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ALGARVE INFORMATIVO #87

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ALGARVE INFORMATIVO 10 de dezembro, 2016

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TEATRO DO SÓTÃO quer desmistificar a Doença Mental 6.º Aniversário EC Travel | 8.º Concurso de Fado Amador de Loulé ALGARVE INFORMATIVO #87 1 Vila do Bispo na Rota Omíada| Fundação de Serralves expõe em Faro


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8 - Algarve assinou Contratos Locais de Segurança 16 - 8.º Concurso de Fado Amador de Loulé 22 - 6.º Aniversário EC Travel 44 - Vila do Bispo na Rota Omíada 56 - Teatro do Sótão 66 - Fundação de Serralves expõe no Museu Municipal de Faro

OPINIÃO 6 - Daniel Pina 32 - Paulo Cunha 34 - Paulo Bernardo 36 - José Graça 38 - Mirian Tavares 40 - António Manuel Ribeiro 42 - Augusto Lima

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Doidinhos somos todos nós !!! Daniel Pina

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m estudo recente de José Caldas de Almeida, presidente do Lisbon Institute of Global Mental Health, afirma que um terço da população portuguesa sofre de perturbações mentais. Um terço, isso mesmo, qualquer coisa como três milhões e meio de portugueses. E o cidadão comum fica incrédulo, não acredita, como é possível tanta gente andar maluquinha das ideias? A este ritmo, não demora muito tempo para metade dos portugueses ter menos um parafuso na cabeça. Lá está o tal problema da generalização resultante da falta de informação e da velocidade a que o ser humano tira conclusões erradas baseadas em dados insuficientes. Porque estamos habituados a associar a doença, ou perturbação mental, aos esquizofrénicos, aos maníaco-depressivos, àqueles indivíduos estanhos com múltiplas personalidades, conceitos frequentemente explorados pelas séries de televisão e filmes de cinema. Aliás, quando alguém comete um crime hediondo e diz que tinha umas vozes na cabeça a mandarem-no fizer isto ou aquilo, é porque vai querer alegar insanidade mental para escapar a uma pena de prisão mais dura. Por isso, sempre que se fala em doença mental, imaginamos logo um tremendo bicho-papão, homens e mulheres com problemas sérios e que dificilmente serão solucionados, que não poderão dar um contributo válido para a sociedade, que devem é estar isolados para não serem um risco para a comunidade. Nem nos preocupamos em tentar saber mais sobre o assunto, metemos logo o rótulo de «maluquinho». Mas, quando um estudo diz que um terço dos portugueses sofre de algum tipo de doença mental, então já somos obrigados a pensar sobre o assunto, nem que seja para descobrirmos se fazermos parte desse terço ou não. Num instante compreendemos que é tão fácil saber mais sobre as perturbações ou distúrbios mentais e que muitas doenças mentais têm causas conhecidas para as quais existem tratamentos eficazes e que permitem às pessoas levar uma vida relativamente normal. Isto se não forem barradas pelos preconceitos, pelos estigmas, pelo tal rótulo de «maluquinho» com quem ninguém quer trabalhar,

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ou que ninguém quer ter como vizinho. Mas, se pesquisarmos mais um pouco, verificamos que, de facto, entre as doenças mentais encontram-se patologias como a depressão e doença maníacodepressiva, a esquizofrenia, as fobias e as perturbações obsessivas-compulsivas, mas também lá se encontram as perturbações de comportamento alimentar como a anorexia nervosa e a bulimia, e ninguém fica em pânico por ter um colega de trabalho ou um vizinho que sofra dessas perturbações mentais. Convém lembrar também que, tal como em qualquer doença física, ninguém está imune a sofrer de uma doença mental. Isso mesmo comprova o tal estudo, que constatou um aumento de portugueses a sofrerem de perturbações mentais fruto da crise económica que o país viveu no início desta década. E quantos de nós, atafulhados em trabalho, volta e meia não disparamos algo do género “qualquer dia fico doido com isto” ou “isto é de uma pessoa ficar maluca”? Desabafos de ocasião, motivados por situações de stress, que largamos da boca para fora de maneira inocente, mas a verdade é que, em certos casos, essas situações de stress podem mesmo gerar doenças mentais. Ora, vem toda esta conversa a propósito de uma peça de teatro inclusivo a que fui assistir esta sextafeira à noite, a São Brás de Alportel, levada a cena pelo «Teatro do Sótão», da ASMAL - Associação de Saúde Mental do Algarve. Houve quem me dissesse, em tom de brincadeira, que ia ver teatro de maluquinhos, mas eu não vi nenhum maluquinho em cima do palco. Vi pessoas um pouco diferentes, que padecem de algum tipo de perturbação mental, mas que estão a ser acompanhadas por técnicos especializados e a ser devidamente medicadas e isso permite-lhes viver em comunidade e, naquela noite em particular, ser ator e atriz numa peça de teatro. Portanto, vamos lá tentar acabar com as generalizações abusivas e deixar de meter tudo no mesmo saco, caso contrário, temos que concluir que, afinal, doidinhos somos todos nós… .

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Ministra da Administração Interna veio ao Algarve assinar Contratos Locais de Segurança Constança Urbano de Sousa, Ministra da Administração Interna, deslocou-se ao Algarve, no dia 5 de dezembro, para assinar os Contratos Locais de Segurança com os 16 municípios algarvios. Durante a sessão, que aconteceu em Loulé, Isabel Oneto, Secretária de Estado Adjunta e da Administração Interna, voltou a explicar as diferenças e mais-valias destes contratos de segunda geração, cujos resultados deverão ser visíveis no médio e longo prazo. Texto:

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Sala da Assembleia Municipal de Loulé foi palco, na manhã no dia 5 de dezembro, da assinatura dos Contratos Locais de Segurança com os 16 concelhos algarvios, numa cerimónia que contou com a presença da Ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, e da Secretária de Estado Adjunta e da Administração Interna, Isabel Oneto. A sessão iniciou-se com a intervenção de Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé, que considerou que as autarquias podem ter uma palavra importante a dizer nesta matéria, muito embora ela seja de caráter nacional e da responsabilidade direta do poder central. “Várias experiências europeias têm vindo a apontar que a segurança, quando pensada e intervencionada a nível local, pode acrescentar mais valor à segurança nacional porque as autarquias, por estarem mais próximas, podem atuar preventivamente em

relação aos acontecimentos e fatores que podem ser geradores ou constituir maiores ameaças à segurança”, justificou o edil louletano. Sendo a segurança um dos pilares da democracia, da sociedade e do país, esta exige adaptações e investimentos constantes, e isso mais importante se torna no Algarve, uma região aberta ao mundo e permanentemente visitada por turistas provenientes de todos os pontos do globo. “É imprescindível que a segurança seja efetiva, concreta e visível no Algarve. Sem ela, o nosso turismo não poderia alcançar os padrões de qualidade de que nos orgulhamos, nem o valor para a economia regional e nacional que as estatísticas bem comprovam”, frisou Vítor Aleixo, lembrando que uma parte substancial do orçamento

Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé 9

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Isabel Oneto, Secretária de Estado Adjunta e da Administração Interna

municipal de Loulé é precisamente destinada a esta matéria. “Estamos a investir 2,3 milhões de euros, num esforço conjunto entre a autarquia e o Ministério da Administração Interna, nas várias instalações da GNR de Loulé, Almancil, Quarteira e Salir”.

políticas públicas de segurança, haja a componente de infraestruturas, de equipamentos e viaturas, de modo a que as forças e serviços possam cumprir a sua missão”, adiantou a Secretária de Estado Adjunta e da Administração Interna.

Para apresentar os Contratos Locais de Segurança falou Isabel Oneto, que já anteriormente tinha andado num périplo por todos os concelhos da Região para preparar os CLS com os vários presidentes de câmara. “Todos aderiram de braços abertos a este projeto e numa perspetiva de podermos olhar para o Algarve como uma região que, em termos de segurança e de desenvolvimento, se está a consolidar e que está a criar o seu próprio caminho. Temos um conjunto de investimentos em andamento para que, a par das

Sobre os Contratos Locais de Segurança, existem três moldes nesta segunda geração, sendo que, na presente sessão, se iam assinar os contratos respeitantes ao «MAI Município». A esta tipologia acrescem os «MAI Bairro» e o «MAI Cidadão». “A segurança das pessoas e dos territórios faz-se numa articulação entre a administração central e a local, o Estado é uno em matéria de segurança e a segurança faz parte do papel de todos aqueles que exercem funções políticas e que podem desenvolver políticas locais de

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segurança ou políticas locais de desenvolvimento preventivas dos comportamentos desviantes”, explicou Isabel Oneto, entendendo que um dos grandes eixos de intervenção destes CLS é a prevenção da delinquência juvenil. “Há que quebrar o ciclo do rejuvenescimento dos gangues juvenis e defender as nossas crianças de um conjunto de situações a que muitas vezes acabam por sucumbir. Temos instrumentos e meios com capacidade para que as nossas crianças possam ter o seu projeto de vida”, defendeu. Isabel Oneto recordou ainda que a gestão do espaço urbano pertence às autarquias, daí a importância da articulação com o poder central para se identificar e eliminar fatores criminosos nos espaços público, escolar, organizacional e familiar. “Obviamente que o reforço da visibilidade policial é também uma componente, com a integração dos programas de proximidade que já estão em curso pelas forças de segurança. Precisamos proteger aqueles que podem ser vítimas da prática de crimes e promover a cidadania e a igualdade do género e isso passa por adaptar os comportamentos aos valores da igualdade, da vivência democrática e da justiça social”, reforçou.

Algarve aderiu em peso aos novos Contratos Locais de Segurança Neste novo formato pretende-se, então, não se estabelecer apenas um

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contrato entre o Ministério da Administração Interna e as Autarquias, mas procurar-se, previamente, um compromisso entre vários departamentos governamentais com responsabilidade em políticas locais, de maneira a melhor estarem articulados no terreno. “Procuramos também criar contratos locais de acordo com a especificidade do território a intervir, porque o país não é igual, nem as situações são todas idênticas. Por isso, há modelos para situações onde as taxas de criminalidade são baixas, como é o caso do Algarve, e outros modelos para zonas urbanas sensíveis onde as situações que se colocam são manifestamente distintas”, apontou a Secretária de Estado. Após a assinatura do Contrato Local de Segurança, os passos que se seguem serão a elaboração de um diagnóstico de segurança, a formulação do plano de intervenção, a implementação das medidas e a sua monotorização e avaliação, porque cada caso é um caso e há que se ir adaptando a metodologia à medida que os resultados forem sendo alcançados. “Espero que, a partir de hoje, entremos numa nova etapa nesta matéria e agradeço a todos os autarcas e forças de segurança a confiança que depositaram neste projeto”, finalizou Isabel Oneto. Concluída a assinatura dos Contratos Locais de Segurança com os 16 municípios algarvios, usou da palavra Jorge Botelho, presidente da ALGARVE INFORMATIVO #87


Jorge Botelho, presidente da Câmara Municipal de Tavira e da Comunidade Intermunicipal do Algarve

AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve, que indicou que o compromisso dos autarcas algarvios agora colocado no papel é baseado na necessidade da região possuir forças de segurança que articulem com as câmaras municipais, e vice-versa. “O Algarve tem uma baixa criminalidade num contexto muito difícil porque há um trabalho enorme de parceria no litoral, no barrocal e na serra. Um trabalho miudinho, feito no dia-a-dia, ao nível das freguesias e dos municípios, para que os nossos cidadãos se sintam seguros, mas também para que os milhões de turistas que aqui se deslocam também sintam que esta é uma região segura”, enfatizou o presidente da Câmara Municipal de Tavira. Os municípios algarvios estão, assim, fortemente empenhados em trabalhar ALGARVE INFORMATIVO #87

lado a lado com as forças de segurança, que também sentem as suas próprias dificuldades, com Jorge Botelho a confirmar a escassez de alguns equipamentos, nomeadamente no plano das viaturas. “Reforçar a questão deste compromisso institucional com as várias entidades que estão representadas no Algarve, no setor da segurança social, da educação, com o instituto do emprego, também permitirá identificar, de uma forma precoce, um conjunto de situações de risco ao nível da delinquência juvenil para inibir casos futuros. Obviamente que também devemos estar atentos à criminalidade em geral, é um trabalho que nunca acaba e, se hoje estamos bem, amanhã podemos não estar bem como pensamos”, alertou o autarca. 12


A terminar a cerimónia, a Ministra da Administração Interna destacou a importância destas parcerias com os autarcas algarvios para o sucesso da segunda geração dos Contratos Locais de Segurança. “É um novo desafio em prol da segurança, não só dos seus munícipes, mas de todos os que aqui trabalham e estudam, e daqueles que desfrutam dos encantos desta região nos seus momentos de lazer. Estes contratos partem do pressuposto que a prevenção criminal não é uma ação exclusiva das forças de segurança, devendo ser concertada com vários departamentos governamentais e contar com o envolvimento decisivo de diversas áreas governativas, desde a Educação à Segurança Social, passando igualmente pelo Trabalho”, frisou Constança Urbano de Sousa.

De acordo com a governante, o poder central não pode ignorar que o Algarve é um destino turístico de excelência e que, no Verão, deve haver um maior cuidado face aos picos de concentração populacional. “Hoje, enfrentamos um conjunto muito complexo de desafios. A paz pública, a prevenção, a repressão da criminalidade em geral e da delinquência juvenil em particular, e a construção de uma visão muito integrada de segurança são missões que devemos todos encarar como prioritárias”, apontou a Ministra da Administração Interna, acrescentando que os resultados desta política só deverão surgir no médio e longo prazo .

Constança Urbano de Sousa, Ministra da Administração Interna 13

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Inês Canteiro venceu 8.º Concurso de Fado Amador de Loulé O Cine-Teatro Louletano recebeu, no dia 2 de dezembro, a final da oitava edição do Concurso de Fado Amador de Loulé, uma organização da «Tudo Isto é Fado» e da Câmara Municipal de Loulé que percorreu, ao longo de várias semanas, as diversas freguesias do concelho. Apurados os finalistas, a grande vencedora foi Inês Canteiro, numa noite que foi ainda abrilhantada pelas soberbas vozes de Jorge Fernando e Fábia Rebordão. Texto:

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Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé, com a vencedora do 8.º Concurso de Fado Amador de Loulé, Inês Canteiro

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Concurso de Fado Amador de Loulé voltou à estrada, após alguns anos de descanso, e a oitava edição, organizada pela «Tudo Isto é Fado» e pela Câmara Municipal de Loulé, decorreu de 23 de setembro a 2 de dezembro, mercê do facto de, pela primeira vez, percorrer todas as freguesias do maior concelho do Algarve. Assim, muitas foram as noites de sexta-feira animadas pelas várias eliminatórias, que começaram na Sociedade Recreativa de Vale Judeu (São Sebastião), seguindo-se a Casa do Povo de Querença (União de Freguesias Querença, Tôr e Benafim), o Centro Comunitário de Salir (Salir), o Grupo Desportivo Ameixialense (Ameixial), a Casa do Povo de Alte (Alte), o Centro

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Social e Comunitário de Vale Silves (Boliqueime), o Salão do Centro Autárquico de Quarteira (Quarteira), a Associação Social e Cultural de Almancil (Almancil), e o Grupo Desportivo Barreiras Brancas (São Clemente). A grande final foi disputada no dia 2 de dezembro, no Cine-Teatro Louletano, numa gala que contou com a participação dos convidados especiais Jorge Fernandes e Fábia Rebordão. Antes disso, porém, escutaram-se as vozes dos concorrentes, uns estreantes, outros com mais experiência, mas todos eles amadores e divididos em duas categorias. Na categoria Revelação, para menores de 18 anos, cantaram 18


Renato Néné (Vila Real de Santo António), Beatriz Cavaco (Salir), Zélia Viana (Aljezur), Carlota Valério (Olhão), Marta Nascimento (Moncarapacho) e Rita Luz (Portimão). Na vertente de adultos atuaram Melissa Dourado (Vale Judeu), Carla Duarte (Portimão), Vânia Rodrigues (Alte), Joana Vales (Mourão), Filipa Nobre (Salir), Ivo Lima (São Brás de Alportel), Arnaldino Jacques (Quarteira), Alice Oliveira (Quarteira), Maria Infante (Moura), Alexandra Viana (Loulé), Amélia Mascarenhas (Estoi), Eva Zambujo (Sines), Inês Canteiro (Amadora) e Helena Rafael (Quarteira). Os fadistas foram acompanhados por Valentim Filipe à guitarra portuguesa, Tiago Filipe na viola e Tó Correia no contrabaixo, enquanto o júri era constituído por Conceição Leite, José Leal, José Bandarra, Teresa Viola e Isa de Brito. A eles coube a difícil decisão de escolher os vencedores do 8.º Concurso de Fado Amador de Loulé, sendo que a vertente Revelação foi ganha por Zélia Viana. Na principal categoria, o triunfo coube a Inês Canteiro, com Joana Vales a ficar em segundo lugar e Alice Oliveira a ocupar a terceira posição do pódio. No final, confirmado o sucesso da iniciativa, ficou a promessa de nova edição, em 2017, para dar a conhecer mais novos valores do Fado, Património Imaterial da Humanidade .

Carlos Carmo com a 2ª classificada, Joana Vales

Conceição Leite com a 3ª classificada, Alice Oliveira

José Leal com a vencedora da categoria Revelação, Zélia Viana 19

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EC Travel comemorou seis anos de vida com festa de arromba Eliseu Correia tinha prometido que a noite de 3 de dezembro ia ser inesquecível e não defraudou as expetativas, com cerca de 350 convidados a vibrarem intensamente com as atuações dos Fandango, Entre-Aspas, Deolinda e Bubba Brothers. Uma noite que foi também, como de costume, de solidariedade social, com mais de sete mil euros entregues à pequena Miriam Freitas, de São Brás de Alportel. Texto:

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Eliseu Correia com Sandra Domingos e Miriam Freitas

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noite de 3 de dezembro ficará certamente na memória das 350 pessoas que participaram na festa do 6.º aniversário da EC Travel, no Real Marina Hotel & SPA, em Olhão, unidade de cinco estrelas que esteve, durante este fim-de-semana, totalmente reservada para os muitos convidados e artistas do evento. Uma festa que começou cedo, com Eliseu Correia a dar as boas-vindas aos mais madrugadores logo a partir das 18h, trajados a rigor, com direito a pin e tshirt exclusivos e, claro está, a uma foto de recordação no photowall da praxe. As condições atmosféricas não estavam muito agradáveis, a chuva e vento faziam-se sentir com alguma intensidade, para desgraça dos penteados das senhoras, mas nada que 23

apoquentasse Eliseu Correia, que já está habituado a estas partidas do São Pedro. E habituados estão também os convidados, a nata do trade algarvio e nacional, empresários, hoteleiros, dirigentes associativos, que aceitaram prontamente o desafio para uma verdadeira maratona de animação e boa-disposição. Isto porque, dizia o programa, a festa ia prolongar-se quase até ao sol nascer. Com o hall de entrada muito bem composto, os primeiros artistas a entrar em ação foram os Fandango, projeto de Gabriel Gomes (Sétima Legião e Madredeus) e Luís Varatojo (Peste & Sida e A Naifa) que combina a música tradicional portuguesa com as novas sonoridades da música eletrónica. Feito o check-in dos ALGARVE INFORMATIVO #87


Pedro Cebola, do Centro de Apoio ao Sem-Abrigo de Faro, recebe de Eliseu Correia um donativo de dois mil e 500 euros

últimos convidados, foi tempo de rumar à sala de jantar, onde Eliseu Correia relembrou que a noite teria, como de costume, um caráter social, sendo que, este ano, todos os esforços estavam concentrados para ajudar Miriam Freitas, jovem de São Brás de Alportel portadora de paralisia cerebral. Para esse fim, encontravam-se mealheiros em todas as mesas, onde Eliseu Correia a sair do seu Aston Martin, na pele de James Bond poderiam ser colocados os donativos pessoais, com a certeza de que, também do contato profissional do diano final, a EC Travel iria acrescentar o a-dia, pelo que eram constantes as dobro do montante arrecadado. mudanças de lugar nas mesas vizinhas para se pôr a conversa em dia. Depois, foi a vez de se escutar os velhos hits O ambiente era de festa, de reunião da dos Entre-Aspas, com a banda de família EC, praticamente todos se Viviane e Tó Viegas a subir ao palco e a conhecem de outros eventos, mas ALGARVE INFORMATIVO #87

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Gabriel Gomes e Luís Varatojo constituem os Fandango

Os Entre-Aspas foram outros dos convidados especiais no 6.º aniversário da EC Travel 25

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Os Deolinda regressaram ao Algarve para mais um excelente concerto, desta vez no aniversário da EC Travel

fazer os presentes recuarem alguns anos ao passado, antes da vocalista ter abraçado uma carreira a solo. A jogar em casa, os Entre-Aspas puseram toda a gente a cantar e dançar e estava dado o mote para uma noite que seria, sem dúvida, de arromba. Os ponteiros do relógio já tinham passado a meia-noite quando todos os funcionários da EC Travel se juntaram a Eliseu Correia para a cerimónia do bolo de aniversário. Momentos emotivos, sobretudo para aqueles que estão nesta aventura desde o início, mas também para os mais novatos, que depressa são contagiados pela magia especial desta empresa. Em palco, e na sala, cantou-se o mítico «We Are The Champions» dos Queen, antes de Eliseu Correia soprar as velas e agradecer a presença de todos ALGARVE INFORMATIVO #87

nesta data especial. E mais tempo não havia para palavras, porque os Deolinda já estavam prontos para darem também o seu contributo. Ana Bacalhau e seus compinchas voltaram a mostrar o porquê de serem uma das principais bandas portuguesas da atualidade, com o novo fado misturado com o pop a deixarem em delírio os convidados, portugueses e estrangeiros. Enquanto isso, Eliseu Correia desaparece de cena, assim como duas dezenas de jovens, e começa a notar-se um frenesim no hall de entrada do Real Marina Hotel & SPA, que tinha, inclusive, uma nova decoração, montada há poucos instantes. Um cenário que nos transportava para o ambiente dos 26


As deslumbrantes Bond Girls à espera dos Bubba Brothers, no hall de entrada do Real Marina Hotel & SPA

Depois das bandas convidadas, a festa continuou quase até ao nascer do sol com a atuação dos Bubba Brothers Justino Santos e Eliseu Correia 27

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Eliseu Correia prestou uma emotiva homenagem a Conceição André, Natalie Jesus e Marco Jesus, que estão na EC Travel desde o arranque da atividade da empresa

filmes do mais famoso espião de todos os tempos, James Bond, não fosse o tema da festa precisamente «006 – Licença para Vencer». Terminado o concerto dos Deolinda, ficou-se a saber que os donativos para a causa da pequena Miriam tinham superado os dois mil euros, com Eliseu Correia a juntar mais cinco mil euros ao bolo, uma ajuda importantíssima para Sandra Domingos prosseguir com os tratamentos da filha rumo às melhoras que todos nós desejamos se venham a concretizar. E foi com esta boa notícia que o foco das atenções se virou para o hall e não foi preciso esperar muito tempo para se ouvir o feroz rugido do Aston Martin de James Bond a entrar pelas portas do hotel adentro. ALGARVE INFORMATIVO #87

Saem Eliseu Correia e Justino Santos, agora na pele dos Bubba Brothers, que são imediatamente rodeados por duas dezenas de estonteantes Bond Girls. É com esta lindíssima escolta que os dois ocupam a sua posição junto às mesas de mistura, para mais uma atuação fantástica duma dupla de dj’s que deu bastante nas vistas ao longo de 2016. Assim prosseguiu a festa, quase até ao sol nascer, com a esmagadora maioria dos convidados a não arredar pé enquanto não soou a última música. Agora, é esperar por 2017, com a festa do aniversário a realizar-se em conjunto com a gala de atribuição dos Algarve Travel Awards .

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Que desperdício tanto desperdício! Paulo Cunha

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alvez devido à educação e vivência no seio de uma família onde se valorizava o que se tinha, sempre me fez confusão conviver com situações em que via desperdiçar e deitar fora determinados bens em condições de serem utilizados ou consumidos. Com o passar do tempo, essa sensação agudizou-se na proporção direta com o maior conhecimento de uma realidade, a vários níveis, atentatória à dignidade humana. Daí continuar a ter alguma dificuldade em lidar com o progressivo culto ao desperdício que muitos praticam em nome da necessidade de estar em constante sintonia com o progresso. Um aparente progresso onde a matéria é tratada como se não fosse finita e o desejo de consumir por parte dos povos ditos mais desenvolvidos se transformou num impulso compulsivo de autossatisfação. Se observarmos com olhos de ver (e de sentir) as várias realidades que nos rodeiam, constataremos a pouca importância que é hoje dada à sensibilização e à educação para o (re)aproveitamento e reciclagem de recursos colocados ao nosso dispor. Todos os dias somos, desde que acordamos, subliminarmente sugestionados - de forma virtual e real - a consumir de forma desenfreada e desnecessária. Basta fazermos um pequeno exercício de introspeção e autoanálise para aferirmos a forma como lidamos com os bens que tornamos nossos para logo de seguida deles prescindirmos de forma não reutilizável e definitiva. Quantas vezes não damos por nós a servirmo-nos de comida que, depois da refeição, em grande parte, é despejada no lixo? Quantas vezes, em nome de modas e caprichos, compramos peças de vestuário ou de calçado que se irão amontoar em armários atafulhados de bens inertes e desnecessários? Quantas vezes não cedemos aos pedidos dos nossos filhos para adquirir «consumíveis» de curta validade, pois no ano seguinte serão substituídos pela nova geração dos previsíveis sucessores? Quantas vezes não adquirimos utensílios «baratos» que pela sua total inutilidade se irão tornar caros? ALGARVE INFORMATIVO #87

Como se costuma dizer: “Há males que vêm por bem!”, o que parece ter sido o caso com a malfadada crise económica/financeira que nos bateu à porta e que, instalando-se, nos fez reinventar uma nova forma de olhar e pensar o consumo. Este «back to basics» forçado tem-nos mostrado que é possível fazer bem e com igual qualidade com menos recursos. Como? Cortando nos excessos e nos desperdícios e programando e estruturando uma nova forma de gestão dos bens disponíveis. Diz o povo, e com razão, que: “Quem não tem dinheiro, não tem vícios!”. Ora, extrapolando esta pérola da sabedoria popular para o nosso quotidiano, é bom de ver que andamos viciados em bens de consumo supérfluos, desbaratando o dinheiro que nos fazem crer que temos, mas que afinal de contas não é nosso! Passamos por esta vida queixando-nos que o dinheiro não dá para nada, mas ao mesmo tempo endividamo-nos para comprar o que não precisamos, desperdiçando recursos finitos e perdendo oportunidades de deixar um mundo melhor para os vindouros. Incongruências de uma sociedade que adotou o ter para ser, quando afinal tem tudo para apenas ser… Feliz! Basta olhar para todos aqueles que com tão pouco partilham o pouco que têm, enquanto outros tantos, de compra em compra, de moda em moda, de atualização em atualização, continuam em constante insatisfação. Desperdícios que em épocas festivas como a que ora entramos, me fazem aqui desabafar sobre esta estranha forma de convivermos com tantas assimetrias tão pouco natalícias. Natal é nascimento, mas é também deixar nascer dentro de nós a consciencialização que podemos mudar o mundo de muitos que chamariam aos nossos desperdícios, Natal. Por isso, do Natal gosto do seu espírito, e não do espírito da «coisa» comercial em que o Natal se tornou. E porque o espírito não se dá nem se recebe, partilha-se… deixo-vos aqui o desejo que o bem-estar e a alegria dos outros seja o vosso/nosso Natal. De preferência todo o ano! . 32


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Pane Seca Paulo Bernardo

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ane seca foi um termo que aprendi da forma mais errada na minha última passagem pelo Brasil e não é mais que o motor ficar sem combustível em andamento. Como é óbvio, é mais grave num avião e foi isso que aconteceu na queda do avião com a equipa de futebol do Chapecoence. Foi um momento de choque, mas que me colocou a refletir sobre a pane seca no mundo. O mundo hoje vive uma avidez de consumo, consumo esse que obriga a que se ultrapassem limites que até há bem pouco tempo seriam considerados completamente ilegais. O que quero dizer é que, para se baixar preço, colocaram-se as fábricas em países onde as leis laborais não protegem minimamente o trabalhador. É sabido que a maior parte dos sapatos desportivos que os nossos filhos usam são produzidos por crianças talvez mais novas que eles. É sabido que a bola que saltita com alegria à nossa frente é feita por uma criança que nunca poderá jogar à bola. Somos atendidos no banco por jovens que nunca poderão vir a ser Banqueiros. Grandes consultoras usam aqui na Europa trabalho quase escravo, fomentando a competição entre estagiários que procuram um lugar ao sol e nós pagamos a peso de ouro os seus serviços. Poderia estar aqui o resto do dia a enunciar situações destas, pois o mundo hoje vive praticamente sem combustível, tenta-se fazer milagre de aterrar em pane seca. A morte da equipa de futebol em breve apenas irá ser recordada pelos familiares, e nada irá mudar.

objetos, mais e mais e, no fim, objetivamente apenas temos mais lixo. Lixo esse que causou a infelicidade da maior parte do globo. Existe sempre aquele marketing moral, que é melhor as criancinhas estarem a trabalhar, fazendo bolas de futebol e ganharem uma lata de arroz do que passar fome. Não. O que é certo é uma criança não fazer bolas de futebol, mas estar na escola, aprender, evoluir, para poder ajudar a melhorar o seu mundo. Não quero comprar bolas a três euros, quero ter menos bolas a 10 euros e ajudar a que o mundo fique melhor. A última geração inteligente neste mundo julgo que terá sido a do meu avô, que tudo fazia, mesmo que inconscientemente, para que existisse uma sustentabilidade. Comia os produtos alimentares na sua época, alfaces no Inverno e tomates no Verão. Nada de saladas mistas, não havia a necessidade de uma exploração louca e química do solo para que tudo surgisse rápido e sem sabor. Andava a pé, não tinha a necessidade de fazer caminhadas, tinha apenas o que necessitava. Poderíamos dizer que a casa dele hoje teria um estilo minimalista, apenas lá estava o que fazia falta. Nada mais. E mesmo sem curso de piloto sabia gerir a sua vida sem entrar em pane seca. Não podemos caminhar neste percurso da nossa felicidade ser a infelicidade dos outros. Temos, sim, que abrir os olhos rapidamente, pois o mundo está a ficar sem combustível moral para manter uma situação equilibrada. Não é por falta de dinheiro, é sim por uma errada distribuição e uso do mesmo .

Normalmente, o Homem não tira ensinamentos da história, por isso, irá repetir-se em outras situações. E para quê? Para ter mais roupa, mais ALGARVE INFORMATIVO #87

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Estamos juntos ou nem por isso?! José Graça

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lgumas crónicas atrás sublinhei o trabalho verdadeiramente digno de Hércules que os algarvios têm para alcançar os seus desígnios e conquistar aquilo que deveria ser seu por direito próprio ou merecem pelo seu contributo relevante para a economia nacional… Nos últimos dias, fruto de algum esquecimento oportunista, um partido que esteve no poder mais de metade do tempo que já leva a Democracia portuguesa neste sua nova vida lembrou-se que o Novo Hospital Central do Algarve não estava incluído no Orçamento de Estado para 2017 (OE’2017). Como se não fosse nada, aprestou-se a aproveitar as sessões das assembleias municipais de novembro para apresentar e fazer aprovar uma moção defendendo a sua inclusão já depois do OE’2017 ser discutido e aprovado na Assembleia da República. De igual forma, assistiu-se ao deprimente espetáculo de alguns deputados do hemiciclo de São Bento a reclamarem tal averbamento e clamarem pela sua construção. Onde estiveram nos últimos quatro anos que ninguém ouviu tais reivindicações?! Sucintamente, o ex-presidente da Administração Regional de Saúde do Algarve, Rui Lourenço, veio esta semana relembrar nas redes sociais os passos mais importantes que foram dados ao longo da última década e meia. Desde o Despacho 19.946/2002 do ministro da Saúde, Luís Filipe Pereira, em que são constituídos os Grupos de Coordenação Interdepartamental para o lançamento das parcerias público-privadas, que inclui o Grupo Interdepartamental para o lançamento de uma nova unidade hospitalar no Algarve a desenvolver no Parque das Cidades Faro/Loulé, até ao despacho conjunto dos Ministros da Saúde e Finanças e Administração Pública de agosto de 2010 que aprova o relatório final de avaliação e seleção das propostas para a celebração do Contrato de Gestão, nos termos do qual são selecionadas para a fase seguinte, de negociação, as duas propostas apresentadas, foram oito anos de intenso trabalho interrompidos em 2011 com o programa de ajustamento da Tróica. Com a tal «saída limpa», nada impediria o governo de Passos Coelho de retomar as negociações, mas não foi assim…

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Antes pelo contrário, foram mais de dois anos de absoluto silêncio das entidades regionais de saúde sobre o assunto. Porém, vá lá perceber-se porque razões, a imprensa nacional anuncia a vontade das autoridades de saúde em criarem um Hospital Universitário em Faro, logo depois de ser soprada a intenção de acabar com a experiência desastrosa do Centro Hospitalar do Algarve ou de voltar a ceder aos privados a gestão do Centro de Medicina e Reabilitação do Sul, em São Brás de Alportel. Será que os algarvios não mereciam ouvir tais propostas ou decisões de viva voz da boca do Senhor Ministro da Saúde?! Os problemas do setor da saúde estiveram desde a primeira hora em cima da mesa dos decisores e responsáveis políticos da região, procurando-se soluções compatíveis com os constrangimentos financeiros da República Portuguesa, quer para valorizar as carreiras no Estado, quer para formar e atrair novos profissionais para o Algarve, apostandose numa cooperação mais estreita com a Universidade do Algarve, através da formação do Algarve Biomedical Center (ABC), um projeto verdadeiramente estruturante e que permite investigar, formar e colocar todo o conhecimento científico ao serviço dos profissionais de saúde. Com pouco mais de seis meses de vida, o ABC visa potenciar os cuidados de elevada qualidade nos seus vários níveis e colocar a sua experiência ao serviço dos utentes do Serviço Nacional de Saúde a curto, médio e longo prazo, otimizando os recursos existentes, identificando as falhas existentes e garantindo os fundos necessários para as suas atividades, assumindo o papel de embrião do futuro Hospital Universitário. Contudo, sabendo que não há varinha mágica que resolva todos os problemas, é este o tempo de arregaçarmos as mangas e continuar o caminho iniciado antes de 2002… juntos pelo Algarve! . (Membro do Secretariado Regional do PS-Algarve e da Assembleia Intermunicipal do Algarve)

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Sociedade do conhecimento (?) Mirian Tavares

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alar sobre o universo da Internet é pensar no conceito de Sociedade da Informação, ou do Conhecimento, que gerou uma das maiores falácias contemporâneas, a de que todos, em todo o lado, têm acesso à informação e, consequentemente, ao conhecimento. Em primeiro lugar, para ter acesso à informação é preciso ter meios, suportes e condições físicas básicas que uma parte significativa da população mundial não possui. Segundo dados recentemente apresentados pela ITU (http://www.itu.int/en/ITUD/Statistics/Documents/facts/ICTFactsFigures2016.pdf) 3,7 bilhões de pessoas permanecem sem acesso à Internet no mundo. O relatório «ICT Facts & Figures 2016» mostra que a penetração da Internet é de 81% nos países desenvolvidos, de 40% nos emergentes e de 15% nos países mais pobres. O percentual de indivíduos que utiliza a Internet é de 79,1% na Europa, de 65% nas Américas e de 66,6% nos países da Commonwealth. Os indicadores caem na Ásia/Pacífico, que tem 41,9%, nos Estados Árabes, com 41,6%, e na África, que tem o menor indicador mundial, com 25,1%. A importância de um relatório realizado pela ITU – União Internacional das Telecomunicações é indubitável e mostra-nos que apesar do aumento significativo do acesso aos aparelhos móveis um pouco por todo o mundo, este acesso não significa, nos países mais pobres, ligações à rede. Assim sendo, pensar no conceito de acessibilidade é, antes de tudo, pensar na ideia que lhe dá suporte, a de que vivemos numa Sociedade da Informação, o que, como os percentuais estatísticos nos dão a ver, não é um dado adquirido. O economista Fritz Machlup foi um dos primeiros a desenvolver o conceito de sociedade da informação. Seu trabalho culminou no importante estudo «The production and distribution of knowledge in the United States», de 1962. Nele refletia sobre uma questão que se tornou mais atual nos tempos que correm - o problema da tecnologia e o seu papel na sociedade contemporânea. A Sociedade da Informação - também chamado de Sociedade do Conhecimento ou Nova Economia – tem origem ainda no termo Globalização e encontra-se ainda em processo de formação e expansão, pois assenta num modo de desenvolvimento social e econômico em que a informação, como meio de criação de conhecimento, desempenha um papel fundamental na produção de riqueza e na contribuição para o bem-estar e qualidade de vida dos cidadãos. O que nos faz questionar se há, de

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facto, condição para a Sociedade da Informação avançar, pois a base da mesma é a possibilidade de todos poderem aceder às Tecnologias de Informação e Comunicação, presentes no nosso quotidiano, que constituem instrumentos indispensáveis às comunicações pessoais, de trabalho e de lazer. Além das condições socioeconómicas que dificultam ou impossibilitam o acesso à informação e, consequentemente, ao conhecimento, temos ainda outras questões da ordem do simbólico que dificultam o entendimento dos conteúdos aos que acedem quotidianamente ao mundo através dos diversos media. Ora, grande parte dos materiais veiculados pelos media tem como suporte a linguagem visual que exige uma capacidade de leitura ainda mais acurada para que a mensagem seja corretamente entendida e para que os consumidores não corram o risco de serem manipulados, pois ainda persiste a crença na imagem como reprodutora fiel do real. O mundo das imagens é também o mundo da sedução e do reconhecimento. E é, sobretudo, um mundo construído e ideológico. Ao acompanhar o processo de criação de imagens artísticas no ocidente, deparamo-nos com o ideal greco-romano que gerou, posteriormente, um modelo de representação. Observamos que o cânone ocidental assenta numa base político-ideológica e que, este modelo, conseguiu permanecer na História porque se tratava, aparentemente, do modo mais natural e/ou mimético, de se representar o mundo. Assim temos que uma imagem é fruto da consciência de uma dada realidade somada ao desejo de retratá-la/torná-la imortal. A partir do instante em que ela se cristaliza, torna-se visível e partilhável. A criação de um modelo de representação no mundo ocidental provocou o surgimento de um modelo ideal da própria humanidade. A ideia de mimese das imagens greco-romanas invadiu o imaginário coletivo e tornou-se um espelho, cuja predominância afastava qualquer outro modelo que não lhe correspondesse. E todos os que não se encaixavam (o resto do mundo) passaram a ser vistos como o outro. A alteridade, conferida aos que não comungavam o modo de representação ocidental, não se cingiu, porém, ao campo da imagem, tornando-se muito mais vasta ao ponto de transformar uma cultura, ou modelo cultural, no único e desejável cânone. Se o acesso ao conhecimento não é igual para todos e se há um modelo que se impõe, temos de repensar a muitas das frases feitas, e ideias requentadas, que circulam por aí .

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Porque a ignorância é santa António Manuel Ribeiro

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ra uma velha frase que eu ouvia em pequeno e que nunca deixou o breviário popular. A ignorância é santa porque questionar pode ser perigoso para os tabus serôdios e frágeis dogmas instalados. Como a estupidez é democrática, toca a todos sem distinção. Estou no regresso de um concerto diferente no Porto, não estou de ressaca porque esta é a resposta do corpo a uma intoxicação. A música não me intoxica, por esta comunico poemas que são ideias. E pelos acordes harmonizamos os corpos, entramos na dança molecular da vibração – é simples afinar a vida. Quando ontem parámos na estação de serviço de Santarém a caminho do norte, provei com curiosidade um pastel de cereja (ideias novas fazem muita falta), parecido com o de nata, e um café, enquanto um estúpido e vergonhoso filme passava na TVI 24, mostrando o interior do avião que há dias caiu entre o Brasil e a Colômbia e matou 70 pessoas, uma equipa brasileira de futebol incluída, a Chapecoense. Havia conversas entre jogadores, treinador e dirigentes com a felicidade estampada no rosto, votos e desejos, declarações pessoais. O filme chegou aos vivos que consomem morbidez por um canal de TV, certamente dezenas ou centenas pelo mundo inteiro, distribuindo os últimos momentos da vida de um grupo de seres humanos que um tempo depois passariam para outra dimensão. Consumimos, deixamos que nos intoxiquem com misérias atrás de misérias, porque a sofreguidão das audiências puxa publicidade e esta gera lucros, a qualquer preço – é preciso ir mais além, escavacar, prender a curiosidade, soterrando a ética. Há uns anos escrevi numa crónica de imprensa que a justiça em Portugal ficava-se pelos inquéritos e estes, prolongados, resolvidos por arquivamento, que é uma bela forma de fingir justiça. Os prazos eram alargados, os recursos do melhor malabarismo jurídico esticavam a corda e no final o ratinho parido pela montanha era tão ALGARVE INFORMATIVO #87

atrofiado que saía de cena sem darmos por ele. Temos casos na justiça interna que importam à nação porque envolvem corrupção de dimensões gigantescas e ataque ao erário que reúne os impostos dos portugueses. Não foi azar, foi agenda. Vem esta deixa a propósito do futeboleaks que apanhou o CR7 e outros magnatas do desporto profissional, segundo as notícias repetidas hora a hora na madrugada da A1 rumo a Lisboa. Veremos no que dá, para já contentamo-nos com a repetição da notícia até à náusea. Lembram-se dos Panamá Papers e dos ilustres nomes lusos que nunca vieram a público? Valeu a notícia nos jornais vendidos e tempo de antena, comentários sábios de quem estudou para sabiamente comentar – adormecemos, e a ideia é essa – de tanta sabedoria plastificada na TV. É espantoso como quem tanto ganha achar-se no direito ganancioso de se esquivar ao peso das máquinas tributárias. E mesmo assim, o povo sofredor da canga tributária torce pelo seu sucesso. Será por que no lugar das estrelas faria o mesmo? Está de chuva e o Miles Davis no duplo CD «Black Beauty» fica em sintonia com a bendita água que está a despertar a natureza recolhida em sono outonal, assessorado pelo piano do Chick Corea e as baquetas do Jack DeJohnette, entre outros. Estou em pausa para logo à noite em Sintra, na reedição a sul do concerto da noite passada no Porto. As laranjas estão a ficar na cor certa e o vento fustiga os frutos mais pesados que caem na relva. Enquanto uma nova notícia para consumo leviano não chega. Um livro: «A Ira de Deus Sobre a Europa», edição Quetzal (2016) de J. Rentes de Carvalho. Politicamente incorrecto, que é o que mais precisamos de confrontar .

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Precisamos de heróis já! Augusto Lima

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nde estão os Robins dos Bosques, Zés dos telhados e Marias das fontes? E porque não um herói Cozinheiro?

E porque temos o direito de viver com dignidade, ter trabalho, poder passear, ter esperança no amanhã e contra esta falência de bens primordiais para a vida e poder ver a luz ao fundo do túnel, é importante que falemos vezes sem conta, relembrando a situação em que vivemos. É importante que Juízes de cara lavada façam o seu trabalho, numa clara divisão de poderes da Justiça e Governo Central e, munidos de imparcialidade, possam colocar na cadeia todos aqueles que ao longo destes anos de liberdade mas condicionada, estropiaram, roubaram, venderam o País, em negócios com vista ao proveito próprio. Cabe a todos nós, que votamos, saber se queremos mais do mesmo ou um Portugal diferente. E Portugal tem sido um valente sem abrigo que, apesar de tudo e todos, tem sobrevivido apesar de não se saber bem como! Mas eu sei: graças aos Portugueses, gente anónima que se desdobra, se reinventa e cria do zero uma oportunidade neste mundo dedicado ao empreendedorismo, como forma de dar o salto. Esquecemo-nos depressa de quem, vindo de França, principescamente exilado, nos ludibriou na entrada para a OCDE, e acabou com as colónias sem fama ou glória e iniciou o derrube de um País renovado. De uma forma ou de outra, independentemente da cor política, a grande maioria dos políticos usou os cargos públicos para seu benefício. A todos eles deveriam ser pedidas contas. A política deve existir para servir o Povo e não para o aniquilar. Se Democracia é viver num estado onde o povo é soberano, falta dizer que o modelo seguido não é o melhor. Temos de passar ALGARVE INFORMATIVO #87

para uma Democracia Pura, ao invés da ctual, uma Democracia Representativa, já que os mandatários, manipulados/escolhidos pelos Partidos não nos têm representado da melhor forma. Assumo a minha quota-parte, pela impávida forma a que todos assistimos durante anos a esta ruína. Não foi só o BES ou o BPN ou outros tantos casos que faliram. Foram essas empresas que foram roubadas. Os ladrões andam aí, com as fortunas pessoais intactas com despesas pagas, carros de luxo, vidas de opulência, contas gigantes. Já cidadãos como eu, cozinheiro, quando devemos ao estado, e às vezes sem ter clara noção disso, somos ameaçados que nos vão tirar o que é nosso, confiscar os nossos bens. O estado tem, ao contrário da protegida justiça cega, uma jurisdição de um olho aberto quando descobre que alguém está mal. Ao cidadão normal, ao invés de ajudar, ensinar, promover, ameaça com cadeia e coloca-as piores do que já estão. Aos outros, os corruptos, permite que advogados do diabo e leis mal alinhavadas vá permitindo recursos e apelos até que se eliminem as provas ou alguém mais receba luvas, favores e presentes. Afinal, quem fez as leis? Que país é este onde as pessoas de bem, trabalhadores, se deixam levar para o cadafalso sem espernear? Agora, pagamos todos os juros de quem levou e não pagou. Vivemos ainda e teimosamente onde os padrinhos estendem o seu poder e os tolos se deixam enganar com papas e bolos. Mas a culpa é nossa! Minha, Cozinheiro, tua Padeiro, e também tu de profissão exata e sem futuro ou na corda bamba da decisão do cifrão. Queremos e precisamos de ter o melhor que pudermos. Precisamos de heróis e é já! .

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À descoberta do legado Omíada em Vila do Bispo A Região de Turismo do Algarve dinamizou, no dia 6 de dezembro, mais uma Fam Trip, desta vez com destino a Vila do Bispo e com o objetivo duplo de dar a conhecer as belezas deste concelho, mas também o seu legado Omíada. Para tal convidou algumas dezenas de profissionais de turismo, agentes culturais e jornalistas, numa jornada que terminou com um deslumbrante pôr-do-sol no Cabo de São Vicente. Texto:

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epois de Alcoutim, São Brás de Alportel, Monchique, Lagos, Lagoa, Aljezur, Tavira e Silves, a Fam Trip «Redescobrir os Segredos do Algarve», promovida pela Região de Turismo do Algarve, rumou, no dia 6 de dezembro, ao concelho de Vila do Bispo. O propósito da iniciativa foi, como de costume, dar a conhecer mais alguns dos segredos do principal destino turístico do país e, em simultâneo, revelar a herança árabe na região. Aliás, a Fam Trip a Vila do Bispo integrou a descoberta da Rota dos Omíadas no Algarve, itinerário turístico-cultural dedicado à dinastia árabe que há mil anos dominava o Mediterrâneo. A jornada iniciou-se logo pela 8h30, junto à sede da RTA, em Faro e, depois ALGARVE INFORMATIVO #87

de uma breve paragem em Vale Paraíso, para recolher mais elementos da comitiva, seguiu-se para Vila do Bispo, mais concretamente à Praça da República, junto à Igreja Matriz de Vila do Bispo, onde nos esperavam Adelino Soares, presidente da Câmara Municipal de Vila do Bispo, Desidério Silva, presidente da Região de Turismo do Algarve, e Alexandra Gonçalves, Diretora Regional da Cultura do Algarve. No Centro de Interpretação de Vila do Bispo foi feita uma pequena introdução ao território e visitou-se a exposição «Paisagens Condutoras», um cruzamento entre arte, cultura gastronómica e património histórico e arqueológico do Algarve, com algumas curiosas passagens sobre o legado omíada. 46


Aproveitando a pausa para café, Adelino Soares lembrou que se encontram, em Vila do Bispo, os vestígios mais acentuados da grande Pangeia, de onde se separaram os continentes que hoje desenham o globo terrestre, mas também aqui se podem observar pegadas de dinossauros e vislumbrar o triops vicentinus, que vive nos charcos temporários deste concelho. O autarca falou igualmente dos menires, da presença romana e árabe, dos Descobrimentos e do Infante D. Henrique. “Este território tem uma série de referências que remontam a milhões de anos atrás, mas também vários fenómenos especiais que não se conseguem bem explicar, como o pôr-do-sol no Cabo de São Vicente”, frisou. 47

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Adelino Soares, presidente da Câmara Municipal de Vila do Bispo, Alexandra Gonçalves, Diretora Regional da Cultura do Algarve, e Desidério Silva, presidente da Região de Turismo do Algarve

Continuando nesta viagem ao passado, Adelino Soares recordou os afundamentos ocorridos, em 1917, ao largo de Vila do Bispo durante a Primeira Guerra Mundial e que todos esses vestígios vão tornar-se, em 2017, Património da Humanidade. “Vila do Bispo nunca foi massificado e tem uma grande história associada. O São Vicente, por exemplo, tem muito a ver connosco e saiu daqui para Lisboa, da qual se tornou santo padroeiro. Hoje, se calhar, somos periféricos no Algarve mas, noutros tempos, fomos uma zona central do mundo e por aqui passou toda a gente”, apontou o autarca, visivelmente orgulhoso do concelho que lidera. Desidério Silva, presidente da Região de Turismo do Algarve, reforçou a ALGARVE INFORMATIVO #87

importância destes eventos para que o trade e a própria comunicação social contatem com alguns locais menos conhecidos do Algarve e assim possam melhor divulgar todas as suas potencialidades. “Vila do Bispo tem trabalhado muito na diferenciação dos seus produtos e esta presença aqui enquadra-se também na Rota Omíada, um projeto internacional que envolve a RTA, a Cultura e os municípios. Este ano, teremos cerca de 18 milhões de turistas, mas ainda não é suficiente. Em novembro, tivemos uma taxa de ocupação de 46 por cento, em janeiro, teremos 30 e tal por cento, em julho e agosto, estaremos completamente esgotados, e há que vender mais entre outubro e maio”, defendeu Desidério Silva. “Em concelhos como Vila do Bispo, as pessoas encontram 48


tranquilidade, qualidade, diversidade, bem-estar e isso tem contribuído para uma taxa de ocupação anual mais equilibrada”, reforçou. Por sua vez, Alexandra Gonçalves revelou que esta viagem a Vila do Bispo marcava o início de um percurso associado à Rota Omíada, que inclui 14 concelhos do Algarve. “Está na mão de cada um de nós dinamizar, exigir, promover e dar notoriedade, trazer turistas para percorrer a rota. A Direção Regional de Cultura desempenha, sobretudo, um papel científico e histórico, fornecendo conteúdos de base para a estruturação da Rota”, referiu, esclarecendo que os atrasos ocorridos no processo se devem ao facto de estarem envolvidos dezenas de parceiros de sete países. “É um 49

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trabalho que nem sempre consegue cumprir os prazos que gostaríamos, mas que é absolutamente necessário e do qual não podemos desistir. É um esforço diário e não podemos perder de vista este bem comum, os nossos recursos culturais e históricos associados a um legado árabe do período Omíada”. Dali partiu-se para o Menir do Padrão, na Raposeira, onde se abordou o tema Megalitismo e a sacralização das paisagens com os primeiros monumentos de pedra erguida. Não esquecer que Vila do Bispo é a área da maior concentração de menires do ocidente europeu, provavelmente os mais antigos, quiçá mesmo os primeiros. Ao longo da Finisterra Mediterrânica passou-se pelas praias da Ingrina, do Zavial, da Salema e da Boca do Rio, onde foi possível sentir o impacto de uma paisagem de primeira grandeza natural e contactar com uma série de apontamentos de elevado interesse do ponto de vista cultural. Destaque, entre outros, para um trilho de interpretação da biodiversidade sobre o Paul da Lontreira; uma villa romana originalmente dedicada à indústria conserveira; uma fortificação do século XVII construída para proteção das almadravas de atum; uma armação de pesca de época pombalina; e um naufrágio do século XVIII. Com a Fam Trip a meio, o almoço não poderia ter acontecido num local mais emblemático, o Forte de Santo António de Beliche, com vista privilegiada sobre a Ponta de Sagres e o Cabo de São ALGARVE INFORMATIVO #87

Vicente. Pelo facto de nela existir um escudo atribuído ao Rei D. Sebastião, poderá ter sido erguida no século XVI, mas há quem defenda que a sua construção tenha ocorrido no reinado de Manuel I ou do seu sucessor, D. João III, seguramente antes de 1587, uma vez que este edifício se encontra desenhado num mapa desta região produzido

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aquando do ataque do corsário inglês Francis Drake, que o destruiu. Tinha como função controlar aquele ancoradouro e proteger os pescadores que ali exploravam uma armação de pesca de atum. Quanto à fortificação atual, remonta a uma reconstrução ordenada por Filipe III de Portugal (1621-1640), tendo sido reinaugurada em 1632, conforme inscrição epigráfica sobre o portão de armas.

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De barriga cheia, a comitiva rumou ao «fim-do-mundo mediterrâneo», segundo a cosmovisão greco-romana, com uma visita interpretativa ao palimpsesto cultural do grande Cabo de São Vicente. Algumas histórias sobre a origem toponímica de Sagres, a sacralização da paisagem do grande Cabo, o culto de São Vicente e a

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Foto de família da comitiva no Forte do Beliche, à hora do almoço

presumível localização da Kanisat alGurab, a mítica Ermida do Corvo, foram alguns dos pontos altos da conversa. Segundo a tradição histórica e religiosa (hagiográfica), entre o século VIII e o século XII, algures na zona de Sagres, existiu um templo dedicado ao culto de São Vicente, naquela época um dos santuários mais concorridos nas rotas de peregrinação moçárabe da Península Ibérica. No século XII, o geógrafo árabe Al-Idrisi documenta esta «Igreja dos Corvos» (Kanisat al-Gurab) nos seus relatos acerca da finisterra mediterrânica. Entretanto desaparecida, presume-se que a mítica Ermida do Corvo terá sido edificada precisamente na ponta mais sudoeste da Europa Continental, denominada desde então de Cabo de São Vicente. ALGARVE INFORMATIVO #87

Percorrido o Farol Dom Fernando, mais um momento inesquecível, o mágico pôr-do-sol no Cabo de São Vicente, poeticamente descrito por autores clássicos romanos e que ainda hoje motiva uma singular romaria que converge para esta extremidade da Europa. De facto, centenas de pessoas ali se juntam diariamente para assistir ao fenómeno celeste, aplaudindo o momento em que o astro rei se extingue no «mar sideral». Depois, com centenas de fotos na bagagem e imagens surreais na cabeça, era hora de regressar ao ponto de partida, assim se concluindo mais uma Fam Trip da Região de Turismo do Algarve, desta feita ao concelho de Vila do Bispo . 52


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TEATRO DO SÓTÃO quer desmistificar a Doença Mental A saúde mental esteve em debate no dia 9 de dezembro, no Cineteatro de São Brás de Alportel, com a tertúlia «Dignidade em Saúde Mental – Signos de Fora», promovida pela Associação de Saúde Mental do Algarve e pela Câmara Municipal de São Brás de Alportel. Um dos pontos fortes da noite foi a performance «Signos de Fora» levada a cabo pelo Teatro do Sótão, grupo inclusivo da ASMAL, do qual fomos assistir a um ensaio alguns dias antes. Texto:

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poucos dias de mais uma apresentação pública, os ensaios intensificavam-se no Fórum Sócio Ocupacional de Faro da ASMAL, onde Nídia Gonçalves coordena o Teatro do Sótão, grupo de teatro inclusivo da Associação de Saúde Mental do Algarve. Desta feita, preparava-se a performance «Signos de Fora», que faria parte da tertúlia «Dignidade em Saúde Mental – Signos do Fora», a realizar no dia 9 de dezembro, no Cineteatro de São Brás de Alportel. Em palco ia-se assistir ao resultado de uma atividade semanal que envolve movimento e artes cénicas e esta Oficina de Teatro depressa deu a perceber que existia bastante interesse, disponibilidade e potencial criativo entre os utentes da ASMAL. “É um trabalho que permite uma redescoberta da própria pessoa, por lidar muito com o

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corpo, e pode ou não ser desenvolvido com alguma atuação em mente. Tudo depende de considerarmos que estão reunidas condições para subirmos a um palco”, explica Nídia Gonçalves. Apresentações ao público que são importantes por uma questão de valorização e reconhecimento dos próprios elementos do grupo e para desmistificar os estigmas normalmente associados à doença mental. “São homens e mulheres que, à partida, estarão numa situação mais desfavorecida e que, através deste trabalho artístico, podem ganhar uma outra visibilidade num espaço na sociedade que é frequentado por pessoas com alguns conhecimentos e hábitos culturais”, aponta a encenadora, indicando que estes

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encontros semanais são pautados por muita improvisação e criação. “O processo pode começar a partir de algum poema, de um exercício de improvisação teatral, da música ou de outra expressão artística. A ideia é elaborar uma composição cénica com aquilo que realizamos, o que não significa que estejamos todas as semanas a ensaiar”, acrescenta a entrevistada. Os atores, neste caso, são especiais, diferentes daqueles que estamos habituados a ver em cima de um palco, ou no ecrã da televisão, porque todos padecem de alguma doença mental, desde depressão a esquizofrenia. Não deve ser fácil, portanto, ensaiar uma peça nestas condições, porque nem todos estarão à vontade para interagir dentro 59

de um grupo e, muito menos, para ter pela frente algumas dezenas ou centenas de desconhecidos numa plateia. “O que nós fazemos, sobretudo, são exercícios que permitem às pessoas olhar para si e conhecerem o seu próprio corpo, mas também fomentar a comunicação, a socialização e a sua participação na comunidade. Claro que elas também precisam estar disponíveis para isso, sozinhos não conseguimos fazer nada”, indica Nídia Gonçalves. Ora, ao contrário do que se possa imaginar, a coordenadora do Teatro do Sótão garante que estas pessoas estão bastante recetivas para aceitar e criar coisas novas. Desse modo, quando há algum espetáculo agendado, há dois ou ALGARVE INFORMATIVO #87


três ensaios semanais para afinar os pormenores. “Não é costume pegarmos num texto teatral tradicional para levarmos a cena do princípio ao fim, preferimos improvisações teatrais, poemas ou estímulos musicais. O principal é que o produto final seja um trabalho coletivo, mesmo não sendo um grupo homogéneo, por causa das diferentes patologias de que sofrem. Tentamos valorizar as singularidades de cada pessoa para criar algo que seja de todos”, sublinha, confessando que são muito inspirados pelo que acontece no momento. “O nosso trabalho está em constante mutação, é um processo contínuo, até porque faz todo o sentido incluir nele o mundo de cada elemento do grupo, os seus desejos, angústias e ambições. Uma das primeiras peças que o Teatro do Sótão fez foi uma adaptação do «Sonho de Uma Noite de Verão», do ALGARVE INFORMATIVO #87

Shakespeare, mas optamos por comunicar algo mais próximo destas pessoas em concreto”.

Trabalhar no fio da navalha Menos texto e mais movimento é uma característica dos mais recentes projetos do Teatro do Sótão, porque o movimento deixa uma memória no corpo que é mais facilmente replicável nos ensaios e nas atuações em público. Contudo, o processo é bastante exigente, ainda para mais por não existir, no seio da ASMAL, uma equipa especialmente vocacionada para as questões técnicas de uma produção teatral, tais como a iluminação ou a sonoplastia. Quanto à encenação propriamente dita, é andar «no fio da 60


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navalha», nas palavras de Nídia Gonçalves. “Pode ser bastante stressante, mas também gera uma forte adrenalina que nos motiva a seguir em frente. Neste tipo de doenças, nunca sabemos o que vai acontecer amanhã, nem sequer no instante seguinte e uma das atrizes, por exemplo, foi internada a poucos dias do espetáculo ir a cena. É certo que situações inesperadas podem suceder em qualquer companhia de teatro, mas aqui é tudo mais imprevisível. Há um mundo invisível no interior da cabeça destas pessoas que é extremamente complexo e que torna este trabalho mais arriscado”, julga a entrevistada. Na noite de 9 de dezembro assistiu-se, então, à performance «Signos do Fora», que pretende questionar a condição do ser humano enquanto pessoa, bem como daquilo que é normal e anormal. Abordam-se, igualmente, as pressões sociais a que todos estamos sujeitos no nosso dia-a-dia, num produto que teve como génese um poema de António Cândido Franco, intitulado «Corpo Celeste» e algumas ideias filosóficas de Peter Pál Pelbart. “É uma performance que tem, de facto, mais movimento do que texto e que não é novo no Teatro

do Sótão, só que temos muita gente nova no elenco que vai atuar na sexta-feira. E nós não funcionamos com pontos, ao contrário de alguns grupos de teatro inclusivo. Temos uma grande equipa a apoiar na retaguarda, mas não entramos em cena, vestidos de preto, a ajudar com o texto”, destaca Nídia Gonçalves. Com o espetáculo de São Brás de Alportel a aproximar-se a passos rápidos, as expetativas eram altas, assim como a confiança no bom desempenho destes atores e atrizes. “O objetivo é beneficiar os intervenientes, mas também proporcionar momentos de reflexão e de algum agrado para os espetadores. Em termos técnicos, não temos os meios ideais, mas acreditamos que isto sensibiliza as pessoas e que elas saem do teatro de coração cheio… se as coisas correrem bem. Se alguém se enganar e tiver uma crise em pleno palco, isso vai contribuir para intensificar os tais estigmas que estamos a tentar combater. Mas temos que acreditar que tudo vai decorrer na perfeição”, finaliza Nídia Gonçalves .

Coordenação artística | Nídia Marta Gonçalves Intérpretes | Beatriz Félix, Gilberto Palhares, José António Almeida, José Luís Rufino, Helena Zewennis, Nídia Marta Gonçalves, Nuno Lourenço, Nuno Santos, Sandra de Jesus, Sandrina Pereira, Sílvia Amaro, Susana Dias, Simão Pedro Freitas, Telmo Viegas Operação de Som | Patrícia Correia Apoio e colaboração de palco | Vinita Neves e Cláudia Evangelista Figurinos | Vinita Neves, Graça Silva e Alexandrina Afonso Cabelos e Maquilhagem | Laura Fernandes e Cláudia Evangelista Apoio na área da saúde mental | Elizabethe Noronha ALGARVE INFORMATIVO #87

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Ricardo Nicolau, Diretor Adjunto da Fundação de Serralves, Paulo Santos, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Faro, Dália Paulo, Coordenadora do Programa «365 Algarve», Rogério Bacalhau, Presidente da Câmara Municipal de Faro, Ana Pinho, Presidente da Fundação de Serralves, Teresa Correia e José António Cavaco, vereadores da Câmara Municipal de Faro

Fundação de Serralves expõe no Museu Municipal de Faro O Museu Municipal de Faro recebe, desde dia 7 de dezembro, a exposição «O Regresso do Objeto: Arte dos Anos 1980», organizada pelo Museu de Serralves em parceria com a Câmara Municipal de Faro e com o apoio do Programa «365 Algarve». Na inauguração oficial ficou-se a saber, também, que Faro vai ser um dos membros-fundadores da Fundação de Serralves, em mais um passo rumo a «Faro – Capital Europeia da Cultura 2027» Texto:

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oi inaugurada, no Museu Municipal de Faro, no dia 7 de dezembro, a exposição «O Regresso do Objeto: Arte dos Anos 1980», uma coorganização do Museu de Serralves e da Câmara Municipal de Faro. Trata-se de uma mostra única de pintura e escultura que traz até à capital algarvia sete consagrados artistas, três deles com forte ligação ao Algarve, designadamente Pedro Cabrita Reis, Rui Sanches e Xana, a que se somam Rui Aguiar, Gerardo Burmester, Rui Chafes e Harald Klingelhöller. A mostra recorda os anos 80, período marcado pelo fim do isolamento social e cultural imposto pela ditadura de Salazar, e resulta de um exercício de descentralização através do qual o Museu de Serralves pretende dar a conhecer a sua extensa e distinta coleção de arte contemporânea. Mas a exposição assinala, igualmente, o início de uma relação institucional de proximidade entre a autarquia farense e a Fundação de Serralves, com o intuito de reforçar a oferta e a diversificação cultural do concelho de Faro. “O que estamos hoje a fazer é a materializar uma aproximação efetiva à Fundação de Serralves e também à região do Porto, tornando os espaços museológicos de Faro como potenciais destinos temporários de algumas das mais importantes obras de arte contemporânea que o nosso país conhece”, confirmou Rogério Bacalhau, presidente da Câmara Municipal de Faro. O edil aproveitou para revelar que Faro foi admitido ao Conselho de Fundadores da Fundação de Serralves, passando a fazer parte de um lote exclusivo de municípios que acreditam que esta ligação

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pode representar um grande incentivo para ampliar atos culturais e gerar novas ofertas nas indústrias criativas. “E pode ajudar a compor, com maior profundidade, a nossa proposta de «Faro Capital Europeia da Cultura» em 2027. Penso que não poderíamos começar esta relação de melhor maneira, porque esta exposição é um repositório de algumas das mais incríveis criações de autores consagrados, uma seleção de pinturas e esculturas de sete artistas com percursos muito acentuados nos anos 80 do século passado”, afirmou. Presente na inauguração esteve Ana Pinho, presidente do Conselho de Administração da Fundação de Serralves, que indicou a intenção desta entidade em levar, ainda com maior afinco em 2017, a arte contemporânea às populações de norte a sul do país. “Este trabalho é realizado em rede com as autarquias nossas fundadoras e não se limita à exposição que é organizada, mas também a um serviço educativo desenvolvido em especial para cada mostra e de acordo com os objetivos de cada município”, explicou, satisfeita por estas parcerias se terem estendido agora a Faro. “A exposição apresenta 15 trabalhos representativos de vários artistas, portugueses e estrangeiros, cujas obras começaram a ser bastante reconhecidas na década de 1980, momento que marca a abertura da arte portuguesa ao meio internacional”, frisou Ana Pinho. Visivelmente agradada com a aceitação de Faro como um dos membros fundadores da Fundação de ALGARVE INFORMATIVO #87


Serralves estava Dália Paulo, coordenadora do «365 Algarve», programa que nasceu da identidade da região, dos seus criadores e dos municípios algarvios. “Por isso, vemos estas parcerias com muito bons olhos, porque não acabam amanhã, mas perspetivam, sim, o futuro na área da cultura. O «365 Algarve» tem permitido tornar sonhos realidade e esta exposição também é disso reflexo. Espero verdadeiramente que este seja o caminho de futuro para a cidade de Faro, porque também defendo que a arte contemporânea deve ser uma das vertentes fundamentais desse percurso”, salientou Dália Paulo. Recorde-se que a Coleção de Serralves integra atualmente mais de quatro mil e 300 obras, das quais mil e 700 são propriedade da Fundação de Serralves e as restantes, provenientes de diversas coleções, privadas e públicas, foram alvo de depósito de longa duração. A Coleção de Serralves inclui ainda cerca de cinco mil ALGARVE INFORMATIVO #87

livros e edições de artistas. O seu núcleo é a arte contemporânea produzida desde 1960 até à atualidade, mas arte anterior a essa data pode também ser considerada em função da sua relevância para a coleção e para os artistas nela representados. Cumprindo o seu programa de pesquisa e desenvolvimento permanentes, a Coleção de Serralves pretende distinguir-se por uma apurada atenção à criação do século XXI, em particular à relação das artes visuais com a performance, a arquitetura e a contemporaneidade no âmbito de um presente pós-colonial e globalizado. Assim, embora repercutindo a arte e as ideias do nosso passado recente, a Coleção tem como propósito refletir sobre o modo como a arte de hoje também antecipa o seu futuro. A exposição agora inaugurada no Museu Municipal de Faro estará patente até 19 de fevereiro de 2017 . 68


Sem título - Xana

Corpos - Gerardo Burmester 69

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Grande painel de tampas metálicas - Rui Aguiar

Sem título - Rui Sanches ALGARVE INFORMATIVO #87

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A las cinco en punto - Pedro Cabrita Reis

Vertigem VI - Rui Chafes 71

Sem título - Xana ALGARVE INFORMATIVO #87


Conversation Piece - Rui Sanches

Enigma Negro - Xana ALGARVE INFORMATIVO #87

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