística de Carolina Cantinho, Direção Pedagógica de Margarida Cantinho e Coreografias de Paula Cabral, Margarida Cantinho, Viviana Costa, Carolina Cantinho, Ana Alberto e Maria Dias, «Caleidoscópio» esgotou por completo a principal sala de espetáculos da capital algarvia.

ZINHA ENCANTA NO «CHOQUE FRONTAL – AO VIVO»

NO TEMPO, EM PORTIMÃO

Texto: Vera Lisa Cipriano| Fotografia: Vera Lisa Cipriano

mais recente edição do programa radiofónico

«Choque Frontal –Ao Vivo», da Alvor FM, voltou a encher o pequeno auditório do Teatro Municipal de Portimão (TEMPO), no dia 26 de março, para uma noite marcada pela proximidade entre artista e público. A convidada foi a cantora e compositora Zinha, que protagonizou um concerto intimista aliado a uma conversa descontraída sobre o seu percurso artístico.

Com influências que remontam à infância, nomeadamente do teatro

musical e do cinema, Zinha desenvolveu a sua formação académica em Coventry, no Reino Unido, onde concluiu a Licenciatura em Música. O grande público português conheceu-a em 2024, através da sua participação no The Voice Portugal, integrando a equipa de Fernando Daniel. Nesse mesmo ano, lançou o EP «Sad/Happy», um trabalho onde explora dualidades emocionais e experiências pessoais. Atualmente, encontra-se a ultimar o seu primeiro álbum, «The Past Tense», com edição prevista para maio, reforçando a sua afirmação no panorama musical nacional.

Em palco, Zinha fez-se acompanhar pelo guitarrista Vasco Carvalho, apresentando versões acústicas dos seus

temas. Num ambiente contido e envolvente, músicas como «Why Do You Make Me Wait?», «Walls», «So Blue», «Secret», «You’re Not Alone» e «Forever» revelaram novas nuances, destacando a versatilidade e intensidade vocal da artista. Ao longo da sessão, a cantora partilhou com o público histórias e inspirações por detrás das suas composições, num registo de grande proximidade que é imagem de marca do programa.

Com produção e apresentação de Júlio Ferreira e Ricardo Coelho, o «Choque Frontal – Ao Vivo» continua a afirmar-se como um espaço privilegiado para a divulgação de talento português, promovendo encontros únicos entre artistas e audiência. A próxima emissão está agendada para 23 de abril, no mesmo palco, e terá como convidada a cantora Marta Lima. A entrada mantémse gratuita, com convites disponíveis no TEMPO na semana do espetáculo, limitados a dois por pessoa.

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