ALGARVE #90 INFORMATIVO 7 de janeiro, 2017
ANDEspecial Paderne Medieval Alexandra Gonรงalves Rodrigo Teixeira Os Homens da Maratona
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Conteúdos
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8 - Paderne Medieval 16 - Atualidade 28 - ANDEspecial 46 - Alexandra Gonçalves 56 - Rodrigo Teixeira
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66 - Os Homens da Maratona 76 - Cine-Teatro Louletano
OPINIÃO 6 - Daniel Pina
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36 - Paulo Cunha 38 - José Graça 40 - Mirian Tavares 42 - António Manuel Ribeiro 44 - Augusto Lima
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Todos querem ser famosos, nem que seja pelos maus motivos… Daniel Pina
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par das eternas polémicas em torno do futebol e das arbitragens – tão corriqueiras que nem vou perder tempo a falar sobre elas – e das preocupações sobre o futuro do Novo Banco (eu incluo-me entre os preocupados porque é o banco onde tenho as minhas parcas economias), o tema quente do momento é mais um episódio de bullying numa escola portuguesa, desta feita em Almada. A «quentura» do tema deve-se à existência de um vídeo que regista a violenta agressão de alguns jovens a um colega, caído indefeso no chão, enquanto uma verdadeira plateia assiste ao episódio. Assiste e até fica chateada quando a agressão termina. Como era de esperar, mais cedo ou mais tarde esse vídeo tinha que ir parar às redes sociais, aliás, é mesmo com esse objetivo que alguém se diverte a filmar com o telemóvel alguém a dar porrada a outra pessoa. E, por mais que venham psicólogos falar sobre o assunto, por mais que se envolvam as forças de segurança, os tribunais, os pais, os professores, seja lá quem for, o bullying dos tempos modernos veio para ficar. As cenas de violência entre jovens, na escola ou fora do recinto escolar, podem parar durante algum tempo, ou podem ser menos agressivas, mas nunca vão desaparecer, enquanto existir um Facebook, um YouTube ou um Instagram, e enquanto existirem canais de televisão que passem esses vídeos de hora a hora. Neste cenário, qualquer jovem com um telemóvel mais sofisticado se torna num realizador de cinema de Hollywood, qualquer desacato mais ligeiro ganha rapidamente maiores proporções, qualquer jovem com mais raiva da vida se envolve em cenas de pancadaria e transforma-se, durante algum tempo, num mau da fita, num rufião, sem se preocupar com as consequências. O que interessa é ser uma celebridade na zona, no bairro, na escola, porque vivemos num país onde só os maus ganham protagonismo, aparecem nas capas dos jornais, nos noticiários
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da televisão. Os bonzinhos, os amigos do seu amigo, os sossegadinhos que têm boas notas na escola, que têm ideias inovadoras, que criam empresas de sucesso, que se destacam pela positiva, estão normalmente arredados das luzes dos holofotes. Na maioria dos casos, nem sequer estão preocupados com essas coisas do estrelato, mas também há aqueles que querem ser famosos, conhecidos, falados, seja por que motivo for. E já todos percebemos que o caminho mais fácil para isso é fazermos figuras tristes num qualquer programa de entretenimento da televisão, ou maltratarmos alguém, ou sermos trafulhas e corruptos. Nos meus tempos de estudante no Liceu Camões, em Lisboa, também havia confusão entre colegas. Dávamos uns empurrões uns aos outros por causa de alguma miúda mais gira. Chamávamos «caixa de óculos» a quem usava óculos. Chamávamos gordo a quem tinha uns quilos a mais. Volta e meia alguém dava um murro em alguém, mas o assunto ficava por ali. Entretanto, importámos o termo «bullying» dos Estados Unidos da América. Lembro-me, inclusive, de um jogo de computador chamado «Bully», em que interpretávamos o papel de um aluno de um colégio privado todo chique e onde o objetivo era precisamente dar tareia nos colegas, partir portas e janelas, fazer pinturas obscenas nas paredes, enfim, já estão a ver o enredo. Depois, admiramo-nos por alguns jovens irem para as escolas com ideias estranhas, com vontade de repetir, no mundo real, aquilo que fizeram sentados no quarto das suas casas. Porque as consequências são mais ou menos as mesmas: os pais são chamados aos gabinetes dos diretores da escola para levar um raspanete, ficam algum tempo de castigo e depois regressa tudo à normalidade. É assim a justiça em Portugal… .
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PADERNE MEDIEVAL
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TRANSPORTOU MILHARES NUMA VIAGEM AO PASSADO Texto:
Fotografia:
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onge das praias do litoral, no interior do concelho de Albufeira, Paderne vestiu-se a rigor para receber mais uma edição do «Paderne Medieval», de 29 de dezembro a 1 de janeiro de 2017. O evento voltou a transformar a pequena localidade do barrocal algarvio numa verdadeira montra da história e etnografia do séc. XIV, com esta viagem ao passado a ser conseguida através da recriação do mercado medieval que se estendeu ao longo das ruelas estreitas da freguesia. Durante quatro dias, Paderne foi «invadido» por cheiros, sabores e sensações provenientes das excelentes iguarias gastronómicas, da representação de artes e ofícios e de várias atuações alusivas à época. Para tal contribuíram expositores e entidades públicas e privadas de todo ALGARVE #90
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o concelho, com as recriações históricas a estarem a cargo da Companhia de Teatro Viv’Arte, verdadeira especialista neste género de acontecimentos e que podemos encontrar também, por exemplo, nos Dias Medievais de Castro Marim, na Festa Medieval de Silves e no Salir do Tempo. O ponto alto do «Paderne Medieval» teve lugar no primeiro dia de 2017 com um cortejo histórico que retratou a cerimónia da entrega da Carta de Doação do Castelo de Paderne, por D. Dinis, à Ordem de Avis. Outros destaques houve, porém, ao longo dos quatro dias, desde arruadas pelas ruas do Burgo ao Cortejo Régio pelas praças do Burgo e recebimento da Comitiva de cavaleiros do Garb Al Andaluz que vinha prestar ALGARVE #90
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vassalagem a el-rei D. Dinis. Por sua ordem criaram-se também os corpos de Besteiros do Conto e entregaram-se as Béstas aos vilões do concelho para defenderem o reino, e aconteceu igualmente o Agasalho dos Romeiros de Santiago de Compostela com a régia presença da Rainha Dona Isabel de Aragão. Entre as múltiplas atividades ao
dispor para entreter os visitantes contavam-se ainda oficinas de caligrafia e de ferreiro, torneios de armas, malabaristas, teatro de fogo, espetáculos de música sarracena e danças mouriscas, arte dos falcoeiros . #90 ALGARVE INFORMATIVO
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FARO INOVA COM O PROJETO CREATOUR
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autarquia de Faro está apostar fortemente no Turismo Criativo para relançar o peso de setores económicos farenses mais antigos, ligados às tradições, produtos e valores locais. De facto, quem visita atualmente o concelho, tem ao seu dispor a possibilidade de confecionar as famosas cataplanas algarvias, colaborar na preparação de provas de bebidas, mas também de frequentar ateliers de produção de peças de artesanato algarvio ou ainda de experimentar algumas das práticas ancestrais de produção ou preparação alimentar. A aposta da autarquia no Turismo Criativo é também o resultado de um trabalho de acompanhamento e análise que tem sido efetuado no sentido de avaliar as preferências e interesses dos turistas que permanecem no município durante dois ou mais dias, considerados como o principal público-alvo para estas atividades. Este acompanhamento, e posteriores ações determinadas por ele, já ALGARVE #90
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produziu resultados junto de várias empresas que, contando com o apoio total da autarquia, têm apostado na diferenciação e na diversidade da oferta disponibilizada, no sentido de ir ao encontro às preferências identificadas junto dos milhares de turistas que visitam Faro. No seguimento desta aposta da autarquia teve lugar mais uma reunião de reflexão e organização para a promoção destas novas atividades ligadas ao Turismo Criativo, que serviu igualmente para a apresentação do projeto europeu Creatour, financiado pelo Programa de Atividades Conjuntas (PAC) do Portugal 2020, através do COMPETE 2020, POR Lisboa, POR Algarve e da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Este projeto, que na região é coordenado por três professores da UAlg, entre os quais Alexandra Rodrigues Gonçalves, atual Delegada Regional da Cultura, irá dedicar-se, nos próximos anos, no apoio à implementação e afirmação de cinco ateliers de trabalho .
MONCHIQUE ENTREGOU PRIMEIROS CHEQUES DO HABITA JOVEM
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Câmara Municipal de Monchique já entregou os primeiros cheques no âmbito do Programa/Regulamento Habita Jovem, único no território nacional, de apoio para aquisição ou reabilitação ou reconstrução de habitação própria e permanente. O programa abrange apoios que vão dos cinco aos 15 mil euros, sendo que os beneficiários garantem uma inalienabilidade e uma residência permanente no Concelho de Monchique pelo prazo de 10 anos.
desde os anos 70 do século passado a uma redução significativa da população residente. Temos que inverter esta tendência, criando programas, levando a cabo iniciativas que promovam a fixação e crescimento da população”, frisou o Presidente da Câmara Municipal de Monchique, Rui André, que relembrou o sucesso da iniciativa «Enxoval do Bebé», onde cada criança que nasça tem um apoio direto de 500 euros para adquirir bens para o bebé no comércio local de Monchique.
O programa abrange jovens e jovens casais cuja média de idades não ultrapasse os 40 anos de idade e cujos rendimentos anuais não superem o presente em Regulamento, residentes ou não no Concelho de Monchique, oferecendo assim condições mais favoráveis para aqueles que desejam residir em Monchique. “É um programa arrojado e inovador que demonstra uma vontade de fixar populações no território onde se tem assistido,
O edil acrescentou ainda que os milhares de euros agora investidos na fixação destes jovens e de outros que optem por recorrer ao programa Habita Jovem terão, efetivamente, um retorno significativo, nomeadamente “o da esperança para um território de baixa densidade populacional, que pretende inverter os números, que há décadas são negativos, no âmbito da população residente” .
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PROJETO ALQUIMIA ARRANCA EM SÃO BRÁS DE ALPORTEL O projeto começa em São Brás de Alportel no mês de janeiro, com um programa inspirado no elemento Fogo, a decorrer entre os dias 21 e 23. O roteiro iniciase com uma visita à empresa são-brasense «Terracota do Algarve», especialista em cerâmica artesanal, dando a conhecer as características e técnicas desta forma de produção ancestral, e culmina com um workshop com a artista e ceramista Sara Navarro no mesmo local.
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projeto Alquimia convida a conhecer um lado do Algarve que está fora dos roteiros turísticos, apelando à essência de uma região diversificada e completa, com desafiantes propostas de turismo cultural. São Brás de Alportel é o ponto de partida da atividade organizada pela Oficina Bartolomeu dos Santos e que integra o programa 365 Algarve. Será uma nova forma de conhecer o território que envolve arte, ciência, cultura, gastronomia e experiências, estando repartida em quatro programas distintos e em que cada um é dedicado a um dos quatro elementos: água, ar, fogo e terra. Alquimia é, por isso, um desafio para redescobrir a região através da criação e produção artística, dos sabores e pelo reconhecimento do património natural e cultural.
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O programa prossegue no segundo dia com um percurso interpretativo conduzido por Hélder Pereira e Francisco Lopes, da «GeoWalks&Talks», no Vale das Mealhas, em São Brás de Alportel, e no Cerro da Cabeça, no concelho de Olhão, na procura de explorar novas relações entre a natureza e o ser humano. O último dia será preenchido com um workshop de gastronomia coordenado pelo Chef Pedro Beleza, igualmente centrado no elemento fogo. As itinerâncias culturais do projeto Alquimia vão continuar no mês de fevereiro com o Ar e em abril com os elementos Terra e Água, passando pelos concelhos de Castro Marim, Loulé, Olhão e Tavira, com passeios na Ria Formosa e na Serra do Caldeirão, numa atividade que oferece uma nova opção de turismo cultural no Algarve .
RTA APOIA «ALGARVE BIKE CHALLENGE»
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Região de Turismo do Algarve apoia a 5ª edição do «Algarve Bike Challenge», a mais importante prova de BTT por etapas em Portugal, que irá realizar-se entre os dias 3 a 5 de março de 2017, e cujas inscrições decorrem no sítio do evento na Internet em www.algarvebikechallenge.com/pt/inscricoes. O «Algarve Bike Challenge» reúne atletas amadores e a elite do BTT mundial para percorrer os melhores trilhos do litoral, barrocal e da serra do Caldeirão. Com início no centro histórico de Tavira, a prova inclui duas competições: o «Algarve Bike Challenge» UCI – exclusiva a atletas de elites com licença UCI – e o «Algarve Bike Challenge» Open Race, aberto a atletas federados e não federados. Ao apoiar a iniciativa, a RTA pretende promover o turismo de natureza e desportivo na região e atrair mais turistas durante a época baixa, dando a conhecer a beleza natural do Algarve, a qualidade dos seus trilhos, a sua cultura e gastronomia, e a excelência das unidades de
alojamento locais. “Em 2017, a RTA será coorganizadora do Algarve Bike Challenge, pela sua importância na alavancagem da região como destino de excelência para a prática do ciclismo fora da época alta do turismo de sol e praia. O cycling é um produto estratégico para a promoção turística da região e acreditamos que esta é uma ótima forma de descobrir o Algarve – a pedalar, em contacto direto com a natureza no seu estado mais puro. Queremos fazer do Algarve um dos maiores destinos cicláveis da Europa e atrair turistas na época baixa, pelo que a realização de provas desta importância assume um papel preponderante para esse objetivo”, justifica Desidério Silva, presidente da Região de Turismo do Algarve. Na edição de 2016 participaram na prova 800 ciclistas, 60 por cento dos quais estrangeiros. Organizado pela Associação Clube BTT Conceição de Faro, com o apoio da RTA em 2017, o Algarve Bike Challenge espera receber no próximo ano cerca de mil participantes . #90 ALGARVE INFORMATIVO
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MONTENEGRO MELHORA ESPAÇOS PÚBLICOS
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scende aos 96 mil e 540 euros o investimento a ser efetuado em Montenegro, no concelho de Faro, no âmbito dos contratos assinados, no dia 29 de dezembro, com três empresas de construção civil, visando a pavimentação de artérias e a criação de dois passeios pedonais na freguesia. Uma intervenção que, realça o Presidente da Junta de Freguesia de Montenegro, Steven Sousa Piedade, irá refletir-se na requalificação do espaço público local, através da melhoria acentuada de ruas com importância vital na circulação automóvel e na mobilidade dos cidadãos. Um dos contratos celebrados surge no seguimento do acordo de delegação de competências estabelecido entre a Câmara Municipal de Faro e a Junta de Freguesia de Montenegro, visando a manutenção e pavimentação de caminhos. Adjudicada à empresa E.P.V. Construções Lda, a empreitada tem um encargo total de 23 mil e 779,50 euros e permitirá restaurar o asfalto em três artérias, nomeadamente Rua da Universidade, extensão ALGARVE #90
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entre as ruas 25 de Abril e Henriques Ferrão Serrano e na ligação entre as ruas Bentes Jesus Caraça e António Carrusca Rodrigues, junto à escola EB/JI de Montenegro. A conclusão da obra está prevista para o próximo mês de fevereiro. Mais de metade do investimento total abrangido pelos três contratos vai para a criação de dois passeios públicos em artérias que ligam o Pólo das Gambelas da Universidade do Algarve (UAlg) à cidade. Neste sentido, foi adjudicada à empresa Venusti Unipessoal, Lda, a empreitada de execução de um percurso entre o edifício do Lidl e o recinto universitário, com uma extensão de cerca de um quilómetro. A obra, com um encargo total de 58 mil e 64,69 euros, tem um prazo de execução de 30 dias. À empresa J.J.Brito - Sociedade de Construções, Lda, cabe a construção de um passeio entre o centro hípico junto ao parque ribeirinho e a ribeira do Biogal, numa extensão de aproximadamente 300 metros. O contrato, com um encargo total de 14 mil e 696 euros, prevê a conclusão da obra em Fevereiro de 2017. .
«SHOPPING LADY» DÁ VIDA A ROTUNDA DE ALMANCIL
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oi inaugurada, no dia 30 de dezembro, na rotunda da Avenida 5 de Outubro (entrada poente) de Almancil, a escultura «Shopping Lady», da autoria de Teresa Paulino. Trata-se de uma peça pintada à mão, com padrões coloridos em representação das várias nacionalidades que visitam e vivem em Almancil, freguesia conhecida precisamente pela sua intensa atividade comercial. «Shopping Lady» traz, assim, vida e movimento ao local, sem esquecer o contexto do comércio, através da representação do conceito das compras e do internacional. “Almancil é uma vila que tem vindo, lentamente, mas de uma forma regular e consistente, a dar passos e a afirmar-se como local de qualidade, com cada vez mais serviços e equipamentos e com as infraestruturas e os serviços necessários para que as pessoas possam sentir-se bem quando aqui escolhem viver”, afirmou Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé. “Estes momentos têm a ver
com o embelezamento das ruas e com a qualidade estética da nossa paisagem urbana e, no início do ano, tivemos igualmente a inauguração da escultura «Poço de Almancil», uma peça mais identitária e memorial que fica do outro lado da vida, na sua entrada nascente”, recordou ainda o edil. Natural de Lisboa, onde nasceu em 1970, Teresa Paulino vive atualmente no Algarve. Estudou na Escola de Artes António Arroio, completou o bacharelato na Universidade do Algarve e terminou a sua licenciatura em Lisboa, na Escola de Artes e Tecnologia. Pedra, bronze e fibra de vidro são alguns dos materiais usados pela artista na criação das suas esculturas, mas trabalha também nas áreas da pintura, design, ilustração, fotografia e animação. De entre os seus trabalhos destacam-se «Os Observadores» (Aeroporto de Faro), «A Guitarra» (Faro), «A Vendedora do Mercado» (Loulé) ou «Os Pescadores» (Quarteira). #90 ALGARVE INFORMATIVO
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REFORMA DA FLORESTA DISCUTIDA EM SÃO BRÁS DE ALPORTEL
Vítor Guerreiro, presidente da Câmara Municipal de São Brás de Alportel, o Ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Luís Capoulas Santos, e o Secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, Amândio Torres
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Ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Luís Capoulas Santos, o Secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, Amândio Torres, e o presidente do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, Rogério Rodrigues, deslocaram-se a São Brás de Alportel, no dia 2 de janeiro, para uma apresentação pública das medidas recentemente aprovadas pelo Governo para a nova Reforma da Floresta e que procuram valorizar e preservar este legado natural, através do reconhecimento da floresta enquanto estratégia de desenvolvimento económico e elemento primordial para promover a sustentabilidade ambiental. Esta Reforma da Floresta tornou-se uma prioridade para o governo liderado por António Costa face aos inúmeros casos de incêndios florestais que assolaram o território nacional nos últimos anos e que ALGARVE #90
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causaram enormes prejuízos, tanto ambientais como económicos, sociais e humanos, provocando um enorme sofrimento a centenas de famílias em todo o país. Perante um Salão Nobre completamente esgotado, Vítor Guerreiro, presidente da Câmara Municipal de São Brás de Alportel, lamentou que esta importante matéria tenha sido pautada, durante tantos anos, por políticas governamentais pouco adequadas às necessidades e à realidade das populações e dos territórios. “Como se sabe, dois terços deste concelho são constituídos pela Serra do Caldeirão e, em 2012, confrontámo-nos com um dos maiores incêndios da região, que consumiu 6.936 hectares de floresta, ou seja, cerca de 45 por cento do nosso território, e destruiu muitas explorações de sobreiros de forma definitiva. Essa floresta não foi recuperada
porque, da parte do Ministério da Agricultura, a resposta tardou, tardou, e não chegou a acontecer. Muitas das medidas inicialmente previstas não foram executadas, faltaram medidas de primeira intervenção em termos de avaliação de limpeza e faltaram medidas de apoio à recuperação e reflorestação de áreas ardidas”, acusou o edil são-brasense. Vítor Guerreiro lembrou igualmente que uma parte significativa do Algarve se encontra grandemente condicionada por restrições resultantes dos instrumentos de gestão e ordenamento do território. “Muitas vezes, mais do que preservar, condenam ao abandono e à progressiva desertificação humana. Sendo defensor de primeira linha da preservação das espécies autóctones e apologista da defesa ambiental, tenho bastantes reservas em relação às reais consequências das medidas impeditivas de intervenção nos territórios”, apontou o autarca, aproveitando ainda a oportunidade para informar que se encontra em curso, no concelho de São Brás de Alportel, a segunda fase do Cadastro Predial, coordenado pela Direção Geral do Território. “Espero que todos nós possamos, no futuro, defender a nossa floresta, valorizá-la e
aproveitar este recurso para que, de uma forma sustentada e equilibrada, se consiga gerar mais riqueza para as nossas populações”. No uso da palavra, Luís Capoulas Santos confirmou que Portugal foi o único país da União Europeia que perdeu, nos últimos 15 anos, área florestal, na ordem dos 150 mil hectares. “O governo inscreveu no seu programa um conjunto de soluções que considera adequadas para inverter esta situação e para recuperar esta nossa riqueza. Estiveram oito ministérios envolvidos para se chegar a 12 diplomas, que corporizam o primeiro passo da Reforma da Floresta e que vai ser uma tarefa para mais do que uma geração”, explicOU o Ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural. O intuito é que esta matéria seja objeto do maior consenso político possível, para que, quando haja alternância de partidos no governo, não se jogue para o lixo o que já foi feito e se recomece tudo de novo. “É fundamental que haja continuidade nas políticas e o governo decidiu aprovar na generalidade estes diplomas e iniciar um debate público que terá lugar até final de janeiro, por forma a ouvir a sociedade, as
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universidades, os autarcas, as organizações de produtores. Assim se poderão corrigir os diplomas e eliminar questões menos bem equacionadas”, frisou o governante, esclarecendo que dois diplomas não se encontram nesta fase de discussão pública – um referente ao aumento da comparticipação aos Sapadores Florestais de 35 mil para 40 mil euros e o outro sobre um projetopiloto para o Parque Nacional da Peneda Gerês. Luís Capoulas Santos revelou ainda a vontade de se criarem novas equipas de Sapadores Florestais, ao mesmo tempo que 44 atuais equipas serão reequipadas. “Muitas delas foram criadas precisamente por mim quando estive no governo, há 15 anos, e têm hoje os seus equipamentos e viaturas completamente esgotados. Queremos dignificar e ampliar essa componente”, justificou. Por outro lado, o Ministro reconheceu que a floresta nacional padece de um enorme problema, designadamente a ausência de cadastro numa zona do país onde a propriedade está muito pulverizada e é insuscetível de ser profissionalmente gerida. “Isso conduz ao abandono, que leva aos incêndios, que gera uma falta de vontade dos privados investirem na
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floresta devido ao elevado risco. É um ciclo vicioso porque não se conhece o património e não há condições de se atribuir a sua gestão”, admitiu. Seguiu-se a intervenção do Secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, Amândio Torres, que apresentou, de forma sucinta, os 10 diplomas que se encontram em discussão pública: #1 Regime Jurídico de reconhecimento das sociedades de gestão florestal; #2 Novo quadro de incentivos e isenções fiscais e emolumentares para o setor florestal; #3 Alteração ao regime de criação das zonas de intervenção florestal; #4 Alteração do regime jurídico dos Programas Regionais de Ordenamento Florestal; #5 Revisão do Regime Jurídico das Ações de Arborização e de Rearborização, para se condicionar a plantação de eucalipto; #6 Criação de Centrais de Biomassa; #7 Criação do Bando de Terras e do Fundo de Mobilização de Terras; #8 Criação do Sistema de Informação Cadastral Simplificada; #9 Revisão do DL 124/2006 de 28/junho que estrutura o Sistema de Defesa da Floresta Contra Incêndios; #10 Adoção do Programa Nacional de Fogo Controlado .
ALGARVE 2020 APROVOU MAIS DE DEZ MILHÕES DE EUROS ALGARVE 2020, com o fim de melhorar o acesso às TIC’s, nomeadamente na restruturação tecnológica dos serviços de informação da Universidade do Algarve, com o aumento da largura de banda entre os Campus da Penha e de Gambelas, as operações de apetrechamento dos serviços com um centro de dados (datacenter) e a implementação de ferramentas CRM para tornar mais inteligentes os serviços digitais da Região de Turismo do Algarve (RTA) e do sítio na Internet www.visitalgarve.pt.
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Comissão Diretiva do Programa Operacional ALGARVE 2020 aprovou mais de dez milhões de euros de apoios financeiros, referentes a candidaturas nos domínios dos Planos de Ação de Regeneração Urbana (PARU’s), património cultural, saúde, formação profissional e modernização administrativa. A reunião teve como principais pontos da ordem de trabalhos a aprovação de 34 candidaturas no montante global de 14 milhões de euros, nos domínios da reabilitação urbana, do património cultural, das infraestruturas e equipamentos sociais e de saúde, da promoção, das tecnologias de informação e da comunicação (TIC’s) na administração local e em serviços públicos. Nesta 17ª reunião da Comissão Diretiva do PO ALGARVE 2020 também foi feito o ponto de situação do programa a 30 de novembro de 2016, que inclui novas aprovações de investimentos no Sistema de Incentivos (SI), totalizando 327 operações aprovadas e registando comparticipações na ordem dos 79 milhões de euros. Parte significativa dos apoios concedidos destina-se ao «Eixo Prioritário 8 – Modernizar e Capacitar a Administração» do PO
Outros exemplos de projetos aprovados vão para o «AlgarveMais Digital», uma iniciativa da Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL) envolvendo os 16 municípios do Algarve e visando o redesign e desmaterialização – harmonização e normalização dos portais autárquicos existentes, bem como a integração de plataformas móveis (mobile) ou ainda a reestruturação tecnológica a implementar no Centro Hospitalar do Algarve (CHAlgarve), visando a desmaterialização dos processos internos e na especialidade de cardiologia, nas áreas da hemodinâmica e ecocardiologia, infraestruturas para um novo datacenter e para gestão documental. O gestor do PO ALGARVE 2020, Francisco Serra, aproveitou para salientar na reunião as deliberações do Governo que permitem operacionalizar o «Acelerador do Investimento Municipal», introduzindo majorações de 10 por cento para os pedidos de pagamento com entrada até 31 de dezembro de 2016 e de 7,5 por cento para os que venham a ocorrer até 31 de julho deste novo ano de 2017, bem como algumas medidas de simplificação de investimento público de âmbito municipal, aprovadas em 2 de novembro pela Comissão Interministerial de Coordenação do PORTUGAL 2020 . #90 ALGARVE INFORMATIVO
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PEQUENAS ROTAS DA BORDEIRA FORAM REQUALIFICADAS
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stão já concluídos os trabalhos de requalificação/melhoramentos das três antigas pequenas rotas da freguesia da Bordeira, no concelho de Aljezur, designadamente o Trilho dos Aromas, Trilhos das Marés e Trilho dos Montes. O traçado dos três percursos foi alvo de estudo detalhado, tendo sido introduzidas diversas melhorias, de forma a colmatar aspetos deficitários e a beneficiar a experiência dos caminhantes e visitantes desta freguesia que os percorrerem. O processo/projeto mereceu apresentação e discussão pública, antes de ser validado e implementado, e conta com um total de 42,5
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quilómetros. O trabalho foi desenvolvido pela Junta de Freguesia da Bordeira e Rota Vicentina, beneficiando do apoio financeiro da Câmara Municipal de Aljezur no valor de 30 mil euros, no âmbito dos apoios financeiros contratualizados com aquela Autarquia. Recorde-se que o Município de Aljezur e em particular a freguesia de Bordeira são cada vez mais procurados por caminhantes de todo o mundo. Trata-se, por isso, de projeto importantíssimo, do ponto de vista deste segmento de turismo, que cada vez mais distingue e diferencia positivamente este concelho da costa vicentina .
LAGOA VAI TER BRIGADA DE INTERVENÇÃO PERMANENTE
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Concelho de Lagoa cresceu nos últimos anos e com isso alteraram-se os hábitos e costumes da sua população. No que toca ao Corpo de Bombeiros Voluntários de Lagoa, essas mudanças deram origem à necessidade de uma resposta operacional diferente, que requer prontidão imediata, formação especializada, treino intenso e especificação técnica. Nesse sentido, e perante a necessidade de modernização dos BVL, foi proposta a criação de uma Brigada de Intervenção Permanente com o objetivo principal de socorro imediato à população no âmbito de incêndios, inundações, desabamentos e, de um modo geral, em todos os acidentes, o socorro e o transporte de acidentados e doentes, incluindo a urgência pré-hospitalar.
Para garantir uma resposta efetiva, esta Brigada estará de prontidão total 24 horas por dia, sete dias por semana e 365 dias por ano, sendo composta por duas equipas – uma de intervenção especializada e outra de intervenção pré-hospitalar – com sete elementos, dos quais um habilitado com o Curso de Chefe de Equipa, dois condutores (sendo um obrigatoriamente de pesados), um tripulante de ambulância de socorro e três operacionais, com Curso de Incêndios Urbanos/Florestais, Curso de Salvamento e Desencarceramento e Tripulante de Ambulância. O funcionamento da brigada terá um custo anual estimado de 120 mil euros .
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ANDEBOL PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL AVANÇA NO ALGARVE
Ana Sofia Bexiga com alguns utentes da ACASO, num treino na Escola EB 2 3 João Rosa, em Olhão
A Associação de Andebol do Algarve reuniu recentemente com representantes de clubes desportivos e instituições particulares de solidariedade social para apresentar o «ANDEspecial», um projeto inovador e ambicioso na senda do «Andebol4All» e que tem como destinatários pessoas portadoras de algum tipo de deficiência intelectual. Os primeiros passos estão a ser dados na ACASO de Olhão, mas o objetivo é alargar o projeto a toda a região, assim se reúnam os apoios para tal. Texto:
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ideia por detrás do «ANDEspecial» é que os clubes desportivos alarguem os seus horizontes e atribuam uma dimensão mais humanista à sua atividade do dia-a-dia, focando-se igualmente na população com deficiência, neste caso intelectual. Em simultâneo, é desejável que as IPSS que já desenvolvem um trabalho meritório nesta matéria incrementem a prática desportiva dos seus utentes. Assim sendo, pegando nos fundamentos que estiveram na origem do «Andebol4All», a Associação de Andebol do Algarve, a Federação de Andebol de Portugal e a Associação Nacional de Desporto para a Deficiência Intelectual uniram-se para implementar este projeto inovador na região algarvia. “O Algarve já possui uma equipa de andebol para atletas
em cadeira de rodas, sediada na Casa do Povo de Messines, e com o apoio da AMAL, para fazer face às dificuldades de transportes. Contudo, não nos devemos cingir apenas aos quadros competitivos normais e é importante colocar estes utentes com deficiência intelectual a fazer algo em termos desportivos”, explica João Estrela, presidente da Associação de Andebol do Algarve, adiantando que há outros projetos em mente para pessoas com deficiência auditiva, para reclusos e para jovens com problemas de integração social. Para tudo isto, como é sabido, são fundamentais as parcerias, de resto, está praticamente tudo «inventado». “O problema é colocar as coisas em prática e, se a
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associação se fechar em si própria, não se consegue fazer nada. Temos que arranjar as pessoas certas para dinamizar os projetos e, assim que começarmos a mostrar trabalho no terreno, é mais fácil angariar apoios”, reconhece o dirigente, assim surgindo Ana Sofia Bexiga. “Lançámos a primeira semente no encontro com os dirigentes dos clubes e das IPSS, agora, é seguir em frente com persistência. Assim que tivermos três ou quatro equipas, as pessoas vão acreditar mais no projeto e, com isso, aumentará o número de utentes envolvidos”, afirma a coordenadora do «ANDEspecial» e «Andebol4All» no Algarve. Uma tarefa que, infelizmente, não se afigura fácil num país que continua a consumir praticamente só futebol, bastando ver que Portugal foi vicecampeão de andebol em cadeira de rodas há poucas semanas e quase não se deu destaque nenhum à prestação da seleção das quinas na competição. “Se
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formos aos pavilhões nos dias dos jogos, estão quase vazios, só vão os familiares e amigos dos atletas. Por isso, é essencial encontrarmos pessoas motivadas e com uma sensibilidade diferente, o que existe nas IPSS que trabalham com a deficiência motora e intelectual”, considera Ana Sofia Bexiga, que é funcionária na ACASO de Olhão. Depois da reunião de apresentação do projeto que aconteceu em meados de dezembro, nova jornada de reflexão está marcada para janeiro, com IPSS e clubes juntos para se tentar definir uma estratégia e plano de atuação, mas João Estrela faz mea culpa e admite alguma dificuldades das associações em comunicar para o exterior o que é feito no quotidiano. “Mas sabemos que o futebol é mais fácil de vender pela comunicação social e que as restantes modalidades estão um bocado ao abandono. Veja-se que, quando a
televisão transmite um jogo de futebol, paga à federação. Se quisermos que seja transmitido um jogo de andebol ou de basquetebol, têm que ser as federações a pagar às televisões”, revela o entrevistado. “A seleção nacional de andebol em cadeira de rodas foi vice-campeã europeia, do Algarve temos lá um atleta e a fisioterapeuta, e muito nos honra o trabalho que tem estado a ser desenvolvido pela Casa do Povo de Messines. Tem atletas de toda a região, treina duas vezes por semana e é um exemplo pelas valências que possui e pelo seu dinamismo”, destaca João Estrela.
APOIO DAS AUTARQUIAS É FUNDAMENTAL Em termos práticos, no andebol em cadeira de rodas, o transporte dos atletas acaba por ser a principal dor-decabeça pelos meios logísticos que
envolve. Quando falamos de utentes com deficiência intelectual, os problemas são bem mais complexos e a evolução bem mais lenta, conforme relata Ana Sofia Bexiga. “Qualquer modalidade desportiva tem uma série de benefícios associados para estes utentes e, para além das melhorias a nível físico, toda a componente emocional sai reforçada. Vivem ansiosos de treino para treino, andam sempre a perguntar quando é o próximo, porque a noção de tempo deles é distinta da nossa. Depois, estão muito felizes nos treinos e saem de lá com uma energia totalmente diferente”, observa. A coordenadora do projeto confirma, porém, as dificuldades que o leitor já está a visualizar na sua mente. “Queremos que eles percebam um mínimo das regras e que consigam desempenhar aquilo que é suposto no andebol, com um
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regulamento adaptado que já foi elaborado pela Associação Nacional de Desporto para a Deficiência Intelectual, mas estes atletas, por exemplo, não têm noção se estão a ganhar ou a perder ou de quanto tempo falta para terminar o jogo. São pequenas conquistas que se vão obtendo no dia-a-dia e que são bastante gratificantes”, atesta a entrevista. Ana Sofia Bexiga recorda, aliás, o primeiro «treino» de andebol realizado na ACASO, em que todos os utentes levaram com a bola na cara, ou seja, aprenderam, da pior forma, que tinham que fazer qualquer coisa quando a bola lhes era arremessada pelo colega. “Demorou-se um mês e meio para conseguirem agarrar a bola como é suposto, portanto, o progresso é lento”, avisa a especialista, enquanto João Estrela defende que o intuito, neste género de projetos, não é vencer esta ou aquela partida. “O andebol é um meio para o desenvolvimento de pessoas que, em certos casos, estão dias inteiros sentados, olhando uns para os outros, ou para a televisão”, sublinha. Assim, mais do que treinadores de andebol, são necessárias pessoas com sensibilidade e apetência para trabalhar com a deficiência intelectual e, nesse sentido, será levado a cabo, a 1 de março, um dia de formação em São Brás de Alportel, para os professores dos agrupamentos escolares e para os técnicos das IPSS e dos clubes desportivos. “É uma ação que vai ser
creditada pelo Ministério da Educação e pelo Instituto Português do Desporto e Juventude, para fins de evolução de carreira ou de renovação de licenças. Escolhemos São Brás por causa do Centro de Reabilitação de excelência que ali existe e porque, como disse, as parcerias são fundamentais nestes projetos. Sem o apoio das câmaras municipais, nada se faz em termos desportivos”, garante João Estrela. Face ao cenário traçado por João Estrela e Ana Sofia Bexiga, a vertente competitiva não está nos planos da Associação de Andebol do Algarve, pelo menos no curto prazo, mas sim a realização de alguns encontros e convívios entre utentes de vários clubes e IPSS, sem a pressão normal dos resultados. “Todos jogam contra todos e o objetivo é que, no fim, saiam dali felizes”, afirma Ana Sofia. João Estrela revela, entretanto, o desejo de promover um encontro durante os Jogos de Quelfes, competição que envolve as escolas do primeiro ciclo da região dentro do espírito do Olimpismo. “A apresentação que fizemos em dezembro superou as nossas expetativas e todos os dirigentes se mostraram recetivos ao projeto. O próximo passo é reunir com as autarquias para tentar obter os apoios necessários para levar o «ANDEspecial» para a frente”, concluiu João Estrela .
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Façamos do ano novo, bom! Paulo Cunha
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á repararam que nas semanas que medeiam a passagem do ano civil, o cumprimento social que antes se limitava a um “Olá estás bom?!...” passa para o sacramental “Bom ano (novo)!”? Tratamento esse que, quase por magia, nos faz esquecer o que passou com a esperança que o ano que nos espera seja diferente, para melhor! De repente, o mundo enche-se de bonomia e todos trocam desejos de boa vontade, quase como se, desse modo, expiassem os pecados que em nome próprio cometeram e que tornaram o mundo dos outros menos agradável de ser vivido. Todos sabemos que as alterações no nosso «modus vivendi» resultantes da transição de um ano para o outro são meramente simbólicas, pois não é o facto de juntar um novo dia ao ano que passou que tornará a nossa vida distinta da anteriormente vivida. Acrescentar um novo ano ao calendário gregoriano trará unicamente a novidade de recomeçarmos mais um ciclo nas nossas vidas. Novo ciclo que, invariavelmente, começa com o desejo de mudanças, mas que com o desenrolar das atividades diárias nos enreda numa teia de procedimentos em tudo iguais aos que, com o final do «ano velho», queríamos ver pelas costas. Compreendo a necessidade interior que todos nós temos em poder usar, tal como muletas, datas-chave que nos indiquem o ponto de partida seja para o que for. Por isso a utilização do velho chavão: “Ano novo, vida nova.”. A questão é que só isso não chega, pois os anos passam e o caixote do lixo das mudanças desejadas não para de crescer! Parece que ao verbalizar vezes sem conta o desejo de “Bom ano!”, nos autoconvencemos que é desta vez que se vão concretizar os
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desejos que a vida nos negou. Sabendo de antemão que o ano só será melhor do que o que passou se conseguirmos abdicar e despojar de tudo aquilo que nos fez mal, continua a impressionar-me a atitude de tantos que apenas colocam nas mãos do divino e da sorte o melhoramento da sua vida. Colocando de parte tudo o que, na natureza, não conseguimos dominar, muita coisa há que podemos transformar através do trabalho conjunto em prol da mudança. Alterações interiores que somadas trarão ao exterior das nossas vidas uma considerável melhoria. Nada de novo que já não saibamos, mas que, ano após ano, teimamos em esquecer. Sem qualquer veleidade em aqui querer promover a autoajuda e a motivação através de frases feitas, apenas partilho convosco o desejo de mudança que, através do exemplo, poderemos operar num mundo que trilha caminhos de uma mudança pouco consciente e consistente por parte de quem, pretensamente, nos deveria ajudar a ter um «Ano Bom!». Feita de estórias falsas e mal contadas, os anos passam e a história repete-se com a mesma cadência, trajetória e duração que a terra demora a dar a volta em torno do sol. Por isso pergunto para que serve desejar “Bom ano!”, quando nada fazemos para o tornar num ano bom? Gandhi há muito que respondeu a essa questão com uma frase certeira e lapidar: “Se queremos progredir, não devemos repetir a história, mas fazer uma história nova.”. Faça-se então uma nova história onde as mulheres e os homens de boa vontade tenham um papel preponderante e determinante. E, já agora… contem comigo! .
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Mais e melhor emprego José Graça
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o primeiro ano do governo socialista de António Costa foram criados mais postos de trabalho que no último ano do governo do PSD/CDS, liderado por Pedro Passos Coelho, por muito que este queira percorrer os trilhos da pós-verdade, tão apreciados pelo próximo Presidente dos Estados Unidos da América. Os dados mensais da população empregada do Instituto Nacional de Estatística (INE), atualizados esta sexta-feira, mostram que entre novembro de 2015 e novembro de 2016 foram criados 76 mil postos de trabalho, mais que os 52 mil criados no último ano do governo PSD/CDS. A taxa de desemprego de outubro de 2016 situou-se em 10,6%, tendo diminuído 0,3 pontos percentuais (p.p.) face ao mês anterior, tal como em relação a três meses antes, e representa uma revisão em baixa, de 0,2 p.p., da estimativa provisória divulgada há um mês (10,8%). De acordo com os dados do INE, a população desempregada de outubro foi estimada em 545,3 mil pessoas, tendo diminuído 2,2% em relação ao mês precedente (menos 12,1 mil pessoas), enquanto a população empregada foi estimada em 4 579,7 mil pessoas, o que representa um aumento de 0,3% face ao mês anterior (mais 13,4 mil pessoas). A estimativa provisória da taxa de desemprego de novembro de 2016 foi de 10,5%. Neste mês, a estimativa provisória da população desempregada foi de 534,3 mil pessoas e a da população empregada foi de 4 574,4 mil pessoas, enquanto que em novembro de 2015, no início do atual Governo, havia 4,498 milhões de pessoas empregadas. Serão razões para embandeirarmos em arco?! Nem por isso, principalmente quando a taxa de desemprego dos jovens situou-se em 28,4%. Embora os dados demonstrem em redução sustentada do número de desempregados, a criação de postos de trabalho faz-se quase em exclusivo nos serviços e, particularmente, nos setores de atividades ligados à atividade turística, cujo crescimento tem facilitado a manutenção ou o prolongamento de contratos de trabalho a ALGARVE #90
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termo, favorecidos pela redução da sazonalidade, com particular incidência no Algarve Para contrariar esta tendência, o governo publicou a Portaria 339/2016, de 29 de dezembro, que aprovou e regula o programa FormAlgarve, visando apoiar financeiramente a melhoria da qualificação dos trabalhadores, a conversão dos contratos a termo em contratos sem termo e a renovação dos contratos de trabalho a termo certo pelo prazo mínimo de 12 meses. São beneficiários do programa os trabalhadores que se encontram vinculados por contrato de trabalho a termo com duração não inferior a três meses e cujo prazo de duração tenha terminado entre 1 de setembro e 31 de dezembro a empresas (empresários em nome individual e pessoas coletivas com fins lucrativos) que desenvolvam a sua atividade nos setores ligados à atividade turística e as empresas do setor do comércio de materiais de construção e cujo estabelecimento se situe no Algarve. Neste contexto, fica demonstrado que o reposicionamento do Algarve enquanto destino turístico sustentável ao longo do ano constitui uma prioridade do Governo, para o qual o contributo de um programa específico de apoio ao emprego e à qualificação dos recursos humanos, que permita valorizar as pessoas, promovendo vínculos laborais mais estáveis e combater a segmentação e a precariedade no mercado de trabalho, é parte essencial. Paralelamente, saúda-se a aposta na qualificação dos recursos humanos, concretizado no reforço dos apoios financeiros ao Instituto de Emprego e Formação Profissional (responsável pela gestão do FormAlgarve) e no reposicionamento das Escolas de Hotelaria e Turismo, verdadeiros centros da formação de excelência no setor, reconhecendo o seu papel enquanto parceiros fundamentais no processo de criação de mais e melhor emprego no Algarve! . (Membro do Secretariado Regional do PSAlgarve e da Assembleia Intermunicipal do Algarve)
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O Mal-estar da civilização Mirian Tavares
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embro-me, quando tinha uns 10 anos, de ir passar férias na casa de uns tios. Quando chegava a hora da sesta, que eu sempre odiei, andava à procura de coisas para ler. Desde muito cedo tornei-me uma leitora contumaz. E tanto na minha casa, como na dos meus avós maternos, havia muito por onde escolher. Na casa dos meus avós paternos havia mais livros técnicos e enciclopédias. Mas descobri a coleção completa das obras do Machado de Assis e do José de Alencar, que devorei sem piedade quando por lá passava nas férias. Na casa desses tios, não havia uma grande biblioteca, ou pelo menos, nada que eu achasse interessante. A vasculhar, encontrei um livro do final dos anos 50, que se chamava «Os Serões do Tio Silas». Era uma espécie de manual de boas maneiras e regras de comportamento. Enfim, pertencia a um tempo em que ainda se pensava que para viver em sociedade era necessário alguns cuidados e certos modos. Passados mais de 30 anos, recordo-me de imensas coisas que o livro alardeava, num tom entre o simpático e o perentório. Muitas das lições eram, já na altura, absurdas e obviamente sexistas, como por exemplo: as mulheres não deviam usar batom de cores vivas e não podiam falar em determinado tom de voz. Outras, no entanto, eram muito
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simpáticas e para mim ainda hoje fazem todo o sentido (apesar de ninguém (ou quase) se lembrar da sua existência): um homem deve sempre deixar a mulher do lado de dentro do passeio. Sei que é um tanto quanto sexista, mas a delicadeza é um bem que se perdeu há muito, por muitas e diferentes razões. O facto de não sermos inferiores, ou superiores, aos homens, não me impede de gostar de gestos de cuidado e de alguma atenção. Creio que o medo de não nos considerarem feministas ou de nos considerarem antiquadas tem-nos impedido de sermos civilizados. E a dita civilização sabe mesmo bem. Não interessa se é o homem ou a mulher que vai do lado de dentro do passeio, o que fica aqui é o gesto de cuidado, a atenção para com o outro. O olhar para além de nós mesmos. Continuam a existir livros semelhantes, com novas regras, mais politicamente corretas. O que já não existe, ou praticamente desapareceu, foi a ideia de que para vivermos em conjunto temos de olhar para e pelo outro. Porque vivemos, quer queiramos quer não, em comunidade. E é mais simpático se seguirmos algumas condutas básicas de qualquer manual de civilização .
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À guerra António Manuel Ribeiro
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esde ontem que o tecto cinzento baixo, húmido, e o nevoeiro remetem a paisagem para os dias sem Sol da Guerra dos Tronos, uma das poucas séries de TV que me entusiasma – já quase nada me agrada em televisão, algum futebol, um confronto político sério, algumas entrevistas, o Canal História, o National Geographic e pouco mais. O futebol. A imprensa acordou hoje com parangonas sobre a polémica – a guerra? – que envolve a classe dos homens que já vestiram de preto, o negro da autoridade que não se coloca em causa – juízes, padres, políticos e chefes de família assim se vestiam e vestem para serem levados a sério. Os seguranças da noite também. Os nossos homens do apito vivem dias difíceis – e façam-me o favor de não indicar histórias do passado que o passado assim medido é tão triste que esconde os falhanços dos jogadores em campo, os falhanços das contratações pífias e os falhanços dos dirigentes que não serviriam para dirigir uma tasca de bairro. Se os homens do apito, e suas famílias, vivem sob ameaças de morte e por isso vão ter de ser protegidos por dezenas de polícias, batemos no fundo. Questiono-me se o efeito pretendido por dirigentes, claques e adeptos exaltados vai ter sucesso – os homens do apito, sob um clima de guerra, vão acobardar-se no momento de uma decisão justa, vão falhar mais porque têm medo, vão fingir que têm olho de falcão quando deviam ter o olho multifacetado da mosca, ou das vinte câmaras de TV que mostram e repetem até ao vómito o lance que não é concludente para ninguém – acontece. Este país, sem Alepo, sem Bagdad, sem ameaça nuclear, sem terroristas-bomba, encontrou um motivo de guerra, o seu motivo de guerra, essa corja de homens que já foram de preto, com apito na boca e lata de spray para graffitis sem génio artístico na relva. Num momento em que dois filhos de um embaixador iraquiano fugiram do país, sob imunidade diplomática; no momento em que um adolescente é agredido e filmado na minha cidade – Playstation de carne e osso dá muito mais gozo e faz heróis para ingresso no gangue; num tempo em que os juros da nossa dívida pública a 10 anos passaram a barreira dos 4%; num momento em que os aumentos de pensões são absorvidos e os nossos velhos se calam porque a velhice é silêncio; num momento em que o barco navega alegremente à vista, um perigo latente se a ALGARVE #90
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carta de marear não assinalar todos os baixios; num momento assim encontrámos o inimigo dentro do rectângulo português, esse bando de homens que já foram de preto, culpados dos penalties falhados, dos livres directos que dariam pontos no râguebi, das substituições erradas, de em cada paragem de jogo, e logo na primeira parte, a malta vir dessedentar-se – como se sabe o frio dá muita sede –, enfim, culpados do estado da relva e das cadeiras vazias, de haver futebol todos os dias sem certeza de haver vitórias para os mais crentes (a fé no futebol é redonda), merecem esses homens engolir o apito e ser colocados a ferros numa galera à deriva – lançar a jangada de pedra, como Saramago anteviu, é muito mais difícil. Um dia, para acalmar aqueles que viram um sacrilégio em ter escrito uma canção que se tornou um hino para o clube que herdei do meu pai (no seu último ano de vida foi a prenda final que lhe dei), proclamei com a frontalidade que viverá comigo até aos últimos dias: Se o futebol serve para nos dividir, então não serve para nada. E desta máxima não abdico, mesmo se toca os da minha cor. A vida é muito mais que futebol, e se este nos estupidifica, então vale mesmo muito pouco. Cresci a ouvir que havia homens que batiam nas mulheres quando o seu clube perdia, triste sina portuguesa. O futebol é espectáculo, arte e competência, não é uma conta de somar em folha Excel. E revela à saciedade a mesquinhez de uns quantos que pelo voto se assumem dirigentes e instigam as hostes. Quando oiço alguém dizer que o seu clube vale mais que a família ou a vida, desisto, como há tempos ouvi um presidente dizer que dava a vida pelo seu clube. Eu não dou pelo meu. Porque não é isso o futebol, é cegueira e esta leva à guerra. Um disco: «The Fillmore East – Last 3 Nites», uma caixa com quatro CD que reúne as actuações de Albert King, J. Geils Band, Edgar Winter, Beach Boys (um desastre), Allman Brothers Band, Country Joe McDonal e, sobretudo, Mountain, uma das minhas bandas de eleição. O clube nova-iorquino, irmão gémeo do Fillmore West de San Francisco, encerrou as portas em 1970. Durante três noites, os artistas citados prestaram homenagem ao mentor, Bill Graham, um visionário da música. A gravação foi retirada de uma emissão rádio e é um documento histórico .
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Balanço Augusto Lima
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indou 2016 que muitos almejaram e diagnosticaram de excelente para o Turismo. E quando se fala em Turismo é obrigatório referir os ERB, Estabelecimentos de Restauração e Bebidas, onde se inclui Hotéis e Restaurantes. Se não começo muito bem o certo é que fechou com chave de ouro com os ERB a registar taxas de ocupação de 90% e 100%. Mas não há o sim sem o não, e foi demasiado, porque sempre é demasiado, o n.º de queixas/reclamações de mau serviço prestado em todas as áreas de consumo. Muito bom, quando assistimos ao aumento das reclamações, pelo facto do cidadão/consumidor estar mais atento, informado e fazer questão de denunciar as más práticas. Muito mau contudo, quando o n.º maior de reclamações está associado ao organismo que deveria zelar pelo nosso bemestar físico e psicológico, a ASAE, um contrassenso, já que, primeiro a ASAE deveria ter um papel informativo, dissuasor, construtivo, pedagógico. Os sucessivos governos que tivemos foram demasiado papistas em relação a leis comunitárias que nada têm a ver com a defesa do consumidor de forma real mas o aproveitamento dessas leis para os homens e empresas de mão, ganharem dinheiro a vender coisas sem nexo ou de muita má compreensão e sem grande fundamento. Já aqui falei da importância dos ERB no Turismo e dos Restaurantes em particular, como forma de defesa do património material e imaterial, dos produtos e legado ancestral das gentes, províncias, saberes e sabores. Já aqui falei sobre a responsabilidade dos empresários dos ERB na precariedade do emprego, salário deficitário e o tão afamado e mal-amado monstro da Sazonalidade. Já aqui falei sobre a pobreza de espírito, estupidez e crime de alguns muitos donos de restaurantes que fomentam todos os podres de que as profissões ligadas aos ERB padecem. A saber, maus tratos físicos e psicológicos a roçar por vezes o tráfico humano e a escravatura, precariedade no emprego, ALGARVE #90
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aniquilação de carácter e destruição de valores como a família e a auto estima. Já aqui falei da necessidade de existir uma política empresarial que partisse de um plano Diretor Municipal que implicasse a revisão da concessão de Alvarás, através de um plano estrutural das profissões. Continuam a existir demasiados donos de ERB. Precisamos de os transformar em Restauradores, empresários habilitados, conscientes e bons gestores. Continuam a existir pocilgas e recreios de brincar de mau gosto, a que alguns chamam de Restaurantes, ao invés de espaços lúdicos e pedagógicos, verdadeiros hinos ao prazer da mesa, da cultura e do espírito premiado da Dieta Mediterrânica. Portugal pode ocupar um lugar de maior destaque no mundo do Turismo Mundial. O Algarve não é sazonal por nascimento, mas por opção. O Algarve tem 12 meses por ano e desde janeiro a dezembro muito pode ser feito. Deixamo-nos vender pelas necessidades dos «Tur Operadores» internacionais. Nós temos a gastronomia, o folclore, as tradições, os lugares, os produtos regionais únicos. Saibamos valorizar o que é nosso e deles não abramos mão. O Algarve não é só Praia e Sol, Verde e Golf. Temos o Barrocal e as Serras, os lugares exclusivos, os microclimas e os endógenos. Temos uma cozinha de eleição, comeres de eleição, produtos eleitos. Temos a Dieta mediterrânea e a sazonalidade. Temos a cor, o aroma, o saber e sabor. Podemos ser o novo Paraíso da gula, o novo Porto da Gastronomia Mundial, o encontro perfeito entre a modernidade e a tradição. Temos tudo. Só nos falta ter orgulho e mudarmos. Acreditemos! Podemos mudar. Eu quero mudar! E tu? . (Presidente da Associação de Cozinheiros e Pasteleiros do Algarve)
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ALEXANDRA GONÇALVES “A DIFERENCIAÇÃO CONSEGUE-SE, NA MAIOR PARTE DOS DESTINOS, ATRAVÉS DA CULTURA E DO PATRIMÓNIO”
A Direção Regional de Cultura do Algarve esteve em plano de destaque ao longo de 2016, pela dinamização do programa DiVaM, pelo envolvimento em projetos como a Rota Omíada ou a candidatura de Sagres aos Lugares da Globalização da UNESCO, e pelo protoloco inovador que criou, em conjunto com a Guarda Nacional Republicana, para a salvaguarda do património histórico-cultural do interior algarvio. Texto:
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016 foi um ano cheio de trabalho para a Direção Regional de Cultura do Algarve e que foi muito para além das atividades culturais associadas aos monumentos algarvios que estão sob a sua alçada, com a realização de diversas palestras, ações de formação e parcerias com entidades públicas e privadas. Acima de tudo, deixou de ser, de há uns anos para cá, uma instituição fechada sobre si própria e foi capaz de criar várias dinâmicas no território em que está inserida, sendo um desses exemplos o DiVaM, programa de dinamização e valorização dos monumentos criado em 2014 e cujas candidaturas para a edição de 2017 já abriram. “Trabalhamos com as associações culturais da região e com o apoio dos municípios para elaborar um programa que se centra essencialmente nas famílias e nas comunidades ALGARVE #90
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envolventes. Em alguns dos sítios onde os nossos monumentos estão localizados não existe um número expressivo de equipamentos culturais, nem um acesso à cultura como se verifica noutros pontos do Algarve, nomeadamente no litoral. Deste modo, criou-se um valor acrescentado com o DiVaM e leva-se as pessoas a voltar a visitar o património e algumas delas, inclusive, a fazê-lo pela primeira vez”, observa Alexandra Gonçalves. Esta oferta cultural vai, assim, ao encontro das comunidades e procura preencher os seus tempos livres com base num património que estava normalmente associado à história e ao passado, sem a vida que hoje conhece. E monumentos que não se limitam à Fortaleza de Sagres, o mais conhecido do Algarve, pois o DiVaM envolve
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Foto Rui Gregório
igualmente os Castelos de Loulé, Paderne e Aljezur, os Monumentos Megalíticos de Alcalar, as Ruínas Romanas de Milreu e a Ermida de Nossa Senhora de Guadalupe. “Gostaríamos de incluir mais monumentos, mas os meios são escassos e nem todos possuem as condições necessárias para acolher atividades culturais. O importante é promover e divulgar um património ALGARVE #90
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que muitas vezes não é conhecido, de forma abrangente, pelas próprias populações, mas também proporcionar uma visita ao turista, nacional e estrangeiro, destes espaços que têm bastante mais para contar para além da história associada às memórias passadas”, defende a Diretora Regional de Cultura do Algarve.
Para ir ao encontro das múltiplas motivações do público local e visitante, a oferta do DiVaM tem sido cada vez mais diversificada de ano para ano e a edição de 2017 já está em preparação, decorrendo, até 20 de janeiro, a fase de receção de candidaturas. “Conseguimos finalmente criar um regulamento e normas específicas para facilitar depois a tarefa dos técnicos, de maneira a que a avaliação não seja demasiado subjetiva e partindo de formulários totalmente diferentes. Houve um grande esforço de uniformização das candidaturas, queremos continuar com uma grande multiplicidade de eventos e o tema vai ser o mesmo da candidatura à UNESCO, para que as atividades a levar a cabo ajudem a explicar o que é isto dos «Lugares da Globalização», sabendo-se que os monumentos do Algarve tiveram uma força especial na época dos Descobrimentos”, adianta a entrevistada. Resta saber se há associações culturais suficientes para os diversos programas que estão no terreno, já que, a par do DiVaM da Direção Regional de Cultura do Algarve existe ainda o «365 Algarve» da Região de Turismo do Algarve e da Secretaria de Estado da Cultura e as agendas regulares dos 16 municípios algarvios. A resposta de Alexandra Gonçalves é que o tecido cultural associativo do Algarve está bastante vivo e de excelente saúde. “Há associações que reapareceram depois de anos de inatividade, umas foram criadas de raiz no passado recente, outras mais experientes estão a apostar em novas propostas. Nós prestamos um apoio ao
O ALGARVE PRECISA DESTA ESTRATÉGIA SEDIMENTADA EM TORNO DA CULTURA E DO PATRIMÓNIO E O ESFORÇO DE COORDENAÇÃO E COMPLEMENTARIDADE TEM QUE SER FEITO POR TODAS AS ENTIDADES associativismo cultural dito mais amador, mas sabemos que muitos destes artistas são verdadeiros profissionais e os requisitos que colocamos na qualidade da programação está ao nível do que as companhias e grupos profissionais fazem”, garante a responsável. Cresce, então, o volume de candidaturas ao DiVaM e, como é natural, nem todas são aprovadas e outras são aceites depois de algumas modificações, de acordo com as condicionantes impostas pelos próprios monumentos. Depois, é uma questão de se montar o puzzle, por assim dizer, um processo em que, felizmente, se notam cada vez menos atropelos entre os vários promotores de eventos culturais do Algarve. “É necessária uma oferta diversificada e uma agenda #90 ALGARVE INFORMATIVO
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plural que dê oportunidades de usufruir de diferentes tipos de cultura nos vários pontos da região e ao longo de todo o ano e isso está a acontecer. O Algarve precisa desta estratégia sedimentada em torno da cultura e do património e o esforço de coordenação e complementaridade tem que ser feito por todas as entidades”, considera Alexandra Gonçalves.
diminuir as colisões entre agendas. A Direção Regional de Cultura do Algarve tem, inclusive, uma proposta para se criar uma Plataforma para as Artes e Cultura”, frisa a entrevistada.
Entretanto, esta tarefa está mais facilitada porque os principais equipamentos culturais municipais têm trabalhado bastante em rede, sejam teatros, bibliotecas ou arquivos. “De alguma forma já existe uma coordenação setorial por tipo de equipamentos, falta alargar essa dinâmica para o cômputo geral para
A Direção Regional de Cultura do Algarve esteve também em destaque, no ano que agora terminou, pela assinatura de um protocolo inovador de colaboração com a Guarda Nacional Republicana para a proteção do Património Cultural Imóvel do Algarve em Meio Rural, programa esse que, segundo consta, poderá ser
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NÃO SE PODE VALORIZAR O QUE NÃO SE CONHECE
replicado noutras zonas de Portugal. “Neste momento está a decorrer o período de formação dos agentes e só depois acontecerá a operacionalização total dos meios que criamos. O feedback está a ser bastante positivo e esperamos que dê bons resultados no que toca à defesa e salvaguarda do património nas zonas de baixa densidade e mais distantes das cidades, onde há uma maior dificuldade para se fazer uma fiscalização de proximidade”, explica Alexandra Gonçalves. Têm sido, de facto, anos de intenso trabalho para se criar uma imagem de notoriedade em torno do património e da cultura que ultrapasse as fronteiras da região. “É preciso passar a mensagem de que o Algarve tem muita cultura e património para mostrar aos outros, que possui uma marca distintiva em relação às outras regiões do país, e é isso que temos andado a fazer. Em 2015, conseguimos a Marca de Património Europeu para a Fortaleza e Promontório de Sagres, há a introdução dos Lugares da Globalização na UNESCO, todo um trabalho de internacionalização deste nosso património e que, por vezes, quem está por perto não reconhece o seu valor”, aponta, lembrando ainda que a questão da imaterialidade tem sido outra aposta forte da Direção Regional de Cultura do Algarve. “É o caso das lendas e histórias, mas também de documentação que não estava ao dispor do grande público, criando-se uma linha editorial e dando-se a conhecer teses de
É PRECISO PASSAR A MENSAGEM DE QUE O ALGARVE TEM MUITA CULTURA E PATRIMÓNIO PARA MOSTRAR AOS OUTROS, QUE POSSUI UMA MARCA DISTINTIVA EM RELAÇÃO ÀS OUTRAS REGIÕES DO PAÍS, E É ISSO QUE TEMOS ANDADO A FAZER mestrado e monografias que estavam nas gavetas da Universidade ou dos investigadores. Há aqui um trabalho de tentativa de afirmação e conhecimento, porque não se pode valorizar aquilo que não se conhece”. Outro projeto em que a Direção Regional de Cultura do Algarve está envolvida é a Rota Omíada, mas Alexandra Gonçalves esclarece que não basta identificar os pontos de atração e os principais recursos patrimoniais e identificá-los com sinalética própria. “É preciso depois
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uma dinâmica do tecido empresarial, que as empresas agarrem nestes conteúdos e no trabalho que foi feito para criar produtos. Verifica-se uma adesão interessante de alguns agentes de viagens e de algumas empresas de animação turística para dar aos seus clientes novas experiências e creio que 2017 trará novas propostas”, antevê Alexandra Gonçalves, que também está envolvida com o CREATOUR, projeto do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra que tem como parceiros o Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades da Universidade de Évora, o Centro de Investigação sobre o Espaço e as Organizações da Universidade do Algarve, o DINÂMIA'CET-IUL, Centro de Estudos Sobre a Mudança Socioeconómica e o Território do ISCTE-IUL e o Laboratório de Paisagens, Património e Território da Universidade do Minho. “Depois de Loulé, foi agora a vez de Faro manifestar interesse em que fossemos lá apresentar o projeto, que vai dar um apoio simbólico de dois mil euros a cada ideia criativa, num máximo de cinco, ao longo de três anos, para que possam levar a futuros produtos ou empresas na área do Turismo Criativo”. A cultura está, pois, em evidência em várias frentes, sempre com o intuito de contribuir para a diminuição da sazonalidade do Algarve e o mais importante, para Alexandra Gonçalves, é que se qualifique a oferta para que quem visita a região, seja português ou estrangeiro, parta com uma ALGARVE #90
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experiência diferenciadora e de valor acrescentado. “Essa pessoa será, certamente, um melhor motor de promoção do nosso destino. Queremos valorizar o tecido cultural e os produtos tradicionais e criar um valor económico e social que o Algarve necessita. O «sol e praia» foi, é e será sempre uma das nossas maiores qualidades para que os turistas nos visitem, mas temos que apostar em formas de diferenciação
e essa consegue-se, na maior parte dos destinos, através da cultura e do património”, defende a Diretora Regional de Cultura do Algarve. “São esses elementos únicos que mais nos caracterizam e têm a ver com a nossa identidade”, reforça. Trabalho não falta, portanto, para 2017, até porque foram apresentadas cinco candidaturas ao Programa
CRESCE Algarve 2020, vai prosseguir a obra do Centro Expositivo de Sagres, dedicado à língua portuguesa e aos Descobrimentos, vão decorrer obras no Castelo de Paderne e no Portal da Sé de Silves. “Há outras candidaturas relativas à Dieta Mediterrânica, mais os INTERREG com novas rotas e percursos e estamos cá para afirmar o Algarve como um lugar de cultura” .
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RODRIGO TEIXEIRA “VALOR DEMASIADO ALTO DAS PROPINAS CONTINUA A ELITIZAR O ENSINO SUPERIOR” Tomou posse, no dia 5 de janeiro, a direção-geral da Associação Académica da Universidade do Algarve, mais uma vez encabeçada por Rodrigo Teixeira. No seu segundo mandato, o estudante de Mestrado Integrado de Ciências Farmacêuticas quer continuar a aproximação aos estudantes, representar o melhor possível os interesses dos colegas dentro e fora da academia e prosseguir com a recuperação da saúde financeira da associação académica. Texto:
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os 22 anos de idade, Rodrigo Teixeira, aluno do Mestrado Integrado de Ciências Farmacêuticas, parte para o segundo mandato à frente da Associação Académica da Universidade do Algarve, numa recandidatura que foi natural porque num ano é impossível concretizar todos os desafios a que a direção se tinha proposto. Desafios que assentam em três pilares fundamentais, conforme explicou o presidente dias antes da tomada de posse oficial: uma maior aproximação da associação académica aos estudantes; uma melhor representação interna e
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externa da associação académica; e a continuação da recuperação financeira da associação académica. “Tivemos mais assembleias-magnas e reuniões gerais de alunos para ouvirmos as opiniões dos estudantes e, com isso, poder representá-los da melhor forma possível. Internamente, estivemos representados em todos os órgãos da Universidade do Algarve para fazer valer a opinião dos estudantes. A nível externo, estivemos na Assembleia da República, reunimo-nos várias vezes com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, fomos ao Parlamento Europeu,
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dialogamos com as Câmaras Municipais de Faro e de Portimão e com o Instituto Português do Desporto e Juventude”, refere o jovem farense. A reestruturação financeira da Associação Académica da Universidade do Algarve tem sido uma prioridade desde 2012, depois de se ter atingido um milhão de euros de passivo, e o sonho de Rodrigo Teixeira é que, dentro de dois ou três anos, os futuros dirigentes deixem de ter esta enorme dor-de-cabeça. “Trata-se de um trabalho muito silencioso e que não se vê no dia-a-dia, mas fará a diferença para se ter uma associação académica mais forte no futuro”, garante o entrevistado, que já tinha sido secretário-geral em direções anteriores e feito parte do Núcleo de Estudantes de Ciências Farmacêuticas e do Núcleo Pedagógico da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade do Algarve. Experiência que é fundamental porque as associações de estudantes são, em certos casos, PME que gerem orçamentos de centenas de milhares de euros e têm à sua responsabilidade dezenas de empregados, confirma Rodrigo Teixeira com um abanar de cabeça. “As festas são, realmente, a faceta mais visível da atuação de uma associação académica, mas temos 23 funcionários a tempo inteiro e é um desafio tremendo manter os salários em dia, apesar de todas as dificuldades de tesouraria. O orçamento de 2016 foi de um milhão e 100 mil euros mas, antes de 2012, chegamos a ser a maior Média Empresa do Algarve, com um orçamento superior aos dois milhões de euros”, indica, explicando que, desde então, houve a necessidade ALGARVE #90
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de se encerrar centros de cópias e bares e despedir funcionários para se emagrecer a estrutura e tentar reequilibrar as contas. “É um trabalho que tem que continuar a ser feito e é preciso que haja sempre lucro nos nossos eventos para ir abatendo nas dívidas do passado”.
Os elementos efetivos e suplentes da Direção da Associação Académica da Universidade do Algarve
Deste modo, quando alguém se candidata a presidente de uma associação académica, deve estar ciente dos desafios que o esperam e não pensar apenas em ter mais uma atividade fora de aulas para enriquecer o seu currículo. “São dois
bares (Penha e Gambelas) e três centros de cópias (Penha, Gambelas e Escola Superior de Saúde) para gerir, mas estes serviços também nos ajudam a estar mais próximos dos nossos colegas”, reconhece o dirigente.
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A LONGO PRAZO, ESTUDAR NO ENSINO SUPERIOR COMPENSA, MESMO QUE, ATUALMENTE, NÃO SEJA UM GARANTE DE EMPREGABILIDADE PARA O RESTO DA VIDA COMO NOUTROS TEMPOS
Estar mais próximo dos estudantes é fundamental, mas também é essencial levar os seus anseios junto de quem de direito, da reitoria, das autarquias, do poder central, dar um murro na mesa quando é preciso, puxar dos galões perante homens e mulheres com percursos profissionais consolidados. Mas a defesa dos interesses dos estudantes é o foco principal da intervenção de uma associação académica, pelo que estes jovens não se coíbem de dizer ao que vão na presença dos governantes, locais e nacionais, com vista a um ensino superior mais justo, democrático e de qualidade. “Conseguimos implementar o «+Superior» na Universidade do Algarve quando a região não estava, estranhamente, abrangida por este
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programa. A partir de setembro de 2017, os estudantes vão também passar a ter um desconto de 25 por cento em todos os passes escolares de transporte, uma medida que foi retirada por um anterior governo e que conseguimos que fosse recuperada”, exemplifica Rodrigo Teixeira.
DIPLOMA É UM ATESTADO DE QUALIDADE, MAS JÁ NÃO É SUFICIENTE PARA ARRANJAR EMPREGO A luta da Associação Académica da Universidade do Algarve passa muito pela ação social e foi possível que mais cinco mil jovens fossem abrangidos, a nível nacional, pelas bolsas de estudo e que estas passassem a ser pagas num dia certo, quando, antigamente, esse
pagamento estava dependente da data em que a União Europeia fazia a transferência dos fundos. “Fizemos ver que os estudantes não conseguem gerir o seu orçamento se houver uma flutuação de datas, que precisam saber o dia exato em que vão receber #90 ALGARVE INFORMATIVO
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TEM EXISTIDO UM GRANDE TRABALHO DA ASSOCIAÇÃO ACADÉMICA DE SENSIBILIZAÇÃO E PEDAGOGIA JUNTO DAS COMISSÕES QUE QUEREM PRAXAR, PORQUE QUEREMOS QUE SEJAM ELIMINADAS TODAS AS MÁS CONDUTAS a bolsa. Também conseguimos que os resultados das candidaturas às bolsas de estudo fossem conhecidos mais cedo, mas a situação ainda não está perfeita e há jovens que continuam a receber o valor a que têm direito só em janeiro ou fevereiro, ao invés de no início de setembro”, relata o presidente da Associação Académica. Outra importante vitória apontada por Rodrigo Teixeira foi travar-se a subida das propinas na Universidade do Algarve, que se pretendia que ascendesse aos mil euros, mas demonstraram que as famílias dos estudantes não deviam ser sobrecarregadas por o governo não aumentar o orçamento das universidades. “Um estudo da OCDE diz que Portugal é dos países onde as famílias pagam mais pelo ensino
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superior, à volta de 40 por cento do valor que custa a totalidade do curso, enquanto a média da OCDE se situa um pouco acima dos 20 por cento. É importante combater esta desigualdade, até porque a Constituição da República Portuguesa diz que o ensino deve ser tendencialmente gratuito. Neste momento, porém, há pessoas que não conseguem pagar as propinas e, assim, estamos a elitizar o ensino superior e a retirar a oportunidade de muitos jovens rumarem à universidade”, critica o entrevistado. Seja por questões financeiras, ou por mudanças do próprio mercado de trabalho, a verdade é que muitos jovens terminam o ensino secundário e optam por arranjar logo um emprego, ao invés de prosseguirem a sua formação académica. Uma realidade que Rodrigo Teixeira não contesta, embora recorde que o «canudo» sempre foi uma espécie de «elevador social». “A longo prazo, estudar no ensino superior compensa, mesmo que, atualmente, não seja um garante de empregabilidade para o resto da vida como noutros tempos. Para isso convém que os jovens adquiram outras competências e que estejam envolvidos em atividades complementares”, aconselha, reconhecendo igualmente que não é pelo simples facto de alguém ter uma licenciatura que deve ambicionar ir logo para cargos de chefia. “A competitividade é cada vez maior no mercado de trabalho e as empresas querem pessoas multifacetadas, que
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tenham várias valências no seu currículo e não apenas um diploma. O diploma é um atestado de qualidade prestado pelas universidades, mas temos que mostrar aos potenciais empregadores que sabemos fazer mais qualquer coisa”. Tendo este cenário em consideração, Rodrigo Teixeira defende que os jovens devem aproveitar da melhor maneira possível os anos que passam na universidade, seja como dirigentes associativos ou participando no desporto universitário e nos grupos académicos e culturais da academia. “Não venham apenas tirar um curso porque a universidade, para além de nos formar a nível profissional, também nos pode valorizar no plano pessoal”, justifica. Contudo, nota-se que muitos jovens ainda se inscrevem em cursos universitários pouco adequados aos seus gostos pessoais ou às necessidades de mercado, porque, na opinião do nosso interlocutor, a transição entre o ensino secundário e superior é feita de forma demasiado abrupta. “Escolhe-se, em certos casos, a faculdade e o curso pela perceção do seu prestígio. A Universidade do Algarve tem crescido imenso nesse sentido, indo às escolas secundárias e participando em eventos para promover a sua oferta curricular e quais as saídas profissionais para os seus cursos”, destaca. O que se nota igualmente é uma maior preocupação dos jovens em concluir rapidamente os seus cursos, quer devido às condicionantes financeiras decorrentes do pagamento das propinas, quer para não chegarem atrasados ao ALGARVE #90
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mercado de trabalho em relação aos seus colegas. “Recorde-se que o Processo de Bolonha encurtou os cursos de forma brusca e isso aumentou tremendamente a carga horária dos estudantes. Ao mesmo tempo, por causa da crise, há muitos jovens que têm que trabalhar durante as férias para ajudar os pais a financiar o curso superior. Tudo isto leva a uma maior pressão para que se termine o curso no tempo certo e isso prejudica a participação noutros aspetos da vida académica”, analisa Rodrigo Teixeira.
SEMANAS ACADÉMICAS TÊM QUE DAR LUCRO Se as propinas são, há vários anos, um tema quente no arranque de cada ano letivo, também as praxes foram sendo alvo de maior contestação no passado recente, mas este é um assunto menos problemático na Universidade do Algarve, onde normalmente não se cometem excessos na receção aos novos estudantes. “Tem existido um grande trabalho da associação académica de sensibilização e pedagogia junto das comissões que querem praxar, porque queremos que sejam eliminadas todas as más condutas. Ao mesmo tempo, programamos várias atividades complementares onde os vários cursos podem interagir, como uma mega tarde de desporto, ou um mega peddy paper pela cidade ou uma mega tarde de fitness”, descreve Rodrigo Teixeira, lembrando que, no início do ano letivo 2016/17,
aconteceu a primeira edição do projeto Integração Solidária, que envolveu os cursos e as instituições particulares de solidariedade social do concelho de Faro. A terminar o ano letivo realiza-se a sempre mediática Semana Académica, que exige uma organização e gestão financeira bastante rigorosa para não se colocar em perigo a sustentabilidade financeira da Associação Académica. “É um dos maiores eventos do Algarve e verificamos que metade da assistência são estudantes e a outra metade são cidadãos de toda a região. O orçamento é quase meio milhão de euros, portanto, não é nenhuma brincadeira. O risco é sempre bastante elevado e temos que garantir que tenha lucro, de modo a irmos pagando as dívidas do passado. No entanto, existem muitos fatores que não controlamos, como foi o temporal que afetou o último dia da edição do ano transato”, recorda o presidente. “Felizmente que tivemos mais público do que esperado no resto da semana, o que deu para pagar o evento, mesmo sem o dia principal. E isto só foi possível graças aos 130 estudantes que fazem parte da organização ou são voluntários”, enaltece. Está, então, mais que visto que conciliar a presidência da Associação Académica com o dia-a-dia normal do curso é praticamente impossível, daí que Rodrigo Teixeira tenha decidido colocar o seu mestrado em pausa durante o mandato. “Não é uma decisão fácil porque os nossos pais depositam confiança em nós, estão à espera que terminemos o curso no tempo certo e,
quando há um desvio desse caminho, as dúvidas são naturais. No entanto, estou a fazer aquilo de que gosto e em prol dos outros e todos os conhecimentos que adquirir aqui vão ser importantes para o meu futuro profissional. Sou de Ciências Farmacêuticas e estou a aprender coisas de Gestão e Economia que nunca ia aprender no meu curso, nem provavelmente no mercado de trabalho”, aponta. A finalizar a conversa, os objetivos para 2017 são claros, conforme avançados durante a campanha eleitoral: maior proximidade aos estudantes, representar melhor os seus interesses dentro e fora da academia e recuperar as finanças da Associação Académica. “Será também o ano em que conseguiremos implementar algumas das nossas propostas, tais como: reforçar a vertente desportiva da Universidade do Algarve e convencer a Reitoria a elaborar um regulamento para a atribuição de bolsas a estudantes que defendam as cores da nossa academia; realizar a segunda edição da «Careers Fair», que trouxe, em 2015, mais de 30 empresas à Universidade do Algarve; fomentar a revisão do regulamento de atribuição de bolsas no ensino superior; recuperar o projeto «Amanha-te»; organizar um encontro nacional de direções associativas; criar um evento de formação de dirigentes associativos; criar um Cartão Jovem Académico”, conclui Rodrigo Teixeira, presidente da Associação Académica da Universidade do Algarve . #90 ALGARVE INFORMATIVO
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PAULO SOARES, JORGE VARELA E FLÁVIO FERNANDES SÃO
OS HOMENS DA MARATONA Texto:
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Reportagem publicada no número 31 da Revista Algarve Informativo ALGARVE #90
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Em mais um passo rumo ao centenário, recordamos o feito de Jorge Varela, Paulo Soares e Flávio Fernandes na edição de 2015 da Rock'n'Roll Maratona Lisboa EDP, uma das mais prestigiadas provas internacionais da modalidade nobre do atletismo, com os três algarvios do Clube Desportivo Areias de São João, de Albufeira, a ficarem no Top 10 da classificação geral. O Algarve Informativo foi conhecer melhor estes homens, verdadeiras fontes de inspiração para as novas gerações, autênticos David’s a lutar contra os Golias do atletismo internacional e a provar que não são precisos mundos e fundos para se ter sucesso na maratona quando se corre por gosto. #90 ALGARVE INFORMATIVO
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manhã de segunda-feira começou bem cedo, como é costume, para Paulo Soares e Jorge Varela, a treinarem juntos na Mata do Ludo, não muito longe da azáfama do Aeroporto Internacional de Faro. Ao lado da dupla de maratonistas do Clube Desportivo Areias de São João, de Albufeira, corriam muitos outros homens e mulheres de diversas idades, uns ligados ao atletismo de forma mais séria, outros apenas por uma questão de condição física, às vezes logo ao nascer do sol, noutras ocasiões já depois do solposto, consoante os horários do trabalho. Do trio que esteve em destaque na mais recente edição do Rock'n'Roll Maratona Lisboa EDP apenas faltava Flávio Fernandes, atacado por uma forte gripe e impossibilitado de se juntar aos colegas de equipa para o treino diário. E se pensarmos que Jorge Varela é Subchefe de cozinha, que Paulo Soares é rececionista numa rent-a-car e que Flávio Fernandes é agente da PSP e que o atletismo é apenas uma paixão praticada de acordo com a disponibilidade profissional dos três, ainda mais valor têm o 5.º, 7.º e 10.º lugares alcançados, respetivamente, naquela que é uma das mais prestigiadas e concorridas maratonas do calendário internacional. Terminado o treino do dia, houve oportunidade para se conversar com o trio durante o pequeno-almoço e confirmar as dificuldades de quem não é atleta a tempo inteiro. “Comecei a correr na vila do Montenegro, em finais de 1983, início de 1984, com o treinador José Mendes, sempre dedicado ao atletismo e principalmente às longas distâncias. Quanto mais quilómetros ALGARVE #90
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tiver a prova, melhor eu me sinto”, conta Paulo Soares, 40 anos, rececionista na Auto Jardim, indicando que o Clube Desportivo Areias de São João foi Campeão Nacional de Masters, ficou em 5.º lugar no ranking de Estrada e em 6.º no Cross. “Com muito trabalho e esforço, mas conseguimos dar um grande destaque à nossa região”, salienta Paulo Soares, antes de passar a palavra ao amigo Jorge Varela, 35 anos, subchefe de cozinha no Real Marina Hotel & Spa de Olhão. “Também comecei a correr aqui no Montenegro, por incentivo do Paulo Soares, o meu primeiro treinador foi igualmente o José Mendes. Andei antes no futebol, como acontece com a maior parte dos miúdos, mas comecei a ganhar umas provas nas distâncias mais curtas, 800 e 1500 metros. Depois fiz uma paragem durante alguns anos, mas regressei aos treinos com a Ana Dias a pensar na maratona”, aponta. Flávio Fernandes é outro farense de gema, 36 anos, também ele praticante de atletismo desde miúdo, tendo apenas feito uma pausa dos 20 aos 25. “Mas fiz a minha estreia nas maratonas agora em Lisboa, normalmente faço provas mais curtas, meias-maratonas, cinco e 10 quilómetros, na estrada. Provas de pista é que já não faço muitas, são para a malta mais nova”, afirma, com um sorriso. O também atleta do Clube Desportivo Areias de São João desde que regressou à atividade mostrava-se satisfeito pelo resultado alcançado em Lisboa, mas julga que podia ser ainda melhor. “O Top-10 foi excelente, mas tive uma quebra muito grande nos
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últimos 10 quilómetros. Estava a fazer uma média de 34 minutos por cada 10 quilómetros e baixei para 41 minutos na fase final por causa de problemas musculares. Não basta estar em forma, a parte psicológica conta bastante, assim como as condições climatéricas, e estava à espera de fazer menos sete ou oito minutos”, reconhece. Mas se o brilharete na maratona de Lisboa foi o resultado mais recente e visível, o currículo do trio inclui outros títulos individuais. Assim, Jorge Varela é Campeão Regional de Estrada e CortaMato e, em 2014, chegou a estar selecionado para ir ao Mundial. Paulo Soares é uma presença habitual no pódio, umas vezes conquistando a medalha de prata, outras de bronze, pois Varela tem dominado, realmente, no plano regional. Já Flávio Fernandes é Campeão Nacional em Veteranos (+35 anos) nos cinco quilómetros em pista e de Corta-Mato Militar. Apesar disso, desde cedo perceberam que não conseguiam viver da prática desportiva. “Em Portugal é impossível. Se a época correr bem, até podemos trazer para casa uns trocados para ajudar a suportar as despesas, que são muitas, mas basta uma lesão que nos impeça de participar em algumas provas para nos abalar logo o orçamento. Os poucos patrocinadores que se conseguem arranjar não podem apoiar muito e os clubes também não têm capacidade para nos assegurar um rendimento estável”, explica Paulo Soares, que conta com o apoio da «EC Travel» de Eliseu Correia. Uma realidade confirmada por Jorge Varela, para quem o atletismo em Portugal é mais uma modalidade ALGARVE #90
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amadora. “O nosso ganha-pão é a profissão base de cada um, o atletismo é um vício, o escape do diaa-dia. É assim que pensamos e que levamos a nossa vida”, reforça o farense, acrescentando que nem os grandes maratonistas de outros tempos, atletas que foram a Europeus, Mundiais e Jogos Olímpicos, alguns até medalhados, levam uma vida fácil e desregrada depois de se aposentarem. “Todos se queixam das mesmas dificuldades, por isso, os governantes têm que decidir se querem apostar ou não no desporto”, refere Varela. E Flávio Fernandes segue pela mesma batuta, como seria de esperar. “Sempre estive ciente de que as probabilidades de ser atleta profissional eram reduzidas, mas são estas «vitórias» que nos dão ânimo para continuar a batalhar”. Um problema que afeta os atletas de uma forma geral, entende Paulo Soares, e não apenas os algarvios. “É uma questão de cultura. Em Portugal, só se canalizam meios para o futebol, é a única coisa que mexe realmente com as pessoas, todas as outras modalidades sobrevivem com os restos”, desabafa. Talvez por isso, nunca tenha sentido a necessidade de ir para um clube de outra zona do país e também não vê vantagens em competir em termos individuais. “Eu preciso de ter objetivos e de alguém que me incentive, e estar inserido num clube proporciona-me isso tudo”, justifica, apoiado por Flávio Fernandes. “Isto é um desporto complicado, sozinhos ainda seria mais difícil, já para não falar das questões burocráticas. É bom só nos
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preocuparmos com a parte da corrida”, entende, embora saiba que há outros aspetos que influenciam o rendimento dos atletas durante as competições, como verificou aquando da maratona de Lisboa. “É óbvio que facilitava termos ali ao lado um massagista, um médico, um nutricionista, ao invés de sermos nós a procurar esses profissionais pelos nossos meios ou a recolhermos nós as informações de que necessitamos. Mas esta é a realidade e temos que seguir em frente”. No caso de Jorge Varela, diz-nos que já houve épocas em que competiu de forma individual, sobretudo porque as responsabilidades profissionais não eram compatíveis com as exigências dum clube de participar nos campeonatos regulares. “É uma situação que nos dá maior liberdade, organizamos a época de acordo com os nossos critérios, mas estar federado num clube facilita nos aspetos logísticos, nas inscrições e deslocações. Sobre a vertente dos treinos, quando chegamos a seniores já conhecemos bem o nosso corpo e conseguimos gerir a nossa forma física porque estamos em atividade o ano todo”.
MUITO MAIS DO QUE SIMPLESMENTE CORRER Olhando para a Mata do Ludo constatamos, de facto, a presença de muitas pessoas a correr, umas para fins competitivos, outros apenas para manter a forma física, fenómeno que se repete um pouco por toda a região, logo pela manhã, ao final do dia, antes de começar a jornada de trabalho ou após o término ALGARVE #90
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dela, cada um tem as suas rotinas. Claro que correr com alguém é sempre mais fácil do que sozinho, ajuda a levantar às seis ou sete da manhã, às vezes ao frio e à chuva, ou ir para a estrada já pela noite dentro, quando muitos homens e mulheres já se preparam para ir para a cama. Mas, quando se é atleta a sério, mesmo que não a tempo inteiro, todos estes sacrifícios são encarados de forma natural. “Na maior parte das vezes corremos sozinhos, com os nossos pensamentos, seguindo o plano preparado pelos treinadores. Às seis da manhã, às 11 da noite, porque assim obriga o trabalho”, indica Paulo Soares, entendendo que o papel do treinador é fundamental, ainda mais quando as coisas não correm de feição. “Precisamos de um ombro amigo, de alguém que nos motive, que nos diga que é tempo de parar e repensar algumas coisas. Tenho muitos anos de atletismo, mas preciso de alguém que me acompanhe”, admite o rececionista da Auto Jardim. Jorge Varela partilha da mesma opinião e prova disso é que, acabada a prestação na maratona de Lisboa, no dia seguinte já estava a rolar por indicação do treinador. “Por minha vontade, tinha tirado uma semana para descansar e notei uma grande diferença de rendimento quando comecei a ter alguém que me orientasse nos treinos. É um desporto que exige descanso, cabeça, uma alimentação cuidada e tentamos aplicar tudo o que vamos aprendendo ao longo dos anos”, assegura. Quanto à motivação para manter esta dura rotina diária, mesmo sabendo-se que
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não se vai ganhar dinheiro com o atletismo, é tudo uma questão de mentalidade, considera Paulo Soares. “É diferente ir treinar só para se queimar umas calorias do que quando se tem objetivos bem definidos. Se queremos chegar às provas em boas condições para alcançarmos bons resultados, temos que fazer sacrifícios. Sabemos que as profissões estão em primeiro lugar e que temos que dedicar umas horas às famílias, portanto, entre umas e outras, temos que arranjar tempo para treinar”. De falta de condições para treinar é que o trio não se queixa, mas também esclarecem que não basta calçar uns ténis, vestir o equipamento e ir para a rua correr. “Para esta maratona começamos a treinar logo a meio de junho, quando toda a gente está na praia. Na altura em que estávamos a fazer as séries apanhamos com a pista de atletismo de Faro fechada e tivemos que ir para a estrada, o que complicou um bocado”, lembra Varela, com Paulo Soares a realçar que nunca houve tantas pistas de tartan no Algarve como agora, desde Vila Real de Santo António até Lagos. “Antigamente havia apenas a pista das Açoteias, a mata do Liceu de Faro, mais uma ou duas de terra batida. Hoje, o problema é cativar os jovens para que treinem ao nível das condições que têm. Quanto ao Ludo, acho que é o sonho para qualquer atleta do mundo, este espaço verde todo até à Quinta do Lago, ar puro, uma vista fantástica para a Ria Formosa aqui em redor do Aeroporto. Se quisermos fazer um bocadinho de serra, temos o Cerro de São Miguel, a zona da Falfosa. Temos, se calhar, o melhor Centro de Estágios da Europa em Vila Real de Santo António”. ALGARVE #90
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Clubes também não faltam, embora Jorge Varela acredite que nunca é demais apostar no atletismo, mesmo ao nível de escolas privadas que comecem a treinar jovens em tenra idade. “Graças a isso têm aparecido alguns jovens de valor, desde a velocidade às disciplinas técnicas, falta é apoiar mais o patamar que se segue. É fácil chegar a Júnior e Sub-23, as dificuldades aparecem quando é altura de passar a Sénior. É o tempo de ir ou não para a universidade, de tomar as decisões que vão influenciar a nossa vida”, avisa, com Flávio Fernandes a admitir que não aconselhava ninguém a abdicar dos estudos ou da sua carreira profissional para se dedicar a 100 por cento ao atletismo. “Um miúdo chega aos 20 anos e depois não consegue sobreviver disto, mesmo que seja muito bom. O atletismo também tem uma vida competitiva curta, não é um garante de futuro”, justifica. Por outro lado, Paulo Soares acredita que subir de patamar não implica assinar por um grande clube nacional como o Sporting ou Benfica. “É lógico que um clube sonante abre outras portas e que recebe mais convites para participar em competições internacionais, mas eu prefiro estar no Areias de São João”, garante. “O mais importante é a nossa motivação pessoal. Já estive no Benfica e no Maratona, mas sou algarvio e é pelo Clube Desportivo Areias de São João que corro com gosto. Estar num clube maior apenas seria bom se trouxesse melhorias significativas à nossa vida pessoal. Não vale a pena trocar de
camisola para continuarmos a ter as mesmas dificuldades”, considera Jorge Varela. “O atletismo tem morrido muito nos últimos tempos e os apoios financeiros caíram a pique. Um profissional que, há uns anos, podia ganhar quatro ou cinco mil euros, agora ganha mil. Os portugueses queixam-se que vão poucos atletas, ou com menos qualidade, aos Jogos Olímpicos, mas durante quatro anos ninguém se lembra que treinam sem ajudas de ninguém, que pagam as despesas do seu próprio bolso. É ingrato”, lamenta Flávio Fernandes. Diferente seria, eventualmente, a questão dos patrocinadores pessoais, mas os entrevistados alertam que nem nas cidades maiores abundam os apoios financeiros aos atletas. “Os patrocínios
surgem de amizades que vêm de infância ou de outras pessoas que vamos conhecendo ao longo do nosso trajeto. O Eliseu Correia apostou em nós porque a sua empresa está sedeada no Algarve e eu também sou um dos representantes da «Core» e tentamos ao máximo justificar essas ajudas”, frisa Varela, que vai tentar agora apurar-se para o Europeu de Corta-Mato, bem como melhorar a sua marca na maratona. Até ao final do ano, Paulo Soares tem previsto participar na Corrida de São Silvestre e, em janeiro, arrancam os campeonatos regionais, em que Flávio Fernandes também vai apostar forte. Em março disputa-se o Campeonato Nacional de Corta-Mato, no Cross Internacional das Amendoeiras, e o trio, a correr em casa, quer dar outra vez nas vistas . #90 ALGARVE INFORMATIVO
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CINETEATRO LOULETANO COM PROGRAMAÇÃO PARA TODOS OS GOSTOS NO PRIMEIRO SEMESTRE DE 2017
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Cine-Teatro Louletano vai continuar a apostar, em 2017, numa linha de atuação baseada em critérios de qualidade, diversidade e originalidade, além de propostas mais convencionais e dirigidas a um público mais generalista, mas não enjeita igualmente uma intervenção mais arrojada no primeiro semestre. Assim sendo, avança com uma programação experimental, interdisciplinar, questionadora e de cariz contemporâneo que visa a captação e consolidação de novos públicos, posicionando-se como um equipamento cultural de referência na região algarvia e no sul de Portugal. Na área do Teatro destaca-se, logo em janeiro, a apresentação de «Leôncio & Lena», criação de João de Brito que venceu o 1.º Convite à Criação lançado pela Rede Azul - Rede de Teatros do Algarve. A peça reflete sobre a identidade cultural do Algarve, nomeadamente sobre os contrastes e paralelismos entre o barlavento e o sotavento a partir de uma história de amor. Ainda em janeiro chega a Loulé, em estreia na região, «O Nome da Rosa», uma maratona teatral com Rosa Mota, aqui numa parceria com o Teatro Municipal do Porto. É um espetáculo surpreendente, criado pelo prestigiado Pedro Penim, do Teatro Praga, que conta com a participação de Rosa Mota em palco, contracenando com talentosos #90 ALGARVE INFORMATIVO
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atores, e revisita o seu glorioso percurso na área desportiva. Pelo palco do Cine-Teatro passam ainda: o importante trabalho de investigação de Luísa Monteiro sobre os portugueses e o holocausto, que resultou na peça «O judeu que guardou portugueses no Quarto de Van Gogh», em fevereiro; a inquietante e perturbadora peça «A Noite Canta», de Tiago Correia, a partir de um texto fundamental de Jon Fosse; «A Noite da Iguana», com os aclamados atores Maria João Luís e Nuno Lopes (entre outros), a realizar em março no âmbito do Dia Mundial do Teatro; ou, em maio, a peça «Pájaro», da Fundación Teatro a Mil, que ruma a Loulé vinda diretamente do Chile. Para os amantes da Sétima Arte são muitas e variadas as sugestões. Em janeiro, destaque para a 3ª Mostra Internacional de Cinema Social, que inclui filmes como o aclamado documentário «Human», de Yann ArthusBertrand, ou «De Cabeça Erguida», com a atriz e realizadora francesa Emmanuelle Bercot. Realce também para a VII Mostra de Cinema da América Latina (no final de janeiro), a 10ª Festa do Cinema Italiano (maio) e, quase a fechar a temporada, em junho, a primeira ALGARVE #90
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apresentação no Algarve de «Cruzeiro Seixas - As cartas do Rei Artur», documentário da realizadora louletana Cláudia Rita Oliveira sobre a intensa relação de Seixas com o surrealista Mário Cesariny.
VOZES FEMININAS EM DESTAQUE Na Música, de salientar o lançamento de um novo ciclo programático intitulado «Femina», que ao longo de 2017 incluirá concertos com grandes vozes no feminino, privilegiando a apresentação de novos álbuns e conversas do público com as artistas: as primeiras convidadas são Teresa Salgueiro (janeiro), Rita Redshoes (fevereiro), Luísa Sobral (março) e Aurea (abril). Uma palavra ainda para um ciclo musical muito especial que acontece em fevereiro, numa parceria com o São Luiz Teatro Municipal, denominado «Avenida Paulista» e que traz ao Algarve grande nomes da nova música brasileira como Dom La Nena, MOMO, Dani Black & Mariana Aydar e Marcia Castro para concertos que se esperam surpreendentes e contagiantes, dando a
conhecer ao público algarvio o que de melhor se produz atualmente no Brasil. Prossegue o ciclo programático «O Longe é Aqui» que, depois de quatro diálogos musicais inéditos já realizados em 2016 entre artistas/grupos louletanos e reconhecidas figuras do panorama nacional, apresenta agora um encontro entre Perigo Público (hip hop) e os Couple Coffee (em fevereiro, em Quarteira, no âmbito do programa comemorativo do centenário da freguesia de Quarteira), outro que junta o Trio de Jazz de Loulé a Pedro
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Abrunhosa (em maio) e ainda um concerto em que a Banda Filarmónica Artistas de Minerva interage com os Virgem Suta (junho). Ainda na vertente musical, destaque para o concerto de Camané com Mário Laginha, reinventando o fado em fevereiro, bem como, em março, para um espetáculo interdisciplinar inédito que junta João Afonso (sobrinho de José Afonso) a Luís Galrito e convidados (O Barco do Diabo) para assinalar os 30 anos sobre o falecimento do incontornável cantautor José Afonso e, em especial, as suas ligações afetivas, simbólicas e musicais ao Algarve.
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Em maio, comemora-se o Dia Mundial do Acordeão (a 6 de maio) com tertúlia e concerto com prestigiados músicos, numa organização da Mito Algarvio Associação de Acordeonistas do Algarve, e estende-se a Loulé o festival «Segredos de Lucía», organizado pelo Município de Castro Marim e com o apoio do programa «365 Algarve» e da edilidade louletana, e que conta com a participação do Pedro Jóia Trio e de um convidado especial louletano numa homenagem ao mago da guitarra Paco de Lucía. Mas haverá ainda os concertos em Loulé com a Orquestra Metropolitana de Lisboa e Laurent Rossi (este sobre a História da Trompa) inseridos no FIMA - Festival Internacional de Música do Algarve, que regressa após um interregno, agora pela mão da Orquestra Clássica do Sul e no âmbito do programa «365 Algarve».
reconhecida Companhia de Música Teatral centrada na arte para a infância, sendo esta área uma prioridade estratégica do Cine-Teatro a nível da sua intervenção, procurando colmatar lacunas na região algarvia a nível de formação, debate e reflexão, e apresentação de inovadoras propostas performativas destinadas às primeiras infâncias. Esta parceria envolverá a Universidade do Algarve e a Rede Azul.
ARTE PARA A INFÂNCIA É PRIORIDADE Uma outra inovação programática prendese com o início de uma parceria de continuidade, ao longo de 2017, com a #90 ALGARVE INFORMATIVO
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Os «Cenários - Mostra de Teatro de Loulé» prosseguem com mais uma edição, valorizando, estimulando e promovendo as associações culturais do concelho com valências nessa área e descentralizando a oferta teatral. Depois da edição inaugural em 2016, o «Som Riscado - Festival de Música e Imagem de Loulé» volta a apostar num cartaz surpreendente em torno dos diálogos entre som e imagem. Também no âmbito do programa «365 Algarve» regressam os Encontros do DeVIR para a sua 3ª edição, sob o tema «cidades utópicas, cidades possíveis», com duas apresentações em Loulé que pensam e questionam os territórios e as comunidades. O Cine-Teatro continua a dinamizar as rubricas regulares «Dos Sabores da Cultura» e «Conversas à Quinta», por aí passando, em 2017, nomes como ALGARVE #90
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Horácio Costa (do bar Bafo de Baco), Padre Carlos Aquino, António Clareza, José Carlos Fernandes e Jacinto Lucas Pires, em sessões intimistas e informais de partilha, cumplicidade e debate. A aposta na Dança é uma tónica na programação, não só numa vertente mais interdisciplinar e contemporânea com uma estreia absoluta no Algarve, o novo espetáculo «Suspensão», da Companhia Clara Andermatt (em abril), e a performance «Interferências», pela «corpodehoje», mas também a pensar nos amantes do Tango e do Flamenco, com dois fins de semana dedicados a esses universos, os quais incluem concertos e workshops. O Humor também subirá ao palco do Cine-Teatro com Pedro Tochas (fevereiro) e Nilton (junho), e a relevância atribuída à oferta educativa destinada à comunidade escolar e às famílias do concelho mantém-se com a apresentação de dois espetáculos de exceção em estreia no Algarve: «Barlavento», um concerto com canções tradicionais, numa contagiante dramaturgia musical, sonora e visual, a cargo dos inspiradores Carla Galvão, Fernando Mota e Rui Rebelo; e «A Cidade da Tristeza Profunda», uma surpreendente parábola sobre o poder da música com os Dead Combo .
FESTIVAL DE MÚSICA AL-MUTAMID EM PÉRIPLO PELO ALGARVE trono de Sevilha, o reino mais forte entre os que surgiram em al-Andalus após a queda do Califato de Córdoba. Em 1088 foi destronado pelos almorávides e recluído em Agmat, a sul de Marrakech onde viria a falecer em 1095. O seu túmulo, conservado até hoje, tornou-se símbolo dos mais belos tempos de AlAndalus.
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m Janeiro de 2000 realizou-se a primeira edição do Festival de Música al-Mutamid, evento musical itinerante que surgiu com o duplo objetivo de resgatar e divulgar a música que durante séculos inundou bazares, medinas e palácios do Gharb al-Andalus, mas também responder à escassez cultural então existente na denominada época baixa de turismo do Algarve. 17 anos depois, a realidade cultural do Algarve é bem diferente, no entanto, o Festival de Música al-Mutamid manteve os seus dois objetivos iniciais inalterados. Ao longo de quase duas décadas, este evento realizou-se ininterruptamente, e sempre com o suporte de um público ávido em conhecer mais profundamente a música árabe-andalusí e oriental, com atuações de grupos especializados no resgate dos sons de al-Andalus, mas também na música e dança do Médio Oriente. O festival é pioneiro e apresenta caraterísticas únicas em Portugal, sendo uma homenagem ao rei poeta alMutamid, filho e sucessor do rei de Sevilha AlMutadid. Muhammad Ibn Abbad (al-Mutamid) nasceu em Beja (1040) e foi nomeado governador de Silves com apenas 12 anos, tendo aí passado uma juventude refinada. Em 1069 acedeu ao
PROGRAMA: MUHSILWAN - Música afro-árabe 27 janeiro > 21:30 Convento de São José (Lagoa) 28 janeiro > 21:30 Sala [CA]2 Centro Cultural António Aleixo (Vila Real de Santo António) AL-BASHIRAH - Música árabe-andalusí, giro sufi e dança tanora 3 fevereiro > 21:30 Teatro Mascarenhas Gregório (Silves) 4 fevereiro > 21:30 Auditório Municipal de Albufeira (Albufeira) EL LAFF - Música árabe e dança oriental 10 fevereiro > 21:30 Cine-Teatro Louletano (Loulé) 11 fevereiro > 21:30 Centro Cultural de Lagos (Lagos) NYFTYS ENSEMBLE - Música e dança oriental 18 fevereiro > 21:30 Auditório Municipal de Lagoa (Lagoa) .
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