ALGARVE INFORMATIVO
7 de março, 2026

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7 de março, 2026





Mirian Tavares (pág. 14)
Júlio Ferreira (pág. 18)
Fábio Jesuíno (pág. 24)
Paulo Neves (pág. 28)
Algarve foi Destino Convidado na BTL 2026 (pág. 34)
Albufeira é Cidade Europeia do Desporto (pág. 60)
Loulé acelera na construçao de habitação pública (pág. 78)
CCDR Algarve com mais «poder de fogo» (pág. 84)
Almancil festejou 1.º aniversário de elevação a Cidade (pág. 96)
Ginástica acrobática em Lagoa (pág. 110)
José Francisco no TEMPO (pág. 126)









o ponto mais alto de Alcoutim, a Ermida de Nossa Senhora da Conceição erguese como um farol antigo. Do adro, a vista abre-se para o Guadiana, para o castelo e até para
Sanlúcar, já em Espanha. A escadaria barroca, construída no século XVIII, conduz os visitantes até um templo que é mais velho do que a própria igreja matriz e que durante séculos foi a primordial Igreja de Santa Maria de Alcoutim.

Foto: Município de Alcoutim
O portal manuelino, o altar-mor em talha dourada nacional, a rara mesa de altar forrada a azulejos hispano-árabes e as pinturas murais, testemunham um legado de quase sete séculos de história.
Classificada como Monumento de Interesse Público desde 2015, a ermida foi sede da Confraria dos Soldados e, mais recentemente, núcleo de arte sacra.
Apesar de intervenções nos anos 90, o edifício voltou a mostrar fragilidades. Uma candidatura ao Algarve 2030 trouxe agora uma nova vida: reparação de muros e coberturas, recuperação de pavimentos em madeira e tijoleira, substituição do velho relógio, reorganização do adro e criação de acessibilidades com uma plataforma para pessoas com mobilidade reduzida. O espaço envolvente foi igualmente requalificado, com melhorias na drenagem, iluminação e estacionamento.
Mas a reabilitação não se fica pela pedra e pelo estuque. O projeto contempla também a conservação do património móvel — retábulos, imagens e talha dourada — e abre o espaço a novas funções: acolher artes, espetáculos e residências criativas, em articulação com associações locais e com a comunidade artística estrangeira que encontrou em Alcoutim lugar para viver e criar.
A ermida integra hoje a rede cultural da vila, ao lado do Castelo, da Casa dos Condes e do Espaço Guadiana, e passa a ser ponto obrigatório para turistas e residentes. O objetivo é claro: aumentar visitantes em 1 por cento ao ano, dinamizar a programação cultural e reforçar a identidade de Alcoutim como terra de fronteira e de memória.



Mirian Tavares, professora
uvi, entre escandalizada e cética, a entrevista do primeiro português expatriado do Irão. O senhor, com enfadonho ar de beto, disse que estava à beira da piscina, no seu hotel de 5 estrelas, quando foi levado para o bunker do hotel. E disse ainda que achou “muito giro” ver os mísseis e os drones que brilhavam no céu. Escandalizada, porque nunca tinha visto tamanha falta de consciência e de empatia, escancarada, proclamada para vários jornalistas, sabendo que seria transmitido em cadeia nacional, para já, e retransmitido pelas redes ao resto do mundo. Cética, porque primeiro achei que aquilo era uma montagem, fruto da engenhosidade das pessoas com a IA. Mas não: era, de facto, um sujeito real a dizer coisas absurdas, não era deepfake Mal comparando, outro dia estava a estacionar no parque do Shopping Center e, parada à minha frente estava uma criatura, com a porta do carro aberta a ver-me fazer manobras. Quando entrei na vaga, percebi que ela tinha o carro demasiado para trás e o meu não caberia ali. Fiz-lhe sinal com as mãos, a mostrar-
Um bicho igual a mim, simples e humano Sabendo se mover e comover (…) Vinícius de Moraes
lhe que não conseguia estacionar e ela esbraceja e fala, em alto e bom tom, que havia montes de vagas, porque que queria eu parar logo ali. Fiquei a olhar até que ela entrou no carro e afastou-o para que o meu coubesse. Dou marcha atrás e vou parar noutro lugar. A criatura estava PARADA ao lado do carro, a ver-me tentar estacionar e, em vez de arrumar melhor seu carro, ficou a ver-me sem fazer nada, à espera, provavelmente, que eu batesse na traseira do seu carro. Este é apenas um exemplo de centenas de gestos, ou falta deles, que presenciamos quotidianamente. Cada um só se vê a si mesmo e que se dane o civismo, a educação, a boa-vontade, em suma, a empatia. Sentir com o outro e perceber que aquilo que eu não quero que me façam também não deveria fazer a ninguém. Isso até está escrito no Novo Testamento, já que andam tantos e tão bons cristãos de pacotilha a invocar o coitado de Deus a cada enormidade que cometem, em nome de um suposto bem maior. Andamos todos com vontade de rosnar, de morder uns aos outros, de enfiar a mão na cara de alguém. E esse mau-humor que nos afasta dos outros é uma pescadinha de rabo na boca –ninguém quebra o ciclo e por isso seguimos, infinitamente, num ciclo de

desamor e de desrespeito. Voltando ao sujeito que presencia o início de uma guerra insana e cuja única preocupação é dizer que estava num hotel de 5 estrelas à beira da piscina, fico a pensar em que ponto da civilização recuámos de forma tão abrupta. Estamos perante o
“enlouquecimento” global e não há nada de poético ou de feliz nessa loucura. Há apenas a sensação de detachment, de não pertencimento. E ficamos cada vez mais infelizes, raivosos e sós.


“Entre
Júlio Ferreira, inconformado
leitor pensa que vou entrar a pés juntos na política nacional e internacional e depois no fim, doulhes… o corredor dos iogurtes. Uma descida abrupta da geopolítica para o Actimel.
Estive perigosamente perto, a dois parágrafos e meio de escrever esta crónica sobre o estado calamitoso do mundo. Tinha o menu completo: guerras a multiplicarem-se pelo mapa como nódoas de vinho tinto numa t-shirt branquinha acabada de estrear, o imprevisível Donald Trump a produzir material à velocidade das reaparições estratégicas de Pedro Passos Coelho, teorias sobre extraterrestres que já não sabemos se vêm conquistar-nos ou pedir asilo, e até aquela adjudicação governamental a cabeleireiro e maquilhadora, para garantir que a nação continua impecavelmente penteada enquanto tudo arde e inunda à volta. Material não faltava. Drama, conspiração, indignação em embalagem familiar. Dava para uma trilogia, com prefácio indignado e tudo. Mas depois pensei: para quê competir com a realidade? O mundo já ultrapassou qualquer esforço criativo. Hoje em dia, a sátira corre o sério risco de ser confundida com ata parlamentar. Já ninguém distingue um texto humorístico
encartado
de um comunicado oficial. A diferença é que o meu teria menos vírgulas e mais bom senso. Por isso, fiz o que qualquer cidadão responsável faz em tempos conturbados: fui ao hipermercado. Não se riam já. A inspiração surgiu porque, na passada terça-feira, 3 de março de 2026, se celebrou o Dia Mundial da Vida Selvagem. E, qual David Attenborough, embora com menos orçamento e um persistente aroma a bacalhau demolhado, decidi observar com redobrada atenção a fauna do hipermercado. Uma espécie do BBC Vida Selvagem em versão marca branca. Num mundo em guerra, crises energéticas e líderes que parecem saídos de um casting falhado para vilões da novela da TVI, continuo a achar fascinante que a espécie dita «racional» revele o seu verdadeiro ADN no corredor das massas. Como o Guilherme Duarte fez em tempos e que serviu de inspiração para este «estudo», fui sem binóculos, mas com um bloco de notas mental:
A Comandante da Lista - entra no hipermercado com o olhar de quem já calculou o percurso mais eficiente entre os corredores. O trajeto foi otimizado mentalmente. Zero passos desperdiçados. Zero desvios. A lista está numerada. Por categorias. Com quantidades exatas. Há até margens de erro previstas. A lista não é papel…é escritura sagrada. Não improvisa. Porque improvisar é pecado. As

promoções piscam-lhe o olho. Ela não retribui. Degustações gratuitas são tentações do demónio comercial. Percorre os corredores com precisão cirúrgica. Não abranda no território das tentações. Passa pela secção dos chocolates como um monge budista atravessa um desfile da Victoria’s Secret: consciente, mas imune. Não está escrito? Não é vontade superior. Na caixa, coloca os produtos no tapete por ordem estratégica, como quem organiza uma pequena parada militar. Fala o essencial. Não vacila. Quando sai, dobra a lista com solenidade e guarda-a no bolso interior do casaco. Missão cumprida. Mais uma alma salva do consumismo.
Os filósofos da larica - Dois jovens, vinte e poucos anos, olhar enevoado e riso fácil como se estivessem a ressacar da ganza. No cesto: batatas fritas em tubo, donuts industriais e um sumo radioativo, daqueles que brilham no escuro. Discutem com a profundidade de quem acabou de descobrir o sentido da vida discutem sobre quais os melhores sabores de batata frita
como se estivessem a decidir a próxima Constituição da República e sobre que tipo de sumo que combina melhor com a vodka. Para eles, cada prateleira é uma epifania. “E se nos apetecer tostas mistas às quatro da manhã?”. Mete. “E se precisarmos de chantilly para acompanhar frango?”. Mete também. Na caixa, pagam em moedas, falam com voz de quem acabou de pagar o IMI e põem-se em bicos de pés para parecerem com mais de 18 anos.
O estudante minimalista - Versão sóbria do anterior. Cesto com orçamento de guerra: massa, atum, ovos, salsichas e vinho de pacote. Tudo marca branca, porque a marca da embalagem não altera o sabor da sobrevivência. Olha para os bifes como quem visita um museu: aprecia, mas sabe que não é para tocar, no máximo tira uma fotografia mental para um futuro que espera ter.
A mãe em modo exorcismo - Ouve-se um grito que faria corar um figurante do Exorcista. Mas não. É só uma criança em plena performance artística no chão encerado. Rola, guincha, parece falar línguas mortas e faz posições que nem a Santa Sé consegue explicar; se houvesse um padre na secção dos congelados já tinha começado a aspergir água benta nas pizzas. A mãe vive esse dilema moderno: se ignora, é negligente; se puxa pelo braço, é vilã. Está ali apenas para comprar iogurtes, mas saiu-lhe um teste público de pedagogia. E nós, juízes anónimos, avaliamos como se tivéssemos doutoramento em parentalidade.
O macho em crise calórica - Barba cerrada, postura firme. Aproxima-se das bolachas integrais como quem desarma
uma bomba. Espreita calorias às escondidas. Tem medo que duvidem da sua heterossexualidade como se ler rótulos fosse a porta de entrada para workshops de croché. Mete no cesto umas bolachas que sabem a cartão reciclado e segue caminho, aliviado por manter intacta a sua reputação de comedor de febras malpassadas e emocionalmente indisponível. Paga rápido. Fica preocupado e pensativo: “e se fui visto demasiado tempo na secção integral”.
A senhora de idade - Desloca-se devagar, com um carrinho que vai utilizando para esbarrar nas pessoas para as avisar da sua passagem. Fica sempre no meio do corredor, criando um bloqueio digno de manual tático. Apalpa cada peça de fruta especialmente os pêssegos, que são avaliados com a mesma seriedade de um exame médico. Perto da caixa, surge uma súbita coleção de dores nas articulações que justificam, quiçá, um avanço estratégico na fila, milagre clínico que desaparece assim que começa a arrumar as compras com agilidade olímpica digna de candidatura aos Jogos Sénior de 2028.
O caçador de promoções - Habita exclusivamente o território dos descontos. Compra três embalagens de algo que nunca experimentou porque “estava a metade do preço”. Na caixa, saca um molho de cupões como um mágico prestes a tirar um coelho da cartola. Reclama cinco cêntimos de diferença. Obriga à verificação. Suspira-se na fila. Afinal estava enganado. Encolhe os ombros: “Então já não quero”. Sai triunfante, convencido de que venceu o sistema. O sistema nem deu por ele, mas ele vai contar ao jantar que “os topou”.
O herói sem cesto - Entrou para comprar duas coisas. Agora equilibra doze. Um pacote de massa debaixo do braço, ovos na dobra do cotovelo, garrafão preso entre o queixo e o orgulho. Já é tarde para admitir erro de não ter levado cesto. Deixa cair um artigo, baixase para o apanhar e caem outros três, recolhe-os e tenta equilibrar tudo no que mais parece ser um casting para o Circo Atlas.
O profeta do Apocalipse - Dois carrinhos cheios de conservas, massas, refrigerantes e guloseimas e… papel higiénico. Ou prevê o colapso civilizacional ou vai organizar a festa infantil mais açucarada da história. Durante breves segundos penso: será que sabe algo sobre outro apagão que eu não sei?
O divorciado ou viúvo - O fulano meio zombie que se arrasta pelos corredores em busca de produtos que não faz ideia onde estão. Tira senha na zona do talho, espera meia hora e, quando chega à sua vez, pergunta ao senhor se tem tampões, confundindo talho com farmácia, mas com convicção. Demora duas horas. Sai transformado. Mais humilde. Mais cansado. E com três produtos errados. No meio disto tudo, penso muitas vezes: A evolução levou-nos da pedra lascada ao self-checkout. Mas basta uma promoção de bacalhau para voltarmos todos à savana. Confesso que me identifico mais com o “herói sem cesto”: excesso de ambição, falta de suporte. Mas um dia serei o senhor de idade. Devagar. A apalpar meloas com respeito e intenção. Porque há prazeres que exigem tempo… e duas mãos.



ou empresário em Portugal desde os 18 anos. Comecei cedo, com aquela mistura de ousadia e ingenuidade que, muitas vezes, é o que separa a ideia da ação.
Criei a minha primeira empresa muito novo, sem verdadeira noção da burocracia que me esperava, nem dos impostos que ia ter de suportar. E, honestamente, ainda bem. Se tivesse tido, na altura, uma fotografia nítida de tudo o que vinha aí, prazos, declarações, custos fixos, regras que mudam, obrigações que se acumulam, não sei se teria avançado. Às vezes, para começar, é preciso não saber demais: é preciso acreditar.
Com o tempo, aprendi o que nenhuma motivação no papel ensina. Em Portugal, empreender não é apenas vender um produto ou prestar um serviço. Não é só encontrar clientes, ajustar preços, diferenciar-se da concorrência e manter a qualidade. Não é só gerir equipas, liderar, criar cultura, formar pessoas e tomar decisões difíceis quando os números apertam. Tudo isso já seria suficiente para tornar a vida de qualquer empresário exigente. Mas por cá existe um desafio
adicional, permanente, que paira sobre o dia a dia de quem cria valor: a sensação de que nunca estamos sozinhos na sociedade.
Há sempre um sócio silencioso, o Estado. E não falo do Estado como ideia abstrata, ou como inimigo conveniente para justificar falhas. Falo do Estado enquanto presença constante na operação, nas regras, nos custos, na forma como o tempo do empresário é consumido. É um sócio que não investe capital, não arrisca, não partilha a incerteza do mercado, não está na linha da frente quando o cliente diz «não» ou quando a faturação cai. Mas está sempre presente quando há algo a entregar, a declarar, a pagar, a justificar. Um sócio que domina a agenda, define o calendário e, muitas vezes, dita as prioridades.
Na prática, isto significa que muitos empresários em Portugal vivem numa espécie de dupla gestão. De um lado, a gestão do negócio, produto, serviço, marketing, vendas, operações, pessoas, caixa. Do outro, a gestão do «sistema»: burocracia, contabilidade, fiscalidade, conformidade, relatórios, formulários, plataformas, prazos e alterações que chegam sem pedir licença. O problema não é existir regras, regras são necessárias. O problema é quando as

regras e a sua complexidade se tornam num labirinto onde se perde energia que deveria estar aplicada a inovar, contratar, exportar, melhorar processos e servir melhor os clientes.
Portugal é um país formado, em grande parte, por pequenos e médios empresários, verdadeiros pilares da nossa economia. Contudo, o Estado continua a tratá-los como se fossem grandes empresas, ignorando as suas limitações e as evidentes diferenças de escala. Falta uma distinção clara nas políticas públicas, nos apoios e na carga fiscal, o que leva muitos destes empresários a enfrentar as
mesmas exigências e obrigações que empresas com recursos incomparavelmente superiores. Essa ausência de sensibilidade para as realidades distintas do tecido empresarial enfraquece o crescimento sustentável e penaliza precisamente quem mais contribui para o emprego, a inovação e o desenvolvimento local. É também uma das razões pelas quais o país continua a ter uma maioria de empresas de pequena dimensão, porque os obstáculos ao crescimento são ainda demasiado pesados e desmotivadores.


ão é precisamente esse assunto que pretendo destacar diretamente, mas sim a importância da mulher na história de Faro e, assim, independentemente dos direitos nas diferentes épocas, destacar feitos e individualidades que marcaram a cidade, a região e o mundo, por via das farenses.
Em artigo anterior permiti-me lembrar do milagre da Nossa Senhora, Santa Maria do Gharb, cantado por Alfonso X. Destaque óbvio, mas fez-me vir à memória as nossas conterrâneas que, com enorme merecimento nos marcam.
Madragana Ben Aloandro, companheira de Afonso III que dela fez registar vária descendência, pois que de D. Matilde, rainha consorte, nenhum filho lhe veio. Desta moira encantada farense conhece-se, através de variada documentação genealógica em destacados jornais internacionais recentes, princesas que ingressaram e estabeleceram a linhagem da atual casa reinante dos Windsor.
Mas de Afonso III, ainda, recebemos, por via do seu (segundo) casamento (que contribuiu para a sua excomunhão pelo
Papa, por repúdio da Bolonhesa), com Beatriz, filha (ilegítima, quando isso contava) do já referido Alfonso X de Leão e Castela, o Reino do Algarve «por dote» concretizado na condição de nascimento, desde que perfizesse 7 anos, de varão herdeiro (o que veio a acontecer por via de D. Dinis, primeiro Rei do Algarve por direito) e assim se evitou a continuação da guerra, por décadas, pela posse do território que Castela considerava seu desde a derrota do califado de Niebla seu vassalo já antes da tomada de Faro em 27 de março de 1249.
As mulheres fazem mesmo a diferença nas relações de poder, além do mais.
Lembremos Brites de Almeida (1350), sem cuidar aqui de destacar a sua ação como a padeira (na contenda) de Aljubarrota (1385), serviu para mobilizar o Povo para o reconhecimento e investidura do Mestre d’Avis (por ali aclamado como Rei D. João I), fazendo-o representado na luta pela independência de Portugal. Merece um filme.
Tão marcante foi, nos finais do séc. XV, o facto de D. João II ter oferecido a vila de Faro à proteção de D. Leonor (de Avis), para a integrar na Casa da Rainha. Senhora da fundação das Misericórdias, do Convento de Nossa Senhora da
Assunção (antiga ordem de Santa Clara), de uma influência enorme nas causas sociais (instituições cujo trabalho perdura até hoje) e depois por D. Catarina (com D. João III) que concluí a obra conventual dando um novo núcleo urbanístico central na nossa Vila adentro substituindo, junto ao arco do Repouso, a primeira zona da judiaria abandonada desde o decreto de expulsão e com o Largo das Freiras (onde está agora a estátua de Afonso III).
Esse largo ficou registado nas memórias da visita de D. Sebastião (1573) por ser terreiro grande e formoso. Só mais de três séculos depois o Algarve viria a merecer outra visita régia (1897, com D. Amélia e El Rei D. Carlos) …

de Portugal. Precisamente Maria Veleda (pseudónimo de Maria Carolina Frederico Crispim), professora, autora, poeta, ativista política pelos direitos das mulheres e das crianças, maçon…
Mas falando da mais notável obra de Luis Vaz de Camões, dedicada a El Rei D. Sebastião, lembrar, neste contexto, que uma farense, Francisca de Aragão, que conheceu na corte, lhe serviu de profunda musa inspiradora. Camões veio a perder a olho direito numa contenda quando embarcado ao largo da costa do Algarve.
Tal como estas, do tempo da monarquia e já na transição com a República, outras farenses contribuíram e fixaram a história
“Pobres éramos, pobres ficámos e pobres somos, mas nas nossas almas arde sempre a mesma chama sacrossanta que nos iluminava quando gritámos pela primeira vez: Viva a República! Porque acima da Morte que me espera, está o ideal que me norteia. Sim. Viva a República”.
Poema de Maria Veleda de 1931, in blogue projetoteclar.:

Mor Afonso (Madragana, filha do governador mouro de Faro)
Penso que hei-de morrer, ai... brevemente
Pois da velhice pesam-me os invernos; Que hei-de ascender aos gozos sempiternos,
Aos pés de Deus, magnânimo e clemente. Em plena luz vivendo alegremente, Do mundo esquecerei negros infernos, Meus cânticos soltando, ledos, ternos, Num poema de Amor, efervescente.
Mas quem há-de amparar-vos, ó meus filhos??
Seguir-vos na aspereza destes trilhos?? Incutir-vos coragem p’ra viver??
Tendes outros afectos... sei-o bem!
Mas não tendes, não tendes outra Mãe... - Então choro... com pena de morrer!...
Continuando com poesia e intervenção pública, agora com outra grande de Faro
e de Portugal inteiro, Teresa Rita Lopes (19372025), que ainda conheci. Escritora aclamada, investigadora notabilíssima de Fernando Pessoa. Obra imensa: Os dedos, os Dias, as Palavras; … Estórias do Sul;
Margarida Cantinho, Dançarina e Coreógrafa, brilha e faz brilhar nos palcos, impressiona no mundo. As artes estão no seu firmamento, com a irmã Carolina e Faro no coração. Vão ainda dar muito que falar.
Não consigo aqui relembrar todas, mas, perdoem se incluir todas as grandes e mais, ainda na homenagem às (nossas) mães. Capazes de tudo. A minha, com 90 anos, também tem uma vida que dava um filme. Melhor, talvez um fado.
Amanhã, dia 8 de março, lembramos a Mulher. Por força das lutas sociais, da discriminação no trabalho e na participação política, mais do que razões românticas, destacar as mulheres para a recuperação de direitos individuais e coletivos na sociedade.
No mundo ainda há um longo caminho para se cumprir a igualdade de género.





Algarve
apresentou-se na BTL 2026 – Better Tourism Lisbon Travel Market, entre 25 de fevereiro e 1 de março, com uma das mais dinâmicas programações da feira. Enquanto Destino Nacional Convidado, a região assumiu um papel central na principal montra do turismo em Portugal, combinando presença institucional, ativação cultural, experiências enogastronómicas e momentos mediáticos de grande visibilidade.
Localizado no Pavilhão 1 da FIL, o novo stand do Algarve foi concebido como um espaço de descoberta e interação, reunindo municípios, associações e parceiros regionais numa agenda contínua que refletiu a diversidade do território e a capacidade de renovação do destino ao longo de todo o ano. A presença na BTL 2026 projetou-se nos principais palcos da feira logo no primeiro dia, com dois momentos de grande visibilidade. A região participou na CNN Portugal Summit, integrando a mesaredonda dedicada à diversificação geográfica e setorial do turismo,




reforçando o posicionamento estratégico do destino. Ainda nesse dia, a After Hour Party – Festa Algarve, com DJ DEELIGHT, levou a identidade e a energia da região ao Grand Hall da FIL, criando um momento de networking e celebração dirigido a profissionais do setor.
No dia 26 de fevereiro, o Turismo do Algarve deu a conhecer os destaques e prioridades do destino para 2026, apresentando as linhas estratégicas para
o futuro da região. A visibilidade mediática foi ainda reforçada com a participação na emissão da TSF a partir da FIL e com a transmissão do «Expresso da Meia-Noite» em direto do stand do Algarve, ampliando a projeção nacional do destino. A dimensão cultural e musical marcou igualmente a agenda, com atuações que foram da contemporaneidade de Dino D’Santiago aos momentos musicais protagonizados pelos Entre Aspas & Viviane e à presença



de um rancho folclórico, evidenciando a riqueza das tradições populares e a expressão cultural do Algarve enquanto elemento distintivo do destino.
A programação do stand evidenciou de forma clara a estratégia regional de diversificação da procura e valorização de novos segmentos turísticos. O turismo de negócios ganhou destaque com a apresentação do Centro de Congressos de Lagoa – Uma Nova Centralidade para Eventos em Portugal, infraestrutura que reforça a capacidade da região para acolher congressos, reuniões e grandes eventos corporativos, consolidando o posicionamento do Algarve no segmento MICE e contribuindo para uma procura mais qualificada e melhor distribuída ao longo do ano. A aposta na mobilidade e na descoberta integrada do território foi simbolizada pela apresentação da marca «Algarve by Car», que incentiva uma

experiência autónoma e personalizada do destino, promovendo a complementaridade entre litoral, barrocal e serra.
O mar mantém-se como elemento estruturante da identidade regional, com destaque para a náutica e para o Centro de Atividades Náuticas da Barragem de Odeleite – Uma nova praia, um novo destino, uma nova experiência, projeto que evidencia a valorização de novos polos de atração e a expansão da oferta para o interior do território. O golfe, produto âncora do Algarve, assumiu também protagonismo com a apresentação do PGA TOUR Champions 2026, reforçando o posicionamento internacional da região enquanto destino de referência nesta modalidade e a sua capacidade para acolher eventos desportivos de elevada notoriedade.




A valorização dos produtos regionais e da identidade do território foi outro eixo central da presença algarvia na BTL 2026. A apresentação do «Passaporte Rota dos Vinhos do Algarve», promovida pela Comissão Vitivinícola do Algarve, reforçou o crescimento do enoturismo enquanto segmento estratégico, ligando produção, cultura e experiência turística.
Ao longo dos cinco dias, o stand contou ainda com demonstrações enogastronómicas e momentos dedicados à promoção dos sabores regionais, sublinhando a gastronomia como elemento diferenciador do destino.
A participação reforçada do Algarve na BTL 2026 enquadrou-se na estratégia de consolidação do mercado nacional, que se mantém determinante para a estabilidade e sustentabilidade da atividade turística da região. “Ao longo destes cinco dias, o stand do Algarve
distinguiu-se pela diversidade, dinamismo e qualidade de toda a programação apresentada. Foram múltiplos os momentos de promoção, partilha, animação e capacitação, refletindo a riqueza e autenticidade do nosso território, a força dos nossos agentes e a capacidade de inovação que hoje caracteriza o destino. O consenso generalizado — partilhado por profissionais, parceiros, visitantes e pela própria organização — aponta para aquela que terá sido, inequivocamente, a melhor participação de sempre do Algarve nesta que é a mais importante feira de turismo realizada em Portugal”, analisa André Gomes.
Para o presidente do Turismo do Algarve, “todo o empenho e dedicação que colocámos nesta presença tiveram um propósito claro: prestar um reconhecimento orgulhoso, por um




lado, a todo o setor turístico regional e a toda a região que diariamente constrói a excelência do destino; e, por outro, aos milhões de visitantes que acolhemos no nosso território e que, de alguma forma, estiveram simbolicamente representados pelos milhares de pessoas que passaram pelo nosso stand ao longo destes dias”. “Queremos, por isso, agradecer penhoradamente a todos quantos nos visitaram, interagiram connosco e contribuíram para que esta tivesse sido, sem dúvida, a melhor participação de sempre do Algarve na BTL — numa edição que foi também considerada pela organização como a melhor de sempre”



















































Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina Pavilhão
Desportivo de Albufeira recebeu, no dia 28 de fevereiro, cerca de 1.500 pessoas para assinalar o começo oficial do programa de eventos no âmbito do título «Albufeira Cidade Europeia do Desporto 2026». A Gala de Abertura contou com um desfile dos clubes e associações desportivas do
concelho num espetáculo que ficará gravado na memória e que dá o pontapéde-saída para um ano dedicado à prática desportiva.
No começo da cerimónia, o presidente da Câmara Municipal de Albufeira, Rui Cristina, homenageou o seu antecessor, José Carlos Rolo, que faleceu no início do mês de fevereiro. Depois, pelo palco passaram vários artistas locais, como César Matoso e Carolina Leote, que

interpretaram o hino oficial «O Desporto Aqui Perdura», mas também Filipa Sousa, numa atuação que serviu de homenagem aos pescadores albufeirenses.
Numa gala apresentada por João Manzarra e Maria João Costa, o público assistiu ainda às atuações dos coletivos de dança locais LUEL e SOUL e à demonstração de ginástica acrobática a cargo de atletas do Acro Al-Buhera Clube de Ginástica de Albufeira. Na ronda de intervenções institucionais, o presidente do ACES Europe, Gian Lupattelli, mostrou-se confiante nas capacidades de Albufeira para honrar o título, ao passo que o Secretário de Estado do Desporto, Pedro Dias, realçou a importância de
apostar na prática desportiva, e de “alargar o desporto a toda a comunidade”.
Antes do encerramento, houve ainda tempo para o presidente da Câmara Municipal de Albufeira regressar ao palco e assumir o orgulho por dar início a um programa “muito ambicioso”. Rui Cristina destacou ainda a “força da identidade albufeirense” “Queremos afirmar ainda mais a marca Albufeira no coração das nossas gentes, com a coragem com que superamos a contrariedade e a ambição com que aproveitamos oportunidades”, acrescentou.










































novos fogos, mas nos próximos meses vão ser lançados novos projetos
hegar às 1.500 respostas
habitacionais em todo o concelho é o objetivo para os próximos quatro anos da equipa liderada por Telmo Pinto e, para concretizar esta aspiração, a Câmara
Municipal de Loulé quer lançar novos projetos já nos próximos meses. O

anúncio foi feito pelo edil louletano durante a sessão de assinatura da escritura para aquisição de 60 novos fogos de habitação pública na cidade de Loulé, presidida pela Secretária de Estado da Habitação, Patrícia Gonçalves Costa.
Para ultrapassar todo o processo burocrático, o autarca explicou que estão a ser elaborados procedimentos para

“conseguir contratar fora, quer o projeto como a construção da obra, o que permitirá, de uma só vez, atingir uma escala maior”. “Neste momento, a empresa municipal LC Global já preparou o documento, já foram identificados vários terrenos do Município, áreas de cedência e outros, e queremos avançar o mais rápido possível com a contratação. Esperamos chegar às centenas de fogos”, referiu Telmo Pinto, revelando que nos próximos dois meses serão lançados os primeiros concursos.
A par da construção, a Autarquia pretende ainda continuar a dar apoio financeiro ao arrendamento, aumentando o número de famílias que
irão beneficiar de habitação pública. “Hoje foi dado mais um passo importante para a Estratégia Local de Habitação do Município de Loulé, com a aquisição de 60 fogos já construídos, localizados na zona nascente da cidade. Esta escritura é o culminar de um processo que teve início em 2023, aquando de uma consulta pública ao mercado imobiliário”, recordou Telmo Pinto. Seguiu-se uma candidatura a fundos do PRR e agora finalmente os fogos estão na esfera da habitação pública e destinam-se a renda apoiada. Integrados em três lotes, os fogos dividem-se nas seguintes tipologias: 10 por cento são T1, 35 por cento T2 e 55 por cento T3. Esta aquisição representa um volume de investimento total de 15 milhões, 117 mil e 773,16 euros, sendo 85 por cento assegurado através de comparticipação não reembolsável do PRR – Plano de Recuperação e Resiliência e 15 por cento de capitais próprios do Município.
Na ocasião, a Secretária de Estado e o executivo municipal tiveram a oportunidade de visitar ainda os 64 fogos construídos no empreendimento Clona e as 18 moradias que estão a ser requalificadas no Bairro Municipal Frederico Ulrich. De referir que as famílias elegíveis a estas habitações já foram apuradas e haverá um sorteio, no final do mês de março/princípio de abril, para as pessoas que se encontram na mesma posição para a atribuição das primeiras 150 casas. Haverá ainda espaço para casas de função, para classes

profissionais específicas, nomeadamente, professores e profissionais das forças e serviços de segurança. “A Estratégia
Local de Habitação do Município de Loulé mostra a ambição e o rigor com que se tem trabalhado”, considerou a responsável governamental, reportandose às 21 candidaturas submetidas, que correspondem a cerca de 31 milhões de investimento e totalizam 185 fogos, beneficiando “500, 600, porventura 1000 pessoas”
Até ao momento já foram executados 78 por cento, “um universo muito representativo para aquilo que é o esforço e que tem de ser o contínuo de trabalho”, notou Patrícia Gonçalves Costa. “A habitação pública é isto, é a estabilidade social, é a concretização de projetos de vida para estas famílias. É conseguirmos fixar famílias, com boas condições de habitabilidade e com direito à cidade, o que é muito importante para os territórios serem
resilientes”, afirmou a Secretária de Estado.
Apesar de Portugal ter apenas 2 por cento de parque público habitacional, a governante considerou que esta resposta começa a ter alguma robustez. E adiantou que “a casa pública não pode destinar-se àquela família historicamente carenciada, destina-se também a uma classe média, aos professores, a todos aqueles que num momento não conseguem aceder ao mercado privado”. Telmo Pinto, por seu turno, sublinhou a importância da habitação na política municipal: “A habitação para nós é mesmo uma prioridade. A nossa rubrica da habitação tem 60 milhões e o nosso compromisso é chegarmos às 1.500 habitações nos próximos quatro anos. Somos ambiciosos e acreditamos que é possível”, concluiu o presidente da Câmara Municipal de Loulé.






Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina
Auditório David Assoreira da CCDR Algarve, em Faro, acolheu, no dia 2 de março, uma Reunião
Extraordinária do Conselho Regional que contou com a presença do Ministro Adjunto e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, do Ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre,
do Secretário de Estado do Planeamento e Desenvolvimento Regional, Hélder Reis, e do Secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, Silvério Regalado. O primeiro ponto da ordem de trabalhos foi a tomada de posse dos Vice-Presidentes da CCDR Algarve, I.P., tendo sido eleitos os Vice-Presidentes Jorge Manuel do Nascimento Botelho e Cristiano José da Ponte Cabrita e designados pelo Governo os Vice-Presidentes Maria Alexandra


Patrocínio Rodrigues Gonçalves, para a área da educação; Patrícia Maria Nunes Rego, para a área da saúde; Teresa Alexandra Viegas Correia, para a área do ambiente; Bruno Miguel Martins Inácio, para a área da cultura; e Fernando Manuel Neto Severino, para a área da agricultura e pescas.
No início da sessão, José Apolinário, presidente da CCDR Algarve, deixou um agradecimento aos anteriores vicepresidentes que cessaram funções, António José Pacheco, Elsa Cordeiro e Pedro Valadas Monteiro, assim como a todos os dirigentes intermédios e aos 250 colaboradores deste instituto público.
“Ninguém faz nada sozinho e é com sentido de serviço público, partilha e
envolvimento de todos que conseguimos cumprir aquela que é a nossa tarefa. Depois, uma palavra a todos os empossados: bem-vindos a bordo, «mares sãos e ventos de feição», como se diz na Marinha. Nós estamos a fazer governança multinível, aplicação e implementação das políticas públicas no território, e o objetivo é aumentar o peso económico do Algarve no plano nacional”, referiu José Apolinário, recordando que, na conceção inicial do Algarve 2020, o objetivo era chegar-se aos 5 por cento do PIB. “O confronto com a pandemia não nos permitiu lá chegar e, nos dados de 2024, representávamos 4,94 por cento. Portanto, o primeiro objetivo é termos uma região com maior peso económico
no plano nacional. A segunda razão por que estamos aqui é, com a correta utilização dos fundos públicos e dos programas geridos, do ponto de vista regional, contribuir para o aumento das qualificações. Estamos com um nível de formação superior, entre os 30 e os 34 anos, nos 33 por cento, quando a média nacional está acima dos 40 por cento. Até 2029, o nosso objetivo é aproximarmo-nos dos 40 por cento e, para isso, desenvolvemos com a Universidade do Algarve um plano de investimentos, articulados com os municípios, um conjunto de investimentos que tem que ser reforçado para alcançarmos as metas a que nos propomos”, frisou José Apolinário.
O presidente da CCDR Algarve enfatizou, igualmente, a necessidade de se aumentar o investimento em investigação e desenvolvimento no Algarve, isto apesar da região estar mais especializada no turismo. “Nos últimos quatro anos aumentámos em 30 por cento o investimento em I&D, um investimento que está hoje estabilizado entre 60 a 64 milhões de euros, mas isso representa apenas 0,44 por cento do PIB gerado na região. Para termos mais que 0,5 por cento do PIB precisamos de um investimento em I&D superior a 82 milhões de euros e esse também tem de ser um objetivo estratégico na nossa região. E o quarto ponto que aqui quero destacar é que precisamos melhorar a produtividade, que nos últimos 20 anos se manteve baixa. Só aumentando a produtividade é que podemos ter maior capacidade para aumentar os salários. E temos que

captar investimentos para fomentar a diversificação económica da região”, defendeu José Apolinário. “Somos um Instituto Público, temos a Lei Orgânica, temos o contrato de programa, temos o programa de cada área governativa, portanto, temos uma forte necessidade de nos concertarmos todos para defendermos o interesse público regional. E isso passa por aumentar o

peso económico da região no contexto nacional, aumentar a produtividade, aumentar as qualificações, aumentar o investimento em I&D, para termos uma região que tenha mais qualidade de vida, que possa proporcionar uma melhor qualidade de vida a quem aqui vive e trabalha”, concluiu José Apolinário.
Lealdade ao programa do governo aprovado na Assembleia da República
Conforme referido, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve passa a ter sete vicepresidente, o maior número de sempre no contexto nacional, “porque nunca as

CCDR’s tiveram tantas competências e vão desempenhar um papel fundamental neste processo de combate ao centralismo que o governo está a implementar”, explicou o Ministro Adjunto e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida. “Temos todos a noção que o nosso país é extensivamente centralista, sem embargo de um esforço importante que foi feito pelo anterior governo. Foram, de facto, descentralizadas diversas competências, mas esse processo tem que ser consolidado e, paralelamente, vamos continuar a descentralizar funções do Estado para as autarquias locais”, frisou Manuel Castro Almeida. “Uma coisa seria criarmos uma Administração Regional de Saúde ou uma Direção Regional de Educação, uma Direção Regional do Ambiente, e cada uma estava no seu lado,
dependendo do Ministro que a nomeou. Coisa diferente é criar estes serviços desconcentrados nas CCDR’s, que vão trabalhar concertada e coordenadamente, sentados à volta da mesma mesa para discutir as políticas setoriais e a sua integração e compatibilização à escala regional”, distinguiu.
Combater o centralismo é, para Manuel Castro Almeida, prioritário, “por via de uma desconcentração coordenada e eu acho que este é o caminho certo”. O Ministro Adjunto e da Coesão Territorial reconheceu, entretanto, que os vicepresidentes designados pelo Conselho de Ministros vão ter uma dupla dependência, do Governo e do presidente da CCDR Algarve, “um modelo que vai funcionar bem, presumindo que todas as partes têm bom senso e que são




pessoas equilibradas”. “Isto está feito para que funcione e, para bem de Portugal, é preciso que funcione. Os vice-presidentes vão ter um trabalho setorial, cada um na sua área, em estreita ligação com a política do governo, e o que se pede é lealdade ao programa do Governo que foi viabilizado na Assembleia da República”, esclareceu.
Manuel Castro Almeida defendeu ainda que as CCDR’s “devem voltar ao tempo em que não havia fundos europeus”. “Eu sou desse tempo e as CCDR’s tinham um grande prestígio e fizeram muito pelo país. Faziam o planeamento do desenvolvimento regional nas diferentes áreas setoriais, coordenavam
diferentes políticas setoriais, adaptando-as e ajustando-as aos seus territórios. Davam voz às especificidades regionais naquelas que eram as opções setoriais a nível nacional. Depois, vieram os fundos europeus, que foram excelentes para o desenvolvimento do país, ninguém o pode questionar. Só que as CCDR’s passaram a focar-se quase exclusivamente na gestão dos fundos europeus, e hoje os autarcas vêm às CCDR’s para tratar quase exclusivamente de fundos europeus. É muito importante que, na mesma mesa, se descubra a forma de melhor aplicarmos os recursos que cada região tem, e que nessa mesa estejam as diferentes áreas setoriais para que se



possa chegar a uma posição sustentável, a um plano regional”, declarou o governante.
A finalizar a sua intervenção, Manuel Castro Almeida destacou que as CCDR’s “ganham agora um poder de fogo mais alargado e o governo passa a ter um instrumento regional para intervir à escala regional”. “Não vamos deixar cair a descentralização para as autarquias locais, são processos de soma, sistemáticos, e estou muito confiante que este novo modelo de desconcentração para as regiões de competências que estavam em serviços centrais dos ministérios, vai resolver muitos problemas. As decisões vão ser tomadas mais depressa, e vão ser mais articuladas às diferentes necessidades. E quando chegar a hora de fazer
investimentos, vai haver uma visão mais global do território e não apenas uma visão setorial de cada uma das áreas da governação”, acredita. Quanto ao Presidente da CCDR Algarve, “vai ser o centro desse equilíbrio”. “Terá que articular com os diferentes ministérios e diferentes ministros e conviver com ligações diretas de ministros com os vice-presidentes, que devem ser supletivas, da mesma forma como um presidente de Câmara muitas vezes fala com o diretor do departamento sem falar com o vereador. O presidente José Apolinário é um homem que suscita confiança e não há nenhuma razão para que nenhum ministro possa querer ultrapassá-lo”, assegurou Manuel Castro Almeida.


Algarve precisa melhorar resultados na educação
A presença do Ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, na cerimónia veio comprovar a mudança do papel das CCDR’s, mas também pretende ilustrar a nova forma como este governo olha para esta pasta. “Nós temos responsabilidades nas políticas a nível nacional, que obviamente são definidas pelo governo, temos responsabilidade ao nível da disponibilização de recursos para a concretização dessas políticas nacionais, mas aquilo que precisamos cada vez mais é empoderar as regiões e os territórios para que as políticas nacionais aconteçam nos territórios mais eficazmente. Na área de educação, as autarquias assumiram um conjunto muito significativo de
competências e nós queremos aprofundar esse processo e ajustar os recursos disponíveis. Queremos igualmente que os Agrupamentos de Escolas tenham a sua autonomia reforçada, para poderem ter maior capacidade de executar os seus processos pedagógicos com menos dependência da administração central”, manifestou o governante.
Fernando Alexandre lembrou que existem 255 escolas no Algarve, que acolhem mais de 70 mil alunos, sendo que várias têm já financiamento previsto para serem reabilitadas. “Estamos a falar de mais de 5 milhões de euros por escola para beneficiar 15 mil alunos, num investimento que vai ter que ser realizado até ao final desta década. Neste momento, temos grandes necessidades de investimento, mas a

decisão é muitas vezes tomada sem uma base racional, sem um devido planeamento. Temos escolas que são verdadeiros palácios e, ao lado, escolas onde chove no interior. Num país democrático temos que afetar os investimentos com equilíbrio e de acordo com as especificidades e necessidades do país. E as CCDR’s vão ter aqui uma enorme responsabilidade”, entende o Ministro da Educação, Ciência e Inovação. “Estamos a falar de 1.550 milhões de euros para executar até ao final da década, para beneficiar a recuperação de 387 escolas, de uma forma equilibrada e que as pessoas reconheçam como justa. Isto exige planeamento, a proposta virá sempre da CCDR e, obviamente, quem depois valida é o governo”, explicou.
A vinda do Ministro da Educação, Ciência e Inovação deveu-se também ao
facto do Algarve ser uma das regiões com mais desafios pela frente na área da educação, face aos resultados menos positivos que apresenta, seja nas provas de moda, nos exames nacionais, nas taxas de desistência, de retenção ou de abandono. “Quando temos uma população com piores resultados em termos escolares, significa que essa população tem menos oportunidades de escolha na vida. Há uma ligação muito próxima entre os resultados escolares e a empregabilidade, os salários, a saúde, a forma como as pessoas se comportam na vida. O Governo está a fazer um grande esforço nesta região, está disponível para colocar aqui recursos, mas precisamos de uma estratégia que contribua para melhorar os resultados da educação neste território e a CCDR Algarve vai ser cada vez mais importante para isso”.


Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina
lmancil festejou, no dia 27 de fevereiro, o primeiro aniversário de um dos momentos mais significativos da sua história recente, a elevação a cidade. Como tal, a Junta de Freguesia, liderada por Paulo Teixeira, assinalou a efeméride no Pavilhão Multiusos 25 de Abril com um programa dedicado ao desporto e às artes.
O evento, que privilegiou o convívio entre todos, incluiu uma aula de pilates, atividades escolares, uma aula de zumba, a atuação da ADA – Academia de Dança do Algarve, uma demonstração da APAGL – Associação de Pais e Amigos da Ginástica de Loulé e um baile animado por Tomás Faísca, encerrando com o corte do bolo de aniversário e o cantar dos parabéns.








































época 2025/26 de ginástica acrobática no Algarve deu o pontapé-de-saída com o 1.º Encontro de Infantis, o Torneio de Iniciação e o 1.º Torneio de Níveis, no dia 14 de fevereiro, no Pavilhão Municipal Jacinto Correia, numa organização da ACD Che Lagoense e da Associação de Ginástica do Algarve com o apoio do Município de Lagoa.
A expetativa era muita, como seria de esperar, por se tratar da primeira prova oficial do ano, com novos pares e trios, novos esquemas, novas coreografias e figuras, novas roupas, mas com uma coisa em comum: a enorme alegria com que centenas de jovens ginastas sobem ao praticável para fazer aquilo que mais gostam. Não admira, por isso, que a bancada do pavilhão estivesse completamente esgotada durante toda a manhã e tarde, com constantes gritos de incentivo aos atletas, e muitas lágrimas


os olhos e sorrisos nos rostos dos pais orgulhosos.
Uma demonstração de que a ginástica acrobática está de saúde no Algarve, com excelentes desempenhos dos ginastas da APAGL – Associação de Pais e Amigos da Ginástica de Loulé, da ACD Che Lagoense, da AGS – Associação de Ginástica de Silves, do LDC – Louletano Desportos Clube, do Acro Albuhera –Clube de Ginástica de Albufeira, da GCL –Ginástica Clube de Loulé, do CEDF –Clube Educativo e Desportivo de Faro e da CPSBM – Casa do Povo de São Bartolomeu de Messines. Nesta edição fica a primeira parte do Torneio de Niveis.

























































Texto: Teresa Coelho| Fotografia: Teresa Coelho



programa da Alvor FM
«Choque Frontal – Ao Vivo»
regressou ao palco do TEMPO – Teatro Municipal de Portimão, no dia 26 de fevereiro, para mais uma edição integrada na programação da primeira temporada de 2026. O convidado da noite foi o cantor e compositor José Francisco, que protagonizou uma conversa intimista e sem filtros, marca distintiva do formato.
Conhecido pelo registo direto e próximo do público, o «Choque Frontal» voltou a
criar um ambiente de grande cumplicidade entre artistas e espectadores. Ao longo da sessão, intercalando conversa e música, José Francisco interpretou os temas «Ao Pé de Mim», «Fica Só», «Primeira Vez», «Dois Estranhos», «Viver Contigo» e apresentou ainda, em estreia, «História Por Contar» e «Logo o Meu».
O artista tem vindo a consolidar o seu nome no panorama musical português, depois do êxito de temas como «Fica Só» e «Viver Contigo», tendo lançado recentemente o single «Dois Estranhos». A participação no The Voice Portugal 2024 deu-lhe projeção nacional, reforçando um percurso que inclui

colaborações diversas, atuações em eventos de relevo e a presença na banda sonora da novela da TVI «A Protegida».
Apresentado por Ricardo Coelho e Júlio Ferreira, o «Choque Frontal – Ao Vivo» assinalou nesta edição o seu 9.º aniversário. Após o término das gravações, a celebração prolongou-se fora do palco, com José Francisco a interpretar mais um tema à guitarra, acompanhado pelo público, que se juntou depois para cantar os parabéns ao programa e brindar aos apresentadores e convidados.
O programa é posteriormente emitido na Alvor FM (90.1) e online em alvorfm.com. A próxima edição está marcada para 26 de março, com a atuação de Zinha, cantora e compositora
que integrou a equipa de Fernando Daniel no The Voice Portugal 2024 e lançou recentemente o EP de estreia «Sad/Happy». A artista encontra-se atualmente a preparar o segundo EP, com lançamento previsto para o início de 2026.
O «Choque Frontal – Ao Vivo» continua assim a promover encontros únicos com artistas nacionais, mantendo entrada gratuita. Os convites estão disponíveis na quinta-feira anterior a cada espetáculo, durante o horário de funcionamento do TEMPO, limitados a dois por pessoa. O programa é produzido, realizado e apresentado por Júlio Ferreira e Ricardo Coelho, numa coprodução entre a Alvor FM e o Teatro Municipal de Portimão, com o apoio da Câmara Municipal de Portimão.






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