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REVISTA ALGARVE INFORMATIVO #513

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ALGARVE INFORMATIVO

ÍNDICE

Mirian Tavares (pág. 16)

Fábio Jesuíno (pág. 20)

Nuno Campos Inácio (pág. 24)

Associação de Municípios da Ria de Alvor (pág. 28)

98.º aniversário do Ginásio Clube Naval de Faro (pág. 36)

Teatro das Figuras apresentou programação para 2026 (pág. 46)

Rui Sanches expõe em Lagos (pág. 54)

Ginástica rítmica encantou Portimão - Parte III (pág. 64)

«Entraria nesta sala» no Cineteatro Louletano (pág. 96)

«a Arte de incluir» no TEMPO (pág. 122)

Chão Comum: Terraphilia Exposição de Susana de Medeiros

(Galeria Trem-Manuel Baptista. De 05 de Fevereiro a 26 de Abril)

(...) E era como se a água Desejasse Escapar de sua casa que é o rio E deslizando apenas, nem tocar a margem. Te olhei. E há tanto tempo Entendo que sou terra(...).

Hilda Hilst

artista, há tempos, pediu-me para levar para o seu barco terra e sementes. Terra de um lugar que significasse muito para mim. E sementes — porque o seu trabalho trata mesmo disso — de semear ideias, de plantar num solo comum o que, não sendo incomum, é convertido, pelos artistas, numa linguagem específica, através de um idioleto que os torna particulares. Susana de Medeiros consegue (im)plantar em nós a materialidade do visível, de um visível que nem sempre é olhado, porque está sob nós — um chão que nos sustenta e de onde vem quase tudo o que nos faz humanos. A terra que é nossa mater, no sentido em que dela é retirada a matériaprima que nos constitui.

As questões do chão comum envolvem mais do que nós, humanos. Envolvem todos os seres, todas as categorias de seres, todos os que habitam connosco este mesmo chão. A artista ressalta a nossa relação com os outros, que não são apenas os semelhantes que não (re)conhecemos, mas também os outros que habitam o espaço à nossa volta e que, durante séculos, vimos como inferiores a nós, menos importantes do que nós na lógica do progresso e da nossa mundividência.

Donna Haraway fala-nos das ligações tentaculares que nos unem a outras espécies. E a obra da artista revela-nos, de forma delicada, esses tentáculos — raízes que brotam de matérias trabalhadas. A matéria crua que se contrapõe à outra, transformada pela mão humana, criando uma ligação orgânica e evidenciando o discurso da

artista através da sua arte, que é a sua fala, o seu idioma próprio.

Um barco que carrega, dentro de si, sementes é a obra central da exposição. Deveria levar as sementes, e a areia, que eu fiquei de lhe entregar. A minha terra está muito longe; talvez de barco pudesse ir recolher a areia quente da praia que não está aqui. O meu texto é a semente que lhe ofereço, como algo que pode ser espalhado e que pode florescer.

A obra de Susana de Medeiros fala por si.

E eu apenas deixo a minha pequena oferta neste texto que é, na verdade, um preâmbulo para as reflexões da artista sobre o seu processo. E ninguém melhor do que ela mesma para falar daquilo que nos traz, daquilo que fez, daquilo que pensa com o que cria, daquilo que a constitui.

Foto: Isa Mestre

A Revolução da Inteligência Artificial: Como está a transformar o mundo

Fábio Jesuíno, empresário

stamos a viver um momento histórico na humanidade, a inteligência artificial (IA) tornou-se uma realidade que molda o presente e redefine o futuro. Nos últimos anos, os avanços neste campo ultrapassaram todas as expectativas, transformando a forma como trabalhamos, aprendemos, criamos e interagimos com o mundo.

Com uma capacidade de processamento e análise de dados sem precedentes, a IA expandiu os limites do possível. Desde a descoberta de novos medicamentos e o desenvolvimento de tecnologias médicas mais precisas, até à criação de obras de arte, música ou textos através de modelos generativos, a IA já está integrada em praticamente todos os aspetos da vida moderna.

A rápida evolução da IA levanta questões profundas sobre o futuro do trabalho. A automação de tarefas está a transformar setores inteiros, substituindo funções repetitivas e administrativas, mas também a criar novas oportunidades em áreas emergentes como a ciência de dados. Países que investem em formação digital e requalificação profissional estão

melhor posicionados para tirar partido dessa revolução tecnológica.

Com o crescimento da IA, surgem também desafios éticos. A recolha massiva de dados, pilar fundamental para o funcionamento desses sistemas, levanta preocupações sobre privacidade, vigilância e manipulação de informação. Em resposta, a União Europeia aprovou em 2025 o AI Act, um marco regulatório que visa estabelecer regras claras para o uso responsável e transparente da inteligência artificial.

Outro desafio é a tendenciosidade algorítmica. Quando treinados com dados incompletos, os sistemas de IA tendem a reproduzir e até amplificar desigualdades já existentes na sociedade. Por isso, é essencial incentivar o desenvolvimento de práticas e pesquisas que assegurem a justiça, a transparência e a possibilidade de auditoria nos algoritmos, promovendo um uso realmente ético e responsável da inteligência artificial.

Apesar das preocupações, o potencial positivo da IA é imenso. Na medicina, já permite diagnósticos mais rápidos e precisos, deteção precoce de doenças e desenvolvimento acelerado de novos medicamentos. Na educação, torna o

ensino mais personalizado, adaptando o ritmo e o conteúdo às necessidades de cada aluno. E nas questões globais, como a crise climática e a segurança alimentar, a IA é usada para otimizar recursos, prever catástrofes e criar soluções inovadoras e sustentáveis.

Aproveitar os benefícios da IA exige investimento em educação, literacia digital e colaboração entre governos, universidades e setor privado. É essencial garantir que o desenvolvimento tecnológico seja acompanhado por

políticas públicas que promovam a inovação responsável, sem deixar ninguém para trás.

A revolução da inteligência artificial não é apenas tecnológica, é também cultural, social e ética. Estamos a construir o futuro em tempo real. Cabe-nos assegurar que essa nova era seja guiada por valores humanos, colocando a inteligência artificial ao serviço do progresso e do bem comum.

Prevenir para não remediar Nuno Campos Inácio, editor e escritor

a edição de 20 de Fevereiro de 2021 deste «Algarve Informativo» foi publicado um texto que relata os estragos provocados pelo Ciclone de 15 de Fevereiro de 1941, nas diversas localidades algarvias que ora recordamos e convidamos à (re)leitura.

Sem pretendermos desvalorizar, de modo algum, os prejuízos provocados pelas depressões dos últimos dias, sabemos que nenhuma delas se aproxima, sequer, do «Monstro» (como foi apelidado o Ciclone de 1941), que varreu o país de Sagres a Bragança. Matou mais de uma centena de pessoas, arrancou mais de 200 mil árvores só no concelho de Abrantes, provocou uma chuva de peixes na serra algarvia, destruiu casas, levou telhados, afundou navios e provocou inundações em locais nunca antes atingidos pela água.

Não pretendemos, com esta crónica, fazer comparações, mas antes analisar e questionar.

Sabemos que, independentemente do impacto humano sobre o clima, ciclicamente ocorrem eventos extremos e catastróficos, sejam originados pela chuva, pela seca, pelo vento, pelo fogo, ou pelos movimentos tectónicos. Já no

século XVIII, quando as fontes escritas se multiplicam, encontramos relatos da Fortaleza da Praia da Rocha a ser evacuada, por estar a ser inundada pelas ondas que galgavam a fortaleza; de uma barragem na Vila do Bispo que rebentou pela pressão das chuvas, depois de uma década de seca profunda; ou dos vários terramotos e maremotos que arrasaram a costa do país.

A questão que se coloca pode ser resumida deste modo: «Como pode um país que está sempre a fazer simulacros e testes de stress, que invariavelmente correm bem, estar tão impreparado para responder quando as catástrofes ocorrem?»

Apesar da força destrutiva do Terramoto de 1941, podemos dizer que a sociedade respondeu com normalidade. Em mais de 90 por cento do país não existia luz elétrica, água canalisada, saneamento básico, telefone, estradas pavimentadas, eletrodomésticos e muito menos invenções recentes como televisão, internet ou comunicações. Esses recursos, hoje imprescindíveis, não faziam parte da vida quotidiana da sociedade portuguesa.

Felizmente a sociedade evoluiu e hoje temos esses confortos, mas, a existência desses confortos obriga a um maior investimento na prevenção. As casas e os

bens pessoais das famílias são extremamente importantes e indispensáveis, mas, no presente, só fazem sentido conjugadas com outros recursos básicos, como sejam a eletricidade, a água, o saneamento, o gás e as comunicações.

É impensável exigir-se às sociedade e às famílias que, corrido o primeiro quarto do século XXI, se torne expectável que as pessoas tinham de passar a viver ao longo de dias, ou de semanas, privados de serviços que aos dias de hoje são vistos como indispensáveis à vida humana e social. Mas é o que acontece sempre que o país se vê confrontado com um evento mais extremo. A primeira estrutura a cair em situações de crise é aquela que integra os produtos e serviços mais básicos à sobrevivência. A prevenção simplesmente não existe e a máquina do Estado é tão pesada, que não consegue dar uma resposta à altura.

É em plena crise que a população descobre que existem comportas de barragens que não funcionam por falta de

manutenção; que não existem geradores de reserva para o fornecimento de energia elétrica numa situação de emergência; que os meios humanos e materiais do exército têm de ser requisitados pela proteção civil; que existe uma autoridade central que deve coordenar uma resposta do Estado Central, mas que em situações de crise perde o contacto com as estruturas regionais e locais.

O Estado tem de perceber que os fenómenos cíclicos ocorrem ciclicamente e exigem preparação. É nos tempos de seca que devem ser realizadas obras de limpeza e de manutenção; é nos períodos de cheias que devem ser projetadas as urbanizações e as vias de comunicação; é preciso investir em redes (luz, água, saneamento, gás) mais resilientes às intempéries e criar uma rede de abastecimento de reserva que possa estar disponível em qualquer parte do país em poucas horas.

Aqui chegados, os leitores estarão a pensar, com toda a justiça: «Esta semana o Nuno escreveu um artigo que não acrescenta nada. São só «verdades de La Palice», que já toda a gente sabe e conhece».

É verdade, mas, se assim é, por que não o fazem?!

Portimão e Lagos assinaram Carta de Intenções para reativar a Associação de

Municípios da Ria de Alvor

s Municípios de Portimão e Lagos assinalaram o Dia Mundial das Zonas Húmidas, a 2 de fevereiro, com a assinatura de uma Carta de Intenções destinada à reativação da Associação de Municípios da Ria de Alvor. A cerimónia teve lugar no Centro Interpretativo do Salva-vidas de Alvor e contou com a presença dos presidentes das duas autarquias, respetivamente, Álvaro Bila e Hugo Pereira.

Criada a 2 de fevereiro de 2005, a Associação de Municípios da Ria de Alvor pretendeu ser uma plataforma de cooperação entre os dois municípios, com o objetivo de proteger e valorizar este território comum, promovendo o seu uso sustentável, a conservação ecológica e o desenvolvimento económico e cultural. Por diversas contingências, o funcionamento da Associação veio a ser interrompido em 2011.

Atualmente, as Câmaras Municipais de Portimão e Lagos partilham uma visão

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

estratégica convergente para o futuro da Ria de Alvor, assumindo como prioritária a retoma de uma gestão conjunta deste património natural. A Carta de Intenções agora subscrita estabelece as bases para um novo ciclo de cooperação, com o intuito de capacitar o território para uma gestão conjunta e responsável de um valioso património partilhado e comum; valorizar o território através de uma classificação ambiental e sustentável; explorar o potencial identitário do território através da valorização dos seus recursos naturais, históricos e ambientais; compatibilizar de forma responsável e sustentável o uso do território de forma clara e regrada; aprofundar conhecimentos científicos e académicos para consolidar uma visão estratégica e de acompanhamento ativo do território sustentável; e criar políticas

e consequentes instrumentos de conservação e valorização do território, com especial enfoque em matéria ambiental.

Existe igualmente a consciência da necessidade de desenvolver trabalhos para a devida atualização e revisão dos estatutos à luz da legislação atual aplicável, de redefinir um Plano de Ação com base nos eixos acima anunciados, de captar financiamentos para a prossecução desse Plano de Ação e de capacitar a Associação de Municípios da Ria de Alvor para a execução dos seus objetivos. “É um trabalho conjunto das nossas equipas, tanto de Portimão como de Lagos, bem como do pessoal do Museu de Portimão e da Associação A Rocha, que é um parceiro fundamental na preservação deste

meio ambiente, e dos presidentes das Juntas de Freguesia de Odiáxere e de Alvor, os guardiões da nossa Ria de Alvor”, destacou Álvaro Bila. “Este ato simboliza o nosso compromisso com a preservação do meio ambiente e o reconhecimento da importância das zonas húmidas, inclusive para consolidarmos estas zonas envolventes, quer de Alvor, quer de Odiáxere, quer da Mexilhoeira Grande. O objetivo final é deixarmos este mundo melhor do que o encontramos para as gerações futuras”, realçou o edil portimonense.

Hugo Pereira enalteceu, por sua vez, a rapidez com que, 20 anos volvidos da criação da associação, se chegou a acordo para a sua reativação. “A situação económica dos dois municípios levou, na altura, à suspensão da associação, mas no início deste mandato conversamos os dois para que esta questão fosse resolvida”, indicou o presidente da Câmara Municipal de

Lagos. “As questões ambientais não podem ser descuradas e os últimos dias têm demonstrado, mesmo àqueles que mais desconfiam das alterações climáticas, que elas existem e que, se não fizermos nada para as contrariar, um dia será tarde demais, pois a destruição que causam tem sido por demais evidente”, frisou o autarca.

O edil lacobrigense sublinhou que “estes organismos municipais são tão responsáveis, ou às vezes até mais, do que os organismos centrais, e tem que se perder a ideia de os políticos locais se esquecem das questões ambientais e que só o Estado é que sabe preservar”. “A economia da Ria também é muito importante, a sua componente turística, o setor da pesca, que há que manter ativo para as gerações futuras. Tenho a certeza de que, em conjunto, vamos tornar a Ria de Alvor num sítio ainda mais magnífico do que já é”, concluiu Hugo Pereira.

Ginásio Clube Naval de Faro celebrou 98 anos de história e muitas conquistas

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Mafalda Castro/Epopeia Brands

Ginásio Clube

Naval de Faro celebrou o seu 98.º aniversário, no dia 23 de janeiro, no Hotel Eva Senses AP, com a presença de membros da direção, sócios, funcionários, atletas e organizações parceiras. A cerimónia começou com um discurso de Vanda Veríssimo, Presidente de Mesa da Assembleia Geral do Ginásio Clube Naval de Faro, onde recordou que 2025 foi um

ano de muitas conquistas para o clube e para os atletas que fazem parte da sua estrutura, “e dos quais o GCNF se orgulha diariamente, por levarem o nome do clube e do país alémfronteiras”

A noite prosseguiu com o habitual jantar e momentos de convívio entre os presentes. Ricardo Pinto, Diretor Regional do Algarve do IPDJ, demonstrou apoio e incentivo aos jovens atletas que dedicam o seu tempo nas diferentes modalidades desportivas, mantendo-se

ativos e presentes no desporto da região. Mais tarde, foram entregues alguns prémios de mérito desportivo aos atletas das modalidades de Vela, SUP, Natação e Triatlo do clube, e foram feitas também diversas agraciações dirigidas a parceiros, atletas e funcionários e membros do Ginásio Clube Naval de Faro, que dedicaram o seu tempo e esforço em prol de um objetivo comum.

Hugo Rocha, medalhado olímpico em Atlanta, foi agraciado com a distinção de Prémio Louvor, pelo seu envolvimento com o desporto e com o clube, ao longo dos anos. Também Vítor Filipe e a Docapesca foram reconhecidos nesta noite, pelo seu papel nas conquistas e projetos dos quais o GCNF faz parte, bem como de todas as ideias e iniciativas que

estão pensadas para o futuro do clube e da região de Faro.

Após o jantar, falaram Carlos Luís, Vereador do Desporto da Câmara Municipal de Faro, José Macário Correia, Presidente da Assembleia Municipal, José Apolinário, Presidente da CCDR Algarve, e João Marques, Presidente do Ginásio Clube Naval de Faro. Os discursos tiveram como foco o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido conjuntamente ao longo dos últimos meses, no sentido de continuarem a fazer parte de novos projeto e iniciativas que valorizam o desporto na região. “Tem sido uma honra fazer parte do passado, presente e futuro do desporto do concelho de Faro, de ver crescer tantos atletas de qualidade, com garra para evoluir e

levar o nosso nome mais longe, mas mais do que isso, o nome deles”, referiu João Marques, Presidente do GCNF, que terminou o seu discurso com uma nota importante para o futuro: “As parcerias que até aqui conseguimos estabelecer têm sido fundamentais para o sucesso de cada uma das provas e iniciativas que organizamos, mas para 2026 queremos fazer ainda mais. Queremos dar asas a novas ambições, novos melhoramentos no nosso clube e novos projetos que nos permitam contribuir de forma ativa para uma região cada vez mais náutica e desportiva”.

Homenageados

Prémio Mérito Desportivo

Na modalidade de Vela: David Cabrita, José Paulo Monteiro, Matilde Guedes e Sienna Wright

Na modalidade de SUP: Fernando Suarez

Na modalidade de Natação: Daniel Fisticanu e Zoe Condon

Na modalidade de Triatlo: Duda Duarte, Elisa Pescada e Patrícia

Neto Martins

Prémio Louvor

Hugo Rocha

Reconhecimento

Luísa Fazenda

Vítor Filipe

Docapesca

Teatro das Figuras quer continuar a ser um farol cultural no Algarve

O Teatro das Figuras, em Faro, deu a conhecer, no dia 30 de janeiro, os principais destaques da programação para 2026 e reafirmou a sua importância enquanto referência cultural em Portugal, especialmente a sul do Tejo. O ano de 2025 foi marcado por 168 sessões e mais de 69 mil espectadores e os meses que se seguem focam-se na interseção entre artes e inteligência artificial. Uma programação que continua a apostar forte nas coproduções e que inclui várias estreias de artistas renomados, iniciativas de inclusão cultural e debates sobre o impacto da tecnologia nas artes. O investimento municipal é de cerca de 1,1 milhões de euros, num orçamento total de 2,5 milhões de euros.

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

epois de um ano em que superou recordes, o Teatro das Figuras preparou para 2026 uma programação eclética, pensada para todos os segmentos de público, e

dando palco às diversas artes performativas. O advento das novas tecnologias e, em especial, da Inteligência Artificial, será o mote deste ano, com um conjunto de eventos dedicados e uma conferência subordinada ao tema. “O Município de Faro tem feito um forte investimento

ao longo dos últimos anos para afirmar o Teatro das Figuras como um dos principais pontos de referência do país, apenas atrás dos espaços existentes em Lisboa e Porto, pelo que marca, certamente, presença nos cinco principais teatros de Portugal”, salientou António Miguel Pina, presidente da Câmara Municipal de Faro e presidente do Conselho de Administração do Teatro Municipal de Faro.

Em 2025, ano em que se assinalou o 20.º aniversário do Teatro das Figuras, pelos eventos organizados dentro e fora de portas passaram mais de 69 mil espetadores, num total de 168 sessões, das quais 39 com lotação esgotada. O

ano ficou ainda marcado por 7 estreias e 26 coproduções. “A retrospetiva de 2025 mostra bem o dinamismo que este Teatro tem”, confirmou Gil Silva, Diretor-Delegado do Teatro das Figuras, adiantando que, para 2026, o mote da programação será o advento das novas tecnologias e da Inteligência Artificial. “Queremos debruçar-nos sobre o modo como a Inteligência Artificial se articula com as artes e a criação artística, bem como refletir sobre os novos paradigmas que estão a surgir, como questões relativas ao direito autoral, propriedade intelectual, entre outros”, explicou.

A programação do Teatro das Figuras divide-se em vários eixos, um dos quais as

coproduções, que continuam a ser uma das apostas fortes da programação.

Assim, para 2026 destacam-se as coproduções com a ArQuente em «Paraíso meu Paraíso», uma performance com criação de Lígia Soares; com a C4M4

A.C. em «A Luminosa Violência da Perfeição», com coreografia de Daniel Matos, e cuja estreia será no Teatro das Figuras; com a ACTA – A Companhia de Teatro do Algarve, com «Petróleo», texto vencedor do Prémio Novas Dramaturgias José Louro; com o Theatro Circo de Braga, no concerto «Maria João, André Mehmari & Carlos Bica», a assinalar o 21.º aniversário do Teatro das Figuras; com a coreógrafa Despina Sanida Crezia na estreia absoluta de «Off, Off, Off»; com a Rede Azul em «Corpo do Corpo», da AORCA; com a casaBranca na estreia do espetáculo «TecnoZombies», uma criação com assinatura de Ana Borralho e

João Galante; e com a Companhia Olga Roriz na estreia do espetáculo «Oásis».

Outro dos eixos programáticos são os ciclos, nomeadamente o Ciclo Grande Solistas, um conjunto de quatro concertos numa parceria com a Orquestra do Algarve; o novo ciclo de música «Noites à Margem», com um formato diferente do habitual; um ciclo dedicado ao Fado, com os concertos de Camané, Gisela João, Carminho e Sara Correia; a 10.ª edição do festival «Os Dias Do Jazz», a decorrer no mês de maio; e ainda o festival de dança, «Dance, Dance, Dance», a ter lugar em setembro. No âmbito da Mediação Cultural & Pensamento, o Teatro das Figuras vai dar continuidade ao projeto «Os Invisíveis», que iniciou no ano anterior e prossegue, em 2026, direcionado a outro público; vai realizar o ZOOM – Encontro de Mediação

Cultural, nos dias 22 e 23 de abril; o ciclo de conversas «Em que é que as artes contribuem para a minha felicidade»; diversos espetáculos direcionados para a comunidade escolar, alguns deles a acontecer em escolas do concelho; e, por último, uma conferência dedicada ao mote da programação, que terá lugar em novembro.

A par destas propostas, o Teatro das Figuras vai ser palco de várias dezenas de espetáculos em diversas áreas artísticas, entre os quais os concertos These New Puritans (12 de fevereiro), Avishai Cohen Quintet (7 de março), Sérgio & Os Assessores (11 de abril) e Tommy Guerrero (18 de junho); as peças de teatro «O Figurante», por Mateus Solano (20 de março), «Falsas Histórias Verdadeiras: Uma Pina Colagem» pelo Teatro Nacional de São João numa encenação de Victor Hugo Pontes (8 de maio); «Quinteto de Morte», com Florbela Queiróz e José Raposo (5 a 7 de junho); e «ARTE» com Cristóvão Campos, Nuno Lopes e Rui Melo (22 e 23 de outubro); na dança, destacam-se os espetáculos «Paraíso de los Negros» da Compañía María Pagés (10 de abril) e «O que se abre em nós» de Sofia Dias e Vitor Roriz (29 de maio); e a ópera «Um Baile de Máscaras», de Giuseppe Verdi, pelo Teatro Nacional de São Carlos (7 de novembro).

O Teatro das Figuras continua a levar a sua programação fora de portas e regressa, em 2026, com o «Abordo», um conceito que leva um artista/grupo a atuar nas ilhas-barreira, e com um formato com o qual o público já está familiarizado – os «Diálogos Musicais», a acontecer no Largo da Sé, a 14 de agosto, com Júlio Resende e um convidado. Este ano, o Teatro das Figuras volta a ser coorganizador dos Festival F e Festival Açoteias.

As propostas são, de facto, muitas e aliciantes, com o Município de Faro a atribuir um apoio de 1,1 milhões de euros para um orçamento total de 2,5 milhões de euros, para o qual contribuem igualmente as receitas de bilheteira e as verbas provenientes da RTCP – Rede de

Teatros e Cineteatros Portugueses. E num momento em que já se prepara a programação de 2027, montar este «puzzle» até nem é muito complicado, indica Gil Silva. “A nível de teatro e dança a tarefa é mais ou menos fácil, porque as próprias companhias têm as suas programações bem delineadas devido às candidaturas que fazem à DGArtes. A nível da música a situação é mais complexa, porque muitas vezes não existe esta previsão temporal, daí estarmos a tentar que a RTCP também inclua esta vertente”, explica.

Quanto a espetadores, Gil Silva admite que será muito difícil atingir os números de 2025, ano em que a programação foi mais reforçada por se estar a comemorar o 20.º aniversário do Teatro das Figuras e o 10.º aniversário do Festival F. “O nosso normal é à volta dos 50 mil espectadores”, frisa, com António Miguel Pina a reconhecer que, “sendo a programação bastante eclética, tem espetáculos mais fáceis de encher e outros que, por não serem tão populares, não despertam tanto a vontade de vir do público” “Mas isso faz parte da vida de um espaço cultural que desempenha um serviço público e que tem que olhar para diferentes públicos. Acima de tudo, queremos que o Teatro das Figuras continue a ser um farol cultural no Algarve”, assume o autarca. “Há espetáculos mais mainstream e outros que sabemos de antemão que não vão ter tanto público porque a sua linguagem é mais difícil de ser interpretada pelas pessoas, faltam esses códigos de leitura. Mas a missão desta casa também é dar oportunidade às companhias para criarem, experimentarem, apresentarem as suas criações, porque a cultura não é um lugar estático, é um lugar dinâmico que muitas vezes precisa destas novas linguagens e destes novos caminhos que não são percetíveis para toda a gente”, considera Gil Silva.

Coleção de Serralves traz «Linha e Mancha, Corpo e Máquina», de Rui Sanches, a Lagos

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

s Salas de Exposições 2 e 3 do Centro Cultural de Lagos acolhem, até 4 de abril, a exposição da Coleção de Serralves «Linha e Mancha, Corpo e Máquina», de Rui Sanches, que teve a sua inauguração, a 24 de janeiro, no âmbito do Protocolo de Fundador existente entre a Câmara Municipal de Lagos e a Fundação Serralves.

Rui Sanches (Lisboa, 1954) desenvolve, desde o início dos anos 80, uma das mais destacadas obras do panorama da escultura portuguesa. O seu trabalho, solidamente ancorado num aturado conhecimento da história da arte, questiona e reinventa os pressupostos clássicos da escultura e da pintura através do desenvolvimento de princípios construtivos básicos e da constante utilização e combinação da madeira e seus sucedâneos (destaca-se o

contraplacado) com outros materiais (ferro, alumínio, espelho, gesso, etc).

Paralelamente ao trabalho escultórico, desenvolve, desde o início da sua carreira, um corpo de trabalho em desenho, onde aborda questões relacionadas com o espaço, o tempo, e a noção de escala que informam a sua escultura. A presente mostra abrange um arco temporal de três décadas, apresentando obras dos anos 80 que se relacionam diretamente com

temas da pintura clássica, bem como trabalhos das décadas seguintes que evidenciam uma aproximação abstrata ao corpo e à escala humana, estabelecendo diversos tipos de relação com o espectador.

Esta exposição integra o Programa de Exposições Itinerantes da Coleção de Serralves que tem por objetivo tornar o acervo da Fundação acessível a públicos diversificados de todas as regiões do país.

Ginástica Rítmica deslumbrou no Portimão Arena (Parte III)

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

Portimão Arena assistiu, no fimde-semana de 10 e 11 de janeiro, ao VII Torneio de Ginástica Rítmica organizado pelo CIRM – Clube Instrução Recreio Mexilhoeirense, com o apoio da Federação de Ginástica de Portugal, da Associação de Ginástica do Algarve e do Município de Portimão, entre outros patrocinadores. A competição contou com a presença de 230 ginastas a

defender as cores de 13 clubes vindos de todo o país, do norte a sul e passando, inclusive, pelas ilhas, avaliados por um coletivo de 30 juízes.

Foram dois dias intensos de muita emoção, competição e, acima de tudo, de enorme companheirismo, porque, independentemente de fazerem parte do ACDCL, ADA, AGRA, CCRCCR, CDACM, CIRM, CNM, CRDV, CRF, CSSPF, EGA, GFC, SFUAP ou VCQ, as jovens pertencem, em primeiro lugar, à saudável família da ginástica rítmica. E, nas

bancadas, os familiares e adeptos desta modalidade olímpica não se pouparam nos aplausos e gritos de incentivo às atletas dos escalões benjamins, infantis, iniciadas 1.ª e 2.ª divisões, juvenis 1.ª e 2.ª

divisões, juniores 1.ª e 2.ª divisões, seniores 1.ª e 2.ª divisões, que mostraram os seus dotes na corda, arco, bola, maças, fita e movimentos livres.

TEATRO DO ELÉCTRICO APRESENTOU NESTA SALA» NO CINETEATRO

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Daniel Pina

APRESENTOU «ENTRARIA CINETEATRO LOULETANO

nova produção do Teatro do Eléctrico, «Entraria nesta sala», foi a cena, no Cineteatro Louletano, nos dias 30 e 31 de janeiro, e voltou a demonstrar que o quarteirense Ricardo Neves-Neves é, sem dúvida, um dos melhores dramaturgos e encenadores portugueses dos tempos modernos neste género teatral. Só ele, de facto, para conceber uma aventura que cruza os destinos de Hitler, Nossa Senhora e figuras míticas do cinema português dos anos 30 e 40 como os protagonistas dos

célebres «O Costa do Castelo» ou «O Pátio das Cantigas».

Reinventados num texto de Ricardo Neves-Neves, num exercício de imaginação humorística, recorrendo a citações do imaginário de todos, – Oh inclemência, oh martírio – as eternas personagens protagonizam uma aventura maior. Orientados por um espírito superior – uma Nossa Senhora que apenas fala espanhol – embarcam numa viagem missionária da freguesia da Costa do Castelo até Berlim, para prestar um serviço à humanidade, derrubar Hitler. Ligados por este objetivo maior, viajando juntos numa máquina

ultramoderna e supersónica, mas dotados de um espírito terra-a-terra, estes heróis improváveis pretendem transformar-se nos heróis libertadores de uma Europa subjugada pelo ditador.

Qual dia D, estas figuras do grande ecrã encetam um plano espetacular para mudar o destino da história, embalados por diálogos hilariantes e por temas musicais desses filmes que ainda hoje trauteamos. Bastará um «Nem tu, velha carcaça, escaparás ao meu ódio» para cumprir a missão que lhes foi confiada?

Com texto e encenação de Ricardo Neves-Neves, «Entraria nesta sala» é

protagonizado por Ivo Alexandre, Manuel Marques, Sílvia Rizzo e Sissi Martins, acompanhados em palco pela música ao vivo de António Andrade Santos (guitarra portuguesa), Nélson Aleixo / Miguel Silva (viola de fado) e Sérgio Fiúza (baixo acústico). A peça é uma coprodução do Teatro Variedades, Cineteatro Louletano, Teatro do Eléctrico e Culturproject. O Teatro do Eléctrico é uma estrutura apoiada pela República Portuguesa –Cultura, Juventude e Desporto / DireçãoGeral das Artes, Cineteatro Louletano / Câmara Municipal de Loulé e Câmara Municipal de Lisboa.

FESTIVAL DE ARTES

REUNIU COMUNIDADE

Texto: Daniel Pina| Fotografia: Teia D’Impulsos

INCLUSIVAS COMUNIDADE NO TEMPO

Municipal de Portimão foi palco do espetáculo «a Arte de Incluir», inserido no Festival de Artes Inclusivas, um evento que celebrou a arte, a diversidade e a inclusão social, reunindo cerca de 450 pessoas, entre convidados, participantes e público em geral.

O espetáculo contou com a participação de sete projetos artísticos, NECI, Associação Algarvia, Centro de Paralisia Cerebral de Beja, ECOS – Oficina de Dança, Academia de Ballet, ACASO e a Residência Artística, que reuniu participantes de diferentes entidades num processo criativo coletivo. Esta residência resultou numa apresentação desenvolvida e apresentada neste espetáculo, refletindo práticas artísticas colaborativas e afirmando a arte enquanto ferramenta de inclusão social.

entre artistas e público, criando um espaço onde a dança, o movimento e a expressão artística deram voz a diferentes formas de sentir, comunicar e estar, valorizando a diversidade e a singularidade de cada participante. Reforçando o seu compromisso com a acessibilidade, o espetáculo contou com interpretação em Língua Gestual Portuguesa, promovendo uma experiência cultural mais inclusiva

Com uma forte adesão do público e um impacto positivo junto da comunidade, o Festival de Artes Inclusivas afirmou-se como um momento cultural de referência, sublinhando a importância de iniciativas que promovem a igualdade de oportunidades e a participação ativa de pessoas com diversidade funcional na vida cultural da região. Este projeto foi apoiado pelos Fundos Europeus, no âmbito do Programa Regional ALGARVE2030.

PROPRIETÁRIO E EDITOR:

Parágrafoptimista Unipessoal Lda. NIPC 518198189

GERÊNCIA: Mónica Pina

DETENTORA: Mónica Pina (100%)

SEDE:

Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 67, 8135-157 Almancil

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DIRETOR:

Daniel Pina (danielpina@sapo.pt) CPJ 3924

Telefone: 919 266 930 (custo de chamada para a rede móvel nacional)

REDAÇÃO:

Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 67, 8135-157 Almancil

Email: algarveinformativo@sapo.pt

PERIODICIDADE:

Semanal

CONCEÇÃO GRÁFICA E PAGINAÇÃO:

Daniel Pina

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A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista regional generalista, pluralista, independente e vocacionada para a divulgação das boas práticas e histórias positivas que têm lugar na região do Algarve.

A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista independente de quaisquer poderes políticos, económicos, sociais, religiosos ou culturais, defendendo esse espírito de independência também em relação aos seus próprios anunciantes e colaboradores.

A ALGARVE INFORMATIVO promove o acesso livre dos seus leitores à informação e defende ativamente a liberdade de expressão.

A ALGARVE INFORMATIVO defende igualmente as causas da cidadania, das liberdades fundamentais e da democracia, de um ambiente saudável e sustentável, da língua portuguesa, do incitamento à participação da sociedade civil na resolução dos problemas da comunidade, concedendo voz a todas as correntes, nunca perdendo nem renunciando à capacidade de crítica.

A ALGARVE INFORMATIVO rege-se pelos princípios da deontologia dos jornalistas e da ética profissional, pelo que afirma que quaisquer leis limitadoras da liberdade de expressão terão sempre a firme oposição desta revista e dos seus profissionais.

A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista feita por jornalistas profissionais e não um simples recetáculo de notas de imprensa e informações oficiais, optando preferencialmente por entrevistas e reportagens da sua própria responsabilidade, mesmo que, para tal, incorra em custos acrescidos de produção dos seus conteúdos.

A ALGARVE INFORMATIVO rege-se pelo princípio da objetividade e da independência no que diz respeito aos seus conteúdos noticiosos em todos os suportes. As suas notícias narram, relacionam e analisam os factos, para cujo apuramento serão ouvidas as diversas partes envolvidas.

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REVISTA ALGARVE INFORMATIVO #513 by Daniel Pina - Issuu