ALGARVE #97 INFORMATIVO 4 de marรงo, 2017
Carnaval Saia de Roda Retratos Na Ria Silas Grandy Rita Redshoes
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CONTEÚDOS
ARTIGOS 8 - Carnaval 26 - Silas Grandy 36 - Rita Redshoes 46 - Saia de Roda 56 - Retratos na Ria 76- Maria Nova Lounge Hotel 78 - Atualidade
OPINIÃO 6 - Daniel Pina 66 - Paulo Cunha 68 - Paulo Bernardo 70 - José Graça 72 - Mirian Tavares
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Levar a cultura onde estão as pessoas Daniel Pina
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s queixas não são de agora, aliás, todos os artistas, produtores, programadores de equipamentos culturais, governantes com responsabilidade na matéria, dizem o mesmo: são poucos os portugueses que consomem cultura de forma regular. Depois, o famigerado ciclo eternizase: se não há público, promovem-se menos eventos culturais, sejam eles espetáculos de teatro ou de dança, concertos musicais, exposições de arte e outros; se não há oferta regular e diversificada, os consumidores de cultura vão perdendo os seus hábitos; o que leva a menos público e a menos eventos e a menos público e a menos produção… Já estão a ver onde isto vai dar. Ora, se o problema está perfeitamente identificado, porque teimam em tardar respostas adequadas do poder central para se inverter a situação? Até porque todos sabemos que, quando os eventos são de qualidade, ou diferentes do que estamos acostumados a ver, o público acaba por surgir e em quantidade assinalável. Veja-se o mediatismo que o Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia alcançou num ápice. Como os principais prejudicados com esta situação são os próprios agentes culturais, aqueles que vivem, essencialmente, da cultura, muitos arregaçaram mangas e têm tentado criar públicos junto dos mais novos. Assim se passa, por exemplo, com os Serviços Educativos do Teatro Municipal de Faro e do Cine-Teatro Louletano, que promovem regularmente sessões de teatro infantil para os jardins-de-infância e alunos do primeiro ciclo. Não se trata apenas de aplicar a velha máxima «de pequenino é que se torce o pepino», porque, assim, teriam que esperar largos anos até que estes jovens se tornassem adultos consumidores de cultura. Trata-se de desenvolver nas crianças hábitos culturais e esperar que elas depois façam o trabalho de casa, isto é, que desafiem os pais para as levarem ao teatro, ao cinema, ao bailado, à exposição, ao invés de ficarem os fins-desemana em casa agarradas às televisões ou às consolas de jogos.
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Ainda esta semana assisti ao «Saia de Roda» no Teatro das Figuras, uma peça que pretende dar a conhecer algumas festividades tradicionais portuguesas a crianças dos 3 aos 5 anos. Há uns meses, estive no Cine-Teatro Louletano a ver o «Este Não Sou Eu», que apresentou a poesia de António Aleixo a alunos do primeiro ciclo. E, em ambos os casos, os jovens mostraram o seu agrado com a experiência. Também esta semana andou por Vila do Bispo o autocarro VATe da ACTA - Companhia de Teatro do Algarve, com o espetáculo «Dá-me um abraço», onde imensos alunos ficaram a saber a verdadeira importância de dar ou receber um abraço. E com tudo isto se vão criando novos públicos para o futuro. Claro que isto não significa que as gerações mais velhas sejam um caso perdido, simplesmente, há que adaptar a estratégia a homens e mulheres que andam constantemente num ritmo desenfreado de casa para o trabalho e vice-versa. Nessas situações, há que levar, verdadeiramente, a cultura até às pessoas, como se propõe fazer a exposição «Retratos Na Ria», da Associação Fungo Azul, com fotografias fantásticas de Jorge Jubilot espalhadas pelos diversos cais de embarque da Ria Formosa. Deste modo, os turistas que visitam a Ria Formosa ou os moradores das ilhas que passam por estes espaços, são confrontados todos os dias com obras de arte. Da mesma forma que as pessoas que, nos dias 11, 12 e 13 de março, andarem pelas ruas de Castro Marim e Altura, vão dar de caras com a «Carripana» de João de Brito. O palco deste espetáculo de teatro é a rua, a figura principal é a carrinha Citroen Berlingo do encenador e ator, que assim convida os transeuntes a pararem um pouco e sonharem. E assim se vão cativando também os adultos para a cultura. Agora, se ficarmos todos confortavelmente sentados nos nossos gabinetes à espera que as pessoas decidam, por sua livre iniciativa, consumir cultura, os resultados serão, certamente, menos risonhos .
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REPORTAGEM
LOULÉ AO RUBRO DURANTE O CARNAVAL
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O Algarve viveu intensamente o período carnavalesco, com os corsos a saírem à rua, de 24 a 28 de fevereiro, em vários pontos da região. Desfiles infantis, bailes de máscaras e os cortejos principais atraíram igualmente milhares de turistas ao sul do país e o Algarve Informativo acompanhou de perto a ação em Loulé, São Brás de Alportel, Moncarapacho e Altura. Texto:
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alar de Carnaval, no Algarve, é pensar imediatamente em Loulé e a Avenida José da Costa Mealha foi pequena para receber os milhares de visitantes que ali se concentraram nos dias de sábado, domingo e terça-feira, com a assistência a superar as expetativas da organização. O tema «Os Descobrimentos – A Grande Geringonça» foi interpretado da melhor forma pelos elementos das 10 coletividades que nesta edição participam no desfile – Associação Grupo dos Amigos de Loulé, Associação de Pais e Amigos da Ginástica de Loulé, Doina (Associação de Imigrantes Romenos e Moldavos do Algarve), Grupo Desportivo Barreiras Brancas, Ginástica Clube de Loulé, Motoclube de Loulé, Associação Artística Satori, Associação Existir, Fundação António Aleixo e Academia de Dança do Algarve. Com coreografias originais e fatos criados pelos próprios grupos e pelas costureiras do atelier de costura da Câmara Municipal de Loulé, estas associações trouxeram o espírito que está bem presente desde o arranque do Carnaval de Loulé, em 1906, e que tem a ver precisamente com o envolvimento de toda a comunidade na festa. Presentes no corso, a partir da década de 70, tem estado também as esculturais mulatas brasileiras com corpos pintados e samba no pé.
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Sátira acutilante e qualidade artísticas são as imagens de marca deste evento e o desfile voltou a fazer jus à sua fama, com cerca de 700 figurantes. A par da «Geringonça», um dos destaques de 2017 foi a homenagem a Luís Furtado, o artista que, ano após ano, tem sido responsável pela conceção do cartaz, de alguns carros e de toda a decoração do recinto do Carnaval de Loulé. Da política portuguesa, os «convidados» que tripulavam os carros eram, entre outros, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o Primeiro-Ministro, António Costa, e os seus «ajudantes» Catarina Martins e Jerónimo de Sousa. No plano internacional marcaram presença o #97 ALGARVE INFORMATIVO
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presidente norteamericano, com as suas «trumpalhadas», bem como o antecessor Barack Obama e o seu homólogo russo, Vladimir Putin. No desporto, esteve em evidência o treinador Jorge «Jasus», na sua barcaça milionária, à deriva nas águas agitadas do futebol português. Antes disso, na sexta-feira, já quase três mil crianças tinham desfilado em Loulé ao sabor dos «Descobrimentos», com alunos dos jardinsde-infância e das escolas do 1.º ciclo do concelho. #97 ALGARVE INFORMATIVO
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MARAFADOS JUNTARAM-SE AOS FOLIÕES DE SÃO BRÁS DE ALPORTEL
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m São Brás de Alportel, as associações, entidades e comunidade em geral saíram à rua e viveram o espírito do entrudo, no dia 26 de fevereiro, na mais participada edição do Carnaval Tradicional desta vila da Serra do Caldeirão. A Avenida da Liberdade foi palco de tradição e boa-disposição, com um corso carnavalesco ilustrado pela criatividade individual e de imensos grupos intergeracionais e inclusivos. Nesta edição especial, o Clube 2 CV do Algarve deu início ao desfile com uma mostra diversificada de
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carros decorados para o efeito, numa forma de valorizar a paixão por estes veículos e pela alegria que caracteriza o Carnaval. Seguiram-se muitos carros alegóricos, grupos a pé, participações individuais, numa miscelânea de cores, materiais e temas do quotidiano. Não faltaram os típicos palhaços, a representação criativa de profissões e ofícios, o mundo imaginário e a sátira política e social, tendo como alvo preferencial Donald
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Trump. A adesão dos foliões ao Carnaval Tradicional de São Brás superou as expetativas e o público respondeu em pé de igualdade, com um mar de espetadores que cobria todo o percurso do desfile ao longo da Avenida da Liberdade. O programa do Carnaval Tradicional de São Brás integrou ainda um conjunto diversificado de atividades para todas as idades, com particular destaque para o desfile infantil de sexta-feira, 24 de 16 ALGARVE #97
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fevereiro, que teve mais de meio milhar de crianças trajados com as cores d’«O Mundo e Arredores». O concelho acolheu igualmente o Passeio de Carnaval Clube Citroen 2 CV, uma Marcha/Corrida de Carnaval, o Baile de Carnaval no salão de festas da União Desportiva e Recreativa Sambrasense e, no salão dos Bombeiros Voluntários de São Brás de Alportel, um Chá Dançante especial Carnaval.
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MONCARAPACHO FIEL À TRADIÇÃO
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oncarapacho voltou a festejar o Carnaval, nos dias 26 e 28 de fevereiro, com 15 carros alegóricos e mais de 500 foliões a animar esta vila do concelho de Olhão. A genuinidade do Carnaval de Moncarapacho foi visível na decoração dos carros, forrados com pequenas flores de papel que lhe conferem o cognome de «Batalha das Flores», uma característica distintiva e que envolve a participação da população da freguesia uns meses antes na confeção dessas flores e na construção dos carros 18 ALGARVE #97
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alegóricos, transmitindo assim um significado popular e repleto de autenticidade ao evento. Este ano, a União das Freguesias de Moncarapacho e Fuseta introduziu algumas inovações que contribuíram para acrescentar mais animação e qualidade ao corso, tais como uma bateria de samba, um grupo de bailarinas e um conjunto de andas, para além de melhorias no sistema de som distribuído ao longo do circuito.
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EM ALTURA, COMEMOROU-SE A ADESÃO À UNIÃO EUROPEIA
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m dos carnavais mais concorridos do sotavento algarvio foi o de Altura, que celebrou os 30 anos de adesão de Portugal e Espanha à União Europeia, numa iniciativa da Junta de Freguesia de Altura e integrada pela Eurocidade do Guadiana (Castro Marim, Vila Real de Santo António e Ayamonte). Com mais de 11 grupos de animação e 10 carros alegóricos, que representaram as Juntas de Freguesia de Altura, Castro Marim e Odeleite, a Santa Casa da Misericórdia de Castro Marim, o Clube Recreativo Alturense, a Associação Cegonha Branca, o Grupo de Amigos de Altura, a Associação Amendoeiras em Flor, o Intermarché e a Eurocidade do Guadiana, foi muita a alegria e boa-disposição no dia 26 de fevereiro.
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As comemorações do Carnaval em Castro Marim terminaram no dia 1 de março, «quarta-feira de cinzas», com o tradicional «Enterro do Entrudo», à tarde, em Alta Mora e à noite, na vila de Castro Marim. A população reuniu-se em cortejo fúnebre, em redor do finado, mas também das suas viúvas inconsoláveis, com leitura do testamento do Entrudo, cuja tónica se apoia numa sátira social e política. Depois de lido o testamento, encerraram-se as fictícias cerimónias fúnebres e, à luz da tradição, começou a preparação para a época da Quaresma, de sossego e reflexão .
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ENTREVISTA
SILAS GRANDY QUER BRILHAR NO MUNDIAL DE DOWNHILL Ao longo dos últimos anos, Silas Grandy, alemão de nascença, algarvio de adoção, tem sido uma das estrelas do pelotão do downhill português, a defender as cores da «X Dream Blasius» de São Brás de Alportel. Agora, aos 19 anos, é a altura de dar o salto para um patamar superior, tendo assinado por uma equipa alemã para atacar em força o campeonato mundial e europeu da modalidade. Texto:
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cabado de chegar de França, onde esteve concentrada a nova equipa «GZ-Racing Team» para preparar a temporada de 2017, fomos encontrar Silas Grandy nas pistas do Cerro de São Miguel, na freguesia do Moncarapacho, a treinar afincadamente para o arranque da Taça de Portugal de Downhill, que iria acontecer, nos dias 3, 4 e 5 de março, na Pista do Arimbo, em São Brás de Alportel. O evento desportivo trazia ao interior da Serra do Caldeirão os melhores atletas nacionais e internacionais da modalidade, destacando-se a participação das equipas «Madison Saracen» e «GT Factory», com pilotos do top 10 da Taça do Mundo como Sam Dale, Matt Simmonds e Matt Walker. Uma pista que Silas Grandy conhece bastante bem, não tivesse ele representado a «X Dream Blasius», de São Brás de Alportel, durante vários anos, antes de se mudar para a formação germânica e passar a acelerar, morro abaixo, ao volante de uma possante bicicleta da «Rocky Mountain». “Para as provas do Europeu e do Mundial era mais complicado arranjar patrocínios, apesar de todo o apoio que a X Dream sempre me deu, o que me obrigou a procurar uma equipa internacional”, conta o jovem de 19 anos, que foi vice-campeão nacional da Alemanha, em 2016, tendo concluído a Taça da Alemanha também na segunda posição. Este brilharete na Alemanha teve, porém, reflexos na prestação na Taça de Portugal, uma vez
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que havia provas das duas competições que aconteciam no mesmo fim-desemana. Mesmo faltando a duas provas do calendário nacional, Silas Grandy terminou a época na quarta posição, atestando uma qualidade por todos reconhecida desde há muito tempo. “Os
meus pais decidiram sair da Alemanha quando eu tinha dois anos, andamos a viajar pela Europa inteira até chegarmos a Portugal e ficamos pelo Algarve”, recorda, revelando que o pai, que foi piloto de motocross, foi uma grande influência para ter começado a praticar desportos radicais. “Desde miúdos que eu e os meus irmãos imitávamos o nosso pai, mas em
bicicletas. Por volta dos meus sete anos, começamos a fazer umas rampas atrás da casa para treinar BTT e, aos 11, fiz a minha primeira prova de Downhill, no regional do Algarve”. Mercê do historial do pai, a opção de Silas Grandy em tornar-se atleta profissional foi bem aceite lá em casa, #97 ALGARVE INFORMATIVO
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até porque nunca descurou os estudos e só agora, depois de ter finalizado o ensino secundário, é que decidiu colocar a formação académica em pausa. “O meu pai sempre me deu força e a minha mãe nunca tentou impedir-me de praticar este desporto. Claro que, no início, não estava muito entusiasmada com a minha escolha, principalmente quando me via nas provas, mas percebia que era o Downhill que me fazia feliz”, salienta, com um sorriso, reconhecendo que é bastante difícil conciliar os estudos com a competição ao mais alto nível. “Se deixamos de treinar todos os dias e perdemos o foco na modalidade, depois não conseguimos recuperar a forma física e mental. Quando somos jovens evoluímos mais depressa e, se fosse para a faculdade tirar um curso, daqui a cinco anos já não voltava a ser o mesmo atleta”, justifica.
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Isto porque praticar Downhill não é apenas acelerar nas pistas em alguns fins-de-semana por ano, há que seguir um rigoroso plano de preparação e os resultados alcançados durante a temporada desportiva são o reflexo do treino intensivo realizado no Inverno. Depois, assim que o tiro de partida for dado, no dia 5 de março, em São Brás de Alportel, já não há tempo para descansar, garante Silas Grandy. “Em março ainda tenho mais duas provas em Portugal e, no final de abril, arranca o Mundo, o Europeu e os nacionais na Alemanha. Praticamente todos os finsde-semana há etapas e é importante mantermos uma regularidade para o corpo ir ganhando ritmo e habituar-se depressa às exigências desta modalidade”, frisa, enquanto arrumava a bicicleta e o equipamento na carrinha.
Como em qualquer desporto de alta competição, a preparação para o Downhill é bastante diversificada, não se limitando a andar de bicicleta e a descer uns morros. “É necessária muita resistência física, mas também precisamos ter força e capacidade de explosão. As descidas não costumam demorar mais de três minutos, mas passamos os dois dias anteriores a treinar na pista e, no domingo, temos que dar o máximo de nós”, aponta, confirmando que faz ginásio, corrida e natação com assiduidade, mas também o yoga, para acalmar os nervos. “A mente é uma das componentes mais importantes no Downhill e, se não estiver limpa e
focada, não tiramos partido das nossas aptidões físicas”.
Com mente limpa, o corpo reage automaticamente Ao assistir-se a uma competição de Downhill, provavelmente haverá quem pense que aqueles atletas, dos mais novos aos mais veteranos, são uns «maluquinhos», que não devem ter os «parafusos todos», a julgar pela velocidade com que percorrem os estonteantes percursos, umas vezes no meio do mato, outras vezes com precipícios dos lados, onde o menor erro pode originar aparatosas quedas e lesões graves. Silas Grandy assegura,
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contudo, que todos esses pensamentos desaparecem da mente com a experiência, à medida que cada um conhece as suas capacidades e os limites que não deve ultrapassar. “É fundamental termos essa autoconsciência para não arriscarmos demasiado, embora o arriscar um bocadinho possa fazer a diferença na alta competição e dar-nos a vitória. Mas, na descida, não pensamos em praticamente nada. Somos nós, a bicicleta e a pista, um estado de espírito que não é fácil de alcançar. A meditação ajuda-me imenso a controlar essas emoções e impulsos cerebrais, para não me distrair quando estou a correr”, aponta o alemão. Claro que convém não esquecer o que se passa ao redor, até porque, estando-se no meio da natureza, uma simples pedra fora do sítio ou um animal que, de repente, se atravessa no caminho, podem ser bastante perigosos. “São situações em que o corpo reage automaticamente, graças ao nosso treino, mas isso só é possível se não estivermos distraídos com outros pensamentos. Mas nunca devemos perder a noção do medo para não exagerarmos, para mantermos um equilíbrio entre o perigo e o controlo”, defende Silas Grandy, que nunca teve nenhuma lesão que o impedisse de praticar Downhill durante muito tempo. “As mais graves foram a fratura de um ligamento da clavícula ou um dedo partido, nada de demasiado preocupante, e espero que continue assim”. Entretanto, de malas aviadas para Alemanha para daqui a algumas semanas, porque assim exige o calendário do Europeu e Mundial, o jovem não esquece a importância da sua família ter decidido 32 ALGARVE #97
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fixar-se no Algarve, uma região com excelentes condições para a prática deste desporto. “Temos bom tempo praticamente durante o ano inteiro, ao passo que, na Europa Central, não se pode treinar no Inverno por ser demasiado frio”, salienta. Porém, não há «bela sem senão» e não é fácil arranjar patrocinadores no Algarve, e em Portugal, para o Downhill. “Só a bicicleta custa cerca de 10 mil euros, depois, são as viagens, inscrições, estadia, alimentação. Tenho que agradecer muito aos meus patrocinadores, porque a «GZ-Racing Team» dá-me a bicicleta para promover a «Rocky Mountain» e paga as viagens e inscrições. A «X Dream» sempre me apoiou até onde conseguiu, mas houve anos em que tive pagar quase tudo sozinho e, sem a ajuda dos meus pais, não estava aqui hoje”, admite o entrevistado. Empolgado com a nova aventura, Silas Grandy vai correr em casa, neste fim-desemana, mas não perde a sua humildade, face à presença de grandes craques internacionais. “É complicado fazer previsões para a primeira prova, porque eu posso estar a sentir-me bem, mas os meus colegas podem estar ainda melhores do que eu. Por isso, já fico contente se ficar no Top 5 no Nacional. No Mundial, o objetivo é classificar-me nos melhores 80; no Europeu, vou tentar o Top 20; no Nacional da Alemanha, vou esforçar-me por ficar nos cinco primeiros”, adianta, com os pés bem assentes no chão, mas com a certeza de querer praticar Downhill na alta-roda enquanto tiver patrocinadores que o permitam .
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RITA REDSHOES encantou Loulé com o seu pop sinfónico
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O Cine-Teatro Louletano voltou a viver uma noite mágica, com um espetáculo inesquecível de Rita Redshoes, integrado na tournée de promoção do novo disco de originais «Her». Um registo mais sinfónico com a introdução de um quarteto de cordas que catapultou os temas da artista para um novo patamar e o público rendeu-se por completo, às novas melodias, mas também aos êxitos de outros álbuns, agora com uma roupagem mais clássica. Texto:
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Cine-Teatro Louletano recebeu, no dia 24 de fevereiro, a estreia em terras algarvias da tournée de Rita Redshoes do novo álbum «Her», num concerto inserido no ciclo musical «Femina» que pretende trazer a Loulé, ao longo de 2017, grandes vozes no feminino. E quem se deslocou à principal sala de espetáculo do maior concelho do Algarve assistiu a um concerto fenomenal, com um quarteto de cordas a acompanhar o piano e as várias guitarras da Rita, que nasceu Ribeiro e surgiu na música como Redshoes. Temas profundos que nos faziam vivenciar histórias, de olhos fechados, outros mais simples, com batidas mais mexidas. O público esgotou a sala e não se cansou de bater palmas no final de cada tema. No palco, viu-se uma Rita encantada da vida, a fazer o que mais gosta, de sorriso nos lábios, até teve que se levantar uma vez do piano com o calor que lhe aquecia a alma. Não estava ali a picar o ponto ou a pensar no cachet, mas a vibrar com a sua música, a falar da cataplana mista que tinha comido, minutos antes, do outro lado da estrada, no Restaurante Avenida, e também do famoso Carnaval de Loulé, que iria animar a cidade a partir do dia seguinte. Uma artista de mão cheia, cujo percurso começou, como baterista, num grupo de teatro de escola. Cedo deu mostras do seu imenso talento em múltiplos instrumentos e passou por diversos projetos musicais como autora e intérprete, entre os quais Atomic Bees, Photographs, Rebel Red Dog, David Fonseca, The Legendary Tigerman, Noiserv. Em 2008, aventurou-se finalmente em nome próprio, com «Golden Era», seguindo-se «Lights & Darks» (2010) e «Life is a Second of Love» (2014). No ano passado, Rita Redshoes rumou a Berlim para gravar o seu quarto álbum de estúdio, «Her», onde depressa se evidencia uma sonoridade mais sinfónica, graças à introdução de um quarteto de cordas que passou a acompanhá-la na estrada. Para além de ser o disco em que mais instrumentos tocou (piano, omnichord, teclados e guitarra acústica), outra novidade, que resultou em pleno, ao incluir três temas em português, um deles escrito em coautoria com Pedro da Silva Martins. “Já tinha vontade de o fazer há alguns anos e, curiosamente, a primeira música que escrevi para este trabalho saiu logo em português. Aconteceu de uma forma muito espontânea e genuína”, 38 ALGARVE #97
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explicou, horas antes de subir ao palco em Loulé, confirmando a sonoridade mais clássica proporcionada pelos arranjos de cordas do princípio ao fim de «Her». “Penso que há uma maior maturidade neste disco e, embora não seja concetual, acaba por ter um fio condutor a todas as canções, que se prende com o lado feminino, não só na mulher, mas em todos nós. Aborda o modo como lidamos com esse lado feminino, fala de alguns preconceitos que ainda existem na sociedade moderna, é um disco mais direto em relação aos seus anteriores”. Um lado mais sinfónico de Rita Redshoes que já era notório nas bandas sonoras que tem escrito nos últimos anos, não fosse ela uma apaixonada por orquestras. “Neste quarto disco assumi por completo este meu gosto pela sonoridade mais clássica e que advém também da minha formação académica. O pop/rock está-me no sangue, assim como o prazer em fazer arranjos para cordas”, referiu a artista, que tenta inovar constantemente em cada 40 ALGARVE #97
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álbum que compõe. “Procuro sempre dar um passo para um sítio diferente, porque a arte vive de arriscarmos e não de nos acomodarmos. Claro que há fios condutores que têm a ver com a nossa personalidade e gostos próprios e que acabam por estar presentes em tudo o que fazemos e acredito que esse lado orquestral nunca vai deixar de existir em mim. Isso não significa que o próximo disco não possa ser, por exemplo, mais eletrónico”, aponta, com um sorriso. O que se deve manter, no futuro, são os temas compostos e interpretados em português, por ter adorado a experiência, uma reação partilhada pelos fãs. “É uma janela que não se vai voltar a fechar e que, certamente, se vai desenvolver mais”, assegura, ao mesmo tempo que reconhece que viver da arte, em Portugal, ou no Mundo, é um ato de coragem, para os homens e para as mulheres. “No fundo, a qualidade é aquilo que deve imperar, embora, às vezes, tudo fique um bocadinho confuso. Fazse muita coisa atualmente, o que torna mais difícil chegar às pessoas, que não têm tempo para conhecer, assimilar e escolher entre toda a oferta que lhe é proposta. É uma 42 ALGARVE #97
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guerra constante, mas move-me a vontade de mostrar o que faço ao público e, felizmente, as coisas têm corrido bem. Não me posso queixar, apesar das dificuldades que eu sinto, assim como todos os meus colegas”. Para continuar são também as bandas sonoras, adianta Rita Redshoes, porque os convites e os desafios continuam a surgir com regularidade. “Desde pequena que me sinto atraída por elas, estou sempre bastante atenta à música nos filmes. Julgo que a minha música, mesmo nos meus álbuns a solo, tem esse lado cinematográfico, daí as propostas para escrever para cinema e teatro. É um lado muito saudável que tenho, porque implica mover-me noutros ambientes, descentrar-me da questão das canções, e depois transporto essa aprendizagem para os meus discos”, analisa. “Em Portugal, há público para vários projetos musicais, para aqueles onde impera mais o ritmo e a repetição das melodias, e para os outros onde o texto é mais importante e que exigem mais atenção e um bocadinho mais de tempo para serem absorvidos e compreendidos. Eu, particularmente, gosto de ouvir música que me desafia, que me põe a pensar”, revela a entrevistada em final de conversa . #97 ALGARVE INFORMATIVO
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SAIA DE RODA LEVA FESTAS TRADICIONAIS AOS MAIS PEQUENOS O Serviço Educativo do Teatro das Figuras presenteou os mais pequenos com «Saia de Roda», de Ana Lúcia Palminha e Suzana Branco, uma encenação que pretende dar a conhecer, às crianças dos três aos cinco anos, algumas festividades tradicionais de Portugal. Texto:
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mês de março arrancou, no Teatro das Figuras, com mais um espetáculo no âmbito do seu Serviço Educativo, mais concretamente «Saia de Roda», da responsabilidade das atrizes Ana Lúcia Palminha e Suzana Branco, que tem como intuito apresentar às crianças dos três aos cinco anos quatro festividades tradicionais de Portugal, entre as quais a Festa da Pinha, de Estoi. O tema, de grande riqueza a nível estético, simbólico e social, inspirou fortemente a dupla para a criação de uma narrativa teatral muito dinâmica e apelativa destinada a um público bastante específico e que, infelizmente, tem perdido o contato real com estas tradições. “O convite surgiu da parte do Serviço Educativo do Teatro Maria Matos, em Lisboa, e houve um apaixonamento imediato pela etnografia portuguesa, que pegamos através das festas tradicionais
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do nosso país. Se calhar, nos sítios mais pequenos, as crianças estão habituadas a ir a festas e ainda têm esse imaginário presente nas suas mentes mas, nas zonas mais urbanas, tal já não acontece”, observa Ana Lúcia Palminha. Aceite o desafio, houve que adaptar o conteúdo para o público-alvo, nomeadamente alunos do pré-escolar, mas sem perder o sentido de comunidade subjacente às festas, o ato das pessoas se reunirem e celebrarem, que varia de local para local. “Normalmente coincidem com os ciclos do tempo, a Primavera, Verão, Outono e Inverno. As pessoas juntam-se para celebrar as colheitas, para comemorarem, para eliminarem os seus medos, para lidarem com as suas frustrações, em conjunto. As festas tradicionais também nos lembram esta
forma de estar em comunidade, em que todos estamos uns com os outros para celebrar e construir”, salienta Suzana Branco. Uma forma de estar que se tem diluído com o passar das décadas, ao mesmo tempo que muitas festividades vão perdendo o seu cariz mais popular e tradicional e se assumem como verdadeiros cartazes turísticos, acontecimentos mediáticos com objetivos económicos para alcançar. “Estes contextos antigos surgem na peça de uma forma estilizada, mas falamos sobre eles para que as crianças fiquem com esse registo na memória. Contamos, por
exemplo, que o avô nos dizia que havia festa depois de se trabalhar, de se semear e cultivar a terra. Infelizmente, hoje, o ritmo é muito mais acelerado e a ligação com a natureza é feita de uma forma mais industrializada, mas é importante «semear» novamente estes valores”, refere Ana Lúcia Palminha, acreditando que o «Saia de Roda» é uma boa maneira de levar esse universo às crianças. Com as quatro estações do ano como pano de fundo, foram então selecionadas quatro festividades que abrangessem, o melhor possível, o Portugal Continental de Norte a Sul, uma #97 ALGARVE INFORMATIVO
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tarefa que não foi nada fácil, garante Suzana Branco. “O nosso país é riquíssimo em tradições, mitos e lendas e procuramos completar um ciclo anual de festas de modo a que ninguém sentisse que ficava de fora. Temos a Festa da Pinha, de Estoi; a dos Círios, da Nazaré; a da Coca, de Monção; e os Caretos, de Lazarim. As miniaturas de máscaras que usamos na peça foram esculpidas pelo filho do Senhor Adão, um dos artesãos dessa terra”, conta a atriz. Escolhidos os conteúdos, passou-se ao ensaio, à experimentação, ao descobrir como colocar quatro festas tão ricas numa só encenação e com linguagem acessível aos mais pequenos e que conseguisse cativar a sua atenção ao longo de 45 50 ALGARVE #97
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minutos. “Optamos por alternar a partitura do espetáculo entre ações físicas, em que não há palavra e onde tudo é contado através do corpo; e uma outra vertente onde contamos as nossas memórias, como se fossemos umas meninas que tivessem passado por essas festas. Para tal, falamos com algumas crianças para compreender o que é que lhes fica mais na memória, o que as entusiasma mais”, descreve Ana Lúcia Palminha. “No fundo, é um conjunto de memórias e de sensações, mas sempre com as mensagens do avô bem presentes, porque as festas não acontecem em qualquer altura, têm o seu momento certo”, reforça Suzana Branco.
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Finalmente, com o público confortavelmente sentado em almofadas, no chão, as luzes acendem-se e, no meio do palco, está um amontoado de tecido, do qual florescem as duas atrizes, como que por artes mágicas. É o pontapé de saída para uma sucessão inebriante de peripécias, umas físicas, outras com palavras, de vestir peças de roupa e acessórios, de colocar adereços no espaço cénico, de retratar situações, dragões, cantares e dançares. “O nosso objetivo é que o projeto possa viajar com facilidade e que caiba em qualquer sítio, tanto em cima de um palco – como é o caso do Teatro das Figuras – como no exterior, numa biblioteca, numa sala de jardim-de-infância, num espaço polivalente duma aldeia. Esta escala mais intimista é muito importante para nós, queremos uma relação mais próxima com o público e sermos livres para atuarmos em qualquer local”, indica Ana Lúcia Palminha. E o facto do público ser de palmo e meio não retira responsabilidade ao espetáculo, assegura prontamente Suzana Branco. “São os mais críticos de todos os espetadores. Quando não gostam fazem imenso barulho, percebemos logo que não estão connosco, que não estão a acompanhar o enredo. Não é de admirar que muitos encenadores façam testes com crianças para verificarem se a peça 52 ALGARVE #97
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está no ponto certo”, comenta, confessando a vontade de avós e netos se juntarem na plateia para assistir ao «Saia de Roda». “A peça tem uma linguagem artística com a função de suscitar curiosidade e de conectar o espetador, para que ele queira saber mais. Há todo um mundo cultural no
nosso país em redor destas festas e que, hoje em dia, não é tão falado e, sem público, sem pessoas interessadas nele, corre-se o risco dele desaparecer”, avisa Suzana Branco. “Felizmente, o espetáculo tem sido bastante bem acolhido por programadores culturais e instituições, há uma curiosidade em revisitar este imaginário, estas tradições”, termina Ana Lúcia Palminha .
Ficha artística Criação e interpretação: Ana Lúcia Palminha e Suzana Branco Criação e Conceção Plástica: Maria João Castelo Fotografia e vídeo: Diogo Pessoa Andrade Apoio à pesquisa: Teresa Perdigão e Ana Paula Guimarães. #97 ALGARVE INFORMATIVO
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RETRATOS DE JORGE JUBILOT EXPOSTOS NOS CAIS DE EMBARQUE DA RIA FORMOSA Os cais de embarque de Faro, Olhão, Fuseta, Santa Luzia e Tavira, bem como das ilhas do Faro, Deserta, Farol, Culatra, Armona, Fuseta e Tavira, constituem uma galeria diferente para a exposição «Retratos na Ria», com fotografias de Jorge Jubilot e curadoria de Carlos Norton. A produção da Fungo Azul inserese no Programa «365 Algarve» e vai estar patente até 30 de abril. Texto:
Fotografia: #97 ALGARVE #97 ALGARVE INFORMATIVO INFORMATIVO
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Jorge Jubilot, Dália Paulo e Carlos Norton, junto ao cais de embarque da Porta Nova, em Faro
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naugurou, no dia 1 de março, a exposição «Retratos na Ria», não numa galeria tradicional, mas sim nos cais de embarque de Faro, Olhão, Fuseta, Santa Luzia e Tavira e das ilhas do Faro, Deserta, Farol, Culatra, Armona, Fuseta e Tavira. Trata-se de um conjunto de 12 fotografias de Jorge Jubilot, distribuídas pelos 12 cais de embarque da Ria Formosa, uma das Sete Maravilhas da Natureza de Portugal, numa produção da Fungo Azul, com curadoria de Carlos Norton e apoio do Programa «365 Algarve». Jorge Jubilot é um dos mais criativos fotógrafos da atualidade e a sua marca é a inspiração da paisagem para imagens únicas, onde transparecem a essência e a alma algarvias. Tem-se afirmado na região através do trabalho realizado para a editora Canal Sonora e participou no documentário «Ao Encontro das Músicas do Mundo em Sines», em 2007. Prémios também já conquistou vários, entre eles o 1.º lugar na «Fotodigital» (2003), uma Menção Honrosa na «Sentir Cabanas» (2006), concurso que venceu em 2008, e um 3.º lugar na «100 Anos da Restauração» (2008). 58 ALGARVE #97
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No que toca às fotografias agora expostas ao longo da Ria Formosa, resultam de uma coleção intitulada «Retratos Cinéticos», editada conjuntamente com o disco do mesmo nome da banda algarvia OrBlua, vendo agora a luz do dia com o intuito de estimular o gosto pela arte e atrair olhares para a beleza natural e artística da exposição. Em cada cais encontrase uma peça que convida a desfrutar da Ria Formosa, numa forma peculiar de libertar a arte, tornando-a totalmente #97 ALGARVE INFORMATIVO
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acessível aos passageiros e visitantes destas infraestruturas. “Para nós, enquanto associação, o «365 Algarve» não funciona tanto como uma oportunidade para fazer trabalho, mas como um desafio para pensar em novos trabalhos e oportunidades e aqui trata-se de educação, de criar hábitos”, considera Carlos Norton, responsável da Fungo Azul, associação cultural que tem como premissas o conhecimento, a recolha e registo, a preservação e promoção do património cultural e imaterial, o estímulo pela criação artística, a difusão e 60 ALGARVE #97
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valorização dos produtos artísticos nas mais diversas áreas e a sensibilização dos públicos para as várias formas de arte. Fomentar hábitos não só de consumo por parte do público em geral, mas de produção dos próprios agentes culturais, para que se consolide a ideia de que o Algarve possui condições extraordinárias para a criação artística. “Há muita gente a produzir, mas depois falha o elo seguinte: para onde vai esse trabalho. Às vezes fica esquecido em casa, fechado em espaços pequenos ou exposto em salas que não são visitadas, mas a falta de #97 ALGARVE INFORMATIVO
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público é um problema que afeta todo o país”, entende o curador da «Retratos na Ria», que se propõe levar a arte junto das pessoas. “Apostamos em locais que são frequentados pelos turistas que visitam a Ria Formosa, mas também pelos ilhéus que todos os dias apanham os barcos de carreira. De certeza que vai mexer com eles, chegarem a um cais de embarque e depararem-se com uma obra de arte”, acredita Carlos Norton. “Se calhar, daqui a uns tempos, se passarem por uma galeria de arte que tenha uma exposição, alguns deles vão entrar”.
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Já Dália Paulo, Comissária do «365 Algarve» não tem dúvidas de estarmos na presença de um projeto único e que se enquadra perfeitamente no espírito deste programa conjunto dos Ministérios da Economia e da Cultura. “Temos aqui pessoas a passearem num ambiente natural e a familiarizarem-se com a arte que se faz no Algarve, através das fotografias do Jorge Jubilot. É um projeto que faz sentido, porque o «365 Algarve» pretende estar disseminado por toda a região e em espaços não convencionais, onde a cultura se encontra connosco na rua”, sublinhou . #97 ALGARVE INFORMATIVO
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O triângulo «religião - clube - partido» Paulo Cunha
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uando qualquer criança é brindada com a sacramental pergunta “O que é que queres vir a ser quando fores grande?”, naturalmente responde com um encolher de ombros, pois, para além de, provavelmente, não ter ainda pensado nisso, se o fez, encontrou no horizonte uma panóplia de possíveis profissões. Qual de nós não quis vir a ser tudo, à medida que o tempo da meninice por nós passou?!... Foi a própria forma como a sociedade está estruturada que nos afunilou o caminho, direcionando-nos para uma escolha profissional onde, valorizando uma competência, acabámos por desvalorizar outras. E elas por cá continuam, ainda que adormecidas e à espera da altura certa para despertar. De tenra idade, a sociedade ocidentalizada encaminha-nos para escolhas que nos posicionarão e arrumarão em determinados segmentos e extratos da sociedade. Somos induzidos a escolher uma cor preferida, um animal de estimação preferido, uma flor preferida, um género de música preferido, um escritor preferido, um prato preferido, uma marca preferida… enfim, «Um» entre muitos outros que nos agradariam tanto ou mais ainda do que aqueles que nos vimos obrigados a eleger só para que nos deixassem em paz... Reféns dos cânones sociais que nos catalogam e posicionam, caminhamos em «fila indiana» com todos os que, como nós, têm já a sua vida ordenada, organizada e devidamente programada. Nada de novo que já não saibamos, pois são estes os comportamentos que ajudamos a perpetuar através da replicação da educação para a uniformização em que fomos formatados. Perpetuarmo-nos através da padronização de usos e costumes, daí vermos tantos a tentar condicionar o gosto e o poder de decisão de outros tantos. Educados na cultura dos três «F» (Fado, Futebol e Fátima), muitos dos nossos progenitores, que viveram grande parte da sua juventude sob a influência destes três pilares do «Estado Novo», 66 ALGARVE #97
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deixaram no Portugal de hoje sinais que, indelével e subliminarmente, nos continuam a marcar. Já há algum tempo em plena liberdade social, muitos portugueses continuam presos no interior de um triângulo composto pelo «Partido, Clube e Religião», referências que os continuam a unir e a desunir. Por isso é hoje tão difícil, tal como quando éramos pequenos, responder que não alinhamos nas bitolas socialmente padronizadas e aceites como as certas e ideais. Não escolhendo um lado em detrimento de outro, somos catalogados como uma espécie de «párias sociais», uma vez que não nos enquadramos dentro do triângulo onde todos, até morrer, professarão uma só religião, votarão num único partido e terão sempre o mesmo clube. Como explicar a quem não quer (ou não sabe) entender que não precisamos da legitimação e do reconhecimento dos pares para que nos sintamos vivos e úteis à sociedade?! Grande parte das pessoas vive para a aceitação e valorização grupal, quando na maioria das vezes nem sabe explicar a razão das suas escolhas, nem o porquê, nem a forma como as defendem. Vivem condicionadas pelas regras a que se autoimpuseram quando limitaram a sua opção de escolha. Desde que me conheço, sempre apreciei e valorizei o valor da liberdade, embora só a tenha sentido na plenitude a partir dos dez anos de idade, altura em que os cravos vermelhos ganharam outro significado em Portugal. Poder apreciar e usufruir tudo o que a vida tem para nos dar, sem constrangimentos autoimpostos, é algo que tento partilhar com quem me rodeia, pois todos os dias testemunho que é possível ser feliz assim. Sem religião, sem partido, sem clube… Fora do triângulo, mas respeitando-o como ponto de encontro de gente de boa vontade. O respeito que se ganha com a liberdade de pensamento! .
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O poder de nada fazer Paulo Bernardo
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elo mundo temos muitos e bons servidores públicos, contudo, e infelizmente, centramo-nos naqueles que executam mal a sua função, ou seja, os que detém o poder de nada fazer. Normalmente fazem parte do grupo das pessoas com baixa autoestima, tristes com a vida, invejosos, gostariam de ser tudo aquilo que veem à volta, mas não têm coragem para arriscar um cêntimo que seja. Só se preocupam com quatro coisas na vida: subir na carreira sem olhar a meios; conferir o recibo de vencimento; atrapalhar a vida dos colegas e do público em geral; e ir de férias, tentando prejudicar o maior número de colegas possível. Estas são as suas grandes motivações. Executam o seu trabalho emperrando toda a máquina, apenas para exercer o seu pequeno poder. São uma das classes mais asquerosas que existe, tendo-lhes sido atribuído uma das missões mais nobres na sociedade, o servir o público, pois é isso que é um funcionário público. Não a executam dignamente e ainda sujam o nome dos colegas que a bem executam. São especialistas a passar a culpa para os colegas, para os políticos, para qualquer um que seja que não eles. São os peritos no sistema, para além disso, conhecem todas as leis e artimanhas para que nada possa acontecer. Fazem lembrar ogres escondidos atrás de montanhas de papéis, aparecendo apenas para aterrorizar quem algo quer fazer. Conheço várias personagens destas, que entre falinhas dóceis nos querem comer por parvos, fazendo-se passar por desentendidos. Estão em
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toda a estrutura, desde o Diretor Geral até ao Motorista, existem em todo o lado. Nem são os criadores de dificuldades para vender facilidades, são mesmo invejosos, apenas isso, invejam quem faz, quem arrisca, quem ganha dinheiro. Por isso, o maior gozo destes fazedores de nada é gerirem o seu mundozinho sem nada produzir. Usam o dinheiro público como forma de manter a sua quinta, são especialistas a retirarem fundos destinados para desenvolver as regiões para, ao invés, alimentarem máquinas de nada fazer. São especialistas em imaginar soluções onde os fundos públicos e europeus são suavemente desviados com a ilusão que servem para algo, alimentam cadeias de projetos para dar de comer a um séquito que os serve como servos. Por isso, gosto muito de ser empresário, de arriscar, de resolver problemas, de criar riqueza, de pagar impostos, de apertar a mão aos meus colaboradores e ver um sorriso na cara, de participar civicamente sem procurar mais nada em troca que a satisfação por participar, de conhecer novas pessoas, de chegar a casa cansado, mas realizado, de abraçar a minha família, de apanhar ar, de beber um vinho que me satisfaça, ou seja, ser eu. E saber que, se tudo cair amanhã, levantome de novo e enfrento o mundo com o sorriso nos lábios, e vamos colocar as coisas de novo para cima. Os profissionais do nada fazer não têm esta satisfação, pois a sua inveja corroí-os por dentro, transformando-os em seres desprezíveis que nem a própria família os atura. E caso algo se altere no seu mundo, entram num estado de desespero profundo .
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Que Europa queremos?! José Graça
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Comissão Europeia apresentou esta semana o Livro Branco sobre o futuro da Europa, que constitui o seu contributo para a Cimeira de Roma de 25 de março de 2017, agendada para comemorar os 60 anos dos Tratados de Roma, dos quais já aqui escrevemos em diversas oportunidades Perante os novos desafios do Mundo e da Humanidade, é tempo de olhar para trás e escolher o rumo. Agarrando no retrovisor, podemos orgulharmo-nos de sete décadas de paz, da construção de um grande espaço de liberdade onde convivem mais de 500 milhões de cidadãos e da edificação de uma economia aberta e sem fronteiras. Este é também o momento para juntar forças, enfrentar os desafios e agarrar as oportunidades. São estas sementes lançadas no passado recente que nos permitem e obrigam a ter uma visão de futuro ambiciosa onde haja lugar para todos! A União Europeia não se compadece com cenários pessimistas, mas também não pode entrar em devaneios demagógicos. Se o Livro Branco traça cinco cenários diferentes para a evolução da União até 2025 para satisfazer todos os gostos, mesmo daqueles que querem acabar com o projeto europeu e enveredar por lógicas nacionalistas e populistas, é tempo de homenagear os pais fundadores da União e escolher uma visão de futuro, proporcionando um debate esclarecido, livre e participa que permita escolher com pragmatismo um rumo que consolide a Europa dos Direitos, das Liberdades, dos Povos e das Regiões! “Há sessenta anos, os fundadores da Europa optaram por unir o continente pela força da lei e não pela força das armas”, diz-nos o Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, sublinhando que “o nosso dia mais sombrio em 2017 será sempre muito mais radioso do que qualquer dos dias que os nossos antepassados passaram nos campos de batalha”. É preciso não esquecer que esta Europa foi edificada sobre os escombros de duas Guerras Mundiais em honra dos milhões de vítimas do nazismo e do totalitarismo, é necessário que esse passado fique encerrado nos manuais de História e sirva de exemplo para rejeitarmos todas as alternativas que signifiquem menos Europa!
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O Livro Branco analisa a forma como a Europa irá mudar ao longo da próxima década, desde o impacto das novas tecnologias na sociedade e no emprego até às dúvidas sobre a globalização, as novas ameaças para a segurança ou a ascensão do populismo, e alinha cinco cenários diferentes, abrangendo uma grande diversidade de possibilidades e não se excluem mutuamente nem pretendem ser exaustivos. Entre o mais conservador, no qual a Europa concentra-se na concretização de programa de reformas positivas, dentro do espírito da declaração «Um novo começo para a Europa» de 2014 e da Declaração de Bratislava acordada pelos 27 em 2016, e o mais otimista em que os Estados-Membros optam por partilhar, de forma generalizada, mais poderes, recursos e a tomada de decisões, a Comissão desafia-nos a meditar sobre os constrangimentos da evolução do mercado único, do hipotético desenvolvimento das políticas europeias a diversas velocidades agrupando os Estados mediante os seus interesses caso a caso ou da opção “Eficiente” por concentrar-se em atividades nas que estamos todos juntos num número reduzido de domínios. Para mim, o quinto cenário é mais desafiante das nossas capacidades, mas aquele que parece mais compatível com o ideário do Quinto Império, com o percurso dos Portugueses que deram novos mundos ao Mundo e dos Europeus que sonharam com uma Europa de Paz que pudesse ser o farol que brilha para além do horizonte. Nós podemos fazer muito «mais» e ir mais longe se continuarmos todos juntos. Como declarou Juncker, “é o momento de mostrar liderança, unidade e determinação”, porque “o futuro da Europa está nas nossas próprias mãos”. Livro Branco - https://europa.eu/europeanunion/sites/europaeu/files/whitepaper-future-ofeurope_pt.pdf
(Membro do Secretariado Regional do PS-Algarve e da Assembleia Intermunicipal do Algarve)
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Octagonal Mirian Tavares
Exposição de Ângelo Gonçalves, Dina Dias, Joana R. Sá, Marta Pedroso, Marum Nascimento, Pedro Barros, Sheila Semedo e Vilma Correia
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ito artistas e oito maneiras de dizer a arte. De dizê-la da forma mais precisa, praticando-a. Podemos falar da arte, do tempo, do amor e do espaço. Podemos falar de várias coisas, mas muitas delas só existem no momento em que se convertem em ato, em que se convertem em gesto visível e partilhável, no momento em que verdadeiramente são. Oito artistas cujo único traço em comum é a partilha do espaço e do tempo de uma aprendizagem, ou de uma (des)aprendizagem do que é ser artista e do que é fazer arte. Na escola aprende-se muita coisa; nas melhores escolas desaprende-se tudo aquilo que é dado como certo, pois aprendese a indagar. Oito artistas com indagações diferentes, mas que possuem em comum várias questões, às quais tentam responder através da arte. “É o passado uma invenção do presente. Por isso é tão bonito sempre, ainda quando foi uma lástima… A memória tem uma bela caixa de lápis de cor” - diz Mário Quintana, poeta dos aforismos e dos pontos de interrogação. O passado, que para o poeta é a infância, é sempre pintado de azul porque é uma invenção do presente. Na obra de Marum Nascimento, o passado reinventa-se na própria História, que, ao contrário do que se pensou durante muito tempo, não é estática, movimenta-se a cada nova descoberta e altera, subtilmente, as certezas construídas de forma tão científica. Assim o artista promove um diálogo entre arte e ciência, entre memória e História, entre o que vemos e o que ainda não conseguimos ver. Daquilo que não conseguimos ainda divisar é feita a obra de Vilma Correia: trabalho delicado, laborioso, que invoca o movimento e o tempo. Que evoca a vida e tudo que nela contém. De uma 72 ALGARVE #97
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maneira diversa, Ângelo Gonçalves expõe seus desenhos no espaço, suas quase-esculturas, seus abrigos que nos obrigam a pensar no que temos aqui e agora. E no que nos falta. A falta, ou a memória, é uma presença marcante no trabalho de Joana R. Sá: desenhos, traços, percursos ou cicatrizes. Experimentos formais que escapam à própria forma e que se configuram como presenças da marca da artista, do seu rasto. Sheila Semedo traz-nos uma peça única, um rosto sobre um tecido largo. Uma rememoração do sudário, do pano que absorve o traçado do corpo que envolveu. Seus retratos de grandes dimensões são auto-referentes e ocupam os espaços da parede e da memória sem buscar interpretações. Marta Pedroso vem trabalhando com a questão do género sempre de forma provocadora: questiona o papel da mulher neste espaço-tempo precisos e o papel que lhe é dado representar como artista e como mulher. A sua obra-instalação pede ao/à espectador/a que se mire, participando ativamente da construção ou da desconstrução de uma imagem, questionando ao mesmo tempo o papel do artista/autor e da arte como objeto pronto-a-servir. Dina Dias explora o desenho abstrato, através das curvas e cores, das marcas que deixa no papel. Pedro Barros escolheu a imaterialidade da imagem em movimento, do vídeo que vê e que é visto ao mesmo tempo. Oito artistas, uma mesma escola. A escola que os ensinou a questionar os limites e os instigou a fazer da arte um ponto de interrogação e de novas descobertas. Como escreveu Quintana, “só com os poetas se pode aprender algo de novo”. Porque, ao contrário das enciclopédias, que dizem todas o mesmo, os artistas dizem todos o mesmo, mas de forma sempre diversa .
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MARIA NOVA LOUNGE HOTEL ABRIU EM TAVIRA Após seis meses de obras de renovação e reabilitação, o Hotel Porta Nova, em Tavira, deu lugar ao «Maria Nova Lounge Hotel», a quinta unidade do grupo «AP Hotels & Resorts» na região algarvia. Aumenta, desta forma, a capacidade hoteleira de um concelho que está a crescer a olhos vistos, alicerçado no binómio cultura e história e sempre com a Dieta Mediterrânica como pano de fundo. Texto:
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Hotel Porta Nova, em Tavira, reabriu, no dia 24 fevereiro, como «Maria Nova Lounge Hotel», depois de ter sido comprado, em 2016, ao Novo Banco pelo grupo «AP Hotels & Resorts» e após uma intervenção que rondou os três milhões de euros e durou 74 ALGARVE #97
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cerca de seis meses. Com 137 quartos, divididos entre 134 standard/standard vista piscina e três suites, a unidade hoteleira oferece um restaurante e bar panorâmico abertos também ao público em geral, um Lounge Bar no terraço com animação musical, duas salas para
Desidério Silva, presidente da Região de Turismo do Algarve, Jorge Botelho, presidente da Câmara Municipal de Tavira, e António Parente, do grupo «AP Hotels & Resorts»
eventos e conferências com capacidade para 140 e 30 pessoas, piscina exterior e interior, ginásio, Wi-Fi gratuito em todo o hotel, serviço de lavandaria e um spa, entre outras facilidades. Xisco Homs é o diretor do renovado Maria Nova Lounge Hotel, enquanto a Chef Milene Nobre assina as propostas gastronómicas, com uma aposta na fusão entre a cozinha algarvia, rica e criativa, também pelos genuínos e variados produtos da região, e a cozinha internacional. A unidade hoteleira pretende ainda ser um espaço aberto à cidade e de descoberta da cidade e do concelho, que se destaca pelo seu património cultural, mas também pela sua natureza, palco de inúmeras possibilidades de práticas desportivas.
Com o Maria Nova Lounge Hotel, o grupo «AP Hotels & Resorts» passa a ter cinco unidades hoteleiras, todas localizadas no Algarve, juntando-se ao Hotel Eva, em Faro, ao Hotel Oriental, em Portimão e aos Adriana Beach Resort Hotel e Victoria Sport& Beach Hotel, em Albufeira. “Queremos que este hotel seja uma referência em Tavira e, para tal, tivemos a preocupação de recuperar todas as suas zonas. Julgamos que, neste momento, está capaz de satisfazer as mais altas exigências”, indicou o empresário António Parente, no dia da reabertura, considerando que Tavira é uma cidade que está muito bem preservada e que poderá constituir, no futuro, um importante polo turístico, “sobretudo para aquelas pessoas que procuram história”. #97 ALGARVE INFORMATIVO
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O hotel estará também “aberto” aos locais, reforçou o empresário, com qualquer pessoa a poder usufruir do restaurante e do lounge bar e não apenas os hóspedes. “O turismo está, felizmente, a correr bem para toda a gente e precisamos ter a coragem para satisfazer os clientes e para desenvolver um trabalho de cativação e de melhoria de todos os nossos serviços. Queremos captar o mais possível clientes fora da época alta”, acrescentou António Parente, garantindo que o grupo está sempre atento ao turismo e a intenção é, de facto, crescer mais neste setor económico. Para Jorge Botelho, presidente da Câmara Municipal de Tavira, a aquisição do Hotel Porta Nova pelo «AP Hotels & Resorts» demonstra que os grandes grupos acreditam que vale a pena investir neste concelho do sotavento algarvio. “Este hotel foi completamente reformulado e esteve muito pouco tempo fechado, apesar das obras profundas que sofreu.
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Estamos bastante felizes porque este grupo hoteleiro vai trazer mais dinâmica ao centro da cidade e isso é fundamental para a autarquia”, sublinhou o edil tavirense. “Correu tudo bem durante o processo, fruto da seriedade e responsabilidade que todos tivemos para tornar este investimento possível”, destacou. Num dia particularmente feliz para Tavira, Jorge Botelho reconheceu que o concelho, e a cidade, precisam de maior capacidade hoteleira, principalmente durante o Verão, altura em que o município está completamente esgotado. “As pessoas ficam em Tavira para ir à praia, comer e divertir-se à noite e depois vão dormir a outros sítios, porque estamos em overbooking, daí a importância da iniciativa empresarial para constituir mais unidades hoteleiras”, apontou o autarca, revelando que há mais perspetivas de investimento no concelho no curto e médio prazo. “Tavira tem
apostado muito na preservação e recuperação do seu património histórico e no produto cultural, somos a comunidade representativa em Portugal da Dieta Mediterrânica da UNESCO, e isso está a dar os seus frutos. O nosso padrão de vida é reconhecido em todo o mundo e esta combinação entre qualidade, património, cultura, segurança, paz e sossego, é atrativa para os investidores”. Investimentos que, para já, passam pelo retomar, até à Páscoa, das obras de uma unidade hoteleira cinco estrelas no Alto do Perogil, mas o futuro poderá trazer novidades no que toca ao interior da cidade de Tavira. “Temos assistido à aquisição de muitas casas apalaçadas que, de alguma forma, estavam fechadas e abandonadas, e os projetos estão na Câmara Municipal para a reconversão em unidades de charme no centro histórico, ou em pequenas unidades de alojamento local, o que permitirá que toda esta malha urbana dê resposta em termos de dormidas”, anteviu Jorge Botelho. “Não é
só fundamental construir-se de novo, mas olhar também para algum património existente que se estava a degradar e torná-lo em oportunidades de negócio”. Presente na abertura do «Maria Nova Lounge Hotel» estava igualmente Desidério Silva, presidente da RTA, porque a entidade está permanentemente preocupada em valorizar tudo aquilo que contribua para o aumento da oferta e da qualidade hoteleira na região. “Tavira é um município onde fazem falta camas e esta requalificação e reabertura é extremamente importante. Sendo Tavira um destino cultural muito forte, essa atratividade só pode ser reforçada se houver equipamentos e instalações onde os visitantes possam ficar. Queremos uma oferta cada vez mais diferenciada e disponível em todo o Algarve e, no sotavento, ela ainda continua abaixo da procura”, referiu o responsável pelo Turismo do Algarve . #97 ALGARVE INFORMATIVO
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ALBUFEIRA NO TOP 25 DE UM ESTUDO QUE AVALIA A ATRATIVIDADE DOS MUNICÍPIOS
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o top 25 nacional do «Bloom Consulting Portugal City Brand Ranking», o Algarve surge representado na tabela por três municípios: Faro, Albufeira e Portimão. Albufeira ocupa a 18ª posição, assumindo lugar de destaque na área do Turismo, onde se posiciona em 4.º lugar, a seguir a Lisboa, Porto e Funchal. Em 2015, ano a que se reporta o estudo, Albufeira conseguiu entrar no Top 25 na área de Negócios, sendo esta também a primeira vez que o Algarve coloca três municípios nesta categoria. No que respeita aos rankings regionais, o estudo não apresenta alterações em relação à edição anterior, nomeadamente ao nível dos três primeiros classificados, sendo que Faro lidera a classificação, seguido de Albufeira e Portimão. Albufeira arrebata o 1.º lugar a nível do Turismo, alcançando o 2º. e 3.º lugares nas categorias Negócios e Viver, respetivamente.
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O estudo foi publicado em 2016 pela Bloom Consulting, uma consultora especializada na análise e desenvolvimento de estratégias de «Country», «Region» e «City Branding». A empresa, que tem o seu trabalho reconhecido a nível internacional em meios de renome como o Economist, Forbes e CNN, é parceira oficial do «World Economic Forum», onde colabora na elaboração do índice mundial de competência turística. Colabora também com a Comissão Europeia do Turismo para a qual executa análise aos países membros. Anualmente, publica o «Bloom Consulting Country Brand Ranking ©», edição de Negócios e Turismo, que analisa a performance de marca de 225 países e territórios a nível mundial e, pelo terceiro ano, a edição do Portugal City Brand Ranking, que avalia a performance dos 308 municípios portugueses .
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ALCOUTIM PROMOVE FESTIVAL DO CONTRABANDO NA BTL
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e 15 a 19 de março, a Câmara Municipal de Alcoutim marca presença na BTL – Feira Internacional de Turismo, que decorre no Pavilhão da FIL, em Lisboa. O município alcoutenejo vai integrar o Espaço Algarve e promover a diversidade da sua oferta turística, natureza, eventos, património, gastronomia entre outros atrativos. Este ano, o grande destaque será a primeira edição do Festival do Contrabando, que decorrerá nos dias 24, 25 e 26 de março, efetuando uma apresentação do mesmo no Stand do Algarve, no dia 17 de março, pelas 15h30. Trata-se de mais que um simples festival, mas sim a junção e fusão da homenagem a uma atividade que ao longo da história foi importante para as gentes da fronteira, com as artes e a cultura. A paisagem
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fronteiriça que desafiava os destemidos na passagem de mercadorias, agora é palco de vários projetos culturais que transportam para o interior das populações e seus visitantes, os sonhos e ambições, trazendo até à Vila Raiana uma oferta cultural que desafia todas as condicionantes existentes. O contrabando é memória coletiva, intemporal, e regressa à região com a importância que se atribui ao património cultural, a identidade social conquista uma dinâmica original envolta na arte e cultura. Um dos grandes atrativos do Festival do Contrabando será a travessia transfronteiriça do Rio Guadiana através de uma Ponte flutuante que unirá Alcoutim e Sanlúcar de Guadiana .
FARO LIQUIDA DÍVIDA DO PAEL
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m dos símbolos da recuperação da credibilidade da Câmara Municipal de Faro, o Programa de Apoio à Economia Local (PAEL), subscrito em março de 2014 depois de longo processo burocrático, e que permitiu à autarquia pagar dívidas antigas de curto prazo no montante de 16,7 milhões de euros, teve agora o seu fim no dia 1 de março. De facto, o Tribunal de Contas concedeu o visto a uma operação bancária no valor de 13 milhões e 679 mil euros, montante que serviu exclusivamente para liquidar integralmente o empréstimo contraído junto do estado central. Trata-se de um financiamento contraído em condições muito mais vantajosas do que as firmadas no PAEL em 2014 e que vai permitir um encaixe financeiro de aproximadamente 2,5 milhões de euros no horizonte temporal previsto para a amortização deste empréstimo, que é de 16 anos, mantendo-se as taxas nos atuais padrões. O financiamento foi contraído com uma taxa indexada à Euribor a 12 meses, acrescida de um spread de 1,325%, não devendo, em qualquer circunstância, o spread ser superior à taxa de juro.
As condições do PAEL estavam, grosso modo, em três por cento. Esta boa notícia, para edilidade e munícipes, representa também um marco muito significativo neste longo e duro processo de recuperação das finanças e da credibilidade da autarquia. Atualmente, a autarquia paga a 62 dias, deixando bem para trás os tempos em que demorava cerca de 380 dias (ano 2010) para fazer face aos seus compromissos. A queda sustentada e coerente da dívida total, de 71,7 milhões em 2010 para 37,1 milhões no final de 2016, é outro dado significativo. O passo seguinte será a saída do Plano de Reequilíbrio Financeiro aprovado em novembro de 2010 para resgatar a autarquia, que não dispunha de meios próprios para sair da situação financeira periclitante em que se encontrava. Se não se verificar contratempo grave, o término da vigência do plano de reequilíbrio financeiro será solicitado pela autarquia ainda durante o primeiro semestre de 2017, prevendo-se a recuperação da total autonomia da Câmara Municipal de Faro . #97 ALGARVE INFORMATIVO
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LOULÉ RECEBE PRIMEIRAS JORNADAS DA REDE DE MUSEUS DO ALGARVE
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useus sem reservas? é o mote das primeiras Jornadas da Rede de Museus do Algarve, que terão lugar, a 17 de março, no auditório do Convento do Espírito Santo, em Loulé. Esta iniciativa, que decorrerá das 9h às 18h, integra-se num conjunto de ações que visam assinalar o 10.º aniversário da Rede e pretende-se que seja um momento de partilha de experiências entre os integrantes desta Rede de Museus, organização informal constituída em 2007 e que reúne os profissionais da maioria dos museus e outras estruturas e entidades da área do património cultural e natural da região algarvia. Ao lançar o tema «Museus sem reservas?», estas Jornadas têm por objetivos questionar os limites da atuação dos museus e dos seus profissionais no seio das suas comunidades; descobrir e debater que tipo de reservas ou fronteiras mentais, 82 ALGARVE #97
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científicas, culturais, sociais, económicas ou institucionais ainda permanecem e determinam a vida das estruturas museológicas e patrimoniais do Algarve, constituindo-se, ou não, como um obstáculo ao seu desenvolvimento; perceber se entre paisagens culturais e naturais, patrimónios, artes, saberes, o intenso ritmo e a complexidade da vida quotidiana, ainda haverá lugar para pensar, renovar, abrir ou transformar museus e, descobrir sem reservas, onde começa ou acaba a sua influência e responsabilidade; antecipar constrangimentos mas simultaneamente abrir e propor novos modelos de atuação e respostas mais adaptadas à realidade e aos desafios contemporâneos das nossas sociedades, perspetivando outros modos de trabalhar e agir sobre a visão e a missão dos museus .
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TRANSPORTES URBANOS DE LOULÉ REFORÇADOS DURANTE PERÍODO ESCOLAR
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partir do dia 2 de março, a circulação da Linha Azul dos Transportes Urbanos de Loulé será reforçada com o desdobramento/duplicação do serviço de transporte nos dias úteis, e em período escolar, nos horários das 8h da manhã e, às quartas-feiras, no horário das 13h30. Esta iniciativa visa aumentar a capacidade de transporte de passageiros em consequência da crescente procura nestes períodos que coincidem com os horários de entrada e saída de aulas, em que a lotação dos veículos se tem revelado insuficiente para a procura registada, nomeadamente dos alunos que frequentam as escolas da Freguesia de S. Clemente, na cidade de Loulé.
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O serviço de Transportes Urbanos do Município de Loulé, gerido pela empresa municipal Loulé Concelho Global, obteve recentemente em, janeiro de 2017, a Certificação em Qualidade e Ambiente pelas normas ISSO9001:2015 e ISO14001:2015, tendo servido no ano de 2016 um total de 194.591 passageiros, registando, assim, uma taxa de crescimento de 4 por cento em período homólogo. Para a Câmara Municipal de Loulé, este desdobramento do horário dos transportes reveste-se de especial importância para apoiar os alunos das escolas e, nesse sentido, é mais um dos investimentos (indiretos) da edilidade na área da educação .
OCEANÁRIO DE LISBOA «VISITA» OLHÃO
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programa de educação ambiental em movimento «Vaivém Oceanário», do Oceanário de Lisboa, que tem vindo a percorrer o País, vai estar em Olhão, no Jardim Pescador Olhanense, entre os dias 7 e 12 de março, com o apoio do Município, para passar a mensagem de que “com a ajuda de todos, é possível ajudar a conservar a natureza”. Grupos escolares e público em geral vão poder, de forma gratuita, tomar contacto com formas de proteção ambiental e sustentabilidade. Este é o projeto de responsabilidade social mais ambicioso do Oceanário que, através de um programa sustentado de educação ambiental, alerta todos os públicos e todas as idades para a importância de alterar os comportamentos para com o meio ambiente e de proteger o património
natural. Os educadores e os professores são grandes aliados do Oceanário na educação ambiental das crianças e dos jovens. Em conjunto com o Vaivém Oceanário, e através de uma série de ações de acesso livre e gratuito, as crianças olhanenses vão ter oportunidade de ficar a saber como mudar atitudes, com vista à conservação e sustentabilidade dos recursos. Os alunos das escolas do concelho vão ter acesso a este projeto entre 7 e 10 de março, ao longo do dia. No dia 9, às 17h45, será a vez de professores e educadores terem oportunidade de assistir a um workshop sobre a temática. Os dias 11 e 12 de março serão dedicados ao público em geral .
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BIBLIOTECA MUNICIPAL DE SÃO BRÁS DE ALPORTEL LANÇA SERVIÇO INOVADOR
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m São Brás de Alportel, a Biblioteca Municipal está cada vez mais próxima dos seus leitores, com o novo serviço «Biblio Expresso» a levar-lhes os livros que desejam, em 24 horas, e num local à sua escolha. Estreado no mês de fevereiro, o projeto já fez nesta fase experimental mais de 30 atendimentos «fora de portas», com entregas efetuadas no exterior. A iniciativa dá continuidade a toda uma estratégia que tem vindo a ser desenvolvida pela Biblioteca Municipal Dr. Estanco Louro para abrir as suas portas à comunidade são-brasense. O êxito do «Biblioteca fora da Si» deu assim origem a um serviço que vem reforçar a personalização do atendimento oferecido ao leitor, acabando-se
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as «desculpas» para não se ser um adepto da leitura. A aposta na fidelização de leitores adultos e a redução do risco de não ver devolvidos os livros requisitados são alguns dos pontos fortes do «Biblio Expresso». A requisição de uma entrega mediante o «Biblio Expresso» funciona de forma muito simples: o leitor requisita o livro por telefone, correio eletrónico ou pelo sítio da Biblioteca na Internet e, no momento da requisição, fica logo acordado com o técnico da Biblioteca o local onde será efetuada a entrega. Os livros chegam ao leitor nas 24 horas seguintes, devidamente acomodados em sacos personalizados .
MOVIMENTO DE PASSAGEIROS NA RIA FORMOSA AUMENTOU 15 POR CENTO NO VERÃO DE 2016
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m milhão, 799 mil e 928 passageiros utilizaram as carreiras fluviais da Ria Formosa, o que corresponde a um aumento de 15 por cento relativamente ao trimestre homólogo anterior. Isso mesmo atesta o Boletim de Conjuntura – Mobilidade e Transportes publicado, no dia 3 de março, pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve (CCDR Algarve), e cuja informação se reporta ao terceiro trimestre de 2016, revelando um reforço das tendências observadas nos trimestres anteriores quanto ao consecutivo crescimento do movimento no Aeroporto Internacional de Faro. Naquele período, o Aeroporto de Faro registou um total de 19 mil e 238 movimentos e mais de
três milhões de passageiros (movimento comercial). Comparando com o trimestre homólogo, destaca-se um aumento 14,5 por cento quanto ao número de movimentos e uma subida de 15,5 por cento no total de passageiros movimentados. Este aumento do número de passageiros constitui a décima variação trimestral homóloga positiva consecutiva. No terceiro trimestre de 2016 houve ainda aumentos generalizados nos fluxos do modo ferroviário (sistema regional e longo curso) e nos eixos rodoviários regionais, nomeadamente na A22 – Via do Infante, no troço regional da A2 – Auto-Estrada do Algarve e na Ponte Internacional do Guadiana, bem como na maioria dos postos de contagem da N125 e do IC4 . #97 ALGARVE INFORMATIVO
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