ALGARVE #98 INFORMATIVO 11 de marรงo, 2017
Dead Combo Miguel Angelo Festival T oLudo Downhill em Sรฃo Brรกs
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CONTEÚDOS
ARTIGOS 8 - Downhill em S. Brás 20 - oLudo 28 - Miguel Angelo 36 - Dead Combo 42 - Festival T 48 - Octogonal 66 - BAL de Quarteira 70 - Atualidade
OPINIÃO 6 - Daniel Pina 56 - Paulo Cunha 58 - José Graça 60 - António Manuel Ribeiro 62 - Augusto Lima
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OPINIÃO
Prego a fundo… pela encosta abaixo !!! Daniel Pina
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o passado domingo andei morro acima… morro abaixo… morro acima… morro abaixo. Sapatos cheios de lama, calças a caminho disso, casaco todo empoeirado, cabelo desgrenhado, boné na cabeça para servir de proteção (pouca), para os chuviscos que se faziam sentir, pernas cansadas porque a idade não perdoa (lá estou eu a fazer-me de velho), costas doridas com o peso da mochila, das máquinas, das objetivas, do gravador digital e do portátil. No meio disto tudo, sorriso nos lábios e a trautear melodias da Rita Redshoes – eu bem disse que o concerto de Loulé ia deixar marcas. O cenário era a Serra do Caldeirão, mais concretamente a Pista do Arimbo, em São Brás de Alportel, onde se disputava a primeira etapa da Taça de Portugal de Downhill, numa prova que pontuava também para a Taça do Mundo. Por isso, os melhores craques nacionais e europeus marcaram presença em grande número e o espetáculo foi… espetacular. Quem assiste do lado de fora à velocidade estonteante com que estes atletas – dos quais apenas uma pequena percentagem são 100 por cento profissionais – descem as encostas íngremes, repletas de obstáculos, uns naturais, outros desenhados pela organização, umas vezes no meio do mato, outras vezes com ribanceiras vertiginosas mesmo ao lado, realmente fica com a ideia de que são uns maluquinhos que para ali andam em cima daquelas bicicletas. O público, normalmente praticantes, familiares, amigos, fanáticos por este desporto radical, fica contagiado, grita, aplaude, debaixo de chuva, também no meio da lama, a apanhar com o pó. Um espanhol, de megafone na mão, não estava um minuto calado e, sempre que passava um conterrâneo, mandava-lhe logo um berro para largar o travão, para acelerar. Eles caem, espatifam-se todos, mas levantam-se num instante, metem-se em cima da bicicleta e continuam morro abaixo. Às vezes chegam à meta com pneus furados, sem correntes, com rodas quadradas… mas chegam. Alguns partem pés ou mãos, braços ou pernas, ossos da bacia ou da
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clavícula, mas não desistem da modalidade que amam. E, convém realçar, alguns destes praticantes têm 30, 40, 50 ou 60 anos, com as suas profissões no dia-a-dia, não são os típicos adolescentes em busca da adrenalina. Mas não se consideram «maluquinhos» e conhecem bem os seus limites e até onde podem arriscar. Isso mesmo me garantiu o jovem Silas Grandy uns dias antes da prova, durante uma entrevista e sessão fotográfica no Cerro de São Miguel, em Moncarapacho. Uma sessão em que, numa descida a pique com uma rampa à beira da estrada, acabou por saltar por cima de uma viatura com um casal de turistas idosos que, de repente, virou a curva. Concluída a inesperada peripécia, voltou para junto de mim a sorrir e perguntou, simplesmente, se a foto tinha ficado boa. Podem-me dizer que o downhill funciona como um género de tubo de escape para os tais praticantes que, durante a semana, andam de fato e gravata na sua atividade laboral, na rua ou enfiados num escritório, empresários ou a trabalhar para alguém. Um modo de aliviar o stress dos dias modernos hipercompetitivos e onde ninguém é amigo de ninguém na busca pelo sucesso. Eu desconfio que, se calhar, funciona ao contrário, que o downhill, ou outros desportos radicais desta intensidade, preparam estes homens, e mulheres também, para fazer face às adversidades que lhes aparecem pela frente no dia-a-dia. Quem cai àquela velocidade, se esfarrapa todo, e de imediato se levanta, monta a bicicleta e continua a pedalar, certamente que não desata a chorar, ou cai em depressão, se perder um cliente, ou um negócio, se o dia de trabalho correr menos bem do que o esperado, se as contas ficarem mais difíceis de pagar no fim do mês. Desconfio que abraçam essas dificuldades da mesma maneira com que saltam por cima de carros em movimento ou ziguezagueiam por entre árvores, ou se inclinam todos nas curvas lamacentas para ganhar uns segundos. E sempre com um sorriso nos lábios.
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REPORTAGEM
CRAQUES DO DOWNHILL LEVARAM SÃO BRÁS DE ALPORTEL AO RUBRO De 3 a 5 de março, São Brás de Alportel foi a capital europeia do downhill, com a realização da primeira etapa da Taça de Portugal de Downhill a atrair os melhores praticantes lusitanos, mas também muitos craques britânicos, espanhóis, franceses e de outros pontos do Velho Continente. Foi, de facto, uma estreia de sonho para a renovada pista do Arimbo, em mais uma excelente organização da Associação X Dream Blasius com o apoio da autarquia são-brasense e da Federação Portuguesa de Ciclismo. Texto:
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á quase seis meses que a Pista do Arimbo, em São Brás de Alportel, vinha sendo preparada para receber a primeira etapa da Taça de Portugal de Downhill 2017, prova que se disputou nos dias 3, 4 e 5 de março, numa organização da Associação X Dream Blasius com o apoio da Câmara Municipal de São Brás de Alportel e da Federação Portuguesa de Ciclismo. Como previsto, o evento trouxe à Serra do Caldeirão os melhores atletas nacionais e internacionais da modalidade, com a participação, por exemplo, das equipas oficiais Madison Saracen, GT Factory e One Vision Global Racing, que contam nas suas fileiras com pilotos do top 10 da Taça do Mundo, como Sam Dale, Matt Simmonds e Jack Reading. Apesar dos aguaceiros que se fizeram sentir ao longo de todo o fim-de-semana, o público aderiu em grande número para acompanhar, de perto, estes desportistas de elite, num dos locais mais bonitos do Algarve e numa pista totalmente renovada para o efeito, composta por 1.810 metros e com velocidades exigentes de 60 quilómetros por hora. As descidas vertiginosas, os saltos, 10 ALGARVE #98
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as curvas acentuadas, entre outras características técnicas da pista, testaram os limites e a perícia dos participantes ao máximo e não foram poucos os que levaram para casa algumas mazelas, nada de grave, os «ossos do ofício» do downhill de alta competição. A par da primeira corrida da Taça de Portugal, a prova do Arimbo contava igualmente para o ranking internacional, daí a presença de atletas de topo mundial. E os britânicos, de facto, não deram hipóteses à concorrência nacional no setor masculino, ocupando na totalidade o pódio em Elites. Assim, o britânico Matthew Simmonds (Madison Saracen) foi o grande vencedor, descendo a pista em 2’24’’042, tempo que constitui #98 ALGARVE INFORMATIVO
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novo recorde da pista. Na segunda posição quedou-se Sam Dale (GT Factory Racing), a 1,930 segundos do compatriota e, logo atrás, ficou Jack Reading (One Vision Global Racing), a 1,940 segundos do melhor tempo. O campeão luso Vasco Bica (MS Racing Portugal) foi o melhor português, na quinta posição, a 2,514 segundos do primeiro. Em Elite Feminina, a campeã nacional Filipa Peres (MS Racing Portugal) venceu com 2’59’’805, menos 4,141 segundos do que a espanhola Blanca Julià (Mondraker-Vadebicis) e menos 5,487 segundos do que a britânica Sarah Crelin (One Vision Global Racing). Tiago Ladeira (Casa do Povo de Abrunheira) ganhou em juniores e Orion Kichmayer (Fondon) levou a melhor em cadetes. Nos mais veteranos, vitórias para o 12 ALGARVE #98
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Master 30 Daniel Pombo (Ciclo Madeira Clube Desportivo), o Master 40 Rui Cruz (MCF/XDream/Município de S. Brás) e o Master 50 João Estêvão (Wildpack BCF Algarve Racing). Finalmente, em Promoção, triunfou Bruno Miguel Almeida (MS Racing Portugal). Após a cerimónia do pódio, Vítor Guerreiro, presidente da Câmara Municipal de São Brás de Alportel, mostrava-se bastante satisfeito com os resultados deste fim-desemana empolgante dedicado aos desportos radicais. “Estiveram aqui os melhores do mundo e ficaram mais uma vez maravilhados com a #98 ALGARVE INFORMATIVO
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pista e com a organização. Apesar da chuva, a pista manteve as melhores condições para a prática do downhill e esteve também bastante público presente”, sublinhou o autarca, reconhecendo a importância deste evento para o concelho, quer em termos desportivos, como económicos e turísticos. “Durante estes três dias, a restauração e a hotelaria estiveram completamente cheias, o que demonstra que estes investimentos que o município promove, em colaboração com as associações locais, são extremamente importantes para São Brás de Alportel. Quem aqui esteve certamente que vai voltar, seja para treinar nas nossas pistas, seja para desfrutar de tudo aquilo que temos para dar”, destacou Vítor Guerreiro. “Desde 1991, ano em que se disputou a primeira prova aqui no Arimbo, que São Brás se tem vindo a afirmar no Downhill nacional e internacional, graças à Associação X Dream Blasius, que tem alcançado bons resultados como equipa, organizado vários eventos de enorme categoria e mantido as nossas pistas em excelentes condições”, finalizou o presidente da Câmara Municipal de São Brás de Alportel . 14 ALGARVE #98
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Pódio Elite Masculinos: Sam Dale - Madison Saracen Factory Team (2.º lugar), Matthew Simmonds - GT Factory Racing (1.º lugar) e Jack Reading - One Vision Global Racing (3.º lugar)
Pódio Elite Femininos: Blanca Juliá - Mondraker Vadebicis (2.º lugar), Filipa Peres - MS Racing Portugal (1.º lugar) e Sarah Crellin - One Vision Global Racing (3.º lugar) #98 ALGARVE INFORMATIVO
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Pódio Junior: Jaime Garcia Bike Motril Granada C.D. (2.º lugar), Tiago Ladeira Casa do Povo de Abrunheira (1.º lugar) e João Pereira Getpro/Linhas Afemar/Torcatense (3.º lugar)
Pódio Master 30: Brett Wheeler - MS Racing Portugal (2.º lugar), Daniel Pombo - Ciclo Madeira Clube Desportivo (1.º lugar) e Hélder Padilha - Montanha Clube/LouzanPark (3.º lugar)
Pódio Master 40: José Conceição - BTT Conceição de Faro (2.º lugar), Rui Cruz MCF/Xdream/Município de São Brás (1.º lugar) e Amadeu Afonso (3.º lugar)
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Pódio Master 50: José Salgueiro MCF/Xdream/Município de São Brás (2.º lugar), João Estêvão - Wildpack BCF Algarve Racing (1.º lugar) e Francisco Batarda MCF/Xdream/Município de São Brás (3.º lugar)
Pódio Cadetes: Gonçalo Bandeira - Montanha Clube/LouzanPark (2.º lugar), Orion Kichmayer Fondon (1.º lugar) e Duarte Ribeiro - MS Racing Portugal (3.º lugar)
Pódio Promoção: Guilherme Dias Jesus - MCF/Xdream (2.º lugar), Bruno Miguel Almeida - MS Racing Portugal (1.º lugar) e Francisco Sénico Sousa Wild Boys (3.º lugar)
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ENTREVISTA
oLUDO REGRESSAM SEIS ANOS DEPOIS COM «ABRAÇO» Depois da estreia com «Almirante», em 2011, os algarvios «oLUDO» estão de regresso com o segundo álbum de originais, uma encruzilhada entre o rock e o indie pop português a que deram o nome «Abraço». Alguns dias antes do lançamento oficial do disco, o Algarve Informativo esteve à conversa com o baixista Paulo Ferreirim e já ficou de apetite aberto para os ver em palco, no dia 8 de abril, no Auditório Municipal de Olhão. Texto:
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implesmente «Abraço», assim se chama o novo trabalho da banda «oLUDO», cujo single de apresentação, com o nome homónimo do álbum, é uma desventura de ritmo marcado pelo fogo da paixão e da descoberta, com a serenidade da atualidade. Este é o quarto disco de David Anjos, João Baptista, Paulo Ferreirim e Nuno Campos, a que se junta agora o baterista Luís Leal – que substituiu Filipe Cabeçadas, atualmente a tocar com o também algarvio Diogo Piçarra – e depressa se nota uma atitude musical desconstruída do desnecessário, forjada na pele, no coração e na resiliência. A banda nasceu em 2005 e mostrou-se pela primeira vez ao público com o EP «Nascituro», editado em 2009, de onde se destacam os temas «Ao virar da página» e «A minha grande culpa», que integrou a coletânea «Novos Talentos FNAC» desse ano. Em 2010, foram convidados por Henrique Amaro para gravar o segundo EP «Mil Tentações», através da Optimus Discos, e a grande surpresa foi o tema instrumental «Muzar», cujo videoclip foi premiado. Ainda nesse ano, a convite da Antena 3 gravam as sessões «3 Pistas», na qual recriam quatro temas com uma sonoridade minimalista e crua. O tão aguardado álbum de estreia nasce em 2011, de nome «Almirante» e com os singles «Fica não te vás daqui» e «Mais vale tarde». Três anos depois, junta-se à banda Luís Leal e arranca o ciclo de concertos «Latitude 37º», com várias participações especiais, entre as quais Teresa Aleixo, que acompanha «oLUDO» em palco, participando igualmente no novo trabalho de originais. E assim surge 22 ALGARVE #98
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«Abraço», que será lançado no dia 17 de março, seis anos após o seu antecessor, um hiato de tempo que se deveu, sobretudo, à estadia no Brasil, por motivos profissionais, do vocalista David Anjos. “Agora, com a vida mais calma, conseguimos concluir o trabalho que tanto desejávamos. Existe uma certa diferença de sonoridade em relação ao «Almirante», porque também temos um elemento novo na banda, por sinal um amigo de infância, e isso altera a dinâmica do conjunto. Em simultâneo, tentámos simplificar as músicas, tornálas mais diretas, e o disco ficou com um andamento mais homogéneo, mas também mais ritmado”, descreve Paulo Ferreirim, o baixista dos «oLudo». Convém esclarecer que o ato de simplificar as melodias não significa que o processo seja mais fácil, ou menos exigente. “É uma questão de opção estética e, com a idade, vamo-nos desprendendo das complicações e de querermos fazer demasiadas experiências. Contudo, neste disco estivemos um bocadinho mais ligados às máquinas, se assim se pode dizer, com muitos samplers e loops, o que torna o som mais dançável”, revela o entrevistado, reconhecendo que houve uma certa preocupação em acompanhar as tendências das novas gerações de ouvintes, os gostos do público. “Qualquer objeto de arte ou qualquer sentimento que queiramos passar, só resulta se chegar, efetivamente, ao outro. Para além da nossa satisfação pessoal, nós fazemos música para as pessoas e a experiência que temos de estrada e de estúdio contribuiu para essa tal simplificação”.
Simplificação que não chegou, porém, às letras, que são normalmente escritas pelo guitarrista João Baptista, e este é pouco adepto de palavras sem sentido e que não transmitam nada a quem escuta os temas. “O nosso processo é muito democrático e, embora o nosso letrista oficial seja o João Baptista, o David Anjos também tem algumas e o Luís Leal tem outra. Depois, analisamos e reescrevemos em conjunto, mudamos frases, alteramos refrões, até chegarmos ao produto final”, conta. “As nossas letras falam basicamente de sentimentos e o «Abraço» é o culminar da resolução positiva de vários problemas. O abraçar é uma forma de afeto, de conciliação, e esse foi o tema geral do disco. Fala das relações humanas, da distância de alguém, sofremos na pele o que estávamos a escrever”, admite Paulo. Nas músicas, tudo acontece de forma semelhante, com as ideias iniciais a nascerem normalmente de Nuno Campos, por ter um instrumento melódico, o piano, sendo depois trabalhadas por todos, daí se perceber o porquê da ausência prolongada de #98 ALGARVE INFORMATIVO
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David Anjos ter tornado o processo criativo mais longo. “As novas tecnologias ajudaram imenso, porque mandávamos gravações por internet de Portugal para o Brasil, gravávamos em cima de linhas de voz que ele enviava, era um intercâmbio constante. No tempo de gravar os ensaios em cassetes tinha sido mais complicado, provavelmente teríamos demorado 12 anos”, compara, com um sorriso. Apesar destas peripécias, e de um afastamento físico entre os elementos da banda que tornou, em certos momentos, o processo de gravação mais frio, o certo é que «Abraço» está pronto para ser lançado, tem grande qualidade e é o reflexo da sinceridade e profissionalismo com que estes cinco homens estão na música. E o público, até ao momento, tem 24 ALGARVE #98
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dado o seu parecer positivo. “Em 2016, criamos o «Latitude 37º», tocamos em diversos espaços do Algarve e tivemos a felicidade de estarem sempre cheios. Assim aconteceu com o Club Farense, com o Recreativo Progresso Olhanense, até num concerto que demos a bordo dum barco. Quando nos propusemos a tocar, o feedback tem sido encorajador, não nos podemos queixar. É verdade que as nossas letras e músicas são, muitas vezes, complexas, mas as pessoas têm tido disponibilidade para as escutar com atenção”, frisa Paulo Ferreirim. No dia 17 de março sai então «Abraço», numa edição de autor que vai ser distribuída, online, através da «Rastilho», para além da venda física nas lojas FNAC. Quanto a concertos, há que conciliar a ida para a estrada com as vidas profissionais e familiares dos cinco músicos, mas é nos palcos que se sentem mais vivos e já há datas confirmadas, no Teatro do Bairro, em Lisboa, e em casa, no Auditório Municipal de Olhão, a 8 de abril .
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ENTREVISTA
MIGUEL ANGELO ATUA NO GINÁSIO CLUBE DE FARO EM FORMATO DJ Miguel Angelo, músico e compositor eternizado pelos Delfins e Resistência, vem à capital algarvia, mais concretamente ao Ginásio Clube de Faro, no dia 11 de março, para uma atuação diferente, em formato DJ. Será uma oportunidade para escutar temas que fazem parte do imaginário do arquiteto que se celebrizou enquanto cantor e escritor, desde os anos 60 até à atualidade, para um público adulto e exigente em termos musicais. Texto:
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partir das 23 horas deste sábado, 11 de março, os algarvios vão poder assistir, no Ginásio Clube de Faro, à atuação de Miguel Angelo, não como intérprete a solo, muito menos como vocalista de uma banda, como nos tempos dos Delfins e Resistência, mas como DJ. Não um DJ daqueles das festas de praia ou mega discotecas, porque aquilo que se pretende é uma noite de partilha de músicas, acima de tudo de canções que influenciaram a vida do arquiteto de formação, mas artista de vocação. “Sou um selecter e não propriamente um DJ ou produtor de música eletrónica, nada que 28 ALGARVE #98
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se pareça. Nos meus «DJ Set» ponho as pessoas a dançar e a cantar canções de todos os tempos, desde uma época que me inspira bastante como os Anos 60, até aos dias de hoje, passando pela música com que cresci e que continua a ser uma referência para muita gente”, explica. Atuações que são sempre viagens diferentes, dependendo do público que tiver pela frente e da forma como reage ao ambiente e aos temas, porque não há ali pendrives nem sets gravados em casa. “Tudo é feito no momento”, garante Miguel Angelo, num trabalho sem rede
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em que se socorre da sua vasta memória musical e que lhe permite mudar, num ápice, de David Bowie para Marvin Gaye ou Rihanna. “Na base estão canções inspiradoras, dançáveis, que ponham as pessoas felizes enquanto estiverem ali connosco, no Ginásio Clube de Faro”, descreve o estudioso da palavra. “Gosto de pensar que uma boa canção é um casamento perfeito entre uma música que ponha as pessoas a dançar e uma mensagem que as ponha também a pensar. Mas isso verifica-se igualmente na música disco, que tem canções fabulosas que nos fazem mais dançar do que pensar, mas que nos inspiram à mesma para alguma mudança. A viagem deste sábado vai depender muito das pessoas que lá estiverem”, assegura. Um formato de DJ menos mediático do que a sua faceta de cantor, até mesmo da sua vertente de escritor, mas que faz parte de si desde os tempos de estudante, fosse nas festas do liceu ou das garagens dos amigos. “Desde 2006/07, comecei a passar música com mais regularidade numas festas temáticas de Lisboa, seguiram-se algumas permanências no Porto, mas sempre em torno das canções. No fundo, procuro contar, em três horas, a história da música popular, desde os Beatles até à Rihanna. É algo que me interessa como historiador e que me dá imenso prazer enquanto músico e fã”, sublinha Miguel Angelo. «A Canção» que é precisamente o tema do single de apresentação do seu novo álbum de originais, onde fala do Prémio Nobel da Literatura atribuído a Bob Dylan e do papel que as canções desempenham no mundo moderno. “Acho que esse Nobel 30 ALGARVE #98
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tem sobretudo a ver com a carreira dele, nomeadamente nos Anos 60, onde era um género de porta-voz da sua geração. Foi uma época bastante conturbada, com a Guerra do Vietname, problemas raciais nos Estados Unidos, os sindicatos. Infelizmente, penso que há, novamente, muitas razões para as canções desempenharem esse papel. Os cenários diários que temos de corrupção e terrorismo, de eleições que elegem o inesperado – vamos ver o que acontece agora na França e na Holanda – fazem com que as canções peçam uma reflexão às pessoas”, justifica Miguel Angelo. “Não quero dizer às pessoas como devem pensar, mas convidá-las a refletir sobre as coisas, sobre as nossas utopias de adolescência, das revoluções imaginárias, sobre tudo aquilo que depois cristaliza quando chegamos ao nosso estado adulto e percebemos que, afinal, o mundo não funciona bem como pensávamos. É uma mudança de personalidade que tem a ver com a idade, com a aprendizagem, com concessões que fazemos, e que procurei espelhar na letra deste novo tema”.
“PERDEMOS A VERGONHA DA NOSSA MÚSICA” A atualidade urge-nos a pensar seriamente no mundo que nos rodeia, contudo, temos pessoas a viver num ritmo desenfreado em que pouco tempo têm para escutar atentamente as letras das músicas, as mensagens que os artistas tentam transmitir. Miguel Angelo reconhece esta realidade, no entanto, lembra que nunca se ouviu
tanta música como no presente. “O streaming é um pouco como abrir a torneira e ter água em casa ou ter gás canalizado no fogão. As pessoas pagam uma mensalidade para ter acesso à internet e ouvem a música como um bem essencial que se tornou no século XXI. Se uma boa letra tiver uma boa melodia e for uma boa canção, poderá ser, eventualmente, um êxito, as pessoas vão
cantá-la e, mesmo que não estejam a pensar na letra, vão acabar por interiorizar o que está a ser cantado”, acredita o compositor. Entretanto, com uma longa carreira enquanto artista, Miguel Angelo nunca se deixou seduzir pela língua inglesa, nem sequer por mudar de país, como o fizeram alguns amigos e colegas de #98 ALGARVE INFORMATIVO
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profissão, e a razão é bastante simples: “Eu escolhi viver em Portugal e, cantando em primeiro lugar para os meus conterrâneos, sempre me pareceu lógico fazê-lo em português. Quando comecei, havia muita música anglo-saxónica a passar na rádio e eu próprio não me identificava com a 32 ALGARVE #98
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música portuguesa da altura. Queria algo mais próximo do pop e do rock, das guitarras elétricas, e o que estava em voga, nos anos 70, era a música popular ou de intervenção. Por isso, quis escrever em português para o estilo de música que mais me
entende que se perdeu, felizmente, a vergonha da música portuguesa. “A minha geração tinha algum preconceito, dizia que a música portuguesa era da terrinha, do emigrante. Há uma nova geração que se revê nas suas raízes e aprende com elas, independentemente de, depois, ir tocar hip-hop ou outra coisa qualquer. É importante que se sinta esta herança como nossa, o fado, o folclore, a música tradicional”, defende, garantindo que é a música que continua a fazer bater mais forte o seu coração e que o entusiasmo é o mesmo no ato da composição. “Escolhi a música como profissão, como um engenheiro, arquiteto ou médico, é isto que mais gosto de fazer. Chegámos a uma altura em que há grandes intérpretes como o Bob Dylan que, apesar da sua idade, estão em palco a fazer espetáculos cheios de energia. O Dylan acabou de gravar um disco triplo e está permanentemente em tournée, de tal modo que nem conseguiu ir receber o Prémio Nobel”, exemplifica.
despertava a atenção”, indica, recordando que muitas das bandas que principiaram por tocar em inglês agora estão a mudar para o português. Música popular que ganhou um novo fôlego nos últimos anos e Miguel Angelo
Enquanto houver estrada para andar, Miguel Angelo vai ser artista de corpo inteiro e prova disso é que está um novo disco pronto para ser lançado, mais para o final do ano. Até lá, como ditam as novas regras da indústria da música, serão lançados alguns singles, dos quais «A Canção» é o primeiro a ver a luz do dia. Quanto a este sábado, fica o convite para ir ao Ginásio Clube de Faro. “As pessoas vão conhecer as músicas que ainda hoje me fascinam, umas mais famosas do que outras, e vai ser uma noite bem passada” .
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«A CIDADE DA TRISTEZA PROFUNDA» ATERROU EM LOULÉ A dupla Pedro Gonçalves e Tó Trips, mais conhecidos por Dead Combo, trouxeram ao Cine-Teatro Louletano, nos dias 8 e 9 de março, «A Cidade da Tristeza Profunda», um espetáculo teatral dirigido aos mais pequenos e respetivas famílias. Texto:
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os dias 8 e 9 de março, a banda Dead Combo apresentou, no Cine-Teatro Louletano, o espetáculo «A Cidade da Tristeza Profunda», a primeira incursão da dupla de músicos numa criação dirigida às crianças a partir dos cinco anos. Na génese esteve uma história infantil criada por Pedro Gonçalves e Tó Trips para um livro de solidariedade editado para uma casa de abrigo de crianças. Mais recentemente,
surgiu um desafio do Centro Cultural de Belém/Fábrica das Artes que culminou nesta coprodução da Rede Europeia Big Bang, financiada pelo «Programa Europa Criativa», da União Europeia. «A Cidade da Tristeza Profunda» é uma fábula sobre o poder da música em que, a partir de duas personagens, o GatoPingado e Escanzelado, interpretados pelos próprios Dead Combo, o público embarca numa viagem ao centro dos corações, onde a alegria ainda não floresceu. Repleto de quadros e de metáforas, o conto acontece numa tenda montada em cima do palco e transporta os espetadores, sentados no interior, para um universo em que a música é a matéria primordial para que o sorriso tenha a qualidade da felicidade. Com imagens projetadas nas paredes da tenda, é um espetáculo de sombras onde os músicos, as marionetas, as paisagens e os objetos se combinam num imaginário sem palavras, cheio de notas musicais. Ao longo dos dois dias, diversas turmas da comunidade escolar local assistiram, encantadas, a esta história que não é bem de princesas, mas houve também lugar a uma sessão especialmente feita a pensar nas famílias .
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FESTIVAL T ASSINALA UMA DÉCADA DE EXISTÊNCIA COM VÁRIAS NOVIDADES O X Festival T – Festival Internacional de Teatro de Albufeira vai a cena, de 23 a 27 de março, trazendo à capital do turismo algarvio propostas bastante aliciantes para os mais variados públicos. A par de duas produções da Companhia de Teatro Contemporâneo, de Luísa Monteiro, teremos igualmente «O Menino da Burra» de Luís Campeão, Os Palavristas, o Teatro Estúdio Fontenova, entre outros grupos, e haverá também espaço para homenagear alguns homens e mulheres ligados à cultura regional e nacional. Texto: | Fotografia: 42 ALGARVE #98
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Festival Internacional de Teatro de Albufeira, ou Festival T, foi criado, em março de 2006, por Luísa Monteiro, sendo uma coorganização da CTC – Companhia de Teatro Contemporâneo e da Câmara Municipal de Albufeira. Na altura, foi o resultado da vontade de vários grupos locais e os primeiros anos foram marcados, de facto, por propostas bastante arrojadas, nacionais e internacionais, mas o certame não conseguiu passar ao lado da crise que afetou Portugal e, como é natural, a composição do cartaz está sempre dependente dos orçamentos disponíveis e dos apoios que se consigam amealhar em cada edição. “Apesar das dificuldades, julgamos que as pessoas gostam muito de teatro e entendemos que era necessário apresentar outras abordagens estéticas ao longo de uma mostra. Não há só um tipo de teatro, pelo que procuramos trazer sempre propostas de diferentes formatos”, explica Luísa Monteiro. Formas distintas de fazer teatro que vão muito para além da popular revista à portuguesa que tanto agrada ao público nacional, pelo que a responsável pelo Festival T acompanha com muita atenção as estreias que vão acontecendo ao longo do ano. “Evito que sejam propostas chocantes ou demasiado ousadas, mas que possam ser facilmente assimiladas e que proporcionem prazer aos espetadores. Mas nunca há temas tabu, isso seria impossível”, assegura a dramaturga, reforçando a intenção de oferecer algo para todas as sensibilidades e preferências. “Se me disserem que há três pessoas em Albufeira que gostam de teatro kabuki (uma forma
de teatro japonês conhecida pela estilização do drama e pela elaborada maquilhagem utilizada pelos seus atores), eu trarei cá uma companhia desse género. No fundo, pretendemos dar resposta a todos os tipos de interesses no âmbito cénico”, frisa. E o público tem ganho, na opinião da escritora, investigadora e encenadora, hábitos culturais nesta última década, como tem verificado pela sua experiência no Festival T. “Recordo-me que, há uns anos, o facto de uma atriz desnudar o peito era motivo para um autêntico delírio na sala, as pessoas assobiavam e batiam palmas. Atualmente, essas «ousadias» são perfeitamente lidas pelo público, que está mais educado. Já não aplaude por isto ou por aquilo, nem fala durante os espetáculos, embora persista o grande problema dos telemóveis”, observa Luísa Monteiro. “Nós trabalhamos para o público, os espetadores são o mais importante de tudo isto, mas é preciso saber estar na plateia”, aponta. Claro que, como é natural, todas as pessoas são diferentes e há público para ver, ao vivo, apenas uma exposição física sobre temas sérios da atualidade, outro que prefere o teatro português de revista. Assim é o teatro, uma atividade que serve todos os interesses, de acordo com Luísa Monteiro, confirmando que é impossível agradar, num só espetáculo, a toda a gente. “Todos os grupos têm perfeita consciência desta realidade e fazem o seu trabalho, intimista, escolhendo uma linha estética, seja para um espetáculo particular, seja para #98 ALGARVE INFORMATIVO
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o próprio grupo. Todas as abordagens são válidas e interessantes, mas ainda há quem pense que o teatro está imbuído de uma posição política muito forte. Para mim, todo o teatro é político, mas não há aqui qualquer julgamento, nem pelo riso, nem pelo sofrimento”, assume, convicta. Luísa Monteiro dá o exemplo concreto de uma das peças da CTC que vai a cena neste Festival T – O Milagre – alusivo aos acontecimentos de há 100 anos em Fátima. “Algumas pessoas entendem que nós iremos, eventualmente, gozar com a aparição de Fátima. Os atores não gozam com as coisas! Há ainda, ao nível do vocabulário, e da compreensão da atividade cénica, um longo caminho a percorrer”, lamenta a entrevistada. “Fazemos arte, não estamos aqui para fazer críticas ou emitir opiniões”, distingue. Outro problema que continua a afetar a vida dos agentes culturais é a postura passiva dos espetadores em termos da programação existente, ou seja, são poucos aqueles que têm a iniciativa de procurar saber o que vai acontecer, onde e quando, e o Algarve não é exceção. “Não estou a dizer que é em todos os concelhos, mas ainda temos que andar a dizer, boca-a-boca, o que se vai passar e quais as vantagens de consumir cultura. É uma luta constante”, admite, apressandose a dizer que já não é necessário ir a Lisboa ou ao Porto para se ver bom teatro. “Nem estou a falar do fluxo de companhias de outras regiões que vêm ao Algarve. Aqui fazem-se trabalhos muito interessantes para se ver”, garante.
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Olhando ao caso concreto do Festival T, montar o puzzle é complicado, porque os grupos precisam apropriar-se dos espaços, neste caso o Auditório Municipal de Albufeira, há ensaios para realizar, cenários para elaborar, esquemas de luz e som para ajustar, o que confere uma tremenda intensidade aos dias anteriores à abertura do certame. “Não é só o que se passa em palco, mas tudo o que rodeia os bastidores, as refeições, o alojamento, os troféus e lembranças, até simples necessidades como o apoio emocional. Mas vemos tudo isto como uma festa, porque o teatro ainda é aquele parente pobre da cultura, atrás da dança e da música. O teatro tem que ser mais auxiliado e são necessários mais festivais”, apela a responsável pela CTC e pelo Festival T. Entretanto, nada disto seria possível, garante Luísa Monteiro, sem o contributo da Câmara Municipal de Albufeira, a que se junta, este ano, o apoio financeiro do Programa «365 Algarve». Depois, são as ajudas possíveis, as «atenções», das unidades hoteleiras e restaurantes do concelho, mas o grosso do orçamento provém da autarquia. “Este ano, vamos cobrar bilhete pela primeira vez, sempre foi de entrada livre, e quero ver qual será a reação do público face a esta alteração. Mas penso que as pessoas não veem teatro por ser gratuito ou não, mas porque gostam”, acredita.
“Algumas pessoas entendem que nós iremos, eventualmente, gozar com a aparição de Fátima. Os atores não gozam com as coisas! Há ainda, ao nível do vocabulário, e da compreensão da atividade cénica, um longo caminho a percorrer (…) Fazemos arte, não estamos aqui para fazer críticas ou emitir opiniões”
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Do elenco do Festival T fazem então parte «O Sal de Marim», da CTC, (23 de março); «O Menino da Burra», de Luís Campião (24 de março); «Como SERejas», uma performance poética evocativa do Centenário do Futurismo pelos «Palavristas», e «A noite antes da Floresta», pelo Teatro Estúdio Fontenova (25 de março); «A Galinha dos ovos coloridos» da Fera Cultural e «As Três Irmãs» da «UmColetivo» (26 de março); e, no dia 27 de março, Dia Mundial do Teatro, a mostra encerra com mais uma produção da CTC, desta feita «O Milagre». No dia de inauguração há ainda uma homenagem a Rui Cabrita, ator algarvio que recentemente nos deixou. 46 ALGARVE #98
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Uma das grandes novidades do 10.º Festival T é a criação do Prémio Vicente de Teatro, numa alusão a Vicente Pereira Simões (1590-1632) que, ao que tudo indica, foi o primeiro profissional de artes ligadas à representação cénica do Algarve. Mais tarde dedicou-se à medicina, ao sacerdócio cristão e à guerrilha, tendo falecido em Nagasaki, no Japão. “Nesta primeira edição vão ser premiados aqueles que participaram ao longo das dez edições do Festival mas, no futuro, o prémio caberá a quem participar no Festival, sendo o público quem decidirá a sua atribuição”, adianta Luísa Monteiro .
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REPORTAGEM
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OCTOGONAL Marum Nascimento, Ângelo Gonçalves, Marta Pedroso, Vilma Correia, Joana R. Sá, Sheila Semedo, Pedro Barros e Dina Dias são os protagonistas da exposição que inaugurou, no dia 2 de março, na Galeria Trem, em Faro. Estes alunos da PósGraduação e do Mestrado de Artes Visuais da Universidade do Algarve reúnem-se numa exposição coletiva, com curadoria da Licenciatura em Artes Visuais e com o Apoio da Câmara Municipal de Faro, que estará patente até 23 de abril. Texto: Fotografia:
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ito artistas e oito maneiras de dizer a arte. De dizê-la da forma mais precisa, praticando-a. Podemos falar da arte, do tempo, do amor e do espaço. Podemos falar de várias coisas, mas muitas delas só existem no momento em que se convertem em ato, em que se convertem em gesto visível e partilhável, no momento em que verdadeiramente são. Oito artistas cujo único traço em comum é a partilha do espaço e do tempo de uma aprendizagem, ou de uma (des)aprendizagem do que é ser artista e do que é fazer arte. Na escola aprende-se muita coisa; nas melhores escolas desaprende-se tudo aquilo que é dado como certo, pois aprende-se a indagar. Oito artistas com indagações diferentes, mas que possuem em comum várias questões, às quais tentam responder através da arte.
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“É o passado uma invenção do presente. Por isso é tão bonito sempre, ainda quando foi uma lástima… A memória tem uma bela caixa de lápis de cor” - diz Mário Quintana, poeta dos aforismos e dos pontos de interrogação. O passado, que para o poeta é a infância, é sempre pintado de azul porque é uma invenção do presente. Na obra de Marum Nascimento, o passado reinventa-se na própria História, que, ao contrário do que se pensou durante muito tempo, não é estática, movimenta-se a cada nova descoberta e altera, subtilmente, as certezas construídas de forma tão científica. Assim o artista promove um diálogo entre arte e ciência, entre memória e História, entre o que vemos e o que ainda não conseguimos ver. Daquilo que não conseguimos ainda divisar é feita a obra de Vilma Correia: trabalho delicado, laborioso, que invoca o movimento e o tempo. Que evoca a vida e tudo que nela contém. De uma maneira diversa, Ângelo Gonçalves expõe seus desenhos no espaço, suas quase52 ALGARVE #98
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esculturas, seus abrigos que nos obrigam a pensar no que temos aqui e agora. E no que nos falta. A falta, ou a memória, é uma presença marcante no trabalho de Joana R. Sá: desenhos, traços, percursos ou cicatrizes. Experimentos formais que escapam à própria forma e que se configuram como presenças da marca da artista, do seu rasto. Sheila Semedo traz-nos uma peça
única, um rosto sobre um tecido largo. Uma rememoração do sudário, do pano que absorve o traçado do corpo que envolveu. Seus retratos de grandes dimensões são auto-referentes e ocupam os espaços da parede e da memória sem buscar interpretações. Marta Pedroso vem trabalhando com a questão do género sempre de forma provocadora: questiona o papel da mulher neste espaço-tempo precisos e o papel que lhe é dado representar como artista e como mulher. A sua obra-instalação pede ao/à espectador/a que se mire, participando ativamente da construção ou da desconstrução de uma imagem, questionando ao mesmo tempo o papel do artista/autor e da arte como objeto pronto-a-servir. Dina Dias explora o desenho abstrato, através das curvas e cores, das marcas que deixa no papel. Pedro Barros escolheu a imaterialidade da imagem em movimento, do vídeo que vê e que é visto ao mesmo tempo. Oito artistas, uma mesma escola. A escola que os ensinou a questionar os limites e os
instigou a fazer da arte um ponto de interrogação e de novas descobertas. Como escreveu Quintana, “só com os poetas se pode aprender algo de novo”. Porque, ao contrário das enciclopédias, que dizem todas o mesmo, os artistas dizem todos o mesmo, mas de forma sempre diversa .
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Pontes em vez de muros Paulo Cunha
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á depois de termos saído do palco, em amena «cavaqueira» enquanto descomprimíamos e confraternizávamos com uma «mini» numa mão e um pastel de bacalhau na outra, o nosso companheiro de lides musicais, Jorge Semião, referiu-nos um vídeo onde Simon Sinek (escritor e orador motivacional) falava sobre a «Geração Millennial», o qual nos poderia ajudar a contextualizar muito do que ali conversávamos. Já em casa segui a sua recomendação e degustei a dita publicação, tendo o que lá ouvi despoletado o interesse de colocar o «motor de busca» a funcionar para melhor documentar-me, e assim poder tecer uma opinião mais abalizada sobre o que motiva - hoje - os ditos «choques geracionais». Tomando como referência algumas abordagens antropológicas e sociológicas sobre as últimas gerações (ainda que generalistas), onde se encaixam os vários ramos dos nossos agregados familiares, foi-me possível apurar que: - A geração «Baby Boomer» (1946/1964) deve o nome à «explosão demográfica» que se verificou nos Estados Unidos no fim da Segunda Guerra Mundial. Nasceu com o Estado Social e viveu a era do emprego para a vida, da conquista de direitos laborais e de muitos avanços civilizacionais. É descrita como idealista e tem sido o suporte da Economia. - A geração «X» (1965/1979) define-se pelos elevados níveis de ansiedade perante a perspetiva de que já não haverá Segurança Social quando chegar à idade da reforma. É frequentemente caracterizada como «cínica», fruto de alguma desilusão e da não concretização de expetativas e sonhos de juventude. Sendo a geração que viu nascer o computador pessoal e a internet, consegue identificar os aparelhos tecnológicos que os antecederam. É a geração que, em grande parte, garante o apoio e o suporte às gerações seguintes. - A geração «Y (Millennials)» (1980/1996) é uma geração multicultural, tolerante, globalizante, empreendedora, racional, mas ao mesmo tempo, 56 ALGARVE #98
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insatisfeita, angustiada, individualista, competitiva e em constante busca motivacional e procura de compensação sensorial. Dá preferência à experiência, não à posse. Dependente da tecnologia, é também conhecida como a «Generation Me». - A geração «Z» (1997/2012) é a geração «multitarefa» por excelência, onde a comunicação é feita com imagens e símbolos. Num caminho iniciado pela «X» e aprofundado pela «Y», os «Z» são ecologicamente conscientes e procurarão produtos e serviços sustentáveis. Os maiores problemas desta geração estão relacionados com o relacionamento social e a capacidade de se constituir como ouvinte, uma vez que passa grande parte do seu tempo em produção, interação e consumo virtuais. Se antigamente as gerações eram formadas por períodos de cerca de vinte e cinco anos, hoje, em virtude de tudo mudar a uma velocidade estonteante, é cada vez menor o tempo de surgimento de novas gerações com características específicas, diferenciadas e cada vez mais adaptadas aos «novos tempos». Por isso a necessidade de todos, sem exceção, devermos estar atentos aos motivos que nos levam a ter procedimentos de incompreensão, de desrespeito e de incoerência perante comportamentos que por não compreendermos, não aceitamos. Desde os primórdios que as várias gerações, uma após outra, esgrimiram argumentos que as levaram ao progressivo desentendimento e afastamento entre elas, daí a importância de sabermos mais sobre o que nos divide, para que assim, intergeracionalmente, possamos criar pontes em vez de muros. Até porque já nos bastam todos os outros muros… .
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A União que nos torna mais fortes José Graça
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embram-se da história do feixinho de vides?! Não se tratando de nenhuma parábola bíblica, atravessou as nossas infâncias recordando-nos a importância de permanecermos juntos nos momentos difíceis, transformando as nossas fraquezas individuais em fortaleza coletiva… Numa perspetiva mais global, o momento atual da União Europeia apela ao nosso sentido de coesão e ao espírito de missão dos líderes nacionais, obrigando-nos a refletir e a escolher o melhor caminho para o futuro. Foi assim esta semana na Assembleia da República e no Conselho Europeu, será assim nas próximas semanas um pouco por toda Europa e, principalmente, no próximo dia 25 de março, quando celebrarmos os 60 anos dos Tratados em Roma. Com a erosão natural dos sistemas democráticos e com o crescimento de populismos e totalitarismos de vária ordem, todos somos obrigados a deixar as nossas posições mais confortáveis e a envolvermo-nos nos processos de discussão e participação pública sobre o futuro da Europa, seja a nível local, seja em contextos mais amplos. Até porque, apesar de frequentemente esquecermos tais evidências, a Europa começa aqui bem perto de nós, sendo uma realidade palpável no nosso quotidiano, a começar pelas nossas carteiras ou contas bancárias, onde o euro passou a reinar há menos de vinte anos, transformando completamente as nossas relações financeiras. Hoje, atravessado o momento pior da crise da dívida e terminado o consulado da troyka, é bom recordar que o regresso às moedas nacionais seria um caos absoluto, com o descontrolo total da inflação, aumento generalizado dos preços, do desemprego e das taxas de juro e quebra potencial da coesão social, prejudicando especialmente os setores mais débeis da nossa social.
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Apesar dos indicadores económicos serem encorajadores e da confiança dos consumidores e das empresas estarem em alta, não podemos considerá-los como adquiridos e definitivos. A ultrapassagem da crise e a regularização progressiva dos desequilíbrios orçamentais, feitos à custa de muitos sacrifícios dos portugueses e do adiamento do investimento público, são fatores de encorajamento para reforçarmos a nossa posição na União Europeia. Apesar do Governo dar sinais de inversão de rumo, em matéria de investimento público, procurando o pleno aproveitamento do programa PORTUGAL 2020, as empresas serão sempre parte essencial na alavancagem das políticas públicas, detendo fortes responsabilidades na execução dos fundos comunitários, no desenvolvimento da atividade económica, na criação de emprego e na geração de valor. Retomando o pioneirismo da época dos Descobrimentos, Portugal detém no atual contexto internacional um conjunto de vantagens competitivas, que muitos dos nossos parceiros europeus não podem orgulhar-se, devendo rentabilizá-las para o desenvolvimento dos projetos económicos e para a atração de investimento direto estrangeiro. Por tudo isto, cabe aos nossos líderes e dirigentes, públicos e privados, das associações e das instituições, uma especial responsabilidade na interpretação dos sinais que a sociedade transmite e na potencialização de um universo de oportunidades resultantes da integração na União Europeia, gerindo de forma cautelosa as nossas debilidades e rentabilizando vantagens competitivas únicas, para tornar Portugal melhor! . (Membro do Secretariado Regional do PSAlgarve e da Assembleia Intermunicipal do Algarve)
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Só a verdade é revolucionária António Manuel Ribeiro
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embrei-me desta máxima que aprendi ainda adolescente com a chegada da primavera dos cravos – foi uma mulher de rua, vendedeira, que não tendo cigarros para satisfazer o pedido de um magala a calcorrear de G3 as ruas do golpe lisboeta, lhe enfiou os cravos no cano e a imagem pegou de marca revolucionária na manhã do dia 25 de Abril de 1974. Não houve calculismo, fervor revolucionário, orientação política, houve o melhor dos dias, uma confluência de situações da vida normal. Marcelo (Caetano, claro) entrou de gatas na Chaimite, a populaça aqueceu as palmas das mãos na chapa verde-azeitona que o levou de fugida para o Funchal, antes do exílio no Brasil. Coitado, oiço cada vez mais perorando, coitados de nós, respondo, que suportámos (cobardia nacional) a fraqueza cordata de homens coitados na tribuna do poder. Nessa manhã de quase chuva, os pides à espreita começaram a rasgar os cartões da sua arrogância com cheiro a Caxias, os bufos saltavam de barricada sem saberem muito bem a fundura do fosso do outro lado, e o regime de opereta, com dois ministros de cu alçado a esburacarem uma parede do ministério – ai se o Dr. Salazar pudesse dar-lhes um raspanete pela destruição do património – para fugirem das castanhas assadas da revolta, caiu como caem sem estrondo as glórias de papelão – não foi a humidade, foi a urgência. Na manhã da última quarta-feira integrei uma delegação da Associação Frente Cívica que visitou, de novo, a Associação 25 de Abril. Perante homens que desafiaram o poder autoritário fascizóide do velho regime curvo-me com humildade; ouvi a voz da história, pedaços que um dia vivi. Prefiro o tom desbragado, até provocador, do coronel Vasco Lourenço, às meias falas que nos envolvem a vida política e social, depois de passarem o crivo dos conselheiros de imagem e marqueteiros de serviço. Prefiro a frontalidade, mesmo se episodicamente errónea, à sacanice – não é característica bondosa, é falência cultural arreigada até ao tutano. Porque se só a verdade é revolucionária – Maiakovski o disse –, as meias verdades e os sapos
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que andam para aí tanta gente televisiva a engolir vai-se tornando um hábito. O meu pai, que era durinho na disciplina, muito mesmo, sem saber que Maiakovski existia, oriundo do rigor jesuíta (seminário de S. Paulo em Almada) foi mais severo. E a cada mentira ofereceu-me um castigo, por vezes um açoite. Aprendi. De excepção em excepção, ou de mentira em mentira (pequenina, às vezes, sussurram) criámos uma regra, que é o antónimo de excepção. E isso não é boa política para uma nação. Para um lar. Entre amigos. Isso é caruncho. Não é exemplo. Sejam as SMS sobre a virgem escolhida para a CGD, seja a falha (mal contada) da fuga de 10 milhões para o Sol do Panamá, seja o bico calado que pedem a Teodora Cardoso, isto e o resto à solta revelam que o mais importante é o anúncio sem contraditório, as águas calmas sem ventania, a democracia de canto coral. A crispação é sintoma de uma realidade subterrânea que pode ver a luz da notícia – aprendemos. E mesmo os políticos ateus entregam-se por estes tempos à tarefa de pedir e esperar por um milagre salvífico. A sustentabilidade tornou-se um substantivo de densidade frágil num mundo global. Porque se apenas a verdade é revolucionária, a força da verdade, mesmo com erros, só enobrece a coragem de quem tenta governar neste mundo enlouquecido. Somos poucos, 10 milhões cá dentro, para enfrentar as vagas de tanta estranheza. Uma pergunta coloquial: para que serve a Caritas se não pode responder a todos os pedidos de ajuda mas conserva milhões no banco? Um disco para esquecer: Os Doors no quádruplo CD «The Live On Air 1967-1972». É triste e vergonhoso como a indústria discográfica vai desenterrando fitas que deviam ter ardido. Nem para documentos servem, gravações tecnicamente medíocres e registos sem acrescento artístico. O 4.º CD, que tem o trio sem Morrison, é penoso de ouvir. Às vezes é assim. Tem acontecido o mesmo com as gravações ao vivo de Miles Davis, depois da saga com Jimi Hendrix .
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A Cozinha Mediterrânea – uma fusão multicultural Augusto Lima
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uem a come tem mais saúde, mais alegria e é um amante natural de tudo quanto é bom e dá prazer, supostamente as coisas simples da vida, o que inclui, de uma forma inata, comer. Comer bem, comer saúde, e comer alegria. E também come amor, sim, porque o acto de cozinharmos e de nos alimentar o é, no sentido de darmos o melhor ao nosso corpo e podermos oferecer o melhor de nós, quando cozinhamos para outros ou para nós mesmos. Desde sempre os povos da Região Mediterrânica (onde se inclui Portugal, apesar de não pertencer aos povos banhados pelo Mar Mediterrâneo), aliaram a cozinha saudável pela variedade de ingredientes, cores, sabores e texturas, com respeito pela tradição, gosto pela inovação e uma natural tendência para o improviso. A cozinha Mediterrânea é sazonal, com pontos referenciais importantes e comuns a quase todos, pela singularidade única de terem passado por diferentes culturas e abraçado as suas influências. É natural nela o gosto pela cozinha e pelo acto de comer e pela multiplicidade de misturas completamente diferentes umas das outras, apesar de serem confeccionadas com os mesmos ingredientes. Veja-se o caso que sobressai nas nossas 11 províncias, Minho, Trás-os-Montes, Douro, Beira Alta, Beira Litoral, Beira Baixa, Ribatejo, Alentejo e Algarve. Açores e Madeira e nas suas sub regiões, vilas e aldeias com tantos produtos iguais, tantos quantos as diferenças entre elas. Quase todas produzem vinho, enchidos, doçaria, queijos, mel, mas em todos eles podemos ver diferenças acentuadas, quer na organoléptica, apresentação, ou modo de preparar.
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Há quem divida a Cozinha Mediterrânica em três grandes pilares – o azeite, as frutas e os legumes – mas o mais assertivo será dizer que ela se apoia na trilogia, pão, azeite e vinho, sustento destes povos há muito mais tempo do que nos poderemos lembrar e que os Alentejanos souberam como ninguém homenagear em múltiplos manjares como açordas e migas, ombreadas com azeitonas, uvas e vinho rudimentar, guardado em talhas à sombra de mosteiros e quintas escondidas no meio das grandes planícies onde sempre pastaram ovelhas e cabritos e seus queijos, mais que bovinos. Isto, em terras distantes do mar, que nessas, ele sempre deu de comer a quem destemido enfrentou mares fêtos num cão, e na mesa colocou, quando nada havia, sardinhas de estiva, amarelas da salga, embrulhadas num molho onde no refogado não faltava o tomate amadurado ao sol, carnudo e sumarento, tão doce quanto ácido mais e o pimento e os tubérculos que chegaram com as descobertas de mares nunca dantes navegados, para lá do conhecido atlântico e se prenderam às terras da Península Ibérica e se espalharam por todo o Mediterrâneo, mais as ervas, verdes de frescura e suculência odorífera que chegaram do oriente pelas mãos dos muçulmanos que as implementaram por toda a bacia do mar salgado e fizeram também vingar alhos e cebolas que aquecidas no ouro verde, protagonizam o refogado, base da técnica culinária mais usada por estes lados, o nosso guisado de todos dias . (Presidente da Associação de Cozinheiros e Pasteleiros do Algarve)
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SECRETÁRIO DE ESTADO DA ADMINISTRAÇÃO INTERNA VEIO A QUARTEIRA VISITAR A FUTURA BAL Ao todo serão cinco as BAL – Base de Apoio Logístico da Proteção Civil que estarão espalhadas, de norte a sul do país, para fazer face a quaisquer catástrofes ou incidentes de maior dimensão. Em Quarteira, seguem em velocidade de cruzeiro as obras da construção de uma dessas infraestruturas, cuja empreitada foi visitada, no dia 9 de março, pelo Secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes. Texto:
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Fotografia:
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Secretário de Estado da Administração Interna Jorge Gomes deslocou-se a Quarteira, no dia 9 de março, para visitar a obra da futura BAL – Base de Apoio Logístico da Proteção Civil. O edifício ficará implantado em frente ao Cemitério, no local onde estava previsto um quartel de bombeiros, e permitirá o apoio, armazenamento de equipamento, estadia e suporte direto às operações de socorro em todo o Algarve. Esta será uma das cinco BAL criadas pela Autoridade Nacional de Proteção Civil em todo o país, em cada uma das regiõesplano. Pretende-se que fiquem aqui residentes os meios de socorro a operacionalizar em caso de catástrofes, como inundações, explosões, incêndios,
sismos, entre outros. A unidade vai ter capacidade para albergar perto de 120 operacionais, assegurando o alojamento, alimentação, espaços administrativos (gestão e comunicações), armazenamento de equipamentos, abastecimento (exterior) e parqueamento de veículos. O edifício vai receber igualmente o Comando Regional do GIPS (Grupo de Intervenção, Proteção e Socorro da GNR) e o Centro de Meios Aéreos de Loulé. A obra tem um custo estimado de cerca de 1,3 milhões de euros e um prazo de execução de um ano e meio, realizada pelo Ministério da Administração Interna num protocolo com a Câmara Municipal de Loulé. “Está
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criada a BAL de Almeirim, na zona de Santarém, estamos agora a construir a do Algarve, aqui em Quarteira, e as outras três ainda estão por definir”, explicou o Secretário de Estado Jorge Gomes, esclarecendo que os efetivos da proteção civil estarão neste equipamento de acordo com as necessidades do momento e não em permanência. “Em permanência estarão, sim, 30 elementos do GIPS, um grupo especial da GNR que, para além das funções de proteção e socorro, tem também as facetas policial e de investigação criminal. É extremamente importante para a segurança do Algarve que eles aqui estejam”, enfatizou o governante, no final da visita. A BAL será uma infraestrutura de grande capacidade de resposta para o Algarve na eventualidade de surgir alguma crise, mas também servirá para pré-posicionar homens e mulheres da proteção civil em épocas específicas como as de incêndios ou de cheias, e com todo o equipamento necessário para qualquer intervenção. “Daqui a um ano estaremos aqui, com todo o gosto, a inaugurar esta belíssima obra. Até lá, o dispositivo da proteção civil funcionará como habitualmente, socorrendo-se de quartéis dos bombeiros e da GNR, a estrutura mantém-se. Como estas obras são feitas através dos fundos comunitários, há que aproveitar para modernizar as infraestruturas do Estado”, referiu Jorge Gomes, acrescentando que ainda não estão definidas as localizações das restantes três Bases de Apoio Logístico. “O quadro comunitário funciona até 2020, as taxas de execução estão com um ritmo extraordinário, mas não vamos tomar decisões precipitadas e as escolhas
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dependerão sempre de critérios operacionais”, assegurou. Certo é que uma das cinco BAL vai estar em Quarteira, o que deixou Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé, manifestamente satisfeito. “Somos um concelho central, com acessibilidades fáceis e rápidas, a sete minutos da Via do Infante, o que confere uma grande importância a este equipamento. Estará aqui alojada toda a logística para fazer face a alguma emergência territorial ou situações cataclísmicas que, oxalá, nunca aconteçam”, reforçou o edil, frisando que a presença do Comando Regional do GIPS será também uma mais-valia para o concelho. “Aumenta o sentimento e perceção de segurança dos residentes e dos muitos turistas que circulam nesta freguesia”, justificou. Com mais de 800 metros quadrados de área de implantação e uma área de construção bruta em torno dos 1800 metros quadrados, será, então, uma obra muito bem-vinda para Quarteira, mas o processo não foi nada fácil, lembrou Vítor Aleixo. “Por infelicidade da vida, aconteceu que este aquartelamento para bombeiros colapsou e a estrutura esteve cerca de seis anos em ruínas. Tivemos que escolher o melhor uso a dar a este edifício que já estava iniciado, fizemos pequenos ajustes no projeto, candidatamos a obra, mas o processo administrativo consumiu imenso tempo, de tal modo que a infraestrutura só estará concluída em 2018”, concluiu o presidente da Câmara Municipal de Loulé .
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MUNICÍPIO DE OLHÃO E RIAS PROMOVEM ATIVIDADES PARA TODOS OS PÚBLICOS
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Município de Olhão está a promover, em conjunto com o Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens da Ria Formosa (RIAS), durante este ano letivo, um programa de atividades de educação ambiental. A primeira iniciativa acontece já no dia 11 de março, com uma saída de campo para observação de aves na Quinta de Marim. Esta colaboração do Município com o RIAS, sediado em Olhão, pressupõe a realização de atividades diversificadas e visa abranger o público escolar, com ações destinadas aos alunos do 2.º e 3.º ciclos do ensino básico, mas também haverá ações abertas à comunidade, sobretudo destinadas à participação de pais e filhos. “A aposta no reforço da consciencialização de jovens e adultos para a salvaguarda do património ambiental é assumido pela Autarquia, não só como uma das suas competências mas, sobretudo, como um dever cívico e um contributo para o bem-estar comum”, refere o Presidente do Município, António Miguel Pina. As atividades, que decorrem até final de outubro, são diversificadas e pensadas consoante 70 ALGARVE #98
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o público a que se destinam. Vão da construção de caixas-ninho para aves à identificação de aves limícolas, passando pela observação de répteis ou camaleões, e por «Oficinas para Pais e Crias», destinadas a pais e filhos. Durante a Semana da Ria Formosa, que este ano decorre de 2 a 5 de maio, o destaque vai para as atividades destinadas aos 2.º e 3.º Ciclos. Para os primeiros, foi concebida uma atividade interativa que tem como objetivo mostrar as diversas funções das penas das aves, através de mini-experiências. Será ainda abordada a questão da poluição marinha e o seu impacto nas aves. Já para o 3.º Ciclo, haverá uma palestra interativa, onde os participantes ficarão a conhecer vários animais da fauna e flora da região, como a águia-d’asa-redonda, o bufo-real, ou o cágado-de-carapaça-estriada. No que diz respeito ao público em geral, as atividades foram concebidas no sentido de alertar os participantes para a necessidade de conservação da biodiversidade, através de saídas de campo e oficinas didáticas.
INVESTIGAÇÃO DA UALG PODE AJUDAR A MELHORAR EFICÁCIA DA QUIMIOTERAPIA
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ma equipa de investigadores, liderada por Wolfgang Link, do Centro de Investigação em Biomedicina, da Universidade do Algarve, acaba de publicar, na revista «Nature Communications», os resultados de uma investigação inédita na área do cancro. Reconhecendo o facto de que um número significativo de mortes se deve à resistência intrínseca ou adquirida, ao longo do tempo, à quimioterapia, os investigadores quiseram compreender de que modo as células cancerígenas se tornam resistentes às terapias convencionais. Assim, através de um estudo alargado, que culminou com uma série de ensaios a partir de amostras recolhidas de pacientes, os investigadores descobriram que a TRIB2, uma proteína presente no corpo humano, ajuda as células cancerígenas a resistir a diversas drogas quimioterapêuticas usadas atualmente no tratamento de pacientes. Tendo realizado testes que provam que níveis elevados da proteína estão associados a um prognóstico negativo para estes doentes, estes investigadores concluíram que uma maior concentração de TRIB2 contribui para a
ativação de uma via (PI3K/AKT) que regula a sobrevivência das células cancerígenas, tornando, assim, ineficazes os tratamentos de quimioterapia. A descoberta, de cariz completamente inédito, permite contribuir para o desenvolvimento de novas terapias, mais personalizadas, para doentes com altos níveis desta proteína, ajudando a conseguir tratamentos mais eficazes e, consequentemente, aumentando a taxa de sucesso e de sobrevivência associada à doença oncológica. O estudo, levado a cabo por Richard Hill, Patrícia Madureira, Bibiana Ferreira, Inês Baptista, Laura Colaço Susana Machado e Wolfgang Link, despertou, inclusivamente, o interesse da gigante farmacêutica Bayer que, em 2012, viu potencial no projeto, concedendo-lhe uma bolsa de financiamento. A publicação na Nature Communications consagra um longo processo de estudo que promete revolucionar a eficácia dos tratamentos de quimioterapia e abre portas ao surgimento de uma medicina cada vez mais personalizada .
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VIAJAR AO PASSADO NAS MARGENS DO RIO GUADIANA
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e 24 a 26 de março, Alcoutim e Sanlúcar de Guadiana (Huelva) recuperam uma tradição que marcou a vida dos povos da zona fronteiriça de Portugal e Espanha e transformam-na numa iniciativa cultural destinada a animar todos os públicos e a ambos os lados da fronteira: o Festival do Contrabando. O programa realiza-se este ano pela primeira vez e pretende ser muito mais que um festival. Será uma ótima oportunidade para apreciar o património natural que se pode desfrutar nas duas margens do rio Guadiana, através de inúmeros caminhos, miradouros e da tirolesa transfronteiriça de Alcoutim (única no mundo), que há anos foi um lugar inóspito que os contrabandistas desafiavam de dia e de noite. Em memória daqueles dias e gentes, Alcoutim e Sanlúcar serão o cenário deste Festival que pretende transmitir esta herança cultural e natural em comum, recriando a vida quotidiana
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dos anos 30 e 40. O evento conta ainda com animação de rua, desfiles, oficinas, exposições, música artes e ofícios e concertos. Uma programação que permitirá ao visitante viajar no tempo e descobrir uma forma de vida que marcou a zona e as populações separadas e simultaneamente unidas pelo rio Guadiana. O Festival do Contrabando tem como ingredientes um cenário natural único, dois destinos, dois países e uma contínua animação cultural. No programa destaca-se uma atração especial que apenas se poderá viver nestes dias: atravessar através de uma ponte pedonal o rio Guadiana, fronteira natural entre Portugal e Espanha. A iniciativa enquadra-se no programa cultural 365 Algarve, que tem vindo a promover mais de mil espetáculos e atividades culturais desde o outubro de 2016 até maio deste ano, e conta com a organização da Câmara Municipal de Alcoutim .
FARO PROSSEGUE RECUPERAÇÃO DE ESPAÇOS VERDES
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omeçaram, no dia 6 de março, os trabalhos de manutenção e conservação dos espaços públicos ajardinados na cidade de Faro, levados a cabo por duas empresas especializadas, que irão recuperar e manter as áreas verdes de todo o espaço urbano e periurbano nos próximos meses. No total, o Município investe 196 mil e 173,22 euros na recuperação das zonas verdes da cidade, procurando devolver a dimensão estética e a dignidade que elas merecem. As prestações de serviços agora contratualizadas terão a duração de um ano. De fora ficam a Baixa da cidade e o casco antigo, cuja manutenção continua a ser assegurada pelos serviços da autarquia e os espaços verdes dos estabelecimentos escolares do concelho, adjudicados a outra empresa. A autarquia pensa ter encontrado, deste modo, uma solução adequada para resolver as dificuldades experimentadas no tratamento dos verdes da
cidade desde que, em Agosto de 2013, o Tribunal de Contas decidiu que esta prestação estava fora do âmbito de atuação da FAGAR. Recorda-se que nessa altura foi a edilidade que teve que voltar a assegurar estes serviços, sem meios técnicos nem recursos humanos para tal, e a braços com um duro plano de reequilíbrio financeiro. Agora, abatida mais de 40 por cento da dívida total, o Município pode alocar verba para atacar com toda a segurança a questão dos espaços verdes da Cidade, a contento de todos os que residem e visitam o concelho. “Trata-se de uma intervenção fundamental que ilustra bem o esforço que o concelho vem fazendo para melhorar cada vez mais o seu capital de atratividade, para quem cá vive, estuda, trabalha ou simplesmente nos visita”, considera o Presidente da autarquia Rogério Bacalhau .
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AUTARQUIA DE LAGOA APOIA MOVIMENTO ESCUTISTA
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o âmbito do seu plano de apoio à Juventude, a Câmara Municipal de Lagoa deliberou prestar apoio, em 2017, como vem fazendo há alguns anos, aos Agrupamentos de Escutas e Escoteiros do concelho, com a atribuição de um subsídio de 22,50 euros por cada elemento devidamente registado, num total superior aos oito mil euros. Pela primeira vez, a autarquia decidiu também ceder transporte para duas atividades, uma de âmbito regional e outra nacional. Assim, no dia 4 de março, cerca de 300 jovens, de todos os Agrupamentos de Escutas do Concelho, participaram nas atividades do «Dia de Baden Powell», em Faro, com transporte da autarquia. Igual número se prevê para o «Acampamento Nacional» que decorrerá em Idanha-a-Nova, de 31 de julho a 6 de agosto. Ao atribuir estes apoios, a Câmara Municipal de Lagoa reconhece o importante trabalho desenvolvido por estas associações na ocupação saudável dos tempos livres dos jovens, na promoção de princípios e valores que estimulam o respeito pelo Ambiente e Natureza, a vivência em grupo, o respeito pelo próximo, a partilha e a entreajuda, aspetos decisivos para ajudar a formar as mulheres e os homens de amanhã. O apoio financeiro atribuído, sob a forma de subsídio para 2017, é o seguinte: – Agrupamento 1331 S. Vicente Marítimos de Carvoeiro – 44 efetivos – 990 euros; – Agrupamento 511 – Lagoa – 36 efetivos – 810 euros; – Agrupamento 0715 – Estômbar – 51 efetivos – 1.147,50 euros; 74 ALGARVE #98
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– Agrupamento 1292 – Mexilhoeira da Carregação – 26 efetivos – 585 euros; – Agrupamento 12565 – Parchal – 28 efetivos – 630 euros; – Agrupamento 413 – Ferragudo – 149 efetivos – 3.352,50 euros; – Grupo 238 de Lagoa (Associação de Escoteiros de Portugal) – 22 efetivos – 495 euros .
PONTA DA PIEDADE VAI TER CENTRO DE INTERPRETAÇÃO «SOPHIA DE MELLO BREYNER»
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m Centro de Interpretação que ajude a comunidade residente, turística e escolar a conhecer melhor o ambiente natural da Ponta da Piedade, seja através de visitas guiadas, acompanhadas de técnicos especializados, ou apenas a partir de brochuras, ao mesmo tempo que se homenageia uma das suas mais diletas apaixonadas, Sophia de Mello Breyner, são os objetivos assumidos pela Câmara Municipal de Lagos na conclusão do processo de requalificação da Ponta da Piedade. O montante total submetido na candidatura, cujo apoio FEDER máximo é de 60 por cento, é de dois milhões, 492 mil e 676 euros, divididos entre o «Projeto de Execução de Requalificação da Ponta da Piedade - 2ª Fase», a execução física da empreitada de requalificação da Ponta da Piedade – 2ª Fase, a implementação do
sistema de contagens de visitantes e ações de promoção. O Município de Lagos enquadra assim a requalificação da Ponta da Piedade numa estratégia de gestão e de promoção do turismo de natureza enquanto polo diversificador e complementar da oferta turística, atraindo maior número de visitantes, sobretudo na época baixa, contribuindo para atenuar os efeitos da sazonalidade e conferir mais estabilidade à economia e ao emprego. Com a candidatura submetida, pretende-se concluir o processo de requalificação da Ponta da Piedade, monumento natural e turístico único, assegurando a sua conservação e valorização, a melhoria das condições de acesso, conforto, segurança e informação aos turistas e visitantes .
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CLUBE ORIENTAL DE PECHÃO CONTINUA A SOMAR TÍTULOS
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Clube Oriental de Pechão (COP) conquistou, em São João da Madeira e em Mira de Aire, mais oito títulos nacionais individual e coletivamente na marcha e cortamato. Destaque para a campeoníssima Ana Cabecinha, que conquistou o seu 5.º título nacional de 20 quilómetros marcha, contribuindo com a sua prestação para o primeiro lugar coletivo da sua equipa. As outras atletas que estiveram igualmente em destaque foram Edna Barros (4ª posição), com 1:43m.31 e Laura Leal, com 1:46.05. Refira-se que a marca de Edna Barros lhe permite participar no Campeonato da Europa de Esperanças. Em Juniores Femininos, mais uma vez a equipa do COP ficou no lugar mais alto do pódio, bem como a sua atleta Carolina Costa, que fez a marca de 51.20, resultado que a leva à competição na Taça da Europa. Também as suas colegas Ednice Barros (5ª) e Bruna Colónia contribuíram para o êxito da equipa. 76 ALGARVE #98
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No setor masculino, e neste escalão, a prova foi ganha por Rodrigo Marques, que se apurou igualmente para a Taça da Europa. Também em Juvenis e Iniciados o COP ficou no primeiro lugar. Em Juvenis, este é já o 5.º título que o clube ganha, desta vez graças às brilhantes marcas alcançadas por Ana Vicente (4ª), Tatiana Cabecinha (10ª) e Fatoumata Diallo (11ª). Nos Iniciados «Marchador Jovem», Ana Catarina Mestre (5ª), Sofia Marques (6ª), Érica Cabecinha (7ª) e Telma Mendes tornaram-se nas mais jovens vencedoras nesta categoria. Esta foi uma grande jornada para o Clube Oriental de Pechão na marcha, sobretudo no setor feminino, tendo conseguido igualmente na disciplina de corta-mato o primeiro lugar em Masculinos Juvenis, por intermédio de Etson Barros, que passa a ser o campeão nacional nesta categoria. No setor feminino, o COP alcançou o 10.º lugar, num total de 18 equipas em competição .
ALGARVE ELEITO «MARCA DE CONFIANÇA» PELO SEGUNDO ANO CONSECUTIVO
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s turistas portugueses reforçam a sua confiança no Algarve enquanto destino de férias ao elegerem a região, pelo segundo ano consecutivo, como «Marca de Confiança». O destino turístico arrecadou 23 por cento dos votos dos leitores das Selecções do Reader’s Digest, a revista mais lida em todo o mundo, e ocupa o lugar de topo na categoria Regiões de Turismo, introduzida pela primeira vez em 2016 nos prémios da publicação. Segundo as Selecções, a eleição faz do Algarve uma marca «fiável, eficaz, com uma justa relação de valor, que transmite segurança e está nas preferências do consumidor». Em resumo: é-lhe «familiar». O Algarve destaca-se das restantes regiões de turismo nacionais pela qualidade – alcançando neste parâmetro uma pontuação de 4,5 em 5 –, pela relação custo/benefício e pela perceção das necessidades do cliente. “É com muita satisfação que o Algarve é eleito pela segunda vez consecutiva Marca de Confiança.
Num período em que se assiste a um aumento generalizado de turistas em Portugal e em que o Algarve continua a liderar o turismo nacional, é uma honra para a região ser galardoada com este prémio, pois ser uma marca de confiança significa que está no topo das preferências do turista, que é fiável, que transmite segurança e satisfaz as expectativas de quem nos visita. A confiança sempre foi um dos atributos que diferencia o Algarve no panorama internacional”, confessa o presidente da Região de Turismo do Algarve Desidério Silva. Esta é a 17.ª edição do estudo que anualmente visa identificar as marcas em que os consumidores mais confiam e avaliar os níveis de confiança em produtos e serviços de 60 categorias, permitindo às empresas aferir o índice de fidelidade dos seus clientes. Os prémios não dependem de candidaturas ou inscrições, resultando dos votos de um painel de assinantes das Selecções do Reader’s Digest .
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SELEÇÃO NACIONAL DE TÉNIS EM CADEIRA DE RODAS JOGA QUALIFICAÇÃO EUROPEIA EM VILAMOURA
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seleção nacional masculina de cadeira de rodas vai poder jogar pela primeira vez em casa uma Fase de Qualificação Europeia do Campeonato do Mundo de Equipas de Ténis em Cadeira de Rodas, que a Federação Portuguesa de Ténis e a Premier Sports vão organizar, de 21 a 25 de março, na Vilamoura Tennis Academy. A Federação Internacional de Ténis promove a BNP Paribas World Team Cup Wheelchair Tennis como «a Taça Davis e a Fed Cup» do desporto adaptado, com a presença dos melhores do ranking mundial e vencedores de torneios do Grand Slam. Em 2017, a fase final deste Mundial irá disputarse na Sardenha, em Itália, de 1 a 7 de maio, e para além do país anfitrião e das outras nações que se apuram via ranking mundial, há uma vaga em cada uma das fases qualificativas. Neste momento já se realizaram os torneios de África e Ásia-Oceânia, esta semana decorre o das Américas e o derradeiro «qualifying» será o europeu, em Portugal, com 13 nações representadas no torneio
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masculino (entre os quais Portugal) e seis no feminino. O selecionador nacional e coordenador do programa da FPT para o ténis adaptado, Joaquim Nunes, convocou Jean Paul Mélo (o atual bicampeão nacional de cadeira de rodas), do Clube de Ténis de Setúbal; Carlos Leitão (sete vezes campeão nacional), do Clube de Ténis de Pombal; Paulo Espírito Santo (quatro vezes campeão nacional), da Escola de Ténis José Mário Silva; e João Sanona (recente vencedor do Torneio Biscaia da Silva, em Setúbal), do Clube de Ténis de Setúbal. No último mês e meio, a seleção nacional, incluindo o jogador Francisco Aguiar (do Open Village Sports), esteve envolvida em estágios de preparação para o Mundial, realizados em Santarém e Setúbal e os jogadores têm ainda a opção de concluírem a sua preparação no Open de Vilamoura, que irá realizar-se no mesmo local, nos mesmos hardcourts e com as mesmas bolas. O Vilamoura Open integra o calendário de torneios da ITF na categoria de Futures Series, oferece três mil dólares em prémios monetários (2.835 euros), apresenta quadros de singulares feminino de 16 jogadoras e masculino de 32, havendo ainda competições de pares e de consolação .
SILVES ABRE CONCURSO PÚBLICO PARA 700 CAMAS TURÍSTICAS
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oi aberto concurso público para a concretização de um Núcleo de Desenvolvimento Turístico (NDT) em Silves, através da constituição de um Programa de Ação Territorial para a Unidade Territorial do Litoral Sul e Barrocal. Neste sentido, com a publicação do Anúncio de Procedimento n.º 1832/2017, de 08 de março, são colocadas a concurso 700 camas turísticas a implementar de acordo com o estabelecido nos artigos 23.º a 27.º-M do Plano Diretor Municipal de Silves. Este concurso, que decorre pelo prazo de 120 dias (quatro meses), permitirá a criação de um núcleo turístico a localizar fora dos perímetros urbanos e dos espaços de ocupação turística. Com a atribuição destas camas, o Município de Silves promove ativamente o investimento no concelho de Silves, dinamizando a atividade económica, valorizando os recursos existentes e
apostando num desenvolvimento económico sustentável e na coesão territorial. A abertura deste concurso resulta de uma deliberação da Assembleia Municipal de Silves de 20 de fevereiro do corrente ano, sob proposta da Câmara Municipal de Silves de 19 de outubro de 2016 e de 7 de dezembro de 2016. Poderão ser promotores para a implementação do NDT todas as pessoas singulares ou coletivas, portuguesas ou estrangeiras, que tenham plena capacidade de atuar, sejam ou não proprietários dos terrenos afetados, desde que apresentem legitimidade para o efeito e reúnam as condições de capacidade económica, financeira, técnica e profissional exigíveis em cada caso, conformes com os critérios de admissão estabelecidos nos Termos de Referência e nas peças concursais, a elaborar numa fase posterior deste concurso .
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