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ALGARVE INFORMATIVO #94

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ALGARVE #94 INFORMATIVO 4 de fevereiro, 2017

João Soares Hugo Alves & João Frade O Povo que Ainda Canta Camané & Mário Laginha

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CONTEÚDOS

#94, 4 de fevereiro de 2017

8 - O Povo que Ainda Canta 14 - João Soares 24 - Mário Laginha e Camané em Loulé 32 - Hugo Alves e João Frade 40 - Volta ao Algarve em Bicicleta

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46 - Dia da Cidade de Loulé 60 - Atualidade

OPINIÃO 6 - Daniel Pina 14

50 - Paulo Cunha 52 - José Graça 54 - Mirian Tavares 56 - Teresa Fernandes 58 - Augusto Lima 24

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Os artistas da música Vs os «artistas» da política Daniel Pina

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s humanos realmente são teimosos, cabeças-duras e rancorosos … Chego a casa depois de uma noite de trabalho e entra-me pelo e-mail adentro mais um episódio da novela mexicana em que se está a tornar as Autárquicas 2017 no Algarve. Conforme escrevi há uma semana, e conforme é sobejamente sabido, o PSD a nível nacional já fez saber que os autarcas social-democratas que se queiram, e possam, recandidatar, vão contar com o apoio da estrutura nacional para tentarem manter as suas câmaras municipais. Portanto, em Castro Marim, tudo aponta que o atual edil Francisco Amaral se venha a recandidatar para mais um mandato com a bênção do PSD. Acho que a situação está perfeitamente clara, até para mim que não sou nenhum analista político. Contudo, o PSD de Castro Marim teima em ir contra as indicações dos senhores lá de cima e, depois de ter andado meses a fio a criticar a atuação do presidente que foi eleito pelas suas cores, esta noite decidiu mesmo indicar José Estevens como seu candidato nas próximas eleições autárquicas. Realmente, os portugueses são fantásticos! Já não nos bastava sermos governados por um Primeiro-Ministro que perdeu as eleições mas que foi parar à cadeira do poder através da tão famosa «geringonça», agora vamos ter, supostamente, dois candidatos do mesmo partido a ir a votos no mesmo concelho lá para setembro ou outubro. A não ser que Francisco Amaral decida avançar como independente, o que não tem lógica nenhuma, porque conta com o apoio das tropas de Pedro Passos Coelho, ou que o PSD nacional obrigue José Estevens a desistir dos seus intentos. O que este episódio mais me chateia é que, por momentos, conseguiu fazer-me esquecer da excelente noite que tinha tido em São Brás de Alportel, ao assistir a mais um concerto do projeto «Morphosis», do trompetista Hugo Alves e do acordeonista João Frade. Uma mistura improvável mas que resulta que nem ginja, por 6

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estarmos na presença de dois músicos de gabarito mundial. Confesso que nunca fui grande adepto de jazz, nem tão pouco vou aos céus com os ranchos folclóricos, os grupos tipicamente associados ao acordeão, mas Hugo Alves e João Frade nunca se prenderam aos padrões estéticos dos instrumentos que tocam, são mestres do improviso e grandes entusiastas de novas experiências no momento de compor e, por tudo isso, «Morphosis» é tremendo. Ora, como a luz de palco, nesta noite em concreto, não era muito amiga dos fotógrafos, simplesmente coloquei a máquina de lado, recostei-me na poltrona do Cineteatro São Brás, fechei os olhos e deixei-me embalar pela música. E foi, de facto, uma experiência extraordinária, o modo como o trompete de Hugo Alves e o acordeão de João Frade encaixam como luva na mão. João Frade umas vezes a servir de acompanhamento a Hugo Alves, depois, em solos fenomenais de acordeão, com o trompete de Hugo Alves a regressar à ação no momento exato para protagonizar os seus próprios solos. Simplesmente fantástico. Experiência idêntica tinha tido há duas noites, desta vez no Cine-Teatro Louletano, com mais um dueto improvável, o piano de Mário Laginha a acompanhar os fados de Camané. E eu, que também não sou um apaixonado por fado, mas adoro o piano, assisti ao espetáculo até ao fim, de olhos sorridentes, apesar de ter terminado as fotos logo no terceiro tema. Portanto, a música portuguesa, em geral, e a algarvia, em particular, estão em excelente forma, respiram saúde, recomendam-se vivamente, não só os projetos tradicionais, mas também estas experiências, estas novas roupagens, estas «invenções» dos nossos incríveis artistas. Só é pena que outros «artistas», os políticos, teimem em fazer, volta e meia, as suas próprias «invenções», mas essas já não encantam ninguém, antes pelo contrário .


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TIAGO PEREIRA TROUXE «O POVO QUE AINDA CANTA» A SÃO BRÁS DE ALPORTEL O Museu do Trajo, em São Brás de Alportel, foi palco, no dia 28 de janeiro, da primeira apresentação no Algarve do livro com a série documental «O Povo que Ainda Canta», de Tiago Pereira, bem como do novo site d’«A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria». Uma tarde diferente, de recordar as nossas raízes e tradições orais, abrilhantada pelas «Moças Nagragadas». Texto: 8

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«A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria», de Tiago Pereira, comemora seis anos de intenso périplo pelo «outro» Portugal, o das músicas e tradições orais guardadas na memória dos mais idosos, de onde nasceu a série documental «O Povo que Ainda Canta», produzido para a RTP 2 em 2015. O projeto foi agora resumido num livro com 92 páginas e que inclui oito DVD’s, resultado do sistemático e abrangente trabalho que Tiago Pereira e a sua equipa têm vindo a realizar desde janeiro de 2011, registando práticas musicais de tradição oral, cantigas, rezas, paisagens sonoras, danças, mas também projetos musicais organizados de cariz urbano de vários géneros. “O Algarve sempre teve uma grande importância n’ «O Povo que Ainda Canta» porque foi o primeiro episódio a ser gravado, pela simples razão de que, quando se olhava para o mapa d’ «A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria», só apareciam quatro pontinhos e queríamos aumentar esse número”, recorda Tiago Pereira. Num Museu do Trajo recheado de entusiastas da música portuguesa, o entrevistado contou que os primeiros registos do sítio da internet tiveram origem igualmente no Algarve, em Odeceixe, por volta dos seus 25 anos, quando andava ainda na Escola de Cinema. “De repente, por detrás duma parede, ouvi o José Fernando a trautear e a imitar o som dos acordeões. Ele viu-me com o microfone do lado de fora da janela, veio ter

comigo e perguntou-me se estava a «ouver» o seu cantar. Explicou-me que ia aos bailes e, no dia seguinte, imitava as músicas exatamente como as tinha ouvido, com a mesma afinação e tudo. Era um homem incrível”, lembrou Tiago Pereira que, mal chegou a Lisboa, cruzou aquele som com a imagem de outro homem que tinha gravado, meses antes, no Carvalhal. “Daí surgiu o filme «Quem Canta Seus Males Espanta», que ganhou o Festival de Documentários da Malaposta, em 1998. Sempre me interessei bastante pela palavra e gosto de fazer cruzamentos sonoros”, reconheceu. Em 2007/2008, Tiago Pereira foi a um baile organizado em Tavira, deparou-se com um concerto das «Moças Nagragadas» e ficou completamente boquiaberto ao ver pessoas a dizer trava línguas com tamanha rapidez. “Andei anos e anos atrás do Ruivinho Brazão até conseguir gravá-las, em 2011, para a Sinfonia Imaterial, produzido pela Fundação INATEL. Os trava línguas delas têm estruturas rítmicas que não encontramos em nenhum grupo de bongos do país e felizmente que passou para jovens da nova geração, como é o caso do André Guerreiro, de Messines”, destacou, antes de chamar, com grande satisfação, as próprias «Moças Nagragadas» para o palco. Dias antes, Tiago Pereira já tinha confirmado ao Algarve Informativo que muitos jovens do século XXI se #94 ALGARVE INFORMATIVO

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interessam pelas suas raízes, como atesta o elevado número de tocadores de gaitas-de-foles, de viola campaniça, de cavaquinhos ou de grupos de cante alentejano. “Há, contudo, uma tendência de se pensar que esses saberes estão «presos» nos mais velhos, por terem uma forma diferente de memorizar as coisas, enquanto nós temos essa enorme bengala de memória chamada Google”, entende, confessando que o seu interesse pela música e pelas canções vem desde miúdo, não tivesse um mestre do cavaquinho em casa, designadamente o pai, Júlio Pereira. “Também cedo percebi que a maior parte da música que passava nas rádios ou nos concursos não correspondia exatamente ao sentido primordial da música, em que as pessoas cantam apenas porque sim. O meu projeto pretende, assim, reunir no mesmo espaço uma realidade musical que passa pelo nosso olhar, sem qualquer tipo de objetivo científico ou de estudo”, esclarece. Curiosamente, o adolescente Tiago Pereira até achava a música tradicional uma «seca», mas o seu destino acabaria por se cumprir, no tal episódio ocorrido em Odeceixe, com o já falecido João Fernando. “A partir daí comecei a gravar cada vez mais coisas, um pouco por todo o país, até criar, em 2011, o «A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria», algo que 300 ou 400 pessoas já tinham feito no mundo inteiro. A diferença é que a maior parte deles só gravavam bandas pop que toda a gente conhecia em ambiente de rua, de ALGARVE #94

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forma acústica. Eu quis também apresentar a música tradicional portuguesa e estão no site dois mil e 600 vídeos e uma biblioteca de sons enorme que qualquer pessoa pode utilizar para conceber peças artísticas”, aponta o entrevistado. Das gravações amadoras aos 26 documentários transmitidos na RTP 2 foi um pequeno passo, que foram agora compilados nos oito DVD’s incluídos no livro «O Povo que Ainda Canta». “É uma espécie de diário de bordo, 92 páginas com imensas fotografias, umas tiradas por mim, outras por profissionais que foram acompanhando o meu trabalho”, descreve, referindo igualmente o programa de rádio com o mesmo nome que é difundido na Antena 1. “Isso contribuiu para que o projeto se tornasse mais badalado e, depois da série na televisão, ainda mexeu mais. Mas acho que nunca é suficiente, devia haver mais gente a conduzir projetos paralelos, a documentar estas tradições”, considera. Um trabalho de recolha de grande mérito que conta com a colaboração de uma ampla rede de amigos e interessados na matéria, a qual se junta a pesquisa no terreno e o constante «revistar» do You Tube à procura de pessoas do antigamente. “E há os «dealers de velhinhas» que nos colocam em contato com essas pessoas. No dia 29, por exemplo, vou para Messines com o André Guerreiro gravar bailes antigos”,


Tiago Pereira com as Moças Nagragadas, no Museu do Trajo, em São Brás de Alportel

explica, confirmando que há vídeos que demoram mais tempo do que outros a serem concebidos. “Normalmente gravamos cinco ou seis músicas e vamos colocando na internet aos bocadinhos, porque andamos sempre a correr contra o tempo. Há velhotes que não percebem bem para o que isto é, mas tocam na mesma, porque gostam de companhia, que alguém as estime. A senhora Rosário, de Querença, tem 100 anos e é viciada em tocar concertina, é algo que lhe é natural. O vídeo dela foi um sucesso, tornou-se completamente viral”, conta. “O mais importante é que as pessoas possam ter acesso livre a este espólio, o que, antigamente, era difícil, porque as gravações pertenciam a privados ou estavam perdidas dentro das universidades. Agora, há uma

democratização de acesso a este património, o que permite perceber que Portugal é um país pequeno, mas que há milhares de versões das mesmas músicas”, sublinha Tiago Pereira. Entretanto, «A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria» serviu de inspiração para o «A Dança Portuguesa a Gostar Dela Própria», levada a cabo em parceria com a Associação PédeXumbo, para o «Esporão e A Comida Portuguesa a Gostar Dela Própria» e para o «A Música Ibérica a Gostar Dela Própria» e o objetivo de Tiago Pereira é gravar o máximo de coisas possível na Península Ibérica nos próximos 10 anos .

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HOTELEIROS ESTÃO PRONTOS PARA MAIS UM ANO DE EXCELÊNCIA, MAS SETOR PÚBLICO TAMBÉM TEM QUE FAZER A SUA PARTE Já muito se falou sobre o excelente ano turístico que foi 2016 para o Algarve, mas os muitos milhões de visitantes que escolheram a região para gozar as suas férias não se traduzem, necessariamente, em extraordinários resultados líquidos para a hotelaria. Isso mesmo confirmou João Soares, diretor-geral do Dom José Beach Hotel, em Quarteira, e representante da Associação de Hotelaria de Portugal no Algarve, lembrando que o setor ainda está a saldar as dívidas contraídas durante o período mais conturbado da crise que afetou o país no início da década. Texto:

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opinião parece ser consensual entre governantes, dirigentes associativos e empresários sobre o tremendo ano que foi 2016 em termos turísticos, em termos gerais e, muito particularmente, para a região algarvia. De facto, bateram-se todos os recordes no número de visitantes que chegaram ao Aeroporto Internacional de Faro e de dormidas nas unidades hoteleiras do Algarve e os empresários do ramo estão, de um modo geral, satisfeitos com a sua performance. No entanto, João Soares, representante da Associação de Hotelaria de Portugal no Algarve, lembra que resultados operacionais são bem diferentes de resultados líquidos. “As empresas trazem, de há muitos anos para cá, financiamentos para fazer frente às crises que assolaram o país e também é preciso realizar grandes investimentos para manter os imóveis atuais e competitivos e para estarmos nas mais variadas e sofisticadas plataformas online. Hoje, para se ter um hotel com vida e oferecer um produto atrativo e renovado, é preciso bastante dinheiro e as empresas ainda trazem dívidas do passado”, explica o diretor-geral do Dom José Beach Hotel. Serão, então, necessários mais alguns bons anos turísticos como 2016 para que os empresários hoteleiros consigam amortizar o seu passivo e começar a constituir uma almofada financeira para enfrentar os desafios dos tempos modernos. Esta situação é ainda mais premente no Algarve porque a região continua a ser extremamente sazonal, ALGARVE #94

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com as receitas a diminuírem drasticamente entre novembro e março/abril, apesar de todos os programas criados pelo poder central nos últimos anos para atenuar as assimetrias existentes entre época alta e baixa. “Cerca de 75 por cento do nosso volume de faturação acontece entre junho e setembro e, na época baixa, o preço médio é bastante reduzido devido ao excesso de oferta em relação à procura. No entanto, aumentaram significativamente as rotas aéreas e está a vir mais gente para o Algarve durante o Inverno. Os produtos complementares como as caminhadas, os passeios de bicicleta e o surf, entre outros, estão a crescer, mas a região tem muitas camas e não é com esses pequenos nichos que se resolve o problema”, entende João Soares. Esses produtos são, realmente, uma ajuda importante para unidades hoteleiras que estão localizadas em zonas muito específicas da região, mas o entrevistado destaca igualmente o crescimento do turismo desportivo, nomeadamente em redor do Complexo Desportivo de Vila Real de Santo António, assim como a subida do segmento dos congressos e incentivos. “Alguns grupos hoteleiros estão a conseguir trazer para o Algarve grandes eventos durante o Inverno, o que vai ajudando a equilibrar as contas, mas algumas das unidades que estão abertas nessa altura do ano praticam preços muito baixos e, como os custos são


os mesmos, não há margem que aguente”, admite João Soares. Um aspeto positivo é que são cada vez mais os hotéis que mantém portas abertas ao longo de todo o ano, ao invés do que sucedia antigamente, em que o normal era as unidades encerrarem no final de setembro, início de outubro, e retomarem atividade por altura da Páscoa. “Isso é bom, mas tem que haver um maior equilíbrio nos preços. Praticar preços muito abaixo daquilo que é razoável acaba por denegrir, de alguma forma, o destino”, volta a alertar o empresário. “Não há milagres e, para se oferecer preços baixos, não se consegue prestar um serviço em condições, não é possível dar um atendimento e alimentação com elevada qualidade. Quando isso acontece, o cliente não fica fidelizado e, ou não repete o destino – o que é o pior –, ou procura outra unidade hoteleira, quando o poderia ter feito logo no início. Para além disso, uma boa relação preço/qualidade também é fundamental para os hoteleiros se capitalizarem e fazerem investimentos nas suas empresas para melhorar os seus negócios”. Ou seja, o Algarve continua a ganhar, todos os anos, prémios internacionais nas mais variadas categorias, mas depois não pratica preços à altura dos seus predicados. Apesar disso, João Soares reconhece que essa situação se está a inverter gradualmente para não colocar em causa a qualidade do serviço prestado. “O cliente atual é bastante mais viajado, conhece melhor os produtos, tem mais informação e

“É ÓBVIO QUE A QUEBRA DA OPERAÇÃO EM PAÍSES COMO TURQUIA, TUNÍSIA E EGITO FEZ COM QUE HOUVESSE UMA MAIOR AFLUÊNCIA PARA PORTUGAL, ESPANHA E GRÉCIA E 2016 FOI FUNDAMENTAL PARA FIDELIZAR ESSES CLIENTES, PELA NOSSA PROXIMIDADE, QUALIDADE E SEGURANÇA” destinos por onde escolher e, obviamente, vai optar pela melhor qualidade. Quando escolhe um preço inferior a pensar que vai usufruir da mesma qualidade, normalmente sai defraudado e é isso que não queremos que aconteça no Algarve”, defende o diretor-geral do Dom José Beach Hotel.

COMUNICAR BEM É FUNDAMENTAL Vivem-se, de facto, tempos diferentes na hotelaria, mas ainda persistem algumas queixas, sobretudo dos setores do comércio e restauração, em relação ao regime de «tudo incluído» praticado por algumas unidades e que levam a que os turistas praticamente não gastem #94 ALGARVE INFORMATIVO

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dinheiro nenhum fora delas. Sobre esse assunto em particular, João Soares mostra-se mais preocupado com as exigências que determinados operadores turísticos internacionais impõem aos hoteleiros para ali colocarem os seus clientes. “Ou, de facto, a unidade tem condições para ser um «tudo incluído», com grandes áreas, várias piscinas, animação diversificada; ou então não faz sentido assumir esse posicionamento, independentemente da pressão que seja aplicada pelos operadores. Acreditamos que há espaço para tudo, mas muitos clientes gostam de passear, de visitar a região, de sair do hotel, especialmente os mais idosos e na época baixa”, indica. Resta saber se, depois, o restante tecido empresarial, se os serviços, os restaurantes, os estabelecimentos comerciais, estão também abertos durante a época baixa para receber estes clientes. Segundo João Soares, a resposta é «sim», dando o exemplo concreto do que sucede com o réveillon, onde várias zonas do Algarve são destino de milhares de turistas nacionais. “Claro que muitas pessoas aproveitam a época baixa para dar férias aos funcionários e fazer pequenas obras de manutenção, mas está a notar-se um encurtamento do período de tempo em que esses negócios estão fechados”, assegura, adiantando que as remodelações regulares são cruciais para manter os espaços competitivos e do agrado de clientes cada vez mais exigentes. “Os hotéis têm que fazer todos os anos a chamada manutenção preventiva, as pinturas, os silicones nas casas-de-banho, a limpeza dos ALGARVE #94

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ventiladores e por aí adiante, algo que não é possível de realizar durante a época alta quando há muitos clientes. Depois, de seis em seis anos, devemos ter a preocupação de dar uma vista de olhos a toda a decoração do hotel, porque é bastante fácil um empreendimento perder a sua competitividade se não estiver permanentemente atualizado”.


João Soares dá, todavia, um relevo especial à importância de se comunicar bem nos tempos modernos e de se manter os índices de qualidade elevados, até porque o Algarve é um destino relativamente pequeno quando comparado com a Espanha ou as Canárias. “Independentemente da categoria do hotel, de ser três, quatro ou cinco estrelas, temos que nos

preocupar em ser melhores que os nossos concorrentes”, defende, não acreditando que o bom desempenho da região no passado recente se deva apenas à instabilidade sentida noutros destinos do sul da Europa e norte de África. “O Algarve melhorou imenso em termos do seu produto e é um destino mais conhecido internacionalmente. É óbvio que a quebra da operação em países como #94 ALGARVE INFORMATIVO

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Turquia, Tunísia e Egito fez com que houvesse uma maior afluência para Portugal, Espanha e Grécia e 2016 foi fundamental para fidelizar esses clientes, pela nossa proximidade, qualidade e segurança”. O desempenho turístico do Algarve pode, contudo, ser prejudicado pelos efeitos da saída do Reino Unido da União Europeia, mas a verdade é que nem os próprios britânicos têm, para já, uma real perceção das consequências do Brexit. “Os turistas britânicos têm uma forte ligação histórica ao Algarve e julgamos que vão continuar a vir para cá. Mas é uma preocupação grande, sobretudo por causa da queda da libra, já que o combustível dos aviões é pago em dólares e esse custo subiu 20 por cento nos últimos meses. Também ainda não se sabe muito bem como vai funcionar a livre circulação de pessoas e penso que os nossos governantes devem estar atentos para agilizar todos os processos, de modo a que os cidadãos britânicos possam continuar a usufruir do Algarve, e do país em geral”, analisa João Soares.

ALOJAMENTO LOCAL SIM, MAS COM REGRAS O turismo é, sem dúvida, um ramo bastante volátil e onde tudo pode mudar num ápice, às vezes até por motivos alheios aos próprios empresários. Reflexo disso é que, no passado recente, têm sido menos as novas unidades hoteleiras a abrir portas no Algarve, com o entrevistado a avisar que os investidores devem fazer muito ALGARVE #94

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bem as contas antes de dar um passo em frente. “A hotelaria é um investimento de capital intensivo, o payback dos hotéis anda, na maioria dos casos, entre os 15 e 20 anos, e o que é verdade hoje, amanhã deixa de o ser. Mais importante do que abrir novos espaços é requalificar a oferta existente e essa tem sido a batalha da Associação de Hotelaria de Portugal, porque temos unidades muito bem localizadas e que podem oferecer uma qualidade premium aos turistas”, refere João Soares. Questionado sobre a concorrência que chega do alojamento local, o diretor-geral admite que, face à nova legislação, os clientes se vão dividir por mais unidades, mas assim é a livre concorrência. O que João Soares defende é que as regras sejam iguais para todos e que não haja tanta burocracia no ramo. “Para se abrir um hotel é uma infinidade de condições e exigências, enquanto, para outro tipo de alojamento, isso não se coloca, o que é um handicap. Ter um investimento pronto em dois anos é completamente diferente de estar concluído em seis meses e todas as obrigatoriedades que temos no dia-a-dia também são desiguais. Alojamento local sim, mas com regras, e penso que o alojamento local está de acordo com isso”. Neste complexo cenário e puzzle de intervenientes, João Soares fala ainda do problema que é encontrar profissionais de hotelaria, nomeadamente nas áreas de housekeeping e restauração, apesar


de saírem mais pessoas com formação das escolas de hotelaria e dos protocolos firmados com outras escolas profissionais. Outra questão que não depende da hotelaria, mas sim do governo e das autoridades regionais, tem a ver com as acessibilidades. “Esperamos que as obras no Aeroporto de Faro estejam terminadas a horas e com toda a capacidade para receber os mais de seis milhões de turistas que entram no Algarve via área. Também esperamos que as obras na EN 125 não voltem a entrar pelo Verão adentro e temos batalhado bastante para que se resolvesse a questão das portagens na Via do Infante”, salienta o empresário, lamentando que o Algarve continue a ter pouco peso junto do poder central. “Se viajarmos pelos diversos aeroportos do Continente e Ilhas

verificamos que o de Faro, apesar de ser um dos que tem maior afluxo de clientes, é um dos mais fracos. O mesmo se passa a nível das vias de comunicação, que não são pagas nos Açores ou Madeira. Um cliente que chegue ao Aeroporto de Faro às 10 ou 11 horas da noite fica limitado aos táxis e transfers, não há transportes públicos. A sinalética também é muito confusa e muda bastante de concelho para concelho”, enumera João Soares. “Nós estamos preparados, os hotéis estão em condições para receber o grande número de visitantes que é esperado em 2017, mas é importante que a parte pública também acompanhe com algumas medidas, para continuarmos a ser competitivos”, finaliza .

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MÁRIO LAGINHA E CAMANÉ JUNTOS EM LOULÉ

O aniversário da elevação de Loulé a Cidade terminou em beleza com um fantástico concerto de Mário Laginha e Camané que esgotou o Cine-Teatro Louletano, no dia 1 de fevereiro. Ao consagrado pianista louletano juntou-se a magistral voz do fadista lisboeta, num espetáculo onde se visitaram as letras de grandes poetas portugueses. Texto:

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Cine-Teatro Louletano recebeu, no dia 1 de fevereiro, um concerto especial que juntou em palco o fadista Camané e o pianista Mário Laginha. Um dueto improvável mas que, afinal de contas, até já se encontrou várias vezes ao longo dos anos, para interpretar, por exemplo, «Ai Margarida» (poema de Álvaro de Campos e música de Mário Laginha) ou «Abandono» (palavras de Mourão-Ferreira e música de Alain Oulman). Nessas colaborações pontuais ficou demonstrado que o fado convive perfeitamente fora do seu núcleo instrumental mais canónico da viola e guitarra portuguesa, ganhando uma emoção especial quando acompanhado ao piano.

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Nesta noite em concreto, o espetáculo girou em torno de alguns compositores de fado que tocam fundo a Mário Laginha e Camané, para além de temas do repertório do fadista natural de Oeiras. “Anda tudo à volta dos poetas, dos eruditos do fado, como David Mourão-Ferreira, Camões, Cecília Meireles. O Mário toca o fado tradicional como se fosse uma viola, uma guitarra portuguesa e o contrabaixo, ou duas guitarras, é uma coisa do outro mundo”, descreve Camané, com Mário Laginha a admitir que o seu historial no jazz lhe dá uma maior facilidade em compreender determinadas coisas. “Mas não colocamos o fado e o jazz num


caldeirão e misturamos. Não sou nada purista e, no entanto, sou respeitador das tradições e é nisso que consiste o «Fado Revisitado»”, refere o louletano. Para os menos esclarecidos na matéria, Camané recorda que o fado, nos seus primórdios, começou por ser cantado ao piano nos cafés de camareiras, antes de aparecer a viola e a guitarra portuguesa. “O Mário está aqui a tocar fado, não é jazz. Toca o Bailarico com o Fado Lopes, assim como os chamados clássicos do Oulman, entra tudo no mesmo registo dos poetas e do amor”, indica Camané, para quem é perfeitamente natural ter um piano ao lado da sua voz, ao invés dos instrumentos mais tradicionais. “Claro que tivemos que ensaiar, porque o Mário tem imenso trabalho e toca com diversos músicos de outras sonoridades, mas ele entra facilmente nas coisas. Isto é música, basta estar atento ao piano”.

O dueto no Cine-Teatro Loultano não foi, conforme já referido, uma estreia, a ligação entre os dois já tem mais de uma década de existência, portanto, a química está lá, é algo intuitivo. Aliás, ficaram para a história os concertos de Camané com Mário Laginha e Bernardo Sassetti, com parte desse repertório a ser transposto para a atuação do dia 1 de fevereiro. Mas será que ainda é fácil trazer algo de novo ao fado, dar-lhe uma nova roupagem, algo que tem sido feito vezes sem conta especialmente desde que o fado se tornou Património Imaterial da Humanidade? “O novo é sempre um bocadinho relativo e a verdade é que só o Camané é que canta como o Camané”, considera Mário Laginha, com Camané a frisar, prontamente, que o objetivo desta parceria não é reinventar nada. “É um instrumento diferente, mas a

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essência continua a ser o fado”. “Não tentamos ir à procura, artificialmente, de algo diferente. Fazemos isto com uma certa naturalidade, deixamos a música falar por ela, e isso é ótimo, porque o resultado final soa autêntico”, reforça Mário Laginha. A reação do público, como se adivinha, tem sido entusiasta, dos mais novos aos mais idosos, com Camané a ALGARVE #94

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não ver qualquer problema do fado ser acompanhado pelo piano. “Muitos temas da Amália Rodrigues foram compostos ao piano pelo Alain Oulman e é bastante fácil para um pianista absorver essa forma de composição. O nosso objetivo é contar uma história durante o espetáculo, do encontro de duas pessoas que gostam de determinado tipo de música”, resume o fadista.


Camané, ideia que agrada a Mário Laginha. “Temos os dois uma enorme adoração pela música quando ela é absolutamente honesta e autêntica, é uma pérola quando isso acontece. Quando estamos em palco, há uma energia especial”, sublinha o pianista. Uma química que, de facto, se observou facilmente no espetáculo do Cine-Teatro Louletano, onde as emoções das palavras andaram à solta e contagiaram o público presente. “Esse registo emocional da palavra não se encontra com baterias ou percussões. Eu não bato palminhas quando canto, isso faz sentido quando se interpreta folclore ou música popular portuguesa. Quando se canta fado, tem que haver um recolhimento, uma contenção, e isso só se consegue com guitarra, viola, contrabaixo ou piano”, defende Camané. “São instrumentos de acompanhamento mas que também são solistas e não existe nenhum purista que diga que isto que nós tocamos não é fado”.

Uma parceria que, para já, se limita aos espetáculos ao vivo, não havendo ainda perspetivas de irem para estúdio, até por dificuldades de conciliar as agendas dos dois artistas. “Já desafiei o Mário para repetirmos esta experiência uma vez por mês e depois, se calhar, até podemos avançar para um disco. Gostava, um dia, de andarmos juntos na estrada, em digressão”, reconhece

A finalizar a conversa, Camané revela que está a terminar um disco muito especial, o mais tradicional que fez na sua vida, baseado num grande intérprete e compositor de fado. Quanto a Mário Laginha, terá um disco lançado por uma editora inglesa, em outubro, em que atua com o saxofonista inglês Julian Argüelles e o percussionista norueguês Helge Norbakken, mas o seu projeto clássico com contrabaixo e bateria também está a preparar repertório para lançar o terceiro disco do trio . #94 ALGARVE INFORMATIVO

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MESTRES DO TROMPETE E ACORDEÃO EXPLORAM NOVAS SONORIDADES EM MORPHOSIS Hugo Alves e João Frade são, indiscutivelmente, dois dos melhores artistas algarvios de todos os tempos, verdadeiros mestres nos seus instrumentos de eleição, o primeiro no trompete, o segundo no acordeão. Agora, decidiram juntar os seus talentos inatos para explorar novas sonoridades, num projeto em constante mutação e sem medo de arriscar. Texto:

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projeto «Morphosis», de Hugo Alves e João Frade, está a ser um dos produtos culturais mais interessantes daqueles que saltaram para a ribalta ao abrigo do programa cultural «365 Algarve» e, após algumas tentativas falhadas, por questões de agenda, finalmente conseguimos assistir a um concerto desta dupla improvável, no dia 3 de fevereiro, em São Brás de Alportel. Depois de terem participado noutros projetos com outros músicos, a vontade de fazer um trabalho diferente com trompete e acordeão andava na mente de Hugo Alves já há algum tempo e, em 2016, esse desejo concretizou-se. “Partimos para isto com temas que tinha escrito, não propositadamente para esta formação, mas rapidamente começamos a produzir coisas novas, porque o «Morphosis» é isso mesmo, é estar em constante transformação”, explica Hugo Alves. Os primeiros concertos serviram para afinar os ponteiros e deram logo nas vistas, de tal modo que o duo foi convidado pela organização do «365 Algarve» para integrar este programa conjunto das Secretarias de Estado do Turismo e da Cultura. E o desafio de Hugo Alves foi prontamente aceite por João Frade, acordeonista consagrado, com uma carreira internacional de gabarito e que é conhecido precisamente por gostar de diversas sonoridades e por estar sempre aberto a novas experiências. “A minha formação não é, de facto, convencional e projetos desta natureza são bastantes estimulantes para mim. Aqui há um fator extra de incentivo, pois não existe um instrumento rítmico, uma ALGARVE #94

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percussão, baixo ou contrabaixo. Depois, sempre gostei imenso de trompete, «casa» muito bem com o acordeão, e conseguimos atingir uma grande coerência de som”, descreve João Frade. Com dois mestres em ação, ainda por cima dois adeptos do improviso e do experimentalismo, Hugo Alves não consegue dizer se é fácil ou difícil escrever temas para o duo, mas garante que são ambos bastante exigentes com o resultado final. “Chegamos ao ponto do João ter que selecionar qual o seu acordeão que funciona melhor colado a um trompete e do meu lado sucede o mesmo, porque os instrumentos têm características diferentes, lidamos com eles todos os dias e temos uma relação muito estreita com eles. Uma diferença de dois por cento, para nós, é demasiado grande”, refere Hugo Alves, adiantando que mesmo os temas são alvo de constantes mudanças, daí que nenhum concerto seja igual ao do dia anterior. “O que acontecer hoje em São Brás de Alportel de certeza que vai ser diferente do que ocorrerá amanhã em Monchique”, garante o trompetista. «Morphosis» transcende, então, todas as linguagens musicais e o intuito é descobrir novos caminhos, sem descurar as raízes do acordeão e do trompete. Contudo, não se trata de pegar em temas de jazz e colocar o acordeão no meio, nem tocar com o trompete uma música mais popular ou tradicional. “Não colocamos de lado a possibilidade de executar algum


standard com esta formação, porque terá sempre uma cor diferente, mas a ideia é explorar mesmo novos ambientes e vamos construindo temas em conjunto e sem obedecer a uma estética comum de composição”, reforça João Frade. Certo é que o projeto tem resultado tão bem por estarmos na presença de dois artistas «fora da caixa», que não se agarram com unhas e dentes ao que é habitual nos seus respetivos instrumentos, opinião que é partilhada por ambos. “Ainda ontem trouxe um tema novo que estava a escrever e deixei-o inacabado para, em parceria com o João, tentarmos chegar ao maior entrosamento possível entre o trompete e o acordeão. Quem o concluiu foi o João e funcionou bastante bem. Acho que o sucesso do «Morphosis» também é fruto do momento que nós dois atravessamos

enquanto artistas, em que queremos criar algo distinto, fora do normal”, analisa Hugo Alves. “Cada tema tem a sua história e dá-nos infinitas possibilidades porque, mesmo sendo pequena, esta formação é bastante flexível”.

UM PROJETO PARA CONTINUAR, SEM DÚVIDA Sem um instrumento tradicional a marcar o ritmo, e com dois mestres do improviso juntos, fica a curiosidade de saber como tudo isto depois funciona em palco e se é fácil para cada um acompanhar as experiências e as «invenções» do outro. “Às vezes acontece um «fugir» para um lado e o outro ter que ir rapidamente atrás dele, mas isso é algo bonito. Gostamos de tocar no fio da navalha, de #94 ALGARVE INFORMATIVO

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entrarmos em zonas de risco”, responde João Frade, com um sorriso, enquanto Hugo Alves revela que tem sido fácil conciliar as superpreenchidas agendas de ambos. “Esta é a nova vida, estamos habituados a ter agendas complicadas e o «Morphosis» agora faz parte dessa complicação”. O produto é de qualidade, disso não há dúvidas, mas será que o público está a reagir bem a esta junção de instrumentos com percursos tão diferentes, perguntamos. “O público tem crescido drasticamente desde a primeira atuação, em qualidade e quantidade. Os concertos têm tido casa cheia e isso significa que as pessoas estão recetivas, que sentem curiosidade em ver o que se anda a fazer no Algarve. Há poucas semanas tocamos, em dias consecutivos, em Vila Real de Santo António e Castro Marim, que ficam à distância de poucos

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quilómetros um do outro, e os dois espetáculos estiveram esgotados”, conta Hugo Alves, adiantando que o mesmo êxito foi alcançado em Vila do Bispo. “Estamos a falar de zonas mais periféricas do Algarve – mas nem por isso menos importantes – e fica demonstrado que há público para a cultura na região. Para nós, músicos, é importante exercermos a nossa atividade profissional, mas também que as pessoas venham, porque dar concertos para meia dúzia de espetadores é sempre um bocado estranho”. Face ao sucesso alcançado, a dupla assegura que a vontade é seguir em frente com o «Morphosis», mesmo sabendo-se que o programa «365 Algarve» decorre apenas até maio do corrente ano, ainda que com fortes perspetivas de ser renovado. “O


projeto já existia antes do «365 Algarve» e acredito que iria para a estrada mesmo sem ele, mas temos que realçar a importância destes programas. Há investimento para se fazer em cultura e há retorno sobre isso e os concertos da Orquestra de Jazz do Algarve também têm sido bastante bem aceites pelo público”, sublinha Hugo Alves. “Esta economia da cultura existe e faz falta às pessoas”, enfatiza. Sobre a possibilidade da dupla lançar um disco, João Frade confirma o desejo de terem um registo físico do projeto, mas o mais provável é ser um vídeo ao vivo e, para isso, já estão a gravar os concertos que vão dando um pouco por toda a região, até para servir de cartão-de-visita para novas digressões. Trabalho não falta a Hugo Alves e João Frade, pelo que serão de esperar

também novidades nas suas carreiras a solo, embora o trompetista confesse que, de há uns anos para cá, sente pouca vontade de se enfiar alguns dias num estúdio para gravar um disco. “Prefiro sessões ao vivo, dão-nos energias diferentes. O ano passado tive o projeto dos «Magic Stars» e deve estar para sair qualquer coisa dele, assim como da Orquestra de Jazz do Algarve, mas aí é ainda mais complicado juntar a formação toda numa sala com acústica razoável para se produzir um disco”, explica Hugo Alves. “Do meu lado, continuo a participar em bastantes projetos de outros músicos e tenho um disco em nome próprio para lançar em breve, que será gravado no estrangeiro”, conclui João Frade . #94 ALGARVE INFORMATIVO

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«ALGARVIA» TRAZ CRAQUES INTERNACIONAIS E MOSTRA REGIÃO AO MUNDO ATRAVÉS DA EUROSPORT

Francisco Serra (CCDR), Jorge Botelho (AMAL), Desidério Silva (RTA), Delmino Pereira (FPC), Custódio Moreno (IPDJ) e Carlos Luís (ATA)

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oi formalmente apresentada, no edifício sede da Região de Turismo do Algarve, no dia 31 de janeiro, a 43ª Volta ao Algarve, que se disputará de 15 a 19 de fevereiro, trazendo ao sul do país alguns dos melhores ciclistas do pelotão internacional da atualidade. A grande novidade será, contudo, a transmissão televisiva do evento, em direto, para 68 milhões de lares, distribuídos por 55 países, através da Eurosport. Assim, será transmitida a última hora de cada etapa, diariamente, entre as 16h e as 17h, havendo ainda ALGARVE #94

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lugar a um resumo que irá para o ar no horário nobre. Tendo em conta precisamente a transmissão televisiva, o traçado foi desenhado para potencializar ao máximo as deslumbrantes paisagens do Algarve, numa corrida equilibrada em termos de percurso, com duas etapas ideais para sprinters, duas chegadas em alto e um contrarrelógio individual, o que se mostrou fundamental para atrair mais uma vez grandes equipas e ciclistas de


eleição. A prova será disputada por 25 equipas e 200 corredores, oriundos de 27 países distintos e, das 18 equipas WorldTour existentes no mundo inteiro, 12 marcarão presença na Volta ao Algarve. Deste modo, o pelotão contará com 22 corredores do top 100 internacional, entre eles o campeão do mundo de contrarrelógio Tony Martin (Team Katusha Alpecin) e o campeão europeu da mesma disciplina, Jonathan Castroviejo (Movistar). A estes campeões somam-se outros craques, tais como os seis campeões nacionais de contrarrelógio: o português Nelson Oliveira (Movistar), o norueguês Edvald Boasson Hagen (Team Dimension Data), o lituano Ignatas Konovalovas (FDJ), o esloveno Primoz Roglic (Team Lotto NL-Jumbo), o russo Sergei Chernetskii (Astana) e o estadunidense Taylor Phinney (Cannondale Drapac). Todavia, nem só de contrarrelogistas se faz o pelotão da Volta ao Algarve, que terá na linha de partida homens capazes de vencerem etapas ao sprint em qualquer uma das melhores corridas do mundo. É o caso de André Greipel (Lotto Soudal), Arnaud Démare (FDJ), Dylan Groenewegen (Team Lotto NL-Jumbo), Edvald Boasson Hagen (Team Dimension Data), Fernando Gaviria (Quick-Step Floors), Giacomo Nizzolo, Jasper Stuyven, John Degenkolb (Trek-Segafredo) e Nacer Bouhanni (Cofidis). A luta pela camisola amarela deverá envolver, entre outros, Andrey Amador (Movistar), Daniel Martin (Quick-Step Floors), Luis León Sánchez (Astana), Michal Kwiatkowski (Team Sky), Primoz Roglic (Team Lotto

NL-Jumbo), Stephen Cummings (Team Dimension Data), Taylor Phinney (Cannondale Drapac), Tony Gallopin (Lotto Soudal) e Tony Martin (Team Katusha Alpecin). Outro dos aliciantes da Volta ao Algarve é a oportunidade que dá aos adeptos nacionais de ver ao vivo alguns dos emigrantes do ciclismo luso, muitos com aspirações aos primeiros lugares. Isto porque estão inscritos José Gonçalves e Tiago Machado (Team Katusha Alpecin), José Mendes (Bora-hansgrohe), Nelson Oliveira e Nuno Bico (Movistar), Rafael Reis (Caja RuralSeguros RGA), Ricardo Vilela (Manzan Postobón) e Rúben Guerreiro (TrekSegafredo). As equipas portuguesas têm na Volta ao Algarve o segundo ponto de grande mediatismo do ano e vão tentar surpreender os blocos forasteiros para dar alegrias aos seguidores locais. No plano dos patrocinadores, a Camisola Amarela é apoiada pelo Turismo do Algarve, porque o ciclismo, além de desporto, é uma atividade com forte impacto turístico, económico e social. A Camisola Vermelha é patrocinada pela Cofidis, a Liberty Seguros assegura a Camisola Azul e a Camisola Branca é da responsabilidade da Sicasal. Na estrada serão cinco etapas, num total de 772,8 quilómetros, com a primeira a ter lugar, a 15 de fevereiro, entre Albufeira e Lagos (182,9 km), uma etapa com previsível chegada ao sprint numa reta com todas as #94 ALGARVE INFORMATIVO

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condições para um final de jornada empolgante. A 16 de fevereiro disputa-se a etapa entre Lagoa e Fóia (189,3 km), com a subida a ser por uma vertente mais longa e mais exigente do que no ano passado. A 3ª etapa realiza-se a 17 de fevereiro, um contrarrelógio em Sagres com 18 quilómetros, num percurso totalmente plano com distância suficiente para os especialistas ocuparem os lugares cimeiros, mas não tão longo que os trepadores fiquem de imediato arredados da luta pela classificação geral. A 18 de fevereiro teremos a 4ª Etapa, ligando Almodôvar a Tavira (203,4 km), mais uma vez com uma reta da meta perfeitamente adequada para um final apoteótico. A 19 de fevereiro verifica-se a 5ª e última etapa, entre Loulé e o Alto do Malhão (179,2 km).

UM SONHO ANTIGO FINALMENTE TORNADO REALIDADE Este direto é possível graças ao investimento da Região de Turismo do Algarve e da Associação Turismo do Algarve, na ordem dos 150 mil euros cada, em parceria com o Turismo de Portugal, para quem a Volta ao Algarve é um excelente meio de promoção internacional da região. E, na cerimónia que deu o pontapé de saída para a «Algarvia», a emoção e orgulho estavam bem patentes na voz de Desidério Silva, presidente da RTA. “O ciclismo é, claramente, um desporto que atrai multidões, que podem estar nas bermas das estradas, como num café ou no sofá de casa, bebendo da paisagem, da cultura, do património dos locais por ALGARVE #94

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onde passam as etapas. Não tenho dúvidas de que o Algarve, desde a Ria Formosa à Rota Vicentina, da serra e barrocal ao Rio Guadiana, tem cenários fantásticos. Mas este trabalho deu muita luta, porque estamos a falar de verbas significativas que a RTA não possui”, frisou Desidério Silva. As vontades, porém, foram fortes e os parceiros uniramse em redor da «Algarvia», designadamente a Associação de Turismo do Algarve e a AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve. “Garantida esta transmissão televisiva, queremos trabalhar com a Federação Portuguesa de Ciclismo para que o Algarve seja, a partir de agora, uma região de bicicletas. Queremos que tenha uma marca, que seja apelativa para os nossos mercados emissores, pois existem, na Europa, milhões de pessoas que querem andar de bicicleta”, enfatizou Desidério Silva, lembrando que estão precisamente a ser criados 40 percursos para praticantes amadores ao longo de toda a região e numa


estreita parceria com a FPC. “Este era o clique que faltava para que o Algarve se posicione de uma forma bastante séria e com uma oferta turística integrada para esta modalidade, do mesmo modo que o turismo de natureza, as caminhadas, a observação de aves, e outros, também são fundamentais para termos uma região sustentável 365 dias por ano”. Os municípios algarvios estiveram representados na cerimónia por Jorge Botelho, presidente da AMAL e da Câmara Municipal de Tavira, que confirmou que a transmissão televisão

da prova era uma vontade da região permanentemente adiada. “Já estávamos todos algo conformados com a nossa sazonalidade, com o facto de o Algarve trabalhar apenas seis meses, mas felizmente que se começa a ouvir, na boca de muitos políticos com responsabilidade governativas e de muitos agentes regionais, que o Algarve tem que funcionar todo o ano”, afirmou Jorge Botelho, recordando que, no passado, sempre que uma etapa da Volta chegava ao fim, toda a gente dizia que era uma pena a televisão não estar a acompanhar o evento. “Vai ser uma #94 ALGARVE INFORMATIVO

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grande jornada de promoção da região e temos património para mostrar e uma rede de estradas à altura para os ciclistas utilizarem. O objetivo é que esta oportunidade se repita nos próximos anos, após uma avaliação das mais-valias que esta cobertura televisiva vai dar seguramente ao Algarve”, defende o autarca. Jorge Botelho revelou, entretanto, que os municípios algarvios praticamente duplicaram o apoio que concediam habitualmente à organização da prova, mas mostrou-se convicto de que este maior esforço financeiro será recompensado. “Vai ser um hino ao ciclismo e, de certeza, que vai ser bom para o Algarve e para Portugal”, salientou o edil tavirense, antes de passar a palavra a Custódio Moreno, Delegado Regional de Faro do Instituto Português do Desporto e Juventude. “As pessoas nem sempre têm a noção da real grandeza do desporto no Algarve, mas existem 660 clubes desportivos de várias modalidades, que envolvem milhares de dirigentes associativos, uns amadores, outros profissionais, e todos nos sentimos recompensados com a transmissão televisiva da Volta ao Algarve em Bicicleta. Quem diz que o Algarve é só praia e sol está muito enganado, pois recebemos várias competições internacionais ao longo de todo o ano e vamos ter agora a nata do ciclismo mundial”, sublinhou Custódio Moreno. A finalizar a ronda de intervenções falou Delmino Pereira, presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo,

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estrutura que depressa compreendeu que era preciso ir mais além do que organizar uma simples corrida, mas, sim, idealizar algo que também contribuísse para o desenvolvimento do turismo de natureza, de aventura e de bicicleta no Algarve. “Começamos a desenhar um projeto que pretende mapear a região e afirmá-la a nível internacional, porque o Algarve é fantástico para se andar de bicicleta no Inverno. Com o nosso conhecimento técnico e com os conhecimentos e objetivos turísticos da RTA queremos construir um destino que terá grande sucesso além-fronteiras”, adiantou o dirigente, acrescentando que o desenho da Volta ao Algarve foi pensado com intuitos turísticos. “A primeira etapa corre ao longo da costa algarvia, a segunda vai para a serra, a terceira segue para o Cabo de São Vicente e terá um contrarrelógio de rara beleza. Depois, a quarta etapa desce o Rio Guadiana e faz a costa toda desde Vila Real de Santo António até Tavira e o último dia parte de uma das cidades mais carismáticas do Algarve, Loulé, e termina no Alto do Malhão. Temos que intensificar a nossa agressividade e vender o Algarve como um destino turístico para desportos de aventura na época baixa e explorar o máximo possível este evento de excelência. Esta corrida apaixona todos os adeptos do ciclismo, que querem saber quem serão os grandes protagonistas da nova época” .


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REABILITAÇÃO DO PATRIMÓNIO HISTÓRICO ESTEVE EM DESTAQUE NO 29.º ANIVERSÁRIO DA CIDADE DE LOULÉ

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executivo municipal de Loulé assinalou, no dia 1 de fevereiro, o 29.º aniversário de elevação de Loulé a Cidade com um programa que teve o seu principal enfoque nas questões patrimoniais. Nesse sentido, os responsáveis da Autarquia, acompanhados pelos técnicos municipais e pela população que se juntou à comitiva, visitaram algumas das obras mais emblemáticas de reabilitação do património histórico-cultural em curso, num valor total de cerca de quatro milhões de euros. “Eram edifícios que estavam em avançado estado de degradação, sem qualquer utilidade pública. Não fazia sentido continuarmos ALGARVE #94

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com esta situação, até porque estes edifícios fazem falta à vida comunitária e, uma vez que neste momento a Câmara dispõe de recursos, mandámos fazer os projetos e lançámos as obras”, referiu o presidente da Câmara Municipal de Loulé, Vítor Aleixo. O périplo pelos principais investimentos na cidade arrancou no emblemático Café Calcinha, que neste momento está a ser alvo de obras de requalificação que visam não só recuperar este espaço mas também valorizar a componente cultural daquele que é um dos cafés que faz


parte da «Rota dos Cafés com História de Portugal». Em termos do conceito, a ideia é que continue a funcionar como um estabelecimento misto de restauração e bebidas, agora também com alguma programação de âmbito social e cultural. “Este ente patrimonial e memorial da cidade, onde várias gerações de louletanos conviveram, será um polo de atração que irá juntar o seu aspeto convivial a alguma animação cultural, nomeadamente tertúlias e outras atividades”, adiantou Vítor Aleixo. “O grande trabalho aqui é tentar perceber o que é que o Café Calcinha foi para devolver o café à população”, referiu Jorge Guerreiro, o arquiteto autor do projeto de reabilitação. Entretanto, foi aberto um concurso público para concessionar a exploração do Café Calcinha e as propostas já foram abertas, estando a ser analisadas por um júri e uma equipa exterior. “Queremos tornar este processo o mais transparente

possível”, considerou o presidente Vítor Aleixo. Seguiu-se uma passagem pelos Banhos Islâmicos, no coração da Zona Histórica da cidade, considerada a mais importante estrutura arqueológica do género em território português. Datados do século XIII, estes Banhos deram lugar já no século XV a uma habitação luxuosa. No entanto, é de registar o seu excelente estado de conservação, que nos dá a conhecer três espaços distintos: a sala quente, a sala tépida e a sala fria onde decorria todo o ritual de higiene durante o período de ocupação islâmica. “A Autarquia, em parceria com o Campo Arqueológico de Mértola, está a fazer aqui um grande investimento, quer a nível da escavação, quer no que respeita ao projeto de musealização pois o objetivo é que, futuramente, tanto os louletanos como quem visita

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a cidade possam usufruir deste espaço em segurança”, referiu Alexandra Pires, uma das arqueólogas envolvidas nas escavações, reconhecendo que, pelo carácter científico, se trata de um projeto moroso. Já no Solar da Música Nova, a comitiva pôde ver de perto a reabilitação que está em curso num edifício emblemático que será transformado num centro cultural dedicado ao ensino da música. Também aqui a preocupação com a manutenção da traça original, nomeadamente ao nível das abóbadas e das paredes, será uma prioridade, como referiu Pedro Guerreiro, engenheiro municipal e fiscal da obra. O Conservatório de Música de Loulé, a sede da Banda Filarmónica «Artistas de Minerva» e um Auditório Municipal para 120 lugares serão as componentes do edifício. A obra estará concluída dentro de um ano e o seu valor ascende a 2,3 milhões de euros. ALGARVE #94

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Perto deste Solar estão também em curso trabalhos de reabilitação do Palácio Gama Lobos, “um edifício extremamente importante na malha urbana da cidade de Loulé pelo grande rigor ao nível construtivo, ao nível tectónico e valor patrimonial”, considerou Luís Guerreiro, arquiteto municipal e responsável pelo projeto. A intervenção que se pretende fazer no local será “pouco intrusiva”, já que se pretende respeitar toda a lógica do espaço e dos materiais utilizados. Dois anos é o tempo previsto para a execução da obra que significa um investimento de 1,5 milhões de euros. Houve ainda tempo para uma passagem pelo Largo Tenente Cabeçadas, onde se encontra o Convento da Graça, classificado como Monumento Nacional. A intervenção neste espaço, que constitui um


testemunho raro da arquitetura medieval medicante no Algarve, passou pela recuperação do Portal e requalificação do espaço interior da antiga igreja. Os trabalhos tiveram um custo de 70 mil euros. Para além do Património, a cidade de Loulé está também a ser alvo da reabilitação em algumas das suas artérias. Assim, neste dia foram inauguradas as obras de requalificação da Rua Cabeço do Mestre e Rua Assis Esperança, que fazem a ligação entre o Estádio Municipal e a Urbanização Vale de Rãs, uma zona de expansão da cidade. O investimento realizado, no valor de 550 mil euros, teve em vista melhorar o acesso a esta zona da cidade em franca expansão onde residem já milhares de pessoas. Passados 29 anos desde que Loulé passou a ter o estatuto de cidade, o presidente da Câmara Municipal de Loulé

sublinhou o desenvolvimento deste que é um dos principais centros urbanos do Algarve. “A cidade de Loulé está de boa saúde, cada vez mais bonita, ordenada, segura e com um espaço urbano mais agradável e que começa a ser muito atrativo também para os cidadãos estrageiros”, considerou Vítor Aleixo. Uma vez que a mobilidade suave dentro da cidade tem sido uma das apostas deste executivo, o autarca referiu ainda que os projetos nesta matéria prosseguem e, depois da distribuição de bicicletas pelas escolas, pretende-se agora fazer uma ciclovia na cidade. Por outro lado, a sensibilização junto da comunidade escolar e da população em geral será uma das principais ações tendo em vista uma alteração dos comportamentos dos louletanos ao nível da mobilidade .

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O perigoso regresso à política do «Pão e Circo» Paulo Cunha

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endo o termo «populismo» resultante duma, pretensa, simpatia pelo povo e constituindose como uma doutrina ou prática política que procura obter o apoio popular através de medidas que, aparentemente, são favoráveis às massas, é hoje possível constatar, através dos ensinamentos da história, que o populismo se alimenta da demagogia, na medida em que estabelece um vínculo emocional com o «povo» (aqui tratado como categoria abstrata), resultando daí um autoritarismo consentido e uma dominação impercetível por quem é dominado. Trata-se de um conceito político que é usado por movimentos organizados, e até por partidos tradicionais, que se mostram combativos perante as classes dominantes, seja na prática efetiva, na retórica ou nos discursos. Apela à simpatia do povo para construir o seu poder, entendendo-se por «povo» as classes sociais baixas e sem privilégios económicos ou políticos. Costuma basear a sua estrutura na denúncia constante dos males que encarnam as classes privilegiadas. Os líderes populistas, por conseguinte, apresentam-se como redentores dos humildes. Enquanto filosofia política, e na aceção teórica e positiva do termo, o populismo defende a constituição de movimentos que procurem construir o poder a partir da participação popular e da inclusão social, afirmando os direitos e o poder dos desfavorecidos (povo) em detrimento dos privilégios da elite. Colocado em prática, carrega em si todo o sentido pejorativo do termo, já que se baseia em medidas políticas que não visam o bemestar nem o progresso de um país, mas sim a anuência dos eleitores e a total ausência de questionamento das respetivas consequências. Os apelidados «políticos populistas» assentam toda a sua praxis e oratória no descontentamento dos cidadãos com a crise financeira, com as instituições políticas, com o medo das ameaças terroristas e com os fluxos migratórios. Parece assim haver um jogo e um equilíbrio entre um líder que manipula as pessoas, mas que tem também, de alguma forma, que representá-las e defender os seus interesses. Claro que essas fronteiras entre ALGARVE #94

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representação e manipulação variam continuamente, o que explica momentos em que o líder parece ser conduzido pelas massas e outros em que parece, em termos políticos, levá-las para onde deseja. Conhecida também sob a denominação de «Pão e Circo» (panem et circenses), esta forma de domínio remonta ao tempo dos antigos imperadores romanos. A palavra «povo» quando associada ao sufixo de origem grega «ismo», tornase o que, séculos depois, voltamos a experienciar: um conjunto de ações políticas - mascaradas de simpatia e boa vontade - postas em prática como forma de aliciar e ludibriar as classes sociais mais pobres e menos esclarecidas. Na prática, o populismo realiza políticas nacionalistas de substituição de importações, de estatização de atividades económicas estratégicas, de imposição de restrições ao capital estrangeiro e de concessão de direitos sociais. É, como tal, uma panaceia ao dispor dos extremos das ditas «direita» e «esquerda». Basta o recurso à linguagem simples e popular, à propaganda pessoal massiva, ao assistencialismo e ao autoritarismo. Obviamente, sem esquecer o necessário controlo e bom uso dos meios de comunicação enquanto instrumento de divulgação e propaganda das ações governativas. E agora que aqui vos deixei o (meu) pequeno manual sobre o significado do termo agora tão em voga na boca dos comentadores, deixo-vos também um conselho: “Mais do que falar de populismo, urge combatê-lo! Como? Identificandoo e promovendo o necessário esclarecimento de quem, pelos motivos sobejamente conhecidos, só vê a cenoura à frente do nariz, tais as palas que a falta de instrução/educação e a falta de acesso aos bens essenciais ergueram em seu redor.”. Dizer “NÃO!” ao populismo demagógico pressupõe combater o que o origina! Tão simples de entender, mas, feitas as contas, tão difícil de concretizar!?… .


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Serviço público com sentido de missão José Graça

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aproximação a passos largos das próximas eleições dos órgãos das autarquias locais obriga-nos a partilhar algumas reflexões resultantes da observação e da participação diretas em dezenas de processos de elaboração de candidaturas de âmbito paroquial e municipal e o perfil desejável dos cidadãos e das cidadãs a eleger… Mais do que eleger os «homens bons» das freguesias e municípios, aqueles que parecem ser mais populares entre os seus concidadãos ou com maior capacidade de garantir a vitória, nestes primeiros anos do século XXI, e com o Poder Local numa encruzilhada que muitos ainda não interiorizaram, mostra-se necessário, senão mesmo obrigatório, olhar para o futuro! Numa edição organizada pela Juventude Socialista, o eterno «Presidente de todos os Portugueses» escrevia em 1997 que “a exigência ética, o rigor e a transparência devem ser indissociáveis de toda e qualquer ação governativa”. Passados estes vinte anos, “a virtude republicana de uma impoluta honradez” sublinhada por Mário Soares no prefácio da obra «O que é governar à esquerda?!» continua a desafiar-nos para refletir em permanência sobre os princípios e os valores que devemos preservar na vida pública, no serviço da comunidade e na missão de construir um futuro melhor. Melhor do que em qualquer outra função pública, o trabalho dos autarcas é escrutinado no quotidiano, mercê do contacto diário, da proximidade com os eleitores e da satisfação de necessidades básicas das populações. O presidente da junta de freguesia é o primeiro a ser importunado se o médico da aldeia mete baixa e está de férias e não foi imediatamente substituído. Se há um problema de segurança pública ou os funcionários são insuficientes para garantir o funcionamento de qualquer escola secundária, é certo que o presidente da câmara vai ser chamado à colação. Estes são três exemplos de situações que são atribuições do Estado, mas que os cidadãos reportam aos seus eleitos, exigindo-lhes soluções imediatas! Apesar da abertura à apresentação de candidaturas independentes nos tempos de António Guterres, muitos processos eleitorais ainda são desenvolvidos no universo dos partidos políticos, cabendo aos seus diretórios a tarefa de escolher os cabeças de lista, muitas vezes seguindo diretrizes centrais. Importa

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que estes processos sejam mais participados e transparentes, recorrendo mesmo a eleições primárias abertas a simpatizantes e cidadãos independentes, se for essa a vontade dos militantes. Por outro lado, no caso das recandidaturas, são poucas as vezes em que é efetuado algum exercício de avaliação das atividades desenvolvidas ou de prestação de contas aos militantes ou aos eleitores, de forma continuada e regular ao longo dos mandatos. Para quem está no poder, a utilização das máquinas de propaganda institucional é considerada meio caminho para a vitória, pelo que o melhor é não fazer ondas e manter equipa que ganha. O reforço da política local carece de outra visão e parece-me urgente refletir sobre isto… Num momento histórico, a Assembleia Municipal de Monchique aprovou esta semana um voto de censura ao executivo na sequência da discussão e votação da moção «Debate do estado do concelho de Monchique». Independentemente das guerrilhas políticas locais, esta iniciativa enquadra-se nas competências de apreciação e fiscalização da atividade da câmara municipal, dos serviços municipalizados, das empresas locais e de quaisquer outras entidades que integrem o perímetro da administração local que, tendo uma componente fortemente política, raramente é exercida por carência de condições e de recursos, que até estão legalmente previstos. Conscientes desta enorme responsabilidade e sendo inevitável dotar as candidaturas de uma visão estratégica para as instituições e para os territórios, compete-nos escolher os melhores e mais capacitados para desempenharem com sentido de missão qualquer mandato de serviço público, garantindo o direito de participação de todos na construção de uma sociedade mais justa e solidária, capazes de gerirem os recursos disponíveis com eficácia e eficiência e visando sempre o bem-comum numa perspetiva de sustentabilidade ambiental, económica e social . (Membro do Secretariado Regional do PS-Algarve e da Assembleia Intermunicipal do Algarve)


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Deixai vir a mim as criancinhas Mirian Tavares

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título desta crónica é um bocado ambíguo para aqueles que não conhecem a Bíblia, pelo menos o Novo Testamento. Numa passagem Jesus diz aos apóstolos, “deixai as criancinhas virem a mim e não as impeçais, pois delas é o Reino de Deus”. Pode parecer que vou abrir uma creche, ou pior, que virei pedófila. Ou, para quem me conhece melhor, e sabe que não sou fã das criancinhas, que enlouqueci. Mas não é nenhuma das alternativas acima e não pretendo também explicar a passagem bíblica. Lembrei-me desta citação enquanto esperava para ser atendida num consultório médico e ouvia um infante, que devia ter uns três anos, a berrar, rebolar-se no chão e a correr como se estivesse em casa. E os pais não pareciam grandemente incomodados. O pai ainda o ameaçou com a educadora. E ele disse, não, prefiro vir com a mãe. Claro que preferia vir com a mãe, que enquanto o pequerrucho chateava o consultório inteiro, conversava amenamente com a vizinha do lado sem se importar com a criatura e muito menos com os outros que, como eu, estavam já a ter pensamentos infanticidas. Há uns anos, quando o filho era pequeno, costumava levá-lo a um projeto muito interessante, da Orquestra do Algarve, que se chama Concertos Promenade. Um domingo por mês, ao meio-dia, havia um concerto feito para a criançada e para os seus pais. Uma boa forma de atrair novos públicos e educar ouvidos incautos. Um dia, não me lembro qual era o programa, mas aquilo estava a abarrotar: filas imensas, crianças por todos os lados. Que maravilha! Tantas pessoas interessadas em música erudita num domingo é mesmo algo fantástico! Ok, era no Inverno e não há mesmo muito o que fazer. Enfim, o certo é que estavam todos lá. Havia uma apresentadora que tentava ser ALGARVE #94

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engraçada e simpática com as crianças. O que, na minha opinião, não funcionou. Ela poderia funcionar se explicasse bem às crianças o que devem fazer, o que estão ali a ver e não tentasse fazer de apresentadora de televisão de programas imbecis, para crianças idem, usando aquele tom de voz enjoadinho que sempre usam porque pensam que todos os miúdos são surdos ou tontinhos. A orquestra portou-se lindamente. Já o público... Acho muito bem que as criancinhas sejam educadas e frequentem desde cedo concertos e similares. Mas bebés de três meses? Aos berros metade do concerto? É louvável levar criancinhas a ouvir música erudita, a experiência de ver uma orquestra ao vivo é mesmo fabulosa, mas deveriam também ensiná-los a ficar calados na hora certa, a bater palmas na hora certa, a não comer como se estivessem numa matinê de cinema de shopping. Educar dá muito trabalho, mas temos que começar pelo básico. Pergunto-me: de que adianta a alta cultura se faltam os requisitos mínimos de civilização? Não se educam monstrinhos só com boa música. É preciso muito mais. E é este muito mais que tanta falta faz no dia-a-dia, quando vamos a restaurantes e os pestinhas correm pelas mesas aos berros, quando os pais deixam que eles façam absolutamente tudo, pois não podem traumatizar a criancinha, quando esquecem que a palavra NÃO deve ser usada em muitos momentos. (Não cometi um infanticídio, ao fim de uma hora a ouvir o pequeno aos berros, pois cheguei à conclusão que se ia matar alguém, devia começar pelos pais) .


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Economia Circular e a Estratégia Nacional para a Educação Ambiental Teresa Fernandes

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economia circular que hoje se apresenta na ordem do dia, insere-se na perfeita medida na teoria de Lavoisier de que “na Natureza nada se perde, tudo se transforma”. É urgente optar por caminhos inovadores, alocados à economia circular e que preservem as diversas questões ambientais não apenas na nossa região, mas em todo o país, sendo o mais correto afirmar: a nível de todo o globo terrestre. Estamos perante cenários preocupantes que urge resolver. A economia não pode ser, de todo, indissociável da sustentabilidade ambiental. A Política, a Economia e a Ecologia devem evoluir em harmonia conjunta. O modelo linear de negócios que tem vindo a ser construído, está obsoleto e padece de mudança rápida e objetiva. Veja-se a problemática que se vem evidenciando a um ritmo alarmante, e que tem a ver com a escassez de produtos quer alimentares, quer para os diferentes fins da nossa indústria, e que coloca per si, a extinção deste modelo. A ligeireza e velocidade com que consumimos os recursos naturais do planeta é impressionante e insustentável. É vital que as empresas estejam conscientes de que a extração de qualquer recurso tem riscos e tem consequências. Até quando continuaremos de olhos vendados pela ganância financeira, tão insensível à vertente da sustentabilidade ambiental? A economia circular fala-nos precisamente nisto: tudo na economia pode e deve passar por um sistema de incessante renovação através da reutilização, recuperação e reciclagem, baseado num modelo de desenvolvimento sustentável, parceiro de uma economia que se pretende mais verde, com uma gestão eficiente e regenerativa de recursos, minimizando a pegada carbónica e a destruição dos nossos habitats naturais.

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Existem hoje preocupações ambientais graves a nível planetário que são sobejamente conhecidos dos líderes mundiais. Problemas criados muito pelo resultado de diversas e irrefletidas ações humanas. Estes problemas afetam a fauna, flora, solo, águas, ar (…)!!! No séc. XXI já é possível arranjar soluções práticas e eficientes para tratar grande parte destas questões. Tratar o lixo e outros resíduos que produzimos, de forma a lhes dar uma nova vida, com diferentes utilizações num quadro de sustentabilidade ambiental, tem também vindo já a ser evidenciado, nos últimos anos, pela União Europeia, através das políticas de gestão de resíduos, o seu ciclo de vida e o eco design. Impõe-se a existência de compromissos que intercedam numa mudança de paradigma com novas estratégias e novas competências de gestão, ao nível dos diferentes setores da nossa economia, balizados pelo Governo e a Sociedade Civil para o desenvolvimento de uma sociedade consciente, com uma efetiva alteração de comportamentos em prol do meio ambiente. Vislumbra-se a necessidade crescente de uma maior profusão de ações diversificadas de Educação Ambiental, dirigidas aos indivíduos de todas as idades e às entidades públicas e privadas, que deverão estimular as competências, valores e atitudes provocando uma mudança efetiva de mentalidade no sentido de se projetar uma sociedade mais ativa, inovadora e ambientalmente culta .


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A Cozinha é Arte? Cozinhar é uma Arte? E a Pastelaria? Augusto Lima

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u defendo que sim, há muito, e cada vez mais estou convicto. Definindo a Arte como sendo toda a manifestação humana, ou não, capaz de nos transmitir sentimentos que beliscam a alma e mitigam os sentidos, é a cozinha, definitivamente, a mais nobre das que evidenciam o génio humano, porquanto posso admirar uma quadro sem o poder comer, posso apreciar uma obra e ourivesaria, mas não a posso degustar. Posso viajar com a leitura de uma obra empolgada de um escritor emocionado, mas mesmo lendo um excerto de um repasto, apenas posso imaginar, não o posso comer. E por aí em diante. Apesar de cada vez mais ser evidente que a Cozinha e Pastelaria podem conceber obras de Arte e ser enorme o número de pessoas que assim pensa, haverá sempre um grupo de opositores que teima em destronar esta ideia e dela fazem parte mesmo alguns exímios artistas da Cozinha, afamados, como o catalão Joan Roca, chefe e dono do «El Celler de Can Roca», um restaurante já considerado como o número um do mundo, que diz: “Os cozinheiros não são artistas, são artesãos comprometidos com a criatividade. Algo próximo a um ourives. Nosso maior objetivo é emocionar, e isso nos aproxima da arte”. Para mim, ele disse que a cozinha era uma arte sim, mas o fez da forma politicamente correcta. Disse que sim, por outras palavras. Acho que realmente quis ser modesto e pecou por não ter assumido que era um artista Se voltarmos atrás no tempo, Marie-Antoine Carême (1783-1833), considerado como o fundador da chamada «Alta Cozinha», ofereceu à sociedade da altura uma interpretação diferente na apresentação dos pratos e na elaboração de peças montadas com açúcar e massapão. Esta nova estruturação dos pratos possibilitou uma cozinha virada aos sentidos, convergindo com a filosofia da época, o Iluminismo, que procurava o prazer. Carême era, para além de um óptimo Cozinheiro, um exímio Pasteleiro. Na procura da perfeição, frequentou um curso de arquitectura e defendia que "As belas-artes eram cinco: a pintura, a poesia, a música, a escultura e a arquitectura, cujo ramo principal é a pastelaria". Muito antes dele Leonardo da Vinci (1452-1519), que viveu noutro momento de mudança social, o Renascimento, ficou também conhecido pela sua

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paixão culinária e muitas dos seus projectos eram feitos em massapão e acabavam no estômago dos seus mecenas Lorenzo de Medicis e Ludovico Sforza, como forma de os impressionar. Em qualquer uma das Belas Artes existem características que as tornam almas gémeas. Vejamos: a Música desde sempre esteve ligada a manifestações lúdicas das diferentes Artes, da mesma forma que o Teatro e o Cinema; a Dança insere figuras carregadas de beleza escultural; a Pintura é descrita como a arte de aplicar cores sobre diferentes superfícies, de modo a criar imagens ou desenhos figurativos; a Escultura, ajuizada como a arte de criar formas figurativas ou abstractas, tanto planas quanto em relevo, é pintura em três dimensões, para além de poder ela própria ser pintada; o Teatro recria situações, enfatizando momentos ou provocando reacções e usa a escrita, a escultura, a pintura e a dança; a Literatura, através da palavra e da escrita, consegue descrever pinturas e esculturas de forma veemente e desde sempre se associou à música, ao teatro e a outras artes Em todas elas sem excepção a Cozinha criativa é bela e retratada, exarada de forma continuada e artisticamente entendida, usando a cor, a forma a teatralidade e descrevendo poemas ou imagens em cada fracção de observação e montagem. Não poderemos jamais chamar de comida Arte quando esta é confeccionada sem primor, desrespeitando tempos de cozedura, perca de cores, elasticidade, e com total desprezo ou conhecimento pelas alterações que o calor induz no alimento, muito menos quando ela, a comida é atirada para um prato ou outro recipiente sem graça, com desprezo pela comida ou por quem a vai comer. Já quando ela é colocada com arte, proporção, conjunção de cores, estrutura, texturas e aromas é etérea, um bouquet de cheiros, uma paleta de cores, um conjunto de traços nobres, aí eu entendo-a como Arte maior, Arte efémera, Arte comestível. E se a Cozinha pode ser Arte, alguns dos seus criadores, Cozinheiros e Pasteleiros, são Artistas por certo .

(Presidente da Associação de Cozinheiros e Pasteleiros do Algarve)


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ALBUFEIRA ADERE À REDE NACIONAL DE NUTRICIONISTAS MUNICIPAIS

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Câmara Municipal de Albufeira foi convidada pela Associação Portuguesa de Nutricionistas para integrar a Rede Nacional de Nutricionistas Municipais, graças ao trabalho desenvolvido na área da alimentação e nutrição escolar, tendo esse convite sido aceite em reunião de executivo camarário de 17 de janeiro. Refira-se que o Município de Albufeira disponibiliza diariamente uma média de duas mil refeições, fazendo a cobertura total dos alunos inscritos (2.731) no Pré-Escolar e 1.º Ciclo do Ensino Básico da rede pública do concelho. Com vista a garantir uma alimentação equilibrada e adequada às necessidades da população escolar, a nutricionista da autarquia é responsável pela elaboração e validação (no caso das cantinas concessionadas) das ALGARVE #94

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ementas, trata dos procedimentos concursais destinados à aquisição dos alimentos, verifica as condições dos locais onde são preparadas as refeições e faz cumprir as ementas e os modos de confeção. Paralelamente a este trabalho diário, a Autarquia tem vindo a desenvolver vários projetos junto da comunidade escolar destinados a promover uma alimentação e estilos de vida saudáveis. No presente ano letivo foi lançado um concurso a nível do Pré-Escolar e 1.º Ciclo com vista à recolha de receitas que irão integrar a futura «Agenda Alimentar Escolar», um projeto visa criar hábitos alimentares nas crianças, incentivando à planificação e organização de ementas saudáveis, económicas e práticas para as várias refeições ao longo do dia, ao mesmo tempo que incentiva à utilização de produtos


locais, de acordo com a época do ano. «Cresce Saudável» é outro dos projetos em curso, desta feita vocacionado apenas para as crianças do Pré-escolar, que consiste na realização de um conjunto de atividades adequadas a esta faixa etária, nomeadamente na área da alimentação saudável e expressão motora, com recurso ao imaginário infantil através da realização de jogos lúdicos e histórias. «Hortas Escolares – Escola com Vida» é mais um projeto transversal ao Pré-Escolar e 1.º Ciclo da rede pública do concelho, uma iniciativa que foi lançada no ano letivo 2013/2014 e que tem alcançado bastante sucesso. Os pequenos agricultores cultivam couves, alfaces, tomates, pimentos, ervilhas, salsa e coentros, entre outros produtos hortícolas, alguns deles sob a forma de sementes para que possam acompanhar o processo de germinação, observar e estudar o seu crescimento e, no final, até são desafiados a reaproveitarem os produtos, que depois de colhidos podem ser utilizados no refeitório escolar. E porque na hora da refeição é fundamental adotar regras

de higiene e comportamentos adequados, a Autarquia de Albufeira está a implementar o projeto «Bons Hábitos e Boas Maneiras à Mesa». A Câmara Municipal de Albufeira é também parceira do projeto «Heróis da Fruta – Lanche Escolar Saudável», o maior programa gratuito de educação para a saúde, com uma das maiores taxas de sucesso de sempre em reeducação alimentar infantil em Portugal. “Estamos conscientes que a alimentação é uma ferramenta poderosa na promoção da saúde, por isso apostamos nestes projetos e na criação de parcerias com várias entidades, das quais destacamos o «Heróis da Fruta», uma iniciativa da Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil, que serviu para reforçar a nossa prática no âmbito da sensibilização das crianças e respetivas famílias para os benefícios do consumo de fruta no desenvolvimento físico e cognitivo, com resultados demonstrados a nível do sucesso escolar”, refere José Carlos Rolo, vereador com o pelouro da Educação .

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SERVIÇOS NA ÁREA DA SAÚDE E APOIO SOCIAL VÃO CONTINUAR A SER GRATUITOS EM ALCOUTIM

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isando a continuação dos serviços gratuitos de fisioterapia, educação, enfermagem, terapia da fala, nutrição e apoio psicossocial à população do concelho, o Município de Alcoutim aprovou, no passado dia 25 de janeiro, a renovação de um protocolo de colaboração com a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Alcoutim. A garantia destas especialidades é assegurada com um apoio financeiro anual de 42 mil e 600 euros. No âmbito do protocolo, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários proporciona sessões gratuitas de fisioterapia, nutrição e enfermagem aos munícipes que apresentem situação de isolamento social, demências ou diminuição da funcionalidade da marcha. As sessões decorrem em todas as IPSS’s do território que tenham valências de Apoio Domiciliário, Centro de Dia e Lar de Idosos. A instituição dá igualmente resposta às solicitações de fisioterapia da população ativa sempre que o Centro de Saúde não tenha ALGARVE #94

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capacidade de resposta. A terapia da fala, que começou por se dirigir a crianças e jovens a frequentar infantários, educação itinerante e escolas do concelho, ganhou maior capacidade para responder a outras situações já referenciadas na população em geral. Nos temos do documento, é também prestado apoio às associações juvenis, na prática das várias modalidades desportivas e realização de ações de sensibilização relacionadas com a prevenção de lesões, e promovidas sessões de esclarecimento junto da população escolar, no que se refere à postura e utilização de mochilas e outras ações que venham a ser agendadas. “A cobertura que o referido protocolo tem permitido nos últimos anos, nomeadamente com a realização de atividades de promoção da saúde e integração social, bem como apoios diversos na área da infância, tem proporcionado uma melhoria significativa da qualidade de vida no concelho”, garante o presidente da autarquia, Osvaldo Gonçalves .


FESTIVAL DE ARTES ESTÁ DE REGRESSO A ALBUFEIRA

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Festival de Artes Infantil e Juvenil está de regresso a Albufeira, dando novamente a oportunidade aos jovens talentos para colocarem à prova as suas aptidões artísticas, nas modalidades de música (instrumento), canto, dança (moderna, clássica, tradicional e de salão), ilusionismo e artes circenses (malabarismo, equilibrismo). A iniciativa destina-se a crianças e jovens, com idades compreendidas entre os 6 e os 17 anos, naturais ou residentes na região algarvia. Os interessados deverão efetuar a sua inscrição até às 15h do dia 13 de fevereiro, na Divisão de Turismo, Desenvolvimento Económico e Cultural da Câmara Municipal de

Albufeira, nas instalações da Biblioteca Municipal Lídia Jorge (Urbanização Quinta da Correeira, 8200-112 Albufeira). Os participantes serão divididos em duas vertentes, dos 6 aos 11 anos e dos 12 aos 17, podendo concorrer a um máximo de duas modalidades. O evento terá lugar no Auditório Municipal de Albufeira, pelas 16h, com duas eliminatórias marcadas para os dias 4 e 11 de março, sendo que a Final terá lugar a 18 de março. À semelhança das anteriores edições do Festival, há prémios monetários para os três primeiros classificados de cada vertente .

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«ATIVAR A BAIXA!» PROCURA NOVOS PROJETOS COMERCIAIS PARA FARO

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empresa municipal AMBIFARO vai levar a efeito mais uma edição da «Ativar a Baixa!», tendo como parceiros estratégicos o Município de Faro e a Associação de Desenvolvimento Comercial da Zona Histórica de Faro. “O objetivo, tal como nos anos anteriores, é fomentar a revitalização e a dinamização da baixa farense, estimulando a iniciativa, a criatividade, a inovação, o mérito e o empreendedorismo”, explica Bruno Lage, presidente da Ambifaro. A «Ativar a Baixa!» teve um reconhecimento internacional ao ter sido uma das finalistas do prémio «City to City Barcelona FAD Award», que visa reconhecer processos e iniciativas de carácter urbano que conduzem a transformações na realidade e na vida de uma determinada cidade. A seleção dos projetos será realizada através de concurso e destina-se a

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todos os cidadãos nacionais ou estrangeiros, dando especial atenção a produtos e serviços relacionados com sustentabilidade, ambiente, artes, artesanato, identidade local e/ou regional, inovação, criatividade, tradição e cultura e que potencialmente sejam uma mais-valia para o comércio da baixa farense. As candidaturas podem ser formalizadas até ao dia 24 de fevereiro de 2017, através do formulário próprio disponível na página eletrónica da Ambifaro ou na sua página de facebook, respetivamente em: <www.ambifaro.pt> ou em <www.facebook.com/ambifaro>. A organização convida ainda todos os proprietários de lojas que se encontrem devolutas a aderir a esta iniciativa, disponibilizando os seus espaços para este projeto através de um arrendamento a custos controlados .


ALJEZUR ATRIBUI 90 MIL EUROS PARA O ASSOCIATIVISMO LOCAL

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Câmara Municipal de Aljezur aprovou, no dia 24 de janeiro, uma centena de ações que foram propostas nesta fase por 18 entidades/associações/clubes, na sua quase totalidade, locais. Iniciativas desportivas, solidárias, culturais e educativas irão assim receber apoios de âmbito financeiro, transportes e logístico, na ordem dos 90 mil euros. O desporto representa a maior fatia da ajuda concedida ao movimento associativo e claramente na implementação de uma política de apoio à formação e às camadas mais jovens. Na área cultural, destaque para o E.S.T.A.R., que tem vindo a cimentar a sua presença no Verão de Odeceixe e representa também o maior esforço financeiro da autarquia numa única atividade. Esta iniciativa tem vindo a conquistar público e revela-se num momento marcante

enquanto festival de teatro e animação de rua que se quer como referência para este «recanto encantado» do Algarve, numa iniciativa da associação MãoZorra. Também a renovada aposta na Feira do Livro pela Associação Tertúlia irá enriquecer o panorama cultural do Verão em Aljezur, assim como as festas e romarias tão típicas e animadas trarão um colorido diferente a todos aqueles que escolhem este concelho como destino de férias. O presente ano marca igualmente a forte aposta no apoio às IPSS locais e associações de solidariedade nas diversas ações propostas. Estas iniciativas candidatadas e agora aprovadas não esgotam o apoio ao movimento associativo da autarquia, uma vez que se mantêm vários programas e protocolos de apoio para atividades muito específicas .

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FARO VAI TER NÚCLEO DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO

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Câmara Municipal de Faro aprovou, no dia 30 de janeiro, por maioria, os termos de referência para a criação de um Núcleo de Desenvolvimento Turístico (NDT) no concelho, de acordo com as disposições do PROT Algarve e PDM de Faro. O concurso para o referido Núcleo não tem uma localização previamente definida, abrangendo as zonas do concelho que se encontram fora dos perímetros urbanos, em todas as quatro freguesias. A este NDT atribui-se o número máximo de 1030 camas, a instalar em conjuntos turísticos integrados, a título de exemplo, de tipo resort de baixa densidade, que deverão dispor ainda de uma envolvente de espaços verdes e oferta complementar associada. As propostas devem considerar critérios mínimos de qualificação urbanística, económica e ambiental. Desde logo, devem abranger uma área de intervenção mínima de 25 hectares, para projetos fora de áreas classificadas e de 70 hectares, dentro de áreas classificadas, assim como nucleação em apenas 30 por cento de área a intervir e ALGARVE #94

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qualificação de espaços públicos e paisagísticos. Pretende-se ainda valorizar a criação de postos de trabalho diretos num empreendimento que possua inovação e seja pautado por indicadores de sustentabilidade ambiental elevados tanto na arquitetura dos edifícios como nos processos de urbanização. O documento segue agora para o Observatório do PROT Algarve. Em caso de parecer positivo, caberá à Assembleia Municipal de Faro deliberar sobre ele. Após publicação dos termos do concurso, cada candidato poderá apresentar o seu projeto no prazo de 90 dias após publicação do competente anúncio. Em respeito pelos princípios orientadores e as regras definidas nos diversos instrumentos de ordenamento do território em vigor, a autarquia está convencida que este é o modelo adequado para criação de novos empreendimentos turísticos, com qualidade e fora dos perímetros urbanos, fazendo jus ao exponencial aumento da procura turística verificado nos últimos anos .


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CARNAVAL DE LOULÉ AO SABOR DOS DESCOBRIMENTOS E DA GERINGONÇA

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os dias 25, 26 e 28 de fevereiro, a partir das 15h, a Avenida José da Costa Mealha – conhecida como o «sambódromo louletano» – recebe mais uma edição do Carnaval de Loulé, o mais antigo corso do País, que este ano apresenta como tema «Os Descobrimentos – a Grande Geringonça».

criação desajeitada que nasceu dos consensos de uma esquerda representada por António Costa, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa, adaptada a uma das naus desta expedição dos Descobrimentos Portugueses. Esta geringonça quer navegar mais rápido nestas águas carnavalescas mas será que o consegue?

A época de ouro da História de Portugal será recriada em tom de paródia, juntando as figuras dos navegadores e monarcas responsáveis pelas conquistas marítimas aos heróis da atualidade, personalidades bem conhecidas do desporto ou da política. O contexto internacional também não será esquecido e, mais uma vez, os principais líderes do mundo vão estar em Loulé, através de uma sátira acutilante.

A fantasia e imaginação desta equipa responsável pela conceção do corso irá levarnos à época em que se destacaram a descoberta do Caminho Marítimo para a Índia, por Vasco da Gama, ou a descoberta do Brasil, por Pedro Álvares Cabral. Esse espírito vitorioso será transportado para os dias de hoje onde os heróis são, por exemplo, a seleção nacional de futebol que conquistou o Euro 2016 comandada por «D. Fernando» Santos, «O Conquistador». Numa época de monarcas, destaca-se naturalmente a mediática figura de «D. Marcelo», que irá espalhar muitos beijinhos e

A verdadeira geringonça (considerada a Palavra do Ano de 2016 em Portugal) vai estar, ao vivo e a cores, no Carnaval de Loulé. Uma ALGARVE #94

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abraços pelo público do corso louletano, ao comando da «Nau Presidencial». No plano internacional, as «trumpalhadas» do recémeleito Presidente dos Estados Unidos irão desfilar no coração da cidade e Loulé, tal como o Português António Guterres, líder da ONU, que tenta manter a paz no mundo com um «matamoscas». A Autarquia vai pôr à disposição do público o aluguer de fatos e adereços de Carnaval, possibilitando que todas as pessoas possam entrar na folia vestidos a rigor. Uma das novidades este ano será a exposição deste espólio, produzido ao longo dos anos pelo Município de Loulé, nas montras das lojas do comércio da Praça da República. O programa «Aqui Portugal», da RTP, vai transmitir em direto a partir de Loulé, no sábado, dia 25 de fevereiro, das 14h às 20h, o que permitirá que o desfile deste Carnaval possa ser visto em todos os pontos do País e além-fronteiras. Os bilhetes

têm um preço de dois euros e as receitas arrecadadas irão reverter a favor de instituições de solidariedade social do Concelho. Para além do corso, a Câmara Municipal de Loulé promove uma série de iniciativas inseridas no Carnaval de Loulé 2017. Logo no arranque dos festejos, na sexta-feira, 24 de fevereiro, pelas 10h, cerca de três mil alunos do 1.º Ciclo e Jardins-de-infância das escolas públicas e privadas da cidade participam no Carnaval Infantil, iniciativa que tem por objetivo envolver a comunidade escolar nesta tradição louletana. Destaque ainda para o Baile de Gala que irá animar o «Palácio» do NERA na noite de segunda-feira, 27 de fevereiro, com o tema «Os Conquistadores de Al-úlyá», e atuação da Arte & Música Big Band e da Banda Fora D’Horas. Haverá ainda um vasto programa desportivo nestes dias, para além de mais dois desfiles carnavalescos que decorrem no Concelho: o Carnaval de Alte e o Carnaval de Quarteira .

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FESTIVAL MED NOVAMENTE FINALISTA DOS IBERIAN FESTIVAL AWARDS

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pós a votação do público para os nomeados da 2ª edição dos Iberian Festival Awards, que terminou no dia 21 de janeiro, o Festival MED é finalista em todas as categorias para que estava nomeado: Melhor Festival de Média Dimensão, Melhor Alinhamento e Melhor Atuação (Portugal/Espanha), categorias votadas pelo público, e Melhor Promoção Turística, Melhor Programa Cultural e Contributo para a Sustentabilidade, categorias em que os nomeados são igualmente finalistas, sendo posteriormente analisados pelo painel de jurados. Os vencedores nas 20 categorias que fazem parte destes prémios serão anunciados a 16 de março, no MACBA – Museu de Arte Contemporânea, em Barcelona. O painel de jurados para esta 2ª edição contemplará um total de nove elementos (três portugueses, três espanhóis e três internacionais): Francisco Cabral (Brand Activation Fire Comunicação), Pedro Primo ALGARVE #94

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Figueiredo (jornalista Lusa), Fernando Alvim (radialista Antena3 / consultor RTP), Almudena Palacios (produção e comunicação projetos culturais), Katy Lema (jornalista El País), Sergio Figueiras (diretor digital da Prisa Radios Música), Pedro Nonato (partner Ultra Music Brasil / AFEM Association for electronic music), Jeske Eekelaar (sustainbility coordinator Green Events) e Janis van Lokven (owner Juanissimo / project manager Buma Rocks). Esta iniciativa aconteceu pela primeira vez em 2016, com o MED a ser finalista nas quatro categorias para as quais tinha sido nomeado, e pretende reconhecer todos aqueles que contribuíram para o sucesso dos festivais ao nível da organização mas também da produção, logística, ativação de marcas, entre outras áreas, em Portugal e Espanha. Este evento entra na rede da premiação de festivais: UK & European Festival Awards .


VILA DO BISPO PROMOVEU-SE EM DÜSSELDORF

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e 21 a 29 de janeiro, o município de Vila do Bispo esteve na BOOT Düsseldorf, na Alemanha, com o objetivo de promover e divulgar as diferenciadoras potencialidades do concelho para um turismo de qualidade, de natureza e cultura. Nesta campanha de 2017, a autarquia e oito empresas do concelho (a DiversCape Sagres, a PuraVida Divehouse, a CapeCruiser – Passeios Marítimos, a Marilimitado – Turismo & Investigação, a SeaXplorer Sagres e a International Surf School (Surf), a Wind4All – Sagres Watersports (Windsurf) e a Portugal Soul Travel Agency) estiveram em conjunto a divulgar as ofertas turísticas deste território. Nos últimos dois dias, a equipa foi reforçada pela atleta de Sagres Joana Schenker, patrocinada pelo Município de Vila do Bispo, atual tricampeã do Circuito Europeu de Bodyboard e quarta

classificada no Circuito Mundial em 2016. Nascida em Vila do Bispo, mas com raízes familiares alemãs, Joana Schenker levou o Bodyboard até à Alemanha, surfando a WAVE, a maior onda indoor do mundo, com nove metros de largura. O balanço da participação vilabispense na BOOT DÜSSELDORF 2017 foi bastante positivo, pois os objetivos, à partida, foram atingidos: 2664 contactos diretos com visitantes de 38 nacionalidades diferentes; consolidação da estratégia definida no ano anterior; captação de mais interessados em visitar o território; estabelecimento de novos contactos no mundo editorial que demostraram interesse em publicar sobre as potencialidades turísticas de Vila do Bispo, em particular sobre atividades e desportos náuticos .

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DEMOLIÇÕES DOS APOIOS DE PRAIA DE MONTE GORDO ADIADAS PARA OUTUBRO

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Agência Portuguesa do Ambiente, o município de Vila Real de Santo António, a Capitania do Porto de VRSA e os concessionários da praia de Monte Gordo assinaram, no dia 1 de fevereiro, um memorando de entendimento no sentido de adiar a demolição e construção dos novos apoios de praia para o mês de outubro de 2017. Significa isto que todos os concessionários podem trabalhar de forma tranquila durante o próximo Verão e terão mais tempo para proceder às necessárias obras de requalificação, uma vez que as atuais construções só serão demolidas à medida que as novas estiverem concluídas. Apesar desta situação, a implementação do passadiço pedonal sobrelevado ao longo da praia de Monte Gordo vai já avançar no início da próxima semana e ficará concluído até ao mês de maio. Será iluminado em toda a extensão, terá zonas de descanso e criará um circuito pedonal e ALGARVE #94

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de lazer. A estrutura terá dois quilómetros de extensão, está orçamentada em um milhão de euros e será o primeiro passo da grande operação que renovará o rosto de Monte Gordo. O novo passadiço irá igualmente garantir o acesso a todos os apoios de praia existentes, que poderão assim funcionar normalmente até ao dia 15 dia de outubro. Após essa data, os concessionários terão até ao dia 8 de fevereiro de 2018 para demolir as antigas estruturas e proceder à construção das novas. A autarquia esteve desde sempre atenta às preocupações dos concessionários, tendo conseguido obter financiamento para a construção do passadiço com fundos comunitários na ordem dos 85 a 90 por cento, já que inicialmente eram os proprietários dos bares e restaurantes que teriam de pagar o passadiço, de acordo com a legislação em vigor .


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WORLD CORPORATE GOLF CHALLENGE TAMBÉM SE JOGA NO ALGARVE

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partir de fevereiro, a competição World Corporate Golf Challenge regressa aos campos de golfe nacionais para a sua 18ª edição. O Morgado Golf Course e o Salgados Golf Course, do grupo NAU Hotels & Resorts, serão este ano os campos oficiais da prova na região sul. Dirigido a organizações empresariais, associativas e institucionais, o World Corporate Golf Challenge é o torneio de golfe para empresas com maior reconhecimento a nível mundial. Entre os seus participantes encontramse gestores de topo de todo o mundo que partilham entre si a paixão pelo golfe. Para a edição de 2017 prevê-se que 350 empresas portuguesas participem nos oito torneios da prova, num total estimado de mais de 700 jogadores. No dia 18 de fevereiro, a competição arranca no campo de Golfe do Morgado, situado num ALGARVE #94

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vale no interior do Algarve, entre Portimão e Monchique, e inserido numa zona de parkland, com fairways planos e bunkers de inspiração escocesa. A prova eliminatória no Salgados Golf Course está agendada para 25 de março, sendo que este mesmo campo voltará a receber, nos dias 27 e 28 de maio, as equipas vencedoras das várias eliminatórias regionais para disputarem a final nacional que carimba o passaporte da melhor equipa portuguesa para a final mundial em Cascais. No Salgados Golf Course, localizado na Herdade dos Salgados, os participantes encontram o único campo de 18 buracos na zona de Albufeira e que é um teste à técnica e precisão numa partida característica dos campos «links». Os tees amarelos proporcionam um jogo ímpar a todos os jogadores e os tees brancos, mais desafiantes, são aconselhados a jogadores com um handicap de um só dígito ou a profissionais .


VILA REAL DE SANTO ANTÓNIO ACOLHE TORNEIO DA UEFA DE SUB-16

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Complexo Desportivo de Vila Real de Santo António recebe, entre os dias 9 e 20 de fevereiro, a V edição do Torneio de Desenvolvimento da UEFA de seleções sub-16, comprovando, uma vez mais, a qualidade das suas infraestruturas desportivas, procuradas por equipas de topo mundial. Tendo em consideração a qualidade do futebol praticado, a competição irá atrair até Vila Real de Santo António dezenas de «olheiros» de vários emblemas de todo o mundo, o que poderá significar, para os jovens jogadores, a possibilidade de, num futuro próximo, virem a integrar os plantéis dos «grandes» do futebol. Neste momento, encontram-se já confirmados pedidos de acreditação de «scouts» (ou na gíria, «olheiros») de clubes como o Manchester City, Manchester United, Chelsea, Liverpool, Barcelona, Real Madrid, Paris Saint-Germain, AC Milan, Juventus, Arsenal e Valência. A esta lista juntam-se técnicos dos três grandes do futebol português. O evento terá a forma de torneio

quadrangular e junta as seleções de Portugal, Alemanha, Holanda e França. É organizado pela UEFA e conta com o apoio da Federação Portuguesa de Futebol, da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António e da VRSA SGU. O torneio de masculinos decorre nos dias 9, 11 e 13 de fevereiro, enquanto o de femininos tem lugar a 16, 18 e 20 de fevereiro. Estima-se que cada equipa participante no Torneio de Desenvolvimento da UEFA de seleções sub-16 traga até ao Complexo Desportivo de Vila Real de Santo António cerca de 30 elementos (jogadores, equipa técnica e staff) que, durante a fase de jogos, ficarão alojados em diversas unidades hoteleiras do concelho. A escolha de Vila Real de Santo António para esta competição é sinal do reconhecimento da qualidade e projeção deste equipamento, que tem atraído provas de interesse mediático – como são os casos da Algarve Cup ou da Taça dos Clubes Campeões Europeus de Atletismo – e dezenas de estágios de seleções nacionais e internacionais .

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